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Akadémicos 86

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Suplemento integrante da edição nº 4317 de 12 de dezembro de 2019 do semanário REGIÃO DE LEIRIA. Não pode ser vendido separadamente.

O mundo hoje precisa de homens e mulheres que se empenhem em construir pontes

JOVENS COMBATEM DISCURSO DE ÓDIO ONLINE

Intolerantes contra a intolerância pág. 4 e 5

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Rui Marques

Presidente do Instituto Padre António Vieira

págs. 6 e 7


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Boas Festas (sem trolls)

A ABRIR

· AKADÉMICOS 2019 · 28 de dezembro, Teatro José Lúcio da Silva, Leiria

FIRST BREATH AFTER COMA + BANDA DE MÚSICA DE MATEUS

NÃO PERKAS Texto Andreia Correia Bianca Saad Isabel Roldão Joana Dias Margarida Correia Rita Figueiras

18 de dezembro, Escola Secundária Eng. Acácio Calazans Duarte, Marinha Grande

Os First Breath After Coma fecham em casa um ano que incluiu o lançamento de “NU”, o seu novo disco, e da sua média-metragem, vencedora em festivais de cinema internacionais. No dia 28 de dezembro, às 21h30, atuam, no Teatro José Lúcio da Silva, com a Banda de Música de Mateus, num concerto que percorrerá a carreira do coletivo leiriense. Os bilhetes já estão à venda por 10 euros.

TOASTMASTERS: LIDERANÇA E COMUNICAÇÃO

Direcionado a todos os que desejam melhorar as suas capacidades de comunicar em público, o workshop de Liderança e Comunicação está dividido em três modalidades: “Discursos preparados”, “Discursos de improviso” e “Feedback”. O evento, organizado pelo Toastmasters Club, irá ocorrer a 13 de novembro na Escola Secundária Eng. Acácio Calazans Duarte, na Marinha Grande, às 19h00 e conta com entrada gratuita. 19 de dezembro, Teatro José Lúcio da Silva, Leiria

LAGO DOS CISNES

A bailarina Evgeniya Bespalova regressa a Portugal com a prestigiada companhia de Moscovo, Russian Classical Ballet, para a apresentação de nova produção da obra-prima do bailado clássico “Lago dos Cisnes”. O espetáculo será no Teatro José Lúcio da Silva, no próximo dia 19 de dezembro, pelas 21h30.

Diretor Francisco Rebelo dos Santos francisco.santos@regiaodeleiria.pt

Apoio à Edição Alexandre Soares alexandre.soares@ipleiria.pt

Coordenadores Pedagógicos Catarina Menezes catarina.menezes@ipleiria.pt

Marta Oliveira marta.s.oliveira@ipleiria.pt

Paulo Agostinho paulo.agostinho@ipleiria.pt

Projeto Gráfico Leonel Brites leonel.brites@ipleiria.pt

Marco Gomes marco.gomes@ipleiria.pt

Maquetização Leonel Brites

A exposição tem lugar na Galeria de Arte - Banco de Portugal e Moinho do Papel e pode ser vista até ao dia 31 de dezembro. 13, 14, 20 e 21 de dezembro, Leiria

TRANSFORMAR PAPEL EM PLANTAS

A Câmara Municipal de Leiria lança o desafio de trocar papel por plantas, com a atividade “Faz o teu papel no Natal”. Plantas aromáticas, ornamentais, azevinho ou ecopontos domésticos, são as trocas possíveis consoante o peso de papel entregue. A iniciativa conta com o apoio da Valorlis e irá decorrer no espaço Eco Troca, no Jardim Luís de Camões, nos dias 13 e 20 de dezembro, das 14h00 às 17h30, e nos dias 14 e 21 de dezembro, das 14h00 às 18h00. 18 de janeiro, Teatro José Lúcio da Silva, Leiria

AS OBRAS COMPLETAS DE WILLIAM SHAKESPEARE EM 97 MINUTOS

Até 31 de dezembro, Leiria

EXPOSIÇÃO COLETIVA “PENSAR É GUARDAR”

No âmbito da comemoração dos 50 anos da geminação das cidades de Leiria e Tokushima, o Município de Leiria organizou uma exposição de entrada livre, que conta com as obras de artistas portugueses e japoneses.

Redação e colaboradores Andreia Correia, Bianca Saad, Carolina Santos, Davide Araújo, Diogo da Silva, Emanuel Sebastião, Eunice Rodrigues, Francisco Santos, Gonçalo Reis, Inês Mendes, Isabel Roldão, Joana Ângelo, Joana Dias, João Sousa, José Domingues, Laura Melícias, Luísa Jacinto, Luna Silva, Margarida Correia, Maria Bucho, Maria Rei, Neuza Santos, Nuno Vieira, Rita Figueiras, Rodrigo Pereira, Ruben Rodrigues, Sofia Morgado, Sónia de Matos, Tiago Cação, Yasmine Nicole

Shakespeare marca presença nas comemorações do 54º aniversário do Teatro José Lúcio da Silva. A peça propõe um olhar sobre as 37 obras do autor e será apresentada dia 18 de janeiro, às 21h30. O bilhetes estão à venda por 12,50 euros.

Presidente do Politécnico de Leiria Rui Pedrosa presidencia@ipleiria.pt

Os textos e opiniões publicados não vinculam quaisquer orgãos do Politécnico de Leiria e/ou da ESECS e são da responsabilidade exclusiva da equipa do Akadémicos.

