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NOVA em Folha | Março 2020

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FOTO DE CAPA

Autoria de Joana Freitas Contacto: joanareisfreitas@fcsh.unl.pt

NOTAS A ado(p)ção do acordo ortográfico em vigor é uma decisão individual pel@s membros da equipa, redacção e colaborador@s . Após a revisão completa do material pela equipa editorial, o conteúdo e a versão final dos conteúdos são da responsabilidade e exprimem somente o ponto de vista d@s respectiv@s autor@s.

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nova em folha março 2020 Equipa Editorial Ana Raquel Alves Beatriz Mateus Daniel Borges Diana Neves Francisco Nunes João Martins Joana Freitas Manuel Pinto Mariana Abreu Pedro Fernandes Rita Serpa Tatiana Matos

Redacção Ana Raquel Alves

Ana Rita Dias António Castro Beatriz Mateus Chandra Barão Daniel Borges Daniel Estevão David Barata Diana Neves Francisca Fonte Francisco Azevedo Francisco Nunes Francisco Santos Inês Pinheiro João Martins

Leonor Sá da Bandeira Margarida Lima Manuel Pinto Mariana Abreu Mariana Baltazar Miguel Jesus Rita Serpa Rosa Pires Sara Margarida Francisco Tatiana Matos Teresa Pessoa Tomás Girão

Edição Gráfica Ana Raquel Alves Beatriz Mateus Daniel Borges Diana Neves Francisco Nunes João Martins Joana Freitas Manuel Pinto Mariana Abreu Pedro Fernandes Rita Serpa Tatiana Matos

NOTA Gostas de escrever? Queres ver as tuas reviews, receitas, bitaites, histórias, crónicas, etc.. num jornal d@s estudantes para @s estudantes? Envia-nos as tuas propostas até ao dia 20 de cada mês e participa nas nossas edições mensais! Ficamos à tua espera!

Jornal NOVA em Folha | Edição de Março 2020 Impressão: 150 cópias | Distribuição mensal e gratuita novaemfolha.ae@fcsh.unl.pt

FICHA TÉCNICA

@novaemfolha.ae

@novaemfolha.aefcsh

Já se gues NOV o A em Folh no In a stag ram?


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AEFCSH

ae em folha fevereiro

O

mês

de

retomar

Fevereiro

das

•

joão

representou

atividades

e

do

para

a

carvalho

AEFCSH

contacto

com

o

Após a Tomada de Posse, decorreu o habitual churrasco

os

da AE, Back to Berna: Round II, no pátio da faculdade,

estudantes, que regressaram às aulas para o segundo

com música, animação e convívio.

semestre depois de umas merecidas férias académicas. Entre

18

e

20

de

Fevereiro

os

núcleos

e

grupos

de

No dia 3/2, a AEFCSH lançou um comunicado dirigido

estudantes da FCSH construíram a II Feira de Núcleos do

aos estudantes de doutoramento com bolsa atribuída

ano, em parceria com a AEFCSH. Três dias de quizzes,

pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), onde

música,

chamou a atenção para a finalidade do dinheiro que a

promovidas pelos núcleos de estudantes de Arqueologia,

FCT

Antropologia, Ciência Política e Relações Internacionais,

dá

à

defendeu

FCSH

por

cada

doutorando

bolseiro,

e

invés de integrar o orçamento da NOVA, através do qual

Teatro da Nova e pela Real Tuna Académica NeOlisipo.

os doutorandos têm vindo a encontrar poucas melhorias

No final do mês, decorreu a quarta sessão das Jornadas

nas condições materiais dos seus locais de estudo e no

de

acesso

tema Pressão Académica, que contou com a presença da

a

recursos

ser

entregue

bibliográficos

pagamento

ao

estudante,

indispensáveis

ao

mesmo.

da

Saúde

ª

Dr.

no

mês

passado,

foi

criada

a

Comissão

de

Mental

no

Geografia

Ensino

Superior,

e

Planeamento

subordinada

ao

Liliana Ribeiro dos Serviços de Ação Social da NOVA.

Fevereiro Também

Comunicação,

atividades

Regional, História e Sociologia, e ainda pelo Grupo de

deve

do

outras

Ciências

(1350

remanescente

e

ao

€)

o

conversas

da

propina

que

debates,

foi

vencedores

ainda

do

marcado

Concurso

de

pela

divulgação

Fotografia

dos

Planeta

ou

Acompanhamento do Plano de Igualdade de Género e

Plástico, organizado pela AEFCSH no âmbito do Programa

Diversidade,

EcoCampus, e pela exposição dos trabalhos vencedores

que

visa

“consolidar

uma

estratégia

de

igualdade de género, que abranja também as questões

º

no Espaço da AE.

de diversidade e de inclusão” (Despacho n 9/2020 do Director

da

NOVA

integrados,

como

Estudantes,

os

FCSH).

Nesta

representantes

estudantes

da

Comissão

da

FCSH

estão

Associação Joana

Freitas

Por fim, o arranque do novo semestre foi pontuado por

de

dois Gaming Day a 20 e 27 de Fevereiro, organizados em

e

conjunto com a Tempos Games, e ainda por três convívios

Miguel Cosme.

na AE onde os estudantes da NOVA FCSH puderam torcer pela sua equipa de futebol a 11, 20 e 27 de Fevereiro.

A 13 de Fevereiro, decorreu a Tomada de Posse dos Órgãos Sociais da AEFCSH, no Espaço da AE, onde

Com Março a espreitar, é de esperar um mês cheio para a

estiveram presentes a Subdirectora para os Estudantes,

AEFCSH,

Prof.

Festival

de

ª Antónia Coutinho, e a Administradora dos Serviços Acção Social da NOVA, Dr.ªPaula Machado, bem

como

representantes

convidadas membros

e

de

colegas

efectivos

associações

da

dos

FCSH.

órgãos

de

estudantes

Tomaram

sociais

e

posse

os

Semana

com

a

realização

Interuniversitário do

Estudante,

de na

da

Semana

Cinema: qual

Feminista,

CINENOVA,

se

vai

e

do da

realizar

Março, terça-feira, na Praça do Saldanha.

receberam

ainda menção de apreço todos os membros da AEFCSH sem

cargo

AEFCSH mandato,

eleito.

reafirmou

No as

seu

discurso,

linhas

concentradas

na

que

a

traça

defesa

Direcção para

de

um

o

da

novo

Ensino

Superior público, democrático, gratuito, inclusivo e de qualidade, no qual as atuais barreiras socioeconómicas que

dificultam

o

acesso

e

frequência

ao

Ensino

Superior, desde propinas a alojamento, passando por

fica atent@ às redes sociais da ae para não perderes nenhum evento!

taxas e emolumentos, e despesas com alimentação e transportes,

sejam

derrubadas

democratização do Ensino.

num

caminho

de

a

Manifestação dos Estudantes do Ensino Superior a 24 de

@aefcsh.unl

@aefcsh.nova


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NOTÍCIAS

novidades fcsh As candidaturas a mestrados, pós graduações e doutoramentos já estão abertas Estão, até dia 29 de março, abertas as candidaturas à primeira fase tanto de mestrados como doutoramentos, enquanto as candidaturas a pós-graduações estão abertas até 19 de abril. No próximo ano letivo a NOVA FCSH irá possuir 44 mestrados, 14 pósgraduações e 25 doutoramentos. Para os possíveis candidatos, seguem algumas informações importantes: Os estudantes que estão a terminar a licenciatura e que pretendem ingressar num Mestrado devem apresentar a sua candidatura apenas à 2.ª fase, que terá vagas próprias. Estarão abertas entre 30 de março e 19 de junho, juntamente com as vagas sobrantes da fase anterior. Todas as informações sobre o número de vagas, critérios de seleção, documentos a apresentar e valores de propinas estão disponíveis no edital de candidatura de cada curso. As candidaturas são realizadas online, no Inforestudante. Todos os planos curriculares estão disponíveis no Guia de Cursos da NOVA.

questionário sobre as UCs aos estudantes Até dia 1 de Março, a NOVA FCSH está a dinamizar um um questionário de avaliação sobre as unidades curriculares de todos os ciclos de estudos do 1.º semestre de 2019/2020. A participação de todos é fundamental para o mapeamento de problemas e procura de soluções para melhorar o funcionamento pedagógico das cadeiras e respectiva avaliação. Verifica o teu email institucional!

lembrete

Soft Skills Academy na NOVA FCSH A Soft Skills Academy está de volta com uma nova edição que decorrerá em março e abril, iniciativa dinamizada pelo Núcleo de Integração Profissional e Antigos Alunos. Consiste num conjunto de workshops gratuitos oferecidos aos estudantes com o objetivo principal de valorizar ainda mais o seu currículo e percurso académico, permitindo uma melhor integração no mundo laboral, através do desenvolvimento de competências transversais. Apesar de serem grátis, é importante inscreveres-te caso tenhas interesse num dos seguintes workshops: Need a Plan – How to find a meaningful job? As finanças estão cá para te ajudar! Gestão de tempo Como construir um perfil de LinkedIn de Sucesso? Como se destacar numa entrevista de emprego? Para te inscreveres passa pelo website da NOVA FCSH e para informações adicionais sobre a iniciativa, podes contactar o NIPAA através do endereço de email nipaa@fcsh.unl.pt.

Sabias que foi a AEFCSH a colocar à venda, por um preço de estudante, copos menstruais na NOVA FCSH? Através da parceria com a MeLuna, disponibilizamos uma alternativa saudável, ecológica e segura!

Vencedores do CINENOVA Provence, da belga Kato de Boeck, venceu o prémio de Melhor Filme e Três Perdidos Fazem Um Encontrado, realizado pelo japonês Atsushi Kuwayama em Mestrado na Universidade Lusófona, venceu o prémio de Melhor Filme Português a Concurso. O júri entregou ainda várias Menções Honrosas entre os 38 filmes exibidos no CINENOVA. Este ano foi a 2ª Edição do CINENOVA - Festival Interuniversitário de Cinema organizado por estudantes e professores da NOVA FCSH e que contou com o apoio da AEFCSH, particularmente na realização da CINENOVA Opening Party no passado dia 5 de Março.

falta alguma coisa? envia as informativas edição!

tuas propostas para a próxima


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NOVA EM FOLHA

fevereiro em resumo 3 a 29 de Fevereiro - Primárias democratas nos EUA “Caucus” polémico no Iowa, acaba por dar vitória de margem mínima a Pete Buttigieg. Vitória de Bernie Sanders em New Hampshire e no Nevada parecia galvanizar a sua campanha para uma liderança segura, mas Joe Biden revitaliza a sua candidatura com vitória na Carolina do Sul.

6 de Fevereiro - Absolvição de Trump Trump é absolvido pelo senado, pondo término assim, ao processo de impeachment. Mitt Romney foi o único republicano a votar contra a sua linha partidária, mostrando-se favorável à destituição do presidente americano.

10 de Fevereiro - Eleições na República da Irlanda Sinn Féin vence eleições na República da Irlanda.

16 de Fevereiro - Racismo no futebol português Marega sai de campo como forma de protesto perante insultos racistas vindos das bancadas do estádio de Guimarães.

20 de Fevereiro - Despenalização da eutanásia Os cinco projetos de lei com vista à despenalização da eutanásia são aprovados na Assembleia da República. Após a descida à especialidade, cabe ao Presidente da República e ao Tribunal Constitucional dar o aval final para que a legislação entre em vigor.

24 de Fevereiro - Condenação de Harvey Weinstein Harvey Weinstein, o produtor de Hollywood cuja conduta sexual criminosa despontou o movimento #MeToo foi condenado.

28 de Fevereiro - Candidatura ao Tribunal Constitucional O nome de Vitalino Canas para o TC, assim como vários nomes propostos pelo PS para o Conselho Económico Social e Conselho Superior de Magistratura foram chumbados pelo Parlamento.

29 de Fevereiro - Eleições na Eslováquia Os sociais-democratas (Smer-SD), partido que tem governado a Eslováquia ininterruptamente nos últimos anos, perde as eleições para o partido conservador OL’aNO.

Coronavírus Coronavírus, a epidemia que se tem vindo a alastrar por todo o mundo teve o seu grande surto na Europa, nomeadamente na região do norte de Itália. Economia chinesa desacelera e atinge níveis recorde de redução da poluição. Mercados financeiros têm recebido a pandemia de igual modo, com diversas quebras. Mais de 100 casos confirmados em Portugal, sendo que os suspeitos já ultrapassa os 1000, com todos os esforços e atenção dedicados aos profissionais de saúde do SNS.

NOTÍCIAS


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NÚCLEOS

núcleos da nova fcsh actividades, artigos e divulgação Eventos do NECPRI • 1º Semestre

Debate estudantil: Eutanásia No dia 30 de setembro, o NECPRI iniciou este ano letivo com o seu debate estudantil Eutanásia – A (i)moralidade do encurtar da vida. Representando várias personagens-tipo, os alunos da FCSH puderam debater os vários pontos de vista da despenalização da morte medicamente assistida.

Parceria LisbonMUN: Simulação do Conselho de Segurança das Nações Unidas O NECPRI teve a sua primeira Simulação do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) deste ano no dia 7 de outubro, em parceria com a LisboMun Association (Lisbon Model United Nations). Esta foi uma oportunidade para conhecer e aprender os mecanismos e orgânica interna do CSNU, de uma maneira dinâmica e desafiante, na qual cada participante representou a delegação de um dos estados membros do CSNU, permanentes e nãopermanentes.

Debate 'Capitalismo / Socialismo'

Parceria LisboMUN: National Model United Nations Conference 2019 (NMUNC) Em virtude da parceria oficial estabelecida entre o NECPRI e a LisboMUN (Lisbon Model United Nations) – uma associação sem fins lucrativos, fundada em 2016, e dedicada a promover uma cultura de MUN e a discussão da agenda internacional em Portugal – a National Model United Nations Conference 2019 realizou-se na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da NOVA, em colaboração com o NECPRI.

