NOVA em Folha o jornal da aefcsh. dezembro 2021
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Índice dezembro 2021
Notícias e Opinião 1 2 3 5 6 10
AE em folha - Rita São João Novidades FCSH - João Martins Novembro em Resumo Meta: o que significa para o Facebook e para o Mundo esta mudança de nome - Beatriz Mateus Movimento Fridays For Future: a ganhar ou a perder força? - Diana Neves A ferrovia e a morte do regionalismo - Guilherme Machado ESPECIAL COP26
Crónicas 13 15 17 19 20
Erasmus (quase) de Roterdão - Francisco Sousa Nunes A estação de Maria Velho da Costa - João Rebocho Como de costume... - Mariana Sousa Só liguei para dizer que te amo. E "obrigada". - Rita Coutinho Lugares não lugares - Diana Neves
Poesia 21 22 23 24 25 26 27 28 30 31 32
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26, 33 - Bia Jesus Memória - João Rebocho Complicado Quererem Ser-nos Estranhos - C.L onde minha alma aporta - Jéssica Ribeiro SUBSCREVE Camera oculta - joana (só) A NOSSA Falta de ti e dos pássaros - Ariana Moreira Há tempo, miúdo. - Tomás Silva NEWSLETTER (envia-nos o teu e-mail por Ao meu velho amigo, poeta - Cláudio InstaDirect ou Messenger) ser menos rio e mais mar - Eneko Irigoyen Chover a dois - Catarina Aires (sem título) + Manhã Húmida de Outono - Alexandre Nascimento
Cultura e Lazer 33 35 37 43 44
recomendações de livros para a época festiva! - @banal.girl Videojogos portugueses de 2021 e o que se espera para 2022 - Mafalda Carvalhal Agenda Cultural: Dezembro - Ana Catarina Tiago e Mafalda Carvalhal Receita de Natal (vegan) - Diana Neves Para passares o tempo... - João Martins
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NOVA EM FOLHA
NOTÍCIAS | AEFCSH
AE em folha RITA SÃO JOÃO
O passado mês de novembro começou com a realização da Semana da Arte, dos dias 2 a 5, semana esta que se focou na escrita, cinema, música e pintura. Para tal, realizou-se o workshop de escrita criativa com o professor e escritor Rui Zink; os artistas da nossa faculdade responderam ao call for artists feito na nossa página de instagram, e contribuíram para a exposição que decorreu durante essa semana no espaço da AEFCSH; contámos ainda com a presença de Pedro Florêncio, professor de História do Cinema na FCSH e Pedro Souto, director e produtor do MotelX, à conversa sobre o terror no cinema português, onde decorreu também o visionamento da nova curta de terror produzida pelo NECCOM e o filme "A Nightmare on Elm Street”. De seguida, a banda “Bergalgo” deu um concerto inédito no espaço da AEFCSH. Encerrou-se esta semana com a pintura de um mural, onde todos os estudantes puderam ajudar. Já no dia 11, depois de 638 dias desde o último churrasco da AEFCSH, realizou-se o churrasco: “Isto Era Para Ser no Ano Passado”. Não só foi um momento importante de convívio e festa, mas também de celebração da luta dos estudantes pelo seu direito de usufruir o seu campus na sua plenitude, em todas as suas vertentes. As fotos estão disponíveis no linktree do nosso instagram! Já no dia 25 de novembro, decorreu uma conversa com o CPPC – Conselho Português para a Paz e Cooperação – sobre a defesa dos princípios de paz, soberania e progresso inscritos na Carta das Nações Unidas; contámos com a presença de Gustavo Carneiro. Para encerrar o mês, decorreu no campus de Berna o Encontro Nacional de Estudantes PALOP e Afrodescendentes no Ensino Superior Português, encontro este onde foram discutidos os problemas que estes estudantes enfrentam diariamente e os entraves que lhes são colocados, dificultando o seu sucesso académico. Também se ficaram a conhecer algumas soluções já existentes e foram sugeridas mais soluções, com o objectivo de tornar a vida académica destes estudantes a melhor possível. Infelizmente, este encontro não teve a adesão desejada e acabou por se restringir só a núcleos de Lisboa, mas esperamos de braços abertos a próxima reunião desta rede a ser criada.
fica atent@ às redes sociais da ae para não perderes nenhum evento!
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NOTÍCIAS
novidades fcsh João Martins (adaptação) Saúde Mental d@s Estudantes
As Jornadas de Saúde Mental, organizadas pela AEFCSH, estão de regresso este semestre! Vem saber mais sobre o Voluntariado no Ensino Superior com a Dra. Edite Oliveira do SASNOVA no dia 9 de dezembro, às 16h (fica atent@ às redes da AE para saberes a sala). Ademais, no dia 15 de dezembro decorrerá a última sessão do programa Cheguei ao Ensino Superior. E agora?, criado pelos Serviços de Psicologia, Inclusão e Igualdade (PsII+) da FCSH. Destinado a apoiar estudantes que acabaram de entrar no 1.º ano da licenciatura, encerrará com uma sessão presencial e gratuita sobre “Ansiedade e Avaliações”, das 16h às 17h30h. Oficina de História e Imagem
O Instituto de História Contemporânea irá promover, no dia 19 de dezembro, uma nova sessão aberta (online) da Oficina de História e Imagem. Desta vez, o tema revolve em torno da obra cinematográfica Zulay, Facing the XXIst Century e do seu papel na história do cinema e, em particular, do cinema etnográfico. Este filme escassamente estudado e poucas vezes projectado será dissecado com a ajuda da Dr.ª Raquel Schefer, investigadora, realizadora, programadora e docente na Universidade Sorbonne Nouvelle (Paris 3), com moderação de Lee Douglas (do IHC NOVA FCSH). O link da sessão está disponível no site da faculdade: https://www.fcsh.unl.pt/eventos/de-otavalo-a-los-angeles-etno-co-biografia-e-co-representacaono-filme-zulay-facing-the-21st-century/ Para mais informações, contactar oficinahistoriaeimagem@gmail.com Chamada(s) para Artigos!
Interessad@ em ver o teu trabalho publicado? São várias as revistas académicas em que podes participar! Damos-te a conhecer algumas calls for papers que estarão a decorrer até 31 de dezembro, convidando-te a consultar os diversos regulamentos no site da faculdade. A revista Forum Sociológico convida a comunidade FCSH a submeter artigos científicos sobre diversas matérias das Ciências Sociais, além de dossiês temáticos e recensões críticas de obras relevantes. A revista Face de Eva. Estudos sobre a Mulher lança um convite semelhante a investigadoras e investigadores na área dos Estudos sobre as Mulheres, Estudos Feministas e Estudos de Género. Em ambos os casos, as contribuições serão sujeitas a peer review, e aceitam-se propostas em língua portuguesa, francesa, inglesa e espanhola. Esta chamada está aberta em permanência e as propostas a serem consideradas deverão ser enviadas para: forum@fcsh.unl.pt ou facesdeeva@fcsh.unl.pt. Mais informações em: https://journals.openedition.org/sociologico/ http://www.scielo.mec.pt/revistas/eva/pinstruc.htm
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NOTÍCIAS
novembro em resumo João Martins e Manuel Pinto
4 - ELEIÇÕES ANUNCIADAS
Depois de auscultado o Conselho de Estado, 30 de janeiro foi a data escolhida pelo Presidente da República para a realização de eleições legislativas. Marcelo Rebelo de Sousa defendeu esta opção como necessária e inevitável após o chumbo do Orçamento do Estado para 2022, ocorrência inédita no Portugal democrático. O documento apresentado pelo Governo de António Costa foi recusado na generalidade pela Assembleia, com 117 votos contra (PCP-PEV, BE, PSD, CDS-PP, Chega e Iniciativa Liberal), 108 a favor (PS) e cinco abstenções (PAN e as duas deputadas não-inscritas). 8 - CORRUPÇÃO ENTRE OS MILITARES PORTUGUESES
A PJ levou a cabo, dia 8 de novembro, várias detenções no âmbito da operação Miríade, a mais recente megaoperação da justiça portuguesa, que investiga uma alegada rede criminosa no seio das forças armadas. Ativa nas missões internacionais da ONU, trata-se de um conluio dedicado ao tráfico de diamantes, ouro, drogas e moeda falsa. Os aviões militares afetos às missões internacionais terão sido o veículo de transporte do contrabando, por não serem fiscalizados no regresso às bases europeias. Com isto, os militares portugueses terão funcionado como correio, recebendo em troca grandes comissões. 18 - REFORÇO DA IMUNIZAÇÃO
A DGS anunciou que, no futuro, a dose de reforço da vacina contra a COVID-19 será também administrada aos maiores de 18 anos inoculados com a fórmula de dose única da Janssen. Além dos profissionais de saúde, do setor social e dos bombeiros responsáveis pelo transporte de doentes, estão também a ser vacinadas com a “terceira dose” as pessoas com mais de 65 anos. Para cima de 750 mil já a tomaram, em paralelo aos mais de 1.5 milhões de portugueses que também já foram vacinados contra a gripe. 21 - WHERE IS PENG SHUAI?
A tenista chinesa estava desaparecida desde dia 3 de novembro, quando divulgou na rede social Weibo (equivalente chinês do Twitter) ter sido vítima de violação às mãos do antigo vice-primeiro-ministro Zhang Gaoli. Pouco após a publicação, a mensagem foi removida e surgiram suspeitas quanto ao seu paradeiro e estado de saúde. Apenas a 18 de novembro se teve notícias da atleta, através de um alegado e-mail seu em que desmentia as acusações. Os media estatais chineses foram emitindo vários vídeos que a mostravam de boa saúde, mas a descrença e pressão de vári@s tenistas e organizações desportivas conduziu a uma videochamada, no dia 21. Sob observação de um membro do Comité Olímpico Chinês, Peng Shuai, sorridente, garantiu estar bem e pediu respeito pela sua privacidade, não se tendo falado das suas alegações de abuso sexual.
