Akadémicos Suplemento do JORNAL DE LEIRIA, da edição 1241, de 24 de Abril de 2008 e não pode ser vendido separadamente.
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25 de Abril
FOTO: ANDREIA MATEUS
Memórias da Revolução
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Ana Drago Socióloga e Deputada
“Cada um de nós devia responsabilizar-se pelo que acontece à sua volta” Ilustração Nayara Siler e Filomena Cardoso
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1º Ano Design Gráfico e Multimédia ESAD.CR
Vai lá, vai... * Discurso aos jovens
Abertura Oratio Pro Rostris* Director: José Ribeiro Vieira jose.vieira@movicortes.pt Director Adjunto: João Nazário direccao@jornaldeleiria.pt Coordenadora de Redacção Alexandra Barata alexandra.barata@jornaldeleiria.pt Coordenadora Pedagógica Catarina Menezes cmenezes@esel.ipleiria.pt Apoio à Edição Alexandre Soares asoares@esel.ipleiria.pt Secretariado de Redacção Ângela Duarte Redacção e colaboradores Andreia Mateus, André Mendonça, Carina Francisco, David Sineiro, Élio Salsinha, Jorge Bastos, Paulo Amendoeira, Rafael Costa, Sara Vieira, Vânia Marques, Tiago Gomes, Tiago Santos, João Matias, Tiago Gil, Dina Mota, Maria João Vieira Departamento Gráfico Jorlis - Edições e Publicações, lda Isilda Trindade isilda.trindade@jornaldeleiria.pt Maquetização Leonel Brites – Centro de Recursos Multimédia ESE–IPL leonel@esel.ipleiria.pt Ilustrações 25 de Abril – ESAD.CR Isabel Barreto Fernandes (Coord.) Nayara Siler, Filomena Cardoso, Inês Silva, Ruben Rodrigues, Ana Catarina Lopes, Luís Favas, Cláudia Pereira, Margarida Campos
Presidente do Instituto Politécnico de Leiria Luciano de Almeida presidencia@ipleiria.pt
Como dizer, hoje, a jovens estudantes de uns 20 anos, cujos pais estavam, na melhor das hipóteses, a iniciar a adolescência em 1974, o que foi e o que significa, agora, o 25 de Abril? A linguagem que se utilizou na época – e que, por vezes, ainda se utiliza – não conseguirá fazê-los entender o fenómeno e, talvez, nem sequer lhes desperte a atenção, habituados que estão à espectacularidade de guerras propagandísticas quase em directo, às fomes ao longe, às prisões injustas e arbitrárias como se ficções fossem. As coisas não são só o que são, de facto, ou o que foram. São também o que se faz delas e com elas. Poderemos dizer que o 25 de Abril foi um tsunami, correspondente a uma explosão militar com o apoio profundo da sociedade portuguesa, que via os seus filhos a correrem, e muitos a não voltarem, para uma guerra que militarmente não resolveria o problema colonial; a passar a salto para os países de uma Europa onde havia emprego e onde os emigrantes conseguiam pecúlio suficiente para viver e muitos deles se estabelecerem de volta à sua terra; se sentia amordaçada na sua iniciativa pessoal, na expressão do seu pensamento e da não tomada em conta das suas opiniões para construir um país que afinal era de todos. Esse tsunami fez nascer países que, de um modo geral, ainda buscam arduamente um caminho sem tutores e que, com frequência, na sua caminhada para o futuro, entram em muitos becos sem saída. Depois vem o estabelecimento de um ciclo histórico-político, onde ainda estamos, em que a democracia é pilar essencial, mas não é só da democracia política que precisamos; a englobação numa Europa que terá de se modificar muito sem perder a sua matriz de ponte, de entendimento, de espaço de
convivência de povos e culturas, de pátria de liberdades tão elementares como a igualdade de direitos e dignidade dos sexos e de espírito de iniciativa. Que foi, então, o golpe militar do 25 de Abril? Foi o deflagrar, foi a chispa que deu origem a uma reacção em cadeia, que modificou imenso a sociedade portuguesa e, também, o mapa político mundial. Que é, então, o regime gerado pelo golpe militar em que hoje vivemos? É um regime onde não há delito de opinião, onde há liberdades múltiplas, onde, de uma maneira geral, as necessidades básicas vão sendo asseguradas a uma faixa alargada da população, onde as pessoas podem gerir uma parte do seu futuro sem constrangimentos de sexo, raça, religião, estatuto social, opinião. Responder-me-eis que, por vezes, a democracia poderá ser quase tão arrogante como a ditadura. Acenarei que sim. Insistireis que há desigualdades que diminuíram, mas que outras se acentuaram e novas nasceram. Também acenarei que sim. Gritareis que certas liberdades estão ameaçadas, que muitas situações relativas ao singrar na vida peiam, hoje, mais os jovens que nunca; que, por vezes, parece haver vontade de desistir de alterar o estado das coisas porque a inércia do sistema é imensa, muitas das justiças apregoadas são coisa de programa sem correspondência real. Mas o 25 de Abril não é algo que nos foi dado feito e acabado: é algo que vamos construindo no nosso dia-a-dia. E são os construtores, especialmente os que mais participam, aqueles que terão a possibilidade de deixar aos vindouros o significado do 25 de Abril. Espero que não queirais ficar de fora desta fotografia da História. Vós sois, também, uma parte dos construtores do 25 de Abril.
