Skip to main content

REVISTA ABRINDO CAMINHOS

Page 1

Edição especial 3º ano do programa Abrindo Caminhos

Atletas e artistas

Programa Abrindo Caminhos transforma a vida de crianças e adolescentes por meio da arte, esporte e educação Pág. 5


QUEM FAZ ABRINDO CAMINHOS - Revista da Assembleia Legislativa do Estado de Roraima SUPERINTENDÊNCIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

PALAVRA DO

PRESIDENTE Toda criança e adolescente tem direito ao lazer, cultura, educação e esporte. Esses direitos, previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), são garantidos pelo programa Abrindo Caminhos, da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR). Ao perceber a ausência do

FALE COM A GENTE Assembleia Legislativa do Estado de Roraima, Palácio Antonio Martins, Praça do Centro Cívico, 202, Centro, CEP: 69.301-380 Telefone para Contato: 4009-5639 JORNALISTA RESPONSÁVEL Élissan Paula Rodrigues DRT 257 EDIÇÃO Yana Lima

Poder Público, resolvemos disponibilizar, gratuitamente, atividades como futebol, jiu-jítsu, taekwondo, ginástica rítmica, balé, jazz, teatro, informática, coral, flauta e violão. Em três anos de atuação, o programa realizou mais de 9 mil atendimentos na capital e no interior, eliminando barreiras sociais, financeiras e geográficas, ao levarmos essas atividades para a juventude de Alto Alegre, Rorainópolis, Mucajaí e Caracaraí, por meio dos Núcleos do Poder Legislativo. No Abrindo Caminhos, crianças e jovens de 5 a 17 anos podem desenvolver habilidades artísticas, esportivas e educacionais, mas o que eles aprendem não se limita à sala de aula. Muito mais que novos passos, talentos e no-

REDAÇÃO Vanessa Brito, Bárbara Araújo e Jéssica Sampaio.

vas habilidades, os alunos aprendem lições de disciplina, visão de futuro, empreendedorismo e respeito ao próximo. Nesta revista contamos histórias de alunos que abraçaram

REVISÃO Ana Costa

esse incentivo, e falamos sobre a contribuição deste programa à vida das famílias e à sociedade roraimense.

DIAGRAMAÇÃO Abraão Borges FOTOGRAFIA Eduardo Andrade, Alex Paiva, Lucas Almeida, Hisraufre Emiliano, Alfredo Maia, Isaías Amaral, Jader Souza

Uma boa leitura!

Jalser Renier Presidente da ALE-RR

 | abrindo caminhos


Abrindo Caminhos para uma vida melhor

Programa da Assembleia Legislativa completou três anos em 2019 com mais de 9 mil atendimentos na Capital e no Interior, com aulas gratuitas de esportes e modalidades artísticas e educacionais

uitos pais querem ver os filhos desenvolvendo habilidades em atividades extraclasse, mas a questão financeira faz com que esse desejo seja uma realidade distante para a maioria das famílias roraimenses. Buscando preencher esse espaço, a Assembleia Legislativa criou o programa Abrindo Caminhos, para possibilitar ao máximo de crianças e adolescentes a realização do sonho de praticar gratuitamente uma modalidade artística,

esportiva ou educacional. Em 2019, o programa completou três anos de atuação com mais de 9 mil atendimentos, entre alunos e ex-alunos, na Capital e no Interior. Por meio dos Núcleos da Assembleia Legislativa nos municípios, as atividades são levadas a Alto Alegre, Caracaraí, Iracema, Mucajaí e Rorainópolis. São crianças e adolescentes de 5 a 17 anos, inseridos em situação de risco ou vulnerabilidade social que, agora, contam com atividades culturais, lúdicas, desportivas, além de atendimentos sociais e de saúde.