Fontes: BBC, CNN, ECO, EuroNews, Jornal de Notícias, NBCNews, Observador, RTP, SICNotícias, Twitter (@elonmusk), ukcop26.org, WFP-UN Imagens (por ordem): Comunidades Lusófonas, A Voz do Algarve, Público, GlobalCitizen, EuroNews, Aljazeera, Blitz, IPS News, HollywoodReporter
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NOTÍCIAS
COP26
Entre 31 de outubro e 13 de novembro, Glasgow (Escócia) foi palco da 26ª Cimeira pelo Clima (Conference of the Parties - COP26). Representantes de 197 países, incluindo 120 chefes de Estado, reuniram-se para discutir o combate coletivo às alterações climáticas. Apesar de a meta defendida pelos cientistas ser a limitação da subida da temperatura aos 1.5ºC, as disposições do documento resultante das negociações (Pacto de Glasgow) fazem prever um resultado muito aquém, na ordem dos 2.4ºC. Entre as conquistas, listam-se compromissos formais no desaceleramento da desflorestação, ajuda financeira aos países menos desenvolvidos e redução do carvão como fonte energética. Pela primeira vez, esta fonte de energia foi alvo de uma referência explícita, embora China e Índia tenham conseguido substituir a sua “eliminação” por uma “redução” na letra do documento. REFUGIADOS NA FRONTEIRA BIELORRUSSA
A fricção na fronteira entre a Bielorrússia e a Polónia (apoiada pela União Europeia e pela NATO) fez-se notar devido à concentração de migrantes e refugiados impulsionada pelas forças bielorrussas. Milhares de pessoas instalaram-se em acampamentos improvisados, sem condições básicas à vida, onde o frio e a escassez já ceifaram a vida de pelo menos treze pessoas. A UE acusa Minsk de instrumentalizar os migrantes num “ataque híbrido” com o objetivo de desestabilizar os 27, que reforçaram as sanções contra o regime de Lukashenko. A Polónia prometeu também a construção de uma barreira fronteiriça com arame farpado e câmaras de videovigilância.
internet em resumo RED (Taylor's Version)
Beatriz Mateus
Originalmente, Swift lançou este disco em 2012 com a editora Big Machine Records e, na altura, fez imenso sucesso. No entanto, em 2019, após ser surpreendida pela venda dos seus originais a uma empresa privada de Scooter Braun, a cantora falou em regravá-los, pois ainda detinha os direitos enquanto compositora. Este mês, a ameaça foi cumprida e saiu a nova versão de RED, que deixou a internet de pernas para o ar. Elon Musk e a fome mundial
No mês passado, a CNN lançou um artigo que expunha que apenas 2% da fortuna de Musk (6B$) seria suficiente para acabar com a fome no mundo. O bilionário respondeu na rede social Twitter, requisitando um plano transparente de ação à ONU, onde o seu dinheiro poderia ser usado. Este mês, as Nações Unidas publicaram um apelo inédito aos multimilionários do mundo, descrevendo as despesas necessárias para alimentar os milhões de pessoas que todos os dias passam fome. Será que Musk irá responder à altura? A tragédia Astroworld
Nove pessoas faleceram no passado dia 5 de novembro, durante o concerto de Travis Scott no festival Astroworld. Algumas das vítimas pereceram no no local, enquanto outras morreram ao longo do mês devido a ferimentos graves. A grande polémica obervada na internet, no entanto, gira à volta da forma como o rapper reagiu a toda a cena durante o concerto, continuando a atuar como se nada fosse. Inúmeros vídeos de outros artistas voltam agora à superfície para mostrar como no passado lidaram com o mesmo tipo de situação, colocando em perspetiva a falta de interesse de Scott pelo bem-estar dos seus fãs.
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OPINIÃO
Meta: o que significa para o Facebook e para o Mundo esta mudança de nome BEATRIZ MATEUS
No dia 28 do mês de outubro, foi anunciada a mudança de nome da empresa que tutela as aplicações do Facebook, entre outras tecnologias. O novo nome, Meta, acarreta consigo o futuro da empresa, mas talvez também das redes sociais e do modo como navegamos na internet no seu todo. Esta mudança, especula-se, vem da quantidade de controvérsias em anos recentes, desde o escândalo da Cambridge Analítica até à mais recente delatora, uma antiga funcionária do Facebook que revelou a negligência perante os problemas causados na vida real pela rede social. Esta seria uma boa estratégia visto que, quando é feita uma simples pesquisa no Google, o termo “Meta” não apresenta estes escândalos na lista de artigos. Na verdade, outras multinacionais já seguiram esta estratégia no passado para fugir a escândalos - um dos exemplos é nacional: o Novo Banco. No entanto, e segundo aquilo que a agora Meta revela, esta mudança vem da necessidade de agrupar as suas redes e tecnologias sob um único nome, e de explorar o futuro da internet e de como os utilizadores a navegam. Este nome não é, por isso, escolhido ao acaso ou um jogo de palavras (como era “Facebook”). Pelo contrário a mudança para Meta assinala, segundo a empresa, a sua entrada oficial no metaverso - um universo criado virtualmente, onde os utilizadores interagem sem ecrãs, uma verdadeira realidade virtual onde tomar café com os amigos é uma atividade possível a partir do conforto e segurança das nossas casas. Este é ainda um conceito muito distante, embora possamos observar uma abertura no mercado para este tipo de tecnologia, à luz de crises pandémicas como a que ainda hoje atravessamos., pois as pessoas querem interagir com os seus amigos sem sair de casa. E, para além disso, as empresas pretendem manter um ambiente de escritório ao mesmo tempo que os seus empregados querem trabalhar a partir de casa, vendo-se o metaverso como uma boa opção. Ou seja, este é o verdadeiro negócio do futuro. Contudo, os mercados flutuam, os desejos mudam e só o próprio tempo, presente e futuro, será capaz de dar verdadeiras respostas ao que o mundo será e irá precisar.
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ESPECIAL COP26
Movimento Fridays For Future: a ganhar ou a perder força? DIANA NEVES
O «efeito Greta» e uma geração de ativistas A COP26 aconteceu de 31 de outubro a 13 de novembro, em Glasgow, na Escócia, Reino Unido. Foi assinalada como a última oportunidade que os países têm para chegarem a acordos concisos sobre o combate às alterações climáticas. Durante o processo, perguntei a ativistas da Greve Climática Estudantil, extensão do movimento Fridays For Future em Portugal, qual foi o papel do ativismo climático estudantil durante estes dois últimos anos. E qual será a função do movimento, fundado por Greta Thunberg, na próxima década – assumida como a última hipótese de a humanidade de salvar o planeta das alterações climáticas – a luta que classificam como sendo a da «nossa vida». Este texto foi escrito durante essas duas semanas. Estamos em dezembro. E a mensagem que Greta publicou no seu Instagram, dois dias após o final da COP26 foi esta: «A reminder after the disappointment at COP26 (…) instead of looking for hope – start creating it. Now the real work begins, and we will never give up, ever»
«NÓS NUNCA SOMOS DEMASIADO PEQUENOS PARA FAZER A DIFERENÇA», Greta (2018)
Em 2018, três anos depois do estabelecimento do Acordo de Paris, Greta Thunberg, uma menina sueca de 15 anos, iniciou uma greve às aulas todas as sextas-feiras, instalando-se à porta do Parlamento da Suécia. O movimento Fridays For Future iniciou-se no ano seguinte, com o apelo à primeira greve global pelo clima feita por estudantes e jovens, realizando-se a 15 de março de 2019, e que, em Portugal juntou cerca de 20 000 pessoas. No mundo, foram milhões em mais de uma centena de países. Desde esse ano, que a ativista sueca, agora de 18 anos, continua em greve às aulas todas as sextas-feiras, mas também passou a discursar em conferências, a participar em ações de rua pelo mundo, a organizar eventos e a ser a imagem de um movimento internacional que inspirou jovens a lutar contra as alterações climáticas. «Quero que ajam como se a casa estivesse a arder», apelou a ativista na ONU, durante um discurso seu em 2019. Começou, desde então, o «efeito Greta», designação que muitos meios de comunicação encontraram para se referir ao movimento que Greta libertou pelo mundo ao incentivar os jovens ao ativismo climático. Muitos defendem que esse é o seu principal legado: ter iniciado um debate com as instituições e os políticos, um debate vindo dos jovens e feito por jovens, mostrando-lhes que podem fazer parte da solução e que podem reivindicar o seu futuro. Andreia, Maria e Mariana são três ativistas da Greve Climática Estudantil, do núcleo de Lisboa. Andreia Galvão, de 21 anos, envolveu-se ainda em 2019, porque «tinha conhecido uma rapariga no Euroscolas e que disse que a Greta Thunberg estava a fazer umas coisas na Suécia e que era fixe trazer isso para Portugal». Hoje, estuda na FCSH e continua na organização do coletivo estudantil. No mesmo ano, Mariana Gomes, de 20 anos e estudante de Direito em Lisboa, coorganizou a «primeira greve climática em Guimarães», que aconteceu em março de 2019, em simultâneo com outras greves em várias localidades do país. Nessa mesma greve, mas em Lisboa, esteve presente a Maria Mesquita, de 19 anos, trabalhadora-estudante. «Conheci o pessoal, entrei num grupo de WhatsApp e passado uns tempos apareci numa reunião e acabei por ficar.»
