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Akadémicos 28

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Akadémicos Suplemento do JORNAL DE LEIRIA, da edição 1250, de 26 de Junho de 2008 e não pode ser vendido separadamente.

Cinco dias na “cidade do rock”

FOTO: HUGO SILVA/FOOTMOVIN

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Royalistick Rapper

“Há os que pensam que o Hip Hop é uma maneira de ser rebelde”

FOTO: PEDRO JERÓNIMO

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Vai lá, vai... Abertura Director: José Ribeiro Vieira jose.vieira@movicortes.pt Director Adjunto: João Nazário direccao@jornaldeleiria.pt Coordenadora de Redacção Alexandra Barata alexandra.barata@jornaldeleiria.pt Coordenadora Pedagógica Catarina Menezes cmenezes@esel.ipleiria.pt Apoio à Edição Alexandre Soares asoares@esel.ipleiria.pt Secretariado de Redacção Ângela Duarte Redacção e colaboradores Ângela Duarte, Cláudia Silva, Daniela Sousa, David Sineiro, Iolanda Silva, Jorge Bastos, Pedro Jerónimo, Sara Vieira, Vânia Marques, Vânia Santos, Tiago Gomes Departamento Gráfico Jorlis - Edições e Publicações, lda Isilda Trindade isilda.trindade@jornaldeleiria.pt

Edição número seis, Novembro de 2005. Era a primeira de muitas participações no jornal da academia leiriense e o primeiro contacto com o mundo da comunicação social. As cores eram outras, o grafismo era outro, a equipa era outra, mas a finalidade era a mesma de hoje. Durante cerca de três anos participei num projecto que me fez ver na prática o que aprendi em aulas, fez-me despertar o gosto pela comunicação social, conhecer pessoas novas, proporcionou-me novas experiências e momentos para recordar. Mesmo depois de ter terminado o curso de Comunicação Social e Edução Multimédia (CSEM), no passado ano lectivo, a colaboração continuou. Termina agora o meu contributo, rumo a outros desafios profissionais. Num futuro próximo, espero continuar a abrir as páginas do Akadémicos e ver um jornal mais independente, mais participado

— que a redacção extrapole mais o curso de CSEM — mais arrojado, mais crítico e mais interventivo. Apesar de tudo o que tem mostrado, é um projecto que tem muito para ensinar e muito mais para dar. Quantas vezes não descobrimos nestas actividades um talento em nós desconhecido? Resta-me desejar a todos os que fazem parte da equipa que tenham tão boas ou melhores experiências e que no fim façam, igualmente, um balanço positivo e agradecer aos que durante três anos tanto me deram e ensinaram. A redacção vai de férias e regressa no próximo ano lectivo. Comigo, fica a aprendizagem, ficam os bons momentos, e a esperança de que o Akadémicos seja, cada vez e a cada edição, mais academia. Obrigada Ak(c)adémicos. Vemo-nos por aí.

Maquetização Leonel Brites – Centro de Recursos Multimédia ESE–IPL leonel@esel.ipleiria.pt

Presidente do Instituto Politécnico de Leiria Luciano de Almeida presidencia@ipleiria.pt

Presidente do Conselho Directivo da ESE José Manuel Silva jmsilva@esel.ipleiria.pt

Directora do Curso de Comunicação Social e Educação Multimédia Alda Mourão amourao@esel.ipleiria.pt

Os textos e opiniões publicados não vinculam quaisquer orgãos do IPL e/ou da ESE e são da responsabilidade exclusiva da equipa do Akadémicos.

Ângela Duarte Colaboradora Akadémicos/Ex-aluna CSEM

Uma agenda do mês MÚSICA

CINEMA

Hoje, às 21:30 Sond’ar-te Electric Ensemble Inovadora conjugação de instrumentos acústicos com meios electrónicos para ver no Tatro José Lúcio da Silva. 10 Euros

Dia 26 e 27, às 21h30 Lobos Um crime de morte acontece e dá origem a uma fuga constante. Um drama de José Nascimento em exibição no teatro Miguel Franco Franco

akademicos@esel.ipleiria.pt

Dia 3 de Julho, às 21.30 Orquestra Gulbenkian Dois concertos de Chopin para piano em destaque neste concerto que terá como protagonista a jovem e galardoada pianista chinesa Sa Chen. Para assistir no Teatro José Lúcio. 10 Euros

DANÇA 16 de Julho, às 21:30 Ancient Times Today Três nacionalidades, três artistas criadores, várias coreografias sobre temas milenários numa abordagem contemporânea. 12 Euros

EXPOSIÇÕES Até 30 de Junho, das 17:30 às 24:00 Bonecas de todos os tempos Esta exposição pode ser visitada no Teatro José Lúcio da Silva e apresenta cerca de 500 exemplares que vão contando da história das bonecas, da sua evolução e dos países de origem. Teatro José Lúcio da Silva. Entrada Livre

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CLÁUDIA SILVA

De 3 a 9 de Julho My Blueberry Nights Elizabeth embarca numa viagem pela América após um desgosto amoroso. As experiências durante a viagem e o encontro com uma série de estranhos levam-na a novas e inesperadas aventuras que lhe permitem descobrir um novo caminho.

