Skip to main content

Revista Agrotejo n.º 27 - Ano 2017

Page 1

NOV17 www.agrotejo.pt

ÍNDICE

EDITORIAL

DESTAQUE / 6

ATUALIDADES / 62

No futuro, reinventar o Ribatejo

Novas estratégias de integração sustentáveis que garantam a qualidade e segurança na fileira do milho nacional

/ 10 30 anos da Agromais: Com saudades, satisfação e muita esperança no futuro!

/ 12

REALIDADES / 70

Entrevista a Jorge Neves

Entrevista a Lurdes Pires Marques

/ 16

/ 76

O testemunho de quem faz acontecer

Norte do Vale do Tejo: Muito mais do que agricultura

/ 23 O futuro da nossa agricultura

OPINIÃO / 34 Como será a Política Agrícola Comum (PAC) pós-2020?

/ 40 Está a mudar tudo no Alqueva

/ 64

NO CAMPO / 88 Nogueiras: um ano depois

/ 92 A rega na cultura do milho: Estará tudo certo?

EM FOCO / 102

Utilização de Imagens NDVI e MSI

Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo com obras de requalificação

/ 68

/ 106

Tomate de Indústria biológico: uma oportunidade?

Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo: É tempo de deixar de acreditar que a interferência humana é essencialmente nociva ao meio ambiente

/ 86 O ano agrícola vai terminar! ... Porque não fazer contas?

/ 100 Alho: Cânfora dos pobres

/ 116 A Cultura de Tomate para Indústria: sustentabilidades em contraciclo

/ 120 A estratégia nacional para a promoção do desenvolvimento da cultura e produção nacional de cereais

/ 144 Plus Alqueva: Porquê?

A SABER / 38 Orçamento de Estado de 2018: Ministério da Agricultura terá 1.481,1 milhões de euros

À CONVERSA COM... / 44 Entrevista a Luís Capoulas Santos

EMPRESAS / 118 Excelência e inovação com a ADP Fertilizantes na região da Golegã

/ 128 Vitacress: Por uma alimentação mais saudável

/ 140 Moneris: Novas medidas de combate do branqueamento de capitais, financiamento do terrorismo e evasão fiscal

REPORTAGEM / 122 Mendes Gonçalves: um projeto que dá molho

RESPONSABILIDADE / 130 Agrotejo, Agromais e a nossa responsabilidade para com o meio em que nos inserimos

Pedro Costa Alemão Presidente da direção da Agrotejo

Grandes desafios se avizinham Começo por saudar todos os Associados da Agrotejo que entenderam escolher-me para participar na direção da nossa Associação. Grandes desafios se avizinham com as transformações que vamos assistindo a todo o processo produtivo do nosso País e em particular da nossa região. Culturas tradicionais são postas em causa, os custos de produção teimam em subir (como bem afirmava o meu antecessor) e os mercados dos nossos produtos mais representativos teimam em manterem-se baixos. Mas a tradicional capacidade de adaptação dos agricultores desta região vai com toda a certeza encontrar resposta para estes novos desafios. Não é demais repetir que a agricultura é uma atividade global. Exige enormes conhecimentos técnicos, de gestão e de um sector, por vezes esquecido que é o financeiro. É por isso que as nossas Associações, com todo o suporte e dedicação dos seus colaboradores, são cada vez mais fundamentais para o sucesso das nossas explorações. O projeto de Emparcelamento da Agrotejo, de Azinhaga, Golegã e Riachos há de avançar apesar de todas as dificuldades e obstáculos que tem encontrado ao longo do processo. É um projeto de grande interesse para a Região e acredito que possa ser exemplo para criar a sustentabilidade de explorações Agrícolas e porque não, florestais, para o País. A Agromais completa 30 anos de atividade intensa e de enorme importância para a Região. É com muito gosto que em nome da Agrotejo damos os nossos parabéns com os desejos que continuem a apoiar os agricultores com a sua competência e esforço de modernização permanente.

FICHA TÉCNICA direcção Agrotejo | Edição e Propriedade Agrotejo | Design editorial Dicas&pistas | Impressão A Persistente – Chamusca Tiragem 4000 exemplares | Depósito legal 93520/9 Largo da Imaculada Conceição 2150-125 Golegã Tel 249 979 060 Fax 249 979 069

Lg. Custódio Marques Montargil 2140-076 Chamusca Tel 249 760 004 tel e fax 249 760 448

email agrotejo@agrotejo.pt

www.agrotejo.pt pub.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt ditos&escritos

2

A minha grande prioridade é ter uma Política Agrícola Comum (PAC) sólida, mais sustentável e simples nos próximos anos, com financiamento suficiente para que os agricultores possam enfrentar os desafios, cada vez maiores, como as alterações climáticas e a volatilidade dos mercados. É extremamente importante simplificar as normas da PAC, reduzir a burocracia para os agricultores e assegurarmos que dispomos de normas comuns em toda a União Europeia. Joachim Rukwied, Presidente da COPA (Committee of Professional Agricultural Organisations),

A vida no campo de Joel Neto

A Agricultura Portuguesa de Francisco Avillez

Editor: Marcador

Um homem e uma mulher. Um jardim e uma horta. Dois cães. Ao fim de vinte anos na grande cidade, Joel Neto instalou-se no pequeno lugar de Dois Caminhos, freguesia da Terra Chã, ilha Terceira. Rodeado de uma paisagem estonteante, das memórias da infância e de uma panóplia de vizinhos de modos simples e vocação filosófica, descobriu que, afinal, a vida pode mesmo ser mais serena, mais barata e mais livre. E, se calhar, mais inteligente.

in AgroInformacio

Parceria Portuguesa para o Solo parceriaptsolo.dgadr.gov.pt/ Nesta página é reunida informação relevante sobre o solo.

Farm Journal Media www.farmjournalmedia.com Meio de comunicação estadunidense sobre agricultura, dividindo-se em inúmeros espaços de informação: web, TV, impresso.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

Editor: Fundação Francisco Manuel dos Santos

No ano passado, assinalaram-se os 30 anos de adesão de Portugal à União Europeia, à data designada como Comunidade Económica Portuguesa (CEE). Nos primeiros anos da CEE, a agricultura nacional evoluiu de forma bastante favorável. No entanto, na década de 1990, os resultados económicos sectoriais e empresariais da agricultura portuguesa evoluíram de forma desfavorável. E, no futuro, muitos serão os fatores que vão influenciar a evolução deste setor económico. Assim, importa destacar o comportamento ao longo da próxima década da eficiência económica e da sustentabilidade ambiental dos sistemas de produção agrícola praticados.

Manual de vermicompostagem e vermicultura para a agricultura orgânica de Nelson Miguel Guerreiro Lourenço

Editor: Publindústria

A vermicompostagem e a vermicultura são métodos de fertilização baseados numa utilização de fatores de produção de características orgânicas que promovem a valorização dos resíduos e a dinâmica dos nutrientes no solo e na planta. Este livro tem como objetivo servir de apoio à decisão dos produtores e ser uma referência para a utilização da vermicompostagem e da vermicultura nas explorações e hortas familiares ou, na sua impossibilidade, simplesmente na utilização dos produtos obtidos a partir destas.


NOV17 www.agrotejo.pt ditos&escritos

4

O desafio que temos é como transformamos estes nove meses não numa exceção, mas nos primeiros nove meses de uma década de convergência sustentada com a União Europeia, do ponto de vista económico, do ponto de vista social, do ponto de vista das nossas capacidades de qualificação e de inovação. António Costa, Primeiro-ministro, in Jornal de Negócios

Há muitos anos que não acredito em agricultura que não seja de regadio. Luís Vasconcellos e Souza

Agroecologia: bases científicas para uma agricultura sustentável

Plantas Medicinais: A Saúde nas Nossas Mãos - Agenda 2018

Agricultura de precisão

de Miguel Altieri

de FERNANDA BOTELHO

Editor: Oficina de Textos

Editor: Expressão Popular

Editor: Dinalivro

A agricultura familiar é o centro em torno do qual gira este livro. Valorizam-se os recursos localmente disponíveis, não dependendo, por isso, de aportes sistemáticos de energia, materiais e conhecimentos externos. A produção de alimentos em quantidade, qualidade e diversidade, a conservação dos recursos naturais, a conservação e a revitalização das culturas rurais e a dinamização económica do mundo rural são alguns dos aspetos abordados neste livro. Entende-se que esta agricultura familiar é agroecológica.

Esta agenda é uma homenagem às plantas e às mãos que delas têm sabido cuidar ao longo dos milénios. É mais uma tentativa de aproximação entre plantas e pessoas, medicina e planeta. O fio condutor desta agenda, a nona desde 2010 continua a ser o uso terapêutico de plantas e frutos. E porque 2018 é o ano Europeu do Património Cultural, património esse que abrange recursos do passado que assumem muitas formas e aspetos. O conhecimento ancestral das plantas e seus usos constitui um desses valiosos aspetos que é urgente preservar para o bem da nossa saúde e da saúde do planeta.

de José Paulo Molin, Lucas Rios do Amaral, André Freitas Colaço

Como monitorizar diferentes tipos de solo, topografia, utilização de dados de satélites, reunir informação e criar mapas de produtividade são alguns dos temas deste livro. Os autores detalham que tipo de equipamentos tecnológicos podem ajudar o produtor a aplicar uma gestão diferenciada das suas terras para alcançar diferentes benefícios: reduzir custos aplicando corretivos e fertilizantes em taxas variáveis (de acordo com a necessidade de cada local); aumentar a produtividade, explorando o potencial de resposta das lavouras; facilitar a gestão utilizando sistema de direção automática da maquinaria.

Terre-net

Agroportal

www.terre-net.fr

www.agroportal.pt

Site francês de informação com notícias de atualidade, sobre os mercados e também sobre pecuária.

No ano passado, o portal criado em 1999 renovou a sua imagem, mas mantém o princípio pelo qual foi fundado: reunir a informação relevante sobre agricultura. Tem um foco especial na Política Agrícola Comum e a sua aplicação em Portugal.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt DESTAQUE

6

No futuro, reinventar o Ribatejo Sara Pelicano Jornalista

No texto em baixo, fazemos uma breve incursão ao passado, relembrando a criação da Agromais. Luís Vasconcellos e Souza, presidente da Direção, rapidamente nos conduz ao presente e ao futuro, tempo em que defende uma reinvenção da região ribatejana. AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

| Corria o ano de 1987 quando um grupo de produtores criou a Agromais – Entreposto Comercial Agrícola. Uniram-se com o firme propósito de concentrar a oferta de cereais da região e assim alcançar maior sucesso para todos. 30 anos depois, o projeto é uma aposta vencedora graças a alguns pilares essenciais que ainda hoje estruturam esta casa. Luís Vasconcellos e Souza, presidente da Direção da Agromais, salienta que a “a confiança” é o principal pilar. Os outros, que compõem a tríade do sucesso, são a “eficiência e a inovação”. Em três décadas de histórias muitos são os momentos vividos. Luís Vasconcellos e Souza destaca “a fundação da Agromais”, resultado de “uma conjugação de esforços e muita força”, “a profissionalização e a expansão de negócios e áreas geográficas”. Criada no Norte do Vale do Tejo, a Agromais já alargou a sua área de atuação. O seu conhecimento, método de trabalho e

carácter inovador foram também conduzidos para o Alentejo, concretamente para o perímetro de rega do Alqueva. Esta região está hoje “consolidada”, mas “não pelos portugueses”. “Os estrangeiros consolidaram o Alqueva, investindo”, comenta Luís Vasconcellos e Souza. A Agromais iniciou atividade nesta região pelo ano de 2011. Hoje é possível retirar algumas ilações: “Chegámos à conclusão de que temos já 70% de algumas culturas, nomeadamente cebola e alho, a serem produzidas na região do Alqueva. E iremos chegar aos 100%, porque as condições no Alqueva são, de facto, melhores para estas culturas”. Comercialmente, a Agromais também lá está, vendendo produtos fitofarmacêuticos. A empresa criou também uma unidade de secagem de milho, em Ferreira do Alentejo. Investir e inovar são características da Agromais. Ainda que muitas vezes possa parecer estar a remar contra a maré porque, no que respeita à inovação, não


NOV17 www.agrotejo.pt DESTAQUE

estamos num país efetivamente inovador, defende o presidente da direção da Agromais. “Acho que o português é um curioso, não é um inovador. Seria preciso investir mais no mundo científico português. Os cientistas portugueses são pouco inovadores, se calhar por falta de meios. Na prática, tem-se inovado pouco”. O Entreposto Comercial Agrícola, por outro lado, tenta estar na linha da frente e, por isso, tem investido na agricultura de precisão. “Disponibilizamos de tudo nesta área, temos sondas, captações de água, análises… o que não nos falta é informação. O problema é gerir essa informação porque não há ninguém especializado”. 7

Novas culturas, reinventar o Ribatejo Uma das apostas recentes da Agromais é a plantação de nogueiras. Uma cultura “estratégica” porque pode permitir o crescimento de algumas explorações do Ribatejo. “São culturas com valor acrescentado, em comparação com o milho e o tomate, e garantam também um emprego anual.” Atualmente, já há 100 hectares (ha) plantados e o pomar continuará a crescer, tendo como horizonte chegar ao fim do atual quadro comunitário, em 2020, com uma área entre os 600 e os 1.000 ha. As nogueiras poderão ser o mote para uma reinvenção da agricultura ribatejana. Luís Vasconcellos e Souza defende que “o Ribatejo tem de se reinventar. Tem aquele ponto fraco das cheias, mas acho que o modelo agrícola do Ribatejo está esgotado. A reorganização passa por negócios novos. O novo paradigma do Norte do Vale do Tejo poderia ser também uma realidade com a execução do projeto de emparcelamento rural Azinhaga, Golegã e Riachos, que está em «banho-maria». Uma resolução do Conselho de Ministros, de 24 de setembro, aprovou a proposta. O encargo estimado para executar o emparcelamento rural naquela região é de 9,58 milhões de euros. Esta verba seria aplicada na execução da rede de caminhos agrícolas e da rede de enxugo e

“Disponibilizamos de tudo nesta área [agricultura de precisão], temos sondas, captações de água, análises… o que não nos falta é informação.” AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt DESTAQUE

“O Ribatejo tem de se reinventar. Tem aquele ponto fraco das cheias, mas acho que o modelo agrícola do Ribatejo está esgotado.”

drenagem, a limpeza do rio Almonda, a sistematização de terrenos, a remodelação da rede de furos de captação de água para rega, a reorganização da rede de distribuição de energia elétrica, a valorização e integração paisagística, a demarcação e titulação de novos lotes, indemnizações e monitorização ambiental. No entanto o Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural reviu a verba e baixou para cinco milhões. Luís Vasconcellos e Souza afirma que esta alteração “coloca um entrave à realização do projeto” e questiona: “Como executar uma projeto de nove milhões com cinco milhões de euros?”

O futuro são as especialidades

8

O nosso interlocutor, apesar da escassez de água que atualmente existe, defende que só com regadio é que Portugal é competitivo. “Sempre fui um cético em relação ao sequeiro. Há muitos anos que não acredito em agricultura que não seja de regadio.” Luís Vasconcellos e Souza relembrou inclusive uma convicção sua que, muitas vezes, levanta questões. O empresário agrícola acredita que Portugal vai ficar com “sensivelmente 600.000 hectares de terreno agrícola e para a restante área será necessário encontrar uma outra solução”. “Acima de tudo, as explorações têm de ser rentáveis e não acredito que não gastando água o sejam. Mas também não é por gastar muito que é mais rentável. A verdade é que sem água, produzir torna-se um totoloto.” O regadio continuará assim a fazer parte do futuro, na perspetiva de Luís Vasconcellos e Souza. Um futuro que será feito de uma “política de especialidades” e este caminho “não pode demorar muito tempo” a ser percorrido. E com isto quer dizer que Portugal tem de se afirmar fortemente como uma origem, valorizando as características dos produtos que aqui se cultivam graças às condições climáticas do país. O presidente da Direção da Agromais considera ainda que a “agroindústria tem de rever o seu plano de negócio e a maneira como trata os fornecedores”.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt DESTAQUE

10

30 anos da Agromais Com saudades, satisfação e muita esperança no futuro! Fundador da Agromais

| Pedem-me para, em breves palavras, descrever o meu sentimento sobre os 30 anos da Agromais. Não é fácil! Não é fácil porque na verdade 30 anos de uma organização como a Agromais, que nasceu da vontade própria dos agricultores e que em prol destes tem desenvolvido toda a sua atividade, não se podem resumir em poucas palavras. Em todo o caso tenho um misto de sentimentos que diariamente me acompanham. AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

A saudade

E a esperança

A saudade do entusiasmo dos associados inerentes à constituição e desenvolvimento dos primeiros projetos. A saudade das vivências, da procura de novas soluções, do fazer nascer algo que, com o decorrer dos anos, se veio a verificar como fundamental para o desenvolvimento de uma região.

A esperança que no futuro a região, os parceiros e os agricultores, continuem a aproveitar as oportunidades criadas pela Agromais. A esperança de que das dificuldades surgirão oportunidades. A esperança que daqui a 30 anos teremos uma região mais forte!

A satisfação A satisfação de continuar a verificar que a Agromais continua com os mesmos objetivos, com a mesma determinação e com o mesmo profissionalismo. A satisfação de verificar que os sócios, os corpos dirigentes e todos os colaboradores, se mantêm motivados e interessados em prol de um objetivo de desenvolvimento comum.

foto: Carlos Paula Simões

Alfredo Maia Orvalho


NOV17 www.agrotejo.pt DESTAQUE

30 anos de Agromais

“O futuro passará muito pela profissionalização dos agricultores”

12

Sara Pelicano Jornalista

Jorge Neves, diretor-geral da Agromais – Entreposto Comercial Agrícola faz um balanço positivo destes 30 anos da empresa. Em entrevista, garante que a missão inicial – apoiar os agricultores – se mantém como pilar estruturante. O futuro passará por culturas mais rentáveis, maior profissionalização do agricultor e o setor mais tecnológico. AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

| Revista Agrotejo (RA) - Qual o balanço destas três décadas de Agromais? Jorge Neves (JN) - Claramente um balanço positivo. Ao fim de três décadas, a Agromais continua a exercer um papel fundamental não só na região do Norte do Vale do Tejo, onde iniciou a sua atividade, como também na zona de influência do Alqueva, onde já temos operações com alguma relevância. Apostámos no Alqueva porque neste momento é uma zona com um potencial de crescimento, em termos agrícolas, enormíssima. Portanto, a Agromais teria de ter uma posição nessa região agrícola. RA - Passados 30 anos, a Agromais está onde queria? JN - Eu posso responder pelos últimos 18 anos, o tempo que estou na Agromais. As decisões não são fáceis, mas a Agromais caracteriza-se por tomar decisões e a pior coisa que há é não tomar decisões. Tivemos circunstâncias em que as coisas podem não ter corrido como previsto, mas globalmente tenho a certeza de que a Agromais está posicionada no sítio em que a sua direção e os seus agricultores entenderam posicioná-la. RA - Em 30 anos, muita coisa mudou na região. O que destaca nesse sentido?

JN - O que destaco fundamentalmente é a grande evolução tecnológica. O que aconteceu nestes anos foi uma verdadeira profissionalização e especialização dos agricultores. Esta é a grande alteração entre aquilo que era a agricultura há 30 anos e aquilo que é hoje. A capacitação dos agricultores e o conjunto de ferramentas que atualmente estão à sua disposição fazem claramente a diferença nestas três décadas. RA - Qual o futuro da empresa? JN - O futuro da Agromais tem de passar sempre por continuar a apoiar os agricultores. Essa é a grande missão da Agromais: dar condições aos agricultores para prosseguirem a sua atividade. Uma atividade com cada vez mais dificuldades, cada vez mais concorrencial. O grande papel da Agromais vai ser continuar a trabalhar para os agricultores continuarem a sua atividade, melhorarem as suas produções, disponibilizar melhores acessos ao mercado, mais valorização dos seus produtos. O futuro passará muito pela profissionalização dos agricultores. Não podemos esquecer que, hoje em dia, o nível etário dos agricultores é muito elevado e isso vai obrigar a alguma reflexão de como será o futuro da agricultura nesta região. Se os agricultores têm ou


NOV17 www.agrotejo.pt Destaque

não seguidores e se têm seguidores se estes têm os mesmos objetivos que os seus antecessores. O importante é: manter os valores que sempre estiveram por detrás do funcionamento desta organização, ou seja, haver objetivos comuns e os agricultores entenderem a importância de estarem organizados e adaptar-se áquilo que é o futuro, mais concorrencial e tecnológico. Os que não se adaptarem correm o risco de desaparecer. RA - A concentração da oferta desempenha um papel essencial nesse futuro? JN - A concentração da oferta foi desde sempre o grande objetivo da Agromais e vai continuar a ser. Nas diferentes áreas de atuação e mercados onde estamos, verificamos que existe uma grande concentração da procura, quer do lado da indústria de transformação, seja de cereais ou de vegetais, quer do lado da grande distribuição. O que faz sentido para nós é cada vez mais haver concentração da oferta e os nossos agricultores estão conscientes disso. Só assim é que temos armas para podermos estar num nível suficientemente elevado nas negociações com os clientes. RA - A Agromais tem incentivado o cultivo de um milho de qualidade. Esta é

uma aposta ganha? JN - Considero que essa é uma aposta ganha. O posicionamento da Agromais sempre foi esse. O que temos verificado nos últimos anos é que existem dois mercados distintos. O mercado da alimentação animal, que infelizmente não distingue o milho nacional do importado, embora todos reconheçam que o milho nacional é de melhor qualidade face ao importado. No entanto, no final o que comanda a decisão é o preço. Neste momento, assistimos a uma situação de abundância de stock a nível mundial quer de milho, quer de outros cereais. Portanto os preços estão em baixa. A Europa tem sido um dos principais importadores de milho de origens como a Argentina, o Brasil e os paí-

“A capacitação dos agricultores e o conjunto de ferramentas que atualmente estão à sua disposição fazem claramente a diferença nestas três décadas.”

ses do mar Negro. Têm uma oferta fortíssima e a preços muito concorrenciais. A única via para contrariarmos de alguma maneira esta situação é virarmo-nos para o mercado mais especializado, ou seja o mercado da alimentação humana, que tem exigências completamente diferentes. No entanto, garante uma continuidade e uma regularidade de consumo que nos permite projetar a nossa produção a mais longo prazo e criar parcerias e estratégias de longo prazo com os clientes. RA - Ao milho juntam-se as horto-industriais. Ainda há espaço para crescer? JN - Há sempre espaço para crescimento desde que também haja obviamente um aumento na parte do consumo. Hoje em dia os consumidores estão muito mais alertados para o benefício do consumo de vegetais e por essa via penso que a transformação aumentará. Estamos a falar fundamentalmente de produto transformado. Com o aumento da transformação por via do aumento do consumo, haverá, claramente, condições para aumentar a produção. RA - No caso específico do tomate para indústria, o que diferencia a Agromais? JN - O tomate para indústria em Portugal tem como finalidade a produção de

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

13


NOV17 www.agrotejo.pt DESTAQUE

cimento de mercado. Entendemos que era o momento de alterar um pouco o paradigma da região e voltar a cultivos permanentes. A Agromais, durante este período, irá apoiar tecnicamente os produtores na instalação da cultura e na sua condução. Daqui por cinco, seis anos, o momento em que pomares entram em produção, a Agromais tem prevista a instalação de uma central de receção, secagem e transformação da noz para comercialização no mercado.

14

concentrado. São duas coisas que fundamentalmente tem diferenciado a produção dos produtores da Agromais: primeiro, trata-se de um grupo de agricultores altamente profissionais e especializados – passámos, nos últimos 20 anos, de cerca de 120 produtores para 15 ou 16, mas que fazem quase quatro vezes mais área e produção do que se fazia naquela altura. Temos aqui uma mais-valia muito grande; em segundo lugar, são agricultores que, na sua maioria, são proprietários de terra, o que lhes permite cuidar da cultura e olhar para a mesma numa perspetiva de sustentabilidade de médio e longo prazo. E isso reflete-se na qualidade do produto que sai destas explorações. RA - Uma das apostas recentes é a plantação de nogueiras. Qual o papel da Agromais? JN - A Agromais verificou que muitas áreas de produção, em tempos idos, tinham sido de olivais e passaram milho, embora com produtividades mais baixas porque estamos a falar em cotas mais AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

elevadas, menos aptas para produção de milho. As baixas produtividades e os atuais preços, em baixa, tornam a cultura pouco interessante. Face a esta conjuntura e tendo em conta o crescimento do consumo de frutos secos em Portugal e no mundo, a Agromais identificou as nogueiras como um cultivo permanente e estratégico para esta região.

“A concentração da oferta foi desde sempre o grande objetivo da Agromais e vai continuar a ser.” Estas árvores sempre fizeram parte da paisagem do campo porque todas as propriedades tinham, perto de um poço ou de um furo, uma nogueira, o que é sinal de que as nogueiras se dão muitíssimo bem nesta zona. Aquilo que mais nos entusiasma é o potencial de cres-

RA - A produção de milho pipoca tornou-se um projeto emblemático. Como foi este trabalho? JN - É um projeto interessantíssimo em termos da sua execução. O início foi em 2012 e resulta de um somatório de interesses de vários intervenientes, um deles a cadeia de cinemas NOS. Queriam que uma organização em Portugal produzisse milho de pipoca. Fomos abordados, através de uma empresa de consultoria, e delineamos um projeto para produção de milho pipoca em Portugal. Iniciámos com campos de ensaio, nos quais semeámos variedades que na altura não eram produzidas em Portugal. Com o conhecimento que temos na produção de milho, facilmente identificámos as melhores variedades para o milho pipoca. Passados dois anos, em 2014, já estávamos como fornecedores exclusivos da NOS Portugal. Hoje em dia continuamos a ser fornecedores exclusivos e já estamos a abastecer empresas que transformam milho pipoca em Portugal para a grande distribuição. O próximo passo é a internacionalização porque achamos que o produto é diferenciado pelas condições de clima e de sol que temos em Portugal. Todos os testes feitos ao longo destes anos mostram sempre que o nosso milho tem características diferenciadoras relativamente ao que é produzido noutras regiões do mundo. Participámos numa feira internacional, mais concretamente numa convenção de cinema em Barcelona, onde estavam reunidas as grandes cadeias de cinema europeias. Esta presença provou-nos que há boa recetividade e um potencial enormíssimo para conseguirmos abastecer outros países. É esse o nosso objetivo: dar passos em concreto para


NOV17 www.agrotejo.pt Destaque

podermos incrementar a nossa produção. Neste momento, produzimos cerca de 700 toneladas de milho, mas temos condições para duplicar, ou mesmo triplicar, a produção sem qualquer problema. Seguramente, é isso que vamos fazer. RA - Qual a importância que este projeto aporta para a região e para a empresa? JN - Para nós é extremamente importante porque é mais uma alternativa para os agricultores. Se no milho convencional já procuramos especialidade, o projeto de milho pipoca é exatamente a mesma coisa, permitir que os nossos agricultores tenham mais uma alternativa numa especialidade. Embora com plantas mais exigentes que o milho convencional e com uma produção por hectare bastante menor, tem mais-valias. Isto é o que nos interessa: abrir mercados e criar novas alternativas aos agricultores.

