E L L E N W H I T E D I G I TA L /// S E R M Ã O M I L E R I TA /// C O M P E T I Ç Ã O N A I G R E J A /// D I A D O J U Í Z O
Exemplar avulso: R$ 2,96 | Assinatura: R$ 35,50
OUTUBRO 2019
NAVEGANDO PELA CRISE
COMO A IGREJA LIDOU COM SEUS CONFLITOS TEOLÓGICOS AO LONGO DA HISTÓRIA
MOMENTO CRÍTICO QUAL DEVERIA SER A ATITUDE DA IGREJA QUANDO O IMPENSÁVEL ACONTECE EM SEUS DOMÍNIOS? MARCOS DE BENEDICTO
Crises. Quem não tem? Só quem está morto. Por isso, se você está lendo este texto, é sinal de que já enfrentou e enfrenta crises. Assim como elas atingem as pessoas, afetam também governos, empresas e igrejas. Na verdade, o próprio mundo começou com uma crise e terminará com outra. E a igreja cristã nasceu em meio a uma crise externa (perseguição) e outra interna (divisão teológica sobre a inclusão e a exclusão de pessoas no grupo), como registra o livro de Atos (6, 12, 15). Entidades idealizadas no Céu e localizadas na Terra, compostas por cidadãos do futuro ainda vivendo no presente, igrejas são terrenos férteis para crises. Quando a igreja toma posições erradas, provê respostas erradas, se comporta de maneira errada e adota uma agenda errada, as crises aparecem. Se perguntássemos a um membro de qualquer denominação qual é a pior crise de sua igreja hoje, as respostas poderiam incluir dificuldade financeira, escassez de liderança, queda do número de membros, declínio da espiritualidade e imoralidade. Motivos para crises não faltam, pois há um departamento no inferno trabalhando dia e noite para idealizá-las. A Igreja Católica, por exemplo, atravessa um de seus piores momentos. Se não bastasse a crise vocacional e de fé, alguns tradicionalistas insatisfeitos com a política do Vaticano até se perguntam se o papa é mesmo católico! Além disso, há os gravíssimos escândalos sexuais. Numa carta endereçada ao “povo de Deus” em 20 de agosto de 2018, o papa Francisco reconheceu a
SE A DOR DA CRISE NÃO LEVAR A UMA FÉ MAIS ROBUSTA, A UMA ESPERANÇA MAIS FORTE E A UMA VIDA MAIS SANTA, ELA FOI INÚTIL
magnitude da dor causada aos mais vulneráveis pelo abuso sexual e de poder. E condenou a cultura do “clericalismo”, que permite o abuso e ainda tenta escondê-lo, mantendo silêncio. Entretanto, não devemos apenas olhar criticamente para outros quintais. Temos nossos próprios problemas. Na área de teologia, o adventismo tem enfrentado várias crises, algumas surgidas e nutridas nos extremos da fé, como explora a matéria de capa. Naturalmente, o autor poderia mencionar outros casos relacionados a indivíduos ou instituições. As crises sempre irrompem quando as pessoas seguem caminhos errados e a igreja falha em ser igreja. A igreja, em qualquer de suas formas, dá muito trabalho para Deus, embora também proporcione alegrias. Não é fácil gerenciá-la. O importante é que, apesar das crises, ela será vitoriosa (Mt 16:18). Resiliente, a igreja triunfa sobre as forças da morte não por ser invencível, mas por ser redimida, purificada e impulsionada por Deus. Enquanto a igreja estiver unida a Cristo, ela não perderá o rumo. “Haverá crises nesta causa”, diz Ellen White (Testemunhos Para a Igreja, v. 3, p. 498). Contudo, se tivermos uma “ação pronta e decisiva”, os triunfos serão gloriosos. “Movimentos rápidos no momento crítico frequentemente desarmam o inimigo.” No fundo, a questão não é a existência de crises, mas como as encaramos. Por isso, em palestras motivacionais virou lugar-comum dizer que os ideogramas chineses para “crise” (wei-ji) significam “perigo” e “oportunidade”, se bem que ji indica mais propriamente um “ponto crítico” em que as coisas acontecem do que “oportunidade”. A crise é a catalisadora da transformação. Para melhor ou pior, grandes crises desencadeiam enormes mudanças. Ninguém sai delas do mesmo jeito. Porém, será que aproveitamos nossas crises? Se a dor da crise não levar a uma fé mais robusta, a uma esperança mais forte e a uma vida mais santa, ela foi inútil. Assim, aproveite as crises para crescer. ] MARCOS DE BENEDICTO é editor da Revista Adventista
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R e v i s t a A d ve n t i s t a // Outubro 2019
Foto: Adobe Stock
EDITORIAL
Out. 2019
No 1350
Outubro 2019
Ano 114
www.revistaadventista.com.br
Publicação Mensal – ISSN 1981-1462 Órgão Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia no Brasil “Aqui está a paciência dos santos: Aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus.” Apocalipse 14:12 Editor: Marcos De Benedicto Editores Associados: Márcio Tonetti e Wendel Lima Conselho Consultivo: Ted Wilson, Erton Köhler, Edward Heidinger Zevallos, Marlon Lopes, Alijofran Brandão, Domingos José de Souza, Gilmar Zahn, Leonino Santiago, Marlinton Lopes, Maurício Lima, Moisés Moacir da Silva e Stanley Arco Projeto Gráfico: Eduardo Olszewski Foto da Capa: Adobe Stock
Adventist World é uma publicação internacional produzida pela sede mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia e impressa mensalmente na África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Brasil, Coreia do Sul, Estados Unidos e México v. 15, no 10 Editor: Bill Knott Editores associados: Lael Caesar, Gerald Klingbeil, Greg Scott Editores-assistentes: Sandra Blackmer, Stephen Chavez, Costin Jordache, Wilona Karimabadi (Silver Spirng, EUA); Pyung Duk Chun, Jae Man Park, Hyo-Jun Kim (Seul, Coreia do Sul) Tradutora: Sonete Costa Arte e Design: Types & Symbols Gerente Financeiro: Kimberly Brown Gerente Internacional de Publicação: Pyung Duk Chun Gerente de Operações: Merle Poirier Conselheiros: Mark A. Finley, John M. Fowler, E. Edward Zinke Comissão Administrativa: Si Young Kim, Bill Knott, Pyung Duk Chun, Karnik Doukmetzian, Suk Hee Han, Yutaka Inada, German Lust, Ray Wahlen, Juan Prestol-Puesán, G. T. Ng, Ted N. C. Wilson
CASA PUBLIC ADOR A BRASILEIR A Editora da Igreja Adventista do Sétimo Dia
Rodovia Estadual SP 127 – km 106 Caixa Postal 34; CEP 18270-970 – Tatuí, SP Fone (15) 3205-8800 – Fax (15) 3205-8900
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Ventos de doutrina
Esteja pronto
Espírito de competição
Cinco crises teológicas que abalaram o adventismo
Sermão de Guilherme Miller reflete urgência e paixão pela volta de Jesus
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A nascente dentro do tanque
Construindo o futuro
Novo começo
Deus responde nossas orações no tempo e da maneira Dele
Maranatha International Volunteers acumula números e coleciona histórias
Redator-Chefe: Marcos De Benedicto
39 SIMPÓSIO
4 CANAL ABERTO
32 NOVA GERAÇÃO
40 CELEBRAÇÃO
5 BÚSSOLA
33 PRIMEIROS PASSOS
41 INSTITUCIONAL
6 ENTREVISTA
34 PERSPECTIVA
42 GUIA
35 SAÚDE Combate ao vírus ebola
47 MEMÓRIA
36 INTERNACIONAL
48 EM FAMÍLIA
24 VISÃO GLOBAL
37 MISSÃO
49 ESTANTE
30 BOA PERGUNTA
38 RETRATOS
50 ENFIM
Conteúdo acessível
Gerente de Produção: Reisner Martins
8 PAINEL
Gerente de Vendas: João Vicente Pereyra Chefe de Arte: Marcelo de Souza
Datas, números, fatos, gente, internacional
Não se devolvem originais, mesmo não publicados. As versões bíblicas usadas são a Nova Almeida Atualizada e a Nova Versão Internacional, salvo outra indicação. Exemplar avulso: R$ 2,96 | Assinatura: R$ 35,50 Números atrasados: Preço da última edição.
20 IGREJA Bendita esperança Viva na expectativa
Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio, sem prévia autorização escrita do autor e da Editora. 5480/40660
A teologia do Dia da Expiação em Levítico 16
31 BEM-ESTAR Detox vegetal
Abra os olhos
Diretor Financeiro: Uilson Garcia
Ellen White se preocupava muito com a rivalidade na igreja
2 EDITORIAL
A opinião de quem lê
Diretor-Geral: José Carlos de Lima
Tiragem: 146.000
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Momento crítico
SERVIÇO DE ATENDIMENTO AO CLIENTE LIGUE GRÁTIS: 0800 9790606 Segunda a quinta, das 8h às 20h Sexta, das 8h às 15h45 / Domingo, das 8h30 às 14h
SUMÁRIO
Eternamente humano
Procura intensa
Você é importante Ele pisou na Terra
Centenário em Ruanda I Will Go
Batismos na Polônia
O rugido de Deus
Às margens do rio Piracicaba Cuide dos seus ossos Conversas difíceis a distância Dormiram no Senhor Consumidores mirins Pequenos leitores Como criticar seu pastor
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CANAL ABERTO RETRATO DA IGREJA
A matéria de capa de setembro é uma ressonância magnética da igreja na América do Sul. Gostei do foco da pesquisa: a relação dos membros com a Bíblia em seu cotidiano. Tomando como base o amor de heróis da fé do passado e dos pioneiros adventistas, hoje estamos biblicamente pobres. Os primeiros adventistas despendiam dias e noites inteiras orando ao Senhor e estudando a Bíblia em busca de poder e esclarecimento. Por que não reconquistar o honroso título de “povo da Bíblia”? De maneira geral, essa grande pesquisa é positiva, porque nos dá uma radiografia do que somos e temos que melhorar. Alegrei-me ao saber, por exemplo, que estamos bem quanto ao compromisso de evangelizar. Está na hora de a igreja se preparar para o Pentecostes que está porvir, conforme ocorreu em Atos 2. Manuel Xavier de Lima / Engenheiro Coelho (SP)
TELEFONE BLOQUEADO
Aleluia! A matéria “Telefone bloqueado”, na edição de setembro, é a comprovação de que nosso Deus é o todo-poderoso que usa Seus instrumentos da maneira certa e no momento certo para a glória do Seu nome. Essa matéria fortaleceu ainda mais minha fé nesse Pai querido. Lourenço Gonzalez / Niterói (RJ)
DEPOIS DOS 60
A propósito da entrevista da edição de setembro, acredito que a gente se aposenta do trabalho, mas nunca da vida. Minha esposa e eu sempre fomos voluntários na obra do Senhor. Posso dizer que, após os 70 anos, estamos ainda mais realizados e lúcidos, cuidando de uma comunidade de intercessão e nos colocando no lugar de quem está enfrentando problemas. Desde que nos aposentamos, ela do magistério e eu do ministério pastoral, não estamos desperdiçando tempo, mas apressando a volta de Jesus. Compartilho alguns princípios que tenho para uma vida feliz e saudável: (1) manter comunhão com Deus; (2) ser uma pessoa agradável; 4
(3) cuidar da saúde; (4) ter paciência comigo mesmo; (5) dormir bem; e (6) fazer algo que me realiza. Adolfo Victor Tito Rojas / São Paulo (SP)
A ERA DA ANSIEDADE
O artigo “A era da ansiedade” (agosto) tem embasamento teórico indiscutível. Entretanto, senti falta de o autor enfatizar que o paciente com transtorno da ansiedade deve procurar também o tratamento psicológico. Sem dúvida, há um componente espiritual que pode ajudar a combater a ansiedade. Afinal, o Criador do cérebro deve a todo momento ser acionado no processo de cura e regulação dos pensamentos automáticos e disfuncionais. Porém, assim como ele citou que a pessoa precisa de médico e medicamento, seria essencial falar do suporte do psicólogo. O modelo ABC, citado na matéria, é excelente, mas sabe-se que a pessoa no ápice da ansiedade não tem controle sobre os pensamentos. É como ensinar alguém a correr parado. É nessa hora que entra o psicólogo com o treino cognitivo. Ivete S. Araújo / Joinville (SC)
O artigo de capa de agosto, sobre ansiedade, pode ser resumido numa palavra: indispensável. Bendito seja o Senhor pela vida dos editores da revista e pelos dons distribuídos para toda a equipe! Kátya Izoton / Vitória (ES)
Na edição de agosto, faltou mencionar no artigo “A era da ansiedade” que esse problema tem tratamento e que é imprescindível buscar ajuda. Assim como Deus pode curar um câncer, Ele pode curar a ansiedade, mas ambas as doenças precisam ser acompanhadas por especialistas, que são pessoas dotadas por Deus de conhecimento profissional para ajudar. No caso da ansiedade, faz-se necessário tratamento com psicólogo e psiquiatra, principalmente em situações de enfrentamento dos medos ou até de dessensibilização. Mariana Nascimento / Via e-mail
Obrigado pelos comentários! Sim, concordamos totalmente que a pessoa que sofre de ansiedade deve buscar tratamento com profissionais qualificados, incluindo psicólogos e psiquiatras. Embora o foco da matéria fosse outro, isso poderia ter sido mais enfatizado. No entanto, o texto não deixa de falar sobre essa necessidade (p. 14). Ao mencionar que existem “terapias” para a ansiedade e ressaltar que a pessoa deve buscar “ajuda médica especializada”, o autor está se referindo exatamente a terapeutas (psicólogos) e psiquiatras. Além disso, na página 15, ele menciona que muitos psicólogos usam uma estratégia parecida com a recomendação de Jesus para mudar o padrão de pensamento.
Expresse sua opinião. Escreva para ra@cpb.com.br. ou envie sua carta para Revista Adventista, caixa postal 34, CEP 18270-970, Tatuí, SP.
Os comentários publicados não representam necessariamente o pensamento da revista e podem ser editados por questão de clareza ou espaço.
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BÚSSOLA
ABRA OS OLHOS
CONFIE NO INVISÍVEL E ESTEJA CERTO DE QUE NOSSOS GRANDES DESAFIOS NOS PREPARAM PARA AS MAIORES VITÓRIAS ERTON KÖHLER
eus costuma agir em silêncio, mas algumas vezes abre nossos olhos para entender como Seus milagres acontecem. Foi o que aconteceu nos dias do profeta Eliseu, quando Ben-Hadade, rei da Síria, ameaçava o rei Jorão e se preparava para a guerra contra Israel (2Rs 6). Com um exército mais forte e estratégias mais eficazes, a derrota do povo de Deus parecia uma questão de tempo. Mas o Senhor agiu e transferiu a crise para o exército sírio. As estratégias de Ben-Hadade começaram a ser descobertas e o ambiente se tornou tenso, até receber a notícia de que o profeta Eliseu era o responsável pelo “vazamento de informações”. Para resolver o problema, o rei sírio mandou um batalhão de homens, carros e cavalos para atacá-lo. Pela manhã, quando o servo de Eliseu viu a cidade fortemente cercada, se desesperou e perguntou ao profeta: “Ai! Meu senhor! Que faremos?” (2Rs 6:15). O homem de Deus não perdeu a calma nem a confiança: “Não temas, porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles” (v. 16). E ainda orou: “Senhor, peço-Te que lhe abras os olhos para que veja.” Deus atendeu seu pedido e o moço “viu que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu” (v. 17). Com Seu exército invisível, Deus venceu a batalha
Foto: Adobe Stock
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DEUS É ESPECIALISTA EM TRANSFORMAR DERROTAS IMINENTES EM OPORTUNIDADES EVIDENTES e transformou um grave problema numa grande vitória. As crises e dificuldades nunca deixaram de ameaçar o povo de Deus, apenas passaram a ter outros nomes e personagens através dos tempos. Foram perseguições externas, divisões internas, aparentes derrotas e até risco de extinção. Mas o exército invisível do Senhor enfrentou cada desafio, venceu cada batalha e preservou um remanescente. O movimento adventista também teve seus capítulos difíceis. Nossa história mostra que, nas primeiras décadas, mesmo com a presença de Ellen White, enfrentamos duras crises teológicas,
estruturais e administrativas. Nos anos seguintes, as crises continuaram se repetindo, mas o exército invisível do Senhor nos protegeu, libertou e restaurou. Deus usou cada desafio para nos tornar mais fortes e ensinar a ficar alertas, para que as dificuldades do passado não se repitam. Por isso, ao enfrentarmos novos desafios que ameaçam nossa unidade, abalam nossa confiança e fragilizam nossa mensagem, precisamos recordar as palavras de Eliseu: “não temas”. Não devemos dar espaço ao medo e à dúvida, pois “o Senhor pode tirar vitória daquilo que, para nós, pode parecer frustração e derrota” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 481). A causa é do Senhor. Se abrirmos os olhos, veremos que Seu exército invisível continua enfrentando cada desafio, usando meios que não somos capazes de entender e assegurando que “mais são os que estão conosco do que os que estão com eles”. Nosso Deus é especialista em transformar derrotas iminentes em oportunidades evidentes. Enfrente os desafios denominacionais vendo o invisível. Somos uma igreja formada por gente que tem diferentes expectativas, culturas, sensibilidades e maturidade espiritual. Por isso, o que parece ser solução para alguns é problema para outros, tornando qualquer solução mais difícil do que alguns podem imaginar. Nossa vitória nunca será encontrada em especulações sem fundamento, atitudes críticas ou desvios proféticos. Nem em mensagens alarmistas, perfeccionistas ou catastrofistas apresentadas em livros, sites, blogs, vídeos e redes sociais. Somente o exército invisível de Deus é capaz de enfrentar equilibrada e acertadamente cada batalha e nos tornar vencedores. Deus é a nossa força. ] ERTON KÖHLER é o presidente da Igreja Adventista para a América do Sul
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ENTREVISTA
LUCAS DIEMER DE LEMOS
Darryl Thompson
Diretor assistente no Ellen G. White Estate, Darryl Thompson é a combinação de senso de missão e competência técnica aplicada ao trabalho que tem desenvolvido desde 2002 nessa instituição que administra e divulga os escritos de Ellen White. Na década de 1980, o livro Caminho a Cristo levou Thompson a um comprometimento com a obra de Deus. Sua experiência na área de tecnologia tem contribuído para que pessoas em todo o mundo tenham acesso aos livros da autora norte-americana e cofundadora da igreja. Nesta entrevista, concedida durante uma visita à CPB, Thompson fala sobre o alcance e O RESPONSÁVEL PELO SITE DOS ESCRITOS DE ELLEN WHITE as novidades do egwwritings.com, site advenFALA SOBRE O GRANDE ALCANCE E A REESTRUTURAÇÃO tista que registra o maior número de acessos, DA PLATAFORMA boa parte deles da chamada Janela 10/40.
CONTEÚDO ACESSÍVEL
O que temos disponível atualmente? O site e o aplicativo dão acesso a conteúdos em 134 línguas. Todo o material em inglês escrito por Ellen White está disponível para o público em geral, desde livros, periódicos, edições especiais, manuscritos, cartas e panfletos até documentos históricos relacionados à sua vida e algumas Bíblias. O site já registra mais de 2 milhões de acessos por mês, sendo 100 mil só do Brasil. Qual é o perfil dos usuários que acessam o site? Atualmente, existem 300 mil usuários cadastrados para receber novidades ou mensagens diárias. Por questões de privacidade, as únicas informações que temos dos usuários são nome ou screen names (pseudônimos), e-mail e 6
Fale um pouco sobre essa nova versão do egwwritings.com. Atualmente, o conteúdo é armazenado na nuvem, ou seja, no próprio ambiente virtual, com diversos servidores espalhados em lugares estratégicos no mundo que tornarão o acesso ao novo site muito mais rápido. Um novo layout está sendo criado para diferentes dispositivos. Haverá um novo recurso de busca com filtros por categorias. Materiais como dicionários, concordâncias, recursos de indexação e Bíblias estarão incluídos nas pesquisas também. Assim, as pessoas terão acesso a essas ferramentas em uma mesma tela. Outra novidade será o recurso “Minha Biblioteca”, que memorizará suas atividades. O usuário poderá marcar suas atividades de leitura e retomar a qualquer momento que desejar.
Haverá algum tipo de recurso especial para internautas que não professam a fé adventista? Não há como saber se um usuário é adventista ou não, mas um novo recurso que iremos disponibilizar funcionará da seguinte maneira: se a pessoa buscar um determinado conteúdo, haverá sugestões de conteúdos extras que darão acesso a estudos bíblicos. Qual é a sua motivação pessoal para desenvolver esse trabalho? Eu cresci lendo e ouvindo trechos dos escritos de Ellen White nos cultos em família. Seus livros me ajudaram a ter uma comunhão mais profunda com Jesus e a ser uma pessoa diferente. Eu só entendi que a justificação pela fé era um relacionamento com Cristo quando li sobre isso em livros de Ellen White. Esses livros apontam para as Escrituras, trazendo conteúdos que nos preparam para uma vida plena com Deus. São as cartas de Deus para nós. ]
Sites: egwwritings.com | whiteestate.org | ellenwhite.org Mídias sociais: Twitter: @ellenwhite | Instagram: @egwwritings | YouTube: EGW Writings
R e v i s t a A d ve n t i s t a // Outubro 2019
Foto: William de Moraes
país de onde estão acessando, dados que não são compartilhados com nenhuma instituição. Temos usuários de todas as partes do mundo, incluindo lugares cujo acesso a materiais religiosos é proibido. Em dezembro de 2018, identificamos um número expressivo de acessos em países da Janela 10/40, e isso se deu ao fato de existir conteúdo na língua desses usuários. Um dos livros mais acessados é O Grande Conflito e um dos termos mais buscados é “fim dos tempos”.
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Feliz7Play apresenta:
PAINEL F AT O S
NO CALENDÁRIO OFICIAL
O EVANGELHO EM SINAIS
O quarto sábado de agosto agora será o Dia do Quebrando o Silêncio no Rio Grande do Sul. O projeto de lei foi sancionado pelo governador Eduardo Leite, no início de setembro. Neste ano, a data também entrou para o calendário oficial de São Paulo e Mato Grosso.