DESPORTO De 28 de Junho a 5 de Julho Orientação A Praia do Pedrógão vai receber cerca de 3500 participantes do Campeonato do Mundo de Orientação. Para acompanhar, no pinhal ou à beira-mar.


Kapas A filha da minha melhor amiga SARA VIEIRA

Está a dar Alunas da ESE desenvolvem projecto na Eb1 da Caxieira

FOTO: DAVID SINEIRO

Um Estágio para recordar

SARA VIEIRA

Ana Domingues, Marisa Mendonça e Susana Brito, foram as protagonistas de um projecto inovador e solidário, desenvolvido na Escola E.B. 1 de Caxieira. No intuito de tornar as aulas mais interactivas, as alunas estagiárias do curso de 1ºciclo pensaram, em conjunto com a professora cooperante Alice Lagoa, equipar a escola com um videoprojector. Começaram por vender rifas para um cabaz de Natal composto por produtos disponibilizados pelos pais dos alunos, mas não foi suficiente. Sem desistirem, propuseram-se a participar na festa de Santa Eufémia. Com o apoio da comunidade, organizaram uma

quermesse, venderam bolos, compotas e café. A iniciativa “superou todas as expectativas”, dizem as alunas, pois não só conseguiram fundos para o desejado videoprojector como também para um quadro interactivo e ainda para livros.

A noite mais esperada A inauguração do equipamento decorreu no dia 2 de Junho. Cerca de quarenta pessoas — pais, alunos e comunidade escolar— juntaram-se no palco deste estágio, a sala de aulas da Escola, para assistir à apresentação das funcionalidades do quadro “hiperactivo”, como lhe chamam os alunos e que agradou também aos pais.

Aos olhos dos alunos, “o novo material é fixe”, dizem que aprender agora vai ser mais divertido e que vão ter muitas saudades das estagiárias. Graça Guarda, também docente na Caxieira, confessou no entanto que “o melhor são as pessoas, não o material, porque sem elas nada seria possível”. Uma opinião partilhada pela professora cooperante Alice Lagoa, que afirmou que “dar aulas todos dão, chegar aos pais e envolver toda esta comunidade é que é difícil”. Cecília Duarte, mãe de um dos alunos, sublinhou também que a aquisição de material “foi o resultado de todo um trabalho de grupo”.

ESTG promove Semana da Ciência e Tecnologia No âmbito da Escola de Verão, vai decorrer, entre o dia 21 e 26 de Julho, na Escola Superior de Tecnologia e Gestão, a Primeira Semana da Ciência e da Tecnologia. Esta iniciativa é destinada aos estudantes do Ensino Secundário que frequentaram neste ano lectivo o 10º e 11º ano e tem por objectivo motivá-los para o pros-

seguimento de estudos nas áreas científicas e tecnológicas. O programa de actividades —que envolve as áreas de Engenharia Civil, Electrotécnica, Engenharia do Ambiente, Gestão e Jurídica — inclui workshops como “Segredos da Engenharia Civil”, “Ligação ao Mundo Digital”, “Observar e experimentar

A Filha da Minha Melhor Amiga é uma obra da autoria de Dorothy Koomson, constitui o seu terceiro romance, que protagoniza uma das mais recentes revelações do top editorial britânico. Kamryn Matika e Adele Brannon são melhores amigas desde sempre, até ao dia em que Kamyrn acidentalmente descobre que Adele e o seu noivo, Nate, se envolveram, e dessa relação nasce uma filha, Tegan. Este é o ponto de partida para uma história emocionante e não tão imaginária quanto se pensa. Com o passar dos anos, Kamrym transforma-se numa mulher de sucesso a nível profissional, mas a nível pessoal evita envolverse em relações complexas numa tentativa de não voltar a sofrer. No dia em que comemora mais um dos seus aniversários recebe um telefonema inesperado. É Adele que está a morrer e lhe implora que adopte Tegan, um pedido de adopção do fruto de uma noite de amor entre a sua melhor amiga e o seu noivo. Tegan, uma criança debilitada e insegura pelos maus tratos do avô, a pouco e pouco, vai percebendo que Kam será a sua nova mãe e que não lhe fará mal. Esta mãe por acaso terá de lutar com uma série de assuntos de infância para os quais não tem resposta e com os quais nunca pensou lidar. Torna-se uma descoberta de autoconhecimento e de coragem, que exige muita reflexão. Existem livros que marcam e este é um deles. Cada página traz uma surpresa, cada personagem faz rir e chorar e cada história transporta uma lição de vida. Grandes questões de maturidade são expostas na obra: amizade, morte, traição e o perdão. Uma leitura comovente.

