vEXPORTAÇÕES
vFINANÇAS
APEX, ferramenta essencial para empresas brasileiras no Exterior P.5
Receita Federal brasileira vai estipular regras para criptomoedas P.22
v ANO 2 Nº 6 . JULHO/2019
magazine
Embaixador João Mendes:
PORTAS ABERTAS PARA OS BRASILEIROS P. 16
Manoel Suhet garante: Global Business Institute orienta empresários para evitar armadilhas P. 12
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vempreendedorismo
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veditorial
Palavra do Publisher
nova leva de empresários brasileiros bem sucedidos começou a aportar no país, trazendo dólares e muita disposição na mala. Esse fluxo acabou gerando também um novo tipo de profissional oportunista, supostamente encarregado de mostrar os caminhos complicados que levam ao estabelecimento de novos negócios por aqui. Aproveitando-se da falta de conhecimento e da ansiedade dos empresários para chegar ao mesmo sucesso que tiveram no Brasil, desta vez no maior mercado do mundo, alguns profissionais inescrupulosos mostraram caminhos completamente equivocados, que geraram frustração e grande prejuízo para muita gente.
JORGE M. NUNES jorgenunes@bizbrazilmagazine.com
v Um ano passa relativamente rápido. Percebemos isso nas efemérides, quando o ritmo dos anos é marcado e a gente tem impressão de que um ano atrás foi ontem. É o caso do aniversário da BizBrazil Magazine, que de repente chegou quase que despercebidamente por nós. Um ano atrás surgiu a ideia, compartilhada por Antonio Tozzi e este editorialista, de que havia espaço para uma revista que cubrisse um segmento até então deixado de lado pelas publicações em português nos Estados Unidos – os negócios. A ideia tomou corpo depois que uma série de circunstâncias fizeram com que um novo grupo de brasileiros – empresários em busca da internacionalização de seus negócios – movimentou-se com mais vigor no sentido de estabelecer suas empresas nos Estados Unidos. Assim, uma
Para fazer contrapartida a esse equívoco, surgiu um movimento destinado a orientar realística e responsavelmente o empreendedor que deseja exportar seu sucesso para os EUA. Instituições como a Brazilian-American Chamber of Commerce of Florida e o recém-fundado GBI (Global Business Institute), por exemplo, criaram uma série de eventos e palestras educacionais, tanto no Brasil quanto aqui, para indicar aos empreendedores o caminho certo e seguro que leva ao sucesso nos Estados Unidos. A ideia inicial da BizBrazil Magazine veio nessa mesma onda: criar um veículo de comunicação que fosse o guia desse caminho, a partir do relato dos empresários brasileiros que deram certo nos Estados Unidos. A abordagem ganhou de imediato o apoio e a contribuição das duas instituições citadas, com as quais a BizBrazil Magazine atua em cooperação. Sobre o GBI, por sinal, há uma ótima entrevista com o seu CEO, Manoel Suhet, na página
12 desta edição. Neste seu primeiro ano de vida, a BizBrazil Magazine alcançou dois sucessos importantes: foi extremamente bem recebida no meio empresarial e passou da periodicidade trimestral para a bimestral, fato que aconteceu antes do previsto. Dois bons motivos para entrarmos no segundo ano com motivação ainda maior. De certa maneira, entretanto, terminamos esse primeiro ano exatamente da mesma forma que começamos, ao destacar na nossa capa e matéria principal a maior autoridade oficial brasileira no estado da Flórida. Na primeira edição, nossa capa foi com o então cônsul do Brasil em Miami, Adalnio Senna Ganem, que deu grande incentivo para nossa iniciativa. Um ano depois, é novamente o cônsul do Brasil em Miami que ilustra nossa capa, cargo desta vez ocupado por João Mendes Pereira, um jovem e vigoroso embaixador, que parece pertencer a uma nova geração de diplomatas brasileiros, empenhados com o compromisso de uma atuação mais prática e efetiva na representação diplomática, tanto no atendimento aos brasileiros, residentes ou não, quanto no trabalho de promover as iniciativas que incrementem as relações comerciais entre o Brasil e o estado da Flórida. A entrevista com o embaixador João Mendes está na página 16. Por fim, agradecemos o apoio de leitores e anunciantes, cuja fidelidade e incentivo durante o ano que passou nos motivou a continuar a todo vapor com o projeto da BizBrazil Magazine, na certeza de que há muito mais sucesso ainda no seu futuro. Nos vemos em breve, nesta mesma página.
EXPEDIENTE v
magazine Publisher Jorge Moreira Nunes Diretor Geral e Editor-Chefe Antonio Tozzi Diretora de Marketing Esterliz Mayer Nunes Account Executive Fernanda Maiolini
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Projeto Gráfico André Hippertt Graphic Designer Valdemar Silva Revisora Ana Paula Franco Colaboradores Antonio Miranda Heliana Deweese Josefina Guedes Fotografia Demetrius Borges Representante no Brasil MediaLink +55 11 2693 5919 / +55 11 98782 2155
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APEX-BRASIL:
ferramenta preciosa para exportadores Órgão serve como instrumento para incrementar exportações e pavimentar a vinda de empresas brasileiras que desejam atuar no Exterior ANTONIO TOZZI antoniotozzi@bizbrazilmagazine.com
v A Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção e Exportação e Investimentos) surgiu como opção para dar apoio aos exportadores brasileiros que desejavam aumentar sua presença no mercado internacional com seus produtos, bens e serviços. Como parceria entre o setor público e o privado, o órgão vem desempenhando um importante papel no processo de internacionalização de empresas brasileiras em todo mundo e está vinculado ao Ministério das Relações Exteriores (MRE). Chegando aos EUA em 2005 como Centro de Distribuição em Doral para serviços de logística e armazenagem, o órgão foi ganhando
musculatura e paulatinamente se tornou referência em termos de estrutura de suporte aos exportadores brasileiros. Tanto que dois anos depois, incorporou os serviços de inteligência e em 2011 se transferiu para um escritório no centro financeiro de Miami. Em 2013, abriu a unidade de São Francisco para dar apoio às empresas brasileiras do setor de tecnologia que desejam estar presentes no Vale do Silício. Finalmente, em 2014, a Apex-Brasil América do Norte ampliou seu raio de ação e incorporou também México e Canadá como áreas de expansão. Vale lembrar que por estar ligada ao MRE a Apex recebe suporte dos Setores Comerciais dos Consulados do Brasil em todo Estados Unidos. Hoje, Apex-Brasil atua em 30 países dos cinco continentes. Apesar de ter inaugurado sua primeira estrutura no governo Lula, a concepção do órgão nasceu dentro do Sebrae durante o governo Fernando Henrique Cardoso e passou a existir em 2001, atuando apenas em Brasília. Portanto, Apex-Brasil tem 18 anos. Sem dúvida, o escritório mais atuante é o de Miami, localizado em um moderno prédio na Biscayne Bay junto à Brickell Ave., centro financeiro da cidade. Ele é comandado por Juarez Leal, o chefe de Operações da Apex-Brasil América do Norte, profissional bastante experiente que estava baseado em Brasília.
PARA QUE SERVE A APEX? A missão do órgão é desenvolver a competitividade das empresas brasileiras, promover internacionalização de seus negócios e atrair investimentos diretos no Brasil. Pode-se dizer que vem fazendo um bom trabalho. Apenas em 2018, 583 empresas foram atendidas diretamente pelos escritórios Apex América do Norte, dividindo-se em 107 empresas usandos serviços de escritório virtual ou físico, 275 empresas beneficiadas por ações de promoção de negócios, e outras 273 recebendo atendimento personalizado. Em resumo, Apex-Brasil atua como centro de negócios e facilitadora para a instalação de empresas brasileiras que desejam participar do mercado norte-americano. Dentro desta estrutura, as empresas podem ter à disposição escritórios virtuais e físicos com atendimento em três idiomas: inglês, português e espanhol. Antes, porém, de pensar em exportar a empresa precisa estar em condições de suprir este mercado com produtos de qualidade, produção suficiente para abastecer os compradores, e ainda cumprir as exigências das agências reguladoras dos EUA, Canadá e México. Para isso, os técnicos das Apex-Brasil seguem o protocolo de Quatro Soluções: Qualificação, Inteligência, Promoção de Negócios e Internacionalização. A confiança é tanta que a Apex-Brasil BIZBRAZILMAGAZINE.5v
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“ Muitas vezes constatamos que a empresa ainda não está devidamente preparada para entrar no mercado norte-americano. Assim, recomendamos que o projeto seja adiado e revisado.
