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Revista ABCZ 129

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Órgão oficial da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu

Diretoria da ABCZ (2026-2028)

Presidente: Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges

Vice-presidentes: Marco Antônio Andrade Barbosa, Antônio José Prata Carvalho e Ângelo Mário de Souza Prata Tibery

Diretoria: Ana Cláudia Mendes de Souza, Arnaldo Prata Filho, Bento Abreu Sodré de Carvalho Mineiro, Carlos Henrique de Mendonça Pereira, Eduardo Penteado Cardoso, Gabriel Garcia Cid, Gilberto Machado Barata de Oliveira, Jorge Antônio Pires de Miranda, José Olavo Borges Mendes Júnior, José Roberto Azzi, Marcio Diniz Júnior, Rodrigo Rezende Simões e Sérgio Junqueira Germano

Conselheiros Consultivos:

Acre: Edivan Maciel de Azevedo, Francisco de Salles Ribeiro Valle Filho e Pedro

Nogueira Teixeira da Rocha

Alagoas: Alexandre Gondim da Rosa Oiticica, Celso Pontes de Miranda Filho e Marcelo Lamenha Loureiro

Amapá: Jayme Henrique Ferreira, Pedro Antônio da Rocha Neto e Vinícius

Araújo de Souza Reis

Amazonas: Francisco Helder de Oliveira Peixoto, Luiz Antônio Teixeira de Figueiredo e Nilton Costa Lins Júnior

Bahia: José Delsique de Macedo Borges, Miguel Pinto de Santana Filho e Paulo

Roberto Gomes Mesquita

Ceará: Antônio André Luciano Pinheiro, Candice Macedo de Araújo Rangel e José Kleber Calou Filho

Distrito Federal: Murilo de Oliveira Abdo, Ronaldo Alves de Souza e Valeria Cunha Campos Guimarães

Espírito Santo: Beraldo Barcelos Hentzy, Carlos Fernando Fontenelle Dumans e Victor Paulo Silva Miranda

Goiás: Heuler Abreu Cruvinel, Luiz Eduardo Branquinho e Silvestre Coelho Filho

Maranhão: Naum Roberto Ryfer, Nelson José Nagem Frota e Samir Saldanha Nicolau

Mato Grosso: Francis Maris Cruz, Mario Roberto Candia de Figueiredo e Olímpio Risso de Brito

Mato Grosso do Sul: Geraldo de Souza Carvalho Neto, Leda Garcia de Souza e Ricardo Goulart Carvalho Filho

Minas Gerais: Marcelo Caldeira Teixeira, Ricardo Antônio Vicintin e Ronaldo Andrade Bichuette

Conselheiros Fiscais:

Efetivos:

Alexandre Cavalcanti de Melo Bernardi, Carlos Márcio Guapo, Leila Borges de Araújo, Oscar José Caetano de Castro e Rogério Santos da Silva

Suplentes:

Claudia Rodrigues da Cunha, Euclides Prata dos Santos Neto, João Machado Prata Neto, José Calmon Tiradentes Cunha e Miriam Oliveira Borges

Superintendência Administrativa:

Marcia Moreno Campos

Superintendência Financeira:

Valéria Rodrigues da Cunha Sousa

Procuradoria Jurídica: Marco Túlio Nascimento Martins

Conselheiros Editoriais: Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges, Luiz Antonio Josahkian, Marcia Moreno Campos, Marco Túlio Nascimento Martins e Paulo Fernando Borges de Souza

Jornalista Responsável: Élcio Fonseca

Repórteres:

Breno Cordeiro, Kelle Monik, Renata Thomazini e Thaís Ferreira

Departamento de Comunicação: (34) 3319-3826 • imprensa@abcz.org.br

Departamento Comercial: (34) 3319-3961

Assinaturas: (34) 3319-3984 • assinatura@abcz.org.br

Projeto gráfico, diagramação e produção gráfica: equipe Marketing ABCZ

Impressão - CTP: Elyon Indústria Gráfica Tiragem: 8.500 exemplares

A Revista ABCZ é uma publicação quadrimestral da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, com distribuição gratuita para associados da ABCZ.

Pará: Adalton Pires Rodrigues, Adelino Junqueira Franco Neto e Fausto da Cunha Oliveira Neto

Paraíba: Fabiano Churchill Nepomuceno Cesar, Fernando Di Lorenzo Marsicano dos Santos e Paulo Roberto de Miranda Leite

Paraná: Abelardo Luiz Lupion de Mello, Celio Arantes Heim e Eduardo Ferreira Baggio

Pernambuco: Adilson dos Santos Torreão, Almir Oliveira de Amorin Júnior e Marcelo Alvarez de Lucas Simon

Piauí: Emanuel Adrian Cesar Araújo e Silva, João Madison Nogueira e Paulo Rogério Gunyics Paranaguá

Rio de Janeiro: Felipe Carneiro Monteiro Picciani, Felipe Gimenes Gonçalves

Raunheitti Gomes e Marcos Henrique Pereira Alves

Rio Grande do Norte: Camillo Collier Neto, Felipe Matheus Cavalcanti França e Yolando Cocentino Neto

Rio Grande do Sul: Alencar Scarpari Pereira, José Aldemir Ribeiro do Amaral e Reci Fernandes Dorneles

