R E V I S TA
I S S N 0103•57 2 X
A R T E & I N D Ú S T R I A G R Á F I C A • A N O 51 • J U L / S E T 2 0 2 6 • N º- 3 2 9
Excelência Gráfica paulista amplia abrangência com número recorde de trabalhos inscritos por gráficas de 24 municípios de todo o Estado
Integração entre Abigraf Nacional e indústria gráfica da Região Norte contribui para reduzir assimetrias frente às demais regiões do País
Presidente da CBL fala sobre conquista de 3 milhões de novos leitores em 2025 e desafios em manter a revalorização das livrarias como espaços de cultura
VILMA KANO A artista da capa REVISTA ABIGRAF ISSN 0103-572X Publicação trimestral Órgão oficial do empresariado gráfico, editado pela Associação Brasileira da Indústria Gráfica/Regional do Estado de São Paulo, com autorização da Abigraf Nacional Rua do Paraíso, 529 (Paraíso) 04103-000 São Paulo SP Tel. (11) 3232-4500 Fax (11) 3232-4550 E-mail: abigraf@abigraf.org.br Home page: www.abigraf.org.br Presidente da Abigraf Nacional: Julião Flaves Gaúna Presidente da Abigraf Regional SP: João Scortecci Gerente Geral: Wagner J. Silva Conselho Editorial: Bruno Mortara, Fábio Gabriel, João Scortecci, Plinio Gramani Filho, Rogério Camilo, Tânia Galluzzi e Wagner Silva Elaboração: Gramani Editora Eireli Administração, Redação e Publicidade: Tels. (11) 3887-1515 / (11) 97503-6850 E-mail: editoracg@gmail.com Editor: Plinio Gramani Filho Redação: Tânia Galluzzi (MTb 26897) Colaboradores: Bruno Arruda Mortara, Hamilton Terni Costa, João Scortecci e Paulo Stucchi Edição de Arte: Cesar Mangiacavalli Editoração Eletrônica e Fechamento de Arquivos: Studio52 Papel fornecido pela Blendpaper: capa e encarte, Markatto Sensazione Naturale 170 g/m²; miolo, Markatto Stile Naturale 120 g/m²
BLENDPAPER Impressão e acabamento: São Francisco Gráfica e Editora
Acesse: www.abigraf.org.br/revista-abigraf Apoio Institucional
Associação dos Agentes de Fornecedores de Equipamentos e Insumos para a Indústria Gráfica
Membro fundador da Confederação Latino-Americana FUNDADA EM 1965 da Indústria Gráfica (Conlatingraf) 4
REVISTA ABIGRAF julho/setembro 2026
Vilma Kano é artista visual. Fundadora da ONG Vilma Kano, instituição criada em 2017 a partir de sua própria experiência com o câncer de mama metastático e da perda de familiares para a doença. Neta de imigrantes japoneses, desenvolveu uma trajetória artística marcada pela sensibilidade, pela memória afetiva Impermanências Líricas, colagem de papéis diversos sobre Foam, 30 × 30 cm, 2019 e pelo diálogo entre arte, cultura e acolhimento humano. Sua produção reúne exposições, projetos culturais e ações educativas que utilizam a arte como instrumento de reflexão, pertencimento e transformação social. Em suas iniciativas, a criação artística ultrapassa o espaço expositivo e se conecta diretamente às pessoas, promovendo encontros, escuta e experiências de cuidado. À frente da ONG Vilma Kano, inaugurou um centro de convivência voltado à prevenção, ao apoio de pacientes oncológicos, idosos e comunidade em geral. O espaço oferece atividades gratuitas de cultura e bem-estar no fortalecimento emocional e na qualidade de vida. Seu trabalho filantrópico tornou-se referência por unir arte e saúde em impacto social, transformando a própria história de superação em inspiração para milhares de pessoas. Vilma Kano acredita que a cultura pode ser um caminho de esperança e que pequenos gestos de acolhimento têm o poder de gerar grandes mudanças na vida das pessoas. www.vilmakano.org contato@vilmakano.org ONG Vilma Kano, Plaza Sul Shopping, piso 1, Praça Leonor Kaupa, 100 (Jardim da Saúde), CEP 04151-100 São Paulo, SP
16 18 Cláudio Serpa é o novo presidente da Afeigraf Com décadas de experiência no setor, Cláudio Serpa assume a presidência da Afeigraf com foco em ampliar a base de associados, fortalecer a ExpoPrint e consolidar a entidade como referência em inteligência de mercado.
Excelência gráfica paulista em números A sétima edição do Prêmio Paulista de Excelência Gráfica Luiz Metzler premiou 24 gráficas com 44 troféus, após recorde de 338 peças inscritas, 14% mais que em 2025, com participação de 61 empresas de 24 municípios do Estado.
A força da indústria gráfica na Região Norte Cerca de 1,2 mil empresas e 15 mil empregos compõem o parque gráfico da Região Norte, onde rótulos e etiquetas lideram o crescimento, impulsionados pelo polo de Manaus, em meio a desafios logísticos e de capacitação.
O livro vive um momento favorável Sevani de Matos Oliveira, presidente da CBL, fala sobre os 3 milhões de novos leitores em 2025, o papel das redes sociais na atração de jovens, a revalorização da livraria como espaço de cultura e os desafios do mercado editorial.
Linhas de financiamento para inovação Lançado na Flexo & Labels 2026 por três experientes profissionais da indústria gráfica, Hamilton Costa, Clóvis Castanho e Mário César de Camargo, o Hub de Fomento surge para conectar gráficas a linhas de crédito para inovação.
Capacitação para enfrentar os desafios atuais Em seu artigo, Hamilton Costa discute a necessidade de os executivos e empresários se prepararem para os desafios atuais e apresenta a PrintLeaders, espaço de troca de ideias, de inovação e de metodologia aos líderes do setor.
Metodologia de previsibilidade de cor Bruno Mortara apresenta o G7+ como evolução da metodologia de calibração que garante consistência visual entre diferentes processos, com mais de 1.900 empresas certificadas e treinamento agora disponível em português.
André Tezza e a beleza do cotidiano O fotógrafo curitibano André Tezza, premiado nos dois últimos anos no Sony World Photography Awards, transforma o dia a dia em arte com estética de filme analógico, e prepara livro sobre sua viagem pelas Américas.
12 14 30 36 42 48
CONTEÚDO DESTA EDIÇÃO
28
Editorial/Julião Gaúna..........................................6 Mensagem/João Scortecci ...............................8 Rotativa/Noticiário Geral................................. 10 Região Norte/Paulo Stucchi ...........................12 Gráfica São Francisco Entrevista/Sevani Matos Oliveira ................. 14 em grande expansão Afeigraf/Cláudio Serpa..................................... 16 Focada no segmento educacional, em quatro anos a 7º Prêmio Paulista .............................................. 18 gráfica São Francisco, de Ribeirão Preto, interior de São 14º Prêmio Bauru ............................................... 24 Paulo, dobrou de tamanho e tem planos para aumentar em 50% sua capacidade produtiva nos próximos dois anos. 8º Prêmio Catarinense ..................................... 26
Gráfica São Francisco........................................ 28 Hub de Fomento ................................................30 Ondas Impressas ................................................ 32 Heidelberg/Manroland Sheetfed................ 33 FuturePrint 2026 .................................................34 Gestão/ Hamilton Costa .................................. 36 Normas/Bruno Mortara ................................... 42 Fotografia/André Tezza ...................................48 Raízes/João Scortecci .......................................50 julho/setembro 2026
REVISTA ABIGRAF
5
EDITORIAL
Abigraf Nacional: pés no presente, olhando para o futuro Sensação do dever cumprido. Terminamos a primeira gestão com o sonho realizado de fazer da Abigraf Nacional a casa de todas as empresas do universo da impressão. ssumir a presidência da Abigraf Nacional de novas formas de capacitar nossa mão de obra, foi um desafio desde o início. Como um de facilitar o acesso ao conhecimento e de usar empresário fora do eixo Rio-São Paulo, a Inteligência Artificial como uma ferramenta em meio à sequência de mudanças que estratégica a favor de nossas empresas (e não impactam a todo o vapor o nosso setor, para substituir a criatividade humana). começamos nosso trabalho com muitos desafios pela A marcha para o futuro não para e não espera. frente. Além de dar sequência ao legado de pessoas A Abigraf Nacional, em seus mais de 60 anos, é extraordinárias que já estiveram testemunha disso. Se perdemos à frente da associação, tínhamos o compasso do tempo, ficamos a obrigação de enfrentar questões para trás. Por isso, mais do COM UNIÃO, ESCUTANDO bem pontuais e desafiadoras. que nunca, a união de todo o E DEBATENDO IDEIAS, AS Em três anos, e não sem muitos setor — das nossas regionais aos AÇÕES NA NOSSA NOVA percalços, alguns fracassos e fornecedores — é tão vital. E é GESTÃO SERÃO muitas conquistas de um time para isso que trabalharemos, GUIADAS PELO LEMA maravilhoso, conseguimos reafirmando a vocação de nossa “A ABIGRAF É DE TODOS”. terminar nossa primeira gestão associação de ser, hoje e sempre, com um sonho realizado: fazer o lugar em que o empresário, a Abigraf Nacional voltar a o técnico, o acadêmico e os ser a casa não apenas de todo o setor gráfico, mas colaboradores de nossas empresas encontrem as de todas as empresas que atuam com impressão. respostas para tornar suas empresas, de norte a sul, Hoje, falar em impressão está muito distante de mais competitivas e preparadas para o amanhã. simplesmente pensar em papel e tinta. Quem trabalha Em nosso novo lema, afirmamos: “A Abigraf é de no dia a dia desse mercado sabe que as demandas todos”. E é com essa mentalidade que trabalharemos mudaram, as tecnologias evoluíram, o digital por mais três anos, escutando, debatendo, chegou para ficar e os clientes querem trabalhos propondo soluções e caminhando em união com diferentes, em novos substratos, com recursos todos os profissionais de impressão do Brasil. tecnológicos avançados e acabamentos exclusivos. juliao@graficapontual.com.br Entendemos que, como a maior entidade representativa da indústria de impressão, a Abigraf Nacional precisa dedicar atenção a todas essas diferentes aplicações, às empresas Presidente da Associação e aos fornecedores que atuam nos variados Brasileira da Indústria Gráfica segmentos. E, felizmente, muito foi feito! (Abigraf Nacional) Agora, recém-empossados para um novo triênio (2026–2029), estabelecemos novos desafios como metas. Além de manter e ampliar tudo o que foi conquistado, mantemos nosso olhar voltado ao futuro — um futuro que aponta para a necessidade
Julião F laves Gaúna
6
REVISTA ABIGRAF julho/setembro 2026
Excel lence Embalagem zero defeito
www.bobst.com
Garanta embalagens zero defeito ao longo de todo o seu processo de produção. Tem interesse? Entre em contato com o seu representante local da BOBST em www.bobst.com/contact
MENSAGEM
Tudo nos interessa, mesmo sendo apenas impressão! Taxa Selic nas alturas, juros restritivos, crise no varejo, endividamento das famílias, fim da escala 6 × 1, insegurança jurídica, incertezas com a Reforma Tributária, dívida interna trilionária e, para completar, eleições. Como isso tudo vai refletir em 2027? Preocupemo-nos. endo uma nota sobre a “crise” no varejo que imediato sobre a indústria nacional, que enfrenta assola o País, encontrei uma palavra que o encolhimento de pedidos, o congelamento de me motivou a escrever este editorial. Evito créditos e o aumento do risco de calotes na cadeia previsões — não tenho bola de cristal — de suprimentos. As causas são muitas: mudanças e tento a todo custo fugir da obrigação drásticas nos hábitos de consumo, juros restritivos, institucional de pretender passar para o setor taxa Selic em torno de 14% ao ano, endividamento gráfico um otimismo ingênuo e a ideia de que as das famílias com “apostas online”, drenando mais coisas vão melhorar. Ilusão. 2027 será de R$ 62,5 bilhões do orçamento um ano difícil e complicado. Vamos, familiar, a possível aprovação do então, à palavra da vez: “assimétrica”! fim da escala 6 × 1, a insegurança “DIZEM QUE NÓS, Eis a nota: “A crise do varejo jurídica e, mais do que tudo, as GRÁFICOS, FAZEMOS tradicional atinge a indústria gráfica incertezas sobre impostos e MILAGRES, MAS É brasileira de forma assimétrica, tributações com a implantação SÓ IMPRESSÃO!” dividindo o setor entre o colapso da reforma tributária. DURVAL PEREIRA DE ANDRADE dos materiais promocionais Recentemente, recebemos físicos e a forte resiliência da área na sede da Abigraf/SP o político, de embalagens impulsionada advogado, mestre e doutor em pelo e-commerce”. E mais: “Como fornecedora filosofia e ex-presidente da Imprensa Oficial transversal, a atividade gráfica reflete diretamente do Estado de São Paulo, Jorge Perez, de família as mudanças operacionais das grandes redes”! de gráficos, que, num papo informal, contouNo final dos anos 1970, no meu único emprego nos uma máxima do seu avô gráfico, Durval antes de me tornar, em 1982, empresário editorial Pereira de Andrade: “Dizem que nós, gráficos, e gráfico, aprendi com meu patrão Hiroshi Kitani, fazemos milagres, mas é só impressão!”. já falecido, sobre como avaliar o mercado, se as Sobre a frase-título deste editorial “Tudo coisas estão indo bem ou não. Repetia, sempre: nos interessa!”, continua sendo uma “Observe de perto — mensalmente, se possível — a singular verdade “assimétrica”. Tudo nos venda de caixas de papelão!”. Na época, confesso, afeta, mesmo sendo somente impressão. não entendia muito bem onde estava o segredo. Ele, economista e gestor brilhante, obrigavascortecci@gmail.com me literalmente a ligar para fornecedores de caixa de papelão e sondar o mercado. Dizia, com propriedade: “O vendedor sempre entrega!”. Presidente da Associação A explicação lógica da coisa: estão vendendo caixas Brasileira da Indústria Gráfica de papelão? Sim. Então o varejo vai bem, obrigado. Regional São Paulo (Abigraf‑SP) A crise do varejo brasileiro vive um momento de forte aceleração, com mais de R$ 68 bilhões em dívidas de grandes marcas, reestruturadas por meio de recuperações judiciais ou extrajudiciais. Esse cenário restritivo gera um efeito dominó
João Scortecci
8
REVISTA ABIGRAF julho/setembro 2026
1 - 4 • MARÇO 2027 • EXPO CENTER NORTE / SP
SOMOS A PRINCIPAL E MAIS RELEVANTE VITRINE DA IMPRESSÃO DIGITAL NO BRASIL Sua empresa pronta para expandir horizontes e acelerar resultados A APS e a FESPA fazem parte da indústria de impressão. É isso que torna nossos projetos mais relevantes, mais conectados e mais capazes de gerar negócios reais. Conhecemos o mercado e defendemos todos os segmentos. Da comunicação visual à gráfica digital e impressão têxtil, passando por produtos personalizados, rótulos e impressão 3D, somos o principal centro de inovação para quem deseja liderar o setor.