Diretora da ESECS Sandrina Milhano dir.esecs@ipleiria.pt Coordenadora do Curso de Comunicação e Media Catarina Menezes catarina.menezes@ipleiria.pt akademicos.esecs@ipleiria.pt


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ESTÁ –a– DAR

Investigadores da Península Ibérica discutem sobre Educação Social Texto Nuno Vieira, Rodrigo Pereira, Ruben Rodrigues

A Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS) recebeu no dia 16 de outubro o III Fórum Internacional de Educação e Pedagogia Social. Sob o mote “Temas e Contextos da Educação Social”, foram abordados os contributos da pedagogia social e os desafios da igualdade de género. Na abertura, o presidente do Politécnico de Leiria realçou a importância da existência do curso de Educação Social na ESECS como motor para mudanças sociais positivas, considerando ser possível a “inovação social através da educação social”. As boas relações institucionais do Politécnico de Leiria com as universidades ali representadas foram também sublinhadas. “O ensino superior vive da partilha do desenvolvimento de novo conhecimento a nível internacional”, acrescentou Rui Pedrosa.

Das universidades espanholas de Sevilha, Múrcia e Santiago de Compostela vieram docentes que partilharam investigação desenvolvida no seu país. Destacou-se a presença de Victoria Pérez de Guzmán, docente na Universidade Pablo de Olavide e presidente da Sociedade Iberoamericana de Pedagogia Social (SIPS), organização científica independente que apoia investigadores, profissionais e estudantes das áreas da educação e pedagogia social. O programa incluiu ainda uma mesa redonda, composta por investigadores da área. José Carlos Marques, professor coordenador principal do Politécnico de Leiria, integrou a mesa que discutiu “Temas e Contextos da Educação Social em Portugal”. Abordando tópicos como a educação para pessoas com necessidades especiais e o impacto da educação social na sociedade portuguesa, os participantes destacaram que a aposta dos jovens em formação nesta área pode ter um papel significativo na criação das “mentes do futuro”. Um dos destaques do evento foi a apresentação do projeto VEUMI (Voluntariado, Extensão Universitária e Mediação Intercultural). Com a premissa de aproximar os estudantes dos cursos do Politécnico de Leiria e organizações sociais do país, a iniciativa promove o voluntariado como uma forma de educação para os jovens. Está prevista a criação de uma bolsa de voluntariado, com base na ESECS, e de formações em mediação intercultural para voluntários. k

HACKATHON 100% IN

Quando a união favorece a inclusão Texto Eunice Rodrigues, Inês Mendes, Yasmine Nicole

O Campus 2 do Politécnico de Leiria abriu as portas à inclusão. Entre 30 de setembro e 1 de outubro, durante 24 horas, estudantes e docentes de toda a comunidade académica trabalharam em conjunto o tema da inclusão social de alunos com necessidades educativas especiais. Aos cerca de 100 participantes foram colocados desafios: a criação de uma campanha de comu- A docente sublinhou o interesse Santos, que nasceu cega, partilhou nicação para sensibilizar a comu- da iniciativa em trabalhar pela di- a sua experiência. “É uma luta muinidade para a inclusão de alunos ferença e ajudar à superação das to grande conseguirmos entrar com necessidades educativas es- dificuldades. O evento foi desen- no mercado de trabalho, sermos peciais; a conceção de residências volvido com o apoio do Instituto aceites pelas nossas limitações, e académicas acessíveis e totalmen- Padre António Vieira, representa- sermos valorizados pelas nossas te inclusivas; o desenvolvimento do pelo seu diretor, Rui Marques. capacidades”, afirmou. de um site e app para alunos com A atividade foi bem recebida peApesar da duração da atividade, necessidades educativas especiais, nem tudo foi trabalho. Houve pau- los participantes. Daniela Reis, uma com toda a informação dos servi- sas para que os participantes pu- das estudantes envolvidas, consiços do Politécnico. dessem divertir-se um pouco. Exer- derou-a uma “excelente iniciativa”. O presidente do Politécnico de cícios físicos, danças em conjunto e “Com as nossas ideias, podem tentar Leiria, Rui Pedrosa, iniciou a ses- simulações de como seria andar na inovar mais e fazer coisas melhores são reforçando a importância do rua sem ver ou de cadeira de rodas, pelo Politécnico”, referiu. evento. “A inovação social é hoje, foram alguns dos desafios propostos. O desafio da inclusão contou para o Politécnico de Leiria, uma O testemunho de estudantes com a presença de um júri que, área estratégica, diferenciado- com necessidades educativas espe- além de premiar os grupos venra e disruptiva”, sublinhou. De ciais que estudam no Politécnico cedores, distribuiu prémios por seguida, Isabel Pereira, membro de Leiria também fez parte do pro- todos os participantes, num evenorganizador do evento, afirmou grama. A frequentar o mestrado to onde a grande vencedora foi a que “tudo o que é fácil está feito”. em Comunicação Acessível, Sónia inclusão. k

12 dezembro 2019

Novo edifício para a ESECS anunciado na abertura solene do ano letivo Texto Joana Ângelo, Luna Silva, Maria Bucho, Sónia de Matos

