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Revista ABCZ 130

Page 1

Órgão oficial da

Associação Brasileira dos Criadores de Zebu Diretoria da ABCZ (2026-2028) Presidente: Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges Vice-presidentes: Marco Antônio Andrade Barbosa, Antônio José Prata Carvalho e Ângelo Mário de Souza Prata Tibery Diretoria: Ana Cláudia Mendes de Souza, Arnaldo Prata Filho, Bento Abreu Sodré de Carvalho Mineiro, Carlos Henrique de Mendonça Pereira, Eduardo Penteado Cardoso, Gabriel Garcia Cid, Gilberto Machado Barata de Oliveira, Jorge Antônio Pires de Miranda, José Olavo Borges Mendes Júnior, José Roberto Azzi, Marcio Diniz Júnior, Rodrigo Rezende Simões e Sérgio Junqueira Germano

Conselheiros Consultivos: Acre: Edivan Maciel de Azevedo, Francisco de Salles Ribeiro Valle Filho e Pedro Nogueira Teixeira da Rocha Alagoas: Alexandre Gondim da Rosa Oiticica, Celso Pontes de Miranda Filho e Marcelo Lamenha Loureiro Amapá: Jayme Henrique Ferreira, Pedro Antônio da Rocha Neto e Vinícius Araújo de Souza Reis Amazonas: Francisco Helder de Oliveira Peixoto, Luiz Antônio Teixeira de Figueiredo e Nilton Costa Lins Júnior Bahia: José Delsique de Macedo Borges, Miguel Pinto de Santana Filho e Paulo Roberto Gomes Mesquita Ceará: Antônio André Luciano Pinheiro, Candice Macedo de Araújo Rangel e José Kleber Calou Filho Distrito Federal: Murilo de Oliveira Abdo, Ronaldo Alves de Souza e Valeria Cunha Campos Guimarães Espírito Santo: Beraldo Barcelos Hentzy, Carlos Fernando Fontenelle Dumans e Victor Paulo Silva Miranda Goiás: Heuler Abreu Cruvinel, Luiz Eduardo Branquinho e Silvestre Coelho Filho Maranhão: Naum Roberto Ryfer, Nelson José Nagem Frota e Samir Saldanha Nicolau Mato Grosso: Francis Maris Cruz, Mario Roberto Candia de Figueiredo e Olímpio Risso de Brito Mato Grosso do Sul: Geraldo de Souza Carvalho Neto, Leda Garcia de Souza e Ricardo Goulart Carvalho Filho Minas Gerais: Marcelo Caldeira Teixeira, Ricardo Antônio Vicintin e Ronaldo Andrade Bichuette

Pará: Adalton Pires Rodrigues, Adelino Junqueira Franco Neto e Fausto da Cunha Oliveira Neto Paraíba: Fabiano Churchill Nepomuceno Cesar, Fernando Di Lorenzo Marsicano dos Santos e Paulo Roberto de Miranda Leite Paraná: Abelardo Luiz Lupion de Mello, Celio Arantes Heim e Eduardo Ferreira Baggio Pernambuco: Adilson dos Santos Torreão, Almir Oliveira de Amorin Júnior e Marcelo Alvarez de Lucas Simon Piauí: Emanuel Adrian Cesar Araújo e Silva, João Madison Nogueira e Paulo Rogério Gunyics Paranaguá Rio de Janeiro: Felipe Carneiro Monteiro Picciani, Felipe Gimenes Gonçalves Raunheitti Gomes e Marcos Henrique Pereira Alves Rio Grande do Norte: Camillo Collier Neto, Felipe Matheus Cavalcanti França e Yolando Cocentino Neto Rio Grande do Sul: Alencar Scarpari Pereira, José Aldemir Ribeiro do Amaral e Reci Fernandes Dorneles Rondônia: Adriano Rosalem, Alexandre Martendal e Renato Sebastião Ingracia Roraima: Aluízio Ferreira Vieira, Anedilson Nunes Moreira e João José Costa Silva Santa Catarina: Adelor Martins, José Nazareno Goulart Júnior e Valdecir Bonatto São Paulo: Luiz Antonio Felippe, Marcelo Baptista de Oliveira e Mencius Mendes Abrahão Sergipe: Djenal Tavares Queiroz Neto, Gustavo Rezende de Menezes e Roberto Fontes de Góes Tocantins: Eduardo Gomes, João Carlos Guimarães Giffoni Filho e José Rubens de Carvalho

Conselheiros Fiscais: Efetivos: Alexandre Cavalcanti de Melo Bernardi, Carlos Márcio Guapo, Leila Borges de Araújo, Oscar José Caetano de Castro e Rogério Santos da Silva Suplentes: Claudia Rodrigues da Cunha, Euclides Prata dos Santos Neto, João Machado Prata Neto, José Calmon Tiradentes Cunha e Miriam Oliveira Borges Superintendência Administrativa: Marcia Moreno Campos Superintendência Financeira: Valéria Rodrigues da Cunha Sousa Procuradoria Jurídica: Marco Túlio Nascimento Martins

Conselheiros Editoriais: Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges, Luiz Antonio Josahkian, Marcia Moreno Campos, Marco Túlio Nascimento Martins e Paulo Fernando Borges de Souza Jornalista Responsável: Élcio Fonseca Repórteres: Breno Cordeiro, Kelle Monik e Thaís Ferreira Departamento de Comunicação: (34) 3319-3826 • imprensa@abcz.org.br Departamento Comercial: (34) 3319-3961 • comercial1@abcz.org.br Assinaturas: (34) 3319-3984 • assinatura@abcz.org.br Projeto gráfico, diagramação e produção gráfica: G360 Impressão - CTP: Gráfica 3 Pinti Tiragem: 8.500 exemplares

A Revista ABCZ está de cara nova! Nesta edição de número 130 da Revista ABCZ, lançamos o novo projeto gráfico deste periódico. Fundada em 1979, a Revista ABCZ é destinada a associados, pecuaristas, profissionais do setor e agentes da cadeia da carne e do leite, e figura entre as publicações ativas mais longevas do país em sua categoria. Com projeto assinado pela G360, apresentamos um visual mais dinâmico, moderno e minimalista, possibilitando uma leitura mais leve, clara e envolvente. O design é atrativo e funcional, sem perder a qualidade do conteúdo que você já conhece, e preserva a identidade visual da ABCZ, que traduz a personalidade e a essência da instituição para o público. Boa experiência a todos!

A Revista ABCZ é uma publicação quadrimestral da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, com distribuição gratuita para associados da ABCZ.

Élcio Fonseca Jornalista Responsável

ISSN 2674-8770 Associação Brasileira dos Criadores de Zebu – ABCZ Praça Vicentino Rodrigues da Cunha, 110 • Bloco 1 • Cx. Postal 6001 CEP.: 38022-330 • Uberaba (MG) • Tel.: (34) 3319 3900 • Fax: (34) 3319 3838

www.abcz.org.br

3


PALAVRA DO PRESIDENTE

Caro(a) leitor(a),

O

potencial de crescimento das raças zebuínas não para de impressionar o Brasil e o mundo. Essa é, talvez, a principal conclusão que nós, da ABCZ, encontramos ao finalizar a 19ª edição da ExpoGenética. O tema deste ano não foi escolhido por acaso: ‘Genética. Fenótipo. Avaliação. O caminho mais forte para o melhoramento’ é uma máxima que representa com clareza o propósito e o caráter desse evento. A ExpoGenética surpreende com o rigor científico das suas apresentações, a solidez robusta do banco de dados do PMGZ, a qualidade dos jovens reprodutores selecionados no PNAT, a pujança dos jovens e das mulheres na pecuária, representados aqui com maestria pela ABCZ Jovem e ABCZ Mulher, a preservação da memória e o olhar para o futuro proporcionados pelo Museu do Zebu, e muito mais.

4

No entanto, é na ciência aplicada ao campo e no trabalho diário dos nossos técnicos de registro que a ExpoGenética baseia de forma mais direta a sua identidade: todo o trabalho que a ABCZ exerce é dedicado ao melhoramento genético em prol da produção de carne e leite com cada vez mais qualidade e de forma sustentável; é esse conceito que atravessa mais de um século na evolução do Zebu brasileiro e mundial. É o resultado desse trabalho e de muitas outras novidades que você encontra nas páginas a seguir. Excelente leitura!

ARNALDO MANUEL DE SOUZA MACHADO BORGES Presidente da ABCZ Gestão 2026-2028


ÍNDICE ESPECIAL

INTERNACIONAL O papel estratégico da atuação global da ABCZ

28

RAÇA BORAN O novo ramo da árvore genealógica do Zebu

40

14

ESPECIAL EXPOGENÉTICA Genética. Fenótipo. Avaliação

VEM AÍ 4ª EXPOLEITE O Z da questão

PMGZ RESPONDE O DNA do programa de melhoramento da ABCZ

86

20 ANOS DE PRÓ-GENÉTICA O melhoramento genético é para todos

96

50

CURSO DE JULGAMENTO A maior edição da década

FAZU O melhor ensino do agro está aqui

120

116 100

ESPECIAL

MERCADO O bom momento da pecuária brasileira

20

ESPECIAL RAÇAS Os últimos destaques da família Zebu ARTIGOS

24

Thiago Bernardino de Carvalho

82

38

Fernando F. Cardoso e Zilah M. G. Cheuiche

90

Arthur A. Silva, Juliana J. Paschoal e Santiago Del Cueto Guilherme J. M. Rosa

44

Rodrigo Junqueira Pereira

99

Luiz Antonio Josahkian

5


NOVOS ASSOCIADOS

Sejam BEM-VINDOS à maior família zebuína do mundo

ASSOCIADOS REMIDOS

6

CIDADE - UF

CÓDIGO

ANDRE SETTE DA ROCHA

ANÁPOLIS - GO

26363

ANTONIO MORAES DE ALMEIDA SAMPAIO

RIBEIRÃO PRETO - SP

26364

BERNARDO BENJAMIN ALMEIDA RAMOS

VITÓRIA DA CONQUISTA - BA

26365

EDER ANTONIO BIZINOTO

UBERABA - MG

26366

EDER DE FREITAS LIMA

MEDICILANDIA - PA

26367

ERIVAN CORDEIRO GALVAO

PORTEIRINHA - MG

26368

FABIANO GOMES BERNARDES E OUT/COND

CAMPO GRANDE - MS

26369

GEDESMAR PEREIRA BATISTA

PEIXE - TO

26370

GILFRED CANUTO PEREIRA

SÃO JOSE DO RIO PRETO - TO

26371

GILSON ARAUJO DE BARROS

CORUMBÁ - MS

26372

HENRIQUE CELESTINO SILVA ARAUJO

PITANGA - MG

26373

HERCILIO RAIMUNDO DOS ANJOS LIMA

UBÁ - MG

26374

JBJ AGROPECUARIA LTDA

GOIÂNIA - GO

26375

JOAO MARIA BERQUO FILHO

GOIAS - GO

26376

JOAO PAULO COTTA BUENO

ALVINOPOLIS - MG

26377

JOSE AFONSO SALLET

SÃO PAULO - SP

26378

JOSE ANGELO DE MAGALHAES

BRAS PIRES - MG

26379

LAZARO SEBASTIAO SANTIAGO MENDES NETO

ITACOATIARA - AM

26380

LUSTROSA LTDA

EUNÁPOLIS - BA

26381

MAIA FRANCO SERVICOS ADMINISTRATIVOS LTDA

ITAPAGIPE - MG

26382

MIGUEL DOS REIS

AVARE - SP

26383

NEIRIVALDA DE FATIMA FERNANDES SILVA

UBERABA - MG

26384

PEDRO LUIZ TAGLIARI

SÃO PAULO - SP

26385

RENATO JOSE DA COSTA

SÃO PATRICIO - GO

26386

SILVIO CELSO DE LIRA PESSOA

ARAPIRACA - AL

26387

TAIRONE REZENDE ROBADEL

ESPERA FELIZ - MG

26388

VIRGILIO MENDES FERRAZ NETO

VITORIA DA CONQUISTA - BA

26389

VITOR MANUEL PEREIRA ECA E OUTRO CONDOMINIO

RIO DE JANEIRO - RJ

26390

WANDERSON DE SOUZA TEIXEIRA

INHAUMA - MG

26391

AGROPECUARIA SANTA TERESA

MACEIO - AL

26397

FREDERICO ALVES DE CARVALHO

DIVINOPOLIS - MG

26398

FRANCISCO ELDO BESERRA MARQUES

MOMBAÇA - CE

26399

SOPHIA MACIEL PEREIRA

BRASILIA - DF

26400

LUDMILLA MAGALHAES CARNEIRO

PORTO NACIONAL - TO

26401

JORGE SACARDO NETO

GOIANIA - GO

26402

MARCO TULIO BRAGA PEREIRA

CAPINOLIS - MG

26403

RICARDO VASCONCELOS SILVA

ARACAJU - SE

26404

PAULO CESAR PEREIRA

PATOS DE MINAS - MG

26405

ABINER MOREIRA SOARES

UBERLANDIA - MG

26406


NOVOS ASSOCIADOS

Sejam BEM-VINDOS à maior família zebuína do mundo

ASSOCIADOS REMIDOS

CIDADE - UF

CÓDIGO

5G AGROPECUARIA LTDA

TRINDADE - MG

26407

ALMIR HELIO GARCIA

SANTO AMARO DA IMPERATRIZ - SC

26408

ANDREIA VILELA REIS

CURVELO - MG

26409

BRUNO CHAIBUB DE ARAUJO

ANÁPOLIS - GO

26410

CONST.E DRAGAGEM PARAOPEBA LTDA

CONTAGEM - MG

26411

EDIVALDO PEREIRA DA MOTTA VERONESE

MUTUM - MG

26412

EDUARDO JOSE DE OLIVEIRA LINS

SÃO JOAQUIM DO MONTE - PE

26413

EFRAIM DE ALMEIDA AMORIM

MEDICILÂNDIA - PA

26414

ELIZELTON OLIVEIRA XAVIER

OSASCO - SP

26415

EUNICE IBIAPINA ALVARENGA FILHA

CAMPO MAIOR - PI

26416

FLAVIO CAIXETA NUNES

PATOS DE MINAS - MG

26417

FRANCISCO VALADARES GOMES SILVA

IPATINGA - MG

26418

FRANCIVALDO DIOGENES GLORIA

PONTE ALTA DO TOCANTINS - TO

26419

JOAO SALGADO GUIMARAES NETO

OLIVEIRA - MG

26420

JOSE ARAUJO NETO

RECIFE - PE

26421

JOSE EULALIO BRANDAO FILHO

RIO VERDE - GO

26422

MARINA MARIA CUSTODIO BARROS

UBERABA - MG

26423

PEDRO AFONSO ALMEIDA DE SALLES JUNIOR

BAGÉ - RS

26424

RODRIGO DA SILVA FAIAS

ALPHAVILLE - SP

26425

SILVIO EDUARDO BURANI

NAVIRAÍ - MS

26426

TRAIA NELORE LTDA

ARUJÁ - SP

26427

VALE VERMELHO ALIMENTOS LTDA

PIRANHAS - GO

26428

VERA MORANDI TOTTENE

LONDRINA - PR

26429

WALLACE PONCIANO FRONTELMO RANGEL

ITAPERUNA - RJ

26430

AGROPECUARIA RIACHO FUNDO LTDA

BRASÍLIA - DF

26438

ALAN ROBERTO BISCASSI

JUNDIAÍ - SP

26439

ANDRE LUIZ ANDRADE SOUZA

LUIS EDUARDO MAGALHAES - BA

26440

ARROCHA O NO AGROPECUARIA LTDA

TERESINA-PI

26441

AUGUSTO LEAO GUIMARAES

RIO VERDE - GO

26442

CARLOS VANDEILSON DE SOUSA E SILVA

TABIRA - PE

26443

CELSO LOPES CARDOSO

TUCUMÃ - PA

26444

DOMINGOS GOMES DE AGUIAR NETO

FORTALEZA - CE

26445

ELIFAS PANCOTO

CASTELO - ES

26446

JAIR FERNANDES DA SILVA

APARECIDA DE GOIÂNIA - GO

26447

JOHN ALEC DE SOUZA MELDRUM

RECIFE - PE

26448

JOHN KUDIESS

POSSE - GO

26449

JORGE DE AGUIAR PINTO

NOVA FRIBURGO - RJ

26450

JOSE ADIL VIEIRA JUNIOR

QUIXELO - CE

26451

JOSE WILLIAM BONFIM DA SILVA

CRISTALÂNDIA DO PIAUÍ - PI

26452

7


NOVOS ASSOCIADOS

Sejam BEM-VINDOS à maior família zebuína do mundo

ASSOCIADOS REMIDOS

8

CIDADE - UF

CÓDIGO

JULIETA MAGALHAES DE MORAES

MANAUS - AM

26453

MAIKON DOS SANTOS SILVEIRA E OUTRO/COND

NOVA PONTE - MG

26454

MARCOS MARTINS GONZALEZ

CATANDUVA - SP

26455

MARIA FERNANDA MACHADO LABOISSIERE

BRASÍLIA - DF

26456

MAURICIO RIBEIRO CORDEIRO

REDENÇÃO - PA

26457

PAULO DE CARVALHO B. ALVARES E OUTRO/COND

POMPÉU - MG

26458

ROBERTO LUIS KUNZ SAUSEN E OUTRO CONDOMINIO

PARANAGUÁ -PR

26459

RODRIGO DIAS PAULINO

GENERAL SALGADO - SP

26460

RODRIGO PIRES GUIMARAES

CAXAMBU - MG

26461

SAUL BORGES CARNAVALI

UBERABA - MG

26462

VICENTE DE PAULO SANTOS SAMPAIO

TERESINA - PI

26463

VICENTE PAULA PIMENTA

ANICUNS - GO

26464

VITOR OLIVEIRA DE SIQUEIRA

AURIFLAMA - SP

26465

WAGNER ANTIBERO

JUNDIAÍ - SP

26466

WALDIR LUCAS SILVA SANTOS DE ASSIS

ACAILANDIA - MA

26467

WILLIAMS DE SOUSA PAULA

GURUPI - TO

26468

WILLIAN MIRANDA RABELO

FORMOSO DO ARAGUAIA - TO

26469

WILSON MOREIRA MARIANO E OUTROS COND

TRÊS LAGOAS - MG

26470

AGRO PECUARIA SÃO JOSE LTDA

PARMOPOLIA-SE

26477

ALUISIO PIANTINO DE MELO LEMOS

PASSOS - MG

26478

ANDRE DE QUEIROZ LEITE DALES

NATAL - RN

26479

BONANZA INDUSTRIAL E AGRICOLA LTDA

CACHOEIRA - BA

26480

BRUNO MARQUES D ABREU CORDEIRO

ARRAIAS -TO

26481

CHRISTIAN LEANDRO RUBIANO ARANA

UBERABA-MG

26482

CLAUDINEI FLORENTINO

CAROEBE - RR

26483

CLAUDIO SALDANHA CARNEIRO

COLNIZA - MT

26484

DANIELLE FERREIRA RESENDE E OUTROS COND

SACRAMENTO - MG

26485

DAVID MARCOS VARELLA

CAMPO GRANDE - MS

26486

DIANE PINHEIRO DE LIMA

TANABI-SP

26487

DIOGO MATEUS COSTA

LAGAMAR-MG

26488

DJEAN JOSE SANTANA SANTOS

CAMPO FORMOSO-BA

26489

DOUGLAS BISPO CARVALHO

NOVO REPARTAMENTO - PA

26490

DUMET FERNANDES PATRIMONIAL LTDA

SALVADOR - BA

26491

EDUARDO LUIZ CARNEIRO LEAO DE ANDRADE LIMA

RECIFE - PE

26492

EDUARDO TUDE DE MELO

BEZERROS-PE

26493

ENOS DUANE MILLER

CASTELO - ES

26494

FABRICIO MOTA CAMARGO

RIO VERDE - GO

26495

FAUSTO DA COSTA JUNIOR

MUTUM - MG

26496

GABRIEL MELO DE JESUS

ESTANCIA-SE

26497


NOVOS ASSOCIADOS

Sejam BEM-VINDOS à maior família zebuína do mundo

ASSOCIADOS REMIDOS

CIDADE - UF

CÓDIGO

GERALDO RAFAEL DA SILVA JUNIOR

UNAI-MG

26498

HEITOR JALLES GUIMARAES

CAPETINGA - MG

26499

JAIRO FARIA VILELA E OUTRO CONDOMINO

CAIAPÔNIA - GO

26500

JOAO JOSE CAMPOS

LUZ - MG

26501

JOAO PAULO DE SOUZA E SILVA

AMAJARI - RR

26502

JOSE HELDER MAXIMO DE CARVALHO

VÁRZEA ALEGRE - CE

26503

JOSE WILSON DOS SANTOS

PARIPIRANGA - BA

26504

LUIZ CARLOS ZAMPIER

PITANGA - PR

26505

MARCIO ANDRADE MOREIRA

LONDRINA - PR

26506

MARCOS ANTONIO DA SILVA

SANTA FÉ DO SUL - SP

26507

MAYCON MARTINS DA ROSA

TUBARÃO - SC

26508

NELORE YASMIN LTDA

CENTRO NOVO DO MARANHAO-MA

26509

OB GENETICA E PECUARIA LTDA

SÃO PAULO - SP

26510

OZELIOSMAR FERREIRA ESTEVAM

BOM JESUS DE GOIAS - GO

26511

PLINIO EDUARDO BOMBARDA

SALTO DO CEU-MT

26512

RAFAEL MENDES DE ARAUJO

APARECIDA DO RIO NEGRO-TO

26513

REGINALDO MIRANDA DA SILVA

REGENERAÇÃO-PI

26514

RODRIGO ANDRADE VALADARES GONTIJO

INHAUMA - MG

26515

TEMA DA GEO AGROPECUARIA LTDA

JEQUITAI-MG

26516

VICTOR COSTA RABELO DE MORAES

MONTE CARMELO - MG

26517

WENDEL ROGERIO DA SILVA TADEI

MARABÁ - PA

26518

WILLIAM FERNANDES BERNARDO

VILA VELHA - ES

26519

TRANSFERÊNCIAS

CIDADE - UF

CÓDIGO

DE: ANDRE NAVARRO MESQUITA

NATAL – RN

21911

PARA: ERICO ALAN SILVA BEZERRA

TANGARA - RN

26395

DE: FRANCISCO MEDEIROS

GOIÂNIA - GO

12002

PARA: GILMAR CASTILHO BATISTA DOS SANTOS

GOIÂNIA - GO

26394

DE: MARIA LUCIA DE OLIVEIRA REZENDE

UBERABA – MG

12245

PARA: LIENE REZENDE CRUZ

UBERABA - MG

26393

DE: APIL AGROPEC. LTDA

BAURU - SP

12257

PARA: PEDRO RASI CARVALHO E OUTRO CONDOMINIO

BAURU - SP

26392

DE: ORLANDO DE PAIVA ALMEIDA

LINHARES – ES

3622

PARA: ANTONIO FREIRE DE PAIVA ALMEIDA

LINHARES - ES

26396

DE: COND. FAZ. ÁGUA FRIA

MOZARLANDIA – GO

7542

PARA: AGROPECUARIA FAZENDA ÁGUA FRIA LTDA

MOZARLANDIA - GO

26431

DE: LEONARDO CAMARGOS NUNES TAVARES

ESMERALDAS – MG

18301

PARA: DIMITRI TOLEDO MOREIRA

BELO HORIZONTE – MG

26432

DE: ITAMAR MOREIRA DE MELO

PALMAS – TO

23376

PARA: FLAVIO CORREA SILVA

MIRANORTE - TO

26433

9


NOVOS ASSOCIADOS

Sejam BEM-VINDOS à maior família zebuína do mundo

TRANSFERÊNCIAS

10

CIDADE - UF

CÓDIGO

DE: JOAO RIBEIRO FILHO

JARDIM INDUBERABA - MG

8319

PARA: IVANDIR SEBASTIAO RIBEIRO

UBERABA - MG

26434

DE: JOÃO BATISTA LENZA

UBERABA – MG

2670

PARA: JOÃO BATISTA LENZA FILHO

ÁGUAS CLARAS - DF

26435

DE: REPRESENTACOES TELECENTER LTDA

BELO HORIZONTE – MG

24358

PARA: LUIS HENRIQUE DE OLIVEIRA RESENDE

BELO HORIZONTE - MG

26436

DE: FRANCISCO JOSE CARVALHO NETO

CAMPO GRANDE - MS

6069

PARA: RUBENS DE ANDRADE C. NETO E OUTRO/COND

CAMPO GRANDE - MS

26437

DE: GLAUCIA BARBOSA DE OLIVEIRA ANDRADE

NANUQUE – MG

22775

PARA: VIRGILIO BARBOSA DE ANDRADE

NANUQUE - MG

26471

DE: DORIVAL LUIZ CICCI

UBERABA – MG

366

PARA: OSWALDO CUNHA CICCI

UBERABA - MG

26472

DE: WALDIR NILO PASSOS FILHO

NITERÓI – RJ

16026

PARA: CAMILLA SILVA FIALHO PASSOS

NITERÓI - RJ

26473

DE: JOÃO DO CARMELO XAVIER JUNIOR

GOIÂNIA – GO

23141

PARA: ALEXANDRE ANDRADE ABREU

GOIÂNIA – GO

26474

DE: HAILE SELASSIE DE GOIAS PINHEIRO

GOIÂNIA – GO

9664

PARA: AGROPECUARIA HP LTDA

GOIÂNIA - GO

26475

DE: CELIO BATISTA MARTINS FILHO

UMUARAMA – PR

19919

PARA: AGROPECUARIA EXPOR FARM LTDA

UMUARAMA - PR

26476

DE: ABSOLON PEDROSA BEZERRA

BODOCÓ – PE

18737

PARA: ABSOLON PEDROSA BEZERRA JUNIOR

BODOCÓ - PE

26520

DE: JOÃO LUIZ DO VALE

UBERLÂNDIA - MG

692

PARA: ARNALDO MACHADO BORGES DO VALE

UBERLÂNDIA - MG

26521

DE: JOELSON DE CASTRO MENEZES

BELO HORIZONTE – MG

19009

PARA: AUGUSTO RAPOSO SILVA DE OLIVEIRA

ABAETÉ - MG

26522

DE: CLAYTON DA SILVA SANTOS

AMARANTE DO MARANHAO – MA

26305

PARA: BIANCA MAGALHAES DA SILVA SANTOS

AMARANTE DO MARANHAO - MA

26523

DE: SHIRO NISHIMURA -

RONDONOPOLIS – MT

12485

PARA: ELISA CAMARGO NISHIMURA AGUIAR

RONDONOPOLIS - MT

26524

DE: ARNALDO ROSA PRATA

UBERABA – MG

213

PARA: FLORENÇA CUNHA PRATA CORRÊA

UBERABA - MG

26525

DE: VALCI JOSE FERREIRA DE SOUZA

PRESIDENTE KENNEDY – ES

17849

PARA: JOAO GUILHERME SOUZA SAID

PRESIDENTE KENNEDY – ES

26526

DE: LUCCA GIULLIANO MARCATTI

VIRGINÓPOLIS-MG

25223

PARA: JOAO PAULO NUNES BASTOS

MARLIERIA-MG

26527

DE: CARLA ORTEGA AMAD BETORAZZO

CAMPO GRANDE – MS

21181

PARA: LPA EMPREENDIMENTOS LTDA

CAMPO GRANDE - MS

26528


NOVOS ASSOCIADOS

Sejam BEM-VINDOS à maior família zebuína do mundo

CONTRIBUINTES

CIDADE - UF

CÓDIGO

MARCOS VINICIUS MATIAS DE MELO E OUTROS COND. DORIVAL MOURAO FILHO E OUTRO CONDOMINIO

BELO HORIZONTE - MG

2043

FRANCA - SP

2044

FABIO FELIPPE PALAZZI

PARANAVAI - PR

2045

HUGO MIRANDA DA SILVA BARROSO

COLINAS - MA

2046

CARLINDO CAPRINI NETO

EUNÁPOLIS - BA

2047

JANIO CUNHA DO VAL

TERESINA - PI

2048

MAURICIO TAVARES DE CASTRO FILHO

VOLTA GRANDE - MG

2049

THIAGO JOSE DA SILVA MELO

GUARANHUNS - PE

2050

WELINGTON VARGAS ZILIOTTO

UMUARAMA - PA

2051

MIGUEL ROSILDO MACHADO DA SILVA

NOVA TEBAS - PR

2052

AILTON PORTO VIANA

UBERLÂNDIA - MG

2053

AUGUSTINHO PASSAURA

CURITIBA - PR

2054

JEAN CARLOS WEBER

ANGELICA - MS

2055

LEONARDO SAAD COSTA E OUTRO CONDOMINO

CAMPO GRANDE - MS

2056

MARCOS JOSE DE AMORIM E OUTROS CONDOMINOS

MATELÂNDIA - PR

2057

PAULO HOLANDA PINTO FILHO E OUTRO CONDOMINO

QUIXADA - CE

2058

PEDRO APPENDINO NETO

AURIFLAMA - SP

2059

EXCLUSÃO DE ASSOCIADOS - CONTRIBUINTES

CIDADE - UF

CÓDIGO

CONST.E DRAGAGEM PARAOPEBA LTDA DARIZON ALVES DE ANDRADE

CONTAGEM - MG

1067

UBERLANDIA - MG

1858

ARNALDO DE LUCCA JUNIOR

OURINHOS - SP

2034

FABIANO GOMES BERNARDES E OUT/COND

CAMPO GRANDE - MS

1961

JOSE CLAUDIO FALCAO NOBRE

FORTALEZA - CE

1980

ALVARO JOAO DE SOUZA

VOTUPORANGA - SP

1295

JOAO SALGADO GUIMARAES NETO

OLIVEIRA - MG

1990

MARCIO PALMA LEAL

CORDEIRO - RJ

1604

11


CDT 2026-2028

Conselho Deliberativo Técnico inicia gestão com propostas para modernizar o Registro Genealógico Kelle Monik Fotos: ABCZ

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Conselho Deliberativo Técnico (CDT) da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) iniciou de forma oficial os trabalhos do novo colegiado com o debate de um projeto há muito tempo aguardado: a autorização para que o Certificado de Registro Genealógico Definitivo, o RGD, também possa ser emitido em formato digital pelo próprio criador. A emissão digital do RGD amplia um processo iniciado anteriormente com o Registro Genealógico de Nascimento (RGN), em que o produtor deixa de depender exclusivamente da emissão física do certificado para realizar procedimentos que exigem a apresentação do documento. A mudança também acompanha a transformação digital promovida pela ABCZ nos últimos anos. Além de simplificar etapas administrativas, a emissão eletrônica deve acelerar operações como a compra e venda de animais e participação em eventos. “Não há por que não usarmos a tecnologia a nosso favor. Já faz

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CDT 2026-2028

três anos que o RGN pode ser emitido pelos criadores do conforto de seu escritório ou de sua casa de forma ágil, segura e sustentável. A partir de agora, os registros definitivos também estarão plenamente disponíveis no momento seguinte em que um animal o receber. Operações antes impossíveis, tais como registro e embarque, passarão a ser rotina nas fazendas”, analisa o superintendente Técnico da ABCZ, Luiz Antonio Josahkian, conselheiro nato do colegiado. O CDT avançou ainda em outras propostas para o aprimoramento do serviço técnico: a inclusão da raça Boran no escopo do Registro Genealógico conduzido pela casa, a ampliação do prazo para concessão de apelidos a animais já registrados definitivamente, a redução da amostragem de fazendas auditadas em cada ciclo de inspeção (de 2% para 1%) e a dispensa da marcação física em animais importados que já possuam registro nacional. Todas as medidas seguem para avaliação e homologação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Ainda na primeira reunião deste ano, os membros elegeram o médico-veterinário Célio Arantes Heim para presidir o Conselho Deliberativo Técnico nesta gestão. Com trajetória consolidada como inspetor de registro e jurado de reconhecimento nacional e internacional, Heim, agora, conduzirá o triênio 2026/2028.

O QUE É O CDT? Todas as normas que guiam o Serviço de Registro Genealógico das Raças Zebuínas passa pela análise do Conselho Deliberativo Técnico (CDT). Integrado por representantes das associações promocionais, técnicos, criadores e conselheiros natos, o colegiado reúne experiências diferentes para discutir propostas relacionadas ao regulamento do Registro, aos padrões raciais e aos principais temas técnicos ligados ao Zebu. O presidente da ABCZ, Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges, destaca a importância da composição do Conselho, “com técnicos e criadores que emprestam sua experiência em prol das raças”. O CDT integra a estrutura do Serviço de Registro Genealógico das Raças Zebuínas (SRGRZ), executado pela ABCZ por delegação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). As deliberações do Conselho subsidiam a atualização permanente do sistema, acompanhando as necessidades dos criadores e do interesse público. As propostas aprovadas são encaminhadas ao Ministério da Agricultura e Pecuária para homologação antes de entrarem em vigor.

