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Akadémicos 77

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alimentação

Opção vegetariana chega a cantinas e refeitórios públicos Págs. 4 e 5

pág. 4 e 5

Suplemento integrante da edição nº 4188 de 22 de junho de 2017 do semanário REGIÃO DE LEIRIA. Não pode ser vendido separadamente.

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"A música é apaixonante, mas importa adotar uma lógica profissional"

Hugo Ferreira

Ilustrações: freepik.com

Editor Musical

págs. 6 e 7


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A ABRIR 23 de junho, Caldas da Rainha

6 de julho, Caldas da Rainha

SALVADOR MARTINHA – TIPO ANTI-HERÓI

NÃO PERKAS Texto Bernardo Dias Filipa Sérgio Lara Matos

Depois do sucesso de Na Ponta da Língua, Salvador Martinha volta aos palcos com um novo espetáculo de comédia, Tipo Anti-Herói. O comediante português promete pôr o Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha a rir. Salvador procura amanhã, pelas 21h30, salvar a humanidade e falhar redondamente. O preço dos bilhetes varia entre 10€ e 15€. Mais informações em www.ccc.com.pt.

28 de junho, Leiria

CONCERTO SÍLVIA PÉREZ CRUZ

Sílvia Pérez Cruz vem a Leiria para um concerto único no Teatro José Lúcio da Silva. A artista espanhola, com influências do Jazz e Flamenco, afirmou-se nos últimos anos como uma das vozes revelação da Península Ibérica. A 28 de junho, pelas 21h30, a cidade do Lis vai dançar ao ritmo das músicas da cantora, que conta com três álbuns editados. O preço dos bilhetes é de 12,5€. Mais informações em www.teatrojlsilva.pt.

Diretor Francisco Rebelo dos Santos francisco.santos@regiaodeleiria.pt

Apoio à Edição Alexandre Soares asoares@ipleiria.pt

Coordenadores Pedagógicos Catarina Menezes cmenezes@ipleiria.pt

Projeto Gráfico Leonel Brites leonel.brites@ipleiria.pt

Paulo Agostinho paulo.agostinho@ipleiria.pt

Maquetização Leonel Brites

Marco Gomes marco.gomes@ipleiria.pt

GONÇALO LEONARDO, QUARTETO – SAÍDOS DA CAIXA

Após uma estadia de dois anos na cidade de Nova Iorque, Gonçalo Leonardo regressa a Portugal com o seu disco de estreia. O artista de jazz vai estar presente no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha, a 6 de julho, pelas 22h, para apresentar em quarteto – com André Matos, Yago Vazquez e Tommy Crane – o que gravou do outro lado do Atlântico. Os bilhetes têm um custo de 7,50€ e podem ser adquiridos no Centro Cultural.

30 de junho, Caldas da Rainha

RICARDO RIBEIRO

A tour do fadista Ricardo Ribeiro teve início na Casa da Música, no Porto, a 8 de dezembro e irá passar pelo Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha a 30 de junho. O cantor vai apresentar o novo álbum "Hoje é assim, amanhã não sei". O espetáculo tem início as 21h30 e um custo a partir de 12,50€. Os bilhetes podem ser adquiridos no Centro Cultural ou via online em http://www.ccc.com.pt/. 2 de julho, Leiria

COMPANHIA NACIONAL DE BAILADO

A Companhia Nacional de Bailado foi criada em 1977 e é uma referência da dança clássica em Portugal. A 2 de julho, no Teatro José Lúcio da Silva, a precisão e a fluidez vão fazer parte da atuação da Companhia Nacional de Bailado, um espetáculo integrado no 35º Festival de Música de Leiria. O evento começa às 18h e prolonga-se por duas horas de música e dança. O preço dos bilhetes varia entre 5€ e 15€. Mais informações em www. teatrojlsilva.pt.

Redação e colaboradores Adriana Gaspar, Ana Pinto, Ana Sofia Fonseca, Ana Sofia Gomes, André Lucas, Andreia Rodrigues, Bernardo Dias, Carolina Ruivo, Catarina Rodrigues, Cláudia Monteiro, Dora Coelho, Filipa Sérgio, Inês Santos, Joana Ferreira, Joana Figueiredo, João Bento, Jorge Oliveira, Lara Matos, Liane Duque, Luísa Savala, Márcio Lima, Mariana Antunes, Mariana Martins, Marisa Vitoriano, Marta Santos, Patrícia Bernardo, Rafael Vicente, Rute Vale, Tiago Dias

21 a 23 de julho, Leiria

LEIRIA MEDIEVAL

Durante o fim de semana de 21 a 23 de julho a cidade de Leiria vai recuar até ao século XVI. O Infante D. Duarte, conhecido por Duque de Guimarães, casado com Isabel de Bragança, é inspiração para o mercado medieval de 2017, que pretende retratar o juramento do herdeiro da Coroa, que aconteceu em Leiria. O castelo e o centro histórico da cidade são palco de diversas atividades que prometem transportar os visitantes numa viagem pela história de Portugal.

