R E V I S TA
I S S N 0103•57 2 X
A R T E & I N D Ú S T R I A G R Á F I C A • A N O 51 • A B R / J U N 2 0 2 6 • N º- 3 2 8
Abigraf consolida sua posição de principal entidade representativa da indústria gráfica nacional com atuação e presença em todo o País
ExpoPrint & ConverFlexo Latin America 2026 supera todas as expectativas com recordes de público e geração de negócios
Indústria gráfica brasileira está na encruzilhada da inovação. Processos, sustentabilidade e pessoas são os pilares da necessária reinvenção
REVISTA ABIGRAF ISSN 0103-572X Publicação trimestral Órgão oficial do empresariado gráfico, editado pela Associação Brasileira da Indústria Gráfica/Regional do Estado de São Paulo, com autorização da Abigraf Nacional Rua do Paraíso, 529 (Paraíso) 04103-000 São Paulo SP Tel. (11) 3232-4500 Fax (11) 3232-4550 E-mail: abigraf@abigraf.org.br Home page: www.abigraf.org.br Presidente da Abigraf Nacional: Julião Flaves Gaúna Presidente da Abigraf Regional SP: João Scortecci Gerente Geral: Wagner J. Silva Conselho Editorial: Bruno Mortara, Fábio Gabriel, João Scortecci, Plinio Gramani Filho, Rogério Camilo, Tânia Galluzzi e Wagner Silva Elaboração: Gramani Editora Eireli Administração, Redação e Publicidade: Tels. (11) 3887-1515 / (11) 97503-6850 E-mail: editoracg@gmail.com Editor: Plinio Gramani Filho Redação: Tânia Galluzzi (MTb 26897) Colaboradores: Bruno Arruda Mortara, Hamilton Terni Costa, João Scortecci, Jorge Maldonado e Paulo Stucchi Edição de Arte: Cesar Mangiacavalli Editoração Eletrônica e Fechamento de Arquivos: Studio52 Papel fornecido pela Blendpaper: capa e encarte, Markatto Ispirazione 170 g/m²; miolo, Markatto Sutille Alaska 120 g/m²
BLENDPAPER Enobrecimento da capa: Lamimax, aplicação de hot stamping com fitas da MP Brasil Group Impressão e acabamento: Impressão e acabamento: Plural Indústria Gráfica Acesse: www.abigraf.org.br/revista-abigraf Apoio Institucional
Associação dos Agentes de Fornecedores de Equipamentos e Insumos para a Indústria Gráfica
Ecos do Pensamento, óleo sobre tela, 130 × 130 cm, 2001
ADELIO SARRO O artista da capa
Adelio Sarro é um dos mais importantes artistas plásticos brasileiros contemporâneos. Nascido em 1950, em Andradina, no interior do Estado de São Paulo, construiu uma trajetória marcada pela sensibilidade, criatividade e compromisso com a democratização da arte. Com mais de cinco décadas dedicadas à produção artística desenvolveu uma linguagem própria reconhecida pelas cores vibrantes, formas expressivas, e mensagens de valorização da vida, da cultura e do ser humano. Sua obra abrange pinturas, esculturas, murais e monumentos instalados em espaços públicos e privados no Brasil e no exterior. Idealizador do Memorial de Arte Adelio Sarro (MAAS), dedicou-se também à formação cultural e ao incentivo de novos públicos para a Arte. Entre seus projetos de destaque estão as esculturas monumentais em parques, praças e o inovador Museu Subaquático do Guarujá e São Sebastião, onde a arte e a preservação ambiental se unem em uma proposta pioneira. Sua produção artística já foi apresentada em inúmeras exposições nacionais e Internacionais. Além de sua vasta produção no Brasil e exterior o sucesso mundial veio com exposições na Itália, Uruguai, Argentina, França, Estados Unidos, Portugal, Nicarágua, Suíça, Alemanha, Bélgica, Noruega, Singapura, Austrália, Eslováquia. Rússia e China. Deixou também uma marca especial de arte sacra no Santuário Nacional de Aparecida. A arte transforma e perpetua legado. O universo de arte, fé, cultura e inspiração do artista pode ser visto no Memorial de Arte Adelio Sarro, em Vinhedo, SP, www.sarrooficial.com.br – Instagram: memorialdearteAdelioSarro CONTATO – adelio.sarro@outlook.com – Instagram: adelioSarro
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ExpoPrint 2026 quebra recordes
Membro fundador da Confederação Latino-Americana FUNDADA EM 1965 da Indústria Gráfica (Conlatingraf) 4
REVISTA ABIGRAF abril/junho 2026
A 6ª edição da ExpoPrint & ConverFlexo Latin America, realizada em março, registrou 57 mil visitantes, mais de 460 expositores e R$ 1,7 bilhão em negócios gerados, consolidando-a como a maior feira de impressão das Américas.
Reciclagem para papel-moeda Julio Ferron, diretor de assuntos institucionais da Blendpaper, fala sobre a tecnologia que transforma fibras de algodão de cédulas descontinuadas em matéria-prima nobre, com aprovação recente do Banco Central Europeu.
Grande debate para a cadeia do livro Com mais de 400 participantes, o 5º Encontro de Editores, Livreiros, Distribuidores e Gráficos reúne lideranças para discutir impactos da reforma tributária, uso de dados, inteligência artificial e o futuro do livro no Brasil.
Os bons números da Flexo & Labels A quarta edição da Flexo & Labels + Flexo & Pack Expo registra crescimento de 33% em visitação, com mais de 10 mil participantes, 100 expositores e 130 marcas, de 31 países. e sua expansão no escopo para embalagens.
Setor gráfico e dilemas da inovação Hamilton Costa analisa o estudo Sinais de Mudança: Setor Gráfico 2026 e argumenta que a sobrevivência das gráficas depende da integração entre processos automatizados, sustentabilidade e pessoas engajadas.
Papel certificado, cores previsíveis
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Aos 30 anos, cada vez mais Plural Maior parque offset rotativo da América Latina, a Plural comemora 30 anos com investimentos em modernização e atenção voltada para a capacitação de pessoas, mantendo sua liderança no mercado editorial e de segurança.
%
A partir de abril, a Abigraf Nacional restabelece sua atuação e presença nos estados das regiões Norte e Nordeste, consolidando-se como a grande entidade representativa dos setores de impressão e comunicação impressa do País.
11.4
Abigraf em todos os estados do País
T VI
Bruno Mortara explica como a certificação de papéis conforme a ISO 12647-2 garante previsibilidade cromática e reduz desperdícios na impressão offset, gerando perfis ICC que conectam designers, pré-impressão e gráficas.
18 30 31 36 42 48
CONTEÚDO DESTA EDIÇÃO Editorial/Julião Gaúna............................................. 6 Mensagem/João Scortecci .................................. 8 Rotativa/Noticiário Geral.....................................10 Afeigraf/Jorge Maldonado .................................16 Entrevista/Julio Ferron e Cristiane Bolaina ..18 ExpoPrint & ConverFlexo 2026 .........................22 Plural/30 Anos .........................................................26 5º Encontro de Editores/CBL .............................30
Flexo & Labels 2026...............................................31 24º Anuário Abigraf 2026/27.............................32 Gestão/Hamilton Costa .......................................36 Ondas Impressas ....................................................40 Normas/Bruno Mortara .......................................42 Abigraf Nacional: 100% Brasil .......................... 48 Raízes/João Scortecci ...........................................50
abriil/junho 2026
REVISTA ABIGRAF
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EDITORIAL
Abigraf, uma entidade verdadeiramente nacional Após comemorar, em 2025, seis décadas de lutas e conquistas na defesa dos interesses da indústria gráfica nacional, a Abigraf consolida e celebra presença nas 27 unidades federativas do País.
D
esde sua criação, em 1965, O aumento do quadro feminino em nossa a Associação Brasileira da diretoria ratifica a Abigraf Nacional como Indústria Gráfica (Abigraf Nacional) a entidade de todo o mercado gráfico, sem tem como missão representar o distinção de gênero, como também assegura setor de impressão e comunicação pluralidade de vozes e ideias, algo de suma do Brasil. Em mais de 60 anos de história, importância para enfrentar os desafios do futuro. muitas foram as conquistas Por sua vez, quero e, também, os desafios. destacar, ainda, que nosso Mas nunca perdemos de novo mandato trará uma COM PLURALIDADE DE vista nossa real vocação: servir renovação de 37.8% entre VOZES E IDEIAS, A NOVA como ponto de convergência nossos diretores, com 17 novos DIRETORIA REGISTRA entre gráficas de todo o País membros entre os 46 eleitos. RENOVAÇÃO ENTRE SEUS que, a despeito das diferenças É sangue novo chegando MEMBROS E AUMENTO DA regionais e de mercado, têm em para trabalharmos juntos PARTICIPAÇÃO FEMININA. comum o trabalho em prol da em prol de nossa indústria. constante melhoria do setor. Hoje, mais do que nunca, Por isso, foi com uma tenho orgulho de dizer que alegria imensa que pude ver, no último dia 30 de a Abigraf Nacional é sua, amigo empresário; abril, durante nossa Reunião Ordinária na sede da é nossa, é de todo o segmento de impressão Abigraf Nacional, em São Paulo, 15 representantes e comunicação. Ninguém ficará para de nossas regionais ocupando seus lugares à mesa, trás: juntos, somos mais fortes. com as bandeiras de seus respectivos Estados. juliao@graficapontual.com.br E mais: no encontro, que marcou o início de nosso segundo mandato à frente da associação para o triênio 2026–2029, pudemos celebrar uma importante conquista: hoje, a Abigraf Nacional está presente em 26 Estados, além do Distrito Federal. Não apenas isso. A partir de 1º de junho, quando acontecerá a posse da nova Diretoria e Conselho, terei ao meu lado grandes empresários do setor que representam não somente uma necessária Presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica renovação, com novos nomes despontando (Abigraf Nacional) como lideranças gráficas do País, como também o aumento significativo da participação da liderança feminina, que apresentou um crescimento de 350% em relação à gestão anterior.
Julião F laves Gaúna
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REVISTA ABIGRAF abril/junho 2026
PUBLIEDITORIAL
COMPROMISSO QUE IMPRIME CONFIANÇA!
UMA NOVA ETAPA
A
o longo de 42 anos na indústria gráfica, aprendi que grandes resultados são construídos com confiança, relacionamentos sólidos e um compromisso genuíno com os clientes. O universo gráfico sempre se destacou por sua capacidade de inovação, força empreendedora e busca constante por evolução tecnológica. Foi acompanhando esse movimento que construí minha carreira e desenvolvi minha visão de mercado. Em 2018, recebi o desafio de assumir a gestão da Komori no Brasil por meio da representação da época, a Furnax. Mais do que ampliar vendas, era necessário reconstruir a presença da marca, recuperar sua relevância e fortalecer novamente sua conexão com o mercado brasileiro. Com muito trabalho, proximidade com os clientes e dedicação diária, conseguimos reposicionar a Komori entre as principais referências do setor, alcançando resultados expressivos e reconquistando a confiança do mercado. Desde a sua chegada no Brasil há mais de 30 anos, estimamos em cerca de 270 o número de impressoras Komori em operação no Brasil hoje. Dessas, 17 foram vendidas nos últimos oito anos, fruto do cuidado e da atenção que dedico às demandas dos clientes. Agora, com o início da Future Impress, esse atendimento exclusivo se torna um poderoso diferencial. Ela representa muito mais do que um novo projeto profissional. Significa a continuidade de uma história construída ao longo de décadas de experiência, aprendizado e relacionamento dentro da indústria gráfica. Receber da Komori a confiança para conduzir sua nova operação no Brasil é motivo de grande orgulho, mas também de enorme responsabilidade. Além de fortalecer a área comercial, contamos com seis técnicos-consultores e estamos estruturando uma operação completa para suprir o mercado com peças originais e com a garantia da segurança, agilidade e a qualidade de
Denis Lillo Lopes Diretor da FUTURE IMPRESS Representante oficial da Komori no Brasil
atendimento, que sempre foram as marcas da Komori em todo o mundo. Não por acaso, a marca japonesa está entre as líderes mundiais no fornecimento de impressoras offset e é reconhecida sobretudo pela confiabilidade operacional, robustez e baixíssima manutenção. Seguiremos atuando com os mesmos valores que sempre nortearam nossa trajetória: proximidade com os clientes, entendimento de suas necessidades e o compromisso em contribuir para o crescimento sustentável da indústria gráfica brasileira. Esta é uma nova etapa de uma história que continua sendo escrita todos os dias.
