Suplemento integrante da edição nº 4017 de 13 de março de 2014 do semanário REGIÃO DE LEIRIA. Não pode ser vendido separadamente.
Que sinais de retoma? págs. 4 e 5
Diana Andringa
Jornalista
O jornalismo de hoje sofre da precariedade e da velocidade. págs. 6 e 7
63
2
Acabou a tormenta!
A ABRIR
Teatro Até 15 de março, 21h30 Teatro Miguel Franco, Leiria
Aqui há pousio
Não perkas Andreia Lucas
Uma peça que demonstra as dificuldades a que uma povoação está sujeita para sobreviver e se alimentar, aprendendo a trabalhar em comunidade de forma a enfrentarem em conjunto os tempos difíceis da época. Uma produção da companhia leiriense Leirena Teatro para ver em palco no Teatro Miguel Franco, até dia 15 de março.
culinas. Este ano, irá ser realizada, no festival, uma recolha de brinquedos eletrónicos, que serão adaptados por estudantes de Engenharia Eletrotécnica da ESTG, apoiando a campanha Mil Brinquedos, Mil Sorrisos do CRID - Centro de Recursos para a Inclusão Digital. Preço dos bilhetes: 5€ e 3,5€ (estudantes).
cinema 22 de março, das 14h às 23h Teatro Miguel Franco
Leiria Film Fest’14 Este é o segundo festival internacional de cinema de curtas-metragens, com enfoque no cinema leiriense, organizado pelos fundadores da Comunidade de Cinema de Leiria. No evento poderá ser vista uma diversificada gama de filmes, exposições, Masterclasses e ainda uma gala de entrega de prémios. A entrada é livre.
20 de março, 21h30 Teatro José Lúcio da Silva
Anjos em Acústico Sérgio e Nelson Rosado, de nome artístico Anjos, celebram os seus 15 anos de carreira com a apresentação de novos arranjos dos seus maiores êxitos numa tournée pelo país. Preço de bilhetes: 12,50€ (com descontos)
V Collipo Dia 15 de março, o Teatro José Lúcio da Silva será palco do V Collipo - Festival de Tunas Mas-
Coordenadores Pedagógicos Catarina Menezes cmenezes@ipleiria.pt Paulo Agostinho paulo.agostinho@ipleiria.pt Apoio à Edição Alexandre Soares asoares@ipleiria.pt
Maquetização e Projeto Gráfico Leonel Brites – Centro de Recursos Multimédia ESECS–IPL leonel.brites@ipleiria.pt Paginação Andreia Narciso Secretariado de Redação Daniela Peralta
1.3 Billions Um projeto do fotógrafo João Ferreira, que apresenta um registo fotográfico de várias cidades do sul da China. Transporta-nos para pequenos momentos, situações e pessoas a preto e branco. Conheça em Leiria uma pequena parte do dia-a-dia de quem vive entre transformações e avanços tecnológicos e uma cultura de tradições milenares. k
Música 15 de março, 21h30 Teatro José Lúcio da Silva
Diretor Francisco Rebelo dos Santos francisco.santos@regiaodeleiria.pt
Exposições De 29 de março a 26 de abril m|i|mo - Museu da Imagem em Movimento
Redação e colaboradores Andreia Lucas, Daniela Carmo, Diogo Fernandes, Guilherme Francisco, Mariana Delgado, Marta Ferreira, Patrícia Gonçalves
Presidente do Instituto Politécnico de Leiria Nuno Mangas presidencia@ipleiria.pt
Os textos e opiniões publicados não vinculam quaisquer orgãos do IPL e/ou da ESECS e são da responsabilidade exclusiva da equipa do Akadémicos.
Diretor da ESECS Rui Matos dir.esecs@ipleiria.pt Diretora do Curso de Comunicação Social e Educação Multimédia Catarina Menezes cmenezes@ipleiria.pt
akademicos.esecs@ipleiria.pt
3
Silence 4 regressam aos palcos Texto: Patrícia Gonçalves
pode correr muito bem como muito mal», mas é «claro que todos nós adoramos a ideia de tocar em Leiria», acrescenta o baixista e baterista. Para já, as datas confirmadas são: a 15 de março, no Coliseu Micaelense, em Ponta Delgada, Açores; a 22 de março na Praça do Mar, no Funchal, Madeira; a 29 de março no Multiusos de Guimarães; e a 5 de abril no meo Arena em Lisboa. O preço dos bilhetes varia entre os 23€ e os 31€, e parte da receita reverte a favor da Liga Portuguesa Contra o Cancro. A reedição da discografia integral dos Silence 4, com os grandes êxitos e alguns inéditos, é também um dos projetos da banda para os próximos meses, em conjunto com a Universal Music Portugal. A página oficial da digressão no Facebook tem sido a principal ligação entre os fãs e os elementos da banda, que publicam músicas e fotografias dos ensaios e das entrevistas, e que recebem largos elogios ao seu trabalho e a este regresso. E com a correria dos fãs às bilheteiras para poderem ouvir mais uma vez os seus ídolos, e quem sabe, relembrar os tempos de juventude, é caso para dizer: «so funny you're still around after all these years», [«é tão engraçado que ainda fiques por perto depois de todos estes anos»], como cantam na música To give. k
Três dias a Comunicar
radas da Produtora Everything is New, Pedro Gonçalves da agência bbdo, João Labrincha e Pedro Santos, fundadores da Academia Cidadã. O encerramento do ciclo de conferências esteve a cargo de José Sixto Garcia, professor da Universidade de Santiago de Compostela e especialista em redes sociais e marketing online. O fim do segundo dia de conferências foi marcado por uma passagem do testemunho. A equipa de alunos responsável pela organização do evento deste ano entregou simbolicamente a organização da iniciativa ao grupo de finalistas do próximo ano. O último dia de ciclos foi dedicado a um workshop de fotografia. Os alunos do curso foram desafiados a fotografar Leiria. k
Texto: Patrícia Gonçalves
