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NOVA em Folha | Novembro 2020

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Capa


FOTO DE CAPA

Autoria de Maria Antónia Dale antonia-dale4@hotmail.com

NOTAS A ado(p)ção do acordo ortográfico em vigor é uma decisão individual pel@s membros da equipa, redacção e colaborador@s . Após a revisão completa do material pela equipa editorial, o conteúdo e a versão final dos conteúdos são da responsabilidade e exprimem somente o ponto de vista d@s respectiv@s autor@s.

ESTE JORNAL É IMPRESSO EM PAPEL 100% RECICLADO.


nova em folha novembro 2020

Redação

Edição Gráfica

Beatriz Cabanilhas Beatriz Mateus Daniel Borges Diana Neves Francisca Oliveira Dias Francisco Nunes Inês Pinheiro João Martins Joana Freitas Liliana Marques Manuel Pinto Pedro Fernandes Rita Serpa

Colaboradores

Beatriz Cabanilhas Francisca Oliveira Dias Joana Freitas Liliana Marques Rita Serpa

Colaboradores

Ana Sofia Malheiro António Castro Gonçalo Cavaco Jéni Barreto Maria Gonçalves Maura Francisco Pedro Sarmento Tomás Girão

Filipa Serpa

NOTA Gostas de escrever? Queres ver as tuas reviews, receitas, bitaites, histórias, crónicas, etc.. num jornal d@s estudantes para @s estudantes? Envia-nos as tuas propostas até ao dia 20 de cada mês e participa nas nossas edições mensais! Ficamos à tua espera!

Jornal NOVA em Folha | Edição de Novembro 2020 Impressão: 150 cópias | Distribuição mensal e gratuita novaemfolha.ae@fcsh.unl.pt

FICHA TÉCNICA

@novaemfolha.ae

@novaemfolha.aefcsh

Já se gues NOV o A em F o no In lha stag ram?


NOVA EM FOLHA

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AEFCSH

AE em folha ÁLVARO ALVES Nos primeiros meses do novo ano letivo de 2020/2021, tendo em conta o agravamento da situação epidemiológica no País, os problemas dos estudantes do Ensino Superior tornaram-se mais evidentes do que nunca. A AEFCSH promoveu, ao longo dos meses de Outubro e Novembro várias iniciativas, que não se cingiram ao combate destes problemas, mas também a iniciativas de cariz cultural e recreativo.

No princípio do mês de Outubro, a AEFCSH lançou a campanha

«Náufragos do Ensino Superior»,

procurando dar voz aos estudantes e aos seus problemas, assumindo a responsabilidade de mostrar a atual situação do Ensino Superior no nosso país e, mais concretamente, na nossa Faculdade.

Para além destas diversas iniciativas, foi também promovido pela AEFCSH um Ciclo de Cinema durante o mês de Outubro, que contou com cinco filmes em cinco dias diferentes relativos à temática de Halloween que foram transmitidos via Facebook. Ainda

no

âmbito

da

campanha

«Náufragos

do

Ensino

»

Superior ,

realizaram-se

duas

reuniões

abertas no pátio da NOVA FCSH nos dias 29 de Outubro e 4 de Novembro, onde os alunos puderam expressar, individualmente, as várias dificuldades encontradas.

O início do ano lectivo ficou marcado, na NOVA FCSH, por diversos problemas: uns estruturais e outros novos. A AEFCSH procurou dar resposta estas questões com a concentração de dia 5 de Novembro, em frente à faculdade na qual se juntaram vários estudantes para reivindicar o Ensino Público a que têm direito.

Também

no

seguimento

da

luta

estudantil,

foi

marcada

para

dia

18

concentração em frente à Assembleia da República no âmbito da campanha

»

de

«O

Novembro,

uma

Futuro Está Em

Risco . Campanha cujo manifesto, que reivindica o aumento do financiamento público para o Ensino Superior, conta também com a assinatura da AAFDL, AAUL e da AEFLUL. No dia 18, estarão concentrados,

em

frente

ao

Palácio

de

São

Bento,

estudantes

de

diversas

defender um Ensino Superior Público, Gratuito, Democrático e de Qualidade.

fica atent@ às redes sociais da ae para não perderes nenhum evento! @aefcsh.unl

@aefcsh.nova

faculdades

para


NOVA EM FOLHA

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NOTÍCIAS

novidades fcsh Job-Teaser A NOVA-FCSH tem um novo Portal de Emprego que junta, num único local, oportunidades de estágio e trabalho, eventos importantes e apoio personalizado de profissionais do Núcleo de Integração Profissional e de Antigos Alunos (NIPAA). Se já estavas inscrito no portal antigo, reinscreve-te em https://nova-fcsh.jobteaser.com/!

Catálogo de merchandise da AEFCSH O catálogo de merchandise da AEFCSH já está disponível! Podes adquirir t-shirts, sweats, hoodies, palhinhas reutilizáveis, tote bags, discos desmaquilhantes reutilizáveis, ecocinzeiros e muito mais! Consulta o catálogo nos destaques do Instagram da AEFCSH (@aefcsh.nova)!

Conferências de novembro Este mês, o saber não vai a confinamento e a NOVA-FCSH garante-te uma série eclética de conferências a não perder: o Ciclo de Conferências ‘Novos Estudos & Novos Olhares’ continua, lembrando a Revolução Liberal de 1820 nas vertentes da liberdade e cidadania; mergulha na Arte de Traduzir as Mil e Uma Noites; participa no I Encontro GT Públicos e Audiências; ou aventura-te no workshop TechNetEMPIRE: Redes, Pessoas e Instituições. Consulta todos os detalhes na Agenda FCSH, no site da faculdade!

Colheita de Sangue A realizar pelo Instituto Português do Sangue e da Transplantação no dia 17 de novembro, entre as 14h e as 19h, esta nova sessão de colheita de sangue lembra-nos que a COVID-19 é só uma das muitas doenças que assolam o mundo. E, tal como a pandemia, reforça como, através da ação individual, podemos melhorá-lo para quem mais precisa. A colheita respeitará as medidas de segurança necessárias, não se aceitando doadores que apresentam uma temperatura superior a 37.5º. Vê as restantes condições de doação no site da FCSH!

Site +Lisboa O site +Lisboa, que reúne informação sobre a cidade a partir da investigação feita na NOVA FCSH nos últimos 30 anos, tem uma nova imagem. O projecto, em que colaboram professores e investigadores da faculdade, tem estudado Lisboa a partir dos vários olhares das artes, das línguas e das ciências sociais e humanas. Visita-o em https://maislisboa.fcsh.unl.pt/!

Projetos Extremos Patrocinada pela Gulbenkian e resultado de uma parceria entre a SIC e a NOVA FCSH, o projeto “Extremos” já está no ar. O objectivo é mergulhar no difícil tópico do populismo radical que alimenta a direita nacionalista europeia e produzir várias reportagens sobre o mesmo. Procura mais detalhes no site da SIC Notícias (https://sicnoticias.pt/especiais/extremos)!

lembrete Sabias que foi a AEFCSH a colocar à venda, por um preço de estudante, copos menstruais na NOVA FCSH? Através da parceria com a MeLuna, disponibilizamos uma alternativa saudável, ecológica e segura!

falta alguma coisa? envia as informativas edição!

tuas propostas para a próxima


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NOVA EM FOLHA

Outubro em resumo 10 de outubro - Nagorno-Karabakh Arménia e Azerbaijão voltaram a envolver-se em conflito sobre o território disputado de NagornoKarabakh. Por mediação russa, um cessar fogo foi acordado, a começar dia 10, mas as salvas de rockets e artilharia dos dois lados não cessaram, resultando em dezenas de mortos. A disputa alastrou às nações vizinhas, com Turquia e Rússia a tomarem partidos diferentes.

