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Revista Agrotejo n.º 33 - Ano 2023

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REVISTA

Plublicação Anual | nov 2023 | número 33

www.agrotejo.pt

VIDAS

Álvaro Mendonça e Moura PRESIDENTE DA CAP

ALFREDO ORVALHO

Um HOMEM que muita falta faz, de tão poucos que ainda existem! ENTREVISTA

JOSÉ PIMENTA MACHADO

Gerir melhor as infraestruturas de regadio existentes DIAGNÓSTICO

Impacto do PEPAC sobre os apoios diretos aos rendimentos

“ No Pacto Social o Governo prometeu aumentar o rendimento dos agricultores”


ÍNDICE

D DIAGNÓSTICO

EDITORIAL

2

14 ANÁLISE DO IMPACTO DO

A IMPORTÂNCIA DA AGRICULTURA

PEPAC Sobre os apoios diretos aos rendimentos dos produtores de milho grão em Portugal continental

A ATUALIDADES

76

FRANCISCO GOMES DA SILVA Os preços dos alimentos em Portugal e a responsabilidade dos agricultores

118

SERVIÇOS DE ECOSSISTEMAS O novo paradigma da agricultura

122

140 RESERVAS DA BIOSFERA Territórios Sustentáveis, Comunidades Resilientes

PROJETO TEJO

62

O OPINIÃO

CEREAIS Os caminhos do setor em Portugal

12 CARLOS NEVES

R REPORTAGEM

84 JOSÉ CORREIA

Os tostões da agricultura e os milhões da CEE Tomate de Indústria, do melhoramento genético ao campo.

62 PROJETO TEJO

Falta de estratégia a médio/longo prazo

SERVIÇOS DE ECOSISTEMAS

E ENTREVISTA

4

JAIME PIÇARRA SECRETÁRIO-GERAL DA IACA Soberania alimentar

34

ÁLVARO MENDONÇA E MOURA PRESIDENTE DA CAP Alcançada transferência de verbas entre pilares da PAC

110

JOSÉ PIMENTA MACHADO VICE-PRESIDENTE DA APA Uma melhor gestão das infraestruturas existentes

N NEGÓCIO

118

1

158 ENTOGREEN

Fertilizantes orgânicos de inseto

160 HIDROSOPH

Gestão da rega da nogueira

164 PIONEER

Colher o futuro

166 THE NAVIGATOR COMPANY O eucalipto sequestra mais carbono

CEREAIS

122

V VIDAS

148 CONSULAI

De que forma estará o Projeto ClieNFarms a promover uma agricultura neutra em carbono?

170 PORTUGAL FRESH

Resultados das exportações são fruto de um investimento de décadas em inovação, tecnologia e sustentabilidade

50 ALFREDO MAIA ORVALHO Um HOMEM, “Pai de todos”

C CAMPO

154 AGENDA MOBILIZADORA INSECTERA Um novo setor bioindustrial

SITE www.agrotejo.pt

RESERVAS DA BIOSFERA

169 A VINDIMA

140

EMAIL agrotejo@agrotejo.pt

DIREÇÃO Agrotejo EDIÇÃO E PROPRIEDADE Agrotejo COORDENAÇÃO EDITORIAL Mário Antunes, José Monteiro Limão e Sara Pelicano DESIGN EDITORIAL Teresa Matias

H HISTÓRIAS & SABERES

TEXTOS Luís Mesquita Dias. Sara Pelicano, Teresa Ferreira, Filipe Duarte Santos, Jorge Pires, Eduardo Dinis, José Carlos Lino Sérvulo Correia, António Carmona Rodrigues, José Núncio, Abílio Pereira, Daniel Ribeiro, Daniel Murta, Ivã Lopes, Tiago Silva Pinto, Nuno Moreira, Jorge Neto, Álvaro Silva, Carolina Ramos, Diogo Moniz, Luís Mira da Silva, Ricardo Teixeira, Tiago Morais, Miguel Vieira Lopes, Fernando Faria Pereira, Ana Cristina Falcão, Luiz Oosterbeek, José Antonio Márquez, Bruno Estêvão, Luís Mota Figueira, Paulo Pereira, André Marçal e Paula Faria

IMPRESSÃO A Persistente – Chamusca TIRAGEM 4000 exemplares DEPÓSITO LEGAL 93520/9

Largo da Imaculada Conceição 2150-125 GOLEGÃ Tel 249 979 060 Fax 249 979 069

Lg. Custódio Marques Montargil 2140-076 CHAMUSCA Tel 249 760 004 Tel/Fax 249 760 448

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EDITORIAL

Luís Mesquita Dias PRESIDENTE DA AGROTEJO

A importância da agricultura

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Há dias chamava-me a atenção um colega do setor sobre o número de vezes que a palavra agroalimentar aparecia referida no Orçamento de Estado de 2024. Zero é a resposta certa. Não tinha feito essa análise mas o resultado não me surpreende. Apenas me entristece. E mais triste fico quando imagino um Orçamento de Estado feito pelo maior Partido da Oposição. Provavelmente o resultado seria o mesmo. Longe vão os tempos em que Paulo Portas nos lembrava que existia agricultura, nem que fosse pelas suas famosas incursões pelas feiras… É muito injusto que um dos principais setores que manteve o País a funcionar durante a pandemia, nunca tenha sido devidamente reconhecido por isso e continue agora a ser ignorado. Um dos dramas do mundo rural, a par da escassez de água e de mão de obra, é o seu pequeno peso eleitoral que leva os políticos a ignorá-lo. E mesmo quanto à água e à mão de obra, são profundamente injustas as referências que lhe são associadas. Diz-se da agricultura, ser em muitas regiões o principal consumidor e esbanjador de água. Precisamente aquelas regiões que alimentam o país e as nossas exportações. Diz-se da agricultura moderna que é quem “escraviza” os imigrantes impondo-lhes condições indignas de habitação. Falamos precisamente daqueles empresários que em Odemira, em Mangualde ou no Fundão investiram milhões de

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euros em habitações tempoárias mas dignas, compensando parcialmente aquilo que o Estado Central e algumas autarquias não fizeram. E que dizer daquilo que hoje a agricultura continua a fazer contra ventos e marés? Da água que pretende guardar em charcas cujo licenciamento é penoso, quando não impossível! Das dessalinizadoras porque nos batemos ajudando a quebrar um tabú de muitos anos. Das barragens inevitáveis para garantir a nossa autonomia política e soberania alimentar e que, apesar dos obstáculos colocados, não desistimos de construir! E da participação nas missões da Organização Internacional das Migrações lutando por um recrutamento digno na origem, livre de intermediários exploradores! Senhores governantes, de hoje ou futuros: Como dizia Saramago, “Quando olhares, vê! Quando vires, repara!” Olhem com olhos de ver para o País à vossa volta e dediquem à Agricultura um pouco da atenção que lhe têm subtraído.


E ENTREVISTA

SOBERANIA ALIMENTAR

“Com mais produção e previsibilidade no abastecimento, ficamos mais seguros” Jaime Piçarra, secretário-geral da IACA - Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais, destaca que a União Europeia tem de ter um pensamento estratégico quanto à soberania alimentar e Portugal tem de fazer uma análise interna para perceber se pode fazer mais e melhor.

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Sara Pelicano

Qual a importância da soberania alimentar? O tema da soberania alimentar voltou a ganhar relevância com a pandemia e, sobretudo, na sequência da invasão da Ucrânia pela Rússia em 24 de fevereiro de 2022, quando nos demos conta (enquanto opinião pública e publicada) da fragilidade nas cadeias de abastecimento e da dependência de Portugal em matérias-primas de base para a alimentação animal e humana, nomeadamente de cereais, como o trigo, o milho ou a cevada. É importante recordarmo-nos que este tema da dependência de matérias-primas, da volatilidade e da instabilidade dos mercados foi abordado na crise financeira de 2008 (subprime) e mais tarde, durante a intervenção da troika. Nesses tempos difíceis, a agricultura foi a grande atividade de refúgio da economia, num clima de profunda recessão. Infelizmente, é nas alturas de crise que os media e a opinião pública

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começam a dar alguma atenção a problemas que se arrastam, de natureza estrutural, e que são reveladores da nossa debilidade. As alterações climáticas têm condicionado, naturalmente, a oferta de matérias-primas nos mercados internacionais, tal como o funcionamento das cadeias logísticas, mas a evolução de algumas economias como a China, por exemplo, também têm pressionado os mercados pela acumulação de stocks (evidente no segundo semestre de 2021), criando incerteza e volatilidade. A pandemia e a disrupção das cadeias de abastecimento, obrigou a uma ação concertada de todos os operadores ao longo da cadeia alimentar e com a Administração Pública, o que mostrou a nossa resiliência e colocou este setor na agenda política e mediática. Mais tarde, com os impactos da guerra na Ucrânia, ficou evidente que não tínhamos stocks para mais de 15 dias. Ainda hoje as empresas não têm suficientes estruturas de armazenagem,


amiúde existem greves, perturbações e um deficiente funcionamento nas estruturas portuárias, desde logo na SILOPOR, cuja situação é representativa de algumas condicionantes da nossa atividade. A SILOPOR, uma estrutura essencial para o recebimento de matérias-primas que nos chegam por via marítima, é uma empresa do Estado em liquidação há vários anos. Este é um exemplo de situações que se arrastam há longos anos, potenciam ainda maiores custos e, consequentemente, oneram os preços em toda a cadeia alimentar. Os stocks de cereais são estratégicos para o país? Há muitos anos, desde que existiam stocks de intervenção de cereais, que a IACA tem vindo sucessivamente a falar da necessidade de existirem stocks estratégicos como acontece em muitos países. A alimentação animal é essencial para garantir a existência de uma pecuária competitiva e produtos de origem animal de qualidade e com preços razoáveis para os consumidores. Num país que depende 80% do exterior para as necessidades de aprovisionamento, esta é, pois, uma questão central e estratégica: com mais produção e previsibilidade no abastecimento, ficamos mais seguros, menos expostos à volatilidade dos mercados internacionais. Qual o papel da União Europeia? A União Europeia também percebeu a sensibilidade política deste problema e, para além da discussão sobre os planos de contingência, criou o mecanismo de gestão de crises (EFSMC) e mais recentemente, no âmbito da presidência espanhola, decorre a discussão sobre a Open Strategy Autonomy (OSA), ou seja, a Estratégia de Autonomia para a União Europeia. A discussão da soberania e da segurança alimentar volta, claramente, a estar na ordem do dia. Situação que nos apraz. De que forma é que a mesma pode ser alcançada em Portugal? Creio que não podemos ter a pretensão de ser autossuficientes em todos os produtos. A questão da soberania alimentar tem um espaço próprio na União Europeia, mas temos de olhar para Portugal e ver se temos capacidade de fazer mais (e melhor) com as políticas públicas e no quadro da PAC. Somos deficitários na produção de carne, sobretudo na carne de bovino, e exceden-

tários em produtos como o leite e os ovos, relativamente autossuficientes na carne de frango, cujo consumo está em alta. Para a questão dos cereais, essencial para todos nós, já foi definida uma estratégia nacional para a promoção deste setor, com uma meta de 40% do aprovisionamento (atualmente na ordem dos 20%), que inclui 50% no milho e 20% nos cereais praganosos. Mas é essencial perceber o que é, de facto, importante, para o país. A indústria pecuária (carne, leite, ovos e alimentação animal) é a principal indústria agroalimentar do país no seu conjunto. Representa cerca de 45% do volume de negócios. Nela, os alimentos para animais representam o principal fator de produção das explorações agropecuárias. Devemos perceber se esta atividade deve ou não ser estratégica para Portugal. Porque outra forma de olhar para o problema é reduzir a atividade, com restrições na oferta e/ou na procura. Infelizmente parece que muitos querem seguir esse caminho, mas o consumo de carne é essencial para as dietas equilibradas, a produção pecuária é insubstituível no nosso desenvolvimento coletivo e da maior importância para o Mundo Rural, travando o abandono e a desertificação.

“

INFELIZMENTE, É NAS ALTURAS DE CRISE QUE OS MEDIA E A OPINIÃO PÚBLICA COMEÇAM A DAR ALGUMA ATENÇÃO A PROBLEMAS QUE SE ARRASTAM, DE NATUREZA ESTRUTURAL, E QUE SÃO REVELADORES DA NOSSA DEBILIDADE.

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Que medidas políticas devem ou podem ser adotadas para dar passos consistentes na questão da soberania alimentar? Para além da promoção dos cereais – cuja área só aumentará se os preços forem competitivos, para além da ocupação das áreas com olival ou amendoal – temos o instrumento do PEPAC, em que as ajudas ligadas, os apoios ao rendimento com o Pagamento Único, os eco-regimes e as medidas de Desenvolvimento Rural são essenciais, sem esquecer as ajudas de mercado em situações de crise. Mas é igualmente importante revisitar questões como os licenciamentos das explorações, a gestão da água, o bem-estar animal, incentivos à atividade produtiva, aposta na inovação e na investigação. Há que apoiar os agricultores, manter os rendimentos, reduzir os custos de contexto, transferir verbas entre pilares, não ser tão fundamentalistas, assegurar o equilíbrio entre a componente produtiva e ambiental, reconhecendo a multifuncionalidade da agricultura. A fiscalidade é outra questão importante, reduzir o IVA para alguns produtos transformados, harmonizando-os com a média europeia, como por exemplo para os petfood, contratualizar a produção AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

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E ENTREVISTA

“

A DISCUSSÃO DA SOBERANIA E DA SEGURANÇA ALIMENTAR VOLTA, CLARAMENTE, A ESTAR NA ORDEM DO DIA.” 6

com a indústria e apoiar as exportações para que seja possível atingir-se rapidamente os 10.000 milhões de euros e reduzir o déficit agroalimentar que se situa acima dos 5.000 milhões de euros. Na área da inovação e investigação, os programas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) ou os Laboratórios Colaborativos (por exemplo o FeedInov na alimentação animal), são muito importantes, mas também urge que Portugal tenha uma visão mais aberta, com base no conhecimento científico e uma intocável avaliação de risco, em matérias como a utilização sustentável de pesticidas ou as novas técnicas de melhoramento de plantas (NGT). No início da guerra da Ucrânia, muito se falou sobre esta questão da soberania alimentar. Foram tomadas algumas medidas? Fizeram-se muitos debates, os media deram mais destaque a essa questão, até pelo aumento dos preços da alimentação e da inflação. Tínhamos reuniões quase semanais do Grupo de Abastecimento, falámos da SI-

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LOPOR, contivemos as greves, mas, a verdade é que o Governo não resolveu o que lhe competia nos estrangulamentos de base. A SILOPOR continua igual e a depender das Finanças, não existe, que saibamos, um diálogo entre Agricultura e Alimentação, Finanças, Economia e Infraestruturas, continuamos a necessitar de stocks estratégicos…mas o facto é que, como várias vezes temos referido, existe uma desqualificação política da Agricultura e da Alimentação no atual Governo. Qual parente pobre da economia portuguesa ou filhos de “um Deus menor”. Os agricultores têm também um papel nesta questão? Qual? É evidente que os agricultores, incluindo os produtores pecuários, são da maior importância para se atingir os objetivos. Queremos uma estratégia o mais possível de nos aprovisionarmos no mercado nacional, com proximidade, até para responder aos desafios da pegada ecológica, regras que podemos controlar e certificar, criar cadeias de valor de base nacional. Estamos presentes em muitas Comissões de Acompanhamento e o que verificamos é que as suas propostas não são ouvidas ou não são tidas em linha de conta, têm apoios inferiores aos de outros países e a Estratégia do “Prado ao Prato” terá impactos negativos, potenciando perda de rendimentos, de produções e aumentando os preços para os consumidores. Temos de trabalhar em conjunto, mas precisamos também de uma Administração cooperante. Aprofundar a PARCA, por exemplo, e regressar às Comissões de Acompanhamento da Cadeia de Abastecimento Alimentar seriam boas iniciativas. Há que transformar as palavras em atos e em políticas concretas. Recentemente, Ursula von der Leyen, no seu discurso sobre o Estado da União, elogiou a resiliência e o papel dos agricultores, agradeceu a todos os atores e referiu que devemos refletir em conjunto sobre o futuro da Agricultura. Podemos ainda aproveitar as próximas eleições europeias para discutir o papel de Portugal na União Europeia e o futuro da nossa política agroalimentar, auscultando, tal como foi feito em França com os Estados-Gerais da Alimentação, todos os intervenientes. Não é possível delinear políticas públicas, com impacto no presente e no futuro, deixando de fora, os verdadeiros atores e os seus legítimos representantes.


O OPINIÃO

Luís Vasconcellos e Souza

O individualismo nunca foi a fórmula mágica 8

É com grande orgulho que escrevo estas linhas nesta edição, depois destes meus 36 anos de trabalho ligado à Agromais. A Agromais foi obra de todos, mas como se costuma dizer foi mais obra de uns do que de outros. Foram pessoas como o Sr. Fernando Cunha e como o eng. Alfredo Orvalho que levaram os agricultores desta região a fazer esta obra conjunta e, porque não dizê-lo, a Agrotejo e a Agromais. A eles os dois quero hoje aqui deixar expressa a minha homenagem por terem sido pessoas de tão alta qualidade e de tanta entrega a esta causa. No momento da criação de ambas, sentiam-se tempos de mudança. Portugal acabara de entrar na União Europeia, o comércio alimentar mudava as suas regras e avizinhavam-se grandes ajudas e investimentos para o nosso sector. Conseguiu-se, num quadro de mudanças profundas, começar a construir uma organização que com o tempo se diversificou, se robusteceu e se consolidou, organização essa que veio a ter um papel de grande destaque no desenvolvimento agrícola do norte do Vale do Tejo. Passámos mesmo a ser um exemplo para toda o sector e para os agentes da cadeia alimentar. Políticos incluídos… Foram 30 anos de atividade intensa e de uma certa euforia de todos os agentes ligados ao sector. Mas como dizem os brasileiros “o que é bom sempre acaba”. E nos últimos anos deu-se uma mudança de paradigma enorme: – O poder político aleou-se do sector, preferindo “dedicar-se” às zonas urbanas; – O Mercado tornou-se muito mais volátil; – O individualismo dos agricultores aumentou muito; – Os fundos de investimento “descobriram” o interesse da atividade agrícola em Portugal. É este o “ecossistema” que temos à nossa frente e ao qual nos temos de adaptar. Os agricultores foram levados para o mercado livre, mercado esse que passou a ter novos agentes ao nível da proAGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

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dução com características totalmente diferentes das dos agricultores/produtores tradicionais e que a cada dia aumentam as respetivas áreas de produção. Que se desenganem aqueles que acham que o seu individualismo vai ser a fonte do seu sucesso. O individualismo nunca foi a fórmula mágica que alguns auguram. Devemos sempre continuar a balancear os diferentes interesses em jogo. Só assim, podemos ter uma Agrotejo mais atuante e representativa e uma Agromais forte e com futuro. Obrigado a todos!


B BREVES

Ribalocal - Associação de desenvolvimento Local vai gerir Leader

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Em julho deste ano foi criada a Ribalocal – Associação de Desenvolvimento Local, por diversas entidades, nomeadamente: a Agromais, a Agrotejo, a OngaTejo, a Achar, a Fundação José Relvas, a Adega Cooperativa de Almeirim, a Torriba, a Orivarzea, a Companhia das Lezírias, a OryPortugal, a Associação de Agricultores de Coruche e a Santa Casa da Misericórdia de Coruche. O objetivo desta nova associação e candidatar-se ao Grupo de Ação Local e gerir o Programa Leader nos concelhos da Golegã, Chamusca, Alpiarça, Almeirim, Salvaterra de Magos Benavente e Coruche. A constituição desta nova associação teve apoio da Câmara Municipal de Coruche e do seu presidente, que fez a ligação entre a Ribalocal e as câmaras municipais dos concelhos a intervir, constituindo uma parceria de promoção de desenvolvimento. pub.

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Breve Circuito apoia a região em obras de construção civil A empresa Breve Circuito, com sede em Torres Novas, constituída em 2009, tem desenvolvido a sua atividade principal no âmbito das instalações elétricas e instalação de painéis fotovoltaicos. Agora, inicia um novo projeto com um setor ligado a obras de construção civil. A complementaridade com a atividade desenvolvida até aqui, assim como a capacidade técnica existente forma algumas razões para esta nova aposta. A sustentabilidade nas soluções apresentadas continuará a ser o mote deste novo desafio. A Breve Circuito continuará o seu foco nas energias renováveis, sistemas de rega, sistemas de bombagem a que se juntará um apoio na área da construção civil.


Município da Golegã com candidatura aprovada para a Reserva Natural do Paul do Boquilobo

O presidente da Câmara Municipal da Golegã, António Camilo, assinou em Esposende, o contrato de financiamento para a “Melhoria das condições de visitação em áreas protegidas de âmbito nacional

em cogestão”, juntamente com o Secretário de Estado da Conservação da Natureza e Florestas, João Paulo Catarino, para um investimento de 34.929,55 de euros, dos quais 31.304,77 de euros são financiados

pelo Fundo Ambiental, a beneficiar a Reserva Natural do Paul do Boquilobo e o concelho da Golegã. Esta candidatura foi efetuada pelo Município da Golegã no ano de 2022, que aproveitou um aviso de abertura do Fundo Ambiental, com vista à melhoria das zonas de visitação das áreas protegidas. Este investimento já aprovado, adjudicado e a realizar ainda em 2023, permitirá intervencionar os observatórios de aves que se encontram danificados, bem como o telheiro de apoio à visitação, melhorando assim a interação dos visitantes com o património natural da RNPB. Diogo Rosa,vice-presidente da Câmara Municipal da Golegã referiu à revista Agrotejo que “estes investimentos são mais um passo na valorização daquele espaço natural com um objetivo claro de dinamizar atividades de sensibilização, conservação da natureza e atividades ligadas ao turismo da natureza”. pub.

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O OPINIÃO

Carlos Neves AGRICULTOR, COMUNICADOR E PRODUTOR DE LEITE E MILHO SECRETÁRIO GERAL DA APROLEP – ASSOCIAÇÃO DOS PRODUTORES DE LEITE DE PORTUGAL

Os tostões da agricultura e os milhões da CEE 12

Antigamente todos eram agricultores ou vizinhos de agricultores. Hoje os consumidores estão cada vez mais distantes dos agricultores e nós, agricultores, temos de comunicar com eles para mostrar como cultivamos a terra e criamos os animais para produzir os alimentos que eles precisam de comprar e nós precisamos de vender. Precisamos uns dos outros. Mostrar o trabalho na agricultura implica mostrar máquinas e tratores. Os vídeos com as máquinas em funcionamento despertam atenção e a mecanização da agricultura tem já uma longa história de que nos podemos orgulhar e que devemos mostrar. Para apresentar um exemplo dessa evolução, divulguei um pequeno vídeo com os tratores da minha empresa agrícola: Uma relíquia de 1963, um clássico de 1980 e os quatro tratores mais recentes de 1998, 2004, 2017(usado de 2010) e 2022 (usado de 2019). Entre muitas reações positivas, tive uma questão em jeito de provocação: “Esses tratores foi você que comprou ou foi a CEE?” E eu lá respondi que os dois mais velhos foram comprados pelo meu pai antes de Portugal aderir à CEE, para o terceiro recebi um apoio de 25% dois anos após a minha instalação como jovem agricultor e os últimos três (sendo os dois últimos em segunda mão) foram comprados sem apoios ao investimento. As pessoas ouvem falar de muitos milhões e depois pensam que isto é tudo oferecido.

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Num mundo ideal os agricultores recebiam sempre um preço justo pelos produtos capaz de cobrir os custos de produção e remunerar o trabalho e o capital investido de modo a permitir novos investimentos. No mundo ideal também não havia guerras, fome, seca ou inundações. No mundo real, houve fome na Europa depois da segunda guerra mundial. Por isso foi criada a União Europeia e a Política Agrícola Comum com apoios à produção para acabar com a fome. Quando a PAC (a única política verdadeira europeia que se sobrepõem às políticas nacionais) permitiu à Europa trocar a fome pela fartura, foi necessário controlar a produção, apoiar as perdas de rendimento dos agricultores e incentivar os jovens a investir e fixar-se na agricultura. Hoje as ajudas da União Europeia estão orientadas para manter a agricultura protegendo o ambiente e evitando as alterações climáticas. Sempre que há problemas no setor, naturalmente os agricultores queixam-se e os governos anunciam “milhões” para ajudar e anunciam várias vezes esses “milhões”: Quando decidem a ajuda, quando publicam a lei, quando abrem as candidaturas e quando entregam as ajudas. E os cidadãos europeus, com a “barriga cheia” de comida barata que a PAC permite, revoltam-se e invejam os “milhões” dos agricultores. Esquecem-se que também os avós deles foram agricultores ou descendentes de agricultores, mas deixaram o setor porque era duro e dava pouco rendimento, foram à procura de uma vida melhor na cidade ou no estrangeiro e os “milhões” não são suficientes para fazer os netos voltar para a “aldeia” e para a “lavoura”.


Os “milhões” da CEE, agora UE, União Europeia, não ficam no bolso dos agricultores. Servem para pagar os fatores de produção e as despesas com colheitas e sementeiras. Quando sobra algum, ou mesmo quando não sobra, mas tem que ser, servem para ajudar a comprar os tratores e máquinas de que o agricultor precisa. Ou as reparações das máquinas. Ou as obras nos estábulos para melhorar o bem-estar animal, ou os novos equipamentos de rega ou qualquer outro equipamento. O “dinheiro da agricultura” vai para a economia rural, para pagar os braços que ajudam os agricultores de hoje a produzir mais do que produziam os antigos com muito mais gente disponível. Quando esse dinheiro falta ou se atrasa, falta para todos. A cada sete anos, a Europa faz uma revisão da PAC, arrastam-se as negociações e a nova PAC que resulta nunca é o desejado, mas costuma ser um pouco melhor do que a proposta inicial. Devemos um agradecimento a todos os que trabalham ao longo dos anos nessas difíceis negociações. A PAC evoluiu e tem agora um conjunto de eco regimes para proteger o ambiente. A intenção era boa, mas o resultado foi complicado de colocar no sistema informático onde se fazem as candidaturas. Veremos como será a implantação no terreno. Uma dificuldade que se começa a notar são os terrenos sem contrato de arrendamento ou mesmo contrato de comodato, mesmo sem renda declarada. Por diversos motivos, por questões familiares, por medo de perder a ter-

ra, muitos proprietários têm medo de assinar papeis a declarar a cedência da terra e assim não é possível cumprir as regras dos eco regimes ou receber a ajuda direta por milho grão ou milho silagem. A produção de leite, de milho e em geral todas as produções agrícolas são negócios de “tostões” sujeitos a muitos imponderáveis do clima e do mercado e não podemos desperdiçar as ajudas que tanto trabalho deram a negociar. Ficamos com a fama dos “milhões” e sem o proveito. pub.

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D DIAGNÓSTICO

Análise do impacto do PEPAC SOBRE OS APOIOS DIRETOS AOS RENDIMENTOS DOS PRODUTORES DE MILHO GRÃO EM PORTUGAL CONTINENTAL

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Francisco Avillez PROFESSOR CATEDRÁTICO EMÉRITO DO ISA, UL E COORDENADOR CIENTÍFICO DA AGROGES

F

oi de cerca de 147 mil o número de explorações agrícolas beneficiárias dos pagamentos do IFAP que, em 2020, cultivavam milho grão, cuja área total atingiu os 66,2 milhares de hectares, que se distribuíram regionalmente do seguinte modo: 21,8% no Entre Douro e Minho (EDM), 5% em Trás-os-Montes (TM), 9,3% na Beira Interior (BI), 18,8% na Beira Litoral (BL), 29,5% no Ribatejo e Oeste (RO), 15,3% no Alentejo (ALE) e 0,1% no Algarve (ALG). Nesse mesmo ano, cerca de 30% da área cultivada com milho grão pertencia a explorações agrícolas com menos de 5 hectares de Superfície agrícola utilizada (SAU), 16% a exploração com uma SAU entre os 5 e os 20 hectares, 20% a explorações com uma SAU entre 20 e 100 hectares e 34% às explorações com uma SAU superior a 100 hectares. No que diz respeito às orientações produtivas economicamente dominantes (OTE) mais representativas das explorações agrícolas produtoras de milho grão, em 2020, os 62,2 mil hectares em causa repartiam-se do seguinte modo: • 37,1% cultivados em explorações agrícolas pertencentes à OTE – Arvenses de Regadio;

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Gonçalo Vale COLABORADOR TÉCNICO DA AGROGES

• 22,7% cultivados em explorações pertencentes à OTE – Policultura; • 10,4% cultivados em explorações pertencentes à OTE – Mistas Agropecuárias; • 8,9% cultivados em explorações pertencentes à OTE – Arvenses de Sequeiro. Vai ser com base no conjunto das explorações pertencentes a estas quatro OTE, que representam cerca de, apenas, 30% do número total de produtores de milho grão em causa, mas 79,1% da totalidade da área desta cultura cultivada em 2020, que se procedeu, no âmbito de um estudo elaborado pela AGROGES, à análise do impacto do PEPAC sobre os apoios diretos ao rendimento dos produtores de milho grão, que constitui o objetivo deste nosso artigo. Na análise realizada, foram as seguintes as medidas do 1.º Pilar da PAC por nós consideradas como Apoios diretos aos rendimentos (ADR) dos produtores: Pagamento base (PB); Pagamento redistributivo (PR), Pagamento ligado à produção (PLP) e Pagamento “greening“ (PG). Em teoria poder-se-á contestar a inclusão do PG no cálculo dos ADR, mas,

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em nossa opinião, tais pagamentos funcionaram desde o início como verdadeiros apoios ao rendimento dos produtores. A não inclusão do Prémio aos jovens agricultores e dos Apoios à pequena agricultura, justifica-se pela importância marginal que assumem no contexto deste tipo de produtores.

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DAS EXPLORAÇÕES AGRÍCOLAS PRODUTORAS DE MILHO GRÃO Com base nos dados do IFAP que nos foram disponibilizados pelo GPP estabeleceram-se 13 grupos de explorações-tipo resultantes do cruzamento das 4 OTE com as 5 Regiões Agrícolas (RA) em que a área de milho grão foi mais representativa em 2020. A partir destes dados procedeu-se à caracterização das explorações produtoras de milho grão classificadas de acordo com as respetivas classes de SAU e localização. Dos Quadros 1 e 2 constam algumas características das explorações agrícolas produtoras de milho grão em 2020, das quais importa destacar os seguintes aspetos.


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D DIAGNÓSTICO

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Primeiro, que a área média das explorações cultivada com milho grão, em 2020, era muito reduzida (0,7 hectares por exploração), dimensão esta que só foi, em média, superior a 1 hectare no caso das explorações produtoras de milho grão pertencentes às classes de SAU entre os 20 e 100 hectares (2,6 ha) e superior a 100 hectares (15,7 ha) e localizadas nas Regiões agrícolas do RO (4,3 ha) e do ALE (2,5 ha). Segundo, que, em média, a área do milho grão representa, apenas, cerca de 6,5% da respetiva superfície potencialmente elegível (SPE) nas explorações em causa, percentagem esta que é mais representativa nas classes de SAU inferior a 5 hectares (14,3%) e entre 20 e 100 hectares (6,8%) e nas regiões do EDM (18%), BL (30%) e RO (13%). Terceiro, que, em média, a área de milho grão representa mais de 1/3 da área de regadio do conjunto das explorações produtoras de milho grão, percentagem esta que é bastante mais elevada no caso das classes de SAU inferior a 100 ha e nas Regiões agrícolas da BI (74,7%), BL (67,3%) e RO (50,8%). Quarto, que, em média, a importância relativa da área de milho grão na área ocupada pelas culturas temporárias das explorações em causa (30,6%) assume maior peso no caso da classe de SAU inferior a 5 ha (52,0%) e nas regiões do EDM (56,4%), BL (63,1%) e RO (50,0%). (Ver quadro 1 e 2)

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Quadro 1

Quadro 2

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D DIAGNÓSTICO

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Dos Quadros 3 e 4 constam os apoios diretos ao rendimento de que beneficiavam, em 2020, os produtores de milho grão, dos quais importa sublinhar o seguinte. Primeiro, que o valor médio dos apoios diretos ao rendimento dos produtores de milho grão por hectare de superfície potencialmente elegível era, em 2020, de 180 euros, valor este que variava entre os 168€/ha e os 203€/ha para as classes de área superior a 100 ha e entre 20 e 100 ha, e os 137€/ha e os 284€/ ha no caso das regiões do Algarve e da Beira Litoral. Segundo, que, em média, os ADR por exploração atingiram, em 2020, os 1928 euros, valor este bastante inferior ao atingido pelas explorações de maior dimensão e para as regiões do Ribatejo e Oeste e do Alentejo. Terceiro, que, não só a importância dos Pagamentos separados da produção (PSP) em percentagem dos ADR, como também o peso dos Pagamentos ligados

Quadro 3

à produção animal no total do PLP, são bastante semelhantes à média nacional, com valores em torno dos 90%, quer para as diferentes classes de área, quer para as diferentes Regiões agrícolas. Quarto, que, em média, os ADR de que beneficiavam, em 2020, os produtores de milho grão representam mais de

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metade (56,1%) da totalidade dos respectivos Pagamentos directos aos produtores (PDP) do 1.º e do 2.º Pilar da PAC, percentagem esta que foi superior no caso das classes de área maior que 20 hectares e nas regiões do Ribatejo e Oeste (78,3%) e do Alentejo (71,7%). (Ver quadro 3 e 4)


Quadro 4

IMPACTO DO PEPAC SOBRE OS APOIOS DIRETOS AO RENDIMENTO DOS PRODUTORES DE MILHO GRÃO. Dada a importância que os ADR assumem, à partida, nos resultados eco-

nómicos das explorações produtoras de milho grão, vão ser necessariamente significativos os impactos futuros que as alterações nas medidas em vigor irão ter com a implementação do PEPAC. São as seguintes as principais

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D DIAGNÓSTICO

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alterações que, neste contexto, irão ser introduzidas pelo PEPAC: • a eliminação do Pagamento ”Greening”; • a convergência total, até 2026, dos respetivos pagamentos base que irão sofrer uma redução significativa para uma flat rate de, apenas, 80,7€/ha; • o reforço da verba orçamental atribuída ao Pagamento Redistributivo e a alteração da forma como ele é aplicável de acordo com a dimensão das explorações agrícolas elegíveis; • o reforço dos valores unitários da maioria dos Pagamentos ligados à produção até agora em vigor (a única exceção é o caso das vacas aleitantes); • a introdução de novos pagamentos ligados à produção beneficiando o milho grão, o milho forragem, os cereais praganosos, as proteaginosas e a multiplicação de sementes certificadas. Dos Quadros 5 e 6 constam os impactos do PEPAC sobre os diferentes tipos de ADR por nós estimados para as explorações agrícolas produtoras de milho grão classificadas de acordo com as respetivas Classes de área e Região agrícola. Nesta estimativa foi utilizado um modelo de simulação dos efeitos das medidas do PEPAC elaborado pela AGRO. GES, com base no qual se procedeu à elaboração dos resultados de 2020 e 2026.(Ver quadro 5 e 6) Da análise realizada podem-se retirar as seguintes principais conclusões. Primeiro, que o valor médio dos apoios ao rendimento dos produtores de milho

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Quadro 5

Quadro 6

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D DIAGNÓSTICO

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grão, das explorações produtoras de milho grão, irá ter, entre 2020 e 2026, uma perda acumulada de -17,7%, impacto negativo este que se prevê vir a atingir os valores mais elevados para o conjunto dos produtores de milho grão do RO (-30,6%), BL (-28,5%), ALE (-27,2%) e EDM (-22%), os quais poderão, no entanto, vir a ser positivos nos casos das regiões de TM (+7,1%), BI (+11,6%) e ALG (+41,4%). É de realçar, neste contexto, que se prevê virem a ser os produtores de milho grão cujas explorações pertencem às classes de SAU superiores a 100 hectares (-31%) e inferiores a 5 hectares (-14,3%), aqueles com maiores quebras nos apoios em causa.

Segundo, que a eliminação do ”greening”e a opção por uma flat rate em 2026 para o Pagamento Base, irão ser responsáveis pelas maiores quebras previstas para o apoio direto ao rendimento dos produtores, as quais irão atingir mais de 60% para as explorações-tipo produtoras de milho grão pertencentes à OTE – Arvenses de Regadio para as quatro diferentes regiões agrícolas analisadas. Terceiro, que os impactos positivos que se prevê que podem vir a ser obtidos com o Pagamento Redistributivo e com os Pagamentos Ligados à Produção sobre os apoios diretos ao rendimento dos produtores de milho

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grão, não irão ser, na grande maioria dos casos, suficientes para compensar as quebras previstas para os Pagamentos Base e ”Greening”. É de sublinhar, neste contexto, que os únicos casos em que a compensação será suficiente estão relacionados com as explorações agrícolas da região da Beira Interior no que diz respeito às explorações-tipo das OTE – Policultura e OTE – Arvenses de Sequeiro. Quarto, que se estima uma quebra de 91 milhões de euros em 2026 face a 2020, do valor global dos Apoios Diretos ao Rendimento dos produtores de milho grão, no Continente, a que corresponderão perdas médias por produtor de -44,6€/ha e -619 €/exploração, valores estes que apresentam diferenças significativas, quer regionais, quer entre classes de área. Importa ainda sublinhar que a nova Arquitetura Verde prevista no contexto do PEPAC inclui um conjunto diversificado de medidas no âmbito dos Eco-regimes e das Medidas Agro-ambientais e Clima que poderão vir a constituir apoios adicionais às receitas das explorações agrícolas produtoras de milho grão. No entanto, o facto de os pagamentos que lhe irão ser atribuídos corresponderem a uma mera compensação das respetivas perdas de rendimento ou dos custos acrescidos, faz com que o seu impacto sobre os resultados económicos líquidos das explorações em causa venha a ser necessariamente marginal. Por último, é de realçar a possibilidade das perdas de ADR identificadas poderem vir a ser parcial ou totalmente compensadas por eventuais melhorias dos respetivos preços e produtividades.


B BREVE

Golegã cria curso de Técnico de Gestão Equina O Agrupamento de escolas do município da Golegã, em articulação com a Federação Equestre Portuguesa desenvolveram o curso de Técnico de Gestão Equina com o objetivo de formar devidamente profissionais, “atraindo ao mesmo tempo alunos de todo o país para estudar na Golegã, dinamizando a nossa economia local em simultâneo”, explicou o vereador Diogo Rosa. Neste curso técnico profissional, os alunos vão aprender matérias como desbaste e ensino de equinos e preparação de conjuntos para a competição, gestão técnica e operacional em Coudelarias, Centros Hípicos e Escolas de Equitação, formação profissional, ensino e pedagogia equestre, organização de eventos equestres e gestão desportiva, controlo de higiene, segurança e bem-estar animal e gestão e planeamento da empresa equestre.

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Renovação licença de condução de veículos agrícolas O prazo de validade constante na sua licença de condução de veículos agrícolas pode não ser a data legal. A alteração foi imposta com a publicação do decreto-lei n.º 63/2023 de 31 de julho que criou um regime extraordinário e temporário de regularização da validade dos títulos de condução emitidos antes de 2008. Assim, se tem a licença de condução de condução de veículos agrícolas com uma validade inscrita até 65 anos, quando, de acordo com o regime legal deveria de ter renovado quando fez 50 anos ou 60 anos, tem agora a possibilidade de a renovar. Esta possibilidade está em vigor até 1 de agosto de 2024, assim sendo deve de se dirigir ao IMT para ficar com a carta de condução dos veículos agrícolas válida.


Renovação do cartão de Aplicador de produtos fitofarmacêuticos

Calendário de pagamentos do IFAP No Calendário Indicativo de Pagamentos do Continente do IFAP estão previstos os adiantamentos a 70% em outubro dos apoios “pagamento por vaca em aleitamento”, “pagamento aos pequenos ruminantes” e “pagamento ao leite de vaca”, num total de 74 milhões de euros. Já em novembro estão previstos adiantamentos a 70% do “ARB – Apoio ao Rendimento Base” e do “PPA – Pagamento aos pequenos agricultores” (ambos totalizando os 215 milhões de euros), assim como um adiantamento a 85% do “PDR2020 M 9 – Manutenção da Atividade Agrícola em Zonas Desfavorecidas” (correspondente a 140 milhões de euros). Não estão previstos mais adiantamentos neste ano. Dessa maneira, o valor total previsto de adiantamentos é de 429 milhões de euros. Os restantes pagamentos estão previstos apenas para 2024. Os agricultores prontamente mostraram a sua preocupação relativamente a este calendário porque desta forma os veem-se obrigados a acarretar com mais custos, condicionando assim o seu rendimento e capacidade competitiva.

