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ÍNDICE
EDITORIAL Luís Mesquita Dias presidente da direção da agrotejo
ATUALIDADES /6
A SABER / 78
Agricultura e floresta no OE 2021
Estratégia dos cereais
DESTAQUE / 12
REPORTAGEM / 100
Norte do Vale do Tejo, um território sustentável
A Política Agrícola Comum 2021-2027
REALIDADES / 20 A visão do Plano estratégico de António Costa Silva
/ 48 AGROTEJO faz radiografia do território
/ 66 Eduardo Oliveira e Sousa, CAP
À CONVERSA COM / 36
EMPRESAS / 84 EntoGreen
/ 76 e 104 Consulai
/ 88 Vinhos “Zé Leonor”
/ 90 Isagri
/ 98
Maria do Céu Antunes, ministra da Agricultura
Hidrosoph
OPINIÃO / 34
The Navigator Company
/ 122
Sustentabilidade, uma arma de arremesso
/ 140
/ 56
/ 148
Campanha do tomate e novas condicionantes
Moneris
/ 72
Vitacress
EM FOCO / 128
Emissões de CO2 na cultura do milho
Floresta muda de ministério
/ 96
Isabel Ferreira, secretária de Estado da Valorização do Interior
Agenda de inovação dos produtores de milho
/ 134
/ 108 Reservas da Biosfera
FICHA TÉCNICA direcção Agrotejo | Edição e Propriedade Agrotejo COORDENAÇÃO EDITORIAL MÁRIO ANTUNES; JOSÉ LIMÃO | TEXTOS SARA PELICANO | Design PAR DESIGN; TERESA MATIAS | Impressão A Persistente – Chamusca Tiragem 4000 exemplares | Depósito legal 93520/9 Largo da Imaculada Conceição 2150-125 Golegã Tel 249 979 060 Fax 249 069 email agrotejo@agrotejo.pt
Lg. Custódio Marques Montargil 2140-076 Chamusca Tel 249 760 004 tel e fax 249 760 448 www.agrotejo.pt
Ter arte e engenho para USAR BEM os fundos europeus que por aí vêm Foi com muito gosto que recebi o convite e o desafio para mudar de cadeira passando da presidência da Assembleia Geral da AGROTEJO para a presidência da Direção desta meritória instituição. Todos sabemos quem é e continuará a ser o verdadeiro motor desta casa, mas sei também que ao aceitar este desafio não o farei de forma cómoda e passiva. Antes tentarei pôr ao serviço dela os muitos anos de trabalho e naturalmente de experiência acumulada que lhes corresponde. Ninguém esperará de mim o contributo de um agricultor experimentado, que não sou. Devem esperar, e exigir, o papel de gestor ambicioso e resiliente com que sem modéstia e com genuinidade permito auto classificar-me. Muitíssimo foi feito pela AGROTEJO nos mais de 30 anos de vida que já leva. Desde os seus fundadores até aos sucessivos dirigentes, quadros e colaboradores, a marca deixada e os resultados conseguidos estão não só à vista como registados documentalmente. É difícil imaginar o que seria hoje a nossa região sem o contributo do que a partir daqui foi feito. É também difícil precisar o que ainda podemos fazer num mundo incerto onde competem as ameaças com as oportunidades. Num primeiro editorial da minha lavra prefiro, no entanto, salientar esta últimas. Não descurando as ameaças, é nas oportunidades que constitui o muito dinheiro da Europa que está para chegar que devemos focar a nossa atenção. Temos de ter a arte e o engenho para conseguir obtê-lo, fazendo por merecê-lo! As verbas que se avizinham podem e devem permitir-nos concretizar sonhos antigos e durante tanto tempo adiados. Os nossos fundadores merecem-no, os nossos contemporâneos exigemno, os nossos filhos necessitam-no. Necessitam que lhes deixemos uma região, um país e um planeta onde valha a pena viver. Estou profundamente empenhado, com a ajuda e o trabalho de todos, em contribuir para isso.
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“A modernização do regadio é um elemento chave para economizar água, mitigar os efeitos das alterações climáticas e contribui para a sustentabilidade do regadio no futuro. Além de reduzir o uso de fertilizantes e herbicidas, melhorando a qualidade da água, eleva o nível socioeconómico dos agricultores, por meio do aumento da produtividade da terra.” comunicado da Federação Nacional de Regantes de Portugal
Império do Sol – A questão da agricultura
Agrometeorologia: aplicação da meteorologia para maximizar a produção agrícola
de Joaquina Rebelo
de José Paulo de Melo e Abreu
Edição: Edições Colibri
Edição:Quântica Editora
Império de Sol, uma visão de dentro sobre as pragmáticas que não têm sido compreendidas pelos governos e pela sociedade nas últimas décadas. Com este simples trabalho, apelo à reflexão, empenho e responsabilidade social por parte de todos as pessoas, grupos e comunidades na construção de um Futuro Melhor, tendo em conta o desenvolvimento económico-social dos territórios, assente na importância da Revalorização da Agricultura paralelamente a outros setores.
Nos capítulos iniciais do livro, apresentam definições e conceitos basilares, estudam-se os principais elementos climáticos e os métodos utilizados na sua medição, e as trocas de calor e de massa. Dois capítulos tratam de temas basilares da Hidrologia e Climatologia, que são imprescindíveis para compreender e calcular as necessidades hídricas das plantas e caracterizar os climas. Os capítulos restantes destinam-se à aplicação prática, numa abordagem simples, mas sem se perder o rigor, o que permite apoiar os técnicos e agricultores nas suas decisões estratégicas e táticas. Aqui apresentam-se os assuntos mais importantes para a aplicação prática da Agrometeorologia. Tratam-se com detalhe os temas que mais preocupam os agricultores e técnicos agrícolas, nomeadamente o desenvolvimento e crescimento vegetais, produção potencial e limitada pela disponibilidade de água, proteção contra as geadas, escaldão, vento e granizo. Um capítulo trata as necessidades agroclimáticas e a zonagem das culturas. No capítulo final, trata-se do tema das alterações climáticas e medidas de adaptação.
Pequeno agricultor de Science4you
Desta vez não vos sugerimos um livro, mas um jogo para os mais novos. A empresa portuguesa de jogos didáticos Science4you, lançou o Pequeno Agricultor. Uma forma divertida que permite “meter as mãos na terra” para ensinar
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os mais novos a nobre arte da agricultura. O desafio é plantar frutas e legumes e aprender as cuidar delas. A brincadeira permite ainda saber do que elas precisam e como podem ser transportadas de um lado para o outro.
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“(…) não vejo ninguém mais interessado na proteção da biodiversidade, do solo e do ambiente do que os agricultores.” Benvindo Maçãs, diretor da Estação Nacional de
Pode Portugal ter uma estratégia? de Bruno Cardoso Reis
Urbanização, Espaços Verdes e Sustentabilidade de Leonel Fadigas
Edição: Fundação Francisco Manuel dos Santos
É uma evidência: por ser limitado em gente e recursos, Portugal dependeu sempre das relações com o exterior. Daí que seja importante questionar se, ao longo da história, temos seguido a estratégia mais eficaz para garantirmos uma boa inserção num mundo incerto. O presente ensaio aponta para um problema central na cultura estratégica portuguesa, que é a aversão ao planeamento sistemático. Falta-nos capacidade de análise, planificação e coordenação do conjunto dos meios do Estado para antecipar ou responder a ataques, crises, emergências. No entanto, ao contrário do que alguns defendem, um país como Portugal não só pode, como deve ter uma grande estratégia nacional, que articule sistematicamente uma visão do seu lugar no Mundo e tire o máximo partido das suas capacidades. É o que se propõe neste ensaio.
O uso da água em Portugal
de Filipa Dias e Catarina Correia, C-The Consumer Intelligence Lab
Edição: Edições Sílabo
Não há cidades sem agricultura, e sempre foi assim. Desde os primeiros assentamentos urbanos a questão do abastecimento alimentar esteve sempre presente no seu traçado e evolução. A urbanização como processo social, e a história do urbanismo, desde os tempos mais antigos até à atualidade condicionaram a relação do homem com a natureza. Este livro apresenta a relação simbiótica entre a agricultura e as cidades, é proposta uma solução inovadora para tornar as cidades do nosso tempo mais humanas e sustentáveis, por exemplo, introduzindo a agricultura nas cidades, trazendo para dentro delas e para a sua proximidade o suporte alimentar sem o qual não sobrevivem.
Edição: Fundação Calouste Gulbenkian
A Fundação Calouste Gulbenkian desafiou o C-Lab – The Consumer Intelligence Lab a desenvolver uma grande investigação sobre a problemática do uso da água em Portugal, num contexto em que o país se confronta com o risco de cenários de escassez já nas próximas duas décadas. A partir de uma compreensão aprofundada das formas como os grandes utilizadores do recurso o usam, o valorizam, o gerem e projetam cenários da sua menor disponibilidade, pretende-se colocar o tema da sustentabilidade da água na agenda pública. Ambiciona-se que esta investigação possa ser um ponto de partida para que se promova, em Portugal, um esforço estratégico, coletivo e multidisciplinar com vista a um uso mais eficiente e sustentável da água.
Melhoramento de Plantas in Frutas, Legumes e Flores
“O principal impulsionador da adoção da agricultura de precisão é o mindset do agricultor, a mentalidade, o espírito, a postura e a capacidade de gestão.” Ricardo Braga, professor do Instituto Superior de Agronomia Agriterra
SITES https://florestas.pt
Um espaço para conhecer, valorizar e descobrir a floresta. http://capreform.eu
Um blogue sobre a política agrícola europeia que conta com o contributo do professor Alan Matthews, que lecionou esta temática em Trinity College, em Dublin.
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AGROTEJO tem novos corpos sociais para 2020-2022 A Assembleia Geral da AGROTEJO elegeu novos corpos sociais para o triénio 2020-2022. Os principais objetivos dos recém-eleitos, uma lista de continuidade, são a defesa dos
HORTEJO recebeu entidades Do projeto Agri– Renaissance 4
No âmbito do projeto AgriRenaissance, o Agrocluster dinamizou a 5th Study Visit que decorreu na Região Centro de Portugal, nos dias 10, 11 e 12 de março. Estas visitas tiveram como objetivo contribuir para melhorar a implementação de políticas e programas de desenvolvimento regional, no qual recebemos vários parceiros do projeto, nomeadamente: Government of La Rioja (Espanha), Association for Research, Development and Innovation of the Agri-Food sector (Espanha), Mazovia Development Agency Plc (Polónia), Mazovia Region (Polónia), e National Paying Agency under the Ministry of Agriculture - Lithuania (Lituânia). Na HORTEJO, centro hortoindustrial, Pinheiro Grande, este grupo teve oportunidade de visitar uma parte da unidade industrial e conhecer a realidade desta empresa.
agricultores e do território, a reforma da PAC, a dinamização territorial, a sustentabilidade económica deste espaço rural e a dinamização de projetos estruturantes. Os membros foram eleitos por unanimidade e, assim, os novos órgãos sociais são: Mesa da Assembleia Geral: Presidente: Pedro Costa Alemão Vice-Presidente: Joaquim A. P. Pais de Azevedo Secretário: Joaquim Ferreira Matos Direção: Presidente: Luís Manuel Freitas Mesquita Dias Vice-Presidente: Mário João Gomes Antunes Tesoureiro: Jorge Manuel Coutinho Durão Neves Secretário: José Carlos Henriques da Luz 2.ª Secretária: Mª Francisca V. S. Chaves Ramos Vogal: José Pedro da Cruz Santana Vogal: Ambrósio Teixeira Raposo Conselho Fiscal: Presidente: Luís Azevedo Vasconcellos e Souza Secretário: José Coimbra de Castro Canelas Secretário: Pedro Nuno Catraio Minderico
No final de 2019, ainda se colheram 6.000 kg de ALIMENTOS NO restolho No final do ano passado, na semana em que se comemorou o Dia Internacional do Voluntariado (5 de dezembro), a Sociedade Hortícolas Casal da Avó recebeu 180 voluntários que colheram 6.000 kg de nabo. Os voluntários pertenciam à Escola Profissional de Torres Novas e ao Instituto Superior de Educação e Ciências de Lisboa. O restolho foi assim distribuído: 3.169 kg no Banco Alimentar de Abrantes; 70 kg no Banco Alimentar da Golegã; 2.833 Kg no Banco Alimentar de Santarém. A AGROMAIS agradece a todos os voluntários pelo empenho e dedicação a esta causa, ao agricultor por ter cedido o campo e à Câmara Municipal da Golegã por ter disponibilizado o transporte e feito a distribuição dos produtos pelas instituições.
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Marcelo Rebelo de Sousa reconhece esforço dos agricultores
No início de abril, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, visitou o campo do nosso associado João Geada. Uma visita feita conjuntamente com a Confederação dos Agricultores de Portugal que teve como objetivo reconhecer o esforço dos agricultores sobretudo nesta fase de pandemia que vivemos.
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Orçamento do Estado 2021 para a agricultura e florestas O Orçamento do Estado (OE) para 2021 já foi aprovado na generalidade. Está ainda em discussão na especialidade e alguns partidos já apresentaram propostas de alteração no que respeita à agricultura e florestas. AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo
| A ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, afirmou que “o Orçamento do Estado permite responder aos desafios de uma agricultura sustentável e inovadora na proteção, qualidade e segurança da produção agroalimentar”, mais acrescentando que “permite, ainda, assegurar o planeamento e coordenação, gestão e controlo da aplicação dos fundos nacionais e comunitários em benefício da agricultura nacional e de uma política pública pensada para o desenvolvimento rural”. A despesa total do Programa Orçamental para a Agricultura, em 2021, aumenta 31,6%, face à execução de 2020, e a despesa efetiva cresce 29,8%. Destaca-se também que será dada continuidade à execução do Programa de Desenvolvi-
mento Rural (PDR) 2020. O Ministério da Agricultura sublinha ainda, em comunicado, que “perante os efeitos das alterações climáticas, o regadio assume-se como uma resposta essencial na garantia de mais sustentabilidade, previsibilidade e produtividade. Com este Orçamento será prosseguido o Programa Nacional de Regadios”. O Orçamento para 2021 vai permitir, assim, dar continuidade “à missão deste setor e reforçar o papel da agricultura em Portugal, nomeadamente na garantia da produção de alimentos com qualidade, seguros e que respeitam a preservação ambiental e o bem-estar animal. Com ele será possível promover a vocação exportadora do setor, a consolidação de
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Climática. O ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Matos Fernandes, esclareceu à agência Lusa que “do orçamento total do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), de cerca de 82,5 milhões de euros, cerca de dois terços são dedicados à floresta, ou seja, perto de 55 milhões de euros, incluindo a afetação do valor dos funcionários, os custos de manutenção e de operacionalização”. As contas fazem-se ainda com o Fundo Florestal Permanente que, em 2021, vai ascender a 27,5 milhões de euros. As duas parcelas perfazem, assim, 82,5 milhões de euros. No âmbito do Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR), dos 65 milhões de euros que foram programados para as floresta e combate a incêndios florestais, já foram executados cerca de 84% desses fundos,
consubstanciado em 192 candidaturas, no atual quadro comunitário, vigente até 2023. “Também o Fundo Ambiental dedica uma parte dos seus recursos financeiros à floresta, de onde se destaca o aviso lançado em 2019 referente à 1.ª Fase do Programa de Remuneração dos Serviços dos Ecossistemas em Espaços Rurais, no valor global de 3,7 milhões de euros”, avançou o gabinete do ministro do Ambiente e Ação Climática, explicando que “o Fundo Ambiental, através deste programa, vai remunerar os proprietários florestais em troca da garantia de um fluxo de serviços aprovisionados pelos ecossistemas, por um prazo de 20 anos consecutivos”. Portugal poderá ainda adicionar 665 milhões de euros para as florestas, através do Mecanismo Europeu de Recuperação e Resiliência, do novo Fundo de Recuperação da União Europeia (UE), criado para os
Principais aspetos a reter na proposta de OE 2021 para a agricultura e florestas: mercados já existentes, a abertura de novos mercados para as empresas do setor e para os produtos portugueses e assim contribuir para um maior equilíbrio da balança comercial e caminhar para a nossa autonomia alimentar”. Este Orçamento vai permitir, ainda, “a promoção de uma agricultura inovadora, sustentável e competitiva, promotora do desenvolvimento rural e da coesão territorial, garantindo a resiliência dos territórios com a presença da agricultura familiar, que assegure a ocupação e a vitalidade das zonas rurais em ligação com outras atividades, reforçando assim as cadeias curtas, os mercados locais e a valorização dos nossos recursos endógenos”.
Floresta No âmbito do plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o Governo prevê uma verba para as florestas de 665 milhões de euros, aos quais haverá a somar cerca de 82,5 milhões de euros do OE 2021, afetos ao Ministério do Ambiente e da Ação
Potência uma execução do PDR2020 que conduzirá à sua execução integral até 2023 Manutenção dos apoios agroambientais de forma a permitir a transição entre os dois quadros de programação: Apoio ao regadio eficiente e sustentável, nomeadamente porque: Permite iniciar a execução do parque fotovoltaico de Alqueva que irá produzir mais de metade do consumo atual do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva (EFMA) – valor do projeto a executar em 2020: 23M€. Permite a execução do Programa Nacional Regadios (PNRegadios), nomeadamente o alargamento do regadio Alqueva – valor dos projetos a executar em 2021: 111M€ Este investimento dará um contributo decisivo para a execução do
PNRegadios, que em situação de cruzeiro, conduzirá a: Um acréscimo de valor acrescentado bruto de 280 M€/ano; Um acréscimo na receita fiscal de 51 M€/ano (na agroindústria e outras atividades a montante e a jusante da atividade agrícola). Um aumento do saldo externo em 73 M€/ano. Uma criação líquida de 10 550 empregos permanentes. Permite desenvolver os processos com vista à internacionalização dos operadores económicos do sector agroindustrial, através da negociação de acordos bilaterais de âmbito sanitário e fitossanitário e da disponibilização de informação aos operadores económicos. Permite a valorização da agricultura familiar: Majoração dos subsídios relativos à utilização de gasóleo colorido e marcado.
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Estados-membros saírem da crise gerada pela pandemia de Covid-19. De acordo com o Governo, “o investimento para as florestas visa o reforço da resiliência económica, social e territorial do
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país, em particular dos territórios rurais, no sentido de desenvolver uma resposta estrutural capaz de proteger Portugal de incêndios rurais graves, num contexto de alterações climáticas, promovendo-se em
IVA de adubos sintetizados e fertilizantes não-orgânicos pode passar de 6% para 13% O Orçamento do Estado para 2021 está em discussão na especialidade onde o PAN – Pessoas-Animais-Natureza propôs ao aumento do IVA dos adubos sintetizados e fertilizantes não-orgânicos. O partido sugeriu que passa-se da taxa mínima de 6% parta a taxa intermédia que é de 13% como forma de “fomentar a prática da agricultura em modo biológico”. O Ministério da Agricultura acolheu esta ideia. Maria do Céu Antunes, que tutela a agricultura, comentou que “não faz sentido olhar para esta questão […] como [se fosse] para tornar os adubos mais caros, o que
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está em cima da mesa é criar condições para que esta situação leve à utilização de formas mais orgânicas que existem”. Os agricultores rapidamente reagiram e mostraram o seu desagrado com esta subida do imposto. A Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal (Confagri) considerou “que o único efeito da medida é o aumento dos custos de produção para os pequenos agricultores e para a agricultura familiar”, concluindo que “esta medida não vai promover a prática da agricultura biológica”.
simultâneo o reforço da valorização económica dos espaços florestais e o combate às alterações climáticas”. O trabalho para o próximo ano incidirá também “na concretização das reformas relativas à transformação da paisagem dos territórios de floresta vulneráveis, com 270 milhões de euros; à reorganização do cadastro de prédios rústicos e da cartografia do território, com 96 milhões de euros; e à prevenção e combate aos fogos rurais, com 166 milhões para a rede primária das faixas de gestão de combustível, 93 milhões para meios aéreos de combate a incêndios rurais e 40 milhões de euros para financiar o Programa MAIS Floresta – gestão e prevenção de riscos e reforço da capacidade operacional dos agentes de proteção civil”. O Ministério do Ambiente e da Ação Climática destaca atingir estes objetivos “apenas é possível de implementar com a mobilização de um leque alargado de agentes, desde as entidades da administração pública central e local, passando pelos proprietários e detentores de espaços florestais, pelo setor empresarial, bem como através organizações de produtores florestais ou outras parcerias, com o objetivo de uma gestão agrupada de espaços florestais”. A tutela das florestas refere ainda que “será igualmente dada particular atenção à articulação do PRR com outros instrumentos de política, nomeadamente do quadro dos fundos europeus estruturais e de investimento para o período 2021-2027, bem como de fundos nacionais, com vista a potenciar os investimentos propostos no quadro do PRR”.
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Parlamento autorizou Governo a legislar sobre arrendamento forçado de solos
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No início de novembro, o Parlamento autorizou o Governo a legislar sobre arrendamento forçado em áreas ardidas cujos proprietários não se voluntariam para executar intervenções, alterando as bases gerais da política pública de solos, de ordenamento do território e de urbanismo. A lei agora publicada em Diário da República concede ao Governo autorização legislativa, por 180 dias, para aprovar o regime jurídico do arrendamento forçado “relativo às áreas delimitadas para a reconversão da paisagem em territórios vulneráveis que sejam objeto de operação integrada de gestão da paisagem”. O Parlamento delimita o sentido e extensão da autorização legislativa, especificando que a possibilidade de o arrendamento forçado abranja as situações de prédios rústicos objeto de operação integrada de gestão da paisagem, nos casos previstos na lei. O Parlamento determina ainda uma prorrogação até 13 de julho
Climalert, uma app que alerta agricultores sobre mudanças climáticas
O Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA) da Universidade do Minho coordena o projeto Climalert no âmbito do qual vai ser desenvolvida uma aplicação móvel (app) e uma plataforma web com informação sobre as alterações climáticas. O objetivo é ajudar os agricultores a otimizar a irrigação das culturas e a antecipar ou adiar colheitas. “A aplicação de telemóvel, em fase de testes, permite de forma simples e gráfica que o agricultor registe e analise tendências do estado da sua cultura e da produtividade ou avalie ciclos de temperatura, precipitação e intempéries”, esclarece comunicado de imprensa da Universidade do Minho. A par da aplicação, está a ser concebida uma plataforma web de suporte à tomada de decisão no setor da água, de modo a planear cenários de exploração agrícola e uso hídrico a médio e longo prazo. As ferramentas Climalert foram criadas na Universidade do Minho, através dos centros de investigação CBMA, Algoritmi e de Sistemas Microeletromecânicos, e estão a ser testadas nos três países do consórcio. O Climalert envolve ainda o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o Instituto Catalão de Investigação da Água (Espanha) e o Centro de Investigação Ambiental Helmholtz (Alemanha). O projeto junta parceiros de Portugal, Espanha e Alemanha e conta com 845.000 euros da União Europeia, até 2021.
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de 2021 do prazo para cumprir o previsto na lei de bases gerais da política pública de solos, de ordenamento do território e de urbanismo, de 2014, quanto a verter planos especiais de ordenamento do território em vigor em planos diretores intermunicipais ou municipais, que devia ter sido feito até 2017. A autorização legislativa, referem os deputados na autorização ao Governo, é concedida com o sentido e a extensão de permitir ao Governo estabelecer um regime jurídico de arrendamento forçado “nas situações em que os proprietários não manifestem a intenção de executar, voluntariamente, as intervenções apoiadas e previstas em operação integrada de gestão da paisagem relativa à área integrada de gestão da paisagem, a vigorar por um período de 25 anos, prorrogável, mediante fundamentação, por sucessivos períodos adicionais até ao limite máximo global de 50 anos”.
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O presente e o futuro
AGROTEJO e universo AGROMAIS: uma cadeia sustentável de sucesso
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A sustentabilidade de um território está alicerçada em diversos pilares. População jovem, competitividade económica e um espírito associativo e empresarial que motivem e incentivem. Estes pilares têm vindo ao longo dos anos a ser construídos no Norte do Vale do Tejo pela AGROTEJO e pelo universo AGROMAIS, fazendo deste território um local próspero e sustentável que se prepara para os desafios do futuro. AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo
Sara Pelicano jornalista
| A AGROTEJO – União Agrícola do Norte do Vale do Tejo desenvolve a sua atividade desde sempre na defesa dos agricultores. Ao longo das várias décadas de atividade tem sempre procurado formar e informar os empresários agrícolas da região, contribuindo para o seu sucesso profissional. Hoje é o elo de uma forte cadeia que torna este território sustentável e um exemplo para o país. A AGROTEJO liga sinergias com a AGROMAIS – Entreposto Comercial Agrícola, a AGROMAIS Plus e a HORTEJO, como destaca Luís Mesquita Dias – que foi eleito este ano como presidente da Direção da AGROTEJO para 2020-2022: “a complementaridade destas várias entidades tem sido fundamental. Pelo que acompanhei, os agricultores da nossa região têm aqui aquilo que os cidadãos portugueses gostariam de ter no país. Um máximo de resultado para um mínimo de dispersão de esforços. Os assuntos mais diversos (formação, apoio técnico, comercialização) são tratados de forma coordenada através de um mínimo de
interlocutores. Coordenação, simplificação e sinergias não significam no entanto colagem ou sobreposição. A AGROTEJO tem uma missão bem definida e um âmbito de ação que, pela sua natureza, vai além das necessidades do agricultor individual e estreita a relação do setor com as tutelas públicas (em especial Agricultura e Ambiente, mas também Economia e Planeamento). Tentaremos, na medida do possível, continuar a fazer bem o que já hoje é bem feito e melhor o que ainda não está otimizado. Se o ritmo do setor na região não é ainda aquele que necessitaríamos ter, não deve a AGROTEJO acomodar-se a ele, mas antes contribuir para o acelerar”. Luís Mesquita Dias foi, nos últimos 11 anos, diretor-geral da Vitacress, um percurso que descreve como “intenso, exigente e gratificante”, no qual teve oportunidade “de aplicar a uma empresa com uma forte base agrícola, as técnicas de gestão da empresa multinacional de produtos de grande consumo em que nas décadas anteriores trabalhei. Sem modéstia creio poder afirmar que ajudei, com o contributo de uma excelente equipa e o apoio de um acionista cooperante, a mos-
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trar que é possível acrescentar valor aos produtos da terra, criando com eles marcas que os tornam distintos e preferidos pelos consumidores”. Uma experiência profissional que terá também reflexos agora na associação à qual já pertencia como presidente de mesa da Assembleia Geral. “A agricultura não tem de ser básica, nem os seus produtos estão condenados a ser commodities. Com investigação, que promove a qualidade, com roupagem adequada e marca relevante e com um bom trabalho de distribuição é possível aumentar o seu valor intrínseco e conseguir que na cadeia de valor a margem seja mais equitativamente distribuída entre os vários participantes no processo”.
Estar sempre presente Os desafios da agricultura são muitos quer para o futuro, quer para o presente. E também aqui esta estrutura se mostra resiliente e sustentável. No início deste ano, todos nós vimos o nosso quotidiano mudar drasticamente e sem sabermos ainda quando a nossa normalidade será reposta. No entanto, apesar da obrigação de confinamento, a AGROTEJO manteve-se sempre presente na ajuda que presta aos seus associados. “A primeira coisa que rapidamente fizemos foi sossegar os agricultores face ao trabalho que eles precisavam que fosse feito, que continuamos a fazer, mesmo, numa fase inicial, estando de porta fechada”, conta Mário Antunes, vice-presidente da Direção. “Os nossos agricultores continuaram a ter acompanhamento, diria até de uma forma mais personalizada.” Mário Antunes refere ainda que este confinamento permitiu inclusive dar um grande avanço no que respeita à digitalização, inclusive, no seio dos organismos estatais. “Relativamente ao relacionamento com as várias entidades saíram um conjunto de orientações e regulamentação que permitiu o teletrabalho. Houve um aligeirar da burocracia, o que prova que muita dela não era, se calhar, necessária porque, com a pandemia, foram resolvidos um conjunto de assuntos por via digital, o que mostra que antes se calhar estávamos a complicar demasiado”. A AGROMAIS – Entreposto Comercial Agrí-
“A ideia da AGROMAIS é estar à frente dos acontecimentos e permitir que os seus sócios possam tirar partido disso”, Luís Vasconcellos e Souza cola manteve também o seu empenho nesta fase crítica que reconhece ter um impacto importante para os produtores. “Não há dúvida de que a pandemia aumentou o risco da atividade e os mer-
cados de matérias-primas internacionais ficaram mais imprevisíveis”. Mas a atividade não para, e Luís Vasconcellos e Souza, presidente da Direção da AGROMAIS, recorda que “a ideia da AGROMAIS é estar à frente dos acontecimentos e permitir que os seus sócios possam tirar partido disso”. Uma forma de atuar que tem contribuído para fazer do Norte do Vale do Tejo uma região robusta. “Não há nenhuma outra zona em Portugal tão organizada como esta e esse potencial está a ser organizado no bom caminho”, afirma. A visão estratégica e orientada para o mercado faz parte da génese do entreposto comercial agrícola. Luís Vasconcellos e Souza recorda mesmo que “a AGROMAIS tem um papel fundamental a desempenhar, mas não pode dispersar em dez coisas ao mesmo tempo. Tem de haver a noção de que uma rede destas tem de ter um interesse dominante coletivo e não individual”. É neste sentido que ao longo dos anos, a AGROMAIS se tem tornado um exemplo incentivando a aposta em novas culturas como foi o caso da batata para indústria, cebola e, mais recentemente, milho para pipoca e as nozes. A aposta nas nozes começou há cinco anos. Atualmente, estão 200 hectares plantados com nogueiras e no próximo ano o pomar irá crescer até aos 300 ha,
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Três perguntas a Luís Mesquita Dias, presidente da Direção da AGROTEJO
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“(…) os agricultores da nossa região têm aqui aquilo que os cidadãos portugueses gostariam de ter no país”, Luís Mesquita Dias “não sendo até aos 500 ha porque não há árvores”, explica o engenheiro agrónomo. O objetivo é alcançar os mil hectares “a muito curto prazo”. A AGROMAIS irá apoiar os produtores a escoar as suas nozes, além de prestar apoio técnico. Numa fase inicial será comercializada a noz com casca e posteriormente poderá ser feito um investimento na cadeia de valor, vendendo-se o miolo. “A ideia é ir sempre o mais longe possível, não esquecendo que têm de ser negócios rentáveis. O que acontece em relação à noz é que não há um grande player em Portugal. Há produtores com alguma dimensão, o resto não tem dimensão para aquilo que a gente acha que deve ser a dimensão ideal para estar no mercado. A ideia é fazermos em conjunto, criarmos essa tal dimensão, sermos o tal agente que permite ir o mais longe possível na criação de valor”.
O futuro Os gestores e colaboradores destas instituições não têm bolas de cristal para prever o futuro, mas sabem como gostariam
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Revista Agrotejo (RA) – Quais os objetivos que tem para a AGROTEJO? Luís Mesquita Dias (LMD) – Espero, com a ajuda daqueles que trabalham nesta casa e a trouxeram ao patamar de respeito e eficácia em que hoje se encontra, ajudar a levá-la ainda mais longe. Questões como a do emparcelamento e da promoção da Reserva da Biosfera oferecem desafios e oportunidades enormes. São apenas dois exemplos, ainda que vitais, de projetos que foram há muito lançados e que entropias de ordem vária têm vindo a adiar. São entropias muito típicas do relacionamento do mundo produtivo com a administração pública que o país tem rapidamente de superar. Vem aí muito dinheiro para investir. Vem, no entanto, de braço dado com prazos curtos e exigências de rigor que impõem um sentido de urgência a que o país ainda não se habituou. RA – Quais os principais desafios que considera ter neste triénio 2020/2022? E como poderão ser contornados? LMD – O desafio mais óbvio será o de garantir que, apesar do aumento previsivelmente significativo das candidaturas dos associados aos novos fundos, a associação conseguirá responder com a tradicional eficácia, não só dando resposta ao que lhe é pedido, mas alertando os sócios para as novas oportunidades. Um segundo desafio prende-se com o desenvolvimento de todos as ações e esforços que possam conduzir ao aumento da produtividade e riqueza do território. A concretização do emparcelamento e a digitalização de processos são aqui questões chave, mas a melhoria da remuneração de empresários e trabalhadores são essenciais através do aumento de valor do que é produzido. Um terceiro desafio passa pela colocação das preocupações ambientais num nível de prioridade ainda superior ao que já têm vindo a ter. Um quarto objetivo é o da contribuição da agricultura e dos agricultores para o alargamento das fontes de receita da região através da promoção de um trabalho em rede com a restauração, a hotelaria o turismo da natureza e o artesanato, entre outras atividades. Um quinto, e para já último objetivo, prende-se com o aumento da notoriedade e reconhecimento da Agrotejo além do seu tradicional público-alvo, tornando-a cada vez mais um interlocutor privilegiado das entidades públicas ligadas ao setor. RA – No que respeita à agricultura, quais considera serem os principais desafios? LMD – A água, que tem de ser gerida de uma forma equilibrada, livre de preconceitos ideológicos e encontrando um justo equilíbrio entre economia e ambiente. A mão-de-obra que tem de passar por uma atração e formação de jovens nacionais a par do indispensável acolhimento de imigrantes. No caso destes, e nas zonas em que o seu número é significativo, é necessário assegurar que o investimento público em infraestruturas sociais acompanha este movimento demográfico. A investigação que passa pela dinamização e coordenação dos Centros de Competência e dos Laboratórios Colaborativos garantindo que o país consegue competir com o que de melhor se faz nos mercados que mais diretamente competem connosco. O associativismo, na ótica do reforço do peso das organizações de produtores que em Portugal ainda se situa muito abaixo do desejado. E a criação de marcas, tanto na perspetiva dos empresários individuais como da promoção da marca Portugal, enaltecendo o sabor e a segurança alimentar que nos caracterizam, em produções que talvez nunca venham a competir em quantidade, mas seguramente o fazem e farão em qualidade.
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“O futuro será continuar a defender os agricultores, a região e o território”, destaca Mário Antunes
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que ele fosse: sempre no sentido de trazer mais valor acrescentado para a região. A receita para este objetivo está também traçada. Além da aposta em culturas sustentáveis, como vimos em cima, a AGROTEJO e a AGROMAIS enfrentam desafios como o rejuvenescimento da agricultura e o combate das alterações climáticas. “O agricultor no futuro vai ter um relacionamento com várias frentes e portanto vai ter de ser um agente de produção, vai ter de ser um agente social e um agente prestador de serviços ao nível muito local”, diz Luís Vasconcellos e Souza, concluindo que “o interior precisa de um desenvolvimento feito à volta de grandes investimentos. As zonas pobres dos países evoluídos sempre tiveram grandes investimentos feitos para criar centros de desenvolvimento em determinadas zonas”. Jorge Neves, diretor-geral da AGROMAIS, destaca ainda que “a curva de aprendizagem na agricultura é demasiado longa. O que aconteceu nos últimos 40 ou 50 anos é que houve aqui um hiato muito grande em termos de passagem de teste-
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munho daqueles que ainda são agricultores, mas já com uma idade mais avançada, para os filhos deles que foram aconselhados a não se meterem na agricultura. Hoje coloca-se o drama de quem dá continuidade às explorações? O que estamos a assistir é, e o Alentejo é bom exemplo disso, à passagem da agricultura para grandes empresas geridas por fundos que não são propriamente agricultores. Veem a agricultura como mais um setor de atividade onde aplicam os seus fundos”. Mário Antunes recorda que realmente o setor tem passado por diferentes fases, desde o momento em que ninguém quis seguir a atividade, até ao momento que se tornou atrativa, o que trouxe outro género de problemas. “Quando a maior parte das pessoas que quer ser agricultor não conhece o setor agrícola, não conhece a atividade, não tem capitais próprios às vezes é meio caminho andado para o insucesso. Houve muitos casos desses. Neste momento, a situação está um bocadinho mais estabilizada quer do ponto de vista da nobreza da atividade, quer do ponto de vista da importância da atividade e ainda do
ponto de vista daquilo que são os riscos desta atividade económica”. As alterações climáticas são hoje também uma realidade que tem de ser trabalhada para preparar o futuro. A redução do uso de fitofármacos é uma das propostas do União Europeia e acatada por Portugal o que coloca alguns desafios a quem trabalha e vive da terra. Luís Vasconcellos e Souza alerta para os custos que os novos produtos autorizados podem ter, enquanto Jorge Neves comenta que a Europa pode perder algumas soluções por falta de competitividade. “Hoje em dia, temos grandes empresas de fitofármacos. Há uma década, mais ou menos, existiam companhias europeias e de outras nacionalidades e isso gerava concorrência e alguma preocupação em encontrar soluções. Ter concentração do mercado vai levar a desinteresse em procurar soluções para culturas de mercados menores como é o caso da Europa. As soluções tenderão a ser cada vez mais globais e fica fora de jogo quem não quer aceitar essas soluções. A Europa está a querer ir mais
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“Hoje em dia, temos grandes empresas de fitofármacos. Há uma década, mais ou menos, existiam companhias europeias e de outras nacionalidades e isso gerava concorrência e alguma preocupação em encontrar soluções”, Jorge Neves
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além, mas depois fica a descoberto. As grandes empresas multinacionais vão é preocupar-se em rentabilizar a investigação que fazem com quem compra grandes quantidades”, diz Jorge Neves. O futuro compõe-se assim com vários cenários, mas uma coisa será certa, estas entidades vão continuar o seu trabalho de parceria com os agricultores. “O futuro será continuar a defender os agricultores, a região e o território”, destaca Mário Antunes. Por fim, Luís Mesquita Dias revela-se otimista com o mais recente levantamento do perfil de associado que foi feito: “Esse conhecimento, totalmente anónimo mas estatisticamente credível e relevante, permite mostrar os principais contornos dos nossos associados. É animador pelos sinais que nos dá de um grau de modernização apreciável do setor. É também animador pelas intenções que revelam de aposta continuada no futuro. A Associação continuará a ter um papel determinante na formação e na ajuda aos associados no sentido de aproveitarem os fundos que estão e estarão à sua disposição”.