Fiel à sua missão de fomentar o debate público, no dia 23 de outubro, o NECPRI organizou um debate com vista o confronto e a comparação entre dois modelos socioeconómicos historicamente rivais – o Socialismo e o Capitalismo – no âmbito da crise do paradigma neoliberal. Para tal, contou com a presença de dois convidados, representativos de cada um dos polos, respetivamente: Miguel Costa Matos – economista licenciado na Universidade de Warwick e com mestrado na NOVA SBE, e eleito deputado pelo PS a 6 de outubro de 2019; e Ricardo Arroja – licenciado em gestão na Faculdade de Economia da Universidade do Porto, foi cabeça de lista da Iniciativa Liberal às Eleições Europeias de 2019.

Tertúlia 'Os Jovens na Europa' A 2 de outubro, o NECPRI realizou em plena esplanada da FCSH a tertúlia Os Jovens na Europa, com o intuito de refletir e discutir a União Europeia, especialmente em relação às oportunidades e problemas ligados à nossa geração, de uma forma informal de jovens para jovens. Para isso, contou com a participação de 3 representantes de juventudes partidárias: Sofia Oliveira, aluna de Sociologia na NOVA FCSH, pelo Bloco de Esquerda; João Albuquerque, atual presidente da YES - Young European Socialists, pela Juventude Socialista; e Rui Araújo, pela Juventude Social Democrata, co-fundador e vicepresidente da BETA Portugal - Bringing Europeans Together Association, sendo representante da JSD no YEPP - Youth of the European People's Party.

Convívio NECPRIANO Num registo inovador, o NECPRI organizou o seu primeiro Convívio Necpriano, com o objetivo de juntar todos aqueles com interesse pela área de Ciência Política e Relações Internacionais num ambiente informal para que se partilhassem opiniões sobre vários temas da atualidade.


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NÚCLEOS

Eventos do NECPRI • 1º Semestre

Conferência “Elites e o Intelectual na Sociedade Contemporânea”

Dia da Embaixada: Irlanda Com o foco dos media na questão do BREXIT, surgiu uma questão que não tem vindo a ser esclarecida: Qual o papel da Irlanda no desfecho do acordo e que desafios terá de enfrentar no futuro? Neste sentido, o NECPRI desenvolveu o já conhecido Dia da Embaixada, no dia 6 de novembro, com o intuito de responder às questões que este problema levanta, contando com a presença do Embaixador da Irlanda em Portugal, Sr. Ralph Victory. O painel contou também com a presença de Annette Bongardt – Professora convidada no Instituto Nacional de Administração Pública (Lisboa), onde coordena a área de Integração Europeia e Internacionalização; e Francisco Torres – Professor de Economia Política Europeia, na Universidade Católica Portuguesa.

Mercado de Trabalho em Feminino: Uma Perspetiva Geracional No dia 18 de novembro, o Núcleo desenvolveu uma Conferência que se debruçou sobre o papel da mulher e a sua condição no mercado de trabalho, contando com a participação de três mulheres inseridas em três faixas etárias distintas: Ana Sanches – People Experience Manager na Outsystems (plataforma portuguesa de desenvolvimento de plataformas de low-code), Elvira Fortunato – professora catedrática e investigadora na NOVA – FCT e Vice-reitora da Universidade Nova de Lisboa, Sara Anselmo – representante da Associação UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta –, de modo a refletir sobre o tópico do ponto de vista das diferentes gerações. A moderação da Conferência ficou a cargo de Dalila Cerejo – doutorada em Sociologia e investigadora integrada do CICS.NOVA e do Observatório Nacional de Violência e Género da NOVA – FCSH.

A Conferência “Elites e o Intelectual na Sociedade Contemporânea”, dinamizada a 20 de novembro, juntou três professores da NOVA FCSH de áreas disciplinares distintas: Pedro Tavares de Almeida (Departamento de Estudos Políticos), Nuno Venturinha (Departamento de História) e José Neves (Departamento de Filosofia). Organizado em parceria com duas doutorandas na Faculdade – Joana Lopes e Ana Sofia Souto –, o evento visava analisar o fenómeno das elites, fundamental para a explicação do mundo contemporâneo, através de diferentes lentes.

'Os Refugiados e a Pobreza': Ciclo de Conferências “As Migrações Transnacionais” No dia 27 de novembro, O NECPRI, em conjunto com a Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) – Núcleo de Lisboa, organizou a Conferência “Os Refugiados e a Pobreza”, inserida no Ciclo de Conferências “As Migrações Transnacionais”, que abordou temas como a pobreza, a igualdade de género e a saúde no âmbito das migrações. Esta primeira conferência pretendeu estabelecer uma ponte entre o conceito de refugiado no contexto atual e a pobreza. Para tal, foram abordadas questões como a integração dos refugiados em Portugal e a nível europeu, assim como os seus efeitos em termos políticos, económicos e demográficos, permitindo que os participantes tenham uma perspetiva diversificada sobre a problemática das migrações no presente e como, no futuro, se poderão resolver problemas estruturais ainda existentes. A Conferência contou com a presença dos seguintes oradores: Joaquina Madeira – Membro da Direção da Rede Europeia Anti-Pobreza em Portugal; Nuno Sousa – Responsável pelo Núcleo de Apoio à Integração de Refugiados do Alto Comissariado para as Migrações; João Estevens – investigador no Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI) e no Instituto de Ciências Socias da Universidade de Lisboa (ICS); e, por fim, Paula Pio – Responsável pelo Centro de Migrações da Câmara Municipal do Fundão.


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núcleos da nova fcsh actividades, artigos e divulgação As Mulheres e as Ciências Sociais Ana Rita Dias, Francisco Santos, Mariana Baltazar, Margarida Lima e Miguel Jesus

A edição do mês de março pauta um evento que o Núcleo de Alunos e Alunas de Sociologia não quer deixar passar: o Dia da Mulher. Assim, este artigo pretende partilhar e realçar o contributo de algumas mulheres perante as ciências sociais, nomeadamente a Sociologia. Referimonos a Sojourner Truth (nascida Isabella Baumfree), Marianne Weber (nascida Marianne Schnitger), Herriet Martineau e Kimberly Crenshaw, que através do seu trabalho contribuíram para o avanço da sociologia. Primeiramente consideramos relevante apresentar Sojourner Truth, uma figura muito importante no combate à escravatura, sendo conhecida como uma abolicionista e uma feroz ativista pelos direitos das mulheres. Esta importante mulher, nasceu no ano de 1797 com o nome de Isabella Baumfree, falecendo aos 86 anos, no dia 26 de novembro de 1883. No decurso da sua vida teve um grande impacto nas questões dos direitos das mulheres e da escravatura, sobre os quais fez discursos fervorosos. A sua obra The Narrative of Sojourner Truth é publicada pela ativista dos direitos das mulheres Olive Gilbert, na cidade de Boston em 1850, sendo nesta altura, durante a qual se juntou a um movimento abolicionista (contra a escravatura), que passa a ser conhecida por “Sojourner Truth” nome que estava relacionado com o facto de se ter tornado numa “traveling preacher”. O seu discurso mais célebre intitula-se Ain't I a Woman?, o qual visava demonstrar que era oprimida não só por ser mulher, mas por ser uma mulher negra. As repercussões dos seus discursos tiveram um grande impacto no campo das ciências sociais tendo sido colocada no “National Women’s Hall of Fame” e, durante a época da guerra civil americana, convidada para entrar na Casa Branca, conhecendo assim o presidente Abraham Lincoln. Seguidamente, vale a pena apreender a história de vida de Marianne Weber, que nasceu a 2 de agosto de 1870, tendo falecido a 12 de março de 1954. Esta foi uma importante socióloga alemã e, tal como a autora anterior, destaca-se pelo seu ativismo sobre os direitos das mulheres.

Porém, Marianne é, muitas vezes, destacada pela sua conjugalidade com um dos famosos pioneiros da Sociologia – Max Weber. Ora, neste artigo gostaríamos de realçar Marianne, não pelo seu matrimónio, mas sim pelos seus contributos no desenvolvimento desta ciência social. Marianne Weber dedicou-se a estudar a sociedade patriarcal em que se inseria, interessando-se em particular pelas experiências das mulheres alemãs que entravam, pela primeira vez, no mercado de trabalho. Esta alteração social teve várias implicações noutras esferas do mundo social (política, económica, cultural), que Marianne considerava necessário ter-se em conta. Além disso, a socióloga dedicou muito do seu trabalho a investigar as estruturas matrimoniais, uma vez que o casamento era uma condição essencial à vida das mulheres da época. Desse modo, Marianne importou-se com a vida quotidiana das mulheres, por terem um grande peso social e possibilitarem também a compreensão do mundo. A autora teve a sensibilidade para captar como as mulheres apresentavam diferenças consideráveis, de acordo com a sua classe, localização geográfica (urbana ou rural), ocupações, entre outras variáveis. Para além do seu contributo científico, Marianne destaca-se pela sua participação em movimentos feministas. A socióloga cofundou, inclusivamente, uma sociedade para a circulação do pensamento feminista. Em 1918/9, tornou-se membro do Partido Democrata Alemão, sendo a primeira mulher eleita como delegada no parlamento do Estado de Baden, e foi presidente da Liga das Associações Alemãs de Mulheres. A sua carreira como ativista feminista terminou, no entanto, em 1935 com a dissolução da Liga das Associações Alemãs de Mulheres, por parte de Adolf Hitler. Ainda assim, Marianne continuou a escrever e a publicar durante a Alemanha nazi, até falecer uns anos mais tarde. De seguida, apresentamos a “fundadora esquecida”, Herriet Martineau. Herriet nasceu e foi educada em Inglaterra, onde traduziu a obra Filosofia Positiva de Auguste Comte, o primeiro tratado de Sociologia da História. destacou-se pela sua obra que, tal como a autora, são relevantes para os sociólogos e as sociólogas de hoje. Ora, para a autora, o estudo da sociedade deve centrar-se nos diversos aspetos desta, por exemplo nas principais instituições políticas, religiosas ou sociais. Além disso, Martineau entende que a análise sociológica deve incluir a analise da vida das mulheres.


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As Mulheres e as Ciências Sociais Ana Rita Dias, Francisco Santos, Mariana Baltazar, Margarida Lima e Miguel Jesus

Desse modo, tal como Weber, Martineau foi uma das primeiras autoras a lançar um olhar sociológico para aspetos da vida social até então ignorados, como o casamento, a vida doméstica e as relações racializadas. Para esta, o ofício dos sociólogos e das sociólogas consiste no recurso às suas observações para agir de modo positivo para a sociedade. Tal como as autoras supramencionadas, Martineau também é descrita como uma ativista da defesa dos direitos das mulheres e na luta anti esclavagista. Apesar de ser advogada e filósofa, é importante deixar presente o grande contributo deixado por Kimberly Crenshaw ao pensamento feminista de finais do século XX à atualidade. A professora universitária viria a deixar um dos principais contributos para o pensamento feminista contemporâneo quando em 1989 utilizou o termo ‘intersseccionalide’. Numa tentativa de denunciar a ambiguidade legislativa existente nos EUA, que desempregava as mulheres devido a questões e género e raciais. Crenshaw cunhou o termo em alusão ao encontro entre múltiplos eixos identitários que ocorrem num espaço físico, sendo a identidade um entrelaçamento de eixos e a discriminação ocorrendo a partir desse mesmo entrelaçamento). A utilização deste termo tinha como objetivo alertar o pensamento social, nomeadamente o feminista, para os sujeitos que excluía quando tomava a ‘raça’ e o género como categorias exclusivas, ignorando a categoria de classe e os cruzamentos entre esta e as categorias supramencionadas, e consequentemente, o cruzamento das opressões e discriminações relativas ao género, à ‘raça’ e à classe social. Sem dúvida, este termo repensou os moldes do pensamento e da ação feminista, alertando para a multiplicidade de opressões que as mulheres podem sofrer durante as suas vidas, não somente por serem ‘mulheres’, mas também por serem ‘negras’ e/ou de ‘classe baixa’. Rejeitando, assim, visões que universalizam a experiência feminina e o próprio feminismo, que generalizam a experiência das mulheres a uma única realidade ocidental que em nada representa as múltiplas experiências femininas tanto na História como na atualidade.

Na Academia, e especialmente nas Ciências Sociais, que reiteram e privilegiam das outras ciências a autocrítica e reflexão, poucas são as mulheres que são divulgadas. Embora a produção científica no campo das ciências sociais, elaborada por mulheres, detenha um grande peso na investigação, esta não surge nos currículos das unidades curriculares, tanto nas universidades como nas escolas. Deste modo, quisemos expor, sucintamente, o trabalho e biografia de algumas. O núcleo de alunos e alunas de Sociologia pretendeu, com estas pequenas biografias e exposições diferentes, demonstrar que as mulheres são também parte integrante e responsável dos diversos campos científicos – desde as ciências da vida às sociais. Com isto, o núcleo procura retirar da pelicula invisibilidade estas mulheres e reforçar o que trouxeram de novo à ciência. Referências: Crenshaw, Kimberle. 1989. "Demarginalizing the Intersection of Race and Sex: A Black Feminist Critique of Antidiscrimination Doctrine, Feminist Theory and Antiracist Politics", University of Chicago Legal Forum, 1: 139-167 Giddens, Anthony. 2013. Sociologia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. Lewis, Jone Johnson. "Biography of Sojourner Truth, Abolitionist and Lecturer". ThoughtCo. https://www.thoughtco.com/sojourner-truth-biography3530421 (accessed February 20, 2020). Patricia M. Lengermann and Jill Niebrugge-Brantley. (1998) The Women Founders: Sociology and Social Theory, 1830-1930, Boston: McGraw-Hill


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NÚCLEOS

núcleos da nova fcsh actividades, artigos e divulgação

Divulgação de eventos

A primeira MasterClass a realizar no próximo dia 4 de março às 16h no Auditório 002. Esta MasterClass tem como título "Como se constrói um CV imbatível?" com Maria Helena Trindade Lopes e apresentação de Raquel Novais (em anexo enviamos o cartaz). As MasterClass irão decorrer todas as primeiras quartas-feiras de cada mês.

Nos dias 24 e 25 de março entre as 16h e as 18h no Auditório 002, irá realizar-se a conferência Madeira: 600 anos de História. A conferência contará com a presença de João Paulo Oliveira e Costa, José Eduardo Franco, Maria D'Ávila e Nelson Veríssimo.


