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PERDE A ESPERANÇA
A certeza das promessas de Deus
Permissão para Tentar
Vale a espera
Nossa Âncora e Esperança
Jesus está sempre conosco

Volume 27, Número 7

Trabalhei durante vários anos como palhaço, visitando alas pediátricas em hospitais. Era interessante observar como cada família reagia aos desafios inerentes ao cuidado dos seus filhos internados. Algumas viviam em choque, angústia ou até mesmo em negação. Outras pareciam dispor de mais recursos interiores, que as ajudavam a atravessar com mais firmeza aquele terreno acidentado. Isso também se manifestava na serenidade das crianças e na sua capacidade de adaptação ao novo ambiente.
Refleti que, se qualquer um de nós soubesse com antecedência quando se encontraria em circunstâncias tão inesperadas, tentaria se preparar melhor. Mas, naturalmente, é aí que está o problema — ninguém sabe. Li uma história que ilumina como podemos nos preparar para enfrentar qualquer situação difícil em que venhamos a nos encontrar. Ela diz o seguinte:
Em uma região da África, os primeiros convertidos ao cristianismo eram muito diligentes na oração. Para orar a sós, cada crente se retirava ao seu “lugar especial” fora da aldeia, o que produziu várias trilhas na vegetação. Quando a relva começava a crescer sobre uma dessas trilhas, ficava evidente que o usuário já não orava com tanta frequência. Como aqueles novos cristãos se preocupavam profundamente com o bem-estar espiritual uns dos outros, surgiu um costume singular: sempre que alguém notava um “caminho de oração” tomado pelo mato, ia até a pessoa e, com amor, a advertia: “Amigo, há mato no seu caminho.” — Henry G. Bosch
Podemos nos perguntar: como está o nosso caminho para a oração? Está bem marcado pelo uso diário ou tomado pelo mato e pelos espinhos das preocupações?
Quando nos encontrarmos em tempos de necessidade, assim como as famílias na ala pediátrica, conseguiremos encontrar rapidamente o caminho da oração? Ou teremos primeiro de limpá-lo antes de seguir adiante?
Deus quer fazer parte de nossas vidas — todos os dias — acompanhando-nos tanto nos momentos fáceis quanto nos difíceis. Se desenvolvermos um relacionamento íntimo com Ele, tornar-se-á natural recorrer a Ele em tempos de dificuldade. Não hesitaremos; o “caminho” estará livre e desimpedido.
A Contato desse mês aborda uma série de desafios e como enfrentá-los com fé, esperança e perseverança. Oramos para que você se lembre sempre de que “Deus é o nosso refúgio e a nossa fortaleza, auxílio sempre presente na adversidade” (Salmo 46:1).
Gabriel e Sally García
Equipe Editorial da Contato
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A menos que indicado o contrário, todas as referências às Escrituras na Contato foram extraídas da Bíblia Sagrada, Nova Versão Internacional®, NVI® Copyright © 1993, 2000 por Biblica, Inc.™
Por Josephine Kind

Todos sabemos que o ideal é sermos gratos, manter uma atitude positiva e demonstrar apreço pelas pessoas ao nosso redor. Isso não é tão difícil enquanto as coisas vão bem — ou quando você acorda ao som dos pássaros e contempla um nascer do sol de tirar o fôlego, como aconteceu comigo esta manhã.
Mas e quando as coisas dão errado e tudo parece estar fora do lugar? Quando você enfrenta uma decepção amorosa, uma frustração, uma enfermidade ou alguma experiência traumática?
Outro dia, ao conversar com um amigo muito querido, perguntei como ele lidava com o lado mais sombrio da vida. Sua resposta, simples e surpreendente, foi:
“Eu amo o inverno tanto quanto amo o verão.”
Uau! Breve e direto ao ponto.
De fato, até as coisas mais belas têm suas sombras; caso contrário, não seriam reais. O momento mais escuro do dia, que ocorre pouco antes do nascer do sol, carrega em si sementes de uma nova vida, de renascimento.
Não posso dizer que pulo de alegria quando as coisas dão errado, apesar da calma que procuro demonstrar. Leva tempo até eu conseguir enxergar valor nos momentos difíceis, nos invernos e nas decepções. Preferiria que tudo fosse sempre claro e ensolarado — para mim, para as pessoas que amo e para toda a humanidade. Mas me
esqueço de que até as nuvens acrescentam muita beleza a um céu perfeitamente azul.
O poeta Percy Bysshe Shelley escreveu: “Nossos cânticos mais doces são aqueles que falam dos pensamentos mais tristes”. E é verdade: muitas canções famosas e profundamente tocantes nasceram da dor; obras-primas foram pintadas entre lágrimas, e incontáveis poemas nos comovem justamente pela emoção agridoce que transmitem.
Isso me diz muito sobre a importância e a fecundidade dos “invernos”. E encontro grande consolo nestas belas promessas da Bíblia: “Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem que falte a vocês coisa alguma” (Tiago 1:2–4). “O Deus de toda graça, que os chamou para a sua glória eterna em Cristo Jesus, depois de terem sofrido por um pouco de tempo, os restaurará, os confirmará, lhes dará forças e os porá sobre firmes alicerces” (1 Pedro 5:10).
Há beleza e valor em cada estação da vida. Cabe a nós percebê-los e apreciá-los.
Josephine Kind atua em projetos humanitários no Sul da Europa há mais de três décadas. ■

