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Águas do Algarve#10

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ÁGUAS DO ALGARVE

DOSSIER ESPECIAL

“Dedicamos esta revista aos profissionais da Águas do Algarve que, no terreno e fora da vista do público, asseguram o bem-estar da região.”

Encarte: 25 anos a crescer com o Algarve Um percurso marcado pelo compromisso com a região, com as pessoas e com a sustentabilidade

A NOVA RELAÇÃO DO ALGARVE COM A ÁGUA, NUM CLIMA IMPREVISÍVEL

EDITORIAL

Muito para além da água NOTA DE ABERTURA

Sustentabilidade como compromisso permanente UM NOVO OLHAR

Resiliência hídrica no Algarve: precaver escassez num contexto de aparente abundância

GRANDE ENTREVISTA

A gestão da água exige visão estratégica e ação imediata

DISCURSO DIRETO

A reutilização como mudança de paradigma, e não como solução acessória

ESPECIAL

Os nossos colaboradores

SANEAMENTO

A nova relação do Algarve com a água, num clima imprevisível

LABORATÓRIO DE ÁGUA

Ciência ao serviço da confiança

MONITORIZAÇÃO DE ÁGUA

Transformar água em excelência é um trabalho diário - e invisível

ADUÇÃO DE ÁGUA

A água nunca pode faltar - haja muita ou pouca

ApR de VILAMOURA

Inovação hídrica ao serviço do Algarve

TRANSIÇÃO ENERGÉTICA

Eficiência e inovação ao serviço da água

INVESTIMENTO

O papel da função Candidaturas e Financiamentos, no reforço do investimento estratégico

GESTÃO INTEGRADA

Um desafio nas infraestruturas de elevação e adução de água para reutilização (ApR)

EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Comunicar bem, não é chegar a todos! É garantir que ninguém fica para trás 2025: um ano de exceção na água e na Educação Ambiental

INTERNACIONAL

Singapura: quando a escassez se transforma em estratégia

CASE STUDY SOURCE

No deserto, a água não é apenas um recurso. É uma promessa.

INFOGRAFIA

Água em extremos

ECOSSISTEMA

Peixinho-de-Prata do Algarve: uma relíquia biológica a beira do desaparecimento

PATRIMÓNIO E TRADIÇÕES

Produzir em tempos de incerteza: a água no centro da agricultura algarvia

OPINIÃO

Município de Aljezur

AGENDA DO SETOR

INDEX # 10

2026 mai. | jun. | jul.

Grande Entrevista

Assunção Cristas

A gestão da água exige visão estratégica e ação imediata.

Discurso Direto

Ana Silvia Santos

A reutilização como mudança de paradigma, e não como solução acessória.

Dossier Especial

Dedicamos esta revista aos profissionais da Águas do Algarve que, no terreno e fora da vista do público, asseguram o bem-estar da região.

Abacate

Pedro Nascimento

Produzir em tempos de incerteza: a água no centro da agricultura algarvia.

FICHA TÉCNICA:

Propriedade: Águas do Algarve, S.A. | Rua do Repouso, no 10 8000-302 Faro Telf.: +351 289 899 070 | E-mail: geral.ada@adp.pt •

Coordenação Editorial: Teresa Fernandes, Responsável da Área de Comunicação e Educação Ambiental Águas do Algarve E-mail: comunicação.ada@adp.pt | Fotografia: Águas do Algarve, Grupo Águas de Portugal, Vico Ughetto | Acompanhamento de Entrevistas: Teresa Fernandes | Colaborações: Isabel Soares, Hugo Nunes, Assunção Cristas, Ana Silva Santos, Colaboradores da Águas do Algarve, Pedro Nascimento e Manuel José de Jesus Marreiros • Impressão: Gráfica Grafisol | Tiragem: 600 exemplares

As opiniões veiculadas nos textos publicados na revista são unicamente da responsabilidade dos seus autores.

EDITOR IAL

Teresa Fernandes

Responsável Área de Comunicação e Educação Ambiental da Águas do Algarve

Muito para alem da agua

Dez edições depois, continuamos a acreditar que comunicar sobre a água é contribuir para um futuro mais informado, mais consciente e mais sustentável.

Chegar à 10.ª edição da Revista Águas do Algarve é um marco que nos convida a olhar para o caminho percorrido, mas sobretudo para os desafios que temos pela frente.

Vivemos numa época em que a água ocupa um lugar cada vez mais central nas decisões económicas, ambientais e sociais. Mas falar de água é, hoje, muito mais do que falar de abastecimento, barragens ou infraestruturas. É falar de territórios, de pessoas, de inovação, de biodiversidade, de agricultura e de futuro.

Foi essa visão mais ampla que procurámos trazer para esta edição.

Nas páginas que se seguem, reunimos contributos de especialistas, gestores, académicos e profissionais que ajudam a compreender os desafios da gestão da água num contexto de crescente imprevisibilidade climática. A Grande Entrevista com Assunção Cristas recorda-nos que a segurança hídrica exige simultaneamente visão estratégica e capacidade de ação. Já no Discurso Direto, Ana Silvia Santos desafia-nos a olhar para a reutilização da água não como uma solução complementar, mas como uma transformação inevitável na forma como gerimos este recurso.

O nosso Dossier Especial presta homenagem aos profissionais da Águas do Algarve que, longe da visibilidade pública, asseguram diariamente a qualidade, a segurança e a continuidade de um serviço essencial. Numa altura em que os fenómenos extremos colocam novas exigências aos sistemas de abastecimento e saneamento, importa reconhecer o conhecimento, a dedicação e a capacidade de resposta destas equipas.

Esta edição leva-nos também para além das fronteiras da região. Em Singapura encontramos um dos mais notáveis exemplos mundiais de planeamento hídrico, demonstrando como a escassez pode ser transformada numa oportunidade de inovação e resiliência. Em contraste, viajamos até ambientes desérticos onde a água assume uma dimensão quase existencial, lembrando-nos que a gestão deste recurso é, em muitos lugares do mundo, uma questão de sobrevivência.

Mas a água não se resume às infraestruturas e à tecnologia. Ela está presente nos ecossistemas que importa preservar, nas espécies que dependem da sua qualidade e disponibilidade, e nas atividades económicas que moldam a identidade do Algarve. Por isso, dedicamos também espaço à riqueza natural da região, destacando a fragilidade de espécies únicas e a necessidade de proteger os ecossistemas que constituem o nosso património coletivo, nesta edição falamos do Peixinho de prata do Algarve.

E terminamos junto da terra, onde a água ganha expressão através da produção agrícola. A conversa com um jovem empreendedor no setor dos citrinos, Pedro Nascimento, recorda-nos que inovação e tradição podem caminhar lado a lado. Num território onde a laranja é muito mais do que um produto agrícola, falar de citricultura é falar da identidade algarvia, da capacidade de adaptação dos produtores e da importância de gerir a água com inteligência para garantir o futuro de uma atividade que marca a paisagem, a economia e a cultura da região.

Ao longo destas páginas, encontramos diferentes perspetivas, diferentes geografias e diferentes experiências. Todas convergem numa mesma ideia: a água continua a ser um dos grandes desafios do nosso tempo e a sua gestão exige conhecimento, cooperação e visão de longo prazo.

Esta edição inclui ainda o terceiro e último encarte comemorativo dos 25 anos da Águas do Algarve. Um percurso construído ao longo de um quarto de século de serviço público, marcado pelo compromisso com a região, com as pessoas e com a sustentabilidade. Neste último capítulo da celebração, destacamos a dimensão humana da empresa, o papel da comunicação e da educação ambiental na construção de uma cidadania mais consciente e a aposta permanente na inovação como resposta aos desafios de um mundo em mudança.

Entre a reutilização de água, a eficiência energética, a modernização tecnológica dos sistemas e a futura dessalinizadora, a Águas do Algarve continua a preparar o futuro, reforçando a resiliência hídrica e ambiental da região. Porque garantir água é também garantir qualidade de vida, equilíbrio ambiental, desenvolvimento sustentável e confiança nas gerações que se seguem.

Esta é uma revista sobre água. Mas é, acima de tudo, uma revista sobre pessoas, território e futuro.

Obrigada por estarem desse lado, e boas leituras.

Sustentabilidade como compromisso permanente NOTA DE ABERTURA

Na Águas do Algarve, a sustentabilidade não é apenas um objetivo; é um princípio orientador. Traduz-se em investimento, inovação e responsabilidade na gestão de um recurso essencial à vida e ao desenvolvimento.

Num território como o Algarve, onde a água sempre foi um recurso tão valioso quanto escasso, falar de futuro é, inevitavelmente, falar de sustentabilidade hídrica. Ao longo das últimas décadas, a região habituou-se a gerir um equilíbrio delicado entre a variabilidade climática, a pressão sazonal do turismo e as necessidades crescentes da agricultura e das populações. Hoje, esse equilíbrio tornou-se mais exigente do que nunca.

As alterações climáticas trouxeram consigo uma nova realidade: menos previsibilidade, períodos de seca mais prolongados e uma pressão crescente sobre as origens tradicionais de água. Perante este cenário, deixou de ser suficiente gerir bem o que temos; tornou-se essencial repensar profundamente o modelo, diversificar e investir em soluções estruturais que garantam resiliência a longo prazo.

É neste contexto que a Águas do Algarve tem vindo a afirmar uma estratégia clara: construir um sistema mais sustentável, assente na eficiência, na inovação e na diversificação das origens de água.

A sustentabilidade, neste domínio, não é um conceito abstrato. Traduz-se em decisões concretas, em investimento continuado e numa visão integrada que articula tecnologia, planeamento e responsabilidade ambiental. Um dos pilares dessa estratégia é a aposta em novas origens de água: soluções que complementam os recursos convencionais e reduzem a vulnerabilidade da região face à escassez.

A reutilização de água residual tratada é um exemplo paradigmático desta transformação. Ao encarar a água como um recurso circular, e não descartável, abre-se caminho a uma gestão mais eficiente e inteligente. A água tratada pode ser utilizada para fins não potáveis, como rega de espaços

verdes, campos de golf ou usos industriais, libertando assim água de maior qualidade para consumo humano. Esta abordagem permite não só reduzir a pressão sobre os sistemas naturais, como também aumentar a eficiência global do ciclo urbano da água.

A par da reutilização, a dessalinização surge como uma resposta estratégica de grande relevância. Num território costeiro como o Algarve, o mar representa uma oportunidade que não pode ser ignorada. A produção de água a partir da dessalinização permitirá criar uma origem adicional, estável e independente da variabilidade das condições meteorológicas. Trata-se de um investimento estruturante que reforça a segurança do abastecimento e contribui para uma maior autonomia da região.

Outro eixo fundamental desta estratégia é o reforço das interligações entre sistemas, nomeadamente através do projeto do Pomarão. Esta infraestrutura estratégica de abastecimento de água permitirá transportar água a partir de origens alternativas, aumentando a flexibilidade da gestão e garantindo uma resposta mais eficaz em situações de escassez. Mais do que uma obra de engenharia, o Pomarão representa uma visão integrada do território, onde os recursos são partilhados e otimizados à escala regional.

Estas soluções: reutilização, dessalinização e interligação entre sistemas não devem ser vistas isoladamente, mas como partes de um modelo coerente e complementar.

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As alterações climáticas trouxeram consigo uma nova realidade: menos previsibilidade, períodos de seca mais prolongados e uma pressão crescente sobre as origens tradicionais de água. “

Um modelo que procura equilibrar segurança, eficiência e sustentabilidade, assegurando que a água continua disponível para todos os usos essenciais.

Naturalmente, a sustentabilidade não depende apenas da diversificação das origens. Exige também uma gestão cada vez mais eficiente dos sistemas existentes. A redução de perdas, a monitorização em tempo real, a otimização energética e a inovação tecnológica são componentes fundamentais de uma abordagem responsável. Cada melhoria, por mais pequena que pareça, contribui para um sistema mais robusto e resiliente.

Na Águas do Algarve, este compromisso traduz-se numa atuação contínua e consistente, orientada para o longo prazo. A responsabilidade de gerir um recurso essencial implica não apenas responder aos desafios do presente, mas também antecipar as necessidades do futuro.

Importa também sublinhar que a sustentabilidade hídrica é um desafio coletivo. Nenhuma entidade, por si só, conseguirá garantir este equilíbrio. É fundamental o envolvimento de todos: instituições, empresas e cidadãos, na adoção

de práticas mais eficientes e conscientes. A forma como utilizamos a água no dia a dia, nas nossas casas e atividades, tem um impacto direto na sustentabilidade do sistema.

O Algarve tem um enorme potencial de desenvolvimento económico e social. Mas esse crescimento só será verdadeiramente sustentável se assentar numa base sólida de segurança hídrica. Garantir essa base é, hoje, uma prioridade estratégica.

Estamos, assim, perante um momento decisivo. As escolhas que fazemos agora irão determinar a forma como as próximas gerações irão viver, produzir e prosperar nesta região. Apostar em novas origens de água, reforçar a eficiência e promover uma cultura de sustentabilidade não é apenas uma opção, é uma necessidade incontornável.

Na Águas do Algarve, acreditamos que o futuro se constrói com visão, responsabilidade e ação. É esse compromisso que nos guia: garantir hoje a água de amanhã, assegurando que este recurso vital continua a ser um motor de desenvolvimento, coesão e qualidade de vida no Algarve.

UM NOVO OLHAR

Resiliencia h drica no Algarve: precaver escassez num contexto de aparente abundancia

Hugo Nunes, Administrador Executivo da Águas do Algarve, S.A.

O início deste ano colocou a gestão da água no Algarve perante uma situação paradoxal: reservas hídricas em níveis historicamente elevados coincidem com o arranque da concretização de investimentos estruturantes na resiliência hídrica da região numa escala sem precedentes.

A criação e consolidação do sistema multimunicipal de abastecimento de água no Algarve é um caso de sucesso e motivo de orgulho para todos grupo AdP e para os 16 municípios da região.

O abastecimento público deixou, há muito, de ser um problema sentido nas nossas torneiras, e a água fornecida apresenta elevados padrões de qualidade, amplamente reconhecidos pelo regulador, como demonstram os prémios e distinções atribuídos à Águas do Algarve (concessionária em alta), bem como a vários municípios e empresas municipais.

No entanto, o não sentirmos nas nossas torneiras problemas que julgamos ultrapassados não significa que eles

tenham desaparecido, bem pelo contrário, ainda há pouco mais de um ano, as reservas existentes eram inferiores às necessidades estimadas para os oito meses seguintes, tendo sido impostos cortes muito significativos aos consumos anuais de municípios e agricultores.

O ano de 2023 e o início de 2024 foram particularmente difíceis para as entidades que operam no setor (APA, ERSAR, Águas do Algarve, municípios, associações de agricultores), marcados por grande incerteza e pela necessidade de tomar decisões críticas, impondo reduções de consumo. Essa situação representou o culminar de mais um período prolongado de seca.

O cenário alterou-se e o último semestre trouxe-nos precipitação abundante e, com ela, alguma tranquilidade. Por isso, é difícil para alguns recordar, ou mesmo aceitar, a gravidade da situação vivida e o facto de estarmos condenados a precaver o próximo período de escassez, sob pena de revivermos períodos semelhantes, mas com impactos ainda mais severos.

É verdade que as reservas no início deste ano atingiram níveis muito elevados, porém existe uma clara contradição entre a perceção gerada por este contexto de aparente abundância e a realidade que uma análise de longo prazo não pode ignorar.

A aparente tranquilidade agora observada encerra, por isso, um risco evidente: relativizar prioridades e retirar pressão na execução das medidas preconizadas.

Não tenhamos ilusões: a região vive uma situação de escassez hídrica estrutural.

A escassez hídrica no Algarve resulta de uma conjugação de fatores que se têm vindo a acentuar ao longo do tempo: menor precipitação, maior irregularidade dos regimes hidrológicos, menor dispersão temporal da chuva e aumento da temperatura média. Estes fatores têm conduzido a uma redução progressiva das disponibilidades hídricas, em particular das subterrâneas, e a uma pressão crescente sobre as reservas existentes, colocando o sistema sob tensão permanente.

Durante duas décadas, o desenvolvimento dos sistemas de abastecimento na região assentou na garantia do fornecimento de água em quantidade e qualidade, respondendo a uma realidade em que o recurso era entendido como estruturalmente abundante.

Este modelo permitiu alcançar elevados níveis de serviço e confiança por parte dos utilizadores, contudo, adiou também a consciência da necessidade de adotar medidas estruturais.

No inicio deste milénio, a Barragem de Odelouca constituiu a grande resposta a um dos períodos mais severos de escassez.

Só com a aprovação do Plano Regional de Eficiência Hídrica, no final da década passada, o problema ultrapassou o círculo restrito de técnicos, que conheciam e viviam esta realidade, para passar ao plano da decisão política, com a consequente afetação de recursos, via PRR.

Mais do que aumentar a oferta, assumiu-se que o essencial era garantir a segurança e a continuidade do abastecimento público em condições adversas, promovendo o aumento da eficiência, a diversificação das origens, o reforço e a redundância dos sistemas.