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«COMO SE ATREVEM?», Greta (2019)
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ESPECIAL COP26
Desde 31 de outubro que está a decorrer em Glasgow, na Escócia, Reino Unido, a 26ª Conferência das Partes, da Organização das Nações Unidas, prevista para acabar a 12 de novembro. As COP´s que se realizam desde 1995 reúnem líderes políticos, empresas, especialistas e ativistas para estabelecerem as metas e objetivos de combate às alterações climáticas. Sobre a cimeira de Glasgow, Alok Sharma, presidente da COP26, diz que esta é a “última esperança para mantermos a meta de 1,5º C ao alcance”, referindo-se ao limite do aumento da temperatura, comparando com níveis pré-industriais, que foi estabelecido no Acordo de Paris, em 2015. Ao longo das últimas duas semanas, os líderes mundiais e decisores políticos têm debatido e estabelecido planos e promessas dentro das salas da COP26, a acontecer em Glasgow. Mas fora das portas das salas de trabalho dão-se demonstrações artísticas, manifestações de ativistas e ações de rua. As três jovens admitem que estão com poucas e fracas expetativas para a COP deste ano, assumindo que «não há um plano eficaz para responder à crise climática». «As minhas expectativas para a COP é que vai ser um belíssimo circo», protesta Maria, que esclarece que «os cortes prometidos na COP26 são de 7,5% a nível global até 2030, muito abaixo dos 55% mínimos que precisamos para nos manter abaixo dos 1,5ºC». Mariana, também descontente com o percurso da COP, acrescenta que, segundo as contribuições das 193 partes que já as divulgaram, «as emissões nos próximos anos irão aumentar 13,7 % de acordo com os cálculos do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas), e isso significa que até ao final do século poderemos chegar aos 3 graus» de aquecimento da temperatura. As ativistas concordam que «tudo o que está a sair da COP são meras palavras». Desde «a cavar a própria sepultura» de António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, até à «máquina do apocalipse» de Boris Johnson, primeiro-ministro britânico, a conferência pautou-se por frases enigmáticas nos discursos dos grandes líderes, e ficou marcada pela ausência de outros. O primeiro-ministro, António Costa, falhou a COP, justificando-se com a crise política nacional. O Ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, compreendeu, considerando ser um motivo válido. Maria refere que a ausência do primeiro-ministro confirma «que as instituições não podem resolver a crise climática», e que, inclusive no caso português, «não existe qualquer planeamento para a transição energética». Mariana é da mesma opinião, afirmando «duas coisas: Portugal não está presente na COP por falta de interesse e a Lei de Bases do Clima [recentemente aprovada pela Assembleia da República] não cumpre as metas climáticas. Isto significa que mesmo que haja estudos e relatórios que mostram que Portugal será dos países europeus mais afetados pelas alterações climáticas, o nosso governo não está interessado em combater a crise climática.». Também a ausência de países como a Rússia e a China foram criticados. Andreia explica que estas ausências fazem com que não seja «possível ter um acordo transversal daquilo que é preciso fazer em relação à política climática, especialmente tendo em conta que estes países têm grandes taxas de emissões carbónicas». Segundo o último IPCC , até 2030, precisamos de cortar 55% dos gases com efeito de estufa a nível global. De acordo com a ONU, se continuarmos com o atual ritmo de emissões, as temperaturas serão, no final do século, superiores em 2,7 ºC. O secretário-geral da Nações Unidas, António Guterres é direto: "Sejamos claros, há um risco significativo de que Glasgow não cumpra as suas promessas", confessou na cimeira do G20, em Roma, dia 30 de outubro. A cimeira de Glasgow tem sido, portanto, um tiro no escuro – uma última aposta na ação institucional – e um gira-discos para os ativistas – que protestam contra o sistema que levou a 26 anos de conferências, sem resultados à vista.
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ESPECIAL COP26
«EU QUERO QUE ENTREM EM PÂNICO», Greta (2019) Greta Thunberg tem acusado os políticos e empresários reunidos na COP26 de «bla bla bla» e de muito greenwashing. A ativista sueca diz que a 26ª Conferência das Partes apenas mantém uma aparência de ação e progresso, quando na verdade tudo continua na mesma. “A COP26 foi nomeada a COP mais exclusiva. Esta já não é uma conferência sobre o clima, é um festival de lavagem da imagem verde para o Norte global”, protestou na rede social Twitter. Nos passados dias 5 e 6 de novembro, sexta-feira e sábado, respetivamente, realizaram-se duas manifestações em massa em Glasgow, cidade anfitriã da COP26. Designados de Contra COP, as mobilizações tiveram como protagonistas os jovens, ativistas e ONGs. E a elaboração de um manifesto, subscrito por cerca de 40 000 pessoas, defendia justiça climática, inclusão da participação dos jovens nas decisões, e ajuda aos MAPA (países e áreas mais afetados, traduzido do inglês). No dia dedicado à juventude, o desfile da manifestação que chegou a mobilizar 20.000 pessoas na sexta-feira (e 120.000 no sábado), foi encabeçado por um grupo de indígenas da Amazónia e contou com a participação da ativista Greta Thunberg. «Quantas ameaças de morte teve esta semana?», foi a questão da BBC à ativista indígena Txai Suruí, que confessou não saber detalhar, visto que «foram muitas mensagens». A ativista de 24 anos que discursou na COP26 durante o dia 1 de novembro, é uma entre tantas outras que é ameaçada por lutar, em especial, pela preservação da floresta amazónica. Mariana afirma que «os ativistas têm sido usados como bodes expiatórios para, por exemplo, [se proceder] à redação de leis em que os líderes ou governos afirmam que os ativistas foram ouvidos, quando nada do que está escrito vai ao encontro» do que pediram. Relembra que «é importante ouvirmos estes povos que, durante anos, têm tentado alertar-nos sobre os efeitos das alterações climáticas ao mesmo tempo que as grandes corporações e determinados governos os tentam dizimar, cometendo já muitos crimes de genocídio.». Maria defende que a «solução [para a crise climática] tem de ser construída com [as comunidades da linha da frente] e não com as multinacionais, como tem vindo a ser feito». Ouvir as vozes das comunidades mais fragilizadas permite-nos perspetivar sobre «todo o nosso modo de estar na vida, porque nós cidadãos dos países mais desenvolvidos temos o privilégio de ainda não estar a sofrer diretamente com os impactos das alterações climáticas», argumentam. Andreia finaliza ao dizer que «sem ouvir as vozes que estão na rua, as comunidades indígenas e as comunidades da linha da frente, que são tantas vezes silenciadas no discurso institucional, não é possível realmente aprender e aplicar políticas climáticas». Em entrevista ao Diário de Notícias, o ministro português do ambiente criticou a intervenção de Greta Thunberg na mobilização de sexta-feira, confessando que não ficou «nada bem impressionado». «Se ela acha que o que está lá dentro é "blá-blá-blá", o que está lá fora é diferente de "blá-blá-blá" em quê? A liderança está na rua? Desculpem lá, eu gosto muito da democracia e não tenho a certeza de que quem se pronuncia dessa forma tem a paixão pela democracia que eu tenho.». Ao comentar esta crítica, Maria defende que a «sociedade e a ciência têm vindo a demonstrar nas ruas o caminho que é preciso seguir para resolver a crise climática», afirmando que as «instituições seguem na direção perfeitamente oposta». Já Mariana admite que, neste momento, «a democracia tinha um papel: o de assumir um contrato social. [Este] foi quebrado a partir do momento em que as instituições nos estão a levar à extinção». Explicando que as grandes mudanças sociais, ao longo da História, começaram com a mobilização nas ruas, argumenta, por fim, que o Ministro não critica Greta, mas sim «o facto de Greta ter dito que as ações dele, das instituições deles, fazem parte de uma ação de inércia».
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ESPECIAL COP26
Os países mais vulneráveis têm pedido ajuda nas diversas conferências. Em 2009, os países mais desenvolvidos comprometeram-se a ajudar anualmente os mais pobres com 100 mil milhões de dólares até 2020. Sonam Wangdi, secretário butanês do grupo dos 49 países mais pobres do mundo, diz que, até hoje, não estão a receber “mais do que 10 a 15%”. Maria começa por esclarecer que, hoje, os «países do sul global [encontram-se] na linha da frente dos fenómenos climáticos extremos e sem recursos ou condições para efetuar a transição ou pôr em prática programas de mitigação e adaptação das infraestruturas aos ditos fenómenos extremos». Mariana explica que os países do Norte Global devem cortar 74% das emissões até 2030, não apenas para uma transição energética justa, mas também por «responsabilidade histórica para com estes países», devido aos séculos de colonização que lhes impuseram. «A força está no movimento e na pressão que ele pode fazer», declara Andreia. Na opinião das ativistas, a COP26 irá falhar. «Já tivemos provas suficientes que 26 anos de conferências é demasiado e chega a um momento em que é preciso dizer chega. Até o Papa Francisco diz muitas vezes «enough is enough». ATIVISMO: «ORGANIZAR MARCHAS E EXIGIR MUDANÇA» (Greta, 2021) Para as jovens da Greve Climática Estudantil, a figura de Greta Thunberg representa, nas palavras das mesmas, «empoderamento», «força» e «resiliência».
Para Andreia, Greta foi «o início do papel jovem mais ativo na questão climática». Já Maria assegura que «ver a jovem Greta sozinha com o seu cartaz, a fazer greve todas as sextas, e olhar depois para as imagens das greves climáticas empodera muito, em particular os jovens». «Greta deixará um legado de inquietação», afirma Mariana. Explica que o ativismo é parte daquilo que é ser jovem, e como a personalidade da ativista sueca teve um papel essencial na emancipação da sua geração. «Desde o início do seu percurso, há muita gente que tenta dissimular todas as suas palavras (…) mas ainda assim a Greta conseguiu mobilizar milhões de pessoas e, de facto, ela representa irreverência, voz, aquilo que é ser jovem, que é questionar o porquê de determinadas coisas acontecerem daquela forma e tomar ação pelas próprias mãos.». Por outro lado, Maria relembra que, apesar da importância do impulso de Greta, «há milhões de ativistas pelo mundo fora e só um movimento articulado e internacional consolidado poderá fazer a mudança de que necessitamos». As ativistas assumem que a pandemia da Covid-19 teve um impacto negativo na mobilização das pessoas e dos jovens na luta por justiça climática. E por isso, reforçam o facto de, depois da COP, ser necessário «que o FFF [Fridays For Future] seja mais impaciente, mais consciente dos mecanismos através dos quais se faz a mudança, que é através da pressão institucional, mas também da criação de movimento social, de ruas». Ao defenderem que o movimento precisa de inovar e de se fortalecer para conseguir ter efeitos práticos, é preciso «apresentar uma estratégia comum entre os jovens e a restante sociedade civil, para moldar um futuro melhor. Ainda há muito trabalho pela frente. «Nós queremos garantir a nossa existência enquanto espécie. Nós somos agentes de mudança e nós devemos catalisar as alterações climáticas para a ação nas ruas e construir uma nova sociedade». Fontes: Público, Expresso, Visão Entrevistadas: Andreia Galvão, Mariana Gomes, Maria Mesquita
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OPINIÃO
A FERROVIA E A MORTE DO REGIONALISMO GUILHERME MACHADO
A questão do regionalismo é uma das mais importantes na política portuguesa, e segue o contexto generalizado na Europa de uma população profundamente urbanizada e da transformação da agricultura e das economias rurais na União Europeia. A sua importância é cada vez maior em Portugal, à medida que as assimetrias de serviços, de investimento de dinamismo económico - para além da questão demográfica - se tornam cada vez mais notáveis no nosso país. Nos anos que se seguiram ao 25 de abril, e, especialmente, depois da entrada na União Europeia, a produção agrícola portuguesa não foi capaz de acompanhar o crescimento económico - em conjunto com a supressão das necessidades alimentares das cidades com os produtos europeus da Alemanha, da França e da Ucrânia. Na economia rural e local este processo de desagregação das bases económicas dos espaços não urbanos manifesta-se na forma de um decrescimento demográfico acelerado e um envelhecimento populacional, à medida que a economia nacional depende cada vez mais dos serviços e do turismo. Em suma, temos um mundo rural cada vez mais abandonado económica e socialmente, o que se traduz uma falta de poder coletivo e capacidade de agregação das pessoas que ainda habitam nestas regiões.