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Uma visão estratégica para a próxima década
Apostar na agricultura é “absolutamente vital” António Costa Silva, professor do Instituto Superior Técnico, foi convidado pelo atual Governo para desenvolver uma Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020-2030. Em entrevista, fala da importância “vital” de defender o setor agrícola e florestal e da aposta essencial nos territórios de baixa densidade. O também presidente da Comissão Executiva da Partex Oil and Gas considera que tem de haver uma mudança de paradigma no Estado, conseguindo garantir uma continuidade de políticas. 20
Sara Pelicano jornalista
| Revista Agrotejo (RA) – Elaborou uma Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020-2030 a convite do XXII Governo Constitucional. Quais os desafios de desenvolver um trabalho desta envergadura? António Costa Silva (ACS) – Os principais desafios prendem-se com aquilo que é o modo de funcionamento do país. O país não está muito habituado a pensar em termos estratégicos, não está habituado a planear diferentes cenários para o futuro. Pouco a pouco, ao nível do Estado e da Administração Pública, os organismos de planeamento desapareceram, e isso não é por acaso. Não há, no quadro mental estabelecido, essa preocupação. De certa maneira isto é uma rutura com esse paradigma porque acho que os países, como as empresas, as famílias, como todos nós, têm de planear o futuro. É evidente que a gente não conhece o futuro, é sempre uma surpresa, mas podemos antecipar em termos de cenários, de desafios para estarmos mais preparados para enfrentar esse futuro. Digamos que a mudança cultural que isto exige é um dos principais desafios que encontrei. AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo
RA – Talvez, por isso, não tenha muita esperança na manutenção desta visão na próxima década… ACS – Eu não sou homem de ter muitas ilusões e de criar muitas expectativas. O país tem na sua tradição muitos planos que foram feitos e foram parar à gaveta. As minhas expectativas são relativamente baixas. Penso que da parte do Senhor Primeiro-ministro, e do Governo, há um grande apoio a esta Visão Estratégica, mas depois temos tudo aquilo que é necessário fazer. Isto não pode ser um plano ou uma visão de um partido, tem de ser de vários. Tem de haver um consenso político. Têm de ser desenhados grandes eixos que possam ser válidos para toda esta década. O país está muito habituado a mudanças de ciclo político em que o novo Governo que entra faz tudo ao contrário do Governo anterior. Um cenário que pode acontecer dentro do mesmo Governo, ou seja, muda um ministro e mudam completamente as políticas. Eu acho que isto é letal para o país. E o país sofre muito com estas oscilações. Face à dimensão da crise – e a crise é muito grave porque não é só sanitária, já se transformou numa crise social e económica profunda –, o país está perante um desafio imenso. A situação vai piorar bastante antes de melhorar e, portanto, se não houver um consenso político e o país continuar nas suas guerras não vamos a lado nenhum. A administração pública tem uma cultura muito burocrática. Uma
empresa quer desenvolver um projeto e interage com seis ou sete organismos da administração pública e todos eles estão orientados para pareceres e cada um faz o seu parecer que é sempre reativo. Na revisão do código administrativo 2015 ficou prevista a figura da conferência deliberativa, ou seja, obrigar os organismos públicos, que são consultados e têm de intervir no processo de uma empresa, a ter a capacidade de se reunirem e deliberarem. Isto não acontece. O resultado é que os projetos são paralisados, perde-se imenso tempo e energia, as empresas ficam muito desmotivadas, os investidores internacionais são eles próprios desmotivados de todo este processo. Se não houver uma alteração deste paradigma, muito dificilmente vamos atingir os objetivos.
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RA – A transparência na aplicação de fundos comunitários, por exemplo, é também fundamental, mais uma mudança de paradigma a implementar? ACS – O máximo que fazemos por ano de fundos comunitários é à volta de 3.000 milhões de euros. Os fundos que vão chegar vão ser o dobro disso. Como é que a “máquina” vai responder a todo este sistema? É, por isso, que é muito importante mudar esta cultura e haver transparência e prestação de contas. Isto é, haver um portal do Governo onde são reportadas as verbas que são alocadas, os critérios, as taxas de exe-
cução e uma prestação pública de contas que permitam o escrutínio detalhado. Isto é fundamental para criar confiança e para fazer mover todo o sistema. Os fundos europeus têm também mecanismos de controlo que a própria União Europeia instituiu. O que defendo é que esses mecanismos se articulem com os mecanismos nacionais e que haja da parte do Governo, e das instituições, transparência e prestação de contas. A democracia é um regime conflitual, pluralista, como deve ser, mas também repousa numa certa confiança entre governantes e governados. Crises como esta,
“O país não está muito habituado a pensar em termos estratégicos, não está habituado a planear diferentes cenários para o futuro.”
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com o cansaço que elas geram, com as dificuldades sociais e económicas, vão gerar, se não houver mecanismos que criem confiança, uma situação de instabilidade social e política. É muito importante e urgente estes mecanismo estarem a funcionar. De certa maneira eles já foram instituídos no passado, mas agora têm de ser instituídos a uma escala grande e tem de haver essa transparência e prestação de contas para permitir um escrutínio público detalhado. E não fazermos, como aconteceu noutras alturas, em que não aproveitámos os fundos europeus, em que há fenómenos de corrupção generalizados, em que há desvios. Isto não pode de forma alguma acontecer. A maneira mais eficaz de não acontecer é transparência e prestação de contas. RA – Momentos como o que vivemos de pandemia, podem ajudar nessa mudança de paradigma? ACS – Podem absolutamente. Acho que
isso está hoje mais do que nunca em cima da mesa. A pandemia trouxe uma valorização dos serviços públicos, nomeadamente, do Serviço Nacional de Saúde e valorização do papel do Estado. Vivíamos num paradigma em que o Estado era mínimo, o Estado não interessava nada, nem os serviços públicos. O que interessava era privatizar tudo e o mercado ia resolver todos os problemas. A primeira mudança de paradigma é que estas teorias estão a ser derrotadas pela realidade porque, quando há uma crise com esta dimensão, estamos a descobrir que os serviços públicos, e particularmente o Serviço Nacional de Saúde, são absolutamente essenciais para nos salvarem. Não é o mercado. Obviamente que os mercados são importantes, e eu trabalhei toda a minha vida nas empresas e nos grandes mercados, que são máquinas de criatividade, de inovação, de criação de
país teve de se mobilizar para repor essas faltas. Amanhã, pode haver uma crise alimentar, pode haver um colapso das cadeias alimentares globais. É absolutamente vital para o futuro que o país seja resiliente, aposte na sua agricultura, no setor primário. Por isso o plano defende uma aposta muito forte na agricultura. Não só a agricultura industrial, nos grandes projetos que existem, mas também na agricultura ecológica, local, baseada em cadeias logísticas curtas para dar muita resiliência a todo o sistema. O que se verifica é que a agricultura hoje já representa 4% do PIB nacional. O caminho de futuro é introduzir mais conhecimento, mais inovação em todos os processos agrícolas industriais. Isto vai também ajuda à gestão do solo, à preservação da água e à preservação da qualidade e sustentabilidade dos próprios modos agrícolas.
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prosperidade, mas tem de haver uma combinação virtuosa entre o mercado e o Estado. É nessa combinação virtuosa que está o segredo para o futuro. RA – A agricultura é um dos setores em destaque nesta fase. De que forma está contemplada nesta visão estratégica? ACS – A agricultura é um dos setores vitais. Nesta crise, tivemos um falhanço dos equipamentos médicos, havia uma dependência muito grande do exterior, sobretudo dos mercados asiáticos, e o
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RA – Também a floresta é fundamental? ACS – Penso que este binómio agricultura/floresta casa muito bem em termos de repensarmos a ocupação do território. Praticamente 80% do território é coberto por agricultura e floresta, esta ocupa cerca de 35% do território. Temos de pensar tudo no sentido de ver quais as políticas públicas que podem assegurar a sustentabilidade dos recursos naturais, a valorização do território e a proteção das populações e das economias locais. Nesse sentido, a floresta é essencial porque presta serviços que nenhum outro sistema presta. Por exemplo, é um sumidouro de CO2, um serviço que tem de ser reconhecido; a floresta define também a paisagem, regula o ciclo hidrológico, combate desertificação e preserva a biodiversidade. O que defendo é revisitarmos o modelo de floresta que temos e dar toda a atenção a todas as fileiras que criam riqueza, como o montado, o eucalipto e as várias outras atividades. O Alentejo e o Norte do Algarve são regiões onde há um processo de desertificação que está a avançar, provavelmente, no futuro, podemos ter escassez de água e, portanto, temos de olhar para os territórios com base nas suas assimetrias e especificidades e desenvolver uma espécie de mapas de resiliência que identifiquem as vulnerabilidades, as acessibilidades, as manchas de pobreza, as valências em termos da produção agrícola, da produção florestal e, a partir daí, desenvolver um leque de soluções de forma a termos uma floresta mais diversa, mais equilibrada, mais sustentável e que ajude no combate à desertificação e às alterações climáticas. pub.
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RS – O Ministério da Agricultura apresentou a Agenda de Inovação para o setor agrícola, também com uma visão a dez anos? Parece-lhe uma agenda ambiciosa e alinhada com as necessidades do país? ACS – Face aos desafios atuais, penso que temos de ser ambiciosos. A Agenda tem uma grande vantagem, pois resulta de um contacto com os players. É muito importante associarem as empresas, haver um diálogo entre a administração e as empresas na definição dos objetivos. Houve também a grande preocupação de envolver todo o sistema de inovação tecnológica. No país há muitos centros de investigação agrícola. Acredito que o futuro passa pela inovação tecnológica e pelo desenvolvimento científico. A Agenda tem alguns objetivos que são importantes: o primeiro é desde logo aumentar em 15% o valor de toda a produção agroalimentar. Pode ser um objetivo ambicioso, mas acho que é possível porque o país tem muitas potencialidades no domínio agrícola que não tem aproveitado. É preciso um rejuvenescimento de gerações na agricultura, por isso também defendo na Visão Estratégica a importância de estender a fibra ótica para todo o país. Com estas condições, podemos atrair novas gerações de jovens agricultores para o interior. Temos de ser muito mais resilientes, a concentração nas cidades não é solução. Temos de diversificar, reocupar o território, reaprender a viver em contacto com a natureza, preservar a biodiversidade. Se deixarmos destruir essa biodiversidade, as doenças e pandemias vão aumentar. Há um outro objetivo que é muito importante: assegu-
rar na próxima década que pelo menos em 50% dos modos de produção agrícola sejam mais sustentáveis. Temos de ter um mosaico agrícola bem combinado, que proteja o solo, a água e os recursos, porque sem isso então não há agricultura. Eu acredito muito na agricultura de precisão e no envolvimento da ciência e da tecnologia. Aqui destaco outro aspeto da agenda que é a aposta na investigação e desenvolvimento tecnológico, articulando as empresas e os grandes centros tecnológicos, os laboratórios do Estado. Acho que aí está a fazer-se um trabalho muito interessante. RA – Os territórios de fronteira com Espanha estão hoje, na sua maioria, despejados de gente, mas com grande potencial. Defende para estas regiões um hinterland ibérico. Pode explicar? ACS – Quando falamos do interior do país, falamos sempre de territórios despovoados, envelhecidos, com uma desertificação crescente. Parece que estamos a falar de um fatalismo, de uma condenação. O que defendo é que estes territórios sejam no futuro uma espécie de centralidade de um hinterland ibérico, apostando na geoeconomia, uma das soluções para desenvolver a economia no século XXI. Isto significa construir espaços geoeconómicos integrados que vão além da identidade territorial. Todas essas áreas perto da fronteira podem elevar as suas valências ao dialogar com as zonas espanholas e desenvolver espaços geoeconómicos integrados que revitalizem de uma forma extraordinária todo eixo.
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Proteja as culturas agrícolas do ataque de javalis com as cercas elétricas da Agrovete Os javalis vêm sendo cada vez mais apontados como um fator de enorme devastação em inúmeras culturas agrícolas, nomeadamente milho, hortícolas e pomares, entre outras. O prejuízo, segundo os produtores, é muito significativo. A Agrovete, representante exclusiva da marca Gallagher, pioneira e líder mundial no mercado das cercas elétricas, conta com uma vasta experiência na instalação de cercados para proteção das culturas dos ataques de javalis.
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Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo apoia agentes económicos locais
Tendo por objetivo dinamizar o comercio local, a restauração, o alojamento e as restantes atividades económicas, a Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo está a editar um conjunto de documentação e publicidade sobre o território e os agentes económicos nele inseridos. Este é mais um passo para o desenvolvimento sustentável e valorização desta região.
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Projeto Tejo: decorre concurso para realização de estudos de viabilidade A Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR) lançou, no final de outubro, um concurso de 400.000 euros para os primeiros estudos de viabilidade de um projeto de regadio no Tejo. Os estudos vão decorrer durante um ano, depois de consignados. O concurso tem como objetivo “avaliar o potencial hídrico e hidroagrícola do Vale do Tejo e Oeste através do regadio, com a captação, armazenamento, transporte e distribuição de água, com delimitação de regiões potencialmente irrigáveis, e análise dos impactos socioeconómicos e ambientais”, refere o anúncio, publi-
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cado em Diário da República. O projeto vai abranger concelhos das regiões Oeste, Coimbra, Leiria, Beira Baixa, Médio Tejo, Serra da Estrela, Área Metropolitana de Lisboa, Lezíria do Tejo e Baixo Alentejo, distribuídas pelos distritos de Leiria, Lisboa, Coimbra, Castelo Branco, Setúbal, Santarém e Portalegre. No total, com prevê-se ser possível regar 300.000 hectares de terrenos agrícolas, dos quais 240.000 no Ribatejo, 40.000 no Oeste e 20.000 em Setúbal. O projeto de regadio do Tejo é um investimento estimado em 4,5 mil milhões de euros, superior ao do Alqueva, no Alentejo.
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Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020-2030
O que diz o setor? Sara Pelicano JORNALISTA
A Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020-2030 aborda o tema da agricultura e florestas. Fomos saber o que pensa o setor e alguns especialistas em agricultura e florestas sobre esta visão estratégica. AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo
| No passado mês de julho, foi apresentada a Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica de Portugal 20202030, documento que serve como base para o Plano de Recuperação e Resiliência que Portugal entregou, recentemente, em Bruxelas. A Visão Estratégica foi elaborada por António Costa Silva, professor do Instituto Superior Técnico, [leia também a entrevista disponível nesta edição da AGROTEJO] e tem um olhar sobre vários setores da economia nacional. A agricultura e as florestas são referidas no capítulo Coesão do Território, Agricultura e Floresta, o qual começa por referir que “o Plano de Recuperação Económica deve dar uma atenção particular a esta área que é a chave para mobilizar o interior do país, dinamizar aí a atividade económica, criar emprego e aumentar a coesão territorial”. No que respeita à floresta é escrito desde
logo que “o desafio para o setor florestal em Portugal coloca-se ao nível da estrutura de propriedade, extremamente fragmentada, e da atratividade e do rendimento dos proprietários, só possível com o investimento na conversão em paisagens diversificadas capazes de promover bem-estar às populações e às comunidades locais, além de tornar os territórios mais resilientes ao risco de incêndio”. A Visão Estratégica de António Costa Silva menciona ainda: - “Há que melhorar a governança florestal e reformular a equação do rendimento dos proprietários” - “A essência da política florestal em Portugal deve ser baseada numa simbiose entre a floresta de conservação e a floresta de produção, sendo que a prioridade é a conservação, a sustentabilidade ambiental e a minimização de riscos de incêndio”,
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- “Criar uma floresta para o futuro, mais ordenada, biodiversa e resiliente, conjugada com um mosaico agrícola, agroflorestal e silvopastoril, capaz de prestar diversos serviços ambientais e de sustentar as atividades económicas que lhes estão associadas, além de reduzir significativamente a severidade da área ardida”. No que respeita a agricultura, é descrita como “vetor essencial do Plano de Recuperação” e refere-se o seu crescimento nas exportações. No documento lê-se ainda que “o país não pode prescindir de um setor agrícola moderno, sustentável, capaz de aumentar a capacidade produtiva nacional e tender a superar a condição deficitária da nossa balança alimentar”. Nesta perspetiva defende-se que um reforço de políticas públicas para este setor que estimulem a agricultura ecológica e local capaz de revitalizar as cadeias logísticas e de abastecimento locais. Esta agricultura ecológica deve compaginar-se com uma agricultura industrial, cuja política deve “combinar o apoio ao aumento da produção agroalimentar, baseada na bioeconomia com a necessidade de estruturar os territórios, assegurar equilíbrio socioeconómico e prevenir e mitigar os efeitos das alterações climáticas”. Entre as várias sugestões feitas nesta Visão Estratégica, menciona-se ainda a necessidade de “definir programas que permitam a mobilização e jovens agricultores para se instalarem no interior e protagonizarem uma renovação da agricultura e dos sistemas produtivos” e ainda “aumentar o investimento no conhecimento e inovação”. A terminar, o documento refere que se deve colocar a agricultura e a floresta no centro do combate às alterações climáticas e que se deve lançar um programa para combater a desertificação. Perante este documento, quisemos saber a opinião de alguns especialistas deste setor, nomeadamente o engenheiro agrónomo e Sócio fundador e Coordenador científico da AgroGes, Francisco Avillez, o professor do Instituto Superior de Agronomia, Francisco Gomes da Silva, e o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Eduardo Oliveira e Sousa.
Francisco Avillez O verdadeiro plano estratégico do setor é o PEPAC
tuguês que não concorde com cada uma delas. Ora, num documento que deverá ‘inspirar’ um Plano de Ação, isso é o pior que pode acontecer, pois serve para tudo e para o seu contrário. Aliás, é curioso reparar que, nesse mesmo documento, para
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“Em termos gerais, acho que a Visão Estratégica é interessante, demonstra um bom conhecimento da realidade. Estou de acordo com o diagnóstico em muitas coisas, mas não vejo que do ponto de vista da agricultura haja para já grandes coisas. Em suma, acho que o verdadeiro plano estratégico e de recuperação para o setor é o Plano Estratégico Nacional para a Política Agrícola Comum (PEPAC). É aí que temos de definir qual a visão para o setor, quais as prioridades que atribuímos aos diferentes objetivos que a Comissão Europeia estabeleceu: os objetivos gerais e sobretudo os específicos. É no PEPAC que devemos escolher os instrumentos políticos que vamos utilizar quer no primeiro, quer no segundo pilar da PAC. Nas florestas, é um pouco mais explícito, muito na perspetiva da floresta de conservação, mais do que produção. É referido o montado e acho que há uma ação importantíssima a desenvolver em relação ao montado de sobro e de azinho cuja recuperação, restauro e expansão é fundamental para conseguirmos parar o processo de desertificação”.
Francisco Gomes da Silva O documento “não encerra em si verdadeiras escolhas” “O principal problema das ‘linhas orientadoras’ referidas é que elas não encerram verdadeiras escolhas. Não há nenhum por-
outros setores, existem opções claras. O que isto significa, provavelmente, é que o(s) autor(es) do documento tinham muito poucas ideias sobre o que é a realidade da floresta em Portugal e de quais são os verdadeiros desafios que ela enfrenta. Acho isso normal, pois uma única pessoa não pode ter sobre todos os problemas nacionais o mesmo grau de conhecimento. Mas não deixa de ser mais uma oportunidade que se poderá perder por falta de focagem. Poderei estar muito enganado, mas do valor do orçamento que virá, no final, a estar afeto à floresta irá direitinho para a proteção civil e para alguns desenhadores de paisagem. Sou muito cético em relação a este tipo de abordagem, mas talvez o futuro me desminta por completo”.
Eduardo Oliveira e Sousa Uma visão pouco debruçada sobre a agricultura e floresta “No seu todo, o documento é uma visão elaborada por uma pessoa que não quantifica, nem divide as áreas em função da sua importância estratégica, mas aponta caminhos. No que diz respeito à agricultura e florestas, o documento debruça-se muito pouco sobre essas áreas. Enaltece a importância
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desses dois sectores. No setor agricultura, por estar ligado à nossa atividade de ocupação do território e simultaneamente com a utilização de recursos que têm de ser objeto de medidas cuidadosas no âm-
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bito da proteção e gestão, como o caso da água. No caso da floresta, vai um pouco no sentido naquilo que tem sido a posição do Ministério do Ambiente, desde que assumiu a pasta das florestas, retirando-a ao Ministério da Agricultura, mostrando que olha para as florestas mais numa perspetiva de preservação do ambiente, do que de produção, o que não é completamente do nosso acordo, mas deixa o assunto, usando uma expressão vulgar, ‘muito pela rama’. O Dr. António Costa Silva identifica o setor agrícola e florestal como essenciais, dada a evidência da importância que tem no PIB nacional e nas exportações, embora sem apontar grandes caminhos. Já noutros setores, como a questão do mar, ferrovia e transformação energética, com as grandes centrais de Sines, entre outras, aponta caminhos. Na questão das florestas, envolve-as na questão do hidrogénio, porque este também pode ser feito com
base na utilização da biomassa, mas não faz mais nenhuma referência em termos do potencial socioeconómico da floresta no que respeita à produção, como fonte de rendimento de agricultores e proprietários florestais. No caso da agricultura, não entra em pormenores, a não ser que é fundamental para a economia, o que é natural, pois é fundamental na soberania de um povo. Mas não lhe identifica nenhum caminho, sobre se devemos intensificar a área de produção desta ou daquela cultura, ou se devemos usar maior ou menor capacidade de regadio. O tratamento generalista para os dois setores também nos motivou a construir o documento “Ambição Agro 2020/30” [ver artigo sobre este tema nesta revista]. Foi oportuno fazê-lo nessa altura para que a nossa visão das questões abordadas se integre na visão generalista que o documento do Dr. Costa Silva abraça.
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Miguel Vieira Lopes AgroGes
A sustentabilidade como arma de arremesso
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| Li há dias uma notícia da Agência Lusa em que se explicava que, segundo a Associação ZERO, o uso da água de Alqueva estava “muito longe de ser sustentável”. O artigo, que pode ser consultado no AGROPORTAL (https://www.agroportal. pt/uso-da-agua-do-alqueva-esta-muito-longe-de-ser-sustentavel-zero/), passa a descrever um conjunto de falhas à gestão da EDIA (Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas de Alqueva), mas nunca justifica as afirmações que faz nesse sentido. Alguns exemplos: 1. Diz que não é aceitável que haja uma grande área de regantes fora do perímetro, os chamados regantes precários, mas nem tenta argumentar porquê. Simplesmente o afirma, como se fosse a coisa mais óbvia ou como se qualquer leitor devesse aceitar que assim é só porque sim. 2. Diz que é questionável que as culturas que se vieram a instalar em Alqueva sejam, de facto, menos consumidoras de água que o inicialmente previsto. Neste caso, uma simples consulta do Anuário de Alqueva mostra as áreas das diversas culturas e como o oliAGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo
“Como vemos, a sustentabilidade já é, por si, um problema complexo, e que só pode ter a sua solução dificultada quando é usada como arma de arremesso.”
val (que utiliza pouca água de rega, relativamente a muitas das outras) acabou por dominar a área até agora regada, portanto a afirmação não se compreende. 3.Diz que não houve um planeamento de base para a utilização agrícola do perímetro, quando isso é falso e o planeamento foi abundante… talvez não tenha sido do tipo planeamento centralizado como alguns mais gostariam, mas isso é outra conversa. E com essa falta de planeamento justifica o aparecimento das monoculturas, um termo que, tendo entrado recentemente na moda, representa uma ideia demoníaca, sem que ninguém a defina, como veremos adiante. Pior, numa das suas afirmações em realce no artigo diz que o amendoal e o olival modernos são culturas “insustentáveis” – uma afirmação inaceitável, como explicarei adiante. Estes são apenas alguns exemplos, para dar o mote à discussão que aqui proponho. O meu objetivo não é o de criticar este artigo em particular ou a Associação ZERO, mas fazer ver uma
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grande preocupação que tenho com a forma como a questão da sustentabilidade é tratada em Portugal. Esta preocupação vem de dois aspetos principais que noto na discussão em geral: a falta de rigor e conhecimento com que se faz afirmações sobre a sustentabilidade e a falta do sentido crítico na forma com que a sociedade aborda estas questões e que permite que tudo se diga e tudo se aceite sem contestação. A meu ver, estes são dois sinais de uma sociedade que não quer saber, enfiado a cabeça na areia, ou que quer que lhe digam o que fazer, assumindo uma postura infantil. E, também a meu ver, não deve ser assim que uma sociedade desenvolvida e educada deve abordar o importante problema da sustentabilidade. Deve, aliás, ser o seu contrário o verificado quando o cidadão comum discutir este assunto. Mas para lá chegarmos, é preciso rigor nas afirmações e sentido crítico de quem as ouve. Algo que é mau, não deve ser aceite como mau só porque alguém o diz. E mesmo que seja mau, isso tem de ser fundamentado. Quem faz afirmações, como as de cima exemplificam, tem de ter uma fundamentação disponível para lhes dar. Essa fundamentação deve ser dada, e exigida, por quem lê ou ouve. O artigo em questão deixou-me algo zangado por este motivo, mas não é fenómeno único. Esta abordagem é comum, e, respondendo aos princípios que defendi acima, passo a apresentar alguns pontos que devem ser considerados na análise de problemas relacionados com a sustentabilidade e que recomendo que todos tenhamos em mente quando pensamos sobre esse tipo de questões.
1. De forma global, a sustentabilidade é vista por vários autores (e aqui refiro-me a autores em publicações peer-reviewd e não em opiniões) como um wicked problem. Um bom exemplo desta abordagem é dado pelo Professor Christopher Peterson, entre muitos outros. Um wicked problem é um problema caracterizado por um conjunto de variáveis muitíssimo complexo, o que o torna difícil de formular precisamente, por englobar um conjunto de stakeholders muito diverso e com objetivos diferentes, e, por esse motivo, por ser de resolução muito difícil e sem respostas do tipo “Verdadeiro” ou “Falso”. É comum dizer-se que são problemas que não podem ser resolvidos, apenas geridos no sentido da melhoria. Parece-me óbvia a racionalidade desta abordagem, e a sua utilidade se quisermos realmente caminhar num sentido positivo quando se trata de questões de sustentabilidade. Quando se pretende trabalhar na resolução de um wicked problem, devemos ponderar o maior número possível de variáveis, e ouvir o maior e mais diverso possível número de stakeholders, e assim teremos a hipótese de caminhar no sentido da resolução desse complicado problema. 2. A afirmação de que algo é insustentável é simultaneamente absurda – nenhuma atividade humana é completamente sustentável e a única forma de fazer algo sem impacto é não fazer coisa nenhuma – e enganadora – porque é usado de forma propositadamente pejorativa e politizada. Dizer que o amendoal e o olival intensivos são insustentáveis (leia-se do ponto de vista ambiental, porque economicamente ambas as atividades se têm mostrado muito sustentáveis no nosso país, e socialmente têm promovido um importante aumento do emprego nas suas zonas de expansão que são muito fustigadas pelo despovoamento e pela pobreza), além de desonesto é, tecnicamente, um disparate. Mas vejamos que argumentos são utilizados para defender que
estas culturas são pouco sustentáveis (aquilo que deveriam dizer em vez de insustentáveis, mas que tem menos sound bite): a. Que “gastam” muita água – quando a única forma de se gastar a água que se utiliza é estragando-a (perdas de água com adubos que seriam depositadas no solo ou nas reservas de água subterrânea) e estas culturas utilizam sistemas de rega que têm eficiências acima dos 95%, ou seja, a planta utiliza quase tudo; b. Que destroem a biodiversidade – quando um estudo recente do INIAV concluiu que há populações muito elevadas de pássaros nos olivais em sebe, o que aumenta o risco de matar muitos pássaros durante a colheita noturna e levando ao fim desta prática; c. Que são monoculturas – quando esse termo, utilizado hoje como uma palavra pejorativa, um bicho papão, tem um conceito bastante lato e flexível associado. Querem com isto dizer, culturas com áreas muito grandes e continuas no território, mas e se isso, por si só, tivesse mal, o que dizer dos cerca de um milhão de hectares de montado que temos em Portugal! O olival ocupava em 2019 cerca de 66.000 hectares em Alqueva e o amendoal de 11.400 hectares. Isto num perímetro que rega atualmente 110.000 ha, e numa região agrária, o Alentejo, com uma superfície de cerca de três milhões de hectares. Como vemos, a sustentabilidade já é, por si, um problema complexo, e que só pode ter a sua solução dificultada quando é usada como arma de arremesso. Vamos lá, então, fazer um esforço, enquanto sociedade madura e inteligente, para a abordar com conhecimento e sentido critico! Peterson, Christopher H. 2013. Fundamental Principles of Managing Multi-stakeholder Engagement. International Food and Agribusiness Management Review 16(A):11-21
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Maria do Céu Antunes, ministra da Agricultura lead
“O regadio é uma prioridade” O regadio é definido como uma prioridade nesta entrevista que fala ainda do PDR 2020 e da continuidade deste programa. Maria do Céu Antunes destaca a Agenda de Inovação para a Agricultura como estratégica para o futuro do setor, pois prevê a atração de jovens, bem como a melhoria do rendimento aos agricultores, entre outras iniciativas.
Sara Pelicano JORNALISTA
| Revista Agrotejo (RA) – O mundo atravessa um momento crítico com esta pandemia e o setor agrícola mostrou ser resiliente. Qual o impacto da pandemia no setor? Maria do Céu Antunes (MCA) – Este é um ano completamente atípico, que colocou a agricultura à prova. O facto de esta pandemia ter levado ao confinamento, levou a que, do ponto de vista da agricultura, o desafio fosse imenso. Por um lado, não podendo parar, porque não se desligam as plantas e os animais, por outro porque é preciso continuar a colocar alimentos na mesa dos portugueses e não só, lá fora também. Era preciso criar condições para garantir que, em segurança, isso pudesse acontecer, ou seja que toda a cadeia de abastecimento pudesse funcionar, desde a produção até ao retalho. A par disso, percebemos não só que há
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novos padrões de consumo, ditados até pelo confinamento, e que o consumidor começou a comprar de maneira diferente, nomeadamente alimentos menos perecíveis com datas de validade maiores. Começaram também a comprar mais online, nos mercados de bairro e nas mercearias. Depois o encerramento dos restaurantes, da hotelaria, a quebra brutal no turismo, tudo junto veio trazer um excesso de oferta em relação à procura, nalguns setores, mais do que noutros. Nós sabemos que há setores que foram muito penalizados durante este período, falo, por exemplo, do setor dos pequenos ruminantes, as raças autóctones, os leitões de assar, os cabritos, borregos, até os ovos numa primeira fase. O vinho, as flores e plantas ornamentais… tudo isto foram situações muito graves e que têm vindo a fazer o seu percurso
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neste momento de recuperação. Mas, claramente, tiveram um gravíssimo impacto inicial. RA – No que pode contribuir o Ministério da Agricultura para que o setor continue a ter esta capacidade de dar resposta nos momentos mais críticos? MCA – Nós entendemos que era necessário fazer um conjunto de medidas que por um lado pudessem minimizar os efeitos desta quebra de procura e desta alteração de padrão de consumo no sentido de minimizar os prejuízos e, por outro lado, também fosse possível dar alguma previsibilidade aos nossos agricultores. A primeira medida que tomámos foi de permitir fazer os adiantamentos através do IFAP em todos os pedidos de pagamento que entrassem ou que já tinham dado entrada e, mesmo antes
de se fazer o controlo, esse pagamento pôde acontecer antecipadamente. Colocámos até à data 79 milhões de euros neste registo de adiantamento de pagamentos. Depois também permitimos o adiantamento dos pagamentos do pedido único de 2020. Pagámos 110 milhões de euros, até final de agosto, na medida de apoio na manutenção à atividade agrícola em zonas desfavorecidas, mas também em duas medidas agroambientais, nomeadamente de apoio à produção integrada e à agricultura biológica. Os restantes adiantamentos do pedido único aconteceram em outubro, e que correspondem a 396 milhões de euros. Tudo isto quer dizer que algumas medidas são de iniciativa nacional, mas a maior parte delas estão alinhadas com aquilo que a própria Comissão Europeia permitiu fazer. Nomeadamente, a transferência que fizemos do segundo para o primeiro pilar onde aumentámos o pacote dos pagamentos diretos em 15%, onde pudemos, por exemplo, no regime da pequena agricultura, passar de 600 euros de pagamento base para 850 euros. Assim como, reforçámos o pagamento redistributivo, passámos de 50 euros para 120 euros nos primeiros cinco hectares e também o reforço de todos os pagamentos associados, exceto o tomate porque regulamento não nos permitia fazer isso. Fizemos ainda um aumento de 16% do prémio aos ovinos e caprinos, que passou de 19 euros para 22 euros por animal. Os restantes pagamentos diretos tiveram um aumento de 8%. Reforçámos o apoio às zonas desfavorecidas, com mais 27 milhões de euros. Na medida de retirada do mercado, que é uma medida importante dentro do programa operacional das frutas e legumes, conseguimos fazer, no valor de 120 milhões de euros, uma autorização para retirar de forma mais abrangente outro tipo de produtos como é o caso das amoras, dos mirtilos, das framboesas e dos morangos e também aumentámos o universo dos destinatários admissíveis para permitir um escoamento mais justo em relação a esta matéria. Esta medida permitiu não só atribuir 40% do valor do mercado dos últimos cinco anos ao produtor, diminuindo o seu prejuízo, como tivemos também a possibilidade de entregar a quem precisa e diminuir o desperdício alimentar. Lançámos a plataforma “Alimente quem o alimenta” para permitir juntar os produtores com os consumidores para que a relação pudesse ser mais facilitadora. Nos primeiros 15 dias, tivemos cerca de mil produtores inscritos
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“Em primeiro lugar é preciso comunicar. É preciso explicar. É preciso passar informação credível para podermos credibilizar o setor, seja ele a pequena agricultura, mais tradicional, ou uma agricultura mais competitiva, mais moderna (…)”
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e 32.000 interações entre produtores. Mexemos na portaria que regula as cadeias curtas, uma medida do LEADER, para alargar as possibilidades de escoamento e podermos apoiar diretamente os pequenos produtores. Ainda no âmbito desta pandemia, estamos a olhar para os setores que não tiveram apoio até aqui. Estamos a estudar uma medida que vai permitir entregar aos agricultores cerca de 7.000 euros e às pequenas e médias empresas, cerca de 50.000 euros.