Você já enfrentou alguma situação que parecia totalmente sem esperança, a ponto de sentir que não havia saída para as dificuldades e que tudo estava perdido? Ou talvez esteja passando por isso agora mesmo, vivendo uma situação que parece impossível, sem luz no fim do túnel. Você questiona se Deus ouve suas orações, pois não sente o consolo e a segurança da Sua presença nem consegue enxergar uma solução. É fácil, em momentos assim, sentir-se tentado a pensar que ninguém mais enfrenta dificuldades tão intensas e desafiadoras. Nessas horas, é importante lembrar das promessas da Bíblia sobre a esperança que temos como cristãos. A Palavra se refere a Deus como o Deus de toda esperança: “Que o Deus da esperança os encha de toda
alegria e paz, por sua confiança nele, para que vocês transbordem de esperança, pelo poder do Espírito Santo” (Romanos 15:13).
A palavra esperança, na Bíblia, carrega um significado diferente daquele que costuma ter hoje em dia. Atualmente, quando as pessoas dizem que esperam algo, muitas vezes isso expressa apenas um desejo incerto, sem a convicção de que realmente acontecerá. Já a esperança bíblica está associada à fé — à certeza de que aquilo que Deus prometeu em Sua Palavra se cumprirá.
Hebreus 11:1 nos dá uma definição clara da fé bíblica: “Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos”. Fé é certeza, convicção, e está fundamentada na vida, morte e ressurreição de Jesus, que

conquistou a nossa salvação por meio do Seu sofrimento e agora reina para sempre. É essa fé que nos capacita a suportar as dificuldades, os desafios e as tragédias que enfrentamos nesta vida, enquanto aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo (Tito 2:13).
Lembrar dos personagens bíblicos que passaram por grandes adversidades também fortalece a nossa fé. Eles atravessaram os vales mais sombrios de suas vidas (Salmo 23:4) e não foram poupados do sofrimento nem tiveram alegria constante ou vitória imediata no coração; ainda assim, agarraram-se à esperança e se recusaram a desistir.
Aqui estão alguns exemplos de homens da Bíblia que enfrentaram desafios monumentais. Podemos encontrar esperança em suas histórias, pois “tudo o que foi escrito no passado, foi escrito para nos ensinar, de forma que, por meio da perseverança e do bom ânimo procedentes das Escrituras, mantenhamos a nossa esperança” (Romanos 15:4).
A história de Jó, no Antigo Testamento, é bastante conhecida. A Bíblia descreve de maneira vívida as suas provações: perdeu seus filhos, seus bens e sua saúde. Sua angústia foi tão profunda que chegou a amaldiçoar o dia em que nasceu ( Jó 3:1–3) e implorou a Deus que lhe tirasse a vida ( Jó 6:8–9). Mesmo lutando para compreender o motivo de tanto sofrimento, Jó manteve-se firme na fé e declarou: “Embora ele me mate, ainda assim esperarei
nele” ( Jó 13:15). Mais tarde, voltou a experimentar as bênçãos de Deus, agora com um entendimento muito mais profundo do Senhor e do Seu amor.
O rei Davi perdeu filhos, o reino e a saúde, além de enfrentar sucessivas derrotas diante de seus inimigos. É difícil imaginar o trauma que ele passou. Seus sentimentos de tristeza e desespero transbordaram em muitos dos Salmos: “Será que o Senhor nos rejeitará para sempre? Jamais tornará a ser favorável? Acabou-se para sempre o seu amor? Falhou a sua promessa?” (Ver Salmo 77:7–9).
Em determinado momento, Davi parecia estar no limite de suas forças. Ainda assim, manteve a esperança, como vemos ao longo dos Salmos: “Por que você está assim tão triste, ó minha alma? Por que está assim tão perturbada dentro de mim? Ponha a sua esperança em Deus, pois ainda o louvarei; ele é o meu Salvador e o meu Deus” (Salmo 43:5).
Só podemos imaginar o desespero e o desânimo vivenciados por Pedro depois de negar Jesus antes da crucificação (Mateus 26:69–75). Tendo negado conhecer o próprio Salvador — não uma, mas três vezes —, como poderia voltar a aparecer em público ou ser considerado digno de confiança como líder da igreja primitiva? Ainda assim, poucos dias depois, levantou-se com ousadia proclamando Jesus, conduzindo milhares de pessoas a Cristo e sendo preso por isso (Veja Atos 2 e 3). Mais tarde, declarou: “Conforme a sua grande misericórdia, ele nos regenerou para uma esperança viva, por meio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos” (1 Pedro 1:3).
Até mesmo o apóstolo Paulo, que teve um papel central na igreja primitiva e escreveu tantas palavras de encorajamento às igrejas, por vezes sentiu-se abatido e sem esperança. Ele expressou isso ao escrever: “Irmãos, não queremos que vocês desconheçam as tribulações que sofremos na província da Ásia, as quais foram muito além da nossa capacidade de suportar, a ponto de perdermos a esperança da própria vida” (2 Coríntios 1:8). Ainda assim, ao longo de suas cartas, Paulo enfatiza repetidamente a esperança que temos em Cristo e nos exorta a nos gloriarmos na esperança da glória de Deus (Romanos
5:2). Podemos continuar tendo fé em Jesus e nos apegar à esperança mesmo quando as circunstâncias parecem difíceis, sem saída ou até impossíveis.
Se esses grandes servos de Deus passaram por tamanha angústia, perdas e sofrimento, por que acharíamos estranho que nós, Seus filhos nos dias de hoje, atraves-
fortalecem nessa travessia: “Ao passarem pelo vale de Baca, fazem dele um lugar de fontes… Prosseguem o caminho de força em força, até que cada um se apresente diante de Deus em Sião” (Salmo 84:6–7).
Que imagem e promessa tão belas! O segredo está em atravessar o vale seco e desolado e, nesse processo, transformá-lo em um lugar de fontes, um manancial de refrigério que fortalecerá a nossa fé.