Em suma, temos um mundo rural cada vez mais abandonado económica e socialmente, o que se traduz uma falta de poder coletivo e capacidade de agregação das pessoas que ainda habitam nestas regiões. Em termos de serviços públicos e investimento, há pouca motivação por parte dos governos e das empresas para investirem em regiões com um dinamismo baixo - e o investimento que ocorre, nomeadamente na agricultura, existe sob a forma de grandes explorações intensivas com recurso a uma mão-de-obra mal paga. Tanto a saúde, como os salários e a qualidade de vida são menores nestas regiões em abandono - todas elas uma parte integrante de uma economia nacional que durante os sécs. XIX e XX tinha a sua estrutura assente num sistema ferroviário extensivo e funcional.
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A ferrovia é dos maiores indicadores da centralização ou regionalização de um país. Países como a Alemanha, onde a população de 80 milhões se divide entre vários núcleos urbanos de grande (Berlim, Munique, Hamburgo), média (Frankfurt, Dresden) e pequena dimensão (Estugarda, Augsburgo, Karlsruhe), todos eles interligados por uma rede de ferrovia compreensiva e complexa. Não existe uma economia industrializada sem o uso de uma boa rede ferroviária e, no século XIX, as linhas de comboio eram as vias de comunicação que permitiam o transporte de pessoas e mercadorias e o escoamento de produtos para os grandes mercados. Não é devido a motivos alienáveis que o ritmo de expansão dos capitais industriais é acompanhado por uma expansão veloz da ferrovia e da infraestrutura com esta relacionada. Independentemente, porém, do contexto económico da nossa sociedade, um sistema ferroviário acessível e democratizado é fundamental para a garantia de qualidade de vida e de desenvolvimento económico das populações. Em 1974, Portugal tinha 3563 km de ferrovia. No seio de uma Lisboa macrocéfala onde se centralizam e convergem os processos económicos e políticos, uma rede ferroviária grande e que chegue a todos os pontos do país torna-se estruturante para a economia e para o funcionamento da indústria que se começa a edificar em Lisboa e Setúbal, a partir do final do séc. XIX.
OPINIÃO
Aqui, a ferrovia não é apenas um sistema de circulação de pessoas: é um dinamizador económico, um criador de oportunidades e de emprego e uma forma de conectar cada ponto do país aos principais núcleos urbanos e centros de poder. A ferrovia portuguesa do séc. XX representa um momento intermédio da nossa história, no qual Lisboa e o Porto são ainda grandes centros agregadores, mas onde o regionalismo ainda existe com uma certa intensidade. Este quadro muda a partir da década de 80. Não é uma surpresa constatar que a onda de privatizações e de redução do investimento público no final do séc. XX faz parte de um processo de afirmação do lucro na gestão de serviços essenciais. Uma linha de comboio que não se consegue manter autonomamente é um encargo para o Estado que é difícil de manter sob as pressões deficitárias e orçamentais da União Europeia - mas o que decorre primeiro? O abandono e contração das zonas rurais? Ou a desativação da ferrovia?
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NOVA EM FOLHA
Creio que ambos são duas faces do mesmo processo de desindustrialização e de transição de uma economia equilibrada para uma dominada por serviços concentrados nas grandes áreas urbanas. No caso industrial, é necessário observá-lo com atenção. Tendo em conta que a produção industrial é um dos maiores fatores de sucesso de um sistema ferroviário, o encerramento progressivo de fábricas e a passagem do ónus do consumo de produtos para a importação do estrangeiro leva a que a ferrovia perca a sua importância na dimensão económica nacional. Um exemplo desta relação direta entre a ferrovia e a indústria reside nos planos recentes para a reformulação da ferrovia: uma linha de comboio puramente industrial que conecte a refinaria de Sines (um dos poucos grandes centros industriais em Portugal) à fronteira e a Lisboa. Para compreender a ferrovia e a sua história é essencial conceber a constante centralização do país em Lisboa e o problema da morte social e económica das regiões do país. Os desafios da atualidade no nosso país - desde a habitação, ao emprego e à necessidade de uma recuperação económica após a pandemia de COVID-19 podem passar por uma reativação das linhas de comboio como parte de um esforço estratégico de reacender o dinamismo demográfico e económico das regiões rurais.
OPINIÃO
O futuro da mobilidade num contexto inclusivo e democrático não passa por carros elétricos, mas sim por um sistema de transportes e ferroviário que consiga conectar de forma rápida e eficaz cada ponto do país - e é impressionante que a classe política não seja capaz de incluir nos planos de regionalização um despertar renovado do sistema ferroviário como seiva fundamental da democratização dos serviços e do investimento em todo o país.
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CRÓNICAS
ERASMUS (QUASE) DE ROTERDÃO FRANCISCO SOUSA NUNES
Pisei solo holandês - ou melhor dito pelas restantes dez províncias – neerlandês, em finais de agosto. O choque foi imediato para quem embarca num aeroporto soalheiro e calorento e aterra num vendaval chuvoso de Haia, oriundo do Mar do Norte. Nunca tendo frequentado os Países Baixos, avizinhava-se uma experiência nova num país onde não conhecia vivalma. Pelo menos durante as primeiras horas até ser recebido por uma mensagem da Juliana (camarada de CPRI), com um sentido “Puto, também estás cá?”. A partir daí fez-se a assimilação e entrar nos “cafés” para adquirir gramas passa agora por uma prática corriqueira. Há muito mais a dizer sobre os Países Baixos do que moinhos, túlipas e uma estapafúrdia insistência em viver abaixo do nível médio das águas do mar. Este é certamente um país embrenhado em contradições. A monarquia convive com uma desconfiança generalizada pela hierarquia, a avareza calvinista com um elevado progressismo de costumes, a rigidez horária e regulatória com uma expansiva liberdade individual. À semelhança de outras casas reais nórdicas, a monarquia holandesa encontra-se profundamente dessacralizada, facto que contagiou o restante poder político. A informalidade emparelha-se subtilmente com a autoridade num civismo republicano coroado. Daí ser tão comum observarem-se negociações de coligação a serem levadas a cabo de t-shirt, como membros do governo a chegar à assembleia parlamentar montados no meio de transporte nacional, a bicicleta. Ao longo do século XX, a democracia holandesa viu-se principalmente dominada por partidos de matriz democrata-cristã, cuja confissão não se tornou impedimento de uma abordagem liberal. Na origem desta abordagem está a “política de tolerância” ou gedoogbeleid, que promoveu enormes avanços no que toca à liberalização de costumes. Esta até se tornou uma imagem de marca holandesa, país onde o consumo recreativo de canábis é tolerado desde 1976, onde a prostituição foi legalizada em 1988, e o primeiro a reconhecer a coabitação de casais do mesmo sexo, assim como a legalizar o seu casamento em 2001. A tolerância tem certamente por base certos valores, mas não larga a sua significativa componente pragmática: a criminalização frequentemente não resolve e muitas vezes obscurece.
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CRÓNICAS
“Onde não há lei, não há liberdade”. Esta máxima lockeana traduz com rigor a perspetiva holandesa sobre a relação entre os direitos e deveres do indivíduo. Não se encontra elegância no atraso, no incumprimento de prazos ou no contorno de regras – e caso exista, o descontentamento é expresso de forma ríspida e direta. Contudo, a importância da regra vem com um elevado acréscimo em autonomia e responsabilidade pessoal. Ninguém zela por ninguém, a lei zela por todos. Às virtudes do individualismo atomizado somam-se, no entanto, os seus vícios. É sabida a dificuldade dos holandeses na hora de redistribuir recursos, não só a nível doméstico, mas principalmente à escala europeia. Isto apesar de serem beneficiários principais das variadas características do Mercado Único. De facto, a Holanda apresenta o maior índice de desigualdade em termos de riqueza do mundo, com um quociente de Gini de 0.902, que pode ser traçado desde a Idade de Ouro da Companhia das Índias Orientais no século XVII. Não quer isto dizer, que os holandeses vivam mal, até porque no que toca a rendimentos são dos países mais igualitários. Os 20% mais ricos ganham o quádruplo dos 20% mais pobres, nos EUA este valor é dezasseis vezes mais elevado. É, ainda assim, amplamente conhecida também a normal integração dos Países Baixos no grupo dos “frugais” da União Europeia, que recorrentemente bloqueia ações redistributivas em planos de coesão, insistindo em empréstimos condicionados a reformas na estrutura económica dos estados-membros e opondo-se à mutualização de dívida. Os defeitos do individualismo surgem também aquando da necessidade de responder a ameaças coletivas, como foi o caso da pandemia. Este é terreno profícuo para o brotar de anti-vaxxers encartados, negacionistas e autores de conspirações, que vêem a sua liberdade alegadamente sufocada pelo obrigatório uso de máscara. Para um país com mais educação e riqueza que Portugal, não deixa de ser impressionante que a taxa de vacinação seja inferior em quase 20%. O próprio executivo, de índole liberal e pressionado por protestos, adotou no último ano uma posição altamente leviana e flexível em termos de restrições. A consequência fica claramente à vista para quem chegou em agosto a um dos países com menores impedimentos e vive hoje num dos mais restritos. Por muita cerveja de marca branca que se beba, ter de abandonar as discotecas por volta da meia-noite não tem o mesmo sabor. Pelos vistos, a falta de coletivismo pode também estar na origem do fracasso gastronómico que assola esta nação. Com exceção de menções honrosas como os kroketten ou os stroopwafels, a cozinha holandesa tem pouco mais a oferecer do que arenque cru. Vale-me a prevalência de restaurantes indonésios e falta de capital para comer fora, de qualquer modo. Pese embora os percalços, não podia estar mais satisfeito com a minha eleição dos Países Baixos enquanto destino de Erasmus. Estar no coração da Europa a um passo da Bélgica e outros dois da Alemanha, mergulhar em pleno novembro gélido na extensa praia de Scheveningen, deixar-me hipnotizar pelo transe do techno germânico, sentir as luzes do centro de Haia a partir de uma varanda de uma house-party, observar o deslizar dos barcos sob as pontes dos canais de Amesterdão depois de ingerir um bolinho excêntrico. Por tudo isto, afirmo convicto: Ontzettend bedankt Nederland.