Primeira fêmea registrada da raça Nelore Mocho na ABCZ; vaca Simpatia OB; família de Ovídio Miranda Brito

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RAÇA BORAN ARTIGO

O novo ramo da árvore genealógica do Zebu Após o nascimento dos primeiros exemplares brasileiros, raça africana deve se tornar a mais nova integrante da família ABCZ Breno Cordeiro

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uando novas histórias se unem às antigas, uma família cresce. Na pecuária zebuína brasileira, essa árvore genealógica poderá ganhar, em breve, um novo ramo. Originária da África e reconhecida por sua rusticidade, fertilidade, precocidade e adaptação aos sistemas de produção em clima tropical, a raça Boran caminha para integrar o conjunto de raças contempladas pelo registro genealógico conduzido pela ABCZ, ampliando ainda mais a diversidade genética da pecuária nacional que fez do Brasil um polo mundial de tecnologia e produtividade. Representantes da ABCZ e da Associação Brasileira dos Criadores de Boran (ABCBoran) se encontraram para discutir os últimos passos do processo, iniciado a partir de uma solicitação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A reunião contou com a presença do presidente da ABCZ, Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges, o presidente do Conselho Deliberativo Técnico (CDT) da entidade, Célio Arantes Heim, o superintendente técnico, Luiz Antonio Josahkian, e os integrantes da equipe técnica da ABCZ, Carlos Eduardo Nassif, André Borges e José Eduardo dos Anjos, além do presidente da ABCBoran, André Rodini, criadores e consultores da raça. Enquanto a maioria das raças zebuínas que formam a base da pecuária

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RAÇA ARTIGO BORAN

O Boran tem

potencial para contribuir com a pecuária nacional, por ampliar as possibilidades de heterose entre as raças brasileira tem suas raízes na Índia, o Boran acrescenta à família uma linhagem africana igualmente moldada por ambientes desafiadores. A raça desenvolveu atributos valorizados na bovinocultura moderna, reunindo características necessárias para a proliferação dos animais nos trópicos, assim como acontece com as raças já registradas pela ABCZ. Os primeiros animais Boran nasceram recentemente em território brasileiro, marcando o início de uma nova etapa para os criadores que apostam no potencial da raça. “O registro genealógico é o alicerce para a instalação e evolução de qualquer raça no Brasil. Unindo forças à ABCBoran, estamos trabalhando para que esta raça cresça e contribua para o desenvolvimento da nossa pecuária”, aponta Arnaldo Manuel. Para André Rodini, a aproximação com a ABCZ representa um momento importante para o desenvolvimento da raça no país. “O Boran é a última grande raça zebuína comercial a chegar ao Brasil. Ela vem para complementar a pecuária nacional, somando carac-

zebuínas

terísticas importantes e um bom potencial produtivo. É uma honra participar desse momento ao lado da maior associação de criadores de bovinos do mundo”, comemora. O consultor de melhoramento genético da ABCBoran, Guilherme Costa, destaca que a reunião permitiu avançar nas discussões técnicas relacionadas ao futuro da raça no Brasil. “Tratamos de temas como o padrão racial e os procedimentos que deverão ser adotados. O Boran tem potencial para contribuir com a pecuária nacional, especialmente por ampliar as possibilidades de heterose entre as raças zebuínas.” Entre os pioneiros da introdução da raça no Brasil, está o criador Godofredo Gonçalves Filho, de Formosa (GO), responsável pela importação do material genético que deu origem aos primeiros nascimentos em solo brasileiro.

“Os primeiros exemplares nasceram há pouco tempo e temos muito orgulho de fazer parte desse processo. A estrutura e a capacidade técnica da ABCZ serão fundamentais para fortalecer e difundir a raça no país”, conta.

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RAÇA BORAN

Outro entusiasta da nova genética é Guilherme Gervásio. Depois de duas décadas dedicadas à seleção da raça Nelore e dez anos trabalhando com a raça Sindi, o criador decidiu investir no Boran, motivado pelas perspectivas produtivas que a raça oferece.

“É uma raça antiga e já consolidada na África, que 15 anos atrás veio para o Paraguai, de onde viemos e trouxemos os melhores exemplares. Com a capacidade e alcance da ABCZ, estamos confiantes que o Boran conquistará bastante amplitude no território nacional”, afirma.

A Boran se

aproxima de

escrever seu nome na história do registro genealógico brasileiro

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RAÇA BORAN

O momento

representa a

ampliação de um Os avanços também passam pelo trabalho técnico conduzido pela ABCZ. Segundo o superintendente técnico da entidade, Luiz Antonio Josahkian, a inclusão da raça já foi analisada pelo Conselho Deliberativo Técnico (CDT), que condicionou sua aprovação à definição de um padrão racial, etapa essencial para o registro genealógico. “Essa tarefa ficou sob a coordenação do presidente do CDT, Célio Arantes Heim, que criou uma comissão técnica da qual participam, além do próprio, os técnicos Carlos Eduardo Nassif, André Borges, Otávio Vilas Boas, Horácio Alves, José Eduardo dos Anjos, Lauro Fraga Almeida e eu. O padrão racial proposto pela comissão foi validado nesta reunião e nos permite seguir para as últimas etapas”, explica Josahkian. Com a continuidade dos trabalhos entre ABCZ, ABCBoran e Mapa, o Boran se aproxima de escrever seu nome na história do registro genealógico brasileiro. O momento representa a ampliação de um patrimônio genético construído ao longo de décadas e que faz do Zebu um protagonista

da pecuária mundial, conectando continentes, adaptando-se a diferentes realidades produtivas e fortalecendo, geração após geração, a bovinocultura nacional. O processo de inclusão da raça, já apresentado pela superintendência técnica da ABCZ, aguarda aprovação final do Mapa. 

patrimônio genético construído ao longo de décadas

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MERCADO

A alta

chegou aos leilões

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MERCADO

KeLLe MoniK

N

o dia 10 de agosto, em Londrina (PR), o primeiro leilão da temporada 2026 da ExpoGenética fechou o pregão em R$1 milhão, 519 mil e 500. No topo do tatersal, um animal da Guadalupe Agropecuária foi vendido por quase R$280 mil. O resultado do primeiro remate já mostrava um momento particular da pecuária brasileira. A arroba do boi gordo está valorizada, os preços dos animais acompanham esse movimento e a genética passou a ocupar uma posição ainda mais estratégica na conta. Para a especialista em inteligência em agromercados, Lygia Pimentel, o momento atual, no entanto, não deve ser classificado simplesmente como uma fase de alta. “Não consideramos que estamos em um ciclo de

alta da pecuária. Na verdade, são três fases: uma de alta, uma de estabilidade e depois uma de baixa. O que acontece é que a gente só considera fase de alta de ciclo quando tem redução dos abates”, explica. O que o mercado registrou até aqui foi justamente o contrário. O Brasil alcançou níveis recordes de produção de carne, impulsionados também pela forte participação de fêmeas nos abates. Ao mesmo tempo, as exportações avançaram a números igualmente elevados. “Foi recorde de produção de carne, com muita participação de fêmeas. Essa produção muito alta também veio acompanhada de uma exportação muito alta. Então, mesmo com produção de carne recorde, nós tivemos uma queda da disponibilidade interna de carne como resultado de exportações muito fortes”, afirma Lygia. É essa combinação que ajuda a explicar a valorização

O Brasil alcançou níveis

recordes de produção de

carne, impulsionados também pela forte participação de fêmeas nos abates

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MERCADO

do boi gordo. A oferta interna não cresceu na mesma proporção da produção porque uma parcela significativa da carne produzida encontrou espaço no mercado externo. “O que ajudou a segurar os preços e valorizou o boi gordo, mesmo diante de uma produção recorde e de uma fase de baixa de ciclo pecuário, foram as exportações. Isso é inédito na história da pecuária brasileira”, destaca a especialista. O cenário começa a mudar agora pela outra ponta: a oferta de animais. Depois de um período de abates elevados e forte descarte de fêmeas, o movimento de retenção começa a aparecer, mas ainda não configura uma retenção clássica de matrizes. “A gente ainda mantém um nível historicamente alto de fêmeas nos abates, apesar de essas fêmeas começarem a diminuir. Ainda não é uma retenção efetiva, como a gente costuma ver historicamente”, explica Lygia. A mudança, segundo ela, tende

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““

O mercado de

reprodução, de reposição, fica mais animado quando o produtor sente no caixa o dinheiro entrar

Para 2026, a Conab estima produção de 11,3 milhões de toneladas de carne bovina, 5,3% abaixo do volume registrado em 2025 e, ainda assim, será o segundo maior resultado da série histórica. É nesse ambiente que a genética ganha peso na decisão do produtor. O VALOR DO REPRODUTOR

a acontecer gradualmente, com a redução da participação das fêmeas sendo compensada pelo maior peso dos machos. Por isso, a produção de carne ainda deve permanecer elevada. “A fêmea é mais leve do que o macho. Então, a gente tem nessa mudança de mix, uma manutenção da produção ainda em alta, porque uma saída das fêmeas é compensada pelo maior peso dos machos. Talvez a gente tenha uma produção estável agora em 2026, ou até uma leve alta ou uma leve baixa, bem ali no limite.”

Arroba valorizada, reposição mais cara. Se o boi gordo melhora a receita da atividade, o custo para recompor o rebanho também aumenta. “O mercado de reprodução, de reposição, fica mais animado quando o produtor sente no caixa o dinheiro entrar. Um caixa mais oxigenado acontece quando a gente começa a reduzir a produção, sentir falta da oferta e, por fim, vê o boi gordo de fato se valorizando. Isso já está acontecendo desde 2024. Já deixamos aqueles R$9 o quilo para trás; estamos falando de R$16, R$17 o quilo.” A escolha do reprodutor passa


MERCADO preço é resultado de uma combinação entre dados, funcionalidade, genética e expectativa de retorno. “São vários fatores que fazem um animal muito mais caro, mas, resumidamente, é aquele touro que todo mundo quer.”

Foto: JMMatos

a ser uma decisão ainda mais estratégica. “Um reprodutor é o item mais importante da cadeia reprodutiva. Se você tem um touro de R$280 mil, R$300 mil ou até R$1 milhão, ele vai te dar uma melhoria. Não só você, criador, que já terá uma rentabilidade com o rebanho de cria, mas ele também pode ir para uma central e pulverizar essa genética em grande escala”, afirma Ângelo Tibery, diretor de Leilões da ABCZ. O investimento em animais de genética superior, como o touro da Guadalupe Agropecuária comercializado por quase R$280 mil no primeiro leilão da ExpoGenética, está diretamente relacionado à capacidade desses animais de produzir impacto sobre o rebanho. E, para Tibery, esse impacto começa pela segurança das avaliações. “A ExpoGenética é voltada a animais de alta confiabilidade, extremamente bem avaliados, extremamente seguros para o melhoramento genético.” Os valores alcançados nos leilões e nos shoppings da feira mostram que, em um mercado de arroba valorizada, a genética também ganha mais margem na conta. Mas isso não significa que o comprador esteja simplesmente em busca do animal mais caro. Na avaliação de Tibery, o que determina o valor de um reprodutor é a combinação entre avaliação genética, características morfológicas e capacidade de entregar resultado dentro de um sistema de produção. “Os animais que têm preços mais acessíveis também trazem essa confiabilidade de avaliações. No entanto, em grandes touros a gente não vê só a avaliação, a gente vê o biotipo: animais de aprumos perfeitos, com umbigo bom, linha de dorso plana, bom rendimento de ganho de peso.” São características que ajudam a explicar por que determinados animais alcançam valores muito acima da média nos remates. No fim, o

O que ajudou a segurar

os preços e valorizou o boi gordo foram as

exportações. Isso é inédito na história da pecuária brasileira

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ARTIGO A carne brasileira diante das novas barreiras globais: comércio,

soberania e o poder de quem alimenta o mundo

A

pecuária de corte brasileira chega a 2026 diante de uma aparente contradição. Ao mesmo tempo em que o Brasil amplia sua importância para o abastecimento mundial de carne bovina, aumenta também sua exposição a barreiras sanitárias, ambientais, regulatórias e comerciais impostas pelos principais mercados consumidores. Europa, China e Estados Unidos representam exemplos distintos desse novo ambiente. A União

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Europeia avança sobre exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos. A China estabeleceu cotas para suas importações de carne bovina. Os Estados Unidos, por sua vez, vêm utilizando tarifas e instrumentos de política comercial de maneira mais intensa para proteger seus interesses econômicos. Embora sejam medidas diferentes em natureza e objetivo, elas convergem para uma mesma questão: o comércio internacional de alimentos está cada vez menos condicionado

Thiago Bernardino de Carvalho Pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea Esalq/USP)

apenas pela competitividade e cada vez mais influenciado por decisões políticas, regulatórias e estratégicas. Para o Brasil, essa transformação merece atenção especial. Segundo projeções do USDA, o país poderá responder por aproximadamente 30% das exportações mundiais de carne bovina em 2026. Não se trata, portanto, apenas de um grande produtor buscando mercados. Trata-se de um país cuja produção tornou-se relevante para a própria segurança alimentar internacional.


ARTIGO EUROPA: QUANDO A EXIGÊNCIA SANITÁRIA TAMBÉM SE TRANSFORMA EM REQUISITO DE ACESSO

Esse é um ponto fundamental para a soberania produtiva brasileira. CHINA: O MAIOR CLIENTE AGORA TEM UMA COTA

A União Europeia está ampliando as exigências relacionadas ao uso de O caso chinês talvez seja ainda antimicrobianos na produção animais emblemático. mal. As regras europeias proíbem o A China estabeleceu, a partir uso de determinados antimicrobiade 2026, um sistema de salvaguarnos para promoção de crescimento da para as importações de carne ou aumento de produtividade e resbovina, com cotas específicas para tringem substâncias consideradas seus principais fornecedores. Para o importantes para determinados traBrasil, foi estabelecida uma cota de tamentos em humanos. Essas condi1,106 milhão de toneladas em 2026. ções também passam a alcançar aniDentro desse volume, permanece a mais e produtos de origem animal tarifa regular de 12%. Ultrapassado provenientes de países terceiros que o limite, passa a incidir uma tarifa desejem acessar o mercado europeu. adicional de 55%, tornando muito As novas condições de acesso menos competitivas as vendas rearelacionadas aos antimicrobianos lizadas acima da cota. entram em uma etapa particularO tamanho da restrição fica mais mente importante em 3 de setemclaro quando observado diante da bro de 2026, quando passa a importância que o Brasil alser aplicável a exigência cançou naquele mercado. de que os produtos Em 2025, a China resA pecuária sejam originários de pondeu por mais da países ou regiões metade das exporbrasileira não é autorizados seguntações brasileiras de do essas regras. carne bovina, segunuma reprodução O combate à do dados compilaresistência antimidos pelo USDA, conda pecuária crobiana é uma presolidando-se como ocupação sanitária leo principal destino da europeia gítima e global. O Brasil proteína brasileira. não pode ignorá-la. Pelo Isso significa que uma contrário: sanidade, uso resdas cadeias produtivas mais ponsável de medicamentos, rastrecompetitivas do mundo precisa abilidade e segurança dos alimentos reorganizar produção, abate, emsão atributos fundamentais para aubarques e destinos não por falta de mentar o valor e a credibilidade da demanda ou perda de competiticarne brasileira. vidade, mas pela existência de um A discussão necessária é outra: limite administrativo ao comércio. até que ponto regras internas de A medida chinesa também deum mercado importador podem monstra o risco da concentração ser automaticamente transferidas comercial. Ter um comprador gipara sistemas produtivos de outros gantesco foi extremamente positivo países sem considerar diferenças para a pecuária brasileira, ajudando de clima, ambiente, sistemas de na valorização de diferentes cortes produção, epidemiologia e realidae na integração de praticamente de sanitária? toda a carcaça bovina ao comércio A pecuária tropical brasileira não internacional. Entretanto, quanto é uma reprodução da pecuária eumaior a dependência de um único ropeia. São ambientes produtivos mercado, maior também seu poder distintos. Portanto, harmonização de influenciar preços e condições sanitária não deveria significar simcomerciais. plesmente replicar modelos de proA resposta brasileira não devedução, mas construir equivalências ria ser afastar-se da China. Ao concapazes de assegurar o mesmo obtrário: a China continuará sendo jetivo de segurança sem necessaestratégica. O caminho deve ser riamente exigir os mesmos meios. negociar melhores condições de

O combate

à resistência

antimicrobiana é uma preocupação sanitária legítima e global. O Brasil não pode ignorá-la

acesso e, simultaneamente, acelerar a diversificação dos destinos da carne brasileira. ESTADOS UNIDOS: TARIFAS TAMBÉM SÃO INSTRUMENTOS DE PODER

Os Estados Unidos oferecem outra demonstração de como o comércio internacional voltou a ser utilizado como instrumento de política econômica. Em julho de 2026, o governo norte-americano estabeleceu uma tarifa adicional de 25% para determinados produtos brasileiros no âmbito da Seção 301. Posteriormente, a lista de exceções foi ampliada. Entre os produtos que atualmente permanecem fora dessa sobretaxa estão justamente as carnes, além de café, aeronaves, suco de laranja e outros produtos. Isso não elimina, contudo, a importância do episódio para a pecuária. A carne bovina brasileira tradicionalmente acessa o mercado norte-americano dentro de um sistema de cota tarifária e, fora desse limite, enfrenta tarifas maiores. Mais importante do que a alíquota específica em determinado momento é perceber que as condições de acesso podem mudar rapidamente em função de decisões políticas e comerciais. O Brasil, inclusive, levou à Organização Mundial do Comércio questionamentos sobre medidas tarifárias adicionais adotadas pelos Estados Unidos em 2026. O episódio reforça que acesso a mercado não pode ser considerado permanente. Mesmo relações comerciais consolidadas estão su-

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ARTIGO

O próximo salto

de competitividade precisa ocorrer também fora da porteira e fora do frigorífico

jeitas a mudanças de governo, disputas geopolíticas, políticas protecionistas e negociações envolvendo setores que muitas vezes sequer têm relação direta com a pecuária. QUEM PRECISA DE QUEM?

É nesse ponto que o debate precisa avançar. Durante muitos anos, grande parte da discussão sobre comércio exterior do agronegócio brasileiro foi construída a partir da ideia de que o Brasil precisava conquistar mercados. Essa afirmação continua verdadeira, mas está incompleta. O MUNDO TAMBÉM PRECISA DA PRODUÇÃO BRASILEIRA

Um país que responde por parcela próxima de um terço das exportações globais de carne bovina não é apenas um participante do mercado internacional. É parte relevante da segurança alimentar mundial. O crescimento populacional, a urbanização e a expansão da renda em economias emergentes continuarão exigindo aumento da disponibilidade de proteínas animais. Ao mesmo tempo, alguns importantes produtores mundiais enfrentam limitações de rebanho, disponibilidade de terra, custos elevados e dificuldades para expandir rapidamente sua produção. O Brasil reúne condições pouco comuns: território, tecnologia tropical, genética, disponibilidade de grãos e coprodutos, capacidade in-

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dustrial, escala produtiva e uma pecuária que avançou fortemente em produtividade nas últimas décadas. Essa posição precisa ser reconhecida também pelo próprio Brasil. Durante décadas, o aumento da competitividade da pecuária brasileira ocorreu principalmente dentro da porteira. Melhoramos genética, nutrição, pastagens, manejo, sanidade e índices produtivos. Posteriormente, a indústria avançou em escala, processamento, logística, rastreabilidade e acesso aos mercados. O próximo salto de competitividade precisa ocorrer também fora da porteira e fora do frigorífico. Será necessário investir cada vez mais em inteligência comercial, diplomacia sanitária, abertura de mercados, ciência regulatória, rastreabilidade, comunicação internacional e defesa técnica da produção brasileira. Não basta produzir o boi mais eficiente se não houver acesso ao mercado. Não basta possuir carne competitiva se uma mudança regulatória puder interromper o comércio. E não basta abrir um grande mercado se posteriormente o país se tornar excessivamente dependente dele. A estratégia brasileira precisa combinar competitividade produtiva, diversificação comercial e soberania nas negociações internacionais. O BRASIL NÃO VENDE APENAS CARNE

Quando uma tonelada de carne

bovina brasileira cruza o oceano, ela carrega muito mais do que proteína. Carrega tecnologia tropical, genética, milho, soja, pastagens, mão de obra, indústria, logística, conhecimento e décadas de investimento em produtividade. Europa, China e Estados Unidos mostram que o novo ambiente comercial será mais complexo. Antimicrobianos, rastreabilidade, sustentabilidade, cotas, tarifas, carbono e bem-estar animal serão cada vez mais incorporados às negociações. O Brasil deve estar preparado para atender exigências legítimas e transformar atributos sanitários e ambientais em vantagens competitivas. Mas também precisa estar preparado para identificar quando uma exigência deixa de ser apenas técnica e passa a funcionar como instrumento de proteção comercial. A diferença entre essas duas situações será uma das grandes discussões do agronegócio nos próximos anos. A pecuária brasileira construiu escala suficiente para alimentar o mundo. Agora precisa transformar essa escala em influência comercial e capacidade de negociação. Porque, em um cenário de crescente protecionismo e insegurança alimentar, a discussão não deveria ser apenas sobre quanto o Brasil precisa dos grandes mercados consumidores. Também é necessário discutir quanto esses mercados precisam do Brasil.


Foto: @jefersonbrayonfoto


INTERNACIONAL

O Zebu

desbrava o mundo!

Breno Cordeiro

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atuação internacional da ABCZ assume um papel estratégico, conectando empresas, criadores, governos e instituições de pesquisa em diferentes continentes e promovendo uma verdadeira integração entre países conectados pelo mesmo propósito: alavancar a produção de carne e leite de qualidade e de forma sustentável, Departamento de Relações tendo o Zebu como vetor primordial. Internacionais da ABCZ celebra Foi com essa mentalidade que o Brazilian Cattle, projeto desenvolvido resultados que comprovam pela ABCZ em parceria com a ApexBrasil, reforçou sua agenda internacional após a presença expressiva de visitantes estrangeiros na 91ª ExpoZebu. uma estratégia acertada, e Entre maio e julho, a entidade esteve presente em eventos inéditos, lio Zebu brasileiro conquista derou missões comerciais e abriu novas oportunidades para as fazendas e mercados cada vez mais empresas brasileiras do agronegócio. numerosos “Nosso alvo tem sido promover iniciativas que ajudem a aproximar o Brasil de mercados em expansão, muitos deles localizados em regiões onde o crescimento populacional, a necessidade de ampliar a produção de alimentos e a adaptação da pecuária às condições tropicais colocam a pecuária zebuína em posição de destaque”, explica Bento Abreu Sodré de Carvalho Mineiro, diretor de Relações Internacionais da ABCZ. A primeira dessas ações levou a ABCZ ao Paraguai. Pela primeira vez, a entidade participou da Expo Pioneros del Chaco, realizada na região do Chaco paraguaio, importante fronteira de expansão agropecuária da América do Sul. O projeto reuniu 24 fazendas e empresas dos segmentos de genética, máquinas e equipamentos, nutrição animal, sementes e consultoria. Além de estruturar um espaço voltado ao atendimento de empresários brasileiros e potenciais compradores internacionais, o DRI coordenou uma programação técnica Expo Pioneros em negócios que incluiu uma palestra sobre melhoramento genético e a realizados del Chaco participação do técnico de campo da ABCZ, Fábio Ferreira, no

US$

656 mil

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INTERNACIONAL

julgamento dos animais da feira. A iniciativa reforçou o posicionamento técnico da entidade e aproximou produtores paraguaios das tecnologias desenvolvidas no Brasil. Os resultados comerciais confirmaram o potencial da ação. As empresas participantes reportaram US$ 656 mil em negócios realizados durante o evento, além da expectativa de movimentar aproximadamente US$ 3,11 milhões ao longo dos 12 meses seguintes. PROGRESSO SEM FRONTEIRAS

Além do sucesso em ações na América Latina, foi na África que o Departamento de Relações Internacionais realizou uma de suas iniciativas mais abrangentes em 2026, até agora. Entre os dias 20 de junho e 2 de julho, a entidade promoveu sua primeira missão comercial voltada exclusivamente ao leste africano, percorrendo Tanzânia, Etiópia, Ruanda e Quênia ao lado de representantes de 11 fazendas e empresas brasileiras dos segmentos de genética, máquinas e equipamentos, nutrição animal e sementes. “A escolha dos destinos não foi por acaso. O continente africano concentra algumas das economias agropecuárias com maior potencial de expansão do mundo, impulsionadas pelo crescimento populacio-

nal, pela necessidade de aumentar a produção de proteína animal e pela busca por sistemas produtivos mais eficientes e adaptados ao clima tropical, todas características nas quais a pecuária zebuína brasileira possui reconhecida experiência”, explica a diretora de Relações Internacionais da ABCZ, Ana Cláudia Mendes Souza. A Missão África Oriental buscou estabelecer e fortalecer pontes institucionais capazes de ampliar a presença brasileira nesses mercados. As viagens resultaram em encontros com dois ministros de Estado ligados à pecuária, além de representantes de duas embaixadas brasileiras na região. Também houve uma aproximação especialmente relevante com o parlamento do Quênia e uma associação de criadores e agricultores do país, com a qual a ABCZ está em fase de negociação para a assinatura de um memorando de entendimento (MoU). “Esse tipo de articulação é estratégico porque permite que os resultados da internacionalização se multipliquem para além de uma missão específica. De um lado, a ABCZ, o Brazilian Cattle e o DRI ampliam sua rede de parceiros e seu conhecimento sobre mercados com potencial para a genética e as tecnologias brasileiras. Do outro, produtores, empresas e instituições

dos países visitados passam a ter acesso mais próximo à experiência acumulada pelo Brasil em genética, produção animal e sistemas adaptados às condições tropicais”, enfatiza Ana Cláudia. A cooperação institucional e internacional também cria canais para que novas oportunidades comerciais e técnicas sejam desenvolvidas de maneira mais estruturada. A aproximação com entidades locais, governos e representações diplomáticas pode pavimentar o caminho para o comércio entre as nações. Em Ruanda, a equipe foi recebida pela ministra de Estado de Recursos Animais, a Dra. Solange Uwituze; já no Quênia, a agenda contemplou encontros com o ministro da Pecuária, Dr. Jonathan Mueke, integrantes da Comissão de Agricultura do Parlamento queniano e representantes de instituições responsáveis pelo registro pecuário nacional. A agenda institucional foi acompanhada por uma programação diversificada de promoção comercial e intercâmbio técnico. A delegação participou de feiras agropecuárias: na Tanzânia, na Tri-Nations Livestock Expo e, no Quênia, na Nakuru National Agricultural Show. A comitiva realizou rodadas de negócios, concedeu entrevistas à imprensa local e visitou fazendas de gado de corte e leite, centros de pesquisa, empresas e instituições ligadas à produção animal. “Cada resultado positivo que colhemos destas ações é mais uma prova da grande demanda do mundo tropical pelo Zebu brasileiro. As

O continente africano

concentra algumas das

economias agropecuárias com maior potencial de expansão do mundo

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INTERNACIONAL

oportunidades comerciais e o potencial para novas conexões são visíveis por toda parte, e estamos confiantes de que o futuro ainda reserva muitas boas notícias”, avalia Juan Lebrón, gerente do DRI. DE VOLTA AO BRASIL

A expansão da atuação institucional também alcançou o Nordeste brasileiro. Em junho, a ABCZ participou da PEC Brasil, em Fortaleza (CE), uma das maiores feiras indoor multissetoriais do país e vitrine para a pecuária nordestina e que incluiu, em sua programação, a 1ª Exposição Brasileira da Raça Sindi, promovida pela Associação Brasileira dos Criadores da Raça Sindi (ABCSindi). Ao reunir 17 fazendas e empresas, além de técnicos da entidade, a participação teve como foco aproximar fornecedores brasileiros de compradores internacionais convidados pelo Projeto Comprador, provenientes da Argentina, Colômbia e Paraguai. A estratégia fortaleceu conexões comerciais em um ambiente que vem ganhando importância para a pecuária nacional e internacional. Também nesse caso, os resultados foram expressivos. O levantamento realizado junto às empresas participantes aponta que foram registrados US$ 41 mil em negócios imediatos e expectativa de outros US$ 377 mil em negociações pelos 12 meses seguintes. “No DRI, estamos trabalhando para a ampliação e diversificação do projeto Brazilian Cattle, ou seja, levando o projeto a regiões onde ele ainda não é conhecido. A nossa missão é ajudar fazendas e empresas desses locais a viabilizar novos caminhos para a exportação e, com isso, ampliando a oferta de genética zebuína para regiões que enfrentam desafios climáticos”, conclui Raquel Dal Secco Borges, supervisora de Relações Internacionais da ABCZ.

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ZEBU PELO MUNDO

Cresce interesse da África na genética e tecnologia da pecuária brasileira Criador Adaldio Castilho esteve com lideranças de três países e planeja intercâmbio de conhecimento de mercado, manejo e melhoramento genético

Breno Cordeiro Fotos: Arquivo Pessoal

O

associado da ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu), Adaldio Castilho, criador da raça Sindi, participou de uma missão em Moçambique, Essuatíni e África do Sul, compartilhando experiências sobre produção pecuária, manejo e melhoramento genético, com foco no potencial da raça zebuína para alavancar o setor produtivo no continente africano. A viagem foi motivada pelo interesse de lideranças locais em conhecer a experiência brasileira na produção agropecuária. Em maio deste ano, representantes da Federação de Desenvolvimento Empresarial de Moçambique (FDEM) visitaram o Sindi Castilho, criatório de referência nacional, em busca de informações sobre os sistemas produtivos desenvolvidos no Brasil. O encontro resultou no convite para que o criador integrasse a programação do Mozambique CEO Summit 2026, evento que reúne empresários e autoridades de diversos países africanos. Adaldio viajou para Moçambique acompanhado do filho, Adaldio José Delsim de Castilho, do genro, Thiago

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Constantino, além do Dr. Henrique Garbellini e do Dr. Thiago Matsushita. Logo na chegada ao país, a comitiva participou de um encontro com o ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas de Moçambique, Roberto Albino, oportunidade em que foram debatidos os principais desafios enfrentados pelo setor agropecuário moçambicano. Segundo o criador, ficou evidente que a principal necessidade identificada não está apenas na disponibilidade de genética, terras ou outros recursos naturais, mas na capacitação técnica da mão de obra. “A África precisa muito do nosso país, especialmente no que diz respeito à genética. E o Sindi vai encaixar como uma luva”, afirma Adaldio. Durante a reunião, o associado da ABCZ apresentou a proposta de criação de programas voltados à formação prática de profissionais para atuar nas propriedades rurais. A iniciativa foi recebida de forma positiva pelas autoridades moçambicanas, que demonstraram interesse em estruturar ações de capacitação com respaldo técnico brasileiro.


ZEBU PELO MUNDO

A África precisa

muito do nosso

país, especialmente no que diz respeito Viagem estreitou relações com países africanos em prol do intercâmbio de genética

No CEO Summit, Castilho também acompanhou debates sobre investimentos e desenvolvimento econômico, incluindo a participação do presidente de Moçambique, Daniel Chapo, que reforçou o compromisso do governo em incentivar a expansão da agropecuária e da indústria no país. Em fazendas moçambicanas de leite e corte, Adaldio observou um sistema com ordenha manual, manejo extensivo realizado por pastores, utilização exclusiva de pastagens nativas e ausência de tecnologias como conservação de forragens, produção de silagem ou feno. “Também me chamaram atenção o baixo desenvolvimento dos bezerros e a carência de técnicas de manejo capazes de elevar os índices produtivos”, avaliou. Diante desse cenário, o criador colocou-se à disposição para receber produtores moçambicanos no Brasil, possibilitando que conheçam de perto o modelo brasileiro de produção pecuária e as tecnologias desenvolvidas ao longo das últimas décadas.

à genética

A missão prosseguiu por Essuatíni, onde a comitiva manteve contato com representantes do governo local e apresentou as características da raça Sindi ao genro do rei Mswati III, Luís Leite, e à princesa do país. Posteriormente, também foi realizada uma reunião com o ministro da Agricultura, ocasião em que foram apresentados vídeos demonstrando sistemas brasileiros de produção de carne e leite, manejo de rebanhos e desempenho da raça em períodos de seca. Na África do Sul, novas visitas técnicas evidenciaram desafios semelhantes. Em propriedades que utilizam animais com genética Angus, Beefmaster e Boran, Adaldio observou pastagens bastante secas e problemas relacionados à infestação por carrapatos, além da dependência de suplementação proteica para manutenção do rebanho. Foi nesse contexto que a genética Sindi despertou grande interesse entre os produtores locais, já que a raça,

e o Zebu como um todo, se destaca pela adaptação aos climas tropicais e pela resistência a parasitas. A comitiva também passou por instituições de ensino, pavimentando um possível caminho para a criação de parcerias focadas à realização de intercâmbios acadêmicos inseridos em cursos ligados à produção agropecuária. O associado da ABCZ presenteou, ainda, dois criadores sul-africanos com 100 doses de sêmen de touros Sindi Castilho para cada propriedade, incentivando o início da utilização da genética brasileira nos rebanhos locais. “Foi uma viagem muito proveitosa. Compartilhamos conhecimento, manejo, falamos sobre mercado e mostramos aquilo que o Brasil desenvolveu ao longo dos anos. Eles precisam muito de tecnologia, de capacitação e de uma raça rústica, de dupla aptidão, que produza bem nas condições que eles possuem. O Sindi atende exatamente a essas características”, conclui.