Os detentores de cartão de aplicador que tem uma validade de 10 anos, tem de frequentar o curso de atualização de aplicação de produtos fitofarmacêuticos no ano antes de este caducar. Se deixarem passar o prazo do cartão já não podem fazer a renovação e terão de fazer o curso inicial novamente. Se precisar de renovar o cartão de aplicador entre em contacto com a Agrotejo.

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B BREVES

Ministério da Agricultura avança com criação de rede de explorações de demonstração PDR - alteração ao processo de análise e decisão das candidaturas

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O Ministério da Agricultura e da Alimentação propõe no Orçamento do Estado de 2024 a criação da Rede AGRI-DEM, uma iniciativa que visa fortalecer a colaboração entre os agentes do setor agrícola, promovendo a troca de conhecimento e a adoção eficiente de inovação na agricultura. A Rede AGRI-DEM, promovida pela Rede Rural Nacional, tem como objetivo a implementação de uma rede de explorações de demonstração, sendo que a primeira delas, a Rede-AGRI-DEM_Solo, já está em curso. Contando com o apoio da Parceria Portuguesa para o Solo e do Grupo de Trabalho da Inovação, a primeira ação de demonstração ocorreu em julho passado na Quinta da Covela, em Baião. pub.

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Num momento de encerramento do PDR2020, foram introduzidas alterações para encurtar os atuais tempos de análise e decisão de uma candidatura PDR2020. Foi suspensa a etapa de envio de pedidos de esclarecimento aos beneficiários, mantendo-se o direito a pronúncia em sede de audiência prévia, onde o beneficiário continua a poder apresentar as observações que considerar pertinentes sobre a intenção de decisão, ou seja, assegurando-se o direito dos particulares de participação no processo decisório, segundo Autoridade de Gestão do PEPAC.


B BREVES

Controlo à Produção Primária, Higiene e Uso Sustentável de Produtos Fitofarmacêuticos alargado a novas culturas

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O Plano de Controlo à Produção Primária Higiene e Uso Sustentável de Produtos Fitofarmacêuticos (PCPPHUSPF) contempla a verificação de requisitos obrigatórios em matéria de uso sustentável de PF e higiene e segurança alimentar. Alguns indicadores da higiene são verificados apenas nas culturas para consumo em cru, como qualidade microbiológica das águas de irrigação e tratamentos fitossanitários, condições relativas à implementação de boas práticas de higiene pessoal e boas práticas de higiene e pub.

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formação. Em 2023 foi integrado o controlo oficial do uso sustentável de produtos fitofarmacêuticos a explorações e estabelecimentos de produção primária de produtos vegetais não utilizados na alimentação humana ou animal (como flores e plantas ornamentais, culturas para a produção de fibras vegetais, plantas medicinais e produtos florestais excluindo cogumelos). O objeto e âmbito de aplicação visa ainda operações associadas ou conexas como é o caso da armazenagem, o manuseamento e o transporte de vegetais.


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A ATUALIDADES

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PRIMEIRA EDIÇÃO DA AGROGLOBAL NO CNEMA

Balanço bastante positivo com ajustes a realizar em 2025 A 9.ª edição da Agroglobal aconteceu pela primeira vez no CNEMA, em Santarém. A organização faz um balanço bastante positivo, tendo registado os ajustes e alterações necessárias empreender para a edição de 2025. Sara Pelicano

N

a sua primeira edição, em 2019, por iniciativa de dois empresários agrícolas, reuniram um pequeno grupo de empresas, essencialmente ligadas ao setor do milho. Realizou-se em pleno campo de Valada do Ribatejo, a que chamaram “Feira do Milho”. Um certame com caraterísticas distintas daquilo que era habitual na altura. Neste evento que juntava as empresas e os agricultores havia acima de tudo campos de demonstração, momentos de partilha e aprendizagem. AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

A feira foi crescendo. Atraindo a cada edição mais empresas, visitantes, diferentes culturas e temas a debater. É então, na IV edição que ganha o nome de Agroglobal. Aos campos de demonstração juntam-se stands de empresas e momentos de debate, dos mais variados setores. Ganhou uma dimensão, em que as exigências se tornaram cada vez maiores. Foi necessário repensar o projeto e encontrar um novo local, sem colocar em causa o “espirito Agroglobal” que sempre esteve associado ao sucesso do evento, o pleno envolvimento das em-

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presas e a dinâmica demonstrativa. Assim, a IX edição do certame aconteceu em Santarém, no CNEMA, nos dias 5, 6 e 7 de setembro. A respeito da mudança de local, já tenho dito que em Valada, numa exploração agrícola, tínhamos de adaptar o campo para a realização de um evento que na sua VII edição chegou a receber cerca de 300 empresas participantes. No CNEMA, temos um espaço construído e estruturado para a realização de eventos, que em 2023 teve de se ajustar e criar condições para a realização da Agroglobal.


AGROGLOBAL EM NÚMEROS

280

Expositores

22.000 Visitantes

10

Conferências

Num espaço expositivo de 12 hectares, 280 expositores mostraram o que de melhor se faz na agricultura nacional, desde a maquinaria aos fatores de produção. Um dos atrativos deste certame, os campos de demonstração, também aconteceram. Junto à área expositiva existiram três hectares de culturas permanentes, e a poucos minutos do CNEMA estavam instalados outros ensaios de culturas como milho, tomate, pimento cânhamo e arroz. A organização disponibilizou transporte para deslocações até aos campos. Além das culturas foi possível observar máquinas em demonstração, mobilização de solos, tratamentos fitossanitários, aplicação de fertilizantes, colheita e armazenagem. A nova organização quis assegurar que o espírito Agroglobal se mantinha e acredita ter alcançado esse feito, por isso, “o balanço é bastante positivo, ainda que haja alguns aspetos a melhorar no fu-

turo”, comentou Paulo Fardilha, diretor da Agroglobal. Desde já alguns aspetos a melhorar, serão a comunicação, sinalética durante os três dias do evento e melhorar a interação entre visitantes e as demonstrações em pleno campo. Reconhecemos que houve falta de informação junto dos visitantes, sobre como chegar a algumas zonas de demonstração. “Temos de resolver e melhorar”, reforçou Paulo Fardilha. INTERNACIONALIZAÇÃO É UM DESÍGNIO A Agroglobal ao longo dos anos foi atraindo visitantes nacionais, mas também internacionais. A atual organização do certame tem como objetivo fomentar a internacionalização da feira, atraindo a cada ano mais visitantes de outras geografias porque “Portugal é um país pequeno e, por isso, limitado para o crescimento das empresas”. Na edição de 2023, visitaram a feira, como já vem sendo habitual, profissionais oriundos de Espanha, mas também de França, Brasil e Angola. “A comitiva angolana foi mais pequena do que desejávamos, mas foi uma primeira iniciativa, para melhorar. Estamos a trabalhar na promoção da Agroglobal, fora do nosso país, eventualmente participando em alguns eventos estratégicos em conjunto com marcas portuguesas, pormenorizou Paulo Fardilha.

Paulo Fradilha

RESPONSÁVEL DA AGROGLOBAL

“

O SETOR AGRÍCOLA TEM DIFICULDADE EM COMUNICAR QUER PARA O MEIO POLÍTICO, QUER PARA O PÚBLICO EM GERAL (…)

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AGROGLOBAL, UMA OPORTUNIDADE DE COMUNICAÇÃO O certame é também, na perspetiva de Paulo Fardilha, uma oportunidade de comunicar/informar. “O setor agrícola tem dificuldade em comunicar quer para o meio político, quer para o público em geral. Temos dificuldade em passar a mensagem do que fazemos para produzir os alimentos, o que dá espaço à formulação de opiniões pouco fundamentadas, mas que conseguem mais tempo de antena”, comentou o nosso interlocutor. Desta forma, para Paulo Fardilha, a “Agroglobal pode ser o palco para divulgar o trabalho feito na agricultura, que é de extrema importância para o país. Estamos a falar do setor primário, a base de toda economia, uma questão de soberania e segurança alimentar”.

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E ENTREVISTA

ENTREVISTA A ÁLVARO MENDONÇA E MOURA, PRESIDENTE DA CAP

Pacto Social alcança transferência de verbas entre pilares da PAC Álvaro Mendonça e Moura foi eleito presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) em maio de 2023. Em entrevista, adianta as conquistas mais recentes estabelecidas no Pacto Social assinado em outubro, reforça a importância do associativismo e destaca a capacidade de inovação dos agricultores.

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O

Sara Pelicano

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NÓS TEMOS DE CONCENTRAR A NOSSA ATENÇÃO NUMA SOBERANIA ALIMENTAR EUROPEIA SEM A QUAL NÃO HÁ AUTONOMIA ESTRATÉGICA DA UNIÃO EUROPEIA.

setor agrícola enfrenta enormes desafios, geopolíticos e ambientais. Como caracteriza o setor atualmente? Antes de mais, quero destacar o enorme progresso que o setor tem feito na última década ao nível tecnológico e que se tem refletido em vários aspetos, nomeadamente nas exportações. No entanto, o sector enfrenta enormes dificuldades por três tipos de razões. Primeiro, pelas condições climatéricas muito desfavoráveis dos últimos dois anos. Nós tivemos uma seca sem precedentes em 2022. Já este ano, em certas zonas do país regista-se uma seca muito severa. Esta é uma circunstância extremamente negativa e para a qual o setor vai ajustando cada vez mais a forma como faz agricultura. Segundo ponto, os fatores exteriores, nomeadamente os que resultaram da guerra da Ucrânia, com a subida exponencial dos fatores de produção. O terceiro ponto, aquele que mais me preocupa, porque é estrutural e que não resulta nem das condições exteriores nem das condições climatéricas, prende-se com a desvantagem competitiva a que os agricultores nacionais estão sistematicamente colocados, face aos nossos principais competidores, nomeadamente a Espanha e a França. O que deveria ser feito para diminuir esta desvantagem competitiva? Relativamente à desvantagem competitiva face aos países nossos concorrentes mais próximos: Espanha e França, o Governo tem a obrigação de proporcionar aos nossos agricul-

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tores condições semelhantes àquelas que os governos espanhol ou francês proporcionam aos seus agricultores. Não há nenhuma razão para que isso não aconteça. Devo dizer, e isto é um ponto positivo que eu queria marcar em relação à atuação recente do Governo, que concordou recentemente com duas reivindicações antigas da CAP e que ficaram inscritas no Pacto Social assinado em outubro. A primeira, que foi um ponto central para nós, teve a ver com as alterações que o Governo se comprometeu a introduzir no PEPAC, nomeadamente a transferência entre pilares. Ou seja, aumentar o rendimento dos agricultores de forma a colocá-los nas mesmas condições competitivas ou aproximá-los das condições competitivas dos espanhóis e dos franceses. Porque o Governo espanhol e o Governo francês aproveitaram toda a margem concedida pelo regulamento comunitário e nós não. Por este motivo, os nossos agricultores partiam numa situação de desvantagem. A outra medida foi a descida do imposto do gasóleo de 0,46 para 0,21 euros por litro. Uma medida que diminui o diferencial que temos em relação aos espanhóis. Como devemos encarar o futuro da agricultura dentro de um contexto europeu? O mundo é hoje global, goste-se ou não. Devemos fazer acordos com países terceiros, porque isso também nos traz desenvolvimento. A globalização tem tido vantagens enormes para o conjunto da humanidade. A Europa tem de se inserir neste mundo global e exigir as mesmas condições aos seus con-


“

O GOVERNO TEM A OBRIGAÇÃO DE PROPORCIONAR AOS NOSSOS AGRICULTORES CONDIÇÕES SEMELHANTES ÀQUELAS QUE OS GOVERNOS ESPANHOL OU FRANCÊS PROPORCIONAM AOS SEUS AGRICULTORES.

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R REPORTAGEM

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RETER ÁGUA PERMITE TAMBÉM IRRIGAR MAIS ÁREAS E EVITAR SITUAÇÕES DE SECA.

correntes. Exigir reciprocidade é exigir que os mercados dos países terceiros também se abram da mesma forma aos nossos produtos e por outro lado, as medidas que nós aplicamos, para defender o ambiente e para controlar as alterações climáticas, sejam aplicadas de uma forma semelhante nos países terceiros. No caso dos cereais, como avalia a questão do autoaprovisionamento? Estamos no bom caminho? O que pode a CAP fazer? A questão da soberania alimentar é muito importante, mas ela tem de ser vista num

quadro europeu. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no último discurso da União, falou precisamente nessa questão e na importância da agricultura para a soberania alimentar europeia. Este é um ponto central, porque nós não podemos ficar pendentes de cadeias longas, como se verificou na pandemia de Covid-19 e com os problemas daí resultantes. Nós temos de concentrar a nossa atenção numa soberania alimentar europeia sem a qual não há autonomia estratégica da União Europeia. Se queremos uma União Europeia forte, atuante no mundo, ela tem de passar pela soberania alimentar europeia. Dentro dela, Portugal tem de fazer um esforço e há margem para o crescimento.

ÁGUA E ENERGIA A água é sempre uma questão principal para o setor, a CAP defende uma rede de água. Quer pormenorizar? Primeiro temos de ter presente que a maior parte do território nacional, em termos agrícolas, é de sequeiro. Temos hoje com regadio cerca de 16% da superfície agrícola útil. Devemos ambicionar aumentar esta superfície de regadio, mas, obviamente, a esmagadora maioria do território nacional será território de sequeiro. Tenho sempre que fazer esta ressalva para que não se pense que há uma qualquer ideia de expandir sem limites o regadio. O que eu tenho dito é que é preciso trabalhar em função daquilo que são os dados e previsões científicas sobre o clima que vamos ter. Esses dados apontam para alterações na pluviosidade. Nem todos os modelos falam de menor pluviosidade, mas todos falam de uma pluviosidade diferente no território nacional, talvez em épocas diferentes do ano, mais intensa, mais concentrada, em certas zonas, etc. Daqui decorre uma consequência imediata que é se nós viermos a ter pluviosidade mais concentrada, então parece evidente que nós teremos que reter mais água do que habitualmente conseguimos fazer. Precisamente para posteriormente utilizar essa água nas épocas em que poderá não chover. Reter água permite também irrigar mais áreas e evitar situações de seca. A minha ideia de rede é de considerar a água como um bem que o país dispõe e que não pode desperdiçar. E não falo apenas da água para agricultura. Nas zonas urbanas também há muito desperdício de água, devido a sistemas antigos com muitas fugas. Portugal tem que

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fazer um enorme esforço para evitar perdas que por vezes ultrapassam os 30% em sistemas municipais. Ao mesmo tempo é preciso reter mais água. Devemos pensar a retenção de água numa lógica de bacias hidrográficas que se podem complementar. De que forma é que as podemos ligar, ora isso é um estudo que está por fazer. Para a região do Norte do Vale do Tejo, em particular, está apresentado o Projeto Tejo, mas o mesmo não avança. Na sua opinião quais os motivos? Não vejo nenhuma razão para se excluir a priori o projeto Tejo. Ele tem que ser devidamente estudado em todas as suas vertentes. Nas vertentes de aproveitamento da água e na vertente da rentabilidade. Veja-se o caso do Alqueva e as vantagens enormes que resultaram deste projeto, não só económicas, mas também com enormes vantagens no combate à desertificação e de retenção de pessoas. Eu não vejo razão para este tipo de projetos não ser encarado a sério e levados para a frente. A CAP tudo fará para que estes projetos avancem. A CAP foi ouvida no âmbito dos planos de eficiência hídrica que estão a ser desenvolvidos? Nós não tínhamos sido convidados a participar nos planos de eficiência hídrica que estão a ser preparados, um dos quais já foi determinado. Mas, felizmente, o Governo convidou-nos agora a participar. Estamos diretamente envolvidos na preparação do plano de eficiência hídrica para Trás-os-Montes. Veremos até onde é que vamos, porque a nossa preocupação deve ser global. Não deve ser limitada nem a bacias hidrográficas, nem a de certas regiões do país. Temos de ter uma visão holística de toda esta questão das alterações climáticas e ver, efetivamente, como é que podemos usar da melhor forma a água de que dispomos. Os custos com a energia também dificultam cada vez mais as contas do agricultor. O que pode a CAP fazer nesta área? Também aqui os agricultores estão a fazer um esforço de adaptação. Tenho visitado várias empresas agrícolas e tenho ficado impressionado com o esforço que está a ser feito nesta área. Os agricultores estão a instalar painéis fotovoltaicos e a implementar várias outras formas de eficiência na utilização da energia, para reduzir os custos. Penso

que o Governo deve sempre verificar qual é o diferencial em termos de competitividade com os nossos concorrentes mais diretos. E a energia é um dos pontos que mais nos afeta comparados com a Espanha. Portanto, uma das medidas que o Governo deve tomar é apoiar os agricultores na compra e instalação de painéis fotovoltaicos. Há aqui um longo caminho a percorrer.

NOME: ÁLVARO MENDONÇA E MOURA FORMAÇÃO ACADÉMICA: FORMADO EM DIREITO PELA UNIVERSIDADE DE COIMBRA

POLÍTICA AGRÍCOLA

CARGO ATUAL: PRESIDENTE DA CAP

Há uns meses os agricultores saíram para a rua e manifestaram-se. Sentem-se abandonados pelo Governo. Considera que falta decisão política ao país? As manifestações foram muito importantes e foram a resposta, a meu ver, adequada que a CAP deu, e os agricultores deram, à situação que estávamos a viver. As manifestações foram impressionantes, o que revela bem o nível de descontentamento a que tínhamos chegado. O Governo, entretanto, fez uma alteração muito importante e reivindicada, como referi, que foi a transferência de valor entre pilares da PAC. Passarmos do segundo para o primeiro pilar, até ao limite permitido pela União Europeia, e compensarmos o segundo pilar através da comparticipação nacional. A outra foi a descida no gasóleo, como também referi. São duas medidas muito importantes. Claro que são insuficientes, claro que há sempre medidas que ainda é preciso tomar e corrigir. Neste momento os agricultores estão a ser penalizados com atrasos em pagamentos e esperamos que rapidamente a situação se corrija e não se repita em 2024.

PERCURSO PROFISSIONAL: FOI EMBAIXADOR EM VIENA E MADRID; REPRESENTANTE PERMANENTE DE PORTUGAL JUNTO DA UNIÃO EUROPEIA, PERÍODO DURANTE O QUAL ACOMPANHOU A REFORMA DA POLÍTICA AGRÍCOLA COMUM DE 2003; REPRESENTANTE DE PORTUGAL NAS NAÇÕES UNIDAS E, ENTRE 2017 E 2021, DESEMPENHOU AS FUNÇÕES DE SECRETÁRIO-GERAL DO MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS.

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R REPORTAGEM

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É PRECISO CONDUZIR A CAPACIDADE PRODUTIVA DO PAÍS DE UMA FORMA QUE SEJA ECONOMICAMENTE RENTÁVEL, MAS RESPEITADORA DO AMBIENTE.

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O PEPAC tem sido envolto em algumas dificuldades de comunicação com o Ministério da Agricultura, como está a situação atual do PEPAC? Foram acordadas as medidas, ou muitas das medidas, que eram essenciais para a CAP e é isso que lhe falava em relação ao Pacto Social. Agora é preciso que o Governo rapidamente ajuste o PEPAC, traduzindo as medidas acordadas e apresentado em Bruxelas. As culturas permanentes estão a ter no ordenamento cultural uma primazia face às culturas anuais o que penaliza o crescimento das culturas de maior expressão como é o caso dos cereais em particular o milho. Qual o entendimento da CAP nesta questão? Não é tempo de se fazer uma reflexão sobre o ordenamento? As decisões sobre produção devem competir ao agricultor individual em função da sua rentabilidade. Nós não podemos esquecer que a agricultura é uma atividade económica. Ela tem de ter resultados económicos positivos. Não acredito no modelo em que o Governo central decide o que vai ser plantado. Há, contudo, formas de incentivar

determinadas produções ou não. É preciso que os estímulos estejam apropriadamente colocados, para fazer com que, com esses estímulos, se torne mais rentável para a agricultura a produção A ou B. É pela condução dos estímulos que nós podemos orientar a produção. Nos anteriores quadros, as medidas agroambientais compensavam a perda de rendimento dos agricultores. Atualmente isso não acontece. Qual o comentário que a CAP faz desta situação? O que nós entendemos é que as medidas agroambientais devem ser reforçadas. Os agricultores, e o país de um modo geral, têm responsabilidades ambientais. É preciso conduzir a capacidade produtiva do país de uma forma que seja economicamente rentável, mas respeitadora do ambiente. E daí a necessidade de aumentar e alargar e, sobretudo, reforçar as medidas agroambientais. Foi um dos pontos que ficou, por sugestão da CAP, inscrita neste Pacto Social. No ponto 36, fala-se especificamente no reforço das medidas agroambientais e isso foi uma proposta da CAP. Os mecanismos de reprogramação do quadro comunitário estão definidos. Sabendo que as medidas aplicadas têm sido insuficientes, eles estão a funcionar bem? Estamos neste momento a trabalhar com o Ministério da Agricultura no sentido de reajustar o PEPAC. Dissemos desde o princípio que o PEPAC estava mal concebido, que era preciso reajustá-lo e estamos neste momento a fazer esse reajustamento. Há alguns aspetos que implicam uma reapreciação do próprio regulamento comunitário, o que obviamente é mais complicado. Mas devemos debater-nos por uma alteração do regulamento comunitário que nos permita, nomeadamente, fazer esta transferência entre pilares de uma forma que atualmente é previsto pela União Europeia. Há outros aspetos técnicos que estão a ser discutidos com o Ministério da Agricultura, por forma a tentarmos que ainda este ano haja uma decisão sobre eles e, portanto, que se apliquem já a partir de 2024. A burocracia impera no Ministério da Agricultura. Deveria haver um “simplex” nos processos da atividade agrícola? A resposta é sim e nós propusemos duas coisas. Em primeiro lugar, propusemos um PEPAC muito mais simples do que aquele que

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R REPORTAGEM

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TEMOS DE TER UMA VISÃO HOLÍSTICA DE TODA ESTA QUESTÃO DAS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E VER, EFETIVAMENTE, COMO É QUE PODEMOS USAR DA MELHOR FORMA A ÁGUA DE QUE DISPOMOS.

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foi aprovado. E esperamos que as medidas que estamos agora a discutir possam contribuir para alguma simplificação porque o que se passou nesta campanha – burocracia, incerteza sobre como aplicar algumas medidas – foi indescritível. O agricultor, como qualquer agente económico, tem de saber com antecedência as regras que vai ter. Há decisões de campanha que têm de ser tomadas, por exemplo, em outubro para o agricultor as aplicar na sua produção já em 2024. Essa decisão não pode ser tomada no próximo ano e, para isso, precisa conhecer as regras. Deixando de lado o PEPAC, há um conjunto de medidas que é preciso rever, tais como as taxas. O Governo prometeu no Pacto Social criar um grupo de trabalho para simplificar. A CAP propõe mais transparência sobre este tema. Há taxas com dezenas de anos que já não correspondem a coisa nenhuma, mas existem, e tudo isto atrasa o processo de tomada de decisão e a execução daquilo que se quer implementar. Há um esforço muito grande a fazer de simplificação e de transparência.

O ESPÍRITO ASSOCIATIVO E AS NOVAS GERAÇÕES Como é que poderiam ser cativadas as novas gerações para este espírito associativo?

As novas gerações só podem ser cativadas para a atividade agrícola se forem dadas condições para serem economicamente sustentáveis e o setor se modernizar. Ou seja, que permita fazer uma agricultura cientificamente e tecnologicamente mais avançada. Só assim é que ela será competitiva e só assim é que será capaz de atrair as novas gerações. Ainda neste sentido, a CAP propôs, e foi acordada no Pacto Social, que fosse criada uma vantagem fiscal para a instalação de jovens agricultores. Este é um aspeto que me parece muito importante para incentivar os jovens a fixarem-se na agricultura. O papel das organizações de agricultores tem sido fragilizado com este governo. O que é que a CAP poderia fazer para reforçar a importância das organizações de produtores? Não acho que o papel das organizações de produtores tenha sido fragilizado. Pelo contrário, não pelas melhores razões até penso que saiu reforçado porque na preparação do PEPAC, pela forma como foi conduzida, os agricultores perceberam que tinham de reforçar ainda mais a sua união para fazerem ouvir a sua voz. Por outro, é efetivamente importante que o Governo escute as organizações de produtores porque são as entidades que estão no terreno e que conhecem as dificuldades do setor. É muito importante ouvir os agricultores. Advém daqui também o nosso enorme ponto de interrogação sobre o futuro daquilo que eram as direções regionais de agricultura. Ninguém sabe como é que vai funcionar e esse sim é um motivo de grande preocupação. O que nós queremos é que esses organismos, que são mais próximos do agricultor, o funcionem. Que papel é que preconiza para as várias associações de agricultores associadas da CAP? De alguma forma, as associações que são associadas da CAP, como é que as vê nesta instituição? A CAP não vive sem as associações que são a sustentação do movimento associativo agrícola. Uma das minhas principais preocupações nestes meses tem sido ir ao terreno ver e falar com as associações. Procuro um contacto permanente. Depois temos os conselhos consultivos quer por cultura, quer por região, onde discutimos os problemas das várias regiões e os incorporamos depois na atividade da CAP.

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L LER&VER

Desertificação em Portugal MARIA JOSÉ ROXO

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A desertificação é um temor que ensombra o futuro. Foi já diagnosticada em vastas áreas dos países mediterrâneos, com destaque para a Península Ibérica. Que não restem dúvidas: a suscetibilidade do território de Portugal Continental tem aumentado, em relação direta com a mudança climática, e o grau de impacto atual é bastante elevado, por exemplo, na Margem Esquerda do rio Guadiana. Este ensaio contextualiza e explica a desertificação enquanto fenómeno ambiental complexo, com origem em processos naturais e atividades humanas, a diferentes escalas.

Dos Campos para as Cidades ELISABETE FIGUEIREDO, MÓNICA TRUNINGER; TERESA FORTE, ALEXANDRE SILVA, CELESTE EUSÉBIO

Um ebook, lançado pela Universidade de Aveiro, que retrata o papel dos produtos agroalimentares no desenvolvimento rural e nas relações rural-urbano em Portugal. O livro reúne os principais resultados do projeto STRINGS - Selling The Rural IN (urban) Gourmet Stores – establishing new liaisons between town and country through the sale and consumption of rural products.

REVISTA AGROTEJO Consulte as edições digitais da Revista Agrotejo e boas leituras!

Alterações Climáticas

Os Valadores de Riachos JOSÉ MANUEL PEREIRA MARTINS

“Os Valadores de Riachos. Mestres do ofício milenar da valagem” é o resultado de uma investigação bastante rigorosa e completa, levada a efeito pelo seu autor, em que o antigo ofício da valagem é alvo de uma abordagem histórica e etnográfica, tendo como protagonistas os próprios valadores, mais especificamente os valadores riachenses. Na sua investigação, o autor recorre a numerosas fontes bibliográficas, mas também a testemunhos orais, documentais e materiais das práticas, das técnicas e do valor simbólico da valagem.

AGROMAIS

FILIPE DUARTE SANTOS As alterações climáticas são uma realidade e uma preocupação para cada cidadão contemporâneo. Mas, como compreender o que se está a passar e contribuir de modo esclarecido para a sua mitigação? Este ensaio é uma breve súmula do conhecimento científico atual sobre as alterações climáticas derivadas da ação humana e das respostas e desafios que colocam hoje. Leia o QR Code com o seu dispositivo móvel e aceda aos diferentes vídeos.

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Mais de 30 anos de cooperação num território único.


RESERVAS DA BIOSFERA DE PORTUGAL

OBSERVATÓRIO DE PREÇOS AGROALIMENTARES

DO PRADO AO PRATO Informação sobre os preços dos produtos agroalimentares.

Neste programa conhecemos a realizada dos frutos secos em Portugal, passando pela tecnologia, a agroindústria de proximidade e as estratégias de valorização.

Uma rede de partilha de ideias, experiências e ações para o desenvolvimento sustentável.

PLATAFORMA AKIS O QUE É O PEPAC?

Uma plataforma que irá reunir os agricultores, associações, entidades do ensino, investigação, entidades públicas e privadas e outras relevantes para o setor agrícola, florestal e pecuário, em prol da modernização.

FAÇA CHUVA FAÇA SOL

A Agroglobal, feira agrícola profissional que nasceu pela mão de alguns agricultores em Valada do Ribatejo, foi o tema desta reportagem.

SENTINEL HUB – AGRICULTURE MONITORING

PORTAL DA AGRICULTURA

A VIDA DOS ALIMENTOS Um espaço de informação para o agricultor.

O Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Central desenvolveu um espaço para explicar o PEPAC.

Neste episódio da série “Portugal Bio, Naturalmente!” aborda-se a produção de cereais e forragens em modo biológico.

Os dados do Sentinel-2 criam novas oportunidades para a monitorização agrícola regional e global. pub.

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A CAMPO

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SUSTENTABILIDADE

Complexidade vegetal num campo de framboesa Reutilização de água de drenagens e aproveitamento da chuva. Diversidade de plantas e insetos. Estes são os dois caminhos da sustentabilidade na empresa The Summer Berry Company Portugal, que produz framboesa. Exemplos que podem ser replicados noutras culturas. Sara Pelicano

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sudoeste alentejano é uma das regiões mais afetadas pelas alterações climáticas, sobretudo devido à escassez de água, que é essencial para agricultura. Este setor económico representa entre 250 e 300 milhões de euros de exportações. Para preserAGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

var essa riqueza, as empresas estão a adaptar a sua forma de produção para enfrentar desafios impostos pela natureza e, ao mesmo tempo, tornarem-se mais sustentáveis. Silvina Morais, ESG Manager na The Summer Berry Company Portugal, uma empresa de produção de framboesa, partilha

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o trabalho desenvolvido na empresa nos últimos anos em prol da sustentabilidade. Em relação à água, a empresa implementou dois processos essenciais: a captação da água da chuva e a gestão das drenagens. “No ano passado, cerca de 41% da água utilizada para re-


gar a cultura foi proveniente da água da chuva, que é armazenada em charcas”. A empresa pretende aumentar o número dessas charcas no futuro. No que diz respeito à água da chuva, esta é direcionada para valas específicas. Para melhorar a qualidade dessa água, em vez de manter as valas despidas, elas são agora preenchidas com plantas que funcionam como filtros naturais. Esse processo resulta numa melhoria na qualidade da água em comparação com a água originalmente coletada. Tudo isto é feito por gravidade, ou seja, não recorremos a energia”, relata Silvina Morais. Além disso, a empresa monitoriza de perto todo este trabalho. Sensores instalados a cada três hectares permitem determinar quando é necessário regar e se as plantas estão a receber a quantidade adequada de água. A produção das framboesas é realizada em sistema hidropónico, o que também ajuda a poupar água. “Antigamente, quando as framboesas eram cultivadas em solo, o consumo de água era cerca 40% superior.” A The Summer Berry Company Portugal não se limi-

ta a usar água da chuva, mas também recicla as águas de drenagem. Silvina Morais explica que “uma parte da água que a planta não consegue absorver é drenada, recuperada e tratada. Diariamente, são desinfetados cerca de 600 metros cúbicos de água da drenagem, que inclui não apenas a água dos vasos, mas também a água da chuva. Isso resulta na recuperação anual de, pelo menos, 85.000 metros cúbicos de água. O processo de tratamento visa eliminar patogénicos. Além disso, os fertilizantes presentes na água são reutilizados, evitando a necessidade de introduzir quantidades adicionais.” Silvina Morais afirma que estes sistemas podem ser replicados noutras regiões, enfatizando a importância de aproveitar a paisagem a favor da gestão da água, seja através de estradas ou valas, direcionando-a para onde é necessária.

Silvina Morais ESG MANAGER NA THE SUMMER BERRY COMPANY PORTUGAL

NA THE SUMMER BERRY PORTUGAL FAZ-SE CAPTAÇÃO DA ÁGUA DA CHUVA E GESTÃO DAS DRENAGENS.

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TRAZER COMPLEXIDADE À EXPLORAÇÃO O foco do agricultor é a cultura que vai produzir e que lhe vai trazer sustenta-

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A ATUALIDADES

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bilidade económica. Mas este paradigma está a mudar e hoje há uma nova complexidade introduzida na exploração agrícola, nomeadamente, através

da promoção informada da biodiversidade. “O meu departamento nos últimos seis anos tem fugido a um modo simplista de olhar a exploração agrí-

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cola. Temos criado camadas de complexidade” que permitem fomentar a biodiversidade quer de plantas quer de insetos. “O que nós tentamos fazer é ter diversidade de plantas dentro do sector, porque nós sabemos que com diversidade de plantas conseguimos ter diversidade de insetos. Instalamos enrelvamento com espécies herbáceas na entrelinha de alguns dos túneis com o objetivo de aumentar a humidade relativa no verão. Verificámos que houve um aumento das populações de insetos auxiliares e da diversidade de espécies presentes, tais como ácaros predadores e fitoseídeos, e uma redução significativa das pragas-chave das culturas, comparativamente aos túneis sem enrelvamento. E com diversidade de insetos eu sei que vamos ter um sistema muito mais resiliente”, pormenoriza Silvava Morais. Todas as plantas colocadas na exploração são autóctones. Com este trabalho, foi possível reduzir a quantidade de inseticidas aplicados em 82%.


B BREVES

Novos alunos da Católica-Lisbon voltaram à Golegã para a apanha da batata em praxe solidária No passado dia 1 de setembro, mais de 200 caloiros da Católica-Lisbon participaram na 13.ª edição do Dia Solidário e passaram um dia ao ar livre nos campos agrícolas da Golegã, com o objetivo de combater o desperdício de batatas que foram deixadas para trás nas primeiras colheitas. O projeto Restolho, de combate ao desperdício alimentar, é uma iniciativa da Agromais e desde 2015, já recolheu mais de 20 toneladas de batatas que foram posteriormente entregues a instituições de solidariedade social. A Católica-Lisbon escolhe o Restolho para a sua Welcome Week e, desta forma, pretende ser uma alternativa às praxes tradicionais e tem como objetivo contribuir para a integração dos novos alunos, fomentando desde o primeiro dia o espírito solidário inerente aos valores da Católica-Lisbon. Os alimentos apanhados no campo são entregues na Federação dos Bancos Alimentares Contra a Fome.

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ANPROMIS implementa ensaios de superdensidade no milho A instalação da rega gota a gota na cultura do milho com a entrelinha a 0,75cm apresenta anualmente inúmeros desafios que, no essencial, se prendem com a correta emergência do milho semeado. Ciente deste desafio, no âmbito do InovMilho 2023, a ANPROMIS – Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo instalou este ano na Estação Experimental António Teixeira, em Coruche, um ensaio com a entrelinha a 1,50 metros com a fita de rega gota a gota instalada a 10cm da linha de sementeira e com duas densidades de sementeira diferentes: 80.000 sementes/ha e 160.000 sementes/ha. Da amostragem efetuada, a produção estimada ronda os 14.000 kg/ha em ambos os ensaios, o que julgamos ser um valor muito encorajador.


Ministro do Ambiente defende alteração da Lei da Água O ministro do Ambiente e da Ação Climática, Duarte Cordeiro, defendeu uma alteração da atual Lei da Água por forma a responder à situação de seca que o país atravessa. Segundo o Jornal de Negócios, o responsável político afirmou: “É muito importante alterar a Lei da Água antes do próximo verão, para termos a certeza de que, se for necessário intervir, racionando aquilo que é a distribuição da água dos territórios, nós tenhamos os enquadramentos legítimos”. Duarte Cordeiro, relativamente às águas subterrâneas defendeu a monitorização em tempo real e, se necessário, controlar também o seu consumo. Na conferência Ambiente, organizada no âmbito da quarta edição da iniciativa Negócios Sustentabilidade 20|30, o ministro referiu ainda a construção de uma dessalinizadora e melhorias de eficiência como investimentos importantes a fazer.

Decisão sobre a prorrogação do uso de glifosato adiada para novembro A reunião do Comité Permanente das Plantas, Animais, Alimentos para Consumo Humano e Animal (SCOPAFF) realizada no dia 13 de outubro não foi conclusiva sobre a prorrogação do uso de glifosato. Embora a maioria dos Estadosmembros tenha votado a favor da proposta da Comissão, não se verificou uma maioria qualificada para prorrogar por 10 anos a autorização para o uso desta substância ativa, pelo que o documento será novamente colocado a votação em Novembro, em sede de Comité de Recurso.

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A V VIDAS

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ALFREDO MAIA ORVALHO

Um HOMEM, “Pai de todos” Esta revista Agrotejo fica marcada pelo falecimento de um dos fundadores desta União Agrícola do Norte do Vale do Tejo. Alfredo Maia Orvalho despediu-se deste mundo a 13 de setembro com 88 anos. As linhas que se seguem celebram a vida daquele que ficou carinhosamente em casa referido como “o Pai de todos”. José Monteiro Limão e Sara Pelicano

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N

atural do Pinheiro Grande, na Chamusca, Alfredo Maia Orvalho nasceu no seio de uma família ligada à agricultura. Cedo deixou a casa dos pais, primeiro para estudar no Colégio Andrade Corvo, em Torres Novas, e depois na Escola Agrária de Santarém, onde se formou como engenheiro Técnico-Agrário, em 1957. Aos netos, com quem tinha uma relação muito próxima, dizia que “aos doze anos tinha feito a sua primeira mala e tinha saído de casa”. Um discurso que tinha por objetivo transmitir responsabilidade aos netos para quem foi um pai. A sua vida profissional foi feita sobretudo na Shell Portuguesa como engenheiro técnico-comercial. Na capital formou a sua família, mulher e duas filhas, mas nunca perdeu a ligação à terra. Regressava sempre que podia ao Pinheiro Grande e acabou por se mudar para Santarém, ainda com as filhas pequenas. Queria que elas crescessem na provincia. “Era um pouco ditador nesse aspeto. Lembro-me de um dia que chegámos a uma casa em Santarém e comunicou que íamos viver ali”, recorda Rosário Orvalho, filha de Alfredo Maia Orvalho que nos partilha um pouco da vida do seu pai. “Enquanto pai, foi um pouco ausente. O meu pai estava sempre na rua. Eu acredito que muitas vezes pegava no seu casaco e saia sem saber bem onde ia, mas certamente iria encontrar amigos para comer e beber qualquer coisa”, recorda com um sorriso saudoso. Amigo do seu amigo, não olhava a credos, nem estatuto social. Gostava das pessoas e de as ajudar.

“PAI DE TODOS” Chegaram os netos. A velhice avançou. O que não mudou foi a energia. “Ele era muito engraçado. Na nossa casa do Pinheiro Grande acolhia os amigos todos. Gostava de reunir a família e cuidar de todos nós, das irmãs, dos sobrinhos, das filhas e dos netos. De todos. Carinhosamente, em casa, começamos a tratá-lo como “Pai de todos”, recorda Rosário Orvalho. Os netos eram uma alegria para ele. Sempre os acompanhou de muito perto. Vivia as festas com os netos, mas também lhes ensinou tudo sobre agricultura, a andar

de bicicleta, a nadar, a montar a cavalo, a apanhar ovos no galinheiro e muito mais. Era uma figura estruturante na vida dos mais novos da família. Alguns seguiram inclusive os passos e formaram-se em agronomia. “O meu pai foi mais pai do que avô para os meus filhos e para os meus sobrinhos. Sempre os acompanhou muito de perto.” Era o grande pilar, o patriarca da família Orvalho: ele e as suas duas irmãs, duas filhas e oito sobrinhos, quatro netos e dez sobrinhos netos. A grande família juntava-se muitas vezes, especialmente na aldeia do Pinheiro Grande. Os mais novos começaram a constituir família e hoje já são 29. Alfredo Orvalho continuava a ser o pilar para todos. À família de sangue juntou uma outra: os amigos e as suas famílias. Gostava de estar rodeado de amigos e criou inclusive o APN – Avós, Pais e Netos. Um nome que tinha como único objetivo juntar as famílias do grupo dos seus amigos de sempre para almoços, passeios e até fins de semana. “Juntou à sua volta uma grande família de amigos”, partilha Rosário Orvalho.

