Suplemento integrante da edição nº 4127 de 21 de abril de 2016 do semanário REGIÃO DE LEIRIA. Não pode ser vendido separadamente.
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Rui Bebiano
Diretor do Centro de Documentação 25 de Abril
“Já começa a haver trabalho de História sobre o 25 de Abril”
VERÃO QUENTE DE 1975
“Maridos pedem às mulheres para não saírem de casa” págs. 4 e 5
págs. 6 e 7
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Publicado pela primeira vez em O Jornal, de 11 de julho de 1975, este icónico cartoon de João Abel Manta, o autor de algumas das mais conseguidas metáforas visuais sobre a Revolução de Abril, representa o olhar do mundo sobre o que então se passava em Portugal, considerado, no biénio 1974/75, o laboratório político da Europa. A imagem remete para um conjunto de personalidades de referência como Karl Marx, Vladimir Lenine, Fidel Castro, Che Guevara, Joseph Stalin e Antonio Gramsci.
A ABRIR
Imagem cedida por Centro de Documentação 25 de Abril, da Universidade de Coimbra.
NÃO PERKAS Texto Maria Calugaru
FORMAÇÃO Instalações Zenith 9 - Barreira Sábados entre 7 de maio e 18 de junho às 10h00
MÚSICA 30 de abril, 21h30 · Centro Cultural Gonçalves Sapinho, Benedita
CURSO DE NARRATIVA FOTOGRÁFICA
Se está à procura de novas formas de contar/relatar as suas ‘estórias’, esta é a formação ideal para si. O curso de narrativa fotográfica pretende levar os seus alunos a adquirirem novas capacidades, tanto na fotografia, como na arte de relatar histórias. O curso de 15h (2 horas semanais) tem o custo total de 177€. Para mais informações, visite https://www.facebook.com/ fotografarte.net/
LUÍS REPRESAS
Luís Represas comemora 40 anos da sua carreira de música portuguesa no Centro Cultural Gonçalves Sapinho. Deu início ao seu percurso musical em 1992, após o fim da banda Trovante, tendo editado 15 albuns desde então. O concerto tem a duração de 75 minutos, sem intervalo. 5, 6, 7 de maio · Nazaré
JAZZ EM VALADO DOS FRADES
A décima nona edição do festival de jazz do Valado dos Frades iniciou em abril e termina em maio. Se não foi a tempo de assistir a Metamorphosis e Mano a Mano, pode ver ao vivo grandes nomes do jazz como Nanã Sousa Dias Quinteto, César Cardoso Quarteto e por fim, Ricardo Toscano Quarteto. Para mais informações visite: http://www.jazzvalado.net
Diretor Francisco Rebelo dos Santos francisco.santos@regiaodeleiria.pt
Apoio à Edição Alexandre Soares asoares@ipleiria.pt
Coordenadores Pedagógicos Catarina Menezes cmenezes@ipleiria.pt
Maquetização e Projeto Gráfico Leonel Brites – Centro de Recursos Multimédia ESECS–IPL leonel.brites@ipleiria.pt
Paulo Agostinho paulo.agostinho@ipleiria.pt Marco Gomes marco.gomes@ipleiria.pt
Secretariado de Redação Marta Santos Vânia Reis
ANIMAÇÃO 30 de abril a 29 de maio
FEIRA DE MAIO
Depois do alargamento de prazo aprovado pela Câmara Municipal de Leiria, devido à reposição do feriado nacional, no dia 26, Dia do Corpo de Deus, a Feira de Maio inclui cinco fins de semana de pura diversão. A Feira é ainda acompanhada pelo Leiria Festival que decorre nos dias 12, 13 e 14 de Maio. O cartaz musical já conta com Rui Veloso, no dia 12, Dengaz e Expensive Soul, a 13, Agir e Os Azeitonas a 14. Acompanhe as novidades em https://www.facebook.com/leiriafestival/
Redação e colaboradores Adrien Rodrigues, Ana Marinho, André Azevedo, Andreia Rosa, Beatriz Bárbara, Bruno Lopes, Carolina Lopes, Catarina Wang, Daniela Abreu, Federico Girolamo, Horácio Moutinho, Inês Real, Inês Venâncio, Jéssica Cordeiro, Joana Garcia, João Oliveira, Jonatas Gomes, Maria Calugaru, Mariana Silva, Marlene Varela, Nádia Pereira, Núria Carriço, Paula Santos, Pedro Rino, Rafael Silva, Sandra Martinho, Sara Ramos, Sónia Coelho, Tânia Filipe, Vânia Andrade, Vânia Reis.
Presidente do Instituto Politécnico de Leiria Nuno Mangas presidencia@ipleiria.pt
DESPORTO 15 de maio, 09h30
BAROSA CHALLENGE
A Comissão de Festas da Barosa apresenta a corrida de obstáculos que promete ser a aventura da primavera. São 14 km em pleno pinhal e, para os mais corajosos, a corrida conta com mais de 20 obstáculos de caráter militar que prometem deixar qualquer um ‘KO’. Mas não se preocupe, o evento não tem limite de tempo e qualquer um pode participar. A inscrição é de 15€, mais 5€ para almoço.
Os textos e opiniões publicados não vinculam quaisquer orgãos do IPL e/ou da ESECS e são da responsabilidade exclusiva da equipa do Akadémicos.
