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76 | dezembro | 2017

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Entrevista (1)

Continuação da página anterior o contacto com as pessoas que cresceram connosco, acabamos sempre por vê-las ou na festa, ou num jantar. Acha que esta escola contribuiu para o seu sucesso pessoal e profissional? De que forma? Posso dizer-vos que esta escola,apesar de pequena, é uma escola que prepara bem os seus alunos, a nível geral, ou até mesmo a nível do Português ou da Matemática, felizmente temos tido bons professores e vamos bem preparados para o secundário. Eu, quando cheguei ao secundário, já tinha uma base muito forte de ciências, então, nunca tive dificuldades a Biologia. Matemática, não é tão fácil, as coisas dificultam um bocadinho mais, apesar de tudo.Mas a escola também me ensinou o valor da entreajuda entre colegas e do trabalho em equipa, o que me deu imenso jeito mais tarde. Os professores dão sempre aquela ajuda para uma pessoa se definir e acabar por ter uma imagem de si e do mundo, também vão moldando esse tipo de coisas, percebem? Não só vão incentivando a leitura, mas vão incentivando os alunos a ver os telejornais, incentivando a saber mais acerca das coisas. O trabalho de um professor é mais que dar a matéria e cumprir o programa, também é um bocadinho direcionar os alunos e, nesse sentido, acho que a escola, a mim, deu-me uma grande ajuda para conseguir direcionar a minha vida no sentido de também conseguir ajudar as pessoas, trabalhar em equipa, com valores que não se adquirem só na profissão. São valores que se adquirem desde cedo, e a escola básica é importantíssima para adquirir esses valores, se não houver atividades extracurriculares, se não houver pequenos concursos, pequenos clubes como o de jornalismo ao qual vocês pertencem, acho que as pessoas se perdem um bocadinho e não se definem tanto como se definiriam, no meu caso, a fazer este tipo de coisas. Após o ensino básico, qual a via que seguiu no prosseguimento de estudos? Porquê essa escolha? Depois de sair desta escola, fui estudar para Castelo Branco, para a Escola Secundária Amato Lusitano. Portanto do 10° até ao 12° tinha de ir de autocarro, todos os dias, aí por volta das 06h30 da manhã levantavame, e isso era o que custava mais, porque eu gosto muito de dormir até tarde. E, no secundário, consegui manter as notas que tinha aqui, a escola é diferente, mas lá consegui manter as notas e continuei a empenhar-me e a trabalhar, tendo um objetivo de fazer o meu melhor, às vezes, o nosso melhor pode não ser um 5 ou assim um 4 mas, se fizermos sempre o nosso melhor, nunca ficamos desiludidos com o nosso trabalho. Neste sentido, eu tentei sempre o meu melhor, tentei saber mais, ultrapassando os problemas que se me colocavam à frente. Foi sempre essa a minha filosofia de vida, que me foi incutida aqui: de sempre fazer o melhor, de tentar mais, não me contentar só em fazer um basal, tentar sempre dar o melhor nas coisas que faço, seja o que for. Sentiu, assim, alguma diferença ao mudar desta escola para outra?

Senti. A escola secundária, em comparação com a básica, era muito diferente. Aqui era quase como se fôssemos uma família, aqui conhecíamo-nos todos uns aos outros. Na escola secundária havia um mundo de pessoas muito diferentes, era difícil voltar a construir aquela familiaridade que havia aqui, mas, dentro da minha turma, eu posso dizer que tive sorte e que até era uma turma bastante unida e havia entreajuda. Há que saber lidar com os colegas novos, colegas que às vezes até são mais velhos que nós, que às vezes podem perturbar o funcionamento das aulas, para quem quer estar mais concentrado. Outra diferença que eu senti foi ter de ir para a escola sozinha, não ter os pais na escola, no meu caso. Mas estas são coisas que nos ajudam a crescer e a ser mais independentes, e acho que foi uma boa transição para começar a gerir a minha mesada, ter atenção às horas de estudo, aprender a estar um bocadinho sozinha, porque aqui estamos sempre rodeados de pessoas que conhecemos. Quando vamos para a faculdade essa diferença é ainda maior, porque passamos de uma escola de aldeia para uma de cidade pequena e depois vamos para uma cidade grande. No meu caso, eu estudei Medicina 6 anos, no Porto, e para mim foi uma mudança radical. Acho que esses passos que uma pessoa vai dando, vãonos ajudando a crescer. O que mais o motiva na atividade profissional que hoje desenvolve? Motiva-me o mesmo que me motivou quando escolhi este caminho da Medicina, foi ajudar as pessoas. Eu, ao longo do meu percurso escolar, sabia que era boa aluna, mas não me limitava a ser boa aluna e ver os meus colegas a terem más notas. Eu nunca gostei muito disso, então, sempre que alguém me pedia, eu tentava ajudar, muitas vezes sentávamo-nos aqui, nesta biblioteca, todos juntos e a resolver os problemas todos juntos. Eu tentava ajudar quem tinha mais dificuldades, o que é normal, todos somos diferentes e sempre tentei ajudar os outros colegas, porque gostava que toda a gente alcançasse todos os seus objetivos, fossem eles quais fossem. Acho que continuo a orientar o meu caminho pela ajuda que posso prestar aos outros, sobretudo através medicina, pois as pessoas, quando estão doentes, ficam muito fragilizadas e nós, médicos, temos de saber ajudá-las. Assim, ajudar as pessoas sempre foi aquilo que, desde muito cedo, me manteve no caminho certo e, felizmente, hoje gosto muito do que faço por causa disso. Acompanha a atividade do Agrupamento? Que opinião tem do serviço prestado pelo mesmo? Acompanho, claro, também é um bocadinho difícil não acompanhar! Mas acompanho de forma ativa, tenho a página do Agrupamento no Facebook e também, hoje em dia, com as redes sociais, torna-se muito difícil não acompanhar o que se passa aqui. O meu irmão saiu aqui da escola há relativamente pouco tempo e também tenho algumas pessoas ainda ligadas à escola, com quem eu vou falando e vou sabendo se as coisas estão bem, se há uma biblioteca nova ou não há… tenho sempre interesse em saber porque, apesar de tudo, os sítios por onde passamos acabam sempre por se tornar uma segunda casa e, para mim, era isso que