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CRÓNICAS
A Estação de
Maria Velho da Costa JOÃO REBOCHO
Disse-nos Maria Velho da Costa, apregoando a convicção de que a língua de Camões está viva, que num dia qualquer em que procurava na estação de Sta. Apolónia o respetivo lugar para entrar no comboio que, como todos, tardam em chegar, interrompeu um popular pedindo-lhe a sua indicação, naturalmente, para a margem correta, e ouviu “Se houver de vir há de haver de vir vindo ali naquela”. Poderia enfim desenvolver-se muita coisa acerca da carga poética existente na língua de Pessoa, mas determinados arranjos de letras confluem, por vezes, uma petrificação que suspende o leitor ou o ouvinte empurrando-os para um tamanho e exato esvaziamento linguístico apenas salvo por um menear da cabeça e um “enfim” desprotegido de aspas. É curiosa, ainda, a ideia de que os belíssimos autores desta gramática tantas obras escreveram em sistemas diferentes; refira-se três: Camões dedicouse, em razoável quantidade, a obras em castelhano, Padre António Vieira teve uma passagem prolongada no Brasil, cerca de 20 anos, vivendo também 8 anos em Roma, e Pessoa, pertencendo ao conhecimento geral os seus 17 anos longe de Portugal, na África do Sul, tem um considerável número de textos em língua inglesa. A confusão que se torna estudo acerca daquilo que, quer por motivos da relação entre espaço-tempo, quer por razões artísticas, é ou não é português, não se sabendo, na sua essência, o que é transportar esse mesmo registo, torna-se, agora, o principal objeto deste brevíssimo texto.
Analisemos o interessantíssimo caso, diga-se de passagem, do Cinema Português- Os numerosos levantamentos teóricos das Ciências Sociais e Humanas em torno das propriedades do cinema nacional parecem reconhecer e partilhar o mesmo ponto de união: vários momentos na história do cinema em Portugal. A sua introdução realizou-se em junho de 1896, um ano depois de A chegada do comboio a Lyon, dos irmãos Lumière, e personificou-se no britânico Edwin Rousby. Aurélio Paz dos Reis constitui-se na contradição, e filma, usando um aparelho semelhante ao dos Lumière, a Saída do pessoal operário da Fábrica Confiança destacando a ruralidade no espaço urbano através da presença de um arado dos bois coexistindo com novas tendências no vestuário da aristocracia. Os filmes com motivos portugueses, configuram um novo período na história do cinema nacional e é por Henry Short que os espectadores se aproximam das salas e das paisagens portuguesas projetadas. Consagrou-se a ideia de que o cinema é um objeto da modernidade, um produto cuja evolução fica comprometida quando o contexto social, político e económico não é favorável, e o seu resultado verifica-se na efemeridade das primeiras produtoras portuguesas, como a Portugália Film (1909-1912) e a Caldevilla Film (1919-1924). As primeiras longas metragens de ficção são realizadas, em grande número, por cineastas estrangeiros e interessam-se pela procura e pela conciliação da literatura e do teatro com o cinema, vejamos As pupilas do senhor reitor (1923) de Maurice Mariaud inspirado na obra de Júlio Dinis e Os Lobos (1923) pelo italiano Rino Lupo adaptando a peça teatral de Francisco Lage e João Corréa d´Oliveira Os Lobos: Tragédia Rústica em Três Actos (1920).
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A pertinência relembra agora o objeto principal deste texto: o que é ou não é português? Qual a nacionalidade de um cinema se ele próprio tem, ao mesmo tempo, tantas nacionalidades? Se ele é, em simultâneo, uma coisa e outra, um lado humano, de “não-ilusão” e o neorrealismo italiano e a montagem soviética, qual será a razão do cultivo ao Cinema-Pátria? Podemos afirmar, é certo, que o Cinema Português, nas suas diversas particularidades, fecha-se sobre si mesmo na segunda metade do século XX, com o cinema de autor, mais exclusivo, detalhado, incorporando um caráter autorreflexivo opondo-se às massas e ao seu capitalismo inerente. Este desfasamento nas relações existentes no espaço de análise cinematográfico é fruto de uma falência crónica de apoios, financiamentos e responsabilidade política portuguesa à indústria e à formação de realizadores. A conclusão que retiramos do exemplo da sétima arte, determina-se pelas contradições internas que possui: é nacional e internacional ao mesmo tempo, humano e ilusório na senda de tentar retratar uma nação e documental porque por detrás de cada olho, de cada objetiva, está sempre uma cultura, semeando-se, sem se saber, outras culturas também. Interessa recuperar a expressão poética no relato de Maria Velho da Costa e movê-la para a contradição na cinematografia portuguesa. Situemo-nos numa estação, num espaço de análise social onde se detetam contrastes em vários níveis, como aqueles referidos, embora com forças diferentes, no filme Saída do Pessoal Operário da Fábrica Confiança. Uma grande classe movimenta-se em busca da linha que sirva o seu destino. O destino não é encontrado e a classe fixa-se, sem nunca se tornar imóvel. Se a coragem é, ainda, uma evidência histórica portuguesa, suponhamos que nesta estação, esquecendo todas as insignificâncias que poderão embaraçar a construção que aqui se pretende criar, só se atravessa um comboio, designado, ainda, rapidíssimo meio de criação cultural.
CRÓNICAS
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Não tem tempo nem espaço exato e a sua exatidão é estritamente pontuada pelos seus maquinistas ou, chamemos-lhes pelo cargo e privilégio que ocupam, senhores transformadores culturais, que só agem em conformidade com as suas vontades. A grande classe interroga-se, discute e divide-se pelas várias linhas da estação achando que um destino comum, seja ele a desilusão ou a vitória, não seria útil. Nesta contradição, o leitor compreenderá, caso permaneça viva a interessantíssima história de Maria Velho da Costa, que faltará uma personagem, ontologicamente poética, sensata, de tão fácil aproximação e de tão profunda história. Colocar-se-á a hipótese dessa personagem, se surgir nesta estação, ser um antigo senhor de transformação cultural, um estudioso que tem como objeto o universo das linhas ferroviárias e as leis que as constituem ou, simplesmente, pode ser um velho passageiro destes comboios. Ouve-se qualquer coisa na estação. O som vai crescendo, solta ondas de vibração pela calçada e não aparece nenhuma personagem poética e sensata. Avoluma-se o som e aparece na entrada da estação uma nova grande classe, mais jovem do que a primeira e que discute sobre como almejar o mesmo destino. O comboio tarda em surgir.
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Como de costume. MARIANA SOUSA
Abro os meus olhos com o primeiro raio de sol a entrar pela janela. Os meus pais sempre me impediram de fechar completamente a persiana, gostam de ver o sol nascer pelo quarto. Acordei, mais um dia, às 6h48, como de costume, sem precisar da ajuda do alarme. Acordar a estas horas já se tornou um hábito, que aceito de bom grado. Sempre é melhor que os pesadelos constantes… Levanto-me, de forma automática, e quando me olho ao espelho reparo que estou, como de costume, vestida com uma saia castanha que me cai pelos joelhos e uma camisa bege apertada até acima. Estou a usar a roupa que uso todos os anos por esta altura, ainda que não me lembre de me ter vestido. A verdade é que, apesar de hoje ser o meu aniversário, não me lembro de metade dos 18 anos que vivi. Desço as escadas e dirijo-me aos meus pais para os cumprimentar. A minha mãe prepara-nos o pequenoalmoço com um sorriso que sentia saudades de ver, mas que ainda assim esconde uma tristeza cuja culpada sou eu… Hoje é um dia especial para ela, o meu décimo nono aniversário e, como de costume, vamos passar o dia no jardim da cidade. Nunca fui alguém para ter muitos amigos e sei que a minha mãe rapidamente se apercebeu disso, daí esta pequena tradição. Olho para o lado e vejo a minha irmã que, como de costume, a ajuda, também ela sorridente. Sei que não acordou muito mais cedo do que eu, no entanto, o vestido branco cai-lhe na cintura de uma forma quase divina e, junto com o cabelo todo encaracolado, tem o aspeto de quem se arranjou durante horas para um encontro importante. Quando era pequena sempre sonhara ser como a minha irmã. Os olhos avelã dela mostram uma serenidade que o meu olhar negro, junto com as olheiras acumuladas de sonos mal dormidos, não consegue mostrar. Ela é mais velha que eu, 10 anos, e é a menina ideal com a vida ideal... Ao ver-me deseja-me um feliz aniversário. Agradeço, como de costume, por ser o esperado, apesar de não me conseguir lembrar da última vez em que fui verdadeiramente feliz… Junto com a voz que persegue os meus pensamentos, ouço no fundo alguém a chamar o meu nome e demoro a perceber que se trata novamente da minha irmã, desta vez a pedir que as ajude a levar algumas coisas para o carro. O meu pai, como de costume, já está no carro, no lugar do condutor, à nossa espera. A viagem parece-me tão mais longa e cansativa do que quando a faço a pé... Culpo a falta de interesse e entusiasmo pela mesma.