Diretor da ESECS Rui Matos dir.esecs@ipleiria.pt Diretora do Curso de Comunicação e Media Catarina Menezes cmenezes@ipleiria.pt akademicos.esecs@ipleiria.pt
3 ESECS assinala Centenário da 1.ª Grande Guerra
KO
ESTÁ –a– A DAR
Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do IPLeiria recebeu, a 5 de abril, uma conferência sobre a participação de Portugal na Grande Guerra. A temática foi também explorada na exposiTexto ção Ser Soldado, que está patente Andreia Rosa ao Público na Biblioteca da EscoBruno Lopes Federico Girolamo la Superior de Educação e Ciências Sociais, até dia 30 de abril. Na conferência participaram duas docentes da ESECS, Dina Alves e Alda Mourão, que apresentaram uma contextualização do que foi a Grande Guerra e, em particular, a participação de Portugal. Esteve ainda presente o tenente-coronel Ley Garcia, presidente do Núcleo Central dos Combatentes de Leiria, instituição que para além da preservação da memória, tem também por missão prestar apoio médico, psicológico e social aos combatentes, ex-combatentes e às suas famílias. “Como a nossa ajuda é limitada acabamos por selecionar algumas famílias para ajudar”, explicou o tenente. A conferência contou ainda com a participação de Célio Dias, que disponibilizou para a exposição Ser Soldado parte do seu espólio de mais de cinco mil peças da área militar. Conforme explica, a sua entrega ao colecionismo leva-o a facultar as peças gratuitamente para estabelecimentos de ensino e unidades militares. “Vivi dentro de um quartel desde os onze anos, conheço bem a cultu-
KONSUMO OBRIGATÓRIO Texto Catarina Wang Carolina Lopes Inês Real Sónia Coelho
Alta Burguesia Um mistério colorido ra militar e tenho uma grande paixão pela área”, refere, explicando a razão de colecionar símbolos nacionais de grande importância para a História de Portugal. Durante a sessão, Pedro Lila, representante dos Serviços de Documentação do Instituto Politécnico de Leiria, sublinhou “a pertinência da temática ser abordada e focada pela Escola e pelos Serviços de Documentação.” Ainda antes do público visitar a exposição, o colecionador Célio Dias expressou um desejo: “gostava que efetivamente os nossos diplomatas se focassem nesta frase ‘a excelência suprema é vencer sem combater’”, fazendo referência ao livro A arte da Guerra de Sun Tzu. k
Contagem decrescente para a Semana Académica Texto Daniela Abreu, Jéssica Cordeiro e Jonatas Gomes
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onsiderada (por muitos) a maior festa estudantil de Leiria, a Semana Académica já é aguardada com expetativa pelos estudantes do Instituto Politécnico de Leiria. Organizada pela Associação de Estudantes (AE), em parceria com Atmo Sensation, o evento decorrerá de 24 a 30 de abril. Como tem sido habitual, o recinto contará com muita música, bandas locais como os Trovantina, a Instatuna, a Higiatuna e a Tuna Académica ISLA Leiria. Como artistas convidados vão subir ao palco os emblemáticos The Gift, o rapper Dillaz, o cantor David Antunes & The Midnight Band, o Dj Nuno Fernandez, a banda HMB, Mastiksoul, The Ninja Kore, Hi-Fi e, pelo segundo ano consecutivo, Quim Barreiros. Segundo Bruna Santiago, presidente da associação de estudantes da ESECS, “as dificuldades maiores são a organização do cartaz, para que agrade ao maior número possível de estudantes”. A presidente da Associação refere que surgem também “algumas dificuldades técnicas”
21 abril 2016
devido ao recinto ser deslocado do centro, “pois em Leiria ainda não existe um local certo para o evento”. Mas como não só de música vive o evento, irá também decorrer o desfile académico agendado para o dia 27 de abril, onde irão participar carros alegóricos decorados pelos alunos de cada curso do IPLeiria. Na abertura da SAL, junto à Sé, irá acontecer o já habitual “traçar da capa” dos caloiros, um momento de grande emoção em que irão vestir o traje académico pela primeira vez. Para o caloiro Miguel Santos este momento da sua vida académica é “uma mistura de sentimentos e imprevisibilidade, por estar a representar esta academia e pela primeira vez fazer parte do grande grupo de estudantes que têm todos o objetivo comum de fazer mais e melhor pelo seu futuro profissional”. k
Carlos Alves, 48 anos, natural de Lisboa, juntou-se com um grupo de amigos e apostou na inovação da restauração. “Gourmet não se trata de quantidade mas sim de qualidade”, esclarece. O grupo de amigos optou pela inovação do conceito tradicional de hambúrguer. O “Alta Burguesia, Hamburgueria Gourmet” abriu no Porto há cerca de dois anos. O sucesso do conceito levou Carlos a apostar em Leiria há cerca de um ano. É um restaurante que optou por um espaço acolhedor e atraente onde a televisão não faz qualquer falta. Segundo Carlos Alves, o Alta Burguesia é “um lugar para se estar”, um lugar onde “os clientes permanecem horas seguidas à conversa”. A decoração escolhida para o restaurante assenta em tons de dourado e preto. Nas paredes, encontramos uma elevada quantidade de espelhos com talhas douradas, o que dá uma sensação acolhedora. Confecionam-se no restaurante hambúrgueres frescos e com sabores diferentes. O responsável explica que todos os produtos e ingredientes utilizados são confecionados no local e nunca congelados. No que diz respeito ao atendimento, Carlos Alves é da opinião que todos os clientes são diferentes e, como tal, todos merecem uma abordagem personalizada. É um local que ainda não captou a 100% a atenção dos jovens, pois estes associam o conceito de “gourmet” a pouca quantidade e preços altos. Mas esta é uma batalha que Carlos Alves acha que pode vencer. No menu, podemos encontrar “Hambúrguer de novilho com molho pimentas”, “Hambúrguer de requeijão mole”, “Hambúrguer de novilho com fiambre, linguiça, presunto e queijo” e outras inovações. A acompanhar a variedade de hambúrgueres, encontramos ainda arroz de cores diferentes. “Dar alegria ao prato” é o que Carlos Alves pretende. O restaurante situa-se na Rua da Graça, junto à Praça Rodrigues Lobo. Durante a semana, os preços rondam os 8,50€ por menu, à hora de almoço. Nas restantes refeições os preços são de acordo com a carta. k