RA - A Agromais tem um carácter social muito vincado, participando e organizando diversas atividades. Qual a relevância da responsabilidade social para uma empresa como a vossa? JN - Qualquer empresa tem de ter essa preocupação. Dentro daquilo que é possível fazer e no enquadramento em que estamos, entendemos que havia mar-

“A Agromais tem prevista a instalação de uma central de receção, secagem e transformação da noz para comercialização no mercado.”

gem para fazer qualquer coisa. E mais uma vez os agricultores são uma peça fundamental neste projeto porque é a partir dos campos dos agricultores que avançámos com a iniciativa Restolho – Um segunda colheita. Trabalhadores de empresas, de várias áreas de atuação e locais do país, voluntariam-se para colher o que fica no campo por não cumprir as especificações estabelecidas pela indústria de transformação, mas que é válido para consumo. Os voluntários organizam-se, fazem um dia de campanha no campo no qual recolhem o produto – batata, cebola, pimentos, brócolos… a cultura que estiver nessa data disponível para ser colhida – e a Agromais trata da logística de entregar a colheita nos bancos alimentares da região. Todos os anos conseguimos mobilizar centenas de voluntários e colhemos umas toneladas de produto que vão minorar as carências de algumas famílias.

pub.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

15


TESTEMUNHOS


NOV17 www.agrotejo.pt

foto: Bernardo Pereira

Destaque

O testemunho de quem faz acontecer

As organizações são feitas de pessoas e a Agromais, não foge a esta regra. Composta por mais de 1.200 associados, são eles que dão corpo e formam a alma desta grande organização regional e nacional. Nesta data, tão cheia de significado, a Revista Agrotejo quis ouvir o testemunho de alguns dos que acreditam e fazem o sucesso da Agromais. O testemunho e a palavra são deles.

Sara Pelicano Jornalista

João Rodrigo Mendes

Joaquim Redol Vieira | “Há já 30 anos que trabalho com a Agromais, desde que também eu comecei a trabalhar. É gratificante porque temos acesso a informação que de outra maneira seria difícil de obter. Ajuda-nos a comercializar os produtos que produzimos e a ser mais competitivos, arranjando-nos culturas alternativas. Estamos na linha da frente com eles. Claramente recomendo a outros agricultores que se tornem associados da Agromais.”

| “A minha relação com a Agromais é positiva. Já trabalho com eles desde 2013. Gosto da garantia de escoamento dos produtos. Estava numa outra organização e saí para a Agromais porque concentra mais produtores e consegue negociar melhores preços junto das indústrias. A Agromais assegura as entregas a 100%, mesmo quando as fábricas aqui em Portugal cortam as quotas, eles têm sempre maneira de escoar o produto e o produtor nunca fica com nada no campo. Nunca mais deixei produto na terra. Destaco também a disponibilidade para pagar os produtos fitofarmacêuticos no final da campanha. Pago quando entrego o produto. Aprecio também o facto de estimularem o produtor a fazer culturas diferentes das que habitualmente faz e que lhes traga mais rentabilidade. Tenho apenas a apontar que, para algumas culturas, a Agromais tem, neste momento, menos técnicos disponíveis.”

João Geada | “Comecei a trabalhar com a Agromais há 20 anos. Temos uma relação muito próxima. Quem eu sou hoje, em termos profissionais, à Agromais também o devo. Não quer dizer que seja alguém muito importante, mas o que consegui também o devo à Agromais. Ao longo dos anos, temos trabalhado em conjunto com parcerias que fizemos. Quando quiseram experimentar a cultura do tomate na região do Alqueva, eu fui envolvido. Fiquei satisfeito por me escolherem, foi também um reconhecimento do meu trabalho. Crescemos em conjunto e tentámos ultrapassar as adversidades. As mais-valias são também a comercialização e os serviços técnicos. Gosto também do facto de serem sempre muito inovadores.”

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

17


NOV17 www.agrotejo.pt DESTAQUE

Luís Campino

18

| “Trabalho com a Agromais há vários anos, já através do meu pai que era sócio da Agromais. Há sete anos que trabalho eu mais diretamente. São várias as mais-valias que reconheço na Agromais, acesso mais rápido a informação, garantia de escoamento do produto com rapidez. Temos também acesso aos produtos fitofarmacêuticos e ao aconselhamento. Este ano, por exemplo, até estou a ser mais acompanhado pelos técnicos e consegui melhorar muito a produção.”

pub.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

Ambrósio Teixeira Raposo | “Antes de mais gostaria de congratular a Agromais pelos seus 30 anos de existência. Como agricultor considero o papel da Agromais muito relevante no apoio aos seus sócios e na comercialização dos seus produtos. É também importante destacar que a Agromais e os seus sócios têm economicamente e socialmente um papel importante nas áreas onde se inserem. Uma organização com tantos anos de experiência e com provas dadas transmite aos seus associados uma sensação de segurança, que é fundamental para que se possa investir

com o intuito de fazer mais e melhor no futuro. A Agromais veio criar condições para o desenvolvimento das explorações dos seus associados, que através dessa relação e com o seu trabalho conseguiram ir acompanhando o desenvolvimento do sector, adquirindo conhecimento e modernizando-se, sendo hoje bastante competitivos. Num mundo em constante mudança é importante continuarmos empenhados na realização de um bom trabalho e na procura de soluções que nos permitam progredir. Tendo eu 30 anos considero que a Agromais é também uma excelente parceira para quem se quer lançar no sector agrícola, disponibilizando aos jovens apoio e informação sobre a atividade agrícola, assim como uma vasta oferta de formações. É minha convicção que os produtores estando organizados podem ter mais sucesso e por isso espero que a Agromais continue o bom trabalho desenvolvido até aqui e que comemore muitos mais anos de existência.”


NOV17 www.agrotejo.pt Destaque

19

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt DESTAQUE

...aquilo que mais importante fica e deve continuar a marcar o percurso da AGROMAIS é a vontade inabalável, até agora demonstrada, de inovar e criar sempre melhores condições junto do Agricultor, sua principal razão de ser, para o desenvolvimento da sua atividade empresarial ao serviço de uma economia mais próspera e, simultaneamente, respeitadora do meio ambiente e da preservação dos recursos naturais. Fernando Gomes da Silva 20

Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas (1995-1998)

A AGROMAIS comporta um conjunto de características que fazem dela exemplo a seguir. Ali se juntaram e conjugaram a capacidade de iniciativa, o espírito criativo, o assumir de responsabilidade de um grupo de produtores que, sabendo muito bem o que queria, não esperou de outros o que podia fazer por si próprio, assumindo a atitude que liberta e multiplica as energias que fazem as sociedades prosperarem. Carlos da Costa Neves Ministro da Agricultura, Pescas e Florestas (2004-2005)

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt Destaque

Pude testemunhar a capacidade e a sua forte orientação para a inovação tecnológica, para a implementação das melhores práticas de produção e de gestão. Nunca escondi a minha admiração por este modelo e pela capacidade dos seus dirigentes. Sempre achei que a experiência da AGROMAIS era fundamental para o esforço de modernização e de organização a desenvolver noutras regiões do País António Serrano

Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas (2009-2011)

Numa agricultura cada vez mais profissionalizada, organizações fortes são uma mais-valia, para os seus associados. Só desse modo é possível chegar mais longe, a novos destinos, novos produtos e novas tecnologias. A AGROMAIS soube, no momento certo, sair da sua zona de conforto e procurar novas geografias, soube alargar horizontes e apostar em novos produtos e novos serviços e, no fim, ganhou a AGROMAIS, ganharam os agricultores e ganhou o país.

A AGROMAIS, fruto do labor e persistência dos seus dirigentes e associados, converteu-se já numa instituição de referência no quadro das Organizações de Produtores do nosso País. Com raízes fundas na AGROTEJO, a AGROMAIS nasceu em 1987 e tornou-se na maior organização de produtores de cereais e hortícolas de Portugal, quer pela dimensão da sua área d e cultivo, quer pelo seu número de associados, quer pelo volume de negócios anual que representa.

Luís Capoulas dos Santos Assunção Cristas

Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (2011-2015)

Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas (1998-1999 / 1999-2002 / 2015-...)

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

21


NOV17 www.agrotejo.pt

foto: Carlos Paula Simões

ATUALIDADES Destaque

23

headline

O futuro da nossa agricultura Luís Vasconcellos e Souza Presidente da Agromais

| Ao fim de 45 anos de agricultor, de 31 anos de cidadão da UE, de 30 anos de dirigente associativo agrícola e de 62 anos de português, olho para o futuro da agricultura nacional duma forma talvez mais positiva do que seria de esperar. Vejamos então porquê: 1. A agricultura portuguesa evoluiu extraordinariamente nos últimos 15 anos. 2. As explorações ganharam dimensão e tornaram-se mais eficientes. 3. O investimento agrícola está a níveis nunca antes atingidos. 4. O preço da terra na grande maioria do país continua a subir. 5. O número de trabalhadores imigrantes no sector tem crescido muito. Esta minha análise parece-me limpa e consistente, mas talvez demasiado “nacional”. É verdade, Portugal tem ao mesmo tempo uma expressão mínima na produção agrícola comunitária e uma dependência ainda muito grande das políticas comunitárias, pelas transferências

líquidas que recebe. E é aí que pode vir a estar o nosso futuro problema. Na verdade é, quanto mim, ao nível das políticas comunitárias que os problemas se vão colocar duma forma …menos positiva. Coisas como as negociações com o Mercosur, coisas como os acordos preferenciais com alguns países terceiros, coisas como a proibição da utilização de alguns produtos químicos (por razões eleitoralistas), coisas como a ausência dum plano agrícola estratégico europeu, e duma PAC mais dinâmica, são, todas elas, razões para eu ficar mais apreensivo. No entanto na nossa zona, graças a Deus, temos água, estamos organizados, temos bons produtores e temos ambição. Só precisamos de conseguir ganhar rapidamente dimensão em novos negócios a criar, como no caso das nozes, para que possamos evoluir e criar riqueza, para nós e para a nossa região. Vamos a isso!

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt ATUALIDADES

Agrotejo foi à escola no Dia Nacional da Agricultura A 19 de maio assinala-se o Dia Nacional da Agricultura. Para destacar esta data, a Agrotejo esteve na Escola Profissional Gustave Eiffel, no Entrocamento, e na Escola Mestre Martins Correia, na Golegã. A associação desenvolveu atividades e conversou com os alunos sobre o setor e a capacidade que

este tem tido ao longo dos anos em se reinventar de forma a tornar-se cada vez mais rentável e ao mesmo tempo sustentável. Este é um projeto comunitário do qual fazem parte a Fórum Estudante, a Direção-Geral da Educação, o Instituto Politécnico de Bragança e a Confederação dos Agricultores de Portugal.

Agromais e Plus Alqueva foram a Aljustrel

Aljustrel homenageia o campo e o pão anualmente no certame designado Feira do Campo Alentejano. Espaço de exposição, tasquinhas e muita animação fazem esta festa, na qual a Agromais e a Plus Alqueva também marcaram presença. Os produtos da empresa e as pipocas de milho produzido em solo nacional fizeram parte desta participação.

24

pub.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt ATUALIDADES

Academia Clube de Produtores Continente para reforçar a competitividade Em outubro começou a 1.ª edição da Academia Clube de Produtores Continente que visa reforçar a competitividade dos seus produtores, preparando-os para os novos desafios da produção e distribuição do século XXI. A Academia vai, ao longo de seis meses, conduzir os 23 participantes por sessões com investigadores de diversas universidades portuguesas e quadros da Sonae MC. Estes vão partilhar conhecimento científico e técnico sobre as várias áreas da cadeia de abastecimento de frescos. “Trata-se de uma abordagem única e inovadora em Portugal, através de um mo-

delo colaborativo para a inovação e sustentabilidade”, afirma Ondina Afonso, presidente do Clube de Produtores Continente. Com a Academia Clube de Produtores Continente “acreditamos que vamos conseguir acelerar a incorporação de conhecimento, junto dos produtores, colocando toda a cadeia de valor em patamares de excelência, garantindo a promoção de parcerias estratégicas para a dinamização do sector agropecuário português, o desenvolvimento de produtos inovadores e servindo cada vez melhor os nossos clientes com o melhor de Portugal”, acrescenta.

pub.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

25


NOV17 www.agrotejo.pt ATUALIDADES

Mais de 30 empresas nacionais em certame espanhol A Fruit Attraction, feira espanhola dedicada ao sector hortofrutícola, decorreu entre 18 e 20 de outubro e contou com a presença de 30 empresas nacionais, um aumento de 50% em relação ao ano passado. A Agromais foi uma dessas empresas que tem como objetivo exportar 20% da produção de cebola, alho e abóbora em 2020. Uma meta possível de atingir mas que requer um trabalho paulatino. Assim, a participação em feiras estrangeiras como a Fruit Attraction, em Madrid, é uma aposta. O secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, Luís Vieira da Silva, visitou a feira no primeiro dia e congratulou-se pela expressiva presença nacional. “A forte presença portuguesa é reflexo de uma aposta persistente no mercado internacional que se tem traduzido num crescimento continuado das

26

pub.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

exportações”, afirmou. E acrescentou: “nos primeiros oito meses de 2017, as exportações, neste setor, registaram um aumento de 20% em relação ao período homólogo de 2016, indicador de que, no caso da fruta, atingiu mesmo o valor de 40%”. Luís Vieira da Silva considerou ainda que “este dinamismo resulta de uma forte aposta dos empresários portugueses no conhecimento, inovação e

investimento”, salientando que, no âmbito do Programa de Desenvolvimento Rural 2020, foram já contratados, neste setor, mais de 3.000 projetos, envolvendo 621 milhões de euros de investimento e 237 milhões de apoios públicos. No ano passado, o certame espanhol contou com a participação de 58.150 profissionais de 102 países, um crescimento de 18% face ao ano de 2016.


NOV17 www.agrotejo.pt ATUALIDADES

Incêndios - PDR2020 Restabelecimento do Potencial Produtivo

​ Despacho n.º 8851-A/2017 de 2017O 10-06 - Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural - Gabinete do Ministro – que reconhece como catástrofe natural o conjunto de incêndios deflagrados no decurso do mês de julho e agosto de 2017, abrange quatro concelhos integrados na Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo – CIMT – (Abrantes, Ferreira do Zêzere, Mação e Sardoal) concede um apoio à reconstituição ou reposição do potencial produtivo das explorações agrícolas danificadas. Este, tem enquadramento no PDR2020 - Operação 6.2.2 - Restabelecimento do Potencial Produtivo (7º Concurso), explicitando no ponto 4 do Artigo 2º do referido Despacho:“…As despesas são elegíveis após a apresentação da candidatura e estão sujeitas à verificação e validação no local, pelas Direções Regionais de Agricultura e Pescas territorialmente competentes, dos prejuízos declarados pelos beneficiários.”

15 milhões de euros para minimizar risco de erosão O Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural disponibilizou 15 milhões de euros para minimizar o risco de erosão dos solos e contaminação das águas, devido à queda de chuva após os incêndios. “De imediato, [vamos] disponibilizar 15 milhões de euros àquilo a que chamamos a estabilização de emergência, que tem a ver com as ações que visam minimizar os riscos da erosão, da contaminação das linhas de água e dos declives”, referiu o ministro da Agricultura. Luís Capoulas Santos adiantou que será atribuído um apoio financeiro às explorações que tiveram prejuízos

superiores a 30% para reporem o potencial produtivo que foi destruído pelos incêndios. A atribuição do montante – acima dos 100 euros e sem valor limite – será efetuada através de um concurso, que terá início após o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) determinar o perímetro das áreas atingidas pelo incêndio. Apesar de ainda não existir uma estimativa para o valor total dos prejuízos causados pelos incêndios, o ministro da Agricultura adianta que serão superiores aos 700 milhões de euros causados pelos incêndios de Pedrógão Grande e pela vaga que lhe sucedeu.

Mais uma participação da plus alqueva na Feira Nacional da Água e do Regadio Em junho, decorreu a Feira Nacional da Água e do Regadio, em Ferreira do Alentejo. A Agromais e Plus Alqueva participaram no certame com stand próprio. Este foi um espaço para interagir com os associados, parceiros e visitantes da feira alentejana. As pipocas de milho nacional, feitas na hora fizeram as delícias de todos os que passaram por esta feira anual.

pub.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

27


NOV17 www.agrotejo.pt ATUALIDADES

Conduzir trator impõe formação obrigatória

De acordo com a legislação em vigor, despacho nº 3232/2017 e a nota técnica nº 6 da ACT, todos os operadores de tratores e máquinas agrícolas deverão possuir formação habilitante para terem conhecimentos específicos no âmbito da segurança e saúde no trabalho. Nesse sentido todos os operadores devem complementar a habilitação para a condução de que são detentores, com a frequência do curso “Conduzir e Operar com o Trator em Segurança”, com uma duração nunca inferior a 35 horas de duração. A Agrotejo está devidamente certificada para desenvolver formação na área da Mecanização Agrícola e Condução de Veículos Agrícolas, pelo que tem previsto no seu plano de formação a realização do referido curso. Para mais informações entre em contacto com os nossos serviços.

28

pub.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt ATUALIDADES

Projeto de emparcelamento com parecer favorável do PDR2020 No âmbito da Acão 3.4.3 – drenagem e estruturação fundiária, a Agrotejo, como promotora do projeto, submeteu a candidatura, em março de 2017, o projeto de emparcelamento rural de azinhaga Golegã e Riachos. Recentemente, por despacho da Autoridade de gestão do PDR, foi-nos comunicado o parecer favorável á candidatura submetida. A dotação orçamental considerada e prevista pelo estado português para este financiamento, está aquém das reais necessidades e orçamentos previstos para a execução, nesta fase, da totalidade da obra. Preocupa-nos também as condicionantes impostas à aceitação e execução da candidatura. Por isso e porque entendemos que este projeto é estruturante e potenciador do desenvolvimento agrícola da região, temos vindo e continuaremos a desenvolver esforços no sentido da agilização de procedimentos e do reforço financeiro previsto e necessário.

Ovibeja, uma mostra do Alentejo

“Todo o Alentejo deste Mundo” é o lema da Ovibeja, que decorreu em abril, em Beja. A Agromais e a Plus Alqueva fazem já parte desse Alentejo e estiveram presentes no certame. Esta foi a terceira participação na Ovibeja, feira onde procuram contactar com clientes e parceiros. No stand havia um carrinho de legumes grelhados e uma máquina de fazer pipocas.

29

pub.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt ATUALIDADES

Governo equaciona pedir alteração de culturas As previsões do Instituto de Meteorologia apontam para temperaturas acima da média até ao final do ano e baixa precipitação. Nesse sentido, o Governo pondera pedir a alguns agricultores que substituam culturas mais exigentes em água por outras com necessidades menores. “Este ano tivemos na bacia do Sado problemas com o arroz. Temos culturas, como o tomate, o melão e alguns cereais que são espécies adaptadas para regadio. Nesses casos, o que vamos fazer é pedir que se faça uma substituição na sementeira para o próximo ano em determinadas regiões”, disse à Rádio Renascença o secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, acrescentando que “o pior que se podia fazer era as pessoas avançarem para sementeiras e daí a pouco perderem os custos da sementeira”. Ao DN acrescentou ainda que “podemos chegar ao ponto de recomendar aos agricultores que não cultivem algumas espécies na próxima época”.

30

Agrotejo adere a Parceria Portuguesa para o Solo A Parceria Portuguesa para o Solo é uma iniciativa da Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural e da Sociedade Portuguesa da Ciência do Solo. A iniciativa acontece no seguimento do Ano Internacional dos Solos, assinalado em 2015 por declaração das Nações Unidas. Diferentes instituições e empresas juntam-se nesta parceria para agregar e disponibilizar informação para o uso e a gestão sustentável do solo, reduzir as lacunas de conhecimento sobre o recurso solo no País, contribuir para a adoção de medidas de política tendo em vista o uso sustentável do solo, fomentar a sensibilização sobre o recurso solo e promover a implementação de ações das Parcerias Europeia e Global. A Agrotejo aderiu também a esta Parceria Portuguesa para o Solo por razões várias. A cobertura de solos constitui um recurso natural indissociável de um território. O solo é um dos fatores que condiciona a ocupação humana do território e, ao mesmo tempo, é profundamente afetado pelo ordenamento territorial dessa ocupação, pelos tipos de uso que lhe são afetos e pelas práticas de gestão adotadas em cada um. Sendo parte integrante dos ecossistemas terrestres, o solo desempenha funções e serviços vitais para as sociedades: de aprovisionamento (fornece biomassa, matérias-primas e recursos genéticos), de regulação (dos ciclos biogeoquímicos, em especial dos mais relacionados com as alterações climáticas – água e carbono), de suporte (à biodiversidade e a infraestruturas) e culturais (contém informação de interesse científico, histórico, cultural e artístico). Pode saber mais sobre a Parceria em https://parceriaptsolo.dgadr.gov.pt/

‘MAPO’ com novos serviços e a caminho da europa O Mercado Agrícola Português Online (MAPO) estabeleceu uma parceria com a consultora Ateneya. Juntos vão disponibilizar novos serviços e apresentar uma nova plataforma de comércio europeu. Os novos serviços são “soluções tecnológicas que visam a criação e potenciação da presença online das empresas – através do desenvolvimento de soluções web, desde simples websites institucionais a lojas online, desenvolvimento de aplicações, serviços de design e marketing, – e consistem também na promoção dos produtos das empresas em mercados nacionais e externos.” Os fundadores da plataforma afirmam que “os novos serviços abrirão também portas para a comercialização. Criar uma loja online e não a promover junto de potenciais mercados é o mesmo que comprar um carro topo de gama e guardá-lo na garagem sem usufruir dele. Muitas empresas hoje em dia começam a despertar para esta realidade, no entanto, ainda existem muitas que se fecham a estas novas oportunidades talvez por falta de adaptação devido à velocidade a que o mercado evolui”.

Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo com obras de requalificação Estão a decorrer obras de requalificação e melhoramento no apoio ao visitante na Reserva Natural do Paul do Boquilobo. Um projeto da responsabilidade da Câmara Municipal da Golegã que visa criar melhores condições de acesso, visitação

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

e informação a todos os que procurem aquele espaço. A construção de novos trilhos, passagens hidráulicas, centros de observação e nova sinalética, são algumas das novidades que os visitantes, a curto prazo, poderão disfrutar.


NOV17 www.agrotejo.pt ATUALIDADES

Agri Innovation Summit debateu a inovação na agricultura Mais de 500 pessoas de toda a Europa estiveram em Lisboa entre os dias 10 e 13 de outubro. Esta foi a primeira edição do Agri Innovation Summit, um evento que tem como objetivo fomentar a inovação na agricultura. A tecnologia e a digitalização aplicadas à agricultura, startups deste setor e um concurso de ideias, com atribuição de prémios, foram alguns dos temas em debate e iniciativas do encontro organizado pelo Ministério da Agricultura, em parceria com a União Europeia. Entre outras personalidades, marcaram presença o comissário europeu para a Agricultura e Desenvolvimento Rural, Phil Hogan, e Carlos Moedas, comissário europeu para a Investigação, a

Ciência e a inovação. Phil Hogan salientou que “a conetividade e as soluções digitais são áreas nas quais a Política Agrícola Comum pode e deve melhorar em prol da economia rural. As novas tecnologias contribuirão para encontrar o equilíbrio entre a performance económica e a responsabilidade que pedimos aos agricultores na preservação do ambiente e na mitigação das alterações climáticas”. O mesmo responsável acrescentou ainda que “se trabalharmos juntos – agricultores, investigadores, empresas e legisladores – conseguiremos obter um verdadeiro progresso na implementação de meios digitais no mundo rural”.

31

Pipoca nacional estreia-se em Barcelona A Agromais desenvolveu um milho especial para pipoca, uma parceria com a cadeia de cinema NOS. Nas últimas campanhas, este milho tem sido desenvolvido e apurado e, recentemente, foi apresentado na Feira Cine Europa, que decorre anualmente em Barcelona, Espanha, evento dirigido aos distribuidores de conteúdos televisivos e de filmes de cinema. O milho para pipoca da Agromais «estalou» e encantou em cidade espanhola, em junho de 2017, junto da indústria e

dos agentes da distribuição cinematográfica europeia e mundial. Sendo um segmento de mercado com expressão considerável, o milho para pipoca é uma oportunidade importante para o crescimento da cultura de milho, das exportações e representa uma oportunidade ímpar para reforçar o portfólio de produtos comercializados de origem nacional. A Agromais preparou ao pormenor a presença nesta feira, investindo na decoração do stand, no envio de uma equipa comercial e numa campanha específica e dedicada a este publico alvo para a promoção do milho para pipoca. Nas imagens aqui publicadas pode-se visualizar o conceito e posicionamento apresentado por este produto, seja através do stand como dos

cartazes expostos e dos postais distribuídos aos visitantes. Este investimento teve enorme retorno no que respeita aos contactos efetuados com as dezenas de interessados em saber mais sobre o milho para pipocas da Agromais e sobretudo nos contactos estabelecidos no sentido de visitas comerciais às instalações da Agromais. AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt ATUALIDADES

reveladas algumas linhas orientadoras da nova pac Em outubro, os Estados-Membros representados no Comité Especial de Agricultura acordaram o regulamento Omnibus, que altera o regulamento financeiro que define a execução do orçamento da União Europeia, bem como 15 atos legislativos sectoriais, incluindo no domínio da agricultura. Os pagamentos diretos, o greening, a organização do mercado comum e o desenvolvimento rural vão ter algumas mudanças no âmbito da Política Agrícola Comum (PAC). Pode saber mais aqui: www.consilium.europa.eu/ en/press/press-releases/2017/10/16-agriculture-omnibus-confirmed/

32

pub.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt OPINIÃO

Francisco Avillez & Eduardo Diniz

foto: Bernardo Pereira

Como será a Política Agrícola Comum (PAC) pós-2020?