instrumentos de orientação”, “Espião de Trajectos utilizando o GPS”, “Água Pura, Piscina Segura”. Estão previstas também actividades como piscina, ensaio de graffiti digital na cidade de Leiria, visita de estudo ao Alviela e jogos e competições que visam promover a socialização e o contacto com a natureza.

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FOTO: PJ

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Está a dar

Rock in Rio na primeira fila FOTO: PJ FOTO: IS

Dois palcos, uma tenda, 82 artistas, 90 horas de música e 354 mil espectadores. Um “cocktail” acompanhado de muita animação, tudo “Por Um Mundo Melhor.” Ainda antes do término da terceira edição do Rock in Rio (RiR) Lisboa — 30, 31 de Maio, 1, 5 e 6 de Julho — surgiu a revelação: regresso em 2010

A temperatura ronda os 30º C. São 15 horas e estamos a uma hora da abertura das portas da “cidade do rock”. As filas começam a perder-se de vista, excepto para as equipas de segurança, que palmilham cada metro quadrado das imediações do recinto. Quase tropeçam numa garrafa de vodka, vazia, que assinala uma das poucas sombras existentes, onde centenas de fãs se amontoam, numa espera que parece valer a pena. “Muse é a minha doença”, afirma Pedro Tavares, que suporta o calor desde as 12 horas. A espera, ansiada, está

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FOTO: IS

TEXTO: ÂNGELA DUARTE, IOLANDA SILVA, PEDRO JERÓNIMO FOTOS: IOLANDA SILVA (IS) E PEDRO JERÓNIMO (PJ)

espelhada no rosto. Percorremos mais uns metros, até ao topo da fila, onde encontramos os madrugadores do dia. Célio Rocha, 17 anos, vem de Famalicão e também tem outra patologia: Linkin Park, precisamente a banda que mobiliza a maioria dos fãs. “Vale a pena o esforço”, aponta o jovem, que foi o primeiro a chegar. O relógio marcava 7:15 horas. Mesmo ao lado, Pedro Gonçalves, 14 anos, é outro dos resistentes a quem diagnosticamos The Offspring e Muse como “vírus” activos. Está quase na hora, no entanto, uma última paragem:

cordão de segurança. Objectos cortantes não entram e bebidas só em garrafas de plástico sem tampa. Cooperação é a palavra de ordem entre segurança e espectadores. Feita a vistoria, porta de entrada à vista. Bebe-se mais um gole de água, para refrescar, inspira-se fundo, para um último esforço, e em segundos o exterior e o interior da “cidade do rock” ficam separados por centímetros. O coração bate mais depressa, a ansiedade aumenta. “Só abre às 16 horas”, relembram os seguranças. De repente, as grades são retiradas… e milhares correm em direcção ao palco.

A família Medina, o pai Roberto e a filha Roberta, dão as boas-vindas e aplaudem os visitantes, incentivando-os para um último sprint. Por entre a avalanche de fãs, alteramos a rota de um deles. Atendendo a que a maioria está em idade escolar, seria este um dia de gazeta às aulas? “Hoje baldei-me”, confirma João Gil, 16 anos, de Lisboa. Os amigos, que entretanto pararam, mantêm o discurso, no entanto, preferem o anonimato. Terminada a entrevista, resta aguardar mais umas horas até ao início dos concertos no Palco Mundo.


uma encomenda na recepção de um hotel. “Devem pensar que nós somos táxis”, desabafou o motorista.

rua”, confessou-nos Mafalda Mendonça, a coordenadora do grupo de voluntariado, falando-nos na dificuldade de encontrar alojamento para todos. Para a coordenadora, que esteve envolvida nas outras duas edições, “o Rock in Rio é simplesmente viciante”. Que o diga Sónia Brito, do Cartaxo, que participou no voluntariado do RiR pelo terceiro ano. “Este ano está a ser mais difícil, porque há mais público o que torna logo as coisas mais exigentes”, referiu Sónia, no final de um turno de seis horas.

