ADERES 25 anos 25 milhões de euros de investimentos Mais de 250 postos de trabalho
Joaquim Antunes, presidente do órgão de gestão do GAL/ADERES Pág. 2
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José Armando Serra dos Reis faz um balanço e perspetiva o futuro Pág. 3
Conheça alguns dos projetos apoiados Pág. 4
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ADERES
Para que os sinos não toquem só a finados
Joaquim Antunes
Presidente do Órgão de Gestão do GAL/ADERES - Estratégia de Desenvolvimento Local Estrela-Sul Um território de encantos, um território de largas vistas entre as vertentes sul da Estrela e as faldas de nordeste da Gardunha, por onde serpenteia o rio Zêzere e ribeiras afluentes. Espaço de encantos e de potencialidades; terras moldadas pela agricultura familiar, pelo aproveitamento dos recursos naturais, pelo labor de gerações sucessivas que destes sítios fizeram um conjunto de comunidades com características comuns e diversidade bastante, das aldeias serranas, às aldeias de xisto ou às aldeias mineiras. E, todavia, neste território da Estrela-Sul, da montanha mais alta quase ao Muradal, as marcas das alterações económicas, demográficas e sociológicas são bem visíveis, exaurindo de recursos humanos as povoações, agora com baixas capacidades de agir, de fazer riqueza, de criar e sustentar atividades fixadoras de jovens, base das famílias e da economia local. São terras, dizem, “de baixa densidade”, envoltas num ciclo de estagnação, aparentemente sem retorno. Mas há, garantidamente, um futuro. E, como no dito simples e exemplar do “copo meio cheio ou meio vazio”, ou pode a resignação superar ou se avança com processos globais de intervenção de modo a estancar o declínio e apoiar os resistentes; processos capazes de aumentar a auto-estima das populações e indutores de estímulos à criação de novas formas de viver, trabalhar, fazer e manter emprego nas comunidades rurais. Os processos para o desenvolvimento local assentam, hoje, muito, em parcerias de entidades privadas e públicas e só frutificam se o Estado e a União Europeia aportarem meios para compensar as áreas mais fragilizadas pelas políticas de concentração de populações e investimentos nas grandes áreas urbanas. As terras “do fim do mundo”, as terras “de baixa densidade”, as terras onde o sino só toca a finados não devem, porém, ser vistas como “a última reserva do antigo mundo rural” (e, por isso, só por isso, o progresso aceita pagar a sua continuidade como um custo de contexto). Agir coletivamente, atuar depois de estudar, avaliar, sopesar os meios e as alternativas é a base para o confronto com políticas e teorias
demissionistas, mas também o caminho da responsabilidade coletiva, aumentada por se agir em território apoucado de recursos e de gente. A ADERES, calejada por um quarto de século de trabalho, como tantas associações de desenvolvimento, propõe-se contribuir, ao seu nível e no seu espaço, aportando ações e recursos com base numa estratégia de desenvolvimento e valorização das potencialidades. Fique claro, no entanto, que muito carecem o Estado e a União Europeia de praticar a subsidiariedade aqui, em matéria de trabalho com as comunidades, ao invés de acentuarem a formatação de medidas e a burocratização de procedimentos. É nesse contexto que a ADERES tem vindo a apoiar pequenos investimentos nas explorações agrícolas, investimentos na transformação e comercialização dos produtos da agricultura, a diversificação de atividades nas explorações, a criação e revitalização de mercados locais, a aposta na promoção e publicitação dos produtos de qualidade, o investimento em projetos de renovação das aldeias de forma a torná-las mais atrativas a quem deseja visitar a região. A procura de apoios é indicador da fragilidade das populações: julgamos haver necessidades e, todavia, estamos longe de esgotar a capacidade de admitir candidaturas, talvez porque faltando gente faltam vontades para apresentarem projetos aos mais de dois milhões de euros disponíveis. Por isso, a insistência em reabrir linhas de candidaturas, como agora (de 16 de dezembro 2019 a 14 de fevereiro de 2020) para diversificação de atividades nas explorações onde se podem apoiar turismo de habitação, turismo em espaço rural, turismo de natureza. Ou o desejo de apoiar investimentos na transformação e comercialização dos produtos agrícolas e a vontade de contribuir para modernas estruturas nos mercados locais e para apoiar projetos que tragam mais-valia às aldeias. Neste nosso território de encantos, A ADERES quer contribuir, quer apoiar. Quer continuar a pensar que o desenvolvimento local se faz com todos. Quer crer que ninguém fica para trás.