34

Francisco Avillez s

| O Futuro da PAC após 2020 Irão ser três, no essencial, os objetivos estratégicos da PAC após 2020: • promover a competitividade dos sistemas e estruturas de produção agrícola capazes de vir a competir no contexto de mercados cada vez mais alargados e concorrenciais e de uma procura crescentemente exigente do ponto de vista ambiental, da segurança alimentar e do bem-estar animal; • assegurar a viabilidade dos sistemas e estruturas de produção agrícolas que, não AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

Esta foi a pergunta que lançámos a duas personalidades do setor, cujas respostas transcrevemos a seguir. Dos discursos de Eduardo Diniz, diretorgeral do GPP, e de Francisco Avillez, professor Emérito do Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa e coordenador científico da AGRO.GES, retémse algumas ideias: competitividade, inovação, diversificação, ambiente e Brexit.

tendo condições para vir a competir no futuro, sejam capazes de contribuir para a sustentabilidade ambiental e a coesão económica e social dos territórios rurais; • promover a inovação e a internacionalização das industrias agro-alimentares e florestais; • promover o reforço e a diversificação do tecido económico e social das zonas rurais. Para que tais objetivos possam vir a ser atingidos vai ser necessária uma reforma da PAC capaz de privilegiar prioritariamente os seguintes diferentes tipos de medidas e de ações de política agrícola: • os instrumentos de gestão de riscos e de estabilização dos preços e rendimentos; • as ações de reforço da posição dos produtores na cadeia agroalimentar;


NOV17 www.agrotejo.pt opinião

o recurso a medidas de estabilização de preços e de rendimentos do tipo contra cíclico, vai exigir um Orçamento Agrícola da UE com uma maior flexibilidade

bilidade ambiental e social dos territórios rurais; • reforçar as verbas de apoio à produção e difusão de inovações, aos investimentos produtivos e à internacionalização dos sectores agro-alimentar e florestal comunitário e nacional. Estas futuras alterações significativas na PAC vão, inevitavelmente, implicar mudanças no Orçamento Agrícola da UE, ou seja, uma reafectação dos fundos comunitários entre medidas e, consequentemente, entre Estados-Membros, produtores agrícolas e sectores produtivos, o que vai provocar, necessariamente, resistência à mudança. Por outro lado, o recurso a medidas de estabilização de preços e de rendimentos do tipo contra cíclico, vai exigir um Orçamento Agrícola da UE com uma maior flexibilidade do que o atual, o que irá constituir outro obstáculo a este tipo de mudanças. Importa sublinhar que os produtores comunitários e nacionais atualmente mais beneficiados pelos sistemas de PDP em vigor vão, certamente, reagir de forma muito negativa a este tipo de mudanças, uma vez que elas irão pôr em causa uma fonte de rendimentos relativamente segura, o que torna particularmente difícil o debate, entre nós, sobre o futuro da PAC após 2020.

35

foto: Carlos Paula Simões

• os incentivos para a criação e difusão de inovações tecnológicas e não-tecnológicas prioritariamente orientadas para a expansão de um novo modelo de intensificação tecnológico agrícola sustentável; • os apoios ao investimento produtivo e à internacionalização; • os pagamentos diretos aos produtores que, assegurando uma remuneração adequada dos bens e serviços públicos produzidos, assegurem a viabilidade dos sistemas de produção ambiental e socialmente sustentáveis; • o apoio aos investimentos não agrícolas em zonas rurais. É, neste contexto, que em minha opinião deverá ser encarada a reforma da PAC pós-2020, sendo de realçar que uma implementação coerente e eficaz do conjunto de medidas em causa irá implicar uma alteração significativa na forma como se distribuem os fundos comunitários entre os diferentes tipos de medidas e, consequentemente, Estado-Membros da União Europeia, sectores produtivos e explorações agrícolas nacionais. Estas alterações orçamentais vão, certamente, constituir o principal obstáculo a vencer pelos promotores da próxima reforma da PAC, ficando no centro das dificuldades a ultrapassar o futuro das verbas afetas aos pagamentos diretos aos produtores, que correspondendo a cerca de 70% do atual orçamento agrícola da União Europeia (UE), terão que sofrer necessariamente uma redução de forma a tornar possível um adequado financiamento das medidas anteriormente propostas. Dadas as muito possíveis limitações orçamentais futuras (em consequência do Brexit, mas não só), uma reorientação deste tipo não pode constituir uma mera transferência entre diferentes grupos de beneficiários, uma vez que dela deverão resultar os fundos indispensáveis para: • financiar os instrumentos de estabilização de preços e de rendimentos que deverão passar a constituir um elemento decisivo para a competitividade económica dos sistemas e estruturas potencialmente competitivas; • remunerar, adicionalmente, os bens públicos que venham a ser produzidos pelos sistemas e estruturas de produção com um contributo mais relevante para a sustenta-

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt OPINIÃO

Francisco Avillez & Eduardo Diniz

Eduardo Diniz

36

| Afigura-se pouco prudente uma alteração radical da PAC no período pós-2020 Tendo em conta a última reforma da Política Agrícola Comum (PAC) cujas prolongadas negociações do trílogo interinstitucional no seio da União Europeia (UE), levou a que a sua aplicação tenha começado apenas em 2015 afigura-se pouco prudente uma alteração radical desta política comum para o período pós-2020. Com efeito, os agricultores necessitam de previsibilidade e tempo para se adaptarem a novas regras de aplicação complexa. Também as administrações estão ainda em fase de operacionalização de novos regimes, como é o caso do greening, que exige um esforço considerável de recursos humanos e tecnológicos. Por outro lado, a PAC é um poderoso instrumento para o desenvolvimento económico e a coesão social, objetivos para os quais contribui com o apoio à produção de alimentos e matérias-primas, bem como de bens públicos como a manutenção da biodiversidade e da paisagem rural, o sequestro de gases com efeito de estufa, a manutenção dos solos e do ciclo da água. A concretização destes objetivos requer uma política pública forte, abrangente nas suas opções, baseada em regras comuns e com meios suficientes para promover o desenvolvimento sustentável da agricultura em todo o território da UE. Esta defesa de uma revisão, não abrupta, parece-nos estar alinhada com a iniciativa política do Comissário Phil Hogan sobre o futuro PAC e, em particular com os resultados da consulta pública

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

Também as administrações estão ainda em fase de operacionalização de novos regimes, como é o caso do greening, que exige um esforço considerável de recursos humanos e tecnológicos

a PAC é um poderoso instrumento para o desenvolvimento económico e a coesão social

alargada, que foi lançada em 2 de fevereiro, que se intitula “Consulta Pública para a modernização e simplificação da PAC”, sendo expectável que os mesmos venham a ser determinantes na apresentação no próximo dia 29 de novembro da Comunicação. Contudo, quer no contexto dos debates em curso, sobre o futuro da União Europeia (ver Livro Branco de março de 2017), quer sobre a revisão do Quadro Financeiro Plurianual, resulta claro que os objetivos de crescimento económico sustentável e estabilidade financeira competem por fundos com novos desafios emergentes relacionados com a segurança e a migração, pelo que é expetável uma tendência futura de necessidade de uma maior alocação financeira ligada a estas prioridades. Neste contexto, existem duas vias: ou será possível uma expansão orçamental (que é dificultada com o Brexit) ou a variável de ajustamento recairá sobre a PAC e política de coesão, que representam quase 80% do atual orçamento da UE. Como contributo construtivo para o debate em curso, em março de 2017, no Conselho de Ministros da Agricultura, Portugal distribuiu um documento com um primeiro posicionamento sobre a futura PAC defendendo os seguintes vectores: • Ambiente, clima, saúde – os agricultores possuem uma posição privilegiada para a produção de bens públicos de valor acrescentado ao nível europeu no que diz respeito ao ambiente, clima e alimentação saudável. • Resiliência como vantagem competitiva – o investimento e a gestão do risco, onde se incluem o apoio direto ao rendimento, não só criam sistemas agrícolas que respondem de forma resiliente às adversidades, como promovem condições para o seu desenvolvimento e competitividade. • Relações equilibradas na cadeia alimentar


NOV17 www.agrotejo.pt opinião

– para assegurar a eficácia da PAC é essencial que as relações entre os vários operadores na cadeia alimentar sejam equilibradas. • Pequena agricultura e jovens agricultores – a atratividade da atividade agrícola é essencial para garantir fluxos de investimento. Neste contexto, o papel da renovação geracional e da presença de uma rede de agentes económicos no meio rural é fundamental. Recapitulando verifica-se que o fator «orçamento» é a variável chave para entender o nível de profundidade das alterações da PAC no pós-2020. Neste quadro será sempre ao nível dos pagamentos diretos (principal instrumento de apoio da PAC) que se centrará o debate. Em segundo plano, indicam-se as tensões entre competitividade e o ambiente que obrigarão a uma resposta por parte dos decisores políticos, quer quanto à necessidade de comprovação de resultados das medidas para o ambiente e clima quer quanto à simplificação e previsibilidade das regras para os agricultores.

pub.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

37


NOV17 www.agrotejo.pt A SABER

38

orçamento de estado de 2018

Ministério da Agricultura terá 1.481,1 milhões de euros Sara Pelicano Jornalista

A proposta de Orçamento do Estado para 2018 (OE2018) foi entregue pelo Governo na Assembleia da República a 13 de outubro e prevê uma verba de 1.481,1 milhões de euros para o Ministério da Agricultura.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

| No próximo ano, o Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural terá mais dinheiro para gerir. A proposta de Orçamento do Estado para 2018 (OE2018), entregue pelo Governo na Assembleia da República a 13 de outubro, atribui a este sector uma dotação financeira de 1.481,1 milhões, o que representa um aumento de 49%, face ao estimado para 2017. O relatório que acompanha a proposta de lei do OE2018 esclarece que “no subsetor do Estado verifica-se um aumento de 63,5 milhões de euros, por via de dotações do Orçamento do Estado ao orçamento de atividades destinadas a serviços da administração direta do Estado, Serviços e Fundos Autónomos, bem como à consignação da receita do imposto sobre Produtos Petrolíferos e Energéticos a encargos respeitantes a ações apoiadas pelo Estado através do Fundo Florestal Permanente e o valor remanescente a projetos de apoio à agricultura e pesca”. No mesmo documento lê-se que “o financiamento do subsector do Estado

por via de receitas consignadas mostra um incremento de 97,1%, mais 50,1 milhões de euros, com predominância no financiamento por via de fundos comunitários”. A contrapartida nacional para o Programa de Desenvolvimento Rural (PDR) 2020 vai beber a várias fontes, tais como o Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP), o Fundo Florestal Permanente e o Fundo Ambiental. A proposta esclarece que “durante o ano de 2018, a receita do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) cobrado sobre gasóleo colorido e marcado é consignada, até ao montante de 10 milhões de euros, ao financiamento da contrapartida nacional dos programas PDR 2020 e MAR 2020, preferencialmente em projetos dirigidos ao apoio à agricultura familiar e à pesca tradicional e costeira, na proporção dos montantes dos fundos europeus envolvidos, devendo esta verba ser transferida do orçamento do subsetor do Estado para o orçamento do IFAP, I. P. [Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas]”.


NOV17 www.agrotejo.pt A SABER

Está também contemplada a “transferência de saldos de gerência do Fundo Florestal Permanente para o orçamento do IFAP, I. P., até ao montante de 17 milhões para o cofinanciamento nacional do apoio a projetos de investimento florestal, no âmbito do PDR 2020” e “do Fundo Ambiental para o IFAP, I. P.” devem ser transferidos “4,5 milhões para aplicação no PDR 2020 em projetos agrícolas e florestais que contribuam para o sequestro de carbono e redução de emissões de gases com efeito de estufa”. De referir ainda que, na proposta entregue na Assembleia da República, o Governo prevê um défice orçamental de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) e um crescimento económico de 2,2% no próximo ano. As estimativas para este ano foram melhoradas, prevendo-se um crescimento económico de 2,6% e um défice orçamental de 1,4%. Quanto à taxa de desemprego, deve descer de 9,2% este ano para 8,6% no próximo.

Agricultores fora do alargamento do mínimo de existência O fiscalista Manuel Faustino alertou que o alargamento do mínimo de existência previsto para 2018 abrange apenas os profissionais liberais e não todos os trabalhadores independentes, ficando de fora os agricultores e os comerciantes. Em declarações à agência Lusa, afirmou que “o alargamento do mínimo de existência só foi feito para os tais que estão na lista”, referindo-se aos profissionais liberais. E questionou: “Esse é

As estimativas para este ano foram melhoradas, prevendo-se um crescimento económico de 2,6% e um défice orçamental de 1,4%

o lobby que o senhor secretário de Estado [dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes] defende? Provavelmente nunca foi agricultor, nunca foi comerciante. Então esses não têm direito ao mínimo de existência?”. A proposta de OE2018 prevê que o mínimo de existência, que atualmente se destina apenas aos trabalhadores dependentes e aos pensionistas, passe a aplicar-se também aos profissionais liberais conforme listado na Portaria n.º 1011/2001. Nesta estão profissões como arquitetos, artistas de teatro e bailado, pintores, desportistas, engomadores, jornalistas e outros, mas deixa fora da proteção do mínimo de existência os outros trabalhadores independentes que, atualmente, também estão na categoria B do IRS, nomeadamente os que trabalham em atividades comerciais ou industriais (antiga categoria C do código do IRS) e os que trabalham em atividades agrícolas, silvícolas ou pecuárias (antiga categoria D).

pub.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

39


NOV17 www.agrotejo.pt OPINIÃO

Está a mudar tudo no Alqueva

40

José Vargas Departamento Técnico e Comercial da Plus Alqueva

| O ano de 2002 foi o ponto de viragem para a região Alentejo: o fecho das comportas da Barragem do Alqueva! As planícies alentejanas outrora conhecidas pelas culturas de cereais de sequeiro, no ano de 2016 tiveram a seguinte percentagem de ocuAGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

esta diversificação de culturas só é possível devido à existência de água do Alqueva

pação de solo: olival (56,27%); milho (7,82%); vinha (6,52%); forrageiras (5,5%); frutos secos (4,94%); oleaginosas (4,92%); hortícolas (4,64%); cereais (3,85%); frutas, aromáticas e medicinais (3,44%); outras (2,1%). (EDIA, 2016). Porém, esta diversificação de culturas só é possível devido à existência de água do Alqueva, a qual permite regar aproximadamente 110 mil hectares de terra, fazendo emergir culturas que até agora seria impensável ver nestes territórios. São estas culturas que estão a assumir um papel cada vez mais importante na paisagem e economia alentejana.


NOV17 www.agrotejo.pt opinião

Os agricultores alentejanos são perspicazes e atentos a estas alterações, o que lhes permite realizar investimentos em novas culturas. Por isso, passámos a ver plantados no Alentejo pomares de fruta, amendoais, olivais e hortícolas, onde existiam cereais, pastagens e forragens. Nos últimos anos temos assistido a um forte investimento em amendoais, prevendo-se que, num prazo de 3 anos, estejam plantados mais de 7 mil hectares no Baixo Alentejo. Esta cultura só é possível nesta região devido à excelente qualidade dos solos associada à abundância de água. É uma das culturas mais promissoras e rentáveis nesta região, com excelente valorização – a amêndoa tem sido valorizada acima dos 6 euros por kg -, e que beneficia de uma conjuntura interessante (num passado recente, a maior região produtora no mundo – Califórnia - foi “atingido” por um período de seca grave e prolongado). O olival continua a ser a cultura com uma maior expressão, devido também à excelente cotação do azeite. Tem contribuído para o aumento do investimento em novos lagares,

Os agricultores alentejanos são perspicazes e atentos a estas alterações, o que lhes permite realizar investimentos em novas culturas

que beneficiam quer os agricultores quer a economia local. Além do olival e dos frutos secos, as frutas são também uma cultura de destaque, sendo possível neste momento observar grandes extensões de pomares de árvores de fruto. Mais uma vez, só é possível produzir frutas no Alentejo devido à água do Alqueva assim como, o excelente clima aqui existente que permite produzir com “sabor” e “cheiro”, características distintivas na valorização do produto final.

41

pub.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt OPINIÃO

42

Outras culturas com um enorme potencial, devido à existência de água, são os produtos hortícolas, nomeadamente a cebola, brócolos, abóbora, pimentos, melão entre outras. Nestes casos, há o condicionalismo da proximidade à agro-indústria, que encarece a sua produção e que dificulta o alargamento das áreas de produção. O surgimento destas unidades industriais iria aumentar a aposta nestas novas culturas e ao mesmo tempo potenciar a economia local, apesar de existirem organizações, como a AGROMAIS, que procuram apoiar estes produtores e dar-lhes todas as condições de produção. O aumento das áreas de produção de cebola tem sido um excelente exemplo. Mas mesmo com alguns constrangimentos, a barragem do Alqueva, e o perímetro de rega a partir daí estabelecido, tem sido o elemento impulsionador para a mudança da região do Alentejo a todos os níveis. Veio mostrar o potencial existente numa região que, para muitos, estava quase destinada ao isolamento e esquecimento. Agora é vista como uma região com um enorme futuro ligado ao setor agrícola. pub.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt à conversa com...

Entrevista a Luís Capoulas Santos, ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural

“Os agricultores devem estar preparados para abdicar de algumas liberdades individuais a favor do bem comum”

44

O responsável pela pasta da agricultura destaca o papel da Agrotejo e Agromais no sector agrícola nacional e salienta a importância das Organizações de Produtores para tornar o sector mais competitivo. Capoulas Santos avança que a reforma florestal, o regadio e investimento agrícola são os eixos prioritários para 2018. Em entrevista, garante ainda que o nível de execução global do Programa de Desenvolvimento Rural “está muito acima dos 30%” AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

Sara Pelicano Jornalista

| Revista Agrotejo (RA) – Qual o orçamento para a agricultura previsto no próximo Orçamento de Estado (OE)? Capoulas Santos (CS) – Relativamente à proposta de Orçamento do Estado para 2018, apresentada pelo Governo, registo, com satisfação, que está assegurada a dotação financeira necessária para dar resposta às necessidades orçamentais das grandes prioridades do Executivo nesta área, num montante global que ronda os dois mil milhões de euros. Cerca de 20% deste montante destina-se a cobrir as despesas de funcionamento de toda a estrutura do Ministério e os restantes 80% correspondem a investimento público direto na agricultura e na floresta, por um lado, e a apoios ao investimento privado nestes sectores. RA – Quais os eixos prioritários para 2018? CS – No próximo ano, estaremos concentrados em três grandes eixos, absoluta-

mente prioritários para o país: a Reforma da Floresta, o investimento na agricultura, o financiamento do Plano Nacional de Regadios. A Reforma da Floresta é uma prioridade total não apenas para o Ministério da Agricultura, mas para todo o país. É uma tarefa à qual demos início em 2016 e que foi consolidada do ponto de vista legislativo em 2017. Este ano tivemos já implementadas algumas medidas, como a execução do projeto-piloto do Parque Nacional da Peneda-Gerês e a criação de 20 novas equipas de sapadores florestais; em novembro entram em vigor os novos diplomas, aprovados pela Assembleia da República, e esperamos ter, já em 2018, resultados visíveis deste trabalho. Por exemplo, o cadastro das propriedades rústicas dos 10 concelhos que constituem a região-piloto de implementação da medida deverá estar concluído no prazo de um ano. Em 2018, teremos também 100 novas equipas de sapadores florestais e será levado a cabo um projeto de prevenção estrutural ambicioso. São medidas urgentes, que iremos implementar no âmbito deste eixo dedicado à floresta, um eixo que o Executivo reforçou, no âmbito das medidas adotadas pelo Conselho


NOV17 www.agrotejo.pt à conversa com...

de Ministros recentemente dedicado ao setor. No que diz respeito à agricultura, mal iniciou funções o Governo empenhou-se fortemente na tarefa de colocar em marcha o processo de aprovação de candidaturas ao Programa de Desenvolvimento Rural 2014-2020, promovendo e apoiando dessa forma o investimento na agricultura. Hoje, Portugal é o terceiro Estado-Membro da União Europeia com melhor execução do Programa de Desenvolvimento Rural. É um ritmo que pretendemos manter, e até acelerar, se possível, respondendo assim à forte dinâmica de investimento que despertou no sector. Por outro lado, temos um Plano Nacional de Regadios que tem como objetivo dotar o território nacional de mais 90 mil hectares de área de regadio. Desta área, cerca de 50% resultará da extensão de Alqueva para novos territórios e a restante área está estrategicamente dispersa pelo país, em projetos de elevado interesse público. RA – Em que medida está o regadio contemplado no OE para 2018? Haverá investimentos? CS – No decurso do ano de 2018 prosseguirá a execução do Programa de Desenvolvimento Rural 2014-2020 (PDR 2020), nomeadamente na componente de apoio aos regadios coletivos, tanto no que respeita à construção de novos regadios como à modernização de regadios existentes. O Governo contratualizou, em 2017, financiamentos em modernização de regadios num valor próximo de 150

milhões de euros. Além disso, aprovou financiamentos a 29 projetos de regadios tradicionais do norte e do centro, no valor de 3,2 milhões de euros. E também aprovou apoios a quatro obras de reforço da segurança de barragens hidroagrícolas existentes, no valor de dois milhões de euros. Todos estes investimentos prosseguirão a sua execução em 2018, havendo o desembolso das verbas previstas, de acordo com a execução programada. Por outro lado, a proposta de OE para 2018 prevê que o Governo fique autorizado a efetuar as alterações orçamentais necessárias para implementar o Programa Nacional de Regadios, logo que formalizado os empréstimos do Banco Europeu de Investimento (BEI) e do Banco do Conselho da Europa (CEB). Concretamente, o mapa de transferências prevê a transferência de um montante máximo de 31,6 milhões de euros para o Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas, para implementação do Programa Nacional de Regadios. É esse o valor a canalizar para a Empresa de Desenvolvimento e Infra-Estruturas de Alqueva e para outros promotores para a execução dos primeiros projetos a financiar no âmbito do Programa Nacional de Regadios. Globalmente, o investimento neste Plano Nacional de Regadios ascende a cerca de 500 milhões de euros. RA – No caso do Alqueva, quais os desafios que ainda se impõem? CS – O Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva (EFMA) tem vindo a afirmar-

45

-se como motor da agricultura alentejana, potenciando o investimento privado e a fixação de populações. Além disso, a garantia de fornecimento de água com qualidade aos perímetros confinantes reforça as condições de segurança nos investimentos agrícolas baseados no regadio. A adoção de culturas agrícolas menos consumidoras de água, como o olival e a vinha, a par da utilização de sistemas de rega mais eficientes, veio criar disponibilidades de água na albufeira de Alqueva que importa potenciar. Surgiu assim o projeto de alargamento do regadio de Alqueva, o qual prevê a ampliação da rede de rega de forma a beneficiar mais cerca de 50 mil hectares. O desafio mais relevante é agora construir no terreno as infraestruturas de regadio nas novas áreas, assim como reforçar a capacidade de bombeamento da rede primária e ainda construir a ligação do sistema de Alqueva à albufeira de Monte da Rocha, conferindo segurança ao abastecimento público com origem na Estação de Tratamento de Água que se localiza junto a esta albufeira. Outro objetivo marcante do EFMA é a construção de um conjunto de centrais fotovoltaicas baseadas em painéis flutuantes, a localizar nas barragens e reservatórios do sistema primário. Este importante projeto está ainda AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt à conversa com...

46

em estudo permitirá realizar economias significativas relativamente aos custos atuais da energia elétrica do empreendimento, a que se somam os impactos positivos para o ambiente, uma vez que se eliminam emissões de CO2. Temos, finalmente, o desafio de assegurar a sustentabilidade económica do empreendimento, procurando que a utilização da água mantenha preços economicamente viáveis para os agricultores. Esta espécie de “quadratura do círculo” é um exercício extremamente difícil, mas a verdade é que este Governo conseguiu, em abril deste ano, baixar o preço da água de Alqueva, tornando a atividade agrícola um pouco mais compensadora para quem a ela recorre. AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

“Orçamento do Estado para a agricultura tem um montante global que ronda os dois mil milhões de euros” RA – Quais os principais eixos estruturantes da reforma florestal? CS – A Reforma Florestal pretende criar condições para que o país tenha mais e melhor floresta, menos vulnerabilidade e maiores produtividades. Nesse sentido, os principais eixos estruturantes

da Reforma Florestal são a promoção do ordenamento florestal, a promoção da gestão florestal, a identificação da propriedade florestal e, de forma transversal a estes três objetivos, melhorar a defesa da floresta contra incêndios. A ausência de ordenamento e de gestão, particularmente nas zonas de minifúndio, dificultadas consideravelmente por um desconhecimento dos limites da propriedade rústica e dos titulares de muitos desses prédios, potenciam a magnitude dos danos causados por fatores bióticos e abióticos. O Governo está convicto de que numa floresta ordenada e bem gerida, se reduzirão significativamente os riscos de incêndio, de pragas e doenças,


NOV17 www.agrotejo.pt à conversa com...

condição maior para atrair investimento que, consequentemente, conduzirá a uma exploração sustentável da floresta, criadora de emprego e de riqueza para os pequenos proprietários florestais e geradora de mais matéria-prima para a indústria, promovendo o aumento da produção nacional e das exportações. Estas são políticas potenciadoras da ocupação dos

territórios, ponto de partida fundamental para o desenvolvimento rural que é necessário implementar.

florestais conduzirá a uma rentabilidade justa para o produtor florestal, que é a base de toda esta estrutura.

RA – Qual a estratégia para a floresta nacional de forma a torná-la economicamente mais forte e menos vulnerável a incêndios? CS – Estou certo de que se abriu definitivamente um novo ciclo para a floresta portuguesa e para a forma como os portugueses olham para essa mesma floresta. Creio que todos, desde as autoridades à sociedade civil, estamos finalmente despertos para a urgência de dar atenção à floresta, seja do ponto de vista das políticas públicas, seja do ponto de vista mais prosaico, consciencializando todos os cidadãos da necessidade de cuidarem da limpeza dos seus terrenos, ou, finalmente, do ponto de vista da fiscalização do cumprimento de regras por todos, públicos e privados. Através da implementação da Reforma da Floresta queremos promover a extensão florestal ordenada, compartimentada, e uma gestão ativa do território com vocação florestal. Para isso temos dois novos instrumentos: o processo para identificação simplificada da propriedade e as novas Entidades de Gestão Florestal. Através do primeiro, aumentará a disponibilidade de terra para quem pretenda investir no sector agroflorestal, criando Entidades de Gestão Florestal, que beneficiarão de um generoso sistema de incentivos fiscais. O acréscimo de gestão e de ordenamento dos espaços

RA – Quem vai coordenar medidas como o cadastro florestal ou o banco público de terras? As associações, câmaras municipais e outras entidades locais podem ter um papel ativo? CS – O cadastro simplificado é uma medida tutelada pelo Ministério da Justiça. O Banco de Terras foi, como se sabe, uma medida rejeitada pela Assembleia da República. Tendo em conta que o processo de cadastro simplificado deverá estar concluído dentro de um ano nos 10 concelhos que constituem a região-piloto determinada também pela Assembleia da República, o Governo dispõe desse tempo para encontrar uma nova solução para as terras sem dono conhecido que venham ser identificadas. Todas as entidades que mencionam não só podem como devem ter um papel ativo nestas matérias. Nomeadamente, apoiando a elaboração do cadastro e integrando, ou mesmo polarizando, as futuras Entidades de Gestão Florestal, cujo modelo está aberto à participação de privados, de autarquias, cooperativas e associações. RA – Quais os custos da reforma florestal? CS – A Reforma da Floresta vai exigir financiamento público por várias décadas, de muitas centenas de milhões de euros. Até 2020, só das duas principais fontes de financiamento da floresta, o PDR 2020 e o Fundo Florestal Permanente, serão disponibilizados cerca de 300 milhões de euros, que serão canalizados, por exemplo, para o financiamento do Programa de Sapadores Florestais, que prevê a criação de 100 novas equipas de sapadores já no próximo ano, e de mais 100, em 2019. No entanto, o Governo não encara a implementação da Reforma Florestal como um custo, mas sim como um investimento no futuro do país e das novas gerações. RA – Qual o ponto de situação na execução do Programa de Desenvolvimento Rural (PDR) 2020? CS – Como já disse, Portugal é, neste momento, o terceiro Estado-Membro da União Europeia em matéria de execução

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

47


NOV17 www.agrotejo.pt à conversa com...