Rondônia: Adriano Rosalem, Alexandre Martendal e Renato Sebastião Ingracia

Roraima: Aluízio Ferreira Vieira, Anedilson Nunes Moreira e João José Costa Silva

Santa Catarina: Adelor Martins, José Nazareno Goulart Júnior e Valdecir Bonatto

São Paulo: Luiz Antonio Felippe, Marcelo Baptista de Oliveira e Mencius Mendes Abrahão

Sergipe: Djenal Tavares Queiroz Neto, Gustavo Rezende de Menezes e Roberto Fontes de Góes

Tocantins: Eduardo Gomes, João Carlos Guimarães Giffoni Filho e José Rubens de Carvalho

Escritórios Técnicos Regionais (ETRS) e Filiada

Aracaju – SE etraju@abcz.org.br (34) 99935-7588

Bauru – SP etrbau@abcz.org.br (14) 3214-4800

Belém – PA etrbel@abcz.org.br (91) 3231-6917

Belo Horizonte – MG etrbhz@abcz.org.br (31) 3334-2671

Brasília – DF (filiada) aczp.df@uol.com.br (61) 3386-0025

Campina Grande – PB etrcpv@abcz.org.br (83) 2148-2577

Campo Grande – MS etrcgr@abcz.org.br (67) 3383-0775

Cuiabá – MT etrcgb@abcz.org.br (65) 3644-2440

Esteio – RS etrpoa@abcz.org.br (34) 99903-5982

Fortaleza – CE etrfor@abcz.org.br (85) 3287-4416

Goiânia – GO etrgyn@abcz.org.br (62) 3203-1140

Ji-Paraná – RO etrjpr@abcz.org.br (69) 3421-4042

Londrina – PR etrldb@abcz.org.br (43) 3328-7008

Maceió – AL etrmac@abcz.org.br (34) 99982-3440

Niterói – RJ etrrio@abcz.org.br (21) 3254-1380

Parnamirim – RN etrnat@abcz.org.br (84) 3272-6024

Palmas – TO etrpmw@abcz.org.br (63) 3212-1299

Recife – PE etrrec@abcz.org.br (34) 99839-4271

Redenção – PA etrrdc@abcz.org.br (34) 99135-6836

Rio Branco – AC etrrbr@abcz.org.br (68) 3221-7362

Salvador – BA etrssa@abcz.org.br (71) 3245-3248

São Luís – MA etrslz@abcz.org.br (98) 3247-7650

Teresina – PI etrthe@abcz.org.br 0800 940 0229

Uberaba – MG (sede) abcz@abcz.org.br (34) 3319-3900

Vitória – ES etrvix@abcz.org.br (27) 3328-9772

ISSN 2674-8770

Associação Brasileira dos Criadores de Zebu – ABCZ Praça Vicentino Rodrigues da Cunha, 110 • Bloco 1 • Cx. Postal 6001 CEP.: 38022-330 • Uberaba (MG) • Tel.: (34) 3319 3900 • Fax: (34) 3319 3838

www.abcz.org.br

VEM AÍ

19ª ExpoGenética

ESPECIAL

91ª ExpoZebu

UNIÃO

ABCZ e Associações Promocionais das Raças Zebuínas

PROTAGONISMO

Nelore Pelagens

CARNE

Como o Brasil chegou ao topo

LEITE

Como o Zebu brasileiro conquista o mundo

O

ARTIGOS

Eduardo Diamantino

Gleida Marques, Henrique Torres, Luiz Josahkian e Nadson Oliveira de Souza

Guilherme Rosa

Paloma Coutinho

Maurício Velloso

Roberto Rodrigues

Ângela Peres

Antônio Cabrera

Marcos Vinícius Barbosa

Antônio de Salvo

Thiago Bernardino

Marcelo Ayres

Caro leitor,

É com muita satisfação que comemoramos o sucesso de mais uma edição da ExpoZebu, a primeira da atual gestão. No decorrer da programação, a força internacional do Zebu ficou, mais uma vez, em evidência total. E, assim como a nossa genética é global, a feira também demonstrou o seu valor como um dos principais eventos da zebuinocultura mundial.

A ExpoZebu, alinhada com o trabalho desenvolvido pela ABCZ por todo o Brasil, é global, porque é feita por todos. E, nesta edição da Revista ABCZ, você encontra exemplos de todo esse trabalho, como ele é

feito, e que resultados ele oferece para o associado e para o produtor rural brasileiro.

Nas próximas páginas, você fi cará por dentro de todos os destaques da 91ª ExpoZebu , dos primeiros meses da gestão 2026-2028, e como a equipe da ABCZ continua atuando em todos os cantos do país para levar o melhoramento genético das raças zebuínas a todos os produtores, independentemente do porte.

Obrigado pela leitura!