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“(…), vamos lançar o estudo que se chama Valorização dos RecursoS Hídricos para a Agricultura no Vale do Tejo e Oeste (…)”
RA – Considera importante combater a ideia prevalecente nos meios de comunicação, nalgumas estruturas ambientalistas mais radicais e também em vários organismos públicos de que agricultura moderna, intensiva e de precisão é símbolo de agressão ambiental? MCA – Em primeiro lugar é preciso comunicar. É preciso explicar. É preciso passar informação credível para podermos credibilizar o setor, seja ele a pequena agricultura, mais tradicional, ou uma agricultura mais competitiva, mais moderna, que pode passar por formas de produção um pouco mais intensivas e tenho para mim que uma coisa e a outra não são incompatíveis, antes pelo contrário têm que todas de estar balizadas e informadas de políticas e de formas de trabalhar que respeitem todo o ecossistema. RA – Sabemos que a maioria dos nossos empresários agrícolas tem uma idade média de 55 anos e é um dos objetivos do seu ministério atrair população jovem para o interior que possa ali fixar-se e viver da atividade agrícola. Quais as medidas que podem ser tomadas para conseguir alcançar esta meta? MCA – São várias as medidas, aliás todas elas acabam por se cruzar com essa intenção de atrair os jovens. Temos de comunicar melhor. Temos de atrair mais jovens para que desde cedo possam fazer as suas escolhas académicas tendo por base os valores da produção agrícola. Recordo que há uns anos isso aconteceu, as próprias escolas secundárias tinham como propostas nos seus currículos as áreas ligadas à agropecuária. Depois passámos para um modelo de escolas profissionais. Queremos muito que as escolas profissionais, como também as escolas superiores agrárias, politécnicos ou universidades possam ter um trabalho mais consentâneo, mais moderno, mais competitivo, mais preocupado com as questões ambientais,
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mais preocupado com as questões geracionais, nomeadamente, em relação aos padrões de consumo. Por um lado, temos de trabalhar a qualificação, o conhecimento e a educação e ter medidas que beneficiem os jovens. Daí termos aberto avisos de concurso para jovens agricultores e onde damos uma mais-valia àqueles que escolham os territórios de baixa densidade para se instalarem ou desenvolverem o seu negócio. A par da comunicação, do conhecimento, da educação, da qualificação, da informação precisamos ter um instrumento dedicado que permita fazer a escolha por este setor. Queremos muito que, a partir desta rede [de inovação], se crie também um conjunto de incubadoras de base local/regional que venham a estimular este gosto pela atividades agrícola e da transformação. RA – Um dos objetivos é também aumentar o valor da produção agroalimentar em 15%. De que forma é que poderão alcançar esse objetivo? MCA – Para se aumentar esse valor, precisamos também diminuir aquilo que é um custo, que são os fatores de produção. Daí termos uma iniciativa específica sobre a agricultura 4.0. Ao podermos permitir incentivar mais uma agricultura de precisão, vamos gastar menos água, menos pesticidas, menos fertilizantes e com isso melhores práticas para a mobilização do solo. Sabemos que a energia é um custo muito grande para os agricultores, nomeadamente, para uma agricultura mais competitiva. Queremos muito criar condições para que esses custos possam diminuir com recurso à produção de energia limpa, que poderá abastecer essa exploração ou, em caso de excedente, poderá ser vendida à rede. Mas sabemos que para conseguirmos não só implementar políticas que incrementem a agricultura 4.0 – seja a agricultura de precisão, como esta transição ago-energética – também precisamos de criar condições para ter uma organização dentro do setor de excelência, seja ao nível de uma agricultura mais competitiva, mais moderna, seja também ao nível de uma agricultura mais tradicional de pequena escala onde também se justifica para que nomeadamente estes fatores possam ser diferenciadores. A excelência da organização de produção é para nós uma linha de trabalho muito importante, até porque entronca com as exportações. Precisamos de continuar a apostar em
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novos mercados, em colocar em mercados externos os nossos produtos de excelência, que têm um reconhecimento internacional muito validado. Precisamos focar-nos sobre aqueles produtos em que somos capazes de produzir para pôr lá fora.
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“O emparcelamento é para nós importante, de tal maneira que abrimos a perspetiva de financiamento no atual quadro comunitário e trabalhamos para que seja possível no quadro comunitário seguinte.”
RA – No âmbito das alterações climáticas, uma das medidas tomadas é diminuição da utilização de fertilizantes e pesticidas. Portugal é aliás dos países que mais tem reduzido o uso destes produtos. Contudo continuam a entrar no país produtos de países que não têm os mesmos cuidados isto pode representar uma perda de competitividade para Portugal e para a Europa. Que medidas nacionais vão ser tomadas para amenizar esta situação? MCA – Estamos todos preocupados com isso. Tem sido alvo de discussão ao nível da Comissão Europeia e do Conselho de Ministros. Mas não podemos diminuir a nossa exigência, antes pelo contrário, o que temos de fazer é exigir aos outros os mesmos padrões. Nós não queremos perder competitividade, daí também esta agenda [da inovação] querer focar-se muito em instrumentos que permitam fazer investigação e desenvolvimento dedicado. RA – Como será financiada a Agenda de Inovação para a Agricultura 20|30 – Terra Futura? MCA – Esta agenda não tem, propositadamente, um orçamento. Não entendo que os planos estratégicos tenham de ter um programa orçamental. Começámos a construir esta agenda antes da pandemia. Se já tínhamos perceção da importância deste plano estratégico, hoje ainda mais. Aquilo que nós questionámos foi: onde é que queremos que a agricultura portuguesa se posicione daqui a dez anos e de que maneira vamos orientar a política pública para lá chegar? Sabemos com o que contamos para os próximos dez anos: além da conclusão do atual quadro comunitário, que está comprometido a 100% e que vai ter de ser concluído até 2023, temos depois 300 milhões de euros do instrumento de recuperação e resiliência e temos cerca de 9.000 milhões de euros para o próximo ciclo de programação que se espera que comece em 2023. O plano estratégico da Política Agrícola Comum vai informar o próximo ciclo de investimento, e esta agenda poderá aqui também ter orientações. Portanto, esta é uma fonte de financiamento, assim como o
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próprio Orçamento do Estado e outros fundos comunitários geridos nacionalmente como é o caso do FEDER e dos programas centralizados da União Europeia como o caso do Horizonte. Aquilo que nós queremos verdadeiramente é ter aqui um instrumento que do ponto de vista da política pública nos permita a todo o tempo ir à procura de financiamento para ele e isto é uma estratégia diferente de fazer política. RA – Considera que continua a haver um preconceito ambiental contra a criação de reservas de águas superficiais que tem travado a construção de barragens? MCA – Nós temos de ter todos consciência de que para aumentarmos a resiliência do território, ou seja, para conseguirmos ter ocupação, termos pessoas, termos atividade agrícola, termos desenvolvimento de atividades económicas como turismo, restauração, transformação, precisamos de ter regadio. O regadio é uma prioridade. Sabemos que o recurso água é escasso, que está a diminuir. Mas também sabemos que quando chove, chove de forma intensa e nós temos de ter melhor capacidade de gerir estas reservas de água e temos de ter todos consciência de que precisamos de criar condições para ter um sistema de regadio mais eficiente, ou seja, que possa regar mais usando menos água. Por isso, temos um Programa Nacional de Regadio, onde estamos a fazer um investimento de cerca de 560 milhões de euros que quer, em primeiro lugar, beneficiar sistemas existentes, criando condições para efetivamente garantirmos a eficiência do uso. Por outro, tendo consciência de que precisamos aumentar, e temos condições para aumentar, o sistema de regadio para áreas que tenham capacidade ou potencialidade ou apetência para o desenvolvimento da atividade agrícola. RA – Temos o exemplo do Alqueva que trouxe outra vitalidade ao baixo Alentejo. Mas existem outros projetos necessários, nomeadamente o projeto Tejo. Quando se poderá dar passos concretos no sentido de realizar este projeto? MCA – O que foi apresentado do projeto Tejo é uma ideia consubstanciada num conjunto de boas vontades e de conhecimento do terreno que muito valorizamos. No entanto, precisamos do trabalho técnico que venham a fazer a gestão de tudo aquilo que são as oportunidades e as debilidades estruturais que este
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mesmo território apresenta. Por isso, vamos lançar o estudo que se chama Valorização dos Recurso Hídricos para a Agricultura no Vale do Tejo e Oeste, que é enquadrado na medida 20 de assistência técnica do PDR 2020. Pretendemos não só fazer o balanço das necessidades e das disponibilidades hídricas, como identificar e quantificar as áreas potenciais a beneficiar, fazer uma caracterização social e agro-económica dos possíveis beneficiários, fazer a análise do custo/benefício e fazer uma avaliação ambiental estratégica também. Estamos neste momento com a elaboração das peças do procedimento concluída para podermos em breve abrir o concurso público para escolhermos efetivamente a equipa técnica que venha fazer esta apresentação. Com base nisto apresentaremos publicamente e definiremos qual é a estratégia que também vamos ter relativamente a este grande ativo internacional que atravessa todo o nosso país.
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“Sabemos que a energia é um custo muito grande para os agricultores, nomeadamente, para uma agricultura mais competitiva.”
RA – De que forma é que os projetos de regadio estão contemplados no Orçamento do Estado 2021 e também no próximo do quadro comunitário? MCA – O Orçamento do Estado contempla todas as áreas governativas e, por exemplo, a contrapartida pública nacional do PDR tem uma “fatia de leão” no Orçamento do Estado. É claro que a nossa intenção é continuarmos a ir mais longe em relação áquilo que é a nossa ambição. Portanto, tendo nós neste momento um conjunto de instrumentos de financiamento à nossa disposição – seja através do instrumento de recuperação e resiliência, seja através do atual PDR 2020 ou seja num período de transição na utilização do próximo ciclo de investimento – o que estamos a fazer é construir o Orçamento do Estado na justa medida de criar condições para a utilização de todos estes recursos financeiros. RA – Qual o nível de trabalho em conjunto entre o Ministério da Agricultura e outros ministérios, como sejam o do Ambiente e até mesmo Finanças? MCA – Em primeiro lugar, o Governo está todo empenhado em criar condições para ter uma ocupação do território que vá ao encontro dos quatro desígnios que definimos na Agenda de Inovação: Mais Saúde, Mais Inclusão, Mais Rendimentos e Mais Futuro. Sabemos que é preciso ter uma ocupação de todo o território,
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é preciso valorizar os ecossistemas, é preciso fazer o combate às alterações climáticas e mitigar os seus efeitos, é preciso ter uma gestão de paisagem. Tudo isto conta também com a agricultura. Temos de esbater as desigualdades entre litoral e territórios de entrada na Europa e que, com base no esbatimento das desigualdades, das questões da demografia e na adaptação às alterações climáticas nós possamos utilizar a tecnologia, nomeadamente a transição digital para fazer face a este modelo. Todos estamos imbuídos no mesmo espírito. RA – No que respeita a este quadro comunitário, PDR 2020. Qual o ponto de situação? Como será a transição de um quadro para o outro? MCA – O PDR tem atualmente uma taxa de compromisso 98% e uma taxa de execução de 69%. Estamos a três anos de o concluir. Estão 283.000 candidaturas comprometidas, que envolvem uma despesa pública de 4,2 mil milhões de euros. Até ao dia 29 de setembro de 2020 foram atribuídos três mil milhões de euros de apoio. Temos a maior taxa de execução do PT2020 e estamos no sexto lugar na União Europeia com a maior taxa de execução do FEADER. O acordo alcançado pelos ministros da Agricultura, no dia 21 de outubro no Luxemburgo, traduz-se numa PAC mais orientada para os resultados, que garante as condições necessárias para que os agricultores europeus possam continuar a sua trajetória rumo a um crescimento sustentável, capaz de assegurar o abastecimento alimentar a par de uma resposta aos desafios ambientais e climáticos. Portugal alcançou – nestas difíceis negociações – resultados muito positivos face à proposta inicial da Comissão apresentada em 2018, permitindo condições para uma transição justa, transição ecológica e ambiental que não deixe ninguém para trás e que garanta o rendimento dos agricultores e um preço justo. Permitindo aos agricultores continuar a apostar na modernização e na inovação da sua atividade, permitindo que a agricultura se constitua uma opção atrativa para os jovens e capaz de promover a revitalização dos territórios rurais. São de destacar: um novo modelo de desempenho da PAC, baseado num plano estratégico único por Estado-membro que engloba o primeiro e o segundo pilar da PAC,
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Terra Futura, uma agenda de inovação que “engloba todos”
garantia de um nível adequado de subsidiariedade ao nível da conceção dos instrumentos de apoio, ambição ambiental e climática da PAC – condicionalidade reforçada, novos regimes ecológicos anuais no primeiro pilar e medidas agroambientais no segundo pilar acompanhada de mecanismos de adaptação às realidades nacionais; estabelecimento de limites mínimos de afetação de 20% para os regimes ecológicos assegurando flexibilidade suficiente para evitar subutilização de fundos do primeiro pilar; elegibilidade dos investimentos em infraestruturas de regadio sustentável; manutenção da exceção, existente para Portugal, de um maior nível de apoios ligados à produção permitindo a competitividade e a viabilidade de setores específicos; manutenção da isenção para os pagamentos abaixo dos 2.000 euros da regra da disciplina financeira. Está assim aberta uma nova fase para se iniciarem as negociações do trílogo entre Conselho, Comissão Europeia e Parlamento Europeu, nos quais Portugal terá um importante papel enquanto Presidência do Conselho de Ministros da União Europeia no primeiro semestre de 2021. Portanto, só em 2023 é que se vai iniciar o Plano Estratégico da PAC. No entanto, não é essa a posição da Comissão e as negociações ainda não terminaram em relação a isso. Continuamos nos preparativos do Plano Estratégico da PAC,
onde se inclui o modelo de governação, a articulação com outras áreas governativas, os órgãos consultivos, a comissão de acompanhamento, as comissões setoriais e, portanto, estamos a trabalhar nesse sentido. Vamos avançar rapidamente com a reprogramação do PDR 2020, que tem um reforço proveniente do próximo quadro financeiro plurianual e também do instrumento de resiliência e recuperação. Estamos a trabalhar no sentido de que esta transição seja inclusiva e que estes dois períodos de programação, o que termina e o que começa, possam estar em perfeita articulação com a Agenda de Inovação para podermos estimular o crescimento do setor agrícola, sempre ligado muito às questões ambientais, de acordo com o green deal, às questões da alimentação, através do Farm to Fork, e às questões sociais onde não queremos que ninguém fique para trás. RA – As organizações de produtores têm revelado ser estratégicas para o desenvolvimento agrícola. Quais os incentivos que poderão ser dados a estas estruturas para terem capacidade de desenvolver o seu trabalho e aos agricultores para se associarem? MCA – Já existem hoje condições em alguns setores e nós queremos que isso possa acontecer de forma mais generalizada. A orga-
No decorrer da Agroglobal 2020, em setembro, a ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, apresentou a Agenda de Inovação para a Agricultura 20|30 – Terra Futura, uma iniciativa de largo espectro que visa nortear a estratégia e as políticas do setor. A agenda tem cinco intenções: - Mais Saúde (pretende-se aumentar em 20% o nível de adesão à Dieta Mediterrânica); - Mais inclusão (tem o objetivo de instalar 80% dos novos jovens agricultores em territórios de baixa densidade), Mais Rendimentos (visa aumentar o valor da produção agroalimentar em 15%); - Mais Futuro (no qual se pretende que mais de metade da área agrícola seja em regimes de produção sustentável reconhecidos); - Mais Inovação (o objetivo é aumentar em 60% o investimento em investigação e desenvolvimento). Maria do Céu Antunes destacou que esta é uma agenda que pretende incluir todos, ou seja, “cidadãos, agentes do território, produtores e os agentes de políticas públicas”.
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nização de produtores, seja através desta figura das OP, seja através das associações interprofissionais, devem ter a capacidade adicional de ajudar a que os nossos agricultores ganhem escala, ganhem voz e consigam não só trabalhar com partilha de equipamentos, com partilha de ferramentas que ajudem a diminuir custos de produção, como também a atingir aquilo é um melhor rendimento por via do mercado, seja nacional ou externo. RA – Quais as vantagens e impactos positivos do projeto de emparcelamento da Azinhaga, Golegã e Riachos? Pode haver um reforço de verba? MCA – O emparcelamento é para nós importante, de tal maneira que abrimos a perspetiva de financiamento no atual quadro comunitário e trabalhamos para que seja possível no quadro comunitário seguinte. No entanto, a esta altura também precisamos que os regulamentos sejam concluídos para sabermos efetivamente aquilo que podemos ou não fazer como proposta.
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RA – Como pensa contribuir para uma integração harmoniosa e eficaz da mão-de-obra estrangeira de que o país necessita em função da carência de mão-de-obra local na agricultura? MCA – Temos espaço para tudo, para integrar a mão-de-obra nacional e estrangeira. Precisamos de mão-de-obra estrangeira, por exemplo para suprimento de lacunas que temos, nomeadamente em fase de campanhas. É importante garantir que a mão-de-obra estrangeira que vem, e que é necessária, se fixe. Isto pode permitir inverter as nossas questões demográficas. Interessam-nos famílias, trabalhadores mais jovens a quem possamos criar condições para o acolhimento. Aliás, o trabalho que estamos a fazer no âmbito de uma resolução do Conselho de Ministros para a área do Mira quer ser um primeiro sinal sobre aquilo que nós defendemos em relação a esta matéria, sendo certo que estamos a começar um trabalho que é particularmente difícil, mas cá estamos para o desenvolver.
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Centro Operativo Tecnológico Hortofrutícola Nacional
O COTHN-CC e os Grupos Operacionais
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| O Centro Operativo Tecnológico Hortofrutícola Nacional (COTHN) foi criado em 2001, com o objetivo de promover o desenvolvimento da fileira hortofrutícola nacional, especialmente através da investigação aplicada, melhoria do nível de conhecimentos no sector, aprofundamento da cooperação e das parcerias nas áreas da tecnologia e da organização. Pretende promover uma maior aproximação entre as empresas e a investigação, bem como entre entidades públicas e entidades privadas. O COTHN foi reconhecido como Centro de Competências pelo Ministério da Agricultura e Centro de Interface tecnológica, pelo Ministério da Ciência e Tecnologia em 2017, o que veio reconhecer o trabalho que se tem realizado e a capacidade de fazer pontes entre a investigação e a produção. Uma das formas de apoiar a disseminação e a incorporação destes resultados da investigação é o desenvolvimento em parceria de projetos de inovação, onde os resultados da investigação são aplicados no terreno, junto dos possíveis utilizadores. Assim, o COTHN-CC encontra-se atualmente envolvido em 16 projetos de inovação, dentro da Medida dos Grupos Operacionais (medida de inovação do PDR2020). Esta medida foi criada para resolver problemas ou aproveitar oportunidades do sector produAGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo
“Uma parte significativa das áreas temáticas está relacionada com a sustentabilidade no uso dos recursos, nomeadamente no âmbito da proteção de culturas e na promoção da qualidade da produção, (...)”
tivo. Assim, foi possível montar 16 parcerias que cobrem um grupo alargado de culturas e temas. Uma parte significativa das áreas temáticas está relacionada com a sustentabilidade no uso dos recursos, nomeadamente no âmbito da proteção de culturas e na promoção da qualidade da produção, estando perfeitamente alinhados com os enormes desafios que a nova estratégia “Farm to Fork” apresentam ao sector produtivo. A seguir apresentam-se de uma forma muito breve os vários GO em que estamos envolvidos sendo que se pode ter mais informação sobre cada um deles, acedendo ao respetivo site do GO: MaisSolo – Pretende desenvolver e aplicar tecnologias alternativas à luta química, nomeadamente, desenvolver um novo produto, que será utilizado nas culturas de cobertura ou em sucessão, constituído por misturas de sementes inoculadas com microrganismos benéficos e associado a tecnologias a desenvolver como a biofumigação, plantas developer e luta biológica - https://maissolo.webnode.pt/ Hortinf – O objetivo desta parceria é aplicar e desenvolver tecnologias disponíveis e adaptá-las tendo em conta as particularidades dos sistemas horto industriais. Estas tecnologias de combate a plantas infestantes e parasitas, sem
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o uso exclusivo de herbicidas, integram diversas metodologias e estratégias que permitem diminuir a incidência e importância económica destes inimigos- https://hortinf.webnode.pt/ ProtecEstenfilio – Estudar a evolução da estenfiliose na cultura da pereira Rocha e aplicar um conjunto de práticas que permitam minimizar o impacto da doença, com base na utilização otimizada dos recursos (água, fertilização, produtos fitofarmacêuticos). https://protecestenfilio. webnode.pt/ FruitFlyProtec – Melhorar o combate a moscas da fruta por monitorização e avaliação de eficácia de meios de proteção alternativos para Ceratitis capitata e Drosophila suzukii e avaliação do risco de introdução e distribuição potencial para Bactrocera dorsalis.- https://fruitflyprotec.webnode.pt/ FitoAgro – Monitorização e estudo do ciclo de vida de inimigos emergentes na região por forma a definir a estimativa do risco e o NEA com o objetivo de produzir informação para o seu controlo com base em estratégias alternativas à luta química. https://fitoagro.webnode.pt/ PoliMax – Promover o processo de polinização entomófila em macieiras, pereiras e cerejeiras como forma de aumentar o rendimento da produção agrícola, obtendo-se frutos, com sementes de valor acrescentado devido à sua qualidade nutricional, capacidade de conservação e resistência a inimigos. https://poli-max. webnode.pt/ Em termos de GO´s promovidos por outras entidades, e dos quais o COTHN-CC é parceiro em diversas atividades relacionadas com a implementação do plano de ação e na divulgação dos resultados, destacamos: Macfertiqual – Otimização da nutrição em pomares de alta densidade de ‘Gala’ e ‘Fuji’ sobre M9 e M7, visando a qualidade da Maçã de Alcobaça. Propõe-se estabelecer os níveis críticos foliares dos nutrientes em diferentes fases do ciclo, desenvolvendo metodologias de monitorização expeditas. https://macfertiqual. webnode.pt/ SafeApple – Conservação da qualidade da Maçã de Alcobaça: objetivo resíduos zero - Pretende-se conservar a longo prazo a qualidade nutricional, funcional e organolética da maçã de Alcobaça, visando a obtenção de um produto com elevados padrões de qualidade gustativa e segurança, com resíduos zero ao nível de aplicações pós-colheita. https://safeapple.webnode.pt/
O COTHN “pretende promover uma maior aproximação entre as empresas e a investigação, bem como entre entidades públicas e entidades privadas.”
Optimal – Demonstrar a gama de densidades de plantação e tipos de poda que mais favorecem a produção de frutos de elevada qualidade, após estudo das implicações das práticas culturais na performance fotoquímica das macieiras e análise detalhada dos frutos. https:// go-optimal.webnode.pt/ ProEnergy – Novos produtos alimentares e bioenergia a partir de frutos de baixo valor comercial e resíduos agroindustriais. https://go-proenergy.webnode.pt/ Competitivesouthberries – Pequenos frutos competitivos e sustentáveis: técnicas culturais inovadoras para o alargamento da época de produção. Qualitomate – Aplicação de estratégias de proteção com técnicas de avaliação do risco e ferramentas de decisão expeditas para anular prejuízos causados por mosca branca, ácaros e traça do tomateiro e garantir a qualidade e produtividade do produto final em tomate horto industrial. https://qualitomate.pt/ PrunusBot – Sistema robótico aéreo autónomo de pulverização controlada e previsão de produção frutícola em prunóideas. https://goprunus.wixsite.com/prunoideas PrunusFito – Avaliação do impacto de alguns inimigos (pragas e doenças) nas culturas das prunóideas na região da Cova da Beira e avaliação da eficácia de diferentes meios de luta no controlo das mesmas- https://goprunus. wixsite.com/prunoideas PrunusPós – Otimização de processos de armazenamento, conservação em frio, embalamento ativo e/ou inteligente e rastreabilidade da qualidade alimentar na pós-colheita de produtos frutícolas. https://goprunus.wixsite.com/ prunoideas PodaCitrus – Otimizar a poda para evitar alternância em determinadas variedades de citrinos e para a diminuição de incidência de defeitos epidérmicos. https://podacitrus.webnode.pt/ GoFigoProdução – Melhorar a qualidade e produtividade dos figueirais através da modernização das técnicas utilizadas e da eficiente utilização do solo. https://gofigo.webnode.pt/ Sendo o COTHN-CC responsável pela disseminação dos resultados, e estando estes projetos a entrar no último ano do plano de ação (2021) irão ser produzidos vários documentos/manuais com os resultados destes GO, que serão disponibilizados quer no site dos projetos, quer no site do COTHN-CC.
AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo
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NOV20 www.agrotejo.pt Realidades
AGROTEJO faz radiografia do Norte do Vale do Tejo
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Um território agrícola, organizado, direcionado para o mercado e que procura a sustentabilidade Mário Antunes AGROTEJO
| A região a que chamamos Norte do Vale do Tejo é, porventura, das mais férteis de Portugal. Com bons solos, bom clima e muita disponibilidade de água, os aluviões do Tejo são, por excelência o nosso coração agrícola. De Abrantes a Almeirim, ladeados pela Charneca e pelo Bairro, este conjunto de mais de 100.000 ha compõem a zona forte de intervenção e apoio da AGROTEJO e AGROMAIS, onde se pratica uma agricultura direcionada para o mercado, utilizando cada vez mais técnicas eficientes do ponto de vista económico, agrícola e ambiental. É nesta região que os agricultores, técnicos agrícolas e estas organizações promovem aquilo que vulgarmente chamamos “sustentabilidade com responsabilidade”. Como não podia deixar de ser, esta sustentabilidade tem e sempre teve uma perspetiva estrutural e nunca conjuntural. Bem sabemos que muitas vezes as análises e decisões de âmbito estrutural, principalmente em épocas mais conturbadas, como a atual, nem sempre origiAGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo
nam os melhores resultados imediatos. Mas também sabemos e os últimos anos demonstram isso mesmo, que as decisões e opções com base numa planificação a longo prazo permitem um maior contributo para a dita “sustentabilidade”, para a manutenção de rendimentos, maior competitividade e melhoria da qualidade de vida e dos territórios. Foi, é e será com esta estratégia que podemos dizer que este nosso Norte do Vale do Tejo é um território agrícola organizado, direcionado para o mercado e que procura a sustentabilidade. É certo que esta nossa estratégia ultrapassa em muito os desígnios da produção agrícola. A responsabilidade social, a capacitação e formação profissional, a segurança e a disponibilização de serviços e outras atividades não agrícolas, são, também para nós, desígnios que defendemos para este território que queremos vivo, atrativo e dinamizado. Só assim, com esta interligação territorial, é possível dinamizar o mundo rural através da agricultura e vice-versa. Mas não ficamos por aqui. A eficiente gestão dos recursos naturais é nesta região um fator diferenciador de que nos orgulhamos.
Como todas as atividades económicas também a agricultura terá os seus impactos no ambiente, mas é certo que as organizações e os agricultores estão cada vez mais empenhados em diminuir a sua pegada ecológica, sendo visíveis os benefícios das várias ações desenvolvidas e implementadas. Não diminuindo os benefícios das inúmeras melhorias ao nível da gestão da água de rega, da conservação do solo, da pegada de carbono e da eficiência energética, o facto de nesta região estar classificada pela UNESCO a Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo, permite-nos dizer que de facto o caminho para a sustentabilidade tem sido feito e reconhecido a nível internacional. Mas sem o apoio dos agricultores e empresários agrícolas tudo seria mais difícil. Mais difícil para o território, para as organizações e, no final, também para estes agricultores. Convictos disso, apesar de alguns constrangimentos, os agricultores desta região têm de facto feito um percurso de extraordinária adaptação e modernização. Um inquérito e avaliação recente mostra isso mesmo, assim como outros indicadores que consideramos relevanteS aqui apresentar. ´
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As opções culturais Como temos dito, esta é uma região agrícola direcionada para o mercado. Se é verdade que que as ajudas no âmbito da PAC são importantes, a decisão na instalação de culturas está dependente, maioritariamente das condições de mercado, do conhecimento e apoio técnico e da tecnologia disponível.
A SUA OPÇÃO NA INSTALAÇÃO DE CULTURAS É INFLUENCIADA, MAIORITÁRIAMENTE POR: Montante previsional de ajudas a receber
24 (20,3%)
Condições de mercado a venda
93 (78,8%)
Conhecimentos e tecnologia disponível Apoio técnico disponível
40 (33,9%)
10 (8,5%)
0
20
40
60
80
100
AS AJUDAS ATRIBUÍDAS NO ÂMBITO DA PAC, NA SUA EXPLORAÇÃO SÃO:
84,7%
13,6%
Muito importantes Importantes Pouco importantes Desnecessárias
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As organizações de agricultores – Agrotejo e Agromais São a base do apoio técnico, burocrático e da transferência de conhecimento. E os agricultores reconhecem isso. 90% dos agricultores entendem muito relevante a intervenção das organizações de agricultores no apoio e na procura de soluções de sustentabilidade para as explorações agrícolas com que querem ter, agora e no futuro, uma ligação próxima e constante.
COMO APOIO À DECISÃO RECORRE A QUE CANAIS DE INFORMAÇÃO E AUXÍLIO? Organizações de agricultores
86 (72,9%)
Internet
62 (52,5%)
Colóquios, seminários e congressos
55 (46,6%)
Partilha de informação entre agricultores
84 (71,2%)
Consultor especialista
1 (0,6%)
Consultoria
1 (0,6%)
Universidades portuguesas e estransgeiras
1 (0,6%)
Universidades
1 (0,6%) 02
04
06
08
0
100
COMO CONSIDERA A INTERVENÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES DE AGRICULTORES NO APOIO E NA PROCURA DE SOLUÇÕES DE SUSTENTABILIDADENA SUA EXPLORAÇÃO AGRÍCOLA?
57,6%
32,2%
Muito relevante Relevante Pouco relevante Irrelevante
DAQUI A 10 ANOS COMO PREVÊ A SUA EXPLORAÇÃO AGRÍCOLA, EM TERMOS DE LIGAÇÃO A ORGANIZAÇÕES DE AGRICULTORES? 100 75 Com ligação próxima e constante
50
Com ligação esporádica e setorial
25
Sem ligação
0 Relativamente a apoio administrativo, candidaturase projetos
Apoio técnico de campo
Apoio na venda dos seus produtos agrícolas
Apoio na aquisição de fatores de produção
AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo
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As práticas agricolas e o ambiente
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Esta é de facto uma região agrícola que tem em conta a preservação dos recursos naturais. Nas práticas agrícolas que desenvolvem, os agricultores têm em consideração a sustentabilidade ambiental e preservação dos recursos, nomeadamente do solo, da água e da biodiversidade. Estão cientes da sua importância e disponíveis para, de forma voluntária, assumir compromissos adicionais, quer anuais ou plurianuais. No futuro, a maioria dos agricultores está convicta que pode melhorar ainda a sua performance em termos de sustentabilidade ambiental. Atualmente, acreditam na importância da interligação existente entre a agricultura e o ambiente e na diferenciação que a reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo pode trazer para a Região.
NAS PRÁTICAS AGRÍCOLAS QUE DESENVOLVE, A PRESERVAÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS É?
NA SUA EXPLORAÇÃO AGRÍCOLA, CONSIDERA, NO FUTURO, PODER ASSUMIR COMPROMISSOS AMBIENTAIS DE CARÁCTER VOLUNTÁRIO?
35,6%
90,7%
9,3%
10,2%
52,5%
Determinante Muito determinante Relevante Irrelevante
Sim
Não
Sim
ACHA QUE A EXISTÊNCIA DA RESERVA DA BIOSFERA DO PAÚL DO BOQUILOBO NESTA REGIÃO PODE SER UMA MAIS VALIA PARA A SUA EXPLORAÇÃO AGRÍCOLA?
NÃO APLICÁVEL
SIM NÃO
NO ÂMBITO DA NOVA PAC, ESTÁ DISPONÍVEL DE FORMA VOLUNTÁRIA, A ADERIR A PRÁTICAS DE PREVENÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS?
39%
41,5%
Sim, anuais
Sim, num periodo de 5 anos
Sim, em periodos anuaise de 5 anos
13,6%
Não estou disponível para compromissos ambientais voluntários
DAQUI A 10 ANOS COMO PREVÊ A SUA EXPLORAÇÃO AGRÍCOLA, EM TERMOS AMBIENTAIS?
78,8%
Mais eficiente
17,8%
Menos eficiente
Igual
pub.
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A eficiência e tecnologia de precisão
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A digitalização e utilização de tecnologias de agricultura de precisão são, atualmente, ferramentas de uso generalizado nesta região. As sondas de monitorização de humidade, a utilização de imagens NDVI, os sistemas de GPS e mapeamento de produção e aplicação de fatores de produção são algumas das tecnologias de precisão vulgarmente utilizadas que, além dos impactos económicos associados, muito contribuem para a preservação dos recursos. Neste cenário, é convicção dos agricultores que o trilho a percorrer ainda não terminou. Anualmente, tem melhorado a sua eficiência também em termos económicos e admitem que ainda podem fazer mais. A procura, conjuntamente com as organizações de agricultores, de novas soluções culturais, técnicas, de gestão e de comercialização, permitem prever também, pelos agricultores, um acréscimo de eficiência económica.
Os constrangimentos O Norte do Vale do Tejo não é, no entanto, uma ilha no cenário generalizado do território nacional. Tem constrangimentos estruturais que condicionam a atividade agrícola, muitos deles externos e de resolução política ao nível nacional e europeu. A não valorização da produção nacional face
NA SUA EXPLORAÇÃO UTILIZA ALGUMAS DESTAS TECNOLOGIAS DE PRECISÃO (PODE ESCOLHER VÁRIAS)? Sondas de monitorização de Humidade
56 (47,5%)
Mapas de produtividade
40 (33,9%)
Sistenas GPS em máquinas agrícolas
63 (53,4%)
Imagens NDVI
48 (40,7%) 0
20
DAQUI A 10 ANOS COMO PREVÊ A SUA EXPLORAÇÃO AGRÍCOLA, EM TERMOS ECONÓMICOS?
60
80
Menos eficiente Igual
18,6% 15,3%
66,1%
aos produtos importados é uma realidade identificada por muitos dos agricultores. Num momento em que se debatem temáticas como a pegada de carbono ou as reservas estratégicas nacionais, 85% dos agricultores acha que os seus produtos, muitas vezes produzidos de forma mais segura e ambientalmente correta, não são suficientemente valorizados.
84,7%
15,3%
Por outro lado, nesta região, o fracionamento das explorações agrícolas, com inúmeras parcelas distribuídas pelo território, também condiciona a eficiência e dificulta a melhoria de tecnologias e rentabilidade. A grande maioria dos agricultores tem a sua exploração agrícola fracionada e considera esse facto um estrangulamento ao desenvolvimento. RELATIVAMENTE AO NÚMERO DE PARCELAS, A SUA EXPLORAÇÃO TEM...
20,3% 17,8%
Não
AO NÍVEL DOS MERCADOS, ACHA QUE OS SEUS PRODUTOS AGRÍCOLAS SÃO VALORIZADOS, COMPARATIVAMENTE AOS PRODUTOS IMPORTADOS?
RELATIVAMENTE AO NÚMERO DE PARCELAS E FRACCIONAMENTO NA SUA EXPLORAÇÃO,ACHA QUE ESSE FACTOR CONDICIONA A SUA RENTABILIDADE?
66,1%
71,2%
33,9%
39,8%
28,8% Menos que 3 parcelas Entre 3 e 5 parcelas
Sim
Não
AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo
100
Mais eficiete
AO NÍVEL DOS MERCADOS, ACHA QUE OS SEUS PRODUTOS AGRÍCOLAS SÃO VALORIZADOS, COMPARATIVAMENTE AOS PRODUTOS IMPORTADOS?
Sim
40
Sim
Não
Entre 6 e 10 parcelas Mais de 10 parcelas
22%
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O futuro
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Temos motivos para antever, nos próximos anos, o rejuvenescimento do setor. A longo prazo é expetativa dos agricultores que estas explorações agrícolas venham a ser geridas por descendentes mais novos e com mais formação. Este é um aspeto de relevante importância que permitirá a fixação de quadros mais jovens em territórios com um défice de população ativa, dinamizando desta forma a coesão territorial que todos ambicionamos. Sabemos que esta é uma região heterogénea relativamente ao tipo de agricultura desenvolvida. As diferentes tipologias ao nível da dimensão, da formação, da orientação cultural, obrigam-nos a ter diferentes tipos de abordagem e apoio, mas o nosso objetivo é, como sempre foi, promover o desenvolvimento agrícola integrado da região. Este desenvolvimento integrado, não dependerá só de nós.