O presidente da Assembleia Legislativa, Jalser Renier, lembrou que o programa foi criado para atender um número mais reduzido de alunos. No entanto, quando os resultados foram aparecendo, surgiu a vontade de fazer mais. “Se tivéssemos mudado a vida de apenas uma família, já teria valido a pena, mas entendemos o quanto é importante fazermos políticas públicas voltadas para a sociedade, para que o povo possa participar, e por isso vamos fazer mais”, disse o presidente, ao pontuar que o programa será ampliado a partir de 2020. Essas ações têm ajudado crianças a melhorar o rendimento escolar, descobrir um novo talento e se relacionar melhor em família e em sociedade. “Temos vários relatos de mães que nos procuram para falar que o comportamento do filho mudou, que na escola ele está melhor após as atividades no Abrindo Caminhos”, avaliou a diretora do programa, Viviane Lima. abrindo abrindocaminhos caminhos| | 


Entenda como funciona o programa Abrindo Caminhos

odas as modalidades são ofertadas gratuitamente, gerando ainda uma melhoria na qualidade de vida da população atendida, além de despertar o interesse

em ações que afastem esse público da violência. Também são promovidos atendimentos em psicologia e assistência em enfermagem. São atendidas crianças a partir de 5 anos, de acordo com as especificidades de cada modalidade. As ma-

trículas podem ser renovadas a cada ano, desde que o aluno esteja matriculado em uma unidade de ensino regular e mantenha um bom desempenho escolar até completar a idade limite de 17 anos.

Modalidades artísticas

Jazz

Flauta Doce

Balé

Coral

Violão

Teatro

Modalidades esportivas e educacionais

Jiu-jítsu

Ginástica Rítmica

 | abrindo caminhos

Futebol

Taekwondo

Informática


Atletas e artistas renomados inspiram crianças do programa Abrindo Caminhos Nomes de destaque no jiu-jítsu, ginástica rítmica, balé e teatro falaram de suas trajetórias e repassaram novos conhecimentos aos alunos Olhar para uma pessoa e ter um exemplo claro do que se pode ser no futuro. As crianças do programa Abrindo Caminhos, especialmente das modalidades esportivas, puderam ter encontros com nomes de destaque nacional e aprender novas técnicas, além de ouvir os relatos da caminhada de cada profissional.

este ano, os alunos e os professores tiveram uma aula prática com um dos melhores treinadores de MMA no país, o ex-lutador Cristiano Marcello, que ensinou técnicas de jiu-jítsu e defesa pessoal, utilizadas por uma das melhores academias nessa modalidade. “Quero parabenizar o Jalser Renier. Ele é um exemplo de como deve ser feito, pela qualidade dos projetos. Realmente, estou maravilhado.

Já andei por todo o Brasil, e aqui é um grande exemplo.” A criançada também trocou experiências com o campeão mundial de jiu-jítsu, Lucas ‘Hulk’ Barbosa. A história do atleta maravilhou as crianças e, para ele, é motivo de orgulho. Ele treina desde os 14 anos e, hoje, aos 27, treina nos Estados Unidos e já colheu vários frutos de seus sonhos. “Um garoto de Roraima que teve um sonho alto e acreditou. Sou campeão Pan-americano, Mundial e Europeu, entre

outros, campeão com quimono e sem quimono”, disse orgulhosamente. O atleta e comentarista esportivo Carlão Barreto também falou sobre sua trajetória no esporte. Além de participar de um programa no canal Premiere Combat, do SportTV, possui mais de 30 anos de dedicação às artes marciais, como jiu-jítsu, muay thai, boxe, wrestling e judô. “Se uma criança do projeto social, daqui a dez anos, voltar formada e bem-sucedida, já valeu a pena. O esporte é uma ferramenta de inclusão social”, opinou.

Alunas de ginástica rítmica de Alto Alegre e Boa Vista também conheceram de perto a ex-ginasta da Seleção Brasileira, Ana Paula Ribeiro, ao participarem da Clínica de Ginástica Rítmica 2019. A profissional integrou a Seleção Brasileira por quatro ciclos olímpicos, de 2000 a 2016. “Muitas crianças com talento não têm condições. Então, essas políticas públicas de investimento no esporte são muito impor-

tantes”, avaliou. As turmas de balé e ginástica rítmica participaram de uma roda de conversa com a bailarina Ana Carolina Corleta, roraimense de 17 anos que atualmente mora em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Na área da arte, em 2018, os alunos de teatro passaram por um workshop de interpretação ministrado pela atriz Luciana Oliveira, que há dois anos atua em palcos dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. abrindo caminhos | 


Abrindo Caminhos está entre as melhores academias de Jiu-Jítsu em Roraima

om apenas três anos de funcionamento, o programa Abrindo Caminhos já ocupa uma posição de destaque no esporte local, figurando em quarto lugar no ranking da Federação de

