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Akadémicos 92

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Suplemento integrante da edição nº 4387 de 15 de abril de 2021 do semanário REGIÃO DE LEIRIA. Não pode ser vendido separadamente.

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PanDemia

Dormir bem para viver melhor págs. 4 e 5

Entrevistar tem muito que se lhe diga Carlos Vaz Marques Jornalista e editor págs. 6 e 7


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A dormir…

Em 1937, Salvador Dalí (1904-1989) pintou o quadro “O Sono”, numa interpretação surrealista do que acontece quando dormimos: o frágil equilíbrio do inconsciente. Conta-se que o pintor dormia com uma tela perto da cama para registar nela, assim que acordava, “fotografias de sonhos pintadas à mão”.

Já se conhecia a importância do gene BHLHE41 no controlo dos ritmos circadianos, mas só em 2014 foi descoberta uma das suas variações mais curiosas, pelo Centro de Genómica Aplicada de Filadélfia, nos EUA. Os portadores da mutação “p.Tyr362His” conseguem sentir-se descansados após uma noite de cinco ou menos horas de sono. Para simplificar, houve quem o referisse como “gene Thatcher”, em honra de Margaret Thatcher, antiga primeira-ministra britânica, conhecida por dormir poucas horas. Mas há outras personalidades com a mesma fama: Napoleão Bonaparte, Leonardo da Vinci… ou até Marcelo Rebelo de Sousa.

Até 30 de abril, online

Feira de Produtos Locais A primeira feira online de produtos locais “É de Leiria” está disponível até 30 de abril nas plataformas Leiria Market e VivaLeiria. A iniciativa tem como objetivo impulsionar a venda de artigos originários e produzidos na região. As entregas são gratuitas para todo o país em compras iguais ou superiores a 15€. Disponível em https://www.leiriamarket.pt e https://www.vivaleiria.pt.

Não perkAs Texto Beatriz Vieira, Júlia Chang, Randeson Lima e Valentina Guedes

24 de abril, online

Conversas com História – Camané

“Conversas com História” junta a historiadora Raquel Varela e o fadista Camané, um dos nomes incontornáveis do fado e da música portuguesa. A iniciativa está a cargo do Centro Cultural de Belém e é transmitida a 24 de abril na RTP Palco, às 16 horas. Vai estar também disponível no canal de Spotify do CCB. Disponível em: https://www.rtp.pt/play/palco/.

Até 30 de abril, online

exposição “O v/nosso futuro é agora” O Museu de Arte Contemporânea de Serralves tem patente até 30 de abril a exposição de Olafur Eliasson intitulada “O v/nosso futuro é agora”. A mostra do conhecido artista dinamarquês-islandês é constituída por diversas instalações de grande escala, quer orgânicas quer artificiais, que ocupam espaços do Museu e do Parque. A exposição está disponível online através de uma visita guiada pelo Diretor do Museu. Disponível em: https://www.serralves.pt/agenda-serralves/.

30 de abril, online

Há Fado no Cais – Carminho A fadista Carminho apresenta o álbum “Maria” no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, a 30 de abril. O último disco da cantora inclui vários originais da sua autoria, assinando também a produção. O concerto presencial realiza-se às 19h00, estando agendada para as 20h30 a transmissão em streaming. Preço dos bilhetes: 10€-23€ (presencial); 6,50 € (online). Disponível em https://livestage.ticketline.pt.

Diretor Francisco Rebelo dos Santos francisco.santos@regiaodeleiria.pt

apoio à edição Alexandre Soares alexandre.soares@ipleiria.pt

Coordenadores Pedagógicos Catarina Menezes catarina.menezes@ipleiria.pt

Marta Oliveira marta.s.oliveira@ipleiria.pt

Paulo Agostinho paulo.agostinho@ipleiria.pt Marco Gomes marco.gomes@ipleiria.pt

Projeto Gráfico Leonel Brites leonel.brites@ipleiria.pt maquetização Leonel Brites Luís Santos (Estagiário CRM/ESECS)

Redação e colaboradores Alexandra Ovelheiro, Alexandre Moura, Ana Rita Nobre, Ana Santos, Beatriz Vieira, Carlos Espírito Santo, Carolina Barros, Carolina Faustino, Catarina Mendanha, Catarina Nogueira, Cláudia Pereira, Daniel Santos, Daniela Reis, Daniela Piedade, David Gonçalves, Diogo Maçarico, Eva Carvalho, Iris Vieira, Jéssica Patrício, Juan Cardenas, Júlia Chang, Luis Ferreira, Margarida Policarpo, Maria João Lemos, Mariana Bento, Mariana Cruz,

Mariana Gabriel, Mariana Vieira, Mauro Chainho, Mónica Padeiro, Nathalia Posada, Randeson Lima, Rita Silva, Rúben Filipe, Sofia Relva, Valentina Guedes.

Presidente do Politécnico de Leiria Rui Pedrosa presidencia@ipleiria.pt

Até julho, online

PSuperior Talks Os debates organizados pela comunidade PSuperior prosseguem em sessões quinzenais até ao próximo mês de julho e pretendem refletir sobre os desafios que o futuro nos coloca. É uma iniciativa destinada a promover a literacia mediática nos estudantes universitários, lançada pelo jornal Público com o apoio de diversas empresas e instituições parceiras. Todos os fóruns de debate já realizados estão disponíveis online, sendo anunciados os temas dos próximos ciclos no site do Público e nas redes sociais. Disponível em: https://www. publico.pt/psuperior/talks.

Os textos e opiniões publicados não vinculam quaisquer orgãos do Politécnico de Leiria e/ou da ESECS e são da responsabilidade exclusiva da equipa do Akadémicos.