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PROTAGONISMO INTERNACIONAL

Outlook Agro Brasil:

os caminhos para uma pecuária mais competitiva

A conselheira Valéria Guimarães representou a ABCZ no fórum internacional promovido em Brasília; programação recheada de discussões técnicas apontou para uma conclusão acima de todas: o Brasil será protagonista da agropecuária mundial do futuro

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Breno Cordeiro

A

primeira edição do Outlook Agro Brasil movimentou Brasília (DF) com uma programação que explorou tendências, desafios e o futuro do agronegócio brasileiro diante das transformações da economia mundial. Realizado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), o encontro reuniu ministros de Estado, representantes de organizações internacionais, especialistas em comércio exterior, economia, clima e segurança alimentar, além de lideranças do setor produtivo. Representando a ABCZ, a endocrinologista e pecuarista à frente do Tabapuã Balsas Onda Verde, Va-

léria Guimarães, conselheira consultiva da entidade pelo Distrito Federal e integrante da comissão ABCZ Mulher, acompanhou as discussões e voltou com uma certeza consolidada: a pecuária brasileira ocupa uma posição estratégica e decisiva no cenário internacional, tanto em termos comerciais quanto nos aspectos relacionados à segurança alimentar. “Foi um evento muito prestigiado. Havia três ministros brasileiros, importantes players internacionais, dos Estados Unidos, China e FAO, todas as embaixadas, bem como criadores e representantes de importantes organizações da agropecuária. Foi um ambiente de planejamento estratégico para o futuro da agropecuária brasileira”, resume.


PROTAGONISMO INTERNACIONAL

O primeiro Outlook Agro Brasil foi concebido como um fórum para fortalecer a competitividade da agropecuária nacional e reforçar a imagem do Brasil como fornecedor confiável, competitivo, previsível e sustentável de todas as proteínas animais e vegetais, além de outras cadeias produtivas. A abertura reuniu o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula; o ministro em exercício do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; o ministro da Pesca e Aquicultura, Édipo Araújo; o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller; e a presidente-executiva da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Tânia Regina Zanella. O Ministério das Relações Internacionais também esteve representado. Segundo Valéria, uma das mensagens centrais do evento foi que o crescimento do setor dependerá tanto do aumento da produção, como da capacidade de agregar valor. “O Brasil já conquistou credibilidade como fornecedor mundial. O desafio agora é produzir cada vez melhor, atendendo às exigências dos mercados internacionais em tecnologia, sanidade, sustentabilidade, previsibilidade e qualidade da carne.” Essa visão apareceu em diferentes painéis ao longo do dia. O economista-chefe do Departamento

de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), Justin Benavidez, apresentou uma análise sobre os impactos das tensões geopolíticas e das disputas comerciais no setor, reconhecendo o Brasil, entretanto, como um importante player no setor. “Ficou evidente que o mundo reconhece o Brasil como um fornecedor seguro. Temos escala, produtividade e previsibilidade. Independentemente das mudanças no cenário internacional, o país continuará ocupando um papel fundamental na segurança alimentar.” Outro ponto que chamou a atenção da representante da ABCZ foi a mudança no perfil de alguns consumidores em nível mundial, e Valéria identifica o Brasil como uma fonte de proteína capaz de satisfazer diversos tipos de demanda, da carne commodity aos cortes premium, cujo mercado vem revelando uma tendência de crescimento, especialmente na China. As discussões mostraram que os mercados de maior valor agregado deixam de buscar apenas volume para exigir, também, diferenciais ligados à experiência de consumo. “Tanto as pesquisas independentes, quanto estudos feitos por supermercados nacionais também revelam que o Brasil é capaz de oferecer esse leque amplo de soluções.

Independentemente

das mudanças no cenário internacional, o país continuará ocupando um papel fundamental na segurança alimentar

A pecuarista Valéria Guimarães e a diretora de Promoção do Mapa, Ângela Peres

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PROTAGONISMO INTERNACIONAL

O bovino criado a pasto

aparece como uma solução eficiente para ampliar a produção de alimentos: uma realidade que os pecuaristas brasileiros já conhecem muito bem

as próximas oportunidades

para a carne bovina brasileira

dependerão da capacidade do setor em demonstrar sustentabilidade, bem-estar animal, sanidade e previsibilidade

O consumidor quer carne saborosa, macia, segura e com origem conhecida. Ele quer praticidade e previsibilidade. Se perceber valor, está disposto a pagar mais por um produto de qualidade, sem que outros produtos percam o seu espaço já consolidado”, aponta. Essa transformação foi reforçada pelas apresentações sobre comportamento do consumidor e pelas análises sobre a Ásia nesse nicho de mercado em ascensão. O professor Shenggen Fan, da China Agricultural University, apresentou tendências do mercado asiático e destacou que o crescimento da renda continua ampliando o consumo de proteínas animais, especialmente entre consumidores que buscam produtos premium, sem deixar de abranger a carne commodity. Valéria observa que esse movimento abre novas oportunidades para a genética brasileira. “Existe uma parcela crescente de consumidores chineses procurando carnes diferenciadas. Isso exige animais capazes de produzir uma carne de maior qualidade, tanto para atender ao mercado externo quanto ao

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consumidor do próprio país”, ressalta. Entre os temas debatidos, um dos que mais despertaram o interesse da conselheira da ABCZ foi a visão apresentada pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Durante sua palestra, o diretor da Divisão de Economia Agroalimentar da entidade, David Laborde, destacou que o crescimento populacional nas próximas décadas sofrerá um desvio da Ásia para a África, transformando o continente em um dos principais mercados consumidores de proteína animal. Segundo Valéria, a apresentação estabeleceu uma conexão direta entre o Cerrado brasileiro e as savanas africanas, ressaltando o clima tropical semelhante em ambos os biomas. “O Brasil tem muito a contribuir para a segurança alimentar do continente africano. O bovino criado a pasto aparece como uma solução eficiente para ampliar a produção de alimentos: uma realidade que os pecuaristas brasileiros já conhecem muito bem.” Ela lembra ainda que essa cooperação já começa a sair do papel. “A primeira fazenda experimen-

tal na África com participação brasileira contará com apoio da ABCZ e da Embrapa, na Etiópia. É um projeto que demonstra como nossa genética e nosso conhecimento podem contribuir para alimentar uma população que cresce rapidamente”, explica. Na avaliação de Valéria, ficou claro que as próximas oportunidades para a carne bovina brasileira dependerão da capacidade do setor em demonstrar sustentabilidade, bem-estar animal, sanidade e previsibilidade, além de comunicar essas qualidades ao mercado internacional. Desta forma, a ABCZ desponta como uma importante agente do setor produtivo da carne bovina brasileira, representando pecuaristas de todas as regiões do país, que evidencia a relevância da sua participação em eventos e ações futuras. “A pecuária esteve presente nas discussões, mas acredito que o setor tem muito mais a contribuir. Foi um evento de enorme relevância para definir estratégias do agro e da carne vermelha brasileiro, e a cadeia da carne certamente pode ocupar um espaço ainda maior nesse debate”, finaliza.


ARTIGO Mais um passo na

revolução genômica no Zebu:

como a ciência pode reduzir os custos da verificação de paternidade

A

pecuária de corte brasileira vive um momento de transformação sem precedentes, impulsionada pela busca constante por eficiência, produtividade e confiabilidade de dados. No centro dessa engrenagem está a raça Nelore, que representa cerca de 80% do rebanho nacional e conta com mais de 12 milhões de animais registrados pela Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ). Para o produtor que se dedica à seleção de touros e matrizes, manter um controle rigoroso do pedigree não é apenas uma questão de tradição, mas uma ferramenta indispensável para o ganho genético. Erros na identificação dos pais podem comprometer seriamente a confiabilidade das avaliações e reduzir o ganho genético anual. Por

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anos, a verificação de parentesco foi feita com base nos marcadores de microssatélites (MS). Contudo, a pecuária entrou definitivamente na era genômica, e os painéis de Polimorfismo de Nucleotídeo Único (SNPs) consolidaram-se como o novo padrão devido à sua maior precisão, automação e excelente custo-benefício em larga escala. Essa transição tecnológica traz um desafio prático imediato para o dia a dia da fazenda. Para realizar a verificação de paternidade convencional, é obrigatório que tanto os pais quanto a progênie tenham sido analisados na mesma plataforma tecnológica. Na realidade do campo, contudo, a grande maioria das matrizes e dos touros mais antigos possui laudos baseados em microssatélites, enquanto os bezerros

Zilah M. G. Cheuiche & Fernando F. Cardoso Curso de Pós-graduação em Zootecnia da UFPel e Embrapa Pecuária Sul

jovens começam a ser genotipados diretamente com chips de SNPs para as avaliações genômicas. Diante disso, o criador frequentemente se depara com o dilema de ter que retestar os pais ou os filhos na outra plataforma apenas para validar o parentesco, gerando custos adicionais significativos que pesam no orçamento da propriedade. Para solucionar esse entrave e pavimentar o caminho dessa transição tecnológica na raça Nelore, a médica veterinária Zilah Cheuiche desenvolveu no seu trabalho de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da UFPel, sob a coordenação do pesquisador Fernando Flores Cardoso, uma estratégia inovadora baseada na técnica de imputação de marcadores genéticos. O estudo, que fez parte de um


ARTIGO acordo de cooperação técnica entre Embrapa e ABCZ, combinou dados genotípicos de microssatélites e SNPs fornecidos diretamente pela ABCZ, envolvendo 678 animais da raça Nelore genotipados simultaneamente em ambas as plataformas. Na prática, a imputação funciona como um “software de tradução inteligente” para o DNA do rebanho. A tecnologia se aproveita do fenômeno biológico chamado desequilíbrio de ligação, em que determinados blocos de marcadores moleculares (os SNPs) costumam ser herdados juntos com os microssatélites ao longo das gerações. Através de algoritmos avançados, o sistema consegue analisar o mapa de SNPs do bezerro e deduzir com extrema exatidão quais seriam as suas variantes de microssatélites, sem que o produtor precise coletar novas amostras ou pagar por um segundo teste laboratorial completo. O processo permite converter o laudo digital moderno do filho (SNPs) para o padrão antigo dos pais (MS), garantindo o cruzamento de dados de forma imediata e automatizada. Os resultados obtidos na pesquisa foram altamente promissores. Ao avaliar diferentes cenários de populações de referência, o estudo demonstrou que a proximidade genética entre o grupo de treinamento e o rebanho avaliado é o fator determinante para o sucesso da tecnologia. Quando os pesquisadores tentaram utilizar uma base de dados internacional e multirracial composta por milhares de animais de raças taurinas e sintéticas, a acurácia média foi baixa, provando que a população de referência de fora não serve para o Zebu brasileiro. No entanto, ao utilizar a própria base de dados de Nelore da ABCZ como referência, a acurácia de imputação dos microssatélites recomendados pela Sociedade Internacional de Genética Animal (ISAG) disparou, atingindo médias superiores a 96% e alcançando a marca de aproximadamente 98% em alguns casos (ver gráfico). Com exceção de um único marcador (TGLA53) que apresentou comportamento atípico, os outros 11 microssatélites analisados supera-

ram as exigências legais brasileiras do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para a acreditação laboratorial comparativa de Nível 2. Os testes demonstraram que a largura da janela genômica analisada (seja de 1, 2 ou 4 Megabases ao redor do marcador) mantém um desempenho estável na maioria dos casos, o que valida a aplicação prática da tecnologia utilizando os painéis de SNPs comerciais já disponíveis no mercado nacional, com densidades que variam de 26K a 50K. Esses resultados consistentes abrem as portas para que a nova tecnologia seja apresentada ao MAPA, permitindo sua inclusão oficial nas normas e procedimentos de verificação de paternidade do órgão. À medida que a base de dados de referência da ABCZ se expandir, a tendência é que a acurácia de imputação supere os 98% de forma generalizada para todos os microssatélites recomendados pela ISAG. Esse avanço permitirá atingir os padrões de certificação de Nível 1 do MAPA, garantindo equivalência internacional. Vale destacar que essa mesma estratégia de transição tecnológica já foi validada e utilizada com sucesso em outros países e para diferentes espécies animais. Para o criador associado da

ABCZ, essa inovação tecnológica pode trazer redução de custos operacionais com exames laboratoriais de DNA. O produtor não precisará gastar recursos financeiros duplicando testes em matrizes maduras ou em reprodutores cujo material genético original em microssatélites já está devidamente arquivado na associação. Outro benefício central é a agilidade nos processos de registro genealógico e a flexibilidade no manejo. Ao genotipar os animais jovens diretamente via SNP para os programas de melhoramento, o pecuarista poderá ter a validação de parentesco por meio da conversão digital dos dados de forma automatizada, eliminando gargalos burocráticos e aumentando a precisão da tomada de decisões de seleção na fazenda. Em suma, o trabalho liderado por Zilah Cheuiche e apoiado pela Embrapa Pecuária Sul e pela ABCZ traz o que há de mais avançado na ciência genômica para resolver um desafio real das fazendas selecionadoras. A imputação de microssatélites a partir de SNPs surge como uma solução viável e segura para evitar o retrabalho com testes de DNA, garantindo que o criador continue melhorando seu rebanho com menos custos e total precisão.

ACURÁCIA DE IMPUTAÇÃO DOS MICROSSATÉLITES RECOMENDADOS PELA SOCIEDADE INTERNACIONAL DE GENÉTICA ANIMAL (ISAG) A PARTIR DE MARCADORES SNP LOCALIZADOS EM JANELAS GENÔMICAS AO REDOR DO MARCADOR ALVO DE 1, 2 OU 4 MEGABASES (MB)

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4ª EXPOLEITE

O Z da questão: vem aí a

4ª ExpoLeite

De 12 a 18 de outubro, o Parque Fernando Costa será novamente o grande palco do Zebu leiteiro Breno Cordeiro

A

pecuária zebuína leiteira volta a ter um encontro marcado no Parque Fernando Costa, em Uberaba (MG). Entre os dias 12 e 18 de outubro, a ABCZ realiza a 4ª ExpoLeite, importante evento do calendário do Zebu brasileiro e da cadeia produtiva de um dos alimentos mais consumidos em todo o mundo. O crescimento da feira amplia a força da programação e reforça a vocação da ExpoLeite como palco para a genética, os negócios, a tecnologia e as discussões relacionadas ao futuro da produção de leite no Brasil. Com o tema “O Z da questão – Zebu Leiteiro: a resposta do leite”, a expectativa é reunir, além de animais das raças zebuínas com aptidão leiteira, criadores, empresas e representantes de diferentes segmentos da cadeia. Pelo segundo ano consecutivo, a Exposição Nacional do Gir Leiteiro, promovida pela ABCGil (Associação

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Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro), acontece simultaneamente à ExpoLeite, reforçando ambas as feiras que representam o melhor do setor produtivo do leite. “A ExpoLeite vem se consolidando no calendário do Zebu brasileiro. A Nacional do Gir Leiteiro é um ponto muito forte da quarta edição, mas, obviamente, não só ela. Desde o início, planejamos que a ExpoLeite fosse uma feira dedicada a toda a cadeia leiteira nacional”, destaca o diretor da ABCZ, Rodrigo Simões. Realizada integralmente no Pavilhão Multiuso do Parque Fernando Costa, a 4ª ExpoLeite contará com a participação de diferentes atores da cadeia produtiva, incluindo empresas ligadas à saúde animal, indústria do leite e centrais de sêmen, além da presença das raças Gir Leiteiro, Guzerá e Sindi Leiteiro, além de Girolando e Guzolando.


4ª EXPOLEITE NACIONAL DO GIR LEITEIRO

O Gir Leiteiro promete mostrar todo o seu potencial para a produção de leite em nível internacional, tanto na ExpoLeite, quanto na Exposição Nacional do Gir Leiteiro. A feira dedicada à raça marca o encerramento do ranking nacional do Gir Leiteiro, reunindo animais que se destacaram ao longo da temporada e criadores que disputam as principais posições. Segundo o superintendente técnico e geral da ABCGil, André Rabelo, a expectativa é de que a edição deste ano seja a maior Nacional do Gir Leiteiro já realizada. A previsão é reunir cerca de 400 animais em pista, além de mais de 80 animais no Torneio Leiteiro, com a realização de mais de cinco leilões já confirmados. “A expectativa é que ela seja a maior nacional de todos os tempos. A gente tem visto recentemente uma quantidade muito grande de animais em pista e em torneio, e a expectativa dos leilões também é de aumentar. Então, a expectativa realmente é das melhores para que seja um grande evento”, afirma. Além da força da programação, a realização em Uberaba tem um significado especial para a raça. A cidade é considerada a casa do Zebu e abriga a sede da ABCGil, dentro do próprio Parque Fernando Costa. Para Rabelo, a estrutura oferecida pelo recinto também contribui para transformar a Nacional em um ambiente favorável à valorização da raça. A exposição também representa o momento decisivo da temporada do ranking da ABCGil. Ao longo do ano, cerca de 40 eventos regionais permitem que criadores acumulem pontuação. Na Nacional, os resultados são consolidaA expectativa é dos e reconhecidos os destaques entre criadores, expositores e que ela seja a maior animais. O presidente da ABCGil, Ronacional de todos drigo César Neiva Borges, ressalta que muitos criadores vêm os tempos se preparando desde o ano passado para a exposição, que terá pontuação diferenciada no ranking. “Apesar dos desafios do setor leiteiro neste ano, o produtor tem cada vez mais consciência de que a genética superior é essencial para a sua lucratividade. A genética leiteira, seja pura ou

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4ª EXPOLEITE

em seus cruzamentos, é cada vez mais demandada no Brasil e também no exterior”, destaca. Para ele, a realização conjunta com a ExpoLeite potencializa os dois eventos. O Gir Leiteiro, uma das principais raças zebuínas para a produção de leite, encontra na feira um ambiente voltado justamente à discussão e à valorização da pecuária leiteira. “Essa parceria está sendo de sucesso e está dando muitos bons frutos tanto para a ExpoLeite quanto para a Nacional do Gir Leiteiro”, completa. Além da programação voltada à exposição de animais e aos negócios, a 4ª ExpoLeite chega com uma importância crescente no calendário técnico da ABCZ. De acordo com o gerente de Melhoramento Genético do Leite da entidade, Rafael Vizoná, o evento passa a ocupar um espaço ainda mais estratégico para o PMGZ Leite. Pela primeira vez, o programa contará com duas avaliações genéticas ao longo do ano. A primeira foi apresentada durante a ExpoZebu e a segunda será lançada na ExpoLeite, ampliando a frequência de atualização das informações utilizadas pelos criadores. “Pela primeira vez, o PMGZ Leite

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vai ter duas avaliações geA ExpoLeite néticas por ano. Como usupassa a ocupar um almente nós lançamos na ExpoZebu, agora vamos espaço ainda mais lançar na ExpoLeite. Ela entra, então, no calendáestratégico para o rio de eventos e no calendário técnico do PMGZ LeiPMGZ Leite te”, explica Vizoná. Outro avanço importante será a ampliação da avaliação genômica. Depois do lançamento da avaliação genômica do Gir durante a ExpoZebu, a ExpoLeite será o palco para uma nova etapa desse processo, consolidando a entrada do programa em uma nova fase. “Agora, de fato, a partir dessa ExpoLeite, o PMGZ Leite entra na sua totalidade na era genômica”, ressalta. “Será um evento dotado de muitos atores da cadeia do leite brasileiro e, como sempre, será um palco não só para as avaliações em pista e em torneio, mas também para as discussões sobre o futuro da produção de leite e da genética de leite no Brasil”, resume Rodrigo Simões.


ARTIGO

O equilíbrio fundamental entre

ganho e diversidade genética

T

odo programa de melhoramento genético tem um objetivo central: promover o progresso genético sob a ótica da lucratividade. No curto prazo, projetos de melhoramento dos rebanhos buscam elevado progresso para garantir competitividade. No entanto, no longo prazo, a sustentabilidade desses projetos depende da diversidade genética. O desafio diário do selecionador é equilibrar essa balança na tomada de decisão. Com o advento das avaliações genômicas, estamos vivenciando uma nova revolução no progresso genético anual. Estudos recentes indicam que para a raça Holandesa dos EUA, na qual a seleção genômica tem sido sistematicamente aplicada desde o ano de 2009, o ganho genético anual para algumas características quase triplicou após a implementação das avaliações genômicas. Contudo, o aumento anual no coeficiente de endogamia médio dos animais também deu um salto surpreendente.

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Dr. Rodrigo Junqueira Pereira Zootecnista Professor de Melhoramento Genético e Estatística na Universidade Federal de Rondonópolis, Mato Grosso

O EFEITO DO “COMBO PERIGOSO”

O ganho genético anual é determinado por quatro fatores: intensidade de seleção, acurácia de seleção, intervalo de geração e variabilidade genética. A genômica confere ao selecionador o poder de selecionar uma proporção muito menor de reprodutores (maior intensidade), com avaliações auxiliadas pelo DNA (maior acurácia) e utilizando animais cada vez mais jovens (menor intervalo de geração). Aplicar esses fatores ao extremo, sem atenção a detalhes técnicos, pode gerar o que chamamos de “combo perigoso”: o ganho genético inicial nas primeiras gerações é extraordinário, mas o “tanque de combustível” (a diversidade e variabilidade genética) “seca” com o passar do tempo. “A busca por acelerar o ganho genético pode levar ao aumento excessivo da endogamia e à redu-

ção da variabilidade genética, que por sua vez é o próprio combustível para o ganho genético.” A ENDOGAMIA E SEUS PREJUÍZOS SILENCIOSOS

O aumento acelerado da endogamia eleva a homozigose. Isso pode resultar em problemas facilmente observáveis, como o aumento da incidência de doenças ou defeitos genéticos relacionados a alelos recessivos. No entanto, há também a depressão endogâmica,


ARTIGO

um fenômeno que reduz silenciosamente o desempenho dos animais. As possíveis explicações para o menor desempenho de um animal endogâmico parecem estar principalmente relacionadas a dois fenômenos. Um animal mais endogâmico, mais homozigoto, teria menor diversidade de alelos para os diferentes genes e com isso poderíamos vislumbrar que ele teria um menor “repertório fisiológico”, ou seja, seria menos capaz de lidar com mudanças de ambiente. Acredita-se também que o aumento da homozigose para muitos alelos recessivos prejudiciais poderia fazer com que o animal acumulasse “micro-defeitos” ou “pequenas falhas fisiológicas” que fariam com que o seu desempenho piorasse. Diversos estudos ao redor do mundo, inclusive com zebuínos no Brasil, observaram queda de desempenho nos animais endogâmicos em características de crescimento, reprodução e produção. OS PRINCÍPIOS NORTEADORES DO EQUILÍBRIO

Se o nosso rebanho fosse um carro, a variabilidade genética seria o combustível e a intensidade e a acurácia de seleção, bem como o intervalo de geração, seriam o acelerador. Pisar fundo no acelerador drena o combustível rapidamente, gerando alta endogamia e perdas de desem-

penho. A solução não é “frear” e parar o melhoramento, mas sim “dirigir de forma racional”. Para equilibrar ganho e variabilidade genética, o criador pode aplicar o que chamamos de princípios norteadores das decisões: 1. Evitar o foco excessivo em uma única característica: selecionar para apenas uma característica é a forma mais rápida de drenar a variabilidade genética. Por outro lado, utilizar índices de seleção, que contemplem diversas características alinhadas aos objetivos de seleção da fazenda, pode preservar melhor a variabilidade genética do rebanho. 2. Diversificar o uso de reprodutores: utilizar um número maior de reprodutores de diferentes linhagens contribui para a manutenção variabilidade genética. 3. Utilizar software de acasalamento disponibilizado pelo programa: nele, é possível prever o mérito genético e o coeficiente de endogamia na progênie para cada acasalamento simulado, o que permite a tomada de decisão de forma muito mais consciente. 4. Genotipar os animais e evitar a co-seleção de parentes: é necessária cautela com o uso intensivo de FIV combinado à seleção de irmãos completos. Utilizar a avaliação genômica permite identificar entre os

Genotipar os animais

e evitar a co-seleção de parentes: é necessária

cautela com o uso intensivo de FIV combinado à seleção de irmãos completos

irmãos o indivíduo de maior valor genético, abrindo espaço para incluir animais de outras linhagens no processo seletivo. 5. Racionalizar a renovação de reprodutores e matrizes: a renovação excessivamente rápida dos animais selecionados para a reprodução eleva o risco de aumento exagerado da endogamia por ano, além de impedir que as vacas expressem características cujo fenótipo é medido em idades mais tardias, como longevidade e regularidade reprodutiva. Por fim, é essencial ressaltar que há muitos detalhes técnicos relacionados aos princípios norteadores e, portanto, é recomendável que o criador procure o corpo técnico do programa de melhoramento genético para que possa ser corretamente orientado no planejamento dos acasalamentos do seu rebanho.

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EXPOINEL, EXPOBRAHMAN E EXPOGUZERÁ

Três grandes vitrines da pecuária zebuína

Expoinel, ExpoBrahman e ExpoGuzerá reúnem, em outubro, o que há de melhor na seleção de três raças zebuínas Breno Cordeiro

Foto: Preta Ribeiro

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utubro será de celebração da genética zebuína no Parque Fernando Costa, em Uberaba (MG). Entre os dias 8 e 18, o recinto receberá simultaneamente três importantes exposições nacionais: a 55ª Expoinel, a ExpoBrahman 2026 e a 19ª ExpoGuzerá. Em comum, além da presença de animais de alto padrão genético e de criadores de diferentes regiões do país, os eventos têm o trabalho dedicado das associações promocionais que, ano após ano, movimentam suas raças, valorizam seus criadores e ajudam a levar ao campo os avanços conquistados pela seleção. A programação conjunta, que já demonstrou ótimos resultados em edições passadas, transforma o Parque Fernando Costa em uma grande vitrine da diversidade e da força da pecuária zebuína. Cada exposição, à sua maneira, apresenta as características que fazem de sua raça uma ferramenta importante para a produção animal brasileira, seja pela eficiência na produção de carne, pela aptidão leiteira, pela adaptação às condições tropicais ou pela capacidade de transformar genética selecionada em resultados no campo. Para a ABCZ, parceira das três iniciativas, a realização simultânea dos eventos reforça a importância de manter uma agenda que prestigie as raças, seus criadores e as entidades que trabalham pela evolução da pecuária. EXPOINEL: A FORÇA DA PRINCIPAL RAÇA DE CORTE DO BRASIL

Promovida pela Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), com apoio da ABCZ e da Matsuda

Sementes e Nutrição Animal, a 55ª Expoinel será realizada de 8 a 18 de outubro. Considerada a principal exposição da raça Nelore, a feira reunirá animais das variedades Nelore, Nelore Mocho e Nelore Pelagens, encerrando o calendário de exposições oficiais do Ranking Nacional de animais, criadores e expositores das três variedades. Em 2025, foram 1.020 animais inscritos nos julgamentos, e a expectativa para esta edição é superar a marca. Reunindo exemplares de alto padrão, a Expoinel representa o ponto de encontro de um trabalho desenvolvido durante todo o ano por criadores de diferentes regiões do país. “É na pista de Uberaba que o trabalho desenvolvido ao longo de todo o ano ganha destaque e os resultados acumulados nas diferentes etapas são consolidados, revelando os grandes destaques nacionais da raça”, destaca o presidente da ACNB, Victor Miranda. Segundo Victor, a importância da Expoinel também está diretamente ligada ao peso do Nelore na pecuária brasileira. Responsável por mais de 80% do rebanho nacional, a raça ocupa posição central na produção de carne do país. Por isso, a exposição também se apresenta como uma vitrine do melhoramento genético que busca resultados econômicos cada vez mais expressivos, com foco em características como precocidade, fertilidade e qualidade de carne e carcaça. “Temos muito orgulho de promover a Expoinel porque ela é a exposição mais importante do Nelore e um grande momento de celebração da raça e do trabalho dos criadores”, afirma Miranda.


EXPOINEL EXPOBRAHMAN EXPOGUZERÁ

EXPOBRAHMAN: GENÉTICA CADA VEZ MAIS COMPETITIVA

Também entre os destaques de outubro estará a ExpoBrahman 2026, entre os dias 12 e 18. Para a Associação dos Criadores de Brahman do Brasil (ACBB), a expectativa é realizar uma edição especial, marcada pela qualidade dos animais, pela participação de criadores de diferentes regiões e pela demonstração da evolução genética alcançada pelo Brahman brasileiro. O presidente da ACBB, Guilherme Bendilatti, ressalta que a exposição será uma oportunidade para mostrar que o trabalho de seleção da raça vai muito além da qualidade visual dos animais. “O Brahman brasileiro tem hoje muito a mostrar para o mundo. Temos uma raça extremamente adaptada às condições tropicais, com qualidade genética, precocidade, fertilidade, eficiência e excelente capacidade de produção de carne”, destaca. Para Bendilatti, um dos grandes diferenciais construídos pelos criadores brasileiros foi justamente a associação entre qualidade genética e desempenho a campo. “Queremos mostrar para o mundo não apenas animais bonitos, mas uma genética que funciona, que produz e que contribui para uma pecuária mais eficiente”, afirma. Além da competitividade esperada na pista, a ExpoBrahman será também espaço para confraternização, troca de experiências e geração de negócios. A exposição sintetiza o trabalho realizado ao longo de anos de seleção e coloca em evidência o potencial de uma raça que encontrou nas condições tropicais brasileiras um ambiente para demonstrar sua eficiência.

ao público a versatilidade e o potencial produtivo destes animais. A programação inclui leilões, palestras, julgamentos de Guzerá de corte e Guzerá Leiteiro, torneio leiteiro, mostra de Guzolando e assembleia. Um dos momentos históricos da exposição será o lançamento do Regulamento Geral dos Campeonatos e Competições do Guzolando F1 MAX, desenvolvido pela ACGB em parceria com a ABCZ e que será válido para exposições oficializadas pela associação. Para o presidente da ACGB, Raul Prates, a iniciativa representa um novo passo para o Guzolando, raça que vem ampliando sua presença no Brasil e que passará a contar com um regulamento específico para valorizar sua qualidade também nas pistas. “Será um marco na história do Guzolando, que vem crescendo no Brasil e agora terá a oportunidade de mostrar sua qualidade nas pistas das exposições”, afirma. A experiência da raça também poderá ser conhecida de maneira

bastante saborosa pelos visitantes. Durante a Nacional, a sede da ACGB, no Parque Fernando Costa, receberá o público para degustação de carne e leite de Guzerá, além de produtos como doce de leite e pão de queijo preparados com leite de animais da raça. A programação também chega em um momento de forte expansão da genética Guzerá. De acordo com Prates, a raça está entre as que mais comercializam doses de sêmen no Brasil e figura entre as mais exportadas, especialmente para países da América Latina e da África. A exportação de animais vivos também está aquecida, impulsionada pelo interesse de outros mercados em utilizar a genética Guzerá para elevar a produção de carne e leite. “São resultados que mostram a força de uma genética provada pela ciência, por meio das provas zootécnicas, e com eficiência comprovada no campo pelos pecuaristas”, destaca.