No dia 3 de agosto, a Comunidade Adventista Alemã de Surdos comemorou cem anos de existência, relembrando o legado de Margarete Heine, que se dedicou aos deficientes auditivos por mais de cinco décadas. Por ser filha de surdos, ela aprendeu a língua de sinais muito cedo. Além de ter servido como assistente do esposo, Carl Puich, primeiro evangelista adventista surdo da Alemanha, ela teve forte atuação como intérprete nos tribunais do país.
EVENTOS
HÁ 25 ANOS NA CAPITAL
70% dos brasileiros
estão conectados à internet, o equivalmente a 126,9 milhões de pessoas, de acordo com uma nova edição da pesquisa TIC Domicílios. 8
CAMPORI DOS RECORDES A “cruz humana” formada por mais de 13 mil pessoas e o lenço gigante medindo 91 metros de ponta a ponta provavelmente entrarão para o Guinness Book. Mas esses não foram os únicos recordes registrados no Campori Internacional de Desbravadores realizado em Oshkosh, Wisconsin (EUA), nos dias 12 a 17 de agosto. A marca histórica principal foi o batismo de 1.311 pessoas, o maior já realizado em um único evento no contexto da América do Norte. Em algumas partes do mundo, os acampamentos de verão têm sido o principal evangelismo de colheita da igreja. Promovido a cada cinco anos, o evento reuniu 55 mil pessoas de 90 países e impactou a comunidade com cerca de 60 ações sociais. R e v i s t a A d ve n t i s t a // Outubro 2019
Fotos: Gerd Wildemann / Anthony White
Inaugurada oficialmente em 16 de agosto de 1994, a Clínica Adventista de Curitiba continua no mesmo endereço, mas ampliou significativamente o leque de serviços. Atualmente, a instituição tem duas unidades, 26 consultórios, 45 colaboradores, 57 médicos e seis terapeutas que atendem em 34 especialidades. Além dos 57 mil atendimentos realizados anualmente, a clínica tem oferecido para a comunidade diversos cursos sobre estilo de vida saudável.
GENTE
PESQUISADORA ADVENTISTA
BODAS DE MACIEIRA (74 ANOS) De João Pontes e Elzira Xavier Pontes, ambos de 94 anos. Casaram-se em Cananeia (SP) no dia 30 de junho de 1945. Há cerca de cinco décadas, o casal frequenta a Igreja de Iguape, na região do Vale do Ribeira. O casal tem quatro filhos, 15 netos e 26 bisnetos.
BODAS DE DIAMANTE (60 ANOS) De Zulmar Bernardino Corrêa e Nilza Maximiano Corrêa, numa celebração em família realizada no dia 15 de julho. Assinantes da Revista Adventista há mais de 60 anos, eles frequentam a Igreja de Jardim das Palmeiras, em Sinop (MT). O casal tem cinco filhos, nove netos e sete bisnetos.
Os resultados de um estudo inédito sobre anemia falsiforme realizado por Gabriela Siqueira foram publicados na prestigiada revista científica Experimental Biology and Medicine. A descoberta de um marcador genético que pode prever o aparecimento dessas lesões foi fruto de sua tese de doutorado, defendida na Unicamp, no fim de junho. A jovem pesquisadora frequenta a Igreja do Jardim Eulina, em Campinas (SP).
BODAS DE OURO (50 ANOS) De João Laércio Pazini e Ester Palamin Pazini, na Igreja de Santa Ernestina (SP), em cerimônia realizada pelo pastor Eliezer de Oliveira Zanin. O casal tem três filhos, cinco netos e uma bisneta.
Fotos: Arquivo pessoal
LEGADO LITERÁRIO Tobias de Sousa Pinheiro Filho, que foi membro da Academia Brasileira de Literatura e presidente da Federação das Academias de Letras do Brasil, morreu em 21 de agosto, aos 93 anos. O maranhense fez carreira jornalística em periódicos como o Diário de Notícias (onde trabalhou por 21 anos e chegou a ser chefe de Redação), Jornal do Brasil, O Globo, Última Hora, O Dia e Jornal do Commercio. Ele escreveu nove livros de prosa e poesia e, em 1992, tornou-se imortal da Academia Carioca de Letras. Pai do pastor Paulo Pinheiro, que foi editor da CPB durante vários anos, o escritor e poeta vivia em Engenheiro Coelho (SP). Ele deixa a esposa, Maria Osita, com quem foi casado por 74 anos, seis filhos, dez netos e 16 bisnetos. R e v i s t a A d ve n t i s t a // Outubro 2019
O L H A R D I G I TA L
APP DA SAÚDE O aplicativo SanCare, criado pelo Hospital Adventista de Sydney, recebeu o Prêmio de Realização Corporativa da Health Informatics Society da Austrália (HISA) 2019. A ferramenta fornece acesso em tempo real aos registros dos pacientes, permitindo que os médicos vejam sinais vitais atualizados, raios X, bem como resultados de exames, e se comuniquem com a equipe de enfermagem e com os serviços de assistência estendida. 9
Minha esperança é que esse processo de preparo da nova declaração sobre o aborto ajude os membros da igreja a saber como a denominação se posiciona sobre uma questão tão crítica. É importante para o processo que os resultados reflitam a fidelidade às Escrituras. Elias Brasil de Souza, diretor do Biblical Research Institute (BRI)
D ATA S 27 DE OUTUBRO
Nessa data será realizado o 3o Celebra São Paulo, maior festival paulista de música adventista. Além da gravação de um DVD, na ocasião ocorrerá a etapa final do concurso de ministérios de louvor das igrejas. A programação será realizada das 10h às 18h no Cenforpe, em São Bernardo do Campo. Para se inscrever, acesse: bit.ly/2kqrWS6
26 DE OUTUBRO
No calendário da igreja mundial, será celebrado o “Sábado da Criação”, data em que os adventistas irão promover ações voltadas para a divulgação do criacionismo. Pensando em ampliar o alcance das ações e motivar o engajamento das congregações locais, a sede da igreja e o Geoscience Research Institute (GRI) repaginaram o site creationsabbath.net. Além da nova identidade visual, a página na internet oferece novas ferramentas e recursos, como vídeos, cartazes e sermões para serem usados na programação. Outra novidade é a possibilidade de os membros registrarem os eventos, usando a plataforma para postar informações e fotos. 10
E D I TA I S Convocação da 1a Assembleia Ordinária da Missão Oeste Mato-Grossense da Igreja Adventista do Sétimo Dia Fica convocada a 1a Assembleia Ordinária da Missão Oeste Mato-Grossense da Igreja Adventista do Sétimo Dia, para ser realizada nos dias 6 a 8 de dezembro de 2019, tendo início às 8h do dia 6, nas dependências da Associação Mato-Grossense, localizada na rua Celestina Botelho, Qd. 01, Lt. 02, bairro Morada do Ouro II, em Cuiabá (MT), para tratar dos seguintes assuntos de sua competência: (1) receber as novas igrejas organizadas desde a última assembleia da Associação Mato-Grossense (12 de novembro de 2016); (2) eleger, para um mandato de quatro anos, os secretários dos departamentos e serviços, os membros da Comissão Diretiva da Missão; e (3) aprovar planos para a automanutenção da Missão, os quais devem ser específicos e detalhados para alcançar o status de Associação. Brasília (DF), 14 de agosto de 2019 Alijofran L. Brandão, presidente Matheus L. Tavares, secretário executivo
Convocação da 1a Assembleia Geral Ordinária da Missão Pará-Amapá da Igreja Adventista do Sétimo Dia Fica convocada a 1a Assembleia Ordinária da Missão Pará-Amapá da Igreja Adventista do Sétimo Dia, inscrita no CNPJ/MF sob o no 04.930.244/0138-89, para ser realizada nos dias 1o e 2 de dezembro de 2019, tendo início às 14h (credenciamento) e abertura às 16h do dia 1o de dezembro, nas dependências da Faama (Faculdade Adventista da Amazônia), localizada na rodovia Augusto Meira Filho, km 1, s/n, bairro Paricatuba, em Benevides (PA), para tratar dos seguintes assuntos de sua competência: (1) receber as novas igrejas organizadas durante o quadriênio anterior; (2) apreciar e aprovar os relatórios do presidente, do secretário executivo, do tesoureiro/CFO, dos secretários dos departamentos e serviços e dos administradores das Instituições da Missão; (3) eleger, para um mandato de quatro anos, os secretários dos departamentos e serviços, os membros da Comissão Diretiva da Missão; (4) aprovar planos para a automanutenção da Missão, os quais devem ser qualificados e detalhados para alcançar o status de Associação; e (5) deliberar e aprovar outros assuntos propostos pela Comissão Diretiva. Ananindeua (PA), 6 de junho de 2019 Moisés Batista de Souza, presidente Francisco Carlos Bussons da Silva, secretário executivo
Convocação da Assembleia de Organização da Missão Mineira Oeste da Igreja Adventista do Sétimo Dia Fica convocada a Assembleia de Organização da Missão Mineira Oeste da Igreja Adventista do Sétimo Dia, para se reunir no dia 1o de dezembro de 2019, na Igreja Central de Uberlândia, situada à avenida Getúlio Vargas, no 5, Centro, Uberlândia (MG), com início às 9h. O corpo de delegados que deliberará nessa Assembleia será constituído por regulares e gerais. Os delegados regulares serão indicados pelas igrejas organizadas existentes no território do novo campo, nas seguintes proporções: (a) um delegado regular por igreja, independentemente do número de seus membros; (b) um delegado adicional para cada 500 membros da igreja e os representantes da Igreja da Associação, pelo mesmo critério das igrejas organizadas votado pela comissão diretiva da União. Os delegados gerais serão: (a) os administradores da Missão; (b) os membros da comissão diretiva da União, da Divisão e da Associação Geral presentes, não devendo o número desses exceder a 10% dos delegados regulares; (c) os ministros licenciados e ordenados, assim como os obreiros e colportores com credencial missionária em atividade na Missão Mineira Oeste e em plena comunhão com a igreja; (d) um representante de cada instituição da Missão, União ou da Divisão, localizadas na jurisdição da Missão, indicados pelas respectivas comissões diretivas. De acordo com os Regulamentos EclesiásticoAdministrativos da Divisão Sul-Americana, essa Assembleia será instalada com o quórum de 51% dos delegados credenciados. Não será permitida a representação dos delegados por procuração à Assembleia. Essa Assembleia estará reunida para tratar dos seguintes assuntos de sua competência: (1) eleger os secretários de departamentos para um mandato de quatro anos; (2) eleger a comissão diretiva; (3) receber as igrejas que tenham sido organizadas no território da nova Missão, após a última Assembleia Geral Ordinária da Associação Mineira Central; e (4) tomar conhecimento do Regulamento Interno que regerá as atividades da Missão Mineira Oeste. Petrópolis (RJ), 23 de agosto de 2019 Maurício Pinto Lima, presidente Leonidas Verneque Guedes, secretário executivo R e v i s t a A d ve n t i s t a // Outubro 2019
INTERNACIONAL
HOSPITAL PARA REFUGIADOS
NOVA SEDE Um novo e moderno estúdio do Hope Channel abriu as portas em Ban Muak Lek, na Tailândia, no início de agosto. A 45a sede da rede de TV adventista no mundo irá funcionar no campus da Universidade Internacional da Ásia-Pacífico (APIU). Com quase 300 m2 de área construída, o prédio de dois andares conta com estúdios e salas de transmissão, edição e pósprodução. O projeto teve apoio técnico da TV Novo Tempo. O investimento de 1,7 milhão de dólares permitirá produzir conteúdo em oito idiomas para 11 países do sudeste asiático.
O intenso fluxo migratório de congoleses para Uganda levou a ADRA e o ministério de apoio Adventist Help a projetar um local para atendimento médico no campo de refugiados Kyaka 2. A expectativa é que a igreja possa atender as 100 mil pessoas que vivem no assentamento. Para tanto, há necessidade de profissionais de saúde que dediquem pelo menos três semanas como voluntários. Um dos requisitos é falar inglês fluentemente. Interessados devem enviar o currículo para volunteers@adventisthelp.org.
Uma pesquisa realizada pela sede mundial da igreja revelou o percentual de adventistas que acreditam na criação do mundo em seis dias de 24 horas e em um passado relativamente recente, conforme o relato de Gênesis: 0%
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Não esperávamos essa reação 100%
65% concordam fortemente 21% concordam
sobre a websérie. O primeiro vídeo lançado no Facebook foi compartilhado para o mundo todo, centenas de vezes.
7% não têm certeza 3% discordam 4% discordam fortemente
Fotos: Hope Channel / Adventist Help
Sua missão começa onde você está, não onde você pensa que deve ir.
Clive Coutet, um dos principais produtores de Lineage, websérie sobre a história do adventismo e do cristianismo produzida com o intuito de alcançar o público secular
Fonte: General Conference 2018 Global Membership Survey
Raafat Kamal, um dos líderes da igreja na Europa
88.215
era o número de adventistas da Divisão Transeuropeia até 31 de março. Essa região administrativa da igreja está completando 90 anos.
Colaboradores: Adventist Review, Carolyn Azo, Divisão do Pacífico Sul-Asiático, Douglas Pessoa, Felipe Lemos, Jéssica Guidolin, Kimberly Luste Maran, Lindsey Gendke, Márcio Tonetti, Mario Ceballos, Maryellen Fairfax, Tamara Michalenko Terry, V. Michelle Bernard e Wendel Lima
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CAPA
VENTOS DE DOUTRINA CRISES TEOLÓGICAS CAUSADAS POR VISÕES DESEQUILIBRADAS QUE ABALARAM O ADVENTISMO ALBERTO R. TIMM 12
A
história do cristianismo em geral e da teologia em particular tende a seguir um movimento pendular entre dois extremos. De um lado se encontra a tentação quase irresistível da cultura contemporânea. Aqueles que se encontram nesse extremo creem que, com a passagem do tempo, a igreja tem a tendência de se fechar em si mesma e acaba se tornando cada vez mais obsoleta e irrelevante para o mundo em que vivemos. Usando a cultura contemporânea como referencial, esse grupo quer modernizar a igreja, mesmo que isso leve ao abandono de importantes componentes da identidade doutrinária da denominação. No outro extremo do movimento pendular estão aqueles que, para evitar a perda da identidade denominacional, se apegam à tradição eclesiástica antiga. Preocupados com a suposta “modernização” da igreja, esse grupo procura resgatar e preservar os ensinamentos e o estilo de vida dos pioneiros. Componentes bíblicos e tradições não bíblicas passam a ser usados para medir a espiritualidade dos demais. Os que seguem tais tradições são considerados bons cristãos, enquanto os que não as seguem são vistos como estando em estado de apostasia espiritual. Esse fenômeno pode ser observado tanto na história do cristianismo ao longo dos séculos como na trajetória da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Neste artigo consideraremos alguns exemplos desse fenômeno, com ênfase em suas implicações. O objetivo é identificar R e v i s t a A d ve n t i s t a // Outubro 2019
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CONHEÇA CINCO
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e descrever algumas tendências, sem avaliar o grau de sinceridade das pessoas envolvidas (Mt 7:1, 20). Creio que estas reflexões podem nos ajudar a compreender melhor os desafios atuais e futuros da igreja nestes últimos dias da história humana. MOVIMENTOS PENDULARES A Igreja Adventista do Sétimo Dia sempre enfrentou crises ao longo de sua história, que oscilaram entre o liberalismo e o tradicionalismo. Mencionaremos apenas algumas de maior relevância. A apostasia de D. M. Canright. Uma das mais dramáticas crises adventistas com ênfase liberal foi gerada por Dudley M. Canright (1840-1919), um influente ministro adventista que havia sido ordenado em 1865. Caracterizado por forte instabilidade espiritual e emocional, Canright abandonou definitivamente o ministério e a mensagem adventista em 1887, unindo-se à Igreja Batista de Otsego, em Michigan. Em seu livro Seventh-day Adventism Renounced [O Adventismo do Sétimo Dia Renunciado] (Kalamazoo Publishing Co., 1888; Fleming H. Revell, 1889), Canright rejeitou a mensagem adventista, incluindo (1) a teologia do santuário, (2) a interpretação adventista das três mensagens angélicas, (3) a validade do decálogo e do sábado, (4) o estado de inconsciência do ser R e v i s t a A d ve n t i s t a // Outubro 2019
humano na morte e (5) o dom profético de Ellen White, acusando-a de plágio, de erros doutrinários e de enriquecer ilicitamente com seus escritos. Canright tornou-se um dos mais influentes dissidentes do adventismo, forjando, em grande parte, o pensamento da maioria dos críticos do adventismo que o sucederam. Se a igreja houvesse aceitado as propostas de Canright, ela teria perdido sua identidade profética e se tornado apenas mais uma denominação evangélica. Mas a igreja manteve sua identidade, rejeitando os postulados desse dissidente. As mais importantes respostas às críticas de Canright foram publicadas no livro de William H. Branson intitulado In Defense of the Faith [Em Defesa da Fé] (Review and Herald, 1933). Nesse livro, o autor permite que o próprio Canright responda a si mesmo, valendo-se dos argumentos que usou em artigos e livros publicados antes de sua apostasia para defender a mensagem adventista. As críticas levantadas por Canright contra Ellen White foram respondidas por Francis D. Nichol em Ellen G. White and Her Critics [Ellen G. White e Seus Críticos] (Review and Herald, 1951). A crise de Mineápolis (1888). Em contraste com a postura liberal de Canright, a crise de Mineápolis em 1888 foi gerada em grande parte pelas tendências tradicionalistas de Uriah Smith (foto de cima) e George I. Butler. Existia uma forte ênfase apologética entre pastores e membros adventistas. Ellen White chegou a advertir: “como um povo, pregamos a lei até nos tornarmos tão áridos como os montes de Gilboa que não tinham nem orvalho nem chuva” (Review and Herald, 11 de março de 1890). Ela insistia que eles deviam pregar a Cristo na lei. A partir de 1886, A. T. Jones e E. J. Waggoner começaram a enfatizar nas páginas da revista Signs of the Times (Sinais dos Tempos) a doutrina da justificação pela fé. Mas essa nova ênfase se deparou com uma forte oposição de George I. Butler e Uriah Smith, cuja compreensão mais legalista de salvação era veiculada na revista Review and Herald (Revista e Arauto). A tensão entre os dois grupos acabou culminando na Assembleia Anual da Associação Geral em Mineápolis, Minnesota, em 1888. Houve muita discussão, mas nenhum voto foi tomado aceitando ou rejeitando a mensagem da justificação pela fé. 13
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Os delegados da assembleia deixaram Mineápolis divididos entre (1) As acusações de M. os que alegremente aceitaram essa mensagem, (2) os que a ela se opuseL. Andreasen. Uma das ram e (3) os que ficaram neutros ou indecisos sobre o assunto. Nos anos mais acirradas e duraque se seguiram, Ellen White, A. T. Jones e E. J. Waggoner continuaram douras controvérsias douenfatizando a natureza cristocêntrica da mensagem adventista. A Sra. trinárias foi alimentada White enaltecia “os incomparáveis encantos de Cristo” (Conselhos Sobre pela postura tradicionaMordomia, p. 298) e “a verdade tal como é em Jesus” (Evangelismo, p. lista de M. L. Andreasen 189). Se a Igreja Adventista tivesse seguido o tradicionalismo de Smith (1876-1962) em relação ao e Butler, ela teria perdido muito da ênfase cristocêntrica que caracteconteúdo do livro Quesriza a mensagem adventista. tions on Doctrine (Review and Herald, 1957), A crise panteísta de John H. Kellogg. Outra publicado em português sob o título Questões forte crise teológico-liberal foi gerada no início do Sobre Doutrina (Casa Publicadora Brasileira, século 20 pelas ideias panteístas do doutor John H. 2009). A obra reuniu respostas de alguns lídeKellogg (1852-1943). Havendo construído uma brires adventistas (LeRoy E. Froom, W. E. Read e lhante carreira médica, ele foi se distanciando ecleRoy Allan Anderson) às perguntas de pastosiástica e teologicamente da Igreja Adventista do res evangélicos (Walter R. Martin, George E. Sétimo Dia, (1) assumindo o controle do Sanatório Cannon e Donald G. Barnhouse) sobre as crende Battle Creek e (2) infiltrando suas ideias panteças adventistas. Organizado pela Associação ístas na denominação. A noção da transcendência Ministerial da Associação Geral e com ampla distribuição, a obra passou a ser o alvo de forde Deus (o Criador como um ser pessoal) foi sendo gradativamente obliterada na mente de Kellogg por uma ênfase desmedida na imanência de tes críticas por Andreasen e seus aliados com tendências perfeccionistas. Deus (a Divindade como onipresente). Kellogg cria que nele estava Deus, Em seus diálogos com os evangélifazendo com que todos os seus atos pessoais fossem atos criativos divinos. A presença de Deus cos, os líderes adventistas afirmaram era descrita como estando no ar que respiramos, que os adventistas do sétimo dia criam na luz do sol, na grama, nas árvores, nas plantas, que (1) a natureza de Cristo durante a A IGREJA ADVENTISTA em todo lugar. Além disso, a literalidade do Céu encarnação era semelhante à de Adão ENFRENTOU VÁRIAS era negada através da alegação de que “o céu está antes da queda, sem propensão para onde Deus está, e Deus está em todo lugar – na o pecado, e (2) a expiação pelo pecado CRISES AO LONGO DE grama, nas árvores, em toda a criação”. foi completada por Cristo na cruz, e no As ideias panteístas de Kellogg obtiveram santuário celestial Ele apenas aplica SUA HISTÓRIA, AS sua mais importante expressão em sua obra The os méritos dessa expiação. Para M. L. QUAIS OSCILARAM Living Temple (O Templo Vivo), escrita com o Andreasen (autor do livro O Ritual do objetivo de prover fundos para a reconstrução Santuário), essas posições teológicas ENTRE O LIBERALISMO do Sanatório de Battle Creek, que havia sido desconduziam à apostasia da fé histórica truído pelo incêndio de 18 de fevereiro de 1902. do adventismo. Suas críticas foram E O TRADICIONALISMO. Os preparativos para a publicação da obra pela difundidas inicialmente por meio de Review and Herald acarretaram, de acordo com uma série de nove cartas circulares intiMAS DEUS CONDUZIU Ellen White, os juízos divinos sobre a editora, tuladas “The Atonement” (A Expiação), SUA IGREJA EM que também foi completamente destruída por enviadas a muitos pastores nos Estados um incêndio no dia 30 de dezembro de 1902. A Unidos, e depois em seis Letters to the SEGURANÇA despeito desses sinistros, Kellogg continuou disChurches (Cartas às Igrejas), enviados seminando suas teorias panteístas nos círculos diretamente às igrejas. NO PASSADO E Diante da belicosidade de Andreade Battle Creek, fazendo de E. J. Waggoner um de CERTAMENTE O FARÁ seus mais notáveis discípulos. sen, a liderança da igreja decidiu retirar Ellen White advertiu reiteradas vezes contra o livro Questions on Doctrine de cirTAMBÉM NO FUTURO as teorias liberais panteístas de Kellogg. Por culação e, em 1961, suspendeu a creexemplo, em 1904 ela declarou: “Tenho me predencial ministerial dele. Pouco antes ocupado com possíveis mal-entendidos a resde sua morte, ele se reconciliou com peito da minha posição sobre o livro The Living Temple. Esse livro conos líderes que ele havia acusado, e sua credentém declarações equivocadas e jamais deveria ter sido publicado. Nele cial ministerial lhe foi restabelecida postumase encontram as bases de teorias que, se levadas às suas lógicas conmente. As críticas de Andreasen continuam clusões, destruiriam a confiança no tema do santuário e na expiação. sendo ecoadas ainda hoje pelos ministérios Não creio que o Dr. Kellogg tenha percebido isto claramente” (Carta 33, independentes com tendências perfeccionistas. 1904). Sem se reconciliar com a igreja, Kellogg foi eliminado do rol de A crise de Desmond Ford. Outra crise membros da denominação em 1907. adventista de natureza liberal foi nutrida
