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Revista Agrotejo n.º 26 - Ano 2016

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NOV16 www.agrotejo.pt

ÍNDICE

EDITORIAL

À conversa com... / 6

DESTAQUE / 22

Luis Capoulas Santos

Agrotejo - 30 anos

ATUALIDADES / 12

no campo / 76

Atualidades na imprensa

Restolho soma e segue

/ 60

/ 90

Energia fotovoltaica na Agromais

Emparcelamento rural

/ 120

/ 96

A Colza como cultura alternativa

A qualidade do milho

/ 122

/ 98

O regime forfetário do IVA na agricultura

As potencialidades das abelhas

entrevista / 36

A qualidade dos pordutos agrícolas

Agromais: novas áreas e novas culturas

INOVAÇÃO / 42 Nogueiras no Vale do Tejo

/ 48 Filmes biodegradáveis

/ 48 Os insetos e os subprodutos agrícolas

/ 100

/ 102 Seguro de colheitas na cultura do milho

OPINIÃO / 104 A causa dos incêndios

/ 118 Porque é perciso alargar o Alqueva

/ 58

reportagem / 108

Culturas permanentes

Agromais Plus vai para o Alqueva

/ 66

DISCURSO DIRETO / 112

Web Summit em Lisboa

Em foco / 68 O satélite europeu

/ 72

A gestão partilhada da conservação da natureza

/ 116 Paul do Boquilobo na UNESCO

PDR 2020

FICHA TÉCNICA direcção Agrotejo | Edição e Propriedade Agrotejo | Design editorial Dicas&pistas | Impressão A Persistente – Chamusca Tiragem 4000 exemplares | Depósito legal 93520/9 Largo da Imaculada Conceição 2150-125 Golegã Tel 249 979 060 Fax 249 979 069

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ANTÓNIO JOSÉ GODINHO DE CARVALHO presidente da direção da agrotejo

30 ANOS DA AGROTEJO 30 anos ao serviço da agricultura, dos agricultores, da região e de Portugal! Neste período, pleno de projetos concretizados e obra feita, o que diferenciou a organização? Embora jovem, lembro-me bem dos primeiros anos da Agrotejo. Lembro-me de acompanhar o meu pai e constatar o grande entusiamo que despertavam junto dos agricultores, os projetos que viriam a ser executados. Entre muitos outros, saliento a criação da Agromais e a eletrificação do campo, obras estruturantes que permitiram a evolução da produção agrícola para níveis nunca antes alcançados. Recordo acima de tudo a forma como os agricultores, as pessoas, se reviam nas suas organizações e se identificavam nos projectos. No orgulho que tinham nas obras executadas e na grande vantagem que resultava para todos e para a região. Independentemente da dimensão de cada um, existia um sentimento comum de fazer mais e melhor, mas em conjunto. Hoje, os desafios são outros, talvez mais difíceis. A conjuntura não é favorável, os mercados estão em baixa, os custos de produção teimam em subir e os apoios ao investimento tardam em chegar. Não é fácil ser agricultor em Portugal, nos tempos que correm! Por tudo isto, talvez seja o momento oportuno para comemorar os êxitos alcançados, mas também de galvanizar este património de união, de forma a encontrar soluções que permitam a sustentabilidade das explorações agrícolas. Finalmente vamos concretizar o Projeto de Emparcelamento da Golegã, Azinhaga e Riachos! Um sonho antigo de resolver as limitações fundiárias, cujo financiamento tardou em demasia, mas vai chegar. Será uma oportunidade única para a agricultura da região se revitalizar e reestruturar, saindo mais fortalecida e preparada para enfrentar os desafios com que hoje se depara. Uma vez mais, o sucesso do projeto residirá nos agricultores e na forma como se empenharem na sua execução. Importa perceber que o resultado final será uma zona de produção mais organizada, mais eficiente e mais competitiva. Independentemente dos constrangimentos temporários que todas as grandes obras originam, a execução do projeto resultará numa mais valia real para o sector produtivo e para a região. Estou certo que os agricultores saberão aproveitar a oportunidade e que no futuro comemorarão, orgulhosos, o trabalho realizado. pub.

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Alqueva tem sido um íman para atrair investidores a Portugal. O desenvolvimento do Alqueva tem atraído cada vez mais investidores estrangeiros a Portugal Luís Castro Henriques, administrador da AICEP – Portugal durante a segunda 2

edição da McDonald’s Business Iniciative for Agriculture (MBIA) Talk

Não vejo um acordo no final deste ano [negociações do tratado de livre comércio entre a União Europeia e os Estados Unidos], nem mesmo em 2017. Continuaremos as negociações, mas as negociações sérias vão começar quando estiver definida uma nova equipa negocial Phil Hogan, Comissário Europeu responsável pela Agricultura e pelo Desenvolvimento Rural

Os Anjos Bons da Nossa Natureza

Empreendedorismo e Plano de Negócio no Setor Agrícola

de Steven Pinter

de Orlando Lima Rua e Juliana Santos Pinto

Editor: Relógio D’Água

As notícias incessantes sobre guerra, crime e terrorismo criam a ideia de um mundo cada vez mais ensanguentado. Mas neste livro Steven Pinter mostra que a violência, pelo contrário, tem decrescido nos últimos períodos da história. Como? Steven Pinker examina os demónios interiores que nos conduzem à violência, e os anjos que dela nos afastam, mostrando como certas alterações nas nossas ideias e ações permitiram aos anjos do bem triunfar. Ao mesmo tempo, o autor quebra vários mitos sobre violência, apresentando uma nova defesa do modernismo e do Iluminismo. Este livro dá seguimento à exploração do autor sobre a natureza humana, misturando psicologia com história e criando um retrato fascinante do nosso gradual domínio sobre a violência.

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Editor: Vida Económica

Esta obra de leitura fácil e acessível foi pensada para ajudar aqueles que hoje estão a pensar em novos investimentos. O setor agrícola e agroindustrial representam um vasto universo de oportunidades para Portugal e muitos portugueses. Com uma linguagem fácil pretende mostrar o potencial que o setor apresenta, seja pela via da substituição de importações, seja pela via da exportação. Na estrutura da obra estão temas como agricultura, empreendedorismo, plano de negócios, estudo de viabilidade económica e financeira. Conta ainda com prefácio de José Fernando Figueiredo, presidente do Sistema Português de Garantia Mútua.

A Floresta em Portugal Um Apelo à Inquietação Cívica de Victor Louro Editor: Gradiva

O autor baseou livro com base em duas ideias. Por um lado, aproximar a problemática da floresta em Portugal do público que tenha curiosidade pelo tema. E, por outro lado, fazer uma leitura da floresta com base em pontos de vista diferentes dos que são, por hábito, usados. O autor realizou alguma investigação para escrever este livro, mas socorreu-se também de alguma memória pessoal, sem ser autobiográfico. Ao longo da sua vida profissional, Victor Louro viveu muitas experiências que o levaram a concluir quanto à insuficiência dos conhecimentos com que normalmente são tratados os assuntos relativos à floresta. É um livro que pretende questionar, explicar e até desvendar, sem cair na tentação de dar respostas definitivas.


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AVES DE PORTUGAL de PAULO CATRY, HELDER

Ambiente em Portugal

COSTA, GONÇALO ELIAS E

de Sofia Guedes Vaz

RAFAEL MATIAS

Editor: Fundação Francisco Manuel dos Santos

Editor: ASSÍRIO & ALVIM

Aves de Portugal - Ornitologia do Território Continental pretende constituir-se como uma referência incontornável na ornitologia portuguesa. Este trabalho, que é simultâneamente o mais abrangente e o mais exaustivo alguma vez feito sobre a avifauna de Portugal Continental, é o resultado de décadas de experiência de campo dos autores e de uma pesquisa dirigida de mais de dez anos. Essa pesquisa permitiu recolher informação sobre ocorrência de mais de 450 espécies de aves. A situação passada e presente de cada uma delas é descrita em pormenor ao longo das 944 páginas que compôem a obra, que é suportada por mais de 1500 referências bobliográficas. Este livro, pelo enorme manancial de informação que congrega, será por largos anos, uma referência fundamental para todos os que se interessam pelas aves de Portugal.

O ambiente é uma área que a todos diz respeito e colocando-nos perante dilemas difíceis, com forças antagónicas a puxarem-nos para lados opostos. Este livro deambula pela história, problemas, desafios e possíveis caminhos para uma sociedade mais sustentável. Faz-se um périplo pelos tópicos mais marcantes deste complexo tema que afeta, por vezes mais do que queremos admitir, a nossa vida, a dos nossos filhos e a do planeta em que vivemos.

Baeta Neves, pioneiro da conservação da natureza de Ignacio Garcia Pereda Editor: Liga para Proteção da Natureza

Esta fotobiografia relata a vida de Carlos Manuel Baeta Neves prestigiado engenheiro silvicultor e reconhecido professor e investigador. Foi um dos primeiros ambientalistas portugueses e um grande ativista da proteção da natureza, tendo fundado em 1948 a LPN - Liga para a Proteção da Natureza, a mais antiga Organização Não Governamental de Ambiente da Península Ibérica.

“Mãos à horta” de Entre os autores: Ana Cristina Ramos, Graça Palha e Graça Barreiro Editor: Associação Portuguesa de Horticultura

“O Vinho na Ponta da Língua” de Maria João Almeida Editor: Saída de Emergência

Acabado de lançar o novo livro da jornalista pretende fazer de qualquer pessoa um craque em vinho. Este manual tem uma linguagem acessível, descontraída e bem-humorada que vai permitir responder a dúvidas como a que temperatura se deve servir o vinho, os tipos de copos a utilizar, como combinar com a comida, os utensílios necessário, como armazenar em casa, entre outras perguntas. As divertidas ilustrações são de Cristina Sampaio.

A obra escrita por 15 autores destinada a leitores que gostam de plantas e procuram na natureza o seu bem-estar físico e emocional com salvaguarda do equilíbrio do meio ambiente. “Mãos à obra” escrita por 15 autores pretende dar uma ajuda, incentivando a criar e a cuidar da horta ou jardim, por menor que seja o espaço disponível.

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Cogumelos Silvestres de Portugal de Interesse em Conhecer de José Luís Gravito Henriques Rua e Juliana Santos Pinto Editor: Saída de Emergência

Tudo o que se precisa saber sobre cogumelos silvestres estão neste livro como práticas de apanha, conservação e consumo, sem esquecer as características morfológicas. Há ainda espaço para receitas.

Barragens, Sociedade e Ambiente de António Gonçalves Henriques Editor: Esfera do Caos 4

Perceber os benefícios das barragens para a economia e para a sociedade e identificar os impactos ambientais associados serviu de mote para esta obra. De acordo com a sinopse ao longo do século XX as barragens foram marcantes para o desenvolvimento económico e assumiram-se como elementos simbólicos de identidade das populações.

Este sistema [de certificação eletrónica para os produtos biológicos importados] não só irá proporcionar uma simplificação para os operadores, que facilitará o comércio, como vai também aumentar a confiança dos consumidores nos produtos orgânicos”. Phil Hogan, comissário Europeu para a Agricultura e Desenvolvimento Rural

“Setor Agroalimentar em Portugal Conjunturas e Abordagens Recentes” de Teresa Noronha Editor: Edições Sílabo

O revisitar do passado recente do setor agroalimentar em Portugal mostra um período controverso de transformação rápida da distribuição em Portugal que se contrapõe à estagnação da agricultura. No livro é feita uma reflexão sobre o caminho percorrido e as alternativas possíveis que poderiam ter potenciado o desenvolvimento do País. “Setor Agroalimentar em Portugal - Conjunturas e Abordagens Recentes” aborda alguns pontos fundamentais para a compreensão da mudança processada, analisando o consumo dos bens alimentares, as estruturas de produção, de transformação ou de distribuição.


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“Queremos o setor agrícola a crescer a um ritmo duas vezes superior ao ritmo de crescimento da economia nacional”

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O ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Luís Capoulas Santos, deixou os corredores de Bruxelas há cerca de um ano para assumir os destinos de um setor que conhece bem. Em entrevista, Capoulas Santos garante que o setor agrícola é considerado pelo Governo como estratégico, sendo que foi definida uma agenda específica. De entre as prioridades está o investimento na exploração agrícola e na agro-indústria. O governante salienta que a atividade agrícola nacional é competitiva tanto a nível europeu como mundial e a prová-lo está o crescimento de 42% das exportações ao longo dos últimos cinco anos. Para apoiar o investimento está no terreno o PDR2020 que o governante prevê atingir em 2016 nove mil processos contratados ou em contratação. Apesar de admitir o contributo de todas as regiões, Capoulas Santos não esquece o contributo do Ribatejo e da Golegã no desenvolvimento do setor. Neste âmbito, destaca que o projeto de emparcelamento rural de Azinhaga, Golegã e Riachos merece a prioridade que lhe foi atribuída e constitui um bom exemplo de um processo bem conduzido. Maria Lopes jornalista

| O sector agrícola hoje é competitivo face aos congéneres europeus? O que falta para estar em pé de igualdade? Luis Capoulas Santos - O setor agrícola tem vindo a ganhar competitividade e é hoje, sem dúvida, um setor muito competitivo a nível europeu, e mesmo mundial, em áreas de produção como a vinha e o vinho, a fruticultura, a horticultura e outras, facto bem patente na evolução das exportações nacionais e na evolução do saldo da balança com o exterior. Nos últimos cinco anos as exportações agrícolas cresceram cerca de 42%, tendo ultrapassado os 952 milhões de euros em 2015. Se considerarmos o conjunto do complexo agroalimentar, essa evolução foi de 44%, tendo atingido os 6.175 milhões de euros AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

no final do ano passado. Esta evolução é o melhor espelho do ganho de competitividade do setor no quadro internacional, produto da melhoria da sua produtividade mas, acima de tudo, da qualidade comercial dos nossos produtos. Os agricultores portugueses estão mais orientados para o mercado, tiram melhor partido das vantagens comparativas do País, tendo em conta as nossas especificidades edafoclimáticas. Isto não significa que não tenhamos ainda um longo caminho a percorrer e, por isso mesmo, as nossas prioridades de atuação continuam a centrar-se na criação de um ambiente cada vez mais favorável à atividade produtiva, nomeadamente através da redução dos custos de contexto para a produção, da desburocratização, do desmantelamento das barreiras externas e internas ao desenvolvimento da atividade e da otimização da utilização dos recursos financeiros e dos instrumentos de política nacionais e comunitários.

Neste mandato à frente do Ministério da Agricultura, quais as prioridades que estão delineadas? LCS - Este Governo tem uma agenda muito concreta relativamente ao setor agrícola, que considera estratégico. Desde logo, queremos manter o setor a crescer a um ritmo duas vezes superior ao ritmo de crescimento da economia nacional. Isto significa também manter o ritmo de crescimento das exportações, tendo sido definida uma meta em 2020 para o setor das frutas e legumes: atingir os dois mil milhões em valor de exportações. Estabelecemos também como prioridade o investimento na exploração agrícola e na agro-indústria. Para isso contamos com o Programa de Desenvolvimento Rural, que desbloqueámos e estamos a dinamizar, por forma a canalizar para a agricultura nacional o máximo de fundos comunitários e nacionais. No domínio da floresta, queremos recuperar os 150 mil hectares de floresta perdidos nos últimos


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15 anos no espaço de uma década, investindo numa profunda reforma da floresta. Temos igualmente prioridades no âmbito do Desenvolvimento rural, que passam pelo rejuvenescimento do setor agrícola e pela discriminação positiva dos pequenos agricultores, fixando populações nos territórios de baixa densidade. A exportação tem sido uma aposta estratégica nos últimos anos. Nesta aposta no exterior quais os mercados que devem ser prioritários? LCS - Não cumpre ao Governo definir mercados ou produções. Isso deve, em nossa perspetiva, permanecer como uma opção empresarial e, nessa medida, os mercados prioritários serão para nós aqueles em que as empresas exportadoras portuguesas estejam apostadas em penetrar. Cumpre-nos, nesse contexto, negociar a abertura dos mercados externos em que se verifique existirem barreiras não tarifárias para as nossas exportações e é isso que estamos a

fazer a nível global. Estamos a fazê-lo com a América Latina, com os EUA e o Canadá, com o Médio e o Extremo Oriente (Irão, China, Japão, Vietname, etc.) para os setores com maior potencial exportador, através da negociação de acordos bilaterais e processos de habilitação nos domínios da sanidade animal e da fitossanidade. Temos um objetivo muito claro de conseguir anular o défice externo agroalimentar num horizonte de cinco anos, principalmente através do crescimento das exportações e isso só será conseguido se tivermos a capacidade para conquistar novos mercados e para diversificar a nossa oferta. O programa PDR2020 é um dos instrumentos chave para o setor. Quais as metas que foram definidas no que se refere à contratação e execução para 2016 e até 2020? LCS - Em matéria de PDR2020, o objetivo global passa por assegurar a execução inte-

gral do Programa até ao final do período regulamentar. Para isso é necessário assegurar um nível anual de execução de cerca de 600 milhões de euros por ano, bem como a recuperação da não execução de 2014 e dos escassos 12% de 2015. Em matéria de contratação, o grande objetivo de 2016, que começou sem que nenhum contrato/termo de aceitação na área do apoio ao investimento estivesse emitido, é atingir os nove mil processos contratados ou em contratação. Este objetivo implica que, no final de 2016, estejam analisadas mais de 85% das quase 30 mil candidaturas submetidas, processo que deverá estar concluído no final do primeiro trimestre de 2017. A região da Golegã tem vindo a ganhar fôlego no que se refere à competitividade do setor agrícola. Como avalia este contributo? LCS - É sem dúvida um excelente contributo, que ajuda a fortalecer a competitividade AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


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limítrofes do perímetro já instalado, com a vantagem de os custos unitários serem relativamente moderados, por potenciarem investimentos anteriores nas redes primárias de rega. Os estudos elaborados pela EDIA permitem perspetivar a criação de quase 50 mil hectares de regadio até 2020, através de um projeto financiado pelo Banco Europeu de Investimento (BEI), integrado no chamado Plano Junker, cuja negociação está em curso.

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da região do Ribatejo e, por conseguinte, de todo o País, tendo em conta o contexto da área das exportações, para as quais a agricultura portuguesa tem vindo a contribuir cada vez mais. Como é sabido, o regadio constitui hoje um dos fatores mais relevantes para a melhoria dos rendimentos dos agricultores através do aumento da produtividade. Sem desmerecer da contribuição de outras regiões, é notório o aumento do dinamismo económico do setor agrícola do Ribatejo, importando realçar o esforço dos agricultores, em termos de modernização e de capacidade técnica, e de organização, da qual a Agrotejo constitui um bom exemplo, que cumpre enaltecer. Como avalia o contributo de Alqueva na dinamização da agricultura e da aposta em culturas de regadio? Quais os investimentos e metas previstas para Alqueva? LCS - Desde que o XII Governo Constitucional, chefiado por António Guterres, resolveu desbloquear a construção da barragem do Alqueva, o Empreendimento de Fins Múl-

tiplos de Alqueva (EFMA) tem-se revelado uma aposta ganha, não só em termos do ritmo de construção da obra hidroagrícola, mas também, e sobretudo, em termos da adesão ao regadio. Nos últimos 15 anos, com a progressiva entrada em exploração das áreas regadas, a paisagem física, económica e social do Alentejo alterou-se. A região ganhou um dinamismo económico evidente, criando condições para a fixação das populações e empresas. Os sucessos evidentes no setor do azeite, do vinho e dos cereais abriram novas perspetivas à exportação. A ocupação do perímetro de rega com culturas agrícolas menos exigentes em água permite que a albufeira do Alqueva mantenha um volume armazenado superavitário relativamente ao que tinha sido previsto nos estudos e projetos elaborados na década de 90. Qual a solução encontrada? LCS - Ciente desta nova potencialidade, o Governo tem como prioridade desenvolver novos blocos de rega, beneficiando áreas

A Agrotejo comemora em 2016 o seu 30º aniversário. Que papel preconiza para associações como a Agrotejo? LCS - Este tipo de associações/organizações, que vão além dos aspetos relacionados com a comercialização, ou da defesa de interesses negociais conjunturais, abrem uma porta muito interessante para os agricultores porque lhes permite obter ganhos de escala na sua plenitude, tendo em conta que os associados são integrados no projeto comum, com infraestruturas comuns. O futuro dos agricultores, grandes e pequenos, passa seguramente pela adoção deste modelo. O projeto de emparcelamento rural promovido pela Agrotejo está em fase de submissão de candidatura a Obra através do PDR. É uma obra importante para a região. Como avalia a importância desta candidatura? LCS - O emparcelamento traduz-se numa intervenção profunda sobre a estrutura da propriedade, permitindo aumentar a área média das parcelas, melhorar os acessos e racionalizar a rede viária e de drenagem. Tudo isto tem óbvios efeitos no aumento da


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produtividade do trabalho. Os custos do emparcelamento obrigam a grandes cautelas na escolha dos projetos mais promissores, nomeadamente aqueles que garantem o envolvimento dos agricultores e asseguram a maximização dos benefícios. Nesse sentido, o projeto de emparcelamento rural de Azinhaga, Golegã e Riachos merece a prioridade que lhe foi atribuída e constitui um bom exemplo de um processo bem conduzido, ao qual desejo o maior sucesso.

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A utilização da água na agricultura tende a ter cada vez mais limitações. O Ministério está sensível a esta questão? Que medidas estão previstas para a melhoria do regadio? LCS - O Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural está naturalmente muito sensível à questão dos impactes ambientais do regadio mal conduzido. A utilização de dotações de rega excessivas, além dos sobrecustos que acarretam para os regantes, provocam escorrimento superficial ou infiltração profunda, implicando no pub.

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primeiro caso fenómenos erosivos (mesmo se incipientes) e, no segundo, poluição dos lençóis freáticos provocada pelo arrastamento de nutrientes e de fitofármacos. Importa assim combater o desperdício de água por parte dos regantes. Eficiência é a palavra-chave. Está atualmente em curso um importante esforço financeiro de apoio aos agricultores que aderirem a comportamentos indutores do uso eficiente da água de rega. A adesão à Ação 7.5 «Uso Eficiente da Água», inserida nas chamadas medidas agroambientais do PDR2020, ilustra bem a importância atribuída a esta questão, tanto por parte da Administração como dos agentes do subsetor do regadio.

que lhes permitam competir em igualdade de circunstâncias com os seus congéneres e principais concorrentes europeus e mundiais. Temos por isso como objetivo reduzir os custos de contexto para o setor, mas também não hesitaremos em recorrer, dentro do contexto regulamentar europeu em que nos movemos, aos apoios disponíveis para intervir e fazer face a situações que excecionalmente o justifiquem, como recentemente foi o caso do setor da suinicultura e é atualmente o caso do setor leiteiro ou, num contexto mais global, criando mecanismos de descriminação positiva (exemplo do Gasóleo Verde) necessários para assegurar a competitividade do setor.

A evolução recente do preço das matérias-primas condiciona a sustentabilidade de muitas explorações agrícolas. Quais as medidas que o Ministério pode desenvolver para inverter esta situação? LCS - O principal objetivo neste domínio é garantir que os agricultores e as empresas portuguesas tenham custos de produção

O ‘greening’ na actual PAC condiciona a produção direcionada para o mercado. Estão previstas algumas alterações às regras do ‘greening’? LCS - A relevância deste novo regime é traduzido pela obrigatoriedade decidida a nível comunitário de utilizar, obrigatoriamente, 30% do envelope nacional de pagamen-


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tos diretos para este efeito. Refira-se que, no caso de Portugal, 180 milhões de euros são anualmente atribuídos aos agricultores e legitimados pelo cumprimento das regras do ‘greening’, constituindo o regime um importante reforço da legitimação do apoio direto às explorações agrícolas. Assim, e embora as regras tenham sido estabelecidas a nível comunitário, através de um conjunto de três práticas obrigatórias para os agricultores (prática da diversificação de culturas, manutenção do rácio nacional de prados permanentes e superfícies de interesse ecológico) o resultado da negociação permitiu alcançar um conjunto muito relevante de situações em que se aplicam isenções tendo em conta os contributos que têm para o desempenho ambiental. Quais são as situações de isenção? LCS - Salienta a isenção de aplicação às culturas permanentes; a isenção de aplicação às explorações com menos de 10 hectares de terra arável no caso da prática da diversificação de culturas, e com menos de 15 hectares de terra arável no caso da prática das superfícies de interesse ecológico. A isenção da aplicação das obrigações do ‘greening’ às explorações de agricultura biológica, às explorações que participam no regime da pequena agricultura. Utilizando a flexibilidade que a regulamentação comunitária permite, Portugal estabeleceu para as explorações especializadas na cultura do milho e do tomate para indústria, com efeitos a partir de 2016, uma obrigação equivalente à prática de diversificação de culturas, o chamado regime nacional de certificação ambiental do ‘greening’, baseada na exigência de cobertura do solo no período outono-invernal. Este regime equi-

valente permitiu que, mantendo os benefícios ambientais e climáticos, minimizar ou mesmo anular o impacto económico que as explorações com forte especialização nestas culturas tinham se fossem obrigadas a introduzir outro tipo de culturas no sistema produtivo para cumprir o número mínimo de culturas diferentes exigido pela prática de diversificação de culturas. Acresce ainda referir um conjunto de isenções para a prática de diversificação de culturas que muitas explorações beneficiam em resultado de estarem cobertas, numa extensão significativa, por prados ou por terras em pousio. No que se refere à prática das superfície de interesse ecológico Portugal, de acordo com a flexibilidade regulamentar existente, tomou a decisão de escolher uma tipologia de superfícies de interesse ecológico que permitiu aos agricultores um menor impacto sobre os seus sistemas de produção, e consequentemente uma maior facilidade no cumprimento do mínimo de 5% da sua terra arável tenha de ser constituída por aquele tipo de superfícies (pousio, galerias ripícolas em Rede Natura 2000, elementos lineares dos arrozais, hectares agroflorestais beneficiários de apoio de programas do desenvolvimento rural, culturas fixadoras de azoto). Existe então ajustamentos nas regras? LCS - Em termos de alterações ao ‘greening’ posso confirmar que existirão alguns ajustamentos favoráveis no regime nacional de certificação ambiental do ‘greening’ para os produtores de tomate para indústria, que vêm permitir uma maior adequação aos sistemas produtivos existentes. No âmbito do processo de simplificação em curso existirão

outros ajustamentos que neste momento não posso garantir se entrarão em vigor em 2017 ou em 2018, dado ainda o processo de adoção dos mesmos estar a decorrer a nível da UE. As medidas agroambientais estão neste momento fechadas. Está prevista a sua reabertura neste QCA? LCS - A situação das medidas agroambientais é do conhecimento de todos: em 2015, primeiro ano de candidatura, foram assumidos compromissos num montante que ultrapassa em quase 300 milhões de euros a dotação destas medidas para todo o período 2014/2020. Para além de condicionar de forma decisiva toda a gestão do programa, esta situação não permite que seja equacionado novo período de candidatura para estas medidas. No entanto, não excluímos liminarmente a possibilidade de novas candidaturas até 2020, em função dos ajustes que forem sendo possíveis ao longo do Programa. Mas, neste momento, tal não se afigura fácil de concretizar.