Com uma programação especial que dá continuidade à comemoração dos 70 anos da Associação dos Criadores de Guzerá e Guzolando do Brasil (ACGB), a 19ª Exposição Nacional Guzerá e Guzolando será realizada de 12 a 18 de outubro. A expectativa da entidade é reunir um número expressivo de animais e apresentar

Foto: Zzn

EXPOGUZERÁ: 70 ANOS DE HISTÓRIA E MUITA GENÉTICA PARA MOSTRAR

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EXPOGENÉTICA

Genética • Fenótipo • Avaliação O caminho mais forte para o melhoramento

EXPOGENÉTICA 50


EXPOGENÉTICA

ExpoGenética celebrou sua 19ª edição com uma programação mais completa, assertiva e relevante que nunca Breno Cordeiro

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rodutores, pesquisadores, técnicos, estudantes e especialistas se reuniram no Parque Fernando Costa para a 19ª edição da ExpoGenética. Com uma programação que ressaltou o valor técnico e prático dos dados e informações que são a base do melhoramento genético das raças zebuínas, a feira consolidou mais uma vez a sua importância enquanto vitrine tecnológica para a evolução do Zebu e das cadeias produtivas da carne e do leite. A ExpoGenética soma quase duas décadas de inovação e de trabalho científico. E, a cada edição, a sua programação vem crescendo e multiplicando as suas abordagens, deixando o evento cada vez mais completo. Neste ano, a feira equilibrou negócios e conteúdo técnico, incluindo 31 leilões e sete shoppings de animais, lançamento de avaliações genéticas e sumário de raças, fechamento do Programa Nacional de Avaliação de Touros Jovens (PNAT), programação para visitantes estrangeiros e agenda de debates especializados, bem como ações do Museu do Zebu, ABCZ Mulher e ABCZ Jovem, e a segunda edição da ABCZ Walk n’ Run. Homenagens tradicionais, como o Mérito ExpoGenética e Mérito ABCZ Mulher, também foram destaque. A 19ª ExpoGenética foi realizada pela ABCZ, com o apoio da Emater-MG, das Faculdades Associadas de Uberaba (Fazu), do Sebrae e do Sistema CNA/Faemg/Senar. A feira contou com o patrocínio da Neogen, Virbac, Romancini Troncos & Balanças e Real H – Nutrição e Saúde Animal. A cerveja oficial foi a Amstel, e a distribuidora oficial foi a Geremia Fest.

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EXPOGENÉTICA

Ciência, dados e seleção: o melhoramento genético em evolução Thaís Ferreira

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evolução do melhoramento genético esteve no centro da programação técnica da 19ª ExpoGenética. Criadores, pesquisadores e profissionais do setor discutiram a qualidade das informações utilizadas nas avaliações genéticas, novas metodologias de seleção, eficiência alimentar, características de importância econômica e os efeitos da interação entre genética e ambiente. O 6º Encontro Nacional de Criadores do PMGZ colocou a qualidade dos dados no centro das discussões. A precisão das informações coletadas nas propriedades é fundamental para que as avaliações genéticas produzam resultados confiáveis e contribuam para decisões mais assertivas na seleção. “O local onde o dado foi coletado e as condições ambientais que fizeram com que aquele animal manifestasse determinado fenótipo são fundamentais. A avaliação genética trabalha com comparações e diferenças entre indivíduos. Se essas diferenças tiverem origem em um manejo que privilegia um animal em relação a outro, todo o restante da avaliação estará comprome-

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A avaliação

genética trabalha com comparações e diferenças entre indivíduos


EXPOGENÉTICA

tido”, destaca o superintendente técnico da ABCZ e mediador do encontro, Luiz Antonio Josahkian. A discussão também avançou para a relação entre genética e resultado econômico. O pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, Fernando Flores Cardoso, apresentou aspectos relacionados ao Índice ABCZ e à importância de considerar o impacto econômico das características avaliadas. “O Índice ABCZ combina características de acordo com o valor econômico que elas representam. O objetivo é entender quanto essas características podem contribuir para o resultado e para o lucro das fazendas comerciais que adquirem esses reprodutores”, explica. Outro ponto abordado foi a capacidade das novas tecnologias de ampliar o número de características que podem ser mensuradas e incorporadas aos processos de seleção. O consultor do PMGZ e pesquisador Guilherme Rosa, da University of Wisconsin-Madison, citou a eficiência alimentar e a qualidade da carne como exemplos desse avanço. “Hoje, temos c a ra c t e r í s t i c a s que antes não era possível medir e que passaram a ser avaliadas graças ao avanço dessas tecnologias. É o caso do consumo de alimentos e, consequentemente, da eficiência alimentar, além da qualidade do produto”.

a confiabilidade das avaliações genéticas e permite identificar, ainda nos animais jovens, aqueles com maior potencial genético. Neste ano, a ABCZ também alcançou a marca de 700 mil genótipos analisados. “Em 2018, durante a primeira gestão do presidente Arnaldo, foi lançada a avaliação genômica da raça Nelore. Desde então, novas raças vêm sendo incorporadas ao programa. Nossa expectativa é que, até 2028, todas as raças zebuínas contem com avaliação genômica e que alcancemos a marca de um milhão de genótipos analisados”, destaca o superintendente adjunto de Melhoramento Genético da ABCZ, Henrique Torres Ventura. PIONEIRISMO

“A ABCZ está na vanguarda dos programas de melhoramento genético e o PMGZ conta hoje com o maior banco de dados do mundo de zebuínos. Isso nos dá uma confiabilidade muito grande”, completa o gerente do Departamento de Programas Técnicos e Fomento da ABCZ, Mauro Bueno da Fonseca. A certificação ISO 9001 das ava-

liações genéticas também foi apresentada como diferencial do programa. “A avaliação genética é um processo que transforma dado bruto em informação para tomada de decisão. Todas as etapas desse processo hoje são auditáveis. E isso foi certificado pela ISO 9001, que é um padrão internacional”, destaca Henrique Ventura. TÉCNICOS EM CONSTANTE ATUALIZAÇÃO

A aplicação dessas informações no campo passa também pela atuação dos técnicos que acompanham os criadores. Atualmente, a ABCZ conta com 101 técnicos de campo, que auxiliam na utilização das ferramentas de melhoramento e na condução dos processos relacionados ao registro genealógico. Tradicionalmente, durante a ExpoGenética, os profissionais passam por capacitação, com conteúdos relacionados a correções de genealogia, aspectos andrológicos, defeitos funcionais e raciais e atualizações do PMGZ e do PMGZ Leite. Para o técnico da ABCZ e presidente do CDT, Célio Arantes Heim, o processo é importante para alinhar conhecimentos e preparar os profissionais para os desafios encontrados no dia a dia das propriedades. “Isso promove uma reciclagem importante para o trabalho que desempenhamos no campo, no dia a dia”.

AVALIAÇÃO GENÔMICA DA RAÇA BRAHMAN

Entre as novidades do PMGZ, foram lançadas as avaliações genômicas da raça Brahman. A tecnologia, já utilizada nas raças Gir, Guzerá, Nelore e Tabapuã, amplia o alcance da genômica dentro do programa e aproxima a ABCZ da meta de disponibilizar a ferramenta para todas as raças zebuínas até 2028. A avaliação genômica aumenta

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EXPOGENÉTICA

Leilões revelam mercado aquecido Breno Cordeiro e Thaís Ferreira

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s leilões e shoppings da 19ª ExpoGenética confirmaram mais uma vez a sua força como vitrine de genética e negócios para a pecuária brasileira. Ao longo da programação comercial da feira, foram realizados 31 leilões oficiais, que faturaram R$ 126.656.400,00. O resultado reflete um cenário de mercado favorável para investimentos em genética. A valorização do boi gordo e dos animais de reposição tem contribuído para um ambiente de negócios mais aquecido, estimulando os produtores a investir na formação e no aprimoramento de seus rebanhos. Nesse contexto, a ExpoGenética se consolida como um ponto de encontro entre oferta de genética de qualidade e a demanda de criadores interessados em avançar seus programas de seleção. Para o diretor de Leilões da ABCZ, Ângelo Tibery, a

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Leilões oficiais

força comercial da feira está diretamente relacionada à qualidade dos animais ofertados e à confiança construída pelo trabalho de avaliação genética. “A ExpoGenética é uma feira importantíssima, que reúne animais avaliados e oferece confiabilidade aos compradores. Os criadores brasileiros são muito criteriosos, e a feira vem crescendo ano a ano, com resultados expressivos e animais cada vez mais diferenciados. Isso mostra a evolução deste trabalho, fruto da competência dos criadores e de uma feira que já é reconhecida mundialmente.” Além dos 31 leilões oficiais, a agenda comercial da 19ª ExpoGenética também contou com sete shoppings de animais. Os resultados dessas operações, no entanto, não foram contabilizados no balanço dos remates até o fechamento desta edição da Revista ABCZ. 

Faturamento de mais de

R$ 126 milhões


EXPOGENÉTICA

ABCZ Mulher amplia espaço

para protagonismo feminino Breno Cordeiro e Thaís Ferreira

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o longo da programação da feira, a ABCZ Mulher promoveu uma série de iniciativas voltadas à informação, à capacitação, à troca de experiências e à valorização das mulheres que atuam em diferentes áreas do agronegócio. Entre os destaques estiveram o primeiro Dia de Campo, o 9º Encontro ABCZ Mulher, além de debates sobre comunicação, abertura de mercados e protagonismo feminino. Entre os primeiros eventos, a ABCZ Mulher colocou a comunicação no centro das discussões. O encontro mostrou como o marketing pode ser utilizado não apenas para divulgar produtos e propriedades, mas também para contar histórias, fortalecer marcas e aproximar o produtor do consumidor. A comunicadora Consuelo Mansur destacou a qualidade e o potencial dos produtos brasileiros e a importância de posicionar também as marcas dos pequenos produtores. Para a presidente da ABCZ Mulher, Iara

ampliar a

visibilidade da atuação feminina é fundamental

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Primeiro Dia de Campo da ABCZ Mulher

Marquez, ampliar a visibilidade da atuação feminina é parte fundamental desse processo. Um dos exemplos apresentados foi o da médica e pecuarista Valéria Guimarães, integrante da ABCZ Mulher e responsável pelo Tabapuã Balsas Onda Verde. Quarta geração de uma família ligada à pecuária, Valéria contou como a comunicação passou a fazer parte da estratégia do criatório, ajudando a apresentar ao público o trabalho desenvolvido na propriedade. A experiência mostrou, na prática, o potencial das redes sociais para aproximar produtores e consumidores e criar novas conexões. Segundo Valéria, a divulgação do trabalho com a raça Tabapuã despertou o interesse de pessoas de diferentes países, inclusive da Austrália, ampliando o alcance da propriedade e abrindo novas possibilidades de relacionamento. A conexão também foi tema do encontro “Elas conectam mercados”, que reuniu mulheres dos quatro cantos do mundo envolvidas na promoção do agronegócio brasileiro e na abertura de oportunidades para os produtos nacionais no exterior. Entre os assuntos discutidos esteve o trabalho dos adidos agrícolas brasileiros, profissionais que atuam

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junto às embaixadas e missões internacionais na promoção dos produtos agropecuários do país. Ângela Pimenta Peres, diretora de Promoção do Agronegócio do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), destacou a presença feminina nessa estrutura: dos 40 adidos agrícolas brasileiros atualmente em atuação pelo mundo, 13 são mulheres. A atuação internacional já contribuiu para a abertura de quase 700 novos mercados para produtos brasileiros. Para Valéria Guimarães, ampliar e diversificar os destinos da produção é estratégico para uma cadeia que tem no mercado externo uma importante frente de crescimento. A médica veterinária Luna Lisboa

Encontro com adidos

Alves, que atua há oito anos na Embaixada do Brasil no México, compartilhou a experiência de trabalhar na abertura e consolidação de mercados para produtos agropecuários brasileiros. A aproximação promovida pelos profissionais do Mapa junto às representações diplomáticas fortalece o diálogo, a cooperação e as relações comerciais entre o Brasil e outros países. Para a presidente da ABCZ Mulher, Iara Marquez, a comissão também tem o desafio de levar essa discussão para outras regiões. A proposta é ampliar a iniciativa para diferentes estados brasileiros, aproximando a comissão de produtoras e criadoras de Norte a Sul do país. Outro momento marcante da programação foi a realização do primeiro Dia de Campo da ABCZ Mulher. Cerca de 100 mulheres participaram da atividade na Fazenda Experimental Orestes Prata Tibery Júnior, em Uberaba (MG), em um dia dedicado ao conhecimento, à tecnologia e à troca de experiências. A escolha do local proporcionou às participantes uma experiência direta com projetos desenvolvidos pela ABCZ. Ao longo dos 75 hectares da Fazenda Experimental, foram apresentados trabalhos relacionados à integração lavoura-pecuária-floresta,


EXPOGENÉTICA

recuperação de pastagens, bem-estar animal, quarentenário, avaliação de ganho de peso e pesquisas relacionadas à influência da temperatura da água sobre os animais. A programação também trouxe experiências de mulheres que atuam em diferentes realidades do agronegócio. Entre elas, a técnica em agropecuária Simone Roncada, primeira mulher a trabalhar com zebuínos na Angola no período pós-guerra. Durante três anos, ela participou da reconstrução da pecuária

local e compartilhou com as participantes os desafios e aprendizados dessa trajetória. O encontro reuniu desde profissionais com décadas de atuação no setor até produtoras que estão iniciando sua trajetória. “Este foi o primeiro de muitos encontros. A cada edição, queremos buscar novidades e ampliar a oferta de inovação e tecnologia. Para o próximo ano, estudamos ampliar o número de vagas e proporcionar essa experiência a ainda mais mulheres”, diz Iara. O protagonismo feminino ganhou ainda mais força durante o 9º Encontro ABCZ Mulher, realizado no dia 20 de agosto. O tradicional evento reuniu mulheres para uma programação que passou por temas como moda, liderança, empreendedorismo, inovação e tecnologia, além de promover espaço para exposição e comercialização de produtos. As discussões abordaram a liderança feminina e a capacidade das mulheres de ocupar diferentes funções dentro da cadeia produtiva. “A mulher exerce a liderança natural-

mente, inclusive na administração da própria casa. Muitas vezes, porém, não reconhece essa capacidade. Quando encontra espaço para demonstrar sua competência, pode atuar em diferentes áreas do setor, como técnica, criadora, gestora ou colaboradora”, afirma Iara Marquez. No período da tarde, a senadora e ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina participou da programação e falou sobre a importância do agronegócio para o país e sobre a crescente presença feminina na gestão de propriedades e empresas ligadas ao setor. O 9º Encontro ABCZ Mulher, que contou com o projeto Mulheres no Agro, foi realizado com patrocínio da Cemig, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, e com apoio da Emater Minas Gerais. A programação do 9º Encontro ABCZ Mulher foi encerrada com a entrega do Mérito ABCZ Mulher e da Homenagem Especial ABCZ Mulher. Os reconhecimentos celebraram oito personalidades com trajetórias de destaque no agronegócio, na gestão pública, na segurança, na educação, na saúde e na própria ABCZ.

CONHEÇA OS HOMENAGEADOS DA ABCZ MULHER Mérito ABCZ Mulher

Claudia Pineda

Jacqueline Cecília Araújo

Letícia Zamperlini Jacintho

Marcela Galvão de Barros França

Homenagem Especial ABCZ Mulher

Coronel PM Cleide Barcelos dos Reis Rodrigues

José Rubens de Carvalho

Letícia Baptista Gamboge Reis

Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias

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O Salão Internacional amplia conexões e aproxima genética zebuína de novos mercados

Thaís Ferreira

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interesse internacional pela genética zebuína brasileira ganhou novas dimensões durante a feira. O Salão Internacional recebeu mais de 160 visitantes de 15 países, aproximando criadores, empresas e estrangeiros da produção e das tecnologias desenvolvidas pela pecuária brasileira. “Percebemos uma mudança no perfil dos países que estão chegando, cada vez mais amplo. Estamos com pessoas de outros continentes, não só do continente americano e da África, mas também da Ásia se interessando em vir”, destaca a supervisora de Relações Internacionais da ABCZ, Raquel Dal Secco Borges. As ações do Brazilian Cattle, projeto desenvolvido pela ABCZ em parceria com a ApexBrasil, contribuíram para aproximar empresas brasileiras de potenciais parceiros internacionais. A proposta reúne diferentes segmentos da cadeia produtiva e combina conteúdo técnico, relacionamento e oportunidades comerciais. “Criamos um ambiente propício, com toda atenção

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e toda a estrutura para conectar e encontrar essas partes, com o objetivo claro de fazer negócio. Aliado a isso, montamos uma programação de conteúdos, palestras e cursos que dão sustentação aos negócios”, detalha o gerente de Relações Internacionais da ABCZ, Juan Lebrón. Para quem participa do projeto, as conexões construídas representam aprendizado e troca de experiências. O pecuarista Anderson Carlos do Nascimento destaca a aproximação com criadores e visitantes de diferentes países. “São bons relacionamentos, boas amizades e muito aprendizado, tanto com os criadores quanto com os visitantes que vêm de fora e trazem novos conhecimentos de seus países”. A presença inédita de representantes do Sudão com-


EXPOGENÉTICA

Nosso alvo tem

sido promover

iniciativas que ajudem a aproximar o Brasil de mercados em expansão

provou a expansão do relacionamento internacional. “Eles já planejaram a vinda para a ExpoGenética e também para a ExpoLeite, em outubro. Sabemos que uma coisa é atrair o cliente e outra é fidelizá-lo. E estamos vendo isso acontecer com alguns países”, salienta Raquel. Nos últimos três anos, 76 novos mercados foram abertos para produtos ligados ao agronegócio, incluindo sêmen, embriões, animais e sementes. O movimento amplia as possibilidades para a genética zebuína e para os demais segmentos da cadeia produtiva brasileira. “Isso indica que todos os olhos do mundo estão sobre o Brasil e sobre a pecuária brasileira, o que nos deixa muito orgulhosos”, completa Raquel. O espaço também foi palco de iniciativas que ampliaram a programação internacional da feira. Destaque para o lançamento do Index ASBIA, elaborado pela Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA), em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), da USP. O encontro reuniu associados e

parceiros da entidade, em formato presencial e híbrido, para a apresentação dos resultados do primeiro semestre e o lançamento do G30. “Foi extremamente interessante e oportuno para conexões, para mostrarmos ao setor o papel institucional da ASBIA e a colaboração da associação como instituição, além do retorno que esse trabalho proporciona à sociedade”, destaca a executiva da ASBIA, Lílian Matimoto. A arte também encontrou espaço entre as conexões internacionais da ExpoGenética. Foram expostas

obras do artista plástico Diego Penedo, produzidas em homenagem a criatórios parceiros da ABCZ. A relação entre Penedo e a ABCZ começou há cerca de dez anos, quando o Brazilian Cattle demonstrou interesse por seu trabalho. Desde então, a pecuária passou a ocupar um lugar especial. “Percebi que não era só uma pintura. Ali estava representando um legado, uma história, gerações. Então, não é só um boi, não é só uma vaca. É valorizar histórias dos pecuaristas através da arte”, ressalta. 

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EXPOGENÉTICA

Pecuária

leiteira

em destaque Thaís Ferreira

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econhecida como um dos principais eventos da pecuária de corte, a ExpoGenética ampliou, nesta edição, o protagonismo da cadeia produtiva leiteira. Pela primeira vez, um pavilhão foi dedicado ao leite de Zebu, aproximando criadores e visitantes das ferramentas de seleção genética e dos animais avaliados pelo PMGZ Leite. Além de apresentar animais Gir, Guzerá, Sindi e Guzolando, a iniciativa permitiu aos visitantes conhecer avaliações, certificados e informações que auxiliam na seleção dos rebanhos leiteiros.

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EXPOGENÉTICA

“O leite também gera tecnologia, resultados e evolução genética. Temos uma avaliação genética confiável, um programa de coleta de fenótipos bem estruturado e um trabalho constante de aprimoramento dos dados, com uso de tecnologias e ferramentas que fortalecem o melhoramento genético”, destaca o gerente de Melhoramento Genético do Leite, Rafael Vizoná. Segundo o pecuarista Vítor Machado, que expôs animais da raça Gir, o acesso às diferentes ferramentas de melhoramento é cada vez mais necessário diante da competitividade da atividade. “Todas as técnicas que são empregadas no melhoramento genético, desde a monta natural com touros registrados e aferidos até a clonagem, são ferramentas que determinam a eficiência da produção de leite. Hoje, como o mercado é extremamente competitivo, você precisa ter essas ferramentas à disposição. A eficiência de produção é muito necessária, é o que faz diferença no seu gráfico de custo, no seu rendimento”. O tema também ganhou espaço na programação técnica com a realização do 1º Fórum Zebu Leiteiro. Três palestras abordaram a aplicação da genômica na seleção, a diversidade funcional e os acasalamentos de precisão, colocando em discussão os caminhos para acelerar o ganho genético sem comprometer a variabilidade dos rebanhos. O superintendente-adjunto de Melhoramento Genético da ABCZ, Henrique Torres Ventura, abriu os debates com o tema “Genômica aplicada na seleção leiteira: vale o investimento?”. Na sequência, o médico-veterinário e pesquisador do Departamento de Desenvolvimento de Produto da PIC Genetics, Bruno da Costa Peres, falou sobre “Diversidade funcional no melhoramento genético”. O encerramento ficou a cargo do consultor do PMGZ Leite, zootecnista e pesquisador da Universidade Federal de Rondonópolis, Rodrigo Junqueira Pereira, que apresentou o tema “Acasalamentos de precisão: equilibrando ganho e diversidade genética”.

A PARTICIPAÇÃO DO ZEBU LEITEIRO NAS FEIRAS FATURAMENTO

ANIMAIS COMERCIALIZADOS

7º Leilão Virtual Evolução Genética

R$ 360 mil

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1º Leilão Milkland – Bey Gir Leiteiro e Girolando

R$ 625,8 mil

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1º Leilão Elite Gir Leiteiro TOP10

R$ 1,435 milhão

41

LEILÃO

“A atividade leiteira tem um caráter muito técnico, porque exige atenção a diversos fatores para que seja viável. No Zebu Leiteiro, temos essa mesma característica, com a coleta contínua de dados e a transformação dessas informações em ferramentas de seleção”, destacou o diretor da ABCZ, Rodrigo Simões. Outra novidade foi o lançamento

da Classificação Top Zebu Leiteiro, publicação que reúne matrizes zebuínas de destaque pelos desempenhos produtivo e reprodutivo. O documento apresenta categorias como Matrizes Eméritas e Matrizes Eméritas Precoces, além de informações sobre lactações vitalícias de animais das raças Gir, Guzerá e Sindi, classificados nas categorias Ouro, Prata e Bronze.

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EXPOGENÉTICA

Galeria Grandes Campeões da ExpoZebu, inaugurada na churrascaria Cupim Grill

Melhorias constantes!

O estacionamento em frente à sede da ABCZ oferece 35 novas vagas

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Breno Cordeiro

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19ª ExpoGenética foi também uma oportunidade para a ABCZ entregar novas melhorias e valorizar pessoas que fazem parte da história da associação. A programação da feira incluiu inaugurações e homenagens no Parque Fernando Costa, reunindo a diretoria, visitantes e os técnicos de campo que atuam em todo o Brasil. Entre as novidades, foi entregue a ampliação do estacionamento da sede da ABCZ, com 35 novas vagas. A intervenção amplia a estrutura disponível no Parque Fernando Costa e traz mais comodidade aos associados que frequentam o recinto não apenas durante as grandes exposições, mas ao longo de todo o ano. Outro espaço novo é a galeria dos Grandes Campeões e Grandes Campeãs da ExpoZebu. A iniciativa reúne os animais que conquistaram os principais títulos da última edição da maior exposição de raças zebuínas do mundo, preservando na churrascaria Cupim Grill o registro de alguns dos grandes protagonistas da feira. Todos os anos, a galeria será atualizada com os animais de destaque da ExpoZebu. A programação também foi marcada por uma homenagem especial a Eliana de Rezende, que passou a dar nome ao residencial feminino destinado às tratadoras de animais. A estrutura é voltada às profissionais responsáveis pelos cuidados com os exemplares durante as exposições realizadas no Parque Fernando Costa e representa mais uma iniciativa da ABCZ para oferecer melhores condições aos tratadores durante os eventos. A escolha do nome de Eliana carrega um significado especial para a história da entidade. Primeira mulher a integrar


EXPOGENÉTICA

Eliana também

esteve entre as

primeiras mulheres a atuar como juradas em pista, participando de julgamentos importantes A primeira técnica de campo da entidade teve o nome eternizado no Residencial do Parque

o corpo técnico da ABCZ, ela construiu uma trajetória de dedicação à pecuária zebuína, com atuação nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Rio Grande do Sul. Durante 13 anos, integrou ainda a equipe do Escritório Técnico Regional da ABCZ em Belo Horizonte (MG). O trabalho de Eliana foi reconhecido em diferentes momentos de sua trajetória. Em 2018, durante a 11ª ExpoGenética, recebeu o Mérito ABCZ Mulher. Seis anos depois, na 17ª edição da feira, foi homenageada pelo Museu do Zebu por sua contribuição para o desenvolvimento da pecuária zebuína. Eliana também esteve entre as primeiras mulheres a atuar como juradas em pista, participando de julgamentos importantes durante a ExpoZebu. Falecida em novembro de 2025, Eliana deixou esposo e enteado, além de um legado que permanece ligado à história da ABCZ e ao desenvolvimento da pecuária zebuína. Ao batizar o residencial feminino do Parque Fernando Costa, a entidade mantém viva a memória de uma profissional que ajudou a abrir caminhos para outras mulheres dentro da atividade. A ABCZ também inaugurou o novo receptivo do Residencial do Parque, um espaço com capacida-

de para hospedar até 326 tratadores durante os eventos promovidos pela entidade. Encerrando a programação de inaugurações, a ABCZ entregou ainda um novo galpão para armazenamento de palha no Parque Fernando Costa. A estrutura amplia o suporte oferecido aos animais durante as exposições, contribuindo para a organização das atividades e para o bem-estar dos exemplares alojados no recinto. Por fim, o Grupo Mônica passa a ter um estande fixo no Parque Fernando Costa, um lar permanente no recinto para a marca referência no mercado.

Novo galpão para palha do Parque Fernando Costa

As ações dão continuidade a iniciativas inauguradas durante a 91ª ExpoZebu, como o estande fixo da Beckhauser, novos sanitários no parque e um novo pavilhão de animais.

Equipe de técnicos de campo da ABCZ, reunida durante homenagem à Eliana de Rezende

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EXPOGENÉTICA

Mérito ExpoGenética

reconhece trajetórias que impulsionam a pecuária brasileira

Breno Cordeiro

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esta edição da feira, o Mérito ExpoGenética voltou a destacar personalidades e instituições com atuação ligada ao avanço da seleção, da pesquisa, do ensino e da produção. A homenagem foi entregue na manhã de 18 de agosto. Criado durante a primeira gestão de Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges à frente da ABCZ, entre 2016 e 2019, o Mérito ExpoGenética se consolidou como uma forma de reconhecer pessoas e empresas que desempenham papel relevante na evolução das raças zebuínas e da pecuária. Nesta edição, foram homenageadas nove personalidades e uma empresa, representando diferentes áreas

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de atuação. Segundo o presidente da ABCZ, os agraciados têm em comum o compromisso com o fortalecimento do agronegócio brasileiro e com a construção de uma pecuária cada vez mais eficiente e competitiva. “No dia de hoje, homenageamos nove personalidades e uma empresa que se destacam em diversos segmentos, mas que têm um propósito em comum: ajudar a desenvolver o agro brasileiro. E vamos continuar fazendo do nosso país uma potência mundial na produção de alimentos”, afirmou o presidente, na ocasião. Arnaldo também destacou que a evolução da pecuária zebuína brasileira é resultado de um trabalho construído coletivamente ao longo

de décadas, envolvendo criadores, pesquisadores, técnicos, empresas e profissionais de diferentes áreas. “É graças a vocês que a nossa pecuária se consolidou e se destaca como uma referência mundial na seleção das raças zebuínas. Para nós, da ABCZ, é uma alegria poder agradecer e contribuir de forma simbólica por todo o trabalho que cada um dos nossos homenageados vem exercendo em suas áreas de atuação.” A escolha dos homenageados reforça justamente essa diversidade. Na Categoria Criador, receberam o reconhecimento Churchill Cavalcanti César, Clodoaldo Sérgio Bendilatti, Eduardo Tamer Neto, Marcos Martins Villela, Maurício Silveira Coelho, Paulo Xavier Trindade e Ricardo de Andrade Gouveia. Na Categoria Empresa, o Mérito foi concedido à Neogen, reconhecendo sua atuação ligada ao desenvolvimento de soluções e tecnologias aplicadas à pecuária. A Categoria Ensino e Pesquisa homenageou Lúcia Galvão de Albuquerque, em reconhecimento à contribuição para a geração e disseminação de conhecimento. Já na Categoria Técnico, o agraciado foi Luís Gustavo Kraemer Wenzel, destacando a importância do trabalho técnico para a evolução dos sistemas de seleção e produção.


EXPOGENÉTICA

CONHEÇA OS HOMENAGEADOS CATEGORIA CRIADOR

Churchill Cavalcanti César

Clodoaldo Sérgio Bendilatti

Eduardo Tamer Neto

Marcos Martins Villela

Maurício Silveira Coelho

Paulo Xavier Trindade

CATEGORIA EMPRESA

CATEGORIA ENSINO E PESQUISA

NEOGEN

Lúcia Galvão de Albuquerque

Ricardo de Andrade Gouveia

CATEGORIA TÉCNICO

Luís Gustavo Kraemer Wenzel

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EXPOGENÉTICA

Jovens discutem os caminhos da pecuária no

O evento

busca justamente aproximar essas duas gerações

16º Encontro Rural Jovem

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Thaís Ferreira

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19ª ExpoGenética também abriu espaço para a formação e a troca de experiências entre quem está começando a construir a trajetória na pecuária. Cerca de 100 estudantes, produtores e jovens profissionais participaram do 16º Encontro Rural Jovem, realizado pela ABCZ Jovem, com debates sobre sucessão, tomada de decisões, melhoramento genético e os desafios e oportunidades do setor. A programação foi dividida em dois painéis. O primeiro reuniu Otávio Vilas Boas e Luiz Bonilha, enquanto o segundo contou com a participação de Shiro Nishimura. “Faz todo sentido realizar o 16º Encontro Rural Jovem dentro da ExpoGenética. É uma oportunidade de aproximar os jovens desse mercado que tanto amamos, promover debates e trazer informações importantes para quem está construindo sua trajetória no setor”, destaca o diretor de Eventos da ABCZ Jovem, Augusto Leão Guimarães. A troca entre diferentes gerações também foi destacada pela diretora de Marketing da ABCZ Jovem, Maria Fernanda Mendonça Machado. “O mais importante é proporcionar aos jovens acesso à experiência de profissionais que têm muito a ensinar. O evento busca justamente aproximar essas duas gerações. Temos aqui palestrantes que são re-


EXPOGENÉTICA

Diretoria da ABCZ Jovem, responsável pela realização do 16º Encontro Rural Jovem

ferências e inspirações tato com palestrantes para muitos jovens”. tão qualificados”. Entre os assunA preparação tos discutidos, a para a vida prosucessão ganhou fissional tamespaço pela rebém passa pelas alidade de muioportunidades tos participantes encontradas que já começam ainda durante a a assumir resformação. TécShiro Nishimura ponsabilidades nico de campo compartilhou experiências nas propriedades da ABCZ, Otávio com os jovens da família. É o caso Batista Oliveira Vide Augusto Kyt, direlas Boas contou que, tor financeiro da ABCZ enquanto cursava a graJovem. Nascido em Brasília, ele duação, participou de eventos cursa faculdade em Ribeirão Preto e atividades promovidas pela ene participa da gestão da propriedatidade, experiência que contribuiu de da família no Maranhão. para ampliar seus conhecimentos “Sabemos que a responsabilidae relacionamentos profissionais. de é grande, principalmente por“Essa participação permite coque não queremos decepcionar nhecer pessoas, interagir com dinossos familiares, que confiam em ferentes segmentos da pecuária nosso trabalho de sucessão, nem e ampliar tanto o conhecimento os clientes que acreditam na gequanto às possibilidades profissionética que produzimos. Por isso, nais. Quando saí da faculdade, já buscamos melhorar continuamenestava empregado na ABCZ, e acrete. Oportunidades como esta condito que essa trajetória foi muito tribuem muito para ampliar nossa influenciada por essa participação bagagem, especialmente pelo conconstante nos eventos”.

Otávio Vilas Boas e Luiz Bonilha participaram do primeiro painel do 16º Encontro Rural Jovem

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EXPOGENÉTICA

Museu do Zebu

leva conhecimento, inclusão e educação para a ExpoGenética Breno Cordeiro e Thaís Ferreira

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Museu do Zebu ampliou sua atuação para além da preservação da história da pecuária zebuína. Integrando conhecimento, ciência, educação e inclusão à programação da feira, o espaço promoveu atividades que aproximaram estudantes, pesquisadores e diferentes públicos do universo do Zebu. Entre os destaques esteve a primeira edição do Concurso Técnico-Científico da ExpoGenética, que reconheceu seis trabalhos de estudantes de graduação e pós-graduação de diferentes instituições brasileiras. A iniciativa valorizou pesquisas relacionadas ao melhoramento genético de zebuínos, contemplando temas como produção, reprodução, qualidade da carne, sanidade e características genéticas das raças. Na categoria Graduação, o primeiro lugar ficou com José Ricardo Sobral da Silva, estudante de Medicina Veterinária da Uniceplac (DF), com um estudo sobre pre-

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dição genômica para produção de leite, intervalo entre partos e teor de gordura no leite em bovinos Sindi. O segundo lugar foi conquistado por Pedro Henrique Simielli Gonçalves, da Universidade de Uberaba (Uniube), e o terceiro por Júlia Carvalho de Melo, da Universidade de Brasília (UnB). Entre os pós-graduandos, o vencedor foi Gabriel Faria Pereira, mestrando em Sanidade e Produção Animal nos Trópicos pela Uniube. Seu trabalho avaliou métodos de ajuste do peso corporal aplicados à seleção de bovinos Sindi para características de carcaça. Beatriz Bastos Senes, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), ficou em segundo lugar, enquanto Silel Vinicius Simões Andrade Maciel, também da UFBA, conquistou a terceira colocação. Para Ana Cláudia Mendes de Souza, diretora da ABCZ e responsável pelo Museu do Zebu, a diversidade regional dos trabalhos foi um dos pontos positivos da iniciativa.