atende a mais de 15 mil companhias em 70 diferentes setores da economia, com destaque para alimentos e bebidas, casa e construção, máquinas e equipamentos e tecnologia e startups. Juarez Leal explica que as Soluções de Qualificação para o Mercado se dividem em atendimento sob encomenda para levantamento de informações de mercado e em internacionalização. No primeiro caso, a Apex-Brasil informa aos candidatos a exportadores como são as práticas comerciais locais e como fazer negócios nos EUA; mostra estatísticas sobre importações, regulações e tarifas; faz contato com compradores, distribuidores, representantes, varejistas e associações do setor, como câmaras de comércio e canais de distribuição, além de divulgar feiras e eventos para benchmarking, e ainda as ações realizadas pela Apex-Brasil nos EUA. Aqui é importante notar que geralmente é feito um filtro. “Muitas vezes, constatamos que a empresa ainda não está devidamente preparada para entrar no mercado internacional. Assim, recomendamos que o projeto seja adiado, revisado e só após estar totalmente adequado entre no processo de exportação. Isto é importante para evitar perda de dinheiro e frustração por parte dos empresários”, destaca Leal. Antes mesmo de a empresa ser considerada como potencial exportadora, Apex-Brasil levanta o histórico para ver sua credibilidade e confiabilidade. Se não passar por este filtro, já está desqualificada. Com referência à internacionalização, a Apex-Brasil fornece dados preciosos para escolha do local de operação, assim como dados econômicos sobre as diversas regiões, fornecidos pelas agências estaduais de investimentos, por contatos nas agências parceiras e prestadores de serviços, tais como advogados, contadores, etc. “Isto é importante. Muitas vezes, a pessoa quer se radicar na Flórida, por exemplo, mas o negócio dele é mais viável economicamente em outra região do País. Cabe a ele, portanto, analisar a viabilidade e ficar mais próximo de sua área de atuação”, esclarece
Leal. Nas Soluções de Inteligência Comercial, estudos incluem informações gerais sobre o país e setor, além de volume e valor das importações, análise da indústria, importadores, fornecedores, concorrentes locais, tarifas alfandegárias, e requisitos e regulamentações. “Nesta fase, trabalhamos em conjunto com as empresas para que elas tenham o máximo de dados, a fim de saber calcular seus custos, conhecer a concorrência, projetar a margem de lucro etc.”, afirma Leal. Em Soluções de Promoção de Negócios, a Apex-Brasil foca nas oportunidades comerciais pela demanda dos importadores internacionais, ou seja: quem são os distribuidores e varejistas americanos; nas feiras comerciais; nas missões comerciais; no Projeto Comprador, no Brasil; no Trade Marketing (lojas de departamento), e no E-commerce. Já as Soluções de Internacionalização são direcionadas àquelas empresas em estágio mais avançado, que desejam estabelecer sua operação internacional. Neste caso, a Apex-Brasil agenda reuniões com empresas do mercado, visitas técnicas, reuniões com prestadores de serviços, entidades privadas e de governo. O foco é sondar o ambiente efetuar levantamento de custos para implantação da operação. Além disto, são realizados seminários e visitas técnicas para avaliação das possibilidades de implantação de operação local, sobretudo em Miami, Chicago, Houston, New York e San Francisco. ESCRITÓRIOS FÍSICOS E VIRTUAIS A Apex-Brasil possui uma estrutura profissional em seu escritório de Miami reservada para os clientes. As empresas interessadas podem pagar um valor variável, dependendo dos serviços contratados, para usar o Escritório Físico. Entre os serviços oferecidos, estão: suporte e orientação para abertura e manutenção da empresa nos EUA e para executivo expatriado; metragem do cubículo (de 6.5m2 até 17.65m2), mobiliário (mesa, cadeira, arquivo com chave), recepcio-
nistas virtuais trilíngue (atendimento personalizado e envio dos recados via email); digitalização e disponibilização de correspondência recebida pela empresa via site seguro para visualização; depósito de cheques em conta do cliente; Internet; telefone com linha própria (ligações internacionais incluídas) e utilização gratuita de até 8 horas mensais de salas de reunião. No caso do Escritório Virtual, os serviços oferecidos são: suporte e orientação para abertura e manutenção da empresa nos EUA; endereço comercial do Escritório Apex-Brasil em Miami; digitalização e disponibilização de correspondên-
JUAREZ LEAL, chefe de Operações da Apex-Brasil América do Norte
PARTICIPAÇÃO BRASILEIRA NO APETITOSO MERCADO NORTE-AMERICANO Com toda essa estrutura, a Apex-Brasil está gabaritada a dar toda assessoria necessária às empresas brasileiras que buscam a internacionalização. A fim de suprir ainda mais as companhias brasileiras e potencializar oportunidades de negócios para o empreendedor brasileiro foi elaborado um estudo
“ Frequentemente a pessoa deseja radicar-se na Flórida, mas o negócio dela é mais viável em outra região do país. Cabe a ela, portanto, analisar a viabilidade de estar mais próximo de sua área de atuação.
cia em site seguro; recepcionistas virtuais (trilíngue – português, inglês e espanhol); Internet; telefone com linha própria (ligações internacionais incluídas); depósito de cheques na conta do cliente; utilização do Escritório Físico em estação de trabalho ou sala standard para uma pessoa pelo período de até 30 dias por ano, e utilização gratuita de até 4 horas mensais de salas de reunião. Quem utilizar espaço de trabalho em ambiente compartilhado no WeWork Embarcadero Center, em San Francisco, pode contar com estação de trabalho para cada empresa; mobiliário (mesa, cadeira, arquivo com chave); free Internet; impressora à disposição; sala de reunião (sob demanda), e recepcionista e serviço de entrega de correspondências.
minucioso, batizado como “Estados Unidos: Visão Regional e Exportações Brasileiras” – um mapa bilateral de investimentos Brasil-EUA, produzido em parceria com a US Chamber of Commerce e Amcham. O documento detalha o panorama econômico das oito macro-regiões norte-americanas, e como as exportações brasileiras estão inseridas em cada uma delas. Para isto, adotou-se a divisão regional do Escritório de Análise Econômica dos Estados Unidos (Bureau of Economic Analysis – BEA): Far West, Great Lakes, Mideast, New England, Plains, Rock Mountains, Southeast e Southwest. Como maior economia e maior mercado consumidor do mundo, os Estados Unidos abrigam 124 das 500 maiores companhias globais em faturamento, muitas das quais atuantes no Brasil. Os EUA são hoje o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China, e o parceiro mais relevante quando se excluem as commodities. Entender as especificidades das diferentes regiões dos Estados Unidos pode ser crucial para o planejamento do empreendedor brasileiro, seja o já posicionado no mercado e que quer aumentar sua exposição, ou aquele que ainda não foi para os Estados Unidos. Dentre as várias informações, destaca-se a diferença marcante de participação e posicionamento setorial das exportações do Brasil nas diferentes regiões. O coordenador de Estratégia de Mercado da Apex-Brasil, Igor Celeste, explica algumas destas especificidades: “No Far West, onde estão os estados da Califórnia, Washington e Oregon, temos uma participação menor do que a média geral nas importações (0.55% em 2017) e concentração em produtos básicos, como petróleo e derivados. Já no Great Lakes, onde estão Illinois, Ohio e Michigan, a participação brasileira é maior (1.08%) e concentra-se em produtos manufaturados, como metalúrgicos, produtos de metal e equipamentos de transporte”. Segundo dados do International Trade Center (ITC), os EUA repre-
sentam 13.5% das importações mundiais de bens. Em 2018, o Brasil foi o 17º maior fornecedor para esse mercado, com exportações de $28.7 bilhões, equivalente a 1.2 das importações totais dos Estados Unidos. “Se chegarmos a uma participação de 1.5% nesse mercado, estamos falando em ganhos de até $6.8 bilhões para nossas empresas. São mais de $2 bilhões a cada 0.1 ponto percentual de participação. Além disso, a conjuntura atual, com alinhamento politico-estratégico entre os dois governos, somado ao cenário de tensões comerciais dos Estados Unidos com outros parceiros importantes, como China, União Europeia, México e Canadá, abrirão novas oportunidades para um melhor posicionamento das empresas brasileiras naquele mercado”, complementa Igor. Portanto, é uma boa hora para se investir aqui nos Estados UInidos ou até mesmo associar-se a empresas norte-americanas que desejam estar presentes no mercado brasileiro, sobretudo no setor de infraestrutura. Juarez Leal enfatiza que há intercâmbio de informações constante com agências americanas, como a Select USA, por exemplo, além de parcerias com órgãos estaduais de investimentos. Como trabalha em sinergia com o Setor Comercial do Consulado-Geral do Brasil em Miami, o chefe de Operações da Apex-Brasil faz questão de destacar o empenho efetivo do cônsul João Mendes para agilizar a resolução dos problemas burocráticos que eventualmente surgem nas operações comerciais. “Como o o Consulado atua como instituição oficial do Brasil, há um limite de atuação superior ao nosso. Assim, a participação dele é fundamental. Eu e João temos uma parceria harmoniosa e muita sinergia”, assegura Leal. Dessa forma, o momento é bastante propício para se intensificar o relacionamento comercial entre Brasil e Estados Unidos. E a Apex-Brasil está preparada para dar o apoio necessário àquelas companhias que desejam expandir seus negócios para além das fronteiras brasileiras. BIZBRAZILMAGAZINE.7v
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Como investir e ingressar no mercado norte-americano THAÍS REISS* info@bizbrazilmagazine.com
v Os brasileiros interessados em investir na Flórida contam com auxílio e orientação em português na caminhada rumo ao sucesso empresarial. Atuando no mercado desde 1981, a Brazilian-American Chamber of Commerce of Florida (BACCF) foi fundada em Miami com a missão de fomentar os negócios entre o Brasil e a Flórida, oferecendo workshops e seminários tanto aqui quanto no Brasil. A entidade, uma organização empresarial independente sem fins lucrativos, recomenda que o primeiro passo antes de se aventurar na terra do Tio Sam seja investir estrategicamente na aquisição de informações provindas de fontes renomadas, para entender as diferenças e peculiaridades do mercado. Para tal, a BACCF realiza há 15 anos o seminário “Como Ingressar & Investir no Mercado Norte-Americano”. São três dias intensos de palestras, workshops, estudos de casos e visitas técnicas abordando temas como preparação de uma empresa para a internacionalização, aspectos jurídicos, tributação, finanças, estrutura corporativa, recursos humanos e tipos de vistos, ou seja, uma visão 360º ministrada por profissionais de alto calibre. “O empresário brasileiro busca cada vez mais informações confiáveis que o
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auxilie em sua tomada de decisão”, diz Carlos Mariaca, que, além de consultor, é membro do conselho da BACCF e responsável pelo seminário que ocorrerá nos dias 30 de setembro, 1 e 2 de outubro de 2019 em Doral. “Não basta identificar as suas competências e competitividade, é preciso uma excelente assessoria por profissionais que já trilharam o caminho das pedras.” Ao mesmo tempo que os Estados Unidos possuem um sistema simples e pró-negócios repleto de oportunidades, o nível de competição é altíssimo, e o empresário deve se preparar adequadamente. Um erro recorrente cometido pelos brasileiros que fracassam é fazer negócios, ou se associar, com quem lhes diz o que querem ouvir, e não com aqueles que lhes dizem o que eles precisam ouvir. Atuando há quase 40 anos no mercado, a BACCF criou não somente o seminário “Como Ingressar & Investir no Mercado Norte-Americano”, bem como um Road Show para promover rodadas de palestras sobre o assunto em mais de 10 cidades brasileiras, além de diversos locais no Sul da Flórida. “Existem ainda entidades como o Setor Comercial (SECOM) do Consulado Geral do Brasil em Miami, Enterprise Florida, The Beacon Council, APEX, a própria BACCF, entre outras, que oferecem assessoria e informação”, complementa Mariaca. “Quanto aos incentivos fiscais, tanto o governo estadual quanto os gover-
nos locais podem oferecê-los, no entanto estes são avaliados por projeto e baseados no escopo e abrangência do mesmo. Vale observar que crédito e financiamento geralmente são providos por instituições privadas.” O mercado norte-americano não é apenas o maior do mundo, é também um dos mais inovadores, com mão-de-obra bem qualificada, recursos, capital e um ambiente de negócios muito menos burocratizado. Para se aprofundar e participar do seminário, acesse www.brazilchamber.org.