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Orçamento do Estado para 2017 inclui agricultura biológica, regadio e desperdício alimentar na lista das prioridades O Governo definiu no Orçamento do Estado (OE) para 2017 um aumento da despesa destinada à agricultura, florestas e desenvolvimento rural e mar. O reforço de 7,2%, na ordem dos 68,4 milhões de euros, terá como destino desenvolver o regadio, implementar a estratégia nacional para a agricultura biológica e incentivar o combate ao desperdício alimentar. A proposta de OE para 2017 divulgada no passado dia 14 de Outubro disponibiliza assim um total de 1.017,4 milhões de euros para o setor, cuja maior incidência será a área dos serviços e fundos autónomos. No que se refere aos serviços e fundos autónomos, onde se incluem o Alqueva e a Tapada Nacional de Mafra, há

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uma subida de 7% face a 2016, o que equivale, a mais de 55,1 milhões de euros. O Executivo liderado por António Costa prevê reforçar o apoio à pequena agricultura, a promoção da produção local e da investigação, o incentivo do empreendedorismo rural e incentivar o combate ao desperdício. O documento refere ainda que o Governo pretende canalizar verbas para a transformação das matas nacionais em áreas de referência e a promoção do aumento da produção do pinheiro bravo, sobreiro e azinheira. Apoiar os processos de internacionalização e ações direcionadas para os jovens agricultores, são outras das medidas previstas para 2017.


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Plus Alqueva inaugura instalações no Baixo Alentejo

O Agroportal está de volta!

O primeiro dia útil da campanha agrícola conta com uma boa novidade para os agricultores: o site www.agroportal.pt está de volta. O Site www.agroportal.pt , muito reputado no setor agrícola nos últimos 15 anos, aparece com uma nova “cara”: nova imagem, nova tecnologia no computador e no telemóvel, novos conteúdos e uma nova equipa. O novo agroportal quer ser a fonte de informação digital que ajudará o setor agrícola a ser cada vez mais forte.

A Plus Alqueva, a participada da Agromais para a comercialização de fatores de produção para a agricultura, inaugurou no passado dia 23 de Setembro novas instalações desta feita em Ervidel, no concelho de Aljustrel. Durante a inauguração, o presidente do conselho de administração da Plus Alqueva, Luís Vasconcellos e Souza, sublinhou que “trata-se de uma instalação fulcral para o desenvolvimento do negócio dos fatores de produção no Baixo Alentejo, promovendo uma presença local neste mercado”. As novas instalações correspondem

a um investimento significativo e serão um importante contributo para o crescimento do universo Agromais, o que demonstra ambição da empresa para consolidar a presença nesta região alentejana. Para o Alqueva a Agromais e as suas participadas já canalizaram, no período entre 2013 e 2016, mais de 10 milhões de euros. Na inauguração marcaram presença mais de 150 agricultores e parceiros, além da participação de várias entidades do setor e da região, como o presidente da câmara de Aljustrel e o diretor regional de agricultura do Alentejo.

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Nova associação quer “dar uma voz” à batata nacional Nasceu a PORBATATA – Associação da Batata de Portugal, de que a Agromais faz parte, cuja missão é representar o produto e “dar uma voz única e ativa ao setor”. A PORBATATA já conta já com 23 empresas associadas e pretende, de acordo com um comunicado, “representar os interesses da batata de Portugal, abraçando toda a cadeia de valor, desde a produção à comercialização, sobretudo na promoção do consumo”. A associação refere que os objetivos passam, 14

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por exemplo, por “conquistar peso e relevância (angariando, continuamente, novos sócios), promover a batata como um alimento diferenciado, saudável, elevando as características únicas da batata nacional.” Os promotores da PORBATATA querem representar os interesses do setor ao nível nacional e internacional, defendendo as empresas, procurando libertar estrangulamentos que interfiram com a sua competitividade e sustentabilidade. Isto sem esquecer “promover o consumo interno e a exportação potenciando sinergias com outras organizações do setor agroalimentar.” Hoje o País produz apenas 45% do que consome, o que segundo a associação, “ainda é insuficiente para responder às necessidades”.

FAO defende que é preciso adaptar a agricultura às alterações climáticas A Organização para a Alimentação e a Agricultura das Nações Unidas (FAO) alertou que é urgente ajudar o setor agrícola a adaptar-se às alterações climáticas, que poderão lançar até mais 122 milhões de pessoas na pobreza. “A menos que sejam tomadas medidas agora para tornar a agricultura mais sustentável, produtiva e resiliente, os impactos das alterações climáticas irão comprometer gravemente a produção alimentar em países e regiões que já enfrentam uma alta insegurança alimentar”, defende o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, no prefácio de um relatório da organização.


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Governo candidata financiamento da expansão do Alqueva ao Plano Juncker O Governo pretende garantir o financiamento da extensão do empreendimento do Alqueva através do Plano Juncker. A candidatura foi assumida pelo Ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Capoulas Santos, no âmbito de uma visita à Barragem do Roxo, integrada no

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empreendimento do Alqueva, na qual foi acompanhado pelo Comissário Europeu da Agricultura, Phil Hogan. Capoulas Santos sublinhou que esta extensão do empreendimento do Alqueva implica a criação de mais 45 a 47 mil novos hectares de regadio, sendo uma obra avaliada em cerca de 213 milhões de euros. O financiamento desta expansão ainda não foi assegurado, pelo que o Executivo está a negociar um empréstimo do referido valor com o Banco Europeu de Investimento. A expetativa do ministro da Agricultura é que o mesmo tenha “um longo período de carência” e que a amortização se possa estender até 2042, “para não sobrecar-

regar o Orçamento do Estado”. O objetivo é que a candidatura seja aprovada antes do final do ano. Capoulas Santos lembrou que “temos no regadio uma grande aposta”, já que “sem regadio uma grande parte da nossa agricultura não é competitiva”. O ministro salientou que “Alqueva é sem dúvida um exemplo de boas práticas a nível comunitário, de boa aplicação dos fundos estruturais, não só por contribuir para que se possa afastar do horizonte do Alentejo o fantasma da desertificação tão depressa quanto possível, mas por estar a contribuir para a sustentabilidade da agricultura e da economia portuguesas”. E acrescentou que “agora é preciso olhar para este novo projeto e fazer dele o nosso próximo objetivo nesta área. É nisso que estamos a trabalhar”.


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Produtores de milho temem importação “a direito zero” A Anpromis – Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo está preocupada com a proposta da Comissão Europeia que irá permitir a “importação a direito zero, no período de comercialização do milho português. Esta preocupação já foi transmitida ao ministro da Agricultura, Capoulas Santos, durante a assinatura do protocolo de constituição do InovMilho – Centro Nacional de Competências das Culturas do Milho e Sorgo, em Coruche. A Anpromis “vê com muita apreensão a proposta de reprogramação do PDR2020 que prevê a eliminação da majoração aos agricultores associados de organizações de produtores nos investimentos nas explorações agrícolas.” Em comunicado, o presidente da associação, José Luís Lopes, salien-

ta que “num momento tão conturbado para a produção nacional de milho, julgamos extremamente grave que seja autorizada a entrada de milho a direito zero, durante o período em que decorre a comercialização da produção nacional (Agosto a Novembro) ”. José Luís Lopes defende que “esta decisão constitui para nós produtores de milho e para as nossas organizações, um sinal muito negativo e contraditório com o assinalável esforço efetuado nos últimos anos, de aumento da concentração da oferta de cereais, valorizando desta forma a produção

nacional”. “Esta medida, a avançar, vai lamentavelmente conduzir a uma maior pulverização da oferta, já de si muito dispersa”, alerta José Luís Lopes. Na altura, Capoulas Santos comprometeu-se a abordar o assunto com o Comissário Europeu da Agricultura, Phil Hogan, que visitou Portugal em Setembro.

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Alqueva com contributo de 340 milhões de euros para a agricultura O estudo da empresa Augusto Mateus & Associados, encomendado pelo Governo sobre o Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva, concluiu que “a plena utilização da área de regadio está já a gerar um valor de produção na ordem dos 339,7 milhões de euros e um VAB de 245 milhões.” Os números foram divulgados pelo jornal Público, numa altura em que já se sabe que o Executivo

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pretende expandir a área regada em cerca de 50 mil hectares, de 120 para 170 mil hectares. Este projeto irá implicar um investimento de 220 milhões de euros, sendo que com a expansão da área regada o valor bruto de produção crescerá 119 milhões de euros. De acordo com o jornal Público, o crescimento da área regada vai, num ano de cruzeiro, aumentar o valor bruto de produção

em 504%, ou seja, mais 458 milhões de euros. A obra terá impacto no emprego, já que o número de postos de trabalho necessários para agricultura intensiva de regadio implicará a criação de mais 10.147 postos de trabalho. A obra no Alqueva custou 2,4 mil milhões de euros, sendo que as receitas fiscais da fase de construção ascenderam a 680 milhões de euros.


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30 Anos a Formar o Norte do Vale do Tejo

A Agrotejo desde 1986 que desenvolve a atividade da formação profissional tendo por base 3 princípios: Qualidade, Profissionalismo e Credibilidade. Com este propósito foi, consequentemente, acreditada para o efeito, transitando para o atual sistema de certificação sendo entidade formadora certificada pela DGERT desde 8/11/2013. Paralelamente, no setor agrícola é certificada sectorialmente para agricultores com o certificado nº 86/A/2015 desde 30/07/2015 e para técnicos com o certificado nº276/T/2016 desde 14/09/2016 nas áreas de formação Distribuição, Venda e Aplicação de Produtos Fitofarmacêuticos e Produção Agrícola Sustentável. Como compromisso futuro, continuaremos a trabalhar para promover a formação dos ativos e para o desenvolvimento do mundo rural onde estamos inseridos.

Aplicação de produtos fitofarmacêuticos: Formação Profissional

De acordo com lei 26/2013 que Regula as atividades de distribuição, venda e aplicação de produtos fitofarmacêuticos para uso profissional: - Todos os aplicadores de produtos fitofarmacêuticos de uso profissional tem de ter formação suficiente para serem detentores do cartão de aplicador obrigatório. - A empresa ou o empresário em nome individual para exercer a atividade de prestação de serviço de aplicação terrestre de produtos fitofarmacêuticos deve de estar devidamente autorizado pela Direção Regional de Agricultura e Pescas (DRAP) territorialmente competente. Requisitos para essa autorização: · Instalações exclusivas adequadas · 1 Técnico Responsável habilitado · Aplicadores habilitados · Equipamentos de aplicação de PF · Equipamento proteção individual · Apólice do seguro de responsabilidade civil - É obrigatório fazer o REGISTO DAS APLICAÇÕES DE PRODUTOS FITOFARMACÊUTICOS e guardar esse registo durante 3 anos.

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Cultura do milho vai ganhar centro de competências A Anpromis – Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo, o INIAV e a Câmara Municipal de Coruche vão criar o Centro Nacional de Competências das Culturas do Milho e Sorgo: o InovMilho. O centro já conta com 35 entidades parceiras que participarão de forma regular em projetos comuns de investigação e desenvolvimento nas áreas prioritárias definidas no âmbito do InovMilho e na divulgação e transferência do conhecimento científico e da tecnologia produzidos na fileira do milho e sorgo. A Anpromis explica que o InovMilho “será um espaço de investigação e partilha de conhecimentos, agregando to-

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dos os agentes da fileira do milho e sorgo na persecução de uma estratégia comum de desenvolvimento destas culturas”. Entre outras tarefas o centro, cujo protocolo para a sua implementação foi assinado a 28 de Setembro, deverá contribuir “para a avaliação dos parâmetros qualitativos e de rendimento industrial do milho nacional e apoiará os agricultores na seleção de variedades mais aptas à alimentação do efetivo leiteiro nacional”. O organismo terá a missão de incentivar novas utilizações do milho e sorgo, nomeadamente na área da alimentação humana e na produção de materiais biodegradáveis”.

Os suinicultores nacionais vão criar a marca Porco.pt, um selo que será atribuído à carne de porco que é produzida em território nacional e que cumpra determinados padrões de excelência. A expetativa é que este produto, com o selo de excelência, esteja nas prateleiras dos supermercados já no próximo ano. De acordo com João Correia, porta-voz do Gabinete de Crise dos Suinicultores, citado pelo Jornal de Negócios, “a carne qualidade já tem, mas é preciso elevar da qualidade para a excelência”. João Correia realça que “queremos que o suinicultor pense que o caminho é a diferenciação porque queremos que quando uma pessoa prove aquela carne de porco se sinta guloso, pela pub.

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palatabilidade, e que amanhã lhe apeteça outra vez”. Os produtores que queiram ter acesso ao selo de qualidade deverão cumprir um conjunto de regras que constam de um caderno de encargos que inclui medidas para toda a fileira da carne de porco, incluindo fabrico da ração, transporte de animais, produção dos animais, unidades de abate, salas de desmanche, distribuição e unidades de venda. A medida surge como uma resposta à crise vivida pelo setor, sendo que o Gabinete de Crise dos Suinicultores tem reivindicado, entre outros pontos, a adoção pelos canais de distribuição de um rótulo que identifique de forma clara o país de origem da carne de porco.

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Suinicultores criam selo de qualidade para o porco nacional


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Agrotejo com sangue novo para mais 30 anos promissores Nascida em plena entrada de Portugal na Comunidade Económica Europeia, a Agrotejo tem vindo a reforçar o papel agregador e de apoio aos agricultores. Hoje com 30 anos os desafios são novos, mas a estratégia de ser uma solução para os problemas do dia-a-dia mantém-se. Garantir o sucesso do projeto de emparcelamento é uma das metas para o futuro próximo. Maria lopes jornalista

| É com um misto de saudades e orgulho que Alfredo Orvalho, um dos três fundadores da Agrotejo – União Agrícola do Norte e Vale do Tejo, recorda os primeiros passos da associação que representa os agricultores da região da Golegã e

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que hoje já comemora 30 anos de existência. “Tenho muitas saudades de não ter os problemas da altura. Mas tenho muito orgulho de toda a evolução que a Agrotejo conseguiu até agora”, diz Alfredo Orvalho. O fundador da associação não tem dúvidas que, nestes 30 anos, o órgão foi-se atualizando e acompanhou a evolução do setor. Por isso, como um

dos momentos marcantes salienta “a evolução positiva e permanente que a Agrotejo teve ao longo dos 30 anos”, sem esquecer o papel de ajuda, formação e educação que tem vindo a ter junto dos agricultores que garante hoje têm um comportamento diferente. Em 1986 vivia-se em plena entrada de Portugal na Comunidade Económica


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Europeia (CEE) com todas as incertezas que as mudanças iriam trazer ao País e a todos os setores de atividade. Esta, nas palavras de Alfredo Orvalho, foi “a principal razão para que se conseguisse movimentar e juntar os agricultores e fazer uma associação para nos defender do que a CEE iria trazer”. “Era necessário fazer associações para nos podermos defender e enfrentar a nova vida. Foi por isso que se conseguiu com facilidade juntar as pessoas rapidamente”, recorda a mesma fonte. Alfredo Orvalho sublinha que, na altura, todos confiaram numa organização que nasceu para apoiar os agricultores porque “toda a gente andava perdida, a única coisa que se sabia era o que estava nos jornais e muitas notícias eram assustadoras”. “Só com a Agrotejo a região pode enfrentar estas mudanças”, garante ainda o fundador da Agrotejo que sublinha que a associação ao longo dos anos “foi informando, formando os agricultores e sobretudo foi lutando pela região. Normalmente as associações não tinham essa preocupação”. Como exemplo, dessa luta em defesa da região, destaca a implementação, logo no ano seguinte, da Agromais responsável pela comercialização, secagem e armazenagem de milho. Através deste braço comercial houve um ganho de produtividade, uma diminuição dos custos na produção e a conquista de maior poder negocial. Outro dos fundadores da Agrotejo e atual presidente da Agromais, Luís Vasconcellos e Souza, também salienta a facilidade com que se conseguiu, na altura, movimentar as pessoas em torno da associação que nasceu com “o intuito essencial de organizar uma região de produção que tem um potencial elevado e que se predispunha a evoluir rapidamente”. Há 30 anos arrancou com cerca de 150 sócios que fizeram parte do projeto inicial, mas depois “houve um conjunto de mais mil que foram integrando aos poucos e que traduz os cerca de 1.200 que existem hoje”, sublinha Luís Vasconcellos e Souza. E não tem dúvidas que “as pessoas acreditaram na Agrotejo e a prova é que hoje continua

“toda a gente andava perdida, a única coisa que se sabia era o que estava nos jornais e muitas notícias eram assustadoras” ALFREDO ORVALHO

de pé”. Luís Vasconcellos e Souza realça ainda como pontos positivos o facto de a Agrotejo se traduzir num “conjunto que está organizado e que tem a sua própria escola de trabalhadores, a sua organização de segurança nos caminhos rurais, a sua própria entidade comercial para a venda de produtos”. Face ao sucesso conquistado nestes anos, o presidente da Agromais estranha “que outras regiões não se terem organizado também”. E salienta que a associação tem vindo a conquistar o papel de protagonista regional e nacional ao representar “uma zona agrícola de ponta que tem trazido uma projeção muito ligada ao pioneirismo”. Já sobre os próximos 30 anos da Agrotejo, Alfredo Orvalho deixa a expetativa que esta continue a ajudar os agricultores qualquer que seja a evolução que o setor adote. “Espero que possa continuar a fazer a sua missão que é ajudar os agricultores e a região”. Ainda quanto ao futuro, Alfredo Orvalho destaca

Fernando Cunha (1925-2001) Um excecional exemplo de homem e cuja memória deve ser preservada e reconhecida. Defensor dos agricultores e da região, foi em conjunto com Alfredo Orvalho e Luis Vasconcellos e Souza, um dos pilares do sucesso na constituição e desenvolvimento da Agrotejo.

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esta nova fase em que a Agromais está a entrar na região do Alqueva – uma evolução que considera de normal –, e o grande projeto de emparcelamento de terras nas mãos da Agrotejo que espera seja concluído a um ritmo rápido. Se nestes 30 anos a Agrotejo conseguiu ajudar os agricultores a lidar com as mudanças administrativas trazidas na altura com a entrada na CEE e mais recentemente com os novos requisitos que o setor exige, hoje a associação tem em mãos novos desafios. Luís Vasconcellos e Souza lembra que o milho ainda é a cultura dominante, numa altura em que as matérias-primas alimentares têm um baixo valor no mercado. O presidente da Agromais sublinha que as questões ambientais também têm sido e vão continuar a ser uma parcela importante do trabalho da Agrotejo em prole dos agricultores, sobretudo demonstrando que agricultura e ambiente “podem andar de mão dada e não têm de andar de costas voltadas. Combatendo a ideia que o setor é um grande poluidor”. Isto sem esquecer o projeto do emparcelamento, de 1996, que “vai continuar a ser nos próximos anos o grande trabalho coletivo coordenado pela Agrotejo”, salienta Luís Vasconcellos e Souza que realça que a própria associação “vai ter de se reinventar face às novas culturas e novas maneiras de as produzir”.

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“o emparcelamento vai continuar a ser nos próximos anos o grande trabalho coletivo coordenado pela Agrotejo” Luís Vasconcellos e Souza

Este projeto que esteve na gaveta desde 2007 voltou a ver a luz do dia a partir de 2013 quando o poder político voltou a considerá-lo relevante. Finalmente no passado mês de Outubro saiu a portaria que abre o concurso para projetos de emparcelamento, pelo que a expetativa é que até ao final do ano a Agrotejo avance com a candidatura para a obra. O projeto inicial eram 9,5

milhões de euros. Para executar a primeira fase da obra – considerada a mais relevante e que terá impacto direto na produção agrícola – está previsto um financiamento de cerca de cinco milhões de euros. A mesma fonte salienta que a ideia de “se ficar com as explorações mais eficientes por via do emparcelamento é um contributo muito importante da Agrotejo que não seria possível se a associação não existisse”. Luís Vasconcellos e Souza realça que a Agrotejo trouxe inovação aos produtores da região e criou condições “para as pessoas não só trabalhem mais estimuladas, mas que trabalhem de uma forma mais eficiente”. A associação está com 30 anos, mas já tem nas suas fileiras sangue novo que garantem um futuro igualmente promissor. O atual presidente da direção da Agrotejo, António José Godinho Carvalho tinha 16 anos quando a associação nasceu. Mas garante que já tinha sensibilidade para os constrangimentos que o setor enfrentava na altura, uma vez que o pai era agricultor. “Sabíamos que o fato de entrarmos na União Europeia iria trazer constrangimentos fruto de se entrar para um mercado mais aberto e mais competitivo”, recorda António José Godinho de Carvalho. Também estava subentendido que se passaria a “ter um conjunto de exigências administrativas que não existiam até ao momento como as candidaturas aos fundos comunitários, elaboração dos projetos de investimento, licenciamentos, o que trazia uma grande carga burocrática”, salienta o presidente da Agrotejo. Nesse sentido criou-se a Agrotejo porque os agricultores perceberam “que havia necessidade de se agruparem para melhor ultrapassar as dificuldades que se adivinhavam”. António José Godinho de Carvalho sublinha que tanto na Agrotejo como na Agromais procura-se fazer a integração total do apoio ao agricultor, sendo que para este fica a missão exclusiva de produzir com o máximo de qualidade. A mesma fonte lembra que para se fazer a agricultura moderna que se faz


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É inevitável relembrar a “grande batalha desta casa, neste momento, o emparcelamento. Mas é preciso ter em conta que as necessidades dos agricultores são diárias, sendo esta uma região que está permanentemente em investimento”, refere António José Godinho de Carvalho. Ainda assim, destaca que o emparcelamento “vai ser uma oportunidade muito grande para a região, já que existe alguma tecnologia disponível que não está a ser utilizada porque não há meios para a usar”.

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hoje “era necessário investir bastante ao nível das infraestruturas”. António José Godinho de Carvalho destaca o exemplo, de na altura no campo da Golegã não existir energia elétrica, sendo que tudo o que era regadios era feito com recurso a motores a gasóleo. O atual presidente da associação salienta então que o segundo grande projeto da Agrotejo foi a eletrificação do campo da Golegã. Esta infraestrutura de 1987 ainda está em funcionamento e a expetativa é que no novo grande projeto da Agrotejo, do emparcelamento, “venha a ser reformulado e atualizado para melhor servir os agricultores”. O mesmo responsável salienta o impacto significativo que a Agrotejo tem tido na região. “Um dos privilégios que temos, além de uma boa capacidade produtiva devido ao clima e ao solo, é o facto de existirem organizações por trás que prestam apoio aos agricultores”. Para António José Godinho de Carvalho, enquanto agricultor, a garantia de estar salvaguardada a comercialização das produções é uma mais-valia. Isto porque sabe que ao produzir determinada cultura, há um contrato com a Agromais que assegura o pagamento em determinado prazo e “não me preocupo se o cliente pagou ou não”. Sobre os próximos 30 anos da Agrotejo, António José Godinho de Carvalho não tem dúvidas que continuará a “ser sempre a olhar para os agricultores da região. Eles são a razão da nossa existência. Por isso, há que ter a sensibilidade para perceber quais são as necessidades e ajudar a ultrapassá-las”.

É inevitável relembrar a “grande batalha desta casa, neste momento, o emparcelamento. Mas é preciso ter em conta que as necessidades dos agricultores são diárias, sendo esta uma região que está permanentemente em investimento”, refere António José Godinho de Carvalho. Ainda assim, destaca que o emparcelamento “vai ser uma oportunidade muito grande para a região, já que existe alguma tecnologia disponível que não está a ser utilizada porque não há meios para a usar”. O presidente da Agrotejo salienta que o projeto de emparcelamento vai permitir ao tecido empresarial agrícola da região dar o salto porque haverá a reorganização das parcelas, a obtenção de custos de produção mais baixos e o crescimento ao nível da eficiência. O emparcelamento vai gerar novo mercado. O presidente da Agrotejo realça que há um banco de terras que foi criado para o emparcelamento, que mais não são do que terrenos que estão na posse do Estado e que vão ser finalmente libertadas para os agricultores. Estas terras estão arrendadas e são exploradas todos os anos, mas não têm sofrido os investimentos que precisavam nos últimos anos. A reorganização que está a ser preparada vai impulsionar novos investimentos, criar condições para reformular sistemas de rega, máquinas agrícolas, introduzir novas tecnologias e será possível trazer novas culturas e alternativas ao milho. Nos últimos dois anos, por exemplo, tem havido uma aposta numa cultura que não era tradicional na região, o girassol. No próximo ano poderá haver


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algum desenvolvimento ao nível da produção de colza, uma cultura que já se tinha tentando introduzir, mas que não resultou bem. Ao nível das horto-industriais é natural que haja o aparecimento de novas culturas ou um maior desenvolvimento de produtos que já existem como a cebola, ou o alho. Numa altura em que o agricultor é cada vez mais exigente no apoio e sedento de informação atempada a Agrotejo tem de estar cada vez mais presente. O presidente da associação sublinha que continua a haver e é fundamental o apoio a nível organizativo. Além dos projetos de investimento normais há todo o processo em torno das medidas agroambientais, às quais a região aderiu, e que obrigam a uma grande organização administrativa. “Os agricultores cada vez mais têm de ter registo e documentos de tudo o que fazem. É aqui que a Agrotejo poderá prestar algum apoio”. Apoio que se torna necessário ao nível da elaboração dos cadernos de campo, na preparação dos registos que inclui análises técnicas, de água, aconselhamentos de rega, aplicação de

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fitofármacos, adubos, colheitas, sementeiras. Sobre os constrangimentos do setor e aos quais a Agrotejo está atenta, o presidente deste órgão sublinha que o financiamento dos investimentos é, neste momento, “um caso problemático”. Neste âmbito há que não esquecer que no terreno está o PDR2020, cuja taxa de execução foi considerada pelo ministro da Agricultura abaixo do desejado. Face a este cenário, António José Godinho de Carvalho não tem dúvidas: “O sucesso da taxa de execução deste PDR está do lado do Ministério. O setor agrícola fez aquilo que lhe cabia que era definir projetos que entregou na administração pública. Mas ainda estão por analisar e resolver”. Por isso, garante que os agricultores portugueses estão prontos para investir, mas o apoio a esse investimento não tem aparecido. Tal como o presidente da Agromais, António José Godinho de Carvalho também destaca as questões ambientais como um constrangimento, sobretudo numa região que está inserida numa zona vulnerável. Face às acusações que a agricultura é uma fonte poluidora houve um importante trabalho para corrigir essa imagem, mesmo que ainda haja alguma pressão ambiental. A gestão da água é outro sério problema que preocupa a direção da Agrotejo e para a qual está a trabalhar para uma solução. Isto porque a origem da

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“Há uma zona junto ao Tejo que é de domínio público e o Estado não cuida dessas áreas. Se não forem cuidadas os principais lesados são os agricultores” ANTÓNIO J. CARVALHO

água para rega na região é feita com recurso a captações subterrâneas e não diretamente do caudal do Tejo. “Preocupa-nos a irregularidade do caudal do Tejo”, alerta o presidente da Agrotejo que defende que deveria haver uma regularização das descargas das barragens. Enquanto no Verão deveria existir um mínimo caudal diário, lembra que no Inverno o problema é o excesso de

água. António José Godinho de Carvalho sublinha que o Estado abdicou da manutenção das marachas. “Há uma zona junto ao Tejo que é de domínio público e o Estado não cuida dessas áreas. Se não forem cuidadas os principais lesados são os agricultores”, acusa a mesma fonte que diz que a Agrotejo tem tentado substituir o Estado nessa tarefa mas tem-se deparado com inúmeras dificuldades. Na última cheia ficaram um conjunto de rombos que ainda não foram reparados. Face a este cenário a Agrotejo apresentou uma candidatura para fazer a reparação num troço entre Santarém e Abrantes, sendo que a obra já está aprovada e está avaliada em cerca de um milhão de euros. Para a mesma fonte, a gestão das barragens é feita apenas com o intuito da segurança e da produção de energia. “A EDP não se preocupa minimamente com os efeitos que as descargas vão ter na agricultura”, acusa António José Godinho de Carvalho. Para resolver muitos dos constrangimentos do dia-a-dia dos agricultores, um trunfo importante tem sido o facto de a Agrotejo participar em vários conselhos consultivos de entidades ligadas à água, ambiente, de determinadas culturas. Ou mesmo o facto de ser parceira da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) assumindo o papel de ‘front office’. Apesar de ser a CAP que tem as relações institucionais e privilegiadas com o Ministério da Agricultura, a verdade é que está em Lisboa e longe do que se passa no terreno. Por isso, cabe à Agrotejo que tem esse conhecimento através do balcão aberto para os agricultores a função de transmitir os problemas, sensibilidades, levantar questões, apresentar soluções à CAP. A nível local e regional há também um trabalho próximo com a Direção Regional de Agricultura. Também com a tutela há um relacionamento próximo a que não é alheio o facto de “o novo ministro da Agricultura, Capoulas Santos, não nos ser desconhecido, uma vez que enquanto eurodeputado fez um trabalho fantástico”, realça o presidente da Agrotejo. De acordo


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com António José Godinho de Carvalho, Portugal e o setor em geral “não tiveram a noção do trabalho meritório que teve em prol da agricultura europeia e nacional”, durante as negociações do novo quadro comunitário de apoio que foram muito complicadas. Numa fase em que a Europa cresceu no número de membros, o orçamento da PAC reduziu e “Portugal conseguiu ficar com o mesmo. Foi extraordinário. Conseguiu que o País não saísse prejudicado desta situação”, conclui. Apesar de reconhecer este mérito ao eurodeputado Capoulas Santos, o presidente da Agrotejo não deixa de realçar que “enquanto ministro da Agricultura está muito mais limitado porque está inserido num Governo onde o setor agrícola não é prioritário”. E justifica: “Basta olhar para os Orçamentos do Estado para ver que há um claro desinvestimento na agricultura portuguesa”. O ministro está “limitado ao nível de orçamento e faz o pub.

