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Revista AGORA #011 - Maio - 2026

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ESG E SUSTENTABILIDADE

1. Laura Aguiar
Estevan Sartoreli
Andrea Matsui
Luis Meyer 5. Fernanda Ferreira 6. Gustavo Loiola
7. Alexandre Amorim

AGORA revista

A maior mídia do Brasil sobre Empreendedorismo

Social, Responsabilidade

Social, ESG, Sustentabilidade, Economia de Impacto, Investimento Social e Filantropia.

Distribuída gratuitamente em mais de 1000 cidades brasileiras. Assine agora!

Patrocínio Revista AGORA:

Qual é o seu grande propósito?

Querida leitora, querido leitor,

Quero começar esta conversa com perguntas que, em algum momento da vida pessoal ou profissional, provavelmente já passaram pela sua cabeça:

Qual é a minha vocação? Onde posso gerar transformação real? O que estou construindo hoje contribui, de fato, para um mundo melhor?

Perguntas como essas costumam ganhar ainda mais força em momentos de transição, e é sobre isso que trata esta edição da AGORA.

Ao longo das próximas páginas, você encontrará reflexões importantes sobre o novo momento do ESG e da sustentabilidade. Um contexto que mostra a todos nós que impacto positivo continua sendo essencial, mas que, cada vez mais, precisa estar conectado a estratégia, foco e geração de valor.

Essa discussão não diz respeito apenas às grandes empresas. Ela também se relaciona e provoca quem está à frente de organizações sociais e negócios de impacto, ou seja, iniciativas que trabalham por transformações socioambientais.

Porque propósito, sozinho, inspira — mas propósito com direção transforma.

Na Ago Social, acreditamos profundamente nisso. Há quase cinco anos, temos trabalhado ao lado de parceiros corporativos, empreendedores sociais e instituições de impacto para fortalecer projetos que combinam intenção e ação, propósito e estrutura, impacto e sustentabilidade.

Talvez esta edição ajude você não necessariamente a encontrar respostas definitivas, mas a fazer perguntas ainda melhores.

Perguntas certas em momentos desafiadores levam a respostas que fortalecem propósitos.

Onde está a minha vocação neste novo contexto? Como posso ampliar meu impacto com mais foco, colaboração e consistência?

Essas perguntas permeiam a história da Ago Social. E em agosto, quando celebramos cinco anos de trajetória, vamos trazer novidades especiais para compartilhar — novidades que convergem para o nosso propósito e de tantos outros agentes de transformação, como você.

Até lá, desejo que esta leitura inspire movimento.

E que você nunca se esqueça: o seu propósito e a sua causa são maiores que qualquer dificuldade ou timidez que você possa ter.

Forte abraço e até a nossa próxima edição!

Juntos estamos construindo um mundo bem melhor.

Publisher Cofundador Ago Social a.barbosa@agosocial.com.br

Foto: Gus Benke

SEm mares agitados, novas rotas

empre que o mar fica agitado, a primeira reação de muita gente é tentar voltar para o porto. Ao mesmo tempo, como diz o ditado, “mar calmo nunca fez bom marinheiro”.

Esta edição da AGORA nasce justamente desse entendimento: momentos de instabilidade também são momentos de fortalecimento. Mais do que em qualquer outro momento, queremos estimular a formação de “marinheiros” mais preparados para navegar um cenário que tem provocado oscilações em diferentes setores — inclusive no campo do impacto socioambiental.

A edição 11 fala sobre um momento de transição que o nosso setor está vivendo, impulsionado por mudanças na disposição, nas prioridades e no foco de doadores, investidores e parceiros.

Não é a primeira virada de chave que acompanhamos — e certamente não será a última. Mas esta tem um significado especial para nós, da Ago, porque contamos com este canal para ouvir diferentes perspectivas, conectar visões e sugerir caminhos para que o impacto positivo continue relevante, consistente e sustentável.

Na matéria principal, a palavra central é integração. Mas o que mais me chamou atenção durante a construção desta edição é perceber que essa ideia ultrapassa a matéria de capa.

Ela aparece em diferentes entrevistas, artigos e histórias, mesmo quando os contextos são distintos. Empresas, organizações sociais, empreendedores e especialistas parecem convergir em uma mesma direção: a de que o impacto, hoje, precisa estar mais

Expediente

REVISTA AGORA ED. 11, Abr - Jun 2026.

Veículo de comunicação produzido e editado pela Ago Social.

Fundadores: Alex Barbosa a.barbosa@agosocial.com.br

Alexandre Amorim a.amorim@agosocial.com.br

conectado à estratégia, ao território e à geração de valor.

E essa percepção leva a outra conclusão importante: em tempos de incerteza, a inovação também se torna palavra-chave.

Desafios raramente são confortáveis. Mas são justamente eles que nos obrigam a repensar caminhos, testar alternativas e construir soluções antes invisíveis. É nesse espaço — entre a necessidade de adaptação e a disposição para experimentar — que a inovação ganha força.

Por isso, esta edição percorre temas essenciais para quem deseja navegar esse novo contexto com mais segurança e recursos: gestão e governança para organizações da sociedade civil, desenvolvimento institucional, empreendedorismo, ecossistemas territoriais de impacto e histórias reais de quem tem encontrado formas consistentes de transformar desafios em oportunidade.

O convite é à reflexão.

Que mensagem cada experiência aqui compartilhada traz para o seu contexto? Que ajustes, aprendizados ou novas práticas podem fortalecer a sua atuação?

A integração de novas práticas e estratégias pode abrir espaço para uma inovação capaz de superar as dificuldades e fortalecer o futuro.

Por isso, desejo que esta leitura inspire rotas renovadas para soluções e transformações!

Editora-chefe Ago Social

Coordenação e projeto editorial:

Editora-chefe: Fabíola Melo

Redação e revisão: Fabíola Melo e Time Ago

Jornalista responsável: Alexandre Barbosa DRT 5121/PR

Projeto gráfico, diagramação e capa: @gianapundek

Marketing/anúncios: Alex Barbosa - a.barbosa@agosocial.com.br

Impressão: Maxi Gráfica

Fale com a Redação: f.melo@agosocial.com.br

As opiniões emitidas nesta publicação são de responsabilidade dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião da Ago Social. Proibida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia.

16 • Por que uma nova era?

Impacto positivo integrado ao negócio não é um conceito novo, mas algo mudou

18 • Os contextos que impulsionam mudanças

19 • Entre legitimidade e resultado: o novo equilíbrio do ESG

20 • Quando a fortaleza do negócio se transforma em impacto

21 • Geração de valor: o novo centro da sustentabilidade

22 • Impacto como modelo de negócio, não como agenda

23 • Impacto que se sustenta: quando o social encontra o negócio

24 • Reinventar-se sem perder a essência: o novo desafio das organizações locais

25 • O impacto que permanece: lições sobre o amadurecimento do ESG e da sustentabilidade

PAPO DE IMPACTO 06 • Entrevista com Lina Pimentel, da Fundação FEAC

O terceiro setor em transformação: dados, território e autonomia

NESTA EDIÇÃO

Os leitores da AGORA pelo Brasil

• Ecossistema em movimento

Como nasce e se sustenta um ecossistema

• Gestão do terceiro setor

Reforma tributária: principais impacto para as OSCs

26 • O mapa do impacto

Alunos da Ago em todas as regiões do Brasil

32 • Parceiros

Instituto ACP: Quando a causa pede casa

• Governança para o terceiro setor

Uma agenda urgente para proteger o terceiro setor

• Causas e propósitos

Quando a solidariedade ganha asas e transforma logística em vida

• Empreendedorismo

Empreendedorismo feminino transforma renda, comunidades e perspectivas de futuro

• Sustentabilidade

Descarbonizando no dia a dia

Vozes do empreendedorismo social

CENPRHE e GoodTruck: as histórias de seus empreendedores

notícias:

Pesquisa mostra os desafios e potências do ecossistema de impacto social do Centro-oeste brasileiro

• Painel Ago

Notícias do ecossistema da Ago

• Eventos do setor

FIFE 2026: tendências e conteúdo para o futuro do terceiro setor 50 • Agenda do setor

Os próximos eventos do ecossistema de impacto

AO terceiro setor em transformação: dados, território e autonomia

DA FUNDAÇÃO FEAC, MOSTRA QUE FORTALECER É MUITO MAIS DO QUE AMPARAR

Dados, território e pensamento sistêmico: o novo centro do investimento social.

experiência com o voluntariado na juventude levou Lina Pimentel à convicção de que o contato real com a vulnerabilidade transforma qualquer pessoa. Após construir sua trajetória transitando entre diferentes setores, hoje está à frente da superintendência socioeducativa da Fundação FEAC (uma das mais tradicionais fundações filantrópicas do país, com 62 anos de história e mais de 100 organizações parceiras). Na instituição, Lina lidera uma transição relevante: de um modelo assistencialista para uma atuação orientada por território, dados e fortalecimento institucional. Esse é um dos temas desta conversa com a AGORA.

Como você vê a evolução do terceiro setor até aqui? Onde ainda sente que o ponteiro não se moveu?

O processo de profissionalização do setor é todo muito recente. Durante muito tempo, havia uma dicotomia clara: de um lado, o terceiro setor formado por cientistas sociais, pedagogos e psicólogos, onde não se podia "fazer dinheiro".

Do outro, o segundo setor, cujo objetivo era o lucro, sem exercer responsabilidade social além de algum assistencialismo. O que vejo hoje é que as coisas estão se misturando — de forma muito positiva. Os conceitos da gestão empresarial entraram no terceiro setor, e o olhar social entrou nas empresas. O grande avanço é essa permeabilidade. O que ainda falta é velocidade e dados, além de ampliar a capacidade de mostrar o que faz.

A Fundação FEAC passou por uma transformação importante nos últimos anos: de um modelo mais assistencialista para um foco em fortalecimento e emancipação das organizações. O que mudou?

Na FEAC, a assistência social é estrutural. O que mudou foi a nossa característica assistencialista — esse olhar de que basta apoiar financeiramente e tecnicamente e esperar que as organizações se desenvolvam sozinhas. Nosso aprendizado é de que isso não basta. Mais importante do que dar o apoio é ajudar no impulsionamento e na emancipação dessas organizações. Hoje, com mais de 100 parceiras em relação direta, raramente pensamos somente no investimento pontual de um projeto. A pergunta que orienta tudo é: o que esta organização vai se tornar? Ela vai se converter em política pública? Vai

LINA PIMENTEL

diversificar suas fontes de captação e ganhar independência? Vai se transformar em um negócio de impacto? O apoio financeiro continua — mas nunca dissociado da emancipação. Esse é o nosso maior aprendizado.

A FEAC desenvolveu um olhar territorial muito específico. Como isso funciona na prática? O primeiro passo foi entender que não basta enxergar as organizações: é preciso enxergar o território. Isso levou ao que chamamos de inteligência territorial — distribuir ações com base em dados, não em impressões. Assim, veio a descoberta mais triste e mais importante: ao cruzar os dados de vulnerabilidade social tradicional com vulnerabilidade climática (áreas de enchente, falta de drenagem, excesso de temperatura, ausência de saneamento), elas coincidem. Em Campinas, os territórios mais suscetíveis ao clima são os mesmos onde há maior falta de acesso a direitos. Significa que uma criança que vive numa área de risco de deslizamento não precisa só de apoio na escola — precisa de um olhar sobre a moradia, a regularização fundiária, o risco físico ao qual está exposta. O ambiental, portanto, passa a ser parte indissociável do social.

A inteligência de dados aparece como uma de suas principais prioridades. Por que isso ainda é um desafio tão grande no terceiro setor?

Porque historicamente o setor não foi construído assim. O segundo setor tem dados organizados há décadas. No terceiro setor, que inclui o social e o ambiental, não. E sem dados, você não consegue comparar o hoje com o amanhã, não consegue mostrar que as pessoas estão melhorando de vida, não consegue atrair o investimento que olha para a confiabilidade. O Observatório do Clima é um exemplo poderoso: começou como uma organização do terceiro setor que resolveu organizar dados sobre gases de efeito estufa — e hoje é referência da política pública nacional e base para investimento climático internacional. É o dado que viabiliza o investimento. A gente quer fazer isso no campo social para que decisões estratégicas sejam tomadas com base em evidências.

experiência trouxe de novo para olhar sobre o terceiro setor brasileiro?

A Schumacher nasce da junção de um alemão com um indiano, há mais de 40 anos, no sul da Inglaterra — é uma combinação muito peculiar. O que ela propõe é o pensamento integralista: a ideia de que nós somos a natureza e o homem não está separado do ambiente. Parece óbvio quando falado assim, mas na prática o nosso pensamento — nos negócios, nas políticas, nas tomadas de decisão — é altamente fragmentado, e isso atrapalha tudo. Quando você pensa em um problema social, precisa pensar no sistema — não no sintoma. Outro ensinamento que ficou foi o valor da convivência familiar e comunitária. É isso que a gente está tentando replicar aqui, com comitês comunitários e fóruns de articulação nos territórios para emancipar a voz de quem vive lá.

Ao olhar os dados, o ambiental deixa de ser um tema separado e passa a ser indissociável do social.

Na sua opinião, qual é o primeiro passo que as lideranças de organizações sociais em fase de crescimento ou buscando novos parceiros precisam dar?

O planejamento estratégico. No fundo, é uma pergunta simples: quem sou eu e para que vim? Uma organização precisa definir isso antes de qualquer outra coisa, porque quando você não sabe quem é, você não sabe o que precisa. E então todo recurso que chega vai direto para a causa — o que é lindo, mas não garante a sobrevivência da organização que sustenta essa causa. Superado esse ponto, vem a avaliação da sustentabilidade financeira: de onde virá o recurso? Cada caminho tem suas implicações. O que eu diria é: não espere ter tudo resolvido para começar. Mas saiba o que você é — porque essa clareza permitirá dizer sim para o parceiro certo e não para o errado.

Conheça a Fundação FEAC:

Você fez uma formação no Schumacher College, na Europa, em design ecológico. O que essa

A CADA EDIÇÃO A AGORA ABRAÇA MAIS O BRASIL! pelo Brasil

São João de Meriti - RJ

Jorge Costa

ASSOCIAÇÃO COZINHA GUARANY

Rio de janeiro - RJ

Gedilsa Ferreira, Tia Dilza

PROJETO SOCIAL LUZ E PAZ

Ipatinga - MG

Patricia Barbosa

CONSULTORA PARA ONGS

O que mais gosto na revista é a linguagem atual e de fácil compreensão de temas complexos, sempre oferecendo uma estratégia de atuação.

Nova Santa Rita - RS

Silmar Antonio Lima

PREF. DE NOVA SANTA RITA

Itapecerica da Serra - SP

Eliane Soares Gerczewski

ABCA HORAS ALEGRES

Tenório - PB Maria das Dores

PROJETO BONECA DE PANO

Joinville - SC

Guilherme Zimmermann

ORGANA BIOTECH

São Paulo - SP

Valdinei Garcia ENSINAPREV

São Paulo - SP

José Leite Coura

Essa revista é minha aposta em construir um futuro melhor para minha neta, ela vai ficar com a coleção como herança.

Jacareí - SP

José Carlos Gonçalves Pereira

AOTSB E INSTITUTO NOVOS SABORES

Gosto de tudo, principalmente das matérias sobre fontes de captação, IA, ESG e desenvolvimento institucional.

Guarulhos/ SP

Maria Santiellas Costa Rodrigues

INSTITUTOS SEMEAR, PORTO E ARVOREDO

Salvador - Bahia

Michele do Espírito Santo de Jesus

ASSOCIAÇÃO AMOR AO PRÓXIMO

Adoro receber a revista, sempre tem muita coisa interessante , é um norte muito grande.

Barueri - SP

“Markinhos” Virginio Santos

PROJETO BEM PARA TODOS

Somos todos os dias bombardeados por notícias negativas. Ter uma revista que tenha uma linguagem do bem é o que o mundo precisa.