48

do Programa de Desenvolvimento Rural. Estamos com um nível de execução global já muito acima dos 30%, atribuímos perto de mil milhões de euros em apoios públicos e temos em execução cerca de 12 mil projetos, para um investimento global que ultrapassa os 1,5 Milhões de euros. Ora quando chegámos ao Governo tínhamos um PDR 2020 totalmente paralisado, com zero projetos de investimento aprovados, mais de 25 mil candidaturas por analisar e um setor fortemente descontente com a situação. Hoje, entrámos na normalidade e estamos com um ritmo interessante que, como também já disse, tentaremos melhorar ainda mais. RA – Para quando a abertura de candidaturas no âmbito das agroambientais? CS – Tal como os agricultores e as suas associações bem sabem, o Governo anterior aprovou candidaturas para estas medidas que excedem em 200 milhões de euros a dotação disponível no PDR 2020. Este Governo, através de uma Resolução do Conselho de Ministros aprovada em

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

“Em 2018, teremos também 100 novas equipas de sapadores florestais e será levado a cabo um projeto de prevenção estrutural ambicioso.” 26 de dezembro último, deliberou reforçar o PDR 2020 com a verba necessária para que todos os compromissos assumidos com os agricultores fossem honrados pelo Ministério da Agricultura. A gestão irresponsável que foi feita desta medida impede, obviamente, a abertura de novas candidaturas. RA – A Política Agrícola Comum (PAC) esteve sob consulta pública este ano. Qual o rumo da PAC para os próximos anos?

CS – Em março, tive oportunidade de apresentar ao Conselho de Ministros da Agricultura da União Europeia um documento onde são elencadas os principais objetivos que Portugal gostaria de ver refletidas na reforma da PAC: a manutenção da atividade produtiva em todas as regiões da UE, assegurando a resiliência agrícola, a ocupação e vitalidade das zonas rurais; o desenvolvimento de uma agricultura eficiente e inovadora, capaz de garantir relações equilibradas para os agricultores na cadeia alimentar e de satisfazer as necessidades alimentares e nutricionais dos cidadãos europeus; a preservação dos recursos naturais, como o solo, a água, a biodiversidade e as paisagens diversificadas do território europeu; e, finalmente, o estabelecimento de uma resposta concertada para a mitigação e adaptação às alterações climáticas. No balanço que fez do resultado dessa consulta, em julho, a Comissão Europeia concluiu pelo grande consenso em torno do valor acrescentado gerado pela Política Agrícola Comum. As pressões em termos de alterações climáticas e a necessidade de garantir um rendimento adequado aos agricultores foram desde logo considerados os principais desafios que a agricultura e o mundo rural têm de enfrentar, acrescendo a necessidade de dar resposta aos desafios de uma sociedade cada vez mais exigente em termos de segurança e qualidade alimentares. São temas que vão ao encontro da posição portuguesa sobre o futuro da PAC, mas apenas em novembro conheceremos, em concreto, as linhas de orientação futuras da Comissão Europeia. RA – Portugal atravessa um período de seca extrema. Quais as medidas a tomar para minimizar os impactos? CS – O clima é algo que não controlamos e desde sempre houve períodos de seca com os quais os agricultores tiveram de lidar e que ultrapassaram, com maior ou menor dificuldade, mais ou menos apoios. Mas agora estamos a entrar num novo paradigma, com alterações climáticas que nos vão impor condições diferentes e mais difíceis. Este é um desafio que estamos a encarar de forma muito séria. O Governo


NOV17 www.agrotejo.pt à conversa com...

constituiu já uma Comissão Interministerial Permanente de Prevenção, Monitorização e Acompanhamento dos Efeitos da Seca, a qual tem como missão desencadear medidas integradas que ajudem a melhorar as condições de resistência do nosso território às alterações climáticas. Há medidas de longo prazo que têm de ser estudadas e implementadas de forma muito séria e que têm de ser estrategicamente desencadeadas. Uma medida que estamos já a desencadear é a implementação do Plano Nacional de Regadios, que dotará o país de mais cerca de 100 mil hectares de área de regadio. Importa ainda salientar que, além desta Comissão mais ampla, o Ministro da Agricultura criou uma Comissão de trabalho específica para a agricultura, na qual envolveu as entidades representativas do setor, por forma a adotar um programa coordenado de medidas, que responda às suas necessidades efetivas. É nesse âmbito que surgem as medidas imediatas para fazer face a problemas urgentes que se colocam aos agricultores, como é o caso do abeberamento e da alimentação animal. O Governo disponibilizou, já em 2016, um conjunto de apoios aos agricultores afetados pela seca, cujo âmbito territorial tem vindo a ser alargado à medida que a seca atinge novas áreas. Começámos, em 2016, por apoiar alguns concelhos do Baixo Alentejo, hoje a medida estende-se a diversos distritos, de norte a sul do país. São apoios para a abertura de novas captações de água, para equipamentos de transporte, distribuição e armazenamento de água que atingem neste momento um montante global de 11,5 Milhões de euros. Por outro lado, criámos uma linha de crédito, no valor de 5 Milhões de euros, com o objetivo de apoiar as necessidades de tesouraria resultantes da seca, nomeadamente os custos relativos à alimentação animal devido à escassez de pastagens e forragens. Foi igualmente dada autorização para a utilização das áreas de pousio para pastoreio, visando assegurar a alimentação do gado, e o Ministério da Agricultura procedeu ao adiantamento do pagamento de 70% dos apoios comunitários, que permitiram distribuir mais de 500 Milhões de euros aos agricultores. Es-

49

tas são medidas de emergência para uma situação em que a prevenção é essencial. Por isso mesmo, o Governo ainda recentemente reuniu a sua Comissão e está a estudar novas medidas que possam vir a reduzir o impacto deste fenómeno. RA– A Agromais faz 30 anos este ano. Juntamente com a Agrotejo, tem crescido e mostrado como o setor é profissional. Qual a importância destas entidades para o setor? CS – É de saudar o papel que a Agromais e a Agrotejo têm desenvolvido, trabalhando em proximidade no sentido de integrar em complementaridade as duas vertentes desta relação. Por um lado, uma associação profissional que tem como objeto a representação de interesses dos agricultores, e por outro uma Organização de Produtores com o principal objetivo de promover a comercialização da produção dos respetivos associados. Qualquer modelo associativo, desde que bem gerido, é mais eficaz face à ação individual. As dinâmicas económicas, sociais e culturais em pleno século XXI assim o exigem e o modelo da AGROMAIS em associação com a Agrotejo é um exemplo vanguardista de cooperação

“Temos um Plano Nacional de Regadios que tem como objetivo dotar o território nacional de mais 90 mil hectares de área de regadio.” que se tem revelado muito interessante para os agricultores da região. RA – São necessárias mais empresas e associações deste género em Portugal? CS – Os modelos associativos ou de organização, nas suas diversas formas, permitem desenvolver estratégias de médio e longo prazo, ultrapassando as barreiras existentes à inovação por pequenas e médias empresas, nomeadamente os custos elevados, a indisponibilidade de capitais próprios e a dificuldade de acesso ao crédito, bem como a fraca disponibilidade de recursos humanos num setor em que proliferam as microempresas. Todos os esforços de profissionalização e de concretização desta articulação são necessários para melhorar o profissionalismo e desempeAGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt à conversa com...

50

nho dos agricultores nas múltiplas funções que lhes estão acometidas atualmente, seja de produção alimentar, compromissos ambientais, gestão territorial, entre outras, que são muito complexas para poderem ser assumidas individualmente ao nível de cada exploração agrícola de forma sustentável. RA – Qual o papel das organizações de produtores (OP)? CS – A melhoria da posição dos agricultores na cadeia alimentar é condição essencial para a competitividade do sector e, para isso, é essencial garantir ganhos de dimensão e ganhos de escala por via da concentração da oferta, promovida pelas organizações de produtores. Mas estes benefícios não se esgotam na parte comercial, existindo um conjunto vasto de outros benefícios para os agricultores em aderir a estas organizações, nomeadamente o apoio técnico de cariz mais genérico mas também ao nível de regimes de certificação e valorização da qualidade, adaptação ambiental, eficiência na gestão de recursos, incluindo acesso a financiamento e gestão de risco. Este papel tem vindo a ser cada vez mais reforçado em termos de decisões políticas, como medida de redução do impacto da diminuição dos níveis de apoio por via do mercado, materializado no estabelecimento de regimes espeAGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

“Portugal é, neste momento, o terceiro Estadomembro da União Europeia em matéria de execução do Programa de Desenvolvimento Rural.” ciais de atuação destas organizações, em termos de acesso ao mercado, derrogações às regras de concorrência, contratualização e negociação coletiva.

RA – Como incentivar a adesão (ou mesmo criação) às OP? CS – A adesão a OP por parte de agricultores deve ser o resultado de uma motivação genuína, que decorre do reconhecimento das diversas vantagens que resultam dessa participação. Nesse sentido, a melhor forma de fomentar estas estruturas é criar condições para que se assumam como facilitadoras efetivas desta relação entre agricultores, com resultados concretos e vantajosos para todos, incluindo regras claras e objetivas para reforçar dimensão, possibilidades e âmbitos de atuação, prioridades no acesso a instrumentos públicos. Não é fácil, e os agricultores devem estar preparados para abdicar de algumas liberdades individuais a favor do bem comum, pois só assim se conseguirá resultados a médio e longo prazo que assegurem a sustentabilidade de todos os envolvidos. RA – Qual o futuro do projeto de emparcelamento rural de Azinhaga Golegã e Riachos? CS – No âmbito da Ação 3.4.3 “Drenagem e Estruturação Fundiária” do PDR 2020, a Agrotejo submeteu uma candidatura para uma operação de emparcelamento integral do perímetro de Azinhaga, Golegã e Riachos. Essa candidatura ainda se encontra em análise, mas existem boas perspetivas para a sua aprovação. É um projeto que responde aos novos desafios da política agrícola, em que os agricultores têm a ganhar com o aumento de escala. Ganham em competitividade num mercado cada vez mais globalizado.


NOV17 www.agrotejo.pt INOVAÇÃO - BREVES

Nova técnica incentiva cultura do sobreiro | Experiência em regime superintensivo prova que os sobreiros em sistema de rega gota a gota são muito mais rápidos a produzir cortiça. Esta revelação está a animar a indústria corticeira e a assegurar o futuro dos montados. Francisco Almeida Garrett, produtor de vinho e azeite alentejanos, experimentou um dia plantar sobreiros numa pequena porção de terra mais marginal, de acordo com o sistema que aplicava

no cultivo das oliveiras. Monitorizou o crescimento das árvores e, para seu espanto, ao fim de oito anos as cascas dos sobreiros já tinham a dimensão certa para serem retiradas. Em condições normais, só à terceira extração é que a cortiça tem qualidade suficiente para ser usada em produtos de valor acrescentado, como rolhas (em estádios anteriores, serve apenas para aglomerado destinado, por exemplo, ao

fabrico de pavimentos). Quer isto dizer que num montado tradicional, só ao fim de 43 anos é que um sobreiro começa a dar cortiça de qualidade. Esta descoberta despertou o interesse da corticeira Amorim, que em conjunto com Francisco Almeida Garrett e a Universidade de Évora já está a estudar em pormenor as necessidades de água dos sobreiros. Fonte: Expresso através de Greensavers

Fazer agricultura em qualquer ambiente 52

| Este é o desafio que o MIT Media Lab, nos Estados Unidos da América, se auto propôs. Para isso está a desenvolver computadores, no âmbito do projeto Open Agriculture (OpenAG). O computador – designado Food Computer – pode recriar um ambiente específico em que as plantas crescem sem necessidade de solo. O Food Computer tem sistemas de cultivo como a hidroponia e a aeroponia para controlar as condições climáticas dentro de uma estufa para as plantas. O computador permite também regular variáveis como o dióxido de carbono, a temperatura do ar, a humidade, o oxigénio dissolvido e o pH. Caleb Harper, investigador principal deste projeto, explica que “quando dizemos que gosta-

Informação precisa em tempo real | NEC Corporation e a Kagome instalaram em Portugal, em campos de produção de tomate, o sistema NEC CropScope que visa otimizar a produção e os seus custos, aumentando a produtividade média. O sistema recorre a tecnologia de Inteligência Artificial (IA) e Internet das Coisas (IoT, na sigla inglesa). Com esta solução, que será comercializada a partir de 2018, são criados campos virtuais de dados meteorológicos, de solo e de vegetação, obtidos através de sensores e, também, de dados relativos às atividades de campo AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

efetuadas pelo produtor, tais como níveis de irrigação e utilização de fertilizantes. O NEC CropScope reúne essa informação e faz recomendações práticas ao agricultor, tais como quais as quantidades de água que deve aplicar, bem como quais as carências fitossanitárias da cultura. Faz ainda um cálculo da produção final do campo e a data mais apropriada à colheita. Os campos de tomate operados pela Kagome em Portugal utilizam as recomendações de cultivo fornecidas em tempo real pela aplicação da NEC.

mos dos morangos do México, estamos na verdade a dizer que gostamos das condições em que os morangos foram cultivados”. Por isso, questiona: “Porquê importar alimentos a milhares de quilómetros, quando se pode importar o clima onde o alimento é cultivado?”. A equipa do MIT Media Lab pormenoriza que o Food Computer poderá ser construído por qualquer pessoa. A iniciativa OpenAG é open source, ou seja, trata-se de um software informático cujo autor fornece, a custo zero, o direito de estudar, modificar e distribuir o software, para qualquer um e para qualquer finalidade. No endereço https://www.media.mit.edu/posts/build-a-food-computer/ é possível obter mais informações.


NOV17 www.agrotejo.pt INOVAÇÃO - BREVES pub.

Retail Spotters, uma aplicação sobre hortofrutícolas | Lisboa faz parte do grupo de 90 cidades de 65 países nos quais a aplicação (app) Retail Spotters está disponível. No total, estão inseridos nesta aplicação mais de 200 supermercados. Consumidores atentos inscrevem

na app informações como preço, variedade, origem e marcas de frutas e legumes desses estabelecimentos. A app tem uma versão gratuita e outra mais completa mediante um pagamento.

53

Drones com nova legislação | No início deste ano, entrou em vigor, em Portugal, a lei de utilização de drones. A entidade reguladora do uso destes aparelhos em território luso é a Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC). A nova regulamentação estipula, por exemplo, que não é necessário pedir autorização à ANAC para pilotar drones até 25 quilogramas de peso, fazer voos durante o dia até 120 metros de altura, em que não a aeronave não fique a perder de vista e para usar drones-brinquedos (até 250 gramas, sem motor de combustão), que podem voar até 30 metros de altura, sempre com 30 metros de distância horizontal em re-

lação a pessoas e bens. Tudo o que ultrapassar estes limites e em situações como sobrevoar instituições onde se encontrem sediados órgãos de soberania, embaixadas e representações consulares, edifícios militares, das forças e serviços de segurança, locais onde decorram operações policiais, estabelecimentos prisionais e, entre outras, realizar voos em zonas de sinistro onde esteja a ser utilizado, por exemplo, um helicóptero ou num raio de um quilómetro haja heliportos da Proteção Civil ou de hospitais, devem requer autorização à ANAC com uma antecedência de 12 dias úteis relativamente à data da utilização.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt INOVAÇÃO - BREVES

Herbicida em spray

54

| Nos próximos três anos, a Bosch e a Bayer vão trabalhar em conjunto no sentido de desenvolverem uma tecnologia de spray inteligente para tornar a utilização de pesticidas mais eficiente. “A utilização inteligente de spray limpa de forma sustentável os campos. Não só protege a colheita, mas também o meio ambiente”, afirma Markus Heyn, membro do conselho de Administração da Bosch, em comunicado de imprensa. “Em conjunto com a Bosch, queremos inovar combinando diferentes tecnologias. O nosso objetivo é que os herbicidas sejam utilizados apenas onde são realmente necessários”, refere Tobias Menne, responsável pela agricultura digital na Bayer. O sistema irá conseguir distinguir as ervas das colheitas. O método de trabalho passará recorrer a “um ‘gestor digital das plantações’ ajudará

pub.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

os agricultores a analisar a situação e recomendará o melhor momento para tratar das ervas. Numa única fase, as ervas são identificadas de forma precisa e o pesticida é pulverizado num único processo à medida que atravessa o campo. Múltiplas câmaras, espalhadas por toda a largura do pulverizador captam séries contínuas de imagens, identificando as diferentes ervas e permitindo que o tratamento seja definido e otimizado. Enquanto o aspersor das colheitas percorre o campo, o herbicida é pulverizado na quantidade necessária e misturado utilizando os parâmetros apropriados de aplicação. Assim, as ervas relevantes são atingidas, deixando intactas áreas sem ervas. Tudo isto ocorre a uma velocidade estrondosa – milissegundos, mais precisamente”.


NOV17 www.agrotejo.pt INOVAÇÃO - BREVES

‘RIPPA’, o robô que ajuda na cultura | Estima a produtividade das culturas pulveriza e fertiliza. Estas são funcionalidades do RIPPA, o protótipo de um robô que tem autonomia para 21 horas seguidas. Desenvolvido na Austrália, o RIPPA (que numa tradução livre significa: robô para a perceção inteligente e aplicação de precisão) pode limitar os riscos causados por pragas e corpos estranhos encontrados em produtos frescos.

Wisecrop, várias aplicações de gestão agrícola

| Na plataforma www.wisecrop.com é possível aceder à informação de várias aplicações, disponíveis para diferentes aparelhos, que auxiliam na gestão agrícola. Trata-se de uma solução sem fios, inteligente, que permite configurar diferentes tipos de dispositivos no terreno. Estes são sensores de solo, meteorológicos, de fruto e planta, para sistemas de rega e controlo de

atuadores. Com alertas avançados e personalizados de acordo com a propriedade em questão, o objetivo é oferecer a maior precisão nos indicadores fornecidos e, assim, dar maior conforto e segurança aos agricultores, enquanto promove a rentabilidade máxima das suas produções. Estas aplicações podem ser usadas separadamente ou integradas, de acordo.

pub.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

55


NOV17 www.agrotejo.pt INOVAÇÃO - BREVES

Chuva Sólida, um reservatório de água

56

| Há um pó que absorve grandes quantidades de água, libertando-a aos poucos. Chama-se Chuva Sólida e permite criar no solo reservatórios de água para as culturas. Um litro de água pode ser absorvido por apenas 10 gramas do material, que é um tipo de polímero absorvente originalmente criado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês). Nos anos 1970, o USDA desenvolveu um produto superabsorvente feito de um tipo de goma que foi usado principalmente na fabricação de fraldas. Recentemente, o engenheiro químico mexicano Sérgio Jesus Rico Velasco desenvolveu e patenteou uma versão diferente da fórmula, que pode ser

pub.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

Produtos vegetais convertidos a fertilizante orgânico | A startup portuguesa EntoGreen em parceria com a Agromais e outras entidades, reutiliza restos de produtos vegetais recorrendo a tecnologia de base biológica. Ou seja, utiliza larvas para inocular os resíduos, convertendo os nutrientes presentes nos desperdícios em fertilizante orgânico para o solo. Simultaneamente, as larvas, ricas em proteína e gordura, são processadas em farinha de inseto para soluções de nutrição animal. misturada no solo para reter a água. O criador da Chuva Sólida afirma se trata de um produto natural, que não prejudica o solo, mesmo após ser usado vários anos.


NOV17 www.agrotejo.pt INOVAÇÃO - BREVES

Trator movido a biometano | A New Holland apresentou um trator movido a biometano que pode significar um avanço no quotidiano dos agricultores, libertando-os da dependência energética. Eduardo Kerbauy, diretor de Marketing de Produto da New Holland, avançou que “a previsão é que o trator esteja no mercado até 2020 e revolucione a forma de produzir energia no mundo, já que o biometano é produzido a partir de dejetos de animais, biomas-

sa, entre outros resíduos considerados passivos ambientais”. Um dos modelos a ser testado consome 30% menos combustível e tem menos 80% de emissão de CO2, quando comparado com um trator movido a combustível fóssil. A autonomia é de seis horas. Outra das características desta máquina é a cabine panorâmica e a existência de outras tecnologias que permitem uma agricultura de precisão.

Climate FieldView permite um controlo do campo 58

| A plataforma instala-se nas máquinas e recolhe dados sobre o solo, a cultura, a pulverização e a colheita. Os mapas gerados são enviados para o smartphone, tablet e computador, permitindo

Smart Farm, uma quinta modelo aberta a todos | A ANIPLA – Associação Nacional da Indústria para a Proteção das Plantas criou o conceito de quinta inteligente e batizou-o como Smart Farm. Localizada na Companhia das Lezírias, em Samora Correia, esta quinta inteligente é aberta a todos os que queiram obter mais conhecimento sobre uma agricultura de precisão e segura. De acordo com a Anipla, “Smart Farm é um espaço de demonstração da implementação de Boas Práticas Agrícolas (BPA) recomendadas pela indústria fitofarmacêutica e pretende ser um local de referência no âmbito da

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

formação, promoção e divulgação sobre as técnicas, tecnologias, equipamentos e das melhores práticas de utilização segura de produtos fitofarmacêuticos”. Neste espaço, será ministrada formação e sensibilização dirigida aos agricultores e outros profissionais do setor, bem como ao público em geral que queira desmistificar alguns preconceitos. A programação de ações de formação e sensibilização a técnicos e agricultores, assim como a marcação de visitas ao público em geral poderá ser efetuada através do e-mail: smartfarm@anipla.com

que o agricultor tome decisões e altere processos mesmo à distância. O Climate FieldView está disponível para android e iOS. Mais informações podem ser obtidas aqui: https://climatefieldview.com.br


NOV17 www.agrotejo.pt INOVAÇÃO - BREVES

InovMilho – Um centro de formação e conhecimento | A Estação Experimental António Teixeira, em Coruche, é, desde 26 de setembro, um centro de formação e transferência de conhecimento para a cultura do milho. Novas tecnologias, como a taxa variável de sementeira ou a rega gota-a-gota enterrada, estão a ser testadas neste centro dinamizado pela Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo (ANPROMIS), o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) e a Câmara Municipal de Coruche. A missão deste espaço é disponibilizar conhecimento cientificamente validado aos produtores, gestores e técnicos, “através de propostas de ação/gestão baseadas numa análise custo/benefício; prosseguir a experimentação, investigação e inovação, nomeadamente, no âmbito do

Centro Nacional de Competências das Culturas do Milho e Sorgo – InovMilho e apoiar o empreendedorismo e a instalação de empresários agrícolas no concelho de Coruche”, explica a ANPROMIS em comunicado de imprensa. A Estação Experimental António Teixeira é também um dos centros oficiais de ensaio de variedades de milho para o Catálogo Nacional de Variedades. Na sequência da assinatura de um protocolo de colaboração entre a ANPROMIS e a Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), foram testadas 11 novas variedades de milho na Estação de Coruche em 2017. Além da ANPROMIS, do INIAV e da Câmara de Coruche, o projeto conta ainda com a parceria de 30 outras entidades públicas e privadas do setor agrícola.

GreenTaste dá um rumo ao tomate verde

| O tomate verde que não é colhido pode ganhar vida com o projeto GreenTaste que visa valorizar este produto. A ideia é criar um fermentado láctico por bactérias que servirá de base para o desenvolvimento industrial de molhos e temperos. A iniciativa é desenvolvida pelo Centro de Competências para

59

pub.

o Tomate de Indústria, a Espiral Pixel, a Frutomaior, o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, o Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa, a Italagro, a Memória Silvestre, a Sociedade Agrícola Ortigão Costa, a Soluzer, a Tomaterra e a Sociedade Agrícola Vale da Adega.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt INOVAÇÃO - BREVES

Compostos de ferro alimentam as plantas

60

| Uma equipa de cientistas do Porto, no projeto FerPlant, investigam novos fertilizantes de ferro, nutriente “essencial à vida” mas “muito inacessível no solo”, visto encontrar-se na forma de compostos que não se dissolvem facilmente, explicou. Os novos fertilizantes desenvolvidos pelo grupo de investigação, diferentes dos que existem atualmente no mercado, permitem às plantas absorver melhor o ferro através das raízes e transportá-la de forma mais eficiente para as partes aéreas (caule e folhas). Num estudo piloto realizado com soja, a equipa testou uma nova família de compostos, tendo os resultados demonstrado um “elevado potencial como corretor de clorose férrica”. “As plantas tratadas

com o novo composto mostraram-se significativamente mais verdes, com maior biomassa e maior acumulação de ferro, quando comparadas com aquelas tratadas com um dos fertilizantes disponíveis no mercado”, contou Maria da Conceição Rangel, investigadora do laboratório REQUIMTE e uma das responsáveis pelo projeto FerPlant. O FerPlant envolve 14 investigadores do grupo de Química Bioinorgânica, integrado no Laboratório Associado REQUIMTE e sediado no Departamento de Química e Biologia da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), e do grupo de Biotecnologia de Plantas, integrado no Laboratório Associado CBQF e sediado na Escola Superior de Biotecno-

logia da Universidade Católica Portuguesa. O projeto é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e termina em maio de 2019.

Entovalor

O Reconhecimento de um Projeto com Futuro em que a agromais é parceira | A eficiência da utilização dos recursos naturais é uma das principais preocupações da atualidade, garantindo uma maior sustentabilidade ambiental e económica. O princípio da economia circular está na base de várias estratégias de aumento de eficiência produtiva, reduzindo as perdas que ocorrem ao longo dos processos produtivos. É neste principio que assenta o projeto EntoValor, projeto que integra a Ingredient Odyssey, a

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

Agromais, a Rações Zêzere, a Consulai e o INIAV, e no âmbito do qual se estão a valorizar subprodutos da produção hortícola através da sua utilização na alimentação de larvas de insetos, gerando-se dois produtos finais de valor acrescentado, fertilizante orgânico (para a nutrição vegetal) e larvas de inseto (para a nutrição animal). Desta forma, os nutrientes contidos nestes subprodutos são reintroduzidos na cadeia de valor.

A Agência Nacional de Inovação (ANI) reconheceu recentemente o mérito deste projeto atribuindo o Prémio “Born From Knowledge” no âmbito do Agri Innovation Summit que decorreu em Oeiras no passado mês de outubro. Acreditamos que é através de sinergias como esta que se podem gerar soluções economicamente viáveis assentes em conhecimentos técnicos e científicos.