FOTO: IS

O RiR EM NÚMEROS

562,5 Mil

Euros arrecadados para o projecto que visa o financiamento do concurso “Rock in Rio Escola Solar”

400

Painéis fotovoltaicos (compra e instalação) nas 20 escolas vencedoras garantidos com o valor angariado

354 Mil

pessoas no total dos cinco dias de RiR

90 Mil

pessoas lotaram o primeiro dia do evento, 30 de Maio. O cenário repetiu-se no dia de encerramento, a 6 de Junho

FOTO: IS

Vestir a camisola Motivação foi a palavra de ordem que moveu 557 voluntários, vindos de todo o país, incluindo Madeira e Açores, e ainda vários brasileiros e uma tunisina, para ajudarem num evento que, durante cinco dias, procurou sensibilizar para “Um Mundo Melhor”. “Há voluntários que vieram apenas de mochila às costas e têm dormido na

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FOTO: PJ

ma que irá garantir os transportes nos próximos dias no RiR-Madrid. Miguel Caeiro, um dos motoristas que fazia uma pausa durante o seu turno, contounos alguns dos episódios caricatos que viveu durante o encontro. “Já me invadiram a carrinha e tudo”, disse. Para além das histórias narradas pelos motoristas dos shuttles, também o Akadémicos presenciou um episódio, nomeadamente quando uma senhora, vinda do nada, pede ao motorista, que nos levava para o recinto, que entregasse

FOTO: IS

Nos bastidores Mas nem só de fãs e música vive o Rock in Rio. O Festival movimenta um grande número de colaboradores que garantem o funcionamento do espaço. Em turnos de 12 horas, duas equipas formadas por 90 motoristas e 80 carrinhas asseguravam os transportes de todos os que trabalhavam na, e para a, “cidade do rock”. Os shuttles, que a cada quinze minutos passavam em pontos estratégicos a fim de não deixar ninguém a pé, eram assegurados pela empresa Drive 4 You, a mes-

82

Artistas subiram aos palcos da “cidade do rock”

557

Voluntários durante os cinco dias, de 7500 que se inscreveram FOTO: PJ

60 mil

Assinaturas recolhidas pela Greenpeace para uma petição a ser entregue no G8 com a finalidade de sensibilizar as maiores potencias do mundo a reduzir em 50% as emissões de CO2 até 2050 e apelar ao recurso das energias renováveis

8 Mil

Copos vazios recolhidos num copo gigante pela Sociedade Ponto Verde, com o projecto 100R (100 por cento sem resíduos)

Homenagem em português No encerramento do palco Sunset foi prestada homenagem a um dos maiores músicos portugueses: Rui Veloso. Expensive Soul e Sara Tavares brindaram o público com algumas músicas do seu reportório e, no fim, Sara Tavares chama ao palco Roberta Medina, vice-presidente do Rock in Rio, que tem algo

a comunicar. Em homenagem a Rui Veloso, oferece-lhe uma guitarra rara. Segundo Medina, uma de duas na Europa. Emocionado, Rui Veloso não perdeu tempo e começou de imediato a tocar. Depois de Lado Lunar, entra o cabo-verdiano Tito Paris, que se junta ao músico português para

cantar “Saudade”, de Cesária Évora. No fim, e já com todos em palco, Rui Veloso recebeu uma ovação de cerca de 5 mil pessoas que também quiseram prestar a sua homenagem ao músico. Na plateia, estava uma vasta e jovem assistência. Ao abordarmos uma jovem de

15 anos para tentar perceber o porquê da preferência por Rui Veloso em vez de Alanis Morissette, bem mais próxima da sua geração e que actuava à mesma hora no Palco Mundo, Carolina foi firme na resposta: “há uma qualidade musical muito maior do que na Alanis. Sem dúvida que prefiro ouvir Rui Veloso”.

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FOTO: HUGO SILVA/FOOTMOVIN

Sentado no mocho

Sentou, vai ter k explicar

Royalistick, rapper

“A indústria devia deixar de ignorar o Hip Hop” Diz que nunca pediu nada a ninguém e que o que conseguiu foi por mérito próprio. Em 2008, ROYALISTICK surge com Portfólio, um álbum “menos violento” e “mais pessoal” que conta com a participação de nomes como Valete e PacMan