Gosto muito do formato da revista pois abrange vários assuntos com diversos olhares trazendo as pessoas como protagonistas dos projetos, além de abordar claro temas relevantes.

Ananindeua - PA

Mônica Moura

AMA - ASS. DE MULHERES NA AMAZÔNIA

Alcantil - PB

Erasmo Rafael da Costa

CENTRO CULTURAL MENINOS DE ALCANTIL

Peixe - TO

João Eduardo Costa

IPDT - INSTITUTO PEIXENSE DE DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO

O que mais gosto são as histórias inspiradoras de projetos atuais.

Bauru - SP

José Augusto Magalhães

IASCJUNISAGRADO

Suzano - SP

Antonio Carlos de Moraes Junior

ABUSMELAR - ASS. BENEFIC. BUSCANDO MEU LAR

Vitória da Conquista - BA

Aline Mendes Vieira

INSTITUTO BEMMAKER

Itanhaem - SP

Ketilly Teles Valentim Jung

INSTITUTO CULTURAL JUNG

A revista mostra que desenvolvimento também pode caminhar junto com responsabilidade social.

Barra do Piraí - RJ

Matheus Alvarenga Oliveira

INSTITUTO DE FORMAÇÃO PARA O FUTURO

Fortaleza - CE

Gisele Alves do Nascimento

CENTRO DE ATIVIDADE PADRE VENÂNCIO

Cachoeiro de Itapemirim - ES

Ana Saltori

GAPCCI- GRUPO DE APOIO AOS PORTADORES DE CÂNCER DE CACHOEIRA DE ITAPEMIRIM

Catalão - GO Tamires de Lima Souza

Vila Velha - ES

Sebastião da Silva Rodrigues

ASS. DOS AMIGOS DO MUSEU VIVO

DA BARRA DO JUCU

Campinas - SP

Jussara Siqueroli

SERVIÇO SOCIAL DA PARÓQUIA SÃO PAULO APÓSTOLO

NEUROPSICOPEDAGOGA E PROFESSORA

Porto Alegre - RS

Patty Possuelo

BOTECO VERDE

Brasilia - DF

Luciano Fabio de Brito

G.R.E.S.IMPERATRIZ DA ESTRUTURAL

As matérias nos mantém informados sobre as realidades do terceiro setor.

São Paulo - SP

Susi Barboza

COAC - ASSOCIAÇÃO CULTURAL GRUPO CONSCIÊNCIA E AÇÃO

Gosto muito da maneira extremamente didática com que são abordados os assuntos, sempre com fundamentos e temas relevantes para o momento atual.

O que eu mais gosto de ler na revista são as histórias de negócios de impacto que nascem dentro das comunidades.

Campinas - SP

Raquel de Castro

Duarte Martins

SPES - SERVIÇO SOCIAL

DA PARÓQUIA S. PAULO APÓSTOLO

A explicação da capa nos atualiza e traz informações completas sobre assuntos que precisam ser debatidos. A revista traz pesquisas úteis que sempre utilizo em sala de aula.

Brasília – DF Andreza

Camboim INSTITUTO SABIN

Thalita Andrade Recife - PE

ESCOLA

PERNAMBUCANA DE CIRCO

Jacareí - SP

Sérgio Tadeu Fideles Rosa

ASSOCIAÇÃO ORGANIZADA DO TERCEIRO SETOR DO BRASIL

As edições da revista são um presente para o terceiro setor.

Belém - PA

Mario Moraes

Campinas - SP

Susy Mary Vieira Ferraz

CENTRO DE REFERÊNCIA PAICA

Umuarama - PR Silvia Ribeiro Martins

ASS. ASSISTENCIAL E PROMOCIONAL CASA DA PAZ

Chermont Filho

INSTITUTO SABER

Brasília - DF CARLA SANTOS INST. DE ARTESANATO E EMPREENDEDORISMO DO DF

Salvador - BA

Laerson Morais Silva Lopes

Manaus - AM Jander

AIHHUAM - ASS.

INTERC. DE HIP HOP URBANOS DA AMAZÔNIA

Mulungu - CE

Paulo Robério Linhares

INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO SOCIOAMBIENTAL SUSTENTÁVEL YBIRÁ

FEIRA AGROECOLÓGICA DA UFBA

É muito interessante e motivador conhecer outras experiências de impacto e transformação social, que nos ensinam e inspiram.

São Paulo - SP

Andréa Cristina

Soares da Silva

FUNDAÇÃO PORTA ABERTA

Manauara

ADesafios e potências do coração do país: um raio-x do impacto no Centro-Oeste brasileiro

INSTITUTO SABIN E AGO SOCIAL REVELAM DIAGNÓSTICO

INÉDITO PARA PAUTAR O FORTALECIMENTO DE ECOSSISTEMAS LOCAIS

agenda de impacto social no Brasil cresceu de forma significativa nas últimas décadas. Novas organizações, negócios de impacto e iniciativas colaborativas ajudaram a consolidar um campo em constante estruturação. Esse avanço, no entanto, não ocorreu de forma homogênea no país. Embora existam, em diferentes regiões, lideranças e iniciativas que atuam de maneira relevante na transformação social e ambiental, grande parte das conexões, investimentos e espaços de articulação do setor ainda permanece concentrada em alguns polos regionais.

Nesse cenário, a descentralização se torna um fator-chave para ampliar o alcance das soluções existentes e dar mais força a organizações que já enfrentam, no cotidiano, os desafios de seus territórios.

A partir dessa perspectiva, ampliar a presença da agenda de impacto em diferentes regiões também se apresenta como um caminho importante para expandir conexões, visibilidade e oportunidades de colaboração no país. Com essa convicção, o Instituto Sabin, braço social do Grupo Sabin, iniciou um movimento em três cidades do Centro-Oeste brasileiro. Cuiabá (MT), Campo Grande (MS) e Anápolis (GO) foram foco de uma ampla pesquisa alinhada a um dos três eixos estratégicos que formam a base da atuação do Instituto: fortalecer ecossistemas e organizações de impacto.

Fortalecimento por meio da colaboração

O projeto, que contempla um profundo retrato regional, tem o propósito de contribuir para a construção de estruturas colaborativas e comunidades de impacto, em que organizações sociais, negócios de impacto, universidades, poder público e investidores trabalhem juntos para enfrentar os desafios estruturais de seus territórios.

O caminho está sendo construído em etapas, e 2025 marcou o início dessa jornada. No mês de setembro, o

Instituto Sabin, em parceria com a Ago Social, iniciou uma busca aprofundada por atores do setor de impacto positivo nas três cidades, com o objetivo de identificar lacunas e oportunidades ainda não exploradas para a promoção de transformações sociais.

A conclusão desse mapeamento, no início de 2026, representa a primeira fase de uma visão mais ampla de fortalecimento dos ecossistemas locais, que deverá orientar iniciativas futuras de articulação e colaboração entre os atores da região. “Mais programas não resolvem ecossistemas fragmentados. A transformação vem de outra lógica: conectar melhor o que já existe e criar rotinas de colaboração onde hoje há iniciativas isoladas”, resume Gabriel Cardoso, gerente-executivo do Instituto Sabin.

Gabriel Cardoso e time Ago na sede do Instituto Sabin, em Brasília (DF)

Ouvindo as vozes da realidade

Ao todo, foram 217 atores mapeados e 42 entrevistas realizadas em profundidade com organizações sociais, negócios de impacto e dinamizadores do ecossistema, permitindo uma leitura mais detalhada das dinâmicas locais e das relações existentes entre os diferentes atores.

Os dados revelaram territórios potentes e complementares, cada um com tendências bem definidas:

• Cuiabá se destaca pela conexão com agendas socioambientais e pela proximidade com o Pantanal;

• Campo Grande apresenta forte atuação em inclusão produtiva e conexão com cadeias de bioeconomia;

• Anápolis concentra potencialidades industriais e logísticas, somadas a uma infraestrutura relevante de inovação e empreendedorismo.

Transformando iniciativas em rede

A conclusão do estudo aponta que o maior potencial de transformação está na capacidade de ativar pontes entre diferentes camadas do ecossistema (social, ambiental, inovação e setor privado), criando rotinas de colaboração mais estruturadas.

Isso inclui ampliar a circulação de oportunidades e criar mecanismos simples de governança e articulação que permitam transformar iniciativas isoladas em agendas colaborativas de impacto.

Ampliar a agenda de impacto em diferentes regiões também é caminho para expandir conexões, visibilidade e oportunidades de colaboração.

A metodologia da pesquisa reservou espaço especial para um fator determinante: a escuta ativa. Conversas estruturadas mostraram como cada ecossistema local funciona na prática atualmente, quem ocupa posições-chaves, quais são as dificuldades e onde estão as alavancas de transformação. Lideranças de organizações sociais, empreendedores de impacto, gestores públicos, universidades, investidores e cooperativas foram ouvidos nas entrevistas.

Apesar dos desafios, a pesquisa também identificou que os territórios apresentam vocações claras e oportunidades promissoras de colaboração, sobretudo em agendas que conectam suas causas de atuação.

Padrões revelados na pesquisa:

Mais do que criar novos programas, a pesquisa indica que o caminho mais promissor está em conectar melhor o que já existe, ampliando o alcance e a capacidade de cooperação entre os atores locais.

Uma agenda para o futuro

A sistematização dessa primeira etapa oferece agora um panorama detalhado dos atores, das dinâmicas e das oportunidades existentes nos territórios pesquisados.

Mas seu valor vai além de trazer maior protagonismo e visibilidade para o Centro-Oeste: a pesquisa se torna uma poderosa ferramenta para a identificação de contextos e oportunidades que contribuam para a descentralização da agenda de impacto no Brasil.

Para compor esse movimento na região, fica o convite para que organizações, negócios de impacto, universidades, empresas e lideranças se somem a essa construção.

Existe uma base significativa de iniciativas de impacto na região, formando um conjunto diverso de atores que já atuam em temas como saúde, educação, inclusão produtiva, inovação e agendas socioambientais.

O principal desafio identificado se refere à fragmentação do ecossistema. Muitas organizações atuam de forma isolada, com poucas pontes estruturadas entre diferentes áreas e setores.

Grande parte das conexões existentes ainda ocorre de forma vertical, principalmente entre organizações e instituições financiadoras ou programas institucionais. Já a colaboração horizontal entre iniciativas locais, especialmente entre organizações que atuam em áreas semelhantes, ainda aparece de forma limitada.

Gargalos recorrentes nas organizações, especialmente relacionados à sustentabilidade financeira, gestão institucional, mensuração de impacto e acesso a mercado.

Conheça a

pesquisa:

Como nasce e se sustenta um ecossistema

uivo pess o a l

UConstruir ou fazer parte de uma comunidade é a chave para promover mudanças de forma coletiva e sistêmica.

A CONSTRUÇÃO QUE ESTÁ ACONTECENDO EM MINAS

GERAIS

TRADUZ A IMPORTÂNCIA DAS COMUNIDADES

PARA TERRITÓRIOS MAIS SUSTENTÁVEIS

m ecossistema nasce ou simplesmente existe? Em sua concepção biológica, um ecossistema é o conjunto de seres vivos e elementos não vivos que interagem entre si, formando um sistema dinâmico de interdependência. No universo dos negócios e da inovação, o termo passou a ser utilizado para descrever a interação entre diferentes atores que atuam em um mesmo território ou temática. Nesses casos, o conceito aplica-se a áreas como empreendedorismo, inovação e impacto, podendo envolver grandes movimentos ou pequenos grupos organizados em prol de um objetivo e temática comuns.

O que forma um ecossistema?

• Poder público

• Empresas

• Sociedade civil e terceiro setor

• Universidades e centros de pesquisa

• Investidores

• Comunidades

A comunidade ocupa um papel central nesse processo. Se o ecossistema é o corpo (estrutura que reúne diferentes atores), a comunidade é a alma (o que dá vida a essas conexões). No primeiro, temos a estrutura física, o ambien-

te material. No segundo,o que dá vida a esse ambiente são as pessoas e suas relações, onde surgem movimento, engajamento e colaboração. Assim como nas relações simbióticas naturais, um depende do outro para se sustentar. Partindo dessa premissa, podemos dizer que o ecossistema está posto, enquanto a comunidade precisa ser formada.

O primeiro passo para promover desenvolvimento territorial de impacto, então, é mapear atores, compreender as relações existentes e identificar as iniciativas de cada um. Com esse diagnóstico, é possível traçar conexões, apontar lacunas e trabalhar para criar pontes que facilitem a integração do ecossistema.

Na prática, o que cada um pode fazer pelo seu território?

Construir ou fazer parte de uma comunidade é a chave para promover mudanças de forma coletiva e sistêmica. Já se sabe que impacto não se faz sozinho. A demanda atual é por soluções elaboradas para problemas complexos. Para isso, são necessárias conexões reais.

A sociedade civil organizada é capaz de se juntar em prol de um objetivo comum e colaborar para um mesmo propósito de forma mais engajada do que qualquer outro organismo.

Diferentemente de um grupo ocasional de pessoas, o que caracteriza uma comunidade é o nível de pertencimento e as interações periódicas entre os membros, os quais compartilham interesses e valores. Eles se apoiam mutuamente ao longo do tempo, criando um espaço de fortalecimento contínuo.

Os valores compartilhados entre os membros são cruciais para consolidar comunidades.

Não raramente, uma pessoa com esse desejo por promover mudanças vai se sentir apenas mais uma no meio da multidão. Uma abordagem útil é:

• Encontrar pelo menos uma pessoa com interesses semelhantes.

• Trabalhar coletivamente por um propósito comum.

• Mapear e conectar-se com o ecossistema local.

• Engajar outros membros.

• Criar rituais de encontros periódicos.

• Estabelecer acordos coletivos.

• Pensar em uma “porta de entrada” da comunidade.

• Comprometer-se a fomentar o ecossistema.

Com esses passos, uma comunidade começa a se estruturar. O movimento seguinte é o cuidado com ela – é fundamental para que continue a crescer e se manter relevante.

Um caso real

Um exemplo dessa construção acontece em Minas Gerais. No final de 2025, surge no triângulo mineiro a Udimpacta - a Comunidade de Negócios e Iniciativas de Impacto de Uberlândia. A ideia da comunidade começou com uma pessoa engajada, que já trabalhava com a temática de impacto socioambiental em diversos projetos pelo Brasil, mas que via em sua própria terra natal poucas pessoas compreenderem o universo em que ela atuava. Na segunda maior cidade do interior de Minas, com mais de 700 mil habitantes, ainda hoje pouca gente sabe o que é o setor 2.5, que reúne negócios que combinam propósito socioambiental e sustentabilidade financeira, e as mudanças que ele está possibilitando no mundo.

A Udimpacta nasceu justamente dessa inquietude em fazer o impacto socioambiental positivo ser conheci-

Saiba mais sobre a iniciativa aqui:

do e potencializado na cidade. A proposta foi idealizada pela fundadora Laura Laís e a empreendedora social Gabriela Paes após seus olhos brilharem diante da possibilidade de reunir mais pessoas e alcançar um público maior. Cerca de três meses depois, a comunidade já contava com mais de cinquenta membros, incluindo oito voluntários em uma governança inclusiva e diversa.

Para garantir o envolvimento e o desenvolvimento dos membros, a equipe se comprometeu com reuniões quinzenais e a realização ao menos um evento mensal, bem como passou a realizar outras ações: participação efetiva em encontros do ecossistema local e parcerias firmadas com grandes movimentos como Enactus e Global Shapers, além de organizações do cenário empresarial, como o instituto Algar.

Outro fato crucial para consolidar uma comunidade são os valores compartilhados entre os membros. A Udimpacta se baseia em princípios de diversidade, protagonismo coletivo, transparência e colaboração. O movimento tem sido um exemplo vivo de como uma comunidade pode crescer de maneira orgânica e aberta, com o objetivo comum de tornar a cidade mais sustentável e engajada pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Um chamado para ação

Comunidades nascem e morrem todos os dias. O ecossistema permanece. Quanto mais fortes forem as comunidades, mais promissor se torna o ecossistema, e maior será o impacto gerado. Este, portanto, é o verdadeiro poder de um ecossistema sustentável: ele nasce da interação entre pessoas, ideias e ações, e o conjunto se torna o pilar que sustenta a evolução contínua e o crescimento.

