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BizBrazil Magazine 08

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vRENOVAÇÃO

vINFLUÊNCIA

Guilherme Gatti assume presidência da BACCF cheio de planos P.16

A força comunicadora de Jordana Luchetti gera influência e negócios P.18

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magazine

ANO 2 Nº 8 . FEVEREIRO/2020

Thomas Skola:

A FÓRMULA PARA CRIAR A MAIOR CÂMARA DE COMÉRCIO BINACIONAL DA FLÓRIDA P. 8

Rodrigo Lins mostra a importância da divulgação em um mercado competitivo P. 12

André Duek, empresário que se reinventa a cada momento P. 5

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vempreendedorismo


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veditorial

Opinião

2020: ano da reafirmação No Brasil, apesar da pequena recuperação do nível de emprego em 2019, o índice de desemprego supera 10 milhões de pessoas entre a população economicamente ativa, enquanto nas sociedades mais ricas e tecnológicas como Alemanha, Estados Unidos e mesmo China esses índices são baixos.

ANTONIO TOZZI antoniotozzi@bizbrazilmagazine.com

v No alvorecer de uma nova década, as esperanças aumentam. Afinal, como diz o ditado, sem fé e esperança nada se consegue. Obviamente, quando se fala de esperança, estamos falando de um sentimento de crença e não apenas no substantivo do verbo esperar, sem que seja feita nenhuma ação proativa para prosperar. Portanto, as cartas estão na mesa neste momento de transformação da sociedade como a conhecíamos anteriormente. Vivemos o auge dos avanços tecnológicos e a utilização desses equipamentos está modificando a maneira como nos relacionamos entre nós e também como nos relacionamos com os objetos – antes, meros coadjuvantes mudos, agora estão se tornando participantes ativos do nosso cotidiano, graças à Internet das Coisas. Para acompanhar a velocidade das mudanças, é imperioso se reciclar. Isto talvez explique o número cada vez maior de desempregados em sociedades despreparadas.

Ou seja, ou o Brasil investe pesado em educação ou estaremos condenados a sermos eternamente o país do futuro que nunca chega porque pessoas com baixa instrução não conseguem empregos que paguem melhores salários. O problema é que investimento nessa área não rende votos. Que governante vai querer encaminhar verbas para educação quando pode inaugurar uma estrada ou ponte, colocar seu nome em uma placa e ter algo concreto para mostrar aos eleitores? Educação é processo de longo prazo, no qual o beneficiário será o governante que estiver no poder depois de 20 ou 30 anos. Entretanto, mais do que o governante de plantão, o grande beneficiário será o Brasil – pois terá todas as armas para lutar em condições de igualdade com os países mais avançados. Ingressar na OCDE (Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico) pode ser importante. Porém, de nada adianta figurar no clube dos países ricos se não estiver no mesmo patamar deles. E isto somente se consegue com as reformas que o governo brasileiro e o Congresso Nacional vêm promovendo nas áreas da Previdência, Trabalhista e Fiscal a fim de reduzir a burocracia exagerada que tira competitividade e atratividade do país para receber investi-

mentos externos - e com educação. Na década de 60, morando em São Paulo, lembro muito bem da chegada de muitos coreanos ao Brasil, sobretudo à capital paulista. A diáspora coreana escolheu a América do Sul por causa dos efeitos devastadores causados pela Guerra da Coreia que dividiu o país em dois. Enquanto a Coreia do Norte mergulhava no comunismo atrasado e no culto à personalidade de Kim Jong Il, a Coreia do Sul fazia a lição de casa. Por lição de casa, entenda-se investimento pesado em educação. Na época, o governo sul-coreano seguia uma linha dura de direita, com apoio dos Estados Unidos, e sufocava qualquer tipo de movimento oposicionista. Isto facilitou a implantação do sistema de governo e as diretrizes foram seguidas à risca. Hoje, a Coreia do Sul está no clube dos países ricos e tem uma renda per capita invejável. Esse exemplo deve ser seguido pelo governo brasileiro, mesmo com as dificuldades impostas pelo sistema democrático que vigora no país. Assim, educação deixará de ser privilégio da elite e se espalhará por todas classes sociais. E nós, da BizBrazil Magazine, temos todo interesse em mostrar como os brasileiros privilegiados estão se destacando agora, tanto aqui nos EUA como no Brasil. Isto vale para este ano de 2020, 2030, 2040…. Portanto, menos obras governamentais e mais investimentos em educação deve ser o lema de um país que deseja mudar sua história a fim de o privilégio ser estendido a todos e não apenas a uma pequena casta.

EXPEDIENTE v

magazine Publisher Jorge Moreira Nunes Diretor Geral e Editor-Chefe Antonio Tozzi Diretora de Marketing Esterliz Mayer Nunes Account Executive Fernanda Maiolini

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Projeto Gráfico André Hippertt Graphic Designer Valdemar Silva Revisora Esterliz Mayer Nunes Colaboradores Antonio Gabriel Josefina Guedes Vivian Portella Foto de Capa Ronira Fruhstuck Representante no Brasil MediaLink +55 11 2693 5919 / +55 11 98782 2155

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vempreendedorismo

REINVENTAR-SE

é a palavra chave para André Duek

Empresário paulista do ramo de moda redescobre outros negócios ao se mudar para os Estados Unidos ANTONIO TOZZI antoniotozzi@bizbrazilmagazine.com

v Talvez você não tenha ouvido falar de André Duek, porém, certamente conhece o Grupo Forum Triton de Moda, conceituada empresa no setor de moda no Brasil. Pois fique sabendo que Duek e Forum Triton têm tudo a ver. Afinal, foi lá no grupo empresarial de sua família que ele começou sua carreira de executivo. Para dar o exemplo, começou por baixo e foi galgando posições. “No Brasil, fui executivo durante 21 anos, onde fiz carreira nas empresas da minha familia. Iniciei aos 13 anos como office boy e aos 30 anos fui promovido para ser o CEO da companhia, onde liderei o processo de venda do grupo - a maior operação financeira de uma empresa do setor da moda no Brasil na época. Depois disto, em 2008, fui sócio de três empresas: Siciliano Duek Sports, uma agência de marketing esportivo; Carina Duek, marca de moda, e a holding de investimentos TD Participações”, revelou o empresário. Entretanto, o espírito empreendedor não se limitava a fronteiras. Deste modo, ele considerou mudar de país e a escolha recaiu sobre os EUA: “Em 2010, no auge da crise aqui, montei uma companhia de investimentos imobiliários em Miami. Aprendi como funcionava o mercado, e percebi que havia uma oportunidade em criar uma boutique imobiliária especializada em atender os brasileiros que também estavam investindo bastante na Flórida. No final de 2012, me mudei com a família, logo após criarmos a Duek Realty”. A veia empresarial de Duek identificou

outro nicho de negócios pouco explorado pelos brasileiros. “Morando aqui, transformei a paixão de viajar em motorhomes em negócio, pois não havia nenhum brasileiro fazendo a gestão de companhias especializadas em locação de motorhomes, e principalmente oferecendo experiências neste tipo de viagem”, contou. Assim, em 2015, nasceu a Duek Motorhomes.