Esta evolução traduz uma verdadeira mudança de paradigma: de um sistema centrado na satisfação da procura, em quantidade e qualidade, avançamos para um modelo centrado na mitigação do risco e na adaptação a um contexto de maior variabilidade e incerteza.

A resiliência passou, assim, a constituir o elemento estruturante, para quem trabalha diariamente na gestão destes sistemas, esta transformação é já evidente.

Estamos a “meio do caminho”, o modelo de abastecimento público de água no Algarve está num processo de transformação, tanto no sistema em alta como nos sistemas em baixa.

A resiliência hídrica não se conseguirá construir apenas em resposta ao aprofundar de situações de emergência, constrói-se antes, de forma planeada, consistente e sustentada.

Não podemos deixar que a perceção de abundância comprometa este caminho.

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A criação e consolidação do sistema multimunicipal de abastecimento de água no Algarve é um caso de sucesso e motivo de orgulho para todos grupo AdP e os 16 municípios da região. “

GRANDE ENTREVISTA

A gestao da agua exige visao estrategica e acao imediata

Com pragmatismo e sentido reformista, Assunção Cristas aborda temas centrais como a dessalinização, a reutilização de água residual tratada, a modernização das infraestruturas, o papel da Inteligência

Artificial e a necessidade de envolver cidadãos, empresas e Estado numa nova cultura da água. Uma reflexão lúcida e atual sobre os desafios de hoje e as escolhas que moldarão o futuro hídrico do país.

Portugal tem vivido entre períodos de seca severa e episódios de precipitação intensa. Na sua perspetiva, estamos hoje melhor preparados para gerir esta volatilidade hídrica ou continuamos a reagir mais do que a antecipar?

Penso que estamos num momento de transição de paradigma, a resiliência hídrica está no coração do Plano Água que Une, que pretende dotar Portugal de investimentos e ferramentas que nos tornem mais

capazes de antecipar crises e de resistir a instabilidades climáticas, que afetam o recurso hídrico. É importante não termos dúvidas de que a seca estrutural é a nossa constante, e para ela temos de nos preparar numa lógica de adaptação às alterações climáticas. As tempestades e chuvas torrenciais acontecerão sem pré-aviso o que exigem também uma preparação estrutural significativa de modo a mitigar riscos e conter danos.

O Algarve tem sido um dos territórios mais expostos ao stress hídrico. Que decisões estruturais, eventualmente adiadas no passado, considera hoje inadiáveis para garantir a segurança hídrica da região?

Sempre a par com a melhoria do desempenho da eficiência hídrica, nomeadamente através de investimentos para evitar perdas na rede, penso que diversificação de fontes de abastecimento de água é hoje incontornável. Já se avançou para uma primeira dessalinizadora e possivelmente será necessário mais. Vale a pena refletir e deixar em aberto as melhores soluções tecnológicas, uma vez que importa sempre reduzir ao mínimo os impactos ambientais.

Assunção Cristas, jurista, professora universitária e ex-política portuguesa. Atualmente, atua como Professora Associada na NOVA School of Law, sócia na Vieira de Almeida (VdA) (área de Ambiente/ESG) e coordenadora do NOVA Ocean.

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Nas sociedades desenvolvidas como a nossa, a água potável e acessível a todas as pessoas é assumida como um dado adquirido.
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A reutilização de água residual tratada continua a ser subaproveitada em Portugal.

O que falta: enquadramento legal, investimento ou mudança cultural, para a tornar uma prática corrente, sobretudo na agricultura e nos usos não potáveis, onde esta situação quase não existe?

É preciso comparar soluções e custos. A água residual tratada deve entrar no mix de soluções, mas possivelmente não há uma solução igual para todos os usos e todos os territórios. Há exemplos, de pequena escala, muito interessantes. Importa saber como escalar, sempre comparando com as alternativas. Há uma dimensão técnica e tecnológica e depois há uma dimensão jurídica, mas neste tema penso esta dimensão depende um pouco das conclusões a montante.

Num território onde coexistem pressão turística, atividade agrícola intensiva e consumo urbano, é possível conciliar todos os interesses sem rutura, ou teremos inevitavelmente de redefinir prioridades no uso da água?

No limite, a própria lei já define as prioridades no uso da água, com o abastecimento urbano à cabeça, mas o ideal é conseguirmos ter sistemas inteligentes que ajudem a não ter de chegar ao ponto de limitar ou mesmo cortar o uso de água para algum dos usos. Seria um mau sinal. Muito provavelmente levaria a alguma agitação social, sem falar nos danos económicos. Também por isso o foco deve ser sempre na prevenção e na compatibilização de usos ao máximo. Para isso, é importante haver, as regras claras e bem comunicadas, com apropriação das soluções por toda a comunidade. O diálogo deve ser muito favorecido na construção preventiva das soluções, para que, se chegar ao momento da sua aplicação, não haja surpresas e, ao invés, tenham uma

boa aceitação. Fala-se cada vez mais da necessidade de uma nova cultura da água.

Que papel devem assumir o Estado, as empresas gestoras e os cidadãos na construção dessa mudança, e onde tem falhado essa articulação?

Nas sociedades desenvolvidas como a nossa, a água potável e acessível a todas as pessoas é assumida como um dado adquirido. É talvez o resultado lateral do nosso sucesso em conseguir fazer chegar

água em boas condições a todo o país. Num tempo em que as exigências são novas é preciso fazer passar essa mensagem e insistir numa comunicação permanente. A água é um bem escasso, tem um custo e o recurso tem de ser tratado como precioso. A educação e a comunicação são centrais, e o Estado, autarquias e sistemas têm um papel incontornável na chamada de atenção e divulgação das boas práticas. Em dado momento pode ser interessante criar modelos de incentivos para fomentar os melhores comportamentos.

A água é um bem escasso, tem um custo e o recurso tem de ser tratado como precioso.

A Inteligência Artificial e os sistemas preditivos estão a transformar vários setores.

Na gestão da água, estamos perante uma verdadeira mudança de paradigma ou ainda numa fase experimental? Que aplicações considera mais críticas no curto prazo?

Tudo o que seja dotar os sistemas de mais inteligência, no sentido de interpretar dados e poder apoiar (ou mesmo tomar) decisões que favoreçam o uso eficiente da água e as melhores escolhas, por exemplo, em relação a fontes diversas, será certamente positivo. Não tenho visibilidade sobre todas as aplicações já disponíveis, mas até olhando para o efeito noutros setores estou certa de que o potencial é muito grande. Nesse aspecto, penso que as novas ferramentas são muito animadoras e permitem encarar positivamente os desafios atuais e futuros.

Se tivesse hoje responsabilidade direta sobre a política da água em Portugal, qual seria a primeira decisão que tomaria, e porquê?

Essa é uma pergunta muito difícil, porque para temas complexos nunca há uma única solução, mas sempre um cabaz de respostas que podem ser usadas de forma distinta consoante o momento e o território. Mas parece-me claro que precisamos de uma nova vaga de investimentos infraestruturais, seja para renovar redes envelhecidas e com perdas, para lançar fontes complementares, como a dessalinização, ou para infraestruturar soluções de grande escala territorial, como, por exemplo, o Projeto Tejo.

Algo que queira acrescentar: Hoje é muito evidente que a água vai dominar a nossa agenda nos próximos tempos e requerer uma atenção e cuidados suplementares. Penso que essa mensagem já está a passar, muito também por causa da situação vivida no Algarve. É um tempo de mudança de paradigma e de ação.

DISCURSO DIRETO

A reutilizacao como mudanca de paradigma, e nao como solucao acessoria

Ao longo desta entrevista, Ana Silvia Santos partilha lições retiradas da realidade brasileira, alerta para os riscos da inação e sublinha a importância de políticas públicas integradas, enquadramento regulatório robusto e liderança transformadora. Uma reflexão atual e necessária sobre a reutilização da água como mudança de paradigma, e não como solução acessória.

Os territórios enfrentam hoje uma alternância cada vez mais marcada entre escassez e abundância. Estamos preparados para gerir esta nova imprevisibilidade ou continuamos presos a modelos pensados para um clima que já não existe? Toda transformação exige conhecimento, responsabilidade, adaptabilidade e coragem. Em relação à gestão da água, estamos, neste momento da história, a atravessar essa transformação. Já percebemos e internalizamos que entramos no caminho de um “novo normal hídrico”, onde a escassez de água, as secas prolongadas e os eventos climáticos extremos se tornaram a norma, e não a exceção. Ao longo do

desenvolvimento da humanidade, episódios similares levaram ao declínio de cidades e impérios. Mas em pleno século XXI, conhecimento não nos falta. Então, o próximo passo é encarar a realidade com mais responsabilidade e adaptabilidade. Por fim, precisamos de mais coragem para agir. Já passamos pela fase de “alerta” e “atenção” em relação aos desafios que ainda temos pela frente. O momento demanda ações mais precisas, firmes e arrojadas. Não há espaço para erros.

A reutilização da água tem sido frequentemente encarada como uma solução complementar. Na sua perspetiva, estamos perante uma opção ou uma inevitabilidade no futuro da gestão hídrica?

Em muitos fóruns de debate sobre o futuro da água, descreve-se a “água para reutilização” (ApR) como uma “fonte alternativa de água” ou uma “fonte de origem alternativa”. No entanto, a palavra “alternativa”, de maneira geral, significa algo que “substitui”. Esta perspetiva leva ao entendimento equivocado de que a ApR é uma alternativa (substituição) somente em cenários de escassez ou de estresse hídrico. Assim, a mudança de paradigma reside no entendimento de que a ApR não deve ser uma substituição e sim, uma das alternativas de fonte de água para diversos fins, assim como as fontes ditas convencionais (água doce superficial ou subterrânea). Para atender a uma demanda hídrica cada vez mais crescente e enfrentar os desafios impostos pela vida moderna e pelas alterações climáticas, esta transformação de entendimento é absolutamente necessária e neste caso, a reutilização de água deixa de ser uma solução complementar e passa a ser um caminho natural e inevitável no futuro da gestão hídrica.

O Brasil tem enfrentado episódios críticos de escassez hídrica, nomeadamente em grandes áreas urbanas. Que lições concretas podem ser retiradas dessas experiências, e que erros não devem ser repetidos por regiões como o Algarve?

Nada como a necessidade para impulsionar a solução. No entanto, quando é feito dessa forma, muitas vezes acontece fora de um contexto de planejamento e com um custo mais elevado, em função da urgência. Na região de São Paulo, a falta de água se dá mais por stress hídrico (com a procura maior do que a oferta) do que à escassez. Por outro lado, na região Nordeste, que envolve um clima semiárido, a escassez crônica vem sendo agravada pelos extremos climáticos. E no ano passado, de maneira impensável (mas prevista pelos modelos científicos), a região mais húmida do planeta, a Amazónica, sofreu com uma intensa seca, fruto das alterações do clima. Para cada caso, a solução é diferente, mas todas elas passam pela diversificação do portefólio hídrico regional. É facto que o Brasil tem avançado na reutilização de água, ainda aquém do desejado, mas por necessidade e não, num contexto de planejamento. O Instituto Reúso de Água, com o propósito de transferência de conhecimento, tem colaborado para um

avanço mais seguro e responsável e incentivado tomadas de decisão mais assertivas. Neste caso, a principal orientação é que as ações sejam planejadas e coordenadas entre os principais players do setor, considerando tanto o poder público como o privado. Essa é uma tarefa bastante complexa em um país com as dimensões do Brasil. O grande erro está em ações isoladas e desconectadas, principalmente em relação à estruturação de políticas públicas. Hoje, o Brasil já conta com vários “cases” de reutilização de água, inclusive para fins potáveis, mas ainda não tem uma regulamentação a nível nacional que defina qualidade sanitária para cada modalidade. Isso enfraquece a segurança jurídicoadministrativa dos projetos e freia o desenvolvimento.

Apesar do consenso técnico, a implementação da reutilização avança lentamente. Quais considera que são hoje os principais bloqueios: regulatórios, económicos ou culturais, que continuam a travar a sua massificação?

Na minha opinião, o principal bloqueio não é regulatório, nem económico, nem cultural mas sim a CORAGEM para enfrentar todos eles. É essa coragem, necessária e impositiva aos grandes líderes e gestores da atualidade, que permitirá avanços na estruturação regulatória, investimentos na inovação e na infraestrutura hídrica, e aceitação pública. O planeamento, multi e interdisciplinar, com base no conhecimento técnico-científico, é essencial para os próximos passos. A estruturação regulatória é uma construção contínua. Os investimentos em CAPEX e OPEX são fluidos e se alteram e se moldam a depender dos avanços do conhecimento e da aplicação. E a sociedade aprende e cria a cultura, na medida em que confia. Com a coragem para agir, o enfrentamento a todos os outros desafios será consequência natural.

Assim, a mudança de paradigma reside no entendimento de que a ApR não deve ser uma substituição e sim, uma das alternativas de fonte de água para diversos fins, assim como as fontes ditas convencionais (água doce superficial ou subterrâ.nea).

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Num território como o Algarve, onde a agricultura tem um peso relevante no consumo de água, até que ponto a reutilização pode aliviar a pressão sobre as origens naturais sem comprometer a produtividade e a segurança?

A irrigação agrícola representa a maior demanda de água em todo o mundo. Sem nenhuma dúvida, a reutilização de água, sistematizada no território, alivia a pressão sobre os mananciais e garante o aumento da produtividade, necessário à segurança alimentar global. A questão da segurança sanitária e ambiental da prática já é um consenso científico, inclusive chancelada pelo Decreto-Lei 119/2019 em Portugal e pelo Regulamento (UE) 2020/741 do Parlamento Europeu. Em ambos os casos, o estudo de avaliação de risco de contaminação de seres humanos e meio ambiente é parte do processo de licenciamento que visa garantir esta segurança. Em termos tecnológicos, é possível dizer que podemos produzir qualquer água a partir de qualquer água. Isso significa que podemos alcançar a qualidade desejada e imposta pelo uso, com a tecnologia que temos hoje em produção e aplicação. Ou seja, não há impedimento tecnológico para o avanço seguro da reutilização de água. Usos mais exigentes demandam qualidade superior, que por sua vez, fazem uso de tecnologias mais complexas e onerosas. O contrário também é válido: usos menos exigentes demandam qualidade inferior, alcançada com tecnologias menos complexas e menos onerosas. A segurança da reutilização de água reside no ajuste da qualidade da água ao uso pretendido.

A aceitação da reutilização depende, em grande medida, da confiança dos utilizadores. Como se constrói essa confiança junto da sociedade e dos diferentes setores económicos?

Toda relação de confiança baseia-se em um conjunto de fatores. Por trás das ações e da infraestrutura de engenharia para a reutilização de água, há relação entre pessoas, neste caso envolvidas com a produção e com a utilização da ApR. Portanto, entre eles, deve haver consistência e verdade na relação, clareza e transparência, participação nas decisões, além de respeito e apoio mútuo em prol do mesmo interesse. Mas no estabelecimento deste “trade”, há uma externalidade positiva à sociedade que pode se beneficiar com o aumento da disponibilidade hídrica para água de consumo. É neste ponto que o Instituto Reúso de Água (IRdA) atua. Ao produzir, gerir e partilhar conteúdo, com embasamento técnico-científico, o IRdA fortalece as relações de aceitação e pavimenta o caminho do avanço. Nosso grande objetivo é participar ativamente da construção coletiva do conhecimento e da transformação cultural da sociedade em relação à reutilização de água.

A gestão da água exige hoje uma abordagem integrada. Que modelo de governança considera mais eficaz para garantir que a reutilização deixe de ser exceção e passe a ser prática corrente?

A água moldou historicamente o crescimento das cidades, e continuará a fazê-lo. De que forma a reutilização deve ser integrada no planeamento urbano e territorial das cidades do futuro?

A resposta é para as perguntas 7 e 8 juntas. O novo normal hídrico demanda uma gestão integrada da água, no contexto da sua circularidade. Primeiro é preciso entender e internalizar que toda água é água. Não existe “água isso” ou “água aquilo”. Água residual é água, água de chuva é água, água do mar é água, água dos glaciares é água e água atmosférica é água. Não importa a sua origem e sim o seu destino. Cada caso demanda uma solução diferente. O que não cabe mais é achar que a água doce superficial e a água doce subterrânea são as únicas fontes de água disponíveis. O momento pede a diversificação do portefólio hídrico regional, de acordo com as características locais. Este será o grande

desafio dos profissionais da água no futuro. Na minha geração aprendemos a fazer projetos; os projetos eram replicáveis e hoje, não mais. Como professora de engenharia, atualmente ensino meus alunos a “pensarem” projetos.

As soluções tecnológicas para a reutilização existem e estão “maduras”. O verdadeiro desafio está na engenharia ou na decisão política e institucional?

Sem dúvida, o desafio não é tecnológico nem tampouco de engenharia. Até mesmo o custo da tecnologia, que já foi um problema no passado, já não é mais um entrave. Como já disse anteriormente, o principal desafio está na coragem. Quando grandes decisões precisam ser tomadas, é preciso decisores com muita coragem. A configuração políticoinstitucional muitas vezes torna a transformação mais morosa do que já é e mais complexa do que deveria ser.