*THAÍS REISS é coordenadora de relações públicas da BACCF
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HELIANA vempreendedorismo HELIANA DE SOUZA DEWEESE helianadeweese@bizbrazilmagazine.com
UM NEGÓCIO DE DAR ÁGUA NA BOCA Com showrooms no Brasil e em Miami, a Leclanté Pâtisserie tem o talento culinário impresso no DNA e a vitalidade de uma jovem empresária brasileira
A
história da Leclanté Pâtisserie tem um pé fincado na França e outro no Brasil, mais precisamente em Belo Horizonte. Daria até um bom enredo de filme, desses que começam na cozinha e terminam em sucesso. Mas, a realidade é simples, e a história é protagonizada pela jovem empresária mineira, Maria Thereza Alkmin, chef e nutricionista, formada pela UniBH e especializada em confeitaria na renomada Le Cordon Bleu de Paris. Além dos títulos, ela trouxe junto na bagagem para os EUA o espírito empreendedor e um bom conhecimento do próprio negócio. A Leclanté é uma grife de doces finos que leva a assinatura da chef. Em Belo Horizonte é um buffet especializado em doces para todos os tipos de eventos. Um showroom atende os clientes e as vendas online fazem o produto chegar também a outros estados, onde é possível fazer a entrega através de transporte aéreo. A empresária conta que "a Leclanté começou direcionada principalmente para o setor de casamentos. Ao longo dos anos, por demanda passou a atender de forma muito significativa o cliente corporativo. Inicialmente, nossa maior diversidade e especialidade era no cardápio de mesa de
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doces para eventos. Mas o retorno do público direcionou grande parte da nossa produção para as lembranças de eventos". Na variada linha de mais de 50 tipos de doces e sabores diferentes, o destaque fica com a "prima dona" e o produto de maior sucesso: o "lace cake", que tem marcado presença em festas e eventos corporativos no eixo Brasil-Flórida, já que agora é também distribuído no mercado americano. "No último ano nosso faturamento aumentou em 15%", comemora a chef. O DEBUT DA LECLANTÉ EM MIAMI O empreendedorismo deixa os olhos atentos às oportunidades, e pôde converter uma simples experiência em um bom negócio. A empresária conta que "em 2016 veio visitar familiares em Miami e trouxe alguns lace cakes para presentear e apresentar
para algumas pessoas”. A originalidade e qualidade do produto agradaram tanto os presenteados que ela resolveu pesquisar. Constatou que não existiam produtos concorrentes no mercado, e identificou o espaço que seu produto poderia ocupar nos EUA. Uma das pessoas que provaram o lace cake era de uma grande empresa, e interessou-se pelo produto para presentear seus clientes no Natal. Em 2018, a Leclanté chegou aos Estados Unidos com vendas online para todos os estados americanos, e acaba de ganhar seu primeiro ponto de vendas na Brickell, bem no coração de Miami. "O consumidor americano que não conhecia nenhum produto similar ficou surpreso e encantado com o lace cake, escolhido para iniciar as operações da empresa nos Estados Unidos. Apesar de ter sido criado no Brasil, o produto tem como base ingredientes e sabores da gastronomia francesa, muito difundida mundialmente. Sendo assim, não houve a necessidade
Chef MARIA THEREZA ALKMIN
inicial da alteração dos produtos para uma adequação ao público americano. São oito sabores criados para atender a diferentes paladares, mas o que faz mais sucesso aqui é o nosso tropical maracujá, enquanto no Brasil os bestsellers são os de chocolate com avelã", compara ela. PLANOS E APOSTAS O princípio de todo bom negócio é estabelecido pelo conceito do produto ou do serviço oferecido, sustentado pela forma de comunicação de sua proposta. A da Leclanté é comunicada ao consumidor com muita clareza e eficiência, visando apresentar um produto autoral, sofisticado e de sabor único, elaborado com técnicas inovadoras e confeccionado a partir de ingredientes originais e de primeira qualidade. O cuidado com apresentação começa na confecção e se destaca nas embalagens personalizadas, que dão o toque de elegância tanto às recepções como no ato de presentear. Sua idealizadora não economizou no esmero, ao levar para o consumidor o produto que criou com as próprias mãos. Ao idealizar a Leclanté, a empresária investiu com maestria em duas vitais considerações: qualidade e imagem. Repetiu a dose e aliou o planejamento à cautela, quando decidiu pisar em solo estrangeiro. "Dando um passo de cada vez está dando certo", garante ela. Segundo a empresária, "o lace cake foi a primeira aposta para apresentar a marca ao público americano, porque é um produto original e exclusivo da Leclanté, que reúne a delicadeza da gastronomia francesa à criatividade brasileira, e foi responsável por torná-la conhecida no mercado brasileiro. O próximo passo será trazer o
restante da linha Leclanté e criar novos produtos, mais adequados a este novo mercado. Atualmente estamos pesquisando e desenvolvendo sabores mais voltados para o público americano, pensando em tradições da cultura local, como Halloween e Thanksgiving, que são comemorações muito importantes aqui. A longo prazo há também planos de transformar a Leclanté em uma rede de franquias", revela a chef. LAÇOS DE FAMÍLIA Não foi por acaso que a empresária chegou até aqui. Começou sua jornada de negócios muito cedo. Seu interesse pela culinária despertou logo na infância, inspirada pelas frequentes visitas à cozinha das tias. Da bisavó paterna,
dona Clotilde Pires Rocha, herdou no DNA o talento culinário. Atrás da proposta empresarial há também a habilidosa mão da bisavó que, entre as décadas de 1930 e 40, foi empresária do ramo de catering, fornecendo comida de bordo para a primeira companhia aérea brasileira. Seus dotes culinários eram igualmente conhecidos nas sobremesas de recepções do governo do estado,no Palácio da Liberdade, e muito apreciados nos sofisticados eventos e casamentos da alta sociedade mineira. Aos 10 anos, Maria Thereza fez o primeiro curso de culinária, e na adolescência veio a confirmação do talento herdado, tanto para a gastronomia quanto para os negócios. Preparando-se para o
próprio futuro empresarial, Maria Thereza não hesitou em investir em conhecimento. Estudos, pesquisas de mercado e muito trabalho passaram a ser os parceiros da jovem aspirante à empresária. Concluiu a faculdade de Gastronomia, complementou o conhecimento na faculdade de Nutrição, buscou especialização no segmento e tratou de identificar os nichos onde poderia atuar, antes de se arriscar no mundo dos negócios. Aportar no mercado internacional é um largo passo, que deve estar calçado com sapatos apropriados, e vale portanto ouvir o que tem a dizer quem já iniciou essa caminhada. "Minha recomendação é prezar sempre pela qualidade para destacar
o produto. Os parceiros e fornecedores devem ser referências, para garantir que a entrada no novo mercado seja bem sucedida. No caso da Leclanté, a versatilidade ajudou muito, porque nosso produto não tem um perfil apenas tropical. Ele tem características mais internacionais, que permitem uma inserção em todo o território americano, aumentando o potencial de mercado e as possibilidades de venda. Abrir uma filial aqui nos EUA me permitiu aprender muito com o mercado e a familiarizar com o jeito americano de fazer negócios", conclui.