Associação de Desenvolvimento Rural Estrela-Sul
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ADERES - fundada, há 25 anos, por pessoas e instituições. Uma ideia, uma parceria diversificada e uma estratégia de trabalho com as comunidades locais
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Associação de Desenvolvimento Rural Estrela-Sul
Pode adiantar o valor dos investimentos e o número de postos de trabalho criados ao longo destes 25 anos? Os 25 anos de experiência e trabalho com as comunidades locais traduzem-se em 25 milhões de investimento e mais de 250 postos de trabalho diretos. Isto no âmbito das suas diferentes estratégias da abordagem LEADER (Aldeias de Montanha Apostam no Desenvolvimento, Leader II, Leader +, Proder e PDR/SI2E). Se lhes juntarmos as candidaturas e projetos públicos e privados no âmbito de outros programas temos de multiplicar por dois ou por três os resultados obtidos.
Entrevista com o Presidente da Direção José Armando Serra dos Reis
“Em 25 anos apoiamos investimentos na ordem dos 25 milhões de euros traduzidos em mais de 250 postos de trabalho” Quais os objetivos da ADERES? Fundada em outubro de 1994, por duas dezenas de juntas freguesia e uma cooperativa, a ADERES definiu, como grande objetivo e missão, implementar uma estratégia de desenvolvimento sustentado e harmonioso que conduzisse à melhoria da qualidade de vida e ao bem-estar da população do seu território de influência. Para dar corpo à sua missão e valores, melhor estruturar a sua estratégia e estabelecer os seus objetivos, reforçou a parceria, em torno de um GAL- Grupo de Ação Local que congrega, hoje, cerca de uma centena de associados ou parceiros, transversais a todos os sectores de atividade, com destaque para as autarquias, a Universidade da Beira Interior (UBI), as organizações de classe, as empresas, as IPSS, as associações culturais, desportivas e recreativas, as comissões fabriqueiras, os pequenos agricultores, artesãos… A estratégia da ADERES assenta na avaliação diagnóstica das potencialidades e recursos endógenos do território e tem como objetivos específicos: requalificar, potenciar e dinamizar o património histórico, artístico e cultural; reforçar os mecanismos de criação de emprego; diversificar e incentivar as atividades produtivas tradicionais, enriquecendo-as com cunho inovador e tecnológico; dinamizar o setor turístico; estruturar a economia social; ordenar e infraestruturar o território; impulsionar processos de produção, transformação e comercialização dos produtos locais e do artesanato; desenvolver projetos e iniciativas de cooperação local, regional, nacional e transnacional e dinamizar as parcerias.
Qual é a sua área de influência? A ADERES é uma associação de desenvolvimento de âmbito regional. Do ponto de vista da abordagem LEADER, opera em parte de dois concelhos (as freguesias do sul/poente da Covilhã e Fundão) e pontualmente em algumas freguesias de Castelo Branco. Este território, denominado Estrela Sul, começa nos planaltos da Torre e Penhas da Saúde, estende-se ao Couto Mineiro, vulgo Minas da Panasqueira e às zonas do Pinhal e Aldeias de Xisto de Fundão. Fora da sua Estratégia de Desenvolvimento Local Estrela Sul, tem participado em parcerias e promovido candidaturas a diversos programas, incluindo a cooperação. Neste contexto mais alargado, envolve-se em projetos com promotores e parceiros em toda a região da Beira Interior, umas vezes como líder, outras apenas como parceira dos consórcios. Na área da consultoria tem elaborado e executado várias candidaturas e projetos para beneficiários em diferentes setores de atividade, independentemente dos territórios. A ADERES está a comemorar o 25.º aniversário. Qual o balanço da sua atividade durante estes anos e que efeitos multiplicadores no território e na região? No cômputo geral, facilmente se conclui que a sua missão, valores e objetivos foram cumpridos. No seu histórico destacam-se, em contexto inorgânico, o programa “Pobreza 3, 90/94”, “Aldeias de Montanha Apostam no Desenvolvimento”, com uma centena de operações concretizadas. As estratégias Leader II, 94/00, Leader + 00/06, PRODER 07/13 e PDR/ SI2E 14/20 a decorrer. Estas, em