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É preciso formar profissionais da água não mais para projetar somente, mas para solucionar, no contexto da circularidade da água.
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Se tivesse de projetar o setor da água a 20 anos, será a reutilização uma prática generalizada e invisível, ou continuará a ser tratado como uma alternativa de recurso?

Esta transformação esperada para o futuro dependerá, sensivelmente, do nível de coragem e ousadia das decisões do presente. Há que se recordar que na segunda metade do século passado, os debates técnicos do setor de energia giravam em torno desta mesma questão, porém em relação às novas (para a época) fontes de energia sustentáveis, nomeadamente eólica e solar. Mais recentemente, estas fontes passaram a compor os portefólios energéticos regionais, de maneira quase natural, como inevitável ao atendimento da crescente demanda. Este deverá ser o caminho da ApR em relação à diversificação dos portefólios hídricos regionais. A primeira regulamentação de reutilização de água de que se tem conhecimento foi publicada na Califórnia, em 1918. Este mesmo estado também foi pioneiro em regulamentar o reúso potável direto, em 2023. Estamos falando de uma região em que a reutilização de água é natural, assim como em Israel, Singapura e outras regiões do Estados Unidos. É claro que há que se destacar a condição hídrica crónica dessas regiões que acelerou a sistematização da prática. Mas penso que o mundo inteiro andará por um caminho similar nas próximas décadas, não somente em cenários de necessidade, mas como instrumento de planeamento.

Se pudesse deixar uma mensagem direta aos decisores do sul da Europa, que enfrentam hoje escassez hídrica crescente: o que já não pode continuar a ser adiado?

É um resumo de tudo que eu disse antes. Precisamos de mais coragem para as decisões mais complexas, de uma relação político-institucional mais forte e mais harmoniosa, de estruturação regulatória fluida, de construção coletiva do conhecimento técnico-científico. É preciso formar profissionais da água não mais para projetar somente, mas para solucionar, no contexto da circularidade da água. É preciso investir na inovação da gestão hídrica e não somente na inovação tecnológica. Por fim, é preciso internalizar que toda água é água no planejamento hídrico regional. A água para reutilização deve estar em cima da mesa, ao lado de todas as outras possíveis, em um processo decisório de uso intensivo da água.

ESPECIAL

Dedicamos esta revista aos profissionais da Águas do Algarve que, no terreno e fora da vista do público, asseguram o bem-estar da região.

Engenheiros, operadores e equipas de manutenção unem a inovação tecnológica à determinação necessária para superar qualquer intempérie.

Eles são os verdadeiros guardiões da nossa água, garantindo que a qualidade e a segurança cheguem sempre ao seu destino, faça chuva ou faça sol.

O invis vel que nos sustenta: gerir a agua num Algarve em mudanca ESPECIAL

Diz o povo que só nos lembramos de Santa Bárbara quando troveja. No Algarve, a máxima aplica-se com uma precisão quase cirúrgica à água. Em condições normais, o trabalho da Águas do Algarve é o triunfo do invisível. Quando abrimos a torneira e a água corre, límpida e segura, ignoramos a complexa teia de condutas, estações de tratamento e o esforço humano que sustenta esse gesto quotidiano. No entanto, o paradigma mudou. Hoje, o clima dita uma nova urgência.

As alterações climáticas deixaram de ser uma projeção teórica para se tornarem a nossa realidade imediata. No Algarve, sentimo-las na pele e na terra: vivemos agora entre o “oito e o oitenta”, oscilando entre períodos de seca severa e episódios de chuva extrema que, embora intensos, raramente resolvem o défice hídrico estrutural.

A escassez obriga a um acompanhamento permanente dos recursos disponíveis. A monitorização dos reservatórios torna-se mais rigorosa e o combate às perdas na rede ganha uma relevância vital. Nestes períodos, a gestão da água assume um papel estratégico de sobrevivência regional. Por outro lado, os picos de precipitação intensa trazem desafios igualmente complexos: grandes volumes de água num curto espaço de tempo exigem controlo absoluto, proteção das infraestruturas e respostas rápidas para evitar que a turbidez ou a erosão comprometam o sistema.

É aqui que o papel dos nossos técnicos e equipas de campo ganha uma dimensão heroica e, muitas vezes, anónima. Se antes planeávamos para a estabilidade, hoje estes profissionais projetam para a incerteza. Gerir infraestruturas sob pressão, como redes de transporte e estações de tratamento, exige uma vigilância 24/7. Quando o céu desaba em tempestades súbitas, são os nossos técnicos que enfrentam a lama, o terreno difícil e a intempérie para garantir que a turbidez da água captada não comprometa a qualidade do abastecimento ou que uma conduta fustigada pela erosão não interrompa o serviço a populações inteiras.

Gerir a água no Algarve hoje não é apenas uma tarefa técnica; é um compromisso ético com a sobrevivência da nossa biodiversidade, das nossas raças autóctones e da nossa economia. A resiliência do território depende da capacidade de resposta destes homens e mulheres aos extremos climáticos.

A água que nos chega à mão é, mais do que nunca, um bem precioso que exige um combate diário e uma consciência coletiva. Porque, num clima que já não perdoa o desperdício, cada gota gerida com rigor é um investimento no futuro da região.

Para combater ou mitigar o problema das alterações climáticas que causam períodos de seca alternados com chuvas intensas, especialmente em regiões como o Algarve, é necessário agir em várias frentes ao mesmo tempo: gestão da água, planeamento do território, tecnologia e mudança de hábitos.

1. MELHORAR A GESTÃO DA ÁGUA

Empresas como a Águas do Algarve já trabalham nesse sentido, mas será cada vez mais necessário:

• reduzir perdas nas redes de distribuição;

• aumentar a capacidade de armazenamento em barragens e reservatórios;

• ligar sistemas de abastecimento para transferir água entre regiões quando necessário.

2. REUTILIZAÇÃO DA ÁGUA

Uma solução cada vez mais importante é reutilizar água tratada:

• para rega agrícola;

• para campos de golfe e jardins;

• para limpeza urbana.

Isto reduz a pressão sobre as reservas de água potável.

3. DESSALINIZAÇÃO

Transformar água do mar em água potável será uma solução complementar no Algarve, sobretudo em períodos de seca extrema.

4. PROTEGER O TERRITÓRIO

Chuvas intensas causam cheias rápidas. Para reduzir os impactos é importante:

• recuperar zonas húmidas e ribeiras naturais

• evitar construção em zonas de inundação

• criar bacias de retenção para controlar cheias

5. AGRICULTURA MAIS EFICIENTE

A agricultura usa grande parte da água disponível. Algumas medidas importantes:

• rega gota-a-gota;

• culturas mais resistentes à seca;

• melhor gestão dos horários de rega.

6. MUDANÇA DE HÁBITOS

DA POPULAÇÃO

Pequenas ações ajudam muito:

• reduzir desperdício de água em casa;

• reutilizar água sempre que possível;

• escolher jardins com plantas adaptadas ao clima.

7. COMBATER AS ALTERAÇÕES

CLIMÁTICAS

A longo prazo é essencial reduzir as emissões que provocam o aquecimento global, tema estudado pela área da Climatologia. Isso envolve:

• energias renováveis;

• eficiência energética;

• mobilidade mais sustentável.

A solução não é única. É uma combinação de infraestruturas, tecnologia, planeamento e responsabilidade coletiva.

SANEAMENTO

A ETAR de Faro-Olhão é uma infraestrutura importante para o tratamento de águas residuais no Algarve. Está localizada entre os concelhos de Faro e Olhão, servindo milhares de habitantes da região. A principal função da ETAR é tratar as águas residuais domésticas e industriais antes de serem devolvidas ao meio ambiente. Este processo ajuda a proteger a Ria Formosa e os ecossistemas naturais da zona. A estação utiliza tecnologias modernas para reduzir a poluição da água. Além disso, contribui para a melhoria da saúde pública e da qualidade ambiental. A ETAR de Faro-Olhão representa um exemplo de gestão responsável dos recursos hídricos em Portugal.

SANEAMENTO DE AGUA

A nova relacao do Algarve com a agua, num clima imprevis vel

Exploracao de saneamento em tempos de escassez e extremos climaticos

Num Algarve cada vez mais exposto à variabilidade climática, a gestão da água, em particular no domínio do saneamento, enfrenta desafios que vão muito além do transporte e tratamento de águas residuais.

Entre períodos prolongados de seca e episódios de precipitação intensa, os sistemas são postos à prova, exigindo respostas técnicas mais sofisticadas, maior capacidade de adaptação e uma visão estratégica centrada na eficiência e resiliência dos sistemas e na valorização do recurso.

António Martins, Diretor de Exploração de Saneamento, e Sónia Rosário, Responsável de Área do Subsistema FaroOlhão, partilham uma perspetiva esclarecedora sobre esta nova realidade.

Menos água, mais desafios

A recente experiência de seca na região teve impactos diretos no funcionamento dos sistemas de saneamento. A redução do caudal de águas residuais, consequência natural da escassez hídrica e das medidas de contenção, altera profundamente a dinâmica das infraestruturas.

“Quando o volume diminui, aumenta a probabilidade de acumulação de sólidos nos coletores e estações elevatórias”, explica António Martins. “Esses materiais, que normalmente seriam arrastados pelo escoamento até aos locais onde seriam removidos através de equipamento específico, passam a depositar-se, podendo originar obstruções e libertação de odores.”

Esta realidade obriga a uma intensificação das operações de manutenção. A inspeção, limpeza e remoção de detritos tornam-se mais frequentes e exigem meios adicionais, numa tentativa de garantir o funcionamento eficiente do sistema e minimizar impactos junto das populações.

Entre os resíduos mais problemáticos encontram-se as toalhitas, frequentemente identificadas como uma “praga”, mas também óleos, gorduras, cotonetes, pensos higiénicos e outros materiais indevidamente descartados. “Tudo isto contribui para a formação de massas compactas que dificultam o escoamento e aumentam o o risco de ocorrência de problemas operacionais”, acrescenta.

O impacto invisível da temperatura

A escassez de água está frequentemente associada a temperaturas mais elevadas, o que introduz um novo fator de complexidade. Nos sistemas de tratamento biológico, o aumento da temperatura acelera os processos de degradação da matéria orgânica.

António Martins, Diretor de Exploração de Saneamento e Sónia Rosário, Responsável de Área do Subsistema Faro-Olhão
A evolução tecnológica aliada à experiência das equipas tem desempenhado um papel crucial na melhoria de desempenho ambiental das ETAR do Algarve.
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“Essa aceleração pode levar à libertação de compostos gasosos odoríferos desagradáveis, exigindo uma gestão mais cuidada do ar contaminado”, refere António Martins. Em algumas ETAR e Estações Elevatórias, especialmente as de maior dimensão ou próximas de zonas urbanas, existem sistemas de captação e tratamento de odores, soluções eficazes, mas com custos energéticos associados.

Já as infraestruturas mais pequenas, muitas vezes localizadas em áreas afastadas dos aglomerados urbanos, não justificam esse tipo de investimento, sendo geridas com soluções mais simples e ajustadas ao contexto.

Da lagoa ao sistema intensivo

A evolução tecnológica tem desempenhado um papel crucial na melhoria do desempenho ambiental das ETAR do Algarve. Sistemas naturais, como as antigas lagoas de tratamento, foram progressivamente substituídos por soluções intensivas mais eficientes e compactas.

Sónia Rosário destaca o caso da ETAR de Faro-Olhão, onde foi implementado o sistema Nereda — uma tecnologia inovadora baseada em biomassa granular. “Este sistema permite uma separação sólido-líquido muito mais rápida, reduzindo significativamente o tempo de tratamento e a área necessária”, explica. “Estamos a falar de processos em que existem etapas que passam de cerca de 2 horas para apenas 20 minutos.”

Reutilizar para preservar

Num cenário de escassez, a reutilização de água residual tratada assume um papel estratégico. Tradicionalmente utilizada em campos de golfe e espaços verdes, esta prática está agora a ser repensada e ampliada.

“Estamos a trabalhar para aumentar significativamente a taxa de reutilização, passando de cerca de 4–5% para valores próximos dos 20%”, revela António Martins. Este crescimento implica não só investimento em infraestruturas, mas também um diálogo contínuo com utilizadores e outros agentes do sector como a Agência Portuguesa do Ambiente e a entidade reguladora, de forma a garantir o cumprimento dos requisitos legais e a adequação da qualidade da água aos diferentes usos.

O desafio da salinidade

Um dos principais obstáculos à reutilização, especialmente na agricultura, é a presença de sal em concentrações elevadas na água tratada. Em zonas costeiras como Faro-Olhão, a intrusão salina nas redes de saneamento é uma realidade complexa, influenciada pela topografia e pela proximidade ao mar.

Durante os períodos de maré alta, a água salgada pode infiltrar-se nas infraestruturas e, por consequência, afetar a qualidade da água tratada”, explica Sónia Rosário. Para mitigar este problema, estão em curso intervenções estruturais, como a reabilitação de redes antigas, com o objetivo de reduzir a entrada de água salina e potenciar o aumento da reutilização, designadamente em contexto agrícola.

Quando a chuva chega de repente

Se a seca representa um desafio cumulativo, os episódios de chuva intensa colocam à prova a capacidade imediata dos sistemas. A entrada indevida de águas pluviais nas redes de saneamento, muitas vezes através de ligações incorretas, provoca sobrecargas súbitas.

“A chuva arrasta areias, terras e resíduos acumulados, que acabam por chegar às estações elevatórias e ETAR, podendo causar entupimentos e falhas em determinados equipamentos” descreve António Martins. Em situações extremas, podem ocorrer descargas de emergência, designadamente nas infraestruturas de transporte, dado que os sistemas não são naturalmente dimensionados para fazer face a tais eventos.

Sónia Rosário acrescenta que “as primeiras chuvas são particularmente críticas, porque transportam todo o lixo acumulado nas ruas durante os períodos secos”, exigindo uma resposta operacional rápida e eficaz.

Num Algarve onde o clima já não segue padrões previsíveis, a gestão do saneamento assume-se como uma peça central na sustentabilidade hídrica da região. Entre a escassez e o excesso, entre a eficiência e a inovação, constrói-se uma nova relação com a água, mais consciente, mais exigente e, inevitavelmente, mais resiliente.

LABORATORIO

A ETA de Tavira assume uma importância estratégica no abastecimento de água ao sotavento algarvio, garantindo o tratamento e fornecimento de água de qualidade às populações e atividades económicas da região. Este trabalho é complementado pela ação essencial do laboratório, que realiza análises e monitorização permanentes para assegurar elevados padrões de segurança e qualidade. Em conjunto, esta infraestrutura e o rigoroso controlo laboratorial contribuem para a proteção da saúde pública, reforçam a confiança no serviço prestado e contribuem para a sustentabilidade de um recurso vital.

de Tavira

LABORATORIO DE AGUA

Ciencia ao servico da confianca

Da esquerda para a direita: Sílvia Condinho, responsável técnica das áreas de Microbiologia e Biologia; Rosário Coelho, diretora do Laboratório; e

Ribeiro, responsável técnica de Físico-Química.

Conhecimento, rigor e resposta rápida num contexto de alterações climáticas

No coração da operação da Águas do Algarve, existe uma equipa que trabalha longe dos olhares, mas no centro de decisões críticas: a equipa do Laboratório. É aqui que a qualidade da água é analisada, interpretada e, muitas vezes, antecipada.

Conversámos com Sílvia Condinho, responsável técnica das áreas de Microbiologia e Biologia, Sandra Ribeiro, responsável técnica de Físico-Química (ambas da Unidade Laboratorial de Tavira) e Rosário Coelho, diretora do Laboratório, para compreender como se monitoriza a água numa região cada vez mais marcada pela variabilidade climática, entre períodos de escassez extrema e fases de abundância.

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A missão do laboratório é clara: garantir a monitorização da qualidade da água nas várias etapas do ciclo urbano.
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“A missão do laboratório é clara: garantir a monitorização da qualidade da água nas várias etapas do ciclo urbano.”

Uma missão silenciosa, mas crítica

“O laboratório tem como missão a monitorização sistemática e rigorosa da qualidade de todos os tipos de águas: desde as águas de origem e tratamento nas ETAs, até à distribuição em alta, para consumo humano, incluindo ainda o tratamento nas ETAR e os meios recetores ambientais e, mais recentemente, as Águas para Reutilização (ApR)”, explica Rosário Coelho. “Somos, no fundo, o sistema de alerta sempre que ocorre qualquer desvio na qualidade da água.”

Este papel torna-se ainda mais relevante à medida que cresce a complexidade dos sistemas. Com cerca de 800 análises diárias e 110 amostras recolhidas, o laboratório funciona como um verdadeiro sistema de vigilância permanente.

Desde cedo, a qualidade tem sido uma prioridade estratégica da Águas do Algarve. A Certificação do produto Água para consumo humano obteve-se em 2006, o mesmo ano em que o laboratório alcançou a acreditação, garantindo o reconhecimento técnico internacional dos seus resultados. Com este estatuto, o laboratório pode efetuar a avaliação da conformidade legal, dos vários tipos de águas, perante as entidades reguladoras do sector da Água e Saneamento.