ARNALDO MANUEL DE SOUZA MACHADO BORGES Presidente

REUNIÃO 1407 - ASSOCIADOS REMIDOS - UF

RAFAEL CARRIJO MELO

CICERO SABINO DE OLIVEIRA SILVA

CARLOS EDUARDO MARTINS DE VASCONCELLOS

ARNALDO SILVEIRO SALES

ANDERSON DA SILVEIRA PORTES

FRANCISCO FRANCIMAR DE AGUIAR JUNIOR

ERASMO DOS SANTOS MEIRA

NAGILA RACHID ABREU BITTENCOURT

LUIZ CARLOS DA SILVA FILHO

KLEBER LANDIM DE FRANCA

JOSE PEREIRA VAZ

JOSE OSVALDO MUCIN CASTRO

JOEL DIAS FREITAS FILHO

DIRCEU DE OLIVEIRA VALENTE

CRISTIANO DE OLIVEIRA CRUZ

JOSE CARLOS DA SILVA

ABRAAO LICON RUBIO XAVIER

ADAUTO JOSE GUEDES FRANCO

ADELAR BALESTRIN

AGUINALDO GOMES RAMOS

ALEXSANDRO SANTOS DA SILVA

ALUIZIO HELENO RIBEIRO JUNIOR

ANA MARGARIDA RENAULT CARNEIRO DE ABREU

ANDRE RIBEIRO CORREA E OUTROS CONDOMINIOS

ANTONIO DOS REIS DE OLIVEIRA

CISNANDO SALOMAO PINTO

DARCI JOSE BACKES

DARLAN MIZAEL DE OLIVEIRA SANTOS

DIEGO FERNANDES CHAGAS SILVEIRA

DILSON DOS SANTOS

FABIO SILVA CUNHA

FERNANDO COLCERNIANI JUNIOR

GABRIEL DELBEM BELLON

GILBERTO JUNIO CAIXETA

HAROLDO ALVES DE FARIAS

ISIDRO VELASCO RIOS

JOAO CARLOS GON

JOAO PAULO DE JULIO PIOVEZAN

GOIANIA-GO

MARABÁ-PA

ARACAJU-SE

ARAXA-MG

UBERABA-MG

ITAITUBA-PA

ARAGUAÇU-TO

RIBEIRAO PRETO-SP

MATA GRANDE-AL

ICO-CE

PORANGATU-GO

PERDIZES-MG

ARACAJU-SE

MARICA-RJ

NATIVIDADE-RJ

SANTO ANTONIO DO MATUPI-AM

ESPERA FELIZ - MG

MIRASSOL D´ OESTE - MT

SINOP - MT

IACIARA - GO

JOÃO PESSOA - PB

BICAS - MG

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - SP

CAMPO GRANDE - MS

UBERABA - MG

ÁGUAS FORMOSAS

TOLEDO - PR

ABADIA DE GOIAS - GO

RIO DE JANEIRO - RJ

PEDRA AZUL - MG

IPATINGA - MG

PARACATU - MG

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - SP

XINGUARA - PA

MARECHAL TEODORO - AL

PERDIZES - MG

MACAÉ - RJ

VILHENA - RO

REUNIÃO 1407 - ASSOCIADOS REMIDOS - UF

JOSE CARLOS TEIXEIRA FILHO

JOSE CLOVES ARAUJO DA SILVA

JOSE EDINALDO COSTA

JOSE EDUARDO VARANDA ABREU

KLEBER MORANDI GANDOLFO

KLEBER PAULO CANAZART

LEANDRO DA SILVA PEREIRA

LEANDRO SAMPAIO MONTEIRO

LECIO BATISTA DE SOUZA

LUIS EDUARDO CASCAO BOUGLEUX COUTO

LUIS HENRIQUE DE ALMEIDA BRUNO

LUIZ FERNANDO DE LIMA BATISTA

MARGARETH GONCALVES SILVA PEREIRA

MARINA ANTUNES CANDIA E FIGUEIREDO

MAURICIO DE SOUSA

MECERLANE TAVARES DA COSTA

PEDRO ANTONIO FREIRE

PEDRO HENRIQUE MARTINS RIBEIRO

PEDRO ROBERTO SONCELA

RAFAEL ROCHA CARVALHO

RAMIRO CANDIDO FERREIRA MALUF

RICARDO JOAO DE SOUZA

ROBERTO REGIS VELLUDO MACEDO FILHO

ROUSEMBERTO DOMINGUES PONTES

WERITON LUIS HEINZEN

FERNANDO DOUGLAS FIOREZE

Transferências (9)

