Akadémicos« Suplemento do JORNAL DE LEIRIA, da edição 1229, de 31 de Janeiro de 2008 e não pode ser vendido separadamente
23
PEDRO JERÓNIMO
Por dentro da
Cultura Trance
Mário Augusto Jornalista
O português mais conhecido em Hollywood
DR
06 e 07
04 e 05
Vai lá, vai... Abertura
FICHA TÉCNICA Director: José Ribeiro Vieira jose.vieira@movicortes.pt Director Adjunto: João Nazário direccao@jornaldeleiria.pt Coordenadora de Redacção Alexandra Barata alexandrabarata@gmail.com Coordenadora Pedagógica Catarina Menezes cmenezes@esel.ipleiria.pt Apoio à Edição Alexandre Soares asoares@esel.ipleiria.pt Secretariado de redacção Ângela Duarte, Sónia Olaio Redacção e colaboradores Andreia Antunes, Ângela Duarte, Cláudia Silva, David Sineiro, Inês Lopes, Élio Salsinha, Kevin Silva, Maria Joana Reis, Melanie Simão, Paulo Amendoeira, Pedro Jerónimo, Rafael Costa, Sónia Olaio, Tiago Gomes Departamento Gráfico Jorlis - Edições e Publicações, lda Paginação Isilda Trindade, Rita Carlos
«
“Mudam-se os tempos mudam-se as vontades…” A frase, bem ao jeito de dito popular, adequa-se bem ao que, ao longo dos últimos séculos, tem acontecido com diversos estilos ou movimentos musicais, dos quais, punk, rock, heavy metal, soul, house, acid, hip-hop, jazz, pop, são apenas alguns exemplos. Os movimentos musicais surgem enquadrados em determinada conjuntura/dinâmica social, regra geral como resposta ou contestação à mesma. Durante a década de 90 o trance ganhou notoriedade e cada vez mais adeptos. A tradução para português é transe, termo associado a inconsciência, êxtase ou exaltação. Este estilo deriva do techno, sendo a Alemanha e o Reino Unido apontados como o seu berço. Além do trance existe também o Goa trance que teve a sua origem na Índia nos anos 60. Embora possam ser considerados, por alguns, como dois movimentos distintos, o objectivo é o mesmo: o som como instrumento para atingir o transe, o estado alterado de consciência. Actualmente, no nosso país, as festas trance movimentam milhares de pessoas e euros. Os participantes afluem de todos os locais e percorrem centenas de quilómetros para participarem. Estas geralmente são realizadas em tendas, em locais que privilegiem o contacto com a natureza e têm uma decoração, luz e cor muito características, que contribuem para o recriar de um ambiente de ficção. Nestas festas rara-
mente se vêem actos de violência, mas são frequentemente indiciadas como locais privilegiados de consumo de substâncias psicotrópicas como o LSD, cogumelos mágicos, ou outros alucinogéneos. Mas será festa trance sinónimo de consumo de estupefacientes? Existem frequentadores que consomem e frequentadores que não consomem drogas e que procuram as festas por outras razões. Não se descura a questão dos consumos, que realmente existem, tanto nesta como noutras culturas juvenis, e que devem ser alvo de atenção, mas tendo o cuidado de não generalizar comportamentos. Não poderia nesta abertura dedicada a movimentos juvenis deixar de realçar a eleição dos novos órgãos das Associações de Estudantes da ESE e da ESTG, das quais Maria de La Salete e Rui Andrade são respectivos Presidentes. É estimulante constatar que ainda há jovens que se preocupam com as questões do associativismo. Termino endereçando os parabéns a Denise Pereira, Rodolfo Mouta e Cristina Silva, três alunos do IPL, que vão participar no concurso “Audax Negócios à Prova” e a Paulo Cristo, recém Licenciado pelo IPL, que venceu a 11ª edição do “Concurso Nacional de Ideias - Da Cabeça Para o Papel”. Estes jovens personificam bem o espírito empreendedor que cada vez mais deve pautar as instituições de ensino superior e os jovens que as frequentam. Cristóvão Margarido, Docente ESE e investigador CIID-IPLeiria
Uma agenda do mês Presidente do Instituto Politécnico de Leiria Luciano de Almeida presidencia@ipleiria.pt Presidente do Conselho Directivo da ESE José Manuel Silva jmsilva@esel.ipleiria.pt Directora do Curso de Comunicação Social e Educação Multimédia Alda Mourão amourao@esel.ipleiria.pt Os textos e opiniões publicados não vinculam quaisquer órgãos do IPL e/ou da ESE e são da responsabilidade exclusiva da equipa do Akadémicos.
akademicos@esel.ipleiria.pt
CINEMA
MÚSICA
Dia 1 de Fevereiro Nome de código: Cloverfield O Teatro “O Paço” apresenta ao longo de todo o dia o mais recente filme do realizador Matt Reeves. Um filme de terror e de ficção científica que nos conta a história de cinco jovens que são aterrorizados por um enorme monstro, enquanto faziam uma festa.