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GRAVES INCIDENTES EM LEIRIA O MENSAGEIRO 31 agosto 1975
Assaltada em Leiria a Sede do MDP/CDE
KAPA
UNA GIORNATA A LEIRIA DI DISORDINI E DI PAURA! IL MESSAGGERO 26 agosto 1975
DIÁR IO DE NOTÍCIAS 25 agosto 1975
LEIRIA TEM VIVIDO SAQUEAN LA SEDE DEL MDP EN LEIRIA DIAS AMARGOS LEIRIA, 25 (SERVICIO ESPECIAL, “THE NEW YORK TIMES”)
Tele/eXpres 25 agosto 1975 A Batalha do Lis
Leiria nas bocas do mundo Durante o “Verão Quente” de 1975, o país passou do estado guerra fria para a fase de guerra quente. O fervor da luta política catapultou Leiria para as primeiras páginas dos mais relevantes órgãos de comunicação regionais, nacionais e internacionais. Em vésperas de mais um aniversário da Revolução dos Cravos, o Akadémicos, a partir da imprensa da época, recorda os quatro dias de violência que conferiram à cidade um mediatismo sem precedentes. Texto Sara Ramos, Beatriz Bárbara e Nádia Pereira
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alamos de Leiria. Entre 24 e 27 de agosto de 1975. A cidade do Lis é palco de um conjunto de episódios que logo convocam enviados especiais dos mais proeminentes órgãos de comunicação mundiais. Folheando os jornais da época, regionais, nacionais e internacionais, são vários os vocábulos que resgatam o imaginário do momento: “ódio”, “animalidade”, “filme medieval”, “combates”, “sangue”, “histeria coletiva”, “rajadas de G3”, “caçadeiras”, “fogo posto”, “boatos”, “anarquia”, “intolerância”, “vítimas”, “espancamentos”, “esquadrões contrarrevolucionários”, “país doente”. O Portugal “revolucionário” encontra-se, em agosto de 1975, no epicentro do “Verão Quente”, termo que designa um conjunto de acontecimentos políticos e sociais que colocam o país à beira da guerra civil. Visões e projetos distintos da sociedade e do sistema político a construir fraturam a unidade do corpo militar e do Movimento das Força Armadas, inf lamando o confronto entre partidos políticos. Durante os meses de julho e agosto, Rio Maior converte-se na linha simbólica que divide Portugal em duas partes. O Sul conotado com a “revolução” e os projetos de esquerda do Partido Comunista (PCP) e demais forças progressistas. O Norte movido por ideais ainda conservadores e regiões marcadamente rurais, animadas por princípios católicos. Numa palavra: a “reação”. Il Messaggero, por exemplo, descreve a Leiria da época como “um grande centro agrícola a 130 quilómetros de Lisboa.” Braga, Famalicão, Alcobaça e Leiria são algumas cidades cuja violência popular “anticomunista” domina o cenário de mobilização social no Centro e Norte do país. Dezenas de sedes do PCP, de sindicatos e de outros
REGIÃO DE LEIRIA 30 agosto 1975
MIT VORGEHALTENER PISTOLE ZWINGT EIN DEMONSTRANT IN LEIRIA DIE POLIZISTEN, IHRE WAFFEN ABZUGEBEN. DIE BEAMTEN SOLITEN DAS PARTEIBÜRO DER KOMMUNISTEN SCHÜLTZEN STER N agosto 1975 partidos de orientação revolucionária são cercadas e saqueadas, alvo de ataques bombistas, assaltos noturnos e fogos postos. O episódio que durante quatro dias coloca Leiria em “estado de sítio”, a traz para as primeiras páginas dos jornais e lhe confere tempo de antena nas televisões do mundo representa um símbolo do clima de pânico e tensão que se vivia no país. Durante os ataques, formam-se multidões que chegam a juntar milhares de pessoas, produzindo cercos de várias horas e tiroteios com militantes comunistas e forças militares encarregadas de proteger os seus centros de trabalho. As ações vitoriosas ocorrem aquando da tomada da sede e da destruição de documentos, da propaganda e do mobiliário. No final, em jeito de ritual, celebra-se a iniciativa com a queima de todo o material “comunista”. A imprensa da época Os quatro dias de tensão vividos em Leiria são amplamente cobertos pela imprensa da época que vai noticiando a agitação. De Itália chegam notícias de “Um dia de desordem e de medo em Leiria”, avançadas pelo romano Il Messaggero. Il Giorno, de 27 de agosto, titula também: “Portugal – exército dispara sobre manifestantes: um morto”. Dois dias antes, o espanhol Tele/ eXpres regista o relato do enviado especial do New York Times, indicando: “Saqueiam a sede do MDP em Leiria”. Já a revista Stern, da Alemanha Federal, apresenta uma legenda de fotografia de capa, onde se lê: “Um manifestante, em Leiria, aponta a pistola a um polícia, obrigando-o a entregar a sua arma. A polícia tinha como missão proteger a sede dos comunistas”. O Região de Leiria relata que “ainda era de dia e já se ouvia o mataquear de balas”. O acontecimento é acompanhado pelos muitos jornais que neste período confe-
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A NOITE NEGRA DE LEIRIA. SÓ OS SOLDADOS FORAM HOMENS
DIÁR IO DE LISBOA
25 agosto 1975
LEIRIA: A CALMA VOLTOU APÓS 3 NOITES A FERRO E FOGO DIÁR IO POPULAR 27 agosto 1975
PER DIFENDERE UNA SEZIONE DEL PARTIDO COMUNISTA
PORTOGALLO—L’ESERCITO SPARA SUI DIMOSTRANTI: UN MORTO IL GIOR NO 27 agosto 1975
rem um dinamismo singular à imprensa, com olhares dispares sobre a realidade reportada e em função do seu alinhamento político.