SERVIÇO:
Para saber mais: www.leclante.com
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vempreendedorismo consultoria empresarial
FOTO: DEMETRIUS BORGES
GBI
ensina como entrar (e permanecer) no mercado americano v12.BIZBRAZILMAGAZINE
Grupo de especialistas forma Global Business Institute para dar consultoria a empresários brasileiros que desejam atuar no Exterior ANTONIO TOZZI antoniotozzi@bizbrazilmagazine.com
v Nas últimas décadas, modelos de negócios consolidados há décadas vêm sendo modificados pela chegada de empresas com estrutura enxuta e muita tecnologia – geralmente desenvolvida por elas mesmas. Essa nova maneira de fazer negócios vem sendo implantada em todos segmentos. Um deles é a introdução de empresas e/ou empresários brasileiros que pretendem atuar no mercado americano como exportadores ou mesmo instalando-se nos Estados Unidos e, a partir daqui, operar internacionalmente.
EQUIPE GBI: Juliano de Oliveira, Manoel Suhet, Zeno Silva, Antonio Miranda, Igor Pipolo, Alberto Suannes e Fernando Mello Ao mesmo tempo, a crise brasileira, gerada por falta de perspectivas para investimentos e crescente violência, empurrou muitas pessoas para o Exterior em busca de novas oportunidades. Pior do que a “fuga de capitais”, isto está caracterizando-se como a “fuga de cérebros” com consequências incalculáveis para o futuro. Esse fluxo abriu espaço para pessoas que resolveram tirar proveito da ansiedade dos novos imigrantes e, sobretudo, da sua falta de conhecimento da cultura local. Assim, surgiram os chamados “consultores” – pessoas que moram nos Estados Unidos há algum tempo e propagam ser a porta de acesso ao “sonho americano”. Na maioria das vezes, no entanto, o sonho virou pesadelo e muitos retornaram ao Brasil em condições ainda piores, por terem gasto dinheiro da forma errada e sem nenhum planejamento. Ora, a preocupação dos tais “consultores” se resumia a indicar corretores de imóveis para vender aos seus novos “clientes”, assim como vendedores de automóveis e outros bens. Mesmo se os recém-chegados não possuíssem meios para se legalizar no país, eram encaminhados para advogados de imigração inescrupulosos, que davam entrada em processos difíceis de ser aprovados. Diante dessa rede, os incautos se viam em uma encruzilhada. Ou retornavam ao Brasil mais descapitalizados do que estavam ou tentavam superar os problemas às custas de mais investimentos e à procura de profissionais sérios que lhes pudessem dar o aconselhamento devido. GBI SURGIU PARA SUPRIR ESSA DEMANDA Por terem passado por situações similares ou conhecerem empresários que se deram mal ao recorrer aos aconselhamentos dos tais “consultores”, esse grupo de empresários – todos bem sucedidos em suas áreas de atuação – decidiu se unir e constituir o Global Business Institute, justamente com o objetivo de auxiliar os empresários em suas tomadas de decisão e consequentemente reduzir o risco de perda de dinheiro e o stress na fase de adaptação ao novo país. O grupo é bastante eclético e possui es-
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Temos parceiros de negócios – Subject Matter Experts SME, criteriosamente selecionados – por performance, conteúdo e ética nos negócios, que se juntam aos projetos por demanda, assim oferecemos uma estrutura completa e flexível para suprir necessidades dos clientes de qualquer segmento de negócios e ciclo de vida internacional
pecialistas bem sucedidos nos mais diversos segmentos. O escolhido para CEO do GBI foi Manoel Suhet, empresário que percorreu o caminho da internacionalização na condição de executivo de companhias de petróleo e gás, e foi o vice-presidente de Vendas da Latam Airlines nos EUA, Canadá e Caribe nos últimos sete anos. Após a carreira de sucesso trabalhando para outras empresas globais como Shell e Trafigura, Suhet decidiu ter chegado o momento de ser empreendedor “serial”. E assim foi feito, aproveitando a experiência no segmento de aviação comercial, criou a bTd – Business Traveler Deals, empresa de tecnologia para viagens corporativas. Além da bTd, Suhet introduziu o conceito de “CEO de Aluguel”, em maio de 2017, com sua empresa de consultoria executiva MSuhet Enterprises Inc, uma das empresas fundadoras do GBI. Com todos esses predicados, não é de se estranhar Suhet ter sido escolhido por seus pares para ser o CEO e porta-voz deste grupo. Toda essa apresentação serve para mostrar quem integra o Global Business Institute. Porém, agora vamos demonstrar por que, para que e para quem foi criado este
grupo. Com a palavra, Manoel Suhet. “A ideia da criação do GBI surgiu a partir da observação do ambiente de negócios aqui. Cada uma das empresas que integra nosso grupo, de alguma maneira, passou pelo processo de internacionalização. E muitas sentiram não ter à disposição na época que chegaram à Flórida instrumentos que pudessem auxiliá-las a superar os percalços inerentes a esta internacionalização”, diz o CEO do GBI. O movimento se intensificou a partir de 2015, com a necessidade de empresários brasileiros procurarem outras paragens por uma série de motivos, dentre eles escapar da crise que havia tomado conta da economia brasileira e ainda uma busca de diversificação de investimentos. “No ano seguinte, os pedidos de saída definitivas do Brasil cresceram 40%”, frisou Suhet. COMO O GBI PODE AJUDAR OS RECÉM-CHEGADOS O grupo reúne todas condições de prover os instrumentos necessários para a instalação de empresas nos Estados Unidos – independente de seu tamanho e capacidade de investimento. “Juntos, temos força para liderar projetos mais complexos porque a sinergia nos permite trabalhar em conjunto em busca do bem comum”, exalta Antonio Miranda, outro executivo do grupo e diretor de Marketing & Sales do GBI. Portanto, o GBI serve como introdutor da empresa recém-chegada no mercado americano, aparando arestas que dificultam suas atuações em um novo cenário. “Empresários com interesse em investir no maior mercado do planeta devem ter consciência de que as regras do jogo são diferentes daquelas existentes no Brasil, onde foram bem-sucedidos. E nós, do GBI, temos condições de conduzir um processo de A a Z ou dentro de nossa metodologia, um End-to-End Process”, esclarece Suhet. Quando ele se refere a um processo de ponta a ponta, é isto mesmo que acontece. Antes de lançar seu produto ou serviço, é necessário fazer uma pesquisa de mercado apurada, a fim de conhecer os hábitos dos consumidores locais, os concorrentes que já atuam no segmento e perspectivas de lucratividade. Em muitos casos, o processo de internacionalização termina aí. “Nossa filosofia é servir como consultores executivos de verdade, isto é, se detectarmos a inviabilidade do projeto, recomendamos que o empresário adie sua entrada aqui para evitar perder dinheiro e queimar sua marca”, assegura Suhet. Este, aliás, é um BIZBRAZILMAGAZINE.13v
vconsultoria empresarial grande diferencial: “Nosso compromisso e interesse é pela perenidade dos negócios de brasileiros empreendedores nos EUA, porque assim todos ganhamos”. E o Brasil já se firmou como um dos países com forte investimento nos Estados Unidos. E, claro, isto não passa despercebido pelas autoridades e associações empresariais americanas. Só para se ter uma ideia de grandeza, o IED (Investimento Estrangeiro Direto) nos EUA cresceu 356% entre 2008, quando somava $9.3 bilhões, e 2017, quando atingiu $42.8 bilhões. Isto refletiu-se também na geração de empregos dentro dos Estados Unidos. Ou seja, investir nos Estados Unidos é algo que pode dar um bom retorno, mas é preciso cercar-se de cautelas a fim de reduzir os riscos. “Após uma pesquisa de mercado e uma estratégia de marca e marketing, realizamos um Business Plan bastante realista, com as condições de risco e de investimento para atuar nos Estados Unidos de forma sustentável. A partir daí, passamos para a parte de execução, que envolve desde a busca de investidores, suporte total na estruturação da empresa, busca de fornecedores globais e até alocação de profissionais tercerizados, a fim de gerir a empresa para os investidores. Este modelo de negócios é o nosso forte, e ninguém no mercado consegue ainda entregar algo similar de forma tão estruturada, com experiência e diversidade de expertise do nosso team”, destaca Suhet. “ATUAMOS COMO ADMINISTRADORES, SE FOR PRECISO” Este, por sinal, é um grande diferencial. “Temos condições de atuar como administradores da empresa localmente. Isto permite às companhias economizar com custos de expatriação de executivos antes dela estar consolidada no mercado. Por sermos empresários, ex-executivos globais com formação nas melhores escolas de negócios no mundo, e conhecer os meandros da internacionalização, atuamos na linha de frente em consonância com a diretoria no Exterior, a fim de poupar custos desnecessários”, enfatiza o CEO do GBI, que também afirma ter o Global Business Institute um caráter internacional, e portanto não se limita à entrada de empresas brasileiras no mercado americano. Companhias de outros países, sobretudo as latino-americanas, são potenciais clientes. “Somos um hub de negócios e já atuamos na internacionalização de empresas americanas e europeias no Brasil. v14.BIZBRAZILMAGAZINE
“Em breve estaremos cobrindo a América Latina e Europa – nosso capital intelectual e a experiência de ‘colocar o umbigo no balcão e arregaçar as mangas para fazer acontecer’ nos permite ter esta visão compartilhada do GBI.” E o suporte é amplo, pois contempla captação de fornecedores, pesquisa de mercado, logística, estratégia, parcerias estratégicas, sourcing, montagem de call centers, enfim, todas as necessidades que uma companhia possa ter para instalar seu produto nos Estados Unidos. O trabalho é realizado em três etapas: Design (o conceito do negócio), Development (o que deve ser feito para se implantar o negócio) e Implementação (a instalação do negócio efetivamente). “Estudamos cada caso e o valor na cadeia de valor para garantir perenidade do projeto, porque sabemos como conectar os dots. É dessa forma, atuando como um hub, que o Global Business Institute quer ser reconhecido”, assegura Suhet. Ou seja, nada a ver com a imagem do “consultor do jeitinho” citado no início da matéria cuja única preocupação era garantir o seu e em seguida deixar o (ex) cliente à própria sorte. O negócio deles sempre foi montar uma rede para vender imóvel, indicar advogado de imigração, lojas de automóveis e, claro, ganhar comissão pelas indicações, porque afinal “ninguém é de ferro”. PREÇO COBRADO PELO GBI É CARO? Indagado sobre quanto custa contratar os serviços do Global Business Institute, Suhet admite ser difícil precificar o trabalho, até porque as necessidades variam de empresa para empresas: “Alguns clientes podem ser empresas que já estão no mercado local e precisam de um turn around. Elas chegaram, se instalaram, mas sentem estar patinando. Precisam, então, de uma injeção de ideias e metodologia e até de investidores para aumentar seu lucro. Outras desejam expandir sua área de atuação. Um diferencial nosso é que trabalhamos com curto prazo: 30, 60 ou 90 dias para entregarmos o diagnóstico. Na caso de implantação, o prazo pode durar até um ano”. Vale a pena frisar que os projetos são sinérgicos, mas independentes. Ou seja, o cliente pode contratar apenas um serviço do pacote e a remuneração será daquela consultoria selecionada. “Temos parceiros de negócios – Subject Matter Experts SME, criteriosamente selecionados – por performance, conteúdo e étnica nos negócios, que se juntam aos
projetos por demanda, assim oferecemos uma estrutura completa e flexível para suprir necessidades dos clientes de qualquer segmento de negócios e ciclo de vida internacional”, reforça. Demonstrando total versatilidade, o Global Business Institute reúne condições de fazer o caminho inverso, que é exatamente abrir oportunidades para empresas americanas que tenham interesse em investir no mercado brasileiro. Por terem conhecimento total dos dois mercados, nada mais lógico do que a contratação dos serviços desses especialistas. Dentro desse quadro se destacam as missões comerciais, que tanto podem ser de empresários brasileiros às autoridades estaduais americanas como o inverso, sobretudo neste momento em que aumentou o interesse de se investir no Brasil em virtude da precariedade da infraestrutura de portos, aeroportos, ferrovias e rodovias. Além de gerar receitas para os estados, isto gera empregos nas comunidades. A participação em feiras e eventos específicos também integra o pacote de serviços disponibilizado pelos integrantes do Global Business Institute. Isto é muito importante, porque vários contratos são fechados nestes ambientes e contar com uma assessoria especializada compensa qualquer investimento. Apesar de ter pouco tempo de existência, GBI já está analisando entre 25 e 30 projetos de empresários que buscam exatamente o que eles têm a oferecer: transparência, valores, experiência e expertise.