Uma referência na luta é a atleta Dircelly Oliveira, que possui 43 medalhas, 33 são de ouro. Entre as principais conquistas, está a medalha de ouro no Campeonato Mundial em 2018, promovido pela IBJJF (International Brazilian Jiu-Jítsu Federation). Hoje, com 18 anos, ela se despede da turma, mas afirma que vai continuar competindo e pretende estudar Educação Física. “O sentimento é de dever cumprido, e ser usada como um exemplo para as outras crianças que  | abrindo caminhos

Jiu-Jítsu do Estado de Roraima (FJJERR), no qual competem um total de 35 academias. A entidade reconheceu o desempenho de 25 alunos e dois professores do programa, como destaques do esporte no Estado em 2019. Atualmente, o programa Abrindo Caminhos oferta aulas de jiu-jítsu estão começando no programa.” Enquanto Dircelly já possui uma caminhada de vitórias, o pequeno atleta Rhuan Vasconcelos, de 6 anos, dá os primeiros golpes. Com menos de dois anos de treino, já conquistou duas medalhas de ouro, na Copa Boa Vista de Jiu-Jítsu 2019 e no Campeonato Roraimense de Jiu-Jítsu 2019. “Gosto de jiu-jítsu porque tem muitas medalhas e lutas”, disse. O sentimento é de dever cumprido, e ser usada como um exemplo para as outras crianças que estão começando no programa.” DIRCELLY OLIVEIRA, Campeã Mundial de Jiu-Jítsu na categoria juvenil/ faixa azul/pesado

para quase mil alunos na Capital e no Interior, por meio dos núcleos do Poder Legislativo em Alto Alegre, Rorainópolis e Mucajaí. Em três anos, os atletas participaram de mais de dez competições e conquistaram 92 medalhas. Essa é uma das modalidades mais procuradas pela comunidade.

Para o professor de jiu-jítsu Bruno Romão, os atletas estão crescendo no esporte porque a instituição se preocupa em prepará-los, ao fornecer profissionais e treinamento de qualidade. “Conseguimos ótimos resultados nesse período. Sempre contamos com o total apoio do presidente da Assembleia Legislativa, que não mede esforços quando o assunto é colocar essas crianças e adolescentes para brilhar no cenário nacional e internacional”, destacou.


Esporte afasta crianças e jovens da criminalidade Abrindo Caminhos possibilita que crianças desenvolvam suas habilidades e se mantenham afastadas de situações potencialmente negativas

futebol é uma paixão nacional tão popular, que o Brasil é conhecido mundialmente por esse esporte, e não é de surpreender que muitas crianças desejem a atividade como profissão. O programa Abrindo Caminhos, da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), faz a ponte entre crianças e adolescentes e o desejo de jogar futebol. O programa oferta essa modalidade em Boa Vista, Alto Alegre, Caracaraí e Rorainópolis, por meio dos núcleos do Poder Legislativo, atendendo 537 alunos ao todo.

Além de tirar as crianças do sedentarismo, o esporte também é uma ferramenta social ao afastá-las da criminalidade e da ociosidade, conforme aponta o antropólogo e cientista social Marcos Braga. “Com certeza, as pessoas ocupadas o dia todo estarão menos vulneráveis do que as outras. Vejo que políticas de inclusão no esporte são imprescindíveis para afastar os jovens da delinquência.”

TALENTO Foi essa potencialidade que a moradora do bairro Senador Hélio Campos, Marly Santos, de 49 anos, enxergou no filho Rian Santos, de 10 anos. O menino acostumado a jogar bola com os amigos no fim da tarde, hoje, treina futebol no Abrindo Caminhos. “Com essa oportunidade, ele pode crescer e realizar o sonho de ser jogador profissional”, disse a mãe. Animado, o menino conta o que mais gosta nas aulas: “As aulas são boas porque treino, jogo e falo com os meus amigos. Me vejo como jogador de futebol. Minha posição é meio-campo e gosto de fazer gol”, diz Rian.