Presidente do Conselho Directivo da ESE José Manuel Silva
Eduardo Fonseca
jmsilva@esel.ipleiria.pt
Directora do Curso de Comunicação Social e Educação Multimédia Alda Mourão amourao@esel.ipleiria.pt Os textos e opiniões publicados não vinculam quaisquer orgãos do IPL e/ou da ESE e são da responsabilidade exclusiva da equipa do Akadémicos.
akademicos@esel.ipleiria.pt
Uma agenda do mês MÚSICA 7 de Maio, 21:30 Música do Mundo Nancy Vieira estará no Teatro José Lúcio da Silva a 7 de Maio para apresentar o seu novo álbum Lus. A cantora cabo-verdiana trará sons típicos do seu país, como a morna, o funaná, a coladeira e o batuque. 10 euros. 22 de Maio, 21:30 David Fonseca O músico canta para Leiria a 22 de Maio. Na primeira parte do espectáculo, actua com Rita Redshoes. Uma combinação prometedora e a não perder. Até 15 euros, no Teatro José Lúcio da Silva.
CINEMA
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Até 30 de Abril Duas irmãs, um Rei O filme conta a história de duas irmãs que são usadas pelo pai com o objectivo de reforçar o poder da família, aproveitando-se do facto de o rei Henrique VIII ser mulherengo. O jogo de sedução e intriga desencadeado pelas irmãs Bolena acaba por levar à divisão de Inglaterra. Nos cinemas O Paço. JORNAL DE LEIRIA 24.04.2008
VÂNIA MARQUES
Até 11 de Maio REC Numa madrugada comum, uma repórter e o seu cameraman, que acompanham uma operação de um corpo de bombeiros, acabam por ficar presos num prédio em chamas enquanto uma série de acontecimentos macabros ocorrem. Em exibição no Cine-Teatro de Monte Real de 9 a 11 de Maio, este promete ser um grande sucesso do cinema espanhol que irá certamente deixar os espectadores agarrados à cadeira.
TEATRO Festival de Teatro Juvenil Em cena no palco do Teatro Miguel Franco, OED (28 de Abril) e O Amor na adolescência (30 de Abril).
Konsumo Obrigatório Only Music Vira o disco e toca o mesmo CARINA FRANCISCO E SARA VIEIRA
Está a dar
Nem tudo o que parece é, e quem pensa que o esquecido não volta, engana-se. Uma prova disso é o regresso da moda dos discos de vinil. Situado na Rua Sá de Miranda, em Leiria, a Only Music é o novo conceito de loja de música. Podemos encontrar os mais variados géneros musicais, desde o pop ao hard rock. Garantido é encontrar discos “em vias de extinção”. O proprietário, João Pinto, mestre na área da música (tocou numa banda), garante que os discos de vinil ainda são uma moda, principalmente para os coleccionistas, embora o vinil atraia vários tipos de público. Aberto aos dias úteis das 10 às 20 horas e aos sábados das 15 às 20 horas, o estabelecimento também dá oportunidades de negócio aos clientes, pois aceita discos de vinil e DVDs musicais novos e usados à consignação, e quem não tiver oportunidade de se deslocar ao espaço, pode encomendar os artigos via Internet (ebay e miau).