Vamos fazer juntos? O que você pode fazer hoje pelo seu território?

Reforma TributáriA

Por Juliana Furini Puntel, advogada no escritório Mattos Filho, conselheira, integrante do Sistema B

QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS IMPACTOS PARA AS ORGANIZAÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS?

AReforma Tributária em implementação traz mudanças estruturais no sistema tributário brasileiro — e seus efeitos também alcançam as organizações sem fins lucrativos. Para entender melhor esses impactos, é importante observar como o novo sistema tributário — baseado no IBS e na CBS — se aplica aos diferentes regimes das organizações sem fins lucrativos.

O que muda para organizações

A Lei Complementar nº 214/2025 criou dois tributos sobre o consumo: o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS). Eles substituem o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Socia (COFINS), que serão extintos gradualmente. Os impactos atingem todas as organizações, mesmo aquelas que atualmente não recolhem os tributos que serão extintos, seja porque há mudanças operacionais relevantes,

CRONOGRAMA DA TRANSIÇÃO

31/12/2026

Extinção definitiva de PIS e COFINS

01/01/2027

Início da vigência plena da CBS 2029 a 2033

Substituição gradual de ICMS e ISS pelo IBS

O fim da dependência do CEBAS para a CBS

Quanto à incidência dos novos tributos, as instituições dedicadas à saúde, educação e assistência social - que atualmente usufruem do regime de imunidade a impostos (como prevê o artigo 150, da Constituição Federal) - conquistaram a imunidade ao IBS e CBS. Essa conquista é especialmente relevante pois a imunidade à CBS independe de qualquer certificação e hoje as organizações imunes só estão desobrigadas do recolhimento de PIS e COFINS (contribuições que serão substituídas pela CBS) se forem portadoras da Certificação como Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS).

O desafio da alíquota cheia para entidades isentas

Em relação às demais organizações, que atualmente estão sujeitas ao regime tributário de isenção, não há previsão de tratamento específico, razão pela qual essas instituições terão o mesmo tratamento das demais pessoas jurídicas lucrativas. É importante, no entanto, observar que há previsão de alíquotas reduzidas para algumas atividades, especialmente culturais e desportivas.

Foto:arquivopessoal

A engrenagem de créditos afetando o caixa

Para ambos os regimes, há um impacto operacional comum: IBS e CBS seguem a lógica da não cumulatividade. Na prática, isso significa que o tributo pago em etapas anteriores da cadeia pode ser compensado no cálculo do imposto devido.

Oportunidade: Organizações isentas poderão tomar crédito sobre os tributos incidentes em sua cadeia.

Advocacy: Organizações imunes, que por regra constitucional não gerariam crédito para operações seguintes, estão pleiteando alterações para não anular os créditos das operações anteriores.

Pontos de atenção para contratos e parcerias

Outro ponto relevante para todas as organizações, sejam imunes ou isentas, diz respeito à ampliação da base de cálculo dos tributos, uma vez que IBS e CBS incidem sobre operações onerosas com bens e serviços — e, em situações específicas, também sobre operações não onerosas. Considera-se operação onerosa qualquer fornecimento com contraprestação — e isso inclui doações que envolvam vantagens ao doador. O conceito abrange compra e venda, permuta, dação em pagamento, locação, licenciamento, concessão e mútuo oneroso.

A legislação enfatiza que a finalidade lucrativa é irrelevante para caracterizar a incidência tributária – o que é um ponto de atenção para as organizações. Essa ampliação do conceito de “fornecimento com contraprestação” é um dos elementos que mais deve gerar debates e inseguranças, especialmente em temas como patrocínios, parcerias e demais modelos de colaboração que, historicamente, não eram tributados pelo ICMS ou ISS e não possuem tipificação clara no novo sistema. Assim, as organizações sem fins lucrativos devem estar atentas a seus contratos vigentes e revisar os instrumentos, a fim de evitar problemas futuros.

As parcerias com o poder público estão, em tese, protegidas

Já as transferências de recursos ou bens públicos destinadas às organizações sem fins lucrativos — por meio de termos de fomento, colaboração, parcerias, contratos de gestão, convênios e outros instrumentos — estão excepcionadas expressamente pela Lei e não sofrerão incidência de IBS ou CBS, conforme dispõe o artigo 6º da LC nº 214/2025.

Essa previsão preserva a execução de políticas públicas em parceria com as organizações da sociedade civil, evitando onerar financeiramente atividades de interesse social.

O impulso para a cultura de doação

Por fim, uma grande conquista das organizações no âmbito da Reforma Tributária diz respeito à não incidência do Imposto incidente sobre Transmissão causa Mortis e Doação (ITCMD) nas doações realizadas por e pelas organizações com finalidade de interesse público e social. A medida ainda depende de regulamentação, mas indica um cenário mais favorável às doações e à promoção da cultura de doação no país.

CHECKLIST DO GESTOR

Como preparar sua organização para a transição tributária

O cronograma da Reforma Tributária exige que as análises e adaptações comecem ainda em 2026. Para tanto, é importante:

Auditoria de contratos

Revisar todos os instrumentos vigentes, especialmente patrocínios e parcerias, para identificar cláusulas de "fornecimento com contraprestação" que possam atrair a incidência de IBS e CBS.

Planejamento de fluxo de caixa

Extinção do PIS e da COFINS em 31/12/2026 e a entrada da CBS em 01/01/2027.

Foco no advocacy

Acompanhar a regulamentação da não incidência de ITCMD para doações de interesse público e demais regulamentações que possam afetar as organizações.

Há muitos pontos a serem avaliados pelas organizações para as devidas adaptações. Por essa razão, e considerando a complexidade de cada operação, é recomendável o acompanhamento especializado de um contador e que as análises necessárias sejam feitas ainda em 2026. O momento de redesenhar a arquitetura tributária da sua organização é agora.

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Por que uma nova era?

Por

Impacto positivo integrado ao negócio não é um conceito novo, mas algo mudou

Nos últimos anos, com a ascensão da agenda ESG, muitas empresas foram pressionadas a ter mais e mais ações em prol do impacto ambiental e social. Essa pressão veio de clientes, consumidores, bancos, investidores, colaboradores e até mesmo fornecedores.

Nesse contexto, o leque de iniciativas – especialmente partindo de companhias listadas em bolsas de valores – aumentou significativamente. As áreas de sustentabilidade, que comumente usam a “matriz de materialidade” (ferramenta que prioriza os temas ambientais, sociais e de governança (ESG) mais críticos, cruzando impacto positivo com relevância para stakeholders e sustentabilidade financeira do negócio) para priorizar suas decisões, viram diferentes frentes de atuação aumentando. Isso é bom? Claro. Afinal, mais projetos significam mais impacto. Será?

Foi isso que grandes companhias começaram a se questionar. Os orçamentos aumentaram?

Sim. Mas na mesma medida em que o número de frentes e projetos? Não. Qual foi o resultado? As empresas abraçando muitas frentes e bandeiras, mas com pouco resultado em cada uma delas. Daí veio uma dúvida clara: será que uma empresa deve se propor a resolver todos os problemas sociais e ambientais existentes? A maior parte delas tem chegado à conclusão que a resposta é não.

Por isso, as empresas têm se perguntado: qual é a minha vocação? Onde eu realmente posso gerar transformação? Qual a minha especialidade?

Nessa hora, as empresas têm percebido que:

• Buscar frentes socioambientais que possam ser integradas ao negócio gera mais valor para elas e para a sociedade.

• Somar impacto socioambiental com a cadeia de fornecimento ou seu canal de vendas representa valor compartilhado “na veia”.

• Usar seu conhecimento, suas expertises e sua força de trabalho na promoção de mudanças pode ser bom para todos!

Assim, as áreas de sustentabilidade, ESG, ou qualquer outro nome que você queira dar, entraram em um novo momento. Um momento de FOCO, um momento de ESTRATÉGIA, um momento de INTEGRAÇÃO entre o negócio e o impacto!

Claro que esse discurso não é novo.

Eu tive a oportunidade de ser aluno do professor Michael Porter em 2016, em uma aula sobre Valor Compartilhado. Tudo isso já era falado naquela época. Porém, agora nós vivemos um movimento pendular: fomos para um lado da balança, no qual todas as causas e propósitos eram abraçados; passamos pela experiência; colhemos os resultados. Agora é a vez do outro lado, o momento de uma nova era na sustentabilidade e ESG.

Para onde o mundo está olhando?

Em outubro de 2025, tive a oportunidade de participar do principal programa executivo na área de liderança e sustentabilidade no IMD (Institute for Management Development). O que vi em alguns meses de formação foi incrível!

Os professores trouxeram a ideia de um tripé da sustentabilidade, uma concepção que é um pouco fora do comum: cabeça, coração e mãos. Basicamente, a ideia é de que a empresa deve ter um propósito (coração) — somente um, o grande propósito. Ele precisa perpassar o negócio, bem como as ações de responsabilidade social, ESG ou sustentabilidade. Deve, também, provocar inspiração e atuar como um centro gravitacional para todos que fazem parte do ecossistema da companhia.

O propósito tem de se desdobrar em uma estratégia (cabeça) focada e integrada entre negócio e sustentabilidade. Estratégia que de fato promova benefícios para todos, gere valor compartilhado e, acima de tudo, pense no resultado a longo prazo — o que é um grande desafio no contexto atual, em que a maior parte dos CEOs permanece poucos anos na empresa, e os acionistas, menos ainda. Daí a importância de definir um propósito e atrair pessoas que venham para “jogar o jogo”, não perfis orientados apenas por ganhos de curto prazo. Esse posicionamento também representa a capacidade de dizer não e escolher frentes de atuação que sejam todas sinérgicas ao propósito.

E, claro, coração e cabeça não são suficientes: é preciso ação e operação. Na analogia do IMD, as mãos representam as mais diversas formas de operação (economia circular, mitigações ambientais, direitos humanos e tantas outras frentes) com parcerias e estruturas capazes de somar, e não dividir.

O que vem agora?

Quem atua em áreas relacionadas à sustentabilidade deve se preparar para liderar uma jornada de transformação. Ter foco, sem dúvida. Porém, atuar também na inspiração, na estratégia e na operação.

Para o terceiro setor, vejo neste momento um risco e uma oportunidade. Risco, pois as doações desvinculadas do core business devem diminuir. Ao mesmo tempo (e aqui está a oportunidade!), está emergindo a possibilidade de estimular a criatividade, integrando soluções ao negócio do parceiro e com muito mais potência. Para isso, o caminho passa por se abrir ao diálogo, sair da doação comum e liderar conversas de construção.

Por fim, quem sabe, seja a hora de todos nos sentarmos à mesa e elaborar uma linguagem comum entre negócio, impacto e sustentabilidade. Quem sabe, seja a hora de integrar negócio, impacto, ESG, ou qualquer outro nome, numa lógica em que todos ganhem.

Trabalhamos muito para que as próximas páginas te inspirem a trilhar este caminho conosco.

Os contextos que impulsionam mudanças

Aideia de que as corporações precisam “devolver” valor para a sociedade não é nova. Historicamente, o conceito da participação empresarial em questões sociais e ambientais nasceu da constatação de que o crescimento industrial e econômico trazia impactos negativos para pessoas, comunidades e meio ambiente. Desde a filantropia empresarial e a origem do termo “responsabilidade social”, muitas mudanças ocorreram até a evolução para o ESG (governança Ambiental, Social e Corporativa) e a sustentabilidade.

Essa evolução mostra que a relação entre as demandas socioambientais e os setores que detêm o poder econômico passa por ciclos de mudança de tempos em tempos. E neste exato momento esses conceitos atravessam, novamente, uma "fronteira" importante, passando a ser tratados como um imperativo financeiro e estratégico, influenciando desde o design de produtos até a escolha de fornecedores e o modelo de relações com comunidades, investidores e consumidores.

A atual transição nas relações entre as empresas e seu papel de atuação em favor das demandas da sociedade vem de uma consciência internas das corporações, mas é impulsionada por um conjunto de fatores externos:

• Instabilidade no contexto político e econômico nacional e global.

• Novas regulações ambientais e de direitos humanos.

• Confiança dos investidores pautada em práticas ESG efetivas.

• Mudança no comportamento de consumidores pela expansão da consciência socioambiental.

• Competição com cada vez mais corporações que passam a modelar soluções e produtos que geram impacto positivo desde a concepção, e não apenas neutralizando impactos negativos.

• Novos mercados emergentes: soluções baseadas na natureza, carbono, eficiência energética, tecnologias de monitoramento e rastreabilidade, circularidade, finanças verdes, matriz energética.

E é fato que cenários de mudança costumam causar incerteza e cautela. Ao mesmo tempo, existe uma verdade que não pode ser desconsiderada: a necessidade de sobrevivência e de adaptação costuma ser um importante motor para novas ideias e soluções alternativas – para a inovação!

Deste modo, se as empresas estão atualizando seu olhar de ESG e sustentabilidade, o desafio dos atores de impacto positivo passa a ser compreender essa nova direção.

Para apoiar nesse caminho, a AGORA trouxe diferentes perspectivas – CEOs de grandes empresas, um professor e consultor especialista no tema e empreendedores sociais – que explicam esse movimento e trazem um olhar a respeito de como participar dessa integração estratégica do impacto social e ambiental ao negócio.

Entre legitimidade e resultado: o novo equilíbrio do ESG

Até aqui, a discussão desta matéria aponta para um novo momen to da sustentabilidade corporativa — menos performático e mais estratégico. A fala de Gustavo Loiola ajuda a dar nome e direção a essa transição. Para o professor e consultor, o que estamos vivendo não é um retrocesso, mas um filtro. “A gente saiu hoje do ESG alegórico, aquele que se fazia só por fazer”, afirma. giana

Na leitura de Gustavo, a mudança de termos ao longo do tempo nunca foi aleatória: “No ambiente de competitividade, as empresas querem ser legitimadas pela sociedade, ou seja, elas querem ser aceitas e vistas como uma boa organização para se comprar, para se consumir, para se relacionar. Com base nisso, essas nuances dos termos vêm dos momentos em que a sociedade está”. Ou seja, os conceitos evoluem conforme evoluem também as demandas sociais. Mas o ESG, diferentemente das agendas anteriores, carrega um componente novo: o risco financeiro. “Ele surge num momento em que se começa a perceber que riscos e externalidades afetam a competitividade e a visão de longo prazo das organizações”, aponta.

direta com o resultado finan ceiro das empresas. “Se acon- tece um evento climático extremo, a empresa para de operar. Isso tem uma relação direta com desempenho financeiro”, esclarece.

Esse deslocamento ajuda a entender por que áreas tradicionalmente vistas como periféricas, como o investimento social privado, são as primeiras a sofrer cortes em momentos de crise.

Quando o ESG deixa de ser narrativa e passa a ser estrutura, o que fica é o que sustenta o negócio no longo prazo.

É justamente essa conexão com o desempenho que separa o ESG do que veio antes. Enquanto a responsabilidade social corporativa se ancora em propósito, legitimidade e filantropia, o ESG precisa gerar valor. Caso contrário, as empresas deixarão de realizar as ações.