O professor de futebol Edynho Oliveira explica que, no esporte, as crianças aprendem a ter disciplina, respeito pelo time adversário, pelos amigos e, principalmente, com professores e os pais. Não estamos formando apenas atletas de futebol, mas bons cidadãos na sociedade”. EDYNHO OLIVEIRA, professor de futebol

abrindo caminhos | 


Crianças têm primeiro contato com atividades culturais Mais de 2 mil alunos estão inscritos em modalidades artísticas na Capital e no Interior

azer aulas de canto, encenar uma peça teatral, dançar balé ou jazz em um palco é uma realidade distante para boa parte da população

Magia do Circo A apresentação mais recente emocionou a população e lotou o auditório do CAF (Centro Amazônico de Fronteiras), da UFRR (Universidade Federal de Roraima), no espetáculo chamado “Um Sonho de Natal: Abrindo Caminhos para a Magia do Circo”.

Correntes e sonhos Para marcar o fim do ano letivo, foi realizado o espetáculo “Entre Correntes e Sonhos, Um Grito de Liberdade”, que abordou a escravidão no Brasil, desde a sua origem, quando os africanos foram sequestrados em seus países. O espetáculo enalteceu as culturas africana e brasileira, entre músicas, danças e efeitos visuais, e encantou o público presente. 88 || abrindo abrindocaminhos caminhos

de Roraima. Em 2019, isso passou a integrar a rotina de mais de 2,1 mil crianças e adolescentes por meio do programa Abrindo Caminhos, que oferta essas modalidades gratuitamente.

Na área artística, a instituição oferta aulas de teatro, jazz, coral, música e balé. Em 2019, os alunos realizaram diversas apresentações culturais na Capital e no Interior.


Xameguinho programa Abrindo Caminhos não se limita ao ensino em sala de aula e busca

incentivar os alunos a participarem de eventos regionais, além de promover seus próprios momentos artísticos. Ao longo do ano passado, o Abrindo Ca-

minhos criou a Quadrilha Xameguinho, com a temática “Criança Brincando de Ser Criança”, com apresentação em eventos juninos em Boa Vista e Mucajaí.

Orquestra

“Música é vida, música é arte, música é viver bem alegrando a sua alma”. É o que diz o professor Ismael Souza, ao destacar como a arte pode impactar a rotina de uma comunidade. No município de Alto Alegre, a população pode se encantar com a Orquestra de Violão e Flauta do programa Abrindo Caminhos. O grupo foi criado em 2017, e é composto por 16 alunos, de 8 a 70 anos. No município, 100 alunos fazem aulas de violão ou flauta. abrindo caminhos | 9


Programa Abrindo Caminhos ajuda a fortalecer o teatro em Roraima Enquanto artistas lutam para manter viva essa arte, a Assembleia Legislativa possibilita que jovens sejam multiplicadores dessa forma de expressão

bram as cortinas, o espetáculo vai começar! Uma das manifestações artísticas mais antigas da humanidade é o teatro, mas que ainda anda a passos lentos no Estado. A Assembleia Legislativa de Ro-

raima (ALE-RR) é uma das poucas instituições que incentiva essa produção na região. O programa Abrindo Caminhos oferta aulas gratuitas e incentiva o acesso da juventude às artes cênicas. A professora de teatro Kaline Barroso explica que a falta de investimento nessas áreas é uma realidade nacional.

“A gente está vivendo um momento artístico-cultural, não só em Roraima, mas no Brasil, muito delicado. Muitos projetos deixando de ser realizados, verbas cortadas, a cultura e a arte estão deixando de ser prioridade. A gente sabe da importância de transformação da cultura e da música”, pontuou.

No teatro, os jovens, além de aprender técnicas de atuação, levam lições para a vida, como a convivência em grupo e o afeto. Atualmente,

mais de 120 crianças e adolescentes fazem teatro no Abrindo Caminhos. Uma das alunas é a Kamylly Lima, de 16 anos, que participa das aulas há três anos. Para ela, encenar no palco é concretizar o sonho de ser atriz profissional.

Eu lembro a primeira coisa que a professora falou pra gente quando chegamos aqui: quando a gente faz teatro, não pode ter medo do ridículo. Aquilo mexeu muito comigo, e eu levo pra minha vida toda, pois aprendi a me expressar melhor.” KAMYLLY LIMA, DE 16 ANOS aluna do abrindo caminhos

 | abrindo caminhos

Em 2019, o grupo fez apresentações marcantes na abertura da programação de Natal da ALE-RR, no espetáculo “Um Sonho de Natal: Abrindo Caminhos para a Magia do Circo”, e o mais impactante: a peça teatral “Entre Correntes e Sonhos, Um Grito de Liberdade”, que abordou a escravidão no Brasil.