A promessa de um novo edifício para a Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS) foi confirmada pelo presidente do Politécnico de Leiria, Rui Pedrosa, na sessão solene de abertura do ano académico de 2019/2020, que teve lugar no Centro Cultural e de Congressos de Caldas da Rainha, no dia 29 de outubro. “No final da anterior legislatura, num compromisso que envolveu o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, o Ministério da Justiça e o Ministério do Trabalho e Segurança Social, alcançou-se um entendimento que é importante concretizar e que passa pela construção de uma nova escola nos terrenos da prisão-escola”. O objetivo, assegura o presidente, passa por criar “um único campus académico em Leiria, tendo como contrapartida a requalificação dos pavilhões da prisão-escola e, simultaneamente, a resolução do problema do IEFP, que não tem infraestruturas próprias em Leiria”. No seu discurso, o presidente do Politécnico de Leiria reforçou igualmente a importância dos inícios. “A abertura do ano letivo é sempre um momento marcante na academia, principalmente porque é um ato académico que assinala solene e simbolicamente a renovação e, simultaneamente, a esperança de muitos objetivos e sonhos”, referiu. Esteve também presente no evento Ana Abrunhosa, ministra da Coesão Territorial, que realçou, no seu discurso, o nível de excelência do Politécnico. “Queria felicitar os jovens que decidiram estudar no Politécnico de Leiria e transmitir-vos que aqui têm os melhores docentes e os melhores investigadores e que o Politécnico pode não ser uma universidade, mas tem a qualidade das melhores universidades”, garantiu a ministra. Após os discursos, foram atribuídos os títulos honoríficos Professor Honoris Causa a Ana Abrunhosa e, a título póstumo, a João Vasconcelos, antigo secretário de Estado da Indústria, seguindo-se a entrega de prémios, bolsas e distinções. Houve ainda homenagem aos colaboradores com mais de 25 anos de serviço no Politécnico de Leiria, fechando com a atuação do Movimento “RegiArte” e cocktail de encerramento. k


4 JOVENS MOBILIZAM-SE CONTRA A INTOLERÂNCIA

O discurso do ódio não é uma opinião KAPA Associado à intolerância face a características como a nacionalidade, origem étnica, género ou orientação sexual, o discurso do ódio circula de múltiplas formas, mas tem na Internet um campo fértil de disseminação. Uma forma de animosidade, discriminação e violência face ao outro, que vários movimentos - muitos envolvendo jovens - procuram combater. O objetivo passa por sensibilizar e disponibilizar recursos para uma linguagem e ação em favor dos Direitos Humanos. Texto Diogo da Silva, Francisco Santos, José Domingues e Gonçalo Reis

“Um símbolo inócuo com mais de três séculos de his- Klan (grupo responsável pela violência dirigida aos tória foi recentemente capturado por movimentos ra- negros nos Estados Unidos). Entre outras siglas e cistas. Esta quinta-feira, foi o mais utilizado durante a símbolos (pantera, pit bull, caveira, escudos, soldamanifestação dos agentes das forças de segurança em dos, tatuagens...), aparecem conjuntos numéricos e Lisboa”, escrevia o jornal Público (online) num artigo representações gráficas normalmente associadas a assinado por Miguel Dantas, no mesmo dia em que de- nacionalismos, supremacia branca, a grupos terrocorria a manifestação das forças de segurança em fren- ristas, racistas ou xenófobos. te à Assembleia da República, a 21 de novembro. Num No seu site (www.adl.org), a ADL, organização noroutro artigo assinado por Céu Neves, no dia 22, a ver- te-americana que combate o racismo, antissemitismo são online do Diário de Notícias afirmava que a imagem e o ódio, refere, porém, que se deve ter “particular caude um dedo indicador a tocar no polegar tinha marca- tela” na avaliação do símbolo “ok”, pois o uso, na maiodo a manifestação dos polícias, acrescentando: “Um ria dos contextos, “é totalmente inofensivo”. gesto de aprovação, mas que nos últimos anos ganhou outras conotações, até símbolo da supremacia branca”. Discurso do ódio e espaço digital Televisões, rádios e jornais nacionais deram amplo O discurso de ódio é muito mais do que não gostar destaque a um gesto que, segundo um movimento de de uma pessoa ou grupo, ou mesmo dirigir ofensas profissionais da PSP e da GNR presente na manifes- a alguém. Preconceitos e ignorância são aspetos nortação, quer dizer “zero”, precisamente em referência malmente ligados a quem adota este tipo de comportaa esse coletivo, o Movimento Zero. O gesto também mento. Segundo Marisa Torres da Silva, professora na pode significar o tradicional “ok”, de anuência, apro- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universivação ou bem-estar, com origem no século XVII, na dade Nova de Lisboa, o discurso do ódio “é um comporGrã-Bretanha. tamento ou um modo de expressão que remete para Por entre acusações de que o Movimento Zero um grau de animosidade e discriminação em relação a acolhe elementos próximos de partidos de extrema- uma pessoa ou um determinado grupo”. A dificuldade -direita, o símbolo rapidamente ganhou tanto pro- em lidar com a diferença e o contexto em que evolui o tagonismo mediático como os motivos laborais que discurso são outros elementos importantes quando se estiveram na origem da manifestação das forças de procura caraterizar este comportamento. segurança em Lisboa. Mas será este gesto um símbolo “Esse ato discriminatório está normalmente associada extrema-direita? Existe alguma relação com o dis- do a caraterísticas que têm que ver com a língua, a nacurso de ódio? E com a Internet? cionalidade, a origem étnica, o género ou a orientação Na verdade, é na Internet que está a origem desta sexual. Este tipo de linguagem não se esgota na expresnova associação de ideias a um gesto antigo. Em 2017, são escrita ou verbal mais rotineira. Pode estar presenparticipantes em fóruns radicais deram-lhe uma nova te na versão sonora, visual, artística e ser veiculado por conotação, sugerindo que os dedos representavam as qualquer meio ou plataforma”, afirma a investigadora letras “W” de white (branco, em português) e o indica- do projeto “Justo ou defeituoso: experiências sobre a dor e polegar o “P” de power (poder), remetendo para a perceção de moderação do discurso do ódio”. tal supremacia branca. O espaço público digital pode transformar-se num Brincadeira, subversão de significado ou apenas palco de tortura online, intolerância e de estímulo à mau gosto, o facto é que as redes sociais logo servi- ignorância e desinformação. As práticas de bullying ram de palco para a propagação de um novo signifi- no espaço offline encontram correspondência na dicado associado ao símbolo do “ok”, agora também co- mensão online através do ciberbullying, atingindo o notado com ódio e xenofobia. Desde então membros discurso do ódio na Internet outras manifestações da extrema-direita têm publicado imagens nas redes que remetem para problemáticas mais amplas, como sociais exibindo o “ok”, além de outras tantas tentati- a questão dos refugiados e outros grupos sociais. A vas de subversão de vários símbolos inócuos. coordenadora da campanha nacional do Movimento Em setembro, a Liga Anti-Difamação (ADL) in- “No Hate Speech”, Margarida Saco, refere que não se cluiu o gesto numa lista de indicadores de ódio que pode confundir liberdade de expressão com determiultrapassa as duas centenas. Nessa lista, constam nadas ideias alimentadas pela ofensa e discriminação. símbolos como a cruz suástica, a cruz celta (supre- “São, no fundo, comportamentos que aproveitam o ammacia branca) ou a cruz em chamas do Ku Klux biente online para desinformar, manipular e fomentar