FUTURE IMPRESS
Future Impress Importação e Representações Ltda. Fone: (11) 98229-3065 (whatsapp) denis.lopes@futureimpress.com.br Peças e Serviços Davi Soares Fone: (11) 98836-0161 peças.komori@futureimpress.com.br davi.futureimpress@gmail.com
MENSAGEM
Muito pelo contrário Tudo indica que o fim da escala de trabalho 6 ×1 será implantada a toque de caixa, num país que ainda não está maduro e pronto para tamanho desafio.
C
hegamos ao muito pelo contrário: uma institucionalizado “bico”, para tentar manter o poder situação real do dito pelo não dito, algo de compra, perdendo assim, os possíveis ganhos assim. O Brasil sofre uma polarização com a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 política, radical, que, infelizmente, horas semanais. O segundo ponto é a indicação do engessa o país e o coloca numa sinuca desenvolvimento tecnológico como solução, num país de bico. A imagem do jogador de sinuca encurralado atrasado e sem poder de investimento, onde as micro — sem saber o que fazer — diante do desafio a vencer e pequenas empresas somam mais de 21,7 milhões me parece ilustrativa e oportuna. O que temos do de negócios ativos, representando 97% de todas as dito pelo não dito: um ano truncado, com eleições, empresas do País. Estão confundindo “sobrevivência” guerras, intervenções e com “ganho tecnológico”. Ganho incertezas. Qual a jogada tecnológico, no Brasil de hoje, certa, possível? O que fazer é para poucos. A maioria das COM O AÇODAMENTO para sairmos do imbróglio? empresas brasileiras está com PARA A DECISÃO DO FIM Nos últimos 50 anos, a a corda no pescoço! Falar de DA ESCALA DE TRABALHO indústria brasileira vem ganho tecnológico é o dito pelo 6 × 1, NÃO ESTÃO sofrendo uma lenta e contínua não dito. As consequências ANALISANDO TODAS AS desindustrialização. Perdemos serão catastróficas: repasse CONSEQUÊNCIAS QUE “energia”, muito antes de de preços, prejuízos para ISSO TRARÁ. alcançarmos eficiência, riqueza os mais pobres, queda na e maturidade. Diferentemente qualidade do atendimento de de nações ricas, o País ficou no dito pelo não dito. serviços, judicialização e fechamento de milhares No editorial anterior da Revista Abigraf de pequenas empresas, que hoje representam mais apontei os perigos do fim da escala de trabalho da metade dos empregos formais do País. No caso 6 × 1 — tudo indica que será implantada a toque de da indústria gráfica, 95% são de pequenas empresas, caixa — em um país que ainda não está maduro com até 10 trabalhadores. No Brasil, existem e pronto para tamanho desafio. Não somos 15.691 empresas gráficas ativas, que empregam contra. A indústria não é contra, mas não no aproximadamente 175.500 trabalhadores, com um Brasil, dividido, de hoje. O trabalhador brasileiro, faturamento anual de cerca de R$ 45 a R$ 50 bilhões. infelizmente, sairá perdendo, e muito. Com a Sinuca de bico? É o dito pelo não queda do poder de compra, inevitável, risco de dito, muito pelo contrário, algo assim. desemprego, informalidade e pressão inflacionária, scortecci@gmail.com não sairemos da sinuca de bico. Consequências: estagnação e crescimento pífio. Estima-se que a economia perderá R$ 158 bilhões por ano. Os setores mais afetados serão o de serviços, com um custo Presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica adicional estimado em R$ 76,9 bilhões, seguido pela Regional São Paulo (Abigraf‑SP) indústria, com custo adicional de R$ 35,9 bilhões. Com o fim da escala 6 × 1, há dois pontos a serem destacados, que considero gravíssimos. O primeiro é a perda do poder de compra do trabalhador, que terá que recorrer inevitavelmente à hora extra e ao já
João Scortecci
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REVISTA ABIGRAF abril/junho 2026
ROTATIVA
Julião Gaúna é reeleito para a presidência da Abigraf Nacional ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA GRÁFICA Gestão 2026/2029
A nova diretoria da Abigraf Nacional, empossada no dia 1º de junho, inicia a gestão do triênio 2026/29 sob o signo da renovação, com 17 novos membros e crescimento da representação feminina
Durante a 62ª Assembleia Geral Ordinária da Abigraf Nacional, realizada na sede da entidade no dia 24 de abril, em São Paulo, o empresário Julião Flaves Gaúna, de Campo Grande, MS, foi oficialmente reeleito para o seu segundo mandato na associação, no comando do triênio 2026/2029. Motivado pelo novo desafio, Julião saudou os participantes da mesa, composta por representantes de 16 estados. Ao longo da primeira gestão, promover a reaproximação entre a Abigraf Nacional e suas regionais, incluindo a reativação de algumas delas, foi uma de suas principais e bem-sucedidas bandeiras. “Trago comigo o lema de que ‘ninguém ficará para trás: juntos somos mais fortes’. É uma convicção pessoal de que a força do nosso setor está na união. Poder dividir esta mesa com representantes de todas as regionais reforça o papel da Abigraf Nacional como a maior entidade representativa da indústria de impressão e comunicação, a casa do gráfico brasileiro”, declarou Julião. Na composição da nova diretoria ganha destaque a eleição de 17 novos membros e o fortalecimento da participação feminina, com 9 mulheres integrando o corpo diretivo, o que representa um crescimento de 125% em relação ao período anterior. www.abigraf.org.br
DIRETORIA EXECUTIVA Presidente: Julião Flaves Gaúna (MS) ◆ Vice-Presidente: Fabio Gabriel dos Santos (SP) ◆ Diretor Secretário: Carlos Roberto Jacomine da Silva (SP) ◆ Diretor Secretário Adjunto: Josair Santos Bastos (BA) ◆ Diretor de Relações com o Mercado: Marcos Dybas da Natividade (PR) ◆ Diretor de Relações com o Mercado Adjunto: João Batista Alves dos Santos (DF) ◆ Diretor Financeiro: Sidney Anversa Victor (SP) ◆ Diretor Financeiro Adjunto: Cidnei Luiz Barozzi (SC) ◆ Vice-Presidente Região Sul: Evandro Rogério Volpato (SC) ◆ Vice-Presidente Região Sudeste: Lorena Scopel Depizzol (ES) ◆ Vice-Presidente Região Centro-Oeste: Pedro de Sousa Cunha Junior (GO) ◆ Vice-Presidente Região Nordeste: Roberto Carlos Moreira (MA) ◆ Vice-Presidente Região Norte: Sérgio Carlos Ferreira Tavares (TO) DIRETORIA PLENÁRIA Abílio de Oliveira Santana (PR), Altair da Graça Cruz (MS), Ana Cleide Arrais de Oliveira Maia (PB), Antônio Carlos Pereira da Silva (PE), Caio Jorge da Silva Lima (PA), Cleber Guimarães Bastos (BA), Dirceu Cipriani (AC), Elba Maria Valois Coutinho (PE), Ely Jorge Moreira da Silva (RR), Fernanda Casquel (SP), Geraldo Gilberto de Oliveira Pinto (MG), Gustavo André Schneider (RS), James Hermes dos Santos (PI), João Sergio Maciel dos Santos (AL), João Ricardo Scortecci de Paula (SP), José Mazzarollo (RS), Juliana Martins Maia (SP), Juliana Sivieri Gonçalves (SP), Juliane Lermen (RS), Kaio Phellipe Lima Campos (AP), Lídio Moreira dos Santos (MT), Marcio Gibson Araújo Dias (SE), Marcone Tarradt Rocha (PB), Marcos Antônio do Carmo (GO), Pamela de Siqueira Garay (RS), Raul Eduardo Fontenelle Filho (CE), Régia Moreira Leite (AM) e Vicente Di Giorgio (RJ) CONSELHO FISCAL Titulares: Carlos Augusto Di Giorgio Sobrinho (RJ), Ricardo Marques Coube (SP) e Rodrigo Velloso de Almeida (MG). Suplentes: João Baptista Depizzol Neto (ES), José Carlos Fassarella Meneghetti (RJ) e Osvaldo Luciani (SC) CONSELHO CONSULTIVO Fabio Arruda Mortara (SP), Levi Ceregato (SP), Mario César Martins de Camargo (SP), Fernando Rocha (SC), João Batista (SC), Jair Leite (PR), Edson Benvenho (PR), Tullio Samorini (ES), Pedro Henrique Verano (DF) e Angelo Garbarski (RS)
ePS lança plataforma operacional unificada para embalagens No final de abril, a ePS (eProductivity Soft- dificuldades no atendimento às crescentes ware) anunciou o lançamento da plataforma operacional unificada CommandCore, que se propõe a resolver problemas causados pela fragmentação dos sistemas operacionais da indústria de embalagens. Hoje, muitas empresas do setor operam funções essenciais, como ERP, controle de produção, qualidade, planejamento e sustentabilidade com ferramentas que não se comunicam entre si, criando inúmeras 10
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demandas regulatórias e dos clientes. “Por décadas, os fabricantes de embalagens foram levados a acreditar que a fragmentação é inevitável e que a modernização exige concessões. O CommandCore foi criado para mudar essa premissa”, afirma Doug Braun, CEO da ePS. CommandCore opera como uma plataforma única e integrada, com dados fluindo em tempo real desde o orçamento até a produção
e a contabilidade. A plataforma considera as particularidades do setor, como diferentes tipos de substratos, processos de preparação de máquina, desperdícios, acabamentos e exigências de sustentabilidade, com fluxos de trabalho alinhados à realidade das operações, sem necessidade de adaptações complexas, podendo ter implementação modular a partir de áreas mais críticas e ser expandido gradualmente. www.epssw.com
Soluções que conectam o presente ao futuro da impressão. A Druck Chemie oferece tecnologia, performance e responsabilidade em cada etapa do processo gráfico, com soluções completas para os mais diversos desafios do mercado.
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Obrigado! Agradecemos a todos os clientes, parceiros e amigos que nos visitaram na EXPOPRINT 2026. Foi um prazer compartilhar experiências, apresentar nossas soluções e fortalecer conexões que impulsionam o futuro da indústria gráfica.
Nos vemos na próxima edição da EXPOPRINT! Seguiremos juntos, construindo o futuro da impressão.
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ROTATIVA
COMUNICADO AO MERCADO
Mais uma vitória para a indústria gráfica paulista A Abigraf-SP e o Sindigraf-SP informam, com satisfa-
Produção otimizada de caixas de papelão ondulado RSC Preocupação dos consumidores com o
máquinas Bobst FFG (Flexo-Folder-Gluer meio ambiente e regulamentações cada – impressoras-dobradeiras-coladeiras flevez mais rigorosas quanto ao desperdí- xográficas) para atender esse mercado, cio, à reciclagem e ao reúso, estão levan- transformando folhas de papelão ondudo o mercado de embalagens a migrar de lado em caixas acabadas com alta qualisoluções plásticas para alternativas mais dade. Agora, a Bobst acrescenta ao seu portfólio FFG a NovaFFG, lançada para otimizar a produção de caixas RSC de médio e grande porte, alcançando até 18.000 caixas por hora na conversão de papelão de parede simples e dupla com espessura entre 1,4 mm e 10 mm. “As caixas RSC padrão são o cerne da indústria de papelão ondulado, mas os resultados de qualidade podem variar muito e o desperdício excessivo é comum sustentáveis à base de fibra. Isso, somado no processo. Para oferecer o melhor cusao avanço das compras online, fez crescer to-benefício em um setor onde as mara importância das embalagens de pape- gens são pequenas e a concorrência é alta, lão ondulado, levando os convertedores lançamos a NovaFFG, de alta produtividade embalagens secundárias e terciárias a de, projetada para eliminar essas barreiras, produzir caixas repetíveis e de alta quali- elevando o nível de qualidade e sustendade da forma mais sustentável possível. tabilidade, com custo adequado”, salienMilhões de caixas RSC (Regular Slotted ta David Arnaud, diretor de Marketing de Container – caixas com abas regulares) já Produtos FFG DRO da Bobst. são produzidas em todo o mundo com www.bobst.com
GoPack, novo espaço para desenvolvimento de embalagens
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ção, que o pleito conjunto apresentado à Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP), visando a exclusão dos produtos gráficos “Cadernos” e “Agendas” da sistemática da Substitui‑ ção Tributária – ICMS‑ST, foi integralmente atendido. Conforme a Portaria SRE nº 09/2026, publicada no dia 18 de março de 2026 no Diário Oficial do Estado de São Paulo (DOE-SP), todos os materiais gráficos e de papelaria dispostos no Anexo XIX da Portaria CAT 68/2019 ficam excluídos do ICMS-ST paulista, a partir de 1º de julho de 2026.