EXPOGENÉTICA

“Ao abrir espaço para esses estudantes, criamos uma oportunidade de aproximação entre a universidade, os futuros profissionais e a ABCZ.” A programação do Museu também foi marcada por uma experiência de inclusão. Por meio do projeto Meu Amigo Animal, 18 usuários do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Dr. Inácio Ferreira, de Uberaba (MG), participaram de uma visita adaptada ao Museu do Zebu e ao Parque Fernando Costa. A atividade proporcionou aos participantes contato com a história do Zebu, a exposição e os animais, criando uma experiência que uniu cultura, conhecimento e interação. A proposta é aproximar públicos que nem sempre conseguem participar das exposições durante a programação convencional. A aproximação com as novas gerações também esteve presente na programação por meio do projeto Fazu na Feira. Estudantes de diferen-

tes cursos da Faculdade Associada de Uberaba (Fazu), instituição educacional da ABCZ, participaram de atividades no Parque Fernando Costa. Os alunos de Pedagogia fizeram um tour pelo Museu do Zebu, conhecendo a trajetória das raças zebuínas e sua importância para a pecuária. Já estudantes de Zootecnia e Medicina Veterinária percorreram os pavilhões da ExpoGenética, observando animais, conversando com criadores e profissionais e relacionando os conhecimentos da graduação à realidade do setor. A experiência permitiu aos estudantes exercitar o olhar para características morfológicas e associá-las a informações como genealogia, pedigree, avaliação genética e genômica e DEPs. Para a professora da Fazu, Camila de Moraes Raymundo, a feira funciona como um laboratório a céu aberto, ao reunir animais de alto padrão e permitir a comparação entre exemplares contemporâneos.

Programa “Meu Amigo Animal”

“A participação dos estudantes nas feiras da ABCZ é uma oportunidade de colocar em prática conhecimentos relacionados à genética e ao melhoramento animal, ao mesmo tempo em que aproxima os futuros profissionais do mercado”, afirma o diretor executivo da Fazu, José Olavo Borges Mendes Júnior.

CONHEÇA OS VENCEDORES DO CONCURSO TÉCNICO-CIENTÍFICO CATEGORIA GRADUAÇÃO 1º LUGAR

2º LUGAR

3º LUGAR

José Ricardo Sobral da Silva

Pedro Henrique Simielli Gonçalves

Júlia Carvalho de Melo

CATEGORIA PÓS-GRADUAÇÃO 1º LUGAR

2º LUGAR

3º LUGAR

Gabriel Faria Pereira

Beatriz Bastos Senes

Silel Vinicius Simões Andrade Maciel

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EXPOGENÉTICA

Nova edição da ABCZ

Walk n’ Run

reúne 700 participantes Thaís Ferreira

A

nova edição da ABCZ Walk n’ Run marcou o encerramento da 19ª ExpoGenética, reunindo 700 corredores no Parque Fernando Costa. Com o tema “O poder da proteína a cada passo”, a prova contou com percursos de cinco e dez quilômetros. “Temos uma exposição muito técnica e entendemos que a corrida é uma maneira de trazer a comunidade para dentro do Parque Fernando Costa. Nada mais grandioso do que encerrar a ExpoGenética aproximando as pessoas da feira”, afirma o diretor de Comunicação e Marketing da ABCZ, José Olavo Borges Mendes Júnior. O sucesso do evento se confirmou antecipadamente. As inscrições se esgotaram e o primeiro lote, com 150 vagas a preço especial, terminou em minutos. “Se fazemos um evento e ele enche, e a população de Uberaba acredita, sabemos que estamos no caminho certo. Depois que as inscrições terminaram, tivemos pessoas

70

procurando por vagas. Isso mostra a força que a nossa corrida ganhou”, enfatiza José Olavo. Entre os participantes a técnica de campo da ABCZ, Marcela Galvão. “Às vezes estamos no campo, na correria, mas também corremos para manter o condicionamento físico, aliviar o estresse e buscar bem-estar e qualidade de vida. Foi uma experiência diferente, correr dentro da ABCZ com os companheiros de trabalho e todo o pessoal da cidade. Uma confraternização que vai ficar na memória”, conta. Marcos Brandão foi o primeiro colocado nos dez quilômetros e elogiou a organização da prova. “Foi uma prova muito boa! O evento soube prestigiar o atleta, porque teve bastante pontos de água, staff e sinalização. Parabéns à ABCZ, à Personal Run, que organizou, e aos atletas que participaram”. A ABCZ Walk n’ Run foi realizada pela ABCZ, com organização da Personal Run e apoio de Top Entretenimentos, Gabarito Uberaba, DDA

Malharia, CCM Indústria de Descartáveis, Sicoob, Objetivo Integrado, Friboi, Tremendão, Geremia Fest, Gafs Comunicação Visual, Fundação Cultural de Uberaba e Prefeitura de Uberaba. “É muito bom poder entregar um evento de qualidade e contar com a confiança de uma empresa grandiosa como a ABCZ, conhecida no Brasil e no mundo inteiro. É uma grande responsabilidade representar a entidade e, quando conseguimos entregar um evento com sucesso, terminamos muito felizes”, afirma Alessandro Rocha, organizador da prova. “Foi um momento muito especial, com a participação de criadores, do nosso corpo técnico e da comunidade. Encerrar a ExpoGenética com uma corrida como essa, com tanta gente e um astral tão positivo, mostra que conseguimos entregar uma feira técnica, mas também conectada com as pessoas”, completa o presidente da ABCZ, Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges.


EXPOGENÉTICA

Show Cabaré

marca estreia de programação musical na ExpoGenética Rona Abdalla

P

ela primeira vez, a feira começou sua programação com um grande show, realizado na noite de sábado (15), no Parque Fernando Costa. A atração foi o projeto Cabaré, que reuniu Leonardo e Bruno & Marrone. Com um repertório que atravessa gerações, os cantores revisitaram clássicos de suas trajetórias e levaram o público, composto por fãs de Uberaba e região, a cantar junto do início ao fim. O evento foi realizado pela Trio Produtora, Pró Eventos e Two Eventos. O cantor Thales Lessa abriu a programação e preparou o público para a noite de sucessos. O compositor trouxe composições que ganharam vida nas vozes de grandes artistas como Marília Mendonça e Jorge & Mateus. No intervalo entre as atrações, o DJ Maycon Yuri assumiu o comando da pista, mantendo a energia em alta. “Promovemos um encontro de gerações, de histórias e de emoções. Ver milhares de pessoas reunidas cantando os principais sucessos do sertanejo foi a confirmação de que conseguimos transformar essa abertura em uma noite que vai ficar na memória do público”, celebrou Cláudio Martins, da Trio Produtora.

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EXPOGENÉTICA

Homenagens reconhecem referências da pecuária zebuína brasileira

Luciano deixou

um legado que

ajudou a moldar a pecuária atual

Thaís Ferreira

C

onsagrada como a maior feira de zebuínos avaliados do Brasil, a diretoria da ABCZ reverenciou, in memoriam, alguns dos nomes que ajudaram a construir a ExpoGenética. Luciano Borges Ribeiro, titular do Rancho da Matinha, foi homenageado durante o Leilão Matinha ExpoGenética. Falecido em abril deste ano, Luciano foi uma das referências da pecuária brasileira e deixou uma contribuição que ultrapassou os limites de seu criatório. Quinta geração de produtores, Luciano iniciou suas atividades na pecuária na década de 1970 e, em 1985, tornou-se referência ao associar a genética superior da raça Nelore ao pastejo rotacionado, técnica ainda pouco difundida à época. O Rancho da Matinha também foi pioneiro na adoção de tecnologias como a ultrassonografia de carcaça e as provas de eficiência alimentar. “Luciano deixou um legado que ajudou a moldar a pecuária atual, uma contribuição imensurável à evolução da raça Nelore. Também foi um grande parceiro da ABCZ, sempre colaborando com novas ideias. A atuação dele ajudou a consagrar o Brasil como um dos mais importantes produtores de proteína animal no mundo”, destaca o presidente da ABCZ, Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges. Associado à ABCZ desde 2009, Luciano integrou a primeira comissão do Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ) e teve participação importante na consolidação do programa.

72


EXPOGENÉTICA

Claudio foi um dos

grandes incentivadores do melhoramento genético e da ExpoGenética

“Na concepção da ExpoGenética, sua participação foi decisiva e ele apostou forte na primeira edição do evento, trazendo mostras de animais decisivas para a compreensão do que é melhoramento genético. Ajudou a construir a identidade do evento que perdura até hoje”, afirma o superintendente técnico da ABCZ, Luiz Antonio Josahkian. No Programa Nacional de Avaliação de Touros Jovens (PNAT), Luciano também deixou sua marca. Foi dele a sugestão de medir a eficiência alimentar por meio do consumo alimentar residual (CAR) e de realizar o teste de forma padronizada e centralizada em Uberaba, permitindo comparações mais precisas entre os animais. Em 2022, Luciano recebeu o Mérito ABCZ ExpoGenética, uma das principais honrarias concedidas pela entidade. A memória de outros dois homens importantes para a pecuária zebuína também foi celebrada durante o Leilão Naviraí Camparino: os pecuaristas Claudio Sabino Carvalho e José Humberto Vilela Martins. Titular da Chácara Naviraí, Claudio Sabino Carvalho dedicou mais de 45 anos à seleção de zebuínos de corte, com foco em estrutura, funcionalidade e produtividade, sem perder de vista a caracterização racial. Em sua seleção a pasto, trabalhou com Brahman, Gir, Guzerá, Nelore e Nelore Mocho. Claudio também foi um dos grandes incentivadores do melhoramento genético e da ExpoGenética. Ao lado

José Humberto

tornou-se referência pelo compromisso com o melhoramento genético

de Luciano Borges Ribeiro e Nelson Pineda, contribuiu para a criação da feira durante a gestão de José Olavo Borges Mendes. A busca constante por animais funcionais fez da Chácara Naviraí uma importante fornecedora de genética para rebanhos de todo o país. José Humberto Vilela Martins, proprietário da tradicional Fazenda Camparino, que nos deixou muito recentemente, construiu uma trajetória de mais de seis décadas dedicada à pecuária zebuína nacional. Tornou-se referência pela seleção e pelo compromisso com o melhoramento genético, atuando com as raças Gir, Nelore, Nelore Mocho e Sindi. Mineiro de Ituiutaba, Zé Humberto chegou ao Pantanal mato-grossense em 1963, acompanhado da esposa, Edilza. Ao longo da trajetória, tornou-se presença frequente nas pistas de Uberaba e nos debates promovidos pela ABCZ. Em 2013, recebeu o Mérito ABCZ durante a ExpoZebu. “Tudo o que faziam, faziam com muita dedicação e competência. Tivemos a oportunidade de estar ao lado de seu Zé Humberto em muitos momentos, quando recebemos observações e ensinamentos importantes. O trabalho de criação precisa da presença da família, e o Zé Humberto e o Claudio Sabino fizeram esse trabalho dentro da família. Para nós, é um momento muito especial. Já estamos caminhando para a quarta geração dessas duas famílias”, destaca Arnaldo.

73


EXPOGENÉTICA

PNAT destaca a

qualidade dos

touros jovens Thaís Ferreira

D

esempenho, padrão racial, avaliação genética e diversidade de genealogias foram alguns dos critérios que orientaram a seleção dos touros do Programa Nacional de Avaliação de Touros Jovens (PNAT). Ao final da prova, 21 reprodutores Nelore, Nelore Mocho e Tabapuã foram classificados como superiores no Teste de Desempenho e Eficiência Alimentar (TDEA) e, posteriormente, 17 deles foram premiados, sendo 13 Nelore, dois Nelore Mocho e dois Tabapuã. A prova contempla avaliação visual pelo método EPMURAS, além do desempenho apresentado na prova, com base em aspectos como adequação ao padrão racial, genealogia e potencial de contribuição para os rebanhos que receberão o material genético dos reprodutores. “O objetivo é selecionar animais que estejam bem enquadrados no padrão racial e que apresentaram desempenho superior em relação ao grupo contemporâneo. Também é importante considerar a variabilidade genética, priorizando animais de genealogias diferentes e com boas avaliações”, explicou o zootecnista Guilherme Costa.

74


EXPOGENÉTICA

A diversidade genética é um dos aspectos valorizados pelo PNAT, que permite aos criadores participantes do PMGZ acessar reprodutores avaliados e de diferentes origens. Já o pecuarista Guilherme Gervásio, de Minas Gerais, destacou a oportunidade de ampliar as alternativas de seleção. “O PNAT reúne animais de diferentes regiões, o que proporciona uma diversidade interessante de morfologia e genealogia. Como participante do PMGZ, podemos escolher sêmen dos touros para utilizar na fazenda e, assim, incorporar genealogias diferentes das que usamos com maior frequência”. DISTRIBUIÇÃO DE DOSES DE SÊMEN

Os criadores do PMGZ já podem solicitar doses de sêmen dos touros classificados, ampliando a utilização da genética selecionada pelo programa. A ficha de inscrição para os interessados em receber o material genético já está disponível no site da ABCZ (www.abcz.org.br).

“O programa permite acompanhar o desempenho desses animais e identificar reprodutores que podem contribuir de forma significativa para as próximas gerações. A disponibilização desse material genético amplia o acesso dos criadores a animais avaliados e de alto potencial produtivo”, destaca o presidente da ABCZ, Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges. 9º LEILÃO PNAT

A nona edição do leilão faturou R$ 1.357.500, com média de R$ 44.146,34 por animal. O reprodutor mais valorizado foi 30282 FIV COL, que teve 50% de sua posse comercializada por R$ 300 mil. “O PNAT é um leilão muito interessante e, para o pecuarista que precisa de touros para sua vacada comercial, é uma das melhores fontes para buscar genética. A qualidade dos touros foi excepcional, com excelente padrão racial e avaliações muito equilibradas”, afirma o pecuarista Nelson Garcia. O técnico da ABCZ, Célio Aran-

tes Heim, chamou atenção para a evolução dos animais e para a distribuição dos compradores. “A cada ano, a qualidade dos animais evolui e a régua fica mais alta. Fiquei especialmente impressionado com a origem dos compradores. Não houve concentração das compras em poucos investidores. Isso demonstra a força do PNAT, que oferece touros destinados tanto à reprodução em rebanhos comerciais quanto às centrais e aos programas de teste de progênie”. O presidente da ABCZ ressaltou ainda a padronização observada nos animais levados à venda. “Desde a apresentação dos animais, fiquei impressionado com a padronização do grupo. Os touros apresentaram, de forma muito consistente, estrutura de membros, aparelhos reprodutores bem desenvolvidos, equilíbrio corporal e excelente arqueamento de costelas. Também chamou atenção a definição das características raciais, que demonstra a evolução alcançada pelas raças zebuínas”.

Faturamento de mais de

R$

1,3milhão

Média por animal

R$

44.146,34

75


EXPOGENÉTICA Confira a lista de touros classificados no PNAT 2026 RAÇA NELORE

76

Nome: SANTORO DO MARQUEZ Registro: MFAP 3770 Proprietário: AGROPEC. MÁRIO MARQUEZ LTDA

Nome: C5861 FIV DA EAO Registro: EAO C5861 Proprietário: EAO EMPREEND. AGROPEC. E ORGANIZAÇÕES LTDA

Nome: LASTIMOSO FIV AYMORÉ (LEVANTE FIV AYMORE) Registro: AYM 3516 Proprietário: MENCIUS MENDES ABRAHÃO

Nome: 3808 FIV PHOC Registro: PHOC 3808 Proprietário: AGROPECUÁRIA CUTOLO LTDA

​​​​​​​Nome: 3451 FIV DA MARCA AB Registro: AGBO 3451 Proprietário: AURÍCIO GOMES BARRETO

Nome: RÓTULO DO MARQUEZ Registro: MFAP 3677 Proprietário: AGROPECUÁRIA MÁRIO MARQUEZ LTDA

Nome: 30282 FIV COL (ARIAT FIV COL) Registro: COL 30282 Proprietário: COLONIAL AGROPEC. LTDA.

Nome: 3731 PHOC Registro: PHOC 3731 Proprietário: AGROPECUÁRIA CUTOLO LTDA

Nome: 7960 FIV DA RFA Registro: RFA 7960 Proprietário: JOSE ANTÔNIO FURTADO


EXPOGENÉTICA

RAÇA NELORE

Nome: OBSTÁCULO TE DA HORA Registro: HORA 8551 Proprietário: JOSÉ ROBERTO HOFIG RAMOS

​​​​​​​ Nome: 7835 FIV DA RFA Registro: RFA 7835 Proprietário: JOSÉ ANTÔNIO FURTADO

RAÇA NELORE

Nome: 1214 LAJA Registro: LAJA 1214 Proprietário: ADRIANA BELONE DE ANDRADE CAMPO

Nome: 5472 FIV DA BAMBU (TRATOR DA BAMBU) Registro: AFOM 5472 Proprietário: AFONSO CELSO MOREIRA GUIMARÃES

RAÇA NELORE MOCHO

Nome: 33381 DE CV (KENTUCKY) Registro: CVCV 33381 Proprietário: CARLOS VIACAVA

Nome: TAD-1353 DA CANGUAVA Registro: TAD 1353 Proprietário: JOSE TADEU DE OLIVEIRA

RAÇA TABAPUÃ

Nome: PASSAGGIO TJG Registro: TJG 5143 Proprietário: TJG AGROPECUARIA LTDA

Nome: LICEU TRO Registro: TRO 1350 Proprietário: PAULO C.R.ORTENBLAD E IRMA COND

77


ARTIGO

Avaliações do

Dr. Arthur Alves Silva Zootecnista, Dr. Nutrição e Produção de Ruminantes

consumo de matéria seca

Drª. Juliana Jorge Paschoal Zootecnista, Drª. Qualidade e Produtividade Animal

em zebuínos: atualizações e perspectivas

A

avaliação precisa do consumo de matéria seca (CMS) é um dos pilares mais importantes para uma pecuária moderna e lucrativa, especialmente em sistemas de produção intensivos, como o confinamento, onde o custo da dieta tem elevada participação no custo total de produção. No entanto, a medição direta e individual do consumo, embora precisa, é economicamente inviável em escala comercial. A solução tem sido a utilização de equações matemáticas para estimar o CMS com base em variáveis como o peso vivo, ganho de peso diário e composição da dieta. O gado Zebuíno, predominante na pecuária brasileira, apresenta particularidades que podem afetar a acurácia dessas equações. Diferenças no comportamento alimentar, no metabolismo e na eficiência de utilização dos nutrientes, quando comparamos as diversas raças, tornam os modelos genéricos de predição menos confiáveis para esses animais (Peripolli et al., 2019). Logo, a falta de validação dessas equações para as diversas raças Zebuínas pode levar a estimativas imprecisas, resultando em dietas desbalanceadas, aumento de custos com alimentação e perdas de desempenho. Diante do exposto, realizou-se diversas pesquisas na FAZU (Faculdades Associadas de Uberaba), capitaneada pelo professor Drº Arthur Alves Silva, para verificar a precisão das equações de predição do consumo de matéria seca em bovinos

82

Santiago Del Cueto Zootecnista FAZU

chos das raças Nelore, Guzerá, Sindi zebuínos de corte mantidos em e Tabapuã, puros de origem (PO), sistema de confinamento, com os com idades variando entre 18 e 25 dados obtidos do TDEA (Teste de meses. O período experimental teve Desempenho e Eficiência Alimenduração de 77 dias, durante os quais tar) que é coordenado pela Drª Juos animais permaneceram em reliana Jorge Paschoal. O TDEA é uma gime de confinamento, recebendo etapa do PNAT (Programa Nacional uma dieta composta por 40% de de Avaliação de Touros Jovens), proconcentrado e 60% de silamovido pela ABCZ. gem de milho, com base As adaptações fisiolóna matéria seca. gicas do gado zebuíno O consumo As equações utisão o alicerce de sua lizadas para estipredominância na de matéria seca mar o consumo pecuária tropical. dos animais foTais adaptações é a variável mais ram as seguintes: vão desde a reEquação 1- para gulação da temimportante que animais zebuínos peratura corporal afeta o desempenho melhoradores em em ambientes confinamento prode clima quente e animal posta por BRCORTE úmido, fazendo com (2016). Equação 2- para eficiência a dissipaanimais zebuínos em ção do calor metabólico confinamento proposta por e ambiental, maior tolerância BRCORTE (2023). Equação 3- para a parasitas e doenças transmitidas animais zebuínos em confinamenpor vetores, a longevidade reproduto, quando se conhece o teor de tiva das matrizes e a sua resistência concentrado a ser usado na formue capacidade de manter o desemlação da dieta, proposta por BRpenho em condições nutricionais CORTE (2023). desafiadoras, todos esses temas já O consumo de matéria seca foi foram amplamente estudados e estimado utilizando as três equaelucidados cientificamente. ções acima citadas, utilizando os O consumo de matéria seca é dados reais de peso vivo, ganho a variável mais importante que médio diário e nível de concentrado afeta o desempenho animal, ela na dieta. Na sequência foi compaé influenciada por uma complerado os dados reais com os dados xa interação de fatores ligados ao estimados pela equação em valores animal, ao ambiente e a dieta, toabsolutos e em porcentagem. Na davia, ainda existem lacunas do tabela abaixo está a estatística desconhecimento para serem explicritiva das variáveis para determinar cadas, especialmente para as dio consumo e o desempenho das diversas raças Zebuínas. versas raças zebuínas. A pesquisa avaliou bovinos ma-


ARTIGO TABELA 1: ESTATÍSTICA DESCRITIVA Raça

Sindi

Guzerá

Nelore

Tabapuã

Variáveis

CMS (kg/dia)

CMS (%PV)

PV (kg)

GMD (kg/dia)

EA (kg/kg)

CAR (kg/dia)

Média

10,46

2,13

498,34

1,41

0,14

Mínimo

7,75

1,38

408,92

0,10

0,01

-1,92

Máximo

13,55

3,31

578,61

2,11

0,19

1,34

DP

1,44

0,45

51,57

0,45

0,04

CV

13,78

21,13

10,35

31,71

29,41

Média

11,21

1,84

621,12

1,56

0,14

Mínimo

9,20

1,24

521,4

0,92

0,10

-1,29

Máximo

13,06

2,15

743,04

2,12

0,19

1,26

DP

1,48

0,38

85,49

0,44

0,03

CV

13,20

20,57

13,76

28,25

24,06

Média

11,93

2,00

601,67

1,76

0,15

Mínimo

8,31

1,41

412,01

0,77

0,08

-1,55

Máximo

15,06

2,72

768,78

2,53

0,20

1,92

DP

1,20

0,22

65,55

0,34

0,02

CV

10,04

10,96

10,89

19,40

15,70

Média

11,60

1,94

600,36

1,72

0,15

Mínimo

8,76

1,55

468,75

1,02

0,10

-1,66

Máximo

13,64

2,31

710,47

2,30

0,18

0,95

DP

1,35

0,19

68,48

0,35

0,03

CV

11,62

9,79

11,41

20,51

17,76

Onde: CMS- Consumo de matéria seca observado (kg/dia), CMS%PV- Consumo de matéria seca observado (%PV), PV- Peso vivo médio (kg), GMD- Ganho de peso médio diário (kg/dia), EA- Eficiência alimentar bruta (kg/kg), CAR- Consumo alimentar residual (kg/dia), DPDesvio padrão da média, CV- Coeficiente de variação

83


ARTIGO É possível observar nos resultados expostos na tabela abaixo que as equações superestimam o consumo na sua predição, com exceção das equações propostas pelo BRCORTE (2023) na raça Sindi. Ainda sobre a comparação pode-se notar que houve uma melhora

significativa na acurácia das equações com as suas atualizações das edições do comitê (BRCORTE, 2016; BRCORTE 2023), entretanto a inclusão da quantidade de concentrado como variável da equação não aumentou a acurácia.

TABELA 2: RESULTADOS DA PREDIÇÃO DO CMS DE ACORDO COM AS DIVERSAS EQUAÇÕES E SUA RESPECTIVA DIFERENÇA ENTRE O VALOR REAL. Variável

Média

Mínimo

Máximo

DP

CV (%)

NELORE Predição Zebuíno melhorado (Eq.1)

12,78

9,38

15,81

1,29

10,13

Diferença predito/real (%) (Eq.1)

07,41

-16,39

29,08

8,37

7,80

Predição Zebuíno (Eq.2)

11,94

9,12

14,26

0,93

7,77

Diferença predito/real (%) (Eq.2)

00,63

-18,64

23,73

8,48

8,43

Predição Zebuíno + NC (Eq.3)

12,01

8,98

14,60

1,01

8,44

Diferença predito/real (%) (Eq.3)

01,15

-19,9

24,78

8,15

8,06

11,98

13,40

0,59

4,73

GUZERÁ Predição Zebuíno melhorado (Eq.1)

12,49

Diferença predito/real (%) (Eq.1)

12,80

-1,4

32,84

13,40

11,88

Predição Zebuíno (Eq.2)

11,96

11,18

12,73

0,66

5,55

Diferença predito/real (%) (Eq.2)

08,38

-5,61

36,13

16,96

15,65

Predição Zebuíno + NC (Eq.3)

11,98

11,40

12,73

0,62

5,16

Diferença predito/real (%) (Eq.3)

08,57

-6,17

36,27

16,87

15,54

SINDI Predição Zebuíno melhorado (Eq.1)

10,59

6,19

13,19

1,49

14,03

Diferença predito/real (%) (Eq.1)

02,97

-46,08

46,07

19,61

19,05

Predição Zebuíno (Eq.2)

10,17

6,01

11,66

1,24

12,18

Diferença predito/real (%) (Eq.2)

-0,76

-47,7

43,69

19,63

19,78

Predição Zebuíno + NC (Eq.3)

10,16

6,84

11,92

1,12

11,05

Diferença predito/real (%) (Eq.3)

-0,92

-40,48

42,12

18,45

18,62

TABAPUÃ Predição Zebuíno melhorado (Eq.1)

12,68

9,84

14,60

1,33

10,53

Diferença predito/real (%) (Eq.1)

09,76

-0,29

31,73

8,52

7,76

Predição Zebuíno (Eq.2)

11,90

9,97

13,41

0,99

8,36

Diferença predito/real (%) (Eq.2)

03,26

-7,55

28,61

8,54

8,27

Predição Zebuíno + NC (Eq.3)

11,95

9,90

13,44

1,06

8,88

Diferença predito/real (%) (Eq.3)

03,66

-6,88

27,33

8,08

7,79

Onde: Predição Zebuíno melhorado (Eq.1)- CMS predito pela equação 1, expresso em kg; Predição Zebuíno (Eq.2)- CMS predito pela equação 2, expresso em kg; Predição Zebuíno + NC (Eq.3)- CMS predito pela equação 3, expresso em kg; Diferença predito/real (%)diferença entre consumo predito e real, expresso em %; DP- Desvio padrão da média, CV- Coeficiente de variação

Por fim, mesmo com as melhorias das equações pode-se notar que há uma elevada variação na predição do consumo entre raças o que sugere que seja necessárias equações específicas por raça, entretanto é necessário um banco de dados mais robusto para sua criação. Agradecimentos: ABCZ, FAZU, APQ 04128-23.

84


PMGZ

PMGZ Responde Conheça o Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos

• QUAL É O OBJETIVO DO PMGZ? Entregar aos criadores participantes do programa ferramentas que permitam a obtenção de progresso genético nas características economicamente importantes. • COMO FUNCIONA A AVALIAÇÃO GENÉTICA? A avaliação genética é uma ferramenta estatística que permite predizer o valor genético dos animais para transmitir características economicamente importantes aos seus descendentes. O desempenho observado de um animal é o resultado da combinação de genética, ambiente e, em alguns casos, interação entre genética e ambiente. A avaliação genética utiliza modelos estatísticos para retirar o efeito do ambiente e estimar apenas a parte genética transmitida pelo animal. Exemplo: Imagine dois touros cujos filhos foram criados em ambientes diferentes: TOURO

PESO MÉDIO DOS FILHOS À DESMAMA

A

220kg

B

285kg

À primeira vista, o Touro B parece melhor. Contudo, os filhos do Touro A foram criados em uma fazenda com pouca suplementação e os filhos do Touro B receberam excelente manejo nutricional. É possível que o Touro A possua mérito

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genético superior e que o ambiente tenha apenas mascarado o seu desempenho. Deste modo, a avaliação genética permite comparar animais criados em diferentes fazendas, anos e condições de manejo. • QUAIS SÃO OS BENEFÍCIOS ECONÔMICOS? A genética é considerada um investimento permanente, porque os ganhos obtidos são acumulativos ao longo das gerações. Os principais benefícios econômicos incluem maior produtividade, maior fertilidade, melhor eficiência alimentar, menor mortalidade e maior valor comercial. • O QUE É UMA DEP E COMO INTERPRETO ESSA INFORMAÇÃO? DEP significa Diferença Esperada na Progênie e representa quanto, em média, os filhos de um animal deverão ser superiores ou inferiores em relação aos filhos de outro animal para determinada característica. Exemplo: Peso à desmama: TOURO

DEP PD–ED

A

+8kg

B

+2kg

A diferença entre eles é 8 – 2 = 6 kg. Assim, espera-se que os filhos do Touro A sejam, em média, 6 kg

mais pesados na desmama do que os filhos do Touro B, quando acasalados com vacas geneticamente semelhantes e criados nas mesmas condições de manejo. • O QUE É GENÔMICA, O QUE ESPERAR APÓS GENOTIPAR OS ANIMAIS DO MEU REBANHO E O QUE GANHO COM ISSO? A genômica é uma técnica que utiliza a informação de milhares de marcadores distribuídos ao longo do DNA para aumentar a acurácia da avaliação genética. Esses marcadores têm relação com as características economicamente importantes e que são avaliadas pelo PMGZ. Na avaliação genética, são analisadas tanto a genealogia, desempenho próprio e desempenho da progênie, quanto as informações diretamente ligadas ao genoma do animal. No PMGZ, são utilizados painéis contendo dezenas de milhares de marcadores SNP (Single Nucleotide Polymorphisms, ou marcadores de base única) que têm relação com os fenótipos de interesse (peso à desmama, fertilidade, habilidade materna etc.). • O QUE ESPERAR APÓS GENOTIPAR OS ANIMAIS DO MEU REBANHO? A. Maior acurácia, principalmente para animais jovens que ainda não possuem filhos avaliados. Por exemplo, um animal jovem sem genômica tem acurácia para PD-ED (DEP para peso à desmama) de aproximadamente 0,25. Com genômica, essa acurácia pode aumentar


PMGZ

para cerca de 0,45. Com isso, é possível praticar uma seleção mais precoce e escolher os melhores reprodutores ainda muito jovens. Assim, o intervalo de gerações é reduzido, o que acelera o ganho genético anual. B. Identificação de parentesco, pois a genômica permite confirmar paternidade, detectar erros de genealogia e estimar parentesco com maior precisão. • O QUE GANHO COM A GENÔMICA? A. maior confiabilidade das avaliações genéticas; B. seleção de animais superiores em idade jovem; C. descarte precoce de animais inferiores; D. redução do custo de manter candidatos pouco promissores; E. identificação de genes ou haplótipos associados a doenças hereditárias; F. confirmação de pedigree; G. melhor planejamento de acasalamentos; H. maior controle da consanguinidade; I. maior velocidade de melhoramento genético. Na prática, a genômica permite executar tomadas de decisões de seleção mais acuradas e, consequentemente, obter maior retorno econômico ao longo das gerações. • QUAIS SÃO OS RISCOS DE EXCESSO DE CONSANGUINIDADE? COM QUAL VALOR DEVO TRABALHAR? A consanguinidade, ou endogamia, aumenta a probabilidade de

alelos recessivos deletérios se expressarem, que normalmente permanecem “ocultos” em indivíduos heterozigotos. Como consequência, pode ocorrer a chamada depressão por consanguinidade, ou depressão endogâmica, caracterizada pela redução do desempenho médio da população em características relacionadas à adaptação e à aptidão biológica, como fertilidade, sobrevivência, vigor dos bezerros, resistência a doenças e longevidade. Em rebanhos altamente consanguíneos, também é comum observar redução no ganho de peso, menor eficiência reprodutiva, aumento da mortalidade pré-desmama e maior incidência de defeitos genéticos hereditários. O coeficiente de endogamia (F) representa a probabilidade de que um indivíduo apresente dois alelos idênticos por descendência em determinado loco gênico. Como referência prática, valores inferiores a 3% são considerados baixos; valores entre 3% e 6% são moderados; valores entre 6% e 10% exigem maior atenção no planejamento dos acasalamentos; e valores acima de 10% aumentam significativamente o risco de ocorrência de depressão por consanguinidade. Um coeficiente de 12,5%, equivalente ao acasalamento entre meios-irmãos ou entre avô e neta, já é considerado elevado e, em geral, deve ser evitado. Sugestão do criador: Incluir mais uma geração (bisavós materno e paterno) da genealogia dos animais nas planilhas do SIAG online (Excel e PDF).