Faça como as grandes marcas do mercado: seja expositor na FESPA Digital Printing 2027!
Ronaldo Arakaki, Presidente & CEO da Konica Minolta "A FESPA Digital Printing é um evento de grande sucesso para a Konica Minolta, com lançamentos, negócios fechados e excelente visitação. Trata-se de uma feira que ‘conversa’ diretamente com nosso core business, que é a impressão digital, por isso, torna-se extremamente estratégico para nós estarmos presentes.”
Marketing & Comercial +55 11 4013-7979 +55 11 93282-7852 marketing@apseventos.com.br
Realização, Promoção e Organização:
www.fespabrasil.com.br
ROTATIVA
Seminário fortalece integração do setor gráfico da Região Sul
Bobst lança nova linha Masterfold com plataforma redesenhada Dentro da estratégia da empresa de implementar sua visão em todos produtos e equipamentos, a linha de dobradeiras-coladeiras Bobst Masterfold passou por completa modernização. Construída sobre uma plataforma totalmente nova, a principal máquina da linha de dobragem e colagem de papelão ondulado da Bobst foi atualizada para incorporar tecnologias de ponta e superar os mais altos padrões de segurança do mercado. A transformação eleva a capacidade de automação da máquina, com novos recursos de digitalização e conectividade para simplificar o processo de configuração e oferece máxima facilidade de uso para o operador. O tempo de configuração da máquina foi reduzido em até 20 minutos. O posicionamento automatizado da seção de transferência e entrega adiciona até 15 minutos de tempo de atividade produtiva para trabalhos repetitivos. Tais mudanças inserem a máquina de ponta em uma nova era de conversão digital, conectada e automatizada, otimizando seu tempo de atividade e precisão da configuração. www.bobst.com.br
Hinovatti Trade Import Caminho seguro para adquirir equipamentos internacionais de qualidade a custo competitivo. Estrutura completa. Profissionais experientes dão suporte na seleção e homologação de fornecedores de máquinas, peças, consumíveis e insumos do mercado asiático. • Total assistência no desenvolvimento da importação até a entrega ao cliente • Amplo portfólio de equipamentos para impressão, acabamento, coversão de papel, embalagens e aplicações industriais • Assistência técnica especializada • Fornecimento de peças e consumíveis • Instalação e manutenção de equipamentos • Adequação à NR-12 e serviços relacionados ao comércio exterior. Consulte-nos: contato@hinovatti.com.br www.hinovatti.com.br 10
REVISTA ABIGRAF julho/setembro 2026
P
romovido pelas Abigrafs de Edson Silva (Microrregião de Santa Catarina, Paraná e Rio Itajaí); Alexandro Dittrich (ConGrande do Sul, foi realizado no córdia); e Waldemar Luiz Casadia 1º de agosto, no Firenze Cen- grande (Sul Catarinense), além tro de Eventos, em Palhoça, SC, do vice-presidente do sindicato o 8º Seminário Sul-Brasileiro da de Blumenau, Fernando Mayer. Indústria Gráfica, reunindo cerA programação teve início ca de 300 empresários, gesto- com a palestra “A Magia de Enres, profissionais, fornecedores cantar Clientes”, ministrada pelo e representantes de entidades. conferencista e especialista DisA abertura oficial teve a partici- ney, Alexandre Espíndola. Na sepação de Julião Gaúna, presiden- quência, Aislan Baer, CEO da te, e Evandro Rogério Volpato, ProjetoPack e consultor em gesvice-presidente para a Região tão e inovação, abordou o tema Sul, da Abigraf Nacional; e de “Insights de Gestão Estratégica Cidnei Barozzi, presidente da para Gráficas e Convertedoras”. Abigraf Regional Santa Catarina. À tarde, Fábio Mortara falou Outras lideranças do setor sobre a Two Sides, ação global gráfico e da indústria estive- dedicada à valorização do papel, ram presentes, entre elas: Gus- comunicação impressa e embatavo Schneider, vice-presidente lagens de papel. No encerramenda Abigraf- RS; Tatiana Uhle Bo- to, o navegador e empreendedor chicchio, vice-presidente da Abi- Vilfredo Schurman compartilhou graf-PR /Sigep; e José Fernando experiências da Família Schurda Silva Rocha, diretor da Fiesc. man, com a palestra “NaveganOs sindicatos das indústrias grá- do com Sucesso: Construindo ficas catarinenses foram repre- Legados que Inspiram”. sentados por seus presidentes: www.abigrafsc.org.br/seminario-2026
Mais do que uma encadernadora. Um passo para uma linha mini CABS. Conheça a Horizon BQ-500, referência mundial em encadernação. Com automação, flexibilidade e alta produtividade, a BQ-500 entrega excelência no acabamento em uma solução compacta e eficiente. E o melhor: pode ser integrada a outros equipamentos Horizon para formar uma linha mini CABS completa, levando sua produção de livros a um novo nível de automação. BQ-500. A porta da entrada para uma linha mini CABS.
Comece com a BQ-500. Evolua conforme sua produção.
Entre em contato conosco!
ABIGRAFS REGIONAIS Por: Paulo Stucchi
Roraima
Amapá
Amazonas Pará
Acre Rondônia
Tocantins
Abigraf Regional Norte: o poder de crescimento e os desafios de um setor diversificado A indústria de impressão da Re- atendimento a clientes locais, com gião Norte do Brasil não difere, em diversos aspectos, da realidade das demais áreas do País. Composta majoritariamente por empresas de micro, pequeno e médio portes, com forte presença local e, em alguns casos regional, essas empresas se defrontam diariamente com desafios para equalizar o potencial de crescimento e encontrar um caminho sustentável para que esse crescimento ocorra de forma qualitativa, por meio da capacitação de mão de obra, investimento em infraestrutura e em tecnologia de ponta. Ainda que as macrorregiões das metrópoles como Manaus e Belém tenham características que se assemelham a qualquer grande centro urbano — com demandas gráficas diversificadas e regionalizadas, que vão dos impressos promocionais, corporativos e comerciais, até editoriais e comunicação visual —, a maior parte das demais cidades e centros têm, como perfil, o 12
destaque ao Poder Público. Segundo os dados setoriais disponíveis, a Região Norte abriga cerca de 1.200 empresas gráficas e de comunicação visual, gerando aproximadamente 15.000 empregos. Dessas empresas, 90% são de micro e pequeno portes. Empresas do Amazonas e Pará lideram o faturamento, concentrando 70% da produção. “A indústria gráfica do Norte do País apresenta uma dualidade importante, que não pode ser desconsiderada quando falamos da união do setor e do associativismo: a dualidade entre empresas altamente capacitadas tecnologicamente e pequenas gráficas com carências em termos de formação de mão de obra e dificuldade de investimento, sobretudo, quando olhamos para as novas tendências e tecnologias, como a impressão digital”, analisa Sergio Tavares, vice-presidente da Abigraf Regional Norte.
REVISTA ABIGRAF julho/setembro 2026
Sergio cita o papel do Poder Público nesse caso, sendo este fomentador, em muitas oportunidades, tanto de demandas de impressão quanto de projetos de incentivo para capacitação e crédito para investimento em estrutura industrial. Vale destacar, ainda, a atuação do Senai dos estados da região como polo de formação e instrução.
PERFIL Atualmente, o setor de impressão que apresenta maior crescimento na Região Norte é o de rótulos e etiquetas, sobretudo, impulsionado pelas indústrias de eletroeletrônicos, cosmético, químico, majoritariamente concentrando no polo industrial da Manaus. Merecem destaque, ainda, setores como o promocional (com impressão de folhetos, catálogos, banners e materiais corporativos para o comércio local e setor de serviços), impressos governamentais e institucionais, e comunicação visual e sinalização, o qual
Sergio Tavares, vice-presidente da Abigraf Regional Norte
apresenta forte expansão sobretudo para aplicações de fachadas, eventos e decoração comercial.
UNIÃO, ASSOCIATIVISMO E OBSTÁCULOS Uma característica bem marcante da Região Norte do País é sua dimensão geográfica e infraestrutura logística. Não é raro, por exemplo, encontrar cidades e regiões inteiras com sérias dificuldades de acesso ou muito isoladas dos grandes centros urbanos. A dependência do transporte fluvial e rodoviário de longa distância encarece o frete de matérias-primas (papel, tintas, chapas CtP) oriundas do Sul e Sudeste, além de aumentar o tempo de entrega dos insumos. “Muitas empresas enfrentam dificuldades no aproveitamento de créditos tributários e assimetrias de
alíquotas de ICMS entre os estados da para ouvir as demandas da Região no Amazonas, e o Sigepar, no Pará própria região”, diz Sergio. Norte, valorizando nossas carac- — foram os pioneiros na organiza“Nossa indústria vem evo- terísticas e reconhecendo nossa ção da classe a partir de meados do luindo significativamente nos importância para o setor. Hoje vi- século XX. Durante décadas, esses últimos anos, investindo em tec- vemos um novo tempo. Existe um sindicatos atuaram de forma isonologia, automação, sustentabi- ambiente de confiança, colabora- lada, focando em negociações colidade e qualificação profissional, ção e participação efetiva. A Re- letivas de trabalho e pleitos locais mostrando que somos capazes gião Norte voltou a ocupar seu junto às federações das indústrias de competir em qualidade com espaço dentro da entidade na- estaduais (Fieam, Fiepa, Fiero, etc). qualquer região do País. Porém, cional, contribuindo com ideias, “A união permite às empresas o maior desafio continua sendo a experiências e propostas para o ter maior poder de negociação logística. As longas distâncias da fortalecimento de toda a indústria e articulação junto aos governos Amazônia elevam o custo de aqui- gráfica do País”, pontua. estaduais para a manutenção ou sição de insumos, aumentam os Diante de uma realidade dife- criação de incentivos fiscais e preprazos de entrega e impactam di- rente do Pará, sobretudo no que ferência para compras públicas retamente a competitividade das tange ao isolamento geográfico locais. Também amplia as possibiempresas”, afirma Carlos Jorge e capacitação e formação de mão lidades de parceria com o Senai e Lima, diretor da Fiepa (Federação de obra especializada, José Afon- instituições de ensino para trazer das Indústrias do Estado do Pará) e so Boaventura de Souza, presi- treinamentos técnicos e gerenciais membro da Diretoria Executiva da dente do Sindicato das Indústrias que, isoladamente, as empresas Abigraf Nacional. “Também con- Gráficas do Estado do Acre (Sin- não conseguiriam custear, além do vivemos com uma elevada carga digraf-AC), destaca a importância fomento a campanhas de valorizatributária, a necessidade perma- da reaproximação e reintegração ção da impressão local (”Produza nente de atualização tecnológi- dos trabalhos do setor no âmbito no seu Estado”), conscientizando ca e a formação de mão de obra da Abigraf Nacional. “A parceria es- o comércio e o poder público soespecializada, que precisa acom- tratégica com a Abigraf Nacional bre a geração de empregos e tripanhar a rápida evolução dos pro- — impulsionada pela recente con- butos na própria região”, ressalta cessos produtivos. Por outro lado, solidação institucional que resta- Sergio Tavares. vejo esses desafios também como beleceu a presença unificada da Especificamente sobre o trabaoportunidades. O empresário grá- entidade na Região Norte — gera lho e projetos da Abigraf Regional fico da Região Norte é criativo e um plano estruturado de expec- Norte, Sergio destaca que a nova acostumado a encontrar soluções, tativas também para o desenvol- fase pela qual passa a entidade, e apesar desses desafios, as em- vimento da indústria gráfica e de principalmente com a reaproxipresas têm buscado agregar va- comunicação acreana. Nesse con- mação junto à Abigraf Nacional, lor aos serviços, investindo em texto, guardamos a convicção de representa uma mudança de patecnologia digital, impressão de que a união, o diálogo e o traba- radigma regional. “Após anos de alta qualidade, personalização lho coletivo continuarão sendo os atuação majoritariamente isolade produtos e soluções voltadas pilares para impulsionar o cresci- da e focada nos desafios locais, à economia circular e às práticas mento do nosso setor e fortalecer os empresários do Norte perambientalmente responsáveis.” a representatividade da indústria ceberam que muitos dos seus Para Carlos Jorge, a reapro- gráfica no Acre e em todo o Brasil”, problemas estratégicos (como triximação com a Abigraf Nacional salienta José Afonso. butação nacional, tributação sotrará benefícios às empresas da reO trabalho de entidades como bre insumos importados e normas gião. “A reaproximação representa a Abigraf, bem como de federa- técnicas) dependem de articulamuito mais do que uma questão ções e associações comerciais e in- ção em Brasília e no cenário fabril institucional; ela simboliza a re- dustriais dos estados e municípios, nacional”, declara. construção de uma agenda co- tem ajudado para estreitar laços e Além disso, as novas tecnolomum em favor da indústria gráfica abrir canais para escuta e coleta gias vêm viabilizando a integração brasileira. Esse movimento nasceu de demandas bastante específicas. e a participação de empresários do do diálogo, do respeito e da comAdemais, o associativismo entre Norte em reuniões e ações de vulpreensão de que somos mais for- as empresas gráficas do Norte não to nacional. “A difusão do trabalho tes quando trabalhamos juntos. é de hoje. Historicamente, os Sin- remoto e das reuniões virtuais faA atual diretoria da Abigraf Na- dicatos das Indústrias Gráficas (Si- cilitou a participação contínua dos cional demonstrou sensibilidade gras) estaduais — como o Sigre-AM, empresários nortistas em fóruns
nacionais, encurtando a distância geográfica. Também existem pautas em comum que geram consequências para todo o setor e sobre as quais temos participação, como a discussão sobre a Reforma Tributária e os incentivos da Zona Franca de Manaus, que impulsionou a necessidade de uma atuação conjunta e integrada com entidades nacionais”, prossegue Sergio.