16 de outubro - Samuel Paty Professor de História e Geografia numa escola perto de Paris, Samuel Paty foi decapitado por um extremista muçulmano de origem chechena, Abdullakh Anzorov, de 18 anos, depois de mostrar cartoons que retratavam o profeta Maomé numa aula. Este ato de terrorismo motivou grandes manifestações a favor da secularização e da liberdade de expressão por toda a França, tendo a vítima sido agraciada postumamente com a Legião de Honra, num funeral de Estado em que participou o Presidente Emmanuel Macron.

18 de outubro - Protestos anti-monarquia na Tailândia Os protestos anti-monarquia na Tailândia começaram em Julho de 2020 e reativaram este mês, com mais de 10.000 pessoas a saírem às ruas todos os dias para protestar a influência do rei e pedir a demissão do primeiro-ministro Prayuth Chan-ocha, que recusou demitir-se perante um ultimato dos protestantes.

21 de outubro - Papa Francisco A estreia de “Francesco”, novo documentário sobre a vida do atual Papa realizado por Evgeny Afineevsky, cobriu-se de atenção mediática. Nele figuram declarações inéditas do Sumo Pontífice em prol dos direitos da comunidade LGBTI+. Francisco defendeu, numa entrevista de 2019, a criação de leis de união civil para casais homossexuais, combatendo a discriminação e reforçando que todos os seres humanos são “filhos de Deus” - visão que levanta questões contra o consenso doutrinário na Igreja Católica.

21 de outubro - Violência contra protestos na Nigéria No dia 21 de Outubro as forças de segurança nigerianas abriram fogo sobre centenas de manifestantes em Lagos. A manifestação protestava contra o abuso das forças policiais nigerianas e em específico contra as unidades policiais SARS (Special Anti-Robbery Squad). Pelo menos sete pessoas foram mortas segundo o Guardian. O governo de Lagos disse que iria iniciar um protesto de investigação.

Presidenciais americanas No mês de outubro assistiu-se à reta final das eleições presidenciais norte-americanas de 3 de novembro, nas quais Joe Biden e Donald Trump digladiam-se pela Casa Branca. Amy Coney Barrett, a pandemia, a violência policial, o voto por correio e as alterações climáticas foram os temas marcantes destas eleições. Biden segue à frente nas sondagens nacionais, no entanto, será nos resultados estaduais que se jogará a vitória, nomeadamente na Georgia, Ohio, Iowa e Carolina do Norte.

NOTÍCIAS


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Contemplar NOVA EM FOLHA

JOÃO MARTINS

Há beleza neste mundo incompreensível. Tanto para explorar e consumir sem mal. Há a oportunidade de chorar e sorrir, a esperança de que acabem os terrorese beleza em tudo, até neles. A vida não tem de ser compreendida para lá da evidência do cansaço. Quando nada resta para crer e gritar, quando por nada vale a pena morrer, aí surge a hipótese da contemplação. Todo o absurdo é-o até ser possível. Até não se dar por isso, é-se irracional. Nunca se pode saber o que se quer, ou se os dias nascerão enfim melhores. Nada se sabe, tudo se crê, tudo se perde. Da luta sobra a beleza e, sem embaraço, resta contemplar.

POEMAS


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CRÓNICAS

A mensagem de Fernando Pessoa TOMÁS GIRÃO

A Mensagem de Fernando Pessoa não poderia ser mais que um pleno vazio, quando, no seu profundo silêncio, é mal escutada por quem a devia ler e sentir. Chora, grita e frustrado abandona o pedaço de terra que lhe viu nascer… Assim se vive as palavras de Fernando; mergulhadas no profundo absinto e esquecidas em cada esquina onde deveria haver um amigo. É Portugal em 2020! É um espaço geográfico caracterizado pela sua ilustre e nobre História que, no entanto, é malamada, esquecida e espezinhada pelo seu povo ignorante: os portugueses. Consta que em tempos foram vencedores, descobriram o mundo e deram-no a conhecer; lutaram pela sua independência e liberdade, mantendo sempre a devida humildade, fraternidade e respeito por quem outrora ambicionou um Portugal melhor e livre do fascismo, da opressão e da censura. Contudo, os tempos voaram e as mentalidades retorceram e negligenciaram o sofrimento dos próprios avós! André Salazar, André Hitler, André Mussolini… Na verdade o seu nome é André Ventura. Fascista, demagogo e populista, eis o “ser humano” que desconhece o próprio país, pois a sua ideologia prefere abolir os bens sustentáveis e primordiais da sociedade: o sistema nacional de saúde e o ensino público. Sejamos realistas, mas queremos um país analfabeto? Certamente ele quer, mentes fechadas, pessoas dominadas! Desejaremos amigos e família descansando à sombra dos cedros? Vejamos o Brasil como exemplo… Este país assiste sereno enquanto a sua própria identidade é usurpada por Ventura e pela companhia que o segue; simultaneamente, apoia sem saber ou conhecer a pureza da realidade “Venturiana”. Racista, xenofóbica e preconceituosa, espelho dos conceitos e da estrutura do seu líder. Neste contexto, não consigo nem posso ficar indiferente face a tamanha injustiça - não existem problemas com minorias étnicas, predomina sim quem difunde o ódio contra estas! Muito mais que cidadãos são pessoas, seres humanos, homens e mulheres com os mesmos direitos e deveres que os restantes. O dilema encontra-se nos indivíduos que são racistas provocando deste modo um profundo descontentamento por quem recebe estes insultos: “Angola é nossa”; “Identifiquei um problema concreto com a etnia cigana”; e entre outros.


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CRÓNICAS

AULA DE NATUREZA PARA ECONOMISTAS JOÃO MARTINS

A vida está repleta de rituais de iniciação. Não era mais que um bebé inconsciente quando o padre da minha terra me verteu os santos óleos sobre a cabecinha, e eu lhe respondi com uma valente saraivada de berros de protesto. Relembro, pouco tempo depois, a receção dos meus colegas de infantário, cada um com o seu peluche esborrachado contra as faces envergonhadas. Sucederam-se outros tais - penso que basta nomear estes para aclarar a minha afirmação. Repito, portanto: a vida constrói-se em linhas de partida. Uma dos mais recentes foi a entrada no mercado. Desde setembro que me posso considerar uma mercadoria, um efetivo à espera de transação. Confesso que me assusta, a perspetiva de um futuro determinado pelo meu preço (com sorte, pelo meu valor) e em que a única certeza é de que estarei entregue às circunstâncias da corrente. Corrente essa que não estou certo de compreender, ou sequer de que seja compreensível, e a que se chama seja comumente de economia.