contexto orgânico de abordagem Leader e outros programas, contam com várias centenas de ações e realizações, dinamizando: o setor turístico; a economia social; a criação e modernização de micro e pequenas empresas; o restauro do património; vários projetos de cooperação nacional e transnacional; cursos no POPH; projetos/candidaturas aos programas PARES e POEFDS que financiaram algumas creches e lares; o POSI com instalação de espaços internet; a medida AGRIS, que criou e instalou organizações de produtores florestais a criação de várias equipas de sapadores florestais; alguns projetos no âmbito do FEOGA, AGROS, PAMAF, Leonardo Da Vinci, Ciência Viva, Life, EQUAL…; a modernização de algumas sedes de Juntas de Freguesia e associações; vários equipamentos públicos; a instalação de jovens agricultores e iniciativas locais de emprego; a modernização de lagares. Temos parcerias ativas com o PNSE, no âmbito da rede Natura PT; na Rede Social da Covilhã e no PROVERE Aldeias de Xisto. Criámos três dezenas de empreendimentos turísticos e mais de 150 camas o que nos levou a implementar ações de formação para gestores de unidades TER – Turismo em Espaço Rural. Atualmente também o Alojamento Local está em crescimento. Não esgotámos a listagem das nossas ações, mas é um retrato que mostra que valeu e vale a pena trabalhar com as comunidades locais, pois faz-se mais, faz-se melhor, com menos dinheiro e em menos tempo, quando se decide localmente.
Qual a realidade e forma de Governança da ADERES? A ADERES é uma associação, mais propriamente um Grupo de Ação Local, que tem trabalhado e lutado pelo desenvolvimento do território Estrela Sul e da Região. No que respeita ao modelo de governança tem uma assembleia de parceiros que aprovam, avaliam e acompanham a estratégia, os órgãos sociais que gerem, fiscalizam e fazem a representação institucional e uma equipa técnica que analisa e emite pareceres sobre as candidaturas, elabora relatórios, implementa os projetos internos e dá apoio aos associados e beneficiários. Porque se avizinha um novo Quadro Comunitário decorre a avaliação da estratégia e uma reflexão profunda sobre o que de mais significativo se passou nestes 25 anos. Em síntese diremos, não obstante o muito de bom que se tem feito, como atrás ficou demonstrado, a realidade é que as pessoas continuam a abandonar os territórios rurais para rumarem às grandes urbes. Temos de criar economias de escala adequadas aos territórios de baixa densidade, elevar a autoestima, preservar o ambiente, valorizar a produção biológica e criar compensações para quem se radica e investe no interior. No atual contexto, qual a importância e o contributo da ADERES e das Associações de Desenvolvimento Local para o território Estrela Sul e para Região? A importância e a visibilidade da ADERES no território e na região deve-se à sua parceria que é muito forte e representativa dos vários setores de atividade autárquica, económica, social, cultural, associativa, ensino e investigação e também ao seu trabalho no seio das ADL- Associações de Desenvolvimento Local e no contexto dos Grupos de Ação Local- Federação Minha Terra. Já se disse e importa realçar que o seu modelo de governança é exemplar e as elevadas pontuações que tem obtido nas VGO-Valias Globais das Operações (candidaturas e projetos que tem apresentado) devem-se ao conhecimento profundo do território, à ligação com os beneficiários e ao envolvimento dos diferentes parceiros, muito particularmente os ligados à Investigação e ensino. Ainda recentemente, a ADERES liderou a parceria com os municípios da Covilhã e Fundão, na apresentação da candidatura Roteiro- “Terras do Volfrâmio e Estanho- História e Memória das Comunidades Mineiras” que foi aprovada pelo Turismo de Portugal com referências elogiosas de
