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Françoise Dolto e a clínica da primeira infância

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Pereira da Silva

Pós-doutora e Doutora em Psicologia Clínica e Mestre em Psicologia da Educação pela PUC-SP. Especialista em Psicopatologia do Bebê pela Universidade Paris XIII. Autora de artigos publicados em revistas nacionais e internacionais e dos livros A paixão de formar, A herança psíquica na clínica psicanalítica e A construção da parentalidade: um modelo de intervenção e prevenção; organizadora de diversos livros publicados pela Editora Blucher.

A presença de Dolto entre nós reitera a relevância de sua prática sempre-viva nos campos da terapêutica e investigação psicanalítica, em diálogos e em ondas de transmissão a partir de suas heranças diretas e interlocuções com seus legados. Esse livro-jornada convida a revisitar esse solo fértil em flora compartilhada. Mariângela Mendes de Almeida (Psicanalista) Françoise Dolto exerce grande influência em nosso trabalho da Clínica 0 a 3 anos, ao propor a ideia que “a criança é um ser que vai se constituindo a partir do olhar do outro”. Nessa clínica procuramos fortalecer o desenvolvimento psíquico da criança e a construção da parentalidade. Parabéns! Raquel Andreucci Pereira Gomes (Psicanalista) “ Nós morremos quando tivermos acabado de viver”, Dolto sabia conversar com as crianças e seus pais. Este livro apresenta autores que conviveram e trabalharam com ela e colegas brasileiros fertilizados por seu pensamento e atuação inovadores. Eliane Saslavsky Muszkat (Psicanalista) Com diferentes perspectivas sobre a abordagem clínica e a ética de trabalho de Dolto, aproxima o leitor da trajetória desta pediatra e psicanalista corajosa ao lidar com elementos arcaicos da mente e com sua forma singular de comunicar verdades dolorosas. Olivia Arno Caminoto (Psicanalista) PSICANÁLISE

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Françoise Dolto e a clínica da primeira infância

Psicanalista, membro efetivo, analista didata e docente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. Analista de criança e adolescente pela IPA. Coordenadora da Cínica 0 a 3 e da Clínica transcultural da SBPSP. Membro do Grupo Prisma de Psicanálise e Autismo (GPPA).

Este livro é mais uma publicação da Clínica 0 a 3 da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo com reflexões sobre a VIII Jornada – “Françoise Dolto e a clínica da primeira infância” –, realizada em junho de 2024. Voltado a psicanalistas e profissionais da saúde e da educação que trabalham com a primeira infância e se interessam em conhecer parte do trabalho de Françoise Dolto, uma mulher valente, sensível e inovadora. A preocupação com a primeira infância e os recursos para o atendimento de pais e seus bebês/crianças, com suas diversas indagações, são o foco da Clínica 0 a 3, favorecendo vínculos e a construção da parentalidade.

Organizadora

Maria Cecília Pereira da Silva PSICANÁLISE

Maria Cecília Pereira da Silva

Françoise Dolto e a clínica da primeira infância

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Françoise Dolto e a clínica da primeira infância

Maria Cecília Pereira da Silva Organizadora

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Françoise Dolto e a clínica da primeira infância 2026 © Maria Cecília Pereira da Silva (organizadora) Editora Edgard Blücher Ltda. Publisher Edgard Blücher Editor Eduardo Blücher Coordenação editorial Rafael Fulanetti Coordenação de produção Ana Cristina Garcia Preparação de texto Lígia Alves Diagramação Markelângelo Design Revisão de texto Equipe editorial Transcrição Olivia Arno Caminoto e Felipe Ramos Suzuki Tradução e revisão técnica Olivia Arno Caminoto e Sandra Gonçalves Capa Juliana Midori Horie Imagem da capa A Casa, Rejane Maria Ganzarolli Lopes

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Heytor Diniz Teixeira, CRB-8/10570

Rua Pedroso Alvarenga, 1245, 4o andar 04531-934 – São Paulo – SP – Brasil Tel.: 55 11 3078-5366 contato@blucher.com.br www.blucher.com.br Segundo o Novo Acordo Ortográfico, conforme 6. ed. do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, Academia Brasileira de Letras, julho de 2021. É proibida a reprodução total ou parcial por quaisquer meios sem autorização escrita da editora. Todos os direitos reservados pela Editora Edgard Blücher Ltda.