Do pouco que tenho vindo a aprender, lembrome de se destacar que a economia era um reino natural, onde leis imutáveis e universais encaixavam uma miríade de agentes e as atividades que desenvolviam. Havia relações de produção, consumidores, finanças, competição, emprego, índices e fatores, coeficientes indecifráveis, e todo um arraial de termos próprios e funções pomposamente batizadas. Parecia tudo muito organizado, como se um estratega todopoderoso tivesse estabelecido regras claras e disposto os peões de forma a que tudo encaixasse e se pudesse jogar livremente. Depois, disseram-me: o que faz a economia brilhar é a falta de um regulador - e a minha lógica desmoronouse... Acrescentaram: mas tudo se equilibra naturalmente, as peças são movidas por uma mão


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CRÓNICAS

invisível, basta saber ler as suas intenções para prever os seus movimentos e conseguir entrar no jogo com ela - e o meu ser estupefacto quedou-se. Que estranha religião era esta? Não sonho tornar-me economista, pelo menos por enquanto. Mas visto ser eu hoje parte do mercado, gosto de entender como se rege, e não me satisfaz a explicação do jogo da mão invisível... Com que então, leis naturais? E é melhor deixar tudo ao acaso?... Não me reconfortam estas noções... E não me parece que o plantel que defende esta tese perceba muito quer de Natureza, quer de História. Tentarei, então expôr a génese das minhas dúvidas e hesitações. Primeiro, a Natureza. Quando chove, a malta molha-se. Quando chove intensamente, até se pode apanhar uma constipação, ou pior. De qualquer forma, as plantinhas esverdeiam e os rios repõe o stock. Mas quando chove sem parar durante dias, o dilúvio arrasta tudo no seu caminho, vivo ou morto, inclusive seres humanos, que contra ele podem pouco. A minha questão é: não está o dilúvio previsto nas leis da natureza, tal como o aguaceiro moderado? Sim, sem dúvida. Pode não significar nada, mas enfim, uma pessoa inquieta-se - dizem-lhe que o mercado também se rege por leis destas e não pode ter paz, claro! E quanto à Segunda Lei da Termodinâmica, que insta que os processos naturais aumentam a entropia (desordenação) do universo? Se a mão da economia lhe obedecesse, não dançaria, incontrolável, multiplicando peças e derrubando outras, espalhando o caos? Certamente, é necessário forçar um equilíbrio, escapar à tendência dos sistemas deixados a si mesmos. Meter a História ao barulho serve apenas para agravar a inquietação. São incontáveis os terramotos, as secas, os tufões, as pragas, os dilúvios, as pestes, os acidentes e as carestias o Homem mais não tem feito que sofrer às mãos das hecatombes da Natureza. A sua ocupação secular é combatê-la e quebrá-la para que o reverso não aconteça. Onde falhou, ela submergiu-o, incinerou-o, congelou-o, desfigurou-o. Será, porventura, aconselhável, deixar-se guiar pela menos viável das forças, pela que mais capaz é de nos vergar e consumir? Por mais pacata que seja habitualmente, carrega um potencial de destruição ímpar. Ou seja, recapitulando: é com grande receio que me lanço no mercado, sabendo-o tão perigoso e subjetivo como inevitável. E espantame sinceramente que aqueles que o estudam consigam viver tranquilos com a perspetiva de que é um universo regido em acordo com leis naturais, e que acreditem na possibilidade de equilíbrio, como se ignorassem a violência da Natureza que os rodeia e da História que a testemunha. Mas a minha visão é meramente opinativa, carece de rigor e de formalismo. Talvez não seja mais que um delírio, um caso de visão turva. Mesmo assim... Estranho mundo, e estranha economia que o governa...


NOVA EM FOLHA

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[05.07.2020] ANA SOFIA MALHEIRO

Escorri ontem as lágrimas que caíam pela cana do teu nariz. Porque choravas tu no mesmo dia em que dizias ser feliz? Deitadas em abraços na relva, questionávamos o nosso próprio fado... e enquanto nos beijávamos tudo e nada parecia traçado. Não sei se quem ama fica perto e tu também não me sabes dizer. Por enquanto permanecemos juntas e só em beijos nos deixamos perder.

POEMAS


Horário P9

ANTÓNIO CASTRO

Hora certa no meu relógio. Já é hora de ir embora. Não se deve ficar muito tempo. Não se deve perder muito tempo. Hora certa no meu relógio. Tenho que ir trabalhar. Adeus, então, a toda a gente. Talvez volte para uma cerveja ou para um chá, se estiver maldisposto. Mas agora tenho mesmo de ir. Já tenho quem me espere e isto é malta sem paciência. Até ficava mais um bocado, mas há que saber sair. Sair e ir embora. Ir embora e rápido porque tenho que trabalhar. O que eu não dava por mais uns minutos! Mas a vida não é só isto. Não pode ser só beber e fumar, também tem de ser andar de metro, andar a pé, abrir o guarda-chuva. Agora tenho mesmo mesmo de ir, não me posso atrasar. Se eles me apanham, se eles sonham que eu estou aqui… Ficava logo desempregado e depois, sem dinheiro para o tabaco e sem trocos para a imperial, só me restava falar. Bem, agora é a sério. Até já, que eu tenho de ir. Hora certa no meu relógio. Hora de acordar.

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POEMAS


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CRÍTICA

ENOLA HOLMES JÉNI BARRETO

A história inicia-se com a quebra da quarta parede que separa o espetador das personagens intervenientes do filme quando Enola, a protagonista, fala diretamente para nós ao andar de bicicleta, situando-nos no espaço e no tempo – Inglaterra em 1884. A infância com a mãe Eudoria (interpretada pela brilhante atriz Helena Bonham Carter) é nos apresentada como sendo de uma proximidade e cumplicidade extrema, marcada por atividades como jogos de palavras, leitura, ciência e caça na bonita casa de Ferndell Hall. No entanto, embora a relação fosse aparentemente perfeita, Eudoria valorizava uma virtude acima de todas: a privacidade. Quando fez 16 anos, descobre que a mãe tinha desaparecido estranhamente o que nos leva ao mistério por detrás da ação. O seu irmão Sherlock Holmes, o famoso detetive da altura e uma das suas maiores inspirações, regressa a casa com Mycroft Holmes, para investigar e resolver o caso de sua mãe. No entanto, ao descobrir que o seu irmão e guardião Mycroft,a planeia enviar para um colégio interno, Enola foge de casa, seguindo um conjunto de pistas deixadas pela mãe, numa busca pelo seu possível paradeiro. O elenco conta com nomes bastante conhecidos como Millie Bobby Brown (a famosa Eleven de “Stranger Things”), Henry Cavill (o super-homem da audiência global) e Sam Claflin (cujo charme é inconfundível nos seus filmes “Jogos da Fome” e “Viver depois de Ti”). Obteve uma classificação de 6,7 em 10 pelo IMDb e estreou no dia 23 de setembro de 2020.


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CRÓNICAS

Não tenho cabeça GONÇALO CAVACO

“Corpo são, mente sã”. Com certeza o leitor já ouviu algo deste género, quer numa lista de ditados, quer numa daquelas clássicas análises de texto em português ou até no programa de Manuel Luís Goucha. Creio até, diz-me a experiência, que consiste numa daquelas frases que os nossos avós costumavam proferir de forma saudosista, tal baluarte dos tempos áureos de saúde e bem-estar. Ora, não obstante o paradigma de saúde e bemestar se ter alterado muito ao longo das últimas décadas (bagaço não é um bom desinfetante, avó) e, contrariamente, Manuel Luís Goucha permanecer exatamente o mesmo, muito poucas coisas me têm feito indagar sobre a condição humana como esta pequena frase inicial. Analisando o seu conteúdo, chegamos à conclusão de uma causalidade: basta um indivíduo possuir um corpo minimamente saudável que terá um retorno psicológico equivalente. A um descanso corporal digno irá corresponder uma mente igualmente digna. Uma limpeza física irá corresponder a um tratamento espiritual na mesma medida. Não sei quem ousou dizer algo assim pela primeira vez, mas claramente que se trata de uma abécula. Esta ignorância bestial deve-se, muito provavelmente, a falhas cognitivas de previsão. Este ser não terá analisado os desgostos de amor humanos que, segundo consta, raramente passam com uma bela sesta. Ignorou, também, de forma categórica os chumbos de unidades curriculares, que nem uma massagem hidratante em “spa” com “jacuzzi” incluído conseguirá (pelo menos permanentemente) fazer esquecer. Por fim e, concordará o leitor comigo, o criador de tal barbaridade esqueceu-se do pecado capital, da condição humana mais paradoxal: a condição de “só mais 5 minutos”.