Criança que canta ou toca instrumentos fica mais atenta e menos ociosa omo diz o filósofo Platão: “A música é um instrumento educacional mais potente do que qualquer outro”. A arte é usada para lazer, mas também faz bem para o corpo e a mente dos adultos e, principalmente, das crianças e adolescentes. Prova disso é que uma criança fica mais atenta e menos ociosa quando canta ou aprende a tocar um instrumento. Quem explica é o ma-

estro do coral do programa Abrindo Caminhos, Silvandro Santos. “Quanto mais cedo o contato com a música, mais fortes são as conexões e a assimilação dos valores adquiridos. Um ambiente com música é um espaço alegre e, onde há alegria e aprendizado, há transformação”, explicou. As atividades musicais também estimulam o desenvolvimento da coordenação motora, leitura e escrita, explica o profissional. “Considerando a música em todos os seus

processos ativos, como o canto e tocar um instrumento, ela globaliza naturalmente os diversos aspectos a serem ativados no desenvolvimento da criança: cognitivo, linguístico, psicomotor e afetivo social”, disse Silvandro. A música também trabalha na socialização. “As atividades musicais favorecem a autoestima, bem como a socialização infantil, pelo ambiente de compreensão, participação e cooperação que podem proporcionar.”

10 anos, a canção mais marcante ao participar das aulas de coral é “Piruetas”, do artista Chico Buarque, e Os Trapalhões, lançada em 1981. “É porque a música interage bastante, é bem animada e divertida”, explica a menina. Já para o adolescente Pedro

Sena, de 13 anos, a música que mais toca o coração se chama “Que Maravilha Viver”, música americana traduzida para a língua portuguesa pela cantora Simone. “Porque a canção fala da natureza, da vida, do mundo em si, como é bonito, e as pessoas têm que valorizar isso. Achei bem legal o significado”, compartilhou. Por meio da música, os alunos voltam ao passado para conhecer a história do país, considerando que, na MPB, há um leque de produção nacional com críticas sociais e políticas. As crianças já apresentaram canções de Tim Maia, Chico Buarque, Roberto Carlos, Djavan, Adriana Calcanhotto e Milton Nascimento. “A gente conta as histórias das músicas. Eles não cantam mecanicamente, cantam sabendo informações da letra da música. É muito legal quando há pessoas de mais idade na plateia, pois elas se deliciam com o repertório”, explica a maestrina Kastorijane Almeida.

Crianças conhecem clássicos da MPB no coral Abrindo Caminhos Para que as crianças desde cedo tenham contato com a música, o programa Abrindo Caminhos, da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), oferta aulas de coral em Boa Vista, Alto Alegre, Caracaraí e Rorainópolis, para 464 alunos. A instituição também leva aulas de violão e flauta para 100 alunos em Alto Alegre. Foi durante essas aulas, que muitas crianças tiveram o primeiro contato com clássicos da MPB (Música Popular Brasileira), uma das manifestações artísticas que mais retrata a cultura do Brasil. Para a aluna Samara Araújo, de

abrindo caminhos | 


Primeiros saltos rumo ao sonho de dançar balé Atualmente, quase mil pequenos bailarinos dançam na ponta dos pés em Boa Vista, Caracaraí, Rorainópolis e Mucajaí

oque, saia de tule, collant, sapatilha no pé e muitos sonhos na cabeça. É assim que crianças e adolescentes treinam balé duas vezes por semana no programa Abrindo Cami-

nhos, da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR). Para muitas famílias, realizar o sonho dos pequenos de dançar nessa modalidade era algo praticamente impossível, por ser uma atividade relativamente inacessível para a maioria dos roraimenses. “Ficaria apenas no sonho”. É o que disse Raimunda Seles, de 44 anos, sobre a realização do sonho da filha, Rebeca Castelo, de 9 anos, sem a ajuda do programa. Ela diz que não teria condições financeiras de pagar pelas aulas e pelos acessórios necessários

para quem pratica esse tipo de dança. Quando soube da oferta na instituição, correu para matricular a filha. “O programa realmente abriu caminhos. Uma oportunidade, a realização de um sonho.” Depois dos primeiros passos em sala de aula, a menina já tem sonhos mais desafiadores: virar uma bailarina profissional e se apresentar fora do Estado. “O que eu mais gosto é das coreografias e as danças que são bonitas. O Abrindo Caminhos é a minha segunda casa, os professores são legais.”