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que pode com o valor que tem à disposição. Não critico as políticas e não duvido das suas boas intenções. Mas critico o orçamento que tem à disposição que é pouco para a agricultura e acima de tudo para alavancar o PDR2020”. E lembra que todos os fundos comunitários que estão ao dispor têm de ser impul-

sionados por verbas nacionais. Se estes não estiverem disponíveis, esses fundos acabam por não ser utilizados e não chegam à agricultura. António José Godinho de Carvalho sublinha que o setor agrícola “responde bem a estímulos”. A prová-lo está o facto de no anterior Governo se ter percebido que um pouco mais de investimento na agricultura criava um efeito mobilizador junto do setor. “As pessoas acabam por avançar com investimentos, acreditar no setor e a querer produzir mais e melhor”, conclui o presidente da Agrotejo. Depois de exportar o modelo de atuação das empresas Agromais e da Agromais Plus, António José Godinho de Carvalho não esconde que poderá olhar para outras regiões para expandir a Agrotejo e conquistar novos associados. “A perceção é que não há uma organização tão boa do mundo rural na parte mais a Norte do Ribatejo, entre Tomar e Ourém, que tem perdido oportunidades


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por essa via”. O presidente da Agrotejo admite que já tem sido contactado por agricultores daquela região que “procuram os nossos serviços e apoio embora não estejam na nossa zona de influência”. “Sentimos que há zonas vizinhas que têm necessidades que podemos colmatar, pelo que, quem sabe num futuro próximo consigamos fazer essa expansão”. A mesma fonte sublinha que esta zona tem uma agricultura com características diferentes, mas para onde já existem “alguns projetos idealizados. É natural que cresçamos para lá”. Apesar desta meta de alargar o número de associados, o presidente da Agrotejo alerta que “queremos gente jovem na agricultura que venha para ficar e que traga ideias novas. Pessoas com vontade de fazer diferente e que saiba ouvir quem cá está”. A pensar no futuro no que se refere a gente jovem, António José Godinho de Carvalho realça o papel que a Agrotejo

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tem na formação profissional. “Uma das valências que a associação teve ao longo destes anos foi o de formar os agricultores da região”. E garante que, no futuro, uma das prioridades é que essa formação seja cada vez mais avançada,

especializada, dirigida e diferenciada daquilo que se faz nas outras regiões do País. Um dos exemplos desta aposta na formação resulta da parceria com o Agrupamento de Escolas da Golegã em que se conseguiu desde há dois anos reativar o curso de formação agrícola, que tem tido uma boa adesão dos jovens quer do concelho quer fora. “É uma mais-valia para a região vir a ter mão-de-obra qualificada na zona disponível para aproveitar todas as tecnologias que virão num futuro próximo”. Em tempo de comemorar 30 anos, tanto os fundadores como os novos dirigentes da Agrotejo acreditam que estão criadas as condições para que a associação continue a ter um papel fundamental na vida dos agricultores da região. Papel que é exercido tanto através da prestação de informações, como da aposta na inovação quer de maquinaria quer na experimentação de novas técnicas de cultura.


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Jorge Durão Neves diretor geral da Agromais

Agromais expande negócio para novas áreas e culturas

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A Agromais ainda mantém a sua principal missão de agregador de produtores da região da Golegã. Mas perto de completar 30 anos, a Agromais assume que hoje há vida para além do milho a cultura que serviu de base aquando do seu nascimento. O diretor-geral da empresa afirma que a aposta em termos de produtos é mais abrangente e prepara-se para novos voos com a entrada na produção de culturas permanentes.

maria lopes jornalista

| A Agromais nasceu há quase 30 anos – aniversário que completa em 2017 – com o objetivo de concentrar a produção de milho dos agricultores associados da Agrotejo, a par de fazer a programação e prestar assistência a todas as culturas que são produzidas. O papel agregador e de estabelecimento de estratégias quer de produção quer comerciais para maximizar o rendimento dos produtores continuam a nortear a atividade da empresa. No entanto, se há 30 anos foi criada a pensar na principal cultura existente na região da Golegã hoje o diretor-geral da empresa, Jorge Durão Neves, conclui sem a menor dúvida que “na Agromais há vida para além do milho”. Não só porque entretanto alargou a atividade com a criação de novas áreas de negócio como a venda de fatores de produção, através da Agromais Plus,

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como também replicou a organização existente na Golegã no Alentejo – operação que deu os primeiros passos em 2012 – na vertente de produção e agregação de agricultores e na comercialização de fatores de produção. Atualmente a Agromais já faz uma aposta bastante mais abrangente em termos de culturas porque “se concluiu na altura que o milho, por redução dos apoios comunitários, e hoje devido aos preços mundiais, tem um horizonte no médio prazo complicado”. Perante este cenário, Jorge Neves salienta que a Agromais introduziu a cultura da batata para a indústria “em que conquistou um peso muito grande na produção. Apostou na cultura da cebola para comercialização junto da grande distribuição, em que já é o maior operador nacional em Portugal”. No terreno estão ain-


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da outras culturas, sobretudo horto-industriais para transformação industrial, em que se destaca, por exemplo o tomate. Perto de completar os 30 anos, a entidade está a preparar-se para novos voos. De acordo com Jorge Neves, para que a Agromais “continue numa estratégia de não dependência de uma ou duas culturas está a olhar para as zonas agrícolas que detém na região, que são mais marginais, e onde a produção de milho possa ser menos rentável face aos preços atuais”. Por essa razão, a Agromais está “a dar os primeiros passos na introdução de culturas permanentes, isto é, na área dos frutos secos”, revela a mesma fonte. A justificação para esta aposta é simples: “É uma produção, que de acordo com todas as opiniões e estudos a nível mundial, pode ser um negócio bastan-

Jorge Durão Neves diretor geral da Agromais

te interessante para os agricultores da região nos próximos anos”, garante o diretor-geral da Agromais. Sobre o ‘timing’ para desenvolver esta nova aposta, Jorge Neves salienta que já “se passou a fase de estudo e está-se agora a trabalhar para introduzir as primeiras plantas, ou instalação de pomar, em terrenos de agricultores associados à Agromais no início do próximo ano”. Quanto ao tipo de culturas, a mesma fonte sublinha que serão, sobretudo, nogueiras. Jorge Neves explicou que ainda não está definida uma área muito grande para esta nova cultura, “até porque, neste momento, os apoios ao investimento estão suspensos. Houve uma procura bastante grande de apoios comunitários para investimento em 2014 e 2015, pelo que o corrente ano está a sofrer um pouco com o que se passou atrás”. Apesar de admitir que “há algum impasse em termos de decisão para novos investimentos, o que retrai o esforço dos agricultores”, Jorge Neves acredita que “irá haver condições nos próximos anos o que poderá ser um empurrão importante para o investimento nesta área”. Mais uma vez, nesta nova atividade, a Agromais seguirá o mesmo modelo de atuação. De acordo com Jorge Neves, a empresa “vai fomentar e investir na aquisição de equipamentos comuns para os agricultores, nomeadamente de colheita”. Depois e a seu tempo – porque os pomares só começarão a entrar em produção no fim do quinto ou sexto ano –, a Agromais já tem previsto efetuar investimentos na área da concentração e preparação do produto. “No fundo investirá numa central para a recolha e processamento da produção dos agricultores”, esclarece o mesmo responsável. Além da entrada neste novo negócio, Jorge Neves lembra que, o Alqueva com as quantidades de água e consequente capacidade de rega foi identificado como a região por excelência para exportar o modelo que a Agromais já gere no Ribatejo. “Estamos habituados à agricultura de regadio, por isso identificamos dentro de Portugal o Alqueva como uma zona com potencial enorme para desenvolver culturas de regadio”, garante a mesma fonte. Para garantir esta presença no Baixo Alentejo, direta e indiretamente, a Agromais já investiu perto dos 10 milhões de euros, sendo que alguns dos investimentos são feitos também com parceiros.

ainda não está definida uma área muito grande para esta nova cultura, “até porque, neste momento, os apoios ao investimento estão suspensos. Houve uma procura bastante grande de apoios comunitários para investimento em 2014 e 2015, pelo que o corrente ano está a sofrer um pouco com o que se passou atrás”.

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Jorge Durão Neves diretor geral da Agromais

“Ser menos dependente em termos de fatura energética, rentabilizando o consumo que é bastante elevado. E também para a Agromais dar o contributo em termos ambientais através de uma produção que é amiga do ambiente”

Perante a situação edafoclimática um pouco diferente da existente na Golegã, Jorge Neves antecipa que “há culturas que se sabe de antemão que não funcionam no Alqueva”, mas “há outras que, com a experiência que já tem, darão melhor no Alqueva”. É o caso da cebola em que a Agromais percebeu que as condições no Alqueva são bastante mais favoráveis do que na Golegã com resultados não só ao nível de produção por hectare, mas também pela qualidade do produto. Os novos projetos da Agromais passam também por garantir a eficiência em termos energéticos, sendo que avançou com investimentos na área da produção elétrica fotovoltaica. De acordo com Jorge Neves, a empresa instalou duas centrais, em que uma delas servirá para autoconsumo e a outra para injeção total de energia na rede. Isto para se atingir dois objetivos: “Ser menos dependente em termos de fatura energética, rentabilizando o consumo que é bastante elevado. E também para a Agromais dar o contributo em termos ambientais através de uma produção que é amiga do ambiente”. Para este projeto foram canalizados cerca de meio milhão de euros. Sobre como é que a Agromais tem feito a diferença ao longo dos anos, o mesmo responsável sublinha que o “modelo de organização é bastante singular, sem esquecer nesta estratégia o trabalho que é feito pela Agrotejo, à qual a

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empresa está “umbilicalmente ligada desde o início”. Jorge Neves não tem dúvidas que a oferta integrada de soluções para os agricultores e a preocupação em definir uma estratégia para uma região e para um conjunto de produtores é que tem feito a diferença da Agromais face a outras organizações. Existe uma estratégia, uma oferta de serviços e de soluções de produção integrada e um apoio constante ao agricultor. E realça que a preocupação da Agromais é que o agricultor se concentre naquilo que é a sua missão: produzir bem, nas melhores condições, ao mais baixo custo e com maior produtividade e qualidade possível. O resto cabe à Agromais. Ou seja, organizar a produção, dar assistência aos agricultores, dar as melhores condições em termos de ’inputs’ para as suas culturas e no final garantir a colocação da sua produção ao melhor preço do mercado. “Tem sido uma solução ganhadora”, conclui Jorge Neves. Sobre como se consegue financiamento para desenvolver os projetos, o diretor-geral da Agromais salienta que a empresa “tem conseguido fazer até hoje a quadratura do círculo. É uma cooperativa que tem tido a preocupação de obter resultados positivos”. E garante que se tem conseguido que os agricultores ganhem dinheiro, o que considera uma premissa fundamental para o êxito deste projeto. Isto sem esquecer que também a Agromais está a ganhar dinheiro para conseguir crescer em termos de expansão do volume de negócios e da sua capacidade produtiva. Em termos de futuro próximo Jorge Neves destaca o grande projeto de emparcelamento da região – uma das bandeiras defendidas pela Agrotejo –, cuja portaria já foi publicada, assim como, o aviso de concurso para ser submetida a candidatura. Neste momento, o diretor-geral da Agromais acredita estarem reunidas as condições para que durante o ano de 2017 se arranque com a obra. A mesma fonte antecipa uma “revolução na região” graças ao projeto de emparcelamento, já que vai permitir aos agricultores agregarem muito daquilo que são as suas parcelas de exploração agrícola, trará uma nova configuração dessas parcelas o que vai facilitar a mecanização das culturas existentes. Com as obras de drenagem previstas vai criar novas condições de acesso às terras em épocas mais complicadas o que permite alguma precocidade nas produções, o que implica melhores preços. A mesma fonte revela que tudo aquilo que se investiu até hoje – que já ultrapassa os 15 milhões de euros – tem permitido que a Agromais


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Jorge Durão Neves diretor geral da Agromais

“Hoje substituiu-se totalmente as importações e a ‘NOS’ abastece-se em exclusivo do milho produzido pelos agricultores da Agromais”

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consiga ter meios para dar resposta aos agricultores e aos sucessivos reptos que se tem feito aos mesmos em termos de novas produções. No que se refere a desafios, Jorge Neves não esconde o orgulho face a alguns exemplos de inovação que se foi introduzindo na região. E destaca o caso da cebola em relação à qual havia alguma tradição de produção de uma forma mais artesanal na Golegã e a Agromais conseguiu introduzir uma forma mais sistemática e industrial em termos de dimensão e organização deste negócio. Outro exemplo de inovação tem a ver com o fato de nos últimos três anos os agricultores estarem a produzir milho para pipocas em Portugal. Produção que surgiu de um desafio lançado pela operadora de telecomunicações NOS para suprir essa necessidade já que importavam a totalidade do produto que servia os cinemas. “Hoje substituiu-se totalmente as importações e a ‘NOS’ abastece-se em exclusivo do milho produzido pelos agricultores da Agromais”, realça. Atualmente a produção de milho para pipocas ronda as 600 toneladas, mas há

um objetivo de crescimento bastante ambicioso que vai depender de se conseguir dar o próximo passo que é entrar na exportação. Jorge Neves adianta que já estão a ser avaliados os mercados que poderão receber o produto, sendo que a ideia é vender a cadeias de distribuição de filmes como já acontece em Portugal. Na mira estão a Europa e talvez África em que há a possibilidade de entrada nos PALOP. “A ligação com a NOS tem algum peso nesta estratégia” destaca Jorge Neves que lembra que a operadora de telecomunicações já está presente em Angola e Moçambique. O volume de negócios consolidado do grupo, em 2015, ultrapassou os 48 milhões de euros, sendo que só a atividade da Agromais representa cerca de 36 milhões, enquanto a Agromais Plus, especializada em fatores de produção, contribuiu com cerca de 12 milhões. A perspetiva para 2016 será de um valor um pouco menor, isto porque terá um menor contributo de quantidades de milho além de o preço ser também estar mais baixo.


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NOGUEIRAS NO VALE DO TEJO – A NOVA ETAPA Pedro Miguel Santos CONSULAI

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| A produção de nozes no Vale do Tejo é claramente uma excelente opção e pode representar uma nova etapa, desde que se entenda “etapa” como “qualquer percurso ou distância entre dois pontos determinados que se vence sem parar”. Conhecendo a AGROMAIS, os seus dirigentes e os seus produtores, e vendo a determinação com que encaram este projeto de futuro, não restam quaisquer dúvidas sobre o sucesso desta aposta. As nogueiras fazem parte da paisagem e do território do Norte do Vale do Tejo há muitos anos, o que demonstra a sua adaptabilidade às condições, mas são raros os projetos empresariais assentes na instalação de pomares intensivos de regadio. A nogueira (Juglans regia L.) teve a sua origem no Sudoeste Asiático e Mediterrâneo Oriental e foi introduzida na

Europa pelos Romanos. Em Portugal, é possível encontrar plantações de nozes um pouco por todo o país, encontrando-se muitas vezes como árvore dispersa (Figura 1). Os pomares ordenados, mais modernos, assumem maior importância nas regiões de Trás-os-Montes (Bragança e Mirandela) e do Alentejo (Estremoz, Arraiolos, Portalegre, Castelo de Vide e Marvão). A área de noz em Portugal representava, em 2015, 3.287 ha. Nessa área são produzidas cerca de 4.000 toneladas de noz, que são comercializadas com um preço médio de 2,80 €/kg. De qualquer forma, todas estas varáveis (área, produção e preço) têm crescido de forma sustentada nos últimos anos (Figura 2). Durante a vigência do PRODER (20072013), foram aprovados projetos de nozes para plantação de 659 ha e para a


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modernização de 1.475 ha, num total de 202 projetos a que correspondeu um investimento total de perto de 11 Milhões de €. As regiões que mais projetos apresentaram foram Trás-os-Montes (74) e o Alentejo Central (38), sendo que o maior investimento se centrou no Alentejo Central (4,6 M€) e no Baixo Alentejo (2 M€). Na região do Vale do Tejo, que integra as sub-regiões do Médio Tejo e da Lezíria do Tejo, o investimento nesta cultura foi muito reduzido. Na região do Médio Tejo foram apresentados 3 projetos, correspondentes à plantação de 15 ha e à beneficiação de 35 ha, num total de investimento de 137.000 €, e na região da Lezíria do Tejo apenas foi apresentado 1 projeto, que incluía a plantação de 3 ha e a beneficiação de 11 ha, com um investimento total de 32.000€. No entanto, todo o Vale do Tejo tem condições edafoclimáticas muito favoráveis para a produção de nozes. No entanto, o crescimento do interesse, e da atenção, sobre os frutos secos ganhou maior relevância nos últimos 3 anos e, por isso, os maiores projetos têm sido instalados ao abrigo do PDR 2020. Por exemplo, em termos mundiais, a produção

Figura 1 - Distribuição da intensidade produtiva da noz em Portugal (2014)

de nozes concentra-se entre os paralelos 35 e 45 Norte, incluindo toda a bacia mediterrânica. Em 2014, a produção mundial de nozes ultrapassou as 655 mil toneladas, o que representou um aumento de 14% face ao ano anterior e um aumento de 87% face a 2004, o que confirma a tendência de crescimento verificada na última década. Os Estados Unidos e a China representam 2/3 da produção mundial. Os Estados Unidos, em 2013, exportaram cerca de 75.000 toneladas, o que representa 40% das exportações mundiais. A Coreia do Norte, a Alemanha, o Japão e o Canadá foram os principais destinos (Figura 2). Na Europa, os principais exportadores são Espanha e Holanda, apesar da Holanda ser exclusivamente exportação de frutos secos importados (Figura 4). Reconhecendo a existência de potencial de mercado e existindo boas condições de produção na região, existem condições para criar um projeto de dimensão que permita satisfazer o mercado nacio-

Preço por comercialização - Portugal (¤/kg)

Área de Noz - Portugal (ha) 3500

3.5

3000

3

2500

2.5

2000

2

1500

1.5

1000

1

500

0.5

0

0 2009

2011

2012

2013

2014

2015

Produção de Noz - Portugal (ton)

2010

2011

2012

2013

2014

2015

Áreas de nogueiras por região - Portugal (2015)

5000

3%

4500 4000

28%

3500 3000

45%

2500 2000

1%

1500 1000

23%

500 0 2009

2011

2012

2013

2014

2015

Norte

Centro

Área Metropolitana de LisboaA

lentejoA

lgarve

Figura 2 - Dados da produção de nozes em Portugal (Fonte: Estatísticas Agrícolas INE)

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2014 ESTIMATED WALNUT PRODUTION KERNEL BASI/ BASIC TONS

2013 WORLD WALNUT EXPORTS SHELLED/ METRIC TONS

WORLD WALNUT PRODUCTION KERNEL BASICS/ METRIC TONS

WORLD WALNUT EXPORTS SHELLED/ METRIC TONS

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Figura 3 - Dados da produção e exportação mundial de noz (Fonte: INC)

nal e abordar o mercado internacional. Para isso, têm sido dados passos muito concretos para envolver os agricultores da região no sentido de promover o investimento na instalação de nogueirais intensivos de regadio, sabendo que se trata de um investimento elevado e com retorno de médio/longo prazo. Os custos de instalação de 1 ha de nozes (considerando um pomar de 10 ha) podem variar, mediante o tipo de preparação do terreno necessária, entre os 10.000€ e os 12.000€, sendo a maior fatia do investimento ligado à aquisição de plantas (cujas variedade deverão ser criteriosamente selecionadas tendo em conta o solo e os intervalos de floração e considerando uma densidade de 286 árvores por ha) e ao sistema de rega e fertirrega (Figura 5). A esse valor acrescem os eventuais investimentos em equipamentos, nomeadamente trator cabinado, atomizador, pulverizador de herbicida, reboque e destroçador, que AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

Figura 4 - Fluxos de exportação de frutos secos em casca (exceto pistáchio), na Europa em 2013 (Fonte: INC)


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podem representar mais 60.000€ a 70.000€. As nogueiras entram em produção ao 3.º/4.º ano e atinge a plena produção ao 8.º ano, sendo possível atingir produtividades médias na ordem das 6 toneladas/ ha, sendo a colheita realizada com equipamento específico e tendo a necessidade de recorrer à limpeza e à secagem da noz para que a armazenagem da mesma não prejudique a sua qualidade. Os custos de exploração variam entre os 1.500€ e os 2.000€ por ha nos primeiros anos (sem produção) e os 6.500€ a 7.500€/ha em plena produção, considerando os custos inerentes ao processamento e secagem. Com estes pressupostos, e considerando um preço médio de 3,5€/kg, poderemos atingir uma Taxa Interna de Rentabilidade na ordem dos 13,5%. Estes investimentos são apoiados pelo PDR, sendo essencial proceder a uma

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9%

22%

30%

39% Preparação do terreno

Sistema de rega e fertirrega

Plantas

Plantação

Figura 5 - Distribuição dos custos de instalação de um pomar de nogueiras

cuidada preparação da candidatura para que a mesma reúna as condições necessárias para maximizar a probabilidade de aprovação. Tendo a assistência técnica assegurada e o escoamento garantido, todos reconhe-

cem que se trata de um investimento bastante interessante e, apesar da difícil conjuntura, estou certo que os agricultores da região irão responder de forma muito positiva a este desafio da AGROMAIS. Será certamente mais uma etapa vencedora!


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Projeto FilmAgRega

Filmes biodegradáveis e rega subterrânea em culturas hortícolas Raquel Costa Artur saraiva consórcio filmagrega

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| A maior preocupação com as questões ambientais leva a que haja uma procura constante por novos desenvolvimentos tecnológicos que possibilitem uma maior eficiência da utilização de recursos. O intercâmbio de conhecimentos entre produtores, empresas e unidades de investigação é essencial para a implementação de novas práticas conducentes à sustentabilidade do setor hortofrutícola. A utilização de filmes de cobertura do solo em culturas hortícolas, nomeadamente de polietileno de baixa densidade (PE), é uma prática comum usada em diversas culturas e com vantagens comprovadas. Contudo, esta prática tem um elevado impacte ambiental associado à sua eliminação no final do ciclo cultural. Para além deste impacte, a sua remoção

é morosa e implica a alocação de recursos humanos, com custos associados. A fita de rega superficial é uma técnica de rega amplamente utilizada devido à sua alta eficiência e, nalguns casos, à melhor fitossanidade das culturas. As desvantagens a ela associadas prendem-se com a sua utilização anual que obriga à sua remoção e eliminação no final do ciclo cultural, com impactes ambientais e custos económicos associados. O projeto FILMAGREGA tem como objetivo o aumento da eficiência das exploPlástico de polietileno

Hipótese de melhoria

Plástico biodegradável

Fita de rega superficial

Hipótese de melhoria

Fita de rega subterrânea


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rações agrícolas através da redução dos custos de índole ambiental e económica identificados: A utilização de filmes biodegradáveis aparece como uma opção de melhoria, devido à capacidade de serem biodegradados pelos microrganismos do solo, eliminando a necessidade de remoção no final do ciclo cultural. Deste modo, reduzem-se os custos operacionais proporcionando simultaneamente uma melhoria do ponto vista ambiental. Por outro lado, esta solução apresenta um maior custo de aquisição que tem de ser tido em conta. A fita de rega gota-a-gota subterrânea surge como uma opção de melhoria relativamente à fita superficial através da redução dos custos operacionais e ambientais, a médio/longo prazo, devido ao aumento do seu tempo de vida útil e à poupança da água de rega. Esta poupança de água é obtida através da redução das perdas de água por evaporação ao colocar a água diretamente onde a planta mais necessita. Por outro lado, a rega gota-a-gota subterrânea requer uma maior atenção na fase inicial de instalação das culturas devido ao menor teor de água à superfície.

Filmagrega O Projeto Filmagrega liderado pela Agromais e do qual fazem parte a Agrotejo, a Consulai, a EPCA® e o Instituto Superior de Agronomia, visa avaliar as vantagens e desvantagens das duas modalidades de rega - superficial e subterrânea - e dos dois tipos de filmes de cobertura - convencional e biodegradável – tendo como principal objetivo a avaliação da melhor relação custo-eficiência para as culturas do pimento e tomate. Os principais objetivos deste projeto são: · Adoção de boas práticas agrícolas; · Aumentar a eficiência do uso de água na exploração agrícola; · Definir estratégias para a implementação de sistemas mais sustentáveis; · Diminuição dos custos efetivos; · Aumentar a resiliência da atividade agrícola face às alterações climáticas; e · Informar os agricultores na tomada de decisão e na adoção de boas práticas agrícolas.

Pretende-se assim contribuir para uma agricultura mais sustentável e com menores impactes ambientais, associada a uma melhor gestão de recursos. Monitorização No âmbito do projeto, foram realizados ensaios numa parcela em Ervidel, no perímetro de rega do Alqueva, em que se acompanhou a evolução temporal de parâmetros indicadores da qualidade do solo, o desenvolvimento da cultura, a monitorização da dotação de rega e humidade do solo, a incidência de pragas e doenças, bem como a produção e qualidade dos frutos, em cada uma das modalidades em estudo. Na cultura do pimento as modalidades de filme de cobertura/rega foram: · Polietileno - rega superficial; · Polietileno - rega subterrânea; · Biodegradável - rega superficial; · Biodegradável - rega subterrânea. Na cultura do tomate as modalidades de cobertura/rega foram: · Sem cobertura – rega superficial; · Sem cobertura – rega subterrânea; · Filme biodegradável – rega superficial.