Redes sociais e novos media foi o mote para os Ciclos de Comunicação deste ano, organizados pela licenciatura de Comunicação Social e Educação Multimédia, do Instituto Politécnico de Leiria. Entre os dias 25, 26 e 27 de fevereiro, a Escola Superior de Educação e Ciências Sociais foi o palco para a discussão de temas como o papel das redes sociais no jornalismo, na comunicação estratégica e nos novos movimentos sociais. Presentes estiveram convidados como Hugo Torres, responsável pela gestão de comunidades do jornal Público, Rita Bar-
Unidade de Ensino à Distância dinamiza cursos de acesso livre A Unidade de Ensino a Distância (ued) do Instituto Politécnico de Leiria tem disponíveis cursos online de acesso totalmente livre através da nova plataforma UP2U. Construção e partilha de mapas mentais, Como evitar o plágio e Produção e partilha de vídeos em contexto educativo são alguns dos cursos já disponíveis.
YDENTIK
Perfume Bar Concept
O regresso do grupo Silence 4, que marcou os anos 90 a cantar em inglês, é a grande notícia do mundo da música. A banda de Leiria, composta por David Fonseca, Sofia Lisboa, Rui Costa e Tozé Pedro já está a ensaiar para este reencontro, intitulado Songbook. De acordo com Rui Costa, baixista e guitarrista, o que os levou a unir-se de novo foi «a doença que a Sofia passou» e acrescenta que é nestas alturas que se dá «muito valor a todas as pessoas». Nos últimos anos, Sofia Lisboa lutou contra uma leucemia e a banda aponta o regresso como uma forma de celebrar a vida, agradecer a todos os que a apoiaram e ajudar a Liga Portuguesa Contra o Cancro. Os concertos da digressão Songbook vão relembrar os grandes êxitos da banda como Borrow, A little respect, To give, My friends e Angel song, e têm sido anunciadas novas datas. Ainda assim, e apesar de Leiria ser a cidade berço do grupo, continua a não constar na lista, mas não é por falta de vontade destes músicos, mas sim pela fraca adesão a estes eventos por parte do público leiriense, como refere Rui Costa. «Um concerto destes envolve muitos meios e é sempre um risco, tanto
está –a– dar
13 março 2014
O objetivo da iniciativa «é fazer chegar uma parte da oferta formativa do ipl a todo o público». As formações são totalmente online e planeadas para que os participantes possam aprender autonomamente e ao seu ritmo, através da realização de atividades, exploração de conteúdos multimédia e testes que permi-
tem aferir os conhecimentos. Procurando desenvolver «um espírito de entreajuda e cooperação entre pares», alguns cursos permitirão ainda a comunicação entre participantes através de fóruns de discussão. Informação detalhada de cursos e calendários disponível em: up2u.ipleiria.pt k
Vai um perfume?
KO
Uma loja de perfumes semelhante a um bar pode parecer uma ideia alucinada, mas trata-se do ino- Konsumo vador conceito da YDEN- obrigatório TIK. Esta perfumaria bar concept alia o ambiente noturno com a venda de texto e foto fragrâncias low-cost. Totalmente portuguesa, Diogo Fernandes Mariana Delgado a marca começou como projeto-piloto em Braga, em setembro de 2013, e rapidamente se espalhou pelo país e além-fronteiras: até ao final do ano, chegará às 18 lojas, localizando-se duas em Espanha. O gerente da loja leiriense, Ivo Almeida, explica que decidiu juntamente com a sua irmã, trazer a marca YDENTIK à cidade de Leiria, porque se trata de um conceito «completamente inovador e que marca as pessoas pela diferença». Ivo Almeida aponta a curiosidade como a principal razão para entrar na loja. Ao chegar ao estabelecimento, o cliente depara-se com perfumes dispostos na parede em «garrafas de Vodka», e «luzes LED que mudam de cor consoante a música ambiente». A YDENTIK abriu portas em dezembro, perto do Centro Comercial D.Dinis. O gerente afirma que, até agora, não têm sentido «o medo da concorrência». Segundo Ivo Almeida, os clientes sentem-se atraídos pelo design da loja e o facto de ser uma marca portuguesa (e low-cost) pesa na escolha. Ivo revela que as essências são «produzidas nas mesmas fábricas que os de marca», fugindo à ideia de que o termo low-cost simboliza a baixa qualidade dos produtos. Apesar de um pouco céticas em relação à qualidade e durabilidade dos perfumes, as pessoas acabam por voltar e admitir que se trata de «um produto muito bom», refere Ivo Almeida. Através de uma lista de referências semelhantes às dos perfumes de marca, o cliente pode escolher a fragrância que deseja. O frasco mais económico, de 35ml, tem o valor de 8,95€, podendo chegar aos 105ml (21,50€). Após a primeira compra, o cliente tem a possibilidade de recarregar o seu frasco por um preço “ainda mais acessível”, revelou o gerente da YDENTIK. Existe ainda o frasco de bolso e o shot de perfume, onde por 1€ a pessoa pode perfumar-se dentro da loja. A YDENTIK oferece também uma linha de ambientadores para a casa. Estes genéricos dos perfumes mais vendidos à escala mundial trouxeram irreverência à cidade de Leiria e prometem continuar a revolucionar o mercado de perfumes. k
4
KAPA
Que sinais de retoma? Texto: Marta Ferreira Foto: Daniela Carmo
Otimismo dos agentes económicos ainda não chegou ao cidadão-comum. Depois de uma crise económica que fustigou as finanças portuguesas, noticia-se a retoma económica e toda a gente fala em números que são positivos. Mas no dia-adia ninguém sente esses números e a crise ainda é conversa corrente entre os portugueses e entre os alunos do Instituto Politécnico de Leiria (IPL).
