Gihad Mohamad Betina Pituco
TECNOLOGIA DAS ARGAMASSAS Construindo o conhecimento
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Tecnologia das argamassas: construindo conhecimento © 2026 Gihad Mohamad e Betina Pituco Editora Edgard Blücher Ltda. Publisher Edgard Blücher Editor Eduardo Blücher Coordenação editorial Rafael Fulanetti Coordenação de produção Ana Cristina Garcia Revisão de texto Denise Pisaneschi Diagramação e capa Os autores
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Heytor Diniz Teixeira, CRB-8/10570 Rua Pedroso Alvarenga, 1245, 4 andar o
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Pituco, Betina Tecnologia das argamassas : construindo o conhecimento / Betina Pituco, Gihad Mohamad. – São Paulo : Blucher, 2026. 172 p. : il. Bibliografia ISBN 978-85-212-2954-4 (Impresso) ISBN 978-85-212-3059-5 (Eletrônico – PDF) 1. Argamassas em geral. 2. Indústria da construção. 3. Materiais para construção. 3. Procedimentos e práticas de construção. 4. Construção civil. 5. Alvenaria e revestimento. 6. Edificações. I. Título. II. Mohamad, Gihad. CDU 691.53
meios sem autorização escrita da editora. Todos os direitos reservados pela Editora Edgard Blücher Ltda.
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Índice para catálogo sistemático: 1. Argamassas em geral CDU 691.53
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SUMÁRIO Histórico...................................................6 12
14 Definição..................................................8 Propriedades a.Estado fresco............................23 29 b.Estado endurecido....................51 57 Aditivos..................................................72 78 Tipos de argamassa.............. ...............80 86
124 Projetos................................................118 Manifestações patológicas................150 156
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APRESENTAÇÃO Vivemos em um momento de constantes inovações, onde a informática domina as conversas sobre o futuro da construção civil. Para tanto, é fundamental reconhecer que a base de toda obra de arquitetura reside em materiais que, apesar de milenares, continuam a ser os pilares da engenharia civil, um exemplo disso é a argamassa. Longe desse componente ser um mero coadjuvante da alvenaria e dos revestimentos, as argamassas são sistemas compósitos complexos, cuja performance dita a estética e a durabilidade e, em última análise, a segurança das edificações. Entender sua composição, as interações entre o cimento, a cal, a areia e os aditivos, é essencial para qualquer profissional que aspire à excelência na construção civil. Este livro nasce de uma necessidade de preencher uma lacuna entre a teoria acadêmica e a forma de ensinar por meio de imagens. Não se trata apenas de uma compilação de informações técnicas, mas sim de uma análise dos fundamentos da ciência e da tecnologia dos materiais que governam o comportamento das argamassas, desde o estado fresco, com sua reologia e trabalhabilidade, até o estado endurecido, com suas propriedades de resistência, aderência e durabilidade. Ao longo das páginas deste livro, o leitor será guiado por meio de imagens em temas cruciais como a seleção criteriosa de matérias-primas, o desenvolvimento de argamassas especiais, os desafios impostos pela patologia e, sobretudo, as mais recentes normas técnicas e métodos de controle de qualidade. A Tecnologia das Argamassas não é uma área de conhecimento estática, ela evolui com a ciência dos materiais e as demandas do mercado. É com a ambição de ser uma literatura prática e uma referência técnica que nós apresentamos esta obra. Que ela sirva como uma ferramenta importante para engenheiros, arquitetos, tecnólogos, estudantes e todos aqueles que buscam dominar a arte e a ciência por trás de um dos materiais mais essenciais para a construção civil. Afinal, a qualidade da argamassa não está só em sua composição, mas no conhecimento com que ela é concebida e aplicada.
Betina Pituco Gihad Mohamad
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PREFÁCIO Embora as argamassas figurem entre os materiais mais antigos utilizados pela humanidade na construção civil, as pesquisas sistematizadas sobre o tema são muito recentes, especialmente quando comparadas às que tratam de outros materiais de construção, como o concreto. Pode-se dizer que as argamassas durante muito tempo eram relegadas a um segundo plano, recebendo pouca atenção técnica por parte dos profissionais envolvidos na execução das obras, consideradas sem importância, desprovidas de maior complexidade dentro do canteiro de obras. A mudança do processo construtivo, a verticalização urbana, a busca pela durabilidade das estruturas de concreto, a preocupação com sustentabilidade, os inúmeros novos materiais disponíveis no mercado, as mudanças climáticas trouxeram uma série de desafios. Hoje, além do controle das argamassas como material em si, para garantir um bom desempenho do sistema no qual elas estão sendo empregadas, independentemente do uso, é fundamental entender a sua interação com o substrato sobre o qual são aplicadas e com o ambiente no qual se inserem. É nisso que se encontram a complexidade e a dificuldade do tema. Neste livro, os autores abordam a tecnologia das argamassas – tema de grande relevância na formação e na atuação profissional de engenheiros, arquitetos e técnicos em construção civil – de maneira acessível e didática, utilizando ilustrações e textos curtos e diretos, porém nunca de forma superficial ou se afastando dos conceitos fundamentais. O livro apresenta definições, exigências normativas, procedimentos de ensaios, aspectos sobre projeto e fenômenos físicos e químicos essenciais à compreensão e à resolução de problemas práticos da engenharia, com uma abordagem leve e ao mesmo tempo interessante. Os autores tornaram simples e prático aquilo que muitas vezes é apresentado de forma excessivamente teórica, sem abrir mão do rigor técnico. Além de um ótimo instrumento de aprendizagem e compreensão do tema, a obra também se constitui em excelente material de apoio para o ensino de materiais e técnicas construtivas na área das argamassas. Desejo a todos uma proveitosa leitura!