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pelo teólogo australiano Desmond Ford (1929-2019). Para ele, a justificação pela fé era apenas “forense”, ou seja, no momento da conversão Deus simplesmente nos declara justos (cf. Rm 5:1; Cl 1:13, 14). O assunto foi discutido em uma conferência em Palmdale, Califórnia, em 1976, com a participação dele e de outros teólogos adventistas. Mas Ford continuou nutrindo sua teoria de uma justificação pela fé apenas forense, o que o levou a rejeitar finalmente a doutrina adventista do santuário, especialmente o aspecto do juízo investigativo pré-advento. Em uma monografia de quase mil páginas intitulada “Daniel 8:14, the Day of Atonement, and the Investigative Judgment” (Daniel 8:14, o Dia da Expiação e o Juízo Investigativo), Ford negava (1) a validade do princípio “dia-ano” de interpretação profética, (2) o conceito da contaminação do santuário celestial pelos pecados dos santos, (3) a tradução do termo hebraico nisdaq em Daniel 8:14 como “purificar” e (4) a autoridade profética dos escritos de Ellen White. O conteúdo da referida monografia foi analisado criticamente por 114 teólogos e administradores adventistas, representando o campo mundial, em uma reunião de estudos na sede de acampamento adventista de Glacier View, Colorado, em agosto de 1980. Mesmo em face a todas as evidências bíblicas contrárias aos seus postulados, Ford não abriu mão deles. A crise de Ford teve consequências negativas e positivas. Por um lado, ele e vários dos seus seguidores acabaram deixando o ministério adventista e a própria igreja. Por outro lado, suas críticas desafiaram muitos teólogos adventistas a um estudo mais profundo da base bíblica da doutrina do santuário e de outros temas correlacionados. Isso desencadeou uma enorme produção literária, em termos de teses doutorais, livros e artigos, que confirmaram e aprofundaram a base bíblica desse tema fundamental da fé adventista. GLOBALIZAÇÃO FINAL DAS CRISES Deus tem permitido que crises surjam dentro da igreja para (1) confiarmos na liderança divina no movimento adventista, (2) nos apegarmos mais detidamente a Deus e à Sua Palavra e (3) para que os dissidentes definam claramente sua posição. Ellen White adverte: “O fato de não haver controvérsias ou agitações entre o povo de Deus não deveria ser olhado como prova conclusiva de que todos estão mantendo com firmeza a sã doutrina. [...] Deus despertará Seu povo; se outros meios falharem, serão introduzidas entre eles heresias, as quais os hão de peneirar, separando a palha do trigo” (Testemunhos Para a Igreja, v. 5, p. 707). Se no passado as crises eram sucessivas e mais localizadas, antes da volta de Cristo elas serão simultâneas e mais globalizadas. Em 1882, Ellen White escreveu: “Estão rapidamente se aproximando dias quando haverá grande perplexidade e confusão. Satanás, trajado com vestes angelicais, enganará, se possível, os próprios escolhidos. Haverá muitos deuses e senhores. Soprará todo vento de doutrina. [...] Não vai longe o tempo em que a prova envolverá a todos” (ibid., p. 80, 81). E isso está se cumprindo em nossos dias! R e v i s t a A d ve n t i s t a // Outubro 2019
No mundo pré-internet, as distorções doutrinárias e as críticas à liderança da denominação tinham uma circulação mais limitada, sendo difundidas oralmente e através da imprensa. Porém, com a popularização da internet, elas receberam novo impulso, estando hoje disponíveis em âmbito global tanto para adventistas como para não adventistas. Muitas das crises do passado que já haviam sido superadas estão ressurgindo hoje com maior intensidade ainda, em uma época em que muitos novos (e indefesos) conversos estão ingressando na igreja sem um conhecimento suficiente para responder a tais desafios. Em muitos casos, as distorções acabam chegando antes das interpretações corretas e equilibradas. Nossas famílias e igrejas precisam voltar a ser núcleos de estudo da Bíblia para enfrentarmos os grandes desafios dos nossos dias (ver 2Tm 4:1-5). A Igreja Adventista do Sétimo Dia enfrentou várias crises ao longo de sua história, que oscilaram entre o liberalismo e o tradicionalismo. Mas Deus conduziu Sua igreja em segurança no passado e certamente o fará também no futuro. Ellen White assegura: “Não há nenhuma necessidade de duvidar, de estar temeroso de que a obra não seja bem-sucedida. Deus está à testa da obra, e porá tudo em ordem. Caso haja coisas necessitando serem ajustadas na direção da obra, Deus atenderá a isso, e trabalhará para endireitar todo erro. Tenhamos fé que Deus vai conduzir a nobre nau que transporta o Seu povo, em segurança, para o porto” (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 390). Que Deus nos ajude a confiar em Sua infalível liderança! ] ALBERTO R. TIMM, doutor em História da Igreja, é diretor associado do Ellen G. White Estate, na sede mundial da Igreja Adventista, em Silver Spring (EUA)
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ESPIRITUALIDADE
ESTEJA PRONTO UM SERMÃO QUE REFLETE A URGÊNCIA E A PAIXÃO DE ALGUÉM QUE ACREDITAVA NO IMINENTE RETORNO DE CRISTO GUILHERME MILLER
A
Analisemos os efeitos produzidos pela divulgação desta doutrina [da segunda vinda de Cristo] e vejamos quantas evidências temos de que ela vem de Deus. Primeiro, onde quer que esse assunto tenha sido apresentado ao povo com alguma imparcialidade, vocês mesmos são testemunhas de que ele provocou uma procura pela Bíblia. Nossos inimigos também são testemunhas disso. E não se pode chamar esse resultado de um efeito negativo. Segundo, onde quer que esse resultado tenha sido visto [a procura pela Bíblia], ele tem produzido uma completa revolução na fé e na esperança da grande maioria. Alguns que não acreditavam que Cristo um dia voltaria à Terra ou que isso demoraria muito e que, portanto, não precisariam esperá-Lo agora passaram a aguardar ansiosamente Sua gloriosa aparição.. 16
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mensagem a seguir foi apresentada por Guilherme Miller, em 1842, e publicada no livreto Evidence from Scripture and History of the Second Coming of Christ About the Year 1843, Exhibited in a Course of Lectures (Boston: Joshua V. Himes, 1842). A linguagem é típica do século 19; porém, as ideias são bíblicas e atemporais.
Isso deve exercer a influência mais feliz na mente e na vida de cada indivíduo que assim acredita. [...] Eles creem agora na proximidade da ressurreição e na reunião final de todos os santos, tanto os que estão no Céu como os que estão na Terra; e que o grande sábado será desfrutado como um dia de descanso, com todos os filhos no lar. Há uma grande diferença entre a crença e a esperança que nutriam e a atual. Portanto, todos vocês podem julgar o que é mais bíblico e agradável ao coração cristão. Terceiro, havia muitos, muitos, que estavam adormecidos em relação aos assuntos importantes, como a vinda de Cristo, o dia do juízo e o reino glorioso. Agora, em todas as partes do mundo cristão, o clamor está sendo feito: “Eis o Noivo, saí-lhe ao encontro”; e a resposta foi ouvida: “Diga-nos, quando serão essas coisas?” E vocês, meus irmãos, são minhas testemunhas de que muitos de vocês, centenas, até milhares, ficaram como que acorrentados aos seus assentos durante horas, silenciosos como o sepulcro, para ouvir a exposição desse assunto. Quarto, em todos os lugares em que esse tema tem sido pregado judiciosamente e exposta a devida necessidade de arrependimento, os céticos, deístas e universalistas, os impenitentes e os levianos de todas as classes têm sido levados, pelo poder do Espírito Santo, a ver e a sentir seu perigo e a buscar o perdão dos seus pecados. Muitos de vocês, meus irmãos, estão testemunhando da influência salvadora da pregação de que o “o reino de Deus está próximo”, gerando em vocês arrependimento e uma vida piedosa. Quinto, temos o consolo de ver muitos de nossos melhores ministros renunciando à doutrina do milênio temporal e passando a crer na proximidade do segundo advento. Passaram a crer que o reino de Deus, em seu estado glorificado, está prestes a ser estabelecido sobre as ruínas dos reinos deste mundo. [...] O que levou esse grande movimento a tal ponto? Foram nossos periódicos? Não, meus irmãos; cinco anos atrás, não encontrávamos um indivíduo com coragem suficiente para publicar um jornal defendendo essas doutrinas. Foram formadas organizações para levar essas notícias? Não. Alguma comissão ou seita [denominação] enviou missionários? Não. Foram os seminários que ensinaram seus alunos a alertar a igreja sobre a proximidade da segunda vinda? Não. O que levantou essa notícia de avivamento da alma e a levou aos filhos sofredores de Deus? Foram os homens ímpios? Nossos oponentes não ousam nos acusar disso. R e v i s t a A d ve n t i s t a // A d ve n t i s t Wo r l d // Outubro 2019
Vocês conseguem então perceber o que inspira este anúncio abençoado: “Eis que vem o Noivo”? Seria Satanás? Olhem para os efeitos e digam-me que objetivo o inimigo teria para se opor ao seu próprio reino. Quão inconsistente seria ele se colocar contra seus próprios filhos! Vejam como estão zangados, como isso perturba suas fileiras! Será que Belzebu expulsaria demônios? [...] A resposta é óbvia e pode ser dada por uma criança: é o Espírito de Deus que tem feito isso. Ele é quem prometeu que não faria coisa alguma sem antes revelar aos Seus servos, os profetas. O Espírito Santo pode levar os filhos de Deus a ler Sua Palavra. Ele pode revelar aos Seus servos a mensagem da Bíblia. Ele pode chamá-los para publicá-la longe e perto. Ele pode protegê-los da ira dos homens e do laço do passarinheiro. Ele fará a vontade de Deus na Terra como no Céu, e ninguém poderá dizer para o Espírito: “Por que Tu ages assim?” APELO AOS PASTORES Agora, dirijo-me em particular aos meus irmãos do ministério, de todas as seitas [denominações], que creem na breve vinda do Mestre. Sem dúvida, muitos de nossos pais na fé desejaram ver o dia que agora vocês veem como muito próximo, mas descansaram em Cristo e não o viram. Para nós que agora vivemos está reservado o período mais importante que a humanidade já testemunhou na Terra: o tempo em que os céus e a terra estão se enrolando como um pergaminho e a história do mundo e da igreja se aproxima do julgamento. [...] Meus irmãos, vocês não podem discernir os sinais dos tempos? Sim, sei que muitos de vocês podem. Portanto, que período emocionante, mas também assustador, especialmente para aqueles que estão pensando que Seu Senhor tardará em vir ou que andam falando sobre “paz e segurança”, quando na verdade se aproxima repentina destruição! Vamos todos, e cada um, despertar-nos para a batalha, não de sangue, mas da verdade. Não percamos tempo com aquilo que é passageiro nem discutindo sobre quem será o maior, mas que nossa conversa seja sobre o Céu, de onde esperamos o Salvador. Sejamos como servos que esperam pelo seu Senhor. Se cremos que em breve estaremos diante do tribunal de Cristo, não seremos levados a realizar bem nossa obra, para não nos envergonharmos diante Dele na Sua vinda? Se cremos nos profetas, não se manifestará nossa fé em nossas obras? Se cremos que o clamor da meia-noite está soando, não nos portaremos como amigos do Noivo? 17
CHAMADO PARA O TESTEMUNHO Façamos a nós mesmos essas perguntas solenes e as respondamos sem fingimento para Deus e para nossa alma. Estamos vendo alguns de nossos irmãos se movendo para o ataque, recebendo as flechas do inimigo, e nós, por medo ou covardia, permaneceremos onde estamos? Não, meus irmãos, estou persuadido de coisas melhores sobre vocês. Se tiverem coragem suficiente para confessar sua crença neste tempo de zombadores, terão graça suficiente para se protegerem na batalha. Então, caminhem para o triunfo e a glória. Tragam toda sua força para o campo, não deem aos inimigos nenhuma vantagem sobre vocês, vistam toda a armadura, não mudem sua visão sobre essa questão singular. Se for necessário, permaneçam noites inteiras na sua torre de vigia, a fim de mostrarem amor a Deus e fidelidade à obra que Ele nos confiou. Manifestemos preocupação pela salvação das pessoas, tratando a verdade com sinceridade e advertindo fielmente os ímpios a respeito do perigo que correm. Tomemos a Bíblia como nosso guia e ensinemos aos outros o caminho da vida. Assim, pois, se Cristo vier, seremos encontrados prontos e, se Ele não vier no tempo em que creio estar especificado na Bíblia, não será problema, pois esperar Sua vinda é nosso dever agora e depois. [...] Muitas vezes tenho ouvido as seguintes palavras sendo sussurradas: “Deus queira que assim seja” ou um sonoro “amém” expresso por um coração animado. Muitas vezes, quando me retiro da casa de culto, tenho sentido o caloroso aperto de mão acompanhado de um “Deus o abençoe, meu irmão”. Recebi muitas cartas repletas de gratidão a Deus pela boanova de um Salvador vindouro. Preciso dizer a essas pessoas que vigiem para que Ele não venha de repente e as encontre dormindo? Não. Seria como dizer a uma mãe amorosa: “Não se esqueça do seu lindo bebê.” O que devo dizer? Alegrem-se, porque agora se aproxima sua salvação. Guardem a fé e em breve vocês receberão a coroa que está reservada para todos aqueles que amam Sua vinda. [...] Vão 18
“Se vocês tiverem coragem suficiente para confessar seus princípios nesta era de zombadores, terão graça suficiente para se protegerem na batalha”
em frente, fazendo o bem, meus irmãos; encoragem, peço a vocês, aqueles queridos servos que estão dispostos a publicar as notícias da vinda do Salvador, porque o reino do Céu está próximo. Bem sabem como sua alma foi alimentada, e agora vocês irão alimentar os outros. Lembremse de que muitos daqueles que estão dispostos a pregar essas boas-novas são servos pobres e perseguidos. Até mesmo suas próprias seitas [denominações] os tratam rudemente, afastando-os das suas portas e negando-lhes seus púlpitos. Será dito a alguns de vocês naquele dia glorioso: “Sempre que o fizestes a um desses Meus pequeninos irmãos, a Mim o fizestes.” [...] Tenho ainda uma palavra para aqueles que, lendo ou ouvindo as conferências sobre a vinda do Filho do Homem, foram convencidos do pecado, da justiça e do juízo. Apeguem-se à fé, que ninguém tome sua coroa de júbilo: [...] O tempo está próximo. Vigiem e estejam fortalecidos nas coisas que permanecem, porque em breve Deus esmagará Satanás debaixo dos pés de vocês. Espero encontrar vocês onde o gemido e a tristeza serão eliminados, onde não existirão adversários, onde o último inimigo, a morte, será vencido; e onde a família dos redimidos se reunirá numa assembleia geral. Ali, quando nos encontrarmos novamente, haverá alegria e vida imortal. ENTRE A DÚVIDA E A FÉ Portanto, deixe-me convencer vocês da importância de serem fiéis até o fim. Se algum de vocês sentir que o coração esfriou e relaxar R e v i s t a A d ve n t i s t a // A d ve n t i s t Wo r l d // Outubro 2019
Foto: Priscilla Du Preez
É possível contemplar os sinais nos céus que se tornam muito visíveis à nossa volta e, contudo, ficar indiferente? Podemos contemplar as últimas pragas sendo derramadas sobre este mundo culpado e nossa voz de advertência não se misturar com essa ebulição? É este o lugar da colheita, e estamos fechando nossas mãos para dormir?
ATÉ QUE ELE VENHA BILL KNOTT
Foto: Adventist Digital Library
do seu dever ou tiver fortes dúvidas sobre seu interesse no reino, consulte a Bíblia, ore para que o Espírito de Deus o ajude e examine a doutrina da vinda de Cristo. Se você for filho de Deus, amará essa verdade; se não for, você irá odiá-la. Seja o que for que pense a respeito de si mesmo, as dúvidas ou os medos que você possa ter, seu coração deve ser o termômetro desse assunto. Assim como o mercúrio, seus afetos subirão ou cairão ao entrar em contato com esse tema glorioso. Se um homem ama a Cristo, amará o retorno Dele; se O odeia, odiará vê-Lo voltar. Essa regra é certa. [...] Deixe-me pedir, no lugar de Cristo, que vocês se reconciliem com Deus. Há graça para vocês, gratuita como o ribeiro da montanha, farta como o orvalho do monte Hebrom, abundante como os frutos do outono e sempre verdes como a vegetação da primavera. Por que então perecer? Que razões vocês têm para rejeitar a Cristo? Ele é Aquele cujo dia nossos pais desejavam ver e pelo qual os reis esperavam. Os profetas predisseram Seu nascimento e declararam Sua obra desde os tempos antigos. E vocês não crerão? Não ouvirão Moisés e os profetas, nem Cristo e Seus discípulos? Então, em vão seria para mim tentar persuadi-los a ter fé. [...] Deixe-me terminar citando as palavras do apóstolo Pedro em Atos 3:19-21: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados seus pecados, a fim de que, da presença do Senhor, venham tempos de refrigério”, sobre os quais Deus falou por meio dos Seus profetas, desde a antiguidade. ] GUILHERME MILLER (1782-1849), fazendeiro batista norte-americano, pregou sobre a segunda vinda de Cristo por mais de 13 anos e foi uma das forças
É uma ironia feliz e triste o fato de que milhões de adventistas do sétimo dia ao redor do mundo comemorarão neste mês o 175º aniversário do que ainda chamamos de “o grande desapontamento”. É boa porque o Espírito usou a decepção daquele dia para despertar um pequeno grupo de homens e mulheres para a necessidade de estudar mais profundamente as Escrituras. A intensa investigação que eles fizeram os levou a entender a importância do santuário celeste no plano de salvação, a redescobrir o mandamento bíblico sobre o sábado e a resgatar o ideal de vida plena estabelecido por Deus no Éden. Por causa do inesperado desfecho daquele dia decepcionante, milhões de pessoas já viveram de maneira mais saudável, mais feliz e mais plena. Porém, é triste celebrar 175 anos de espera. Os seguidores de Jesus nunca serão completamente realizados até estarem diante da presença física Daquele que demonstrou quanto valoriza nossa realidade material, tornando-Se um de nós. Somente uma eternidade de abraços e conversas poderá expressar nossa gratidão a Ele. O mesmo amor que recebemos do Céu e que todos os sábados nos leva a buscar a companhia de outros crentes também nos faz perseverar até o dia em que a distância não mais existirá. Seis semanas após o fatídico 22 de outubro de 1844, Guilherme Miller escreveu muitas linhas que ainda guiam minha jornada como fiel adventista. O fazendeiro que pregou por vários anos que Jesus retornaria à Terra, como o clímax da profecia dos 2.300 anos de Daniel 8, escreveu as seguintes palavras: “Tenho fixado minha mente em outro tempo, e pretendo permanecer aqui até que Deus me conceda mais luz – para hoje, hoje e hoje, até que Ele venha e eu possa ver Aquele por quem minha alma tanto anseia” (The Midnight Cry, 5 de dezembro de 1844, p. 180). Essas são as palavras para uma comunidade mundial de crentes empoderados pelo desejo de esperar até que o Noivo apareça. É por isso que a igreja à qual quero pertencer está pronta para se encontrar com Jesus. ]
motrizes do grande despertamento que varreu os Estados Unidos antes de 1844
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BILL KNOTT é editor da revista Adventist World
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IGREJA
BENDITA ESPERANÇA
PERGUNTAMOS AOS LEITORES DE NOSSA REVISTA COMO A ESPERANÇA NO RETORNO DE CRISTO TEM ORIENTADO A VIDA DELES “Nasci num lar católico e acreditava que “Vem à minha mente uma missão de resgate. Durante a Segundo Guerra
iria para o Céu depois de morrer e passar
Mundial, o general norte-americano Douglas MacArthur recebeu a ordem
pelo purgatório. Então aprendi o que Je-
para deixar as Filipinas por causa de uma invasão iminente do inimigo.
sus disse em João 14:2 e 3 sobre Ele ir e
MacArthur fugiu com a solene promessa: ‘Eu voltarei’. Ele realmente
nos preparar lugar. Para mim, a ‘bendita
retornou, anunciando pelo rádio seu triunfo: ‘Esta é a voz da liberdade.
esperança’ é o que receberemos do próprio
[...] Eu retornei.’ Como MacArthur, Deus cumprirá Sua promessa.”