VÂNIA SANTOS E DANIELA SOUSA

Como despertaste para o mundo do Hip Hop? Comecei numa altura em que o Hip Hop quase não tinha visibilidade, mais ou menos em 1996, quando ainda era novo, com 15 ou 16 anos. Começaram a circular umas cassetes muito suspeitas no bairro. Comecei a ouvir. Até aí não ouvia música. Acho que o Hip Hop é a única música que eu conheço. Gostei logo. Nem é pela música, o Hip Hop é diferente, introduz o convívio. É música de rua. Quando moramos num sitio em que temos 15 amigos e todos gostam daquilo, todas as noites nos reunimos e fazemos improvisos e letras. Não é por acaso que a maioria dos grupos quando aparecem têm 15 elementos. Nos EUA, grupos como os Wutangclan ou as grandes crews, têm sempre muitos músicos. Foi isso: bairro, amigos, éramos 15 ou éramos 20, depois ficámos 10, depois ficámos 5, e depois ficámos 2… Quais são as tuas principais referências? Isso das referencias é complicado. Temos sempre a referência de alguém, mesmo enquanto pessoas, mas é difícil reconhecermos as nossas influências. Há muitos MC’s bons, não só nos EUA como em Portugal, MC’s que me inspiram, que me dão vontade de ser tão bom quanto eles, mas procuro que não influenciem a minha capacidade criativa.

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Como surgiu a oportunidade para gravar o álbum Visão Periférica? Conheço muita gente, há muito tempo, mas nunca tive padrinhos e nunca pedi nada a ninguém. Já crescidinho, com 21 ou 22 anos, apareceu uma proposta. O Twism do Algarve quis fazer um projecto para o Beats e Rimas. Foi uma ideia que pouca gente aceitou e eu aproveitei e fiz o tema o Xlibris. Quando o projecto saiu, toda a gente adorou e ficou a pensar: “Quem é este tipo?” Daí, foi um saltinho. Eu estava a gravar o meu álbum independente, fizeram-me uma oferta para uma parceria e gravei o disco. Correu bem. Graças a Deus, consegui. Com o teu trabalho, chegas sempre a algum lado. Achas que o Hip Hop está na moda? É passageiro ou veio para ficar? Há de tudo um pouco. Vamos comparar o Hip Hop ao Benfica, tens os sócios do clube, que vão ver os jogos e pagam as quotas e tens os fanáticos, os tipos que passam lá vida. Tens os adeptos e tens aqueles que são do Benfica porque o pai também é, mas quando crescem já são do Porto ou do Sporting. No Hip Hop é a mesma coisa, há todo tipo de pessoas, desde os curiosos, aos que acham que aquilo é bom. Também há os que pensam que o Hip Hop é uma maneira de ser rebelde, por exemplo, os tipo que queriam ser gangsters ou que queriam ser maus, tinham que ouvir Hip

Hop, só ouviam 2Pac, 2Pac e 2Pac, ou Notorius. Não percebem nada de Hip Hop, mas têm de ouvir. Há vários tipos de pessoas que entram e depois uns ficam e outros saem. Eu vivo numa periferia da cidade, há muita gente que já ouvia, mesmo antes dos Morangos com Açúcar. Agora, os morangos ajudaram, claro, isso é como tudo. Se agora começar a passar Hip Hop numa novela das 9 horas da noite, para pessoas mais velhas, elas também começam a gostar. “Mestre sem cerimónias que a indústria não assume”. Apesar de mais divulgado, o Hip Hop ainda é um género marginalizado? Sem dúvida. É isso mesmo. Nós somos mestres sem cerimónias que a indústria tenta esconder. Porque a indústria pega nuns dois ou três, tipo os Mind da Gap, o Boss AC, ou outro grupo qualquer e promove, e esquece os outros. A indústria devia deixar de ignorar o Hip Hop, artistas que, sem terem meios, sem anúncios na televisão, sem dominarem as rádios, conseguem vender 3.000 discos, conseguem ter concertos com 2.000 pessoas. Na música Por(ti)gal, o país é pintado da pior forma. O Hip Hop é um meio de intervenção? Eu já pensei que sim, houve uma altura em que eu acreditei nisso, mas neste momento já não acredito tanto. O Hip Hop é intervenção mas o

Português está muito confuso hoje em dia. E Portugal não tem só coisas más, mas as coisas boas não preciso de dizer numa música porque toda a gente sabe.