NOV17 www.agrotejo.pt

foto: Bernardo Pereira

ATUALIDADES

Projecto QualiMilho 62

Novas estratégias de integração sustentáveis que garantam a qualidade e segurança na fileira do milho nacional tiago silva pinto anpromis

| A problemática das micotoxinas, constitui hoje em dia um dos temas de maior complexidade e gravidade que o sector dos cereais enfrenta à escala mundial. As micotoxinas são produzidas por fungos, sobretudo, dos géneros Fusarium, Aspergillus e Penicillium que ocorrem no solo, a principal fonte de inoculo, embora também possam desenvolver-se durante o armazenamento do grão. Segundo a FAO, 25% da produção mundial de grãos podem estar contaminados com micotoxinas. Ciente da relevância desta temática a Anpromis, em parceria com a Agromais, com o Instituto Nacional de Investigação Agrária (Iniav), com o Instituto de Soldadura e Qualidade (ISQ) e com cinco agricultores cujas explorações se localizam na zona da Golegã, apresentou um projecto de investigação e inovação intitulado QualiMilho “Novas estratégias de AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

integração sustentáveis que garantam a qualidade e segurança na fileira do milho nacional”. Esta candidatura foi recentemente aprovada no âmbito dos Grupos Operacionais do PDR2020, o que nos permitirá levarmos a cabo um conjunto de iniciativas que nos possibilitarão adquirirmos um conhecimento mais profundo da presença e evolução destes fungos nas nossas condições de produção. De entre as inúmeras acções que vamos levar a cabo, destacamos algumas das mais relevantes: • Identificação de fungos potencialmente produtores de micotoxinas que ocorrem nos campos de milho e nos grãos armazenados para comercialização em Portugal; • Detecão e identificação de micotoxinas potencialmente associadas aos fungos previamente identificados; • Determinação da frequência das micotoxinas mais importantes do ponto de vista agrícola; • Desenvolvimento, testagem e de-

monstração de novos sistemas agrícolas que limitem a presença dos fungos anteriormente mencionados; • Implementação de um sistema de monitorização de temperatura e humidade, em todas as fases da cadeia de produção do milho; • Implementação e validação de métodos rápidos de rastreio de micotoxinas em algumas fases da produção de milho; • Desenvolvimento de modelos de previsão e de um novo processo de apoio à decisão, o MICOTOX ALERT, que integra as diferentes etapas de pré e pós-colheita do milho. Numa altura em que os produtores nacionais, atravessam uma das suas maiores crises de sempre, fruto dos baixos preços pagos à produção, julgamos que é extremamente importante que se promovam projectos como este, que permitam valorizar a qualidade da produção nacional de milho junto dos nossos industriais, estejam eles ligados à alimentação animal ou humana.


NOV17 www.agrotejo.pt OPINIÃO

Utilização de Imagens NDVI e MSI Nuno Vacas Departamento de Manutenção e Logística da Agromais

64

| A Agromais numa busca contínua de melhoria da eficiência e produtividade dos seus Associados, em parceria com a Agroinsider, disponibilizou nesta campanha um serviço para os seus associados, uma “ferramenta” inovadora de agricultura de precisão, a plataforma AGROMAP. Esta plataforma digital permitiu aos Agricultores aderentes aceder a imagens de satélite NDVI - índice de clorofila/vegetação e MSI - índice de água nas folhas, com actualizações de imagens de 10 em 10 dias e, numa segunda etapa, foi possível a captação de imagens de 5 em 5 dias. Adesão à Plataforma: • Agricultores - 19 • Parcelas inseridas - 61 • 1 169,48 Hectares Esta ferramenta permitiu aos agricultores monitorizarem remotamente as características de cada parcela e acompanhar as diferentes fases de desenvolvimento das plantas / culturas instaladas - Milho, Tomate, Abobora, Melão, Olival. Nas culturas anuais, foi possível observar o aumento do vigor vegetativo ao longo do seu desenvolvimento. O valor mais elevado de área foliar culmina no ponto de máximo vigor vegetativo, correspondendo ao fim da fase de desenvolvimento - período de pleno vigor. Neste ponto, em algumas culturas, inicia-se a colheita e noutras, contudo, diminui o vigor vegetativo, ao atingirem o seu amadurecimento. Por parcela, foi possível identificar as respectivas características com evidências reveladoras dos diferentes tipos de factores limitantes à maximização da AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

produção: carências, zonas alagadas, má drenagem, problemas sistema de rega, stress hídrico, infestantes. A monotorização in loco vs imagens/índices NDVI e MSI é primordial e deverá realizar-se periodicamente. Vive-se um “Tsunami” tecnológico de monotorização e eficiência de aplicações e serviços para a agricultura de precisão, a despontar todos os dias. É necessário estar atento às novas tecnologias e ser criterioso, rigoroso e crítico na sua utilização/aplicação e não descurar, em tempo algum a visualização no terreno, já que as culturas apresentam uma alta dinâmica temporal.

Concluímos que a “ferramenta” Agromap, através das imagens NDVI e MSI permitiu a monitorização e identificação de forma eficiente das variabilidades das parcelas, fases do ciclo vegetativo e teor de humidade nas folhas, de forma expedita, o que permitiu diferenciar os problemas com sistemas rega, fertilização, infestantes, stress hídrico, pequenos declives e aconselhar a colheita de acordo com a humidade. Ao identificar as zonas críticas foi possível intervir nos factores limitantes de modo atempado e estratégico na melhoria das constantes primordiais ao bom desenvolvimento das culturas instaladas (solo, água e planta)

GRÁFICO 1: Índice NDVI / Coeficiente de variação do índice NDVI da parcela em análise dia 07|10|2017.

IMAGEM 1 NDVI – legenda absoluta e relativa da parcela em análise dia 08|08|2017


NOV17 www.agrotejo.pt opinião

IMAGEM 2 MSI – legenda absoluta e relativa da parcela em análise dia 08|08|2017

e assim aumentar o potencial de produção, por hectare. Para optimização da plataforma, sugerimos a existência de correlação entre as imagens de satélite NDVI e MSI e sondas de humidade do solo, bem como a associação de um caderno de campo onde registar as operações culturais e as doses/ unidades/quantidades aplicadas por parcela. Sugere-se ainda a possibilidade de as imagens NDVI e MSI estarem disponíveis num intervalo de tempo mais curto, de dois em dois dias, por forma a ampliar a sua eficiência de intervenção na correcção dos problemas visualizados. Consideramos também que seria relevante fornecer ao Agricultor um gráfico modelo da evolução do vigor vegetativo e humidade, de acordo com o tipo de cultura para a máxima produção, elaborado através da base de dados de anos de estudo na mesma zona geográfica, para servir de comparação na visualização ao longo da campanha.

pub.

GRÁFICO 2 Índices NDVI vs MSI - Parcela Lezíria Grande – Sr. Joaquim Palmeirinha Campanha 2017 - Produção 16.2 Ton / ha (14,5%).

IMAGEM 3 Mapa de Produtividade Campanha 2017

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

65


NOV17 www.agrotejo.pt OPINIÃO

TESTEMUNHO Sr. Joaquim Palmeirinha críticas e problemáticas da parcela que sem estas ferramentas não conseguiríamos detectar. RA - As imagens ajudaram na decisão de rega? JP - Foram uma ajuda muito importante, pois por vezes julgamos que estamos a regar de menos e acontece o contrário estamos a dar água desnecessária à cultura e por vezes acontece o contrario o que vai influenciar a conta da cultura, assim como a produção final da mesma.

66

Revista Agrotejo (RA) - Como classifica a utilização da plataforma digital Agromap? Joaquim Palmeirinha (JP) - É uma plataforma com muito interesse para a Agricultura/Agricultores, pois dá-nos a possibilidade de detectar qualquer anomalia na cultura. RA - Sentiu-se acompanhado na utilização do serviço AGROINSIDER / AGROMAP por parte da AGROMAIS? JP - Sim. Tive sempre o acompanhamento dos técnicos da Agromais, que me ajudavam na análise dos respectivos mapas, com o intuito de poder tomar uma decisão para melhorar /detectar qualquer problema na cultura. RA - As formações AGROINSIDER foram importantes e benéficas na melhoria da utilização do programa AGROMAP? JP - De facto foram muitos importantes pois ajudaram a analisar os mapas e imagens dos mesmos. RA - O serviço foi de encontro às suas expectativas?

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

JP - De facto, no início fiquei apreensivo, mas com as formações, análises das imagens, detecção de problemas e evolução da cultura, achei este serviço muito importante no presente assim como para um futuro próximo. RA - Aconselharia o serviço a outros Agricultores Agromais? JP - Sem dúvida, pois acho que o custo/ benefício foi muito positivo, assim como a consulta diária às imagens NVDI e MSI. RA - O que para si foi importante nesta consulta, nos acessos diários às imagens NDVI e MSI? JP - Verificar a evolução da cultura a atingir o seu ponto máximo em clorofila e duração do mesmo, assim como os níveis de água nas folhas, o que nos dá informação dos níveis de água no solo, disponíveis para a planta. RA - Através das imagens NDVI e MSI identificou zonas críticas/problemáticas das parcelas? JP - De facto, com a visualização das imagens conseguimos identificar zonas

RA - Vê mais-valia na tomada de decisões para quem utiliza este serviço de agricultura de precisão? JP - Sem dúvida, pois tendo este serviço tomamos decisões mais rápidas, temos uma maior percepção da evolução da cultura, detectamos problemas, o que pode ajudar a conseguir melhores produções. RA - O que acha das novas tecnologias com aplicação na agricultura? (Ex: Imagens através Satélite, Drones, Robots, Tractores com autocondução) JP - Presentemente a nossa agricultura não tem nada a ver com a agricultura do passado, pois as novas tecnologias aplicadas ao serviço da agricultura têm contribuído para um aumento das produções e consequentemente um aumento de rendimento para os agricultores. RA - Como vê a nossa Agricultura daqui a uns 10 anos? JP - Penso que será uma Agricultura um pouco diferente da presente; teremos que enveredar cada vez mais pela agricultura de precisão, haverá uma desmitificação da mesma em relação aos produtos fitofarmacêuticos e sua aplicação e espero que os Agricultores tenham maior rendimento, para se equipararem aos outros sectores produtivos.


NOV17 www.agrotejo.pt opinião

PROPRIEDADE Parcela Lezíria Grande • Sistema de Rega - Gota – Gota • Parcela - área 8.99 ha; • Data de sementeira - 21/04/2017; • Variedade / Ciclo FAO - PO933 / 500; • Nº de sementes / ha - 93.500 plantas/ ha sementeira / 85.000 plantas / ha colheita; • Tipo Adubação efectuada: • 400kg/ha 13.10.20 antes da sementeira • 200kg/ha 25.15.0 linha sementeira • 416 lt / ha de 32N na fita de rega (13.06.2017-222lts/ ha+27.06.2017 111lts/ha+18.07.2017 - 83 lts/ha); • Unidades de Azoto aplicadas - 277 un N/ha; • Herbicida aplicado em pré emergência precoce (Adengo); • Consumo de KW - Horas vazio:1196 kW/ha; Horas cheias 407kw/ha; Produção/ha-2017–16.2 Ton/ha – 2016 – 13.6 Ton/ha (seco 14.5%).

67

pub.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt OPINIÃO

Tomate de Indústria biológico: uma oportunidade?

68

Catarina Martins Departamento Técnico da Agromais

| Nos últimos anos tem-se denotado, por parte da indústria de concentrado, uma procura crescente de produção biológica de modo a dar resposta a uma também crescente procura por parte dos seus clientes.As particularidades da sua produção são conhecidas. Em Agricultura Biológica, não se recorre à aplicação de pesticidas nem adubos químicos de síntese, nem ao uso de organismos geneticamente modificados. Na Europa, a Agricultura Biológica é alvo de legislação específica, o Regulamento (CE) n.º 834/2007 do Conselho de 28 de Junho, relativo à produção biológica e à rotulagem dos produtos biológicos, cujo cumprimento é controlado e certificado por organismos acreditados para o efeito. A associação a uma produção mais baixa, comparando o biológico ao convencional, neste caso como noutros, não deixa de estar correcta. Estima-se que a produção por hectare de tomate de indústria biológico possa representar entre AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

O tomate para indústria em 2017 produzido em Portugal representa mais de 19.000ha a nível de área de produção para um fornecimento contratualizado com a indústria de cerca de um milhão e setecentas mil toneladas. Esta cultura encontra em Portugal condições propícias que se manifestam num elevado potencial produtivo e qualitativo (brix e cor).

40 a 50% menos do que no caso convencional. Obviamente essa actual estimativa de diferença na produção tem de se reflectir quer no preço pago pela matéria-prima, quer no preço que o consumidor final irá pagar. Actualmente o preço pago pela indústria não está condicionado por teores de brix e cor. O cenário de produções inferiores e de maior risco, prende-se a meu ver com algum desconhecimento e falta de experiência normais, dado ainda se tratar duma novidade recente a produção biológica neste segmento da horticultura. A procura crescente do tomate para indústria biológico é algo que não se pode negar nem deixar passar em claro, associada ao também crescente consumo e procura por parte do consumidor final, apesar de ainda haver muito por fazer e aprender para dominar a sua produção, como já acontece com o tomate de produção convencional. Se algum dia os produtos biológicos deixarão de ser mais caros e associados a um nicho de mercado não sei… Sei sim que a produção de tomate de indústria biológico é uma oportunidade que merece ser explorada. Nunca uma frase popularizada num anúncio televisivo fez tanto sentido: não negue à partida uma ciência que desconhece!


NOV17 www.agrotejo.pt Realidades

“A formação e a qualificação são a chave para a competitividade” A diretora do Agrupamento de Escolas Golegã, Azinhaga e Pombalinho, Lurdes Pires Marques, salienta que reativar o Curso Profissional de Produção Agropecuária só foi possível com o apoio da Agrotejo/Agromais. O ensino é cada vez mais fundamental neste setor, destaca a entrevistada, salientando ainda os pontos fortes desta formação. Sara Pelicano Jornalista

70

| Revista Agrotejo (RA) - Este é o quarto ano após a reabertura do Curso Profissional de Produção Agropecuária, na Escola Mestre Martins Correia. Qual o balanço que faz? Lurdes Pires Marques (LPM) - Abrimos o curso no ano letivo 2014/2015 e, uma vez que o curso tem três anos, equivalendo ao 12.º ano, no ano letivo passado tivemos a primeira turma a concluir este curso. Este ano temos três grupos a funcionar (10.º, 11.º e 12.º), o que para nós significa que este curso se está a consolidar. RA - Qual a importância de recuperar este curso na região?

LPM - Para nós era muito importante recuperar este curso. Posso mesmo dizer que foi um objetivo que tracei como prioritário no meu primeiro mandato. Fazendo um pouco a história: nos anos 1980/1990 funcionou aqui o Curso Técnico de Agricultura, que foi um caso de sucesso. Uma grande parte dos antigos alunos fez formação superior e, a maior parte, são profissionais bem-sucedidos, como empresários ou como técnicos. Efetivamente, foi uma perda para a Golegã, e para o país, pois acredito que a formação e a qualificação são a chave para a competitividade. Atualmente, as diferentes atividades não sobrevivem com amadorismo e tem de haver, sobretudo em alguns cursos, como é o caso deste, uma relação entre o contexto territorial e a oferta de formação. Hoje, para sobreviver neste mundo global, é necessária competência e profissionalis-

mo para atingir a excelência. Julgo que a Golegã tem as melhores condições para garantir uma formação de qualidade, de referência. Não podemos esquecer que estamos numa região que sempre teve fortes potencialidades agrícolas, que se devem à fertilidade dos solos e à existência de uma vasta área de culturas de regadio e que foi uma das regiões que conheceu um maior desenvolvimento e modernização, porém é fundamental formar mão-de-obra qualificada. RA - Quais os pontos fortes deste curso que destaca? LPM - Como pontos fortes destaco: o facto de este curso estar inserido num contexto específico, rural; a possibilidade destes alunos contactarem sistematicamente com a realidade deste setor – visitando explorações agrícolas que utilizam as tecnologias mais avançadas e acompanhando as diversas culturas; a formação em contexto de trabalho (vulgo estágio, durante os três anos de curso) – que tem a garantia da qualidade assegurada pela colaboração da Agrotejo/Agromais, os alunos têm a possibilidade de passar por diferentes experiências, uma vez que se adota o critério da rotatividade, ou seja, durante os três anos os alunos devem passar por diferentes locais –; no espaço escola os alunos podem ser «agricultores», responsáveis pelas suas culturas. RA - Quem pode frequentar este curso? LPM - Todos os jovens que tenham acabado o 9.º ano e que não tenham mais de 20 anos.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt Realidades

71

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt Realidades

Uma formação próxima do contexto profissional de trabalho

72

Manuel Santana terminou o Curso Profissional de Produção Agropecuária em julho de 2017, sendo assim dos primeiros nesta segunda geração que participa nesta formação. A escolha do curso era óbvia para o jovem estudante: “Esta foi sempre uma área que me fascinou, desde pequeno. Sempre gostei do campo e dos animais. Não me vejo a fazer outra coisa, por isso não fazia sentido ir para outra área. Talvez por influência familiar, visto ter nascido num seio de agricultores”. Manuel Santana faz um balanço positivo da sua passagem pela Escola Mestre Martins Correia. “Ao ter frequentado o curso agrícola fez com que desenvolvesse as minhas competências na atividade agrícola e animal em sintonia com a parte teórica. Fiquei a conhecer outras realidades e a ter noção do que me esperava em contexto profissional. Os estágios foram a grande mais-valia deste curso, não descurando como é óbvio a parte escolar/teórica.” Em entrevista, a diretora do Agrupamento de Escolas Golegã, Azinhaga e Pombalinho, Lurdes Marques Pires, fala de alunos que prosseguem os seus estudos, partindo para outros cursos profissionais e/ou licenciaturas. Manuel Santana é um desses exemplos: “Neste momento, estou a frequentar o primeiro ano do curso de zootecnia na Escola Superior Agrária de Santarém. Tenho como objetivo, depois, fazer a licenciatura. O curso técnico agrícola na Golegã foi importante. Contribuiu para o desenvolvimento das minhas competências profissionais e académicas; permitiu frequentar grandes empresas que me ajudaram a formar”. E nesta perspetiva, o jovem estudante agradece “toda a disponibilidade e dedicação que a Agrotejo e a Agromais tiveram como formadores e orientadores. Sempre me apoiaram e transmitiram conhecimentos e experiências que me enriqueceram tanto a nível profissional como pessoal. Tive contato com outras realidades que me abriram novos horizontes. Fiquei com muitas noções e experiências que colocarei em prática profissionalmente, mas também a nível académico. Bem-haja a todos os colaboradores e obrigado pela disponibilidade e confiança”.

RA - Estão previstas compensações no âmbito do POCH – Programa Operacional Capital Humano, nomeadamente subsídio de refeição e alojamento. Pode pormenorizar? LPM - Os cursos profissionais são financiados pelo POCH: inclui refeições, manuais, fotocópias, transporte, alojamento (se a

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

residência for a mais de 50 km), visitas de estudo e quando fazem FCT (Formação em Contexto de Trabalho) recebem uma bolsa de profissionalização em função das horas realizadas. RA - Quais as principais saídas profissionais deste curso?

LPM - Este curso dá uma habilitação académica e uma certificação profissional (técnico de nível 4). Comparativamente com o ensino regular, estes alunos acabam o secundário e têm uma «ferramenta» para ingressar no mercado de trabalho. O Técnico de Produção Agropecuária poderá, entre outras, desempenhar funções ao nível de empresário agrícola (jovem agricultor); gestão de empresas agrícolas e afins; associações agrícolas e afins; organismos públicos (por exemplo, autarquias…); unidades agroindustriais. Importa também referir que estes alunos, se quiserem, podem seguir o ensino superior. Têm de fazer exames nacionais das disciplinas específicas para ingresso no ensino superior ou então fazer um TeSP – Curso Técnico Superior Profissional, que permite a obtenção de um diploma de Técnico Superior Profissional Nível


NOV17 www.agrotejo.pt Realidades

5, com a duração de dois anos, e que possibilita a entrada no ensino superior de acordo com um contingente especial de vagas. Sete dos nossos alunos que acabaram no ano letivo 2016/2017, por exemplo, seguiram um TeSP. RA-Qual a importância de ter instituições como a Agrotejo e a Agromais a apoiar este curso? LPM - Ter o apoio da Agrotejo/Agromais é fundamental. Aliás, importa dizer que a Direção do Agrupamento de Escolas de Golegã, Azinhaga e Pombalinho tinha o objetivo de implementar um curso ligado à agricultura, no entanto só avançou com esta ideia depois de ter o apoio da Agrotejo/Agromais, pois considerou que só faria sentido este curso se se pudesse garantir a qualidade deste ensino. A parceria com a Agrotejo/Agromais são garante dessa qualidade. E também o apoio da Câmara Municipal da Golegã.

73

pub.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt REALIDADES

Norte do Vale do Tejo: Muito mais do que agricultura

foto: Carlos Paula Simões

76

Sara Pelicano Jornalista

O Norte do Vale do Tejo é um território com forte tradição agrícola. Lado-a-lado com a agricultura, outras atividades económicas foram surgindo, nomeadamente a indústria transformadora dos produtos da terra. Contudo, esta mesma terra não dá apenas oportunidades aos que dela queiram tirar frutos comestíveis. O mesmo território é aproveitado para outros negócios, como o turismo e organização de eventos. Nas páginas que se seguem, ficam alguns exemplos de outros projetos que contribuem igualmente para o desenvolvimento económico e socialda região. AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

Casal das Flores A quinta agrícola Casal das Flores é um espaço emblemático em Riachos. Miguel Cunha, mentor do projeto de requalificação do espaço, quis preservar o património da família e a memória do avô e do pai. Foi em 2013 que tudo começou. “O objetivo inicial foi recuperar as casas agrícolas que há muito se haviam degradado. Surge, assim, a ideia do turismo rural. Submetemos o projeto ao PRODER, com o apoio da Agrotejo, e abrimos portas em novembro de 2015”, conta Miguel Cunha. A coesão social é o conceito que estrutura a ideia, sendo depois alicerçado em vários projetos. O empresário pormenoriza: “O Casal das Flores está pensado,


NOV17 www.agrotejo.pt REALIDADES

essencialmente, no âmbito de uma coesão social, ou seja, além do turismo rural, estamos também a construir um Lar/Residência Sénior numa outra área da quinta. O intuito é dar qualidade de vida às pessoas mais idosas. Estamos também a desenvolver parcerias com os agrupamentos escolares da região e com algumas coletividades do concelho. Neste espaço, acolhem-se os visitantes e promovem-se workshops de carácter rural, sobretudo dirigidos a escolas e à população idosa. Paralelamente, organizam-se também festas de aniversário, batizados, jantares de grupo e, entre outras iniciativas, visitas guiadas à nossa quintinha pedagógica. Neste caso, há também uma relação com a agricultura. Miguel Cunha explica: “O Casal das Flores é, e sempre será, uma casa de cariz agrícola. A maior parte das nossas atividades estão relacionadas com a agricultura que ajuda a manter todas as outras atividades existentes”. O responsável pelo Casal das Flores salienta ainda a importância de entidades

77

www.facebook.com/ Casal-das-Flores

como a Agrotejo e a Agromais que “fazem parte do projeto Casal das Flores pela proximidade que desde sempre existiu, representada na figura do meu avô, Fernando Cunha. O Casal das Flores tem também uma grande componente agrícola, que nos faz ser família destas associações para toda a vida”.

Quinta Guadalupe Madalena dos Santos teve o sonho de reabilitar parte da quinta da família. Elaborou um plano de negócios e apresentou-o aos pais e irmãos que se associaram à ideia. Assim, em 2007 surgiu a Quinta Guadalupe Eventos. “A nossa ideia foi a de aproveitar um espaço – que estava subaproveitado e tem um AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt REALIDADES

78

www.quinta-guadalupe.com www.facebook.com/ Quinta.Guadalupe

pub.

enquadramento único, já que a quinta está situada no centro da Golegã e tem uma vista única para os férteis campos que rodeiam a vila – para fazer nascer uma infraestrutura de excelência, que pudesse acolher os mais diversos tipos de eventos. Ao mesmo tempo, isto per-

mitiu criar dois postos de trabalho na família e preservar o património familiar, os espaços verdes e todas as zonas circundantes”. É desta forma que um espaço secular ganha nova vida. Madalena recuperou “a casa de Manuel dos Santos, meu avô,


NOV17 www.agrotejo.pt REALIDADES

80

um dos maiores matadores de toiros portugueses de todos os tempos, que adquiriu a quinta em 1953 e a recuperou totalmente. Outra curiosidade é que a casa principal da Quinta Guadalupe data do século XVII e serviu de aquartelamento dos oficiais franceses, aquando das invasões napoleónicas”. A Quinta Guadalupe Eventos tem um conceito “rustic chic”, pautando a sua atividade pela “prestação de um serviço de excelência, num espaço que alia a tradição à modernidade, com profissionalismo, qualidade e uma atenção especial ao detalhe”. O projeto dos eventos não está diretamente ligado à agricultura, mas esta não deixa de ter um caracter importante. A Quinta Guadalupe, enquanto “quinta agrícola tem um pomar de laranjeiras em modo de produção biológico, cujo produto é comercializado”. A relação com a Agrotejo/Agromais surge desde o início da Quinta Guadalupe Eventos. Madalena dos Santos, gestora de eventos, explica: “Foi com a ajuda da Agrotejo que elaborei a candidatura da empresa ao programa PRODER, através do qual o meu projeto teve um apoio que foi essencial para podermos avançar com este negócio e todo o investimento necessário. Somos parceiros e já tivemos o gosto de receber eventos destas associações no nosso espaço. Além de que já fomos também contactados por empresas, cujos colaboradores participam como voluntários no

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

www.tejus.pt

projeto Restolho, que foi lançado pela Agromais e Agrotejo, para realizar eventos quando participam nessas ações de voluntariado”.

TEJUS – Eventos & Turismo Passeios pedestres, observação de fauna e de flora, fotografia de natureza são os ingredientes do projeto TEJUS – Eventos & Turismo. André Silva Gabriel, responsável pela empresa, que surgiu em 2014, salienta a proximidade à natureza. “Temos uma estreita relação de proximidade com a natureza. Estamos sediados em plena Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo. O nosso objetivo é promover a harmonia entre o Homem e a natureza, numa simbiose perfeita através do seu património edificado, imaterial, cultural, natural e também através da gastronomia e dos vinhos”. “As nossas atividades são uma autêntica viagem emotiva, pois estimulamos os cinco sentidos de uma forma inovadora. A par disso vamos identificando espécies, abordamos a história, a cultura, as lendas e os mitos, bem como os problemas existentes, mas de uma forma positiva, voltados para a solução. Encaramos os problemas existentes como um paradigma e tentamos daí tirar partido da melhor forma possível. Esta viagem na natureza termina sempre com uma degustação de produtos regionais do melhor que temos na região”, pormenoriza André Silva Gabriel. A Agrotejo/Ongatejo tem investido muito esforço e dedicação na requalificação e promoção da Reserva da Bio-


NOV17 www.agrotejo.pt REALIDADES

sfera do Paul do Boquilobo, classificado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em 1981. Esta área é de extrema relevância para a Tejus, sendo local onde se promovem, por exemplo, passeios pedestres. “No que respeita à importância da Reserva, enquanto património natural da UNESCO, é importante salientar diversos aspetos, nomeada-

mente a gestão da própria Reserva e dos seus recursos. O facto de ser considerada reserva permite uma aproximação entre os atores locais e assim trabalharmos em conjunto na promoção da Reserva em si. No entanto, há ainda um caminho a percorrer, que deverá ter o respeito e distinção entre as funções dos organismos que tutelam a área protegida e as entidades privadas que pro-

curam a emancipação dos seus serviços nestes locais. Sendo certo que o facto de trabalharmos numa Reserva traz mais-valias na distinção e exclusividade de acesso às atividades de animação turísticas”, defende André Silva Gabriel. Concluindo, o responsável da TEJUS destaca o papel da Agrotejo e Agromais como entidades que conhecem muito bem o território e considera que “por via desse conhecimento, é de extrema importância que se unam esforços no sentido de podermos colocar a Reserva do Paul do Boquilobo nos principais roteiros turísticos. É certo que é necessário o know-how específico do ponto de vista turístico, de marketing, de interpretação da natureza, entre outros, mas estas associações têm conseguido envolver as entidades que têm estes recursos. Há um trabalho que tem sido realizado ao nível do desenvolvimento territorial, no entanto creio que o mesmo ainda tem muito para evoluir. Estamos no bom capub.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

81


NOV17 www.agrotejo.pt REALIDADES

minho. Espero vivamente que estas entidades tenham a capacidade de resolver os problemas existentes/eminentes na área protegida (poluição, acessibilidades, promoção, etc.). É um caminho no qual estamos disponíveis para dar o nosso contributo.

