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Mudar de Vida | Edição Maio/Junho 2026

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Mudar de Vida

As Tuas Propostas

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Todas as edições aceitamos propostas de textos, poemas, críticas, receitas, crónicas, bitaites, artigos desportivos, notícias e destaques, reportagens, peças humorísticas,... de qualquer alun@ ou docente da FCSH, os quais são posteriormente revistos pela nossa equipa editorial

Aceitamos ainda propostas de fotografias, ilustrações, montagens,... não só para serem incluídas na nossa edição e na newsletter, mas também para se habilitarem a ser a capa desse mês!

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Após a revisão completa do material recolhido pela equipa editorial, o seu conteúdo e versão final são da responsabilidade e exprimem somente o ponto de vista d@s respectiv@s autor@s

Este jornal é impresso em papel 100% reciclado notas

Maio/Junho2026

Direção Carolina Ramos

Madalena Grilo Teles

Miguel Martins

Redação Alice Couto

Bárbara Soares

Bárbara Rafael

Carolina Costa

Carolina Ramos

Catarina C. Batista

Cyndelle Ferreira

Francisco Machado

Helena Gregório

Revisão Bárbara Soares

Carolina Ramos

Inês Fonseca

Madalena Nunes

Mariana Salviano

Miguel Martins

Nicoleta Manoli

Ficha Técnica

EdiçãoGráfica Eva Vieira

Letícia Caetano

Madalena Grilo Teles

Mariana Sousa

Matilde Brito

Inês Fonseca

Isabel Mendes

João Tomás Pereira

José Miguel Perfeito

Madalena Grilo Teles

Madalena Nunes

Maria Beatriz Silva

Matilde Brito

Matilde Paquete

Mercedes Basílio de Oliveira

Miguel Cruz Pereira

Miguel Neves Cruz

Miguel Martins

Pedro Lázaro

Rúben Rosa

Rui Jorge Cabral

Colaboradores Ana Maria Neves Professora Alexandra Curvelo

07 (Re)cumprir abril

Neste texto, Madalena Nunes fala sobre a transformação recente do sistema partidário português e o crescimento da extrema-direita, lido como um desafio central à democracia saída de Abril

09 Velha FCSH

Texto de opinião de Rui Jorge Cabral sobre a transição de estudantes para o Colégio Almada Negreiros, centrado nas suas consequências para a vida académica, a acessibilidade e a coesão da comunidade estudantil

10 Grande Entrevista: Diretora Alexandra Curvelo

Entrevista à diretora da FCSH sobre os principais temas que marcaram o ano letivo, com destaque para a transição para Campolide, a relação com a reitoria, a vida cultural da faculdade e a relação com os estudantes

18

O que nos torna mulheres

29 Lenta emergência

Texto poético de João Tomás Pereira que acompanha a transformação lenta de uma pedra, e constrói uma reflexão sobre metamorfose, desagregação e continuidade

30 Cartografia do Corpo

Catarina C Batista lê o corpo como arquivo de memórias e, através do seu texto lírico, pensa a pele como uma cartografia onde o tempo e a experiência ficam inscritos.

35 Líquido da coragem

Poema sobre dor, perda e transformação, que acompanha um processo de rutura interior e de recomeço

37 Mensagens dos Finalistas e Caderno dos Finalistas

Homenagem do NeF a mais um ano letivo que chega ao fim Reunião de um conjunto de testemunhos dos finalistas sobre a sua experiência, e celebração dos membros do Nova em Folha que encerram um ciclo na FCSH este ano.

Índice

Fim do Turno

AE em Folha

As ideias-pastilha

(Re)cumprir abril

A estagnação da União Europeia

Velha FCSH

Entrevista Diretora Alexandra Curvelo

A legalidade não chega: o problema estrutural da saúde

mental no ensino superior

Reflexão sobre o 25 de abril

Viver a Morte

Enquanto ainda é hoje

O que nos torna mulheres

Agenda Cultural

Divulgação: O Nome Que o Céu Guardou Jocilvio

Martins (Jocilvio Vicente)

Levem o que quiserem!

Berkman e Block

Pensar o conceptualismo musical hoje

A elitização do desporto de massas

O Ópio do Povo

Lenta Emergência

Cartografia do Corpo

Saudade

Radícula

O bicho-da-seda que formou o casulo, ganhou asas e voou

As Descobertas de Nuno Folha: o (quase) final

Próxima Passagem

I dont like living here / Eu não gosto de viver aqui

Líquido da coragem

Isto já aconteceu

37°03'558"N 8°05'366"W

Mensagens dos Finalistas

Livro dos Finalistas

Receitas de verão

Fim do Turno

Maio/Junho

Durante este ano, aprendemos muito, erramos muito, mudamos muito, concordamos muito, discutimos muito e, principalmente, trabalhamos muito em conjunto para tornar possível aquilo que imaginamos

Em setembro, encontramos um Nova em Folha, e, no decorrer do ano, esforçamo-nos muito para que ele pudesse ser, pelo menos um pouco, transformado pelas nossas ideias, nunca nos esquecendo do esforço de quem ocupou estes lugares antes de nós E é justamente sobre isso que queremos falar nesta edição

É impossível escapar ao feitiço do tempo e a mudança cerca-nos constantemente a mesma que transforma lagartas em borboletas, transformou meninas e meninos, que brincavam com os seus bonecos e sonhavam no que seriam quando crescessem, em alunos do ensino superior, que esperamos que estejam cada vez mais perto de realizarem os seus sonhos

Concluir mais um ano de estudos não é coisa pouca, por isso, e por maior que seja o

CarolinaRamos

nosso esforço para que esta edição seja também uma chamada de atenção a tudo o que mudou para pior ou que deveria ter mudado e se manteve , consideremna também uma forma de celebrar essa conquista

Chegámos à última edição do ano, e queremos dizer que assumir a direção do Nova em Folha foi um desafio definitivamente transformador. Este trabalho é incansável e jamais poderia ser concretizado nem nós desejaríamos que assim fosse apenas por três pessoas, pelo que queremos agradecer imensamente pelo trabalho e confiança de todos os membros e apoiantes do jornal Agradecemos à Redação, por partilharem connosco um pouco da vossa paixão pela escrita e nos darem a oportunidade de conhecer um pouco do que vai nas vossas cabeças e corações

Ao Departamento de Comunicação, pela dedicação diária ao jornal, que é mais do que notável no crescimento e visibilidade das redes sociais É impossível dizer que o Nova em Folha seria o mesmo sem vocês!

Editorial

À equipa de mulheres talentosas responsáveis pelo Design, pelas edições visualmente impecáveis, e pela diligência invejável com que trabalham para cumprir e garantir a qualidade de sempre

Ao Departamento de Revisão, pela atenção zelosa às vírgulas e erros de concordância, à gramática e à ortografia, que, às vezes, passam desapercebidas por nós. Podem ter a certeza: o vosso trabalho não passa!

Por fim, queríamos agradecer também aos colaboradores externos que tornaram as edições deste ano possíveis, tanto às submissões de alunos entusiasmados com o jornal como a todas as convidadas que aceitaram ser entrevistadas pelos membros do NeF

O Nova em Folha faz-se, assim, de estudantes com vontade de dedicar um pouco do seu tempo a um projeto em eterna evolução, e que é de todos nós Um o a

Os estudantes reconhecem e têm vindo a reconhecer cada vez mais as nossas actividades como forma e espaço de convívio, comunidade e diversão...”

aros estudantes,

O departamento do recreativo da Associação de Estudantes da FCSH tem feito o

esforço por mais actividades interactivas com os estudantes, moldando-se sempre às opiniões dos mesmos, de forma a dinamizar os seus eventos e, principalmente, para a diversão de tod@s.