REUNIÃO 1407 - TRANSFERÊNCIAS

De: PASCOAL HENRIQUE SARCINELLI

Para: VITOR PESCA SARCINELLI

De: MILTON PEREIRA FILHO

Para: MARCELO SAVIO DE ASSIS PEREIRA

De: MARCO ANTONIO ORTIZ FERREIRA

Para: LUIZ FERNANDO PEREIRA ORTIZ

De: FULGENCIO JOSE GAZZINELLI ABRANTES

Para: GUSTAVO LUIZ DE SOUZA ANDRADE

De: CARLOS RODRIGUES DA CUNHA

Para: JULIANNE PINTO R. DA CUNHA E OUTROS COND

De: BRAITNER MATIAS PEREIRA

JOÃO PESSOA - PB

COREMAS - PB

ARACAJU - SE

PRESIDENTE KENNEDY - ES

TUPÃ - SP

SEM PEIXE - MG

CAMAPUÃ - MS

TRES RIOS - RJ

PAINS - MG

SÃO PAULO - SP

NAVIRAI-MS

UBERLANDIA - MG

BRASÍLIA - DF

CUIABÁ - MT

SERTÃOZINHO - SP

RIO BRANCO - AC

JI PARANÁ - RO

MERCÊS - MG

JI PARANÁ - RO

DOURADOS - MS

UBERABA - MG

CARIRA - SE

SÃO PAULO - SP

GOIATUBA - GO

TOLEDO - PR

ALTAMIRA-PA

Cidade-UF

- UF

IPANEMA – MG

IPANEMA - MG

FREI INOCÊNCIO – MG

CONSELHEIRO LAFAIETE - MG

DOURADOS – MS

DOURADOS - MS

BELO HORIZONTE – MG

GOVERNADOR VALADARES - MG

UBERABA – MG

UBERABA - MG

BRASÍLIA – DF

REUNIÃO 1407 - TRANSFERÊNCIAS - UF

Para: FABRICIO FALEIRO FERREIRA E OUTROS/COND

De: DENIO MUNIA BENFATTI

Para: BRUNO RIVELLI BENFATTI

De: AGROPECUARIA NELORE PARANA

Para: AGROPERANA LTDA

De: MARCELO MENEZES RIBEIRO

Para: WILDE GOMES FARIA SOMAVILA

Contribuintes (7)

REUNIÃO 1407 - CONTRIBUINTES

ARNALDO DE LUCCA JUNIOR

ANTONIO JUNIOR FERREIRA

CLAUDIO MACHADO DE SOUZA

FABIO DORNELES

RISANGELA PINTO ALBUQUERQUE LIMA

TIAGO B BARRETO LTDA

WENDELL SILVEIRA DE OLIVEIRA

BRASÍLIA - DF

SÃO PAULO – SP

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - SP

IACIARA – GO

IACIARA - GO

BRASÍLIA – DF

LUZIÂNIA - GO

Cidade - UF

- UF

OURINHOS - SP

CAMPO GRANDE - MS

GOIÂNIA - GO

PONTA PORA - MS

ITAPECURU MIRIM - MA

SALVADOR - BA

ILHEUS - MA

Exclusão de associados – Contribuintes (02)

1407 - EXCLUSÃO DE ASSOCIADOS

AGNALDO PEREIRA CASTRO

JEANN VIEIRA GUIMARAES

1416 - ASSOCIADOS REMIDOS

AGROPECUARIA NELORE NOSSA SENHORA LTDA

ANTONIO JOSE NETO

BEATRIZ APARECIDA DE SOUZA GUIMARAES

CELIA REGINA SILVA DE OLIVEIRA

CELSO GARCIA LIMA

ELIZABETH VIEIRA DOS REIS

FERNANDA MORELLI PIRES CASTANHO

FERNANDO LUCAS DINIZ

GILBERTO ANDRE DA SILVA

GISLAINE DUARTE LEITE

GLEY ROSA FILHO

GUILHERME COELHO COLEN

GUSTAVO BARBOSA DE MIRANDA

HENRIQUE DE ALMEIDA BARBOSA

IGOR DE OLIVEIRA VARGAS

JAIME MACEDO RODRIGUES

JANE PORFIRIO MAGRIOTIS

JEFFERSON DE SOUZA BRITO

JOANA ROCHA VIANA E OUTRO-COND

- UF

GOIANIA - GO

RIO VERDE - GO

TERESINA-PI

CUIABA-MT

PATROCÍNIO - MG

GOIÂNIA - GO

RIO BRANCO-AC

GURUPI-TO

MARÍLIA - SP

GOIANIA - GO

SERRA DO SALITRE - MG

MONTIVIDIU - GO

ARUJÁ - SP

NOVA LIMA - MG

REDENÇÃO - PA

CORIBE-BA

UNAI-MG

COCOS-BA

ARAXA - MG

PACAJA-PA

VITÓRIA DA CONQUISTA - BA

1416 - ASSOCIADOS REMIDOS -

JOSE LUIS OLMOS FLORES

LEONARDO NOGUEIRA VALVERDE DE MORAIS

LUCIO MENDES

LUIZ CARLOS DOS SANTOS OLIVEIRA

MARCELO ALMEIDA VINHAL

MARCIA COSTA LOUVAIN MACEDO E OUTRO COND

MATHEUS RAMOS DE OLIVEIRA

NELORE TRES AMORES LTDA

PAULO CESAR BELINI

PAULO ENIDIO CRABI

RAIMUNDO FERREIRA GUERRA

THIAGO ANTONIO PINHEIRO TONIETO

THIAGO JOSE TAVARES SOARES

VALDECIR DE PIERI

WESLEY DO CARMO SCHUAB Transferências (06)

De: MORIS GENEROSO DE REZENDE

Para: EDUARDO GONDIM REZENDE

De: AGROPEC. RODRIGUES TORRES LTDA

Para: FABIO MARIANO RODRIGUES TORRES

De: ANTÔNIO FERREIRA DA SILVA NETO

Para: FÁBIO ROGERIO DA CRUZ SILVA

De: WILSON PINHEIRO

Para: MARCELLA PINHEIRO FROSSARD DUARTE

De: JULIO FERNANDO PINTO TITONEL

Para: TIAGO ASSIS DE SOUZA

De: JOAO SIMÃO NUNES

Para: TONY REGIS FREITAS NUNES Contribuintes (02)