Semana Académica de Leiria
FOTOS: JOÃO MATIAS
Chuva não estraga festa
“Sinto-me muito contente por ver os meus caloiros a trajar pela primeira vez!” É assim que Damien Pires, aluno do 2º ano de CSEM, fala sobre a Serenata. De facto, a primeira noite da Semana Académica de Leiria (SAL) foi recheada de emoção, quer por parte daqueles que vestiam o traje académico pela primeira vez quer por parte dos seus padrinhos, orgulhosos por ver os seus “protegidos” atingirem o “ponto mais importante das suas vidas como estudantes”. Damien realça ainda que “o melhor da SAL é o espírito académico que se vive”. Apesar de marcada pelo mau tempo, que levou ao cancelamento dos concertos de quinta-feira, bem
FOTO: JOÃO MATIAS
como ao adiamento das noites de sexta e sábado para segunda e terça-feira, o balanço da SAL acabou por ser positivo. Para Bruno Carmo, aluno da ESE e vencedor do prémio Boémio do Ano 2006, a semana académica só poderia ser “a melhor semana do ano”. Segurando a capa na mão esquerda e uma cerveja na direita, Bruno, que frequenta o seu último ano como estudante, destaca a noite de tunas como a sua preferida. “Cheguei a fazer parte de uma tuna. Penso que ver tunas é sempre uma noite especial. Sobressai mais o espírito académico”. Porém, mostra-se ainda mais nostálgico quando questionado sobre o desfile de quarta-feira. “É sempre
FOTO: FERNANDO SANTOS
um dos melhores momentos da SAL e este ano não foi excepção”, adianta. O cortejo das viaturas das várias escolas do IPL, decoradas com temas relacionados com os cursos, percorreu algumas das ruas da cidade, com muitos gritos, água e cerveja à mistura. Melancólico, Bruno diz que sentiu um misto de alegria e tristeza. “Estou feliz por pertencer a esta comunidade académica mas, ao mesmo tempo, triste por saber que a vou abandonar no final do ano lectivo.” A SAL voltou a marcar a despedida dos finalistas à vida académica, bem como a estreia dos agora corvos no maior evento da academia estudantil leiriense.
FOTOS: VÂNIA MARQUES
TIAGO SANTOS
É frequente ouvir a expressão “ando à procura daquele disco há anos” por parte dos clientes que, quando vão à Only Music, demonstram uma enorme satisfação quando o encontra. Apesar do desenvolvimento das novas tecnologias, João Pinto mostra-se satisfeito por não haver possibilidade de adquirir discos de vinil através de downloads. Qualquer informação adicional contacte onlymusicleiria@hotmail.com. É lá que estão os “discos da moda”.
FOTO: JOÃO MATIAS
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Foi há 34 anos
Está a dar
Golpe de Cravos
INÊS SILVA – 1º ANO
ANDRÉ MENDONÇA
ESAD.CR
RUBEN RODRIGUES – 1º ANO
Alunos de Design Gráfico e Multimédia ilustram 25 de Abril
De lenço branco na mão, Salgueiro Maia, tenta falar com o oficial, Junqueira Reis, comandante dos blindados na Ajuda, que vinham tentar salvar o regime. Reis dá ordem para disparar sobre Maia. O alferes recusa. Este foi, talvez, o momento chave para o sucesso dos militares da revolução que, na madrugada de 25 de Abril, abandonaram os seus quartéis para pôr cobro a quarenta e oito anos de ditadura em Portugal. O brigadeiro Reis é detido e o regimento de cavalaria nº7, até aí afecto ao regime e, anteriormente, considerado inimigo dos revoltosos, junta-se ao Movimento das
Forças Armadas (MFA). Salgueiro Maia e os seus militares acercam-se assim do Quartel da GNR, no Largo do Carmo, onde Marcello Caetano se refugiou assim que soube do Golpe de Estado. Salgueiro Maia, entretanto já dentro do Quartel, chega à fala com Marcello Caetano pedindo-lhe a rendição. Este, só aceita render-se a um oficial superior. António Spínola, General das FA, chega e Marcello acede. Dá-se finalmente a queda do regime, confirmado por um comunicado do MFA que, através da rádio, informava constantemente o povo das ocorrências da revolução.
Memórias de uma ditadura Como meio de controlar a oposição, Salazar cria mecanismos repressivos: A polícia política (PIDE) e a censura. Estas instituições “controlavam” e “apagavam” tudo o que se opunha ao regime. A censura surge então como medida para manter a pureza doutrinária das ideias expostas e defender a moral e os bons costumes. Tudo o que atentasse contra o regime era proibido. Nenhuma palavra ou imagem era publicada sem passar pelo conhecido “lápis azul” da censura. Segundo Joaquim Vieira, jornalista, natural de Leiria, “a oposição não tinha
lugar nos media, muito menos na televisão porque a censura não permitia”. Outro meio de garantir a ordem e evitar oposições ao regime foi a polícia política. A PIDE tinha muito poder, afirmando-se mesmo que, esta polícia era um Estado dentro do Estado. Inspirava um clima de terror tão grande que o povo até em casa tinha medo, como refere José Inácio, 51 anos: “Até a mais simples conversa de café não podia mexer com política. Havia um clima de grande desconfiança uma vez que podíamos denunciar alguém, como também, nos podiam denunciar a nós sem termos feito nada.