Parece impossível que a espécie mais avançada à face do planeta Terra se veja vergada perante uma estrutura de madeira com um saco numa das extremidades. O ser que foi à lua e voltou é derrotado por um édredon e lençol. A criatura que deu aso a mil e uma religiões é castigada pelo Deus da lã e do quentinho. Conclui-se assim, caro leitor, duas coisas: em primeiro lugar, que na casa do profeta deste semiprovérbio não existiam camas, nem sofás. Nem uma daquelas poltronas rijas para um pequeno cochilo deveria haver. Muito provavelmente nem dormia, caso contrário perceberia a dor que muitos dos universitários passam diariamente. Depois, a fragilidade mental do “Golias” ser humano, derrubada por um David suave. Devido a esta inevitabilidade circunstancial, ativada pelo botão “snooze” dos nossos alarmes e influenciada pelo aconchegar da almofada, incentivo todos os meus compatriotas da luta infernal a deixar o leito do nosso aliado disfarçado. Desta forma, não iremos mais sofrer nas garras de quem só nos atrasa. Não aguentaremos mais com os efeitos paralisantes e nocivos de quem não nos quer ver nas primeiras aulas às 8 da manhã. Não seremos mais expostos às perdas de comboio, autocarro e metro, que só nos trazem pesar e embaraço público. Só aí sim, a mente será verdadeiramente sã. Espero com esta reflexão ter demonstrado ao leitor a inutilidade de ditados populistas. Tinha o objetivo de realizar mais reflexões e incentivos, mas o tempo já vai longo e não tenho cabeça para mais. Enfim, vou dormir a ver se passa.


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POEMAS

Metropolitano F. BERNARDES

Metropolitano: carruagens cheias. Confusão, um emaranhado de vultos. Nervosas e exaustas estão as pessoas. Sou um ilustre anónimo na maquinal e urbana rotina. Pendem do teto as pegas metálicas Observo e raciocino na minha mente: Elas têm a morfologia de uma corda de forca! Tremo e ofegantemente respiro. Saio freneticamente do metro Estou na movimenta malha urbana lisboeta Caminho pela rua. Caminhar frenético de quem é perseguido pelo medo. De quem é perseguido Por ferozes guerrilheiros. Nervosamente nervoso Está o meu ser Desesperadamente desesperado Está o meu estado. Do bolso retiro o maço Acendo o cigarro E o fumo expiro Vislumbro meu reflexo

No vidro de um carro: “Este não sou eu, “Eu não me identifico, “Eu não me reconheço.” O tabágico fumo dissipa-se A meu espírito vem A sensação de final de guerra. O silêncio da morte e as rajadas das armas São escutados por meus ouvidos: Enfim em casa! Abro a porta e isto: As rajadas e o silêncio da morte São escutados por meus ouvidos No meu reflexo Eu não me reconheço! 23/3/2019

Às 4h52 min. da manhã


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CRÓNICAS

Sermão de Pedro Sarmento – “Uma Exímia Prédica” Bem-vindos, irmãos, ao meu exímio sermão! Começo por vos perguntar se alguma vez se afirmaram como humanos, isto é, cometeram um ato extremamente malicioso de forma intencional contra o vosso semelhante? Se já o fizeram, congratulo-vos, pois a natureza animal é a pior e mais repugnante criação de Deus, nosso pai. Esta é o pó dos pés d’Ele! Assim sendo, procederei nesta tão exímia e bela cerimónia que no nosso Jardim de Éden pessoal se realiza, a expor a maliciosa natureza que os animais possuem. Começo pelos infames cães, esses nojentíssimos animais que confiam nos seus melhores amigos de forma quase que cega, que procuram pôr a felicidade dos outros acima da sua, que são altruístas de forma inata - que horrendo pensamento! Quem de vós é que, no seu estado mental são, ajudaria outro de forma pura e desprendida de interesses? Deus criou-nos para pecarmos, sendo que assim seríamos obrigados a pedir perdão e procurar a redenção, usando as tão famosas indulgências. Relembro também que não vos esqueçais de adquirir indulgências à saída do recinto, meus caros. A mentalidade do cão é tão horrenda que, para além de ajudar sempre quem precisa de forma desinteressada, este procura sempre manter-se alegre perante qualquer situação que apareça na sua vida. Será isto fruto da sua natureza animal ou da inocência? Todos vós sabeis que um ser perfeito não está sempre feliz, pois a felicidade permanente é fruto de uma mente afetada pela demência. Pergunto-vos, irmãos, quem de vós está sempre feliz? Quem de vós é feliz a ajudar os outros? Ninguém! Não sejais como o cão, que na sua demente inocência está sempre repleto de felicidade e compaixão pelos outros, pois esse é o caminho para a decadência! Todas as sociedades que procuraram ser caridosas entraram em decadência total! Vós sois seres perfeitos, irmãos, não deixeis que a influência da natureza animal influencie esse estatuto! Vós sois fruto de uma sociedade perfeita, apesar de muitos dos pensadores da antiguidade afirmarem que uma sociedade perfeita é inalcançável. Digo-vos mais, irmãos, esta sociedade é tão perfeita, que quase parece uma utopia retirada dos livros dos antigos. Nesta sociedade em que vivemos não podem existir os traços “bons” de que falam os insanos, tais como a entreajuda, a compaixão e a felicidade, pois são característicos da decadência civilizacional. Quantas guerras demoraram mais do que deviam devido à compaixão que um ser humano demonstrou por outro? Quão rápido poderíamos eliminar os nossos inimigos se os víssemos não como iguais, mas sim como monstros repugnantes? Quantos de nós estaríamos no topo se esmagássemos os outros para lá chegar? Somos muito mais felizes sem o conceito de felicidade, pois não existe a necessidade de nos sentirmos bem, levando assim a uma sociedade que produz mais, estando a evolução subordinada a isto!