Diretora da eSeCS Sandrina Milhano dir.esecs@ipleiria.pt Coordenadora do Curso de Comunicação e media Catarina Menezes catarina.menezes@ipleiria.pt akademicos.esecs@ipleiria.pt


3 Villages on Move Go promove prática do exercício físico

está –a– dAr

Texto Luis Ferreira, margarida Policarpo e nathalia Posada

Villages on Move é uma iniciativa que teve início em 2017 com Villages on Move Baltic, nas vilas rurais da Finlândia. O projeto iniciou com o propósito de promover a atividade física e incentivar as pessoas para a prática do exercício físico nos locais mais remotos. Mais tarde, em 2019, surge a Villages on Move Network e é através de José Amoroso, professor de Desporto e Bem-Estar na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais, que o Politécnico de Leiria se torna um dos parceiros do projeto. Atualmente, o Villages on Move Go procura debater, informar e promover as boas práticas de exercício físico, sobretudo no meio rural. Todas as semanas são realizadas entrevistas, a pessoas ligadas ao desporto, que ficam disponíveis no site e página de Facebook da iniciativa. Os entrevista-

Politécnico de Leiria adere ao projeto Link Me Up – 1.000 ideias Texto Daniela Piedade, mariana Cruz e Rúben Filipe

Criar um contacto com empresas e organizações de caráter social e cultural, dando oportunidade aos estudantes do ensino superior de trabalhar desafios reais, é o principal objetivo do projeto Link Me Up – 1.000 ideias. A iniciativa, desenvolvida através da plataforma internacional Demola, iniciou a 22 de março e envolve todas as escolas do Politécnico de Leiria (ESECS, ESTG, ESTM, ESAD.CR e ESSLei). O projeto teve início na Finlândia e hoje existe em 15 países, nos quais se inclui Portugal, com a participação de 13 Politécnicos, incluindo o Politécnico de Leiria. O objetivo global é construir em conjunto valor para a comunidade. A metodologia Demola diz respeito à constituição de equipas multidisciplinares, incluindo estudantes de várias áreas, empresas, organizações e professores. Neste contexto, são as empresas e organizações que lançam desafios/problemas reais para que, em conjunto, se possam encontrar respostas e apresentar sugestões. Os professores que acompanham as equipas e o processo de cocriação são designados “facilitadores”. Na ESECS, integram a equipa Rui Santos e Antónia Barreto, que destacam o interesse da metodologia Demola por “reunir um conjunto de ideias e visões de diversas pessoas que é posteriormente aplicado a casos reais”, explica Antónia Barreto. Para a facilitadora de projeto, esta interação revelase “uma verdadeira aprendizagem pedagógica, que abre novas possibilidades de negócio ou de apoio aos já estabelecidos, tendo em consideração que

dos são designados por Fire Souls, um grupo de indivíduos capazes de transmitir os valores do projeto. José Amoroso refere a importância destas participações, valorizando as “histórias de vida que acabam por incentivar e mostrar um caminho e uma realidade que para muitos é completamente desconhecida". Clara Leão, José Artur, Manuel Sousa e Sara Brito são alguns dos entrevistados contactados para falarem sobre a sua experiência na área da atividade física, incentivando a sua prática. “Quando ouvimos as outras entrevistas, vamos procurar saber mais sobre os entrevistados, encontramos coincidências de pontos de vista mesmo em áreas diferentes e isso enriquece o nosso próprio pensamento sobre o que estamos a fazer”, explica a professora de dança Clara Leão. O projeto tem vindo a readaptar-se devido ao contexto pandémico, procurando tirar proveito das oportunidades que foram surgindo das restrições impostas e trabalhando em equipa para desenvolver novas iniciativas, como o Hackathon VOMGO IPLeiria, que vai decorrer a 16 e 17 de abril, com propostas de desafios a serem resolvidos pelos participantes e a promoção do desenvolvimento de artigos científicos. José Amoroso anuncia que a iniciativa termina “no final deste ano civil”, mas que o objetivo de divulgar a atividade física e o desporto continuará, perspetivando-se uma nova fase de desenvolvimento do projeto. k se trata de casos reais e que apelam ao desenvolvimento de capacidades de negociação”. Estão neste momento a decorrer 12 projetos no Politécnico de Leiria, como o Ready, healthy, go!, que diz respeito à procura de soluções que incluam mais vegetais e alimentos ricos em nutrientes e minerais em refeições convenientes e prontas a comer, ou a Creat ing SM@RT walls!, cujo desafio consiste em agregar valor às paredes móveis atuais, criando diferentes dimensões, como a capacidade de comunicar através delas e de integrar recursos novos e inovadores. Na área do ambiente, o projeto Li(s)ustain - Depollut ing a River desenvolve propostas de intervenção no Rio Lis. Na área da Educação e da Intervenção Social, o projeto IN School: Global Diversity procura soluções para a integração de alunos imigrantes e de promoção da comunicação em contexto marcado pela heterogeneidade cultural. Estão ainda em curso projetos na área da cerâmica, reutilização de plásticos, sistemas de reabastecimento de hidrogénio, realidade virtual, alimentação com base em recursos marinhos, tecnologia em saúde, talassoterapia e felicidade no trabalho. A iniciativa, inteiramente em formato online, promoveu a utilização de algumas plataformas dinâmicas e interativas, alargando assim o leque de novas formas de comunicar. Rui Santos afirma que este é um fator que incentiva a busca de informações e soluções, obrigando a que cada equipa “puxe” mais por si. O planeamento das sessões é realizado no momento em que é lançado o desafio e o papel da equipa de facilitadores é guiar o grupo de estudantes na utilização das diversas ferramentas. Desenvolver um projeto com uma interligação de estudantes, empresas e professores, inserido num contexto que abrange vários países, é uma das mais importantes aprendizagens para Rui Santos. “Acabamos por crescer juntos”, remata o professor. k