5 estereótipos ou preconceitos que levam, primeiro, à discriminação e, depois, à violência”, sublinha. Margarida Saco considera que hoje “as notícias e informações falsas, juntamente com o ciberbullying, são formas de propagação do discurso do ódio dirigido a determinados grupos ou comunidades”. Por isso, explica, “não só é importante educar para um comportamento responsável no espaço online, como instruir para a ação, no sentido de, por um lado, aprender como denunciar um discurso ofensivo à dignidade de alguém e, por outro, adotar uma linguagem em favor dos Direitos Humanos”. Quando os jovens são o elemento de mudança O Movimento Contra o Discurso do Ódio (No Hate Speech) nasceu em 2013 ao nível europeu, com representação em vários países, tendo como objetivo combater e sensibilizar para o discurso de ódio e a discriminação nos espaços online. A iniciativa, concluída em 2017, mas que prossegue com múltiplas ações nos diversos países europeus, pretende abordar temáticas como a discriminação racial, a xenofobia, a homofobia e outras formas de ódio baseadas na intolerância. É, sobretudo, uma campanha de mobilização dos jovens para o combate a este tipo de discursos, em ambientes online e offline, com o foco na educação para os Direitos Humanos, na consciencialização do problema, na produção de contranarrativas e na promoção de discursos de tolerância. “Foram os jovens que em 2012 levaram a questão do discurso do ódio online ao Conselho da Europa e pediram expressamente para que se fizesse alguma coisa. A resposta foi positiva. O Conselho da Europa criou recursos e suportes online e offline para abordar a problemática, organizou uma equipa de jovens ativistas treinados para reconhecer o discurso do ódio, agir e denunciar. Depois, apelou para que os governos nacionais participassem na campanha”, explica Margarida Saco. Em Portugal, o movimento é coordenado pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (www. odionao.com.pt), que promove ações com o intuito de desenvolver estratégias para reconhecer e agir contra este tipo de violação dos Direitos Humanos. Mostrar apoio e solidariedade para com pessoas e grupos alvos desta discriminação e desenvolver formas de participação da juventude e de consciência da cidadania digital são objetivos já materializados com a realização de diversos seminários, encontros e ferramentas como o Manual para o combate contra o discurso de ódio online através da Educação para os Direitos Humanos (2016). Ações específicas em Portugal foram também levadas a cabo por associações juvenis, com repercussão internacional, como é o caso do vídeo Uma história sobre gatos, unicórnios e discurso de ódio (online), o Manual de sobrevivência ao troll e uma exposição itinerante com imagens alusivas ao tema. O Observatório do Discurso do Ódio funcionou até 2017 como plataforma de denúncia, encontrando-se neste momento em formato de repositório para manter viva a questão. Educação para os media A capacidade de reconhecer, denunciar e agir perante violações aos Direitos Humanos no espaço online implica competências ao nível da literacia mediática e digital. Dotar os jovens de capacidade crítica para interpretar o mundo através dos produtos mediáticos, estendendo as formas de leitura e de escrita (não apenas a palavras, mas a imagens e desenhos), é um

dos principais objetivos da campanha contra o discurso do ódio levada a cabo pelo Conselho da Europa. Por isso, “é fundamental desenvolver uma capacidade crítica para compreender a origem e a natureza das informações recebidas, aspeto também relacionado com os conceitos de privacidade e liberdade de expressão”, refere Marisa Torres da Silva. Em Portugal, defende a professora universitária, já existem muitas iniciativas no âmbito da educação para os media e da promoção de uma cidadania digital, abrangendo várias faixas etárias, organizações, escolas, universidades e centros de investigação. “Talvez falte um pouco de estratégia”, defende. “O Sindicato dos Jornalistas, por exemplo, em articulação com o Ministério da Educação, está a desenvolver um projeto-piloto na área da literacia para os media que atualmente envolve dezenas de professores e milhares de alunos. O objetivo passa por disponibilizar aos professores metodologias, recursos e ferramentas que possam ser usadas em atividades a realizar com a comunidade escolar”, salienta a docente da Universidade Nova. A entrada nas escolas deste tipo de formação começa a dar os primeiros passos em Portugal. A educação para os media e para os Direitos Humanos é um passo fundamental para sinalizar discursos de ódio que, como afirma Margarida Saco, “não sendo uma opinião, importa combater no mesmo espaço online onde se difundem”. k Entender o discurso de ódio é mais simples com o “Manual de Sobrevivência ao Troll”, lançado pelo Movimento Contra o Discurso de Ódio e disponível no site oficial: www.odionao. com.pt. A descrição do habitat, modo de ataque, dieta alimentar e subespécies do “Trollius Interneticus” serve de introdução ao documento, que explica também qual o comportamento adequado a ter perante este tipo de discurso. Para agir, basta seguir os sete mandamentos de sobrevivência aos trolls, que incluem, entre outros, não reagir por impulso, não responder, divulgar as boas práticas e denunciar os comentários ofensivos às instituições responsáveis.