O MELHOR DOS DOIS PAÍSES No dia 18 de dezembro de 2019 fez sete anos que a família Duek mora nos Estados Unidos. André qualifica a mudança como uma experiência incrível do ponto de vista empresarial, pois ele conseguiu aplicar a experiência de mais de 25 anos no Brasil ao sistema americano de trabalho. Ele hoje tem certeza que os brasileiros são excelentes na qualidade de servicos, até

ANDRÉ DUEK (dir), CEO do Grupo Forum Triton de moda, com seu mentor e estilista Tufi Duek

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vempreendedorismo melhor do que os americanos em termos de gestão organizada e maximização de processos. “Então, foi só juntar o melhor dos dois países e encarar o desafio de empreender na terra do Tio Sam”, exultou. Desde que a imobiliária foi criada, houve uma diferenciação em prestar um serviço completo por intermédio de profissionais especializados em cada área. André Duek sentiu essa necessidade ao perceber que muitos brasileiros chegavam sem nenhuma informação e às vezes eram até enganados por indivíduos inescrupulosos. Decidiu então que começaria a ajudar as pessoas a empreender na América. E começou o projeto de maneira voluntária mesmo, criando grupos de negócios de amigos sem fins lucrativos, dando palestras em universidades americanas e também sendo um dos primeiros membros do SBU Academy - o maior congresso digital de palestrantes que compartilham conhecimentos com os brasileiros que pretendem empreender, investir e imigrar para os EUA. Não é por ter escolhido a Flórida para morar que Duek acredita no estado. “Aqui não tem imposto de renda estadual, ou seja, investidores, executivos e empresários de outros estados, como New York, estão se mudando para cá e trazendo muitos recursos novos. Além disto, a Flórida tem uma vantagem enorme para os brasileiros, por permitir a criação de um link

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“

Transformei a paixão de viajar em motorhomes em negócio, pois não havia nenhum brasileiro fazendo a gestão de companhias especializadas em locação de motorhomes, e principalmente oferecendo experiências neste tipo de viagem”

com seu networking construído no Brasil para fazer negócios aqui com os brasileiros residentes ou até com os turistas que sempre estão de olho em oportunidades no mercado local”, revelou o empresário. Ao acompanhar o termômetro econômico, Duek está animado com os sinais de recuperação econômica que o país vem

demonstrando. Deste modo, ele afirma que sempre torce para o Brasil, pois sua família e amigos moram lá, portanto sempre se preocupa com o bem estar das pessoas que moram lá. Além da felicidade em ver que o país está se recuperando, ele identifica oportunidades de negócios porque isto se reflete diretamente no mercado dos empreendedores brasileiros nos EUA, pois as pessoas voltam a viajar mais e investir numa moeda forte como o dólar. BUYER’S MARKET André Duek admite não ser especialista em investimentos, entretanto recomenda cautela em investir em grandes projetos no Brasil neste momento: “Acredito que este movimento de privatização ainda vai demorar muito tempo e o risco cambial pode não valer a pena para quem troca de moeda, pois mesmo que seja um bom investimento em reais pode não ser um bom investimento em dólares, uma vez que a moeda brasileira pode se valorizar quando o Brasil melhorar mais. Vimos isto em outros momentos com estrangeiros e brasileiros que tinham recursos em dólares investindo desta maneira sem obter bons resultados no curto e médio prazo”. A relutância cede lugar ao entusiasmo quando se trata de investimento em imóveis no sul da Flórida. Segundo Duek, o momento atual é de "Buyer’s Market" onde existem excelentes oportunidades


vempreendedorismo

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Na Flórida não tem imposto de renda estadual, ou seja, investidores, executivos e empresários de outros estados, como New York, estão se mudando para cá e trazendo muitos recursos novos”

de compra, assim como na época da crise americana de 2008. Ele cita como exemplo o condado de Miami Dade onde há excesso de estoque em virtude de vários estrangeiros não estar conseguindo pagar

os financiamentos feitos há cinco ou seis anos, época em que o dólar estava desvalorizado. Em Sunny Isles Beach, cidade em que morou por quatro anos, Duek disse haver muitos imóveis sendo vendidos por 30% abaixo do custo de aquisição e quase na mesma faixa de preços da última crise americana, ou seja, quem souber aproveitar este ciclo de oportunidades, vai se dar bem nos próximos cinco anos, aconselha. Ele ainda chama a atenção para uma pesquisa recente denominada Miami Report que explica bem este cenário. Quem tiver curiosidade ou quiser saber mais sobre este panorama de mercado atual pode acessar o website da Duek Realty. A adaptação da família foi tão natural que ele já nem se preocupa mais. “Se soubesse que seria tão bom para elas (tenho duas filhas e esposa), teria vindo bem antes. Logicamente, sentimos saudades de muitas coisas no Brasil, como a família e amigos, mas agora eles vêm nos visitar e passar férias neste lugar maravilhoso que é a Florida. E nós vamos para lá ver quem não pode vir para cá. E assim já são sete anos, e contando!”

ANDRÉ DUEK trouxe sua veia empreendedora para Miami

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vpioneirismo

TOM SKOLA::

“Nossa câmara já nasceu MAIOR, porque foi criada mais ORGANIZADA e mais ATUANTE que todas” Em dezembro de 1981, um jovem advogado americano de Cleveland, Ohio, voltou de uma temporada de quatro anos no Rio de Janeiro com dois filhos no braço e uma ideia na cabeça. Os filhos eram Joshua e Zachary Skola, cariocas da gema, e a ideia era de criar uma entidade empresarial para representar, incrementar e estimular o então crescente intercâmbio comercial entre o estado da Flórida e o Brasil. Nascia ali a Brazilian-American Chamber of Commerce of Florida, hoje a maior câmara de comércio binacional do estado v8.BIZBRAZILMAGAZINE

JORGE MOREIRA NUNES jorge@bizbrazilmagazine.com

v A relação de Thomas Skola com os latinos vem de longe, quando ainda era recém-formado em Ciências Políticas pela University of Rochester, em 1965. Uma bolsa de estudos e um inquieto interesse por novas culturas e aventuras o levaram para viagens ao Chile, Espanha e Argentina, lugares onde ganhou intimidade com a latinidade, assimilando a cultura, aprendendo o espanhol e o jeito latino de fazer as coisas. De volta a New York, decidiu acrescentar mais um título ao currículo, formando-se em Direito pela Columbia University. Graças ao conhecimento do espanhol e à experiência adquirida nas viagens pelo mundo latino, Skola foi trabalhar em 1972 no maior escritório de Direito Internacional do País na época, o Curst, Mallet-Prevost, Colt & Mosle (CMPC&M), que atuava fortemente na área do direito interamericano. Dois anos depois, o CMPC&M abria um escritório em São Paulo, e Skola foi escolhido para comandá-lo. Na capital paulista, aprendeu o português e acumulou ainda mais experiência sobre o modo latino de fazer negócios – desta vez brasileiro - e ganhou intimidade com grandes empresas e empresários que anos mais tarde se tornariam clientes do seu próprio escritório. Em 1977, Skola recebeu uma proposta para representar o escritório de advocacia de Augusto Nobre, no Rio de Janeiro. Passou quatro anos na Cidade Maravilhosa, tempo que carimbou de vez a brasilidade no seu passaporte, além de temperar com um sotaque carioca o seu português. Lá ele ganhou dois filhos, Josh e Zach, e teve a ideia de criar uma câmara de comércio que representasse as relações comerciais entre Flórida e Brasil. Skola ainda guarda o seu ‘green card’ brasileiro, o famoso Modelo 19, que preserva e usa nas viagens que faz ao Rio para matar as saudades. Do Rio veio para Miami, em 1981, indo trabalhar no escritório de Taylor, Brion, Buker & Greene, e logo começou a movimentar-se para colocar em prática a ideia que teve no Brasil, de criar uma câmara de comércio binacional, a futura BrazilianAmerican Chamber of Commerce of Florida. Procurou o então representante diplomático brasileiro em Miami, que não foi muito receptivo. Na época não havia ainda um Consulado-Geral na cidade, comandado por um diplomata, somente um escritório de representação oficial. Resolveu então arregimentar para a causa os diretores das