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Françoise Dolto e a clínica da primeira infância / Maria Cecília Pereira da Silva, organizadora. – São Paulo : Blucher, 2026. 152 p. ISBN 978-85-212-2902-5 (Impresso) ISBN 978-85-212-2907-0 (Eletrônico – Epub) ISBN 978-85-212-2906-3 (Eletrônico – PDF) 1. Psicanálise. 2. Relação pais-bebês. 3. Relação pais e filhos. 4. Análise da criança. 5. Clínica psicanalítica. 6. Dolto, Françoise, 1908-1988. I. Silva, Maria Cecília Pereira da. II. Título. CDU 159.964.2 Índice para catálogo sistemático: 1. Psicanálise   CDU 159.964.2

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Sumário

Prefácio

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Introdução

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Diva Aparecida Cilurzo Neto, Maria Lúcia Gomes de Amorim

1.

A importância da coletividade na obra de Françoise Dolto

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Luciana Pires

2.

Dolto e seu trabalho com pais e bebês: uma introdução

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Catherine Dolto

Debate com Catherine Dolto, Luciana Pires e o público 3.

A boneca-flor em relação à Imagem Inconsciente do Corpo

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Laurence Nadal Arzel

4.

Quando a ausência fecha a boca: relato de uma intervenção precoce

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Maria Cecília Pereira da Silva, Fátima Maria Vieira Batistelli

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Comentários de Laurence Nadal, Catherine Dolto e Luciana Pires ao Material clínico apresentado por Maria Cecília Pereira da Silva e Fátima Maria Vieira Batistelli 121 Sobre as autoras

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1. A importância da coletividade na obra de Françoise Dolto1 Luciana Pires Minha avó e minha mãe perdi-as de vista num grande armazém a fazer compras de Natal hoje trabalho eu mesma para o armazém que por sua vez tem tomado conta de mim (Adília Lopes) A rapariga que esperava muito as cartas do namorado que lhe escrevia muito pouco casou-se com o carteiro (Adília Lopes)

Parto de uma aposta de circulação e fertilização da obra de Françoise Dolto entre psicanalistas brasileiros, em um contexto de costuras com autores que não necessariamente fizeram parte de sua história em vida. Agrada-me a possibilidade de trazer Dolto para diálogos inéditos, além dos que são considerados óbvios em sua obra. Porque toda obra transcende seu autor e só assim podemos fazer uso de seu legado. Dolto nasceu em 1908 e veio a falecer em 1988, com 80 anos. Em uma entrevista que concedeu, disse que gostaria que fosse escrito em sua lápide: “entrei na vida desesperada e saí satisfeita”.

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Conferência realizada no dia 19 de março de 2024, na SBPSP. Transcrição por Felipe Ramos Suzuki.

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Da desesperança à satisfação. É um lindo epitáfio de alguém que soube usufruir do privilégio da vida, se encontrando cada vez mais em seu próprio destino. Ganha especial relevo se levarmos em conta ainda que foi proferido por uma psicanalista de crianças, já que se apoia na constatação de que um percurso de vida pode produzir alterações profundas na vida psíquica de quem teve o azar de um início infeliz. Dolto quis fazer faculdade de medicina, mas encontrou muita resistência por parte de sua mãe, que entendia que uma mulher não devia fazer faculdade de medicina. Como solução de compromisso, ela veio a frequentar o curso de enfermagem, entre 1929 e 1930. Depois de muita luta, entre 1932 e 1937, cursou, finalmente, a faculdade de medicina e submeteu-se à análise com Laforgue, mais ou menos no mesmo período, de 1934 a 1937. Depois de encerrado seu curso de medicina, Dolto entrou na Sociedade de Psicanálise de Paris, em 1938, e começou sua carreira de psicanalista, por volta dos 30 anos. Sua vida profissional sempre esteve envolvida com o campo público e coletivo. Lado a lado ao consultório particular, manteve, por cerca de 40 anos, uma inserção institucional no Hospital Trousseau. Aceitou um convite para falar na rádio em 1969 e decidiu interromper sua clínica privada, por entender que a presença na mídia prejudicaria o trabalho transferencial individual. Mas seguiu seus trabalhos institucionais - no Hospital Trousseau e na instituição da Rua Cujas, onde atendia crianças que viviam em instituições de acolhimento –, por entender que os bebês e as crianças não seriam tão afetados pela transferência midiática que se estabeleceu. Grande parte de seus atendimentos nessas instituições era acompanhada por um grupo de terapeutas, seus supervisionandos,