MANOEL SUHET, CEO da MSuhet Enterprises Inc e Global Business Institute
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Mas e a ética? É incrível como em apenas cinco anos o ambiente de negócios para brasileiros nos EUA se transformou ANTONIO MIRANDA* info@bizbrazilmagazine.com
v A vida de quem começa um negócio nos Estados Unidos geralmente passa por um caminho com etapas bem conhecidas para quem já conseguiu se estabelecer. Sonho, otimismo, entusiasmo, ansiedade, apreensão, surpresas, trabalho duro, frustrações, mais trabalho duro, mais surpresas, mais frustrações e, no final, felicidade ou arrependimento. São histórias e mais histórias que se repetem. Quando me dei o objetivo de trabalhar em prol da longevidade e sucesso das empresas brasileiras nos Estados Unidos, trazia comigo uma grande vontade de fazer com que o caminho do empreendedor brasileiro fosse mais previsível e seguro. Trazia também uma frustração de ter sido mais uma vítima do modelo tradicional de internacionalização de negócios para empresas brasileiras que imperava no mercado do Sul da Flórida. Um modelo de consultoria em escala que utilizava a mesma fórmula para todos os perfis de empresas. Sempre lembrarei do dia que recebi o business plan da nossa nova empresa americana e nele constava o nome de outra empresa. Numa rápida pesquisa no Google, encontramos a íntegra do nosso business plan ‘personalizado’ no site www.bplans.com. Foi neste momento que percebi que estávamos entrando num mercado tão complexo quanto o Brasil, e que aquela percepção de que num país de primeiro mundo a sociedade tende a ser mais honesta precisava ser rapidamente ajustada. Com o passar dos anos fomos tendo acesso a mais empresários que enfrentaram os mesmos desafios. Muitos ficaram pelo caminho, mas alguns conseguiram se estabelecer, se fortalecer e crescer. Tive a sorte de estar em contato e de ter desen-
volvido bons relacionamentos e amizades com muitos deles. E praticamente todos tinham atravessado o mesmo caminho do sonho americano fácil, que é vendido amplamente pelas consultorias e pelos famosos Youtubers e Instagramers que desfilam de Maseratis e Teslas pelas praias da Flórida. Agora, com empresários mais cientes da realidade, já era possível perceber um movimento muito importante no sentido daquele que deve ser, inquestionavelmente, o único caminho a ser trilhado pelos empresários brasileiros que almejavam o sucesso com propósito e perene, o caminho da ética. É incrível como em apenas cinco anos o ambiente de negócios para brasileiros nos Estados Unidos se transformou. Além do enorme fluxo de profissionais e executivos brasileiros bem capacitados e educados que migraram para os Estados Unidos, principalmente a partir de 2014, ressalto também um fenômeno muito importante para a construção dessa nova geração que está aflorando na América, o surgimento de veículos de comunicação e grupos de empresários que têm colocado a ética como valor essencial para o sucesso do empresariado brasileiro nos Estados Unidos. Além das tradicionais organizações de empresas brasileiras, sobretudo a Brazilian-American Chamber of Commerce of Florida (BACCF) e o Brazilian Business Group (BBG) - que já existiam pré-2014 vejo de forma muito positiva o surgimento de outras plataformas de contato entre brasileiros, tais como a revista BizBrazil Magazine, o Recomendo em USA, o prêmio Focus Brasil e o espaço de co-working Office&Co, apenas para citar alguns, que já nasceram com uma preocupação muito perceptível com a ética. Aproveito para fazer uma justa menção ao Conselho de Cidadãos da Flórida, liderado por um grande brasileiro, o sr. Cassio Segura, que também tem trabalhado para termos um ambiente de negócios mais ético.
Mas ainda faltava algo. Algo que pudesse fazer frente aos vendedores de sonhos e fazer com que esse movimento positivo e ético chegasse ao conhecimento daquele empresário brasileiro que ainda não desembarcou em solo americano e que, quase sempre, é seduzido pelas etapas iniciais da jornada: sonho, otimismo e entusiasmo. E esse algo que faltava, na minha visão, só poderia ser construído por pessoas que contassem com reputação ilibada, formação profissional impecável e, principalmente, um nível de ética absolutamente inquestionável. Foi desse turbilhão de inquietudes que surgiu a ideia de um instituto de negócios, formado por profissionais e empresas idôneas e competentes, que pudesse ser um marco para uma nova forma de ajudar as empresas brasileiras a serem competitivas nos Estados Unidos. Assim nascia a ideia de um instituto de empresas que sintetizasse tudo isso. Entre cafés e jantares nos encontros dos grupos de empresários, naturalmente fomos nos aproximando de pessoas com os valores e capacitação que queríamos para estarem conosco nesse desafio. Nos unimos - Zeno Silva e eu, da SGG International - a Fernando Mello, do IMGroup, José Carlos Gimenez e Alberto Suannes da Alpha KG Company, Manoel Suhet da bTd, Juliano de Oliveira, de SIS Intelligence e Igor Pipolo, da Núcleo, que rapidamente entenderam o propósito do instituto e embarcaram no projeto. Assim, em 25 de abril de 2019 nasceu o Global Business INSTITUTE (GBI). O GBI teve o apoio das principais entidades empresariais brasileiras da Flórida e foi muito bem recebido por boa parte da comunidade empresarial, pois deixamos muito claro desde o início que colocaremos a ética em primeiro lugar em tudo que vamos fazer para ajudar as empresas brasileiras a buscarem seu lugar de sucesso no mercado americano. *Antonio Miranda é formado em Administração de Empresas pela Universidade de São Paulo, tem especialização em Marketing pela Kellogg School of Management e atualmente está na posição de Head de Marketing e Vendas do Global Business INSTITUTE BIZBRAZILMAGAZINE.15v
vdiplomacia Embaixador João Mendes Pereira investe em tecnologia e no contato pessoal para aprimorar o atendimento aos brasileiros
CONSULADOGERAL DO BRASIL EM MIAMI entra em ritmo acelerado com nova liderança
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ANTONIO TOZZI antoniotozzi@bizbrazilmagazine.com
v Trabalhar para o melhor atendimento possível aos brasileiros, apoiar as atividades culturais da comunidade e participar efetivamente de suas iniciativas são os objetivos principais do embaixador João Mendes Pereira, o novo cônsul-geral do Brasil em Miami. Em sua primeira missão como titular de um consulado no Exterior, ele quer garantir o alto padrão de atendimento aos conterrâneos, pois sabe que embaixadas e consulados são pontos de convergência para compatriotas em terras estrangeiras. João Mendes nos recebeu para uma entrevista no seu gabinete do terceiro andar do edifício onde funciona o Consulado, em Coral Gables. Nesse bate papo com João Mendes, reparamos uma cordialidade informal aliada ao rigoroso espírito de dever. Alto, corpulento e cheio de vitalidade, este brasiliense de 53 anos e torcedor do Flamengo sente ter chegado o momento de deixar sua marca no Itamaraty, onde está há cerca de 30 anos. Durante a conversa, passeamos por temas agradáveis e outros nem tanto. O
cônsul, porém, não se furtou a responder e ainda fez questão de explicar detalhadamente cada ponto a fim de dirimir algumas imprecisões. Para começar, a pergunta inevitável: a estrutura do Consulado-Geral do Brasil em Miami é a ideal? João Mendes admite haver carência de mão de obra, e por isso mesmo está abrindo um edital para contratação de mais funcionários, além de substituir aqueles cujo desempenho não foi considerado satisfatório. Neste caso, são funcionários contratados localmente que trabalham no consulado para atender a todo tipo de solicitação, da renovação de passaporte ao registro de novos cidadãos brasileiros nascidos fora do Brasil, como é o caso dos filhos e filhas de brasileiros, que são americanos por terem nascido em solo americano mas brasileiros por hereditariedade. E há ainda outros serviços, como procurações, certidões etc. Há sete diplomatas de carreira servindo no consulado, distribuídos pelos setores comercial, cultural e de atendimento ao público. Eles são trocados periodicamente, porque acabam transferidos para outros consulados e embaixadas espalhados pelo mundo, ou retornam ao Itamaraty, em Brasília, para cumprir outras missões. O ATENDIMENTO É BOM OU RUIM? João Mendes faz questão de esclarecer que assumiu o comando do consulado – a representação diplomática brasileira de maior movimento em todo mundo – em um período turbulento, entre o primeiro e segundo turno das eleições gerais do ano passado. Ele e sua equipe mal tiveram tempo de montar um plano de trabalho, pois a premência do tempo desviou a atenção para a montagem da estrutura eleitoral para o segundo turno, já que cerca de 30 mil brasileiros residentes da Flórida estão cadastrados no Consulado para votar nas eleições presidenciais. João Mendes assumiu exatamente durante o período entre os dois turnos da eleição que acabou elegendo Jair Bolsonaro. Paralelamente a isso, o serviço consular não parou. O que havia parado, ou pelo menos estava mais lento, era o atendimento de consultas prévias, agendadas através do site do consulado. O objetivo de agendar as consultas antecipadamente é para evitar a superlotação da sala de espera, no térreo do edifício onde funciona o consulado, e o consequente mau humor decorrente da espera demorada.