EXPECTATIVAS E FUTURO Para Sergio, integração regional e nacional projeta expectativas estruturadas em prazos distintos. Em curto prazo, pretende-se levantar um diagnóstico atualizado e unificado do parque gráfico nortista e a ampliação do acesso das pequenas gráficas locais a cursos de capacitação online, consultorias de gestão e eventos de atualização tecnológica. Já em médio prazo, o foco está no fortalecimento de pleitos conjuntos em defesa da indústria local junto aos governos estaduais. “Aqui, falamos sobre o incentivo à diversificação produtiva, auxiliando gráficas promocionais a migrarem ou expandirem para os mercados de embalagens e comunicação visual, criação de redes de compras coletivas de insumos para reduzir o impacto do frete”, explica. Por sua vez, a integração da Abigraf Regional Norte e a Abigraf Nacional permitirá, em longo prazo, reduzir as assimetrias competitivas entre a indústria gráfica do Norte e as demais regiões do País. “Por exemplo, a consolidação de polos gráficos modernos e sustentáveis, alinhados às exigências de ESG (sustentabilidade ambiental e responsabilidade social) para atender grandes cadeias produtivas e o mercado da bioeconomia regional”, finaliza Sergio. Paulo Stucchi
é assessor de comunicação da Abigraf
julho/setembro 2026
REVISTA ABIGRAF
13
ENTREVISTA Por: Tânia Galluzzi
Sevani de Matos Oliveira
D
“A cultura é sempre um desafio” iretora geral da VR Editora , Se-
vani de Matos Oliveira é presidente da Câmara Brasileira do Livro, entidade que está completando 80 anos de valorização do livro e da leitura. Quando conversou com a Revista Abigraf, ela estava às voltas com os detalhes finais para a realização da maior edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que aconteceu entre os dias 4 e 13 de setembro. Nesta entrevista, Sevani fala sobre o crescimento do mercado, a entrada de 3 milhões de novos compradores em 2025, o papel das redes sociais na atração dos jovens para a leitura e os desafios do setor.
14
REVISTA ABIGRAF julho/setembro 2026
A pesquisa Painel do Varejo de Livros no Brasil1 divulgada em maio deste ano mostrou crescimento de 3,6% em volume, 8% na receita e 4,2% no valor do ticket médio, confirmando o clima favorável apontado em meses anteriores. No frigir dos ovos, a pandemia ajudou as pessoas a redescobrirem o prazer de ler?
A pandemia foi um período muito difícil, especialmente para crianças e adolescentes. Mas muitas pessoas, por terem mais tempo, voltaram a ler ou descobriram esse prazer, e muitas 1 Pesquisa promovida pelo Snel, realizada pela Nielsen BookData, comparando maio de 2026 com o mesmo período do ano passado.
mantiveram o hábito. Os eventos literários e editoras pequenas. Elas encontram na curaas feiras, das grandes bienais às municipais, doria dos catálogos caminhos para esse púretornaram, e isso faz o público ter vontade de blico, com maior diversidade e pluralidade de ler. Como mostrou outra de nossas pesquisas, temas. Temos autores e autoras novos desa Panorama do Consumo de Livros2 , o Brasil pontando, trazendo diversidade de assuntos, ganhou 3 milhões de novos leitores em 2025 de gênero, de olhares. As feiras menores são por vários fatores, incluinum palco importante para do as redes sociais, espeesses novos escritores, que cialmente o TikTok, com usam as redes sociais para EXISTE UM TRABALHO criadores de conteúdo fadivulgar suas obras. lando com paixão de seus CONTÍNUO DA CBL, livros e autores preferidos, Pelo recorte etário, a pesQUE ACABA DE motivando sobretudo os quisa Panorama do ConsuCOMPLETAR 80 ANOS jovens. Enfim, trata-se de mo de Livros revelou que os DE VALORIZAÇÃO DO uma conjunção de elemenjovens de 18 a 34 anos são LIVRO E DA LEITURA, tos favoráveis à leitura. o maior grupo consumidor. TANTO JUNTO À A senhora acredita que as Essa mesma pesquisa Paredes sociais vão continuar SOCIEDADE QUANTO norama do Consumo aponatraindo esses leitores? AO GOVERNO E NAS tou um dado interessante. Acredito que sim. Mas há POLÍTICAS PÚBLICAS. As mulheres pretas e paroutros movimentos nesse das da classe C compõem sentido. Existe um trabao maior grupo de consumilho contínuo da CBL, que dores, com 15% do total. Isso de alguma forma acaba de completar 80 anos de valorização contraria a ideia de que o livro é caro no Brasil? do livro e da leitura, tanto junto à sociedade Culturalmente, o brasileiro acha o livro caro. quanto ao governo e nas políticas públicas. Mas, comparado com livros em dólar ou euro, A PNLE (Política Nacional de Leitura e Escrio livro no Brasil é muito mais barato. As pes- ta 3), instituída em 2018 e regulamentada em soas talvez não saibam do trabalho envolvido, 2024, foi um bom passo. Os professores nas desde o autor que cria a história, passando escolas e sobretudo os pais têm um papel depor tradução, ilustração, capa, preparação, cisivo nesse sentido. De qualquer forma, as revisão, até a gráfica. A pesquisa também redes sociais vão se transformando, mas semmostrou que a Classe A não lê muito, en- pre haverá um grupo importante que valoriza quanto as classes B e C são as mais leitoras, o livro e o conhecimento. buscando crescimento pessoal e profissional. Pretos e pardos somam 49% dos consu- Para finalizar, quais os principais desafios midores, e desses, 30% são mulheres pretas para 2027? e pardas na classe C, lendo e se qualificando. Como negócio, temos o dólar flutuante e a suA questão é: o livro não é caro no Brasil, bida de preços no setor gráfico de insumos isso é comprovado, mas infelizmente as pes- como papel, celulose e chapa de aço. Temos soas ainda o enxergam assim e acham que uma eleição presidencial que pode ditar os rutem que comprar livro por 10, 20 reais, o que mos dos ministérios da Cultura e da Educanão se sustenta. ção. O setor é frágil e precisa continuar unido, como enfatizamos no 5º Encontro de Editores, Como as editoras estão se preparando para esse Livreiros, Distribuidores e Gráficas, no Guarupúblico feminino, ávido por livros? já. Os desafios continuam sendo levar o nome O mercado editorial tem aproximadamen- do Brasil para feiras internacionais, manter as te 70 mil empregos diretos, e a maior parte feiras locais e trabalhar as políticas públicas. dos departamentos editoriais é composta por A cultura é sempre um desafio. mulheres. Em 2024, foram abertas três mil 2 Pesquisa promovida pela CBL, realizada pela Nielsen BookData, tendo como base o ano de 2025, divulgada em fevereiro de 2026.
3 Entre outras ações, a PNLE promove a integração entre MEC e MinC no incentivo à leitura, inclui bibliotecas públicas e comunitárias no PNLD, cria um novo Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL); e fortalece o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP). julho/setembro 2026
REVISTA ABIGRAF
15
NOVA DIRETORIA
Cláudio Serpa
C
assume presidência da Afeigraf com foco em inovação, inteligência de mercado e fortalecimento do setor gráfico
om uma trajetória de quase três décadas na indústria gráfica, Cláudio Serpa assume a presidência da Afeigraf para o biênio 2026– 2028 com a proposta de fortalecer a representatividade da entidade e ampliar o valor entregue ao mercado e aos associados. A experiência acumulada ao longo da carreira — iniciada em 1998, na Autologic, passando pela Agfa nos Estados Unidos e, posteriormente, pela liderança de projetos estratégicos na América Latina — proporciona uma visão abrangente dos desafios e das oportunidades do setor. Atualmente, também responde pelas áreas de Serviços da Eco3 Brasil e de Produtos Latam para impressão digital. À frente da associação, uma das prioridades será ampliar a base de associados e consolidar a Afeigraf como uma plataforma de geração de conhecimento, inovação e inteligência de mercado. A meta é aproximar ainda mais a entidade das empresas do setor, oferecendo benefícios que vão além da representatividade institucional e contribuam efetivamente para a competitividade dos fornecedores. Na avaliação do novo presidente, a indústria gráfica vive um dos períodos mais transformadores de sua história. De um lado, a crescente presença de fornecedores chineses intensifica a concorrência. De outro, a rápida evolução tecnológica, impulsionada por automação, inteligência artificial, impressão digital e sustentabilidade, redefine processos, modelos de negócios e as competências exigidas dos profissionais. Nesse cenário, a Afeigraf pretende ampliar sua atuação na produção e disseminação de informações estratégicas, investindo em pesquisas de mercado, estudos de tendências e iniciativas que apoiem a tomada de decisão das empresas associadas. A proposta também inclui fortalecer a realização de eventos
16
REVISTA ABIGRAF julho/setembro 2026
técnicos, workshops, encontros de networking e conteúdos especializados, reforçando o papel da entidade como referência para o desenvolvimento do setor. Outro pilar da gestão será a ExpoPrint. A edição de 2026 consolidou a feira como o maior evento da indústria gráfica das Américas, reunindo mais de 57 mil visitantes qualificados, mais de 460 expositores, cerca de mil marcas representadas e movimentando R$ 1,7 bilhão em negócios. Para Cláudio, os resultados evidenciam a importância da feira como ambiente estratégico para geração de negócios, apresentação de novas tecnologias e fortalecimento das relações entre fornecedores e clientes. A expansão do quadro de associados também está entre as prioridades do mandato. A estratégia prevê uma atuação mais próxima das empresas do setor, especialmente das participantes da ExpoPrint, com o objetivo de ampliar a representatividade da Afeigraf e fortalecer sua atuação como uma das principais vozes da indústria gráfica brasileira, preparada para apoiar o mercado diante das transformações que definirão os próximos anos.
AFEIGRAF – ASSOCIAÇÃO DOS AGENTES DE FORNECEDORES DE EQUIPAMENTOS E INSUMOS PARA A INDÚSTRIA GRÁFICA Diretoria Executiva – Biênio 2026–2028 Presidente: Cláudio Palomino Serpa (Eco3) Diretores: Raymond Trad (Comprint), Kátia Dalama (Rotatek), Maria Cecília Tahan (Müller Martini Brasil) e Eric Santos (Hubergroup Brasil) Conselho Fiscal: Sílvia Montes (Heidelberg do Brasil) e Marcos Maricate (Contiweb) AFEIGRAF www.afeigraf.org.br
Cada resíduo com destino certo. Cada etapa com comprovação. Gerenciamento completo de resíduos para a indústria gráfica. A Druck Chemie assume todo o ciclo dos resíduos da sua operação: transportadores licenciados, empresas homologadas de tratamento e a documentação que comprova cada etapa. Menos risco ambiental, menos exposição legal, mais reputação no mercado.
COLETA E TRANSPORTE Coleta programada e rastreável com transportadores licenciados.
ARMAZENAMENTO ADEQUADO Estrutura em conformidade com a legislação, segura em todas as etapas.
DESTINAÇÃO CORRETA Tratamento e coprocessamento em empresas homologadas, sem passivo ambiental.
CONFORMIDADE E SEGURANÇA MTR, certificados de destinação e suporte em auditorias e fiscalizações.
Sustentabilidade não é tendência. É o nosso compromisso com o futuro.
dc-brasil@druckchemie.com • druckchemie.com
8
à D
99
E
M
IA
TE
G
NOLO CH
AL
TECNOLOGIA ALEMÃ SUPORTE LOCAL RESULTADOS QUE FAZEM A DIFERENÇA
ESDE
1
7º Prêmio Paulista de Excelência Gráfica Luiz Metzler
Prêmio Paulista cresce em números e abrangência
Número recorde de peças inscritas, com participação de gráficas de 24 municípios do Estado, foi destaque no concurso deste ano.
D
urante cerimônia realizada na noite de 26 de junho, no auditório do Senai Theobaldo De Nigris, foram entregues 44 troféus para as 24 gráficas vencedoras do 7º Prêmio Paulista de Excelência Gráfica Luiz Metzler. Realizada pela Abigraf Regional São Paulo, a premiação contou com a coordenação técnica da Faculdade Julião Gaúna, presidente da Abigraf Nacional
(E/D) Bruno Cialone, coordenador da Comissão de Estudos do Prêmio, e João Scortecci, presidente da Abigraf-SP
18
REVISTA ABIGRAF julho/setembro 2026
Senai Campus Theobaldo De Nigris e apoio técnico da Abitec. O grande destaque da sétima edição do prêmio foi o número recorde de peças inscritas, 338, contra as 297 de 2025, um crescimento de 14%. Participaram 61 gráficas de todo o Estado, estabelecidas nos municípios de Barueri, Bauru, Caieiras, Cajamar, Catanduva, Cotia, Diadema, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Itu, Jaú,
1 2 3 4
O artista Adélio Sarro (E), autor da obra que ilustra a capa da Revista Abigraf nº 328, distribuída na premiação, recebe de João Scortecci e do editor Plinio Gramani réplicas enquadradas da capa da publicação
Jundiaí, Mineiros do Tietê, Osasco, Pederneiras, São Bernardo do Campo, Santa Cruz do Rio Pardo, Santana de Parnaíba, Santo André, São Manuel, São Paulo, Suzano, Taboão da Serra e Vinhedo. O presidente da Abigraf-SP, João Scortecci, ressaltou o recorde de trabalhos NÚMEROS DO PRÊMIO
61 GRÁFICAS PARTICIPANTES
338 PRODUTOS INSCRITOS
24
Em meio à solenidade foi feita homenagem ao consagrado artista Adélio Sarro, que teve uma de suas obras escolhida para ilustrar a capa da edição 328 da Revista Abigraf. O artista recebeu uma réplica enquadrada da capa da revista das mãos de João Scortecci e do editor da publicação Plinio Gramani. O 7º Prêmio Paulista, que contou com os patrocínios Ouro da Blendpaper e Bronze da Canopus Química, Heidelberg, Sun Chemical e Topcoat Vernizes, recebeu cerca de 300 convidados na festa de entrega dos troféus.
EMPRESAS PREMIADAS
COMISSÃO JULGADORA
44
Coordenador da Comissão de Estudos e Jurado: Bru‑ no Cialone. Jurados: Ana Carolina Almeida de Moura, André Liberato, André Nato, Camila Christini Tomas, Claudinei Pereira Santana, Danni Couto, Ederson Marques de Souza, Eneias Nunes da Silva, Filipe Lázaro da Silva, Flávio Oliveira, Francisco Monteiro, Gilberto Tenório de Oliveira, Henrique Lopes Cavalcante, Jus‑ sara Cristina Quintiliano de Almeida, Larissa Roberta Bonazzio, Lívia Maria Tagliamento, Lucimara Ribeiro de Andrade, Luiza Rosa Flores, Manolo Amato, Mauro Vezzu, Mozart Carramillo, Pedro Gargalaca, Rober Almeida, Robie Braga e Robson Xavier de Carvalho
TROFÉUS ENTREGUES
inscritos e de empresas participantes como prova da força da indústria gráfica paulista, bem como a grande qualidade dos produtos. Já o presidente da Abigraf Nacional, Julião Gaúna, que também enalteceu a qualidade das peças disputantes, salientou a importância da união do setor, assim como o trabalho da entidade de estar cada vez mais próxima das associações regionais. Por sua vez, Fabio Gabriel, vice-presidente da Abigraf-SP, Abigraf Nacional e Sindigraf-SP, afirmou que o Prêmio Paulista é o grande momento da indústria gráfica de São Paulo e parabenizou os finalistas pela qualidade dos trabalhos.