15 abril 2021

tAk Texto

alexandra Ovelheiro, Cláudia Pereira e Rita Silva

Irina Oliveira A conquista de um sonho cinematográfico Há 21 anos que a marinhense Irina Oliveira é fascinada pela sétima arte. Movida pela vontade de criar os seus próprios filmes, ingressou no curso de Som e Imagem na Escola Superior de Artes e Design, do Politécnico de Leiria, nas Caldas da Rainha, de modo a desenvolver competências e aprender ferramentas para explorar o mundo do cinema. Na conclusão da licenciatura, aceitou o desafio da unidade curricular de Projeto Final para criar um filme a que chamou “Semear, Ouvir, Fluir”. A obra retrata temas como a morte e a beleza na sua relação com a natureza, uma obra de arte ou um musical. O objetivo foi transmitir uma experiência sensorial de envolvimento do espectador com as imagens e os sons. “Queria que, no final, refletissem sobre a situação caótica que vivemos, não só pelo contexto pandémico, mas também pela atualidade, porque temos tudo tão rápido”, explica. O mês de fevereiro de 2021 trouxe-lhe o reconhecimento do seu trabalho: foi distinguida nos Prémios Sophia na categoria de “Melhor Curta-Metragem Experimental”, alcançando o 1º lugar de entre seis registos a concurso. “Fiquei surpreendida com o prémio, não estava à espera porque não fui eu que me candidatei, foi a própria escola e só descobri quando publicaram no site”, refere Irina. No que toca ao panorama artístico, Irina assumese como uma adepta e promotora do que é nacional: “Adoro o cinema português, sou muito patriota e, nesse sentido, acho que devíamos consumir arte portuguesa, seja cinema, música, artes clássicas, ou até mesmo a dança”. Critica a maneira como é distribuído o conteúdo, uma vez que considera haver uma sobrevalorização dos produtos estrangeiros face aos nacionais. “As pessoas estão habituadas a uma arte muito específica, o cinema de Hollywood, acabando por não valorizar o cinema mais artístico e autoral, feito pelos artistas portugueses”, esclarece. Além disso, aponta a falta de financiamento como um grande contributo para a falta de espectadores nas salas: “Acho que se faz bom cinema em Portugal, mas exige muito dinheiro e isso reflete-se no tipo de espectadores e na distribuição". Assim, para Irina, os ingredientes essenciais para fazer cinema em Portugal são a persistência e a paixão. “É preciso gostar muito desta área para ingressar nela, uma vez que a percentagem de sucesso é um pouco baixa”, explica. Embora não esteja a exercer na área, Irina traça alguns planos para o futuro: ingressar num mestrado, realizar um estágio profissional, fazer voluntariado e viajar. k


4 HáBiTOS De SOnO

Tecnologia desligada, mente descansada

kApA A atividade que mais tempo consome nas primeiras etapas da vida é muitas vezes preterida por grande parte dos adultos, que, embora reconheçam a necessidade de respeitar as horas e hábitos de higiene do sono, não a consideram uma prioridade. Os estudantes são um dos grupos de risco. Existem mais de 90 perturbações do sono, mas as doenças do sono são ainda uma realidade desconhecida para muitos. Texto e Infografia Catarina nogueira, Juan Cardenas e mariana Gabriel

ssinalou-se a 19 de março o Dia Mundial do Sono. Os últimos meses têm dificultado as rotinas familiares, contribuindo ainda para o aparecimento de sentimentos de frustração e preocupação que, em muitos casos, perturbam quem luta por manter hábitos de sono saudáveis. Dormir é essencial à sobrevivência do ser humano. No entanto, “há muitas pessoas que não dormem aquilo que precisam por desconhecimento ou porque não dão prioridade ao sono”, afirma Teresa Rebelo Pinto, psicóloga do sono e responsável pelo projeto Sono Escolas, iniciado em 2009, cujo objetivo central é informar e cultivar hábitos de higiene do sono nos alunos. Por outro lado, a sensibilização para a necessidade de dormir tem vindo a crescer, comparativamente com anos anteriores, e por isso “as pessoas estão hoje mais alerta para as perturbações do sono e para as terapêuticas que existem”, salienta a especialista. Ainda assim, a maioria das pessoas pede ajuda muito tarde ou apenas quando surgem os primeiros sintomas, e não de forma preventiva. O período de tempo em que a consciência fica suspensa varia de acordo com a idade e com as necessidades de cada um. Se, por um lado, uma criança de dez

anos deverá dormir dez horas, por outro, os adultos necessitam entre sete a nove horas de sono, mas nunca menos de seis, pois representa risco para a saúde e segurança de cada um. Para além de respeitar as horas de sono, é fundamental perceber qual o cronotipo de sono individual, ou seja, em que períodos habitualmente se registam os “picos” de energia, de cansaço e de concentração, e, com base nisso, adequar o horário de dormir, pois as necessidades variam entre pessoas. O estudo do sono é complexo e muita tem sido a investigação em redor do tema. Este período fundamental à vida humana obedece a dois processos principais: o sistema circadiano regulado por relógios biológicos em ciclos de 24 horas e a homeostasia do sono, ou seja, o equilíbrio entre o tempo desperto e a pressão para dormir. Quanto mais tempo o ser humano está acordado, maior a necessidade de dormir. A escuridão facilita o processo de produção de melatonina, que por sua vez é responsável por preparar o corpo para dormir. Esta hormona fotossensível é libertada pelo cérebro cerca de duas horas antes de o sono surgir e atinge o pico por volta das quatro da manhã, período que coincide com a mínima temperatura corporal. A melatonina é naturalmente produzida pelo cérebro e, apesar da sua venda livre, a suplementação desta hormona deve acontecer apenas se houver défice da sua produção ou no caso de se registar uma perturbação do sono. A importância da luz fora dos ecrãs Nos dias de hoje muitas são as preocupações que assombram pais e filhos e o cenário de pandemia não só veio acentuar essas inquietações, como trouxe à tona estados de ansiedade antigos. Numa época em que a vida acontece em poucas dezenas de metros quadrados é fundamental adotar medidas que promovam uma adequada higiene do