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À nossa volta só vejo moradias iguais, carros iguais, pessoas iguais… As mesmas pessoas que tenho vindo a ver ao longo de demasiados anos… Assumo que para eles devemos parecer a família perfeita… É ao olhar para dentro do carro que percebo que realmente são, ou poderiam ser, sem mim. Todavia, não sei se algum dia teria a coragem de lhes mostrar como realmente me sinto e estragar este som harmonioso de uma conversa simples e agradável que dividem agora entre eles, sem a minha participação. Ao chegarmos ao jardim, sigo de forma automática para o nosso lugar, como de costume, sem esperar para ver se os meus pais me seguem ou não. Sento-me, como de costume, junto à árvore centenária que durante todos estes anos tem protegido os nossos almoços e jantares em família. Ao sentar-me reparo no malmequer branco que, como de costume, todos os anos cresce no mesmo sítio, como que ansioso pela nossa visita anual. Ainda não chegámos à hora de almoço, mas o sol já me incomoda, a pequena manta onde me sento já me arranha os braços que estão a segurar o mesmo livro que leio todos os anos por esta altura. Toda esta rotina me aborrece e vejo que já não o consigo esconder tão bem como costumava. É neste momento que a minha mãe me pergunta “Passa-se alguma coisa, estás aborrecida?”, e o meu pai lhe pede que troque de lugar comigo para apanhar alguma luz do meio-dia. Rapidamente interrompo os meus devaneios interiores e lhes respondo que estou bem e que não quero trocar. Vejo no olhar do meu pai um ar de desilusão que sempre adorou ver o olhar da sua pequena menina transformar-se num tom de cinzentoclaro ao olhar para a luz do sol. Pergunto-me quando perceberá ele que essa sua pequena menina já não existe… Levanto-me sem pensar duas vezes, e levo apenas comigo o meu chapéu de palha, e o meu livro que ao longo dos anos se tem tornado uma segunda casa para mim, para onde escapo quando não aguento mais a minha realidade, com os constantes terrores noturnos e as constantes expectativas falhadas. Sigo agora o horizonte e sinto que não controlo mais as minhas pernas que pedem por liberdade. Esta vontade é agora mais forte que eu, mais forte que os chamamentos exasperados e confusos da minha família para que regresse. Não vou mais lutar contra isto, só espero encontrar aquilo que há 18 anos procuro… Inspirado pela música 929, de Halsey
Mariana Sousa 07/07/2021
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CRÓNICAS
Só liguei para dizer que te amo. E obrigada. RITA COUTINHO
Antes que alguém reclame a dizer que o Natal é apenas um negócio e que as pessoas só se lembram umas das outras nesta época, tenho já a dizer que concordo. Em parte pelo menos. É verdade que estamos na época onde os nossos pais nos obrigam a ligar às tias e tios de quem nos têm de lembrar do nome 5 segundos antes da chamada e onde fica mal se não comprarmos um presente para a nossa prima em quinto grau que teve um bebé há 3 meses. Acho que vocês entenderam o meu ponto. Podem achar que estamos numa época mais triste, mais feliz, mais hipócrita ou não, mas no meu mundinho ideal, gostava que esta fosse a época onde toda a gente aproveita para refletir sobre um ano que passou. E atenção, não foi “ só mais um”. Vamos deixar de tomar o tempo como garantido, que esse não vemos nós na vitrine de uma loja. O mundo inteiro passou por uma experiência completamente surreal em conjunto. Passaram dois anos e eu ainda não consigo acreditar que a COVID aconteceu. Sinto que, quem o pôde fazer, pôs uma pedra em cima do assunto e simplesmente leva a vida como se milhares de pessoas não tivessem morrido e a nossa realidade não tivesse mudado por completo. Eu sou uma dessas sortudas. No entanto, existem momentos, como este, onde de repente me lembro. Eu concordo que o Natal é um negócio, que as pessoas fingem ser quem não são, mas se há coisa que a COVID trouxe foi a perceção de como precisamos de alguma coisa com um pouquinho de magia. De como precisamos de um tempo que pressuponha a aproximação às pessoas, porque se calhar, de outra forma, não o faríamos. De como precisamos uns dos outros, de tempo uns com os outros, para nos relembrarmos que a vida humana não foi feita para ser experienciada sozinha. Eu tenho medo da solidão e, apesar de nada nunca poder diminuir a tragédia que tantas famílias e profissionais de saúde viveram, sinto que há que continuar a viver. Há que saber ver magia e há que acreditar em milagres. Não sei se de Natal, se religiosos, que tipo de milagres possam ser, mas que não tomemos por garantido o poder de acreditar em qualquer coisa que seja. Sendo assim, a todos aqueles com humor de Grinch ou aos que, como eu, estão desde novembro a cantar a única música da Mariah Carey, aproveitem o Natal, ou o simples final de mais um ano, para pegar no telefone e dizer que se amam. E agradeçam. Mais tarde podem me agradecer a mim por vos relembrar disto.
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CRÓNICAS
LUGARES NÃO LUGARES DIANA NEVES
Um passo em falso, outro certeiro. Quatro retas de ferro e pedras já negras do carvão e da ferrugem, rodas metálicas a afeiçoarem se à passagem nesses lençóis frios e duros que sustentam toda uma carruagem de afazeres. Não lugares. Sítios entre as terras, de passagem - só de passagem. Onde se trocam beijos, se agarram abraços, diz se um adeus e cai uma lágrima de saudade. Sítios entre os sítios, onde as cidades não se tocam e os comboios param, e as pessoas não ficam. Sítios sós, deixados ao acaso. Pessoas de todos os lados pisam o chão, que já viu mais caras e mais dias bonitos, mas já ficou à chuva, sem visitas, e agora se expõe nu na noite nebulosa de inverno e no sol falso da manhã. Não são espaços bonitos: mal lavados, mal conservados, expostos à passagem do tempo, aos anos cruéis e aos transeuntes ignorantes, desconhecidos, mantêm a atenção no telemóvel que guardam como companheiro, e esquecem-se do bom dia ou do boa tarde para quem lhes está a olhar. Encontro-me aqui num desses sítios. Sentada num banco, na página 190 do meu livro já com a capa dobrada à espera de que eu lhe dê leitura. Estou distraída. Penso nos destinos da senhora de óculos do outro lado da linha, dos compadres a conversar no banco à minha frente e no homem de mochila a uns metros de mim, ocupado no telemóvel de certeza em trabalho. Tem aparência de trabalho, se me desculpam a superficialidade. Penso se são destinos bons, se vão ao encontro de pessoas, se vão em lazer ou em trabalho. De resto, a estação está vazia. Já não poisam pombos ao rés dos bancos à espera de migalhas, e a senhora que avisa se o comboio passa “em todas as estações e apeadeiros” já se esqueceu de nós. Somos nómadas que aqui passamos. À espera de encontrar a uns quilómetros de nós algo melhor. Eu espero o comboio das 12h28. E espero que Santa Apolónia me acolha bem mais uma vez. E que assim que passe a entrada principal e deixe de ouvir os carris e o suar de vozes da multidão que sai apressada das carruagens, esteja a tranquilidade de coisas boas à minha espera. Na grande cidade, minha Lisboa.
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POESIA
BIA JESUS
26. Sem remédios. Sem remendos. Quero soltar o último grito, entre as quebras e as saias da alimária cega, entre as barbas grisalhas do ventre rochoso. Vou queimar os meus folhos e camadas de sobrevivência. Vou ser fumo exausto. Irá inalar-me. Irá morrer com o seu gerúndio. Irá arrepender-se da vandalização. Agonizado. Revirado. Irá lançar praga em ter-me idolatrado.
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33. Joias nos candelabros da aurora. Prosa quente caída pelas paredes. O veludo está gasto. O luxo não é vasto. A armadura quebra e não move mais. A poeira assenta no tempo, no vidro que já não transparece as heras selvagens. A solidificação já não existe, mas a alma insiste, como as amarras das objetivas, como o nervo entalado da nuca. O maxilar pende sem fala e com fraquejo. Os seres rastejantes dão vivacidade ao que já morreu e deambula há muito tempo. Os cisnes de loiça já não são mirados, já perderam o interesse, mas não a beleza. A camada. A apatia.
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NOVA EM FOLHA
Memória JOÃO REBOCHO
Isto é para ti, tu que és sombra e luz e tão só te perdes num caminho que nem tu percorreste, mas que só tu sabes magneticamente te encontrar. Isto é para ti, memória.
POESIA
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NOVA EM FOLHA
POESIA
Complicado Quererem Ser-nos Estranhos C. L
Não é complicado complicarem-se as complicações complicadas, Mas torna-se complicado quando se complicam as complicadas complicações. Queremos querer que nos queiram quando os queremos, Mas não queremos que não nos queiram querer quando os queremos. Somos seres que nem sempre sabem ser seres sendo, Mas que vão sendo seres que não sabem como não ser. Estranho estranheza de estranhar estranhos que nos estranham, Mas não estranho estranharmos estranheza de quem nem sempre nos foi estranho.
É complicado quererem ser-nos estranhos sem estranharem querer, Quando apenas queremos ser um ser que não estranhem querer.
NOVA EM FOLHA
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onde minha alma aporta JÉSSICA RIBEIRO
Vejo um navio ao fundo, navegante dos mares percorrendo o mundo. E eu que não saio do lugar viajo no tempo, consigo voar e ultrapassar as barreiras do vento E de repente, nada me prende. Nenhuma corrente de aço, nenhuma corrente do mar. Eu simplesmente vou e fico somente onde quero estar. Se longe ou perto, não importa deixo meu sonho guiar. …Até onde minha alma aporta Esteja frio ou calor, somente fico, onde existe o amor.