Dia 14 de Fevereiro, às 21:30 Jorge Palma O Teatro José Lúcio da Silva acolhe o cantor a solo para um espectáculo com mais de uma hora de música.O artista deve apresentar o seu mais recente projecto entítulado Voo Nocturno, um album de doze originais, incluíndo o sucesso “Encosta-te a mim”.
Dia 3 de Fevereiro às 21:30 O terrível barbeiro de Fleet Street O Teatro Miguel Franco acolhe este espectacular músical, realizado por Tim Burton. O filme venceu dois globos de Ouro e encontra-se nomeado para três óscares. No papel príncipal encontramos o brilhante desempenha de Johnny Depp.
EXPOSIÇÔES
Akadémicos«
02
JORNAL DE LEIRIA 31.01.2008
ÉLIO SALSINHA
Até 6 de Fevereiro Confortavelmente, esperando por algo Os trabalhos de pintura e escultura de José Nobre estão patentes na Livraria Arquivo, em Leiria. A entrada é grátis.
TEATRO Dia 8 de Fevereiro, às 21:30 horas Os melhores sketches dos Monty Python A comédia norte-americana que serviu de inspiração para muitos actores que hoje representam, chega a Portugal com a adaptação de Nuno Markl. O Teatro José Lúcio da Silva recebe actores como Bruno Nogueira, José Pedro Gomes, António Feio, Jorge Mourato e Miguel Guilherme num espectáculo com duas horas de puro humor. Dia 24 de Fevereiro, às 15:30 O pequeno polegar Destinado para crianças, a peça de Marcantoni Del Carlo, contanos uma história de coragem e inteligência, onde a inteligência de um menino triunfa sobre a força bruta de um ogre. Um espectáculo interactivo onde cada um dos presentes é convidado pelos actores a fazer parte da história. O evento terá lugar no Teatro José Lúcio da Silva.
Konsumo obrigatório Associações de Estudantes
Está a dar
INÊS LOPES E ANDREIA ANTUNES
Nekob Maroc Café
Ano novo novos dirigentes
Empreender e cooperar. Eis os desejos dos novos presidentes das associações de estudantes (AEs) das escolas do Instituto Politécnico de Leiria (IPL) para 2008. Na AE da Escola Superior de Educação (ESE) “presidente” lê-se no feminino. Maria de La Salete Fernandes, aluna no 2º ano de Serviço Social, é o rosto da nova associação, que pretende fazer “mais e melhor”. A pouca participação dos alunos nas actividades da AE e da ESE é uma preocupação da presidente, que foi eleita num processo que registou cerca de 90 por cento de abstenção. “Responder às necessidades dos nossos alunos e dar continuidade ao trabalho da anterior AE” são outros alvos a atingir no mandato 2007/08, para Maria de La Salete. Na escola com mais alunos de todo o IPL, a afluência às urnas também não foi a melhor. Com cerca de cinco mil alunos, a Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG) registou cerca de 200 votantes.
MELANIE SIMÃO
TEXTOS E FOTOS: PEDRO JERÓNIMO
Contas feitas, Rui Andrade, aluno no 3º ano de Engenharia Civil, é o novo presidente da AE. “Desempenhar um papel activo na cidade, continuar a desenvolver pro-
tocolos e parcerias, bem como apostar na formação extra-curricular” são as promessas que pretende, agora, começar a edificar. I
Empreendedorismo
Alunos brilham em concursos TEXTO: CLÁUDIA SILVA
Com vista a desenvolver o espírito de iniciativa, de natureza empresarial, o IPL associou-se ao Concurso Audax - Negócios à Prova, uma organização conjunta do ISCTE e RTP2. Tal como o nome indica, o concurso pretende por à prova ideias de negócios em vários sectores de actividade. Das 260 candidaturas iniciais apenas 33 foram seleccionados para o concurso televisivo, sendo que três destes projectos são oriundos de alunos ou ex-alunos do IPL (Denise Pereira da ESEL, Rodolfo Mouta da ESTG e Cristina Silva da ESTM). Denise Pereira, ex-aluna do curso de Comunicação Social e Educação Multimédia da ESEL, explica que quando surgiu esta oportunidade achou que era um bom ponto de partida, para saber como seria avaliada fora do contexto académico: “Eu desenvolvi o projecto Riscos, com o qual concorri, durante o último ano do curso na disciplina de Projecto. Desde o momento em que pensei criar uma empresa que apoia
PAULO CRISTO
DENISE PEREIRA
os jovens recém licenciados nas áreas artísticas, fiquei apaixonada pela ideia, e à medida que o projecto ia crescendo imaginei como seria se algum dia a ideia pudesse sair do papel”. A participação neste concurso não lhe trouxe ainda grandes benefícios a nível profissional, mas o programa ainda não foi exibido e como refere a ex-aluna ”existe sempre a esperança que o trabalho seja reconhecido depois de alcançar alguma visibilidade
