A M E N S A G E M D E 1 8 8 8 /// S E M E N T E D O F U T U R O /// I G R E J A E M C O N S T R U Ç Ã O /// D E P O R T E I R O A P R Ó - R E I T O R
Exemplar avulso: R$ 2,84 | Assinatura: R$ 34,00
OUTUBRO 2018
O MITO DA MODERAÇÃO
ESTUDO CIENTÍFICO MOSTRA QUE NÃO EXISTE CONSUMO SEGURO DE BEBIDA ALCOÓLICA
SINTONIA COM DEUS
EM MEIO A TANTOS RUÍDOS, ENCONTRE A FREQUÊNCIA CERTA
TAÇA DO ESPÍRITO EXISTE ALGO BEM MELHOR DO QUE O ÁLCOOL PARA ALEGRAR O CORAÇÃO MARCOS DE BENEDICTO
O garçom se aproxima e oferece uma garrafa de vinho para o cliente adventista sentado à mesa do elegante restaurante. No avião, a comissária de bordo repete a oferta. Aceitar ou não? Afinal, com toda a sua glamorosa história, essa bebida não representa um legado cultural da antiguidade, cujo consumo tem sido validado pela ciência? Infelizmente, alguns cristãos têm relativizado o preceito bíblico para não ingerirmos bebidas alcoólicas. No entanto, mais uma vez, a ciência comprova o acerto da revelação divina, como mostra a matéria de capa. Um novo estudo global, realizado em 195 países e publicado na prestigiada revista The Lancet, chegou à conclusão de que mesmo um drinque (o equivalente a 10 gramas de álcool puro) faz mal. Enquanto duas doses por dia aumentam em 7% a probabilidade de lesões e doenças como o câncer, cinco doses diárias elevam o risco para 37%. Esse é o mais importante estudo já realizado sobre os efeitos do álcool na saúde humana. Que o álcool faz mal sabe-se há muito tempo. Por isso, na América do Norte, no início do século 19, surgiram várias iniciativas para limitar ou banir o uso de bebidas alcoólicas. Por exemplo, o trabalho da Sociedade Americana de Temperança, fundada em 1826, causou um impacto expressivo. No livro Revolução na Saúde
NÃO ENCHA A TAÇA COM BEBIDA ESPIRITUOSA; TRANSFORME-SE EM UMA “TAÇA” PARA O ESPÍRITO
(CPB, 2018), Dores Eugene Robinson relata os resultados obtidos pelos ativistas da abstinência: “Em menos de uma década, eles conseguiram formar cerca de 5 mil sociedades locais, com mais de 1 milhão de membros. Milhares de fabricantes de bebidas foram levados a encerrar as atividades, e mais de 6 mil varejistas interromperam as vendas. Cinco mil bêbados – supostamente incuráveis – foram recuperados, e 700 navios passaram a navegar sem o uso de bebidas alcoólicas. Os periódicos sobre temperança foram numerosos” (p. 28). A partir da segunda onda pela proibição da venda de bebidas alcoólicas nos Estados Unidos em 1873, os adventistas também assumiram o protagonismo nessa causa, o que mostra que já fomos mais ousados. Ellen G. White se tornou uma ativista pública em favor da proibição e da abstinência total, cooperando com a União Feminina de Temperança Cristã (WTCU, em inglês). Para ela, os adventistas deveriam estar “na dianteira de toda verdadeira reforma” (Review and Herald, 29 de agosto de 1907). Na perspectiva adventista e bíblica, o cristão não deve tentar alterar seu estado de humor pela ingestão de qualquer substância, mas pode ser transformado pela presença do Espírito. Essa é a ordem inspirada de Paulo: “E não vos embriagueis com vinho, [...] mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5:18). O modo do verbo aqui é imperativo (um comando), a forma é plural (se aplica a todos), a voz é passiva (somos enchidos) e o tempo é presente contínuo (a ação deve ocorrer agora e continuar). Ambas as “substâncias” mudam nossa maneira de agir, mas, enquanto o álcool degrada, o Espírito eleva. Se o vinho põe tolice na boca, o Espírito cria louvor no coração (v. 19). Assim, não encha a taça com bebida espirituosa, mas transforme-se em uma “taça” para o Espírito. ] MARCOS DE BENEDICTO é editor da Revista Adventista
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R e v i s t a A d ve n t i s t a // Outubro 2018
Foto: Lightstock
EDITORIAL
Out. 2018
No 1338
Outubro 2018
Ano 113
www.revistaadventista.com.br
Publicação Mensal – ISSN 1981-1462 Órgão Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia no Brasil “Aqui está a paciência dos santos: Aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus.” Apocalipse 14:12 Editor: Marcos De Benedicto Editores Associados: Márcio Tonetti e Wendel Lima Conselho Consultivo: Ted Wilson, Erton Köhler, Edward Heidinger Zevallos, Marlon Lopes, Alijofran Brandão, Domingos José de Souza, Geovani Souto Queiroz, Gilmar Zahn, Leonino Santiago, Marlinton Lopes, Maurício Lima e Moisés Moacir da Silva Projeto Gráfico: Eduardo Olszewski Ilustração da Capa: Fotolia
Adventist World é uma publicação internacional produzida pela sede mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia e impressa mensalmente na África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Brasil, Coreia do Sul, Estados Unidos e México v. 14, no 10 Editor: Bill Knott Editores associados: Gerald Klingbeil, Greg Scott e Lael Caesar Editores-assistentes: Sandra Blackmer, Stephen Chavez, Costin Jordache, Wilona Karimabadi (Silver Spirng, EUA); Pyung Duk Chun, Jae Man Park, Hyo-Jun Kim (Seul, Coreia do Sul) Tradutora: Sonete Costa Arte e Design: Types & Symbols Gerente Financeiro: Kimberly Brown Gerente de Operações: Merle Poirier Conselheiros: Mark A. Finley, John M. Fowler, E. Edward Zinke Comissão Administrativa: Si Young Kim, Bill Knott, Pyung Duk Chun, Karnik Doukmetzian, Suk Hee Han, Yutaka Inada, German Lust, Ray Wahlen, Juan Prestol-Puesán, G. T. Ng, Ted N. C. Wilson
CASA PUBLIC ADOR A BRASILEIR A Editora da Igreja Adventista do Sétimo Dia
Rodovia Estadual SP 127 – km 106 Caixa Postal 34; CEP 18270-970 – Tatuí, SP Fone (15) 3205-8800 – Fax (15) 3205-8900
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Não vos embriagueis
Escolhido pela graça
Fiéis à Sua Palavra
Ciência confirma orientação adventista sobre a abstinência de álcool
O povo remanescente é símbolo de esperança de futuro
Os discípulos de Jesus de todas as épocas sempre levaram a Bíblia a sério
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A campanha de Jonas
Jesus tem razão
Da portaria à reitoria
32 VISÃO GLOBAL
41 SOCIEDADE
4 CANAL ABERTO
34 NOVA GERAÇÃO
42 EDUCAÇÃO
5 BÚSSOLA
35 PRIMEIROS PASSOS
43 COMUNICAÇÃO
36 PERSPECTIVA
45 MEMÓRIA
37 BEM-ESTAR
46 INSTITUCIONAL
24 VIDA ADVENTISTA
38 BOA PERGUNTA
47 EM FAMÍLIA
26 DOM DE PROFECIA
39 RETRATOS
50 ESTANTE
A opinião de quem lê Respostas diferentes
Diretor-Geral: José Carlos de Lima Diretor Financeiro: Uilson Garcia
6 ENTREVISTA
Redator-Chefe: Marcos De Benedicto
A refundação da igreja
Gerente de Produção: Reisner Martins
8 PAINEL
Gerente de Vendas: João Vicente Pereyra Chefe de Arte: Marcelo de Souza
Datas, números, fatos, gente, internacional
Não se devolvem originais, mesmo não publicados. As versões bíblicas usadas são a Nova Almeida Atualizada e a Nova Versão Internacional, salvo outra indicação. Exemplar avulso: R$ 2,84 | Assinatura: R$ 34,00 Números atrasados: Preço da última edição.
Igreja imperfeita
Herança profética
30 MINHA HISTÓRIA Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio, sem prévia autorização escrita do autor e da Editora. Tiragem: 155.500
5480/38732
O jovem que deixou o Piauí para fazer carreira universitária em São Paulo
2 EDITORIAL
Taça do Espírito
SERVIÇO DE ATENDIMENTO AO CLIENTE LIGUE GRÁTIS: 0800 9790606 Segunda a quinta, das 8h às 20h Sexta, das 8h às 15h45 / Domingo, das 8h30 às 14h
No tempo e do jeito Dele, Cristo está moldando a igreja
A história do profeta nos ensina sobre o interesse de Deus em nos salvar
Gerente Internacional de Publicação: Pyung Duk Chun
SUMÁRIO
A oração da mamãe
Verdade atual
Conhecer a Deus
Pequeno pregador Perigo na tela
Salvo pela mensagem de saúde? Trio virtuoso
Voluntários na Amazônia
Acolhimento aos refugiados A didática da redenção Influência digital
Dormiram no Senhor Mais que paredes
Violência silenciosa
Pregação eficaz
40 SAÚDE
Valorizando a vida
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CANAL ABERTO INDÚSTRIA DA SAÚDE
Atuais e extremamente relevantes. Esses são os adjetivos que qualificam as últimas matérias de capa da Revista Adventista. Apesar de respeitar alguns leitores que fizeram críticas ferrenhas sobre as mudanças da revista neste ano, creio que a revista não perdeu sua essência. Ganhamos com os artigos da Adventist World, que trouxeram uma visão mais global sobre a igreja. As edições de agosto e setembro, por exemplo, foram excepcionais. Temos que saber lidar com o ecumenismo (agosto), tão crescente na atualidade, e as ideias apresentas foram excelentes dicas para termos sabedoria nessa questão. Como vegetariano, fiquei muito satisfeito com o artigo de capa de setembro. Sinto-me feliz e abençoado pela mensagem de saúde que possuímos. Que bom seria que a maioria dos adventistas vivessem essa mensagem em sua plenitude! Parabéns pelo trabalho de excelência dos editores! Rodrigo Nogueira / Senador Guiomard (AC)
VEGETARIANISMO
Parabenizo a revista pela reportagem de capa de setembro a respeito do vegetarianismo. Como adventistas, devemos levantar a bandeira da alimentação saudável, mas principalmente colocar esse ensino em prática. Eliezer Valença Júnior / Rio de Janeiro (RJ)
CONSTRUINDO O DIÁLOGO
Foi oportuno o artigo de capa de agosto, pois explicou a diferença entre unidade cristã e ecumenismo. Isso pode esclarecer para as denominações que integram o Conselho Mundial de Igrejas (CMI) e demais pessoas de que lado estamos nessa discussão. Valendo-nos de pontos em comum com os muçulmanos, hinduístas, budistas, mórmons, judeus e outros grupos, podemos nos aproximar deles com o sincero desejo de testemunhar sobre Cristo. Por se preocupar com o bemestar das pessoas, a Igreja Adventista pode cooperar com outras denominações cristãs. Para tanto, é preciso que leve em conta os princípios básicos da verdade e liberdade religiosa. Raimundo Oliveira Braga Filho / Fortaleza (CE)
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melhor editada, a fim de não gerar má interpretação. A intenção da colunista, como toda a construção do texto dela sugere, foi exatamente minimizar o sofrimento de familiares e profissionais que se deparam com a perda de um familiar/paciente. Entendemos que, caso todo suporte preventivo tenha sido dado, se o sucídio ainda assim ocorrer, familiares e profissionais não devem se culpar por isso.
MAIS CONTEÚDO BÍBLICO
Às vezes fico desmotivado em ler a Revista Adventista por apresentar mais conteúdo informativo/secular/ dispensável do que instrutivo/bíblico/ indispensável. Oferecer apenas leite espiritual não ajuda a igreja a passar da meninice para a fase adulta e a discernir o bem do mal (Hb 5:13, 14). Edson Menegheze Bonetti / Realeza (PR)
QUANDO A ESPERANÇA MORRE
Parabenizo a doutora Talita Castelão por sua coluna da edição de julho acerca do suicídio. Esse é um tema atual e preocupante, especialmente entre os jovens. No entanto, creio ser necessária uma correção a respeito da frase final do texto: “É importante ajudar, sem esquecer que a responsabilidade pela vida é do próprio suicida.” Tal afirmação não pode ser generalizada em um assunto tão delicado como esse. Sabemos que existem várias doenças mentais que podem levar o paciente a perder, temporária ou permanentemente, o juízo crítico da realidade, sendo assolado muitas vezes por delírios de culpa ou perseguição. Sendo assim, somente Deus poderá avaliar esses casos. É muito importante tocar nesse ponto, pois muitas famílias cristãs atingidas por essa tragédia vivem sem esperança de reencontrar seus queridos que se suicidaram. Fabrício Vinícius de Souza / Ipatinga (MG)
Obrigado, doutor Fabrício, pela observação! Esse é um tema realmente delicado, e a frase final poderia ter sido
COLPORTAGEM
Sinto falta de matérias sobre colportagem. Sou colportor há 20 anos na União Nordeste Brasileira. Jaílson Moura / Via e-mail
COMPLEXO DE INFERIORIDADE
Já li muitos autores que falam da importância de lutar contra o complexo de superioridade, mas poucos abordando o complexo de inferioridade, tema do artigo intitulado “Mania de pequeneza”, publicado pelo pastor Júlio Leal em sua coluna no site da Revista Adventista (acesse: goo.gl/ z2cLQu). O texto é um bom contraponto que nos convida ao equilíbrio. Weverton Castro / Via site
Expresse sua opinião. Escreva para ra@cpb.com.br. ou envie sua carta para Revista Adventista, caixa postal 34, CEP 18270-970, Tatuí, SP.
Os comentários publicados não representam necessariamente o pensamento da revista e podem ser editados por questão de clareza ou espaço.
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BÚSSOLA
RESPOSTAS DIFERENTES
MUITAS VEZES, AQUILO QUE CHAMAMOS DE ADVERSIDADE, DEUS CHAMA DE BÊNÇÃO ERTON KÖHLER
omentos de crise costumam levantar questões difíceis. Mas elas se tornam ainda mais desafiadoras quando Deus dá respostas diferentes a situações que parecem iguais. Por exemplo, dois membros da igreja enfrentam a mesma doença terminal. Muitas pessoas oram por eles, que buscam todos os tratamentos e tomam os cuidados necessários, mas um é curado e o outro acaba falecendo. Ou poderiam ser dois vizinhos que trabalham na mesma empresa que enfrenta grave crise financeira. Ambos precisam do emprego e são fiéis a Deus, mas um é demitido e o outro promovido. Naturalmente surge a pergunta: por que Deus faz milagres para um e não para o outro? Essas situações contrastantes também existiam nos tempos bíblicos. Os casos de Tiago e Pedro ilustram bem tal realidade. Ambos eram discípulos de Cristo, tiveram papéis relevantes na igreja cristã primitiva e foram presos por sua fé, mas Tiago foi brutalmente assassinado, enquanto Pedro foi milagrosamente libertado. O capítulo 12 de Atos apresenta as duas histórias em sequência, evidenciando ainda mais o contraste. Na ocasião, o rei Herodes decidiu perseguir a igreja. Além de confiscar bens dos cristãos, mandou prender o líder Tiago e matá-lo à espada.
Foto: MIA Studio
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POR MAIS DIFÍCIL QUE SEJA ENTENDER, PODEMOS CONFIAR QUE DEUS SEMPRE TEM UM PLANO MAIOR “A morte de Tiago causou grande dor e consternação entre os crentes”, comenta Ellen G. White. “Quando Pedro também foi preso, a igreja toda se empenhou em jejum e oração” (Atos dos Apóstolos, p. 144). Como resultado, Deus enviou um anjo, que o libertou milagrosamente (At 12:6-11). Por que, em situações tão parecidas, Deus deixou Herodes assassinar Tiago, mas libertou Pedro? Por que não os tratou da mesma forma? Ellen G. White nos ajuda a entender os porquês. Segundo ela, Tiago já havia cumprido sua missão e, por isso, podia descansar, ao passo que “Deus tinha uma obra para Pedro fazer” (Primeiros Escritos, p. 186). Por mais difícil que seja entender,
podemos confiar que Deus sempre tem um plano maior. Quando vemos respostas tão diferentes para situações que parecem iguais, precisamos descansar nos dois maiores atributos do caráter de Deus: justiça e amor. Talvez não recebamos as respostas que buscamos, mas podemos obter a paz e a esperança de que tanto precisamos. Lembremos também que Deus usa o tempo para revelar Suas intenções. Algumas respostas vêm logo. Outras, porém, somente compreenderemos no futuro ou na eternidade. Não podemos culpar a Deus por bênçãos que interpretamos como tragédias. Afinal, Ele não nos abençoa só com coisas positivas. Quando olhamos para a cruz, vemos que a pior forma de condenação se tornou nosso melhor presente de salvação. Mesmo que os planos do Senhor não estejam claros para você, continue confiando em Seu amor, pois “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8:28). “Deus nunca dirige Seus filhos de maneira diversa daquela pela qual eles próprios haveriam de preferir ser guiados, se pudessem ver o fim desde o princípio”, afirma Ellen G. White (O Desejado de Todas as Nações, p. 224-225). ] ERTON KÖHLER é presidente da Igreja Adventista para a América do Sul
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ENTREVISTA
MARCOS DE BENEDICTO
Frank M. Hasel
Antes de 1888, o adventismo levava a lei tão a sério que estava a ponto de esquecer a graça. Porém, na 27a assembleia da Associação Geral, realizada em Minneapolis (EUA) naquele ano, os 91 delegados foram chacoalhados por um vigoroso chamado para redescobrir Cristo e Sua justiça. O tema polarizou a igreja, que nunca mais foi a mesma. Até hoje, 130 anos depois, o impacto ainda é sentido. Foi para falar sobre essa “preciosa mensagem”, na definição de Ellen G. White, que conversamos com Frank M. Hasel. Teólogo com PhD pela Universidade Andrews, sete anos de ministério pastoral e 18 anos de trabalho destacado no Seminário de Bogenhofen (Áustria) no currículo, ele atua desde 2016 como diretor associado do Instituto de Pesquisa Bíblica, em Silver Spring, Maryland. TEÓLOGO EXPLICA POR QUE 1888 SE TORNOU UM DIVISOR
A REFUNDAÇÃO DA IGREJA
DE ÁGUAS NA HISTÓRIA DO MOVIMENTO ADVENTISTA
Qual é a essência da mensagem de 1888? A mensagem de 1888 é sobre a necessidade de colocar o foco em Jesus e exaltá-Lo como o único sacrifício expiatório dos nossos pecados. Essa mensagem é fundamental porque significou a redescoberta de que não há salvação à parte de Jesus. Por que levou tanto tempo para enfatizarmos a justificação pela fé? Os pioneiros eram cheios de fé em Jesus e firmemente aguardavam o breve retorno Dele. Contudo, após o desapontamento de 1844, na tentativa de justificar sua existência, eles passaram a reafirmar suas 6
Alguns argumentam que a Associação Geral rejeitou a mensagem de 1888. Isso é verdade? Alguns líderes tiveram dificuldade para aceitar a mensagem, mas a igreja não a rejeitou. No livro Thirteen Crisis Years: 1888-1901 (Review and Herald, 1981), páginas 330-335, A. V. Olson apresenta um importante relato que indica que a Associação Geral também não a rejeitou. Qual foi o papel de Ellen G. White para assegurar que a mensagem fosse finalmente aceita? Ao apoiar os ensinos de Alonzo T. Jones e Ellet J. Waggoner, Ellen G. White ajudou a dar o devido foco na justiça de Cristo. Ao mesmo tempo, ela conhecia os desafios pessoais dos que se opunham à mensagem e sabia lidar com eles. É bom ressaltar que ela não endossou
O triste fato de Waggoner e Jones terem deixado a igreja posteriormente afeta a credibilidade da mensagem que eles defenderam? O fato de uma pessoa proclamar uma verdade bíblica e depois perder a fé ou cair não a invalida. Porém, isso pode levar outros a tropeçar. Assim, precisamos prestar atenção ao conselho de Paulo em 1 Coríntios 10:12: “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia.” Como equilibrar a ênfase no que Cristo fez por nós e no que Ele faz em nós? Somos justificados pelo que Jesus fez por nós, não pelo que fazemos por Ele. Nenhuma obra pode comprar o amor perdoador de Deus. No entanto, ao viver a fé, o cristão sempre irá procurar se expressar em fiel obediência. As boas obras não produzem fé, mas a fé produz boas obras. A obediência é o caminhar daqueles que foram salvos pela graça de Deus. ] R e v i s t a A d ve n t i s t a // Outubro 2018
Foto: Arquivo pessoal
crenças distintivas, num ambiente em que muitos já criam em Cristo. Assim, enfatizaram tanto a lei até se tornar tão áridos como os montes de Gilboa (2Sm 1:21). Eles perderam Jesus de vista. Às vezes, leva tempo para percebermos o que estamos fazendo, mas Deus mostra o que precisa ser mudado.
tudo o que Jones e Waggoner disseram ou fizeram. O melhor é ler o que ela mesma escreveu após 1888 sobre Cristo e a salvação. No livro Testemunhos Para Ministros, páginas 91-96, ela apresenta um sumário sobre a experiência de 1888, destacando a importância de olhar para Jesus, o Sol da Justiça.