IMPACTOS POSITIVOS PARA O SETOR GRÁFICO Aumento do potencial competitivo entre as empresas fabricantes ◆ Melhoria no fluxo de caixa ◆ Simplificação operacional e tributária ◆ Maior previsibilidade nas operações comerciais ◆
IMPACTOS POSITIVOS PARA A SOCIEDADE ◆
Maior acesso aos citados produtos pela sociedade, especialmente estudantes, pela redução do custo direto e indireto de que se beneficiarão as fabricantes
IMPACTOS POSITIVOS PARA O ESTADO DE SÃO PAULO ◆
Redução do custo na aquisição dos kits de material escolar para os alunos das escolas públicas
Esta grande conquista é resultado do trabalho contínuo das nossas entidades na defesa dos interesses do setor gráfico paulista.
João Scortecci Presidente da Abigraf-SP
Sediada no município de Cajamar, SP, a Gonçalves Packaging criou o GoPack, espaço colaborativo que reúne clientes, agências e fornecedores para desenvolver e validar embalagens de papel-cartão antes da fase industrial, com a utilização de recursos de prototipagem. Para isso, o GoPack está aparelhado com equipamentos como: impressora digital com gerenciamento de cores; corte e vinco manual com aplicação de hot stamping; e luminária com lâmpada D50, para melhor visualização das cores. Tudo operado por especialistas que
Ricardo Coube Presidente do Sindigraf-SP
acompanham todas as etapas da imersão do cliente, desde a concepção até a validação final de uma nova embalagem ou do redesenho de projetos existentes. A estrutura do local também permite a produção de mockups e lotes pequenos e promocionais, viabilizando testes reais de mercado e ampliando a competitividade das marcas em seus lançamentos. Mais informações podem ser obtidas com Gabriela Schultze pelo WhatsApp (11) 97319-4941. www.gonçalves.com.br
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Desenvolvida do zero pela Ryobi Mitsubishi (RMGT), a RMGT 970 foi criada para atender às demandas da indústria gráfica moderna. Seu formato exclusivo de 965 x 650 mm amplia as possibilidades produtivas, mantendo alta eficiência, estabilidade e registro absoluto. Projetada a pedido dos mercados europeu e norte-americano, a RMGT 970 atende com excelência os segmentos editorial, promocional e de embalagens em um único equipamento.
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ROTATIVA
Nova solução Tecnologia Avery inédita para Dennison enobrecimento em aplicações digital label térmicas O Grupo VinilSul, distribuidor Criado Comitê Técnico para gráfica, papel e embalagem Na sede da Federação das In- compreender e criar soluções dústrias do Estado de São Pau- para compatibilizar as novas lo, Fiesp, em reunião conjunta tecnologias produtivas (incluincom o Copagrem, foi apresen- do a inteligência artificial e autado, no dia 30 de abril, o novo tomação) a serviço da indústria, Comitê Técnico da Cadeia Produ- com o ensino técnico, capacitiva da Gráfica, do Papel e da Em- tação e formação de profissiobalagem, tendo como principal nais. Na ocasião, o presidente objetivo equalizar a demanda da da Fiesp, Paulo Skaf, ressaltou a indústria por mão de obra espe- importância da iniciativa. cializada e a formação e capaciFabio Gabriel dos Santos, tação profissional para enfrentar coordenador do Comitê e viceos desafios e tendências das -presidente da Abigraf Nacional, novas tecnologias de produção. Abigraf-SP e Sindigraf-SP, destaO recém-criado Comitê reú- cou que se trata de uma ação ne diferentes entidades e empre- crucial para garantir a compesas da cadeia produtiva, como a titividade da indústria gráfica Abigraf Nacional, Abigraf-SP, Sin- nacional. Para ele, a acentuada digraf-SP, Abitec, ABC Distribui- evolução tecnológica, a automadora de Papéis, Abflexo, Abiea, ção, a robótica e a inteligência Abimaq, Abitim, Abro, Andipa, artificial já estão redefinindo o ANJ, Grupo Jaime Câmara, Ibá, perfil do setor produtivo e crianInstituto de Embalagens, Ma- do uma demanda urgente por glioca Comércio de Papéis, Pa- um novo perfil profissional. pel Ecológico Comércio, Projeto Entidades e empresas intePack, S.A. O Estado de São Pau- ressadas em participar do Colo, Senai João Martins Coube, Se- mitê devem contatar Rogério nai Theobaldo De Nigris, Sinapel, Camilo, gerente executivo da Singrafs, Two Sides e Zero Hora Abigraf, telefone (11) 3232-4500, (Grupo RBS). O foco é debater, rcamilo@abigraf.org.br
Klabin amplia atuação com linha de cartões Advance Para utilização em embalagens de cosméticos, alimentos, farmacêuticos e food service, a Klabin amplia sua atuação em papéis de maior valor agregado com a linha Advance, família de papel-cartão branco destinada a aplicações que exigem
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REVISTA ABIGRAF abril/junho 2026
elevada resistência estrutural e alta qualidade de impressão. Um dos principais diferenciais da linha Advance está no mix de fibras aplicado em sua estrutura, que combina fibras longas de pinus com fibras curtas de
nison, o Fasson Térmico Dry Slim representa a primeira solução no portfólio da empresa com papel térmico direto de gramatura reduzida. Ele permite disponibilizar mais etiquetas por rolo, ampliando a produtividade com ganhos logísticos, sem comprometer a performance técnica nos processos de conversão e aplicação. Projetado para aplicações em substratos secos, o frontal Fasson Térmico Dry Slim destina-se a impressões variáveis de curta duração, etiquetas de preços e de balanças de identificação, para utilização em panificação, frutas, legumes e verduras, entre outros, assim como em operações logísticas e de rastreamento. A solução conta ainda com liner em papel glassine de 50 g, que contribui para a redução da estrutura total e gera ganhos adicionais de produtividade, além de ser reciclável por meio do programa AD Circular. Já o adesivo permanente Fasson S2045 garante excelente tack e adesão confiável em diferentes superfícies, atendendo com segurança às exigências do varejo.
de suprimentos para comunicação visual, estamparia, label e offset digital, por meio da sua divisão VS Labels, trouxe para o Brasil a tecnologia de enobrecimento digital EcoSpark, da chinesa EcoGraphics. Ideal para aplicação de verniz UV localizado, efeitos 3D e cold foil, o equipamento incorpora todos os benefícios da tecnologia digital — dispensa o uso de chapas ou matrizes —, agiliza o tempo de setup, minimiza o desperdício e pode ser facilmente integrado às linhas de produção já existentes de gráficas e convertedores, tanto de impressão digital quanto convencional. Sua tecnologia de impressão inkjet UV proporciona a aplicação do verniz com máxima aderência e cobertura precisa, assegurando registro perfeito A EcoSpark suporta larguras de até 30 mm e pode ser utilizada para a aplicação de efeitos de enobrecimento em autoadesivos com ou sem laminação. A velocidade varia de 10 m/min a 50 m/min, dependendo da espessura do verniz.
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eucalipto. Isso resulta em um papel-cartão de alto desempenho em linhas de envase e conversão, permitindo acabamentos sofisticados e impressão de alta definição, características que contribuem para elevar o padrão visual das embalagens. O consumo aparente de cartões no Brasil gira em torno de
800 mil toneladas/ano, estimando-se que mais de 50% desse volume seja formado por cartões de fundo claro ou branco. É nesse contexto que a Klabin completa seu portfólio com a produção dos cartões brancos e confirma sua posição como a maior fabricante de papel-cartão do País. www.klabin.com.br
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AFEIGRAF
JORGE MALDONADO
Tecnologia, sustentabilidade e humanismo: o legado da Afeigraf na ExpoPrint 2026
A
nalisar um evento da magnitude da ExpoPrint 2026 é uma tarefa complexa, pois o sucesso pode ser medido por diversos ângulos: o volume expressivo de visitantes, o impacto das novidades tecnológicas ou a robustez dos negócios realizados. Neste artigo, contudo, propomos um olhar diferente: vamos nos ater aos resultados “humanos” do evento e à forma como a Afeigraf, como entidade criadora, promoveu atividades que enalteceram, acima de tudo, as pessoas. O Espaço Sustentabilidade e Inteligência Gráfica foi o palco de reflexões fundamentais. Palestras de profissionais renomados instigaram o público a pensar sobre o equilíbrio necessário entre economia, preservação ambiental e responsabilidade social. Esse compromisso foi materializado no movimento Impressão do Bem, que produziu cadernos, livros, cartazes educativos e uniformes doados à Cavi (Centro de Apoio e Valorização à Infância), instituição que há mais de 20 anos acolhe crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Enquanto o mundo assiste a conflitos e divisões, nós escolhemos, humildemente, priorizar o cuidado com a vida. Nesse mesmo cenário, lançamos nossa Calculadora de Carbono, que recebeu elogios de organizações nacionais e internacionais. Esse reconhecimento reforça o compromisso da nossa entidade com a preservação ambiental e o respeito à humanidade. No campo da representatividade, recebemos com entusiasmo o Movimento das Mulheres de Impressão
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ENQUANTO O MUNDO ASSISTE A CONFLITOS E INCERTEZAS, A EXPOPRINT 2026 PROVOU QUE A INDÚSTRIA GRÁFICA BRASILEIRA POSSUI UM ATIVO INTANGÍVEL IMBATÍVEL: A CAPACIDADE DE TRANSFORMAR NEGÓCIOS EM UMA CELEBRAÇÃO À VIDA. (MDI), reafirmando um apoio que cresce e se fortalece a cada dia. A relevância global da feira foi chancelada pela diretora da Drupa, Sabine Geldermann, que elogiou a organização e a atmosfera de alegria dos visitantes. Na ocasião, estreitamos laços para
intercâmbios de estudos sobre tecnologia e sustentabilidade — uma cooperação que ganha importância estratégica frente aos acordos comerciais entre Mercosul e União Europeia. A expressiva presença de visitantes latinos confirmou a ExpoPrint como a maior feira das Américas, enquanto a forte participação da China consolidou uma nova realidade de mercado à qual o setor global deve se adaptar. A ExpoPrint 2026 foi um sucesso de acertos, mas também nos deixou desafios que já integram nossa lista de metas futuras, em parceria com a APS Eventos, que já reporta reservas para a edição de 2030. Uma análise econômica recente destaca que o Brasil possui um “Ativo Intangível”: a celebração da vida e a alegria da convivência, traços intrínsecos ao DNA brasileiro. Pude observar que esse ativo se manifestou plenamente na feira. Para além da tecnologia e dos negócios, a ExpoPrint foi um lugar de encontros, sorrisos e abraços — chegando ao ponto de presenciarmos um emocionante pedido de casamento no palco de sustentabilidade, no dia do encerramento da feira, sábado. A ExpoPrint 2026 não foi apenas uma feira de equipamentos e tecnologia; foi uma celebração à vida. Que venha a ExpoPrint 2030!