EMPRESAS VENCEDORAS 5 prêmios: Ipsis ◆ 3 prêmios: Congraf, Criasett, FTD Educação, Pigma, Plural e Sutto ◆ 2 prêmios: Digital Printz, Laborprint, Tiliform e Viena ◆ 1 prêmio: Brasilgrafica, Brogotá, D’Print, Escala 7, Foroni, Indemetal, Innovapack, Leograf, Primi, Rami, Sangar, Santa Inês e Tilibra
Veja nas páginas seguintes os trabalhos premiados
Plural Braspor FTD Educação Acco/Tilibra Congraf Leograf 5 Ativaonline Digital Printz 6 Tiliform 7 Escala 7 Ipsis Sutto 8 Pigma 9 Primi Rami Viena 10 Antilhas Indemetal Nova Soluções 11 Brasilgráfica CBA B+G Criasett D'Print Foroni Jandaia/Bignardi Santa Inês Santa Marta Vektra 12 Brogotá Eskenazi Grafilar Hawaii Innovapack Laborprint Nitoli Ogra Sangar Sociedade Bíblica 13 Ápice Artprint Contiplan Forma Pack Futurebrand Giankoy Gonçalves Impressione Jauense Lit. Bandeirantes Log & Print Mack Color Mācron Margraf Mundial Paper Neoband Rosset Salinas Sarapuí Studio Plural Van Gogh
2026
Total
2025
2024
2023
2022
2019
Empresa
2018
RANKING DOS TROFÉUS CONQUISTADOS
1 4 3 1 3 3 3 18 4 1 4 3 3 2 — 17 — 1 1 1 4 2 3 12 2 2 1 2 1 2 1 11 2 1 — 1 2 2 3 11 1 1 3 4 1 — 1 11 1 2 2 2 1 2 — 10 — — — — 5 3 2 10 1 1 — 1 2 2 2 9 3 — 1 1 1 1 1 8 — 1 — 2 — — 5 8 — — — 1 1 3 3 8 — — 2 1 — 1 3 7 — 2 1 1 1 — 1 6 1 1 1 — 1 1 1 6 — — — — 3 1 2 6 1 1 1 — — 1 — 4 1 — 1 — 1 — 1 4 — — 1 2 1 — — 4 — 1 — — — 1 1 3 — 3 — — — — — 3 — — — — — — 3 3 — — — 1 1 — 1 3 — — — — 1 1 1 3 1 — 1 1 — — — 3 1 1 — — — — 1 3 — — — — — 3 — 3 — — 2 — — 1 — 3 — — — 1 — — 1 2 — 1 1 — — — — 2 — — — 1 1 — — 2 1 — — 1 — — — 2 — — — — — 1 1 2 — — — — — — 2 2 — — — — 2 — — 2 — 1 — — — 1 — 2 — — — — — 1 1 2 — — 1 1 — — — 2 — 1 — — — — — 1 — — 1 — — — — 1 — — — — — 1 — 1 — — — — — 1 — 1 — 1 — — — — — 1 — — 1 — — — — 1 — — 1 — — — — 1 — — — 1 — — — 1 1 — — — — — — 1 — — 1 — — — — 1 — — — 1 — — — 1 — 1 — — — — — 1 — — — 1 — — — 1 — — — — — 1 — 1 — 1 — — — — — 1 — — 1 — — — — 1 — 1 — — — — — 1 — — — 1 — — — 1 — — — — — 1 — 1 — — — — 1 — — 1 — 1 — — — — — 1
julho/setembro 2026
REVISTA ABIGRAF
19
VENCEDORES DO 7º PRÊMIO PAULISTA DE EXCELÊNCIA GRÁFICA LUIZ METZLER
LIVROS
Livros de Texto Viena Gráfica e Editora Poderes das Trevas
Livros Culturais e de Arte Ipsis Gráfica e Editora Barrão Rima Colada
Revistas Periódicas de Caráter Variado com Recursos Gráficos Especiais Ipsis Gráfica e Editora Aberto edição 1, 2026
Rótulos Convencionais com e sem Efeitos Especiais Gráfica Rami Balde O Diabo Veste Prada 2/2026 ACONDICIONAMENTO
PRODUTOS PARA IDENTIFICAÇÃO
Livros Infantojuvenis FTD Educação Indústria Gráfica Nos Fios do Invisível
Livros Didáticos FTD Educação Indústria Gráfica Brick by Brick volume 5
Livros em Geral Ipsis Gráfica e Editora 40 Anos de Criança Esperança – Unesco Rótulos em Autoadesivo sem Efeitos Especiais Gráficos Sangar Rótulo SV TT Manosso
Publicações não Contempladas nas Categorias Anteriores Digital Printz Serviços Gráficos Book F1 2025 REVISTAS
Livros Ilustrados e Livros Técnicos Ipsis Gráfica e Editora Two Arquitetura – Karina Salgado
20
Embalagens Semirrígidas sem Efeitos Gráficos Congraf Embalagens Caixa Presenteável Gingerbread Fini
Revistas Periódicas de Caráter Variado sem Recursos Gráficos Especiais Ipsis Gráfica e Editora Zum edição 29
REVISTA ABIGRAF julho/setembro 2026
Rótulos em Autoadesivos com Efeitos Especiais Indemetal Gráficos Rótulo Adesivo Over Kill Pré-Workout
Embalagens Semirrígidas com Efeitos Gráficos Pigma Gráfica Editora Caixa Eucerin (Nivea)
Embalagens Semirrígidas com Efeitos Gráficos Especiais Criasett Gráfica e Editora Cartucho Jameson
PUBLIEDITORIAL
COMPROMISSO QUE IMPRIME CONFIANÇA!
UMA NOVA ETAPA
A
o longo de 42 anos na indústria gráfica, aprendi que grandes resultados são construídos com confiança, relacionamentos sólidos e um compromisso genuíno com os clientes. O universo gráfico sempre se destacou por sua capacidade de inovação, força empreendedora e busca constante por evolução tecnológica. Foi acompanhando esse movimento que construí minha carreira e desenvolvi minha visão de mercado. Em 2018, recebi o desafio de assumir a gestão da Komori no Brasil por meio da representação da época, a Furnax. Mais do que ampliar vendas, era necessário reconstruir a presença da marca, recuperar sua relevância e fortalecer novamente sua conexão com o mercado brasileiro. Com muito trabalho, proximidade com os clientes e dedicação diária, conseguimos reposicionar a Komori entre as principais referências do setor, alcançando resultados expressivos e reconquistando a confiança do mercado. Desde a sua chegada no Brasil há mais de 30 anos, estimamos em cerca de 270 o número de impressoras Komori em operação no Brasil hoje. Dessas, 17 foram vendidas nos últimos oito anos, fruto do cuidado e da atenção que dedico às demandas dos clientes. Agora, com o início da Future Impress, esse atendimento exclusivo se torna um poderoso diferencial. Ela representa muito mais do que um novo projeto profissional. Significa a continuidade de uma história construída ao longo de décadas de experiência, aprendizado e relacionamento dentro da indústria gráfica. Receber da Komori a confiança para conduzir sua nova operação no Brasil é motivo de grande orgulho, mas também de enorme responsabilidade. Além de fortalecer a área comercial, contamos com seis técnicos-consultores e estamos estruturando uma operação completa para suprir o mercado com peças originais e com a garantia da segurança, agilidade e a qualidade de
Denis Lillo Lopes Diretor da FUTURE IMPRESS Representante oficial da Komori no Brasil
atendimento, que sempre foram as marcas da Komori em todo o mundo. Não por acaso, a marca japonesa está entre as líderes mundiais no fornecimento de impressoras offset e é reconhecida sobretudo pela confiabilidade operacional, robustez e baixíssima manutenção. Seguiremos atuando com os mesmos valores que sempre nortearam nossa trajetória: proximidade com os clientes, entendimento de suas necessidades e o compromisso em contribuir para o crescimento sustentável da indústria gráfica brasileira. Esta é uma nova etapa de uma história que continua sendo escrita todos os dias.
FUTURE IMPRESS
Future Impress Importação e Representações Ltda. Fone: (11) 98229-3065 (whatsapp) denis.lopes@futureimpress.com.br Peças e Serviços Davi Soares Fone: (11) 98836-0161 peças.komori@futureimpress.com.br davi.futureimpress@gmail.com
VENCEDORES DO 7º PRÊMIO PAULISTA DE EXCELÊNCIA GRÁFICA LUIZ METZLER
PROMOCIONAL
Embalagens Sazonais Congraf Embalagens Sacola Ovo com Berço Cafuné Duo Capivara
Sacolas Congraf Embalagens Sacola Ovo com Berço Cafuné Duo Capivara
Kits Promocionais Laborprint Gráfica e Editora Welcome Kit Juice Monster Rio Punch
Displays, Móbiles e Materiais de Ponto de Venda de Mesa Criasett Gráfica e Editora Display Risqué
Embalagens Flexíveis Tiliform Indústria Gráfica Stand-up Pouch Whey+ Nutrata Havanna
Impressos de Segurança Primi Tecnologia Selo de Autenticidade Colomba Café
Pôsteres e Cartazes Pigma Gráfica Editora Pôster Supergirl DC
Cadernos Escolares em Conformidade com a Norma ABNT NBR 15733 Tilibra Produtos de Papelaria Caderno Guerreiras do K-Pop
Catálogos e Folhetos Criasett Gráfica e Editora Catálogo Exotics Displays e Materiais de Ponto de Venda de Chão Escala 7 Editora Gráfica Portal Bic Volta às Aulas
Embalagens de Micro-Ondulados com e sem Efeitos Especiais Indústria de Embalagens Santa Inês Embalagem Gaveteiro Projeto Atena Meepe
22
Calendários de Mesa e de Parede Leograf Gráfica e Editora Display de Mesa CBF
REVISTA ABIGRAF julho/setembro 2026
COMERCIAL
Papelarias, Certificados e Diplomas Sutto Artes Gráficas Bloco de Anotações BP Sec
Cadernos Promocionais e Agendas sem Efeitos Especiais Foroni Discbook Stitch
Cadernos Promocionais e Agendas com Efeitos Especiais Viena Gráfica e Editora Planejador Téo e o Mini Mundo
VENCEDORES DO 7º PRÊMIO PAULISTA DE EXCELÊNCIA GRÁFICA LUIZ METZLER
IMPRESSÃO SERIGRÁFICA
Cartões de Mensagens e Convites em Geral Sutto Artes Gráficas Convite Daniella e David
Livros em Geral Impressos em Offset Alimentada a Bobina (Rotativa) FTD Educação Indústria Gráfica New Brick by Brick volume 4
PRODUTOS IMPRESSOS EM OFFSET ALIMENTADA A BOBINA (ROTATIVA)
Revistas em Geral Impressas em Offset Alimentada a Bobina (Rotativa) Plural Indústria Gráfica Piauí edição 229
Catálogos e Folhetos Promocionais Impressos em Offset Alimentada a Bobina (Rotativa) Plural Indústria Gráfica Espaço Natura Ciclo 3/2026 v2
Impressão Serigráfica Sutto Artes Gráficas Cartaz Ganbatte
PRODUTOS DE BAIXAS TIRAGENS
Editorial Digital Printz Serviços Gráficos Book The Grand Residence
COMUNICAÇÃO VISUAL / SINALIZAÇÃO
Jornais e Informativos Impressos em Offset Alimentada a Bobina (Rotativa) Plural Indústria Gráfica Jornal Folha de S. Paulo 21/4/2025 PRODUTOS PRÓPRIOS
Kits Promocionais Próprios Brogotá Indústria Gráfica Kit Brogotá 2026
Impressos Promocionais Próprios Brasilgrafica Caixa Panettone Brasilgrafica 2025
Promocional e Comercial Pigma Gráfica Editora Kit Caixa Pop Up BMG Comunicação Visual / Sinalização em Pequenos e Médios Formatos Laborprint Gráfica e Editora Pedestal Mc Donald’s Pink Lemonade
Comunicação Visual / Sinalização em Grandes Formatos D’Print Editorial Gráfica Totem Torre Cubo Mapfre
SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL
Produtos Gráficos Sustentáveis Innovapack Embalagens Prato McCafé
Processos de Produção Sustentáveis Reciclagem de Solventes na Impressão Flexográfica Tiliform Indústria Gráfica
julho/setembro 2026
REVISTA ABIGRAF
23
EXCELÊNCIA GRÁFICA BAURU
14º Prêmio Regional de Excelência Gráfica Vinícius Viotto Coube
Fotos: Anderson Fernando
Data e local: 15 de maio, no Buffet Caversan, em Bauru (SP), com a presença de 250 convidados Promoção e realização: Abigraf Seccional Bauru
(E/D) Aguinaldo Dias, 1º vice-presidente; Karina Bannwart, diretora financeira; Bárbara Stevanatto, secretária executiva; Pedro Fantucci, diretor administrativo, e Eduardo Maio, 2º vice-presidente, da Abigraf Seccional Bauru; Ricardo Coube, presidente do Sindigraf-SP; e Valdir Mateus, suplente, da Seccional Bauru
N
Troféus por empresa 3 troféus: Acco Brands/Tilibra (Bauru) e Grafilar (São Manuel) ◆ 2 troféus: Cosgraf (Mineiros do Tietê), Salinas (Pederneiras), Suprema (Jaú), Tiliform (Bauru) e Viena (Santa Cruz do Rio Pardo) ◆ 1 troféu: Impressione (Bauru), MCinco (Bauru), Palamin (Bauru) e Versátil (Bauru)
NÚMEROS DO PRÊMIO – 2026 Gráficas participantes Trabalhos inscritos Gráficas premiadas Troféus concedidos 24
REVISTA ABIGRAF julho/setembro 2026
20 160 11 20
a noite de 15 de maio, a Abigraf Seccional Bauru promoveu a festa de entrega dos troféus vencedores do 14º Prêmio Vinícius Viotto Coube, realização dedicada à valorização, reconhecimento e congraçamento da indústria gráfica de Bauru e região. O jantar de confraternização e a solenidade de premiação proporcionaram um momento de integração e networking entre empresários, profissionais e fornecedores do setor. Com 160 trabalhos inscritos, participaram da edição deste ano 20 empresas gráficas dos municípios de Bauru, Jaú, Mineiros do Tietê, Pederneiras, Santa Cruz do Rio Pardo e São Manuel. Para o 1º presidente da Abigraf Seccional Bauru, Aguinaldo Dias, “o Prêmio Regional de Excelência Gráfica Vinícius Viotto Coube reafirma, a cada edição, o compromisso da Seccional
Bauru com o fortalecimento e a valorização da indústria gráfica regional, reconhecendo empresas que se destacam pela qualidade dos seus produtos e incentivando a busca contínua pela excelência no setor”. O 14º Prêmio Vinícius Viotto Coube teve patrocínio Diamante da OSG Soluções Gráficas; Ouro, da Dugraf Group, Farber Vernizes, Fedrigoni, Konita, Papelão União, Papirus, Suzano, Xcenter e Xerox; Prata, da Blendpaper; e Bronze, da Sun Chemical. CONCURSO DE CARTAZES
Paralelamente ao Prêmio, foi realizado o tradicional Concurso de Cartazes para estudantes da região, que recebeu 115 trabalhos de alunos da Unisagrado, Unesp, FIB e Escola Senai. A vencedora foi Ana Laura Bannwart, estudante do curso de Design da FIB.