E-mail: jornalescolar@aevvr.pt

a escola era, não via a escola com maus olhos, eu gostava de vir à escola, vinha à escola, porque era onde eu encontrava os meus amigos e tenho curiosidade, sempre em saber como é que está a escola e o que se passa, como é que estão os alunos, se há mais alunos, se há menos alunos, por exemplo, este ano fiquei feliz de saber que tínhamos ultrapassado a barra dos 200 alunos. É sempre bom saber que a escola não fecha, que continua a ter alunos porque, apesar de ser uma escola pequena, e em comparação com uma cidade é pequenina, eu acho que é uma escola que prepara bem os seus alunos para o futuro. Então, tenho sempre curiosidade em acompanhar o que se passa aqui na escola. Costuma ler o nosso jornal? Sim! Por acaso costumo, tenho sempre lá em casa uma cópia, leio as entrevistas aos antigos alunos, porque gosto de saber o que aconteceu na vida das pessoas. Alguns entrevistados até foram meus colegas de escola, embora sejam mais velhos. Acho que ainda não houve assim nenhuma entrevista a ninguém do meu ano, eu devo ser a primeira. Mas acho que vale a pena entrevistarem mais colegas meus, pois fomos uma turma bastante acarinhada pela escola, com muitas pessoas que entraram para a universidade. Conheço uma nutricionista, uma técnica de cardiopneumologia e uma engenheira civil. Temos assim uma variedade de pessoas que entrou para a universidade e teve sucesso na sua vida. Que mensagens ou sugestões gostaria de deixar aos nossos jovens leitores? Para os jovens leitores, sobretudo os alunos da escola, a mensagem que quero deixar é mesmo que devem fazer o vosso melhor, não ficarem contentes com dar só 50% e ter uma nota razoável, acho que, ao fazermos o nosso melhor, além de termos uma nota mais alta, o que nem é o mais importante, isso pode contribuir para que, no futuro, consigamos ter mais sucesso, tanto na nossa vida pessoal, como profissional. Eu acho que às vezes as pessoas ficam pelo 50% e, por vezes, acham que o 100% é impossível. Ora, o 100% é possível, mas temos que fazer alguns sacrifícios para chegar lá e, quando lá chegamos, o sucesso tem um sabor diferente. Outra mensagem que desejo deixar é a seguinte: sejam solidários e amigos uns dos outros. Acho que, cada vez mais, as pessoas fecham-se nos telemóveis e na sua própria vida, e nos seus próprios problemas. Eu vejo muito isso com os meus doentes que acham sempre que os problemas deles são os maiores e, por vezes, também temos de olhar um bocadinho para o lado e relativizar, e ver que os problemas dos outros são tão importantes como os nossos. É preciso ajudarmos os outros e também, mesmo quando estamos frágeis, se ajudarmos os outros, isso também nos vai ajudar a ficar um pouquinho melhor. Eu vejo muito isso no hospital e acho que é uma das coisas mais curiosas acerca do ser humano: é que, quando está mal, às vezes ainda consegue ajudar alguém que não esteja tão mal como ele, mas consegue ajudá-lo a ficar melhor.

Gente em Ação

solidários e amigos uns dos outros. Acho que, cada vez mais, as pessoas fecham-se nos telemóveis e na sua própria vida, e nos seus próprios problemas. (...) É preciso ajudarmos os outros. (...) Sejam

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"Gente em Ação" n.º 76 - dezembro 2017  

Jornal escolar do Agrupamento de Escolas de Vila Velha de Ródão - Edição n.º 76 - dezembro 2017

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Jornal escolar do Agrupamento de Escolas de Vila Velha de Ródão - Edição n.º 76 - dezembro 2017

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