Cristo: herdar Seu reino eterno. Não quero ir sozinho. Espero entrar na cidade santa
AXEL, do Colorado (EUA)
com minha esposa, filho e duas filhas. Tenho pregado o evangelho para outros e oro para que minha família, assim como a
“Por mais difícil que pareça a vida na Terra, tenho força para continuar. Às vezes, é difícil amar as pessoas e lidar com elas, porque há muita gente desagradável. Porém, quando penso no breve retorno de Cristo, lembro-me de que Ele virá não apenas para mim, mas para o mundo inteiro. Ele morreu por todos. Assim, quando sou tentado a ser mau para alguém, sou inspirado a amar todas as pessoas, assim como Deus nos ama.”
de Noé, seja salva. A gente se encontra lá!” JAMES, de Nairóbi, no Quênia
“Perdi três familiares em três anos consecutivos: meu irmão (2011), minha irmã (2012) e meu pai (2013). Nossa família passou por situações inimagináveis, lidando com mortes súbitas e doenças graves. Embora eu saiba que a dor é uma bênção que nem todos apreciam, desejo que Jesus volte para despertar os que dormem o sono da morte e nos conceder vida eterna. Anseio pelo dia em que morte, doença, sofrimento e dor não mais existirão.” LAILANIE, de Silang, nas Filipinas
JAYVEE, de Quezon, nas Filipinas
“A ‘bendita esperança’ me ajuda a me levantar todos os dias com a força e o desejo de “A ‘bendita esperança’ é um presente do nosso maravilhoso Criador a cada
enfrentar um mundo incrédulo. Ela abre meus
pessoa deste planeta. Quando essa promessa é acolhida, ela tem o poder de
olhos para contemplar as maravilhas de Deus,
salvar, transformar o modo de pensar e de oferecer paz e alegria, mesmo
tanto as pequenas como as grandes. Acima de
em meio à incerteza e dor. Sou eternamente grata por meus pais terem
tudo, ela me ajuda a me apropriar do dom da
cultivado essa esperança em casa, apesar de já estarem descansando em
vida e a usar o tempo que tenho com Aquele
Cristo. Tenho conforto em saber que poderei vê-los outra vez e agradecer
que me criou.”
a Deus Suas promessas.” PAOLA, da Colômbia PAMELA, de New Hampshire (EUA)
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“A certeza do retorno de Cristo afeta sensivelmente minha vida. Essa convicção me coloca em prontidão, como se eu tivesse apenas mais uma hora, um minuto ou um segundo de vida. Ela também abençoa meus amigos, pois me leva a testemunhar para eles, por meio do exemplo, que não temos muito tempo aqui. Por isso, precisamos estar com a vida em dia, porque o Filho do Homem em breve voltará.” ROMÁRIO, da Jamaica
“Essa verdade me dá paz. Apesar das adversidades de hoje e das que estão por vir, eu verei Jesus e viverei com Ele eternamente.” SANDRA, da Califórnia
Foto: Gerald Klingbeil
(EUA)
“Em meu país, a vida é repleta de estresse e insegurança devido à incerteza política e à estagnação econômica. Muitos emigraram pois o futuro lhes parecia sombrio. Posso invejar os que se mudaram para ‘pastos mais verdes’; no entanto, concluí que mesmo aqueles ‘pastos’ têm seus próprios problemas. Somente o retorno do Salvador poderá solucionar os meus problemas, do meu país e os do mundo. Minha esperança no Seu retorno me conforta enquanto navego pelas circunstâncias singulares da minha terra natal.”
DO DESAPONTAMENTO À MISSÃO GERALD A. KLINGBEIL
O
dia 22 de outubro de 1844 foi diferente da maioria dos dias na história. Milhares de pessoas esperavam ver Jesus retornando. Eles esperaram nos Estados Unidos, na Europa, na América do Sul e em outras partes do mundo. A mobilização foi mundial, e tinha base bíblica. Naquela época, os estudiosos da Palavra começaram a juntar dois mais dois. As profecias dos capítulos 7 a 9 do livro de Daniel começam a fazer sentido. E, assim como Guilherme Miller, muitos haviam compreendido o tempo profético de Deus. Eles pensaram que a purificação do santuário, citada em Daniel 8:14, era uma referência ao retorno de Jesus e à purificação da Terra. Contudo, quando Jesus não voltou, eles choraram, choraram até não terem mais lágrimas. Muitos abandonaram a religião para sempre. Outros voltaram para as denominações às quais pertenciam. No entanto, um pequeno grupo voltou às Escrituras. Ali eles descobriram que estavam certos sobre a data, mas não sobre o evento. O fim do período profético não marcava o retorno de Jesus, e sim o início do juízo investigativo de Deus sobre Seu povo. Eles entenderam que essa era uma parte importante do plano de salvação. Aqueles primeiros adventistas aprenderam uma lição valiosa: as Escrituras sempre são nosso porto seguro. Nela encontramos respostas. Entretanto, como aconteceu com os primeiros cristãos, eles também concluíram que seu desapontamento tinha um propósito. Deus queria alcançar o mundo todo, não apenas a Nova Inglaterra ou a América do Norte. Foram necessárias décadas para que a Igreja Adventista compreendesse sua missão global, mas, quando compreendeu isso, nunca mais voltou atrás. Nós ainda esperamos e trabalhamos pelo retorno de Cristo: o grande dia que marcará o fim dos desapontamentos. ] GERALD A. KLINGBEIL é editor associado da Adventist World
SHYLET, do Zimbábue
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DOM DE PROFECIA
ESPIRÍTO DE COMPETIÇÃO ELE NÃO ESTÁ PRESENTE APENAS NOS GINÁSIOS E ESTÁDIOS, MAS NOS ESCRITÓRIOS, NAS INSTITUIÇÕES E IGREJAS ADVENTISTAS
Q
uando ouvimos a palavra “competição”, muitas vezes pensamos nas modalidades esportivas disputadas em ginásios ou estádios. Embora esse seja o exemplo mais comum, devemos dar um passo atrás para visualizar o quadro mais amplo. Ao fazer isso, não estamos sozinhos. Ellen White abordou a questão da rivalidade nas quadras e campos. No contexto das corridas de bicicleta que invadiram a cidade de Battle Creek, Michigan (EUA), em sua época, ela comentou que havia um espírito de discórdia e disputa tal qual nos jogos com bola. Para ela, essa rivalidade era “uma ofensa a Deus” (Carta 23b, 1894). No entanto, Ellen White escreveu com mais frequência a respeito de competição no contexto mais amplo da vida, indo muito além dos jogos esportivos. Várias vezes ela descreveu a competição como a luta humana pela supremacia e usou as palavras “concorrência” e “rivalidade” de maneira indissociável. 22
EXEMPLOS BÍBLICOS Frequentemente a pioneira adventista citava as Escrituras quando falava sobre competição. Ela declarou que o desejo de exaltação própria de Lúcifer (Is 14:12) havia gerado conflito no Céu (O Desejado de Todas as Nações, p. 435). E observou que o espírito de rivalidade entre Jacó e Esaú (Gn 25:2934; 27) resultou em engano e nos posteriores desentendimentos entre as irmãs Lia e Raquel, trazendo amargura para o lar de Jacó (Patriarcas e Profetas, p. 189 e 190). A mensageira do Senhor também escreveu que Salomão se iludiu com a ideia de que era a R e v i s t a A d ve n t i s t a // A d ve n t i s t Wo r l d // Outubro 2019
Foto: Abigail Keenan
J O H N TAY L O R V
imponência dos edifícios que dignificava “a obra de Deus”. Segundo ela, o rei de Israel quis seguir os padrões da época dele e competir com outras nações (Review and Herald, 18 de janeiro de 1906). Cristo também enfrentou o espírito de rivalidade entre Seus discípulos, quando discutiram sobre quem seria o maior (Mt 18). O Mestre Se esforçou para mostrar para eles que a lógica da supremacia era comum nas sociedades daquele tempo, mas que o reino de Deus é diferente (Mc 10:35-45), pois se pauta pela disposição para o serviço (O Desejado de Todas as Nações, p. 432). Em outro lugar, Ellen White fez referência à metáfora de Paulo, que comparou as corridas do 1º século com a vida cristã (1Co 9:24-27). O apóstolo apelou para que seus leitores seguissem o exemplo de compromisso e disciplina dos competidores, mas ressaltou que, na “corrida celestial”, a conquista de um não prejudica a dos outros; todos podem ganhar. É verdade também que há uma competição cósmica, na qual todos desempenhamos uma parte; porém, nossa luta não é contra outros seres humanos (Ef 6:12), e sim contra forças espirituais. Não é sem razão que uma das estratégias de Satanás no grande conflito entre o bem e o mal é “alimentar o espírito de rivalidade” (Review and Herald, 6 de agosto de 1901).
NAS PALAVRAS DE ELLEN WHITE, A FRAQUEZA DAS IGREJAS ESTAVA NO SEU IMPULSO POR RIVALIDADE
PERIGO NA ORGANIZAÇÃO ADVENTISTA Ellen White abordou a competição e a rivalidade em vários contextos. Quando alguns membros de igreja começaram um hospital em Boulder, no Colorado (EUA), para competir com uma instituição que já estava estabelecida ali, ela declarou que aquelas pessoas estavam “fazendo a obra de Satanás” (Carta 262, 1907). Em outra ocasião, a pioneira disse que estava “doente, aflita e decepcionada” porque duas editoras estavam competindo entre seus periódicos e sobre quem publicava mais ilustrações em seus materiais (Manuscrito 2, 1902). Em seu livro Medicina e Salvação, Ellen White advertiu que as instituições da igreja não deveriam competir com instituições não denominacionais, fosse em “tamanho ou suntuosidade” (p. 158).
RELACIONAMENTOS Não era apenas a rivalidade institucional que a preocupava, mas a competição entre as pessoas. Para ela, conforme afirmou numa reunião em Oakland, na Califórnia (EUA), não deveria existir nenhuma “partícula de rivalidade” entre os funcionários da igreja (Carta 53, 1887). Membros em geral também foram orientados pela profetisa nessa direção. Alguns adventistas estavam sendo muito competitivos nos negócios, mostrando interesse apenas no lucro e desonrando o testemunho que se espera do “povo peculiarmente leal a Deus” (Manuscrito 41, 1901). No âmbito familiar, ela também tinha suas preocupações: R e v i s t a A d ve n t i s t a // A d ve n t i s t Wo r l d // Outubro 2019
“O pecado de muitos pais é competir nas questões de vestuário e ostentação com seus vizinhos e membros da igreja” (Manuscrito 12, 1898). Segundo Ellen White, cultivar o espírito de competição resulta em desunião, conflito, desconfiança e ciúme. Na visão dela, a rivalidade era a maior fraqueza das igrejas (Carta 136, 1900), pois afetava a espiritualidade e o testemunho de todos aqueles que se envolviam com esse sentimento (Manuscrito 139, 1899; Testemunhos Para a Igreja, v. 7, p. 173). Tragicamente, quando há rivalidade, o Espírito Santo Se entristece, os anjos ministradores são afastados e o propósito de Deus é frustrado (Review and Herald, 6 de agosto de 1901). Por outro lado, a unidade desencadearia as bênçãos divinas (Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 175). O MELHOR JEITO DE VIVER Ainda que Ellen White tenha tratado dos riscos do espírito competitivo, sua ênfase estava na solução desse traço da natureza humana pecaminosa. Por isso, ela escreveu mais a respeito de cooperação, unidade e espírito de serviço altruísta do que sobre rivalidade (The Publishing Ministry, p. 158). De acordo com a profetisa, quando a primazia do eu é sublimada pela exaltação de Cristo, o ser humano transformado se esforça não para ganhar dos outros, mas para viver em harmonia com o próximo (Carta 152, 1899). O oposto ao espírito de competição é encontrado nos atributos do espírito de Cristo: humildade, graça e amor. O reino Dele é estabelecido por meio dessas armas (O Desejado de Todas as Nações, p. 439). Com Deus no centro, não há rivalidade, mas cooperação mútua (Carta 176, 1901). ] JOHN WESLEY TAYLOR V é diretor associado do departamento de Educação na sede mundial da Igreja Adventista
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VISÃO GLOBAL
Viva na expectativa TED WILSON
segunda vinda de Cristo à Terra é o coração da nossa esperança como adventistas e tem sido o anseio do povo de Deus há milhares de anos. Há dois milênios, 11 homens estavam no Monte das Oliveiras vendo Jesus ascender entre nuvens, com as mãos estendidas para abençoá-los. De repente, os discípulos se assustaram com a presença de dois seres vestidos de branco, em pé, ao lado deles: “Galileus, por que vocês estão olhando para o céu? Este mesmo Jesus, que dentre vocês foi elevado ao céu, voltará da mesma forma como O viram subir” (At 1:10, 11). A Palavra de Deus está repleta de promessas sobre o retorno de Cristo. Jesus assegurou a Seus seguidores que prepararia lugar para eles e que voltaria para buscá-los (Jo 14:3). Explicando como retornaria, Jesus disse que Sua vinda seria visível como o “relâmpago que sai do oriente e se mostra até no ocidente” e que todos os povos da Terra veriam o Filho do Homem retornando sobre as nuvens com poder e muita glória (Mt 24:27-30).
A
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O apóstolo Paulo destacou o aspecto audível da volta de Jesus, dizendo que, depois de ouvida a voz do arcanjo e o som da trombeta, Ele descerá dos Céus (1Ts 4:16). João, o discípulo amado, confirma a informação de Mateus, garantindo que o Senhor voltará nas nuvens e que “todo olho O verá” (Ap 1:7). Portanto, a Bíblia ensina claramente que a segunda vinda de Cristo “será literal, pessoal, visível e universal”, conforme explica a declaração de crença adventista número 25 (disponível em adventistas.org/pt/institucional/crencas). QUÃO BREVE? O próprio Jesus respondeu isso no último capítulo de Apocalipse. Ali, por três vezes, Ele prometeu que viria sem demora (Ap 22:7, 12 e 20) e que traria a recompensa de cada um, conforme suas próprias obras. Para você e para mim, isso pode ocorrer hoje, pois não temos nenhuma garantia de que estaremos vivos amanhã. Para os que dormem o sono da morte, o tempo de espera vai significar apenas um abrir e fechar de olhos, conforme declaram os adventistas na sua crença de número 26. Contudo, para quem permanecer vivo, o retorno Dele pode também ocorrer em breve, e eu creio de todo o coração que será! Acredito R e v i s t a A d ve n t i s t a // A d ve n t i s t Wo r l d // Outubro 2019
Foto: Tom Barret
O PREPARO PARA A VOLTA DE JESUS IMPLICA ENGAJAR-SE NA MISSÃO E DESENVOLVER O CARÁTER À SEMELHANÇA DO DELE
nisso porque as profecias de Daniel e Apocalipse estão quase cumpridas e a atual situação política e socioeconômica turbulenta aponta para o fim. No entanto, assim como no passado, os críticos continuam e continuarão a zombar dessa promessa bíblica, dizendo que a demora para seu cumprimento e o “fato” de que não há nada de anormal indicam que ela seja uma ilusão (2Pe 3:4). Infelizmente, até mesmo alguns adventistas duvidam de que Jesus virá enquanto estiverem vivos. Por isso, eles escolhem prestar mais atenção às realizações deste mundo do que no preparo para o Céu. COMPROMISSO COM A MISSÃO A respeito do tempo de Sua vinda, Jesus disse que não informaria o dia nem a hora. Foi por isso que Ele exortou Seus seguidores a vigiar: “É como um homem que sai de viagem. Ele deixa sua casa, encarrega de tarefas cada um dos seus servos e ordena ao porteiro que vigie. Portanto, vigiem, porque vocês não sabem quando o dono da casa voltará: se à tarde, à meia-noite, ao cantar do galo ou ao amanhecer. Se ele vier de repente, que não os encontre dormindo (Mc 13:32-37). Uma implicação de viver na expectativa é cumprir fielmente a missão que o Mestre nos confiou: pregar o evangelho do reino a todo o mundo (Mt 24:14). Ellen White escreveu em 1902: “De toda parte deste nosso mundo vem o clamor de corações feridos que anseiam conhecer o Deus de amor. Milhões e milhões jamais sequer ouviram falar em Deus ou em Seu amor revelado em Cristo. Eles têm direito de receber esse conhecimento. Assim como nós, eles também têm direito à misericórdia do Salvador. Recai sobre nós, os que recebemos esse conhecimento, e sobre nossos filhos, a quem o podemos transmitir, a responsabilidade de atender ao seu clamor” (Educação, p. 262 e 263). Esse apelo é ainda mais relevante hoje, mais de cem anos depois. Por isso, é fundamental que todo adventista esteja comprometido em compartilhar o “evangelho do reino”. Temos promovido esse engajamento global da igreja no programa Envolvimento Total dos Membros. Acreditamos que, assim como Ellen White nos lembrou, Cristo não voltará enquanto as boasnovas de Sua graça não forem levadas a toda a Terra. Desse modo, “quando nos entregamos a Deus, e ganhamos outras pessoas para Ele, apressamos a vinda de Seu reino” (O Maior
R e v i s t a A d ve n t i s t a // A d ve n t i s t Wo r l d // Outubro 2019
Discurso de Cristo, p. 108 e 109). Que maravilha! Podemos apressar a vinda de Cristo realizando a tarefa para a qual Ele nos chamou. SEMELHANÇA COM CRISTO A segunda implicação de nos prepararmos para o retorno de Cristo é permitir que Ele reproduza Seu caráter em nós. Deus nos ama e nos convida a ir a Ele assim como estamos (1Jo 1:9). Contudo, Ele não só nos perdoa, mas limpa. Pelo Seu poder, podemos renegar a impiedade e as paixões mundanas e viver de maneira sensata, justa e piedosa (Tt 2:11-14). A Bíblia nos ensina que Cristo está purificando um povo para si mesmo, para que seja exclusivamente Dele, um povo de boas obras. Comentando esse assunto, Ellen White nos dá uma visão mais ampla sobre o tema: “Logo no início da vida cristã, deve-se ensinar aos crentes seus princípios fundamentais. Eles devem ser ensinados de que não serão salvos somente pelo sacrifício de Cristo, mas que também precisam tornar a vida de Cristo a sua vida e o caráter de Cristo, seu caráter. Deve ser ensinado a todos que precisam levar fardos e renunciar às inclinações naturais. Aprendam a bem-aventurança de trabalhar para Cristo, seguindo-O em renúncia, e suportar como bons soldados as dificuldades. Aprendam a confiar em Seu amor e lançar sobre Ele os cuidados. Experimentem a alegria de ganhar almas para Ele. Em sua paixão e interesse pelos perdidos deixarão de concentrar-se em si mesmos. Os prazeres do mundo perderão o poder de atração, e seus encargos deixarão de desanimar. O arado da verdade fará sua obra. [...] Não cortará somente a ponta dos espinhos, mas os arrancará pela raiz” (Parábolas de Jesus, p. 57). Amigo, Jesus está voltando. Você precisa se entregar a Ele diariamente e completamente, apropriando-se das promessas de que Ele nos aceita, perdoa, comissiona e capacita para Sua missão. Você está pronto? ]
INFELIZMENTE, ATÉ MESMO ALGUNS ADVENTISTAS DUVIDAM DE
QUE JESUS VIRÁ ENQUANTO
ESTIVEREM VIVOS
TED WILSON é o presidente mundial da Igreja Adventista. Você pode acompanhar o líder por meio das redes sociais: Twitter (@pastortedwilson) e Facebook (fb.com.br/ pastortedwilson)
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MINHA HISTÓRIA
NEM SEMPRE DEUS NOS RESPONDE COMO DESEJAMOS, AINDA QUE IMPLOREMOS
O
DICK DUERKSEN tempo estava seco a ponto de, ao andar, levantar poeira até metade da perna. O verão era assim. Não havia chuva, nem temporais, nem água nas nascentes, muito menos nos tanques de armazenamento. Mal tínhamos água suficiente para dar três descargas em todos os sanitários do acampamento. O detalhe é que 200 acampantes, de 9 anos de idade, chegariam dali a exatos sete dias. Nós oramos. Toda a equipe do acampamento implorou a Deus por chuva, lembrando o Senhor de que o acampamento Pine Springs Ranch era um ministério Dele que visava salvar as crianças que Ele amava. Oramos por um temporal que pudesse encher o lago, mas sem provocar incêndio na floresta. Oramos para que caísse água do céu, de qualquer nuvem que Ele escolhesse. Oramos certos de que a resposta seria rápida e poderosa. NENHUMA MUDANÇA Na noite de segunda-feira, Mare Judson, responsável pelos cavalos, foi ao acampamento com uma amiga que precisava de ajuda e pensão por alguns dias para seu cavalo. Aceitamos Cindy como novo membro da nossa equipe. Ela ouviu nossas orações pedindo água e ficou impressionada com nossa convicção e intrigada com o fato de que Deus não nos respondia. 26
Na terça-feira convocamos uma comissão especial no acampamento. “Temos um problema maior do que o terreno seco”, disse nosso diretor. “A Guarda Florestal avisou que, se não tivermos água, muita água, teremos de cancelar nosso acampamento.” Aquela notícia fez com que intensificássemos nossas orações e nos tornássemos ávidos observadores das nuvens. Na quinta-feira, até enxergamos algumas nuvens. Elas chegaram como mechas fofas e brancas que flutuavam sobre o pico das montanhas, mas logo desapareceram no calor escaldante do céu de verão. NADA DE ÁGUA Na sexta-feira estávamos totalmente desanimados. Pine Spring Ranch é conhecido como uma das principais sedes de acampamento adventista de verão na América do Norte. Todos os anos, 2 mil crianças enchem aquela floresta empoeirada com alegria, risadas e canções de fogueira. Elas andam a cavalo, remam canoas, atiram flechas, fazem novos amigos e aprendem sobre Deus nas montanhas acima de San Bernardino, na Califórnia. Por isso, acreditávamos que Deus garantiria que tudo correria bem. Certo? Errado! R e v i s t a A d ve n t i s t a // A d ve n t i s t Wo r l d // Outubro 2019
Foto: Mumemories
A nascente dentro do tanque
Nossas orações progrediram de “por favor” para ordens diretas. Tínhamos certeza do que Deus devia fazer e estávamos exigindo que Ele fizesse imediatamente. Porém, nenhuma gota caía do céu. Sexta-feira à noite, o diretor e eu caminhamos acima do dormitório masculino, até os tanques gigantes de armazenamento de água situados sob os pinheiros. Cada tanque comportava cerca de 40 mil litros de água, e os dois estavam quase vazios. Os canos que os alimentavam com a água transparente e gelada que vinha da nascente estavam quentes. Não havia água fluindo. A menos que acontecesse um milagre, teríamos que fechar o acampamento. Dissemos a Deus que já estava na hora de realizar o milagre, descrevemos por quanto tempo devia chover forte e até escolhemos a montanha sobre a qual a chuva deveria cair. No sábado, um dos conselheiros pediu permissão para falar antes de começarmos o culto. “Estou incomodado com a nossa maneira de ordenar a Deus para fazer as coisas, porque nós mesmos não estamos fazendo nada. Temos orado pedindo chuva, mas, se realmente chover forte, a água vai simplesmente escoar para o lago sem resolver nosso problema. Temos que colocar nossa energia nisso, fazer nossa parte, não apenas esperar que Deus mande chuva.” Após aquele apelo, ele distribuiu pás, enxadas e ancinhos, e nos mostrou onde devíamos cavar valas, tirar as pinhas que haviam caído dos pinheiros e onde colocar montes de terra para represar a chuva que viria. O culto foi cancelado e fomos fazer “nossa parte”. GOTAS DE ESPERANÇA Estávamos trabalhando quando Deus formou um temporal. Seria enorme. Uma massa cinza e branca volumosa prometia atender às nossas orações. Gritamos, clamamos, louvamos a Deus por Sua generosidade, comemoramos cada pingo de chuva que caía. Mas não demorou muito, porque sentimos apenas umas três gotas e as nuvens foram embora, dando lugar ao um céu intensamente cintilante de um dia de verão terrivelmente seco. Ao anoitecer nos encontramos no refeitório. Éramos um grupo triste. Em nosso coração já não havia mais esperança. Oramos sem convicção e cantamos mais descrentes ainda. Foi quando a amiga de Mare Judson, a Cindy, se levantou, caminhou lentamente até o centro do nosso grupo cheio de autopiedade e falou: “Eu não entendo vocês. Durante toda a semana estão me falando sobre esse Deus maravilhoso a quem servem; de como podem confiar Nele; de como vai enviar chuva, porque Ele sabe que este é o melhor acampamento de verão do planeta. Agora, quando Ele prova a fé de vocês até o limite, deixando tudo seco, vocês fecham a cara e choram como se Ele tivesse esquecido vocês aqui na montanha, no meio da poeira?” Ficamos em silêncio, ouvindo, mas sem sentir exatamente o que Cindy estava dizendo. “Se vocês realmente acreditam no seu Deus, então parem de reclamar das escolhas Dele. Caiam ajoelhados e agradeçam por tudo o que Ele tem feito por vocês. Parem de exigir que Ele faça as coisas do jeito de R e v i s t a A d ve n t i s t a // A d ve n t i s t Wo r l d // Outubro 2019
“PAREM DE EXIGIR QUE ELE FAÇA AS COISAS DO JEITO DE VOCÊS. E SE ELE TIVER UMA IDEIA MELHOR?”