semos períodos de desolação e até de desespero? Nessas fases, nem sempre conseguimos enxergar as recompensas da fidelidade ou o cumprimento das promessas divinas. Ainda assim, a Bíblia nos ensina que, quando a nossa fé é provada, podemos nos alegrar por participarmos dos sofrimentos de Cristo, para que também nos alegremos quando a Sua glória for revelada (1 Pedro 4:12–13).
Todos, em algum momento, passam por vales escuros na vida. O salmo 84 se refere a essa experiência como o vale de Baca, um vale de lágrimas e lamentação. Mas o salmista também fala da esperança daqueles que se
Algo que todos esses homens de fé têm em comum é que continuaram louvando a Deus mesmo em seus vales mais escuros, em meio ao sofrimento e ao desespero (Salmo 84:4–5). Assim, ao passarmos pelo vale das lágrimas, da dor ou das dificuldades, se perseverarmos no louvor, transformaremos esse vale desolado em uma fonte de renovação. Nossa jornada será de alegria e o lamento se transformará em dança, conforme Deus nos reveste de alegria e nos fortalece com a Sua presença (Salmo 30:11).
Depois de atravessar o vale, olharemos para trás com gratidão, reconhecendo que as experiências difíceis trouxeram crescimento e enriqueceram nossa vida espiritual. O Senhor terá nos envolvido com Seu amor e nos concedido a dádiva preciosa de conhecê-lO mais profundamente, bem como um coração que, pouco a pouco, se torna cada vez mais semelhante ao Seu (2 Coríntios 3:18).
Maria Fontaine é uma autora cristã e diretora aposentada da TFI, uma rede cristã online ■
Por Amy Joy Mizrany
Minha amiga me ligou radiante de alegria: finalmente havia passado no exame de direção. Perseverou após muitas “quase aprovações” e instrutores exigentes, até conquistar, enfim, a sua carteira. A cada reprovação, minha mãe a encorajava: “Ninguém pergunta quantas vezes você tentou, pois não importa. Depois que você consegue a carteira, ela é sua”.
Eu nunca tinha pensado na perseverança dessa forma. Mas é verdade: ninguém pergunta quantos bolos queimaram antes daquele delicioso que você está servindo. Se você chega ao topo do Monte Everest, simplesmente chegou. Os tropeços ao longo do caminho não diminuem o sucesso final.
Esse pensamento é muito reconfortante. Ele voltou à minha mente quando eu refletia sobre o poema de E. A. Guest, “Isso Não Podia Ser Feito”.
[Ele] arregaçou as mangas com um leve sorriso no rosto.
Se se preocupava, escondia.
E pôs-se a cantar enquanto enfrentava a tarefa que não podia ser feita — e a fez!
Percebi, pela primeira vez, que o poema não diz que ele fez isso imediatamente. Sempre o imaginei como uma história rápida, em três passos: “O homem vê a montanha, todos dizem que é impossível, ele se prepara e... voilà! Conquista a vitória!” Essa sempre foi a imagem que eu tinha do poema. Agora vejo que talvez “enfrentar a tarefa” tenha levado semanas, meses ou até anos. Mas nada disso importa no resultado: ele conseguiu! Isso diz tudo.
Às vezes, após muitos obstáculos e fracassos, não consigo enxergar o valor de tentar novamente. O sucesso — e aquilo que ele pode nos trazer — pode parecer uma fantasia distante. Sempre que minha amiga recebia mais um resultado de “quase aprovação”, sentia que não valia a pena. Ainda assim, continuou tentando até finalmente conseguir a carteira de motorista. E então soube: valeu a pena!
Podemos falhar ou nos decepcionar conosco mesmos; outras pessoas podem nos desapontar ou tentar nos impedir. Mas sempre podemos tentar outra vez. É um direito dado por Deus. “Pois sete vezes o justo cai, e torna a levantar-se” (Provérbios 24:16). Recebemos o privilégio de escolher — e sempre podemos escolher tentar mais uma vez.
Temos permissão para tentar.
Amy Joy Mizrany é missionária na África do Sul, atuando com a organização Helping Hand. Em seu tempo livre, ela ensina violino. ■