SEJA
BEM-VINDO AO
O 7ME é um espaço para membros e amigos da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Por meio de seu sistema on-line e aplicativo, você pode atualizar seus dados cadastrais, solicitar pedidos de transferência, acompanhar a situação financeira de sua igreja local e conferir seus recibos e extratos. É uma opção também para adorar a Deus por meio dos dízimos e ofertas.
Para se registrar, o membro deve inserir seu e-mail cadastrado. Caso não seja válido, deve atualizá-lo na secretaria da igreja. E para quem ainda não é membro, pode utilizar sua conta do Google ou Facebook. É tudo muito simples e prático, em um ambiente moderno e seguro.
Para começar a usar, baixe o 7ME em sua loja de aplicativos ou acesse: adventistas.org/7me
PAINEL F AT O S
CURSO ANTITABAGISMO
Apesar de o tabaco aprisionar mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo, o número de fumantes tem caído a cada ano. A fim de continuar ajudando pessoas a se libertarem do vício, a igreja lançou uma nova versão do curso de como deixar de fumar. A proposta é oferecer um acompanhamento mais pessoal e por um período de tempo maior, a fim de evitar que a pessoa tenha uma recaída. Para baixar o manual, intitulado Jornada Para Parar de Fumar, acesse goo.gl/grq74T.
GELADEIRA SOLIDÁRIA
A ideia de oferecer alimentos gratuitamente a moradores de rua em pontos estratégicos de Belém (PA) ganhou visibilidade e atraiu novos parceiros. Em agosto, a prefeitura e o Rotary Club da capital assumiram o compromisso de apoiar o projeto, criado pela ADRA em conjunto com igrejas locais.
NOVO ESTUDO BÍBLICO
A nova versão do clássico Estudos Bíblicos, guia com 200 lições criado há mais de 50 anos, foi apresentada no início do mês num concílio que reuniu 180 pastores e líderes da igreja no Estado de São Paulo. Além do material reformulado e de uma Bíblia com estudos bíblicos, a igreja também lançou o site saibamais.org.br com o objetivo de incentivar os membros a se aprofundarem nas Escrituras.
MEDICINA DE PONTA
Nossa doutrina é sólida e nossos métodos são bons. O problema não é a mensagem nem os métodos, mas o mensageiro!
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UTI NEONATAL Inaugurada em agosto, a nova ala do Hospital Adventista de Belém vai possibilitar melhor atendimento aos pacientes e acompanhantes. O setor foi equipado com o que há de mais moderno em equipamentos e mobiliário e conta com dez leitos.
John Bradshaw, orador do ministério internacional Está Escrito, no congresso anual de empresários e empreendedores adventistas dos Estados Unidos, que reuniu 2.300 participantes no início de agosto, na Flórida
R e v i s t a A d ve n t i s t a // Outubro 2018
Fotos: Anne Seixas / Rodrigo Gorski
O Centro Médico da Universidade de Loma Linda, na Califórnia (EUA), foi eleito pela revista US News & World Report o melhor hospital norte-americano da região de Riverside e San Bernardino, além de ser considerado referência nacional em várias especialidades. As áreas nas quais a instituição recebeu maior destaque foram ginecologia, gastroenterologia e cirurgia gastrointestinal, neurologia e neurocirurgia, ortopedia e urologia. Foram avaliados 4,5 mil centros médicos em todo o país em 25 especialidades, procedimentos e tratamentos.
EVENTOS
CONGRESSOS CRIACIONISTAS Juazeiro do Norte (CE), região conhecida por seus sítios arqueológicos, foi o ponto de encontro de 80 acadêmicos, cientistas e profissionais da educação que participaram do 2o Encontro Sul-Americano de Fé e Ciência, realizado nos dias 2 a 6 de setembro. O encontro teve a participação do doutor James Gibson, diretor do Geoscience Research Institute (GRI), e do paleontólogo Raul Esperante. No fim de julho, o Núcleo Curitibano da Sociedade Criacionista Brasileira também promoveu um simpósio na capital paranaense para mais de 500 pessoas. Um dos convidados foi o cientista norte-americano Grady S. McMurtry, ex-evolucionista.
E D I TA I S Convocação da 2a Assembleia Denominacional Ordinária da Associação Paulista Sudeste da Igreja Adventista do Sétimo Dia Fica convocada a 2a Assembleia Denominacional Ordinária da Associação Paulista Sudeste da Igreja Adventista do Sétimo Dia, inscrita no CNPJ número 55.233.019/0059-96, a ser realizada nos dias 2 e 3 de dezembro de 2018, tendo início às 9h do dia 2, no Colégio Adventista de Santo André, localizado na Avenida dos Andradas, no 367, no Bairro de Vila Assunção, em Santo André (SP), para tratar dos seguintes assuntos de sua competência: (1) receber as novas igrejas organizadas anteriormente à sua realização e deliberar sobre a eventual dissolução de qualquer delas; (2) apreciar e aprovar os relatórios do presidente, do secretário, do tesoureiro, dos secretários dos departamentos e serviços; (3) eleger, para um mandato de quatro anos, os administradores da Associação, os secretários dos departamentos e serviços e os membros da Comissão Diretiva da Associação; (4) aprovar alterações ou modificações no Ato Constitutivo e no Regulamento Interno da Associação Paulista Sudeste, observadas as diretrizes fixadas no modelo aprovado pela Divisão; (5) elaborar planos para o melhor desenvolvimento da Obra, em harmonia com os regulamentos e as deliberações da União e Divisão; e (6) deliberar e aprovar outros assuntos propostos pela Comissão Diretiva. São Bernardo do Campo (SP), 15 de agosto de 2018 Oliveiros Pinto Ferreira, pastor-geral Jorge Mário de Oliveira, secretário Convocação da 7a Assembleia Denominacional Ordinária da Associação Paulistana da Igreja Adventista do Sétimo Dia Fica convocada a 7a Assembleia Denominacional Ordinária da Associação Paulistana da Igreja Adventista do Sétimo Dia, inscrita no CNPJ número 55.233.019/0002-50, a ser realizada nos dias 16 e 17 de dezembro de 2018, tendo início às 9h do dia 16, no Centro de Treinamento de Cotia, localizado na Rua Salma, no 25, no Bairro Parque São George, em Cotia (SP), para tratar dos seguintes assuntos de sua competência: (1) receber as novas igrejas que forem devidamente organizadas anteriormente à sua realização e deliberar sobre a eventual dissolução de qualquer delas; (2) apreciar e aprovar os relatórios do presidente, do secretário, do tesoureiro, dos secretários dos departamentos e serviços; (3) eleger, para um mandato de quatro anos, os administradores da Associação, o secretário da Associação Ministerial, os secretários dos departamentos e serviços e os membros da Comissão Diretiva da Associação; (4) aprovar alterações ou modificações no Ato Constitutivo e no Regulamento Interno da Associação Paulistana, observadas as diretrizes fixadas no modelo aprovado pela Divisão; (5) elaborar planos para o maior desenvolvimento da Obra, em harmonia com os regulamentos e as deliberações da União e Divisão; e (6) deliberar e aprovar outros assuntos propostos pela Comissão Diretiva.
Foto: Kenneth Mayer
São Paulo (SP), 14 de agosto de 2018 Romualdo Larroca, pastor-geral Ronaldo Alberto de Oliveira, secretário Convocação da 5a Assembleia Ordinária da Associação Rio Fluminense da Igreja Adventista do Sétimo Dia Fica convocada a 5a Assembleia Ordinária da Associação Rio Fluminense da Igreja Adventista do Sétimo Dia, inscrita no CNPJ número 30.097.554/0019-49, a ser realizada nos dias 9 e 10 de dezembro de 2018, tendo início às 9h do dia 9, no Colégio Adventista de Itaboraí, localizado na Rua Desembargador Ferreira Pinto 721, Centro, em Itaboraí (RJ), para tratar dos seguintes assuntos de sua competência: (1) receber as novas igrejas organizadas anteriormente à sua realização; (2) apreciar e aprovar os relatórios do presidente, do secretário executivo, do tesoureiro/CFO, dos secretários dos departamentos e
R e v i s t a A d ve n t i s t a // Outubro 2018
ENCONTRO DE EMPREENDEDORES Nos dias 13 a 15 de setembro, o 29o Encontro da Federação de Empreendedores Adventistas (FE) recebeu mil participantes do Brasil e de outros sete países sul-americanos que foram conhecer projetos e ministérios apoiados pela entidade. Um dos pontos altos do evento realizado na capital paulista foi o batismo do fundador e CEO da Polishop, João Appolinário, e do filho dele, Antônio. Durante o encontro também foi escolhido o novo presidente da FE. Wander Faria, empresário do ramo do turismo, substituirá Walter Di Pardi, que liderou a entidade nos últimos quatro anos.
serviços e dos administradores das instituições da Associação; (3) eleger, para um mandato de quatro anos, os administradores da Associação, os secretários dos departamentos e serviços, os membros da Comissão Diretiva da Associação; (4) aprovar alterações ou modificações no Ato Constitutivo e no Regulamento Interno, observadas as diretrizes fixadas no modelo aprovado pela Divisão; (5) elaborar planos para o melhor desenvolvimento da Obra, em harmonia com os regulamentos e as deliberações da União e Divisão; e (6) deliberar e aprovar outros assuntos propostos pela Comissão Diretiva. Rio de Janeiro (RJ), 7 de agosto de 2018 Geovane Felix de Souza, presidente Samuel Valdir Krüger, secretário executivo Convocação da 6a Assembleia Ordinária da Associação Rio Sul da Igreja Adventista do Sétimo Dia Fica convocada a 6a Assembleia Ordinária da Associação Rio Sul da Igreja Adventista do Sétimo Dia, inscrita no CNPJ número 30.097.554/0276-62, a ser realizada nos dias 2 e 3 de dezembro de 2018, tendo início às 9h do dia 2, no Centro de Treinamento Adventista (Catre), localizado na Avenida Casa de Pedra s/no, no Bairro Penedo, em Itatiaia (RJ), para tratar dos seguintes assuntos de sua competência: (1) receber as novas igrejas organizadas anteriormente à sua realização; (2) apreciar e aprovar os relatórios do presidente, do secretário executivo, do tesoureiro/CFO, dos secretários dos departamentos e serviços e dos administradores das instituições da Associação; (3) eleger, para um mandato de quatro anos, os administradores da Associação, os secretários dos departamentos e serviços, os membros da Comissão Diretiva da Associação; (4) aprovar alterações ou modificações no Ato Constitutivo e no Regulamento Interno, observadas as diretrizes fixadas no modelo aprovado pela Divisão; (5) elaborar planos para o melhor desenvolvimento da Obra, em harmonia com os regulamentos e as deliberações da União e Divisão; e (6) deliberar e aprovar outros assuntos propostos pela Comissão Diretiva. Rio de Janeiro (RJ), 3 de agosto de 2018 Itamar Lelis Rodrigues, presidente Luiznei Gambarelli, secretário executivo Convocação da 9a Assembleia Denominacional Ordinária da Associação Paulista Oeste da Igreja Adventista do Sétimo Dia Fica convocada a 9a Assembleia Denominacional Ordinária da Associação Paulista Oeste da Igreja Adventista do Sétimo Dia, inscrita no CNPJ número 55.233.0019/0019-07, a ser realizada nos dias 9 a 11 de dezembro de 2018, tendo início às 10h do dia 9, no Colégio Adventista de São José do Rio Preto, localizado na Rua dos Radialistas Riopretenses, 895, no Bairro Nova Redentora, em São José do Rio Preto (SP), para tratar dos seguintes assuntos de sua competência: (1) receber as novas igrejas que forem devidamente organizadas anteriormente à sua realização e deliberar sobre a eventual dissolução de qualquer delas; (2) apreciar e aprovar os relatórios do presidente, do secretário, do tesoureiro, dos secretários dos departamentos e serviços; (3) eleger, para um mandato de quatro anos, os administradores da Associação, o secretário da associação ministerial, os secretários dos departamentos e serviços, e os membros da Comissão Diretiva da Associação; (4) aprovar alterações ou modificações no Ato Constitutivo e no Regulamento Interno da Associação Paulista Oeste, observadas as diretrizes fixadas no modelo aprovado pela Divisão; (5) elaborar planos para o maior desenvolvimento da Obra, em harmonia com os regulamentos e as deliberações da União e Divisão; e (6) deliberar e aprovar outros assuntos propostos pela Comissão Diretiva. São José do Rio Preto (SP), 1o de agosto de 2018 Acílio Alves Filho, pastor-geral Carlos Roberto Alvarenga, secretário
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GENTE
O L H A R D I G I TA L
BODAS DE VINHO (70 ANOS) De Waldemar Henrique Knoner, de 94 anos, e Lydia Seemund Knoner, de 90, em cerimônia realizada em Xaxim (SC), pelo pastor Fabio Corrêa, genro do casal. Eles têm três filhas, quatro netos e um bisneto.
BODAS DE OURO (50 ANOS) De Dirson Pereira dos Santos e Geny Santos, em julho. A cerimônia foi realizada pelo mesmo pastor que fez o casamento deles, Ademar Quint, e no mesmo local em que se casaram, a Igreja Adventista de Campo Grande, em Cariacica (ES). Enfermeiro e pastor, Dirson desempenhou boa parte de seu ministério trabalhando em lanchas missionárias na Bahia. O casal tem uma filha e três netos.
PORTAL CRIACIONISTA
Lançado no início de setembro, o site origens.org é um novo espaço para quem busca respostas e recursos sobre o tema à luz do criacionismo. A plataforma bilíngue (disponível em português e espanhol) pretende atender professores, alunos de várias faixas etárias e outros interessados no assunto.
2 milhões
de dólares australianos foi o déficit orçamentário anual do Avondale College, faculdade adventista na Austrália.
Não é comum a realização de casamentos em penitenciárias, muito menos cerimônias coletivas. No entanto, isso foi possível na Casa de Custódia de Maringá (PR), onde foi realizado o casamento no civil de 21 detentos que cumprem pena no presídio de segurança máxima. A cerimônia foi organizada por Ruth Tesche, voluntária que há mais de 20 anos se dedica ao ministério das prisões.
120 bilhões de reais é o que o país perde por não reciclar 97% de 80 milhões de toneladas de lixo geradas por ano.
ORDENAÇÃO Dos pastores Fernando Dias (esq.) e Júlio Leal (dir.), editores da CPB, em cerimônia realizada na Igreja das Mangueiras, em Tatuí (SP), no dia 8 de setembro. Casado com a enfermeira Mauriceia Ferraz Dias, Fernando exerce o ministério desde 2013. Antes de ser chamado para a editora adventista, ele estabeleceu seis igrejas em cidades até então não alcançadas com a mensagem adventista e entre os índios xacriabás, em Minas Gerais. Por sua vez, Júlio Leal, pastor e pedagogo, teve vasta experiência como professor e coordenador de programas de pós-graduação na Faculdade Adventista da Bahia (antigo Iaene). Doutor em Educação, é casado com Nainde Sacramento e pai da Tarsila e do Dimitri. 10
R e v i s t a A d ve n t i s t a // Outubro 2018
Fotos: Arquivo pessoal / Gutavo Cidral
CASAMENTO NA PRISÃO
Até 2020, os Emirados Árabes devem investir cerca de 19,5 bilhões de dólares na saúde. A ênfase na prevenção de doenças ligadas ao estilo de vida tem aberto portas para a mensagem adventista nessa região. Recentemente, a igreja organizou uma feira de saúde para 200 pessoas em Dubai.
36%
sentem um profundo senso de responsabilidade para reduzir o sofrimento.
doam uma porção significativa de tempo ou dinheiro para ajudar as pessoas.
EVANGELIZAÇÃO POR MEIO DA SAÚDE
Levantamento feito em 2013 pelo Departamento de Arquivos, Estatísticas e Pesquisa da sede mundial da igreja, mostrou que:
dos membros se importam em reduzir a pobreza no seu país ou ao redor do mundo.
INTERNACIONAL
47%
31%
4.026
é o número de adventistas no Oriente Médio e Norte da África. A maioria das 96 cidades com mais de 500 mil habitantes nessa região do globo ainda não tem presença adventista.
ESCOLA DE MEDICINA
Fotos: União da África do Norte / Arquivo pessoal
A primeira fase da construção da Escola de Medicina de Ruanda deve ser concluída até março de 2019. Além de servir dez hospitais e 166 pontos de atendimento no território da Divisão CentroLeste Africana, o novo curso irá ajudar a aumentar o número de médicos no território ruandense. Para se ter uma ideia, hoje há um profissional para cada 15.625 habitantes no país. No Brasil, por exemplo, a proporção é bem menor: um para cada 470 pessoas.
Os jovens cristãos de hoje desejam compreender as origens da fé e querem ouvir sobre como cientistas importantes desenvolveram sua admiração pela criação de Deus.
8.742 pacientes
foram atendidos em três dias numa mega clínica montada em Palawan, nas Filipinas, por iniciativa da Rádio Mundial Adventista e das Clínicas Médicas LifeSource International, um ministério de apoio à igreja. Milhares de filipinos tiveram acesso gratuito aos serviços odontológicos e oftalmológicos, consultas médicas, pequenas cirurgias, exames laboratoriais, medicamentos e aconselhamento.