12 dezembro 2019

TAK Texto

Inesa Markava A união de duas artes

João Sousa Luísa Jacinto Maria Rei

Inesa Markava, de 35 anos, natural de Minsk, na Bielorrússia, reside em Portugal desde 2005, ano em que fez parte de um projeto de intercâmbio, no curso de Pedagogia Sócio-Cultural. Acabou por ficar em Leiria, pois foi nesta cidade que pôde retomar o seu trabalho de bailarina, uma das suas paixões. Começou por se inscrever na Escola de Dança Clara Leão e, assim, voltou aos palcos. Mais tarde, foi convidada por Paulo Lameiro a ingressar na Escola de Artes SAMP, sediada nos Pousos. Passado um ano, integrou o programa “Concertos para Bebés”, do qual ainda hoje faz parte. “Este projeto é muito especial para mim porque leva a música clássica aos bebés e, para além disso, faz com que viajemos muito pela Europa e pelo mundo”, explica a bailarina. A par do envolvimento nestes projetos, Inesa nunca deixou de apostar na sua formação académica. Além da licenciatura em Estudos Artísticos, pela Universidade de Coimbra, acrescentou ainda um mestrado e um doutoramento. Desde há quatro anos que, todos os meses, a bailarina e investigadora dá expressão às exposições da livraria Arquivo, cruzando “trabalhos de arte contemporânea” com “dança clássica”, em performances para todas as idades. Foi, contudo, em setembro deste ano que a imagem de Inesa passou a ser presença constante no quotidiano dos leirienses. Com a realização do “Arte Pública”, evento de intervenção artística urbana, realizado pela terceira vez em Leiria, entre setembro e outubro de 2019, surgiu o convite. Ricardo Romero, coordenador do evento, apresentou a Inesa o desafio de trabalhar com um dos artistas, Guido Van Helten, que lhe propôs uma sessão fotográfica, focando-se na relação entre os seus “movimentos e o envolvimento com a cidade”. Apesar de não se conhecerem, perceberam logo que tinham algo em comum. “Quando conheci o Guido, perguntou-me de onde é que eu era e, ao responder que vinha de Minsk, ele disse: 'Eu pintei lá uma parede há 3 anos!'. O mais engraçado é que essa parede fica na fachada da residência de estudantes da universidade onde estudei”, recorda. O resultado está presente, em grande dimensão, num dos prédios da Avenida Marquês de Pombal. Até chegar à imagem final, o processo incluiu um passeio pela cidade. “Subimos até ao castelo, viemos pela Rua Direita, Terreiro, fomos até ao Museu de Leiria, explorámos a Fonte das 3 Bicas”, descreve a bailarina. Quando encontravam o cenário certo, era o momento da dança. “Ia dançando ao som da cidade porque não havia música. Enquanto eu fazia o meu percurso a dançar, ele ficava do lado oposto [a fotografar]”, explica. Quanto ao país que a recebeu, Inesa sente-se em casa: “Não me sinto estranha, este calor humano que existe em Portugal cativa muito e apetece ficar cá”. k


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Podemos contribuir para que cada pessoa encontre o seu SENTADO caminho enquanto cidadão NO MOCHO Rui Marques Presidente do Instituto Padre António Vieira

Rui Marques, 56 anos, é presidente do Instituto Padre António Vieira. Empreendedor, gestor e ativista social, conta com inúmeras funções ligadas à área social, institucional e política. É o fundador da revista Fórum Estudante, dinamizou ações de caráter social em Timor-Leste, foi colaborador da Plataforma de Apoio aos Refugiados e ocupou o cargo de Alto Comissário para a Imigração e Diálogo Intercultural. Considera a indiferença “uma doença muito perigosa” e, por isso, procura fomentar uma liderança servidora nas gerações jovens. Texto Carolina Santos

Como é que passa da área da Medicina para um doutoramento em Sociologia Económica e das Organizações, passando ainda por um mestrado em Ciências da Comunicação? Reconheço que é um percurso muito atípico, não é o tradicional, contudo eu sempre fui, e continuo a ser, uma pessoa que se interessa por múltiplos campos do conhecimento. Em certa medida, gostaria de ser um homem do Renascimento, interessando-me por vastas áreas como a matemática, a filosofia, as artes ou as ciências naturais. Considero que o interesse pelo ser humano e a vontade de servir, saber onde posso ser mais útil e cumprir o meu papel enquanto cidadão, é a linha comum entre estas experiências académicas. Quando é que começa a envolver-se em questões ligadas à imigração, ao problema das minorias e da inclusão social? De uma forma mais objetiva, foi com o cargo de Alto Comissário Adjunto para a Imigração e Diálogo Intercultural, em 2002. Esta oportunidade surgiu por convite, no final do meu período de voluntariado em Timor-Leste. Trata-se de uma função do Estado Português, que tem como responsabilidade o desenho das políticas públicas de acolhimento e integração de imigrantes na sociedade portuguesa. Foi a partir dessa altura, apesar de depois me ter mantido ligado ao tema. Quais foram os motivos que levaram à fundação da Fórum Estudante e, mais tarde, da Fórum Multimédia? Estamos a falar dos finais dos anos 80, de uma realidade muito diferente da de hoje em termos de suportes de comunicação. É a era pré-internet, pré-telemóvel e outros dispositivos congéneres, bem como uma era pré-atenção que o ensino superior dava aos suportes informativos sobre a oferta formativa que tinha. Estavam muito habituados a que os estudantes fossem ter com eles e eles não tinham de fazer nada. Cada vez que se colocava a um estudante o desafio de escolher o curso, a escola e a profissão, a informação disponível era muito pouca. Éramos estudantes e achámos que era necessário criar uma revista sobre cursos, escolas e profissões, de forma a facilitar o acesso à informação. Assim nasceu a Fórum Estudante em 1991. Depois foi evoluindo, englobando novos canais de comunicação, recursos que respondessem às diferentes necessidades. Trinta anos depois, a Fórum Estudante mantém-se ativa, mas as necessidades de hoje são outras. Já não há a escassez de informação que havia. A Fórum Estudante, atualmente, dá resposta aos novos desafios que surgem.