Jorge Maldonado Presidente da Afeigraf Sócio-gerente da Aeprotec jorge.maldonado@afeigraf.org.br
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ENTREVISTA
Foto: Tânia Galluzzi
Por: Tânia Galluzzi
Julio Ferron, diretor de assuntos institucionais da Blendpaper
Reciclagem chega ao papel-moeda
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m abril , uma das principais novidades da Blendpaper nos últimos anos foi aprovada pelo Banco Central Europeu. Trata-se de amostras de papel-moeda produzidas na fábrica de Salto com a incorporação de material pós-consumo, no caso a reutilização de fibras de algodão de cédulas descontinuadas, tecnologia desenvolvida e patenteada globalmente pela Blendpaper. Por se tratar de um produto estratégico e de
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altíssima segurança, o processo de adoção de cédulas com percentuais de PCR ainda está em fase preliminar, tanto no Brasil quanto em outros países para os quais a Blendpaper exporta, mas a aprovação recente sinaliza que a companhia está no caminho certo. Nesta entrevista, Julio Ferron, diretor de assuntos institucionais, e Cristiane Bolaina, que assumiu a gerência comercial e de marketing da Blendpaper em março deste ano,
falam da trajetória da empresa desde 2020, quando a fábrica, então pertencente à Fedrigoni Brasil Papéis, foi comprada pela Jaraguá Capital, pertencente a Ricardo Gambarotto e Gian Filli. Fundada há 137 anos, a unidade produz papel-moeda e papéis de segurança, linhas que correspondem a 41% do volume de produção e 80% do faturamento, sob a chancela BP Security, assim como papéis coloridos e papéis industriais (rótulos e lixas), responsáveis por 59% do volume e 20% da receita, com a marca Blendpaper. A Blendpaper vem passando por uma transformação estratégica desde 2020, quando um grupo de investidores assumiu a empresa. Como tem sido essa trajetória? Julio Ferron – Antes, a Blendpaper respon-
Foto: Divulgação/Blendpaper
dia a uma diretriz que vinha de fora. A fábrica tinha pouco espaço para questionar. Hoje, a gestão é participativa, transparente, com foco no cliente. O time comercial
cresceu. A equipe inteira se sente dona do negócio. Isso gerou um movimento de aceleração que nos levou a um patamar novo. Os papéis especiais, coloridos na massa, por exemplo, cresceram cinco vezes em faturamento. A empresa como um todo mais que dobrou de tamanho. Esse movimento criou espaço para inovações. Uma delas tem a ver com a reciclagem de papel-moeda. O que é exatamente essa tecnologia e por que ela é tão significativa? Julio Ferron – A Blendpaper desenvolveu uma solução patenteada globalmente para
reutilizar as fibras de algodão de cédulas descontinuadas. O papel-moeda é feito com algodão, uma fibra nobre, resistente. O destino dessas cédulas é a incineração. Descobrimos como reciclar essa fibra sem perder a qualidade. A fibra de algodão reciclada volta a ser papel-moeda, passaporte, selo fiscal, títulos de capitalização.
Em uma área total de 98.000 m², a Blendpaper ocupa as edificações da Fábrica de Papel de Salto — a primeira fábrica de papéis da América Latina, inaugurada em 1889 —, preservando esse patrimônio histórico, contando com mais de 400 funcionários
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e transforma em matéria-prima nobre. Isso reduz a pegada ambiental, diminui a pressão sobre as plantações de algodão e fecha um ciclo virtuoso. O mercado global de papelmoeda cresce entre 5% e 6% ao ano. A demanda por cédulas não caiu, ao contrário do que alguns imaginam. Ter uma alternativa sustentável para atender essa demanda é uma vantagem competitiva real. Como esse olhar para a sustentabilidade vem conduzindo as ações da Blendpaper?
Foto: Tânia Galluzzi
Cristiane Bolaina – Ele permeia tudo. Na área de papéis coloridos, temos desenvolvido produtos com fibras alternativas, como cacau, lã e bagaço de uva. São produtos que atendem clientes preocupados com a sustentabilidade em toda a cadeia e que buscam reinserir o resíduo de sua própria produção nesse ciclo. Isso gera uma conversa diferente com o mercado. O designer, o brand owner, a gráfica, passam a ter uma história para contar para o cliente final, que é o consumidor. E isso agrega valor.
Cristiane Bolaina, gerente comercial e de marketing da Blendpaper
E a aprovação do Banco Central Europeu?
Julio Ferron – Submetemos amostras desse papel-moeda com material pós-consumo ao Banco Central Europeu. Eles fizeram os testes e aprovaram a nova solução. Isso é um selo de credibilidade gigantesco. O BCE é uma das instituições mais rigorosas do mundo em segurança monetária. A aprovação deles mostra que a tecnologia tem robustez, que o papel mantém a resistência, a durabilidade e os requisitos de segurança que um banco central exige. É uma validação global que abre portas para outros países. Porém, sabemos que esse é apenas o primeiro passo, estamos falando de um produto estratégico, e qualquer mudança será feita de forma lenta e gradual. Essa inovação se conecta com sustentabilidade, que é um tema central hoje para a indústria gráfica? Julio Ferron – A sustentabilidade está na raiz desse projeto. Você pega um resíduo que ia para o aterro ou para a incineração 20
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Como fica o relacionamento com os donos de marca e com os fabricantes de embalagens nessa nova fase? Julio Ferron – Entendemos que não podíamos mais ficar só no distribuidor. O contato direto com a gráfica, com o convertedor
e com as marcas é fundamental. Visitamos, perguntamos, entendemos as dores de cada agente. Muitas vezes o cliente tem um problema de aplicação e conseguimos ajustar a gr’amatura, a rigidez, a textura. Essa proximidade virou um diferencial. Não vendemos só papel, vendemos solução. E o time comercial foi treinado para isso, para ser consultivo. Como a Blendpaper está enxergando os próximos meses?
Julio Ferron – Vamos continuar investindo em inovação, especialmente nessa linha de reciclagem de papel-moeda. O potencial é global. E também vamos fortalecer o relacionamento direto com a indústria gráfica nacional. A Abigraf é uma parceira importante nesse diálogo. O que queremos é que a Blendpaper seja reconhecida como uma empresa que entrega qualidade, segurança e sustentabilidade, com o olho no cliente e a mão na massa. Não tem segredo, é trabalho de todo dia.
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Somos a principal e mais relevante vitrine da impressão digital no Brasil. O ambiente ideal de negócios onde decisão, relacionamento e oportunidades acontecem ao mesmo tempo. Nossas pesquisas mostram que 67% das empresas que mais crescem participam de feiras de negócios. Esse é um indicador claro: estar presente significa estar conectado a quem realmente busca inovação, estabelece parcerias e realiza negócios que começam na feira e se consolidam por anos.
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EXPOSIÇÃO Por: Tânia Galluzzi
EXPOPRINT & CONVERFLEXO LATIN AMERICA
ExpoPrint 2026: recordes em visitantes e negócios gerados
A
ExpoPrint & ConverFlexo Latin R$ 1,2 bilhão. Antes disso, a ExpoPrint 2018, Feira realizada America 2026 não apenas concom 50 mil visitantes, já havia sido um marentre os dias 24 firmou sua posição como o maior co, mas a feira de 2026 deu um grande salto, e 28 de março, evento da indústria gráfica das superando o desempenho anterior, moscom a presença de Américas como também redefiniu o pata- trando a força do setor mesmo após anos 57 mil visitantes mar de expectativas. Com 57.275 visitantes desafiadores. O número de expositores ule R$ 1,7 bilhão em e R$ 1,7 bilhão em negócios gerados, a edição trapassou 460, representando mais de mil negócios, reafirma comemorativa de 20 anos da feira registrou marcas em uma área de exposição de 48 mil o vigor do setor crescimento expressivo em público e fatu- metros quadrados. Jorge Maldonado, presiimpulsionada por um ambiente de dente da Afeigraf, realizadora da ExpoPrint, gráfico brasileiro e ramento, otimismo e investimento. destacou que a feira superou todas as projeaponta as tendências Em 2022, ainda com os resquícios do ções. “Vivenciamos algo espetacular e sem que vão moldar os período pandêmico, a mostra contou com precedentes. Mudamos a história da indúspróximos anos. cerca de 40 mil visitantes e movimentou tria de impressão nas Américas. A quebra de
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Solenidade de abertura da edição dos 20 anos da ExpoPrint, realizada no Expo Center Norte, em São Paulo, com mais de 460 expositores, ocupando 48.000 m²
recordes em visitação e o volume expressivo de negócios gerados comprovam a força do nosso mercado e a confiança do empresário no futuro”, afirmou Maldonado, destacando a intensidade das negociações e o clima da feira, com rodadas de negócios que se estendiam até o fim do dia e uma movimentação intensa nos estandes. A presença chinesa foi relevante, representando 30% dos expositores, outro destaque da
edição deste ano. Empresas asiáticas trouxeram equipamentos com relação custo-benefício agressiva, exigindo da organizadora APS Eventos uma atenção ainda maior na aprovação dos expositores. “A China é um player importante, mas não abrimos mão da qualidade. Cada um passou por uma avaliação criteriosa”, explicou Alexandre Keese, diretor da feira. Esse cuidado reflete a preocupação dos organizadores em manter a credibilidade
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da ExpoPrint, especialmente em um momento em que o mercado busca soluções mais acessíveis sem perder produtividade. A presença internacional não se limitou à China; fornecedores e visitantes da Europa, América do Norte e América Latina também estiveram no Expo Center Norte, em São Paulo, reforçando o caráter global do evento. O impacto das máquinas rodando ao vivo foi um dos grandes atrativos da feira. Das offsets às impressoras digitais; das máquinas de grande formato às linhas de produção de sacolas. A diversidade de segmentos e soluções foi ampla, abrangendo desde impressoras para papel e cartão até equipamentos de impressão digital para materiais rígidos, sistemas de corte e vinco, soluções para embalagem flexível e rígida, insumos e softwares. ÁREAS DE CONHECIMENTO
Três áreas de conteúdo distribuídas pela feira disseminaram conhecimento prático e
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estratégico, apresentando temas que contribuem para a construção de um mercado cada vez mais profissional, com foco em boas práticas, gestão, vendas e marketing. Foram eles: ◆ Congresso de Sustentabilidade e Inteligência Gráfica, abordando a inovação e a ecoinovação como pilares essenciais para a evolução dos negócios, com a curadoria de Jorge Maldonado. ◆ Ilha da Sublimação, iniciativa da APS em parceria com a Fespa e curadoria de Felipe Soares. Os visitantes acompanharam demonstrações feitas ao vivo por especialistas, reforçando a integração entre conhecimento e aplicação. A área teve o apoio de Mecolour e Sublivix. ◆ Fábrica de Camisetas, uma das experiências mais dinâmicas da feira. Sob patrocínio da Brother, Mecolour e Camisetas El Elyon, e curadoria de Henri Kanj, foram apresentados conteúdos estratégicos, fundamento de negócio e cases reais compartilhados por profissionais do setor. RESPONSABILIDADE SOCIAL
A ExpoPrint 2026 deixa uma reflexão sobre o setor. A transformação digital, somada à exigência por sustentabilidade e à pressão por custos competitivos, está redesenhando o mapa da indústria. Uma sinalização importante nesse sentido foi a presença da Fespa Foundation, movimento global que, no Brasil, conta com a APS e a Fespa à frente de suas iniciativas, e que, durante a ExpoPrint, teve a Afeigraf como patrocinadora anjo. A Fespa Foundation consolida sua atuação com base em pilares estratégicos (educação, sustentabilidade, impacto social, inovação e colaboração global), ampliando o papel da indústria de impressão como protagonista na transformação econômica e social. O projeto não apenas cumpriu seu propósito, como superou as metas estabelecidas, registrando um volume recorde de produção de materiais impressos e itens de vestuário, que foram destinados a instituições parceiras. Realizada pela Afeigraf, Associação dos Agentes de Fornecedores de Equipamentos e Insumos para a Indústria Gráfica, a ExpoPrint & ConverFlexo Latin America 2026 foi organizada e promovida pela APS Eventos Corporativos e apoio estratégico da Abflexo-FTA/Brasil. A próxima edição está confirmada para o ano de 2030, em São Paulo.
NOTÍCIAS GRÁFICAS Por: Tânia Galluzzi
Três décadas de Plural Gráfica comemora 30 anos como maior parque offset rotativo da América Latina, com investimentos em modernização e foco em pessoas.