Resultados Pimento 2015 A instalação das fitas de rega e dos filmes de cobertura foi realizada simultaneamente, não havendo aqui alterações para o agricultor. A alteração do filme de polietileno para filme biodegradável necessitou apenas de pequenos ajustes no equipamento, enquanto a alteração da fita de rega enterrada para a fita de rega subterrânea obrigou à adaptação do modo de colocação da fita, para ficar a 25 cm de profundidade. Os parâmetros indicadores da qualidade do solo não revelaram qualquer alteração causada pela modificação do tipo de filme de cobertura e sistema de rega. A poupança de água resultante da utilização da fita de rega subterrânea não foi clara, embora se tenham obtido resultados positivos. Apesar da humidade à profundidade média das raízes ter sido sempre superior na modalidade de rega subterrânea, não se conseguiu avaliar com os dados obtidos qual a potencial poupança de água deste tipo de sistema, pelo que a única vantagem efetiva passou pela sua utilização plurianual.

A incidência de pragas e doenças não apresentou alterações provocadas pela modificação do tipo de filme de cobertura e sistema de rega. A produção média nas modalidades de ensaio foi de 37 603 Kg/ha, não se verificando diferenças significativas de produção entre modalidades, tendo a qualidade dos frutos seguido o mesmo comportamento.

Pimento Vermelho

Kg/ha

Polietileno – rega superficial

39 339 a

Polietileno – rega subterrânea

35 487 a

Biodegradável – rega superficial

37 333 a

Biodegradável – rega subterrânea

38 251 a

*médias seguidas pela mesma letra não são significativamente diferentes (a=0,05)

Resultados Tomate 2016 Uma vez que a plantação do tomate é realizada mecanicamente, foi necessário alterar o procedimento para as modalidades com filme de cobertura e fita de rega subterrânea (25 cm de profundidade). Nestas modalidades foi usado o mesmo equipamento utilizado na cultura do Pimento, com a posterior transplantação manual. A poupança de água resultante da utilização da fita de rega enterrada não foi alcançada, ao contrário do que seria de esperar, uma vez que devido a razões técnicas alheias ao ensaio, não foi possível realizar uma dotação de rega diferenciada em cada modalidade. Apesar da humidade média do solo ter sido sempre superior na modalidade com rega subterrânea, não se conseguiu aferir a possível poupança de água. Tal como no caso do Pimento, a vantagem deste sistema passou também pela sua utilização plurianual. A produção média do ensaio foi de 58 331 Kg/ha, não se tendo verificado diferenças significativas entre modalidades no que respeita à produção de frutos. A produção da modalidade com filme de

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cobertura foi prejudicada pela floração precoce, tendo esta sido causada por temperaturas elevadas no inicio do ciclo. A análise e o tratamento da informação relativa à qualidade dos frutos, à incidência de pragas e doenças e aos parâmetros indicadores da qualidade do solo encontram-se ainda a decorrer.

50

Produção total Tomate Sem cobertura – rega superficial

67 098 a

Sem cobertura – rega subterrânea

64.292 a

Biodegradável – rega superficial

43.602 a

Kg/ha

turais, mantendo as suas funções ao longo do ciclo e não afetando o seu rendimento. A produção e qualidade dos frutos obtidos não apresentaram alterações provocadas pela introdução do filme de cobertura biodegradável e da fita de rega subterrânea. Embora o tratamento de toda a informação ainda esteja a decorrer e faltem apurar também os custos relativos à introdução destas duas novas tecnologias, estas apresentam-se como potenciais substitutas dos métodos atualmente utilizados.

*médias seguidas pela mesma letra não são significativamente diferentes (a=0,05)

Conclusões A alteração do filme de cobertura convencional para biodegradável não obriga à alteração de práticas ou equipamentos, mas apenas ao ajuste dos mesmos. A instalação da fita de rega enterrada obriga à aquisição de novos equipamentos ou adaptação dos existentes; a mobilização entre ciclos culturais deverá ser ligeira, com profundidade máxima de 20 cm e a instalação das culturas deverá estar associada a equipamentos de guiamento automático para que se obtenha um adequado posicionamento das plantas relativamente à fita de rega. A rega à plantação é o fator crítico para o sucesso da rega subterrânea. Três a quatro dias antes da plantação, é necessário realizar várias regas de curta duração, que permitam a formação de um bolbo húmido que atinja a superfície, de modo a que as raízes alcancem facilmente a zona humedecida do solo e não sofram stress hídrico na sua transplantação. Em alternativa, poderá ser utilizado outro auxiliar de rega de superfície em culturas sem cobertura (como o tomate). Devido às maiores dotações de rega na fase inicial da cultura, não foi possível comprovar a poupança de água verificada noutros estudos/culturas realizados com fita de rega subterrânea. O filme de cobertura biodegradável teve um bom desempenho ao longo dos ciclos cul-

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Agradecimentos

Este projeto é financiado pelo Programa PRODER Cofinanciado pelo FEADER, no âmbito da medida 4.1 Cooperação para a inovação. O artigo teve apoio na elaboração de todos os parceiros do Filmagrega.


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Uma nova oportunidade para os subprodutos hortícolas Daniel Murta Ingredient Odyssey / Faculdade de Medicina Veterinária – Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologia / CIISA-Faculdade de Medicina Veterinária - ULisboa

Rui Nunes Ingredient Odyssey

Olga Moreira INIAV-Vale de Santarém

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| Um destino adequado aos

subprodutos hortícolas Por mais eficiente que seja a produção de géneros alimentícios existem sempre perdas ao longo da sua cadeia de produção e distribuição. Assim, a preparação dos produtos agrícolas para o mercado implica a produção de quantidades significativas de resíduos e produtos não conformes, para os quais deverá ser dado um destino com enquadramento legal, conduzindo a custos acrescidos. Cerca de 30% da produção alimentar a nível mundial é desperdiçada e enviada para aterro ou para compostagem, com consequente perda de nutrientes, um importante recurso ambiental e económico. Além disso, a ausência de soluções “orgânicas” compatíveis com as necessidades de fertilizantes nas culturas implica, anualmente, um aporte de fertilizantes químicos nas parcelas agrícolas. Em Portugal perdem-se cerca de 1 milhão de toneladas de alimentos, das quais 400 mil toneladas na produção e transformação (Batista et al., 2012) (Figura 1). Os esforços para promover a redução de resíduos têm-se multiplicado, tendo o ano de 2016 sido declarado

como o ano nacional do combate ao desperdício alimentar (Resolução da Assembleia da República n.º 65/2015). Por outro lado, também a Comissão Europeia apresenta preocupações com a abordagem de “extrair-fabricar-consumir-eliminar”, considerando que o nosso planeta e a nossa economia não sobreviverão se assim prosseguirmos. Desta forma, é fundamental a conservação de recursos preciosos e a exploração plena de todo o valor económico que eles encerram. Assim, a Comissão Europeia cria o conceito de “economia circular” que, embora relacionado com a redução dos resíduos e a proteção do ambiente, implica também uma profunda alteração do funcionamento de toda a nossa economia. (Comunicado da Comissão Europeia, 2 de Dezembro de 2015). O conceito de economia circular inclui medidas que abrangem todo o ciclo agroalimentar, desde a produção e consumo até à gestão de resíduos, incluindo o desenvolvimento de um mercado secundário de novas matérias-primas, o qual contribui para fechar o ciclo de vida dos produtos através de maior reciclagem e reutilização, conferindo benefícios ambientais e económicos.


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Uma vez que os subprodutos e resíduos hortícolas são materiais de base biológica, podem apresentar vantagens ligadas à sua renovabilidade, biodigestão ou possibilidade de conversão. Desta forma, a solução proposta passa pela sua utilização na alimentação de insetos, nomeadamente larvas de Hermetia illucens (conhecida com Black Soldier Fly BSF) (Figura 2). Estes insetos encontram-se naturalmente espalhadas por todo o planeta, tendo um papel natural muito importante na eliminação de resíduos orgânicos em decomposição. Além disso, são uma espécie que não partilha o habitat das pessoas, não sendo assim nem um transmissor de doenças, nem uma praga para culturas ou animais. As larvas destes insetos são extremamente vorazes e degradam os resíduos de forma rápida e eficaz, convertendo-os em produtos biodegradados, ricos em matéria orgânica e minerais, constituindo fertilizantes orgânicos ideais que podem ser utilizados na valorização de solos agrícolas. A estratégia que apresentamos passa pela utilização destas larvas na biodegradação dos subprodutos e resíduos da produção agroalimentar, convertendo-os em fertilizantes orgânicos para os solos e em larvas adultas. As larvas adultas produzidas desta forma podem ser utilizadas na alimentação animal, contribuindo para combater a procura por alternativas proteicas de boa qualidade para a produção de rações. No fundo, o que se pretende é a transição para uma economia circular no sector agroalimentar, a qual é uma mudança sistémica pois para além das ações específicas que incidem em cada fase da cadeia de valor e nas atividades-chave, implica criar condições propícias ao seu desenvolvimento e à mobilização de recursos. Assim, a implementação deste sistema permite fechar este ciclo de

FUGURA I

Desperdício alimentar em Portugal. (adaptado de Batista et al, 2012)

forma sustentável do ponto de vista ambiental e económico.

O papel dos insetos A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) estima que em 2050 a procura por alimentos a nível mundial tenha aumentado em 60% face aos valores atuais e que a produção de proteínas de origem animal cresça 1,7% ao ano. Destes, espera-se que a produção de carne aumente 70%, a aquacultura 90% e a produção leiteira 55% (Alexandratos & Bruinsma 2012). Tais aumentos de produção acarretam uma procura crescente nos ingredientes para rações sendo a proteína o nutriente mais escasso. Atualmente os ingredientes usados na formulação de alimentos compostos para animais incluem farinha de peixe, óleo de peixe, soja e vários tipos de grãos. Estes ingredientes, escassos em Portugal, correspondem a uma parte muito significativa dos custos de produção daqueles alimentos e, devido aos aumentos de produção, os seus preços têm sofrido fortes flutuações, nos últimos anos,

FUGURA 2

Fases do ciclo de vida da BSF. A – Larvas; B – BSF em acasalamento; C – Ovos de BSFem cartões.

no mercado mundial. Esta situação leva os produtores mundiais de alimentos compostos para animais a procurar alternativas sustentáveis às fontes proteicas tradicionalmente utilizadas. O desenvolvimento de uma alternativa nutricional seria extremamente vantajoso para os produtores portugueses e o ideal será encontrar soluções que possam ser empregues no espaço nacional e que aproveitem recursos economicamente acessíveis.

Em Portugal perdem-se cerca de 1 milhão de toneladas de alimentos O fechar de um ciclo A procura por fontes proteicas alternativas para a indústria dos alimentos compostos para animais e a deposição de resíduos orgânicos em aterro e respetivos impactos ambientais, são duas problemáticas que preocupam tanto o setor agropecuário como a sociedade em geral. Contudo, ambas constituem uma oportunidade de investimento e de inovação, ligando os extremos do sector agroalimentar na criação de um verdadeiro ciclo que permita maximizar a utilização dos nutrientes. O recurso aos insetos como fonte nutricional alternativa e como solução para a eliminação de resíduos e subprodutos tem sido apresentado como uma possível solução para o

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aumento da sustentabilidade alimentar. As larvas de BSF serão a peça chave necessária para fechar o ciclo produtivo dos produtos agroalimentares, permitindo devolver os nutrientes, que de outra forma se perderiam, aos animais e aos solos. Estas larvas, depois de atingirem uma fase larvar avançada, são separadas e desidratadas, constituindo uma fonte nutricional a incluir em alimentos compostos para animais. O substrato resultante da biodigestão tem sido usado como substituto de produtos compostados e tem nutrientes suficientes para ser usado como fertilizante ou corretivo de solos (Figura 3).

Estabelecer uma unidade de valorização 54

A instalação de unidades de valorização de resíduos com recurso a larvas de BSF já começa a ser uma realidade em vários locais do mundo. Contudo, embora a sua utilização esteja em crescimento e a abranger vários países, o impacto destas unidades será es-

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sencialmente local. A Ingredient Odyssey (www.entogreen.com) tem vindo a trabalhar em parceria com o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV. I.P.) e com a Agrotejo no sentido de desenvolver as competências e técnicas necessárias à implementação de uma unidade de valorização de subprodutos com recurso a insetos em Portugal. O objetivo será aproveitar a oportunidade de, com recurso aos insetos, ir ao encontro de dois grandes desafios, criando soluções que sejam nutricional e economicamente apelativas. Assim, pretende-se dar resposta a três grandes desafios: · Combater o excesso de resíduos e de desperdícios, procurando formas para a respetiva valorização e redução. · Fornecer fontes nutricionais alternativas para a indústria de alimentos compostos para animais, principalmente de proteínas, desenvolvendo opções que conduzam a uma menor dependência do mercado internacional.

· Reduzir a utilização excessiva de solos, associada à produção de alimentos para animais, bem como a necessidade de utilização de adubos minerais, cuja produção tem impactos ambientais negativos, desenvolvendo novas soluções pela conversão de resíduos em fertilizantes orgânicos. O desenvolvimento destas soluções passará pela produção de matérias-primas secundárias à valorização dos resíduos. Numa economia circular, os materiais que podem ser reciclados são reintroduzidos na economia como novas matérias-primas, aumentando assim a segurança do abastecimento. Atualmente esta equipa tem-se centrado na valorização de resíduos e subprodutos de produção e transformação agroalimentar. No entanto, é importante determinar quais os substratos passíveis de serem valorizados pelas larvas de BSF de forma eficiente e quantificar as larvas produzidas por tonelada de resíduos. Estamos ainda a desenvolver processos de rastreabilidade que possam garantir a qualidade e segurança dos produtos criados, meta


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FUGURA 3

essencial à viabilidade de todo o processo. A EntoGreen é uma marca da Ingredient Odyssey através da qua se pretendem desenvolver estas soluções e entrar no mercado. Para tal, o estabelecimento de parcerias e de soluções direcionadas aos desafios específicos de cada parceiro serão essenciais. A procura de empresas que queiram ver os seus subprodutos e resíduos valorizados ou que pretendam desenvolver soluções nutricionais alternativas para as suas rações ou solos, é uma realidade. A EntoGreen pretende devolver os nutrientes perdidos aos solos e aos animais, pelo que o contributo de outros intervenientes na cadeia de valor e o conhecimento e desenvolvimento científico serão determinantes. Bibliografia

A BSF como motor da economia circular no sector agroalimentar. Ciclo de vida da BSF: 1, introdução de larvas em resíduos/subprodutos; 2, separação de substrato a utilizar como fertilizante orgânico; 3, recolha das larvas e desidratação para posterior inclusão em rações; 4, cerca de 1% das larvas produzidas são utilizadas para reprodução e postura de ovos, reiniciando o ciclo. (adaptada de youtube.com)

Alexandratos, N. and J. Bruinsma. 2012. World agriculture towards 2030/2050: the 2012 revision. ESA Working paper No. 12-03. Rome, FAO. Baptista, P., Campos, I., Pires, I., Vaz, S. G. (2012). Do Campo ao Garfo. Desperdício Alimentar em Portugal, Lisboa

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Culturas permanentes vão trazer uma mudança de paradigma e nova oportunidade de negócio MARIA LOPES JORNALISTA

Agromais já tem no terreno um plano que prevê a produção de frutos secos, através da instalação de pomares de nogueiras. A antiga zona ocupada por olivais está preparada para receber este novo investimento de 600 mil euros. Esta mudança de paradigma vai trazer novo fôlego à Agromais e à região onde está instalada, contrariando a tradicional dependência, por exemplo, do milho. AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

| A Agromais está a investir na diversificação de culturas como estratégia para não ficar dependente de apenas de uma ou duas culturas, como o tradicional milho. Para tal, está já a ser preparada a expansão do negócio para a área das culturas permanentes, o que irá trazer novas oportunidades para os agricultores associados. O presidente da Agromais, Luís Vasconcellos e Souza, reconhece que, prestes a completar 30 anos, a empresa vai ser de novo pioneira e encetar uma verdadeira mudança de paradigma na região de atuação, Golegã. “Há uma oportunidade de negócio ligada às culturas permanentes que mais não são do que culturas que não mudam a cada ano. Estamos apostados em concretizar essa oportunidade”, garante Luís Vasconcellos e Souza. A mesma fonte salienta, no

entanto, que estes “são projetos a médio/ longo prazo, o que pode ser um contra já que não se vê resultados no curto prazo”. Ainda assim, o presidente da Agromais deixa um vaticínio: “Temos fé que se consiga”. Para avançar com esta nova área, a Agromais vai privilegiar as culturas arbóreas que produzem frutos secos. “Vamos arrancar agora. A Agromais vai fazer um plano de produção de nogueiras, em que, a meta é tentar dobrar a área cultivada todos os anos” realça o presidente da Agromais. Para já, o objetivo é arrancar com uma área de 50 hectares neste Inverno, no próximo ano avançar para os 100 hectares e, daqui a dois anos’ para os 200 hectares. “Depois vamos ver até onde somos capazes de ir”, salienta Luís Vasconcellos e Souza.


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O presidente da Agromais sublinha “a mudança de paradigma” que esta nova área de negócio vai implicar na produção e vida da região onde a empresa tem atuado, a Golegã. O mesmo responsável admite ainda que a entrada na produção de culturas permanentes “trará um novo fôlego para a Agrotejo e para a região que já tinha cerca de 40% da sua área coberta com olivais”. Será nessa zona antiga de olivais que “a Agromais pretende instalar estas árvores”. Em termos financeiros, a Agromais canaliza este ano um investimento na ordem dos 600 mil euros que tem como destino apenas a instalação de em pomares. “Daqui a uns anos haverá a aposta na parte industrial de transformação que irá implicar outro volume de investimento”, explica o presidente da Agromais. Nesta nova atividade, a empresa segue o seu tradicional modelo de atuação em

que vai investir na aquisição de equipamentos comuns para os agricultores, como por exemplo, para a colheita. Sobre este tema, o diretor-geral da Agromais, Jorge Neves, realça que no futuro haverá investimentos na área da concentração e preparação do produto. A empresa contará, de acordo com o diretor-geral da Agromais, com uma

central para a recolha e processamento da produção dos agricultores associados. Numa altura em que escasseiam os apoios ao investimento, depois de uma forte procura nos últimos dois anos, a expetativa do diretor-geral da Agromais é que muito em breve sejam criadas as condições para impulsionar o esforço dos agricultores e o investimento.

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Potencialidades da utilização da Energia Fotovoltaica na Agromais nuno vacas agromais

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| A energia solar é a fonte de energia limpa mais promissora para as futuras gerações, produz calor ou electricidade através de colectores ou painéis solares. Portugal é um dos países da Europa com maior disponibilidade de radiação solar; o potencial disponível é bastante considerável, com uma das melhores condições para aproveitamento deste recurso, dispondo de um número médio anual de horas de Sol variável entre 2 200h e 3 000h, no continente, e entre 1 700h e 2 200h, respectivamente, nos arquipélagos dos Açores e da Madeira. Na Alemanha, por exemplo, este indicador varia entre 1200 e 1700 horas. Uma das maiores unidades de produção de energia solar do mundo foi inaugurada em Moura, na região Sul de Portugal, em Dezembro de 2008.

Embora a produção mundial de electricidade recorrendo a sistemas fotovoltaicos seja ainda marginal quando comparada com a produção total, o mercado mundial tem crescido a uma taxa anual de 35%, e o potencial desta tecnologia é teoricamente infindável – a cada hora, a Terra recebe do Sol uma quantidade de energia superior à produzida anualmente no planeta inteiro. Anualmente o Sol produz 4 milhões de vezes mais a energia que consumimos com seu potencial ilimitado: ·1 5 % da energia emitida pelo Sol chega a terra e é reflectida de volta para a atmosfera; ·3 0% da energia emitida pelo Sol é perdida na evaporação da água, sobe para atmosfera e traduz-se em chuva;


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Fig. 1 - Mapa da radiação solar em Portugal e na Europa.

· A energia restante, mantem o equilíbrio energético no planeta emitida sob a forma de radiação solar; · A energia solar é também absorvida pelas plantas, terra e oceanos. Vantagens da Energia Solar: ·A energia solar não polui durante o seu uso. · As unidades de produção de energia solar necessitam de pequena manutenção. · Os painéis solares são cada dia mais eficientes e ao mesmo tempo de custo mais reduzido. · Todos estes aspectos tornam, cada vez mais, a energia solar uma solução economicamente viável aumentando a possibilidade de ter energia em lugares remotos ou de difícil acesso.

A Agromais apostou numa definição clara de objectivos para o ano de 2016 à energia hidroeléctrica (água). · Os painéis solares têm um rendimento de apenas 25% (uma baixa conversão da energia solar em energia eléctrica), apesar de este valor ter vindo a aumentar ao longo dos anos. A Agromais apostou numa definição clara de objectivos para o ano de 2016, bem como para anos futuros visando a

redução de custos energéticos. Porque a energia é um factor limitante no nosso modelo de agricultura, a Agromais candidatou-se a dois apoios estatais diferenciados para a implementação de sistemas fotovoltaicos: 1. PDR 2020 Apoio de 35 a 30% - Hortejo – Pinheiro Grande – UPAC. Instalação de um sistema fotovoltaico de Unidade Produção para Autoconsumo. Designa-se por Autoconsumo o processo através do qual se utilizam sistemas fotovoltaicos com o objectivo de produzir electricidade destinada a consumo próprio. Esta unidade caracteriza-se por 700 módulos com uma área total de cerca de 1.500 m2.

Desvantagens da Energia Solar: · Existem variações das quantidades de energia produzidas, de acordo com a situação climatérica. · Em latitudes médias a altas sofrem quedas de produção durante os meses de inverno devido à menor disponibilidade de radiação solar (locais como Londres frequentemente coberta de nuvens tende a ter variações diárias de produção de acordo com o grau de nebulosidade). · A forma de armazenamento da energia solar são pouco eficientes comparativamente por exemplo aos combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás), e

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2005

2006

2007

2008

2009

2010

2011

2012

2013

TCMA

4752 4234

4784 4234 263

4787 4234 263

4792 4234 263

4821 4234 263

4837 4234 263

5261 4650 261

5284 4662 264

5540 4916 265

1.9% 1.9% 1.7%

286 1047

287

295

295

324

340

350

357

359

2.9%

1681

3037

3037

3519

3863

4301 2.0 0.6

4450 2.0 0.6

4630 2.0 0.6

20.04%

Blomassa (c/cogeração) Blomassa (s/cogeração) Resíduos Sólidos Urbanos

367 12 68

357

357

357

359

360

367

367

352

-0.2%

Blogás Fotovoltaica Microprodução Ondas Total

8.2 2.9

24 88 8.2

24 88 12.4

24 88 20.0

101 88 20.0

106 88 28.0

105 88 43.3

105 88 60.8

113 88 64.7

32.4% 0.1% 29.5%

3.4

14.5

58.5

104.1

122.9

157.7 62.8

225.5 99.8

76.9%

7729

8369

9011

9405

10322

10580

277.9 131.6 0.3 11066

Hídrica total Grande Hídrica (>30MW) Hídrica (>10 e <= 30 MW) Hídrica (<= 10MW) Eólica Offshore

232

Microprodução

62

6267

7.4%

TCMA - Taxa de Crescimento Média Anual entre 2006 e 2013 A potência instalada é provisória para 2011, 2012 e 2013 Tabela 1. - Evolução histórica da potência total instalada em renováveis em Portugal Continental.

UPAC – Hortejo (115,50 kWp): · Vida útil do sistema: 25 anos · Produção Média Anual (25 anos): 177,32 MWh · Poupança Média Anual (25 anos): 24.485 € · Receita Média Anual (25 anos): 1.606 € · Investimento total: 127.000 € · Período de retorno de Investimento: 6 anos · Valor actualizado líquido (VAL): 282.928 € · Taxa interna de rentabilidade (TIR): 16,6 % · Toneladas de CO2 evitadas por ano: 54,80 · Autonomia Originada: 17% (Valores calculados sem apoios estatais)

2. EIXO LEADER Apoio até 200 000€. Agromais – Riachos – UPP – instalação de sistema fotovoltaico (Unidade de Pequena Produção) caracteriza- se por 1 575 módulos, com uma área total de cerca de 2.000 m2. UPP – Riachos (259,88 kWp) : · Vida útil do sistema: 25 anos ·P rodução Média Anual (25 anos): 393,25 MWh · Receita Média Anual (25 anos): 36.643 € · Investimento total: 274.000 € AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

Embora a produção mundial de electricidade recorrendo a sistemas fotovoltaicos seja ainda marginal quando comparada com a produção total, o mercado mundial tem crescido a uma taxa anual de 35% ·P eríodo de retorno de Investimento: 7 anos · Valor actualizado líquido (VAL): 324.449 € · Taxa interna de rentabilidade (TIR): 12,8 % · Toneladas de CO2 evitadas por ano: 121,60 · Autonomia Originada: 86% (Valores calculados sem apoios estatais)

Principais aplicações: · F ornecer energia eléctrica a lugares re-

motos, onde os custos da montagem de linhas eléctricas são superiores ao sistema fotovoltaico, ou existe a impossibilidade deste tipo de fornecimento. · Alimentar sistemas autónomos, bombas de água para irrigação, sinalização, alimentação de sistemas de telecomunicação, etc . · A integração de módulos fotovoltaicos na envolvente dos edifícios (paredes e telhados) é uma aplicação recente, pode representar reduções de custos de construção e energéticos. · Fornecer energia a automóveis providos de células fotovoltaicas, com suficiente potência para movimentá-los, assim como também embarcações. Estes são alguns dos aspectos relevantes da aposta inovadora da Agromais nas energias renováveis de que estas duas unidades de produção de energia solar são um primeiro passo. Consideramos a aposta em energias renováveis fundamental para podermos tornar as nossas explorações agrícolas autónomas em termos energéticos.