Para isso, neste segundo semestre, apesar da sobrecarga académica, fomos capazes de realizar dois grandes eventos O primeiro aconteceu dia 26 de Fevereiro, com o nosso afamado (ou infame) Churrasco, que tem trazido cada vez mais pessoas e que neste último excedeu as nossas expectativas Não foi diferente, também, o caso desta última Farra no dia 23 de Abril, evento que acabou por ganhar a dimensão até de um Churrasco com os próprios alunos a partilhar de boca em boca que haveria uma

segunda festa este se

Isto quer dizer q não pormos em prát de actividades que g trazer, como karaoke semanais na AE, o reconhecem, e tê reconhecer cada v nossas actividades c espaço de convívio, c diversão, que é t queremos dinamiza estudantes. Agradece verem desse modo!

Não podemos deixar de dar ênfase ao noss continuar a pro de actividade estamos abert estudantes que a nós ou simp ideias futuras p prática! Mais obrigada e des estudantes um para a época de Avança, jovem progride

As ideiaspastilha

(Re)cumprir abril

absolutamente necessário, e infelizmente

improvável, é o que, à falta de melhor nome, poderá ser uma “Resistência Democrática”

Uma aliança dos partidos democratas que seja apartidária, que não ocupe um lugar no espectro político. Pelo contrário, um bloco central que defenda o espectro político, que compreenda que a gravidade da situação exige um pacto que restaure a fé no sistema democrático e que convença quemtanto o critica de que, como repetido em palavra e em canção, “a democracia é o pior de todos sistemas, com a exceção detodos os outros”

Paratal,seránecessárioqueambosospartidos do centro - se ainda são do centro! - engulam o seu orgulho Que ultrapassem os problemas para além da liderança: estruturais, de comunicação e de prioridades Que aceitem, para o nosso e para o seubem,trabalharemconjuntoondeépreciso

A Estagnação da União Europeia

A economia europeia encontra-se atualmente numa trajetória de estagnação e declínio Desde a presidência de Jacques Delors que não se regista um verdadeiro impulso no mercado único Embora a criação da moeda única tenha sido crucial para dinamizar as transações e facilitar o comércio entre os Estados-Membros, a Europa não se conseguiu reinventar face aos desafios da contemporaneidade Historicamente, a União Europeia e as suas grandes corporações lideraram setores como a indústria automóvel, mantendo uma elevada produtividade na viragem do século No entanto, no domínio tecnológico, o bloco europeu não demonstrou capacidade para acompanhar o ritmo de outras grandes potências globais Assistese, hoje, a um défice crescente numa era em que a Inteligência Artificial ganha cada vez mais predominância; sem conseguir crescer neste setor, a Europa arrisca-se a ficar dependente de terceiros.

Este atraso reflete-se claramente no próprio ramo automóvel, onde a Europa perdeu competitividade na transição para os veículos elétricos Ao não inovar naqueles que eram os seus produtos de excelência, abriu espaço para que potências concorrentes se desenvolvessem e ganhassem destaque

Face a este cenário, e de acordo com as recentes recomendações de Mario Draghi, antigo presidente do Banco Central Europeu, torna-se imperativo que a União Europeia acelere o investimento nas energias renováveis, crie espaço para empresas tecnológicas se desenvolverem, e promova uma desburocratização profunda das suas instituições, promovendo uma aceleração nos processos e na sua economia

De igual modo, a atual situação dos dois principais motores do projeto europeu agrava severamente estas dificuldades A Alemanha lida com uma economia estagnada, enquanto a França enfrenta o es-

p p realidade.

Velha FCSH

“A situação dos estudantes que frequentam UC's lecionadas no Colégio Almada Negreiros, (doravante, CAN), é manifestamente insustentável. Dirigimonos, por isso, em carta aberta, à Direção, na tentativa de encetar um diálogo que

certada, beneficiando tanto os estudantes de um lado quanto do outro, ganhando ambos o direito de usufruir de um espaço que não se encontra sobrelotado. A autoridade perde-se, porém, quando se leva em consideração a forma completamente imprudente como é feita esta transição, sem as condições adequadas para o correto funcionamento das atividades letivas dos estudantes que para lá foram enviados Agrava-se esta decisão quando é tomada ao mesmo tempo que a de levar a cabo uma reforma curricular que afeta os alunos de todas as licenciaturas, inclusive os transferidos para o CAN. Agrava-se ainda mais esta decisão quando, tendo tornado obrigatória a deslocação entre os dois campi, é retirado o meio de transporte entre eles, obrigando os alunos a fazer o caminho a pé. Não apenas não é levado em consideração o

resto Os cursos de CPRI e Sociologia são os que mais saem prejudicados desta transição, perdendo acesso à vida académica a que têm direito e a que se dispuseram no momento da candidatura parafazerparte da comunidade FCSH Pode-se argumentar que do ponto de vista das infraestruturas esta é uma decisão a-

A imagem que é passada aos estudantes é então exatamente esta, a da vontade enorme de fazer esta transição com a maior celeridade possível, e a de os alunos destes dois cursos servirem como algo descartável e um sacrifício necessário a este processo

“Eu por vezes pergunto-me se os nossos estudantes conhecem a FCSH. Conhecem, efetivamente, e sabem quais são os instrumentos que têm para participar na vida da FCSH?”

Entrevista Exclusiva do NeF à Diretora Alexandra

A

legalidade não chega: o problema estrutural da saúde mental no ensino superior

Reflexão sobre o 25 de abril

A memória é um elemento em disputa. Deve ser cultivada para que as sementes de abril não se extingam e, com elas, a flor. Assim que se extinguirem, não poderemos voltar atrás.”

“Talvez devesse dizer: «temendo o dia da minha “Talvez devesse «temendo da morte», mas temo-a realmente? Releio estas morte», mas temo-a realmente? Releio estas linhas várias vezes, e não encontro nelas uma vezes, palavra a mudar, nada que se deva corrigir. palavra a mudar, nada que se deva Tantas e tantas vezes, ao longo da minha vida Tantas e tantas ao longo da minha vida de tabelião, tantos e tantos testamentos redigi de tabelião, tantos tantos testamentos […] que não entendo porquê este receio e […] que não entendo este receio e porquê esta dúvida.” porquê dúvida.”

Viver a Morte

Ao longo da vida, cruzamo-nos inúmeras vezes com a ideia de que não há nada mais certo nesta senão a morte. Ironicamente, passamos a vida a tentar evitá-la. Se me for permitido recorrer a outro provérbio, diria que tal acontece porque “para tudo há remédio, menos para a morte”.”

Enquanto

ainda é hoje

Para os que acabam este ano: boa sorte nessa ideia estranha de ter de ser alguém muito definido, muito único, muito qualquer coisa. Para mim, que fico mais um ano a guardar lugar, sobra a tarefa de não deixar que a saudade do que ainda nem acabou estrague o café de hoje.”

Diz-se que tudo é uma questão de perspetiva No meu segundo ano da licenciatura, a minha é a de quem vê uma série sabendo que, no próximo episódio, vão trocar o elenco principal Tenho amigos no terceiro ano a viver o desenlace: as fitas, os jantares, a contagem decrescente para um mestrado qualquer que adie o confronto com o que vem a seguir E eu já estou a fazer o luto de uma rotina que ainda é minha.

É inútil, eu sei Mas há qualquer coisa de profundamente irritante nisso Ver os outros a irem embora é ver o cenário a desmontarse à nossa frente, peça a peça De repente, o copo depois das aulas, aquele em que vemos um jogo de futebol, a que quase ninguém presta atenção, deixa de ser garantido Passa a ser um “temos de combinar” E, em Portugal, isso é o eufemismo perfeito para o esquecimento Lembro-me de escrever sobre como normalizamos o absurdo Também normalizamos isto: o apego com prazo Criamos laços intensos com pessoas que sa-

bemos que o calendário vai empurrar para fora da nossa vida quotidiana E depois vem a culpa Culpa por não estar a aproveitar tudo ao máximo Ou, no extremo oposto, o instinto de me afastar já, de não querer o apego porque o fim está à vista, como se isso tornasse tudo mais fácil.