GRÁFICAS PREMIADAS Kits Promocionais: Suprema ◆ Displays: Palamin ◆ Calendários: Cosgraf ◆ Livros: Viena ◆ Livros Infantojuvenis: Grafilar ◆ Revistas: Viena ◆ Jornais e Informativos: Grafilar ◆ Cadernos Escolares: Acco Brands ◆ Cadernos Promocionais e Agendas: Acco Brands ◆ Papelarias, Certificados e Diplomas: Acco Brands ◆ Cartões de Mensagens e Convites em
Geral: Grafilar ◆ Embalagens Cartonadas: Salinas ◆ Embalagens de Micro-Ondulados: Salinas ◆ Embalagens Flexíveis: Tiliform ◆ Sacolas: Suprema ◆ Rótulos em Autoadesivos: Versátil ◆ Etiquetas: Impressione ◆ Comunicação Visual – Pequenos e Médios Formatos: MCinco ◆ Kits Promocionais Próprios: Tiliform ◆ Impressos Promocionais Próprios: Cosgraf
EXCELÊNCIA GRÁFICA SANTA CATARINA
Data e local: 31 de julho, no Centro de Eventos Firenze, em Palhoça (SC) Organização: Abigraf‑SC, em parceria com os oito sindicatos da indústria gráfica do Estado Coordenação Técnica e Auditoria: Centro Universitário Senai‑SP, Campus Theobaldo De Nigris (Mooca)
Troféus por empresa 7 troféus: Natal (Florianópolis) ◆ 6 troféus: Elbert (São José) e Rocha (Palhoça) ◆ 4 troféus: Volpato (Joinville) e MKM (Brusque) ◆ 2 troféus: Grafimax (Blumenau), Mayer (Pomerode), Mércur (Chapecó) e 43 (Blumenau) ◆ 1 troféu: Digipix (Joinville), Mercúrio (Brusque), Nacional (Joinville) e São Francisco de Assis (Palhoça)
NÚMEROS DO PRÊMIO – 2026 Gráficas participantes Trabalhos inscritos Gráficas premiadas Troféus concedidos 26
REVISTA ABIGRAF julho/setembro 2026
21 421 13 39
Fotos: Verum Fotografia
8º Prêmio Catarinense de Excelência Gráfica Vitor Mário Zanetti
“C
ada trabalho inscrito representa o investimento das empresas em tecnologia, qualificação e inovação. O Prêmio Catarinense de Excelência Gráfica é um reconhecimento ao talento dos profissionais e demonstra a força da indústria gráfica de Santa Catarina, que segue evoluindo e conquistando destaque nacional”, afirmou Cidnei Barozzi, presidente da Abigraf-SC, na abertura da solenidade. Antes da entrega dos troféus, a cerimônia foi marcada pela homenagem ao gráfico Joceli Jacques, agraciado com a Medalha do Mérito Gráfico 2026 por sua trajetória de dedicação e relevantes contribuições para o desenvolvimento da indústria gráfica catarinense.
A principal novidade neste ano foi a criação de duas novas categorias: a subdivisão da categoria Rótulos Convencionais, e, a outra, Design Gráfico, acompanhando a evolução do mercado e valorizando ainda mais a criatividade e a especialização das empresas participantes. Com apoio da Fiesc, Abigraf Nacional e Abitec, o Prêmio Catarinense teve patrocínio da Art Printer, AX Sync, Biscaíno, Braile, Bremen Sistemas, Dicapel, DS Indústria Têxtil, Dugraf, Eco3, Eixo Print, Frantin, GR Paper, Heidelberg, Horizon Sul, Konica Minolta, Papirus, Quimagraf, Rio Branco, Strati, Tec Hub, Top Coat, VSP Papéis Especiais e Zênite Sistemas.
GRÁFICAS PREMIADAS
especiais: Elbert ◆ Catálogos promocionais e de arte com efeitos gráficos especiais: Mayer ◆ Relatórios de empresas: Rocha ◆ Folhetos publicitários: Mércur ◆ Kits promocionais: Elbert ◆ Displays, móbiles e materiais de ponto de venda de mesa: Mayer ◆ Calendários de mesa e de parede: Rocha ◆ Convites institucionais: Natal ◆ Convites de eventos sociais: São Francisco de Assis ◆ Cartões de visita: Natal ◆ Papelarias, certificados e diplomas: Natal ◆ Pastas: Mércur ◆ Cadernos e agendas: Rocha ◆ Cardápios: Rocha ◆ Produtos próprios – Kits promocionais: Natal ◆ Produtos próprios – Calendários: Volpato ◆ Produtos próprios – Impressos promocionais: MKM ◆ Produtos próprios – Sacolas próprias: Natal ◆ Produtos próprios – Cartões de visitas e papelarias: Natal ◆ Produtos próprios – Cadernos e agendas: Nacional ◆ Impressão digital: Digipix ◆ Design gráfico: MKM
Livros de texto: Elbert ◆ Livros ilustrados, culturais e de arte: Elbert ◆ Livros infantojuvenis: Rocha ◆ Revistas periódicas de caráter variado sem recursos gráficos especiais: Elbert ◆ Revistas infantojuvenis ou de desenhos: Volpato ◆ Jornais de circulação não diária: Rocha ◆ Rótulos convencionais sem efeitos especiais: 43 ◆ Rótulos convencionais com efeitos especiais: Volpato ◆ Rótulos em autoadesivo sem efeitos especiais: Grafimax ◆ Rótulos em autoadesivo com efeitos especiais: Grafimax ◆ Etiquetas: Mercúrio ◆ Embalagens semirrígidas sem efeitos gráficos: MKM ◆ Embalagens semirrígidas com efeitos gráficos: Volpato ◆ Embalagens de micro-ondulados com e sem efeitos especiais: MKM ◆ Embalagens sazonais: 43 ◆ Sacolas: Natal ◆ Pôsteres e cartazes: Elbert ◆ Catálogos promocionais e de arte sem efeitos gráficos
NOTÍCIAS GRÁFICAS Por: Tânia Galluzzi
Gráfica São Francisco, estrela ascendente no mercado editorial Sob nova direção há quatro anos, gráfica de Ribeirão Preto dobra de tamanho, conquista contratos de grande volume e planeja investimentos para os próximos 24 meses.
parte do tempo, suas oito impressoras, quatro planas e quatro rotativas, estão ocupadas com a produção dos livros próprios do grupo São Francisco, sendo o excedente vendido às grandes editoras. Sim, a São Francisco detém
C
oloque no mesmo balaio dois profissionais experientes, egressos de uma gráfica carioca tradicional, cuja unidade fabril não conseguiu acompanhar as mudanças do mercado e encerrou as atividades. Adicione um parque gráfico no interior de São Paulo com muito potencial, porém desgastado pelo tempo. Acrescente R$ 17 milhões investidos em atualização tecnológica. Finalize com uma boa dose de gestão equilibrada e competente e você chegará à São Francisco Gráfica e Editora, responsável, em 2026, pela impressão de 60% do PNLD Literário. Localizada em Ribeirão Preto, a São Francisco é hoje uma potência no segmento gráfico-editorial, atendendo a clientes como Moderna, Ática, Editora do Brasil, Globo, Record e Panini. Detalhe importante: boa
28
REVISTA ABIGRAF julho/setembro 2026
Gusthavo Tripeno e Rafael Lima de São Paulo adquiriram a São Francisco em 2022
vários selos dedicados aos livros paradidáticos. E mais. Há um ano foi inaugurada a SF Digital para a produção de provas personalizadas, com ou sem alto aparato de segurança (leia-se colégios privados, universidades federais e estaduais), capaz de imprimir 10 milhões de páginas por mês.
O sabor da gráfica Dentro da melhor tradição de Ri‑ beirão Preto, Gusthavo e Rafael, experts na área de cerveja, instala‑ ram em um espaço da gráfica uma microcervejaria artesanal e, além de saboreá‑lo, distribuem o pro‑ duto para funcionários e clientes.
Esse cenário exitoso começou a ser desenhado há quatro anos. O salto na trajetória da São Francisco, fundada há 50 anos por Luiz Uzuelli, aconteceu quando a gráfica, foi comprada por Gusthavo Tripeno e Rafael Lima de São Paulo. Em 2020 eles haviam se desligado de um grande grupo gráfico-editorial, abriram suas próprias editoras, e dois anos depois sentiam a necessidade de imprimir os próprios títulos. A São Francisco contava na época com 154 funcionários, todos absorvidos pela nova diretoria. Determinados em fazer a empresa evoluir, Gusthavo e Rafael apostaram na modernização do parque gráfico visando eficiência em altas tiragens e contratos de grande volume. A estratégia deu certo. Atualmente, a São Francisco ocupa uma área de 11 mil m², possui 250 colaboradores e uma capacidade produtiva de três mil toneladas de papel por mês. Além da SF Digital, neste ano foi aberta
uma filial no Rio de Janeiro dedicada a operação logística. Com 5.000 m², a unidade carioca deve ser incrementada nos próximos dois anos, recebendo parte dos investimentos planejados para o período. “A proposta é aumentar em 50% nossa capacidade de produção de livros, tanto em impressão quanto em acabamento”, afirma Gusthavo Tripeno, diretor executivo. Uma curiosidade que torna a história recente da São Francisco ainda mais saborosa. Seguindo a tradição de Ribeirão Preto, considerada a capital do chope e das cervejas artesanais, os sócios instalaram uma microcervejaria dentro da gráfica. Na verdade, foi uma combinação de fatores, uma vez que Gusthavo trabalhou por 10 anos na Ambev e Rafael é mestre cervejeiro. De seus tanques saem mensalmente por volta de 100 garrafas, que são distribuídas para os funcionários e clientes.
GRÁFICA SÃO FRANCISCO www.saofranciscograf.com.br julho/setembro 2026
REVISTA ABIGRAF
29
INOVAÇÃO FINANCIADA Por: Tânia Galluzzi
Hub de Fomento coloca a indústria gráfica no comando da inovação
Com a retaguarda da consultoria Piera, iniciativa conecta gráficas a linhas de financiamento pouco acessadas pelo setor.
D
urante a feira Flexo & Labels
três nomes conhecidos do mercado de impressão anunciaram uma iniciativa que pode mudar a forma como a indústria gráfica se relaciona com a inovação. Hamilton Costa, consultor, Clóvis Castanho, consultor e educador, e Mário César de Camargo, ex-presidente da Abigraf/Sindigraf-SP, lançaram o Hub de Fomento, um ponto de conexão que promete colocar a gráfica no centro do processo de inovação. Um estudo do IBGE/PIA-Empresa revelou que apenas 3% dos recursos investidos em inovação no setor gráfico provêm de fontes de financiamento adequadas. No setor eletrônico, esse número chega a 41%. “O volume de gráficas que se beneficiam de fontes de financiamento a custos adequados é ridículo, 3%”, observa Mário César. A diferença não se deve à falta de dinheiro. O Brasil possui um Sistema Nacional de Inovação abrangente, com
30
REVISTA ABIGRAF julho/setembro 2026
organismos como Finep, Fapesp, Embra- como. Nesse caso se faz um diagnóstico pii e BNDES, que somam orçamentos bi- prévio, identificando problemas críticos lionários. Parte desses recursos sequer é que podem comprometer a sobrevivência utilizada, por falta de projetos adequada- do negócio. Traçado o panorama, partemente estruturados. Só a Finep, Financia- -se para a elaboração do projeto, identidora de Estudos e Projetos vinculada ao ficando oportunidades em qualquer área, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inova- da pré-impressão à logística, buscando a ção, tem 13 editais abertos, somando R$ 3,6 melhor solução de crédito. bilhões, segundo dados da própria Finep. Dados da Finep mostram que 75% dos projetos aprovados são de pequenas CAMINHOS PARA LINHAS DE CRÉDITO e médias empresas. “Existem pelo meO Hub de Fomento nasce para preencher nos 15 financiadores de inovação para essa lacuna. “A indústria gráfica tem pou- os quais já temos toda a infraestrutuquíssimo acesso a essas linhas por des- ra montada para oferecer as linhas às conhecê-las, ou quando conhece, não empresas”, afirma Clóvis. A retaguarda sabe como chegar a elas”, explica Hamil- do Hub é oferecida pela consultoria Pieton. A iniciativa oferece alguns caminhos. ra, uma das mais especializadas no BraNo primeiro, a gráfica já sabe por onde sil em funding de inovação com mais de quer começar, já tem a decisão de com- 30 anos de experiência nessa área. pra de um equipamento, incluindo a amE a inovação, ressalvam os criadopliação da área produtiva, por exemplo. res, não se resume ao lançamento de O Hub trabalha esse projeto ressaltando produtos disruptivos. Inclui melhorias os aspectos de inovação embutidos nele: incrementais de processos, substratos, novos produtos, melhoria de produtivida- serviços e modelos de negócio. “O Hub de, curva de aprendizagem, novos servi- propõe colocar a gráfica na posição de ços e o que for pertinente, transformando protagonista. Quem não toma as réa ideia em um projeto captador de recur- deas do próprio desenvolvimento, acasos. Levanta as linhas de crédito e faz a so- ba conduzido pela evolução do mercado”, licitação e o acompanhamento do projeto. diz Mário César. No segundo, a empresa sabe que preHUB DE FOMENTO cisa inovar, mas não sabe exatamente https://picthub.com.br/
Alta performance gráfica com inteligência e inovação. Desde 1999, a Leograf atua com soluções completas para empresas que buscam impacto e precisão na produção de seus materiais. Pré-impressão de excelência, equipamentos de última geração, acabamentos diversos e logística eficiente.