Ainda há muito trabalho que precisa de ser feito na área da educação do sono, uma área tão importante como a educação alimentar ou o exercício físico Sofia Rebocho Técnica de Neurofisiologia

sono, como por exemplo a suspensão de qualquer dispositivo emissor de luz uma hora antes de dormir. Teresa Rebelo Pinto esclarece que “estar exposto a luz direta, sobretudo antes de ir dormir, significa dizer ao cérebro que é hora de despertar, quando é exatamente o oposto que se pretende”. “O consumo digital é um estímulo visual, cognitivo e emocional, que pressupõe uma enorme estimulação cerebral, e que, tal como discussões ou o exercício físico, deve ser evitada com o aproximar da hora de deitar”, acrescenta a psicóloga. No entanto, os dispositivos eletrónicos são essenciais e uma significativa parte da vida, como a conhecemos hoje, depende destes equipamentos, seja para acompanhar aulas à distância, promover reuniões através das diversas plataformas digitais, realizar trabalhos de grupo ou assistir a filmes. “O problema surge quando há falta de controlo e regra”, remata a psicóloga. As perturbações do sono afetam entre 25 a 40% das crianças e estima-se que um terço dos adultos não durma as horas indicadas. Se a privação de sono nas crianças acompanha um estado de agitação, nos mais velhos verifica-se, pelo contrário, um predomínio de sonolência. Aqui se cruzam realidades opostas e, por vezes, difíceis de conciliar. Sofia Rebocho é técnica de neurofisiologia e realça que, apesar da consciencialização generalizada para a necessidade de dormir bem, “ainda há muito trabalho que precisa de ser feito na área da educação do sono, uma área tão importante como a educação alimentar ou o exercício físico”. Os sinais de alerta são, em certos casos, desvalorizados ou incompreendidos pelos pais. “O estado de inquietação das crianças é muitas vezes associado a hiperatividade ou baixa autoestima, quando na verdade a base do problema é o sono”, afirma Teresa Rebelo Pinto, à qual chegam pedidos de ajuda de todas as faixas etárias. O SAPE, Serviço de Apoio ao Estudante do Politécnico de Leiria, conta com 13 anos de consultas gratuitas e regista um aumento significativo de pedidos de ajuda, sobretudo desde o início da pandemia. Patrícia Pereira, psicóloga do gabinete, confirma que “os estados de ansiedade acompanhados de perturbações de humor dificultam o processo de «limpeza» do cérebro, que ocorre enquanto se dorme, o que provoca a sensação de cansaço ao acordar, uma vez que o sono não é retemperador”. Os estudantes são um grupo de especial destaque. Épocas de exames extenuantes e o aproximar dos prazos de submissão de trabalhos, aliados a alguma desmotivação face ao novo modelo de aprendizagem, levam alguns alunos a ficar acordados até mais tarde. Ainda que o tempo escasseie, Teresa Rebelo Pinto assegura que “não compensa fazer noitadas antes dos exames”. “O cérebro em privação de sono toma más decisões e não está capaz de funcionar, nem do ponto de vista cognitivo, nem ao nível emocional”, esclarece a especialista. A ciência reforça a importância de dormir de noite, sempre que possível, já que, mesmo dormindo a mesma quantidade de horas de dia, a qualidade não será igual à do período noturno, onde o ruído e a luz estão ausentes. Biologicamente, o nosso organismo está preparado para dormir de noite e estar ativo enquanto há luz solar. A luminosidade da manhã é de facto fundamental e mostra ter um papel importante na regulação dos ritmos circadianos. “No entanto, os jovens têm alguma tendência para inverter os ho-


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15 abril 2021

kultos Texto

mauro Chainho, Catarina mendanha e iris Vieira

Lupin Disfarce pela justiça

rários de sono ou iniciar o período de descanso muito tarde, acordando já no fim da manhã, o que faz com que o período de exposição solar seja reduzido ou até inexistente”, conclui a profissional do Politécnico de Leiria, destacando ainda a importância de manter uma rotina de deitar e levantar às mesmas horas. Avaliação do sono Mas se há quem tenha dificuldade em dormir as horas mínimas, também há quem durma em demasia. As hipersónias são uma das perturbações relacionadas com estados de depressão e algumas das alterações do sono são precisamente os primeiros sinais de uma eventual doença mental. Tal como é possível medir o peso ou saber os valores das análises ao sangue, também o sono é suscetível de ser medido. Existem vários exames que ajudam a clarificar o diagnóstico, sendo a polissonografia o exame de primeira linha, em que são avaliados vários parâmetros fisiológicos como as ondas cerebrais, os movimentos oculares, a atividade do músculo mentoniano, no queixo, a saturação de oxigénio no sangue, a atividade cardíaca e respiratória e os movimentos das pernas. Esta avaliação pode ser feita em laboratório, com registo de vídeo, onde a pessoa dorme fora de casa, mas também pode ser feita em ambulatório, de modo a que o conforto do doente não fique comprometido. A actigrafia, outro meio de diagnóstico, consiste na utilização, semanal ou mensal, de um relógio que deteta os movimentos, os comprimentos de

Os jovens têm alguma tendência para inverter os horários de sono ou iniciar o período de descanso muito tarde, acordando já no fim da manhã, o que faz com que o período de exposição solar seja reduzido ou até inexistente Patrícia Pereira Psicóloga onda da luz e a temperatura. “Este tipo de exame é uma opção para os adolescentes, que passam muito tempo ao telemóvel, os trabalhadores por turnos ou as pessoas com perturbações como os atrasos de fase, ou seja, quando se deitam mais tarde e acordam já ao fim na manhã”, revela Bruna Reis, técnica de neurofisiologia. Entre as atividades profissionais e de lazer, 24 horas parece pouco tempo e é na supressão das atividades básicas do dia a dia, como as refeições ou o sono, que muitos conquistam algumas horas extra, cujo preço é elevado e apenas se revela mais tarde. Respeitar os momentos de sono e as necessidades de cada um é uma responsabilidade individual e a priorização de tarefas torna-se elementar quando o objetivo é dormir bem para viver melhor. k