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ARTIGOS

MAREGA SOFRE ATAQUES RACISTAS DURANTE PARTIDA DECISIVA CHANDRA BRANDÃO Moussa Marega deixou o campo após sofrer ataques racistas durante a partida de futebol PortoGuimarães no domingo dia 16 de fevereiro. Após persistir convictamente durante a maior parte do jogo, ao minuto 71, retirou-se de campo e pediu para ser substituído, revoltado com os cânticos e gritos racistas que, segundo relatos da imprensa local, se assemelhavam aos de macacos. Colegas e o próprio treinador tentaram demover o jogador, mas Marega seguiu decidido para o banco. Segundo o treinador Sérgio Conceição, os insultos ocorriam desde o aquecimento. O maior sindicato da PSP posicionou-se através do seu presidente, que afirmou: "os elementos da PSP é-lhes imposto, até pela sociedade em geral, que não liguem aos insultos ou a qualquer outro comentário... porque no futebol tudo é permitido. É sempre pedido para não ligar, pois no calor dos jogos é desculpável todo o tipo de insultos. É essa a regra, mas é da sociedade em geral. Inclusivamente dos tribunais quando há detidos por insultos". Paulo Rodrigues ressaltou ainda que "até há acórdãos de juízes - claro que não se fala concretamente no racismo - a dizer que no calor dos jogos é normal determinadas atitudes pelo entusiasmo natural dos adeptos". De acordo com este sindicalista, "o futebol tem servido como desculpa por parte de todos, instituições inclusive, para legitimar tudo e todos". O racismo é um crime de qualquer das formas, não havendo portanto nenhum espaço ou momento em que seja permitido ou aceitável. Assim, qualquer tipo de discriminação ou insultos como estes, não só são ilegais, como também são repugnantes e não mostram nada sem ser a falta de carácter de quem os profere.

Vergonha Nacional e Internacional - Penalização e reações posteriores A imprensa internacional não deixou de falar do caso absurdo vivenciado neste último domingo e pronuncia-o como uma vergonha no futebol português. Os insultos racistas proferidos contra o internacional Moussa Marega podem fazer com que o estádio Dom Afonso Henriques feche a porta aos adeptos da equipa que cometeram o crime, por um período de um a três jogos. Como consta no artigo 113.º do regulamento da Liga Portugal: "Os clubes que promovam, consintam ou tolerem a exibição de faixas, o cântico de slogans racistas ou, em geral, com quaisquer comportamentos que atentem contra a dignidade humana em função da raça, língua, religião ou ou origem étnica serão punidos com a sanção de realização de jogos à porta fechada a fixar entre o mínimo de um e o

máximo de três jogos e, acessoriamente com a sanção de multa de montante a fixar entre o mínimo de 200 UC e máximo de 1.000 UC" (UC é a Unidade de Conta que serve de cálculo para a custa judicial, fixada em 102 euros). O caso de racismo que marcou o futebol neste domingo deixou a sua marca nos media e na opinião de políticos, jogadores e técnicos, sendo que a maioria prestou apoio e condolências ao internacional Marega. Francisco Rodrigues, líder do CDS, afirmou que: "As manifestações de racismo não podem ter lugar na nossa sociedade" e também, que estas devem ser "julgadas e severamente punidas pelos Tribunais". "Todos somos chamados a condenar os crimes de ódio e a defender a dignidade de cada pessoa. Essa é uma luta que não tem cor". Por sua vez, Sebástian Coates, um dos capitães do Sporting, relevou a rivalidade e afirmou total união com Marega na luta contra o racismo. Entretanto, ainda que a maioria dos posicionamentos feitos nos media tenham sido de apoio ao jogador, e simultaneamente de apoio ao combate ao racismo, uma grande figura política, André Ventura, líder do Chega, postou na sua conta no Facebook: "País de hipocrisia em que tudo é racismo e tudo merece imediatamente uma chuva de lamentos e análises histórico- megalómanas. O nosso problema não é o racismo. É a hipocrisia. É o síndrome Joacine que começa a invadir as mentalidades. Por mim não passarão.". Em suma, os ataques racistas contra o jogador Marega foram um marco no futebol português que, definitivamente, uniu de forma geral aqueles que se identificaram com o jogador, por também terem sido vítimas de racismo e aqueles que apenas prestaram apoio e condolências por saberem que é um crime, que deverá ser punido pelas entidades responsáveis. Em hipótese alguma devem ser aceites ou ignorados casos de racismo, seja no desporto, na cultura, na política ou na sociedade em geral. Infelizmente, o ocorrido reflete as manchas de um passado que deixou um preconceito enraizado, contra o qual devemos lutar em prol do conhecimento e do fim de uma visão de aceitação face a acontecimentos como este, que apesar de ferirem pessoas todos os dias, só nos despertam a atenção em certas ocorrências.


MANIFESTO


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ENTREVISTA

entrevista a vítor dias ex-preso político e resistente anti-fascista membro do conselho nacional da URAP

por Pedro Fernandes AEFCSH

Ou seja, seguimos afincadamente a orientação de que era necessário refazer os laços com os estudantes e isso foi feito colocando um grande acento tónico, não apenas na importante prestação de serviços, mas sobretudo nas reivindicações de âmbito pedagógico (com relevo para o papel dos delegados de curso), nas acções de convívio (semana de recepção aos novos alunos, etc.) e, ponto central, nas actividades culturais que contaram sempre com uma grande participação dos estudantes. Essa fase foi cumprida com êxito a tal ponto que nos primeiros dias de Dezembro de 1968, a Associação de Direito participou também na grande e massiva acção de solidariedade estudantil às vítimas das cheias de Novembro na região de Lisboa que assumiu alguns contornos políticos de confrontação com o regime.

Tendo estudado na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, como foi o seu percurso académico como estudante e como dirigente associativo? Como era ser dirigente associativo estudantil no tempo da ditadura fascista do Estado Novo?

Eu só cheguei à Faculdade de Direito em Outubro de 1965 (e sai em 1968 por ter sido chamado para o serviço militar) quando em rigor deveria ter chegado em 1963. Esse atraso deveu-se a ter reprovado por duas vezes no então chamado «exame de admissão» que era terrivelmente selectivo. Nos dois primeiros anos lectivos fui colaborador da Secção Cultural da AAFDL (Associação Académica) e no terceiro integrei a sua direcção. Ser dirigente associativo naquela altura implicava identificarmo-nos com todo o património passado de lutas estudantis, conhecer bem os problemas mais sentidos pelos estudantes e ser criativo nas formas de acção e de luta. E, mais importante que tudo, ter já (ou ganhá-la) uma consciência política antifascista. No triénio de 1965 a 1968 importa compreender que, por causa da feroz vaga repressiva desencadeada contra dirigentes e activistas estudantis nos primeiros meses de 1965, o movimento associativo encontrava-se numa fase que então chamávamos de refluxo e acumulação de forças.

Na altura por que se batia o movimento associativo estudantil? Quais eram as reivindicações? Como era feita a luta?

O movimento associativo batia-se fundamentalmente pela liberdade de associação contra as constantes restrições e limitações que as autoridades fascistas pretendiam impor. E por uma reforma geral e democrática do ensino que superasse o conservadorismo e autoritarismo que então dominava as instâncias superiores da Universidade. Uma reforma que também significasse a democratização do acesso ao ensino (naquele tempo apenas 4% dos estudantes provinham de famílias de trabalhadores). Qual foi a importância do movimento associativo estudantil para o combate e resistência à ditadura fascista?

Sem dúvida de uma enorme importância. Desde logo porque as associações de estudantes constituíam (quando não eram fechadas ou dissolvidas) um espaço de liberdade dentro de uma ditadura e, portanto, um centro de difusão de valores democráticos.


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Por outro lado, as AAEE denunciavam sistematicamente as prisões de estudantes por motivos políticos, o que favorecia a compreensão por muitos estudantes do carácter repressivo do regime. Em síntese pode-se dizer que o movimento estudantil alargou consideravelmente a base social de apoio da oposição à ditadura. Fazendo uma ponte de comparação com o presente, há semelhanças na luta estudantil da década de 60 e 70 para a actualidade? Existem problemas que se mantêm (falta de investimento, propinas, gestão democrática das Instituições de Ensino Superior) e causas que continuam transversais? Ou serão os motivos diferentes?

Entre outras, a grande diferença é que, hoje, as AAEE actuam num quadro de liberdade e democracia com todas as vantagens e potencialidades que isso significa. Creio que, mesmo nestas novas condições, não faltarão problemas, insuficiências, interesses e aspirações para cuja solução e defesa as AAEE devem desempenhar um papel muito relevante. Com a ressalva de que a minha idade aconselha a não dar conselhos aos activistas estudantis de hoje, pareceme, no entanto, que uma das tarefas mais exigentes que tem pela frente será a de renovar e revivificar o espírito associativo dos estudantes e estimular neles atitudes de solidariedade e sentimentos de pertença e união como grupo social. Acha importante continuar a assinalar o Dia Nacional do Estudante de forma combativa? Porquê?

Sem dúvida. Porque esse dia deveria servir para fazer irradiar as principais e mais actuais reivindicações estudantis e, talvez à volta dele, organizar, se possível, um vasto programa de iniciativas que ajudasse a furar o silêncio mediático que hoje abafa e ignora os problemas dos estudantes e dos jovens.

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O QUE É FEITO DA SÉTIMA ARTE? INÊS PINHEIRO «Nos nosso dias, o cinema goza de um prestígio um pouco estranho. A maioria das pessoas não quer fazer cinema, quer estar no cinema, o que não é, de todo em todo, a mesma coisa.» - Como fazer um filme, Claude Chabrol Em Portugal, ver os Óscares em directo não é tarefa fácil. Antes sequer da cerimónia começar há que manter os olhos abertos até à meia-noite, sem vacilar perante o desfile de vaidades que é a passadeira vermelha. Acompanhado é mais fácil, porque mexericos a sós perdem o seu “quê” de magia, quando comparados com os comentários preciosos que são proferidos entre amigos. Depois de ultrapassada a primeira etapa – árdua para aqueles que, como eu, querem é falar de cinema – entramos em território da Academia. Ora, aqui está um grande “palavrão”: Academia. Entendam-no a gosto: tanto é uma palavra grandiosa, que nos remete para altas chefias de decisão, como é daquelas de que desconfio, sobejamente. Quando era mais nova via este evento com uma admiração monumental. Admirava os rostos por detrás dos filmes e queria um dia estar entre eles. Não para me fotografarem de todos os ângulos possíveis e imagináveis, pois só a ideia é um tormento, mas porque sinto o Amor à Flor da Pele, de Wong Kar Wai ou os Crisântemos Tardios de Kenji Mizoguchi como parte da minha pessoa. Aprendi com Hitchcock a arte do suspense, dancei uma “valsa espacial” com Kubrick, agendada em ’68 para o ano do meu nascimento, e ainda estou para comer um Big Kahuna Burger pelo Pulp Fiction, de Tarantino. A ingenuidade levava-me a crer que a pequena estatueta era o prémio supremo, o derradeiro reconhecimento cinematográfico. Cresci.

Descobri a Palma, o Urso e o Leopardo banhados a Ouro, este último arrecadado por Vitalina Varela, de Pedro Costa, no ano passado – uma vitória muito badalada pelos críticos. Foi assentando a ideia de que o colosso dourado talvez não se encerrasse apenas no Óscar, esse era um artista enredado no espetáculo da indústria. A controvérsia que experienciamos, recorrentemente, quando saem as nomeações para os prémios não surpreende, porque a mítica Academia pendeu durante muitos anos para a uniformização, tendo dificuldade em distanciar-se deste paradigma. São levantadas questões no que toca à diversidade étnica e de género, sempre contrapostas pelo argumento da “excelência”, que, em teoria, não vê diferenças dessa natureza. As dúvidas são muitas, mas na madrugada do passado dia 10 de Fevereiro tentou-se, novamente, dissipá-las. Cresciam as previsões relativas ao que iria acontecer, algo que podemos acompanhar com jocosidade e até mesmo participar – no que me toca, fizemos uma sessão de apostas caseira, que foi um tiro ao lado, por sinal.


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Ainda não cheguei ao patamar de fazer da vida um filme, ou melhor, de passá-la a vê-los. Portanto, a análise cinge-se às obras que tive oportunidade de conhecer, mas como é bem sabido, julgamos tudo, mesmo que não saibamos pormenores, nem que seja pela velha tática de seguir, cega e erradamente, a maioria. A noite foi-se adensando. Depois de Brad Pitt levar a estatueta dourada, graças a mais uma parceria com Tarantino, temos de ser particularmente perseverantes. Estamos perante infindáveis horas de “tédio técnico” derivadas, por certo, de uma ignóbil ignorância que, com mais trabalho, o futuro pode apagar, mas que por enquanto permanece intransponível. Anseia-se o regresso às categorias principais, mas insistem em intervalar cada prémio com uma pausa de 10 minutos, por isso só perto das cinco da manhã é que chegamos ao momento do auge. O Joker encarnado por Joaquin Phoenix já se confunde com o intérprete e ouve-se o discurso com alguma relutância em distinguir ator de personagem. O Dolby Theatre serviu de hospedeiro para Parasitas que o tomaram por inteiro. Benditos sejam! Enfileirei, eu e muitos outros, a Grande Guerra de Sam Mendes, em 1917, como líder desta corrida. Foi, sem grandes dúvidas, para a coluna dos que “iam” ganhar - por oposição aos que pensava que “deviam” – e estranhamente, não o fiz a contragosto. Clara Ferreira Alves equiparou-o a Guerra e Paz de Tolstoi, uma analogia que faz mais do que jus à mestria de Mendes, na sua capacidade de nos guiar pelas trincheiras britânicas, até território inimigo. Desta vez a mensagem não chegou a tempo. A família KiTaek foi sagaz. Claude Chabrol divide os cineastas em duas categorias: os narradores e os poetas, sendo que estes últimos têm uma característica única - uma Weltanschaung (Visão do Mundo). Bong Joon Ho é um poeta.