SILVANIO MATEUS

CASSIO ANSELMO LUCENTE

AGROPECUARIA JACAREZINHO LTDA

AGROPECUARIA PADRE PIO LTDA

ALESSANDRA POST GONZATTI

ANTONIO CARLOS MORAIS PUCCI

ARILTON ARAUJO ELVAS PARENTE

ARINA MARIA BITTENCOURT ALMEIDA RIOS AQUINO

BRASÍLIA - DF

BRASÍLIA - DF

MATIPÓ - MG

CONSELHEIRO PENA - PA

XINGUARA - PA

BOM JESUS DO ITABAPOANA-RJ

BRASÍLIA - DF

PETROLINA - BA

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - SP

VARGINHA - MG

INHAPIM - MG

FARIA LEMOS - MG

DELFINÓPOLIS - MG

RIO BONITO DO IGUACU - PR

IRUPI - ES

Cidade-UF

UBERABA – MG

SÃO CARLOS - SP

ITAPETININGA – SP

ITAPETININGA – SP

SALVADOR – BA

SERRA DO RAMALHO - BA

UBERABA – MG

UBERABA - MG

TRÊS CORAÇÕES – MG

VARGINHA - MG

UNIÃO DE MINAS – MG

UNIÃO DE MINAS - MG

Cidade - UF

UBERABA - MG

PITANGUEIRAS-SP

REUNIÃO 1417 - ASSOCIADOS REMIDOS - UF

AUGUSTO SALLA

BARTHOLOMEU LYSANDRO DE ALBERNAZ

CAMILO SIMOES AMARAL OLIVEIRA E OUTRO/COND

CLAYTON DA SILVA SANTOS

CLEUSON DE OLIVEIRA

CLOVIS DE CERQUEIRA CESAR JUNIOR

CHRISTIANO HENRIQUE DE ARAUJO

DIEGO BENITAH BATISTA

EDUARDO AUGUSTO SILVA OLIVEIRA

EDUARDO GAMBI BORELLI

ELISABETE ROSSO VUOLO

EUSTAQUIO RAMOS DA SILVA

FABIO REZENDE BORGES

FAGNER ANDRADE DA SILVA

FAZENDA KGS LTDA

FERDINAN PACHECO DE MELO

FUNDACAO DE APOIO INST AO DESENV CIENT E TEC

GABRIEL HENRIQUE COMUNELLO

HELIO DUARTE VIEIRA CORREA ASSUNCAO

HIGOR FARIA FERNANDES DOS PASSOS

JAMES LINDILVAN LIMA SANTOS

JOAO HENRIQUE DA SILVA DE PAULA

JOAO PEDRO JUNQUEIRA CAETANO AFONSO

JOAO PEDRO MELO NASCIMENTO

JOCELEY MARCOS TREVISAN

JOSE AUGUSTO DIAS E OUTROS CONDOMINOS

JUAREZ FERNANDO MUNARETTO

LEONARDO DOS SANTOS GERSATI BORBA

MARIO SALARO NETO

LUIZ CARLOS FERNANDES DE SOUZA FILHO

MEL CAMPOS MARTINS SANTOS E OUTRO COND.

NIVALDO BATISTA LIMA

OSVALDO LUIZ VELOSO

OTACILIO MACHADO ARRUDA NETTO

PAULO ROGERIO RAMOS DA SILVA

PAULO SERGIO GOMES DE ARAUJO

PEDRO FELIPE GOMES SORIANO

RAFAEL DO CARMO SILVA E OUTRO CONDOMINIO

MANAUS - AM

CAMPOS DOS GOYTACAZES - RJ

PETROLINA - PE

AMARANTE DO MARANHAO - MA

ACRELANDIA - AC

CAMPO GRANDE - GO

RIO BRANCO - AC

BELEM - PA

UBERABA - MG

BELA VISTA - MS

SANTA CRUZ DO RIO PARDO - SP

UBERLANDIA - MG

IPAMERI - GO

SÃO FELIX DO XINGU - PA

PAPAGAIOS - MG

SENADOR ALEXANDRE CASTRO - MA

SÃO CARLOS - SP

SÃO LOURENÇO DO OESTE

BELA VISTA -MS

GOIÂNIA - GO

BARRA DOS COQUEIROS - SE

CUIABÁ - MT

UBERABA - MG

APARECIDA DE GOIÂNIA - GO

CAXIAS DO SUL - RS

SÃO PAULO - SP

JUINA - MT

CONCEIÇÃO DA APARECIDA - MG

CAMPO GRANDE - MS

GUANAMBI - BA

BELO HORIZONTE - MG

GOIÂNIA - GO

BRASILIA - DF

UIRAPURU - GO

UMUARAMA - PA

AMARANTE DO MARANHÃO - MA

JARU - RO

POXORÉO - MT

REUNIÃO 1417 - ASSOCIADOS REMIDOS - UF

RENY GORAYEB LAMANA

RICARDO ALEXANDRE PIASSA

RITA DE CASSIA BERNARDES DE SOUZA

RUBERPAULO ALVES SILVA

TADEU JUNIOR MIRI

TERRA NOVA AGROPECUARIA

VERA LUCIA AMORIM MATOS E OUTRO CONDOMINIO

WILLIAM FERNANDES DOS SANTOS

WILLIAN DOUGLAS DE OLIVEIRA

ZACARIAS ANTUNES MAGALHAES

Transferências (13)