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Com a chegada em Miami do embaixador Carlos Alberto Pereira Pinto, nos anos 1980, a BrazilianAmerican Chamber of Commerce of Florida ganhou o apoio fundamental do governo brasileiro” TOM SKOLA, fundador da BACCF

lização de uma ideia, a Brazilian-American Chamber of Commerce of Florida consolidou-se como a maior câmara de comércio binacional do estado. São mais de trezentos membros, entre multinacionais, grandes e pequenas empresas, executivos brasileiros e americanos, todos reunidos num grande fórum de alto nível voltado para o debate sobre relações comerciais entre Brasil e a Flórida. Seus eventos anuais, como os citados Excellence Award e Independence Day Gala, estão entre os mais importantes do calendário empresarial de Miami, dos mais concorridos entre executivos e empresários da cidade. A BACCF tem papel fundamental na

orientação sobre investimentos e incorporações brasileiros nos Estados Unidos. Através de suas palestras, cursos e workshops, tanto aqui quanto no Brasil, a BACCF mostra aos interessados um panorama completo do universo corporativo, econômico, político e legislativo americano, ilustrado por profissionais de indiscutíveis competência e experiência. Um dos mais importantes e concorridos desses programas é o seminário anual “Como Ingressar e Investir no Mercado Norte-Americano”, onde o executivo conhece todos os melhores caminhos para a expansão da sua empresa no maior mercado do mundo. A mais nova iniciativa da Câmara nesse sentido, o chamado Road Show, leva para o Brasil um grupo de líderes selecionados que promovem palestras educativas sobre como fazer e expandir negócios nos Estados Unidos, sempre em parceria com entidades locais importantes, como AmCham, Sebrae, CNI e Fecomercio. Além do seu caráter empresarial, com seus instrumentos de orientação para o incremento dos negócios entre as duas maiores economias das Américas, a Brazilian-American Chamber of Commerce of Florida é um grande clube empresarial, onde amizades são construídas ao longo do tempo e reforçadas nos seus eventos de confraternização, como a já citada Feijoada, o Summer Extravaganza e o Soccer Tournament, seus cafés da manhã e recepções, momentos quando se faz sentir melhor o descontraído tempero carioca que o americano Thomas Skola, seu fundador, trouxe do Brasil para criar a maior entidade de estímulo para os negócios entre Brasil e Estados Unidos no estado da Flórida. RONIRA FRUHSTUCK

duas maiores empresas brasileiras com presença no estado que ele conhecia - os executivos Newton Berwig e Ari Siebel, da Embraer e da Varig, respectivamente - que embarcaram de imediato na ideia e se propuseram a ajudar no que fosse possível para a criação da Câmara. Surgia assim a Brazilian-American Chamber of Commerce of Florida, a BACCF, com Skola acumulando as funções de tesoureiro e presidente, auxiliado pela eficiente primeira diretora-executiva da entidade, Gisela Koch. Avalizada pelas credenciais de Skola e com a chancela fundamental das voadoras Embraer e Varig, a BACCF decolou rapidamente. Logo vieram outros membros de peso, como os bancos Real, Banespa e Nacional, nomes fortes na época. Com a abertura do Consulado-Geral do Brasil em Miami, comandado pelo embaixador Carlos Alberto Pereira Pinto, a Câmara ganhou enfim o apoio oficial do governo brasileiro. Desde então, o Cônsul-Geral em Miami em exercício é o presidente de honra da BACCF, presença certa nos eventos mais importantes da entidade, como o Brazilian Independence Gala e o Excellence Award. Desse tempo são os membros e colaboradores pioneiros da BACCF, como Renato Scaff, Paul Rocha, Bruno Borghini, Eduardo Santos, Paulo Ehlers e tantos outros. Foi por essa época, também, que começou um dos mais tradicionais eventos anuais da BACCF, a descontraída Feijoada da Câmara, degustada pela primeira vez na casa da advogada Hillary Langen, em 1983. Em 1984, a BACCF elegeu seu primeiro presidente depois de Skola, o empresário Paulo Afonso Pena. Desde então, um novo presidente assume a cada ano, eleito pelo Board of Directors. Até chegar ao atual presidente, Guilherme Gatti (veja entrevista na página 16), trinta e um executivos, alguns deles reeleitos para um segundo mandato, passaram pela presidência da BACCF nesses seus quase quarenta anos de existência. Graças também à competência de suas diretoras-executivas, primeiro Pat Roth, depois Glória Johnson, e desde 1999 Mary Arnaud, a BACCF contou sempre com uma estrutura administrativa robusta e uma meticulosa organização nos seus eventos e calendário. O governo brasileiro reconheceu a importância da BACCF para o reforço nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e Tom, como os colegas da BACCF chamam informalmente o fundador, recebeu a Comenda da Ordem de Rio Branco, a mais alta homenagem oficial do governo brasileiro. Hoje, quase quarenta anos depois da rea-

SKOLA com Gloria Johnson e Mary Arnaud BIZBRAZILMAGAZINE.9v


vrecursos humanos

As profissões que mais crescem no mercado Pesquisa “Profissões Emergentes” aponta cargos que tendem a crescer mais no mundo em 2020 DA REDAÇÃO info@bizbrazilmagazine.com

v Com o avanço da Inteligência Artificial, novas concepções de produção e de produtos começam a surgir, os robôs se tornam cada vez mais indispensáveis no mercado de trabalho e diferentes carreiras são criadas. De acordo com um relatório divulgado em dezembro pelo LinkedIn, das 15 profissões que mais crescem nos Estados Unidos, 10 são ligadas à tecnologia. O estudo foi feito a partir da coleta de dados dos seus usuários, que possibilitaram a determinação de quais cargos apresentaram taxas de crescimento mais rápidas nos últimos cinco anos. Entre os destaques, especialista em inteligência artificial é a número um. Engenheiro de robôs aparece em segundo lugar e cientista de dados surge em terceiro, ambas em expansão no Brasil, enquanto as demais estão em evidência nos EUA. Falar que o cientista de dados é a profissão do futuro pode parecer um clichê, mas está longe de ser uma afirmação falsa ou exagerada. Na era digital, a infinidade de dados gerados pelas empresas e seus clientes é um instrumento valioso para “reduzir as dores” do negócio e promover um crescimento consistente. O cientista de dados é um profissional que alia a capacidade técnica de coletar e apurar informações, ou seja, dominar a tecnologia e transformá-la em insights eficazes para o negócio. Três fatores são importantes para esse profissional: ENTENDA O NEGÓCIO DA EMPRESA Num primeiro momento, o cientista de dados não precisa ter amplo conhecimento técnico. Ou seja, não é tão necessário ser um profissional de TI para iniciar uma v10.BIZBRAZILMAGAZINE