Nossos diferenciais: • Impressão offset plana e rotativa de alta
• Certificações e práticas sustentáveis em
qualidade;
todo o processo;
• Estrutura própria de armazenagem
• Inovação constante para atender as
e distribuição nacional;
demandas do mercado.
Saiba mais em: www.leograf.com.br, nas redes sociais ou acesse ao QR-Code!
PODCAST
Rótulos e embalagens em foco Série de nove episódios gravados na Flexo & Labels e o estudo da Firjan sobre o futuro do setor gráfico marcam a sétima temporada do podcast.
A
sétima temporada do Ondas Impressas ganhou um capítulo especial. Com o objetivo de discutir os principais movimentos da indústria de rótulos, etiquetas e embalagens, o canal lançou uma série especial, gravada entre 26 e 29 de maio na feira Flexo & Labels + Flexo & Pack 2026. Foram nove episódios, lançados em pacotes de três, nos quais a jornalista Tânia Galluzzi e o consultor Hamilton Costa conversam com especialistas, técnicos e executivos do setor. O episódio 6 abre a série falando sobre a expansão do digital no segmento label. Marcelo Fontes, gerente nacional da VS Labels, do grupo VinilSul, detalha como os convertedores brasileiros
32
REVISTA ABIGRAF julho/setembro 2026
se beneficiam da tecnologia e apresenta a impressora industrial Grando GR350S, um dos principais lançamentos da feira. No episódio 7, Mário César de Camargo, ex-presidente da Abigraf e do Sindigraf-SP, e Clovis Castanho, consultor e educador, lançam o Hub de Fomento, núcleo que se propõe a ajudar as empresas de impressão a encontrar linhas de crédito adequadas aos seus perfis. O episódio 8 trouxe Ricardo Sastre, diretor da Mudrá Design, apresentando a Embase, centro de pesquisa dedicado a organizar e compartilhar conhecimento estruturado sobre embalagens. Ricardo Pi, diretor-geral da Durst Brasil, é o convidado do episódio 9, sobre a tecnologia inkjet na produção de rótulos. Ele fala sobre os momentos em que o digital se torna decisivo na negociação com o cliente e os caminhos da Durst com a impressora Tau G3 Core. Os episódios 10 e 11 seguem na direção de tendências. Renato Larocca, da Gorena, e Alvaro Azanha, da How2Pack,
esquadrinham a Interpack 2026, que reuniu 2.800 expositores e 140 mil visitantes em Düsseldorf. Já o designer e professor Fabio Mestriner revela a Inteligência de Embalagem 5.0, primeira ferramenta brasileira de IA generativa dedicada às embalagens. O episódio 12 discute as chapas flexográficas com Jaime Agudelo, especialista em pré-impressão da Miraclon. O 13º programa traz um panorama do segmento de rótulos com Miguel Troccoli, da Abflexo/FTA e PTC, e Luciano Aragão, presidente da Abiea e diretor da Aaron Rótulos. O 14 fecha a série com Tarcio Borgo, designer e analista da Braskem, apresentando o Cazoolo, laboratório de Design Circular de Embalagens. Finalizada a série, o episódio 15 discute o Estudo Sinais de Mudança, Setor Gráfico 2026, elaborado pelo Lab de Tendências da Firjan. Renata Daflon, diretora de operações na Holográfica, Carla Geraldo e Nathalia Coelho, ambas da Firjan, analisam os resultados. Os episódios do Ondas Impressas estão disponíveis nas principais plataformas de podcast, além do YouTube em formato videocast, e no site www. ondasimpressas.com.br.
INTEGRAÇÃO TECNOLÓGICA Por: Tânia Galluzzi
Heidelberg integra negócio global de serviços e peças da Manroland Sheetfed Acordo garante suporte a mais de três mil clientes e engloba o desenho das máquinas e o controle dos 35 escritórios da Manroland espalhados pelo mundo.
N
o dia 24 de junho uma nota oficial pôs fim a uma situação que se arrastava por anos. Naquela quarta-feira, a Langley anunciou oficialmente o acordo com a Heidelberg para a transferência de partes significativas da Manroland Sheetfed. Com a transação, a Heidelberg se tornou responsável pelo negócio global de peças de reposição e insumos da Manroland Sheetfed, incluindo a propriedade intelectual dos equipamentos e sistemas, as subsidiárias em 35 países (entre eles o Brasil), os ativos envolvidos e aproximadamente 600 funcionários. A fábrica de Offenbach havia sido fechada 23 dias antes e os seus 660 funcionários, demitidos. A notícia foi recebida com um misto de alívio e resignação pela indústria gráfica mundial, que já entendia esse como um desfecho inevitável para uma empresa que não conseguiu se adaptar às mudanças do mercado. Os problemas começaram no início da década passada. Em 2012, a empresa, fundada em 1871, enfrentou sua primeira insolvência, quando a Langley Holdings adquiriu a divisão sheetfed da fabricante. Desde então, a situação se agravou. Em 2025, a empresa acumulava perdas de € 43,2 milhões, e a Langley declarou a situação “insustentável”. Em março deste ano, apenas três meses antes do acordo firmado com a Heidelberg, a Manroland entrou novamente em insolvência com suporte financeiro.
Vários fatores se somaram para tal desfecho. Os críticos apontavam que a Manroland Sheetfed não foi inovadora o suficiente para se diferenciar da concorrência, enquanto a Langley, como empresa de engenharia, não avaliou adequadamente as capacidades técnicas da companhia. Além disso, o mercado chinês, que representava cerca de 40% das vendas históricas da empresa, sofreu uma queda muito acentuada, acelerando o colapso. Para os mais de três mil usuários das impressoras Manroland espalhados pelo mundo, o acordo com a Heidelberg foi uma notícia positiva, garantindo a continuidade de serviços técnicos e o fornecimento de peças sobressalentes. No Brasil, são aproximadamente 350 equipamentos Manroland Sheetfed em operação, para os quais nada muda. Não haverá produção de máquinas Manroland. O que está em andamento é um processo de integração tecnológica. O acordo representa uma oportunidade de receita recorrente, com peças e serviços e, sobretudo, um canal de entrada para equipamentos Heidelberg. Neste momento, a Heidelberg observa a intensificação do treinamento das equipes (Heidelberg + ex-Manroland) para oferecer ao mercado a segurança de uma cobertura ampliada. HEIDELBERG www.heidelberg.com/br
33
© FuturePrint
COMUNICAÇÃO VISUAL
FuturePrint 2026 acompanha mudanças do mercado Evento, que terá novo nome a partir de 2027, atraiu profissionais de todo o Brasil, promoveu geração de negócios e destacou talentos em competições técnicas do setor.
34
REVISTA ABIGRAF julho/setembro 2026
A
FuturePrint está iniciando uma compareceram, cerca de 68% do público tonova fase em sua trajetória. A par- tal ocupam posições de liderança altamente tir da edição de 2027, a feira passa decisivas no processo de compras, ampliana se chamar FuturePrint&Sign, destacando do o potencial de geração de negócios da feira. no nome um dos segmentos que sempre esO interesse pela impressão 3D ganhou teve presente no evento, a comunicação vi- destaque, com um crescimento de quase 10% sual. A mudança acompanha a evolução do em relação à edição anterior. Outro aspecto mercado e representa de forma mais abran- relevante foi o avanço da participação femigente a comunidade formada por empresas, nina, que passou a representar 35% dos viprofissionais e fornecedores que participam sitantes, consolidando uma audiência cada da feira. A próxima edição será realizada en- vez mais diversa e representativa para o setor. tre os dias 13 e 16 de julho de 2027, no Distrito Quanto ao alcance, a FuturePrint receAnhembi, em São Paulo, já com a nova iden- beu visitantes de todos os estados brasileitidade visual alinhada à marca da Informa ros e do Distrito Federal, com ênfase para o Markets, organizadora do evento. incremento da presença das regiões CentroAo longo dos quatro dias de duração, a edi- -Oeste (+56%), Sul (+41%), Nordeste (+33%) e ção deste ano recebeu mais de 40 mil visitan- Norte (+5%), reforçando sua expansão e capates e 600 marcas expositoras, se consolidando cidade de atrair profissionais de todo o País. como um dos principais encontros dos mer- Visitantes de outros países já tradicionais na cados de impressão digital, comunicação vi- feira, como Argentina, Paraguai, Chile e Urusual, personalização, sublimação, serigrafia guai, também estiveram presentes em 2026. e tecnologias aplicadas. Profissionais de todo Segundo Yeda Monteiro, gerente de negóo Brasil e do exterior acompanharam lança- cios da FuturePrint, a participação qualificamentos de equipamentos, soluções e serviços, da de empresas e profissionais demonstra a além de palestras, demonstrações técnicas e importância do encontro para o setor: “A Fuatividades voltadas à capacitação profissional. turePrint acompanha as mudanças do merO perfil dos visitantes refletiu os movi- cado e busca oferecer um espaço de conexão mentos dos mercados atendidos pela feira. entre empresas, profissionais e fornecedores. O evento registrou uma evolução no per- A feira permite o contato com novas tecnolofil dos participantes, com maior presença gias, troca de experiências e oportunidades de proprietários de empresas e empreende- de negócios para toda a cadeia produtiva”. dores, que passaram a representar 35% dos visitantes. Considerando também os exeFUTUREPRINT cutivos e profissionais das empresas que www.feirafutureprint.com.br
BRAINSTORM
Faça a sua história com a Lis! Por amar o que fazemos há mais de 40 anos é que cuidamos do seu livro com muita dedicação e responsabilidade. Por isso, oferecemos atendimento personalizado desde a entrada dos arquivos até a entrega do produto finalizado. Temos profissionais qualificados e treinados para avaliar sua publicação e acompanhar todas as fases de produção para que, no final, tenhamos
Entre em contato e entenda como a Lis cuida da sua história.
orgulho de ter impresso o seu livro e feito jus à oportunidade e confiança a nós concedida. Mais do que especializados na produção de livros, jornais e revistas para pequenas e grandes tiragens com qualidade na impressão e no acabamento, oferecemos todo o suporte e cuidado necessários para que sua obra alcance o sucesso almejado.
Rua Felício Antônio Alves, 370 Bonsucesso, Guarulhos SP Fone: 11 3382.0777 www.lisgrafica.com.br
GESTÃO
HAMILTON COSTA
Precisamos de mais gestão?
T
emos vivido tempos de intensas mudanças, incertezas e complexidades, além das disrupções que abalam e modificam mercados inteiros, outrora estáveis. Tome, por exemplo, as consequências do uso das canetas emagrecedoras. Elas estão derrubando o preço do mercado de açúcar, diminuindo o volume de consumo de alimentos nas casas dos usuários em até 9% por morador que está emagrecendo, e reduzindo também o consumo de bebidas alcoólicas e de tabaco. Por outro lado, crescem o turismo, a venda de roupas e as linhas de alimentos saudáveis, para atender a essa nova demanda. A forte mudança demográfica também gera consequências. Estamos vivendo o que um editor da revista The Economist, Paul Wallace, chamou de agequake, ou terremoto da idade, em livro homônimo. O agequake é a combinação do aumento da longevidade com a queda da fertilidade e está provocando, segundo ele, uma mudança sísmica no perfil etário das populações em todo o mundo. O envelhecimento, nesse caso, deixa de ser questão marginal e se torna uma força estrutural capaz de abalar negócios, finanças e a vida em sociedade. Sem falar em toda a hype da inteligência artificial, cujo uso vem se acelerando e nos levando, possivelmente mais rápido do que o esperado, à singularidade — o ponto de convergência em que a inteligência artificial supera a inteligência humana em todos os aspectos. Seu maior divulgador é o futurólogo Ray Kurzweil, que prevê esse ponto em 2045, embora diga que já em 2029 teremos a AGI (do inglês Artificial General Intelligence, ou Inteligência Artificial Geral), a hipótese de uma IA capaz de entender, aprender e executar qualquer tarefa intelectual que um ser humano consegue realizar, com flexibilidade comparável à nossa.
36
REVISTA ABIGRAF julho/setembro 2026
Faço toda essa introdução para dizer que o nosso setor não está alheio a tudo isso e sofre, e sofrerá, para o bem e para o mal, as consequências — seja em seus produtos, seja na forma de produzi-los, seja na maneira de organizar as empresas e, mais que tudo, em como entender e interagir com seus clientes. Basta vermos a mudança estrutural no consumo dos produtos gráficos nos últimos 10 anos, em que o grande crescimento está relacionado a embalagens, rótulos e seu entorno. Outros grandes mercados declinaram, como o da impressão comercial e o do editorial, com menor perda no livro; outros quase desapareceram, como o de diretórios; e outros ainda despontam, como o de impressão industrial e comunicação visual, com suas novas formas de apresentação. Uma coisa é certa: não há manutenção do negócio, não há adaptação do negócio, não há futuro de médio ou longo prazo sem um processo pensado, ou até “achado”, de inovação. Basta olhar as empresas históricas do setor, as que sobreviveram e as que já encerraram suas atividades. Algumas, no seu auge, era quase impossível imaginar que um dia fechariam. Outras se mantêm há cinquenta, oitenta ou mais anos. Se a inovação é condição para manter o negócio, adaptá-lo e ter futuro de médio e longo prazo, a pergunta que se impõe é: quem vai conduzir esse processo dentro da gráfica? Porque inovação não é acaso, não é inspiração de um único dia. Ela é resultado de método, de leitura atenta de mercado, de decisões bem tomadas no tempo certo. E decisões são tomadas por pessoas. Pessoas preparadas. E aqui tocamos no ponto que considero o mais delicado do nosso setor: a formação dos nossos gestores. A indústria gráfica brasileira foi construída, em grande parte, por empreendedores de origem técnica, que aprenderam o ofício no chão de fábrica, no contato com máquinas e papéis, na boca do caixa. Isso foi virtude. É virtude. O conhecimento do processo produtivo, o respeito pelo trabalho bem-feito, a relação próxima com o cliente são patrimônios que nenhuma escola substitui. Mas as virtudes que nos trouxeram até aqui não são, por si só, as que vão nos levar adiante. O mundo mudou, e mudou mais rápido do que conseguimos formar pessoas para lidar com ele.