Segundo Jorge Santos, presidente da nerlei (Associação Empresarial de Leiria), confirma-se a existência de indícios de melhoria dos indicadores económicos, em grande parte graças ao comportamento do setor privado que tem mantido os seus preços e postos de trabalho. As primeiras notícias sobre a retoma económica começaram em setembro, com os dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (ocde), que indicavam o fim da recessão econó-
mica da União Europeia. Em janeiro, os números da dívida indicavam que a dívida pública em Portugal havia recuado 2,6%. No entanto, esta narrativa otimista tem muitos críticos. Ivo Margarido, empresário leiriense e ativista assumido, discorda do discurso oficial e sustenta que a diminuição do desemprego é «uma ilusão» criada pelos meios de comunicação social, que filtram a informação oferecida à população para proteger os seus proprietários, quase sempre relacionados com a política. «O desemprego não está a diminuir», diz o empresário e coordenador do projeto Mais Iniciativa. Os números são mascarados devido à emigração jovem, à colocação de desempregados em ações de formação e ao registo deficiente daqueles que já não beneficiam de qualquer subsídio de desemprego, sustenta. O problema é mundial: a crise def lagrou oficialmente em 2008, com início no desequilíbrio económico dos Estados Unidos da América. Para a Europa, com um sistema financeiro inspirado na reserva federal americana, as consequências têm sido graves. Em Portugal, de qualquer valor depositado numa conta bancária, apenas dois por cento significa dinheiro físico. O valor remanescente é colocado para empréstimo e injetado no circuito do crédito para potenciar os lucros dos bancos. «Olhando para a sociedade portuguesa neste momento, temos desemprego nas camadas mais jovens», lamenta Jorge Santos, que reconhece a existência de «qualificações desfa-
sadas» dos mais novos em relação ao que as empresas procuram. Os cortes salariais e nas reformas também não ajudam à confiança. O tema esteve em discussão no Teatro Miguel Franco, em Leiria, no dia 17 de janeiro, numa sessão aberta - Desemprego, Endividamento, Mais Cortes. E Agora? - organizada pelos estudantes da Licenciatura em Relações Humanas e Comunicação Organizacional. A debater a questão estiveram José Gomes Ferreira, subdiretor da sic, Henrique Neto, empresário e Natália Nunes, coordenadora dos Gabinetes de Apoio ao Sobreendividado (gas). Crítico do atual modelo, José Gomes Ferreira salientou que a crise se tornou «inevitável» porque, «a partir do momento em que parte do dinheiro de um depositante não é protegido pelo depositário, existe uma violação do Código Civil que deve ser punida pelo Fundo de Garantia dos Depósitos». De quem é a culpa? Para Henrique Neto, empresário marinhense autor do Manifesto pela Democratização do Regime e um dos mais respeitados comentadores da atualidade nacional, é necessário aprender com os erros cometidos. «O culpado é o poder político, cuja função é servir o país», considerou. José Gomes Ferreira, que é também autor do livro O Meu Programa de Governo, encontra culpados em todas a alas da Assembleia da República: «a esquerda errou ao reivindicar muitos direitos e poucos deveres, enquanto os partidos de centro e de direita pecaram por re-
5 De onde vem a crise?
inké rito
13 março 2014
mínima. A crise não está a acabar, continua a haver problemas gravíssimos no emprego, na dívida e no ensino. Quanto ao futuro, os quase 900 anos de história nacional dizem-nos que é preciso mais que crises para afundar a praia à beira-mar plantada». Daniela Sousa, 19 anos Estudante de Enfermagem, ESSLEI
Carolina Marcelino, 22 anos Estudante de Terapia Ocupacional, ESSLEI
«A culpa foi de certa forma do povo, porque só agimos quando atingimos o limite. No meu caso particular, tive de aprender a gerir o dinheiro através de cortes nas coisas mais dispensáveis. Estamos longe de restabelecer a vida que tínhamos antigamente, mas resta-nos lutar. Na área da saúde, creio que vou conseguir encontrar emprego, mesmo tendo em conta as condições do mercado de trabalho».