Nesse novo cenário, o que parece recuo é, muitas vezes, reposicionamento. Gustavo observa que, em muitos casos, não houve abandono das práticas — mas sim da comunicação. “Muitas empresas param de falar sobre certos temas com receio desse momento anti-ESG, evitando se atrelar a uma polêmica – porque a polêmica prejudica o capital”, explica. Temas sensíveis, como diversidade, perderam espaço em alguns contextos. Por outro lado, a agenda climática permanece central, justamente por sua relação

“O desafio hoje é esse. O que eu tenho observado no contexto da América Latina, é que os corporativos, quando começam a perceber que os seus braços de responsabilidade social corporativa não estão tão alinhadas com o contexto do negócio, ou começam a estimular que essas iniciativas fiquem mais independentes em contexto de capital, ou trazem isso para a estratégia”. Para Gustavo, esse movimento revela, justamente, uma oportunidade de evolução. Mais do que coexistir, impacto e negócio precisam se retroalimentar. Isso porque, mesmo quando não diretamente atrelada à performance, a atuação social continua sendo essencial para algo que nenhuma empresa pode abrir mão: sua licença social para operar. “Ao sofrer uma visão negativa da sociedade, isso afeta vendas, reputação e interesse de investidores”, alerta.

Quanto ao papel da sociedade civil e dos negócios de impacto, o recado é claro: o setor de impacto é o setor da solução. Por isso, o conselho que o consultor deixa para os atores que atuam nos territórios é se capacitar, no sentido de estarem preparados para contar a sua narrativa de impacto e demonstrar isso por meio de mensuração.

Ao olhar para frente, Gustavo é enfático: não há volta. O que está em curso é um amadurecimento. “Quem está fazendo com seriedade, alinhado à estratégia do negócio, está colhendo bons frutos — e vai continuar colhendo”

Gustavo

Quando a fortaleza do negócio se transforma em impacto

Foto: Laura

Se o novo momento da sustentabilidade corporativa aponta para uma integração mais profunda entre impacto e negócio, a visão de Laura Aguiar mostra como esse movimento ganha forma na prática. À frente da área de Impacto e Relações com a Sociedade na Ambev, ela descreve uma lógica que já não separa o social do estratégico — mas os entende como partes de um mesmo sistema. “Quando a gente fala de integração, o principal é a empresa ter um olhar verdadeiro para dentro”, afirma.

Na leitura de Laura, o ponto de partida é o que a empresa já faz de melhor — e como isso pode gerar impacto real. Para a Ambev, esse movimento não é novidade. “A gente sempre teve essa visão de fazer coisas conectadas às nossas fortalezas”, expõe. A integração do ESG à cultura interna é levada a sério: toda a alta liderança da companhia tem metas atreladas a questões socioambientais e de governança. Nenhuma área fica de fora.

Muito além das ações sociais e ambientais, as iniciativas devem apoiar mudanças corporativas estruturais.

Projetos da companhia evidenciam essa lógica de conexão estrutural: a água AMA reverte 100% do lucro para acesso à água potável; o Bora tem sua atuação voltada à inclusão produtiva; e o Voa, realizado em parceria com a Ago, coloca o sistema de gestão da empresa a serviço do fortalecimento de organizações do terceiro setor por meio do voluntariado. Mais do que iniciativas isoladas, os programas refletem uma estratégia integrada ao modelo de negócio da Ambev. Todos são desdobramentos do pró-

prio modelo de operação da Ambev. Dentro desse contexto, a inclusão produtiva se consolida como eixo central: “Como a gente pode ajudar a sociedade a gerar mais renda, ter mais conhecimento e fortalecer seus empreendimentos?”. A resposta passa por ativar a cadeia de valor e redefinir o papel das organizações da sociedade civil. Mais do que beneficiárias, elas passam a ser parceiras estratégicas. “A gente nunca faz nenhum projeto sozinho. Sempre busca dentro da nossa base quem pode colaborar”, afirma. Nesse arranjo, a relação entre empresa e território ganha outra densidade: deixa de ser pontual e passa a ser contínua, construída a partir de redes, aprendizados e trocas. Mas a integração não se limita ao externo. Para Laura, um dos principais ganhos acontece internamente. “No Voa, a gente ensina, mas também aprende. As organizações do terceiro setor têm muito conhecimento a nos transmitir também”. A experiência com realidades distintas amplia repertório, fortalece competências e, sobretudo, transforma a cultura interna. As iniciativas de responsabilidade social também fortalecem o negócio, “Ele fica mais resiliente, mais maduro”. Essa troca ajuda a desenvolver lideranças mais adaptáveis e conectadas às transformações sociais.

O aprendizado central que Laura deixa é sobre intencionalidade: olhar de modo profundo para dentro antes de olhar para fora. "O que hoje me permite ter um projeto forte interna e externamente é o fato de tantas pessoas aqui enxergarem o valor que ele gera para o negócio". Sustentabilidade integrada não é só o bem que se faz para a sociedade — é o que se constrói dentro de casa.

Geração de valor: o novo centro da sustentabilidade

Se a reflexão desta matéria aponta para decisões de sustentabilidade e ESG mais maduras, a visão de Luis Meyer reforça que esse movimento é, na verdade, parte de um ciclo natural de evolução. Para o diretor de ESG do Grupo Boticário, o momento atual não representa ruptura, mas refinamento. “Ele está pedindo passagem para outras coisas, entendo que mais do que uma discussão sobre terminologias, o que vemos é uma consolidação cada vez maior da sustentabilidade integrada à estratégia, à gestão de riscos e à geração de valor no longo prazo”, afirma, ao se referir ao próprio termo ESG.

Esse olhar ajuda a reposicionar o debate: o que está em jogo é a capacidade das empresas de integrar impacto à sua lógica de decisão. No caso do Grupo Boticário, isso se traduz em uma agenda que atravessa décadas e se consolida como parte estrutural do negócio. “Independentemente do nome, a consistência daquilo que a gente tem feito se mantém”, reforça. “Essa temática é um pilar transversal, integrado ao modelo de negócio”, explica. O compromisso socioambiental guia decisões, afinal “se gerar um impacto positivo para fora, se cuidar bem dos recursos e, ao mesmo tempo, manter a organização perene e rentável, todo mundo sai ganhando”

Para Meyer, o cenário é marcado por uma virada importante. Depois de um período de forte visibilidade e adesão — o chamado “hype” —, o ESG passa a ser filtrado pela sua capacidade de entregar resultados.

Isso significa que iniciativas desconectadas do negócio tendem a perder espaço, enquanto aquelas que demonstram impacto mensurável ganham força. “Se você constrói essa agenda com uma base sólida, ela se sustenta independente do momento externo”, completa. Nesse panorama, a metrificação deixa de ser diferencial e passa a ser condição. É ela que permite traduzir impacto em linguagem de negócio — e, consequentemente, garantir continuidade. “Se for possível metrificar e quantificar as iniciativas, isso gera valor para o negócio e para a sociedade”, resume.

rar programas que gerem valor compartilhado, a lógica é a mesma: impacto se cons trói em rede. impacto é coletivo” resume.

Foto: @rodolfobuhrer

Mas essa lógica não se constrói isoladamente. Para Meyer, a escala do impacto depende diretamente da capacidade de mobilizar parceiros e cadeia de valor: “É quase impossível gerar potência nessa agenda sozinho”. A resposta, portanto, passa por convidar parceiros para a jornada. Seja ao engajar fornecedores em processos de descarbonização, seja ao estrutu-

Esse princípio tam bém se estende à agenda social. Pro gramas como Em preendedoras da Beleza – que tem a parceria da Ago na ges tão do seu Hub de Acele ração – mostram como a co nexão entre impacto e negócio pode gerar ciclos virtuosos, fortalecendo comunidades, ampliando oportunidades e, ao mesmo tempo, retroalimentando o próprio modelo da empresa.

O filtro através do qual o mercado opera hoje separa quem estava na onda daqueles que realmente estavam construindo algo.

Luis Meyer, Diretor de ESG no Grupo Boticário

Ao olhar para o futuro, Meyer enxerga um campo aberto para inovação e colaboração. “No meu ponto de vista, o ciclo atual é muito saudável”, ele reflete, ao considerar que a empresa não tem soluções para todos os dilemas dessa agenda, mas que exatamente nessa lacuna surgem oportunidades para novos atores. Para ele, o desafio — especialmente para empreendedores sociais — é aprender a dialogar com esse novo contexto, o que significa “adaptar a linguagem para capturar investimentos que também buscam valor. O desafio é construir pontes entre impacto e negócio, desenvolvendo modelos e narrativas capazes de conectar propósito, viabilidade econômica e transformação de longo prazo”, aponta.

Para empreendedores sociais que querem se aproximar de grandes empresas, o recado é claro: organizar a casa. Documentação em dia, governança adequada e transparência total na prestação de contas. "Invis ta não somente no impacto que você gera. Entenda o que você pode fazer dentro de casa para manter o seu negócio regularizado"

Estevan Sartoreli, Cofundador e Conselheiro da Dengo Chocolates vulgação

Impacto como modelo de negócio, não como agenda

Se nas grandes corporações o desafio é integrar mais efetivamente o impacto à essência do negócio, os negócios de impacto representam uma expressão concreta desse propósito. São organizações que não tratam impacto como uma agenda paralela, mas como parte indissociável do seu modelo. No caso da Dengo Chocolates, essa lógica não é uma adaptação: é o ponto de partida. “Nós já nascemos como um negócio de impacto”, afirma Estevan Sartoreli, cofundador, ex-CEO e atual conselheiro da marca.

Em um setor historicamente dominado por grandes players globais, a escolha da Dengo foi clara desde o início: competir por qualidade — e não por preço. “Isso parece sutil, mas faz muita diferença”, esclarece. Afinal, essa decisão carrega implicações profundas. Em vez de seguir a lógica de redução de custos que marcou a indústria de alimentos nas últimas décadas, a empresa estrutura seu modelo a partir de três pilares: valorização de pequenos e médios produtores de cacau, consumo consciente e conservação da natureza. Mais do que diretrizes, são elementos que organizam toda a operação.

O primeiro fundamento é central: “O principal propósito do negócio é promover renda digna para quem produz”, resume o empreendedor. Isso se traduz em escolhas efetivas, como remunerar produtores acima do mercado por cacau de qualidade, operar com uma cadeia 100% rastreável e comprar sem intermediários. Ao mesmo tempo, a Dengo busca diversificar as fontes de renda desses produtores, ampliando sua resiliência econômica.

No outro extremo da cadeia, o olhar se volta ao consumidor. “Queremos inspirar um consumo mais consciente”, afirma. Na Dengo, impacto também é traduzido em produto: mais cacau, menos açúcar, formulações mais limpas e redução significativa do uso de plástico. A venda a granel, por exemplo, se mostra como alternativa que combina acessi-

bilidade, menor impacto ambiental e eficiência econômica.

O terceiro pilar conecta o modelo produtivo à agenda ambiental. “100% de nosso cacau vêm de sistemas agroflorestais”, destaca. Esses sistemas, além de manterem a floresta em pé, aumentam a biodiversidade, melhoram o solo e capturam mais carbono do que modelos convencionais. É a materialização de uma lógica em que produção e conservação deixam de ser opostas.

Mas talvez o ponto mais provocativo trazido pela Dengo esteja na relação entre impacto e lucro. Para Estevan, ainda persiste um equívoco no mercado de que lucro e impacto são objetivos opostos. “Acreditamos em uma mentalidade de modelo ‘e’, que não é uma coisa em detrimento da outra. Não é lucro ou resultado em detrimento a impacto, ou propósito em detrimento a performance”.

A partir dessa leitura, é possível entender que “O lucro é um objeto-meio. É o que permite ampliar e escalar o impacto”. Complementando a lógica de sustentabilidade e crescimento, ele traz um conselho para empreendedores que buscam capital em tempos de escassez: “Torne seu negócio atraente. Soluções com boa validação de produto e mercado endereçado tornam-se atrativas para consumidores e investidores". Isso porque o problema, muitas vezes, não é a falta de capital — é a falta de projetos escaláveis o suficiente para recebê-lo.

Por fim, a atuação da Dengo mostra um exemplo real de que o ESG corporativo pode, sim, praticar uma integração profunda com o negócio a partir de escolhas intencionais. Além disso, aponta para um horizonte no qual construir negócios responsáveis é, antes de tudo, construir negócios com futuro.

Negócios de impacto, como a Dengo, mostram que a integração entre negócio e sustentabilidade pode ser total.

Impacto que se sustenta: quando o social encontra o negócio

Ao longo desta matéria, empresas de diferentes portes e setores revelaram como integram o impacto ao centro das suas estratégias. Mas há um ator que aparece em praticamente todas essas histórias — e que raramente ocupa o centro do palco: as organizações sociais. São elas que operam onde as corporações não chegam, que conhecem os territórios, que formam as pessoas e que, muitas vezes, viabilizam na prática o que o ESG propõe no papel. Por esse motivo, cada vez mais, as organizações da sociedade civil precisam dialogar com a lógica do mercado para sustentar e ampliar sua atuação.

Andreia Matsui navega essa fronteira com clareza e realismo. A empreendedora social é CEO da Generation Brasil, representante brasileira de uma das maiores organizações globais de inclusão produtiva. Para ela, o momento atual não é novo — porém está mais exigente. “A gente vive ciclos, e o segredo é saber navegar por eles”, afirma. Entre períodos de expansão e retração, de acordo com o seu ponto de vista, o que muda é o nível de seletividade.

Nesse cenário, a sustentabilidade dos projetos que recebem apoio de empresas passa por um fator central: a conexão com o negócio. “Os projetos que mais dão certo são aqueles em que você tem um ganha-ganha”, explica. Na prática, isso significa sair de uma lógica exclusivamente filantrópica e avançar para modelos que também resolvam problemas reais das empresas.

Para a organização, essa abordagem não é pontual, mas estrutural. “A gente sempre tem como ponto de partida a escuta do mercado”, afirma Andrea. Na Generation, não basta formar: é preciso garantir que haja demanda real. Esse posicionamento se traduz na observação das movimentações do mercado, das novas empresas e suas atuações. A partir disso, vem a aproximação: “(...) quais as suas demandas? O que significa ‘talento’ para vocês? Quais perfis estão buscando?” Tal postura incentiva a inovação e dá origem a projetos mais resilientes em contextos de crise, aqueles que aliam a missão da organização com a geração de valor para empresas e seus objetivos de negócio. Nesta mesma linha, ela identifica um movimen-

to relevante: muitas empresas seguem investindo, mesmo que com menor visibilidade ou sob novas narrativas. O ESG não desaparece — ele se ajusta. “As empresas foram se adaptando. Continuam agindo e investindo, mas de forma mais discreta. E vejo que as conversas se tornaram de curto prazo”, resume.

A experiência da Generation Brasil mostra que o desafio para as organizações sociais é duplo: manter sua missão e, ao mesmo tempo, aprender a dialogar com diferentes lógicas. “A gente consegue falar as duas línguas”, a do impacto e a do negócio (seja em reputação, talentos ou operação).

Essa tradução constrói parcerias mais duradouras e, definitivamente, se torna um diferencial.

Contudo, essa relação pode ser tensa em alguns momentos.

Muitas vezes, organizações sociais são tratadas como fornecedores — pressionadas por descontos ou prazos incompatíveis com sua realidade, por exemplo. Para Andrea, a resposta passa por transparência e posicionamento. “Eu tento, ao máximo, explicar que sou um parceiro, não um fornecedor; que não tenho margem de lucro, por isso não posso dar desconto; que não tenho capital de giro, por isso preciso receber antes.” O resultado dessa negociação pode mostrar que nem toda parceria vale a pena — e saber dizer não também faz par te da sustentabilidade institucional. Esse processo de amadurecimento e adaptação mostra que o terceiro setor tem a chance de se posicionar como articulador de soluções para as empresas, mas desde que façam sentido para todos os lados da mesa.

A lógica ganha-ganha e a adaptação da linguagem são essenciais no diálogo entre empresas e OSCs.

Fernanda de Fátima Ferreira, Coordenadora geral do CEPROMM ção

DReinventar-se sem perder a essência: o desafio das organizações

locais

A virada na relação com o setor privado veio com a mudança de narrativa de aproximação: de quem pede para quem oferece valor.

iante de tudo o que foi colocado é preciso considerar, também, as organizações de menor porte, atuantes em um único território e com orçamento enxuto. A pergunta é inevitável: como essas instituições se adaptam a esse novo momento?

