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O Que Freud Fez Da Lingua

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MORAES_capa gráfica lombada 10mm_O que Freud fez da língua.pdf

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22/09/2026

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Salzano Moraes

"A maneira como Freud trata a língua nos “A autora nos convida a seguir as trilhas de textos freudianos especialmente escolhidos para abordar a língua para a psicanálise. A pergunta implícita no título desdobra-se detalhadamente a partir do jogo entre C

língua, linguagem, fala e lalíngua,

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revelando o estatuto da língua materna

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como causa e divisão do sujeito. Assim,

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estando o real inassimilável inscrito na

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língua dita materna, a estrangeira

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poderá ser tomada como modo

sobre o estatuto da língua materna tomada do inconsciente, a língua materna não representa a segurança para o sujeito, pois aquela que parecemos dominar e compreender tão bem é ultrapassada por linguagem inconsciente. O estranhamento que daí advém permite, então, deslocar a questão da alteridade na relação entre língua materna e língua estrangeira."

Maria Rita Salzano Moraes

singular de leitura da materna, evidenciando um tênue limite entre elas. Além de uma primorosa leitura do texto freudiano, por uma tradutora exemplar do alemão de Freud, a autora nos oferece as bases para abordar e

pequena biblioteca invulgar

como ‘familiaridade’. A partir da hipótese

O que Freud fez da língua

especificidade do que vem a ser a

permitiu abrir outro lugar de discussão

Maria Rita Salzano Moraes

pequena biblioteca invulgar

O que Freud fez da língua

coordenada por Paulo Sérgio de Souza Jr. Tendo a psicanálise como eixo, esta série coloca em circulação, para analistas e estudiosos das humanidades em geral, desde títulos pioneiros até trabalhos mais recentes; escritos que, por vezes ainda excêntricos ao panorama editorial, ecoam em diversas áreas do saber e dão corpo às relações do legado freudiano com campos que lhe são afeitos. Também abriga

desdobrar teses fundantes da

novas traduções de obras

psicanálise. Uma leitura necessária.”

emblemáticas da teoria psicanalítica para o português brasileiro a fim de

Nina Virgínia de Araújo Leite

contribuir com uma rede de referências fundamentais às reflexões que partem da psicanálise ou que, vindas de outros lugares, nela encontram suas reverberações.


O que Freud fez da língua


pequena biblioteca invulgar


Maria Rita Salzano Moraes

O que Freud fez da língua


O que Freud fez da língua, Maria Rita Salzano Moraes Série pequena biblioteca invulgar, coordenada por Paulo Sérgio de Souza Jr. © 2026 Editora Edgard Blücher Ltda.

Publisher Edgard Blücher Editor Eduardo Blücher Coordenador editorial Rafael Fulanetti Coordenadora de produção Ana Cristina Garcia Produção editorial Luana Negraes e André Quirino Preparação de texto Maurício Katayama Diagramação Guilherme Salvador Revisão de texto Gabriela Castro Projeto gráfico Leandro Cunha Capa Luca Pires

DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP) HEYTOR DINIZ TEIXEIRA – CRB-8/10570

Rua Pedroso Alvarenga, 1245, 4° andar 04531-934 – São Paulo – SP – Brasil Tel.: 55 11 3078-5366 contato@blucher.com.br www.blucher.com.br

Segundo o Novo Acordo Ortográfico, conforme 6. ed. do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, Academia Brasileira de Letras, julho de 2021.

É proibida a reprodução total ou parcial por quaisquer meios sem autorização escrita da editora. Todos os direitos reservados pela editora Edgard Blücher Ltda.