De Roraima para o Balé Bolshoi Quase mil bailarinos estão inscritos na Capital e nos municípios de Caracaraí, Rorainópolis e Mucajaí, por meio dos núcleos do Poder Legislativo. A história de Vinícius Saturnino, de 10 anos, mostra que se tornar um bailarino profissional é um sonho possível. Atualmente, ele estuda na Escola de Teatro Bolshoi no Brasil, em Santa Catarina, braço de uma das instituições mais renomadas do mundo. Ele é o primeiro estudante de uma escola de Roraima a conquistar uma vaga, e foi no programa Abrindo Caminhos que deu os primeiros passos na dança.  | abrindo caminhos

Segundo a professora de balé Isnaíra Menezes, as aulas de balé também são instrumento de socialização para a formação de cidadãos participativos e responsáveis.

A dança, sendo uma experiência corporal, possibilitará aos alunos novas formas de expressão e comunicação, levando-os à descoberta da sua linguagem corporal, que contribuirá para o processo ensino aprendizagem e ajudará no desenvolvimento das habilidades da criança.” ISNAÍRA MENEZES, professora de balé


Alunos trabalham expressão corporal e sentimental em aulas de jazz Além de trabalhar autoestima, modalidade ofertada pelo programa Abrindo Caminhos proporciona benefícios para o corpo

ara o professor de jazz Well Souza, a dança tem o poder de transformação. Ele ensina a modalida-

de no programa Abrindo Caminhos e constatou isso observando a aluna Érica Sousa, de 12 anos. Ela mesma conta as diferenças no seu comportamento depois que passou a frequentar as au-

A mãe Sabina Sousa, de 50 anos, conta que a filha sempre foi tranquila, mas após uma perda familiar, em 2018, a menina passou a se retrair. Nesse processo, as aulas de dança foram um instrumento para que a adolescente pudesse expressar sentimentos. “Ela se soltou mais do que era antes. Melhorou a comunicação. Sou grata. Houve uma mudança na forma de ver as coisas da vida”, disse a mãe. O professor explica que o jazz trabalha o lado social das crianças e adolescentes, ajudando-os a expressar as emoções de forma lúdica, de dentro para fora. “Brincamos de fazer carão, de ter o poder da presença. O jazz trabalha esse lado, a autoestima. Esse lado oculto que as pessoas têm, um lado teatral escondido, a dança faz sobressair isso na criança.” Atualmente, mais de 120 crianças e adolescentes estão inscritos no jazz e aprendem fundamentos de

balé, dança moderna, contemporânea e ritmos. Além de trabalhar autoestima, a dança também proporciona benefícios para o corpo, como a flexibilidade, expressão, coordenação motora e postura.

las. “Depois que entrei no jazz, pude expressar meus sentimentos; fazer parte das aulas me deixou mais feliz”, compartilhou a menina, que participa do programa há um ano.

Brincamos de fazer carão, de ter o poder da presença. O jazz trabalha esse lado, a autoestima. Esse lado oculto que as pessoas têm, um lado teatral escondido, a dança faz sobressair isso na criança.” WELL SOUZA professor de jazz

abrindo caminhos | 


Ginástica rítmica mistura esporte e dança para o desenvolvimento infantil

Programa Abrindo Caminhos oferta aulas gratuitamente e incentiva participação de atletas em competições

la lembra a dança, mas é um esporte. A ginástica rítmica é uma modalidade que combina elementos corporais do balé e da dança teatral, realizados em harmonia com a música e ornamentados por cinco aparelhos: bola, maças, arco, corda e fita. Mas para chegar a um nível de excelência, é preciso treino, disciplina, persistência e, principalmente, incentivo. Para impulsionar esse esporte no Estado, o programa Abrindo Cami-

nhos vem preparando alunas de Boa Vista e Alto Alegre, para que possam competir e aumentar a representatividade nos torneios. Atualmente, o programa oferta aulas de ginástica rítmica para quase 400 crianças. A professora da modalidade, Escarlet Melo, explica que muitas alunas desconheciam a atividade, e tiveram o primeiro contato na instituição. “A evolução, desde o início do projeto, é muito positiva. Hoje, muitas atletas estão com rendimento para competição em nível regional.”