Baseada nas histórias de Arsène Lupin, personagem fictícia criada por Maurice Leblanc, a série Lupin da Netflix, estreada a 15 de janeiro de 2020, conta as aventuras de um “cavalheiro ladrão”, mestre no disfarce e na simulação: Assane Diop. Para tal, recorre a uma trama que junta a comédia com momentos de tensão e inquietação. A figura de Arsène Lupin apresenta uma personalidade aguerrida, misteriosa, bondosa e charmosa nas várias narrativas presentes no imaginário de Maurice Leblanc e que ganharam vida e sentido ao serem publicadas a partir de 1905. Omar Sy, ator escolhido para encarnar a personagem na série da Netflix, conseguiu fazer uma interpretação fiel e rigorosa do protagonista da fábula de Leblanc, sem nunca esquecer a sua própria perspetiva sobre as várias facetas de Arsène. George Kay, produtor executivo britânico e criador da série da Netflix, decide contar a história de um patife que pretende, acima de tudo, vingar a morte injusta do seu pai, que faleceu na prisão após ter sido acusado de roubar uma joia aos Pellegrini, uma família francesa abastada. A par desta vontade de trazer dignidade à memória do pai, Assane Diop nutre um imenso amor pelo seu filho, no qual tenta suscitar o interesse pela intriga de Arsène Lupin, e pela sua ex-mulher, interpretada pela atriz Ludivine Sagnier. Durante o desenrolar dos acontecimentos, Diop tenta conciliar a paixão que sente pela sua família e a tentativa de conseguir provar que o seu pai foi tramado por Hubert Pellegrini, interpretado por Hervé Pierre. Para desmascarar Pellegrini, o protagonista da série conta com a ajuda da jornalista Fabienne Beriot, à qual a atriz Anne Benoît dá vida. De forma a concretizar a tão desejada vingança, Assane Diop tem como base um livro com contos de Arsène Lupin, que lhe foi oferecido pelo pai com a finalidade de o tornar num autêntico mestre do disfarce. Todo o percurso de Assane Diop, protagonizado Omar Sy, é narrado através de movimentos de câmara rápidos e de planos de pormenor que suscitam nos espetadores verdadeiros cocktails de emoções. Para já, a trama, que remonta às narrativas de Maurice Leblanc, conta apenas com uma temporada com cinco episódios. No entanto, a Netflix já informou os fãs de uma das séries mais vistas de 2020 que podem esperar uma nova temporada no fim do primeiro semestre de 2021. Vamos aguardar. k


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Vamos ter um período longo de problemas associados a este seNtAdo tempo anómalo No moCHo Carlos Vaz Marques Jornalista e editor

Jornalista, editor, tradutor, escritor, Carlos Vaz Marques conhece bem o mundo dos livros e o da comunicação, áreas que sempre articulou no seu percurso profissional. A participar atualmente no Governo Sombra, vê-se no futuro a refletir sobre a entrevista como género, porque “perguntar tem muito que se lhe diga”.

ao momento e daí seguiu-se um trajeto sem grandes surpresas. Tinha ligação à rádio e aos livros, porque tudo isto foi sempre paralelo. Depois, o Emídio Rangel convidou-me para fazer umas rubricas sobre livros na TSF e, ao fim de um ano, para integrar a redação, deixando o semanário JL, onde estava na altura, para passar a repórter generalista e editor de notícias. Foi por aí adiante. Fui repórter político, enviado especial a vários sítios, fiz noticiários, o “Fórum TSF” e acabei por voltar aos livros a fazer uma rubrica que durou até há um ano.

ou a Rádio Universidade Tejo, em que comecei. Aquilo era um megafone gigante e, portanto, percebi que tinha repercussões a que não estava ainda habituado. Nesse sentido foi um sobressalto, eram tempos muito intensos. Nós passávamos 20 horas por dia na rádio, cheguei a dormir lá em ocasiões especiais, em grandes acontecimentos mundiais. Havia de facto um espírito de equipa também muito forte. A TSF marcou uma época. Penso que é difícil hoje, para quem não viveu esse período, acompanhar o que foi essa experiência. Diria que o que se ganhou em profissionalismo, em profissionalização, em organização, perdeu-se em entusiasmo. Portanto, é essa a principal diferença que eu vejo desse período para agora, em termos da rádio. No ano de 2001 estreia “Pessoal… e Transmissível”, o seu primeiro projeto individual radiofónico, que deu depois origem ao livro homónimo. Qual a sensação de ter o próprio programa e qual o motivo de escolher o género de entrevista? Eu já tinha feito programas próprios na rádio universitária, mas claro que a escala na TSF era muito diferente. O programa nasceu de uma circunstância fortuita. Propu-lo após entrevistar um escritor espanhol, em Madrid, numa altura em que a rádio tinha capacidade de apostar em trabalhos menos correntes. A entrevista teve uma ótima repercussão e fui questionado se não tinha vontade de entrevistar com regularidade. A partir de uma entrevista, nasceu todo o programa, que acabou por estar no ar durante 16 anos. Enquanto repórter da TSF, qual foi a viagem mais enriquecedora a nível profissional e pessoal? Bem, todas as viagens são enriquecedoras, seja para o bem ou para o mal. Diria que a mais me marcou foi, sem dúvida, Timor-Leste, antes da independência. Foram duas estadias, sendo que cada uma durou cerca de um mês: uma antes do referendo e outra logo a seguir. Estive presente no momento após a declaração dos resultados, quando ocorreu uma reação das milícias indonésias que colocou o país “a ferro e fogo”. Vim-me embora quando Timor-Leste estava, literalmente, a pegar fogo. Durante esse período de campanha, ocorreram vários assassinatos e ameaças que me levaram a fazer-me passar por um repórter francês, pois as milícias pró-indonésias tinham como alvo os repórteres portugueses.