Moraes, Maria Rita Salzano O que Freud fez da língua / Maria Rita Salzano Moraes. – São Paulo : Blucher, 2026. 182 p. : il. – (Série pequena biblioteca invulgar / coord. Paulo Sérgio de Souza Jr.) Bibliografia ISBN 978-85-212-2227-9 (Impresso) ISBN 978-85-212-3200-1 (Eletrônico – Epub) ISBN 978-85-212-3201-8 (Eletrônico – PDF) 1. Psicanálise e linguística. 2. Freud, Sigmund, 1856-1939. 3. Língua materna. 4. Língua estrangeira. 5. Escrita. I. Título. II. Série. III. Souza Jr., Paulo Sérgio de. CDU 159.964.2:81 Índices para catálogo sistemático: 1. Psicanálise   CDU 159.964.2 2. Linguística   CDU 81


Apresentação da série pequena biblioteca invulgar São muitos os escritos e autores excepcionais que, apesar de mencionados em obras amplamente divulgadas no Brasil, ainda não se encontram acessíveis aos leitores. Surgindo muitas vezes como referências em textos consagrados, é comum conhecermos pouco mais que seus nomes, títulos e esboços de ideias. A partir da psicanálise como eixo organizador, a pequena biblioteca invulgar coloca em circulação, para psicanalistas e estudiosos das humanidades em geral, autores e escritos como esses. A série abrange desde títulos pioneiros até trabalhos mais recentes que, por vezes ainda excêntricos ao nosso panorama editorial, ecoam em diversas áreas do saber e colocam em cena as relações do legado freudiano com outros campos que lhe são afeitos. Também abriga novas traduções de textos emblemáticos da teoria psicanalítica para o português brasileiro a fim de contribuir, ao seu modo, com a rede de referências fundamentais às reflexões que partem da psicanálise ou que, advindas de outras disciplinas, nela também encontram as suas reverberações. 5


Conteúdo

Introdução

9

Parte I. Os aparelhos de Freud

19

O aparelho de linguagem

20

O aparelho de memória

43

O aparelho psíquico

55

Parte II. O estranho‑familiar como organizador da subjetividade

73

O corpo estranho

74

O estranho de Freud

105

Materna, língua estrangeira

107

7


O familiar na língua estrangeira — O caso Anna O.

118

O estranho na língua materna — O caso Louis Wolfson

123

Parte III. Escrita nos escritos de Freud

139

O escriba dos sonhos

140

Uma escrita-ação

148

Escrita e lógica do desejo

158

A deriva das letras

165

O im-passe da letra

174

Considerações finais

179

8

Maria Rita Salzano Moraes


Introdução

O que me permitiu iniciar este trabalho foi uma relação que ficou aberta desde minha dissertação de mestrado em Linguística Aplicada: a do sujeito com a língua materna e com a língua estrangeira. Naquela época, trabalhei com o sujeito da psicologia, ou seja, um sujeito já constituído, para o qual a língua materna era algo familiar e a estrangeira, um objeto novo, estranho, a ser aprendido. Utilizando essa concepção de língua e de sujeito, o maior desafio era dar conta das dificuldades do aluno na aprendizagem da língua estrangeira. Assim, abria-se um leque infindável de variáveis para contornar as dificuldades e facilidades que essa abordagem oferecia. Está implícita nessa concepção de sujeito psicológico sua posição separada da língua materna, pois ele é objetivável enquanto um conjunto de comportamentos em relação ao seu meio e à língua — apenas mais um meio, um meio de comunicação. Assim, o sujeito está de um lado e a língua, de outro, como meio de tornar comunicáveis os sentidos. Nessa concepção, o sentido existe antes das palavras, e o sujeito é Introdução

9


anterior e exterior à linguagem, o que permite que a noção de subjetividade apareça, por um lado, como positiva e intimamente ligada à de individualidade e, por outro, completamente desligada da noção de linguagem. Percebi que procurar as causas do bom ou mau desempenho do aprendiz na língua estrangeira buscando variáveis de ordem psicológica (afeto, motivação) ou cognitiva (estratégias de aprendizagem) ou operar deslocamentos de importância no método de ensino, no professor, no aluno ou na sala de aula não me permitia avançar nas reflexões, pois as questões do erro, da fluência, do desempenho em língua estrangeira continuavam sendo explicadas, sobretudo, no espaço estabelecido entre o sujeito e a língua. Não se pode negar, contudo, que há aí uma intuição de ligação do sujeito com a língua, de tal modo que essa falha na ligação se traduz por uma necessidade de construir pontes. Senti a necessidade de interrogar a relação sujeito-língua a partir de outro ponto de vista, pois, se a concepção anterior situava a língua como meio para o sujeito expressar pensamentos, a língua estrangeira constituiria uma alteridade radical com relação à língua materna. A posição fundamental na abordagem dessas duas línguas é que a língua materna, por ser considerada “familiar”, aquela que se aprende com a mãe, será adquirida de maneira natural, e a língua estrangeira, tomada como “estranha”, será dificultada ou facilitada por fatores de ordem linguística, psicológica, metodológica, entre outros. Como consequência dessa abordagem, a relação sujeito-língua estrangeira tem sido sempre discutida no âmbito do “ensinar” e do “aprender”. 10