vocês. E se Ele tiver uma ideia melhor? Agora, vão para algum lugar e orem pedindo perdão.” Nós fomos, com o espírito destruído. Com arrependimento em nossos lábios. Mais tarde, naquela noite, vários de nós conversávamos humildemente próximo ao riacho seco que passava pelo acampamento. Jack e Don, dois dos nossos conselheiros, deram boa noite e foram para o dormitório masculino. Minutos mais tarde, ouvimos um grito que soava como se Jack estivesse sendo atacado por um puma (suçuarana). Corri, outros vieram logo atrás de mim, e os gritos de Jack nos impulsionavam para o seu perigo. Nós o encontramos em pé, ao lado de um dos tanques de 40 mil litros de água, de onde escapava água limpa e gelada pelo ladrão e espirrava sobre Jack. O reservatório que, algumas horas antes estava 98% vazio, estava cheio da água mandada por Deus! Tomei um banho rápido e então deslizei ao redor do cano de entrada, aquele que leva a água da nascente para dentro do tanque de armazenamento. O encanamento de aço estava quente e seco. Não havia nada caindo no tanque. Aquela noite, e no resto do verão, trabalhamos com admiração e respeito pela nascente dentro do tanque. Deus nos mandou água pura e gelada. Numa quantidade superior à que precisávamos, no tempo e no jeito Dele. ] DICK DUERKSEN é pastor e mora em Portland, Oregon (EUA)
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VIDA ADVENTISTA
Construindo o futuro N MARANATHA COMEMORA 50 ANOS LEVANTANDO IGREJAS E ESCOLAS, SERVINDO AOS NECESSITADOS E TRANSFORMANDO A VIDA DE SEUS VOLUNTÁRIOS JULIE Z. LEE
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um dia quente e ensolarado de julho, pode-se ver uma cena curiosa no Colégio Adventista de Kiutine, no Quênia. Uma piscina plástica redonda encontra-se no meio do terreno de terra vermelha, cercada por árvores de acácia e prédios de tijolos simples. Ao redor da água está um grande grupo de adolescentes. Esperançosos, eles observam enquanto uma moça entra na piscina e se junta a um homem vestido de preto. Ele levanta o braço e fala: “Esta é Zhenzhu. Nesta viagem, ela se apaixonou outra vez por Jesus. Zhenzhu quer viver para Ele por toda a vida, porque O ama e quer fazer Dele o Senhor da sua vida. Por isso, eu a batizo em nome do Pai, de Jesus Cristo, Seu Filho, e do Espírito Santo.” Ele a mergulha na água. Quando Zhenzhu emerge na piscina, quem testemunha a cerimônia irrompe em aplausos. Isso se repetiu 37 vezes naquele dia. Eram adolescentes e adultos que estavam em fila para renovar seu compromisso com o Senhor ou para entregar
DIVISOR DE ÁGUAS Essa foi a cena do último sábado do projeto Exercício Final, a viagem missionária anual organizada pelo ministério Maranatha Volunteers International especificamente para adolescentes. Uma turma de 111 voluntários participou da 29ª edição do projeto. A missão deles foi construir o dormitório masculino e as salas de aulas daquele colégio queniano. O segredo das transformações testemunhadas em viagens como essa está no fato de que, por trás das tarefas de construir e testemunhar, existe a busca por uma conexão mais direta e significativa com Deus. E isso ocorre por meio dos cultos coletivos diários, de manhã e à noite, das novas amizades e pelo desafio de encarar o desconhecido e se tornar mais vulnerável. “Todo mundo devia ter essa experiência”, diz Elise Hall, de 16 anos, voluntária do Texas (EUA) e uma das pessoas batizadas no encerramento do projeto. “Todos deveriam ter a oportunidade de sair da sua zona de conforto e ir para um lugar estranho, com pessoas que não conhecem, para aprender a se adaptarem, a amar e a crescer com pessoas diferentes.” O Exercício Final é um dos projetos mais populares da Maranatha. Reúne de 100 a 200 adolescentes a cada verão no hemisfério norte. Em 2019, quando a Maranatha comemora seu 50º aniversário, é interessante considerar que os jovens foram a motivação para a criação dessa entidade. AS PRIMEIRAS VIAGENS Quando o fotógrafo e piloto de avião John Freeman, de Michigan
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Foto: Maranatha Volunteers International
o coração a Ele. Quando os batismos terminaram, a piscina estava com uma camada de sujeira, e seu piso azul-celeste, coberto de vermelho. Porém, ninguém parecia ter percebido isso. Estavam muito ocupados se abraçando, chorando e cantando.
(EUA), organizou o primeiro projeto da Maranatha, seu objetivo era oferecer uma oportunidade de serviço humanitário para suas filhas. Mal sabia ele dos planos de Deus para aquela iniciativa, e como esse ministério de apoio da Igreja Adventista impactaria milhares de voluntários. Para a primeira viagem, ele recrutou um grupo de jovens e alguns de seus amigos pilotos a fim de que levassem os voluntários até Bahamas. Eles partiram no dia 28 de dezembro de 1969, durante o recesso de Natal, para construir a Igreja de Eight-Mile Rock. Nascia a Voos Internacionais Maranatha. A entidade começou com algumas viagens missionárias e contava basicamente com os voluntários que podiam voar com sua própria aeronave até o local da missão. Os projetos eram realizados com turmas pequenas em países como Guatemala, Honduras e Colômbia. Dois anos mais tarde, Freeman foi procurado por Caris Lauda, então diretor do departamento de Escola Sabatina da sede norteamericana da Igreja Adventista. Lauda queria a ajuda da Maranatha para construir a Igreja de Yellowknife, numa reserva indígena no Canadá. Freeman relembrou isso numa entrevista em 2008. Ele morreu em 2017. Aquela missão seria muito maior do que qualquer coisa que a Maranatha havia feito, mas Caris Lauda prometeu ajudar a recrutar voluntários, divulgando o projeto em todo o país. A Maranatha aceitou o desafio e, em 1973, 140 pessoas voaram em 23 aviões particulares para o país vizinho, onde construíram uma igreja em apenas duas semanas. O projeto foi um sucesso. A história de Yellowknife circulou por todas as publicações adventistas e acabou mostrando para a denominação que a entidade era parceira da igreja. Em 1982, a diretoria da instituição contratou Don
Noble como presidente. Em 1989, a Maranatha se uniu à Volunteers International, organização humanitária com sede na Virgínia (EUA), e passou a se chamar Maranatha Volunteers International. Naquele ano, a sede localizada em Berrien Springs, Michigan, foi transferida para Sacramento, na Califórnia. NÚMEROS E HISTÓRIAS Nos anos seguintes, a atuação da Maranatha cresceu exponencialmente com iniciativas importantes, como a construção de igrejas na República Dominicana e na Índia e de um seminário na Cuba comunista, além da perfuração de poços de água na África. Para tanto, parcerias foram feitas com outras organizações como a ASI, a federação de empreendedores adventistas dos Estados Unidos. Até aqui, a Maranatha já construiu mais de 11 mil prédios, entre escolas e igrejas, perfurou mil poços e mobilizou 90 mil voluntários em cerca de 90 países. Todos os anos, mais de 2,2 mil voluntários participam das viagens missionárias. Embora os números ofereçam uma perspectiva abrangente das realizações da organização, eles não são mais importantes do que as histórias das pessoas transformadas. O sucesso da entidade é medido por histórias como a de Maritza Piedra, de Cuba. Ela frequentava uma igreja tão pequena que os membros tinham que se sentar do lado de fora e para ver o sermão através das janelas. Ela orou tanto tempo por uma nova igreja que seus joelhos ficaram calejados. Quando finalmente suas orações foram respondidas, com a construção de um templo para 750 pessoas, ela chorou de gratidão. As mulheres da comunidade da tribo Turkana, de Chumviere, no Quênia, também têm motivos para agradecer. Elas não precisam mais andar horas e por vários quilômetros para conseguir água, pois um poço foi cavado na aldeia delas. Por fim, podemos falar de Mia Goldman, de 14 anos, da Califórnia (EUA). Ela não conhecia os adventistas e raramente frequentava igrejas cristãs. Ela ficou sabendo da Maranatha depois que um vizinho lhe falou sobre a necessidade de arrecadar dinheiro para um projeto da entidade. Mia e seus amigos organizaram um evento e levantaram mais de 15 mil dólares para a perfuração de um poço de água. Depois disso, o mesmo vizinho a convidou para uma viagem missionária. Acompanhada por sua mãe e irmão, Mia viajou para o Quênia, onde ajudou a construir as salas de aula da Escola Adventista de Gucha. Por pertencer a uma classe social relativamente privilegiada,
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O SEGREDO DA MARANATHA ESTÁ EM AJUDAR SEUS VOLUNTÁRIOS A EXPERIMENTAR A SIMPLICIDADE TRANSFORMADORA DO SERVIÇO a experiência humanitária abriu os olhos da garota para uma realidade que estava além de sua “bolha” de convivência. Por influência do testemunho de seus colegas de missão, ela também sentiu a necessidade de estudar a respeito de Deus. Mia queria saber o que Deus havia feito na vida daqueles vonluntários para que eles tivessem vontade de serviLo. “Isso me fez pensar se eu não poderia me aproximar Dele”, conta a adolescente. O que os voluntá rios costumam experimentar nas viagens missionárias é que o ruído do mundo tende a desaparecer e ser substituído pelo enfoque simples do serviço. Apesar de os projetos e o processo de recrutamento de voluntariado terem mudado, é essa ênfase clara na grande comissão de Cristo que permanece no trabalho da Maranatha, 50 anos depois. De alguma forma, nossa entidade é uma resposta para congregações que oram por uma igreja, para crianças que sonham com uma escola, para comunidades que anseiam por água e para voluntários que buscam renovação em Cristo. Ou, como no caso de Mia Goldman, que acabam se encontrando com Ele pela primeira vez. ] JULIE Z. LEE é vice-diretora de Marketing da Maranatha Volunteers International, com sede em Roseville, na Califórnia (EUA)
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BOA PERGUNTA
POR QUE JESUS TERÁ QUE MANTER SUA NATUREZA HUMANA PARA SEMPRE? ANGEL MANUEL RODRÍGUEZ
ossa racionalidade não consegue compreender plenamente a profundidade da encarnação de Cristo. Por isso, nos deparamos com questões intrigantes como a que está acima. Apresento a seguir algumas evidências bíblicas e razões teológicas para acreditarmos que a encarnação de Jesus será preservada por toda a eternidade: 1. A perenidade da encarnação. A evidência bíblica é clara: a união das naturezas humana e divina de Cristo é irreversível. Ele Se tornou carne (Jo 1:14) e foi “nascido de mulher” (Gl 4:4, NVI). Ele cresceu como ser humano (Lc 2:40) e permaneceu assim durante todo o Seu ministério (Hb 5:7). Das Suas mãos e testa fluíram sangue durante Sua c rucifixão; Ele sentiu sede (Jo 19:28) e abandono (Mt 27:46). Finalmente, como ocorre a todos os seres humanos, Ele morreu (Jo 19:30). Como ser humano, Ele saiu da tumba num corpo glorificado (Jo 20:27) e foi visto por Maria Madalena (v. 18) e pelos discípulos (Jo 21:1). Cristo ascendeu ao Céu com Seu corpo físico e humano, levando a natureza humana até o trono de Deus (Jo 21:1). Agora, Ele intercede por nós diante do Pai: “Pois há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens [anthrōpōn, seres humanos]: o Homem [anthrōpos, ser humano] Cristo Jesus” (1Tm 2:5, NVI). João afirmou que os falsos profetas negavam que Jesus Cristo tivesse vindo em carne (2Jo 7). Paulo acrescenta que, uma vez concluído o conflito c ósmico, e “tudo Lhe estiver sujeito, então o próprio Filho Se sujeitará Àquele que todas as coisas Lhe
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ÁNGEL MANUEL RODRÍGUEZ, pastor, professor e teólogo aposentado, foi diretor do Instituto de Pesquisa Bíblica
O QUE ACONTECEU NA ENCARNAÇÃO FOI ALGO QUE NÃO PÔDE SER DESFEITO QUANDO O PROPÓSITO FOI ATINGIDO. A HUMILHAÇÃO DE TER SE TORNADO SER HUMANO FAZ PARTE DO ETERNO SACRIFÍCIO DE CRISTO POR NÓS
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Foto: LightStock
ETERNAMENTE HUMANO
sujeitou, a fim de que Deus seja um em todos” (1Co 15:28, NVI). Portanto, a encarnação nunca será suspensa. 2. Um Salvador encarnado. A perenidade da encarnação reflete a própria natureza da encarnação. Se não fosse eterna, não teríamos uma encarnação, mas Deus residindo temporariamente em um ser humano. A encarnação de Cristo foi, de fato, a união de duas naturezas em uma pessoa, não de duas pessoas no mesmo corpo. Jesus não existe independentemente da encarnação. Nele coexistem o divino e o humano numa união indestrutível, o que torna possível a nossa união com Deus outra vez. Além disso, o fim da encarnação significaria a extinção de nosso Salvador divino-humano, o que é impossível. O que aconteceu na encarnação foi algo que não pôde ser desfeito quando o propósito foi atingido. 3. O fim do pecado e a irreversibilidade da encarnação. Ao explorarmos a natureza perene da encarnação, também devemos considerar que o pecado é um fenômeno tanto temporal quanto cósmico, e que sua solução é também cósmica e temporal. Por meio da obra de Cristo, o pecado será eliminado do Universo (cosmos) para sempre (tempo) e nunca mais ressurgirá. A solução para o problema do pecado é universal e permanente. Não é somente um elemento no passado. O ato salvador de Deus é um evento sempre presente e eternamente efetivo. Isso significa dizer que a humilhação de Cristo ao Ele Se tornar um ser humano será preservada eternamente para garantir que o pecado nunca mais se levante. A encarnação é parte do eterno sacrifício Dele por nós. ]
BEM-ESTAR
O CARVÃO VEGETAL ATIVADO NÃO MELHORA O PROCESSO NATURAL DE DESINTOXICAÇÃO DO ORGANISMO
DETOX VEGETAL
ENTENDA COMO FUNCIONA A DESINTOXICAÇÃO DO ORGANISMO E NÃO SEJA ENGANADO COM FÓRMULAS MILAGROSAS PETER N. LANDLESS E ZENO L. CHARLES-MARCEL
Foto: Trumzz
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ma rápida pesquisa na internet o levará a vários sites, a maioria deles comerciais, que vendem a ideia (e os produtos) de que sucos, poções e certos tipos de pó de extrato de plantas exercem a função probiótica de “desintoxicar” nosso corpo. Essas propagandas costumam divulgar também os supostos benefícios do carvão vegetal ativado. O fato é que não precisamos de ajuda extra para desintoxicação. Fomos criados de modo “assombrosamente maravilhoso” (Sl 139:14) por Deus, que levou em conta todas as nossas necessidades metabólicas. Diariamente, nosso organismo cuida de eliminar as toxinas. Quando em alta concentração, alguns desses resíduos, como a ureia e o dióxido de carbono, são nocivos. E quem cuida da eliminação deles são os pulmões, rins, fígado, o sistema gastrointestinal e o processo de transpiração. Não podemos aprimorar o projeto do Criador, mas nos empenhar
para que os dispositivos projetados por Ele funcionem com mais eficiência. Isso inclui beber água em quantidade adequada, ter uma dieta rica em fibras (variedade de frutas, vegetais, grãos integrais, castanhas e legumes) e praticar exercícios físicos com regularidade. Integrar esses hábitos num estilo de vida pode melhorar a função geral do corpo e seu funcionamento cognitivo, estimulando e fortalecendo a imunidade, por exemplo. Por isso, acrescentar o carvão vegetal ativado como um suplemento ou tratamento não melhora esse processo. O carvão vegetal é produzido pelo superaquecimento de fontes naturais de carbono, como madeira, além de um gás ativador que ajuda a expandir a área da superfície. O carvão tem sido usado há muitas décadas no tratamento contra envenenamento. Por ser poroso, é capaz de absorver substâncias químicas e drogas após uma overdose (intencional ou não), por exemplo. Ele não é
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útil em casos de envenenamento por álcool, lítio, cianeto ou comprimidos à base de ferro. Vale destacar que nesses casos de intoxicação você nunca deve superestimar a utilidade do carvão. Procure ajuda profissional num serviço de emergência de um hospital. Se o carvão for especificamente recomendado, deve ser administrado o mais rápido possível. Talvez seja por essa propriedade de absorção e sua utilização em alguns casos de envenenamento que o carvão ganhou fama de agente de desintoxicação, mesmo no estado saudável do organismo. Isso não é comprovado por pesquisas científicas sólidas. O carvão pode reduzir a distensão abdominal e a flatulência, e ajudar a conter a diarreia, mas a literatura acadêmica é divergente sobre sua real eficácia. Quando usado em doses apropriadas, sua utilização é inofensiva. Contudo, entre os efeitos colaterais do carvão utilizado por via oral está a língua preta, fezes escuras, vômito, diarreia e constipação. Sua utilização não pode ser associada aos remédios para prisão de ventre e sua propriedade de absorção pode influenciar no efeito de medicamentos de uso contínuo. Portanto, a melhor receita é não acreditar em propagandas milagrosas e procurar seu médico a fim de saber se e quando convém recorrer ao carvão vegetal. ] PETER LANDLESS é cardiologista e diretor do Ministério da Saúde da sede mundial adventista em Silver Spring, Maryland (EUA); ZENO L. CHARLES-MARCEL é clínico geral e diretor associado desse ministério
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NOVA GERAÇÃO
NÃO IMPORTA QUÃO LONGE OU RÁPIDO VOCÊ CORRA DELE, CRISTO AINDA O PROCURA
PROCURA INTENSA QUANDO O SER HUMANO REALMENTE DESEJA ALGO, ELE PERSISTE. DEUS TAMBÉM FREDERICK KIMANI
em seu quarto. Assim que me sentei no posto de enfermagem, vi que ela estava vindo pelo corredor, perguntando a todas as enfermeiras se tinham visto o “médico quatro olhos” simpático (referindo-se aos meus óculos), que havia bondosamente feito maravilhas por ela. Escondi-me atrás de uma parede. Motivo que levou a equipe de enfermagem a zombar de mim pelo resto da noite. Até hoje me lembro de Belinda me “perseguindo” pelos corredores do hospital. Ela tomou a iniciativa de me procurar, porque precisava desesperadamente de alívio. Isso é persistência. Se um ser humano é capaz de fazer qualquer coisa para superar sua dor, o que dizer de Deus em relação aos Seus propósitos? Refletindo sobre o que aconteceu aquela noite, pensei na incansável procura de Deus por nós. O salmista declarou: “Tua bondade e Teu amor correm atrás de mim todos os dias da minha vida” (Sl 23:6, A Mensagem). E não importa quão longe nem quão rápido corramos Dele, Ele ainda vem atrás de nós. Assim Ele é descrito na parábola do filho pródigo (Lc 15). Sua busca constante por nós é tão intensa que Ele Se tornou ser humano, a fim de nos procurar pelos corredores da Terra. E foi além. Trocou o mérito de Sua vida perfeita pela maldição de nossa condenação. Para fazer isso, Ele não esperou que fôssemos perfeitos (Rm 5:8). Nossa riqueza é resultado de Sua pobreza (2Co 8:9). Cristo ainda procura por nós hoje, batendo à porta do nosso coração e esperando a permissão para entrar (Ap 3:20). Por quê? Ele diz: “Vocês significam muito para Mim! Sim, Eu os amo tanto assim! Eu venderia o mundo inteiro para comprar vocês de volta; trocaria a criação inteira só por vocês” (Is 43:4, A Mensagem). E você, deseja ser encontrado? Não importa quão longe ou rápido você corra de Jesus, Ele ainda o procura. ] FREDERICK KIMANI é médico em Nairóbi, no Quênia. Ele é apaixonado por testemunhar de Deus aos jovens por meio da música
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Foto: Arquivo pessoal
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or favor, doutor, só mais uma vez!” Interrompi minha rotina, perplexo p el a i n s i s t ê nc i a de Belinda (nome fictício). Minha paciente grávida estava pedindo desesperadamente que eu esquecesse meus deveres médicos para massagear suas costas, na tentativa de aliviar um pouco as dores de parto intensas e crescentes. Pela minha avaliação obstétrica, ela demoraria ainda umas dez horas até dar a luz. Isso significaria permanecer 600 minutos ao lado da sua cama, no meio da noite, sem poder dormir, pois havia 20 mulheres para examinar. Aquela seria uma longa noite! Um pouco antes, manifestando empatia, me ofereci para massagear a parte inferior das costas de Belinda. Subestimei o quanto ela apreciaria aquele meu gesto e quanto isso me custaria. Logo a grávida que estava na cama ao lado já começou a exigir “meus serviços de massagem relaxante nas costas”. Concluí que ficaria preso naquele quarto pelo resto da noite, mas tinha que atender as demais parturientes. Quando entrei no quarto ao lado para examinar outras pacientes, ouvi um grito bem alto e agudo vindo do corredor: “Daktari! Daktari! (“doutor”, em suaíli). Era Belinda procurando por mim e concorrendo ao prêmio de “paciente mais persistente do ano”. Pensei que em alguns minutos ela desistiria, mas seu clamor durou horas. Ao terminar de atender todas as pacientes daquela ala, ainda era possível ouvir Belinda gritando por mim
PRIMEIROS PASSOS
VOCÊ É IMPORTANTE
É FUNDAMENTAL SABERMOS QUE ESTAMOS AQUI PARA FAZER A DIFERENÇA TY GIBSON
Ilustração: Xuan Le
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erto dia, em Byron Bay, uma pequena cidade litorânea da Austrália, li um cartaz com a seguinte frase: “Hoje eu vi o Universo mudar.” E quem escreveu aquelas palavras estava prestando atenção à minha reação. O ponto é que tudo o que fazemos gera algum impacto. E essa é uma grande responsabilidade. A boa notícia é que não estamos sozinhos nessa missão. Com a ajuda de Deus, que nos fez e nos deu liberdade de escolha, podemos tomar boas decisões. Ele podia ter nos criado como máquinas, escravos ou seres capazes de escolher e agir, como nos fez. Deus criou a humanidade “à Sua imagem” (Gn 1:27), e todo ser humano tem o poder de pensar e de fazer coisas que tenham impacto eterno para si e os outros. O que fazemos é importante, pois cria relacionamentos, tanto positivos quanto negativos. Existem pessoas reais, com rosto e nome, que são quem são e amam o que amam por causa de nós. Portanto, no curso da história, cada ato de amor que realizamos faz a diferença no próprio plano da realidade eterna. Por exemplo, se eu consolo alguém, visito uma pessoa doente e a trato com compaixão ou se alimento uma criança faminta, tudo isso tem um valor enorme. São maneiras de expressar generosidade e testemunhar que Deus existe e que Ele Se importa com as pessoas.