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A LONGO PRAZO, PREVÊ A SUA EXPLORAÇÃO AGRÍCOLA, GERIDA POR:
RELATIVAMENTE À DIMENSÃO, A SUA EXPLORAÇÃO TEM:
11%
17,8%
18,6%
62,7%
33,1%
16,1%
10,2%
18,6%
Menos que 3 ha
Descendentes diretos Arrendada
Entre 3 e 15 ha Entre 16 e 25 ha Entre 26 e 50 ha
Fraccionada
Entre 50 e 100 ha Mais de 100 ha
Outra situação
Entre 5 e 100 ha
A cumplicidade dos agricultores com as organizações e associações, a reforma da PAC nas vertentes de compensações e obrigações e a aceitação pelas entidades oficiais das caracte-
rísticas regionais, devem ser pontos de partida para um futuro que queremos próspero, criador de riqueza, economicamente viável e ambientalmente sustentável.
NOV20 www.agrotejo.pt OPINIÃO
José Carlos Lino Sérvulo Correia Engenheiro agrónomo
A campanha de tomate de indústria em 2020, em Portugal e no Mundo, e novas condicionantes
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| A recente campanha de tomate para indústria apenas terminou no Hemisfério Norte. Malgrado um ano muito difícil, decorrente de todas as implicações da Covid-19 nas várias regiões de produção, agricultores e indústrias, organizações e empresas satélites do sector, cumpriram a sua missão em assegurar um resultado final relativamente normal face às médias de anos anteriores, realizando a produção de uma série de derivados de tomate essenciais às várias cozinhas deste Mundo, com produtos de alto valor nutritivo e gastronómico. Dados recentes, apontam para uma produção global, equivalente a tomate fresco, de 38,5 milhões de toneladas métricas (MMT). A título de curiosidade, nos últimos 30 anos, o valor mais baixo foi no ano de 1990, com 23,1 MMT e o mais elevado no ano de 2009 foi de 44,5 MMT. Na presente campanha, Portugal realizou a transformação de 1,26 MMT, representando cerca de 3% da tonelagem na produção mundial. Na Europa, Mediterrâneo e médio Oriente, a Itália é o líder, com 5,1 MMT, seguem-se a Espanha com 2,6 MMT, a Turquia com 2,5 MMT, o Irão com 1,3 MMT. Entre outros países, na mesma região, temos a Tunísia com 0,9 MMT, a Ucrânia com 0,8 MMT e a Grécia com 0,45 MMT. Na América do Norte, Califórnia (n.º1 mundial) e Mid West, com um total de 11 MMT. Na Ásia, a China (n.º 2 mundial) com 5,8 MMT. No Hemisfério Sul, o Brasil com 1,2 MMT e o Chile com 0,9 MMT. Portugal, com o peso relativo que tem, continua a ser conhecido como uma origem de um produto de elevada qualidade e seguro, cumprindo todas as normas legais e suportado por uma rastreabilidade muito rigorosa, bem definida, de correcta aplicação no terreno e após, no controlo ao nível do processo de transformação industrial. AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo
“Portugal, com o peso relativo que tem, continua a ser conhecido como uma origem de um produto de elevada qualidade e seguro,(…)”
Neste enquadramento, continua a ser muito importante elucidar os decisores políticos e os consumidores da União Europeia, sobre o custo de produzir sob estas regras, quando o mercado de derivados de tomate permanece global e bastante liberal. No nosso país, além dos recursos naturais (solo, água, energia e clima) e agro-cul-
turais (toda a tecnologia e sua dinâmica que dá suporte aos diferentes factores de produção e de mecanização do cultivo), assume especial relevo a salvaguarda das ferramentas genéticas disponíveis e já conhecidas (sementes e variedades de tomate híbrido inscritas no CNV), adaptadas às nossas condições de produção agrícola e também validadas na utilização industrial. A recente imposição do novo regulamento comunitário (2020/1191), de 11 de agosto de 2020, caso não seja bem equacionado e ponderado ao nível das decisões de aplicação local pelas nossas instâncias oficiais, poderá vir a acarretar um grave problema, na disponibilidade de sementes e respectivas variedades, sem as quais os nossos produtores e indústrias dificilmente poderão manter a sua operacionalidade e competitividade à escala Global. A Todos, Saúde e um Feliz Ano de 2021.
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AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo
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AZIAGRI diversifica atividades para a componente industrial Depois da sua modernização e desenvolvimento no setor agrícola, a AZIAGRI Lda, metalomecânica de cariz familiar com sede em Azinhaga, tem em curso um plano de apoio na manutenção industrial, nomeadamente no que diz respeito a estruturas metálicas e manutenção. A AZIAGRI Lda foi vencedora do Prémio Agriempreende com o desenvolvimento de um adubador de precisão, apoiando diariamente o setor agrícola no fabrico e manutenção de alfaias e outros equipamentos.
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Dia de Campo InovMilho em Coruche
A Estação Experimental António Teixeira, em Coruche, acolheu um Dia de Campo do InovMilho – Centro Nacional de Competências das Culturas do Milho e Sorgo. O evento tem uma periodicidade anual e é uma oportunidade de conhecer tecnologia e apresentar “a inovação gerada na fileira do milho, focada no uso eficiente dos recursos naturais – água, ar e solo – e dos fatores de produção, na rentabilidade do agricultor, estando cada vez mais atenta à conservação da biodiversidade nos ecossistemas agrícolas”, lê-se na revista Frutas, Legumes e Flores. O dia é passado com visitas aos ensaios instalados nos quais as empresas envolvidas no projeto revelam quais as tecnologias que estão a ser utilizadas naquela determinada parcela e que resultados já estão a obter ou esperam obter. Na edição deste ano, houve ainda apresentações, dedicadas à conservação genética de variedades regionais de milho face às alterações climáticas, à agricultura de conservação, à utilização eficiente da água na cultura do milho e à importância da conservação da biodiversidade nos campos de milho. No evento, que contou com a presença da ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, foi ainda dado a conhecer o InovTechAgro – Centro Nacional de Competências para a Inovação Tecnológica do Sector Agroflorestal, no qual a Anpromis participa.
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Novos modelos de cogestão nas áreas protegidas A Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade 2030 (ENCNB 2030) prevê a adoção de modelos de cogestão das áreas protegidas, incentivando o estabelecimento de parcerias com as entidades presentes no território. Este modelo de cogestão para as áreas protegidas, através de uma gestão de proximidade, em que diferentes entidades colocam ao serviço da área protegida o que de melhor têm para oferecer no quadro das suas competências, põe em prática uma gestão participativa, colaborativa e articulada em cada área. Ou seja, junta-se à
autoridade nacional para a conservação da natureza e da biodiversidade (ICNF), os municípios e outras organizações presentes nos territórios das áreas protegidas, para que possam contribuir para a aplicação das políticas de conservação, valorização e competitividade do território, criando-se assim uma comissão de cogestão da área protegida. A Reserva Natural do Paul do Boquilobo está a ultimar o processo de adesão a este novo modelo em que participará, além do ICNF, os municípios de Golegã e Torres Novas, juntamente com a ONGATEJO.
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O contributo da agricultura no Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050 Na elaboração do Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050 foi possível identificar de que forma a agricultura contribui para a emissão de gases com efeito de estufa. Metano e óxido nitroso são os principais. Francisco Avillez, da AgroGes, aponta alguns caminhos para a agricultura melhorar a sua performance ambiental no âmbito deste roteiro. Sara Pelicano jornalista
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| O Roteiro para a Neutralidade Carbónica (RNC) 2050, elaborado por cinco instituições – GET2C, AgroGes, Lasting Values, J. Walter Thompson e Fundação para a Ciência e Tecnologia – e aprovado em junho de 2019 em Conselho de Ministros, abrange quatro áreas: energia, transportes, resíduos, agricultura, florestas e uso do solo. A AgroGes, com a coordenação de Francisco Avillez, teve a responsabilidade de elaborar o Relatório Setorial da Agricultura no RNC em 2050. No trabalho desenvolvido, a AgroGes constatou que a agricultura tem uma contribuição “não muito significativa. São 10% de emissões no total nacional as emissões de gases com efeito de estufa”. Uma percentagem que não difere muito da generalidade dos países europeus. “Os gases com efeito de estufa que resultam da atividade agrícola estão fundamentalmente relacionados com metano, óxido nitroso e, só então, dióxido de carbono”, explica Francisco Avillez. A grande questão que se coloca é perceber como reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, nomeadamente, o metano e óxido nitroso que têm “uma contribuição ainda mais negativa, comparativamente ao dióxido de carbono”. O metano e o óxido nitroso tem origem nos animais. Francisco Avillez estimou que “cerca de 75% das emissões de gás
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efeito de estufa pelo setor agrícola tem a ver com produção animal”. Estas emissões de gases com efeito de estufa na parte do setor animal vão ter de ser compensadas. “Há alguma produção animal muito intensiva que, se calhar, não tem muito sentido de se manter, pelo menos apoiada. Mas a pecuária extensiva tem outro tipo de função muito importante, de ocupação do território, prevenção de incêndios e quando bem gerida até melhora a biodiversidade”, sublinha Francisco Avillez. O mesmo responsável recorda ainda que não só na parte animal há trabalho a fazer neste roteiro para a neutralidade carbónica. “Há muita coisa a fazer para sermos mais eficientes, do ponto de vista da utilização da água e da energia, por exemplo, podemos utilizar sobretudo energia renovável. Tudo junto vai permitir reduzir as emissões e isso corresponde à chamada agricultura de precisão, uma componente importante”. Identificado este constrangimento ambiental, a equipa de trabalho da AgroGes apresentou uma proposta para tentar compensar os gases de efeito de estufa de origem animal. Assim, é sugerido que as pastagens de melhoramento podem ser uma excelente forma de sequestro de carbono nas explorações pecuárias. “As nossas propostas atuam sobretudo ao nível da pecuária intensiva, na alimentação animal, que pode ser muito mais eficiente, podendo ter aditivos alimentares, que podem reduzir as emissões de metano”, comenta Francisco Avillez. Acrescenta-se ainda ser possível fazer
uma melhor gestão dos efluentes, encontrando formas de armazenamento e de tratamento dos efluentes de bovinos, de suínos e de aves, que permitam reduzir as emissões quer de metano quer de óxido nitroso. Nesta questão dos efluentes, será possível ainda tentar ser mais eficiente na utilização dos inputs exteriores – fertilizantes, pesticidas – e vamos fazer isso com a agricultura de precisão. “Este é um conjunto de medidas mitigadoras. Aquelas medidas capazes de reduzir as emissões. Fazendo as contas chegámos à conclusão de que estas medidas não representam mais do que 20% daquilo que seria importante para que a agricultura tivesse um contributo para a neutralidade carbónica minimamente significativa”, diz Francisco Avillez. O cenário mais otimista, do ponto de vista da neutralidade carbónica, seria obter, até 2050, uma redução em 40% das emissões dos gases com efeito de estufa por parte
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do setor agrícola. O responsável da AgroGes recorda que “nunca ninguém pôs a hipótese de haver uma neutralidade carbónica no setor agrícola”. Aumentar o contributo da agricultura para esta neutralidade carbónica poderá passar, na opinião do especialista, pela expansão da agricultura de conservação, regenerativa, com mobilização mínima, rotações equilibradas, utilização de compostos orgânicos em substituição, pelo menos parcial, dos fertilizantes sintéticos, cobertura do solo com resíduos das culturas. “Essa agricultura de conservação tem uma vantagem muito significativa, aliás, eu chamo-lhe regenerativa. Acho que é melhor ela ser considerada regenerativa do que de conservação. Temos de regenerar o teor de matéria orgânica dos solos. Estas práticas são conhecidas e podem ser melhoradas. Podem ser associadas com agricultura de precisão, com a rega.” Há também uma outra componente relacionada com a questão dos prados, das
pastagens semeadas. Se foram devidamente acompanhadas e desenvolvidas vão ser capazes de aumentar o teor de matéria orgânica, que traz como vantagens aumento da retenção de carbono, aumento da capacidade de retenção de água do solo. Francisco Avillez faz as contas e conclui que “com uma área relativamente reduzida em termos nacionais, no fundo não chega a 40% da área nacional que neste momento está associada à pecuária extensiva, iríamos conseguir ter um contributo positivo para a neutralidade carbónica”.
Setor apoiado pela PAC O trabalho para esta neutralidade carbónica está numa fase inicial, mas a Política Agrícola Comum tem um papel importante, atribuindo incentivos aos agricultores que trabalhem para alcançar este objetivo. O Plano Estratégico da PAC (PEPAC) tem um papel importante porque “vai ter instrumentos que permitem premiar
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aqueles que fazem nesse sentido e não premiar os outros. Por isso, defendo que esses apoios devem ser mais específicos, devem estar relacionados com aquilo que é possível melhorar, quer do ponto de vista de gestão de recursos, quer do ponto de vista da descarbonização da economia”. Francisco Avillez defende como mais importante neste PEPAC, “o facto de reforçar, em alguns setores, e introduzir noutros, os pagamentos ligados e, por outro lado, definir a forma como deveríamos utilizar os pagamentos eco regime”.
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Os desafios para o Norte do Vale do Tejo No caso do milho, os produtores podem vir a ser beneficiados pela introdução de pagamentos ligados à produção, e seria um apoio significativo. Contudo, podem também ser penalizadas na medida em que algumas das exigências da agricultura de conservação, e mesmo das próprias condicionalidades atuais, vão obrigar a que haja um sistema de ocupação do solo diferente do que tem havido até agora. “O milho tem sido muito intensivo e isso vai ser posto em causa, mesmo ao nível das próprias condicionalidades. É verdade que existem maneiras de tentar contornar isto com uma segunda cultura, mas vai haver com certeza dificuldades. Mas, em princípio, o milho, enquanto tal, pode vir a ser beneficiado se existir a introdução dos tais pagamentos ligados à produção dos cereais, o que não existe neste momento”, pormenoriza Francisco Avillez. O responsável da AgoGes pela elaboração do Relatório Setorial da Agricultura para a Neutralidade Carbónica 2050, comenta ainda que tudo passa essencialmente por “arranjar apoios que incentivem práticas que levem a que não se perca o que já lá está em termos de teores de matéria orgânica. Por outro lado, há as outras ações que vão surgir que têm a ver com a estratégia da biodiversidade, como por exemplo a redução da utilização de pesticidas, no sentido de reduzir os adubos azotados sintéticos e passar a haver mais utilização de adubos azotados orgânicos”. Francisco Avillez não vê esta transição como “complicada” talvez seja “menos prática”. Relativamente ao tomate, o nosso interlocutor defende que deveria haver um reforço dos pagamentos ligados, “não tão significativo com nos outros, mas devia haver um reforço. O tomate vai ser muito penalizado, porque é um dos setores que tem o pagamento base mais elevado, portanto com o aproximar da média vai descer significativamente”. Assim, é necessário encontrar soluções, “quer por via dos pagamentos ligados, quer por via de agroambientais específicas”.
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Ambição Agro 2020-30, um conjunto de medidas que beneficiarão todo o país Sara Pelicano JORNALISTA
Eduardo de Oliveira e Sousa, presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), em entrevista fala da Ambição Agro 2020-30 que a CAP apresentou e comenta a forma como o Governo lidou com o setor durante esta fase de pandemia. AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo
| Revista Agrotejo (RA) – Em setembro, a CAP apresentou a Ambição Agro 202030. Aguardam com expetativa o acolhimento das propostas que apresentaram? Eduardo Oliveira e Sousa (EOS) – Se olharmos para o momento que estamos a atravessar, unem-se diversas situações. O mundo é assolado pela pandemia da Covid-19 que nos traz uma realidade inimaginável. Com esta, consequências brutais que ainda estão longe de terminar, antes pelo contrário. Estamos numa fase de consolidação da parte negativa sobre o ponto de vista económico, sanitário e social. Realidade que deu origem a um plano de emergência aprovado pelos Estados-membros da União Europeia para tentar salvaguardar diversos setores da economia. Logo, juntou-se uma época de revisão da Política Agrícola Comum,
com um orçamento extraordinário que vai ser disponibilizado aos países na luta integrada às consequências da pandemia. Como estamos numa fase de transição e de definição de políticas, umas das funções da CAP é pensar no setor agrícola, não só numa defesa pontual desta ou daquela medida. Numa visão integrada, havendo um plano estratégico do Governo a apresentar a Bruxelas e que afirma que desenvolverá esta, aquela ou aqueloutra área tendo, inclusivamente, orçamentos dedicados, fazia todo o sentido criar uma visão para o setor agrícola. Isto, numa perspetiva de desenvolvimento no âmbito do conhecimento que a CAP traz, sem ser fastidioso e elegendo sete capítulos, perfeitamente horizontais, que não beneficiarão, nem prejudicam nenhuma região do país, nenhum modelo de cultura do país, nenhum tipo de agricultura, mas medidas que beneficiarão, se devidamente implementadas, toda a agricultura nacional.
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RA – Pode-nos consubstanciar algumas dessas medidas? EOS – Por exemplo, olhar para a questão das energias renováveis, ou da sustentabilidade ambiental, associada às questões energéticas. Porque não, olharmos para a questão da produção de energia que é possível promover e desenvolver em meio rural, para que essa energia beneficie o país no seu todo, mas reduza a pegada ecológica da produção agrícola, uma vez que poderemos ter produções que são altamente consumidoras de energia elétrica, como o regadio, que através de uma produção dentro da própria exploração, podem criar um balanço zero, ou até positivo. RA – Como? EOS – Em termos de injeção na rede de uma quantidade de energia superior ou compatível com o nível de consumo da exploração. Isto pode ser feito ao nível da exploração, da região e de infraestruturas que se juntem, tais como empresas agrícolas ou centrais fruteiras, criando alguma dimensão e colocando-se como agentes produtores de energia 100% limpa, diminuindo a pegada carbónica do setor. Uma medida como esta é muito complicada de levar adiante no setor. Obriga a um projeto, à criação de medidas que podem ter custos muito avultados. Como tal, no nosso documento, todas as áreas que abordamos têm em consideração um possível canal de financiamento para essas iniciativas. Com base nesse raciocínio, desenvolvemos os sete pontos que constam no documento. Levando em primeiro lugar a banda larga de internet a todo o país, para desenvolver novos negócios. Há ajudas específicas nesta matéria, não só nos fundos de coesão, como nos de cooperação. Depois, temos a questão da água, crucial em nosso entender, pois vastas áreas do nosso território podem ainda ser beneficiadas com culturas regadas, promovendo a fixação de pessoas, de jovens, e criando uma estratégia de combate à desertificação do território, com vista ao combate às alterações climáticas. Também abordamos a valorização dos produtos, pensando em particular nos pequenos agricultores que perdem a mais-valia dos seus produtos porque não são capazes de os vender de forma integrada.
“Numa visão integrada, havendo um plano estratégico do Governo a apresentar a Bruxelas e que afirma que desenvolverá esta, aquela ou aqueloutra área tendo, inclusivamente, orçamentos dedicados, tinha toda a oportunidade criar uma visão para o setor agrícola.” RA – Um plano que não esquece o desenvolvimento industrial e agroindustrial. Que medidas apontam nesta questão em particular? EOS – A questão da indústria prende-se com a dinamização deste setor na sua particular conexão com a agricultura, como as indústrias agroalimentares, a metalomecânica, as de produção e reparação e construção de novos equipamentos agrícolas e, também, a produção de agroquímicos. São indústrias que perderam terreno nos últimos anos face às importações, beneficiando terceiros, sejam os espanhóis, os franceses ou os italianos. Há que tirar partido, como diz a própria visão estratégica, da nossa proximidade com Espanha, dando as mãos a empresas aí sediadas de maior dimensão que possam ambicionar tornarem-se em verdadeiros polos de exportação de maquinaria, nomeadamente até para outros países da União Europeia. Dado que desapareceu nos últimos anos o negócio que estava consolidado do fabrico de equipamentos para Angola. Temos de entrar nos mecanismos mais complexos, chamando mão-de-obra especializada, trazendo
mais valor para o território em espaço rural. Havendo tecnologia, e há, internet no interior, que promovemos que haja, e a possibilidade de dar a mão a outras áreas, nomeadamente com Espanha, nada impede que apareçam novos polos industriais, seja para fabrico de equipamentos, seja para fabrico de produtos agroquímicos e para novas industrias agroalimentares. Tudo isto promovendo a agregação de valor que, esperamos, ficará no próprio território com benefício para as regiões e os seus habitantes. RA – O documento abraça a questão do conhecimento… EOS – É fundamental intensificar a ligação aos nossos polos de criação de conhecimento. As universidades, os institutos politécnicos que se debruçam sobre questões agrícolas, ambientais, novas tecnologias, informática, devem sair dos locais onde estão enclausurados para irem ter com os agricultores, associações agrícolas, para interagirem e levarem conhecimento, promoverem uma qualidade da forma de trabalhar no campo, valorizando o próprio trabalho. RA – Um dos principais setores da nossa economia rural é a floresta e não está esquecido no documento. Pode pormenorizar? EOS – O problema florestal é muito mais complexo de resolver e de abraçar por diversas razões, como o abandono do território, o de vivermos uma época de grandes dificuldades climáticas que retira capacidade de crescimento às árvores. Enfrentamos um problema sanitário gravíssimo, nomeadamente com o pinheiro e quercíneas, com destaque para as azinheiras e sobreiros. Essas matérias têm de ser analisadas, assim como os estudos aí desenvolvidos. Temos de valorizar os detritos, a biomassa que não deve ser conduzida única e exclusivamente para queimar, obter hidrogénio e produção de energia elétrica, mas também para gerar calor para aquecimento de habitações e instalações industriais, nomeadamente em meio rural. Para tal, devemos utilizar equipamentos que podem ser produzidos em Portugal e introduzindo aquilo que é
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7 Ações horizontais para o sector Agro Energias renováveis e sustentabilidade ambiental; Tecnologia e digitalização; Gestão da água, do solo e combate à desertificação; Promoção comercial e valorização interna e externa; Floresta e sustentabilidade do território; Desenvolvimento industrial, agroindustrial e agroalimentar; Centros de investigação e desenvolvimento nacionais.
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vulgar nos países do Norte da Europa que é utilizar matéria florestal para aquecer as residências. No interior do nosso país, as residências são aquecidas a lenha e com fraca capacidade para resolver o problema do aquecimento das habitações. Podemos atualmente, através de equipamentos próprios, transformar a matéria vegetal em combustível e alimentar centrais de biomassas ou equipamentos para as próprias residências. A ineficiência em Portugal é uma enorme lacuna, não apenas nas cidades, mas também no meio rural. Todos os aspetos que acabo de referir geram postos de trabalho. Se lhes juntarmos conhecimento, valorizamos esse trabalho, atraímos pessoas com mais qualificações, evitando que tenham de procurar as suas vidas fora de portas. Há, agora, que tornar os capítulos inscritos no “Ambição Agro 2020-30” em propostas concretas para as apresentarmos ao Governo, até quantificadas em termos de investimento. Isto
para que no Plano de Recuperação que o Governo apresenta a Bruxelas sejam contempladas essas medidas. RA – O Ministério da Agricultura apresentou a Agenda de Inovação para a Agricultura para a próxima década. Documento que o Governo apelidou de “resposta ágil e adequada”. O que nos tem a dizer sobre esta agenda? EOS – Não conhecemos em termos concretos essa estratégia. Como foi apresentada é uma ambição também, uma visão sobre a tecnologia e como esta deve de ser introduzida numa perspetiva de modernizar setores e algumas preocupações de caráter social que não sabemos, em pormenor, como serão traduzidas em medidas de desenvolvimento e apoio ao setor agrícola. Há ali algumas mensagens que precisam de ser mais bem traduzidas, como a agricultura de proximidade, cadeias curtas, agricul-
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tura biológica que, não sendo medidas totalmente novas, parecem nalgumas situações quererem transformar-se em objetivo prioritário. Aí, temos algumas dúvidas, pois a agricultura biológica tem de ser uma opção, não vai resolver grandes matérias de fixação de pessoas no território, como produção de alimentos em larga escala. A Agenda de Inovação, por exemplo, naquilo que referi em relação à “Ambição Agro 2020-30”, no que respeita à tecnologia, são harmonizáveis. Teremos de perceber melhor quando forem apresentadas propostas de regulamento o que significa essa inovação, provavelmente há ali matérias que a senhora ministra quer contemplar com ajudas mais volumosas, com reforço de verbas ou com preferências, como é o caso da fixação dos jovens no interior. RA – Como avalia as respostas do Ministério da Agricultura face a medidas de
salvaguarda para o setor no contexto de pandemia que atravessamos? EOS – A CAP é membro da Comissão Permanente de Concertação Social e temos tido alguma dificuldade em perceber algumas das alterações que permanentemente o Governo faz às medidas de apoio à economia na sua forma generalista. Cumpre-me aqui fazer um parêntesis, pois o setor agrícola, que nunca parou, ficou um pouco à margem dos critérios de ajuda que foram criados para socorrer atividades como o turismo, hotelaria e restauração, onde o impacto foi tremendo. Como tal, o setor conseguiu passar por esta situação de forma resiliente, com exceções, como o caso dos produtores de flores e plantas ornamentais produtores de leite de pequenos ruminantes, como os de queijo de ovelha e de cabra; produtores de leitões e os de frutos vermelhos. Houve todo um conjunto de setores com produtos críticos aquando do confinamento. Recuperaram alguma
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“A CAP é membro da Comissão Permanente de Concertação Social e temos tido alguma dificuldade em perceber algumas das alterações que permanentemente o Governo faz às medidas de apoio à economia na sua forma generalista.”
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coisa, mas é exatamente aí que há empresas e pessoas a socorrerem-se das medidas que o Governo criou. Este gerou medidas de apoio à tesouraria, algumas delas que acabaram por não resultar. A medida de apoio às flores foi disponibilizada só agora. O apoio à manutenção do emprego tem sido um pesadelo, foi o layoff simplificado, depois foi o apoio à capitalização das empresas, com critérios absurdos, com empresas com 80% de perda de faturação. Outra medida diferente para o intervalo entre 60 e 75%, outra ainda para as perdas entre os 40 e os 60%. Abaixo dos 40% não havia apoio. Como se fosse possível a uma empresa com 30% de perda de faturação sobreviver através de endividamento. Houve muita falta de solidez nas medidas criadas. A Política Agrícola Comum, uma vez mais, demonstrou ser o verdadeiro apoio financeiro das empresas agrícolas, ultrapassando todos os obstáculos. Neste momento, estamos em plena época de colheita das
culturas de primavera e verão, como o milho e o arroz, estamos a entrar na época da colheita da azeitona, terminamos a colheita do tomate, estamos a fechar a da fruta. A pandemia veio criar grandes dificuldades, acréscimos de custos, como na questão da mão-de-obra, nas dificuldades de resolver os procedimentos logísticos associados às regras de proteção. Mas o setor não parou, está a trabalhar e vai conseguir ultrapassar a crise, embora não seja indiferente à pancada financeira. Esta vai expressar-se com números diferentes, mais prejuízo, menos margens, dificuldade em pagar alguns compromissos, como seja linhas de crédito. Contudo, os agricultores têm os calendários perfeitamente definidos sobre o momento em que vão receber determinadas ajudas, em particular aquelas do primeiro pilar e algumas medidas agroambientais. Logo, estamos em crer que o setor irá manter a sua resiliência e continuar a fazer o que está a fazer.
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João Coimbra Agricultor
As emissões de CO2 na cultura do milho: restrições ou oportunidades?
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| Todos os dias nos falam das emissões que produzimos e que temos de deixar de produzir, das alterações climáticas que já assistimos, de que temos de mudar de vida, que não podemos comer carne de vaca, que vêm aí taxas sobre o carbono emitido, etc. Com tanta informação dispersa, contraditória, tão pouco científica, muitas vezes demagógica e dogmática, como agricultor tentei informar-me concretamente quantas emissões emitimos quando produzimos um quilograma de milho dentro da nossa exploração. Não consegui encontrar essa informação de forma clara, acessível e que me pudesse orientar neste grande desafio de descarbonizar a economia. Como agricultor também queremos colaborar neste esforço coletivo inadiável, mas para reduzir e para gerir é preciso conhecer, antes de saber para onde queremos ir é necessário saber onde estamos. Não sendo especialista e arriscando cometer um erro de avaliação, tentamos fazer
um exercício de contabilizar a maioria dos fatores de produção que emitem CO2 durante o ciclo da cultura de milho grão. O carbono emitido por uma organização pode ser hoje considerado uma métrica de eficiência, basicamente todo o consumo de energia e de fertilizantes que utilizamos quando vamos produzir milho. O critério adotado será calcular as emissões dentro da nossa exploração por unidade produzida. Sabemos que os ciclos de vida de emissões dos nossos fatores de produção não começam à entrada da nossa exploração, mas em todo o ciclo de vida do fator. Começa na produção desse fator (exemplo um kg de ureia), inclui o seu transporte, a sua aplicação nas nossas searas, as suas emissões pela transformação dos microrganismos, até ao consumo pela planta. Seguem-se os consumos de energia da rega, da colheita, do transporte, das deslocações de trabalho relacionado com a cultura e a secagem do
Primary Production_FONTE IPCC
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cereal. Agora temos o nosso milho seco e pronto para entregar ao nosso cliente. Deveremos também calcular os resíduos orgânicos que deixamos na terra e aqueles que foram para a reciclagem ou destruição final (embalagens, etc.). Também todos os fitofármacos deverão ser contabilizados, mas aqui não nos foi ainda possível a sua quantificação. Temos também os adubos fosfatados e potássicos que têm emissões durante o seu fabrico utilização no solo de menor dimensão que os azotados, também aqui não foram ainda consideradas. Assim, fazemos a contabilização dentro da exploração agrícola que termina com a entrega do cereal seco para comercialização, sabendo que as emissões continuam no processo até ao consumidor final. As emissões dentro da nossa exploração vão então ser contabilizadas pela seguinte tabela:
Fatores de produção utilizados para uma produção 15 toneladas de milho grão. 1 litro de gasóleo equivale a 3 kg de CO2
consumo 295 litros de gasóleo/ ha, para uma produção de 15 ton.
1 Kwh de energia elétrica equivale a 300 g CO2
utilização de 7000 m3/ha de água com um consumo de 3000 Kwh de eletricidade
1 kg de ureia (totalidade de emissões equivalentes) 6,2 Kg CO2
utilização de 280 Kg de azoto/ha na forma ureica
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Gráfico 2. Emissões directas da cultura do Milho dentro da exploração (242 GR CO2/kG) A sua divisão por operação é a seguinte (ver gráfico): O resultado que temos nesta abordagem, são de cerca de 242 gr CO2/kg de milho. Calculámos as emissões, mas sabemos que o agricultor pode também sequestrar carbono na sua exploração de várias formas: através de retenção em árvores que se mantenham durante vários anos na exploração e, principalmente, pela manutenção e o aumento da matéria orgânica
no solo. Aqui sim temos uma oportunidade de transformar esta equação a nosso favor, uma boa gestão do solo baseada em aumentos de matéria orgânica na sua forma mais estável, redução de mobilizações, reduções de utilização de fatores de produção, poderão levar o nosso balanço de emissões para um balanço negativo, ou seja, passaremos de emissores a sequestradores de CO2. Deveremos para isto conhecer e investigar todos estes fatores
de emissão e de sequestro, para cada vez podermos não só reduzir os fatores de emissão como armazenar nos nossos solos maiores quantidades de carbono que deixam de estar na atmosfera. Será que poderemos ser pagos por este serviço? Fica o desafio para nos ajudarem a responder a todas estas questões. Os agricultores querem e estão dispostos a fazer a sua parte na descarbonização da economia.
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O projeto Europeu H2020 FAIRshare 76
CONSULAI
A digitalização é um processo fundamental na agricultura, mas é preciso que ela chegue ao setor de forma uniforme e acessível a todos. Os técnicos têm aqui um papel importante. | A quantidade de dados digitais que são atualmente gerados, a análise dos mesmos e as tecnologias existentes, permitem uma maior precisão, rapidez e qualidade na tomada de decisão nas explorações agrícolas, com enorme potencial para melhorar a produtividade, racionalização de custos e a sua sustentabilidade. Atualmente, há um grande enfoque na digitalização por parte da União Europeia e decisores políticos nacionais/regionais para por um lado assegurar que a inovação digital na agricultura acompanha o ritmo de outros sectores e, por outro, que seja realmente aplicada na comunidade agrícola em geral. AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo
No entanto, existe o perigo de que a digitalização possa trazer assimetrias no setor agrícola, e uma das formas de o minimizar será através do papel dos técnicos de aconselhamento agrícola, que deverão por isso ser mobilizados e também eles capacitados de conhecimento das ferramentas digitais atualmente disponíveis, e a sua aplicação em contexto real. O projeto Europeu H2020 FAIRshare, onde a Consulai é um dos parceiros mais ativos, tem como principal objetivo contribuir de forma determinante para capacitar os técnicos de aconselhamento agrícola e suas organizações na utilização efetiva de ferramentas e serviços digitais atualmente disponíveis na Europa, potenciando a adoção das mesmas numa agricultura mais produtiva e sustentável. Nos últimos meses desenvolvemos uma plataforma que contém um inventário de ferramentas digitais utilizadas por toda a Europa por parte de técnicos de aconselhamento agrícola. Esta plataforma, de acesso livre, pode ser consultada em https://fairshare-pnf.eu/. Aproveitamos também para reforçar o convite: se tem ferramentas digitais, com que trabalha diretamente com o setor, aceda a este inventário e faça parte da comunidade FAIRshare, porque: • Será partilhado por todos os técnicos agrícolas em toda a Europa; • É uma oportunidade de desenvolver sinergias com organizações Europeias;
• Poderá ser selecionado para participar ativamente em várias atividades do projeto. Neste inventário podemos também encontrar ferramentas digitais mais utilizadas em resposta à crise pandémica Covid-19. É também nosso objetivo criar sinergias entre técnicos agrícolas de toda a Europa, colocando o contexto nacional em destaque, mostrando o excelente trabalho realizado pelos técnicos junto dos agricultores e demonstrando que no que respeita à digitalização do setor, estamos a trilhar o nosso caminho, já com muitos casos de sucesso. Neste sentido, foi possível, num passado recente, reunir mais de 50 técnicos agrícolas Europeus em três dias de trabalho conjunto, com visitas técnicas, sendo uma delas nas instalações da AGROMAIS: Em paralelo, estamos a realizar questionários a técnicos de aconselhamento agrícola e a agricultores, no sentido de questionar sobre os benefícios, barreiras e principais impactos da adoção de ferramentas tecnológicas na relação entre técnicos agrícolas e agricultores. Esta é também uma oportunidade de fortalecer a posição do nosso setor junto das entidades Europeias. Por isso, se for contactado pela nossa equipa, participe! Procurem-nos nas redes socias (H2020_ FAIRshare), subscrevam a nossa newsletter (https://www.h2020fairshare.eu/) e façam parte desta iniciativa europeia.