É tentador recorrer ao arquivo de frases lamechas O Dr Seuss manda-nos sorrir porque aconteceu O Winnie the Pooh diz que temos sorte por algo tornar o adeus difícil Funcionam como penso rápido A verdade, que não cabe num story (com música indie de fundo), é mais simples: custa porque custa Porque, no meio disto tudo, ainda nos importamos

Fazemos parte de uma caravana sem mapa muito claro Os meus amigos do terceiro ano vão à frente E vê-los aproximar-se do fim faz-me perceber que não há grande propósito à espera no fim da linha Há só tempo e o facto de ele acabar Talvez por isso o valor disto tudo não esteja na promessa de “para sempre”, que nos venderam em pequenos, mas no agora No

facto de ainda nos rirmos das mesmas coisas, sem grande razão Se a inteligência humana foi um erro evolutivo, então esta capacidade de sofrer antes das coisas acontecerem é o seu auge. Estamos sempre a olhar para a ampulheta, a contar o que falta, em vez de sentir o que ainda está na mão.

Para os que acabam este ano: boa sorte nessa ideia estranha de ter de ser alguém muito definido, muito único, muito qualquer coisa Para mim, que fico mais um ano a guardar lugar, sobra a tarefa de não deixar que a saudade do que ainda nem acabou estrague o café de hoje

A vida é sempre um pouco a perder, sim. Mas enquanto os créditos não chegam, ainda há tempo para mais uma conversa inútil: não serve para nada, a não ser para nos lembrar que ainda estamos aqui. E isso, num mundo que insiste em reduzir tudo a dados e dívidas, já é uma forma de resistência.

O que nos torna Mulheres

O que nos distingue do outro género não é o uso de saias ou os brincos nas orelhas, mas o nosso corpo físico e o que interiorizamos como demonstrações do que é ser-se rapariga. O foco passa a ser no corpo.”

25 maio

-

18 22 maio

28 maio

30 atémaio

20 junho

11atéoutubro

18atéoutubro

18 23 maio - 20 24 maio -

31 atémaio

Festival

07 atéjunho

28 atéjunho

30maio

21 maio

22 23 maio -

21 maio

28 maio

18

20 maio -

20 atémaio

28 atéjunho

27 atéjulho

30 atéagosto

13 atésetembro

atésetembro

28 atésetembro

ONomeQueo CéuGuardou

JocilvioMartins

Uma reflexão íntima sobre a perda, a ausência e o que permanece depois dela. O livro percorre o silêncio, as memórias e os pequenos detalhes que continuam a existir mesmo quando alguém já não está

O lançamento acontece no dia 4 de maio, numa data com significado pessoal para o autor

Para quem já perdeu alguém, e para quem quer compreender esse lado inevitável da vida

Divulgação
Duck Soup (1933) Él (1953)
Les Demoiselles de Rochefort (1967) Trafic (1971) Avanti! (1972)
Namay-e Nazdik (Close-Up, 1990)
Les Glaneurs et la Glaneuse (2000)
Demain on déménage (2004)
Boxing Gym (2010)
Rua dos Anjos (2022)
Nove Noites Os Papéis de K.
A Viagem do Elefante Evaristo Carriego
História da Fotografia: Ao encontro das imagens
Os Anos
Autobiografia do Vermelho
Os Filhos dos Dias

Será que conseguimos mudar? - é uma pergunta difícil de responder Mas não a mais difícil É nesta divagação filosófica que Bill Hader, com a comédia da HBO Barry (20182023), nos mergulha ao longo de quatro temporadas, obrigando-nos a encarar que a natureza humana é cruelmente complexa demais para se ponderar apenas no limbo entre estático e mutável

A premissa inicial da série é o primeiro indicador da dicotomia de género intrínseca ao enredo: Barry Berkman, um veterano tornado hitman, encontra uma turma amadora de teatro durante um “trabalho” em Los Angeles e decide que quer se tornar ator A combinação da violência inerente (e gráfica) da profissão de Barry com a comédia afinada à perfeição da sua saga de ensaios, assassinatos e complicações, forma a personalidade altamente distintiva desta série

Barry, agora adotando o nome artístico de Barry Block, é acompanhado e definido pelas suas relações com o resto do elenco principal: Monroe Fuches, um amigo de família e o seu patrão/guia de vida altamente duvidoso; Noho Hank, o amigável e excessivamente idealista líder de um cartel de droga checheno; Gene Cousineau, ator, professor auto-bajulador e figura paternal para toda a turma de teatro; e Sally Reed, uma ambiciosa jovem atriz com uma persistente tendência para o egocentrismo Comumente com o protagonista, todas estas personagens se definem pelo desenrolar das suas circunstâncias, que as obrigam a confrontar os seus passados, as suas escolhas e as suas respetivas naturezas

E é deste modo que a narrativa nos apresenta uma questão muito mais pesada do que aquela apresentada inicialmente Todos os participantes desta intriga sabem que conseguem mudar - é tudo o que fazem, na verdade A vida oferece-lhes constantemente oportunidades de tomar es-

-sa decisão e, quando não se a toma, ela parece obrigá-la a acontecer O verdadeiro dilema com o qual estas personagens têm de se confrontar é - será que merecemos mudar?

A transição de tom cada vez mais séria que ocorre episódio após episódio aproxima constantemente o elenco do seu reflexo, e o confronto direto com o estado das suas vidas e as consequências das suas ações revela uma imagem crescentemente grotesca Aquilo com que a audiência se é obrigada a deparar é o buraco escavado por prévias decisões, do qual a mudança pessoal nã consegue ajudar a sair E é sob a pressã desta compreensão que as personagens, e espetador, lutam para não se deixare enterrar

E é neste ponto que a série pode, pa alguns, se perder um bocadinho: afinal, qual a lição que se aprende sobre o que é se humano? Que não há esperança? Que que já fomos marcar-nos-á para sempre? Que impossível escapar? Sim e não

O que acaba por marcar a diferenç definitiva entre conclusões de personagen e aquilo que interpreto como a tese des história, é que o fator determinante da verda

deira evolução pessoal: é a nossa capacidade de encarar com honestidade quem somos, quem já fomos e quem queremos ser No final das várias espirais desesperantes, as figuras de Barry que conseguem escapar à sua própria natureza são as que possuem a coragem de se olhar honestamente e viver com essa visão. Quem se recusa a enfrentar a verdade, ou a aceitá-la quando a encontra, não consegue sair de onde está e, por conseguinte, não consegue fugir de todo do pior de si próprio.

Pensaro conceptualismo musicalhoje

A arte, na sua mais lata definição, é uma experiência que naturalmente apela aos sentidos; vemos uma pintura, observamos uma escultura, e ouvimos uma música É simples e linear Contudo, e de uma tão igual natureza, o ser humano vive num universo de constante diálogo de sentidos, pensamentos e procura pelo significado; procuramos, dentro dos limites da incongruência, propósitos e respostas A arte atua sensivelmente para colmatar esta essência crítica do ser humano, e neste sentido atua paralelamente o conceptualismo

Entende-se por conceptualismo musical uma abordagem criativa na qual o objeto musical é estruturado a partir de um conceito, frequentemente assente num diálogo interdisciplinar entre a música e outras formas de expressão artística, como as artes visuais ou a dança, implicando simultaneamente uma dimensão estética e ideológica Contudo, e tendo em conta o contexto de divulgação musical contemporâneo, questiono-me sobre o papel do conceptualismo na mediação artística hoje; o que diferencia o conceptualismo musical enquanto campo multidisciplinar ou enquanto meio para atingir a conformidade dos padrões de consumo atuais?