Por Gabriel García Valdivieso
Ser uma pessoa paciente no dia a dia já é difícil; em tempos de enfermidade e dor é ainda pior.
A maioria de nós não está especialmente preparada para exercitar a paciência. É uma daquelas virtudes que nos colocam à prova e nos aproximam de Deus, exigindo prática constante, tanto nas situações simples quanto nas mais complexas.
Nos últimos cinco meses, passei por algumas internações hospitalares; a mais recente se estendeu por dois meses. Quem já passou por hospitalizações sabe o quanto um período assim pode ser exaustivo: enfermeiros entrando e saindo o tempo todo para exames, acordando
você no meio da noite ou às cinco da manhã; comida sem graça e pouco apetecível; horas longas que parecem não passar; médicos que não dão informações suficientes; médicos jovens fazendo residência, aos quais você precisa explicar seu histórico clínico repetidas vezes; companheiros de quarto nem sempre agradáveis — e muitas outras situações indesejáveis.
Costuma-se dizer que “paciência é permanecer onde você está e resistir quando dá vontade de sair correndo”. Pois bem, depois de tanto tempo no hospital, eu realmente senti vontade de correr. Mas não havia alternativa senão permanecer.

Pensei: ou deixo isso me abater, ou tento fazer uma limonada com esse limão. Assim, fiz amizade com meus companheiros de quarto e com os enfermeiros, conversando sobre diversos assuntos, inclusive a Bíblia, e orando com alguns para receberem o Senhor. Decidi que, em vez de reclamar da comida, tentaria gostar dela. Passaria a aproveitar os exercícios recomendados pelos fisioterapeutas. Em certos momentos, eu estava tão focado em sair dali o mais rápido possível que ficava ansioso quanto ao futuro. Mas, como diz o ditado: “A paciência não pode ser nem um centímetro menor do que a aflição”.
É da natureza humana querer chegar à Terra Prometida sem atravessar o deserto. Mas Deus sabe que precisamos do deserto para aprender a esperar nEle — o que é um ato de confiança e fé. “Espere no Senhor. Seja forte! Coragem! Espere no Senhor” (Salmo 27:14).
Ouvi inúmeras vezes a voz mansa e suave de Deus me dizer: “Espere em Mim. Tenha paciência. Estou agindo em seu favor”. Mas era fácil esquecer isso e cair na impaciência. Com doçura e misericórdia, Ele me lembrava repetidas vezes que Seu cronograma é diferente do meu.
É aí que entra a fé, pois, como disse João Calvino: “Não há lugar para a fé se esperamos que Deus cumpra imediatamente aquilo que prometeu”.
Percebi que meu nervosismo não me levaria a lugar algum. Decidi, então, confiar em Deus e não me afligir com a data da alta. Compreendi a importância de viver um dia — ou até mesmo uma hora — de cada vez, permanecendo no presente.
Fui aprendendo e coloquei em prática algumas estratégias que talvez sejam úteis caso você passe por uma situação semelhante:
— Leia a Bíblia. Os Evangelhos e os Salmos encorajam e fortalecem. Memorize um ou dois textos favoritos, sobretudo aqueles que o encorajam e inspiram em meio à aflição. A Palavra de Deus faz maravilhas para acalmar um espírito inquieto.
— Conte às pessoas as maravilhas que Deus já fez por você ou a vida abençoada que viveu, apesar das circunstâncias atuais. Compartilhe testemunhos de milagres passados ou de momentos em que Ele Se manifestou claramente em sua vida.
— Coloque a leitura em dia e termine aquele livro que nunca encontrava tempo para ler.
— Faça jogos de curiosidades bíblicas ou outros com seus amigos; isso ajuda a distrair e a afastar a mente de pensamentos angustiantes sobre o futuro.