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Os desafios do setor dos cereais em Portugal SARA PELICANO JORNALISTA
O setor dos cereais em Portugal tem vários desafios pela frente, um deles é garantir melhor nível de rendimentos através da PAC. ANPROMIS e ANPOC falam do futuro dos cereais em Portugal. AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo
| A Estratégia Nacional para a Promoção da Produção de Cereais (ENPPC) foi apresentada em 2018. Passados dois anos, parece que ainda não foram dados muitos passos para alcançar os objetivos desta estratégia que assenta em três grandes objetivos, nomeadamente: reduzir a dependência externa, consolidar e aumentar as áreas de produção, criar valor na fileira dos cereais e viabilizar a atividade agrícola em todo o território. Jorge Neves adianta que “apesar de a Estratégia estar aprovada, não houve ainda passos claros” para a sua implementação. O presidente da Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo (ANPROMIS) explica que neste último ano e meio têm trabalhado para “forçar que a Estratégia seja implementada na
sua totalidade”, esperando que algumas medidas sejam tomadas nesta fase de negociação do próximo quadro comunitário. Por outro lado, José Palha, presidente da direção da ANPOC – Associação Nacional de Produtores de Proteaginosas, Oleaginosas e Cereais, comenta que “a estratégia tinha 17 medidas que foram aprovadas. O objetivo principal era o aumento da produção de cereais. Temos estado a trabalhar muito próximo com o gabinete de políticas. Sabemos que algumas das medidas que foram propostas não dependem de nós, dependem de política, nomeadamente da PAC, cujo plano estratégico está a ser discutido. Estamos convencidos de que algumas coisas vão entrar neste plano estratégico para promover os cereais e sabe-
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mecanismo que compense os agricultores por essa perda de rendimento, a Comissão Europeia pode de facto almejar objetivos de produção ambiciosos numa economia verde, mas o que acontecerá é não haver de todo produção”. José Palha refere igualmente a falta de apoio que o setor dos cereais teve na última reforma da PAC e mostra-se confiante de que poderá ser repensada no próximo quadro comunitário. “Acreditamos que os cereais têm lugar e que é muito importante Portugal continuar a produzir. Por isso, o que nós temos feito é tentar, de todas as maneiras que estão ao nosso alcance, melhorar as condições dos produtores para que estes voltem a aderir a estas culturas. Em relação à PAC, na última reforma, em 2013, este setor levou um corte substancial no nível de ajudas. Isso refletiu-se imediatamente no ano seguinte com a quebra de área nestas culturas. Estamos a trabalhar muito perto com o GPP e a sugerir algumas propostas que temos esperança que algumas sejam acolhidas de modo a tentar recuperar a perda que tivemos em 2013. Estamos medianamente otimistas com o resultado desta influência”. mos que outras dependem da produção”. Jorge Neves recorda que os últimos quadros comunitários têm sido muito penalizantes para o setor do milho. Por isso, adianta, “aquilo que estamos a tentar fazer neste momento é sensibilizar as autoridades portuguesas para a necessidade da manutenção do rendimento dos produtores de cereais, concretamente de milho, porque o setor do milho e dos cereais no seu conjunto apresentam a maior fatia de produção agrícola em Portugal, em termos de área”. Jorge Neves recorda que, apesar de Portugal não ser muito competitivo na produção de cereais, estas culturas têm um peso significativo na superfície arável portuguesa. Impera, assim, a necessidade de “manter o rendimento dos agricultores em primeira linha”. Estamos a competir com países em que as regras que se aplicam a Portugal e na Europa não se aplicam a eles. Este facto, por si só, traz uma desvantagem muitíssimo grande, como é exemplo a aplicação dos fitossanitários que estão autorizados noutros países, mas
que não estão autorizados em Portugal. Isto torna-nos menos competitivos face a países como os Estados Unidos da América, América do Sul ou até países do Leste. A única maneira de compensar os produtores é, de alguma maneira, manter o rendimento para que mantenham a sua atividade. Se deixarem a sua atividade temos um problema porque não existe mercado outros setores que consigam compensar a produção de cereais”. Quanto à redução dos princípios ativos autorizados no que respeita aos fitofármacos, Jorge Neves sublinha que estão a favor do esforço da Comissão Europeia para se alcançar uma economia mais verde. Mas recorda que tal só é possível “se houver uma compensação para os agricultores pelas perdas de rendimento que têm”. “Não havendo mecanismos e coberturas que nos defendam para determinadas pragas, as produtividades são necessariamente mais baixas. O aparecimento de pragas e doenças vai ser cada vez mais frequente. Se não tivermos um
AUTOAPROVISIONAMENTO Um dos objetivos da ENPPC é atingir um grau de autoaprovisionamento em cereais de cerca de 38%, correspondendo 80% ao arroz, 50% ao milho e 20% aos cereais praganosos. Um propósito que Jorge Neves reconhece “não ser tarefa fácil”, devido a várias condicionantes, nomeadamente “a disponibilidade de água”. “A competitividade do milho face a outras culturas, nomeadamente no Alqueva, é muito mais penalizada porque há culturas permanentes cuja rentabilidade é muito superior à do milho. Por isso, esse objetivo fica um pouco comprometido face à concorrência de outras culturas que existem. No entanto, Portugal tem de encarar seriamente esta situação porque somos dos países com pior autoaprovisionamento de cereais dentro da União Europeia”. Precisamente sobre a questão água, o presidente da ANPROMIS, recorda que “sem água não há milho, nem hortícolas, nem fruta ou olival e muitas outras culturas”. Jorge Neves conclui que “temos de ter
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uma política de regadio muito bem definida e que passa pela retenção de água quer no Alqueva, quer na bacia do Tejo. Aqui ainda nada está feito e estamos completamente à mercê daquilo que são as decisões do Governo espanhol relativamente aos transvases para as zonas agrícolas de excelência”. A ANPOC acredita ser capaz de alcançar a taxa de autoaprovisionamento no que respeita ao trigo porque tem feito um trabalho de tentar tornar a cultura atrativa e que possam existir mais produtores que, aliados a uma gestão eficiente dos recursos, nomeadamente a água, poderão conseguir boas produtividades. “Trabalhamos para que os cereais voltem a ser uma cultura interessante do ponto de vista da rentabilidade”, afirma José Palha.
A associação espera também até ao final do ano concretizar mais um dos objetivos a que se propuseram que é criar uma interprofissional do setor que envolve a ANPROMIS, mas também empresas de moagem, cervejeiros de Portugal, fábricas de rações, padeiros e outras entidades ligadas direta ou indiretamente a esta atividade.
INOVAÇÃO NO CAMINHO DO FUTURO “Apesar de a Estratégia estar aprovada, não houve ainda passos claros”. Jorge Neves
CEREAIS DO ALENTEJO No senda de tornar a produção de cereais, nomeadamente trigo, mais atrativa, a ANPOC tem vindo a desenvolver algum trabalho. Tendo em 2019 criado a marca Cereais do Alentejo. Hoje já comercializam com este rótulo 7.000 toneladas de cereais, distribuídas pelas grandes cadeias de distribuição nacionais. “Com isto conseguimos preços mais estáveis e contratos anuais. Um dos nossos objetivos era não estar sujeitos à volatilidade dos preços dos mercados internacionais. Com a criação deste produto diferenciado, conseguimos estabelecer contratos anuais e, assim, no início de cada campanha os agricultores quando semeiam já sabem que as variedades que estão a semear já estão vendidas e qual o preço”, pormenoriza José Palha. pub.
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“Acreditamos que os cereais têm lugar e que é muito importante Portugal continuar a produzir José Palha
Os desafios são múltiplos e diários, mas a mensagem de futuro é de esperança. As associações trabalham diariamente para alcançar o melhor sucesso para os produtores que passa muito pela inovação. Jorge Neves descreve que “têm várias frentes de batalha”. Por um lado, garantir boas condições para os produtores de milho no próximo quadro comunitário, como descreve em cima, e, por outro lado, continuar o trabalho de implementação de novas tecnologias. “Constituímos em 2013 um Centro de Competências para a Cultura do Milho – uma parceria entre a ANPROMIS, o INIAV e a Câmara de Coruche, localizados nas instalações do INIAV em Coruche. Promovemos as melhores práticas adaptadas à cultura. O Centro de Competências é um dos vários que foram reconhecidos pelo Ministério da Agricultura como polos de inovação. Estamos confiantes iremos continuar neste caminho da inovação no sentido de gerir melhor os custos da cultura e aumentar produtividades. Não estamos apenas à espera daquilo que possam ser os apoios da PAC, estamos também a fazer o nosso trabalho, que é melhorar os indicadores da própria cultura”.
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Covid-19 obriga ao cancelamento da Feira Nacional do cavalo 2020 A XLV Feira do Cavalo da Golegã, prevista para novembro de 2020, foi cancelada devido à Covid-19. A decisão foi tomada tendo em conta a situação de pandemia que se verifica, no sentido de salvaguardar a saúde pública e diminuir riscos de contágio.
Autarcas da Lezíria do Tejo “apreensivos” com Programa Nacional de Investimentos 2030 Os 11 presidentes de Câmara que constituem a Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo (CIMLT) mostraram-se “apreensivos e desapontados” com a ausência de obras “importantes e que tinham de estar contempladas num documento que perspetiva um conjunto de investimentos a médio e longo prazo”,
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sublinhou à agência Lusa, o presidente da CIMLT. Pedro Ribeiro destacou ainda que “há um conjunto de obras, que nós compreendemos naturalmente que não são todas para fazer amanhã, nem no próximo ano, nem no outro, mas que, numa lógica do médio e longo prazo, tinham de estar contempladas”.
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Covid-19: procedimentos de prevenção e controlo de infeção para o setor agrícola No âmbito da atual situação motivada pela Covid-19, o Gabinete da ministra da Agricultura divulgou um documento com orientações referentes aos “Procedimentos de Prevenção e Controlo de infeção para o setor agrícola (explorações agrícolas e centrais de embalamento e armazenamento)”, que apresenta medidas gerais a aplicar a centrais de embalamento e armazenamento de fruta e legumes. Os responsáveis pelas explorações agrícolas e pelas centrais de embalamento e armazenamento de frutas e legumes devem, entre outras medidas, “elaborar e implementar um plano de contingência próprio para a Covid-19, de acordo com a Orientação 006/2020 “Procedimentos de prevenção, controlo e vigilância em empresas”, da Direção-geral da Saúde (DGS), e garantir que todos os colaboradores têm conhecimento das medidas nele descritas. Este plano deve ser atualizado sempre que necessário; assegurar que todos os trabalhadores monitorizam os sintomas sugestivos
de Covid-19, diariamente, antes de se apresentarem no local de trabalho; informar os trabalhadores de que não se devem deslocar para o local de trabalho caso apresentem sinais ou sintomas sugestivos de Covid-19; dispor de uma área isolada onde exista água, desinfetante e termómetro, para o caso de haver necessidade de algum trabalhador, se manifestar sintomas, poder ser isolado, até contato e orientações da autoridade de saúde local; não permitir a entrada de pessoas estranhas à exploração ou à central, a não ser quando necessário para carga e descarga de produtos, reparações de equipamentos, ou outras atividades indispensáveis; promover o arejamento das áreas de refeição ou de convívio, caso sejam instalações fechadas, se possível mantendo as janelas e portas abertas durante a sua utilização”.
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A solução de economia circular no sector agroalimentar chega a Santarém. EntoGreen
| A EntoGreen, marca da Ingredient Odyssey S.A., inicia agora a construção de uma unidade fabril capaz de converter 36.000 toneladas de subprodutos vegetais por ano em 2.500 toneladas de concentrado proteico, 500 toneladas de óleo e 7.500 toneladas de fertilizante orgânico. Basicamente, transforma produtos que de outra forma seriam desperdiçados em novas fontes nutricionais para plantas e animais. Fazemo-lo com recurso a uma ferramenta especial, insetos, e em particular a mosca soldado negro (Hermetia illucens). Foi ao longo dos últimos seis anos que a EntoGreen veio a desenvolver o processo de conversão de subprodutos vegetais em produtos finais de elevado valor e que podem ser utilizados como ingredientes para alimentos compostos para animais, em particular de animais de companhia e peixes, mas em muito em breve também de aves e suínos, mas também fertilizantes orgânicos para os solos que potenciam a saúde do solo e a disponibilidade de nutrientes, com efeitos comprovados para culturas importantes para a região como a batata e o tomate (resultados publicados em edições anteriores da Revista AGROTEJO). Este processo, desenvolvido e alavancado com base na colaboração de várias em-
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presas, AGROMAIS PLUS, Consulai e Rações Zâzere, e um centro de investigação, o INIAV, com o suporte de um projeto financiado pelo Portugal2020, o EntoValor, foi finalmente validado em 2019, e no início de 2020 deu origem a uma submissão Inovação Produtiva no âmbito do COMPETE2020, aprovada em setembro e que permitiu levar um processo com base 100% em I&D regional para um nível industrial e ser o primeiro do seu género na península ibérica e um dos dez primeiros no mundo. A Ingredient Odyssey S.A., promotora do projeto, espera assim já no início de 2022 inaugurar uma unidade de bioconversão de subprodutos vegetais com recursos a insetos na zona industrial de Santarém, num investimento de cerca de 10 M€ e que empregará 63 pessoas, das quais 12 quadros altamente qualificados, mestres e doutorados. De facto, a Ingredient Odyssey S.A. é uma empresa de base tecnológica e a I&D está no seu ADN, pelo que, além da sua unidade produtiva em larga escala, output do seu trabalho de investigação, a empresa detém ainda um centro de I&D completamente dedicado ao desenvolvimento de soluções de sustentabilidade para o sector agroalimentar, da valorização de subprodutos, ao tratamento de águas para rega à biorremediação. É em particular na biorremediação que se coloca o nosso último projeto, o RECOVER,
um projeto aprovado no âmbito da BBI-JU H2020 (Grant agreement 887648) no qual procuramos desenvolver uma solução de valorização/eliminação de plásticos agrícolas e de embalagens, um dos grandes desafios atuais. No âmbito deste projeto, iremos testar o uso de enzimas e de bactérias a inocular no trato digestivos dos nossos insetos, conferindo-lhes a capacidade de destruição de plásticos necessária para transformar o que hoje é um desafio ambiental em soluções industriais, como novas fibras derivadas de insetos e fertilizantes. Porém, esta é uma solução tecnológica que não esperamos ver no mercado antes de 2026. O que esperamos ver no mercado já em 2022, e para o qual procuramos parceiros, é a nova unidade produtiva de Santarém. Procuramos parceiros agroindustriais que tenham subprodutos e desperdícios vegetais em larga escala, várias dezenas de toneladas diárias, que queiram ver valorizados. Nós daremos nova vida aos nutrientes que seriam perdidos e reconheceremos o seu contributo através de um selo de excelência que valida as empresas que contribuem para a eficiência de utilização dos nossos recursos naturais, a pegada verde. Juntem-se a nós, tornemos o sector agroalimentar mais sustentável, circular e apostemos nas cadeias curtas de produção. Procure-nos em www.entogreen.com e diga-nos mais sobre os seus subprodutos vegetais através de rui.nunes@entogreen.com.
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José Alho
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Teresa Almeida
Joaquim Sardinha
Teresa Almeida foi reconduzida como presidente da CCDR-LVT A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo mantém a presidente, mas soma dois novos vice-presidentes. O trabalho será de continuidade. | No passado dia 13 de outubro os autarcas votaram para eleger a nova presidência das comissões de coordenação e desenvolvimento regional. Na região de Lisboa e Vale do Tejo foi eleita presidente Teresa Almeida, que continua assim neste cargo. Agora terá de presidir a esta entidade com dois novos vice-presidentes, nomeadamente o vice-presidente da Câmara Municipal de Mafra, Joaquim Sardinha, e o biólogo José Alho. Os resultados oficiais, divulgados pela Direção-geral das Autarquias Locais, Teresa Almeida obteve 1.090 votos, num universo eleitoral de 1.987 membros dos executivos e das assembleias municipais.
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Votaram em branco 546 autarcas, outros 92 votos foram considerados nulos e 259 não foram votar. Segundo a agência Lusa, no caso do vice-presidente, o candidato único Joaquim Sardinha, o colégio eleitoral era constituído pelos 52 presidentes das câmaras da região. Destes, votaram 45, com 33 votos a favor, 11 brancos e um nulo, revelou a responsável. Teresa Almeida, que é presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT) desde meados de 2019, afirmou que “as eleições mereceram toda a atenção e respeito pelo processo, mas no fundo o trabalho continua, as responsabilidades mantêm-se”. A arquiteta de formação comentou ainda que “a grande mudança será a nova equipa, com um vice-presidente eleito e José Alho”, que foi nomeado pelo Governo. “Isso sim é uma mudança muito significativa. Tenho muita expectativa em poder fazer uma boa equipa e poder ter aqui um reforço que de facto é importante para podermos cumprir melhor as nossas tarefas”, acrescentou Teresa Almeida, em declarações á Lusa. As CCDR são serviços desconcentrados da Administração Central, dotados de autonomia administrativa e financeira, incum-
bidos de executar medidas para o desenvolvimento das respetivas regiões, como a gestão de fundos comunitários. Mais de 10.000 autarcas foram convocados dia 13 de outubro para eleger pela primeira vez, através de colégios eleitorais regionais, os cinco presidentes das CCDR, que eram até agora nomeados pelo Governo. Além da votação dos colégios eleitorais, constituídos pelos membros dos executivos e das assembleias municipais de cada câmara das regiões Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve, os presidentes das 278 câmaras do continente poderiam eleger também um dos dois vice-presidentes das estruturas da região a que pertencem, continuando o outro vice-presidente a ser nomeado pelo Governo. Os mandatos para os presidentes e vice-presidentes das CCDR serão de quatro anos e a respetiva eleição decorrerá nos 90 dias seguintes às eleições para os órgãos das autarquias locais. Os dirigentes eleitos também estão sujeitos a uma limitação de três mandatos consecutivos. No entanto, excecionalmente, este ano decorreram em outubro e o mandato será de cinco anos, para que os novos eleitos possam acompanhar as negociações dos fundos estruturais que estão a decorrer com Bruxelas.
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Escolher um vinho?! E agora? Pedro Rebelo Lopes Produtor dos vinhos “Zé da Leonor”
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| O aumento generalizado da qualidade dos vinhos portugueses nos últimos anos, fruto do trabalho de produtores e enólogos cada vez mais formados e atentos à necessidade de trabalhar qualidade, da profissionalização das empresas produtoras, até das de pequena dimensão, e ainda de uma viticultura pojante e voltada para o binómio qualidade/sustentabilidade ambiental, permite hoje ao consumidor ter acesso a uma quantidade de vinhos de qualidade superior, que muito orgulha o sector e cada vez mais se destaca além-fronteiras. A comercialização de vinhos no nosso país garante uma cobertura total do território nacional e permite ao consumidor ter fácil acesso a vinhos de todas as regiões vitivinícolas, e da esmagadora maioria dos produtores portugueses, quer seja através dos canais ditos tradicionais, quer seja nas vendas online, que nos últimos meses muito aumentaram em Portugal, sobretudo devido à alteração de hábitos de consumo, “forçada” pela pandemia que enfrentamos. É ainda de referir a proliferação de marcas de vinhos que têm surgido nos últimos anos, num sector muito dinâmico e comercialmente agressivo, que a par das marcas comerciais mais familiares ao consumidor português, lhe apresenta regularmente mais e mais sugestões, que não poucas vezes surpreendem o consumidor pela sua qualidade, boa imagem, e preço justo. Ora é neste contexto de enorme diversidade na oferta de vinhos de qualidade, e de fácil acesso, que o consumidor português de vinho, que é também consumidor sobretudo de vinho português, já que no
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nosso país o consumo de vinhos estrangeiros é residual (e na minha opinião ainda bem), é convidado a fazer a sua escolha no momento da compra. Partindo do princípio que a opinião de terceiros, por mais válida que seja, não garante que a sua sugestão seja do nosso agrado, apenas nos resta…provar! Felizmente para o consumidor existem cada vez mais iniciativas de provas de vinhos promovidas quer pelas Comissões Vitivinícolas Regionais,
quer por empresas de eventos especializadas, quer por garrafeiras da especialidade, quer ainda diretamente por empresas produtoras. Certo é que estas iniciativas estão neste momento suspensas devido à pandemia, mas no futuro seguramente voltarão a surgir no calendário nacional de eventos culturais (sim porque o vinho também é cultura). Para o consumidor mais experiente e conhecedor de vinhos o que direi de seguida
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será banal, mas para a generalidade do consumidor pretendo aqui apresentar uma sugestão de organização da prova baseada nas principais características de cada vinho, e que em caso algum substitui o bom e velho “gosto ou não gosto” que eu próprio emprego sempre, em última análise, quando escolho um vinho! Os vinhos, quer sejam tintos, brancos ou rosés, podem enquadrar-se de acordo com as suas principais características: cor, aroma, estrutura, acidez/frescura. Assim podemos provar vinhos mais escuros, no caso dos tintos chamados muitas vezes de retintos, ou vinhos de cor menos carregada, que pode chegar a ser quase translúcida. Podemos ainda dividir os vinhos em mais aromáticos, em que o aroma no nariz muitas vezes se sobrepõe à prova na boca, ou pelo contrário vinhos menos aromáticos, em que normalmente é a prova na boca que mais sobressai. Temos também vinhos com pouca estrutura ou ditos leves, isto é de baixa graduação alcoólica e normalmente frescos e pouco untuosos, ou vinhos mais estruturados, isto é de densidade elevada, normalmente mais alcoólicos e untuosos, apresentando a característica “lágrima” quando no copo. Podemos por último, nesta sugestão de organização, enquadrar um vinho de acordo com a sua acidez, que se for muito evidente confere frescura e longevidade aos vinhos, e que se for incipiente denota vinhos menos vibrantes. É do cruzamento destas principais características que podemos segmentar o tipo de vinho que se nos apresenta em prova. Tomando como exemplo a prova de um vinho branco de cor muito ténue, com
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12,5º, de aroma muito efusivo e acidez elevada, podemos concluir tratar-se de um vinho leve e de elevada frescura, mais efusivo no nariz e contido na boca, ideal para acompanhar pratos leves ou saladas, ou ainda entradas frescas. Desta forma simplificada o consumidor pode segmentar os vinhos que prova, definindo qual o estilo que mais lhe agrada, atendendo sempre à ocasião para a qual está a escolher um vinho, pois também dela depende o tipo de vinho que se pretende adquirir.
Longe vão os tempos em que o consumidor de vinhos comprava “às cegas”, influenciado por algumas opiniões tão assertivas que moldaram o mercado durante anos e anos. Hoje o consumidor pode adquirir uma garrafa de vinho de elevada qualidade a preço justo, variando o seu consumo numa lógica de conhecer diferentes perfis de vinhos e definindo as suas preferências, à medida que ele próprio prova e toma decisões quanto a que vinhos adquirir e consumir… sempre com moderação claro está!
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GEOFOLIA – A sua aplicação no campo ISAGRI
José Carlos da Luz, residente na Golegã, pertence a uma família que há mais de um século se dedica à atividade agrícola. Tem as suas explorações desde 1994 e produz diversas culturas tais como: milho, batata, grão, ervilha, nogueira e olival e também bovinos de carne. Estivemos à conversa com o próprio na presença da sua irmã Francisca da Luz. São ambos responsáveis por toda a gestão agrícola da exploração que têm. AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo
| Como vê o setor agrícola nos próximos tempos? A agricultura necessita de alimentar a humanidade, e não vai desacelerar no contexto em que vivemos. Por outro lado, as políticas europeias têm grandes constrangimentos para a agricultura, nomeadamente no que diz respeito às exigências ambientais e utilização das novas tecnologias. Nos últimos anos têm proliferado em redor das questões da àgua grandes investidores e grandes grupos, que devido à sua dimensão e capacidade financeira vão estrangulando pouco a pouco a agricultura tradicional, num contexto global. Já conheciam a Isagri? Em que sentido é que a mesma vos ajudou? Já conhecíamos a Isagri há bastante tempo, até mesmo pelo trabalho que desenvolvem com a AGROMAIS. Tivemos uma reunião com a Sara Gerardo em 2017 ainda com a apresentação do Isamargem, o antigo software. Na altura não avançámos, não achámos que o programa tivesse as valências que o novo tem. A partir do momento em que o programa começou a funcionar na cloud e com aplicativo no telemóvel (que possibilita registar tudo no campo, mesmo sem internet), pensei: “é mesmo isto que eu quero”.
Como era feita a gestão da vossa exploração antes da solução Geofolia? Nunca existiu um software ao qual nos adaptássemos e decidimos começar a trabalhar em folhas de excel. Nessa altura tivemos ajuda no desenvolvimento de uma folha de excel com alguns mapas e folhas que se interligavam. No entanto, era difícil a comunicação entre o escritório e o campo. Além disso para tirar um mapa de margens económicas eram precisas muitas folhas de excel, o que tornava o trabalho demorado. Qual a maior vantagem da solução em prol das folhas excel? Resolvemos o problema da centralização dos dados. Anteriormente acumulávamos bastante papel com registos diários de tudo o que fazíamos. Eu tinha um livro com duplicado, com as aplicações de fitofármacos e com as adubações. Depois tinha de introduzir toda a informação no excel. E ainda existia outro livro para os funcionários registarem horas de trabalho, deles e das máquinas, além de ser confuso era muito difícil controlar todos os dados. Hoje tudo o que é feito está no meu telemóvel. Três funcionários têm a aplicação Geofolia no seu smartphone, eu consigo prescrever e validar. No final, sincronizo e não preciso de registar no computador.
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Chego ao escritório e o trabalho está feito. O histórico de tudo o que fizémos é muito importante quer a nível técnico quer económico. Com o Geofolia é rápido ter esta informação. Outra vantagem é a comunicação com as organizações neste caso a AGROMAIS que nos faz o caderno de campo da batata. A técnica desta organização pede-me a ficha da rastreabilidade desta cultura e eu apenas tenho de tirar a edição já feita e enviar-lhe. O processo é simples. Costumam usar o nosso suporte técnico? Sim, ultimamente mais, para dúvidas que nos vão surgindo. O serviço é excelente. A possibilidade de remotamente nos resolverem as questões e nos explicarem é muito boa. Eu falo bastante com a Sandra Capelo (técnica da Isagri), apresento-lhe as dúvidas e remotamente ela acede ao meu Geofolia, e passo por passo explica como se faz. Que dados analisa e como faz esse trabalho? Eu, em conjunto com a minha irmã, analisamos os resultados no escritório. Estamos agora a fazer os resultados económicos desta campanha. A quem recomendaria o Geofolia? Recomendaria a todos os que querem ter a informação, facilita tudo. Podem gerir as parcelas com toda a informação das mesmas, podem gerir as culturas e mesmo as variedades. Acha que é importante ter o Geofolia quando o agricultor tem apenas uma cul-
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José Carlos da Luz
tura, por exemplo milho? O retorno para o agricultor é o mesmo? A utilização de um software não está relacionado com o facto de o agricultor ter muitas culturas ou apenas uma, está relacionado com o facto de a pessoa querer ou não informação detalhada. Por exemplo, eu posso ter só milho e querer estudar diferentes variedades. Atualmente, divido as minhas parcelas de milho à variedade e
faço a gestão detalhada de cada uma delas. E vale a pena salientar que hoje temos de gerir os custos, por exemplo em explorações onde se utiliza mão-de-obra familiar, existe a tendência a não a valorizar, mas na minha opinião estes custos devem ser avaliados. Quem quer trabalhar de uma forma minuciosa, à parcela tem o trabalho muito facilitado com o Geofolia, logo aconselho a qualquer agricultor.
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Nutri2Cycle, projeto europeu para uma agricultura sustentável SARA PELICANO jornalista
O objetivo deste projeto europeu é avaliar os fluxos atuais de Nitrogénio (N), Fósforo (P) e Carbono (C). O Instituto Superior de Agronomia é a entidade portuguesa envolvida e que tem dois estudos a decorrer. AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo
| O projeto Nutri2Cycle, iniciado em outubro de 2018, é coordenado pela Universidade de Ghent, na Bélgica. No total, participam nesta iniciativa 12 países europeus, entre eles Portugal. Por cá, a entidade envolvida é o Instituto Superior de Agronomia (ISA), com o envolvimento de quatro investigadores, nomeadamente David Fangueiro (coordenador nacional), Henrique Ribeiro, Paula Alvarenga e Ricardo Braga. A equipa do ISA inclui ainda dois alunos de doutoramento financiados pelo projeto. No site dedicado ao projeto pode ler-se que “a agricultura europeia ainda é caracterizada por uma grande contribuição geral para as emissões de gases de efeito estufa e recuperação ineficiente de carbono e reutilização dos principais nutrientes das plantas (nitrogénio e fósforo). O projeto Nutri2Cycle avaliará os fluxos atuais de Nitrogénio (N), Fósforo (P) e Carbono (C), examinando as técnicas de gestão existentes em diferentes explorações agrícolas em toda a Europa e analisando seus problemas ambientais relacionados. Lidar com as lacunas de fluxo de nutrientes existentes na Europa ajudará a diminuir as emissões de gases de efeito estufa, a reduzir a degradação do solo e a
melhorar a independência da União Europeia em energia e nutrientes”. O Nutri2Cycle quer trabalhar em toda a cadeia de valor, desde dos agricultores até ao consumidor. A interação com todos os atores desta cadeia servirá para criar modelos de negócio mais eficientes e sustentáveis para recuperação e reciclagem de nutrientes; divulgar os resultados ao nível regional, nacional e europeu através de uma rede abrangente de grupos operacionais regionais, grupos de trabalho nacionais e partes interessadas na Europa; avaliar como os produtos obtidos por meio dos modelos de negócio identificados podem ter como objetivo a rotulagem e alcançar os consumidores finais; fornecer apoio científico em estruturas regulatórias eficazes para reduzir as emissões e aumentar a autossuficiência da Europa em alimentos, energia e nutrientes no próximo século. No ISA estão a ser desenvolvidos dois trabalhos de investigação: o Bio-based fertilizers (Mistura de materiais orgânicos brutos e tratados para produzir fertilizantes orgânicos [NPC]) visa produzir misturas com rácios de nutrientes mais adequados às necessidades das culturas; o outro tra-
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balho – Materiais orgânicos recuperados e compostos para fertilização de precisão de culturas permanentes – utiliza chorumes e estrumes em vinhas e pomares.
MISTURA DE MATERIAIS ORGÂNICOS BRUTOS E TRATADOS PARA PRODUZIR FERTILIZANTES ORGÂNICOS (NPC) No âmbito deste trabalho, foram analisados, de acordo com os investigadores Joana Prado, Paula Alvarenga e David Fangueiro, sete estrumes e lamas representativas dos principais sistemas pecuários portugueses, quanto às suas características físico-químicas (pH, MO, CE, teores de macro e micronutrientes), potencial de mineralização de N e disponibilidade da planta P. Foram analisados três tratamentos aplicados às lamas: separação sólido-líquido, acidificação e acidificação combinada e separação sólido-líquido. Ao calcular o rácio de N: P: K presente foi possível avaliar o potencial da mistura e responder às necessidades da cultura, usando duas abordagens diferentes: - na exploração agrícola como um todo, na qual está disponível apenas o estrume de uma só espécie animal e os produtos do seu tratamento; - numa abordagem centrada na planta, onde está disponível o estrume de diferentes animais para ser processado e misturado, para produzir material com as pro-
porções desejadas de N: P: K. “Acreditamos que a aplicação desses materiais, independentemente da necessidade de serem complementados por fertilizantes minerais, será uma forma eficiente de promover o seu uso e garantir os ciclos de nutrientes N P e C”, explicam os investigadores do ISA. Atualmente, o primeiro cenário está a ser testado por meio da mistura de dejetos de suínos, de bovinos e de aves, complementado com duas fontes de N, ureia e sulfato de amónio, e duas fontes de P, superfosfato e ácido ortofosfórico. “Considerando os resultados do estudo anterior, a fração sólida de dejetos de suínos pode ser utilizada sem a suplementação de P mineral, pois observou-se que a sua relação N:P de 0,5 foi interessante como fertilizante”. Está também a decorrer um ensaio de incubação para acompanhar a dinâmica de N e P, para avaliar as emissões de gases de efeito estufa; bem como um ensaio de lixiviação para avaliar o desempenho de algumas das misturas projetadas. Com os resultados destes ensaios, será avaliada a interação destas misturas com as plantas, em ensaios de vasos.
MATERIAIS ORGÂNICOS RECUPERADOS E COMPOSTOS PARA FERTILIZAÇÃO DE PRECISÃO DE CULTURAS PERMANENTES Os investigadores explicam que “no primeiro ano de ensaios concentraram o trabalho
num pomar de maçãs e numa parcela de vinha”. No pomar de macieiras, avaliaram “os efeitos da aplicação de materiais orgânicos como substituição parcial de fertilizantes minerais. Assim, realizaram um ensaio com quatro materiais à base de estrume animal (MBM): bovino, aves e bovino acidificado. Neste ensaio de campo, o MBM foi aplicado a 50 cm de profundidade para substituir 25% da fertilização com mineral N e foi também incluído um tratamento controlo. Para avaliar os efeitos dos tratamentos à base de estrume, solo, folhas e frutos foram recolhidas amostras, analisadas quimicamente, assim como foi avaliada a produção de frutos”. Na produção de frutos, não há diferenças significativas a registar entre o tratamento com estrume e a testemunha. Isto é para os investigadores “um bom resultado, porque esperavam que os tratamentos orgânicos pudessem diminuir o volume de produção comparativamente à testemunha”. Catarina Esteves, Paula Alvarenga e David Fangueiro escrevem ainda que “devido à lenta libertação de nutrientes nos materiais orgânicos, relativamente aos fertilizantes minerais, esse efeito pode prejudicar a produtividade dos frutos, sendo essa possibilidade uma entrave para a implementação dessa prática pelos agricultores”. No que respeita à vinha, o objetivo do primeiro ano de trabalho foi avaliar a micro variabilidade no que respeita à fertilidade do solo. “Esse conhecimento pode facilitar a fertilização de precisão em aplicações futuras e, ao mesmo tempo, potencializar o uso do MBM na fertilização.” Assim, foram consideradas três áreas, com diferentes níveis de condutividade elétrica (CE) e índice de vegetação (NDVI), determinados por medidas de deteção remota. “Nas três áreas, foram recolhidas em cada linha amostras de solo, em diferentes distâncias da planta e na entrelinha de cultivo, resultando em 117 amostras. As amostras estão a ser analisadas, mas os resultados preliminares quanto aos teores de P no solo, que é um bom indicador para avaliar a capacidade de fertilização do MBM, mostraram que os teores foram maiores na entrelinha de cultivo, desconsiderando as distâncias, e na Área1, onde os níveis de CE são baixos e os níveis de NDVI são altos”.
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LiveSeed ensaia variedades de milho no Vale do Sousa SARA PELICANO jornalista
O projeto LiveSeed tem em curso ensaios de seleção e avaliação de germoplasma de milho no Vale do Sousa. Um dos objetivos é avaliar a adaptação dos milhos branco e amarelo para alimentação animal e confeção da broa tradicional daquela região.
| O projeto LiveSeed começou em janeiro de 2017 e termina em dezembro de 2021. Durante esta fase, os investigadores envolvidos – no total são 49 parceiros de 18 países europeus – vão trabalhar no sentido de melhorar o desempenho e a competitividade do setor biológico, impulsionando os esforços de promoção das sementes biológicas e de melhoramento de plantas. O trabalho tem vindo assim a incentivar a im-
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plementação harmonizada do regulamento europeu sobre sementes biológicas; a reforçar as bases de dados sobre sementes biológicas em toda a União Europeia; a estudar os aspetos socioeconómicos relacionados com a produção e utilização de sementes biológicas; melhorar a disponibilidade e a qualidade das sementes biológicas; desenvolver orientações relativas a testes e registo de cultivares biológicas e desenvolver abordagens inovadoras de melhoramento vegetal como forma de alargar a escolha de cultivares biológicas. Em Portugal, no Vale do Sousa, no âmbito deste projeto estão a decorrer ensaios de seleção e avaliação de germoplasma de milho. De acordo com a Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC), no dia 14 de outubro foi feita a colheita de espigas de milho. “O principal objetivo dos trabalhos realizados foi o de selecionar os melhores exemplares das 18 variedades de milho tradicional branco e amarelo semeadas em maio de 2020. Pretende-se avaliar, do ponto de vista do agricultor, o comportamento e a adaptação das populações semeadas, bem como proporcionar a troca de saberes entre os participantes em prol da valorização dos recursos genéticos tradicionais existentes”. A ESAC esclarece que as variedades em ensaio podem ser utilizadas em alimentação animal, para a confeção da tradicional broa do Vale do Sousa e até para fins mais inovadores, tais como a utilização das espigas inteiras
para alimentação humana e/ou para efeitos decorativos, entre outras ideias. Os ensaios decorreram em 4.215 m², sendo 3.270 m² destinados a ensaios de seleção massal (variedades brancas e amarelas) e a restante área destinada para a realização de ensaios de avaliação de germoplasma. Uma das variedades brancas, em seleção massal é produzida em modo de produção biológica, sendo as restantes produzidas no modo convencional, “mas sempre com a preocupação de um cultivo amigo do ambiente e da qualidade alimentar”, pormenoriza a ESAC. A escola explica também que “após a seleção e colheita dos melhores exemplares de espigas foi realizada uma avaliação sumária através de um inquérito fornecido pela equipa de investigação, onde se avaliaram cinco características importantes de 10 populações de milho, repetidas três vezes, designadamente, altura da planta, uniformidade do talhão, altura e tamanho da espiga e tipo de grão. As populações em ensaio foram também avaliadas sob o ponto de vista de interesse para a alimentação humana e para a alimentação animal”. Os ensaios de Seleção Massal e de Avaliação de Germoplasma contaram com o apoio da Ader-Sousa – Associação de Desenvolvimento Rural das Terras do Sousa e a Copagri — Cooperativa Agrícola de Lousada. A equipa de investigação da ESAC é coordenada pelo professor Pedro Mendes-Moreira.
