Skip to main content

BioHeitor N.º18 FEVEREIRO 2023

Page 10

Genética HUMANA: Enrolamento da língua em "U" Afonso Galvão & Maria Silva

Introdução No âmbito da disciplina de Biologia, 12º ano da escola Frei Heitor Pinto, foi realizado um estudo no âmbito da genética e da hereditariedade, que estuda a estrutura e função dos mecanismos responsáveis pela transmissão de características, nomeadamente foi estudada a característica “ enrolar a língua em U” no sentido em que se procedeu a uma avaliação qualitativa e quantitativa que permitiu obter informação pertinente para dar resposta a questões relacionadas com esta característica, nomeadamente, responder às hipóteses de estudo elaborada.

HiPÓTESES: H1: O locus do gene capacidade de enrolar a língua em “U” encontra-se num autossomo do cariótipo humano. H2: O alelo cuja manifestação fenotípica corresponde à capacidade de enrolar a língua em “U” é o dominante.

Enquadramento teórico A genética é a área que estuda a hereditariedade (Freitas, 2020). Um dos principais fundadores das descobertas desta área foi Mendel, que as suas leis (1º e 2ºlei de Mendel) junto com a evolução tecnológica, conseguiu comprovar certos fenómenos que antes não se conseguiam compreender (Martins, et al, 2016). Uma destas características é capacidade ou não de enrolar a língua em “U”. Esta característica foi inicialmente estudada por Alfred Sturtevant, um dos pioneiros da genética Drosophila, em 1940 (Mcdonald, 2011). Este descreveu a língua como um simples carácter de dois alelos, em que o alelo dominante referia-se a dobrar e enrolar as bordas e as laterais da língua e o alelo recessivo à incapacidade de conseguir o mesmo (Mcdonald, 2011). Fig.1- Indíviduo que consegue enrolar a língua em "U" Porém, existiam alguns fatores que indicavam o contrário, fazendo com que as opiniões divergissem como acontece com os cientistas Liu & Hsu em 1949 (Odokuma, et al, 2008). Komai, em 1951, realizou um estudo semelhante com tamanhos de amostra muito maiores e encontrou resultados semelhantes ao Sturtevant (Mcdonald, 2011). Em ambos os estudos familiares, percebeu-se que um indivíduo é mais propenso a enrolar a língua quando seus pais têm essa capacidade e vice-versa (Mcdonald, 2011). Isto querendo dizer que existe uma grande influência genética, caso contrário não aconteceria o mesmo (Mcdonald, 2011). Além disso, percebe-se que existe uma proporção ligeiramente maior nas mulheres do que homens que enrolam a língua, havendo a possibilidade do gene estar contido no cromossoma X (Mcdonald, 2011).

Porém, este não poderia ser apenas de influência genética, visto que nessas pesquisas, percebe-se que existia famílias em que os pais não teriam a mesma característica do seu descendente, isto é, o seu filho teria capacidade de enrolar a língua em “U” (Figura 2) e os pais não ou vice-versa, o que se fosse totalmente da influência familiar não poderia acontecer (Mcdonald, 2011).

10


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
BioHeitor N.º18 FEVEREIRO 2023 by aefhp - Issuu