Atualmente, qual sente ser o envolvimento dos jovens com a política e com as questões de cariz social e humanitário? Eu acho que os jovens, em relação ao seu compromisso social, apresentam uma participação elevada, maior do que há 30 anos. Mas por resultado de um conjunto de vicissitudes face à política do domínio dos partidos e das instituições políticas, hoje há um desinteresse e afastamento maiores, que é preocupante e que devemos combater. É fundamental que as novas gerações percebam que é através da política que se define uma estratégia de defesa do interesse comum. Servir a política é essencial. Há um caminho muito grande para cumprir, visto existir uma desconfiança acentuada dos jovens relativamente ao sistema político e às suas respostas tradicionais. Neste âmbito, qual é a meta que pretende atingir nas áreas de intervenção social junto dos mais jovens, nomeadamente com as conferências que realiza nas escolas em nome do Instituto Padre António Vieira? Trata-se de dar um pequeno contributo, somar uma gota de água a um oceano que é muito grande. Não podemos ter a ambição de mudar o mundo radicalmente, mas podemos contribuir para que cada pessoa encontre o seu caminho enquanto cidadão, e que se possa realizar plenamente nesta consciência de interdependência e relação com o outro. A pessoa tem de saber que não está sozinha no mundo, depende de outros e é responsável por outros. Tudo o que possamos fazer, nos vários momentos de intervenção, nas múltiplas estratégias de comunicação, para que as novas gerações agarrem o mundo que lhes pertence e cumpram o destino que merecem, é um contributo que ética e moralmente somos chamados a dar. Trabalhamos para inspirar, abrir caminhos de ref lexão e animar para a ação. Estas são dimensões importantes e que temos em muita consideração.


7 Um dos seus grandes eixos de intervenção é e precisa de uma solução. Segundo, saber qual era na Academia de Líderes Ubuntu. Quais são os a solução mais adequada e mais eficiente para reobjetivos desta organização? solver o problema em questão, de uma forma susUbuntu quer dizer: eu sou porque tu és. Ou seja, eu tentável no tempo. Aqui, surge a dimensão da criasó sou pessoa através das outras pessoas. Com esta tividade, a capacidade de pensar de novo, conjugar metodologia de educação não formal, procuramos de formas diferentes várias peças, reorganizando capacitar jovens com potencial de liderança para o conhecimento ao nosso alcance. E a partir deste um modelo de liderar para servir, uma ética de cui- processo, saber como é que se consegue implemendar do outro e de si próprio, bem como para ajudar a tar a ideia de uma forma sustentável no tempo com construir pontes. O mundo hoje precisa de homens uma dimensão de medição de impacto na comunie mulheres que se empenhem em construir pontes dade. O desafio de inovar deve corresponder pelo numa sociedade que se encontra muito fraturada, menos a estes critérios, que são características funquer por muros quer por grandes abismos. O espetro damentais da inovação social. de desigualdades atual precisa de alguém que trabalhe para desenvolver uma maior equidade. Com a Qual a relação do conceito de inovação social Academia Ubuntu, formamos e apoiamos os jovens com o dinheiro? É possível realizar projetos de para que levem a sério o nosso mote, enquanto cor- inovação social com pouco dinheiro ou mesresponsáveis e cuidadores de toda a comunidade, mo sem qualquer financiamento? concretizando uma efetiva transformação social. É evidente que é sempre necessário mobilizar recursos financeiros para a inovação social. Tal como na O que é liderar para servir? inovação científica e tecnológica, quando se financia É ter em atenção que existe liderança no sentido de percebe-se que se está a fazer um investimento que inspiração e mobilização, onde juntar energias, re- vai resultar em ganhos significativos. Investe-se para cursos, inteligência e memória deve ser, essencial- ter um retorno maior. Na esfera social, esses ganhos mente, um ato de serviço em que o líder não está fo- não são necessariamente financeiros. Eu consigo mecado nas suas necessidades pessoais e no seu egoís- lhorar a qualidade de vida e o nível de felicidade das mo, mas sim no serviço à comunidade, no bem co- pessoas e esse não é um valor tangível em métricas mum. Isto é praticado num espírito de honestidade. financeiras, mas é um valor muito importante. Também há a possibilidade de medir muitos impactos fiQuais são as características que considera es- nanceiros da inovação social, quando, por exemplo, senciais num jovem empreendedor? eu consigo reduzir por via de uma ação que se desenPrimeiro, ser imune ao vírus da indiferença. É volve na área da saúde mental, o nível de consumo de uma doença muito arriscada e perigosa. Creio que medicamentos antidepressivos ou o número de atenhá muitas pessoas que se deixaram tomar por esse dimentos em determinadas circunstâncias. vírus e são totalmente indiferentes ao que acontece no mundo. Por outras palavras, é preocupar-se, As instituições de ensino superior podem ser estar conectado ao seu território e contexto e ter a agentes importantes quanto se fala em desendeterminação de encontrar novos caminhos para volver processos de inovação social? resolver velhos e novos problemas. Um empreen- Eu creio que são fundamentais, um elemento-chave. dedor caracteriza-se por ser alguém que não fica Tenho uma grande esperança de que o tecido de ensentado à espera de que alguma coisa aconteça, que sino superior em Portugal possa assumir esse papel não tapa os olhos face à realidade e que decide, com liderante. Por natureza, as instituições de ensino suaquilo que tem, com aquilo que sabe e com aquilo perior são casas do novo conhecimento. É claro que que pode, criando respostas e soluções novas. tenho consciência de que existem obstáculos e desafios, pelo que a inovação social ainda é muito nova O que enunciou está intimamente ligado à ino- em termos de agenda pública e das instituições. Ainvação social. O que significa este conceito, que da é preciso fazer caminho, mas é um ponto fulcral. tem vindo a ser cada vez mais referido? Esta metáfora nasce muito do papel que a inovação O IPAV é parceiro híbrido da Ashoka, uma rede teve na área científica e tecnológica ao produzir global que seleciona e apoia inovadores sociais. grandes desenvolvimentos na humanidade, impacto Que resultados tem trazido esta parceria e que económico e desenvolvimento empresarial. A mais metas se procuram alcançar a longo prazo? valia deste tipo de inovação é acrescentar valor aos É sempre interessante estar atento ao que acontece no processos de produção industrial, de serviços atra- mundo. Nós hoje não vivemos numa quinta fechada, vés do valor acrescentado de soluções inovadoras. num território limitado, vivemos no mundo. PortanComeçou a ser óbvio que se isso acontece com a eco- to, todas as plataformas onde seja possível aprender, nomia, porque é que não acontece com os problemas compreender e contribuir para a construção social sociais mais importantes, designadamente a pobre- desse mundo, são plataformas importantes. Cada vez za ou a exclusão social? Porque é que não usamos a mais, o importante não é o ser individual, mas sim o mesma dinâmica aplicada à busca por ideias novas, IPAV enquanto instituição e o caminho que percorre passíveis de serem transformadas em serviços, pro- para alcançar metas sustentáveis. k dutos, ações concretas na esfera social? Hoje há excelentes exemplos de projetos que souberam inovar para dar resposta a grandes desafios da humanidade. Apesar das semelhanças entre a inovação económica e a social, que critérios devem ser considerados para perceber se há ou não inovação social? Deve começar-se por perceber se corresponde à existência de um problema que não está resolvido