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ários fatores contribuem para a longevidade de uma empresa. Um dos mais importantes é a capacidade de adaptação, de enxergar as mudanças e perceber as que valem a pena ser seguidas, diferenciando-as dos modismos, e também detectar em sua própria estrutura aquilo que, apesar de ter funcionado por muito tempo, não mais se encaixa à realidade. Essa é a cartilha da Plural, que acaba de comemorar seus 30 anos mantendo a posição de maior parque gráfico offset rotativo da América Latina, com a impressionante capacidade de produzir 1,7 milhão de cadernos de 16 páginas por hora. Ali tudo é superlativo: 40 mil metros quadrados de área construída no município de Santana de Parnaíba, em São Paulo, nos quais trabalham mil funcionários e rodam
Carlos Jacomine foi o funcionário nº 1 da Plural, adquiriu a empresa em janeiro de 2022 e hoje comanda o maior parque gráfico offset rotativo da América Latina
11 impressoras, afora as duas plantas de impressão digital. Dessa minicidade saem desde milhões de álbuns da Copa do Mundo (metade do total encomendado pela Panini foi produzido na Plural) até oito milhões de provas do Enem, passando pelos 50 mil exemplares da Folha de S.Paulo, pelo jornal da Igreja Universal, com 1,2 milhão de unidades, e pelas contas da Vivo, Tim e Comgás. São itens que transitam pelos quatro grandes segmentos que a gráfica atende: produtos de segurança como certificados, loterias e provas; impressos comerciais; jornais e revistas; e livros didáticos e paradidáticos. DE FUNCIONÁRIO A PROPRIETÁRIO
À frente dessa potência está o funcionário número 1 da Plural, Carlos Jacomine, contratado antes de a empresa ser formatada. Em janeiro de 2022, depois de 26 anos em cargo executivo, Jacomine adquiriu a Plural das mãos
do consórcio que reunia a norte-americana Quad/Graphics, o grupo UOL e a própria Folha. De lá para cá, a capacidade produtiva foi ampliada em 15%. Dos novos equipamentos, o destaque é a primeira impressora plana da Plural, uma oito cores mais verniz com alimentação em bobina integrada. Instalada em 2025, ela foi pensada para a produção de capas e com o objetivo de tornar a Plural mais competitiva em pequenas tiragens. Vários equipamentos também passaram por reforma e atualização. A área de impressão digital se dedica sobretudo aos impressos de segurança, incluindo a faturas. Sim, elas não só continuam a ser emitidas quanto vêm tendo um bom desempenho em 2026, mas a Plural se mantém antenada, incorporando as contas digitais ao seu pacote de serviços, gerindo o envio por email e SMS, oferecendo às concessionárias uma solução completa.
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ESTÚDIO PLURAL
Aponte o celular para o QR Code e assista ao vídeo da Plural
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Além da impressão, o acabamento também foi incrementado, visando atender aos programas federais e estaduais de livros didáticos. Movimentando-se nesse sentido, em 2024 foi criada a editora Estúdio Plural, especializada em soluções editoriais que atendam às mais diversas necessidades educacionais. Com o objetivo de promover ensino de qualidade, a editora se dedica à produção de livros complementares para todas as etapas da Educação Básica, com foco em temáticas voltadas à educação socioambiental e socioemocional, à cidadania e à saúde pública, além da publicação de livros literários Em paralelo à modernização do parque gráfico, para se manter na liderança a Plural sabe que precisa cuidar das pessoas, investindo continuamente em capacitação, reciclagem e treinamento. Há 15 anos a empresa mantém um projeto social, a Escola de Impressão, que acolhe estudantes do Ensino Médio de Santana de Parnaíba, formando auxiliares de impressão. O curso tem a
duração de seis meses e é ministrado pelos próprios funcionários da Plural. Olhando para o segundo semestre deste ano, Carlos Jacomine se mantém otimista. Ele vê o calendário eleitoral como algo positivo para o setor, apesar de admitir que as campanhas ainda não ganharam força no mundo dos impressos. A previsão é de que a Plural feche o ano com um crescimento de 10% em seu faturamento. E aqui, voltamos aos esforços para manter uma empresa saudável e relevante por décadas. Jacomine revela sua estratégia, baseada em três pontos: manter-se sensível às oscilações do mercado, com capacidade para se ajustar com agilidade, ficar muito atento às movimentações dos clientes, identificando oportunidades e antecipando demanda, e acompanhar as decisões do governo que de alguma forma possam interferir no segmento gráfico. PLURAL www.plural.com.br
ENCONTRO Por: Tânia Galluzzi
Livros no centro do
debate
Com a participação de mais de 400 pessoas, a Câmara Brasileira do Livro reúne lideranças do mercado editorial para debater dados, IA, grandes plataformas e o futuro do livro no Brasil.
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onhecimento, entretenimento, negócio, profissão. O livro responde a tudo isso simultaneamente, e foi justamente essa multiplicidade que orientou as discussões do 5º Encontro de Editores, Livreiros, Distribuidores e Gráficos (EELDG), realizado no Casa Grande Hotel Resort & Spa, no Guarujá (SP), entre os dias 13 e 15 de maio. O evento colocou em pauta as tensões e oportunidades que atravessam toda a cadeia, reunindo mais de 400 participantes, duas salas simultâneas de programação, 48 palestrantes e dois convidados internacionais. A programação foi aberta com um debate sobre os impactos da Reforma Tributária no mercado editorial, do qual participaram as lideranças de todas as entidades que apoiam o evento: Abrelivros, Abigraf-SP, Libre, ABDL, ANL, Snel, além da própria CBL. O principal tema foram os efeitos imediatos e futuros da Lei Complementar nº 224, aprovada em dezembro de 2025, que determinou a redução de incentivos e benefícios federais para vários setores da economia. No mercado editorial, a LC224 acaba temporariamente (entre abril e dezembro de 2026) com a isenção de Pis/Cofins sobre a venda dos livros. A CBL entrou com um mandado de segurança contra a cobrança, mas ainda não há decisão judicial sobre o tema. João Scortecci, presidente da Abigraf-SP, aproveitou a discussão sobre medidas governamentais para apontar possíveis efeitos negativos do fim da jornada 6x1. Ainda no primeiro dia foi lançada a campanha “Meu Livro, Meu Estilo”. Criada pela
Almap a pedido da CBL, visa popularizar o livro, principalmente entre aqueles que não têm o hábito da leitura. “O livro hoje é muito respeitado, mas a gente sente que ele não faz parte do dia a dia das pessoas. A ideia é fazer com que ele saia da elite e venha para o mundo pop. Tanto faz o quê, quando ou onde você lê”, afirmou Carolina Riedel, integrante da comissão de valorização do livro da CBL. A programação da quarta-feira foi intensa, com destaque para os painéis sobre o uso de dados na definição de estratégias editoriais, com Julia Barreto (HarperCollins Brasil) e Nana Vaz de Castro (Sextante), e o papel do autor na construção do sucesso de um livro, que levou o antropólogo Michel Alcoforado, autor do best-seller “Coisa de Rico” ao Guarujá; e as mesas Frente a frente com o Mercado Livre, e Frente a frente com a Amazon, com jornalistas sabatinando Arthur Bonamini (Mercado Livre) e Ricardo Perez (Amazon Brasil). No dia 15, Mariana Bueno e Jacira Silva, coordenadoras de pesquisas da Nielsen BookData, apresentaram dados comparativos sobre o desempenho do setor editorial brasileiro frente a outros mercados. O encontro foi encerrado com o painel Frente a frente com Livraria Leitura, com Marcus Teles, CEO da rede que mais cresce no segmento editorial. Ele afirmou que o objetivo da Leitura é chegar às cidades que ainda não possuem livrarias e declarou apoio à presença crescente das plataformas digitais. CÂMARA BRASILEIRA DO LIVRO www.cbl.org.br
FLEXOGRAFIA
Flexo & Labels + Flexo & Pack
Organizadora e expositores comemoram bons resultados Ocupando todo o Pavilhão 5 do Distrito Anhembi, em São Paulo, feira tem recorde de público, atraindo mais de 10 mil profissionais.
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a esteira do dinamismo do mercado de rótulos e embalagens, a quarta edição da Flexo & Labels conseguiu colocar a mostra em um outro patamar. O crescimento já era previsto, uma vez que o espaço de exposição foi ampliado em 40%. Mas a visitação e o volume de negócios superaram as expectativas. “Os corredores ficaram cheios e todos os expositores que estão aqui já renovaram para 2028. Um ponto bem interessante foi a presença de visitantes latino-americanos, de países como Chile, Paraguai e Uruguai”, afirmou Marcia Romano, diretora da Inmotion, organizadora do evento. Bienal, a Flexo & Labels + Flexo & Pack Expo 2026 reuniu, entre os dias 26 e 29 de maio, mais de 100 expositores e 400 marcas, atraindo para o Anhembi mais de 10 mil visitantes únicos. Vários expositores com os quais conversamos também estavam comemorando os negócios realizados e a qualidade do público. Além da expansão estrutural, outro fator que contribuiu para os bons resultados foi o incremento no escopo da feira, que neste ano rompeu os limites da flexografia banda estreita, focada em rótulos e etiquetas, para abraçar o setor de embalagens de forma ampla. Segundo a organizadora, tal estratégia deve se consolidar na próxima edição, em 2028,
com uma área de exposição ainda maior. Essa ampliação de mercados levou à feira mais soluções calcadas na tecnologia digital, tanto na impressão, com alternativas para tiragens médias, quanto em acabamento, sobretudo no embelezamento dos impressos. AÇÕES COMPLEMENTARES
Seguindo o exemplo de boa parte das feiras de negócios, a Inmotion procurou oferecer ao visitante outras experiências. Entre as novidades, a Flexo & Labels montou uma Equipe de Especialistas em Embalagens, composta por experts do mercado que, além de contar com um estande próprio para receber os visitantes, também participou do I Fórum de Integração Academia e Mercado de Embalagens. Capitaneado por Ricardo Sastre, diretor da Mudrá Design e fundador da Embase, o encontro reuniu celebridades do mundo da embalagem, como o precursor no design de embalagem no Brasil, Lincoln Seragini, o professor Antonio Carlos Dantas Cabral, coordenador de pós-graduação em Engenharia de Embalagem no Instituto Mauá de Tecnologia e a doutora Sílvia Tondella Dantas, diretora do Centro de Tecnologia de Embalagens do Instituto de Tecnologia de Alimentos, Ital. A feira foi palco, ainda, para a cerimônia de entrega do Prêmio Gente que Conecta (veja box). A premiação, realizada no dia 29, objetivou reconhecer, em 10 categorias, o trabalho de profissionais das mais diversas áreas de atuação dentro do setor de flexografia, rótulos e embalagens; cada um deles, em sua área,
oferecendo sua contribuição para interconectar necessidades e conhecimentos em prol do desenvolvimento de negócios e tecnologias. Incrementando a comunicação do evento, o podcast Ondas Impressas firmou uma aliança estratégica com a Flexo & Labels + Flexo & Pack, não só cobrindo a feira quanto recebendo expositores e especialistas para a gravação de nove episódios. A série especial Café com Impressão está sendo disponibilizada no canal do Ondas Impressas no YouTube e nas principais plataformas de streaming de áudio.