De: ROBERTO CARLOS KATSUDA

Para: AGROPECUARIA MKA LTDA

De: AGROPARANÃ LTDA

Para: AGROPECURIA NELORE PARANA LTDA

De: JOSE ADELMO LINO DA SILVA

Para: AMARILDO MAGELA DE OLIVEIRA

De: HERBRAN AGRO PECUARIA LTDA

Para: BRANPAR PARTICIPACOES LTDA

De: LUIZ CARLOS GUILHERMETI

Para: BRUNO JUNIOR BERGAMO

De: BEATRIZ DE FATIMA DOS SANTOS OLIVEIRA

Para: CLAUDIO VOLPE PAULO

De: DENISE DE ABREU RIBEIRO E OUTRAS/COND

Para: DANIEL J. DE ABREU SANTOS E OUTROS/COND

De: LUIZ AUGUSTO MIRANDA MORGADO

Para: DISTRIBUIDORA AGRO TECH LTDA

De: RENE OCTAVIO DANTAS NETO

Para: EDUARDO VAZ FERREIRA COSTA NETO

De: SERGIO MALTA DE REZENDE

Para: JOÃO RICARDO SANTOS LINS

De: PAULO AUGUSTO DE OLIVEIRA LOPES

Para: JOSE RODRIGUES NOGUEIRA

De: CIA. BARREIRO RICO

Para: RICARDO COLENCI

De: SEBASTIÃO FERREIRA DE MELLO

Para: RODOLPHO JOÃO FERREIRA DE MELLO

OLÍMPIA - SP

FRUTAL - MG

TABAPUÃ - SP

JARAGUA - GO

PALMAS - TO

SÃO PAULO - SP

ROLIM DE MOURA - RO

GOVERNADOR JORGE TEIXEIRA - RO

ANTUNES - MG

COLNIZA - MT

JARDIM VILA MARIANA - SP

TUPÃ - SP

IACIARA – GO

IACIARA – GO

PITANGUI - MG

PARA DE MINAS - MG

CURITIBA - PA

CURITIBA - PA

MARIALVA - PR

MARIALVA - PR

GUARANIACU - PR

GUARANIACU - PR

CANTAGALO – RJ

CANTAGALO - RJ

RIO DAS OSTRAS - RJ

CASIMIRO DE ABREU - RJ

SALVADOR - BA

SALVADOR - BA

RECIFE - PE

RECIFE - PE

SALVADOR - BA

CARINHANHA - BA

BOTUCATU - AP

SALTO DO ITARARÉ - PR

JUINA – MT

SINOP - MT

REUNIÃO
“Nossa raça vem de todos” cerimônia de posse da nova diretoria da ABCZ

Solenidade foi marcada pelo otimismo diante do triênio iniciado em janeiro

Breno Cordeiro

Fotos: Alysson Oliveira / ABCZ

Casa cheia, celebrações sinceras e uma liderança forte e unida. A cerimônia de comemoração da posse da nova diretoria da ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu) representou a marca de uma gestão que se define pelo trabalho conjunto e que se identifica em seu mote: “Nossa raça vem de todos”!

Entre pecuaristas, colaboradores da ABCZ, família e amigos, e autoridades políticas e do agro nacional, a ocasião lotou o Centro de Eventos Rômulo Kardec de Camargos, em Uberaba (MG), de convidados reunidos para uma solenidade dedicada à posse da diretoria encabeçada pelo presidente Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges, eleito para comandar a ABCZ no decorrer do triênio 2026-2028, acompanhado dos vice-presidentes Marco Antônio Andrade Barbosa, Antônio José Prata Carvalho e Ângelo Mário de Souza Prata Tibery, e 13 diretores.

Encarregada de comandar a maior entidade da pecuária zebuína do mundo, a nova diretoria assume esse desafio confiante na união que faz a força, sempre pensando no bem do associado e de todos os produtores rurais do Brasil, do pequeno ao grande, e promovendo de forma constante e estratégica o melhoramento genético de todas as raças zebuínas.

“É um trabalho conjunto, da ABCZ, das associações promocionais de cada raça e da Fazu (Faculdades Associadas de Uberaba). Vamos caminhar firmes e fortes para fazer um trabalho que é a grande responsabilidade da ABCZ: o melhoramento genético das raças zebuínas a cada geração”, aponta o presidente Arnaldo Manuel.

Para a primeira-dama da associação, Iara Maria Marquez, que retoma as presidências da ABCZ Mulher e do Zebu do Bem, o momento de celebração é também o início de três anos de muito trabalho em prol do Zebu brasileiro e internacional.

Cientes de sua missão e fortalecidos por anos de experiência em suas atuações, os vice-presidentes da ABCZ também mostraram otimismo para uma gestão eficiente e positiva para todos os envolvidos.

“O presidente Arnaldo é uma pessoa com muita experiência, que dedicou a sua vida ao Zebu e montou uma diretoria bem forte e representativa de criadores do Brasil inteiro. A expectativa é muito boa; tenho muita confiança de que vamos fazer um bom trabalho”, afirma Tonico Carvalho.

“É uma diretoria fantástica, com pessoas que têm um propósito maior, que é o crescimento das raças zebuínas e da ABCZ. Estou muito feliz por continuar na gestão da entidade e, com esta diretoria, certamente teremos muita segurança nas decisões, respaldada em muita confiança”, finaliza Ângelo Tibery.