Maria Rita Salzano Moraes


PA R TE I

Os aparelhos de Freud


Os aparelhos de Freud

Iniciaremos apresentando a importância e o lugar que a linguagem assume nos aparelhos de Freud a fim de tecer, com seu funcionamento, uma reflexão que nos permita fazer um deslocamento nos conceitos de língua materna e língua estrangeira. No início de sua construção teórica, Freud concebe o aparelho psíquico como um aparelho de linguagem e, em seguida, como um aparelho de memória. Constatamos que Freud não concebe o aparelho de linguagem como um aparelho para linguagem, mas para nos mostrar que ele é construído por linguagem, o que inclui, de imediato, o outro como falante nessa constituição. Importa salientar, então, que essa constatação tem como consequência fundamental o seguinte fato: esse aparelho não está ali colocado como um instrumento preexistente Os aparelhos de Freud

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à linguagem, mas sim para articular, numa relação de causa e efeito, a função da linguagem na formação desse aparelho: a linguagem não é apenas efeito desse seu funcionamento, mas é também aquilo que o funda. Dessa forma, o outro e o mundo vão se constituir em objetos, a partir do que a linguagem constrói. Não podemos tomar língua materna e língua estrangeira como entidades distantes e estranhas uma à outra, pois, se considerarmos, com Freud, o psíquico como lugar da linguagem ou a linguagem como lugar psíquico que inclui o outro como falante, há de se tratar essa dualidade língua materna e língua estrangeira perpassada pelo sujeito, de forma a tomar os elementos que a constituem como só existindo na e pela relação estabelecida a partir do sujeito, e não como entidades que preexistissem a ele. É preciso, agora, para podermos desenvolver as questões propostas, que percorramos um caminho com Freud, encontrando, ponto a ponto, na diferença de sua abordagem dos fenômenos e na sua maneira de nos mostrar o imprescindível da linguagem na constituição da subjetividade, os momentos em que nossas questões puderam se construir.

O aparelho de linguagem Iniciaremos destacando alguns textos de Freud, entre os quais Sobre a concepção das afasias: um estudo crítico, a “Carta 52” a Wilhelm Fliess, “Projeto de uma psicologia”, Estudos sobre a histeria e o Capítulo 7 de A interpretação do sonho, com a intenção de apresentar a constituição do aparelho psíquico como aparelho de linguagem, na medida em que sua estruturação 20

Maria Rita Salzano Moraes


PA R TE II

O estranho‑familiar como organizador da subjetividade


O estranho‑familiar como organizador da subjetividade

Destacaremos agora, de modo geral, o impacto da linguagem no corpo, iniciando pelos exemplos das pacientes histéricas de Freud e trazendo esse impacto por meio do conceito freudiano de pulsão. Pretendemos, portanto, retomar as questões desenvolvidas anteriormente, apresentando uma outra face, a construção de argumentos para podermos falar do resto que cai da relação entre o psíquico e o somático e que Freud estabeleceu como uma relação concomitante. Veremos que essa relação está intermediada pela linguagem, na medida em que o corpo, assim como apresentado por Freud, é um corpo submetido à linguagem e, por isso, dela separado. Se a linguagem separa o sujeito do corpo, pois esta representa o seu desconhecimento, a fala aí entra como o elemento de uma possível ligação entre o corpo e a linguagem. O sentido O estranho‑familiar como organizador da subjetividade