Presidente do Instituto Politécnico de Leiria Nuno Mangas presidencia@ipleiria.pt

Os textos e opiniões publicados não vinculam quaisquer orgãos do IPL e/ou da ESECS e são da responsabilidade exclusiva da equipa do Akadémicos.

Diretor da ESECS Rui Matos dir.esecs@ipleiria.pt Coordenadora do Curso de Comunicação e Media Catarina Menezes cmenezes@ipleiria.pt akademicos.esecs@ipleiria.pt


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Dia 1 de junho

Tecnologia

Palco para as crianças

ESTÁ –a– DAR

Professor da ESTG vence prémio nacional

Texto Rute Vale, Dora Coelho e Mariana Antunes

O Dia Mundial da Criança movimentou centenas de participantes em inúmeras atividades dirigidas às escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico do concelho de Leiria. O evento decorreu a 1 de junho e contou, uma vez mais, com a colaboração ativa dos estudantes da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais, do Instituto Politécnico de Leiria. A dinamização de diversos ateliês lúdico-pedagógicos permitiu transformar o Estádio Dr. Magalhães Pessoa no verdadeiro palco dos mais pequenos. A iniciativa teve como objetivo proporcionar a todas as crianças do concelho um dia diferente, disponibilizando uma diversidade de experiências para aprendizagem. Os participantes tiveram a oportunidade de viver um dia cheio de diversão e realizar atividades como “À conquista do castelo”, “Aprende a poupar”, matemática ou pinturas faciais. A componente lúdica juntou-se ao desporto em sessões de escalada, patinagem, ginástica e xadrez. O evento proporcionou aos estudantes do IPLeiria um dia rico em aprendizagens, já que colocaram em prática alguns ensinamentos adquiridos durante os cursos. A realização de ateliês para crianças foi um exemplo de como passar da teoria para a prática, ajudando as crianças a aprender de forma divertida. No Estádio Municipal estiveram turmas da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais, das áreas

Texto Catarina Rodrigues, Andreia Rodrigues e André Lucas

da educação, desporto, comunicação, línguas e serviço social. Os alunos timorenses participaram pela primeira vez na realização de ateliês. Para Susana Reis, uma das professoras envolvidas na iniciativa, “o dia mundial da criança é um evento muito querido quer pelos docentes, quer pelos estudantes da ESECS”. A docente referiu que o principal objetivo é proporcionar a milhares de crianças um dia feliz e cheio de aprendizagens. As crianças transformaram-se nas personagens principais, num local onde normalmente são os jogadores de futebol a desempenhar esse papel. O evento resulta da parceira estabelecida em 2014 entre a Escola Superior de Educação e Ciências Sociais e a Câmara Municipal de Leiria. k

O segundo painel centrou-se naquilo que os cidadãos podem fazer para tornar as sociedades mais tolerantes, não deixando de olhar para a identidade de cada indivíduo. Daniel Silva transmitiu esta ideia falando da sua experiência. Ao relatar as suas viagens por mais de 108 países, as aventuras e os processos de aprendizagem de novos idiomas, destacou a importância da iniciativa individual e garante não ser preciso muito dinheiro para abraçar os destinos Texto Marta Santos que o planeta oferece: “Temos de seguir os nossos so“Quero viver um amor saudável” foi o tema que ini- nhos. Se formos atrás do que os outros dizem, somos ciou o I Encontro da Juventude de Leiria, um espaço uma marioneta”. de debate em torno de questões que atravessam a Já Miguel Xavier e Hugo Menino Aguiar deram voz vida dos jovens. O evento decorreu no Teatro Miguel ao trabalho voluntário que se realiza nas associações Franco, no passado dia 13 de junho, e abordou temas InPulsar e Fazer Avançar. Hugo Menino Aguiar defencomo a violência no namoro, o voluntariado ou o deu que é necessário fazer um check-in para se saber empreendedorismo. quais os planos de vida que cada um tem. “Importa Catarina Tomás e Maria dos Anjos Dixe, professoras recordar que as coisas pequenas também têm impacda Escola Superior de Saúde, do Instituto Politécnico to à nossa volta, pelo que não precisamos de estar na de Leiria, apresentaram um vídeo sobre a violência linha da frente para cumprir uma missão”, aconselha. no namoro, gerando assim discussão entre o público. A última temática em discussão recordou as lutas O que se entende por violência? Foi uma das pergun- que quatro leirienses enfrentaram até serem bem sutas feitas aos alunos. “Ninguém está numa relação de cedidos no mundo profissional. João Gaspar é profesviolência por que quer. É necessário olhar à minha sor no Conservatório de Artes Performativas de Almavolta e observar se aquilo que se passa comigo é nor- da e fez o seu percurso em torno da música. Tal como mal. A violência evolui por vezes de forma subtil, pelo Dora Matos, antiga aluna do IPLeiria, aconselha os que as vítimas não têm muitas vezes noção, numa mais jovens a procurar ideias e concretizá-las. Romeu Cristóvão, empreendedor e antigo aluno fase inicial, de que estão a ser alvo de práticas violendo Instituto procurou sintetizar algumas ideias que tas”, explicou Catarina Tomás. I Encontro da Juventude de Leiria