Casa do Adro Junto ao Adro da Igreja da Imaculada Conceição (séc. XVI), no centro da Golegã, Paulo da Luz e a sua esposa, Luísa, estão de portas abertas para receber os visitantes da região na sua Casa do Adro da Golegã. Num edifício que foi residência e, em tempos, uma espingardaria, nasceu um estabelecimento de turismo em espaço rural. “Vimos que era um espaço com muito potencial e decidimos criar um espaço agradável e acolhedor, e assim nasceu a Casa do Adro da Golegã”, conta Paulo da Luz, um dos responsáveis por este alojamento rural. Mas os empresários pensaram neste projecto, não apenas como um alojamento, mas sim como uma experiência completa, que inclui “um serviço de apoio aos nossos convidados: como o transfer, que recebe os turistas no aeroporto de Lisboa ou noutros locais do país e os traz até aqui” e “um serviço de tours”, experienciais, que visam dar a conhecer as tradições, a gastronomia, a história e os produtos da região. “Trabalhamos com turismo equestre e com peregrinos que fazem o Caminho de Santiago de Compostela, que passa mesmo em frente à Casa do Adro, mas também com famílias e grupos de amigos e ainda com empresas para reuniões especiais ou alojamento de parceiros”, explica Paulo da Luz. “Através de uma parceria com um DMC, temos como objectivo trabalhar com grupos provenientes dos Estados Unidos, Nova Zelândia, Austrália e outros destinos. Queremos captar turistas nacionais e estrangeiros para a zona centro. A Golegã tem potencial turístico por explorar e procuramos colaborar com todos os players que aos diferentes níveis contribuem para o desenvolvimento da Capital do Cavalo”. O turismo religioso é também muito

83

relevante para nós, pela integração no Caminho Central Português de Santiago. Criámos um novo produto, designado “Fátima a Pé” (www.fatimaape.pt), que tem alguns troços sobrepostos ou para-

www.facebook.com/ CasadoAdrodaGolega/

lelos a este, com o objectivo de levar os peregrinos ao nosso Santuário Mariano, mas incluindo não só o alojamento, como também serviços de alimentação e transporte de bagagens para os destinos do Caminho. Para construir esta oferta, Paulo da Luz está a trabalhar com parceiros locais, pois o sucesso só pode ser atingido em conjunto. ”Para nós, tem sido fundamental o carinho da Câmara Municipal da Golegã e das Regiões de Turismo locais”, bem como as parcerias com a Agrotejo e a Agromais. “Estas instituições e outras podem trabalhar connosco, uma vez que temos um acolhedor espaço para organizar eventos, alojamento e o serviço de transfers. Sabemos que são entidades que recebem parceiros nacionais e oriundos de outros países, que estamos empenhados em bem acolher.” “Temos imenso gosto em poder estar de mãos dadas com Agrotejo e Agromais por forma a que possamos colocar o nosso espaço ao serviço dos seus colaboradores e parceiros. Acreditamos que juntos podemos ajudar a fazer crescer a Golegã”, concluiu.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


Há 8 décadas a crescer e a inovar no sector da indústria gráfica.

Imprimimos as suas ideias... nas cores da sua imaginação! Preços diferenciados. Atendimento personalizado. Excelência na impressão. Eficiência nos prazos de entrega.

85 ANOS

A PERSISTENTE | ARTES GRÁFICAS de CÉSAR CASTELÃO & FILHOS

CÉSAR CASTELÃO & FILHOS IMPRENSA MUNICIPALISTA www. imprensamunicipalista.pt geral@imprensamunicipalista.pt

www.apersistente.pt geral@apersistente.pt

SEDE E OFICINAS GRÁFICAS . Quinta do Nicho 2140-120 CHAMUSCA, Apartado 23 Telfs.: 249 760 263 / 249 760 436 Fax: 249 760 499


NOV17 www.agrotejo.pt OPINIÃO

O ano agrícola vai terminar! ... Porque não fazer contas?

86

Mário Antunes Secretário Geral da Agrotejo

| Por norma, por tradição ou resultado dos ciclos culturais, os “anos agrícolas” terminam normalmente a partir de Setembro de cada ano civil. Este é o momento em que muitas culturas vão terminar o seu ciclo e se inicia a preparação de uma nova campanha. Porque não fazer, nesta altura, contas especificas por cultura e/ou parcela? Nos dias de hoje, esta parece ser uma pergunta sem sentido, mas na verdade e como todos sabemos, muitos são os agricultores que não o fazem! Porque não tem dimensão, organização, tempo ou disponibilidade, muitos agricultores começam a planificação de um novo ano agrícola sem a informação básica de quais as parcelas e/ou culturas mais eficientes nas explorações agrícolas! AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

Há casos de sucessivos anos e/ou culturas com rendimentos negativos sem que tal seja avaliado e, muito menos corrigido.

Quais as melhorias que podem incorporar na gestão das explorações agrícolas tendo em vista uma maior rentabilidade? Em que culturas se perde ou ganha dinheiro? Há casos de sucessivos anos e/ou culturas com rendimentos negativos sem que tal seja avaliado e, muito menos corrigido. Assim será cada vez mais difícil sobreviver! Assim será difícil contrariar eventuais handicaps! Se não fizermos esta planificação, nesta altura do ano, vamos começar um novo ano agrícola sem um diagnóstico real, correndo riscos, muitas vezes com carácter irreversível. A avaliação de custos e proveitos por cultura e por parcela reveste-se, atualmente, de uma enorme importância, não só pela análise que permite do presente ano agrícola, mas também pela possibilidade que nos dá de planificação e correção dos anos futuros. Sabemos que os valores de venda dos produtos agrícolas não terão oscilações de relevante importância. Temos que apostar na avaliação/redução de custos e/ou acréscimos de produções. Tal só será possível com orçamentos previsionais, com o conhecimento efetivo das contas de cultura e com um acompanhamento pormenorizado das atividades desenvolvidas! Uma comparação tão exaustiva quanto possível dos sucessivos anos agrícolas permite ainda, não só uma maior capacidade de negociação como também maiores certezas nas opções de investimento e diversificação cultural. A comparação e análise dos vários custos fixos e variáveis permitem ao empresário agrícola a validação das suas opções de gestão assim como a rápida inversão de eventuais estrangulamentos. Só com esse conhecimento podemos optar e decidir bem! Se é certo que o setor agrícola tem, como poucos, as vicissitudes de empresa a céu aberto, dependentes das condições climatéricas, também é verdade que as opções de gestão muito contribuem para o seu sucesso. A avaliação e acompanhamento pormenorizado do rendimento das parcelas e culturas permitem ao agricultor um conjunto de decisões ao nível dos Parceiros de negócios, gastos de energia, compras antecipadas, avaliação de créditos de campanha, Novas variedades, planos de fertilização, investimentos, plano cultural de acordo com


NOV17 www.agrotejo.pt opinião

potencial das parcelas. Esta avaliação pode ser a chave do sucesso (ou insucesso) dos empresários agrícolas. Já existe um conjunto de ferramentas informáticas de apoio a este tipo de análise mas também é verdade que muitas vezes a simples e famosa conta de cultura pode dar a informação que se pretende. Numa abordagem mais técnica, as contas a fazer podem não ser só de custos e proveitos diretos. Pode e deve ser feita uma análise a unidades de fertilizantes, custos e contratos energéticos, quantidades de água utilizada, duração de ciclos culturais, produções médias, necessidades de mão-de-obra, épocas de risco, etc. Numa outra abordagem, mais específica ainda, podemos e devemos utilizar um conjunto de novas ferramentas eletrónicas que permitem também uma melhor gestão e comparação de parcelas. A monitorização de humidade do solo, os índices de desenvolvimento das culturas, as cartas de produtividade, os índices de conforto das plantas e a sua capacidade de resposta a inputs externos, são também eles, instrumentos de utilidade comprovada na gestão das explorações

Muito deste “trabalho” já é necessário e obrigatório, basta que o agricultor também o utilize!

agrícolas. Muito deste “trabalho” já é necessário e obrigatório, basta que o agricultor também o utilize! Estamos a falar do registo obrigatório em caderno de campo, condição necessária para o recebimento das compensações da Politica Agrícola Comum, certificações, medidas agroambientais e requisitos legais de gestão. Complementarmente, o enquadramento das explorações agrícolas quer ao nível de Organizações de Produtores, quer ao nível fiscal, deve também ser tido em conta e avaliado. A “assessoria” na comercialização, no apoio técnico, nas novas culturas e a nível fiscal pode contribuir para um melhor enquadramento e para uma redução de encargos. A sustentabilidade de todos os parceiros de negócios é também um aspeto que deve ser tido em conta. Considero ainda que a agricultura de precisão pode e vai ser um passo irreversível a curto prazo. Basta que também a precisão na agricultura aconteça! Basta que haja de facto um aproveitamento efetivo por parte do agricultor de todas as obrigações a que está sujeito e das ferramentas e apoios que tem disponíveis, para que dai resultem benefícios. Basta fazer contas! pub.

87


NOV17 www.agrotejo.pt no campo

Nogueiras: um ano depois

88

A procura de novas culturas e alternativas economicamente mais vantajosas foram os pontos chave para a Agromais, que depois de vários estudos na região conclui que todo o Vale do Tejo tem condições edafoclimaticas muito favoráveis para a cultura da nogueira e respectivamente à produção de noz.

Susana Covão Coordenadora Técnica dos Cereais e das Nogueiras, da Agromais

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

| As boas condições de produção na região e a existência de potencial de mercado levaram a Agromais a criar este projecto com dimensão que permita satisfazer o mercado nacional e abordar o mercado internacional. No início de 2016 iniciou-se todo o projecto de caracterização do solo das parcelas escolhidas pelos agricultores e respectivos projectos de plantações. Em 2017 fizeram-se as primeiras plantações de Nogueiras com os porta enxertos e variedades mais adaptadas à região. Passados dez meses das primeiras plantações de Nogueiras podemos acreditar que é um projecto ganho. As plantações correram bem e o desenvolvimento que a cultura está a ter é fabuloso compara-

do com outras regiões. Estamos a crescer com mais área apesar de ser um investimento elevado com retorno a médio/ longo prazo. Passado um ano fomos ouvir as opiniões dos agricultores que decidiram investir nesta cultura.

Francisca Ramos São João de Brito Quais as expectativas futuras da cultura da nogueira? Depois de uns 6 ou 7 anos de grande investimento e trabalho em cada parcela, espero que as nozes paguem todo o capital aplicado e que a exploração agrícola passe a ter resultados anuais significativamente melhores do que os actuais, ao


NOV17 www.agrotejo.pt no campo

mesmo tempo que gera emprego directo e negócio para prestadores de serviços. Qual o envolvimento que pretendem com a Agromais? Relativamente às nogueiras, estou a contar que a Agromais faça todo o processo de lavagem, escolha, calibração e distribuição das nozes, além do apoio técnico que já está a prestar às nogueiras. Quais as razões que a levaram a investir nesta cultura? As margens das culturas que fazemos na nossa exploração têm vindo a descer nos últimos anos devido, principalmente, à descida dos preços dos produtos agrícolas e às crescentes exigências impostas pelas normas de natureza ambiental, pelo que temos vindo a procurar outras culturas com maior rentabilidade. Quando a Agromais nos apresentou a cultura da Nogueira achámos que esta poderia ser a cultura de que temos andado à procura.

João Sanches Trilho Saloio Quais as expectativas futuras da cultura da Nogueira? A noz, produto conotado como saudável pelas suas características nutricionais, tem

o crescimento da procura sustentado pela evolução positiva da população mundial e pela evolução da pirâmide etária no sentido do envelhecimento das sociedades mais desenvolvidas. À medida que os estratos demográficos de maior idade vão alargando, estratos estes de maior poder de compra, aumenta a procura de dietas mais saudáveis e de maior incorporação de produtos com as características da noz. Por outro lado em Portugal existe espaço para o desenvolvimento desta cultura com a utilização de práticas de gestão e tecnologias modernas e com a utilização de variedades mais produtivas e qualidade superior. A aplicação de técnicas culturais com adequados compassos de plantação, com sistemas de rega e fertilização ajustados, com aplicações de estratégias consistentes de tratamentos, vai permitir um aumento muito forte da produtividade por hectare face à realidade de hoje em Portugal e consequentemente uma oferta mais competitiva para a substituição de importações e conquista de mercados externos. Qual o envolvimento que pretendem com a Agromais? Pretendemos que a Agromais ajude os agricultores a desenvolver uma nova fileira de sucesso. A criação de uma plataforma comum de aconselhamento aos agricultores associados e o acompanhamento das diferentes fases dos projectos de plantação é já uma realidade de vital importância. A posterior instalação dos processos de lavagem, secagem e embalagem das nozes para apoio à produção da fileira em muito poderá reduzir os custos e as necessidades de investimento dos agricultores. Finalmente a pesquisa de clientes nacionais e estrangeiros e a celebração de contratos para escoamento e valorização dos produtos, à semelhança do que a Agromais já conseguiu com outras fileiras de produtos, será muito importante para a sustentabilidade das actividades dos produtores. Quais as razões que o levaram a investir nesta cultura? Rasgar o horizonte de opções dos agricul-

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

89


NOV17 www.agrotejo.pt no campo

tores. Desenvolver actividades no âmbito de culturas permanentes reduzindo a exposição excessiva a culturas temporárias, equilibrando assim as fontes de rendimento e redução de riscos. Evidentemente, pretende-se também valorizar um conjunto de solos adequados a uma cultura de procura sustentada e de valorização interessante.

sozinhos não conseguiríamos alcançar, conseguimos ser mais competitivos, apresentamo-nos de outra forma nos mercados e com outro poder negocial. Quais as razões que a levaram a investir nesta cultura? Vivemos num contexto agrícola menos favorável. Muitas das culturas que se fa-

Sofia Marques

90

Quais as expectativas futuras da cultura da nogueira? Os hábitos alimentares estão a mudar e o consumidor cada vez mais se preocupa em fazer uma alimentação saudável. Os frutos secos, como a noz, incluem-se nestas novas tendências e acreditamos que o consumidor está disposto a pagar por este produto. Qual o envolvimento que pretendem com a Agromais? É indiscutível que, ser sócio da Agromais nos traz, a nós associados e à região, um vasto leque de vantagens e oportunidades. Conseguimos atingir metas que pub.

sofia marques

zem na região, como é o caso do milho ou algumas hortícolas, têm vindo a ter uma perda de rentabilidade. Neste sentido, tentamos encontrar alternativas de forma a não trabalharmos em regime de monocultura, a diversificarmos e diminuirmos o risco e preferencialmente tentando encontrar uma alternativa mais rentável.


NOV17 www.agrotejo.pt no campo

92

A rega na cultura do milho: Estará tudo certo? sandra pires diretora técnica / Hidrosoph

| O milho é uma das culturas de regadio com maior importância para os associados da Agrotejo, ocupando cerca de 30% da área total explorada na região, contabilizando culturas permanentes. A sua área de produção tem vindo a aumentar a uma taxa de cerca de 200 ha/ano nos últimos 10 anos. O principal método utilizado pelos produtores para a rega da cultura é a aspersão, recorrendo no Vale do Tejo preferencialmente aos sistemas de rampas pivotantes pela facilidade de operação, possibilidade de automação e elevada uniformidade de distribuição de água, quando os equipamentos se encontram em perfeito estado de funcionamento. AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

O aumento dos custos da energia e a necessidade de utilização mais eficiente dos fatores de produção no sentido de minimizar perdas e melhorar os resultados da cultura tem motivado, porém, a adoção de métodos de rega localizada que permitem a aplicação da água e nutrientes diretamente na zona da raiz. Para além dos sistemas de rega gota-a-gota convencionais com fita de rega e gotejadores de fluxo turbulento, alguns produtores têm dado os primeiros passos na utilização de sistemas de rega gota a gota subterrânea. Estes sistemas altamente tecnológicos são adequados a alguns tipos de solo e sistemas de produção com mobilizações superficiais, uma vez que utilizam tubagens desenhadas para resistir alguns anos enterradas no solo. A sua instalação e implementação necessitam do apoio de técnicos especializados e de equipamentos de monitorização do estado hídrico do solo e das culturas integrados em ferramentas para apoio à decisão de rega. Embora o investimento inicial possa ser significativo, alguns produtores consideram que o retorno a longo prazo poderá compensar a adoção da tecnologia. Qualquer


NOV17 www.agrotejo.pt no campo

a reduzida representatividade dos dados provenientes de equipamentos de monitorização e alguma limitação no domínio das tecnologias por parte dos produtores.

Desempenho dos sistemas de rega A verificação periódica dos equipamentos com medição do volume de água aplicado é importante para garantir a dotação de rega pretendida. A dotação de um sistema de rega é um fator crítico para a gestão e deve ser conhecido porque determina o tempo que um sistema tem que estar em operação para aplicar uma determinada quantidade de água à cultura. No caso dos sistemas de rega por pivot são utilizados contadores nas condutas de adução e pluviómetros distribuídos ao longo da rampa em número suficiente para caracterizar todos os lanços em termos da dotação dos aspersores e uniformidade de distribuição da água. A manutenção dos pivots é essencial para garantir que a rega é eficiente, para aumentar o seu período de vida operacional e para prevenir avarias durante a campanha de rega. Nesta altura de fim de campanha, as operações de manutenção recomendadas incluem drenar o sistema e estacionar o pivot de preferência em local nivelado; lubrificar as peças móveis; verificar o nível do óleo nos redutores de rodas e nos moto-redutores e mudar o óleo, se necessário; verificar a pressão dos pneus e o aperto das porcas das rodas, aproveitando para verificar os parafusos das torres e lanços; inspecionar todas as juntas e uniões para detetar fugas e verificar sinais de desgaste, impurezas, sujidade ou corrosão.

Representatividade dos equipamentos de monitorização que seja o sistema de rega adotado e sendo a rega a operação cultural que mais vezes é executada durante a campanha, a gestão da rega para aumento da eficiência é uma das principais preocupações dos produtores de milho na Agrotejo. A gestão eficiente da rega permite minimizar perdas de produção por stress hídrico da cultura, maximizar a resposta em termos de produção a outras operações culturais e otimizar a produção por unidade de quantidade de água aplicada. Para encontrar as respostas às principais questões da gestão de rega: de Quando, Quanto e Como Regar?, uma parte importante dos produtores de milho da Agrotejo recorre a ferramentas informáticas destacando-se entre elas o Irristrat™, a aplicação desenvolvida pela Hidrosoph, por demonstrar ser o mais avançado software de gestão de rega, integrando equipamentos de monitorização dos principais fabricantes, processando informação do campo em tempo-real e disponibilizando aos agricultores indicações precisas para a rega mais eficiente e com melhores resultados. Ainda assim, apesar do nível tecnológico dos produtores ser elevado e da adoção ferramentas avançadas de apoio à decisão de rega ser generalizada, poderão ocorrer algumas situações em que as necessidades hídricas da cultura ao longo da campanha não são satisfeitas, com consequências importantes ao nível dos resultados do produtor. Os principais motivos para este facto são o fraco desempenho dos sistemas de rega,

A resposta de uma sonda de capacitância varia com a textura e estrutura do solo. Embora quase todos os fabricantes estabeleçam equações de calibração passíveis de serem utilizadas em diferentes tipos de solo, estas não funcionam em todas as situações. A calibração das leituras com amostras de solo não perturbadas geralmente só é feita em âmbito académico, não sendo compatível com a utilização em contexto de produção agrícola. O volume medido por cada sensor é também relativamente reduzido e em grande parte dentro da zona de solo perturbada durante a instalação do equipamento. Apesar de existirem pro-

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

93


NOV17 www.agrotejo.pt no campo pub.

cedimentos de instalação que minimizam a perturbação do solo, o efeito de bolsas de ar entre a sonda de capacitância e o solo pode ser significativo nas respostas das sondas. Por estas razões, os valores medidos pelas sondas não devem ser considerados absolutos, mas apenas indicativos da dinâmica da água no solo num ponto específico da parcela. O número de sondas a utilizar por unidade de área regada depende da variação espacial das propriedades do solo e do declive. A representatividade dos dados numa determinada parcela implica a existência de uma sonda por cada subárea representativa identificada, o que muitas vezes não é economicamente viável. Para reduzir a incerteza da representatividade dos dados da sonda, recomenda-se o recurso a instrumentos frequentemente associados a técnicas de agricultura de precisão, com sejam os mapas de índices de vegetação, de produtividade ou ainda de condutividade elétrica do solo.

Domínio da tecnologia

94

Os equipamentos de monitorização da água no solo são apenas uma parte do sistema de apoio à decisão de rega. A correta interpretação destes dados tendo em conta o calendário de rega gerado por um modelo de balanço hídrico é outra peça fundamental para fornecer aos produtores a informação necessária para a gestão desta operação. No entanto, podem ainda verificar-se nalguns produtores alguns preconceitos em relação à rega do milho. É do conhecimento geral dos produtores que as necessidades hídricas da cultura do milho variam segundo a sua fase de desenvolvimento e sua duração, a fertilidade do solo, a disponibilidade de água e da interação entre estes fatores. Em condições ambientais semelhantes, uma planta jovem com área foliar reduzida e sistema radicular limitado requer uma quantidade de água menor que uma planta adulta com uma área foliar elevada e um sistema radicular mais denso. Também é reconhecida pela maior parte dos agricultores a ideia de que o milho é relativamente insensível à falta de água durante a sua fase inicial de desenvolvimento e que as plantas se conseguem adaptar à falta de água durante esta fase, reduzindo o efeito sobre a produção. Isto leva a que muitas vezes a gestão da rega a fase inicial do ciclo vegetativo seja mais descuidada

Dinâmica da água no solo num ponto de observação em 2016, com indicação de nível de água no solo bastante baixo durante toda a fase 2 e parte da fase 3.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt no campo

Dinâmica da água no solo no mesmo ponto de observação em 2017, com indicação de nível de água no solo adequado durante toda a fase 2.

96

propiciando a ocorrência de situações de stress que se podem prolongar muito para além da altura da sacha, se os sistemas não tiverem capacidade de repor a reserva do solo rapidamente. De facto, o milho é muito mais sensível à falta de água desde a floração até ao enchimento do grão (em particular no período compreendido entre duas semanas antes da emergência das sedas e duas semanas após a emergência das sedas), mas a ideia da relativa insensibilidade da cultura na sua fase inicial de desenvolvimento vegetativo está relacionada com as necessidades hídricas da cultura mais reduzidas nesta altura. Apesar de pub.

superficial, para assegurar um conveniente desenvolvimento do sistema radicular das plantas jovens, é necessário garantir que existe humidade suficiente no perfil à disposição da cultura. Uma outra situação que acontece com alguma frequência é o atraso na retoma da rega após um evento de precipitação. Se se permitir que o teor de humidade no solo atinja o seu limite mínimo após a chuva, parte da parcela poderá ficar sujeita a condições de stress consideráveis até se conseguir cumprir o ciclo de rega, podendo em alguns casos as condições de stress prolongar-se até se conseguir repor a reserva do solo. Nestes casos, o calendário de rega poderá ser a melhor ferramenta para garantir que o ciclo de rega é restabelecido a tempo de não submeter a cultura a condições de stress. A rega em excesso ou o prolongamento da rega para além do ponto negro também podem reduzir significativamente o rendimento potencial da cultura. A rega em excesso durante o ciclo de produção da cultura pode eliminar o risco de stress hídrico, mas reduz a eficiência da rega e a resposta da cultura à fertilização ou às operações de controlo de infestantes. Ao ponto negro, o grão atinge a maturidade fisiológica e já não aumenta o seu peso, pelo que a rega para além deste estado não acrescenta potencial produtivo à cultura. O momento de paragem da rega deve, por isso, ser determinado por monitorização dos sinais de maturidade fisiológica da cultura.


NOV17 www.agrotejo.pt no campo

Colaboração Consulai - Hidrosoph - Agrotejo

98

A Hidrosoph/Consulai colabora com a Agrotejo no cumprimento dos seus objetivos de promoção do uso de boas práticas agrícolas e de desenvolvimento da formação profissional dos seus associados, no âmbito do programa POCI – Programa Operacional Temático Competitividade e Internacionalização. Com uma ação específica no uso eficiente da água, o programa tem sido desenvolvido com 5 módulos de formação em sala em temáticas relacionadas com a Gestão da Rega e o mais recente conhecimento e tecnologia à disposição dos produtores nesta área. Para além destas, têm sido executadas diversas sessões de consultoria nas explorações agrícolas dos participantes, apoiando a utilização de ferramentas avançadas de suporte à decisão e novas tecnologias de agricultura de precisão para apoio à gestão de rega.

Nesta ação estão inscritas 10 empresas da Agrotejo e colaboram 8 técnicos que têm acompanhado cerca de 1 000 ha com 17 culturas, em 80 unidades de rega. Numa fase inicial foram efetuados relatórios de diagnóstico em todas as empresas, de forma a desenvolver soluções práticas específicas de gestão de rega que incluíam uma série de opções para otimização do uso da água. Após esta fase, foram iniciadas as visitas de consultoria tendo em conta as medidas identificadas para o cumprimento dos objetivos estabelecidos para cada empresa. Contando com a valiosa massa crítica dos formandos e das empresas que estes representam no programa,

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

temos consolidado a relação com a Agrotejo para o desenvolvimento agrícola da zona Norte do Vale do Tejo e para a sustentabilidade da utilização dos recursos desta região.

Colaboração Hidrosoph-Agromais Para o serviço de apoio à gestão de rega prestado pela Agromais, os técnicos da organização de produtores utilizam a plataforma web desenvolvida pela Hidrosoph. O Irristrat™ é o mais avançado software de gestão inteligente de rega, integrando os equipamentos de monitorização dos principais fabricantes, processando a informação do campo em tempo-real e disponibilizando aos agricultores indicações precisas para uma rega mais eficiente e com melhores resultados. Para além do Irristrat™, e para criar valor a partir dos dados das culturas e parcelas armazenados na sua base de dados, a Agromais utiliza ainda o Irristrat™ BI. A exploração e cruzamento de dados sobre a utilização de água de rega com dados de outras proveniências permite aos técnicos da Agromais adquirir conhecimento que lhes possibilita tomar decisões fundamentadas em tempo real.