[A indiferença] é uma doença muito arriscada e perigosa.

12 dezembro 2019

KAPAS Texto Davide Araújo Emanuel Sebastião Tiago Cação

You Are Forgiven Não há história sem dissabor You Are Forgiven é o nome do terceiro álbum do músico e produtor português João Batista Coelho, mais conhecido como Slow J. Lançado a 20 de setembro de 2019 e sem qualquer tipo de promoção prévia, o disco surgiu em todas as plataformas digitais, composto por nove faixas originais, com contribuições de Sara Tavares na faixa “Também Sonhar”,Papillon em “FAM”,entre outros. Aclamado como um dos compositores e criadores mais influentes e relevantes da nova geração da música portuguesa, e já com dois projetos na sua discografia, The Free Food Tape e The Art of Slowing Down, Slow J vai à descoberta de um novo som capaz de refletir a sua jornada, procurando assim a felicidade interior. Neste novo álbum, o artista caminha por um conturbado percurso de autodescoberta, criando assim um estilo único de narração. A abertura a vários assuntos, tanto pessoais como sociais, é a imagem de marca deste novo projeto, dando tanta ênfase à sua realidade como à das pessoas que o rodeiam. O projeto com pouco mais de 27 minutos é uma exibição de pura melancolia, com uma atmosfera que transborda amargor e sofrimento. Com uns salpicos de influências africanas na faixa “FAM”, Slow J tenta dinamizar o seu catálogo com um ritmo mais mexido. As faixas que se seguem revelam-se mais slow. Os instrumentais remetem-nos para o estado de espírito do intérprete, um sentimento de sofreguidão e mágoa. “Tirava-te a dor e ficava com ela”. Quanto à opção gráfica da capa do disco, o compositor esclarece que a impressão digital feita de linhas labirínticas, ali presente, simboliza a questão da jornada individual que cada ser humano tem de percorrer até encontrar o seu propósito, desmistificando, de certa forma, a ideia de que a fama e o dinheiro significam, por si só, a felicidade do indivíduo. A cultura musical portuguesa sai assim reforçada, mesmo a finalizar o ano de 2019, com o regresso de um dos artistas de hip-hop mais prolíferos e prezados por um público maioritariamente jovem, capaz de se rever e de vibrar ao som das várias faixas incluídas em You Are Forgiven. k


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PRÉMIO DE ESCRITA PROSA & VERSO A Escola Superior Texto de Educação e Andreia Correia Ciências Sociais Margarida Correia (ESECS) vai orgaRita Figueiras nizar a segunda edição do Prémio de Escrita “Prosa & Verso”. O concurso dirige-se à comunidade académica do Politécnico de Leiria, docentes e não docentes. O tema da edição de 2020 é a “Árvore” e o prazo de entrega dos originais termina a 22 de maio, às 23h59. Mais informações no regulamento disponível em www.ipleiria.pt/ esecs/. OVNI – OBJETOS VISUAIS DO NEPAL E DA ÍNDIA Os alunos do 3.º ano das Licenciaturas em Design Gráfico e Multimédia e Programação e Produção Cultural, da Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha, criaram um projeto internacional de diálogo estético com o Oriente, em parceria com o Museu José Malhoa. Em dezembro e janeiro, as cidades de Caldas da Rainha, Lisboa e Almada acolhem artistas da Índia e do Nepal, aos quais se juntam criadores portugueses para celebrar a Viagem, o Oriente e, sobretudo, o misticismo associado às cidades de Kathmandu e Varanasi. O programa oferece exposições, performances artísticas, palestras, masterclasses, aulas abertas, murais e intervenções urbanas, contando com o apoio da Câmara Municipal de Caldas da Rainha, da Biblioteca da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e da Fundação Oriente, além de outras parcerias. Mais informação em: www.ipleiria.pt/esadcr. DEVFEST LEIRIA 2019 O DevFest acontece dia 14 de dezembro na Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Politécnico de Leiria e visa abordar temas relacionados com Web Development, Mobile (iOS, Android, Hybrid), Design, Metodologias de Desenvolvimento Ágil, Machine Learning, entre outras temáticas. O evento é organizado pela Google Developers Group Leiria (GDG Leiria) e conta com a participação de vários oradores internacionais. Os bilhetes podem ser adquiridos através do site: https://devfest. gdgleiria.xyz. As receitas serão doadas a organizações de cariz social. k