Palavra aos mais jovens: violência, voluntariado e empreendedorismo

22 junho 2017

Nuno Fonseca venceu o prémio “Os Melhores do Portugal Tecnológico”, atribuído em maio pela revista Exame Informática. O professor da Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG) foi distinguido com o projeto Sound Particle. O trabalho resulta da perceção de que os melhores efeitos especiais usados em cinema utilizam uma técnica designada por sistemas de partículas. O processo consiste na criação de milhares de “pequenos pontos para gerar fogo, fumo, chuva”. Isto é: um software 3D capaz de criar “sons que juntos originam um resultado fantástico”. A ideia, que surgiu há 12 anos, apenas começou a ser executada em 2012, quando terminou o doutoramento. Nuno Fonseca lembra que em janeiro de 2015, nos estúdios de Hollywood, começaram a usar “o primeiro beta” e no fim do ano a “primeira versão comercial foi lançada”. Continuou “a evoluir e possui atualmente cerca de 100.000 linhas de código”. O docente do IPLeiria revela que a atribuição do prémio foi uma surpresa: “A Exame Informática tinha feito uma reportagem alguns meses atrás sobre o software, mas nunca mais voltámos a falar. Na semana anterior à entrega do prémio, ligaram-me a comunicar que tinham escolhido o Sound Particles como o melhor na área do software”. O objetivo consiste, agora, em integrar outras funcionalidades e explorar novas áreas, procurando mudar o fluxo de trabalho em pós-produção, áudio para cinema, TV, videojogos e VR. k se desenvolveram ao longo de três horas de conversa: “Nunca desistam de sonhar e lembrem-se de que a sorte é a combinação de talento e muito trabalho”. A iniciativa resultou de uma parceria entre a Câmara Municipal de Leiria e o Instituto Politécnico de Leiria e proporcionou uma tarde de discussão e interação entre profissionais e adolescentes. k


4 alimentação

Cantinas e refeitórios públicos: carne, peixe KAPA ou vegetariano? Foi aprovada, dia 3 de março, na Assembleia da República, a obrigatoriedade de existência de opção vegetariana nas ementas das cantinas e refeitórios públicos. A lei aplica-se em especial às cantinas e refeitórios que se encontrem instalados em unidades integradas no Serviço Nacional de Saúde, lares e centros de dia, estabelecimentos de ensino básico e secundário, estabelecimentos de ensino superior, estabelecimentos prisionais e tutelares educativos e serviços sociais. Alguns já integravam a opção, outros vão agora iniciar.