VENCEDORES DO PRÊMIO GENTE QUE CONECTA
Um dos prêmios foi concedido à jornalista Tânia Galluzzi, colaboradora da Revista Abigraf. Tecnologia e Equipamentos: Ronnie Schröter/ Etirama ◆ Movimento Inovador: Renata Daflon/ Movimento Mulheres de Impressão ◆ Startup: Fábio Mestriner/ Inteligência de Embalagem 5.0 ◆ Integração Setor e Entidades: André Giannobile/ Abiea ◆ Segurança e Rastreabilidade: Sílvia Tondella Dantas/ Ital ◆ Educação e Formação Profissional: Bruno Cialone/ consultor ◆ Comunicação e Divulgação da Indústria Gráfica: Tânia Galluzzi/ Ondas Impressas ◆ Iniciativa de Aproximação com a Nova Geração: Deborah Corn/ GWP ◆ Integração da Cadeia/Liderança Setorial: Mário César Martins de Camargo/ consultor ◆ Integração de Pessoas: Maurício Camim Filho/ Pack Talk abril/junho 2026 REVISTA ABIGRAF
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DIRETÓRIO
Anuário Abigraf completa 30 anos
F Em maio deste ano começou a circular o 24º Anuário Brasileiro da Indústria Gráfica 2025/2026, edição comemorativa dos 30 anos da publicação.
oi na festa de entrega do 6º Prêmio
de Excelência Gráfica Fernando Pini, no dia 26 de novembro de 1996, no Memorial da América Latina, em São Paulo, que os cerca de 700 participantes da solenidade receberam os primeiros exemplares do tão aguardado Anuário Brasileiro da Indústria Gráfica. Era a concretização de um desejo antigo da categoria. Para essa primeira edição, um questionário criado e elaborado pela Clemente e Gramani Editora (hoje, Gramani Editora) foi enviado pelo correio, também encartado na Revista Abigraf, para o preenchimento de informações pelas empresas gráficas de todo o Brasil a fim de compor o primeiro banco de dados oficial da indústria gráfica nacional. Na segunda edição (1997), foram incorporados dois novos e importantes serviços: o Guia de Fornecedores, com um banco de dados dos fabricantes e distribuidores de matérias-primas, insumos, equipamentos, sistemas e prestadores de serviços do setor; e uma tabela de produtos e serviços, para
24º- ANUÁRIO ABIGRAF 2025/2026
indicar ao leitor, de maneira muito simples, em que página está a gráfica que atenda à sua necessidade. A ERA DIGITAL
Tal procedimento na coleta de dados se manteve por oito anos. De 2004 a 2009, com a popularização da internet, isso passou a ser feito também através de formulário eletrônico. A partir da 14ª edição, em 2010, o preenchimento do cadastro tornou-se exclusivamente digital. Nesses 30 anos, com 24 edições publicadas, o Anuário Abigraf acompanhou e se tornou o registro vivo da evolução tecnológica pela qual passou o setor gráfico, constituindo-se em uma ferramenta de consulta indispensável para atualização e conhecimento da realidade do universo gráfico. Patrimônio e referência da indústria gráfica nacional, o Anuário Brasileiro da Indústria Gráfica completa, com a 24ª edição, três décadas de circulação como um símbolo da resiliência e excelência da comunicação impressa no Brasil.
CARACTERÍSTICAS E CONTEÚDO ■ 192 páginas ■ Embalagem protetora ■ Dois bancos de dados exclusivos: GRÁFICAS – Perfil completo de
696 gráficas, de 24 estados de todo o Brasil, com: endereço, telefone, WhatsApp, e-mail, site, redes sociais, certificações, nº de funcionários, área instalada, processos e formato máximo de impressão e especializações FORNECEDORES – Amplas informações
2025/2026 2025/2026
2025/2026 2025/2026
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GESTÃO
HAMILTON COSTA
O setor gráfico brasileiro na
encruzilhada da inovação Processos, sustentabilidade e pessoas como pilares da reinvenção
O
setor gráfico vem atravessando um momento decisivo em sua longa história. Após anos oscilando entre a euforia com a tecnologia digital e o receio de sua suposta canibalização do impresso, a indústria hoje se encontra diante de um cenário muito mais complexo e, paradoxalmente, promissor. Não se trata mais de escolher entre o físico e o digital, mas de integrá-los de forma inteligente, sustentável e lucrativa. Como aliás prego há muitos anos. Quem teve a oportunidade de ler meu livro Gráfica: uma Indústria em Transformação, sabe bem do que estou falando. É nesse contexto que o “Estudo Sinais de Mudança: Setor Gráfico 2026”, lançado em maio deste ano pelo Lab de Tendências do Firjan IEL, chega como um interessante farol analítico para empresários, gestores e formuladores de políticas setoriais. O estudo não apenas mapeia as macrotendências globais que impactam a cadeia gráfica, mas oferece um bom diagnóstico sobre o estágio de maturidade do setor no Brasil, apontando gaps críticos e oportunidades concretas de reposicionamento competitivo. O que o estudo revela é que a sobrevivência e a liderança no setor gráfico não dependem mais apenas de máquinas modernas ou de preços competitivos. Dependem, essencialmente, da capacidade de integrar três dimensões fundamentais: processos automatizados e rastreáveis, práticas regenerativas ambientalmente consistentes e, acima de tudo, pessoas engajadas em uma causa comum. A primeira grande virada de chave que o estudo documenta é a superação do paradigma do “digital versus impresso”, especialmente entre os anos 2000 e 2010, quando o discurso predominante era o de que o papel estava com os dias contados — uma narrativa alimentada tanto pelo marketing das grandes empresas de tecnologia quanto por uma visão superficial do comportamento do consumidor. O que os dados do Firjan IEL mostram, porém, é uma realidade muito mais matizada. O impresso não apenas sobreviveu como também se reposicionou em nichos de alto valor agregado. O crescimento das embalagens sustentáveis, da personalização em
massa e do impresso como objeto de desejo estético vem reconfigurando a demanda. O estudo projeta, por exemplo, que o mercado global de embalagens recicláveis pode alcançar US$ 460 bilhões até 2035, com uma taxa de crescimento anual composta de 7,24%. Esse número não é apenas uma projeção: é um sinal inequívoco de que a economia circular está deixando de ser um diferencial para se tornar um requisito básico de acesso a grandes contratos. Um dos fenômenos apontados pelo estudo é a chamada “papelização” — a substituição de plásticos de uso único por soluções à base de fibras de celulose em embalagens primárias e secundárias. Esse movimento é impulsionado tanto por legislações ambientais mais rigorosas (como a Diretiva Europeia de Plásticos de Uso Único e a Política Nacional de Resíduos Sólidos no Brasil), quanto por uma pressão crescente dos consumidores finais, que associam papel e papelão a valores de renovabilidade e biodegradabilidade. Para as gráficas brasileiras, essa tendência representa uma oportunidade extraordinária de expansão de portfólio. No entanto, exige investimentos em certificações florestais (como FSC e Cerflor), em tecnologias de impressão que utilizem tintas à base de água e vernizes biodegradáveis, e em processos produtivos que comprovem baixa pegada de carbono. Não basta mais dizer que o papel é renovável: é preciso demonstrar, com dados auditáveis, que toda a cadeia produtiva opera dentro de critérios ambientais rigorosos. Outro ponto que merece destaque é a preocupação legítima do estudo com a desinformação ecológica que ainda cerca o papel. Muitos gestores e consumidores continuam acreditando que produção de papel é intrinsecamente predatória, ignorando que a indústria brasileira de celulose e papel é uma das mais sustentáveis do mundo, com florestas plantadas, reciclagem de aparas em circuito fechado e aproveitamento energético de biomassa. Uma ação estratégica é recomendada: as gráficas precisam assumir um papel ativo na comunicação institucional sobre a circularidade do papel. Selos ambientais, relatórios
A primeira grande virada de chave é a superação do paradigma do ‘digital versus impresso’
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Não basta mais dizer que o papel é renovável: é preciso demonstrar, com dados auditáveis, que toda a cadeia produtiva opera dentro de critérios ambientais rigorosos.
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de sustentabilidade certificados e cases de sucesso de redução de impacto devem fazer parte do discurso comercial de forma consistente. Esse não é um assunto de departamento de marketing, é uma questão de posicionamento competitivo. Por fim, a transição ecológica também impõe desafios operacionais concretos. A otimização energética das plantas fabris, a redução do desperdício de matéria-prima por meio de sistemas de impressão sob demanda (print on-demand) e a implementação de programas de reúso de água e calor residual são medidas que impactam diretamente a margem de lucro. O estudo mostra que as empresas que já iniciaram essa jornada relatam reduções médias de 15 a 20% nos custos operacionais totais, além de vantagens competitivas em licitações e contratos com grandes marcas. O estudo avança ao discutir a importância da Internet das Coisas (IoT) e da rastreabilidade inteligente nas plantas gráficas. Sensores embarcados em máquinas de impressão, corte, dobra e acabamento já permitem monitorar em tempo real variáveis como temperatura, umidade, pressão, velocidade e desgaste de componentes. Esses dados, quando integrados a sistemas de gestão empresarial (ERP) e a plataformas de web-to-print, criam um ciclo virtuoso de eficiência. O que chamamos de transformação digital se espelha na verdadeira revolução que está na integração sistêmica de dados, máquinas e pessoas em um fluxo contínuo e inteligente de produção. O estudo da Firjan oferece boas evidências para essa tese. Essa capilaridade de dados é o que permite às gráficas modernas oferecerem serviços de valor agregado que seus concorrentes menos digitalizados não conseguem, como relatórios de compliance ambiental por lote, etiquetas inteligentes com RFID para logística reversa e portais de acompanhamento de pedidos em tempo real para os clientes. É o que já apontamos em artigo nesta mesma revista sobre a gestão inteligente da gráfica. No Brasil, onde a mão de obra ainda é relativamente mais barata que na Europa ou nos Estados Unidos, a tentação de adiar
a automação é grande. No entanto, essa leitura é enganosa. A produtividade — e não o custo unitário da hora trabalhada — é a métrica relevante. Uma linha de acabamento robotizada opera 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem férias, sem absenteísmo e sem erros de repetição. Quando se calcula o custo total de propriedade (TCO) de um sistema automatizado versus uma equipe manual ao longo de cinco anos, a equação favorece claramente a automação para operações com volumes acima de determinado limiar. Além disso, a automação libera o capital humano para funções de maior valor estratégico. Máquinas fazem tarefas repetitivas; pessoas fazem inovação, relacionamento e solução criativa de problemas. O estudo também reforça o papel estratégico das plataformas de web-to-print como canal de vendas e relacionamento. Não se trata mais de uma ferramenta opcional ou de um simples catálogo online. Uma plataforma robusta de web-to-print integrada ao ERP da gráfica e aos sistemas de compras dos clientes corporativos é a peça central de um modelo de negócio orientado a serviço, e não a produto. Clientes empresariais, especialmente nas áreas de marketing, recursos humanos e suprimentos, demandam interfaces simples onde possam configurar, aprovar, rastrear e pagar pedidos de materiais gráficos sem intermediação humana repetitiva. A gráfica que oferece essa experiência com fluidez ganha não apenas eficiência operacional, mas também fidelidade contratual, pois o custo de migração para um fornecedor que não oferece a mesma integração é alto. Um aspecto importante desse estudo é a análise das competências profissionais e dos gaps de formação identificados nas escolas gráficas brasileiras. O estudo realizou uma comparação curricular de 25 instituições em seis países (Brasil, Itália, Alemanha, Estados Unidos, França e Espanha) e chegou a um diagnóstico claro e preocupante. O modelo brasileiro de formação gráfica é, segundo o estudo, o mais híbrido entre todos os analisados. Nossas escolas conseguem, em geral, equilibrar bem o ensino de
base técnica (pré-impressão, sistemas offset e flexo, acabamento) com disciplinas de gestão e sustentabilidade. Isso é um ponto forte. Contudo, as lacunas são graves e urgentes: Inteligência Artificial aplicada ao design e à produção, automação robótica, análise de dados operacionais e sistemas integrados de gestão praticamente não figuram nos currículos das instituições brasileiras. Isso significa que os profissionais que saem das escolas técnicas e dos cursos superiores de produção gráfica no Brasil chegam ao mercado despreparados para operar e gerenciar as plantas fabris do futuro. Eles sabem operar uma impressora offset, mas não sabem interpretar um dashboard de indicadores de eficiência global de equipamentos (OEE). Eles entendem de cores e substratos, mas não conseguem programar uma integração entre o sistema de pedidos do cliente e o chão de fábrica. Para o gestor que lidera uma gráfica, essa constatação tem implicações diretas: é preciso assumir a responsabilidade pelo desenvolvimento contínuo das equipes, seja por meio de parcerias com Senai, Sebrae e universidades, seja por programas internos de capacitação. Esperar que o sistema formal de ensino resolva o problema sozinho é uma aposta que pode custar a competitividade da empresa. Em organizações que passam por transformações profundas — como é o caso da indústria gráfica —, a liderança não pode simplesmente impor mudanças tecnológicas de cima para baixo e esperar que as pessoas as abracem. É preciso construir um propósito organizacional que faça sentido para todos e que conecte o trabalho de cada operador, vendedor ou analista a um resultado maior e significativo. Na prática, isso se traduz em comunicar de forma consistente e transparente porque a gráfica está automatizando processos, certificando sua cadeia produtiva e migrando para modelos de negócio mais sustentáveis. Não é para “reduzir custos” simplesmente, é para garantir que a empresa continue existindo e crescendo em um mercado que exige eficiência e responsabilidade socioambiental. Quando as pessoas entendem o “porquê”
e se sentem parte de uma jornada coletiva, a resistência à mudança diminui e a criatividade para resolver problemas aumenta exponencialmente. Essa transição não acontece por decreto. Ela exige investimento sistemático em treinamento, mentoria e, sobretudo, em redesenhos de carreira que ofereçam perspectivas reais de crescimento profissional dentro da própria empresa. O jovem que hoje opera uma dobradeira precisa enxergar um caminho claro que o leve, em alguns anos, a uma posição de analista de processos, projetista de soluções integradas ou gestor de inovação. Se esse caminho não existir, a empresa perderá seus talentos para concorrentes ou para outros setores. A sobrevivência e a liderança no setor gráfico contemporâneo dependem da integração sinérgica entre processos automatizados e rastreáveis, que garantem eficiência e transparência; práticas regenerativas e de economia circular, que posicionam o setor como parte da solução ambiental e não do problema; e pessoas engajadas em uma causa comum, que tornam a inovação um valor vivido diariamente e não um discurso de palestra. As gráficas que compreenderem essa tríade e agirem com coerência estratégica serão as referências do mercado em 2030 e além. As que insistirem em modelos tradicionais, baseados exclusivamente em preço e máquinas, enfrentarão um encolhimento progressivo e inevitável. Por fim, quero ressaltar que todo e qualquer processo de inovação pode ser viabilizado hoje no Brasil através de projetos elaborados visando as linhas de crédito oferecidas através do Sistema Nacional de Inovação. Por isso lançamos o Hub de Fomento à Inovação. Veja em https://picthub.com.br/ PS: O “Estudo Sinais de Mudança: Setor Gráfico 2026”, pode ser encontrado no site da Casa Firjan: https://casafirjan.com.br
A automação libera o capital humano para funções de maior valor estratégico. Máquinas fazem tarefas repetitivas; pessoas fazem inovação, relacionamento e solução criativa de problemas.