Angela Borges Masuero
Prof(a) Titular do curso de Engenharia Civil da UFRGS
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LINHA DO TEMPO DAS ARGAMASSAS
10000 a.C.
Séc. 1
Primeiras argamassas conhecidas: Astecas e Galileia
Roma: Uso de Pozolanas
As primeiras evidências do uso de argamassas remontam às civilizações pré-colombianas e do Oriente Médio. Povos como os Astecas utilizavam misturas de barro e fibras vegetais para unir pedras e estabilizar suas construções, enquanto registros arqueológicos na Galileia indicam o uso de materiais calcários queimados.
Os romanos foram pioneiros no uso sistemático das pozolanas, cinzas vulcânicas reativas que, ao serem misturadas com cal e água, formavam uma argamassa resistente, inclusive sob água. Esse avanço permitiu a construção de obras monumentais como o Panteão e os aquedutos.
1824
1759
Patente do Cimento Portland (Aspdin)
Farol de Eddystone: Ligante Hidráulico
Joseph Aspdin, um pedreiro inglês, obteve a patente de um novo material chamado cimento Portland, devido à semelhança da coloração com as pedras da Ilha de Portland. Essa invenção representou um divisor de águas na construção moderna.
O engenheiro John Smeaton reconstruiu o farol de Eddystone com uma mistura que endurecia mesmo em meio submerso. Ele foi o precursor da cal hidráulica, criando um marco técnico que inspiraria o desenvolvimento posterior dos cimentos modernos.
França: Primeira fábrica de cal hidráulica
1826
Foi na França que se instalou a primeira unidade industrial de produção de cal hidráulica. O processo permitia maior padronização e controle de qualidade nas obras públicas e fortificações, marcando o início da industrialização dos ligantes.
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1857
1870
Inglaterra: Primeira fábrica de cimento
EUA: Produção de cimento em grande escala
A consolidação do cimento Portland levou à criação da primeira fábrica dedicada à sua produção contínua, permitindo maior escala e regularidade na oferta para obras urbanas e ferroviárias.
Com o avanço da Revolução Industrial, os Estados Unidos iniciaram a produção de cimento Portland em larga escala, atendendo à demanda crescente por infraestrutura urbana, rodoviária e industrial.
1988
1926
UE: Primeira diretiva sobre produtos da construção
Brasil: Passou a produzir seu próprio cimento
A União Europeia estabeleceu uma diretiva unificada para padronizar os requisitos de segurança, desempenho e qualidade dos materiais de construção, incluindo argamassas, criando um mercado comum regulado.
O Brasil iniciou sua produção própria de cimento Portland com a inauguração da Companhia Brasileira de Cimento Portland, em Perus (SP). Esse passo impulsionou a autonomia da construção civil no país.
16 Normas Brasileiras sobre argamassas em vigor Atualmente, o Brasil possui um conjunto robusto de normas técnicas, que regulamentam desde as propriedades das argamassas a até os ensaios específicos de desempenho, visando maior qualidade, durabilidade e segurança nas edificações.
2026
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O QUE É ENVOLTÓRIA PROTETIVA? O que todos esses itens têm em comum? A casca do ovo...
e a pele...
Permitem a transpiração ou a perda de água.
E na edificação, como funciona? O revestimento e a pintura têm o mesmo papel?
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O revestimento argamassado serve de proteção para a nossa casa? Isso mesmo! O revestimento regulariza a superfície, dá o acabamento e é a base de suporte da pintura protetiva.