UMA VELHICE ATIVA O corpo foi cedendo à velhice, mas o espírito não. Nos últimos anos, mesmo suportado na sua bengala continuava a beber o seu copito com os amigos e a ser ativo em muitos dos projetos que ajudou a empreender. “O meu pai faleceu com 88 anos, mas tinha uma cabeça de 50. Esgotou o corpo com uma vida muito rica. A custo nos últimos tempos parou um pouco. Descobriu as notícias na televisão. Não tenho memória de ver o meu pai no sofá a ver televisão. Só nesta fase final. E nesta fase também descobriu os livros e a leitura.” No verão ainda participou no casamento do neto João Nuno, onde discursou e bateu palmas aos noivos e também recebeu muitas porque Alfredo Maia Orvalho era festa e alegria.

Jorge Neves

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GUARDO NA MEMÓRIA MUITOS ENSINAMENTOS DE ALFREDO ORVALHO. FOI UMA FIGURA SEMPRE MUITO PRESENTE EM TODA A MINHA CARREIRA PROFISSIONAL, MESMO ANTES DE ME JUNTAR AO PROJETO E À EQUIPA DA AGROMAIS. FOI UM HOMEM DE CAUSAS ATÉ AO ÚLTIMO DIA, COM UMA LUCIDEZ EXTRAORDINÁRIA SOBRE A REALIDADE DO MUNDO AGRÍCOLA E COM UMA CAPACIDADE DE LIDERANÇA INVULGAR. SOUBE CULTIVAR, COMO POUCOS, AS SUAS AMIZADES. DEIXA-NOS UM GRANDE EXEMPLO DE VIDA.

TRABALHAR EM PROL DO DESENVOLVIMENTO Corria o ano de 1986 e Portugal ainda vivia muitos dos efeitos e consequências da revolução do 25 de Abril de 1974. Salvo algumas exceções, o país tinha uma agricultura atrasada, face AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

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A V VIDAS

Luís Vasconcellos e Souza

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ALFREDO ORVALHO FOI UM DOS GRANDES AMIGOS DA MINHA VIDA. ACOMPANHAMO-NOS MUTUAMENTE DURANTE 30 ANOS DA NOSSA VIDA. ELE FOI A ALMA LOCAL DO DESENVOLVIMENTO DO VALE DO TEJO. É PENA NÃO HAVER MAIS ‘ALFREDOS ORVALHOS.

Maria José Pires

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FOI UMA PESSOA SEMPRE PRESENTE NA MINHA VIDA PROFISSIONAL E QUE TEVE MUITA INFLUÊNCIA. ACOMPANHEI-O NA AGROTEJO DURANTE 36 ANOS. SEMPRE NOS DEMOS MUITO BEM. ERA UMA PESSOA MUITO ACESSÍVEL E QUE DEIXA MUITAS SAUDADES. AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

à grande maioria da Europa, além de protegida do exterior e muito pouco competitiva. Esse foi o ano em que Portugal aderiu à então designada Comunidade Económica Europeia (CEE), e esta adesão obrigaria o país a mudar de rumo e a implementar novas políticas. Tudo iria mudar. Para o setor agrícola os desafios de modernização da estrutura organizativa, dos modelos de produção, da comercialização, do acesso aos mercados, da competitividade e da representatividade, eram desafios gigantescos. No seu espírito desassossegado, as ideias fervilhavam na mente de Alfredo Orvalho. Com grande intensidade, gostava de as colocar em prática e metia mãos ao trabalho. O seu perfil de lutador e a sua capacidade de saber ouvir, levaram-no a assistir a colóquios, a participar em reuniões associativas, a fazer parte de tertúlias de debate e de reflexão, procurando acertar ideias, descortinar caminhos e identificar alternativas. Neste ano de 1986 Alfredo Orvalho, do Pinheiro Grande, Carlos Amaral Neto, da Chamusca, e João Alvaiázere, da Golegã, reuniam-se com assiduidade para trocar ideias e encontrar a melhor estratégia que defendesse os interesses dos agricultores e da região. Mas estes três agricultores pensavam mais além e nestes encontros debatiam a necessidade de haver estabilidade em detrimento das perturbações político-económicas que continuavam a grassar no sector. Perceberam que teria de haver expetativas positivas, perante o projeto de integração europeia, quer pelos apoios financeiros, que se previam, para a modernização agrícola, quer pelo desbloqueamento de algumas das suas limitações e condicionantes. Nestes encontros, que mais tarde foram alargados a outros empresários agrícolas e outros homens preocupados com a região, começaram a idealizar uma entidade que assegurasse o apoio na mudança que estava à porta, mas também que prestasse suporte técnico e administrativo aos empresários agrícolas da região e sobretudo que lhe indicasse o caminho, o futuro. Ainda em 1986 é convocado o 1.º Encontro de Agricultores do Vale do Tejo e Lezíria Norte. Teve lugar na Golegã sob n.º 33 | 2023

o tema “Planear o Presente, Preparar o Futuro”. Do programa desse 1.º Encontro, relevou-se como moderador, o engenheiro agrónomo, Luís de Vasconcellos e Souza, empresário agrícola no concelho da Golegã, que viria a ocupar um lugar incontornável, não apenas na vida de Alfredo Orvalho, mas também, como dinâmico ativista na criação da Agrotejo - União Agrícola do Norte do Vale do Tejo. Desde então, foram amigos inseparáveis, confidentes e companheiros leais nas muitas lutas em prol do bem comum da região e dos seus agricultores. Logo no arranque, a Agrotejo contou com cerca de quatro centenas de agricultores que se identificaram com seus os valores, missão e objetivos. Conseguiu-se uma verdadeira união. A Agrotejo, foi um projeto que aglutinou várias associações e organizações da lavoura dos Concelhos da Chamusca, da Golegã e ainda da freguesia de Riachos, integradas numa área de 83.000 hectares, dos quais, 12.700 ha, eram de regadio. Ainda em 1986 deu-se início a um dos grandes projetos da recém-criada associação e um dos mais estruturantes da região: a eletrificação da área de regadio da região. Foram cerca de 13.000 hectares de área intervencionada e só a união dos agri-


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cultores da região e o sentido guerreiro e abnegado da direção da Agrotejo, possibilitaram a boa execução deste objetivo. Também aqui o papel de Alfredo Orvalho foi constante. Entre contactos oficiais e institucionais, visitas técnicas e de planeamento, reuniões e sessões de esclarecimento com agricultores, a sua presença foi determinante. Havia muito a fazer e o tempo era pouco para o espírito apressado de Alfredo Orvalho, Luís Vasconcellos e Souza e Fernando Cunha, os fundadores desta verdadeira “reforma agrária”. No ano de 1987 é criada a Agromais - Entreposto Comercial Agrícola que tem por missão garantir o escoamento dos cereais produzidos pelos associados da Agrotejo e de outros empresários agrícolas que se identificaram com a missão e valores deste entreposto. Também aqui a chancela de Alfredo Orvalho está bem presente. Não só pela perspicácia e sentido de oportunidade na construção deste equipamento, mas também pela criação de um corpo de técnicos agrícolas, capacitados, com conhecimento e experiência para prestarem o apoio técnico necessário aos agricultores. “Sempre atento aos agricultores, idealizou a Agrotejo e a Agromais para os ajudar e desenvolver a agricultura na

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região”, diz Cristina Orvalho, também filha de Alfredo Orvalho. Homem de grande capacidade de trabalho, visão e foco nos agricultores, agora apenas acompanhado pelo seu companheiro Luís Vasconcellos e Souza, levou a Agrotejo a lançar-se num novo projeto: o emparcelamento rural de Pinheiro Grande, Carregueira, Azinhaga Golegã e Riachos, um profundo reordenamento territorial que conferia à região maior capacidade e escala na produção agrícola. Era uma corrida de fundo, uma maratona de anos. Se por um lado era conhecida a determinação

Mário Antunes

Falar do Engenheiro Orvalho em 4 ou 5 linhas é impossível! Conheci-o em 1994 quando me recrutou para a Agrotejo. Um homem frontal, reto, exigente, coerente, persistente e defensor de causas e de toda uma região que, com o passar dos anos, se tornou um amigo…muito amigo. Sim, passados anos, porque não era dos que “embarcava à primeira vista”. Mas amizades à parte, o seu foco eram os agricultores, a região e

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e resiliência dos agricultores, por outro lado o interlocutor era a pesada e burocrática administração central. Foram horas incontáveis de reuniões com entidades públicas, políticos, governantes, autoridades e técnicos. Foram incontáveis as reuniões de trabalho e esclarecimento com os agricultores de toda a região, onde, na maioria delas, Alfredo Orvalho, marcou presença. Não entregava nenhum desafio a terceiros, dava a cara assumia os compromissos. No final, o Estado mostrou-se incapaz de reunir as condições para a realização desta tarefa. Ficou a demonstração de uma vontade coletiva exemplar e de uma liderança que ganhou respeito e consideração por todo o setor. A influência que Alfredo Orvalho teve na agricultura da região é um legado notável, incomensurável e inigualável. Podíamos ainda falar da criação da Hortejo, da criação da Plus, dedicada à comercialização e apoio técnico no uso dos fatores de produção, do alargamento na produção e comercialização de novos produtos no âmbito da Agromais... o legado que deixou é vasto. Em todas as iniciativas e projetos, sempre se entregou de corpo e alma para o bem-estar dos agricultores e em prol da região de que tanto gostava. Também na sua terra natal, a sua aldeia de Pinheiro Grande,

sobretudo estruturas coletivas, pois sabia muito bem que, independentemente da dimensão de cada um de nós, o mundo que conhecia era um mundo muito maior, um mundo mais exigente, e que só com o associativismo poderia sobreviver. As suas preocupações, anseios e projetos extravasavam em muito o setor agrícola. Interessavam-lhe as pessoas, o mundo rural, a economia com base local, o convívio, sendo estes as bases da sua estratégia. Lembro-me da forma astuta, mas pura como abordava, analisava e projetava a região. Lembro-me dos seus apontamentos e “notas de pendentes”, lembrome de quando resolvia um, escrevia logo outro, pois as suas obras, os seus desejos e os seus planos, não tinham fim. Mesmo pouco tempo antes de nos deixar, tinha planos e preocupações para a região, tinha alertas para me transmitir, tinha propostas para melhorar. Muito me ensinou, muito aprendi, muito partilhámos! Muito do que sei a ele o devo. Que eu saiba preservar a sua memória e os seus ensinamentos.


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Miguel Reis

ALFREDO ORVALHO TINHA UMA VISÃO DO SECTOR EXTRAORDINÁRIA, ALIADA A UMA CAPACIDADE IMPRESSIONANTE DE ANTECIPAR OS DESAFIOS DO FUTURO E UM SENTIDO COMERCIAL APURADÍSSIMO. CARACTERÍSTICAS QUE PAUTARAM, NA MINHA OPINIÃO, O SEU PERCURSO DE VIDA.

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Susana Covão

UM GRANDE AMIGO, SONHADOR, VISIONÁRIO E SEMPRE PRONTO PARA TODOS.

João Coimbra

“ que sempre levava no coração, marcou presença através da participação cívica e desinteressada, em diversos projetos de requalificação ou em projetos de desenvolvimento da economia local, como por exemplo na criação da Associação para o Desenvolvimento da Aldeia do Pinheiro Grande (ADAP) ou da Sociedade Instrução e Recreio de Pinheiro Grande, sem esquecer o seu apoio ao Grupo Desportivo ou a dinamização que implementou nas festas anuais de verão, denominadas VERBENAS. Alfredo Maia Orvalho foi um homem com mil vidas, de mil atividades e mil ideias, sempre disponível em contribuir com ideias para melhorar e fazer crescer o bem comum e o interesse geral. Homem disponível para uma boa conversa, debate ou reflexão, apresentando-se sempre franco, direto e decidido. Sem tibiezas ou vacilações, mas sempre transparente e leal. Um grande HOMEM que marcou com quem ele privou. Um daqueles que muita falta faz, de tão poucos que ainda existem! Até sempre e muito obrigada, Alfredo Orvalho!

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O ENGENHEIRO ORVALHO ERA UM HOMEM DETERMINADO EM REALIZAR UM GRANDE SONHO QUE O ACOMPANHOU TODA A VIDA: TIRAR A REGIÃO DE UMA AGRICULTURA DE SUBSISTÊNCIA INDIVIDUALISTA, PARA UMA AGRICULTURA MODERNA E PROFISSIONAL. FOI FUNDAMENTAL NA CONSTRUÇÃO DO TECIDO EMPRESARIAL AGRÍCOLA DO NORTE DO VALE DO TEJO. OBRIGADO ALFREDO ORVALHO.


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A ATUALIDADES

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TENHO UMA GRANDE ESTIMA E AMIZADE POR ALFREDO ORVALHO. RECEBEU-ME NA AGROMAIS DE UMA FORMA MUITO FRANCA E HONESTA. SEMPRE ME AJUDOU NAQUILO QUE PRECISEI QUANDO LÁ TRABALHEI. SÓ TENHO BOAS RECORDAÇÕES. Pedro Mascarenhas

EM 1988 A LIDERANÇA, A CULTURA ORGANIZACIONAL E O PLANEAMENTO, QUE FERNANDO CUNHA (À ESQ.), ALFREDO ORVALHO (À DTA.) E LUÍS DE VASCONCELLOS E SOUZA (AO CENTRO), EMPRESTARAM AO LONGO DOS ANOS À AGROTEJO, DESDE A SUA CRIAÇÃO, FORAM DETERMINANTES PARA O SEU SUCESSO, LEVANDO O MUNDO AGRÍCOLA LOCAL, REGIONAL E NACIONAL, A RECONHECÊ-LOS COMO, UMA TRÍADE DE REFERÊNCIA, DO SALUTAR E BEM CONSEGUIDO ESPÍRITO ASSOCIATIVO, QUANDO GERIDO COM DINAMISMO.

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ERA UMA PESSOA MUITO SOCIÁVEL E QUE GOSTAVA IMENSO DO COOPERATIVISMO. PESSOA COM POR QUEM TINHA UMA GRANDE AMIZADE, DE MUITO RESPEITO. ERA QUASE COMO UM PAI E FILHO, CONHECIA-O DESDE MUITO NOVO. DEIXA SAUDADES PELO SEU ENORME PROFISSIONALISMO, MAS SOBRETUDO PELO GRANDE AMIGO Carlos Barroso Mendes

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RECORDO COM IMENSA SAUDADE O ENGENHEIRO ALFREDO ORVALHO. DESTACO, ENTRE MUITAS AÇÕES, O SEU ENORME CONTRIBUTO NA APROXIMAÇÃO ENTRE AS INSTITUIÇÕES DE ENSINO AGRÁRIO, NOMEADAMENTE ENTRE A ESCOLA SUPERIOR AGRÁRIA DE SANTARÉM E AS ORGANIZAÇÕES DE PRODUTORES DA REGIÃO. Artur José Guerra Amaral AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

RECONHECIDO PELOS AGRICULTORES E ENTIDADES REGIONAIS, ALFREDO ORVALHO, SEMPRE GRANJEOU ENTRE OS DIVERSOS DECISORES GOVERNAMENTAIS, DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E ASSOCIATIVOS, GRANDE ESTIMA E CONSIDERAÇÃO. NO 10º ANIVERSÁRIO DA AGROTEJO, O RECONHECIMENTO DA SUA IMPORTÂNCIA E DINAMISMO NA REGIÃO, ENCHEU O ESPAÇO DO CINE TEATRO DA CHAMUSCA, TENDO ESTADO PRESENTES DIVERSAS PERSONALIDADES DO SETOR E ONDE O ENTÃO MINISTRO DA AGRICULTURA, FERNANDO GOMES DA SILVA, PRESIDIU ÀS COMEMORAÇÕES.

EM 1989 EM CONVERSA COM O PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DA GOLEGÃ, ENG. TÉCNICO AGRÁRIO JOSÉ ELIAS MELANCIA.

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ALFREDO MAIA ORVALHO

MEMÓRIAS E TESTEMUNHOS

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EU ERA RESPONSÁVEL DAS COMPRAS DE UMA EMPRESA DE RAÇÕES. ELE CONTACTOU-NOS E IDENTIFICOU-SE COMO GERENTE DA AGROTEJO/ AGROMAIS. FOMOS DOS PRIMEIROS CLIENTES DA AGROMAIS. COMEÇÁMOS ASSIM UMA LONGA RELAÇÃO COMERCIAL ONDE A PALAVRA VALIA TANTO OU MAIS DO QUE OS CONTRATOS QUE ESTABELECÍAMOS. AO LONGO DOS ANOS, FOI SEMPRE DE UM PROFISSIONALISMO IMPECÁVEL E UMA PESSOA QUE SEMPRE ME CUMPRIMENTOU COM CARINHO E GRATIDÃO. António Correia

A CAPACIDADE RELACIONAL E O CONHECIMENTO DA REALIDADE DO SETOR E DA REGIÃO, REVELOU-SE UMA MAIS VALIA IMPORTANTE NOS DIVERSOS PROJETOS ENCABEÇADOS PELA AGROTEJO, COMO ILUSTRAM ESTAS IMAGENS (1987) DE CONTACTOS E VISITAS AO TERRENO DO PROJETO DE ELETRIFICAÇÃO DOS CERCA DE 13 MIL HECTARES DE REGADIO DA REGIÃO.

UMA DAS INÚMERAS REUNIÕES DA AGROTEJO ONDE PARTICIPOU ATIVAMENTE. EM PRIMEIRO PLANO, DA ESQUERDA PARA A DIREITA, O PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DA GOLEGÃ, DR. MANUEL MADEIRA, E OS ENG.º TÉCNICOS AGRÁRIOS, TERRÉ RODRIGUES, ALFREDO ORVALHO E ENG.º AGRÓNOMO MADEIRA LOPES.

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A ATUALIDADES

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É-ME GRATO ABORDAR A FIGURA DO ENGENHEIRO ALFREDO ORVALHO. NA VERDADE, O SEU PERFIL E PERCURSO, FOI, TAMBÉM, RESPONSÁVEL PELA VISIBILIDADE DO NOSSO SECTOR AGRÍCOLA, A NÍVEL LOCAL, REGIONAL E NACIONAL, PELO CONTRIBUTO ESSENCIAL, PARA DELE SERMOS REFERÊNCIA. A SUA PRESENÇA E AÇÃO FOI DECISIVA PARA A DINAMIZAÇÃO DA ECONOMIA AGRÍCOLA LOCAL, SOBRETUDO, POR CORROBORAR A BASE ASSOCIATIVA DESEJÁVEL E INDISPENSÁVEL PARA REFORÇAR A UNIÃO DE UMA FAMÍLIA E EQUIPE, A DOS AGRICULTORES, PELA FORÇA DA COESÃO E PELO RESPEITO E INTERESSE, DE QUEM FOI CONSTRUINDO, DIA-A-DIA A REGIÃO AGRÁRIA ONDE ESTAVAM INSERIDOS, AOS QUAIS, TEVE UMA GRANDE PROXIMIDADE, ACOMPANHANDO-OS NOS DESAFIOS QUE ENFRENTARAM, QUER NOS BONS MOMENTOS, QUER NOS DIFÍCEIS. É JUSTO E PERTINENTE, IN MEMORIAM, RECONHECER O PAPEL ESSENCIAL QUE TEVE ATRAVÉS DE UM EMPENHO, DESEMPENHO E DEDICAÇÃO AO NOSSO MUNDO AGRÍCOLA.

O PROJETO DO EMPARCELAMENTO AGRÍCOLA DA REGIÃO FOI MAIS UM DOS SEUS SONHOS, PARA O QUAL EMPRESTOU TODA A SUA SABEDORIA E EMPENHO, EMPENHANDO NESSA CAUSA TODA A DEDICAÇÃO E COMPETÊNCIA. MODERANDO REUNIÕES E DEBATES, PARTICIPANDO EM CONTACTOS INSTITUCIONAIS, OUVINDO AGRICULTORES, FOI UM DOS RESPONSÁVEIS POR ESTE PROJETO QUE APENAS NÃO FOI CONCLUÍDO POR FALTA DE CONDIÇÕES POR PARTE DAS ENTIDADES PÚBLICAS.

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ALFREDO ORVALHO FOI UM AMIGO DESDE A ESCOLA PRIMÁRIA. SEMPRE FOI MUITO AMIGO DA TERRA, BENEFICIOU MUITO O PINHEIRO GRANDE. ERA UMA PESSOA EXTRAORDINÁRIA. FOI UMA GRANDE PERDA PARA TERRA.” Bernardino Moço

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UM GRANDE AMIGO, SEMPRE PRESTÁVEL E BEM-DISPOSTO. TINHA UM GRANDE SENTIDO DE HUMOR. Martin Stilwell

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António Manso

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ALFREDO ORVALHO ERA UM LÍDER DO PINHEIRO GRANDE, UMA PESSOA MUITO SÉRIA E HONESTA, QUE SE LIGAVA ÀS PESSOAS. TENHO BOAS RECORDAÇÕES DELE.

“RELEMBRO O SR. ALFREDO ORVALHO PELA SUA SIMPATIA E GRANDE ENVOLVIMENTO E EMPENHO NA DEFESA DA AGRICULTURA E DAS CAUSAS DO MUNDO RURAL NA NOSSA REGIÃO DO RIBATEJO.”

Sérgio Carrinho

António Gonçalves Ferreira

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José Veiga Maltez

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RECORDO O ENGENHEIRO ALFREDO ORVALHO COMO PESSOA DE TRATO FÁCIL QUE CULTIVAVA O BOM RELACIONAMENTO COM TODOS OS PARCEIROS. ACREDITAVA NO POTENCIAL AGRÍCOLA DA REGIÃO E DOS SEUS AGRICULTORES, ASSOCIADOS NA AGROMAIS, EM PARCERIA COM A AGROINDÚSTRIA.


ALFREDO MAIA ORVALHO

MEMÓRIAS E TESTEMUNHOS

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FESTA DE NATAL COM TODOS OS COLABORADORES DA AGROTEJO E AGROMAIS, EM 1995. A SUA PRESENÇA NAS ATIVIDADES COM OS AGRICULTORES ERAM PONTO DE HONRA E A SUA BOA DISPOSIÇÃO, UMA CONSTANTE.

A SUA CASA DO PINHEIRO GRANDE ERA PONTO DE ENCONTRO REGULAR DE TODA A FAMÍLIA. AQUI, EM 2020, COM AS SUAS FILHAS, ROSÁRIO E CRISTINA E OS NETOS.

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ENQUANTO TÉCNICO E DIRIGENTE DO MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, ACOMPANHEI-O EM VÁRIAS FASES DO SEU PERCURSO PROFISSIONAL. ISTO DEU-ME A POSSIBILIDADE DE CONSOLIDAR O CONHECIMENTO DELE LIGADO AO SETOR AGRÍCOLA. ERA UMA PESSOA QUE TRATAVA DAS COISAS COMO DEVE DE SER. O LEGADO QUE ELE DEIXA À REGIÃO É IMPORTANTE. TIVEMOS UMA RELAÇÃO RICA AO NÍVEL PROFISSIONAL E QUE EVOLUIU PARA UMA RELAÇÃO PESSOAL. QUANDO ISTO ACONTECE SENTIMO-NOS REALIZADOS E, DEPOIS, TRISTES QUANDO AS PESSOAS FALECEM. José Canha

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TINHA MUITA ADMIRAÇÃO POR ELE. FOI UM GRANDE AMIGO QUE ENCONTREI NA VIDA, UM PROFESSOR. DEVO A ELE TODO O CONHECIMENTO QUE TENHO SOBRE O MILHO. Reinaldo Carneiro

FALAR SOBRE O “COLEGA ALFREDO ORVALHO” (COMO SEMPRE O TRATEI), É MUITO GRATIFICANTE. EM PRIMEIRO LUGAR POR TER SIDO O RESPONSÁVEL PELA MINHA CARREIRA PROFISSIONAL DE 30 ANOS NA AGROMAIS. NO ENTANTO, A NOSSA RELAÇÃO PROFISSIONAL COMEÇOU UNS ANOS ANTES, DÉCADA DE 1980, QUANDO AMBOS REALIZÁVAMOS OS ENSAIOS DE VARIEDADES DE MILHO NA SOCIEDADE AGRÍCOLA DO PINHEIRO GRANDE, DA QUAL O COLEGA ORVALHO ERA SÓCIO, ESTANDO EU NESSA ALTURA NA DIREÇÃO REGIONAL DE AGRICULTURA. FOI O MILHO QUE NOS JUNTOU. DURANTE ALGUNS ANOS FIZEMOS ESSE TRABALHO EM COLABORAÇÃO, O QUE LEVOU A QUE ME TENHAM DESAFIADO PARA TRABALHAR NA AGROMAIS. ANTES DESSE PASSO HOUVE UM EPISÓDIO CURIOSO. AINDA QUANDO ESTAVA NA DIREÇÃO REGIONAL, TIVE UM PROGRAMA SOBRE AGRICULTURA NA RÁDIO BOM FIM DA CHAMUSCA E RECORDO O EPISÓDIO EM QUE ENTREVISTEI O COLEGA ALFREDO ORVALHO, JUSTAMENTE QUANDO FOI FUNDADA A AGROMAIS. Susete Matos

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IMAGENS: AGROTEC

A R REPORTAGEM

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PROJETO TEJO

A água passa e o rio Tejo perde vigor O Ministério da Agricultura afirma estar a desenvolver o estudo de viabilidade do Projeto Tejo. Os seus promotores recordam que as alterações climáticas já são uma realidade e se demorarem 50 anos a tomar uma decisão o risco é já não haver rio. Sara Pelicano

A

água é um fator de desenvolvimento económico e social. Nos territórios sem água, não há vida ou a mesma é muito reduzida. A temer a desertificação, os alentejanos reclamaram durante muitos anos por uma barragem para AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

reter a água no rio Guadiana e permitir a evolução da agricultura, maioritariamente de sequeiro. Naquela zona do baixo Alentejo, há muito que a população se debatia com longos períodos de seca e ainda o termo alterações climáticas mão tinha entrado na ordem

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do dia. Entre a apresentação do projeto da Barragem do Alqueva e o início das obras decorreram 50 anos. Por fim, em 2002 a obra principal terminou. Fechavam-se as comportas da barragem e começava a nascer o maior lago artificial da Europa que viria a proporcionar


INDICADORES SOCIOECONÓMICOS uma grande dinâmica económica na região. A agricultura floresceu, criaram-se áreas de negócio sobretudo ligadas ao turismo. População jovem encontrou trabalho e fixou-se neste território. O Alqueva é hoje um exemplo de como a água é vitalidade. As terras férteis do Ribatejo também anseiam por disponibilidade de água. Não se pede um enorme lago artificial, mas uma “estrada da água” que abrange também o Oeste e poderia chegar ao Algarve. Estamos a falar do Projeto Tejo, lançado em 2018, que “surge devido à constatação de que estamos a assistir à morte lenta do rio Tejo, em resultado de muitas décadas de falta de vigilância e abandono das diferentes infraestruturas e intervenções efetuadas ao longo dos séculos”, esclarecem os promotores deste projeto amplo que se sugere seja feito parcialmente. O Projeto Tejo, de fins múltiplos, pretende tornar o rio Tejo navegável desde Vila Franca de Xira até Abrantes, para desenvolver o turismo, a piscicultura, manter e expandir a área regada atual no Ribatejo, Oeste e Setúbal. Irá custar 4,5 mil milhões de euros quando concluído, dentro de 30 a 40 anos, embora com 100 milhões de euros seja possível começar a obra no espaço de quatro ou cinco anos. A ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, disse recentemente numa entrevista que até ao final do ano estará concluído um estudo de viabilidade do chamado Projeto Tejo (a data inicial era final do ano 2022), mas adiantou também que não havendo capacidade financeira para o empreender na totalidade, o estudo dá a possibilidade de hierarquizar prioridades. Jorge Froes, um dos promotores do Projeto Tejo, recorda que não é necessário fazer qualquer tipo de pressão para que haja uma decisão sobre este projeto porque o próprio tempo se encarrega de o fazer. “As alterações climáticas vão pôr em risco a agricultura do Ribatejo e vão obrigar os poderes políticos a avançar com qualquer coisa.” Miguel Campilho, igualmente promotor, adianta ainda que “os Governos hoje em dia têm muita dificuldade em ter uma estratégia a médio e longo prazo porque governam três anos e depois têm um ano de eleições”.

Manuel Campilho, o terceiro promotor com quem falamos neste artigo, diz ainda que “o Governo que está em Lisboa não entende o que se passa no rio e acha que pode adiar indefinidamente este projeto. Se demorarem 50 anos a tomar uma decisão, corremos o risco de nessa altura já não valer a pena porque já não há rio. Será irrecuperável”. Miguel Campilho acrescenta ainda que “o Tejo é o maior rio português e o único que está completamente abandonado”. Por seu turno, Jorge Froes recorda que aquilo que “estamos a propor medidas de adaptação às alterações climáticas”. Os três intervenientes são perentórios em afirmar que este é um projeto para as gerações futuras e se nada for feito assiste-se a uma morte lenta do rio Tejo, com consequências severas: • Desertificação agrícola e rural: Redução de 30% SAU e 20% Área Regada em 20 anos; • Aprofundamento+Contaminação Aquíferos: Furos a 300m profundidade, contaminações pontuais; • Avanço da intrusão salina ao longo do Rio: Intrusão salina acima da vala da Azambuja no Verão; • Abandono dos sistemas de defesa contra cheias: Diques e comportas sem intervenção há várias décadas; • Descontrolo dos danos da poluição hídrica: Incapacidade de deteção atempada e de diluição; • Insegurança no Rio: Desaparecimento dos guarda-rios; • Dificuldade no combate aos fogos: Rio sem água de verão, encostas sem reservatórios rega; • Forte limitação da navegabilidade: Navegabilidade ligeira até Valada; • Redução drástica espécies piscícolas: Lampreia, Sável, Enguia. Poucos pescadores; • Desenvolvimento turístico fraco: Turismo náutico, gastronomia, cavalo e touro, etc.; • Produção hidroelétrica subaproveitada: Novos açudes e barragens, remontagem Castelo Bode; • Água para rega limitada e cara: Águas mais profundas, extração cara nas encostas. Estas são as consequências que o Projeto Tejo identifica caso a obra proposta não avance.

Estima-se que a passagem de uma agricultura de sequeiro para regadio possa aumentar cinco a sete vezes o rendimento dos agricultores. Os 200.000 hectares de regadio previstos pelo Protejo Tejo poderão criar 40.000 postos de trabalho, aos quais se deve ainda somar a oferta de emprego ligada a outros setores que podem nascer em torno destes reservatórios de água, nomeadamente o turismo, a navegabilidade, a piscicultura e outras. O Valor Bruto gerado rondará os 600 milhões de euros e o Valor Acrescentado Bruto (VAB) poderá ser de 400 milhões de euros, originando receitas fiscais da ordem dos 200 milhões de euros.

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Manuel Campilho

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SE DEMORAREM 50 ANOS A TOMAR UMA DECISÃO, CORREMOS O RISCO DE NESSA ALTURA JÁ NÃO VALER A PENA PORQUE JÁ NÃO HÁ RIO. SERÁ IRRECUPERÁVEL.

QUAL A OBRA DO PROJETO TEJO? O objetivo é ter água em permanência no rio Tejo e, para isso, são identificadas algumas infraestruturas imprescindíveis, nomeadamente: 1. “Estrada de Água”: 4 Açudes baixos + 2 Açudes médios + 2 Açudes existentes + Açudes novos: Azambuja +

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R REPORTAGEM

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Jorge Froes

AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS VÃO PÔR EM RISCO A AGRICULTURA DO RIBATEJO E VÃO OBRIGAR OS PODERES POLÍTICOS A AVANÇAR COM QUALQUER COISA. 64

Valada + Santarém + Pombalinho + Constância + Pego, entre Azambuja e Belver, sem inundação de terrenos marginais, rebatíveis no Inverno, com escadas de peixes e eclusas para barcos, navegabilidade de Lisboa a Belver. Açudes existentes: Belver + Fratel, entre Belver e Espanha, c/novas escadas de peixes e

eclusas p/barcos, navegabilidade até Barragem de Cedillo (Espanha); 2. Origens de Água: Rio Tejo + Barragens existentes + Barragens novas: Barragens existentes: St.ª Luzia + Cabril + Bouçã + Castelo Bode + Pracana + Povoas) e Barragens Novas (Alvito + Ponsul + Tera) com armazenamento de Inverno para distribuição de Verão; 3. Sistema de Distribuição de Água com Origem em Castelo de Bode + Açude Constância: Canais de Encosta a partir de Castelo de Bode + Estação Elevatória no rio Tejo em Constância + Condutas Gravíticas + Reservatórios de Encosta + Estações de Bombagem + Redes de Rega. Conscientes de que é uma obra ambiciosa, os promotores sabem desde logo identificar qual a prioridade: “o açúde na Azambuja. Uma obra que custará 60 milhões”. Jorge Froes pormenoriza: “Com este açude consegue-se fazer quase 30.000 hectares de regadio nas zonas mais baixas e abastecer o Oeste. A água está na cascata do Zêzere, que tem três barragens: Castelo de Bode, Bouçã e Cabril”. A propósito desta última, importa sublinhar que a concessão da barragem do Cabril à EDP, com exclusividade para produção de eletricidade, terminou o

AGRICULTURA SAI A GANHAR Quando se junta água e agricultura, pensasse em regadio. O projeto que aqui temos descrito irá precisamente permitir armazenar água para ser utilizada numa agricultura de regadio. Mas a verdade é que toda a agricultura necessita de água. O sequeiro precisa de água, da chuva. Se esta não cair do céu no momento correto e quantidade necessária, também no sequeiro nada prosperará. Manuel Campilho recorda que “não podemos fazer no século XXI, a agricultura que se fazia no seculo XIX. Hoje em dia, onde há água, temos uma agricultura moderna, com uma utilização mais racional dos recursos naturais, mais sustentável do que era” e sublinha “Portugal é competitivo em culturas de verão porque temos luz e ótima temperatura e temos de assegura que também temos água. Falamos de culturas que prosperam nos períodos de menor precipitação, por isso é tão importante armazenar a água quando cai para usar quando faz falta”.

REDE DE DISTRIBUIÇÃO ATUAL

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ano passado. Está previsto que a mesma passe para utilização de fins múltiplos. “Com o Cabril, neste momento há 700 milhões de metros cúbicos de água que podem ter uma gestão múltipla. Daqui a nove anos, termina a concessão da barragem de Castelo de Bode e serão libertados para a agricultura possivelmente mais de 500 milhões de metros cúbicos de água”, acrescenta Jorge Froes, concluindo ainda que “o rio Zêzere, abastecido a partir da Serra da Estrela, é uma linha de água que sozinha tem 2.000 milhões de metros cúbicos de afluências anuais medias. Só o Zêzere é suficiente para a longo prazo abastecer todo este projeto. Falamos de 300.000 hectares e inclui o Ribatejo e o Oeste”. Miguel Campilho destaca uma das infraestruturas tão falada deste projeto: os transvases, que poderiam canalizar água do Norte do país para o Centro e mesmo Sul. “O projeto para trazer água do Norte está desenhado e permite trazer água ao Tejo, ao Guadiana e que chegue até ao Algarve. Além da alimentação humana que a água cria, há um problema gravíssimo de fixação de população quando há ausência de água. A água é riqueza. Não podemos assentar a economia do país no turismo”, afirma Miguel Campilho.

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R REPORTAGEM

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Miguel Campilho

O TEJO É O MAIOR RIO PORTUGUÊS E O ÚNICO QUE ESTÁ COMPLETAMENTE ABANDONADO. FALTA ESTRATÉGIA A MÉDIO LONGO PRAZO.

A valência agrícola deste projeto está calculada e abrange muitos hectares: • 10.000 ha nas encostas do Médio Tejo, entre Gavião/Mação e Vila Velha de Ródão/Niza; • 210.000 ha nos vales e encostas do Baixo Tejo, entre Azambuja/Samora Correia e Abrantes/Mação; • 20.000 ha nas baixas e encostas de Alenquer e Loures, a jusante de Azambuja; • 20.000 ha na Península de Setúbal, Montijo, Moita, Pinhal Novo, Palmela, Poceirão, Pegões, Canha; • 40.000 ha na região Oeste, entre Mafra, a Sul, e Batalha, a Norte. Os promotores do Protejo Tejo pormenorizam que ao Estuário do Tejo afluem, em média, 13.300 hm3/ano, dos quais 6.000 hm3/ano derivados de

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ESTRADA DE ÁGUA EM PERMANÊNCIA ENTRE LISBOA E ESPANHA (PONTOS A VERMELHO): 4 AÇUDES BAIXOS (<4M) (PONTOS A VERDE): 2 AÇUDES MÉDIOS (<10M) (PONTOS AZUIS): 2 AÇUDES EXISTENTES

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Portugal e 7.300 hm3/ano vindos de Espanha. A longo prazo (2100) estes valores reduzem-se em 30%, fruto das alterações climáticas, 9.300 hm3/ano, 4.200 hm3/ano de Portugal e 5.100 hm3/ano de Espanha. A estes volumes somam-se, na região do Tejo e Oeste, 2.000 hm3/ano de águas subterrâneas, que se reduzirão, a longo prazo (2100) a 1.300 hm3/ano. Os consumos totais anuais (agrícolas + urbanos + industriais) de água na Região do Tejo e Oeste rondam os 1.100 hm3/ano. A longo prazo (2100), aumentarão para 1.600 hm3/ano, fruto, por um lado, do aumento da área regada e das alterações climáticas e, por outro lado, do aumento de eficiência dos sistemas de distribuição e de rega e a adoção de modelos culturais e variedades de menor consumo hídrico. Em conclusão, a água no Tejo a longo prazo (2100) e sem contabilizar as afluências de Espanha, (4.200+1.300)=5.500 hm3/ano, é mais do que suficiente para fazer face a todas as necessidades potenciais, 1.600 hm3/ ano. Será, naturalmente, necessário guardar a água, que passa no Inverno, em barragens, para a distribuir no Verão, usando a capacidade de armazenamento já existente nos rios Tejo, Zêzere, Ocreza e Sorraia, cerca de 2.000 hm3. A esta acrescerá a capacidade em novas barragens, nomeadamente a Barragem do Alvito/Ocreza, situada à entrada do país e possibilitando a manutenção de caudais na zona de montante do rio, independentizando-o dos caudais vindos de Espanha, que o país não controla. O investimento por hectares está calculado em 15.000 euros por hectare. O custo da água, será da ordem dos 0,03 €/m3.


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A ATUALIDADES

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AGROGLOBAL DEBATEU OS CEREAIS AO NÍVEL MUNDIAL

O setor procura medidas políticas mais assertivas Especialistas nacionais e internacionais debateram o futuro dos cereais na conferência intitulada “Produção de Cereais ao Nível Mundial”, que decorreu na edição de 2023 da Agroglobal. Sara Pelicano

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a sequência da pandemia de saúde pública que assolou o Mundo e da agressão da Rússia contra a Ucrânia a volatilidade dos preços, sobretudo no mercado dos cereais, aumentou substancialmente e acentuou a preocupação dos agricultores europeus com o aumento dos custos de produção, acrescendo-se ainda a questão das alterações climáticas que afetam cada vez mais o ciclo produtivo das diferentes culturas. Neste sentido, no âmbito edição de

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2023 da Agroglobal, a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), em colaboração com a Associação Nacional de Produtores de Cereais (ANPOC), a Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sogro (ANPROMIS) e a Associação de Orizicultores de Portugal (AOP), organizou uma conferência internacional sob a temática “Produção de Cereais ao Nível Mundial”, com o objetivo de conhecer melhor as variáveis e as condicionantes que se colocam ao mercado mundial dos cereais.