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Tiago Silva Pinto ANPROMIS
Produtores de milho elaboram Agenda de Inovação A AGENDA DE INOVAÇÃO Numa altura em que se colocam crescentes e contínuos desafios aos produtores nacionais de milho, a inovação representa um facto fundamental de competitividade da nossa agricultura, contribuindo de forma decisiva para um uso mais eficiente e equilibrado dos recursos naturais – água, ar, solo e biodiversidade. Ciente deste desafio, uma das prioridades do Centro Nacional de Competências das Culturas do Milho e Sorgo – InovMilho passou pela definição da sua Agenda de Inovação para os próximos anos, documento este que resultou do levantamento das acções que se julga mais relevantes implementar no nosso país. “As cerca de 80 ações identificadas neste documento, que ficou concluído no passado mês de maio, resultaram da consulta efetuada aos 33 parceiros deste Centro de Competências”, ao longo dos últimos dois anos, em inúmeras reuniões de trabalho e Dias de Campo. Para melhor sistematização deste documento, foi opção dividir as ações apresentadas em sete grandes capítulos que passamos a discriminar:
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| Nas últimas décadas a cultura dos cereais sofreu profundas alterações em Portugal, nomeadamente no seguimento da nossa adesão à CEE e a consequente integração na PAC, cujo impacto se deu sobretudo a partir de 1991, após o final da etapa de transição. A superfície cultivada com cereais ocupava no final dos anos 1980 cerca de 900.000 hectares, aproximadamente 10% do território nacional. Essa área tem vindo gradualmente a diminuir, a maior parte convertida em pastagens, sendo actualmente de 280.000 hectares. A produção também diminuiu, embora de modo menos pronunciada fruto do aumento de produtividade conseguida pelos agricultores nacionais, tendo passado de 1,65 milhões de toneladas para 1,1 milhões, no mesmo período. Efetivamente, o nosso país é historicamente dependente da importação de cereais, mas se os níveis de auto-aprovisionamento eram de 60% em 1989, a diminuição da produção e o aumento das necessidades conduziram a um valor atual que se revela preocupantemente reduzido face às crescentes incertezas que se vivem no mercado mundial (cerca de 35% no caso do milho). Tendo consciência desta realidade, em boa hora, o XXI Governo Institucional aprovou em 2018 a Estratégia Nacional para a Promoção da Produção de Cereais, que propõe a aplicação de 17 medidas, entre as quais se destacam algumas relacionadas com a inovação.
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• Solo e Fertilização • Caracterização e valorização dos recursos genéticos
• Fitossanidade, Agricultura de Precisão, Digitalização e Mecanização
Tiago Silva Pinto
A superfície cultivada com cereais ocupava no final dos anos 1980 cerca de 900.000 hectares, aproximadamente 10% do território nacional
• Eficiência de Rega • Ambiente e Biodiversidade • Valorização da Produção Nacional • Informação e Comunicação. Efetuado este levantamento, que acreditamos bastante exaustivo, importa realçar que as acções identificadas carecem agora de financiamento no âmbito do atual, e do futuro, Programa de Desenvolvimento Rural (PDR), sob pena de não se conseguir alcançar um dos objetivos propostos na Estratégia Nacional para a Promoção da Produção de Cereais, que passa por contribuir para uma maior competitividade técnica e económica dos produtores nacionais de milho, de forma a aumentarmos o grau de auto-aprovisionamento de cereais do nosso país.
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Rega para a rendibilidade e sustentabilidade: Irristrat™, a tecnologia de fácil utilização para a gestão da rega Hidrosoph
| Com a evolução da tecnologia em todos os sectores, a agricultura tem também feito o seu caminho e respondido à oportunidade que a sua utilização pode trazer. Sendo inquestionável a necessidade de ter boa informação para tomar boas decisões, o excesso de informação e a sua aplicação são também uma limitação à sua utilização. A Hidrosoph e o seu sistema Irristrat™, nasceram da necessidade de desenvolver uma solução que permitisse aos agricultores tirarem proveito das mais-valias das novas tecnologias de apoio à gestão de rega, de uma forma simples, prática e adaptada à sua exploração. Conseguimos assim que a tecnologia possa ser uma verdadeira ajuda que resulta em melhores produções e maior rentabilidade. Desde 2012 que a AGROMAIS confia na aplicação e na metodologia da HidrosoAGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo
ph para os ajudar a garantir resultados de produção e a escalar o seu crescimento. Em colaboração estreita com os produtores, os resultados de uma campanha, gerados a partir da informação fornecida pelo Irristrat™, são usados para melhorar o serviço para os anos seguintes, ficando cada vez mais adaptado a cada caso, a cada exploração, aproveitando o potencial de aprender que tem a plataforma Irristrat™. Este software inteligente de gestão de rega considera as informações das características das parcelas, como o tipo de solo, a cultura, o clima e o sistema de rega, assim como modelos que têm por base algoritmos complexos, para produzir calendários de rega disponibilizados ao utilizador de forma acessível e simples. Através de ligações de alta performance com sensores no solo, estações meteorológicas, sensores nas plantas, sensores nos frutos e imagens do satélite, o Irristrat™ confere a estes calendários uma elevada precisão, tornando-os capazes de serem
enviados para os controladores de rega. A rega é a operação cultural executada mais vezes durante a campanha. Se não for realizada sempre na altura certa e quantidade ideal terá certamente consequências na produtividade e qualidade das culturas. Numa altura em que as políticas agrícolas, os preços voláteis e as margens reduzidas aumentam o risco da produção, a acrescentar a outros fatores como as alterações climáticas ou a falta de mão-de-obra, é mais uma vez na tecnologia que os agricultores procuram as soluções. O Irristrat™ é hoje a mais avançada ferramenta de suporte à decisão de rega porque está constantemente a ser melhorado para responder às necessidades e sugestões dos agricultores. Simples, de acesso prático e suportada pelo apoio especializado dos técnicos da Hidrosoph, a aplicação permite cumprir os objetivos de produção, de regularidade da produção ano após ano e de utilização eficiente dos recursos hídricos.
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PAC: Portugal receberá 9,7 mil milhões O Conselho de ministros europeu da Agricultura chegou a um acordo no final de outubro sobre a Política Agrícola Comum (PAC) para 2021-2027.
SARA PELICANO JORNALISTA
| O pacote de ajudas global previsto é de 387 mil milhões de euros, dos quais Portugal receberá 9,7 mil milhões de euros. Um orçamento superior em 446 milhões face ao atual quadro comunitário. Eduardo Oliveira e Sousa, presidente da CAP, considera que este é “um bom pacote” financeiro para Portugal. As negociações agora continuarão no primeiro semestre de 2021. Francisco Avillez, membro do grupo de peritos que acompanha as reformas da PAC,
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adianta que Portugal necessita agora de defender “maior resiliência para algumas fileiras, como é o caso do leite, do arroz e do tomate”. “Acho que deveríamos, através dos pagamentos ligados à produção, reforçar essa componente de modo a garantir que estes setores vão conseguir resistir a tudo aquilo que vai acontecer ao nível europeu, mundial e mesmo nacional. São setores importantes do ponto de vista da procura interna e também da nossa exportação”. O outro aspeto importante, defende o especialista, “é conseguirmos aumentar a nossa autossuficiência em alguns produtos, relativamente aos quais nós temos uma autossuficiência mínima e temos grande dependência em relação ao exterior. Estou
a pensar nos cereais. Devíamos introduzir, de forma sólida, pagamentos ligados à produção para os cereais de outono/inverno e para o milho”. Para sermos mais defensivos nestas duas áreas, Portugal terá de recorrer aos pagamentos ligados à produção, mas “essa componente tem uma limitação que é o facto de não podermos ultrapassar uma determinada verba, à volta de 19% do dinheiro todo que vem para o primeiro pilar da PAC. Temos de jogar um bocadinho com isso e há várias maneiras de o fazer”. Por um lado, considera Francisco Avillez, poderemos “transferir dinheiro do segundo para o primeiro pilar, e parece-me que é uma hipótese com interesse de ser analisada e que está a ser considerada nas simulações”.
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Além de mais defensivos neste aspeto, o mesmo responsável diz ainda que é necessário “sermos mais ambiciosos”. E neste ponto refere que era bom “conseguirmos uma maior equidade na distribuição dos apoios”. E explica como o poderíamos fazer recorrendo a três instrumentos: “podemos fazê-lo através do próprio pagamento base, um processo de convergência interna, ou seja, pôr todos os apoios por via do pagamento de base iguais à média. Devíamos abandonar o modelo histórico, em vez de termos isto confinado a uma área, aplicarmos isso a toda a superfície potencialmente elegível, portanto aumentávamos a base deste tipo de pagamento. Mas isto tem um inconveniente que é reduzir o valor médio, porque estamos a dividir o mesmo bolo. Em segundo, podemos utilizar muito melhor o pagamento distributivo, que vai ter mais dinheiro obrigatoriamente. Temos de ter pelo menos 10% das verbas do primeiro pilar para o pagamento distributivo e podemos modelar essa aplicação do pagamento distributivo. Na minha opinião, devíamos concentrar sobretudo na pequena exploração”. Por fim, em terceiro lugar, “temos as medidas de apoio às zonas desfavorecidas, que já são em certa medida modeladas, mas acho que podem ser bastante mais, exatamente tentando concentrar os apoios à pequena agricultura”. O especialista considera ainda que podemos ser bem mais ambiciosos na questão da “sustentabilidade ambiental”. “Há duas vertentes que interessa analisar, uma delas são os pagamentos eco regime. Este pagamento tem como objetivo promover determinado tipo de tecnologias e de práticas agrícolas que sejam capazes de contribuir para o objetivo específico de melhoria da gestão na utilização dos recursos terra, ar e água. É para isso que esses pagamentos eco regime estão pensados. Nós temos que, no mínimo, usar 20%, das verbas do primeiro pilar para esse pagamento de eco regime. Mesmo com 20%, acho que era possível pensar num conjunto de pagamentos eco regime bastante interessante”. Francisco Avillez propõe assim que se altere “a maneira como encaramos o apoio à pecuária extensiva, bovinos de carne. Neste momento, temos os prémios à vaca, do
meu ponto de vista devíamos desmantelar esses prémios às vacas não leiteiras e compensar integralmente os produtores por via dos pagamentos eco regime relacionados com a introdução de prados e pastagens melhoradoras, capazes de contribuir para o aumento do teor de matéria orgânica do solo e dessa forma criar maior capacidade
O pacote de ajudas global previsto é de 387 mil milhões de euros, dos quais Portugal receberá 9,7 mil milhões de euros. Um orçamento superior em 446 milhões face ao atual quadro comunitário. de retenção do carbono. O que iria permitir que com uma área, que não iria muito além dos 30, 40% da superfície, de prado e pastagens permanentes compensasse os produtores pela perda ao nível dos prémios. A grande vantagem é que ficávamos com mais dinheiro para os pagamentos ligados e estávamos a ter uma contribuição fundamental para a neutralidade carbónica”. Nesta fase, Eduardo Oliveira e Sousa considera que tem de haver “alguma mudança de certos conceitos, como a questão do histórico, para que seja retirado deste mecanismo, que os agricultores têm ao seu alcance, a possibilidade de fazerem negócios em fundos, sem haver a prática agrícola”. O presidente da CAP defende ainda que “tem de haver objetividade na distribuição das verbas da PAC. Esta é para ajudar os agricultores, quem produz. Logo, há algumas matérias que transitam entre quadros que, de uma forma faseada, vão ter de evoluir no sentido de criar uma estrutura de apoio e de acesso às verbas da PAC que sejam mais transparentes, enquadradas no espírito da
proteção do ambiente, que sejam mais objetivas face à prática da agricultura propriamente dita”. Esta transparência, diz, “tem benefícios para os verdadeiros agricultores, para os profissionais” porque os salvaguarda “dos ataques daqueles que olham para a PAC como uma matéria um pouco obscura que permite a pessoas que não praticam a agricultura acederem a verbas”.
ALGUMAS DAS DECISÕES DO CONSELHO DE MINISTROS EUROPEU DA AGRICULTURA: Pagamentos Diretos ARTIGO 15 – CAPPING E DEGRESSIVIDADE DE PAGAMENTOS • Capping de aplicação voluntária para os Estados-membros, sendo aplicável a partir do montante de Pagamento base de 100.000 euros. • Possibilidade de aplicação de escalões de degressividade a partir do montante de Pagamento base de 60.000 euros. • Possibilidade de subtração, ao montante aplicável de pagamento base, os salários ligados à atividade agrícola, custos equivalentes pelo trabalho regular e não remunerado e custos com atividades contratadas ligadas à atividade agrícola. Pagamento base (Apoio ao rendimento de base para garantir a sustentabilidade) • Aplicação através de montante uniforme por hectare ou continuidade do regime sob a forma de direitos ao pagamento. • No caso da aplicação através de direitos a pagamento obriga à aplicação da convergência interna (valor do direito ao pagamento pelo menos igual a 75% da média em 2026) e a definição do valor máximo de direito ao pagamento. • Determinação do valor do direito inicial – montantes do Regime de Pagamento Base e do greening em 2022. • Reserva nacional – priorização de jovens e novos agricultores com possibilidade de definir outras situações. • Possibilidade de aumentar linearmente o valor do direito de pagamento base até ao montante necessário para não existir perda de fundos em outras intervenções dos pagamentos diretos (artigo 88.º).
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Eco regimes • De aplicação obrigatória para o Estado-membro e voluntária para o agricultor. • Pagamento anual, a atribuir a práticas benéficas para o clima e ambiente, por hectare elegível ou por unidade de cabeça normal. • O Estado-membro define lista de práticas agrícolas que contribuam para pelo menos um dos três objetivos específicos da PAC relacionados com o clima e o ambiente. • Compromissos devem ir além da condicionalidade e de outros requisitos base. • Maior flexibilidade no que se refere à definição das áreas elegíveis, que pode ser mais alargada do que a superfície agrícola, podendo abranger elementos paisagísticos. • Pode ser atribuído sob a forma de pagamentos adicionais do apoio base para hectares ativados com direitos ou como compensação de custos acrescidos ou perdas de rendimento decorrentes da adoção das práticas. • Os pagamentos que não sejam concepub.
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didos sob a forma de pagamentos adicionais do apoio base podem revestir a forma de um pagamento anual pelas cabeças normais. • Limiar financeiro mínimo para eco regimes: (artigo 86): mínimo de 20% do envelope nacional de pagamentos diretos; nos anos 2023 e 2024, existência de flexibilidade para se evitar perda de fundos não utilizados em consequência de uma eventual fraca adesão por parte dos agricultores aos eco regimes – possibilidade de transferir os fundos não utilizados nos eco regimes para outros pagamentos diretos. • Possibilidade dos Estados-membros poderem tomar em conta para efeitos da definição do envelope dos eco regimes, a contabilização do contributo do 2.º pilar para a ambição ambiental e climática, sempre que esta exceder o mínimo regulamentar de 30% FEADER. Para a contabilização do contributo do 2.º pilar inclui as medidas referentes aos
compromissos ambientais, climáticos e outros compromissos de gestão (artigo 65), desvantagens locais específicas decorrentes de determinados requisitos legais (artigo 67) e investimentos (artigo 68), desde que contribuam para os objetivos ambientais e climáticos. Este contributo do 2.º pilar para o limiar financeiro mínimo para eco regimes (20%) não pode exceder: 10% do envelope nacional de pagamentos diretos; ou 5% do envelope nacional de pagamentos diretos, nos Estados-membros que tenham estabelecido um envelope financeiro para os compromissos ambientais, climáticos e outros compromissos de gestão (artigo 65) de uma vez e meia o envelope financeiro previsto para os eco regimes. Flexibilidade entre pilares (revisão anual podendo variar ano a ano) • Transferência do 2.º pilar para os pagamentos diretos – no caso de Portugal até 30% do envelope do desenvolvimento rural, com efeitos no PU 2013 a PU 2016, dado que se insere no conjunto de Estados-membros que têm média de pagamentos diretos inferior a 90% da média da UE; • Transferência dos pagamentos diretos para o 2.º pilar – até 25% do envelope dos pagamentos diretos (ano PU 2023 a PU 2024), com efeitos nos anos financeiros 2024 a 2027. Neste caso, possibilidade de transferir até mais: 15% se utilização no desenvolvimento rural for dedicada a intervenções relacionadas com objetivos ambientais e climáticos; 2% se utilização no desenvolvimento rural for utilizada para efeitos dos jovens agricultores.
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SUPER-G: Desenvolvimento de políticas e ferramentas de gestão de pastagens permanentes sustentáveis Consulai
O projeto H2020 SUPER-G tem como objetivo co-desenvolver sistemas e políticas de pastagens permanentes sustentáveis, com agricultores e decisores políticos. | O projeto H2020 SUPER-G, que teve início em junho de 2018, surgiu do reconhecimento que a existência e gestão de pastagens permanentes é fundamental para a
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prestação de múltiplos serviços de ecossistemas em toda a Europa. No entanto, a manutenção e funções de pastagens permanentes estão ameaçadas por uma gestão sub-ótima dos fatores de produção, cultivo em sistemas agrícolas de maior rendimento e, ainda, pelo abandono em áreas remotas e marginais. Pelo exposto, este projeto tem como principal objetivo co-desenvolver sistemas e políticas de pastagens permanentes sustentáveis, com agricultores e decisores políticos, que serão eficazes na otimização da produtividade, enquanto apoiam a biodiversidade e desenvolvem uma série de outros serviços dos ecossistemas. O projeto arrancou com uma reunião do consórcio em Lisboa e Évora, onde os parceiros tiveram oportunidade de visitar uma exploração agrícola com montado (pastagem permanente representativa da região mediterrânica, da qual Portugal faz parte). Desde essa altura muito trabalho tem sido
desenvolvido, com compilação de informação sobre tipologias e características das pastagens permanentes, sobre sistemas agrícolas de gestão destas pastagens e sobre políticas que as influenciam a nível europeu. O primeiro ano teve um intenso trabalho de comunicação e disseminação, liderado pela Consulai, com a apresentação do plano de comunicação e organização do 1.º Stakeholders’ Seminar – que abrangeu a Região Atlântica e contou com 52 delegados, de 11 países europeus, representando agricultores; associações; autoridades nacionais; ONGs; institutos de investigação e Universidades e PMEs, o que permitiu obter uma variedade de pontos de vista e experiências para debater a gestão de pastagens permanentes e as suas políticas em toda a Europa. Em junho deste ano, o projeto celebrou dois anos. Devido aos constrangimentos
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provocados pela pandemia da Covid-19, a data foi comemorada com uma reunião virtual do consórcio, em vez da visita planeada à Eslovénia. A reunião contou com uma visita virtual a Bled e às pastagens alpinas do centro de investigação Alp Weissenstein, com apresentações sobre a evolução de cada tarefa e respetivo pacote de trabalho, bem como diferentes workshops de formação para os membros do consórcio. Durante estes dois anos, a Consulai trabalhou afincadamente na comunicação e disseminação do projeto, com o desenvolvimento e manutenção do website— www. super-g.eu —, publicação de seis artigos científicos e dois posters, lançamento de quatro newsletters, criação e alimentação das contas para as redes sociais, em conjunto com diferentes parceiros. O trabalho técnico desenvolvido, com aplicação de questionários a agricultores em diferentes países europeus, permitiu recolher informação sobre tipologias e caracte-
www.twitter.com/H2020SuperG
www.instagram.com/h2020superg/
www.facebook.com/H2020SUPERG/
www.linkedin.com/company/superg-h2020/
www.youtube.com/channel/UCflCmfatyaEpaulBaHm9IyQ rísticas das pastagens permanentes, sobre sistemas agrícolas de gestão e ferramentas de apoio à decisão, destas pastagens e sobre políticas que as influenciam a nível europeu. A Consulai colaborou intensamente nesta recolha, aplicando questionários e organizando workshops tanto para os intervenientes no desenvolvimento de políticas como para agricultores e produtores nacionais, com resultados muito interessantes. Neste momento, estamos a produzir um Livro de Fotografias e um e-book, resultado do concurso de fotografia que a Consulai organizou em parceria com o MTA Centre for Ecological Research, da Hungria, e que teve cerca de 120 participantes de 14 países diferentes. Ambos vão ser dedica-
dos ao nosso amigo e colega Dario Sacco (in memoriam), que faleceu no passado mês de agosto de 2020. O Dario era um dos maiores especialistas europeus na matéria e um professor universitário muito reconhecido, que ensinou no Departamento de Ciências Agrárias, Florestais e Alimentares da Universidade de Turim. Iremos sempre recordá-lo pela sua simpatia, gargalhada franca e pelo orgulho e dedicação com que trabalhava em prol da proteção e reconhecimento das pastagens permanentes como um elemento fundamental nos sistemas agrários europeus. Sigam-nos nas nossas redes sociais e descubram as magníficas pastagens permanentes da Europa!
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António Abreu coordenador do Projeto Reservas da Biosfera Territórios Sustentáveis Helena Freitas coordenadora do Centre for Functional Ecology – Science for People & the Planet
Reservas da Biosfera: territórios sustentáveis, comunidades resilientes
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| As Reservas da Biosfera (RB) são territórios distinguidos pela UNESCO pela singularidade e qualidade do seu património natural e cultural e pela harmonia que privilegiam entre a salvaguarda do património e o bem-estar das comunidades residentes. A rede mundial de RB dá expressão à Agenda 2030 e aos seus Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável, assumindo um compromisso com as melhores práticas para um progresso justo e sustentável, alicerçado nos pilares da missão da UNESCO: ciência, educação, cultura e informação. São estes mesmos pilares que inspiram os eixos estruturantes do projeto – conhecimento, capacitação e comunicação – apoiando uma estratégia construída com as comunidades, numa dinâmica de sensibilização e de envolvimento ampliada à sociedade em geral, partilhando experiências e adotando práticas colaborativas para a promoção do bem-estar e sustentabilidade. Os Planos de Desenvolvimento Sustentável (PDS) a desenvolver para cada RB orientam uma estratégia de diagnóstico, formação e execução conducente a resultados concretos e sustentáveis. A construção de uma infraestrutura digital com valências múltiplas, contribuirá para a preservação e partilha do conhecimento e potenciará a
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O Projeto “RESERVAS DA BIOSFERA Territórios Sustentáveis, Comunidades Resilientes” assenta na qualidade ambiental dos territórios das RB, em larga medida decorrente do empenho e trabalho realizado pelas entidades responsáveis (…)
comunicação do projeto no plano nacional e internacional.
PONTO DE PARTIDA O Projeto “RB Territórios Sustentáveis, Comunidades Resilientes” assenta na qualidade ambiental dos territórios das RB, em larga medida decorrente do empenho e trabalho realizado pelas entidades responsáveis, e tem como visão a sua valorização, em articulação com as comunidades, compreendendo os ativos patrimoniais e a promoção dos serviços de ecossistema, apostando no reforço de competências, numa estratégia de valorização e comunicação inovadora, e adotando um modelo de governança exigente e colaborativo.
ELEMENTOS CHAVE DO PROJETO Os Planos de Desenvolvimento Sustentável seguem metodologias participativas e constituem o quadro programático do projeto, abrangente e em rede, visando o desenvolvimento territorial diferenciado, a resiliência e sustentabilidade das RB, em articulação com as estratégias locais e regionais de desenvolvimento. Os PDS são, portanto, instrumentos orientadores em cada reser-
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va e entre as RB nacionais e as redes temáticas e geográficas internacionais, sendo suportados pelo aprofundamento do conhecimento dos valores de cada RB, em especial a sua identidade sociocultural, nomeadamente através da recolha das memórias das pessoas que compõem as comunidades associadas e a valorização dos serviços dos ecossistemas. Realizar-se-á um conjunto de ações-piloto demonstrativas, definidas com as RB e em diálogo com as comunidades, perspetivando a sua posterior disseminação e adoção por outras RB. Tal como o conjunto das atividades, as metodologias de realização dos PDS prosseguem como propósito e compreendem metodologias específicas visando a sua apropriação e ampliação por parte das RB e das comunidades. Com a parceria de duas universidades portuguesas e uma norueguesa, das Cátedras UNESCO das Universidades de Coimbra, Bergen e Nova de Lisboa, e com a participação de uma rede internacional de investigação e inovação nas áreas das ciências da vida e das ciências sociais e humanidades, pretende-se reforçar o conhecimento como ferramenta de transformação social e valorização dos territórios e a sua contribuição para a promoção do conjunto das RB, promovendo ainda novas dinâmicas de investigação interdisciplinar, prosseguindo o propósito da sua disseminação em ambiente de ciência aberta (compreendendo dinâmicas de ciência cidadã). Será dada especial atenção à valorização integrada do capital natural das RB, através do mapeamento e valorização dos serviços dos ecossistemas, envolvendo as comunidades na identificação de serviços prioritários, e ainda a recolha sistemática e registo das memórias das comunidades e sua relação com as atividades associadas ao território. O projeto inclui ainda o desenvolvimento de um plano coerente de formação, ajustado aos interesses dos gestores, técnicos, promotores da economia local, mas também à expetativa e interesse das comunidades e entidades locais. Este plano contará com uma estratégia de promoção do empreendedorismo de base local e de apoio ao desenvolvimento integrado dos territórios, beneficiando da ampla experiência do Instituto Pedro Nunes, e visa contribuir para novas dinâmicas de economia local, formação específica e criação de emprego. Como elemento transversal ao projeto, será criada uma infraestrutura digital integrada ao conjunto das RB, incluindo um sistema de indicadores e de monitorização robusto, garantindo uma gestão flexível e adequada à evolução de fatores de ris-
Este plano contará com uma estratégia de promoção do empreendedorismo de base local e de apoio ao desenvolvimento integrado dos territórios (…)
co e incertezas e a comunicação com os atores locais relativamente ao progresso dos Planos de Desenvolvimento Sustentável. Esta plataforma digital única, desenvolvida em articulação com um amplo e ambicioso programa de comunicação, possibilitará a apresentação, valorização e promoção das RB no seu conjunto, nomeadamente nos domínios da gestão, do turismo, da conservação da natureza, do empreendedorismo, da economia local, da investigação, da ciência aberta e ciência cidadã, da história, memória, património e identidades. O projeto reúne uma ampla equipa multidisciplinar, incluindo parceiros institucionais dos países doadores, como a única Reserva da Biosfera da Noruega, a Universidade de Bergen, com a sua cátedra UNESCO, e a Comissão Nacional da UNESCO das Islândia. A Quaternaire Portugal inclui na sua equipa especialistas com grande experiência institucional na UNESCO e na gestão do próprio Programa MAB ao nível internacional, na elaboração de Planos de Ação de RB, na avaliação, acompanhamento e capacitação em turismo sustentável, planeamento e gestão territorial, a que se associa uma sólida experiência na coordenação de projetos multidisciplinares. A Universidade de Coimbra, através do Centro de Ecologia Funcional e Cátedra UNESCO em Biodiversidade e Conservação para o Desenvolvimento Sustentável é uma referência internacional nos diferentes domínios da biodiversidade, incluindo os serviços de ecossistema. A Universidade Nova de Lisboa/ FSCH é igualmente uma referência no domínio da investigação histórica, na gestão de património
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António Abreu coordenador do Projeto Reservas da Biosfera Territórios Sustentáveis Helena Freitas coordenadora do Centre for Functional Ecology – Science for People & the Planet
cultural e no registo de memórias, nomeadamente, através da metodologia de História Oral. O Instituto Pedro Nunes, reconhecido na área da capacitação para o empreendedorismo, inovação e dinâmicas de desenvolvimento do tecido socioeconómico local. A KEEP – Associação para a Paz, as Pessoas e o Planeta assegura a mediação do conhecimento junto das comunidades locais, promovendo a aproximação entre as RB, as instituições e a sociedade na partilha do conhecimento. A Ordem dos Biólogos contribui com a sua experiência das Olimpíadas Nacionais de Biologia, garantia de uma participação alargada em todo o território nacional. A PC&A Marketing apresenta um portefólio de elevada qualidade no desenvolvimento de estratégias de comunicação e marketing, elementos fundamentais para a visibilidade e externalização das propostas de atividades e resultados esperados neste projeto.
COMPROMISSO COM O FUTURO/O NOSSO COMPROMISSO O modelo conceptual das RB será cada vez mais importante no quadro global das iniciativas de pub.
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O modelo conceptual das RB será cada vez mais importante no quadro global das iniciativas de conservação, gestão e utilização sustentável do património natural (…)”
conservação, gestão e utilização sustentável do património natural, em particular pela simbiose desejável entre as melhores práticas de conservação dos valores naturais, a prosperidade económica e o bem-estar das comunidades, objetivos que subjazem ao reconhecimento das RB em todo o mundo. A distinção pela qualidade que estes territórios sinalizam, torna-os um ativo socioeconómico e ambiental fundamental quando se projeta um futuro sustentável, contemplando a incorporação de soluções de base natural para a mitigação e adaptação face aos riscos (e.g. alterações climáticas). Apesar desta distinção, as RB portuguesas não têm ainda a relevância e a visibilidade que o estatuto justifica junto das entidades locais, regionais ou nacionais, e da própria sociedade, como instrumentos privilegiados de valorização e desenvolvimento dos territórios. O projeto pretende estruturar e fomentar a dinâmica coletiva para alcançar esse desígnio, respeitando a autonomia e a diversidade de contextos e de patrimónios que caracterizam as RB nacionais.
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Exportações de produtos agroalimentares aumentARAM 119 M€ 112
Os produtos agroalimentares exportados registaram um aumento de 119 milhões de euros, contrariando assim o cenário registado noutros setores de atividade que registaram um decréscimo nas vendas para o exterior. Até agosto, as exportações
de produtos agroalimentares foi de 2,5%. O economista Walter Anatole Marques, numa análise divulgada pelo Gabinete de Estratégia e Estudos (GEE) do Ministério da Economia, comenta que “em 2020, no período acumulado de janeiro a agosto,
as exportações de mercadorias decresceram em valor -14,1% face a igual período do ano anterior (-5,6 mil milhões de euros), abrangendo todos os grupos de produtos à exceção do grupo ‘Agroalimentares’, que aumentou 119 milhões de euros“. Frutas, hortícolas, animais vivos e vinhos estão entre os produtos alimentares mais exportados. A ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, elogiou o setor por esta conquista. Em comunicado, acrescentou ainda que “se forem analisados apenas os dados da agricultura, o crescimento é ainda maior. No acumulado de janeiro a agosto, quando comparado com o mesmo período de 2019, as exportações deram um salto de 7,1%. Já quando comparamos agosto de 2019 com o mesmo período homólogo de 2020 o crescimento é a dois dígitos: de 24,6%”.
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1.ª edição do Digital Agrifood Summit – Portugal decorre em janeiro de 2021 Nos dias 20 a 23 de janeiro de 2021, vai decorrer a 1.ª edição do Digital Agrifood Summit – Portugal, um evento que visa promover este setor e captar novas oportunidades de negócio. O Digital Agrifood Summit – Portugal vai decorrer virtualmente porque os tempos de pandemia assim o exigem e resulta de uma organização conjunta do Portuguese Agrofood Cluster (PortugalFoods, InovCluster, AgroCluster e Portugal Fresh), com o apoio da Secretaria de Estado da Internacionalização e do Ministério da Agricultura, da AICEP e da FIPA. A organização disponibiliza diferentes tipo de stands virtuais e quer proporcionar aos participantes o contacto com vários compradores internacionais. Haverá ainda a possibilidade de participar em conferências direcionadas a internacionalização do setor agroalimentar português e em workshops.
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NOV20 www.agrotejo.pt actualidades
Medidas agroambientais terão continuidade em 2021 Nasce no Alentejo fábrica de processamento de nozes O Grupo Sogepoc anunciou que vai desenvolver em São Mansos, Évora, uma fábrica para processamento de nozes. Um projeto que resulta de um investimento de cerca de 6,2 milhões de euros e permitirá processar a produção do grupo, bem como de outros produtores de frutos secos. Desde 2016, que o grupo Sogepoc tem investido no setor dos frutos secos tendo hoje em funcionamento um viveiro de plantas de nogueiras, e ainda exploração agrícola com 447 hectares de nogueiras e 170 ha de amendoeira.
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O Ministério da Agricultura adiantou que as medidas agroambientais, onde se incluem a produção integrada, o uso eficiente da água e a conservação do solo, vão ter continuidade em 2021. No que diz respeito às medidas Produção Integrada e Uso eficiente da Água está prevista a continuidade dos compromissos assumidos em 2015, pelo menos durante o ano de 2021. Para as restantes medidas prevêem-se novas candidaturas, em novas áreas e para novos aderentes, em 2021 e por um período de pelo menos dois anos.
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PRÉMIOS AG 2 01 9
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Como é hábito, em março de 2020 a AGROMAIS e a AGROTEJO reconheceram o mérito de quem mais se destacou na campanha agrícola de 2019, com a atribuição dos prémios anuais. Com a atribuição destes prémios, procuramos destacar os princípios que defendemos, nomeadamente a excelência e a competência. São valores que muitas vezes são esquecidos, mas que para nós são pilares do nosso desenvolvimento. Por isso mesmo, damos sempre bastante relevância a este momento e gostamos de lhe atribuir a necessária importância. Este ano atribuímos prémios nas seguintes categorias: AGRICULTOR SOLIDÁRIO, VOLUNTÁRIO+, TÉCNICO SOLIDÁRIO, AGRICULTOR BIÓSFÉRICO, MELHOR PRODUTOR (nas culturas da cebola, batata, tomate e milho), e JOVEM AGRICULTOR DO ANO. Além dos premiados, gostaríamos de reforçar o enorme orgulho que temos nos produtores da AGROMAIS e na capacidade que demonstram, todos os dias, para tornar esta nossa região numa referência a nível nacional e num exemplo de que “Juntos, somos mais Fortes”!
VOLUNTÁRIO + Agrupamento de Escolas Alexandre Herculano O projeto Restolho, em 2019, recebeu em campo, mais de 800 voluntários, desde de políticos, profissionais da saúde, analistas de dados e estudantes oriundos de norte a sul do país. Este ano o vencedor nesta categoria mostrou sempre uma grande determinação e empenho na sua atividade de voluntariado nos campos da Golegã. E foi tal a sua motivação que regressaram três vezes e colheram num total 2.500 kg de batata, couves e nabos.
MELHOR PRODUTOR DE MILHO JOVEM AGRICULTOR Filipe Sequeira É um jovem agricultor, de 26 anos e com uma forte ligação ao campo desde pequenino. O vencedor nesta categoria é natural da Chamusca, adora viajar e estar com os amigos. Embora neste momento, uma parte do seu tempo, seja entre fraldas e biberons. A sua exploração, situada no Ribatejo, tem como base as culturas de milho e batata. É um jovem interessado, responsável, profissional e rigoroso no acompanhamento das culturas.
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Hortícolas Casal da Avó, LDA É uma casa portuguesa, com certeza! Uns fanáticos por touradas e outros nem por isso. Quando a equipa é grande o desporto divide-se uns benfiquistas e outros…. Esta exploração agrícola tem cerca de 170 ha divididos por hortícolas e cereais. Na campanha de 2019, obtiveram uma produção média de 17,04 ton/ha.
TÉCNICO SOLIDÁRIO Alexandra Fernandes A responsabilidade social é, e sempre será, um dos desígnios das nossas organizações. Nos últimos sete anos, o projeto Restolho recebeu em campo, mais de 4.000 voluntários traduzindose em mais de 100 toneladas de produtos colhidos e entregues nos Bancos Alimentares de Santarém, Abrantes, Beja e Golegã. O projeto realizou mais de 100 ações de restolho em campo e mais de 30 ações de sensibilização em escolas. Ganhámos o prémio da Missão Continente e fomos convidados a integrar a Comissão Nacional para a Estratégia Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar. É um projeto com um justo reconhecimento nacional e já replicado por muitas entidades em todo o país. Tal, só foi possível com a colaboração dos agricultores e colaboradores da AGROTEJO, AGROMAIS e Plus. No entanto, desde que foi criado, houve uma colaboradora que se destacou e que tornou possível o projeto crescer. Falamos de uma mulher notável, firme nas suas convicções, generosa, dedicada e com uma grande empatia na ajuda ao próximo. Amiga do seu amigo, profissional de excelência e ímpar na sua capacidade de trabalhar.