“Para resolver este problema, tive de despachar o responsável pela TI do consulado para Brasília, a fim de encontrar uma solução rápida e eficiente”, comentou Mendes. Ele decidiu ainda permitir que pessoas sem agendamento possam ir ao consulado em função de imprevistos: “Temos de reconhecer que há brasileiros, sobretudo os mais idosos, que não têm acesso à Internet ou têm dificuldade para manejar o sistema. Além disto, não é incomum o caso de turistas brasileiros que são roubados ou perdem documentos e precisam urgentemente de uma autorização para retornar ao Brasil”. Embora reconheça que algumas críticas à morosidade do consulado sejam procedentes, ele admite que muita gente critica sem nenhum fundamento, até por desconhecer as limitações das funções consulares. Um exemplo é o fato de parentes exigirem às vezes que o consulado seja responsável pelo traslado do corpo de algum brasileiro falecido para o Brasil. Na verdade, o consulado funciona somente como um cartório, emitindo os documentos burocráticos necessários. RELACIONAMENTO COM O ATUAL MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES O Consulado-Geral do Brasil em Miami, assim como seus congêneres, representa o governo brasileiro na região que abrange Flórida, Porto Rico e Ilhas Virgens Americanas. Isto significa não apenas o relacionamento com as autoridades locais, mas sobretudo apoio à comunidade brasileira, que na Flórida é bastante numerosa. Falar em números é sempre incerto, pois um percentual conside-
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O empresário tem de estar consciente de que comércio exterior deve ser um segmento de sua companhia e ter um departamento estruturado para isto, e não servir como muleta
rável de brasileiros vive ilegalmente no país e compreensivelmente faz questão de ficar longe do radar. Mas, de acordo com as projeções, este número situa-se em torno de 370 mil compatriotas, de um total estimado de 1.5 milhão que vivem nos EUA. Portanto, dá para imaginar a responsabilidade do consulado para atender uma população equivalente a uma cidade média. Por ter sido colega de turma no Instituto Rio Branco do atual ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, João Mendes revelou já ter conversado com Araújo sobre as atribuições do Consulado-Geral do Brasil em Miami. Os dois fazem parte de uma nova geração de diplomatas que está começando a ocupar postos-chave no Itamaraty. Araújo foi peremptório: “João, faça o melhor para atender os brasileiros que vivem aí na Flórida e os que forem ao estado a negócios ou turismo”, conta Mendes. Indagado sobre o que pensa da nova política externa implementada por Araújo e pelo presidente Jair Bolsonaro, o cônsul-geral do Brasil em Miami foi pragmático: “Não cabe a nós discutir visões sobre o que é melhor ou pior. A verdade é que a população brasileira votou a favor de um programa preconizado pelo presidente e isto vem sendo implantado”, asseverou. Particularmente, ele vê como positivas algumas ações tomadas no âmbito internacional, principalmente o acordo de salvaguarda da base de lançamento de foguetes de Alcântara e a suspensão da exigência de visto para turistas do Canadá, Japão, Austrália e Estados Unidos. Segundo o diplomata, a Embratur já detectou um aumento de aproximadamente 90% no desejo de turistas destes países em conhecer o Brasil. “Isto significa uma mudança de paradigma e deve compensar com lucros a perda da receita decorrente do fim da taxa de processamento do visto para os turistas”, assegurou. O embaixador acredita que as reformas previdenciária e tributária devem recolocar o Brasil no trilho do crescimento e retirar a economia do marasmo que tomou conta do Brasil nos últimos anos. Dessa maneira, no prazo de dois anos, segundo ele, o Brasil deverá entrar em um círculo virtuoso. Ele apenas não se mostra favorável à guerra comercial entre Estados Unidos e China, pois isto pode prejudicar o comércio mundial como um todo. Com relação ao estreitamento de relações com Israel, João Mendes acha que isto não afastará necessariamente BIZBRAZILMAGAZINE.17v
vdiplomacia os países árabes, grandes compradores de produtos avícolas brasileiros. “Tudo depende das negociações. É um jogo de peso e contrapeso. O mesmo ocorre em relação à China. Estar alinhado com os Estados Unidos não significa entrar em guerra com a China, um grande investidor no Brasil”, analisou. CONSULADO COMO AGENTE PARA O INCREMENTO DE NEGÓCIOS Além das funções cartoriais, o cônsul tem atribuições importantes em outras áreas. No Setor Cultural, ele faz questão de prestigiar todas iniciativas idealizadas por artistas e promotores culturais brasileiros. Por isso é comum vê-lo em shows, exposições e eventos envolvendo nossos compatriotas. Até porque cultura também gera negócios. Por falar em negócios, a presença dele e da equipe do Setor Comercial é fundamental no incremento dos negócios entre Brasil e Flórida. Só para se ter uma ideia do poderio econômico da Flórida, o estado americano recentemente superou a marca de $1 trilhão em geração de negócios, algo que o colocaria como
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Recebemos duas mil consultas por mês. Claro que nem tudo se refere a exportações, mas fica demonstrado o interesse na Flórida e no comércio exterior
o 10º país mais rico do mundo. Não é à toa o fluxo constante de brasileiros para cá e o crescente interesse em exportar. “Recebemos duas mil consultas por mês. Claro que nem tudo se refere a exportações, mas fica demonstrado o interesse na Flórida e no comércio exterior”, revelou o embaixador, e complementou: “O empresário tem de estar consciente de que comércio exterior deve ser um segmento de sua companhia e ter um
departamento estruturado para isto, e não servir como muleta”. O Setor Comercial trabalha de maneira estreita com APEX e com o Banco do Brasil no sentido de estimular as exportações de bens e serviços para a Flórida, e a participação do Consulado-Geral do Brasil em Miami é fundamental neste quesito. “Muitas vezes temos de interceder para que sejam liberadas mercadorias ou documentações que impedem o desembarque dos produtos aqui. Esta é mais uma de nossas atribuições que o público brasileiro menos informado desconhece”, afirmou João Mendes. Com todo esse empenho e dedicação, o Consulado-Geral do Brasil em Miami está certamente bem servido com seu novo titular, e os brasileiros podem ficar com a certeza de estar amparados. Isto é ainda mais positivo, pois a comunidade brasileira é vista pelas autoridades da Flórida como ordeira e cumpridora de deveres. E o perfil dos brasileiros que estão adotando o estado americano como lar vem melhorando ainda mais com a chegada constante de jovens empresários, executivos e investidores.