pública”. De qualquer forma, o balanço que faz é positivo, tendo sido uma experiência diferente: “Deu-me a oportunidade de desenvolver o Plano de Negócios da Riscos com o apoio da OTIC. Premiado foi já Paulo Cristo, ex-aluno do curso de Engenharia Informática, da ESTG, que venceu a 11.ª edição do “Concurso Nacional de Ideias – Da Cabeça para o Papel” promovido pela ANJE (Associação Nacional de Jovens Empresários). O prémio resulta
do projecto Sysconector, um programa informático destinado a gestores que permite "analisar tendências de mercado, fazer previsões, planeamento estratégico e análises ao consumo". O Sysconector integra a criação de gráficos e outros elementos visuais que facilitam a tarefa do gestor. O espírito empreendedor, associado a uma vontade de autorealização foi a principal razão que levou Paulo Cristo a participar no concurso. “O facto de querer obter reconhecimento profissional, deixar a minha marca pessoal no mundo, não ser apenas mais um entre muitos”. Paulo Cristo afirma também que a sua participação neste concurso não lhe trouxe nenhum benefício a nível profissional. “Fez-me bem ao ego, mas nada mais que isso. Continuo a ser a mesma pessoa de sempre, com a diferença que agora talvez me ouçam com mais atenção. Foi bom ver que afinal ainda há pessoas que conseguem ver mais além. O reconhecimento público apenas me traz mais motivação”. I
Exótico, místico, com um ambiente capaz de nos levar ao mundo árabe, Nekob situa-se no centro histórico de Leiria. Este bar marroquino, aberto desde Maio de 2006, foi criado por dois jovens portugueses que, após longas viagens pela Tunísia e Marrocos, trouxeram até nós um pouco dessa cultura. Com o objectivo de abranger um público mais amplo surgiu a ideia de unir os dois continentes num espaço só. A luz ambiente, os azulejos típicos, bem como os candeeiros e as almofadas tornam este espaço mais acolhedor e confortável. Chás, sumos naturais, batidos árabes, sanduíches árabes e shisha, mais conhecida como cachimbo de água, são algumas das especialidades que podemos encontrar neste espaço tão aprazível. Mas a especialidade mais apreciada pelos frequentadores habituais é, sem dúvida, o chá. Todos estes produtos são fornecidos por empresas marroquinas sedeadas em Portugal. Como forma de dinamizar o bar, os dois sócios organizam frequentemente espectáculos, nomeadamente danças do ventre e festas temáticas (como o Carnaval). I
Akadémicos« JORNAL DE LEIRIA 31.01.2008
03
Trancers
Está a dar
Os hippies da Era Moderna
São uma espécie de “sociedade”, unida por valores comuns. Sentem-se discriminados pelas constantes associações ao mundo da toxicodependência e pedem para não ser julgados à luz de certos estereótipos.
Akadémicos«
04
JORNAL DE LEIRIA 31.01.2008
DR
»
TEXTO: RAFAEL COSTA E PAULO AMENDOEIRA
Nasceu na década de 80 algo que hoje se conhece como Cutura Trance. Derivando de uma tradição indiana que funcionava através da reacção da mente a diferentes sons, o trance é, na opinião de Cristóvão Baptista, 21 anos Dj e um seguidor desta prática, “uma junção de ritmos e tonalidades sonoras que nos fazem pensar na nossa vida de forma diferente”. Mas esta filosofia, aparentemente livre de regras, é ainda desconhecida de muitos. Juliana Vitorino, 21 anos também ela amante desta cultura, assume que existem preconceitos, mas revela que nem sempre têm razão de ser. “Não julguem esta cultura pelo que parece. Trance não é um con-
junto de drogados a abanar a cabeça e a ouvir uma música estranha. Isso não é a cultura Trance. É incultura.” O uso de drogas por parte dos trancers pode até ser visto como factor agregador. No entanto, é também necessário que se tenham em atenção casos concretos, como explica Susana Henriques, professora de Sociologia na ESE: “Devemos ter em conta a diversidade de factores presentes no grupo social dos trancers, nomeadamente em relação aos padrões de consumo, motivações, substâncias consumidas, mas também ter em conta a possibilidade de alteração do estado de consciência sem o recurso a substâncias psicoactivas, apenas através dos efeitos da música.”