Quais são os fluxos de umidades ascendente e descendente nas edificações? Água da chuva e vento na fachada, nas aberturas e nos telhados Água ascencional devido a absorção de água da alvenaria
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O revestimento barra todos os fluxos de água e agentes agressivos ? O REVESTIMENTO NÃO É TOTALMENTE ESTANQUE, OU SEJA, PERMITE A DIFUSÃO DO VAPOR INTERNO, MAS DEVE BARRAR ÁGUA NO ESTADO LÍQUIDO E AOS AGENTES AGRESSIVOS
PORTANTO, O REVESTIMENTO TEM UMA IMPERMEABILIDADE SELETIVA, OU SEJA, IMPEDE A PASSAGEM DA ÁGUA NO ESTADO LÍQUIDO E DEVE PERMITIR A PASSAGEM DO VAPOR DE ÁGUA FLUXO DE UMIDADE PROVOCADO PELAS CHUVAS NAS FACHADAS
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SISTEMA DE REVESTIMENTO ARGAMASSADO NBR 13529 (2013): “cobrimento de uma superfície com uma ou mais camadas superpostas de argamassa, apto a receber acabamento decorativo ou constituir-se em acabamento final” A aplicação dos sistemas de revestimento deve ser eficaz no desempenho de sua função como envoltória protetiva, garantindo às edificações condições apropriadas de salubridade, durabilidade, estanqueidade, funcionalidade e conforto ao usuário durante toda a vida útil da construção. Qualquer deformação em uma dessas camadas resultará no aparecimento de tensões em todo o conjunto
Chapisco Emboço Reboco
Consideradas como um elemento de um sistema e não isoladamente como um conjunto material, onde se deve levar em consideração as suas interações com o substrato e com o ambiente.
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VAMOS CONHECER O UNIVERSO DAS ARGAMASSAS?
LABORATÓRIO
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CLASSIFICAÇÃO QUANTO AOS TIPOS DE ARGAMASSA CLASSIFICAÇÃO SEGUNDO A APLICAÇÃO Argamassa de assentamento para alvenaria estrutural Argamassa de fixação (ou encunhamento) Argamassa de assentamento das alvenarias de vedação Argamassa de revestimento (chapisco, emboço e reboco) Argamassa de contrapiso Argamassa colante Argamassa de rejuntamento Argamassa de reparo estrutural
CLASSIFICAÇÃO SEGUNDO O TIPO DE PREPARO Argamassa dosada em obra (convencional) Argamassa industrializada Argamassa estabilizada
CLASSIFICAÇÃO SEGUNDO A COMPOSIÇÃO Argamassa mista (cimento + areia + cal) Argamassa de cimento e areia Argamassa com aditivos químicos Argamassa adições minerais
CLASSIFICAÇÃO SEGUNDO O DESEMPENHO P1: Desempenho Básico P2: Desempenho Intermediário P3: Alto Desempenho
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CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO
TIPO
Argamassa aérea
Quanto à natureza do aglomerante
Argamassa hidráulica Argamassa de cal Argamassa de cimento
Quanto ao tipo de aglomerante
Argamassa de cimento e cal Argamassa de gesso Argamassa de cal e gesso Argamassa simples
Quanto ao número de aglomerantes
Argamassa mista Argamassa seca
Quanto à consistência da argamassa
Argamassa plástica Argamassa fluida Argamassa pobre ou magra
Quanto à plasticidade da argamassa
Argamassa média ou cheia Argamassa rica ou gorda Argamassa leve
Quanto à densidade de massa da argamassa
Argamassa normal Argamassa pesada Argamassa preparada em obra Mistura semipronta para argamassa
Quanto à forma de preparo ou fornecimento
Argamassa industrializada Argamassa dosada em central 20
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COMPOSIÇÃO DAS ARGAMASSAS AGREGADO MIÚDO
AREIAS:
FINA MÉDIA GROSSA
AGLOMERANTE
CIMENTO CAL GESSO
TRABALHABILIDADE E ENDURECIMENTO RESINA EPÓXI POLÍMEROS COLAS
ÁGUA
ADITIVOS
ADIÇÕES
VOLUME E TEXTURA
REAÇÕES POR HIDRATAÇÃO, QUÍMICA E CARBONATAÇÃO
ATIVA O AGLOMERANTE E PERMITE A CURA
PLASTIFICANTES INCORPORADOR DE AR RETARDADORES IMPERMEABILIZANTES RETENTORES DE ÁGUA REDUTOR DE HIDRATAÇÃO REDUTORES DE RETRAÇÃO
GARANTIR A MELHORA DAS CARACTERÍSTICAS, COMO: TRABALHABILIDADE TEMPO DE SECAGEM RESISTÊNCIA (...]
SÍLICA ATIVA CINZA VOLANTE ESCÓRIA DE ALTO-FORNO METACAULIM
ARGAMASSA MISTURA HOMOGÊNEA
PROPRIEDADES DE ADERÊNCIA E RESISTÊNCIA
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