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RUBENS MENIN
recebe BACCF Excellence Award
Empresário foi agraciado com o prêmio no dia 30 de maio em Miami DA REDAÇÃO info@bizbrazilmagazine.com
dir os negócios nos mercados brasileiro e americano. “A sinergia, bem como a troca de conhecimentos entre a MRV e a AHS, por exemplo, geram inúmeras vantagens competitivas a ambas”, asseverou. SOBRE A BACCF: Fundada em 1981 em Miami, a Câmara de Comércio Brasil-EUA da Flórida, ou Brazilian-American Chamber of Commerce of Florida (BACCF), é uma organização independente, sem fins lucrativos. O principal objetivo da Câmara é fomentar os laços entre as comunidades empresariais do Brasil e da Flórida através do apoio a empresas e empresários interessados em se estabelecer ou investir com sucesso nos mercados brasileiro e norte-americano. A BACCF é a maior câmara binacional das Américas no Sul da Flórida com mais de 300 empresas associadas. RONIRA FRUHSTUCK
v O East Hotel, em Miami, acolheu em maio passado um dos mais importantes eventos promovidos pela Brazilian American of Chamber of Commerce of Florida (BACCF): a concessão do Excellence Award a um empresário de destaque. O evento deste ano contemplou Rubens Menin, diretor-presidente da AHS Residential e da MRV Engenharia. Menin é sócio-fundador e presidente do Conselho da AHS Residential “ahs®”, empresa de desenvolvimento imobiliário baseada na Flórida. Com 40 anos de experiência no setor de desenvolvimento imobiliário e construção civil, ele criou a AHS em 2012 para desenvolver, construir e administrar comunidades multifamiliares, de alta qualidade, para trabalhadores americanos. Até hoje, a companhia já entregou sete novas comunidades de condomínios de aluguel em todo Sul da Flórida, atendendo mais de 2.500 residentes entre rendas baixa e média e tem diversos novos projetos em andamento. “Na AHS, nos esforçamos para fornecer às famílias na América uma moradia acessível, onde possam viver com dignidade”, disse Menin no seu discurso de aceitação da honraria. Mineiro, de 63 anos, o empresário é também fundador e presidente de diversos outros grupos e companhias no Brasil. Menin e dois dos seus primos fundaram em 1979 a MRV Engenharia e Participações S.A., reconhecida hoje como a maior companhia de desenvolvimento imobiliário do Brasil. A MRV se tornou pública em 2007, e hoje opera em 142 cidades no Brasil, construindo e vendendo
cerca de 50 mil unidades por ano enquanto administra simultaneamente mais de 270 canteiros de obras. Além de acionista controlador, Menin é o atual presidente do conselho de administração da MRV Engenharia. Menin também fundou a Log Commercial Properties, empresa com foco em estabelecimentos comerciais e industriais. Criou ainda o Banco Inter, o primeiro banco 100% digital e um dos mais destacados fintechs do país. Ambas as companhias foram listadas no mercado de ações do Brasil em 2018. Demonstrando visão e diversificando suas áreas de atuação, ele é o responsável pela introdução da CNN Brasil, canal noticioso similar à sua congênere americana. Para mostrar que veio para sacudir o segmento de mídia, os executivos da CNN Brasil já confirmaram as contratações dos jornalistas William Waack e Evaristo Costa, ambos ex-âncoras de telejornais da TV Globo. Otimista nato, Menin enxergou a oportunidade de fazer a diferença, fazendo moradias acessíveis à população de baixa renda e contribuindo para a transformação da construção civil em uma indústria. Não foi uma tarefa fácil. “As grandes construtoras das décadas de 80 e 90, estavam voltadas para o mercado de imóveis de luxo. Trabalhamos sozinhos por muito tempo no mercado de moradia popular”, recorda-se. Ele acredita que uma grande empresa só se faz com pessoas, e está convencido de que o sucesso da MRV se deve uma equipe diferenciada com mais de 20 mil colaboradores. “Uma equipe dedicada, ética e apaixonada pelo que faz. Verdadeiros realizadores de sonhos”, diz o empresário. Essa paixão é que fez Menin expan-
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A sinergia bem como a troca de conhecimentos entre a MRV e a AHS, por exemplo, geram inúmeras vantagens competitivas a ambas
RUBENS MENIN é diretor presidente da AHS Residential e da MRV Engenharia e empresário responsável pela abertura da CNN Brasil
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CARLOS VAZ
descobriu a América
Em vez de se queixar da sorte, o empresário investiu – e ainda investe – em cursos para aprimorar seus conhecimentos DA REDAÇÃO info@bizbrazilmagazine.com
v Conversando com Carlos Vaz é possível ver seus olhos brilharem quando ele fala do que construiu, vindo do nada. Sua trajetória é o que se pode chamar de lição de vida para aqueles que acreditam na meritocracia para chegar ao sucesso. Na verdade, serve como o roteiro para um filme motivacional. Um jovem filho de açougueiro e uma dona de casa do sul de Minas Gerais desembarca em Boston com $300 na carteira e cheio de sonhos na cabeça. Como nunca acreditou em em contos de fadas, ele fez o que era preciso para se manter. Trabalhou duro em dois e até três empregos para se manter na cidav20.BIZBRAZILMAGAZINE
de de Massachusetts, uma das mais caras dos Estados Unidos para se viver. Em Boston, Vaz começou a trabalhar na construção e reforma de casas, aprendendo tudo sobre o mercado imobiliário. Para aprofundar o conhecimento, fez um curso na New York University, indo e voltando de ônibus de Boston para Nova York toda semana, chegando em casa às 2:30 a.m. e voltando ao trabalho às 6:00 a.m. A sede de aprender sempre o motivou e é algo que se percebe nitidamente logo nos primeiros contatos com ele. “Assim que concluo um curso, já estou pensando em fazer o próximo”, confessou o irriquieto empresário. A fim de tornar seu sonho em realidade, o jovem Carlos concentrou seus esforços no trabalho e no aprendizado. Para
aprender inglês, investia em livros, filmes e programas na TV. Oitavo de nove filhos, ele se lembra da perda do patriarca da família, seu pai Eurico, um dos momentos mais difíceis da vida. Só voltou a ver sua mãe, Neusa, depois de vários anos nos Estados Unidos. Até rever toda a família, foram 12 anos fora do Brasil. Todo este sacrifício, porém, foi recompensado. Sem ter nenhum apego a Boston ou a seus moradores, o determinado empresário traçou um plano ousado. Depois de muita pesquisa, concluiu que a oportunidade para crescer com imóveis estava em Dallas, no Texas. Mudou-se para lá com suas economias sem conhecer ninguém na cidade. Os resultados mostram a importância da lição de casa bem feita. Com a economia aquecida e projeções de crescimento mantido para as próximas décadas, o estado do Texas é um dos que mais avança nos Estados Unidos era a base ideal para que a empresa de Vaz florescesse. Com base nessas informações, Vaz monta uma empresa em Dallas, no Texas, e vira empresário de sucesso nos Estados Unidos. A empresa criada por ele adquiriu quase 10 mil imóveis e movimentou
ativos de cerca de $900 milhões. A trajetória de vida do brasileiro Carlos Vaz, hoje um texano de coração, co-fundador e CEO da Conti Real Estate Investments, especializada no mercado imobiliário de Dallas, é o que ser pode chamar de um case de sucesso. Batizada com o nome de solteira de sua mãe, a Conti Real Estate Investments foi fundada em 2008 e se tornou a plataforma perfeita para que ele desse novos saltos. Fez diversos cursos, entre eles um especialmente para presidentes de empresas na Harvard Business School, e outro na famosa academia militar de West Point. Virou conselheiro de entidades de peso em seu setor, como o National Multifamily Housing Council, o Forbes Real Estate Council, Urban Land Institute e Young Presidents’ Organization. Com o sucesso veio o reconhecimento como liderança em seu segmento no ramo imobiliário, com inúmeras premiações conquistadas. CRESCIMENTO ECONÔMICO DO TEXAS SURPREENDE INVESTIDORES BRASILEIROS Seu apego ao Texas faz todo sentido. Se fosse um país, o estado estaria entre as 10 maiores economias do mundo, com um PIB de $1.64 trilhão, segundo o Banco Mundial. Esse dado, além de projeções que mostram o Texas e a região metropolitana de Dallas entre as que mais vão crescer nas próximas décadas, surpreenderam empresários e investidores brasileiros em palestra dada por Carlos Vaz recentemente. Os números sobre o Texas desafiam a visão habitual de investidores brasileiros, condicionados a buscar novos negócios, em especial os imobiliários, na Flórida, New York e Califórnia, regiões onde o cenário já não é tão vantajoso quanto em outros tempos. Em sua apresentação, Vaz trouxe uma visão sistêmica do segmento imobiliário americano, desenvolvida em sua carreira, com números consolidados e projeções para as próximas três décadas. “Com um índice de desemprego de apenas 3.2%, de acordo com o Departamento de Trabalho dos EUA, e ocupação de imóveis comerciais de 94%, segundo o censo mais recente, Dallas é um ótimo destino para investimentos na área imobiliária. Nos nossos negócios não há espaço para achismos. Tudo é decidido com base em pesquisas de mercado e dados demográficos, que nos Estados Unidos
“
Com um índice de desemprego de apenas 3.2% de acordo com o Departamento de Trabalho dos EUA e ocupação de imóveis comerciais de 94% nos últimos recenseamentos, Dallas é um ótimo destino para investimentos na área imobiliária. Nos nossos negócios não há espaço para achismos
são muito precisos,” afirma Carlos Vaz. Na Flórida, New York e Califórnia, estados mais lembrados por brasileiros, Vaz explica que muitas vezes o custo habitacional consome mais de 50% da renda média por causa da escassez de imóveis mais acessíveis e das demandas elevadas. Esse dado ajuda a explicar a economia aquecida no Texas, particularmente na região metropolitana de Dallas-Fort Worth, que recebe dezenas de recém-chegados de outras regiões do país todos os dias. A movimentação observada, segundo Vaz, aponta para uma busca por nichos de investimento mais estáveis no médio e longo prazos. NOVA FORMA DE INVESTIR EM IMÓVEIS NOS EUA Após ter feito o curso de Harvard em 2017, Vaz conheceu alguns investidores brasileiros que se empolgaram com seu modelo de negócio. Pouco a pouco, eles se aproximaram de Vaz e hoje os investidores brasileiros compõem um quarto dos investidores - fatia representativa na divisão dos investimentos captados por Carlos Vaz através da Conti Real Estate Investments. Ele direcionou seu foco para uma modalidade de investimento imobiliário que há décadas faz sucesso nos Estados Uni-
dos e vem atraindo a atenção de investidores brasileiros que, até recentemente, entendiam que comprar um imóvel na Flórida ou em New York seria a forma ideal de aplicar seu dinheiro. A evolução demográfica e econômica nos EUA está alterando comportamentos, chamando atenção para investimentos em projetos conhecidos como ‘multifamily’, ou multifamiliares. São conjuntos de imóveis residenciais exclusivamente para aluguel, atendendo à demanda crescente por essa alternativa e a queda no interesse dos americanos pela compra da casa própria. A escassez de imóveis com preço acessível, dificuldades para obter financiamentos elevados e a mudança nas prioridades dos jovens profissionais, mais interessados em mobilidade e em avançar suas carreiras do que em adquirir a casa própria, explicam a procura cada vez maior pelo imóvel de aluguel. Especializada em investimentos no segmento multifamiliar nos EUA, a Conti detectou essa migração para o aluguel e vem crescendo junto com ela desde sua fundação em 2008. A empresa concentra suas atividades em Dallas, onde possui 27 conjuntos multifamiliares com cerca de 7.400 apartamentos. O volume de transações da Conti supera os US$ 900 milhões. “Compramos conjuntos residenciais, em geral de até 500 apartamentos totalmente administrados pela Conti, e abrimos o projeto para investidores, que dessa forma, como cotistas, passam a ter renda mensal. Essa forma de investir é na maioria das vezes mais rentável e com menos risco do que a simples compra de um imóvel que, com o tempo, pode até gerar perda na hora da venda,” explica o CEO e co-fundador da Conti.