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de uma corporeidade assim concebida deriva da observação dos efeitos da linguagem inconsciente no corpo: prejuízos que uma representação incompatível pode apresentar no corpo, de forma esquecida no sintoma, se não for trazida à fala. Veremos também que o conceito de pulsão aponta para um além da representação e, para compreendê-lo, destacamos alguns textos de Freud que nos trazem a noção de irrepresentável como elemento necessário para a construção daquilo que chamamos de estranho da língua. O inassimilável já está presente na raiz da constituição do sujeito com o objeto, quando, na experiência de satisfação, o complexo do próximo se apresenta dividido. Essa divisão do próximo em duas partes, uma das quais é inassimilável, é um limite que funda o psiquismo, pois representa uma percepção expulsa no interior do eu, que o divide, além de representar um fora da possibilidade de simbolização: algo estranho, que, no entanto, é muito familiar ao sujeito nessa experiência primordial. Com esses elementos fundamentais, introduziremos a questão de a língua materna não poder se caracterizar em relação ao familiar, mas sim a partir da inclusão do conceito de estranho. Traremos dois casos enigmáticos de estranhamento da língua materna e de familiaridade da língua estrangeira para ilustrar nossa questão fundamental: podemos tomar a língua estrangeira como alteridade radical depois do estatuto que atribuímos à língua materna?

O corpo estranho Em Estudos sobre a histeria, experiência de Freud com as histéricas, a fala mantém um papel peculiar de produtora e, ao 74

Maria Rita Salzano Moraes


PA R TE III

Escrita nos escritos de Freud


Escrita nos escritos de Freud

Aqui vamos retomar algo que mencionamos anteriormente (Parte I), ou seja, que Freud concebe os aparelhos de memória e de linguagem como sistemas de escrita. Lembramos que Freud caracteriza a memória tomando a impressão [Eindruck] do mundo exterior como uma colocação por escrito [Niederschrift] e posterior reescrição [Umschrift]1 do signo [Zeichen], que se modifica em traço de lembrança [Erinnerungsspur]. Todos esses fatos são da ordem da escrita, e, se Freud insiste em caracterizar esse material da linguagem como literal, está nos dizendo que o sujeito é escrito e lido com linguagem.

1 Cf. a nota 22 da Parte I. Escrita nos escritos de Freud

139


A memória, como diz Freud, é primariamente inconsciente, e as formações do inconsciente são decifráveis porque permitem uma leitura com o escrito. Se o eixo comum que Freud encontra na linguagem se constitui de formações decifráveis, lapsos, esquecimentos, sonhos que revelam o sujeito em seu desconhecimento, é porque estão cifradas no sujeito. É assim que entendemos a relação da linguagem com a escrita do sujeito.

O escriba dos sonhos As referências de Freud sobre a escrita nos vêm desde o “Projeto de uma psicologia”, passando pela “Carta 52” a Fliess, até chegar a “Nota sobre o ‘bloco mágico’”. Mas é sobretudo em A interpretação do sonho que se destaca o papel da escrita no funcionamento psíquico. Ao aproximar o sonho e a escrita, Freud nos mostra que os fatos de linguagem se escrevem quando apresentam a imagem do sonho em seu valor literal. A operação do trabalho do sonho é, já, seu modo de ler os pensamentos latentes com a escrita do conteúdo manifesto. Para entender, então, a aproximação feita por Freud entre o sonho e a escrita, é preciso que não se tome a última como uma invenção posterior à fala, mas como uma escrita latente na própria linguagem. Essa escrita, que vem de outra cena e não se dá a ver no imediato, revela, na interpretação de um sonho, o trabalho do desejo sob o modo específico de operação dos processos primários. Se tomamos, então, como ponto de partida os trabalhos do sonho e de sua interpretação, nos quais, em seu desvelamento, como o disse Breuer, coincidem sua dissolução/decomposição 140

Maria Rita Salzano Moraes


Considerações finais

É tempo de retomarmos nossa questão inicial sobre o tênue limite entre língua materna e língua estrangeira. Se tomamos o sujeito constituído por linguagem, e se existe na linguagem uma função que remete, para além da dimensão simbólica, ao real, é essa função que está sendo privilegiada aqui, por se revelar um caminho que possibilita deslocar a questão da natureza dos limites fronteiriços entre língua materna e língua estrangeira. O que nos direcionou na busca do caminho da escrita foi justamente a observação do fato de a língua estrangeira se inscrever, para cada um, de maneira diversa, uma vez que se assenta no mesmo trilhamento aberto pela língua materna. Se existe uma fronteira entre ambas, ela é da mesma natureza que aquela que existe entre saber e gozo: a letra.