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Levou para a grande tela um filme surpreendente, sobre o qual pouco, ou nada, mais direi, correndo o risco de arruinar a experiência para os mais incautos que ainda não o viram. A Pobreza rodeia-nos no dia-adia, tanto na calçada que pisamos como nas notícias com que somos inundados. Mas quão determinados são os nossos esforços para a erradicar? Não tão acérrimos como o que move a família deste filme. Termino com algumas sugestões. Jorge Leitão Ramos já denotou a ausência de J’accuse - O Oficial e o Espião na corrida à estatueta, que seria impensável com todas as acusações que recaem sobre Polanski (levou mesmo à demissão da Academia francesa responsável pela entrega dos César). Porém, bastam os cinco minutos iniciais, com a câmara a acompanhar o marchar dos soldados franceses até ao ponto em que Dreyfuss é “despido da sua honra” para perceber que estamos perante um Grande Filme. Temos ainda nas salas Bacurau de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, bem como O Farol de Robert Eggers - razões não faltam para nos aventurarmos no grande ecrã! Aqui entre cinéfilos… a Sétima Arte está de boa saúde, há é acima de tudo que saber escolher e ter espírito crítico.


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Iceberg ANTÓNIO CASTRO @inflexao A última floresta está presa e pronta para o grande degelo. No solo húmido de matéria orgânica correm grandes e antigos veados, perseguidos por cães de caça. Estende-se pelo ar uma brisa que cheira a morte e metano. Dois ou três pássaros surgem numa caldeira, sufocados pelo som do disparo. A última floresta tem vista para o mar, mas ainda sem valor de mercado.

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POEMAS


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ENTREVISTA

entrevista a patrícia sampaio @sampaiolovesjudo

por Rita Serpa e Manuel Pinto apoio técnico de José Pinto

Boa tarde Patrícia, é um prazer ter-te aqui connosco. Tendo em conta o teu prémio de atleta do ano, gostaríamos de fazer-te algumas perguntas para dar a conhecer o teu trabalho aos outros alunos e, com sorte, promover o desporto na FCSH. Antes de mais, como é que te iniciaste no judo? Eu experimentei o judo aos 7 anos, porque o meu irmão mais velho praticava desde os 5 e o meu pai sempre foi um fanático do desporto. Andei para aí uma semana e não gostei… então parei de fazer desporto. Depois aos 9 voltei a tentar, mais uma vez convencida por eles, e acabei por ficar. Depois, como é que começaste a competição? Foi logo de imediato? Não sentiste diferença dos outros miúdos que tinham começado mais cedo? Com aquela idade, começa-se nas competições para miúdos mais pequenos, ou seja, coisas mais simples ali na zona. Como tinha 9 anos, já tinha idade para fazer isso, então entrei rapidamente nessas competições. Não senti muita diferença dos outros miúdos, porque nessa altura já era grande e fisicamente desenvolvida. Como te sentes com a vitória do prémio atleta do ano? Primeiro, não liguei muito, porque o ano passado já tinha sido nomeada e acabei por não passar a segunda fase. Então achei que este ano ia ser mais do mesmo. Recebi um email a dizer que estava na lista das 25 nomeadas ou uma coisa assim, e não liguei. Depois recebi outro a dizer que estava na lista das últimas cinco, mas também li assim na diagonal e não liguei muito. Só quando uma amiga minha começou a partilhar as coisas para votarem em mim é que me apercebi que se calhar era uma coisa mais importante do que eu estava a pensar. Estar nomeada foi só por si bom, mas ganhar no meio daquelas 4 atletas foi muito prestigiante. E ver a minha família e os meus amigos, até no estrangeiro, todos a partilharem o link para votarem em mim foi mesmo muito bom. Então não estavas à espera de receber o prémio? Já tinha ouvido uns boatos… mas mesmo assim, eu não acreditava muito, devido à qualidade das outras atletas. Mas tinha sempre esperança de ganhar pela quantidade de pessoas que via a partilhar o link para votarem em mim.

O que é que o prémio representou para ti? Foi mais ou menos o que os outros prémios também representaram: é ver o resultado do meu trabalho e ver que também é reconhecido por outras pessoas. Mesmo assim, quando ganho um prémio, tipo uma medalha, é diferente deste título, onde as pessoas estão a reconhecer efetivamente o meu trabalho e o quanto eu me esforço. Que objetivos tens para o futuro? Para o futuro próximo tenho os Jogos Olímpicos em Julho. O objetivo é chegar lá na melhor forma e na melhor posição do ranking possíveis, e com sorte trazer uma medalha para casa. No que é que consiste o processo de apuração para os Jogos Olímpicos? O apuramento começa dois anos antes dos Jogos Olímpicos. Ou seja, há competições o ano todo, mas em maio de 2018, numa determinada competição, começou o apuramento para os Jogos Olímpicos de Tóquio de 2020. A partir daí todas as competições entram numa lista, chamada o Ranking do Apuramento Olímpico, e cada competição tem o seu valor em termos de pontos, ou seja, os nossos resultados dão pontos e entramos nesse ranking. Nesse ranking só entram os nossos 6 melhores resultados, de maio de 2018 a maio de 2019, e de maio de 2019 a maio de 2020. E depois em cada categoria, masculina e feminina, vão aos Jogos Olímpicos os primeiros 18, apenas um por país.


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São várias competições pelo mundo inteiro. Temos campeonatos continentais, como o campeonato europeu (onde participo) e o campeonato africano. E esses campeonatos são só para pessoas desse continente. Mas há outros, como as Opens, as GrandPrix, as GrandSlam, as Masters e o Campeonato do Mundo. Nessas competições, todos podem entrar, havendo uma ordem de pontos. Por exemplo, as GrandSlam valem mais que as GrandPrix e por aí fora.

Porque é que escolheste Ciências da Comunicação e não Desporto? Bem, isto não vai ficar muito bem na entrevista, mas eu nem sequer queria vir para Ciências da Comunicação. Eu já quis ir para muita coisa: desporto, fisioterapia... Muitas coisas diferentes. Quando era pequenina queria ser jornalista. Depois no 12º queria ir para nutrição, mas já viajava muito, portanto já não estudava assim tanto porque era difícil conciliar tudo. E não consegui tirar a nota que precisava no exame de biologia. Portanto, como não me apetecia repetir o exame, porque sabia que não tinha tempo para tirar a nota que precisava, decidi optar por uma coisa que desse para entrar com os outros exames que eu tinha. Então pensei “Bem, eu já quis ser jornalista, porque é que eu não vou para isto? A faculdade é boa e a minha mãe estudou aqui…”. Estou a gostar, não foi uma má escolha. E bom, desporto, não sei. Eu queria fazer outra coisa diferente. Estou a tirar o curso de treinadora de judo porque gosto de ter diferentes ferramentas. Por um lado gostaria de ser treinadora, mas por outro não sei se teria assim tanto jeito. Nem toda a gente consegue. É como costumamos dizer: nem sempre um bom atleta dá um bom treinador. Qual é a tua rotina diária? E a tua rotina de treinos semanais? Neste momento como só tenho duas disciplinas e montei o meu horário para conseguir fazer treino de manhã e à noite, treino sempre cerca de duas horas antes de vir para a escola… hoje estava a treinar às oito da manhã/oito e meia para depois poder vir às aulas. À noite treino mais duas horas. Isto de segunda a sexta-feira. Depois faço normalmente um treino ao sábado. Isto é a rotina de treinos normais,que não inclui alturas especiais, como estágios e assim. Como concilias a tua vida académica com o desporto? Consegues ter tempo para ter outras atividades extracurriculares? Não concilio muito facilmente. Neste momento só estou a fazer duas disciplinas. Este ano foi o mais difícil para mim... No semestre passado inscrevi-me em 4 disciplinas e só consegui passar a duas. Tem sido mesmo um desafio muito complicado, porque eu falto muito. Este semestre ainda só vim uma semana às aulas e provavelmente vou estar um mês sem vir.

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É mesmo muito complicado. Mas é como tudo: é com muito esforço e com a ajuda das outras pessoas…afinal quando falto tenho de pedir os apontamentos aos meus colegas. Quando viajo tenho de levar as coisas para estudar. Lembro-me que numa viagem para o Japão estava a intercalar entre dormir e estudar. E tem que ser assim… Os bocadinhos que há têm de ser para preparar as avaliações. E pronto. Mas eu assumi que a escola estaria em segundo plano neste momento, porque tenho os Jogos Olímpicos daqui a muito pouco tempo. Tenho mais tempo para fazer a escola e vou ter de demorar mais tempo do que o normal a fazer o curso, mas o que eu quero neste momento é mais virado para o judo. Quanto às atividades extracurriculares, realmente não sobra quase tempo nenhum. Se tivesse mais tempo, provavelmente teria algum hobby. Sou bastante simples, gosto de ler e de estar com os meus amigos. Mas confesso que quando tenho algum tempo livre acabo por ficar a mexer no telemóvel.

Como é que equilibras estar sempre a viajar com a tua vida pessoal? É muito difícil. Eu sou muito ligada à minha família e é muito difícil ficar quase um mês sem os ver. Especialmente porque eu não sou de Lisboa, sou de Tomar. Então, durante a semana, vivo aqui e só vou ao fim de semana a casa. Se tenho uma competição ao fim de semana então é mais uma semana sem os ver. Felizmente, eles já estão habituados a essa vida, porque eu comecei a viajar mais no 11º e no 12º. E agora pronto, muito mais.

Qual é que foi o teu maior desafio até agora? Nos últimos tempos tenho tido bastantes desafios, seja a nível de competições (que são sempre maiores porque as competições são cada vez mais importantes), do desafio de conciliar realmente o judo com a universidade, ou mesmo a nível pessoal, com os problemas de saúde que se passaram com a minha família. Acho que já tive mesmo bastantes desafios. Não consigo escolher um. Quem é a tua inspiração? Desde pequenina, que sempre foi o meu irmão. O meu irmão é que praticava judo e agora é o meu treinador, desde 2013. Ganhou algumas coisas. Mas ele tem uns problemas de saúde, portanto teve de parar de competir bastante cedo e foi por isso que se tornou treinador. O talentoso da família era ele, mas teve outros percalços na vida, que eu felizmente não tive. Cresci a vê-lo enfrentar muitos obstáculos e ele nunca desistia. Era realmente muito esforçado: foi com ele que aprendi a ser resiliente.


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À medida que vou crescendo no judo, vou conhecendo mais pessoas e ganhando mais algumas inspirações. Neste momento na minha equipa feminina, considero todas elas como inspirações. Eu sou a mais nova, então elas já conquistaram mais que eu… Treinaram, trabalharam e viajaram muito mais do que eu. Têm uma postura que me inspira sempre e me ajuda a querer ser melhor. Tenho ainda outras duas, que dentro da minha categoria atingiram alguns feitos. Uma delas é a bicampeã olímpica americana, Kayla Harrison, que já desistiu do judo; e a Mayra Aguiar, bi-medalhada olímpica que hoje em dia ainda compete comigo, de quem fiquei bastante amiga.

O que é preciso para ser um bom desportista? Eu acho que é preciso aquilo que é preciso para ser bom em qualquer coisa... Seja um bom professor, um bom engenheiro... É investir naquilo que queres fazer. Eu tenho de investir no desporto - tenho de treinar 4 ou 5 horas por dia, tenho de estar sempre atenta ao meu descanso e alimentação, tudo a pensar no meu melhor rendimento; tudo para ser o mais profissional e a melhor atleta possível. No fundo, acho que é o empenho e a resiliência, ou seja, não desistir cada vez que temos um obstáculo. Eu não acho que tenha nascido muito talentosa, aliás acho que há gente muito mais talentosa que eu em termos de judo. Mas sou muito trabalhadora e acho que é isso que me tem ajudado. Penso que era a Madonna que dizia “10% de talento e 90% de trabalho” e eu concordo.

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Portanto sim, acho que está a evoluir, mas é uma coisa que todos temos noção que vai demorar bastante tempo. Não deve dar para destronar o futebol - o futebol é considerado um desporto profissional e o judo é considerado um desporto amador. Afinal, quem recebe não tem contrato, passa recibos verdes e poucos são os clubes que pagam por um desporto como este. Ainda tem muito por onde evoluir.

O que é que se poderia melhorar em Portugal em termos de desporto? Eu acho que é principalmente o investimento, em termos de mais empresas patrocinarem vários atletas. Porque nós não podemos fazer outra coisa senão isto. Não dá para treinares 4 ou 5 horas por dia, trabalhares 8h e ainda dormires. Isto é o nosso emprego, portanto, precisamos de apoios. Seja em termos de ordenado do clube, seja em termos de patrocínios de outras pessoas que nos possam ajudar. Além disso, também se devia investir mais nos centros de alto rendimento. Eu vivo no do Jamor, que é uma residência só para atletas. Mas como viajo muito, já fiquei em centros de outros países e eles realmente têm condições brutais e é aí que se vê o investimento que eles fazem no desporto e nos atletas. Portanto acho que também devemos melhorar nesse aspecto. Disseram-me que já tudo melhorou bastante, portanto temos de ir com calma nessas coisas. O que tens a dizer aos jovens que querem seguir uma carreira desportiva em Portugal? Devem seguir em frente? Eu acho que sim. Sou apologista de seguirmos sempre os nossos sonhos e fazermos aquilo que nos faz feliz. Mesmo em Portugal.

Qual é a tua opinião sobre o estado do desporto em Portugal? Eu não sou muito conhecedora do desporto em geral. Sinceramente, eu não sou muito fã de desporto, só gosto mesmo de judo. Infelizmente. Queria ser mais interessada, mas não consigo. O que eu vejo é que o futebol é sempre o desporto rei. Nós ainda não temos assim tanta visibilidade nos outros desportos, mas no caso do judo estamos a ganhar alguma. Tanto porque tivemos este ano um campeão do mundo, tanto porque temos duas medalhas nos Jogos Olímpicos. Acho que estamos a conseguir ganhar efetivamente mais visibilidade, como se viu nos prémios de atleta do ano, onde ambos os vencedores eram judocas.

Há igualdade de género no desporto em Portugal? Mais uma vez, falando do judo, eu acho que sim. É tudo muito tranquilo. Neste momento em Portugal até temos uma equipa feminina muito maior do que a masculina, em termos de seniores. Por exemplo, para os Jogos Olímpicos neste momento estão apuradas 6 raparigas de 7 categorias possíveis, e dois rapazes. Portanto, temos um setor feminino muito forte. Acho que há igualdade, sim. Mesmo em termos de patrocínios, do que eu consigo observar, não noto muita diferença. Qual é que pensas ser o papel da FCSH dentro do panorama académico atual? E no desporto? No panorama académico atual, eu não faço ideia. Eu vim para aqui porque isto tinha um bom nome e era reconhecido, e é essa a imagem que eu criei da FCSH e é aquela em que eu prefiro acreditar.