Quando a água escasseia, tudo muda

Os anos recentes trouxeram um desafio conhecido: uma seca prolongada que alterou profundamente o comportamento das massas de água.

“Na área das análises de biologia, sentimos mudanças muito claras”, refere Sílvia Condinho. “Com a redução dos níveis das albufeiras, surgiram comunidades biológicas que nunca tínhamos identificado. Tivemos de nos adaptar à presença de novas espécies, associadas a volumes de água mais baixos e a diferentes condições ambientais.”

Sandra

Também na físico-química os efeitos são evidentes. “O nosso trabalho passa por ajustar os métodos à nova realidade da água”, explica Sandra Ribeiro. “Em muitos métodos temos de trabalhar com gamas analíticas mais alargadas e interferentes distintos. Em contexto de seca, as concentrações de alguns elementos são bastante mais elevadas, o que exige adaptação constante.”

“Garantir água de qualidade começa muito antes de chegar à torneira, começa aqui, no tratamento e no laboratório.”

Para Rosário Coelho, o impacto é transversal:

“Há maior imprevisibilidade, um aumento do número de análises e mais pedidos extraordinários. Surgem situações inéditas que exigem grande capacidade de resposta e flexibilidade, tanto técnica como organizacional.”

Alterações climáticas: novos riscos, novas exigências

A evolução do contexto climático trouxe também uma outra transformação: o aumento das exigências legais.

“Hoje analisamos parâmetros que há poucos anos não eram exigidos”, explica Rosário Coelho. “Falamos dos chamados Contaminantes de Preocupação Emergente, como por exemplo produtos farmacêuticos, desreguladores endócrinos, novos pesticidas e PFAS. Além disso somos desafiados a detetar concentrações cada vez mais baixas.”

Este cenário exige investimento contínuo em equipamentos, metodologias e elevada qualificação técnica.

Apesar dos desafios, o Algarve mantém uma vantagem estrutural:

“Temos águas de origem de excelente qualidade”, sublinha. “A ausência de indústria pesada, agricultura intensiva ou grandes cargas poluentes a montante das origens permite-nos partir de uma base muito favorável.”

Um laboratório que apoia a decisão em tempo real

Mais do que produzir análises, o laboratório desempenha um papel direto no apoio à operação. “Os nossos resultados são fundamentais para a tomada de decisão ”, afirma Rosário Coelho. “Quando é necessário ajustar processos de tratamento, as decisões podem depender da nossa resposta, que tem de ser rápida e fiável.”

“A nossa equipa acumula décadas de experiência de conhecimento sobre as características das águas e, em situações críticas, está presente e garante tempos de resposta adequados, essenciais para o funcionamento dos sistemas.”

A operação do Laboratório é assegurada continuamente, com equipas de prevenção que garantem a realização de colheitas e análises durante noites, fins de semana e eventuais situações de emergência.

Rigor reconhecido internacionalmente

A Acreditação do Laboratório, obtida há cerca de duas décadas, assegura a comparabilidade das suas competências técnicas com as de qualquer laboratório a nível internacional.

“Somos auditados regularmente e participamos em ensaios interlaboratoriais, com entidades de todo o mundo”, explica Rosário. “O nosso grau de cumprimento supera os 95%, demonstrando a elevada fiabilidade do nosso trabalho.”

Este rigor é também sustentado pelo investimento tecnológico. Um exemplo recente é a aquisição de um cromatógrafo gasoso de alta precisão (GC-MS/MS).

“Este equipamento permite identificar compostos voláteis e semi-voláteis, na água, em concentrações muito reduzidas”, explica Sandra Ribeiro. “É essencial para responder às exigências legais atuais, nomeadamente na deteção de ácidos haloacéticos, bisfenol A, trihalometanos e benzeno, entre outros compostos.”

Crescer sem crescer (em espaço)

Na última década, o volume de análises aumentou cerca de 50%, impulsionado por novas exigências legais e operacionais.

“Temos conseguido acompanhar este crescimento através da otimização de processos, da reorganização interna e da automatização”, refere Rosário Coelho. “No entanto, as instalações mantêm-se praticamente as mesmas há mais de 25 anos.”

O futuro deverá passar por novas infraestruturas laboratoriais e pela criação de espaços dedicados à educação ambiental, associados à futura dessalinizadora.

Um parceiro de confiança

Mais do que uma unidade técnica, o laboratório é hoje um parceiro estratégico dentro da organização.

“Existe uma grande confiança nos resultados que produzimos”, afirma Rosário. “Somos parte integrante das decisões e trabalhamos em estreita articulação com as equipas da Operação.”

Num contexto de crescente exigência e incerteza climática, essa confiança afirma-se como um dos ativos mais valiosos do Laboratório.

MONITORIZACAO

A ETA de Tavira desempenha um papel essencial no abastecimento de água ao sotavento algarvio, assegurando o tratamento e distribuição de água de qualidade às populações e atividades económicas da região. A este trabalho junta-se a monitorização contínua da água, fundamental para acompanhar parâmetros de qualidade, garantir segurança no abastecimento e responder de forma preventiva a qualquer variação no sistema.

Em conjunto, infraestrutura, equipas e controlo contínuo contribuem para a proteção da saúde pública e para a confiança num recurso indispensável.

de Tavira

MONITORIZACAO DE AGUA

Ana Pina, DOA - Direção de Operações - Água

Transformar agua em excelencia e um trabalho diario - e invisivel

Ana Pina e os bastidores da produção de água no Sotavento Algarvio

Abrir a torneira e ver a água correr é um gesto automático. Mas por trás dessa simplicidade existe um processo altamente complexo, exigente e permanentemente ajustado.

É esse trabalho, muitas vezes invisível, que Ana Pina acompanha há vários anos nas estações de tratamento de água (ETA) de Tavira e de Beliche.

Com uma carreira dedicada ao tratamento de água, conhece como poucos os desafios de produzir, todos os dias, água segura e de excelência para o Algarve.

Uma fábrica que nunca pára

“O nosso foco é o processo de tratamento de água”, explica. “Aqui em Tavira temos uma ETA que funciona todo o ano e, em complemento, a ETA de Beliche, que entra em funcionamento sobretudo no verão, para reforçar a produção.”

Num território marcado pela sazonalidade, esta flexibilidade é essencial. “No Algarve temos grandes variações de consumo. No verão, a procura aumenta muito e temos de estar preparados para produzir caudais significativamente mais elevados.”

Tudo começa numa origem única: o sistema Odeleite-Beliche, que abastece esta infraestrutura. A partir daí, inicia-se um processo técnico exigente e em constante adaptação.

Produzir qualidade, todos os dias Apesar de invisível para o consumidor, o tratamento de água é um processo dinâmico e altamente rigoroso. “As pessoas veem apenas o resultado final, mas não têm noção das várias etapas que são necessárias para garantir quantidade e qualidade”, sublinha.

Esses desafios são cada vez maiores: “Há novos parâmetros, novas exigências legais, novas preocupações. É essencial estarmos em constante formação para responder a essa evolução.”

A qualidade da água na origem nem sempre é constante, e é aí que reside uma das maiores exigências do trabalho. “Temos de ajustar o processo diariamente. Pode haver alterações físico-químicas, biológicas ou microbiológicas, e temos de responder em tempo real.”

Seca ou abundância: desafios diferentes, o mesmo compromisso Os últimos anos trouxeram dois cenários distintos: períodos prolongados de seca e, mais recentemente, uma recuperação dos níveis de água. Em ambos os casos, os desafios existem, mas são diferentes.

“Em situação de escassez, a principal dificuldade foi gerir as origens e garantir equilíbrio sem saber quando a seca terminaria”, explica. “Mas também foi fundamental sensibilizar as pessoas para a realidade, a água deixou de estar garantida como antes.”

Internamente, foram tomadas medidas concretas:

• suspensão de regas em espaços verdes;

• redução ao essencial das limpezas e desinfeções;

• otimização máxima dos recursos.

“Já temos um controlo de perdas muito rigoroso, por isso tivemos de atuar noutras áreas onde ainda era possível reduzir consumos.”

Já em períodos de maior disponibilidade, surgem outros desafios:

“Quando há reposição de água, também há uma fase crítica de adaptação. A qualidade da água muda e o processo tem de ser ajustado novamente.”

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Apesar de invisível para o consumidor, o tratamento de água é um processo dinâmico e altamente rigoroso.

Garantia absoluta: água segura e de excelência Independentemente das condições, seca ou abundância, há uma certeza que Ana Pina reforça sem hesitação: “A água que chega ao consumidor é sempre de excelência e totalmente segura.”

Esta garantia resulta de um controlo rigoroso e contínuo: “Monitorizamos a água várias vezes por dia, em diferentes pontos do sistema. Temos uma perceção muito clara da qualidade em cada momento.”

Os resultados falam por si: os prémios e reconhecimentos obtidos ao longo dos anos confirmam essa consistência.

Água da torneira vs. água engarrafada Sobre uma dúvida frequente dos consumidores, a resposta é direta, e pessoal: “Eu e a minha família bebemos água da torneira. Acho que isso diz tudo.”

A diferença está no controlo e na frescura: “A nossa água é analisada diariamente, várias vezes. Não há comparação possível com o nível de monitorização.”

E há outro fator muitas vezes desconhecido: o tempo. “A água que tratamos pode chegar ao consumidor em poucas horas ou, no máximo, em cerca de um dia. Já a água engarrafada pode ficar armazenada durante meses. Aqui, o processo é contínuo, não há água parada.”

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Não podemos falhar. Se faltar um reagente essencial, a produção pode parar. Temos de garantir planeamento, manutenção preventiva e capacidade de resposta a qualquer alteração. “

Tecnologia, mas sobretudo pessoas

Apesar da forte componente tecnológica, Ana Pina destaca um fator essencial: as pessoas. “Temos equipamentos, temos sistemas, mas sem pessoas qualificadas e dedicadas nada funciona.”

A exigência é elevada: “Entrar numa sala de comando pode ser intimidante. Há muitos parâmetros, muitos sistemas a monitorizar. É preciso formação e confiança.”

E há desafios atuais: “Sentimos falta de recursos humanos qualificados. É uma realidade que impacta o setor e que exige atenção.”

Um processo onde nada se perde

Num contexto de escassez, a eficiência é levada ao limite mas, na verdade, já faz parte do dia a dia. “Aqui, uma gota não se perde”, garante.

Toda a água utilizada no processo é reaproveitada: “Existe uma linha de lamas onde tudo é encaminhado e reintegrado no sistema. Até a água usada nos equipamentos de medição volta ao circuito.”

Também os subprodutos são valorizados: “As lamas resultantes do tratamento não vão para aterro, são reaproveitadas.”

Uma responsabilidade permanente

Gerir uma estação de tratamento é, no fundo, gerir uma “fábrica de água”, com tudo o que isso implica. “Não podemos falhar. Se faltar um reagente essencial, a produção pode parar. Temos de garantir planeamento, manutenção preventiva e capacidade de resposta a qualquer alteração.”

Tudo isto acontece em permanência, todos os dias, com equipas, laboratório e sistemas a trabalhar em conjunto.

O invisível que garante o essencial

No final, fica uma ideia clara: há um trabalho complexo, exigente e altamente qualificado por trás de cada copo de água. Um trabalho que não se vê, mas que faz toda a diferença.

“Estamos sempre preparados para o que vier”, resume Ana Pina. “Porque garantir água de qualidade não é um objetivo pontual, é um compromisso diário.”

ADUCAO

A ETA de Alcantarilha assume um papel central no abastecimento de água ao barlavento algarvio, garantindo o tratamento de água com qualidade e segurança para populações e atividades económicas da região. A par desta missão, o trabalho de adução da água é essencial para transportar este recurso de forma eficiente e contínua através das infraestruturas que ligam captação, tratamento e distribuição. Em conjunto, tratamento e adução asseguram fiabilidade no abastecimento e reforçam a resiliência hídrica do Algarve.

ADUCAO DE AGUA

A agua nunca pode faltar - haja muita ou pouca

Manuel Gonçalves e o desafio diário de gerir o abastecimento no Algarve

Há mais de duas décadas que Manuel Gonçalves, conhecido por muitos colegas como “Matos”, acompanha de perto o percurso da água no Algarve. Entrou no setor ainda nos Serviços Municipalizados de Portimão e integra a Águas do Algarve desde o ano 2000, acompanhando praticamente toda a evolução do sistema multimunicipal.

Hoje, como técnico na área da adução, é um dos profissionais responsáveis por garantir que a água chega, todos os dias, a quem dela precisa, sem falhas, independentemente das condições.

Um trabalho invisível, mas essencial

“Trabalhamos no transporte da água, desde a saída do tratamento até aos municípios”, explica. “Fazemos o planeamento das operações, das intervenções e o acompanhamento diário de tudo o que se passa no sistema.”

Na prática, isso significa definir estratégias operacionais, gerir fluxos e garantir equilíbrio num sistema que tem de funcionar em permanência. Um trabalho técnico, mas também altamente exigente em termos de responsabilidade.

Gerir a escassez: rigor absoluto

Quando questionado sobre os anos recentes de seca extrema, a resposta é direta: “É sempre mais difícil. Quanto menos água temos, maior é a exigência.”

Nesses períodos, o foco intensifica-se: “Não pode haver desperdício. Temos de saber sempre onde estão as maiores dificuldades e agir em conformidade. O rigor tem de ser máximo.” Ainda assim, há um princípio que nunca muda:

“A água não pode faltar. Haja muita ou pouca, o objetivo é sempre o mesmo.”

Memórias de um limite real

Entre os vários momentos ao longo da sua carreira, há um que permanece particularmente marcante.

“Foi no início dos anos 2000, quando tivemos de instalar uma jangada de elevação na barragem do Funcho”, recorda.

“Já estávamos a usar o volume morto e as perspetivas eram muito negativas. Se não chovesse naquele inverno, a situação seria crítica.”

Hoje, acredita que a experiência acumulada permite encarar os desafios de forma diferente: “Temos outra maturidade. Sabemos melhor como reagir, mesmo em cenários difíceis.”

Abundância não significa desperdício

Com as barragens atualmente em níveis mais confortáveis, poderia pensar-se que a gestão se torna mais simples. Mas não é assim.

“Para nós, o rigor é sempre o mesmo”, afirma. “Não é por haver mais água que se pode facilitar. A água é sempre um bem precioso.”

A principal preocupação desloca-se, aliás, para o comportamento do consumo: “O risco é as pessoas relaxarem. Quando há mais água disponível, pode haver tendência para gastar mais do que o necessário. E isso exige sensibilização.”

Água da torneira: confiança e conhecimento

Um dos temas recorrentes quando se fala de água é a perceção pública da sua qualidade. Manuel Gonçalves não tem dúvidas: “Há falta de informação. Muitas vezes as pessoas não conhecem o processo e tiram conclusões erradas.”

Manuel Gonçalves, Técnico na área da adução

Um exemplo comum é a água esbranquiçada que, por vezes, sai da torneira: “São apenas bolhas de ar, provocadas por diferenças de temperatura ou por operações na rede, como enchimentos ou roturas. Não tem nada a ver com qualidade ou com produtos.

A recomendação é clara: “Eu consumo água da torneira, aqui e em casa. E recomendo.”

Um sistema cada vez mais interligado

Atualmente, o sistema permite uma gestão mais flexível dos recursos hídricos, incluindo a possibilidade de transferir água entre diferentes zonas da região.

“Hoje conseguimos enviar água entre o Barlavento e o Sotavento, consoante as necessidades”, explica. “Isso dá-nos uma capacidade de resposta muito maior.”

Esta gestão é suportada por sistemas avançados de telegestão, que permitem monitorizar em tempo real todo o sistema.

“Sabemos ao segundo quanta água há, para onde está a ir, qual é o consumo e até eventuais falhas. Isso permite-nos agir rapidamente e evitar interrupções.”

Uma “fábrica” que transforma água em excelência

Apesar de atualmente estar na área da adução, Manuel não esquece a passagem pelo tratamento.

“É um processo complexo, mas essencial. Podemos dizer que é quase um milagre: transformar uma água, por vezes com qualidade difícil, numa água de excelência para consumo.”

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A nossa função

é garantir que a água chega sempre. E isso faz-se todos os dias, com o mesmo rigor.

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Experiência que se transmite

Com mais de 25 anos de experiência, assume também um papel importante na integração de novos profissionais.

“É importante passar o conhecimento a quem entra. Isso ajuda a manter o nível de qualidade e a continuidade do trabalho.”

Entre o futuro e a incerteza

Olhando para o futuro, admite que a tecnologia terá um papel cada vez mais relevante.

“Daqui a 10 anos, muita coisa poderá estar automatizada. A inteligência artificial pode ajudar bastante na gestão.”

Mas deixa também uma reflexão: “Tudo o que vier para ajudar é bem-vindo. Mas substituir totalmente o fator humano… espero que não. A experiência e o conhecimento no terreno continuam a ser fundamentais.”