A princípio, essas ideias podem ser difíceis de compreender. Mas há uma pergunta que não podemos deixar de fazer: o que faremos com nossa vida hoje, exatamente agora? Olhe ao redor. Homens, mulheres e crianças esperam pela nossa influência, anseiam pelo nosso amor e podem ser abençoados pelo nosso exemplo. Essas pessoas podem ser reavivadas pelas nossas palavras amáveis e salvas para sempre porque viram Cristo em nós. “Hoje eu vi o Universo mudar”. Ele mudou por causa das minhas e das suas escolhas. Uma versão adaptada desta história foi publicada originalmente na revista KidsView de julho de 2013. ] TY GIBSON é o pastor sênior da Storyline Adventist Church em Eugene, Oregon (EUA), além de cofundador e orador do ministério Light Bearers
“Muitos são os planos no coração do homem, mas o que prevalece é o propósito do Senhor” (Pv 19:21, NIV).
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PERSPECTIVA
NOSSO PLANETA É INSIGNIFICANTE DIANTE DA GRANDIOSIDADE DO UNIVERSO. PORÉM, NÃO É PARA DEUS
DEUS ATERRISSOU EM BELÉM, NA PALESTINA, HÁ 2 MIL ANOS, POR MEIO DO NASCIMENTO DE JESUS
BRUCE MANNERS
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este ano comemoramos o 50º a niversá rio do primeiro desembarque humano na Lua. Foi um momento emocionante e significativo na história do nosso planeta. Muitos dos que têm idade suficiente para se lembrarem do fato poderão contar sobre como se reuniram em frente a uma televisão para assistir ao vivo, em preto e branco, Neil Armstrong e, em seguida, Buzz Aldrin tornaremse os primeiros seres humanos a andar na superfície do nosso satélite natural. Após o módulo lunar ter aterrissado, Aldrin pediu a todos os que o ouviam que parassem um momento para refletir no que tinha acabado de acontecer. Na sequência, ele sugeriu que cada um agradecesse à sua maneira. Durante o silêncio que se seguiu, ele leu as palavras de Jesus: “Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto; pois sem Mim vocês não podem fazer coisa alguma” (Jo 15:5, NVI). 34
Depois, o astronauta pegou o pão e o vinho que tinha levado para uma Santa Ceia particular. Mais tarde, Aldrin se questionou se deveria ter feito isso, pois sabia que estava representando toda a humanidade, ou seja, pessoas de todas as crenças. Porém, ele disse que, na ocasião, não tinha encontrado um modo melhor de registrar a experiência da Apollo 11 do que dando graças a Deus. Por sua vez, ao descer os degraus do módulo lunar para a superfície da Lua, Neil Armstrong disse uma frase preparada: “Este é um pequeno passo para o homem, mas um grande salto para a humanidade.” Armstrong falou a verdade. Dois anos depois, em 1971, Jim Irwin passou três dias na Lua. Ele é mais bem lembrado pelas imagens de David Scott (o motorista), nas quais aparece saltando pela superfície lunar em um buggy. Ele foi o primeiro passageiro de um automóvel na Lua.
Irwin se lembra de uma ocasião em que estava na Lua olhando para a Terra. Ele estendeu a mão para fora, com o polegar para cima e fechou um olho. A Terra se ocultou atrás de seu dedo. E ele se sentiu terrivelmente pequeno. Em certo sentido, todo o nosso planeta estava atrás do polegar de Irwin. Podemos dizer que a Terra é somente uma pedra a mais no Universo. É verdade que este planeta é a casa de vida inteligente, tão inteligente que é capaz de chegar à superfície inóspita da Lua. No entanto, no quadro geral do Universo, precisamos admitir: a Terra é insignificante. Contudo, para Deus, não é. Ele demonstrou isso quando fez uma aterrissagem em Belém, na Palestina, há 2 mil anos, por meio do nascimento de Jesus. Isso é o que torna nosso planeta grande e importante. Não é pelo que somos, pelo que nos tornamos nem pelas nossas habilidades. É Deus quem faz a diferença nessa equação. “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que Nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16, NVI). Esse foi um salto gigante para a humanidade! ] BRUCE MANNERS, PhD em Sociologia, é pastor aposentado e ex-editor da revista Adventist Record
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Foto: NASA
ELE PISOU NA TERRA
SAÚDE Equipe da ADRA esteriliza ambulâncias que transportaram pacientes com o vírus. O maior surto da doença foi registrado em 2014-2015 na África Ocidental
COMBATE AO VÍRUS EBOLA
O trabalho da ADRA para ajudar a conter o segundo maior surto da doença registrado no continente africano KIMI-ROUX JAMES
á um ano, um novo surto de ebola, o segundo maior da história, atinge a República Democrática do Congo. Desde 1976, quando o vírus foi descoberto pela primeira vez, o país africano já enfrentou dez grandes crises provocadas pela doença. Em julho, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou que o surto de ebola na região é uma emergência internacional de saúde pública e que uma rede de assistência humanitária adicional é necessária para conter o vírus. Desde agosto de 2018, mais de 1,7 mil mortes foram confirmadas. Estima-se que 2,5 mil pessoas tenham sido infectadas e outras 17 mil possam ter entrado em contato com o vírus. De acordo com a OMS, a vacinação ajuda a minimizar a propagação e a exposição da doença, mas, devido ao conflito em curso e à resistência da comunidade, em parte por causa de pobreza, desinformação, práticas culturais e marginalização, o surto tem representado
Fotos: ADRA
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um desafio para os funcionários da linha de frente em sua luta para conter a doença. Diante desse cenário, a ADRA tem buscado oferecer apoio às autoridades locais e comunidades atingidas. Presente no país desde 1984, a agência humanitária tem dado atenção especial à população mais vulnerável, especialmente crianças e mulheres que enfrentam necessidades extremas por causa da epidemia. A ADRA tem pequenas filiais em 17 províncias do país, sendo seis delas em Kivu do Norte e Ituri. Recentemente, foram realizados convênios com outras organizações humanitárias e autoridades locais para implementar um programa alimentar que busca ajudar as comunidades mais afetadas pela epidemia. Atualmente, a ADRA gerencia um programa de alimentação para crianças com o apoio do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância). “Estamos trabalhando para reduzir o risco de desnutrição entre crianças e jovens com até 26 anos de idade, mulheres grávidas e lactantes que foram afetadas pelo vírus ebola”, afirma Mário Oliveira, responsável pela área de resposta a emergências. O projeto inclui o estabelecimento de locais de amamentação nos centros de tratamento e centros de saúde para crianças com até dois anos. Será priorizado o atendimento daquelas que são impedidas de receber o leite materno quando a mãe fica doente e tem que ser hospitalizada. A iniciativa também prevê a aquisição dos itens necessários para amamentar os bebês; alimentação de emergência; treinamento de assistentes psicossociais e nutricionais, incluindo integrantes da equipe da ADRA, e o treinamento de enfermeiros profissionais para transmitir informações sobre controle de infecção e métodos de prevenção para pacientes em áreas de risco. A ADRA também está trabalhando para conscientizar as comunidades quanto às formas de prevenir o contato com o vírus ebola. A agência humanitária da igreja já beneficiou mais de 170 mil pessoas por meio de atividades de prevenção e mobilização comunitária. No entanto, Mário Oliveira observa que a luta contra o vírus ebola ainda não acabou. “Esperamos que esse surto seja contido antes que a situação piore e se estenda além das fronteiras da República Democrática do Congo”, ele ressalta. ] KIMI-ROUX JAMES atua na equipe da ADRA internacional
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INTERNACIONAL
CENTENÁRIO EM RUANDA
Mais de 40 mil pessoas celebram a chegada do adventismo no país africano PRINCE BAHATI
ais de 40 mil adventistas do sétimo dia lotaram o Estádio Nacional Amahoro, em Kigali, capital de Ruanda, para celebrar uma data histórica: o centenário do adventismo no país africano. O pastor Ted Wilson e a esposa, Nancy, também participaram da grande concentração. Falando aos milhares de ouvintes, o líder mundial da denominação ressaltou o fato de Deus sempre ter conduzido Seu povo ao longo da história. Com base no livro de Josué, o pastor Ted Wilson relembrou especialmente o episódio da travessia do Jordão, chamando a atenção do público para as pedras que cada tribo teve que levar como um lembrete da salvação milagrosa. Fazendo alusão ao tema do evento, “Nas mãos de Deus”, ele exortou os adventistas de Ruanda a se manterem sob a direção de Deus. A comemoração do 100º aniversário da igreja no país também foi o momento de prestar homenagem aos missionários adventistas que ali chegaram em 1919. Chamando a atenção para o compromisso dos pioneiros, Hesron Byilingiro, líder da denominação em Ruanda, afirmou que esse legado nunca será esquecido. Ele lembrou
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que esses missionários tiveram que se integrar a uma cultura que não conheciam e aprender um novo idioma. Byilingiro ressaltou que o trabalho que eles realizaram na área de educação e saúde era, por si só, um “idioma” e um modo de pregar o evangelho que não necessitava de tradução. O líder da igreja louvou a Deus pela mensagem que transformou muitas vidas em seu país. Ele ainda destacou o papel que os nativos exerceram na expansão do adventismo e no apoio ao trabalho dos missionários estrangeiros. Alguns descendentes desses pioneiros foram homenageados durante a programação. O governo de Ruanda foi representado por dois ministros e pelo diretor executivo do Conselho de Governança de Ruanda (RGB), órgão encarregado de regular as organizações religiosas. A ministra Judith Uwizeye disse que a Igreja Adventista é uma boa parceira do governo por causa de seu papel na educação, saúde e no desenvolvimento. Relembrando o genocídio contra os tutsis, em 1994, ela observou que a igreja não foi poupada, mas agradeceu a Deus por salvar a nação. Ecoando as palavras do pastor Ted Wilson, Judith exortou os adventistas a continuarem sendo bons cidadãos e uma fonte de cura para a comunidade. Também presente na celebração, Anastase Shyaka, ministro do governo local, reiterou que sempre defenderá a liberdade religiosa. No dia seguinte, a delegação da sede mundial da Igreja Adventista e os líderes da Divisão Centro-Leste Africana se uniram aos membros de igrejas locais para o programa mensal de serviço comunitário conhecido como “Umuganda”. Na ocasião, mais de 400 moradores da capital receberam atendimento gratuito na área da saúde. Enquanto a população do país em geral dedica o último sábado de cada mês para o serviço comunitário, o governo permitiu que os adventistas fizessem sua parte em cada primeiro domingo do mês. Essa participação tem ampliado a influência da igreja na comunidade. Ruanda, país de aproximadamente 13 milhões de habitantes, já tem mais de 900 mil adventistas e espera chegar a um milhão de fiéis até o fim do ano. ] PRINCE BAHATI é diretor de comunicação da Divisão Centro-Leste Africana R e v i s t a A d ve n t i s t a // A d ve n t i s t Wo r l d // Outubro 2019
Foto: East-Central Africa Division
Pastor Ted Wilson, líder mundial da Igreja Adventista, e a esposa, Nancy, participaram do programa comemorativo realizado no Estádio Nacional Amahoro, na capital
MISSÃO Congresso sul-americano foi realizado pela primeira vez na Universidad Peruana Unión, instituição que, no ano de seu centenário, enviou mais de cem voluntários para servir à igreja ao redor do mundo
DA AMÉRICA DO SUL PARA O MUNDO
A quinta edição do I Will Go recebeu mais de 3,6 mil participantes e pelo menos 700 deles se colocaram à disposição da igreja para servir em projetos transculturais CARLOS HENRIQUE NUNES
m sua quinta edição, o congresso internacional I Will Go, realizado no campus da Universidad Peruana Unión (UPeU), em Lima, nos dias 11 a 14 de setembro, levou quase 700 jovens à decisão de servir como voluntários no campo missionário. Diante da necessidade de gente qualificada em diferentes áreas de atenção profissional, humanitária e espiritual, a partir de agora eles serão selecionados e preparados para tornar o evangelho relevante em outras culturas ao redor do globo.
Foto: UPeU
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“Esse é o momento de pagarmos a dívida histórica que temos com a igreja mundial. Agora, nós iremos ao mundo fazer o que fizeram por nós”, declarou o pastor Erton Köhler, líder da Igreja Adventista para oito países do continente. Os mais de 3,6 mil jovens de toda a América do Sul reunidos no c ampus universitário peruano mostraram que, depois de um início tímido, o Serviço Voluntário Adventista (SVA) veio para ficar. O evento foi marcado por uma maratona de plenárias, seminários e feiras, além da inspiração de testemunhos motivadores de jovens que
estão praticando o voluntariado. Um dos aspectos mencionados no evento foi o perfil das pessoas que têm participado do congresso e dos programas de voluntariado: quase 90% têm entre 20 e 34 anos de idade e são solteiros; e mais da metade são mulheres, profissionais já formados ou em idade universitária, de acordo com o pastor Joni Oliveira, líder do SVA da Divisão Sulamericana. Em uníssono, tanto o líder do SVA quanto o secretário executivo da igreja no continente, pastor Edward Heidinger, a quem o departamento está subordinado, reconhecem que
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o desafio agora é levar o voluntariado do ambiente universitário para a igreja local. “Estamos nesse processo e, para isso, os campos locais estão captando e capacitando jovens através das escolas de missão espalhadas pelo nosso território”, afirmou Heidinger. Argentina, Chile e Peru tem alcançado protagonismo no voluntariado. O primeiro país deu a largada nesse processo no continente e segue liderando as estatísticas sul-americanas como base de envio de missionários voluntários para o mundo. O segundo marcou tendência no congresso peruano enviando a maior delegação estrangeira. E o país anfitrião, só durante este último ano, dentro do marco das celebrações do centenário institucional da UPeU, enviou mais de cem jovens a diferentes lugares do planeta. Na visão do pastor Köhler, esses esforços servem de modelo para outros países do continente, inclusive o Brasil. Um dos focos do envio segue sendo a chamada “Janela 10/40”, território que abrange Oriente Médio, Ásia e Norte da África. Nessa região administrativa da igreja, o trabalho voluntário está apenas começando, mas o plano é ampliar o número de voluntários atuando em centros de influência e escolas nos lugares em que não existe presença adventista, conforme afirma Denis Sand, líder da igreja nessa região. Presente no evento, ele ressaltou que o voluntário adventista sul-americano é “raro” porque fala outro idioma, tem outros gostos, comidas e joga futebol… Se neste ano mais de 3,6 mil jovens ecoaram o slogan do evento em espanhol, em 2021 talvez o dobro de participantes digam o mesmo em português. O ponto de encontro será a Faculdade Adventista da Bahia. ] CARLOS HENRIQUE NUNES, pastor e jornalista, cursa o mestrado em Missiologia na Universidad Peruana Unión
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RETRATOS Quase 50% dos batismos da Igreja Adventista na Polônia são resultado dos acampamentos espirituais de verão para jovens e desbravadores Foto: União Polonesa
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SIMPÓSIO Evento realizado em Tatuí (SP) buscou levar o debate acadêmico para o contexto da igreja local. A proposta é que a iniciativa seja replicada em outras congregações
O RUGIDO DE DEUS Evento reflete sobre o dom de profecia e incentiva seu estudo nas igrejas DIOGO CAVALCANTI
pós presenciar uma cena de adoração indescritível, João fica tão sensibilizado que se prostra diante do anjo revelador. Ele tenta adorar o ser angélico, mas é impedido com as seguintes palavras: “Vê, não faças isso; sou conservo teu e dos teus irmãos que mantêm o testemunho de Jesus; adora a Deus. Pois o testemunho de Jesus é o espírito da profecia” (Ap 19:10). Mas o que o anjo quis dizer com “espírito de profecia”?