rio, formam-se novos grupos que tentam aproximar-se da sede do PCP e atacar os elementos do RAL. Os militares respondem com rajadas de G3 e granadas de gás lacrimogénio. De acordo com o relato, o confronto dura três horas. O assalto fracassado à sede do PCP induz os populares para nova ação. Segue-se a sede do Movimento Democrático Português, bastante mais debilitada do ponto de vista da segurança. A descrição do Diário de Lisboa é reveladora do sucesso do ataque: “O Largo da Sé transformou-se num autêntico inferno cruzado por centenas de pessoas desvairadas que gritavam e dançavam numa manifestação de animalidade que não sabemos descrever. (...) Começaram a lançar pelas janelas tudo o que encontravam: mesas, cadeiras, papéis, cartazes, folhetos, tapetes – tudo. (...) Num ritual canibalesco, juntavam estes objetos e lançavam-lhes fogo, formando três gigantescas fogueiras cujas labaredas chegavam ao telhado do edifício e iluminavam, de uma forma macabra, a própria Sé”.
Tudo começou ao anoitecer Na manhã de dia 24, Leiria acorda sem muita agitação. A cidade prepara-se para uma manifestação de apoio ao episcopado. O Largo da República é o ponto de encontro que reúne cerca de 20 mil pessoas. Segundo o Região de Leiria, o católico local A Voz do Domingo ou mesmo o Diário de Lisboa, que fez deslocar o jornalista Sttau Monteiro para a região, a multidão ergue cartazes onde se lê: “Não somos nem vamos contra ninguém”; “Abaixo a violência”; “Não ao aborto”; “Não à pornografia”, “A Renascença é nossa”, “Amor, Paz e Justiça”. O cortejo tem início às 17 horas e percorre algumas das principais ruas da cidade. Vários oradores, entre os quais o bispo de Leiria, Alberto Cosme do Amaral, tomam a palavra e defendem um regime político baseado na dignidade humana e no respeito pela família. Atacam questões como o aborto e o divórcio. E sublinham a posição da Igreja relativamen- ”A identificação do jornal resolveu a questão” te aos assuntos que vão marcando a agenda política Sandro Osmani, na edição de 26 de agosto de Il Messado país, sobretudo a devolução da Rádio Renascença ggero, descreve outra tentativa de ataque ao centro de ao episcopado. Trata-se de um conf lito laboral que trabalho comunista, uma longa batalha entre a multiadquire contornos ideológicos e retira à Igreja o con- dão descontrolada e os militares. “No meio de milhatrolo da estação radiofónica. res de projéteis de metralhadora, de cocktails Molotov, A multidão de fiéis dispersa-se. Ordeiramente. Horas do fumo lacrimogéneo, dos tiros de pistola, de um fogo depois, uma mancha humana dirige-se para a sede infernal, assisti a esta absurda guerrilha que ainda do PCP. São 21 horas. Ouvem-se provocações aos mi- não tinha sucumbido ao anoitecer”. litantes comunistas, que o Diário de Lisboa do dia 25 Os elementos do RAL conseguem suster os insurreproduz: “Morte à canalha”; “Os malandros para a retos e restabelecer a situação. Mas não impedem fogueira”; “Ao tiro, ao tiro”. Os populares, sublinha o que o assalto à sede do PCP se transforme “numa bruvespertino, procuram aproximar-se do edifício, mas tal e violenta guerra contra as Forças Armadas”. O são bloqueados pelo Regimento de Artilharia Ligeira enviado do diário italiano traça um cenário de guerde Leiria (RAL). Rapidamente, a ira popular vocifera ra, onde os ensanguentados caem e são ajudados por frases contra os militares: “Bandidos! Estão feitos com companheiros. os ladrões”; “Vivem à nossa custa e voltam-se contra “Quando tentei defender um velhote transeunte, quem lhes paga as armas”. talvez um pouco embriagado, senti-me também ‘um O enviado especial Sttau Monteiro afirma que, no porco comunista’. A identificação do jornal resolveu a contexto do desafio de corpo a corpo e das tentativas questão. Mas foram momentos terríveis. ‘O que vos fide perfurar o cordão de segurança, a calma dos mi- zeram os comunistas?’, perguntei de seguida ao grupo. litares constitui um “elemento determinante” para ‘Nada – foi a resposta –, mas neste país não os quereevitar o agravamento da situação. Do outro lado do mos!’”, relata Osmani.