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Web Summit escolhe Lisboa para receber a edição de 2016

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Inovação, tecnologias e empreendedorismo servem de mote para juntar em Lisboa a partir de 8 Novembro empresas, ‘startups’ e potenciais investidores. No universo de setores que participam a agricultura não foi esquecida. As portuguesas WiseCrop e Watgrid marcam presença no certame com soluções tecnológicas a pensar no setor agrícola. | Este ano o maior evento de tecnologia, empreendedorismo e inovação fundado e liderado pelo irlandês Paddy Cosgrave, o Web Summit, escolheu Lisboa como palco para receber cerca de duas mil empresas ‘startup’, 1.500 potenciais investidores e um total de 50 mil participantes. Esta é a primeira vez que o evento sai da casa-mãe em Dublin sendo que o contrato com o Governo português prevê a realização da conferência até 2018, com a possibilidade de se estender por mais dois anos. Do lado do Governo o evento é visto como uma oportunidade para o País a todos os níveis. O ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, acredita que é uma “oportunidade única de mostrar um Portugal diferente”. Durante a apresentação do projeto ‘Road 2 Web Summit’, Caldeira Cabral falou das qualidades de Portugal e sublinhou que, não se trata apenas de ter empresas interessantes e com boa tecnologia. “É preciso transformar isso em valor económico para o País e perceber a melhor forma de produzir valor em Portugal”, disse o ministro da Economia. O presidente executivo do Web Summit justificou que a escolha por Lisboa – que na final venceu a candidatura de Amesterdão – resulta de a capital ter boas infraestruturas e da crescente comunidade ‘startup’. AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

O evento está a mexer com toda a vida da capital lisboeta. A título de exemplo, na hotelaria as 15 unidades oficiais do Web Summit já atingiram a lotação máxima. O universo de empresas que estarão presentes no MEO Arena entre 8 e 10 de Novembro são oriundas de setores tão díspares que vão das tecnologias de informação, à saúde, energias renováveis ou mesmo brinquedos como a portuguesa Science4You. O setor agrícola não foi esquecido, sendo que marcam presença ‘startups’ com soluções inovadoras a pensar nesta atividade. A WiseCrop, criada em 2014, assume-se como o “sistema operativo da agricultura”. Através do seu portfólio a WiseCrop, cujo presidente executivo é Tiago Sá, oferece um conjunto de ferramentas que permite aos agricultores tomarem as melhores decisões todos os dias de cada época, com o objetivo de conseguirem aumentar as receitas e reduzir os custos. A Watgrid estará também presente com uma ferramenta de alta tecnologia em que fornece soluções mais inteligentes ao mercado baseadas em tecnologias inovadoras para a monitorização de líquidos. A natureza da atividade de investigação e desenvolvimento da Watgrid potencia a criação de novas ideais e projetos que atendem às necessidades de vários setores. As indústrias de tratamento e processamento de efluentes, da água


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proveniente da chuva, comida e a monitorização de outros líquidos, tais como, combustível, vinho, gás liquefeito, são potenciais clientes. De acordo com a empresa, a sua missão é desenvolver a próxima geração de sistemas inteligentes de avaliação de líquidos. A equipa da Watgrid tem uma experiência acumulada de 30 anos em investigação, desenvolvimento e gestão de projetos e transferência de tecnologia. Os cofundadores da empresa são o Rogério Nogueira e a Lúcio Bilro. Em destaque estarão 66 projetos de ‘startups’ que participaram na competição nacional ‘Road 2 Web Summit’ organizada pela Start Up Portugal, o Governo português, o próprio Web Summit, entre outras entidades. O objetivo desta iniciativa é reforçar o empreendedorismo, promovendo e apoiando projetos que se destacam em Portugal para o seu potencial inovador, dando-lhes facilitado o acesso ao evento.

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WiseCrop A WiseCrop, criada em 2014, assume-se como o “sistema operativo da agricultura”. Através do seu portfólio a WiseCrop, cujo presidente executivo é Tiago Sá, oferece um conjunto de ferramentas que permite aos agricultores tomarem as melhores decisões todos os dias de cada época, com o objetivo de conseguirem aumentar as receitas e reduzir os custos. A Watgrid estará também presente com uma ferramenta de alta tecnologia em que fornece soluções mais inteligentes ao mercado baseadas em tecnologias inovadoras para a monitorização de líquidos. A natureza da atividade de investigação e desenvolvimento da Watgrid potencia a criação de novas ideais e projetos que atendem às necessidades de vários setores. As indústrias de tratamento e processamento de efluentes, da água proveniente da chuva, comida e a monitorização de outros líquidos, tais

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como, combustível, vinho, gás liquefeito, são potenciais clientes. De acordo com a empresa, a sua missão é desenvolver a próxima geração de sistemas inteligentes de avaliação de líquidos. A equipa da Watgrid tem uma experiência acumulada de 30 anos em investigação, desenvolvimento e gestão de projetos e transferência de tecnologia. Os cofundadores da empresa são o Rogério Nogueira e a Lúcio Bilro. AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


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AGRO+AP – O Sentinel-2 e a Agricultura de Precisão Ricardo Braga Instituto Superior de AgronomiA ricardobraga@isa.ulisboa.pt

| A Agricultura de precisão é um processo de melhoria continua da gestão das explorações agrícolas que visa aumentar o seu retorno económico, otimizando a gestão de recursos e fatores de produção. As diversas tecnologias associadas (GPS, SIG, DR, VRT, etc.) são aliadas de peso na implementação prática da Agricultura de Precisão. Entre elas, a deteção remota assume lugar de destaque particular logo na primeira fase do ciclo de implementação, a fase de obtenção de dados georreferenciados das parcelas, solos e culturas. De facto, o combustível que faz funcionar a

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Agricultura de Precisão é uma mescla de dados com conhecimento agronómico. Na primeira fase do ciclo de implementação várias podem ser as fontes de dados: cartas de produtividade, cartas de índices de vegetação, sensores meteorológicos, etc. As cartas de produtividade continuam a ter particular destaque no que a fonte de dados para a Agricultura de Precisão diz respeito. A razão é óbvia já que a produção é o culminar de todo o calendário cultural e a sua venda conduz a encaixe financeiro da exploração. Contudo as cartas de índices de vegetação (NDVI entre outros) também são importantes no processo por duas razões principais. Em primeiro lugar, neste momento não é possível elaborar cartas de produtividade para todas as culturas. Ain-

da temos limitação de tecnologia para monitorizar de forma georreferenciada a produtividade de culturas como a vinha ou o olival. Nestas culturas, as cartas de índices de vegetação ganham destaque acrescido. Em segundo lugar, mesmo nas culturas em que é possível contar com cartas de produtividade, as cartas de índices de vegetação, sendo obtidas durante a campanha, e portanto, ainda a tempo de atuar no próprio ano, revestem-se de um interesse muito particular. De facto, a possibilidade de, a meio de um ciclo cultural, dispor de uma forma de conhecer o estado de conforto da uma cultura em termos médios e em cada zona de uma parcela em particular constitui uma ferramenta de gestão muito importante. Na maioria das vezes, o índice de vegeta-


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ção utilizado é o NDVI – Índice vegetativo de diferença normalizada. O NDVI é um índice clássico, simples e eficaz numa primeira avaliação do conforto vegetativo de um coberto vegetal. Toma valores entre zero e a unidade conforme estamos em presença de culturas ou zonas de parcelas com baixo ou elevado conforto vegetativo, respetivamente. O conforto vegetativo resulta da ausência de stress de qualquer ordem, o que por sua vez conduz a maiores quantidades de biomassa ou vigor. Dependendo da cultura, um valor elevado de NDVI pode ou não ser desejável. O que é importante é que o gestor agrícola saiba que valores são apropriados, para, em pose das cartas perceber a performance da cultura no seu todo e em cada zona de uma dada parcela em particular. Em presença de desvios, o gestor pode atuar no sentido de os corrigir tomando as medidas necessárias. A natureza destas medidas e a sua magnitude dependem quer do fator limitante em cada momento e local quer da severidade com que incide. A sucessão temporal de cartas de NDVI permite ainda conhecer a taxa de crescimento de uma cultura em cada zona de uma parcela. Por

uma diversidade de aspetos, a interpretação das cartas de NDVI deve ser feita com enorme cuidado carecendo quase sempre de apropriada validação no campo. Existem já neste momento em Portugal diversos prestadores de serviços que fornecem cartas NDVI. A principal diferença entre eles resulta de diferentes resoluções temporais e espaciais e que se reflete no custo. Há, no entanto, outros aspetos igualmente importantes como, por exemplo, a qualidade do pós-processamento ou o formato em que são fornecidas as cartas. As considerações são extensas e não compatíveis com o objetivo deste artigo em particular. A resolução temporal está relacionada com a frequência com que as imagens de base são obtidas. A resolução espacial, por outro lado, está relacionada com a tamanho do pixel da imagem no terreno. Assim, podemos ter baixa resolução temporal com apenas uma imagem na campanha ou elevada com uma imagem a cada 10 dias, por exemplo. Da mesma forma, podemos ter uma resolução espacial de 10 metros ou de 10 cm. O custo das cartas é tanto mais caro quanto mais elevada for qualquer uma das resoluções.

Em termos práticos é interessante ter uma combinação de ambas as resoluções, mas acabamos sempre por encontrar uma solução de compromisso entre ambas. Há valores ótimos para ambas não sendo necessário obter a máxima resolução espacial (e.g. 1 cm) e temporal (e.g. todos os 3 dias). Pode até nalguns casos ser contraproducente excessivo tamanha e custo computacional que a análise das imagens acarreta. Em cada cultura ou grupos de culturas, há uma combinação ideal de resolução temporal e espacial das cartas NDVI. Desde 15 de Julho de 2015, data da primeira imagem operacional disponível, começou a ser possível disfrutar do Sentinel-2 uma missão de observação terrestre por satélite da Agencia Espacial Europeia, parte integrante do programa Copernicus. O Sentinel-2 consiste numa constelação de dois satélites idênticos, o Sentinel-2A e o Sentinel-2B (um já lançado e outro por lançar), para fornecer dados multiespectrais com resoluções entre os 10 e os 60 metros dependendo das bandas. Para as bandas do visível e NIR (infra-vermelho próximo), utilizadas no cálculo do NDVI e outros índices de vegetação im-

Desde 15 de Julho de 2015 começou a ser possível disfrutar do Sentinel-2 uma missão de observação terrestre por satélite da Agencia Espacial Europeia

Fig. 1 C arta do NDVI da zona sul da Golegã obtida para imagem do Sentinel-2 de 29/6/2016 com 10 m de resolução espacial.

Fig. 2 C arta do NDVI de pivots com áreas entre os 20 e 30 ha para imagem do Sentinel-2 de 29/6/2016 com 10 m de resolução espacial.

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portantes, a resolução espacial é de 10 m, o que é muito interessante sobretudo para áreas acima dos 20 - 30 ha (200 a 300 pixels) com culturas de cobertura continua do solo (arvenses, horto-industrias e floresta). Quando os dois satélites estiverem ativos prevê-se uma resolução temporal de 5 dias, o que será mais do que suficiente para as utilizações agrícolas mais comuns da Agricultura de Precisão. Durante o Verão de 2016, ainda só com um satélite e em fase de testes, ficaram disponíveis para uma exploração agrícola na zona da Golegã 1 imagem em maio, 2 em junho, julho e agosto. Um aspeto extremamente atrativo do Sentinel-2 é que o acesso aos dados é gratuito para qualquer um que aceda à plataforma online. Existem até Apps para telemóvel quer permitem conhecer o NDVI de determinado local em que o utilizador se encontre ou portais semelhantes ao gmaps ou bingmaps para visualização das imagens compósitos e índices de vegetação do Sentinel-2 para qualquer local ou data.

Isto é possível também porque o programa se rege pela politica de “open data”. A entrada em funcionamento do Sentinel-2 é sem dúvida uma ótima noticia para a Agricultura de Precisão e sua adoção no terreno. Trata-se de uma ferramenta de

grande valor para quem se preocupa com a otimização da gestão agronómica das culturas. Mais uma razão para estarmos confiantes quanto ao futuro da Agricultura de Precisão e o seu papel na intensificação sustentável!

o Sentinel TEM acesso gratuito aos dados

Fig. 3 C arta da diferença temporal do NDVI de pivots com áreas entre os 20 e 30 ha para imagens do Sentinel-2 de 29/6/2016 e 19/7/2016 com 10 m de resolução espacial.

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Fig. 4 C arta do NDVI da região T29SND (vê-se o Tejo e as albufeiras de Castelo do Bode, Montargil e Maranhão) para imagem do Sentinel-2 de 29/6/2016 com 10 m de resolução espacial.


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Governo quer taxa de execução do PDR2020 nos 100%

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Depois de criticar os números da taxa de execução e contratação conseguida nos anos 2014 e 2015, o ministro da Agricultura definiu novas metas e orientações políticas para o Programa de Desenvolvimento Rural 2020 (PDR2020). Em curso está o lançamento de vários concursos com vista a financiar projetos que vão desde a melhoria da eficiência dos regadios ao investimento na exploração agrícola. Durante o período de programação, Portugal Continental deverá contar com 3,6 mil milhões de euros. AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

| A meta definida pelo Ministério da Agricultura para o Programa de Desenvolvimento Rural 2020 (PDR2020) – o quadro comunitário de apoio do setor para o horizonte temporal de 2014 a 2020 – é ambiciosa: atingir uma taxa de execução de 100%. O PDR2020 ganhou novas orientações nos primeiros meses do ano quando, em Março, houve a nomeação de uma nova equipa de gestão encabeçada por Gabriela Freitas. O objetivo, de acordo com o que foi divulgado na altura pela tutela, era dar uma nova orientação política ao programa, ao mesmo tempo que se pretende conquistar mais fôlego no que se refere à contratação e execução das medidas de apoio ao setor agrícola. Na altura, o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, criticou a taxa de execução dos fundos


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comunitários, sobretudo nos anos 2014 (com 0%) e 2015 (com 12%), por considerar que se situava muito abaixo do desejado. No passado mês de Junho, a tutela assumia que o programa já tinha colocado no terreno 270 milhões de euros de apoios públicos para os agricultores, sendo que a maior fatia deste “bolo” tinha como destino as medidas de apoio ao investimento. A nova meta imposta por Capoulas Santos prevê, para 2016, uma taxa de execução de 100% para uma dotação de 600 milhões de euros. Em Setembro de 2016 o programa sob a gestão de Gabriela Freitas contava com 29.376 candidaturas submetidas às medidas de apoio ao investimento, para uma dotação total a concurso de 1.369 milhões de euros. Do conjunto das medidas operacionalizadas, destaca-se o peso significativo da despesa consignada que as medidas de apoio ao investimento na exploração agrícola e à transformação e comercialização de produtos agrícolas apresentam, atingindo níveis de 85% e 74%, respetivamente, da dotação programada. Do universo de candidaturas submetidas, cerca de 63% encontra-se com a análise concluída, tendo obtido decisão de aprovação cerca de 44% (8.100 projetos) das candidaturas analisadas, às quais corresponde um investimento aprovado de cerca de 1.087 milhões de euros, que será alavancado por um apoio de 477 milhões de euros. No final do terceiro trimestre, em termos globais, o Programa apresentava uma taxa de compromisso de 51% e uma taxa de execução de 20%, ambas aferidas no âmbito do Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural (FEADER). De acordo com o divulgado na página de internet do PDR2020 estão a decorrer vários períodos de candidaturas a medidas enquadradas nas quatro áreas de intervenção deste instrumento. Nesse âmbito, foram lançados diversos concursos, em áreas do PDR2020 que ainda não se encontravam operacionalizadas, como as relacionadas com a Inovação e Conhecimento, de onde se destaca a formação para jovens agricultores em primeira instalação ou a formação de técnicos superiores que exerçam a atividade de apoio técnico ao setor. Sem esquecer os Grupos Operacionais, no âmbito da Parceira Europeia para a Inovação, produtividade e sustentabilidades agrícolas. Na área da Competitividade e Organização da Produção encontram-se abertas as candidaturas a operações relativas às infraestruturas coletivas

Do universo de candidaturas submetidas, cerca de 63% encontra-se com a análise concluída, tendo obtido decisão de aprovação cerca de 44%

de regadio designadamente: melhoria das condições de segurança das barragens hidroagrícolas; drenagem, defesa contra cheias e conservação dos solos e estruturação fundiária relativa ao emparcelamento integral. Todas estas operações estão exclusivamente integradas no âmbito dos Pactos Territoriais para o Desenvolvimento, em que o FEADER participa com um montante total de apoio de 59 milhões de euros. Nas mãos do gabinete liderado por Gabriela Freitas estão também em período de candidatura as medidas destinadas a apoios aos setores agrícola e florestal na sequência de catástrofes naturais e a medida para a criação de Agrupamentos e Organizações de Produtores, com vista a reforçar a concentração da oferta e a promoção da competitividade e orientação para o mercado das empresas do setor. Na área de intervenção do Desenvolvimento Local, foram operacionalizadas as estratégias de desenvolvimento local através dos Grupos de Ação Local, com a abertura de avisos às operações relacionadas com pequenos investimentos nas explorações agrícolas e de transformação e comercialização de produtos agrícolas ou a diversificação para atividades não agrícolas. Até ao final do ano está programada a abertura de vários concursos, entre os quais os destinados às medidas de apoio ao investimento na exploração agrícola, à transformação e comercialização de produtos agrícolas e à instalação de jovens agricultores, enquadrados pela legislação revista à luz da reprogramação do PDR2020. Ainda nesta área de intervenção está prevista a

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abertura de um concurso para pequenos Regadios Tradicionais, no âmbito dos Pactos Territoriais para o Desenvolvimento. O apoio ao aconselhamento, que visa promover a melhoria do desempenho sustentável das explorações agrícolas e florestais através de um aconselhamento individual dos agricultores e produtores florestais e a implementação do pub.

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Até ao final do ano está programada a abertura de vários concursos

Plano de Ação da Rede Rural Nacional, tendo como primeira prioridade as áreas temáticas do LEADER e da inovação, são também medidas que integram o plano de abertura de concursos. Encontra-se igualmente prevista, no âmbito das estratégias de desenvolvimento local, a operacionalização das medidas relativas às cadeias curtas e mercados locais, à promoção dos produtos de qualidade locais e à renovação de aldeias. O instrumento comunitário de apoio à agricultura é financiado pela União Europeia, através do FEADER, devendo Portugal Continental contar, durante o actual período de programação, com 3,6 mil milhões de euros. A revisão em alta das metas do PDR2020 foi reafirmada recentemente pelo secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, Luís Vieira, explicando que ao longo dos meses em que este Governo está à frente do País “já foram aprovados sete mil projetos no valor de 745 milhões de euros, aos quais foram alocados apoios na ordem dos 420 milhões de euros”. Luís Vieira garantiu que “quando se tomou posse não havia um único projeto contratado”.


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RESTOLHO SOMA E SEGUE ALEXANDRA FERNANDES AGROTEJO

| São Martinho na Golegã é época de cavalos, castanhas, água-pé, de reunir com os amigos, mas sobretudo de iniciar balanços e preparar o ano que se segue, e o Restolho não é exceção. Com a melhoria das condições meteorológicas, no mês de Abril, iniciámos os “Restolhos” de 2016. Verificou-se ligeira redução do n.º de ações efetuadas, 15 no total. No entanto, e por se tratarem de ações com maior n.º de participantes (822 vs 700 em 2015), permitiram um aumento da quantidade de produtos colhidos 25.817 kg vs 16.650 kg em 2015). Conseguimos também em conjunto com os nossos produtores diversificar o leque AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

de produtos colhidos. Nos últimos três anos as colheitas incidiram basicamente nas grandes culturas Agromais: batata, cebola e pimento. Em 2016 realizamos também ações com couve roxa, melão, abobora, fava, nabo etc. O designado como “Ano Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar”, trouxe-nos também novos parceiros nesta causa na nossa região. As produções que até agora haviam sido sempre encaminhadas para o Banco Alimentar de Santarem, passaram a ser também entregues no Banco Alimentar de Abrantes, que cobre alguns concelhos da nossa área de inserção como Torres Novas, Vila Nova Barquinha e Tomar. Conseguimos ainda associar, às entregas Restolho efetuadas no BA da Golegã, gerida pela Conferencia São Vicente

Paulo, a recém criada Caritas de Riachos. Criar pontes entre as instituições locais é também a nossa função! Destacamos ainda a ação realizada na AGROGLOBAL, realizada em campo experimental neste certame. Neste que foi o nosso quarto ano consecutivo do projeto Restolho e para finalizar, duas notas, que muito nos alegram, relativamente ao ano de 2017, que em breve terá inicio: 1. A MAB/ UNESCO, entidade internacional responsável pela atribuição dos galardoes de Reserva da Biosfera, que visa o estabelecimento das relações entre as populações e o seu ambiente e para a redução da perda de biodiversidade, a partir de uma abordagem


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científica, ambiental, social e de desenvolvimento, tendo tomado conhecimento do projeto Restolho, felicita-nos pela criação deste projeto social que considera emblemático. Em 2016 vamos poder associar este novo parceiro ao projeto RESTOLHO já que as nossas metas e “modus operandi”, vem ao encontro da Agenda 2030 do Desenvolvimento Sustentável para as Reservas da Biosfera, nomeadamente a do Paul do Boquilobo, constituindo-se como um exemplo de boas práticas a ser replicado noutros territórios.

O designado como “Ano Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar”, trouxe-nos também novos parceiros

2. Vamos ainda contar com mais um elemento na equipa Restolho- Após vários contactos a intérprete do tema Restolho, Mafalda Veiga passará a ser o rosto do nosso projeto de Responsabilidade Social.

VOLUNTÁRIOS CATOLICA Lisbon (150 participantes)

Ficam alguns testemunhos de equipas de voluntários, que ao longo do ano se deslocaram á nossa região para conhecer ao projeto Restolho. A todos os que de alguma forma contribuíram para que as entregas efetuadas pelo Restolho, chegassem á mesa de quem mais precisa: produtores, voluntários, Bancos Alimentares de Santarem, Abrantes e Golegã, colaboradores Agrotejo/Agromais/Plus, o nosso Muito Obrigada e continuação de bom trabalho!

COLHEITA 2288 kg Batata

PRODUTOR Soc. Agrícola São João de Brito SA. (Golegã)

A CATÓLICA-LISBON participou pela segunda vez consecutiva no projeto Restolho. Como correu a ação de 2016? Tínhamos tido a excelente experiência da primeira edição, em 2015, e considerámos que o projeto entre a Católica Lisbon School of Business & Economics e a Agrotejo/Agromais tinha tudo para continuar em 2016. A ação deste ano correu

muito bem, tal como prevíamos. O staff da Agrotejo/Agromais esteve presente durante o decorrer de toda a atividade e foi verdadeiramente incansável. A receção aos alunos no Parque Equuspolis foi feita pela Eng.ª Alexandra Fernandes, responsável pelo projeto Restolho, que explicou em que consistia o projeto e a sua relevância para todas as partes envolvidas. Este enquadramento, com foco no combate ao desperdício alimentar, bem como as boas-vindas do Presidente da Câmara da Golegã, motivaram os alunos e o staff da CATÓLICA-LISBON para a apanha da batata. Já no campo agrícola, houve uma breve explicação da colheita, também essencial para o bom decorrer da ação. Este ano, não conseguimos chegar às 4 toneladas do ano passado, mas a repetir a atividade, esperamos conseguir aumentar a produtividade e ajudar mais famílias carenciadas. Pensam ser esta uma iniciativa válida? O projeto Restolho é uma iniciativa não só válida, como necessária. É uma atividade integrada logo na primeira semana de receção dos alunos, para que sejam imbuídos do espírito de entreajuda fomentado pela CATÓLICA-LISBON. A atividade está também em linha com o projeto Pensa.come, que pretende consciencializar toda a comunidade académica, e a sociedade em geral,

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Mafalda Veiga madrinha do restolho

Mafalda Veiga, em DVD ao vivo Coliseu de Lisboa Foto: Joana Lima Rocha

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Há já cerca de um ano que temos vindo a pensar no quão importante seria termos um “rosto” para o Restolho. Alguém que divulgasse o projeto tal como ele é, mas que ao mesmo tempo se identificasse de tal forma com ele que fosse mais um de nós, que o vivemos quase diariamente. Dizem que não há amor como o primeiro, e efetivamente após alguns meses do primeiro contacto, recebemos a resposta que há tanto aguardávamos: vamos ter a Mafalda Veiga, como madrinha do projeto Restolho! Dispensando apresentações e com 10 discos editados, Ana Mafalda da Veiga Marques dos Santos, mais conhecida como Mafalda Veiga, é para muitos de nós, colaboradores das empresas do grupo AGROMAIS (Agrotejo/Agromais/Plus), uma referência “de toda a vida”. Temas como “Cada lugar Teu”, “ Uma noite para comemorar”, “Lume”, “Ouve-se o Mar” entre muitos outros são muitas vezes indissociáveis de histórias, peripécias e fases felizes ou não, de toda uma vivência. Cumulativamente, o facto ser também intérprete do tema “ Restolho”, editado no ano de 1987, curiosamente um ano após a criação da AGROTEJO que completa agora 30 anos de existência, faz com que a sua associação ao nosso programa, tenha sentido. Para quem ainda não conhece, fica o link para cada um, independentemente dos “dotes vocais”, ir “cantarolando”: https://www.youtube.com/ watch?v=y6raRduUhaw Neste momento, encontra-se a ultimar o novo disco que estará nas lojas na segunda quinzena de Novembro, mas “O meu amor” anda já por ai em todas as rádios e o segundo single “ Olha como a vida é boa” acaba de ser lançado, mas em 2017 vamos já poder contar com mais um elemento na família Restolho! Assim a AGROTEJO/AGROMAIS, a Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares e a ENTRAJUDA, dão as boas vindas ao projeto Restolho Mafalda Veiga, com uma frase, que ela bem conhece: “As coisas que fazemos, os projetos que nos ocupam tempo, a cabeça e o coração valem sempre muito mais por quem está connosco nesse caminho as pessoas com quem partilhamos ideias, dias e noites de trabalho, nervosismo, cansaço e paixão”.

sobre o problema mundial do desperdício alimentar. Nesse sentido, seria excelente podermos mobilizar toda a comunidade académica, tal como fizemos no ano passado, para mais um ano de Restolho e combatermos o desperdício alimentar. Em que medida é que a participação nesta ação, se revela importante para os Vossos alunos?

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Mais informações em: www.mafaldaveiga.com/ e www.facebook.com/mafaldaveigaoficial/

nossos alunos e para toda a comunidade da CATÓLICA-LISBON.

VOLUNTÁRIOS Colégio Militar (80 participantes) PRODUTOR Soc. Agrícola Quinta da Labruja SA. (Golegã) COLHEITA 1157 kg Batata

O Colégio Militar a aderiu este ano pela primeira vez ao projeto Restolho. Como correu a ação? A ação correu de forma excecional. Todos os envolvidos nos acolheram, ao longo de toda a iniciativa de forma alegre e muito acolhedora, enquadrando todos os participantes. Pensa ser esta uma iniciativa valida? Esta iniciativa é extremamente válida pois permite-nos, como educadores, viver e praticar a solidariedade de uma forma ativa. Em que medida é que a participação nesta ação, se revelou importante para Vossa equipa, composta por pais, professores e alunos? A participação nesta ação foi extremamente importante para mim e, penso poder dizê-lo, também para os alunos e respetivas famílias envolvidas. A atividade contribuiu para unir esforços e motivações num projeto muito válido, fortalecendo ao mesmo tempo laços entre todos os participantes.

VOLUNTÁRIOS CRIT- Centro de Reabilitação e Integração Torrejano (70 participantes) Ao participarmos neste projeto de voluntariado pretendemos incutir os valores de altruísmo e de responsabilidade social nos alunos de Licenciatura. Esta ação é muito enriquecedora, pois permite aos alunos perceber que o desperdício alimentar é uma realidade grave em Portugal. Sentir que podem ajudar famílias necessitadas e, simultaneamente, combater o desperdício de alimentos torna esta atividade muito gratificante para os

PRODUTOR Francisco Manuel G. Marques (Golegã) COLHEITA 777 kg Cebola

As crianças do CRIT, participaram pela primeira vez no projeto Restolho. Como correu a ação?