carreira no setor. O essencial é mergulhar no modelo de negócios da companhia, conhecer os detalhes, o comportamento dos clientes e parceiros, os dados e métricas que permitem uma análise da situação verdadeira do negócio. Isso significa que o cientista de dados precisa ser um expert na sua empresa e também ter bons conhecimentos de Estatística e Matemática, afinal a construção de algoritmos é a base da ciência de dados. CULTIVE RELACIONAMENTOS E SE COMUNIQUE BEM Aquele velho estereótipo do profissional de tecnologia que fica no canto do escritório, calado, com várias telas de computador à frente e em silêncio absoluto durante o expediente não se aplica ao cientista de dados. Comunicar-se bem é essencial. Afinal, o cientista de dados precisa estar em contato direto com a diretoria da empresa e os times de marketing e vendas para compreender as dificuldades e necessidades do negócio e quais dados deverão ser analisados para se chegar a um algoritmo.

BUSQUE FORMAÇÃO TÉCNICA EM CURSOS Apuração e análise de dados requer alguns conhecimentos técnicos específicos. O cientista de dados precisa dominar linguagens como Phtyon, SDL e R, e isso pode ser alcançado em cursos. CONFIRA A LISTA COMPLETA DE PROFISSÕES DIVULGADAS PELO LINKEDIN: • Especialista em Inteligência Artificial • Engenheiro de Robôs • Cientista de Dados • Engenheiro Full Stack • Engenheiro de Confiabilidade de Site • Especialista em Sucesso do Cliente • Representante de Desenvolvimento de Vendas • Engenheiro de Dados • Técnico em Saúde Comportamental • Especialista em Segurança Cibernética • Desenvolvedor de back end • Diretor de Receita • Engenheiro de Cloud • Desenvolvedor JavaScript • Product Owner

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vmarketing

I RODRIGO LINS I

MERCADO BRASILEIRO

mais competitivo nos EUA exige divulgação inteligente v12.BIZBRAZILMAGAZINE

Sucesso dos negócios na terra do Tio Sam depende de imagem e marca fortes e estratégia de divulgação internacional DA REDAÇÃO info@bizbrazilmagazine.com

v Em três anos, o número de brasileiros aprovados para morar nos Estados Unidos deu um salto. Em 2018, foram emitidos 4.300 vistos de imigração para cidadãos do Brasil – aumento de 74% em relação a 2015, quando foram concedidos 2.478 vistos, segundo o Departamento de Estado americano. Muitos destes vistos são concebidos para quem quer investir ou abrir um negócio em território americano. Mas, para que


ONEVOX PRESS

vempreendedorismo o sonho americano não se transforme em pesadelo, os empresários precisam compreender como se divulgar no competitivo mercado americano. A maior qualificação e a criatividade dos empresários brasileiros que estão empreendendo nos EUA renovaram a safra de micro e pequenas empresas no país registrando o percentual de 59% de pequenas empresas como satisfeitas com a saúde econômica americana. Empreendendo em diferentes setores como, metais, comércio atacadista e instituições financeiras, em 2015 – dado mais recente divulgado até agora –, o sucesso exige planejamento de divulgação internacional. “Uma marca ou produto reconhecidos no Brasil, quando se internacionalizam para os Estados Unidos, devem começar a planejar a divulgação de forma global. É preciso aproveitar o capital de imagem e reputação como base para estratégias de alcance do público americano, hispânico e até mesmo brasileiro nos EUA. A fórmula mágica é o planejamento. Sem ele o naufrágio já está prenunciado”, afirma o empresário Rodrigo Lins, CEO da agência de Comunicação, Marketing e Imprensa Multinacional, Onevox Creative Solutions. PASSO A PASSO De acordo com Rodrigo Lins, que teve a carreira reconhecida como extraordinária pelo governo americano e lançou em 2019 um livro sobre como trabalhar legalmente nos Estados Unidos, todo o processo de internacionalização de empresas deve considerar a etapa de divulgação da marca, produto ou serviço como fundamental. “Se o empresário não está seguro sobre qual público atingir, qual idioma priorizar e qual a prática geral do mercado a nível de marketing na área de sua empresa, produto ou serviço, dificilmente conseguirá evitar prejuízos”. O especialista explica que o aumento de empreendedores do Brasil nos EUA também elevou as somas de dólares desperdiçados. “Sem o devido planejamento, muitos empresários brasileiros seguem achismos, e, ao chegarem aqui, não aplicam o rigor de gestão que os levou ao sucesso no Brasil. Temos acompanhado um aumento do número de iniciativas que fracassam e também a repercussão de prejuízos exorbitantes no empresariado brasileiro nos EUA. É lamentável”, pondera o empresário.

DICAS PARA DIVULGAÇÃO CORRETA Se o empreendedor brasileiro está de olho em buscar espaço nos Estados Unidos, deve ficar atento a algumas dicas. Rodrigo Lins sugere algumas ferramentas que podem auxiliar o planejamento e a consolidação no mercado americano. Segundo ele, é preciso contar com o suporte qualificado de consultoria que posicione o empresário com relação ao comportamento de seus concorrentes e auxilie na elaboração do planejamento de comunicação, marketing e imprensa para a marca, produto ou serviço que se pretende levar aos EUA. “É preciso definir o público-alvo que se pretende atingir. Os EUA abrigam grandes comunidades imigrantes vindos de

todo o planeta. Se um empresário pretende abrir um restaurante brasileiro, por exemplo, deve averiguar o percentual de brasileiros na região, o resultado de empreendimentos semelhantes e identificar se o público brasileiro está realmente interessado e consome comida brasileira na região. Parece óbvio, mas são detalhes que nem sempre vem à mente do empreendedor antes de abrir o negócio”. Rodrigo Lins explica que após o negócio aberto, é preciso contratar mão de obra fluente no idioma predominante no público alvo escolhido. “É comum vermos empresas brasileiras focadas no público americano, mas que não utilizam inglês nativo em seus websites. Também não possuem estratégias de marketing digital

PRINCIPAIS DICAS DO ESPECIALISTA RODRIGO LINS PARA O SUCESSO DA DIVULGAÇÃO DE UMA EMPRESA NO EXTERIOR:

         

Considerar investimento em marketing prioritário na gestão Contar com suporte adequado de planejamento e fugir das dicas da maioria de Youtubers e Influencers Buscar suporte para anúncio em canais da imprensa local / regional nos EUA Apostar na divulgação em inglês nativo para o público americano Não usar ‘voo solo’ na tomada de decisões sobre marketing Contar com suporte de comunicação e divulgação nos EUA e não do Brasil Usar profissionalmente as redes sociais, principalmente as plataformas atuais de Facebook e Google Ads Elaborar e aplicar estratégias de marketing digital para captar leads online Buscar divulgação em espaços estratégicos ao público-alvo (nem sempre o que está na moda é o melhor para o negócio) Avaliar os resultados das ações de marketing aplicadas e alterar a estratégia sempre que possível