«A crise já existe há alguns anos, mas foi-se agravando progressivamente. Embora a minha família tenha sido afetada por ela, sempre me foram incutidos valores de trabalho e de regras de contenção que fizeram com que não tenha sentido as suas consequências. Mas penso que os portugueses ainda terão de se esforçar para retomar uma vida um pouco mais desafogada. No futuro, espero por uma melhor qualidade de vida, com a diminuição da emigração e do desemprego». Joel Costa, 25 anos Estudante de Engenharia Informática, ESTG
José Durão, 23 anos Estudante de Comunicação Social e Educação Multimédia, ESECS «O organismo económico português era muito frágil para resistir ao efeito dos mercados especulativos e ao fim da bolha imobiliária. Pessoalmente, não fui tão afectado, mas o que observo é que as pessoas deslocam-se para cada vez mais longe para conseguir um emprego precário ou uma qualidade de vida
alizar negócios ilegais». Mas acima de tudo, «a sociedade é culpada porque não quis usar a voz para fazer perguntas», considera o jornalista. Questionado sobre o tema, o presidente da nerlei prefere responsabilizar todas as classes da população, «embora coubesse ao Governo lançar o alerta mais cedo». Mas Ivo Margarido insiste em colocar as culpas num «sistema monetário fraudulento» implantado em 1913 e baseado num recurso finito: o petróleo. Por outro lado, esta crise é «intencional», criada por grupos políticos organizados. «Com o patrocínio dos governantes, os estados foram tornados reféns de uma dívida», salientou. Que futuro? Agora, o presidente da nerlei pede apoios para o sector privado que permitam aumentar as exportações, o emprego e o investimento. Em Leiria, «o que pode ser diferente é a existência de Pequenas e Médias Empresas e a diversidade sectorial» da zona, bem como a resiliência dos empresários, considera Jorge Santos. Aos jovens, o presidente da nerlei recomenda a aposta em novos mercados e que, durante a sua formação, se dediquem ao estudo das línguas, de «olhos postos da inovação e na pro-atividade». Mas, apesar dos problemas atuais, há mais confiança nos empresários e agentes económicos. José Gomes Ferreira afirma que «agora é tempo de estar otimista», considerando que as políticas de austeridade eram inevitáveis «por estarmos a viver com o dinheiro que na realidade não existia». k
«Na minha opinião, a crise começou com a implementação da moeda única e com o facto de os nossos autarcas não abdicarem das suas regalias. A crise não me afectou muito por ter sido sempre equilibrado nos gastos. Além disso, esta ideia de pagar taxas atrás de taxas foi um vírus. Sempre gostámos de ter mais que os outros e a mentalidade são se muda em poucos anos. Mas, daqui para a frente, ir para o estrangeiro vai passar a ser rotina habitual».
Famílias foram quem mais sofreu A crise financeira atingiu duramente as famílias e levou a uma mudança de perfil de consumo que deverá manter-se, mesmo que volte a existir dinheiro. Natália Nunes, coordenadora dos Gabinetes de Apoio ao Sobreendividado (GAS), reconhece que a rutura financeira das famílias foi uma clara consequência da «iliteracia financeira» da população. O seu endividamento resulta dos problemas salariais mas também é uma consequência do «incentivo ao consumismo» e dos créditos bancários, como por exemplo a compra de casa, cujo financiamento era assegurado sem grandes restrições. Com a crise, as situações de incumprimento aumentaram e o gabinete registou uma «onda de penhoras». Na prática, «estas pessoas perdem o dinheiro que pagaram até ao momento e, com as avaliações pouco favoráveis no ramo do imobiliário, a entrega das habitações [ao banco] não vai ser suficiente para cobrir a dívida», avisa. Por outro lado, «existe uma grande pressão por parte do Banco de Portugal para salvaguardar os interesses» do setor bancário privado, salienta Natália Nunes.
Os Jogos da Fome: Em Chamas
Onde se esconde o verdadeiro inimigo?