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PMGZ CARNE

Fazenda Camparino

estreia no programa Desenvolvido em parceria com a JBS, PMGZ Carne se baseia em abates técnicos para comprovar qualidade superior da genética zebuína PO

Breno Cordeiro

U

ma nova etapa de avaliações do PMGZ Carne, programa desenvolvido pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) em parceria com a JBS, acompanhou o abate técnico de 120 animais da Fazenda Camparino, na unidade da JBS de Pontes e Lacerda (MT). É a primeira vez que o tradicional criatório participa do programa, no intuito de reforçar a compilação de dados que revelam a superioridade da genética zebuína melhoradora. O trabalho foi acompanhado pelo criador Mateus Franco Martins, pelo gerente da Fazenda Camparino, Ronan Silva, e pelo técnico de campo da ABCZ, Gabriel Pedrosa. Durante o processo, os resultados obtidos no frigorífico foram cruzados com as informações genéticas dos animais, permitindo avaliar, de forma objetiva, o impacto da seleção genética sobre o desempenho na produção de carne. “Relacionamos as informações genéticas dos animais aos resultados do abate para mostrar, de forma prática, a importância do uso de touros PO melhoradores e os benefícios que essa genética pode proporcionar à rentabilidade da pecuária nacional”, destaca Gabriel Pedrosa. Os animais Nelore, filhos de touros PO, apresentaram excelente desempenho, com carcaças homogêneas e adequado acabamento de gordura, características valorizadas tanto pela indústria frigorífica quanto pelo mercado consumidor. Reconhecida pelo consistente trabalho de seleção da raça Nelore, a Fazenda Camparino ingressa no PMGZ Carne reafirmando sua aposta em tecnologias e ferramentas capazes de impulsionar a evolução genética e a eficiência produtiva. A iniciativa está alinhada ao lema que norteia a propriedade: “Genética do Zebu que paga a conta”. Para Mateus Franco Martins, a participação no programa representa uma oportunidade de transformar percepção em conhecimento técnico.

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PMGZ CARNE “É importantíssimo o trabalho que a ABCZ vem desenvolvendo. Com essas avaliações, deixamos um pouco de lado o achismo e passamos a medir, de fato, o desempenho dos animais. Hoje, a conta da pecuária está cada vez mais apertada, então precisamos identificar os bois que realmente deixam dinheiro e dão retorno ao produtor”, comenta. Na avaliação do criador, a ampliação desse tipo de iniciativa representa um avanço para toda a cadeia produtiva. “O caminho para isso é justamente por meio das medições, que permitem identificar os animais que apresentam maior peso, melhor rendimento de carcaça, bom acabamento e carne de qualidade. Todo criador tem condições de participar desse trabalho, porque todos possuem animais de descarte. Se todos abraçassem essa iniciativa, conseguiríamos ampliar o número de animais abatidos e avaliados, gerando cada vez mais informações para fortalecer e impulsionar a pecuária brasileira”, diz. Desenvolvido em parceria com a JBS, o PMGZ Carne reúne informações de desempenho e de carcaça para demonstrar, de maneira técnica, a contribuição da genética de touros PO para a produção de carne de qualidade e para o aumento da rentabilidade da pecuária de corte. Ao longo das avaliações já realizadas pelo programa, os resultados

têm reforçado de forma consistente os benefícios do investimento em genética superior. “Todos os abates que já realizamos mostram que investir em genética PO traz resultados consistentes. Os números comprovam, por meio da comparação entre animais com genética PO e aqueles sem essa genética, que a diferença é significativa. Esses resultados confirmam, na prática, que investir em genética é um caminho seguro para aumentar a eficiência, a rentabilidade e a sustentabilidade da atividade”, destaca o gerente do Departamento de Programas Técnicos e Fomento da ABCZ, Mauro Bueno da Fonseca. Lançado em 2024, o PMGZ Carne não demorou para mostrar o seu potencial, com resultados expressivos registrados em 2025. Em oito abates técnicos, realizados com a participação de sete criatórios e mais de 700 animais, filhos de 109 touros diferentes, os animais participantes do programa apresentaram 2,67 arrobas líquidas a mais por cabeça abatida em comparação com animais cruzados, além de rendimento de carcaça de 59,01%, superior à média de 55,5% a 56% da JBS Friboi. Na avaliação econômica, os ganhos de eficiência, associados ao menor tempo de terminação e ao menor consumo de matéria seca, resultaram em um incremento estimado de R$ 2.200 a R$ 3.000 por animal abatido.

RENDIMENTO DE CARCAÇA

59,01% 56% Programa PMGZ Carne

Média da JBS Friboi

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ARTIGO

Inteligência artificial na pecuária muito além do ChatGPT: como câmeras, sensores e algoritmos estão transformando a forma de produzir e selecionar animais

Q

uando se fala em Inteligência Artificial (IA), muita gente pensa imediatamente no ChatGPT ou em outros chatbots. Essas ferramentas realmente revolucionaram a forma como buscamos informação. Até pouco tempo atrás, fazíamos pesquisas utilizando palavras-chave e recebíamos como resposta uma lista de páginas da internet que precisávamos explorar até encontrar a informação desejada. Hoje, basta fazer uma pergunta para receber uma resposta organizada e, muitas vezes, bastante completa. Mas essa é apenas uma pequena parte do universo da IA. Na pecuária, as aplicações que provavelmente terão maior impacto nem são aquelas que escrevem

Dr. Guilherme J. M. Rosa Zootecnista, Professor de Melhoramento e Ciências de Dados da Universidade de Wisconsin (EUA) e Consultor do PMGZ

textos ou respondem perguntas, mas sim as que enxergam, escutam, sentem, aprendem com grandes volumes de dados e auxiliam o produtor na tomada de decisão. A IA tem essa capacidade: analisar milhões de informações e identificar padrões que seriam praticamente impossíveis de perceber. Mas esses algoritmos não “nascem sabendo”. Eles precisam aprender com exemplos. Da mesma forma que um técnico experiente passa

Figura 1

Fonte: Imagem gerada com o auxílio de inteligência artificial generativa.

Fluxo simplificado de um sistema de Inteligência Artificial aplicado à pecuária

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ARTIGO anos observando animais até desenvolver a capacidade de identificar um bom bezerro quase intuitivamente, um algoritmo aprende analisando milhares ou milhões de imagens, sons e registros. A diferença é que o computador consegue fazer isso em poucas horas e, depois de treinado, A Inteligência Artificial repetir essa tarefa continuamente e com grande consistência. não decide pelo produtor. De forma simplificada, podemos imaginar um sistema de Inteligência Ela amplia sua capacidade Artificial funcionando em três etapas de observar, aprender e (Figura 1). Primeiro, diferentes sensores coletam informações sobre os decidir animais e o ambiente. Em seguida, algoritmos de IA integram esses dados, aprendem com eles, identificam padrões e fazem previsões. Por fim, essas informações são utilizadas para apoiar a tomada de decisão pelo produtor.

1. AQUISIÇÃO DE DADOS

A primeira etapa consiste na obtenção de informações sobre os animais e o ambiente. Para isso, diferentes tipos de sensores digitais podem ser utilizados, cada um contribuindo com um tipo específico de dado. Quanto maior a quantidade e, principalmente, a qualidade e representatividade dos dados disponíveis, maior tende a ser a capacidade da IA de aprender, produzir previsões confiáveis e apoiar decisões mais precisas. 2. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL Uma das tecnologias mais importantes é a visão computacional. Nesse caso, câmeras funcionam como É nessa etapa que o verdadeiro motor dessa transos nossos olhos, enquanto a IA interpreta as imagens. formação acontece: a Inteligência Artificial propriaCâmeras convencionais, câmeras térmicas e câmeras mente dita. Um acelerômetro registra movimentos. Um tridimensionais já permitem estimar automaticamente microfone grava sons. Brincos eletrônicos identificam peso e escore corporal, monitorar comportamento alianimais. Estações meteorológicas medem temperatura mentar, detectar animais febris, identificar problemas e umidade. Isoladamente, esses dados têm pouco valor. locomotores e acompanhar o bem-estar do rebanho. O verdadeiro papel da IA é integrar todas essas inforInstaladas sobre cochos, bebedouros, corredores, salas mações, aprender com elas, reconhecer padrões e gede ordenha ou até mesmo embarcadas em drones, esrar previsões capazes de apoiar decisões. É justamente sas câmeras fornecem informações essa capacidade de transformar davaliosas para o manejo diário e para a dos em informação que diferencia a O objetivo final de todo gestão da propriedade. IA de um simples sistema de armazeAlém das câmeras, inúmeros ounamento ou monitoramento. esse processo não é produzir tros sensores vêm sendo incorpoEssa capacidade representa uma rados à pecuária. Microfones podem verdadeira mudança de paradigma mais dados, mas gerar detectar automaticamente tosses na forma como administramos uma ou outros sons característicos de dofazenda. Estamos acostumados a tramelhores decisões enças respiratórias. Colares, pedôbalhar com planilhas contendo pesos, metros, acelerômetros e giroscópios datas de nascimento, coberturas, proregistram continuamente os movimentos dos animais, dução de leite e outras informações estruturadas. Hoje, permitindo identificar períodos de alimentação, rumiporém, podemos incorporar imagens, vídeos, sons, locanação, descanso e atividade. Brincos eletrônicos e dislização dos animais, dados climáticos, informações ecopositivos de localização monitoram a identidade e a ponômicas e inúmeras outras fontes de informação, todas sição dos animais, enquanto estações meteorológicas analisadas simultaneamente. A IA consegue integrar registram temperatura, umidade e outras variáveis amesses diferentes tipos de dados e extrair conhecimento bientais. Outros sensores incluem ainda narizes eletrôque dificilmente seria obtido por uma pessoa analisando nicos (e-noses), capazes de detectar compostos voláteis cada informação isoladamente. associados à alimentação, fermentação ou determina3. APOIO À TOMADA DE DECISÃO das doenças. Em conjunto, todos esses sensores geram um enorme volume de dados sobre os animais e o sisteO objetivo final de todo esse processo não é produzir ma de produção. mais dados, mas gerar melhores decisões. Afinal, dados

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ARTIGO

só têm valor quando se transformam em ações capazes de melhorar a eficiência, a rentabilidade e a sustentabilidade da produção. As informações geradas pela IA podem auxiliar o produtor no manejo alimentar, na identificação precoce de doenças, na detecção de cio, na avaliação do bem-estar animal, na rastreabilidade, na compra e venda de animais, na avaliação objetiva de carcaças e em inú-

meras outras aplicações relacionadas à gestão da propriedade. Essa revolução já está acontecendo. Em algumas áreas, como a pecuária leiteira e a suinocultura, sensores inteligentes já fazem parte da rotina de muitas propriedades. Em outras, como a visão computacional, a integração de múltiplas fontes de dados e o monitoramento automatizado de rebanhos de corte, as tecnologias evoluem rapidamente e começam a chegar ao campo. Universidades, instituições de pesquisa, empresas do agronegócio e inúmeras startups vêm acelerando essa transformação. Para o melhoramento genético, essa transformação é particularmente importante. No futuro, será possível selecionar o melhor touro para cada sistema de produção. Isso só será possível se conseguirmos medir, de forma objetiva e contínua, o desempenho dos animais nos mais diferentes ambientes. Durante décadas, um dos maiores desafios foi medir poucas características em um grande número de animais. Agora passamos a enfrentar um desafio diferente: transformar milhões de registros gerados diariamente por câmeras, sensores e equipamentos em fenótipos objetivos, precisos e economicamente relevantes. A IA será uma das principais ferramentas para tornar isso possível e acelerar ainda mais o progresso genético. Por fim, dois aspectos merecem destaque. Primeiro, nem toda tecnologia baseada em IA será igualmente útil para todas as propriedades. Sua adoção dependerá do sistema de produção, do nível de tecnificação, dos objetivos da fazenda e, principalmente, da relação entre custos e benefícios. Segundo, e talvez mais importante, um sistema de IA pode ser comparado ao funcionamento do corpo humano: os sensores funcionam como nossos sentidos, os bancos de dados como nossa memória e os algoritmos como um cérebro capaz de aprender com a experiência (como ilustrado na Tabela 1). Ainda assim, nenhuma dessas tecnologias substitui o conhecimento técnico, a experiência ou a capacidade de decisão do pecuarista. A IA organiza informações, identifica padrões invisíveis aos nossos olhos e oferece suporte à tomada de decisão. No final, porém, continua sendo o produtor quem define os objetivos, interpreta os resultados e assume o comando. O futuro da pecuária não será construído pela IA sozinha, mas pela combinação entre tecnologia, conhecimento e pessoas.

TABELA 1 Analogia entre o funcionamento do corpo humano e um sistema de Inteligência Artificial

No futuro, será possível

selecionar o melhor touro para cada sistema de produção

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SER HUMANO

SISTEMA DE IA

Olhos

Câmeras

Ouvidos

Microfones

Tato, Olfato, Paladar

Outros sensores (de movimento, de gases, elementos químicos etc.)

Memória

Banco de dados

Sistema nervoso

Internet / Nuvem / Rede de comunicação

Cérebro

Algoritmos de IA

Experiência acumulada

Dados de treinamento

Julgamento

Recomendações geradas pela IA

Tomada de decisão

Suporte à tomada de decisão


PESQUISA E INOVAÇÃO

Fazenda Experimental da ABCZ

sedia estudo sobre os efeitos da água aquecida em bovinos confinados Pesquisa avalia se o aquecimento e o tratamento da água podem influenciar o desempenho, a conversão alimentar e o rendimento de carcaça

THAÍS FerreirA Fotos: André Santos

A

influência da genética, da nutrição e do manejo sobre o desempenho dos bovinos é amplamente conhecida. Agora, uma pesquisa desenvolvida na Fazenda Experimental Orestes Prata Tibery Júnior, da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), em Uberaba (MG), pretende responder a uma nova pergunta: a temperatura da água também pode influenciar os índices produtivos de animais confinados? Em busca dessa resposta, o estudo avalia se o aquecimento e o tratamento da água podem contribuir para melhorar o ganho de peso, a conversão alimentar e o rendimento de carcaça dos ani-

mais, além de mensurar a viabilidade econômica da tecnologia em sistemas de confinamento. A hipótese parte de um princípio fisiológico. “Enquanto a temperatura do rúmen varia entre 38 °C e 40 °C, a água ingerida pelos animais pode chegar aos bebedouros com temperaturas entre 12 °C e 14 °C durante os períodos mais frios. Essa diferença provoca um choque térmico que pode interferir na digestibilidade dos alimentos e no aproveitamento dos nutrientes”, explica o pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Leonardo de Oliveira Fernandes. A iniciativa dá continuidade a estudos anteriores conduzidos pela

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PESQUISA E INOVAÇÃO

A água sempre foi um

tema de grande relevância para nós, em relação à qualidade, à disponibilidade e à forma de fornecimento aos animais

Epamig, que apresentaram resultados promissores com água aquecida durante a recria de animais da raça Gir. Agora, o objetivo é verificar se esses efeitos também podem ser observados na fase de terminação em confinamento. Ao todo, 40 animais Guzonel, da Companhia Mate Laranjeira, do criador Raul Prates, integram o experimento. “A água sempre foi um tema de grande relevância para nós, principalmente em relação à qualidade, à disponibilidade e à forma de fornecimento aos animais. A motivação para integrar essa iniciativa está justamente na possibilidade de transformar conhecimento científico em melhorias práticas. Esperamos contribuir disponibilizando nossos animais e, ao mesmo tempo, obter informações que possam orientar futuras adequações no manejo hídrico e na eficiência dos sistemas de produção”, destaca o administrador de pecuária da Fazenda Santa Virgínia (Mate Laranjeira), Leandro Kendy Matsumoto. Os animais foram distribuídos em quatro lotes submetidos a diferentes condições de fornecimento de água e estão sendo acompanhados durante 120 dias de confinamento. Nesse período, ocorrem pesagens a cada 21 dias, além de avaliações de eficiência alimentar e monitoramento até o abate técnico.

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Vale ressaltar que antes do início das avaliações, os animais passaram por um criterioso manejo sanitário. O protocolo incluiu o controle de carrapatos, moscas e verminoses, fatores que poderiam interferir no desempenho dos bovinos ao longo da pesquisa. “O manejo sanitário é um dos pilares da eficiência produtiva. Realizamos o tratamento contra carrapatos, moscas e vermes gastrintestinais, que são importantes causadores de perdas na pecuária. Nosso objetivo é garantir que os resultados reflitam, de fato, os efeitos das condições de fornecimento da água”, explica o médico-veterinário Vitor Cibiac Sartori. A pesquisa já entrou na fase de avaliações intermediárias. “Durante a fase de adaptação o ganho médio diário foi de aproximadamente 1,5 kg por animal. Nos primeiros 28 dias da fase de avaliação, esse índice passou para cerca de 1,6 kg por dia. Ao término do confinamento, também será realizada uma avaliação da qualidade das carcaças no frigorífico”, comenta Leonardo Fernandes. Um dos diferenciais do estudo é a utilização do AquaLab, tecnologia desenvolvida pela AquaBoi para aquecimento, tratamento e distribuição da água nos bebedouros. O sistema emprega energia solar para

o aquecimento, além de filtragem e tratamento com dióxido de cloro, permitindo que a água chegue aos animais em condições controladas. “Nós estamos realizando testes de qualidade e temperatura da água em quatro currais. Isso permitirá gerar dados consistentes para avaliar os resultados e oferecer informações práticas aos pecuaristas sobre a implantação da tecnologia nas propriedades”, destaca o diretor da AquaBoi, Maciel Tavares. Para que os efeitos da água possam ser avaliados com precisão, todos os demais fatores que influenciam o desempenho dos animais são mantidos sob controle. A alimentação é padronizada, compos-

1,5kg

ganho médio diário na fase adaptação

1,6kg

ganho médio diário na fase de avaliação


PESQUISA E INOVAÇÃO

ta por silagem produzida na própria Fazenda Experimental da ABCZ e concentrado fornecido pela Premix, parceira do projeto. “Estamos fornecendo uma silagem de excelente qualidade, além do concentrado fornecido pela Premix, reconhecida internacionalmente pela qualidade de seus insumos. Dessa forma, conseguimos padronizar a alimentação durante todo o experimento”, explica o gerente da Fazenda Experimental da ABCZ, Antônio Alfeu Nascimento Júnior. Com o estudo, a Premix ainda comprova a eficiência de uma nutrição que atende às exigências do mercado internacional. “Essa tecnologia atende a uma necessidade que vem sendo imposta pelo mercado europeu, com foco na redução do uso de antibióticos na produção animal. Por isso, acreditamos que os animais desta pesquisa representam o produto ideal para atender ao mercado da carne destinada à Europa nos próximos anos”, afirma o diretor de Pesquisas e Inovações da Premix, Lauriston Bertelli Fernandes. O diretor da ABCZ, Gilberto Barata, responsável pela Fazenda Experimental da associação, ressalta que a estrutura oferece todas as condi-

ções necessárias para conduzir o experimento com rigor técnico. “Permite controlar fatores como alimentação, manejo e ambiente, garantindo a confiabilidade dos dados obtidos. Nossa expectativa é gerar informações que possam contribuir para decisões mais eficientes dentro das propriedades rurais. Convidamos criadores, técnicos, estudantes e todos os interessados a conhecerem a Fazenda Experimental da ABCZ e acompanharem de perto

as pesquisas que vêm sendo desenvolvidas em benefício da pecuária”. “A pesquisa no Brasil ainda enfrenta desafios para obtenção de recursos. Por isso, a ABCZ busca aproximar instituições de pesquisa, empresas e criadores para gerar conhecimento que possa ser aplicado diretamente na pecuária. É uma contribuição muito significativa”, complementa o superintendente técnico da ABCZ, Luiz Antonio Josahkian.

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PRÓ-GENÉTICA

20 anos de

Pró-Genética

Programa da ABCZ aproxima pequenos e médios produtores da genética zebuína PO e mostra, em diferentes regiões do país, que o melhoramento genético é para todos Breno Cordeiro

Q

uando um criador retorna a uma Feira Pró-Genética alguns anos depois da primeira compra e traz fotos dos bezerros, das novilhas e os resultados alcançados na propriedade, o impacto do programa fica evidente. A iniciativa da ABCZ ajuda a colocar em movimento um processo de transformação que se acumula geração após geração. É essa transformação que o técnico de campo da ABCZ, Fernando Cintra, acompanha de perto. Atuando em Minas Gerais desde 2006, ano de criação do Pró-Genética, ele participou de uma das primeiras feiras realizadas pelo programa no país, em Curvelo (MG). Desde então, construiu uma relação especial com o programa e com os produtores atendidos. “Sou apaixonado pelas feiras do Pró-Genética. É uma negociação direta entre o comprador e o criador. Essas feiras trouxeram isso de volta, é um mercado mais caloroso”, resume. No Vale do Jequitinhonha, onde atua hoje, já são mais de 30 criadores de gado PO. Na região, a ABCZ realiza quatro a cinco Feiras Pró-Genética por ano. Mas, para Fernando, a importância do programa vai muito além dos números de comercialização. “Com a feira, a gente consegue abranger as pequenas propriedades, capilarizar a genética que vai modificar não só o gado, mas a vida do pequeno produtor, a autoestima

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PRÓ-GENÉTICA BRASIL AFORA

dele. O público das feiras do Pró-Genética é composto por criadores que não têm perfil para comprar touros em leilões”, explica. A dinâmica das feiras também favorece essa aproximação. O produtor chega, observa os animais, conversa com os criadores e, muitas vezes, leva familiares e amigos antes de tomar a decisão. Em municípios menores, a feira pode ganhar ainda um caráter comunitário. “Quanto menor é a cidade, melhor é a feira, porque vira um evento. Vai prefeito, vai vereador, toca banda. São ações que dão vida ao município”, conta o técnico. Araçuaí é um exemplo emblemático desse processo. Ao longo de nove edições, o município já comercializou mais de 300 touros pelo Pró-Genética, consolidando-se como uma das referências do programa na região. Os resultados, contudo, aparecem principalmente depois da compra. Cintra relata que uma das experiências mais gratificantes é retornar à propriedade anos mais tarde e encontrar o produtor disposto a mostrar os resultados da genética adquirida. Bezerros mais pesados, novilhas com melhor desempenho, valorização da produção e maior interesse dos compradores são alguns dos efeitos observados. “Uma das coisas mais prazerosas é quando a gente volta uns anos depois para fazer outra feira e aque-

le produtor pequeno vem mostrar fotos dos bezerros que nasceram, as novilhas, e traz para nós um feedback de melhoria real e rápida no peso dos bezerros, no preço por arroba, porque a qualidade melhorou”, relata. “Eu vejo o resultado e a alegria do produtor quando ele consegue comprar um touro. Isso me emociona.” Para o técnico, a genética tem uma característica que a diferencia de outros investimentos: seus efeitos se acumulam ao longo do tempo. “A genética é o único insumo que não se perde, que é cumulativo. Já ouvi muitos criadores afirmando que o único arrependimento foi não ter começado a comprar genética antes”, resume.

A experiência mineira se repete em outras regiões do país. Em Campinápolis (MT), por exemplo, a Feira Pró-Genética mais recente comemorou bons resultados. Foram ofertados 28 animais, dos quais 17 foram comercializados, movimentando R$ 304 mil, com média de R$ 17.882,35 por touro. Para a técnica de campo da ABCZ, Eline Maria Jucá de Souza, que acompanhou a iniciativa, a procura está diretamente relacionada aos benefícios da genética melhoradora. Entre os resultados esperados está a possibilidade de os animais atingirem o peso de abate mais cedo, enquanto as fêmeas podem apresentar potencial para emprenhar em idade mais jovem. Com isso, o produtor amplia a produtividade e melhora os indicadores da propriedade. Outro ponto destacado por Eline é a proximidade proporcionada pelas feiras. Ao levar os touros para regiões próximas às propriedades, o programa reduz custos logísticos e facilita a aquisição dos animais, inclusive por meio das opções de crédito disponíveis. “Para mim, como técnica da ABCZ, foi uma satisfação participar desta feira e ver o envolvimento, a união e alegria dos produtores da região”, destaca. É essa combinação de genética de qualidade, proximidade e condições de acesso que ajuda a explicar a expansão do Pró-Genética. Criado

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PRÓ-GENÉTICA

em 2006 pela ABCZ, em parceria com governos estaduais e municipais, instituições de assistência técnica e extensão rural e agentes financeiros, o programa foi estruturado para levar a genética zebuína PO, registrada pela ABCZ, aos produtores que mais precisam de alternativas para melhorar seus rebanhos. Em Porto Franco (MA), a quinta edição da Feira Pró-Genética, realizada durante a Expofran, registrou 80,49% de comercialização. Dos 41 touros Nelore e Nelore Mocho ofertados, 33 foram vendidos, com preço médio de R$ 11.651,52. Os animais foram disponibilizados pelos criadores Raimundo da Mota Santos e Vitor Hugo Martins de Oliveira. Para o técnico de campo da ABCZ, Edson Simielli, o resultado demonstra o fortalecimento do programa na região e a confiança

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construída junto aos pecuaristas. “É uma genética que gera confiança e negócios que fazem história na pecuária regional”, avalia. Em Custódia (PE), a Feira Pró-Genética também mostrou a força da demanda por genética melhoradora. Dos 20 touros Nelore ofertados, 14 foram comercializados, alcançando 70% de aproveitamento e preço médio de R$ 12 mil por animal. Os reprodutores adquiridos seguiram para propriedades de seis municípios. “O animal PO valoriza o rebanho, proporcionando ganhos tanto na produção de carne quanto na produção de leite”, ressalta o técnico de campo Júlio Mário Vieira Santos, que acompanhou o evento.

O animal PO

valoriza o rebanho, proporcionando ganhos tanto na produção de carne quanto na produção de leite


ARTIGO

Luiz Antonio Josahkian Superintendente técnico da ABCZ

A

natureza inventou o rúmen – sorte nossa. Os ruminantes têm a capacidade de transformar capim em carne, leite, lã e centenas de outros subprodutos através de um sistema digestivo único e fascinante. Dividido em quatro compartimentos interconectados - rúmen, retículo, omaso e abomaso - apresenta um arranjo fisiológico e metabólico singular que permite a regurgitação e remastigação dos alimentos, permitindo um melhor aproveitamento de alimentos. No rúmen, o primeiro dos quatro estômagos dos ruminantes, ocorre a chamada fermentação pré-gástrica, também conhecida como fermentação microbiana. Mas o rúmen não faz isso sozinho. O rúmen é um microuniverso de trilhões de bactérias, protozoários e fungos que degradam fibras brutas disponibilizando energia para o animal hospedeiro em uma perfeita simbiose. De quebra, no fim de suas vidas, os microrganismos, eles próprios, se tornam fonte de proteína para o animal. Resumidamente, os microrganismos do rúmen degradam carboidratos estruturais - como a celulose e hemicelulose - em glicose, que é disputada pelos próprios microrganismos para sua sobrevivência e multiplicação. A glicose é oxidada parcialmente, o que gera os ácidos graxos voláteis (AGV), dentre eles o butirato, o acetato e o propionato, as principais fontes de energia para os ruminantes. O ácido acético é o mais abundante e, portanto, uma fonte de energia relevante para os ruminantes. Ele é convertido em Acetil CoA, que atua na síntese de gordura e na produção de energia. Já o ácido propiônico é metabolizado no fígado, onde é convertido em glicose, fornecendo combustível para os outros tecidos, sendo intimamente relacionado à altas performances produtivas de crescimento ou produção leiteira O ácido butírico, por sua vez, além de fornecer energia para o animal, atua no epitélio ruminal, mantendo-o ativo e saudável. Todo esse processo seria perfeito se nas rotas metabólicas existentes entre a degradação dos carboidratos estruturais até chegar aos ácidos graxos voláteis não houvesse a formação do gás metano. Esse metano, considerado um potente gás de efeito estufa, é desnecessário para o animal e por isso é

Sobre carne, leite

e metano entérico liberado em sua quase totalidade por eructação (e não pelo midiático “pum” das vacas). Alguns modelos de estudo indicam que a perda de energia por eliminação de metano varia de 3,5% para animais confinados até 6,5% para animais criados a pasto, sendo que estes valores podem variar sensivelmente dependendo da composição da dieta ou da qualidade da forrageira. Estima-se que cerca de 25% do metano produzido no planeta seja originário dos ruminantes, especialmente pelos bovinos. Obviamente surge a pergunta: se o metano é desnecessário para o animal, por que é produzido? Para entender isso precisamos olhar do ponto de vista dos microrganismos. Entender as rotas bioquímicas envolvidas na degradação dos carboidratos estruturais é crucial para responder a nossa pergunta. Os carboidratos usam uma via glicolítica para serem transformados em glicose, que tem seis carbonos. A molécula de glicose é degradada em dois piruvatos, cada um com três carbonos. O piruvato pode seguir por três principais rotas bioquímicas, que o transforma em propionato (que usa três carbonos), no butirato (que usa 4 carbonos) e no acetato (que usa somente dois carbonos). Neste processo ocorre também a liberação de hidrogênio que, se acumulado no rúmen, reduz o pH e interrompe a formação de glicose. Esse hidrogênio precisa ser removido para que a saúde ruminal seja preservada. E é aí que a natureza deu uma solução, criando outra rota bioquímica a partir do piruvato: o formato. O formato é o substrato que as bactérias metanogênicas usam para remover, não só o hidrogênio livre, mas também as moléculas de carbono resultante da fermentação. O problema é que isso é feito na forma de metano, que é expelido para a atmosfera e tem impacto no efeito estufa do planeta. Esse é o paradoxo dos ruminantes: produz proteína nobre a partir de capim, mas gera metano. É possível reduzir a produção de metano? Sim, e é o nosso desafio. Como? Oferecendo dietas mais adequadas aos animais - que incluem pastagens de qualidade, aditivos inibidores de bactérias metanogênicas, outras fontes de proteína e energia - além do uso de genética mais eficiente.