Victor Hulbert, diretor de comunicação da Divisão Transeuropeia, comentando o lançamento do novo episódio da série Seeking Understanding (Buscando Entendimento), que apresenta o testemunho de John Walton, professor de química da Universidade St. Andrews que se tornou conhecido por suas pesquisas sobre radicais livres
Colaboradores: Anne Seixas, Gustavo Cidral, Jefferson Paradello, Jhenifer Costa, Márcio Tonetti, Marcos Paseggi, Mauren Fernandes, Michelson Borges, Mylon Medley, Sheann Brandon, Thiago Basílio e Wendel Lima
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CAPA
NÃO VOS EMBRIAGUEIS Guilherme Silva
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D
epois de um culto no domingo à noite, eu me detive para conversar com um amigo que ia à igreja pela primeira vez. Tratava-se de um profissional bem-sucedido, casado e pai de filhos adolescentes, mas que carregava profundas cicatrizes emocionais da infância vivida sob o teto de um pai alcoolizado. A violência doméstica e o afeto não recebido da figura paterna ainda o faziam sofrer, mesmo depois de alcançar reconhecimento como profissional, esposo e pai. Relatos como esse mostram que para cada alcoólatra existe um grupo familiar e social prejudicado em maior ou menor grau pelos efeitos da bebida. Em visita a um grupo de alcoólicos anônimos em uma cidade do interior paulista, pude ver outra perspectiva do mesmo drama. Pais de família relatavam com tristeza os prejuízos materiais e emocionais de seu vício e os impactos disso para a esposa e filhos. Um dos participantes contou emocionado a conversa com o filho já adulto em que tinha pedido perdão pelas faltas cometidas durante os anos de alcoolismo. Outro participante não teve a mesma chance, porque o vício rompeu definitivamente os laços familiares. A sobriedade conquistada um dia de cada vez veio depois de perdas irreparáveis. R e v i s t a A d ve n t i s t a // Outubro 2018
Foto: Adobe Stock
A ciência entra em acordo com a revelação ao demonstrar que até mesmo o uso moderado de álcool é prejudicial
EXISTE DOSE SEGURA? Considerando essas histórias, qual quantidade de álcool é segura para o consumo humano? Alguns podem considerar que isso varia de pessoa para pessoa. Mas, segundo a filosofia dos alcoólicos anônimos, um gole já é muito, e 20 goles não são capazes de satisfazer o vício. De acordo com as revelações divinas concedidas a Ellen G. White, ainda no século 19, “a única segurança para os bêbados, bem como para o homem temperante, é a total abstinência” (A Ciência do Bom Viver, p. 446). Ela também afirma: “Quanto ao chá, ao café, fumo e bebidas alcoólicas, a única atitude segura é não tocar, não provar, não manusear” (p. 335). Recentemente uma pesquisa realizada em nível global com financiamento da Fundação Bill e Melinda Gates apresentou evidências científicas bastante sólidas para a posição mantida pelos adventistas do sétimo dia há mais de um século e meio. Publicada em agosto deste ano pela revista The Lancet, a pesquisa realizada em 195 países coletou dados de saúde desde 1990 até 2016. Com base no grande volume de informações analisado, a conclusão é que “o uso de álcool é um dos principais fatores de risco para a saúde em todo o mundo, respondendo por quase 10% das mortes entre a população de 15 a 49 anos ao redor do mundo”. A pesquisa, de abrangência global e embasada em múltiplas fontes de dados, enfatiza que não há um nível seguro para o consumo de álcool. Apenas a abstinência completa é capaz de evitar os danos devastadores da bebida para a saúde humana. Revolucionária do ponto de vista científico, a pesquisa contraria a maioria das diretrizes de saúde atuais, segundo as quais até dois drinques por dia teriam efeitos benéficos para o ser humano. Na realidade, a pesquisa constata que “o uso de álcool em qualquer medida contribui para a perda da saúde por várias causas e cobra seu preço durante toda a vida útil”, o que deveria levar a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) a repensar sua política de combate apenas ao consumo abusivo de álcool. “As diretrizes que
sugerem ser seguro beber até duas doses diárias devem ser urgentemente revistas”, sugere Zila Sanches, professora livre-docente do Departamento de Medicina Preventiva da Escola Paulista de Medicina (EPM), ligada à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Em uma postagem nas redes sociais, ela disse que não é a favor da proibição da venda de bebidas alcoólicas, mas defendeu o acesso das pessoas à informação de qualidade para que todos possam tomar a decisão de beber ou não com base em evidências científicas. R e v i s t a A d ve n t i s t a // Outubro 2018
APENAS A
ABSTINÊNCIA COMPLETA É CAPAZ DE EVITAR OS DANOS DEVASTADORES DA BEBIDA PARA A SAÚDE HUMANA
Pesquisas realizadas em menor escala também já vinham comprovando que a ideia de moderação no uso do álcool não assegura os imaginados benefícios para a saúde. Em 2017, um estudo publicado no periódico The British Medical Journal demonstrou que o uso de álcool, ainda que moderado, está associado a danos cerebrais e atrofia do hipocampo, responsável entre outras coisas pelas memórias de longo prazo e pela navegação espacial. A POLÊMICA DO VINHO Embora até mesmo o uso moderado do álcool seja apontado como fator de risco para a saúde, há quem considere que o vinho seja benéfico em virtude da presença de polifenóis, substâncias com ação anticancerígena, antioxidante e anti-inflamatória. Dentre esses compostos bioativos, destaca-se o resveratrol, potente substância antioxidante, que atua no combate ao envelhecimento, evitando também problemas cardíacos e doenças inflamatórias, entre outras enfermidades. Com base nesse argumento, tramita no Congresso brasileiro um projeto de lei que pretende classificar o vinho como um alimento e introduzi-lo como um item da cesta básica. Ao deixar de ser considerado uma bebida alcoólica para ser classificado como alimento, o vinho teria significativa redução na carga tributária. Em 2006, um projeto semelhante foi rejeitado pelos parlamentares. Mesmo diante da presença de alguns compostos benéficos, o teor alcoólico do vinho torna seu efeito para a saúde absolutamente questionável. Na realidade, o que o vinho tem de bom está presente no suco de uva, e sem os problemas da ingestão de álcool. Segundo o Centro de Pesquisas sobre o Câncer do Reino Unido, quanto menor a ingestão de álcool, menor o risco de uma pessoa desenvolver câncer. De acordo com os pesquisadores, não existe um tipo de bebida melhor do que outro. Toda bebida alcoólica é prejudicial, não importa se alguém bebe vinho, cerveja ou cachaça, constataram os pesquisadores. Bem antes das pesquisas recentes, Ellen G. White alertava sobre o risco das bebidas consideradas mais brandas. “Se todos fossem vigilantes e fiéis no guardar as pequeninas aberturas feitas pelo uso moderado dos chamados vinho e sidra inofensivos, fechado seria o caminho à embriaguez. O que é necessário em toda comunidade é firmeza de propósito, a força de vontade para não tocar, não provar, não manusear” (Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 435). 13
O VINHO E A BÍBLIA Enquanto alguns defendem a ingestão do vinho por supostos benefícios para a saúde, em outros casos a bebida é usada por motivos religiosos. Na celebração da missa, o oficiante normalmente ingere uma porção do vinho canônico, de sabor mais adocicado e elevado teor alcoólico, tendo em vista a maior preservação da bebida. Na santificação do shabat e nas festas judaicas também se costuma utilizar o vinho. Entre os evangélicos, não há consenso em relação ao uso de bebidas alcoólicas. Enquanto alguns consomem vinho, cerveja e destilados, algumas denominações rejeitam o uso de qualquer bebida. Em seu livro Wine in the Bible [Vinho na Bíblia], o teólogo adventista Samuele Bacchiocchi apresenta uma valiosa perspectiva sobre o vinho e seus usos na antiguidade. Ele destaca a aprovação bíblica ao uso do vinho não fermentado, o suco da uva, e também demonstra a reprovação do texto sagrado ao vinho fermentado. Conforme o autor, o vinho não fermentado é um símbolo da bênção divina (Gn 27:28; Dt 33:28) e da era messiânica (Is 55:1). Era oferecido como dízimo e derramado como libação sobre o sacrifício no santuário. Por outro lado, a reprovação bíblica ao vinho fermentado é apresentada em diversas situações como BEM ANTES em Provérbios 23:31-33. Segundo a perspectiva bíblica, DAS PESQUISAS Bacchiocchi destaca que “o uso de bebidas alcoólicas distorce a percepção da realidade, debilita a capaciRECENTES, dade de tomar decisões responsáveis, reduz a sensibilidade moral, adoece o corpo e desqualifica o indiELLEN G. WHITE víduo para o serviço civil e religioso” (p. 101). Uma contribuição relevante de Bacchiocchi é a JÁ ALERTOU desconstrução da ideia popular de que o vinho citado SOBRE O RISCO na Bíblia seria normalmente fermentado, visto que na antiguidade ainda não existiam as modernas técnicas DAS BEBIDAS de preservação do suco de uva. Porém, o que obras da antiguidade clássica revelam é que o conhecimento CONSIDERADAS técnico para a conservação do suco de uva não ferMAIS BRANDAS mentado era bastante variado e bem disseminado. Nos 14
UM POUCO DE VINHO? Embora o consumo de bebidas alcoólicas seja retratado de modo negativo levandose em conta o quadro bíblico geral, alguns veem no seguinte conselho do apóstolo Paulo ao jovem Timóteo uma brecha no argumento da completa abstinência: “Não continues a beber somente água; usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das frequentes enfermidades” (1Tm 5:23). Em seu comentário sobre as R e v i s t a A d ve n t i s t a // Outubro 2018
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tempos bíblicos, uma das maneiras usadas para preservar as uvas era fazer compotas com mel. Essas uvas assim armazenadas poderiam ser usadas para se fazer suco em qualquer época do ano. Outra técnica utilizada era a preservação do suco de uva por meio de fervura lenta, em que toda a espuma era retirada. Depois o líquido ficava armazenado em vasilhames vedados. Essas e outras técnicas garantiam aos antigos suco de uva não fermentado durante todo o ano, muito antes das modernas técnicas de pasteurização e engarrafamento. A partir desse panorama, é possível notar que, onde muitos enxergam alusões bíblicas ao vinho alcoólico, encontramos na realidade referências ao puro suco da uva. Vários comentaristas bíblicos acreditam que, na Santa Ceia, Cristo teria servido aos discípulos o vinho fermentado. Porém, a referência ao ato de beber do fruto da videira (Mt 26:29) conecta-se a uma prática descrita pelo historiador Flávio Josefo de espremer cachos de uva diretamente em um copo. Portanto, o que foi servido por Jesus aos discípulos na Santa Ceia foi mais provavelmente o sumo das uvas recém-espremidas em uma taça. Testemunhos de pais da igreja relatam esse costume ainda preservado em épocas posteriores. Além disso, Bacchiocchi destaca que o sangue purificador de Cristo não poderia ser representado por uma bebida fermentada, sendo que o fermento na Bíblia simboliza o pecado e a corrupção. “É inconcebível imaginar Cristo Se inclinando para abençoar um copo com vinho alcoólico, sendo que a Bíblia nos aconselha a nem olhar para ele (Pv 23:31)” (p. 165). Desse modo, o vinho fermentado não pode ser servido no cálice da santa comunhão. Seu recipiente na Bíblia é a taça da meretriz que embriaga as nações da terra (Ap 17:2).
Epístolas Pastorais, da série Cultura Bíblica, John Norman Davidson Kelly relata o uso do vinho fermentado para a purificação da água nos tempos bíblicos. O vinho diluído teria o efeito de reduzir a contaminação da água armazenada muitas vezes de modo impróprio para o consumo humano. Embora muitos estudiosos creiam que a recomendação de Paulo se referia a esse costume de usar um pouco de vinho fermentado para purificar a água, também é possível vislumbrar outras interpretações. Bacchiocchi cita antigos escritos de Aristóteles e Plínio que já reconheciam o poder regenerador do suco de uva para problemas gástricos. Além disso, o uso de uma bebida alcoólica como o vinho dificilmente ajudaria a resolver um problema do estômago, podendo, na verdade, agravar o mal. Ele afirma: “Timóteo, como os sacerdotes e nazireus, vinha se abstendo tanto do vinho fermentado quanto do não fermentado. [...] Então, o apóstolo esclarece que seu conselho para que Timóteo se mantivesse puro não o obrigaria a beber apenas água. Ele poderia usar suco de uva para aliviar seus problemas do estômago” (p. 245). Passagens bíblicas como essa, muitas vezes interpretadas como uma abertura para o uso moderado do álcool, precisam ser analisadas à luz de sua época e contexto histórico para serem compreendidas dentro da perspectiva bíblica que reconhece no suco da uva um emblema da bênção de Deus e de Sua aliança e apresenta o vinho fermentado como símbolo de pecado e degeneração. O benefício da completa abstinência de bebidas alcoólicas não é desconhecido para quem leva a sério as revelações bíblicas e os escritos de Ellen G. White sobre o assunto. Embora algumas pesquisas relatem supostos benefícios do consumo moderado de álcool para o sistema cardiovascular, por exemplo, os estudos mais recentes vêm comprovando que o álcool ingerido até mesmo em pequenas proporções traz efeitos prejudiciais que superam em muito os imaginados ganhos para a saúde. Essas descobertas exigem que alguns conselhos de consultório, como a recomendação de tomar uma taça de vinho por dia, sejam vistos como um paradigma ultrapassado. O que nunca fica para trás é a revelação bíblica, que sempre orientou com sabedoria: “Não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5:18). ] GUILHERME SILVA é pastor, jornalista e editor de livros na CPB R e v i s t a A d ve n t i s t a // Outubro 2018
O PREÇO DO ALCOOLISMO Apesar dos esforços para diminuir o consumo de álcool por meio de medidas como o aumento de impostos e restrições nas propagandas de bebidas, o alcoolismo ainda provoca grande impacto na saúde pública, na economia e na sociedade. Por isso, a meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) é reduzir em pelo menos 10% o consumo de álcool até 2020. Veja a seguir como esse problema tem afetado o Brasil, 5o em mortes por álcool entre países da América, e o mundo. NO MUNDO ▪ O consumo de
▪ A cada ano, provoca
álcool contribui para
cerca de 3,3 milhões de
o desenvolvimento de
mortes, mais do que a
aproximadamente 200
Aids, a tuberculose e a
doenças.
violência juntas.
▪ Entre 2010 e
▪ É a causa de quase um
2013, o consumo de
terço dos afastamentos
bebidas alcoólicas foi
do trabalho. Por esse
responsável por 313 mil
e outros fatores, gera
internações no SUS,
perdas na economia
o que gerou anualmente
equivalentes a 7% do PIB
um custo de mais de
(Produto Interno Bruto).
NO BRASIL
30 milhões de reais aos cofres públicos.
PERFIL DO BEBEDOR Como em muitas economias emergentes, no Brasil há uma grande disponibilidade de álcool, preços relativamente baixos e falta de regulamentação. Isso ajuda a explicar por que o consumo per capita aumentou 43% em uma década. A seguir, veja quanto os brasileiros consomem e o perfil deles. O brasileiro consome, em média,
8,9 litros de álcool puro por ano, quantidade superior à média mundial (6,4 litros).
Dois a cada dez bebedores ingerem álcool
As mulheres são o grupo de maior risco. Entre 2006 e 2012,
aumentou 20%
de maneira
o número daquelas que
abusiva ou são
passaram a beber uma vez
dependentes.
por semana ou mais.
66% dos adolescentes entre 13 e 15 anos
Quase
um terço
já experimentaram bebida alcoólica pelo menos
dos bebedores abusivos
uma vez. O padrão mais comum de consumo
jovens já se envolveu em
nessa faixa etária é o “binge brinking” (ingestão
uma briga com agressão
de várias doses de uma única vez).
física.
Fontes: Addiction Journal (2014), Global strategy to reduce harmful use of alcohol (OMS, 2010), Global action plan for the prevention and control of noncommunicable diseases 2013-2020 (OMS, 2013), Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Pesquisa Nacional de Saúde (2013-2014), Resource tool on alcohol taxation and pricing policies (OMS, 2017), Segundo Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (2006-2012) e Unifesp (Universidade Federal de São Paulo)
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TEOLOGIA
ESCOL HI DO PEL A
GR AÇ A E
R E M A N E SCE N T E É SÍ M BOLO DE E SPE R A NÇ A DE FU T URO E
PR E SE RVAÇ ÃO
DO V E R DA DE IRO CON HECI ME N TO A R E SPE I TO DE DEUS FÉLIX H. CORTEZ
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m 1926, o geneticista russo Nikolai Vavilov teve, talvez, “a epifa nia científ ica menos a la rdeada da era moderna”, segundo classificou o jornalista Charles Siebert, numa reportagem da revista National Geographic, de julho de 2011. Vavilov compreendeu que era necessário preservar as sementes das plantas que comemos, de seus parentes silvestres e de espécies desconhecidas. Ele pretendia preservar os genes que seriam úteis para tornar as plantas mais resistentes às doenças, pragas da lavoura e condições climáticas extremas. O que o cientista russo concebeu foi a criação de um banco de sementes, uma espécie de “arca de Noé” para garantir a segurança alimentar das futuras gerações. Para Vavilov e sua equipe, esse banco era tão importante que eles o protegeram com a própria vida. Nove dos seus colegas morreram de fome durante o cerco nazista a Leningrado (atual São Petersburgo) durante a Segunda Guerra Mundial, protegendo 400 mil sementes, raízes e frutas guardadas no banco. Um deles deixou uma carta junto a uma coleção enorme intocada: “Quando todo o mundo está entre as chamas da guerra, manteremos essa coleção para o futuro do povo” (The Future: Six Drivers of Global Change, de Al Gore). Hoje, há cerca de 1,4 mil bancos de sementes em todo o mundo.
R e v i s t a A d ve n t i s t a // A d ve n t i s t Wo r l d // Outubro 2018
Foto: Javardh
NA BÍBL I A , O POVO
A PREMISSA DE UM REMANESCENTE permanecido fiel ao Seu chamado original A queda de Adão e Eva no Jardim do Éden, por meio do engano (Gn 11:31), para abençoá-lo e torná-lo bênção de Satanás, a antiga serpente (Ap 12:9), foi uma catástrofe de magpara todas as nações da Terra (Gn 12:1-3; nitude inimaginável, tragédia que ameaçou o futuro da humani22:16-18). O propósito de Deus era que a semente dade. Satanás havia usurpado o governo deste mundo (Jo 12:31; 14:30; 16:11) e, caso ele conquistasse o domínio completo, os seres de Abraão, o povo de Israel, se tornasse Sua humanos teriam que ser destruídos com o diabo (Rm 6:23; 5:12-14). possessão preciosa a quem Ele confiaria Para garantir a sobrevivência da humanidade, Deus decidiu Sua lei e sobre quem concederia Suas bênpreservar a “semente” que desafiaria o domínio da serpente e que çãos (Êx 19:5; Dt 4:5-8; 28:1-4). Eles seriam um a venceria definitivamente, mesmo que isso lhe custasse Sua pró“reino de sacerdotes”, cujo trabalho devepria vida. Assim, Deus anunciou que Ele colocaria “inimizade” ria ser o de disseminar o conhecimento de entre a serpente e a “semente” (a palavra hebraica para descenDeus para as nações (Êx 19:6; Ml 2:7). Infedência também significa semente) da mulher, e que a “semente” lizmente, porém, Israel deixou de glorififinalmente feriria a cabeça da serpente (Gn 3:15). car a Deus e profanou Seu nome entre as nações (Ez 36:20-23; 39:7). Dessa maneira, segundo o teólogo adventista Jacques Doukhan, no primeiro capítulo do seu livro On the Way to Emmaus: Five De acordo com Ángel Manuel RodríMajor Messianic Prophecies Explained, Deus preservaria os dois: guez, também no livro Teologia do Remao remanescente da humanidade que jurasse lealnescente, a narrativa bíblica dade a Ele e desafiasse o domínio de Satanás, e o nos mostra que Deus contiDescendente que Ele enviaria a fim de destruir nuou a preservar um povo o poder do inimigo. em crises posteriores: Elias JESUS FOI O A história da redenção da humanidade, pore os 7 mil fiéis de seu tempo tanto, está repleta de ações de Deus para preser(1Rs 19:14, 18); o reino de Judá PERFEITO var o povo remanescente como uma embaixada (2Rs 17:18); os cativos judeus do Seu reino. O remanescente serve também de levados para Babilônia (2Rs REMANESCENTE: portador e guardião da revelação divina em face 25:11); e os que retornaram do ELE REVELOU dos persistentes ataques de Satanás para distorexílio (Jr 31:7-9, 31-34) cer e finalmente destruir o conhecimento a resFIELMENTE O peito de Deus. O teólogo Ángel Manuel Rodríguez IMPERFEIÇÃO E PURIFICAÇÃO explica isso mais detalhadamente no seu capítulo Ao longo da história, Deus PAI, EXPLICOU do livro Teologia do Remanescente (CPB, 2014). tem trabalhado por meio daqueles que permaneceram E ENCARNOU O O PROPÓSITO DO REMANESCENTE leais a Ele diante da apostasia As Escrituras identificam Noé e sua família como generalizada. Mas esse remaVERDADEIRO os primeiros remanescentes (Gn 7:23). Quando nescente sempre foi formado a humanidade se depravou ao ponto de toda a por pessoas imperfeitas, que SIGNIFICADO intenção do seu coração estar contaminada pela necessitavam da graça de maldade (Gn 6:5, 11), Deus garantiu o futuro dos Deus, tanto quanto os povos DA LEI E seres vivos por meio de Noé, um homem justo que eles foram comissionados (Gn 6:8; 7:1). Ele confiou a Noé a mensagem sobre a salvar. Noé e seus filhos, ATRAIU TODA A a destruição vindoura, e pediu que ele consAbraão e seus descendentes, truísse uma arca para preservar aqueles que Judá e os que foram levados HUMANIDADE DE ouvissem Seu chamado (Hb 11:7; 1Pe 3:20; 2Pe 2:5). para a Babilônia, todos comeVOLTA PARA DEUS Com a sobrevivência do remanescente também teram falhas graves. O paradoxo dessa relação foi preservado o conhecimento acerca de Deus. Embora nem todos os filhos de Noé tenham pode ser mais bem comprepermanecido fiéis a Deus (Gn 9:25), o conheciendido com a metáfora da mento sobre Ele foi preservado por meio da linhagem de Sem, que vinha. Deus escolheu uma “videira” do reconheceu a soberania do Senhor. Por isso, Deus habitou entre Egito e a “plantou” em uma colina muito eles (Gn 9:27). Portanto, o povo remanescente não é formado por fértil. O objetivo era que essa vinha alcanmeros sobreviventes de uma catástrofe, mas por seres humanos casse outras nações com suas ramas; porém, que formam uma comunidade visível, vocacionada por Deus para o povo de Israel se tornou uma vinha selpreservar Seu conhecimento e chamar o mundo de volta para Si. vagem, insubordinada (Sl 80:8-18; Is 50:1-7; Depois da rebelião que resultou na construção da Torre de Jr 2:21; 5:10; 6:9; Ez 15:1-5; 17:1-21; 19:10-14; Babel, Deus escolheu Abraão, que era descendente de Sem e havia Os 10:1, 2; Jl 1:7).