Texto Cláudia Monteiro, Inês Santos

T

em vindo a aumentar o interesse pela alimentação vegetariana. Seja por questões de saúde, por questões de ética ou como forma de preservar o meio ambiente, são muitas as pessoas que adotam o vegetarianismo como opção. “O que me levou a mudar para este estilo de alimentação foi primeiramente a consciencialização que houve. A alteração na indústria pecuária, que agora está a ser muito mais explorada, faz com que os animais sofram muito mais enquanto estão vivos. Acho que conseguimos ter um bom estilo de vida sem comer animais, é muito mais saudável”, afirma Daniela Faustina de 18 anos, que começou por deixar de comer carne, e optou por um estilo de vida vegetariano após um ano. Natália Tomás, engenheira alimentar do Instituto Politécnico de Leiria (IPLeiria), acredita “que existem dois grandes motivos que levam os jovens a adotar um estilo de vida vegan: a preocupação com os seres vivos e com a sustentabilidade ambiental em primeiro lugar, e a preocupação com a saúde e prevenção de doenças crónicas como doenças cardiovasculares, oncológicas, diabetes e obesidade, em segundo”. Na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS) já existem na ementa do refeitório pratos vegetarianos. Inicialmente, só havia dois dias por semana, mais tarde passou a estar presente, no menu, todos os dias. “Este ano letivo foi introduzida no plano de ementas das unidades alimentares dos Serviços de Ação Social do Politécnico de Leiria, com elevada taxa de adesão, uma opção ovolactovegetariana (que exclui carne e peixe, mas inclui ovos e laticínios)”, refere Natália Tomás. A técnica explica, no entanto, que o novo diploma introduz um conceito diferente: alimentação vegan. A opção ovolactovegetariana vai, assim, ser substituída pela opção vegan: “Não temos capacidade para ter pratos vegan e vegetarianos”, justifica Rosa Santos, encarregada do refeitório da ESECS.” Na Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo ainda não há pratos sem produtos de origem animal. Segundo as funcionárias do refeitório, há alguns alunos que solicitam pratos vegetarianos. Como ainda não há, servem, dentro da ementa “normal”, os pratos disponíveis, mas sem carne ou peixe, por exemplo, arroz com salada. Adiantam, no entanto, que as ementas já estão a ser trabalhadas pelos responsáveis e irão ser disponibilizadas no refeitório no próximo ano letivo. A cozinheira deste estabelecimento de ensino diz crer que assim que estiver disponível a opção vegetariana, assente em refeições que não contenham quais-

quer produtos de origem animal, a procura vai ser maior. Menos certa desse aumento, a engenheira do IPL indica suspeitar que a opção vegan venha a “reduzir o número de adeptos nas cantinas por tratar-se de um regime alimentar mais restrito, baseado no consumo exclusivo de frutas, verduras, azeites de origem vegetal, frutos secos e cereais”. Transição deve ser acompanhada Atualmente, estão a surgir muitos restaurantes que apenas têm menus vegetarianos. Yolanda Oliveira, proprietária do restaurante vegetariano Tamari, concorda que tem havido uma evolução por parte das pessoas: “Há cada vez mais uma consciência de que aquilo que comemos é aquilo que somos”. Natália Tomás enaltece a importância, mas também os cuidados a ter perante o regime em causa, para que não haja qualquer problema de nutrição. “Uma alimentação estritamente vegetariana, mal estruturada, comporta sérios riscos para a saúde, nomeadamente carências das vitaminas B12 e D, bem como de alguns minerais como o ferro, cálcio, zinco, proteína de qualidade e ácidos gordos essenciais.” A engenheira alimentar sustenta, por isso, que “a exclusão do regime alimentar de qualquer produto de origem de animal não pode resultar, apenas, de uma convicção ética ou social ou ainda tendência/moda, como lhe queiram chamar”. Segundo Natália Tomás, quando uma pessoa muda para uma alimentação sem vestígios de origem animal, “a mudança de hábitos alimentares deve ser gradual e acompanhada por um profissional da área da nutrição, passando inicialmente por um regime ovolactovegetariano, e posteriormente para um modelo mais restrito”. Liberdade de escolha Carolina Rebelo, vegetariana e estudante da ESECS, diz ser muito mais saudável a alimentação sem produtos de origem animal, pois considera que a carne que se encontra no mercado é mal processada, e é nociva para a saúde. Está, por isso, completamente de acordo com a nova lei. “Acho que devia ter existido sempre”, refere. No entanto, diz que é notória uma sensibilização e consideração por pessoas com outras opções alimentares: “Sem dúvida que vai melhorar e afetar positivamente os alunos que optam por comida vegetariana, pois podem comer realmente aquilo que mais gostam e que os satisfaz”. Natália Tomás é também da opinião que a obrigatoriedade de disponibilizar a opção vegan nas institui-