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Quatro dias, um morto e dezenas de feridos O clima de guerra termina a 27 de agosto. Depois de várias tentativas, o assalto à sede do PCP é consumado. Os militantes, que, no interior, defendem o edifício, são transportados pelos militares para a Marinha Grande. José Augusto Esteves, hoje com 69 anos, recorda a forma como viveu, na sede do partido, as ações que designa por terroristas: “Foram atingidas casas e vidas de muitas pessoas. Encarámos esses violentos acontecimentos com alguma serenidade. Alturas houve em que foi necessário aparecer porque tentaram arrombar a porta. Nós defendemo-nos. Quando entraram, levaram chumbo”. O militante comunista contraria a ideia de que o clima criado tenha resultado de iniciativas espontâneas do povo. E não tem dúvidas em afirmar que os ataques e a violência derivaram de ações orquestradas, também com a “conivência das bases de alguns partidos ditos democráticos”. “Lembro-me que a procissão ainda estava em curso e já as máquinas de filmar de muitas televisões internacionais se encontravam à frente do centro de trabalho. Era um sinal, um sinal”, sustenta José Augusto. O balanço de quatro dias de confrontos entre, de um lado, populares e, do outro, militares e militantes do PCP e dos restantes partidos de vocação comunista envolve centenas de pessoas. A imprensa fala em dezenas de feridos, alguns com gravidade, e um morto atingido por rajadas de G3. Além da destruição que afeta vários estabelecimentos comerciais, agências bancárias e algumas instituições públicas, os jornais referem os saques às sedes do Movimento de Esquerda Socialista, da Liga Comunista Internacionalista e da Frente Eleitoral dos Comunistas (marxistas-leninistas). Seguindo as reportagens da época, semelhantes ações atingem os escritórios dos advogados José Varela e Guarda Ribeiro. Alguns oficiais militares sofrem ameaças de morte, nas suas habitações, também dirigidas às famílias. Dois jornalistas franceses e um alemão são obrigados a receber cuidados de saúde. Leiria procura voltar à normalidade, depois de quatro dias marcados por apelos de mobilização via rádio, sinos de igrejas tocando a rebate e, como refere Sttau Monteiro, “maridos que pedem às mulheres para não saírem de casa”. Volvidas as “noites a ferro e fogo”, como escreve o Diário Popular, regressam a Tomar, Coimbra e Figueira da Foz os militares e elementos da PSP que haviam chegado em auxílio daqueles de Leiria. Num comunicado publicado no Região de Leiria a 30 de agosto, a comissão organizadora da manifestação católica refere que, naquele dia 24, “as pessoas regressaram pacientemente a suas casas, como lhes foi pedido”. E logo se interroga quanto aos distúrbios posteriores: “Quem os provocou? Também nós desejaríamos saber”. Em relatos que o trabalho da História começa a organizar, e que nas páginas dos títulos da época surgem por vezes inf lamados pelo calor dos acontecimentos, e em redor de uma ou de outra perspetiva do mundo social, a imprensa espelha as tensões da Revolução, vividas, em particular nestes quatro dias, também em Leiria. Vale a pena recordar o último parágrafo de Sandro Osmani para Il Messaggero: “Depois de tanta desordem ninguém foi preso. ‘Porquê?’, perguntei eu a um sargento. ‘Existe liberdade’, respondeu-me”. k
6 Rui Bebiano Diretor do Centro de Documentação 25 de Abril
SENTADO NO MOCHO Trabalho com uma fase da história muito recente, que é ainda tema sensível para alguns Professor da Universidade de Coimbra, historiador, crítico e ensaísta, Rui Bebiano assumiu há cinco anos o cargo de diretor do Centro de Documentação 25 de Abril (CD25A). Prestes a concretizar a mudança das instalações para o Colégio da Graça, em Coimbra, onde se situa já o Centro de Estudos Sociais, o Centro de Documentação 25 de Abril virá a ter melhores condições para acolher tanto espólio como visitantes. Entrevista André Azevedo, Rafael Silva, Pedro Rino e João Oliveira
Quando tomou posse como diretor do CD25A, das antes e tínhamos de pagar e não tínhamos dinheiro numa entrevista ao Diário As Beiras, afirmou que para tudo. Portanto, a Reitoria teve de fazer umas maseria um “desafio pessoal e também científico”. nobras através de uns fundos especiais para conseguir Esta motivação mantém-se? pôr o orçamento a zero. Temos tido ótimas experiências O Centro é um arquivo público que tem como objeti- com pessoas que vêm aqui e gostam do trabalho. É um vo reorganizar e disponibilizar documentação sobre trabalho que se faz com prazer. Depois há muita gente a nossa história recente. O objetivo é funcionar como que se vai embora e fica com pena, habituou-se a trabaarquivo público desse tipo de documentação e apoiar lhar aqui com estas coisas, abrir caixotes e descobrir reo trabalho académico a nível de alunos que estejam vistas, cartazes e também fotografias e vídeos. a fazer mestrados ou doutoramentos e que queiram fazer trabalhos. Não apenas para investigadores que Quais as especificidades que este arquivo recorrem a nós de forma mais especializada, mas para apresenta em relação a outras instituições? outro tipo de entidades, por exemplo comunicação Diria que neste momento não existem muito mais social. Quase todas as semanas temos contactos de arquivos com características semelhantes. Nos anos televisões, ou jornais para fornecer informação sobre 70, apareceu em França pela primeira vez uma instialguns assuntos. Depois temos ainda uma outra mis- tuição que se chama: Instituto de História do Tempo são: a de facultar à comunidade documentação que Presente. Neste momento, em Portugal, existem, para faz parte da nossa memória comum. É evidente que história recente, para além da Torre do Tombo, estes nós não estamos à espera que a população se interesse três arquivos: Museu do Aljube, Fundação Mário Soaos milhares, até porque não teríamos condições para ares, Arquivo do José Pacheco Pereira e o Centro de poder facultar esse serviço, mas de qualquer forma, te- Documentação 25 de Abril. O nosso arquivo é o maior mos a obrigação de ir ao encontro de pessoas que quei- arquivo português. Temos cerca de 3 milhões de arquiram conhecer. Há quem recorra a nós por causa da sua vos tratados e mais um milhão à espera de tratamento. experiência pessoal, para acederem a documentos e relembrarem acontecimentos das suas vidas. É possível afirmar que o objetivo que levou à criação do centro foi atingido, sendo que já não se Qual o balanço que faz dos últimos quatro anos limita ao conhecimento do biénio revolucionário? Eu diria que já não é apenas sobre o 25 de Abril, que e meio à frente do CD25A? Eu diria que o primeiro ano foi muito positivo, tivemos era a origem do centro, mas de um período de tempo dinheiro para algumas iniciativas. Os últimos dois foram que vai do fim da 2ª Guerra Mundial até à atualidade. terríveis. Estivemos o penúltimo ano com orçamento A documentação do 25 de Abril é para aí 20% do nosnegativo. Havia despesas que estavam já contratualiza- so espólio.