Ser “underground” não é vender 10 discos nem é ser mau, é não ter limites, não ter nada que impeça a liberdade criativa Hoje fala-se de Hip Hop comercial e de Hip Hop underground, o que os distingue? Cada vez menos vejo essa distinção, porque, repara, o Sam the Kid tem o disco que é underground e toda a gente diz que o Sam é comercial, o que é injusto, porque o Sam, na minha opinião é o MC mais desenvolvido em Portugal. E agora é comercial só porque vendeu mais discos? Também o Valete é um MC underground e teve uma distribuição boa, chegou a muita gente, teve em primeiro na MTV e na Antena 3. Ser underground não é vender 10 discos nem é ser mau, é não ter limites, não ter nada que impeça a liberdade criativa. Agora, se fizeres um verso de 16 barras,


Kultos 3:10 to Yuma

Se agora começar a passar Hip Hop numa novela das 9 horas da noite, para pessoas mais velhas, elas também começam a gostar.

O Comboio das 3 e 10 é o mais recente filme de James Mangold, realizador de Walk the Line e Cop Land, e mostra que, ao contrário do que muitos dizem, os Westerns ainda não estão mortos. Passado no Velho Oeste americano, este remake de um clássico de 1957 segue a história de Dan Evans – Christian Bale (Batman Begins / The Prestige), um rancheiro inválido que se vê obrigado a confrontar o perigoso fora-da-lei Ben Wade – Russell Crowe (American Gangster / Gladiator). Este Western está longe de ser um filme cheio de acção, primando antes pelas suas personagens complexas e dualidade ideológica. Este não é um qualquer blockbuster de Verão, como tal, a acção é contida e realista, podendo ser aborrecida para os que procuram apenas acção desmiolada. Apesar de haver bastantes mortes, essas mortes não significariam nada se não houvesse de facto relações entre as personagens e a própria audiência. Dan é constantemente perseguido pelo grupo de foras-da-lei apoiantes de Ben Wade, comandado por Charlie Prince – Ben Foster (X-Men: The Last Stand / Alpha Dog), e é este grupo que ajuda a criar a antecipação que é quase palpável, enquanto o filme nos leva lenta mas seguramente para um confronto final entre as duas facções. Este confronto é tão antecipado como temido, e a tensão nele presente deixa-nos perceber que todo o filme foi criado com aqueles últimos momentos em mente. Os três actores principais oferecem performan-

FOTO: HUGO SILVA/FOOTMOVIN

Acreditas que só temos uma chance porque só vivemos uma vez. Agarraste a tua? Há uma música do Sam The Kid que eu oiço muitas vezes porque mexe realmente comigo, não me lembro do nome, mas tem a ver com escolhas. Sinceramente, acredito que não somos só nós que decidimos as coisas. Eu posso dizer que agora vou fazer um grande disco e que vai chegar a toda a gente, se o Bomberjack não tiver receptivo, ou não fizer uma boa promoção do meu disco, o disco não vai vender, se a MTV não estiver receptiva a passar o meu videoclip mais vezes, as pessoas não o vão ver, se as rádios não tiverem receptivas o som não vais passar. Também tem a ver com sorte. Eu vivo da maneira como sei viver, agarro o mais possível todas as chances que tenho, não todas, mas agarro o mais possível, vivo o mais possível,

faço muitas coisas mal, faço muitas coisas bem, basicamente é isso…e acho que toda a gente devia viver assim, na boa. Quem é a “estrela brilhante” que ilumina o teu caminho? Ora aí está uma boa pergunta, no sentido figurativo. Se me estás a fazer essa pergunta enquanto músico, aquilo que mais me motiva é querer fazer mais e melhor. Podemos falar um pouco do novo álbum? O novo álbum chama-se Portfólio. É um álbum com um conceito novo, tem um CD e um DVD. O CD é a parte áudio, e o DVD é o making off, explica o porquê de cada faixa, como é que eu escrevi aquilo, como é que o beat me veio parar as mãos. A nível de mudanças, é mais musical, foi quase todo produzido pela Madcuts, não tem a violência do álbum Visão Periférica, nem pouco mais ou menos. É um disco totalmente diferente, tem muitas faixas, é um trabalho mais consciente, não tão violento, não tão extremista. Visão Periférica é um disco que eu não voltava a fazer, é violen-

to. Hoje, quando ouço, penso que há coisas que se eu não dissesse com tanta violência talvez chegassem melhor às pessoas. Então optei por aí, no Portfólio, criativamente saiu assim, tem músicas com uma mensagem boa e que ficam no ouvido. DR

e pensares que fica muito grande e que as discotecas não vão passar essa música, isso já não é ser underground porque estás a pensar no sucesso da música antes dela estar acabada.