Estado Novo Depois do golpe militar de 28 de Maio de 1926, Portugal e os portugueses assistem à criação do regime autoritário de inspiração fascista – a ditadura militar. Em 1928 entra para o regime, António de Oliveira Salazar. Exerce o cargo de ministro das finanças, conseguindo reabilitar as finanças portuguesas, impondo uma forte austeridade e um rigoroso controlo dos gastos públicos. Ganha assim fama e prestígio entre o povo. Assume o poder em 1933, remodelando o regime, mas mantendo a ideologia, dando-lhe o nome de Estado Novo. Salazar passa então a controlar o país, assumindo o
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papel de Presidente do Conselho, cargo que ocupou durante 41 anos. Graves lesões cerebrais, causadas por uma aparatosa queda, em 1968, retiram-lhe o poder. É substituído por Marcello Caetano que chefia o governo até ao golpe militar do MFA, em 25 de Abril de 1974. O regime caracterizava-se por ser autoritário, nacionalista e conservador. “Para cada braço uma enxada, para cada família o seu lar, para cada boca o seu pão”. (Salazar, na apresentação do Plano de Fomento, em 28 de Maio de 1953). Esta ideologia marcou todo um regime.
ANA LOPES – 1º ANO
A Guerra Colonial travada durante 13 longos anos foi a “gota de água”, contribuindo de forma decisiva para o 25 de Abril. Tudo porque os soldados estavam insatisfeitos por continuarem a ser recrutados para uma guerra que não tinha fim a vista, e que para eles fazia cada vez menos sentido enquanto o povo agoniava pelo impasse e por ver constantemente os filhos da terra partirem sem regresso. Os jovens da altura receavam a guerra, como afirma José Inácio, para quem o 25 de Abril representou, para além da liberdade, “o fim da Guerra Colonial. Principalmente porque todos os jovens, incluindo eu, tinham receio de serem recrutados. Fiquei bastante descansado com o final da guerra pois tinha a certeza que assim não ia ser enviado”. Mas outros não tiveram a mesma sorte. “Sabíamos que era um grande risco ir para lá (Ultramar) pois muitos não voltavam, tal como aconteceu com um amigo.” Nasce então o movimento dos capitães, em Julho de 1973. O impasse em que se encontrava a Guerra Colonial
Operação “Fim–Regime” A operação “Fim-Regime” do Movimento das Forças Armadas decorreu sob a coordenação do major Otelo Saraiva de Carvalho, de acordo com o plano previamente definido. A comunicação social teve um papel determinante no golpe de Estado. “Logo pela manhã ouvi na rádio uma canção que até aí era censurada. Achei estranho, ainda para mais porque foi repetida durante toda a manhã”, recorda José Inácio. Depois da transmissão, pela rádio, das canções-senha (E depois do Adeus, de Paulo de Carvalho, cerca das 23 horas, e Grândola Vila Morena, de Zeca Afonso, hora e meia mais tarde), as unidades militares saem dos quartéis para cumprirem, com êxito, as missões que lhes estavam destinadas. Estava dado o mote para o movimento avançar definitivamente. Às 4:26 horas é emitido o primeiro comunicado do MFA.
Quando alguém falava mal do governo, no dia seguinte não se ouvia falar nessa pessoa. Pura e simplesmente desaparecia.
LUÍS FAVAS – 2º ANO
Apesar dos insistentes pedidos para a população civil se recolher em casa, a multidão invade as ruas, em apoio aos militares, a quem distribuí cravos vermelhos. Esta ficará para sempre conhecida como a Revolução dos Cravos, sinónimo da revolução mais pacífica que o Mundo já conheceu.
José, 62 anos
Imprensa em Leiria Em Leiria, os dois semanários da época O Mensageiro e o Região de Leiria não ficaram indiferentes ao acontecimento. O jornal O Mensageiro de 2 de Maio dá destaque à revolução escolhendo como título de 1ª página “Triunfou o movimento das forças armadas”. O Região de Leiria na edição de 27 de Abril cobre o acontecimento com uma pequena caixa de texto “Ùltima hora”. Só na edição de 4 de Maio chama o tema à primeira página, dando no interior conta da manifestação de apoio ao MFA na Praça Rodrigues Lobo.