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CRÓNICAS

Passarei agora aos lobos, um dos melhores animais que existe, pois possui a capacidade de se esconder perto de qualquer ovelha, iludindo a confiança da mesma enquanto espera pacientemente para a atacar. Quem é que não gostaria de ser como o lobo, conseguindo passar por cordeiro e, por fim, atacar as ovelhas que confiaram em vós? Quem não gostava de possuir a capacidade de iludir qualquer um, fazê-lo sofrer e até tirar-lhe a vida como forma de satisfazer as suas necessidades? Ninguém! De facto vos digo, irmãos, ninguém não gostava de ser como o lobo, pois este animal quase que é um ser divinizado. Todos nós gostávamos de conseguir enganar, fazer sofrer os outros e ainda tirar proveito disso saindo ilesos. Quem não? Falando ainda de animais divinos, passarei ao mosquito, o animal mais perfeito conhecido da nossa tão bela, exímia e indistinguível sociedade, pois consegue sugar a força de vida de qualquer ser e escapar de ileso. Exatamente esse mesmo mosquito que suga o sangue de um ser sem este notar, que escapa de forma esgueira e que no fim deixa o ser abandonado sem quaisquer forças. Um ser perfeito! Possui uma capacidade que nós, apesar de perfeitos, não possuímos, ou seja, a capacidade de fazer sofrer outrem, esgueirar-se e não sentir qualquer ressentimento. Quem não desejaria possuir este poder? Quem não o desejaria deve ser expurgado da nossa tão perfeita sociedade, pois traços de empatia humana são inadmissíveis! Devemos também ser como os gatos, interesseiros e cínicos, pois assim conseguiremos o que desejamos apenas demonstrando um amor falsificado. Os gatos são os mestres do disfarce, pois num momento fingem que amam mais que tudo, mas no outro magoam e fazem sofrer pelo mínimo desvio comportamental que não os agrade. Sejamos como os gatos, uns autênticos cínicos, pois é esse o caminho! Nenhum de vós deseja estar com um ser que vos quer infligir dor, logo tomar a atitude de um gato é o melhor caminho, pois se não o fizéssemos seríamos seres solitários. Um cidadão normal deverá ser como um cavalo, um mero instrumento nas mãos dos mais fortes, pois é esse o caminho. Vós podeis não acreditar neste facto absoluto, mas observai as estatísticas. Qualquer sociedade que explora os seus cidadãos torna-se forte e absoluta - em clima de proibição, pouca é a informação que se deixa sair, criando assim uma sociedade harmoniosa e calma. Temos de ser submissos, tal como as vossas mulheres são, não as deixeis sucumbir às ideologias macabras que as corrompem, como o feminismo. O feminismo é um cancro na nossa sociedade perfeita. Qual de vós, irmãos, defende a igualdade entre variados grupos? Exatamente, nenhum, pois essa é uma das maiores razões da decadência da nossa sociedade. Existe, agora mais que nunca, a necessidade de se insurgirem como maliciosos, cínicos, machistas e totalitários, pois a nossa sociedade perfeita está em risco. Temos de esmagar as feministas e as suas ideias de igualdade, insultando qualquer pessoa que as defenda, pois é esse o caminho. Iremos triunfar numa guerra de atrição. Destruiremos os pseudoprogressistas que procuram aniquilar a nossa perfeita sociedade cheia de pecado, feita como Deus a ordenou. Levantai-vos e insurgi-vos contra o poder que é o bem. Tomemos o mundo e mantenhamo-lo um paraíso pecador, tal como o Pai quer. Ámen!


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CRÓNICAS

Confissões de uma alma solitária LILIANA MARQUES

Um mês se passou. Continuo deitada nesta cama, presa, abandonada. A minha cela pode ser um mero quarto de hospital, mas não deixa de ser uma prisão. Não posso daqui sair, não tenho companhia senão a dos funcionários da prisão/hospital, dos meus colegas de cela (ou quarto, como lhe queiram chamar), e das ocasionais visitas de familiares e dos poucos amigos que me restam. Acredito que pareço um pouco (muito) amargurada… não o consigo evitar. Passei semanas e semanas, de hospital em hospital, até encontrar o doutor que foi (finalmente) capaz de diagnosticar o mal que me assombra, esta doença maldita que se estendeu por todo o meu corpo, mente e alma. Mas o que tens, perguntam-se vocês, já sem perceberem nada dos meus devaneios, devaneios estes de quem já não está acostumada a conviver e falar com outros que não a enfermeira que aqui passa de tempos a tempos. Ora, tenho uma doença tão comum… a solidão. Sim, é isso mesmo, sofro de solidão. Ora, dizem vocês, a solidão não é uma doença, mas sim um mero sentimento, uma emoção de gente triste e sozinha, que se encontra abandonada aos seus próprios pensamentos, sem ter ninguém com quem os partilhar. Mas é aí que se enganam.

Se tivesse que definir este mal que me atingiu, diria que não é senão a falta de companhia, a tal ponto que não me faz mais diferença estar sozinha, tanto que já nem reparo quando tenho alguém junto a mim. Deixei de me importar… É como um cancro, algo que quando se instala já não quer mais ir embora, ao contrário das pessoas à minha volta, que anseiam por voltar às suas vidazinhas insípidas e sem graça ao invés de passar mais um segundo que seja com esta velha alma cansada, importunada, e um pouco senil, devido à falta de companhia. Aqui estou eu, abandonada à minha cama de hospital, a solução que me arranjaram estes médicos, sem empatia e sem coração, para a minha doença… Fechar-me num quarto de hospital, onde tenho tanta companhia quanto antes, em minha casa, onde ao menos ouvia os passarinhos ao acordar todas as manhãs, e as crianças a brincar na casa ao lado. Estou sozinha, sempre estive na verdade - concluo após tanto tempo com os meus pensamentos por companhia. A única diferença é que outrora, quando era uma jovem idealista e cheia de sonhos, estava rodeada de pessoas, no entanto, nunca menos sozinha do que agora me encontro. No fundo, sempre estive só, as pessoas em meu redor simples adereços, como aquele sofá roxo hediondo da sala de convívio das enfermeiras.


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CULTURA

A representatividade da cultura pop nas nossas vidas, a construção de uma celebridade e o legado da televisão nos nossos costumes DIANA NEVES

Em 2015, desde que a Netflix a colocou no seu cartaz, nasceu uma nova febre sobre a série Friends, a aclamada comédia televisiva dos anos 90, que fez despontar nos adolescentes contemporâneos um vício inegável pelas histórias bizarras, amorosas e citadinas dos seis amigos de Manhattan. Em 2018, Kelsey Miller, lançava o seu então novo livro, I´ll Be There For You: The One About Friends, uma obra que decalca os defeitos da sitcom de David Crane e Marta Kauffman e, simultaneamente, aplaude as suas maiores conquistas e aspetos positivos. A série contou com as performances de Jennifer Aniston (Rachel Green), Courteney Cox (Monica Geller), David Schwimmer (Ross Geller), Matthew Perry (Chandler Bing), Matt LeBlanc (Joey Tribbiani) e Lisa Kudrow (Phoebe Buffay). Pode parecer um livro oco e superficial, à primeira vista (um erro preconceituoso que cometi quando ouvi falar dele), sobretudo para quem já viu a série e se deixa fantasiar pelas suas piadas, simplicidade, conforto e jovialidade e quer reter essa imagem na sua cabeça. Contudo, esta obra é muito mais do que aquilo que pensamos. A autora usa ostensivamente a expressão «um tempo da vida em que os amigos são a nossa família», que é o «momento doce» da nossa jornada. Mas que é finito. Da sua perspetiva pessoal, Miller quer deixar essa ideia bem clara, sobretudo para as pessoas da sua geração, e avisando os jovens que agora veem Friends, para não se esquecerem disso. O livro divide-se em três partes, ao todo com 11 capítulos, porém, tem temas essenciais que principalmente, para mim, ficaram a borbulhar. Partindo do pilar de que a série é sobre jovens na casa dos 20 que vivem várias peripécias na cidade, e conjugam histórias juntos e entre eles, a comédia Friends encerra em si valores que são produto do seu tempo (usando a expressão da autora) a vários níveis, mas carrega uma intemporalidade que atravessa o quotidiano dos jovens de hoje, e faz sentir, ainda, muita da sua presença e influência na cultura pop atual.