Hamilton Terni Costa HTC Consulting/Ciglat Podcast Ondas Impressas hterni@anconsulting.com.br
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PODCAST
Ondas navega pelos desafios do setor De tecnologias de ponta a precificação, a sétima temporada do podcast segue mapeando as transformações que definem a indústria gráfica.
O
segundo episódio do podcast Ondas Impressas em 2026 foi pensado como um mapa antes da ExpoPrint 2026. Ricardo Pi, diretor-geral da Durst Brasil, Roni Montini, gerente comercial da Durst, e Eduardo Gomes, diretor da Chromajet, desenharam o cenário das tecnologias que estariam em pauta. A conversa revelou que o ecossistema de soluções vai muito além da máquina. A estratégia é oferecer ao empresário o controle de todo o processo produtivo, desde equipamentos de entrada com alta capacidade até modelos de altíssima velocidade, passando por soluções de corte e impressão de rótulos. A impressão em tecido para comunicação visual ganhou destaque como um caminho natural para empresas que buscam maior valor agregado, mesmo que o custo da lona ainda dite as regras no Brasil. A ExpoPrint em si virou episódio. Gravado na própria feira, entre 24 e 28 de março, o terceiro programa trouxe Alexandre Keese, diretor da APS Eventos Corporativos e da ExpoPrint, e Ingryd Lopes, da Gráfica Pontual, de Pernambuco. Alexandre falou dos bastidores da organização, enquanto Ingryd compartilhou as demandas que guiam as decisões dos empresários na hora de visitar uma feira. O movimento Mulheres de Impressão, que realizou um encontro concorrido durante a feira, também ganhou espaço na conversa.
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O quarto episódio mergulhou em um dos maiores desafios da indústria gráfica, a precificação. Rodrigo Cury, especialista em formação de preços com mais de duas décadas de consultoria revelou um dado preocupante: pouquíssimos empresários utilizam a ferramenta correta para apurar lucro. O problema começa quando gerenciam custos pelo fluxo de caixa, confundindo saldo positivo com lucro. “Gerenciar custos pelo fluxo de caixa é uma armadilha quase mortal para o CNPJ”, explicou Rodrigo. A conversa explorou como estruturar uma planilha de custos que funciona de verdade e como usar dados para tomar melhores decisões. O quinto episódio abordou a papelização, palavra que vem sendo usada para indicar o movimento de migração das embalagens plásticas para soluções baseadas em papel e fibras. Lucas Giampietro, gerente de desenvolvimento de negócios na SWM, e Christian Króes, gerente de produto e assistência técnica na Papirus, explicam como a pressão do consumidor e as regulamentações cada vez mais restritivas estão acelerando essa transição. A SWM aposta na selagem a quente, técnica comumente utilizada nos filmes plásticos, enquanto a Papirus está investindo no desenvolvimento de novas barreiras capazes de conferir ao papel características como resistência à água e à gordura, além da instalação de uma nova máquina de aplicação de coating na planta de Limeira. Os episódios do Ondas Impressas estão disponíveis nas principais plataformas de podcast, além do YouTube em formato videocast, e no site www. ondasimpressas.com.br.
BRAINSTORM
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NORMAS
BRUNO MORTARA
Certificação de Papéis de acordo com a ISO 12647-2
A
certificação de papéis de impressão conforme a ISO 12647-2 representa um avanço importante para a padronização e previsibilidade cromática na indústria gráfica. Este artigo apresenta os conceitos fundamentais da certificação de substratos conduzida pela CEC Latam em parceria com a Baluarte Certificadora, descrevendo os parâmetros técnicos utilizados para avaliar a capacidade de reprodução de cores dos papéis de impressão offset. São discutidos aspectos como gamut de cores, absorção de tinta, TVI (Tone Value Increase), geração de datasets espectrofotométricos e criação de perfis ICC. Também são apresentados os benefícios da certificação para fabricantes de papel, gráficas e usuários finais, incluindo maior previsibilidade de impressão, redução de desperdícios e melhoria da consistência visual. O artigo destaca ainda a importância da colaboração entre fabricantes, impressores e profissionais de pré-impressão para garantir conformidade com os padrões internacionais de qualidade.
INTRODUÇÃO
A consistência cromática é um dos pilares da qualidade na indústria gráfica moderna. Em aplicações como embalagens, fotografia, moda, publicidade e impressão editorial, a fidelidade das cores influencia diretamente a percepção da marca, a experiência do consumidor e a confiabilidade do material impresso. Nesse contexto, normas internacionais de controle de processo tornaram-se essenciais para garantir previsibilidade e repetibilidade na reprodução gráfica. A ISO 12647-2 é a principal norma internacional voltada ao controle de processo para impressão offset comercial. Ela estabelece parâmetros de qualidade relacionados a densidades de cor, balanço de cinzas, 42
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TVI (Tone Value Increase), anteriormente conhecido como ganho de ponto, reprodução tonal e características cromáticas do impresso. Embora amplamente aplicada em gráficas, a utilização dessa norma para certificação de substratos de impressão ainda é relativamente recente. As normas elaboradas pelo TC130 da ISO tratam da qualidade e controle de materiais, processos, cores, acabamento, meio ambiente, avaliação de conformidade, além de segurança e ergonomia em tecnologia gráfica. Entretanto, a certificação em si depende da aplicação prática dessas normas por organismos acreditados, utilizando critérios auditáveis e metodologias padronizadas. CEC LATAM E BALUARTE CERTIFICADORA
Desde janeiro de 2021, a CEC Latam (Centro de Educação em Cores) — composta por Pablo Bolatti, da Argentina, Carlos Grillo, da Costa Rica, e Bruno Mortara, do Brasil — desenvolveu esquemas de certificação auditados pela Baluarte Certificadora. A Baluarte foi criada em 2012 para atuar na certificação de empresas da indústria de comunicação gráfica, com experiência também no desenvolvimento de selos de conformidade para os segmentos de cadernos, jornais impressos e papel imune. A Baluarte é acreditada em várias normas técnicas. Os programas de certificação para o setor gráfico estão apoiados em normas técnicas e boas práticas da indústria. Entre as certificações disponíveis e aplicadas na América Latina estão a certificação de impressão offset CEC Latam ISO 12647-2, flexografia CEC Latam ISO 12647-6, offset-metalgrafia CEC Latam ISO 12647-9, certificação de sistemas digitais de acordo com a ISO 12647-8 e certificação de substratos para offset conforme a ISO 12647-2.
CERTIFICAÇÃO DE PAPÉIS PARA A ISO 12647‑2
A certificação de papel de impressão surgiu a partir da demanda de um fabricante papeleiro boliviano que buscava validar tecnicamente a capacidade e consistência cromática de seus substratos. O objetivo da certificação é assegurar que as cores concebidas pelos criadores sejam reproduzidas com previsibilidade e fidelidade em sistemas de impressão offset calibrados. O processo envolve a caracterização do substrato por meio da impressão de uma carta de cores padrão ISO 12642-2 em um sistema estável e em conformidade com a ISO 12647-2. Após a impressão, amostras são medidas com espectrofotômetro para gerar um dataset — conjunto de dados espectrofotométricos utilizado como base para criação de um perfil
TÓPICO DE CERTIFICAÇÃO
DESCRIÇÃO / RELEVÂNCIA
Gamut de cores
Avalia a amplitude de cores reproduzíveis pelo substrato.
Absorção de tinta
Verifica a uniformidade de absorção e sua influência na nitidez e saturação.
Textura do papel
Influencia transferência de tinta, brilho visual e comportamento tonal.
TVI Spread
Mede o aumento do valor tonal durante a impressão. Avalia as distâncias entre as curvas de TVI.
da impressão. Entre eles. destacam-se o gamut de cores (espaço de cores reproduzível), a absorção de tinta, a textura superficial e a estabilidade tonal. VANTAGENS DO PAPEL CERTIFICADO
T VI 11.4 %
Figura 1. Impressão e leitura de testform com carta de cores padrão para geração de dataset e, posteriormente, perfil ICC.
ICC (International Color Consortium). Esse perfil descreve o comportamento cromático do papel quando utilizado em condições controladas de impressão. O fabricante deve manter constantes as características físico-químicas do papel durante a produção. As auditorias periódicas comparam os datasets obtidos ao longo do tempo e verificam a conformidade das cores primárias, secundárias e curvas de TVI dentro das tolerâncias definidas no esquema de certificação. REQUISITOS DA CERTIFICAÇÃO
A avaliação da capacidade cromática do papel considera múltiplos parâmetros que influenciam diretamente a qualidade visual
A principal vantagem da utilização de papéis certificados é a previsibilidade da reprodução de cores. Os perfis ICC gerados durante a certificação podem ser distribuídos aos usuários do papel, permitindo que designers, gráficas e profissionais de pré-impressão trabalhem com maior segurança na simulação e controle das cores. Além da melhoria técnica, a certificação reduz desperdícios decorrentes de retrabalhos e descartes causados por inconsistências cromáticas. Isso contribui para redução de custos produtivos e para práticas mais sustentáveis na indústria gráfica. Outras certificações ambientais relevantes para o setor incluem FSC (Forest Stewardship Council) e PEFC (Programme for the Endorsement of Forest Certification), voltadas à gestão florestal responsável e à cadeia de custódia. FLUXO DE CERTIFICAÇÃO DO SUBSTRATO
O fluxo de certificação compreende as seguintes etapas: seleção do substrato; impressão controlada da carta ISO 12642-2; leitura espectrofotométrica das amostras; geração do dataset; criação do perfil ICC; análise abril/junho 2026 REVISTA ABIGRAF
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SELEÇÃO DO SUPORTE
ESPECIFICAÇÃO TÉCNICA
VERIFICAÇÃO DE TINTAS ISO 2846-1
REFERÊNCIA CURVAS DE GANHO DE PONTO – TVI
IMPRESSÃO DE TESTFORM DE ACORDO COM ISO 12647-2
REVISÃO DAS PRIMÁRIAS DE ACORDO COM UM DATASET DA ISO 12647-2
NORMALIZAÇÃO MATEMÁTICA DAS LEITURAS
LEITURA DE 50 FOLHAS IMPRESSAS
CRIAÇÃO DE PERFIL ICC PROPRIETÁRIO (TAC, GCR, PROPRIEDADES DO SUPORTE)
GERAÇÃO DO DATASET RESULTANTE
Figura 2. Esquema de trabalho para preparação à Certificação de Substrato de acordo com a ISO 12647‑2.
comparativa com tolerâncias da ISO 12647‑2; emissão do relatório técnico; e auditorias pe‑ riódicas para manutenção da conformidade. VALOR AGREGADO DA CERTIFICAÇÃO
A entrega mais relevante do processo de cer‑ tificação é o perfil ICC do papel em condição de impressão offset calibrada conforme a ISO 12647‑2. Esse perfil funciona como elo entre designers, pré-impressão e impressão, pro‑ movendo comunicação mais precisa sobre expectativas de cor e reduzindo divergências entre prova e impressão final. A manutenção da consistência cromáti‑ ca depende também da calibração periódica dos equipamentos de impressão e do alinha‑ mento técnico entre fabricantes de papel, for‑ necedores de tinta e gráficas. A colaboração entre os diferentes agentes da cadeia pro‑ dutiva é essencial para alcançar resultados visualmente consistentes. CONCLUSÃO
A certificação de papéis conforme a ISO 12647‑2 representa um importante avanço para a indústria gráfica, ao estabelecer crité‑ rios objetivos para avaliação da capacidade cromática dos substratos de impressão. Além de elevar a previsibilidade e a qualidade visual dos impressos, a certificação contribui para redução de desperdícios, melhoria da eficiên‑ cia produtiva e fortalecimento da confiança entre fabricantes, gráficas e clientes finais. Ao integrar gestão de cor, controle es‑ tatístico e conformidade normativa, os 44
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programas de certificação desenvolvidos pela CEC Latam e auditados pela Baluarte demonstram o potencial de padronização técnica da indústria gráfica latino-america‑ na em níveis compatíveis com os principais mercados internacionais.