Com a Agromais, a Hidrosoph ainda colabora com a parametrização das unidades de rega no Irristrat e com a gestão, manutenção e instalação de equipamentos de monitorização.


NOV17 www.agrotejo.pt OPINIÃO

Alho: Cânfora dos pobres Bruno Estevão Coordenador Técnico das Hortoindustrias da Agromais

100

| As origens do alho remontam a cerca de 6.000 anos. Há imprecisão e controvérsia na definição da sua origem, que pode ter sido a Europa mediterrânea ou o continente asiático. A maioria dos estudos indica a Ásia como local de origem do alho. Julga-se que tenha surgido no deserto da Sibéria, e que tenha sido levado para o Egipto por tribos asiáticas nómadas. Do Egipto supõe-se que tenha seguido para o extremo oriente através das rotas de comércio com a Índia, e depois tenha chegado à Europa. Para todas as culturas, seja a indiana, a egípcia, a grega, a hebraica, a russa ou a chinesa, o alho era um elemento quase tão importante quanto o sal. O que ditou a diferença de importância foi a rejeição pelas classes mais altas, em razão do odor da planta. Nos cultos de alguns deuses gregos era proibida a entrada de pessoas cheirando a alho. Mais tarde, continuaria rejeitado pela aristocracia e, em alguns casos, pelo clero, o que fazia deste vegetal um indicador de classe social. Era entusiasticamente apreciado como alimento e medicamento pelas massas, o que fez com que o escritor francês Raspail o apelidasse de “cânfora dos pobres”. O odor característico do alho deve-se à presença da alicina (óleo volátil sulfuroso). Quando as células do alho são quebradas, liberta-se uma enzima chamada aliniase que modifica quimicamente a substância alinia em alicina, que resulta no cheiro do alho. O alho, Allium sativum, da família Liliaceae (a mesma da cebola e do cebolinho), é uma planta assexuada que se propaga através da plantação dos dentes. Na caracterização de cultivares a coloração das túnicas e da película não é um critério seguro, se usado isoladamente, é que tais características variam principalmente conforme o solo. Assim sendo, a designação popular de “alho roxo”

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

podemos ter, sem sombras de dúvidas, alho de origem portuguesa disponível para o consumidor, realmente produzido em Portugal.

e “alho branco” não tem muito significado, apesar de ser a mais utilizada. A época de plantação difere consoante o tipo/variedade de alho e estende-se de Setembro a Janeiro. A semente é geralmente adquirida em cabeças, e por isso antes da plantação tem de se proceder ao desgrane. O principal motivo da comercialização da semente ser em cabeça é a falta de conservação dos dentes. A semente adquirida em dentes tem muito pouca conservação (geralmente é semeada no dia a seguir a ser desgranada). Na plantação os dentes do bolbo devem ficar a uma profundidade ente os 4 e 5 cm, com a extremidade do bico voltada para cima. São plantados em linhas, distantes entre si 30 a 50 cm. Utiliza-se geralmente entre 1100 e 1500 kg dentes/ha, consoante a variedade e calibre que se pretenda. Quanto ao tipo de solo, a planta do alho prefere solos leves, finos, ricos em matéria orgânica (entre 2 a 4%) e bem drenados, com pH entre 6 e 7.


NOV17 www.agrotejo.pt opinião

No que respeita às condições climáticas, o alho é uma cultura de clima frio, suportando bem baixas temperaturas. Considera-se para a cultura do alho extração em ordem decrescente dos seguintes nutrientes: N, K, S, Ca, P e Mg. Apesar de o fósforo ser pouco extraído, a sua aplicação aumenta a produtividade e tamanho do bolbo. É muito sensível ao stress hídrico, principalmente na etapa de crescimento vegetativo, sendo a

Trata-se de, mais uma cultura, em que a dependência do exterior é enorme.

rega por aspersão a mais comum, necessitando entre 3000 e 4000 m3 de água, dependendo das condições edafoclimáticas. As doenças mais comuns são a ferrugem (Puccinia porri) e o míldio (Peronospora destructor). A época de colheita vai desde Maio a Julho, quando os caules e as folhas começarem a secar (senescência). As cabeças podem ser arrancadas de forma manual, mecânica ou parcialmente mecânica. A colheita deve ser efectuada na época própria de cada variedade, devido à influência que pode exercer na qualidade e poder de conservação dos produtos de colheita. Trata-se de, mais uma cultura, em que a dependência do exterior é enorme. A importação de alho é de quase 90% o que significa que, tendo Portugal condições edafoclimáticas para a sua produção, existe uma grande margem de crescimento. Tem de se superar a questão da mão de obra, sempre necessária, para pudermos ter, sem sombras de dúvidas, alho de origem portuguesa disponível para o consumidor, realmente produzido em Portugal. pub.

101


NOV17 www.agrotejo.pt em foco

foto: Carlos Paula Simões

102

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt em foco

Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo com obras de requalificação Mário Antunes Presidente do Órgão de Gestão da Reserva da Biosfera do Paúl do Boquilobo

103

Cremos que esta proposta, consolida o carácter multifuncional dos sistemas dentro da sua tripla valência

| Estão a decorrer obras de requalificação e melhoramento no apoio ao visitante na Reserva Natural do Paul do Boquilobo. Um projeto da responsabilidade da Camara Municipal da Golegã que visa criar melhores condições de acesso, visitação e informação a todos os que procurem aquele espaço inserido na Biosfera do Paul do Boquilobo. A construção de novos trilhos, passagens hidráulicas, centros de observação e nova sinalética, são algumas das novidades que os visitantes, a curto prazo, poderão disfrutar e utilizar. Com inicio em Julho passado e com finalização prevista para final de 2017, esta obra tem como principais objetivos direcionar a reserva para a investigação, o conhecimento, a monitorização, educação e troca de informação, relacionados com temas de conservação e desenvolvimento locais, nacionais e globais. Contribuirá ainda para a sustentabilidade económica, sociocultural e ecológica da região. Cremos que esta proposta, consolida o carácter multifuncional dos sistemas dentro da sua tripla valência - produtora de bens de mercado, gestora de recursos e territórios, e, integradora de atividades e rendimentos. Cremos que esta proposta se enquadra nos objetivos preconizados, reconhecendo cada vez mais este território como reserva da biosfera de caracter único a nível mundial. AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt em foco

Reserva da Biosfera do paUl do boquilobo

É tempo de deixar de acreditar que a interferência humana é essencialmente nociva ao meio ambiente Da sua caracterização sabemos que a Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo é uma Reserva da 1ª Geração, classificada desde 1981 pela Unesco, tendo sido a nível nacional a primeira área portuguesa a ser integrada na Rede Mundial de Reservas da Biosfera.

fotos: Carlos Paula Simões

106

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt em foco

Carlos Paula Simões Técnico de Qualidade, Segurança e Ambiente

| Para quem cresceu na sua vizinhança, é desde muito antes de 1981 que a sabemos especial, única, de incalculável valor. Os trilhos e percursos de corta-mato que então percorríamos nas “pasteleiras”, nas nossas férias lectivas de Verão, eram renovadamente fonte de prazer, aprendizagem, diversão. E se a partir de um determinado momento, o usufruto da Reserva passou a estar condicionado, fruto de uma certa visão preserva-

Para quem cresceu na sua vizinhança, é desde muito antes de 1981 que a sabemos especial, única, de incalculável valor

cionista, restritiva, escassamente explicada àqueles que a conheciam e dela desfrutavam, essa restrição não se traduziu numa mais-valia para a Reserva e para o que se pretendia proteger. Afinal, quem a deve proteger, em primeiro lugar, é quem a ama. E só se ama aquilo que se conhece. Se a classificação da Reserva Natural como Reserva da Biosfera pela Unesco poderia fazer crer que uma mudança no paradigma desta, uma vez que esta classificação requeria que se encontrasse forma de conciliar a conservação da natureza e o seu uso sustentável dos elementos da biosfera, particularmente a diversidade biológica, tal foi escassamente visível, por décadas. Vejamos, até 2014, nos pouco mais de 550 hectares que constituíam a Reserva, não se considerava qualquer população residente, existia uma actividade económica registada, não estava incluído qualquer aglomerado populacional. Isto é, o conceito de uso sustentável dos elementos da biosfera era letra morta… As reservas de biosfera são regiões modelo para o desenvolvimento sustentável, mas há muitos obstáculos para sua criação, e os maiores desafios para as reservas de biosfera são os conflitos de interesses em jogo. Por isso se reveste de particular importância a alteração de 2015, que tão bem se traduz em alguns números significativos: seis aglomerados populacionais agora abrangidos pela área total da Reserva, que soma 5.896

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

107


NOV17 www.agrotejo.pt em foco

hectares, uma população residente de 8400 pessoas, oito actividades económicas registadas, dois concelhos e cinco freguesias agora abrangidas, nas zonas tampão e de transição que representam mais de 5.060 hectares da Reserva da Biosfera. Toda a actividade agrícola desenvolve-se na Zona de transição da Reserva da Biosfera seguindo normas de boas práticas agrícolas e ambientais, usufruindo e capitalizando a biodiversidade presente nas zonas nuclear e tampão. E esta actividade agrícola é fundamental para a Região e para o País: Toda a região do Vale do Tejo é de excelência para a prática agrícola, com culturas como o milho ou o tomate. Portugal é o quarto maior exportador de Tomate a nível mundial. O Homem é assim motivado a desenvolver e rentabilizar a sua actividade, não deixando de preservar e proteger o solo, a água e a biodiversidade de toda esta zona. Incentivado, até, a promover outras utilizações complementares da zona de transição, que não colidindo com as actividades tradicionais da

108

pub.


pub.


NOV17 www.agrotejo.pt em foco

agricultura e da pecuária, trazem à Reserva da Biosfera e a toda a sua envolvente, uma fonte de riqueza local, com actividade turística existente associada aos produtos de turismo da natureza, turismo equestre, turismo em espaço rural, etc.

110

Esta mudança de paradigma permite-nos, a nós, os vizinhos e habitantes da Reserva da Biosfera, usufruirmos da mesma, de uma forma que até recentemente nos era vedada

Podemos portanto afirmar que os valores relativos às reservas de biosfera envolvem inclusão social, protecção ambiental, mas também têm como meta fornecer uma base económica para as pessoas que vivem a partir de ou delas. Não é portanto utópico pensar que, para a Tutela, ao estudar a agenda de desenvolvimento que resolva de forma sustentável os problemas que afectam as reservas de biosfera, também passe a possuir as ferramentas, a experiência e as habilidades para gerir numa escala muito maior outras questões relacionadas com desenvolvimento sustentável, dadas as crescentes ameaças ao meio ambiente relacionadas com as alterações climáticas. Esta mudança de paradigma permite-nos, a nós, os vizinhos e habitantes da Reserva da Biosfera, usufruirmos da mesma, de uma forma que até recentemente nos era vedada e também permitiu observar mudanças significativas na forma de viver e trabalhar junto da Reserva dentro da sua zona de transição. Há ainda infelizmente aspectos que décadas, séculos até, de incúria e prevaricação, continuam a fazer sentir o seu efeito nefasto em toda a área da Reserva, e que têm a ver sobretudo com a gestão da água, a sua poluição ou o desrespeito pelos níveis mínimos de manutenção e dos caudais ecológicos, quer do Rio Almonda, quer do Rio Tejo. Estes são indubitavelmente os aspectos mais preocupantes da gestão – que põem em causa a própria existência – da Reserva. Como frequentador, caminhante assíduo da Reserva desde esses tempos em que a mata mediterrânica, o carrascal, envolviam todo o Paul, observei ao longo dos anos a progressão inexorável do terreno convertido à agricultura. E se em anos passados, essa pro-


NOV17 www.agrotejo.pt em foco

gressão quase se podia considerar selvática, desordenada, de um ponto de vista conservacionista, isso já não é a regra nos dias de hoje. É inevitável mais agricultura e mais pecuária, porque mais alimentos são necessários para alimentar mais seres humanos. Não é contudo inevitável que tal se dê à custa da destruição dos valores ambientais, dos recursos naturais e da biodiversidade. Na nova Reserva da Biosfera de que temos o privilégio de desfrutar, é tempo de deixar de acreditar que a interferência humana é essencialmente nociva ao meio ambiente: o que se pretende é provar que somos capazes de utilizar estes recursos de forma controlada, equilibrada e, muitas vezes, mais eficazmente do que se estes permanecessem “intocados”. As minhas caminhadas, hoje em dia, levam-me a percorrer toda a zona de transição e a zona tampão e, quando me é permitido, a zona nuclear da Reserva. E em cada uma dessas zonas encontro as provas de que o modelo a seguir só pode ser este: incentivar

E gostaria que um dia, por lá se perdessem por umas horas

a convivência homem-natureza em projectos que se norteiam pela preservação, pela partilha de áreas vizinhas e pelo uso sustentável dos seus recursos. E gostaria que um dia, por lá se perdessem por umas horas. Por isso partilho aqui algumas das imagens que esta área nos permite guardar, na memória e em fotografia. pub.

111


NOV17 www.agrotejo.pt em foco

Reuniões Do Comité Nacional Para O Programa Man & Biosphere

Recriação de um dia de trabalho no campo – Riachos | Em Agosto o Grupo Folclórico “Os Camponeses do Riacho” realizaram um dia de trabalho das gentes de Riachos onde foram recriados os costumes de outras épocas. Esse dia incidiu sobre a colheita dos figos, produto característico e de elevado valor socioeconómico para a região, tendo sido recriadas as atividades que antigamente se desenvolviam no campo desde a apanha dos figos até à sua secagem em passas.

| A Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo esteve presente no passado mês de Setembro num encontro internacional, onde estiveram presentes a maioria das Reservas da Biosfera Mediterrânicas. Nesse encontro foram discutidos e analisados os diferentes aspetos de cada uma das reservas tendo sido definida uma estratégia comum que permita delinear modelos de redistribuição de riqueza e melhorar as condições da relação entre o Homem e o meio ambiente.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

foto: Carlos Paula Simões

Reunião Rede Reservas da Biosfera Mediterranicas

foto: Carlos Paula Simões

112

| O Comité Nacional para o programa na & Biosphere (Mab) iniciou este ano um ciclo de reuniões por cada uma das Reservas da Biosfera Nacionais. Este ciclo seguiu uma ordem cronológica baseada na data de criação de cada uma das Reservas da Biosfera, tendo por isso início na Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo. Estas reuniões tem como objetivo discutir estratégias conjuntas para as Reservas da Biosfera e definir planos de ação com medidas específicas. Além do Paul do Boquilobo, este comité já este ano se reuniu nos Açores onde se podem observar as características intrínsecas deste territórios.


NOV17 www.agrotejo.pt em foco

foto: Carlos Paula Simões

114

Bolsa de Turismo de Lisboa 2017 | De forma a estar presente de uma forma mais ativa na edição de 2017 da BTL, a Reserva da Biosfera em parceria com a Câmara Municipal da Golegã, desenvolveu um guia turístico para a área da reserva

que foi amplamente distribuído e divulgado na feira e que apresenta a quem a queira visitar os pontos-chave para uma experiência completa por parte do visitante.

EuroBirdwatch 2017 | No âmbito de mais uma edição do EuroBirdwatch, um evento da BirdLife International, foi organizado na Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo, mais concretamente na Reserva Natural do Paul do Boquilobo, uma sessão de anilhagem científica de aves que nidificam neste espaço ou o utilizam como rota migratória e um passeio pedestre para observação de outras espécies de aves.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt OPINIÃO

A Cultura de Tomate para Indústria: sustentabilidades em contraciclo

116

José Carlos Lino Sérvulo Correia Engº Agrónomo

| Na campanha de 2017, a indústria sediada em Portugal, transformou um total aproximado de 1.600.000 MT de tomate fresco (MT- tonelada métrica). Tal representa 4% de toda a produção mundial neste setor. Entre os 10 maiores produtores mundiais, Portugal ocupa a sétima posição do rank ( 1-California , 2-China, 3-Itália, 4-Espanha, 5-Irão, 6-Turquia, 7-Portugal, 8-Brazil, 9-Chile, 10-Tunisia), mas é o 4º maior exportador de concentrado de tomate. Dados da última campanha, referem um total de 514 produtores, 9 unidades Industriais de primeira transformação e 19.549 hectares de superfície de cultura, no território nacional. Destes, cerca de 1.500 Ha são destinados a AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

A cultura de tomate para indústria está na base da maior fileira hortoindustrial Portuguesa, esta por sua vez, enquadrada num competitivo Mercado Global.

indústrias de transformação espanholas, sediadas na vizinha Extremadura. É uma cultura com um especial impacto económico e social nas regiões do Ribatejo e Alentejo. Portugal tem excelentes condições climatéricas e naturais para o desenvolvimento desta cultura, que sempre ajudaram a que o nosso produto fosse de qualidade e reconhecido nos mercados mais exigentes da Europa e Japão. Contudo, enfrentamos hoje novos desafios de sustentabilidade da produção agrícola neste setor, causados por questões climatéricas (fenómenos de maiores irregularidades térmicas, pluviométricas e eólicas), de disponibilidade de recursos hídricos de qualidade (fluviais, barragens e subsolo) e por problemáticas edáficas e culturais (falta de rotação de culturas, uso excessivo do solo/mineralização acelerada, ’intoxicação’ com resíduos e salinização, compactação e destruição da estrutura do solo e inexistência de alternativas em outras culturas, em parte devido ao baixo preço dos cereais, milho e arroz).


NOV17 www.agrotejo.pt opinião

A par, e por inerências de mercado, de feroz concorrência mundial, a indústria nacional tem sentido a necessidade de obter uma matéria prima de elevados padrões de qualidade e de segurança alimentar (tomate de cor alta, bons níveis de brix, viscosidade e acidez, e ausência ou níveis muito limitados de resíduos e cumprindo todos os requisitos de uma completa rastreabilidade ou traceabilidade). Este mesmo mercado global, de ofertas excedentárias de derivados de tomate de diferentes origens, mas onde se conhecem mal as normas locais de regulamentação e controlo da produção e por consequência, o valor e segurança alimentar das mesmas. São muitos e variados os produtos de derivados de tomate, quer de marcas próprias ou brancas, que não possuem no rótulo qualquer referência de origem do ingrediente principal, o tomate. As instâncias da UE devem melhorar a regulamentação e o controlo sobre todos os produtos de tomate comercializados, sejam de produções locais ou importados de países terceiros. Se tal desígnio for conseguido, será mais um

Este mesmo mercado global, de ofertas excedentárias de derivados de tomate de diferentes origens

importante passo no caminho certo de uma sustentabilidade global mais aperfeiçoada, justa e de sã e leal concorrência. Também, ao nível dos agentes agrícolas e industriais da UE, devem ser equacionados e questionados os actuais montantes de produção e transformação, face ao consumo. Até lá, o limiar da rentabilidade agrícola e de sustentabilidade económica da cultura do tomate, não é hoje fácil de concretizar. Reforçar a especialização e diferenciação nos vários agentes da fileira, a montante e a jusante da produção, e potenciando sinergias entre os principais intervenientes; OP’s/produtores, empresas de factores de produção e serviços, universidades e centros de experimentação, indústria, banca e seguros, está na génese de uma sustentabilidade mais sólida, responsável e partilhada por todos. A realização plena, desta cadeia agro-alimentar, está no valor para o consumidor, quando este adquire, em qualquer país do mundo, um produto a preço justo, são, seguro, e de valor nutritivo e gastronómico, já agora ‘Made in Portugal’. pub.

Herdade do Valdalágea - Valdigem 5100-823 Lamego q.valdalagea@gmail.com T. 914 909 907 / 919 040 102

117


NOV15 www.agrotejo.pt Empresas

ADP Fertilizantes www.adp-fertilizantes.pt

118

Excelência e inovação com a ADP Fertilizantes na região da Golegã Na zona agrícola da Golegã destacam-se culturas diversas como o milho-grão, as hortícolas, o olival e as pastagens, que lhe conferem uma grande riqueza agronómica.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

| Considerando as especificidades destas culturas, o tipo de solos e as condições meteorológicas locais, a ADP Fertilizantes disponibiliza adubos inovadores que potenciam e maximizam as produções. Na adubação de cobertura da cultura de milho-grão recomendam-se os adubos ADP NERGETIC 30 e 34. Os adubos da linha NERGETIC resultam da ação da tecnologia C-PRO ou da macromolécula que reveste os grânulos de adubo protegendo todos os nutrientes das perdas por lixiviação ou imobilização no solo e o azoto do processo de volatilização. Atua progressivamente regularizando a libertação de nutrientes ao longo do tempo, maximizando a eficiência de utilização dos nutrientes Os adubos ADP NERGETIC 30 e 34 incluem também a tecnologia ZIMACTIV, que com-

bina nutrientes que estimulam a atividade dos principais grupos enzimáticos presentes no solo e nas plantas, ativando e maximizando o metabolismo azotado e a eficiência de utilização do azoto ao longo do ciclo cultural. No caso das hortícolas e do olival, a ADP recomenta uma fertilização de cobertura, através do ADP NERGETIC DYNAMIC 20-86. Este adubo nítrico amoniacal promove, em simultâneo, uma resposta mais rápida no crescimento e desenvolvimento vegetativo e um efeito de adubação prolongado totalmente protegido, garantindo uma adubação eficiente. O azoto, presente nos adubos ADP NERGETIC, é essencial para o desenvolvimento vegetativo da generalidade das culturas, por ser indispensável ao metabolismo e divisão celular das plantas.


NOV15 www.agrotejo.pt Empresas

Para algumas culturas, em particular as pastagens e forragens, o fósforo é também um elemento indispensável, ao favorecer o desenvolvimento radicular e vegetativo, estimular o afilhamento das gramíneas e é essencial para algumas funções metabólicas da planta, como a fotossíntese, a absorção de nutrientes e a síntese de lípidos. No entanto, na natureza o fósforo tende a encontrar-se em formas orgânicas e minerais não disponíveis para o consumo das plantas. O adubo ADP Amicote BIO 22, recentemente lançado no mercado, indicado para este tipo de culturas, é formulado com fosfato natural macio e reforçado com bactérias solubilizadoras do fósforo, o que favorece a dissolução e a disponibilidade deste nutriente na matriz do solo para ser absorvido pelas plantas, otimizando a sua eficiência de utilização. No quadro seguinte a ADP Fertilizantes especifica recomendações de adubação para as culturas dominantes na zona da Golegã.

CULTURA

ADUBAÇÃO

LINHA

Milho-grão Hortículas

Cobertura DYNAMIC

Olival Pastagens

Fundo

ADUBO

DOSE (KG/HA)

30

500 – 700

34

450 - 650

20-8-6 BIO 22

119

300 – 500 300 – 400 150 – 400

pub.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt OPINIÃO

A estratégia nacional para a promoção do desenvolvimento da cultura e produção nacional de cereais

120

Luís Souto Barreiros Gabinete de Planeamento e Políticas

| No passado mês de junho foi criado através do Despacho n.º 5562/2017 do Senhor Ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Florestas, o Grupo de Trabalho de Cereais. Este Grupo de trabalho, tem como missão propor uma estratégia nacional e um plano de ação para a promoção do desenvolvimento da cultura e produção nacional de cereais. Este trabalho surge da necessidade de inverter a tendência de diminuição da produção de cereais que se tem verificado nas últimas décadas, com as inerentes consequências negativas na taxa de aprovisionamento do país e na sustentabilidade dos respetivos sistemas agrícolas. O momento é também uma oportunidade para o sector, tendo em conta o Plano Nacional de Regadio que o Governo pretende executar até 2020 e a fase inicial de discussão da futura Política Agrícola AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

Este trabalho surge da necessidade de inverter a tendência de diminuição da produção de cereais que se tem verificado nas últimas décadas

Comum (Pós 2020) em que nos encontramos. O Grupo de Trabalho dos Cereais é coordenado pelo Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP) e é constituído por representantes do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, (INIAV, I. P.), da Associação Nacional de Produtores de Cereais (ANPOC), da Associação Nacional de Produtores de Milho e Sorgo (ANPROMIS) e da Associação de Orizicultores de Portugal (AOP). Pretende-se que a discussão sobre esta matéria seja o mais abrangente possível, envolvendo os diversos stakeholders do sector. Para este efeito, serão promovidas reuniões com as diferentes entidades e personalidades no sentido de se discutirem os problemas e as potenciais soluções nas várias áreas de análise. Estas áreas vão desde a produção e soberania alimentar, à organização do sector, aos mercados e comercialização, à inovação e transferência de conhecimento, ao ambiente e ao desenvolvimento territorial. Atualmente o trabalho tem-se centrado no diagnóstico da situação do sector, na análise dos seus pontos fortes e pontos fracos, nas oportuni-


NOV17 www.agrotejo.pt opinião

dades que se apresentam ao sector, bem como nas ameaças que se perspetivam. Desta análise destaca-se a forte dependência da importação, que caracteriza o mercado nacional de cereais, e que se tem agravado ao longo dos anos atingindo em 2015/16 um grau de autoaprovisionamento de 23%. O agravamento da dependência externa de abastecimento de cereais, deve-se por um lado ao aumento do consumo de cereais e por outro à redução da produção nacional. A redução da produção nacional resulta essencialmente da conjugação de diversos fatores, quer de natureza externa, quer de natureza interna. Ao nível externo destacaria a volatilidade dos mercados, a continua diminuição dos preços por força da crescente globalização e as alterações ao nível das politicas comunitárias. Ao nível interno, destacaria os custos de produção mais elevados, característicos de países periféricos, as nossas condições edafo-climáticas e a reduzida ligação entre a industria e a produção. Se por um lado alguns destes fatores (negati-

vos) dificilmente se contrariam, outros podem ser mitigados, nomeadamente através da organização da produção, do regadio, da inovação, da articulação entre os vários agentes da fileira. O exemplo do milho em termos de inovação e utilização da rega, onde os ganhos de produtividade são significativos, demonstram que há uma margem significativa de evolução do sector em Portugal. O aumento do consumo constitui também uma oportunidade para o sector, torna-se, no entanto, necessário conseguir valorizar em termos comerciais a maior qualidade que se reconhece à produção nacional. A valorização da produção nacional passa necessariamente por um trabalho conjunto entre os vários agentes da fileira, em particular a produção e a industria, numa perspetiva de ganhos de parte a parte por forma a aproveitar as oportunidades de mercado. Até finais de Dezembro de 2017 deverá estar concluído o relatório com a estratégia nacional e o respectivo plano de ação para a promoção do desenvolvimento da cultura e produção nacional de cereais.

pub.

121


NOV17 www.agrotejo.pt REPORTAGEM

Mendes Gonçalves: um projeto que dá molho É de temperos, vinagres, molhos e outros, que vive o grupo Mendes Gonçalves. A fábrica da Golegã é sinónimo de empregabilidade e inovação, sempre com vontade de surpreender e fazer mais e melhor.