Esta dúvida não me é autoral; é um debate que atravessa décadas e gerações de músicos e pensadores Edward Hanslick, um dos mais influentes críticos musicais do século XIX, defendia a música como "formas sonoras em movimento", alienando-a de qualquer carácter emocional Arthur Schopenhauer, outro nome incontornável da mesma paisagem, defendia precisamente o oposto: canonizava a música como a forma de arte suprema, por agir como expressão direta e imediata da "Vontade" - não uma mimetização de ideias, como as restantes artes, mas algo de ordem inteiramente distinta Considero que, apesar da grande amplitude temporal que separa estas duas

opiniões da nossa contemporaneidade, estas constituem um terreno fértil para uma reflexão sobre o conceptualismo musical hoje

Em primeiro lugar, reconheço que, numa era em que a mediação digital ocupa um lugar central no consumo cultural, o conceptualismo musical alberga um campo profícuo para a interação interartística e, consequentemente, para um contacto multidisciplinar com o público Vem-me à mente um dos mais recentes fenómenos da música popular: Rosalía, com a apresentação do seu novo álbum LUX na respetiva tour Trata-se de um espetáculo verdadeiramente interdisciplinar, que integra simultaneamente referências ao panorama musical popular e erudito, estabelecendo em palco um diálogo orgânico entre ambos Desde bailados clássicos, como O Lago dos Cisnes de Tchaikovsky, até momentos de carácter assumidamente operático, como na música Berghain, em que a cantora atua diante de uma orquestra e de um coro (formação tradicionalmente associada à ópera), o espetáculo desenvolve uma esfera assumidamente conceptual, aberta à interpretação de cada espectador

A meu ver, a conceção desta performance como um todo foi executada com grande sensibilidade artística, operando como um verdadeiro veículo interartístico Contudo, não me posso dissociar da sua receção: numa sociedade em que estamos a um clique de obter informação, por que razão a articulação de elementos eruditos numa performance continua a constituir uma realidade tão distante para o ouvinte? Apesar de, neste caso particular, o conceptualismo funcionar como um modus operandi de promoção e divulgação artística, por que motivo tendemos a dissociar este conceito de artistas que já o exploraram anteriormente, ou que ainda exploram?

Neste contexto, embora este espetáculo manifeste uma forte coesão artística, questiono até que ponto a comercialização de um conceito não configurará uma forma de infantilização do ouvinte À luz do pensamento de Eduard Hanslick, que entende a música como “formas sonoras em movimento”, não constituirá a condensação de múltiplas manifestações artísticas uma limitaçãodaautonomiaestéticadecadauma

delas, em função da sua adequação a lógicas de consumo?

Na esteira desta problemática, torna-se possível reconhecer que a produção de espetáculos musicais altamente conceptualizados pode configurar, em certa medida, um paradoxo: se, por um lado, o conceptualismo pretende expandir o campo de significação da obra artística através da articulação interdisciplinar, por outro, a sua instrumentalização em contextos comerciais tende a estabilizar e a dirigir essa mesma interpretação, reduzindo a abertura semântica que, em princípio, lhe seria inerente Assim, aquilo que se apresenta como ampliação de horizontes interpretativos pode, simultaneamente, operar como um mecanismo de contenção e normalização da experiência estética do ouvinte

Neste enquadramento, considero que, numa sociedade cada vez mais compartimentada e profundamente marcada pela mediação digital, a emergência destas questões revela-se fulcral para o exercício do pensamento crítico Contudo, não nos podemos alienar das potencialidades que uma abordagem conceptual da música (particularmente no âmbito da música popular) pode oferecer ao nível da ampliação dos modos de criação, recepção e significação Em última análise, mais do que rejeitar ou validar estas práticas, importa compreendê-las na sua complexidade, enquanto expressão direta das dinâmicas culturais contemporâneas.

A elitização do desporto de massas

Ópio do Povo

O ambiente do futebol português tem vindo a degradar-se com o passar dos anos, dando lugar a uma crescente selvajaria Se os adeptos são o alicerce dos clubes, são também culpados por este clima hostil que torna o desporto irracional A rivalidade, dentro e fora das quatro linhas, está a ultrapassar todos os limites do razoável

Os exemplos são trágicos: desde adeptos mortos por very lights ou atropelamentos, até casos graves de racismo e de arremesso de objetos para o terreno de jogo As rixas entre claques fazem com que o futebol nacional se assemelhe ao "Faroeste". Perante este cenário, as sanções têm de ser mais severas e rigorosas: penas mais pesadas e a interdição em recintos desportivos a adeptos com comportamentos incivilizados

Embora o futebol tenha uma vertente emocional e de rivalidade, este deve, acima de tudo, promover o companheirismo e a sã convivência A liberdade de discutir o jogo durante horas já que somos todos "treinadores de bancada" e os adeptos galvanizarem as suas equipas, baseia-se no respeito mútuo e vai muito além dos aspetos técnicos ou táticos

Em suma, a magia do futebol está a dissipar-se devido a estes comportamentos tóxicos É urgente resgatar os valores desta modalidade antes que seja tarde demais, sob pena de perdermos definitivamente a essência do desporto para a barbárie

Lenta Emergência

Já, sinto-me em duas três várias mãos pés corpo calorento de mim mesma, em mim mesma, no escuro, mas um escuro de mim mesma, muito quente e acanhado, por entre todos os meus poros

Por entre todos os meus poros respiro cada vez menos, cada vez menos, água, e calor, e escuro, por todo o onde a luz pudesse penetrar. Dói-me uma nova forma minha, de mim mesma, crosta encamada noutras, em lenta lenta lenta lenta emergência

Tornou-se claro, um dia, o dia e a noite, e como o escuro e o calor foram o mesmo e como sou feita de escuro e de calor Ser pedra é uma lenta lenta lenta emergência e percebo sem dúvida, o meu propósito é chegar ao escuro, tocar o calor: que me fez e desfaz, que me colou e rasga todo o dia que é e noites que são

Sol, deixa-me o favor, uma pedra arenosa viver a altura de suportar o teu calor e premir o pé do mundo em sombra, na minha sombra, num escuro de aglutina, tudo sobre mim a mim mesma

A sina foi assim, do húbris da pedra, de calor e de escuridão déspota No mesmo dia que se ajustou à lenta lenta emergência, que percebeu que podia perceber, por intencionada que era, primeiro rachou-se-se, fendeu-se-se depois, fissurou-se-se definitivamente, e por fim Caiu na areia da praia, que era também os seus pés e a suportavam, que se esquecia: e a Queda foi a maior que podia

Caiu-se, impensável, ao próprio sopé, o que, entendeu, “é estranho”, riu-se, na própria sombra, assombrada de si mesma

Notou-se, sentada, rombuda do trambolhão, multiplicou-se em grãos, pedras mínimas, sais, minerais, várias tais, descimentadas, do escuro e do calordela mesma, que lhaformara, pedra, e que, de a-

gora até mais, desempedra-a, lentamente Pressiona seriamente do impacto, o que, vai entendendo, e entendendo, é, desfeita, ainda, ou está para ser, ela mesma, talvez, não agora, mas no futuro, ou antes, e, (parte da sina), vai percebendo, e percebendo, Sou toda esta praia, toda a pedra, uma só

Vem e vai o mar que a lava em ondas, puxos, empurros, e repuxos de água que a lavam do quente, a enclaram e lhe expõem a escuridão do seu de dentro, vãos e vens azuis, malucos, compassados, marulhentos: umas; outras: sorrateiros, tenros, transparentes, delicados. Sempre frias, que lha chupa e bebe, a pedra, de cada vez, a invernia toda, a única em toda a praia, e na toda praia, a sua única e própria companhia E solta e solta e solta tamanho, que o cede à praia, que o rouba a onda, que o deposita no fundo, e lhe traz mais Um pouco, a pouco e a pouco, desfaz-se em areia, dela mesma também, claro, e a claridade, ela mesma, agora também, parece esgotar-lhe, gota a gota, em suar, a pedra dela, dela mesma, do seu cimo, dos seus lados

Une-se, de novo, mas diferente, sem dúvida, a si mesma, praia, grãos infinitos e são-a todos, a pedra É toda ela, em toda a sua extensão, maior do que nunca E o mar cobre-a E o mar cobre-a E o mar cobre-a, e não acaba nunca Mais se cobre de água e depois de areia E depois de areia E o frio do mar é cada vez mais gentil, e depois quente E a luz do Sol preenche-lhe menos os poros, e depois é nula Lembra-se, deita-se, enrosca-se, feliz, aperta-se Enterra-se em si mesma, a pedra deixa-se afundar contente, muito lentamente Cede a todas as pressões imerge, lenta, lenta lenta muito lenta