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“É FUNDAMENTAL PENSAR NA UNIÃO EUROPEIA COMO UMA ENTIDADE COM SOBERANIA ALIMENTAR” Álvaro Mendonça e Moura, presidente da CAP, presidiu à cerimónia de abertura. Aos presentes, afirmou que “estamos perante uma situação sem precedentes em relação aos cereais, fruto da volatilidade de preços”. Entre as principais razões, aponta as “alterações climáticas e o fator guerra, que persiste”. Esta imprevisibilidade, garante o responsável, “afeta tudo o que


tem a ver com a produção de cereais”, refletindo-se desde o “aumento do preço dos combustíveis, aos adubos e fertilizantes”. Álvaro Mendonça e Moura disse ainda ser importante refletir sobre as propostas que possam fazer a União Europeia (UE) uma referência no mercado mundial dos cereais, assim como olhar atentamente para o próximo orçamento comunitário. “Temos de ter uma nova perspetiva de como é financiada a UE, pois os desafios são cada vez maiores”, disse o presidente da CAP, acrescentando que “é fundamental pensar na UE como uma entidade com soberania alimentar e criar condições para aumentar a produção e exportação dos Estados-membros”. O primeiro keynote speaker convidado foi Arnaud Petit, diretor executivo do Conselho Internacional dos Cereais, que se debruçou sobre os “Desafios, Riscos e Oportunidades no Comércio Mundial de Cereais”. O responsável fez uma análise dos níveis de produção e consumo dos vários tipos de cereais – trigo, milho e arroz – à escala global e alertou que “se a guerra se perpetuar na Ucrânia, vai ser um problema para a produção e abastecimento mundial de cereais”. Em relação à campanha mundial de 2023-24, Arnaud Petit dá conta que fenómenos como o El Niño vão trazer desafios às diferentes latitudes. Além disso, o facto da Ucrânia e a Rússia não estarem a exportar matérias-primas na sua máxima capacidade, haverá espaço para outros países fazerem crescer as suas exportações.

“A EUROPA DEVE ADQUIRIR INFORMAÇÃO MAIS PRECISA SOBRE OS MERCADOS MUNDIAIS, NACIONAIS, LOCAIS” Graeme Taylor, head of Food and Agriculture Brussels, foi o moderador do painel internacional sobre “A necessidade de inovação para aumentar a produção na Europa”. Max Schulman, da COPA – European Farmers, garantiu que “a Europa é um grande e estável produtor de produtos de qualidade”, mas para continuar a fazer parte dos principais players à escala mundial, precisa de “investir mais na produção de cereais”. Além disso, o responsável

indica que é fundamental “equilibrar a balança de exportações e importações ao nível da UE”, pois há países muito exportadores e outros muito importadores. Na sua opinião, a Europa deve ainda adquirir “informação mais precisa sobre os mercados mundiais, nacionais, locais”, assim como os Estados-membros devem trabalhar em conjunto, em prol do crescimento comum. A par do aumento da produção e exportação de cereais, Max Schulman diz ser preciso manter os padrões de qualidade, inovar e apostar em novas técnicas e métodos produtivos, ainda que seja necessário tempo de adaptação e aprendizagem, apesar da constante pressão para o fornecimento de matéria-prima. Por sua vez, Pedro Gallardo, produtor de cereais e ex-presidente do Grupo de Diálogo Civil de Cereais da Comissão Europeia, afirmou que “não é possível continuar a termos uma agricultura ‘verde’ com números no ‘vermelho’”, acrescentando que é preciso “mais investimento e apoios por parte da UE para o setor conseguir aumentar as exportações”. Ao nível político, o responsável alertou ainda para os riscos de uma aliança Rússia-China-Brasil, capaz de afetar o comércio mundial de cereais. Já ao nível ibérico, Pedro Gallardo pede união entre Portugal e Espanha, pois é fundamental criar soluções para os problemas climáticos que ambos os países enfrentam, nomeadamente a falta de água.

Max Schulman PRESIDENTE DO GRUPO DE TRABALHO DE CEREAIS, COPA – COGECA

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A EUROPA PRECISA DE “INVESTIR MAIS NA PRODUÇÃO DE CEREAIS.

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Jorge Neves PRESIDENTE DA ANPROMIS

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É FUNDAMENTAL “UMA DOUTRINA SOBRE O ABASTECIMENTO DE MATÉRIAS-PRIMAS ESSENCIAIS.”

“SE NÃO HOUVER APOIOS E INCENTIVOS À PRODUÇÃO, A SOLUÇÃO É O ABANDONO” Depois da perspetiva global sobre o tema, seguiu-se o painel de oradores nacionais que contou com José Palha, presidente da ANPOC, Jorge Neves, presidente da ANPROMIS, e Carlos Parreira do Amaral, da AOP, que abordaram as oportunidades, os desafios e as dificuldades da produção de cereais em Portugal. Pedro Santos, da Consulai, foi o moderador convidado. José Palha considerou que “a inovação é um dos principais desafios do setor”, a par da “valorização da produção nacional”, acrescentando que “o clima mediterrâneo obriga os setores a se-

Luís Mira SECRETÁRIO-GERAL DA CAP

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SOMOS UMA CLASSE QUE AINDA NÃO FOI VALORIZADA PELA SUA ATIVIDADE.

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A ATUALIDADES

ÁLVARO MENDONÇA MOURA, PRESIDENTE DA CAP

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rem mais inventivos”. O presidente da ANPOC deixou claro que “a quantidade de hectares semeados este ano ficou aquém do esperado” e que “é preciso trabalhar em conjunto para que tenhamos um setor mais resiliente”. Também a relação com o consumidor é, na sua opinião, cada vez mais importante.

Taxativo, o responsável esclareceu que “Portugal nunca será autossuficiente no setor dos cereais”, mas alerta que “se não houver apoios e incentivos à produção, a solução é o abandono”. Além disso, para um setor que é “estratégico a nível territorial”, José Palha considera que “devemos manter a atividade agrícola em todo o território” e “incentivar a produção em zonas marginais”. Simultaneamente, diz ser necessário “valorizar a produção” e “mostrar ao consumidor a qualidade dos produtos nacionais”. Apesar dos setores do trigo, do milho e do arroz terem todos “realidades distintas”, o presidente da ANPOC considera que é fundamental um trabalho “contínuo e conjunto para o sucesso das diferentes culturas”.

“OS MECANISMOS DE APOIO PÚBLICO NÃO SÃO SUFICIENTES” Por sua vez, Jorge Neves alertou que a Europa “não pode ser dependente da Rússia, da Ucrânia, do Brasil, da

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Argentina ou da Índia”, lamentando que esteja a abdicar de aumentar a sua produção de cereais, apesar de ter condições para tal. “É preciso convencer a opinião pública europeia que é preciso agir”, reiterou o presidente da

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ARNAUD PETIT, DIRETOR EXECUTIVO DO CONSELHO INTERNACIONAL DOS CEREAIS


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A ATUALIDADES

ANPROMIS. Sobre a produção de milho, diz que “a Europa passou de exportador a importador”, estando hoje numa situação “crítica”. A nível nacional, e apesar de Portugal ter uma Estratégia Nacional para a Produção de Cereais, Jorge Neves afirma que “os mecanismos de apoio público não são suficientes”, questionando retoricamente se o País quer ou ser produtor de milho. Na sua opinião, é fundamental “uma doutrina sobre o abastecimento de matérias-primas essenciais”. Jorge Neves advertiu ainda para o problema da “assimetria de disponibilidade de água em Portugal”, lamentando igualmente não haver um “consenso nacional” sobre esta matéria.

tares para a produção de arroz a nível nacional, alcançando assim o patamar de cerca de 28 mil hectares”. Apesar da situação geopolítica e do aumento substancial dos custos de produção, o responsável admite que as expetativas

“O ATUAL PEPAC ESTÁ TOTALMENTE DESAJUSTADO”

72 GRAEME TAYLOR, DIRETOR, CHEFE DE ALIMENTAÇÃO E AGRICULTURA BRUXELAS NA RUD PEDERSEN PUBLIC AFFAIRS

Por último, Carlos Parreira do Amaral esclareceu que “este ano, tivemos um aumento de cerca de 1.011 hec-

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PEDRO GALLARDO, PRODUTOR DE CEREAIS


A ATUALIDADES

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para a campanha deste ano são boas. Contudo, afiança que “a setor do arroz precisa de acautelar inúmeros aspetos e fatores que podem fazer fracassar a cultura”. Na opinião de Carlos Parreira do Amaral, “o atual Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC) está

totalmente desajustado em relação à situação de 2022-2023”. O responsável revelou ainda que “Portugal é o país da Europa com mais consumo per capita de arroz por ano (16kg)”, sendo por isso fundamental “desenvolver novas sementes com características que se adaptem ao nosso ciclo produtivo”.

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Produzir mais com menos água é outro grande desafio para o setor, assim como a restrição do uso de pesticidas que, no seu parecer, “diminui a competitividade do mercado europeu”. Luís Mira, secretário-geral da CAP, encerrou a conferência concluindo que “há hoje novas oportunidades para as diferentes culturas” [arroz, milho e trigo]. No que diz respeito à utilização eficiente da água, o responsável diz que “chega de planos” e que “é preciso agir”, pois “em Portugal, apenas 16% da superfície agrícola útil é regada”. Luís Mira disse ainda não entender como se fizerem parcerias público-privadas para autoestradas e não se fazem para investimentos ligados à água. “O princípio é o mesmo”, sublinha, acrescentando que “são investimentos rentáveis que podiam recorrer aos mesmos mecanismos”. Por fim, lamenta que “somos uma classe que ainda não foi valorizada pela sua atividade, mas essa valorização vai aparecer”, pois “sem agricultores não há alimentos”.


O OPINIÃO

Francisco Gomes da Silva PROFESSOR NO INSTITUTO SUPERIOR DE AGRONOMIA

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Os preços dos alimentos em Portugal e a responsabilidade dos agricultores Ao longo dos últimos meses, o comportamento dos preços dos produtos alimentares ganhou espaço na comunicação social. Por um lado, porque o ritmo do seu crescimento foi muito acentuado, com impacto evidente nos níveis de inflação suportados pelas famílias portuguesas e, por outro lado, devido à resiliência desta tendência quando os preços de muitos dos outros bens e serviços da economia já começaram a dar sinais de abrandar o ritmo da sua subida. Muito se escreveu e disse sobre o assunto, criando-se mesmo a ideia de que os agricultores portugueses poderiam contribuir para que tal processo inflacionista abrandasse e se invertesse. Nada mais errado.

SOBRE O AUMENTO DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO NA AGRICULTURA As razões que estão na génese do aumento dos custos de produção dos produtos agrícolas (maioritariamente destinados à alimentação) são diversas e nem sempre se compadecem com explicações simplistas, dada a inter-relação que existe entre elas. No entanto, na base do processo inflacionista dos custos de produção dos produtos agrícolas estão quatro “acontecimentos” que marcam de forma decisiva os tempos que vivemos: • em primeiro lugar, a pandemia de Covid-19 que impactou de forma significativa, e à escala global, em muitas cadeias de aprovisionamento, tornando os serviços de logística e transporte muito mais dispendiosos, com um reflexo imediato nos custos de produção de todos os produtos mais exigentes nesses serviços; • em segundo lugar, o aumento dos custos da energia, que começou a desenhar-se a partir do Verão de 2021 (também uma consequência próxima da pandemia), arrastando consigo uma tendência de aumento nos diversos recursos intensivos em energia, como por exemplo os fertilizantes e outros AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

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agroquímicos, mas também a água para rega, recurso cada vez mais intensivo em energia; • em terceiro lugar, a eclosão da invasão da Ucrânia pela Rússia no início de 2022 e a manutenção do estado de guerra na Europa, situação que, para além dos horrores humanos que continua a provocar, teve um impacto direto quer no mercado da energia (dada a dependência da Europa do gás e petróleo russos) quer nos mercados de alguns produtos agrícolas, nomeadamente dos cereais e algumas oleaginosas e proteaginosas importadas dos países mais diretamente envolvidos no conflito. • em quarto lugar, e com um impacto particular no nosso país, uma prolongada situação de seca que originou quebras no fornecimento de alguns produtos e consequente aumento de custos com a sua aquisição (nomeadamente dos alimentos para o gado) bem como uma crise aguda em muitas das empresas agrícolas mais afetadas por este fenómeno. Com o passar do tempo, a pandemia foi ultrapassada e as cadeias de distribuição e aprovisionamento foram restabelecidas (custos do frete caíram mais de 80% ao longo de 2022). Também nos mercados da energia se vem verificando um ajustamento dos preços, numa tendência de redução desde o final do Verão de 2022. Finalmente, as exportações de cereais e fertilizantes a partir dos países em guerra têm sido objeto de acordos internacionais, contribuindo para mitigar o impacto no processo de inflação dos custos de produção na agricultura. Manteve-se a situação de seca, apesar do Outono chuvoso, assunto que daria seguramente matéria para um outro texto. Sobre o que atrás ficou escrito, é importante reter dois pontos:


atividade em solo português, e das suas “culpas” no processo inflacionista dos produtos alimentares no nosso país. E fá-lo-ei retendo desde já o facto de, desde o início de 2020 até aos dias de hoje, os agricultores terem registado um enorme aumento nos custos de produção que, para muitos produtos, chegaram a mais do que duplicar.

SOBRE O PRINCÍPIO DO FIM DA ALIMENTAÇÃO SEGURA E BARATA À MESA DO CONSUMIDOR

• em primeiro lugar, e para o que nos interessa no âmbito deste texto, realça-se que os “grandes acontecimentos” mais ou menos globais acima mencionados, tiveram impacto essencialmente nos custos de produção dos produtos agrícolas, o que é diferente de determinarem imediatamente um aumento dos preços de venda destes mesmos produtos; • em segundo lugar, note-se que, a par das tendências macro acima referidas, todos os restantes drivers importantes para a formação dos preços dos produtos agrícolas em cada geografia se mantiveram ativos – oscilações importantes na procura local de diversos produtos (fruto do ajustamento dos padrões alimentares durante a pandemia, por exemplo), fenómenos meteorológicos anormais em diversas geografias importantes (entre secas e inundações, decorrentes de forma mais ou menos direta do processo de alterações climáticas), crescimento da população mundial e melhoria dos padrões de consumo (o que vai pressionando, de forma continuada, a procura da generalidade dos alimentos), intervenções de políticas públicas mais ou menos musculadas com impacto no rendimento dos agricultores (intervenções quase sempre desviando o seu objetivo da necessidade de produzir para a necessidade de preservar recursos naturais) e, last but not the least, os agricultores de todo o mundo continuaram a ter que viver à custa de sua atividade económica, e os agricultores portugueses não foram exceção. Porque gente bem mais sábia e habilitada já tem vindo a escrever sobre as grandes tendências que estão na base da inflação dos produtos alimentares, gostaria de me centrar no papel dos agricultores, em particular daqueles que desenvolvem a sua

Começo esta análise com um breve parêntesis. De facto, nestes períodos em que a alimentação fica mais cara, é sempre útil recordar que os cidadãos europeus têm tido acesso a produtos alimentares caraterizados por elevadíssimos padrões de qualidade (sem paralelo à escala mundial), produzidos segundo as mais exigentes normas ambientais e de respeito pelos direitos humanos, e a um preço reduzido nas prateleiras dos supermercados. Esta espécie de “milagre” apenas é possível devido à existência de um conjunto de políticas públicas, quase todas elas integradas na Política Agrícola Comum (PAC), que: 1 apoiam diretamente o rendimento dos agricultores permitindo que eles vendam mais baratos os produtos que produzem, e 2 subsidiam os custos adicionais com a adoção de diversas práticas focadas nas dimensões ambientais e de clima, evitando que esses custos se repercutam no preço final dos produtos. Este caminho, percorrido de reforma da PAC em reforma da PAC, tem sofrido diversos ajustamentos, sendo evidente o aumento da importância dos objetivos ambientais e de clima em detrimento dos objetivos de apoio ao rendimento e de fomento da competitividade. Compreende-se que assim seja, tendo em conta a importância que a Sociedade vem dando a estas dimensões. Mas tenhamos todos a consciência de que a redução dos apoios diretos ao rendimento dos agricultores (como se tem verificado de facto) e a quebra de competitividade que decorre da secundarização dos objetivos de produção de alimentos, tem inevitáveis impactos na realidade que temos vivido: os consumidores europeus têm que se habituar a uma alimentação mais cara para que se mantenham os exigentes padrões de qualidade, de proteção do ambiente, de combate à crise climática e de respeito inequívoco pelos direitos humanos. Uma parte do aumento de preços dos produtos agrícolas, pequena certamente, é já um reflexo destas opções. O problema é que os políticos que vêm desenhando e implementando estas políticas não perdem um minuto a explicar, de forma clara, este tipo de consequências aos consumidores.

SOBRE A CAPACIDADE DOS AGRICULTORES DECIDIREM SOBRE OS PREÇOS DE VENDA Fechado o parêntesis, e retomando a linha deste texto, desengane-se quem pense (ou quem o afirme, sem pensar) que os agricultores decidiram vender os seus produtos mais caros porque tiveram um conjunto de rubricas de custo que aumentaram muito nestes últimos 3 anos. Por natureza, os agricultores são típicos “price-takers” (em linguagem mais liberal) ou “entidades económicas dominadas” (num léxico mais dialético). Ou seja, pela sua pulverização e falta de escala que AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

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O OPINIÃO

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lhes retira capacidade negocial, e pela indiferenciação que carateriza grande parte dos seus produtos, aceitam o preço que os seus clientes (essencialmente indústrias transformadoras e distribuidores) lhes propõem. Aqui e ali, através de alguma diferenciação dos produtos e de estruturas que agregam a sua produção, dão um ar da sua graça, entrando em processos negociais que todo sabemos de que forma terminam. Não digo isto como uma crítica, nem às organizações da produção agrícola, nem às indústrias ou às cadeias da grande distribuição. Digo-o por ser exatamente assim, com as honrosas e devidas exceções que sempre existem. pub.

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Assim, é um pouco desconcertante ouvir o Governo achar (ou dizer, sem o achar) que negociou com os agricultores (com as suas Associações) o seu “contributo para a estabilização e redução dos preços dos produtos agrícolas”. Entendamo-nos: se um agricultor puder vender uma tonelada de tomate por 120 € em vez de a vender por 100 €, porque a indústria lhe oferece tal preço, fá-lo-á. E muito estranho seria se assim não fosse. Era sinal que estávamos a pedir ao elo da cadeia que é tradicionalmente esmagado nos processos de formação de preço, que se autoinfligisse este esmagamento adicional. Sim, é verdade que a generalidade dos preços dos produtos agrícolas pagos aos agricultores aumentou de forma significativa nestes três anos. Sim, é verdade que, em algumas dessas situações (e não em todas) estes aumentos foram mais do que proporcionais relativamente ao aumento dos custos de produção que suportaram, permitindo-lhes realizar melhores resultados do que em anos “normais”, e bastante melhores resultados do que em anos “maus”. Mas este facto não significa que a decisão do aumento dos preços seja dos agricultores, assim como não é sua a decisão de vender barato os seus produtos nos anos em que tal acontece. Se, uma vez por outra, a conjugação de um conjunto de fatores origina melhores negócios na agricultura do que é costume, foi porque os clientes (indústria e distribuição) ofereceram preços mais elevados à produção. E porque o terão feito? Só eles o poderão dizer, mas calculo que tal tenha acontecido muito mais pelo receio de escassez


de muitos desses produtos no mercado (escassez essa que foi efetiva nos mercados internacionais em diversos produtos), do que por qualquer outra razão.

SOBRE O MODELO DA TEIA-DE-ARANHA E AS ESCOLHAS DOS AGRICULTORES Quem estudou um pouco de economia, terá certamente presente um dos modelos mais utilizados na explicação do comportamento dos mercados de produtos agrícolas. Esse comportamento decorre essencialmente de duas caraterísticas dos processos produtivos em causa: (1) a sua sazonalidade e (2) o alargado intervalo de tempo entre a tomada de decisão sobre o que produzir e o momento de colocação do produto no mercado. Este modelo, conhecido por “modelo da teia-de-aranha” (não explorarei aqui, por irrelevante para este texto, o seu comportamento convergente e/ou divergente), baseia-se na constatação simples de que quando um agricultor decide que cultura instalar (que produto produzir), fá-lo também (embora não apenas) com base nos níveis de preços que, nesse momento, se verificam no mercado – o preço da campanha anterior e não aquele que irá verificar-se cinco ou seis meses mais tarde (ou às vezes mais) quando o agricultor colocar o seu produto no mercado. Quando assim é, e sempre que existe uma inversão de tendência de preços de um ano para o seguinte (o que ocorre

com alguma frequência), as escolhas dos agricultores tendem a “sair erradas”, dado o contraciclo que define o seu processo de decisão: se este ano o preço da batata esteve alto, para o ano haverá mais agricultores a produzir batata. Em mercados menos globalizados, este facto tenderá a provocar um excedente de oferta momentâneo, promovendo a redução do preço. É claro que este comportamento não se observa em cultura permanentes, como os pomares, os olivais ou as vinhas. É também claro que a globalização dos mercados tende a atenuar um pouco este tipo de consequência. Mas ainda é muito com base neste raciocínio que são feitas algumas opções de produção. pub.

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O OPINIÃO

Acresce que os produtos agrícolas são geralmente perecíveis, e que a capacidade de transformação/conservação nas explorações ou nos agrupamentos de produtores é muito limitada. Ou seja, o diminuto controlo que existe sobre a quantidade de produto que, em cada momento, os agricultores colocam no mercado, apenas marginalmente poderá influenciar a definição do preço pelo qual o seu produto é vendido.

EM CONCLUSÃO

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Admitindo que a leitura que faço está próxima da realidade portuguesa, a questão que se coloca é se competiria aos agricultores recusarem receber preços “mais elevados” pelos seus produtos, por forma a promoverem uma mais rápida redução da inflação nos alimentos. Pelo que já deixei escrito, é evidente que acho que não. E os agricultores não têm de se envergonhar quando conseguem fazer bons negócios, mesmo que pouco consigam influenciar os preços de venda daquilo que produzem. A César o que é de César: é ao Governo que compete promover políticas públicas que sejam eficazes para controlar a inflação. É ao Governo que compete decidir se apoia ou não os rendimentos das famílias mais carenciadas, e de que forma o faz. Acenar publicamente, com pompa e circunstância, com uns milhões de euros que serão canalizados para os agricultores, criando a falsa perceção na opinião pública de que, com isso, se estabilizam os preços dos alimentos é pura demagogia. Já agora, e a talhe de foice, é também ao Governo que compete pub.

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decidir de forma clara o que pretende em matéria de política agrícola (e alimentar) e qual a atenção e nível de competência política que quer dedicar a este setor. Como tentei deixar claro, aquilo que foi um pico de inflação associado a fenómenos críticos bem identificados, caminha a passos largos para se tornar uma constante: a alimentação segura (do ponto de vista nutricional, ambiental, territorial e social) passará a chegar muito mais cara à mesa dos europeus. Manter qualidade e segurança, respondendo aos níveis crescentes de exigências que a política europeia vem impondo, apenas é possível com uma forte política de apoio ao rendimento dos agricultores e com a compensação efetiva dos custos acrescidos impostos por essas mesmas exigências. É isso ou assumir uma escalada efetiva e estrutural dos preços dos alimentos. Ou, em alternativa pouco inteligente, empurrar para a falência a agricultura europeia e abrir portas aos produtos alimentares produzidos noutras geografias, com os padrões de qualidade que todos conhecemos.


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A ATUALIDADES

NUTRI-CHECK NET

Optimizar a nutrição de culturas

Beatriz Cardoso CONSULAI

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A

tualmente, enfrentam-se na Europa desafios urgentes na agricultura, inclusive, a necessidade de aumentar a produtividade das culturas agrícolas e, simultaneamente, reduzir a utilização de fertilizantes sintéticos e as perdas de nutrientes. O projeto NUTRI-CHECK NET, propõe, assim, estabelecer uma rede de trabalho europeia que visa a promoção e adoção de práticas eficientes de fertilização das culturas do milho, trigo e batata. Trata-se de um projeto europeu financiado pelo programa Horizonte Europa, coordenado pela Universidade de Atenas e com a duração de três anos, tendo tido início a 1 de janeiro de 2023. Está estabelecido em nove países europeus (Dinamarca, França, Grécia, Irlanda, Lituânia, Países Baixos, Polónia e Portugal), nos quais foram criados os seguintes grupos de trabalho: os Clubes de Nutrição das Culturas (Crop Nutrition Clubs, CNC) e o os Grupos Nacionais de Peritos (National Expert Groups, NEG). Em cada país, estabeleceu-se um CNC para cada uma das culturas arvenses consideradas no projeto, sendo os

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CNC constituídos por produtores de milho, trigo e batata. Por seu turno, os NEG são constituídos por diversas partes interessadas na gestão da fertilização das culturas (agricultores, técnicos e consultores agrícolas, empresas, decisores políticos e investigadores), tendo sido estabelecido um NEG por país. Os agricultores que pertencem aos NEG

Em relação aos CNC, pretende-se que seja promovida a partilha de conhecimento e experiência entre os respetivos membros e que contribuam para a identificação das ferramentas e estratégias mencionadas. Além disso, após esta fase de identificação, os CNC terão oportunidade de as implementar e avaliar as respetivas vantagens e

são também representantes dos CNC. Os NEG têm como principal objetivo a identificação e seleção de ferramentas e estratégias que permitam aos produtores das culturas arvenses (milho, trigo e batata) melhorar a eficiência das práticas de fertilização. Esta identificação é baseada nas necessidades e dificuldades que os produtores enfrentam atualmente no âmbito da gestão da fertilização das culturas, através da colaboração e envolvimento dos representantes dos CNC neste grupo de trabalho.

desvantagens, de forma a identificar quais os desafios que se colocam à sua adoção. Através da metodologia de trabalho descrita, a rede NUTRI-CHECK NET compromete-se a contribuir para a partilha e promoção generalizada na Europa de práticas de fertilização com foco na precisão, ou seja, direcionadas para a monitorização e controlo dos nutrientes em campo, de forma a aumentar a eficiência e sustentabilidade da agricultura. https:// nutri-checknet.eu/.

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O OPINIÃO

José Carlos Lino Sérvulo Correia

Tomate de Indústria, do melhoramento genético ao campo 84

Portugal cultiva anualmente cerca de 15.800 hectares de tomate para processamento industrial. Esta fileira gera, ao longo da cadeia produtiva, muito emprego direto e indireto, no campo e nas cidades. O tomate e os seus derivados são também uma componente importante nas exportações agroalimentares e uma significativa fonte de nutrientes na dieta alimentar, transversal a todas as famílias, pois está na base de dietas bastante simples e económicas até formulações mais “gourmets” na restauração e no “food service”. Fruto dos constantes e crescentes desafios que se colocam aos produtores, quer ao nível dos recursos naturais (solo e água), climatéricos e culturais (intensificação cultural, limitações crescentes no uso de agroquímicos), faz com que a genética assuma cada vez mais um papel preponderante como fator de contribuição positivo para a estabilização dos rendimentos no campo, os quais são a base do valor na fileira. No nosso País, as produções unitárias/ha têm sido competitivas e de acordo com os mais elevados padrões de qualidade e de segurança alimentar. O melhoramento genético é um longo processo, o qual exige alguns anos até que se chegue a uma nova variedade/hibrido comercial. Desde logo, a obtenção e estabilização das linhas base/puras e com a incorporação de características desejáveis; quer

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sejam agronómicas (potencial produtivo, adaptação a condicionantes climatéricas, tais como picos de calor e/ou humidade, tolerância a salinidade, resistência à sobrematuração) quer tecnológicas ( maior teor de matéria seca/brix, melhor viscosidade/bostwick, valores adequados de PH e de cor) e também fitossanitárias (resistência ou maiores tolerâncias a pragas e doenças); é um processo complexo e metódico, ano após ano. Aquando da obtenção de uma nova cultivar híbrida, esta deve cumprir os critérios DHE (distinta, homogénea e estável), tendo de ser validada no contexto produtivo e também legislativo (obrigatoriedade de inscrição no catálogo nacional e europeu de variedades), para que possa ser considerada apta à sua comercialização. Por fim, a validação do valor acrescentado da genética para a fileira produtiva e agroindustrial, não se esgota no perfil genético/identidade genética propriamente dito, pois os fatores ambientais e os contextos produtivos são aqueles que vão de facto ditar o veredito final à nova variedade/cultivar e determinar se acrescenta valor à fileira ou se é apenas uma das muitas a cair no esquecimento. Para tal, a experimentação agronómica local, suportada numa vasta rede de ensaios de campo, de ensaios laboratoriais e no conhecimento e experiência dos interlocutores vários (geneticistas, organismos oficiais/DGAV e INIAV, técnicos do sector, organizações de produtores e produtores), gera um fluxo constante de informação e partilha de conhecimento, fundamental para uma dinâmica de sucesso e de inovação, agregada por esta importante ferramenta que é o melhoramento genético. Portugal está na primeira linha para as empresas de melhoramento, as quais são globais e têm vindo a reconhecer o profissionalismo e competência dos vários intervenientes ao longo da cadeia. Fazemos votos para que saibamos sempre cuidar deste sector e valorizar o dinamismo existente, criador de sucesso e de competitividade acrescida. A Todos, Votos de Um Santo Natal e Um Feliz Ano Novo!


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De que forma estará o Projeto ClieNFarms a promover uma agricultura neutra em carbono?

Joana Anjos CONSULAI

O

Projeto ClieNFarms tem como objetivos a promoção da adoção de práticas sustentáveis e a transferência de conhecimento agrícola, através da sua abordagem demonstrativa. Tendo uma estrutura baseada em casos de estudo, permite não só capacitar os agricultores, como apoiar a divulgação e replicação das inovações testadas. Esta estrutura, designada por I3S (“Innovative Systemic Solutions Space” - Espaço de Soluções Sistémicas Inovadoras), é uma rede de vinte casos de estudo - culturas arvenses, produção animal (bovinos de carne, bovinos de leite, ovinos e suínos) e culturas permanentes (vinha e

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Maria Mendonça CONSULAI

olival) - onde estão a ser testadas e avaliadas soluções sistémicas inovadoras, através da utilização de modelos e ferramentas de avaliação atuais. • As soluções testadas devem ter impacto em, pelo menos, um dos seguintes parâmetros Redução das emissões diretas e indiretas de gases com efeito de estufa (CH4, N2O, CO2); • Aumento do armazenamento de carbono; • Aumento do albedo; • Produção de energia renovável. A Nutrifarms está a criar e desenvolver uma I3S, recorrendo à sua rede de 44 explorações agrícolas e ao apoio da CONSULAI, divulgando os resultados

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no sector olivícola e nas regiões portuguesas produtoras de azeite. O objetivo é que através do desenvolvimento e estabelecimento de uma ampla rede de agricultores, intervenientes na cadeia de valor e outros stakeholders do sector, se demonstrem técnicas e tecnologias agrícolas promotoras de um sector olivícola cada vez mais neutro em carbono. A exploração de demonstração da I3S Portuguesa é a Herdade do Outeiro da Nutrifarms, situada em Beja, no Sul de Portugal. A Herdade tem 370,62 hectares, sendo 313,84 hectares dedicados a olivais modernos de regadio. Estes olivais, plantados em 2015 e compos-


tos pelas variedades Arbequina (201,35 hectares) e a Oliana (112,49 hectares), são conduzidos em sebe de modo a permitir a mecanização total das operações (poda e colheita). Adicionalmente, são totalmente irrigados com sistema de rega gota a gota e fertirrigação. A implementação das soluções no âmbito do Projeto ClieNFarms foi realizada em duas parcelas semelhantes, da variedade Arbequina, cada uma com uma área de aproximadamente 7,5 hectares. Nestas parcelas, as soluções que estão a ser (ou virão a ser) testadas incluem: 1. O enrelvamento na entrelinha Cobertura espontânea vs. mistura de sementes ricas em leguminosas 2. A incorporação de resíduos de poda no solo 3. A gestão da entrelinha – Não-mobilização do solo Vs. Mobilização corretiva localizada (para melhorar a estrutura da estrutura do solo) 4. A avaliação do potencial dos subprodutos locais como composto 5. A produção e utilização de energia renovável (solar) 6. A aplicação de fertilizantes de baixas emissões 7. A aplicação de PGPR (rizobactérias, promotoras do crescimento das plantas)

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deia de valor, entre outros stakeholders. Neste evento, os participantes foram convidados a discutir as medidas e soluções que estão a ser implementa-

das, analisando os potenciais resultados que estas poderão vir a ter nas metas de neutralidade carbónica estabelecidas para o setor olivícola.

Em maio foi organizada uma Arena Criativa com cerca de 30 participantes, entre os quais estiveram agricultores, investigadores, representantes da capub.

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Será o regadio uma prioridade?

Francisco Campello

PROJECT MANAGER NA AGROGES

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stivesse o nosso país localizado nas latitudes do norte da Europa, onde o clima se caracteriza por uma precipitação mais abundante e regularmente distribuída ao longo do ano, o regadio seria totalmente dispensável. No entanto, o Continente Português possui um clima marcadamente mediterrânico, que é caracterizado pelo desfasamento entre o período onde se concentra a precipitação (Outono-Inverno) e o período onde as necessidades de água para as culturas são maiores (Primavera-Verão), altura em que a precipitação é pouco abundante, mas as temperatu-

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ras são favoráveis ao desenvolvimento das plantas. Este desfasamento natural, que se verifica mesmo em anos mais húmidos, tem como consequência a criação de um deficit hídrico em períodos cruciais para o desenvolvimento das culturas, afetando a sua produtividade e a viabilidade económica de muitos sistemas de produção agrícola. Nestas condições, o regadio torna-se uma ferramenta essencial, uma vez que permite distribuir a água às plantas de forma mais homogénea ao longo do ano, recorrendo a estruturas que armazenam a água proveniente da abundante preci-

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pitação verificada nos meses de Outono-Inverno (barragens, represas ou mesmo aquíferos subterrâneos), para posteriormente a distribuir pelas plantas durante o período da Primavera-Verão, altura em que naturalmente ocorreria uma situação de deficit hídrico. Ao eliminar ou reduzir estas situações de deficit hídrico, o regadio permite aumentar significativamente a produtividade das culturas e a riqueza gerada por unidade de área: em média, o Valor Acrescentado Bruto gerado por um hectare de área de regadio é seis vezes superior ao gerado por um hectare de área de sequeiro.


Refira-se ainda que as áreas de regadio atualmente existentes representam apenas 14% da Superfície Agrícola Útil (SAU) nacional, embora se distribuam por 46% das explorações agrícolas existentes no Continente Português, o que evidencia que o regadio também se verifica em muitas explorações cuja área é maioritariamente de sequeiro, constituindo as áreas regadas um complemento fundamental para a viabilidade destas explorações. O regadio tem igualmente impactos positivos importantes na coesão territorial e no desenvolvimento socioeconómico dos territórios beneficiados, nomeadamente, na geração de riqueza para as atividades que se situam a montante e a jusante da produção agrícola (prestadores de serviços, vendedores de fatores de produção, agroindústrias e serviços), na criação de emprego, e na fixação de população nos territórios rurais. Adicionalmente, muitos dos aproveitamentos hidroagrícolas são de fins múltiplos, pelo que servem outras finalidades para além do regadio, como o abastecimento às populações e à indústria, a produção de energia renovável, o suporte à atividade turística e o combate aos incêndios rurais. As alterações climáticas, que se caracterizam essencialmente por uma redução gradual da precipitação anual, por um aumento das temperaturas médias, e pela ocorrência de períodos de seca cada vez mais frequentes, terão como consequência um aumento do deficit hídrico que atualmente já se verifica nos meses de Primavera-Verão, tornando o regadio ainda mais necessário para a sustentabilidade de alguns sistemas de produção agrícola. Também em consequência das alterações climáticas, espera-se uma redução significativa das afluências superficiais às diferentes barragens que alimentam as áreas de regadio nacionais, nomeadamente nos regadios a Sul do Tejo, onde os níveis de armazenamento das albufeiras já têm apresentado valores historicamente baixos nos últimos anos, gerando constrangimentos na utilização de água para rega, de forma a salvaguardar do abastecimento às populações e aos efetivos animais. No entanto, de acordo com Plano Na-

cional da Água (2016), as afluências superficiais verificadas, em ano médio, no território continental correspondem a cerca de 7 vezes o volume de água utilizado por todos os sectores da economia, sendo que a capacidade útil total das albufeiras existentes no Continente apenas consegue reter 31% do total destas afluências. Desta forma, os problemas de escassez de água que se têm verificado essencialmente em algumas albufeiras a sul do Tejo poderão ser minimizados através de uma gestão mais centralizada das diferentes bacias hidrográficas nacionais, nomeadamente: • através do reforço da capacidade de armazenamento das barragens localizadas nas bacias hidrográficas onde as afluências são muito superiores aos volumes captados, sem prejuízo da manutenção dos caudais ecológicos a jusante destas infraestruturas (ex. o caso da Bacia do Tejo onde as albufeiras existentes apenas possuem capacidade útil para armazenar 20% das afluências totais em ano húmido); • através da implementação de soluções de ligação entre bacias hidrográficas numa lógica de criação de uma “rede hídrica nacional”, com capacidade de efetuar transvases entre bacias onde as afluências são muito superiores às necessidades (Litoral Norte do País), para outras onde existe escassez (Sul do Tejo e Interior Norte). Os diferentes aspetos acima evidenciados demonstram a importância estratégica do regadio para a sustentabilidade de muitos sistemas de produção agrícola, para a mitigação dos efeitos

das alterações climáticas, para o desenvolvimento dos territórios rurais e para a coesão social e territorial. Neste contexto, não deveria o regadio constituir uma prioridade para os nossos decisores políticos? Efetuando uma consulta rápida aos programas eleitorais apresentados, nas Legislativas de 2022, pelos principais partidos políticos com assento paramentar, verificamos que apenas o Partido Socialista, o Partido Social Democrata e a Iniciativa Liberal identificam claramente a necessidade de desenvolver/promover o regadio sustentável, embora este conjunto de partidos tenha obtido cerca de 76% do total de votos nestas eleições. Como sabemos o Partido Socialista ganhou as eleições e formou o XVIII Governo Constitucional, tendo apresentado no seu Programa, como uma das prioridades para a agricultura e território rural, o regadio eficiente e resiliente. Desta forma, podemos concluir que o regadio constitui, aparentemente, uma prioridade política para o Governo e grande parte dos decisores políticos eleitos nas últimas eleições legislativas. No entanto, importa saber se esta prioridade política se verifica efetivamente em termos de decisões de financiamento público e no desenho das medidas de política. Em Dezembro de 2021 a EDIA apresentou um estudo intitulado de «Regadio 20|30 – Levantamento do Potencial de Desenvolvimento do Regadio de Iniciativa Pública no Horizonte de uma Década», estudo esse que lhe foi encomendado pelo Ministério da Agricultu-

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A ATUALIDADES

Tabela 1

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ra, com o objetivo de identificar as necessidades de investimento em regadio público. De acordo com este estudo, foi estimada uma necessidade de investimento de 2.257 milhões de euros, a que acrescem 197 milhões de euros de investimentos complementares nos regadios coletivos e privados, num valor global de 2.454 milhões de euros. No entanto, destes investimentos, apenas uma parte já possui um grau de maturidade (existência de Estudos e Projetos e aprovação pela Autoridade Nacional de Regadio) que lhes permite uma execução garantida até ao final de 2030, num valor global de 1.254 milhões de euros. (ver tabela 1 e 2) Uma parte muito relevante deste montante (67%) destina-se à modernização e reabilitação de regadio já existentes, representando o montante identificado para a criação de novos regadios no Horizonte 2030 apenas 16% do total. Efetivamente, cerca de um terço da área de regadio público encontra-se incluída em aproveitamentos hidroagrícolas construídos há mais de 40 anos, muitos dos quais se encontram já bastante degradados e a utilizar tecnologias de distribuição de água obsoletas e bastante ineficientes, persistindo situações em que as perdas de água nos sistemas de distribuição (diferença entre a água captada e a água fornecida aos regantes) atingem os 40%, quando os aproveitamentos mais modernos podem ter perdas na ordem dos 10%. Num contexto de alterações climáticas e de respetivas de reduções das afluências superficiais, o uso eficiente de água, tanto ao nível da parcela como ao nível dos sistemas de distribuição é indispensável, pelo que estes investimentos se revestem da maior relevância. No entanto, se levarmos em consideração as origens de financiamento público direcionadas para o investimento em regadio, tanto no final do atual Quadro Comunitário, como no próximo, é possível identificar uma despesa pública total disponível de 421 milhões de euros, a executar entre 2022 e 2030. Este valor corresponde a apenas 34% das necessidades de investimento anteriormente identificadas com condições asseguradas para serem implementados até 2030 (1.254 M€). AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