Seja para as gerações contemporâneas de Friends ou para as mais novas, a série representa, sem dúvida, uma espécie de conforto, evasão e entretenimento para todos, apesar de todas as suas falhas argumentais, precisamente porque retrata esse momento doce da vida, ao qual sonhamos chegar um dia ou que queremos manter junto a nós. Assinalando o processo criativo da história; os milhões de dólares que ganharam a produtora, os criadores, a distribuidora e os atores; a amizade e lealdade fora do «stage» entre os protagonistas; e até passando por curiosidades excêntricas, Kelsey Miller põe as cartas em cima da mesa e num tom sincero avalia tudo aquilo que a série causou na vida dos atores, dos seus criadores e na audiência, desde a sua estreia em 1994 até hoje. A autora dedica bastantes páginas a descrever diversas perspetivas e, mais importante, factos, sobre a falta de diversidade em Friends (a brancura cansativa do elenco), as piadas homofóbicas, que para muita gente estragavam o humor da série, as feições machistas em muitos episódios, e até casos de assédio sexual por parte dos elementos do guionismo da comédia em questão, e que foram levados a tribunal. Numa visão ampla da televisão dos anos 90, sobretudo no âmbito das comédias televisivas que centrifugavam no pequeno ecrã no final do século passado, Miller compara várias outras séries com Friends, o que nos permite ter um panorama geral sobre como se fazia televisão, a importância desse meio para o público e aquilo


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o público e aquilo que ele envolvia por trás da câmera. Nesse aspeto, a autora fez um trabalho excelente, e percebe-se que a série, embora a sua visibilidade lhe faça recair mais críticas, era tanto ou menos defeituosa, em termos de relevo social (falta de personagens negras, piadas sobre gays), do que outras também muito vistas. Friends tem os seus defeitos inegáveis, mas contribuiu para outras conquistas no seu tempo, nomeadamente dizer palavrões, ter um casamento lésbico (ainda que sem beijo), e jogar com assuntos de nudez e de sexo numa altura em que a televisão mal tinha passos dados nesses aspetos. Para acrescentar, Friends fez surgir em todo o mundo a cultura do «passar tempo nos cafés», abrindo-se grandes empresas; foi reacionária para uma onda em que todas as raparigas cortavam o cabelo à Rachel; e teve, tal como hoje ainda tem, pessoas a inspirar-se nos seus «outfits», ou empresas a lançar t-shirts inspiradas em frases típicas, situações, ou só com o título da série. Esta sitcom que durou dez anos, fez também mudar a vida dos atores, porque enquanto os sofás se enchiam, todas as semanas, de olhos postos no grupo de amigos da televisão, os seis companheiros da vida real tinham que andar escondidos de baixo de bonés ou mudar de casa, as publicidades não pararam de surgir, a sua visibilidade nos EUA e no mundo não parou de crescer e, consequentemente, a maneira como se tinham que comportar ganhou outro peso por parte da pressão que o público fazia. E ainda hoje, a maioria dos atores não se livrou do seu rótulo de personagem da série Friends. De igual forma, hoje milhões de pessoas em todo o mundo ainda não largaram a série. O que nos faz impor questões sobre o seu legado. Friends prova hoje que tem o seu auge em cada nova geração, precisamente porque pinta uma altura significativa da vida, pela qual todos passamos e guardamos com carinho. Foi para os seis atores e atrizes o lançamento principal das suas carreiras e marcou-os como profissionais e de forma pessoal para o resto das suas vidas. Moldou-os como celebridades e deixou-os a representarem algo para o mundo: a jovialidade, o companheirismo, o crescimento. A nós o que nos deixou? 236 episódios de gargalhadas, emoção, aprendizagem e julgamentos? Friends é a prova em como uma série que se torna adquirimos

CULTURA

produto cultural tem tanta influência na nossa vida, seja pelo corte de cabelo, a roupa, ou expressões que adquirimos. Torna-se, involuntariamente, parte de nós. Exibimos comportamentos e desenvolvemos pensamentos que, por vezes, podem relacionar-se com essa mesma visualização de uma série. A era da televisão, que passou de ser uma companhia, para entretenimento e até hábito, deu permissão para que a avalanche das séries televisivas e dos programas invadisse as nossas casas e mesmo as nossas mentes. Não é mau. Atualmente, muitas séries corrigiram os problemas (como os que Friends tinha) para abordarem temas de forma ética e até protestarem sobre outros, e ter uma televisão que nos permita aceder a essas formas de entretenimento é um bem. Com o correto uso. Todavia, cada vez mais as pessoas se viraram para a visualização de programas e séries online, escolhendo quando veem e quais veem, mais facilmente. As séries são uma parte grande da cultura pop e pautam-na com muita intensidade. Influenciam escolhas, maneiras de vestir, de ser e ações. Mas também nos ajudam a perceber o mundo, a criticá-lo e a formar a nossa personalidade. São, para além do mais, um meio de fuga da realidade, um instrumento para nos escondermos uns minutos da correria da vida. Ou uma ferramenta para fantasiarmos com outros universos, para nos rirmos ou para sentirmos nervos à flor da pele.

A cultura pop faz parte da nossa identidade coletiva e tem mão, quer queiramos ou não, na criação da nossa persona. Hoje há gostos para tudo e para nada, o que nos torna tão diferentes e há múltiplos legados culturais ,o que torna as sociedades ricas em diversidade. As séries que vemos não estão isentas de análise da nossa parte, mas nem tudo tem que ser refletido ou pensado, pode ser só uma escapatória. Friends desempenhou bem esse papel. Por isso, continua a ser tão amada, e transformou a cultura de forma tão veemente.


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CRÍTICA

THE GREAT GATSBY BEATRIZ MATEUS

Sempre ouvi o nome “Mr. Gatsby” por todo o lado, em adaptações, como tema de festa, até como adjetivo… Mas raramente me deparei com uma menção direta à obra “The Great Gatsby” de F. Scott Fitzgerald. Assim, foi-se formando esta ideia inquietante de que esta grande obra se tinha perdido no meio da Pop Culture, o que fez com que pegasse efetivamente no livro para ir ao fundo de tudo o que esta obra realmente é, mal consegui 5 minutos sem ser afogada com trabalhos e testes da universidade. Num pequeno resumo e sem revelar demasiado, a história é narrada por Nick Carraway, um jovem que ao se mudar para uma propriedade em frente a uma mansão com festas todas as noites, acaba envolto no mistério de Jay Gatsby. Gatsby é um mistério ao longo da obra, ninguém sabe de onde vem a sua fortuna ou onde estudou, mas quando Nick se aproxima dele os mistérios começam a desfazer-se e toda uma fachada acaba por se desmoronar. O interessante nesta obra é que a sociedade acabou por manter uma ideia da obra exatamente oposta da mensagem do livro. Mantiveram-se as festas e o glamour, mas perderam-se as fachadas e a verdade nua e crua de como as mentiras e vidas duplas acabam sempre por falhar, provando que Fitzgerald fez um trabalho excelente a captar a essência humana e a sua necessidade em manter fachadas. Por ser realmente uma excelente obra literária e para combater realmente toda a falta de informação em torno desta obra, o recomendo vivamente que leiam este livro e tirem as vossas próprias conclusões. Para mim esta será sempre uma obra de extremo interesse, não só pela escrita sublime, mas também pela interpretação que teve na nossa sociedade, que decidiu de pegar apenas no glamour e esquecer o complicado por de trás da vida de cada um.


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CRÓNICAS

MARIA GONÇALVES

Espero que tudo aquilo que tão humana me torna nunca morra em mim. Espero que o mundo me faça mudar, mas não me faça desligar. Espero que para sempre a Natureza me surpreenda, que sempre que me sente à beira rio o mundo se torne mais leve, que sempre que o sol nasça eu sinta a esperança de um novo começo, que o pôr-do-sol continue a acalmar todos os problemas que tanto me pesam, e que a noite continue a inspirar a poesia que cresce em mim. Espero que, mesmo quando o inverno ameace ficar, o meu corpo continue a dançar pela primavera que nos aguarda. Num mundo onde a vulnerabilidade nos torna fracos, espero continuar a ser a fraqueza em pessoa. Espero continuar a chorar, mesmo que seja por um coração partido, e espero continuar a sentir. Sentir tudo. Desde a dor ao entusiasmo, desde o amor ao ódio. Não quero deixar nada para trás, não quero que levem aquilo que sempre me pertenceu.. Quero sentir todos os extremos a que tenho direito, e esvaziar-me em todos os mínimos que não foram suficientes. Quero ser tudo, e quero ser nada. Quero mudar de ideias e quero ter certezas. E espero que, mesmo quando a rotina se instalar, quando as horas de trabalho começarem a pesar, e quando o cansaço se fizer notar, eu ainda tenha força para escrever, para refletir, para me questionar, e para me aventurar. Que mesmo quando o mundo me cansar, o cheiro de um novo livro continue a ser entusiasmante, e que uma viagem de carro ao som da minha música favorita ainda seja a cura para tudo o que parece não ter solução. E que o acordar da Natureza todas as manhãs ainda me faça sentir a felicidade na sua forma mais pura de ser.