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Consideramos que a ação correu muito bem, tendo até mesmo superado as nossas expectativas. O entusiasmo do nosso grupo foi bastante notório, talvez também motivado pela receção que tivemos por parte das entidades organizadoras, desde o acolhimento, ao acompanhamento de toda a atividade por pessoal especializado, sempre pronto a responder às muitas dúvidas das nossas crianças curiosas, até à preocupação com as condições climatéricas e com os lanchinhos que tanto apreciámos. Estão sem dúvida de parabéns não só pela iniciativa mas, acima de tudo, pela forma como a concretizam! Pensam ser esta uma iniciativa válida? Sem dúvida que considerámos a iniciativa muito válida, ao ponto de nela querermos envolver 70 voluntários provenientes das três Valências Rosto. Cada vez mais é necessário fomentar o sentido de solidariedade nas crianças e jovens da nossa sociedade e essa é, cada vez mais, uma responsabilidade dos agen-

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tes educativos que atuam no seu processo de formação como pessoa. Em que medida é que a participação nesta ação, se revela importante para as Vossas crianças? Trabalhamos no sentido de conseguir oferecer às nossas crianças e jovens um rol de atividades o mais diversificado possí-

tivemos por parte das entidades organizadoras, o companhamento de toda a atividade vel, seja durante o ano letivo, com as atividades que realizamos em sala, no contexto de ocupação de tempos livres, seja durante os períodos de férias em ação, como foi o caso. Conseguimos aquele que julgamos ser um excelente resultado para um grupo das

dimensões do nosso, entre outros factores, pela motivação que lhes passámos quando explicámos o objectivo do vosso projeto, no sentido do produto recolhido ser enviado na sua totalidade para o banco alimentar, contribuindo cada um deles, com o seu esforço e dedicação, para ajudar na alimentação de algumas famílias que atravessam momentos difíceis. Sempre que possível, e uma vez que estamos integrados numa instituição como o CRIT, que tanto trabalha em prol da solidariedade, tentamos incutir nas nossas crianças alguns valores, de entre os quais, a preocupação com o outro. Foi este o motivo que nos levou a abraçar o vosso projeto, na sequência de outras ações em que participamos ao longo de todo o ano, nomeadamente as recolhas para o Banco Alimentar contra a Fome, o Banco Farmacêutico, a Liga Portuguesa contra o Cancro, entre outras. Acreditamos que passaram uma manhã que contribuiu, sem dúvida alguma, para potenciar a cada participante, mais um bocadinho do seu crescimento como pessoa, acima de tudo, como pessoa solidária.


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VOLUNTÁRIOS Direção Regional de Agricultura Lisboa e Vale do Tejo (16 participantes) PRODUTOR Hortícolas Casal da Avó (Golegã) COLHEITA 1322 kg Nabo

A DRAPLVT participou pela primeira vez no projeto Restolho. Como decorreu a ação? A equipa de dirigentes da DRAPLVT (direção, diretores de serviço, delegados e chefes de divisão) reúne periodicamente, em formato “fora da caixa”, sempre no território de uma das Delegações, mediante programação articulada entre mim e o respetivo delegado, sem que a restante equipa tenha conhecimento senão no próprio dia. O programa consiste sempre numa reunião de trabalho, em sala, seguida de almoço surpresa e de uma ativida-

de, também surpresa, sempre relacionada com a nossa atividade profissional. A participação no projeto Restolho, promovido pela AGROMAIS, teve exatamente o mesmo formato, com a diferença de que começamos pela atividade e só reunimos em sala depois do almoço: ponto de encontro à entrada da Golegã (pela Estrada de Campo) e chegada da equipa da AGROMAIS, altura em que todos ficaram a saber ao que iam – tratando-se de um ato soli-

Todos se sentiram integrados no projeto, e contentes por terem sido envolvidos e todos “se atiraram ao trabalho” com empenho.

dário, houve a preocupação de dizer que a solidariedade não se impõe deixando assim margem para que alguém não se sentisse no papel de “voluntário à força”. Fomos para um campo de nabos, junto ao Tejo e lá nos empenhamos até ao meio dia, superando todas as nossas expetativas e, parece-me bem, também as da equipa do Restolho: eramos 16 pessoas e apanhámos 1322 kgs que foram logo entregues ao Banco Alimentar de Abrantes. Entre as muitas outras coisas que fazemos também sabemos “meter a mão na massa”, que é como quem diz “meter também as botas na terra”. Todos se sentiram integrados no projeto, gratificados e contentes por terem sido envolvidos e todos “se atiraram ao trabalho” com empenho. Foi muito compensador! Não faltaram chapéus, nem águas (para beber e para lavar aos mãos), nem o apoio moral a toda a equipa do Restolho. A tarefa ficou cumprida e, antes da hora marcada para o almoço, ainda tivemos pub.

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a oportunidade de visitar o Museu Carlos Relvas que alguns não conheciam e que a todos encantou. Esta visita, depois complementada com um agradável passeio de charrete pela Golegã foi o resultado do bom relacionamento que prezamos por manter com todas as instituições com as quais nos relacionamos – no caso, com o presidente do Município, Rui Medinas, que tão prontamente nos atendeu.

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Como tiveram conhecimento do projeto? Pensam ser esta uma iniciativa valida? Como organismo regional responsável pelo setor da agricultura e das pescas, somos muito atentos às atividades dos nossos parceiros e, a AGROMAIS, aqui mesmo ao nosso lado com um projeto destes, não podia ter-nos passado despercebida. Soubemos do projeto pelas revistas, assistimos mais do que uma vez à sua apresentação e acompanhamos no pub.

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FB. É, naturalmente, uma iniciativa válida! Quando tanto se fala em crise, pobreza envergonhada, famílias com dificuldades para garantir a alimentação mais básica…, quando tanto se apregoam as campanhas contra o desperdício…, no Ribatejo, terra de extensas áreas de produção, com recurso a tecnologia quase de

ponta, e por isso se deixam ficar na terra alimentos tão necessário a tanta gente… em muito boa hora a AGROMAIS estabeleceu protocolos com os Bancos Alimentares da região e em muito boa hora as ações de voluntariado, fundamentais no momento da recolha, chegaram também às instituições.


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Em que medida é que a participação nesta ação, se revela importante para a Vossa equipa? Foi importante para a equipa sair da rotina e, de peito aberto, chegar ao campo e lançar mãos à obra em ambiente descontraído, de união, a sentir-se bem por estar a fazer um bem e, sobretudo, verificar que, com o contributo de todos, se alcançam e até se superam os resultados esperados e as metas traçadas. Foi igualmente importante o sentido de solidariedade e de cooperação com as instituições de apoio social, numa lógica de desempenho de um papel social que não deve nem pode situar-se apenas no perímetro das entidades privadas. O combate ao desperdício alimentar é um compromisso dos estados europeus e a responsabilidade social é um compromisso de todos nós, enquanto instituições e, no limite, enquanto cidadãos. Nestas ocasiões conseguimos sempre descontrair do stress diário, conviver uns com os outros, partilhar alegrias e também algumas mágoas. Se

isto se conjuga com uma boa ação então temos a cereja no topo do bolo.

VOLUNTÁRIOS Escola Profissional de Torres Novas (30 participantes) PRODUTOR Francisco Manuel G Marques e Hortícolas Casal da Avó(Golegã) COLHEITA 1330 kg Couve Roxa e 472 kg Fava

Os alunos da EPTN, são já “habitués” nestas andanças do projeto Restolho… fava, couve roxa e nabo…estão experts na matéria! Como correram as ações deste ano? A participação da Escola Profissional de Torres Novas insere-se no âmbito de um

projeto de voluntariado que desenvolvemos na N/ Escola, designado “Handful” e que entre outras procura desenvolver nos N/ alunos o espírito de solidariedade e entre-ajuda. Normalmente desenvolvemos atividades no espaço escolar ou junto de instituições no espaço envolvente da Escola, pelo que as idas ao campo são muito bem recebidas pelos N/ alunos. Estão sempre a perguntar quando vamos fazer mais, porque, penso eu, conseguem ver o resultado do seu trabalho, através dos alimentos que apanham. Ficam muito satisfeitos por poderem contribuir e sentem-se importantes porque ajudaram alguém. As ações decorreram sem problemas e nem o mau tempo que por vezes em algumas ações se sentiu conseguiu demover os alunos. Pensam ser esta uma iniciativa válida? Válida e de acordo com os valores que tentamos passar aos nossos alunos em pub.

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termos da sua formação cívica: solidariedade, partilha, entreajuda e sustentabilidade. Em que medida é que a participação nesta ação, se revela importante para os alunos da EPTN? Muito importante pois ao conseguirem ver na hora (após o trabalho desenvolvido) o resultado do seu trabalho sentem que este pode mesmo fazer a diferença.

VOLUNTÁRIOS KPMG (154 participantes) PRODUTOR Casa Agrícola Fidalgo ( Vale Cavalos – Chamusca) 84

COLHEITA 9450 kg Melão

A KPMG, a aderiu este ano e pela terceira vez ao projeto Restolho. Como correu a ação? pub.

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A acção correu muito bem conforme é habitual. Contou com presença de cerca de 154 voluntários recém-chegados à KPMG. O esforço conjunto desta equipa, resultou na doação de 9,5 toneladas de melões que foram entregues ao BA Santarém e Abrantes. Pensa ser esta uma iniciativa valida? Sem dúvida, é a 3ª vez que participamos e faz todo o sentido o objectivo deste projecto - combate ao desperdício, e acima de tudo canalizar para quem mais precisa destes alimentos que não podem ser comercializados.

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Em que medida é que a participação neste tipo de ações, se revela importante para a Vossa equipa? Se existe valor na KPMG em que nos orgulhamos é sem duvida o nosso compromisso com as comunidades. Temos um projecto interno, intitulado por K2C (KPMG to Communities), com o objectivo de desenvolver pub.

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Se existe valor na KPMG em que nos orgulhamos é sem duvida o nosso compromisso com as comunidades

a área da responsabilidade social, reforçando o nosso compromisso e actuando nas dimensões ambiental, social e económica. Assim, para a KPMG significa fazer o nosso melhor pelos os outros, juntando a responsabilidade profissional com a responsabilidade Social, tornando-os seres humanos mais completos e realizados.


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7. Porque conhecemos bem não só o mercado nacional, como alguns dos mercados de exportação. 8. Porque temos uma Organização Comercial com provas dadas e que continua a crescer e a cativar novos aderentes. 9. Porque temos um curso profissional localizado na nossa zona e que nos vai dar os nossos agricultores do futuro. E porque vamos ter o EMPARCELAMENTO

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O PÓS - EMPARCELAMENTO Luis Vasconcellos e Souza

| Já todos nós nos apercebemos que o Projecto de Emparcelamento vai ser uma realidade e do muito que a nossa zona vai mudar com a sua implementação. No outro dia dei comigo a pensar que também nós vamos ter aquilo que eu considero ser “o nosso Alqueva”. Não necessitávamos duma infra-estrutura de fornecimento de água como o Alqueva, mas precisávamos, isso sim (e vamos ter), dum projecto para melhorar e racionalizar a nossa estrutura fundiária. Pois cá o temos, e ainda bem! Mas afinal como vai ser o nosso futuro, o futuro dos nossos agricultores? Para mim, e em duas palavras, vai… ser risonho. E

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por que é que eu estou tão convicto disto? Porque é que não tenho qualquer dúvida a este respeito? Porquê? Vou então seriar os “meus porquês”: 1. Porque temos uma das manchas de solo mais férteis de Portugal. 2. Porque temos uma toalha freática rica e superficial. 3. Porque temos as nossas fontes de água de rega todas electrificadas. 4. Porque temos produtores com uma tecnologia de produção muito sofisticada. 5. Porque produzimos uma panóplia de culturas, que vão do milho ás nabiças, passando pela batata, pelos alhos e pelo tomate. 6. Porque temos vontade de inovar, quer em novos produtos, quer em novos métodos.

É impressionante, não é, o que já temos? Pois é, mas foram 30 anos a apresentar projectos colectivos, a dar formação, a convencer agricultores, a tira-lhes dúvidas, a apoia-los tecnicamente e a vender-lhes as suas produções aos melhores preços do mercado. Valeu a pena! Valeu a pena! Espero que agora, depois da enumeração desta lista de razões para o previsível sucesso futuro da agricultura desta zona, todos concordem comigo e que já só pensem no que vai acontecer e no que vai ter que mudar para conseguirmos aproveitar na íntegra este dom que vai ser o nosso Emparcelamento. Na minha opinião vamos ter que planear mais, vamos ter que mudar de atitude em relação á mudança, vamos ter que chamar mais jovens para o sector e vamos ter que ser ainda mais atentos e destros do ponto de vista comercial. Espera-nos um enorme desafio! Vamos aceitá-lo, tenho a certeza!


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Projeto Emparcelamento Rural

Azinhaga – Golegã – Riachos Sofia marques sara isidoro

| Em muitas zonas agrícolas do nosso país a estrutura da propriedade encontra-se desadequada perante as atuais necessidades de racionalização e eficiência do processo produtivo. O Projecto de Emparcelamento Rural Integrado de Azinhaga, Golegã e Riachos surgiu, assim, da necessidade de introduzir na actividade agrícola local e regional fatores de racionalização, valorização e competitividade e tem como principais objetivos: • O redimensionamento físico e económico das explorações agrícolas, de forma a permitir uma diminuição dos custos de

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produção e a melhoria do rendimento líquido dos agricultores; • A criação de condições que possibilitem a introdução de culturas mais rentáveis e competitivas, dando resposta às exigências de mercado, bem como às orientações emanadas da política agrícola; • A adoção, em larga escala, de métodos de rega compatíveis com a preservação da qualidade e quantidade dos recursos hídricos subterrâneos e que sejam, simultaneamente, economicamente mais eficientes; • O incremento da atratividade económica da atividade agrícola, com a finalidade de fixar as camadas mais jovens da população neste sector. Finalmente, após longos anos de espera, avizinha-se a fase de obra.

Por imposição orçamental, a obra será faseada no tempo. Inicia-se obviamente pelo emparcelamento, electrificação, captações de água e obras conexas necessárias e indispensáveis à alteração da estrutura fundiária das explorações agrícolas. Os principais indicadores constam do quadro 1, antes e após a execução da obra, indicando-se, ainda, a sua variação em relação à situação actual. A nova estrutura predial, para além do evidente aumento de eficiência que introduz nas várias etapas do processo produtivo, promove um aumento da área potencialmente apta para ser regada com sistemas mais eficientes, nomeadamente a aspersão. Estima-se que esse aumento ronde os 20% e resulta, principalmente, do aumen-


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to da área das parcelas das explorações e da retificação da sua geometria, conforme se ilustra na imagem 1. Alterando-se a estrutura fundiária é indispensável reestruturar, quer a rede de energia elétrica, quer a localização das captações de água para rega. O resultado final é a redução do número das estruturas existentes, em consonância com o menor número de parcelas.

IMAGEM 1

Os resultados são os seguintes: CAPTAÇÕES DE ÁGUA PARA REGA TIPO DE INTERVENÇÃO

Nº

Captações existentes a manter

669

Captações existentes a selar

401

Captações a abrir

172

Captações existentes

1070

Captações após a remodelação

840

Variação

- 21 %

REDE ABASTECIMENTO ENERGIA ELÉTRICA TIPO DE INTERVENÇÃO

Nº

Baixadas existentes a manter

308

Baixadas existentes a desmontar

245

Baixadas a instalar

185

Baixadas existentes

738

Baixadas após a remodelação

493

Variação

93

- 33,1 %

Resumidamente, está também prevista a regularização de terrenos, nas zonas onde se verifica atualmente a acumulação excessiva e prolongada de água, e a rede viária será intervencionada no sentido de assegurar acesso adequado a todos os prédios. Esta fase do projeto continuará a ser desenvolvida em estreito contacto com os beneficiários e a obra será planeada no sentido de minimizar eventuais impactes negativos, sendo certo que, no ano de 2017, as culturas de primavera/verão não serão afetadas.

ESTRUTURA PREDIAL ANTES E APÓS A OBRA QUADRO I Indicador

Estrutura predial actual

Estrutura predial Variação após emparcelamento (%)

Nº total proprietários

529

529

0

Nº total explorações

342

342

0

Nº total artigos - matriz predial

1508

869

- 42

2,9

1,6

- 45

Nº total de parcelas individualizadas por estradas e valas

2549

869

-66

Nº total de blocos das explorações

1563

736

-53

Nº médio de blocos por exploração

4,6

2,2

- 52

Nº total de prédios em compropriedade

107

72

- 33

Área média por artigo de matriz (ha)

2,4

3,9

+ 63

por estradas e valas (ha)

1,4

3,9

+ 178

Área média por bloco de exploração (ha)

2,3

4,6

+ 100

Nº médio - artigos de matriz por proprietário

Área média de parcelas individualizadas

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MILHO

A IMPORTÂNCIA DA QUALIDADE Jorge Durão Neves Diretor Geral da agromais

| A diferenciação nos produtos agrícolas indiferenciados, passe o pleonasmo, somente se atinge por via da qualidade. Esta é uma realidade que os agricultores associados da AGROMAIS já interiorizaram há largos anos, em culturas tão diversas como o tomate para indústria, a batata para indústria, a cebola, o pimento, o brócolo, a ervilha, a courgette, a beringela, o alho e, até, a cevada ou o trigo. A valorização do produto de acordo com os seus parâmetros de qualidade é, para além de um estímulo e de um prémio aos melhores produtores, uma condição prévia a qualquer caderno de encargos acordado com os clientes, sejam eles agro-indústrias ou as grandes cadeias de distribuição. A estratégia de posicionamento comercial que a AGROMAIS tem desenvolvido no negócio do milho ao longo dos anos, permiteAGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

-lhe, hoje, dispor de uma quota de mercado de milho para alimentação humana superior a 40% do total da sua operação, com uma substancial mais-valia relativamente às condições praticadas pelo mercado da alimentação animal. Contudo, esta orientação de mercado pressupõe uma mudança de paradigma naquilo que tem sido até agora o acompanhamento de algumas operações críticas na cultura do milho. Falamos, concretamente, da qualidade da colheita, da movimentação, da secagem e da armazenagem. Quanto aos três últimos aspetos, a AGROMAIS tem desenvolvido, desde 2010, um vasto programa de modernização das suas instalações de receção, secagem e armazenagem de milho, por forma a adequá-las às exigências do mercado e aos padrões que as certificações de qualidade determinam. O grande desafio está, agora, centrado nas condições da colheita do milho. Sendo que a esmagadora maioria do milho é colhida

com recurso a entidades prestadoras desse serviço, cabe, em primeira mão, aos agricultores, assegurar que o serviço que compram, e que pagam, é executado nas condições adequadas, de acordo com as melhores práticas. A limpeza e a integridade dos grãos de milho rececionados são, neste momento, fatores críticos de diferenciação e de valorização do milho comercializado para a alimentação humana. Como em tudo, definir estratégias é fazer escolhas. E a escolha da AGROMAIS é, neste momento, bastante clara. A manutenção da nossa posição de liderança no mercado do milho só se fará com uma opção clara pela qualidade do produto comercializado. O negócio do milho passará, no futuro imediato, pela valorização diferenciada de acordo com os parâmetros de qualidade e a finalidade comercial. Para os agricultores que produzem todos os restantes produtos comercializados pela AGROMAIS nada disto é novidade.


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Potencialidades das abelhas no incremento das produções agrícolas e dinamização das zonas rurais

a importância da polinização Jorge Gregório Abelha do Campo, Lda

| Apesar do inegável interesse económico no aproveitamento dos vários produtos da colmeia, é habitual (e incorrecto) pensarmos nas abelhas comuns (Apis mellifera) apenas como produtoras de mel, cera, geleia real, própolis ou veneno. O maior contributo deste insecto para o nosso planeta é, sem qualquer dúvida, o serviço de polinização que presta a uma vasta gama de tipos de ecossistemas terrestres, independentemente da maior ou menor presença do Homem. Desde há muito que se especula sobre o futuro da Terra e da Humanidade sem a presença das abelhas. Se não, recordemos a célebre afirmação de Albert Einstein proferida no início do século XX: “Quatro anos depois de se extinguirem as abelhas, extingue-se a humanidade”. Estaria o famo-

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so cientista a ser demasiado pessimista? Talvez não. Vejamos, sendo a polinização, in brevi, o processo fundamental para que os grãos de pólen possam germinar no estigma da flor e fecundar os óvulos para dar origem às sementes e assim assegurar a próxima geração de plantas, sem a presença de polinizadores a grande maioria das espécies de plantas não se reproduziria e, consequentemente, não seria possível produzir as ditas sementes, nem grãos, amêndoas, castanhas, frutas, vagens, folhagens, óleos vegetais, raízes, essências, corantes naturais, etc., utilizadas em larga escala pela espécie humana. Estima-se que cerca de 73% das espécies vegetais, cultivadas no mundo, sejam polinizadas por alguma espécie de abelha, 19% por moscas, 6,5% por morcegos, 5% por vespas, 5% por besouros, 4% por pássaros, 4% por borboletas e mariposas. Apesar de estarem sempre presentes na natureza outro tipo de meios polinizadores

(vento, água, animais), não parece restar qualquer dúvida quanto ao verdadeiro impacto da polinização entomófila, ou seja, a realizada por insectos, com principal destaque para as abelhas. Deste modo, a maioria das culturas hortícolas (abóbora, courgette, pepino, morangueiro, melão, melancia, pimentão, tomateiro, beringela), a produção de sementes (girassol), as pastagens que alimentam o gado (luzerna, trevo branco, trevo violeta) as fruteiras (amendoeira, cerejeira, pereira, macieira, laranjeiras, limoeiros) beneficiam com uma boa polinização, sendo esta sinónimo de boas produções não só através de uma maior sincronização na maturação dos frutos e/ou sementes, mas também através do aumento do seu calibre ou do teor de óleo no caso do girassol. Perante a questão inicial, poderá a humanidade um dia sentir-se realmente ameaçada “apenas” porque poderão desaparecer, da face da Terra, as abelhas?


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Outra se coloca: Poderão todas as abelhas desaparecer? Talvez devamos pelo menos pensar um pouco sobre as recentes mortes súbitas de milhões de colónias, fenómeno conhecido internacionalmente por “Colony Collapse Disorder” (CCD, Síndrome do Colapso das Colónias), que, em crescendo de frequência, de magnitude e amplitude geográfica não tem ainda uma origem concreta conhecida para a ciência. De facto, desde 2006, em algumas regiões do mundo, inúmeras abelhas têm desaparecido, abandonando as colmeias sem razão aparente e partem para a morte numa espécie de suicídio colectivo. Muitas hipóteses têm sido dissertadas para a ocorrência desse fenómeno: o parasita varroa destructor, perdas de habitat, imunodeficiências, alterações climáticas, entre outros factores. Uma que tem ganho força na comunidade científica é a presença de neonicotinoides em agrotoxicos, que não afecta directamente as abelhas, mas deixa a colónia mais susceptível a fungos

do género Nosema. Recuando mais dois anos, 2004, outro alarme tocou na Europa (França) com a chegada por via marítima, da Vespa velutina nigritorax. Em Portugal, no ano de 2011, surgiram os primeiros relatos de ninhos desta espécie invasora que dizima enxames. Em suma, não existem dúvidas quanto à importância das abelhas no mundo rural, sendo necessário que todos os agentes (apicultores, agricultores, indústria agro-

química, autoridades responsáveis) estabeleçam concertadamente estratégias para evitar o que poderá ser uma tragédia para a agricultura, para o ambiente e para a espécie humana. Concluindo com um sinal de esperança, e no que ao nosso País diz respeito, a apicultura é um sector que regista um crescimento significativo, ao contrário do que é a tendência mundial. Em 2015, a Federação Nacional de Apicultores de Portugal (FNAP) previa um aumento de produção de 10 a 12%, i.e., quase o triplo da média dos últimos anos. O preço pago pelos vários produtos da colmeia, ao produtor, tem vindo a subir devido à escassez do mercado o que também tem contribuído para a dinamização do sector, cujo valor actual está calculado em 50 milhões de euros (dados da FNAP). Indiscutivelmente falamos de um sector que deve ser acarinhado e que deve continuar a ser dinamizado. A natureza e todos nós certamente agradecemos. pub.

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Boas práticas para aumentar a qualidade dos produtos agrícolas bruno estevão agromais

| Para que a produção esteja melhor defendida das variáveis que não controla é importante analisar o processo de montante a jusante, tendo sempre presente o que o cliente deseja e que parâmetros influenciam uma maior ou menor valorização do produto. Pensando somente a nível qualitativo a primeira questão a analisar é a escolha da própria parcela. É já um facto sobejamente conhecido as infestantes difíceis de controlar em cada cultura, sendo de evitar parcelas com histórico de determinadas infestantes. As rotações neste caso têm um papel fundamental para tentar minimizar a incidência de determinadas infestantes. Apesar de por vezes utópico devido às condições climatéricas, tem de se conhecer bem as terras para que a preparação de solo corresponda ao que se pretende

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e que a entrada na parcela seja na altura ideal, ou seja, no ambicionado, mas nem sempre atingível, ponto de sazão. A escolha da variedade tem de corresponder a uma boa articulação entre os diversos intervenientes no processo. Cabe não somente ao técnico o aconselhamento da variedade mais apropriada, mas também o envolvimento da experiência do próprio produtor, tendo em conta o potencial produtivo vs qualitativo. A informação a que se tem acesso hoje em dia, bem como a experiência acumulada, já nos permite aconselhar/ decidir com base em factos concretos. A condução cultural deve ser devidamente acompanhada pelas diversas partes. Recordo um velho ditado “o olho do dono é que engorda o gado”. As partes não se substituem mas sim complementam-se. O produtor, independentemente da sua formação e de, porventura, alguma inexperiência com determinada cultura, tem um papel fundamental quer pelas questões

que pode levantar quer pelo acompanhamento que tem de dar à cultura mediante as necessidades. Os tratamentos fitossanitários, a rega e as fertilizações não podem ser encaradas como operações meramente intuitivas. Alguns dos factores aos quais devemos recorrer na tomada de decisão são os modelos de previsão com resultados reconhecidos por exemplo na decisão de aplicação de fungicidas preventivamente. A quantidade de calda e tipo de bico do pulverizador deve corresponder à finalidade para a qual se está a efectuar o tratamento. Outro factor a que devemos recorrer são as sondas de medição do teor de humidade no solo, que tendo em conta uma possível heterogeneidade do solo, devem ser instaladas em locais representativos. Comparando com determinados anúncios de medicamentos, as sondas deviam vir acompanhadas do seguinte texto: o facto de ter sondas ins-


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taladas não dispensa a consulta frequente dos dados nem a verificação in loco do estado real de humidade do solo. Por outras palavras: tem de se sujar a sola do calçado! A conjugação entre a dotação e a altura do dia em que se rega é fundamental para se obter um bom compromisso entre produção e qualidade. Analisando os diferentes parâmetros pelo qual o produto é valorizado facilmente se conclui que nem sempre muita quantidade corresponde a uma boa produção/ valorização. A nível de fertilização cada vez mais tem de se obedecer, em bom rigor, a intervalos de quantidades para cada nutriente e à sua altura ideal de aplicação. A nível qualitativo, que inclui nalguns produtos a sua própria longevidade, não há espaço para adubações desajustadas. A informação disponível, proveniente de ensaios e estudos, é cada vez maior e mais acessível. A fase final da colheita deverá ser feita com recurso à maquinaria e acondiciona-

mento apropriado ou inclusivamente ser feita à mão, caso a especificidade do produto assim o exija. Os moldes em que se efectua a colheita deve ter sempre ciente, mais uma vez, o resultado final que se pretende, daí ser essencial que a veloci-

dade de colheita e a escolha tenham que ser ajustadas mediante cada caso. A crescente exigência a jusante obrigou/ obriga a que o sector agrícola se muna de ferramentas para que, conforme já referido, as variáveis que não se controlam, diminuam o seu peso no resultado final, apesar de, na nossa actividade, nunca irem deixar de existir, e para que o que se controla seja devidamente monitorizado. Já não há espaço na agricultura profissional de hoje em dia para o “deixa ver o que acontece”. Todos os passos têm de ser devidamente planeados e há que estar pronto para reagir e dar resposta quando é necessário. Existe algo que, para mim, é incontestável. Por norma, mesmo nos anos assumidamente menos bons por alguma eventualidade, os melhores resultados andam de mão dada com os que consideramos produtores profissionais. Porque será? Se, para si a resposta não é simples, é melhor ler o artigo novamente! pub.