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O problema de Israel estava profundamente arraigado. Mas, para mudar seu comportamento, o remanescente teria que mudar sua natureza. Essa tem sido uma verdade para todos os remanescentes ao longo da história. No entanto, os profetas predisseram que Deus purificaria Seu povo como a prata é refinada (Zc 13:8, 9). As pessoas dadas ao orgulho, engano, ciúme, tropeços e malfeitorias seriam removidas e Deus colocaria Sua lei e Seu Espírito no coração do remanescente (Is 11:10-13; Jr 31:7-9, 31-34; Ez 36:22-32; Sf 3:11-13; Ml 3:16-4:3; Mt 13:24-30, 37-43; 25:14, 31-33). Esse processo incluiria gente de muitas nações (Zc 8:20-23; 14:16) e atrairia o mundo de volta para Deus (Is 2:2-4; 60:1-3). JESUS E OS 144 MIL A solução da fragilidade do remanescente estava predita já em Gênesis 3:15. A “semente” da mulher é, ao mesmo tempo, um grupo de pessoas e uma Pessoa. Deus predisse que, ao longo da história, haveria “inimizade” entre a serpente e a “semente” da mulher, mas que o Descendente esmagaria a cabeça da serpente. Paulo também explicou que a “semente” de Abraão era Cristo (Gl 3:16). O próprio Jesus afirmou quando disse: “Eu sou a videira verdadeira, e Meu Pai é o Agricultor” (Jo 15:1). Jesus foi o perfeito remanescente (Hb 4:15; 7:26-28): Ele revelou fielmente o Pai, explicou e encarnou o verdadeiro significado da lei (Mt 5:17-48; Jo 1:14-18) e atraiu toda a humanidade de volta para Deus (Jo 12:32; 17:4, 6). Assim, o Pai ofereceu, por meio do Filho, a solução que tanto o remanescente como as nações necessitavam. Hoje, os que juram lealdade a Deus se unem a Cristo, na forma de “ramas” podadas da videira selvagem e enxertadas na “videira verdadeira”. Esse é o milagre do novo nascimento para as “ramas”, que se tornam participantes da seiva da videira (2Pe 1:4) e com todo o potencial para frutificar e alegrar o “Agricultor” (Jo 15:8; Mt 28:18-20). O ministério de Cristo alcançará o clímax do seu cumprimento na última geração de crentes que viverá antes da volta de Jesus. As predições bíblicas de um remanescente purificado serão cumpridas naqueles que, entre as igrejas de Apocalipse, “vencerão” (Ap 2 e 3). O apóstolo João se referiu a eles como os 144 mil, destacados entre o povo nominal de Deus, que serão selados e permanecerão fiéis (Teologia do Remanescente, p. 91-93). Eles serão purificados no sangue do Cordeiro (Ap 7:4-14). No momento mais escuro da história, em face às ameaças do dragão e da besta (Ap 13), esse povo permanecerá puro, porque segue o Cordeiro por onde quer que Ele vá (Ap 14:1-5). Eles continuarão testemunhando da verdade ao guardar “os mandamentos de Deus”, manter o “testemunho de Jesus” e chamar “aqueles que habitam na Terra” a voltarem para Deus (Ap 14:6-12; 12:17). Eles vencerão, pois o tronco em que estão firmemente enxertados jamais falhará. ]
CHAMADO A FAZER PARTE Antes de eu completar 16 anos de idade, aprendi uma verdade fundamental sobre o remanescente. Minha tia Gladys era uma mulher notável, o próprio exemplo da “multitarefa” muito antes do termo virar moda, pois ela nunca fazia uma coisa de cada vez. Enquanto contava histórias longas e fascinantes ou brincava com jogos complicados de palavras, ela fazia crochê, trançava um tapete ou costurava camisas que os garotinhos se orgulhavam de usar. Passar as tardes com a tia Gladys significava entrar em um mundo de projetos. Entre as peças de tecido de algodão estampado e metros de panos coloridos, tia Gladys procurava, com seus olhos treinados, retalhos e sobras que ela já imaginava compondo uma nova roupa. Ao acompanhar esse processo, entendi, por definição e observação, que o “remanescente” era uma coisa criada pela escolha de outra pessoa – algo que sobrou quando as peças maiores cumpriram seu propósito. Nenhum retalho xadrez vermelho ou sobra de tecido florido escolheu ser remanescente. O remanescente só é valioso porque o artista enxerga possibilidades nos pedaços. Ter essa compreensão plantada em minha mente desde muito cedo me ajudou quando a retórica de que somos o povo “remanescente” parecia inferir uma identidade exclusiva ou autodeterminada naqueles que corretamente se autodenominam “povo de Deus no tempo do fim”. Não escolhemos ser o remanescente. É o gracioso chamado para seguir Jesus que dá identidade e propósito ao Seu povo. É Cristo quem une os pedaços pequenos, frequentemente descartados de outras causas e grupos religiosos, para formar um modelo que só Ele pode ver. A vasta e incontável multidão vista por João (Ap 7:9) será formada pelos fragmentos que outros relegaram ou consideraram sem valor – uma colcha de matizes e padrões que agradam o Artista que os reaproveitou. É o chamado Dele que forma o remanescente. Sua graça ainda é o que nos une a milhões de outros crentes, diferentes em tantos aspectos, mas que encontram seu lugar no desenho do Artesão. Alegre-se, pois você foi chamado a fazer parte do remanescente. ]
FÉLIX H. CORTEZ, PhD, é professor associado de literatura do Novo Testamento na Universidade Andrews (EUA)
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BILL KNOTT é editor da revista Adventist World R e v i s t a A d ve n t i s t a // A d ve n t i s t Wo r l d // Outubro 2018
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HISTÓRIA
AS ESCRITURAS SEMPRE FORAM O PONTO FOCAL DO POVO REMANESCENTE DE DEUS ALBERTO R. TIMM
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o longo dos séculos, Deus sempre teve um remanescente que permaneceu fiel a Ele e à Sua Palavra, a despeito das circunstâncias. Por exemplo, no mundo degradado antidiluviano, Noé e sua família confiaram na Palavra de Deus e lhe obedeceram, mesmo parecendo ilógica e irrealizável (Gn 6:1–9:29; Hb 11:7). Quando o rei Acabe e Jezabel, sua esposa pagã, conduziram Israel a uma profunda idolatria, Elias, Eliseu e outras 7 mil pessoas permaneceram do lado de Deus e não adoraram a Baal (1Rs 16–19). Na corte da Babilônia, Daniel e seus três amigos permaneceram leais a Deus sob a mais severa pressão sociopolítica (Dn 1:1-21; 3:1-30; 6:1-28). Encontramos em Hebreus 11 vários outros exemplos inspiradores de lealdade. O próprio Cristo foi “obediente até à morte e morte de cruz” (Fl 2:8; cf. Mt 26:39, 42, 44). Muitos dos Seus primeiros discípulos e mais tarde seguidores preferiram morrer a trair seu Mestre e Seus ensinos. Durante a Idade Média, o alto clero católico removeu a Bíblia dos leigos e acomodou seus ensinos às suas tradições não bíblicas. Mas os destemidos préreformadores, como João Wycliffe, João Hus, Jerônimo de Praga e os valdenses, tentaram restaurar a supremacia de Cristo e a autoridade exclusiva das Escrituras. Eles ajudaram a pavimentar o caminho da ênfase renovada do protestantismo na autoridade confiável da Bíblia como a Palavra de Deus. R e v i s t a A d ve n t i s t a // A d ve n t i s t Wo r l d // Outubro 2018
Foto: Nguyen Nguyen
Fiéis à Sua Palavra
A REFORMA PROTESTANTE A Reforma do século 16 foi, antes de tudo, uma reforma hermenêutica que abalou a autoridade da Igreja Católica Romana e permitiu que a Bíblia mais uma vez falasse diretamente ao crente. A Bíblia foi restaurada ao seu lugar central por meio dos princípios da sola Scriptura (exclusividade das Escrituras) e tota Scriptura (totalidade das Escrituras). No entanto, além da salvação pela graça por meio da fé (Ef 2:8-10), os reformadores magisteriais, como Lutero, Zwínglio e Calvino, não foram tão longe a ponto de restaurar outras doutrinas importantes da Bíblia que haviam sido obscurecidas na era pós-apostólica. Mesmo assim, os reformadores lançaram as bases para a descoberta de princípios hermenêuticos fundamentais que, com o tempo, levariam a restaurações doutrinárias mais completas (Understanding Scripture: An Adventist Approach, p. 3, 4). Muito mais que apenas um evento no tempo, a Reforma deve ser vista como um processo duradouro de contínuo rompimento com o erro e de uma aproximação, cada vez maior, dos ensinos das Escrituras, como bem expresso pelo lema “a igreja reformada sendo sempre reformada segundo a Palavra de Deus” (Always Being Reformed: The Future of Church Education, p. 9, 10). No entanto, lamentavelmente, o conceito de reforma contínua foi amplamente perdido no período pós-Reforma pela vinculação da compreensão das Escrituras à autoridade dos credos eclesiásticos. Contudo, novos movimentos de restauração emergiram, enfatizando novamente a autoridade da Bíblia e revelando alguns de seus ensinos fundamentais. Muitos deles adotaram o princípio da sola Scriptura, mas nenhum outro movimento contemporâneo levou tão a sério o princípio de tota Scriptura como os adventistas do sétimo dia. A REFORMA ADVENTISTA Usualmente, falamos do início do adventismo como um movimento profético que finalmente foi organizado como igreja. Da perspectiva eclesiológica, esse é realmente o caso. Mas, do ponto de vista hermenêutico, podemos ver o adventismo como uma reforma importante do século 19, que usou os princípios hermenêuticos protestantes e os aplicou mais consistente e extensivamente às Escrituras. Assim, vários ensinos bíblicos importantes foram redescobertos e integrados à sólida plataforma da verdade (veja mais no livro O Santuário e as Três Mensagens Angélicas, da Unaspress). Segundo R e v i s t a A d ve n t i s t a // A d ve n t i s t Wo r l d // Outubro 2018
A REFORMA DO SÉCULO 16 FOI, ANTES DE TUDO, UMA REFORMA HERMENÊUTICA
Ellen G. White, “de todos os grandes movimentos religiosos desde os dias dos apóstolos, nenhum foi mais livre de imperfeições humanas e dos enganos de Satanás do que o do outono de 1844” (O Grande Conflito, p. 401). Em 1894, Ellen G. White declarou: “A verdade para este tempo é ampla em seus contornos, de vasto alcance, abrangendo muitas doutrinas; estas, porém, não são unidades destacadas, de pouca significação; são unidas por áureos fios, formando um todo completo, tendo Cristo como o centro vivo. As verdades que apresentamos da Bíblia são tão firmes e inabaláveis como o trono de Deus” (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 87). No entanto, essa convicção nunca deve ser usada como desculpa para cessarmos com nossa busca constante pelas verdades bíblicas. Ela acrescentou: “Não há desculpa para ninguém assumir a posição de que não existe mais verdade a ser revelada, e que não há erro em todas as nossas exposições da Escritura” (O Outro Poder, p. 243). Assim, desde o princípio da história da humanidade, o remanescente de Deus sempre foi caracterizado pela fidelidade incondicional ao Senhor e a “toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4:4). Não é de admirar que, nos dias finais (Ap 12:17; 14:12), Deus também terá “um povo que mantém a Bíblia, e a Bíblia somente, como norma de todas as doutrinas e base de todas as reformas” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 595). Ao perceber que a busca pela verdade é um processo que nunca termina, podemos afirmar que o verdadeiro membro do povo de Deus é aquele que vive de acordo com a luz que já compreendeu na Palavra de Deus e que procura, continuamente, novos vislumbres de luz. ] ALBERTO R. TIMM, doutor em Teologia, é diretor associado do White Estate
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MISSÃO
A campanha de Jonas GORDON R. DOSS
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R e v i s t a A d ve n t i s t a // A d ve n t i s t Wo r l d // Outubro 2018
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O QUE A HISTÓRIA DO PROFETA NOS ENSINA SOBRE A INICIATIVA DE DEUS EM SALVAR A HUMANIDADE
história de Jonas e do grande peixe que o engoliu e três dias depois o cuspiu na praia é a favorita de muitos adultos e crianças. A narrativa ilustra o poder de Deus e o cuidado que Ele tem por Suas criaturas, mas também tem muito a ensinar sobre a missão de Deus (missio Dei). Jonas era um verdadeiro profeta de Israel. Os descendentes de Abraão foram escolhidos para abençoar todas as nações (Gn 12:1-3). Israel devia ser um reino de sacerdotes e uma nação santa (Êx 19:6). Como povo escolhido por Deus para essa tarefa, eles deviam servir como um campo magnético espiritual, atraindo as nações para observar, aprender e participar do culto a Yahweh, em Jerusalém. A localização de Israel na rota de transporte entre a África, Ásia e Europa tornava isso possível. Ocasionalmente, houve missionários como Jonas que saíram de Israel para evangelizar outras nações. A palavra “remanescente” não aparece no livro de Jonas. No entanto, o conceito de remanescente está implícito ao longo do Antigo Testamento e também nesse livro. O remanescente é um grupo escolhido pela graça de Deus para cumprir Sua missão, da maneira como Ele dirige, como definiu Tarsee Li (Teologia do Remanescente, p. 23-42). Assim, Jonas era um missionário remanescente enviado por Deus a Nínive. A história de Jonas é um capítulo na grande narrativa da missão do Deus Triúno em favor da humanidade. Após a queda, Deus, o Pai, iniciou essa missão de resgate do ser humano perdido (Gn 3:15). Deus, o Filho, encarnou a missão de Deus e realizou a expiação para tornar a redenção possível (Rm 3:25). Por sua vez, Deus, o Espírito Santo, capacita e supervisiona a missão (At 2:1-4). No Seu tempo, Deus conduzirá Sua missão à conclusão gloriosa (At 1:7). O povo remanescente de Deus, de todas as épocas, são Seus agentes humanos, e Jonas era um desses missionários.
SEGUINDO OS MOVIMENTOS DE DEUS No início da história, Deus encarregou Jonas de ir proclamar uma sentença sobre Nínive, onde hoje fica Mossul, no Iraque (Jn 1:2). No entanto, por mais forte que fosse seu compromisso com Deus, Jonas não queria ir. A viagem de Israel a Nínive seria longa e árdua, e só a ideia de confrontar aquela cidade pagã, sem dúvida, era aterrorizante. Nínive era a capital da Assíria, grande inimiga de Israel. E a questão mais importante: Jonas sabia que Deus era misericordioso, compassivo e perdoador, mas o profeta não achava que os ninivitas pagãos deviam ser beneficiados com o perdão de Deus (4:1-3). Em um segundo momento da história, Jonas fugiu em um navio na direção de Társis, e Deus bloqueou sua fuga com uma tempestade, salvou sua vida por meio do grande peixe e o colocou de volta nos trilhos (Jn 1:4– 3:10). A oração de Jonas, feita dentro da barriga do peixe, é uma obra de arte espiritual. No terceiro movimento, Deus chamou Jonas pela segunda vez, e agora o profeta obedeceu (Jn 3:1-3). Por alguma razão, ele fez a longa viagem de algum lugar no Mediterrâneo até Nínive. Quando chegou ao seu destino, Jonas proclamou o julgamento iminente de Deus, o povo creu na pregação, se arrependeu e o Senhor impediu a destruição (v. 4-10). O quarto movimento deveria mostrar Jonas louvando a Deus. Porém, ao contrário, ele estava descontente pelo fato de o Senhor ter demonstrado graça e compaixão para com Nínive, e pediu que Ele tirasse sua vida (Jn 4:1-3). De fato, Jonas disse: “Ah! Senhor! Não foi isso o que eu disse, estando ainda na minha terra? Por isso, me adiantei, fugindo para Társis, pois sabia que és Deus clemente, misericordioso, tardio em irar-Se, grande em benignidade e que Te arrependes do mal” (v. 2, NVI). A cena seguinte mostra Jonas sentado em um lugar com vista privilegiada fora da cidade, esperando para ver o que aconteceria (Jn 4:5-11). Possivelmente ele acreditava que a cidade ainda merecia ser destruída. Enquanto esperava, seu Deus misericordioso providenciou uma planta para oferecer sombra e protegê-lo do sol escaldante. Mas esse mesmo Deus enviou um verme para matar a planta. Mais uma vez, Jonas ficou zangado e desejou a morte. Na cena final, Deus confrontou Jonas: “Tens compaixão da planta que te não custou trabalho, a qual não fizeste crescer, que numa noite nasceu e numa noite pereceu; e não hei de Eu ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que há mais de cento e vinte mil pessoas, que não sabem discernir entre a mão direita e a mão esquerda, e também muitos animais?” (v. 11, NVI). Deus era o Criador de Jonas, da planta que ofereceu sombra para ele, do povo ignorante e mal orientado e dos animais
A MISSÃO DE DEUS ERA MUITO MAIOR DO QUE JONAS E SEMPRE FOI MAIOR DO QUE A IGREJA
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de Nínive. A ira de Deus contra aquela cidade pagã, anunciada por Jonas, era justificada, mas o caráter de Deus é ser gracioso e compassivo, como Ele desejava. Não era exclusividade de Jonas nem da nação de Israel o acesso à graça de Deus, e o fato de Ele ter oferecido Seu favor para Nínive não diminuía Israel. LIÇÕES PARA O REMANESCENTE Os missionários remanescentes de Deus, saturados de conhecimento sobre Ele e determinados a cumprir Sua missão, nunca devem se esquecer de que a missão é a respeito da graça de Deus. Nem Jonas nem os israelitas mais devotos eram mais merecedores do favor e da salvação do que os ninivitas. Se todos recebessem exatamente o que merecem, deviam ser consumidos pela santa ira de Deus contra o pecado. O povo remanescente de hoje, que é tão cuidadoso com a crença, comportamento e estilo de vida, nunca deve se esquecer de que somos salvos pela graça, mediante a fé; e que tudo isso é dom de Deus (Ef 2:8). Às vezes, o remanescente pode se sentir exclusivo e autocentrado. Jonas demonstrou um exclusivismo em favor do seu próprio povo, Israel. Jesus abordou o mesmo exclusivismo quando disse aos fariseus para não se gabarem dizendo: “temos por pai a Abraão” (Mt 3:9). Israel tinha uma mensagem para todas as nações, mas pensavam que podiam ser recipientes exclusivos da compaixão e misericórdia de Deus. O remanescente precisa se lembrar de que a missão de Deus pertence a Ele. Sua missão era muito maior do que Jonas e é sempre maior do que a igreja. Jonas não se entregou completamente à missão de Deus, mesmo após ter pregado, com sucesso, sobre o julgamento em Nínive. No fim do livro, não está claro como ficou o relacionamento de Jonas com Deus, nem a missão de Deus. Podemos esperar, por amor a Jonas e à sua missão, que seu coração tenha mudado e que, mais tarde, ele tenha dito a Deus: “Sim, Senhor. O Senhor tem o direito de ser misericordioso e compassivo com quem quiser. Sou servo humilde. Envia-me para onde desejar e usa-me de acordo com a Sua vontade”. ] GORDON R. DOSS, PhD, é professor de missão global na Universidade Andrews (EUA)
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VIDA ADVENTISTA
Igreja imperfeita AUDREY ANDERSSON
E
ra uma daquelas fotografias que conseguia captar aquele exato milésimo de segundo. Quando elogiei o fotógrafo, ele riu e me explicou: “A foto foi tirada em um dia feio e nublado, mas foi trabalhada no Photoshop até conseguir o equilíbrio das cores. Você não é tão ingênuo a ponto de acreditar que toda imagem que vê é igual à original, não é? A realidade é irrelevante, o que importa é apresentar a imagem perfeita.” 24
vivendo num mundo imperfeito. Por isso, elas não são as pessoas mais fáceis de se conviver. As tensões nos relacionamentos fazem parte da caminhada do povo de Deus. Esse problema não é novo. Após três anos caminhando com Jesus, por exemplo, os discípulos ainda estavam disputando quem ocuparia a melhor posição no reino. Dois mil anos depois do início da igreja, não deveríamos nos surpreender com os desafios da convivência, mesmo entre o povo remanescente de Deus. PENSE NOS QUATRO PÊS Para lidar melhor com essas tensões, sugiro que você reflita a respeito de quatro “pês”: preferência, perspectiva, prática e princípio. Vamos a eles. 1. Preferência. Algumas coisas não são certas ou erradas, apenas preferências. Por exemplo,
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Foto: Ivan Vranic
O DESAFIO DE LIDAR COM OS DEFEITOS DA COMUNIDADE E AS TENSÕES DE CONVIVÊNCIA NÃO É NOVO, MAS PODE SER MINIMIZADO
Em um mundo obcecado em apresentar uma vida “perfeita” por meio de imagens irretocáveis, diante dos desafios do nosso lar, trabalho, escola e até da igreja, temos que admitir que a realidade é tudo, menos perfeita. A distância entre o ideal e o real fica mais clara se você perguntar para qualquer grupo de membros, seja de idosos ou jovens, qual a opinião deles sobre o estado atual da igreja. Mais cedo ou mais tarde, uma crítica surgirá. Necessidade de atualização de abordagens ou o medo de que estamos perdendo nossa identidade certamente estariam entre as observações. De fato, o que parece é que, se todos enxergassem as coisas pela nossa perspectiva, teríamos uma igreja perfeita, não é mesmo? A verdade, porém, é que a igreja é um lar para pecadores que, por definição, são pessoas que estão feridas
NÃO HÁ ATALHOS PARA O CÉU, NEM VÁRIAS ENTRADAS; NO ENTANTO, A VIAGEM DE CADA UM ATÉ LÁ PODE SER BEM DIFERENTE
devemos comer cinco porções de frutas e vegetais por dia. Gosto mais de algumas frutas e vegetais do que de outros. É minha preferência. Isso também pode ser aplicado à igreja. Posso preferir o tapete vermelho ao azul. E quem prefere o contrário também não está errado. Portanto, antes de iniciar uma nova disputa na igreja, pense se a questão tem que ver com uma verdade bíblica ou preferência pessoal. O que se observa é que, depois de algumas semanas, poucos estão se importando se o tapete escolhido foi o vermelho ou azul. 2. Perspectiva. Na Inglaterra, a Catedral Coventry foi bombardeada durante a Segunda Guerra Mundial. Após o conflito, a capela do templo foi construída no formato de uma tenda de cruzador. As “dobras” da tenda formam nichos ao longo das paredes. O detalhe é que somente quem fica em pé no centro da capela e gira vagarosamente consegue ver todos os nichos. Em qualquer outra posição, alguma coisa atrapalha a visão. A lição é que todos nós temos pontos cegos. Olhamos a partir de uma perspectiva e alimentamos preconceitos. Preconceitos são opiniões ou sentimentos que não têm base em fatos, lógica ou experiência. Elementos que atrapalham nossa visão, fazendo com que seja difícil enxergar e compreender a realidade a partir do olhar de outra pessoa. Contudo, abandonar nossos preconceitos abre possibilidades indescritíveis. Foi o que Jesus nos ensinou com a experiência no poço de Jacó (Jo 4). Ao conversar com a mulher samaritana de reputação duvidosa, Ele a ajudou a superar os próprios preconceitos, o que resultou em bênção para toda uma cidade e na ampliação da visão dos discípulos a respeito de missão. 3. Prática. À medida que as crianças crescem, elas bombardeiam seus pais com mil porquês. Isso é normal e faz parte do crescimento delas. Em nível coletivo na igreja, o mesmo ocorre com as novas gerações que questionam as mais antigas. Isso pode provocar conflitos. Um caminho para a resolução é a igreja fazer um autoexame sobre suas práticas e exercitar a flexibilidade em relação aos questionamentos. É preciso refletir se o ponto em questão é apenas uma tradição ou tem algum princípio bíblico envolvido. 4. Princípio. Porém, algumas coisas são inegociáveis, pois são a essência da nossa identidade. Crenças como a salvação pela graça, a justificação pela fé, a guarda do sábado, a obediência à lei de Deus, a confiança no ministério de Jesus no santuário celestial e a expectativa pela volta de Cristo são verdades eternas que
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identificam o remanescente. No entanto, às vezes o modo como as entendemos e vivenciamos demonstra também nossas preferências e geram ruído na comunicação de nossa mensagem para os outros. Assim como Se revelou aos Seus discípulos, Jesus continua sendo “o caminho, e a verdade, e a vida” (Jo 14:6). Não há atalhos para o Céu, nem várias entradas; no entanto, a viagem de cada um até lá pode ser bem diferente. Certa vez vivenciei algo que me ajudou a entender isso. Ao sair do aeroporto, vi aquilo que para meus olhos ocidentais era u m verdadeiro caos; porém, para meu motorista, era normal. Carros, jumentos, bicicletas, camelos, caminhões e pedestres: todos ocupavam a mesma estrada. Todos íamos na mesma direção, mas em condições bem diferentes. Eu estava protegido do calor e da poeira, sentado em um carro com ar-condicionado, enquanto outros que montavam um jumento ou camelo desfrutavam de um desconforto menor dos que precisavam ir a pé. Os ciclistas, por sua vez, conseguiam “costurar” o tráfego com mais facilidade. O fato é que como igreja estamos todos na mesma viagem, mas nossas experiências e oportunidades moldam a forma como encaramos a estrada. Por isso, ao longo do trajeto precisamos nos perguntar o que é preferência, preconceito, prática e princípio. Se for qualquer um dos três primeiros elementos, talvez precisemos aceitar que nosso ponto de vista pode ser imperfeito e limitado. O que realmente importa é Jesus. Ter a fé em Cristo como o centro da vida e da igreja pode nos ajudar a enxergar melhor e a ser mais receptivos ao ponto de vista alheio. ] AUDREY ANDERSON é natural da Irlanda, trabalha como secretário executivo da Divisão Transeuropeia da Igreja Adventista e mora em St. Albans, no Reino Unido
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DOM DE PROFECIA
Herança profética
GERHARD PFANDL
O
s textos de Apocalipse 12:1 a 6 e 13 a 17 apresentam um breve resumo da história da igreja cristã, desde o tempo de Jesus (v. 5) até o tempo do fim (v. 17), quando o dragão, Satanás (v. 9), guerreará contra os restantes da descendência da igreja: “os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus” (v. 17). O “restante da sua descendência” são os membros fiéis da igreja de Deus no tempo do fim. Por sua vez, o dragão que tentou destruir a mulher (a verdadeira igreja de Deus) ao longo de 1.260 anos (v. 6) é descrito depois desse período desferindo sua ira contra o remanescente. Esse remanescente é identificado por duas características: guarda os mandamentos de Deus e tem o testemunho de Jesus. Quaisquer que sejam os mandamentos que queiramos incluir na primeira característica, certamente os Dez Mandamentos (Êx 20:3-17) estão entre eles. Portanto, a primeira marca da igreja remanescente é a lealdade aos mandamentos de Deus; a todos eles, inclusive ao quarto mandamento, que trata do sábado. Em Apocalipse 12:17, é como se Deus dissesse que no tempo do fim Ele teria uma igreja visível identificada por essas duas características. O ESPÍRITO DE PROFECIA A segunda característica é mencionada numa visão em que João cai aos pés do anjo em atitude de adoração,
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Foto: Anja Osenberg
O QUE SIGNIFICA DIZER QUE O MOVIMENTO ADVENTISTA TEM O TESTEMUNHO DE JESUS?