7 Porque é que o Centro se tem mantido sob a alçada da Universidade e nunca se transformou num arquivo ou museu nacional gerido pelo Ministério da Cultura? O facto de ter existido uma relação que ligou o centro à universidade de Coimbra, confere-lhe uma identidade ao centro e aos seus conteúdos. Numa eventual integração posterior do centro, temeria que houvesse uma diferente sensibilidade em relação aos seus conteúdos e que fossemos deslocados para Lisboa.
Como carateriza o público que procura o Centro? São mais investigadores, alunos de mestrado e doutoramento e pessoas que já são investigadores de profissão há muitos anos. Quais as principais dificuldades que enfrenta, em Portugal, uma instituição dedicada à preservação da nossa memória coletiva? Hoje, existe menor interesse do que havia há uns anos e depois nós temos um número muito limitado de pessoas a trabalhar no Centro. Neste momento, estamos em fase de mudanças e não temos condições para preparar visitas guiadas.
O Centro foca-se num dos períodos mais importantes e polémicos da história portuguesa recente. De que modo é que esta condição marca a vida do arquivo? Encontram-se em preparação outras iniciativas O Centro não tem de se preocupar com isso, porque dedicadas aos mais jovens? o que nós temos de fazer é tratar dos documentos, Quando chegamos a esta altura de abril pedemreceber os leitores ou enviar documentos através -nos muitas vezes material para fazermos pequenas de cópias digitais. Os historiadores ou os jornalistas exposições em escolas. Neste momento já estão deé que os tratam. Aquilo que eles retiram das peças zenas de escolas aqui da região a receber material documentais é da sua responsabilidade. Nós só não nosso. Quando nos pedem para ir lá fazer uma inpodemos fornecer documentos que não estamos tervenção eu faço uma ou outra. autorizados a fornecer, como cartas pessoais ou documentação recente e de caráter mais pessoal. Essa O 25 de Abril é um dos temas mais superficialinformação só pode ser disponibilizada ao fim de mente abordados nos manuais escolares. 40 anos. Porém, tenho noção de que trabalho com Encontra explicações para esta realidade? uma fase da história muito recente, que é ainda Para muitas pessoas, os anos que vinham a seguir ao tema sensível para alguns e na qual ainda existem 25 de Abril não eram História ainda, eram política ou pessoas que participaram, que têm, sobre este as- jornalismo, portanto não constava nos programas sunto uma opinião muito emotiva. de história até porque não havia historiadores que se ocupassem do período revolucionário. Já começa Destaca algum material ou espólio? a haver trabalho de história sobre o 25 de Abril, mas Sim. Posso dizer que neste momento o maior, que ainda é muito limitado. A maior parte do trabalho nem sequer temos todo tratado, é o de Maria de Lur- que existe é só sobre história política, os acontecides Pintassilgo. Um terço está tratado e dois terços mentos políticos e diplomáticos. estão por tratar. Tinha uma dimensão absolutamente impressionante. Era um piso inteiro e parte de ou- Qual a melhor forma de explicar o 25 de Abril tro. Ela tinha material de arquivo pessoal nos dois pi- às novas gerações? sos, incluindo os quartos de banho - até nos quartos A forma como durante muitos anos se tratava nas de banho tinha dossiers - guardava tudo. Temos os escolas a revolução, quase de uma forma heróica, já arquivos pessoais de Salgueiro Maia. Recebemos há não tem impacto nenhum junto das pessoas. Quando muitos anos parte do arquivo do General Vasco Gon- nasci, a 2ª Guerra Mundial tinha acabado há 8 anos çalves que está distribuído por outros sítios. Temos a e quando cheguei à escola e ouvi falar pela primeira parte que talvez seja a que mais interessa a historia- vez na 2ª Guerra, para mim era uma coisa que tinha dores, que é a que ocupa o período em que ele teve acontecido quase no século XIX. Ou seja, tenho a noum papel como governante de Portugal. ção de que para as novas gerações o 25 de Abril tem de ser explicado de maneira diferente. Não pode ser já É possível mapear as sensibilidades políticas uma madrugada gloriosa, heróica, tudo isso… As pesdos doadores? soas não sabem o que é não poder falar, não poder ter Há uma maioria de documentos de esquerda. Temos uma opinião, ser preso por criticar mesmo que seja em maior número documentos ligados ao partido de uma forma ligeira… Penso que hoje em dia, mesmo socialista ou até mesmo à esquerda radical. Não te- do ponto de vista cívico, é muito mais interessante mos, tanto como gostaríamos, do Partido Comunista mostrar o que foi e o que é, e colocar em confronto, Português, pois ele tem a sua política privada de ar- para se perceber a importância do 25 de Abril. quivos. Quais as áreas em que importa investir? Existem restrições de consulta do acervo? A questão das instalações é essencial. As instalações Existem alguns como manuscritos, cartas, agendas, na baixa de Coimbra foram negociadas pelo Doutor documentos oficiais que têm, em si, um sentido pri- Boaventura no início dos anos 90. Nas novas instavado e do ponto de vista moral são documentos que lações