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2. Dolto e seu trabalho com pais e bebês: uma introdução1 Catherine Dolto

Agradeço a organização desta jornada em torno de Françoise e por esta oportunidade de me conceder a palavra. Estou ainda mais feliz de ver que, ainda que tenham ocorrido cisões e conflitos entre os psicanalistas, a introdução de Dolto nestes meios está presente. Vou tentar fazer com que vocês sintam quem era Françoise Dolto. Dolto era uma psicanalista muito singular, muito original. A primeira originalidade é que ela tinha um interesse, quando era muito jovem, por Sigmund Freud. No entanto, ela encontrou a psicanálise principalmente porque estava atravessando uma depressão e um início de uma neurose de fracasso. Ela foi forçada a ficar noiva de um jovem que ela não amava; além disso, ele não queria que ela fizesse estudos de medicina. Ela então rompeu o noivado. Foi dito que ela teve uma infância um pouco turbulenta. Não foi exatamente isso, ela era uma criança profundamente muito original. Muitas vezes lhe era dito: “sobretudo, não pense! porque a cada vez que você pensa, é terrível”. Ela tinha uma maneira de ver

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Conferência realizada online, no dia 19 de março de 2024, na SBPSP. Transcrição e revisão técnica de Olivia Arno Caminoto.

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as coisas que os adultos da burguesia francesa da época não entendiam. Ela fazia sempre perguntas que incomodavam a todos. Ela teve dois dramas na sua infância. O primeiro foi que o seu tio materno tinha decidido criar uma ficção na qual Dolto era sua noiva, e toda a família aderiu a esta loucura. Ele acabou morrendo na Primeira Guerra Mundial quando ela tinha sete anos, o que a fez sentir-se uma viúva de guerra. A mãe de Dolto era bastante louca e ofereceu-lhe até um presente após a morte desse tio, dizendo-lhe que ele tinha aparecido e pedido que ela lhe desse este presente. O segundo momento dramático de sua infância aconteceu quando ela tinha 10 ou 11 anos de idade. A sua irmã mais velha morreu, vítima de um câncer. Esse foi um drama para minha avó, que disse à Françoise que ela teria preferido que ela tivesse morrido ao invés de sua irmã. Antes da comunhão solene, a sua mãe lhe pediu que rezasse muito, dizendo que, se ela fizesse isso, possivelmente no dia de sua comunhão a sua irmã se salvaria. Culparam-na então pela morte de sua irmã, e por ficar viva. Ela se saiu dessa ocupando o lugar de terapeuta dessa família numerosa. Ela era muito observadora e foi assim que ela começou a entender o que os bebês pensavam. Com seis anos ela declarou que, quando fosse grande, seria médica da educação. Toda a família riu dizendo que isso não existia. Em resposta, ela dizia: “já que não existe, será preciso inventá-lo”, e foi o que ela fez. Esta menininha foi fiel ao seu projeto de criança até os 80 anos. Quando era pequena, ela dizia que quando crescesse, se lembraria de tudo o que aconteceu quando era criança. Ela foi um desses raros adultos maduros que tinha conservado o essencial da infância, ou seja, uma curiosidade incessante, incansável e uma originalidade na sua forma de ver as questões das crianças. Ela começou o curso de medicina contra a vontade dos pais. A mãe não queria que ela estudasse porque uma mulher que fazia estudos superiores não poderia se casar. De todo modo, um dos

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3. A boneca-flor em relação à imagem inconsciente do corpo1 Laurence Nadal Arzel