mas é repreendido pelo ser celestial, que rejeita a atitude do apóstolo dizendo que também era um conservo dele (Ap 19:10). Nesse texto, a expressão “testemunho de Jesus” é igualada ao termo “espírito de profecia”. Essa é a única referência bíblica a esse termo. O paralelo mais próximo que encontramos nas Escrituras está em 1 Coríntios 12:8-10. Paulo se referiu ali ao fato de que o Espírito Santo concede vários dons para a igreja, entre eles o de profecia. A pessoa que recebe esse dom é chamada de profeta (1Co 12:28; Ef 4:11; Ap 22:8, 9). O detalhe de mencionar “profetas” em vez de “espírito de profecia” é o que diferencia os textos paralelos de Apocalipse 12:17 e 19:10. Eles descrevem cenas semelhantes. Entretanto, essa pequena diferença nos leva a crer que Apocalipse 12:17 indica que a igreja remanescente teria o dom profético, mas que ele não se manifestaria sobre todo o povo de Deus no tempo do fim; seria apenas sobre aqueles que Ele escolhesse como profetas (cf. Ap 19:10). Essa não é uma interpretação exclusivamente adventista. O erudito luterano Hermann Strathmann, por exemplo, disse o seguinte a respeito de Apocalipse 19:10: “De acordo com o texto paralelo de 22:9, os irmãos mencionados não são os crentes em geral, mas os profetas. Aqui eles também são identificados como tal. Esse é o ponto do verso 10. Se eles têm o marturia lesou (o testemunho de Jesus), eles têm o Espírito de profecia, ou seja, eles são profetas, como o anjo, que simplesmente fica a serviço do marturia lesou” (Theological Dictionary of the New Testament, v. 4, p. 501).
APOCALIPSE INDICA QUE A IGREJA REMANESCENTE TERIA O DOM PROFÉTICO, MAS QUE ELE NÃO SE MANIFESTARIA SOBRE TODO O POVO DE DEUS, APENAS NOS PROFETAS
TESTEMUNHO DO ANTIGO TESTAMENTO Os leitores judeus dos dias de João sabiam o significado da expressão “espírito de profecia”, porque esse termo era comum nos Targums, a tradução do Antigo Testamento do hebraico para o aramaico. Por exemplo, o texto hebraico de Gênesis 41:38 diz: “Disse Faraó aos seus oficiais: Acharíamos, porventura, homem como este, em quem há o Espírito de Deus?” Já a versão em aramaico do Targum registra assim: “Faraó disse aos seus servos: ‘Acharíamos, porventura, homem como este, em quem há o Espírito de profecia do Senhor?’” Provavelmente os judeus tenham associado a expressão “espírito de profecia” como uma referência ao Espírito Santo, que concede o dom profético. O teólogo F. F. Bruce, um especialista em Novo Testamento, chegou à mesma conclusão: “A expressão ‘o Espírito de profecia’ corrente no judaísmo pósbíblico é usado, por exemplo, no circunlóquio targúmico para Espírito de Yahweh que vem sobre esse ou aquele profeta. Assim, o Targum de Jônatas traduz as primeiras palavras de Isaías 61:1 como ‘O Espírito de profecia de diante do Senhor Deus
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está sobre Mim’. [...] No entanto, em Apocalipse 19:10, o Espírito de profecia testemunha por meio de profetas cristãos. Assim, o que os profetas da era pré-cristã predisseram é proclamado como um fato consumado pelos profetas da era cristã, entre os quais João ocupa o lugar de liderança” (The Time Is Fulfilled, p. 105 e 106). Portanto, podemos dizer que a igreja remanescente visível que, segundo a profecia, surgiria depois dos 1.260 anos de supremacia papal (após 1798), apresenta duas características específicas: (1) mantêm fidelidade aos mandamentos de Deus, incluindo a guarda do sábado; e (2) têm o testemunho de Jesus ou o dom profético. IGREJA ADVENTISTA Desde sua organização institucional, em maio de 1863, a Igreja Adventista do Sétimo Dia sempre declarou ter esses dois sinais de identificação. Nós adventistas proclamamos os Dez Mandamentos, incluindo o sábado; e cremos que, como igreja, temos o testemunho de Jesus, que Deus manifestou no ministério de Ellen G. White. Assim, nossa denominação é uma igreja profeticamente prevista e não apenas mais uma igreja entre várias. Nós, os adventistas do sétimo dia, somos membros da igreja remanescente de Deus. Porém, essa identificação não nos garante o status de exclusividade. A salvação não é garantida pelo registro de membro numa igreja. As pessoas são salvas como indivíduos, e não a coletividade. Entretanto, é um privilégio pertencer à igreja que Deus chamou à existência com o propósito de proclamar as três mensagens angélicas (Ap 14:6-12) para este mundo perdido. ] GERHARD PFANDL, PhD, aposentou-se como diretor associado do Instituto de Pesquisa Bíblica da sede mundial da igreja
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NISTO CREMOS
JESUS TEM RAZÃO
LAEL CAESAR
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m Cesarea de Filipe, no verão do ano 30, Jesus garantiu que as portas do inferno não prevaleceriam contra Sua igreja (Mt 16:18). Ele disse isso aos doze homens que havia chamado para estar com Ele e depois enviá-los a pregar e a exercer a autoridade de expelir demônios (Mc 3:14, 15). Segundo Ellen G. White, esse foi o primeiro passo na organização da igreja que, “após a partida de Cristo, devia representá-Lo na Terra” (O Desejado de Todas as Nações, p. 291). Curiosamente, a promessa de Jesus quanto à vitória da igreja foi a reação de Cristo à confissão de Pedro, um de Seus discípulos mais instáveis e impulsivos. A declaração dele sintetiza o fundamento da fé cristã (p. 412). Na “pesquisa de opinião pública” realizada por Jesus com Seus seguidores mais próximos sobre quem o povo imaginava que Cristo fosse, havia uma lista boa (João, Elias ou Jeremias, cf. Mt 16:14) e uma lista ruim (Mt 11:19; Lc 15:1). Para o desalento de todos, a lucidez espiritual de Pedro durou apenas alguns minutos. Logo depois, ele contradisse Jesus quando o Mestre falou sobre os sofrimentos que viriam (Mt 16:21). Pedro se sentiu impelido a ajudar o Mestre; por isso, ele O chamou discretamente de lado para repreendê-Lo por falar aquelas tolices (v. 22). Satanás falou tão explicitamente por meio de Pedro que, ao responder, Jesus repreendeu o próprio diabo (v. 23). A despeito do que Pedro havia confessado acertadamente um pouco antes, sua repreensão a Jesus reflete a visão limitada e patética que os discípulos tinham do Mestre, apesar de terem sido chamados pelo próprio Cristo e convivido com Ele. R e v i s t a A d ve n t i s t a // A d ve n t i s t Wo r l d // Outubro 2018
Foto: Mike Kenneally
O FUTURO DA IGREJA NÃO DEPENDE DA FRAGILIDADE HUMANA, MAS DA SOBERANIA E SABEDORIA DIVINA. ELE ESTÁ MOLDANDO SEU POVO
A IGREJA É MAIS DO QUE UMA INSTITUIÇÃO HUMANA. SUA CONCEPÇÃO E MANUTENÇÃO PROCEDEM DE DEUS PROPÓSITOS DA IGREJA A igreja de Deus é formada por seres humanos, mas seus propósitos não estão restritos à compreensão limitada da humanidade. Por incrível que pareça, quando Deus derruba os portões do inferno para resgatar Seus filhos do poder de Satanás, Ele usa muitos seres humanos imperfeitos que parecem ser uma vergonha para Seus objetivos. Felizmente, para o bem de todos, desde o tempo de Pedro até hoje, o próprio Jesus esclareceu o que planeja para a construção da Sua igreja. Veja quatro características desse processo: 1. Separação. Ele está construindo singularidade, mas sem presunção ou discriminação. A palavra grega para “igreja” implica “separação”. Isso porque, na Bíblia, a multidão enlouquecida que gritou por duas horas em um teatro em Éfeso, sem saber por qual motivos estava reunida (At 19:32), é identificada pela mesma palavra para igreja: ekklesia. A diferença está no fato de que a ekklesia de Deus se caracteriza por ser o corpo de Cristo, comunidade em que os dons espirituais são manifestos (1Co 12:28). Em contraste com outras metáforas bíblicas para igreja, como a do sal que deve ser misturado (Mt 5:13), o povo de Deus também é chamado a “sair de Babilônia” (Ap 18:1-4), ou seja, a estar no mundo sem assumir a postura de rebelião do mundo contra Deus (Jo 17:15). A igreja é chamada das trevas para a luz (1Pe 2:9; Jo 8:32; 14:6). Nossa referência de moralidade é Aquele que é “santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores” (Hb 7:26), porque não há nenhum relacionamento íntimo entre a justiça R e v i s t a A d ve n t i s t a // A d ve n t i s t Wo r l d // Outubro 2018
e a injustiça (2Co 6:14, 15). Por isso, o plano de Deus é que Sua igreja seja absolutamente diferente do mundo, pois ela foi escolhida como nação real, santa e especial (1Pe 2:9; cf. Êx 19:6). 2. Salvação. Deus está edificando Sua igreja para a salvação, não para as coisas temporais. Afinal, o reino Dele não é deste mundo (Jo 18:36). O reino da graça, que oferece salvação a todos no presente (Tt 2:11), em breve dará lugar ao reino futuro de glória extraordinária (Ap 1:7). Enquanto isso, a igreja é a agência que proclama as boas-novas da ação de Deus na história (Mt 28:18-20). Em contraste com a postura inicial dos discípulos de Jesus que covardemente O abandonaram no Getsêmani, a igreja é a encarnação do milagre de milhões de pessoas que têm sido atraídas a Cristo. Gente que veio de todos os cantos do planeta para ocupar seus lugares à mesa do reino de Deus (Lc 13:29). Em contraste com o contexto desolador e solitário da crucifixão, Jesus olhou para o futuro e viu a família espiritual (Ef 1:5) que seria formada ao longo dos séculos por pessoas que se submeteriam a Ele e uns aos outros em amor. 3. Eternidade. Ele está construindo Sua igreja para a eternidade, pois Seu reino será eterno (Dn 2:44). Essa edificação começou com o chamado aos doze primeiros discípulos (Lc 6:13) e tem continuado com a vocação de outros por meio da liderança do Espírito Santo (Rm 8:14). O progresso da igreja e do reino de Deus tem confundido todos os estrategistas do reino das trevas. Aquele que é mais forte do que o diabo e suas hostes tem vencido o inimigo, libertando os cativos do pecado (Lc 11:22; Jo 8:36). 4. Confiabilidade. Jesus disse para os doze que Ele estava construindo a igreja sobre Si mesmo e a convicção de Seus seguidores de que Ele era o Messias (Mt 16:13-19). Como disse Paulo, nada pode nos separar do amor de Deus em Jesus, pois ele é íntegro e imútavel em Seus propósitos e motivações (Rm 8:35-39; Ml 3:6). Nada intimida nosso Deus. Podemos confiar Nele, pois Ele tem cuidado de nós. Em resumo, nada prevalecerá contra a igreja de Cristo, porque, embora ela seja formada por seres humanos inconstantes e defeituosos, é mais que uma instituição humana. Sua credibilidade, durabilidade e universalidade pertencem a quem a concebeu e mantém: Deus. Por isso, podemos ter certeza de que ela permanecerá para sempre. ] LAEL CAESAR é editor associado da Adventist World
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MINHA HISTÓRIA
A oração da mamãe A INTERCESSÃO DA MINHA ESPOSA E FILHOS ME SALVARAM NAQUELE ENCONTRO COM UM URSO NAS MONTANHAS
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que o editor pediu era simples, porém desafiador. Ele queria que eu providenciasse a foto de uma cabra-montesa em pé sobre uma rocha, olhando para um desfiladeiro escuro. “Está bem”, pensei. “Sem problema!” Na verdade, aquele era um grande problema. Eu tinha fotos de mamães cabras, de bodes, de cabritinhos e de cabras sozinhas dormindo sobre rochedos de granito, mas nenhuma fotografia de cabra sozinha diante de um desfiladeiro escuro. Pedi ao editor algumas semanas a mais e comecei a orar para que a foto perfeita cruzasse meu caminho. Estávamos planejando uma viagem pelo Parque Nacional Glacier, em Montana (EUA), na fronteira com o Canadá. Ali talvez eu pudesse encontrar alguma cabra e suborná-la para me oferecer o enquadramento ideal. Achando que poderia valer a pena tentar, fomos de carro por aquela estrada fantástica e sinuosa, do oeste para o leste, sobre o topo do parque Nacional Glacier. Nosso carro era uma caminhonete Dodge velha, veículo perfeito para uma família de três filhos menores de oito anos de idade. Minha bagagem estava cheia de comida, roupas, livros, orações e câmeras fotográficas. 30
À PROCURA DA CABRA Próximo ao topo, onde a estrada é estreita e o acostamento parece descer até o estado do Arizona, vi uma cabra num ponto acima de nós. Desci num lugar vazio que seria o estacionamento perfeito apenas para carro pequeno, peguei todo o meu equipamento e prometi à minha família que “logo” estaria de volta. Mamãe e as crianças me deram “tchau”, e segui rumo à cachoeira na montanha de granito, na direção da minha presa distante. Minha esposa, já sabendo que meu “volto logo” poderia demorar uma hora, tirou os materiais de homescholing e montou uma sala de aula na caminhonete. Ela não podia deixar que ninguém saísse do carro, pois havia um precipício ao lado do nosso carro. R e v i s t a A d ve n t i s t a // A d ve n t i s t Wo r l d // Outubro 2018
Foto: Dick Duerksen
DICK DUERKSEN
Caminhei até meus joelhos desistirem. Então caminhei ainda mais, seguindo a cabra-montesa que sempre estava ali, acima do próximo obstáculo. Depois de uma hora de caminhada, a cabra e eu finalmente nos tornamos amigos. Enquanto ela tentava descobrir o que eu queria, eu orava para que Deus me ajudasse a falar a língua dela. “Por favor”, eu disse à cabra, “caminhe até aquela pedra de granito e olhe para o desfiladeiro à sua esquerda”. Porém, a cabra continuava mastigando seu buquê de flores amarelo brilhante. Tentei convencê-la pulando para cima e para baixo, implorei e apontei para a rocha, na esperança de que ela pelo menos entendesse minha necessidade. Então montei o tripé e me preparei para tirar uma foto perfeita com a lente de 400 mm. INTERCESSÃO NA CAMINHONETE Enquanto isso, na caminhonete, a esposa do fotógrafo já estava começando a se preocupar. O período de 90 minutos era um pouco mais demorado do que ela esperava. Ela sentia um misto de preocupação, frustração e irritação com as vozes das três crianças. “Eu esperava que ele não estivesse lá em cima, caído, com uma perna quebrada”, lembra-se Brenda. “Mas eu estava pronta para ‘matá-lo’ quando chegasse!”, acrescentou. No topo da montanha, a cabra-montesa finalmente estava me entendendo. Ela parou, posou para minha tão esperada fotografia, concentrou-se e olhou para o lado escuro do desfiladeiro. Estava perfeito! O problema é que ela estava olhando para baixo e parecia estar muito deprimida, a ponto de pular. “Por favor, Senhor, faze com que ela levante a cabeça e olhe para mim!”, orei. A foto seguinte foi perfeita! Creio que Deus respondeu minha oração porque Brenda estava ajoelhada na caminhonete, implorando a Deus que me trouxesse a salvo daquela montanha. Guardei meu equipamento, dei meia-volta e concluí que a descida seria mais difícil que a subida. Meu relógio mostrou que já tinham se passado mais de cinco horas. Percebendo que havia cometido uma injustiça com Brenda e as crianças, apressei o passo. DE FRENTE COM O URSO Dez minutos mais tarde, tropecei na ponta de um granito, caí de joelhos e dei de cara com um urso-pardo gigante, que estava a menos de um metro de distância. Um urso muito alto e irritado, escondido atrás de um pequeno arbusto de salgueiro, rosnando: “Vá embora!” Eu teria obedecido alegremente, mas seu rugido me paralisou. “Crianças!”, disse a mamãe de dentro da caminhonete, 30 metros abaixo daquela colina. “Precisamos orar pelo papai. Sinto que ele pode estar enfrentando um grande perigo.” “Senhor Jesus”, orou uma das crianças, “por favor, guarde o papai.” O urso caiu sobre as quatro patas e saiu de trás do arbusto, vindo bem na minha direção. O vento estava soprando para meu lado, e o cheiro do urso era terrível. Implorei a Deus por ajuda, mas não conseguia me lembrar o que deveria fazer se encontrasse um urso. Devia permanecer imóvel ou pular para cima e para baixo fazendo bastante barulho? R e v i s t a A d ve n t i s t a // A d ve n t i s t Wo r l d // Outubro 2018
BRENDA CORREU AO MEU ENCONTRO, PRONTA PARA GRITAR COMIGO POR EU TER DEMORADO TANTO, ANSIOSA PARA ME ABRAÇAR POR EU AINDA ESTAR VIVO E PREOCUPADA COM MINHA PERNA Como eu estava muito fraco e apavorado para fazer alguma coisa, permaneci imóvel e tentei parecer o menos saboroso possível. O urso se levantou outra vez, cheirou a brisa, rugiu como um elefante, apoiou-se em suas quatro patas e vagarosamente saiu andando sobre a colina. “Obrigada por cuidar do papai”, orava Brenda na caminhonete. Quinze minutos mais tarde, finalmente meus joelhos concordaram em me sustentar. Fiquei em pé, ainda hesitante e usei meu tripé como apoio. Vagarosamente comecei a descer o morro. Por ter caminhado cinco horas na montanha, agora estava mancando de dor e preocupado. Eu havia demorado demais! “Olha, mamãe”, disse um dos nossos filhos. “É o papai! Acho que ele machucou a perna.” Brenda correu ao meu encontro, pronta para gritar comigo por eu ter demorado tanto, ansiosa para me abraçar por eu ainda estar vivo e preocupada com minha perna. “Já estava pronta para procurar um guarda florestal”, disse ela me ajudando a voltar para o carro. “A que horas você machucou sua perna?” Eu lhe disse, e ela sorriu. O sorriso dela fez com que eu me sentisse melhor, mesmo não estando perdoado ainda. “Foi exatamente na hora que fizemos uma oração especial por você”, me garantiu. Então, contei a ela sobre o urso-pardo. ] DICK DUERKSEN é pastor e mora em Portland, Oregon, nos Estados Unidos
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VISÃO GLOBAL
A MENSAGEM ABRAÇADA PELOS MILERITAS E PIONEIROS ADVENTISTAS NÃO É MERA RELÍQUIA DO PASSADO TED WILSON
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ATRAÍDO PELA MENSAGEM Enquanto Fitch estava em Boston, alguém deu a ele uma cópia de palestras de Guilherme Miller (disponíveis em m.egwwritings.org). Ele estudou avidamente aquele material, confessando depois a Miller, numa carta de 5 de março de 1838, o seu “interesse irresistível, como nunca havia sentido por nenhum outro livro, exceto a Bíblia”. Fitch pregou em sua igreja sobre a volta de Cristo à Terra, despertando profundo interesse em seus membros. Três dias depois, ele apresentou o assunto aos seus colegas da associação ministerial, em Boston. Segundo LeRoy Froom, Fitch havia levado consigo 12 exemplares do material de Guilherme Miller, mas a reação do grupo foi tão negativa que ele perdeu a confiança na mensagem do advento, voltando às suas antigas ideias (The Prophetic Faith of Our Fathers, v. 4, p. 534). 32
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Foto: Center for Adventist Research
VERDADE ATUAL
ma tempestade estava se formando em Búfalo, Nova York (EUA). Nunca essa cidade localizada do lado nordeste do lago Erie havia testemunhado um vento tão forte quanto no início daquele mês de outubro de 1844. No entanto, a despeito do clima desencorajador, uma multidão foi ouvir Charles Fitch explicar por que Jesus voltaria em breve. Com a ajuda de um painel profético desenhado por ele alguns anos antes, Fitch apresentou as profecias de Daniel e Apocalipse. Ele usou uma besta (animal) de cada vez para mostrar com que exatidão a profecia havia se cumprido ao longo da história. Fitch era um pregador muito bem preparado. Ele havia trabalhado com o famoso evangelista Charles G. Finney e também pastoreado várias congregações na Nova Inglaterra, inclusive a Igreja Congregacional da rua Marlboro, em Boston. Conhecido como abolicionista, em 1837 Fitch escreveu um panfleto no qual tentou descrever os horrores da escravatura. Nele Fitch confessou: “O mal tem tal magnitude que não tenho poderes para descrevê-lo; a culpa é tão profundamente escura que nunca poderá ser pintada, exceto pela pena embebida na meianoite de um poço sem fundo” (Slaveholding Weighed in the Balance of Truth, and Its Comparative Guilt Illustrated, p. 3).