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22 junho 2017

KULTOS Texto

Márcio Lima Tiago Dias

ções de ensino “vem colmatar uma falha na forma de funcionamento anterior, em que os indivíduos vegan eram 'marginalizados' e sujeitos à boa vontade das instituições”. Daniela apoia totalmente a nova lei. “Fico contente que tenha sido imposta a obrigatoriedade de pratos vegetarianos nos refeitórios, pois faz com que mesmo as pessoas que seguem o estilo de vida mais tradicional, façam algumas refeições vegetarianas”. E conclui: “Eu não defendo que todos se tornem vegetarianos, mas se todos fizerem regularmente refeições vegetarianas já implica haver uma grande mudança”. Yolanda Oliveira explica que nos restaurantes vegetarianos os clientes são mais exigentes, porque o vegetarianismo se divide em várias categorias: os que não comem nem carne nem peixe, e os que não comem quaisquer produtos de origem animal. Mas há também os clientes curiosos, “que procuram perceber o estilo de vida dos vegetarianos”. Como refere Yolanda, “as pessoas que não são vegetarianas, comem de tudo”. Natália Tomás diz não acreditar que a nova lei vá influenciar a forma como as pessoas escolhem o seu regime alimentar. “Esta é uma decisão pessoal, nalguns casos, no seguimento da educação que tiveram em casa, noutros, por opção individual”, mas sublinha que “o facto de existir a opção vegan nas cantinas irá facilitar o acesso a refeições compatíveis com as opções alimentares de cada um”. k

Ilustrações: freepik.com

La La Land O buzz mediático Sete nomeações para os Globos de Ouro. Catorze nomeações para os Óscares 2017. La La Land é o melhor musical dos últimos tempos? Sim. O que só por si não era difícil de se conseguir visto ser uma categoria cinematográfica em forte declínio. Sendo um dos filmes mais mediáticos do ano, seria de esperar que a história da obra se destacasse em relação às outras. Com uma narração pobre e algo aborrecida, o guião deixa, no entanto, algo a desejar. O buzz mediático em torno de La La Land, dirigido por Damien Chazelle, justifica-se pela elegante interpretação de Ryan Gosling (Sebastian) e de Emma Stone (Mia). O trabalho cinematográfico é também de alta qualidade, o que transforma o filme em duas horas agradáveis e bem passadas dentro da sala de cinema. O filme conta-nos a história de Sebastian, pianista de jazz, que conhece uma aspirante a atriz – Mia. Os dois rapidamente se apaixonam, protagonizando uma bonita história de amor. Ao longo do filme as personagens procuram oportunidades para as suas carreiras, ao mesmo tempo que sonham com uma relação perfeita. A química entre os atores, que representam cada cena apaixonadamente, não permite que as idas e vindas no tempo tornem o filme menos fluído. O leque de cores presente nas duas horas de filme é um elemento que torna a obra mais vibrante e emotiva. As músicas escolhidas ajustam-se na perfeição ao enredo e são fundamentais para que o espectador se apaixone pela película. La La Land não é um musical puro, mas funciona muito bem como híbrido entre um musical e um drama. Chazelle foi, assim, capaz de criar um filme preparado para agradar a qualquer um, inclusive aos menos apreciadores de musicais. Apesar da narração um tanto ou quanto pobre, este é um filme que puxa por nós e que entretém, sem querer ser mais do que é. É um filme bem conseguido na sua simplicidade, onde a destreza cinematográfica e de representação se unem num impacto positivo e numa experiência de emoção e entretenimento. k


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SENTADO NO MOCHO Hugo Ferreira Omnichord Records

Leiria nunca foi uma cidade Pop Pensou em Jornalismo, mas seguiu Direito. Abraçou a carreira de empresário da indústria de moldes, sem esquecer a paixão pela música. Fundou a editora Omnichord Records para dar voz a novas bandas. Hugo Ferreira ambiciona colocar os alternativos acordes leirienses nas bocas do mundo. Texto e Fotos Luísa Savala, Joana Ferreira e Jorge Oliveira