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Se bem que às vezes tem uns problemazinhos por resolver, principalmente no início do semestre, com as inscrições e tal. No desporto, há um núcleo que eu só conheci o ano passado. Acabei por falar com os responsáveis e participar inclusive nos campeonatos da Europa universitários. Aí, acho que estão a trabalhar muito bem. Até porque essa parte desportiva tem implicações na vida académica, por assim dizer. Por exemplo, como fiquei em primeiro lugar no campeonato da Europa universitário, tive uma dedução de 100% nas propinas este ano. E mesmo se fizermos outras competições, até de um nível mais baixo, como o campeonato nacional, ganhar ou tirar medalhas tem sempre uma dedução nas propinas, o que é sempre uma ajuda e um incentivo para mais pessoas praticarem desporto.

Achas que a faculdade te dá as ferramentas necessárias para conseguires conciliar a universidade e o desporto? Sentes que a faculdade também se lembra dos atletas de alto rendimento e os tem em consideração? Não consigo falar propriamente em termos da faculdade. Posso inscrever-me em menos cadeiras, mas isso é algo que qualquer pessoa pode fazer, não é uma atenção especial para os atletas. No entanto, posso falar sobre os professores. Há sempre alguns mais compreensivos do que outros, mas até agora até tenho tido sorte. Ainda o semestre passado, dentro de uma das cadeiras que estava a fazer, ia desistir de um dos trabalhos e disse “Professora, não consigo, isto é para entregar amanhã e não dá.” e ela disse “Ah, então vou-lhe dar outra solução e tem mais uma/duas semanas para fazer.”. Há professores realmente bastante compreensivos que alargam os prazos ou que me deixam fazer trabalhos em vez de testes. Há outros mais complicados.

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ARTIGOS

EUTANÁSIA EM PORTUGAL DISCUSSÃO PARLAMENTAR MANUEL PINTO E FRANCISCO SOUSA NUNES Eutanásia. O que precisas de saber? Com o recente aumento da relevância deste tema em Portugal, decidimos reunir a informação crucial para que possas compreender melhor toda a controvérsia que se tem gerado em torno da eutanásia, incluindo uma pequena comparação sobre os moldes nos quais as diferentes propostas da morte medicamente assistida assentam. Estas propostas visam, à semelhança do que acontece em países como a Bélgica, Suíça ou Luxemburgo, a despenalização e regulamentação da eutanásia. São elas cinco, da autoria do PAN, BE, PS, PEV e IL. Todas as propostas preveem que a eutanásia só se possa aplicar a maiores de idade, sem doenças mentais, em situação de sofrimento “duradouro e insuportável” e de doença fatal. É ainda necessária a reafirmação da vontade do doente em várias fases do processo e vários pareceres médicos (incluindo o de um médico da especialidade). No caso do doente mudar de ideias todos os projetos assumem o fim do processo de morte medicamente assistida, e no caso de este vir a ficar inconsciente o processo é interrompido. Fossem, no entanto, todos os projetos iguais e estaríamos a gastar o nosso latim. Eles têm as suas diferenças. As maiores surgem nos capítulos de afirmação da vontade do doente e dos pareceres médicos. No primeiro caso, o PAN sugere “um número razoável de vezes”, o PEV quatro, o PS e BE cinco vezes e a IL, consoante a intervenção ou não de psiquiatra, sugere até sete vezes. No segundo, o PAN defende a criação da “Comissão de Controlo e Avaliação da Aplicação da Lei” composta por médicos, bioéticos e juristas, com a responsabilidade de avaliar os casos a surgir.

O PEV, por sua vez, defende a instituição de diferentes comissões correspondentes a cada área de administração regional de saúde, composta por médicos, enfermeiros, advogados e magistrado, sendo a aprovação dependente duma maioria de ⅔ dos votos. O PS propõe a criação da “Comissão de Verificação e Avaliação dos Procedimentos Clínicos de Antecipação da Morte”, a fazer parte do parlamento, composta por juristas, enfermeiros, médicos e especialista de bioética. O BE procura a implementação da “Comissão de Avaliação dos Processos de Antecipação da Morte” também junto do parlamento. A IL defende a instauração da “Comissão de Avaliação dos Procedimentos de Antecipação da Morte” composto por juristas, médico, enfermeiro e especialista de ética. Na sociedade civil o agendamento da discussão parlamentar deu azo a reações tanto da parte dos partidários da despenalização da eutanásia como daqueles que se opõem a todas as propostas. O primeiro grupo tem por maior fonte de apoio o “Movimento Direito a Morrer com Dignidade”, enquanto que todo o mundo religioso e o grupo de saúde CUF se manifestaram claramente contra a despenalização. Simultaneamente, partindo de movimentos contra a eutanásia, surgiu uma petição a favor dum referendo sobre a decisão a ser tomada pelo parlamento. Este, foi já endossado pelos partidos reconhecidamente contra a eutanásia, CDS e PCP. Assim sendo, partindo da análise aos projetos discutidos no parlamento, é vez de apresentarmos as causas que sustentam ambos os lados da discussão. Importa referir que no momento da redação deste artigo não é sabido ainda se a petição para a realização do referendo alcançará ou não o número de assinaturas necessárias para ser discutido.


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Pró-Despenalização da eutanásia: Os partidários da despenalização e regulamentação da morte medicamente assistida advogam que: A eutanásia é uma pura questão de liberdade de escolha, misericórdia e autonomia, que se trata de um "último recurso, uma última liberdade, um último pedido que não se pode recusar a quem se sabe estar condenado" segundo o “Movimento Direito a Morrer com Dignidade”. A eutanásia é um direito, e como tal cabe a cada um exercê-lo ou não se o devido enquadramento legal se aplicar. Ninguém será forçado contra a sua vontade a submeter-se à eutanásia. A partir do momento em que um indivíduo consciente sente que a sua vida carece da dignidade de que necessita, ou que esta pode representar um flagelo para os que se encontram no seu círculo íntimo, este deve ter direito a recorrer à eutanásia se bem o entender, dentro das circunscrições legais. É uma falsa dicotomia considerar que a despenalização e regulamentação da eutanásia desencadeia obrigatoriamente um desinvestimento nos cuidados paliativos. Ambas não se excluem mutuamente. Todo o indivíduo que quiser levar avante um processo com fim à eutanásia deve submeter o seu caso a uma comissão especializada, que analisa não só a natureza da doença em questão como o estado de saúde mental do paciente. Em nenhuma circunstância pode um doente iniciar tal processo sem que esteja na posse total das suas competências mentais. Contra despenalização da eutanásia Já os principais argumentos dos defensores da manutenção da legislação em vigor, que penaliza aqueles que ajudarem outrem na prática da eutanásia, são os seguintes: A prática da eutanásia vai contra preceitos essenciais do Juramento de Hipócrates, proferido por todos os médicos, quando estão oficialmente prontos a iniciar funções como tal. Na versão mais recente (1983), o médico jura: “Guardarei respeito absoluto pela Vida Humana desde o seu início, mesmo sob ameaça, e não farei uso dos meus conhecimentos Médicos contra as leis da Humanidade.”

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ARTIGOS

Por considerarem a vida uma dádiva “sagrada e inviolável”, membros das diversas confissões religiosas, e não só da Igreja Católica, urgiram contra a despenalização. A despenalização, ainda que sob uma regulamentação estrita, pode levar a uma “rampa deslizante”, abarcando a legislação cada vez mais casos suscetíveis a serem resolvidos com recurso à eutanásia. Tanto na Bélgica como na Holanda, onde a prática da eutanásia é legalmente possível, esta tem vindo a aumentar consideravelmente entre as causas de morte. A função do Estado deve ser zelar pela segurança e bem-estar dos seus cidadãos até ao término das suas vidas, e não viabilizar um processo que tem por fim a morte dos mesmos. A situação atual do SNS, nomeadamente dos cuidados paliativos, não permite um acompanhamento adequado aos doentes que padecem de sofrimento extremo ou enfermidades terminais e incuráveis, o que desencadearia mais facilmente pedidos de morte medicamente assistida. A eventual lei de despenalização seria inconstitucional, indo contra o estabelecido no Artigo 24.º da Constituição da República Portuguesa: “1. A vida humana é inviolável”.

Fontes: Público; TSF.


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V, "Mios Phoemas" SARA MARGARIDA FRANCISCO @arckeysa

Pelos lençóis, permanece o teu cheiro, ainda entranhado, o teu odor. Marcada no colchão usado, a silhueta do teu corpo, e com ela, a sombra do meu passado amor. Fecho os olhos, tento esquecer. Apago da minha visão qualquer cor. Mas não, nem assim ela abandona… Maldita seja, esta dor!

POEMAS


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CRÓNICAS

A Revolução cansa FRANCISCO SOUSA NUNES Através da minha deambulação cesárica entre as

Este personagem singela carece muitas vezes de

ruelas

dizer,

cultura democrática. É curiosa esta monopolização

entrincheiradas do Twitter, deparo-me com um

tamanha da razão por parte de um apologista da

fenómeno que me deixa exaurido. Ao invés do

coletivização da propriedade. Tal atitude traduz-se

colorido contraste que observava Cesário, diante

muitas vezes na fascização de qualquer oponente

de calceteiros de martelo em riste e lascivas

político, algo que também me consome com

mulheres oitocentistas, restou-me uma amálgama

profunda abulia. E quando aparece o facho a sério, o

despersonalizada e ortodoxa que se ficou pelo

cordão sanitário já se encontra no sítio errado. Mas

século que a criou. Causa e consequência do seu

a pasmaceira continua. Entedia-me tanto um terço

declínio. Falo dos revolucionários de smartphone.*

sibilado no vácuo da igreja, quanto o recital

intrincadas

e,

atrevo-me

a

exaustivo da doutrina que teima em não se assumir O revolucionário de smartphone vê em cada conquista

social

progressista

uma

como tal. Afinal, o ópio do povo tem duas faces.

manobra

dilatória do capital e do feminismo burguês,

Sou self-conscious o suficiente (ou pelo menos tento

seguindo normalmente a acusação com uma

ser) para compreender que este texto me pode

extensa e austera thread de bajulação da própria

associar a outra espécie que também repugno, o

consciência de classe e referências vagas a Cunhal.

colunista do Observador, mas infelizmente esta

A vulgata marxista é repetida pela enésima vez,

cajadada só deu para um coelho. Não deixo de

sem hesitação e com todo o pormenor irrelevante a

reconhecer a boa intenção por detrás do idealismo

que tem direito. Como se o ego a roçar o

cego de todo o revolucionário de smartphone e não o

individualismo neoliberal não bastasse, delicia-nos

equiparo demagogicamente ao contrapeso oposto

com toda uma panóplia de dialéticas hegelianas

da balança. Mas, enquanto se mantiver presa nestas

entre outros devaneios do seu enquadramento

amarras

ideológico predileto. Só corrobora o que já

revolução nada muda, apenas cansa.

infelizes,

quadradas

e

cinzentas,

a

sabíamos, os revolucionários não sabem falar à classe trabalhadora, porque apenas se dirigem a si próprios. O pretensiosismo levado demasiado a sério paga-se caro. É repetitivo. É maçador. Acima de tudo, o revolucionário de smartphone cansa.

*Como apenas estou habilitado a fazer comparações literárias com obras lecionadas no secundário, estas ficam-se por aqui.


GALERIA ARTÍSTICA

DA

AEFCSH

CATÁLOGO DE

9

A

1 7

D E

OBRAS

D E Z E M B R O

•

N O V A

F C S H

disponível no balcão da ae e online


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ARTIGOS

REFLEXÃO SOBRE O CONCEITO DE AMOR DAVID BARATA Amor, um conceito tão vasto e complexo que suscita tantas questões das mais diversas origens. Dois exemplos para ilustrar esta situação são “O que é o amor?” e “Qual a sua origem?”, podendo até acrescentar que estas são as questões que se demonstraram mais frequentes durante a minha vivência, tanto social como pessoal. É possível encontrar registos escritos, que abordam este conceito na Grécia Antiga. Começarei por evidenciar a definição de Platão, filósofo bastante influente durante a civilização Grega, do conceito de amor. Para este, o Amor é um sentimento puro, desprovido de qualquer interesse e de paixões. O leitor deve parar e interrogar-se sobre como esta definição se aplica numa relação interpessoal pois, desta maneira, irá desfrutar e percecionar o texto de uma maneira diferente. Platão tinha uma relação “estranha” com o conceito de amor, sendo que este chega até a categorizá-lo como “uma perigosa doença mental”, mas, por outro lado, afirmava que o amor era a única via que o Homem poderia usar para se realizar plenamente. Hoje em dia, a sua definição caiu em desuso, sendo totalmente diferente da atual. Existem ainda algumas expressões originárias do pensamento de Platão, sendo a expressão “amor platónico” a mais usada nos dias atuais. Um amor platónico pode ser definido como um amor desprovido de qualquer desejo sexual ou como um amor impossível. Avançando um “pouco” no tempo, podemos olhar para Portugal dos séculos XII a XIV , onde é possível encontrar as cantigas de amor e amigo. As primeiras são caracterizadas pelo amor cortês, pela posição de soberana, atribuída à mulher, e de vassalo, atribuída ao poeta. Por outro lado, as de amigo são cantadas por uma mulher , que sente falta do seu amado, mas, que apesar disso, sente felicidade, pois o amor é verdadeiro. Em ambas as situações, são criados sujeitos poéticos exteriores ao escritor.

Por que razão uma forma de sedução usada no século XII é importante no cenário observado hoje em dia? A resposta é simples, hoje é possível observar estas duas vertentes em cenários “reais”. Existem “amores” em que um indivíduo é o vassalo e o outro é o soberano, amores baseados em paixões, amores por interesse, amores mútuos, entre vários outros. Em primeira instância, temos os mais “comuns”, os amores mútuos, sendo que estes são constituídos por um amor partilhado pelos dois, onde não existe um membro superior e outro inferior na relação. Em segunda instância, podemos encontrar os amores por interesse, sendo que podem ser de cariz sexual, como forma de ganhar “status” ou até como forma de mostrar o parceiro como se de um prémio se tratasse. Apesar de não se tratar de um amor mútuo, decidi incluir nesta lista pois, por muitas vezes, um dos lados ama enquanto que o outro é interesseiro. Em terceiro, as paixonetas, ou como referido anteriormente “amores baseados em paixões”. Esta categoria não deve ser considerada como um tipo de amor, mas decidi incluir, pois muitos acabam por confundir os dois conceitos. Quando pretendemos falar de amor, temos de atentar em alguns pormenores, sendo o primeiro, e mais importante deles, a duração do sentimento.