— Conforme as forças permitirem, envie mensagens a familiares, amigos e coloque as conversas em dia. Algumas ligações para amigos ajudam a aliviar a inquietação.
— Encontre um bom filme para assistir no celular, no computador ou na televisão, se houver uma no quarto do hospital.
— Não fique apenas olhando para o teto e se entristecendo. Encontre alguma atividade ou passatempo interessante que o anime.
No fim, quando eu já havia me resignado a esperar mais duas semanas pela alta, o médico veio e me disse que eu poderia sair antes. Aleluia!
Alguém me ensinou: “Não desista cedo demais. Não saia antes de o sinal tocar na escola de Deus, justamente quando Ele está prestes a aprová-lo para a próxima série”.
“Feliz é o homem que persevera na provação, porque, depois de aprovado, receberá a coroa da vida que Deus prometeu aos que o amam” (Tiago 1:12).
Gabriel García Valdivieso integra a equipe editorial da Contato. É escritor, tradutor e podcaster. Vive no Chile com sua esposa, Sally. ■
Por G.L. Ellens
Aos setenta e cinco anos, sorrio ao lembrar os rumos inesperados que a minha vida tomou. Quando me tornei missionária, há cinco décadas, imaginei uma vida inteira dedicada a criar uma família, servir ao Senhor e cuidar de pessoas. Nunca imaginei como os anos voariam nem que um dia minha casa ficaria silenciosa.
Criei cinco filhos no Sudeste Asiático. Cresceram entre arrozais, estradinhas de terra e vizinhos amigáveis. Um a um, eles partiram, retornando ao Ocidente para cursar a universidade, seguir carreiras e, mais tarde, casar-se. Cada despedida foi um misto de alegria e dor — o orgulho de uma mãe envolto na saudade do seu coração. Com o tempo, comecei a me perguntar o que o próximo capítulo da minha vida ainda poderia reservar.
Quando pensei que meus anos mais frutíferos haviam ficado para trás, Deus abriu portas que eu jamais esperava. “As misericórdias do Senhor… renovam-se cada manhã” (Lamentações 3:22–23). Seu chamado também se renova a cada manhã.
Hoje, sento-me ao lado de crianças com câncer que precisam de encorajamento. Visito órfãos que anseiam ser lembrados de que têm valor. Também vou ao encontro de crianças pobres de vilarejos, cujo riso transbordante enche de alegria ambientes sem as mínimas comodidades. E percebo que Deus ainda tem trabalho para mim.
Quando digo “nunca é tarde para recomeçar”, falo a partir de uma vida que foi reinventada pela fidelidade de Deus. Isaías 46:4 é um versículo precioso para mim: “Mesmo na sua velhice e quando tiverem cabelos brancos… Eu os sustentarei e os salvarei”.
Moisés tinha 80 anos quando Deus o chamou para confrontar o faraó (Êxodo 7:7). Calebe tinha 85 quando reivindicou a região montanhosa prometida ( Josué 14:10–12). Ana, a profetisa, passou seus últimos anos proclamando o Messias (Lucas 2:36–38). As Escrituras

nunca retratam a velhice como um período de declínio, mas como um tempo de fé amadurecida, que ainda declara: “Eis-me aqui. Envia-me!” (Isaías 6:8).
Recomeçar é acolher aquilo que Deus coloca diante de nós, crendo que os justos “mesmo na velhice darão fruto” (Salmo 92:14).
Houve um tempo em que eu tinha medo de envelhecer sozinha. Hoje vejo que nunca estou só nem sem propósito. Cada vez que entro em uma ala hospitalar com crianças lutando pela vida, ou me sento no assoalho de bambu com famílias de vilarejos, ou consolo um órfão, sinto o Senhor sussurrar: “Este é o seu novo começo”.
Não importa a nossa idade. A história de Deus em nossa vida nunca termina.
G. L. Ellens foi missionária no Sudeste Asiático por quatro décadas. Atua como voluntária em trabalhos com crianças pobres e dedica-se à escrita. ■
Por Rosane Cordoba