KULTOS Diogo Fernandes
Revolta e reviravolta são as palavras centrais do novo filme da saga The Hunger Games. Depois do sucesso do primeiro capítulo dos livros de Suzanne Collins, chega-nos agora Em Chamas (Catching Fire), a continuação eletrizante da história de Katniss Everdeen. A vitória na 74ª edição dos Jogos da Fome trouxe vários dissabores a Katniss. A imagem de campeã que se vê obrigada a transmitir ao povo de Panem não é do seu agrado, uma vez que está contra o conceito da tão popular competição anual. Nos Jogos da Fome, dois jovens de cada distrito, intitulados de tributos, são sacrificados para lutar num campo de batalha. O jogo termina quando sobreviver apenas um concorrente. Um ano depois, a competição regressa. No entanto, devido às revoltas populares despoletadas por Katniss, o Presidente Snow decide mudar as regras do jogo e trazer de volta os antigos vencedores. A luta é então mais renhida. Novos mas antigos tributos, mais experientes e ferozes do que nunca, estão prontos a matar pela vitória no jogo. A protagonista e o colega de distrito Peeta são forçados a regressar à arena ao mesmo tempo que os seus familiares são alvo de ameaças caso não chegue a vitória da corajosa “rapariga em chamas”, Katniss Everdeen. Jennifer Lawrence, que se consagrou como uma das mais jovens atrizes a receber prémios como o Globo de Ouro e o Emmy para “Melhor Atriz” no filme Guia para um Final Feliz, em 2012, não se contém e oferece uma atuação brilhante. O elenco traz atores conhecidos pelo público mais jovem como Liam Hemsworth e Josh Hutcherson, mas também nomes mais maduros como Stanley Tucci, Donald Sutherland, no papel do temido Presidente Snow e até o músico Lenny Kravitz, que interpreta o estilista de Katnis Everdeen. Com uma realização exímia de Francis Lawrence, cenas de ação e maior tensão prendem o espetador ao banco do cinema. O score do compositor James Newton Howard acompanha de uma forma fenomenal toda a ação. Em duas horas de cortar a respiração, a heroína desta aventura épica encontra obstáculos que a levam a questionar quem está do seu lado e quem será o verdadeiro inimigo. Catching Fire pode ser considerado o filme deste Inverno e deixa já os fãs ansiosos por mais. A saga regressa em Novembro com a primeira parte de Mockinjay, que promete levar a história de Katniss a um final triunfante. k
6 O jornalismo não é retrato a la minuta . --------
SENTADO NO MOCHO Trocou a medicina pelo jornalismo. Passou pela imprensa, mas foi na reportagem em televisão e documentário que desenvolveu grande parte da sua carreira. ‘Sentada no Mocho’, Diana Andringa recorda algumas das suas estórias. Diz que o jornalismo de hoje sofre de precariedade e velocidade e aos jovens profissionais recomenda análise, contextualização e forte consciência deontológica Entrevista : Daniela Carmo
Porque trocou a medicina pelo jornalismo? Por várias razões. Desde pequena tinha jeito para escrever. Era o que eu sabia fazer melhor. Tinha quatro anos e bafejava os vidros para escrever neles. Gostava de inventar histórias. Embora o meu sonho fosse escrever livros, não era uma ideia de profissão. A medicina era a profissão que considerava com mais utilidade, sobretudo para quem, como eu, vem de África, onde havia muita malária e várias doenças endémicas para que era preciso lutar. Entrei com muito entusiasmo, mas foram acontecendo diversas coisas. Comecei
Diana Andringa jornalista
a colaborar com as associações de estudantes. No dia 21 de janeiro de 1965 a pide prendeu cerca de 50 estudantes da academia de Lisboa, alguns de Coimbra, e até alguns liceais. Fiquei indignada e pensei “se o Governo pode mandar prender pessoas, se há uma polícia politica, é porque as pessoas não sabem, porque se o povo soubesse não ia aceitar, portanto é preciso denunciar”. Foi então que fizemos o boletim de medicina. Entretanto chumbei a anatomia. Quando já estava praticamente decidida a sair, houve as inundações em Lisboa que mataram uma série de pessoas. Os jornais não o podiam noticiar. Quem fez a grande parte da assistência no terreno foram os estudantes, as associações de estudantes e a Juventude Universitária Católica. Fizemos, ao mesmo tempo, reportagens no terreno. A partir daí, soube logo que era aquilo que queria fazer, queria escrever e denunciar. Possivelmente fui melhor jornalista do que talvez seria boa médica. Essa descoberta deu-lhe mais força para ser uma profissional exemplar? Toda a vida fui treinada para ser o melhor possível. O natural era ser boa aluna e ter exigência para connosco mesmos. Nasci em Angola, onde havia escola para brancos e para negros, as escolas eram segregadas. Nessa altura, as professoras pediam para os meninos fazerem desenhos nos cadernos para ficarem mais bonitos e nós dávamos aqueles erros de quem escrevia com a tinta permanente. A professora, um dia, para nos mostrar como nós eramos um desastre, mostrou-nos os cadernos dos meninos da escola negra - os cadernos eram lindos, limpíssimos, impecáveis - e ela disse «sabem, eles não se podem dar ao luxo de não estudar». Esta frase ficou-me na cabeça, esta estória de que a preguiça era um luxo. Procuro fazer o melhor que sei, não é em competição com os outros, é em competição comigo mesma. Que memórias tem de Angola? Ao início não tinha noção que vivia mergulhada naquele ambiente racista. Aos poucos, há coisas que começam a revelar. A minha família também me mostrava. Ao longo de toda a minha vida, a minha mãe só me deu