Para Fernanda Ferreira, a resposta começa na maturidade. Ela é coordenadora geral do CEPROMM (Centro de Promoção para um Mundo Melhor), organização que passou pela consultoria da Ago dentro do programa Impacto Exponencial, desenvolvido pela Fundação FEAC. A experiência do CEPROMM mostra que o caminho pode estar mais próximo do que parece, e que não é possível operar em desconexão com o contexto mais amplo. "Fomos percebendo que era preciso olhar não só para o micro, mas para o contexto estrutural macro onde estamos envolvidos", conta Fernanda. Atuando há 33 anos em um dos maiores territórios de prostituição a céu aberto da América Latina, o Jardim Itatinga, em Campinas (SP), a organização atualmente diversifica fontes de receita com método: projetos incentivados via fundos públicos, parcerias com grandes empresas da região para empregabilidade de jovens, e dois negócios sociais próprios: uma padaria e um bazar beneficente cujos produtos são vendidos para colaboradores de empresas parceiras.

A mudança de perspectiva altera, inclusive, a forma de se relacionar com empresas. Se antes a lógica era centrada na captação de doações, hoje o discurso é outro.

“Mostramos à pessoa que ela não vai fazer uma doação para o CEPROMM. Vai apoiar uma causa de impacto, apoiar o desenvolvimento local e fazer parte de uma transformação social”, explica. Ao reposicionar as relações como parcerias, a organização passa a reconhecer — e incorporar — os interesses do outro lado da mesa, agregando valor sem abrir mão da sua missão.

Esse movimento, no entanto, exige escolhas. “Não dá para se associar com todos que querem”, diz Fernanda, demonstrando uma prudência que se expressa na capacidade de dizer não. "Alguns anos atrás falávamos sim para tudo. Hoje a gente consegue filtrar", ela compartilha. O critério é claro: a parceria precisa estar em consonância com a missão da organização e com a capacidade real de entrega do time de trabalho. "Toda parceria exige um esforço grande da equipe. Não dá para abraçar tudo e comprometer o que já está estabelecido. Tem que ser boa para os dois lados”, resume.

Esse equilíbrio é fundamental para evitar um risco recorrente: o de se tornar apenas um prestador de serviço. A relação precisa ser construída como colaboração, e não submissão. “Não se pode perder o direcionamento e a essência”, declara. Ao mesmo tempo, ela reconhece que adaptação é parte do processo. Organizações evoluem, revisitam suas estratégias e ajustam sua atuação — desde que isso parta de uma necessidade real, e não de uma pressão externa. “O propósito tem que estar firme. A mudança de missão, se vier, tem que ser por necessidade da organização — nunca por causa de um patrocinador."

Outro ponto central é o vínculo com o território. Para o CEPROMM, impacto não se mede apenas por atividades realizadas, mas por transformação de vida. “Juntos nós podemos promover um mundo melhor”, e essa evolução precisa estar muito clara para todos. Mais do que uma frase, é um princípio que orienta a atuação da organização — e que revela um caminho possível para outras iniciativas semelhantes.

No fim, a experiência do CEPROMM reforça uma mensagem importante: não é o tamanho da organização que determina sua capacidade de adaptação e o acesso a parcerias corporativas, mas sua clareza de propósito, seu desenvolvimento institucional e sua disposição para construir em rede.

O impacto que permanece: lições sobre o amadurecimento do ESG e da sustentabilidade
Este

momento de transição revela um processo de amadurecimento.

O ESG não recua. Ele se transforma.

Ao longo das páginas desta matéria, vozes muito diferentes — de dentro de grandes corporações, de negócios de impacto, de organizações do terceiro setor e da academia — chegaram, por caminhos distintos, a um mesmo ponto. Esse ponto é simples, mas exigente: dentro das empresas, o impacto positivo que sobrevive é aquele que faz sentido para o negócio, para o território e para as pessoas que estão na ponta.

Se antes o desafio era fazer o ESG existir — colocá-lo no organograma, no relatório, no discurso —, agora o desafio é fazê-lo se sustentar. E, nesse novo momento, não há mais espaço para iniciativas desconectadas. O impacto que permanece é aquele que gera valor para o negócio, para o território e para a sociedade como um todo.

Cada perspectiva ajudou a iluminar uma face desse princípio:

• O fim do ESG alegórico não é uma crise — é um filtro que separa consistência de performance.

• Anos de agenda contínua criam uma base que nenhum ciclo de mercado derruba.

• As fortalezas do próprio negócio são o melhor ponto de partida para o impacto real.

• A dicotomia entre lucro e propósito precisa desaparecer e abrir espaço para um ser condição para o outro.

• As organizações sociais que aprendem a falar a língua do mercado constroem parcerias mais duradouras — sem abrir mão da missão.

• O tamanho da organização social não define sua oportunidade de diálogo com empresas para diversificar recursos.

A construção de soluções em parceria entre empresas e atores da ponte precisam considerar: conexão com o negócio, geração de valor para o negócio e território, clareza sobre o impacto e sobre os resultados.

Em um cenário mais exigente, sobreviver ganha novos significados: posicionar-se com consistência e atuar com estratégia. Não é sobre encontrar o nome certo para a agenda. É sobre construir transformações com seriedade — e medir o que se constrói.

O que fica desta conversa é a convicção de que o campo do impacto socioambiental está amadurecendo. E quem entende isso está, hoje, mais preparado para o que vem.

O Mapa do impacto

Agente de mudança: Jander Manauara

Empreendimento: AIHHUAM – Ass. de Intervenção Humana e Humanitária da Amazônia Manaus (AM) Programa: Ambev VOA

Agente de mudança: Ana Lopes, Ana Rocha, Cynnara Bretas

Empreendimento: Instituto Hub Cerrado Goiânia (GO) Programa: Ambev VOA

Agente de mudança: Neto Nunes

Empreendimento: Bairro da Juventude Criciúma (SC)

Programa: Programa de Fortalecimento em Gestão do Instituto Localiza

22.200 pessoas alcançadas com conhecimento e formação!

+ 40 mil pessoas recebem a AGORA impressa e digital

Foto: divulgação
Foto: divulgação
Foto: divulgação

impacto da ago

Foto: divulgação

Agente de mudança: Patrícia Borges

Empreendimento: PB Studio de Beleza Salvador (BA)

Programa: Hub de Aceleração de Negócios Empreendedoras da Beleza – Grupo Boticário

Agente de mudança: Pamella Moachar

Empreendimento: Integra Consultoria e Assessoria Sorocaba (SP)

Programa: Nutrir+ Semeando Impacto Positivo

Foto: divulgação

REGIÃO SUDESTE

Agente de mudança: Pamella Moachar

Empreendimento: Integra Consultoria e Assessoria

Sorocaba (SP)

Programa: Nutrir+ Semeando Impacto Positivo

Àfrente da Integra Consultoria e Assessoria, Pamella Moachar acelera inovação e novos modelos de negócio no agronegócio, com foco em iniciativas de impacto social e ambiental. Seu trabalho conecta grandes corporações às realidades do campo, ajudando a construir cadeias de valor mais sustentáveis, acessíveis e inteligentes. O objetivo é ajudar negócios a ganharem tração de forma mais rápida, estruturada e assertiva. Parte dessa atuação acontece de forma voluntária: “Uma vertente do nosso trabalho é apoiar públicos que possuem menos acesso a recursos e conhecimento técnico”, conta. Semestralmente, a

REGIÃO CENTRO-OESTE

Agentes de mudança: Ana Lopes, Ana Rocha, Cynnara Bretas

Empreendimento: Instituto Hub Cerrado

Goiânia (GO) - Programa: Ambev VOA

Na capital goiana, o Instituto Hub Cerrado (IHC) prepara jovens talentos para o mercado de trabalho por meio de formações em inovação, tecnologia e empreendedorismo. Somente em 2025, os projetos do instituto impactaram mais de mil pessoas. A participação no programa Ambev VOA, oferecido pela Ambev e executado pela Ago, marcou um novo momento para a organização, ajudando a estruturar processos de governança, planejamento e gestão. “O programa nos ajudou a organizar a governança dentro do instituto e estruturar processos internos”, diz Ana Lopes, gestora de projetos do IHC. A empreendedora conta que a organização precisava de alguém que direcionasse o que realmente precisava ser feito em termos de organização e para que a instituição passasse a ter mais relevância perante os editais e as empresas. Essa resposta foi encontrada com as mentorias do VOA. Agora, o objetivo é fortalecer ainda mais a atuação do instituto na formação

Integra apoia empreendedores que ainda não possuem recursos para acessar consultorias estratégicas. A participação no programa Nutrir+, da Citrosuco, com parceria da Ago, reforçou uma convicção importante: a inovação no agro vai muito além da tecnologia. “Acelerar pequenos negócios de impacto é também acelerar transformação social, sustentabilidade e desenvolvimento regional”, destaca. Seu olhar para o futuro é claro: quer ampliar conexões entre conhecimento, inovação e produtores rurais, criando oportunidades concretas de desenvolvimento econômico, social e ambiental para o campo brasileiro.

Fotos: divulgação

de novos talentos na região. Quando fala das expectativas a partir do programa, Ana tem algumas certezas: “Queremos nos posicionar como um grande capacitador de talentos e aumentar o número do nosso impacto!”.

Foto: divulgação

REGIÃO NORDESTE

Agente de mudança: Patrícia Borges

Empreendimento: PB Studio de Beleza

Salvador (BA) - Programa: Hub de Aceleração de Negócios Empreendedoras da Beleza – Grupo Boticário

Patrícia Borges transformou sua paixão pelo cuidado com as pessoas em um espaço de beleza com propósito. “Sou uma mulher negra que acredita que a beleza é uma forma de cura, autoestima e empoderamento”, conta. À frente do PB Studio de Beleza, na capital baiana, atua como cabeleireira, maquiadora, designer de sobrancelhas, trancista, terapeuta capilar e massoterapeuta, oferecendo um atendimento que combina técnica, acolhimento e representatividade. A participação no programa Hub Empreendedoras da Beleza, promovido pelo Grupo Boticário e conduzido

Agente de mudança: Neto Nunes Negócio: Bairro da Juventude - Criciúma (SC) Programa: Programa de Fortalecimento em Gestão do Instituto Localiza REGIÃO SUL

OBairro da Juventude trabalha há mais de sete décadas para garantir direitos essenciais e oportunidades a crianças, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade social. Atualmente, cerca de 1,6 mil crianças, adolescentes e jovens são atendidos, vindos de 89 bairros do município de Criciúma (SC). A organização oferece educação integral, atividades culturais e esportivas, além de programas de qualificação profissional que ampliam as perspectivas de futuro dos participantes. “Os serviços de apoio também dão suporte a todo o trabalho realizado. Os atendidos têm à dis-

Cpela Ago, marcou um ponto de virada em sua trajetória empreendedora. A experiência trouxe ferramentas para fortalecer a gestão do negócio, organizar processos e ampliar sua visão estratégica. “Percebi que liderar também é inspirar” e “o impacto que gero é ver mulheres especialmente negras se reconhecendo como potentes e lindas do jeito que são”, comemora Patrícia. Hoje, seu salão se tornou um espaço de acolhimento, cuidado, reconhecimento e novas possibilidades de futuro – principalmente com o propósito de formar novas profissionais.

Fotos: divulgação

posição alimentação, transporte gratuito e atendimentos na área da saúde”, explica Neto Nunes, coordenador de projetos na organização. A participação no programa promovido pelo Instituto Localiza e executado pela Ago proporcionou novas visões de atuação. “Entre os principais aprendizados está a importância de uma abordagem integrada, que envolva não apenas o estudante, mas também sua família e a comunidade”, afirma Neto. A expectativa agora é ampliar parcerias e continuar formando jovens preparados para transformar suas próprias realidades.

Agente de mudança: Jander Manauara

Empreendimento: AIHHUAM – Associação de Intervenção Humana e Humanitária da Amazônia - Manaus (AM) - Programa: Ambev VOA REGIÃO NORTE

om atuação em Manaus (AM), a AIHHUAM é uma organização que fortalece comunidades amazônicas. Entre 2024 e 2025, seu impacto alcançou mais de 10.500 pessoas na capital, em municípios do interior do Amazonas e outras regiões da Amazônia Legal. A iniciativa promove ações formativas estruturadas (trilhas e workshops), mobilizações culturais presenciais, intervenções comunitárias de infraestrutura e projetos de fortalecimento territorial, além de apoiar coletivos locais. “Nosso trabalho contribui localmente para metas globais, articulando cultura, educação, justiça climática, equidade de gênero e fortalecimento comunitário em territórios periféricos, indígenas e tradicionais da Amazônia”, resume o fundador Jander Manauara. A participação no Programa de Fortalecimento em

Gestão, do Instituto Localiza com parceria executora da Ago, ajudou a tornar ainda mais robusto o grande potencial do projeto.

Fotos: divulgação

Panorama do impacto

CONFIRA OS EVENTOS E PROJETOS QUE MARCARAM OS ÚLTIMOS MESES NA AGO E NO SETOR

Projetos e parcerias

O ciclo de fortalecimento do Ambev VOA 2025 foi encerrado com a banca final e uma premiação em 06/03. Celebramos a dedicação das organizações formadas, que agora seguem com ferramentas sólidas para ampliar seu legado social. Participantes das cinco regiões do Brasil que se destacaram durante o programa foram premiadas. Quatro delas receberam um prêmio de R$20 mil, e a grande vencedora do prêmio de R$30 mil, entregue pela Ambev.

AMBEV VOA EM BELÉM

O ano começou com a força da rede no Encontro Regional Ambev VOA em Belém (28/01). Reuniram-se organizações participantes do programa e Alumni locais para trocar experiências e fortalecer a gestão, reafirmando o compromisso do Ambev VOA em impulsionar a inclusão produtiva nos quatro cantos do Brasil.

NUTRIR+: TERCEIRA EDIÇÃO

NO AR

O dia 05/02 marcou o início da terceira edição do Programa Nutrir+. Com foco na aceleração de startups que atuam no fomento à agricultura regenerativa, a nova turma inicia uma trilha para impulsionar seus modelos de negócio e ampliar o impacto gerado por suas iniciativas. compartilharam ricos aprendizados.

MAPEAMENTO DE IMPACTO NO CENTRO-OESTE

INICIADA A REDE IMPACTO EXPONENCIAL

Aconteceu no dia 10/02 o primeiro encontro da rede do projeto Impacto Exponencial. Um espaço dedicado à colaboração entre líderes das organizações de Campinas (SP), participantes do projeto realizado pela Fundação FEAC com execução técnica da Ago. A temática do primeiro evento foi “Planejamento Estratégico” e as organizações tiveram a oportunidade de se reunir e trocar insights sobre como traçar planos mais eficientes para 2026.

ENTREGA E FUTURO: APOIO À GUARDINHA

A jornada da pesquisa Mapeamento de Ecossistemas de Impacto do Centro-Oeste, realizada a partir da parceria entre Ago e Instituto Sabin, foi encerrada com um webinário que contou com a participação de mais de 70 pessoas. O estudo se consolidou como um material essencial para entender o contexto do ecossistema de impacto social da região, com enfoque em Anápolis (GO), Campo Grande (MS) e Cuiabá (MT).

A jornada de consultoria com a Associação de Educação do Homem de Amanhã (Guardinha), realizada pela Fundação FEAC, com execução técnica da Ago Social, celebrou seu marco final em 04/02. Foram apresentados os resultados de dois anos de apoio que preparam a instituição campineira para superar os desafios que vêm pela frente.

BTG SOMA EDUCAÇÃO:

ENCERRANDO

COM CHAVE DE OURO

Em São Paulo, o encontro Give Back Day (27/02) marcou o encerramento da aceleração de doze organizações do BTG Soma Educação, programa realizado pelo BTG Pactual e última turma com parceria executiva da Ago Social. As apresentações finais revelaram a evolução institucional das organizações participantes, mostrando como as aulas e mentorias contribuíram para impulsionar liderança, impacto e sustentabilidade financeira.