Que aprendizagens se levam da experiência em rádio universitária? O que mais o marcou? Era uma rádio universitária que emitia no Instituto Superior Técnico. Era constituída por alunos universitários de várias licenciaturas, de várias faculdades. No fundo, fiz lá vários programas, mas eram todos ligados à música. Houve um que tinha também umas entrevistas, aliás, mais do que um, mas era tudo relativamente amador e incipiente. E ao mesmo tempo muito apaixonado e intenso, porque vibrámos muito Texto Carolina Faustino, Diogo maçarico e Jéssica Patrício com aquela experiência inicial que estávamos a ter. As experiências, os ensinamentos… Foram os ensinamentos da “tarimba”, digamos, do traquejo, da expeFrequentou a licenciatura de Línguas e Literatu- riência de encontrar… e de perceber o que funcionava ras Modernas, na Faculdade de Ciências Sociais pior e o que funcionava melhor. Por exemplo, de me e Humanas, da Universidade Nova. Como surgiu habituar à minha própria voz, que é um processo por O seu percurso profissional cruza-se igualmente que têm de passar sempre as pessoas que fazem rá- com os livros, nomeadamente na área da tradudepois o interesse pela área da comunicação? Na verdade, o meu primeiro interesse estava mais li- dio, porque a voz que nós temos dentro da cabeça não ção. Como surge essa atividade e quais os seus gado à literatura do que propriamente à comunicação é aquela que depois ouvimos no gravador, quando a principais desafios? e foi por isso que fiz esse curso. Nos primeiros tempos gravamos. Foi um período de adaptação muito impor- Tendo feito a minha formação na área da literatura, fui professor, durante dois anos, ainda antes de termi- tante, mas que não saberia descrever exatamente. É nunca deixei de ter esse gosto particular, que hoje é nar a licenciatura, com a habilitação suficiente, mas como a infância, não é? Digamos que está lá tudo em mais forte que o interesse jornalístico. A certa altuao mesmo tempo o meu interesse pela literatura tinha potência e é lá que encontramos as marcas do que ra comprei em Barcelona uns livros do autor Franuma vertente ligada à escrita e ao jornalismo cultural. vai ser importante para nós, mas é difícil distinguir o cisco Umbral, em especial o livro “Mortal e Rosa”, e Fui convidado, por uma circunstância fortuita, para momento A e o momento B em que algo se tornou de foi um autor de que gostei bastante. Por prazer de escrever para o Jornal de Letras, Artes e Ideias, e foi o facto relevante. brincar com as palavras e experimentar como aquiprimeiro sítio onde publiquei. lo soava em português, comecei a traduzir pedaços Em 1990 torna-se jornalista da TSF. Como foi a do livro. Ao final de um tempo, já tinha uma boa Integra depois a equipa da Rádio Universidade adaptação a uma rádio nacional e quais as dife- parte traduzida. Esse autor só tinha um livro publiTejo, em meados dos anos 80. Foi aí que se insta- renças entre a rádio da altura e a que conhecemos cado em Portugal, numa editora que já não existe, na atualidade? lou o “bichinho” da rádio? que era a Campo das Letras, e um dia lembrei-me Tinha esse gosto pela rádio, mais pela área da divulga- Bem, a adaptação foi entusiasmada e difícil. Difícil de a contactar e perceber se tinham interesse, uma ção musical. Quando me convidaram para integrara só no sentido em que senti o peso da responsabilida- vez que tinham um livro do autor e não havia mais redação do JL para escrever alguns textos, reporta- de, porque de um momento para o outro estava a ver- referência dele em Portugal. Propus que vissem a gens e entrevistas, aquilo tornou-se mais importan- me num meio que chegava longe, mais longe do que tradução e eles responderam-me para a acabar porte para mim do que o percurso que tinha feito até o nicho que era o JL, onde eu escrevia anteriormente, que iam publicá-la. Traduzi também outros livros


7 e liguei-me a uma editora, a Tinta da China, onde Atualmente atua em vários contextos da comunisou responsável por uma coleção de literatura de cação. Como consegue conciliar as áreas da escriviagens, área que me agrada bastante. As coisas en- ta, audiovisual e radiofónica? cadearam-se. Fiz algumas traduções para essa cole- Não há nenhum segredo especial. É necessário ter ção, mas não sou nenhum tradutor profissional, no espírito de organização, manter uma certa disciplina, sentido em que não é a minha principal ocupação. mas, no fundo, é trabalhando. Trabalho, de facto, alTraduzo coisas que me interessam, propõem ou de gumas horas por dia, mas, como são áreas nas quais que gosto pessoalmente. eu gosto de trabalhar, não me custa tanto como se fossem áreas pelas quais não tenho apreço. Entre 2013 e 2018 assumiu o cargo de diretor da Granta portuguesa, revista literária com génese Qual a sua perspetiva em relação aos desafios no periódico inglês criado em 1889 por estudan- que se colocam hoje ao jornalismo? tes da Universidade de Cambridge. O que implica São múltiplos, difíceis e para alguns não encontro construir uma revista inteiramente dedicada à li- uma solução clara, com muita pena minha. Um aspeteratura na atualidade? to que me preocupa é o facto de a imprensa em papel A Granta tem uma história e tradição já longas. Eu fui ter os dias contados. O audiovisual cresceu drasticaassinante da Granta por um período de três ou quatro mente, o que fez com que os produtos jornalísticos anos. Quando percebi que tinha mais números por ler entrassem em competição com todo outro tipo de codo que os que tinha tempo para ler, acabei por não municação difusa, como as redes sociais e os novos continuar a assinatura. A dona da editora Tinta da media. Este fator afeta o financiamento do jornalisChina, Bárbara Bulhosa, propôs-me que fizéssemos mo, criando dificuldades à construção de projetos de uma revista literária em Portugal, e, por um conjunto qualidade, não só pela falta de financiamento, como de circunstâncias do acaso, falei-lhe na possibilidade também pela dificuldade cativar o público. de fazer uma versão portuguesa da Granta. Entretanto, e por mais um acaso, ela conheceu o responsável internacional da Granta no Brasil e falou-lhe disso. Mostrou-lhe o nosso catálogo e achou que tinha tudo a ver com a revista. A coisa aconteceu com a naturalidade das coisas impossíveis que se tornam reais: de repente o que era um sonho meio parvo, acabou por Uma cidade se tornar realidade. Lisboa