Cartografia do Corpo

A minha mãe tem uma cicatriz que lhe rasga a barriga: uma linha onde a vida entrou Primeiro o meu irmão, depois eu. Como se o corpo fosse porta, e ela, mesmo depois da dor, a abrisse outra vez com entusiasmo. Porque o corpo se reinventa sem pedir licença e há coisas que ficam e outras que partem: nasce vida, parte outra. Mas o corpo fica sempre a lembrar-se

O meu avô tem uma cicatriz no braço. Hoje quase não se vê, mas houve um tempo em que era aberta, como se a pele tivesse aprendido a sobreviver rasgada tal como o coração Ficou-lhe de um país que lhe levou o corpo e nunca lho devolveu por inteiro. Ficou-lhe do Ultramar, dos dias que, felizmente, não voltam e das pessoas que, infelizmente, também não, presas num tempo onde ele já não cabe; mas do qual sempre terá a marca.

Eu tenho cicatrizes pequenas: quedas de bicicleta, mergulhos falhados, desfiles com saltos altos demais para quem eu era e, ainda assim, pequenos para os sonhos que já possuía. Mas tenho sobretudo sinais, muitos sinais Se for verdade que são beijos de outras vidas, então alguém me amou muito antes de eu ser quem eu sou. Eles espalham-

-se por mim: como se o meu corpo fosse um mapa em mutação constante Um mapa que se altera sem aviso. Caminhos que desaparecem, outros que surgem Há marcas que são fronteiras, outras que são pontos de chegada E há zonas inteiras que nunca aprendi a ler Mas todas as marcas vão dar a quem fui ou sou.

Há outros corpos Corpos esses que passam por mim na rua sem nome, ainda que cheios de mapas Braços riscados de Sol, embelezados de tinta, mãos gastas e joelhos marcados pelo chão. Parecem chamar-me para me contarem quem foram e quem são, sem palavras, mas sempre em coordenadas na tez Talvez nunca saberei as histórias, mas sei que as têm, porque o corpo nunca vem vazio.

É ele quem se lembra Mesmo quando nós fingimos esquecer. Guarda tudo: nas rugas, nos pontos e nas linhas da pele, onde o tempo se dobra e se transfigura em nós. Refazemo-nos tantas vezes, que nos esquecemos das primeiras versões E, no fim, quando tudo o resto falha, é a cartografia do corpo que fica a contar a nossa história Mesmo quando já não estamos cá para a viver.

bagagem que não pesa, e se pesar alguém leva um lado e eu levo o outro, e caminhamos juntos

Sou todas as vezes que não vos disse, mas tinha coisas para fazer, e mesmo assim fiquei até tarde na cantina em Berna, porque sabia que aqueles momentos embora mundanos, eram fugazes, e seriam mais importantes para mim no futuro do que certos feitos da minha carreira académica, que só serviram para provar que, afinal, não sou tão medíocre como porvezes penso que sou E conhecermo-nos uns aos outros já soube a bastante Nem que tenha sido, simplesmente, para aprender a encontrar os olhos de alguém numa divisão escura, apenas com um raio de luz amarelavinda da rua para iluminara micro expressão que conhecestão bem

Aos meus amigos, que me mostraram que posso ser feliz

Radícula

BárbaraSoares

Quero florescer na noite, sem luz para me guiar, sem água para me sustentar, somente na ânsia de mudança

Quero crescer na adversidade, apenas da vontade de ser mais do que sou, independente do que passou

Quero criar raízes longe do prado, em solo duro e árido, e brotar no inesperado

Quero fortalecer-me no inverno, ser perene e constante, desconsiderar a minha natureza, tornar o tempo meu coeterno

Ignorar a Mãe que me faz ser, romper o ciclo imposto, renegar o berço e a sorte, do que devo, fazer o oposto.

Quero ser hera teimosa, entre ruínas e palácios trepar. Fazer do antigo e do atual o meu habitat natural.

As minhas folhas caídas, arrastadas pelo vento a passar, à terra fria retornam para me sustentar

Quero ser semente ao vento, sem destino, sem fronteira, e em jardins abandonados sobreviver à minha maneira

Quero ser mais do que vida, mais do que flor ou raíz, ser aquilo que persiste, na existência insiste

O bicho-da-seda que formou o casulo, ganhou asas e voou

PedroLázaro

Ainda se recordam de quando éramos crianças, quiçá alunos do ensino primário, e “adotávamos” bichos-da-seda? Era quase como ter o animal de estimação mais cool da época, ainda que também fosses fixe se tivesses um cão, mas estes lagartinhos eram sempre o pretexto ideal para conversas e brincadeiras nos intervalos, nos quais utilizávamos o tempo para colher folhas, para os alimentar Todos estes elementos ficavam armazenados numa caixa de sapatos, que tinham os devidos buracos para permitir a respiração e, posteriormente, restava esperar que o casulo fosse criado e que a borboleta aparecesse

Quando tive a ideia para escrever este texto, refleti seriamente se esta não seria uma analogia demasiado arrojada Contudo, creio que se poderá enquadrar neste tumultuoso processo de cinco anos

Cheguei à NOVA FCSH em setembro de 2021, com um grande sonho por realizar e uma nova etapa para enfrentar Afinal de contas, não é fácil deixar o conforto e a tranquilidade da tua pequena cidade natal e mudar, do dia para a noite, para o caos que caracteriza a capital Mas o que eu queria estava aqui: o desejado curso, a profissão dos meus sonhos, a possibilidade de ser algo mais

A verdade é que estar em Lisboa durante estes quase 5 anos teve os seus sabores e dissabores, mas esta passagem jamais deixará de ser um dos meus alicerces Esta experiência permitiu-me compreender que não sou feito para a grande cidade e que prezo muito mais estar perto de quem (e do que) me viu crescer Ainda assim, não consigo esquecertodas as experiências que vivi a solo e muito menos as amizades que fiz e que serão para a vida toda. Estar aqui, nesta cidade e nesta faculdade, contribuiu para o meu crescimento e para o meu autoconhecimento Se sou quem sou, hoje, muito o devo àqueles que se cruzaram comigo e que caminharam ao meu lado nestes últimos anos Não queria nada que isto se parecesse com um discurso de graduação, porque esse momento já o vivi há 2 anos Porém, sabia, naquela altura, que ainda não estava na hora de me despedir da minha vida em Lisboa, nem da NOVA FCSH Em breve, direi adeus à capital, mas jamais serei capaz de me despedir de uma parte importante da minha vida. Além de todas as experiências pessoais e “extracurriculares”, levo evidentemente tudo o que aprendi e levo, para a minha carreira profissional, o que os meus professores me transmitiram e o que a faculdade me proporcionou

Finalmente (e não descurando), foi também nesta casa que integrei o Nova em Folha Entrei para esta equipa em outubro de 2023, um pouco na incerteza, dominado pela timidez e por nunca ter colaborado em nada parecido, mas não podia pedir melhor experiência para me introduzir a um universo que tanto me diz. Neste jornal, tive a oportunidade de explorar as minhas ideias e de trabalhar a minha criatividade, escrevendo sobre o que me inquietava e ao mesmo tempo sobre algo de mim, que afinal queria dar a conhecer Obrigado a todas as equipas e direções com que me cruzei e parabéns a cada elemento pelo excelente trabalho que fomos desenvolvendo juntos.

Normalmente, gosto de associar músicas a momentos Aquando do término da licenciatura, associava-o imenso à Golden Years, do Joshua Basset (we listen and we don’t judge) ou à I’ll Always Remember You, da Hannah Montana Não terminado o mestrado, não consigo dizer qual será, mas a este texto poderia dedicar-lhe a Carta de Despedida, do grupo Descendentes Parece que o bicho-da-seda já não é mais uma lagarta, chegou o momento de dar uso às asas e voar

Até sempre, FCSH!