Quando eu era jovem, costumava ficar estressada sempre que surgia um obstáculo ou contratempo, especialmente quando apareciam problemas maiores. Meu marido, por outro lado, sempre foi o otimista, lembrando-me com frequência de uma famosa frase atribuída a Mark Twain: “Tive muitos problemas ao longo da vida, mas a maioria nunca aconteceu!”
Há algum tempo, recebi um valor proveniente da venda do imóvel dos meus pais. Era o suficiente para comprar uma casa pequena, mas, depois de dois meses procurando, não encontrei nada no bairro que desejava pelo valor que tinha. Incentivada pelo meu filho mais velho, optei por comprar um terreno para construir a casa do jeito que eu queria. Não demorou muito e, numa sexta-feira, encontrei um bom terreno e combinei com o proprietário de fechar o negócio na segunda-feira.
Infelizmente, ele me ligou no domingo dizendo que o terreno havia sido vendido. Pediu desculpas e explicou que também havia anunciado a propriedade por meio de uma imobiliária, mas depois de meses sem interessados, a empresa a vendera no dia anterior. Fiquei muito decepcionada, mas continuei confiando no Senhor.
Uma semana depois, ele me ligou novamente para dizer que alguém que compraria um terreno semelhante
no final da rua havia desistido e que eu poderia adquiri-lo pelo mesmo preço do anterior. Comprei aquele terreno e hoje vivo feliz na casa que construí.
Mas a história não termina aí. Um tempo depois descobri que o terreno original fazia divisa com uma grande propriedade que passou a ser alugada para festas barulhentas a noite inteira. A família que comprou acabou sendo obrigada a se mudar e vendê-la com prejuízo. O que, na época, me pareceu uma má notícia revelou-se a providência de Deus.
Refletindo, ocorreu-me que a vida pode ser comparada a trilhos de trem: para seguir adiante, o trem precisa de ambos os trilhos. Um representa os momentos felizes e os tempos fáceis; o outro, as dificuldades e tristezas que nos ajudam a crescer e amadurecer. Ambos são necessários para o progresso e a realização. O trem atravessa vales e montanhas, pontes e túneis, desertos e oásis, até chegar ao seu destino.
Seguir em frente não é uma opção, é necessidade. Nem sempre vemos claramente o caminho e precisamos confiar no Senhor para nos guiar — mas a viagem vale a pena.
Rosane Cordoba vive no Rio de Janeiro. É escritora freelancer, tradutora e produtora de material infantil com enfoque na fé e na formação de valores. ■
Por Simon Bishop

Meu pai me contou a história de um rei que gostava de jogar xadrez e desafiou um sábio viajante para uma partida. Talvez você já a conheça. Se o sábio vencesse, receberia uma recompensa. Ele disse ao rei que tinha um pedido muito modesto e, sendo um homem de poucas necessidades materiais, tudo o que desejava era arroz — cuja quantidade seria determinada usando o tabuleiro de xadrez da seguinte forma: um grão de arroz na primeira casa, dois na segunda, quatro na terceira, oito na quarta, dezesseis na quinta e assim por diante, dobrando-se a quantidade a cada casa sucessiva. O rei ficou satisfeito com aquele pedido tão simples e a partida começou.
Como era de se esperar, o rei perdeu. Para cumprir sua palavra, ordenou que trouxessem um saco de arroz e começou a fazer os cálculos e a contar os grãos. Contudo, logo percebeu que a quantidade final de arroz que devia ao vencedor excedia as suas reservas de arroz.
Existem várias versões e finais para essa história, bem como diferentes lições que podem
ser extraídas dela — além da lição matemática sobre o crescimento exponencial. Mas o que me fez lembrar dessa história foi o seguinte: assim como há 64 casas no tabuleiro, há 365 dias no ano, cada um com potencial de crescimento. O difícil é que exige compromisso, constância e perseverança. Um único grão de arroz é praticamente nada, e mesmo dobrando a cada nova casa, após 14 casas ele somaria apenas cerca de meio quilo. Isso não parece muito. Assim, quando nos comprometemos com um novo hábito saudável, com o aprendizado de uma habilidade ou com o início de um negócio, é fácil desanimar se esperamos progresso rápido demais e não vemos mudanças imediatas.
A Bíblia fala da importância de ser bom administrador e de investir para aumentar aquilo que recebemos. Na parábola dos talentos, lemos que cada pessoa recebeu uma quantidade de talentos para investir: “A um deu cinco talentos, a outro dois, e a outro um, a cada um de acordo com a sua capacidade” (Mateus 25:15).
Quando o senhor voltou, recompensou os dois servos que investiram e multiplicaram seus talentos, dizendo-lhes: “Muito bem, servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco; eu o colocarei sobre o muito. Venha e participe da alegria do seu senhor!” (Mateus 25:23). Já aquele que escondeu o talento no chão e não permitiu que ele crescesse foi considerado um servo inútil (Mateus 25:14–30).
Não subestime o efeito cumulativo de passos que parecem pequenos! Tenha paciência. Seja um bom administrador do pouco que Deus lhe confiou. Com tempo e perseverança, pequenos começos se transformarão em grandes conquistas.
Simon Bishop realiza trabalho missionário e humanitário nas Filipinas. ■