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SEGUROS COLHEITAS NA CULTURA DO MILHO

uma PROTEÇÃO PARA OS AGRICULTORES tiago brito agrotejo

| A agricultura é uma actividade económica que se desenvolve maioritariamente ao ar livre encontrando-se desta forma extremamente dependente das condições climáticas existentes. Até há última década, aproximadamente, excluindo alguns anos que fugiam à regra, era possível prever com algum rigor a evolução pluviométrica e térmica do clima de cada região, permitindo assim uma previsão muito aproximada das condições climáticas expectáveis para cada estação do ano. Na última década o clima tem sofrido importantes alterações, o que se traduziu em anos atípicos, com estações do ano pouco definidas e com valores de precipitação e temperatura anormais. Pode então dizer-se que o clima está a sofrer alterações consideráveis e que hoje em dia aquilo que se considerava como padrão para aquela região e estação do ano não

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podem ser consideradas como totalmente válidas. Estas alterações climáticas causam cada vez mais constrangimentos na produção agrícola e muitas vezes prejuízos avultados aos agricultores, hipotecando a campanha ou colocando mesmo em risco a sustentabilidade da exploração agrícola. Os Seguros de Colheitas deverão ser vistos como uma protecção que o agricultor possui contra esta vulnerabilidade das culturas, visam assim segurar a produção, garantindo ao agricultor uma indemnização em caso de sinistro de origem meteorológica. O custo do prémio de seguro é apoiado pelo estado – IFAP - até ao nível máximo de 65% (com comparticipação comunitária), sendo a percentagem máxima atingida no caso de seguros colectivos. A AGROMAIS em 2016, tal como já tinha acontecido em 2015, disponibilizou um seguro colectivo aos seus associados relativamente ao milho, de forma a garantir uma protecção de um eventual acontecimento climático adverso, que pudesse por em

causa as suas colheitas ou parte delas. Este seguro é realizado a todas as parcelas inscritas com milho e pode ser activado apenas sobre uma parcela (não necessitando de ser à exploração toda), o que possibilita que em casos localizados de intempéries possa ser activado o seguro sobre essas mesmas parcelas. O Seguro de Colheita teve as coberturas conforme a aplicação da Portaria nr. 65/2014 de 12 de Março de 2014 e apólice Uniforme publicada pelo I.S.P. Os eventos que são cobertos pelo seguro são os seguintes: • INCÊNDIO; • ACÇÃO DE QUEDA DE RAIO; • RAIO E EXPLOSÃO; • GEADA; • GRANIZO; • QUEDA DE NEVE; • INUNDAÇÕES; • TROMBA DE ÁGUA; • TORNADO.


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O capital seguro teve por base as 15 ton/ ha pagas a 175€/ton, dando origem a um prémio por hectare de 4,94€. Ou seja, por exemplo um agricultor com 10 ha para ter a sua produção segura pagaria um valor inferior a 50€. O seguro de colheitas contratualizado pela AGROMAIS possui ainda melhorias relativamente à Apólice Uniforme. Estas melhorias dizem respeito ao prazo de duração da apólice, onde a data final é o dia 30 de Novembro em vez do final de Outubro, e à inclusão de mais uma cobertura - incêndios de origem não climática. Por outro lado, a realização do seguro via AGROMAIS ainda possibilita a atribuição de um bónus de 10% sobre o prémio pago em 2016, a utilizar em 2017, para os segurados que não apresentem nenhum sinistro. Em conclusão considera-se que a subscrição de seguros de colheita por parte dos agricultores é uma mais-valia nos dias que correm devido às constantes alterações climáticas a que a sua actividade está sujeita.

A protecção da produção da cultura garante ao agricultor a obtenção de rendimento da mesma em situações de intempérie ou catástrofe climática, garantindo a rentabilidade da cultura e a sustentabilidade da exploração. Por outro lado, a subscrição de seguros por parte dos agricultores permite-

-lhes ainda, em caso de candidaturas aos projectos de investimento neste quadro comunitários de apoio, obterem uma majoração ao nível da valia global da operação, indicador de elevada relevância para a decisão favorável de um projecto de investimento.

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Francisco Gomes da Silva

Incêndios em espaço rural: a causa das coisas

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| Mais um Verão que passou, mais um circo mediático em torno dos incêndios em espaço rural, mais um sem número de opiniões ignorantes ou, no mínimo, irrefletidas, mais uma promessa de “reforma de cima abaixo” da política florestal. Agora é que vai ser! Aparentemente nada de novo. A Floresta, a grande vítima da generalidade destes incêndios, viu arderem mais umas dezenas de milhares de hectares. No entanto, e para a generalidade da opinião pública, a Floresta aparece como a verdadeira culpada deste assim chamado flagelo. Para quem mais de perto acompanha, estuda e trabalha com a realidade da Floresta em Portugal, este circo mediático que toma conta do país, Verão após Verão é confrangedor. E tudo porque se insiste em olhar para ela sob um prisma totalmente distorcido: olha para a floresta que não temos (uma floresta rentável, saudável AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

A Floresta, a grande vítima da generalidade destes incêndios, viu arderem mais umas dezenas de milhares de hectares.

e próspera), para uma sociedade que não existe (uma sociedade rural, cujo dia-a-dia passa por usos múltiplos da floresta, ocupando de forma uniforme o território), para um povo que não somos (um povo zeloso, disciplinado e que evita comportamentos de risco), para um clima que não mora aqui (um clima com um verão ameno e com alguma precipitação) e para um território que não é o nosso (bem planeado e ordenado). Deste olhar distorcido, resultam imediatamente as “óbvias soluções” que permitirão “acabar com o fogo” na nossa Floresta. De entre estas “óbvias soluções” tropeçamos invariavelmente na limpeza da Floresta, qual panaceia que tudo resolverá. É tão aberrante a utilização deste termo, que a ele vem invariavelmente associada a edificante sugestão de reforçar os “limpadores da Floresta” com desempregados, com pessoas a auferirem certos tipos de apoios sociais e, como grande ino-


NOV16 www.agrotejo.pt opinião

vação deste ano, com os refugiados que o nosso país recebe. Este tipo de sugestões evidencia bem o enorme desconhecimento que os seus autores (muitas vezes altos responsáveis políticos) têm sobre o que são as práticas silvícolas de gestão de povoamentos florestais. Bem sei que hoje está muito na moda “pensar fora da caixa”. Mas por vezes, de tanto olharmos para fora da caixa, não nos apercebemos que há soluções que estão bem dentro da caixa. Vem tudo isto a propósito da informação que o ICNF disponibiliza na sua página eletrónica1 relativa à análise das causas dos incêndios florestais. Pergunto-me: se cada vez mais conhecemos as causas dos incêndios, não seria útil que as políticas públicas nesta matéria as tomassem em conta? O último relatório disponível (2003/2013) evidencia bem o caminho que temos vindo a percorrer nesta matéria (conhecimento das causas dos incêndios). Entre 2003 e 2013, passámos de 1.358 ocorrências investigadas para 14.567. É um avanço extraordinário (ver quadro 1).

Pergunto-me: se cada vez mais conhecemos as causas dos incêndios, não seria útil que as políticas públicas nesta matéria as tomassem em conta?

Altere-se a lógica e a estrutura de combate Ainda em relação aos incêndios, existe um outro domínio em que é essencial que se tomem medidas. De facto, em Portugal, os incêndios ditos florestais são combatidos por um corpo

Combatam-se as causas dos incêndios Desta investigação, e se atendermos apenas às ocorrências com causa determinada (que oscilam entre os 60 e os 80% dos investigados), resulta muito claro o seguinte: • apenas 2% das ocorrências resultam de causas naturais, sendo que mesmo assim este número aparece “empolado” devido aos anormais fenómenos atmosféricos que caraterizaram o ano de 2003 (só nesse ano, 7% das ocorrências ficaram a dever-se a causas naturais); • 42% das ocorrências têm origem intencional e criminosa (incendiarismo); • 56% das ocorrências resultam de comportamentos negligentes por parte das populações. Realce-se que a investigação sobre as causas dos incêndios tende a concentrar-se mais sobre os incêndios que assumiram maiores dimensões, pelo que a “área ardida investigada” é proporcionalmente bastante maior do que o número de ocorrências investigadas. Se a isto juntarmos a constatação (comprovável pelas estatísticas disponíveis) de que existe, em cada ano, uma proporcionalidade direta entre o número de ocorrências e a área ardida (até pela dispersão que tal facto provoca nos meios de combate), parece-me óbvio, que se conseguirmos evitar os comportamentos negligentes, temos muito mais de meio caminho andando para diminuir a área ardida em Portugal.

Promover a luta contra comportamentos negligentes exige um esforço continuado na educação das pessoas. Exige que tal assunto seja incluído nos conteúdos curriculares do ensino básico e secundário. Em suma, exige um compromisso continuado ao longo de uma geração, num ciclo bem mais longo do que o ciclo eleitoral de 4 anos. Por isso não dá votos. Por isso, e apesar desta evidência, pouco ou nada se faz nesta matéria, para além de envergonhadas campanhas anuais, com a distribuição de uns panfletos e um filme a passar fora de horas nas televisões. E Portugal tem experiência de campanhas bem-sucedidas que pretenderam mudar comportamentos perigosos noutras áreas, tais como a segurança dos banhistas nas praias e a segurança rodoviária. Nem é preciso inventar muito.

QUADRO I

FONTE: ICNF

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NOV16 www.agrotejo.pt OPINIÃO

Francisco Gomes da Silva

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que tem como primeira prioridade a defesa das pessoas e como segunda prioridade a defesa dos bens (habitações, etc…) dessas pessoas. Ou seja, só no fim, e se houver tempo, meios e forças, é que se irá proteger a Floresta. Está isto mal? Com certeza que não! O que está mal é que quem defende as pessoas e os seus bens não devia ter por missão combater os incêndios na Floresta, pois não lhes sobra disponibilidade, meios e saber para tal. Crie-se, de uma vez por todas, um corpo profissional, recrutado entre os diversos agentes que atualmente se incluem no Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF) que permaneça 12 meses por ano na Floresta: em ações de silvicultura preventiva e de prevenção estrutural durante 9 meses, e em ações de combate nos restantes 3 meses. Falo de engepub.

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Crie-se um corpo profissional, recrutado entre agentes que se incluem no Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais que permaneça um ano na Floresta

nheiros silvicultores, de sapadores florestais, de especialistas em comportamento e uso do fogo (como os elementos que constituem os Grupos de Análise e Uso do Fogo). Alguns deles são bombeiros, outros são da Guarda Nacional Republicana (SEPNA e GIPS), outros fazem parte da Autoridade Nacional de Proteção Civil. Outros “nada são” atualmente. Equipe-se este corpo profissional devidamente, com meios mecânicos, tecnologias de comunicação e o mais que seja necessário. Temos em Portugal saber e experiência acumulados em todas as áreas essenciais para que esta força profissional seja competente: saber e experiência em silvicultura e comportamento das espécies, saber e experiência em comportamento e uso do fogo, saber e experiência em engenharia, saber e experiência em análise de risco… Porquê teimarmos em concentrar todos os meios no circo mediático de verão? Quer isto dizer que os produtores florestais nada têm a fazer nesta matéria? Longe disso. Quer apenas dizer duas coisas: • que se os incêndios não se iniciarem não é necessário combate-los; • que o combate a incêndios ditos florestais é uma matéria importante demais para não estar entregue aos profissionais que mais sabem do assunto. Quanto à Floresta e aos produtores florestais, têm um mundo de problemas e de coisas importantes para resolver. Mas os incêndios ditos florestais estão longe de ser a sua mais importante prioridade, pela simples razão de que a solução reside muito pouco neles.

1

ttp://www.icnf.pt/portal/florestas/dfci/Resource/doc/cauh sas-incendios/Relatorio-Causas-incendios-2003-2013.pdf


NOV16 www.agrotejo.pt REPORTAGEM

Agromais Plus exporta negócio de fatores de produção para o Alqueva

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Depois de ter conquistado a liderança na venda de alguns dos principais fatores de produção, a empresa do universo da Agromais concluiu que a quota de 80% conquistada na região da Golegã dificilmente irá crescer. Perante este cenário a estratégia passou por criar uma nova entidade, a Plus Alqueva, que terá a missão de oferecer soluções nesta área aos produtores do Baixo Alentejo. A cinco anos as vendas conquistadas na região alentejana deverão representar entre 40% e 50% do total da Agromais Plus. Para o conseguir a Plus Alqueva contará com o contributo dos produtores integrados na Agromais e clientes fora deste universo. AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo


NOV16 www.agrotejo.pt REPORTAGEM

maria lopes jornalista

| Os fatores de produção estão para a agricultura como pão para a boca. Com base nesta premissa, a Agromais Plus tem vindo a especializar-se ao longo destes 15 anos de existência na venda de um leque de produtos como por exemplo adubos, fitofarmacêuticos ou material de rega o que já lhe conferiu o estatuto de referência no mercado nacional. Já com uma quota de mercado de cerca de 80%, a empresa do universo da Agromais assume que já pouco mais poderá crescer na região da Golegã. Face a este cenário a aposta passou por exportar este modelo de negócio em que a escolha recaiu na zona do perímetro de rega do Alqueva para canalizar novo investimento na área dos fatores de produção. A nova empresa, Plus Alqueva, nasceu com a missão de comercializar fatores de produção no Baixo Alentejo, sendo que a área de influência inclui os novos regadios de Alqueva, mas também toda a zona do litoral alentejano, nomeadamente Odemira, onde a casa-mãe já tem uma presença impulsionada através do novo armazém construído na região. De acordo com o responsável comercial da Agromais Plus, Miguel Reis, ”há cerca de dois anos decidiu-se exportar este modelo para outras regiões, o que se tornou uma realidade no passado mês de Setembro com a inauguração das novas instalações na zona do perímetro de rega do Alqueva, onde há um aumento de áreas de produção”. Miguel Reis não tem dúvidas que na Golegã a empresa “já não consegue crescer mais devido a limitações geográficas, enquanto no Alqueva há perímetros de rega a serem postas em produção anualmente”. O mesmo responsável salientou que, fisicamente a Plus Alqueva está na zona de Ervidel, concelho de Aljustrel, “em plena área de influência da Barragem de Alqueva”. Para garantir esta presença foi realizado “um investimento importante em que se canalizou entre o ano passado e 2016 mais de um milhão de euros”, isto “numa época em que se nota alguma retração de investimento quer por via de redução de

apoios comunitários quer por via de algum pessimismo que está instalado relativamente aos preços dos produtos agrícolas”, salienta Miguel Reis. No entanto, concluiu-se que “sem esse investimento de raiz e sem uma localização formal no Alentejo não se teria condições de operar com os níveis de satisfação existentes na Golegã”, diz o responsável comercial da Agromais Plus. Miguel Reis destaca que os “fatores de produção são chave nesta área de negócio. Não se consegue fazer agricultura sem fatores de produção”. E lembra que até agora a cultura principal com que trabalha, a exemplo da Agromais, é o milho. “A Agromais Plus é líder de mercado a nível nacional em tudo o que são fatores de produção para o milho. É o maior distribuidor de semente de milho do País assim um dos maiores distribuidores de adubos ao figurar no top três das empresas do setor”. Também na vertente de fitofarmacêuticos a empresa destaca-se nas soluções que têm a ver com a gama milho, onde assume igualmente a liderança, sem esquecer as outras culturas como vinha, batata, tomate, na qual o nome da Agromais Plus figura no top cinco das empresas a nível nacional. Até agora os principais clientes desta área de negócio e que representam cerca de 80% da faturação estão baseados nos associados da Agromais CRL. Os restantes 20% são conseguidos com clientes fora do

universo da casa-mãe. Esta fatia de 80% traduz um volume de negócios na casa dos 14 milhões de euros. Ao exportar o modelo para a região alentejana a Agromais Plus quis criar uma entidade de cariz e raiz alentejana. “Não se pretende que a Plus Alqueva seja apenas e só um braço alentejano de uma empresa ribatejana. Quer-se muito mais do que isso” afirma Miguel Reis para justificar a criação da empresa local em que a totalidade dos colaboradores também é residente na região. Sem esquecer a atividade do grupo, o mesmo responsável assume que “a aposta é seguir a locomotiva Agromais”. Isto porque quando a casa-mãe decide avançar para aquela área do Alentejo, constrói um secador, constitui uma malha de agricultores locais para as diferentes culturas – como o alho, cebola, milho e brócolos – o que a Plus Alqueva vai fazer “é aquilo que já se tem no Ribatejo, ou seja, apetrechar os agricultores com os fatores de produção para as suas culturas”. Perante a perspetiva de áreas de produção que existem no Alqueva, Miguel Reis admite que “seria demasiado redutor que a Plus Alqueva estivesse na região apenas e exclusivamente para trabalhar com os produtores da Agromais”. A Plus Alqueva está na região “no mercado aberto com uma particular atenção para os produtores Agromais. Mas o principal ob-

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jetivo é venda de fatores de produção aos agricultores locais quer sejam da Agromais quer estejam fora deste universo”, garante ainda a mesma fonte. Até porque há um conjunto de culturas instaladas que não podem ser descuradas e onde a Agromais não é uma mais-valia. Culturas como o olival, vinha, ou o melão, nas quais, a Agromais não está envolvida, mas “em que claramente os fatores de produção pesam e serão um objetivo para as vendas da Plus Alqueva no Baixo Alentejo”. A entrada no Baixo Alentejo já contempla esta perspetiva mais abrangente do negócio. Perante o volume de negócios estimado e plano de negócios definido para os próximos cinco anos Miguel Reis afirma que já se está a contar com o contributo das diversas vertentes do mercado local. A provar o sucesso desta aposta assenta no fato de, neste momento, a Plus Alqueva já tem no Baixo Alentejo um dos três maiores clientes de fatores de produção”. Esta aposta vai trazer também uma maior abrangência de culturas que podem ser beneficiadas com as soluções da Plus Alqueva. Isto porque os fatores de produção, em grande parte das suas gamas, não são específicas para determinada cultura. Por exemplo, o fungicida de vinha é também utilizado para a batata ou tomate. “O nível de especialização que será necessário não é muito diferente daquilo que já existe na Golegã”. Apesar de admitir que no Baixo Alentejo a grande fatia de adubação que

que se espera que tenha um crescimento exponencial serão as vendas da Plus Alqueva”. “A cinco anos as vendas deverão representar qualquer coisa como 40% a 50% das vendas totais do grupo Agromais Plus”, garante a mesma fonte. Hoje garante que a Agromais Plus “é uma aposta ganha”, tendo em conta que quando nasceu em 1999 era um ‘outsider’ no negócio dos fatores de produção. Nesta fase, pouco mais de 15 anos depois a empresa, “é uma referência a nível nacional. Tem apostado no Ribatejo Norte, mas hoje com esta nova realidade com a criação do Plus Alqueva não há dúvidas que, a muito curto prazo, as duas entidades serão o

Apesar da perspetiva de sucesso desta aposta no Alentejo ser quase uma certeza, Miguel Reis não pode negligenciar um constrangimento que está em cima da mesa todos os dias: o custo da água no Alqueva se faz, sobretudo no olival, é com adubos líquidos. “Aqui haverá uma mudança de paradigma face à Golegã, mas para a qual a empresa está preparada e a que irá dar resposta”. A Agromais Plus, neste momento, tem uma faturação de cerca de 12 milhões de euros e face à perspetiva de aumento moderado das vendas, Miguel Reis antecipa que “o

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maior ‘player’ de fatores de produção a nível nacional”. Quanto a uma eventual entrada noutras regiões do País, Miguel Reis salienta que “o objetivo e ‘target’, neste momento, é o Baixo Alentejo. No entanto, “há outras regiões do País que não podem ser descuradas, noutros moldes, mas que deverão ser equacionados pela Agromais Plus também

como locais de bastante interesse para a sua atuação futura”. Neste momento, a Agromais Plus está localizada no Ribatejo Norte, sendo que “o Ribatejo Sul e o Alto Alentejo são duas zonas que a seu tempo serão alvo de estudo para se poder replicar este modelo de negócio. Apesar da perspetiva de sucesso desta aposta no Alentejo ser quase uma certeza, Miguel Reis não pode negligenciar um constrangimento que está em cima da mesa todos os dias: o custo da água no Alqueva. Isto porque assume que “o aumento do custo da água, que está previsto pela EDIA, é uma realidade que pode vir a complicar o processo”. A subida previsível do preço da água, que está calendarizado, inviabilizará muitas culturas, alerta a mesma fonte que realça que “não é isso que a EDIA quer enquanto fornecedor de água”. No entanto, por se tratar de uma relação de oferta/procura, o responsável comercial da Agromais Plus sublinha que “a EDIA é uma empresa que vende água, pelo que acredito que o custo será reequacionado a muito curto prazo”. “Interessa-lhe ter toda a área do regadio de Alqueva a ser regada. Ainda existe uma grande área de terrenos que estão já preparados para serem irrigados e que estão em sequeiro”. Por isso, “não sou muito pessimista e acredito que a relação oferta/procura irá estabelecer o custo da água real e aceitável”, conclui Miguel Reis.


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A gestão partilhada de áreas de conservação da natureza Humberto D. Rosa Director para o Capital Natural, DG Ambiente, Comissão Europeia

| Quem não gosta da natureza? Quem estará pronto a afirmar-se contra a sua conservação? Estou convencido que poucas pessoas assumiriam abertamente tais posições, e que pelo contrário, a conservação da natureza é um valor consideravelmente consensual para a maior parte da sociedade. No entanto, a designação e gestão de áreas de conservação da natureza raras vezes reúne tal consenso, e muitas vezes antes suscita conflito, animosidade ou desagrado junto daqueles que nelas habitam. Isso pode entender-se, não como indicação de desapreço pela natureza da parte seja de quem for, AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

mas pela percepção do que muitas vezes significa uma área protegida para os que nela fazem a sua vida: uma área em que passa a haver mais interferência estatal com a propriedade privada, com o direito de cada um pôr e dispor dos seu terrenos e atividades. É claro que o direito de propriedade tem limitações em toda a parte, no sentido em que de uma forma ou de outra, num Estado organizado os utilizadores do território encontram sempre limitações legais ao que podem e não podem fazer, em prol do bem colectivo. Mas as restrições por razões de conservação da natureza são muitas vezes especialmente mal recebidas, por razões que há que procurar entender - e inverter. Ponhamo-nos na pele de um agricultor ou proprie-

tário rural com os seus terrenos numa área rica em natureza. Muitas vezes esse indivíduo terá gosto, orgulho e algum sentido de identidade com os seus terrenos e com a natureza neles existentes. Sentirá que os veio cuidando para si e para os seus, e que a sua atividade foi permitindo ou sido sustentáculo da própria manutenção da fauna e flora local. A esperar algo da parte das autoridades, bem poderia ser o reconhecimento pelo bom resultado da sua atividade. Em vez disso, a inclusão dos seus terrenos numa área de conservação bastas vezes antes surgiu do nada, com pouca ou nenhuma consulta , informação ou envolvimento, e implicando um rol de restrições ou condicionantes impostas por poderes distantes.


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A meu ver este foi o estado das coisas em muitos processos de conservação da natureza, e provavelmente não teria de ter sido assim. Não que não faça sentido definir e impor restrições numa área protegida, já que essa é de alguma forma a essência do conceito de proteção que possa ser entendido necessária. O ponto de partida para uma área protegida bem sucedida e bem gerida é que não pode ser esse. O primeiro passo antes deve ser a consulta, o envolvimento, a audição dos agentes locais, seus interesses, aspirações, dúvidas ou temores. O segundo passo deve se o reconhecimento pelo mérito dos que conduzem a sua existência em compatibilidade com o meio envolvente. O terceiro, a consensualização possível sobre os valores em causa e sobre a melhor forma de os gerir e conservar. O mundo não é perfeito, e muitas vezes a história das áreas de conservação não seguiu este figurino, é certo. Veja-se por exemplo a Rede Natura 2000, essa criação europeia de que nos devemos orgulhar, já que é a maior rede estruturada de zonas de conservação do mundo, e que no entanto tantos conflitos e rejeição suscitou da parte de muitos utilizadores do território. O conceito da Rede Natura nunca foi o de criar reservas naturais em sentido estrito, antes visando desde a origem manter e fomentar as atividades compatíveis com os valores naturais. Mas em muitos países foi estabelecida ‘de cima para baixo’ num sentido de restrição ou proibição, gerando mal-estar, suspeita ou ressentimentos que frequentemente ainda perduram, incluindo da parte de agricultores. É minha convicção de que, paulatinamente, se vão criando condições para uma nova fase de articulação com as forças vivas que fazem, ocupam e utilizam as áreas de conservação da natureza. Em termos da Rede Natura 2000, encontram-se hoje situações, como por exemplo em França, em que uma rejeição quase generalizada inicial foi dando lugar ao diálogo, à parceria, à co-gestão e à percepção de uma mais-valia. É uma tendência que transparece quando houve processos ativos de envolvimento dos

Creio poder dizer com propriedade que a Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo se tornou um exemplo vivo do que afirmo. Fiquei impressionado, aquando de recente visita que me foi proporcionada

agentes locais, autarquias, organizações e proprietários. E é um caminho que reputo de indispensável para o próprio sucesso último da conservação da natureza. Tenho visto vários exemplos, em Portugal e pela demais Europa fora, de áreas de conservação co-geridas com autarquias, com organizações de produtores agrícolas ou florestais, com organizações de caçadores, com associações de defesa do ambiente, com indústrias extractivas ou outras, muitas vezes com resultados mais favoráveis do que se poderia esperar pela simples gestão solitária por um serviço público. Não pretendo sugerir que os conflitos de interesses ou de prioridades se desvanecem sem mais apenas por haver envolvimento ou co-gestão. O que opino é que o diálogo e envolvimento dos agentes locais é uma condição sine qua non para a boa gestão, e que muitas vezes a co-gestão efectiva com os utilizadores do território atrai melhores resultados. Creio poder dizer com propriedade que a Reserva Natural e da Biosfera do Paul do Boquilobo se tornou um exemplo vivo do que afirmo. Fiquei impressionado, aquando de recente visita que me foi proporcionada, por poder ver até que ponto a co-gestão acordada com a ONGATEJO veio abrir portas à ampliação da área protegida, ao envolvimento das autarquias e agentes locais, a um sentido de pertença, posse e orgulho pelo património natural que ali co-existe nas imediações de diversas atividades eco-

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nómicas, nomeadamente agrícolas. E deu já origem a uma melhoria sensível da qualidade da água e das condições para a natureza prosperar. O caso do Paul do Boquilobo é também

pub.