IMPULSO PRIO: NOVA EDIÇÃO NO AR

No dia 31/03, foi dado o pontapé inicial do Programa Impulso I PRIO, realizado pela PRIO em parceria com a Ago. O encontro de abertura reuniu organizações participantes, mentores voluntários que acompanharão as aceleradas e outros membros da companhia para apresentar a evolução do programa, que inicia sua segunda edição em 2026.

HUB DE ACELERAÇÃO DE NEGÓCIOS

EMPREENDEDORAS DA BELEZA

Teve início a segunda turma do Hub, programa do Instituto Grupo Boticário com parceria executiva da Ago, que vai acelerar 37 mulheres empreendedoras do ramo da beleza de diferentes lugares do Brasil. A formação oferece suporte para impulsionar os negócios e gerar mais impacto em suas atuações.

Eventos

LIVE DE LANÇAMENTO DA AGORA

Este ano será de muitas novidades! Uma delas é que para cada lançamento de edição da AGORA, haverá uma live com um convidado especial. O encontro abordará um dos assuntos trazidos na nova edição.

A primeira live de lançamento teve a participação de Alex Barbosa, cofundador da Ago e idealizador da revista.

ENCONTRO

DE LANÇAMENTO: CADERNO ESPECIAL DA REVISTA AGORA

CULTURA E CONEXÃO: CONFRATERNIZAÇÃO AGO

Nem só de entregas vive o impacto! A confraternização dos times Ago (26/02) foi o momento de celebrar as conquistas internas, fortalecer os laços da nossa equipe e recarregar as energias para os desafios que virão pela frente.

A pesquisa Panorama do Investimento Social Privado Brasileiro na Economia Circular, realizada pela Ago com fomento da Fundação ArcelorMittal, mostrou um potencial tão alto que mereceu um suplemento especial da AGORA. A Fundação ArcelorMittal apoiou a publicação, que será distribuída para todos os assinantes da revista.

O lançamento aconteceu em São Paulo, na sede do ICE, e reuniu investidores sociais e outros atores do setor.

Foto:KarliCastro

Quando a causa pede casa: notas de uma Travessia institucional

AVISO POÉTICO: LEIA COM CAFÉ E CALMA, ESSE TEXTO PODE ABRAÇAR, CUTUCAR E BAGUNÇAR UM POUCO, PARA DEPOIS COLOCAR NO LUGAR!

Eu aprendi, ao longo dessa jornada de desenvolvimento institucional, que organização nenhuma faz esse caminho sem mexer em dores antigas. Desenvolvimento institucional, para mim, nunca foi sobre arrumar gavetas, redesenhar organogramas ou produzir respostas elegantes para editais. Isso pode até aparecer no percurso, mas não é o centro. O centro é outro: é encarar quem somos, o que sustentamos, o que já não nos serve mais e o que precisamos ter coragem de nomear para continuar existindo com verdade. Em muitos momentos, eu senti que estávamos em processo terapêutico. E digo isso sem metáfora frouxa. Era terapia mesmo: daquelas que cutucam, desorganizam, fazem chorar por dentro, obrigam a voltar em cenas antigas, rever pactos silenciosos e

perguntar, com honestidade brutal, se a forma como a gente vinha vivendo ainda servia ao propósito que nos fez nascer.

No Instituto Baixada, nada disso aconteceu em sala silenciosa nem em tempo ideal. Aconteceu com telefone tocando, projeto correndo, cansaço acumulado, e a vida do território lembrando, o tempo todo, que teoria bonita nenhuma dá conta sozinha do chão. E que chão é esse? No chão da Baixada Maranhense, onde a vida nunca coube em planilha e onde as urgências chegam sem pedir licença. Aconteceu no meio das demandas do território, das expectativas de parceiros, dos limites materiais, das exaustões de equipe, da escassez travestida de resiliência, dessa velha violência que o campo social conhece bem: a romantização da precariedade.

Durante muito tempo, disseram a nós, organizações como a nossa, que bastava ter causa, coragem e compromisso. Como se compromisso pagasse conta. Como se o amor ao território substituísse a estrutura. Como se vocação pudesse ocupar o lugar de orçamento, governança, cuidado institucional e tempo de elaboração. Talvez uma das partes mais duras desse processo tenha sido justamente desaprender essa pedagogia da falta. Porque nós, que viemos do chão comunitário, fomos treinadas a fazer muito com pouco e, pior, a nos orgulhar disso. Existe um aplauso perverso para a organização que se sacrifica em silêncio, que entrega resultados improváveis sem investimento compatível, que opera milagres com equipes sub-remuneradas e estruturas frágeis. Mas milagre não é modelo de gestão. Heroísmo não é estratégia de sustentabilidade. E a beleza de uma causa não deveria jamais justificar a pobreza dos meios para sustentá-la. Foi preciso olhar para nós com menos romantismo e mais responsabilidade. E isso doeu. Doeu perceber o quanto, em nome de continuar, muitas vezes naturalizamos sobrecargas. Doeu reconhecer que a cultura do improviso, embora nasça da inteligência do território, não pode ser destino permanente. Doeu admitir que também tínhamos medo: medo de mudar, medo de profissionalizar sem perder alma, medo de organizar demais e endurecer, medo de parecer “empresa” num campo que, por vezes, demoniza método, como se método fosse sinônimo de afastamento político. Mas eu fui entendendo, pouco a pouco, que não se trata de trocar alma por técnica. Trata-se de fazer com que a técnica finalmente sirva à alma do projeto. Essa jornada nos chamou para conversas difíceis. Conversas sobre poder, sobre centralização, sobre confiança, sobre a diferença entre presença e controle. Conversas sobre o quanto uma organização pode crescer sem trair seu chão. Conversas sobre o que precisa estar na mão de uma liderança e o que precisa ser repartido para que a instituição respire para além de uma pessoa. Isso também é terapêutico: descobrir que, às vezes, o cuidado com a organização exige soltar, redistribuir, escutar o que não gostaríamos de ouvir e aceitar que o vínculo com a missão não nos livra dos nossos pontos cegos.

fiança. É viver num ecossistema em que, muitas vezes, as organizações de base só são apoiadas se parecerem impecáveis, quando o mais honesto seria financiar também os processos, os ajustes, as pausas, as reconstruções. A filantropia ainda tem dificuldade de amar organizações vivas. Prefere, não raro, modelos prontos, narrativas limpas, eficiência sem conflito. Mas território é conflito, é contradição, é matéria viva. E quem trabalha no chão sabe: não existe transformação real sem desordem inicial. Ao mesmo tempo, houve muita boniteza. E eu gostaria de insistir nisso. Porque essa jornada também foi um reencontro. Reencontro com o sentido, com a nossa memória, com a pergunta política que sempre nos moveu: para que existimos? Não para caber no desejo do financiador. Não para responder à ansiedade de métricas que não sabem ler profundidades. Não para produzir uma estética de impacto consumível. Existimos para fortalecer a vida coletiva, dignidade e futuro no território. Quando essa frase deixa de ser slogan e volta a ser bússola, muita coisa se reposiciona. O que entra, o que sai, o que vale o desgaste, o que precisa ser negado, o que merece investimento, o que já não pode mais ser mantido apenas por costume.

“Desenvolvimento institucional não é um destino arrumadinho; é uma prática contínua de escuta, reposicionamento e coragem.”.

Se eu pudesse resumir essa travessia, diria que o desenvolvimento institucional nos obrigou a crescer sem abandonar a ternura e a crítica. A ternura para reconhecer a história que nos trouxe até aqui, inclusive os modos precários de sobreviver que um dia foram necessários. E a crítica para não transformar necessidade em virtude eterna. Porque sobreviver não pode ser o auge do horizonte de uma organização comunitária. Nós merecemos permanência com dignidade, estrutura com sentido, recurso com confiança, planejamento com liberdade.

Houve momentos em que eu senti vergonha. Vergonha de certas fragilidades que, vistas de perto, pareciam denunciar alguma insuficiência nossa. Depois fui compreendendo que fragilidade nomeada não é fracasso; é possibilidade de travessia. O que adoece uma instituição não é ter limites, é não poder falar deles. É ser obrigada a performar solidez para merecer con-

No fim das contas, viver essa jornada foi como mexer na casa por dentro sabendo que a reforma não era para impressionar visita, mas para que quem mora nela pudesse respirar melhor. Ainda estamos nesse processo, porque desenvolvimento institucional não é um destino arrumadinho; é uma prática contínua de escuta, reposicionamento e coragem. Mas saio dele com uma certeza funda: cuidar da instituição também é cuidar da causa. E talvez uma das formas mais radicais de amor político, no nosso campo, seja justamente esta: recusar a precariedade como linguagem natural do compromisso.

Conheça o IACP:

Foto:divulgação

Governança: uma agenda urgente para proteger o terceiro setor

Por Cristiane Almeida, fundadora e CEO da Engaja Brasil

SEM GOVERNANÇA, MUITAS OSCS FICAM LIMITADAS EM SUA CAPACIDADE DE ATRAIR RECURSOS, ESTABELECER PARCERIAS E AMPLIAR SEU IMPACTO SOCIAL

Nos últimos anos, o terceiro setor brasileiro tem crescido de forma significativa e assumido um papel cada vez mais relevante na solução de problemas sociais complexos. Hoje, organizações da sociedade civil estão presentes em praticamente todos os municípios do país, empregam milhões de pessoas e representam quase 5% do PIB brasileiro, segundo a pesquisa A Importância do Terceiro Setor para o PIB no Brasil, coordenada pela Sitawi Finanças do Bem. Muitas dessas instituições levam soluções a territórios onde o poder público e o mercado não conseguem chegar.

Boas intenções não substituem boas estruturas de governança.

Ao mesmo tempo, trata-se de um setor que opera sob condições extremamente desafiadoras. A grande maioria das organizações recebe recursos direcionados quase exclusivamente para a execução de projetos sociais, enquanto muito pouco é destinado ao desen-

volvimento institucional, à gestão e ao fortalecimento de suas estruturas organizacionais. Esse cenário cria um paradoxo: espera-se maior nível de profissionalismo, transparência e capacidade de gestão, mas raramente se financia a estrutura necessária para que essas organizações se desenvolvam institucionalmente.

Esse cenário torna o setor mais vulnerável. Em um país que historicamente enfrenta desafios relacionados à corrupção e à fragilidade institucional, organizações que não possuem estruturas sólidas de controle e governança podem ficar expostas a diferentes tipos de riscos — desde má gestão e ineficiência no uso de recursos até tentativas de instrumentalização política ou uso indevido das organizações.

Enquanto isso, o mundo corporativo passou por uma transformação importante nesse campo a partir da Lei Anticorrupção e da crescente pressão por práticas de integridade. Empresas passaram a implementar estruturas robustas de compliance, com códigos de ética,

canais de denúncia, políticas internas, mapeamento de riscos e controles mais rigorosos. Esse movimento ajudou a consolidar uma cultura de prevenção e proteção institucional que hoje se estende inclusive à cadeia de fornecedores e parceiros.

No entanto, quando olhamos para o terceiro setor, surge uma pergunta legítima: quantas organizações evoluíram nesse mesmo período na implementação de práticas consistentes de governança, integridade e gestão de riscos?

O que é preciso fazer, na prática?

Nesse contexto, governança não significa burocratizar o trabalho social. Significa estabelecer processos, responsabilidades e mecanismos de controle que assegurem o uso responsável dos recursos, decisões institucionais mais estruturadas e a adequada gestão de riscos.

No terceiro setor, ela se apoia em alguns pilares fundamentais:

• Conselhos atuantes e independentes, capazes de exercer supervisão estratégica e fortalecer a qualidade das decisões institucionais.

• Definição clara de papéis entre conselho e diretoria executiva.

• Políticas de integridade, como gestão de conflitos de interesse, diretrizes para interação com agentes públicos e regras para contratação e uso de recursos públicos.

• Controles internos e gestão estruturada de riscos.

• Transparência como elemento central, materializada na prestação de contas e na comunicação clara por meio de relatórios de atividades ou sustentabilidade que evidenciem resultados, uso de recursos e práticas de prevenção à corrupção.

O mito de que governança é apenas para grandes organizações

Um equívoco comum é imaginar que a governança seja necessária apenas para grandes organizações. Na realidade, ela é importante para OSCs de todos os portes. Mesmo organizações pequenas lidam com recursos, tomam decisões

estratégicas e assumem responsabilidades perante beneficiários, parceiros e financiadores. Em muitos casos, essas organizações também executam projetos financiados com recursos públicos ou transferências governamentais, o que exige ainda mais responsabilidade e mecanismos de controle. Por isso, estruturar boas práticas desde o início contribui para reduzir vulnerabilidades, aumentar a transparência e fortalecer a sustentabilidade institucional.

Outro ponto importante é que a governança cria as bases para que as organizações avancem na demonstração de resultados e impacto social.

A mensuração de impacto ainda é um desafio para muitas OSCs, pois exige métodos estruturados de coleta e análise de dados, além de processos organizacionais bem definidos. Nesse sentido, a governança desempenha um papel fundamental ao estruturar indicadores, fluxos de informação e processos internos que permitem às organizações avançar gradualmente da execução de projetos para a demonstração consistente de resultados e impactos.

Investir em governança deixou de ser uma escolha e passou a ser uma necessidade estratégica.

Nesse contexto, iniciativas voltadas ao fortalecimento institucional do terceiro setor tornam-se progressivamente mais relevantes. A Engaja Brasil surgiu justamente com a missão de apoiar organizações sociais no desenvolvimento de práticas de governança, gestão de riscos e transparência. Por meio de uma plataforma que integra processos de due diligence, diagnóstico ESG/GRC e trilhas de aprimoramento institucional, a iniciativa busca ajudar as OSCs a evoluírem continuamente em suas práticas de gestão e governança, contribuindo para a construção de um ambiente mais seguro e confiável para parcerias com empresas e investidores sociais.

Fortalecer a governança no terceiro setor significa proteger a integridade das organizações, preservar a confiança da sociedade e garantir que os recursos destinados a causas sociais gerem o resultado social esperado. Em um contexto de crescente demanda por transparência e responsabilidade institucional, investir em governança deixou de ser uma escolha e passou a ser uma necessidade estratégica para o futuro do terceiro setor.

Conheça a Engaja Brasil:

Quando a solidariedade ganha asas — e transforma logística em vida

PROJETO DE AVIAÇÃO SOLIDÁRIA

O ALCANCE DE UM GRANDE MARCO

OBrasil acaba de atingir um marco silencioso, mas profundamente relevante: o centésimo voo do Programa TransplantAR. Mais do que um ponto de chegada, ele marca o momento em que uma solução deixa de ser pontual e passa a ser estruturante.

Para quem não acompanha de perto o sistema de transplantes, esse número pode parecer apenas estatístico. Na prática, ele representa algo muito mais concreto — vidas que tiveram uma chance real, órgãos que chegaram a tempo e um gargalo histórico que começa a ser superado: a logística.

Onde está o verdadeiro desafio do sistema de transplantes

O Brasil possui, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), um dos maiores programas públicos de transplantes do mundo. Mas existe um ponto crítico, pouco conhecido fora do meio médico: não basta existir um órgão compatível — é preciso transportá-lo com extrema rapidez. Órgãos como coração e pulmão precisam ser transplantados em até quatro horas após a captação. Em um país de dimensões continentais, isso transforma a logística em um fator decisivo. Historicamente, uma parcela relevante dos órgãos captados no Brasil não era utilizada a tempo — não por falta de equipe ou capacidade médica, mas por limitações de transporte.

A proposta: usar melhor o que o país já tem

Foi para enfrentar esse desafio que nasceu o Trans-

plantAR. A iniciativa conecta dois universos: a medicina de alta complexidade e a aviação executiva. De um lado, a urgência clínica representada pelo cirurgião cardiovascular Ronaldo Honorato. De outro, a experiência operacional do comandante Francisco Lyra.