Está patente no Museu de Leiria a exposição “Plasticidade – Uma História dos Plásticos em Portugal”, vencedora do Dibner Award for Excellence in Museum Exhibits, atribuído pela Sociedade para a História da Tecnologia (SHOT – Society for the History of Technology). A mostra descreve a história dos plásticos utilizados no quotidiano das sociedades. A exposição é composta por peças feitas por artistas portugueses e por peças doadas pelos habitantes locais. O projeto, iniciado pelo Centro Interuniversitário de História das Ciências e da Tecnologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, demorou três anos a concluir e conta com um total de 150 objetos. Sara Marques da Cruz, coordenadora do projeto, sublinha a constante pre-

sença do plástico nos diversos materiais do dia a dia. “Introduz- se na vida das pessoas de séculos passados, é o substituto dos copos, pratos, garfos... Uma série de objetos que normalmente não associamos a um museu”. Leiria foi a cidade eleita para acolher este projeto uma vez que, segundo a coordenadora, conta com uma história local rica em diversidade de fábricas de plástico e de vidro. Para conhecer essa história foi necessário um conjunto de metodologias de pesquisa exaustiva sobre a cidade, de organização e de procura de peças. A exposição também lembra as desvantagens do uso do plástico, pois apesar de ter sido “um milagre da química”, como considera Sara, a sua utilização irracional e descuidada provoca um impacto negativo no meio ambiente. A reação das pessoas tem sido positiva e nostálgica, pois criam um laço de sentimentalidade e proximidade com as peças devido ao seu uso diário. Por vezes, a ligação chega ainda a ser mais profunda. Por ser uma região onde predominam empresas de fabrico de plástico e de mol-

des, alguns visitantes constatam terem sido os responsáveis pelo fabrico de exemplares em exposição. A mostra estará em exibição todos os dias até dezembro de 2020. O preço do bilhete é de 5€. A entrada é gratuita no primeiro domingo de cada mês. k Texto

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Laura Melícias Neuza Santos Sofia Morgado

FASTFORMAT Fastformat é uma plataforma online gratuita e uma ferramenta útil na hora de produzir trabalhos académicos. O software foi criado para que os seus utilizadores mantivessem o foco no conteúdo Texto da redação e não Laura Melícias nas regras de forNeuza Santos matação. O editor Sofia Morgado de texto inclui opções como o corretor ortográfico, as citações automáticas e uma base de referências. Os documentos são formatados imediatamente e o utilizador tem acesso ao histórico das alterações feitas no seu trabalho. A plataforma encontra-se disponível em www.fastformat.co

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Museu de Leiria acolhe exposição “Plasticidade – Uma História dos Plásticos em Portugal”

DESPORTO UNIVERSITÁRIO

Equipa feminina de andebol entra com o pé direito no campeonato nacional A época desportiva universitária já começou e as modalidades do Politécnico de Leiria procuram melhorar os resultados obtidos na época passada. A equipa feminina de andebol alcançou duas vitórias em três jogos disputados, na 1ª Jornada Concentrada, realizada em Aveiro, no passado mês de novembro. Apesar da derrota frente à Associação Académica da Universidade de Aveiro (15-10), os triunfos sobre a Associação Académica de Coimbra (4-22) e a Associação Académica do Universidade do Algarve (16-11) colocam as jogadoras do Politécnico de Leiria no terceiro lugar do pódio e em boa posição para disputar a 2ª Jornada. O setor masculino não conseguiu somar qualquer triunfo ao longo das quatro partidas realizadas, esperando

recuperar lugares na tabela classificativa no próximo mês de março, durante a 2ª Jornada Concentrada, nas Caldas da Rainha. A formação leiriense saiu derrotada diante da Associação Académica da Universidade de Évora (8-14), da Associação Académica da Universidade de Aveiro (16-15), do Instituto Politécnico de Santarém (13-17) e da Associação Académica da Universidade do Minho (17-10) Depois do pódio alcançado em 2018/2019, a equipa de futsal masculino procura, agora, subir no patamar das distinções. Em Faro, os comandados de Hélder Silva defrontam, na 1ª Jornada Concentrada, as formações da Universidade do Minho, da Universidade de Coimbra, da Universidade de Aveiro, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e do Instituto Politécnico de Viseu. Hélder Silva define a prestação da época transata como “um cumprimento gradual dos objetivos que a equipa técnica traçou juntamente com os atletas”. Para esta temporada, as expetativas são mais elevadas e objetivo é claro: chegar à final do torneio e discutir o título nacional universitário. k

MINT Mint é um site com a finalidade de ajudar na gestão financeira. O software, num contexto académico, permite controlar as diversas despesas que a universidade traz consigo, como renda, propinas, alimentação e material escolar. Para além do orçamento, o Mint dá dicas de como poupar. Disponível na PlayStore e em www.mint.com.


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