As Descobertas de Nuno Folha: o (quase) final

É uma daquelas noites de maio que não é fria nem quente, temperada pela suave brisa da noite São daquelas noites em que nos tapamos, porque parece estar frio, mas depois ficamos com calor e baixamos o lençol, porém, ao fazê-lo, parece que sentimos o nariz a entupir.

Nuno Folha está no seu quarto, perdido em pensamentos Sentado na sua secretária, procede ao seu balanço diário, analisando tudo o que já fez, o que tem porfazer e preenchendo algumas métricas sobre as suas rotinas e estado emocional Seguidamente, vemos uma folha dedicada ao journaling, e nela podemos ler:

Aproxima-se o fim de mais um ano letivo e a única garantia que tenho é que estou no curso certo para mim Serei demasiado exigente? Ingrato? Parece que as medidas não estão preenchidas, mas será culpa do curso?

Entendo que, como em tudo na vida, há sempre coisas das quais gostamos mais e outras com as quais não nos identificamos tanto Ao mesmo tempo, não me posso queixar Tenho uma boa média, professores maravilhosos, um grupo de amigos incrível, mas parece que falta sempre algo Será que o descobrirei a tempo de terminar a licenciatura? Viverei com esta angústia eternamente?

Reconheço que a faculdade não é tudo, mas ao longo dos últimos anos, o contexto geral das coisas não tem igualmente facilitado Desde a política, à situação financeira dos meus pais, a toda a energia que esta cidade me consome, ao drama com o Rafael e a Ana

Deparei-me com vários problemas, com inúmeras questões e fiquei, na maioria das vezes, praticamente sem respostas ou soluções

Quiçá não seja suposto tê-las com 20 anos, talvez deveria estar a aproveitar a boa e fácil vida enquanto posso, mas como ignorartudo o que está à minha volta e dentro de mim?

Nuno Folha fecha o seu diário e aproxima-se da janela para contemplar a paisagem A noite está estrelada e a lua em quarto crescente. Um leve sopro de vento acaricia o seu rosto e, com os braços cruzados sobre o parapeito, observa um estafeta a entregar um pedido à porta do prédio Olha para o relógio que marca 22h30 Olha para baixo, uma vez mais, mas o estafeta já se tinha ido embora O rapazfecha a janela e deita-se na sua cama, sem se cobrir com o lençol e sem sentir o nariz a entupir Nuno Folha dormiu relaxadamente, sonhando com uma vida sem problemas e inquietações

No entanto, o sonho também se alarga no tempo Neste, há espaço para o agradecimento por estes três anos de existência Atodos aqueles (ainda que possam ser poucos) que contactaram com o Nuno Folha, que pensaram com ele, que o acompanharam numa ou noutra edição Estende-se também àqueles que apoiaram e acreditaram nesta brincadeira desde o início E, porfim, mas não menos importante, ao Nova em Folha, por ser o espaço onde o Nuno Folha pôde nascer, crescer e tornar-se o que é hoje: um estudante comum da NOVA FCSH com as suas dúvidas e inquietações

O Nuno Folha continuará em cada corredor, em cada sala de aula, na esplanada, na cantina, na marquise Todos nós somos um pouco Nuno Folha e o Nuno Folha está em cada um de nós Se se cruzarem com ele por aí, sejam simpáticos Digam olá e sorriam Sempre

Próxima Passagem

MariaBeatrizSilva

Percorrendo os dois campus da FCSH, fartei-me de andar às voltas, à procura de um texto para escrever Não encontrei nada Talvez estivesse, este tempo todo, dentro da minha nova versão, a qual eu ainda desconheço É nos momentos finais que a reflexão nos destrói, pois leva-nos a questionar, verdadeiramente, aquilo em que nos tornámos

Se todos os percursos fossem perfeitinhos, tão retos como a facilidade os tinha almejado, o propósito da Humanidade seria outro qualquer. Não seria, de certeza, o de testar os limites da sua condição e de se reinventar constantemente.

Na verdade, cada caminho tem uma respiração própria, irregular. Ela oscila, expandindo-se e recolhendo-se com a trivialidade de quem descobre o mundo pela primeira vez.

É sobre chegar ao fim de uma subida, olhar para baixo e perceber que, para continuar a caminhar e chegar à meta estipulada, é preciso descer e voltar a subir. Frustração? Sem dúvida. Alternativa? Pois… Talvez, não. Lá continuarei, ofegante.

Mas e se o fim em que pensei afinal não foi o que se realizou? E se o fim dessa longa respiração é, agora que cheguei, outro? Ter-me-ei perdido na jornada até aqui? Quem sou eu agora? Alguém totalmente diferente de antes, com outros tons e texturas Ficou alguma coisa igual? O que é que eu deixei para trás?

Nada se cria Nada se perde Tudo passa

I hate it here and I’m done pretending I don’t. I did not sign up for this shit (actually I did).

I hate it here, and I wish I didn’t I have tried hard not to hate living here, but it seems every day that there’s a new reason to hate this place. I have been here for nearly five years and I’m tired of it all, and I really wish I wasn’t. You might think I am a person devoid of joy and happiness, and that is only true some days. I used to make it my personal goal to find the good in everything, but with everything going on, it all seems hopeless, like a lost cause.

You can read all your life about how hard it is moving away from the place you grew up or hear stories from your grandparents about their retornados experience, yet nothing will get through to you how hard of an experience it is until you live it. I, like any other naïve teenager, thought I would be fine when I would have to move away from Macau, and of course like any naïve teenager I got slapped in the face with reality.

The identity crisis I have just existing in this country could fill up a seven-book series novel. I am in a constant state of overanalysing my lack of Portuguese vocabulary or crying about how the hell did I create five new words in a test. The best thing about it all is that you could never tell from looking at my face or reading my name that I am an embarrassment to whatever a Portuguese person is

The funny thing is, I don’t want to hate living here There are some things I genuinely do like (I’m not going to list them out); however, the bad things seem to bury them so deep that I can never remember them without trying Although I have never been the most optimistic person in the room, I am still trying to find the good in this place and hoping against hope that this place will feel like home someday.

Looking back over these past few years, I have grown a lot, willing and unwillingly. I have made lovely friendships that I know will last until we're old and wrinkly; I have seen works of art that I thought would only stay in my history textbook and I can finally read some Portuguese books now without having to say the words out loud. It might be a constant fight for me to find good things about living here, but they are there. Yet seeing how immigrants are being treated here, and just how stupid AIMA is, that all goes out the window.

All in all, it’s hard to reconcile with the idealised version of Portugal I had as a kid, to the actual reality. Portugal is a country like any other, with messy politics, lovely culture, and a dash of xenophobia. It was never supposed to be perfect, and I’m trying everyday to not look at it with contempt, but with acceptance. I don’t think I’ll ever love this place, it’s not my home, it will never be that in my heart, and that’s fine.

Odeio isto tudo, e gostava que não fosse assim. Tentei imenso não odiar viver aqui, mas parece que todos os dias aparece uma nova razão para odiar este lugar. Estou cá há quase cinco anos e estou cansada disto tudo, mas gostava de não estar. Devem estar a pensar que sou alguém desprovida de alegria e felicidade, e isso até acaba por ser verdade em alguns dias Tinha o costume de ver o bem em tudo, era uma meta pessoal minha, mas com tudo o que se tem passado (na minha vida e no mundo), absolutamente tudo parece irremediável, e diria, até mesmo, uma causa perdida.

Podem ler toda a vossa vida sobre como é difícil mudar de casa, especialmente mudarem-se do lugar em que cresceram, ou ouvir histórias dos vossos avós sobre a sua experiência de retornados (como é o meu caso), mas nada vos vai afetar e atravessar de forma tão profunda e dolorosa como sentirem na própria pele o que esta experiência de vida em específico vos traz. Eu, tal como qualquer outro adolescente ingênuo, pensei que ficaria bem, depois de me mudar de Macau, mas claro que, ainda sendo essa mesma adolescente ingênua na altura, a realidade me bateu duramente na cara.