Retomar, com vocês, o trabalho realizado há alguns anos sobre a Imagem Inconsciente do Corpo, segundo F. Dolto, ou melhor, de F. Dolto, é um exercício bastante comovente. Vejo-me diante de uma oportunidade de reler cuidadosamente o comentário que escrevi na época e de poder desenvolvê-lo. Nesta etapa do caminho para a qual vocês me convidaram, me apoiarei nas palavras de Thoreau: “o poema impresso nunca é dissociável do poema não-impresso que se escreve carnalmente em seu verso, na vida”. Quando iniciava minha prática psicanalítica e buscava formalizá-la, ler e reler F. Dolto da forma como o fiz determinou a experiência na escuta de crianças. Estou convencida de que além do livro impresso que foi, sem dúvida, uma via de transferência de pensamento, ler F. Dolto implica num exercício, é uma “construção lenta de relação consigo mesmo, com o mundo, com o indivíduo que contém a ideia de que a psicanálise é um meio de produzir

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Conferência realizada online, no dia 20 de março de 2024, na SBPSP. Tradução e revisão técnica de Olivia Arno Caminoto e Sandra Gonçalves.

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formas de vida”.2 Em outros contextos, poderíamos chamar isso de experiência poética. E este é o estilo de F. Dolto. Desde as minhas primeiras elaborações, meu pensamento evoluiu consideravelmente, e o texto que lhes apresento agora é uma nova leitura sobre a obra de Dolto. Meu objetivo é construir uma linha de pesquisa e hipóteses de trabalho que nos permitam apreender de uma maneira particular produções plásticas e gráficas de crianças em tratamento psicanalítico. O que lhes apresento é, portanto, um momento de compromisso com a pesquisa, o que explica uma certa singularidade de linguagem e de termos, peço que me desculpem por isso. Para modular a minha palestra, troquei muito com Olivia Arno Caminoto e gostaria de agradecê-la pela sua paciência e atenção. Todo o esforço envolvido em minha reflexão foi no sentido de tentar identificar a defasagem que percebi entre uma clínica viva com efeitos incontestáveis e as justificativas (teóricas) para tanto. Nesse sentido, Tratamentos Psicanalíticos com a Ajuda da Boneca-Flor é um texto exemplar para pensar essa distância. Há o que se fala da clínica e há o que se explica sobre clínica. A boneca-flor, como propus, é precursora da imagem inconsciente do corpo. Essa figura, de fato, evidencia tanto os impasses inerentes às formalizações de F. Dolto, pelo menos no que diz respeito às elaborações conceituais que delas surgem, quanto à emergência clínica de uma figuração do pulsional. Não se trata de escutar a partir do aspecto especular da imagem, de sua aparência, mas de sua presença indicativa de uma intenção, de um endereçamento transferencial. Por presença indicativa entendo aquilo que gera um signo, de forma intencional; emprestamos uma intenção aos objetos. Em outras palavras: “o homem

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Stéphane Bouquet, observações feitas para falar sobre a literatura.

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4. Quando a ausência fecha a boca: relato de uma intervenção precoce1 Maria Cecília Pereira da Silva Fátima Maria Vieira Batistelli

Vamos compartilhar as consultas terapêuticas de uma família cujo filho, Michel, de 3 anos, apresentava dificuldades na alimentação, ilustrando com algumas vinhetas filmadas, realizadas na Clínica 0 a 3 da SBPSP. A Clínica 0 a 3 segue o modelo de consultas terapêuticas de Winnicott (1971) ampliado por Lebovici (1993a e b). Nesse contexto, atendemos em co-terapia, como modelo parental e campo transferencial de continência e de receptividade, e filmamos com autorização dos pais. Durante as consultas, vamos oferecendo continência às angústias dos pais e colocamo-nos receptivas às identificações projetivas, por vezes sem palavras, até poderem ser nomeadas; buscamos discriminar as projeções parentais e apontar novas formas de ver a criança; ao mesmo tempo em que vamos construindo e favorecendo as competências parentais para atender às necessidades infantis, valorizando os recursos internos de cada um, no sentido de criar um campo de compreensão para os conteúdos emocionais. Assim, procuramos estabelecer redes de sentido a partir do diálogo com os pais e do brincar das crianças

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Conferência realizada no dia 20 de março de 2024 na SBPSP.