A solução é simples — e poderosa: utilizar aeronaves privadas que permanecem grande parte do tempo paradas em hangares para realizar missões emergenciais de transporte de órgãos e equipes médicas. Esse modelo, conhecido como aviação solidária, funciona em articulação direta com as Centrais de Transplantes e complementa a atuação do sistema público de saúde sem custos para o Estado ou para o paciente.

Como funciona na prática

Tradicionalmente, o transporte de órgãos no Brasil depende da Força Aérea Brasileira e de voos comerciais. Essas alternativas são fundamentais, mas apresentam limitações naturais: rotas fixas, disponibilidade e tempo de acionamento. O TransplantAR atua justamente onde essas limitações aparecem. Ao mobilizar aeronaves executivas sob demanda, o programa cria uma rede mais ágil e flexível, capaz de reduzir significativamente o tempo de resposta — fator decisivo em transplantes.

O que os números já mostram

Em pouco mais de um ano de operação, o TransplantAR atingiu um marco relevante: mais de 100 missões aéreas realizadas. Esse número traduz impacto concreto:

* Transporte de órgãos vitais, especialmente corações

* Participação relevante nos transplantes cardíacos

COMEMORA

realizados no país

• Redução de perdas associadas à logística

• Ganhos reais de tempo em situações críticas

Mais importante do que o volume é o que ele representa: o modelo deixou de ser uma ideia promissora e passou a ser uma solução comprovada. Apesar da complexidade operacional envolvida, o TransplantAR é, antes de tudo, uma construção coletiva.

Cada missão envolve uma cadeia de decisões e pessoas:

• Famílias que autorizam a doação em um momento de perda

• Equipes médicas que atuam sob pressão extrema

• Pilotos e operadores que colocam sua expertise a serviço da causa

• Parceiros que acreditam na colaboração como ferramenta de transformação

Reconhecimento e credibilidade

O impacto do programa foi reconhecido nacionalmente com o Prêmio Innovare, uma das principais premiações brasileiras voltadas à inovação em políticas públicas e à ampliação do acesso à cidadania. Esse reconhecimento reforça o potencial do TransplantAR como

uma inovação social capaz de gerar impacto real e mensurável. Para um público cada vez mais atento à agenda ESG, o projeto traz um exemplo concreto de como promover esse impacto sem necessidade de grandes estruturas adicionais.

O próximo passo: escala e sustentabilidade

Com o modelo validado, o TransplantAR entra agora em uma nova fase: a consolidação institucional por meio do Instituto TransplantAR. Esse movimento conta com o apoio técnico da Ago Social, organização especializada na estruturação e governança de iniciativas de impacto. O objetivo é garantir: governança sólida, sustentabilidade financeira e capacidade de expansão nacional.

A

TransplantAR mostra que não basta existir um órgão compatível. É preciso fazêlo chegar ao paciente.

O potencial é significativo. Afinal, o Brasil possui uma das maiores frotas de aviação executiva do mundo — e grande parte ainda subutilizada. Integrar esse ativo ao sistema de saúde pode ampliar de forma relevante o número de vidas salvas. Para um país com milhares de pessoas aguardando na fila por um transplante, cada avanço logístico representa algo muito concreto: mais chances de vida. No fim, a lógica é simples: não basta existir um órgão compatível. É preciso fazê-lo chegar.

E, cada vez mais, isso depende de algo essencial: um voo no momento certo.

Conheça o TransplantAR
Foto: TransplantAR
Equipe de transplante durante um transporte de órgão

FIFE 2026: tendências e conteúdo para o futuro do terceiro setor

Por Fabíola Melo

A AGO TRAZ OS PRINCIPAIS DESTAQUES PARA O PÚBLICO QUE NÃO

CONSEGUIU ACOMPANHAR PRESENCIALMENTE O MAIOR EVENTO BRASILEIRO

SOBRE GESTÃO DE OSCS

Time Ago no FIFE

Marcar presença no FIFE (Fórum Internacional de Filantropia Estratégica) já faz parte da história da Ago. Em cinco anos de existência, a Ago participa pelo quarto ano consecutivo do maior evento voltado ao fortalecimento e à sustentabilidade do terceiro setor no Brasil.

Em 2026, o encontro aconteceu em Recife (PE) e reuniu mais de dois mil participantes, levando muito conteúdo e a oportunidades de conexão para o público formado por gestores de organizações sociais, captadores de recursos, investidores sociais, estudantes e representantes do poder público de todo o país. Para Thaís Iannarelli, diretora-executiva da Rede Filantropia, organizadora do evento, “encerrar mais uma edição do FIFE com recorde de público, participação de organizações de diferentes

regiões do país e com tantas trocas acontecendo ao longo da programação mostra a força desse campo e a importância de criar espaços de encontro, formação e articulação para o Terceiro Setor”.

Pernambuco, estado que possui um riquíssimo ecossistema social, recebeu o FIFE 2026.

Em quatro dias, pautas essenciais para a sustentabilidade organizacional (como captação de recursos, liderança, gestão de pessoas, saúde mental, contabilidade e tributos, comunicação e inteligência artificial) foram apresentadas por dezenas de especialistas do setor. Além disso, houve debates ricos e indispensáveis para a construção de agendas conjuntas voltadas a mudanças mais efetivas. Um exemplo foi o painel “Quem decide o sucesso de um projeto social: doadores ou beneficiários?”, que ouviu uma representante do terceiro setor – Stellinha Moraes, fundadora da ONG Anjos da Tia

Stellinha – e um representante do investimento social privado (Gabriel Cardoso, do Instituto Sabin). Ambos dialogaram mostrando que transparência, construção em parceria e engajamento de todas as partes envolvidas são os fatores que verdadeiramente contribuem para o sucesso de um projeto. “A pergunta ‘quem decide o sucesso, doador ou beneficiário?’, que guiou o nosso painel, é uma armadilha. O sucesso de um projeto social não se decide em um único polo; ele se constrói na qualidade da relação entre as partes e na governança que distribui poder sem diluir responsabilidade. Enquanto tratarmos essa relação como concessão de um lado ao outro não avançaremos”, resume Gabriel.

Para Stellinha, um destaque do FIFE – e que reflete uma tendência nos eventos de responsabilidade social – é o olhar cada vez mais forte para o território. “Acho

que a pauta do desenvolvimento comunitário deve avançar com cada vez mais força. Percebo que vamos falar muito mais sobre isso daqui para a frente, posicionando o território como protagonista”, afirma. Ainda considerando a questão das demandas regionais, a empreendedora comemora o fato do evento ter ocorrido no nordeste: “é uma oportunidade para dar luz a ONGs que já fazem trabalhos incríveis, além de fomentar o investimento social privado nesta região, que possui muitos parques eólicos e mineradoras – consequentemente, com muitas comunidades impactadas pelas externalidades dessas operações”.

Depois dessa passagem pelo Nordeste, o FIFE 2027 volta para o Sul do Brasil e acontecerá em Gramado (RS). As inscrições já estão abertas.

Alguns insights do FIFE para serem colocados em prática agora mesmo:

NR1: Assunto em alta, a Norma Regulamentadora nº 1 estabelece diretrizes sobre saúde mental no ambiente de trabalho – e as organizações também precisam se adaptar. Por isso, Leonardo Abrahão reforçou o quanto essa é uma questão de sobrevivência do próprio propósito das instituições, e que é preciso sair de um cuidado simbólico para um cuidado estruturado e responsável das pessoas.

Economia da atenção: Relacionada ao desafio da saúde mental, o excesso de informações – caracterizado pelo interminável “bombardeio” de notícias, notificações, trends e outras novidades – foi o alerta trazido por Genesson Honorato. A chamada “infotoxicação” (sobrecarga excessiva de informações que uma pessoa recebe) compromete a criatividade, a inovação e a própria disposição para o trabalho e para a vida.

Reforma tributária: Diante de um auditório cheio, Nailton Cazumbá falou sobre as mudanças na Reforma Tributária que precisam estar no radar das organizações. O contador, que é especialista em terceiro setor, abordou os novos tributos, as isenções, e advertiu para a necessidade de haver uma gestão tributária mais preparada e consciente por parte das instituições.

Desenvolvimento territorial: Assunto presente em muitos painéis e palestras, a questão foi evidenciada por Stellinha Moraes em sua palestra sobre Teoria da Mudança. Ela lembrou que o território é um sistema vivo que precisa ser considerado em suas singularidades e forças. Por isso, qualquer intervenção deve partir de uma escuta genuína e respeitosa dessa base.

Stellinha Moraes (Anjos da Tia Stellinha) e Gabriel Cardoso (Instituto Sabin) em um painel do FIFE 2026 mediado por Vanessa Prata Inscreva-se no

Empreendedorismo feminino transforma renda, comunidades e perspectivas de futuro

Foto:FundoEstímulo

INICIATIVAS DE CAPACITAÇÃO E ACESSO AO CRÉDITO

MOSTRAM COMO MULHERES DE BAIXA RENDA ESTÃO

IMPULSIONANDO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL EM DIFERENTES REGIÕES DO PAÍS

o Brasil, milhões de mulheres transformam pequenas iniciativas em motores de renda, autonomia e desenvolvimento local. Segundo dados do Sebrae, as mulheres representam cerca de 34% dos empreendedores do país, sendo aproximadamente 10 milhões de empreendedoras no país. Desse total, 48% das mulheres empreendem por necessidade (muitas vezes como alternativa à falta de emprego formal), grande parte nos setores de comércio, alimentação, beleza e serviços.

mulher empreende, movimenta a economia da comunidade e amplia oportunidades para outras mulheres.

O empreendedorismo feminino tem se consolidado como um dos caminhos mais relevantes para promover inclusão produtiva e transformação social no Brasil, refletindo nos ganhos familiares, na geração de empregos e no fortalecimento das comunidades.

Essa dinâmica tem sido observada em diferentes programas de inclusão produtiva voltados a pequenos negócios. O Fundo de Impacto Estímulo, iniciativa dedicada a ampliar oportunidades para empreendedores no Brasil, já viabilizou mais de R$400 milhões em crédito em quase seis anos de atuação, apoiando pequenos negócios em diversas regiões do país.

Dentro desse cenário, o empreendedorismo feminino ocupa um papel relevante. Cerca de um quarto dos recursos já foi destinado a

mulheres empreendedoras. A atuação já beneficiou mais de 1.650 empreendedoras em quase 400 cidades brasileiras, contribuindo para a geração ou manutenção de mais de 17 mil empregos. Outro dado que chama a atenção é o perfil das beneficiárias: 89% das empreendedoras atendidas estão em regiões de baixa renda, o que reforça o papel do crédito produtivo como instrumento de desenvolvimento local. Além disso, 35% dessas mulheres tiveram acesso ao crédito pela primeira vez, evidenciando uma lacuna histórica no sistema financeiro tradicional, que frequentemente impõe barreiras para pequenos negócios liderados por mulheres, especialmente quando estão em fase inicial ou atuam na informalidade.

A experiência do Fundo mostra que quando o acesso ao crédito é combinado com capacitação e orientação financeira, pode acelerar o crescimento desses negócios e aumentar suas chances de sustentabilidade no longo prazo. Quando esse processo ocorre com mulheres, também contribui para fortalecer a autoestima das empreendedoras, que passam a enxergar novas possibilidades de desenvolvimento pessoal e profissional. Outro efeito importante aparece dentro das famílias. Filhos e filhas que crescem acompanhando mães empreendedoras passam a ter novas referências de autonomia e realização profissional, o que pode influenciar diretamente suas expectativas em relação à educação e ao futuro.

Histórias que retratam a força feminina no empreendedorismo

Antônia Santos é um exemplo dessa transformação. Vinda de uma realidade simples no interior da Bahia, ela decidiu romper com o ciclo de trabalho na roça e enfrentar as dificuldades para empreender. Depois de um começo informal, sem acesso a crédito inicialmente e enfrentando resistência dentro de casa, sua coragem, persistência e a confiança nas relações com fornecedores abriram caminho para que ela estruturasse o próprio negócio: uma loja de roupas. Como principal fonte de renda da família, a loja de roupas abriu portas para as gerações futuras, custeando os estudos das duas filhas. Hoje uma delas, Daniele, cuida do controle de estoque e dos processos administrativos do negócio.

Outra história de superação aconteceu com Monique Elvis

um grupo de empreendedoras na região, promovendo trocas, apoio mútuo e fortalecendo uma rede feminina de negócios que cresce de forma colaborativa.

As jornadas de Monique, Antônia e Daniele ganharam um novo curso quando encontraram o Fundo Estímulo.  Além de cursos e networking, as empreendedoras receberam apoio financeiro do Fundo Estímulo por meio de uma linha de crédito.

A inclusão produtiva de mulheres contribui para um ciclo virtuoso de ampliação de oportunidades e redução de desigualdades.

A baiana de Ilhéus deu os primeiros passos no mundo dos negócios vendendo chips de celular nas ruas. Com poucos recursos, mas muita determinação, estruturou uma pequena equipe formada por outras mulheres e fez daquela atividade sua principal fonte de receita. Atenta ao comportamento dos consumidores, Monique decidiu ampliar o negócio e inaugurou sua primeira loja de acessórios para celular. Para estruturar o negócio, que passou a ganhar tração com novas unidades abertas, buscou crédito. Hoje, além de manter suas lojas ativas e gerar recursos para outras mulheres, Monique também atua como articuladora local: criou

Investimento que gera retorno para a sociedade

Para especialistas em desenvolvimento econômico e social, investir em empreendedorismo feminino representa uma estratégia eficiente para ampliar oportunidades e reduzir desigualdades. Além do impacto social, estudos mostram que mulheres tendem a apresentar níveis mais baixos de inadimplência em operações de crédito, o que reforça a importância de ampliar políticas e iniciativas voltadas a esse público. Apoiar mulheres empreendedoras com programas de inclusão produtiva contribui para criar um ciclo virtuoso: mais renda, mais autonomia econômica e mais desenvolvimento para comunidades inteiras e pelas próximas gerações.

Saiba mais sobre o Fundo de Impacto Estímulo:

Antônia Santos na sua loja em Itinga ao lado da filha Daniele Monique expandiu seu negócio quando teve acesso a crédito e desenvolvimento profissional

Sustentabilidade

Foto:FláviaMartins

NDescarbonizando no dia a dia

PARA UM FUTURO POSSÍVEL Por Lucas Fellipe, especialista em inovação aberta para ecossistemas tecnológicos que integram eficiência de mercado e transformação social

os dias de hoje, temos enfrentado uma série de transformações que impactam diretamente o nosso cotidiano: você já sentiu um cansaço fora do normal durante períodos de calor extremo ou já percebeu como o preço do café e do chocolate não para de subir?

Embora pareçam situações desconectadas, esses sinais revelam os efeitos concretos das mudanças climáticas, que já influenciam nossa saúde, o custo de vida e a segurança alimentar em escala global.

A descarbonização transforma a economia ao substituir combustíveis fósseis, como carvão e petróleo, por fontes limpas, como a solar e a eólica.

Diante desse cenário, um conceito tem ganhado cada vez mais destaque nas discussões públicas e no mundo dos negócios: a descarbonização.

Mas o que isso significa, na prática, para o cidadão comum? E como esse movimento pode se tornar uma verdadeira moeda de troca para empreendedores interessados em gerar impacto social e econômico positivo?

O que é descarbonização?

De forma simplificada, a descarbonização é o conjunto de ações destinadas a reduzir ou eliminar as emissões de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera, com foco principal no dióxido de carbono (CO2). O excesso desses gases funciona como um "cobertor" que retém o calor ao redor da Terra, gerando o aquecimento global e fenômenos como

o derretimento de calotas polares e eventos climáticos extremos. O termo ganhou força com o Acordo de Paris, um tratado internacional, assinado em 2015, que estabeleceu a meta de limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais para evitar danos irreversíveis ao planeta. Atualmente, a temperatura já subiu entre 1,3°C e 1,4°C, o que torna o processo de transição energética uma urgência global.