POESIA
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NOVA EM FOLHA
o a r c e u l m t a a C JOANA (SÓ)
Assoberbada pelo mundo, não estou certa de nada A mais pura absurdez seria tudo saber (e nada esquecer) Tudo para não voltar a cair no erro de mais uma vez esmorecer.
Escrevo no escuro, escrevo na luz Sobre tudo o que dentro e fora de mim me seduz No escuro, estamos sempre nus – Assoberbada pelo mundo, carrego de quando em vez esta minha cruz.
POESIA
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NOVA EM FOLHA
POESIA
FALTA DE TI E DOS PÁSSAROS ARIANA MOREIRA
Meu amor, sai do mar onde te afundaste. Se te enviar um barco, voltas? Ainda te lembras? Vives em mim. E por muito que te queira esquecer, viverás... Deste os teus olhos ao mar e às cordas. Deste a vida aos pássaros para voar. Mas deixaste-me na areia desta praia saudosa a apodrecer em remorsos e mágoas, sozinha...
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NOVA EM FOLHA
POESIA
Há tanto tempo, miúdo. TOMÁS SILVA
Corre miúdo. Corre por esses estreitos Caminhos infinitos, Por essas ruelas de calçada, Nas pedras lavadas de uma sujidade limpa. Corre miúdo. Corre, mas não olhes para trás. Nunca olhes para trás. Só olha para trás quem se arrepende, E tu não te arrependes. Corre miúdo. Corre para os braços de quem te ama, agarra com força e não largues. Nunca largues. Só larga quem não ama, E tu amas. Não corras miúdo. Não vale a pena, Temos muito tempo, E tu ainda és um Miúdo.
NOVA EM FOLHA
P 28
POESIA
Ao meu velho amigo, poeta Ao meu velho amigo, poeta, Que se sentava do outro lado do rio” Foi assim que comecei. Era uma tarde só, Que, de só, se entardeceu sozinha, E que de sozinha se fez mais tarde. Aí, um banco, O banco, Foi companhia. Talvez não te lembres. Eu que falo e falo e falo E não percebo nada do que digo, E que aquilo que penso fica pousado num rio, Escrito numa folha de outono De alguns anos;
CLÁUDIO
Talvez olhes para mim e penses Que sou diferente agora, Mas já me viste bem? Sou ainda o mesmo… O mesmo… E vejamos o que a REALIDADE fez comigo! E pior , o que EU fiz com a realidade (!) E é quase assustador que seja o mesmo! Talvez se pense “Ele agora já não deambula tanto! Ele agora já não divaga tanto!”, Mas eu que falo ainda o mesmo…
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NOVA EM FOLHA
POESIA
Talvez só nós tenhamos mudado. Não este, que agora te fala, Não essa forma que existe no eixo dormente De um miúdo (que tinha… sei lá… 7 anos?), Mas aquele que vai às compras E que paga contas E que vive não mais encostado ao rio. Tudo isso existe ainda, Num onde e num quando talvez completamente desconhecido. E quem sabe (Quem sabe! Exalto-me agora perante a possibilidade, Tudo em mim se acelera!), Um dia tu possas estar noutro lugar, E talvez eu ainda num outro, Ou talvez até no mesmo, E talvez tu possas chegar a provar o céu! (Paro, respiro, a exaltação momentânea assenta.) Sim, É possível. Por que não? Espero que sim, creio que sim, Mas a vida é muito mais do que isso: Por uma conversa contigo, amigo, Ainda que falhemos, A vida terá valido a pena. Porque eles veem as partes, Mas não veem o todo! Sei lá se acertámos, amigo! Sei lá se acertamos! Quando ia ter contigo Não queria saber disso, Queria saber de ti!
Não acho que tenha falhado. Sobre o que conversámos naquele dia? Já nem sequer me recordo, Gravou-se-me para sempre na memória Como um encontro quase místico…! Sol forte, (Foi nessa tarde que o teu irmão veio ter connosco?) O banco, Passageiros do trânsito da vida. Dali desenhámos o projeto inteiro do Mundo E colocámos tudo em movimento. Não sejamos tão apressados em decretar já A falência da coisa; Tempo ao tempo; Saibamos caminhar; Rosas a quem é de rosas. O Mundo a quem não é dele. “Quando dois poetas se encontram é um dia triste” (Engraçado, nunca cheguei a acabar este poema) - Era mentira. Para mim, era um dia feliz.
NOVA EM FOLHA
Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio. Fitemos inquietos o seu curso e aprendamos Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas. Enlacemos as mãos.
De mãos dadas penso na vida, Passa e não fica, e atrás dela corremos. Corremos atrás dessa mulher, sempre fugida, Maior que os deuses, a vida.
Agarra a minha mão, o amor vale a pena o cansaço, Quer eterno, quer breve, sempre cansativo. Mais vale vivê-lo intensamente, Do que deixar passar esse rio.
Cheio de amores e ódios, frutos de paixões intensas, Cheio de ansiedades, que de noite nos mantêm acordados! Porque como o rio que sempre corre, sem cuidados, O amor sempre vai ter ao mar.
Amemo-nos violentamente, pensando que podíamos, Noutro mundo, viver uma paixão desapaixonada. Mas que mais vale deixar a moderação De pleno coração, ser menos rio e mais mar!
Não largues a minha mão, Lídia, porque estou farto, De aqui, à beira-rio e no sossego, estar. Saltemos de mão dadas e tomemos ação, Já que parados nunca veremos o mar!
E se, antes de mim, a ti o grande final chegar, Sofrerei tremendamente cada vez que me lembrar Que o amor é nada mais que isso, A luta constante para o indomável domar.
POESIA
ser menos rio e mais mar
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Eneko Tellechea Irigoyen
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NOVA EM FOLHA
POESIA
Chover a dois CATARINA AIRES | @romanceeada
Esta noite, de lua acesa dois corpos dançam ao ritmo lento da chuva que cai à sua volta. Dançam juntos, mas não se conhecem. Caíram nos braços um do outro como velhos conhecidos que a vida separou, pois é na solidão que todos nos reconhecemos. Dois corpos movem-se em sintonia, mas nunca se viram. Nunca antes se tocaram, se sentiram, mas esta noite nada importa sem ser a carência que o mundo cria em nós. Dois corpos deslizam por entre os pingos de água que se formam nos seus olhos. Aproximaram-se a medo, movidos pelo desespero, e deram as mãos com a força de quem se sente a afogar.
Afinal, todos nós sabemos que a única chuva que nos pode matar é a que vem das almas solitárias que vagueiam sem destino à procura de um par para o baile da vida que se vive sozinha. Esta noite, de lua acesa, dois corpos encharcados, gelados, cruzam os seus caminhos, e com a ânsia de quem encontra fogo partilham um pouco de amor. Sabem que uma vez passada a tempestade voltarão a ser desconhecidos, mas nada importa sem ser o vazio nos seus peitos que dá lugar às danças à chuva, porque quem não dança quando chove é quem mais sofre no fim, pois é na solidão que todos nos perdemos.
NOVA EM FOLHA
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POESIA
ALEXANDRE NASCIMENTO
Este corpo usado, vítima de desgaste, Que procura propósito inalcançável, Inexistente, irreal, irrelevante, Encontra-se desmoronado no processo. No jardim solar do cosmos descansa por fim A alma. Reclusa da vida, Serva da morte. Repudiada renasce. Cacos colheitos e absorvidos, Na imensidão os eus marcam-se. Ruínas seguras por fio de prata Apresentam histórias como veias Que da pele lembram fugir, Ou estrias.
Manhã húmida de Outono O cheiro a queimadas numa Manhã húmida de Outono, Nuvens no horizonte Banhadas de Sol. O cair do morto e decadente, Que nem células leprosas, Em tons quentes. Acompanhado duma brisa fria. Antecedente e relembrança, Equivalente ao crescimento humano. "A vida é êxtase de desleixe químico"*
Óleo da minha visão, Tela da paisagem
* Tilt, Lei (Karma), Karrossel Karma, 2017
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NOVA EM FOLHA
LAZER
recomendações de livros para a época festiva! @banal.girl
Finalmente chegou a época em que é socialmente plausível enrolarmo-nos no sofá com uma boa manta, um café (ou um chá) e um bom livro. (Eu já faço isto o ano inteiro, mas agora que é aceitável, está na altura de falar disto! ). No entanto, às vezes é difícil escolher a leitura certa. Vamos ser sinceros: é imperativo encontrarmos livros que nos mantenham cativados e, mais importante, acordados. Sendo assim, elaborei uma pequena lista de recomendações de livros para esta época festiva. 1. Um cântico de Natal Sim, claro, fui um pouco “básica” nesta escolha, mas acho que é impossível pensar-se em livros para ler na altura do Natal sem se pensar neste clássico incrível. Este é um livro pequeno, mas com uma grande mensagem. Ainda não leste? Vê esta publicação como um sinal para finalmente o fazeres! 2. O Apelo Selvagem Este curto livro, publicado em 1903, explora tanto a crueldade como a humanidade do Homem. Tendo Buck, um cão, como personagem principal, esta obra destrói e revolta os seus leitores para, de seguida, lhes dar alguma esperança e fé. É o livro perfeito para ler no conforto de mantas uma vez que se passa no Alasca e são várias as alusões ao frio e à neve.
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NOVA EM FOLHA
LAZER
3. A noite do Caçador Vencedor do Prémio Literatura 2019 - Mulheres Empreendedoras Europa & África, A noite do Caçador é um standalone cativante escrito por uma autora portuguesa. Este livro tem um ambiente mais sombrio que me faz lembrar os dias frios de inverno. É um livro de fantasia ótimo para leres no conforto do sofá!