dois pares de estalos. O primeiro foi quando eu, imitando o que via outros meninos fazer, e também pelo mau feitio, dei um pontapé num dos criados lá de casa. A minha mãe viu-me, agarrou-me, deu-me dois pares de estalos e disse «Agora pedes imediatamente desculpa, o que é que pensas que estás a fazer?» De repente, percebi que uma coisa que parecia normal, não era nada normal, porque para a minha mãe se zangar daquela maneira… Lembro-me que havia duas missas, a das sete horas para os negros e só depois para os brancos. Eu era profundamente católica e isso metia-me muita impressão – como é que alguém defende uma religião e depois é capaz de ser assim? Ser mulher alguma vez lhe criou dificuldades em ambiente profissional? Colocou, logo ao princípio, porque eu fui convidada a participar na revista Vida Mundial, não como jornalista - porque naquele tempo se pensava que as mulheres não tinham cérebro para ser jornalistas. Tive de entrar como tradutora e só passei para jornalista quando se renovou a direção. Há, depois, outras situações em que a questão se põe, por exemplo, quando se chega a chefe. Naquele tempo os homens não gostavam de ser chefiados por mulheres. Como dizia a Maria de Lurdes Pintassilgo «é o mesmo que uma mulher a guiar, quando vai bem ninguém repara, assim que faz uma asneira, claro, era uma mulher!» A única vez que me disseram diretamente que eu não podia fazer algo por ser mulher foi quando veio a Lisboa um porta-aviões norte-americano e eles proporcionaram aos jornalistas uma aterragem. Depois houve coisas engraçadas como entrar no Afeganistão com a guerrilha islâmica. Tirando esses pormenores, de uma forma geral, não prejudicou. Acho que em certos aspetos o facto de se ser mulher pode ter ajudado, por exemplo, em entrevistas. Presa pela PIDE, apercebe-se da importância da imagem quando apenas tem quatro paredes brancas em redor. De repente és privada de tudo o que estavas habituada a ver e passas a ter imensas saudades de coisas de que nunca na vida pensaste vir a ter saudades. Eu tive a sorte de ter grades
7 que davam sobre o Tejo, pior estavam os que estavam com vista para o muro. De repente, percebi que a imagem é mesmo muito importante. Ser privado de imagem perturba profundamente. Ficas quase fisicamente doente com a ausência da imagem. Por outro lado, depois dessa experiência, ouves as histórias de uma maneira completamente diferente. Acordou-me para a imagem e passei a prestar muito mais atenção às estórias que as pessoas têm para contar. De que forma essas experiências tiveram influência na sua forma de fazer jornalismo? Fiquei convencida da profundidade das pessoas. Aprendi bastante cedo a ver como as pessoas são ambivalentes. Por exemplo, nós tínhamos guardas e algumas colaboravam com a pide, por isso, desconfiávamos de todas por igual. E eu encontrei lá uma guarda que um dia me fez uma coisa extremamente simpática. E então percebe-se que o mundo é, felizmente, muito mais diverso, não é tudo tão claro ou óbvio. Todas estas contradições fazem com que se queira sempre tentar perceber mais. As pessoas são capazes de chorar num dia e torturar no dia seguinte, as pessoas são complexas. Muitas vezes, como jornalistas, pela pressa, reduzimos as coisas ao estereótipo, como se todas as coisas fossem planas, e não são. É a complexidade que é interessante encontrar – o tentar chegar àquela pessoa, revelar aquela pessoa. Mas coisas espontâneas levam muito tempo a conseguir. Para que uma pessoa se entregue numa entrevista tem de se criar uma relação com ela. A camara tem uma grande importância… obriga as pessoas a revelarem a alma. Um trabalho que a tenha marcado especialmente? Eu gosto muito da geração de sessenta – que é o meu patinho feio – que deve ter sido a coisa com mais críticas negativas e positivas. Reconheço que do ponto de vista estético não é um grande documentário, do ponto de vista jornalístico acho que foi extremamente importante na altura. Serviu para mostrar o que não era mostrado – houve dois militares pelo menos que me disseram «obrigada porque finalmente consegui chorar tudo o que não tinha conseguido chorar pela guerra colonial», porque eram pessoas que não conseguiam falar disso. Eu gosto de fazer filmes com pessoas dentro. Era muito criticada por estar sempre a por “cabeças falantes”. E eu costumo dizer que não conheço nada mais bonito do que uma pessoa inteligente a pensar, não conheço nenhuma imagem mais bonita. E uma situação? Há muitas. Há uma que deixou uma profunda marca. Provavelmente, mudou muito a maneira como olho para as coisas. Em 1979, foi muito falado nos jornais o caso de uma menina angolana que se suicidou. Descobriu-se nessa altura que era vítima de maus tratos. Antes de fazer a peça, fui falar com vários psiquiatras infantis para saber o que achavam sobre fazer uma peça acerca do suicídio
13 março 2014
nenhuma, usamos as palavras sem prestar atenção, deitamos abaixo pessoas sem provas nenhumas de que seja assim, fazem-se verdadeiras conspirações. Qual é o papel do jornalista hoje em dia? É o mesmo de sempre: é mostrar os males do mundo e as possibilidades de solução. É não se armar ele em importante, porque importantes são os outros. Acho que a missão é sempre a mesma – mudar o mundo para melhor – se conseguirmos. É não deixar as pessoas esquecerem, distraírem-se. O papel do jornalista é alertar, denunciar, mostrar, não permitindo que o mal permaneça silenciado. Depois, tem este papel extraordinário de contar estórias e de mostrar pessoas fantásticas, isso também é importante.