PARTICIPANTES DO EVENTO da Conti Real Estate Investiments: João Pedro Pepe, Carlos Vaz, Wagner Benson, Sérgio Frota e Ana Laura
BIZBRAZILMAGAZINE.21v
vcriptomoedas empreendedorismo
RECEITA FEDERAL brasileira
aumenta fiscalização de criptomoedas Norma, que entrará em vigor em agosto, estabelece que as operações mensais acima de R$30 mil devem ser declaradas VIVIAN PORTELLA* info@bizbrazilmagazine.com
v Após um período de estudos e conversas com entidades e corretoras do mercado de criptomoedas brasileiro, incluindo a abertura de uma consulta pública para entender o funcionamento do mercado, a Receita Federal do Brasil decidiu por aumentar a fiscalização sobre a movimentação das criptos no país. A proposta é que, sabendo quais pessoas fizeram as movimentações, o órgão seja capaz de apertar o cerco sobre a declaração e arrecadação dos contribuintes que compram e vendem moedas como o bitcoin. Em consonância com a Instrução Normativa RFB nº 1.888/2019, que obriga pessoas físicas, jurídicas e corretoras de criptomoedas a informar à Receita sobre a realização de operações com criptoativos, a Coordenação-Geral de Programação e Estudos (Copes) da Receita Federal publicou os Atos Declaratórios Executivos nº 1 e nº 2/2019, divulgando o Manual de Preenchimento e o Manual de Orientação sobre os Leiautes Aplicáveis. A norma, que determina a comunicação das operações realizadas a partir de 1º de agosto de 2019, estabelece que as operações mensais acima de R$30 mil, individualmente ou no somatório, devem ser declaradas. Sendo que as operações que forem realizadas por intermédio de exCONTEÚDO PATROCINAD0
v22.BIZBRAZILMAGAZINE
changes com domicílio fiscal no Brasil, a declaração das informações deverá ser prestada pelas próprias instituições. Para as operações realizadas sem intermediação ou por exchanges estrangeiras, a pessoa física ou jurídica ficará responsável pelo reporte no Brasil. O Manual de Preenchimento, que traduz em tópicos a norma, apresenta informações gerais, bem como definições e hipóteses para declaração, trazendo ainda exemplos de algumas mínimas situações possíveis e esclarecimentos sobre os dados a serem preenchidos. Já no Manual de Orientação do Leiaute estão os detalhes para o preenchimento adequado do arquivo para cada tipo de declarante. Ao que parece, a Receita Federal entendeu parcialmente a complexidade do bitcoin e da diversidade de sua usabilidade. A norma implica, inclusive, na declaração de pagamentos genéricos feitos com criptomoedas. Imaginando então um futuro breve, onde as criptomoedas sejam aceitas em quaisquer estabelecimentos comerciais e sejam de fato utilizadas como meio de pagamento, o cidadão contribuinte teria que comunicar individualmente toda e qualquer operação de pagamento que realizar, bem como o estabelecimento que o recebeu. De fato, com o avanço das tecnologias para uso do bitcoin como meio de pagamento, em breve a Receita terá um novo desafio regulamentar.
*VIVIAN PORTELLA é diretora de Governança e uma das sócias da B&T Global Consulting
vcomércio exterior
GOVERNOS do Mercosul e a
União Europeia fecham Acordo de Livre Comércio Os dois blocos chegaram a um denominador comum, o acordo deverá demorar entre um e dois anos para entrar em vigência JOSEFINA GUEDES info@bizbrazilmagazine.com
v Após 20 anos de muitas idas e vindas, finalmente em reunião ministerial realizada nos dias 27 e 28 de junho, em Bruxelas, foi concluída a negociação da parte comercial do Acordo de Associação entre o Mercosul e a União Europeia (UE). Pelo governo brasileiro, participaram o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, e o secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Marcos Troyjo. Tamanha foi a complexidade desse acordo que podemos afirmar ser um marco histórico entre o Mercosul e a União Europeia, visto que representam juntos 25% do PIB mundial, e um mercado de 780 milhões de potenciais consumidores. Esse acordo comercial constituirá uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. Pela sua importância econômica e a abrangência de suas disciplinas. Para o Mercosul é o acordo mais amplo e de maior complexidade já negociado. Inclui, além do setor tarifário, natureza regulatória como serviços, compras governamentais, facilitação de comércio, barreiras técnicas, medidas sanitárias e fitossanitárias e propriedade intelectual. Sabemos que, com sua vigência, deverá levar de um a dois anos, visto que o referido acordo precisa ser ratificado pelos congressos de todos os países. Após sua internalização, trará benefícios principalmente para produtos agrícolas de grande interesse do Brasil que terão suas
tarifas eliminadas, como suco de laranja, frutas e café solúvel. Assim, tanto os exportadores brasileiros obterão ampliação de acesso ao mercado europeu, por meio de quotas, para carnes, açúcar e etanol, entre outros, como empresas importadoras brasileiras também utilizarão insumos, equipamentos e demais produtos com custos reduzidos. De imediato, as empresas brasileiras serão beneficiadas com a eliminação de tarifas na exportação de 100% dos produtos industriais, o que resulta na agregação de valor nas exportações, fato muito importante para o desenvolvimento em pesquisa e tecnologia no Brasil. Outro fato que merece destaque, é reconhecimento de vários produtos, como cachaças, queijos, vinhos e cafés, sendo produtos de “denominação regional brasileira”. Além desses ganhos, o acordo garantirá acesso efetivo aos diversos segmentos de serviços, como comunicação, construção, distribuição, turismo, transportes e serviços profissionais e financeiros. Com relação às compras públicas, as empresas brasileiras terão acesso ao mercado de licitações da UE, estimado em $1.6 trilhão. Os compromissos assumidos também vão agilizar e reduzir os custos dos trâmites de importação, exportação e trânsito de bens. Com o acordo, a competitividade da economia brasileira será garantida com acesso dos produtores nacionais, a insumos de elevado teor tecnológico e com preços mais baixos. A redução de barreiras e a maior segurança jurídica e transparência de regras vão inserir o Brasil nas
cadeias globais de valor, com geração de mais investimentos, emprego e renda. O acordo Mercosul-UE, segundo o Ministério da Economia, representará um incremento do PIB brasileiro de $87.5 bilhões em 15 anos, podendo chegar a $125 bilhões, se consideradas a redução das barreiras não-tarifárias e o incremento esperado na produtividade total dos fatores de produção. Além disso, com maior segurança jurídica, deverão ocorrer aumento de investimentos no Brasil, no mesmo período, estimado da ordem de $113 bilhões. Com relação ao comércio bilateral, as exportações brasileiras para a UE apresentarão quase $100 bilhões de ganhos até 2035, segundo estimativas do Ministério da Economia. Em 2018 a corrente de comércio birregional foi de mais de $90 bilhões. No ano de 2017, o estoque de investimentos da UE no bloco sul-americano somava cerca de $433 bilhões. O Brasil registrou, em 2018, comércio de $76 bilhões com a UE e superávit de $7 bilhões. O Brasil exportou mais de $42 bilhões, aproximadamente 18% do total exportado pelo país. O Brasil destaca-se como o maior destino do investimento externo direto (IED) dos países da UE na América Latina, com quase metade do estoque de investimentos na região. O Brasil é o quarto maior destino de IED da UE, que se distribui em setores de alto valor estratégico, de acordo com dados fornecidos pelo Ministério da Economia. *Josefina Guedes é economista e diretora da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) BIZBRAZILMAGAZINE.23v
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