Foi a partir dessa data que as mulheres portuguesas se puderam libertar do humilhante estatuto de menoridade a que estavam sujeitas.
CLÁUDIA PEREIRA – 1º ANO
O movimento por detrás do golpe
começou também a pesar sobre o exército. Os progressos da frente revolucionária na Guiné, o encarniçamento da guerra em Moçambique e a persistente condenação internacional pela ONU, deram a muitos oficiais de carreira a convicção de que estavam a remar contra a maré, a lutar contra uma causa perdida. Este sentimento transformou um movimento de oficiais, iniciado por meras questões de promoção na carreira, no movimento que derrubou o regime. Estes oficiais acreditavam que, ao restaurar as liberdades cívicas, a tão desejada solução para o problema colonial chegaria. Depois de uma tentativa precipitada, em Março, que as forças governamentais debelaram com facilidade, o MFA preparou minuciosamente a operação militar que, na madrugada do dia 25 de Abril de 1974, viria a por um ponto final no Estado Novo.
Fátima, 52 anos
Por vezes, tínhamos de dar voltas à cabeça para interpretar o que é que algumas notícias nos queriam transmitir.” Carlos, 71 anos MARGARIDA CAMPOS – 1º ANO
E daí até a PIDE nos ir buscar a casa, era uma questão de tempo. Muitas vezes, até em casa tínhamos medo de falar do regime”. Os cidadãos sabiam das técnicas que a Polícia utilizava para castigar os opositores: tortura, pressões de natureza física e psicológica. A correspondência era violada e os telefones postos sob escuta. Constata-se o medo que o povo tinha nas palavras de Custódio Rodrigues, quando questionado sobre se alguma vez tinha sido vítima das acções da PIDE: “Não, nunca falei. Sempre tive a noção que a PIDE tinha muitos ouvidos, por isso não me atrevia sequer a tocar em assuntos que sabia que me podiam comprometer”.
Sobre Liberdade SUGESTÕES DE LEITURA, por Cristina Nobre
TORRADO, António, O Veado Florido, (1994, 2ª Ed.) Civilização Editora. ANDRADE, Eugénio de, História da Égua Branca, (1986) Asa Editora.
A pesquisar Centro de Documentação 25 de Abril – Univ. Coimbra Mais informações: http://www.uc.pt/sibuc/Bibliotecas
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Sentado no mocho
Sentou, vai ter k explicar
Ana Drago, socióloga e deputada
“A nossa sociedade civil é fraca” PAULO AMENDOEIRA, RAFAEL COSTA E TIAGO GOMES FOTOS: ANDREIA MATEUS
É um dos rostos da nova geração de políticos portugueses. “Sentada no Mocho”, em plena Assembleia da República, Ana Drago diz que não basta “votar de quatro em quatro anos” e defende o desenvolvimento de outros “mecanismos de participação”
Antes do 25 de Abril as associações de estudantes tinham um importante papel de resistência política. Considera que esse papel se perdeu com o passar dos tempos? Não, acho que se alterou. Hoje vivemos numa sociedade democrática. Esse processo de politização que se fazia nas universidades para uma pequena elite está mais difundido pela sociedade. Temos jornais, temos telejornais, as pessoas na sociedade discutem política, esse processo de politização alargou-se. Agora, as associações de estudantes têm outro papel, representam mais directamente aquilo que são os interesses dos estudantes num determinado contexto, nas suas instituições. Continua a ser uma escola de politização, essa participação, essa responsabilização, esse envolvimento. Nasceu depois de 1974. O que representa para si a revolução? Representa a data que possibilitou que eu tivesse nascido numa sociedade mais aberta, que pudesse discutir, ter opinião crítica sobre as políticas seguidas, que eu pudesse escolher também a forma como vou construindo a minha vida e o meu percurso enquanto pessoa e enquanto cidadã. Mas o projecto de democratização que o 25 de Abril trouxe continua, em parte, por cumprir porque a democracia, mais do que um regime político instituído, é uma ideia. Julgo que essa ideia e essa vontade ainda se mantêm actuais. Que diagnóstico faz ao estado de saúde da democracia? Há um grande problema