Rigor, todos os dias

No final, a ideia que fica é simples, mas poderosa: Independentemente da chuva, da seca ou da tecnologia, há um compromisso que não muda.

“A nossa função é garantir que a água chega sempre. E isso faz-se todos os dias, com o mesmo rigor.”

A ETAR de Vilamoura desempenha um papel fundamental no saneamento básico da região algarvia. Esta infraestrutura assegura o tratamento das águas residuais produzidas por habitações, hotéis e espaços turísticos. Devido à forte atividade turística em Vilamoura, a estação tem grande importância ambiental e sanitária. O tratamento adequado das águas ajuda a preservar a qualidade das praias e da marina de Vilamoura. A ETAR contribui também para a proteção dos recursos hídricos e dos ecossistemas locais. Em algumas situações, a água tratada pode ser reutilizada para fins de rega e manutenção de espaços verdes. Assim, a ETAR de Vilamoura é essencial para promover um crescimento urbano e turístico sustentável.

ETAR de Vilamoura

ApR DE VILAMOURA

Inovacao h drica ao servico do Algarve

Por Ana Vermelhudo

Gestora de Projeto, Direção de Gestão de Ativos, Departamento de Engenharia e Obras

Como surgiu o investimento na infraestrutura de elevação e adução de ApR da ETAR de Vilamoura?

Este investimento surgiu no contexto do Plano Regional de Eficiência Hídrica do Algarve (PREHA) e do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR 2021–2026). O objetivo foi responder ao agravamento da escassez hídrica na região,

resultante das alterações climáticas e do aumento da procura turística e agrícola. Paralelamente, pretendeu-se promover a economia circular, a inovação tecnológica e a sustentabilidade ambiental.

Em que contexto este projeto se insere no plano global da Águas do Algarve?

O projeto integra um conjunto de quatro iniciativas destinadas a aumentar o volume de água reutilizada dos atuais 1,4 hm³/ ano para 8 hm³/ano. O investimento global ronda os 25

Ana Vermelhudo

Gestora de Projeto, Direção de Gestão de Ativos, Departamento de Engenharia e Obras

milhões de euros, financiados pelo PRR, sendo que a ApR de Vilamoura representa mais de metade desse volume, com um investimento total de cerca de 14 milhões de euros.

Qual o estado atual da obra e quem são os principais intervenientes?

A obra encontra-se em fase final de execução. O projeto foi desenvolvido pela TPF Consulting e está a ser construído pelo consórcio Tecnorem–Acciona, responsável também pela conceção do sistema de tratamento. A fiscalização está a cargo da Prospectiva. O investimento em construção é de aproximadamente 10 milhões de euros, incluindo o sistema de ultrafiltração, uma adutora de 12 km e dez pontos de entrega, entre campos de golfe, zonas ajardinadas e uma vinha.

O processo de tratamento distingue-se dos restantes projetos. Em que sentido? Enquanto a maioria das soluções recorre sobretudo à cloração, em Vilamoura foi adotado um processo mais

avançado baseado em ultrafiltração por membranas. O sistema inicia-se num tanque de equalização de 325 m³ para compensação de picos de caudal até 1.000 m³/h. Seguem-se etapas de coagulação, microfiltração e ultrafiltração em 192 módulos de membranas Toray em PVDF, com poros de 0,01 µm. No final, é adicionada uma pequena dose de hipoclorito no reservatório de água tratada para assegurar estabilidade microbiológica.

Que desempenho se espera atingir com esta solução?

A tecnologia instalada permite produzir água de Classe A, mesmo que a licença requerida tenha sido para Classe B. Prevê-se disponibilizar cerca de 16.000 m³ de água tratada por dia, o que corresponde a aproximadamente 5,52 hm³ por ano — cerca de 50% do volume total tratado na ETAR.

Quais os principais benefícios ambientais e económicos?

Do ponto de vista ambiental, reduz-se a pressão sobre recursos hídricos naturais, protege-se o ecossistema envolvente e contribui-se para a diminuição das emissões de carbono. Economicamente, o projeto promove a eficiência das infraestruturas, dinamiza a economia verde e o turismo sustentável e cria emprego qualificado. Socialmente, reforça a segurança hídrica, melhora a qualidade de vida e estimula a educação ambiental.

O projeto está alinhado com objetivos de sustentabilidade mais amplos?

Sim. A operação está alinhada com diversos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável — nomeadamente os ODS 6, 8, 9, 11, 12, 13, 15 e 17 — evidenciando uma abordagem integrada, moderna e totalmente replicável noutras regiões.

Quais são ainda os desafios a superar?

Há desafios associados à manutenção especializada, à redução de custos energéticos, à variabilidade climática e à necessidade de reforçar parcerias com entidades locais e operadores turísticos.

Como resumiria a importância deste projeto para a região?

A ApR de Vilamoura representa uma nova geração de projetos de reutilização de água: combina inovação, eficiência e sustentabilidade numa solução tecnicamente robusta e orientada para as necessidades reais da região. A integração de tecnologias de ultrafiltração com monitorização inteligente via sistema SCADA assegura controlo em tempo real de caudais, pressões, qualidade e perdas, tornando este projeto uma referência na reutilização de água urbana sendo neste momento a maior ApR de águas residuais domésticas da Europa.

TRANSICAO ENERGETICA

Eficiencia e inovacao ao servico da agua

As energias renováveis assumem hoje um papel estratégico no desenvolvimento sustentável das sociedades. Num contexto em que as alterações climáticas se tornam cada vez mais evidentes, e os recursos naturais tradicionais começam a escassear, torna-se essencial promover modelos energéticos baseados na sustentabilidade, na eficiência e na utilização responsável dos recursos.

A transição para fontes de energia 100% renováveis, contribui significativamente para a redução das emissões de gases com efeito de estufa, mitigando os impactos ambientais associados à produção de energia a partir de combustíveis fósseis. Além disso, estas fontes permitem diversificar a matriz energética, reduzir a dependência da rede elétrica de serviço público (RESP) e aumentar a segurança no abastecimento.

A promoção da eficiência energética é igualmente fundamental. Produzir energia de forma sustentável é apenas parte do desafio; é necessário também utilizá-la de forma racional, reduzindo perdas, otimizando processos e incentivando a utilização de tecnologias mais eficientes. Esta abordagem integrada permite não só preservar recursos naturais, mas também gerar benefícios económicos, através da diminuição de custos operacionais e do estímulo à inovação tecnológica.

Investir em energias renováveis representa um compromisso com as gerações futuras, sendo uma escolha estratégica que alia desenvolvimento económico, proteção ambiental e responsabilidade social, promovendo um modelo de crescimento mais equilibrado, resiliente e sustentável.

Consciente desta problemática, a Águas do Algarve, S.A. tem vindo a investir fortemente na construção de centrais fotovoltaicas, principalmente para autoconsumo (UPAC), assim como na implementação de medidas de eficiência energética, nomeadamente através de adoção de boas práticas de gestão, na otimização dos processos e na aquisição de equipamentos mais eficientes.

Atualmente, a AdA é detentora de 7 UPAC, com uma potência total instalada de 2,1 MWp. e 1 instalação de produção de biogás, através de cogeração, também para autoconsumo, com uma potência instalada de 200 kW.

Para além das unidades atrás referidas, a AdA possui ainda 55 instalações equipadas com unidades de microprodução fotovoltaica, com uma potência total instalada de 220 kWp, 3 instalações equipadas com unidades de miniprodução fotovoltaica, sendo 2 delas em parceria com a AdP Energias e a outra, cujo investimento esteve a cargo da Galp e, atualmente, a exploração e manutenção, também, com uma potência total instalada de 326 kWp. A produção elétrica resultante das unidades atrás referidas, é para venda à RESP.

Em termos futuros, no âmbito do Programa de Neutralidade Energética do Grupo AdP (Programa Zero), que tem como objetivo a redução dos consumos energéticos nas infraestruturas de abastecimento de água, de saneamento de águas residuais e outras, e aumentar fortemente a produção própria de energia 100% renovável, principalmente para autoconsumo, por forma a que seja possível atingir a neutralidade energética nos próximos anos, e em que o contributo da AdA é essencial para tornar possível atingir estas metas, prevendo-se a realização de um investimento estimado de 44,8 M€, na instalação de centrais de produção de energia proveniente de fontes de energia renováveis, com especial enfoque na eólica, hídrica e reforço da solar.

Mais recentemente, houve a necessidade de ajustar o Programa de Neutralidade, considerando os investimentos enquadrados no âmbito do Programa Sustentável 2030, reforçando-o com mais algumas medidas, para que seja possível manter os objetivos relativos à Neutralidade Energética, destacando-

Investir em energias renováveis representa um compromisso com as gerações futuras...

se a instalação de uma UPAC, associada à futura Estação de Dessalinização de Água do Mar do Algarve.

Sendo esta uma instalação consumidora intensiva de energia, estão igualmente previstas medidas destinadas à otimização do desempenho energético. Entre as principais destaca-se a instalação de Dispositivos de Recuperação de Energia (Energy Recovery Devices – ERD), no processo de Osmose Inversa.

A integração destes dispositivos permitirá recuperar a energia hidráulica da corrente de rejeição, transferindo-a para a corrente de alimentação, reduzindo significativamente a potência requerida pelas bombas de alta pressão. Com esta solução, estima-se que o sistema possa atingir uma eficiência energética superior a 97% ao nível da recuperação de energia, valor considerado bastante elevado e tecnicamente muito satisfatório para processos de Osmose Inversa.

Esta medida contribuirá não apenas para a redução do consumo específico de energia (kWh/m³), mas também para a diminuição dos custos operacionais e da pegada carbónica da instalação, reforçando a sustentabilidade global do sistema.

O consumo de energia elétrica é indissociável da atividade das entidades gestoras de abastecimento de água e de saneamento de águas residuais, representando uma parcela substancial dos seus custos, pelo que uma gestão eficiente da energia, é fundamental para a sustentabilidade

e competitividade das mesmas, reforçando a sua capacidade para responder aos desafios atuais associados ao aumento dos custos da energia, e à crescente volatilidade dos mercados energéticos, muitas vezes agravada por tensões geopolíticas e conflitos internacionais.

A área de gestão de energia constituiu um desafio constante, mas também muito estimulante, que exige aprendizagem contínua e uma visão estratégica na forma como as organizações gerem, utilizam e otimizam os seus recursos energéticos.

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A transição para fontes de energia 100% renováveis, contribui significativamente para a redução das emissões de gases com efeito de estufa, mitigando os impactos ambientais associados à produção de energia a partir de combustíveis fósseis.

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A Águas do Algarve, S.A. tem vindo, ao longo da sua história, a afirmar-se como um agente determinante no desenvolvimento sustentável da região do Algarve...

INVESTIMENTO O papel da funcao Candidaturas e Financiamentos, no reforco do investimento estrategico

Por Maria da Luz Berjano e Sandra Gouveia, Técnicas Candidaturas e Financiamento

A Águas do Algarve, S.A. tem vindo, ao longo da sua história, a afirmar-se como um agente determinante no desenvolvimento sustentável da região do Algarve, através de um investimento consistente e estruturado no setor da água e saneamento. Este percurso contribuiu para posicionar o Algarve como uma referência nacional em termos de qualidade da água para consumo humano e do tratamento de efluentes.

A estratégia da empresa tem assentado num forte investimento, quer ao nível das infraestruturas, assegurando uma elevada cobertura de serviço, quer ao nível operacional, com a implementação de soluções inovadoras orientadas para a eficiência, qualidade e sustentabilidade.

Num contexto particularmente exigente, marcado pela escassez hídrica, pelas alterações climáticas e pela elevada sazonalidade turística da região, a necessidade de investimento continuo e a capacidade de captar financiamento assumem um papel crítico.

É neste âmbito que a função de Candidaturas e Financiamento da Águas do Algarve tem vindo a desenvolver a sua atividade, contribuindo de forma decisiva para a concretização de projetos estruturantes com impacto direto na qualidade de vida das populações e na resiliência do território.

Em 2025, o volume global de investimento associado a projetos aprovados e em execução atingiu cerca de 140 milhões de euros, maioritariamente financiados pelo Programa Operacional Regional Algarve 2030, pelo Programa de Recuperação e Resiliência (PRR) e pelo Fundo Ambiental.

Presentemente, encontram-se em fase de preparação candidaturas na ordem dos 300 milhões de euros, no âmbito do Programa Operacional Sustentável 2030, evidenciando a ambição contínua da empresa em reforçar a resiliência hídrica e a sustentabilidade ambiental da região.

Para além dos investimentos de maior dimensão e carácter infraestrutural, a Águas do Algarve também participa ativamente em diversos projetos de Cooperação Territorial, e de Investigação, Desenvolvimento e Inovação (I&DI), promovendo assim a partilha de conhecimento e o desenvolvimento de soluções conjuntas para os desafios do setor.

O trabalho desenvolvido pela função de Candidaturas e Financiamento tem sido essencial neste processo, através de

e

uma atuação que combina análise estratégica, estruturação financeira e uma forte articulação com equipas internas e parceiros externos. Apesar de discreta, esta função tem garantido a apresentação de candidaturas competitivas e a execução eficaz dos projetos, assegurando o cumprimento das exigências das entidades financiadoras.

O balanço de 2025 confirma, assim, a importância desta área na concretização e eficiência dos investimentos da Águas do Algarve, reforçando a capacidade de resposta da empresa aos desafios crescentes da região.

Para 2026, perspetiva-se a continuidade deste percurso, com novas oportunidades de financiamento e um reforço do compromisso com a eficiência na gestão de recursos e a sustentabilidade do setor.

Maria de Luz Berjano, Técnica de Candidaturas e Financiamento
Sandra Gouveia, Técnica de Candidaturas
Financiamento

GESTAO

A ETAR de Almargem, localizada no concelho de Tavira, tem um papel importante na gestão das águas residuais urbanas. Esta infraestrutura permite minimizar os impactos ambientais causados pelos efluentes domésticos. O funcionamento da estação contribui para manter a qualidade ambiental das zonas envolventes. A ETAR apoia igualmente o equilíbrio ecológico das áreas próximas da Ria Formosa. A eficiência do sistema é fundamental para acompanhar o crescimento populacional e turístico da região. Assim, a ETAR de Almargem representa um investimento essencial na proteção ambiental e no desenvolvimento sustentável local.

ETAR

de Almargem, Tavira

Thiago Coelho Jorge, Engenheiro Civil da Direção de Gestão de Ativos – Departamento de Engenharia e Obras

GESTAO INTEGRADA

de elevacao e aducao de agua para reutilizacao (ApR)

Por Thiago Coelho Jorge, Engenheiro Civil da Direção de Gestão de Ativos – Departamento de Engenharia e Obras

A crescente pressão sobre os recursos hídricos exige uma redefinição urgente da nossa abordagem à água. Neste contexto, o desenvolvimento de projetos de Água para Reutilização (ApR) torna-se um desafio da gestão integrada nas ETARs, muito para além da simples execução construtiva dentro de um conceito verdadeiramente transversal, que requer integração, adaptação e visão estratégica. Visando

assegurar o fornecimento de água para utilizações como a irrigação de campos de golfe e espaços verdes, um uso que exige o cumprimento de rigorosos padrões de qualidade conforme exigido pelo Decreto-Lei n.º 119/2019, de 21 de agosto. A fase de ApR, introduz um tratamento adicional (terciário) ao sistema das ETARs, para garantir a entrega de água de Classe B.

A implementação de sistemas de ApR emerge como um pilar essencial na gestão sustentável dos recursos hídricos, numa altura em que, projetos desta natureza ganham grande importância no Algarve, pela falta de água, torna-se crucial entender a complexidade técnica e o rigor de gestão exigidos nestas obras.

A gestão de projetos desta natureza deve ser classifica como “gestão integrada com características de complexidade técnica ou financeira”, que exige uma monitorização permanente, que assume um papel essencial na otimização da utilização dos recursos e na medição do desempenho, com o desenvolvimento de indicadores de execução quantitativos e qualitativos adequados. Estes indicadores medem os níveis de desempenho e a execução técnica e material. Os indicadores qualitativos, incluem a avaliação da qualidade do serviço prestado e a conformidade com as normas.

A gestão aplica-se diretamente à verificação dos componentes do tratamento terciário, centrando-se na garantia de que a instalação cumpre as metas de efluente, desde os primeiros dias de funcionamento, demostrando que os projetos, representam um compromisso com a excelência técnica, ambiental e social. A água residual é transformada em um recurso valioso para irrigação de campos de golfe e espaços verdes.

O conceito operacional destas infraestruturas é a adição de um tratamento terciário que pega a água que já passou pelo tratamento secundário da ETAR, disponibilizando o uso de água de Classe B, para além da irrigação de campos de golfe e espaços verdes, usos internos da própria ETAR e abastecimento de caminhões cisternas.

Numa aplicação prática da integração da infraestrutura de tratamento terciário em uma ETAR, importa dizer que o ponto de decisão para o acionamento deste tratamento é definido através de um sistema de desvio controlado do efluente secundário, implementado por câmaras de derivação que funcionam como caixas de interligação “inteligente”. Estas câmaras podem integrar defletores ou dispositivos de regulação de caudal, concebidos para priorizar o encaminhamento do efluente para o sistema de reutilização. Apenas quando o caudal afluente excede a capacidade operacional do sistema terciário é que o excedente é automaticamente desviado para a linha de descarga convencional.