podemos ter o nosso material melhor organipodem gerar problemas ou para as pessoas que os zado e preservado e ter condições para expandir um doaram ou para os seus herdeiros diretos. Depois pouco mais o Centro. existe a questão legal. Só podemos disponibilizar os documentos depois de 40 anos, a não ser que o seu Como levar o Centro às pessoas? doador concorde em disponibilizar de imediato. Há Com a mudança para as novas instalações podemos documentos que necessitam da autorização dos do- expandir um pouco mais o centro, ter condições adores para poderem ser consultados. Enfrentamos para ter um rosto público mais visível, por exemplo, barreiras morais que não podem ser ultrapassadas. abrir a nossa sala de leitura a mais leitores criando Ao disponibilizar algumas informações podería- estímulos, fazer exposições, organizar ciclos de demos ‘manchar’ a imagem de alguns intervenientes. bate e projeção de filmes. k
21 abril 2016
Caso Spotlight Um segredo revelado A imprensa tem como objetivo publicar a verdade e proporcionar informações válidas aos seus leitores. Para isso existem profissionais que dedicam muito Texto do seu tempo a tentar desvendar Maria Calugaru casos que de outra forma não seSandra Martinho riam de conhecimento público. Tânia Filipe A tarefa é dificultada quando o assunto é polémico e as fontes se sentem intimidadas. É este o enredo do filme Spotlight, do realizador Tom McCarthy. Baseado numa história verídica (investigação premiada por um Pulitzer) a grande metragem segue o trabalho de quatro jornalistas de investigação que escrevem para o Boston Globe. A equipa de investigadores denomina-se “spotlight” e tem por objetivo expor temas de grande impacto na sociedade. Com aparecimento de um novo diretor do jornal, estes são obrigados a investigar um novo caso. Trata-se de acusações de abusos sexuais a menores por parte de membros da igreja. Investigações posteriores revelam que estes casos não são só silenciados pela instituição católica mas também por todo o “sistema” americano. A maior dificuldade dos jornalistas é encontrar as vítimas e conseguir que testemunhem. A publicação do artigo não só desencadeou outras investigações mas levou também ao afastamento de vários membros da igreja, dando também voz a outras vítimas que se mantinham no desconhecimento.
KULTOS
Na última edição dos Óscares, Spotlight levou para casa dois prémios, apesar de ter sido nomeado para seis, tendo sido galardoado com o prémio de melhor argumento original e o de melhor filme. A estreia do filme levou a audiência a reconsiderar o impacto da imprensa, numa investigação que relembra o caso Watergate, revelado pelo Washington Post. A liberdade de expressão é um direito de todas as sociedades livres e como tal indigna-nos o facto de o governo e a instituição católica imporem tantas barreiras a assuntos que deveriam ser de conhecimento público. Nestes casos o trabalho dos jornalistas ganha um valor imperativo, pois sem a sua dedicação e persistência, milhares de vítimas continuariam no silêncio e a verdade nunca seria desvendada. O filme vale por isso, mas conta também com um elenco de luxo incluindo nomes como Mark Ruffalo, Michael Keaton e Rachel McAdams. Portanto se está à procura de uma narrativa que desafia as regras e tem como objetivo máximo a procura da verdade, esta é uma boa sugestão. k
8 XIX Edição do Real FesTA
Tuna Médica de Lisboa vence prémio de melhor Tuna
Texto
Ana Marinho Paula Santos Vânia Andrade
SEMINÁRIO PERMANENTE DE INVESTIGAÇÃO SOBRE CRIAÇÃO E PENSAMENTO CONTEMPORÂNEO O “Seminário permanente de investigação sobre criação e pensamento contemporâneo” regressa à Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha (ESAD.CR) para mais uma edição. Até ao dia 7 de junho irão ser realizados eventos integrados e multidisciplinares com o objetivo de desenvolver atividades de investigação e criar um ambiente de estímulo intelectual. Fazem parte do programa conferências, conversas, debates, sessões de filmes e documentários. As iniciativas estão abertas a toda a comunidade e decorrem sempre às terças, quartas e quintas-feiras, pelas 17h00, no auditório EP1 da ESAD.CR. INTERNATIONAL WEEK A Semana Internacional do Instituto Politécnico de Leiria (IPL) decorre entre os dias 2 e 6 de maio de 2016. O objetivo é promover a internacionalização e estreitar a ligação entre estudantes, docentes, colaboradores e os representantes de instituições de ensino superior de outros países. A iniciativa inclui a realização de workshops e visitas turísticas à região. Para mais informações, consulte o programa disponível no site do IPLeiria. CANDIDATURAS PARA MESTRADOS Estão abertas as candidaturas para mestrados do Instituto Politécnico de Leiria relativas ao ano letivo de 2016/2017. É possível encontrar um conjunto alargado de mestrados dirigidos a licenciados que pretendam completar a sua formação e desenvolver competências em áreas específicas. O Instituto oferece cerca de quarenta mestrados em diferentes áreas e nos diferentes polos académicos. Para mais informações, consulte as informações disponíveis no site do Instituto Politécnico de Leiria.