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hoje na sociedade portuguesa, mas penso que ele atravessa também toda a Europa ocidental. A política e a participação democrática não são aquilo que deviam ser. Cada um de nós devia responsabilizar-se pelo que acontece à sua volta e isso não acontece. A nossa sociedade civil é fraca porque, a seguir ao 25 de Abril, as pessoas depositaram as expectativas nos partidos. As pessoas acharam que construir o seu projecto de vida, construir o seu projecto de democracia, era de alguma forma acreditar nos partidos, votar nos partidos. Em parte, os partidos que foram responsáveis pela governação nos últimos 30 anos afunilaram o leque de escolhas e as pessoas hoje têm a percepção de que as políticas seguidas quer pelo PS, quer pelo PSD, são muito parecidas e que votar ou não é mais ou menos a mesma coisa. Entrei no Bloco de Esquerda porque achei que era preciso uma força política que entrasse nos lugares onde se decidem as coisas e confrontasse os poderes instituídos. Esse é o meu caminho. Ou seja, pensei que era preciso responsabilizar-me por isso. Compreendo que exista a sensação de que a política e quem governa não é credível, mas continuo a acreditar que é possível criar uma outra forma de participação política. Esse bipartidarismo foi o que mais contribui para o divórcio entre as pessoas e o sistema? Penso que sim. Existem poucos movimentos sociais para confrontar os partidos, parece que os partidos ocupam todo o espaço da política, não havendo mais política
para além disso. E a sociedade portuguesa é conservadora, está articulada em redes de clientelismo que o poder político nunca soube desarticular. Aliás, alimentou-as como forma de perpetuar o seu poder.
quem, que é amigo de não sei quem, que jantou com não sei quem... como se fossem personagens de telenovela. Eu diria que, em termos de informação, não é assim tão importante para ocupar tanto tempo.
E como avalia a comunicação social hoje? A informação livre e independente é fundamental para a democracia, é aquilo que permite que as pessoas tomem as suas decisões.É claro que há diferentes formas de tratar os partidos políticos. Não tenho
O que poderia ser feito para aproximar as pessoas, nomeadamente os jovens, da classe política? Deviam criar-se mais mecanismos de participação. É necessário que exista uma ética na forma como nos comportamos na política, mas é fundamental que as pessoas exijam não apenas votar de quatro em quatro anos, mas participar como construtoras das soluções políticas. E isso tem de ser conquistado: as pessoas têm de encontrar formas de organização, de defesa dos seus interesses. Eu creio que os partidos, em geral, são estruturas até bastante frágeis, se forem verdadeiramente confrontados por movimentos fortes.
As mulheres preenchem a bancada, votam, mas falam pouco, digamos que protagonizam muito pouco o debate político a pretensão que tratem o Bloco de Esquerda que têm 6,3 ou 6,4 por cento da mesma forma que tratam o Governo ou o Partido Socialista. Considero que tem de haver uma diferenciação. Agora, parece-me absolutamente claro que há um excesso de comunicação muito apostada nas iniciativas do Governo. Também devo referir a forma como a comunicação social gosta de trabalhar sobre os conflitos internos e as querelas pessoais que não trazem uma única ideia política. Parece um jogo de telenovela, não sei quem não gosta de não sei
Qual a melhor homenagem que podemos fazer aos que lutaram pela liberdade? É vivê-la em todos os seus domínios e não nos restringirmos a nós próprios, não pensarmos que não vale a pena. É perceber o quanto esses direitos são frágeis, como a democracia é frágil, como tem de ser defendida a cada momento. Como chega a deputada do Bloco de Esquerda na Assembleia? O Bloco surgiu em 1999. Comecei a participar em Coimbra enquanto estudante universitária e depois houve um momento em que me propuseram fazer parte das listas para
Kultos
DAVID SINEIRO
A Bússola Dourada
O trabalho como deputado deve ser exaustivo. Consegue arranjar tempo para fazer outras coisas? Neste momento não. Acredito que ser deputado de uma bancada que tem 80 deputados seja bastante mais simples e mais leve. Numa bancada que tem poucos deputados é muito trabalhoso, as solicitações são muitas, e portanto sinto que não tenho tempo para muito mais. Considera que os portugueses estão preparados para voltar a ter uma primeira-ministra? É uma das grandes dúvidas que tenho. Não sei. Em muitos aspectos a sociedade portuguesa continua a ser muito conservadora e conformista. Vamos ver também o que significam as eleições dos EUA. Apesar de tudo temos esta pos-
sibilidade de termos um presidente negro ou uma mulher.