kurtAs

O “Governo Sombra”, um programa sobre a atualidade sob a lente do humor, nasceu em 2008 na TSF e cresceu também para a televisão em 2012, prolongando-se até aos dias de hoje. Qual o segredo para manter o sucesso do programa? O segredo é sermos os quatro participantes muito diferentes, entre nós, mas também ao mesmo tempo termos muito a unir-nos, nomeadamente o gosto pela conversa, sem “armar aos cágados”, como se costuma dizer, portanto, uma conversa, digamos, informal, levando as coisas a sério, tanto quanto elas são para ser levadas a sério, mas também não as levando demasiado a sério. Conseguimos olhar para a realidade com algum espírito irónico, porque as coisas não têm que ser necessariamente solenes e pesadas. E depois o facto de nos darmos todos bem é essencial, não é? Evidentemente que, se alguém estivesse ali em conflito ou desagradado com outro dos membros do painel, provavelmente teria acabado e isso não é provável que aconteça. Temos todos um conjunto de valores e de atitudes que, sendo nós muito diferentes uns dos outros, nos unem. Como é a dinâmica de grupo com Ricardo Araújo Pereira, Pedro Mexia e João Miguel Tavares? Os diferentes pontos de vista fazem parte da natureza do programa, quer dizer, são mesmo a matéria-prima do programa. Nós não estamos ali para nos convencermos uns aos outros de nada, não é? E, portanto, acaba por ser fácil. Temos uma coisa em comum, sim, temos um ponto muito importante que nos une, que é a ideia de que a liberdade de expressão é fundamental e de que cada pessoa está habilitada a exprimir o seu ponto de vista, respeitando o ponto de vista dos outros. Basta isso. Claro que há coisas que um acha que o outro disse de forma tola, ou que o outro pensa que é uma palermice ou uma aberração, mas ninguém se melindra demasiado com isso e, portanto, a coisa corre bem.

Um género musical Jazz Um jornal de eleição Público (PT) New York Times (Internacional) Uma época histórica Transição séc. XIX para XX Um ator / uma atriz Isabel Huppert e Willem Dafoe

15 abril 2021

Tendo em conta o contexto pandémico, qual dos setores em que trabalha considera ter sido mais afetado? Toda a sociedade foi afetada e o jornalismo e os media também foram, desde logo por uma quebra de receitas e problemas de financiamento. Não sabemos ainda as sequelas que vão ficar de tudo isto, mas estamos todos “metidos num molho de brócolos” que esperamos que se resolva, sabendo que vamos ter um período longo de problemas associados a este tempo anómalo. A mim, pessoalmente, não me fez grande diferença sendo que faço teletrabalho há muito tempo e, portanto, não senti muito impacto dessa transformação. Existe ainda algum projeto que gostasse de realizar? Quais as projeções para o futuro? Existem vários. Uma das coisas que quero fazer é uma biografia da entrevista. Pratiquei muito este género e entrevistar/perguntar tem muito que se lhe diga. Parece-me que é um ensaio que quero escrever e sobre o qual tenho algumas ideias, por isso é um dos projetos que vou realizar o mais brevemente possível. k


SemináRiO SOBRe emPReenDeDORiSmO O Ecossistema Empreendedor no Texto Laura melícias, neuza Santos Contexto de uma e Sofia morgado Startup/Empreendedorismo é o tema do seminário organizado pela licenciatura em Relações Humanas e Comunicação Texto Organizacional alexandre moura, ana Santos, mariana (Ensino a Distância), do Politécnico de Vieira e Sofia Relva Leiria, no âmbito da Unidade Curricular de Gestão de Empresas e Empreendedorismo. O diretor-geral da Startup Leiria, Vítor Hugo Ferreira, é o orador da sessão que terá lugar a 27 de abril, às 18h30, através da plataforma Moodle, e cujo objetivo consiste, também, em promover o debate sobre os trabalhos realizados pelos estudantes da mesma licenciatura.

ÚltimAs

DiáLOGOS inTeRDiSCiPLinaReS SOBRe COmUniCaçãO DiGiTaL A terceira edição do Congresso Internacional de Diálogos Interdisciplinares realiza-se a 20 e 21 de maio, na Universidade Feevale (Brasil), e tem como objetivo promover o diálogo sobre a comunicação digital e o desenvolvimento da pesquisa científica no âmbito da mediação das relações sociais. O evento decorre em formato online e conta com o apoio do Politécnico de Leiria. Carla Freire, docente da ESECS, irá realizar uma conferência no dia 21 sobre a colaboração entre o Politécnico de Leiria e a Universidade de Feevale no âmbito de cursos pós-graduados, apresentando o mestrado em Comunicação Acessível e alguns projetos de investigação realizados. Inscrições até 19 de abril. Informações em https://feev.as/4bc0a02. PORTUGaL SPORTS SUmmiT 2021 O Portugal Sports Summit 2021 irá realizar-se em formato online a 29 e 30 de maio e terá como preletores nomes relevantes do desporto nacional, como Lenine Cunha, (atletismo), Miguel Albuquerque (piloto), Joana Schenker (bodyboarder) ou, entre outros, o antigo vice-campeão olímpico Francis Obikwelu. A ação é creditada com 3 unidades de crédito pelo Instituto Português do Desporto e Juventude, no âmbito da renovação do título de treinador de desporto, técnico de exercício físico ou diretor técnico. O custo da inscrição é de 20 euros e o prazo decorre até 30 de abril. Informações em https://www.uniques.pt.