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Enquanto que numa paixoneta podemos verificar que o sentimento dura pouco e varia de intensidade durante esse período, num amor é possível verificar uma estabilidade em relação à intensidade e uma duração muito maior do sentimento. Um amor, ao contrário de uma paixoneta, necessita de amadurecimento e trabalho. Uma pessoa não pode afirmar que ama a outra sem conhecer o seu lado bom e mau, observar a mesma em dias bons e maus, daí a necessidade de um período tão longo para poder entrar na categoria de amor. Por fim, falarei dos amores de submissão, isto é, amores em que claramente há um regime de dominância de um dos indivíduos perante o outro. Estes amores são, muitas vezes, abusivos apesar de, em grande parte, existir uma aceitação do indivíduo abusado devido à veneração também observada nas cantigas de amor. Existem várias formas de exprimir amor. Qualquer um pode dizer um amo-te mas quantos são sentidos? O amor pode ser expresso por ações, por toques físicos, por todo o tipo de coisas. Um amor não se limita somente à expressão amo-te. Um indivíduo antes de amar outro precisa de se amar a si mesmo. Não podes amar alguém enquanto não te amares a ti pois, o amor vem de dentro para fora, então se sentes que não te amas o suficiente não tentes amar outros na esperança de aprender a amar. É impossível. Qual é a minha posição perante o amor? Amor é um sentimento (quase) equivalente à preparação de carne estufada. Inicialmente é preciso preparar a carne, condimentando a mesma, o que equivale ao amor próprio e conhecimento da pessoa, em segundo lugar é preciso começar a cozedura, ou seja, começar a preparar lentamente e observar enquanto a carne se torna um petisco com aspeto delicioso. Por fim, retirar a carne e apreciar o prato de forma lenta, sabendo que este foi preparado de uma forma demorada. Pessoalmente, apenas aprendi a diferença entre amor e paixão passados 18 anos da minha vida, este parece ser um conceito demasiado alargado para ser aprendido tão rapidamente!

ARTIGOS

Concluindo com uma pequena síntese dos conteúdos deste artigo, posso afirmar que a definição de amor depende muito do contexto histórico-social, que nem tudo o que parece amor o é, e que o amor de terceiros passa por um amor próprio com extras. Lembrem-se de se amarem sempre a vocês em primeiro lugar. P.S.: Não “apressem a cozedura da carne”, devemos condimentá-la de forma correta antes!


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ENTREVISTA

entrevista a sandra benfica dirigente do Movimento Democrático de Mulheres (MDM) @mdm.movimentodemocraticodemulheres @mdmmulheres geral@mdm.org.pt

por Joana Freitas e Sofia Silva AEFCSH (Devido à dimensão da entrevista, selecionámos as perguntas que achámos mais pertinentes incluir na nossa edição. No entanto iremos disponibilizar a entrevista completa nas nossas redes sociais!)

Nestes 52 anos de história do MDM de luta pela igualdade e direitos das mulheres, qual é o caminho a seguir para atingir, então, a plena igualdade em vida, em todos os seus aspetos? Considera que este objetivo está ainda muito longe de ser alcançado em Portugal? Para fazermos uma avaliação temos de ter pontos de referência e comparação. É uma evidência que, se tomarmos como referência estes 52 anos de atividade, a condição da mulher mudou radicalmente no nosso país. Partimos de um ponto (anos 60), em que a condição da mulher era uma condição de subalternidade e de submissão, em que a mulher não era vista como um sujeito, mas, de certa forma, como um objeto absolutamente instrumental numa relação, e essa condição também estava estabelecida na lei e, portanto, a discriminação na lei e a desigualdade na lei eram tidas como absolutamente naturais e exigíveis (como dizia o fascismo, na casa quem manda é o marido). Na realidade de hoje, podemos afirmar que, do ponto de vista da igualdade e da discriminação, a lei portuguesa é uma das leis mais progressistas no mundo. Porém, não nos basta ter essa igualdade na lei, é necessário que ela, de facto, se reflita na vida das mulheres e, portanto, nós podemos ter a legislação mais progressista, mas se nós não tivermos as condições políticas, materiais e culturais para que essa igualdade seja exercida, naturalmente começamos a verificar que, particularmente nos últimos anos, temos assistido a profundos retrocessos naquilo que é a condição das mulheres no nosso país. Em 2015, algo que foi tão importante para as mulheres durante décadas e décadas, que foi a luta pela despenalização da interrupção voluntária da gravidez, foi votada, às 19h da tarde, uma lei que acabou, embora por pouco tempo, graças à mobilização e luta das mulheres e que foi alvo de referendo por duas vezes no nosso país e que, finalmente, é implantada em 2007, com um sucesso tremendo, reconhecido internacionalmente, em pouco tempo, andou para trás. Dou-vos outro exemplo, nós, na década de 60, tínhamos das maiores taxas de mortalidade infantil e materna do mundo, também dada a ausência de um sistema nacional de saúde, o que acabava por fazer com que as mulheres tivessem os seus filhos em situações de grande desproteção médica.

Pouco tempo depois do 25 de Abril, com a criação do SNS, nós passámos a ter das maiores taxas de sucesso no mundo e a verdade é que, nos últimos tempos, a taxa de mortalidade infantil e materna têm vindo a aumentar, o que para nós significa um retrocesso. Isto porque, quando nós falamos de igualdade, falamos da igualdade numa perspetiva em que precisamos que hajam condições materiais, sobretudo ao nível dos serviços públicos, ao nível da proteção do trabalho, da igualdade salarial, que permita às mulheres terem uma vida digna, o que também nos conduz à necessidade do aumento do salário mínimo nacional. Estes são exemplos que demonstram que a luta pela emancipação das mulheres passa, sem dúvida nenhuma, pelas questões da luta pela emancipação do povo português e passa, sobretudo, pela luta pelo desenvolvimento do país. Se tivermos um país mais desenvolvido, onde seja dada centralidade às condições de vida digna das pessoas, naturalmente, criam-se as condições para que as mulheres possam viver em igualdade. E é, justamente, neste sentido, que podemos dizer que existem retrocessos bastante significativos.


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Dados estatísticos apontam para que em cada três mulheres, uma é vítima de violência doméstica, ao longo da sua vida. Em Portugal, desde 2004, já foram contabilizadas 531 mulheres assassinadas neste contexto, sendo que este ano, já duas mulheres foram vítimas mortais deste crime. Qual é a análise do MDM sobre estes números e este flagelo, e como é possível combatê-lo no futuro próximo? Estamos perante um problema seríssimo de exercício de violência contra as mulheres. Nós dizemos violência contra as mulheres na sociedade, no trabalho e na família. A violência doméstica tem tido uma centralidade muito importante, a visibilidade dos fenómenos é fundamental para os percecionarmos e para os podermos combater. Assumiu, particularmente o ano passado, uma situação de grande alarme social e, portanto, o MDM tem, na sua matriz, uma luta que é longa, desde logo, ao nível do reconhecimento de que este era um crime, uma vez que, nos anos 80, não existia sequer a ideia de que isto era uma forma de violência, era uma coisa chata que acontecia às mulheres. Neste sentido, a tomada de consciência de que existe um exercício de poder, no quadro da família, que, de facto, coloca as mulheres numa situação de grande vulnerabilidade e de grande violência, foi também aquilo que permitiu que a lei fosse alterada e que, hoje, não existisse nenhuma dúvida de que isto não pode acontecer e de que é, efetivamente, um flagelo social. Mais do que os números, que são importantes para termos essa noção e essa consciência, a nós, interessa-nos particularmente perceber como é que podemos prevenir e como é que nós podemos combater. Pensamos que muito há a fazer. Se o ano passado também foi importante, foi para tomarmos consciência que existe uma grande desarticulação e até alguma inadequação naquilo que é o combate a este crime. Mais uma vez, temos uma legislação que é boa, o que não temos é tido capacidade para que ela, de facto, seja aplicada. O ano passado, por exemplo, falou-se de que as 72h não eram aplicadas, desde o momento em que é instaurado o processo e em que é garantida a proteção àquela mulher- passou um ano e continua a não ser aplicado. Neste sentido, faltam meio humanos, faltam meios materiais, falta uma maior sensibilização e, de facto, garantias em como as mulheres possam confiar no sistema. O ano passado também se falou muito de alguns relatórios importantes, na nossa opinião- relatórios retrospetivos de assassinatos de mulheres no nosso país, nos últimos anos- numa primeira fase foram analisados 6 e, daquilo que se consegue percecionar, foi, precisamente a constatação de que quase tudo falhou- falhou na segurança social, falhou na justiça, falhou na saúde, na segurança e tratavam-se de mulheres que já tinham tido estatutos de vítima vezes e vezes sem conta, mulheres que já tinham recorrido aos hospitais inúmeras vezes e nada se fez, de forma coordenada, para que aquelas vidas tivessem sido salvas.

ENTREVISTA

Procurámos olhar para estes exemplos concretos e perceber como é que, do ponto de vista político, os meios têm de ser adequados para que as mulheres ganhem confiança, porque as mulheres padecem de falta de confiança no sistema, uma vez que o que está garantido às mulheres não é suficiente para lhes permitir tomar uma decisão que lhes permita a retirada daquela situação de violência. Lançámos uma aplicação para telemóvel designada “vive mais aqui” e que é uma aplicação que procura, de uma forma muito simples, garantir às mulheres a informação necessária para que reconheçam o tipo de violência a que estão sujeitas e, por outro lado, para que conheçam os direitos que têm nas diferentes áreas (saúde, trabalho, proteção social), que as encaminha e que lhes permite fazer este processo, extremamente difícil e doloroso, pautado por uma violência reiterada e prolongada, com diferentes matizes que envolve relações de afetividade e de projeto, o que torna tudo isto muito especial e muito mais difícil. As mulheres precisam de apoio neste processo que é complexo e que é íntimo, até porque, muitas vezes, a informação não está acessível. No nosso país, o que continua a estar acessível é um apoio que já está numa fase tardia, em que já houve a apresentação de uma queixa-crime e, portanto, nós julgamos que temos de antecipar todo este processo ao primeiro estalo, ao primeiro grito, ao primeiro exercício de violência que possa ser percecionado, para que as mulheres possam receber ajuda imediata e não permitir que as coisas avancem até ao ponto que têm avançado.

Desde o 25 de Abril e as conquistas e valores que a Revolução trouxe a Portugal, qual é a análise do MDM sobre os avanços realizados no campo da saúde, da cultura e do trabalho para as mulheres, e particularmente na educação e no Ensino Superior? Nós hoje temos uma realidade no Ensino Superior que é qualquer coisa de extraordinária. Não tenho os dados aqui comigo mas existem estudos que apontam para factos que nos dizem muito bem qual é que era a frequência das mulheres no ES e hoje nós temos, provavelmente, mais mulheres do que homens a frequentar o ES. Não tem nada a ver com as capacidades das mulheres de “serem mais ou menos espertas do que os homens”, isto tem, a ver, sim, com a exigência, que foi e é nossa, da igualdade de oportunidades, naturalmente. Se nós partimos de uma situação em que as mulheres só eram obrigadas a ter a 3ª classe os homens a 4ª classe, em que a educação, e a educação superior, era vista de uma forma bastante elitista, classista. Estamos a falar de uma questão de classe e de mobilidade social. Costumase dizer que o capital não quer gente esperta, ou seja, quanto mais sujeita aquilo que é a sua condição de classe, melhor.


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A verdade é que a CRP e o investimento que se fez na educação - e por isso é que é tão importante a defesa nos serviços públicos pois foram eles que nos garantiram que, de facto, as mulheres e os homens de todas as classes sociais tivessem a possibilidade de frequentar a escola, de ter formação e de chegar ao ensino superior. O que é que nos preocupa? Preocupa-nos que o desinvestimento na educação tenha, por exemplo - e voltando ao período da Troika pois ainda não há dados sobre esses anos assistimos a muitas raparigas e rapazes a abandonarem o Ensino Superior por não terem condições para continuar a pagar as propinas e não só. Nós somos contra as propinas e, portanto, somos favoráveis à plena igualdade de oportunidades no acesso para o Ensino Superior independentemente do género e da classe social, como é óbvio. A educação é um factor muito importante para o desenvolvimento individual mas é absolutamente determinante para o desenvolvimento do país. Preocupanos muito a questão da possibilidade do emprego. Temos juventude bem formada do ponto de vista da educação e dói-nos profundamente que esses jovens sejam convidados a sair do país para poderem sobreviver. Olhamos numa perspectiva daquilo que é do nosso espaço de liberdade individual e de poder estudar, trabalhar e contribuir para o desenvolvimento do nosso país, mas a saída de quadros para a emigração que se pode dizer forçada coloca-nos problemas para o desenvolvimento do país até do ponto de vista da natalidade. Quantas e quantos jovens, em idade reprodutiva, abandonam o país por razões mais do que óbvias que nos deixa em situações de grande fragilidade. Preocupa-nos o acesso ao trabalho, pois dói-nos ver gente acabada de sair da universidade e que tem de mentir nos seus currículos para conseguir o emprego devido a currículo a mais para o trabalho precário que está disponível. Preocupa-nos muito os aspectos da investigação, de quem vive da investigação e do aprofundamento do conhecimento científico - que é tão fundamental para o desenvolvimento das sociedades que acaba por estar numa situação de degradação e de impossibilidade de desenvolver o seu trabalho e ter dignidade na vida e projectos para além do percurso académico. Mais do ponto de vista positivo, o olhar que temos sobre isto é de orgulho; quando as mulheres que saem de uma situação de tão grande subalternidade e assim que lhes é dada a possibilidade e essa igualdade de oportunidades, agarraram-nas com as mãos há 40 anos atrás e como agarram hoje com uma grande coragem pois ser mulher não é fácil. Continuamos sujeitas a grandes factores de desigualdade e discriminação, e não baixam os braços, e isso é apaixonante e bonito, o que nos traz bastante esperança e confiança no futuro.