DAVID SINEIRO

Qual a mensagem geral do álbum? É um álbum que fala um bocadinho de tudo, é muito pessoal, fala desde a minha vida enquanto músico, à vida que levo longe dos olhares das pessoas. Porque há pessoal que só me conhece de videoclips e concertos, mas por trás disso há muitas outras coisas. Faço o relato do que é ser músico no backstage, onde às vezes não há condições. Falo do meu crescimento, falo do Hip Hop português, falo de amor, de guerra, de consciência. As pessoas ao ouvirem aquele disco têm, pelo menos, uma faixa de que vão gostar muito. Uma palavra que defina o teu Hip Hop? Uma vez que eu sou o Royalistick o meu Hip Hop é de sangue azul. Nobre.

ces perfeitas, convincentes, e que nos levam a entrar no filme. É impossível não torcer por Dan, ao mesmo tempo que se acredita que Ben é na verdade uma boa pessoa. Ninguém esperaria outra coisa de Bale e Crowe, o mais surpreendente é mesmo a estrondosa actuação de Ben Foster que em nada destoa, perto destes grandes senhores de Hollywood. Em termos musicais, O Comboio das 3 e 10 está perfeito, tendo sido nomeado para um Oscar e contando com os típicos sons do Velho Oeste, desde os disparos dos revolveres à sempre constante música de banjo. O tema musical foi também nomeado para uma estatueta dourada. A realização é também impecável, como seria de esperar de um realizador que já nos ofereceu algumas pérolas consagradas pela crítica mundial, e a caracterização dos cenários e pessoas está simplesmente perfeita. É sem duvida refrescante ver o regresso dos Westerns com um remake bem feito e apelativo, se bem que não para todos os públicos. O género ganhará um novo fôlego se mais realizadores souberem explorar as suas forças, fazendo com que os filmes deixem de ter todos aquele recorrente sentido de dejá vu que levou à decadência deste tipo de filmes. 7/10

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Últimas

A Fechar

VÂNIA MARQUES

Erasmus Buddy

Concurso Nacional de Inovação BES

Pelo terceiro ano consecutivo, o IPL abraça o convite do Banco Espírito Santo e participa num projecto que pretende premiar e divulgar trabalhos de investigação, desenvolvimento e inovação. Este ano Energias Renováveis, Fileira Florestal, Processos Industriais, Saúde, Cuidados Pessoais e Acolhimento e Transportes são as áreas a concurso. A participação pode ser individual ou em grupo e a data limite das inscrições é 30 de Junho. Mais informações em www.bes.pt.

Parque de Lazer do IPL

Para quem gosta da vida ao ar livre, o IPL disponibiliza um novo espaço, situado na Nazaré, com serviço de aluguer de tendas e piscina. O parque está disponível para funcionários e estudantes do IPL, estudantes e outras instituições de ensino superior, alunos das escolas secundárias do Distrito de Leiria e habitantes da Nazaré. Preçário e mais informações em www.ipleiria.pt.

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Festivais de Norte a Sul TIAGO GOMES

Verão é tempo de festivais de música. No Porto, a 4 e 5 de Julho, haverá Super Bock, Super Rock com a presença dos ZZ Top e Jamiroquai. No segundo acto, em Lisboa, dias 9 e 10, destaque para Iron Maiden, Beck e Duran Duran. Nesse dia, terá também início o Festival Alive, em Oeiras, que decorre até dia 12, e tem como cabeças de cartaz Rage Against the Machine, Bob Dylan e Neil Young. Por Gaia passarão Peter Murphy e Riders On The Storm (The Doors), no Marés Vivas, de 17 a 19 de Julho. Em Sines e Porto Covo decorrerá o Musicas do

Mundo onde actuam DoranStucky-Studer-Tacuma (tributo Jimi Hendrix), entre os dias 19 e 26. O mês fecha da melhor forma com o início do Paredes de Coura que se prolonga até 3 de Agosto, com Sex Pistols. De 7 a 10 de Agosto, o Sudoeste, em Zambujeira do mar, traz Björk, Franz Ferdinand e The Chemical Brothers.Ainda em Junho, dias 27 e 28, decorrerá, mais perto, na Bajouca, em Leiria, o Rock´s Pot, com realce para Linda Martini e The Blows, com os lucros a reverter para a Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral de Leiria.

DR

Estão abertas até dia 30 de Junho as inscrições para o Erasmus Buddy. Pretende-se neste programa que os alunos, possuindo conhecimentos suficientes de Inglês ou Castelhano, apoiem os estudantes Erasmus estrangeiros e os ajudem na sua inserção nas Escolas do Instituto Politécnico de Leiria, bem como, em vários aspectos da cultura portuguesa, reforçando o contacto entre culturas. Os participantes poderão ter um certificado de trabalho voluntário no seu curriculum vitae.