4. 10 blind dates 10 blind dates é um livro que, apesar do seu título, já está traduzido para português e é ótimo para quem gosta de personagens jovens e cativantes. ALERTA: FÃS DE JOHN GREEN, MARGON MATSON E SOPHIA KINSELLA, este livro é perfeito para vocês! Nesta obra conhecemos Sophie que tem uma família enorme e unida que a ajuda a planear os últimos dias até ao Natal. 5. Black Girl Unlimited Infelizmente, este título ainda não está traduzido para português. No entanto, se te safas com o inglês, este é um livro que TENS de ler. Esta época festiva é cheia de emoções e, por isso, decidi trazer um livro muito profundo e imersivo que te vai causar muitas emoções. Black Girl Unlimited é um livro repleto de metáforas que espelham a realidade da nossa sociedade.
Estes são alguns dos livros que recomendo para esta estação! Se já leste algum ou apenas queres conversar sobre livros, podes encontrar-me no instagram @banal.girl . Estou sempre disponível para uma boa conversa livrólica! Boas leituras!
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NOVA EM FOLHA
LAZER
Videojogos portugueses de 2021 e o que se espera para 2022
Numa indústria nacional de gaming ainda precoce, nomeadamente quando comparada com MAFALDA CARVALHAL
as de outros países europeus, devemos creditar as produtoras portuguesas pela sua iniciativa e determinação em trilhar o longo e sinuoso caminho que têm pela frente. Neste fim de 2021, damos-te a conhecer 3 videojogos desenvolvidos em Portugal: Out of Line e Sea of Roses, lançados em junho deste ano pela Nerd Monkeys e pela Crescent Tea Studios, respetivamente, e Exophobia, desenvolvido pela Zarc Attack e com data de lançamento prevista para abril de 2022. Aproveitamos também para deixar uma nota de incentivo ao apoio de pequenas e médias produtoras nacionais com o intuito de lhes oferecer uma maior, e muitas vezes merecida, visibilidade e reconhecimento e de as catapultarmos para novas oportunidades.
OUT OF LINE (NERD MONKEYS)
Neste novo jogo de plataforma da Nerd Monkeys, acompanhamos San na sua tentativa de escapar à fábrica que em tempos chamou lar. Sem qualquer tipo de expressão verbal, o jogo apoia-se fortemente na sua dimensão visual, concretizando-se num cenário repleto de engrenagens e grandes garras metálicas que se consubstanciam com a vegetação circundante. Ao longo do seu percurso, San terá que resolver uma série de quebracabeças, sendo capaz de criar alavancas e plataformas com o auxílio da sua lança. Neste sentido, torna-se relevante referir que o controlo da personagem caraterizase pela simplicidade das mecânicas de jogo às quais acresce uma procura por introduzir novos elementos, como os portais de teletransporte que trazem uma maior complexidade aos desafios.
NOVA EM FOLHA
P 36
LAZER
SEA OF ROSES (CRESCENT TEA STUDIOS)
Sea of Roses é o primeiro jogo do estúdio Crescent Tea Studios. A protagonista, Marion, encontra-se envolta num grande mistério ao acordar no sótão da sua casa sem qualquer memória de como lá foi parar. A vila onde se encontra está no limite entre o familiar e o desconhecido, assim como a sua própria casa. Para além do mais, não reconhece ninguém que ali vive e o seu noivo aparenta estar desaparecido. É através dos olhos de Marion que o jogador explora este estranho mundo no sentido de desvendar este mistério, tendo a possibilidade de alterar as experiências da personagem conforme as suas próprias escolhas.
EXOPHOBIA (ZARC ATTACK)
A estrear no próximo ano, Exophobia é um first person shooter que tem por base os visuais dos jogos retro. A ação desenrola-se numa nave espacial invadida por extraterrestres e é pensada para ter uma jogabilidade de ritmo acelerado. A arma poderá ser otimizada ao longo do percurso ao implementar novas habilidades, permitindo uma mudança nas técnicas de jogo e abrindo portas a salas que eram previamente inacessíveis. Este é um jogo de fuga e sobrevivência!
Todos estes videojogos estão (ou estarão, no caso do Exophobia) disponíveis na Steam!
P 37 | CULTURA
AGENDA CULTURAL: DEZEMBRO Ana Catarina Tiago e Mafalda Carvalhal
Teatro Off - Teatro Nacional D. Maria II direção: Jorge Andrade companhia: Mala Voadora 2 de dezembro a 19 dezembro Quarta a Sábado às 19h30 Domingo às 16h30 A companhia Mala Voadora regressa ao Teatro Nacional Dona Maria II com o espetáculo Off. Esta peça, encenada por Jorge Andrade, segue uma mulher que observa, simultaneamente, a degradação do seu corpo por efeito de uma doença degenerativa e do mundo que a rodeia, ambos caminhando para o fim das suas vidas.
Lua Amarela - Teatro da Politécnica texto: David Greig direção: Pedro Carraca companhia: Artistas Unidos. 10 de novembro a 18 de dezembro Terça a Sábado às 19h00 A peça Lua Amarela, escrita pelo dramaturgo escocês David Greig e encenada por Pedro Carraca, segue a vida de 2 adolescentes: Leila, filha de médicos e leitora assídua de revistas de celebridades, e Lee que, vindo de um estrato social mais baixo e vivendo uma realidade sem grandes esperanças de futuro, segue as pegadas do pai que fugiu quando era novo por ter morto um homem. Esta é uma história sobre uma fuga de 2 adolescentes, mas também sobre o amor e os obstáculos que nascem das suas vivências.
O Cerejal - Teatro Nacional D. Maria II texto: Anton Tchékhov encenação: Tiago Rodrigues 9 de dezembro a 19 de dezembro Quarta a Sábado às 19h00 Domingo às 16h Tiago Rodrigues, futuro diretor de um dos mais conceituados festivais de teatro, o Festival d’Avignon, traz a peça O Cerejal, que estreou a mais recente edição deste evento, ao Teatro Nacional Dona Maria II. Esta história de Anton Tchekhov centra-se em torno de uma família russa aristocrata num período marcado por fortes mudanças sociais e, como o próprio encenador português refere, “é sobre um tempo histórico inédito”. Para além do palco que a peça deixa à música e ao canto, devemos destacar a protagonização da renomeada atriz francesa Isabelle Huppert, assim como a interpretação da atriz portuguesa, Isabel Abreu.
P 38 | CULTURA
Arte Everything is Black and White - Galeria Vera Cortês John Wood e Paul Harrison Desde 1993 que John Wood e Paul Harrison trabalham juntos. A obra destes artistas inclui várias formas artísticas como desenhos, esculturas e vídeos, revelando o absurdo da vida quotidiana. A sua aparente simplicidade não exclui a existência do seu próprio fundamento filosófico e o seu humor seco ultrapassa, frequentemente, os limites da lógica, caracterizando-se também por brincar com a linguagem. Vaiapraia - 100% Carisma Musicbox 6 dezembro às22h
Samuel Úria - Pés de Roque Enrole II Musicbox 9 dezembro às 23h
Márcia Teatro Tivoli BBVA 15 dezembro às 21h
Música
Cinema Outsiders – Cinema Independente Americano Cinema São Jorge até 8 de dezembro A Fundação Luso-Americana (FLAD) apresenta este ano a 1ª edição do ciclo de cinema Outsiders Cinema Independente Americano. Todo o conjunto de 22 filmes, 14 longas-metragens e 8 curtasmetragens, foi produzido nos Estados Unidos entre 2006 e 2020, e a sua exibição em Portugal tem como finalidade dar a conhecer uma faceta do cinema americano que não se restringe aos tão afamados filmes hollywoodescos.
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P 43 | LAZER
Receita (vegan) D i a n a
N e v e s
Queres impressionar aquela avó que acha que "esta geração está perdida porque nem sabe cozinhar"? Ou precisas de um presente original para aquele amigo secreto de que já te estavas a esquecer? Se calhar está-te só a apetecer um belo snack enquanto revês pela duocentésima nonagésima terceira vez o Sozinho em Casa... Qualquer que seja a tua situação, eis a receita natalícia perfeita para deliciar família, amigos, conhecidos e afiliados!
Bolachas Natalícias de Gengibre INGREDIENTES 200 g de farinha de aveia 70 g de açúcar 6 colh. de sopa de bebida vegetal (aveia, amêndoa…) 1/2 colh. de sopa de gengibre em pó 70 g de óleo de coco (derretido e à temperatura ambiente)
PREPARAÇÃO 1 - Pré-aquece o forno a 180º e forra um tabuleiro com papel vegetal. 2 - Coloca todos os ingredientes numa taça e envolve até fazer uma bola espessa. 3 - Utilizando um rolo de cozinha espalma a massa. 4 - Corta a massa com as formas das bolachinhas e coloca no tabuleiro, até terminar a massa. 5 - Leva ao forno por 12 a 15 minutos, até ficarem douradas e crocantes. 6 - Retira e deixa arrefecer completamente para depois estarem prontas a servir.
Fonte: https://www.apitadadopai.com/bolachas-de-gengibre-vegan/
Para passares o tempo...
Vertical
1. Na Ucrânia, uma árvore de Natal bem decorada tem de ter bolas, fitas e uma teia de ... 3. Na Europa Central, além de não receberem presentes, os meninos mal-comportados temem ser raptados por um demónio chamado ... 4. Graças a uma campanha de marketing bem-sucedida, os japoneses procuram na cadeia ... Fried Chicken os seus pratos natalícios de eleição. 5. Antes de se deitarem no dia 24 de dezembro, os noruegueses escondem todas as ... que tiverem em casa, com medo das bruxas.
Horizontal
2. Em vez de colocar as prendas no sopé da árvore, os catalães alimentam o "... tió", um tronco sorridente que defeca presentes. 3. Esta iguaria natalícia da Gronelândia consiste em carne de torda-anã fermentada (e decomposta) durante meses em pele de foca. 6. As gentes da ... limpam as suas casas no advento e queimam os detritos junto a uma imagem do diabo. 7. Nas árvores de Natal alemãs, esconde-se um amuleto em forma de ..., que promete boa sorte a quem o descobrir primeiro. Qual a tradição/lenda de Natal mais estranha do mundo? É, sem dúvida, uma competição renhida...