Mesmo quando o mundo se tornar frio, e apenas nos ensinar a existir sem sentir, e nos reduzir a um número, eu relembro todos estes momentos que curam a nossa existência e que dão energia à nossa alma. Que são nestas banalidades que continuo a encontrar aquilo que preciso para não me perder. E desejo que o mundo nunca seja tomado por garantido, ou que o tempo nunca se faça tarde, e que a mudança continue sempre a ser assustadora, mas entusiasmante. Que mesmo quando o universo me vire as costas, eu saiba que não preciso dele para me guiar, e que tudo é demasiado efémero para merecer a minha inquietação. Espero que, quando parecer que já não há caminho (e parece, parece sempre) eu tenha a força de me aventurar e criar o meu próprio caminho. E espero que, quando me falte a vida, que as palavras ainda existam para lhe dar sentido. E, sobretudo, quero que os clichés de hoje ainda sejam a garantia do que me faz feliz amanhã. E quando me perguntam porque é que escrevo isto, a minha resposta é sempre a mesma: Não me posso esquecer.


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CRÍTICA

O DILEMA DAS REDES SOCIAIS: Uma reflexão crítica MAURA FRANCISCO

Título Original: The Social Dilemma (2020) Género: Documentário Face à pandemia de Coronavírus, encontrámonos, inicialmente, no conforto de casa, num contraste extremo com a rotina laboral. #Fiqueemcasa, a hashtag popular de incentivo às medidas de segurança, que poderia até ser vista ao princípio como uma oportunidade de relaxar e usufruir do aconchego do lar, foi-se tornando monótona, com o passar do tempo, onde o mais comum é navegar entre as redes sociais com distrações humoristícas, memes e desafios que nos possam entreter. Encontramo-nos horas a navegar com a perceção de autocontrole pois o aborrecimento justifica, quando pode dar-se o caso de que as aplicações por nós usadas controlam-nos mais do que nos apercebemos e, de facto, são projetadas com o objetivo primordial de controlar as nossas ações. O documentário “Dilema das Redes Sociais”, de Jeff Orlowski, disponível na Netflix, apresenta uma série de ex-trabalhadores de plataformas como a Google, Facebook, Youtube e Instagram, abordando a dinâmica do algoritmo destas plataformas e a falsa perceção de que são gratuitas; pois ao serem financiadas por empresas de advertising, isto justifica as inúmeras publicidades que nelas encontramos, que porventura variam de acordo com a conta e perfil de cada usuário. O algoritmo por eles abordado mantém um registo do que pesquisamos e funciona na base do mesmo para sugestões e para personalizar o que nos é apresentado em cada rede, inclusive a publicidades que vemos.

Pois para estes anúncios serem mais eficazes é necessário prever a ação do utilizador e conhecer o seu comportamento, sendo que é o objetivo deste algoritmo fazer estas previsões e apresentar resultados para nos manter online, até com mecanismos mínimos, como com as reticências que aparecem quando alguém está a escrever para manter o suspense e, consequentemente, sermos expostos a infinitos anúncios. Na atualidade, com os passos tomados para a reabertura da economia e para um modo de vida adaptado à pandemia, apesar de nos encontrarmos num sistema estudantil híbrido e/ou rotativo, as medidas de segurança instituídas pelo governo ainda incentivam o maior e devido distanciamento social. Ainda permanecemos em casa parcialmente, frequentando aulas online e demasiadas outras atividades para manter a produtividade que podem ser difíceis de cumprir ao redor de aparelhos portadores do nosso perfil, gostos e interesses, projetados com táticas psicológicas que nos fazem permanecer online. Isto é, ao ver conteúdos do nosso agrado e interesses, geramos neurotransmissores como a dopamina, relacionada com o bem-estar e a recompensa, que naturalmente é uma sensação procurada por todos nós. Assim nasce o vício de vivenciar este sentimento, verificando as novidades que nos esperam no ecrã a todo tempo, porque pode estar lá algo, criando-se o hábito de verificar o que há de novo a todo o instante, não obstante o cenário.


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NOVA EM FOLHA

A facilidade de verificar com o pensamento que possa estar lá algo rápido de visualizar num cenário pandémico não sofre restrições ou impedimentos devido ao ambiente que nos encontramos e assim inicia o ciclo que muitos de nós pode ter nos adaptado durante o regime à distância. O que é imprescindível contextualizar é o desafio de um cenário de ensino à distância numa era de dilema entre nós e as redes sociais. Pois o que pode ser considerado como uma visualização rápida de uma notificação durante uma aula zoom, na verdade é um mecanismo estratégico para reter a nossa atenção, apresentar uma publicidade e assim lucrar por cada clique (o custo que um anunciante paga a uma plataforma por cada clique em um anúncio que eles apresentam). Estas redes sociais por serem financiadas unicamente por advertising apoiam-se em mecanismos de marketing para o seu lucro, como os custos que um anunciante lhes paga por cada mil visualizações de um anúncio, ou mesmo com a aquisição dos produtos publicitados. “Quando não estás a pagar pelo produto, tu és o produto”.O filme aponta como os usuários são, de facto, usados com um propósito. Embora seja pouco provável abandonar as redes sociais é recomendável estar consciente das suas táticas de marketing. Fontes: https://resultadosdigitais.com.br/blog/o-que-ecpc-cpm-cpa/

CRÍTICA


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SUGESTÕES

SUGESTÕES DE HALLOWEEN PARA 2020 LIVROS, FILMES, SÉRIES...

The Rocky Horror Picture Show (1975)

sugestão de Rita Serpa

A ação desenvolve-se em torno de um casal, Brad e Janet, cujo carro se avaria durante uma noite chuvosa, levando-os a procurar um telefone no palacete do excêntrico cientista Dr. Frank N. Furter. Tendo sido alvo de uma reação extremamente controversa, quando foi lançado em 1975, hoje em dia “The Rocky Horror Picture Show” tem milhões de fãs e é uma referência cultural, principalmente na comunidade LGBTQ. Apesar de este filme ser classificado como uma comédia musical decomédia horror, de horror só tem mesmo as dores de barriga com que se fica depois de tanto se rir. Já vi este filme, há quase dois anos, e de vez em quando ainda trauteio o “Sweet Transvestite” no comboio, de tão profundamente que esta música se embrenhou no meu cérebro, logo não podia deixar de o aconselhar a todos aqueles que, não querendo deixar de ver um filme para viver o espírito de Halloween, prefiram rir-se à gargalhada a ter pesadelos nos próximos meses.

Na Transilvânia... Drácula

sugestão de Inês Pinheiro

É um clássico, ou pelo menos uma obra tão amplamente conhecida que adquiriu esse estatuto tanto pela sua qualidade, como pela sua popularidade. Trata-se da narrativa de horror gótico, que celebrizou o irlandês Abraham «Bram» Stoker, e o condecorou nos cânones deste tipo de literatura – Drácula. As personagens são nossas conhecidas, mas sem dúvida que não denegrindo Van Helsing e a bela Mina é o gélido conde Drácula, oriundo da Transilvânia, que nos marca. Para os amantes da Sétima Arte, há uma panóplia de adaptações, panóplimas a minha recomendação recai sobre o clássico com Bela Lugosi no papel do sinistro vampiro; e na versão de Francis Ford Coppola em que Gary Oldman dá corpo ao monstro imortal.