Ex-ginasta da Seleção Brasileira enaltece programa da Assembleia Legislativa

Ana Paula Ribeiro, 30 anos, é ex-ginasta da Seleção Brasileira e atua como técnica na modalidade. Durante um evento chamado Clínica de Ginástica Rítmica 2019, promovido pela Federação Roraimense de Ginástica, em dezembro, ela disse que ministra cursos em vários lugares no Brasil, desde o  | abrindo caminhos

interior até as capitais, e percebeu que há pouco incentivo nessa modalidade, e que, no programa Abrindo Caminhos é diferente. “Não é fácil ver pelo Brasil apoio assim. Muitas crianças com talento não têm condições. Então, essas políticas públicas de investimento no esporte são muito importantes, já que o esporte é fundamental na sociedade”, avaliou. A atleta possui uma trajetória de 18 anos na ginástica, com destaque nacional e internacional. Ela integrou a Seleção Brasileira por quatro ciclos olímpicos, de 2000 a 2016.

Em 2019, nove ginastas participaram pela primeira vez de uma competição fora do Estado, em Manaus (AM). A adolescente de 12 anos, Luany Ananias, nunca imaginou sair de Alto Alegre para competir. “Aprendi várias coisas e desejo competir mais este ano. O programa Abrindo Caminhos é muito bom, porque isso é o meu sonho, de fazer ginástica rítmica.” Karynny Martins, de 11 anos, só conhecia a ginástica rítmica pela tela de um computador, mas hoje a modalidade faz parte do cotidiano. Com mais de um ano de treinamento no programa, ela participou do Torneio Promessas da Ginástica de Roraima 2018 e conquistou a medalha de prata. “Sempre gostei de dançar. O programa Abrindo Caminhos é uma oportunidade de mostrar o meu talento para o mundo. Quero ser atleta profissional e competir”.


Um universo de possibilidades a um clique para crianças e adolescentes

Mesmo em uma sociedade rodeada de tecnologia, ainda há muitas crianças sem acesso a um computador

ma das preocupações do programa Abrindo Caminhos, da Assembleia Legislativa de Roraima, é incluir as crianças e adolescentes no mundo digital. Um dos primeiros passos são as aulas de informática, que capacitaram 320 alunos em 2019. O adolescente Jakson Ribeiro, de 12 anos, concluiu os níveis básico e avançado de informática. Mesmo com pouca idade, ele sabe a importância de ter noções de informática em um mundo cada vez mais conectado. “É importante porque alguns trabalhos precisam mexer em um computador, e se não souber, praticamente não tem emprego. Agora, desejo aprender edição de vídeos”, disse. Para a professora de informática Flávia Alves, desde cedo, a criança deve ter acesso à informática, de forma adequada, usando a tecnologia a

favor do conhecimento. “Acredito que o conhecimento é libertador, traz visão de futuro. Então, por meio do curso de informática, isso gera a informação para a criança, desperta um olhar mais amplo”, explicou.

Por outro lado, a professora explica que mesmo a sociedade estando rodeada de tecnologia, ainda há crianças que não têm acesso a um computador. Nesse contexto, o programa atende essa necessidade. “Muitas crianças não têm essa oportunidade, porque, muitas vezes, os pais não têm condições financeiras de pagar, e aqui é disponibilizado gratuitamente”.

Brincando e aprendendo Outro assunto abordado foi a saúde mental. A turma treinou o uso do programa Word (software para digitação de documentos) e uma plataforma chamada Pixton, para elaborar o gibi “Deletando pensamentos negativos”. A obra conta a história de um adolescente de 13 anos que estava angustiado e sofrendo com pensamentos negativos e, após passar por atendimento psicológico, mudou sua perspectiva de vida. A garotada também se diverte e conversa sobre temas relevantes no mundo da informática. Em 2019, os estudantes avaliaram os impactos de jogos violentos em crianças e adolescentes. A ideia da pesquisa surgiu após o professor Eubert Botelho perceber que alunos estavam acessando jogos não indicados para a idade deles. Um momento para sensibilizar os alunos e ainda colocar em prática o conhecimento. “A gente pegou a teoria e foi pro campo prático, usando a informática que aprendeu, no dia a dia”, disse o professor. abrindo caminhos | 


 | abrindo caminhos


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
REVISTA ABRINDO CAMINHOS by AbraaoBorges - Issuu