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no aqui e agora das consultas (Mendes de Almeida, Marconato, Silva, 2004). Esta abordagem, permite assinalar as dificuldades das crianças diante da emergência de material primitivo, próprio da relação pais e filhos e do olhar dos pais, para a seu tempo e se necessário fazer o encaminhamento para análise e, assim, favorecer maior adesão ao tratamento. Tendo isso em mente, relataremos a seguir o trabalho realizado com Michel e sua família.

Apresentação Quando vamos chamar a família encontramos Michel com um livro infantil de animais, nomeando-os e inclusive lendo alguns dos nomes. Entramos na sala de atendimento e ele se dirige imediatamente para os brinquedos, pega uma panela, vegetais e frutas plásticas e encena seu sintoma, enquanto os pais vão nos contando o porquê da busca por ajuda. Michel prepara uma sopa com tomate, ovo, cogumelo, depois acrescenta outros elementos sem sentido, e oferece para as terapeutas, mas ele mesmo não come. Cena: sopa (0:30 até 1:30) M. C. – Tem panelona lá dentro. Fátima mostra as panelas de brinquedo. F. – Olha essa aqui. O que não couber aí você pode pôr aqui para fazer a sua comida. [...] F. – Nossa, mas o que você está preparando aí Michel? Michel – Sopa. Pais – Sopa...

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Pereira da Silva

Pós-doutora e Doutora em Psicologia Clínica e Mestre em Psicologia da Educação pela PUC-SP. Especialista em Psicopatologia do Bebê pela Universidade Paris XIII. Autora de artigos publicados em revistas nacionais e internacionais e dos livros A paixão de formar, A herança psíquica na clínica psicanalítica e A construção da parentalidade: um modelo de intervenção e prevenção; organizadora de diversos livros publicados pela Editora Blucher.

A presença de Dolto entre nós reitera a relevância de sua prática sempre-viva nos campos da terapêutica e investigação psicanalítica, em diálogos e em ondas de transmissão a partir de suas heranças diretas e interlocuções com seus legados. Esse livro-jornada convida a revisitar esse solo fértil em flora compartilhada. Mariângela Mendes de Almeida (Psicanalista) Françoise Dolto exerce grande influência em nosso trabalho da Clínica 0 a 3 anos, ao propor a ideia que “a criança é um ser que vai se constituindo a partir do olhar do outro”. Nessa clínica procuramos fortalecer o desenvolvimento psíquico da criança e a construção da parentalidade. Parabéns! Raquel Andreucci Pereira Gomes (Psicanalista) “ Nós morremos quando tivermos acabado de viver”, Dolto sabia conversar com as crianças e seus pais. Este livro apresenta autores que conviveram e trabalharam com ela e colegas brasileiros fertilizados por seu pensamento e atuação inovadores. Eliane Saslavsky Muszkat (Psicanalista) Com diferentes perspectivas sobre a abordagem clínica e a ética de trabalho de Dolto, aproxima o leitor da trajetória desta pediatra e psicanalista corajosa ao lidar com elementos arcaicos da mente e com sua forma singular de comunicar verdades dolorosas. Olivia Arno Caminoto (Psicanalista) PSICANÁLISE

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Françoise Dolto e a clínica da primeira infância

Psicanalista, membro efetivo, analista didata e docente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. Analista de criança e adolescente pela IPA. Coordenadora da Cínica 0 a 3 e da Clínica transcultural da SBPSP. Membro do Grupo Prisma de Psicanálise e Autismo (GPPA).

Este livro é mais uma publicação da Clínica 0 a 3 da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo com reflexões sobre a VIII Jornada – “Françoise Dolto e a clínica da primeira infância” –, realizada em junho de 2024. Voltado a psicanalistas e profissionais da saúde e da educação que trabalham com a primeira infância e se interessam em conhecer parte do trabalho de Françoise Dolto, uma mulher valente, sensível e inovadora. A preocupação com a primeira infância e os recursos para o atendimento de pais e seus bebês/crianças, com suas diversas indagações, são o foco da Clínica 0 a 3, favorecendo vínculos e a construção da parentalidade.

Organizadora

Maria Cecília Pereira da Silva PSICANÁLISE

Maria Cecília Pereira da Silva

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