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Olá pessoal Como vocês já devem ter ouvido falar, de maneira geral, um texto não é um amontoado de palavras  desconexas, mas uma unidade organizada de significados.  Se vocês observarem bem, há muitas palavras relacionadas à palavra texto que nos remetem ao mesmo  campo de significado (ou campo semântico) de tecido. Pensem: têxtil, trama, enredo, teia. Imaginem um  texto como a trama que compõe um pedaço de pano quando se olha para ele no microscópio, conforme a  imagem abaixo:

Bem, é com essa imagem na cabeça que eu quero que vocês leiam o conteúdo da aula 1, onde é definido o  conceito de texto, que eu reproduzo aqui sob o formato de tópicos: 1. O texto é uma ocorrência lingüística, na modalidade escrita ou falada; 2. O texto pode ter qualquer extensão; 3. O texto é dotado de significação; 4. O texto tem princípio, meio e fim facilmente identificáveis; Se um fio dessa trama se rompe, o tecido começa a desfiar, assim como um texto corre o risco de perder a  sua unidade se a sua coesão não está bem feita. Segundo o material da Unidade 01, a) Coesão ­ é a união íntima das estruturas que compõem o texto e que se manifesta no uso  de conectivos, tais como as conjunções e preposições, ou no uso de pronomes, adjetivos,  artigos, numerais e advérbios. 

Tirando um pouco a teoria de lado, vou mostrar como isso funciona na prática. Vejam só o exemplo abaixo:


José e o seu cachorro foram ao cinema, mas ele não o deixou entrar.

Ora, viram que não é possível determinar quem não deixou quem entrar no cinema? Se foi João que não  deixou o cachorro entrar, ou se foi o cachorro que fez alguma bobagem e impediu João de entrar no  cinema?! Isso é um problema coesivo, pois os pronomes da segunda oração não conseguem fazer referência clara  aos elementos da primeira sem deixar dúvidas de quem se refere ao quê. Uma maneira de resolver isso  seria substituir os pronomes da segunda oração por termos que recuperem corretamente os elementos da  primeira, tal como em:

João e seu cachorro foram ao cinema, mas o mascote não deixou o rapaz entrar.

Ou João e seu cachorro foram ao cinema, mas o animal impediu seu dono de entrar 

Vejam que “o mascote” e “o animal” recuperam o “cachorro” da primeira oração, assim como “o rapaz” e  “seu dono” também o fazem. A coesão consiste, de fato, em retomar em uma sentença B algo que foi dito na em outra, e isso pode ser  feito de várias maneiras: uma delas, que em termos de estilo deixa a desejar e que, portanto, devemos  evitar a todo custo, é em substituir em uma sentença por “o referido”, “a mesma”, coisas do tipo. Como  disse, esse tipo de processo coesivo deve ser evitado, para que acabem famigeradas placas dos  elevadores que dizem: Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra­se parado no andar.

Ora, há várias soluções para as placas dos elevadores! A primeira seria fazer a coesão por omissão, (ou  elipse). Para isso, basta omitir em A o que vai ser recuperado em B. O resultado seria: 

Antes de entrar , verifique se o elevador está parado no andar

Ou a coesão por referência, fazendo o uso de pronomes:

Antes de entrar no elevador, verifique se ele está parado no andar


Há ainda a possibilidade de fazer a coesão usando palavras que possam substituir o termo em questão:

Antes de entrar no elevador, verifique se o equipamento está parado no andar.

Eu, particularmente, reescreveria a placa do elevador, da seguinte maneira:

Cuidado! Verifique, antes de prosseguir, se o elevador está parado no andar.

Isso porque eu acredito que o verbo entrar só é possível nesse contexto se o elevador estiver no andar.  Caso o elevador não esteja, a pessoa não vai entrar, ela vai cair. Por isso acho que prosseguir seria mais  indicado – mas isso é uma questão de estilo, e não uma regra, ok? Bem, por enquanto é só! Até breve


LPT UEA01A01a Conceito de texto e coesão textual