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ESPECIAL RAÇAS - BRAHMAN

Prova registra aumento de índices de

qualidade de carcaça e ganho de peso da raça Brahman Larissa Vieira Fotos: ACBB

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om aumento das exportações de carne bovina brasileira e da demanda por animais de qualidade de carcaça superior, os resultados da 6ª Prova de Eficiência e Desempenho Brahman Boi com Bula apontaram que a seleção de touros da raça tem atendido aos padrões mais exigentes do mercado internacional. O maior índice de Marmoreio entre os 40 reprodutores jovens avaliados foi de 4,37%, segundo a Associação dos Criadores de Brahman do Brasil (ACBB). Esse percentual máximo ficou acima do registrado na edição de 2025 da prova, que foi de 4,02 %. Já a média de Marmoreio da prova ficou em 3,07%. Outro índice que apresentou crescimento em 2026 foi a Espessura de Gordura Subcutânea (EGS), que saltou de 9,41mm para 12,24mm em relação ao animal de melhor desempenho. Em relação à Área de Olho de Lombo (AOL), o índice máximo se manteve similar à 2025, atingindo 119,84 cm², bem como o AOL/100 (20,24 cm²). “Esses resultados confirmam a aptidão da raça Brahman para produzir carcaças premium. Além desse acabamento superior, os touros apresentaram ganho de peso bem acima do esperado. Com base na dieta da prova, a expectativa era que eles ganhassem em torno

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de 1,5 kg/dia, mas a média ficou 1,8 kg/dia, sendo que vários animais tiveram ganhos acima de 2 kg/dia. O animal de maior ganho atingiu 2,821 kg/dia”, destaca William Koury Filho, zootecnista e diretor da BrasilcomZ, parceira da ACBB na realização da prova. Além das avaliações de carcaça por ultrassonografia realizadas pela DGT Brasil e ganho de peso, os touros foram avaliados em relação à eficiência alimentar, fertilidade e morfologia. Nesta edição, houve um crescimento de cerca de 60% no número de reprodutores inscritos. “O criador de Brahman entendeu que para ampliar a participação da raça no mercado de genética, seja no Brasil ou no exterior, é preciso avaliar seus animais dentro de critérios técnicos reconhecimentos pelo setor, como é o caso das avaliações aplicadas dentro da Prova de Eficiência e Desempenho Brahman Boi com Bula”, diz o presidente da ACBB, Guilherme Bendilatti. A etapa final da prova ocorreu no dia 31 de julho na Central Bela Vista, em Botucatu/SP, e foi marcada pelo julgamento de morfologia, conduzido pelo jurado da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) Pedro Sabino. “Dentro da realidade da pecuária de corte brasileira, é essencial produzir touros não só com ava-


ESPECIAL RAÇAS - BRAHMAN

Diretoria da ACBB e participantes da final da Prova

liações genéticas superiores, mas também de boa morfologia, para que sejam capazes de cobrir bem a vacada a campo ou produzir sêmen de qualidade”, diz Sabino. VENCEDORES DA PROVA

Durante o julgamento, o touro MR Assu Olavo 1988 sagrou-se Grande Campeão e Campeão Nascimento Agosto. “Esse resultado da sexta edição da prova é uma conquista para a raça, mas também para a pecuária brasileira. Participamos desde a primeira edição porque acreditamos que as avaliações feitas permitem identificar animais melhoradores dentro das características de maior impacto econômico dentro da pecuária de corte, aliando beleza racial, funcionalidade, ganho de peso à qualidade de carcaça e eficiência alimentar”, diz Tatiana Cunha,

que integra a assessoria técnica da propriedade Brahman Assu. Além do Grande Campeão de Morfologia, a fazenda conquistou várias outras premiações, dentre elas de Campeão Gourmet e Reservado Campeão Nascimento Novembro, com o touro MR Assu Oceano 2064, de Campeão de Desempenho, Reservado Grande Campeão e Reservado Campeão Nascimento Agosto, com o animal MR Assu Ouro Branco 2005, e de Campeão Nascimento Novembro, com o animal MR ASSU 2077. Já o touro MR W2R Escoteiro 1733, de propriedade da Agropecuária W2R, sagrou-se Campeão de Eficiência e Reservado Campeão da Prova. O criatório ainda fez o Campeão Nascimento Outubro: MR. W2R Sheik 1745. Já a fazenda Brahman Terra Verde levou para casa o prêmio de

Campeão Nascimento Setembro, com o reprodutor MR Terra Verde 2159 FIV. A propriedade ainda levou o título de Reservado Campeão Nascimento Setembro, com o touro MR Terra Verde 2178. O criatório Brahman Vitória conquistou o prêmio de Campeão Nascimento Julho, com o animal MR Vitória 8653, e de Reservado Campeão Nascimento Julho, com o animal MR Vitória 8619. Já o criatório Marca OB conquistou a premiação de Reservado Campeão Nascimento Outubro. Confira o resultado completo da 6ª Prova de Eficiência e Desempenho Brahman Boi com Bula no site:

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ESPECIAL RAÇAS - GIR

ASSOGIR

fortalece atuação e projeta novas ações durante a ExpoGenética

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JORGE SAB Presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Gir

A

participação da ASSOGIR (Associação Brasileira dos Criadores de Gir) na 19ª ExpoGenética foi marcada por iniciativas voltadas à valorização dos associados, à geração de oportunidades comerciais e ao planejamento de novas ações para o desenvolvimento e promoção da raça Gir. Durante a programação realizada em Uberaba (MG), a entidade promoveu atividades comerciais e institucionais e reuniu sua diretoria para discutir projetos que deverão integrar a agenda da associação. Um dos destaques foi a realização do ASSOGIR Marketplace Genetics, iniciativa criada para transformar a sede da entidade em um espaço de promoção e comercialização da genética dos associados durante a ExpoGenética. O projeto reuniu sêmen de touros Gir pertencentes a associados, proporcionando uma vitrine para os reprodutores e facilitando o contato entre vendedores e compradores interessados na genética da raça. Em sua primeira edição, o Marketplace movimentou mais de R$ 20


ESPECIAL RAÇAS - GIR

O Marketplace

nasceu para gerar oportunidades

mil em comercialização de sêmen, demonstrando o potencial da iniciativa e abrindo caminho para sua continuidade. Além de fomentar negócios, o modelo foi estruturado para contribuir com a sustentabilidade financeira da associação. Um percentual das negociações é destinado à ASSOGIR, fazendo com que a movimentação comercial também gere recursos para serem reinvestidos em ações institucionais, técnicas e de promoção da raça. Para o presidente da entidade, Jorge Sab, a iniciativa representa a busca por benefícios cada vez mais concretos para os associados. “O Marketplace nasceu para gerar oportunidades. Queremos utilizar a estrutura e a força institucional da ASSOGIR para fomentar negócios entre os criadores e, ao mesmo tempo, gerar recursos que retornem para as atividades da própria associação.” Outro momento importante foi a reunião da diretoria da ASSOGIR, dedicada ao planejamento das próximas ações. Entre os principais assuntos estiveram a criação de um ranking próprio, a estruturação de provas de desempenho e novos programas de aproximação e visitas aos associados. O Ranking ASSOGIR está em fase de desenvolvimento e será uma nova ferramenta de valorização da participação dos criadores nas pistas de julgamento. A proposta é estabelecer um sistema de pontuação baseado nos resultados obtidos nas exposi-

Outro eixo definido como priorições que forem definidas e chancetário é a aproximação da associação ladas pela diretoria da associação. com seus associados. A diretoria Sua construção compreendediscutiu programas internos de rerá a definição de critérios, regulacionamento, incluindo visitas aos lamento, calendário e das expocriadores em diferentes regiões do sições integrantes do circuito. A país. A proposta é levar a entidade intenção é estimular a participaaté as propriedades, conhecer difeção dos associados, fortalecer as rentes projetos de seleção, ouvir depistas de julgamento da raça Gir e mandas e ampliar o diálogo entre a criar uma referência própria para gestão e sua base associativa. reconhecer animais, criadores e As visitas também permitirão coexpositores que se destacarem ao nhecer particularidades regionais longo do calendário. e diferentes objetivos de seAs provas de desempeleção, contribuindo para nho também estiveram que futuras iniciativas entre as prioridades sejam construídas a discutidas. A enPrecisamos gerar partir das necessitidade pretende dades identificaavançar na estruinformações que das diretamente turação de inientre os criadociativas que amauxiliem efetivamente res. A proposta faz pliem a geração parte de uma esde informações o criador em suas tratégia para amobjetivas sobre os decisões de seleção pliar a presença da animais e contribuASSOGIR ao longo am para o processo de todo o ano, estade seleção e evolução belecendo uma agenda dos rebanhos. permanente de relacionaSegundo o diretor técnimento e prestação de serviços. co da ASSOGIR, Guilherme Costa, o A ASSOGIR encerrou sua partiobjetivo é fazer com que essas fercipação na 19ª ExpoGenética com ramentas tenham aplicação prática uma agenda que ultrapassa os dias dentro das propriedades. “Precisade realização do evento. Os projetos mos gerar informações que auxiliem apresentados apontam para uma efetivamente o criador em suas deAssociação mais próxima de seus cisões de seleção. As provas de deassociados, comprometida com o sempenho podem contribuir para desenvolvimento técnico da raça e identificar características de interescom a criação de novas oportunidase e agregar informação ao trabalho des para quem seleciona, produz e desenvolvido pelos selecionadores acredita no Gir brasileiro. da raça Gir.”

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ESPECIAL RAÇAS - GIR LEITEIRO 26ª ExpoGIL reunirá a elite do Gir Leiteiro em Uberaba Nacional da raça acontece de 12 a 18 de outubro, durante a 4ª ExpoLeite, com julgamentos, torneio leiteiro e cinco leilões

ANDrÉ RaBeLO (DireTOr De OPeraÇÕes – ABCGIL) JULia BOrGes (MarKeTiNG e COMUNiCaÇÃO - ABCGIL)

A

raça Gir Leiteiro já tem encontro marcado em 2026. De 12 a 18 de outubro, Uberaba (MG) será palco da 26ª ExpoGIL, a Nacional da raça e um dos mais tradicionais e importantes eventos da pecuária leiteira brasileira. Promovida pela Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro (ABCGIL), a exposição reunirá criadores, expositores, técnicos e profissionais do setor em uma programação dedicada à valorização da raça, à evolução genética e ao fortalecimento da atividade leiteira nacional. Consolidada como uma das principais vitrines da genética Gir Leiteiro, a ExpoGIL apresentará animais de destaque de diferentes criatórios do país. Entre os momentos mais aguardados estão os julgamentos e o tradicional torneio leiteiro, que evidenciam a qualidade, a produtividade e os avanços alcançados pelo trabalho de seleção da raça. Os negócios também terão espaço de destaque. Cin-

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co leilões serão realizados durante o evento, ampliando as oportunidades para aquisição de genética selecionada e promovendo a integração entre criadores e investidores de diferentes regiões do Brasil. A 26ª ExpoGIL também marcará o encerramento do Ranking Nacional do Gir Leiteiro 2025/2026, reconhecendo os animais e criatórios que se destacaram ao longo da temporada. Realizada durante a 4ª ExpoLeite, em Uberaba, berço do Zebu brasileiro, a ExpoGIL reforça a força e a representatividade do Gir Leiteiro na pecuária nacional. Mais do que uma exposição, o evento celebra a evolução da raça, aproxima criadores e projeta os próximos passos de uma genética que tem papel fundamental na produção de leite no país. A programação completa e as informações sobre inscrições e participação serão divulgadas em breve pelos canais oficiais da ABCGIL.


ESPECIAL RAÇAS - GUZERÁ

Guzolando amplia certificações F1 Max e ganha regulamento de exposições

Selo está garantindo valorização dos animais no mercado

O mercado está

carente de animais de qualidade comprovada e isso tem resultado em uma forte demanda pelo Guzolando

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Larissa Vieira

P

ela primeira vez na história da ExpoGenética, fêmeas Guzolando participaram da exposição e tiveram a superioridade genética atestada pela ABCZ. A estreia do Guzolando na feira foi marcada pela certificação “F1 Max” de duas fêmeas do criatório Guzerá da Juzz, de propriedade de Juliana Pistore Ragazzi. Agora, Modabilidade da Juzz e Pantera FIV da Juzz passam a integrar o grupo de vacas Guzolando Max que vêm alcançando maior valorização financeira por conta do reconhecimento oficial a seus elevados potenciais de produção de leite. A participação do Guzolando no principal evento de melhoramento genético das raças zebuínas é resultado da ação de fomento que vem sendo realizada pela Associação dos Criadores de Guzerá e Guzolando do Brasil (ACGB) em todo o país para divulgar o potencial produtivo

do cruzamento. “O mercado está muito carente de animais de qualidade comprovada e isso tem resultado em uma forte demanda pelo Guzolando, cujas vacas são muito férteis, produtivas, longevas e de excelente saúde. Nossa produção é rapidamente comercializada e acredito que, com a certificação Max, a valorização será ainda maior”, diz Evahir Ragazzi, gestor da Fazenda do Carmo, localizada em Ituverava/ SP, onde a seleção de Guzerá e Guzolando já dura 16 anos. Com o selo F1 Max, o produtor de leite terá mais uma garantia da qualidade genética das vacas Guzolando, que já são registradas pela ABCZ na categoria CCG. “O certificado traz a garantia de que o produtor está comprando realmente um animal oriundo de uma linhagem leiteira de Guzerá, com lactações aferidas pelo Controle Leiteiro Oficial da ABCZ. Trata-se de um produto


ESPECIAL RAÇAS - GUZERÁ que entrega ao mercado segurança quanto à origem leiteira zebuína e reforça o papel do Guzerá nos cruzamentos”, afirma o vice-presidente da ACGB, Eros Gazzinelli. O criador de Guzolando, Álvaro José Pirozi, já comprovou na prática o valor agregado do selo. Ele foi um dos primeiros a terem exemplares certificados com F1 Max, cujos registros ocorreram em maio, durante a ExpoZebu 2026. Agora já são mais de 30 exemplares com a garantia de qualidade conferida pela ABCZ. “O selo F1 Max será um divisor de águas na história do Guzolando, que já tem uma procura muito boa, mas agora está atingindo valores ainda maiores. Em um leilão na ExpoZebu ofertamos uma fêmea certificada, que foi vendida pelo dobro do preço de animais não certificados que vendemos em outro remate.”, afirma Pirozi. Outros criadores que tiveram animais registrados com o F1 Max foram Aluísio Lindenberg Tomé, Eros Gazzinelli e Marcos Almeida Carneiro. A Fazenda Santo Antônio, comandada por Álvaro Pirozi, está situada no município de Varre-Sai/ RJ, na divisa com Minas Gerais e Espírito Santo, região que reúne tradicionais selecionadores de raças leiteiras e grandes produtores de leite. Para formação de seu plantel de Guzerá e do rebanho Guzolando, ele apostou na genética selecionada por tradicionais criadores, como Carlos Fontenelle e Aloísio Lindemberg Tomé. Utiliza matrizes e touros provados para leite e para A2A2, o que tem garantido vacas Guzolando de boa produção. Segundo ele, o certificado F1 Max alcançado pela fazenda só foi possível graças à utilização de pai e mãe com PTA (Predicted Transmitting Ability) positiva para leite. Além disso, as mães das fêmeas Guzolando apresentaram pelo menos uma lactação superior à média das demais vacas dentro do sistema de produção da fazenda no ano de secagem, comprovada pelo Relatório Individual de Lactação. MOSTRA DE ANIMAIS

Durante a ExpoGenética, visitantes do Brasil e de outros países

passaram pelo pavilhão do Guzerá Leiteiro. Entre os criatórios que expuseram animais, estavam o Guzerá Boa Lembrança e o Guzerá Raul. “Essa oportunidade de estrear na ExpoGenética, a convite da ACGB, nos permitiu mostrar a pecuaristas de diversas regiões a eficiência das vacas Guzolando, produzidas a partir da genética de qualidade do Guzerá Leiteiro. Temos fêmeas na fazenda que já atingiram 14 crias e continuam com muita saúde, bem como novilhas emprenhando aos 10 meses e voltando a emprenhar logo depois de paridas. Isso comprova a fertilidade e longevidade do Guzolando,”, explica Ragazzi. Além do Guzerá Leiteiro, a feira ainda teve mostra de animais Guzerá de corte dos criatórios da Marca S e Guzerá da Capital. JULGAMENTO DE GUZOLANDO

Outra novidade para os criadores de Guzolando que está em andamento na ACGB, em parceria

com a ABCZ, é a elaboração do Regulamento Oficial de Exposições, que entrará em vigor em 2027. “Já realizamos mostras de animais em várias feiras, mas sem julgamento. Agora, os criadores poderão participar das competições em pista, o que dará uma grande visibilidade para o Guzolando”, explica o diretor técnico da ACGB, Carlos Fontenelle. Segundo ele, serão julgadas somente fêmeas, separadas por categorias e campeonatos, indo de Bezerra até Vaca Adulta, e finalizando com o Grande Campeonato. As exposições serão oficializadas pela ACGB. O intuito é aprovar o regulamento durante a Nacional do Guzerá, em outubro, para que, na ExpoZebu 2027, o Guzolando já possa concorrer em pista. “Será um marco na história do Guzolando e uma oportunidade de mostrar a criadores de vários países a beleza e a qualidade desses animais que tanto tem contribuído para a produção nacional de leite”, finaliza Fontenelle.

VANTAGENS DO GUZOLANDO

Fêmea Modabilidade da Juzz recebeu o certificado F1 Max na ExpoGenéticav

Qualidade do leite (maior percentual de sólidos totais e kappa caseína) Boa produção de leite (média de 5.728,07 Kg/leite por lactação – fonte ABCZ) Rendimento 12% maior na produção de queijo Pequeno intervalo de partos, desde o primeiro ano Ligamentos de úbere mais fortes, garantindo longevidade produtiva Maior resistente a parasitas Adaptabilidade à condição tropical e aos diversos sistemas de produção

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ESPECIAL RAÇAS - INDUBRASIL

Indubrasil, raça

histórica, contemporânea e melhorada

O Indubrasil é uma raça atemporal que tem sua genética disseminada por todo o território nacional e segue em evolução no mercado pecuário mundial

MÁrCia BeNeVeNUTO Foto capa: ABCI

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om raiz na Meca do Zebu, o Indubrasil é uma raça formada pela pecuária brasileira do início do século XX, em uma época em que ainda era chamado de Induberaba. O rebanho foi o mais relevante do mercado durante décadas, figurando inclusive na série de moedas históricas do tesouro nacional, “Alimentos para o mundo”. Ao longo do tempo e com a popularização de mais raças taurinas e zebuínas na pecuária nacional, o indubrasil ganhou o mundo com as exportações de genética e animais vivos, sem perder a admiração dos criadores ou o espaço em currais e mangas de todo o território nacional, mesmo que sem registros oficiais. O melhor exemplo para confirmar o movimento de preservação genética na “base da caderneta de controle”, por inúmeras fazendas, vem da Serra Gaúcha e atende pelo nome de Soberana. A vaca mais importante da Cabanha das Hortências, de Willian Eduardo Ponath, o vice-presidente da Asulzebu, é a penta Grande Campeã da Expointer. Soberana é produto idealizado nessa primeira modalidade de acasalamento e seleção. Devido à sua força de aprumos, ao equilíbrio na morfologia e racial irretocável, em 2019, a Soberana foi inseri-

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da pela ABCZ, na categoria puro de origem, dentro do livro da raça. A doadora já pariu vários animais de pista, inclusive uma de suas filhas, a Badalada, vai ser levada a Esteio, para concorrer na pista de julgamento ao lado da mãe que irá desfilar para buscar o pódio pela sexta vez consecutiva. O núcleo de seleção da Cabanha das Hortências, assim como o de muitos criadores, foi preservado da forma manual e tradicional. O produtor do Sul é reconhecido por ser aberto à inovação e tecnologias que o mantenham atualizados com a ciência, além de sistemas para melhoria da produtividade e da rentabilidade. Porém, a maioria das propriedades se encaixa em modelos de produção familiar em áreas de difícil logística e antes da internet essa realidade local era um fator limitante para o acesso a informações gerais sobre gestão da fazenda, gestão de rebanhos, a importância do registro, bem como os caminhos corretos de comunicar e registrar o gado. “O trabalho das cooperativas é muito forte aqui, mas o foco em pecuária não era prioridade no passado. O pessoal também não entendia o valor do registro em um banco zootécnico da raça e da presença de um técnico capacitado para ajudar na seleção. A gente


ESPECIAL RAÇAS - INDUBRASIL

tem divulgado as vantagens que a ABCZ ainda oferece aos criadores para resgatar esses rebanhos e aumentar o plantel do Indubrasil em todos os estados do Brasil”, diz o representante da Asulzebu. Willian Ponath foi um dos primeiros a reservar as argolas da Cabanha das Hortências no setor de zebuínos do Parque Assis Brasil, um dos mais movimentados pela presença de milhares de visitantes que estão diariamente na exposição agropecuária. Os outros criadores de Indu-

brasil que tem animais inscritos são Jairo André Gorczevski, da Fazenda Lobo Guará e Luis Fernando da Silva Santos, do Sítio Filgueiras. O gado estará na pista central, dia 2 de setembro, a partir das 9h, para ser avaliado em sua qualidade morfológica pelo jurado Alysson Ricardo Magalhães Sampaio. A reestreia do Indubrasil na Expointer, em 2011, marcou a retomada da participação ininterrupta da raça na maior mostra de animais da América Latina. “É motivo de grande orgulho ter

esses criadores dedicados e valentes na defesa e na promoção do Indubrasil em toda a região Sul que é impactada pela Expointer. Eles comprovam nas linhas de seleção adaptadas às mudanças climáticas típicas da região a adaptação, a rusticidade e a dupla aptidão da raça com todas as características de funcionalidade para os pecuaristas que trabalham na pecuária seletiva e comercial, com foco em ganho de peso e qualidade do leite”, destacou o presidente da ABCI, Roberto Fontes Góes. 

Soberana segue para o sexto Grande Campeonato

É motivo de grande

orgulho ter esses

criadores dedicados e valentes na defesa e na promoção do Indubrasil

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ESPECIAL RAÇAS - NELORE

Nelore mostra

que produzir com qualidade é o único caminho para a pecuária

ViCTOr PaULO SiLVa MiraNDa, PresiDeNTe Da AssOCiaÇÃO DOs CriaDOres De NeLOre DO BrasiL (ACNB)

Foto: divulgação

Foto: Rubens Aparecido Ferreira

O

s resultados da pecuária no Brasil mostram que estamos no caminho certo, mas também deixam claro que os desafios aumentaram. Em 2025, o Brasil registrou um novo recorde nas exportações de carne bovina, com 3,5 milhões de toneladas embarcadas para 177 países, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). É uma conquista importante, que mostra a força da nossa produção. Entretanto, isso também traz mais responsabilidade para quem está dentro da porteira. Quanto mais espaço a carne brasileira conquista no mundo, maior é a cobrança por qualidade. Essa mudança tem transformado a forma como enxergamos a pecuária. Se, há alguns anos, investir

Victor Paulo Silva Miranda, presidente da ACNB

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Foto: divulgação

ESPECIAL RAÇAS - NELORE

superar os resultados: em sete etapas de um total de 38, já analisamos cerca de 6 mil carcaças. Esse é um dos maiores avanços da pecuária nos últimos anos. O produtor deixou de olhar apenas para o volume produzido e passou a enxergar valor nos indicadores que impactam a rentabilidade da fazenda. Hoje, entender o desempenho das carcaças, acompanhar índices e investir em genética são medidas que fazem parte da gestão. O Nelore tem demonstrado, ano após ano, que está preparado para responder a esse desafio. Tenho certeza de que esse movimento continuará nos próximos anos. A competitividade da pecuária dependerá, cada vez mais, da capacidade de produzir animais superiores e de utilizar informações para orientar decisões dentro da fazenda. O Circuito Nelore de Qualidade mostra que esse caminho já está sendo percorrido por centenas de produtores, e os resultados comprovam que investir em qualidade gera retorno. 

Foto: Preta Ribeiro

em genética, manejo e eficiência era visto como um diferencial, agora esses fatores passaram a ser indispensáveis. Quem pretende permanecer competitivo precisa entregar um produto cada vez mais alinhado às demandas da indústria e, principalmente, dos consumidores, que buscam carne de qualidade, produzida com responsabilidade. Essa evolução não aconteceu por acaso. Ela é fruto de um trabalho realizado por produtores, técnicos da área, pesquisadores e entidades que acreditam na melhoria dos sistemas de produção. A raça Nelore ocupa um papel de destaque nisso tudo. Ao longo das últimas décadas, a seleção genética permitiu avanços em características como fertilidade, ganho de peso, rendimento de carcaça, marmoreio e precocidade, tornando o Nelore um dos grandes responsáveis pela competitividade da pecuária. Só que a qualidade não se constrói apenas no discurso. Ela precisa ser medida, comparada e aperfeiçoada. É exatamente esse o intuito do Circuito Nelore de Qualidade, iniciativa da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), que se destaca como o maior campeonato de avaliação de carcaças bovinas do mundo. Os números da edição de 2025 mostram a dimensão desse trabalho. Ao longo do ano, foram avaliados 49.700 animais em etapas realizadas em 12 estados brasileiros, além do Paraguai e da Bolívia. Ao todo, 388 pecuaristas participaram da iniciativa. O Circuito ainda registrou dois recordes históricos. O primeiro em Diamantino (MT), com 5.908 animais avaliados, e, logo depois, em Mozarlândia (GO), onde 6.650 bovinos passaram pela avaliação. Para este ano de 2026, nossa expectativa é

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ESPECIAL RAÇAS - SINDI

Uma beleza de carcaça do Sindi A 2ª Prova Coletiva de Eficiência Alimentar da raça Sindi foi realizada no Centro Tecnológico da Central Bela Vista, em Botucatu (SP) e organizada pela Confraria Las Bela Carcaça Sindi

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Criadores no Dia de Campo Las Bela Carcaça Sindi

MÁrCia BeNeVeNUTO Fotos: ABCSindi/Central Bela Vista

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nome “Las Bela Carcaça Sindi” que faz alusão à linhagem original da raça, caiu como luva para ilustrar os resultados da prova em que foram avaliadas nos animais, várias características zootécnicas de relação econômica, bem como outras alinhadas com fundamentos de sustentabilidade ambiental que são preconizados atualmente pela ciência e pela consciência de todo o mercado consumidor e produtor. “A bovinocultura precisa atender a premissa de verticalizar a produção, elevando índices de produtividade por hectare com economia de insumos e recursos naturais. Unido a isso, há o desafio de entregar animais com carcaças de qualidade para atender quesitos gastronômicos e regras de certificação de cada mercado. Temos a certeza de que o Sindi gabarita todas as expectativas da pecuária e esse estudo da Confraria vem ao encontro com números, daquilo que já sabemos sobre as vantagens da raça no dia a dia. A prova é uma iniciativa louvável que apoiamos e queremos estimular a continuidade e crescimento”, afirma o presidente Orlando Procópio. Las Bela Carcaça Sindi seguiu protocolo de 21 dias de adaptação e 56 dias de teste. Nove rebanhos levaram 19 animais para a avaliação e dois lotes contemporâneos foram apartados para serem conduzidos na prova sob as mesmas condições de ambiência e dieta, além dos cuidados sanitários com as devidas comprovações laboratoriais de DNA.


ESPECIAL RAÇAS - SINDI gordura subcutânea de no mínimo 5 milímetros para um bom acabamento e proteção da carcaça durante o resfriamento e no volume total do estudo, 42,1% dos animais apresentaram medidas excelentes”, disse o criador do Sindi Cerrado que foi o primeiro a levantar a bandeira da Confraria Las Bela Carcaça Sindi para provar a qualidade da raça pela ciência. COM A PALAVRA OS TÉCNICOS

Abaixo os campeões entre os touros inscritos por Ademisindi, Sindi Aroeira, Sindi Caraíba, Sindi Cerrado, Sindi Don, Sindi FTI, Sindi Porangaba, Sindi Rical e Sindi TAM Luarão. PROVA 1: 1º Narkus Porangaba de Helena Curi 2º Eltoro Morro do Cruzeiro de Juliano Almeida e Silva 3º 585 Fiv Rical de Walter Rack

PROVA 2: 1º Mirante FIV Don de Victor Biagi 2º Mogi FIV Don de Victor Biagi 3º Harak Tam da Luarão de Eduardo Tamer Neto e Ademir Fernandes Mendonça

A construção da prova de 2026 exigiu um esforço importante dos criadores Juliano Almeida e Silva e Eduardo Tamer. O compromisso de buscar adesões para viabilizar o estudo, que até meados do segundo semestre do ano figurou como a única avaliação em grupo da raça garantiu as informações científicas do Sindi e a continuidade do projeto. “Conseguimos nessa edição, avaliar um volume maior que o da primeira prova, com animais representando a seleção genética das regiões Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte. O gado desempenhou muito bem em todos os quesitos, com avalia-

O Sindi surpreendeu também quem está acostumado a estudar as diversas raças bovinas criadas e melhoradas no Brasil. “A 2ª Prova Las Bela Carcaça Sindi foi uma excelente oportunidade para avaliarmos, de forma objetiva e padronizada, o potencial produtivo da raça. O que mais nos chamou a atenção foi a combinação entre excelenções de carcaça que nos surprete temperamento, rusticidade e enderam, mostrando que o Sindi eficiência alimentar, com é uma ferramenta valiosa e animais apresentando estratégica. Nossa misdesempenho consissão é promover mais tente ao longo da estudos e perpetuar avaliação. Nas caa Las Bela Carcaracterísticas de carça Sindi como um caça, destacamos evento do calena boa capacidade dário da raça. Tivede deposição musmos uma grande cular e acabamensatisfação de ter Matheus Vargas e Pedro to, evidenciando o no Dia de Campo, Garcia estiveram à potencial do Sindi para o encerramento frente da prova do Sindi para a produção de e a publicação dos recarne.” registrou sultados, a presença de o Dr. Matheus Vargas que é representantes da ABCSindi zootecnista, Mestre e Doutor em e da ABCZ, bem como dos criadoGenética e Melhoramento Animal e res e técnicos”, disse o selecionaSupervisor de Produção e Pesquisa dor Eduardo Tamer. da Central Bela Vista. Já o colega de trabalho, Pedro Garcia, zootecnista 2° PGP CONFRARIA LAS BELA responsável pelo setor comercial CARCAÇA SINDI destacou a relevância da ação para MÉDIA MÁXIMO atender as demandas e exigências do setor pecuário. “Uma iniciativa AOL 83,73 107,37 de grande importância das raça Marmoreio 3,05 3,65 Sindi. A seleção criteriosa desses inEGS 4,22 7,09 divíduos para reprodução contribui, Ratio 0,55 0,67 ao longo das gerações, na formação de rebanhos geneticamente supe“A indústria da carne preconiza riores, mais produtivos, eficientes e uma AOL acima de 75 mm² e dos adaptados aos desafios da pecuária animais da prova 68,4% passaram moderna. Parabenizamos todos os dessa média. Na prova nós tivemos proprietários, criadores, técnicos e 57,9% dos animais com marmoreio profissionais envolvidos, cuja dediacima de 3 e isso os classifica como cação foi fundamental para o sumelhoradores. Além disso os frigocesso da prova”, afirmou. ríficos pedem uma espessura de

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ESPECIAL RAÇAS - TABAPUÃ

Genética adaptada:

a contribuição do Tabapuã para os desafios do clima tropical

EDUarDa GraCiaNO

A

pecuária brasileira consolidou sua liderança internacional a partir da capacidade de produzir a pasto em um território continental marcado por contrastes de solo, relevo e regimes pluviométricos. Ao longo das décadas, o criador nacional aprendeu a manejar essas particularidades geográficas unindo técnicas agronômicas e seleção zootécnica criteriosa. Hoje, a atividade vive um momento em que a eficiência produtiva precisa caminhar lado a lado com a capacidade de manter o desempenho equilibrado dentro da realidade de cada ecossistema, especialmente diante dos períodos de oscilação climática e estiagens prolongadas que desafiam as propriedades rurais de norte a sul do país. Nesse cenário em que as margens da atividade exigem rigor administrativo e precisão zootécnica, a escolha do direcionamento genético assume papel central na sustentabilidade da fazenda. Não existem soluções milagrosas para as condições do ambiente tropical, mas existem ferramentas biológicas selecionadas e aprimoradas diretamente sob essas exigências. É sob essa ótica que o Tabapuã se consolida na história da pecuária nacional, oferecendo uma base zebuína consistente, funcional e respaldada por décadas de comprovação zootécnica oficial. Reconhecido pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) e representado oficialmente pela Associação Brasileira dos Criadores de Tabapuã (ABCT), o Tabapuã é uma raça zebuína naturalmente mocha desenvolvida no interior do estado de São Paulo. Toda a sua formação e fixação de padrão racial ocorreram sob o sol e as pastagens brasileiras, o que conferiu ao rebanho atributos de rusticidade e adaptação ao clima tropical amplamente documentados por entidades oficiais e pela pesquisa agropecuária nacional. Essa adaptação ao ambiente dos trópicos traduz-se em respostas fisiológicas bem estabelecidas pela ciência zootécnica. A pigmentação escura de pele, a pelagem clara com pelos curtos e densos, o elevado número de glândulas sudoríparas e o controle eficiente de trocas

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ESPECIAL RAÇAS - TABAPUÃ térmicas conferem à raça notável tolerância ao estresse calórico. Somam-se a isso as defesas mecânicas e fisiológicas do tegumento, que garantem maior tolerância natural ao desafio imposto por ectoparasitas tropicais como carrapatos e moscas. Esses fatores combinados asseguram que os animais mantenham o comportamento ativo de pastejo mesmo nas horas de maior calor, convertendo forragens tropicais com regularidade e eficiência biológica. A funcionalidade produtiva é outro pilar zootécnico comprovado do Tabapuã. Historicamente selecionada para responder às demandas da pecuária a pasto, a raça reúne capacidade de ganho de peso, arqueamento de costelas e rendimento de carcaça, aliada a uma reconhecida habilidade materna e aptidão leiteira. Os dados zootécnicos e as mensurações de controle leiteiro oficial da ABCZ atestam que as matrizes apresentam conforA raça reúne capacidade mação de úbere adequada, tetos bem distribuídos e de ganho de peso, persistência de lactação. Esse aporte lácteo assearqueamento de costelas gura o desmame de bezerros pesados e sadios e rendimento de carcaça, na pecuária de cria, além de viabilizar a utilização aliada a uma reconhecida da raça em sistemas tropihabilidade materna e cais de dupla aptidão. A evolução contínua da aptidão leiteira raça está amparada nas avaliações do Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ), conduzido pela ABCZ, pelas provas de controle leiteiro e pede trabalho com a equipe de camlas Provas de Ganho de Peso (PGP) po e minimiza contusões e lesões a pasto e em confinamento. Essas durante o transporte e a movimenferramentas fornecem aos seleciotação dos lotes. Aliada ao moquisnadores Diferenças Esperadas na mo, a comprovada docilidade do Prole (DEPs) confiáveis para caracTabapuã favorece o bem-estar aniterísticas econômicas determinanmal, reduz o estresse nas operações tes, como fertilidade, crescimento, de rotina e simplifica o manejo geprecocidade, aprumos, musculatural da propriedade. ra e características maternais, perNo campo da reprodução, a conmitindo uma seleção direcionada formação esquelética e pélvica da e fundamentada em dados bioméraça favorece a facilidade de parto e tricos reais. a rápida recuperação da matriz pósEntre as vantagens zootécnicas -parto, fatores essenciais para mane funcionais da raça, o moquismo ter intervalos entre partos reduzidos natural tem papel de destaque. A e altos índices de prenhez. Em proausência congênita de chifres fagramas de cruzamento, o Tabapuã cilita o manejo diário nos currais e transmite com consistência sua unibretes, reduz o risco de acidentes

formidade racial, mansidão, rusticidade zebuína e vigor híbrido, atendendo com eficiência tanto plantéis puros quanto rebanhos comerciais. Diferentemente de intervenções nutricionais ou ajustes de manejo que podem ser alterados a cada safra, o melhoramento genético é um processo cumulativo, contínuo e permanente. A escolha de reprodutores e matrizes devidamente avaliados por programas oficiais define a estrutura do rebanho e os resultados das próximas gerações. A pecuária brasileira avança em direção a modelos mais eficientes, sustentáveis e integrados ao ambiente tropical. Nesse contexto, o Tabapuã oferece o respaldo de uma trajetória oficial construída com trabalho zootécnico sério, comprovando que a união entre adaptação tropical, habilidade materna, rigor métrico e planejamento genético é o alicerce para a sustentabilidade da pecuária nacional. 