Foto: Márcio Tonetti
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A cadeia de comunicação e o conteúdo revelatório do Apocalipse, dado por Cristo, constituíam um testemunho de Jesus, que foi a própria revelação entregue a João (Ap 1:1, 2). O apóstolo, que havia testemunhado o Cristo ressurreto, também Se tornou uma testemunha de Sua revelação profética. Em João se manifestou o espírito de profecia, com uma mensagem sobre Cristo em harmonia com a Palavra de Deus. O assunto do dom de profecia é caro aos adventistas do sétimo dia, pois toca diretamente nos escritos de Ellen White. Em seus 87 anos de vida e 70 de ministério, ela recebeu mais de dois mil sonhos e visões. E, como foi para João, o espírito de profecia manifestado R e v i s t a A d ve n t i s t a // Outubro 2019
na vida e nos textos dela tinha os mesmos pilares: Jesus Cristo e a Bíblia. O dom profético que reflete o testemunho de Jesus constitui mais um elemento distintivo do povo de Deus no tempo do fim (Ap 12:17; 14:12). Porém, a expressão “espírito de profecia” em Apocalipse 19:10 não se restringe a Ellen White, mas revela uma cadeia profética que se estende por toda a história. AÇÕES COORDENADAS Para destacar essa compreensão mais abrangente do dom de profecia, o Ellen G. White Estate (Patrimônio Literário Ellen G. White), sediado na Associação Geral, enviou três de seus diretores associados ao Brasil, para a realização de um simpósio sobre
esse assunto. Alberto Timm, Dwain Esmond e Darryl Thompson foram os oradores do simpósio “O Dom de Profecia na Bíblia e na História”, realizado em 6 e 7 de setembro, na Igreja Adventista das Mangueiras, em Tatuí (SP). O evento, que recebeu centenas de interessados da cidade e da região, refletiu o primeiro simpósio sobre esse tema, realizado em 2015 na Universidade Andrews (EUA), o qual resultou no livro homônimo em inglês e que foi traduzido para outras sete línguas, entre elas o português, com o título Quando Deus Fala: O Dom de Profecia na Bíblia e na História (CPB, 2017). Esse título foi inspirado em Amós 3:8, que compara a palavra profética de Deus ao rugido de um leão. Mais do que uma ação isolada, o propósito é expandir o estudo sobre o dom de profecia para além das fronteiras acadêmicas e ministeriais. A ideia é que simpósios, seminários e grupos de estudo sejam formados em igrejas no Brasil e ao redor do mundo. Além do livro Quando Deus Fala, que serve como fonte de conteúdo, pastores e líderes de igreja contarão com uma série de apresentações em PowerPoint que serão traduzidas para o português e para as demais línguas em que o livro tiver sido traduzido. Essas apresentações estarão disponíveis no site do Ellen G. White Estate. O livro e as apresentações em PowerPoint se dividem em estudos bíblicos e históricos, com vinte assuntos; abordam os fundamentos bíblicos, temas transversais e oito aspectos sobre o papel profético de Ellen White. O estudo do dom de profecia na Bíblia e na história em intersecção com Ellen White fortalece a confiança na orientação profética da igreja, tão necessária diante dos graves desafios da atualidade e do futuro. Quando Deus ruge, precisamos ouvir. ] DIOGO CAVALCANTI, pastor e jornalista, coordena a Editoria de Livros Denominacionais na CPB
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CELEBRAÇÃO
ÀS MARGENS DO RIO PIRACICABA
Adventistas realizam batismos e inauguram monumento em local histórico para a igreja no Brasil MÁRCIO TONETTI
pesar de ter um volume de água menor do que no passado e em alguns trechos índice de poluição até cinco vezes maior do que o aceitável, o famoso rio Piracicaba, que inspirou a canção popular, mantém sua importância hídrica e histórica. Em suas águas, Frank Westphal, que na época era o único ministro adventista ordenado em solo sul-americano, realizou o primeiro batismo da denominação em território nacional há quase 125 anos. Numa manhã fria de abril de 1895, o pastor Westphal se dirigiu a uma piscina natural logo abaixo da corredeira (que fica próxima da ponte estaiada) e ali mergulhou Guilherme Stein Jr., jovem que se tornaria o primeiro editor e o primeiro ministro licenciado no país. Numa cerimônia menos discreta e num dia muito mais quente, cerca de mil adventistas se reuniram às margens do rio Piracicaba no dia 7 de setembro deste ano para celebrar de maneira antecipada a data histórica com vários
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batismos. Devido às condições insalubres da água, não foi possível, evidentemente, realizar a cerimônia no afluente do Tietê. Mesmo assim, o local e o contexto tiveram um significado especial para as 35 pessoas que selaram o compromisso com Cristo ao entrar nos tanques montados à sombra das árvores na tarde do ensolarado sábado. A programação fez parte do projeto “Piracicaba Celebra” e foi precedida por uma série de ações que começaram em 1º de agosto, data do aniversário da cidade. “Além das três feiras de saúde que beneficiaram a comunidade, tivemos ações de conscientização contra a violência e campanhas de doação de sangue. Por meio desses projetos sociais também convidamos as pessoas para o evangelismo público”, conta Jefferson Antunes, um dos pastores distritais que coordenaram as atividades. O conjunto de ações culminou no evangelismo de colheita, não de peixes, conforme o significado do termo “Piracicaba” na língua tupi, mas de pessoas. Além de marcar o início do Batismo da Primavera, a programação resgatou um momento muito importante do adventismo no Brasil. “A semente que germinou no rio Piracicaba resultou em mais de 1,5 milhão de adventistas no país”, ressaltou o pastor Aurelino Ferreira, líder da igreja na região oeste do estado de São Paulo. Promover a programação do dia 7 de setembro nesse espaço público também foi um meio de tornar a igreja mais conhecida no município, que tem um adventista para cada 267 habitantes. Possivelmente a maioria dos seus mais de 400 mil moradores ainda desconheça a história que, a partir de agora, ficará visível em uma placa inaugurada num ponto turístico. Ao participar da inauguração do monumento, o prefeito Barjas Negri disse estar surpreso com o fato de a história de Piracicaba e a da igreja se cruzarem quase no mesmo ponto do rio. Como ele ressaltou, há 252 anos o capitão Antônio Corrêa Barbosa fundou, às margens do Piracicaba, o povoado que se tornaria um dos 15 municípios mais populosos do estado de São Paulo. Semelhantemente, o primeiro batismo realizado nessas águas abriu caminho para a expansão da igreja, denominação que, nas palavras dele, “além de pregar o evangelho, faz um trabalho social da melhor qualidade”. ] MÁRCIO TONETTI é editor associado da Revista Adventista R e v i s t a A d ve n t i s t a // Outubro 2019
Foto: Márcio Tonetti
Placa em homenagem à Igreja Adventista foi fixada num ponto próximo ao local em que, segundo os registros históricos, foi realizado o primeiro batismo de um adventista no Brasil
INSTITUCIONAL
CUIDE DOS SEUS OSSOS
ELES SÃO FUNDAMENTAIS PARA A SUSTENTAÇÃO DO CORPO, PROTEÇÃO DOS ÓRGÃOS, PRODUÇÃO DE SANGUE E COMO ESTOQUE DE CÁLCIO ROGÉRIO GUSMÃO
Foto: Adobe Stock
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osé fez seus irmãos jurarem que ele não seria sepultado no Egito. O desejo do filho mais amado de Jacó, que de escravo passou a governar na terra dos faraós, era que seus ossos seguissem com seu povo (Gn 50:25). Contudo, o que os ossos representam para a existência humana? No início do meu curso de Medicina recebi da faculdade um saco de ossos para estudá-los por seis meses. Várias vezes adormeci tentando memorizar o nome daqueles ossos e observando seus acidentes anatômicos. Aqueles restos mortais eram de alguém que havia morrido como indigente, que não foi cuidado por sua família ou que não cuidou de si mesmo. Por isso, pergunto: você tem cuidado dos seus ossos? Se após a morte os ossos representarão nossa memória ou legado, em vida eles desempenham pelo menos quatro funções fundamentais: 1. Sustentação. Eles são a base do sistema locomotor, junto com os músculos, e realizam a distribuição do peso do corpo. 2. Proteção. Os ossos protegem os órgãos mais importantes do corpo, como cérebro, coração e pulmões. 3. Produção de sangue. É a medula vermelha dos ossos que produz constantemente as principais células do sangue. 4. Estoque de cálcio. Os ossos fornecem minerais para as funções vitais do corpo e quando é necessário reequilibrar o pH do sangue. R e v i s t a A d ve n t i s t a // Outubro 2019
O DESENVOLVIMENTO ÓSSEO SE ACELERA NA ADOLESCÊNCIA, ATINGE SEU APOGEU AOS 30 ANOS E DEPOIS COMEÇA A DECLINAR Vale destacar que nascemos com o desenvolvimento ósseo incompleto. Esse processo se acelera entre 13 e 15 anos de idade e atinge seu apogeu dos 25 aos 30 anos. A partir daí, começamos a perder massa e densidade óssea. Nas mulheres, isso é percebido a partir dos 35 anos e se intensifica muito depois da menopausa. Nos homens, esse processo é percebido a partir dos 45 anos e se acentua depois dos 70 anos. E o que fazer para ter ossos saudáveis? Basicamente, quatro orientações servem para pessoas de qualquer idade: 1. Ingestão suficiente de cálcio. A recomendação da OMS para mulheres (29 a 50 anos) e homens (19 a 70 anos) é de 1000 mg/dia. E o risco de fraturas aumenta muito se a ingestão for inferior a 800 mg/dia. Ricota e queijo muçarela, sardinha, além de leites e iogurtes desnatados e naturais são alguns
alimentos de origem animal ricos em cálcio. Por sua vez, o mesmo benefício pode ser encontrado em amêndoas, soja, linhaça, nozes, gergelim, manjericão, agrião, grão de bico e amendoim. Porém, o nível de absorção de cálcio vai depender da fonte e da interação com outros alimentos no tubo digestivo. 2. Exposição à luz solar. A vitamina D é o hormônio que regula a quantidade de cálcio e fósforo no organismo. Ela pode ser produzida naturalmente com a exposição ao sol: 20 minutos diários, com as pernas e braços sem cobertura e protetor solar. Já a administração oral de vitamina D deve ter acompanhamento médico, pois, ingerido em excesso, o cálcio pode se depositar nas artérias e rins. 3. Exercício físico diário. Atividades aeróbicas como caminhada, corrida, natação e andar de bicicleta fortalecem os músculos e evitam que o cálcio se deposite em lugares indesejados. 4. Abstinência de cigarro, álcool e cafeína. Essas substâncias comprometem a absorção e manutenção de cálcio no corpo. Cuide dos seus ossos, para que eles o sustentem em vida e testemunhem após sua morte. ] ROGÈRIO GUSMÂO, médico cirurgião geral e oncológico, é o líder do Ministério da Saúde da sede sul-americana da Igreja Adventista
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GUIA
CONVERSAS DIFÍCEIS A DISTÂNCIA
QUANDO UM DIÁLOGO NÃO É PRESENCIAL, É IMPORTANTE SER AINDA MAIS CUIDADOSO NA COMUNICAÇÃO WENDEL LIMA
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ESCOLHA O MELHOR MOMENTO É preciso escolher um horário em que você e a pessoa estejam disponíveis, para não se sentirem pressionados ou constrangidos. Examine também seus sentimentos. Lembre-se de que suas expectativas em relação ao outro pesam muito ao avaliar as atitudes dele. Não dá para controlar as ações dos outros, mas podemos escolher como reagir a elas. Por fim, avalie sua intenção com a conversa: quer apenas desabafar, romper o relacionamento ou resolver o problema? CRIE UM SENSO DE COPRESENÇA Quanto mais difícil for a conversa, melhor você deve pensar a respeito de qual tecnologia vai usar para interagir. Se puder utilizar algum recurso de voz e vídeo é melhor ainda. Copresença é a capacidade de sentir como se pudesse interagir 42
efetivamente com a outra pessoa. Mantenha também o ambiente livre de distrações para que vocês se concentrem na conversa. MANTENHA CONTATO VISUAL Diálogos emocionalmente difícieis, principalmente quando servem para se dar uma má notícia, precisam ser acompanhados de elementos não verbais que indiquem respeito pelo outro. Estudos indicam que mesmo as micro-expressões faciais comunicam algo que não tem como perceber num e-mail ou telefonema. Por isso, prefira conversar via Skype a teclar no WhatsApp. ESTEJA DISPOSTO A OUVIR Ouvir seu interlocutor vai ajudar você não apenas a ganhar a boa vontade dele, mas também a entender o outro lado da
história e a ampliar as possibilidades de resolução do problema. Para evitar que a outra pessoa fique na defensiva e revide com ataques, não a responsabilize por seus sentimentos ou prejuízos, mas diga como se sentiu ou percebeu a situação. Se tem que ver com o trabalho, apresente números, dados e fatos para justificar suas observações. SEJA ESPECÍFICO Numa conversa não presencial, a distância é dupla: física e emocional. Estudos na área de psicologia mostram que, quanto mais distante se está no tempo ou no espaço de alguém, mais abstrata é nossa visão sobre o outro. Por isso, você precisa ofecerer e esperar um feedback desse diálogo, até porque geralmente eles envolvem a resolução de um problema específico. Por isso, evite “rodeios”, indiretas e ironia. ] WENDEL LIMA é editor associado da Revista Adventista Fontes: Art Markman, professor de Psicologia e Marketing na Universidade do Texas (EUA), num artigo para a Harvard Business Review (https:// bit.ly/2kakPNk); e texto de Ney Silva para a revista Exame (https://bit.ly/2ksV5Mu).
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Ilustrações: Adobe Stock
dealmente, a comunicação humana funciona melhor quando ela ocorre presencialmente e entre poucas pessoas. Porém, hoje em dia, é comum trabalharmos com profissionais que só conhecemos a distância. Em algumas famílias, por exemplo, parentes estão espalhados por várias regiões do país ou do mundo. Nesses casos, em que é preciso resolver a distância algum problema emocional ou profissionalmente desafiador, é preciso cuidar mais ainda com a comunicação.
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LOGOS
Novo começo O DIA DA EXPIAÇÃO EM LEVÍTICO 16 AJUDA A VISUALIZAR A GRAÇA DE DEUS E A ELIMINAÇÃO DO PECADO ALAN JOHNYS LOPES DOS SANTOS, CELIO BARCELLOS DOS SANTOS, PAULO ALBERTO BARROS LEITE E ROGER DIORRAN BECALI
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As orientações para o Dia da Expiação, portanto, exigiam que o povo fizesse a diferença entre aquilo que era santo e profano, entre aquilo que Deus ordenara e aquilo que Ele não ordenara (Lv 16:2; cf. 10:1). Deus iria apresentar a solução para o pecado no contexto da purificação do santuário, mas era necessário que o povo entendesse a gravidade do mesmo. Os israelitas somente estariam aptos a valorizar a cura à medida que entendessem a gravidade da doença. A IMPORTÂNCIA DA SANTIDADE Embora a palavra “santidade” não apareça no texto, ao se iniciar a leitura do mesmo é possível perceber a presença de seu conceito em toda a cerimônia. Na verdade, não somente no capítulo 16, mas em todo o livro de Levítico “Yahweh repetidas vezes atua como um Deus santo que espera e ordena a santidade de Israel”, conforme enfatiza Paul R. House (Teologia do Antigo Testamento [Vida, 2005], p. 160). “Nada menos do que santidade intencional por parte do povo é digno do Deus santo”, ele complementa. Esse Deus santo Se fazia presente no santuário, o que mostra que Ele está inserido no tempo. O teólogo Fernando Canale assinala: “A presença histórica de Deus, mencionada na Bíblia, torna-se a ‘imanência’ divina na teologia. A palavra imanência significa basicamente algo que é inerente, residente ou existente dentro de outro sujeito ou substância. Afirmar a imanência de Deus, portanto, significa acreditar que, de alguma forma, Deus existe dentro do mundo” (O Princípio Cognitivo da Teologia Cristã [Unaspress, 2011], p. 134). Levítico 16 menciona a presença do Senhor sete vezes. Essas manifestações da presença divina ocorrem no passado e no futuro, e em mais de um lugar, como mostra o quadro. R e v i s t a A d ve n t i s t a // Outubro 2019
Foto: Adobe Stock
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teologia de Levítico 16, que trata do Dia da Expiação, é fundamental para entendermos o plano da redenção da humanidade. O capítulo é precedido por uma série de orientações cerimoniais sobre o processo de purificação. No capítulo 16, ele apresenta a solução de Deus para a mais profunda das impurezas, o pecado. Por meio do ritual da expiação, Deus oferece ao Seu povo um retrato de Sua santidade, do alcance do pecado, de Sua graça provedora e da remoção final do pecado, tipificada no envio do bode Azazel para o deserto. Deus não apenas perdoa, mas também está disposto a purificar os israelitas. Sem dúvida, o centro da teologia do livro se encontra nesse capítulo. O relato inicia localizando o momento em que as orientações para esse cerimonial são dadas, isto é, “depois que morreram os dois filhos de Arão” (Lv 16:1). Nota-se, portanto, que era intenção do autor que o leitor conectasse esses dois momentos. A razão da morte dos filhos de Arão não foi o fato de terem se aproximado do Senhor (Lv 16:1), mas terem oferecido “fogo estranho” (Lv 10:1), não santificando a Deus (cf. Lv 10:3).
TEXTO
TEMPO
LUGAR
Lv 16:1
Passado Altar de incenso
Lv 16:2
Futuro
Sobre o propiciatório (Santíssimo)
Lv 16:7
Futuro
Pátio
Lv 16:12
Futuro
Altar de incenso
Lv 16:13
Futuro
Altar de incenso
Lv 16:18
Futuro
Altar de sacrifício
Lv 16:30
Futuro
Congregação/santuário
Observando o quadro, podemos concluir que de fato Deus estaria presente durante todo o processo da expiação. Assim, nesse ritual, vê-se um Deus imanente, que está perto e que Se encontra com o sumo sacerdote e com o povo em Seu santuário (v. 30). Esse santuário também é chamado de tenda do encontro, termo que aparece 142 vezes no Antigo Testamento, sendo 131 somente no Pentateuco. Há também informações no texto que sugerem a transcendência de Deus. Ele não estava limitado no espaço. Observa-se isso na manifestação da presença divina na tenda e em cada um dos compartimentos. O Senhor não estava limitado ao Santíssimo, nem mesmo ao santuário. Ele é maior que todas as coisas criadas por Ele ou por homens. A certeza da imanência e da transcendência divina explica a quantidade de detalhes em todo o ritual, ou seja, a santidade requerida. É interessante notar que a presença de Deus normalmente gera um misto de sentimentos: alegria, porque é um Deus próximo, interessado em Suas criaturas, e ao mesmo tempo temor, porque é um Deus santo e que espera de Seus adoradores a santidade. O tema da santidade de Deus está intimamente ligado à Sua presença e emerge em três momentos no texto: (1) o lembrete da morte de Nadabe e Abiú, (2) as exigências ritualísticas e (3) a resposta esperada em toda a assembleia. No versículo 2, a mensagem é que não se podia entrar no Santíssimo em qualquer momento, pois a presença de Deus estaria sobre o propiciatório. Todos aqueles que se aproximam da presença de Deus precisam fazê-lo sabendo que Ele é santo. O texto bíblico menciona que a assembleia devia “afligir a alma” porque nesse dia o povo seria purificado. E isso aconteceria “diante do Senhor”. O povo era conclamado a abandonar suas tarefas comuns para se santificar ao Senhor (Lv 16:29, 30). Nesse sentido, o cerimonial do Dia da Expiação possibilitava uma compreensão mais ampla da abrangência do pecado. Era momento R e v i s t a A d ve n t i s t a // Outubro 2019
de juízo, e o povo sabia da solenidade desse dia e da gravidade do pecado, reconhecendo a necessidade de arrependimento e confissão. A impureza alcançava proporção nacional, invadindo o recinto mais sagrado – o santuário. Os pecados causavam a separação entre a nação e Deus. Os israelitas entendiam nitidamente que aquele era um dia solene e de muita reflexão. GRAÇA PROVEDORA Embora o assunto de Levítico 16 seja o ciclo anual do Dia da Expiação, ele não pode ser separado das cerimônias dos sacrifícios diários e dos sacrifícios pelos pecados que eram oferecidos ao longo do ano, nos quais o animal inocente substituía o pecador. “O Dia da Expiação (yom hakkippurim) é o grande clímax do ritual anual do antigo Israel, que envolvia a limpeza/purificação do santuário/ templo”, explica Gerhard F. Hasel num artigo no livro The Sanctuary and the Atonement (Biblical Research Institute, 1989, p. 107). Nesse dia, Arão deveria comparecer diante de Deus com as ofertas pelo pecado. A expressão chatta’ah (Lv 16:6) indica pecado ou oferta pelo pecado. Essa forma substantiva é a mais extensamente usada no Antigo Testamento e ocorre quase 290 vezes. É valido lembrar que, embora fosse Arão que oficiasse como sumo sacerdote, a solução para o pecado vinha de Deus, que toma a iniciativa e provê um modo de solucionar o problema da impureza do pecado humano. Algo que chama a atenção é que a palavra “expiação” também é usada para se referir ao bode emissário ou Azazel, escolhido por sorte para permanecer vivo e ser enviado ao deserto (v. 10). Alguns comentaristas veem nele uma figura da obra realizada por Cristo em Seu sacrifício e também em Sua jornada no deserto. Essa interpretação surgiu especialmente pela influência do livro
deuterocanônico de Barnabé (7:7-11), datado do fim do 1o ou início do 2o século da era cristã. Em seu livro O Sacerdócio Expiatório de Jesus Cristo (Casa Publicadora Brasileira, 2012), Frank B. Holbrook defende que existem sólidas razões para rejeitar o ponto de vista de que os dois bodes representem diferentes aspectos da morte única de Cristo. Ele argumenta que Azazel está em oposição ao Senhor, que no sistema sacrifical jamais se utilizavam dois animais para representar um único sacrifício e que, embora dois bodes fossem apresentados para oferta pelo pecado, apenas um deles era selecionado para o Senhor (Lv 16:9). É importante lembrar que, quando Arão saía para confessar sobre o bode emissário todas as iniquidades, rebeldias e pecados, fazendo-os assim cair sobre a cabeça do bode (v. 21; cf. v. 16), a purificação do santuário já havia sido terminada. Além disso, Holbrook lembra que “o termo ‘expiação’ é usado com mais de uma acepção nas Escrituras” (p. 143). Ele pode ser usado no sentido redentor (cf. Lv 4:35), no qual o pecado é “apagado” pelo sacrifício do substituto, mas também com um sentido punitivo (Nm 25:13; 35:33). Esse segundo sentido parece ser o caso da expiação realizada por Azazel. Além dos cerimoniais diários, Deus lembrava a Seu povo por meio do Dia da Expiação que Ele tinha criado uma solução definitiva para o pecado. O ritual desse dia era uma repetição da promessa de que um dia Seu povo estaria livre para sempre do poder e do alcance do pecado. Enquanto esse dia não chegasse, Sua Graça seria suficiente para purificá-lo e consagrá-lo para uma vida inteiramente dedicada a Ele. Não por acaso, o capítulo inicia com desobediência, mas termina com obediência; inicia com impureza, mas termina com pureza; inicia com tragédia e pecado, mas termina com graça e consagração. 45
A ELIMINAÇÃO DO PECADO O grande Dia da Expiação, como descrito no capítulo 16 de Levítico, é extraordinariamente belo pela riqueza dos muitos detalhes que compõem todo o cerimonial. Nesse dia, o povo de Israel vivenciava aquele que podia ser considerado o maior dentre todos os dias do ano, em razão do rito que nele se processava, indicando a eliminação do pecado. O maior dom religioso (a perdoadora misericórdia de Deus) era oferecido nesse dia a todos os filhos de Israel. A cerimônia descrita e prescrita nesse capítulo tem papel central em todo o sistema de sacrifícios estabelecidos no santuário mosaico/ terrestre. Isso se deve ao fato de que todos os sacrifícios e ofertas pelo pecado que diariamente eram apresentados pelos sacerdotes e pelos pecadores dependiam das cerimônias do Dia da Expiação para que tivessem sua eficácia completa. Entre as orientações dadas a Arão, existe um aspecto que gera muita especulação entre os estudiosos. Trata-se dos dois bodes, sendo um para o Senhor e outro para Azazel (Lv 16:5, 8), conforme já mencionamos. O bode para o Senhor era oferecido como oferta pelo pecado. No serviço realizado com a aspersão de seu sangue, era promovida a purificação do santuário, em função dos pecados do povo de Israel. A discussão, no entanto, se refere ao significado de Azazel. Afinal, quem ou o que é ele? A palavra “Azazel” tem sido interpretada de várias maneiras. Alguns estudiosos veem na oposição do bode Azazel ao bode do Senhor uma conotação de sua personalidade. A explicação mais popular entre os comentaristas é a de que este seja o nome de um demônio que vivia no deserto. Outras interpretações desse raro termo hebraico incluem o sentido de completa destruição. Talvez a resposta mais adequada venha do próprio texto bíblico (Lv 16:8), em que ele aparece em oposição ao Senhor. Isso poderia indicar que se trata de um ser pessoal, ou seja, alguém em confrontação direta ao Senhor. A imagem descrita na Bíblia é bem clara. Azazel aparece carregando toda a culpa, ou seja, os pecados que os filhos de Israel haviam cometido durante o ano, mas que agora estavam sendo colocados sobre ele. Essa totalidade dos pecados é enfatizada pelo uso de três termos diferentes que aparecem juntos ao se referir aos pecados de Israel: “iniquidades”, “transgressões” e “pecados”. Esta tríplice referência abrange todas as dimensões da violação da lei de Deus pelos seres humanos. A transferência de pecados para o santuário em seus serviços diários e regulares iniciava-se 46
Em Levítico 16, o autor apresenta a solução de Deus para a mais profunda das impurezas, o pecado. Por meio do ritual da expiação, Deus oferece ao Seu povo um retrato de Sua santidade, do alcance do pecado, de Sua graça provedora e da remoção final do pecado com a imposição de mãos sobre a vítima, o que implicava a transferência da culpa do penitente para a vítima. No entanto, um registro desse pecado ainda permanecia no santuário até o Dia da Expiação. Assim, quando o sumo sacerdote impunha as mãos sobre a cabeça do bode vivo e confessava sobre ele os pecados de Israel registrados no santuário, estava transferindoos a esse bode, que, por sua vez, carregava sobre si todos os pecados que haviam sido confessados e perdoados. Esse ato de carregar não era o mesmo que o ato de suportar. Logo, esse bode não era responsável pela substituição, nem derramava seu sangue; ele simplesmente estava recebendo os pecados sobre si e levando-os ao deserto. Dessa forma, o pecado estava voltando à sua fonte de origem. “A expulsão do bode vivo fala do retorno dos pecados para sua primeira causa”, afirma Alberto R. Treiyer (The Day of Atonement and the Heavenly Judgment [Creation Enterprises International, 1992], p. 63).