Liga Universitária de Futsal

IPL alcança o terceiro lugar JORGE BASTOS

O Instituto Politécnico de Leiria alcançou um honroso terceiro lugar na final four da Liga Universitária de Futsal (LUF), disputada nos passados dias 6 e 7 de Junho no Pavilhão Multidesportos de Coimbra. A equipa orientada por Vítor Coelho enfrentou a Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM) numa das partidas referentes às meias-finais e bem se pode queixar da falta de sorte. Depois de estar a vencer durante grande parte do encontro, o IPL concedeu a igualdade quando faltavam apenas 11 segundos para o apito final. Prémio para a AAUM, que não se

deixou abater pela desvantagem no marcador. No prolongamento, os minhotos chegaram à vitória por 4-3. Seguiu-se o encontro relativo à atribuição do terceiro e quarto lugares, que pôs frente a frente IPL e Associação Académica da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (AAUTAD). Venceu o IPL por claros 3-0, arrecadando o último lugar do pódio entre as 10 equipas que este ano competiram na LUF. Na final, a Associação Académica da Universidade da Beira Interior (AAUBI) venceu a AAUM por 3-2, alcançando o título de campeão da LUF.

Atletas e treinadores distinguidos em Gala de Desporto Decorreu no passado dia 12 de Junho a Gala de Desporto do Instituto Politécnico de Leiria. Depois de uma temporada onde as maiores aleTREINADOR DO ANO Nuno Figueiroa - Basquetebol MODALIDADE DO ANO Atletismo ATLETA REVELAÇÃO Andebol Feminino: Mariama Sanó Andebol Masculino: Nuno Leonor Atletismo: Catarina Rosa Basquetebol Feminino: Cristina Freitas Basquetebol Masculino: Marcos Ortéz Bodyboard: João Antunes Futebol 11: Luís Correia Futsal Feminino: Rita Santiago Futsal Masculino: Marcos Silva Surf: Ricardo Costa Surf: Marco Silva Ténis: Rita Francisco Voleibol Feminino: Florbela Brás Voleibol Masculino: Raul Dias e Luís Santos

INTERNETES IOLANDA SILVA

útil “Onde está o meu ecoponto?” e “Em que estado esta o meu ecoponto?” são as questões lançadas ao público neste site. As repostas servem de base a uma avaliação que tem por o objectivo auxiliar os Sistemas Municipais/ Autarquias a detectarem eventuais problemas e a melhorarem os processos de recolha, tornando o serviço cada vez mais eficaz. Visite “o meu ecoponto” e contribua para a requalificação do meio ambiente.

grias vieram do atletismo, foram premiados os atletas e treinadores que, nas diferentes modalidades, representaram o IPL.

ATLETA DO ANO Andebol Feminino: Marisa Gaspar Andebol Masculino: Francisco Aguiar Atletismo: Cândida Bairrada Basquetebol Feminino: Sara Moreto Basquetebol Masculino: Pedro Rocha Futebol 11: Rui Hilário Futsal Feminino: Mª Salete Fernandes Futsal Masculino: Cláudio Lourenço Ginástica: Liliana Costa Ténis: João Rodrigues Voleibol Feminino: Cátia Ferreira Voleibol Masculino: João Branco REPRESENTAÇÃO INTERNACIONAL João Lopes Rui Peixoto DIVULGAÇÃO E EMPENHO João Faustino – Capitão equipa Futebol 11 Alberto Martinho – Ex-jogador da equipa de

andebol. Treinador adjunto andebol Pedro Silva – Atleta do andebol Victor Perez – Atleta de ERASMUS da equipa futsal Cândida Bairrada – Atleta do atletismo Guida Fernandes – Ex aluna do IPL, actualmente vice-presidente da FADU RECONHECIMENTO E MÉRITO Vítor Coelho – Treinador do Futsal CAMPEÃ NACIONAL UNIVERSITÁRIA Cândida Bairrada (duas vezes) - Atletismo Diana Morgado - Atletismo Ana Filipa Neves - Atletismo Catarina Rosa (duas vezes) - Atletismo CAMPEÃO NACIONAL UNIVERSITÁRIO João Lopes - Atletismo Ivo Vital - Atletismo

http://www.omeuecoponto.pt

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Toda a informação acerca dos festivais e concertos no nosso país. Aqui será fácil encontrar data, preço, localização assim como outras informações acerca de qualquer evento musical. A contagem decrescente para cada um dos eventos, assim como a possibilidade de receber gratuitamente informação via SMS, são alguns dos elementos que fazem deste, um site apetecível. http://www.festivaispt.com

JORNAL DE LEIRIA 26.06.2008


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