A água, para reutilização é elevada através das estações elevatória (EE) com bombas. A gestão dos níveis do poço (nível alto e nível baixo) é crucial para maximizar o volume útil e diminuir o número de arranques dos grupos de bombagem, seguindo as boas práticas de manutenção.

A Filtração da água é realizada por filtros automáticos e sua desinfeção é efetuada no canal de cloragem/labirinto, desenhado em forma de chicana para promover o tempo de contacto com o hipoclorito de sódio.

As gestões operacionais destas infraestruturas foram integradas no sistema digital Supervisory Control and Data Acquisition (SCADA), que fornece as informações funcionais da aplicação e permite o controlo automatizado. O sistema SCADA é uma ferramenta vital de gestão de desempenho e manutenção, o estado dos equipamentos é visualizado em sinópticos. Além disso, a gestão integrada a estrutura da ApR, conta com um “Menu Registos”, que permite consultar o total das horas de funcionamento e o número de manobras (arranque) dos equipamentos, o que é essencial para o planeamento de manutenção.

A gestão de projetos de Água para Reutilização (ApR) para a Águas do Algarve, S.A. é mais do que a supervisão de uma empreitada, é a implementação de um modelo de governança técnica concebido para assegurar a preservação do recurso. A complexidade do trabalho, que exige a transformação de água residual tratada biologicamente num recurso de Classe B, é gerida através de um ciclo rigoroso de controlo em tempo real, validação de desempenho e melhoria contínua.

O processo de gestão das infraestruturas de ApR é um modelo dinâmico que transforma o desafio da escassez hídrica numa oportunidade de criação de ativos duráveis.

A capacidade da Águas do Algarve, S.A. de validar o cumprimento da Classe B e, simultaneamente, de utilizar os dados de desempenho (horas de funcionamento, ciclos de arranque, valores de condutividade e turvação) para impor ações corretivas e melhorias de projeto, assegura que o investimento público se traduz em resiliência operacional.

Esta gestão integrada, que abrange desde a segurança no comando (SCADA) até à otimização hidráulica e química, constitui um contributo para a gestão do futuro e a garantia de que a Água para Reutilização se consolida como uma fonte fiável e essencial para a sustentabilidade da região.

Este processo de excelência, conduzido pela Águas do Algarve, S.A., transforma o desafio técnico e operacional numa contribuição inestimável para a gestão do futuro, garantindo que as infraestruturas de ApR são ativos hídricos resilientes e duradouros.

EDUCACAO AMBIENTAL

Comunicar bem, nao e chegar a todos! E garantir que ninguem fica para tras

Por Teresa Fernandes, Coordenadora do Projeto “A Água e o Mar para Mim”

Falamos de água.

De escassez.

De alterações climáticas. De futuro.

Mas há uma pergunta que raramente fazemos: quem fica de fora desta conversa?

Durante anos, a comunicação ambiental foi construída à volta de dados, metas e alertas. Tudo isto é essencial, mas, muitas vezes, esquecemo-nos do mais importante: as pessoas. E, dentro destas, aquelas que quase nunca têm voz. Estas, são para mim, pessoas especiais! Idosos. Pessoas com deficiência. Comunidades que vivem à margem das grandes

narrativas. E, no entanto, são precisamente essas pessoas que têm tanto para dizer.

Foi desta inquietação que nasceu o projeto “A Água e o Mar para Mim”. Não como mais uma campanha. Mas como um ensaio real, de se fazer diferente, o que já se faz bem.

Trocar o discurso pela experiência. A mensagem pela participação. E a comunicação pelas emoções. Aqui, um objeto simples, um chapéu de chuva, ganha um novo significado. Deixa de ser apenas proteção para se transformar em expressão. Em memória. Em identidade. Cada peça criada não é apenas uma obra. É uma história. Um olhar sobre o mundo. Uma forma única de sentir a água e o mar. E é neste ponto que tudo muda. Eu, inclusive.

Porque quando damos espaço para criar, estamos a dar muito mais do que uma oportunidade artística, estamos a reconhecer valor, dignidade e pertença.

Num tempo em que tanto se fala de inclusão, talvez seja importante dizer isto com clareza: incluir não é convidar a participar. É criar condições para que cada pessoa se sinta integrada como fazendo parte do projeto, não deixando ninguém para trás.

E isso não se faz apenas com palavras. Faz-se com ações concretas. E foi assim, que na 4.ª edição deste projeto, tivemos mais de 300 pessoas reunidas num mesmo espaço, vindas de todo o Algarve. Com histórias diferentes, percursos diferentes, capacidades diferentes.

Mas com algo em comum: todas tinham algo para dizer. E disseram.

Disseram através da cor. Da forma. Da criatividade. Das emoções. Ali, não havia barreiras. Não havia rótulos. Não havia distância. Havia apenas pessoas. E aquilo que conseguem fazer quando alguém acredita nelas. Talvez seja isso que este projeto nos ensina.

Que a comunicação só faz sentido quando é partilhada. Que a sustentabilidade só é verdadeira quando é humana. E que o futuro não se constrói deixando alguém para trás.

Porque, no final, podemos falar de água como recurso, como desafio ou como prioridade. Mas é nas pessoas que encontramos o seu verdadeiro valor.

Sobre o projeto “A Água e o Mar para Mim” Num país marcado por profundas alterações demográficas e sociais, onde o envelhecimento da população é uma realidade crescente e onde uma parte significativa da sociedade continua a enfrentar barreiras à participação plena, a inclusão assume hoje um papel central e inadiável. Mais do que um

princípio, é uma responsabilidade coletiva. É neste contexto que este projeto ganha ainda maior relevância.

Promovido pela Águas do Algarve, o projeto “A Água e o Mar para Mim” cruza arte, sustentabilidade e participação social, desafiando instituições que trabalham com pessoas idosas e pessoas com deficiência a criar obras artísticas a partir de chapéus de chuva. Através desta iniciativa, a Águas do Algarve demonstra que a sustentabilidade não se esgota na gestão eficiente dos recursos naturais. Ela constrói-se também na forma como incluímos, envolvemos e valorizamos as pessoas. A arte surge, assim, como um poderoso instrumento de comunicação e transformação, capaz de traduzir emoções, memórias e visões únicas sobre a água e o mar — dois elementos estruturantes da identidade algarvia. Paralelamente, o projeto mantém uma forte componente de sensibilização ambiental, abordando temas como a escassez hídrica, a preservação dos oceanos, a biodiversidade marinha e o impacto das alterações climáticas. Num território particularmente vulnerável como o Algarve, esta reflexão ganha uma urgência acrescida, convocando todos para uma ação mais consciente e responsável.

A exposição itinerante das obras continua a ser um dos grandes pilares do projeto, permitindo levar esta mensagem a diferentes municípios da região, aproximando comunidades e estimulando o diálogo em torno da água, da sustentabilidade e da inclusão. Cada peça exposta é mais do que uma criação artística — é um testemunho vivo, uma história partilhada, um convite à reflexão. A 4.ª edição, contou com 44 candidaturas e 55 projetos

Em 2025, o projeto foi distinguido com o 1.º prémio na categoria de Responsabilidade Social e Ambiental, nos Prémios Essência do Ambiente.

A água pode ser o tema. Mas serão sempre as pessoas a dar-lhe sentido.

EDUCACAO AMBIENTAL

2025: um ano de excecao na agua e na Educacao Ambiental

Por Filipa Almeida, Técnica de Educação Ambiental

O ano de 2025 ficou marcado por uma dupla exceção no Algarve: uma recuperação hídrica histórica, com o seu ponto mais elevado em janeiro de 2026, e um impacto educativo sem precedentes por parte do serviço de Educação Ambiental da Águas do Algarve. Ao longo do ano, foram dinamizadas mais de 150 atividades, envolvendo diretamente 18.879 participantes em ações de sensibilização ambiental.

Esta intervenção abrangeu todo o território algarvio, com forte incidência na comunidade escolar, através de centenas de sessões em escolas de todos os níveis de ensino. Paralelamente, foram promovidas visitas a infraestruturas como ETA, ETAR e à barragem de Odelouca, permitindo aos participantes conhecer o funcionamento real do ciclo urbano da água. Exposições temáticas, feiras, eventos científicos e iniciativas em espaços públicos reforçaram esta proximidade com a população.

Os dados evidenciam uma forte distribuição territorial, destacando-se os municípios de Faro (18879), Albufeira (6600), Loulé (6900), Portimão (4813), Lagos (4671), Tavira (2271), Olhão (1369), Vila Real de Santo António (5177), Silves (1744), Castro Marim (3003). Estes números não incluem iniciativas de grande escala, como o “Desafio da Água” ou exposições públicas, cujos contactos são difíceis de quantificar, o que reforça ainda mais o alcance global destas ações.

A análise mensal mostra que os períodos com maior atividade — março, maio, agosto e outubro — coincidiram com o calendário escolar e com eventos públicos, demonstrando a importância da articulação entre escolas e comunidade.

Este trabalho decorreu num contexto particularmente relevante. Depois de anos de seca severa, as barragens recuperaram para valores próximos dos 70% em 2025, com

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CONTACTOS POR MÊS - 2025

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Município

descargas preventivas em janeiro de 2026. Esta abundância representou uma oportunidade pedagógica única.

Educar em contexto de abundância é essencial para evitar falsas perceções de segurança. Ao contrário dos períodos de seca, em que a educação se centra na urgência da poupança, este foi o momento para explicar a variabilidade climática, o ciclo da água, a gestão de barragens, a recarga dos aquíferos e o impacto do consumo humano.

O principal ensinamento de 2025 é claro: a Educação Ambiental não deve ser apenas uma resposta à crise, mas um processo contínuo e estruturante. A consistência das ações permitiu consolidar conhecimentos, promover comportamentos sustentáveis e preparar a população para a incerteza climática futura.

Num contexto de alterações climáticas, esta abordagem afirma-se como um pilar essencial da resiliência do Algarve, reforçando o papel da educação como instrumento fundamental de adaptação às alterações climáticas para garantir um futuro sustentável.

Filipa Almeida, Técnica de Educação Ambiental

INTERNACIONAL

Singapura: quando a escassez se transforma em estrategia

Num território marcado pela escassez de recursos naturais, Singapura tornou-se uma referência mundial na gestão sustentável da água. Perante o stress hídrico e os desafios climáticos, o país respondeu com visão estratégica, inovação tecnológica e planeamento de longo prazo. Hoje, é exemplo de como a diversificação de fontes, a reutilização e a eficiência podem garantir segurança hídrica. Mais do que superar limitações, Singapura mostrou que a escassez pode ser transformada em oportunidade. Um modelo inspirador para regiões como o Algarve.

Um modelo global de gestão sustentável da água

Num território com recursos naturais limitados e sujeito a elevado stress hídrico, Singapura construiu um dos modelos de gestão da água mais inovadores e resilientes do mundo. Perante os desafios impostos pelas alterações climáticas e pela crescente procura, o país transformou a escassez numa oportunidade estratégica, assente na diversificação de fontes e na inovação tecnológica.

Um sistema assente em quatro pilares

A resposta de Singapura materializa-se num modelo integrado, desenvolvido pela PUB – Agência Nacional de Água de Singapura, baseado nas chamadas “Quatro Torneiras Nacionais”:

• água da bacia hidrográfica local

• água importada

• água reciclada de alta qualidade (NEWater)

• água dessalinizada

Este sistema permite garantir o abastecimento a uma população em crescimento, assegurando simultaneamente uma abordagem circular e sustentável ao uso da água.

Historicamente dependente da água proveniente do rio Johor, na Malásia, Singapura viu reforçada a necessidade de autonomia hídrica face às incertezas políticas e ao término do acordo de fornecimento previsto para 2061.

Uma procura crescente, uma resposta antecipada

Atualmente, o consumo diário ronda os 1.954 mil milhões de litros de água, sendo cerca de 45% destinado ao uso doméstico. As projeções indicam que esta necessidade poderá duplicar até 2060.

Para responder a este cenário, o país aposta no reforço da reutilização e da dessalinização, com o objetivo de garantir até 85% das necessidades futuras através destas duas fontes.

NEWater: o ciclo completo da água

No centro desta estratégia está a NEWater, um sistema de reutilização de água que se tornou uma referência internacional.

Totalmente servida por um sistema de saneamento, Singapura investiu numa infraestrutura de grande escala — o sistema de túneis profundos — que funciona como uma verdadeira “autoestrada subterrânea”, transportando águas residuais para tratamento.

A partir daí, a água segue para unidades especializadas onde é sujeita a um processo avançado de purificação em três etapas:

• Microfiltração / Ultrafiltração - remoção de partículas e microrganismos

• Osmose inversa - eliminação de contaminantes através de membranas de elevada precisão

• Desinfeção ultravioleta - etapa final de segurança, garantindo a pureza microbiológica

O resultado é uma água reciclada de elevada qualidade, descrita como “ultralimpa” e segura.

De solução técnica a pilar estratégico

Embora os primeiros estudos sobre reutilização remontem à década de 1970, só nos anos 90, com a evolução tecnológica, foi possível tornar o processo viável e eficiente.

Desde então, a NEWater foi sujeita a mais de 130 mil testes e auditorias, sendo reconhecida internacionalmente como uma fonte segura, em conformidade com os padrões da Organização Mundial de Saúde.

Hoje, representa cerca de 40% do abastecimento de água de Singapura, com previsão de crescimento para 55% até 2060.

Confiança: o fator decisivo

Para além da inovação tecnológica, o sucesso da NEWater assentou num elemento fundamental: a confiança da população.

Consciente deste desafio, a PUB investiu numa estratégia de comunicação transparente e pedagógica, explicando todo o processo de tratamento e garantindo a segurança da água.

Um dos momentos mais simbólicos ocorreu em 2002, no lançamento oficial da NEWater, durante o Dia Nacional. Perante dezenas de milhares de pessoas, a população brindou com esta água reciclada, um gesto que marcou a aceitação pública.

Essa confiança tem vindo a consolidar-se ao longo dos anos, com iniciativas inovadoras de comunicação, como a criação da cerveja NEWater (NEWbrew), produzida a partir de água reciclada.

Um exemplo para o mundo e para o Algarve Hoje, Singapura é amplamente reconhecida como um caso de estudo de excelência na gestão integrada da água.

A sua experiência demonstra que a resposta aos desafios das alterações climáticas exige visão de longo prazo, investimento contínuo e uma abordagem integrada que combine tecnologia, eficiência e envolvimento da sociedade.

Para regiões como o Algarve, onde a variabilidade climática e a pressão sobre os recursos hídricos são uma realidade cada vez mais evidente, este exemplo assume particular relevância. A aposta na diversificação de origens, na reutilização e na eficiência dos sistemas não é apenas uma tendência, é uma necessidade estratégica.

Mais do que um caso distante, Singapura demonstra que é possível transformar a escassez num motor de inovação. E reforça uma ideia essencial: garantir água no futuro começa nas decisões que tomamos hoje.

CASE STUDY SOURCE

No deserto, a agua nao e apenas um recurso. E uma promessa.

Quem já atravessou uma paisagem árida sabe que ali tudo gira em torno da sua ausência. O horizonte parece infinito, o ar tremula sob o calor e cada sombra parece guardar silêncio. Durante séculos, sobreviver nesses lugares significou procurar poços escondidos, seguir o rasto de antigas nascentes ou esperar por uma chuva que muitas vezes não chegava.

Por isso, há algo quase poético na ideia de uma tecnologia que produz água potável no meio do deserto.

Não uma miragem, não um oásis natural, mas uma estrutura tecnológica inovadora de “hidropainéis” (Hydropanels) que olham para o céu e, pacientemente, recolhem aquilo que quase ninguém vê: a humidade invisível do ar. Com a ajuda do sol e de materiais capazes de capturar vapor de água, estes painéis, desenvolvidas por empresas como a SOURCE Global (antes chamada Zero Mass Water), transformam atmosfera em água potável.

É uma ideia simples e, ao mesmo tempo, profundamente simbólica. Onde antes se procurava água debaixo da terra, começa agora a procurá-la no ar.

Num mundo marcado por secas cada vez mais prolongadas, esta tecnologia lembra-nos que a inovação muitas vezes nasce da necessidade. Em regiões como o Médio Oriente, por exemplo em países como a Jordânia, estes sistemas já

ajudam comunidades a obter água potável sem depender de rios, barragens ou longas infraestruturas.

Claro que estas torres não resolvem sozinhas o problema global da escassez de água. Produzem quantidades limitadas, exigem investimento e funcionam melhor em certos climas. Mas representam algo maior: uma mudança na forma como pensamos a água.

Durante muito tempo, a humanidade procurou-a apenas em três lugares: rios, lagos e aquíferos. Agora começa a perceber que existe um quarto reservatório invisível: a própria atmosfera.

A ciência diz-nos que o ar da Terra contém mais água em forma de vapor do que todos os rios juntos num dado momento. Sempre esteve lá. Simplesmente nunca tínhamos aprendido a recolhê-la.