Ouve já em akademicos.ipleiria.pt/contrakapa

Programa 60+ debate educação e cidadania

do Instituto o Programa 60+, destinado a pessoas com mais de 50 anos, em situação de reforma ou pré-reforma, com o desejo de integrar a comunidade académica. A sessão explorou temas como a cidadania, o conceito de intergeracionalidade, a educação sénior e a inclusão. Filomena Carvalho, da organização, sublinhou a importância da cidadania de proximidade: “Não se trata apenas de fazer coisas no mundo, é ter consciência de um mundo a fazer-se connosco”. O evento terminou com os testemunhos de voluntários no projeto “AGILidades” e dos estudantes 60+. João Sobrinho Teixeira destacou o Programa 60+ e o Politécnico de Leiria como um exemplo para que a sociedade valorize mais a formação e a cidadania, ideia também sublinhada pelo presidente do Politécnico. "O Programa 60+

visa uma estratégia com integração plena de todos e ter cada vez mais centralidade no contexto da educação e da cidadania, onde não existem barreiras", sublinhou Rui Pedrosa. Além das ativiTexto dades formativas ana Rita nobre, destinadas aos maria João Lemos estudantes 60+, o e mónica Padeiro programa irá dar continuidade online, até julho, às "Conversas de Fim de Tarde" sobre temas de cultura e sociedade, às "Visitas Virtuais 60+" a monumentos e a espaços emblemáticos do país e ao "Clube de Cinema e Documentário". k

que permite a manutenção da atividade e das expectativas para esta época. “Treinamos para poder competir e conseguimos estar mais motivados pela perspetiva de que vamos competir”, explica o estudante. Quanto aos objetivos futuros, Rafael é claro: a vitória dos 110 metros barreiras de pista ao ar livre e bater os recordes já estabelecidos. Em relação aos procedimentos que o atual contexto impõe, Inês Carreira, esTexto Carlos espírito Santo, Daniel Santos tudante de Desporto e Bem-Estar, admie mariana Bento te ter de existir uma maior organização O Politécnico de Leiria terminou a sua no uso dos espaços devido às limitações, participação na primeira prova dos mas que não vê como impedimento na Campeonatos Nacionais Universitá- preparação dos atletas. Nesta prova a rios (CNU) de Atletismo obtendo o 4.º estudante referiu estar “à espera do 2.º lugar coletivo, com os mesmos pontos ou 3.º lugar, uma marca melhor”, mas do 3.º classificado. O regresso da com- considera que, no geral, a sua participetição universitária de atletismo em pista coberta realizou-se no espaço da Expocentro, em Pombal nos dias 6 e 7 de março. Com 18 estudantes a participar nos CNU de Atletismo, a academia leiriense arrecadou um total de seis medalhas: duas de ouro, uma de prata e três de bronze. Eliana Bandeira voltou a bater o recorde nacional universitário no lançamento do peso, com a marca de 15,76 metros, sagrando-se campeã nacional. Também a alcançar o pódio estiveram os estudantes-atletas Rafael Correia, que obteve o 1.º lugar nos 60 metros barreiras, Joana Pontes, 2.ª classificada nos 3000 metros marcha, e Inês Carreira, com o 3.º lugar no lançamento do peso. Eduarda Ferreira destacou-se também com um duplo pódio, no salto em comprimento e no triplo salto, obtendo o 3.º lugar em ambos. Apesar das restrições que ainda se sentem nas competições desportivas, o atleta Rafael Correia, estudante de Engenharia Informática, refere que “tem conseguido acesso ao estádio”, o

pação foi positiva. “Não termos público faz uma grande diferença”, admitiu a atleta, que espera alcançar mais uma internacionalização pelo clube onde está federada. A nível universitário admite que há sempre um objetivo traçado: trabalhar para obter os mínimos para as provas internacionais. k

As I Jornadas Intergeracionais de Educação e Cidadania, organizadas pelo Programa 60+ e pela ESECS, decorreram a 8 de abril, em sessão online. O evento contou com a colaboração de todos os polos do Politécnico de Leiria e com a participação de João Sobrinho Teixeira, secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ana Abrunhosa, ministra da Coesão Territorial, e Margarida Marques, deputada europeia. As jornadas surgiram da vontade de criar um evento intergeracional, que promovesse o debate sobre cidadania e a reflexão sobre educação ao longo da vida. São também uma oportunidade para dar a conhecer aos estudantes mais jovens PiSTa COBeRTa

Politécnico de Leiria conquista seis medalhas no Campeonato nacional de Universitários

Telmo Abreu/ADAL

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A feCHAr

SPeeCHiFy O Speechify é uma aplicação gratuita que permite que pessoas com dislexia, baixa visão ou algum tipo de dificuldades de leitura consigam ouvir qualquer texto. É ainda um instrumento útil para quem gosta de ouvir ficheiros áudio enquanto faz outras atividades.

oN liNe Texto

Carolina Barros, Daniela Reis, David Gonçalves e eva Carvalho

HaPPiFy A aplicação Happify fornece gratuitamente ferramentas para ajudar pessoas que se sentem stressadas, ansiosas, deprimidas e com pensamentos negativos. Tem como objetivo reduzir o stress, superar os pensamentos negativos e desenvolver maior resiliência através de jogos e desafios.

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