Hereditary (2018) sugestão de Diana Neves

Numa realização (Ari Aster) impecável, este filme desce aos segredos mais mórbidos de uma família, percorrendo três gerações de mulheres que escondem um interior maligno. Durante o luto pela perda de um ente querido, esta família irá viver situações trágicas.

Us (2019) sugestão de Beatriz Cabanilhas

Adelaide (Lupita Nyong'o) guarda um segredo macabro sobre a sua infância. Anos mais tarde, regressa à praia de Santa Cruz, para umas férias serenas com a sua família, férias essas que acabam por se transformar num caos quando o seu segredo vem ao de cima, e os doppelgängers da família aparecem para os aterrorizar. Para além disso, este filme formidavelmente assustador de Jordan Peele consiste todo ele numa metáfora que critica a sociedade dos EUA.

Gravity Falls sugestão de João Martins

Talvez não seja o programa mais assustador, mas se preferes um Halloween soft, cheio de teias mas sem muitas aranhas, que tal uma maratona de Gravity Falls? Esta série hilariante inclui mistério, família, sentimentos, absurdidades, muita diversão e um porquinho de estimação que aparece ocasionalmente! Por vezes, o humor negro por detrás das situações poderá suscitar-te um calafrio, mas de resto escaparás alegremente aos tradicionais efeitos secundários de umsecundários filme de terror convencional, como a arritmia, os suores frios ou umas noite sem dormir. Se quiseres entrar mesmo no espírito, é fácil mascarares-te de uma das personagens da série - afinal, basta teres uma camisola de malha e uma bandolete para ficares igual à Mabel!

Contos de Edgar Allan Poe sugestão de Beatriz Mateus

Recomendar Edgar Allan Poe é mais complicado do que outros autores, pela forma como a sua obra se encontra espalhada. Enquanto a maioria tem um livro e falamos apenas nessa obra, com Poe falamos em contos e poemas que podem, ou não, estar numa determinada compilação. Mas, sendo halloween, nada melhor do que ler a obra do verdadeiro pai do terror. Entre os meus favoritos estão “O gato preto”, “O poço e o pendulum” e “O Corvo”, no entanto recomendo explorarem a obra completa, neste site:https://poestories.com/stories.php


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SUGESTÃO

Fins de Semana Em Lisboa – O Que Fazer?

Sabemos que há muitos estudantes que por viverem longe, por falta de capacidade monetária, ou por outra qualquer razão, não vão a casa, à sua terra, em todos os fins de semana. Porém, a vida não é só estudar, e aproveitar os fins de semana para alargar horizontes, conhecer lisboa e divertirmo-nos é uma ótima maneira de passar o tempo. O Outono já está aqui, mas esquece as mantas e o sofá (sabemos que é bom, muitas das vezes) e aproveita para fazer coisas novas (sempre segun as regras de proteção e cuidados de higiene e sanitários da DGS, porque o vírus não descansa).

EXPOSIÇÃO: MEET VINCENT VAN GOGH

WEB SUMMIT LISBOA'20

DOCLISBOA '20FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA

Até 3 de janeiro de 2021, no Terreiro das Missas, Grande Lisboa. Já percorreu várias cidades europeias, e pelo mundo fora, estando agora em Lisboa, a homenagear um dos maiores, e mais conhecidos, artistas da História da Humanidade. De 2 a 5 de novembro, no Altice Arena , Parque das Nações. A maior conferência de tecnologia e investimento da Europa.

De 22 de outubro 2020 a março 2021. Uma congregação de filmes e visões sobre o mundo.


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AMÁLIA RODRIGUES CENTENÁRIO DO SEU NASCIMENTO

MONÓLOGOS DA VAGINA

SUGESTÃO

Até 30 de junho de 2021, no Museu Nacional do Traje, Panteão Nacional, Museu Nacional do Teatro e da Dança, Museu do Fado, Castelo de São Jorge, Teatro Municipal S. Luiz. Uma oportunidade para conhecer e brindar a uma das celebridades mais importantes da história do nosso país! Até 11 de Novembro de 2020. Peça de teatro no Teatro Armando Cortez, Carnide/Colégio Militar.

Notas: Ter atenção aos preços marcadas nas diferentes exposições e eventos (que estão todos bem expostos online, nomeadamente nos sites dos quais estas imagens foram retiradas). Para além dos eventos aqui descritos, há também feiras habituais como a Feira de Artesanato, no Terreiro do Paço; a Feira da Ladra; e a Feira dos Alfarrabistas, no Chiado.

ILUSTRAÇÃO: FILIPA SERPA


Receitas Canelones de alho francês por Ana Raquel Alves

INGREDIENTES • Carne de peito de peru picada/Soja fina • Alho francês • Cebola picada • Calda de tomate • Azeite • Sal, pimenta, temperos a gosto • Iogurte grego • Vinho branco

1. Num tacho colocar a cebola picada, o azeite, a calda de tomate, a carne, o sal e os temperos a gosto. 2. Levar ao lume para estufar. 3. Cortar o alho francês longitudinalmente em partes iguais. Com cuidado ir tirando o miolo de dentro, para fazer os canelones. 4. Depois da carne/soja fina estar pronta é só rechear os canelones de alho francês e dispor os mesmos numa caçarola. 5. No molho da carne juntar uma colher de iogurte grego, mexer e espalhar por cima dos canelones. 6. Terminar colocando por cima um pouco de queijo ralado e levar ao forno. Quando estiver douradinho está no ponto.

P R E P A R A Ç Ã O

Tarte de Abóbora por Rita Serpa

INGREDIENTES 180 g de farinha Branca de Neve Fina 100 g de açúcar 75 g de margarina 60 ml de água fria Spray para untar Espiga500 g de puré de abóbora (cozida e passada) 3 ovos batidos 1 lata de leite condensado 1 pitada de Canela Moída Espiga 1 pitada de Noz Moscada Moída Espiga (facultativo)

P R E P A R A Ç Ã O

1. Unte uma forma de tarte com cerca de 25 cm de diâmetro. Pré-aqueça o forno a 200 ºC. 2. Numa tigela, junte a farinha com a margarina e trabalhe rapidamente com as pontas dos dedos em areia. Junte aos poucos a água até ficar totalmente incorporada. Deixe repousar cerca de meia hora no frigorífico. 3. Estenda a massa com as mãos ou com a ajuda de um rolo e forre a tarteira. 4. Preparação do recheio: numa tigela, misture todos os ingredientes e bata muito bem. Verta o preparado sobre a base da tarte. 5. Leve ao forno cerca de 40/45 minutos ou até que fique dourada.


Para passares o tempo...

Vertical:

1. Vice-Presidente que concorreu ao lado de Biden - … Harris. 5. Órgão provisório que elege o Presidente dos EUA - Colégio ... 6. Tema que dominou as eleições, além da pandemia. 7. Joe Biden candidatou-se pelo Partido ... 8. Além do Presidente, o povo americano escolheu parte dos lugares do ...

Horizontal:

2. Grupo étnico que maioritariamente rejeitou Trump. 3. O candidato que concorreu para a reeleição foi … Trump. 4. Boletins de voto (em inglês).


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NOVA em Folha | Novembro 2020 by AEFCSH NOVA - Issuu