Como é que a música se cruza com um licenciado não existisse, podíamos integrar novos elementos na em Direito? equipa. Neste momento, a admissão de mais projetos No 12º ano tive um professor estagiário muito interes- poderia representar um défice de acompanhamento sado pela história da Rádio Universidade de Coimbra aos nossos atuais parceiros. Isso não! Fazia pouco (RUC). Relatou-a e disse que passava Mata-ratos. Com sentido olharmos para um horizonte maior e descuamigos, fazia excursões até às Meirinhas para apa- rar os projetos em que investimos bastante. Mesmo nhar a RUC e ouvi-la durante uma ou duas horas. A assim, somos obrigados a estabelecer dois patamaRUC não tinha playlist. Cada pessoa passava a música res de bandas. O primeiro para aqueles que estão que lhe apetecia. Queria realmente conhecer a RUC e cem por cento focados na carreira. A internacionalicoloquei em Coimbra todas as opções para o ensino zação é o objetivo. O segundo mais direcionado para superior. Foi uma experiência que se dividiu entre o bandas que dividem o tempo entre a música e as curso de Direito e o trabalho na RUC e no jornal A Ca- diversas atividades profissionais de cada elemento. bra. Participava nos programas e fazia parte das pro- Para esses, faz sentido um mercado mais interno, do duções dos palcos secundários das queimas das fitas. tipo tocar ao fim de semana. A música é apaixonante, mas importa adotar uma lógica profissional. Porquê criar uma editora em Leira? A minha questão é “porque não?”. Quando voltei para Tem a preocupação de que as suas bandas de Leiria, a Fade In destacava-se pela qualidade dos con- maior sucesso mudem de editora? certos que organizava. As bandas de miúdos na casa Não me preocupa minimamente. A Omnichord Recordos 20 anos, com estilos alternativos, começavam a ds é uma família, apesar da parte mais formal. Nunca germinar. Leiria nunca foi uma cidade Pop. Em termos iremos proibir qualquer projeto de crescer mais. Eu económicos é forte, com pouco desemprego. Há uns próprio procuro alternativas lá fora. Os First Breath anos tinha cinco lojas de música. Agora três ou quatro, After Coma vão ter o disco lançado em vários países além de duas escolas de música e de uma notável con- por outra editora, e eu incentivo isso. Em Portugal, centração de filarmónicas. A Omnichord apareceu por- um editora maior acarreta vantagens e desvantagens. que havia condições para isso. Tem desenvolvido um Mesmo com um cachê maior, as percentagens de dispapel relevante com as bandas jovens. Mas o ambiente tribuição aumentam entre agência, de um lado, e maque vem de trás é que determina o destino. Poderíamos nagement, de outro. São um conjunto de aspetos que fazer o mesmo trabalho numa cidade com mais habi- passam a ser cobrados e que poderiam ser realizados tantes. Faltaria background e não resultaria. pela Omnichord. Não vivemos da música, pelo que a nossa posição privilegia, sobretudo, os músicos e técConsegue identificar um momento marcante nicos. Todos têm a noção do trabalho e da dedicação aquando do nascimento da editora? que emprestamos aos projetos. Se chegarem a uma Os Nice Weather for Ducks foram, provavelmente, o multinacional que os meta em todos os festivais do marco inicial, porque é uma banda de miúdos. Do mundo, serei o primeiro a sentir orgulho tremendo e desconhecido, faziam música que não se parecia com a dizer: começaram aqui. nada. Se ninguém pegasse neles, iriam acabar como muitas outras bandas de Leiria: a tocar nos terras do Como é que o público encara esses novos nomes concelho sem projeção no mercado nacional. da música? Há que ter noção de duas coisas: ou estamos a exporPensa expandir o mercado? Para Lisboa ou Porto? tar para emigrantes portugueses, o que é legítimo e um Em termos teóricos é uma perspetiva aliciante. Já mercado interessante; ou alcançamos um universo houve inúmeros convites. Mas a questão da renta- novo que terá sempre uma escala mais pequena, mas bilidade acaba por falar mais alto. Se esse problema com grande potencial de crescimento. Lá fora, penso


7 que ainda impera a velha máxima dos dois tipos de música: a boa e a má. Importa, sobretudo, perceber que não temos uma legião de fãs no estrangeiro a receber-nos de braços abertos. Apesar de acreditarmos no nosso valor, temos de ter a noção de que ninguém nos conhece. Esse princípio é fundamental e obriga a um trabalho estratégico suplementar de enorme relevância, como falar com o pessoal dos blogues, obter alguns reviews. Custa dinheiro e trabalho.

TAK Texto

É correto rotular Leiria como a Manchester portuguesa? Acho que não. Aliás, o que de mais parecido houve com Manchester numa escala muito pequena foi a Med Baça. A Alcobaça de meados dos anos 90 teve uma série de projetos com uma estética minimamente parecida e com influências do formato Pop, como Combo, Lotto ou The Gift. Apareceu ali tudo bem de repente. Em Manchester havia um paradigma que contagiava as bandas com a mesma base musical, ainda que com diferentes variações. Vinha tudo do beat e da música de dança. Eu aqui não noto isso. Quem ouvir Surma, André Barros e Twin Transistors não diz que são da mesma cidade. A Islândia também conseguiu isso, porque exportou vários géneros musicais sob o signo “Islândia, produto certificado”. Foi um pouco essa ideia que quisemos adotar. Há projetos incríveis que estão a sair pelo próprio pé e que nós queremos apoiar direta ou indiretamente. Qual a sensação de ver as suas bandas receberem o carinho do público Incrível! Na editora trabalha-se muito por amor à camisola. E já somos bastantes a integrar esta família. É quase aquela sensação muito próxima do sentimento que o pai nutre pelo filho. É absolutamente indescritível. Uma coisa é ficar satisfeito com algo que acontece, outra é sentir que aquele projeto trabalhado há anos, de manhã à noite, com sacrifícios, mesmo não vivendo exclusivamente da música, está a alcançar os objetivos ambicionados e a mexer com as pessoas. k