Azazel simbolizava um ser pessoal que se encontrava em oposição ao Senhor, ou seja, Satanás. Uma vez que o bode era conduzido por uma pessoa ao deserto, tinha-se a certeza de que não mais voltaria. Assim, estava de uma vez por todas removida a presença do pecado. O significado dessa cerimônia é amplo e inspirador. O pecado não teria mais efeito, pois seu poder sobre o povo de Deus havia sido quebrado. O santuário terrestre era uma cópia ou tipo do verdadeiro santuário, apontando para o ministério de Cristo no santuário celestial. Ele funcionava como uma ferramenta educativa/ilustrativa. Assim, não havia valor redentivo em seus ritos propriamente ditos. A salvação vem pela morte de Cristo. O quadro do Dia da Expiação aponta tipologicamente para o juízo divino, como descrito em Apocalipse 20, em que a completa destruição do pecado e de todos os inimigos de Cristo se dará no lago de fogo. Nesta breve análise do ritual do Dia da Expiação em Levítico 16, observa-se que ele incluía elementos teológicos relevantes. O Deus eterno e transcendente Se fazia presente no meio do Seu povo. Todo o ritual visava a uma melhor compreensão da natureza do pecado e do plano da salvação. O Dia da Expiação, portanto, evidenciava a graça divina na provisão de um plano para purificar o santuário e o povo de Deus. Esse ritual anual era o clímax do ritual diário. Ele permitia um novo começo. Hoje, conhecendo o ministério sacrifical e intercessor de Cristo, precisamos também confiar que Ele pode nos purificar de todo pecado e nos oferecer a chance de um novo começo. ] ALAN JOHNYS LOPES DOS SANTOS, CELIO BARCELLOS DOS SANTOS, PAULO ALBERTO BARROS LEITE e ROGER DIORRAN BECALI são pastores e cursam mestrado em Teologia no Unasp, campus Engenheiro Coelho (SP)
R e v i s t a A d ve n t i s t a // Outubro 2019
MEMÓRIA
Amália Velasco de Sousa, aos 83 anos, vítima de AVC hemorrágico. Era membro da Igreja da Lapa, em Ribeirão Preto (SP). Dona de casa, foi mãe e avó protetora. Sabia de cor a data de aniversário e de casamento de todos os seus descendentes e chegou a doar metade de sua aposentadoria para ajudar netos em dificuldade financeira. Disse ter recebido um sonho, meses antes de sua morte, por meio do qual foi avisada que descansaria em breve. Deixa o esposo, Amado Luiz de Souza, seis filhos, dez netos e quatro bisnetos. Celso Batista, aos 63 anos, vítima de câncer. Nascido em Porto Alegre (RS), tio Celso, como era conhecido, foi batizado na Igreja Adventista no ano de 1994, em Sorocaba (SP). Ali ele iniciou seu ministério com adolescentes e no Clube de Aventureiros. Em 2000, Celso mudou-se para Florianópolis (SC), onde morou durante 19 anos, sempre servindo como professor da Escola Sabatina e líder do Clube de Desbravadores. Destacou-se por seu carisma e paciência. Deixa a esposa, Anai, um casal de filhos e quatro netos. Danielle Cristina dos Santos, aos 13 anos, vítima de um tumor cerebral, contra o qual lutou por mais de seis anos. Sempre sorridente e alegre, apesar de sua condição de saúde, deixa uma grande
lição de vida para os que conviveram com ela. Era membro da Igreja Central de Mandaguaçu (PR). Deixa os pais e familiares. Dermival de Oliveira, aos 72 anos, em São Paulo (SP), vítima de problemas cardíacos e renais decorrentes de diabetes. Nascido em lar adventista, em Mandaguari (PR), foi por vários anos secretário da Igreja de Campo Grande, na capital paulista, cidade na qual também cantou em quartetos, no Coral Dominus e serviu como ancião na Igreja da Alvorada. Deixa a esposa, Esther (com quem foi casado por 50 anos), um casal de filhos e três netos. Eunice de Salles Ávila, aos 90 anos, em Curitiba (PR), vítima de tromboembolismo pulmonar. Natural de São Paulo, passou a maior parte da vida na capital paranaense. Batizada na infância, sempre foi muito ativa na igreja, participando em ministérios voltados aos juvenis, jovens e adultos. Foi membro das comissões diretivas da Associação SulParanaense e da Divisão SulAmericana. A tia Eunice, como era carinhosamente conhecida, lecionou no antigo Ginásio Adventista Campineiro, atual Unasp, campus Hortolândia (SP), e no Instituto Adventista Paranaense (IAP), quando ainda era localizado em Curitiba. Foi membro das Igrejas Central de Curitiba e Vista Alegre, onde participou na liderança da Escola Sabatina. Mais recentemente foi membro da Igreja do Bom Retiro.
Era sempre a primeira a chegar na igreja, levava sua Lição da Escola Sabatina preenchida e grifada, e lia a Revista
Adventista assiduamente. Deixa o esposo, Noé, duas filhas, cinco netos e quatro bisnetos. Jandira Navarine Alves, aos 102 anos, em Volta Redonda (RJ), vítima de falência de múltiplos órgãos. Batizada aos 29 anos de idade, ficou viúva aos 40, mas não deixou de frequentar a igreja e criou os nove filhos na fé adventista. Gostava de exercer o ministério da visitação, principalmente aos doentes. Por influência dela, hoje alguns de seus descendentes são adventistas. Teve nove filhos, 22 netos, 19 bisnetos, trinetos e dois tetranetos. Manoel Matos da Silva, aos 71 anos, em Laguna (SC), vítima de infecção generalizada por complicações da doença de Parkinson. Batizado havia 40 anos, era membro da Igreja de Cabeçudas, em Laguna (SC). Deixa a esposa, dois filhos e netos. Miguel Requena Filho, em Doutor Camargo (PR), vítima de diabetes. Graduado em Filosofia, foi professor durante toda a vida. Foi também fundador da FIAR (Faculdades Integradas de Ariquemes), em Roraima, e criador do brasão da cidade de Doutor Camargo (PR). Seu
hobby era fazer violinos e ler a Bíblia e os escritos de Ellen White. Durante dois anos guardou o sábado e entregou a vida a Jesus, mas não chegou a ser batizado devido à saúde muito debilitada. Deixa a esposa, quatro filhos, oito netos e quatro bisnetos. Nadime Elias dos Santos, aos 92 anos, em Engenheiro Coelho (SP), vítima de parada cardíaca decorrente de infecção hospitalar. Foi batizada em 1953, na cidade de Uberaba (MG), onde nasceu. Converteuse ao adventismo e participou do grupo fundador da primeira igreja adventista da cidade. Nas congregações pelas quais passou, foi ativa como professora da Escola Sabatina, tesoureira e líder do ministério de assistência social. Junto com seu esposo, Paulo, fez de sua casa um refúgio para colportores, estudantes e todos que precisassem de apoio e alimentação. Viúva, deixa três filhas que, com seus cônjuges, serviram à Igreja Adventista. Teve cinco netos e quatro bisnetos. Neuza Velasco Cintra, aos 87 anos, vítima de embolia intestinal. Foi diaconisa-chefe por mais de 50 anos. Conhecida em sua igreja como a “mãe dos pobres”, costumava hospedar familiares, pastores e colportores em sua casa. Era membro da Igreja da Lapa, em Ribeirão Preto (SP). Deixa o esposo, João, um casal de filhos, cinco netos e bisnetos.
“ B E M - AV E N T U R A D O S O S M O R T O S Q U E , D E S D E A G O R A , M O R R E M N O S E N H O R ” R e v i s t a A d ve n t i s t a // Outubro 2019
(APOCALIPSE 14:13)
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EM FAMÍLIA
CONSUMIDORES MIRINS
O MERCADO PUBLICITÁRIO QUER FIDELIZAR AS CRIANÇAS, POIS SABE QUE ELAS TAMBÉM INFLUENCIAM NAS COMPRAS DOS ADULTOS
C
erto dia, ele chegou da escola meio frustrado, cara fechada e com ar de indignação. Devia ter uns 8 anos na época e foi falando com pesar: “Eu sou a única criança na minha sala que não tem celular.” Compadecida, eu disse: “Nossa, filho, que triste! Você quer um abraço?” Pode parecer engraçado, mas crianças gostam de consumir. Sabendo disso, os que trabalham com estratégias de mercado se aproveitam, e muito! As pessoas não nascem consumistas, mas a ideologia do consumismo incentiva todos que entram em contato com as mídias de massa. Crianças em especial são mais vulneráveis ao estímulo de comprar de modo inconsequente. Além disso, elas são afetadas pela erotização precoce, banalização da violência, exposição ao consumo de drogas legais e ilegais e correm o risco de desenvolver sedentarismo e obesidade. Uma pesquisa realizada em outubro de 2007 pela TNS/Inter Science, empresa britânica especializada em pesquisa de mercado, revelou na época que, no Brasil, as crianças influenciavam até 70% das decisões de compra das famílias, ao opinarem sobre o consumo de alimentos, carros, eletrodomésticos e roupas. Some-se isso a constante exposição delas aos comerciais de produtos infantojuvenis nos intervalos de seus programas televisivos favoritos. De fato, as crianças brasileiras estão entre as que mais assistem à TV, segundo dados do Painel Nacional de Televisão do Ibope. Um estudo de 2015 mostrou que os telespectadores de 4 a 11 anos de idade passavam até 6 horas em frente à telinha. Sem dúvida, essas estratégias comunicacionais servem para fidelizar consumidores mirins e seus pais. O Instituto Alana, que desenvolve o programa Criança e Consumo, alerta que, mais do que uma questão familiar e social, o consumo irresponsável contribui para o desequilíbrio ambiental global. De fato, as crianças não compreendem com clareza o valor do dinheiro. Logo, cores, embalagens e brindes acabam encantando os pequenos e movimentando um mercado de 50 bilhões de reais por ano, segundo dados da ONG. Visando minimizar os prejuízos que a comunicação mercadológica traz ao
COMPRAR COISAS NÃO PODE TER A FUNÇÃO DE PREENCHER NECESSIDADES EMOCIONAIS, CONSOLAR NEM AUMENTAR O VALOR PESSOAL DE ALGUÉM
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meio ambiente e ao bolso dos pais, o Instituto Alana criou a Feira de Trocas de Brinquedos, na qual a criança pode refletir sobre o consumismo e ressignificar os próprios brinquedos. Afinal, crianças consumistas tendem a ser adultos que comprarão de maneira irresponsável. Os pais que desejam inibir o consumismo nos filhos devem começar avaliando o próprio comportamento e atitudes diante das compras, pois as crianças imitam os adultos. Comprar coisas não pode ter a função de preencher necessidades emocionais, consolar a ausência dos pais que trabalham nem aumentar o valor pessoal de alguém. Tudo isso deve ser d iscutido claramente. Também é importante controlar o tempo de exposição à internet, celular, computador e TV, sempre conversar com os filhos sobre as propagandas, determinando assim o que pode ou não ser adquirido pela criança. Estabelecer limites é importante para minimizar a ansiedade pelas compras e gerar hábitos de consumo mais saudáveis. Doar roupas e brinquedos também auxilia no desapego dos bens materiais. Vale a pena ainda experimentar brincar sem brinquedos industrializados, com atividades ao ar livre, que exijam mais criatividade e promovam a convivência familiar. ] TALITA CASTELÃO é psicóloga clínica, sexóloga e doutora em Ciências
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TALITA CASTELÃO
ESTANTE
PEQUENOS LEITORES
LANÇAMENTOS INFANTOJUVENIS APRESENTAM O RELATO DA CRIAÇÃO, ENSINAM A VALORIZAR A FAMÍLIA E A LIDAR COM O MEDO ANNE LIZIE HIRLE, ARIANE M. OLIVEIRA E SUELI F. DE OLIVEIRA
N
Fotos: William de Moraes
o mês em que se comemora o Dia das Crianças, separamos alguns títulos infantojuvenis lançados pela CPB neste ano. Crianças e adolescentes têm recebido atenção especial com a criação de uma nova editoria na Redação. A equipe tem se preocupado em oferecer conteúdos, formatos e linguagens adequados para a formação das novas gerações.
A CASA DE BRUNO E NINA Os personagens Bruno, de 7 anos, e sua irmã Nina, de 5, apresentam como funciona sua família. Eles contam como seus pais os ensinaram a agir diante de diversas situações, priorizando o amor, o respeito, a obediência e a solidariedade. E esses são apenas alguns dos valores que os leitores encontrarão nas páginas desse livro. Em A Casa de Bruno e Nina (48 p.), a autora, a educadora Dalva Amélia, usa como base das falas dos personagens o consagrado livro Orientação da Criança, de Ellen White. Em cada página, são indicadas as referências ao livro clássico. Bem ilustrada, a obra é uma leitura muito agradável tanto para pais quanto para filhos, e mostra que o lar pode ser um lugar repleto de alegria, amor e harmonia.
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COM JESUS VOCÊ VENCE O MEDO Todos nós sentimos medo de algo: do escuro, de altura, de alguns animais, de ficar doente, da solidão. Mas nem todos reagem ao medo da mesma forma. Alguns ficam paralisados, outros gritam. Alguns conseguem controlar suas emoções, outros não. Mas os medos podem ser vencidos se soubermos que nossa coragem está baseada em Cristo. Essa é a proposta do pastor Júlio Leal e da educadora Nainde Sacramento no livro Com Jesus Você Vence o Medo (32 p.). Eles recontam a história da terrível tempestade que os discípulos de Cristo enfrentaram. Com um refinado toque literário e lindas ilustrações, o livro pode ajudar as crianças a lidar com uma das emoções mais comuns na infância.
O COMEÇO DA HISTÓRIA Se toda boa história tem um bom começo, como será que iniciou a história da humanidade? Os poemas de Anne Lizie Hirle e as ilustrações de Rogério Chimello contam essa narrativa de um jeito diferente e especial: com rimas e cores. Além dos relatos da criação e do dilúvio, O Começo da História (48 p.) fala de personagens e tramas, como Ló, Esaú, Jacó, Isaque e José. A autora segue a ordem dos acontecimentos do livro de Gênesis. É uma oportunidade de as crianças enxergarem Deus como Criador e Mantenedor da vida. ] ANNE LIZIE HIRLE, ARIANE M. OLIVEIRA e SUELI F. DE OLIVEIRA são editoras de livros infantojuvenis na CPB
BEBÊS BILÍNGUES A série de cinco livros O Que Jesus Fez Para Mim (16 páginas cada título) traz cores vibrantes e imagens realistas que mostram a beleza, os detalhes e a diversidade da criação nos alimentos, nos animais e no corpo humano. As ilustrações estão acompanhadas de palavras em português e inglês para que a criança tenha seu repertório linguístico desenvolvido e ampliado. As páginas cartonadas resistentes conferem maior durabilidade aos livros, e os cantos arredondados garantem a segurança dos pequenos “leitores”.
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ENFIM
COMO CRITICAR SEU PASTOR O “UNGIDO DO SENHOR” PODE ERRAR, MAS DEVE SER TRATADO COM CARINHO E RESPEITO RAFAEL STEHLING
E
m pouco mais de uma década de ministério, já ouvi inúmeras críticas. Algumas me ajudaram muito, outras apenas deixaram marcas profundas no coração. Concluí que você pode criticar o pastor, mas da maneira correta. Há uma história muito interessante registrada em 2 Samuel 19:5 e 6 em que o general Joabe chama a atenção do rei Davi e é bem-sucedido. Os soldados haviam lutado em defesa do reino contra Absalão e um grupo desertor. Após árduas lutas, a maior rebelião de que já se tinha ouvido falar foi reprimida. Os soldados retornaram vitoriosos. No entanto, Davi, o pai enlutado, só queria lamentar a morte do filho rebelde. Com audácia, Joabe censurou a atitude dele e sugeriu que o rei encorajasse os soldados. Foi o que Davi fez. Quanta habilidade ao usar as palavras certas no momento exato! Este continua um grande desafio para líderes e liderados, pastores e membros. Muitos hoje precisam aprender “a criticar” de forma positiva o seu pastor. Por isso, 50
aqui vão algumas dicas para que você consiga ajudá-lo, sem impor sobre ele uma carga maior. 1. Ore por seu pastor e peça sabedoria divina para sua fala. Deus lhe dará palavras sábias e sensatas e preparará o coração do seu pastor para ouvir as observações. 2. Não o convide para ir à sua casa a fim de criticá-lo. Pense num time que joga fora de campo. É chato ir a uma visita e sair de lá criticado. Tenha o carinho de visitar seu pastor no seu escritório ou em sua casa para realizar tal conversa. 3. Entenda a dificuldade do seu pastor em separar crítica ao trabalho de crítica pessoal. Ele não tem trabalho; o ministério pastoral é uma vocação. É a vida dele. Então, seja carinhoso. 4. Evite comparar com outros pastores. Cada ministro tem suas características e estilo. Muitas vezes, um pastor compensará justamente naquilo que o anterior era falho e agradará pessoas diferentes. Então, respeite essas peculiaridades e aproveite ao máximo o seu pastor naquilo que ele é bom. 5. Evite fazer críticas inúteis. Algumas vezes criticamos mais para nosso alívio do que por um objetivo efetivo. Questionar a simpatia ou o temperamento do pastor, por exemplo, não ajuda. Talvez ele já não goste de algo em sua personalidade há anos. Se a crítica não tiver a chance de motivar uma mudança, esqueça-a. 6. Critique sem condenar. Tenha empatia e se coloque no lugar dele. Reflita sobre como seu pastor vai
ouvir suas palavras. Talvez a “verdade” precise ser melhor trabalhada no amor. 7. Compartilhe seus sentimentos. Isso significa contar sobre suas lutas e falhas, mostrar que você entende seu pastor. Falar de suas batalhas aproxima o pastor de seu ponto de vista. 8. Não use as mídias sociais. O avanço das tecnologias de informação está facilitando muito a vida de todos, mas também complicando as coisas. A conversa direta não tem comparação com uma mensagem de texto enviada friamente por WhatsApp ou Facebook. 9. Ouça o ponto de vista dele. Muitas observações são injustas por falta de conhecimento de causa. O pastor precisa manter sigilo sobre muitos casos. Considere a possibilidade de você estar equivocado. Não foram poucos os casos em que fui questionado por decisões administrativas que, se expostas a público, seriam prontamente apoiadas. 10. Esteja disposto a ajudar. A pior coisa é receber críticas de quem nada faz. Sugira mudanças práticas, comprometa-se em ajudar e seja ativo em sua realidade. Podemos ser uma igreja cada vez mais unida e apaixonada no ministério do Senhor, ajudando uns aos outros com nossa percepção e amizade. Esse é um desafio para ambas as partes. Procure ser uma bênção ao seu pastor. ] RAFAEL STEHLING é pastor e líder de jovens no sul do Espírito Santo
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PODEMOS SER UMA IGREJA CADA VEZ MAIS UNIDA E APAIXONADA NO MINISTÉRIO DO SENHOR, AJUDANDO UNS AOS OUTROS COM NOSSA PERCEPÇÃO E AMIZADE
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