“Nós estamos prontos para enfrentar novos desafios com sabedoria e equilíbrio, e preparados para fazer o que estiver ao nosso alcance, o que for melhor para a ABCZ e para os associados”

Brinde oficial da nova diretoria, encerrando cerimônia comemorativa à posse
Cerimônia reuniu pecuaristas, autoridades políticas e do agro nacional, colaboradores da ABCZ, família e amigos
Iara Marquez, presidente da ABCZ Mulher e do Zebu do Bem

Liderança feminina: gestão compartilhada traz renovação estratégica para a

ABCZ

Marcia Moreno Campos e Valéria Rodrigues da Cunha Sousa inauguram a divisão de tarefas na administração da maior associação da pecuária zebuína do mundo; trabalho em sinergia das superintendentes é ancorado por anos de experiência e, acima de tudo, um olhar preciso e constante rumo ao futuro do Zebu nacional

Breno Cordeiro

Fotos: ABCZ / André Santos

O protagonismo feminino no agronegócio tem se intensificado nos últimos anos, refletindo uma transformação gradual e consistente na estrutura de gestão das principais instituições do setor mundo afora. Na ABCZ, esse movimento voltou a ganhar forma – desta vez, na Superintendência Administrativa e Financeira da entidade, ocupada por duas profissionais com trajetórias consolidadas e olhares diferenciados na busca por renovação.

Para o triênio 2026-2028, a gestão administrativa da ABCZ está sob responsabilidade de Marcia Moreno Campos, superintendente administrativa, e de Valéria Rodrigues da Cunha Sousa, na superintendência financeira. A divisão das atribuições gerenciais promove um modelo de gestão que prioriza eficiência, transparência e participação coletiva nos processos internos, ao passo que alivia a carga de funções associadas à administração de uma organização do porte da ABCZ.

ta Federal, em Uberaba (MG), com ampla experiência em fiscalização externa, supervisão de pessoas físicas e julgamento de processos. Entre os cargos ocupados, destaca-se o de delegada da Receita Federal. Após essa etapa, esteve à frente da superintendência do Porto Seco do Triângulo por 18 anos.

“O protagonismo feminino no agronegócio tem se intensificado nos últimos anos”

“Faremos um trabalho conjunto, integrado, visando uma gestão comprometida com a transparência e a honestidade, onde todas as pessoas envolvidas na associação tenham participação e conhecimento de tudo o que está acontecendo. Implementaremos um novo modelo de gestão, em que todos os processos serão averiguados em duas etapas, com o comprometimento de todos os funcionários. Sabemos que a equipe da ABCZ é muito boa e é assim que queremos continuar trabalhando”, aponta Marcia.

Em uma carreira marcada pelo serviço público, Marcia Moreno Campos atuou por 36 anos na Recei-

Já Valéria Rodrigues da Cunha Sousa construiu sua trajetória na iniciativa privada, com formação em Economia e pós-graduação em Administração Financeira e Gestão Econômica pela FEA-USP, além de

MBA pelo Ibmec. Ao longo de sua carreira, acumulou experiência em gestão financeira, recursos humanos, planejamento e controle de grandes operações.

Entre 1997 e 2022, atuou no Shopping Center Uberaba, sendo responsável pela movimentação financeira, orçamentos, despesas, investimentos e aplicações, além de liderar o Departamento de RH e gerenciar o cronograma de obras de expansão. Também participou da implantação do processo da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Anteriormente, teve passagem de 13 anos pela multinacional FMC do Brasil, onde exerceu funções como tradutora técnica, gerente de serviços gerais e gestora da qualidade, além de atuar em programas corporativos e na área de recursos humanos.

“Integrar a equipe da ABCZ é motivo de grande alegria e honra. Encaro este momento como o início

de uma nova fase na minha vida profissional. Esta oportunidade, com certeza, será desafiadora, e, justamente, esta é a razão de estar aqui. É o que me move e contribuirá para meu aprendizado e crescimento pessoal e profissional. Ao mesmo tempo, espero contribuir para a continuidade do sucesso e da relevância desta associação. Como uberabense, tenho ainda mais orgulho por aqui ser o berço da pecuária zebuína nacional”, finaliza.

Mais do que trajetórias individuais de destaque, a atuação de Marcia e Valéria em funções estratégicas na ABCZ representa um movimento cada vez mais amplo que vem se materializando em projetos de gestão do agro. Como resultado, o triênio já começou trazendo renovação para a associação, refletindo o intuito de caminhar ao lado da modernidade e em direção a um só destino: o futuro do Zebu.

Nova equipe jurídica da ABCZ

Equipe multidisciplinar passa a conduzir a procuradoria jurídica da entidade, alinhando a atuação institucional aos desafios do agronegócio brasileiro

Thaís Ferreira

Fotos: ABCZ / Arquivo Pessoal

A segurança jurídica é parte fundamental da atuação de uma entidade com a representatividade e a história da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). Para a gestão 2026–2028, a associação conta com uma estrutura jurídica reforçada, liderada pelo advogado Marco Túlio Nascimento Martins, que assumiu a procuradoria jurídica da entidade. Sócio fundador do escritório Ribeiro, Martins, Matos & Zago, Marco Túlio atua na área do Direito Privado, com ênfase em Direito Civil e Direito do Consumidor.