REFERÊNCIAS
ISO 12647-2 – Graphic technology – Pro‑ cess control for the production of half-tone colour separations, proofs and production prints – Part 2: Offset lithographic processes. ◆ ISO 12642-2 – Graphic technology – Input data for characterization of 4-colour pro‑ cess printing – Part 2: Expanded data set. ◆ ISO 17020. – Conformity assessment – Re‑ quirements for the operation of various types of bodies performing inspection. ◆ ISO 17025 – General requirements for the competence of testing and calibration laboratories. ◆ CEC Latam. Programas de certificação para a indústria gráfica latino-americana. ◆ Inmetro. Requisitos de acreditação para organismos de certificação e laboratórios. ◆
Bruno Arruda Mortara Superintendente do CB-27 Representante do Brasil no TC130 da ISO Coordenador do WG13 do TC130 da ISO superintendente.cb27@abigraf.org.br
O futuro se regenera em cada embalagem.
O ciclo do papelcartão transforma fibras recicladas em novas possibilidades, preserva recursos e constrói caminhos para um futuro de economia circular.
INTEGRAÇÃO
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Por: Paulo Stucchi
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Abigraf, presente em todo o território nacional
E
Abigraf consolida sua posição de principal entidade representativa da indústria gráfica nacional com atuação e presença em todos os estados do País.
m abril , a Abigraf Nacional concluiu as desde o início. Por isso, fico muito feliz com o sutratativas com a Andigraf. Dessa manei- cesso do acordo com a Andigraf e a reintegração ra, a Abigraf restabelece sua presença das regionais do Norte e Nordeste no âmbito de em todos os estados das regiões Norte e nossa entidade”, salienta. “Hoje, a Abigraf tem Nordeste, que passam a operar dentro do âmbi- atuação em todos os estados brasileiros e no Disto da associação — que, assim, torna-se a maior trito Federal. A grande maioria já tem regional e única entidade representativa dos setores de estabelecida, e alguns operam através de diretoimpressão e comunicação impressa do País. res regionais. Nesses, em breve, reabriremos as Para Julião Gaúna, presidente da Abigraf regionais também.” Nacional reeleito para o mandato do triênio Julião reforça o prosseguimento do trabalho, 2026/2029, trata-se de uma conquista históri- cujo objetivo final é ter uma Abigraf Regional ca, que celebra a união do setor. “Estreitar laços em atividade em todos os estados da federação. e fortificar a relação da Abigraf Nacional com “Seguiremos nesse propósito de que cada estado todas as regionais foi uma de nossas bandeiras brasileiro tenha uma Abigraf Regional operando”. Para Roberto Moreira, vice-presidente da Abigraf Regional Nordeste, a aproximação entre a Abigraf e as entidades regionais é essencial para atender as necessidades específicas de cada mercado. “O Brasil é um país muito grande e diversificado. As regiões Sudeste e Sul têm perfis e demandas diferentes em vários aspectos, como formação de mão de obra, algo crítico no Norte e Nordeste, que também são mercados mais sensíveis a custos. O presidente Julião entendeu a necessidade de diálogo e de ações específicas para cada região, para cada estado, com administrações mais regionalizadas. Foram dois anos de negociações, incluindo uma reforma estatutária. É um novo momento, com várias regionais retornando ao âmbito da Abigraf Nacional”, explica. Uma das mudanças é a valorização dos vicepresidentes, que, a partir da próxima gestão, serão eleitos pelas regionais e passam a desempenhar um papel aglutinador importante, captando as demandas locais, gerenciando essas necessidades e levando propostas para a Abigraf Nacional. “Haverá também mais indepenJulião Gaúna, presidente da Abigraf Nacional dência em termos de recursos financeiros, com
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Roberto Moreira, vice-presidente da Abigraf Regional Nordeste
aplicação local daquilo que é arrecadado regionalmente, sempre observando as necessidades de cada região”, explica Roberto. Segundo ele, a expectativa é grande. “Estamos diante de uma Abigraf Nacional mais moderna e acreditamos muito no trabalho do Julião, que foi o responsável por toda essa mudança. Neste novo triênio, todo o planejamento será posto em prática. Acreditamos em um novo tempo para a Abigraf Nacional, com todos muito motivados.” Já para Sergio Tavares, vice-presidente da Abigraf Regional Norte, o setor industrial gráfico nacional vive um momento de maturidade, diálogo e reconstrução institucional. “Os desafios do mercado, da inovação e da competitividade evidenciaram que a união é o caminho mais forte para o desenvolvimento do segmento. Essa nova fase de reintegração com a Abigraf Nacional também reconhece a importância do setor de comunicação visual impressa, que cresce de forma exponencial e se integra à indústria gráfica na transformação tecnológica, criativa e produtiva do mercado gráfico brasileiro”, enfatizou. “Mais do que uma reaproximação institucional, este momento simboliza cooperação, fortalecimento da representatividade nacional e a construção conjunta de um futuro mais moderno, sustentável, inovador, social e competitivo para toda a cadeia da indústria gráfica e da comunicação visual impressa no Brasil.” Sobre as expectativas, Sergio também se mostra otimista. “A expectativa para esta nova fase de reintegração do setor industrial gráfico nacional é extremamente positiva, especialmente por ampliar o olhar para um desenvolvimento mais equilibrado entre as regiões do País. Com uma atuação de abrangência nacional, esse novo momento fortalece a união institucional e cria oportunidades para que estados menos desenvolvidos e de difícil acesso, como os da Região
Norte, passem a receber maior apoio técnico, representativo e estratégico”. Ele pontua, ainda, dificuldades dos empresários gráficos da Região Norte que merecem um olhar mais atento. “A realidade da região ainda é marcada por desafios logísticos, dificuldades de acesso, escassez de mão de obra especializada e limitações estruturais que impactam diretamente a competitividade das empresas locais. Nesse contexto, a integração entre os setores gráfico e de comunicação visual impressa surge como um importante instrumento de fortalecimento
Sergio Tavares, vice-presidente da Abigraf Regional Norte
econômico, geração de oportunidades, capacitação profissional e estímulo à inovação. Mais do que uma reaproximação institucional, essa nova fase representa um compromisso coletivo com a inclusão regional, o desenvolvimento sustentável e a valorização de todo o ecossistema da indústria gráfica e da comunicação impressa no Brasil”, conclui Sergio. “Ninguém ficará para trás; juntos, somos mais fortes. Esse é o nosso lema, destacando que a união fará nossa associação mais sólida. A Abigraf Nacional é a casa de todos os segmentos de impressão, das regionais que atuam de norte a sul do Brasil, de homens e mulheres que se dedicam ao mercado gráfico e contribuem para a construção da história de nossa indústria. Com todos trabalhando em prol do mesmo objetivo, tenho certeza de que nos tornaremos ainda mais fortes em nossa missão de promover o desenvolvimento do setor gráfico brasileiro”, finaliza Julião Gaúna. Paulo Stucchi é assessor de comunicação da Abigraf abril/junho 2026 REVISTA ABIGRAF
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RAÍZES Texto: João Scortecci
(Texto escrito em 23 de abril de 2026, data comemorativa do Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor) u sou um livro. Um exemplar raro do romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, do escritor Machado de Assis (Joaquim Maria Machado de Assis, 1839–1908), considerado pela crítica literária o maior escritor da literatura brasileira. Fui impresso no ano de 1881, nas Oficinas da Typographia Nacional, na cidade do Rio de Janeiro. Tenho pouco mais de 142 anos de vida, capa ainda em bom estado, páginas amareladas — efeito do tempo — e corpo revestido de muitas histórias. Uma raridade, em primeira edição, com dedicatória do autor e algumas anotações, que lembram tatuagens. Estou catalogado e ocupo lugar de destaque no acervo da biblioteca de um importante bibliófilo paulistano. Tive sorte! Não sei se vocês sabem: nós, os livros, é que escolhemos nossos amigos, protetores e leitores. Um livro impresso em papel — novo ou antigo — precisa de amor, carinho, atenção e cuidados especiais! Antes de ganhar notoriedade de obra rara, passei um longo tempo morando em um sebo “fuleiro”, jogado, literalmente, aos ratos e às traças. Já sobrevivi a um incêndio, escapei de um vazamento de água na cabeça da lombada, sofri ameaça de descarte e de ser, mortalmente, reciclado. Minha morte — anunciada — seria uma tragédia literária! Um crime! Felizmente escapei do pior. Fui resgatado. Nós, os livros, sofremos ataques e destruição por fanatismo religioso e político, vandalismo, maus tratos, contaminação por fungos e bactérias e por ignorância. Minhas páginas estão amareladas e ásperas: o tempo é cruel. É o desgaste natural causado pelos excessos de exposição a luz, umidade, temperatura inadequada e inimigos predadores, como os homens pobres de espírito, cupins, traças e roedores. Nós, os livros, gostamos de ficar em prateleiras limpas, afastados do contato com as paredes e seguros. Ventilação e limpeza são indispensáveis para a nossa sobrevivência. Não gostamos de calor. Com 22 °C, está perfeito! Temperatura excessiva, acima de 23 °C, faz com que as fibras de celulose percam as suas propriedades essenciais: elasticidade, flexibilidade e resistência. A umidade relativa do ar não deve ultrapassar 60%. Iluminação ambiental de 50 watts é a correta. A luz artificial mais utilizada é a fluorescente. Nunca se deve utilizar luz ultravioleta. Ela nos mata! Nosso “dia mundial” é 23 de abril. É a data escolhida pela Unesco para celebrar o livro, incentivar a 50
REVISTA ABIGRAF abril/junho 2026
leitura, homenagear autores e refletir sobre seus direitos legais. Foi escolhida em tributo aos escritores Miguel de Cervantes, Inca Garcilaso de la Vega e William Shakespeare, que morreram em 23 de abril de 1616. Nosso “dia nacional” é 29 de outubro. Foi escolhido por ser o dia do aniversário da Biblioteca Nacional do Brasil, fundada em 29 de outubro de 1810 por D. João VI. É a maior da América Latina e uma das 10 maiores do mundo. Datas a serem celebradas todos os dias e por todos nós! Não se ama um livro vez por outra e muito menos com lapsos de memória. Nossas almas são eternas e, quando tocadas, contam histórias, fazem versos, ensinam conhecimento e propagam sabedoria através dos tempos. Eu sou um livro: resiliente, renitente e imortal.
João Scortecci Editor, gráfico e livreiro.
scortecci@gmail.com