22 junho 2017

Ana Sofia Fonseca Ana Pinto João Bento

Ricardo Monteiro Estudante leiriense na NASA

Quem ouvir Surma, André Barros e Twin Transistors não diz que são da mesma cidade

Concluiu a licenciatura e o mestrado em Engenharia Eletrotécnica, no IPLeiria. Aos 27 anos iniciou o doutoramento em Ciências e Tecnologias de Informação no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE). Ricardo Monteiro concorreu agora a uma bolsa da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e foi selecionado: “A FCT tinha seis bolsas para atribuir. Candidatei-me e fiquei com uma”, explica. A instituição possui parcerias com a agência espacial norte-americana NASA, com o objetivo de promover estágios subsidiados. Durante o estágio, Ricardo Monteiro irá trabalhar com representações visuais e sonoras de planetas. O estudante leiriense refere que este tipo de trabalho visa construir modelos tridimensionais, partindo de fotos captadas por satélite, para facilitar o decorrer das missões espaciais. “Vão ser imagens da Lua, de Marte e da Terra. Os satélites tiram várias fotografias, sendo possível determinar a origem a o local das imagens. A ideia é pegar nesse conjunto de fotografias e fazer um modelo tridimensional do planeta”, explica. Ricardo lembra que a NASA já desenvolve este trabalho há alguns anos, embora esteja sempre a tentar aperfeiçoar as técnicas utilizadas, de modo a obter informações mais precisas. Ricardo Monteiro acredita que desta experiência irão surgir novos conhecimentos e, potencialmente, oportunidades de trabalho. O antigo aluno do IPLeiria parece mais determinado a permanecer no estrageiro, quer pelas possibilidades de aprendizagem, quer pelas facilidades de financiamento e integração em projetos científicos. Por agora, deseja voltar a Portugal apenas para terminar o doutoramento. Refere, no entanto, que um projeto aliciante o poderia fazer pensar duas vezes. “Considero o estágio uma mais-valia, já que vou fazer coisas diferentes daquilo a que estou habituado. Penso voltar para terminar o doutoramento, mas não espero ficar no país, ainda que uma boa proposta seria um motivo de interesse. Quero trabalhar na área de investigação e as ofertas em Portugal são reduzidas. Vou para onde houver oportunidades”, afirma, bastante motivado pela ideia de poder encontrar trabalho nos Estados Unidos. Ricardo Monteiro acredita que, para ter sucesso, é essencial gostar da área, trabalhar bastante e ser o mais aplicado possível: “Rodeei-me de pessoas que me inspiram e motivam. E isso faz toda a diferença”, confessa. A receita, afinal, aplica-se aos estudantes de qualquer domínio científico e grau académico. Basta aplicá-la. k


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Estudantes do IPLeiria vencem prémio de Design da ROCA

ÚLTIMAS Texto

Inês Santos

MAT-OESTE REGRESSA À CIDADE DE LEIRIA A 10ª edição do evento destinado à Matemática decorre no dia 13 de julho de 2017 com o tema “Matemática no Mar”. Os participantes podem inscrever-se até ao final do mês de junho. O objetivo é promover a matemática na região, partilhar experiências e competências. O evento tem lugar na Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG). Simultaneamente, decorre a 9.ª edição do Prémio Pedro Matos, promovido anualmente pelo Instituto Politécnico de Leiria. Os participantes podem obter mais informações no sítio da ESTG/IPLeiria. CONGRESSO IBERCOM EM NOVEMBRO A Faculdade de Ciências Humanas acolhe entre 16 e 18 de novembro de 2017 o Congresso IBERCOM. Organizado pela Associação Iberoamericana de Comunicação, o objetivo é reafirmar o espaço ibero-americano de reflexão e debate dos estudos na área da Comunicação. O evento tem como tema central “Comunicação, Diversidade e Tolerância” e tem lugar no Centro de Estudos de Comunicação e Cultura da faculdade. ACADEMIA DE VERÃO NA ESTG A Escola Superior de Tecnologias e Gestão de Leiria volta a realizar, entre 3 e 7 de julho, a Academia de Verão. O evento é direcionado para os alunos do 10º ao 12º ano. O objetivo é criar uma perspetiva acerca do mercado de trabalho e experienciar várias áreas do ensino superior. Atividades científicas, visitas de estudo, oficinas, miniprojetos e outras iniciativas vão estar ao dispor dos alunos. Mais informações no sítio oficial do evento. VIVÊNCIAS EM NOVA IORQUE NO MIMO O Museu da Imagem em Movimento expõe, até 20 de agosto, o projeto “Emotional Landscapes”, de Luís Pereira. Todos os dias, das 9:30 às 17:30, o espaço está aberto ao público. A exposição mostra o trabalho do autodidata. A exibição é composta por vivências humanas na cidade de Nova Iorque, captadas pelo fotógrafo durante duas décadas.