A descarbonização não se limita apenas à indústria; ela se expressa em práticas que aliam inovação e sustentabilidade para viabilizar produtos e fontes de energia cada vez mais eficientes e renováveis.

A descarbonização no nosso dia a dia

Estima-se que 51% dos brasileiros ainda não saibam como contribuir para a diminuição das emissões de gases de efeito estufa. No entanto, o estilo de vida e os hábitos sustentáveis são peças fundamentais para reduzir a "pegada de carbono" – o rastro de poluentes que cada indivíduo deixa no ambiente.

Veja como a descarbonização se traduz na rotina:

1. Eficiência energética e uso de fontes renováveis: A transição começa com a troca de lâmpadas antigas por modelos LED e a substituição de eletrodomésticos por versões mais eficientes. No Brasil, o uso da energia solar fotovoltaica é uma das estratégias mais eficazes, podendo reduzir as despesas com eletricidade em até 95%.

CAMINHOS

2. Gestão de resíduos e reciclagem: O processo de reaproveitamento emite muito menos CO2 do que a fabricação de novos produtos do zero. Além disso, a compostagem de restos de alimentos evita que esses resíduos emitam metano, um gás de efeito estufa ainda mais potente do que o (CO2)

3. Consumo consciente e economia circular: Praticar o consumo consciente, como adquirir roupas em brechós ou optar por embalagens reutilizáveis, reduz a necessidade de extração de novos recursos naturais.

4. Mobilidade sustentável: Ao abastecer o veículo, escolher o etanol em vez da gasolina contribui diretamente para a redução de emissões, já que o combustível de cana emite, em média, 89% menos gases poluentes.

A transição justa para negócios de impacto

Se para o indivíduo a descarbonização é uma mudança de hábito, para o empreendedor social, ela é uma oportunidade de liderança por meio da transição justa. Este conceito defende que a mudança para uma economia de baixo carbono deve ser inclusiva, gerando novos empregos e valorizando comunidades vulneráveis e ecossistemas locais. Empreendedores sociais podem atuar na intersecção com empresas e o governo, oferecendo soluções que resolvam problemas sociais enquanto reduzem a pegada ambiental de comunidades inteiras.

Descarbonização nas empresas

A descarbonização é hoje uma prioridade estratégica para as companhias, já que apenas 100 empresas são responsáveis por 71% das emissões globais de GEE Para estabelecer diálogos assertivos, o empreendedor deve focar em três pilares:

• Agenda ESG e reputação: Ser uma empresa consciente agrega valor ao negócio e à imagem perante clientes e investidores. Negócios de impacto po-

dem ajudar empresas a alcançarem certificações de sustentabilidade que são, por vezes, obrigatórias em processos de licitação.

• Redução de riscos financeiros: As mudanças climáticas podem gerar prejuízos de até US$1trilhão para grandes corporações devido à perda de estoques, falta de matéria-prima ou interrupções na produção. Projetos de descarbonização funcionam como um seguro contra esses riscos operacionais.

Embora pareça uma tarefa restrita a grandes fábricas, a descarbonização começa nas pequenas escolhas domésticas.

• Conformidade legal: O Brasil tem avançado com marcos regulatórios como a Lei do Mercado Regulado de Carbono (Lei nº 15.042/2024) e a Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024), que criam incentivos para quem polui menos e penalidades para quem não se adapta.

Um compromisso para todos

A descarbonização não é apenas uma obrigação técnica; é uma nova maneira de compreender o desenvolvimento econômico, unindo responsabilidade, inovação e bem-estar social. Trata-se de um processo coletivo e urgente que exige o engajamento de pessoas, governos e empresas para superar a dependência de combustíveis fósseis.

Enquanto indivíduos, nossas escolhas cotidianas e o incentivo a redes de contatos aceleram essa transição. Para os negócios de impacto, o desafio é traduzir a urgência climática em soluções que gerem valor real para o mercado e para a sociedade. Ao descarbonizar nosso dia a dia e nossos diálogos, estamos construindo um futuro mais resiliente, saudável e justo para todos.

Mais sobre Lucas Fellipe:

Foto:CENPRHE

AFETO QUE ABRE CAMINHOS E transforma destinos

Fabíola Melo

NA PERIFERIA DE CUIABÁ, UMA TRAJETÓRIA QUE MOSTRA COMO AFETO E OPORTUNIDADES PODEM REVELAR POTENCIAIS ANTES INVISÍVEIS

Algumas histórias de transformação social começam com grandes estratégias. Outras começam com algo muito mais simples — um gesto de cuidado. No caso de Maria Tereza Urbano, cofundadora do Centro de Promoção Humana Emanuel (CENPRHE), tudo começou com um olhar sensível para a realidade de crianças invisibilizadas pela pobreza extrema.

Educadora de formação, Maria Tereza construiu sua trajetória na área da educação infantil. Parte dessa jornada aconteceu fora do país: ela viveu e trabalhou na Itália por vários anos antes de retornar ao Brasil no início da década de 1990. O retorno, porém, trouxe um choque de realidade. Ao se estabelecer no Centro-Oeste em 2003, aos 50 anos, uma visita à Vila São João mudaria definitivamente o rumo de sua vida. Ali, Maria Tereza encontrou uma realidade marcada pela pobreza extrema, pela fome e pela ausência de serviços básicos. O impacto foi imediato. “No dia que eu pisei lá, disse a mim mesma: ‘vou me mudar para cá e quero dedicar a minha vida a este lugar’”, lembra a empreendedora. Sem recursos e praticamente sozinha, Maria Tereza alugou uma pequena casa na região e começou a se aproximar e cativar a confiança das crianças do bairro. No início, algumas iam até sua casa apenas para beber

água filtrada — uma pequena atitude que revelava o tamanho das carências enfrentadas ali. Com o tempo, surgiram as primeiras atividades: brincadeiras, apoio às tarefas escolares e momentos de convivência. “As crianças traziam os caderninhos para a lição de casa. Depois, a gente servia o lanche, e em seguida, tinham as brincadeiras”, conta. “Muitas vezes, as crianças brigavam, e eu simplesmente as abraçava. Elas precisavam sentir que eram amadas”, completa. Esse afeto se tornou o ponto de partida para a formação de laços de confiança.

Mais do que oferecer atividades, proteção e tempo de qualidade à comunidade, Maria Tereza percebeu que era necessário ouvir e entender a realidade daquelas famílias e reconhecer suas dores. Com essa visão, aos poucos, o projeto foi se estruturando, oferecendo suporte para que as crianças frequentassem a escola (fornecendo cadernos, uniforme e calçados), e ajudando as pessoas a conseguirem documentos pessoais.

O afeto se tornou ponto de partida para a formação de laços de confiança.

Com o tempo, o trabalho começou a ganhar forma. Em 2006 teve início a construção da primeira sede do centro comunitário e, três anos depois, a iniciativa foi formalizada como associação. O que começou com brincadeiras em um espaço improvisado evoluiu para um programa estruturado de atendimento no contraturno escolar.

Hoje, o CENPRHE atende cerca de 200 crianças e adolescentes com atividades esportivas, culturais e artís-

ticas, com grupos de convivência, além de iniciativas voltadas à tecnologia e formação digital. A organização também mantém uma relação próxima com as famílias da comunidade e incentiva a participação das mães nas atividades e na gestão do espaço. Realiza também eventos durante o ano para encontros familiares.

Foto: CENPRHE

O início, em 2004. Hoje, seis dos jovens da foto têm filhos no CENPRHE e uma das meninas presta serviços para a organização.

Embora os desafios relacionados a recursos ainda existam, a organização alcançou um bom patamar de sustentabilidade, a partir do qual consegue remunerar todos os seus colaboradores e manter um grupo engajado de voluntários. Um planejamento e um processo eficiente de captação de recursos permite que hoje o CENPRHE já esteja pensando nos planos de atuação para 2027. Para o futuro, existe a intenção de expandir o atendimento e promover encontros com ex-alunos para acompanhar e fortalecer esses jovens, garantindo que seu desenvolvimento continue mesmo diante de dificuldades.

Mas talvez um dos aspectos mais marcantes dessa trajetória seja a transformação geracional que ela produziu. Algumas das adolescentes que começaram como voluntárias no projeto conquistaram bolsas de estudo, formaram-se em pedagogia e hoje atuam na coordenação da própria organização. Jovens que frequentaram as primeiras atividades voltaram anos depois como profissionais e lideranças comunitárias.

Para Maria Tereza, essas histórias revelam algo essencial: o potencial humano muitas vezes precisa apenas de oportunidade para emergir. “Às vezes falta apenas alguém que acredite”, conclui.

O pequeno espaço de acolhimento do início se tornou um lugar de pertencimento para centenas de crianças e famílias.

Duas décadas depois, o pequeno espaço de acolhimento se tornou um lugar de pertencimento para centenas de crianças e famílias. Um lugar onde brincar, aprender e sonhar são possibilidades reais. Onde pequenos gestos — um abraço, um olhar atento, uma oportunidade — provaram ser o primeiro passo para transformar uma vida inteira.

Conheça o CENPRHE:

Alimentar o presente, proteger o futuro

ENQUANTO ATUA NO COMBATE À FOME, A GOODTRUCK DESENVOLVE INICIATIVAS CONCRETAS PARA DESAFIOS SOCIAIS E CLIMÁTICOS

Renata Cavalcante não planejava empreender. Formada em Arquitetura e Urbanismo, foi no auge da pandemia, isolada em um apartamento no centro de São Paulo, que buscou no voluntariado uma forma de se reconectar com pessoas e com causas que fizessem sentido. Encontrou o GoodTruck — e ficou. Hoje, lidera a organização social, que vive um ciclo de crescimento e já esteve ao lado da Ago como aluna, foco de estudo de caso e integrando a banca avaliativa de uma das acelerações. O que começou como uma busca por pertencimento rapidamente se transformou em missão. Ao entrar na organização como voluntária, Renata percebeu que havia grande potencial, mas também fragilidades estruturais: ausência de processos, documentação incompleta, expansão sem planejamento e pouca previsibilidade financeira. Apoiou a reorganização desses processos e, em 2022, com a mudança da fundadora para outro país, foi convidada a assumir a liderança.

“Nunca foi o meu sonho empreender. Mas se eu não assumisse, ninguém o faria. O social, para mim, veio muito nesse lugar”, relembra.

O impacto também se constrói com gestão

A partir dali, a transformação foi acelerada. Sob sua gestão, a arrecadação da organização cresceu seis vezes, ultrapassando R$1 milhão por ano. A equipe saiu de três para 13 profissionais contratados, além de parceiros operacionais e voluntários recorrentes. Mais do que números, a mudança revela um traço marcante da liderança de Renata: a capacidade de combinar propósito com pragmatismo. “Não é só querer fazer o bem. Precisa estruturar”, resume. Além disso, “Hoje, me entendo como uma boa empreendedora porque sei a importância de trazer pessoas para cobrir meus pontos fracos”, conclui.

Se o desperdício de alimentos fosse um país, seria o terceiro maior emissor de gases de efeito estufa do mundo.

Foto: Lucas Greg Simões
Foto: Lela Leme
Renata Gonçalves

Evitando o desperdício e reduzindo a insegurança alimentar

O GoodTruck opera a partir de uma lógica simples de compreender — e complexa de executar. A organização recolhe em supermercados, distribuidores e centrais de abastecimento alimentos que perderam valor comercial, mas continuam próprios para consumo. Esses alimentos seguem diretamente para comunidades em situação de vulnerabilidade. Sem armazenamento intermediário. Sem desperdício adicional. Uma operação de logística de “última milha”, sustentada por protocolos rigorosos, treinamento nutricional e monitoramento constante.

Hoje, a organização atende cerca de 700 famílias por semana com frutas, legumes e verduras e já distribuiu mais de 1.400 toneladas de alimentos ao longo de sua trajetória. Mas a atuação vai além da entrega. Há educação nutricional, fortalecimento comunitário e articulação com organizações locais que fazem a triagem e a distribuição final.

Responsabilidade ambiental em conjunto com o cuidado social

Visão estratégica para fora e para dentro

Saiba mais sobre o Goodtruck:

Embora opere no terceiro setor, Renata usa lógica estratégica para dialogar com os parceiros de atuação. Estuda relatórios de sustentabilidade das empresas, entende suas agendas ESG e constrói propostas alinhadas às prioridades de cada uma. O resultado são relações com empresas como Mercedes-Benz do Brasil, Fundação Cargill e Zurich, além de reconhecimento internacional: no ano passado, o GoodTruck foi a única organização brasileira com estande no World Food Forum, da ONU, em Roma.

Para manter a credibilidade — essencial para um modelo financiado majoritariamente por investimento direto — Renata aposta em três pilares: comunicação forte, transparência (com relatórios mensais e anuais detalhados) e inovação para desenvolvimento de novas soluções.

A organização mostra como visão estratégica e inovação conquistam confiança e potencializam transformações.

O impacto gerado pela organização também é ambiental. “Estimativas mostram que se o desperdício de alimentos fosse um país, ele seria o terceiro maior emissor de gases de efeito estufa do mundo”, alerta Renata. Somente em 2024, a operação evitou a emissão de 198 toneladas desses gases.

Toda essa estruturação é necessária para alcançar um objetivo maior: “O desperdício de alimentos é um problema muito grande, e a garantia de segurança alimentar e nutricional tem várias camadas.Acredito que estamos movimentando o ecossistema e provocando diferentes atores a trabalhar mais em colaboração, buscando soluções em conjunto para alcançarmos resoluções sistematizadas”, reflete.

A história de Renata e do GoodTruck mostra que impacto sólido pode nascer da urgência, mas se constrói com método, estratégia e capacidade de execução.

Ilustração do portfólio oficial do Goodtruck

anúncio da Maxi

AGOSTO DE

Painéis e rodas de conversa sobre:

EM QUAL DOS PRÓXIMOS

EVENTOS DOS SETOR VOCÊ ESTARÁ?

MAIO

Impacta Mais

Economia de Impacto

20 e 21 de maio

São Paulo (SP)

JUNHO

Rio Nature & Climate Week

Clima e biodiversidade

01 a 06 de junho

Rio de Janeiro (RJ)

AGOSTO

Conferência Ethos

Responsabilidade social empresarial e agenda ASG

Datas ainda não confirmadas

São Paulo (SP)

AGOSTO

ESG Summit

ESG

05 a 07 de agosto

São Paulo (SP)

MAIO

Cambi Congresso

Ambiental

Sustentabilidade

27 a 29 de maio

São Paulo (SP)

JUNHO

Sustainability & ESG International Summit 2026

Sustentabilidade e ESG

10 e 11 de junho

São Paulo (SP)

AGOSTO

São Paulo Climate Week

Clima e futuro verde 03 a 07 de agosto

São Paulo (SP)

AGOSTO

Fórum Idis

Investimento Social Privado e Filantropia Estratégica

27 de agosto

São Paulo (SP)

3º Congresso Nacional de ESG®

Principal Evento de ESG e Sustentabilidade da América Latina 15 e 16 de Junho de 2026

Tema Central:

A Nova Era do ESG no Mundo em Transformação. Quem Age Agora Lidera o Futuro. ESG não é Tendência. É Sobrevivência.

Junte-se à Ago para construir um futuro mais sustentável.

A Ago Social apoia empresas, institutos e fundações na execução de projetos socioambientais que entregam impacto positivo real e mensurável. Por meio de metodologias inovadoras, fortalecemos OSCs, negócios de impacto e empreendedores da base para promover transformações sociais.

Fortalecimento de negócios e organizações socioambientais

Soluções Ago:

• Diagnósticos organizacionais

• Trilhas de formação

• Gestão de voluntariado por mentoria

• Gestão de redes e comunidades

Fortalecimento de cadeias de valor sustentáveis

• Pesquisas e diagnósticos

• Capacitação de atores da cadeia

• Apoio à estruturação corporativa

• Programas de valor compartilhado

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