SANTIFICAÇÃO E VOLTA DE JESUS Embora Fitch tenha cedido à pressão do grupo, ele continuou estudando diligentemente a Bíblia. Em 1839, enquanto pastoreava a Igreja Presbiteriana Independente em Newark, New Jersey, Fitch escreveu Views of Sanctification (disponível em m.egwwritings.org). A publicação do livro de Fitch fez com que ele fosse rotulado de “perfeccionista”. Uma comissão foi formada para “aconselhar” o pregador sobre suas ideias, o que resultou em uma resolução de censura e na exigência de que ele parasse de pregar sobre o assunto. Fitch escreveu refutando as acusações: “Será que posso dizer ao povo de Deus que eles não têm um Salvador para seus pecados? Que vivam quanto puderem; que trabalhem o máximo possível para encontrar o caminho da vida; que orem com o maior fervor e tenham confiança em seu Salvador de que as promessas se cumprirão da maneira mais completa possível, e mesmo assim estejam irremediavelmente condenados a pecar mais ou menos contra o Redentor que amam, até a hora da morte? Que seus clamores e esforço por ajuda são em vão, e que, até certo ponto, devem ser rebeldes contra o coração do amor infinito, até que o monstro cruel da morte apareça para livrá-los?” (“Letter to the Presbytery of Newark”, 1840, p. 19). Fitch foi firme. Já não temia o ridículo e a censura. Ele acreditava que havia sido chamado para pregar a “abençoada doutrina da santificação pela fé em Cristo”. Por isso, afastou-se do presbitério em Newark (“Reasons for Withdrawing From the Newark Presbytery”, 1845, p. 1). Em 1841, Josias Litch, médico e pregador milerita, incentivou Fitch a reconsiderar a mensagem adventista sobre o retorno de Cristo, pois ele precisava conectar essa verdade com a doutrina da santidade (The Prophetic Faith of Our Fathers, p. 536). Após muito estudo e oração, Fitch abraçou a mensagem completa do retorno de Cristo. Ele se tornou um dos pregadores mileritas mais amados e respeitados, conhecido por sua compaixão pelas pessoas e por pesquisar profundamente a Bíblia. Em 1843, após estudar Apocalipse 14 e 18, ele concluiu que a Babilônia descrita como “caída” incluía não apenas a Igreja Católica Romana, mas as igrejas protestantes também. Ele pregou um sermão poderoso chamando as pessoas para deixarem Babilônia e se unirem ao povo da Bíblia (Come Out of Her My People, disponível em m.egwwritings.org). R e v i s t a A d ve n t i s t a // A d ve n t i s t Wo r l d // Outubro 2018
DEVEMOS CUIDAR COM AS FÁBULAS HUMANAS E GUARDAR FIRME
BATISMO NO LAGO ERIE Naquele dia tempestuoso em Buffalo, Nova York, à medida que Charles Fitch pregava, corações eram convencidos de que aquele homem estava ensinando a verdade bíblica. Novos crentes eram batizados no lago Erie. O vento soprava forte quando Fitch começou com sua roupa molhada a voltar para casa após o batismo. Ele não havia ido muito longe, quando encontrou outro grupo que desejava descer às águas. Fitch retornou para o lago e os batizou. Voltando para casa mais uma vez, ele se encontrou com um terceiro grupo que implorou para ser batizado. Embora estivesse com muito frio, Fitch voltou ao lago para realizar o desejo deles (The Prophetic Faith of Our Fathers, p. 545). No dia seguinte, apesar de não estar se sentindo bem, Fitch ainda viajou vários quilômetros para cumprir um compromisso. Infelizmente, ele contraiu pneumonia e morreu no dia 14 de outubro de 1844, aos 39 anos. Embora ele não tenha vivido o suficiente para fazer parte do “pequeno rebanho” adventista do sétimo dia, Charles Fitch tinha o mesmo caráter e pregava basicamente a mesma mensagem que os pioneiros adventistas. De fato, ele é uma das poucas pessoas mencionadas nominalmente por Ellen G. White que estariam salvas (Primeiros Escritos, p. 17).
NOSSA ESPERANÇA BÍBLICA
FÁBULA OU FATO? Você ainda crê na mensagem da Bíblia que levou pessoas sinceras a deixar Babilônia e se unir ao povo remanescente? Essa mensagem é ainda relevante hoje ou uma relíquia do passado? Estamos abraçando a mensagem do ministério de Cristo no santuário celestial? Crendo que Deus não é apenas bondoso para nos salvar com Sua graça, mas que tem poder suficiente para nos santificar? Estamos aguardando e apressando o retorno de Cristo? A verdade de Deus, conforme revelada na Bíblia, ainda é mais importante do que a opinião humana? Oro para que não sigamos “fábulas engenhosamente inventadas” (2Pe 1:16), mas guardemos “firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem faz a promessa é fiel” (Hb 10:23). ] Charles Fitch foi
TED WILSON é presidente mundial da Igreja Adventista.
firme. Não temia
Você pode acompanhar o líder por meio das redes sociais:
o ridículo e a
Twitter (@pastortedwilson) e Facebook (fb.com.br/
censura
pastortedwilson)
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NOVA GERAÇÃO
CONHECER A DEUS
HAVIA UMA DESCONEXÃO ENTRE MINHA MENTE E O CORAÇÃO. ATÉ ENTÃO EU NÃO TINHA COMPREENDIDO QUE DEUS DESEJA SER CONHECIDO
LYNETTE ALLCOCK
Certa noite, enquanto eu chorava deitada no chão do meu quarto, Deus chamou minha atenção para Oseias 2:14-20. O texto diz que Ele iria transformar as dificuldades do povo de Israel numa porta de esperança. Por meio da linguagem metafórica do casamento, Deus ofereceu ao Seu povo um nível de compromisso e intimidade mais profundo. Apresentou-Se como o marido disposto a casar-Se e unir-Se em fidelidade. Esse era o caminho para que os israelitas O conhecessem de verdade. Naquele momento eu consegui ouvir o anseio do coração de Deus. Na sequência, Ele pareceu confirmar aquela mensagem por meio de sermões, da mídia e desconhecidos. Uma série de palestras realizadas na minha igreja pelo psiquiatra Timothy R. Jennings, autor do livro Simples Demais (CPB, 2010), também me ajudou. O doutor Jennings explicou como nossa visão a respeito de Deus literalmente molda o cérebro e impacta a vida. Naquele período, eu também entrevistei na Rádio Adventista de Londres uma artista evangélica que descreveu Deus como se estivesse falando de um amigo mais chegado que um irmão. Tive várias confirmações de que Deus estava me chamando para conhecê-Lo profundamente. Isso parece simples e até se tornou um clichê no contexto religioso, mas tem que ver com o que significa fazer parte do povo remanescente. Prova disso é que Ellen White, pioneira do adventismo, escreveu nas páginas 9 a 16 de Atos dos Apóstolos sobre o propósito de Deus para Sua igreja: que o ser humano conheça realmente quem Deus é e que compartilhe isso livremente com o mundo. Para sermos representantes de Deus ou testemunhas Dele, é preciso que Ele seja mais do que meras verdades intelectuais para nós. Em um dos meus textos bíblicos favoritos, vejo Davi sendo atraído para um relacionamento profundo (face a face) com o Senhor (Sl 27:8). Deus anseia que você O conheça. Como você responde a esse apelo? ] LYNETTE ALLCOCK, produtora e apresentadora da Rádio Adventista de Londres, mora em Watford, na Inglaterra
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Foto: Arquivo pessoal
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sta pergunta ecoa em meu coração, inspirada na declaração de abertura do livro Surrender to Love, de David G. Benner: “Imagine que Deus esteja pensando em você. O que Ele sente quando tem você em mente?” (p. 19). Tremi quando o autor expandiu a ideia, mostrando a relação entre essa questão e nossa maneira de trilhar a caminhada espiritual. Tenho de admitir que, quando penso em Deus, muitas vezes O imagino desapontado comigo, distante e desinteressado. Há uma lacuna entre o que leio sobre Deus e o que conheço experiencialmente acerca Dele. Uma desconexão entre minha mente e o coração. Até então não havia compreendido adequadamente que Deus deseja ser conhecido. Ele me revelou isso quando passei por um período difícil. Havia terminado um relacionamento e não sabia o que fazer com minha carreira. Sentia que minha vida estava em frangalhos. Foi nessa época que, de muitas maneiras, Deus começou a falar comigo sobre esperança e restauração, e a respeito de algo mais profundo que Ele planejava para mim.
MUITOS JOVENS DESCREVEM UMA LACUNA ENTRE O QUE LEEM SOBRE DEUS E O QUE CONHECEM EXPERIENCIALMENTE A RESPEITO DELE
PRIMEIROS PASSOS
PEQUENO PREGADOR O GAROTO BUDISTA QUE CONHECEU JESUS NA ESCOLA ADVENTISTA E DECIDIU SEGUIR A CRISTO DEPOIS DE PREGAR PARA CENTENAS DE CRIANÇAS WILONA KARIMABADI
Ilustração: Xuan Le
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uando Brawn Kyan tinha seis anos de idade, seus pais budistas o enviaram para uma escola adventista a fim de estudar inglês. O interessante é que ele aprendeu muito mais do que outro idioma. “Esta escola é muito diferente”, pensou o menino. “Os professores são pacientes, bondosos e sempre falam sobre um homem chamado Jesus.” Brawn nunca havia ouvido a respeito de Cristo nem acerca do livro que conta a história Dele: a Bíblia. O garoto passou a gostar de histórias como a de Davi e Golias, José no Egito e Daniel na cova dos leões. Pouco tempo depois Brawn começou a frequentar a igreja e a participar de várias atividades infantis. “E então, Brawn, como você já está frequentando nossa escola há vários anos, que tal estudar a Bíblia para conhecer melhor a Jesus?”, perguntou o professor do menino. “Gostaria muito”, respondeu Brawn, com entusiasmo. “Quando posso começar?” O garoto estudou a Bíblia regularmente com seu professor durante um ano. Ele aprendeu tanto sobre Jesus que decidiu segui-Lo para sempre. Brawn compartilhou com seus pais suas descobertas e decisão, mas eles não ficaram felizes com isso. Certo dia, em 2016, seu professor o convidou para que participasse como orador, por três noites, de uma série evangelística para crianças. “O quê? Eu?”, respondeu surpreso o garoto, recusando
o convite, pois achava que não tinha conhecimento suficiente para ensinar alguém acerca de Jesus. “Não se preocupe, Cristo vai ajudar você a falar”, garantiu o professor. “Além disso, também vou ajudá-lo a preparar os sermões.” Brawn aceitou tentar e fez o compromisso de orar todos os dias para que Jesus o capacitasse. Quinhentas crianças foram às reuniões noturnas. Os colegas de classe do Brawn ajudaram no louvor e nas palestras sobre saúde. O primeiro sermão de Brawn foi a respeito de João 3:16. Todas as vezes que ele pregava, o garoto sentia que o Espírito Santo tocava seu coração para que ele amasse mais e mais a Jesus. O último sermão pregado pelo menino foi sobre seguir Jesus para sempre. Ao fim, ele fez um apelo e convidou para ir à frente todos os que queriam ser batizados. Muitas crianças atenderam ao convite. Brawn sentiu que o Espírito Santo estava falando claramente com ele. Assim, ele desceu da plataforma e se uniu às outras crianças que aceitaram o apelo, demonstrando que ele também queria ser batizado. Naquele sábado deve ter havido muita alegria no Céu (Lc 15:7) porque 104 crianças e alguns adultos foram batizados. Brawn ficou especialmente feliz quando o pastor o mergulhou nas águas. “Jesus é meu amigo para sempre! Ele nunca irá me deixar!”, gritava Brawn, com muita alegria. ] WILONA KARIMABADI é editora-assistente da revista Adventist World
Foi a paciência e a bondade dos professores que chamaram a atenção de Brawn Kyan para a história de Jesus registrada na Bíblia
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PERIGO NA TELA
O CONSUMO EXCESSIVO DE VÍDEOS ESTÁ CORROENDO A CRIATIVIDADE DAS CRIANÇAS E DOS ADULTOS JARED THURMON
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uando perguntaram a Steve Jobs, cofundador da Apple, o que seus filhos achavam do iPhone, ele disse que não permitia que suas crianças usassem o aparelho. Antes que você pense que essa foi uma resposta atípica de um titã da tecnologia, a Waldorf School of the Peninsula, uma escola próxima a São Francisco, na Califórnia (EUA), não permite o uso de iPhones, iPads ou computadores. E a direção da escola afirma que 75% dos pais dos alunos são executivos da área de tecnologia. Então, o que há de errado com as telas para que alguns dos inovadores mais ricos do mundo não permitam que seus filhos sejam expostos a elas? A Bíblia nos diz que o profeta Samuel foi à casa de Jessé para ungir aquele que substituiria Saul no trono de Israel. Quando chegou ali, ele olhou para os sete rapazes bonitos, e todos aparentavam estar prontos para ser rei. Mas o que Deus escolheu fugia dos padrões de Samuel (1Sm 16:7). A pergunta que fica é o que preparou Davi para ser um líder melhor que seus 36
O CONSUMO EXCESSIVO DE CONTEÚDO DIGITAL PODE SER TÃO NOCIVO QUANTO O DE DROGAS sete irmãos? Talvez o fato de ter trabalhado por muito tempo com os rebanhos ao ar livre, em contato com a natureza. Isso parece ter favorecido também que ele desenvolvesse criatividade para escrever e tocar música. Ao comentar sobre Adão e Eva, Ellen G. White, pioneira adventista, escreveu que eles receberam “a ocupação mais favorável ao desenvolvimento: o cuidado das plantas e animais” (Educação, p. 43). Hoje, cuidar de plantas e animais e passar muito tempo ao ar livre pode soar revolucionário ou inviável. Contudo, para o doutor Nicholas Kardaras, neuropsicólogo
e especialista em dependência química, nossa constante exposição às telas representa um perigo. “Já trabalhei com centenas de viciados em heroína e metanfetamina, e o que posso dizer é que é mais fácil tratar a dependência de heroína do que a de alguém realmente viciado em telas”, disse em entrevista à revista Vice, em 6 de agosto de 2016. Ele explica, por exemplo, que a compulsividade no uso da tecnologia pode danificar neurologicamente o desenvolvimento do cérebro de uma criança assim como faria o consumo de drogas. Em outras palavras, a exposição excessiva a esse tipo de conteúdo no período formativo da infância poderia comprometer o desenvolvimento dessa criança. Kardaras argumenta que o consumo de drogas e o efeito estimulador de jogos e vídeos atrofiam o córtex frontal e reduzem a massa cinzenta nessa parte do cérebro. Dessa maneira, o prejuízo é duplo: além de causar dependência, esse hábito pode prejudicar a região do cérebro responsável pelo controle da impulsividade e a tomada de decisão. A Bíblia faz várias referências à fronte. Apocalipse nos diz, por exemplo, que Deus e Satanás sinalizarão seus seguidores na testa (Ap 7:3; 13:16), ou seja, no lobo frontal. Essa é a região do cérebro responsável pelo julgamento, moralidade, criatividade e pensamento crítico do ser humano. Ellen G. White escreveu que o selo de Deus não será visível, mas representará a consolidação intelectual e espiritual da verdade (Maranata, p. 198). Na tentativa de “passar o bastão” da fé para a próxima geração, devemos ser inovadores e responsáveis, ainda que isso signifique voltar aos métodos do passado para construir o futuro. ] JARED THURMON é gerente de estratégias digitais e inovação da Adventist Review
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Foto: Hal Gatewood
PERSPECTIVA
BEM-ESTAR
A BOA NOTÍCIA É: SALVOS PELA GRAÇA DE DEUS, PODEMOS COMPARTILHAR SAÚDE E SERVIR A TODOS
SALVO PELA MENSAGEM DE SAÚDE?
ADOTAR O ESTILO DE VIDA SAÚDAVEL NÃO É PRÉ-REQUISITO PARA A SALVAÇÃO, MAS RESULTADO DESSE PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO PETER N. LANDLESS E ZENO L. CHARLES-MARCEL
Foto: Emma Simpson
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ecebemos nossa salvação quando aceitamos Jesus, Sua justiça e Sua morte em nosso lugar (Ef 2:8, 9). Felizmente, isso envolve todas as formas de obras e ações, incluindo hábitos saudáveis e comportamentos. Nossa salvação não é conquistada por meio de exercício, descanso ou até pela dieta. A salvação é um presente! Preocupante é o fato de que um número significativo de entrevistados numa pesquisa global realizada pela igreja relacionou a obediência à mensagem adventista de saúde com a garantia da própria salvação. Por isso, o esclarecimento sobre essa questão é de vital importância. Os adventistas foram abençoados com o conhecimento de uma
mensagem de saúde fantástica, por ser abrangente, preventiva, preservadora da vida e, às vezes, até com resultados curativos. Depois da visão de junho de 1863, em Otsego, Michigan (EUA), Ellen G. White escreveu que havíamos recebido a mensagem de saúde porque nossa obra ainda não estava completa. Resumindo o pensamento da pioneira: somos salvos para servir, não procuramos ser saudáveis para sermos salvos. Três citações da mensageira do Senhor nos ajudam a entender o que é a mensagem de saúde, por que ela foi dada e sua relação com o processo de salvação. Em primeiro lugar, a mensagem de saúde é completa e contempla todas as dimensões do ser humano: física, mental, espiritual, social e emocional. Por isso, ela
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tem que ver com o caminho para o pleno desenvolvimento humano. “Ensinando os princípios de saúde, mantenham diante do povo o grande objetivo da reforma – que seu desígnio é assegurar o mais alto desenvolvimento do corpo, da mente e da alma. Mostrem que as leis da natureza, sendo as leis de Deus, são designadas para nosso bem; que a obediência a elas promove a felicidade nesta vida e contribui no preparo para a vida por vir” (A Ciência do Bom Viver, p. 146, 147). Por meio do ministério da saúde, podemos ajudar a reeducar o estilo de vida das pessoas, demonstrando de maneira prática o amor de Deus. “Como um povo, foi-nos dada a obra de tornar conhecidos os princípios da reforma de saúde. [...] O assunto da temperança, em todas as suas modalidades, tem lugar importante na obra da salvação” (Conselhos Sobre Saúde, p. 443). O resultado de escolher diariamente desenvolver hábitos saudáveis é a melhora de nossa comunicação e do nosso relacionamento com Deus. “Os nervos cerebrais que se comunicam com todo o organismo são os únicos meios pelos quais o Céu pode se comunicar com o homem, em influenciar sua vida mais íntima. Seja o que for que perturbe a circulação das correntes elétricas no sistema nervoso e diminua a resistência das forças vitais, o resultado é um amortecimento das sensibilidades da mente” (Orientação da Criança, p. 447). ] PETER LANDLESS é cardiologista e diretor do Ministério da Saúde da sede mundial adventista em Silver Spring, Maryland (EUA); ZENO CHARLES-MARCEL é clínico geral e diretor associado desse mesmo ministério
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BOA PERGUNTA
QUAL É A RELAÇÃO ENTRE FÉ, ESPERANÇA E AMOR EM 1 CORÍNTIOS 13:13? ÁNGEL MANUEL RODRÍGUEZ
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aulo escreveu: “Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles, porém, é o amor” (1Co 13:13, NVI). A importância desse trio de virtudes cristãs é assinalada pelo fato de ele ser mencionado várias vezes no Novo Testamento (1Ts 1:3; 5:8; Gl 5:5, 6; Hb 6:10-12; 1Pe 1:21, 22). No meio dessa formulação de Paulo está a esperança, que serve de ponte entre a fé e o amor. Enquanto a esperança orienta os cristãos em direção ao futuro, a fé oferece conteúdo para a esperança, e o amor energiza os dois para o serviço. Vejamos: 1. Fé e esperança. A esperança conduz a fé em direção ao futuro e a desafia a perseverar em meio às grandes adversidades, lembrando-a de que há muito mais no porvir do que o que vemos e vivemos agora. O presente não é a expressão final da realidade cósmica. Algo novo e maravilhoso está chegando. Assim, a esperança nos habilita a esperar, confiar e a resistir, oferecendo, como uma âncora, estabilidade à fé (Hb 6:19, 20). Uma vez que a esperança consiste em confiar plenamente nas promessas de Deus, reconhecendo que Ele é digno de confiança, a fé como atitude de dependência de Deus é inseparável da esperança. A fé nos informa que Jesus não é apenas Aquele que há de vir, mas Aquele que já veio, trazendo a nós a reconciliação. Essa convicção serve de fundamento sólido para a espera. Juntas, a fé e a esperança nos lembram que somos peregrinos a caminho da cidade eterna (Hb 11).