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“

É preciso contar com suporte de divulgação de canais consolidados junto ao público brasileiro nos Estados Unidos. Uma boa consultoria de Marketing poderá auxiliar o empresário a encontrar os canais que o ajudarão a promover a empresa corretamente”

e/ou sequer sabem qual o melhor espaço para anúncios e alcance de seus públicos nos EUA. As tentativas às cegas só geram

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prejuízos”, alerta. Para posicionar as marcas, produtos e serviços brasileiros nos mercados internacionais, Rodrigo Lins explica que um dos mais relevantes recursos é a assessoria de imprensa. “Temos publicado clientes brasileiros na grande imprensa americana com excelentes resultados. O mesmo acontece para empresas americanas focadas no público brasileiro e hispânico. Aparecer em grandes emissoras de TV, rádio, jornais e revistas credibiliza um produto recém-chegado”, finaliza Lins. Outro erro muito comum cometido por empresários brasileiros que iniciam empreendimentos nos Estados Unidos, segundo Rodrigo Lins, é contratar serviços de divulgação do Brasil, acreditando ser mais baratos. “Uma empresa do Brasil não conhece o mercado americano, não divulga nos Estados Unidos e, fatalmente, aplicará à nova empresa, produto ou serviço, uma estratégia que pode até dar certo no Brasil, mas não funcionará nos EUA. É uma economia que, em todos os casos que analisei até agora, só gera prejuízos no médio prazo”, pondera Lins.

ONEVOX PRESS

vmarketing empreendedorismo

RODRIGO LINS é mestre em comunicação, professor universitário, jornalista e escritor, reside nos Estados Unidos e é autor do livro “Internacionalize-se: Parâmetros para levar a carreira profissional aos EUA legalmente”. Dirige a agência de Comunicação, Marketing e Imprensa Onevox Creative Solutions.


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vliderança

Mudança de comando na

ANTONIO TOZZI antoniotozzi@bizbrazilmagazine.com

FEDEX ASSESSORIA DE IMPRENSA

CÂMARA DE COMÉRCIO FL-BRASIL

v Na condição da maior câmara de comércio binacional da Flórida, a BACCF (Brazilian American Chamber of Commerce of Florida) tem sempre procurado renovar seus quadros de associados. Mais do que isto, tem procurado injetar renovação nas posições de liderança a fim de manter-se atualizada e de braços abertos à vinda de novos membros. Uma dessas lideranças é Guilherme Gatti, que assume o cargo de presidente da BACCF durante a realização da Feijoada da Câmara, evento que se realiza em fevereiro eC serve como entronização do novo comandante dessa importante organização facilitadora de negócios entre Brasil e Estados Unidos que tem forte atuação há quase 40 anos. Gatti é vice-presidente de Customer Experience Operations da FedEx. Filiou-se à BACCF em 2014 a convite de Marilyn Blanco-Reyes, vice-presidente da Área Jurídica da empresa de transporte de encomendas, que já exerceu o cargo de presidente por dois mandatos consecutivos. Depois filiou-se ao board. E agora aceitou o desafio de comandar a entidade empresarial. FEDEX INCENTIVA PRESENÇA DE SEUS EXECUTIVOS EM CÂMARAS BINACIONAIS Sua ascensão confirma a visão de que a empresa incentiva este tipo de atitude. “A FedEx participa de algumas câmaras bilaterais, principalmente nos países da América Latina onde operamos. Em Miami, participamos ativamente da BACCF, mas também somos membros de outras instituições que promovem negócios e o desenvolvimento econômico e social tanto na Flórida quanto em países da América Latina. Alguns exemplos são a Beacon Council e a Council of the Americas”, menciona Gatti. “A FedEx nos apoia pois entende que a participação ativa em instituições que promovem comércio bilateral é também benéfica para os nossos negó-

Guilherme Gatti assume a BACCF cheio de planos para o mandato de 2020 v16.BIZBRAZILMAGAZINE


vempreendedorismo cios na América Latina”, complementa. A BACCF é a maior câmara de comércio bilateral do estado da Flórida. Ela conta com quase 40 anos de experiência e tem mais de 300 associados. A Câmara produz mais de 50 eventos por ano que ajudam associados a promover comércio e negócios, gerando conhecimento e networking. Entre suas metas, está a expansão do quadro de associados: “Temos mais de 300 associados e esperamos aumentar nossa base em, pelo menos, dois dígitos percentuais. Essa é a nossa meta para 2020”. A Câmara, como é chamada, conta com uma série de eventos “Flagship”, como o Independence Gala, o Excellence Award, a Feijoada, entre outros, que permitem aos associados fazer networking e divulgar suas marcas por meio de patrocínios. Também, por meio do road show e seminário “Como Fazer Negócios nos Estados Unidos”, a Câmara promove o aumento do comércio e dos negócios entre a Flórida e o Brasil, educando e preparando executivos para que tenham sucesso em seus empreendimentos. As grandes oportunidades estão na geração de valor aos associados e em novas alianças estratégicas que possam expandir a presença da associação e sua agenda de eventos. NOVIDADES DA BACCF PARA 2020 Este ano, a Câmara promoverá novas séries de seminários e encontros para gerar ainda mais valor aos associados, conforme revela Gatti: “O Leadership Series trará líderes executivos de várias áreas – Marketing, Jurídico, Finanças e RH que falarão sobre os desafios de gestão de negócios no Brasil. A série de seminários de inovação em negócios (Business Innovation) será implementada em parceria com a Babson School of Management e tratará de temas relevantes para os profissionais que buscam entender e expandir

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soluções inovadoras em seus negócios”. Mesmo sendo um executivo atarefado, o novo presidente acredita ser possível, com planejamento antecipado, cumprir uma agenda previamente definida de eventos e conta para isso “com a dedicação do nosso board e do staff da BACCF, que sempre produzem resultados impecáveis”. Em relação ao cenário econômico, Gatti avalia que o ano de 2020 começou com boas projeções de crescimento e com uma expectativa de aumento no comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos. Isso implica no aumento do trânsito de pessoas e produtos nos principais aeroportos e portos do país, especialmente na Flórida. E cita números para embasar seu otimismo: “Em 2018, o comércio entre Brasil e Flórida atingiu mais de $20 bilhões, o dobro do valor comercializado entre Florida e China (#2), que foi em torno de $10 bilhões. A Flórida representa aproximadamente 29% do comércio entre Estados Unidos e Brasil ($70.66 bilhões em 2018) e mais de 1.000 companhias possuem sua matriz para América Latina baseada na Flórida”. E acrescenta em um crescimento paulatino no futuro próximo: “Os resultados também podem melhorar à medida que forem sendo criados novos mecanismos que auxiliem e promovam o empreendedorismo internacional, especialmente relacionados ao crédito e às questões tributárias e de logística”. Esse paulistano casado e sem filho adora Miami Beach, onde mora. Fã da prática de esportes, tem como hobby ler, ir ao cinema e a restaurantes. Ele até sugere algumas opções de lazer para os moradores e turistas da cidade: “Na minha lista de melhores lugares para conhecer estão os restaurantes Milos, Pubbelly Sushi, Joe Stone Crab e as diversas opcões do ‘Time Out’, além do bar do Hotel Standard, todos em Miami Beach”.