Os praticantes da cultura Trance são, na sua maioria jovens, desprendidos de bens materiais, partilhando de princípios, que eles próprios assu-
»
Quer se goste ou não da forma como seguem o seu destino, verdade é que não se importam muito com isso.
mem ser muito parecidos com a antiga cultura hippie: “Somos uma espécie de cultura hippie dos tempos modernos. A nossa cultura vai muito para além da música. Fazemos workshops onde aprendemos a estar em contacto com a natureza. É o convívio puro entre as pessoas”, explica Cristóvão. DIVERSÃO ALTERNATIVA A verdade é que esta despreocupação para com tudo o que é palpável se estende, também, ao estado de espírito. Segundo Cristóvão e Juliana, nas chamadas Festas Trance ambiente é descontraído, não existem confusões e o carácter humano está muitas vezes presente. “ As festas são diferentes de tudo o res-
Ká entre nós
TIAGO GOMES
Venham mais Kyoto
PEDRO JERÓNIMO
Está a dar to. Estamos numa festa trance e ninguém se mete com ninguém. É cada um na sua viagem, à procura de retirar o máximo bem-estar. Muitas vezes, nas festas, acabamos por doar peças de roupa para instituições de caridade e o dinheiro dos bilhetes reverte para causas humanitárias”, refere Cristóvão. No que respeita às festas, Susana Henriques afirma que a sua finalidade “ultrapassa a esfera estrita do lazer. Os seus seguidores expressam o naturalismo, espiritualismo e difundem propostas ideologicamente comprometidas com ideais anarquistas, libertários, a tolerância à diferença, vegetarianismo e veganismo.” Mas são precisamente as festas que suscitam mais polémica. No Verão passado, aquando do festival Freedom, houve casos de overdoses por consumo excessivo de estupefacientes. Sem querer arranjar uma justificação, Cristóvão explica: “São casos que de facto aconteceram. Mas, quantas vezes acontecem situações idênticas em sociedades que as pessoas tendem a considerar mais civilizadas? A verdade é que a droga não é exclusiva desta cultura e, é errado e discriminatório associarem-nos a este problema.” MUSICALIDADES EXÓTICAS Pode até parecer estranho ao ouvido da maioria das pessoas, mas a música trance tem origens ancestrais. Deriva da fusão de alguns ritmos como é o caso
do thecno e do house music ou da música tradicional indiana. Trata-se de uma mistura de diferentes sonoridades. Tão diferentes que é possível identificar
vários tipos de música trance, como explica Cristovão: “Temos Trance psicadélico, progressivo, full-on, tribal, hard-trance. São ritmos diferentes, mas não há conflitos entre quem gosta mais de um género do que de outro. As pessoas estão em sintonia. São várias as correntes que deram origem à Cultura Trance, mas a forma como levam as suas vidas faz dos trancers únicos. E quer se goste ou não da forma como seguem o seu destino, verdade é que eles não se importam muito com isso. Ape-
Manifesto trance no essencial O extase como estado emocional, O amor como nutriente, A tecnologia como vício, A música como religião, O conhecimento como moeda, Nada como política, A sociedade como utopia.
nas querem uma coisa: “Sermos respeitados enquanto seres humanos”, como diz Juliana. LINHAS MESTRAS DE UMA CULTURA Como qualquer outra cultura, os trancers regem-se por princípios próprios. Susana Henriques explica que apresentam “um conjunto de normas e valores, costumes e moral que são identificados e partilhados pelos elementos”. Não sendo estas encaradas como leis, que devem ser seguidas obrigatoriamente, são, como refere Juliana Vitorino: “Um conjunto de linhas orientadoras que ao fim e ao cabo acabam por explicar um pouco do que é esta forma de vida”. A este conjunto de linhas mestras os seguidores desta cultura chamam “Manifesto Trance”. I
» Pode até parecer estranho ao ouvido da maioria das pessoas, mas a música trance tem origens ancestrais
Kyoto: não estamos a falar de política, desengane-se também quem pensa que vamos falar em ambiente, falaremos, sim, de uma banda dos arredores de Leiria. O EP foi lançado a 22 de Dezembro no site da banda onde pode ser descarregado gratuitamente. Rock melancólico e alternativo, eles próprios o dizem, mas mais do que falar de estilo, fala-se, sim, de qualidade musical. A sonoridade está longe de ser original, mas hoje também raro é haver algo que se possa considerar novo. Talvez em Portugal haja poucas bandas como os Kyoto. A música deles corresponde a um desabafo emotivo. A maior parte dos temas começa com guitarra harpejada a pedir atenção do ouvinte, umas vezes consegue-o