Por Curtis Peter van Gorder
Eu aguardava um amigo que viria me buscar e decidi passar o tempo em um restaurante tranquilo. Na vidraça eu vi uma abelha tentando escapar de sua prisão transparente. Ela subia voando pelo vidro até ficar exausta e cair... e repetir o mesmo esforço vez após vez. O curioso era que ela estava a poucos centímetros de uma porta aberta à sua direita. Mas ela não a via. Talvez nunca tenha considerado um voo horizontal como rota de fuga. Do seu ponto de vista, o mundo lá fora e a liberdade pareciam tão reais quanto inacessíveis.
Somente depois de cerca de dez minutos de voos frenéticos e quedas a abelha finalmente escapou. Como isso aconteceu? Ela levou um susto quando alguém do lado de fora bateu no vidro e ela se sentiu ameaçada. Sem saber que o vidro a separava do suposto perigo, tentando evitar o que acreditava ser um predador, quebrou aquele padrão de comportamento, voou para o lado e saiu pela porta.
Você já se sentiu como aquela abelha? Preso a um ciclo do qual parece impossível escapar? Como se a resposta que você procura fosse simples, mas inalcançável?
Às vezes, Deus permite — ou até envia — situações que nos parecem grandes problemas (e obstáculos), mas talvez Ele esteja fechando uma porta para nos conduzir por outra, que nos colocará no caminho certo.
Curtis Peter van Gorder é escritor freelancer e mímico, atuando em trabalhos missionários em dez países desde 1971. Ele e sua esposa, Pauline, vivem atualmente na Alemanha. ■
Se você ainda não recebeu Jesus como Salvador, pode fazê-lo por meio da seguinte oração:
Querido Jesus, creio que você é o Filho de Deus e que morreu na cruz por mim, para que, por meio da sua morte e ressurreição, eu possa viver para sempre com Você no céu. Peço que perdoe os meus pecados. Abro a porta do meu coração. Encha-me com o seu Espírito Santo e ajude-me a viver de maneira que glorifique o Seu nome. Guie a minha vida e ajude-me a seguir Você. Eu oro em Seu nome. Amém.
Por Marie Alvero
“Temos esta esperança como âncora da alma, firme e segura, a qual adentra o santuário interior, por trás do véu” (Hebreus 6:19).

Fico maravilhada com a beleza da Bíblia. Sempre que leio esse versículo, minha alma se aquieta. A agitação — seja grande ou pequena — se silencia.
Pense numa âncora. Sua função é manter a embarcação firme em determinado lugar para não ser arrastada pelo vento ou pela correnteza. A âncora não põe fim à tempestade, apenas mantém a embarcação estável durante a tormenta ou em mares revoltos.
No âmbito espiritual, a esperança cumpre esse papel de nos sustentar e nos firmar. Independentemente do que esteja acontecendo no mundo ou em nossas vidas, nós nos apegamos à esperança em Jesus. A nossa “esperança” não é que Ele elimine as tempestades da vida, mas que nos mantenha firmes em meio a elas.
O santuário interior era o lugar do templo ao qual somente o sumo sacerdote tinha acesso uma vez por ano, após extensos rituais. Ali, ele oferecia sacrifícios
por si mesmo, pelo povo e intercedia por eles diante de Deus.
Jesus é o Sumo Sacerdote perfeito. É a isso que Hebreus 7:27 se refere quando diz: “Ao contrário dos outros sumos sacerdotes, ele não tem necessidade de oferecer sacrifícios dia após dia, primeiro por seus próprios pecados e, depois, pelos pecados do povo. E ele fez isso de uma vez por todas quando a si mesmo se ofereceu”. O mesmo capítulo também afirma que Jesus “é capaz de salvar definitivamente aqueles que, por meio dele, aproximam-se de Deus, pois vive sempre para interceder por eles” (Hebreus 7:25).
Reunindo tudo isso, podemos descansar na certeza de que Jesus está sempre presente diante do trono de Deus, intercedendo por nós. E é nessa esperança que podemos nos firmar — todos os dias, o dia inteiro.
Marie Alvero atuou como missionária na África e no México. Atualmente, vive uma vida feliz e movimentada com o marido e os filhos no Texas Central, Estados Unidos. ■