PRESIDENTES DA BACCF 1982 Thomas Skola 1983 Thomas Skola 1984 Paulo Afonso Pena 1985 Bruno Borghini 1986 Hilary Langen 1987 Marinus D. Otte 1988 Paulo Pacheco Pereira 1989 Rene Duvekot 1990 Nelson Slosbergas 1991 Julio M. Rodrigues 1992 Luiz Ernesto Gozzoli 1993 John H. Friedhoff 1994 Eduardo C. Santos 1995 Renato Scaff 1996 Robert A. Porter 1997 Francisco Ruiz 1998 Paulo Ehlers 1999 Flavio Carvalho 2000 Paulo Miranda 2001 Louana Oliveira 2002 Paulo Rocha 2003 Paulo Rocha 2004 Eduardo C. Santos 2005 Alyosio Vasconcellos 2006 Robert Londono 2007 Marilyn Blanco-Reyes 2008 Jose Sampol 2009 Claudio Cury 2010 Claudio Almeida/Eduardo C. 2010 Santos 2011 Saulo Ferraz/Claudio Cury 2012 Claudio Cury 2013 Carlos Mariaca 2014 Felipe Berer 2015 Marilyn Blanco-Reyes 2016 Marilyn Blanco-Reyes 2017 Ericson Reis 2018 Cassio Segura 2019 Cassio Segura 2020 Guilherme Gatti

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v17.BIZBRAZILMAGAZINE


vcomunicação ANTONIO TOZZI antoniotozzi@bizbrazilmagazine.com

JORDANA LUCHETTI,

empresária multimídia

Estar antenado com as mídias digitais é essencial no mundo atual. Por isso, Jordana usa todas ferramentas para capitalizar negócios para seus clientes e parceiros v18.BIZBRAZILMAGAZINE

v Não se engane. Por trás do rosto bonito e da comunicabilidade, Jordana Luchetti traz consigo uma empresária bem sucedida, com atuação multifacetada, representada pela JLC Public Relations & Marketing, empresa fundada por ela há cinco anos e da qual é presidente e CEO. Radicada há 11 anos em Cape Cod e agora em Boston (Massachusetts), é advogada, pianista, colunista e apresentadora de programas de rádio e TV e direciona seus esforços para uma comunicação eficiente e eficaz voltada aos negócios e ao networking. Ela usa esta expertise para assessorar empresas brasileiras que querem entrar no mercado norte-americano e também atua com empresas sediadas nos EUA a terem resultados positivos com seus clientes. Entre suas atividades, destacam-se criação de marcas de eventos, campanhas publicitárias, eventos, geração de leads, produção de vídeos comerciais, InLives e elaboração de conteúdo personalizado, produção e gerenciamento de social media, criação de canais e plataformas digitais. Aliás, por essas especializações, Jordana Luchetti se tornou a mais nova parceira da BizBrazil Magazine. Acompanhe nessa entrevista o que pensa nossa mais nova colaboradora. v BizBrazil Magazine: Jordana, você se qualifica como influencer digital? O que isto significa exatamente? n Jordana Luchetti: Nunca me imaginei como uma influencer digital. Até porque o termo “Influenciadora” é forte e com uma responsabilidade enorme. Sempre me identifiquei como uma comunicadora e empreendedora apaixonada pelo que faço. Com diploma de advogada e pianista. Então, quando comecei a me envolver com mídias nos EUA e usar plataformas digitais para me comunicar levei um susto ao receber convites como da Amazon. com, Xfinity e outras empresas para falar deles para meus “amigos”, pois nunca tinha pensado em seguidores. v Por se tratar de uma atividade nova, um influencer digital pode ajudar empresas e empresários? n  Pode sim. E muito. Para mim influencer digital é alguém que possui um público fiel e engajado em seus canais online e, em alguma medida, exerce capacidade de influência na tomada de decisão de compra de seus seguidores. Segundo a


revista Forbes, uma das mais importantes quando se trata de marketing digital, o termo “influência”, neste contexto, está diretamente relacionado aos seguidores com quem o influenciador compartilha conteúdo. v Quais estratégias um influencer digital deve adotar para se diferenciar neste emaranhado de sites, mídias sociais e postagens neste mundo cibernético? n Acredito que caráter, autoridade e com certeza a trajetória da pessoa faz toda a diferença. Um influenciador promove idéias, produtos e conceitos, fazendo recomendações de maneira natural. No meu caso, a JLC Public Relations & Marketing desde 2015 vêm construindo resultados muito relevantes para empresários e empresas em seis estados nos EUA e alguns outros no Brasil. v Que tipo de plataforma você prefere para divulgar seus clientes ou suas atividades? Por quê? n Na via digital hoje com certeza Instagram e YouTube são os grandes aliados. Porém, os brasileiros nos EUA ainda usam muito o Facebook (principalmente os grupos) e também o WhatsApp. Na verdade, tudo dependerá do estudo de cada caso para saber qual via será mais satisfatória para determinada ação. E com certeza eventos presenciais são de extrema importância e amo o contato com as pessoas. v Quantos seguidores Jordana Luchetti

tem? E como faz para aumentar o número de seguidores? n  Não acho que números sejam tão significativos assim. O que vale é o engajamento. Quantas pessoas são motivadas com seus stories, posts e etc. Nossos números contando como forma geral chegam a mais de 300K em algumas plataformas. O que aumenta? Simples! Conteúdo! Ter um perfil que agregue para as pessoas. Ajudar seu nicho a encontrar soluções para a vida. Agregar valor! Não queira o atalho: Evite o “jeitinho”. Não é segredo para ninguém que muitas personalidades e marcas compram seguidores e curtidas falsas com objetivo de fazer com que seus perfis pareçam mais famosos e queridos pelo público. Empresas que comercializam esse tipo de serviço normalmente criam perfis falsos ou compram contas inativas e, uma vez que uma determinada marca encomende um número específico de seguidores, usam essas contas falsas para fazer os seguidores de seus clientes aumentar. v Como é possível aferir o retorno de seu trabalho? Há algum instituto que mede este índice ou tudo é feito com base na intuição? n  Todas as plataformas possuem uma parte chamada “insights” onde é medido qual post teve mais alcance, visibilidade e conversão. Como citado antes, minha empresa faz este tipo de consultoria tam-

bém. Além disto, possuo uma equipe toda voltada para os melhores resultados das nossas ações online e também de todos nossos clientes. v Você acredita que influenciadores digitais estão substituindo as mídias tradicionais (rádio,TV, jornal ou revista) ou as duas atividades se complementam? De que forma isto pode ser feito? n Acho que se completam. Eu mesma já fiz ações para uma grande emissora de TV. Estas ações foram realizadas em primeiro momento na área digital e depois foi para a TV. Pode até ser que tudo se digitalize em alguns anos. Mas, prefiro pensar que ser completo é a melhor estratégia. v Agora, que nos tornamos parceiros oficiais, como você pretende fazer a divulgação da BizBrazil Magazine usando seus recursos de influencer digital? n Verdade! Somos parceiros! Que notícia incrível! Será uma grande e fácil responsabilidade. A BizBrazil Magazine possui tudo o que acabei de citar. Autoridade, autonomia e uma história de sucesso que tem ajudado a comunidade há tempos. Então, para mim, trazer isto para minha audiência será um grande prazer. A realização da minha missão de vida é trazer solução prática para vida das pessoas, conectando a população com empresas e serviços que poderão realmente ajudá-los a obter uma vida melhor. Gratidão a BizBrazil Magazine pela confiança e parceria.