A FECHAR

Texto Adriana Gaspar, Marisa Vitoriano e Patrícia Bernardo

Os estudantes do curso de Design Industrial da Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha (ESAD.CR) venceram a primeira edição do “ROCA One Day Challenge”. O concurso de design decorreu em maio no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), em Lisboa. André Silva, José Almeida e Pedro Costa criaram um lavatório de forma inovadora e criativa, em apenas oito horas. O projeto, intitulado Basin Ball, tem a forma de uma esfera colocada na parede e, por baixo rente ao chão, um prato com um ralo. Permite lavar as mãos e os pés ao mesmo tempo, ou usar apenas como lavatório, como explicou José Almeida, porta-voz do grupo. Os autores referem que sentiram alguma pressão em relação ao tempo para realizar o projeto, mas que conseguiram ultrapassar todas as dificuldades ao trabalhar em equipa: “Foi bastante stressante, mas acho que lidámos bastante bem com isso. Funcionámos como equipa e puxámos muito uns pelos outros”.

José Almeida salienta que os métodos e conhecimentos de softwares de modelação 3D (Photoshop, Illustrator) abordados no curso foram importantes para a realização do projeto. Acrescenta ainda que, além da vitória, a experiência de concretizar uma ideia com um limite de tempo curto se revelou importante para desenvolver as competências profissionais. O “1º ROCA One Day Challenge” envolveu 164 participantes, afetos a 57 grupos, de 15 instituições. Em jogo estavam três mil euros de prémios, distribuídos pelos três grupos vencedores. O júri do concurso foi composto por José Mateus (arquiteto), João Bessa e Paulo Parra (designers), Nuno Sá Leal (Presidente da Associação Portuguesa de Designers) e Xavier Torras (Diretor de Comunicação da Roca). k

Campeonato Nacional Universitário

IPLeiria conquista 12 medalhas INOVA

Texto Carolina Ruivo, Mariana Martins e Liane Duque

Os estudantes do Instituto Politécnico de Leiria (IPLeiria) marcaram presença no Campeonato Nacional Universitário (CNU) e subiram ao pódio em 12 ocasiões. Ao longo do último mês e meio, evoluíram em cerca de uma dezena de modalidades e sentiram o peso das medalhas em atletismo, karting e surf. Os melhores resultados foram obtidos no CNU de atletismo em pista ao ar livre. Em Faro, conquistaram-se 10 medalhas. A vitória sorriu na Estafeta Medley masculino e no triplo salto por Susana Cruz e Oleksandr Lyashchenko. Bernardo Pereira (400 metros), Wilson Conniott (1500 metros) e Andreia Grácio (salto com vara) alcançaram a segunda posição, depois de provas intensas onde o triunfo não esteve longe. O bronze premiou a Estafeta Medley feminino, os 1000 metros de Tânia Alves e o lançamento do dardo de Lyashchenko. O IPLeiria acumulou um total de 85 pontos e subiu ao segundo lugar do pódio coletivo, apenas superado pela Universidade do Porto com 145 pontos. Daniela Bastos acelerou a fundo em Évora e foi a grande vencedora do CNU de karting. Os cinco representantes masculinos realizaram uma prova regular, sem grandes sobressaltos, numa competição que contou com 43 estudantes pilotos. Diogo Sousa venceu pela Universidade do Porto.

Prestações relevantes foram também conseguidas no “nacional” do Guincho. Os três representantes sentiram o peso do bronze em masculinos. Em termos individuais, de salientar o quinto lugar obtido por Manuel Morgado. O esforço dos atletas foi reconhecido na 14.ª edição da Gala do Desporto SAS-IPLeiria, evento que homenageou a dinâmica desportiva da instituição. Cerca de 500 atletas participaram em mais de 20 modalidades ao longo do ano letivo. O motivo de orgulho foi assinalado pelo presidente da Câmara Municipal de Leiria, Raul Castro, e por Nuno Mangas, presidente do Politécnico de Leiria. A gala serviu para encerrar mais um ano de êxitos desportivos. k

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