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CURSO DE JULGAMENTO

Edição 2026 registra

maior turma da última década

Promovida pela ABCZ, a 78ª edição capacitou cerca de 200 estudantes, técnicos, criadores e profissionais do Brasil e de outros dez países em uma imersão em teoria e prática sobre a seleção das raças zebuínas Thaís Ferreira

Fotos: André Santos

E

ntre os dias 20 e 23 de julho, o Parque Fernando Costa, em Uberaba (MG), recebeu a maior turma da última década do Curso de Exterior e Julgamento das Raças Zebuínas, promovido anualmente pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). A 78ª edição reuniu cerca de 200 participantes, entre estudantes, criadores e técnicos das ciências agrárias interessados em aprofundar seus conhecimentos sobre avaliação, seleção e melhoramento genético das raças zebuínas. O curso aliou aulas teóricas e práticas para apresentar os critérios técnicos utilizados nos julgamentos em pista e no registro genealógico, além de demonstrar como a avaliação visual influencia diretamente a evolução dos rebanhos e a tomada de decisões dentro das propriedades. “Quando escolhemos animais para um determinado sistema de produção, estamos julgando esses animais. Quando comercializamos animais, também fazemos essa avaliação. O julgamento é muito mais amplo do que a pista; ele faz parte das decisões do dia a dia da pecuária”, explica o coordenador do Colégio de Jurados das Raças Zebuínas (CJRZ), Mauro Bueno da Fonseca. Após dois dias de conteúdo em sala, os participan-

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O julgamento faz

parte das decisões do dia a dia da

Mauro Bueno da Fonseca

pecuária

tes seguiram para uma das etapas mais aguardadas da programação: as atividades práticas no recinto de avaliações. Acompanhados por jurados efetivos do CJRZ e especialistas convidados, eles colocaram em prática os conhecimentos adquiridos, analisando as características morfológicas dos animais e identificando os atributos que orientam a seleção e o melhoramento genético dos rebanhos. Segundo o jurado efetivo do CJRZ, Alisson Andrade de Oliveira, as atividades práticas acompanham a evolução da pecuária brasileira. “A pecuária está mais produtiva, mais eficiente e evolui rapidamente. A pista também reflete esse avanço do melhoramento genético”, ressalta. Para proporcionar uma experiência completa, o curso contou com exemplares de todas as raças zebuínas,


CURSO DE JULGAMENTO para realizar o julgamento dos anitrajetória. Cresci acommais que receberão o Registro Genepanhando meu pai no A pista também alógico Definitivo (RGD) na Guatematrabalho com o Zebu e, depois do fareflete o avanço lecimento dele, do melhoramento assumi a responQueremos sabilidade de dar genético estar mais continuidade a Alisson Andrade esse legado. Estar de Oliveira preparados para aqui é uma oporjulgar os animais tunidade de ampliar meus conhecimentos e cedidos por criadores que contribuDerek José na Guatemala me preparar ainda mais para íram voluntariamente para o fortaHerman Gordillo conduzir o nosso plantel. Faço lecimento da capacitação técnica e Agronomia na Fazu e busco para o desenvolvimento da pecuála. É uma oportunidade de aplicar lá aprender continuamente. O curso ria zebuína. A presença dos animais o mesmo trabalho de melhoramento agrega muito, principalmente na permitiu aos participantes aprimorar que é feito aqui. Costumo dizer que avaliação visual dos animais, aspecto o olhar diante das diferentes caractea AGCEBU é uma pequena ABCZ na que quero aperfeiçoar para evoluir rísticas raciais. América Central”, destaca. na seleção de Nelore e Indubrasil”. “O que mais me encantou foi a Da Colômbia, Yerlys Escodidática dos professores. Eles conbar, da Agropecuaria Vía Lácseguem transmitir o conteúdo de tea, levou na bagagem muito forma muito clara. As explicações A mais do que anotações. “Foi sobre o EPMURAS, por exemplo, fatroca de uma experiência muito enrizem com que a gente compreenda quecedora! Além de aprofuncomo utilizar esse conhecimento experiências dar meus conhecimentos sona prática. Viemos em três colegas é muito bre o Gir, tive a oportunidade para enriquecer nosso projeto. Trade conhecer melhor outras balhamos com seleção PO e tamHenrique valiosa raças zebuínas e entender bém com gado comercial, então Mendonça como o manejo é realizado vamos aplicar esse aprendizado na no Brasil. As aulas práticas fiidentificação dos melhores animais zeram toda a diferença, porque perHenrique também colocou sua a campo, realizar um descarte mais mitem aprender diretamente com seleção a serviço da formação dos eficiente e continuar evoluindo no quem vive essa realidade no dia a colegas ao disponibilizar exemplares nosso trabalho de seleção”, afirma o da raça Indubrasil, do Condomízootecnista João Bezerra, do criatónio Induberaba, para as atividario Nelore Santa Nazaré. des práticas. “Essa troca de exAs aulas periências também é O que mais práticas muito valiosa para nós, porque ouvir diferenme encantou foi fizeram toda a tes avaliações sobre os animais amplia nosa didática dos diferença Yerlys so olhar e fortalece o Escobar professores trabalho de melhoraJoão mento que desenvolBezerra dia. Quero levar todo esse aprendivemos”, completa. zado para aplicar no nosso trabalho O alcance internaciona Colômbia e continuar fortalecennal do curso também marcou esta Representante da quinta gerado a pecuária zebuína”. edição. Participaram representantes ção na criação de zebuínos, Henrique da República Dominicana, Colômbia, Mendonça agora constrói também o INSCRIÇÕES CURSO DE EXTERIOR Guatemala, Venezuela e Nicarágua. seu próprio caminho à frente do NeE JULGAMENTO DAS RAÇAS Entre eles estava o presidente da lore Alódia. Buscou no 78º Curso de ZEBUÍNAS Associação Guatemalteca de CriaExterior e Julgamento de Zebuínos dores de Gado Zebu (AGCEBU), Deconhecimentos para aprimorar ainda 03/05/2027 rek José Herman Gordillo, que busmais a avaliação dos animais e contricou aplicar em seu país os mesmos buir para o futuro do plantel. Inscrições pelo site: critérios utilizados no Brasil. “O curso representa um mowww.abcz.org.br “Queremos estar mais preparados mento muito importante na minha

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CONFRARIA DA CARCAÇA NELORE

Isso é a

PECUÁRIA MODERNA Prova reúne tecnologia e avaliação visual para identificar animais capazes de entregar por inteiro

A

Kelle Monik nimal bom por dentro e por fora. A definição é simples; chegar a ela, nem tanto. Antes de um corte encontrar o prato, existe uma sucessão de medidas e avaliações que começa muito antes da fazenda, em um caminho que combina métricas com olho clínico, dados com análise visual. Desse encontro, a Confraria da Carcaça Nelore realizou, nos dias 15 e 16 de julho, em Botucatu (SP), a 5ª edição de sua Prova de Eficiência

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Alimentar – Etapa Touros. Animais de diferentes criatórios e regiões do país foram submetidos a uma avaliação que reuniu critérios de eficiência alimentar, desempenho, características de carcaça e análise visual. O resultado foi um concurso de grande variabilidade genética, mas com um traço comum entre os animais que avançaram às etapas finais: a qualidade da carne. “Quando a gente fala de um animal bom por dentro e por fora, es-

tamos falando de um que atende aos padrões raciais do Nelore e que, ao mesmo tempo, reúne as qualidades funcionais e de qualidade de carne que buscamos na seleção. Por dentro, estão características que precisam ser medidas; como a Área de Olho de Lombo, relacionada ao rendimento de carcaça e de cortes; a eficiência alimentar e a espessura de gordura subcutânea, que tem relação com o ciclo produtivo”, explica o presidente da Confraria, Fred Men-


CONFRARIA DA CARCAÇA NELORE des. “O nosso objetivo é justamente conseguir animais equilibrados: que comam pouco e produzam igual, ou até mais, em quantidade e qualidade de carne, sem abrir mão da funcionalidade e do padrão racial”. O BOI QUE ENTREGA POR INTEIRO

A seleção genética

olha também para

um mercado que paga mais por qualidade

Eficiência alimentar não é simplesmente fazer o animal ganhar peso, é saber quanto ele precisa consumir para produzir esse ganho. Na prova, diferentes indicadores permitiram identificar animais capazes de combinar desempenho e aproveitamento eficiente do alimento. Área de Olho de Lombo (AOL), espessura de gordura subcutânea e marmoreio, por exemplo, são os atributos medidos relacionados ao rendimento e à qualidade da carne. A participação dos técnicos da ABCZ na avaliação visual acrescenta a leitura complementar. Feliciano Benedetti, jurado da casa, foi um dos convidados. “Os animais que chegam a essa etapa já foram selecionados pela ultrassonografia de carcaça e nosso papel como juízes é avaliar a parte fenotípica”, ele diz, já completando que “qualidade de carne não é uma característica que pode ser avaliada apenas no olho!”. A prova da Confraria evidencia, como poucas, essa complementaridade. E vem aperfeiçoando sua própria metodologia. José Olavo Borges Mendes Júnior, confrade e diretor da ABCZ, que acompanha esse processo de

perto, explica que a avaliação passou por mudanças para tornar a seleção mais abrangente na composição do resultado final. “No que se refere ao EPMURAS, agora, em vez de ser excludente, ele passou a ter uma pontuação, um índice. Um animal que era muito bom na prova e acabava não indo tão bem no visual, por exemplo, podia ficar para trás. Então, a gente mudou isso para buscar um resultado mais equilibrado.” Há uma razão econômica por trás dessa busca. Mais carne aproveitável, melhor rendimento e características que atendam às exigências da indústria significam maior valor ao longo da cadeia. A seleção genética olha também para um mercado que paga mais por qualidade. “A gente está procurando o mercado premium. O Brasil é um grande exportador de carne, mas ainda tem muito espaço para avançar nos mercados mais bem remunerados. Quando a gente trabalha essas características, está apontando justamente para animais que podem produzir uma carne melhor e atender a esses mercados”, projeta. E os resultados começam a ganhar escala. Três dos animais classificados entre os finalistas já foram contratados por centrais de genética. É quando o que foi medido e selecionado em Botucatu deixa o campo de testes e passa a integrar novos programas de melhoramento, até reaparecer, mais adiante, onde toda a cadeia começa e termina: na mesa.

OS FINALISTAS A etapa final reuniu 10 animais, classificados a partir da combinação entre os resultados da prova e a avaliação morfológica. O índice final da CCN (Confraria da Carcaça Nelore) considera 70% do desempenho na prova e 30% da avaliação dos juízes da ABCZ. 1º

Nobre II da Xaraes

Proprietário: Geraldo Majella Pinheiro

Gigante FIV 7 Estrela

Proprietário: Juliano Beraldo de Andrade

Declato FIV do Golias

Proprietário: Fabio Souza de Almeida Filho

SNI A6248

Proprietário: Shiro Nishimura

Vancouver FIV do Golias

Proprietário: Fabio Souza de Almeida Filho

Master Espelho

Proprietário: Aureo Candido Costa Junior

3611 FIV PHOC

Proprietário: Agropecuária Cutolo Ltda.

697 FIV Carpa

Proprietário: EBO Agropecuária S.A.

Nelore IF 13998

Proprietário: Agropecuária Fogliatelli S/A

10º

Fogarehu da VP

Proprietário: Antonio Pereira Quirino

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FAZU

O maior complexo agro de ensino superior da

América Latina!

Raiane DUarTe Fotos: Fazu

Q

uem chega a Uberaba (MG), a Capital do Zebu, tem a oportunidade de conhecer alguns lugares que foram marco para o desenvolvimento da raça no país. Entre eles está, claro, o Parque Fernando Costa, que é sede da ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu) e também o braço educacional da associação, a Fazu (Faculdades Associadas de Uberaba). Quem passa pelo início da Avenida do Tutuna vê uma faculdade cercada pelas tradicionais árvores choupalas, as mesmas que coroam a entrada do Parque Fernando Costa. Ao entrar no campus, encontra a sede administrativa e os prédios de salas de aula. O que muitos não imaginam é que, poucos metros adiante, existe uma fazenda-escola completa, onde ensino, pesquisa, extensão e produção caminham lado a lado. Aluna de Medicina Veterinária da Fazu e estagiária do Museu do Zebu da ABCZ, Raffaela Felipe explica que a estrutura da faculdade possibilita a formação de um profissional completo, pronto para atuar no mercado real. “Temos acesso a uma fazenda-escola dentro da faculdade. Dá para ir a pé, seja de dia ou de noite. Isso facilita muito a nossa formação”, conta a estudante do 6º período de Medicina Veterinária, Raffaela Felipe. A Fazenda Escola contempla diferentes áreas da produção animal e ve-

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FAZU

A infraestrutura da

Fazu também favorece o desenvolvimento científico

Pesquisa, extensão

e produção caminham lado a lado

getal, que vão desde a horticultura até um Confinamento Automatizado, com tecnologia única no país, preparado para receber grandes provas e avaliações de bovinos. É nesse confinamento que é realizado o Teste de Desempenho e Eficiência Alimentar do Programa Nacional de Avaliação de Touros Jovens (TDEA-PNAT), mais uma parceria de sucesso entre a ABCZ e a Fazu. Outro importante avanço no campus está prestes a fortalecer ainda mais a formação dos estudantes. Em breve, o Hospital Veterinário do campus voltará à gestão da Fazu e passará por reestruturação para fortalecer a formação prática dos estudantes de Medicina Veterinária. Formando em Zootecnia, Lucas Cruvinel explica que o contato com as áreas produtivas acontece desde o início da graduação. Ao longo da graduação, Lucas destaca o setor de Equideocultura como uma das experiências mais marcantes. Segundo ele, o contato precoce com as áreas produtivas facilitou sua inserção no mercado, onde hoje atua com consultoria e tecnologias agrícolas. “A graduação abriu muitas portas. Agora quero continuar me especializando e agregando ainda mais conhecimento.” A infraestrutura da Fazu também favorece o desenvolvimento científico. Formanda em Agronomia, Cenitha Oliveira encontrou na pesquisa um caminho profissional ainda durante a graduação. “Foi no GEPEA (Grupo de Estudos e Pesquisas em Entomologia Aplicada) que tive meu primeiro contato mais próximo com a pesquisa científica e comecei a enxergar a Agronomia além da sala de aula. Passei a investigar, buscar respostas e produzir conhecimento.” O resultado veio antes mesmo da formatura. Cenitha foi aprovada no mestrado em Entomologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (ESALQ-USP).

Raffaela na Suinocultura da Fazu, onde o inovador SISCAL (Sistema Intensivo de Suínos Criados ao Ar Livre) transforma conhecimento em prática

Lucas na Equideocultura da Fazu, espaço em que o manejo em sistema extensivo de pastagem aproxima o aprendizado da realidade do campo

Cenitha no Laboratório de Entomologia da Fazu, ambiente onde a curiosidade científica revela o universo dos insetos e inspira novas descobertas

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ABCZ JOVEM

Uma nova geração

para a pecuária zebuína

Diretoria da ABCZ Jovem para o triênio 2026-2028 aposta na estruturação do quadro de associados, na realização de encontros em diferentes regiões do país e na construção de sede própria para fortalecer a formação de lideranças na pecuária zebuína Thaís Ferreira Fotos: ABCZ Jovem

P

lanejar a sucessão é um dos maiores desafios das empresas familiares. Um estudo global da McKinsey mostra que, nos cinco anos seguintes à troca de liderança, essas organizações registram queda na receita, nas margens de lucro e no retorno aos acionistas. Segundo a consultoria, o retorno médio recua 5,7 pontos percentuais, demonstrando a importância de preparar as novas gerações

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para assumir os negócios. Na pecuária, onde tradição, conhecimento e experiência são transmitidos entre famílias há décadas, esse planejamento também é decisivo para garantir a continuidade da atividade. Criada em 2017 para estimular a formação de novas lideranças e incentivar a sucessão na pecuária, a ABCZ Jovem vive um novo ciclo com foco na consolidação da entidade, na estruturação do quadro de associa-

dos e na participação cada vez maior da juventude no setor. À frente da diretoria para o triênio 2026-2028, o presidente Gustavo Pinheiro Machado acredita que um dos principais desafios é fazer com que os jovens se sintam pertencentes ao agro. “Muitas vezes o jovem não encontra pessoas da mesma idade, não participa dos eventos e acaba buscando oportunidades em outros setores. Precisamos criar um


ABCZ JOVEM DIRETORIA 2026-2028

Presidente Gustavo Cardoso Pinheiro Machado

Vice-presidente Pedro Prata

Diretor comercial João Felipe Camargo de Barros

Diretora de relações públicas Giovanna Tibery

Diretor financeiro Augusto Kyt Lustosa

Diretor institucional Otávio Augusto Porto Pereira

Diretora de marketing Maria Fernanda Mendonça Machado

Diretor de eventos Augusto Leão Guimarães

Diretor de expansão e novos membros Antônio Bertin Barros

Diretor de operações Pedro Horto

Diretora de sucessão Pietra Novaes Picciani

ambiente onde ele faça amizades, tenha oportunidades de aprendizado e enxergue que a pecuária também pode ser inovadora, rentável e cheia de possibilidades”, ressalta. Com esse objetivo, a diretoria pretende ampliar iniciativas já desenvolvidas, como os Encontros Rurais Jovens, realizados em diferentes regiões do país. “Esses eventos aproximam pessoas que compartilham do mesmo propósito, promovem a troca de experiências e mostram que ninguém está sozinho nesse processo. Quando falamos em sucessão familiar, ela deixa de ser apenas uma questão da família e passa a ser fortalecida por uma rede de amizades, parcerias e muito aprendizado. Isso dá mais segurança para que os jovens assumam seu papel no campo e estejam preparados para conduzir a pecuária nas próximas gerações”, afirma o diretor de Eventos, Augusto Leão Guimarães. A diretoria também trabalha na estruturação de um novo modelo de associados e no projeto da sede própria da ABCZ Jovem. “O projeto da sede nasceu da necessidade de criar um espaço que realmente pertença aos jovens. Será um ponto de encontro para integração, eventos, capacitações e fortalecimento dos laços entre as novas gerações da pecuária. É um projeto que representa pertencimento e um legado para quem vier depois”, explica Gustavo.

A comunicação também faz parte dessa estratégia. “A ABCZ já é uma referência quando o assunto é genética e resultados técnicos. Na ABCZ Jovem, buscamos mostrar que o jovem faz parte desse universo. Pelas redes sociais e pelo WhatsApp, conseguimos conectar pessoas de todo o Brasil, criando um ambiente de troca de experiências, aprendizado e apoio mútuo. Queremos mostrar que, independentemente de onde o jovem esteja, é possível criar relacionamentos, trocar conhecimento e contribuir para a modernização da pecuária. Quando construímos essas conexões, transformamos o trabalho em paixão”, destaca a diretora de Marketing, Maria Fernanda Mendonça Machado. Outro foco da entidade é aproximar estudantes e pessoas que não têm ligação direta com a atividade pecuária. “O agro precisa estar aberto para quem deseja conhecer e fazer parte dele. Muitos jovens têm interesse, mas nunca tiveram contato com a pecuária. Aproximar esse público significa formar novos profissionais, novas lideranças e fortalecer ainda mais o futuro do setor”, destaca Gustavo. A participação na ABCZ Jovem será ampliada por meio de um novo modelo de associação. A proposta é reunir jovens de diferentes perfis interessados na pecuária, oferecendo acesso a eventos, capacitações, ne-

tworking e oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional. “Queremos preparar a próxima geração de líderes da pecuária, incentivar a sucessão familiar, fortalecer o associativismo e garantir que a pecuária zebuína continue evoluindo ao longo do tempo. O futuro da atividade depende de jovens dispostos a aprender, criar conexões e contribuir para o desenvolvimento do setor”, afirma Gustavo. LEILÃO VAI ARRECADAR RECURSOS PARA SEDE PRÓPRIA

Como parte desse planejamento, a ABCZ Jovem promoverá, no dia 4 de dezembro, um leilão virtual beneficente com o objetivo de arrecadar recursos para a construção da sede própria. O remate reunirá prenhezes e aspirações de grandes doadoras. Toda a renda será destinada ao projeto. “A expectativa é reunir importantes criadores e apoiadores da pecuária brasileira em uma iniciativa que permitirá investir diretamente em um projeto voltado às futuras gerações. Além de adquirir genética de alto nível, os participantes contribuirão para o fortalecimento da sucessão e para o futuro da pecuária brasileira”, conclui Gustavo. Para acompanhar as ações da comissão, siga o perfil @abczjovem no Instagram, e fique por dentro dos Encontros Rurais Jovens, outros eventos e como se associar.

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ABCZ MULHER

ABCZ Mulher:

elas estão com tudo! Criada por Iara Marquez em 2018, comissão completará uma década na atual gestão, com ações cada vez mais decisivas e contribuições marcantes para a mulher do campo Breno Cordeiro

Q

uando Iara Marquez idealizou a ABCZ Mulher, em 2018, o seu propósito era claro: criar um espaço para “dar voz e vez” às mulheres que já atuavam no mercado, mas ainda não recebiam o devido reconhecimento. Oito anos depois, de volta à presidência da comissão na gestão 2026-2028 da ABCZ, Iara conduz um movimento mais forte, atuante e conectado às mudanças de um agro em constante transformação.

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A ABCZ Mulher vive uma fase de expansão, marcada por uma agenda cada vez mais intensa de eventos e, principalmente, pela ampliação do conteúdo técnico oferecido às participantes. “A proposta é levar conhecimento a pequenas, médias e grandes produtoras, respeitando as diferentes realidades do campo e criando oportunidades para que mulheres de toda a cadeia produtiva possam se capacitar, trocar experiências e ampliar ainda mais a sua atua-


ABCZ MULHER

ção”, aponta a presidente Iara. Para cumprir esses objetivos, a comissão vem buscando parcerias estratégicas em cada ação, aproximando profissionais, empresas, instituições e especialistas capazes de contribuir para a formação das participantes. O resultado é uma programação que vai além da integração e da representatividade: são encontros que colocam em pauta temas relevantes para a produção, a gestão e o futuro do agronegócio, do empreendedorismo ao manejo de animais, passando por genética, tecnologia, administração de negócios e muito mais.

Com a proximidade do décimo aniversário da ABCZ Mulher, Iara relembra os primeiros passos do projeto que começou com uma simples conversa com o esposo, o presidente da ABCZ, Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges. “Em conversa com o Arnaldinho, eu disse que queria montar o grupo ABCZ Mulher para dar voz e vez à mulher que está no mercado há muito tempo”, recorda Iara. Passados oito anos, a ideia permanece atual, mas ganhou novas dimensões. “Hoje, a missão da ABCZ Mulher passa também por preparar

essas mulheres para ocupar espaços de decisão, oferecendo informação e ferramentas que possam ser aplicadas diretamente em suas atividades. A mulher do agro já conquistou o seu protagonismo; agora a prioridade é reforçar a liderança que ela já tem, e sempre teve”, explica. “Eu fico feliz em poder contribuir para o bom desempenho da ABCZ. Arnaldo e eu temos uma filosofia muito definida de valorização das pessoas, porque acreditamos que um time motivado é a maior engrenagem para o sucesso de um projeto”, finaliza a presidente.

CONHEÇA AS INTEGRANTES DA COMISSÃO ABCZ MULHER PARA O TRIÊNIO 2026-2028: PRESIDENTE

Iara Maria Vieira Marquez

Ana Cláudia Mendes Souza

Ana Letícia Prata

Danielle Mendes

Juliane Moreira Brasileiro

Valéria Guimarães

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ZEBU DO BEM

Arraiá da ABCZ une

tradição e solidariedade em noite de festa

Em sua 7ª edição, evento promovido pelo Zebu do Bem reuniu famílias no Parque Fernando Costa e mobilizou 67 entidades de Uberaba em uma grande ação social

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Thaís Ferreira

C

omidas típicas, música, quadrilha, famílias reunidas e crianças brincando. O Arraiá da ABCZ teve todos os ingredientes de uma boa festa julina, mas trouxe também um objetivo nobre: contribuir com o trabalho de instituições que atuam em benefício da comunidade de Uberaba (MG). Realizada no Parque Fernando Costa, a 7ª edição do evento, promovida pelo Zebu do Bem, braço filantrópico da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), reuniu 17 instituições parceiras nas barracas de comidas e bebidas. Com o trabalho de voluntários, cada entidade preparou seu espaço para receber o público e transformar a participação na festa em uma oportunidade de fortalecer suas ações sociais. O alcance da iniciativa, no entanto, foi ainda maior. Além das 17 entidades que participaram diretamente da festa, outras 40 instituições beneficentes de Uberaba receberam doações de alimentos arrecadadas como forma de ingresso. Ao todo, foram quatro toneladas de arroz e óleo destinadas às entidades. O envolvimento das instituições é um dos diferenciais do Arraiá da ABCZ. Para quem está à frente das barracas, a festa representa uma oportunidade de divulgar


ZEBU DO BEM

Show da dupla Brutos do Sertanejo

A programação

foi pensada para

reunir diferentes gerações.

17 40

Instituições Instituições parceiras beneficiadas

4 ton DE ALIMENTOS EM DOAÇÕES

o trabalho realizado ao longo do ano e de obter recursos que fazem diferença na rotina das entidades. “Agradecemos muito ao Zebu do Bem por esse trabalho maravilhoso e por dar oportunidade para tantas instituições que precisam desse auxílio”, destaca a presidente do Centro Espírita Maria de Nazaré, Ivanilda Teixeira. Na barraca da Casa Espírita da

Sopa Adolfo Fritz, o tradicional pastel também ganhou um ingrediente especial: a solidariedade. Os recursos obtidos com a participação no evento ajudam a tornar realidade projetos importantes para a instituição. “Esse recurso ajuda nas construções que estamos fazendo. Estamos construindo uma quadra e, aos poucos, vamos conseguindo concluir esse sonho”, afirma o presidente da entidade, Venerano Júnior. A programação foi pensada para reunir diferentes gerações. O público acompanhou o show da dupla Brutos do Sertanejo e a apresentação da quadrilha Vai Quem Quer. Para as crianças, os brinquedos infláveis gratuitos garantiram a diversão, enquanto os adultos aproveitaram a gastronomia típica e o clima de confraternização.

Apresentação da quadrilha Vai Quem Quer

Realizado desde 2017, o Arraiá da ABCZ já se consolidou como uma das principais festas juninas da região. Ao longo das edições, mais de 34 mil pessoas participaram do evento, que já contribuiu para a arrecadação de mais de 35 toneladas de alimentos e beneficiou, direta e indiretamente, mais de 120 instituições. “O Arraiá da ABCZ nasceu com a proposta de reunir as famílias em uma grande festa, valorizando a tradição, a convivência e a solidariedade. É muito gratificante ver como o evento cresceu ao longo dos anos, mobilizando tantas pessoas e ajudando instituições da nossa cidade. Tenho um carinho muito especial por essa iniciativa e por tudo o que ela representa para Uberaba”, destaca a presidente do Zebu do Bem e idealizadora do Arraiá da ABCZ, Iara Marquez.

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MUSEU DO ZEBU

Férias de julho! Durante recesso escolar, Museu do Zebu reuniu a educação e a diversão em um projeto especialmente desenvolvido para familiares de funcionários da ABCZ e da instituição

Breno Cordeiro Fotos: Everaldo Ferreira

É MuZe recebe estudantes durante férias escolares

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nos museus que a memória é preservada, mas esses lugares também despertam curiosidade e formam cidadãos. No Museu do Zebu (MuZe), esse propósito ganha um significado especial ao aproximar crianças e jovens da história da pecuária zebuína e de sua importância para a cultura, a sociedade e a produção de alimentos. O espaço se consolida como um ambiente vivo de aprendizagem, capaz de conectar novas gerações ao universo do Zebu por meio de experiências práticas, interativas e lúdicas. Foi com esse espírito que o MuZe e a ABCZ promoveram mais uma edição do projeto Férias no Museu, reunindo filhos, sobrinhos e netos de colaboradores das duas instituições durante o recesso escolar. Ao longo de dois dias de atividades, crianças e adolescentes vivenciaram uma programação especialmente desenvolvida para transformar conhecimento em experiência, aproximando-os da história da zebuinocultura e do trabalho desenvolvido diariamente pela ABCZ. A proposta vai além de apresentar o ambiente profissional de pais e familiares. Ao conhecer o Museu, os bastidores técnicos da associação e o legado constru-


MUSEU DO ZEBU

O projeto abrange alunos de diversas idades

ído pela pecuária zebuína ao longo de mais de um século, os participantes descobriram como a seleção genética, a preservação da memória e a inovação caminham juntas para fortalecer um dos setores mais importantes do nosso país. “É uma oportunidade não só de mostrar para os jovens o local de trabalho de seus pais e familiares, mas também ressaltar a importância desse trabalho no cenário da pecuária zebuína e as contribuições culturais do setor para toda a sociedade”, destaca a presidente do Conselho Deliberativo do MuZe, Ana Cláudia Mendes Souza. A programação contemplou diferentes faixas etárias, respeitando as formas de aprendizagem e os interesses de cada grupo. Para os adolescentes, a experiência incluiu uma visita guiada ao acervo do Museu do Zebu, um percurso pelos setores da ABCZ e uma imersão na Fazenda São Geraldo, onde conheceram o legado de Mário Franco, acompanharam a rotina da propriedade, participaram de uma oficina de produção de conteúdo digital voltada ao agro e refletiram sobre liderança e futuro. O encerramento aconteceu em clima de descontração, com uma gincana inspirada no universo do Zebu.

As crianças também encontraram um ambiente preparado para aprender brincando. Inspiradas no clima esportivo da Copa do Mundo, participaram de quizzes, gincanas e desafios cooperativos que estimularam o trabalho em equipe. Os jovens exploraram o universo dos personagens Zebuzinhos em atividades de pintura, caça ao tesouro e contação de histórias, descobrindo, de maneira leve e divertida, elementos do Iniciativa reúne As crianças também acervo do Museu. educação e diversão para os pequenos A programaencontraram um ção foi além das atividades culambiente preparado para ta do Museu do turais. Na oficina aprender brincando Zebu, que é inMão na Massa: Micentivar a eduniQueijeiros ABCZ, cação e realçar a os participantes puimportância da zederam compreender, buinocultura em tode forma prática, como dos os setores da socieo trabalho desenvolvido no dade”, aponta Ana Cláudia. campo está diretamente ligaDesta forma, as atividades do Fédo aos alimentos que chegam diarias no Museu se encaixam na misriamente à mesa das suas famílias, são permanente do Museu do Zebu: reforçando a importância da cadeia transformar conhecimento em expeprodutiva da pecuária e do Zebu. riência, aproximando estudantes e “Pensamos em uma programajovens do patrimônio histórico, cienção que aliasse a diversão ao aprentífico e cultural da zebuinocultura. dizado, de forma alinhada à propos-

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