ÁNGEL MANUEL RODRÍGUEZ, pastor, professor e teólogo aposentado, foi diretor do Instituto de Pesquisa Bíblica
A ESPERANÇA ORIENTA OS CRISTÃOS EM DIREÇÃO AO FUTURO, A FÉ OFERECE CONTEÚDO PARA A ESPERANÇA E O AMOR ENERGIZA OS DOIS PARA O SERVIÇO
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Foto: Adobe Stock
TRIO VIRTUOSO
2. Esperança e amor. A esperança é dinâmica, não permitindo que o amor se transforme num puro sentimentalismo obcecado por seu objeto imediato de desejo. Por sua vez, o verdadeiro amor desafia a esperança a agir no presente. Ele antecipa e materializa a existência futura que será marcada pelo cuidado abnegado do próximo. O modelo desse tipo de vida é o próprio Jesus (Mt 4:23). A libertação das doenças e dos poderes do mal estiveram presentes no ministério Dele, como uma ilustração da qualidade de vida que caracterizará o reino futuro de Deus. 3. Fé, esperança e amor. Essas três virtudes não são naturais ao ser humano. São o resultado da presença do Espírito de Deus na vida humana. Paulo qualifica o amor como a maior dessas virtudes, porque nas mãos de seres humanos corruptos a fé e a esperança, sem o amor, podem se transformar em forças opressivas. O amor nos garante que a fonte da fé e da esperança está em Deus, que, por natureza, é amor (1Jo 4:8). É possível dizer que fé, esperança e amor juntos constituem o perfil básico do cristão. Tal experiência religiosa leva o crente a ter fé na obra de Cristo em seu favor; esperança de que a consumação de sua salvação se aproxima; e de que o amor o liberta de seu egoísmo e o impulsiona a servir a Deus e aos outros. ]
RETRATOS
O músico Pedro Valença foi um dos voluntários do projeto ADRA Conexão Extrema, que mobilizou dezenas de estudantes do Unasp e de seis universidades norte-americanas para a construção de uma escola técnica na selva amazônica Fotografia: ADRA Internacional
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VALORIZANDO A VIDA
Projeto Quebrando o Silêncio mobiliza adventistas em ações para prevenir o elevado número de suicídios no país MÁRCIO TONETTI
pesar de ainda haver muitos tabus em relação ao tema do suicídio, a sociedade parece ter despertado para a necessidade de discutir esse problema de saúde pública global. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, por ano mais de 800 mil pessoas tiram a própria vida. Trata-se da segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no mundo. No Brasil, os números não são menos assustadores. Em média, 11 mil pessoas cometem suicídio por ano no país. Além disso, entre 2011 e 2016, outras 48 mil tentaram tirar a própria vida, a maioria mulheres (69%), segundo o Sistema de Informação sobre Mortalidade de 2017, divulgado pelo Ministério da Saúde. Foi com o objetivo de chamar a atenção para as estatísticas e informar a população sobre meios de prevenir o problema que milhares de adventistas saíram às ruas no fim de agosto.
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No Amazonas, estado que apresenta uma das maiores taxas de suicídio do país, uma das ações foi a corrida de rua que envolveu 4 mil pessoas e contou com a participação do medalhista olímpico Vanderlei Cordeiro. O objetivo foi mostrar que a prática de atividades físicas é fundamental para evitar o estresse, a ansiedade e a depressão, fatores de risco do suicídio. Já em Campina Grande, na Paraíba, a ideia de um grupo de alunos da escola adventista local foi distribuir plantas com mensagens de incentivo à valorização da vida. Em Goiânia (GO), o “sofá do desabafo” foi outra iniciativa que chamou a atenção de quem passava pelo parque Flamboyant, um dos mais movimentados da cidade. Os estudantes montaram uma sala de estar ao ar livre e convidaram os pedestres a sentar e desabafar. Uma psicóloga voluntária se dispôs a ouvir os interessados em compartilhar a vida. Próximo ao sofá, o grupo montou uma barraca que anunciava: “Troque seu problema por uma massagem!” Ao redor do Brasil, feiras de saúde, passeatas, palestras em escolas e universidades, fóruns, seminários e distribuição de revistas e panfletos sobre o tema buscaram desconstruir tabus e orientar sobre como oferecer ajuda a pessoas que perderam a razão de viver. No entanto, o desafio foi ir além de ações pontuais. Porém, a campanha se estendeu ao longo do Setembro Amarelo, campanha mundial de prevenção do suicídio realizada anualmente. “Alguns voluntários também criaram projetos de assistência contínua a pessoas que necessitam de ajuda. Esse é o principal objetivo”, afirma Marli Peyerl, coordenadora do projeto Quebrando o Silêncio para a América do Sul. O projeto Sete Passos, idealizado por Felipe Mello, de São José dos Campos, é um meio de ampliar o trabalho da igreja. Depois de passar por um momento de forte depressão, ele decidiu criar o site setepassos.com.br e usar o Facebook para auxiliar quem buscasse ajuda, além de agregar voluntários em torno da causa. Lançada em julho, a iniciativa já conta com a participação de psicólogos e terapeutas de várias regiões do Brasil. “Eles nos ajudam a preparar conteúdo e, quando necessário, orientam quem precisa de ajuda especializada”, conta Felipe. O principal objetivo do site é mostrar que a pessoa pode receber assistência por meio de canais como o telefone 188 do Centro de Valorização da Vida (CVV) e as Unidades Básicas de Saúde (UBS) da região em que mora. Com o aumento da demanda, o desafio tem sido conseguir mais voluntários. ] MÁRCIO TONETTI é editor associado da Revista Adventista R e v i s t a A d ve n t i s t a // Outubro 2018
Fotos: Alexandre Reis
SAÚDE
SOCIEDADE
Centro de Acolhimento e Desenvolvimento Mulher Mais já atendeu 300 famílias venezuelanas
ACOLHIMENTO AOS REFUGIADOS As ações da igreja para auxiliar venezuelanos na crise migratória em Boa Vista LUCIANA SANTANA
atural de Caracas, capital da Venezuela, Glondi Seirraz, de 60 anos, veio ao Brasil em busca de remédios para a neta que sofre há dias de pneumonia. Era professora das redes pública e privada, mas, devido à crise econômica e política que seu país de origem enfrenta, perdeu inicialmente o emprego na escola particular, que faliu, e em seguida na escola pública, quando o estado entrou em colapso. Sem alimentos nos supermercados e medicamentos nas farmácias, a venezuelana veio em busca de ajuda a Pacaraima (RR), cidade brasileira que fica na fronteira com a Venezuela.
Foto: Frabrício Gomes
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O fluxo migratório motivado pela crise econômica e política no país vizinho tem crescido significativamente. Desde 2014, cerca de 2,3 milhões de venezuelanos saíram do país, o equivalente a 5% da população. Com isso, as nações vizinhas, especialmente o Brasil, que já recebeu 120 mil refugiados venezuelanos, têm sido os principais destinos. O cenário em Boa Vista, capital de Roraima, é de impressionar. Nas praças públicas, é possível ver barracas improvisadas com lonas e colchões. O básico da alimentação doada, geralmente arroz, é preparado ao relento em latões. As crianças perambulam descalças R e v i s t a A d ve n t i s t a // Outubro 2018
em condições subumanas nos semáforos pedindo dinheiro e alimento. As autoridades já conseguem contabilizar o crescimento dos índices de exploração sexual, criminalidade, desemprego e abuso infantil. Com o intuito de oferecer suporte e promover a inclusão social, a Igreja Adventista em Boa Vista inaugurou o Centro de Acolhimento e Desenvolvimento Mulher Mais, no bairro Cambará, na zona norte da capital. Durante a semana, a população tem acesso gratuito nesse espaço aos atendimentos médico, odontológico e psicossocial. A fim de incentivar a geração de renda, também são
ministrados cursos profissionalizantes rápidos em áreas como cosméticos, perfumaria e reciclagem, além de aulas intensivas para vestibular em química e física e cursos básicos de português e violão. Todos esses recursos são oferecidos por voluntários em um contêiner adaptado e climatizado para atender aos necessitados. Depois de receber cuidados médicos e tratamento em uma situação emergencial, a venezuelana Alexandra Castro se inscreveu no curso de cosméticos. “Aqui fui acolhida com amor. Cheguei ao Brasil muito doente e não conseguia consultas. Fui atendida no centro de acolhimento e, depois que me recuperei, me falaram do curso de cosméticos e perfumaria. Me inscrevi e aprendi muitas coisas que, com certeza, irão me ajudar a conseguir dinheiro no fim do mês. Mais do que conhecimento, aqui eu fiz amigos”, afirma. O centro de acolhimento é itinerante e irá beneficiar outras comunidades ao longo do ano. Segundo Euciany Saraiva, responsável pelo projeto, a ideia é auxiliar famílias, independentemente de idioma e nacionalidade. “Aqui não fazemos distinção de pessoas; todas são bem-vindas. Queremos fazer com que todas vivam com dignidade, apesar das circunstâncias difíceis. Temos praticado uma abordagem integral, que beneficia a saúde física, mental e espiritual”, ressalta. ] LUCIANA SANTANA é jornalista e trabalha como assessora de comunicação da Associação Amazonas-Roraima
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EDUCAÇÃO
Livros didáticos e paradidáticos produzidos pela igreja no Brasil têm se tornado um modelo para outros sistemas de ensino THIAGO BASÍLIO
o longo dos anos, a rede educacional adventista tem buscado preservar a tradição do ensino integral e, ao mesmo tempo, aprimorar práticas pedagógicas, o sistema de gestão e, principalmente, a proposta didática. A produção de livros escolares na Casa Publicadora Brasileira (CPB) teve início em 1983. Três décadas depois, o portfólio reúne 102 títulos didáticos e 202 paradidáticos, somando quase 50 milhões de unidades impressas, que chegam a mais de 220 mil alunos brasileiros e a estudantes de países como Argentina, Coreia do Sul, Espanha e Estados Unidos. Embora os livros didáticos e paradidáticos produzidos pela igreja tenham o objetivo de atender os alunos da rede, seu alcance tem ido além da educação adventista. Nos últimos anos, várias instituições de ensino particulares adotaram esses materiais. “Atualmente, atendemos 648 escolas. Se fôssemos comparar, esse número supera o de escolas da rede estadual do Espírito Santo, por exemplo. Dessas unidades, 164 são instituições que
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não fazem parte da rede adventista de ensino, mas que se identificam com a nossa filosofia educacional. Essa é uma forma de divulgar os valores cristãos além dos limites das nossas escolas”, destaca Alexander Dutra, gerente da CPB Educacional, setor responsável pela produção dos didáticos e paradidáticos no país. Uma dessas instituições é o Colégio Portinari, de Boituva (SP). “O que chamou a atenção foram os valores que o material da CPB proporciona, dando auxílio à educação”, argumenta Renata Marcondes, diretora da escola. Outro exemplo é a Escola do Pensar. Localizada em São Paulo (SP), a unidade utiliza os livros didáticos da CPB há mais de 30 anos. Ali, cerca de mil estudantes, da pré-escola ao ensino médio, têm contato com os ensinamentos cristãos. “Eu sempre fui muito exigente com o material didático e, de todos os que conheci, o da CPB é o melhor”, avalia Guy José Leite, diretor da instituição, que enxerga na abordagem criacionista o grande diferencial da educação adventista. Tal interesse pelos projetos da CPB Educacional ajuda a levar sua filosofia de ensino cristão a mais estudantes. É essa característica que conquista a credibilidade de tantas instituições em todas as regiões do país. “Ao ter contato com centros de ensino que utilizam nossa proposta, algo que me surpreendeu foi como as pessoas amam o nosso material. Falando da minha região, outra coisa que me chamou muito a atenção é que quase 100% das escolas que atendo adotam o livro de ensino religioso”, comenta Elisângela Peixoto de Almeida Souza, divulgadora da CPB Educacional na Bahia. Os dados corroboram a importância missionária que os livros didáticos adventistas exercem na formação consciente, completa e redentora de todos os que utilizam esses materiais em seu cotidiano acadêmico. ] THIAGO BASÍLIO, jornalista e mestre em Divulgação Científica e Cultural, é editor web na CPB Educacional
A CPB Educacional produz também materiais didáticos e paradidáticos para 164 escolas que não são da rede adventista
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Foto: William de Moraes
A DIDÁTICA DA REDENÇÃO
COMUNICAÇÃO Além das discussões com os convidados, o programa teve espaço para reflexões bíblicas, apresentadas pelo pastor Rafael Rossi (à direita)
INFLUÊNCIA DIGITAL
Como a igreja tem incentivado internautas a produzir conteúdos que transformam a vida de outras pessoas JEFFERSON PARADELLO
internet pode ser um meio para levar esperança a quem está do outro lado da tela? Danielly Vargas garante que sim. Diante dos problemas familiares e do sofrimento causado pelo bullying, a estudante de 14 anos decidiu, pela última vez, dar fim à vida. Porém, algo lhe fez retroceder. Era setembro e o sol já havia se posto. Ainda sem saber o que tinha acontecido, ela se sentou para assistir ao vídeo de uma youtuber cristã, que recomendava alguns aplicativos para download. Um deles era o Feliz7Play. Ela começou a baixá-lo em seu telefone, mas logo pegou no sono. No dia seguinte, navegou pelos conteúdos e se deparou com a websérie Fora de Série, uma das produções da Igreja Adventista voltada para adolescentes. “Através dela eu descobri o verdadeiro amor de Jesus”, assegura com a voz embargada.
Foto: Gustavo Leighton
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Lançada há pouco mais de um ano, a plataforma Feliz7Play já reúne mais de 1,4 mil vídeos e 250 horas de conteúdo. Além dos 58 mil inscritos, o canal contabiliza 3,8 milhões de páginas visualizadas. O “Netflix” adventista, como alguns costumam chamar, tornou-se uma importante ferramenta missionária, como apontam os números e histórias como a de Danielly. O portal de vídeos tem estabelecido diálogo com internautas e agregado conteúdos que R e v i s t a A d ve n t i s t a // Outubro 2018
atendam às suas necessidades. De olho nisso, a igreja uniu a ele o Evangelismo Web, programa realizado anualmente para o público adolescente e jovem, resultando na Digital Week. De 19 a 21 de setembro, os principais personagens das séries -10 e Fora de Série, além dos youtubers Amanda Bravo e Igo Rocha, interagiram ao vivo com os internautas, debatendo temas como relacionamento com os pais, namoro, bullying, pornografia e uso da internet.
Neste ano, uma das propostas foi incentivar produções que impactem a vida de outras pessoas. “A comunicação está mudando de mãos”, justifica Carlos Magalhães, diretor de estratégias digitais da sede sul-americana adventista. Ele observa que anteriormente era preciso ter autoridade para falar sobre determinados temas. Hoje, o que o usuário busca são pessoas comuns, que têm as mesmas dores, os mesmos sentimentos. “Por isso, queremos que as novas gerações não apenas consumam conteúdo, mas beneficiem mais gente”, ele ressalta. A publicitária Amanda Bravo seguiu esse caminho. Apesar da timidez, ela sentia a responsabilidade de falar sobre Jesus, mas não sabia como. Depois de perceber que o YouTube poderia ser usado com esse propósito, ela decidiu criar seu canal. Ali, faz reflexões sobre a vida cotidiana em conexão com suas crenças e tenta unir a criatividade e arte com a fé, buscando ajudar pessoas a ler a Bíblia de forma diferente. “Muitas pessoas entram em contato dizendo que precisavam ouvir aquilo. Eu nunca imaginei que meus vídeos pudessem exercer influência”, pontua. Danielly também não imaginava que os conteúdos do Feliz7Play fossem mudar sua vida. Tanto que durante a série descobriu o Clube dos Desbravadores, que foi apresentado em um dos episódios. Ao pesquisar na internet, viu que o clube estava ligado à Igreja Adventista. Ao conversar com o porteiro de seu condomínio, descobriu que uma das moradoras era adventista. Quando contou sua história a ela, em uma quarta-feira, aceitou visitar um templo. E no domingo seguinte já estava na reunião dos desbravadores. “O clube está me transformando. Foi Deus que enviou o Feliz7Play pra mim”, assegura a adolescente. ] JEFFERSON PARADELLO é jornalista e trabalha na assessoria de comunicação da sede sulamericana da Igreja Adventista
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Enciclopédia Ellen G. White
Se você costuma preparar sermões, lecionar ou está buscando respostas para questões pessoais, encontrará informações preciosas e indispensáveis neste livro.
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MEMÓRIA
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Alfeu Sorensen, aos 92 anos, vítima de pneumonia, em São Paulo (SP). Nascido em Cordeirópolis (SP), conheceu a mensagem adventista na infância, mas foi batizado somente em meados da década de 1980. Junto com seus irmãos, construiu o primeiro dormitório feminino do antigo IASP, atual Unasp, campus Hortolândia. Era membro da Igreja de Lauzane Paulista, onde por muitos anos serviu como diácono e ancião. Gostava de testemunhar sobre sua esperança na volta de Jesus e tinha como lema de vida: “somente para perdoar valeu a pena ter nascido.” Deixa a esposa, Ivone, oito filhos, 15 netos e sete bisnetos. André Westphall Guering, aos 18 anos, vítima de acidente de motocicleta. Era membro da Igreja de Córrego da Divisa, em São Domingos do Norte (ES). Deixa os pais, irmãos e familiares.
Arno Ernesto Kümpel, aos Redação 80 anos, em Taquara (RS), vítima de Designer infecção pulmonar. Nascido em lar adventista, cursou Teologia CQ no antigo IAE, atual Unasp, campus São Paulo; e o Marketingmestrado na Universidade Andrews (EUA). Trabalhou nos Estados Unidos como tradutor e no Brasil foi ancião de igreja, diretor de escola adventista e diretor financeiro do Instituto Adventista Paranaense (IAP),
além de ter servido em funções administrativas na então Associação Paranaense. Deixa dois filhos e dois netos. Dermival Antonio Prato, aos 77 anos, em Porto Alegre (RS), vítima de pneumonia e câncer nos rins. Na juventude trabalhou no setor de Acabamento da CPB, em Santo André (SP), e como instrutor bíblico em Ponta Porã (MT). Foi membro das igrejas paulistanas de Capão Redondo e Belém, e das Igrejas de Votuporanga e Fernandópolis, no interior paulista. Viveu boa parte de sua vida em Fernandópolis, onde foi ancião da igreja local e levou várias pessoas ao batismo. Nos últimos anos, foi membro da Igreja de Belo Monte, em Gravataí (RS). Deixa a esposa, Rosa, dois filhos, duas netas e uma bisneta. Enyr Cavalcanti Silva, aos 92 anos, vítima de infecção. Filha de um pioneiro do adventismo no Nordeste, foi fiel membro da Igreja Central do Recife (PE). Deixa um filho (pastor Helder Roger Cavalcanti Silva, um dos vice-presidentes da sede sulamericana da igreja), três netos e dois bisnetos. Eugênio Loreto das Chagas Lima, aos 92 anos, em Curitiba (PR), vítima de mal de Parkinson. Batizado em 1943 pelo pastor João Linhares, Eugênio amou Deus acima de todas as coisas. Dentista por profissão, esteve
sempre envolvido com as atividades missionárias. Fundou e liderou as Igrejas de Peabiru (PR) e do São Brás, em Curitiba. Durante muitos anos foi ancião na Igreja Central de Curitiba e nos últimos anos era membro da Igreja do Bom Retiro, também na capital paranaense. Deixa a esposa, Ceres Antunes, quatro filhas, cinco netos, e três bisnetos. Hugo Ernesto Conrad, aos 93 anos, vítima de falência de múltiplos órgãos, em Cascavel (PR). Nascido em lar adventista, era filho do pioneiro adventista Germano Conrad. Foi servidor da antiga Associação Paranaense, exercendo com dedicação e fidelidade, por 40 anos, a função de auditor das igrejas. Deixa a esposa, Geni, três filhos, quatro netos e três bisnetos. Ilma Pereira da Silva, aos 75 anos, em São Paulo (SP), vítima de AVC. Nascida em Recife (PE), num lar adventista, era membro da Igreja de Moema, na capital paulista. Deixa três irmãs, sobrinhos e familiares. Maria de Oliveira Francisco, aos 84 anos, em São Paulo (SP), vítima de infecção aguda. Natural de Francisco Sá (MG), era membro da Igreja de Ponte Rasa, na qual serviu por muitos anos como professora da Escola Sabatina e líder do ministério de assistência social. Viúva, deixa oito filhos, 19 netos e três bisnetos.