O que mudou, em primeiro lugar, foi o cliente. O comprador de produtos gráficos de hoje não se comporta como o de dez, quinze anos atrás. Ele está sob pressão: seu próprio mercado está sendo remodelado por forças que não controla — a demografia, os hábitos de consumo, a digitalização, a inteligência artificial. E o que esse cliente procura não é apenas um fornecedor que imprima bem. Ele procura um parceiro que o ajude a se adaptar. Que entenda seu negócio. Que antecipe necessidades. Que proponha soluções antes mesmo de ele pedir. Esse é um novo contrato entre a gráfica e seu cliente — e ele exige, do nosso lado, um novo tipo de executivo. Não basta mais o dono brilhante que decide tudo sozinho. As empresas que vão prosperar são aquelas em que gerentes, diretores e líderes de área também pensam estrategicamente. São eles que tomam decisões todos os dias: quanto custa produzir, o que vale a pena terceirizar, que investimento fazer, que mercado perseguir, qual talento reter. Se essas pessoas não estiverem preparadas, a empresa inteira paga o preço, mesmo que o dono seja excepcional. Veja bem: não estou falando de diploma por diploma, de formação pelo status. Estou falando de algo muito mais pragmático. O gestor gráfico precisa hoje de um ambiente de informação onde as metodologias que funcionam de verdade possam ser explicadas, entendidas e aplicadas — já, na prática, na segunda-feira seguinte. Precisa de dados para decidir. Precisa de referências de quem já enfrentou problemas parecidos. Precisa de espaço para discutir mercado, inovação e possibilidades sem medo de errar. Precisa, sobretudo, de tempo e método para pensar, porque a rotina do dia a dia engole quem não se organiza para sair dela. Tive a oportunidade de participar da criação e da coordenação da pós-graduação de gestão do Senai São Paulo, junto com o Prof. José Pires de Araújo e outros excelentes professores e essa experiência me ensinou uma coisa que carrego até hoje: o gestor gráfico aprende melhor quando o conteúdo nasce da realidade do setor. Quando o professor fala a língua da gráfica. Quando o caso discutido em sala é o caso da empresa que está ali na mesa. Quando a metodologia apresentada já vem com o caminho para ser aplicada na semana seguinte. Foi assim que vi
O futuro do setor gráfico não será decidido apenas pelas máquinas que compramos, pelas tecnologias que adotamos ou pelos preços que praticamos. Será decidido pela qualidade das pessoas que colocamos para pensar o negócio. Máquina não decide. Tecnologia não decide. Pessoa decide.
julho/setembro 2026
REVISTA ABIGRAF
37
Precisamos de mais gestores preparados — donos, gerentes e diretores — porque as mudanças não vão esperar a nossa conveniência. Elas já estão acontecendo, e o mercado já está escolhendo, entre as gráficas, aquelas que estarão na próxima década.
profissionais transformarem a forma de administrar suas empresas — não por causa de teoria abstrata, mas porque encontraram ferramentas concretas e um ambiente que os estimulava a usá-las. Foi com essa convicção que chegamos à PrintLeaders*. Uma nova forma de reunir líderes gráficos, homens e mulheres, uma nova forma de agregar conhecimento. Estamos lançando agora um espaço desenhado exatamente para essa necessidade: um ambiente de troca de ideias, de inovação e de metodologias práticas para os líderes do setor gráfico. Um lugar de encontro com outros líderes, de discussão proativa sobre mercados e possibilidades, e não de reação atrasada aos acontecimentos. A ideia é simples e ambiciosa ao mesmo tempo: reunir quem decide nas gráficas brasileiras — donos, gerentes, diretores — para construir, juntos, a capacitação que o momento exige. Por que agora? Porque a janela de oportunidade não fica aberta para sempre. As empresas históricas do setor que citei no início deste texto — as que atravessaram cinquenta, oitenta anos — não sobreviveram por sorte. Sobreviveram porque, em cada geração, tiveram lideranças que souberam ler o momento e se preparar para ele. E, olhando para trás, é possível ver o padrão: quando a gestão se acomodou, a empresa começou a definhar; *A PrintLeaders é uma iniciativa do autor junto com o Prof. José Pires de Araujo e Clóvis Castanho. Mais informações podem ser obtidas em https:// printleaders.com.br
38
REVISTA ABIGRAF julho/setembro 2026
quando a gestão se renovou, a empresa encontrou novos mercados, novos produtos, nova vida. O futuro do setor gráfico não será decidido apenas pelas máquinas que compramos, pelas tecnologias que adotamos ou pelos preços que praticamos. Será decidido pela qualidade das pessoas que colocamos para pensar o negócio. Máquina não decide. Tecnologia não decide. Pessoa decide. E pessoa decide melhor quando é formada, quando é exposta a boas referências, quando tem com quem discutir e quando é desafiada a sair do lugar comum. Por isso a pergunta do título não é retórica: precisamos, sim, de mais gestão. Não de mais burocracia, não de mais controle por controle. Precisamos de mais gestão no sentido nobre da palavra: mais capacidade de enxergar o cenário, de tomar decisão com base em informação, de liderar equipes, de inovar com método e de colocar o cliente no centro. Precisamos de mais gestores preparados — donos, gerentes e diretores — porque as mudanças que descrevi no início não vão esperar a nossa conveniência. Elas já estão acontecendo, e o mercado já está escolhendo, entre as gráficas, aquelas que estarão na próxima década. Que a nossa escolha seja a da preparação. Hamilton Terni Costa HTC Consulting/Ciglat Podcast Ondas Impressas hterni@htc.consulting
A Studio Plural Editora desenvolve materiais didáticos complementares, abordando temáticas essenciais para o desenvolvimento integral, além de livros literários que despertam o prazer pela leitura.
Livros literários e materiais didáticos complementares
O AVANÇO DA SOCIEDADE COMEÇA PELA EDUCAÇÃO Educação Ambiental: Jovem Transformador Saúde: Você no Combate ao Aedes aegypti
Educação para o Trânsito: Sinal Verde para a Vida
Recomposição de Aprendizagem: Aprimoração
Projeto de Leitura: Maleta Literária – Viagem para fora da Caixa
Livros Literários
Aponte o celular
Av. Marcos Penteado de Ulhôa Rodrigues, 700 - Santana de Parnaíba - SP - 06543-001 Tel.: (11) 4152-9546 https://studioplural.com.br Acesse nossas redes
NORMAS
BRUNO MORTARA
G7+: uma referência global de previsibilidade de cor
T
odo profissional gráfico conhece bem esse ponto de tensão: “o cliente aprova uma prova, visualiza exatamente como espera receber o produto final e a tiragem precisa corresponder àquela expectativa — não importa se for impressa em offset, flexografia, rotogravura, digital base toner, jato de tinta industrial ou grande formato”, se a cor não bate. O que está em jogo não é só desperdício de mão de obra, materiais e tempo de acerto, é a confiança na gráfica e a relação comercial. O G7 foi desenvolvido para reduzir essa distância entre a expectativa do cliente e a capacidade de reprodução da gráfica. Em sua evolução mais recente, o G7+, ele aprimora ainda mais essa ponte. Sabendo da importância do método G7+, os países que participam do TC130 da ISO, entre eles o Brasil, adicionaram o método na norma de impressão offset, a ISO 12647-2, que deverá ser publicada no início de 2027. Esta norma, habitualmente, é a referência para as normas de impressão digital, flexo e rotogravura. Portanto se espera que a metodologia de calibração G7 se espalhe por outras normas de impressão.
O QUE É O G7 — E POR QUE RESOLVE UM PROBLEMA DE COMUNICAÇÃO, NÃO SÓ DE ACERTO DE MÁQUINA
O G7 é o conjunto de especificações da empresa norte-americana Idealliance para obtenção de balanço de grises e tonalidade neutra, reconhecido como a força essencial para alcançar aparência visual semelhante entre qualquer processo de impressão. Em uma frase: é uma metodologia de calibração universal que dá ao prestador de serviços gráficos uma vantagem competitiva concreta. Em termos práticos, cada processo de impressão apresenta uma resposta tonal diferente para cada tinta. O G7 leva essas diferenças em consideração, ajustando as curvas de preto, ciano, magenta e amarelo, de forma que a reprodução dos tons neutros preserve uma aparência visual consistente, 42
REVISTA ABIGRAF julho/setembro 2026
independentemente do processo utilizado. A base da calibração G7 e G7+ é o balanço de grises, ou seja, as proporções de ciano, magenta e amarelo que resultem em tons neutros, quase como se fossem produzidos somente pela tinta preta.
Figura 1 – Esta imagem aparece, à esquerda, em CMYK; no centro, somente em preto; e, à direita, em CMY, que DEVE ser o mais neutra possível (próxima àquela central)
Segundo o próprio G7 How-To Guide, o principal diferencial conceitual do G7 é que ele define como uma escala de grises deve parecer ao olho humano — e não como cada tinta individual deveria se comportar em termos de ganho de ponto (TVI) ou medidas mecânicas. Ao controlar a “espinha dorsal” neutra de um espaço de cor com curvas unidimensionais simples (as curvas de calibração CMYK presentes na maioria dos RIPs), o G7 entrega características visuais críticas — balanço de grises e neutralidade tonal — de forma facilmente reproduzível. Disso resultam propriedades que explicam a popularidade do método: ◆ Independência de dispositivo: as regras de balanço de grises e neutralidade valem para praticamente qualquer tecnologia de imagem, substrato ou conjunto de tintas ◆ Relatividade ao substrato: a fórmula de balanço de grises se adapta automaticamente à cor do papel, em vez de trabalhar em termos absolutos — o gris (CMY) sempre parece neutro em relação àquele suporte
Preservação de altas-luzes: densidade e contraste nos tons claros, aos quais o olho é muito sensível, são preservados, enquanto os tons escuros são comprimidos ou expandidos conforme os limites de cada processo. É importante salientar que o G7 não substitui o gerenciamento de cores ICC. Ele faz o “trabalho pesado” da neutralização; perfis ICC construídos após a calibração G7 tendem a ser mais precisos e duradouros. ◆
ALINHANDO EXPECTATIVA E CAPACIDADE: O VALOR PARA CADA ELO DA CADEIA
O diferencial do G7 é que ele cria uma linguagem comum de cor entre quem compra e quem produz — e os benefícios se distribuem pelos dois lados da mesa. Para o prestador de serviços gráficos os ganhos são, antes de tudo, de eficiência e consistência: ◆ Redução do tempo de acerto (make-ready) — o maior fator de desperdício que a indústria enfrenta ◆ Consistência entre múltiplos processos, plantas e localidades, garantindo que as reimpressões sempre tenham a mesma aparência e um único conjunto de alvos de cor ◆ Igualação prova-impressão e aparência neutra comum, qualquer que seja o material ◆ Redução de descarte de papel, tinta e mão de obra — ou seja, custo menor.
Por outro lado, para marcas, compradores e criativos, o G7 protege aquilo que é mais sensível: a identidade visual. A cor é um dos atributos mais importantes de uma marca: a consistência reforça a confiança e a inconsistência corrói, de forma quase subliminar, a fidelidade do consumidor. Esse alinhamento se traduz em vantagens objetivas para o comprador: tempos de design menores (o criativo adota uma condição de impressão que usa o G7, por exemplo Gracol2013, que na indústria será convertida para aquela mais próxima ao substrato efetivamente utilizado, mas com o mesmo balanço de grises — mantida a aparência comum); menos provas físicas e fretes; menos acompanhamentos presenciais de impressão e, sobretudo, expectativas claras para avaliar o desempenho da cadeia de fornecedores. É a expectativa do cliente e a capacidade do fornecedor descritas pela mesma régua mensurável. TRÊS NÍVEIS DE CONFORMIDADE — E UMA QUALIFICAÇÃO AUDITADA POR TERCEIROS
A Idealliance estruturou a Qualificação G7 Master Facility como um programa de conformidade em três níveis, concedido a gráficas e convertedores — incluindo premedia (clicherias etc.) e criação. Cada nível
Figura 2 – Exemplo de aparência com aplicação de G7+, em 1 (jornal), 2 (papel melhorado em rotativa com forno), 3 (impressão offset em papel não revestido), 4 (impressão rotativa em supercalandrado), 5 (impressão offset em cartão) e 6 (impressão offset em papel revestido premium). Fonte: Idealliance julho/setembro 2026
REVISTA ABIGRAF
43
TABELA 1 – NÍVEIS DE QUALIFICAÇÃO DAS CERTIFICAÇÕES MASTER PARA GRÁFICAS E CONVERTEDORES NÍVEL
O QUE ENTREGA
Grayscale (básica)
Balanço de grises, tonalidade e aparência neutra compartilhada — igualação próxima nos grises neutros, podendo variar em áreas coloridas. Excelente para plotters com imagens fotográficas
Targeted (básica + CMYK sólidos)
Grayscale + sólidos CMYK e sobreposições RGB dentro de tolerância — grises, sólidos de primárias e secundárias. Nível excelente para gráfica comercial e editorial
Colorspace (Targeted+ controle de ∆E em todas as combinações)
Igualação com tolerância definida em todo o espaço de cor alvo, baseado em G7 (ex.: GRACoL, SWOP). Nível mais rigoroso, para trabalhos mais exigentes em termos de equivalência de cores
corresponde a uma expectativa de fidelidade, como demonstrado na tabela acima. O caminho para a certificação é objetivo: um especialista certificado G7 Expert (contratado, ou um colaborador treinado) conduz e revisa a calibração. Em seguida, o formulário de aplicação e a amostra da impressão são submetidas a um laboratório independente para análise; se aprovado, o site recebe a qualificação G7 Master Facility. O processo é documentado por G7 Master Pass/Fail Requirements e isso dá à certificação o rigor necessário, assim como uma auditoria de uma norma internacional. O QUE É O “+” DO G7+
O G7+ é a atualização da metodologia G7, preserva tudo aquilo que o legado entregava, e adiciona melhorias para os atuais desafios da produção gráfica. Entre as mudanças, as principais são:
Tonalidade baseada em uma Condição de Referência de Impressão (RPC) — as curvas de tonalidade seguem o conjunto de dados, por exemplo o CRPC6 (GRACoL 2013), em vez de fórmulas algébricas. Isso simplifica os cálculos e permite atualizar a especificação no futuro sem reescrevê-la ◆ Balanço de grises definido em CIEXYZ, mais neutro visualmente, especialmente em substratos fortemente coloridos, e que imita o rendering intent ICC Colorimétrico Relativo, um padrão familiar a milhões de profissionais gráficos ◆ High Density Smoothing (HDS): função opcional que reduz a quantização (“banding”) em gradientes saturados e dispositivos com excesso de tinta, melhorando a precisão de ◆
44
REVISTA ABIGRAF julho/setembro 2026
perfis ICC e a aparência de imagens em impressoras de alta saturação — sem renunciar aos benefícios do G7 clássico ◆ Compatibilidade total com o G7 tradicional: os resultados visuais, em sua maioria (offset, por exemplo) do G7+ são quase idênticos aos do G7, protegendo o investimento de quem já adotou o método há mais tempo. As diferenças irão aparecer em plotters de jato de tinta que podem atingir cargas mais altas que o offset ou flexo. Na prática, o G7+ é o G7 amadurecido para um parque gráfico mais diverso — do inkjet industrial de alta densidade às embalagens em substratos não convencionais. PRESENÇA GLOBAL: MAIS DE 1.900 EMPRESAS GRÁFICAS CERTIFICADAS MASTER G7
O peso do G7 no mercado não é teórico. A Idealliance possui uma rede mundial de mais de 1.900 gráficas e convertedores certificados como G7 Master1 — empresas que passaram pela auditoria independente e comprovaram capacidade de entregar provas e produtos impressos dentro das tolerâncias G7. A dimensão fica ainda mais clara quando comparamos com a conhecida instituição alemã Fogra, uma das mais respeitadas autoridades mundiais em tecnologia gráfica, que contabiliza apenas 175 empresas certificadas. Ou seja, a rede G7 Master é mais de dez vezes maior, o que dá ao método um alcance de mercado sem paralelo entre os programas de qualificação de cor. 1 ISO/TC 130/WG 13, N694 – Certifications WW (minor update), Paris, 2026. Dados de certificações G7 Master (Idealliance/PRINTING United Alliance) e de empresas certificadas pela FOGRA
Esse número é, em si, um argumento de negócio. Quando há quase dois mil fornecedores qualificados pela mesma régua espalhados pelo planeta, o G7 deixa de ser um diferencial isolado e passa a ser infraestrutura de mercado: compradores globais buscam ativamente fornecedores certificados, e uma marca pode distribuir o mesmo trabalho entre gráficas em continentes diferentes, esperando — com base em dados — a mesma aparência. Para o gráfico, exibir o selo G7 Master significa entrar nesse circuito de demanda qualificada. TREINAMENTO E CERTIFICAÇÃO EM PORTUGUÊS
É aqui que a discussão ganha contornos estratégicos para o nosso mercado. O acesso pleno ao ecossistema G7 depende de três engrenagens: G7 Experts, para conduzir as calibrações; treinamento para formar esses experts e operadores; e o processo de qualificação auditado. Quando essas engrenagens estão disponíveis no idioma local e em fuso, custo e cultura locais, a barreira de adoção cai drasticamente. Os cursos e treinamentos em português têm potencial para impulsionar a indústria gráfica nacional em várias frentes: Democratização do conhecimento: conteúdo técnico denso (NPDC, balanço de gris, P2P, SCCA, HDS) é muito mais absorvível na língua materna, ampliando o número de profissionais aptos a calibrar e manter sistemas G7 ◆ Formação de G7 Experts: em vez de depender de consultores estrangeiros, gráficas podem certificar seus próprios colaboradores como Training Experts, internalizando a competência ◆ Redução de custo: treinamento, suporte e processo de qualificação em moeda e idioma locais tornam a certificação viável também para gráficas de médio porte, não apenas para as grandes ◆ Competitividade internacional: gráficas brasileiras certificadas G7/G7+ Master entram na mesma rede global de quase
dois mil fornecedores qualificados, habilitando-se a atender marcas internacionais que exigem aparência de cor compartilhada na cadeia ◆ Padronização do mercado interno: com mais fornecedores falando a mesma “linguagem de cor”, agências, marcas e gráficas no Brasil ganham previsibilidade, reduzem retrabalho e incrementam o patamar de qualidade percebida. Resumindo, o G7+ é uma metodologia internacional de calibração de sistemas de impressão, que busca garantir que diferentes tecnologias de impressão reproduzam uma mesma aparência visual, permitindo maior previsibilidade, redução de desperdícios e maior consistência entre provas e tiragens. Em um setor pressionado por margens apertadas, prazos reduzidos e clientes cada vez mais exigentes quanto à fidelidade de cores, uma metodologia que comprovadamente reduz tempo de acerto, refugos e provas, enquanto alinha a expectativa do cliente à entrega da gráfica, transforma-se em um diferencial competitivo capaz de aproximar marcas, compradores e gráficas por meio da linguagem comum da impressão de qualidade.