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vcomércio exterior

GRANDES MUDANÇAS

à frente em 2020 JOSEFINA GUEDES info@bizbrazilmagazine.com

v No final de 2019, o Executivo brasileiro fez um balanço do primeiro ano de governo, apesar do atual governo ter encontrado um país completamente endividado, contas públicas caóticas, déficit fiscal elevado e altíssima

v20.BIZBRAZILMAGAZINE

taxa de desemprego nunca visto antes na história do país. O balanço de 2019 foi muito positivo, inflação em 4%, juros em 5%, IBOVESPA 108.000 pontos, juros internos 0,8% e Risco-País elevado para 116 pontos. O ano de 2020 será de realizações ainda maiores, com o calendário das privatizações e aumento das Parcerias Público-Privadas, permitindo a realização dos maiores investimentos em infraestrutura já vividos pelo país e, claro, a aprovação das reformas tributária e administrativa, tão urgentes como a previdenciária aprovada em 2019. Com relação à área internacional a grande realização de 2019, foi o fechamento do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, que se arrastou por 20 anos, e é considerado por todos como estratégico e excelente para as economias de todos os países-membros envolvidos. Para vigorar plenamente, tal acordo deverá ser aprovado pelos parlamentos dos países em no máximo um ano e meio, prazo considerado normal para esse tipo de arranjo comercial. Importante também a assinatura de acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), bloco formado por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça, de negociações iniciadas desde 2017. Este acordo também terá de ser aprovado pelos parlamentos, podendo entrar em

vigor bilateralmente. Para 2020, a área internacional segue com uma agenda bem intensa, visto que Brasil e Mercosul possuem calendários de negociação com Canadá, México, Singapura e Coreia do Sul, entre outros. Em relação aos países, considera-se que seriam prioritários os Estados Unidos e o México. Com os EUA, a proposta é realizar uma área de livre comércio. Sobre o México, o Brasil já conta com um acordo automotivo importante, além de outro acordo bilateral mais tímido. As negociações caminham para ampliar estes acordos, sem um desenho ainda decidido se será acordo de livre comércio ou acordo parcial. Há muito interesse da parte brasileira, mas ainda não está claro o interesse dos mexicanos, principalmente porque acabou de iniciar um novo governo. Com relação ao Canadá, o formato é de um acordo de livre comércio. Foram realizadas nove rodadas negociadoras e acreditamos que o calendário seja acelerado para concluir o acordo até o final deste ano. Diante das negociações em curso e as futuras que já estão sendo avaliadas pela Camex, o próximo foco do Conselho de Ministros do governo brasileiro será a Ásia, como os países do bloco da ASEAN. Diante disso, 2020 promete ser um ano ainda mais acelerado no calendário negociador. Com relação ao mundo, no final do ano passado, foi muito interessante a palestra do secretário especial de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Sr. Marcos Troyjo, no Conselho de Relações Internacionais da Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro). Resumiu o cenário mundial dessa última década, afirmando ter sido os Estados Unidos o maior ganhador da última década em relação aos investimentos e finanças internacionais. Justificou o resultado alcançado pelos investidores que conseguiram obter ganhos três vezes superiores investindo nos Estados Unidos do que aqueles que optaram em investir nos demais países. Além disso, salientou que 88% das transações internacionais foram usadas em dólares norte-americanos, e 2/3 das reservas cambiais assentadas pelo mundo são em dólares norte-americanos.


“ MARCOS TROYJO é secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais Com todo esse cenário positivo, um PIB de $23 trilhões em 2019, que representa 25% do PIB global, e com uma economia pujante e de pleno emprego, observa-se a supremacia dos Estados Unidos, diferentemente do apregoado no início da década passada por muitos analistas, de que a China seria o grande centro financeiro econômico do mundo. Isto não aconteceu, talvez pelas intervenções do governo chinês na bolsa financeira, que gerou insegurança para os investidores, resultando na perda de apetite pela China, e aumentando ainda mais o interesse pelos Estados Unidos. Em relação ao dólar, com todo esse cenário e a “guerra comercial” entre China e Estados Unidos, era previsível o fortalecimento dessa moeda, o que gerou uma vantagem comparativa, para exportações de países como o Brasil, nesse primeiro momento. Entretanto, não é instrumento apropriado de médio e longo prazo, como garantidor da competitividade das indústrias brasileiras no mercado internacional e nacional. O Brasil conta com indústrias inovadoras, tecnológicas e sustentáveis. Mas o “Custo Brasil” tira a competitividade final dos nossos produtos, pela carga tributária elevada e complexidade tributária, exportação sem a total desoneração de

PIB de $23 trilhões em 2019, que representa 25% do PIB global, e com uma economia pujante e de pleno emprego, observase a supremacia dos Estados Unidos, diferentemente do apregoado no início da década passada por muitos analistas, de que a China seria o grande centro financeiro econômico do mundo”

impostos, redução da alíquota do Reintegra, energia elétrica e gás natural caros, logística complicada e burocratizada e custo elevado da mão-de-obra. Somente com a aprovação das novas reformas em curso e medidas econômicas iniciadas pelo novo governo poderemos reduzir o Custo Brasil a níveis aceitáveis. Depois de duas décadas com o Brasil focado numa política externa para o Mercosul e em relações comerciais Sul-Sul, as exportações brasileiras resultaram nas exportações de produtos manufaturados para a Argentina. Tal estratégia focada em ideologia e não no pragmatismo, não decolou devido ao fato a Argentina não ter conseguido melhorar sua economia nesse período, o que impactou negativamente as indústrias manufatureiras brasileiras nesses últimos anos, agravando-se ainda mais com a crescente deterioração da economia argentina. Atualmente, com o governo mais prag-

JOSEFINA GUEDES é diretora da Guedes, Bernardo, Imamura & Associados Consultoria Internacional mático na política externa brasileira, observa-se que o Brasil não tem interesse de abandonar o Mercosul, mas, sim, abrir caminho para novas relações comerciais e maior inserção da economia brasileira com o mundo. Assim, muitas medidas já estão sendo analisadas e implantadas pelo governo para maior competitividade da indústria brasileira e inserção nas cadeias globais. 2020 será um ano de maiores desafios para o atual governo, e ainda maior para todo o setor privado brasileiro, visto que as reformas precisarão seguir todos os trâmites internos necessários para serem aprovadas, mas a competição internacional e o mercado são cada vez mais velozes e vorazes, gerando um descompasso gigante entre o público e o privado.