Maria Dognini Demetrio, aos 81 anos, em Brusque (SC), vítima de fratura no fêmur e infecção generalizada. Batizada havia 48 anos, era membro fiel da Igreja de Lageado Baixo. Deixa 11 filhos, 27 netos e 21 bisnetos. Nair Andrelina Jardim da Silva, aos 88 anos, em São Luís (MA), vítima de tumor no pulmão e insuficiência respiratória aguda. Era membro da Igreja do Coroado, onde foi batizada havia 34 anos e à qual serviu como corista e diaconisa. Enquanto pôde, esteve engajada em atividades missionárias. Deixa o esposo, seis filhos, 14 netos e 17 bisnetos. Paulo Sarli, aos 79 anos, em Hortolândia (SP), vítima de infarto. Foi pastor distrital nas cidades de Itararé, Itu e Porto Feliz (SP), diretor da rede educacional adventista na antiga Associação Paulista e diretor do departamento de Comunicação na antiga União Sul-Brasileira. Em 1970 foi cursar o mestrado em Teologia na Universidade Andrews (EUA), e em seguida trabalhou como orador associado no ministério A Voz da Profecia, auxiliando o pastor Roberto Rabello. Nessa ocasião, lançou o programa radiofônico Uma Luz no Caminho, produção que permaneceu no ar por 25 anos em muitas emissoras do Brasil. Deixa a esposa, Julieta, três filhos e quatro netos.
“ B E M - AV E N T U R A D O S O S M O R T O S Q U E , D E S D E A G O R A , M O R R E M N O S E N H O R ” R e v i s t a A d ve n t i s t a // Outubro 2018
(APOCALIPSE 14:13)
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INSTITUCIONAL
MAIS QUE PAREDES O QUE PROTEGE NOSSOS FILHOS NÃO SÃO OS MUROS DO LAR, NEM DA IGREJA, MAS O EXEMPLO E A INTERCESSÃO DOS PAIS GLÁUCIA KORKISCHKO
lar em que cresci é, até hoje, u m oá sis pa r a mim, meus irmãos, nossos parentes e amigos. Tínhamos uma vida simples, mas em nossa infância aprendemos a valorizar o contato com Deus, com as pessoas e a natureza. Por isso, agradeço aos meus pais as escolhas que fizeram para nossa educação. Sempre nos sentimos protegidos com a postura piedosa e a intercessão deles. Naquela época, a rotina de ter que viajar diariamente 20 quilômetros até a escola não era desculpa para não madrugar e ter nosso momento devocional em família. O estudo da Bíblia e da lição da Escola Sabatina fazia parte desses momentos. Apesar de termos poucos materiais ilustrados para crianças, aproveitávamos o que havia, incentivados por professores comprometidos que atuavam nas classes infantis na igreja. Há algum tempo, a liderança sulamericana da igreja tem se empenhado em produzir materiais e desenvolver projetos para nossos filhos. Para se ter ideia, nos últimos três anos as maiores compras corporativas de materiais foram de recursos para as crianças: 205 mil guias para a adoração infantil, 212 mil de pequenos grupos, 393 mil exemplares da Jornada de Oração e 406 mil manuais da Semana Santa. Os adolescentes também têm recebido investimento. A coleção em linguagem atualizada da série Conflito dos Séculos, de Ellen White, já teve dezenas de milhares de cópias distribuídas. Em 2019 desejamos multiplicar esses números. Tudo isso porque discipular os próprios filhos é nosso dever e privilégio.
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Recursos não faltam. O que tem faltado talvez seja a intercessão pelos filhos e o mentoreamento deles. Ao viajar pela América do Sul, percebo que existem projetos bem interessantes para o fortalecimento do tripé comunhão, relacionamento e missão. Porém, faltam pais intercessores e discipuladores. A Bíblia está repleta de conselhos e exemplos sobre intercessão. O profeta Samuel não queria pecar por negligenciar a intercessão em favor de Israel (1Sm 12:23); Jeremias orou pelo povo rebelde (Jr 14:21); Cristo mandou que orássemos pelos inimigos (Mt 5:44); Paulo orava constantemente por seus “filhos na fé” (Ef 6:18); e o conselho do apóstolo para Timóteo era de que intercedesse por todos (1Tm 2:1). Ellen White adverte: “As trevas do mal envolvem os que negligenciam a oração” (Caminho a Cristo,
p. 94). Os pais especialmente precisam atentar para essa admoestação, pois ainda que os filhos estejam em seu colo ou obedecendo seus ensinos, eles são objeto dos ataques de Satanás. Uma casa bem construída, ainda que com paredes grossas, não será segura sem portas, janelas e muros. A igreja e suas atividades religiosas podem auxiliar, mas elas são apenas paredes. A intercessão é que funciona como porta, janela e muro. Deus ama sua família. Ele se apresenta como o Bom Pastor que dá a vida pelas ovelhas (Jo 10:11). Se você tem ovelhinhas perdidas, não desanime, confie Nele e continue intercedendo e trabalhando pela salvação de seus filhos. Se suas ovelhas estão seguras no aprisco, também se mantenha em oração. Procure criar vínculos entre você, seus filhos e Deus. A fé é compartilhada por meio da convivência, mais do que por ordens. Ainda ecoa em minha mente a oração dos cultos em casa: “Tomanos Senhor para sermos Teus inteiramente.” ] GLAUCIA KORKISCHKO é educadora e diretora do Ministério da Criança e do Adolescente na sede sul-americana da Igreja Adventista
R e v i s t a A d ve n t i s t a // Outubro 2018
Foto: Adobe Stock
EXISTEM PROJETOS E RECURSOS BEM INTERESSANTES PARA O DISCIPULADO DAS CRIANÇAS, MAS FALTA COMPROMISSO E ENGAJAMENTO DA PARTE DO PAIS
EM FAMÍLIA
VIOLÊNCIA SILENCIOSA
A PRÁTICA DO BULLYING É CADA VEZ MAIS COMUM NA ESCOLA. PAIS E EDUCADORES PRECISAM SE UNIR PARA PREVENIR E COMBATER ESSE MAL TALITA CASTELÃO
Foto: Adobe Stock
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e o seu filho mudou repentinamente de humor, começou a tirar notas baixas e tem enfrentado dificuldades para dormir, ele pode estar sofrendo bullying na escola. Esse tipo de violência, caracterizada por hostilidade verbal, física e psicológica, infelizmente tem se tornado mais comum no ambiente escolar e nas redes sociais. A prática é nociva, porque destrói a autoestima, gera insegurança e até depressão. Mas os pais podem ajudar nessa situação quando bem orientados. Uma pesquisa realizada pela ONU em 2016, com 100 mil crianças de 18 países, revelou que cerca de metade delas já haviam sofrido bullying, principalmente por motivos relativos à aparência física, gênero, orientação sexual, etnia e país de origem. No Brasil, esse número foi de 43% dos entrevistados. As evidências do bullying podem incluir uma diversidade de sinais físicos e psicológicos. Nos casos de agressão física, a criança pode apresentar machucados, hematomas e até cortes. Roupas podem aparecer rasgadas e brinquedos desaparecer ou ser quebrados. Em outras situações, a vítima pode chegar em casa com fome porque seu lanche ou dinheiro foi roubado. Nos casos de abuso psicológico, por sua vez, é comum uma mudança repentina de humor e comportamento. Isolamento, irritação e agressividade são comuns. A vítima pode também passar a evitar atividades de que antes gostava, ter pesadelos, baixo rendimento escolar ou chorar e ter febre e diarreia quando se aproxima o momento de voltar para a escola. No combate ao bullying é muito importante uma parceria entre a família e a escola. Cabe aos pais observar as mudanças dos filhos, fazer perguntas sobre o assunto e mostrar-se à disposição para apoiá-los. Podem investigar de forma direta com perguntas do tipo: “Percebi que você tem se comportado de forma diferente nos últimos dias; alguém tem aborrecido você na escola?” Ou por meio de histórias, reportagens e filmes que favoreçam o começo do diálogo. Às vezes, os próprios amigos e colegas de sala podem confirmar as suspeitas dos pais. Os professores também devem ser notificados e R e v i s t a A d ve n t i s t a // Outubro 2018
CABE AOS PAIS OBSERVAR AS MUDANÇAS DOS FILHOS E À ESCOLA NOTIFICAR AS SITUAÇÕES DE BULLYING E INTERVIR
intervir imediatamente ao presenciar situações de bullying. A escola pode promover esclarecimento e debate sobre a questão. É muito importante levar a sério o que a criança fala, proporcionando acolhimento para que a vítima possa compartilhar sua dor. Outra medida importante é aconselhar a criança sobre as formas de lidar com o agressor. Ela pode dar as costas e se afastar, ignorar as provocações, controlar as emoções ou confrontar o ofensor com firmeza. Evitar ficar sozinho e buscar ajuda de um adulto é importante também. Os pais da criança que pratica o bullying (agressor) devem ser notificados nos casos mais recorrentes. É o que rege a Lei nº 13.185, de 6 de novembro de 2015. Algumas crianças conseguem expressar aos pais o que estão enfrentando, mas a maioria delas se sente desamparada para lidar com o problema. Nem sempre os sinais do bullying são claros, mas os pais precisam estar atentos porque os danos são significativos e de longo prazo. Manter uma comunicação aberta com os filhos ajuda bastante, mas o suporte psicológico pode ser necessário nos casos em que o prejuízo emocional for grande. ] TALITA CASTELÃO é psicóloga clínica, sexóloga e doutora em Ciências
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PERFIL
DA PORTARIA À REITORIA
O JOVEM PIAUIENSE, DE FAMÍLIA HUMILDE, QUE DEIXOU SUA TERRA NATAL EM BUSCA DE NOVAS OPORTUNIDADES E FEZ CARREIRA NUMA DAS MAIORES INSTITUIÇÕES EDUCACIONAIS ADVENTISTAS DO MUNDO JOTA TERRES
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novidade, ele pensou: “É para lá que eu vou!” Entusiasmado, mas, ao mesmo tempo, apreensivo por deixar os familiares, ele embarcou em um ônibus rumo a Campinas (SP). Mesmo sem saber se havia alguma vaga de emprego no internato adventista, Afonso bateu à porta do tesoureiro da instituição. Além da breve experiência em sala de aula, Afonso tinha certificado de técnico em agropecuária, função para a qual se candidatava. Não havia vaga no setor agropecuário, mas ele foi contratado para trabalhar na portaria do colégio. No entanto, permaneceu ali apenas seis meses. Com a chegada dos primeiros alunos, surgiu a necessidade de um preceptor e ele foi escolhido para o novo cargo. DE PRECEPTOR A PROFESSOR Estudar sempre foi a grande paixão do piauiense. Apesar de ter tido
poucas oportunidades de frequentar o ensino superior até aquele momento, com cerca de 20 anos, já morando em São Paulo, ele se aventurou no mundo das letras, iniciando a graduação em uma universidade secular. “Na época, não havia auxílio para os funcionários do internato. Eu ganhava 750 mil cruzados e a faculdade custava 350 mil. Assim, mais da metade do meu salário era para pagar despesas com os estudos”, relata. Mas esse investimento lhe abriu portas. Afonso começou dando aulas de Língua Portuguesa e, conforme o campus ampliou a infraestrutura e o número de alunos, o professor também cresceu. Por ocasião da mudança do curso de Letras da capital para o interior, Afonso foi chamado na sala da direção. Entrou como professor da escola básica e saiu como o primeiro coordenador da licenciatura em Letras do então novo IAE, hoje Unasp, campus Engenheiro Coelho (SP). “Quando fui nomeado coordenador, no curso só havia professores titulados”, conta. R e v i s t a A d ve n t i s t a // Outubro 2018
Foto: Kenneth Mayr
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a janela do escritório, na instituição adventista de ensino superior em que trabalha, Afonso Ligório Cardoso vê longe. Num sentido metafórico, ele sempre teve também uma visão ampla. Quando ainda vivia no sertão do Piauí, enxergou além dos horizontes da família humilde e percebeu que o caminho para superar os limites geográficos, econômicos e sociais é a educação. Mais de três décadas antes de se tornar próreitor de Graduação do Unasp, o sonho do piauiense, hoje com 53 anos, era estudar num internato adventista. Mas isso parecia impossível para ele e os sete irmãos. Ao concluir o ensino médio, eram mínimas as perspectivas de trabalho em Teresina (PI). Afonso começou a dar aulas particulares em sua própria casa. Algum tempo depois, foi convidado pela Companhia Nacional das Escolas da Comunidade (CNEC) para lecionar matemática, história, português e inglês, mas sem receber salário, o que era comum na época. Nas décadas de 1950 a 1970, auge da industrialização no Brasil, a região Sudeste enchia os olhos de jovens como ele. Seguindo o fluxo do êxodo rural, Afonso foi um dos milhares de nordestinos que buscaram novas oportunidades longe de casa. Uma notícia publicada na Revista Adventista foi definitiva para a decisão dele. Na época, o periódico informou que a igreja havia comprado uma fazenda no interior do estado de São Paulo, com 156 mil pés de laranja, produção de 3 mil litros de leite e 30 máquinas agrícolas. Ali seria estabelecido um novo internato. Ao se deparar com a
MAIS DO QUE AMAR A EDUCAÇÃO, AFONSO LIGÓRIO CARDOSO ACREDITA NELA
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Isso o desafiou a buscar crescimento acadêmico. Seu plano era cursar o mestrado na Unicamp, mas, para sua tristeza, não passou no processo seletivo. “Minha nota foi ‘menos um’”. Hoje ele ri ao lembrar da decepção ao receber o resultado da avaliação. Então Afonso tentou vaga no mestrado em Estudos Literários da Unesp. Ali, ficou em sétimo lugar na prova de conhecimentos. Mas ainda faltava a entrevista com professores do curso. Cabelo bem cortado, trajando camisa e calça social e levando uma pasta de couro debaixo do braço, ele se colocou diante da banca examinadora. “Ao ver meus certificados e perceber uma referência à matéria de Estudos em Teologia, um dos professores perguntou se eu era evangélico e logo emendou: ‘Evangélicos não têm a mente científica para fazer um mestrado’”, relembra. Ele respondeu respeitosamente e apresentou seu projeto de pesquisa. Finalmente, o aceitaram no programa. Em 2000, depois de quatro horas de defesa do tema investigado, obteve o título de mestre em Estudos Literários. Depois dessa conquista, Afonso decidiu que não iria estudar mais, pois havia se desgastado muito com o mestrado, que, na época, tinha duração de quatro anos. Nesse período, a pequena fazenda já estava se transformando num grande campus universitário. Em 1999, a instituição recebeu o nome de Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp). As vitórias de Afonso não aconteceram de maneira tão natural. Para chegar no currículo que tem hoje, foi preciso muito esforço. Em 2002, o educador decidiu encarar o doutorado. Voltou à Unesp para seguir seus estudos. Como ocorreu no mestrado, sua pesquisa foi considerada umas das melhores do departamento de Estudos Literários da universidade no ano da defesa. Com o título de doutor em Literatura Brasileira, foi nomeado diretor acadêmico do Unasp, campus Engenheiro Coelho. Sua grande ênfase foi o investimento em infraestrutura e no corpo docente. Mais do que amar a educação, Afonso Cardoso acredita nela. “O segredo do sucesso é só um:
estudar, estudar e estudar”, ressalta o educador, que também cursou mestrado em Liderança na Universidade Andrews (EUA). Em junho de 2017, depois de anos à frente da direção acadêmica, Afonso foi nomeado próreitor de Graduação do Unasp. Além de sua vasta experiência como gestor educacional, ele se dedicou a escrever artigos acadêmicos, capítulos de livros e materiais didáticos usados pela rede adventista. Sobre sua mesa de trabalho me deparo com uma frase que lhe tem servido de motivação para buscar crescimento pessoal, profissional e corporativo: “A vida é agora, a vida é curta, mas não precisa ser pequena.” “Algumas pessoas acham que o Unasp não deve crescer, pois isso iria contra a proposta da Igreja Adventista. Mas o princípio do reino de Deus é o crescimento. Não tem nenhum versículo da Bíblia que diz para sermos pequenos e diminuirmos. É sempre um incentivo para crescer e ser uma bênção para muitos. O ponto não é o tamanho em si, mas sim o que se faz com ele”, afirma. Da janela de sua sala, na reitoria, Afonso vê a portaria, os laranjais, a igreja e outras construções. Tudo era muito diferente quando ele ali chegou no início dos anos 1980. Sua história e a da instituição se fundem. Quando pergunto o que o Unasp representa para ele, Afonso responde com firmeza e com um sorriso sincero: “Simplesmente é minha vida”. A mesma instituição que lhe ofereceu a oportunidade de crescer possibilitou que ele encontrasse a esposa, Sílvia Cristina, com quem teve dois filhos, Gustavo e Giovane. De porteiro a pró-reitor, Afonso Ligório Cardoso saiu do sertão para ajudar tantos outros sonhadores a crescer na vida. ] JOTA TERRES é estudante de Jornalismo
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ESTANTE
PREGAÇÃO EFICAZ
ORADORES DEVEM SE PREPARAR BEM PARA APRESENTAR A PALAVRA DE DEUS COM EFICÁCIA. LIVRO DA CPB AJUDA NESSA DIFÍCIL TAREFA ALCEU NUNES
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uma era em que a tecnologia da informação absorve as multidões, parece ultrapassado e quase impossível tentar captar a atenção das pessoas com a pregação do evangelho nos moldes tradicionais. As telinhas dos smartphones têm hipnotizado crianças, jovens e adultos, de tal modo que o pregador, ao assumir o púlpito, precisa estar bem preparado, pois enfrenta a difícil concorrência com os aparelhos que levam as mentes a divagar. Por isso, é imprescindível que o orador esteja seguro do assunto a ser apresentado e também domine as estratégias de comunicação da Palavra de Deus. Com o propósito de oferecer o devido incentivo e orientação aos pregadores, Como Preparar e Apresentar Sermões (CPB, 2018, 236 p; 38,60 reais) trata de aspectos espirituais da pregação e técnicas a ser empregadas em seu preparo e exposição. Destaca o poder da palavra falada, incluindo informações sobre a origem do discurso e das regras de oratória. Escrito por Emilson dos Reis, pastor que tem décadas de experiência em igrejas locais e como professor da Faculdade de Teologia do Unasp, esse livro é lançado agora pela CPB numa edição atualizada e ampliada em relação à sua primeira versão de 2002. O autor adota uma apresentação didática, que tem ajudado centenas 50
de seminaristas no preparo para o ministério. Pregadores voluntários e interessados em se aperfeiçoar na exposição pública do evangelho igualmente obterão recursos valiosos nessa obra. Ainda com relação ao preparo do orador, em uma das seções o livro aborda a cultura da voz e propõe exercícios práticos para empregá-la de forma correta. São também mencionadas algumas características espirituais do modo de ser e de proceder do pregador. Em outra seção, os elementos de um sermão são descritos, bem como a finalidade deles e como devem ser elaborados. Os exemplos oferecidos no livro são esclarecedores. O autor também explica como utilizar ilustrações e outros recursos homiléticos de modo eficiente para fixar bem na mente e no coração o significado do texto bíblico abordado. O livro destaca ainda a importância de o pregador conhecer a natureza humana a fim de poder conduzir as pessoas a uma profunda reflexão quanto à decisão por Cristo e pela salvação eterna. Enfim, a leitura compensa o investimento de tempo e atenção, pois habilita, instrui e inspira os pregadores do evangelho a desenvolver o ministério da Palavra com eficácia, sabedoria e o poder do Espírito Santo. ] ALCEU NUNES é capelão e editor na CPB
TRECHOS
“O pregador deve ser sensível à voz do Espírito de Deus, deixando-se guiar na escolha do que falar no púlpito. Deve orar suplicando que o Espírito o conduza. Ao surgir uma ideia, ele deverá examinar a situação, a fim de se decidir com mais eficácia” (p. 108). “Quando o pregador abre a Palavra de Deus, a lê diante da congregação e a explica, alguma coisa certamente acontecerá. Corações serão tocados, decisões serão tomadas, vidas serão transformadas” (p.169). R e v i s t a A d ve n t i s t a // Outubro 2018
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