bem, outras nem tanto. Got it all abre o álbum de forma tranquila, mas à medida que a música vai passando, crescem os instrumentos, crescendo também a emotividade da voz. Depois de um solo de baixo, segue-se um momento de maior agressividade e o refrão é a apoteose. Realase têm guitarras que se mantêm bem bonitas do início até ao final, tentando de vez em quando sobressair, mas acabando por ser engolidas por uma bateria que entra sem pedir licença e por um baixo que está lá a manter a ordem. Uncurl é uma música que vale pela voz e pelas guitarras poderosas. Question Mark é belíssima pela guitarra inicial e a voz bem colocada. Inside é todo um conjunto dos instrumentos, vale essencialmente pela voz no final. Em Fly a little, de certo a música mais “rock” do álbum, há muita loucura de instrumentos. Eyes open segue essa linha mas têm mais consistência, o baixo é bastante ritmado e mantêm uma boa melodia. Coming home é também bastante emotiva, é das melhores, muito bem estruturada.. Chain Amesterdan é um tema que começa calmo, em que há liberdade para os instrumentos pairarem, até à introdução do refrão que parece um soar de alarme. Em Kyoto, as letras são desabafos sobre estados de alma, uns bons, outros maus, que ganham força com a conjunção de instrumentos. Leiria tem bons palcos, já era altura de ter uma boa banda na onda da junção melódica com o denominado rock. E os Kyoto são uma boa banda. I
Akadémicos« JORNAL DE LEIRIA 31.01.2008
05
.
“Tenho uma prof por prazer”
Sentado no mocho Sentou, vai ter k explicar
Mário Augusto, jornalista e cinéfilo
»
Vinte anos de carreira e mais de duas mil entrevistas realizadas, fazem de Mário Augusto um dos portugueses mais conhecidos entre as estrelas de Hollywood. Um entrevistador nato que foi “Sentado no Mocho”. TEXTOS: ÂNGELA DUARTE, PEDRO JERÓNIMO E SÓNIA OLAIO FOTOS: PEDRO JERÓNIMO
O Mário é provavelmente o português mais conhecido em Hollywood. Como é conviver com as estrelas? Se considerarmos que se calhar não há portugueses lá em Hollywood... Pelo menos conheço mais algumas do que o comum dos mortais, mas não sou assim tão conhecido quanto possa parecer. Ao longo dos 20 e tal anos em que faço estas coisas, acabei por me aperceber que elas são pessoas perfeitamente normais. Também têm dor de dentes, levam os filhos à escola, às vezes, têm de fazer contas à vida. Nunca encarei essas coisas como estando ali a trabalhar com estrelas. Estou a fazer um trabalho, e elas também estão a fazer um trabalho, que é dar uma entrevista, às vezes um bocadinho formatada… Como foi a sua primeira grande entrevista? A primeira de todas foi em Portugal. Foi a um actor ou realizador francês que veio promover um filme, era o Jean-Jacques… Asegundafoiaumaactriz,Miriam Daveau, que agora desapareceu do mapa. A primeira fora do País foi com o James Bond, em Londres. Foi fascinante porque era a primeira vez que saía do País. Conhecia Espanha e pouco mais. Foi uma entrevista para a RTP. Nessa altura tive a oportunidade de trabalhar com o saudoso Raul Durão. Tive a sorte de ir com pessoas que estavam habituadas a viajar e a conhecer sítios.
Akadémicos«
06
JORNAL DE LEIRIA 31.01.2008
A entrevista é um género jornalístico imprevisível? Depende, já que nem sempre me sinto jornalista a fazer aquilo. Sinto-me mais entertainer, tal como eles estão a ser, porque
nem sempre posso fazer as perguntas que me apetecia fazer. Por exemplo, quando há dias fui entrevistar o Johnny Depp, disseram-me logo: “perguntas pessoais não, muito menos sobre a filha”, que esteve doente há muito pouco tempo. Portanto, há uma série de condicionantes que fazem com que o nosso trabalho seja menos jornalístico e mais media/entertainer. Qual foi a melhor e a pior entrevista que fez? A pior, digo sempre que é a mesma: Steven Seagal, que é um canastrão da pior espécie. Respondia sim, não, talvez. A melhor é muito difícil, destacaria um pacote das melhores: a Meryl Streep é sempre um encanto, o Al Pacino é fantástico, o Dustin Hoffman também, o Robbin Williams é muito bom, o Michael Douglas… Normalmente são eles que são mais acessíveis. Tenho encontrado alguns fantásticos, mas um dos que guardo mais memória é do Jack Lenon, que já morreu há muitos anos. Foi uma entrevista que fiz há 15 anos e que recordo com algum fascínio, por aquilo que ele me dizia e contava. Depois de alguns anos de entrevistas, escreveu dois livros onde relata vários desses episódios. Porque é que decidiu partilhar a sua experiência? Neste caso foi um desafio que me foi lançado por um editor. Estava com receio de desencadear o processo de escrita, porque sou demasiado viciado em escrita para televisão e para rádio. Tinha algum medo de não fazer bem o trabalho, porque escrever para o papel é muito mais complexo, obriga a passar tudo para