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RICULTORES MELHOR PRODUTOR DE BATATA
AGRICULTOR SOLIDÁRIO
António SIMÕES Sequeira Lda.
Em 2019, retirámos dos campos da Golegã mais de 20 toneladas de produtos colhidos e entregues nos Bancos Alimentares de Abrantes, Santarém e Golegã. Riachense desde pequenino, bem-disposto, divertido, trabalhador e agricultor de excelência a todas as horas, o vencedor nesta categoria, foi com um sorriso que acedeu ao nosso pedido para disponibilizar campos para as ações de restolho durante 2019.
O vencedor nesta categoria foi um dos fundadores da AGROMAIS que dedicou a sua vida à agricultura e à região. Com grande pena nossa vimo-lo partir, no ano passado. Era um homem notável, generoso, amigo e ímpar na sua capacidade de trabalhar. Estamos certos que deixou um grande legado, mas a sua continuidade está garantida dado o esforço, dedicação e o empenho do seu neto e funcionários. Na campanha de 2019, a sociedade obteve uma produção média de 64,2 ton/ha de batata para indústria.
Joaquim Barroso
MELHOR PRODUTOR DE TOMATE MELHOR PRODUTOR DE CEBOLA
Sociedade Agrícola Cruz do Santinho Nuno Frazão
Agrocartas Sociedade Agrícola, LDA Joaquim Redol Vieira Nascido e criado na Golegã, fundador da AGROMAIS, este agricultor explora cerca de 250 ha, divididos por hortícolas e cereais. Exigente consigo e com os outros, este agricultor tem sido um grande exemplo para muitos, devido à sua dedicação, profissionalismo, desempenho e competência notável na sua atividade. Na campanha de 2019, obteve uma produção média de 64 ton/ha de cebola.
O vencedor nesta categoria já não necessita de apresentações. É ribatejano de gema, benfiquista ferrenho e um grande aficionado de corridas de toiros. Se o “Santo de casa não faz milagres” este agricultor com o seu esforço, empenho e dedicação tem conseguido obter a excelência e competência. Agricultor da AGROMAIS desde de 2004, é natural da Chamusca e tem uma exploração de 100 ha. Na campanha de 2019, obteve uma produção média de 127 ton/ha de tomate para indústria.
PRODUTOR BIOSFÉRICO Manuel Tavares Veiga A proteção dos recursos naturais faz parte do dia a dia dos agricultores desta região. Sabemos que além da missão de produzir alimentos devemos proteger o meio ambiente. Porque nos consideramos guardiões deste território, abraçamos em 2014 a cogestão da Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo. Ali, além da conservação da natureza temos como desígnio a valorização dum território que se alarga desde o Pombalinho a Torres Novas, passando por Azinhaga, Golegã, Riachos e Brogueira. Nesta valorização do território, a promoção de tradições culturais, a preservação do património construído, a valorização genética de raças endógenas também são um dos desígnios que salvaguardamos e queremos capitalizar. Tal, só é possível com a colaboração de todos os agentes económicos, mas também dos agricultores. E, neste âmbito, há um agricultor que deve ser destacado. Trata-se de um amigo sempre disponível para colaborar e dinamizar as festas e tradições locais, para apoiar a Biosfera do Paul do Boquilobo, que tem feito um trabalho de excelência na preservação do cavalo Lusitano, das tradições rurais da região e na valorização internacional da nossa região. Falamos de um homem notável, defensor da região e dos seus recursos naturais.
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Os agricultores são estratégicos na preservação da biodiversidade SARA PELICANO JORNALISTA
Reduzir a utilização de fitofármacos, fazer um uso eficiente da água e aumentar a área de agricultura biológica. Estes são alguns dos desígnios da Estratégia de Biodiversidade da União Europeia para 2030 e que envolvem diretamente o setor agrícola. AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo
| As alterações climáticas há muito que ecoam em discursos de associações ambientalistas, de partidos políticos e também dos empresários agrícolas que sentem diariamente os impactos destas alterações climáticas na sua atividade profissional. A União Europeia (UE) tem vindo a adotar medidas de preservação dos ecossistemas através da Política Agrícola Comum (PAC) e, este ano, deu passos mais consistentes no sentido de reverter os impactos das alterações climáticas nos territórios, definindo uma Estratégia de Biodiversidade da UE para 2030. A agricultura e a floresta estão contempladas nesta estratégia como sendo essenciais na recuperação dos ecossistemas que ao longo dos anos se foram degradando. “Esta estratégia europeia é de facto diferente e mais ambiciosa do que o passado”, adianta Humberto Rosa. O diretor para o Capital Natural da Direção-Geral
do Ambiente da Comissão Europeia refletiu ainda que “a União Europeia lidera pelo exemplo e, por isso, tinha logo ali inscrito este mandato para uma estratégia ambiciosa”. O trabalho para a elaboração desta estratégia começa em 2019, quando o painel intergovernamental para a biodiversidade e serviços de ecossistemas alerta para o facto de estarem em risco de extinção um milhão de espécies. De acordo com Humberto Rosa, foram identificadas “as cinco principais causas” para esta perda, sendo mesmo possível hierarquizá-las. Neste sentido, “a principal causa de perda de natureza e biodiversidade são as alterações do uso do solo e do mar, a seguinte é a sobre-exploração de recursos, a terceira são as alterações climáticas, seguindo-se a poluição de vários tipos e a quinta são as espécies exóticas invasoras”.
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O mesmo responsável sublinha ainda que “qualquer atividade, desde logo a agricultura, mas também silvicultura ou outras, que usam o território, ou que provocam alterações do uso do solo, ou que diminuem os ecossistemas naturais e o que eles fornecem ao ser humano, tem uma relação com a biodiversidade”. É nesse sentido que esta Estratégia da Biodiversidade, tal como a estratégia do Prado ao Prato, vem estabelecer algumas metas quantificadas diretamente relacionadas com a agricultura. “A forma como as coisas estão, inclusive na produção agrícola, é largamente irrealista porque é insustentável. Este modelo que temos vindo a seguir desde há umas décadas, de aumentar a produtividade por monoculturas e por uma intensificação dos inputs, inclusive químicos, está a mostrar os seus limites em várias partes do mundo, inclusive na Europa. Bem sei que há várias agriculturas e nem todas se caracterizam como acabei de descrever”, afirma. O diretor para o Capital Natural da Direção-geral do Ambiente da Comissão Europeia conclui, assim, que “temos de ter uma estratégia conjugada para seguirmos um caminho sustentável, que é exatamente o que o green deal e esta abordagem conjunta da estratégia do Prado ao Prato e da Estratégia de Biodiversidade e as novas metas climáticas que a União Europeia está a desenvolver”.
RESTAURAR ECOSSISTEMAS ATÉ 2050 Um dos grandes objetivos da Estratégia da Biodiversidade é, até 2050, restaurar todos os ecossistemas mundiais, tornando-os resilientes e garantir que estão adequadamente protegidos. Um trabalho que deverá começar desde já porque está definido um objetivo intermédio que consiste em assegurar que a biodiversidade da Europa entra num caminho de recuperação até 2030. De acordo com o documento, “esta estratégia denota um espírito empreendedor e de incentivo à ação. Reflete o facto de que a proteção e a restauração da natureza requerem mais do que simples regulamentação. Exigirão a ação dos cidadãos, das empresas, dos parceiros sociais e da comunidade da investigação e do co-
Humberto Rosa
“Esta estratégia europeia é de facto diferente e mais ambiciosa do que A Do passado.” nhecimento, bem como parcerias sólidas entre os níveis local, regional, nacional e europeu”.
TRAZER A NATUREZA PARA OS TERRITÓRIOS AGRÍCOLAS Os agricultores são entendidos como os guardiões da biodiversidade no campo. A eles serão exigidas algumas alterações nos hábitos de trabalho adotados nas últimas décadas, desde logo serão confrontados com uma obrigação de redução no uso de fitofármacos: 50% de pesticidas químicos
até 2030. A Comissão promoverá também o objetivo de eliminar a poluição resultante dos fluxos de azoto e de fósforo provenientes dos fertilizantes, reduzindo as perdas de nutrientes em, pelo menos, 50%, assegurando, em simultâneo, que não ocorre degradação da fertilidade do solo. Tal resultará na redução da utilização de fertilizantes em, pelo menos, 20%. Refere-se ainda que “para proporcionar espaço a animais e plantas selvagens, polinizadores e controladores naturais de pragas, é necessário reconverter rapidamente pelo menos 10% da superfície agrícola em elementos paisagísticos de grande diversidade, nomeadamente faixas-tampão, terras em pousio permanente ou rotativo, sebes, árvores não produtivas, muros de socalcos e lagoas”. A União Europeia preconiza ainda que na próxima década a agricultura biológica cresça, vindo a ocupar 25% das terras agrícolas. “A agricultura biológica, em particular, tem um grande potencial tanto para os agricultores como para os consumidores. O setor cria postos de trabalho e atrai jovens agricultores. A agricultura biológica também proporciona entre 10% e 20% mais empregos por hectare do que as explorações convencionais e cria valor acrescentado para os produtos agrícolas”, pormenoriza a Estratégia da Biodiversidade. Humberto Rosa recorda ainda que a natureza pode conjugar bem com a atividade agrícola fazendo uma referência à Reserva natural do Paul do Boquilobo, que descreve como “um muito bom exemplo”. “Hoje em dia está em vigor uma gestão da reserva, com um bom estado da mesma,
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em que os agricultores ativamente contribuem. O melhor exemplo o Paul do Boquilobo pode dar é manter, ou ganhar ainda melhor qualidade ambiental, conseguir mais restauração da diversidade biológica e dos ecossistemas, apesar e graças à atividade agrícola envolvente ser feita de tal maneira que é compatível com biodiversidade”.
FLORESTAS MAIS SAUDÁVEIS
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No que respeita à floresta, a Estratégia de Biodiversidade tem como objetivo aumentar a sua área e melhorar a saúde e resiliência destes ecossistemas. Assim, a Comissão Europeia vai propor em 2021 uma estratégia que incluirá um roteiro para a plantação de, pelo menos, 3.000 milhões de novas árvores na UE até 2030. “Tal criará boas oportunidades de emprego relacionadas com a recolha e o cultivo de sementes, a plantação de plântulas e a garantia do seu desenvolvimento”. Uso eficiente da água O restauro dos ecossistemas de água doce está igualmente contemplado neste documento, pretendendo-se, por exemplo, restaurar os ecossistemas de água doce e as funções naturais do rio. Quisemos, por isso, perceber como se enquadra o regadio e construção de barragens neste contexto. Humberto Rosa diz estar “convencido que teremos necessidade de regar no futuro o que hoje não necessita de rega”, mas não esquece que “o regadio é de facto uma fonte significativa de consumo de água e se for mal gerido pode degradar os solos”. Assim, considera que a palavra-chave é “equilíbrio” e conseguir um uso eficiente da água. pub.
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“O melhor exemplo QUE o Paul do Boquilobo pode dar é manter, ou ganhar, ainda, melhor qualidade ambiental, (…)”
BIODIVERSIDADE E ECONOMIA Preservar a biodiversidade é essencial para a sustentabilidade do planeta e da humanidade, mas esta também só sobrevive com uma economia robusta e geradora de riqueza. Humberto Rosa recorda que “este tema de pôr em contraponto ambiente e economia é algo que vem desde os anos 50 do século passado e não está correto. Não se contrapõem. Uma economia que esteja assente em práticas que agravem
o ambiente está condenada”. O mesmo responsável mencionou que “é isso mesmo que o pacto ecológico veio trazer como novo paradigma. O pacto ecológico não é apenas um programa ambiental ou climático, é explicitamente também, um programa social, de transição justa, e um programa económico. É uma aposta em promover a inovação e a competitividade, com base na preservação do clima e do ambiente. Há vantagens competitivas dos que se movem primeiro a caminho de uma produção alimentar mais respeitadora do ambiente”. A Estratégia da Biodiversidade refere que “mais de metade do PIB mundial depende da natureza e dos serviços por ela prestados, estando muito dependentes dela três dos maiores setores económicos: a construção, a agricultura e a produção de alimentos e bebidas”. A União Europeia não atribui nenhuma verba em concreto para esta Estratégia de Biodiversidade, ressalvando-se que “a luta contra a perda de biodiversidade e a recuperação dos ecossistemas exigirão investimentos públicos e privados significativas ao nível nacional e europeu”. Mais se acrescenta que “a fim de satisfazer as necessidades desta estratégia, nomeadamente as prioridades de investimento na rede Natura 2000 e em infraestruturas verdes, é necessário desbloquear pelo menos 20.000 milhões de euros por ano para despesas relacionadas com a natureza. Tal exigirá a mobilização de fundos privados e públicos ao nível nacional e da UE, nomeadamente através de uma série de programas no próximo orçamento de longo prazo da UE”.
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O valor económico da floresta assenta em três grandes fileiras: sobreiro, eucalipto e pinheiro-bravo.
A FORÇA DA FLORESTA NA ECONOMIA NAVIGATOR
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O Plano de Recuperação Económica e Social 2020-2030 não deixa dúvidas: a floresta é um valor económico, ambiental e social indispensável para a coesão territorial. Os números mostram porque este recurso natural é essencial ao País.
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No seu conjunto, as atividades silvícolas, a indústria e o comércio de base florestal constituem uma cadeia de valor que mobiliza cerca de 24 mil empresas (2% do total nacional).
| A valorização da floresta tem estado na agenda nacional pela importância que esta representa para o ordenamento e proteção do território, à qual acresce ainda o impacto que esta tem na economia, como base de três fileiras industriais desenvolvidas (pinho, sobro e eucalipto). No seu papel de monitorização da economia, a Direção-Geral das Atividades Económicas (DGAE) reconhece “o contributo significativo das indústrias de
base florestal – madeira, cortiça, pasta e papel – para a criação de valor e para o Produto Interno Bruto (PIB)”. Os números mais recentes da DGAE fazem o retrato do setor que, em 2018, registou um volume total de negócios (nas indústrias florestais) de 10 060 milhões de euros, o que representou 5% da riqueza nacional (PIB). Na base desta cadeia, a silvicultura e a exploração florestal representaram, também em 2018, um valor total de 1 379 milhões de euros, correspondente a perto de 0,7% do Produto Interno Bruto, segundo as Contas Económicas da Silvicultura/INE. No seu conjunto, as atividades silvícolas, a indústria e o comércio de base florestal constituem uma cadeia de valor com um peso estruturante em toda a economia portuguesa, mobilizando cerca de
24 mil empresas (2% do total nacional) – 8 mil na silvicultura, cerca de 10 mil na indústria e perto de 6 mil nas atividades de comércio de base florestal. Números que atestam a importância da floresta para a riqueza nacional, como considera António Gonçalves Ferreira, presidente da União da Floresta Mediterrânica (UNAC). “É uma floresta com potencial de viabilidade económica, sendo a rentabilidade a maior garantia da sua função em termos sociais, criando emprego e fixando população, e dos ganhos ambientais que pode proporcionar.”
DESTAQUE PARA A ATIVIDADE INDUSTRIAL Todas as áreas da economia da floresta têm impacto direto e indireto nas contas nacionais, mas é quando olhamos para as indústrias que os números ganham maior peso. Em 2018, os grandes setores industriais com base em matérias-primas florestais (pasta e papel, cortiça, madeira e mobiliário) reuniam um total de 10 049 empresas, as quais foram responsáveis por 10% das exportações nacionais de bens e um saldo positivo de 2,5 mil milhões de euros na balança comercial. Do cruzamento das estatísticas com os grandes números resulta um retrato do impacto económico, sendo certo que os dados não refletem tudo aquilo que a floresta nos dá noutras atividades da economia florestal, tais como o turismo, a biomassa ou os produtos florestais não lenhosos, como a castanha, o pinhão, o mel, os cogumelos silvestres ou as plantas aromáticas e medicinais. VER MAIS EM WWW.PRODUTORESFLORESTAIS.PT AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo
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Agricultores do Norte do Vale do Tejo adaptam-se às alterações climáticas
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Quais as mudanças que já sentem na atividade devido às alterações climáticas? O que têm feito para contornar estas transformações? Falámos com alguns agricultores da região para perceber como se adaptam.
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| As alterações climáticas são tema sempre presente no discurso político e social. Muitas são as medidas que vão sendo tomadas no sentido de minimizar os seus impactos e, se possível, reverter as causas que ao longo dos anos têm contribuído para que exista hoje a expressão: alterações climáticas. Na região do Norte do Vale do Tejo, os agricultores já sentem na sua atividade efeitos destas
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mudanças do clima. Maria Francisca Chaves Ramos, da Quinta da Labruja, comenta que “nos últimos anos têm sido cada vez mais frequentes as chuvas muito intensas, ventos fortes, invernos secos e outonos quentes. Falando apenas do último ano agrícola, o outono quente do ano passado permitiu que as nogueiras tivessem folhas até dezembro e florissem em junho (tudo com cerca de dois meses de atraso), o frio e as intensas chuvas da primavera impediram que semeássemos o milho em março e abril, só o tendo feito em maio, o que adiou o período da floração para as escaldantes semanas de julho (quase três semanas seguidas de temperaturas máximas acima dos 40ºC), além da permanente noção da escassez de água disponível nos furos de rega”. Carlos Graça, gerente da AgroGraça, também sente que o tempo está diferente: “temos um verão mais quente e talvez mais curto. Temos um inverno que não é homogéneo, com chuva prolongada, ou seja, vem muita chuva num momento e isso faz os seus estragos”. O agricultor João Sanches, da empresa T Saloio, sublinha que este “é um tema muito sério”, reconhecendo “que há muita base científica e muitas consequências práticas já a acontecer”. O mesmo responsável diz-se ainda “preocupado” com as perspetivas de crescimento da população mundial o que vai exigir mais produção de alimentos, mas esta tem de ser feita de forma mais eficiente para que, consequentemente, não haja um aumento de poluição, de emissões de gases nocivos para o ambiente. Perante estes cenários, os empresários agrícolas têm vindo adotar medidas de acordo com a área que exploram, as suas culturas e aquilo que lhes faz mais sentido para a sua realidade. Assim, Maria Francisca Chaves Ramos conta que “para combater os efeitos das condições climáticas extremas: tentamos semear o mais cedo possível de modo a aproveitar as chuvas de inverno e evitar que a floração se dê nos meses mais quentes, temos melhorado a eficiência dos sistemas de rega, planeamos as regas com o apoio das leituras das sondas de humidade de solo, tentamos aumentar a quantidade de matéria orgânica nas manchas de solo mais pobres, escolhemos sementes de variedades mais rústicas, entre outras medidas”. Por outro lado, Carlos Graça tem investido na adaptação das variedades. “Não fiz grandes alterações. Vou procurando hortícolas que se adaptem ao verão e sejam o mais rentáveis
“Para combater os efeitos das condições climáticas extremas: tentamos semear o mais cedo possível (…)” Maria Francisca Chaves Ramos
possível. No inverno, tínhamos algumas hortícolas com rentabilidade com poucos tratamentos e, neste momento, para termos essa mesma rentabilidade temos de aumentar a quantidade de tratamentos. As culturas estão a ter, por isso, um custo mais elevado de produção, quer de inverno, quer de verão”. Nos 120 hectares que explora ainda não aplicou técnicas de agricultura de precisão porque “ainda não sentiu necessidade”, mas reconhece que “são rentáveis”. Contudo, considera apenas que “não tem uma área assim tão expressiva que possa fazer esses investimentos”. No caso de João Sanches, nos seus 400 hectares de produção, a agricultura de precisão é uma realidade desde o primeiro dia de atividade, iniciada há três anos. Na Trilho Saloio tudo está altamente monitorizado, desde a preparação da cultura até depois à sua gestão no quotidiano. O olival superintensivo e o pomar de nogueiras têm sondas para medir os níveis freáticos, utilizam-se drones para vigiar milimetricamente cada parcela de terra, vai instalar estações meteorológicas, foram escolhidas variedades bem adaptadas à região e muito mais é feito para minimizar por um lado os impactos da cultura no ambiente e, por outro, os efeitos das alterações climáticas “Hoje em dia temos tecnologia, metodologias e produtos. O mundo agrícola tem de evoluir para modelos de gestão como se praticam nas melhores indústrias. Afinal, a agricultura é uma indústria a céu aberto”.
“As culturas estão a ter, por isso, um custo mais elevado de produção, quer de inverno, quer de verão” Carlos Graça
“A agricultura é uma indústria a céu aberto” João Sanches
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Floresta transita da Agricultura para o Ambiente: Mudança desagrada o setor
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| O ano passado pelo mês de novembro, o PS ganhava novamente as eleições legislativas. Iniciava então um segundo mandato, no qual imprimiu algumas mudanças no Governo, nomeadamente a transição do setor da floresta do Ministério da Agricultura para o Ministério do Ambiente e da Ação Climática. O setor agrícola e florestal não está de total acordo com esta mudança. Eduardo Oliveira e Sousa, presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), afirma “não entender as florestas separadas da agricultura”. O mesmo responsável recorda que “muitos proprietários têm as duas realidades nas suas explorações. “Os próprios produtores florestais têm medidas de apoio à floresta que estão no Ministério da Agricultura, fazendo parte do PDR. Não retiramos valor à necessidade de olharmos para a questão ambiental. Não é isso que está em questão. Não podemos tirar valor produtivo à floresta. Pelo contrário, uma das causas para a situação calamitosa em que estão grandes áreas florestais prende-se com a fraca valorização
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A floresta é, há um ano, gerida pelo Ministério do Ambiente e da Ação Climática, deixando assim de estar sob a alçada do Ministério da Agricultura. A mudança continua a desagradar o setor.
dos produtos.” Eduardo Oliveira e Sousa defende ainda que “se os produtos florestais forem mais bem remunerados, os agricultores cuidam melhor da floresta”. O presidente da CAP reconhece que o Ministério do Ambiente tem acesso a determinadas verbas, nomeadamente o Fundo Ambiental, “que pode vocacionar para algumas matérias da área da floresta”, mas destaca que “é preciso não desligar o interesse da floresta, como setor produtivo, do valor que tem e que os agricultores reconhecem em termos ambientais, fixação de carbono e biodiversidade”. O professor do Instituto Superior de Agronomia, Francisco Gomes da Silva, é categórico: “esta mudança foi um erro”, explicando que “quanto mais divorciada a floresta estiver da agricultura, mais valor será destruído ou maior dificuldade haverá em criar novos polos de valor”. Francisco Gomes da Silva considera ainda que esta transição “dá uma indicação pouco esperançosa: a de que o ‘problema’ continuará a não ser encarado como um problema de economia, e que será abordado
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apenas numa lógica de ordenamento do território, desgarrada da vida dos atores florestais (proprietários, gestores, prestadores de serviço, indústrias e consumidores)”. O sentimento de descontentamento é também partilhado pelo presidente da AIMMP – Associação das Indústrias de madeira e Mobiliário de Portugal, Vítor Poças, que, ao jornal Público, refere “não perceber muito bem a necessidade de mudar, designadamente porque a Secretaria de Estado anterior estava a fazer um bom trabalho”, acrescentando que “consideram a proximidade da floresta à agricultura organicamente mais acertada”. Contudo, ouvem-se vozes a favor desta mudança de tutela. Ao jornal Público, Luís Braga da Cruz, presidente da Forestis – Associação Florestal de Portugal, descreve como “favorável” esta alteração, considerando que “a floresta só tem a ganhar”. Luís Braga da Cruz menciona ainda que “a floresta era claramente um parente pobre do PDR”, apontando que “o Alentejo tinha 53% das ajudas” e a “floresta não é só montado”. Com esta mudança “começou a ser feita alguma regionalização das ajudas, o que é sempre a primeira for-
“Se os produtos florestais forem mais bem remunerados, os agricultores cuidam melhor da floresta” Eduardo Oliveira e Sousa
“Esta mudança foi um erro” Francisco Gomes da Silva
ma de nivelar este problema”. Alia ainda como vantagem o facto de os produtores florestais, além de poderem candidatar-se a apoios do PDR, poderem ainda recorrer ao Fundo Ambiental. A concluir, Francisco Gomes da Silva, vê neste ponto, talvez a única vantagem desta alteração: “na PAC a floresta tem um papel relativamente marginal. A sua importância tem aparecido essencialmente no segundo pilar (nos programas de apoio ao investimento e nas medidas agro e silvoambientais) e, para o caso muito específico de alguma floresta no sul do país, como superfícies elegíveis para o exercício de direitos de pagamento único e de greening. Na minha leitura, será mais uma vez nesses domínios que a floresta irá encaixar [na atual discussão da próxima PAC], fundamentalmente nas dimensões do segundo pilar. E aí poderá haver um primeiro ganho, que decorre do peso político do ministro do Ambiente face à ministra da Agricultura”. O professor conclui: “não tenho dúvidas de que as florestas estão agora com uma das tutelas politicamente mais poderosas – a do Ministro do Ambiente e da Ação Climática. Pode ser que disso tirem algum proveito”.
Ministro do Ambiente faz balanço “muito positivo” O ministro do Ambiente e da Ação Climática, José Pedro Matos Fernandes, faz um balanço “muito positivo” desta mudança de tutela da floresta e considera que um dos problemas deste setor é a falta de rentabilidade económica. Revista Agrotejo (RA) – Qual o balanço que faz da mudança da floresta de ministério, da Agricultura para o Ambiente? José Pedro Matos Fernandes (JPMF) – Faço um balanço muito positivo, considero mesmo uma evolução natural, aliás em linha com a tendência do resto da Europa. É a solução que melhor responde aos desafios atuais quer no contexto das alterações climáticas, pelo papel que as florestas assumem como principal fonte de sequestro de carbono, sendo imprescindível para cumprir a meta da neutralidade carbónica até 2050, quer pela sua função
ecológica na conservação da água, do solo e da biodiversidade. Esta abordagem, que nos permite olhar para a copa e não apenas para o tronco, cria espaço para o desenvolvimento de políticas mais integradas e ajustadas, ou seja, menos setoriais. Ora para responder aos desafios atuais, em particular aos riscos crescentes da ocorrência de grandes incêndios, a lógica tem de ser esta, só assim é possível aumentar a resiliência dos territórios e, desse modo, promover a sustentabilidade, rentabilidade e produtividade das florestas. Este discurso não é incompatível
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com uma vertente mais produtiva, com a chamada floresta de produção, pelo contrário reconhece-lhe mais funções e, desse modo, permite integrar políticas e apoios. A aprovação do Programa de Transformação da Paisagem, dirigido aos territórios de floresta vulneráveis ou o reforço substancial dos apoios ao investimento nas florestas, com o lançamento de avisos do PDR no valor 100 milhões de euros (cerca do dobro em relação aos anos transatos do atual período de programação), com restruturações ao nível da sua abrangência e orientação, com destaque para a regionalização dos avisos e para a introdução da modalidade multifundos, que integra os instrumentos de financiamento do FEADER e do Fundo Ambiental (prevê-se que as operações passem a beneficiar de apoios ao investimento, via PDR2020, e de apoios à manutenção e gestão, a 20 anos, via Fundo Ambiental) são exemplos objetivos de medidas de política que este novo enquadramento permitiu. 130
RA – Continua a olhar para a floresta como um bem económico ou a estratégia é mais focada enquanto elemento fundamental no combate às alterações climáticas? Pode pormenorizar?
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JPMF – O principal problema da nossa floresta; ou dito de outra forma, de extensas áreas de matos e florestas de parte significativa do nosso território, é a sua falta de rentabilidade económica, que se tem vindo a acentuar ao longo das últimas décadas, traduzindo-se num ciclo vicioso de desinvestimento, abandono e perda de valor económico. O problema-base é uma questão económica e é aqui que temos de centrar as nossas estratégias, de forma a garantir melhor remuneração, quer apoiando o seu ordenamento e gestão, quer promovendo a sua produtividade e qualidade, quer valorizando os serviços eco sistémicos por ela fornecidos. Só com esta visão integrada é possível defender, proteger e valorizar este ativo estratégico do nosso país. Não nos podemos dar ao luxo de o desperdiçar. RA – De que forma a floresta está contemplada no Orçamento de Estado 2021?
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JPMF – O Orçamento de Estado para 2021 permite assegurar a prossecução das políticas relativas à reforma da floresta iniciadas em 2017, com destaque o aumento da resiliência dos territórios florestais, em particular os de maior perigosidade de risco de incêndio, através de uma política de transformação da paisagem, bem como o investimento na prevenção estrutural de incêndios florestais no quadro do Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais. A prioridade atribuída aos territórios florestais mais vulneráveis será prosseguida no quadro do Programa de Transformação da Paisagem, através da efetivação em 2021 das suas quatro medidas programáticas: • Prevê-se concluir a elaboração de três Programas de Reordenamento e Gestão da Paisagem – Pinhal Interior, Serra da Lousã e Açor e Serras da Falperra e Padrela / Marão e Alvão – e
proceder ao lançamento de novos concursos para outras áreas identificadas; • Serão concretizadas as Áreas Integradas de Gestão da Paisagem (AIGP), através de operações integradas de gestão da paisagem (OIGP), assentes em modelos de gestão agrupada e dirigido a contextos micro-territoriais específicos, de acordo com as candidaturas que sejam submetidas pelos municípios; • Será prosseguido o projeto Condomínios de Aldeia, que visa a reconversão de áreas de matos e floresta em redor dos aglomerados populacionais de elevada densidade florestal e relativamente ao qual foi já lançado um primeiro aviso através do Fundo Ambiental, no âmbito do qual foram aprovados, e serão apoiados até ao final deste ano, 11 projetos financiados a 100%, em 11 aldeias, com um apoio total de mais de 503.000 euros; • Com vista a fomentar o aumento da dimensão física dos prédios rústicos em contexto de minifúndio, importa ainda prosseguir com o programa Emparcelar para Ordenar. Ao nível de intervenções de prevenção e gestão integrada de fogos rurais, será definido e concretizado um programa nacional estratégico de redução de combustível, alicerçado na execução da rede primária de faixas de gestão de combustível e de mosaicos de parcelas de gestão de combustível. Pretende-se dar início
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das florestas e de imóveis rústicos e mistos que se revistam de particular relevância para a prevenção de fogos florestais. Será prosseguido o reforço das ações de cadastro, em particular como suporte à reconversão da paisagem nos territórios de floresta vulneráveis.
ao trabalho de avaliação do pagamento para a constituição de servidões em terreno privado integrado nas faixas de interrupção de combustível. Em paralelo prossegue a política de investimento na proteção e reabilitação de povoamentos florestais no âmbito do PDR2020, bem como a sua articulação com os apoios do Fundo Ambiental, no quadro de ação multifundo iniciado em 2020. De referir que no quadro dos avisos abertos em 2020 da medida 8 do PDR 2020, no montante de 100 milhões de euros, foram já apresentados 780 projetos no montante de 139 milhões de euros de investimento. Este investimento virá reforçar os compromissos assumidos nesta medida, que ascendem a cerca de 389 milhões de euros de apoio o que representa 83% da dotação da medida, envolvendo cerca de 3.572 projetos. Será, ainda, criado um regime de benefícios fiscais no âmbito dos Planos de Poupança Florestal que fomente o investimento no setor, através de isenção de IRS relativamente aos juros e deduções à coleta do IRS. Com uma verba de cerca de 80 milhões para investimento, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) reforçará o seu papel na execução dos programas de Transformação da Paisagem dos Territórios de Floresta Vulneráveis e na prevenção estrutural aos fogos florestais, com destaque para a execução da rede primária de faixas de gestão de combustíveis, incluindo a implementação e o pagamento de servidões administrativas. A Florestgal, S.A. passará a ser uma organização chave da política de transformação da paisagem, reforçando o seu papel na gestão
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RA – Como comenta as referências à floresta na Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica e Social 2020|2030? JPMF – A visão para a floresta inscrita no Plano de Recuperação Económica e Social está em linha com o nosso entendimento e estratégia de criar uma floresta para o futuro, mais ordenada, bio diversa e resiliente, conjugada com um mosaico agrícola, agroflorestal e silvo pastoril, capaz de prestar diversos serviços ambientais, sustentar as atividades económicas que lhes estão associadas, e tornar os territórios mais resilientes à severidade dos incêndios rurais. Esta visão parte da constatação de um conjunto de vulnerabilidades, estrangulamentos e riscos que exigem respostas integradas e robustas, razão pelo qual se inscreveu, enquanto reforma, no Programa de Recuperação e Resiliência. As diretrizes inscritas na Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica e Social vieram, pois, reforçar e atestar esta urgência de medidas integradas e estruturantes ao nível da paisagem, capazes de proteger Portugal de incêndios rurais graves, num contexto de alterações climáticas, promovendo-se em simultâneo o reforço da valorização económica dos espaços florestais. Neste âmbito, foram inscritas no Programa de Recuperação e Resiliência três grandes reformas tendo em vista, por um lado, promover uma mudança estrutural nos modelos de ocupação e gestão dos solos, nos territórios de floresta vulneráveis, com impacto duradouro ao nível da resiliência, sustentabilidade, e coesão territorial e , por outro, proceder a uma reformulação dos princípios do sistema de prevenção, proteção e combate a incêndios rurais, através de um sistema de gestão integrado, assente na interoperabilidade e partilha de recursos, no robustecimento e capacitação à escala nacional e supramunicipal, no reforço dos meios e no conhecimento atualizado do território.
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A Gestão dos recursos hídricos, a sustentabilidade e o impacto económico João Gomes Partner e coordenador do Centro de Competência da Agricultura Moneris
A atividade agrícola e os agricultores, em particular, deparamse hoje em dia com um desafio fundamental – a gestão dos recursos hídricos. Esta questão encerra um conjunto de ameaças, desafios, mas também de oportunidades, com impactos diretos na vida das empresas agrícolas e dos consumidores. | No contexto global, fatores como o crescimento da população mundial, as assimetrias nos rendimentos das populações e a alteração de padrões de vida, estão a colocar em causa a capacidade do planeta suportar os efeitos da atividade humana. De facto, já enfrentamos hoje uma crise ao nível dos recursos hídricos, a qual tem sérias consequências a vários níveis, desde a segurança alimentar, a quebra das cadeias de abastecimento ou a insuficiência da capacidade produtiva. Naturalmente, que se trata de uma temática complexa, que terá de ser alvo de diferentes abordagens, ao nível nacional e internacional. A cadeia alimentar, que começa com a atividade agrícola, percorre a atividade industrial (de fabrico) e finaliza no consumo. Esta tem implicações determinantes ao nível da disponibilida-
de e da qualidade da água, do consumo energético, repercute-se nas alterações climáticas, na qualidade dos solos, do ar e a biodiversidade, dependendo ao mesmo tempo, em larga medida, de todos estes recursos ambientais. O panorama nacional não é diferente, e se nos centrarmos no início da cadeia de produção, a escassez dos recursos hídricos encontra-se na linha da frente das preocupações dos agricultores. Dependendo das regiões, essa ameaça e desafios subjacentes variam. O projeto do Alqueva veio demonstrar essa realidade, tendo em poucos anos modificado o paradigma da produção na região alentejana, agora irrigada pelas águas do Alqueva. Não só o tipo de culturas se alteraram, mas também a produtividade dos solos, com impacto direto nas quantidades, preços e montantes disponíveis para novos investimentos. Muitas das novas apostas de cultivo têm como prioridade as questões da sustentabilidade, respondendo assim à preocupação com o futuro e dando resposta às exigências dos consumidores. Adicionalmente, a disponibilidade destes recursos hídricos tem atraído investidores internacionais, além de nacionais, o que modificou a génese da estrutura de capitais das empresas agrícolas presentes na economia local. Observam-se investimentos mais consistentes, apoiados em projetos estratégicos, assentes em processos inovadores e financeiramente bem estruturados. A gestão destes novos projetos e empreendimentos é profissionalizada, apoiada por consultores nacionais e internacionais com experiência comprovada, alicerçada numa visão e planeamento de médio-longo prazo. Mas nem tudo está feito ou é perfeito. Existem, ainda, condicionamentos nas áreas da planície alentejana abrangida pelo regadio do Alqueva, fruto de constrangimentos ao nível ambiental e da morosidade na implementa-
ção de processos alternativos de regadio. O paradigma do Alqueva pode e deve ser transposto para o Ribatejo, discutindo-se agora o projeto Tejo, o qual permitirá alterar toda a fisionomia agrícola da lezíria Ribatejana, e não só. Este projeto permitirá aumentar o potencial hídrico e hidroagrícola do Vale do Tejo e Oeste, via regadio, com a captação, armazenamento, transporte e distribuição de água, delimitando as regiões potencialmente irrigáveis. Essas alterações terão impactos socioeconómicos e ambientais no futuro. Tratar-se-á de uma transformação estrutural da economia das áreas abrangidas, por via da introdução de diferentes culturas, maior produção, maior rentabilidade, maior sustentabilidade, entre outras. Ora, esta mutação far-se-á claramente com a alteração das estratégias seguidas, pelo que será necessário avaliar os novos investimentos e processos e reavaliar os precedentes, fruto da entrada de novos investidores agrícolas, agro-industriais e em atividades paralelas e complementares. A atração de novos investidores agrícolas e a transformação e resiliência dos atuais terá de ser acompanhada de estudos de viabilidade, culminando os mesmos na questão económica e financeira, a qual permitirá avaliar a viabilidade dos investimentos, não descurando a análise dos novos processos a introduzir, a reengenharia dos existentes e colocando a temática da sustentabilidade como elo de ligação na cadeia inicial e final do projeto de investimento. Em conclusão, o futuro da lezíria ribatejana e das restantes regiões do país depende da correta e urgente coordenação das questões hídricas, permitindo alterar a face dos investimentos agrícolas, potenciando a produção, impactando a economia local e nacional e conferindo um grau de sustentabilidade a médio-longo prazo.