122

| O cheiro a vinagre distingue-se no ar da fábrica Mendes Gonçalves, na Golegã. Foi o vinagre de figo que fez a empresa abrir portas em 1982. Depois deste produto, muitos se seguiram, inclusive molhos que deliciam consumidores nacionais e internacionais. A vontade de fazer diferente foi pilar inicial da empresa e esse mesmo pilar continua firme no quotidiano da administração e dos colaboradores. “Nascemos há 35 anos com vontade de fazer diferente. Acreditamos nas pessoas, na sua capacidade de fazer a empresa chegar mais longe, e todos os dias o nosso foco é que elas se sintam realizadas a tornar a empresa bem-sucedida”, salienta Carlos Gonçalves, administrador. As pessoas referidas contam-se já em 250, um número que aumenta no verão porque também este negócio tem a sua sazonalidade. Juntos permitiram que,

em 2017, saíssem da Golegã cerca de 10 milhões de litros de vinagre e 9.000 toneladas de molhos. A esta equipa fabril, junta-se uma outra a quem a Mendes Gonçalves, indiretamente dá emprego: os agricultores que fornecem a matéria-prima, os fornecedores da maquinaria, os materiais de embalagem, entre outros. Carlos Gonçalves co-

menta: “Podemos afirmar com orgulho que 88% das incorporações da empresa são nacionais. Temos como política satisfazer as nossas necessidades o mais próximo possível da nossa fábrica. E só se não conseguirmos é que vamos procurar a nível regional, nacional e só a seguir mundial. E isto também se aplica às nossas pessoas. Mais de 90% é

Podemos afirmar com orgulho que 88% das incorporações da empresa são nacionais

E isto também se aplica às nossas pessoas. Mais de 90% é da Golegã e até já conseguimos trazer pessoas de outras localidades para residir aqui na zona” da Golegã e até já conseguimos trazer pessoas de outras localidades para residir aqui na zona”. A leitura já vai avançada e o leitor poderá estar a questionar-se exatamente que empresa é esta. Pois trata-se da fábrica de onde sai a marca Paladin – criada em 1975 e adquirida pela Mendes Gonçalves em 2003 –, essa sim bem mais conhecida de todos. A empresa tem outras marcas como Peninsular e Creative. “Começámos por produzir só vinagre durante muito tempo, mas há cerca de 15 anos, diversificámos o nosso negócio e introduzimos os molhos. Nessa altura, criámos o departamento de Investigação Desenvolvimento e Inovação e a partir daí começámos a desenvolver tudo o que esteja relacio-

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt REPORTAGEM

123

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt REPORTAGEM

124

nado com temperos.” Surgiram então molhos tradicionais, para salada, piri-piris e muitos outros. Há inclusive um ketchup à portuguesa. O nosso interlocutor por este mundo dos temperos diz que “essencialmente o nosso foco é o cliente que está constantemente à procura de novas soluções que acompanhem as tendências de mercado. Os nossos clientes sabem que nos podem desafiar com novas soluções e que faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para o satisfazer. É assim que temos evoluído e criado relações duradouras com os nossos clientes”. Com este espírito de inovar e envolver trabalhadores e clientes, a Mendes Gonçalves foi conquistando mundo, alargando inclusive a geografia de produção com uma fábrica em Angola, um investimento de três milhões de euros. A matéria-prima segue toda de Portugal, mas o produto final fica mais próximo de um mercado em crescimento. O mercado externo vai dando também “molho” à empresa, representando as exportações 15% do volume de negócios. Desde que abrimos a fábrica em Angola transferimos uma fatia significativa das exportações da Mendes Gonçalves para esta localização, o nosso principal destino. Se olharmos na perspetiva do volume de negócios da nossa marca Paladin, aí estamos a falar de

Com este espírito de inovar e envolver trabalhadores e clientes, a Mendes Gonçalves foi conquistando mundo

Em junho deste ano, a Mendes Gonçalves entrou para o Top 10 Empresas Mais Felizes Em Portugal de 2017, da Happiness Works, posicionando-se em sétimo lugar. O ranking analisa a evolução da felicidade de cerca de 100 empresas e 8.000 profissionais em Portugal.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt REPORTAGEM

um peso de 30% da faturação da marca focada na internacionalização”, afiança Carlos Gonçalves. Os destinos de exportação são muito diversos e a marca portuguesa chega a cinco continentes, mais de 30 países. Colocar os temperos da Golegã a viajar pelo mundo levantam alguns desafios. O administrador destaca aquele que se relaciona com a vontade de surpreender o consumidor. “As tendências são mundiais, pelo que à exceção de imposições legais ao nível de rotulagem, os desafios são transversais aos mercados: novos sabores, novas formas de consumo, usabilidade das embalagens, etc. O desafio a que nos propomos todos os dias é surpreender os consumidores com sabores novos e originais, por mais distintos que sejam os hábitos alimentares e tradição de gostos nas mais diversas geografias. Dando um exemplo muito comum

e concreto, é por isso que temos uma dezena de maioneses, todas elas com sabores e características diferentes e adaptadas a cada geografia.”

Por detrás desta grande empresa, está a agricultura

Sabemos que em Portugal temos condições de excelência para a produção de muitos produtos agrícolas

Os produtos agrícolas têm um papel importante em toda a engrenagem do grupo Mendes Gonçalves. Tomate, uva, azeitonas, alho são uma pequena amostra dos ingredientes que chegam à fábrica. Entre o matraquear das máquinas e olhar atento dos colaboradores, questionamos Carlos Gonçalves sobre esta relação com a agricultura e a qualidade do que vem da terra lusa. “Sabemos que em Portugal temos condições de excelência para a produção de muitos produtos agrícolas. Hoje em dia os agricultores estão dotados da mais alta tecnologia e por isso a garantia de qualida-

pub.

MELHOR BANCO PARA AS EMPRESAS. Principal Banco das Empresas Melhor NetBanking Melhor Banco para as Empresas Atributos escolhidos pelas empresas no relatório BFin - Barómetro Serviços Financeiros Empresas de 2017, da DATA E. www.bancobpi.pt /empresas

125


NOV17 www.agrotejo.pt REPORTAGEM

de que temos cá é tão elevada, ou mais ainda, que aquela que vem de fora.” É por isso que 88% das incorporações da empresa são feitas em Portugal. Desta percentagem, uma parte tem origem na própria região ribatejana, casa desta empresa. “São vários os produtos que compramos na região do Ribatejo. Posso dar o exemplo do tomate que entra na formulação do nosso vinagre de tomate, que vem do Ribatejo. Também o tomate que entra nos nossos ketchups é português. Por outro lado, temos o

126

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

figo seco de Torres Novas, um produto que faz parte da nossa história e que fazemos toda a questão de continuar a acolher aqui na nossa fábrica. Sabemos que se o deixarmos de fazer, parte dos pequenos agricultores de figo acabará por abandonar a apanha e isso traz-nos uma responsabilidade acrescida”. Alguns dos produtos agrícolas são feitos por associados da Agromais. Carlos Gonçalves refere-se ao entreposto comercial agrícola como “de extrema importância e acreditamos que o futuro da agricultura portuguesa passa por casos de sucesso como a Agromais. A união, organização, garantia de qualidade, conhecimento no sector, vinculadas com um claro foco no mercado (quer seja indústria que seja consumidor final) farão com que a agricultura seja novamente encarada como um sector viável, com potencial de evolução e que seduzirá mais gente nova com cariz empreendedor”.


NOV17 www.agrotejo.pt Empresas

VITACRESS www.vitacress.pt

128

Por uma alimentação mais saudável LUIS MESQUITA DIAS vitacress

Longe vai o tempo em que a sustentabilidade das empresas se media apenas pela sua capacidade económica de resistir às crises e à pressão competitiva dos mercados. AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

| A sustentabilidade assenta hoje no triplo pilar da economia, do ambiente e da responsabilidade social. Este último pode revestir variadas formas das quais a da promoção da saúde das populações através de uma alimentação saudável e do papel pedagógico que a ela conduza é uma delas. Nesse sentido a Vitacress mantém-se atenta às grandes linhas de recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) tentando desenvolver o seu portefólio e a sua comunicação em consonância com as mesmas. Segundo estas linhas, o consumo de sal deve ser moderado, atendendo às consequências do foro cardiovascular

a que o seu excesso conduz. A redução de sal na nossa alimentação deve ser assim uma preocupação real, sendo que devem encontrar-se formas de o compensar sem sacrifício do bom sabor. O programa nacional para a promoção da alimentação saudável (2017) faz um ponto de situação sobre o estado alimentar e nutricional em 2016, assim como uma previsão do que está a ser feito em 2017 e o que se prevê fazer até 2020. Um dos objetivos que se pretende atingir em 2020 é diminuir em 10% a quantidade de sal dos principais grupos de alimentos ricos nesse componente. Outro objetivo é aumentar


NOV17 www.agrotejo.pt ATUALIDADES

a 5g/dia. Neste sentido, o consumo de plantas aromáticas revela-se como uma fonte de saúde e sabor que deve ser aproveitado e maximizado. A Vitacress, para além de contribuir para uma alimentação saudável e equilibrada com a presença de legumes frescos, tem vindo ao longo do tempo a trabalhar em alternativas ao sal na alimentação dos portugueses, garantindo sabor, aroma e cor na elaboração das receitas diárias. É como consequência deste empenho, que surge a nossa nova Gama Aromas da Terra Bio, composta por seis variedades de plantas aromáticas biológicas

das, sopas, carnes, peixes, chás, melhorando a forma como confecionamos os nossos pratos e trazendo benefícios acrescidos à saúde. Já a salicórnia, menos conhecida, mas igualmente eficaz e surpreendente é uma erva de sabor crocante, suculenta, naturalmente salgada e muito fácil de se gostar, com benefícios já comprovados. A Salicórnia é uma planta salófita, aromática, ainda pouco conhecida, mas igualmente eficaz na redução do sal, mantendo o sabor salgado mas com quantidades de sódio inferiores que o conseguido com o sal convencional. Pode ser vista como o sal verde

129

em 5% o número de pessoas que come frutas e legumes todos os dias. Atualmente a ingestão média diária de sódio é de 2848mg (equivalente a 7,3g de sal), superior no sexo masculino. Na população portuguesa, 72,4% das mulheres e 82,0% dos homens apresentam uma ingestão de sal acima do nível máximo recomendado pela OMS (5g de sal/dia). Nos idosos, 84,9% apresenta um consumo de sal superior

em vaso: Salsa, Coentros, Manjericão, Tomilho, Hortelã e Cebolinho, bem como o nosso próximo lançamento: a Salada Formosa. Com as ervas aromáticas pode influenciar-se dupla e positivamente a saúde, quer pela redução da quantidade de sal na alimentação, quer pelas propriedades benéficas que apresentam. Integradas no padrão da dieta mediterrânica, as plantas aromáticas frescas podem ser utilizadas em sala-

da nossa Salada Formosa. A Salada Formosa é uma salada composta por uma mistura de folhas baby de alface verde, rúcula selvagem, red pack choy, acelga e salicórnia da Ria Formosa. Estado, empresas, escolas e investigação, todos devemos trabalhar em conjunto para conseguir que a população Portuguesa seja mais saudável e educada com a sua alimentação. A Vitacress dá aqui uma vez mais o seu contributo.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt responsabilidade

130

Agrotejo, Agromais e a nossa responsabilidade para com o meio em que nos inserimos Inseridas há cerca de 3 décadas no Meio Rural, a AGROTEJO e AGROMAIS, cedo perceberam que tinham um papel a desempenhar no meio em que se inserem, função essa que aceitamos com seriedade e consciência fazendo tudo o que está ao seu alcance para que haja uma consolidação e crescimento do tecido empresarial e social da região. AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

Alexandra Fernandes Gabinete Técnico da Agrotejo

| Ao longo dos tempos, para além dos projetos que realizamos com vários promotores, e que permitiram aos concelhos onde nos inserimos disporem hoje de restaurantes, alojamentos, serviços fundamentais ao quotidiano (dentistas, mecânicos etc.) empresas de eventos, é com orgulho que olhamos para os últimos 30 anos e verificamos, sem modéstia, que contribuímos por um lado para a melhoria das condições de vida da região e por outro para a divulgação do Norte do Vale do Tejo enquanto território a visitar pela sua paisagem, pela gastronomia, e por tudo o que de bom que tem para oferecer. Esta é a nossa maneira de existir, que nos caracteriza há 30 anos de existên-

cia, e que se têm traduzido em algumas atividades “extra-curriculares”. Apresentamos algumas. Recebemos com alguma frequência pedidos de agências de viagens sobretudo de França e Alemanha, onde nos solicitam que acompanhemos os grupos durante um dia e que lhes mostremos a agricultura da Região. Assumimos este papel de anfitriões com a certeza que é riqueza que estamos a trazer para a região. Visitamos com eles as nossas instalações bem como os campos e infraestruturas dos nossos produtores. São grupos, que visitam empresas da nossa região, que provam a nossa gastronomia e efetivamente são o melhor cartão-de-visita que podemos ter. Já diz a expressão que receber é encarregarmo-nos da felicidade de alguém enquanto está convosco, e para nós é disso mesmo que se trata. O mesmo acontece com os voluntários que vamos recebendo anualmente com o projeto restolho, só no ano 2017 fo-


NOV17 www.agrotejo.pt RESPONSABILIDADE

ram mais de 700, e que ao longo dos 4 anos de existência do projeto totalizam já mais de 3500… Mas a Agrotejo e a Agromais, não se limitam à promoção da região. Este é um grupo que dispõem hoje de uma equipa composta por colaboradores, maioritariamente pais e mães de crianças com idades escolares, e por isso faz todo o sentido que sendo esta a nossa atividade – agricultura- fizéssemos a nossa parte para a dar a conhecer aos mais novos. Para além do projeto Restolho onde temos a capacidade de os trazer ao campo, de os fazer perceber que tudo o que comem lhes é disponibilizado pelos produtores agrícolas, que plantam, adubam, regam e depois os colhem, e que os façam respeitar esta atividade que tem tanto de nobre como de difícil, temos feito mais, temos ido às escolas da região falar das culturas, dos equipamentos disponíveis na agricultura de hoje, das questões de mercado etc. Esta é uma zona com excelente capacidade produtiva, e quem sabe se numa turma de 1º ano não teremos, no futuro, alguns jovens agricultores. Por esse motivo aderimos também ao projeto DNA – Dia Nacional da Agricultura, que teve inicio em 2017 e que passará a comemorar-se anualmente, sendo nas região as escolas aderentes – Escola Mestre

131

Visita à Reserva da Biosfera do Paúl do Boquilobo

Martins Correia na Golegã, Escola Profissional Gustave Eiffel no Entroncamento e Escola Básica e Secundária Luis de Camões de Constância. Somos ainda frequência assídua em escolas primárias da região onde somos chamados a apresentar a agricultura enquanto uma das atividades do setor primário, ou nos dias dedicados à responsabilidade social e cidadania com o projeto Restolho. Recebemos anualmente para estágios

Atividade de Tempos Livres na Agrotejo

vários jovens que se vão encaixando nos vários ramos de laboração destas duas empresas, alguns deles provenientes da vertente Técnico Profissional do curso de agricultura da Escola Mestre Martins Correia, curso que ajudámos a criar. Sempre que possível e dada a boa relação existente com a Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo, promovemos também junto dos alunos das escolas e ATL da região, esta Reserva com características únicas, alertando para o facto da importância da preservação da natureza e sustentabilidade dos habitas. No passado mês de Agosto criamos ainda uma parceria com o Casal das Flores FC, que possui programas escolares para crianças com atividades que vão desde os passeios de trator, produção de pão, atelier de barro, jogos tradicionais e atividades de orientação entre muitas outras. A capacidade de ser polivalente é característica dos que vencem e todos nós, de uma maneira ou de outra temos descoberto forma de participar na vida desta região que nos acolheu há já 30 anos. Esta tem sido a política seguida pela Agrotejo e Agromais, e muito bem, nos últimos anos. Que venham muitos mais!

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt responsabilidade

RESTOLHO

RESUMO 2014 - 2017 Voluntários: + 3.500 voluntários Bancos Alimentares: + 86 toneladas Ações Restolho: + 70 ações em campo

132

2017: nova dinâmica ao projeto e que teve a ver com um maior envolvimento de todos os colaboradores. Assim as equipas de acompanhamento passaram a ser compostas por elementos da Agromais, Agrotejo e Plus, e variam com a dimensão dos grupos de voluntários e sua faixa etária. Ficam alguns imagens onde facilmente identificarão o nosso staff. Parabéns a todos e obrigada pela participação! Nomeados para o premio de Produtor Solidário Agromais 2017: Agro-Cartas, AgroConventinho, António José Barroso, Arminda Aurora Luz, Joaquim Barroso, Hortícolas Casal da Avó, Lda. e Sociedade Agrícola São João de Brito. O vencedor do Prémio Produtor 2016 foi: Fidalgo – Casa Agrícola, Lda. DNA - Gustavo Eiffel

Staff do Projeto Restolho na ação com a Universidade Católica AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV17 www.agrotejo.pt responsabilidade

Alexandra Fernandes Gabinete Técnico da Agrotejo

RESTOLHO

RESTOLHO

Missão Pais

Escola Profissional de Torres Novas n.º voluntários: 25 Produtor: Hortícolas Casal da Avó Data: 31 Maio Produto colhido: Nabo Quantidade Colhida: 740 kg

134

n.º voluntários: 35 Produtor: Hortícolas Casal da Avó Data: 9 Fevereiro Produto colhido: Nabo Quantidade Colhida: 1200 kg

RESTOLHO

BAYER

ATL Pego n.º voluntários: 55 Produtor: Hortícolas Casal da Avó Data: 2 Junho Produto colhido: Nabo Quantidade Colhida: 2400 kg

RESTOLHO

ATL Jardim Infância da Chamusca n.º voluntários: 40 Produtor: António José Barroso Data: 9 Abril Produto colhido: Nabo e couve Quantidade Colhida: 150 kg + 200 kg

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

EB 2-3 Chamusca n.º voluntários: 25 Produtor: Agro Conventinho Data: 14 Junho Produto colhido: Batata Quantidade Colhida: 483 kg

RESTOLHO

n.º voluntários: 15 Produtor: Joaquim Barroso Data: 13 Abril Produto colhido: Nabo Quantidade Colhida: 90 kg

RESTOLHO


NOV17 www.agrotejo.pt responsabilidade

RESTOLHO

JABA RECORDATTI

RESTOLHO

ATL Município da Golegã n.º voluntários: 30 Produtor: Arminda Aurora Luz Data: 3 Agosto Produto colhido: Batata Quantidade Colhida: 460 kg

n.º voluntários: 85 Produtor: Agro- Cartas, Lda. Data: 7 Julho Produto colhido: Batata Quantidade Colhida: 1600 kg

RESTOLHO

KPMG

n.º voluntários: 187 Produtor: Hortícolas Casal da Avó, Lda. Data: 21 Setembro Produto colhido: Pimento Quantidade Colhida: 4224 kg

136

RESTOLHO

Católica Lisbon n.º voluntários: 160 Produtor: Soc. Agrícola S. João de Brito, Lda. Data: 6 Setembro Produto colhido: Batata Quantidade Colhida: 4080 kg


NOV17 www.agrotejo.pt Empresas

MONERIS www.MONERIS.pt

140

Novas medidas de combate do branqueamento de capitais, financiamento do terrorismo e evasão fiscal Adriano Leitão consultor do grupo moneris

Jorge Pires diretor e coordenador do comité técnico fiscal do grupo moneris

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

Proibição de emissão de valores mobiliários ao portador e regime transitório de conversão dos valores mobiliários ao portador existentes Foi publicada a Lei n.º 15/2017, de 3 de maio, que veio proibir a emissão de valores mobiliários ao portador. Na prática, a partir do dia 4 de maio de 2017 deixou de poder constituir-se sociedades anónimas com ações ao portador, devendo as ações ser sempre nominativas, com a identificação expressa dos respetivos titulares. Esta lei previa ainda que no período transitório compreendido entre 4 de maio e 4 de no-

vembro de 2017, as entidades emitentes de valores mobiliários ao portador deveriam efetuar a sua conversão em valores mobiliários nominativos. Nos termos do processo de conversão das ações ao portador em ações nominativas, as sociedades emitentes deverão publicar um anúncio a informar que os valores mobiliários ao portador serão convertidos em nominativos. As alterações poderão ser deliberadas pela Administração, sem necessidade de aprovação pela Assembleia Geral. No final do período transitório, ou seja, 4 de novembro de 2017, é proibida a transmissão de valores mobiliários ao portador e é suspenso o direito a participar em


NOV17 www.agrotejo.pt EMPRESAS

distribuição de resultados associado a valores mobiliários ao portador.

Proibição de efetuar pagamentos e recebimentos em numerário Em matéria de restrições aos pagamentos/recebimentos em numerário, foi publicada a Lei n.º 92/2017, de 22 de agosto, que obriga à utilização de meio de pagamento específico (transferência bancária, cheque nominativo ou débito direto) em transações que envolvam montantes iguais ou superiores a 3.000 €. Neste sentido, a partir do dia 23 de agosto de 2017 passou a ser proibido pagar ou receber em numerário em transações que envolvam montantes iguais ou superiores a 3.000 €. Este limite é de 10.000 €, sempre que o pagamento seja realizado por pessoas singulares não residentes em território português e desde que não atuem na qualidade de empresários ou comerciantes. Por outro lado, os pagamentos realizados por sujeitos passivos de IRC, bem como os sujeitos passivos de IRS que disponham ou devam dispor de contabilidade organizada, respeitantes a faturas ou documentos equivalentes de valor igual ou superior a 1.000 €, devem ser efetuados através de meio de pagamento que permita também a identificação do respetivo destinatário. Passou também a ser proibido o pagamento em numerário de impostos cujo montante exceda 500 €. Para efeitos do cômputo dos limites referidos anteriormente, são conside-

rados de forma agregada todos os pagamentos associados à venda de bens ou prestação de serviços, ainda que não excedam aquele limite se considerados de forma fracionada. Releva-se que a realização de transações em numerário que excedam os limites legalmente previstos é punível com coima de 180 € a 4.500 €.

Registo Central do Beneficiário Efetivo (RCBE) O Registo Central de Beneficiário Efetivo (RCBE) é constituído por uma base de dados, parcialmente pública, gerida pelo Instituto dos Registos e do Notariado, I. P. (IRN, I. P.), com informação suficiente, exata e atual sobre a pessoa ou as pessoas singulares que, ainda que de forma indireta ou através de terceiro, detêm a propriedade ou o controlo efetivo das entidades a ele sujeitas, tais como: a) As associações, cooperativas, fundações, sociedades civis e comerciais, bem como quaisquer outros entes

colectivos personalizados, sujeitos ao direito português ou ao direito estrangeiro, que exerçam atividade ou pratiquem ato ou negócio jurídico em território nacional que determine a obtenção de um NIF em Portugal; b) O utras entidades que, prosseguindo objetivos próprios e atividades diferenciadas das dos seus associados, não sejam dotadas de personalidade jurídica; c) O s instrumentos de gestão fiduciária registados na Zona Franca da Madeira (trusts); d) As sucursais financeiras exteriores registadas na Zona Franca da Madeira. As sociedades comerciais e demais entidades sujeitas ao RCBE devem manter um registo atualizado dos elementos de identificação: a) D os sócios, com discriminação das respetivas participações sociais; b) D as pessoas singulares que detêm, ainda que de forma indireta ou através de terceiro, a propriedade das participações sociais; e c) D e quem, por qualquer forma, detenha o respetivo controlo efetivo. A declaração inicial do beneficiário efetivo é sempre efetuada com o registo de constituição da sociedade ou com a primeira inscrição no Ficheiro Central de Pessoas Coletivas, consoante se trate ou não de entidade sujeita a registo comercial. A confirmação da exatidão, suficiência e atualidade da informação sobre o beneficiário efetivo é feita através de declaração anual, até ao dia 15 do mês de julho, sendo que as entidades que devam apresentar a Informação Empresarial Simplificada (IES) efetuam a declaração anual a que se refere o número anterior juntamente com aquela. O incumprimento pelas sociedades ou demais entidades sujeitas ao RCBE do dever de manter um registo atualizado dos elementos de identificação do beneficiário efetivo constitui contraordenação punível com coima de 1.000 € a 50.000 €.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

141


NOV17 www.agrotejo.pt OPINIÃO

Plus Alqueva: Porquê?

144

Miguel Reis Diretor Comercial da Plus Alqueva

| É um facto indesmentível que a barragem de Alqueva mudou a face do Alentejo e criou uma alavanca para uma nova dinâmica na agricultura portuguesa. Esta grande revolução tem fundamentalmente que ver com a importância que a água tem na agricultura. Antes, os cerca de 120 mil hectares, agora já irrigados, estavam dedicados a pastagens, à cultura de trigo em sequeiro ou a amendoal ou olival de baixas produtividades. A chegada da água mudou tudo. Com a chegada do regadio, entram em cena empresas agrícolas com gestão profissional, capacidade financeira e escala para competir no mercado interno e internacional. A Agromais não foi excepção, saiu da sua zona tradicional, o Vale do Tejo e criou estruturas locais, destinadas a fazer parte da mudança a que se assiste neste momento no Baixo Alentejo. Alqueva tornou-se uma excelente oportuAGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

A consolidação do sector, ou seja, o crescimento das empresas de distribuição e a respectiva concentração a um menor número de agentes foi expressiva no passado recente e tende a acelerar nos próximos anos

nidade de negócio para o Alentejo, para a agricultura e para o país. Esta infraestrutura vem potenciar o aumento de cerca de 400 milhões de euros de valor bruto de produção agrícola. O comércio dos fatores de produção agrícola não foge a esta tendência, pelo que, para vencer, há que criar presença local, massa crítica e dimensão. A consolidação do sector, ou seja, o crescimento das empresas de distribuição e a respectiva concentração a um menor número de agentes foi expressiva no passado recente e tende a acelerar nos próximos anos. Observa-se a existência de três grandes movimentos: 1) Crescimento territorial dos distribuidores 2) Entrada em cena dos distribuidores estrangeiros; 3) Entrada do sector financeiro/fundos de investimento. Novos métodos de gestão passam pelo desenvolvimento de processos de gestão estratégica, financeira, administrativa, comercial e de relacionamento com os empresários agrícolas. A evolução da gestão terá de ser uma realidade nesta nova estratégia de posicionamento no mercado, sendo um pré-requisito


NOV17 www.agrotejo.pt OPINIÃO

146

para sobrevivência das organizações num futuro cada vez mais competitivo. A aposta da Agromais nesta nova área de produção é clara e evidente, pelo que, também, no negócio dos factores de produção se tornava imperiosa a criação de uma es-

pub.

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

Queremos estar onde se desenha o Futuro

trutura local onde se pudesse replicar, com as particularidades próprias desta região, o modelo de negócio iniciado em 1999 no Ribatejo. Deste modo, estamos, a partir deste ano, com a criação das estrutura física da Plus Alqueva em Ervidel, mais aptos a responder aos desafios que este negócio local nos apresenta. Plus Alqueva porque: • A creditamos que o nosso modelo de negócio tem todas as condições para vencer no Baixo Alentejo. • E stamos convictos de que estas novas áreas de regadio criaram espaço para o aparecimento de novos players regionais no negócio dos factores de produção. • C omo especialistas na comercialização de factores de produção, pudemos aportar a diferença num mercado em grande transformação, como é o do Baixo Alentejo. Em Suma, Plus Alqueva porque: Queremos estar onde se desenha o Futuro.

pub.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Revista Agrotejo n.º 27 - Ano 2017 by Agrotejo - Issuu