Tabela 2

Para este efeito foram consideradas, no âmbito do atual quadro, as verbas por comprometer no âmbito do Programa Nacional de Regadios e das medidas de apoio ao regadio do PDR2020 (à data de 31/01/2022), assim como uma verba de 92 milhões de euros proveniente do Plano de Recuperação de Resiliência (PRR). No próximo Quadro Comunitário são apenas consideradas as verbas associadas às medidas de apoio ao regadio no âmbito do PEPAC, com especial relevo para as medidas de apoio aos regadios coletivos sustentáveis, que face aos quadros anteriores sofrem um decréscimo considerável de despesa pública prevista. (Ver Tabela 3) Para esta reduzida cobertura das necessidades de investimento com o finan-

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ciamento público contribuiu a redução significativa verificada, ao longo dos últimos quadros comunitários, das verbas disponibilizadas para o financiamento do investimento nos regadios públicos, tendo a despesa pública média anual decrescido dos 103 milhões de euros/ano no âmbito do PRODER para os 20 milhões de euros/ano no PEPAC, uma verba historicamente baixa. (Ver Figura 1) A manter-se esta situação, a próxima década será marcada por uma maior degradação dos regadios públicos existentes e do parque de barragens, com impactos negativos muito relevantes na sustentabilidade ambiental e económica de muitos perímetros de rega, para não falar dos riscos para proteção de pessoas e bens, devido à degradação


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A ATUALIDADES

Tabela 3

Figura1

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das infraestruturas e não realização das intervenções necessárias no âmbito da segurança das barragens. Num País de clima mediterrânico, onde o regadio é uma necessidade para a sustentabilidade da agricultura e dos territórios rurais, onde as alterações climáticas terão um impacto muito significativo e onde uma parte importante do regadio público necessita de intervenções de modernização (depois de várias décadas de “outras prioridades” nacionais de investimento), parece-nos totalmente estratégico e oportuno aumentar a importância que tem sido atribuída ao investimento no regadio público no âmbito dos fundos comunitários de apoio. Foi neste contexto que a FENAREG AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

desafiou a AGRO.GES para desenvolver uma proposta de articulação de fundos comunitários e nacionais que permitisse garantir a cobertura da totalidade das necessidades de investimento em regadio anteriormente identificadas, que se estimaram atingir os 1.254 milhões de euros no horizonte de 2030. Para o efeito considerou-se, para além das verbas atualmente já direcionadas para apoiar o investimento em regadio (PDR2020, PEPAC, PRR e componente BEI do Programa Nacional de Regadios), que atingem os 421 milhões de euros, o recurso a outras origens de financiamento público como é o caso do Fundo de Coesão, o FEDER e o Fundo Ambiental, que atualmente não possuem quaisquer dotações especifi-

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camente direcionadas para o apoio ao investimento no regadio coletivo. Efetivamente, desde o atual quadro comunitário, que o apoio ao investimento nos regadios coletivos tem sido concentrado nos fundos comunitários agrícolas, nomeadamente no FEADER, o que não faz muito sentido atendendo aos impactos que os regadios coletivos possuem na coesão territorial e no desenvolvimento regional, e tendo em consideração que muitos dos empreendimentos hidroagrícolas apoiados possuem fins múltiplos, servindo outras finalidades para além do regadio, como é o caso do abastecimento de água às populações e às industrias, a produção de energia renovável ou o apoio a atividades turísticas. Neste sentido existe a possibilidade de financiar investimentos em regadio público no âmbito do POSEUR – PO de Sustentabilidade e Eficiência de Uso de Recursos (Fundo de Coesão) e dos PO Regionais (FEDER), como aliás já aconteceu no anterior período de programação. Efetivamente, no período de 2007-2013, só os investimentos realizados pela EDIA no Regadio de Alqueva, beneficiaram de um montante total de 487 milhões de euros de despesa pública proveniente tanto do Programa Operacional de Valorização do Território - POVT (Fundo de Coesão/ FEDER) como do Programa Regional INALENTEJO (FEDER). Se tivermos em conta os dados de execução do POSEUR e dos PO Regionais do FEDER a 31/01/2022, verifica-se que, apesar das taxas de compromisso elevadas destes programas, as taxas de execução são ainda baixas, encontrando-se ainda por executar 3.181 milhões de euros até ao final de 2023. Ou seja, para que se verifique uma execução plena da verba programada para estes fundos, será necessário executar perto de 1.600 milhões de euros/ano, quando, nos restantes anos de execução do Portugal 2020, a execução média fixou-se em apenas 676 milhões de euros/ano. Desta forma, deveria ser promovida uma articulação entre o Ministério da Agricultura e as Autoridades de Gestão dos Programas Operacionais do Portugal 2020, no sentido de identificar os projetos que não possuem já capacida-


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de para serem executados no horizonte temporal do atual quadro e libertar verbas comprometidas para virem a financiar alguns investimentos em regadio público que possam ser executados num reduzido período de tempo. Será igualmente importante que, no exercício de Programação dos vários programas Operacionais Temáticos e Regionais do Portugal 2030, os investimentos no Regadio Público venham a ser contemplados com medidas de apoio específicas, com especial relevo para os investimentos na construção e beneficiação de barragens, construção de transvases entre albufeiras e redes primárias de distribuição de água. Parece-nos que este tipo de investimentos se enquadra perfeitamente nos Objetivos e atividades de programação estabelecidos no Acordo de Parceria que foi submetido à Comissão Europeia, e deverão estar contemplados no Portugal 2030, bastando para tal que o Governo Português tenha consciência da relevância que o investimento em regadio tem num contexto

de combate à desertificação, mitigação dos efeitos das alterações climáticas e de coesão social e territorial. Assim, a proposta de articulação de fundos apresentada pela AGRO.GES para suprir as necessidades de investimento em Regadio até 2030 é a seguinte: • Alavancar a dotação disponibilizada pelo PEPAC no âmbito do apoio aos investimentos para regadios coletivo com fundos provenientes do BEI, materializando uma segunda fase

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do Programa Nacional de Regadios (PNRegadios 2030), com uma dotação global de 200 milhões de euros (100 M€ provenientes do BEI); • No que se refere ao Pano de Recuperação e Resiliência, considera-se que, para além das verbas provenientes da componente de regadio do recém aprovado Plano de Eficiência Hídrica do Algarve (92 M€), será igualmente de considerar uma componente importante de regadio no Plano Regional de Eficiência Hídrica do Alentejo, que


ainda se encontra em elaboração mas que deverá captar igualmente verbas do PRR para apoio aos investimentos preconizados para o regadio (que se estimam em 150 milhões de euros), como também deverá haver abertura para a integração de outros Planos de Eficiência Hídrica, que entretanto sejam implementados. Em Junho de 2022 a Comissão Europeia reforçou o pacote de subvenções previsto no âmbito do PRR em 1.634 milhões de euros, o que constitui uma oportunidade que o Governo Português tem de direcionar parte desta verba adicional para o regadio; • No âmbito do Fundo de Coesão, prevê-se, tanto o financiamento dos investimentos em regadio, tanto por via de uma reprogramação do POSEUR, que a menos de dois anos do prazo de execução apresenta ainda mais de 800 milhões de euros por executar (consideramos a utilização de cerca de 10% da verba por executar), como por via da inclusão de algumas medidas de apoio

para os investimentos em regadio no âmbito do Programa Temático Ação Climática e Sustentabilidade do Portugal 2030 (cerca de 10% da verba do FC atribuída ao OP2 – Portugal + Verde); • Relativamente ao FEDER, prevê-se uma verba total de 240 milhões de euros a mobilizar através, tanto da reprogramação do Programas Operacionais Regionais do Continente do Portugal 2020 (cerca de 5% da verba por executar de 2.374 M€), como através dos Novos Programas Operacionais regionais a definir no âmbito do Portugal 2030 (5% da verba do FEDER atribuída ao OP2 – Portugal + Verde); • Por fim, o Fundo Ambiental, deverá alocar uma verba anual de 7,85 milhões de euros até 2030, destinada a financiar dois Programas de apoio: um para fomento da adoção de práticas indutoras de eficiência hídrica e energética nas explorações agrícolas de regadio (complementando as verbas do PEPAC destinadas a apoiar os

investimentos em regadio nas explorações agrícolas); e outro para elaboração e implementação de uma norma de regadio sustentável. (ver tabela 4) No total, a proposta de articulação apesentada permite garantir um montante pub.

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Tabela 4

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global de financiamento de 1.254 milhões de euros, cobrindo a totalidade das necessidades de investimento em regadio no horizonte de 2030. (ver figura 2) De acordo com esta proposta de articulação de fundos para financiamento dos investimentos em regadio no Horizonte de 2030, os fundos provenientes do FEADER e do BEI acabam por representar apenas 37%, face às reduzidas dotações atribuídas a estes investimentos no âmbito do PEPAC. Importa ainda realçar que a verba total de 482 milhões de euros provenientes do Fundo de Coesão e do FEDER (39% do total) está em linha com a verba atribuída pelos mesmos fundos europeus aos investimentos no regadio de Alqueva no anterior período de programação (2007-2013), que como se referiu foi de 487 milhões de euros. Assim, podemos concluir que a sustentabilidade futura dos regadios nacionais apenas poderá ser garantida se, tal como sucedeu em anteriores quadros comunitários de apoio, existir vontade política para canalizar verbas provenientes de outros fundos, nomeadamente do Fundo de Coesão, do FEDER e do Fundo Ambiental, para o investimento em regadio. Voltando à pergunta inicial sobre o regadio ser (ou não) uma prioridade, parece-me que a resposta estará na famosa citação do americano James W. Frick: “Não me diga onde estão as suas prioridades. Mostre-me onde gasta o seu dinheiro e eu lhe direi quais são.”1

Figura 2

“Don’t tell me where your priorities are. Show

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me where you spend your money and I’ll tell you what they are.”

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B BREVES

Golegã acolheu 1.º Festival da Biosfera do Paul do Boquilobo

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O 1.º Festival da Biosfera do Paul do Boquilobo aconteceu na Golegã, em maio de 2023 de promover e dignificar este território, enfatizando a sua riqueza e potencial gastronómico, com o peixe do rio e outros pratos tradicionais, potencial vitivinícola com os cada vez mais vinhos da região do Tejo a ganhar destaque, o património musical e etnográfico com os grupos de ranchos folclóricos e com a nossa música tradicional e fado.

Javalis provocam prejuízos de 8M€ na cultura do milho De acordo com o levantamento promovido pela ANPROMIS – Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo junto dos seus associados, os prejuízos provocados pelos javalis nas searas de milho representaram, em 2022, um valor extremamente elevado, a rondar os oito milhões de euros. Perante a dimensão do problema, a ANPROMIS reuniu com a Direção do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) para apresentar os resultados deste inquérito e conhecer as medidas que o ICNF pretende implementar para controlar a densidade de javalis existente em Portugal, conforme preconizado no Plano Estratégico e de Ação do Javali em Portugal, recentemente apresentado. AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

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Governo altera regras dos pedidos de pagamento no âmbito do plano da PAC O Governo alterou o regulamento dos pedidos de ajuda e de pagamentos, no âmbito do Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC), nomeadamente, no que diz respeito à superfície agrícola, referindo que a não declaração do Pedido Único (PU) da totalidade das parcelas agrícolas “determina a aplicação de reduções aos montantes totais dos apoios”. Em causa está o apoio ao abrigo das intervenções do rendimento e sustentabilidade, ajudas diretas da Madeira, apoio ao abrigo do Programa de Desenvolvimento Rural (PDR), ao abrigo das intervenções Sistema Integrado de Gestão e Controlo

(SIGC) do desenvolvimento rural e da abordagem territorial integrada, pagamentos dos prémios anuais destinados a compensar a manutenção e perda de rendimento devido à desflorestação e apoio à instalação de sistemas florestais e agroflorestais. No que diz respeito ao regime de apoio associado animais, o Governo clarificou que, independentemente da forma adotada para a apresentação do pedido de ajuda, “se o beneficiário detiver parcelas agrícolas é obrigado a declarar a sua totalidade no PU do ano seguinte, mesmo que não seja objeto de pedido de ajudas”. pub.

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B BREVES

Akis Portugal, uma plataforma de partilha na agricultura

Projeto GreenBotics vai ajudar a monitorizar plantações de milho 102

Investigadores do Instituto de Sistemas e Robótica (ISR) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveram um sistema, que alia robótica e agricultura de precisão, que permite uma monitorização precisa das plantações de milho. Cristina Premebida, investigador do ISR, explica que o projeto pretende “criar um sistema baseado em inferência probabilística espácio-temporal de múltiplas modalidades, assente em técnicas de aprendizagem computacional, robótica de campo, drones, deteção remota (satélites) e fusão sensorial”. Desta forma será possível “a deteção precoce de anomalias em plantações de milho permitindo conter e controlar os malefícios numa fase em que estes ainda representem um impacto diminuto em termos económicos e ambientais”. pub.

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A Rede Rural Nacional apresentou no início de novembro o Akis Portugal - Sistema de Conhecimento e Inovação da Agricultura. Esta plataforma é uma espécie de “rede social” da agricultura que tem como a objetivo a transferência de conhecimento entre todos os atores do setor agrícola e florestal em prol da inovação, digitalização na agricultura e modernização das zonas rurais. Esta é uma plataforma que se centra nos agricultores e envolve todos aqueles que produzem e utilizam conhecimento: consultores, investigadores, associações, empresas, academia, investigação, entidades públicas e privadas, entre outros. A plataforma Akis permite o registo de membros individuais e de grupos, a interação em grupos e fóruns de discussão, a partilha dos resultados de projetos de I&D (Investigação e Desenvolvimento), a criação de módulos de formação online e o alojamento de conteúdos digitais, entre outras funcionalidades. A plataforma está disponível em www.akisportugal.pt e, em breve, poderá ter também uma aplicação para smartphone. Em Portugal, o Akis é coordenado pela Rede Rural da PAC, que está sob alçada da Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR).


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A ATUALIDADES

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ESTRATÉGIA NACIONAL PARA O REGADIO 2030

Os caminhos da água Fenómenos de chuva intensa, seguidos de períodos de seca são talvez a manifestação mais real das alterações climáticas. A água torna-se ainda mais tema prioritário para quem trabalha na agricultura. Responsáveis de várias instituições falam da necessidade de reter a água da chuva, de aproveitar a água do mar e modernizar a rede de distribuição. Sara Pelicano

A

água é um bem cada vez mais escasso. No sul do país, há barragens com níveis tão baixos de armazenamento, cuja pouca água ali concentrada já não pode ser utilizada. Há agricultores no sudoeste alentejano e no Algarve que ponderam abandonar as terras. A desertificação é uma ameaça tão real nestes territórios quanto a falta de água. É perder uma economia de base rural que é estruturante. Para os agricultores, o tempo urge porque sem água não há alimentos.

ÁGUA QUE CORRE PARA O MAR Uma melhor retenção da água da chuva é um dos pedidos que os agricultores persistentemente fazem. Jorge Neves, AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

diretor-geral da Agromais, salienta que “o Tejo é de todas as bacias hidrográficas internacionais a que tem menor retenção de água no nosso país. Simultaneamente é a que tem a maior superfície irrigada do país, excetuando neste momento o Alqueva. Na região do Vale do Tejo a dependência da água que vem de Espanha é cada vez maior”. Jorge Neves lamenta que recentemente a ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, tenha colocado de parte o Projeto Tejo. “Houve a decisão da construção da barragem do Pisão, que tem como objetivo principal travar o avanço da cunha salina na zona de Vila Franca de Xira. Não há uma real preocupação em manter os níveis dos aquíferos”, reforça Jorge Neves. O mesmo

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responsável quer, contudo, deixar uma mensagem de esperança aos produtores de milho porque “felizmente, estes últimos três anos têm sido interessantes do ponto de vista de rentabilidade da cultura do milho, apesar do aumento exponencial dos custos de produção”. José Palha, presidente da Associação Nacional de Produtores de Proteaginosas, Oleaginosas e Cereais (ANPOC) recorda que os efeitos das alterações climáticas são já uma realidade e que é preciso agir. “Em dezembro do ano passado apenas num dia passou pelo Tejo em direção ao mar a mesma quantidade de água necessária para encher a barragem do Alqueva. Portanto, chove muito intensamente, mas depois sofremos com a seca que se segue. Temos, por isso,


de ter a capacidade de armazenamento desta água da chuva e não deixar simplesmente que corra para o mar”. Uma ideia partilhada por Jorge Neves, que recorda a importância de “transportar a água dos locais onde ela é mais abundante, para aqueles onde há escassez”, concluindo que estes projetos já existem em muitos países e resultam com sucesso. Em conclusão, José Palha prioriza três pontos essenciais: “primeiro aumentar a capacidade de armazenamento a sul do país; olhar para os transvases, um tema que já se fala há algumas décadas e nas zonas mais próximas do mar fazer a dessalinização”.

PLANO DE EFICIÊNCIA HÍDRICA NO ALENTEJO A imagem de um Alentejo banhado de água é uma realidade para uma determinada zona desta região, aquela que recebe água da albufeira de Alqueva. Mas no sudoeste alentejano a realidade é diferente e a terra está ávida de água. Aqui não chove com frequência, o calor aumenta e as barragens estão em níveis muito baixos, quase vazias. No Alqueva apresentam-se planos de eficiência, no sudoeste alentejano e no Algarve pensa-se em retirar água ao mar para garantir a sobrevivência dos territórios. Em junho deste ano, foi apresentado o Plano Regional de Eficiência Hídrica do Alentejo que reúne um conjunto de medidas de curto prazo, tais como: • Construção de reservatórios artificiais intermédios e modernização e reabilitação da rede de distribuição do AH do Mira; • Avaliação da área beneficiada de alguns Aproveitamentos Hidroagrícolas, designadamente a redelimitação dos AH de Lucefecit, Roxo e Campilhas e Alto Sado; • Construção da rede de transporte e distribuição de água para a rega do AH do Xévora; • Redução das perdas de água na rede primária e na rede secundária do AH de Odivelas; • Intervenções para promover a eficiência hídrica do AH do Caia; • Modernização das redes de rega dos blocos gravíticos do AH do Roxo e reabilitação do Canal Condutor Geral

do Roxo/1.º Troço; • Aproveitamento do potencial de produção de energia hidroelétrica na barragem do Roxo; • No âmbito do EFMA - investimentos nos circuitos hidráulicos de Reguengos, Messejana e Monte da Rocha e Vidigueira. E um conjunto de medidas de médio prazo: • Estudos para o aumento da capacidade de armazenamento de água e de regularização interanual; • O aumento da capacidade útil de armazenamento no EFMA e em AH Confinantes; • Avaliação da criação de armazenamento nos afluentes do Baixo Guadiana; • Promover o uso eficiente da água pelos utilizadores, incentivando a eficiência no lado da procura, e o uso integrado de diversas origens de água, assegurando uma gestão otimizada da oferta. O Plano Regional de Eficiência Hídrica do Alentejo tem um orçamento previso de 993 milhões de euros. Carlos Amaral, orizicultor e presidente da Associação de Orizicultores de Portugal (AOP), tem a sua exploração na região de Alvalade e confessa que a situação é preocupante. “O Sudoeste alentejano e o Algarve são as regiões onde mais se sente o efeito das alterações climáticas. Na zona de Alvalade temos um problema gravíssimo de falta de água há cinco anos”. O mesmo responsável recorda que “a agricultura nesta zona é uma atividade importantíssima. Temos atuado junto das autoridades, Ministério da Agricultura, Direção-Geral, mas não recebemos qualquer resposta. Na Comissão de Agricultura sim fomos ouvidos e houve demonstração de preocupação com a situação desta região que é gravíssima”. A produção de arroz aumentou em Portugal, mas muito devido ao aumento na eficácia na produção, fruto de muita investigação e desenvolvimento de variedades mais adaptadas. Carlos Amaral sublinha que a evolução tecnológica pode ser muita, mas “sem água nada se faz”. José Pedro Salema, presidente da Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA), compara

Jorge Neves DIRETOR-GERAL DA AGROMAIS

“

O TEJO É DE TODAS AS BACIAS HIDROGRÁFICAS INTERNACIONAIS A QUE TEM MENOR RETENÇÃO DE ÁGUA NO NOSSO PAÍS. 105

José Palha PRESIDENTE DA ANPOC

“

TEMOS, POR ISSO, DE TER A CAPACIDADE DE ARMAZENAMENTO DESTA ÁGUA DA CHUVA E NÃO DEIXAR SIMPLESMENTE QUE CORRA PARA O MAR.

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A ATUALIDADES

José Pedro Salema PRESIDENTE DA EDIA

“

O PAÍS NÃO TEM UMA GRANDE CAPACIDADE DE REGULARIZAÇÃO DOS SEUS RIOS, DAS SUAS ÁGUAS SUPERFICIAIS, NÓS NÃO TEMOS BARRAGENS SUFICIENTES. 106

Luís Mesquita Dias PRESIDENTE DA AGROTEJO

“

DURANTE MUITO TEMPO NÃO SE PODIA FALAR EM DESSALINIZADORA. NESTE MOMENTO, FELIZMENTE, O TEMA DA DESSALINIZAÇÃO JÁ ESTÁ EM CIMA DA MESA. AS CIRCUNSTÂNCIAS E A NECESSIDADE OBRIGARAM A QUE ALGUM REALISMO COMEÇASSE A SURGIR NESSA MATÉRIA.

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os valores médios das afluências das nossas bacias hidrográficas e o volume de consumo total de todos os setores portugueses e conclui: “quando nós fazemos essa comparação vemos que de facto os nossos rios geram em média cerca de 10 vezes o volume consumido. Por isso, não podemos propriamente falar de uma questão de falta de água”. O mesmo responsável sublinha ainda que os operadores fazem a melhor gestão possível da água que têm e defende que “o país não tem uma grande capacidade de regularização dos seus rios, das suas águas superficiais, nós não temos barragens suficientes”. As barragens devem ser adaptadas às necessidades de cada território onde se identifique a sua relevância. “Por exemplo, na região de Mértola não é fácil imaginar uma grande barragem. Mas pode fazer sentido uma rede de pequenas barragens, perto das bolsas de sequeiro assistido. Se nos deslocarmos para a zona do Tejo, no Ocreza, aí sim faz sentido. Uma barragem se calhar poderia regularizar os caudais do Tejo”, diz José Pedro Salema. O mesmo responsável sublinha que não preconiza que as barragens são a solução, mas são parte da mesma ajudando a armazenar a água nos períodos de chuva intensa para poder ser depois distribuída nos períodos em que não chove e que as culturas mais precisam. O presidente da EDIA destaca ainda que o país tem já vários diagnósticos feitos e agora é necessário “passar para alguns planos de ação”. “Eventualmente, passar para planos mais regionais, que não olhem apenas para um sistema isolado, que olhem para uma bacia hidrográfica, para uma região e que pensem como é que se podiam resolver a maior parte dos problemas dessa região.” n.º 33 | 2023

Na sua ótica, muitos dos problemas de água do país prendem-se também com as infraestruturas que são antiquadas e com elevadas perdas de água. Há canais a céu aberto que perdem água por evaporação e no final de linha, não existindo um reservatório, há perdas de água relevantes. “Num território que está com carência de água, não podemos admitir isso como aceitável. De uma forma muito simplista, temos de colocar reservatórios no fim do canal ou transformar o canal numa conduta enterrada”, comenta José Pedro Salema. José Palha, da ANPOC, destaca a importância do Plano de Eficiência Hídrica do Alentejo que “espero seja posto em prática rapidamente”. O mesmo responsável sublinha que ao nível do país as várias ações que em cima referia têm de ser empreendias “sob pena de termos nos próximos anos metade do país deserto”.

SUDOESTE ALENTEJANO E ALGARVE O Algarve atravessa uma situação de seca extrema. No verão, houve inclusive populações que tiveram de fazer um racionamento de água. Recorde-se que, em 2020, foi apresentado pelo Governo o Plano Regional de Eficiência Hídrica do Algarve que elenca 57 medidas, cuja implementação corresponde a um investimento de 228 milhões de euros, a maioria das quais destinadas ao setor da agricultura, no valor de 79 milhões de euros, embora a componente urbana seja aquela que requer maior investimento (122 milhões de euros). Durante a apresentação deste Plano Regional de Eficiência Hídrica foram apontadas potenciais soluções para reforçar a oferta de água na região, nomeadamente, a captação de água no rio Guadiana, a montante do Pomarão, a


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Gonçalo Santos Andrade PRESIDENTE DA PORTUGAL FRESH

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SEM ACESSO A ÁGUA NÃO É POSSÍVEL MANTER OS INVESTIMENTOS E APROVEITAR A OPORTUNIDADE DE UM MERCADO EM CRESCIMENTO.

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dessalinização de água do mar e a construção de uma barragem na ribeira da Foupana, no sotavento algarvio. Obras aguardadas com expectativa na região. O sudoeste alentejano vive também tempos difíceis. Luís Mesquita Dias, presidente da direção da Agrotejo, é um profundo conhecedor desta região e da agricultura em geral. Sobre as questões da água, diz “é preciso olhar com coragem para o problema da água na sua essência e não deixar que este tema seja contaminado pelas questões do ambiente que devem conviver com ele e não ser contra ele”. Luís Mesquita Dias comenta que tem havido sempre um conjunto de tabus. Um deles é a dessalinização que parece agora tornar-se uma solução viável para Sines. “Durante muito tempo não se podia falar em dessalinizadora. Neste momento, felizmente, o tema da dessalinização já está em cima da mesa. As circunstâncias e a necessidade obrigaram a que algum realismo começasse a surgir nessa matéria.” Na região do sudoeste alen-

pub.

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tejano dão-se agora passos concretos para instalação de uma dessalinizadora da água do mar, que se prevê entre em funcionamento na campanha de 2028. A dessalinização consiste, por meio de processos físicos e químicos, em eliminar os minerais da água, maioritariamente sal. A água da dessalinizadora irá chegar, pelo menos, a 12.000 hectares que correspondem atualmente ao perímetro de rega do Mira. Luís Mesquita Dias relembra que a situação na região é muito crítica. “Nos últimos cinco anos, a média de pluviosidade foi de 350 ml, uma quebra significativa quando os registos mostram que nos anteriores 10 anos a média foi de 650 ml”, avança o presidente da Agrotejo. Paralelamente diz não compreender as dificuldades para criação de charcas, mesmo tendo consciência de que no Sudoeste existe o Parque Natural, uma Rede Natura, entre outros aspetos de defesa ambiental. Há ainda uma rede de canais a necessitar de revestimento para se conseguir reduzir as


perdas e a necessidade de construção de reservatórios intermédios. “No perímetro de rega do Mira estima-se que por ano se percam entre quatro e cinco milhões de metros cúbicos de água que correm para o mar. Não há medições exatas, mas os números não estarão muito longe disto”, conclui Luís Mesquita Dias. O mesmo responsável considera ainda que os transvases são outro dos tabus que existem no tema da água e que, tal como a dessalinização, deixarão de o ser porque o clima vai mostrar a sua importância. Gonçalo Santos Andrade, presidente da Portugal Fresh - Associação para a Promoção das Frutas, Legumes e Flores de Portugal, reforça a ideia da melhora das infraestruturas existentes. “Não se pode exigir mais eficiência e investimento da parte dos agricultores quando há muitas obras antigas e com perdas na distribuição de água muito grandes a necessitar de modernização. Isto é inaceitável nos dias de hoje.” O mesmo responsável recorda ainda que

a questão da água está relacionada com garantia de segurança alimentar e continuação da competitividade. “A água é crucial para mantermos, no caso das frutas, legumes e flores, o crescimento que tem sido registado nos últimos 12 anos, período em que praticamente triplicamos o valor das exportações. Neste momento está em causa conseguirmos até manter este valor. Sem acesso a água não é possível manter os investimentos e aproveitar a oportunidade de um mercado em crescimento.” Gonça-

lo Santos Andrade destaca ainda “para termos segurança alimentar na União Europeia devemos ter uma estratégia para garantir que conseguimos crescer a produção. Sem água isso não se consegue. Evidentemente sempre utilizando os recursos naturais de forma sustentável”. O presidente da Portugal Fresh conclui que, apesar de no Norte não ser tão evidente a fata de água, as alterações climáticas também se acentuam por lá e, por isso, “o problema da água é transversal ao país”. pub.

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E ENTREVISTA

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JOSÉ PIMENTA MACHADO

Interligação de barragens para aumentar capacidade O vice-presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) defende acima de tudo uma melhor gestão da água e articulação entre as barragens existentes, considera que existe um bom diálogo entre ambiente e agricultura e garante que novas captações serão possíveis logo que o aquífero Tejo-Sado reponha níveis de água.

Sara Pelicano

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omo descreve Portugal em termos hidrográficos? Diria que temos duas realidades diferentes, uma a sul do rio Tejo e a outra a norte do mesmo rio. A sul do Tejo um clima mais seco, chove menos muito por

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influência do mediterrâneo. O centro e norte do Tejo mais húmido, mais influenciado por um clima continental ou marítimo. Um aspeto que é crucial na gestão de água em Portugal é que as nossas grandes bacias são partilhadas por Espanha. Obviamente isto


traz desafios. Mais de 50% de água provém de Espanha. Nos últimos 20 anos há uma redução clara da precipitação, na ordem dos 15% a 25%, em média. Também o número que caracteriza bem a situação é que dos 10 anos mais secos de sempre, seis foram depois do ano 2000. O ano passado foi o mais seco de sempre. Este ano, apesar de termos uma precipitação muito próxima da média, sentimos o aumento da temperatura. O aumento de temperatura traz aumento dos consumos de água, aumenta a evapotranspiração, que muito que afeta o setor agrícola. Dar nota ainda sobre os aquíferos. Do ponto de vista das águas subterrâneas, temos 4.500 hectómetros cúbicos. A agricultura é muitas vezes apontada como um grande consumidor de água. Contudo sem água não há alimentos e sabemos hoje que os agricultores são altamente eficientes na utilização deste recurso. Qual o posicionamento da APA em relação a água agricultura? A agricultura é um setor essencial para qualquer país, não apenas pelo aspeto económico, mas também porque é um elemento agregador e estruturante para os territórios. Promove a coesão, minimiza o risco de incêndio e tem um papel fundamental no combate da desertificação dos territórios. Mas vive também alguns desafios e tem de se adaptar aos mesmos, nomeadamente a questão da água. Os modelos do futuro apontam para menos precipitação. Esta redução da precipitação se calhar será mais impactante a sul, no Alentejo e no Algarve. Salientar que este ano até estamos bem, melhor do que o ano passado. Este ano, a média das albufeiras é de 68%, o ano passado era de 56%. Mas temos duas regiões em que estamos pior do que o ano passado. No Algarve temos menos de 35 hectómetros cúbicos num conjunto das albufeiras e o mesmo acontece no Sudoeste alentejano. A agricultura tem de olhar para estes cenários e perceber no fundo aquilo que é a disponibilidade de água do nosso território e adaptar-se a estas novas dinâmicas. Defende que deve ser usada a água de forma mais eficiente. Uma vez que a agricultura está cada vez mais tecnológica neste sentido, o que o leva a defender esta ideia? Até maio de 2018 eu estava na delegação do Norte e o contexto é completamente diferente do que a região centro e sul. Quando em

2018 vim para Lisboa, uma das primeiras visitas que fiz foi à Lezíria do Tejo e vi uma agricultura tecnológica, muito preparada para o tema água, com boas práticas de uso eficiente da água. Reconheço que a agricultura está a fazer um trajeto nesse sentido. E conheço projetos fantásticos com boas práticas de eficiência, mas conheço outros projetos que têm mesmo de melhorar o seu desempenho de ponto de vista da eficiência. Um deles é do Mira. Já tem um plano de eficiência, mas sabemos bem qual o desempenho daquele perímetro de rega. Tem perdas superiores a 35%, até mesmo 40%. Sabemos disso, está documentado. Este novo quadro comunitário de apoio terá investimentos para promover a eficiência nos perímetros de rega. Temos projetos desenhados ainda nos anos 1950 em que a lógica era gestão de energia. A água não era uma preocupação. Os tempos mudaram e é preciso dar eficiência a esses perímetros para acompanharem aquilo que são as novas dinâmicas ao nível da gestão da água. Portugal necessita de reservas de água? De locais de retenção ou de melhor gestão? Primeiro temos de medir mais porque só se gere o que se mede. Devemos medir na agricultura, mas também ao nível urbano e da indústria. Em seguida é preciso poupar e trazer eficiência aos sistemas. Devemos interligar as barragens e desta forma aumentar a capacidade instalada. Quanto às barragens. Por exemplo no caso do Algarve. Nesta região há seis barragens. Ora o problema do Algarve não é a falta de barragens, mas sim a falta de água. Não digo que não se possam fazer novas barragens, mas têm de ser muito bem pensadas à luz das mudanças do clima para que não fiquem vazias. Aliás, temos projetada a barragem do Alvito no Tejo. Devemos encontrar também novas fontes de água, nomeadamente utilizando a água das ETAR [Estação de Tratamento de Águas Residuais], porque esta será uma água mais resiliente à questão das alterações climáticas, uma vez que continuaremos a utilizar água em nossas casas e as ETAR continuarão a funcionar. Uma outra oportunidade é a dessanilização. Já temos um projeto para Sines de dessanilização e esta é uma oportunidade de trazer mais água para o sistema. Estratégia para o Regadio 2030. Qual o parecer da APA? Levantámos duas questões que achamos relevantes e que não estavam espelhadas no

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ESTE NOVO QUADRO COMUNITÁRIO DE APOIO TERÁ INVESTIMENTOS PARA PROMOVER A EFICIÊNCIA NOS PERÍMETROS DE REGA.

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DEVEMOS INTERLIGAR AS BARRAGENS E DESTA FORMA AUMENTAR A CAPACIDADE INSTALADA.

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E ENTREVISTA

Plano Nacional de Regadio 2030. Era omisso utilizar a ApR [Água para Reutilização] como uma nova água. Nunca mencionaram a ApR. Fizemos essa observação. Segundo não faz uma ligação ao nosso plano de gestão hidrográfica, relacionado com a disponibilidade água.

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EU ACHO QUE MAIS DO QUE NUNCA HÁ UMA BOA ARTICULAÇÃO ENTRE O AMBIENTE E A AGRICULTURA.

O Projeto Tejo é apontado como estratégico para uma região de elevado valor agrícola. Qual o parecer da APA sobre este projeto? Faço parte da comissão consultiva e estou com grande expectativa para conhecer este projeto. Dizer sobre este tema que apresentámos em Proença-a-Nova uma proposta de melhoria da resiliência do rio Tejo que inclui a passagem para fins múltiplos da barragem do Cabril numa lógica acima de tudo de garantir os caudais fundamentais por forma a garantir água com qualidade e quantidade na captação para as Lezírias. Acima de tudo controlar a cunha salina. Estamos com um trabalho de grande complexidade. Ao mesmo tempo, estamos a trabalhar numa barragem para o Alvito, no rio Ocreza, para dar maior resiliência àquele troço entre o Ocreza e a Foz do rio Zêzere. Estamos muito dependentes da água que vem de Espanha. Com este projeto ganhamos alguma autonomia de água e é fundamental numa lógica ambiental e uma maneira de melhorar a questão dos inertes no Tejo. No país existem alguns conflitos entre autarquias e agricultores com o governo acerca da redução de blocos de rega. É um problema de compatibilização ambiental, de gestão ou de falta recursos financeiros ou de água? Vivemos um momento de escassez de água e essa circunstância pode, por vezes, levar a conflitos. Mas acima de tudo é fundamental termos capacidade de interação entre os vários setores. Eu acho que mais do que nunca há uma boa articulação entre o ambiente e a agricultura. Todas as entidades têm uma boa cooperação. Obviamente temos pontos de vista diferentes, mas é do diálogo que nascem depois os compromissos. Depois de um esforço, em 2010, da APA, Organizações de Agricultores e Agricultores na regularização das captações de água particulares existentes, constata-se que esse processo não foi con-

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tinuado pela Administração. Daí resultam impedimentos de candidaturas a fundos agrícolas ou novos processos de licenciamento, que no vale do Tejo muitas vezes tem pareceres desfavoráveis da APA. Fará sentido? Haverá alguma forma de não penalizar quem queria estar legal? No nosso sistema de informação temos mais de 200.000 títulos de captação de água subterrânea. Não é uma gestão fácil. Estamos neste momento a aumentar a nossa capacidade de monitorizar as águas subterrâneas por forma a facilitar e validar as captações de água. Estamos sempre disponíveis para falar, avaliar e tomar decisões. Estamos a falar de períodos de seca e períodos de cheias. A articulação da APA e do MA com a gestão das grandes barragens (EDP) e Espanha tem em conta o setor agrícola? As alterações climáticas já nos estão a mostrar que teremos períodos de água muito concentrados e depois períodos de calor, seca. No ano passado, o Alqueva encheu muito em duas, três semanas. Uma chuva muito concentrada. Depois tivemos um abril muito quente, quase que não choveu. Mais do que o nunca, há uma excelente articulação. O ano passado foi um ano em que se demonstrou bem esta articulação. Quer é na gestão da seca, quer na gestão destes eventos de cheias. A articulação da APA com colegas de Espanha foi fundamental. Trabalhamos para garantir uma boa gestão dos diferentes usos das albufeiras, assegurando em primeiro lugar o abastecimento urbano. O não licenciamento de novas captações e captações existentes no vale do Tejo, sabendo-se que a agricultura da região, uma onde o regadio é dos mais eficientes e sustentáveis do país pode pôr em causa o autoaprovisionamento do país, em termos de bens alimentares. A suspensão das captações no aquífero Tejo-Sado é provisória. Será até o aquífero recuperar. Nesse aquífero há captações que asseguram a água para um milhão de habitantes e o uso prioritário é o setor urbano. Mas, há boas notícias porque no mês de agosto e setembro medimos uma boa recuperação. Vamos ver o que continua a acontecer. Estamos muito dependentes daquilo que é a recuperação desse aquífero.