lá: as emoções têm de lá estar, senão o leitor não sabe. Em televisão não, depende da forma como colocamos a voz, como entoamos, da forma como tentamos mostrar as imagens. Na altura o editor sugeriu-me o livro. Eu confesso que era coisa que já me tinha passado pela cabeça, mas levei meio ano a digerir a ideia, a ponderar. Passado um ano, tinha quase metade do livro escrito. Em dois meses fiz o que faltava. Um mês depois, como sobrou material, até pensei “isto é engraçado, vou fazer outro!” E assim foi! A sensação do papel,
»
Nem sempre posso fazer as perguntas que me apetecia fazer
de poder ver uma coisa escrita por nós é quase como ter um filho. A televisão é uma coisa efémera. A minha reportagem acaba no dia em que vai para o ar. O livro não. A intenção foi permitir que o resultado da venda do livro fosse para uma causa – a Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral. Eu tenho uma filha com este problema, a Rita, e achei que era uma forma de alertar. Neste momento, os livros já deram mais de 30 mil euros para ajudar crianças com paralisia, o que é também gratificante para mim. Como avalia o papel do cinema na abordagem desse tema? O cinema é entretenimento
puro e duro. É comunicação através do entretenimento. De vez em quando, o cinema aborda de uma forma ligeira as deficiências. Há casos fantásticos como a Máscara, de Peter Bogdanovic, o Encontro de irmãos, que também é sobre um tipo de deficiência. Curiosamente, sobre paralisia cerebral não há nenhum filme, talvez porque é uma deficiência pouco apelativa para o entretenimento. É muito abrangente… uma situação de paralisia cerebral pode paralisar completamente uma criança, em que ela apenas mexe os olhos, ou outra que só aos 20 anos descobre que tem paralisia cerebral porque a mão não fecha como deve fechar. Portanto, a paralisia cerebral resume-se à morte de uma quantidade de células, e quanto maior for essa mancha de morte mais complexa se torna a doença. Ontem, quando fui fazer a entrevista, encontrei pela primeira vez uma jovem jornalista com paralisia cerebral. Quando ela entrou apercebi-me de imediato que ela tinha alguma deficiência motora. Era francesa e está a trabalhar normalmente. Já pensou realizar um filme sobre esta temática, uma vez que a vive de perto? Nunca me passou pela cabeça, mas é uma ideia engraçada. A paralisia terá que ser um caso, uma história pessoal.Tenho pensado noutras coisas. Ando a tentar fazer uma história, um grande documentário sobre paralisia cerebral com um colega para a SIC.Temos já feito o fim da reportagem, mas não sabemos como é que vai ser o início, nem como vai desenvolver-se. É o caso de uma jovem que eu conheço que
Kultos
fissão
Paranóia Uma das melhores surpresas do ano passado veio das mãos do realizador D.J. Caruso (Taking Lives/The Salton Sea). Trata-se de Disturbia, ou em Português, Paranóia. Uma adaptação do clássico Janela Indiscreta (Rear Window), de Alfred Hitchcock. Esta adaptação é, no entanto, muito liberal. Neste filme conhecemos Kale (Shia LaBeouf – Bobby/Transformers), um adolescente problemático que é condenado a prisão domiciliária. É assim que Kale começa por descobrir um novo passatempo, o voyeurismo. Kale espia os seus vizinhos, incluindo a beldade adolescente que não poderia faltar, Ashley (Sarah Roemer – Cutlass/The Grudge 2), e descobre os seus segredos e as suas rotinas. O que ele também descobre é que o seu vizinho Robert Turner (David Morse – The Green Mile/The Rock) partilha estranhas semelhanças com um procurado serial-killer. È a partir daí que o enredo começa a ganhar forma, enquanto Kale e o seu amigo Ronnie (Aaron Yoo – American Pastime/Rocket Science) tentam averiguar a verdade por detrás destas semelhanças. Mais do que a história, o que constrói o filme são situações bem delineadas, personagens vivas, se bem que pouco desenvolvidas, boa realização, representações bem conseguidas e um ambiente soberbo. Os jovens actores Shia e Aaron levam o filme mais além com o seu humor contagiante, que revela o cuidado na escrita de todo o guião; enquanto os veteranos David Mor-
tem paralisia cerebral, que é engenheira, e que foi mãe de gémeos. Portanto, vamos terminar a reportagem com o nascimento dos filhos.