Por Marie Knight
Já passava da meia-noite quando me deitei. Eu estava exausta. Ao ver a hora, me dei conta de que, na manhã seguinte, precisaria acordar cedo e estar bem-disposta para cumprir tudo o que havia programado. Eu realmente precisava de uma boa noite de sono. Foi então que comecei a me preocupar com a possibilidade de dormir profundamente demais, não ouvir o despertador e acabar me atrasando. Quanto mais pensava nisso, mais difícil era dormir. Quando finalmente amanheceu, minha preocupação havia resultado em uma noite inteira em claro.
Há um provérbio sueco que diz: “A preocupação frequentemente dá a uma coisa pequena uma sombra enorme”. Como isso é verdadeiro! A preocupação amplia os problemas em nossa mente, até que se tornem sombrios e ameaçadores, levando-nos a acreditar que coisas terríveis estão prestes a acontecer. O melhor antídoto é a Palavra de Deus. A ela podemos recorrer em busca de fé e consolo. A Bíblia adverte contra a ansiedade: “Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus” (Filipenses 4:6–7).
A oração é um passo fundamental para vencer o medo e a preocupação. Somente Deus pode nos dar paz e tranquilidade, mas precisamos ser humildes o suficiente para pedir
Sua ajuda: “Portanto, humilhem-se debaixo da poderosa mão de Deus... Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês” (1 Pedro 5:6–7).
Ele prometeu cuidar de nós, mas precisamos permitir que isso aconteça: “Entregue suas preocupações ao Senhor, e ele o susterá; jamais permitirá que o justo venha a cair” (Salmo 55:22).
Ceder ao medo e à preocupação é perder de vista as promessas de Deus: “Não fui eu que lhe ordenei? Seja forte e corajoso! Não se apavore nem desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar” ( Josué 1:9).
Quando realmente cremos que Deus é soberano, sabemos que Ele pode nos conduzir por qualquer dificuldade que enfrentemos: “Assim, podemos dizer com confiança: ‘O Senhor é o meu ajudador, não temerei. O que me podem fazer os homens?’” (Hebreus 13:6).
Lembre-se: não existe, neste mundo, preocupação que valha a pena ser carregada.
Marie Knight atua como missionária voluntária nos Estados Unidos. ■

Com Amor, Jesus
Nos tempos em que você vive, as pessoas se acostumam a mudanças rápidas e a resultados imediatos. O que foi suficiente ontem raramente parece bastar hoje, mas é fácil desenvolver a expectativa de que os problemas da vida devam ser resolvidos de forma simples e veloz. A realidade, contudo, é que muitas coisas na vida simplesmente levam tempo. A maioria dos problemas no trabalho, na saúde, nos relacionamentos ou nas finanças não pode ser resolvida com um clique do mouse ou o apertar de um botão.
Algumas situações são complexas e persistem por um tempo (Eclesiastes 3:1–8). Nesses períodos, sua fé pode ser provada e, nesse processo, você aprende a ter paciência e cresce em perseverança (Tiago 1:3–4). Quando os problemas ou circunstâncias difíceis se prolongam e você se sente mentalmente exausto ou emocionalmente esgotado, lembre-se de que Eu estou com você. Venha a Mim, e renovarei o seu espírito e lhe darei paciência e perseverança.
Eu não lhe prometi uma vida sem dificuldades. Neste mundo, você enfrentará aflições e provações; ainda assim, tenha coragem, pois Eu venci o mundo ( João 16:33). Não resolvo instantaneamente todos os seus problemas e provações, mas lhe concedo a Minha paz e a Minha graça para enfrentar as tempestades da vida e sair delas com a fé fortalecida e mais bem preparado para o próximo desafio. Confie que farei com que todas as coisas cooperem para o seu bem (Romanos 8:28).