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Sistema de vigilância superfícies João Falcão, Manuel Camacho e Ana Marques IFAP

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om a entrada em vigor da nova PAC, os Estados-membros tiveram que implementar um “Sistema de vigilância de superfícies”, cujo acrónimo é SVS, o qual consiste num procedimento de observação regular e sistemático, de acompanhamento e avaliação das atividades agrícolas e práticas em superfícies agrícolas por dados dos satélites Sentinel do Copernicus ou outros dados de valor pelo menos equivalente. Este sistema é obrigatório e visa monitorizar todas as condições de elegibilidade monitorizáveis de todas as intervenções baseadas na área e que foram definidas no PEPAC. Para além do cumprimento das condições de elegibilidade, o SVS visa a deteção da presença de zonas não elegíveis, sobretudo estruturas permanentes, áreas não elegíveis para a atribuição de apoios ou a alteração da categoria da superfície agrícola, quer se trate de

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terras aráveis, de culturas permanentes ou de prados e pastagens permanentes. A análise do SVS, incide sobre as parcelas declaradas nos pedidos de apoio, procurando encontrar evidências que as referidas parcelas, relativamente à delimitação, ocupação de solo e cultura declarada, são compatíveis para o pedido de apoio solicitado. O resultado do SVS é apresentado sob um sistema de semáforos, em que: • verde - significa que a intervenção foi considerada conforme, ou seja, que foram encontradas evidências suficientes para concluir que a declaração é elegível para o apoio solicitado; • amarelo – representa um resultado inconclusivos, ou seja, que não foram encontradas evidências suficientes que a parcela está conforme, mas também não foram encontradas evidências que não é elegível; • vermelho - corresponde a uma situação em que os dados recolhidos per-

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mitem concluir que a parcela não é elegível (por erro de delimitação, ocupação do solo ou cultura declarada). Este sistema irá ser implementado de forma gradual, sendo que em 2023 incidiu já nos Pagamentos Diretos (Apoio ao rendimento base, Pagamento aos pequenos agricultores e Apoio redistributivo complementar), Apoios Associados (Pagamento à multiplicação de sementes certificadas, Pagamento específico para o algodão, Pagamento ao Arroz, Pagamento ao tomate para indústria, Pagamento às proteaginosas, Pagamento aos cereais praganosos, Pagamento ao milho para grão, Pagamento ao milho silagem) e Manutenção da Atividade Agrícola em Zonas Desfavorecidas (Apoio às Zonas com condicionantes Naturais – zonas de montanha, Apoio às Zonas com condicionantes Naturais – zonas sujeitas a condicionantes naturais significativas, poio às Zonas com condicionantes Naturais


Imagem 1 – zonas afetadas por condicionantes específicas, Zonas afetadas por condicionantes específicas (Açores), Apoio a Zonas com Condicionantes Naturais ou específicas (Madeira) e Apoio a Zonas com Condicionantes Naturais ou específicas (Porto Santo)). Para a geração dos semáforos, são previamente obtidas as séries temporais (do ano agrícola) de dados do Sentinel 2 das superfícies candidatas no Pedido Único. Posteriormente, esses dados irão gerar diversos índices e marcadores que são utilizados numa cadeia de decisão aplicável ao nível da intervenção). Após uma primeira análise dos semáforos vermelhos gerados no ano de 2023, conclui-se que os mesmos correspondem essencialmente às seguintes situações: • Os marcadores da cultura declarada divergem do padrão médio verificado nas declarações semelhantes; • A cultura declarada não correspondia à cultura presente no terreno; • A delimitação da folha de cultura não estava correta e inclui nela outro tipo de ocupação do solo;

• A superfície declarada estava em estado de abandono. (ver imagem 1) Após receber um alerta da existência de um semáforo vermelho na sua exploração, o agricultor deveria ter verificado se a superfície em questão tinha sido declarada com a cultura correta, se a superfície em questão estava corretamente delimitada, ou seja se toda a folha estava ocupada pela mesma cultura e, por último, se a superfície reuniu todos os requisitos para a atribuição do apoio (como por exemplo se a cultura teve um desenvolvimento normal até ao estado de maturação e o alagamento nas datas previstas). Dependendo da situação, o agricultor deverá proceder do seguinte modo: • Se a Declaração/Cultura ou os seus limites estavam incorretos, então deveria ter corrigido o Pedido Único dentro dos prazos estabelecidos para o efeito; • Se a Declaração/Cultura estava correta, então deveria ter evidenciado o cumprimento dos requisitos de ele-

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Imagem 2 gibilidade enviando fotografias do local, com recurso à aplicação IFAP Mobile, evidenciando a totalidade da superfície e então informar o IFAP que tinha procedido ao envio das evidências necessárias. (ver imagem 2) Tendo em conta que as superfícies assinaladas como “não conformes” serão excluídas e sujeitas às reduções e sanções nas intervenções onde tal seja aplicável, é fundamental que os agricultores não ignorem as notificações que eventualmente possam receber. pub.

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SERVIÇOS DE ECOSSISTEMAS

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O novo paradigma da agricultura A professora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Cristina Branquinho, explica o que são os serviços dos ecossistemas. O agricultor João Coimbra partilha a sua experiência na promoção da biodiversidade e Pedro Santos, da Consulai, explica como poderá este serviço ser remunerado. Sara Pelicano

Os serviços de ecossistemas são todos os bens materiais e/ou serviços imateriais que o Homem retira diretamente da Natureza. A provisão destes serviços é suportada pela biodiversidade do ecossistema envolvente e dividem-se em quatro categorias: • Serviços de aprovisionamento: alimentos como bagas, cogumelos ou mel, água doce, madeira, resina, caça, fibras naturais, biomassa; • Serviços de regulação: purificação do ar, filtragem da água, prevenção de erosão, regulação do clima por via do sequestro de carbono, controlo de cheias, polinização e dispersão de sementes; • Serviços de suporte: reciclagem de nutrientes, formação de solo, decomposição de matéria orgânica, fotossíntese; • Serviços culturais ou de recreio: expeAGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

riências ou atividades recreativas em contacto com a natureza, turismo e lazer, contemplação da paisagem, enriquecimento espiritual, desenvolvimento cognitivo. Neste sentido, a conservação e a proteção da biodiversidade é essencial para a manutenção do funcionamento dos serviços de ecossistemas. Todavia, quando falamos em agricultura, persiste uma resistência da maioria dos agricultores em ceder parcelas ou zonas menos produtivas dos seus terrenos à própria natureza.

“HÁ UMA RELAÇÃO MUITO ESTREITA ENTRE OS SERVIÇOS DOS ECOSSISTEMAS COM A AGRICULTURA” Cristina Branquinho, professora catedrática da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), ex-

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plica que “sempre foi difícil avaliar qual das componentes – ambiental, social e económica – é mais importante para a sustentabilidade dos ecossistemas”. Assim, tornou-se necessário criar “uma linguagem comum, de forma a avaliar todos os bens e serviços que a natureza nos fornece numa ótica quantitativa”. Apesar da avaliação subjetiva que podemos fazer dos vários recursos naturais providenciados pela natureza e pela biodiversidade, a docente acredita que “na maior parte das vezes, não sabemos o valor destes recursos, pois não são quantificáveis; só quando faltam é que lhes damos valor”. Sendo a agricultura um fornecedor de serviços de aprovisionamento, tem impacto direto nos serviços de regulação, mas igualmente dependência da biodiversidade envolvente, nomeadamente de


polinizadores, da dispersão de sementes ou da fertilidade dos solos. Cristina Branquinho sublinha que “por vezes, e sem grandes custos, é possível maximizar os serviços de regulação. É só deixar a natureza funcionar. Não precisamos de influenciar em nada”. Por outras palavras, afirma que “precisamos de colocar mais natureza na agricultura”, pois, “é possível, até uma determinada dimensão, maximizar outros serviços”. Na sua opinião, “há uma relação muito estreita entre os serviços dos ecossistemas com a agricultura”. Contudo, avisa que “na natureza, é impossível maximizar serviços de aprovisionamento, serviços de regulação e serviços culturais”, pois nem sempre são compatíveis”. O desafio passa, assim, por “maximizar os serviços sem nunca colocar outros em causa”, em prol da sustentabilidade dos ecossistemas.

“A BIODIVERSIDADE É UMA ALIADA PARA A AGRICULTURA” Apesar de admitir que “já existem alguns agricultores que olham de maneira diferente para a biodiversidade”, Cristina Branquinho afirma que “há ainda uma certa resistência à mudança e a ideia de que temos de dar espaço à biodiversidade nem sempre é bem vista”. Mas “há agricultores na vanguarda”, reforça, “que perceberam que a biodiversidade é uma aliada para a agricultura”. Dar a conhecer estes casos é fundamental para alterar a mentalidade e mudar o paradigma dos proprietários. “Os agricultores são os melhores conhecedores da biodiversidade, ainda que muitas vezes não a valorizem”. Maior biodiversidade traz também mais resiliência aos terrenos. “Quanto mais biodiverso é um sistema, mais resiliente ele é. É importante que o agricultor perceba isso, que olhe para a biodiversidade e a valorize. A natureza faz o seu trabalho; só temos de a deixar trabalhar”, conclui. O conceito de smart farming subjacente aos serviços de ecossistemas mais não é, de acordo com a ecóloga, do que “analisar o território e perceber quais as áreas menos rentáveis, com pragas e que não rendem, transformando-as em áreas naturais, polinizadoras e reguladoras do restante território”. Cristina Branqui-

nho adianta ainda que “os ecossistemas são complexos” e que “na natureza não há espaços vazios”, devendo os agricultores “usar a diversidade de estratégias que a própria natureza oferece”. Questionada sobre se devem os agricultores ser remunerados por serviços de ecossistemas, a docente da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa explica que “o valor da biodiversidade tem sido muito difícil de calcular, razão pela qual tem sido difícil remunerar os agricultores”. Ainda assim, afirma que “será inevitável”, sendo “uma questão de tempo e de cálculo”, pois “quando um agricultor deixa mais natureza no sistema, não é só ele que beneficia, todos nós beneficiamos, por isso faz todo o sentido que a sociedade retribua”.

“SÓ A ESTABILIDADE PERMITE MARGEM ARA ALTERNATIVAS” João Coimbra, administrador da Quinta da Cholda, é um dos “agricultores na vanguarda” pela utilização de serviços de ecossistemas na agricultura. “A Quinta da Cholda fez uma grande mudança de estratégia em termos de opções agrícolas para responder aos desafios que hoje se colocam”. Ao longo da última década, a propriedade evoluiu substancialmente e é hoje “mais sustentável, mais resiliente e adaptada às grandes alterações, não só ambientais, mas políticas e comerciais”, garante o responsável. A mudança foi contínua e os desafios vários. “No caso da Quinta da Cholda, observámos que diversas práticas tinham o mesmo registo há muitos anos e isso dificultou a mudança.” A solução, conta João Coimbra, foi “colocar em marcha uma política de adaptação e inovação e olhar para o futuro”, pois, “sendo nós uma empresa familiar, temos de pensar sempre na próxima geração”. A crescente competição no mercado aberto e das commodities foi outra das principais razões para esta alteração do modelo de produção da Quinta da Cholda. “Apesar da competitividade do mercado, tínhamos uma empresa saudável do ponto de vista económico e isso permitiu-nos arriscar, mudar o nosso modelo produtivo e abraçar o incremento de biodiversidade no nosso território”. Só a estabilidade permitiu

Cristina Branquinho PROFESSORA DA FCUL

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POR VEZES, E SEM GRANDES CUSTOS, É POSSÍVEL MAXIMIZAR OS SERVIÇOS DE REGULAÇÃO. É SÓ DEIXAR A NATUREZA FUNCIONAR. NÃO PRECISAMOS DE INFLUENCIAR EM NADA.

à Quinta “margem para alternativas”, reitera o administrador.

“NA QUINTA DA CHOLDA NÃO HÁ TERRAS ABANDONADAS” Ao longo dos anos, a Quinta da Cholda foi atingindo progressivamente patamares de produtividade mais elevados, mas os custos de produção eram “desproporcionais”. Além disso, “observámos que esses custos estavam igualmente a provocar externalidades negativas no ambiente e na economia”. Entre as várias alterações no modelo de produção, João Coimbra explica que “decidimos aumentar a resiliência através de culturas mais seguras e baixar os riscos de quebras de produtividade; reduzimos as mobilizações e a utilização de combustíveis fósseis, apostando em energias alternativas, nomeadamente na solar fotovoltaica; começámos a olhar para o solo com outros olhos e a tratá-lo bem, reduzindo a utilização de fertilizantes e agroquímicos; e prevenimos excessos de monocultura através da introdução de culturas de cobertura”. O responsável destaca ainda a introdução de um modelo de “monitorização da biodiversidade”, garantindo que “a maioria dos agricultores não faz ideia da biodiversidade presente no seu território”. Para esta monitorização, a Quinta da Cholda passou a contar com o apoio da academia e de várias universidades. “Foi

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João Coimbra ADMINISTRADOR DA QUINTA DA CHOLDA

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SERIA IMPORTANTE O ESTADO AJUDAR OS AGRICULTORES NOS PRIMEIROS ANOS A INICIAREM ESTAS PRÁTICAS E A ALAVANCAR O SEU CONHECIMENTO.

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um exercício muito interessante e uma aprendizagem mútua”, diz João Coimbra. “A primeira fase passou pela monitorização de toda a biodiversidade presente no território. Traçado o ponto de situação, a segunda fase foi a otimização das parcelas de biodiversidade, numa lógica de convivência de modelos produtivos e modelos não produtivos dentro da exploração”. Taxativo, o responsável reitera que “na Quinta da Cholda não há terras abandonadas. Há terras para a produção de alimentos e outras cedidas voluntariamente ao ecossistema”.

“FOI UMA LONGA CAMINHADA ATÉ ATINGIRMOS A MATURIDADE” A Quinta da Cholda trabalha em permanência com cinco/seis universidades. “Somos um território de pesquisa e desenvolvimento”, garante João Coimbra. Apesar do sucesso, confessa que “foi uma longa caminhada até atingirmos a maturidade”. A proprie-

pub.

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dade tem hoje “cerca de 15% de área não produtiva, o que é bastante significativo”, diz o administrador, ressalvando, contudo, que apesar desta diminuição, tal não se repercute nos índices de produção, razão pela qual admite querer “testar até onde podemos ir sem perder rendimentos e sem beliscar a nossa competitividade”. A par do ‘investimento’ no aumento da biodiversidade, João Coimbra sublinha que “estamos também a investir nas pessoas, pois apesar da escassez de mão-de-obra, é importante que tenhamos trabalhadores mais especializados”. Por último, o responsável afirma que os apoios públicos aos produtores continuam a ser imprescindíveis para a sobrevivência do setor agrícola e que “os agricultores estão mais abertos a estes processos de mudança quando ganham dinheiro”. Na sua opinião, “seria importante o Estado ajudar os agricultores nos primeiros anos a iniciarem estas práticas e a alavancar o seu conhecimento”.


AGRICULTORES PROCURAM REMUNERAÇÃO Os serviços dos ecossistemas desempenham um papel fundamental na agricultura, mas muitas vezes os agricultores não recebem a devida remuneração por esses serviços, embora o tema venha sendo cada vez mais abordado aumentando a expectativa. Pedro Santos, diretor-geral da Consulai, destaca “a lacuna entre a perceção dos agricultores de que prestam serviços valiosos e a falta de uma relação clara, e quantificada, entre esses serviços e a remuneração correspondente”. No entanto, existem iniciativas que buscam recompensar os agricultores por serviços dos ecossistemas, como a remuneração do carbono pelo sequestro de carbono associado a práticas agrícolas. Embora o mercado de carbono ainda não seja regulado, em Portugal, existem já no mercado empresas internacionais que estão dispostas a pagar por esse carbono. Pedro Santos levanta questões sobre “a transparência desses modelos de remuneração”, destacando “a falta de uma

clara relação entre o valor recebido e as práticas associadas, e que muitas vezes obriga a compromissos de médio prazo”. No entanto, ele vê oportunidades promissoras para os agricultores no futuro, especialmente no que diz respeito à biodiversidade, à qualidade da água e à qualidade do ar, além de aspetos culturais relacionados à paisagem. A agricultura regenerativa também é mencionada como uma oportunidade, dado que muitas das práticas referenciadas já são comuns na agricultura portuguesa. A valorização dessas práticas pode ser benéfica tanto para os agricultores quanto para a sociedade em geral. Pedro Santos confirma que “existem projetos a decorrer relacionados com os serviços de ecossistemas” e adianta estar a participação em projetos europeus relacionados com esta temática, com um foco particular no carbono e práticas de agricultura neutras em carbono. O mesmo responsável fez menção ao projeto “ClieNFarms”, cujo foco é apoiar a transição para uma agricultura com im-

pacto neutro, cujo case study em Portugal está centrado no olival e é desenvolvido em parceria com a NutriFarms”. Existem ainda outras iniciativas, como a NEUTROLOGIA, em que as empresas procuram compensar as suas emissões, por exemplo associadas à realização de eventos, investindo na floresta, contribuindo para a sua gestão e maximização dos serviços ecossistémicos prestados. Em resumo, a valorização e a remuneração dos serviços de ecossistemas na agricultura são desafios importantes, e representam oportunidades significativas para os agricultores. A complementaridade agroflorestal do território português é vista como uma grande oportunidade para promover esses serviços e gerar valor para os agricultores e para a sociedade. pub.

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UM RETRATO CEREALÍFERO DO PAÍS

Autossuficiência, pagamentos ligados e modernização O setor dos cereais em Portugal atravessa inúmeros desafios. Há abandono da produção de milho que urge reverter, o grau de autoaprovisionamento tem de ser reforçado, as ajudas ligadas devem ser mais eficazes e apoiar a modernização do setor é imperativo. Estas são algumas das conclusões das três grandes associações cerealíferas do país. Sara Pelicano

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o ano passado, a Pordata, base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), disponibilizou um conjunto de indicadores sobre a agricultura em Portugal, que permitiu verificar que os cereais são a quarta cultura agrícola com maior produção em Portugal, com um milhão de toneladas em 2020. Atualmente, as três principais culturas agrícolas que mais superfície ocupam são o olival (4,1% do território), seguido dos cereais (2,3%) e da vinha (1,9%). Com estes dados se comprova a relevância AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

desta cultura para o país. Cientes da sua relevância, as associações do setor uniram esforços para assinar uma Estratégia Nacional para a Promoção da Produção de Cereais, nomeadamente a Associação Nacional de Produtores de Milho e Sorgo (ANPROMIS), a Associação Nacional de Produtores de Cereais (ANPOC) e a Associação de Orizicultores de Portugal (AOP). O documento foi aprovado pelo Governo em 2018. Desde então os passos dados têm sido muito ténues e grande parte das medidas implementadas são aquelas que não dependem do sistema político.

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REFORÇO DOS PAGAMENTOS LIGADOS O presidente da ANPROMIS, Jorge Neves, mostra-se preocupado com o abandono da produção de milho. Apesar de a campanha de 2022 ter tido preços elevados e de, em 2023, ter sido implementada uma ajuda por hectare na ordem dos 200 euros, os produtores de milho continuaram a abandonar esta cultura e isso fez com que houvesse uma redução de quase seis mil hectares. “Isto é extremamente preocupante e um sinal de que apesar de ter havido um esforço para compensar o rendimento perdido pelos agricultores


por via da redução do pagamento único, não foi suficiente para manter a atratividade da cultura”, comenta Jorge Neves. Os produtores de milho defendem há algum tempo que devem continuar a beneficiar dos mesmos apoios que tinham porque só desta forma a cultura do milho pode continuar a ser atrativa. “Tem de haver um reforço dos pagamentos ligados”, diz Jorge Neves, comentando que “por via dos recente Acordo de Concertação Social vai haver um reforço de verbas do segundo para o primeiro pilar da PAC”, mas na sua ótica fica uma questão por responder: “como é que essas verbas vão ser repartidas e se vai haver ou não um reforço dos pagamentos ligados, concretamente no caso do milho”. O presidente da ANPROMIS recorda ainda que o “PEPAC foi pouco ambicioso”, sublinhando que “aquilo que foi aprovado ficou muito aquém do que o setor gostaria, nomeadamente as medidas do segundo pilar para apoio à agricultura de precisão”. Jorge Neves considera que “estamos a perder uma oportunidade histórica de modernizar a explorações”. O mesmo responsável aguarda expectante que de reprogramação em curso esta questão seja revista. O setor atravessa inúmeros desafios. Jorge Neves destaca também o avanço das culturas permanentes, como olival e amendoal. São culturas instaladas por investidores e com boa rentabilidade. Isso é também um contributo ao abandono da produção do milho, cedendo terras a estas culturas. “Uma das missões da Estratégia Nacional para a Promoção da Produção de Cereais é manter ou aumentar as áreas de milho e de cereais no país. Ora temos de ser consequentes com aquilo que está aprovado na Estratégia e apoie-se este setor por forma que se cumpra este objetivo e não se entre na trajetória inversa que é continuar a diminuição da produção de milho.” Jorge Neves recorda ainda que “a dependência exterior do país relativamente a este cereal é extremamente preocupante”. Ucrânia e Brasil são os dois grandes fornecedores da Europa durante nove meses do ano. Um está em guerra e outro politicamente também é instável. “O país, e a Europa, têm de pensar se é esta dependência que queremos ter”, enfatiza Jorge Neves.

AUTOAPROVISIONAMENTO DE ARROZ CRESCEU Carlos Amaral, presidente da AOP, relembra que a Estratégia para os Cereais “depende muito das decisões políticas” e era necessário que se tivessem disponibilizado meios financeiros para a sua implementação, o que não chegou a acontecer. Contudo, os orizicultores não baixaram os braços. Conscientes de que a soberania alimentar é fulcral para o país, têm vindo a trabalhar para aumentar o autoaprovisionamento em arroz na ordem dos 17%. O alcance deste feito foi possível através da organização de uma fileira que “junta a produção, a investigação e uma interprofissional”. Carlos Amaral relata que o setor tem desenvolvido um enorme trabalho na “procura de novas sementes, específicas para o nosso clima” e já estão a multiplicar com bons resultados uma semente de arroz carolino nacional. Outra das estratégias que têm implementado é uma a utilização de sementeira enterrada “que permite poupanças de água na ordem dos 20%”. Apesar do alcance destes sucessos no setor do arroz, Carlos Amaral considera que há ainda um longo percurso a fazer e que contempla medidas como “necessidade de uma responsabilidade alimentar e estratégica em termos de autossuficiência alimentar; surgimento de uma oportunidade comercial realista e possibilidade de aumento das exportações”. AJUDA LIGADA AOS CEREAIS SEM SUCESSO A Estratégia Nacional para a Promoção da Produção de Cereais tinha como objetivo uma ajuda ligada aos cereais e entrou em vigor este ano. No caso dos cereais praganosos a medida teve pouco sucesso muito devido ao clima. “Muitos agricultores não conseguiram semear por causa da chuva torrencial em dezembro. A seguir uma seca extrema diminuiu a produtividade. A ajuda prevista teve um impacto muito menor do que queríamos porque por um lado não foi possível, em alguns casos, semear e por outro a produtividade foi menor”, conta José Palha, presidente da ANPOC. Apesar do insucesso da medida mais diretamente relacionado com as questões do clima, José Palha recorda que a mesmo foi pensada em 2018, quando a Estratégia foi assina-

Jorge Neves ANPROMIS

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APESAR DE TER HAVIDO UM ESFORÇO PARA COMPENSAR O RENDIMENTO PERDIDO PELOS AGRICULTORES POR VIA DA REDUÇÃO DO PAGAMENTO ÚNICO, NÃO FOI SUFICIENTE PARA MANTER A ATRATIVIDADE DA CULTURA.

Carlos Amaral AOP

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O FUTURO REQUER AINDA UMA ESTRATÉGIA PARA A ”AUTOSSUFICIÊNCIA ALIMENTAR; SURGIMENTO DE UMA OPORTUNIDADE COMERCIAL REALISTA E POSSIBILIDADE DE AUMENTO DAS EXPORTAÇÕES”.

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José Palha ANPOC

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O PROJETO +VALORCER VISA “CAPACITAR AS NOSSAS ORGANIZAÇÕES PRODUTORAS DAS MAIS MODERNAS TÉCNICAS DE GESTÃO”. 124

da, e muito mudou desde então, nomeadamente com a pandemia da Covid-19 e a guerra na Ucrânia. “Quando se pensou o valor da ajuda, estávamos com custos de matéria-prima e de fatores de produção totalmente diferentes dos atuais, que atingiram patamares nunca antes vistos”, sublinha José Palha. O presidente da ANPOC considera que seria importante o Ministério da Agricultura ter em conta estes constrangimentos e encontrar uma forma que “pudesse minimizar o seu impacto negativo, uma vez que os agricultores não estão sequer a atingir os valores de produção legíveis para receber a ajuda ligada. Estes agricultores ficam numa situação bastante difícil”. José Palha recorda que há ainda outras medidas previstas que necessitam dar passos no sentido da sua concretização, tais como o licenciamento para construção de charcas e retoma de reuniões periódicas com o Gabinete de Planeamento e Política onde era possível fazer um ponto de situação sobre a Estratégia.

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Do lado da produção, José Palha que já foram implementadas medidas, nomeadamente a criação da marca Cereais do Alentejo, “para valorização da produção”. “Neste momento esta marca já está com grande sucesso”, acrescenta. Também se avançou com o projeto +Valorcer “no sentido de capacitar as nossas organizações produtoras das mais modernas técnicas de gestão e de tecnologia para valorizar a cadeia de produção de cereais”.


A ATUALIDADES

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Nota prévia: a CONSULAI, no âmbito do Observatório de Preços, está a desenvolver a metodologia que permite identificar os principais fluxos e circuitos comerciais, bem como os pontos críticos ao longo de cada uma das fileiras estudadas para recolha de informação sobre as receitas e os custos da atividade e a caracterização das componentes da formação do preço e das margens líquidas. Este esclarecimento é importante para enquadrar este texto, apesar da minha opinião sobre a importância do Observatório ser a mesma antes de iniciar esta prestação de serviços ao GPP.

Observatório de preços: apenas mais uma iniciativa ou uma ferramenta verdadeiramente útil?

Pedro Santos CONSULAI

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m 19 de Outubro de 2022, através do Despacho n.º 12209/2022, da Ministra da Agricultura e da Alimentação e da Secretária de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, foi estabelecido o “Observatório de Preços da Cadeia de Valor Agroalimentar”, que tem por missão a monitorização eficaz dos preços dos produtos selecionados e dos custos ao longo da cadeia de abastecimento agroalimentar, estando disponível, desde setembro de 2023, em observatorioaAGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

groalimentar.gov.pt, estando divulgada informação sobre azeite, carne de suíno, carne de aves, cereais, frutas, hortícolas, laticínios, ovos e pescado. A informação sobre preços e margens da cadeia de valor agroalimentar tem sido identificado em vários âmbitos, quer a nível nacional quer europeu, como importante fator de transparência, constituindo uma área de interesse para promover o melhor relacionamento dos operadores da cadeia de valor agroalimentar.

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A nível nacional este assunto foi identificado desde o início dos trabalhos da Plataforma de Acompanhamento das Relações na Cadeia Agroalimentar – PARCA, como uma área a desenvolver, para reforço da competitividade de toda a cadeia de valor agroalimentar. De facto, através do Despacho n.º 8505/2015, o XIX Governo Constitucional (20112015) tinha constituído um Observatório da Cadeia de Valor que, devido a várias circunstâncias, nunca foi implementado na prática.


O Observatório (de Preços ou da Cadeia de Valor) sempre foi um tema recorrente em momentos de crise ou de alterações substanciais das circunstâncias de mercado, transformado em reivindicação por diferentes agentes do setor. Uns defendem a sua criação por entenderem ser fundamental conhecer quem está a ganhar mais margem ao longo da cadeia de valor. Outros defendem a sua criação porque consideram que os preços, e as margens, precisam ser definidas de forma administrativa para defender produtores e consumidores. Muitos há que considerem que é um instrumento sem qualquer valor, que só serve para “tapar o sol com peneira”, e que já existem inúmeros instrumentos para monitorizar os temas cobertos pelo Observatório. Ao longo das últimas décadas, em democracia, fomos assistindo ao desaparecimento de estruturas públicas de acompanhamento dos mercados alimentares, tendo passado esse papel, sobretudo no que se refere aos preços pagos pelo consumidor, a ser prestado por empresas de de estudos de mercado para clientes (essencialmente da distribuição moderna). Isto sucedeu de forma similar na maioria dos países europeus e temos assistido, sobretudo nos últimos anos, ao aparecimento, ou ao reforço, de diferentes modelos de monitorização dos mercados alimentares. A atual conjuntura inflacionista, com forte impacto no custo da alimentação para os portugueses, permitiu criar as condições para a sua concretização. O objetivo deste Observatório é o de contribuir para uma maior transparência em toda a cadeia de valor agroalimentar, acompanhar a evolução dos preços e dos custos ao longo da cadeia, e dotar as entidades competentes de um instrumento que permita monitorizar, avaliar e definir melhores políticas públicas nesta matéria. A apresentação deste observatório foi feita num momento de forte pressão inflacionista e coincidente, no tempo, com a tomada de decisão de retirar o IVA (Imposto sobre o Valor Acrescentado) de um conjunto de produtos alimentares. Ou seja, foi criada uma ideia de que o observatório iria monitorizar a eficácia da medida política de implementação do

IVA Zero e foi criada uma pressão adicional para que o Observatório apresentasse resultados quase imediatos. Se queremos criar uma estrutura consistente de Observatório teremos de ser capazes de ultrapassar a pressão da “espuma dos dias”. Se não o fizermos, este esforço será inútil e voltaremos às conversas recorrentes do passado sempre que tivermos crises inflacionistas ou impactos de ruturas na cadeia de abastecimento. Um dos maiores desafios na criação deste tipo de instrumentos é contar com a colaboração ativa dos agentes do setor. Para isso, estes têm de estar convictos da bondade do Observatório e da sua importância futura, mas não podem estar condicionados pela criação de “capas de jornais” que procuram distorcer uma análise da cadeia de valor que é, necessariamente, dinâmica no tempo. A utilidade da informação recolhida no âmbito do Observatório será validada pela observação contínua do funcionamento da cadeia de valor, monitorizando a evolução das relações comerciais e preparando respostas de políticas públicas adequadas aos diferentes problemas que possas surgir. O atual contexto é um excelente momento para avaliar a pertinência de uma ferramenta como o Observatório de Preços, permitindo que o setor possa refletir sobre a estrutura de custos ao logo da cadeia e sobre a repartição de valor por

cada um dos seus elos. Acredito que, não sendo a panaceia, seja uma ferramenta de indiscutível importância. A avaliação será feita ao longo dos próximos tempos. O CASO DO LEITE UHT A primeira fileira analisada no âmbito do trabalho da cadeia de valor, englobado neste Observatório, foi a do leite UHT. Mais precisamente, e por uma questão de uniformidade na obtenção de informação junto dos diferentes operadores, a análise incidiu sobre o Leite UHT meio-gordo, embalado em formato brik de 1 litro, não contemplando o leite fortificado, o leite infantil, o leite biológico ou os leites especiais, nem as bebidas à base de leite. A análise não diferenciou entre marcas do fornecedor e marcas da distribuição, apesar dos valores de comercialização refletirem uma média ponderada das diferentes marcas. A análise foi realizada entre abril e maio de 2023, e baseou-se na análise das 2 (duas) últimas campanhas comerciais, ou seja, dos anos de 2021 e de 2022. Essas duas campanhas foram particularmente distintas entre si e corresponderam a períodos com enormes variabilidades, sobretudo dos custos com fatores de produção e de preços de mercado e de transação entre os diferentes elos da cadeia de valor, o que dificulta a análise de cenários médios. No sentido

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de procurar uma análise mais centrada em períodos temporais, foi entendido recolher informação relativa ao 1.º trimestre de 2021 (período com valores mais baixos pagos à produção) e o 4º trimestre de 2022 (período de valores mais altos pagos à produção). Relativamente à produção, as ajudas ao rendimento não foram contabilizadas como receitas da produção de leite, porque a existência de diferentes tipos de ajudas, em enquadramentos e territórios distintos, poderia desvirtuar a análise pretendida. Analisando o preço médio, nomeadamente o acréscimo de valor em cada elo da cadeia, podemos verificar que a Transformação “acrescenta” 23,1% de

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valor ao preço pago ao produtor e a Distribuição “acrescenta” 17,0% ao preço pago à transformação (Figura 1). Em termos de estrutura de custos total, as principais categorias são as relacionadas com os custos da alimentação animal, a embalagem, o pessoal e o transporte/logística (Figura 2). Se analisarmos de forma separada, na produção, a alimentação animal representa cerca de 60% dos custos totais (Figura 3), tendo sido registadas grandes diferenças nos custos alimentares entre explorações com produção própria de alimentação e as explorações que compram a alimentação fora da exploração. Na indústria, para além do custo do leite, que representa cerca de 65% do to-

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tal dos custos, há a destacar o custo da embalagem (cerca de 15%) e o custo de transporte (Figura 4). Ao nível da distribuição, o custo do leite representa 84,5% dos custos finais (Figura 5). O facto de analisarmos de forma agregada muitos modelos de negócio (em todos os elos da cadeia) e muitas estratégias de valorização no mercado, não permite avaliar diferentes possibilidade de agregação de mais valor a esta fileira. Da análise dos dados, a conclusão mais evidente é que se trata de um produto com margens muito baixas em todos os elos da cadeia, refletindo o facto de se tratar de um produto pouco diferenciado e muito exposto ao mercado mundial.


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COMPETITIVIDADE NA AGRICULTURA

DGAV defende a utilização de “certos tipos de drones” As restrições nas substâncias ativas e a perda de competitividade, o licenciamento de drones e as tecnologias genómicas são temas abordados numa conversa com Susana Pombo, diretora-geral da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV). Sara Pelicano

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s alterações climáticas e os impactos mais evidentes, como cheias e seca, estão na ordem do dia na gestão agrícola. No entanto, quem se dedica à produção de alimentos tem diariamente de encontrar soluções para muitos outros desafios. A União Europeia tem diminuído cada vez a disponibilidade de substâncias ativas para a agricultura. No entanto, chegam à Europa, e a Portugal, produtos cujo país de origem não tem as mesmas exigências podendo colocar AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

os agricultores numa situação desfavorável. Susana Pombo, diretora-geral da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), sublinha que “em Portugal, como em todos os outros Estados-membros, os produtos importados são sujeitos a controlo oficial na sua chegada aos pontos de entrada do território da União Europeia (UE). Estes produtos têm de cumprir as exigências normativas de qualidade da UE”. Contudo a mesma responsável adianta que podem existir situações mais desfavoráveis aos

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agricultores europeus. “Em algumas situações, quando uma determinada substância ativa é retirada do território da UE, impossibilitando assim o seu uso pelos agricultores dos Estados-membros, os países terceiros podem solicitar uma derrogação no que respeita ao Limite Máximo de Resíduos (LMR) desse produto, que em caso de aprovação, os produtos importados desses países terceiros poderão ser aceites com os LMR definidos nessas derrogações. Esta situação traduz-se na possibilidade de utili-


zação desse produto pelos agricultores dos países terceiros. Consideramos que este processo de derrogação, ainda que esteja devidamente enquadrado na regulamentação comunitária, e que não comprometa a segurança dos alimentos, constitui para os produtos que também se produzem na UE, um fator desfavorável aos agricultores europeus, que poderia eventualmente ser compensado por uma diferenciação positiva dos produtos europeus na cadeia de distribuição”, explica. A competitividade dos empresários agrícolas também se alcança pela eficácia com que trabalham. A tecnologia veio trazer uma melhor gestão e eficiência ao campo. Mas há ainda alguns aspetos que podem melhorar o dia-a-dia dos agricultores, nomeadamente o licenciamento do uso de drones para aplicação de fitofármacos, por exemplo. A diretiva comunitária do uso sustentável de produtos fitofarmacêuticos, transposta para a Lei n.º 26/2013, proíbe as aplicações aéreas, quer sejam usadas aeronaves tripuladas (aviões) ou não tripuladas (drones). Apenas se prevê derrogações a esta proibição geral em situações muito pontuais e perfeitamente identificadas. Sob este tema, Susana Pombo explana que “a legalização do uso dos drones não depende da DGAV, mas de alteração da regulamentação comunitária. Neste contexto, e uma vez que se encontra em discussão a nível do Conselho da UE uma proposta de regulamento de uso sustentável de produtos fitofarmacêuticos e que irá substituir a referida diretiva, a DGAV tem defendido a possibilidade de certos tipos de drones, poderem ser equiparados a equipamentos de apli-

cação terrestre, saindo fora do princípio de proibição das aplicações aéreas. Reconhecemos, no entanto, a necessidade de trabalho de desenvolvimento experimental para melhor se adaptar estes equipamentos à aplicação de produtos fitofarmacêuticos”. A diretora-geral da DGAV apelou “às organizações de produtores, indústria e entidades de investigação nacionais que promovam esses estudos, procurando parcerias com grupos de outros países que estão já a desenvolver trabalhos neste domínio”. Susana Pombo

NGT: A EUROPA NÃO PODE FICAR PARA TRÁS

DIRETORA-GERAL DA DGAV

A agricultura tem feito uma evolução nos processos de produção muito grande na última década e as investigações a decorrer apontam para a continuidade deste caminho de produzir mais, com qualidade e de forma mais eficiente sem perder o foco da sustentabilidade ambiental e económica. É neste ponto que entram as novas técnicas genómicas (NGT) “que se diferenciam dos organismos geneticamente modificados por não conterem material genético exógeno à espécie que se pretende melhorar”, pormenoriza Susana Pombo. Estas técnicas já são usadas em vários domínios, nomeadamente na medicina, e podem desempenhar um fator diferenciador também na área agrícola. As NGT permitem a obtenção de variedades vegetais num menor espaço de tempo e a custos “muito inferiores” comparativamente ao melhoramento convencional. As variedades vegetais obtidas por NGT demonstram ser “mais resilientes às alterações climáticas e abióticos, mais produtivas ou com maior estabilidade

na produção, mais eficientes no uso dos recursos (água, nutrientes), tolerantes a pragas e doenças, mais nutritivas, etc.” Susana Pombo defende que “esta tecnologia não pode deixar de ser usada na UE, à semelhança do que já se passa no resto do mundo. A Europa não pode ficar para trás”.

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A Inovação e a Investigação ao serviço dos produtores nacionais de milho! INOVMILHO

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Centro Nacional de Competência das Culturas do Milho e Sorgo – INOVMILHO foi constituído no dia 26 de setembro de 2016, numa iniciativa que partiu da ANPROMIS, em colaboração com o INIAV e a Câmara Municipal de Coruche. Este Centro envolve atualmente 34 Entidades, entre as quais academias, centros de investigação, organizações de agricultores e organismos da administração central do estado. O INOVMILHO está sediado na Estação Experimental António Teixeira (INIAV), em Coruche, e tem como missão promover o conhecimento e transfeAGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

ri-lo junto dos produtores nacionais de milho e sorgo através da realização de Dias de Campo, Jornadas Demonstrativas e a elaboração de Documentação Técnica. Ciente dos crescentes desafios que se colocam aos produtores nacionais de milho em temas tão abrangentes como a fertilização, o uso eficiente da água e da energia, a proteção das culturas, o solo, a biodiversidade, entre outras, no dia 13 de setembro de 2022 foi assinado em Coruche um protocolo que envolveu as 14 academias convidadas e que tem por objetivo promover nesta Estação um Programa de Estágios Curriculares que vá de encontro não só às expectati-

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vas dos alunos, como também e essencialmente à necessidade de se aprofundar os conhecimentos nos temas acima identificados. Deste protocolo, resultaram este ano 14 estágios curriculares, referentes aos graus de licenciatura, mestrado e doutoramento, cujas linhas gerais foram apresentadas pelos alunos no Dia de Campo que teve lugar no passado dia 07 de julho, em Coruche. Face ao interesse dos trabalhos implementados, discriminamos de seguida os seus temas e autores. Os seus resultados serão oportunamente divulgados através das redes de comunicação da ANPROMIS // INOVMILHO.


• Ensaio de mecanização na otimização dos custos de energia e carbono João Ramos - ESA Elvas • Diferentes densidades em sementeira direta João Vilaverde - ESA Santarém • Densidades de sementeira em rega localizada, com entrelinha de 1,5m Helena Esteves - ESA Elvas) • Relação da qualidade química e biológica do solo com a produtividade do milho: sementeira direta vs mobilização convencional Vânia Alcobia - ISA-UL) • Produtividade da cultura do milho em 4 sistemas de rega distintos Diogo Cascareja - ISA-UL

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• Os efeitos das diferentes técnicas culturais e da estrutura do solo na faculdade germinativa e regularidade de sementeira na cultura do milho Luís Bogalheiro - ISA-UL • Aplicação de Synthetic Communities de bactérias ligadas à biofertilização Jacinta Santos – U Aveiro • Aplicação de Synthetic Communities para aumento da tolerância de milho à seca Carina Sá – U Aveiro • Aplicação de parcerias de fungos e bactérias para promoção do crescimento de plantas Bruno Carneiro – U Aveiro

• Avaliação do uso da água e da sua produtividade na cultura do milho em cenários agroclimáticos em mudança Daniela Soares / João Rolim - ISA-UL • Aplicação de imagens multiespectrais na avaliação da produtividade da cultura do milho em função do controlo proteico Arlette Nemptuno - FCT – UNL

• Aplicação de imagens Multiespectrais para identificação de fases fenológicas do milho Ruben Vicente Perez - ITQB-NOVA • Melhoria da tolerância à seca em milho com um bioinoculante bacteriano Nacho Vilchez - ITQB-NOVA pub.

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A planta como ser humano Numa visão das plantas como seres humanos, também elas têm os seus limites de absorção de nutrientes e quer o excesso quer a falta dos mesmos, poderá ser-lhes prejudicial. Tendo isto em consideração, a racionalização diária da “alimentação das plantas” passou a ser um aspeto que se considera fulcral para a otimização da vida das mesmas, por forma a extrair todo o seu potencial produtivo.