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vcâmbio empreendedorismo

O MOVIMENTO

migratório e as transferências de dinheiro no mundo Imigrantes movimentaram um volume superior a $680 bilhões, segundo Banco Mundial VIVIAN PORTELLA* info@bizbrazilmagazine.com

v O fenômeno da emigração e imigração é conhecido e praticado desde que o mundo é mundo. Ele engloba desde pássaros fugindo de rigorosos invernos até o homo-sapiens da pré -história que realizou grandes movimentos migratórios 70 mil anos atrás, povoando a superfície terrestre. Atualmente a migração internacional é desencadeada por diversos fatores como guerras, desastres ambientais, questões econômicas ou políticas relevantes, ou simplesmente a busca por estudo mais qualificado e trabalho, normalmente visando melhores condições da qualidade de vida. Conforme relatório da ONU, em 2019, o número de imigrantes no mundo chegou a 272 milhões de pessoas. Em 2015 eram 244 milhões. Vê-se que o número é crescente dada também à maior capacidade de emigrar nos tempos de hoje, especialmente para as classes mais privilegiadas. Confirmando o que já esperávamos, ainda segundo o mesmo relatório, o local que mais recebe imigrantes no mundo são os Estados Unidos da América, com 51 milhões de pessoas. CONTEÚDO PATROCINAD0

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Estabilidade econômica, confiança jurisdicional, segurança política, avanço tecnológico e investimento em educação e saúde são algumas das principais características na busca pela oportunidade de uma vida melhor. Aliado à isso, há um fluxo imenso de transferências de recursos financeiros internacionalmente com a finalidade de manutenção de despesas e familiares no país de origem. Dados oficiais do Banco Mundial registraram um volume de mais de 680 bilhões de dólares transacionados, apenas relativos a transferências de imigrantes no mundo. Falando do corredor Brasil - Estados Unidos, estima-se que tenha ocorrido uma movimentação total de aproximadamente 700 milhões de dólares no último ano. Os impactos desse movimento são os mais diversos, podendo ocasionar mudanças culturais, geração de novas profissões, distribuição de renda, apoio no desenvolvimento de economias mais pobres, manutenção e melhoria da qualidade de vida de populações em regiões carentes possibilitando maior consumo, acesso à alimentação, estudo e saúde. Mais recentemente, com a modernização dos meios de pagamento internacionais, o que vemos é uma crescente integração mundial de bancos e institui-

ções financeiras tradicionais e inovadoras como fintechs e bancos digitais que tendem a facilitar mais, a cada dia, esse grande mercado migratório.

*VIVIAN PORTELLA é diretora de Governança e uma das sócias da B&T Global Consulting


vinvestimentos

RENDA VARIÁVEL é

nova paixão do investidor Desiludido com juros baixos, muita gente migra para investimentos de risco ANTONIO GABRIEL* info@bizbrazilmagazine.com

v Quem já passou por um processo de divórcio ou viu esse cenário de perto na família ou entre amigos sabe bem: tão difícil quanto a decisão de se separar é a de reorganizar a vida depois. Isso porque anos de convivência significam bens em comum, em alguns casos filhos, além de planejamentos que precisam ser alterados de uma hora para a outra. Separar-se é um acontecimento impactante. Só que após a dor da separação de um longo relacionamento, não é incomum que os recém-divorciados despertem para os prazeres que a vida de solteiro oferece: se relacionar sem compromisso, não ter que dar satisfação a ninguém, sair sem hora para voltar, se apaixonar novamente, quem sabe? Realmente essa é a parte boa e a euforia é quase inevitável. O problema é que, de repente, numa tarde nublada de domingo vem o vazio e bate aquela vontade de voltar. Aí vem a depressão. Acredite se quiser, mas essa analogia cai como uma luva para contextualizar o momento dos investimentos no Brasil. Primeiro porque esse é um dos casos em que a separação é inevitável e o investidor já aceitou: a taxa Selic atingiu nova mínima histórica, de 4,5%. O investidor que, durante muitos anos, viveu uma verdadeira relação de amor com o juro alto e viu seu dinheiro render até na poupança, precisou aceitar que esse amor não é mais correspondido. E ele parece ok com isso. Boa parte dos investidores não apenas absorveram a separação, mas sacudiram a poeira e foram curtir o que a vida, ou melhor, o que mercado financeiro tem para hoje: renda variável. A Bolsa tem sido uma das principais escolhas dos brasileiros, não à toa, tem batido sucessivos recordes. No

início de janeiro deste ano, ela chegou a 118 mil pontos, o mais alto índice já registrado. Tudo isso é muito bom, o investidor tocou a vida e seu futuro realmente é longe do lucro pela taxa de juros. O problema está na euforia desse novo amor, que apesar de apaixonante, ainda é pouco conhecido pelo investidor nacional. Aqui é preciso ir por partes. Como já foi dito, a renda variável está ganhando força no Brasil agora e nesse começo tudo está maravilhoso, como os índices citados comprovam. Contudo, a natureza da renda variável, como o próprio nome diz, é a oscilação. A longo prazo, a curva tende a ser ascendente. Mas mesmo subindo, em algum momento, ela deve cair, para depois subir novamente. Esse sobe desce vai dar frio na barriga de quem não está acostumado com a segurança e estabilidade da renda fixa. É natural e esse é o ponto central. O mercado da renda variável é convidativo e é o caminho certo, mas não dá para entrar nesse jogo de forma inocente. Para começar, o investidor precisa ter consolidado em sua cabeça que as oscilações são naturais nesse tipo de investimento. O retorno pode subir e cair de forma pouco previsível e causar uma verdadeira montanha-russa de emoções. Quem chega desavisado pode sofrer muito com isso. Logo, o ideal é ir se expondo aos poucos à volatilidade. Testar seus limites é importante. Nada compra seu sono, portanto, sua carteira tem que respeitar quem você realmente é. Ganhar mais que a média todo mundo quer, mas perder um pouco não pode ser tão doloroso. O famoso “não apostar todos os ovos numa única cesta” também é um princípio básico e a palavra de ordem aqui é diversificação, o que inclui inclusive ativos de renda fixa, ainda que eles rendam menos. Ter uma reserva de emergência garantida é outra regra básica antes de apostar tudo na Bolsa ou nos fundos.

Por fim, é muito importante entender que, se tudo der certo, os juros baixos vieram para ficar e essa será a nova realidade do mercado financeiro daqui para frente. É importante que o investidor curta esse momento de paixão, mas entenda que não é necessário se apressar ou se precipitar. Ele pode estudar o mercado, pensar com clareza sobre essa nova relação. É preciso entender como a renda variável vai fazer parte da sua vida daqui para frente e lhe ajudar não só a proteger seu patrimônio, mas especialmente a multiplicá-lo. Como toda nova paixão, essa também gera uma euforia, um entusiasmo, isso é natural e é bom, uma vez que o amor não correspondido já está superado. Mas é preciso dar tempo ao tempo e entender essa nova realidade. Por isso, quando o assunto for renda variável ou uma nova paixão, a regra é a mesma: vá com calma, mas vá.

*ANTONIO GABRIEL é sócio da RJ Investimentos, escritório de agentes autônomos credenciados à XP Investimentos e parte do G20 da empresa, com mais de R$ 3 bilhões em patrimônio assessorado BIZBRAZILMAGAZINE.23 BIZBRAZILMAGAZINE.23 vv


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