◆
REFERÊNCIAS
ISO/TC 130/WG 13, N694 – Certifications WW (minor update), Paris, 2026. (Fonte dos números de certificação G7 Master e FOGRA.) ◆ PRINTING United Alliance – G7+ Specification: Definitions & Algorithms, v55b, 2025. ◆ Idealliance – G7 Master Pass/Fail Requirements, v36, 2019; G7 How-To Guide; folhetos The Value of G7 for Print Service Providers e for Brands, Buyers and Creatives. ◆
Bruno Arruda Mortara Superintendente do CB-27 Representante do Brasil no TC130 da ISO Coordenador do WG13 do TC130 da ISO superintendente.cb27@abigraf.org.br
julho/setembro 2026
REVISTA ABIGRAF
45
III FÓRUM MULHERES DE IMPRESSÃO 2026 REÚNE LIDERANÇAS FEMININAS DO SETOR GRÁFICO EM CURITIBA PARA DEBATER O FUTURO DA INDÚSTRIA Nos dias 18 e 19 de novembro de 2026, Curitiba será o ponto de encontro para discussões sobre o futuro do mercado gráfico. O III Fórum Mulheres de Impressão (MDI) reunirá CEOs, gestoras operacionais e tomadoras de decisão de todo o Brasil para uma imersão focada em inteligência de mercado, soft skills e eficiência industrial. Com uma programação desenhada para ir além da teoria e resolver gargalos reais da operação e da diretoria comercial,o evento receberá grandes vozes que reconfiguram estruturas corporativas:
MÔNICA MAGALHÃES
MARIA HOMEM
Mudanças que transformam negócios, pessoas e consumo
ERIKA LINHARES
Mulheres, identidade, poder e liberdade no mundo contemporâneo
Como engajar pessoas, fortalecer equipes e fazer acontecer
MARCELA ZAIDEM
ALEXANDRE CHIACCHIO
LISIANE LEMOS
Cultura não é discurso, é comportamento
Shift: a mudança de mentalidade que transforma vendas
Inteligência artificial aplicada à análise de mercado e à estratégia
O Fórum foi desenhado como um ecossistema de turismo de negócios e networking imersivo. O evento conta com duas modalidades de ingressos: o feminino, que garante acesso completo aos dois dias de imersão e palestras, e o masculino, um convite especial que dá acesso ao coquetel de encerramento, no Maggiore, no dia 19.
DATAS
LOCAL
18 e 19 de novembro de 2026
Centro de Eventos FIEP — Curitiba, PR
INGRESSOS E PROGRAMAÇÃO COMPLETA
Leia o QR Code ao lado e saiba mais
Garanta 10% OFF com o cupom
ABIGRAF10
A FORÇA DA INDÚSTRIA DE IMPRESSÃO ESTÁ NA UNIÃO DO SETOR. JUNTOS, FAZEMOS A INDÚSTRIA GRÁFICA PAULISTA MAIS FORTE. Associe-se a partir de R$ 67,00 / mês* Acesso a todos os benefícios exclusivos para associados
Confira todos os benefícios no QR code
O QUE SUA GRÁFICA GANHA
BENEFÍCIOS EXCLUSIVOS ASSESSORIA JURÍDICA
DESCONTOS EM CURSOS
Questões trabalhistas, tributárias e específicas do setor gráfico.
50% de desconto em Cursos técnicos, de gestão da Abitec e consultorias com condições exclusivas.
PRÊMIOS DO SETOR
DADOS ECONÔMICOS
Prêmios Luiz Metzler, Fernando Pini e Theobaldo de Nigris com condições especiais.
Indicadores e análises exclusivas da indústria gráfica paulista.
INTELIGÊNCIA DE MERCADO
REVISTA ABIGRAF
Acesso a plataforma de Inteligência de Mercado 2.0 — FIESP.
Recebimento da publicação oficial do setor gráfico paulista.
INFRAESTRUTURA GRATUITA
E MUITO MAIS
Salas de reunião e auditório para até 80 pessoas.
Parcerias com a Dell, Micromac, Bilheteria.com, Colônia de férias entre outros.
André Tezza
FOTOGR A FI A
As cores do cotidiano
A
fotografia de André Tezza nasce
do desejo de preservar memórias que a pressa das cidades teima em apagar. Esse impulso o levou a registrar as casinhas de San Ignácio, em Belize, e os mercadinhos de bairro da região metropolitana de Curitiba, cenários ignorados pela maioria, mas que nas lentes de Tezza ganharam uma nova dimensão, rendendo prêmios no Sony World Photography Awards, um dos maiores e mais influentes prêmios de fotografia do mundo. Em 2025, André ficou em segundo lugar na categoria Arquitetura e Design com as construções de palafita em Belize. Neste ano, ele repetiu o segundo lugar com a série dos mercadinhos e ainda conquistou o terceiro lugar na versão latino-americana do concurso. A assinatura autoral de Tezza se constrói com cores saturadas e contrastes. Ele recorre à estética do filme, incluindo grão e ruído de forma intencional, buscando uma imperfeição que confira dimensão humana às imagens e lançando mão de técnicas como dodge and burn1, herdadas do laboratório analógico, para valorizar a arquitetura vernacular. “Não basta ter um conteúdo interessante. Se não tiver uma dimensão de beleza, não tem arte”, afirma o curitibano de 52 anos. Os mercadinhos, fotografados ao lusco-fusco, revelam cores fortes que confrontam o bege predominante de Curitiba. Ultrapassando as fachadas, o fotógrafo descobriu histórias da economia familiar, cadernos de fiado e uma arquitetura improvisada de quem mora onde trabalha. Tezza cresceu em Foz do Iguaçu em uma família de artistas e professores. O tio, o escritor Cristóvão Tezza, mantinha um miniestúdio e foi influência decisiva. A primeira câmera, aos 9 anos, foi uma Canon profissional comprada pelo pai, da qual André se apropriou. Formado em Publicidade, com mestrado em Filosofia e doutorado em Teoria Política e Comunicação, André passou 20 anos como professor universitário em cursos de comunicação e fotografia. A virada veio quando vendeu sua casa, comprou um motorhome nos
Estados Unidos e partiu para uma viagem de 15 meses cruzando o continente, do Arizona ao Alasca. A jornada resultou em uma imersão fotográfica que mudou sua linguagem. De volta ao Brasil, no ano passado decidiu montar um estúdio em Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba, se dedicando aos retratos, registros sociais e trabalhos autorais. O próximo capítulo dessa trajetória está em gestação. O livro Estrada Aberta, diário da viagem pelas Américas, com texto e fotos seus, está previsto para o início de 2027, publicado pela editora Maralto. O passo seguinte? Uma grande viagem pelo país documentando os movimentos de migração e imigração que vem redesenhando as muitas caras do Brasil.
Desde que fez da fotografia seu sustento, André Tezza exercita a habilidade de transformar o ordinário em algo singular, valorizando o saber popular e as raízes das comunidades por onde passa. Tânia Galluzzi
ANDRÉ TEVZA https://atconsentino828.myportfolio.com
1 Técnica clássica de controle de luz e contraste que consiste, basicamente, em clarear certas áreas da imagem (dodge) e escurecer outras (burn). julho/setembro 2026
REVISTA ABIGRAF
49
RAÍZES Texto: João Scortecci
‘‘E
ncheiridion” (do grego “enkheiridion” / “em-mão”) significa livro portátil, livro de bolso: aceito, interessante, mas incompreendido por muitos. Encontrei o termo “encheiridion” lendo a biografia do editor e tipógrafo italiano Aldo Manuzio (Aldo Pio Manucio, 1449–1515), a quem se atribui a “invenção” do livro de bolso, sendo, portanto, considerado o precursor do livro de bolso moderno. A definição de livro de bolso — nos dicionários e na Internet — é genérica, vaga, valendo-se, determinantemente, quanto ao formato e ponto. Formatos mais usados: 10,5 × 14,8 cm, 11 × 18 cm e 12 × 18 cm. Na coleção Primeiros Passos, sucesso editorial da Editora Brasiliense, dos anos 1980, foi usado o formato 11,5 × 16 cm. No Brasil, hoje, as editoras e gráficas usam, quase sempre, o formato 12 × 18 cm, com mancha de 9,8 cm, o dobro das medidas de uma coluna padrão de jornal. Confesso: tenho visto de tudo. As características técnicas de um livro de bolso — capa flexível, papel comum, preço popular — deixaram, praticamente, de existir. Hoje, o mercado publica livros de bolso com encadernação de luxo, capa dura, papel de qualidade, reserva de verniz e relevo. No século XIX, na Europa, já existiam edições baratas, como as da editora alemã Tauchnitz e a inglesa Routledge’s Railway Library, com publicações voltadas para viajantes, mas o “boom” veio depois, em 1931, com a editora alemã Albatross Books; em 1935, com a editora britânica Penguin Books; e, em 1939, com a americana Pocket Books. Durante a Segunda Guerra Mundial, estima-se que a Alemanha tenha queimado mais de cem milhões de livros. As forças aliadas, por sua vez, apostaram no poder de entretenimento dos livros, para que seus soldados suportassem melhor a guerra, e decidiram, então, enviar-lhes companheiros literários. Foi assim que o livro de bolso, na época batizado de “Edições para as Forças Armadas” ganhou escala, com tamanho e peso reduzidos, para que os soldados pudessem guardá-los nos bolsos dos uniformes ou em suas mochilas. Os livros de bolso, até hoje, sofrem preconceito por parte de muitos: autores, editores, livreiros
50
REVISTA ABIGRAF julho/setembro 2026
e leitores. As razões? Muitas. Listá-las, algo impossível. Já escutei de tudo. Na minha opinião, nada conclusivo, que justifique a alienação. O tipógrafo Aldo Manuzio imprimiu cerca de 150 títulos. Inovou suas edições com o uso da letra cursiva, estilo de escrita manual. Desenvolveu o conceito de coleções temáticas, de identidade e coesão visual para livros. Contribuiu para a padronização do uso da pontuação, incluindo a vírgula e o ponto e vírgula e, criou, ainda, um Conselho Editorial, responsável pelas diretrizes básicas de suas publicações. Em 1494, em Veneza, junto com o tipógrafo e editor italiano Andrea Torresano (1451–1528), fundou a Aldina Press (Prensa Aldina), onde foram publicadas as célebres edições aldinas dos clássicos. A Prensa Aldina é famosa na história da tipografia, entre outras coisas, pela introdução do itálico. Aldo Manucio dedicou a parte final de sua vida à publicação e disseminação de textos raros e à preservação de manuscritos gregos. Acreditava que obras de autores como o filósofo Aristóteles e o dramaturgo Aristófanes, em sua forma original em grego, eram mais puras e fiéis, sem as interferências de traduções. Tudo isso lhe rendeu respeitabilidade como editor e tipógrafo e um lugar de destaque na história do livro.
João Scortecci Editor, gráfico e livreiro.
scortecci@gmail.com
August. 2026
›