CRID amplia biblioteca em braille Texto Marlene Varela e Mariana Silva
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Centro de Recursos para a Inclusão Digital (CRID), sediado na ESECS, está a desenvolver o Projeto de Leitura Inclusiva Partilhada (PLIP), criado em 2013 por um conjunto de investigadores do IPLeiria. Com o intuito de tornar a literatura acessível a todos, a instituição tem desenvolvido a tradução de obras em multiformatos. O projeto que iniciou com o lançamento experimental da obra Verdinho Sonhador de Célia Sousa – coordenadora do centro – retor-
Surf: circuito regional do centro marca presença no distrito Texto Adrien Rodrigues, Inês Venâncio e Joana Garcia
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Clube de Desportos Alternativos e a Federação Portuguesa de Surf trazem à Nazaré a 4.ª etapa do Circuito Regional de Surf do Centro, nos dias 7 e 8 de maio. No primeiro fim de semana de maio terá lugar a última etapa do circuito regional de surf do centro na praia do Norte na Nazaré, apoiado pelo Município, pela Capitania da Nazaré e pelos Bombeiros. Qualquer pessoa federada por um Clube filiado na Federação Portuguesa de Surf pode participar neste evento, considerado por Andreia Silva, Presidente da Direção do CDAN (Centro Desportos Alternativos da Nazaré), como uma forma de fomentar a formação e incitar novos praticantes. A prova desenrola-se por rondas com vários heats, cada um com quatro atletas, avançando os dois primeiros clas-
na com a tradução em três volumes da obra Viver a Vida a Amar de Fátima Lopes – madrinha da campanha Mil Brinquedos, Mil Sorrisos, projeto que tem o propósito da adaptação de brinquedos para crianças com necessidades especiais. A obra Desnorte de Inês Pedrosa foi também traduzida, juntando-se agora à Biblioteca em Braille que o CRID se encontra a desenvolver, em colaboração com o Município de Leiria. O CRID apoia a integração de cidadãos com necessidades especiais, facilitando o acesso a materiais académicos através de leitores de monitores e documentos traduzidos em Braille, assim como o recurso a materiais áudio e vídeo-livros, acompanhados de Línsificados de cada heat para a próxima ronda até à final. A competição inclui vários escalões – Sub 12, 14, 16, 18, Sub 16 e 18 Feminino, Open – e vai contar com a presença de personalidades conhecidas do surf como Arran Strong, Henrique Pyrrait, Afonso Antunes, Inês Bispo e Guilherme Ribeiro. Existem grandes expetativas para o evento. Andreia Silva refere “um objetivo claro de formação e progressão de jovens, pelo que existem surpresas muito agradáveis nomeadamente no nível de surf praticado e toda a sua evolução”. Reativado hà cerca de três anos, o circuito do centro foi pioneiro nacional em competições de surf regionais, sendo as primeiras etapas em Peniche, Ericeira e Figueira da Foz. k
Hélio António (CDAN)
ÚLTIMAS
S
ete pecados mortais foi o tema da XIX edição do Real FesTA, Festival de Tunas Mistas, que decorreu no Teatro José Lúcio da Silva, no dia 9 de Abril. Para além da participação da Tum’Acanénica, Tuna Mista da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria, responsável pela organização do evento, o Festival contou com a participação da Tuna Médica, da ArquitecTuna e da Olissipo da Universidade de Lisboa, e da Estudantina Universitária de Viseu.
O prémio de melhor Tuna foi entregue à Tuna Médica de Lisboa, sendo também eleita como a tuna do público. O prémio D. Dinis, para a melhor Serenata, foi entregue à Olissipo, que também arrecadou os títulos de melhor Solista e melhor Instrumental. Finalmente, o prémio melhor Estandarte, melhor Pandeireta e Tuna mais Tuna foi atribuído à ArquitecTuna. Miguel, membro da Estudantina Universitária de Viseu, salienta no entanto que mais importante do que os prémios “é o convívio que acontece durante o Festival”. Sobre os pecados, Rolinhos (Ana Raquel Melo), Tuno da Tum’Acanénica, admite que o seu maior pecado é a gula, pois quer “sempre viver mais o ambiente de tuna”, sublinhando que “a vontade de partilhar e ser ativa aumenta exponencialmente”. Também Abelha Maia (João Felgueiras) defende que o seu pecado mortal é o seu “amor às tunas”. k
A FECHAR Texto
Horácio Moutinho Núria Carriço Vânia Reis
gua Gestual Portuguesa. Na opinião de Célia Sousa, não há a preocupação da sociedade em fornecer materiais adaptados, sendo esta “uma grande lacuna”. Na ESECS, este tem sido um trabalho fundamental no percurso académico do jovem cego João Jorge, estudante do 1º ano de Licenciatura em Comunicação e Media. Na sua opinião, as pessoas cegas sentem-se excluídas devido à pouca oferta de livros em Braille – “Nós não podemos ler um romance, nós cegos não podemos ler uma história de ficção científica… porque não se encontram em Braille.” Para o jovem, a presença do CRID “torna tudo mais fácil”, levando-o a decidir sobre o seu rumo académico e a escolher o IPLeiria. k
ON LINE Texto
www.esefosseeu.pt
Ana Marinho Paula Santos Vânia Andrade
“E se fosse eu?” O projeto foi lançado no dia 6 de abril e é dirigido ao público em geral. O seu objetivo passa por promover a empatia para com os refugiados que procuram a proteção humanitária, colocando-se na posição de viver apenas com o necessário, e deixando as suas raízes para trás.