dinheiro dos DVDs, dos downloads… A greve dos guionistas, que levou ao cancelamento dos Globos de Ouro, pode por em causa a indústria cinematográfica ? Não, de todo. Acho que a resolução vai ser a cedência de parte a parte. Os estúdios vão ceder a alguns pedidos dos guionistas. Até porque estão quase a chegar os Óscares, e era muito complicado se eles os cancelassem. Os Globos de Ouro ainda vá que não vá… Os Óscares são o feriado nacional do cinema. Agora o que é impressionante é a capacidade de mobilização que aqueles sindicatos têm. Se não fosse jornalista, o que seria? Não sei… Acho que sou jornalista por uma série de casualidades. Mas gostava, seguramente, de estar ligado a estas áreas do audiovisual. Até porque não me considero um hardnews. Tive uma sorte danada. Tenho uma profissão por prazer. Ser de Espinho, e ter vingado numa área tão competitiva e tão difícil, ao longos destes anos todos, até a mim me espan-
KURTAS A entrevista: Jack Lenon O filme: ET A Banda Sonora: Era uma vez na América “Óscar Mário Augusto”: Dava-o a toda a família
ta. Fiz sempre as coisas por gozo, prazer e muito trabalho! Para quando o Mário Augusto actor ou realizador? Actor nunca! Acho que não tenho jeito nenhum para interpretar e às vezes espanta-me como é que faço determinadas palhaçadas na televisão. Ainda há dias o Jonnhy Depp me disse que nunca via os filmes depois, porque tinha vergonha daquilo que faz. Eu percebo a situação, porque ele é extremamente tímido e quando lhe ligam a luz ele lá deve passar-se para o outro lado e fica no Piratas das Caraíbas. Como realizador… acho que gostava de um dia experimentar alguma coisa, a brincar, não a sério. Que entrevista ainda sonha fazer? Uma que ainda falta para a minha colecção é a Clint Eastwood. Há também um senhor que gostaria imenso de entrevistar, o Paul Newman. E há muitos outros… A vida de Mário Augusto enquadra-se em que género? Numa comédia romântica. I
DR
Vai-se ao cinema hoje como se ia antigamente? Acho que essencialmente mudou o ritual do cinema. Era impensável, quando comecei a ser cinéfilo, ir ao cinema por ir, só porque não tinha nada para fazer. Não, ia porque sabia o que ia ver. Mudou radicalmente a forma de mostrar cinema, agora com o multiplex. Por exemplo, há um no Porto, o maior complexo de salas de cinema do País, onde passam 120 sessões por dia. Quando eu comecei a ser cinéfilo, o Porto tinha umas dez a 15 salas, e havia 20 sessões por dia. As condições técnicas eram muito deficientes, agora melhorou muito tecnicamente e regrediu como prazer cinéfilo. Antigamente, ir ao cinema era um acto social. Agora não, vai-se ao cinema como quem vai comprar rebuçados. O cinema como indústria também alterou muito. Alteraram-se as regras do jogo com a história dos DVDs e dos downloads, e vai mudar muito nos próximos cinco a seis anos. Eu, que tenho 45 anos, já pondero quando vou comprar um CD. Hoje já penso que é melhor fazer umdownload. Só compro aquilo com que quero muito ficar. Há discos que já só compro no download porque fica mais barato, porque não ocupa espaço. No cinema, vai acontecer exactamente isso, vamos guardar a nossa cinoteca num disco duro. Neste momento, o DVD já é um mercado muito maior do que a distribuição de cinema. A greve dos argumentistas prende-se exactamente com isso, porque eles querem ter fatia do
DAVID SINEIRO
se e Carrie-Anne Moss (The Matrix/Chocolat) os apoiam com o seu talento, que embora seja bem visível, tem menos tempo de ecrã do que se gostaria. Nota menos boa para Sarah, pois a cara bonita não nos faz esquecer a representação mais fraca. Nos 105 minutos de duração nada parece forçado, a mistura thriller/filme de adolescentes resultou, neste caso, dando origem a um filme apelativo a uma camada etária mais jovem (o filme é para maiores de 12 anos). Para além do já referido humor, vale a pena sublinhar a tensão criada por todo o filme, em especial pela grande performance de David Morse. Aqui não somos confrontados com banhos de sangue e violência, tudo é mais calmo, mais sinistro, mais assustador. Há partes em que é simplesmente impossível estar recostado na cadeira. Mais do que um filme inovador, este é um filme que oferece mais do mesmo, mas com uma qualidade muito superior. Uma surpresa que agradará a todos, especialmente aos que concordarem que Hollywood tem falhado muito neste tipo de filmes, enchendo o mercado de lixo como Saw III, Hostele companhia. 7/10.I
Akadémicos« JORNAL DE LEIRIA 31.01.2008
07
Últimas
A fechar
MARIA JOANA REIS
Erasmus Estão abertas as candidaturas para o programa Lifelong Learning Programme/Erasmus, que se destina a introduzir novos métodos de trabalho, aperfeiçoar línguas estrangeiras e dar conhecimento de novas culturas aos estudantes do ensino superior, por meio da continuação/conclusão dos seus estudos num outro país. Os estudantes do IPL podem inscrever-se até 31 de Janeiro, em http://www.ipleiria.pt/ portal/ipleiria?p_id=58 434.