kurtas Um jornalista de referência Ryszard Kapuscinski Uma notícia que gostaria de dar Gostava que fosse descoberta a vacina para a malária e que fosse de borla para as pessoas Um livro A Longa Viagem de Jorge Semprun ou A Condição Humana de Andre Malraux Um filme Shoah, um documentário de Claude Lanzman de uma criança. Tentei rodear-me de todos os cuidados. Não mostrei nenhum retrato da menina. A menina ia fazer as compras e ia para a escola cheia de vergões e ninguém se metia nisso. A ideia era mostrar que todos somos cúmplices. A peça foi muito bem recebida por toda a gente. E eu fiquei descansada, achei que tinha sido socialmente útil. Um dia toca o telefone na redação. Atendi, e uma voz de homem disse «Eu sou o filho da madrinha da Ana Maria, era só para dizer que a minha mãe se suicidou, a senhora deve ficar muito contente». Eu não sou um juiz, sou jornalista. Obviamente não fiz aquele trabalho para a senhora se matar. Tive colegas que tinham identificado muito mais a senhora do que eu, mas aquele homem considerou-me a responsável pela morte da mãe. E essa noção para mim é muito clara – nós podemos matar pessoas com as palavras – e não temos noção
Como caracteriza o jornalismo de hoje? O jornalismo de hoje sofre, acima de tudo, da precariedade e da velocidade. A questão da precariedade é extremamente importante, porque ninguém é livre sendo precário. Um jornalista tem de ter um contrato firme para saber que é livre dentro do seu órgão de imprensa, que não vai ser a todo o momento ameaçado. Um jornalista precário está nas mãos de todas as forças. Depois, é a questão da velocidade. Neste momento exige-se aos jornalistas uma velocidade que é incompatível com a ref lexão. O jornalismo não é retrato a la minuta. O jornalismo tem de ser pensamento elaborado sobre as coisas, tem que ser fornecer às pessoas a informação sobre as coisas para que elas possam pensar e decidir – e isso não se faz com uma fotografia instantânea, tem que ser com contextualização. Quais as três grandes qualidades de um jornalista? Tens de te interessar pelas coisas. Depois, tens de ter empatia pelos outros seres humanos. Há que compreender e tentar compreender e não ver as outras pessoas como um mero estereótipo. Será bom que se saiba escrever extremamente bem, porque é preciso que o leitor tenha gosto em ler o que se escreve. Depois é preciso uma fortíssima consciência deontológica. E eu acho que o principal é mesmo seres um bom cidadão. Se fores um bom cidadão há coisas que nunca farás como jornalista. Que consciência social é que tu tens? Sem consciência social eu não percebo porque é que alguém quer ser jornalista. Que conselhos deixa aos futuros jornalistas? Que aprendam a dizer que não, além do mais, à facilidade, e depois às ordens idiotas. No caso das ordens idiotas, peçam inocentemente a ordem por escrito. Normalmente já não é repetida. A capacidade de descobrir, aliada ao interesse pelos seres humanos. E, talvez ligarem um pouco menos ao Facebook e às novas tecnologias. Usá-las e não serem usados. Olhar e interrogar sempre a notícia, levar sempre mais a fundo a análise. Não se pode ser herói todos os dias, mas é como a objetividade – não podemos ser totalmente objetivos, mas devemos tender para o sermos. k
8
Patrícia Gonçalves
II CONGRESSO INTERNACIONAL DE SAÚDE A Unidade de Investigação em Saúde da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Leiria, vai organizar nos dias 9 e 10 de maio o 2º Congresso Internacional de Saúde. O tema a ser debatido este ano é «Os Desafios e a Inovação em Saúde», que irá abordar tópicos como a Formação e a Educação, a Avaliação e Intervenção e as Políticas e Gestão desta área. O programa vai contar com apresentações de trabalhos de investigação nacionais e internacionais. O site health.ipleiria.pt tem uma área destinada às inscrições que são direcionadas a todos os profissionais, investigadores e estudantes da área da saúde.
No dia 17 de março, entre as 10 e as 11 horas, está previsto na Praça Rodrigues Lobo um ‘Café com sabor a maresia’ dinamizado pelo Colégio Nossa Senhora de Fátima. Sábado dia 22, às 15 horas, a partir da Praça Rodrigues Lobo, terá também lugar Quem Conta um Conto Acrescenta um Canto, uma iniciativa conjunta do Teatro de Grupo O Nariz e dos Serviços de Serviços de Documentação do Instituto Politécnico de Leiria. O programa detalhado pode ser consultado em: leiturasleiria.wordpress.com k
Concurso Nacional de Trabalhos Académicos The Best Marketing Idol démicos. Em avaliação estará a clareza na definição do objetivo do trabalho e da metodologia de abordagem, o rigor teórico e metodológico, o contributo do trabalho para a área, bem como a criatividade/originalidade. Os trabalhos podem ser submetidos até 21 de março, sendo os projetos aceites apresentados pelos autores na Conferência Anual de Marketing a realizar a 10 de abril, na Escola Superior de Tecnologia e Gestão, do ipl. Regulamento disponível em: estg.ipleiria.pt k
Felt By Heart O Felt By Heart nasceu pela mão de Joana Nobre Silva. A sua primeira casa foi o InstaDaniela Carmo gram, de onde surgiram os famosos breakfast cups. A ideia é consumir apenas os ingredientes que a natureza oferece, sem qualquer processo industrial. As refeições não têm açúcar, glúten, manteigas ou farinhas. É a reinvenção da cozinha saudável e, naturalmente, saborosa.