A crise de identidade que tenho só por existir neste país, enquanto pessoa imigrante, poderia preencher uma coletânea novelística de sete livros sobre o assunto. Encontro-me, por isso, num constante estado de super análise (ou melhor dito, de análise excessiva) da minha falta de vocabulário básico em Português, e de choro sobre “Como raios consegui criar cinco novas palavras num teste?”. O melhor disto tudo é que ninguém consegue dizer, a partir da minha cara ou quando leem o meu nome, que eu sou um projeto malfadado do que quer que seja ser português(a)

O engraçado é que, eu não quero odiar viver aqui. Há algumas coisas de que genuinamente gosto (não vou listá-las a todas, perdoem-me a “preguiça”); porém, as coisas negativas parecem enterrar as boas tão fundo que eu nunca me consigo lembrar das últimas sem ter que fazer um esforço consciente para isso. Apesar de nunca ter sido a pessoa mais otimista do grupo, ainda continuo à procura do que há de bom neste lugar e continuo a esperar (já sem réstia alguma de esperança) que este sítio, esta cidade, se torne a minha segunda casa algum dia.

Olhando para trás, nestes últimos anos, eu cresci imenso, de forma voluntária e involuntária. Fiz amizades encantadoras, que sei que irão durar até estarmos velhos e enrugados; vi obras de arte, que pensei que só continuaria a conhecer através das imagens nos manuais de História, e já consigo ler alguns livros (de autores) portugueses sem ter que ler as palavras em voz alta (para as compreender) Continua a ser uma luta constante encontrar o que há de bom em viver cá, mas, ainda assim, essas razões vão subsistindo. No entanto, vendo como os imigrantes são tratados em Portugal, e quão estúpida a AIMA consegue ser e é, tudo isto cai pela borda fora.

No fim das contas, é difícil reconciliar a versão idealizada que eu tinha de Portugal, quando era criança, com a realidade atual Portugal é um país como qualquer outro, com uma política confusa, uma cultura encantadora, e uma dose de xenofobia à mistura. A verdade é que também nunca supus que viesse a ser perfeito, e todos os dias tento não olhar para ele com desprezo, mas, sim, aceitando-o tal como é. Não acredito que algum dia vá realmente amar este lugar, não é a minha casa e nunca o será no meu coração, mas tudo bem que assim (não) seja.

Odeio isto tudo e estou farta de fingir que não. Não me inscrevi para esta merda (bem, por acaso até o fiz).

puxou e apertou a minha veia cardíaca parva varreu e raspou as rugas do meu cerebelo qualquer resposta possível encrava conforme a corporeidade do flagelo

permiti trabalhos e fiz juramento à pátria honrada aceitei os termos e as condições sem as ler risquei o anúncio "matéria obtusa procura morada" eis o excesso que os meus olhos terão de verter

inspira, expira, inspira, expira, olha para cima, saboreia as lágrimas, prova a tua dor deixa que o teu interior se imprima libertando espaço para um novo morador

nunca cruzas o ponto com o mesmo fio zarpas em águas diferentes pelo tempo é impossível reacender a morte do pavio só podes chorar e viver ao sabor do vento

Isto já aconteceu

BárbaraRafael

A sensação que tenho é a de que os ponteiros do relógio pararam de girar O meu desejo é que passem a girar da direita para a esquerda Também as molas, engrenagens e baterias foram autorizadas a sofrerem acidentes. Se deixar as luzes acesas durante a noite, dizem-me que acabam por parar de funcionar Foi isso que fiz

Sem o Tempo para me distrair, estudo o que os poetas romanos escreveram e, no meu caderno, desenho aquela que acho ser a face do Grande. Lembro-me de Woolf e daquele livro que li aos 15 anos Na altura chorei porque tive medo de estar onde estou “I am made and remade continually Different people draw differentwords from me”

Sinto um agridoce na língua Engulo, o ácido que ingeri exacerba-me o fígado e o estômago. Se estudassem o meu cérebro no microscópio, não veriam uma única partícula minha Os ponteiros pararam, fiquei feliz, mas não era esse o meu medo?

Ocorre-me a analogia da figueira Vejo-me debaixo dela, sentada num pequeno banco de madeira a sentir a brisa a arrepiar-me Penso no Alentejo e, inevitavelmente, na Catarina Mas se ela está cá, também está a Inês e a Marta Deixo de pensar nos figos como coisas que nunca terei por desejá-los demasiado Passo a associá-los aos que me caíram ao colo num dia turvo de setembro, aqueles que me mantêm em mutação

Há uns anos, sublinhei uma frase sobre uma personagem que nunca se tinha sentido verdadeiramente portuguesa por ainda não ter sentido a famigerada substância que arde sem se ver. Revi-me no que li por jurar ser verdadeiro. Agora, sei que amo tudo o que já vivi Por ser passado, amo mais um bocadinho Fui obrigada a rever-me e, por isso, hoje leio as palavras, que jurava já ter percebido, de outra forma

Seria incapaz de encerrar este percurso sem citar a frase que melhor representa este fim: “And now that you don't have to be perfect, you can be good. ” Os figos continuam a cair O problema é que em breve não estarei debaixo da árvore

37 °03'55.8"N 8°05'36.6"W

MatildeBrito

Um dia escrevi, na honestidade do meu bloco de notas, que gostava de ser como as Ondas do mar. Uma tentativa meio poética de me conformar com os inevitáveis, desconfortáveis, muitas vezes inesperados e um tanto assustadores ventos que teimam em soprar noutra direção. Não ondas quaisquer, mas as que melhor conheço, as que sabem o meu nome de cor, para onde fui e por que teimo em voltar. Sim, porque volto sempre para perto delas. De singelo tamanho, não pedem mais Tempo (como eu) e abraçam com uma tranquilidade invejável os ciclos a que estão destinadas, seja o das marés ou o do calendário anual.

Vejo-as sempre muito atarefadas pela altura do verão, mas não se incomodam, pelo contrário, sabem que terão o resto do ano para aproveitarem a sua própria companhia, e que, de vez em quando, lhes farei uma visita. Por entre as minhas confidências, reparo como não se cansam de tentar, claramente acreditam que o horizonte está ao alcance de quem ousa sonhar. Pelo menos foi isso que me ensinaram durante todos estes anos, concedendo-me o seu apoio para partir à descoberta e alojar-me junto do Tejo. Não o conheço tão bem, mas vejo como se esforça para preencher a saudade.

Confesso-lhe que venho ao seu encontro, por todos os “queres ir ver o mar?” que têm ficado por devolver e que costumavam ser tão certos quanto o nascer do sol ou a boleia da minha mãe. Talvez também ela queira ser uma Onda do mar, decerto que foi quem me ensinou a procurar a força da natureza.

Se alguma vez me questionarem, com aquele tipo de perguntas feitas por quem quer passar o tempo sem conversar sobre o tempo, já saberei a resposta. Se pudesse ser qualquer forma da natureza, seria certamente uma Onda do mar.