IPL promove a escrita e a cidadania PEDRO JERÓNIMO
Vão decorrer, a 14 de Março, na Universidade Fernando Pessoa (Porto) as III Jornadas Internacionais de Jornalismo, organizadas por docentes de jornalismo da mesma universidade. Este encontro tem como tema Jornalismo e Democracia Representativa e destina-se a estudantes de graduação e pósgraduação na área do jornalismo. Os alunos podem inscrever-se junto do Núcleo de curso de Comunicação Social e Educação Multimédia, preferencialmente até ao fim de Janeiro. Restante público na página da universidade: www.ufp.pt.
Arte contemporânea A exposição de trabalhos de Nuno Vicente, ex-aluno e actual docente da Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha, na Galeria Paulo Amaro, em Lisboa, teve início no dia 17 e vais estar patente até 1 de Março. A exposição denomina-se Clareira e vem no seguimento de exposições anteriores do mesmo autor.
Akadémicos«
08
JORNAL DE LEIRIA 31.01.2008
PEDRO JERÓNIMO
III Jornadas Internacionais de Jornalismo
O II Encontro de Escritores de Língua Portuguesa reuniu na Escola Superior de Tecnologia e Gestão, nos dias 24 e 25 de Janeiro, cerca de duas dezenas de especialistas que debateram a escrita, a literatura e a cidadania. Entre eles o leiriense Paulo Kellerman (na foto), um “escritor da nova geração”, como o definiu o moderador Pedro Barbosa, num dos painéis do encontro – “No vanguarda da escrita – A ciberliteratura”. A iniciativa do Instituto Politécnico de Leiria (IPL) contou ainda com uma homenagem ao poeta Manuel Alegre, que passa a dar o nome a um prémio de poesia de âmbito nacional, que a instituição leiriense atribuirá de dois em dois anos. A ocasião serviu ainda para premiar alguns trabalhos apresentados no Concurso de Literatura – Região de Leiria e Oeste. “As Uvas de Laberia Gala” de Orlando Cardoso (poesia) e “Contos a Oeste” de Ana Cristina Luz (conto) foram as mais altas distinções em cada categoria, das 131 obras a concurso. I
Encontros Internacionais de Estudantes de Artes de Animação
First: o terceiro
ÂNGELA DUARTE
Divulgar a animação e formas de arte transversais, é o conceito do FIRST, um evento anual que já se tornou num dos ex-líbris da ESAD.CR. Workshops, First TV, Exposições, espectáculos com convidados nacionais e internacionais e animação analógica ou digital em diferentes suportes (filme, vídeo, CD, DVD, Instalação, performance, Vdj,) pro-
INTERNETES útil www.eusou.com É um site bastante interessante que se baseia na disposição simplificada de informação especializada, ou seja, reúne um conjunto considerável de links de sites inseridos num contexto relevante para determinada área. Desde jornalismo a turismo, passando por música, informática, economia, medicina, direito, astronomia, desporto, cinema e até infância. A informação é variada.
metem animar as Caldas da Rainha de 10 a 13 de Março num evento que conta já com a sua terceira edição. A nível nacional, o FIRST tem-se apresentado como o único espectáculo aberto exclusivamente para trabalhos de estudantes de animação, abrindo fronteiras para as artes que lhes estão, de alguma forma, relacionadas: artes plásticas, artes cénicas, performance e música. Mas o FIRST também tem um pé lá fora.
Em termos internacionais, para além da qualidade das obras expostas, o evento destaca-se pela originalidade, seja na forma de como são premiados (os melhores são reunidos em pé de igualdade num DVD com uma hora), seja pelo facto de o concurso não começar nem acabar na tela de projecção, atravessando todas as áreas criativas que interagem com a animação. Mais informações sobre o evento www.firstanima.com. I
KEVIN SILVA
Agradável www.imeem.com Neste site pode-se realizar compartilhamentos de música, vídeos e fotos através da interacção numa rede social diferenciada em grupos. Esta comunidade online combina assim, uma interacção instantânea num grupo a critério, onde de podem descobrir novos gostos e partilhá-los com outras pessoas. Tudo isto com um simples registo grátis.