Talvez seja essa a beleza desta ideia: lembrar-nos que mesmo nos lugares mais secos do planeta ainda existe alguma água escondida no céu.

E que, com imaginação e conhecimento, até o deserto pode começar a produzir as suas próprias gotas de esperança.

Principais características da tecnologia:

• Funcionamento: Os painéis funcionam de forma semelhante a painéis solares, mas em vez de gerar eletricidade, usam a energia solar para alimentar ventiladores que puxam o ar através de materiais higroscópicos. Esses materiais capturam o vapor de água.

• Produção no Deserto: A tecnologia consegue operar com humidade do ar inferior a 10%.

• Água Mineralizada: Após a captura, o vapor é condensado e a água gerada é mineralizada para melhorar o sabor e a saúde.

• Autonomia: Os sistemas são off-grid (independentes), dispensando encanamento ou infraestrutura elétrica, o que os torna ideais para locais remotos.

• Capacidade: Cada painel pode produzir entre 2 a 5 litros de água potável por dia, sendo escalável para criar “fazendas” de água que abastecem comunidades inteiras.

ONDE JÁ ESTÁ A SER USADO

Esta tecnologia já foi implementada em mais de 50 países, incluindo regiões como:

• Jordânia

• Arábia Saudita

• México

• Arizona (EUA)

VANTAGENS

• Usa energia solar

• Não precisa de rede de água

• Pode funcionar em zonas isoladas

LIMITAÇÕES

• Ainda é relativamente caro

• Produz quantidades limitadas de água

• Funciona melhor em locais com alguma humidade no ar

CURIOSIDADE

Alguns cientistas acreditam que, no futuro, casas em regiões secas poderão ter “telhados que produzem água”, tal como hoje têm telhados com painéis solares.

Fonte: https://source.co/pages/residential

Agua em

EXCESSO DE PRECIPITAÇÃO EM PORTUGAL

Em 2026, Portugal tem registado níveis anormalmente elevados de precipitação, causando cheias e impactos significativos nas infraestruturas. As autoridades enfrentam desafios acrescidos na gestão de recursos hídricos e na prevenção de desastres naturais.

Episódios de precipitação extrema mais frequentes

Cheias rápidas em zonas urbanas

Maior erosão e arrastamento de poluentes

O excesso de precipitação tem-se tornado mais frequente em várias regiões do mundo, provocando inundações e danos ambientais significativos. Este fenómeno está associado às mudanças climáticas que intensificam eventos extremos e alteram os padrões de chuva. Como consequência, comunidades enfrentam perdas económicas, deslocações e desafios na adaptação a um clima cada vez mais instável.

94% da capacidade do volume total armazenado em Portugal Continental.

1

bacia hidrográfica abaixo da média mensal.

6

principais albufeiras do país atingiram reservas de 91%.

ÁGUA ARMAZENADA NAS ALBUFEIRAS EM PORTUGAL de água suficiente para consumo, segundo dados divulgados pela APA.

BACIAS COM MAIOR ARMAZENAMENTO

Ribeiras do Barlavento: 100%

Mira: 98%

Guadiana: 97%

Sado: 97%

Tejo: 93%

4 anos EXCESSO

CHUVA INTENSA

Excesso momentâneo | Inundações

Danos urbanos | Sistemas drenagem sobrecarregados | Contaminação por arrastamento

Desastres por cheias aumentaram 134% desde 2000. das mortes em catástrofes naturais são causadas por eventos ligados à água. Apenas 1/3 das bacias hidrográficas tiveram condições normais em 2024. A intensidade de eventos extremos pode duplicar com +2°C de aquecimento global.

extremos

TEMPOS DE SECA

EM PORTUGAL

A seca em Portugal tem-se intensificado nos últimos anos, afetando sobretudo as regiões do sul e o setor agrícola.

A diminuição da precipitação e o aumento das temperaturas agravam a escassez de água nos rios e barragens. Como consequência, surgem restrições no consumo, perdas económicas e maior risco de incêndios rurais.

Aumento do risco de incêndios rurais

Regiões mais vulneráveis: Alentejo e Algarve do território continental esteve em seca meteorológica em 2025

SECA EM 2026

Março: inversão rápida

+0,62 oC

acima da normal climatológica

42,1 mm

Precipitação total

Foi o 8.º março mais seco desde 2000.

O NOVO CLIMA

ALTERNA ENTRE EXTREMOS: MESES SEM ÁGUA E HORAS COM ÁGUA A MAIS.

SECA

Falta de água | Quebra agrícola

Incêndios | Reservatórios baixos

Poluentes concentrados

2025 foi um dos 3 anos mais quentes já registados globalmente.

Cada aumento de +1°C reduz em cerca de 6% a produção média de milho, arroz, trigo e soja.

Menor recarga de barragens e aquíferos

Em 2024, 91% dos oceanos sofreram pelo menos uma onda de calor marinha.

Mais de 1 mil milhão de pessoas têm meios de sobrevivência ameaçados por calor extremo no setor alimentar.

SECA NO MUNDO CALOR, SECA E AGRICULTURA (2026)

A seca é um problema crescente em várias regiões do mundo, afetando ecossistemas e reduzindo reservas de água potável. As alterações climáticas contribuem para a intensificação de períodos secos e ondas de calor mais prolongadas. Como resultado, aumentam os riscos de insegurança alimentar, conflitos por recursos e impactos económicos globais.

Peixinho-de-Prata do Algarve: uma rel biologica a beira do desaparecimento ECOSSISTEMA

No coração das ribeiras do sul de Portugal vive um pequeno peixe, quase invisível para a maioria das pessoas, mas de grande valor científico e ecológico.

O Iberochondrostoma almacai, conhecido como peixinho-de-prata do Algarve, é uma verdadeira “relíquia biológica”: uma espécie que sobreviveu a mudanças ambientais ao longo de milhares de anos, mantendo características únicas e uma distribuição extremamente limitada.

Um tesouro exclusivo do Algarve

Este pequeno ciprinídeo existe apenas em algumas ribeiras costeiras do barlavento e sotavento algarvio. A sua presença está intimamente ligada a cursos de água temporários mediterrânicos, sistemas frágeis que alternam entre cheias no inverno e seca no verão. Esta adaptação torna-o extraordinário, mas também altamente vulnerável.

Ao contrário de espécies mais generalistas, o peixinho-deprata depende de condições muito específicas: águas limpas, regimes naturais de caudal e habitats bem conservados. Qualquer alteração significativa pode comprometer a sua sobrevivência.

Salvar o peixinho-de-prata é preservar a identidade ecológica única do Algarve.

O estado de conservação desta espécie é Criticamente em Perigo (EN - Endangered), definido pela Lista Vermelha da UICN

Boca
Antena Cauda
Perna

Proteger o peixinho-de-prata é, na verdade, proteger todo um ecossistema — e garantir a sustentabilidade dos recursos hídricos da região.

Porque esta em perigo?

Atualmente, o peixinho-deprata encontra-se classificado como Criticamente em Perigo, enfrentando múltiplas ameaças:

• Escassez de água: agravada pelas alterações climáticas e pela pressão sobre os recursos hídricos

• Construção de barragens e açudes: que alteram o regime natural dos rios

• Poluição e degradação da qualidade da água

• Espécies invasoras: que competem por alimento e habitat

• Fragmentação dos ecossistemas fluviais

A conjugação destes fatores tem levado à redução drástica das suas populações e à fragmentação das áreas onde ainda sobrevive.

PATRIMONIO E TRADICOES

PEDRO NASCIMENTO | Jovem empreendedor no Algarve

Produzir em tempos de incerteza: a agua no centro da agricultura algarvia

O Algarve enfrenta hoje desafios crescentes relacionados com a imprevisibilidade climática e a gestão dos recursos hídricos. Na agricultura, esta realidade tem vindo a transformar profundamente a forma de produzir culturas como a laranja e o abacate.

De que forma a crescente imprevisibilidade do clima no Algarve tem alterado a forma como produz laranja e abacate no seu dia a dia agrícola?

Antigamente, a disponibilidade de água era algo que dávamos praticamente como garantido e que, de certa forma, não entrava no processo de decisão ou de gestão diária da exploração. Hoje, essa realidade mudou completamente. Atualmente, eu, tal como muitos agricultores, penso duas vezes antes de aumentar áreas de cultivo ou substituir uma cultura por outra, porque a disponibilidade hídrica passou a ser um fator central em qualquer decisão agrícola.

Sente que a relação com a água mudou nos últimos anos, de um recurso “garantido” para um fator de incerteza constante? Sem dúvida. Essa incerteza constante trouxe também um efeito positivo: criou uma maior consciência de que algo tinha de mudar. Percebemos que a água é um recurso que precisa de ser gerido com muito mais rigor, eficiência e responsabilidade, tanto ao nível da produção agrícola como da sociedade em geral.

Quais foram as adaptações mais significativas que teve de fazer na gestão da água na sua exploração agrícola?

A rega gota-a-gota já fazia parte das nossas explorações há vários anos, mas temos vindo a introduzir novas tecnologias que melhoraram significativamente a eficiência da gestão da água. A implementação de sondas de humidade revelou-se extremamente útil, pois permite monitorizar com maior precisão os níveis de humidade do solo e ajustar a rega às reais necessidades da planta. Instalámos também dendrómetros, que permitem acompanhar a expansão do tronco das árvores e perceber se estas se encontram em stress hídrico.

Paralelamente, reforçámos a monitorização dos sistemas de rega para minimizar fugas e desperdícios. Na maioria dos nossos pomares utilizamos programadores Agronic com acesso remoto por aplicação móvel, o que nos permite controlar e ajustar a rega em tempo real, monitorizar os metros cúbicos consumidos por setor e detetar rapidamente eventuais desvios de consumo ou anomalias no sistema.

A água deixou de ser apenas um recurso produtivo para passar a ser uma preocupação estratégica? Como é que isso se sente na prática?

Sem dúvida. Sem água não há plantações, sem plantações não há produção. A água deixou de ser apenas um fator produtivo para passar a ser uma preocupação estratégica central. Sem a garantia de

Pedro Nascimento, jovem empreendedor no Algarve

Pedro Nascimento, tem 35 anos. Gere, nos concelhos de Tavira e Castro Marim, 70 hectares agrícolas, que fazem parte de um grupo de três empresas. Esta atividade é, para ele, uma paixão, um hobby e um investimento alternativo à restauração, permitindo diversificar o risco por diferentes áreas de negócio, com menor necessidade de contratação de staff e com um retorno a médio e longo prazo, mas com baixo risco.

que este recurso existirá em quantidade suficiente, deixa de fazer sentido pensar em expandir áreas de produção. O foco passa, antes de mais, por garantir que a água disponível é suficiente para manter de forma sustentável os pomares já existentes.

Na prática, muitos produtores, eu incluído, tiveram de investir em furos de captação como solução de contingência, uma espécie de “plano SOS”, para o caso de haver falhas no abastecimento proveniente das barragens.

Enquanto produtor no Algarve, como interpreta o equilíbrio entre a necessidade de água para culturas como o abacate e a pressão crescente sobre os recursos hídricos da região?

Os últimos anos serviram para consciencializar produtores e cidadãos para a importância crítica da gestão da água, embora continue a existir um longo caminho a percorrer em termos de sensibilização e educação nesta matéria. Ainda assim, vejo com satisfação que as entidades com responsabilidade nesta área começam a reconhecer que é necessário investir seriamente em infraestruturas hídricas e em soluções estruturais.

O Algarve tem potencial para crescer, no turismo, na agricultura e noutras atividades económicas, mas esse crescimento só será sustentável se for acompanhado por uma estratégia robusta de gestão da água. Não podemos ficar dependentes apenas de invernos chuvosos. Projetos como a dessalinizadora, a chamada autoestrada da água ou a criação de novas reservas hídricas são investimentos fundamentais para garantir este recurso essencial e toda a atividade económica e social que dele depende.

É o abacate um inimigo do “consumo da água” na região, como muita gente refere, ou é apenas falta de conhecimento?

Na minha experiência, isso resulta sobretudo de falta de conhecimento. Nos meus pomares, tanto o abacate como a laranja utilizam sistemas de rega semelhantes e apresentam consumos hídricos comparáveis. Criou-se uma perceção negativa em torno do abacate por ser uma cultura relativamente recente e menos tradicional na região, o que naturalmente gera alguma resistência inicial. No entanto, essa ideia de que o abacate é, por si só, um “inimigo da água” não corresponde à realidade técnica. Como em qualquer cultura, o impacto depende sobretudo da forma como é produzida e da eficiência com que se gere o recurso hídrico.

“

A água é a base da vida, da produção agrícola, da economia e da própria sociedade. Hoje sabemos que já não pode ser encarada como um recurso garantido ou previsível. “

Que medidas de sustentabilidade utiliza nas culturas/agricultura?

Hoje em dia, a tecnologia disponível para a agricultura permite-nos gerir a água com muito maior precisão e eficiência. No nosso caso, utilizamos programadores de rega que permitem monitorizar consumos diários e identificar desvios, sondas de humidade para ajustar a rega às necessidades reais do solo e estações meteorológicas que ajudam a antecipar condições climáticas e evitar regas excessivas quando não são necessárias.

No entanto, considero que uma das medidas mais importantes continua a ser a monitorização regular do próprio sistema de rega. Em especial, nas linhas de gota-a-gota, onde ocorrem frequentemente ruturas, muitas vezes provocadas por animais à procura de água, que originam perdas significativas se não forem rapidamente identificadas e corrigidas. A sustentabilidade passa tanto pela tecnologia como pela vigilância constante no terreno.

Que mensagem deixaria a quem ainda vê a água como um recurso estável e previsível, num contexto em que isso já não corresponde à realidade?

A água é a base da vida, da produção agrícola, da economia e da própria sociedade. Hoje sabemos que já não pode ser encarada como um recurso garantido ou previsível. Gerir a água de forma eficiente é uma responsabilidade coletiva que exige compromisso de todos.

Essa responsabilidade começa nas grandes decisões estruturais, mas também nas pequenas escolhas do dia a dia: reduzir desperdícios nas explorações agrícolas, otimizar consumos nas empresas e adotar hábitos mais conscientes em casa. Preservar este recurso essencial só será possível se todos fizermos a nossa parte e assumirmos, de forma séria, que a água é um bem precioso e limitado.

OPI NIAO

Município de Aljezur

Aljezur e o desafio da nova realidade hidrica no Algarve

O Algarve é uma das regiões portuguesas mais afetadas pelas alterações climáticas. Nos últimos anos, a região tem enfrentado longos períodos de seca, temperaturas elevadas e uma redução significativa da precipitação. Esta “regra” tem sido quebrada por episódios de chuva torrencial num modelo imprevisível, o qual exige uma transformação radical na forma como valorizamos, gerimos e preservamos a água.

É essencial investir na digitalização e na reabilitação das redes de abastecimento público para reduzir as perdas reais de água. Contudo, a engenharia e o investimento financeiro não são suficientes se não transformarmos a mentalidade coletiva.

Nesta equação complexa, os municípios, enquanto entidades gestoras assumem um papel essencial, ao conhecer as especificidades do território. Acresce ainda a elevada variação dos padrões de consumo ao longo do ano, associada à variação sazonal de residentes e visitantes a que a região se encontra sujeita.

Garantir quer a disponibilidade quer a qualidade da água para assegurar o consumo humano, tem levado entidades públicas e privadas à procura de soluções alternativas para a captação de recursos hídricos, tais como a captação do Pomarão ou a dessalinização de água do mar. Contudo, a busca de novas soluções não deverá descurar o que é basilar: Poupar água é a forma mais direta de preservar este recurso, garantindo a sua sustentabilidade.

É essencial conhecer e gerir eficazmente os autoconsumos. É essencial dinamizar campanhas eficazes de consciência ambiental que possam ser conducentes à adoção de comportamentos mais sustentáveis. É essencial desencadear pequenas ações, que levem à redução do desperdício de água, à reutilização de recursos e sensibilizar. É essencial envolver os jovens e educá-los sobre o real valor da água, transformando-os em catalisadores para a mudança.

O caminho para a sustentabilidade hídrica da nossa região exige, não só uma visão integrada, que envolve

a cooperação mútua entre a administração central, as empresas intermunicipais e entidades gestoras, mas sobretudo ações de proximidade, resiliência e compromisso local.

É à escala local que as grandes diretrizes estratégicas se convertem em ações concretas. Por isso, a adaptação a esta nova realidade climática não se faz sem o envolvimento ativo e o protagonismo das autarquias. A nova relação do Algarve com a água constrói-se com base numa nova cultura de cidadania hídrica.

“ É essencial investir na digitalização e na reabilitação das redes de abastecimento público para reduzir as perdas reais de água.
“

AGENDA DO SETOR

21 a 24 junho

ACE – Annual Conference & Exposition 2026

Washington, EUA

Evento da American Water Works Association focado em abastecimento de água, infraestrutura e inovação hídrica.

16 a 17 junho

WaterRegen Summit 2026

São Paulo, Brasil

Summit voltado para regeneração hídrica, ESG e gestão sustentável da água.