Mensagensdos Fin li s

“Obrigada, FCSH A quem a compõe, a quem luta por ela, a quem a ama Deste-me grandes amigos, que certamente durarão, e com os quais poderei conversar sobre ti Espero que nunca percas o espírito que tanto estimas hoje em dia. Vou ter saudades da serradura, dos matrecos, do voleibol e dos churrascos. Um abraço especial à única esplanada com faculdade”

Júlia Castro

“Estes últimos três anos foram, com certeza, os mais desafiantes que já vivi E sou profundamente grata à FCSH, e a tudo o que esta faculdade trouxe para a minha vida, por me ter acompanhado em cada desafio. A FCSH viu-me chorar, sorrir, crescer e, claro, aprender. Pode parecer clichê, mas a FCSH foi, realmente, a minha segunda casa! “ Maria Letícia Amador Figueiredo

“FCSH, foste casa cheia!! Cada um dos que encontrei trouxeram um pedaço de si e trataram de tão bem encaixar nos meus. Fiquei preenchida, de corpo e alma Transpostas as tuas portas, tinha sempre abraços a receber, dando em troca sorrisos a humanos e festinhas ao Pipoca Usei-te como pomar, campo nascente de recolha de fruta (literalmente); usaste-me como foz de emoções Gargalhei imenso na esplanada, chorei imenso à entrada da biblioteca. Não há como agradecer a todos os funcionários, professores e amigos que me fizeram os dias tão mais felizes Aos meus afilhados, um abraço muito apertado, terão sempre morada em mim Aos meus patarecos, Bárbara, Carolina, Catarina, Íris, Maria Inês, Marta e Samuel, que benção foi este caminho ao vosso lado!! Estudos Portugueses foi um sonho exatamente por poder contar com todos vós Que venham mais versos para o nosso bonito poema e que nunca acordemos!”

Inês Fonseca

“A todos os meus afilhados e netas, obrigada por tornarem Lisboa casa, sem vocês nada disto seria possível A FCSH ficou mais colorida com a vossa presença e a minha vida um pouco mais caótica. A minha capa será sempre casa para quando vocês precisarem e nunca se esqueçam de que eu vos amo com todo o meu ser <3”

Inês de Castro

“Há pessoas que se cruzam na nossa vida e deixam um bocadinho de si E eu levo muitos bocadinhos fantásticos de pessoas incríveis que conheci nesta faculdade Espero que estes anos não tenham sido os mais felizes da minha vida (como tantas vezes se diz), mas tenho a certeza de que foram, até agora, os três anos mais marcantes para mim”

“Querida FCSH e querido curso de Antropologia, obrigada por cada momento vivido e partilhado Desde as tardes na esplanada, aos stresses com os testes, até às melhores amizades que fiz, foi tudo incrível Obrigada acima de tudo por teres sido a melhorfaculdade de sempre e por me teres dado os melhores amigos de sempre Por vezes queixo-me de ti, mas, lá no fundo, até gosto e tenho um carinho por ti! Adeus licenciatura e volto para o ano para o mestrado ;)” Marta Barros

“Adorava conseguir pôr em palavras o que estes três anos de licenciatura me trouxeram, mas confesso que ainda estou a cair em mim e a aceitar que estou mesmo à beira do fim É o básico, mas a FCSH tornou-se casa longe de casa - entre Campolide e os meus semestres inesperados em Berna A FCSH trouxe-me as minhas pessoas, tornou-me uma pessoa de que me orgulho, e permitiu-me conhecer-me muito melhor Os meus agradecimentos são, primeiro, aos meus amigos, especialmente à minha madrinha Em segundo lugar, ao NECPRI (Núcleo de Estudos de Ciência Política e Relações Internacionais), de que tive o privilégio de fazer parte, e ao qual tive o orgulho de presidir. Em terceiro lugar, aos cravos, em todas as formas que os encontrei aqui: pintados na parede, presos ao cabelo, ao peito, seguros na mão e presos no punho Em quarto lugar, agradeço aos meus professores e ao Departamento de Estudos Políticos, por como me formaram em Ciência Política e Relações Internacionais; e isto é especialmente importante para mim, tendo em conta o estado atual do mundo onde vivemos Porfim, agradecer a todas as aprendizagens que não cabem em livros, syllabi, auditórios ou sala de aula. Há tanta coisa que eu não vinha preparada para aprender. Há tanta coisa que ainda não me apercebi que aprendi aqui. Obrigada a cada recanto e a cada segundo, FCSH Estás para sempre no meu coração e na minha memória És o meu capítulo mais bonito”

“Quero agradecer aos professores, com quem tive o privilégio de me cruzar ao longo destes três anos de Licenciatura, portudo o que, de si, me deixaram Quero também agradecer à minha turma, e em particular ao grupo de colegas que se reunia no átrio central do edifício C, conhecido entre nós por Aquário, pelos bons momentos de descontração aí passados

Um abraço, e que a vida nos sorria sempre!”João Caleiro Dias Valente

“Uns meses de FCSH na vida, nem sabem o bem que vos fazia!”Madalena Teles

Margarida Vieira

OsNossos Finalistas 20 26

"Foibonitaafesta,pá." (ChicoBuarque)

Atiraram-meaoslobos, volteimordida.

"Getup,getup,thereare worldstoconquer" (VE Schwab)

"Theysaid,"Babe,yougotta fakeittillyoumakeit"andI did"(TaylorSwift)

"Rememberwhatitwastobe me:thatisalwaysthepoint." (JoanDidion)

"Thatitwillnevercomeagain/ Iswhatmakeslifesosweet" (EmilyDickinson)

"Maisfatigaoquenãosefaz, repousarétê-lofeito" (JoséSaramago)

Nãocelebremjáque aindavouatempode congelaramatrícula

Voltareiparaapanhar maisfruta

“Oftencontradictionisthe

clearestwaytotruth.” (PattiSmith)

Desistamdevárioscursos parapoderemirrecolhendo váriosamigos

Fênix

"Seomeupeitodizcoragem/ Voltoapartirempaz" (OrnatosVioleta)

“Ofuturopertence àquelesqueacreditamna belezadosseussonhos." (EleanorRoosevelt)

"Icouldn'thelpbutwonder " (CarrieBradshaw)

Irradiaoteubrilhocintilante, porque“Avidaéumaviagem experimental/Feita involuntariamente.” (FernandoPessoa)

“Dosofánãoseveemas estrelas”(Baden-Powell) "Aliberdadeépouco.Oqueeu desejoaindanãotemnome." (ClariceLispector)

Receitas de Receitas de Receitas de Verão Verão Verão

Chá gelado com ameixa e mirtilo Chá gelado com ameixa e mirtilo Chá gelado com ameixa e mirtilo

Passo a passo:

1 Num recipiente colocar 500ml de água quente e as duas saquetas de chá, e deixar pelo tempo recomendado de infusão;

2.Reservar e deixar arrefecer;

3.Numa panela juntar os restantes ingredientes (ameixa, mirtilos, raspas de limão, e mel) e um pouco de água;

4 Deixar a lume brando durante dez minutos, esmagando os ingredientes durante o processo;

5 Deixar arrefecer e coar a mistura de fruta;

6 Juntar os dois líquidos num recipiente e adicionar uma boa quantidade de gelo;

7 Desfrutar!!

Ingredientes:

Duas saquetas de chá pretoU(ououtrochádepreferência) 5maameixa R0gramasdemirtilos Taspasdeumlimão Árêscolheresdemel gua

Ingredientes:

300gdeiogurtegrego

300gdefrutacongeladadepreferência (frutosvermelhos,banana,etc)

Mel/agave/açúcaragosto

Gelado de iogurte grego com fruta Gelado de iogurte grego com fruta Gelado de iogurte grego com fruta

Passo a passo:

1.Colocar os ingredientes num liquidificador e triturar durante dois minutos, até obter uma mistura cremosa, parando a meio para raspar as laterais da máquina;

2.Verificar o sabor e colocar no congelador durante duas horas;

3.Desfrutar!!

PARAPASSARES OTEMPO...

Horizontal

2- Símbolo da metamorfose Terror dos red pills

6- Pode ser encontrado num antigo Nova em Folha, autor de Olga Salva o Mundo

7- Novo curso pós-laboral da FCSH

8- A Itália este não vai ao

Vertical

1- Órgão da FCSH que a Diretora gostaria de reativar: Conselho de 3- O Tony Soprano tinha, e fazem falta ao Ensino Superior (plural)

4- O terror dos alunos de CPRI e Sociologia (abreviatura)

5- Escritor português que esteve no centro de recente polémica “Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam”

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Mudar de Vida | Edição Maio/Junho 2026 by AEFCSH NOVA - Issuu