Tiago Cação Caetano DXAS AGRICULTURAL TECHNOLOGIES

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preciso recuar ao tempo dos antigos romanos para nos depararmos com o facto de o ser humano apenas realizar uma refeição diária. Esta era consumida por volta do meio-dia e era considerada uma escolha saudável, pois era a única forma de garantir uma correta di-

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gestão. No entanto, os antigos gregos já pensavam de outra forma e tinham na sua alimentação adicionado a refeição matinal, sendo os únicos a procederem assim durante séculos. Mais recentemente, durante a Revolução Industrial do século XIX, com a normalização dos horários de traba-

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lho, desenvolveu-se o hábito de tomar o pequeno-almoço como refeição antes do trabalho, o almoço para uma pausa a meio do dia e uma ceia ao final do dia, o que levou ao hábito de três refeições diárias, hábito que ainda hoje é considerado mais saudável do que uma única refeição diária.


Levando este exemplo de múltiplas refeições diárias para o mundo das plantas, e numa visão das mesmas como seres humanos, também as plantas têm os seus limites de absorção de nutrientes e quer o excesso quer a falta dos mesmos, poderá ser-lhes prejudicial. Tendo isto em consideração, a racionalização diária da “alimentação das plantas” passou a ser um aspeto que se considera fulcral para a otimização da vida das mesmas, por forma a extrair todo o seu potencial produtivo. Quando se fala em extração de todo o seu potencial produtivo, fala-se também na Lei do Mínimo, mencionada por Justus Liebig, que defendia que “O sucesso de um organismo num ambiente depende de que nenhum fator de sobrevivência exceda seu limite de tolerância”. Tornou-se então fundamental para o projeto da DXAS Agricultural Technologies uma tentativa de supressão de qualquer tipo de stress que pudesse vir a interferir com o potencial produtivo da planta, como que se de um ser humano de jovem idade e cheio de energia se tratasse. Com este conceito em mente, a DXAS Agricultural Technology desenvolveu um projeto piloto na cultura do Tomate de Indústria, utilizando: (1) Por um lado, tecnologia de ponta presente na nossa solução CropScope, através de Inteligência Artificial aliada ao Machine Learning, que tem permitido desenvolver modelos de rega e de fertilização que visam uma distribuição mais eficiente da acima referida “alimentação” diária das plantas. (2) Por outro lado, a premissa de que cada momento de rega não deve exceder os 30 minutos, denominados “Pulsos de Rega”, sendo aplicadas pequenas doses de fertilização em cada um destes momentos de rega, eventualmente não em todos, dependendo do número de Pulsos por dia. Desta forma, o que se pretende é que cada gota de água e de fertilizante que se coloca no solo seja garantidamente absorvido pela planta, evitando que se coloque água em excesso, que pode provocar lixiviação de fertilização, que

tem sido um dos maiores problemas de poluição ao nível dos lençóis freáticos, bem como asfixia das raízes das plantas, provocando stress por excesso de água. Por oposição, também é necessário garantir que a água não fosse por defeito, para evitar o stress hídrico por seca. (ver imagem 1) Com esta forma de rega por pulsos, é ainda possível evitar outros fenómenos de bloqueio na absorção de nutrientes pelas raízes, uma vez que se consegue garantir uma melhor gestão do pH e da eletrocondutividade no solo, garantindo que a planta não se encontra inibida de absorver os nutrientes que necessita e estejam disponíveis no solo. Finalmente, como consequência natural, esta forma de rega tem ainda outras vantagens ao longo do seu ciclo de desenvolvimento. Por exemplo, no início

da campanha permite um controlo mais eficaz contra infestantes uma vez que a água colocada não chega a zonas da cama onde não há ainda raízes da planta do tomate. E nos períodos de maior demanda de água é também possível evitar encharcamentos prevenindo assim exposição ao míldio e outros fungos. Assim, este projeto piloto foi realizado na Lezíria de Vila Franca de Xira, mais concretamente na Herdade do Caldas, tendo como parceiro João Geada, e a Organização de Produtores Agromais, que foi sem dúvida fundamental para o sucesso do mesmo. O campo de ensaio era composto por duas parcelas agrícolas, perfazendo uma área total de 21 hectares, devidamente registadas na solução CropScope e ambas sob a gestão do Engº Nuno Santos.(ver imagem 2) 137

Imagem 1

Imagem 2

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Ao longo da campanha, e por cada uma das parcelas, o CropScope forneceu as recomendações diárias para a rega mais adequada, bem como as recomendações semanais para uma fertilização ideal. Adicionalmente, foram calendarizadas numa base diária as aplicações de rega e fertilizante, na premissa da rega por pulsos de 30 minutos como máximo, por integração da solução CropScope com os temporizadores instalados nestas parcelas, para os quais o CropScope enviou automaticamente um agendamento da rega por pulso, de acordo com as recomendações diárias obtidas pela Inteligência Artificial. Para além de fornecer as recomendações de rega e fertilização, e de agendar nos temporizadores as aplicações das mesmas, o CropScope serviu como ferramenta de auxílio ao Engº Nuno Santos, facultando informações em tempo real relativas ao campo, tais como o acesso ao gráfico da sonda em tempo real, para verificar humidade e temperatura do solo nas várias profundidades, imagens de satélite diárias que permitem verificar o crescimento da cultura, consumos de água de rega, informação meteorológica, informação sobre o risco de doenças e recomendações de rega, facilitando assim as tomadas de decisão. À parte a decisão das quantidades de rega e de fertilização, toda a restante gestão do campo foi da inteira responsabilidade do Engº Nuno Santos, no AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

que tocou à preparação do solo, operações culturais, tratamentos fitossanitários e na aplicação das recomendações de rega e fertilização por parte do CropScope. No final de Julho de 2023, realizou-se uma jornada em campo aberto, com o

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objetivo de mostrar in loco as condições reais do campo, por aplicação desta gestão de rega e fertilização por pulso das quantidades recomendadas pela tecnologia presente no CropScope. Esteve presente, num destes dias abertos, o Departamento de Rega e Agricultura de Precisão da Agromais, que teve a oportunidade de verificar o campo, do ponto de vista de crescimento da cultura e da forma saudável que apresentava, e ainda do ponto de vista do potencial produtivo do mesmo, tanto a nível da quantidade de tomate presente, como pela qualidade que o tomate apresentava, a sua cor, e finalmente pelo alto nível de maturação da cultura, o que permite ainda uma menor perda de tomate durante a colheita, sendo este um outro fator extremamente importante na cultura de tomate de indústria, uma vez que o tomate produzido pelas plantas será quase todo aproveitado em fábrica, aumentando assim o rendimento da cultura. Antes da apresentação dos resultados, importa referir que, de acordo com as premissas estabelecidas, a cultura se manteve “saudável” como era desejável durante quase todo o ciclo, sem complicações de maior quer ao nível infestantes, quer de doenças e pragas. Em termos produtivos, há a referir que as quantidades de água utilizadas nestas parcelas estão em linha com a média utilizada em campos referência (perto destas parcelas e características semelhantes) e tendo em consideração as condições meteorológicas do ciclo nestas parcelas. Pressupõe-se ainda ter sido possível reduzir a utilização de fertilizante em 20-25% face a uma gestão regular sem pulso. Por fim, de referir que a produção obtida em fábrica, após descontos, foi de cerca de 50% acima das médias nacionais do triénio 2019 a 2021 (96 ton/ha), sem qualquer prejuízo no que refere à qualidade do tomate entregue em fabrico, quer em cor quer em brix. Em suma, o projeto foi um sucesso e foram atingidos os objetivos propostos de uma mais eficiente “alimentação” das plantas na cultura do tomate e extraindo o máximo produtivo possível da planta, evitando todo e qualquer possível stress durante todo o ciclo cultural.


D DIAGNÓSTICO

RESERVAS DA BIOSFERA

Territórios Sustentáveis, Comunidades Resilientes – um curto balanço Criado em 1971, o Programa de ciência da UNESCO “Man and the Biosphere” (conhecido internacionalmente pelo acrónimo MaB) foi inovador e visionário no modo como procura conciliar, de forma harmoniosa, a conservação da natureza, dos ecossistemas e das paisagens, com a promoção de dinâmicas de desenvolvimento socioeconómico sustentável que assegurem a permanência das comunidades locais, necessariamente com qualidade de vida.

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Ana Barroco

Madalena Coutinho

Pedro Quintela

tualmente são reconhecidos pela UNESCO 748 espaços – Reservas da Biosfera – que se distinguem pelo modo como compatibilizam num mesmo local estas três dimensões: conservação da natureza, o desenvolvimento socioeconómico e o bem-estar das populações locais. Em Portugal existem, desde 1981, doze Reservas da Biosfera, das quais seis estão localizadas em território continental (Paul do Boquilobo, Berlengas, Castro Verde, Gerês-Xurês, Meseta Ibérica e Tejo/Tajo internacional – sendo que as últimas três são

transfronteiriças), quatro no arquipélago dos Açores (Ilhas do Corvo, Graciosa, Flores e Fajãs de São Jorge) e duas na Madeira (Santana e Ilha do Porto Santo). Trata-se de uma realidade extremamente diversa – do ponto de vista das caraterísticas geográficas, ambientais, culturais e sociais, mas também do ponto de vista da dimensão e dos próprios modelos de gestão e de governação partilhada destes territórios –, relativamente aos quais, até recentemente, havia dificuldade em ter um retrato de conjunto que permitisse compreender

em detalhe o que são as Reservas da Biosfera portuguesas, quais as suas caraterísticas, a sua importância, os principais desafios que enfrentam e irão enfrentar no futuro, designadamente num contexto de profundas alterações climáticas, bem como as oportunidades existentes para um desenvolvimento conjunto, trabalhando em rede. Acresce que, de uma forma geral, existia até recentemente um profundo desconhecimento em Portugal do que eram as Reservas da Biosfera e o Programa MaB, havendo por isso uma necessidade premente de comunicar melhor e

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SAIBA MAIS EM www.reservasdabiosfera.pt

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mais eficazmente a um público generalista (não-técnico). A génese do Projeto “Reservas da Biosfera: Territórios Sustentáveis, Comunidades Resilientes”, que se iniciou em novembro de 2020, decorre justamente deste diagnóstico e teve como principal ambição contribuir para o desenvolvimento e promoção de uma estratégia integrada e participada de valorização deste conjunto de doze territórios classificados pela UNESCO. Reunindo uma equipa alargada, experiente e multidisciplinar – que envolveu elementos da Quaternaire Portugal (entidade promotora do Projeto), da Universidade de Coimbra (Centro de Ecologia Funcional e Cátedra UNESCO em Biodiversidade e Conservação para o Desenvolvimento Sustentável), da Universidade Nova de Lisboa (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas),

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do Instituto Pedro Nunes, da Ordem dos Biólogos, da Associação KEEP, da Universidade de Bergen, na Noruega (com a sua Cátedra UNESCO em Património Sustentável e Gestão Ambiental), da Reserva da Biosfera UNESCO de Nordhorland, também na Noruega, e da Comissão Nacional da UNESCO da Islândia , atualmente em processo de candidatura da sua primeira Reserva da Biosfera UNESCO a qual incluirá Parque Regional de Snæfellsnes –, o Projeto procurou trabalhar em conjunto para, sob diferentes perspetivas, estudar e promover as Reservas da Biosfera portuguesas, fomentando ainda a partilha de boas práticas e a cooperação, nos planos nacional e internacional, em particular com os parceiros internacionais dos países doadores e com as Reservas da Biosfera da CPLP. Este foi um Projeto financiado pelo Programa Ambiente dos EEA Grants Portugal, operado pela Secretaria-Geral do Ministério do Ambiente e Ação Climática. Ao longo de 36 meses, foram realizadas 81 atividades, as quais implicaram, na sua maioria, um envolvimento ativo dos gestores das próprias Reservas da Biosfera. Neste momento em que se conclui este longo, trabalhoso, ambicioso e apaixonante Projeto, propomo-nos a partilhar sinteticamente com os leitores da revista Agrotejo os seus principais resultados, convidando todos os interessados a explorar o website www.reservasdabiosfera.pt onde poderão encontrar informações mais detalhadas e completas.

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INVESTIGAR PARA COMPREENDER AS RESERVAS DA BIOSFERA E OS SEUS ATIVOS Uma das premissas do Projeto foi, desde o início, assumir que o conhecimento é uma ferramenta ao serviço da transformação social. Neste sentido, era fundamental a criação de novas dinâmicas de investigação interdisciplinar (ciências da vida, ciências sociais e humanidades) incidindo no território das Reservas da Biosfera. Podem destacar-se, a este nível, por um lado, as atividades de recolha sistemática e registo das memórias das comunidades e sua relação com as atividades associadas ao território levadas a cabo pela equipa da Universidade Nova de Lisboa; e, por outro, o trabalho de identificação, mensuração e promoção dos serviços de ecossistema de cada uma das Reservas da Biosfera levado a cabo pela equipa da Universidade de Coimbra, em colaboração com investigadores da Universidade de Bergen (Noruega). Frequentemente as equipas técnicas adotaram uma lógica de estreita colaboração com as comunidades locais, dialogando e integrando as suas perspetivas e os seus saberes neste processo de investigação. Os resultados alcançados revelam, de modo inequívoco, a importância e a riqueza destes territórios, sob múltiplos pontos de vista. Consultando o website do Projeto é possível aceder aos principais resultados alcançados, cumprindo assim um outro propósito do Projeto: a disseminação e a promoção das Reservas da Biosfera em ambiente de ciência aberta. Promover o empreendedorismo e reforçar as competências das equipas técnicas e dos stakeholders das Reservas da Biosfera em áreas-críticas para o seu desenvolvimento A valorização das pessoas e aposta na formação enquanto estratégia de capacitação destes territórios e suas comunidades foi outra das premissas-chave do Projeto. Neste sentido, foram promovidas ao longo dos vários meses do Projeto um conjunto alargado de ações de formação e de capacitação, mobilizando para tal as equipas da Quaternaire Portugal, do Instituto Pedro Nunes e


também da Universidade de Coimbra. Para a identificação das áreas críticas em que eram necessário fazer esse reforço das competências foi realizado um diagnóstico prévio, no âmbito do qual foram mobilizados não só os gestores das Reservas da Biosfera, mas necessariamente os principais stakeholders locais e regionais, incluindo instituições públicas e privadas, com e sem fins lucrativos. Esta abordagem permitiu perceber as debilidades e potencialidades de cada território, mas também tomar em considerar as expetativas e os interesses das diferentes comunidades e entidades locais, ajustando assim a oferta de ações de formação e capacitação aos interesses dos diferentes atores (gestores das Reservas da Biosfera, promotores da economia local). Paralelamente, foi desenhada pela equipa do Instituto Pedro Nunes uma estratégica na promoção do empreendedorismo de base local e de apoio ao desenvolvimento integrado dos territórios, que incluiu ações de formação e de sessões de mentoria e de acompanhamento personalizado para a consolidação e desenvolvimento de ideias de negócio de um conjunto selecionado de empreendedores de diferentes Reservas da Biosfera. Finalmente, através da equipa da Quaternaire Portugal, o Projeto produziu um conjunto de guias, manuais, referenciais de certificação e roteiros associados ao turismo sustentável nos territórios das Reservas da Biosfera

portuguesas que ambicionam igualmente contribuir para um reforço da experiência turística nestes locais e que se encontram igualmente disponíveis para consulta no website.

PROMOVER E DAR A CONHECER À SOCIEDADE AS RESERVAS DA BIOSFERA PORTUGUESAS O reforço da comunicação sobre o Programa MaB e as Reservas da Biosfera foi identificada, desde o início do Projeto, como uma dimensão central do mesmo, contrariando assim o défice de (re)conhecimento existente na so-

ciedade portuguesa e, frequentemente, nos próprios territórios das Reservas. Sob coordenação da Quaternaire Portugal, o Projeto promoveu ao longo da sua execução uma intensa atividade de comunicação, recorrendo para tal a um leque muito variado de ações e instrumentos de comunicação. A partir da definição de um Plano de Comunicação, de uma Estratégia de Marketing, de uma identidade gráfica e da Marca Reservas da Biosfera Portugal, procurou-se apresentar, valorizar e promover de forma conjunta as doze Reservas da Biosfera, utilizando para tal sobretudo os meios e canais digitais – mas não só. Efetivamente, ao longo do Projeto foi possível garantir que o tema das Reservas da Biosfera marcou alguma da agenda mediática nacional, através de artigos de opinião e de entrevistas a membros da equipa do Projeto, mas também a representantes das próprias Reservas e do Comité Nacional MaB. Simultaneamente, o Projeto promover algumas iniciativas que se poderão considerar emblemáticas do modo como é possível comunicar as Reservas da Biosfera portuguesas, a sua riqueza e importância junto de diferentes segmentos de públicos-alvo. Foi o caso, nomeadamente, da 1ª edição das Olimpíadas da Biosfera, organizadas pela Ordem dos Biólogos, e que mobilizaram alunos de todo o país; e do Festival das Reservas da Biosfera, organizado pelas próprias

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Açores e Madeira). A uma escala mais limitada, foram ainda realizados concursos de fotografia e vídeo que, no seu conjunto, mobilizaram algumas dezenas de participantes de todo o país. Finalmente, o Projeto produziu um conjunto de materiais de comunicação e divulgação, incluindo uma exposição itinerante, 14 documentários vídeo e 12 documentários áudio que irão permitir continuar a fomentar a descoberta e o debate na sociedade portuguesa em torno da importância das Reservas da Biosfera e do Programa MaB.

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Reservas da Biosfera com o apoio técnico da Quaternaire Portugal, e que nesta 1ª edição teve como principais epicentros as Reservas da Biosfera das Berlengas, Santana e Ilha Graciosa, assegurando assim uma distribuição equilibrada do ponto de vista da cobertura geográfica do país (continente,

PROMOVER A ADOÇÃO DE MODELOS DE GESTÃO E DE GOVERNANÇA MAIS INTEGRADOS E COLABORATIVOS Por último, mas certamente não menos importante, o Projeto debruçou-se sobre os desafios dos modelos de gestão e de governança dos territórios das Reservas da Biosfera que, como referido antes, assumem em Portugal caraterísticas muito

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heterogéneas. Esta componente do Projeto, da responsabilidade da Quaternaire Portugal, foi trabalhada em estreita articulação e colaboração com as doze Reservas da Biosfera e com o Comité Nacional MaB. Entre outras atividades desenvolvidas, destaca-se a elaboração de uma metodologia de reorientação estratégica e monitorização contínua de cada uma das Reserva da Biosfera e sua aplicação-piloto para o ano de 2023. Os chamados Planos de Desenvolvimento Sustentável pretendem ser, assim, um referencial estratégico em continuidade com o trabalho que cada uma das Reservas vem desenvolvendo, adicionando orientações e ações prioritárias, e propondo uma forma expedita de as monitorizar anualmente; simultaneamente, permitem ao Comité Nacional MaB obter uma visão de conjunto do trabalho que vem sendo desenvolvido no país, comunicando-o mais eficazmente quer à sociedade portuguesa, quer internacionalmente, desde logo junto da UNESCO, mas também da comunidade técnico-científica.


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Ensaio de rega gota-a-gota na cultura do arroz na Agroglobal prova que é viável produzir arroz em novas áreas agrícolas Jorge Caleça GESTOR DE MARKETING E INOVAÇÃO

O

s resultados preliminares do ensaio de produção de arroz com rega gota-a-gota realizado nos campos demonstrativos da Agroglobal, em Santarém, demonstram que esta tecnologia de rega torna viável a produção de arroz em novas áreas agrícolas, fora das tradicionais bacias produtoras, conseguindo-se, simultaneamente, uma melhor gestão das infestantes, o principal fator biótico responsável pela perda de rendimento na cultura. O arroz surge assim como uma boa alternativa para integrar numa rotação de culturas agrícolas anuais. Após o sucesso do primeiro ensaio de produção de arroz com rega gota-a-gota, em 2022, em Pancas, concelho de Benavente, a MAGOS IS e os seus parAGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

ceiros, aceitaram o repto lançado pela organização da Agroglobal para testar nos campos da feira novos métodos e técnicas de produção de arroz com o intuito de tornar a cultura mais rentável e sustentável. A rega do arroz é realizada com fita T-Tape 508 20 500, do fabricante RIVULIS, com distribuição exclusiva da MAGOS IS, espaçamento de 20 cm entre gotejadores, débito de 1L/hora, e 75 cm de distância entre linhas de rega.. O consórcio de empresas é unânime em considerar que os resultados preliminares do ensaio são promissores, antevendo-se uma solução de futuro para a cultura do arroz que é cada vez mais afetada pela escassez de água e pelas infestantes.

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“Conseguimos um bom desenvolvimento vegetativo das plantas e controlo das infestantes, pelo que concluímos que esta nova forma de cultivar o arroz pode ser uma excelente alternativa para a rotação de culturas. Os produtores colocaram várias questões e alguns deles estão disponíveis para testar esta solução nas suas explorações. Estamos muito satisfeitos”, afirma Joaquim Costa, da Magos IS, empresa responsável pela instalação do sistema de rega no ensaio, realçando o interesse demonstrado pelos mais de 100 agricultores e técnicos que marcaram presença no dia de campo, a 6 de setembro. O ensaio de arroz com rega gota-a-gota na Agroglobal, numa parcela de 2 hectares, tem colheita prevista para início de


novembro, data em que serão divulgados os resultados do ensaio. Portugal é o maior consumidor de arroz da União Europeia. Cada português consome em média mais de 16 quilogramas de arroz por ano, de acor-

do com os dados da Associação Nacional dos Industriais de Arroz. Em Portugal, o arroz ocupa anualmente cerca de 30.000 hectares. Além disso, a produção deste cereal é a única em que o país tem uma taxa de autoaprovisio-

namento de cerca de 70%. Contudo, nos últimos anos, a fileira do arroz tem enfrentado vários desafios como a escassez de água e as infestantes, a que os produtores procuram responder, testando novas estratégias. pub.

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+VALORCER

Fazer evoluir as Organizações de Produtores do Setor dos Cereais

Astride Sousa Monteiro GESTORA E CONSULTORA ESTRATÉGICA, ESPECIALISTA EM AGROALIMENTAR E SIG

O

termo “VALORCER” tem vindo a acompanhar a ANPROMIS e a ANPOC, as duas associações socioprofissionais do setor dos cereais, milho e cereais praganosos, respetivamente. Um termo que reflete a ambição destas Associações de valorizar a

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produção de cereais nacionais. Com efeito, já em 2019 e dando sequência à Estratégia Nacional da Promoção da Produção de Cereais, a ANPROMIS e a ANPOC lançaram um primeiro projeto VALORCER com o propósito de criar valor na fileira dos cereais. Na altura, o foco estava no desenvolvi-

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mento da própria fileira – integrando investigação, produção, indústria e retalho -, considerada fundamental para uma efetiva valorização da produção de cereais. Pretendia-se reunir o esforço e empenho de todos os agentes envolvidos na cadeia de valor para fomentar a investigação, o aumento da qualidade, a


Acompanhe a evolução e resultados do projeto em:

adequação dos produtos à transformação, a formação e capacitação dos produtores, um melhor conhecimento das tendências de mercado e uma maior aposta na comunicação e na promoção. Foram dois anos de trabalho intenso que permitiram confirmar que a aposta na fileira é uma aposta ganha e essencial para contrariar a falta de competitividade dos cereais nacionais face a uma enorme volatilidade dos mercados internacionais, muitas vezes explicada por fatores totalmente alheios ao efetivo custo da produção. O termo VALORCER, desde então, tem-se mantido vivo. Vivo por se manter, também, o interesse destas duas Associações em trabalhar em conjunto; e vivo por o objetivo de valorização dos cereais nacionais continuar a ser estratégico para os produtores nacionais, para o desenvolvimento rural e para a economia e soberania alimentar do nosso País. E é neste contexto que surge agora o +VALORCER, um projeto financiado pelo PRR e integrado na iniciativa “Excelência da organização da produção”, desta feita com foco no desenvolvimento estrutural das Organizações de Produtores nacionais e incluindo, do lado da produção e para além da ANPOC e da ANPROMIS, a AOP, em representação do setor do arroz. O +VALORCER, liderado pelo InnovPlantProtect e dinamizado pela ANPROMIS, ANPOC, Universidade

NOVA de Lisboa e CONSULAI, arrancou em abril deste ano e ambiciona ser um motor estruturador de 17 Organizações de Produtores, trazendo novas perspetivas, tecnologias avançadas e métodos modernos de otimização e de gestão de processos. Em concreto, o +VALORCER baseia-se na criação de um blockchain para os cereais, tirando partido dos vários fatores diferenciadores que a produção nacional reúne: origem, qualidade, características organoléticas únicas, sustentabilidade e menor pegada carbónica. Este propósito, por sua vez, implica uma maior profissionalização das estruturas

das Organizações de Produtores, uma criação de um referencial produtivo para toda a cadeia de valor e ainda a definição de uma estratégia de comunicação, para dentro do setor e para o consumidor. Trabalhando nestas várias vertentes, o +VALORCER quer resultar em Organizações de Produtores mais estruturadas e organizadas, mais competentes, mais eficientes (seja do ponto de vista de processos, seja na ótica do uso de recursos), conhecedoras do mercado, capazes de fazer melhores negócios, comunicar melhor e obter a máxima valorização dos seus produtos.

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O Pimento Ramiro Arnedo

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Bruno Estevão

RAMIRO ARNEDO

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a sua contínua investigação na cultura do pimento, a Ramiro Arnedo dedica tempo e recursos na busca de variedades que se possam adequar às necessidades do mercado nomeadamente de indústria. Para este mercado nosso departamento de investigação procura variedades com as seguintes características:

– Variedades que concentrem a maturação dos seus frutos; – Uma boa conservação dos frutos na planta; – Resistências; – Produtividade; – Boa cobertura dos frutos; – Boa cor. AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

Em resultado dessa investigação temos variedades de pimento vermelho como o Corera F1, Sorzano F1 e Rodiezmo F1. Nos últimos anos decidimos dedicar-nos também à investigação do pimento amarelo, tipo de pimento que, até à data, na nossa opinião surgia com poucas opções para o produtor, nomeadamente o produtor de pimento de indústria. Após vários anos, de diversas fases e de múltiplos ensaios, quer em Espanha, quer em Portugal, existem actualmente mais duas opções no que toca ao pimento amarelo. São elas: IBÉRICO F1 Variedade pimento amarelo, para cultivo ao ar livre.

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Ciclo de 110-115 dias. Planta compacta com boa cobertura dos frutos. Fruto de excelente formato e uniformidade, cor amarelo limão. 200-230 gr de peso, com boa parede. Maturação concentrada. Adequado para colheita mecânica. HR em Tm 0-3, IR em TSWV. BÉTICO F1 Variedade de pimento amarelo, para cultivo ao ar livre. Ciclo de 115-120 dias. Planta alta, vigorosa e com boa cobertura. Fruta com bom formato, uniforme, boa consistência. 230-250 gr, com boa cor e boa parede.


Maturação concentrada. Adequado para colheita mecânica. HR para Tm 0-3, IR para TSWV Importa sempre referir que qualquer variedade adequada para colheita mecânica, também o será para colheita manual. Este foco, para o qual temos dirigido a nossa atenção, da concentração da maturação dos frutos do pimento justifica-se, a nosso ver, pelo crescente problema de disponibilidade de mão de obra agrícola, nomeadamente para a colheita. Acreditamos que a sustentibilidade desta cultura terá de passar, não só, mas também pela evolução das variedades. Por esse motivo, iremos continuar com investigação no pimento amarelo e vermelho, sendo que no pimento vermelho contamos em breve dispor de mais opções. Por último permitam-nos dois agradecimentos: A todo o pessoal da Ramiro Arnedo, desde o laboratório ao campo. Apesar

IBÉRICO

BÉTICO

de não estarem nos “holofotes”, o lançamento de variedades novas é resultado do trabalho de muitas pessoas durante muitos anos. Aos produtores e indústria que têm trabalhado conosco nos en-

saios, ano após anos. O lançamento de novas variedades que se revelam boas opções, como são o exemplo estas duas novas variedades de pimento amarelo, é também a nossa forma de agradecer. pub.

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A industrialização e comercialização de produtos inovadores com base em insetos 154

António Campos SECRETÁRIO-GERAL DA INSECTERA

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Agenda Mobilizadora Insectera é o resultado da união de múltiplos atores com um objetivo comum: o desenvolvimento de um novo setor bioindustrial em Portugal. Neste consórcio agregam-se forças a montante e a jusante da produção bioindustrial de produtos derivados de inseto e criam-se ligações desde os fornecedores de subprodutos agroindustriais até às

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empresas de fabrico e comercialização dos produtos finais a serem criados. O consórcio Insectera, composto por 42 elementos, inclui 19 empresas, 14 entidades do sistema nacional de Investigação e Desenvolvimento (I&D), 4 CoLabs, de quatro setores diferentes, 3 associações empresariais mobilizadoras, e duas entidades oficiais, a DGAV e a Câmara Municipal de Santarém. Para além destas, todo o apoio

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público, o marketing e a divulgação foram considerados fundamentais no sucesso do desenvolvimento deste novo setor bioindustrial em Portugal. A Agenda Mobilizadora Insectera visa possibilitar a industrialização e comercialização de inovadores produtos com base em insetos, tanto na área agrícola e alimentar (alimentação animal e humana), como na de outras indústrias (cosmética, bioplás-


na identificação e otimização dessas oportunidades.

IMAGEM 2

IN4.0 – Uma nova ERA industrial Apesar de assente em insetos, este setor é industrial e baseado em conhecimentos científicos e tecnológicos avançados. O processo de bioconversão de subprodutos orgânicos foi desenvolvido e industrializado e este eixo centra os trabalhos de digitalização e automação para levar este processo para níveis de eficiência e controlo de indústrias avançadas, colocando o setor no topo da competitividade internacional. ticos, etc.) ou no inovador setor da biorremediação. (ver imagem 2) Entre os objetivos gerais da Agenda mencionados estão a criação de três novas fábricas de produção de produtos derivados de insetos, a criação de uma fábrica de produção de quitosano e de um centro logístico, onde se prevê gerar 140 novos postos de trabalho e industrializar mais de 100 novos produtos, processos e serviços desenvolvidos para desafios e necessidades específicas do mercado. O desenvolvimento de todos estes produtos, processos e serviços reparte-se pelos nove eixos que vemos na imagem e que compõem o projeto.

insetos para desenvolvimento de quatro novas matérias-primas para indústrias como a da cosmética ou dos bioplásticos, criando 9 produtos finais inovadores.

EIXOS DA AGENDA MOBILIZADORA INSECTERA

(ver imagem 3)

Eixos verticais da agenda INFOOD – Uma nova ERA na nutrição humana Utilização de insetos como fonte nutricional alternativa saudável e sustentável gerando 15 novas linhas de produtos para alimentação humana. INFEED – Uma nova ERA a alimentação animal Utilização de insetos como fonte nutricional numa alimentação animal mais sustentável, circular e de origem local com a criação 8 novas linhas de produtos (rações). ININDUSTRY – Uma nova ERA na bioindústria Utilização de produtos derivados de

INBIORREMEDIATION – Uma nova ERA na circularidade Utilização de insetos como ferramenta de biorremediação e solução para desafios ambientais, como a eliminação de efluentes pecuários e resíduos orgânicos urbanos, tem como meta investimentos em I&D e a criação de um novo centro de investigação.

INFRASS – Uma nova ERA para os solos O processo de biodigestão de matéria-orgânica gera um fertilizante orgânico de levada qualidade, de produção rápida e estável, estando pronto para aplicação direta no solo. Este produto, designado por Insect Frass, é constituído por dejetos dos insetos e material decomposto. IMAGEM 3

EIXOS TRANSVERSAIS DA AGENDA MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUÇÃO – Uma nova ERA produtiva A produção bioindustrial de insetos assenta no princípio da economia circular, sendo que o recurso a insetos é feito como ferramenta de bioconversão. Assim, os insetos são selecionados pela sua capacidade de converter material orgânico descartado (coprodutos) de outras indústrias, nomeadamente da indústria agroalimentar, e transformar algo que seria um desperdício e um custo em matérias-primas de elevado valor biológico e económico. Assim, Portugal tem uma grande oportunidade de aumentar a sua capacidade produtiva sem aumentar a exploração de recursos naturais, valorizando subprodutos e aumentando a eficiência da nossa economia. Este eixo centra-se

EIXOS TRANSVERSAIS DA AGENDA ONE HEALTH – Uma nova ERA social, ambiental e económica

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Todos os produtos gerados nos vários eixos do projeto têm impactos na saúde humana, animal e ambiental. Por isso, este eixo visa proceder a avaliações de risco e à realização de estudos de qualidade e segurança dos IMAGEM 4

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produtos, avaliando inclusivamente a ecotoxicidade dos produtos. Este eixo estuda ainda os impactos deste novo setor na sociedade, avaliando de forma concreta como é que a criação de um novo setor produtivo em Portugal

pode impactar positivamente não só em termos de sustentabilidade e saúde, mas também em termos sociais. IN2MARKET – Uma nova ERA no mercado A Agenda Insectera conduz um estudo alargado de todo o setor como forma de assegurar a passagem dos novos produtos para o mercado, nomeadamente a nível legal, ao nível do consumidor, da divulgação, da capacitação de recursos humanos e da exploração. Este eixo é o culminar da Agenda, sendo não somente focado no mercado e internacionalização, como na preparação do futuro para além do final do PRR, garantido que esta Agenda Mobilizado se continua no tempo e no impacto. É neste eixo que se centram trabalhos de base que vão da comunicação à formação e que permitiram lançar as pedras basilares de um cluster de futuro na economia nacional. (ver imagem 4) Esta Agenda é completa não somente por centrar entidades de toda a cadeia de valor, como também por ser totalmente focada na aplicação clara e concreta de produtos, processos e serviços no mercado. A Agenda Mobilizadora Insectera é totalmente focada em necessidades específicas do mercado, utilizando insetos como ferramenta central de processos circulares e adaptando os produtos, processos e servi-

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IMAGEM 5

ços para efeitos concretos, num trabalho realizado em estreita colaboração entre empresas, ENESIIs e outras entidades do consorcio. (ver imagem 5) Na Agenda Mobilizadora Insectera fazemos mais com o mesmo, contribuindo para criar valor e solucionar desafios concretos da nossa sociedade, trabalho realizado da bancada do laboratório ao chão de fábrica, com foco na aplicação no mercado de soluções diferenciadoras e assentes em conhecimentos centrais gerados por I&D nacional.


ATUALIDADES a

CONFERÊNCIA FINAL DO PROJETO FAIRSHARE

O Inventário de Ferramentas e Serviços Digitais para Técnicos de Aconselhamento Agrícola (DATS)

Francisca Viveiros CONSULAI

O

projeto FAIRshare, abreviação de “Farm Advisory Digital Innovation Tools Realised and Shared”, encontra-se no seu último ano e está a encerrar em grande estilo. O projeto, financiado pela União Europeia, tem-se dedicado a reduzir a lacuna digital entre os serviços de aconselhamento agrícola e os agricultores. Uma das suas maiores conquistas é o abrangente inventário (Inventory of DATS | Fairshare (fairshare-pnf.eu)) de mais de 350 Ferramentas e Serviços Digitais de Aconselhamento (DATS) que compilou ao longo dos anos.

O QUE SÃO DATS? As Ferramentas e Serviços Digitais de Aconselhamento, ou DATS, abrangem uma ampla gama de soluções tecnológicas destinadas a melhorar os serviços de consultoria e aconselhamento agrícola. Estas ferramentas incluem desde plataformas de comunicação e software agrícola até ferramentas de benchmarking, aplicações web, recursos de educação digital e materiais de formação, entre outros. A missão do FAIRshare tem sido identificar, avaliar e partilhar esses DATS com consultores agrícolas e agricultores em toda a Europa.

A CONFERÊNCIA FINAL – RECOMENDAÇÕES PARA O FUTURO À medida que o projeto chega ao seu fim, está a organizar a sua conferência final, agendada para os dias 2 e 3 de outubro em Salónica, Grécia. Este

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evento não é apenas uma oportunidade para apresentar os resultados do projeto ao longo dos últimos cinco anos, mas também uma plataforma para partilhar informações valiosas e recomendações para o futuro dos serviços digitais de aconselhamento agrícola.

O QUE ESPERAR DA CONFERÊNCIA? Um dos principais destaques da conferência final é o Inventário de DATS. O FAIRshare compilou e catalogou meticulosamente uma vasta gama de DATS, tornando-o um recurso valioso para consultores agrícolas, técnicos e agricultores que procuram melhorar as suas capacidades digitais. A Conferência será ainda uma última oportunidade para conhecer de perto os mais de 40 Casos de Estudo (ou User Cases em inglês) analisados pelo projeto. Estes casos de utilização prática de DATS, tiveram a missão nos últimos anos, de aumentar o uso das suas ferramentas e serviços pelos seus públicos-alvo, usando a plataforma do projeto para trocar experiências e aprender uns com os outros. Em Salónica os Casos de Estudo serão também convidados a apresentar os seus resultados.

OLHANDO PARA O FUTURO À medida que o FAIRshare conclui o seu último ano, o Inventário de DATS está destinado a ser um legado duradouro. Continuará a servir como uma referência valiosa para todos os envolvidos na agricultura, ajudando-os a aproveitar o poder da tecnologia para melhorar a produtividade, sustentabilidade e gestão geral das explorações agrícolas. Portanto, sigam o projeto nas redes sociais, para seguir de perto todas novidades da Conferência Final. Quer sejam consultores agrícolas, agricultores ou apenas curiosos sobre as inovações digitais que estão a transformar a agricultura, este evento será certamente interessante para todos. Comecem já a explorar o Inventário de DATS que está prestes a revolucionar a forma como abordamos a agricultura.

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FERTILIZANTES ORGÂNICOS DE INSETO

O futuro do solo

Carolina Marques Alexandre GESTORA DE MARKETING E COMUNICAÇÃO ENTOGREEN

Desde que em 2013 a FAO (Food and Agriculture Organization) abriu portas à utilização de insetos como fonte proteica alternativa na Europa, lançando o conceito de que insetos comestíveis seriam uma alternativa promissora à produção convencional de outros produtos de origem animal, tendo vantagens para a saúde e para o ambiente, permitindo que o potencial biológico dos insetos se destacasse na Europa. Contudo, descentralizado do foco atual dos media, está o potencial do, por veAGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

zes esquecido, fertilizante orgânico de inseto, ou insect frass, que em muito contribui para a nutrição sustentável dos solos e das plantas O Fertilizante Orgânico de Inseto produzido pela EntoGreen, através da bioconversão pelas larvas de mosca soldado negro (Hermeti Illucens), estará em breve no mercado e será distribuído pela empresa líder de mercado, a SIRO. Esta parceria traz ao setor agrícola nacional um produto de alta qua-

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lidade com mais de 75% de matéria orgânica, que permite um aumento significativo da capacidade de retenção de água nos solos agrícolas, aumentando assim a sua resistência à seca. Este fertilizante é também rico em nutrientes essenciais como o azoto, fósforo e potássio (NPK), microrganismos benéficos que estimulam as atividades biológicas do solo, além de outros compostos que protegem as plantas contra doenças, como a quitina. Adicionalmente, é um produto


rico em micronutrientes como cálcio, magnésio, cobre e zinco, e pode atender às necessidades de diferentes culturas agrícolas. Foi em parceria com entidades como a Agromais e a Agrotejo que este fertilizante foi testado com sucesso em culturas como o tomate e a batata, sendo

ainda testado em mirtilo, na vinha, pastagens e em alface. Os seus efeitos benéficos foram comprovados, como estímulos ao crescimento das plantas, altas produtividades de frutos e aumento da qualidade microbiológica do solo. Utilizar produtos como o fertilizante orgânico de inseto, que para além da

sua comprovada qualidade representam um processo de reaproveitamento de nutrientes, inserido num conceito de economia circular, é o primeiro passo para a valorização e afirmação do setor primário como promotor da sustentabilidade ambiental, social e económica de Portugal. pub.

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GESTÃO DE REGA DA NOGUEIRA

O papel do dendrómetro de tronco e da câmara de pressão Agora amplamente disponíveis, os dendrómetros de tronco de leitura contínua podem ser ferramentas úteis para complementar as leituras do potencial hídrico da folha ao meio-dia, na definição do nível de stress das culturas.