projeto inovador e diferenciador. O grande contributo da ADERES e dos restantes grupos e associações de base territorial é sensibilizar para a reflexão e modelos de desenvolvimento que conduzam ao pensamento e afirmação do regional ou seja: os grandes problemas da região só se resolvem quando mandarem os que cá estão. A ADERES realizou, no passado mês de dezembro, uma assembleia-geral comemorativa do 25.º aniversário. Quais as principais conclusões? Na assembleia geral de associados e parceiros, do passado mês de dezembro, aprovámos o Plano de Atividades e o Orçamento para 2020, analisámos o ponto de situação da estratégia 14/20 e comemorámos os 25 anos da nossa fundação. Este ano, a nossa atividade vai concentrar-se: 1- na realização das medidas e ações em curso no âmbito da atual estratégia DLBC/PDR/SI2E. Para este desiderato temos avisos a decorrer e ações de sensibilização junto dos atuais e potenciais promotores. Temos dois milhões de euros para aprovar candidaturas e queremos atingir níveis de execução muito próximos dos 100% como aconteceu nos anteriores Quadros Comunitários. 2- Iremos também proceder ao lançamento das bases da nossa estratégia para 21/27. 3- Fizemos uma reflexão e balanço das nossas realizações durante a nossa existência e concluímos que valeu a pena. As populações e o território ficaram a ganhar com a nossa existência e as ações desenvolvidas. Estes resultados só foram possíveis graças a uma parceria forte e diversificada, a uma equipa técnica muito competente e dedicada, às estruturas diretivas coesas e solidárias e a órgãos de gestão muito representativos das forças vivas do território e da região (veja-se o atual que é composto pelos Municípios da Covilhã e do Fundão, pela CIMBSE, pela Associação Empresarial da Covilhã, Belmonte e Penamacor, pela Associação comercial e Industrial do Fundão, por uma IPSS (ARPAZ) e por um agricultor em Nome individual). Quais as estratégias, projetos e investimentos previstos para o futuro? Genericamente, queremos continuar a participar na discussão e a dar o nosso contributo para a definição da estratégia 2030 e das linhas de orientação que conduzam às medidas e ações do Quadro Comunitário de Apoio 21/27. É nosso entendimento que tem de haver mais verbas para a coesão, criar incentivos para quem investe no interior e simplificar as normas e procedimentos para quem implementar projetos e ações de desenvolvimento no mundo rural. As políticas de coesão têm de articular-se ao nível dos diferentes ministérios e programas. As condicionantes e regras de preparo não podem ser iguais para projetos de cinco mil ou cinco milhões. Os organismos decisores e pagadores não podem estar de costas voltadas, com regras e normas de orientação contraditórias. De modo mais particular, queremos concluir com êxito a nossa Estratégia Local de Desenvolvimento, cumprir os planos de cooperação e comunicação, dinamizar e alargar as parcerias ativas.
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ADERES ALGUNS PROJETOS SI2E - CENTRO 2020
Alta Montanha (Alojamento Local)
Casa da Eira (Alojamento local)
€ 99.442,25
MOUNTAINDYNASTY, LDA.
€ 98.663,09
Penhas da Saúde Cortes do Meio
€ 41.620,41 (FEDER)
Penhas da Saúde Cortes do Meio
€ 50.948,20 (FEDER)
1
€ 7.583,76 (FSE)
1
Restaurante “O Cortiço”
Diversificação gama de produtos LUSOESTRELA LDA VALES DO RIO
LUÍS POLIDO, UNIPESSOAL, LDA
€ 36.553,67
€ 39.980,00 (FEDER)
UNHAIS DA SERRA
€ 20.106,72 (FEDER)
€ 7.583,76 (FSE)
5
€ 13.903,92 (FSE)
Lameirão de Cima
NEVÃO DE ESTRELAS, LDA
€ 97.747,96
Penhas da Saúde Cortes do Meio
€ 39.457,20 (FEDER)
TEMAS E TEORIAS, UNIPESSOAL, LDA
€ 137.528,48
JANEIRO DE CIMA
€ 54.173,30 (FEADER)
Mercado Local de Unhais
€ 99.950,00
Modernização Varanda da Estrela
FREGUESIA DE UNHAIS DA SERRA
€ 194.736,10
UNHAIS DA SERRA
€ 70.679,01 (FEADER)
Centro Interpretativo da Argemela
DAVID JOÃO R. C. CARVALHO
€ 12.391,05
BARCO
€ 5.291,19 (FEADER)
1
ASSOCIAÇÃO ARPAZ
€ 127.545,93
BARCO
€ 63.772,97 (FEADER)
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Legendas:
Beneficiário
Localização
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ALGUNS PROJETOS PDR2020
Casa Turismo da Tramazeira (AL)
ALTAMONTANHA, LDA
Associação de Desenvolvimento Rural Estrela-Sul
Criação de Emprego
Investimento Total
Despesa Pública