Existem poucos movimentos sociais para confrontar os partidos, parece que os partidos ocupam todo o espaço da política, não havendo mais política para além disso. Considera que as mulheres estão suficientemente representadas na Assembleia da Republica? Não. Hoje temos uma representação de mulheres superior, mas se formos ver o tempo que essas mulheres ocupam no debate político em Plenário, é muito pouco. As mulheres preenchem a bancada, votam, mas falam pouco. Digamos que protago-
nizam muito pouco o debate político. A mais recente proposta de lei apresentada pelo Bloco de Esquerda não vai criar um certo facilitismo no acesso ao divórcio? O maior sinal de conservadorismo que existe em Portugal é a forma como as pessoas reagem sobre as situações dos outros, pensando sempre que eles não podem fazer aquilo que lhes apetece. Portanto, toda a gente pensa que é preciso ter mão nos professores ou ter mão nos funcionários públicos, ou ter mão nos estudantes ou ter mão em quem está casado. A ideia de que alguém casado pode fazer aquilo que quer assusta as pessoas e eu não consigo entender porquê. O que pergunto é “Quem é o Estado, quem é a comunidade política, para dizer a alguém que não quer continuar a estar casado, vais ter de continuar a estar casado?”. Deve ser um acto de vontade: não porque o outro lhe bateu ou porque o outro não cumpre os seus deveres, mas porque não quer, não quer. É facilitismo? Claro que é facilitismo, é dizer que as pessoas são donas da sua vida.
KURTAS “Não sou pessoa de uma única escolha, nem de dizer este é o livro da minha vida, este é o meu prato preferido, acho que as coisas têm de ter variedade, se não, não dão prazer.”
DR
a Assembleia da República pelo Círculo Eleitoral de Lisboa. Eu já tinha acabado o curso, estava a viver em Lisboa, fazia ainda a parte curricular do mestrado e aceitei ser a quinta da lista. Comecei em Setembro de 2002. Estive quatro ou cinco meses e passei a estar muito mais envolvida na construção do Bloco.
A Bússola Dourada (The Golden Compass) é um novo filme de fantasia na esteira de filmes como O Senhor dos Anéis, As Crónicas de Narnia e Eragon. Originária dos famosos livros His Dark Materials de Philip Pullman, a história segue as aventuras de Lyra Belacqua (Dakota Blue Richards), uma rapariga de um mundo paralelo, que descobre um artefacto misterioso que a levará a embarcar numa demanda para salvar o seu tio, Lord Asriel (Daniel Craig). O filme está repleto de grandes nomes de Hollywood que se juntam a Daniel Craig (Casino Royale, Munich) no ecrã, como Nicole Kidman (Eyes Wide Shut / The Others), Eva Green (Casino Royale / Kingdom of Heaven), Sam Elliott (The Big Lebowski / Ghost Rider), Christopher Lee (Star Wars II e III / The Lord of the Rings). Conta ainda com os talentos vocais de Ian McKellen (The Lord of the Rings / X-Men), Freddie Highmore (Finding Neverland / Charlie and the Chocolate Factory) e Kathy Bates (Misery / Titanic). Ao contrário das Crónicas de Narnia, aqui existe uma história coerente e com um significado muito maior para o espectador com mais de 12 anos. Apesar de não dever revelar muito
mais, recomendo este filme a todos os que gostam de filmes como O Senhor dos Anéis, pois. Embora nenhuma história possa rivalizar com a de Tolkien, esta é a que chega mais perto. O que mais diferencia o universo do filme do nosso, é o facto de todas as pessoas terem um animal (daemon) que os acompanha sempre e que faz parte da sua própria “alma”. O filme leva Lyra a explorar diferentes regiões do seu mundo, onde cada vez mais membros se juntam à sua demanda, ao bom estilo de um Role-Playing Game. O realizador fez um bom trabalho, nada de genial, mas bom no estilo de Hollywood. No entanto, estamos a falar de um filme, e a nível de guião, muitas coisas tiveram, obviamente de ser sacrificadas nesta transição. Como filme, e não como adaptação, A Bússola Dourada aguenta-se como uma proposta forte, cheia de representações de alto nível, com um destaque especial para o sempre espectacular Ian McKellen na voz do majestoso urso blindado Iorek Byrnison. O som também está irrepreensível, assim como os efeitos especiais, vencedores de um Óscar. Fica o aviso ao espectadores; o filme é o primeiro de uma série de três, pelo que não é muito conclusivo, mas deixa certamente água na boca para os próximos. Se gostam de fantasia, não o deixem escapar! 8/10
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Últimas
A Fechar
ÉLIO SALSINHA
Criatividade em multimédia O prémio ZON Criatividade em Multimédia é uma iniciativa da ZON Multimédia (serviços de telecomunicações), e tem como principal objectivo incentivar e contribuir para o desenvolvimento da indústria multimédia e audiovisual em Portugal. Existem três tipos de categorias na apresentação dos trabalhos: aplicações, conteúdos multimédia e curtas-metragens. Os trabalhos deverão ser entregues até dia 3 de Outubro. Os vencedores ganham prémios no valor total de 200 mil euros. Para mais informações consultar o site www.zon.pt/premio/ home.aspx.