Sandra Pires

Pedro Salamanqueiro

DIRETORA TÉCNICA DA HIDROSOPH

TÉCNICO DA AGROMAIS

Os dendrómetros de tronco e câmaras de pressão são sensores amplamente utilizados para a gestão de rega, uma vez que medem o estado hídrico das plantas. Os dendrómetros registam as variações diárias do diâmetro do tronco com grande AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

precisão – o tronco contrai durante o dia e expande durante a noite como resposta às alterações do potencial hídrico das plantas. As câmaras de pressão medem diretamente o potencial hídrico das árvores a partir da leitura da tensão da água, quando

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é aplicada uma pressão conhecida a um folíolo da folha cortado e colocado na câmara (LWP). Quando os valores são registados na mesma altura do dia, a câmara de pressão fornece uma leitura direta e precisa do estado hídrico da cultura,


mas que, ainda assim, reflete as condições meteorológicas na altura em que as medições são efetuadas. Para minimizar este efeito, a utilização desta tecnologia requere o estabelecimento de valores padrão, dependentes das variáveis do clima, para a sua utilização em gestão de rega. Embora não seja automatizável, a recolha destes dados pode ser efetuada em múltiplos locais com o mesmo equipamento, sendo o número de leituras fornecido dependente apenas da disponibilidade de mão-de-obra. Os dendrómetros, por seu lado, têm a grande vantagem de serem automatizáveis e fornecerem leituras contínuas em tempo real. São relativamente baratos, mas as suas medidas do estado hídrico das culturas são indiretas e restritas apenas à planta em que estão instalados. As leituras dos dendrómetros permitem obter uma série de indicadores sensíveis à quantidade de água no solo e fortemente correlacionados com o nível de stress da cultura. A sua dinâmica ao longo do tempo pode ser interpretada para efeitos de gestão de rega, mas a utilização dos valores absolutos também implica obter dados de referência em situações não limitantes de água no solo. Na campanha de 2023, o Departamento de Rega e Agricultura de Precisão da Agromais, juntamente com a Hidrosoph acompanhou a rega de um nogueiral da Sociedade Agrícola São João de Brito, S.A., com recurso às duas tecnologias, para uma gestão de rega “a pedido” (rega iniciada quando atingidos valores específicos na câmara de pressão). Para além destas, no ponto de monitorização com dendrómetro, foram ainda instalados uma sonda de humidade e um contador no tubo de rega gota-a-gota, para se poder acompanhar a evolução da água no solo e registar de forma automática a rega efetuada pelo produtor. Foram ainda gerados para a parcela calendários de rega em tempo real, com base em previsões meteorológicas e dados da sonda, como é prática corrente no Departamento de Rega e Agricultura de Precisão da Agromais. As leituras com a câmara de pressão (LWP) foram efetuadas a meio do

dia com uma periodicidade mínima semanal, embora em certas alturas da campanha tenha sido necessário obter esta informação mais que uma vez por semana. O operador estava perfeitamente treinado na utilização da tecnologia e, para além de recolher as leituras, era o responsável pelo seu processamento e acionamento do sistema de rega em conformidade. O crescimento máximo diário – diferença entre o valor máximo de diâmetro do tronco medido no dendrómetro num dia e o do dia anterior (MDG) e a contração máxima diária – diferença entre os valores máximo e mínimo obtidos no mesmo dia (MDC) foram os indicadores de stress escolhidos para serem acompanhados, por serem muito

sensíveis a alterações no teor de humidade do solo. Embora na campanha de 2023 não se pretendesse fazer alterações significativas às operações de rega definidas com o método “a pedido”, a informação de LWP e dendrometria, combinada com a da dinâmica da água no solo obtida a partir da sonda de humidade, foi de grande valor para uma análise retrospetiva da campanha e para o estabelecimento de afinações de estratégia necessárias para a campanha do próximo ano. O método adotado de gestão de rega “a pedido”, assumia que a água, a mão de obra para efetuar as leituras e a capacidade do sistema de rega estavam disponíveis para as operações em

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qualquer momento e sempre que necessário. Neste caso, porém, como em muitos outros, não existiu esse acesso ilimitado aos recursos humanos e o sistema de rega apresentava condicionantes ao nível da dotação diária. Este facto, associado à compactação do solo nos camalhões que limitava a taxa de infiltração da água, impossibilitou a rega “a pedido” e demonstrou a necessidade de podermos contar com um calendário de rega que considerasse a reserva do solo, a capacidade real do sistema de rega e que fosse informado com dados da sonda de humidade. A evolução da água no solo obtida pela sonda de humidade indicou que o início da rega deverá ser antecipado para evitar o esgotamento da reserva, que em alturas de maiores necessidades se torna difícil de recuperar devido à falta de capacidade do sistema de rega. Neste sentido, também poderá ser benéfico um aumento da frequência durante os períodos de maiores exigências do clima, para evitar a rega superficial durante o Verão que condiciona a atividade radicular das árvores. Os resultados obtidos nesta campanha acompanhados da respetiva análise de resultados da produção, permitirão estabelecer eventuais alterações na gestão da rega para o próximo ano. Ainda que as alterações de estratégias e frequência possam resultar em aumentos de consumos anuais, melhorando a eficiência do uso da água esAGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

peram-se melhorias na produtividade deste recurso e nos resultados globais do produtor.

A meados de Maio, quando a água no solo começou a diminuir devido à maior atividade das plantas, como evidenciado pela sonda, LWP mostrava que a humidade existente ainda permitia o pleno conforto da cultura. O dendrómetro indicava não haver limitações à taxa de crescimento do tronco e optou-se por atrasar a rega de primavera para reduzir o risco de doenças e promover o desenvolvimento de um sistema radicular mais saudável. Durante o mês de Junho, a rega “a pedido” conduzida com base nos valores de LWP e dendrometria manteve as plantas em conforto e crescimento ativo, mas levou ao esgotamento total

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da reserva de água no solo, como demonstrou o gráfico da sonda de humidade. Em Julho, apesar da rega se aproximar mais do plano que em Junho, limitações na capacidade do sistema de rega não permitiram o preenchimento da reserva do solo e a rega passou a ser apenas superficial, como mostraram os sensores da sonda dos 30 cm aos 80 cm. Em Julho e Agosto, os indicadores de stress da dendrometria coincidiam com o sentido das leituras de LWP na altura em que estas eram efetuadas, mas dinâmica da resposta do dendrómetro mostrava que as condições de conforto só ocorriam no dia da rega e, no máximo, até dois dias ou três após a rega.


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COLHER O FUTURO

A aposta da Corteva na agricultura digital Portugal, uma nação com uma rica tradição agrícola, está a dar passos gigantescos em direção à digitalização no campo. As novas tecnologias estão a reconfigurar todos os aspetos da agricultura portuguesa. Desde sistemas avançados de irrigação que otimizam o consumo de água, a satélites que monitorizam as explorações agrícolas em tempo real, estas ferramentas digitais estão a permitir que os produtores tenham um conhecimento mais preciso sobre as suas culturas, otimizem as suas operações e, em última análise, melhorem os seus rendimentos. Num contexto em que a precisão, a eficiência e a sustentabilidade são mais cruciais do que nunca, os produtores portugueses, conscientes dos desafios e oportunidades da era moderna, estão a AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

adaptar as suas práticas diárias e a adotar estas tecnologias inovadoras, num esforço para se tornarem mais eficientes, sustentáveis e rentáveis. Neste contexto, a Corteva, como empresa líder no sector agrícola e a Pioneer, sua plataforma das sementes, partilham um objetivo comum: impulsionar a agricultura para um futuro mais próspero e sustentável. Cada produto, desde as sementes dos híbridos com maior potencial produtivo até às suas linhas de proteção de culturas e soluções biológicas, reflete a missão da empresa de enriquecer a vida daqueles que produzem e consomem, assegurando o progresso para as gerações futuras. E é a experiência da equipa técnica Pioneer com aplicações inteligentes que permite à

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empresa ser capaz de fornecer um serviço de 360° aos produtores, assegurando-lhes o acesso a tudo o que necessitam para uma agricultura mais inteligente, sustentável e rentável. É neste âmbito de inovação e progresso que nasce a Granular Link, uma plataforma digital concebida para ser o auxiliar perfeito para qualquer agricultor que procure otimizar a sua exploração através da tecnologia.

GRANULAR LINK: A FERRAMENTA DIGITAL DEFINITIVA A transformação digital na agricultura não é simplesmente uma questão de adotar novas tecnologias; trata-se de encontrar soluções que se alinhem per-


feitamente com as necessidades e desafios específicos dos agricultores e, neste sentido, o Granular Link não é apenas mais uma ferramenta; representa uma verdadeira revolução na gestão agrícola. De forma gratuita, o Granular Link permite monitorizar a sanidade das suas culturas, identificar áreas problemáticas e tomar decisões sustentadas com base em dados precisos e atualizados. Além disso, uma das características mais impressionantes do Granular Link é a sua capacidade de fornecer imagens de satélite de alta resolução que são atualizadas diariamente. Estas imagens, com uma resolução espacial de 3m, proporcionam aos agricultores uma visão sem precedentes das suas explorações. Além disso, a aplicação permite o acesso a observações históricas que abrangem até trinta anos. Esta vasta base de dados permite aos produtores comparar as condições atuais com as tendências do passado, identificar padrões e antecipar potenciais problemas ou oportunidades. O Granular Link vai além da simples monitorização. Com até 14 índices de vegetação, os produtores podem ver os detalhes das suas culturas com um pormenor sem paralelo. Estes índices, combinados com mapas de aplicação de fatores de produção de forma variável por recomendação personalizada, permitem aos agricultores otimizar as suas práticas agrícolas, reduzindo os custos e melhorando os rendimentos. A experiência do utilizador também foi cuidadosamente concebida para ser intuitiva e eficiente. Serviços como a emissão de alertas personalizáveis pelo utilizador, a possibilidade de monitorizar o desempenho das suas máquinas de colheita e rever os mapas que deter-

minam quais as áreas mais produtivas, ou a compatibilidade dos mapas de aplicação de azoto, sementes e fungicidas a serem enviados diretamente para o terminal de qualquer marca de máquinas fazem desta ferramenta o “canivete suíço” das plataformas digitais, um tudo-em-um de que os agricultores tirarão partido em pouco tempo. Outras funcionalidades, como as interações ativas, as recomendações de rega, as aplicações ajustadas à proteção das culturas e os dados meteorológicos de alta frequência e alta resolução são apenas algumas das características adicionais que fazem do Granular Link uma ferramenta indispensável.

COMPROMISSO E VISÃO: PARA ALÉM DA TECNOLOGIA Embora a tecnologia e a inovação sejam essenciais na agricultura moderna, o verdadeiro valor de uma empresa é medido pelo seu compromisso para com os agricultores e pela sua visão para o futuro. Neste contexto, a Corteva e a Pioneer não se distinguem apenas pelas suas soluções de ponta, mas pela sua profunda dedicação aos agricultores. O Granular Link é um reflexo claro desta abordagem centrada no agricultor. Mais do que uma simples ferramenta, simboliza o propósito da Corteva de acompanhar de perto os agricultores na sua atividade diária. Com uma equipa de assessores agronómicos especializados, a Corteva assegura que cada utilizador pode tirar o máximo partido da aplicação, desde a resolução de problemas até à otimização da sua utilização no campo. A equipa de técnicos da Pioneer, com a sua vasta experiência em sementes de

milho e um profundo conhecimento do campo, também desempenha um papel crucial nesta visão. O seu foco no desenvolvimento de híbridos perfeitamente adaptados às condições locais assegura que os produtores não só têm acesso à melhor tecnologia, mas também a sementes que maximizam o rendimento e o desempenho agronómico. Esta combinação de tecnologia de ponta e conhecimento agronómico é o que permite à Corteva e à Pioneer oferecer um serviço de 360° aos produtores. Face aos desafios emergentes, como as alterações climáticas ou o aumento da procura de alimentos, é essencial dispor de soluções avançadas e adaptáveis que vão para além das soluções individuais, com o objetivo de criar um ecossistema agrícola integrado. O Granular Link complementa na perfeição as soluções de proteção das culturas e produtos biológicos da Corteva, bem como as sementes da Pioneer. Em conjunto, estas soluções oferecem aos agricultores tudo o que necessitam para uma agricultura mais inteligente, sustentável e rentável. É este compromisso que garante que, independentemente dos desafios que surjam, os agricultores terão sempre um parceiro fiável ao seu lado. Com o Granular Link e o seu próximo lançamento em 2024, os agricultores terão uma ferramenta que fornece apoio, clareza e precisão, facilitando decisões fundamentadas em informação precisa que lhes permitem adaptar-se a um ambiente agrícola em constante mudança, garantindo a produtividade e a sustentabilidade das suas explorações. Conheça melhor Granular Link! Contacte com o seu assessor agronómico Pioneer!

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CONTRIBUTO DO GLOBULUS PARA A DESCARBONIZAÇÃO

O eucalipto sequestra mais carbono As florestas são sumidouros de CO2 fundamentais para atingir os objetivos de redução das emissões de gases com efeito de estufa. E as plantações comerciais, em especial o eucaliptal, que tem níveis mais elevados de sequestro de carbono, têm um papel importante nessa missão. THE NAVIGATOR COMPANY

É o CO2 que as árvores retiram da atmosfera, através da fotossíntese, que lhes permite crescer, pois é do dióxido de carbono, água e nutrientes que obtêm glicose, o açúcar de que se alimentam e com o qual formam a matéria de que são feitas (biomassa), que é cerca de 50% carbono. Assim, quanto mais depressa crescem, mais dióxido de carbono as árvores consomem e armazenam. O eucalipto, enquanto espécie de elevada produtividade, que cresce bem e rápido, tem assim um excelente desemAGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

penho ao nível do sequestro de carbono e da consequente mitigação das alterações climáticas causadas pelos gases com efeito de estufa. Por hectare e por ano, o globulus, um eucalipto bem-adaptado ao solo e ao clima nacionais, sequestra cerca de 11,3 toneladas de CO2, a taxa mais alta entre as espécies presentes na floresta nacional. “É conhecido que, numa área idêntica, o globulus sequestra três vezes mais carbono que o pinheiro e sete vezes mais que o sobreiro”, afirma Carlos Pascoal Neto, diretor-geral do RAIZ –

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Instituto de Investigação da Floresta e Papel, um laboratório de I&D detido pela The Navigator Company, Universidade de Aveiro, Universidade de Coimbra e Universidade de Lisboa, através do Instituto Superior de Agronomia. Um dado relevante, tendo em conta que o Plano Nacional de Energia e Clima 2021-2030 refere que não basta reduzir emissões e que a floresta nacional, que absorve anualmente 8,7 milhões de toneladas de CO2, terá de passar a reter 12,7 milhões de toneladas até 2030.


Saiba mais em www.produtoresflorestais.pt

O IMPORTANTE FATOR SOLO Outro fator importante a ter em conta no fluxo de carbono das florestas é da responsabilidade do solo, graças à biomassa vegetal que cai das árvores, correspondente à ciclagem geoquímica (transferência de nutrientes entre a planta e o solo), e, no caso das plantações com exploração comercial, aos sobrantes do corte que permanecem no terreno. Daniela Ferreira, da equipa de I&D de Investigação e Consultoria Florestal do RAIZ, explica: “Parte do carbono sequestrado vai ficar no ‘sistema’ – primeiro nas plantas, de seguida na biomassa remanescente após o corte, e depois no solo, através da decomposição destes materiais orgânicos e respetiva incorporação na matéria orgânica”. Assim, diz, “quanto melhor for a gestão florestal, nomeadamente em termos de conservação da matéria orgânica do solo, mais carbono conseguimos manter no ‘sistema solo-planta’, aumentando o seu nível no solo e, em consequência, o sequestro de carbono da atmosfera”. No caso de culturas com gestão em talhadia, como o eucalipto, em que uma única instalação do povoamento pode perdurar no terreno entre 20 e 30 anos (com rotações de 10-12 anos), a incorporação de carbono no solo é favorecida. Tal está relacionado com um intervalo mais alargado entre as práticas de preparação do terreno e mobi-

lizações de solo, ajudando a minimizar impactos ambientais relacionados com a perturbação do solo, otimizando, assim, as condições de armazenamento de carbono. Um estudo de referência realizado no sul de Portugal, em 2007, por J. S. Pereira e outros, que contabilizou os fluxos de carbono de três ecossistemas mediterrânicos – eucaliptal, pastagem e montado de sobreiro –, demonstrou a vantagem da floresta e, dentro desta, do eucalipto. O eucaliptal analisado, na Herdade de Espirra, da The Navigator Company, permitiu fixar 10 a 13 vezes

mais carbono em anos secos e quatro a seis vezes mais em anos chuvosos do que o montado e a pastagem. A ciência comprova, assim, a importância dos projetos de plantação florestal do ponto de vista de sequestro de carbono. Não só permitem a acumulação de CO2 durante o crescimento das plantas, como possibilitam o enriquecimento dos solos em matéria orgânica. Mas não acaba aqui: os produtos originários destas florestas plantadas, como o papel ou o mobiliário de madeira, por exemplo, retêm parte do carbono ao longo do seu ciclo de vida. pub.

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H HISTÓRIAS & SABERES

As memórias como catalisadoras de futuros e o futuro… hoje. FOTOS: LMFIGUEIRA

Luís Mota Figueira DIREÇÃO TÉCNICA DO MUSEU AGRÍCOLA DE RIACHOS

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papel dos Museus dedicados ao estudo e manutenção das memórias rurais, não é apenas o de serem espaços expositivos. Vivenciam interpretações no processo de desenvolvimento comunitário de base territorial. O comportamento Humano na sua relação com a Natureza suscita, em todas as geografias do mundo rural, formas inteligentes de fixação das populações. A inovação acontece entre possibilidades e limites. No Museu Agrícola de Riachos (MAR), essa lição está presente quando estudamos a antiguidade de certas práticas agrícolas. O recente projeto OPExCATer cujo apoio dos parceiros se tornou fundamental para se refletir sobre os processos de trabalho, por exemplo, na utilização do Bunho e sua relevância na história local dos municípios de Golegã e de Torres Novas mostra, com rigor, o ciclo de trabalho e o futuro deste recurso natural. Na Educação Ambiental, reativar as memórias do “Bunhal” significa seguirmos, no caso, uma lição integrada de Economia Circular. O material da esteira depois

NO AUDITÓRIO DO MAR E EM INTERVENÇÃO ASSOCIADA AO PROJETO OPEXCATER FEZ-SE A 24 DE JUNHO DE 2022, A DEMONSTRAÇÃO DE FABRICO ARTESANAL DE UMA ESTEIRA PERANTE UM PÚBLICO COMPOSTO POR DECISORES AUTÁRQUICOS, TÉCNICOS AGRÍCOLAS, PROFESSORES, ESTUDANTES, ESTUDIOSOS DA RURALIDADE E DA SUSTENTABILIDADE DOS TERRITÓRIOS E RESIDENTES NA REGIÃO.

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EM 8 DE JUNHO DE 2022 EM PARCERIA COM O ICNF, RECOLHEU-SE O BUNHO QUE, SEGUIDAMENTE FOI SECO NAS OFICINAS PEDAGÓGICAS DO MAR E PERMITIU DEMONSTRAÇÕES DE TRABALHO DA ARTE E OFÍCIO DO GADANHEIRO E DO ARTESÃO DO BUNHO NA PRODUÇÃO DE ESTEIRAS. MANUEL CARVALHO SIMÕES INSPIRA-NOS NESTA MATÉRIA.

desta cumprir a sua função, estando inutilizável, segue o seu ciclo natural de degradação. O ciclo natural é parte central da sustentabilidade. Nesta lógica, as Escolas podem reviver a tradição do mundo rural numa nova perspetiva que ultrapassa a mera defesa das tradições. Essa defesa é inquestionável, mas deverá ser sustentada por políticas públicas adequadas às práticas da sustentabilidade. O retorno à ruralidade é, já hoje, uma tendência da fixação de populações mais jovens e no retorno e também procura habitacional de populações mais velhas. O apelo do campo e a agricultura de precisão são os aliados deste duplo fenómeno cultural gerador de uma nova etnografia: a relação tradição-contemporaneidade tem futuro. Até na problemática integração dos trabalhadores sazonais vindos de diversas partes do Mundo na procura de futuro os museus têm função social integradora. Nesta visão prospetiva, os museus desempenham o papel de conservadores do acervo material (edificados e utensílios) e de catalisadores do acervo imaterial (biografias e histórias de vida das pessoas). Valorizar-se a Tradição e a Contempo-

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raneidade tem a particularidade de se contribuir para práticas intergeracionais. A figura seguinte é demonstrativa desta nossa visão e prática museológica. A técnica do MAR, Mafalda Luz, adquiriu os conhecimentos práticos com o Artesão Manuel Carvalho Simões que, aliados à investigação sobre os materiais e seus modos de utilização tradicional, agregam valor à visitação museológica e valorizam conteúdos alinhados com a gestão e estratégia da Comissão de Cogestão da Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo. Nesta divulgação que se fundamenta em trabalho científico e técnico na construção do Observatório OPExCATer, já instalado na Azinhaga, se haverá de descobrir muito do que o esforço integrado das diversas organizações permite antever. Assegurada que está a tradição das Artes e Ofícios nesta singularidade do bunho há espaço para uma visão criativa que as indústrias culturais vão fomentando para que os produtos regionais, também com design contemporâneo por companhia, sejam ainda mais valorizados num espaço alargado com marca Reserva da Biosfera, da UNESCO.


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vas á dorna oh mulheres! Era assim que, o capataz, o mulateiro (maioral das mulas), o boieiro, de cima dos carros gritava para o rancho. As mulheres tinham “ferrado” ao trabalho, não havia tempo para conversas, era ver, qual a primeira a encher o cesto, para ir levar a dorna. Para elas era orgulho ser a primeira, tinham vaidade até no fazer do cruto, para verem como ia bem cheio. A Vindima, um trabalho alegre, em que se recrutava todo o pessoal disponível na terra, recorrendo ainda a ranchos de outras zonas. Alto Alentejo, Beira Baixa, Alto Ribatejo. O movimento era imenso. Durante o trabalho cantava-se com muita alegria. Quando caladas o capataz dizia: – Então não cantam? (Enquanto cantavam não comiam uvas). Às ordens do capataz, que eram rígidas, elas cortavam lindos cachos. Do cimo do carro vinha a voz: – Uvas á dorna oh mulheres!!! Às escondidas, lá se comia um bago ou dois, para satisfazer o desejo. Quando na carreira, se apanhava uma parreira, moscatel, Fernão Pires, “passa por mim não me toques” (morangueira), que já tinham bagos a secar, era um regalo, punham uns quantos no bolso do avental, e iam comendo durante o dia, passas de uva. Chegava o patrão acompanhado pelo feitor, no seu carro de cavalos, olha no horizonte todo aquele movimento de boa colheita. O capataz abeira-se do carro de cavalos, descobre a cabeça, cumprimenta o patrão e o feitor, explicando o desenrolar do trabalho. Patrão satisfeito; estava agradado com a produção e com o grau. Todo o rancho trabalho certo, para não ficar ninguém “atrás”, era uma vergonha, e para ver o seu desembaraço.

A vindima

pires, castelão, cachos bons e bonitos. Tabuleiros cheios, mudavam de avental e lá vinham a pé, até á Vila, felizes e contentes, na esperança, de, aquando da entrega do presente, haver alguma oferta por parte de quem era presenteado. Era uma alegria para todos. Era assim a nossa Golegã. Coisas do passado.

Carlos Santana PRESIDENTE DA JUNTA DE FREGUESIA DA GOLEGÃ

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Por a sua vez o capataz em frente do patrão, para mostrar a sua autoridade, gritava: – Olhem os bagos no chão, baguinho a baguinho é que se fazer a pipa do vinho. – Alinhem o eito. Do carro de bois ou da galera, ouvia-se: – Uvas á dorna oh mulheres. A uma segunda feira, o capataz dava ordem a 4 ou 5 mulheres, que fossem apanhar uvas, para ir levar a casa dos patrões, de familiares e de algum amigo importante. Na galera ou no carro de bois, tinham vindo os tabuleiros de madeira. Elas saíam de eito, e iam apanhar, uva pendura, moscatel, branco e tinto, Fernão

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Resultados das exportações são fruto de um investimento de décadas em inovação, tecnologia e sustentabilidade

Gonçalo Santos Andrade PRESIDENTE DA PORTUGAL FRESH

No início de outubro, a Portugal Fresh esteve em Madrid a participar na Fruit Attraction e marcou presença com a maior delegação de sempre. Foram três dias de intensos contactos comerciais numa feira cheia de visitantes, muito diferente dos últimos anos pós-pandemia. As 50 empresas, associações e parceiros que participaram no stand da Portugal Fresh demonstraram bem o dinamismo dos produtores de frutas, legumes e flores e são a prova viva da inovação, boas práticas e qualidade que encontramos neste setor. AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

Pena é que esta realidade não chegue aos gabinetes do Ministério da Agricultura, na hora de desenhar um documento tão importante como o Orçamento do Estado para 2024. Há medidas positivas como a isenção do IVA na aquisição dos fatores de produção, mas a verdade é que são escassas face às necessidades. Não vimos na proposta de OE para 2024 iniciativas robustas como as que encontramos nos países que concorrem diretamente connosco. Não há diminuição da carga fiscal das empresas e dos trabalhadores. Nem investimentos nos recursos hídricos.

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Reclamamos há vários anos um maior investimento público no setor e um sinal claro de reconhecimento de que a agricultura é absolutamente estratégica para a economia do país. É urgente, de uma vez por todas, o setor agroalimentar ser valorizado pelas instâncias governativas. Só assim podemos ter a ambição de manter o crescimento. O objetivo da Portugal Fresh é atingir os 2500 milhões de euros de exportações de frutas, legumes e flores em 2030. Em 2022, as exportações portuguesas de frutas, legumes e flores ultrapassaram, pela primeira vez, a barreira


dos 2000 milhões de euros. Já este ano, entre janeiro e junho, as vendas internacionais cresceram 8,3%, atingindo um total 1.036.728.509€. Esta foi a primeira vez que, num primeiro semestre, as exportações ultrapassam a barreira dos mil milhões de euros. Reportando aos dados anuais (2022), a União Europeia é o principal mercado, recebendo 80% das exportações portuguesas. Espanha é o maior cliente de Portugal e representa 35% do total das exportações. Segue-se França (13%), os Países Baixos (10%), Alemanha (8%) e o Reino Unido (7%). Portugal exporta também para países como o Japão (49 milhões de euros em 2022, o que representa 2,4% do total), Polónia (47 milhões de euros, 2,3% do total) ou Brasil (46 milhões de euros, 2,2% do total). Os números alcançados são o resultado de mais de uma década de investimento, não só na promoção internacional, mas também em inovação, tecnologia e sustentabilidade.

INVESTIR NOS RECURSOS HÍDRICOS Contudo, atingir as metas de exportação estará ao alcance do setor de forma muito mais rápida e garantida caso haja uma verdadeira estratégia política e investimento em reformas estruturais. A maior urgência é um claro investimento nos recursos hídricos. Sem uma gestão adequada da água, dificilmente conseguimos superar metas e ganhar maior competitividade. Em primeiro lugar, é urgente haver uma modernização da área de regadio existente em Portugal para evitar perdas de águaE é urgente aumentar a área de regadio. De acordo com os números do INE e a análise efetuada pela Direção de Serviços de Estatística do GPP, a superfície irrigável onde conseguimos desenvolver uma agricultura mais competitiva e virada para o mercado global, representa apenas 16% da superfície agrícola útil. Mesmo na área de regadío é urgente a modernização e revitalização dos perímetros de rega, muitos deles com mais de 50 anos e com perdas na distribuição inadmissíveis para os dias de hoje.

Só com a devida requalificação é possível aproveitarmos o acesso aos recursos hídricos. O setor das frutas, legumes, plantas ornamentais e flores (FLF) tem um enorme potencial de crescimento mas, sem acesso a água, não conseguirá manter a competitividade. Apesar do contexto, a Portugal Fresh continua empenhada em promover a agricultura nacional e tem já em curso o seu Projeto Conjunto de Internacionalização para 2023-2025. Apoiado pelo Portugal 2030 – Programa Operacional Competitividade e Internacionalização, o projeto prevê um investimento global de 1.561.663,52€ euros, financiado em 48,8% pelo FEDER – Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional. As missões empresariais e ações de prospeção arrancam em 2024 e têm como foco os mercados dos Estados Unidos, Chile, Índia e Polónia (neste caso em 2025). A Portugal Fresh levará as empresas nacionais à Fruit Attraction (2023, já concretizado, e 2024), à Fruit Logistica (2024 e 2025) e à IPM Essen (2024 e 2025). Apostamos na consolidação dos clientes nos mercados com maior volume de vendas, em países onde o PIB per capita é mais elevado e também em cidades onde a presença da comunidade portuguesa é relevante. Além disso, o nosso foco também passa por abordar geografias com crescimento demográficoe concentração de consumidores muito atrativas quer do ponto de vista logístico, quer económico. Países como

o Luxemburgo, a Irlanda, a Suíça, o Qatar e a Noruega entram nas nossas prioridades devido ao PIB que apresentam. Já Nova Deli e Bombaim, na Índia, Tóquio, no Japão, Cidade do México, no México, e São Paulo, no Brasil, são atrativas pela demografia e logística. O objetivo é reforçar a competitividade das empresas nos mercados internacionais e promover a agricultura de precisão que os nossos associados praticam. Vamos mostrar ao mundo que este é um setor altamente tecnológico, baseado no conhecimento e na inovação, assim como no equilíbrio adequado entre a sustentabilidade ambiental, social e económica.

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A arte da sementeira Direta

Abílio Pereira LAGOALVA

No que diz respeito à produção vegetal a seca e o calor são fatores limitantes. Como resultado das alterações climáticas, situações climáticas extremas são cada vez mais frequentes, deste modo, técnicas como a sementeira direta são mais usadas. Relativamente á sementeira direta há alguns aspetos a considerar. Numa primeira abordagem a sementeira direta não é uma questão de tecnologia. O que é crucial é um solo com boa estrutura, solo equilibrado quimicamente, rotação de culturas equilibrada, boa cobertura do solo e semear na altura certa. Na Europa num passado recente a sementeira direta tem sido apresentada com o argumento de aumentar o teor de matéria orgânica do solo. Um misto de redução de trabaAGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

lho do solo e culturas de cobertura ou intercalares aumentam a percentagem de matéria orgânica no solo. Se olharmos com mais atenção pelas várias zonas do globo vamos encontrar diferentes motivações para a sementeira direta. Nas regiões secas a motivação é claramente a poupança de água, nas zonas subtropicais o solo deve estar coberto para a temperatura deste não subir em demasia prejudicando desenvolvimento das plantas. Nas zonas de elevada precipitação a cobertura do solo é muito importante para reduzir a erosão e não nos podemos esquecer das zonas de baixas produtividades onde a redução de custos é um argumento forte. Sementeira direta como método de poupança de água.

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Por causa dos extremos climáticos, cada vez mais frequentes, os agricultores em zonas de sequeiro na Europa pensam cada vez mais no tópico da sementeira direta e poupança de água. Na realidade em muitas zonas agrícolas culturas como milho, trigo, colza, girassol, que são as culturas principais podem ser facilmente feitas com recurso á sementeira direta poupando água, tendo sempre em conta a gestão adequada dos resíduos da cultura anterior. Podendo a instalação destas culturas ser feita mantendo o teor de humidade do solo.

A COBERTURA DO SOLO Assumimos que a cobertura de um solo composta por resíduos das culturas melhora a proteção do solo, reduz


a evaporação, aumenta a capacidade de retenção de água e reduz a erosão. Aqui também é importante a uniformidade de distribuição dos resíduos pelas máquinas de colheita. Isto traz vantagens para a germinação e desenvolvimento radicular. Por outro lado, um solo coberto pode demorar mais tempo a aquecer atrasando o desenvolvimento das plantas no inicio da primavera, podendo levar a atrasos no ciclo da cultura e dependendo do tipo de solo. Outra vantagem da cobertura do solo é a manutenção do teor de humidade na camada superficial do solo, criando uma espécie de microclima permitindo uma boa germinação.

CULTURAS DE COBERTURA E SEMENTEIRA DIRETA Fazer uma cultura de cobertura ou secundária é sempre melhor quando estamos em sementeira direta, é importante que as culturas secundárias não usem muitos recursos e se adaptem à nossa situação. Se não chover no período da cultura secundária não vale pena fazê-la. É importante que esta interrompa o ciclo de pragas e doenças (na agricultura convencional a lavoura faz esta função). Aqui podemos lançar mão de espécies que permitam controlar ou reduzir significativamente estes problemas e recuperar fertilidade dos solos. Outro aspeto importante deste tipo de culturas é a melhoria da estrutura do solo devido ao seu sistema radicular fazendo com que as raízes quando mortas se transformem em espaços vazios onde vai circular ar e água no solo. Como a boa estrutura do solo é fundamental para obter boas produções; então as culturas de cobertura poderão ser um bom contributo para boas produções.

mitam ao agricultor fazer face a situações cada vez mais exigentes do ponto de vista da instalação de culturas em SD com rapidez e qualidade da operação, tanto em entre linhas largas ou estreitas. Se nos focarmos no caso de entrelinhas estreitas, para culturas como trigo, cevada, colza, culturas de cobertura de diversas espécies e outras, o modelo AVATAR da Horsch tem algumas características como sejam um sistema de dosagem de semente que permite aplicar quantidades a partir de 1Kg/ha. Aplicar vários produtos (até 3) em simultâneo com tremonhas pressurizadas garantindo as quantidades definidas. Hoje estes semeadores têm todos sistemas que permitem aplicar doses variáveis, controlo de secção uso de mapas de prescrição, etc. Os corpos de sementeira têm regulação de pressão ao solo que pode chegar a 350kg a partir da cabine do trator ou automaticamente em função

do tipo de solo, garantindo uma profundidade de sementeira uniforme. Os corpos de sementeira podem seletivamente distribuir sementes de espécies diferentes e ajustar diferentes profundidades de sementeira adequada a cada uma. Estes corpos de disco simples e roda reguladora de profundidade permitem abrir um rego mínimo para colocação da semente mantendo a superfície do solo intacta. O transporte da semente e adubo é feita pneumaticamente desde a tremonha até ao solo. Desde este outono que a Lagoalva colocou em Portugal o primeiro semeador HORSCH AVATAR 6 SD a trabalhar em condições de solo difíceis com muito bons resultados, que pensamos permitam credibilizar o sistema de sementeira direta para culturas de inverno, uma vez que os modelos MAESTRO para culturas de primavera já funcionam em Portugal há alguns anos com ótimos resultados.

EQUIPAMENTOS Falando um pouco de equipamentos para sementeira direta, nos últimos anos, a tecnologia tem trazido melhoramentos significativos relativamente à precisão e uniformidade de colocação das sementes no solo lidando com quantidades grandes de resíduos à superfície. Assim há algum tempo a Horsch tem trabalhado intensamente na procura de ferramentas que perAGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

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O Macroscópico papel dos Microrganismos

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André Marçal

João Pessoa

TIMAC AGRO

TIMAC AGRO

“Os agricultores são muito bons a compreender aquilo que conseguem ver. Para aquilo que não conseguem, geralmente precisam de um agrónomo.” Esta frase, citada inúmeras vezes pelo professor do ISA, António Mexia, representa bem a importância da ciência na evolução da agricultura. Durante centenas de anos o limite daquilo que compreendíamos estava cingido ao que o olho humano era capaz de observar. Hoje sabemos que os microrganismos têm um papel macroscópico na agricultura, desempenhando importantes papéis para o desenvolvimento das plantas. Os microrganismos benéficos para as plantas são muitos. Hoje destacamos o papel das micorrizas arbusculares, das bactérias promotoras do crescimento das plantas (PGPR) e das tricodermas. As micorrizas são fungos que se fixam nas raízes permitindo às plantas explorarem maior volume de solo, melhorando a absorção de água e nutrientes. Apesar destes importantes benefícios os resultados obtidos em campo após aplicação de micorrizas são incertos, muitas vezes nem se vêm benefícios da sua aplicação. Na fase inicial de instalação das micorrizas, estas ainda não acrescentam benefícios consideráveis às plantas (ainda cresceram pouco) e necessitam dos carbohidratos que a planta fornece para sobreviverem. É uma fase em que têm um comportamento “parasita”, uma vez que o saldo de ganhos vs custos é negativo. Como tal, o sucesso da instalação das micorrizas está diretamente relacionado com a sua capacidade de colonização rápida para trazerem benefícios para as culturas agrícolas.

Um outro grupo de microrganismos que pode ajudar os agricultores a aumentarem a eficiência do uso dos recursos são as bactérias promotoras do crescimento das plantas (PGPB). É muito frequente nos solos cultivados haver uma quantidade elevada de nutrientes, mas apenas uma parte apresentar-se numa forma solúvel e disponível. Isto resulta em aplicações excessivas de minerais, tornando o sistema agrícola pouco eficiente. As PGPB têm a capacidade de solubilizar vários minerais que se encontram no solo, estimular a absorção e transporte dos mesmos e promover a resiliência das plantas a situações ambientais adversas. As doenças do solo são também uma problemática que causa grandes prejuízos. Estas costumam atacar as plantas numa fase inicial e contribuem também para a ineficiência do sistema pelo não aproveitamento de água e adubos que são aplicados e deixam de ser absorvidos nos locais onde houve perda de plantas. Um grupo de microrganismos que se tem evidenciado no controlo das doenças do solo são os fungos do género Trichoderma. São fungos que competem com os patógenos e os parasitam. Uma das chaves para o sucesso da aplicação destas Trichodermas é a sua instalação, que deve ser o mais rápida possível, porque é na fase inicial que a planta mais precisa da sua “ajuda”. A TIMAC AGRO identificou as soluções na natureza e lançou a nova gama de soluções biológicas para ajudar os agricultores a beneficiar ao máximo destes microrganismos, adicionando-lhes a nossa

AGROTEJO união agrícola do norte do vale do tejo

n.º 33 | 2023

tecnologia para maximizar a eficiência e produtividade dos sistemas agrícolas. O EMEORO MIX é o produto que fornece a combinação de micorrizas com bactérias e leveduras que vão “ajudar” a planta na fase inicial de instalação das micorrizas e ainda o complexo QAP que promove a comunicação entre as micorrizas e as plantas.

O PROBITAL é a gama de produtos compostos por bactérias selecionadas para melhorar a disponibilidade dos nutrientes chave para cada fase do ciclo das culturas, desde a instalação até à colheita e ainda uma formulação para aumentar a tolerância aos stresses abióticos. Todas estas formulações de bactérias têm também micorrizas.

O TUSAL é um fungicida biológico para controlar doenças do solo à base de duas Trichodermas selecionadas pela sua rapidez de instalação e rusticidade. O RHIZORG é um potenciador orgânico com forte efeito prebiótico. A TIMAC AGRO com as novas soluções garante assim a potenciação de microrganismos com uma MACROimportância na produtividade e sustentabilidade da agricultura!


Quinta da Valada, Riachos N243, 1364 2350-292 Riachos, Torres Novas M: +351 961 126 431 www.facebook.com/SolarDaValada

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Deixe-se surpreender pelas nossas excelentes especialidades gastronómicas baseadas na cozinha tradicional portuguesa e popular que lhe proporciona o prazer de um sabor único muito particular e com grande sabor. Com uma carta gastronómica rica, uma garrafeira diversificada. o espaço tem um ambiente típico e a nossa simpatia vai surpreende-lo. Para que possa experimentar um dos nossos pratos, proporcionamos-lhe esta receita para que possa experimentar e degustar. Servir os nossos clientes é a nossa paixão.

LASCAS DE BACALHAU CONFITADO COM ARROZ DE FARINHEIRA, COUVE E FEIJÃO 4 PESSOAS 1 lombo de bacalhau 180g de arroz Carolino 1 farinheira ribatejana 70g de couve lombarda 10g de feijão manteiga 3 dentes de alho 1 cebola 1 folha de Louro

Colocar o lombo de bacalhau num tacho pequeno. Cobrir com o azeite. Levar ao lume baixo e destapado. Deixar cozer a baixa temperatura, aproximadamente 20 minutos. Escorrer o bacalhau, lascar e reservar. Depois de bem lavadas e arranjadas, cozer a couve em água a ferver e temperada de sal. Num tácho colocar o azeite a aquecer com os dentes de alho e a cebola e deixar dourar, meter o arroz, a farinheira esmigalhada e água. Temperar de sal e pimenta. Quando o arroz estiver quase cozido adicionar a couve e o feijão previamente cozido.

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