ENTREVISTA

Na era politicamente instável em que nos encontramos, com a ascensão progressiva da extrema-direita e a ameaça fascista a nível europeu, o que significa o feminismo para o MDM? Como é possível introduzir e colocar em debate esta questão a quem resiste ao próprio termo? Disse-vos há pouco que o MDM nasce desta inspiração e vocação não apenas humanista e da perspectiva dos direitos humanos e de que os direitos das mulheres também são direitos humanos, mas nós nascemos da luta anti-fascista. As mulheres fundadores do MDM são resistentes anti-fascistas. São mulheres que tiveram de se exilar, estiveram presas, foram torturadas, portanto sabemos na pele o que significa o fascismo, a guerra. Sabemos que é nos cenários de guerra que as mulheres mais sofrem. O que estamos a assistir na sociedade portuguesa não é algo que nos espante. O caminho está a ser feito, o caminho do populismo, da guerra, do racismo, da xenofobia, e ele é feito com um objectivo. Ainda há pouco falava da normalização da prostituição para servir um determinado interesse; bom, este serve também um interesse, e é o do capital neste momento. Por isso, recusamos a fazer a discussão a partir do ponto de vista individual. O discurso institucional que existe na sociedade portuguesa é aquele que tem de ser, naturalmente, combatido. Estamos preocupadas, vigilantes, activas, pois temos experiência naquilo que é a resistência. Nós trabalhamos com mulheres de diferentes nacionalidades - imigrantes no nosso país nós trabalhamos com mulheres ciganas, brasileiras, angolanas, moçambicanas, nepalesas, e que são alvo de uma discriminação profunda na sociedade portuguesa não apenas por serem mulheres mas porque são estrangeiras, porque têm uma cor de pele, uma cultura, uma religião diferentes. A luta pelos direitos das mulheres no nosso país inclui todas as mulheres: as portuguesas, as estrangeiras, as que estão de passagem. Todas as mulheres. A nossa luta não vai apenas pela negação ao afirmarmo-nos anti-racistas e que estamos muito preocupadas com o racismo; vai sim por uma tomada de consciência de como e porque é que estes processos evoluem, e quais são as causas que de facto levam a que hoje se esteja a vivenciar de uma forma mais pública com esta realidade, e com um trabalho muito próximo com as comunidades no sentido de informar as mulheres e de lhes dar instrumentos para a resistência. Creio que estamos a viver um momento, e se é verdade que a história não se repete, a verdade é que se folhearmos alguns livros de história que abordam o período de transição entre duas guerras e verificarmos como se preparou todo o caldo do populismo, do racismo, do nazi-fascismo e que garantiu o que aconteceu à Humanidade durante a II Guerra Mundial, considero que com a devida distância compreendemos que estamos num processo muito semelhante, cujos factores são indispensáveis para a perpetuação destas ideias.


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Por fim, é já no dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, que o MDM dinamiza a Manifestação Nacional de Mulheres sob o lema A força da unidade em defesa dos direitos das mulheres e pela paz no mundo. Quais os motivos e objectivos desta manifestação, assim como o apelo que o MDM faz à sua participação? Esta é a 4ª manifestação nacional que realizamos nos últimos anos, ou seja, a partir de 2017. Esta é uma manifestação que celebra o 8 de Março, que não é um dia qualquer, é um dia de luta e não instituído para dar flores, e estamos nos 110 anos da sua proclamação. É um dia de luta das mulheres trabalhadoras e que nasce pela exigência de melhores salários, por mais condições sociais e políticas para as mulheres, e o MDM realiza esta manifestação com diferentes componentes. Para já, tem uma expressão nacional: estarão presente mulheres de todo o país trazendo os seus problemas específicos e a sua realidade concreta. Esta manifestação corresponde a uma exigência das mulheres. É uma manifestação que tem um grande pendor festivo, naturalmente, de valorização do papel que as mulheres têm para o desenvolvimento do país, mas é sobretudo uma manifestação reivindicativa dos direitos das mulheres e que consideramos fundamental. É fundamental até para aquilo que diz o lema, para mostrar o que é a força da unidade e a criação de uma frente comum para a defesa e avanço dos seus direitos, pela paz, cuja necessidade de combate ao racismo, xenofobia e guerra são lutas das mulheres e que têm todo o interesse em abraçar, e que temos de ser solidárias com mulheres e a sua luta em todo o mundo. Há mulheres lutam hoje pelo fim da guerra nos seus países; a luta das mulheres é muito diversa e tem diferentes matrizes e níveis, e portanto esta manifestação de solidariedade é absolutamente determinante. Vamos também continuar a exigir coisas no quadro do trabalho, que as mulheres tenham direito ao trabalho com direitos, horários de trabalho compatíveis com a articulação da sua vida profissional, pessoal e laboral, condições para que os nossos filhos possam ter creches e o apoio necessário para que nós também possamos desenvolver o nosso trabalho e competências, o fim das violências - não da perspectiva propagandística mas sim das políticas concretas de prevenção, combate, apoio e protecção das mulheres vítimas de violência; vamos colocar a questão da prostituição dizendo que os proxenetas não marcham ao nosso lado nesta manifestação; vamos exigir que esta seja considerada uma forma de violência contra as mulheres e que o plano nacional proposto seja de facto implementado; o reforço dos serviços públicos e que haja acesso e igualdade a todas as mulheres à educação, à saúde, à protecção social, à justiça, e tudo isto em situações de verdadeira igualdade; é muito diferente o acesso em Lisboa do que no Algarve.

ENTREVISTA

Já chega que as mulheres tenham de andar quilómetros ao longo deste país para poder ter acesso a cuidados fundamentais na sua saúde como está estipulado na CRP. Vamos exigir o estímulo à participação das mulheres na vida pública não se resuma àquilo que é apenas a representatividade das mulheres na política, que é uma bandeira legítima como outra qualquer, mas para que as mulheres possam participar têm de ter condições materiais para o fazer. Dando um exemplo, novamente no período da Troika, era muito díficil para de mulheres em determinadas idades, fora do mercado de trabalho ou reformadas, mas com tempo para dar, a compra do passe social; não era possível comprar dois, comprava-se só um, e não era o delas. Agora, com a alteração dos preços nos passes sociais, verifica-se um aumento da participação das mulheres, e é uma coisa maravilhosa. As condicionantes que colocam à participação das mulheres não se colocam à sua vontade ou disponibilidade para participar, mas sim as condições para o fazer. Nas associações de estudantes, culturais, no desporto, no MDM, dêem condições para as `mulheres para participar, e não tenho quaisquer dúvidas que as mulheres continuarão a tomar nas suas mãos os seus destinos numa perspectiva de grande paixão e capacidade transformadoras. O importante é saber como é que nós transformarmos a realidade das mulheres, e as mulheres têm-nas, e elas saberão exactamente o que fazer com elas.

Registo da participação da AEFCSH na Manifestação Nacional de Mulheres, dinamizada pelo MDM, no passado dia 8 de Março.


O N L A T N E SAÚDE M 5 # R O I R E P ENSINO SU AL U X E S E D Ú A S E D A D I L A U X E SE

7 DE MAIO • 16H AUDITÓRIO 2, TORRE B entrada

livre

Quinta sessão das Jornadas de Saúde Mental da AEFCSH em colaboração com os Serviços de Psicologia, Inclusão e Igualdade (PsII+) da NOVA FCSH

Com a presença de Dr. João Moreira de Sousa e Dr.ª Patrícia Câmara


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NOVA EM FOLHA

Estocolmo ALEXANDRE CALAPEZ 17/02/2020

Estou preso e rendido ao cárcere.

Preso com algemas soltas, das quais não me quero ver livre.

O amor tem destas coisas; É a maior das incongruências.

POEMAS


NOVA EM FOLHA

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PRODUÇÕES ARTÍSTICAS

STEFANO @kunstefano_

O Chico não é menos homem por lutar pela igualdade de género “Chico” series 25x25 cm, ilustração digital 2020

O meu nome é Daniel Estevão, tenho 21 anos, frequento o terceiro ano de licenciatura em História da Arte e sou pseudoartista. Atuo pelo nome Stefano no mundo artístico e venho apresentar-vos nesta edição do NOVA em Folha, o Chico. O Chico é uma personagem feminista que criei e que tenta aqui mostrar que "(…) não é menos homem por lutar pela igualdade de género". O mote desta série "O Chico não é menos homem por..." (completando a frase através da ação ilustrada) pretende desde logo, através do título, atacar os comportamentos machistas e mostrar justamente que o Chico não é menos homem por fazer determinada ação. É missão do Chico alertar e sensibilizar os homens que em pleno século XXI ainda têm este tipo de comportamentos e que os banalizam. Estas atitudes não são de todo normais. Somos todos seres humanos e devemos ser tratados por igual. Como tal, para além de condenar estas atitudes, devemos tentar ao máximo mudar os que nos são mais próximos. O Chico acaba por ser a minha maneira de tentar fazer este papel, de forma a conseguir chegar às pessoas de um modo mais fácil e imediato. Nesta mais recente obra, ilustrei o Chico numa manifestação feminista a erguer o seu cartaz, mas também já o ilustrei: a fazer tarefas domésticas; a utilizar roupas ditas “femininas”; a usufruir da licença de paternidade e a lavar a loiça porque simplesmente gosta de o fazer. Esta é uma série que continuará em desenvolvimento, afinal nunca é demais trabalhar para uma sociedade melhor. Se estiverem interessados em ver mais trabalhos meus, seja do Chico ou de outros projetos que tenho, podem sempre passar pelo meu Instagram (@kunstefano_) pois é lá que costumo publicar a maior parte do meu trabalho artístico.


NOVA EM FOLHA

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CRÓNICAS

Praça de São Paulo RITA SERPA @justsomerandomshitttt Pombos. Desde quando é que há tantos pombos? Pombos nos bancos, pombos sobre vidros partidos... Fogo, até há pombos sobre as sopas dos bebés. Pombos em todo o lado. Pombos e pessoas. Algumas sentadas nos bancos, outras agarradas a garrafas coloridas… Fogo, até há pessoas a dar sopa aos bebés. Ambos movidos pela gula, cada um perdido no seu umbigo. A diferença está, claro, na forma como os pombos, às vezes, arrolam uns para os outros, enquanto as pessoas parecem ter-se esquecido da existência uma das outras. Não há dúvida que também arrolam, mas fazem-no apenas para os pequenos retangulozinhos que levam na mão. Oh, como eu gostava de ter um retangulozinho hilariante como o delas. No entanto, tudo o que há de hilariante neste cenário é a forma como o pombo acerta melhor na sopa do bebé, do que a mãe que leva fantasmagoricamente a colher à mesa e a dá ao bebé adormecido, enquanto tira selfies. Mesmo assim, não me rio para coisa nenhuma. Apenas observo os vidros partidos e as olheiras nas caras das pessoas, que vivem sobre prédios antigos de janelas tapadas. De fundo, oiço os fantasmas a arrolar misérias perdidas nas ditas garrafas coloridas. Não querendo ser hipócrita, confesso que talvez também estivesse perdida no meu retangulozinho, se não fosse pela caneta energética que tenho na mão. Estou cansada. Ao meu lado tenho os papéis do divórcio, mas decidi desenhar-te nas costas deste recebido de hotel. Sempre dá um melhor uso à tinta da caneta. Vim aqui à procura de respostas. À direita, a igreja onde nos casámos há 20 anos. E à esquerda, os bares onde me traíste há 20 dias. Pensei que no meio encontrasse o porquê. Mas só encontrei este banco e os malditos pombos.


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NOVA EM FOLHA

TOMÁS GIRÃO

Preso aos meus suspiros que aturo, tenho um medo sobre o futuro que é do tamanho do mundo. Não sei o que pensar, nem o que escrever, porque sei lá o que é sonhar, descrever ou desejar. Tenho a alma estacionada, calma e pouco agitada. Estou olhando o mar e parado a tentar sonhar.

POEMAS


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NOVA EM FOLHA

TERESA DA COSTA PESSOA

Há poemas que dizem coisa e há coisas que dizem poemas, se ouvirmos com atenção, até o nada diz o tudo, e o silêncio é a mais sonora das Palavras.

POEMAS


CALENDÁRIO 2020

mar CONCURSO DE FOTOGRAFIA MAR REALIZADO PELA AEFCSH E PELA NOVA FCSH NO ÂMBITO DO PROJECTO ECO-ESCOLAS


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NOVA EM FOLHA

TATIANA MATOS Amor que nunca vai ser amor, são só luzes que se apagam rápido. Os filamentos vão ficando mais fracos. Tudo é arrastado e desgastado Tudo fica triste e vazio. Sou eu que trago essa rástia de esperança infundada ou é o mundo que nos faz acreditar nela? Algo que devia ser visto como passageiro, nós queremos segurar a todo o custo. Mesmo que nos custe. A motivação foge com pressa, rápido demais para alguém que acredita. Pensamentos que me atrasam e tornam algumas melodias tristes, canções que ficam reservadas para os dias de chuva, fracassos que nos vão derrotando. Mas continuamos a acreditar ao som de melodias chuvosas, espelhando a fraca capacidade que temos de aceitar que o amor não existe, ou pelo menos, não como o idealizamos. Sorte de quem o encontra ou de quem acha que o encontrou. A maioria continua a escrever, à espera de soar numa letra perfeita, que possa servir de choro as outros.