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Isabel Ferreira, secretária de Estado da Valorização do Interior
Valorizar o interior captando investimento e criando emprego
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| Revista Agrotejo (RA) – O Ministério da Coesão Territorial, no qual se enquadra a Secretaria de Estado da Valorização do Interior, foi criado em 2019. Esta secretaria começou por rever o Programa de Valorização do Interior. No que resultou esta revisão? Isabel Ferreira (IF) – Tivemos a oportunidade de, entre outubro e fevereiro, trabalhar na revisão do Programa de Valorização do Interior. A sua revisão foi aprovada no Conselho de Ministros que fizemos descentralizado, em Bragança. Os eixos orientadores do nosso Programa de Valorização do Interior foram por um lado continuar a contar com a colaboração de todas as áreas governativas que se empenham na valorização destes territórios, mas também ter medidas específicas orientadas para o interior com grande impacto nos territórios, muito alicerçadas na captação de investimento e na criação de emprego e que realmente capacitem estes territórios e os tornem mais competitivos e por isso mesmo também criámos vários programas com financiamento dos programas operacionais regionais. A nossa estratégia foi organizada à volta de quatro eixos fundamentais. AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo
SARA PELICANO JORNALISTA
O Programa de Valorização do Interior assenta em quatro eixos, sendo que o objetivo primordial é conseguir atrair investimento, criar emprego e, assim, tornar a distribuição demográfica e económica mais equilibrada.
O primeiro tem a ver com a valorização dos recursos endógenos e a capacidade empresarial do interior e, nesta perspetiva, sabemos que os territórios do interior são riquíssimos nestes recursos que são realmente únicos. Mas precisamos ainda de estimular a atividade empreendedora e empresarial à volta destes recursos endógenos de forma a criar cadeias de valor completas e ligar os setores de atividade desde o setor primário – a agriculta e a floresta, que tem uma expressão tão grande no interior – à indústria e aos serviços. O segundo eixo tem a ver com a cooperação transfronteiriça. Posicionar os territórios de fronteira com Espanha como territórios privilegiados no sentido de se assumirem como uma centralidade ibérica, quer em termos de escala populacional, mas também de comércio, de internacionalização dos nossos produtores. O terceiro eixo prende-se com a captação de investimento e a fixação de pessoas no interior e, portanto, temos implementado medidas de criação de emprego em empresas, atividades do setor social. O último eixo tem a ver com o grande objetivo de tornar mais competitivos os territórios do interior.
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RA – Um ano que trouxe enormes desafios a todos e que vão continuar mesmo após o fim do estado de pandemia. Que papel podem ter os territórios interiores no contexto difícil, de crise económica, que se antevê? Este é um momento de oportunidade? IF – Esta pandemia permitiu uma perceção mais global do que são os territórios do interior porque quem vive no interior conhece todas as potencialidades: a qualidade de vida, a segurança, o valor riquíssimo em termos culturais, paisagísticos, patrimoniais. Quem vive no interior sabe que existem dinâmicas fortes também ligadas ao empreendedorismo, às empresas, aos centros de conhecimento, muitos deles são referências internacionais. O que a pandemia originou foi que todo o país olhou também para estes territórios e tivesse oportunidade de os visitar, nomeadamente nas suas férias, e ter a mesma perceção destes territórios que tem quem lá vive. Isso é essencial para conseguirmos atrair pessoas. Precisamos de ter oportunidades de emprego, precisamos ter serviços porque são essenciais às famílias, serviços ligados à saúde, à educação, à cultura e temos de ter boas acessibilidades. Em muitos territórios do interior isto já é uma realidade, embora precisem ainda de consolidação. Contudo, há outros territórios do interior onde faltam ainda muitos destes fatores. Portanto temos de continuar a apostar nas acessibilidades, na cobertura de banda larga a todo o território, na previsão dos serviços, nomeadamente, públicos. Diria que temos esta realidade nas cidades médias do interior, mas precisamos de olhar para o território de forma integrada seja ele o meio urbano, seja o meio rural de forma a não deixar ninguém para trás e de forma a garantir o desenvolvimento equilibrado e coeso de todo o país, evitando o abandono dos territórios. RA – As associações, por exemplo de agricultores, têm um papel determinante nesta questão da coesão territorial? Em que medida? IF – No interior temos uma grande expressão da atividade agrícola, mas é muito importante garantirmos sempre o trabalho em rede de forma a completar cadeias de valor e, portanto, os agricultores devem estar em contacto permanente com a indústria transformadora, com as cadeias de distribuição, com o próprio consumidor para, no final do dia, termos um produto de maior valor acrescentado. Por outro lado, também temos estimulado, nomeadamente através dos avisos do +CO3SO Digital e de Investigação
“Esta pandemia permitiu uma perceção mais global do que são os territórios do interior (…)”
“Temos de compaginar estas lógicas de distribuição curta com as lógicas de internacionalização, que são muito importantes para as nossas empresas e para os nossos produtores.”
e Desenvolvimento Tecnológico, parcerias entre agricultores, associações de produtores, centros de conhecimento e empresas da área agroalimentar, no sentido de conseguirmos todos uma agricultura mais moderna, mais eficiente, que saiba lidar com os grandes desafios que temos hoje. Esses desafios estão ligados à biodiversidade do solo, à disponibilidade de água, enfim, às alterações climáticas. O mundo tem todos estes desafios e os nossos agricultores têm de estar preparados para que, do Prado ao Prato, possamos ter uma cadeia de valor grande, mas sobretudo eficiente, equilibrada e que garanta que todos os intervenientes da cadeia saiam ganhadores. Todos nós temos consciência de que dependemos da agricultura, mas nesta pandemia ainda mais ficou evidente que é um setor, absolutamente, essencial. Não podemos viver sem ele. É um setor que tem de ser valorizado e é muito importante para os territórios do interior. RA – A Estratégia 2030 da Região de Lisboa e Vale do Tejo, definida em maio de 2018, traçou projetos estruturantes para a região onde se incluiu o Agroalimentar e Florestal; e o Projeto Tejo - aproveitamento hidráulico de fins múltiplos do Tejo. O que pode ser feito nestas áreas, nomeadamente na região em específico? IF – O investimento no setor agroalimentar é uma prioridade da região. Na estratégia regional em vigor já o é e assim continuará na estratégia regional para 2030, precisamente porque é um setor competitivo e muito importante quer na lógica das cadeias curtas de distribuição e de assegurar que toda a produção facilmente é escoada. Temos de compaginar estas lógicas de distribuição curta com as lógicas de internacionalização, que são muito importantes para as nossas empresas e para os nossos produtores. Hoje em dia temos de saber viver com estas duas realidades. Do ponto de vista da região de Lisboa e Vale do Tejo, este setor tem sido prioritário, onde tem havido muito investimento. Temos de aproveitar toda essa ciência e tecnologia que é produzida e transferi-la para o setor agrícola. Fazer projetos em consórcio com os produtores e com as empresas transformadoras de forma a termos produtos de alto valor acrescentado. Essa também é a lógica e o racional que está nas medidas de apoio que abrimos, nomeadamente os projetos de investigação e desenvolvimento tecnológico em co-promoção que estão abertos para os territórios
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do interior. Também permitirão a criação de postos de trabalho, mas permitirão sobretudo esta transferência de conhecimento dos centros de investigação que são tão valiosos no panorama português e em particular nesta área do agroalimentar e transferir todo este conhecimento para os produtores e para o setor transformador.
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RA – Uma das estratégias de atração de investimento para estes territórios centra-se na diáspora. Pode explicar? IF – Este programa nacional de apoio ao investimento da diáspora tem dois objetivos: um deles é atrair o investimento da diáspora para Portugal, nomeadamente, para os territórios do interior que são as zonas de onde a diáspora é maioritariamente oriunda, mas também utilizar os canais da diáspora para ajudar à internacionalização das nossas empresas. Em particular, e no âmbito deste programa, dentro da medida do +CO3SO Emprego, delineámos uma majoração para aquilo que é a criação de emprego associada ao investimento da diáspora e portanto sempre que isto se verificar os apoios a estes pub.
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“(...)delineámos uma majoração para aquilo que é a criação de emprego associada ao investimento(...)”
postos de trabalho são maiores. Ainda relativamente à diáspora, está agora disponível um aviso de apoio à inovação produtiva, que estará aberto até ao final deste ano, em que 30% da dotação disponível é precisamente para investimento da diáspora. Este aviso já vai na quarta fase, mas já tivemos mais de 425 candidaturas, com uma intenção de investimento de mais de 1.400 milhões de euros. Isto demonstra que os instrumentos que estamos a colocar vão ao encontro às necessidades dos territórios, mas mostra também um grande dinamismo do interior e dos seus atores na procura também de apoios que lhes permitam dar sequência às estratégias que preconizam para valorizar o interior. RA – As candidaturas para o programa +CO3SO Emprego já estão abertas. Que competitividade pode trazer este programa aos territórios? IF – Esta medida abriu com 90 milhões de euros e todas as candidaturas perfazem uma procura de fundos de 488 milhões de euros. É absolutamente essencial a qualquer estratégia de valori-
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zação do interior termos políticas de criação de emprego. Estamos a falar de 4.434 candidaturas, das quais quase 2.700 são no interior. Está também aberto um outro apoio para contratação de recursos humanos altamente qualificados, licenciados, mestres e doutores. Neste particular é também um instrumento interessante que está disponível para empresas, mas também para entidades do sistema científico e tecnológico e também temos a convicção absoluta de que são os recursos humanos altamente qualificados aqueles que estão em melhores condições de providenciar a máxima crítica necessária nos territórios para o desenvolvimento de estratégias a logo prazo e que valorizem o interior e que tornem as regiões mais competitivas. RA – Há setores de economia com mais candidaturas do que outros? IF – Estamos a analisar todas as candidaturas. Não só para empresas, mas também para entidades do setor social, o +CO3SO Empreendedorismo Social. A nossa prioridade neste momento é criar condições de harmonização de procedi-
mentos na análise entre as diferentes regiões e verificar se essa procura avassaladora corresponde a candidaturas com elevado mérito, que é o que todos desejamos. Os fundos comunitários são distribuídos sempre com base no mérito e de forma competitiva. RA – Em 2018 foi assinado um Memorando de Entendimento entre o Governo de Espanha e o Governo da República Portuguesa para a Definição de uma Estratégia de Desenvolvimento Transfronteiriço Comum. Daqui criou-se um Grupo de Trabalho com o objetivo de definir essa mesma estratégia. Como decorre este trabalho? IF – Houve a assinatura do memorando, que evoluiu rapidamente para o desenvolvimento de trabalho por parte do grupo de trabalho que foi criado com especialistas portugueses e espanhóis. Houve depois várias reuniões bilaterais entre Portugal e Espanha e, neste momento, a estratégia está consensualizada. Existe uma estratégia comum de desenvolvimento transfronteiriço que tem vários eixos
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e preconiza a implementação de medidas que ambos os países consideraram prioritárias para o desenvolvimento da fronteira e queria começar por dizer que temos de distinguir aquilo que é a cooperação territorial com Espanha, e aí estamos a falar de toda a cooperação ibérica, que é muita intensa em todo o país. Outra coisa é a estratégia de desenvolvimento transfronteiriço que tem um olhar específico para a fronteira Portugal/Espanha, um vez que é uma das maiores pub.
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Temos de olhar para estas medidas como medidas de desenvolvimento dos territórios
e mais antigas da Europa, mas também uma das mais pobres e com indicadores demográficos e socioeconómicos mais preocupantes. O que justifica inteiramente que ambos os países queiram desenvolver este território em particular. Estamos a falar de medidas ligadas à mobilidade e à eliminação dos custos de contexto ao longo dessa fronteira, nomeadamente para trabalhadores transfronteiriços. Estamos a falar de várias medidas ligadas às infraestruturas e conectividade territorial, incluindo as vias de comunicação rodoviárias, ferroviárias, mas também a Internet e rede móvel. Estamos a falar da gestão conjunta entre os dois países de serviços básicos em diferentes áreas: na educação, na saúde, nos serviços sociais, na proteção civil. Falamos também de medidas de desenvolvimento económico e inovação territorial com o objetivo que vai muito ao encontro ao Programa de Valorização do Interior. Temos de olhar para estas medidas como medidas de desenvolvimento dos territórios de fronteira, mas sobretudo como uma oportunidade única de assumirmos a Península Ibérica como uma centralidade no contexto europeu.
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Agricultura Binominal: uma perspetiva real Clarisse Boto Agrónoma na Vitacress Portugal
Na Vitacress promove-se o conceito de agricultura binominal, ou seja, sustentabilidade em cultura intensiva. | Todos os dias os nossos campos estão diferentes e sempre emocionantes: observar um voo magistral de uma águia de asa redonda (Buteo buteo) na Quinta da Boavista, a perseguição de um saca rabos(Herpestes ichneumon) a um bando de perdizes num campo em pousio com vegetação rasteira na Quinta da Azenha, ou encontrar um ninho de galinha de água (Gallinula chloropus) em plena área de produção e contribuir para a sua proteção e preservação na Quinta de Almancil, são apenas alguns dos privilégios de trabalhar em contacto direto com a Natureza. Mas o manter de todos estes privilégios exige muita responsabilidade e compromisso: é necessário pensar e compreender os im-
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pactos das nossas ações diárias, a curto e longo prazo. É inquestionável a nossa dependência da agricultura, mas também é impossível ignorar que o desenvolvimento da produção agrícola depende da sustentabilidade dos recursos naturais... Estamos hoje perante uma sociedade cada vez mais urbana, que perdeu as suas ligações à terra, mas que continua a pressionar o mundo rural para obter alimentos mais saudáveis, com maior qualidade, mais seguros e sem impactos significativos nos recursos que utilizam, promovendo a paisagem e potenciando a sua utilização como espaço de lazer. Por isso, acreditamos num conceito de agricultura binominal: onde promovemos a sustentabilidade em cultura intensiva. Para que possamos diminuir a nossa pegada ambiental e assim garantir a sustentabilidade da nossa atividade, são várias as medidas que implementamos, numa dialética constante entre ação e avaliação.
ALIADOS: CONHECIMENTO E TECNOLOGIA Água e solo são a nossa base de produção, e a sua utilização é rigorosa através de decisões tomadas por técnicos experientes, apoiados em informação de sensores nos campos, em previsões meteorológicas
e num acompanhamento constante dos campos. A água é gerida de forma eficiente, nomeadamente através de avançados sistemas de rega, mas o solo é o elemento que mais desafios traz: é todo um ecossistema pleno de vida, cujas interações entre organismos vivos e inertes contribuem para a criação de mais vida e consequentemente do sustento do agricultor. A produção da Vitacress assenta principalmente em solos ligeiros, com baixa capacidade de retenção, pelo que o maior desafio passa pela forma de aumentar os teores de matéria orgânica, que conseguimos através de práticas como a adubação em verde com espécies adaptadas à época do ano, o pousio com coberto vegetal utilizando leguminosas e a incorporação dos restos das culturas no solo. Ainda que a tecnologia seja um grande aliado neste percurso de sustentabilidade, é também um grande desafio conjugar de forma atempada toda a informação numa única plataforma que incorpore sensores de solo, estações meteorológicas, informação sobre culturas, registos de aplicação, drones, imagens de satélite, etc. A produção de folhas baby permite-nos recolher muitos dados ao longo do ano, graças aos curtos ciclos de produção, mas também por isso temos de ser muito céleres na sua recolha e tomada de decisão, pois em alguns casos, entre passagens de satélite, já a cultura foi colhida.
FOCO SUSTENTÁVEL As actividades agrícolas são desde sempre o pilar fundamental do desenvolvimento das civilizações, assegurando alimentos e matérias-primas centrais para a coesão territorial e social. Nelas, os sistemas agrícolas têm evoluído: hoje produzimos mais e melhor, usamos recursos de forma mais eficiente, protegemos e produzimos recursos essenciais à vida e asseguramos ecossistemas que fornecem serviços indispensáveis. A natureza é um parceiro fundamental e se queremos inverter as tendências e consequências do impacto ambiental do desenvolvimento moderno, só o conseguiremos com estratégia, método, planeamento, conhecimento e comunicação, garantindo a implementação com sucesso de uma agricultura binominal, começando pela realidade que nos está mais próxima ao nível local.
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Blogues, vídeos, redes sociais 142
Os agricultores comunicadores O setor agrícola não é tradicionalmente uma área muito ligada à comunicação. No entanto, nos últimos anos tem sido feito um grande trabalho neste sentido. O objetivo é desmistificar a atividade e mostrar a sua relevância ao público em geral. Esta tarefa de comunicar tem sido muitas vezes empreendida pelos próprios agentes do setor, que criam blogues e partilham ideias nas redes sociais. SARA PELICANO JOANLISTA
| A comunicação é um fator importante para o homem desde tempos remotos. Hoje em dia os meios para comunicar são mais diversos do que nunca: há chamadas telefónicas, sms, chats, redes sociais e, claro, continua sempre disponível o tradicional meio de enviar uma carta pelos correios. Comunicar mantém-nos próximos daqueles que conhecemos, mas também é um contributo para esbater barreiras sociais e ideias feitas. A agricultura de hoje, numa sociedade cada vez mais desligada do mundo rural, é precisamente alvo de muitas dessas ideias feitas. Há um afastamento da sociedade em geral daquilo que o agricultor faz e, muitas vezes,
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porque estes profissionais ao longo dos anos não criaram a relação de proximidade necessária, possível através da comunicação. Conscientes deste afastamento e do pouco conhecimento que a sociedade tem da sua atividade, muitos agricultores nacionais estão a aproveitar a internet para esbater barreiras e chegar mais próximo. Por um lado, comunicam para os seus pares e por outro tentam abrir as portas da sua atividade ao público em geral. João Coimbra, produtor de milho na região do Norte do Vale do Tejo, há 13 anos que recorre à magia da internet para mostrar o que é o seu quotidiano enquanto empresário agrícola. Além de informar, João Coimbra encontrou no seu blogue Milho Amarelo a possibilidade de aliar o gosto pela informática, pelo vídeo e
fotografia. Tudo junto levou à criação de uma página no youtube, onde divulga os seus vídeos, e o blogue onde fala sobretudo de “produtividade, agricultura de precisão e eficácia na gestão”. Desde 2007, são já muitas as publicações, chegando hoje a ter um verdadeiro histórico agrícola da região onde trabalha. Ao longo dos anos, o blogue também tem vindo a evoluir. “Numa primeira fase abordava muito as questões da biodiversidade, nesta segunda fase, mais atual, falo mais da gestão do clima, das emissões, conservação, biodiversidade do solo”. Carlos Neves é agricultor e um apaixonado pela comunicação. Ao longo do seu percurso profissional, foi sempre escrevendo em jornais e revistas e mesmo trabalhando a comunicação de associações do setor onde participava. Há sensivelmente três anos criou o blogue – Carlos Neves Agricultor – e a respetiva página na rede social Facebook. Neste espaço vai “publicando fotos acompanhadas por pequenos textos sobre as atividades da minha empresa agrícola familiar e de uma forma natural vou procurando explicar as opções que fazemos. Cultivamos campos onde produzimos milho e erva, para alimentar as vacas que criamos para produzir leite. Algumas vezes são textos que me exigem tempo e pesquisa, outras vezes são instantes de uma paisagem, um pôr-do-sol, um arco-íris, que me tocam e partilho para
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tocar os seguidores da página”. Carlos Neves sentiu-se ainda motivado a criar e ‘alimentar’ este espaço online porque “a comunicação é uma tarefa complexa e a agricultura tem ficado parada e calada perante pessoas, grupos ou empresas que têm interesses opostos e comunicam com frequência. Alguns lutam pelo ‘espaço no estômago’ dos consumidores e querem vender os seus novos produtos (bebidas, vegetais e carne artificial, por exemplo) em lugar dos velhos produtos agrícolas que produzimos há milhares de anos, carne e leite. Outros grupos querem aceder aos subsídios que Bruxelas agora destinada à agricultura. Todos esses interesses comunicam regularmente e a agricultura comunica por reação, tarde e mal. Decidi dar o meu contributo pessoal, ser proativo, ser ator nesse filme onde se define a imagem que a sociedade tem dos agricultores, da agricultura e dos alimentos que produzimos”. Na senda da proatividade, Isabel Maia também começou a olhar para as ferramentas que a internet disponibiliza e há cerca de dois anos criou o seu blogue Agricultora, Veterinária e Mãe. Há cinco anos, num período que esteve com baixa por gravidez, teve tempo para verificar as notícias e os comentários das mesmas no que respeita á agricultura. Começou a responder nesses espaços a tentar fazer o contraditório. Com o tempo, começou a achar essa tarefa inglória, mas a vontade de mostrar aquilo que realmente é a sua atividade levou à criação de um espaço online onde assina os seus textos, sempre na senda de simplesmente desfazer mitos e teorias incorretas. “Eu estou muito focada na questão de explicar a pecuária do leite, o negócio de família e ao qual me dedico a 100% como veterinária de formação. O leite é um alimento, neste momento, fora de moda, muito demonizado. O que tento é explicar essa vertente da pecuária, das que tem a imagem mais danificada e aproveito também para falar de alguma produção vegetal e da forma como a agricultura não é o oposto da proteção ambiental”. Neste périplo pela comunicação na agricultura, falámos ainda com Pedro Santos, diretor-geral da Consulai, que durante a fase de confinamento dos primeiros meses do ano, juntamente com Luís Mira, partner na mesma empresa, criaram um formato
de conversa online a que chamaram Favas Contadas. “Nasceu durante o confinamento, mas não se esgota nele”, comenta Pedro Santos. “Começamos com temas ligados aos impactos da pandemia em vários setores, fomos alargando a conversas sobre o setor e sobre as medidas que estavam a ser implementadas ou eventos que estavam a ser pensados. Curiosamente fomos tendo reações interessantes por parte das pessoas que acharam que o formato fazia sentido e que era uma forma fácil de passar alguma mensagem. Temos também pessoas de fora do setor a acompanhar estas Favas Contadas”, explica Pedro Santos. O formato é simples uma conversa entre uma pessoa da Consulai e outra de fora, mas relacionada com o mundo agrícola. O diálogo, gravado, é depois colocado na plataforma youtube – no canal Consulai TV – e difundido através das redes sociais. Neste formato audiovisual há também o programa semana Faça Chuva, Faça Sol, transmitido aos sábados na RTP2. O programa surgiu em junho de 2018 “na sequência do interesse da Direção de Programas da RTP2 em ter, na sua grelha de programação, um programa regular exclusivamente dedicado à agricultura portuguesa”, explicam José Pacheco e Francisco Teotónio Pereira. Os produtores do programa agarraram o desafio motivados também pela profunda transformação e evolução que o setor agrícola sofreu nos últimos anos e continua a sofrer. “O papel da agricultura na coesão territorial e no desenvolvimento regional, a transformação do sector decorrente da digitalização, o aumento das exportações e a importância
que a alimentação tem no nosso dia a dia são fatores que, em nossa opinião, poderão justificar o interesse da RTP na aposta de um programa semanal sobre agricultura.” O programa vai na quarta temporada e é hoje transmitido também na RTP Internacional, RTP África, RTP Açores e RTP Madeira. Está também disponível na RTP Play. Semanalmente, abordam-se diferentes temas da agricultura e floresta, dando voz aos agricultores, técnicos, investigadores, prestadores de serviço, industriais e muitos outros atores destas áreas de atividade.
COMUNICAR MAIS A ideia de que o setor comunica bem entre os seus pares, mas mal para fora do seu núcleo é reconhecida por todos. Contudo, os exemplos que expusemos em cima e tantos outros que há denotam um forte reconhecimento de é preciso comunicar mais e que esse é o caminho para a sociedade compreender este setor primário essencial à soberania de qualquer país. Carlos Neves considera que o seu setor “comunica pouco, tarde e mal organizado”, mas sublinha que
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o problema não está apenas de um lado: “a comunicação social também tem preconceitos e estereótipos e só nos procura quando há uma tempestade ou uma crise”. O autor do blogue Carlos Neves Agricultor defende que “a comunicação tem de ser profissional e permanente não pode ser apenas de reação a problemas e ataques. Tem de ser proativa e antecipar-se, para ganhar a confiança do consumidor e da sociedade”. Isabel Maia partilha da ideia de uma comunicação deficitária do setor e, na sua ótica, pub.
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gostava de “associações do setor da grande distribuição a juntarem-se para criar uma plataforma como aquelas que eu usei para me inspirar nos Estado Unidos da América e Canadá. Eu estou a fazer o contraditório dos mitos. Tento ser proativa, enquanto o setor é reativo. Não podemos estar à espera que a nossa imagem saia danificada para ir explicar ao consumidor: isso não é assim. O consumidor quer saber como os alimentos são produzidos. Quanto mais o consumidor souber, menos vulnerável é a acreditar na primeira coisa que vê ou ouve”. Pedro Santos, mentor das Favas Contadas, considera que não é totalmente justo dizer simplesmente que o setor comunica mal, relembrando que a forma de comunicar do setor melhorou muito nos últimos anos. No entanto, isto acontece sobretudo entre pares, continuando a ser deficitário quando se trata de falar ao público em geral. “Geralmente respondemos sentindo que nos estão a atacar e reagimos mal. Passamos uma mensagem de algum minimalismo.
Parece que não valorizamos tudo aquilo que fazemos e que fazemos tão bem. Falta-nos essa capacidade de nos valorizar mais.” Por outro, Pedro Santos salienta que também do lado do recetor da mensagem há um défice porque, “parece-me, que a maior parte das pessoas não tem de facto interesse nenhum naquilo que a gente tem para dizer e isto é difícil de ultrapassar”. Na perspetiva do diretor-geral da Consulai, “a nossa mensagem, para ser bem passada, é necessariamente longa e técnica. Não conseguimos desconstruir esta questão e passar uma mensagem simples e apelativa. Cabe também às novas gerações encontrar novas formas de comunicar. A pandemia trouxe de excelente a oportunidade de valorizar esta narrativa do setor agrícola e a importância que tem para a alimentação”. O autor de Milho Amarelo, João Coimbra, tem tido uma longa estratégia de comunicação, além do blogue, recebendo na sua empresa organizações ambientalistas que estão dispostas também elas a perceber melhor este
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setor e não ter, assim, um discurso tão radical. João Coimbra sublinha que “somos cada vez menos, temos um peso cada vez menor e, portanto, acho que temos de negociar várias outras formas de estar para podermos continuar a ser financiados pelos contribuintes. Grande parte das nossas receitas são hoje financiamentos públicos e isso pressupõe uma aceitação pública da nossa atividade. Ninguém considere que vamos continuar a aceitar que há meia dúzia de políticos a considerar que somos importantes. Enquanto a sociedade por si não considerar que somos importantes, não valemos nada. Esta linguagem é fundamental, bem como o cruzamento de ideias e elasticidade no diálogo”. José Pacheco e Francisco Teotónio Pereira comentam que “é um facto comumente aceite que o sector comunica de forma deficiente. E são várias as razões que o explicam. Sendo uma atividade com fortes raízes tradicionais, geograficamente dispersa, em áreas de baixa densidade populacional, e muitas vezes exercida isoladamente condu-
ziram ao afastamento do sector em relação aos grandes centros de decisão”. Os produtores do Faça Chuva, Faça Sol referem ainda “vivemos numa sociedade predominantemente urbana onde a maioria da população perdeu o elo com o mundo rural e com os agricultores. E, nesse sentido, é absolutamente fundamental que os agricultores recuperem a relação direta com a população, que são os destinatários da sua atividade, aqueles que consomem aquilo que o sector produz”. Os mesmos responsáveis consideram ainda que há três barreiras que o setor tem de ultrapassar: “a primeira tem a ver com o desmantelamento da criação de uma certa dicotomia agricultura versus ambiente que incutiu, erradamente, a ideia de que agricultura e ambiente se encontram em lados opostos quando o território é o principal ativo dos agricultores e estes devem ser os maiores interessados na adoção de uma atividade sustentável. Em segundo lugar, é fundamental recuperar a relevância da atividade agrícola e dos agricultores
como agentes produtores de alimentos e, como tal, protagonistas de uma das atividades mais nobres que se pode exercer, a de alimentar as populações. Por último, o sector tem de restabelecer o elo direto com os consumidores. Os agricultores, e o agronegócio, devem compreender que quem domina a relação comercial é quem tem acesso ao consumidor final. É neste sentido que a comunicação assume um papel determinante e, como tal, deve ser conduzida numa perspetiva profissional”.
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MONDA DO TRIGO
“O trabalho mais alegre das fainas agrícolas”
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Carlos Santana Rancho Folclórico da Golegã
| No Campo a sementeira do trigo é procedida de um alqueive no verão anterior. A lavoura é mecânica ou efetuada com uma charrua pesada e puxada, por vezes, por mais de que uma junta de bois ou “tralhoada”. Depois da terra apanhar chuva e ficar em boa sezão, realiza-se a gradagem. Nos fins de novembro, meados de dezembro procede-se à sementeira, mecânica ou “a lanço”. Neste último caso, o semeador dá, em regra, três mãos e a semente é enterrada com lavoura pouco funda. Procede-se, seguidamente, a uma gradagem e passagem com o destorroador para comprimir ligeiramente o terreno e desfazer os torrões que resistiram à gradagem. Quando o terreno forma crosta e as plantas se encontram nascidas, faz-se a “rastilhagem” que não é mais do que nova passagem de grade. Em fevereiro ou março procede-se às mondas: De manhãzinha, grupos numerosos de mulheres e raparigas (Rancho) juntavam-se num local pré-estabelecido, e, quando todos estavam presentes, iniciava-se a caminhada para o local de trabalho. O ponto de encontro dependia da zona onde iriam trabalhar. Se fosse no sentido Norte, o ponto de referência era a casa da HidráuAGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo
lica, se fosse no sentido Sul, era a Alverca do Campo. A caminho da monda a maior parte levava as cestas à cabeça. Diariamente, a tarefa da aguadeira era rotativa. Logo pela manhã, ela era responsável pelo transporte do cântaro e da distribuição da água, só após o almoço, quando solicitada. Nem todas, já no caminho envergavam o fato de trabalho, mas no próprio local o trocavam; o avental era peça indispensável, e, todas as segundas feiras se disputava o lugar do laço mais bem feito. Já no campo o capataz, homem responsável pelo rancho e pelo trabalho do mesmo, indicava-lhes o local onde podiam ferrar (iniciar o trabalho). – Vá lá ver mulheres, vamos “irrigar aqui” (começar). Elas todas formadas lado a lado, antes de se baixarem, faziam o Sinal da Cruz dizendo: – Que Deus me ajude e que a noite não se descuide. Já dentro do trigo, a humidade era muita, havia grandes orvalhadas, elas utilizavam um pequeno ramo de árvore, (oliveira, freixo), que lhe chamavam “zaralho”, que servia para irem sacudindo a água das folhas, afim de não se molharem. Uma vez iniciado, não lhes era permitido fazer paragens; quando tal acontecia, eram chamadas à atenção:
– Tanto levantar, tanto levantar, vá lá ver. – Ó Mar’Zé, tás a ficar para trás. – Ó Carminda, olha a cachopa tá a deixar erva. Estava estabelecido que cada mulher só podia “ir fora”, fazer as necessidades fisiológicas, de duas em duas horas, isto é, por quartel. No meio do Rancho ouvia-se uma voz: – Ó Maria canta aí uma cantiga. A Maria entoava, e logo todo o Rancho a acompanhava: O saramago é que atrasa A seara ao lavrador Bem atrasada que eu ando Nas falas ao meu amor O trigo nasce do trigo A erva nasce do chão O amor nasce do peito Da raiz do coração A verdizela é enleio Que se enleia pelo trigo Quem me dera a verdizela Para me enlear contigo Logo o capataz se insurgia: – Tanto cantar, tanto cantar; olhem, mas é para as ervas. Estando a chegar ao fim do eito, dizia o capataz:
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– Vá lá ver mulheres, vá lá começar a fazer a “cobra”. A cobra era a inversão do sentido, nunca deixando de mondar, iam fazendo um semicírculo, para o sentido oposto. O eito alinhado novamente e o capataz sempre a repreender: – Olhem as ervas, tanta conversa, tanta conversa. Lá dizia uma: – Ái “karedo” (credo), quem vai ao meio leva o seu e do alheio. Às ordens do capataz paravam para o almoço. Cada uma escolhia o melhor local para a refeição, que não era basta: cagarrinhas e saramagos cozidos, sopas de café, ovo frito, ou pão alvo fazendo conduto com o pão de milho. Por vezes, alguma afastava-se do grupo, deitando-se; as camaradas achavam anormal, e ia uma falar-lhe: – Ó Amélia, o que é que tu tens? A Amélia chorando dizia: A minha mãe disse-me que vinha trazer-me o almoço, e não veio, e eu não tenho nada para comer. – Deixa lá mulher, anda daí, ca’gente dá-te do nosso. Dizia outra: – Coitada da mãe, com um rancho de filhos em casa, onde é que ela tem de comer para esta. E por todas arranjavam forma da camarada almoçar. pub.
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Após o almoço, umas descansavam, outras faziam renda ou bordavam, e ainda tocavam a música dos calados, brincavam ao “Bota Já”, ou ao “Raminho de Salsa”. Após a hora do almoço, o capataz dá a ferra. Iniciam a monda, e, uma entoa uma cantiga ao desafio, com quadras bastante brejeiras, em que o restante Rancho iam respondendo, com quadras soltas de provocação: Riba Riba a verdasquinha Agora é que me ganhaste Ái, Ái, Ái, Tens as ferraduras gastas Dos coices que me atiraste Tenho uma casa no campo Fechada às sete trancas Ái, Ái, Ái, Tenho lá um burro dentro Que zurra como tu cantas Eram imensas as quadras soltas que saiam daquelas bocas. Até que uma outra dizia: – É kchopa, que horas são? Resposta de uma outra: – Sei lá, ainda não zurrou o burro do Barreiras. Levanta-se, vira-se para o Sol, e com o dedo da mão diz, olha devem ser pra’í três horas.
O capataz repreende: – Tanta conversa, olhem as ervas. Uma outra grita: – “Àuga, Àuga” (Água). A aguadeira levanta-se, vai buscar o cântaro, dirige-se ao capataz perguntando se quer; só depois é que se dirige ao rancho, e pela retaguarda de todas vai perguntando, uma a uma: – “Àuga”? E assim se vão levantando, bebendo pela tampa da caldeira. O capataz ralha: – Só se levanta uma de cada vez, olhem as ervas. Para animar a tarde; ouve-se uma outra voz: – Cuquinho da Ribeira, quantos anos “tou“, solteira? Ouvia-se: – Cú-Cú, Cú-Cú, Cú-Cú, Cú-Cú. E quem tinha feito a pergunta dizia: – Ái “karedo” (credo), ainda me falta quatro anos para casar. O capataz dá a “despega”. Algumas aproveitam para fazer o molho com as ervas daninhas, que tinham apanhado no trabalho da monda e isso servia de alimento dos coelhos e carneiros que tinham em casa. A monda era uma tarefa cansativa, visto andarem todo o dia curvadas, mas, no entanto, era considerada pelo pessoal: “o trabalho mais alegre das fainas agrícolas”.