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notável precisamente pela proximidade de uma agricultura intensiva e rentável, em vez da agricultura extensiva ou de baixa intensidade e rendimento que ocorre em tantas outras áreas protegidas. Não

se pode iludir o facto bem diagnosticado de a agricultura intensiva muitas vezes implicar consequências negativas para o ambiente e a biodiversidade, por via de poluição por agroquímicos, por excesso de nutrientes, por consumo elevado de água ou por degradação dos solos. Ora o envolvimento dos agricultores na gestão da reserva natural é a meu ver um garante da sua motivação para uma melhoria crescente das condições ambientais da sua atividade. Hoje em dia estão em desenvolvimento novas abordagens agrícolas, ditas agro-ecológicas, com recurso a serviços da natureza para benefício da produção e do ambiente. Espero que na região do Paul do Boquilobo possam vir a surgir ensaios e demonstrações de como a atividade agrícola e a natureza se pode compatibilizar mais e melhor, a par da demonstração em curso de como a gestão partilhada de áreas de conservação da natureza é um caminho promissor e a expandir.


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UNESCO aprovou adaptação da Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo

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MÁRIO ANTUNES AGROTEJO / RB PAUL DO BOQUILOBO

| A UNESCO, através do Conselho de Coordenação Internacional do Programa MaB, decidiu favoravelmente as adaptações propostas pelo órgão de gestão da Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo. Considerou que “o plano de gestão, o zonamento e a participação dos agentes locais, se enquadram nas recomendações solicitadas, pelo que concluiu que a Reserva da Biosfera do Paul do Boquipub.

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lobo se enquadra nos critérios da regulamentação estatutária da rede mundial do Programa MaB”. Esta decisão reconheceu, além do elevado potencial de conservação do Paul do Boquilobo, a singularidade e sustentabilidade de uma vasta área rural que inclui também a agricultura, outras atividades económicas e aglomerados populacionais. Com esta decisão é também reconhecido um modelo de gestão inovador que inclui entidades públicas e privadas, suportado por um conselho consultivo composto por vários representantes da comunidade lo-

cal, ensino, investigação, autarquias, atividades económicas, associações de desenvolvimento local e empresas. Agora importa dar continuidade ao desenvolvimento deste novo projeto de caracter mundial, cimentando o envolvimento e contributo de todos os parceiros nesta nova estratégia. É nisso que estamos a trabalhar! A participação ativa no Comité Nacional do Programa Man&Biosphere, a adesão a Rede Nacional de Reservas da Biosfera e a participação a nível europeu em grupos de trabalho, permitem-nos partilhar informação, preocupações e oportunidades. A nível local a submissão de propostas de investimento a fundos comunitários, a articulação dos objetivos da Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo com as atividades a desenvolver pelos vários parceiros e a promoção permanente deste território, permitirão, a curto prazo, o reconhecimento, valorização e incorporação de mais-valias ambientais, económicas e sociais. Mas este esforço pode não ser suficiente! Só com a colaboração ativa de todos os agentes locais de desenvolvimento, populações e Entidades publicas será possível diferenciar positivamente um território reconhecido internacionalmente. Só assim podemos valorizar de facto uma chancela de qualidade que é de todos nós!


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José Pedro Salema Presidente do Conselho de Administração da EDIA

Porque é preciso alargar Alqueva

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| O Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva (EFMA) está a consolidar-se hoje como o principal projeto estruturante do Alentejo. A região beneficia de um conjunto de infraestruturas que potenciam o seu desenvolvimento de forma integrada e multissetorial. O setor económico com o maior destaque neste desenvolvimento é o da agricultura de regadio a tal ponto que a região já é considerada o epicentro agrícola nacional. A estratégia da EDIA de promoção e captação de investimento tem vindo a alcançar resultados expressivos que, pese embora a ” juventude” do Empreendimento, tem já uma elevada e pouco habitual taxa de adesão dos agricultores. Alqueva atravessa hoje um momento chave da sua história. Por um lado, este é um momento significativo para o projeto porque está em AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

O Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva (EFMA) está a consolidar-se hoje como o principal projeto estruturante do Alentejo

fase de conclusão da primeira grande etapa de infraestruturação estando operacionais os 120 mil hectares de área de regadio que foram pensados inicialmente. Por outro, está a ser projetada a expansão da área servida em mais 47 mil hectares alargando substancialmente o impacto positivo do projeto na economia da região e do país. Recentemente uma equipa liderada pelo Professor Augusto Mateus concluiu um estudo para a EDIA sobre o impacto do projeto Alqueva na economia portuguesa e as conclusões são deveras impressivas. O estudo considerou impactos do EFMA em diversas áreas. Alguns desses impactos estimados são quantificáveis, traduzindo-se em ganhos de produção, valor acrescentado bruto (VAB), exportações, postos de trabalho e receitas fiscais.


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De acordo com os resultados obtidos, a fase de construção do EFMA, que envolveu investimentos de cerca de 2,4 mil milhões de euros desde 1995 até 2015, terá tido na economia nacional efeitos de VAB acumulados superiores a 2 mil milhões de euros e efeitos de emprego em pico da atividade de construção na ordem dos 10 mil postos de trabalho, traduzindo-se ainda em receitas fiscais de mais de 690 milhões de euros. No que respeita aos impactos na fase de operação, no setor agrícola, no período entre 2007 e 2015, ter-se-á registado um diferencial de valor de produção acumulado nas áreas efetivamente regadas na ordem dos 580 milhões de euros, a que corresponde um VAB na ordem dos 395 milhões de euros. No que respeita ao emprego, em termos médios, houve mais 1 100 postos de trabalho. O mesmo estudo indica que os 120 000 hectares beneficiados por Alqueva deverão gerar anualmente, quando atingirem a adesão planeada de 80%, um aumento no valor bruto da produção de 340 milhões de Euros, um incremento da riqueza criada (VAB) de 254 milhões de Euros e mais de 7500 trabalhadores envolvidos na produção. Mas hoje é possível projetar um incremento muito substancial da área servida com o correspondente impacto na economia regional e nacional. O sistema idealizado há 2 décadas previa a distribuição de 6000 m3/ha mas, fruto da predominância da cultura do Olival (que ocupa mais de metade da área regada e tem necessidades inferiores a 2000 m3/ha) e aos enormes avanços nas técnicas de regadio as dotações médias verificadas são cerca de metade das projetadas. Se o sistema global se ajustar em torno do valor de dotação média de 3000 m3/ha na parcela chegamos à conclusão que será possível regar mais quase 50 mil hectares com o volume concessionado anualmente para regadio de 590 hm3. Existem cerca de 100 mil hectares de áreas limítrofes ao EFMA com potencial para o regadio e sem restrições ambientais. Cerca de metade desta área pode ser infraestruturada com custos unitários muito baixos uma vez que é aproveitado o excesso de capacidade adutora do sistema primário Alqueva está a assistir a uma dinâmica de instalação de projetos agrícolas muito interes-

Parecem assim estar reunidas todas as condições para concretizar a expansão da área de regadio

sante. À EDIA chegam diariamente pedidos de alargamento da rede e as visitas de potenciais investidores sucedem-se regularmente. Estima-se que este cenário de alargamento da área de intervenção implicará um investimento de cerca de 200 milhões de Euros mas terá impactos diretos para o setor agrícola no ano de cruzeiro, face à situação sem alargamento, um acréscimo de 119 milhões de euros no VBP, de 89 milhões de euros no VAB e de 2.630 trabalhadores em termos de volume de mão-de-obra. Mas este alargamento tem ainda outros efeitos muito importantes na restante área em exploração. O aumento de escala de cerca de 40% da área beneficiada permitirá diluir os custos fixos da operação e manutenção por um volume muito superior baixando os custos unitários de adução de cada metro cúbico distribuído. Parecem assim estar reunidas todas as condições para concretizar a expansão da área de regadio - há disponibilidade de água, há terra com vocação para o regadio, há vontade de investir. Por todo isto é fundamental encontrar o financiamento para alargar o perímetro de Alqueva para desta forma garantir a sustentabilidade de todo o sistema, a plena utilização das infraestruturas e para maximizar a riqueza criada a partir da maior reserva estratégica de água da Europa!

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A Colza pode ser uma cultura alternativa

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SUSANA COVÃO AGROMAIS

| A colza é uma planta em que das sementes se extrai óleo utilizado para o consumo humano e/ou na produção de biodiesel. De entre os óleos existentes no mercado (girassol, soja e palma) o óleo de colza para consumo humano é o que tem menor qualidade, contudo, pretende-se que este óleo tenha como finalidade o biodiesel. pub.

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A Colza é uma cultura que se dá bem em todos os tipos de solo desde que exista uma boa drenagem. Pode ser de sequeiro ou de regadio, este último garante uma melhor produção. É rústica, logo, bem adaptada a terrenos mais marginais que os cereais ou o girassol. Tem vantagem de ser uma cultura de Outono/Inverno e entrar nos compromissos de elegibilidade para efeitos RPB. Os ensaios dos últimos anos evidenciam já que, é uma cultura alternativa que pode ser incluída nas rotações do norte do vale do tejo e apresenta um rendimento interessante.


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REGIME FORFETÁRIO DO IVA noS PRODUTORES AGRÍCOLAS Adriano Leitão MONERIS AGRO

| Pretende-se que após a leitura do presente artigo os seus leitores obtenham um conjunto de repostas sobre do que afinal se trata o Regime Forfetário dos Produtores Agrícolas, e para isso sistematizamos todas as questões relevantes relacionadas: (i) o que é o regime forfetário dos produtores agrícolas? (ii) quem pode beneficiar do regime forfetário? (iii) opção pela aplicação do regime forfetário? (iv) quais as obrigações na emissão das faturas e como pedir a compensação

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forfetária? (v) quando cessa o regime forfetário? O que é o regime forfetário dos produtores agrícolas? Todos os agricultores que se encontram no regime de isenção previsto no artigo 53.º CIVA (opção por regime de isenção de IVA para empresários com volume de negócios inferior a 10.000 €) não liquidam IVA nas suas vendas e prestações de serviços, mas simultaneamente não podem deduzir o IVA suportado nas suas compras. Neste contexto, foi criado o regime forfetário para os produtores agrícolas que pretende atribuir uma compensação em

sede de IVA, solicitada à Autoridade Tributária e Aduaneira por todos os produtores agrícolas que reúnam as condições de aplicação do regime especial de isenção do artigo 53.º do Código do IVA: 1 não possuam, nem sejam obrigados a possuir contabilidade organizada, para efeitos de IRS 2 n ão pratiquem operações de importação, exportação ou atividades conexas 3 n ão efectuem transmissões de bens ou prestações de serviços previstas no anexo E do CIVA (desperdícios, resíduos e sucatas recicláveis) 4 v olume de negócios inferior a 10.000 € no ano civil anterior


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5 n ão beneficiem do regime de tributação dos combustíveis líquidos aplicável aos revendedores. A referida compensação é calculada mediante a aplicação de uma taxa de 6% sobre o total das vendas e prestações de serviços agrícolas (em cada semestre) a outros agentes económicos sujeitos passivos de IVA que não beneficiem do regime forfetário. Tomando como exemplo um empresário que durante o 1.º semestre do ano civil apresente um volume de negócios de 2.000 € receberá como compensação forfetária o montante de 120 €, e apresentar durante o 2.º semestre um volume de negócios de 3.000 € receberá mais 180 €. Quem pode beneficiar do regime forfetário? Podem beneficiar do regime forfetário os produtores agrícolas que reúnam as condições de aplicação do regime especial de isenção atrás enunciado e que exerçam a sua opção. As operações agrícolas abrangidas pelo regime forfetário são as transmissões de produtos agrícolas, provenientes diretamente das suas explorações, e cujas atividades se encontram discriminadas no anexo F ao Código do IVA, bem como as prestações de serviços agrícolas acessórias à produção agrícola, com recurso a mão-de-obra e equipamentos próprios, definidas no anexo G ao Código do IVA. Como é feita a opção pela aplicação do regime forfetário? Os produtores agrícolas podem optar pelo regime forfetário mediante a entrega de uma declaração de início de atividade ou de uma declaração de alterações ao início de atividade. Em resumo o contribuinte que se encontre enquadrado no regime especial de isenção (art.º 53.º CIVA) e reúna as restantes condições exigidas pelo regime forfetário, conforme discriminado acima, pode optar pelo regime forfetário através de entrega de declaração de início de atividade ou de alterações, em qualquer momento, e produzirá efeitos a partir da data da sua entrega. Caso o contribuinte, produtor agrícola, se encontre no regime geral de tributação em sede de IVA e que passe a reunir as

Todos os agricultores que se encontram no regime de isenção não liquidam IVA nas suas vendas e prestações de serviços

condições previstas e exigidas pelo regime forfetário, poderá também exercer a opção por este regime, também através da entrega da declaração de alterações ao inicio de atividade, durante o mês de janeiro do ano seguinte em que passou a estar enquadrado no regime especial de isenção (art.º 53.º CIVA) produzindo efeitos a partir do dia 1 de janeiro do ano da apresentação da declaração de alterações. Os produtores agrícolas que também exerçam atividades não agrícolas podem optar pelo regime forfetário, desde que, no conjunto, não tenham atingido no ano civil anterior um volume de negócios superior a € 10 000. Mas atenção, tendo exercido o direito de opção, os produtores agrícolas são obrigados a permanecer no regime forfetário durante pelo menos 5 anos. Mas afinal quais são as minhas obrigações na emissão das faturas e como posso pedir a compensação forfetária? Os produtores agrícolas apenas podem pedir a compensação forfetária, desde que nas respectivas faturas conste a menção “IVA - regime forfetário” e estas tenham sido comunicadas à AT. As restantes faturas que titulem operações efetuadas fora do âmbito da atividade agrícola, devem conter a menção “IVA – regime de isenção”.

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pré-preenchido, por defeito, com os dados das faturas comunicadas pelos produtores agrícolas contendo a indicação “IVA – regime forfetário”, que titulem vendas e serviços efetuados a outros sujeitos passivos de IVA, que não beneficiem eles próprios do presente regime. O prazo para efetuar o pedido de compensação por transmissão eletrónica de dados no Portal das Finanças, será até 20 de julho e 20 de janeiro de cada ano, relativamente às operações agrícolas efetuadas no semestre precedente.

Quando cessa o regime forfetário?

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Não conferem direito à compensação forfetária as vendas e prestações de serviços agrícolas efetuadas a consumidores finais ou sujeitos passivos que beneficiem do regime forfetário dos produtos agrícolas ou de regime idêntico noutro Estado membro. O pedido de compensação é apresentado pelo produtor agrícola à Administração Tributária através da submissão do modelo próprio, onde constam os valores das vendas e prestações de serviços agrícolas que conferem direito à compensação, bem como os números de identificação fiscal dos adquirentes. Este modelo encontra-se pub.

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O pedido de compensação é apresentado pelo produtor agrícola à Administração Tributária através da submissão do modelo próprio

O regime forfetário cessa por iniciativa do produtor agrícola ou da própria Administração Tributária ou ainda por renúncia do produtor agrícola. No primeiro caso, por iniciativa do produtor agrícola em que o mesmo deixou de reunir as condições exigidas pelo regime forfetário deverá ser entregue a respetiva declaração de alterações. No segundo caso, por iniciativa da Administração Tributária em que cessará oficiosamente o regime forfetário com efeitos imediatos desde que o contribuinte não exerça uma atividade agrícola ou se houver indícios de que o contribuinte utilizou o regime de forma indevida ou fraudulenta. Finalmente, através de renúncia do produtor agrícola, ficando impedido de regressar ao regime forfetário antes de decorridos, pelo menos, 5 anos, produzindo efeitos imediatos à entrega da declarações de alterações ao inicio de atividade.


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A investigação ao serviço do Desenvolvimento de Novos Produtos

o caso ADP Fertilizantes e Fertiberia | A ADP Fertilizantes introduziu no mercado de adubos 35 novos produtos, desde 1986. Os objetivos neste campo têm permanecido inalterados ao longo destes 30 anos: melhorar continuamente os produtos em comercialização, descobrir e estudar exaustivamente novas matérias-primas e novas formulações, bem com comprovar inequivocamente os benefícios agronómicos dos novos produtos. A importância desta área para os objetivos estratégicos da empresa é notória do ponto de vista financeiro, uma vez que representa um investimento de cerca de um milhão de euros aplicados na investigação e desenvolvimento de novos produtos. Este processo está certificado pela norma ISO 9001:2008 do Sistema de Gestão da Qualidade em vigor na empresa. Consequência desta aposta numa atualização permanente em termos de oferta comercial é a gama Exceed, responsável só nos últimos 10 anos por 21 novos produtos, de entre os quais se destacam as marcas Amicote, Nergetic e Profertil. A esta intensa atividade de desenvolvimento não é, de todo, alheia uma estrutura na área de Investigação e Desenvolvimento da ADP Fertilizantes e Fertiberia, que busca continuamente novas soluções inovadoras no mercado dos fertilizantes, que permitam responder às necessidades da lavoura. Alinhada e implementada em conjunto pela ADP e Fertiberia, a atividade de Inovação & Desenvolvimento surge com base numa equipa altamente especializada, que desenvolve a sua atividade com acesso aos mais sofisticados recursos e equipamentos. No que concerne a recursos humanos, a equipa é atualmente composta por 9 técnicos, engenheiros agrónomos, biólogos e químicos que desenvolvem a sua atividade recorrendo a mecanismos estabelecidos de vigilância tecnológica e acesso a banco de dados científicos (bibliotecas universitárias, consulta de patentes, bibliografia técnica e científica). No campo dos recursos e equipamentos, a equipa de I+D tem um laboratório para análises químicas e diversos ensaios laboratoriais.

DESENVOLVIMENTO DE NOVOS PRODUTOS EM 7 ESTAPAS PESQUISA Procura e avaliação de matérias primas. Mercado Estudos e avaliação de mercado. AGRONÓMICA - ENSAIOS Aprovação agronómica. INDUSTRIAL - ENSAIOS Aprovação industrial. Legal - Ensaios Processo de legalização. Comercial Proposta lançamento. Documentação técnica. DISTRIBUIÇÃO Demonstrações comerciais do produto

Ao dispor dos técnicos está também uma camara de crescimento para ensaios em microcosmos, com plantas, bem como duas fabricas piloto para produção de protótipos pré-comerciais de adubos.

Colocando sempre os produtores e a obtenção dos melhores resultados no centro da sua estratégia de Inovação & Desenvolvimento, a ADP realiza anualmente mais de 50 ensaios de campo, ensaios em vaso e ensaios laboratoriais, com delineamentos estatísticos, que são a base da comprovação agronómica de cada nova matéria-prima e novo produto. Todos os anos são também levados a cabo dezenas de campos demonstrativos que comprovam comercialmente os benefícios dos novos adubos. Estes ensaios de campo, realizados tradicionalmente em explorações agrícolas de agricultores, exploram essencialmente as principais culturas de Portugal e Espanha: Cereais de Inverno, milho, batata, cenoura, cebola, alho, couves, morangos, tomate para indústria, pimento, pastagens, forragens anuais, luzerna, pomares de citrinos, macieiras, pereiras, pessegueiros e cerejeiras, vinha e olival. A área de desenvolvimento de novos produtos passa também, invariavelmente, por uma permanente colaboração, através de protocolos de cooperação técnico-científica. Num total são já 22 universidades e 16 centros de investigação especializados e independentes da Península Ibérica, que trabalham atualmente em conjunto com a ADP – Fertilizantes e Fertiberia, fornecendo o suporte técnico-científico para a conceção dos novos fertilizantes. O Instituto Superior de Agronomia (ISA) e Faculdade de Ciências (FCUL) da Universidade de Lisboa, Universidade Nova de Lisboa, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Universidade de Évora, Universidade do Algarve, são os organismos nacionais com quem esta parceria está atualmente em vigor. No caso Espanhol as instituições associadas são, entre outras, Universidad de León, Universidad Politécnica de Madrid, Universidad de Sevilla, Instituto de Recursos Naturales y Agrobiologia (IRNASA-CSIC), Universidad de Salamanca, Aula Dei (CSIC), Asociación de Investigación para la Mejora del Cultivo de la Remolacha Azucarera (AIMCRA). AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

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A FORÇA DO MODERNO ASSOCIATIVISMO LUIS MESQUITA dias VITACRESS

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| Seis anos depois de pela primeira vez ter ido a Berlim, integrado na “comitiva” da recém criada Portugal Fresh, ainda hoje me surpreende a força e o resultado do que tem vindo a ser construído. O setor dos frescos em Portugal nunca mais foi o mesmo desde que esta associação de produtores de Flores, Frutas e Legumes foi criada com o intuito de ajudar a expandir o nome de Portugal enquanto país exportador deste tipo de produtos. De uma presença tímida, esporádica e dispersa de três ou quatro empresas que tiveram há bastantes anos atrás a coragem de querer pôr um pé fora de portas, passou-se a uma presença regular de 300 ou 400 m2 de exposição em que um conjunto alargado de empresas conseguiu fazer o que isoladamente seria impensável. Hoje em dia , Portugal é jå uma presença obrigatória e respeitada em vários eventos internacionais, com destaque claro para a Fruit Logistica de Berlim e a Fruit Attraction de Madrid. Seria injusto esquecer aqueles que mais contribuíram para que esta realidade fosse possível. Políticamente, e ao contrário do que é infelizmente habitual no nosso país, os responsáveis ministeriais desta área deram o exemplo de como as boas ideias não têm partido nem ideologia. Desde o Professor António Serrano, obreiro ou facilitador primeiro desta iniciativa ao Engenheiro Capoulas passando pela entusiástica Professora Assunção Cristas, se alguém de Marte aqui aterrasse e acompanhasse cada um deles nas visitas que fizeram aos nossos stands, certamente não suspeitaria do quão diferentes estes protagonistas são, de tal forma unânime e alinhado foi o seu apoio a esta iniciativa do setor.

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Os respetivos Secretários de Estado alinharam aliás pelo mesmo diapasão e o apoio que nos deram foi absolutamente uniforme e determinante. Sabendo que foram muitos os que contribuiram para este sucesso, gostaria de destacar os Engenheiros Manuel Évora, Gonçalo Andrade e José Canha. Cada um com o seu papel e a sua missão foram absolutamente instrumentais para se alcançar o patamar em que hoje estamos. Todos eles manifestaram um sentido de missão dificilmente ultrapassável, tantas vezes com tanto sacrifício pessoal e em precárias condições de saúde. O setor e o país nunca lhes agradecerão o suficiente. O que está feito, feito está. Não estará no entanto nunca acabado e seria importan-

te que aquelas empresas que ainda hoje estão afastadas deste movimento, a ele se juntassem. É compreensível a retração sentida por muitos em pagar alguns milhares de euros para ter acesso a essa presença. Quem como eu , em representação da Vitacress , aí tem permanentemente estado, pode assegurar que dois ou três contactos comerciais bem sucedidos ( e para o serem , a presença nos eventos deve ser bem preparada) facilmente justificam o investimento feito. As empresas que o venham a fazer sairão mais fortes, a Portugal Fresh representará melhor o setor e o País ganhará novo fôlego para uma presença internacional cada vez mais reconhecida.


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AVALIAÇÃO DO IMPACTO ECONÓMICO CAUSADO PELA RETIRADA DE SUBSTÂNCIAS ACTIVAS António Lopes Dias Diretor Executivo da Anipla

RESULTADOS: IMPACTO ECONÓMICO NAS FILEIRAS EM ANÁLISE

| INTRODUÇÃO Existe uma probabilidade elevada de várias substâncias activas, actualmente autorizadas no nosso país, virem a ser proibidas num horizonte temporal mais ou menos alargado. Este facto resulta não só de uma única causa, mas de um conjunto de peças legislativas, todas elas apontando para um conceito de avaliação que não tem em conta a relação entre o benefício e o risco na utilização dos produtos. Neste ambiente regulatório na UE e com o enorme incremento de custos para introduzir uma nova substância no mercado, a indústria tende por um lado, a reduzir o seu investimento em I&D e, por outro, a dirigi-lo preferencialmente para outros continentes. Neste sentido, a retirada de substâncias activas no espaço europeu será muito fracamente compensada pela entrada de novos produtos. Procurámos fazer uma avaliação do impacto deste cenário na nossa economia agrária, tomando como base de análise cinco fileiras produtivas chave do sector: vinho, azeite, pera rocha, tomate de indústria e milho-grão. Quisemos ser totalmente isentos, como se impõe, recorrendo a dados oficiais, sempre que disponíveis e, sobretudo, ouvindo aqueles que, na sua actividade profissional diária, seja ela puramente técnica ou estritamente empresarial, têm a experiência, o “know-how” e a sensibilidade adequadas para contribuir de forma válida para este estudo. Este trabalho foi efectuado entre Julho de 2015 e Abril de 2016 e agregou a participação de um total de 27 entidades públicas e privadas, colectivas e individuais.

De notar que o valor total de exportações destas cinco fileiras é estimado em cerca de 1,5 mil milhões de euros. Mas não é só esse valor que era perdido; seria outro tanto ou mais que seria preciso gastar para repor os bens consumidos localmente.

CONCLUSÕES E SUGESTÕES

RENDIMENTO ACTUAL Rendimento calculado ao nível agricultor. Preços base. 2015. Fontes: INE, GPP e parceiros das fileiras produtivas. RENDIMENTO FINAL Rendimento obtido após a retirada das substâncias listadas, mantendo-se constantes todas as outras variáveis.

Atentando ao rendimento calculado ao nível agricultor / produtor, o conjunto das fileiras sofreria uma quebra de mais de 800 milhões de euros, a preços de 2015, o equivalente a mais de 55% do seu rendimento actual. A cultura do tomate para fins industriais será seriamente afectada pela retirada de fungicidas e insecticidas (principalmente) indispensáveis para a protecção fitossanitária. No caso do milho para grão, falamos fundamentalmente de substâncias herbicidas, algumas delas, hoje as mais utilizadas. Todos nós sabemos como a concorrência das infestantes pode prejudicar a produtividade. Neste cenário, tomate e milho deixariam de ser culturas viáveis e haveria um abandono total, dada a especificidade e profissionalismo com que elas são feitas actualmente.

Este estudo demonstra que a retirada das substâncias activas em risco conduz a um cenário extremamente gravoso. Lembramos que se avaliou “apenas” a dimensão dos danos ao nível do produtor. Outros operadores económicos e vários outros impactos seriam também envolvidos. Tanto a montante como a jusante, em fornecedores de bens e serviços, no nível de desemprego, no abandono das áreas rurais, na emigração, no ambiente, na paisagem rural e tantos outros. Todos os envolvidos têm que encetar um conjunto de acções que conduzam às alterações necessárias aos processos actualmente adoptados na avaliação de produtos fitofarmacêuticos. É indispensável que a inovação e a tecnologia não sejam uma barreira; ser uma barreira, significa que cada vez mais os produtores europeus ficarão afastados dos meios tecnológicos ao dispor e perderão competitividade para os produtores de outros continentes. Todo o processo de avaliação e consequente tomada de decisão tem que se basear numa regulamentação clara, previsível e, acima de tudo, assente na ciência e não na política ou na opinião pública. É necessário sensibilizar o poder político e envolvê-lo na tomada de acções conjuntas em Bruxelas em defesa dos interesses da nossa agricultura que, no final, é a defesa da nossa economia e da nossa nação.

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Revista Agrotejo n.º 26 - Ano 2016 by Agrotejo - Issuu