POEMAS


NOVA EM FOLHA

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CRÍTICAS

42 - A HISTÓRIA DE UMA LENDA DIANA NEVES (EDIÇÃO DE BEATRIZ MATEUS) DETALHES Título Original: 42 (2013) Realizador: Brian Helgeland Com: Chadwick Boseman, Harrison Ford e Nicole Beharie Duração: 2h08 CRÍTICA Da mesma realização de Robin Hood (2010), surge uma obra na qual Brian Helgeland se empenhou em deixar o legado de uma das figuras mais importantes da história do basebol dos EUA. A partir de uma história verídica, a longa metragem desenvolve-se ao longo dos anos 40, e conta uma parte importante da vida de Jackie Robinson (Chadwick Boseman), que combateu a segregação racial e ganhou o respeito no desporto, não só na América, mas no Mundo. Apesar da abolição da escravatura nos Estados Unidos, na década de 40, como uma criança cheia de preconceitos e dogmas antigos, a segregação racial (ainda) era um mal no seio da sociedade, exemplo disso são a existência de casas de banho, exclusivamente, para brancos. Branch Rickey (Harrison Ford, da imortal saga Indiana Jones), contra todas as regras do basebol americano, em pleno ano 1947, contratou Jackie, um afro-americano, para jogar na equipa de Montreal, onde só podiam jogar brancos. Assim, para fazer parte, posteriormente, dos Dodgers, e provar o seu valor como jogador, Robinson enfrentou os comentários desgostosos nas ruas, o barulho ensurdecedor de uma bancada racista e a raiva dos colegas de equipa, que chegaram mesmo a formalizar um abaixo assinado para que o protagonista saísse da equipa. A verdade é que, durante esse ano, o jogador prodígio de Mr. Rickey foi aplaudido em cada estádio que pisava, ganhou a amizade de alguns, mas sofreu às mãos de outros. Jackie foi construindo família e gozou sempre do apoio incondicional da sua mulher na vida desportiva, símbolo de inspiração para os mais novos e os mais velhos. Tornou-se o primeiro homem afro-americano a jogar na Major League Basebol, provando que qualquer homem pode, e deve ter oportunidade para jogar, independentemente do desporto ou da cor de pele, dando, como tal, um novo passo no futuro do basebol. Destacaram-se várias performances de atores, porém o argumento não deu aso a uma atuação que pudesse mostrar mais dor, determinação, luta, felicidade ou, por outro lado, manifestação de racismo, por parte de cada personagem. Porque é disso que este filme é feito. De uma luta constante para conquistar respeito e reconhecimento. Contudo, alguns diálogos entre Chadwick Boseman e Harrison Ford deixam o espetador dominado pelas emoções.

O sofrimento do protagonista ao partir o taco de basebol, depois de comentários absurdos a meio de um jogo, tornou-se uma das cenas mais expressivas do filme. O filme humaniza-se ao ponto de atacar o espetador com temáticas de segregação e racismo, que ainda hoje fazem parte da sociedade dita «moderna», e por descrever a força e humildade de um homem que inspirou mentes e países, o que vai ao encontro do desejo do espetador de seguir atentamente o caminho do protagonista e vê-lo triunfar. Apesar de algumas falhas, o realizador é capaz de fornecer quase como que uma micro visão das vivências do jogador. Robinson mereceu o número 42, sendo que atualmente, é o único número que não se usa no basebol. Esta longa tem também o mérito de mostrar as conquistas de uma das lendas do desporto, de uma forma poderosa e emotiva...


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NOVA EM FOLHA

POEMAS

FRANCISCA FONTES @irisescrita

4 horas da manhã. Sentada na varanda, uso um casaco preto cuja matiz se confunde com o preto do céu. O mundo está estagnado, o monte quieto, a atmosfera vazia. Ouve-se o silêncio das mentes adormecidas, ressonos ritmados, alguns sonhos gentis, muitos pesadelos bravios. 4 horas da manhã. Os despertadores estão por tocar. Os cafés estão por fazer. As camisas por vestir. As remelas por remexer. O céu escuro é a vida das 4 da manhã. É o mundo. É o acordado. Ele e eu. Eu mais ele. O resto adormecido. As nossas insónias comunicam em correspondência e somos amigos, conversamos o nosso sofrimento, revivemos as nossas mágoas. Os dois vestidos de preto, passamos o tempo. Mas ele é o primeiro a ir embora. Diz que tem de me deixar, que tem de dormir. Abre a porta para partir e entra então uma luz cor de rosa que cresce vagarosamente. Os despertadores começam a tocar. Os cafés começam a ser feitos. As camisas a ser vestidas. As remelas a ser remexidas. Ganho sono, ganho calma, são 7h e já consigo dormir. Bom dia.


P 37

NOVA EM FOLHA

Nunca houve tanto JOÃO MARTINS Nunca houve tanto p’ra comer, tanta coisa apetitosa, tanta fartura! Nunca houve tanta fome. Jamais existiu tanta água. Cada vez há mais água... cada vez há menos água. Jamais existiu tanta sede. Nunca houve tanta diplomacia, tanto tratado, apertos de mão, tanto comissário por todo o lado. Nunca houve tantas guerras... Antes não havia tanta coisa que há agora, tantos objetos. Há agora tão pouca coisa,como antes havia tanta falta. (Mas pouco sobra, muito pouco sobra de tanto desperdício...) Hoje dói tudo, adoece tudo. Há tanto enfermo, tanto infetado, há tanta corrosão nas entranhas. Hoje cai tudo, tudo aos bocados. (E sobejam as curas, e curam-se as doenças, e brotam novas...) Afinal, nunca houve tanto... Oxalá não haja mais tanto! Oxalá deixe de haver nada! Afinal, nunca houve nada.

POEMAS


AEFCSH | NOVA FCSH

cicloficina 17H PISO -1

ÚLTIMA 3ª-FEIRA ÚTIL DO MÊS

NUMA PARCERIA COM A NOVA FCSH, A AE DINAMIZA, NA ÚLTIMA 3ª-FEIRA ÚTIL DE CADA MÊS, UMA CICLOFICINA NO PISO -1 PARA A MANUTENÇÃO, REPARAÇÃO E APRENDIZAGEM SOBRE BICICLETAS.

Traz a tua bike, aprende a arranjá-la e participa!


P 38

NOVA EM FOLHA

CRÓNICAS

O rebentar das águas ROSA PIRES Há gente deste calibre que não sabe o mal que me faz. A toda a hora sou abalroada e logo eu, que fujo a sete pés, como o diabo foge da cruz a estes pensamentos retrógrados e afeminados que roubados quase ao desbarato à minha serena e paciente figura, lhes deve parecer uma cançoneta feliz. Deixem-me em paz. Não fomentem a minha loucura a sorrir sempre que me falam da minha terra quase campeã! Mas que mal lhes terei feito eu, para merecer tal desmesura? Ai, as tíbias – diz-me uma – esse bolo, a transbordar de creme de manteiga que me dizem que deve ser um bolo da cidade. Mas eu não sei. E no calor da viagem quase se desfazem, ou com a vontade que me assola de as comer, quase ficam pelo caminho e não chegam ao destino de quem as pediu. O Braga é grande, e um dia vencerá! – Diz-me outro, e não sei porquê. Quero eu lá saber de futebol, de bola ou campeões? Sei, isso sim, que apesar de já ter passado de carro ao lado do tal construído na pedreira, as pedras seculares de onde ele nasceu adormecem num silêncio que a mim metem dó, nem tanto pelos jogos – que eu não tenho pretensão de os ir ver, mas pelo dinheiro que ali foi gasto e os milhões que ainda hoje saem dos bolsos de todos nós. Outra fala-me das “papas de sarrabulho” que a minha sogra tão bem faz. E que tanta vez a ajudei, em natais intermináveis e por páscoas friorentas, a desfiar as carnes ao fim do trabalho na casinha ao pé da Sé. Agora transformada num café que não sei o nome e nunca lá entrei. Pelas recordações. Pois, o que sabem os jovens estatelados que por ali permanecem sentados agora, e que não conheço por entre fumos e bebidas frescas a rir alheios à minha imagem que os olha quase transfigurada? O que saberão os turistas que calcam aquelas calçadas a olhar as ruas ditas “zona nobre” da cidade, como se conseguissem descortinar alguma coisa escondida dos nossos olhos? Olho-os agora como se a estranha fosse eu e não eles! O que saberão eles dos ecos das gargalhadas que se desprendem daquelas paredes agora pintadas, as do meu filho e dos primos, a quem também ajudei a mudar as fraldas, ao virem por detrás de mim e roubaremme à socapa as carnes já desfiadas? E das zangas deles, mas na hora de cada um recolher às suas casas a pergunta era sempre a mesma: “Avó, amanhã podemos voltar para cá?” E no sorriso da avó nem palavras eram necessárias… E sobre a Dona Maria, que viveu até perto dos noventa anos e que descia, já a custo, o lance de escadas a pique, com o ranger dos seus passos na madeira apodrecida?


P 39

NOVA EM FOLHA

CRÓNICAS

O meu sogro, o Sê Zé, ainda mal ela tinha entrado na soleira do rés-do-chão, já o sol reluzia na borda do seu copo de tinto cheio até ao cimo, tão apetecível como ela dizia – embora também o tivesse na casa dela – para dar um nó de conversa com o meu sogro? O meu sogro que ainda hoje continua a dizer que das duas vezes que emigrou para França e Alemanha, nem um mês por lá aguentou com as saudades do seu rico são Joãozinho… E vendo-me por ali a Dona Maria, já o meu filho um adolescente, retorquia sempre: “eu hoje não disse asneiras, pois não?”… que, além de “zé” a primeira palavra aprendida por este não seria difícil de adivinhar, pois então. Mas o meu filho lembra-se já de poucas coisas nos tiques dos meninos da capital que não dizem palavrões. Mas há os que me dizem também que sou tão engraçada a dizer “ôitenta”, em vez de “oitenta”, mas que para mim é a mesma coisa. Mas eles dizem que não. Que pareço que o digo ao fechar a boca como se fosse libertar um assobio. E um dia estive defronte ao espelho por tempos intermináveis a proferir as mais das disparatadas das palavras e alguns impropérios. E o que eu me ri, nem queiram saber… Ao que esta gente, mas a maioria descendente de gentes das terras de Viseu, Bragança, Lamego e até mais a norte me obriga! Conhecer, só conheço uma verdadeiramente alfacinha e que “não tem terra”, como ela diz, pois nunca passou das linhas de Sintra para cima e da Caparica para baixo. Até o médico numa clínica em Setúbal que me operou ao nariz, pela pronúncia que em oito anos seria difícil de eu perder, me disse que todos os anos uns dias em agosto, nas férias, vai a um restaurante no hotel do bom-jesus. Faz isso desde miúdo, comer o melhor prato de bacalhau que alguma vez comeu! Foi o pai, comerciante, que lhe incutiu, pelas viagens que fazia ao norte. Fã deste ficou. Já lhe perdi a conta a quantos me perguntaram: “por quem trocou uma cidade tão jovem e bela?” Às vezes respondo e, outras vezes, encolho os ombros. Não foi escolha minha. Mas será que se reuniram todos, penso isso muitas vezes, para me sarnar? Nem tenho que me justificar, mas será uma espécie de contestação para me dizerem sem convicção para o admitir: “volta para a tua terra degenerada!” Deixem-me em paz! Não acordem de dentro de mim a fonte de Níobe que serenou por séculos dentro dela os seus fantasmas e a sua dor… E o Tejo… Esse menino tão sereno…tão cintilante que se me oferece todos os dias de dentro do comboio…e que brinca com as gaivotas tais aviões de papel ou barcos multicolores a inspirar aos audazes sonetos, amores e saudades… Que pouco destes, que assim atentam ingratos contra a minha quietude a saltitar em ecos de partitura dentro do meu peito, saberão que existe um Este. Um rio, ao fundo da avenida, com o Picoto lá no alto onde o sol se banha, se deleita e se levanta na alvorada de alma mais enriquecida e que de rajada, num lance de ventania, mergulha de cabeça na superfície de prata dos meus olhos e me revolve as recordações em turbilhão… Pronto…lá teve que acontecer. Rebentaram-se-me as lágrimas como rebentam as águas quando as mães o vão ser!


P 40

NOVA EM FOLHA

RECEITAS

curgete de pizza ana raquel alves

ingredientes 4 curgetes médias; 1 colher de sopa de azeite; 75g de chouriço; 100g de cogumelos laminados; 1 alho picado;

335g tomate cherry; 1 colher de polpa de tomate; 150g mozzarella fresca; 28g manjericão e orégãos;

preparação 1. Pré aquecer o forno a 200°C. Cortar as curgetes a metade e tirar, com a ajuda de uma colher, todo o interior do vegetal. Por as metades viradas para cima num tabuleiro e pincelar com azeite. Deixar assar durante 12-15 minutos. 2. Adicionar numa panela, o azeite, o alho, o chouriço cortado em cubinhos e os cogumelos, deixando cozinhar por 3-4 minutos. Depois, adicionar a polpa de tomate, sal e orégãos. 3. Quando tudo estiver quase cozinhado, adicionar o preparado para dentro das curgetes, metendo o tomate cherry cortado por cima juntamente com a mozzarella aos bocadinhos. 4. Levar ao forno durante 3-4 minutos até o queijo derreter. Está pronto a servir.

mousse de iogurte grego e morango ana raquel alves

ingredientes 250g de iogurte grego sem açúcar; 450g de morangos cortados em pedaços; 1 lata de leite condensado com 397g; 1 saqueta de gelatina de morango em pó para meio litro; 200 mL de natas para bater;

preparação 1. Num tacho, colocar 170 mL de água para deixar ferver. Quando entrar em ebulição, juntar a gelatina e mexer energeticamente até que fique dissolvida. 2. Colocar a gelatina, os pedaços de morango, o leite condensado e o iogurte grego no liquidificador. Tritura tudo até que fique um creme. 3. Numa tigela, bater as natas até que fiquem fofas e volumosas. Aos poucos, envolver com uma colher o creme de morango com as natas. 4. Dividir a mousse por tacinhas e leve ao frigorífico, até que fiquem bem frescas.Depois da mousse estar fria, está pronta a servir.


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para passares o tempo...

Óscares 1. Filme que recebeu o Óscar na categoria de Melhor Figurino. 2. País de origem do filme “Corpus Christi”, nomeado para a categoria de Melhor Filme Internacional. 3. Ator protagonista de “Marriage Story”, nomeado para a categoria de Melhor Ator. 4. Vencedor do Óscar na categoria de Melhor Filme. 5. Vencedora do Óscar de Melhor Atriz Secundária.

6. Vencedor do Óscar na categoria de Melhor Ator. 7. Teatro que, desde a sua inauguração, em 2001, ocupa o lugar de entrega dos Óscares. 8. Apelido do realizador de “Dois Papas”. 9. Maior número de indicações. 10. Ator que interpreta Jimmy Hoffa no filme “The Irishman”.


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NOVA em Folha | Março 2020 by AEFCSH NOVA - Issuu