13 a 17 julho

14th Annual International Conference on Water 2026

Atenas, Grécia

Conferência internacional acadêmica sobre água, meio ambiente e sustentabilidade hídrica.

25 a 27 julho

ICSDWE 2026 –Sustainable Development of Water and Environment Phuket, Tailândia

Discussões sobre desenvolvimento sustentável da água e gestão ambiental.

23 a 27agosto

World Water Week 2026

Estocolmo, Suécia

Um dos maiores eventos globais sobre água e clima, organizado pelo Stockholm International Water Institute (SIWI). Tema: “Water for People and Progress”

14 setembro

Aqua Energy Expo (MENA region participation)

Médio Oriente/ África (participação portuguesa indireta)

Foco em soluções para escassez hídrica e dessalinização.

23 e 24 setembro

ENERH2O – Energy & Water Innovation Expo Porto (Exponor)

Feira portuguesa dedicada à inovação nos setores da água e energia:

• eficiência hídrica

• reabilitação de redes • digitalização e smart metering

• reutilização de água

23 a 27 agosto

World Water Week 2026

Estocolmo, Suécia

Principal conferência mundial sobre água e desenvolvimento sustentável. Reúne governos, ONU, empresas e academia para debater equidade, clima, financiamento e segurança hídrica global.

26 a 30 setembro

WEFTEC 2026

Nova Orleans, EUA

Principal evento mundial de tecnologia para águas residuais e saneamento.

29 setembro a 1 outubro

Spain Smart Water Summit 2026

Madrid, Espanha

Evento sobre digitalização, IA e gestão inteligente da água.

21 a 25 setembro

XVI ENAU / VI SRRU

São Carlos, Brasil

Evento sobre águas urbanas e revitalização de rios urbanos.

23 a 25 setembro

SIQA – Simpósio Internacional de Qualidade Ambiental

Porto Alegre, Brasil

Discussões sobre qualidade ambiental e recursos hídricos.

4 a 8 outubro

IWA World Water Congress & Exhibition Glasgow, Reino Unido

Um dos congressos mais importantes do setor mundial.

14 e 15 outubro

SENAG 2026Seminário Nacional de Águas Residuais

Centro Cultural Vila Flor, Guimarães

26 a 30 outubro

V END / II EHBE Fortaleza, Brasil

Evento brasileiro sobre desastres naturais e hidrologia.

1 a 5 novembro

IDRA World Congress 2026 Riade, Arábia Saudita

Evento global focado em dessalinização, reutilização e soluções tecnológicas para escassez hídrica, com forte presença de indústria e inovação..

2 a 4 dezembro

UN 2026 Water Conference Emirados Árabes Unidos

Principal evento político global da água. Reúne Estados, ONU, setor privado e sociedade civil para acelerar a implementação do ODS 6.

8 a 10 dezembro

2026 UN Water Conference Emirados Árabes Unidos

Conferência oficial da ONU para acelerar o cumprimento do ODS 6 (água potável e saneamento). Coorganizada por Senegal e Emirados Árabes Unidos.

25 ANOS FEITOS DE PESSOAS

Há 25 anos que, por trás de cada litro de água tratada e de cada efluente devolvido ao ambiente, equipas especializadas asseguram, 24 horas por dia, 7 dias por semana, o funcionamento permanente de todo o sistema de abastecimento de água e de tratamento de águas residuais do Algarve.

Através de um trabalho contínuo de vigilância, análise e resposta, estes profissionais garantem diariamente a qualidade da água distribuída nas ETAs e o controlo das águas residuais tratadas nas ETARs — protegendo a saúde pública e a segurança ambiental de toda a região.

No terreno, profissionais recolhem regularmente amostras de água — para consumo ou residuais — numa etapa fundamental para garantir o controlo da qualidade ao longo de todo o sistema. Este trabalho, realizado de forma sistemática e rigorosa, permite acompanhar a evolução dos parâmetros e assegurar o cumprimento dos padrões legalmente exigidos.

No laboratório, técnicos especializados analisam diariamente dezenas de parâmetros físico-químicos e microbiológicos. A dedicação e o conhecimento acumulado ao longo de 25 anos têm sido determinantes para manter os níveis de qualidade exigidos e garantir a proteção dos ecossistemas.

Por trás do funcionamento contínuo das infraestruturas, existem equipas técnicas que, diariamente, asseguram a operação, manutenção e acompanhamento de equipamentos e redes — garantindo a fiabilidade do serviço e a continuidade do abastecimento.

O trabalho desenvolvido ao longo de 25 anos, na gestão diária e na realização de grandes projetos e obras, resulta também da capacidade de planeamento, coordenação e organização de equipas multidisciplinares. Um contributo muitas vezes invisível, mas essencial para a solidez e o valor da empresa.

Ao longo da sua história, a Águas do Algarve tem recebido escolas, universidades, empresas e outros visitantes nas suas instalações, partilhando conhecimento e aproximando a comunidade da realidade do setor da água e do saneamento.

Estas visitas dão a conhecer o trabalho diário dos profissionais que asseguram o funcionamento do sistema, promovendo a transparência, a sensibilização ambiental e a valorização deste recurso essencial.

As inscrições podem ser efetuadas através da plataforma www.portalvisitas.pt.

Através das suas equipas de Educação Ambiental, a Águas do Algarve tem desenvolvido, ao longo dos anos, ações de sensibilização junto das escolas, promovendo o conhecimento sobre a água e a importância da sua preservação.

Com dedicação e proximidade, estes profissionais ajudam a formar gerações mais conscientes e responsáveis, reforçando a ligação entre a comunidade, o ambiente e o futuro.

A equipa da Águas do Algarve distribui-se pelas áreas de Abastecimento, Saneamento, Laboratórios e Estrutura — um conjunto multidisciplinar cujo trabalho conjunto assegura, todos os dias, o funcionamento de um sistema essencial para toda a região.

Ao longo de 25 anos, centenas de colaboradores contribuíram, com dedicação e profissionalismo, para construir um serviço essencial à qualidade de vida e ao desenvolvimento da região.

Cada conquista, cada projeto e cada meta alcançada, é o reflexo do empenho coletivo de todos os que fazem parte desta história.

EDUCAÇÃO AMBIENTAL – 25 ANOS A FORMAR CONSCIÊNCIAS AMBIENTAIS

A Clarinha e o Salpico são figuras incontornáveis das ações de Educação Ambiental da Águas do Algarve, aproximando os mais jovens das temáticas da água, do ambiente e da sustentabilidade de forma pedagógica e divertida.

Através destas mascotes, milhares de crianças tiveram o primeiro contacto com mensagens de sensibilização para a preservação da água e a importância deste recurso essencial.

A equipa de Educação Ambiental da Águas do Algarve tem vindo a desenvolver ao longo dos anos ações nas escolas de toda a região, promovendo o conhecimento sobre o ciclo urbano da água, o ambiente e a utilização responsável deste recurso.

Estas iniciativas têm contribuído para sensibilizar várias gerações para a proteção dos ecossistemas e para a adoção de comportamentos mais sustentáveis no dia a dia.

Durante o verão, a Águas do Algarve tem vindo a dinamizar ações de sensibilização nas praias algarvias, através de jogos, atividades interativas dirigidos a residentes e visitantes.

Estas iniciativas têm assumido especial relevância em períodos de maior escassez hídrica, reforçando junto de diferentes públicos a importância da poupança de água, da preservação ambiental e da adoção de comportamentos mais sustentáveis.

Um dos momentos mais marcantes destes 25 anos foi a criação do Pavilhão da Água, uma exposição dedicada à água, ao ambiente e à sustentabilidade, instalada na cidade de Faro. Durante dois meses, milhares de visitantes conheceram de perto o trabalho da Empresa nas áreas do abastecimento, saneamento, reutilização de água e educação ambiental.

Através de experiências interativas, atividades pedagógicas e conteúdos expositivos, o Pavilhão da Água aproximou a comunidade da realidade do setor e reforçou a importância da água para o presente e para o futuro da região.

O projeto “H2O Kids – Gotas de Sabedoria” surgiu como uma nova forma de sensibilização ambiental dirigida ao público infantil, dando voz às crianças enquanto pequenos embaixadores da água e do ambiente.

Através de vídeos, ações pedagógicas e conteúdos criativos, os mais novos passaram a assumir um papel ativo na transmissão de mensagens sobre a importância da preservação da água e da adoção de comportamentos mais sustentáveis.

O concurso “A Água e o Mar para Mim” tem vindo a afirmar-se como uma das iniciativas de Educação Ambiental mais marcantes da Águas do Algarve, promovendo a criatividade, a inclusão social e a sensibilização para a preservação da água e do mar.

Dirigido a instituições de todo o Algarve, o desafio convida os participantes a transformar chapéus de chuva em obras artísticas originais, dando nova vida a materiais e incentivando a reflexão sobre a sustentabilidade e o futuro dos recursos hídricos da região.

Ao longo dos anos, a Águas do Algarve tem vindo também a sair para a rua ao encontro das populações, promovendo ações de proximidade e sensibilização ambiental em diferentes contextos e espaços públicos.

Projetos como “Água Invisível” ajudaram a alertar para a enorme quantidade de água utilizada, muitas vezes sem nos apercebermos, na produção de alimentos, roupa, tecnologia e inúmeros bens do quotidiano, incentivando a uma utilização mais consciente e sustentável deste recurso essencial.

A produção de conteúdos pedagógicos e informativos tem sido uma das áreas em que a Águas do Algarve mais tem investido ao longo dos anos, criando revistas, brochuras, jogos, guias e materiais didáticos dirigidos a diferentes públicos e faixas etárias, com o objetivo de transmitir mensagens sobre a água, o ambiente e a importância da preservação dos recursos hídricos.

A componente digital tem igualmente assumido um papel importante nas estratégias de Educação Ambiental da Águas do Algarve, permitindo disponibilizar conteúdos e atividades de forma mais acessível e interativa.

Através da plataforma “Desafio da Água”, a empresa tem vindo a reunir jogos, desafios, informações e recursos educativos que ajudam crianças, jovens, escolas e famílias a aprofundar conhecimentos sobre a água e o ambiente de uma forma dinâmica e participativa.

A ÁGUAS DO ALGARVE NO FUTURO –SUSTENTABILIDADE E INOVAÇÃO

Perante os desafios colocados pelas alterações climáticas e pelos períodos de seca cada vez mais frequentes, a dessalinização afirma-se como uma solução estratégica para o futuro do Algarve. A possibilidade de transformar a água do mar em água potável representa um reforço fundamental da segurança hídrica da região, garantindo uma fonte complementar e praticamente inesgotável para abastecimento público.

Mais do que uma resposta às necessidades atuais, este investimento representa uma visão de longo prazo, preparada para assegurar água às populações, à economia e às gerações futuras.

A reutilização de águas residuais tratadas — ApR — representa um dos caminhos mais promissores para uma gestão mais eficiente e sustentável da água. No futuro, este recurso terá uma utilização crescente na rega agrícola, campos de golfe, jardins e espaços verdes, reduzindo a pressão sobre as origens de água potável.

Ao valorizar a água após tratamento, a Águas do Algarve promove uma economia circular dos recursos hídricos, transformando aquilo que antes era visto como um resíduo numa solução ambiental e estratégica para a região.

A futura dessalinizadora do Algarve será uma infraestrutura moderna e tecnologicamente avançada, concebida para responder às necessidades da região durante as próximas décadas. Implantada a vários quilómetros da linha de costa, a unidade foi projetada de acordo com rigorosos critérios de segurança ambiental, eficiência energética e integração territorial.

Esta infraestrutura desempenhará um papel essencial no reforço do abastecimento público de água, contribuindo para uma região mais resiliente, preparada e sustentável perante os desafios do futuro.

A aposta na produção de energia renovável faz parte da estratégia da Águas do Algarve para construir infraestruturas mais sustentáveis e eficientes. A implementação crescente de sistemas de autogeração, como centrais solares fotovoltaicas, permitirá reduzir o consumo energético proveniente de fontes externas e diminuir a pegada ecológica da empresa.

Ao integrar sustentabilidade ambiental, inovação tecnológica e eficiência operacional, a Águas do Algarve prepara-se para enfrentar os desafios das próximas décadas de forma responsável e sustentável.

Perante os desafios colocados pelas alterações climáticas, pelo crescimento das necessidades de consumo e pela irregularidade dos períodos de chuva, a Águas do Algarve continuará a investir na diversificação das origens de água e na criação de novas infraestruturas capazes de reforçar a segurança hídrica da região.

A procura de soluções sustentáveis para captação, armazenamento, tratamento e distribuição de água fará parte de uma estratégia contínua de adaptação e antecipação, preparada para responder às necessidades das próximas gerações.

A inovação tecnológica e a digitalização continuarão a desempenhar um papel fundamental na modernização dos sistemas de abastecimento e saneamento. A implementação de novas tecnologias permitirá uma gestão cada vez mais eficiente, inteligente e sustentável das infraestruturas e dos recursos hídricos.

A monitorização em tempo real, a automação de processos e a utilização de sistemas digitais avançados contribuirão para melhorar a eficiência operacional, reduzir perdas, otimizar consumos e reforçar a capacidade de resposta aos desafios do futuro.

A proteção do ambiente continuará a ser uma das grandes prioridades da Águas do Algarve. O tratamento eficiente das águas residuais desempenha um papel fundamental na preservação dos ecossistemas, na qualidade das águas balneares e no equilíbrio ambiental de toda a região — um património natural essencial para a qualidade de vida, para o turismo e para o futuro sustentável do Algarve. Através da inovação e da melhoria contínua dos processos, a empresa continuará a investir num futuro mais equilibrado, resiliente e em harmonia com o ambiente.

O futuro trará novas tecnologias, novas cidades e novas formas de viver. Mas haverá algo que permanecerá essencial: a água. Garantir este recurso indispensável continuará a ser uma das missões mais importantes para a qualidade de vida, para o ambiente e para o desenvolvimento sustentável do Algarve.

Com visão de futuro, inovação e responsabilidade ambiental, a Águas do Algarve continuará a investir em soluções capazes de assegurar água segura e sustentável para as próximas décadas, acompanhando a evolução da sociedade sem perder de vista aquilo que é verdadeiramente essencial à vida.

25 anos a crescer com o Algarve Cuidar hoje do Algarve de Amanhã

Ao longo destes 25 anos, a Águas do Algarve construiu muito mais do que infraestruturas, sistemas e projetos. Construiu conhecimento, confiança, proximidade e um compromisso contínuo com o Algarve e com as pessoas que nele vivem, trabalham e visitam.

Por trás de cada gota de água que chega às torneiras com qualidade e segurança, em cada vertente do Sistema Multimunicipal de Abastecimento de Água e de Saneamento do Algarve que protege o ambiente, seja nas unidades laboratoriais, nas estações elevatórias, ETA ou ETAR, serviços vários, existe uma vasta equipa de profissionais que, diariamente e muitas vezes longe dos olhares do público, assegura o funcionamento de um serviço essencial à região. Técnicos, operacionais, engenheiros, analistas, administrativos, especialistas em tecnologia, comunicação, marketing, educação ambiental, entre tantos mas tantos outros, todos fazem parte desta missão coletiva que nunca para.

Mas a Águas do Algarve é também uma empresa profundamente ligada à comunidade. Ao longo dos anos, a comunicação e a educação ambiental tornaram-se pilares fundamentais da sua atuação, aproximando a empresa das escolas, das famílias, dos profissionais, das instituições e da população sénior, promovendo uma cultura de maior consciência, valorização e uso eficiente da água. Porque proteger a água começa também no conhecimento, na sensibilização e na capacidade de mobilizar gerações para um futuro mais sustentável.

E é precisamente o futuro que hoje exige uma visão cada vez mais estratégica, inovadora e resiliente.

As alterações climáticas vieram reforçar a necessidade de adaptação permanente. O Algarve conhece bem a realidade dos extremos climáticos — entre períodos de seca severa e episódios de precipitação intensa — o que exige novas respostas, novas origens de água e uma gestão cada vez mais inteligente e sustentável dos recursos hídricos.

A reutilização de água tratada, a modernização tecnológica dos sistemas, a digitalização, a eficiência energética, a aposta em energias renováveis e a futura dessalinizadora do Algarve — um projeto estruturante e pioneiro no continente português — representam hoje caminhos fundamentais para reforçar a segurança hídrica da região e preparar as próximas décadas. Estou certa de que o futuro não será fácil. Os desafios ambientais serão cada vez mais exigentes. Mas serão também motivadores, impulsionando inovação, conhecimento e novas formas de pensar a água, o território e a sustentabilidade. E nós estaremos aqui.

Ao lado da região, das suas populações e dos milhões de visitantes que todos os anos escolhem o Algarve para as suas férias de sonho. A trabalhar diariamente para garantir água com qualidade, proteger o ambiente, preservar os ecossistemas e contribuir para um território mais rico, resiliente, equilibrado e preparado para o amanhã.

Porque cuidar da água é, acima de tudo, cuidar das pessoas, da natureza e do futuro.

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Águas do Algarve#10 by Aguas do Algarve, SA - Issuu