ON LINE
Nestlé Cozinhar
o .c
m/
N e s tle Co
Delicia-te e aprende receitas práticas com a Nestlé Cozinhar. Este canal do Youtube tem vídeos curtos e refeições simples para fazer no dia-a-dia. Das entradas às sobremesas, todas as receitas contam com um aspeto delicioso. Fazer bolachinhas de café? É canja! k
zi n
r
Integrado na Conferência Anual de Marketing, está a decorrer a 3.ª edição do concurso nacional de trabalhos académicos The Best Marketing Idol. A iniciativa é promovida pelo Centro de Investigação em Gestão para a Sustentabilidade, do ipl. O concurso pretende dar a todos os estudantes que frequentem ou que tenham concluído, há menos de três anos, uma licenciatura ou mestrado na área do marketing, a oportunidade de apresentarem e verem reconhecidos os seus trabalhos aca-
tagram.com /f
ha
IV JORNADAS DE DIREITO DO CONSUMO “A defesa do consumidor na União Europeia” é o tema da quarta edição das Jornadas de Direito do Consumo, que se realizam no dia 21 de março, no auditório 2 da ESTG. O objetivo do Departamento de Ciências Jurídicas da escola e da Delegação da APDC é esclarecer os direitos e as opções do consumidor no contexto da União Europeia. Todas as informações em jornadasconsumo.ipleiria.pt. k
No âmbito da 5ª edição da Semana da Leitura, a Biblioteca Municipal de Leiria, em parceria com o Grupo Concelhio da Rede de Bibliotecas Escolares, os Serviços de Documentação do Instituto Politécnico de Leiria, Livrarias e Órgãos de Comunicação Social, celebram a Semana da Leitura. A iniciativa decorre de 17 a 22 de março e tem como objetivo «lembrar a toda a comunidade a importância da leitura para o desenvolvimento intelectual e formação do indivíduo».
s in
y he ar t tb
PORQUE SIM, ENGENHARIA E GESTÃO INDUSTRIAL? O departamento de Engenharia Mecânica da Escola Superior de Tecnologia e Gestão vai organizar um seminário durante a manhã de 15 de março no auditório da Escola Superior de Saúde. Com o tema “Porque sim, engenharia e gestão industrial?”, o seminário tem o objetivo de reunir vários representantes da comunidade empresarial e industrial da região, engenheiros e gestores industriais e os futuros licenciados destas áreas. O programa e a ficha de inscrição estão disponíveis em dem.estg.ipleiria.pt.
Leiria comemora Semana da Leitura
el
II CONFERÊNCIA INTERNACIONAL PARA A INCLUSÃO De 3 a 5 de julho o Instituto Politécnico de Leiria vai receber a segunda Conferência Internacional para a Inclusão – INCLUDIT II. O objetivo é continuar a incentivar o debate em torno da inclusão. A organização está a cargo do curso de Mestrado em Comunicação Acessível e da Unidade de Investigação Acessibilidade e Inclusão em Ação (iACT). A inscrição pode ser feita em includit.ipleiria.pt até dia 21 de junho.
a fechar
e
Últimas
No passado dia 30 de janeiro, a Câmara Municipal de Leiria iniciou o programa Eça 2014, com o intuito de aumentar a oferta literária e cultural da cidade para os visitantes e leirienses. Segundo Gonçalo Lopes, Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Leiria, o programa pretende «afirmar Leiria como destino turístico e literário». Gonçalo Lopes acrescenta ainda que a escolha de Eça de Queirós se deve à ligação de O Crime do Padre Amaro e do autor à cidade de Leiria. O programa Eça 2014 decorre de 18 a 21 de março e conta com uma recriação história de Leiria do século xix, com a participação de mais de mil figurantes, ranchos folclóricos, exposições, colóquios. Haverá também restaurantes com refeições da época. O programa tem ainda integrados eventos que já estão a decorrer, tais como: Conhecer Eça Pela Primeira Vez, Vamos Conversar Com…, Já Conhece o Centro Cívico: Edifício Praça Eça de Queiroz? e Visitas Guiadas: Rota do Crime do Padre Amaro. As visitas são gratuitas, tendo sido retomadas no dia 8 de fevereiro, e decorrem de duas rotas já realizadas em Leiria: em 2012, a Rota dos Escritores de Leiria e, em 2013 a Rota d’O Crime do Padre Amaro. O percurso passa pelos principais locais que são descritos no romance, terminando com um concerto de músicas contemporâneas ao escritor,
ub
Texto: Guilherme Francisco
na Igreja de S. Pedro. Segundo Gonçalo Lopes, o percurso de dia 8 e o Concerto do Orfeão contaram com a presença de cerca de cem pessoas. Na opinião da Professora Cristina Nobre, docente da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais de Leiria, com doutoramento em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea, que esteve presente no percurso Queiroziano no passado dia 8, uma das coisas que mais lhe agradou foi o facto da orquestra, que atuou no término do percurso, ser constituída por jovens. Quando questionada sobre a adesão dos mais novos ao percurso, Cristina Nobre considera que as pessoas se interessam pelas obras de Eça, e que se poderiam realizar programas semelhantes a Eça 2014, com outros autores da literatura portuguesa, nomeadamente Afonso Lopes Vieira e Francisco Rodrigues Lobo. A Professora salientou ainda que, se Eça de Queirós fosse vivo, certamente receberia um prémio Nobel, devido ao valor das suas obras, como também pelos cargos públicos que exerceu. Eça de Queirós, escritor português do século xix , ficou conhecido por obras como O Crime do Padre Amaro e Os Maias. Chegou a ser administrador do concelho de Leiria, em 1870, cargo que ocupou durante um ano. k
yout
Leiria promove Eça 2014