Arte a concurso Estão a decorrer até ao dia 16 de Maio as candidaturas para o concurso Anteciparte 08. Podem participar todos os alunos finalistas em 2008 ou que concluíram os seus cursos em 2007 e 2006 e que estejam ainda fora do circuito comercial, com trabalhos em pintura, desenho, gravura, fotografia, escultura, instalação, vídeo e outros meios de expressão. Os artistas seleccionados terão possibilidade de participar no evento final que decor-
-rerá de 6 a 16 de Novembro no Museu da Cidade, em Lisboa. O Anteciparte é um espaço de exposição e venda de obras de arte que pretende ser uma montra de novos talentos, possibilitando a exposição e divulgação alargada do seu trabalho. No final da mostra, o júri atribuirá ainda o prémio Anteciparte 2008 que consistirá numa viagem a uma cidade de referência no panorama das artes. Mais informações em www.anteciparte.com.
I Jornadas Científicas de Espeleologia O Instituto Politécnico de Leiria, através da Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG), promove juntamente com a Federação Portuguesa de Espeleologia as I Jornadas Científicas de Espeleologia, sob o tema Maciço Calcário Estremenho. O encontro decorrerá entre os dias 1 e 4 de Maio na ESTG.
Surf e Bodyboard
Triunfo nas areias da Caparica JORGE BASTOS
O Instituto Politécnico de Leiria (IPL) entrou com o pé direito no Campeonato Nacional Universitário de Surf e Bodyboard, que decorreu nos passados dias 29 e 30 de Março na Praia da Rainha – Caparica. O IPL fez-se representar por nove atletas e venceu com uma dobradinha no surf. Marco Silva, aluno da Escola Superior de Tecnologia do Mar (ESTM) e Ricardo Santos, da Escola Superior de Artes e Design (ESAD), lutaram até à última onda pelo lugar mais alto do pódio. A vitória sorriu a Ricardo Santos, que não escondeu o seu contentamento… «A etapa correu-me muito bem». O algarvio referiu ainda estar «muito contente pelo facto de o IPL ter apostado em mais uma modalidade, juntando alunos de todas as escolas». Para terminar, Ricardo Santos deixou um repto a todos os participantes nesta
Prevenção do cancro do colo do útero A Escola Superior de Saúde, em colaboração com a Sanofi Pasteur MSD, empresa dedicada exclusivamente à investigação de vacinas, está a realizar sessões de esclarecimento sobre prevenção do cancro do colo do útero nas escolas do Instituto Politécnico de Leiria, duas das quais tiveram lugar no dia 18 de Abril. No dia 16 de Maio é a vez da Escola Superior de Tecnologia do Mar, em Peniche, e da Escola Superior de Artes e Design, nas Caldas da Rainha. A entrada é livre.
JORNAL DE LEIRIA 24.04.2008
etapa para se inscreverem na próxima, visto que «é muito bom o convívio entre todos, seja um bom ou um razoável praticante de qualquer uma das modalidades». O Campeonato Nacional Universitário de Surf e Bodyboard segue agora rumo a Norte, mais precisamente à Praia da Barra (Aveiro), onde no próximo fimde-semana se disputa a 2ª etapa.
TIAGO GOMES
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IPL na vice liderança da zona sul da LUF O IPL venceu a Associação Académica da Universidade da Beira Interior por contundentes 9-3, naquela que terá sido a melhor exibição da época para o conjunto orientado por Tó Coelho. Com este resultado o conjunto de Leiria ascendeu ao segundo lugar da zona Sul, dependendo apenas de si para conseguir um lugar na final four da Liga Universitária de Futsal.
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agradável O olhar criativo sobre a actualidade é a mais-valia deste blogue. A partir de imagens reais de personalidades do futebol, política e jet-set, Edição Extra apresenta muito humor e crítica social.
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