Considerações finais

179


Se o inconsciente fosse estruturado por língua e não por linguagem, não seria possível cometer lapsos em língua estrangeira. Se esses fenômenos ocorrem, é porque os elementos de linguagem não pertencem a nenhuma língua em particular, melhor dizendo, não há, no momento do acontecimento, nenhuma fronteira entre as línguas, porque a letra, que é anterior ao sentido, permite essa passagem. Freud, em seu artigo sobre o fetichismo, nos legou um exemplo que, para finalizar, destacamos, pois por si só representa muito bem toda a questão de nosso trabalho.1 Ele conta que um jovem paciente, cuja língua materna era o inglês, foi posteriormente morar na Alemanha, esquecendo sua língua materna quase completamente. Num dado momento da análise, ao invés de dizer Glanz auf der Nase [brilho no nariz], diz Glance auf die Nase [olhadela para o nariz]. Freud nos diz em que língua é preciso decifrar esse lapso, porque o fetiche, originado na infância do paciente, tinha que ser ouvido em inglês, e não em alemão. É preciso esclarecer primeiramente que auf der, no primeiro exemplo, está declinado em dativo em alemão, utilizado quando nos referimos a um lugar fixo no ou sobre o nariz. No segundo exemplo, a preposição auf em auf die está regendo o acusativo, pois se trata de um movimento de olhar para. Se, como diz Lacan, o significado tem a ver com a leitura do que se ouve de significante,2 olhar para o nariz [Glance auf 1 Freud, S. (1927/2016). O fetichismo. In Neurose, psicose, perversão (M. R. Salzano Moraes, trad.) (Obras incompletas de Sigmund Freud). Belo Horizonte: Autêntica, pp. 315-316. 2 Lacan, J. ([1972-1973]1975/1985). O seminário (Livro 20: Mais, ainda; M. D. Magno, trad.). Rio de Janeiro: Zahar, pp. 188-190, 47. 180

Maria Rita Salzano Moraes


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língua, linguagem, fala e lalíngua,

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revelando o estatuto da língua materna

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como causa e divisão do sujeito. Assim,

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estando o real inassimilável inscrito na

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língua dita materna, a estrangeira

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poderá ser tomada como modo

sobre o estatuto da língua materna tomada do inconsciente, a língua materna não representa a segurança para o sujeito, pois aquela que parecemos dominar e compreender tão bem é ultrapassada por linguagem inconsciente. O estranhamento que daí advém permite, então, deslocar a questão da alteridade na relação entre língua materna e língua estrangeira."

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singular de leitura da materna, evidenciando um tênue limite entre elas. Além de uma primorosa leitura do texto freudiano, por uma tradutora exemplar do alemão de Freud, a autora nos oferece as bases para abordar e

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como ‘familiaridade’. A partir da hipótese

O que Freud fez da língua

especificidade do que vem a ser a

permitiu abrir outro lugar de discussão

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coordenada por Paulo Sérgio de Souza Jr. Tendo a psicanálise como eixo, esta série coloca em circulação, para analistas e estudiosos das humanidades em geral, desde títulos pioneiros até trabalhos mais recentes; escritos que, por vezes ainda excêntricos ao panorama editorial, ecoam em diversas áreas do saber e dão corpo às relações do legado freudiano com campos que lhe são afeitos. Também abriga

desdobrar teses fundantes da

novas traduções de obras

psicanálise. Uma leitura necessária.”

emblemáticas da teoria psicanalítica para o português brasileiro a fim de

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contribuir com uma rede de referências fundamentais às reflexões que partem da psicanálise ou que, vindas de outros lugares, nela encontram suas reverberações.


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