Ao assumir a função, o advogado destacou o compromisso com a responsabilidade institucional e o fortalecimento da ABCZ. “Assumimos essa nova jornada na ABCZ com elevado senso de responsabilidade institucional. Agradecemos, de forma especial, a confiança depositada pelo presidente, Dr. Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges, e pelo diretor Jurídico, Dr. Carlos Henrique Pereira. Cientes da grandeza e do protagonismo histórico da ABCZ no cenário nacional e internacional, nosso compromisso é

Marco Túlio Nascimento Martins, que assumiu a procuradoria jurídica da ABCZ Marcelo Matos Oliveira, Fabiano Martins Ribeiro, Adrian Souza, Marco Túlio Martins, Carlos Henrique de Mendonça Pereira - diretor jurídico da ABCZ, Marcos Soel Ferreira e Paulo Henrique Zago

atuar de maneira técnica, próxima e estratégica, contribuindo para o fortalecimento da entidade e para a segurança jurídica de seus associados”, afirmou.

Segundo Marco Túlio, a atuação jurídica precisa estar alinhada à complexidade do agronegócio brasileiro. “Temos consciência de que o agronegócio representa um dos maiores vetores de desenvolvimento econômico e social do país. Acreditamos em uma advocacia preparada para compreender esse cenário, antecipar riscos e oferecer soluções à altura da importância da pecuária zebuína para o Brasil”, completou. Marco Túlio é formado em Direito pela Uniube (2006), especialista em Direito Processual pela mesma instituição e em Direito Civil pela Universidade de São Paulo (USP). Desde 2010, é professor titular da Faculdade de Direito da Uniube.

O diretor Jurídico da ABCZ, Carlos Henrique Pe-

reira, retomou o comando do setor na associação, e o advogado Marcos Soel Ferreira segue atuando nas demandas jurídicas do dia a dia da entidade. “Daremos continuidade ao trabalho já desenvolvido, atuando nos processos internos, na resposta a ofícios, elaboração de contratos, pareceres e demais demandas da entidade. Esse trabalho é realizado de forma integrada com o procurador jurídico, Dr. Marco Túlio Nascimento Martins, em uma atuação conjunta que fortalece a estrutura jurídica da Associação”, destacou. Além da atuação do procurador jurídico titular, Marco Túlio Nascimento Martins, a ABCZ contará com o suporte técnico de procuradores adjuntos, também sócios do escritório Ribeiro, Martins, Matos & Zago Advogados, colocando à disposição da entidade uma equipe multidisciplinar, que atuará de forma integrada no atendimento às demandas jurídicas.

PROCURADORES ADJUNTOS

Adrian Souza Oliveira e Silva

Sócio do escritório Ribeiro, Martins, Matos e Zago, no qual atua na área do Direito Processual Civil. Graduado em Direito pela Universidade de Uberaba – UNIUBE, 2016. Especialista em Direito Processual Civil pela Escola Brasileira de Direito – EBRADI, 2025. Especialista em Direito de Família e Sucessões pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais – IBMEC, 2018.

Fabiano Martins Ribeiro

Sócio fundador do escritório Ribeiro, Martins, Matos e Zago Advogados, no qual atua na área do Direito Empresarial. Graduado em Direito pela Universidade de Uberaba – UNIUBE, 2000. Especialista em Direito Empresarial pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU, 2006. Mestre em Constituição e Sociedade pelo Instituto Brasiliense de Direito Público – IDP Brasília, 2021. Professor Titular da Faculdade de Direito da Universidade de Uberaba – UNIUBE, na qual leciona a disciplina Direito Empresarial desde o ano de 2006. Membro do Instituto Brasileiro de Direito Empresarial. Foi Presidente da Comissão de Direito Empresarial da 14ª Subseção da OAB/MG (Triênio: 2019/2021). Foi Assessor Jurídico da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Uberaba – ACIU (2003/2011).

Marcelo Henrique Matos Oliveira

Sócio do escritório Ribeiro, Martins, Matos e Zago, no qual atua na área do Direito Público. Graduado em Direito pela Universidade de Uberaba – UNIUBE (2008), especialista em Direito Processual Civil pela Universidade Anhanguera – UNIDERP (2010) e mestre em Direito Coletivo, Cidadania e Função Social pela Universidade de Ribeirão Preto – UNAERP (2011). Professor Titular da Faculdade de Direito da Universidade de Uberaba – UNIUBE desde 2013, exerce o cargo de Procurador do Município de Uberaba, de provimento efetivo, desde 2017. Foi Assessor Jurídico Chefe da Companhia Operacional de Desenvolvimento, Saneamento e Ações Urbanas – CODAU. Atuou como Presidente da Comissão da Advocacia Pública da 14ª Subseção da OAB/MG no triênio 2019/2021 e é Conselheiro da mesma Subseção no triênio 2024/2027. Foi Vice-Presidente da Associação dos Procuradores do Município de Uberaba – APROMUBE (mandato 2022/2025).

Paulo Henrique Zago

Sócio do escritório Ribeiro, Martins, Matos e Zago, no qual atua na área do Direito do Trabalho. Graduado em Direito pela Universidade de Uberaba – UNIUBE, 1998. Especialista em Direito Processual Civil pela Universidade de Franca – UNIFRAN, 1999. Especialista em Direito Processual do Trabalho pela Universidade de Uberaba – UNIUBE, 2001.

Desafi os à altura da ABCZ

O Brasil é um país de dimensões continentais em que se vive com a impressão de que a pior crise é sempre a atual. De fato, fazia tempo que a conjunção de fatores negativos não se aglutinava dessa maneira. Só para lembrar: duas CPIs em andamento, a intervenção em um conjunto de bancos (ao menos três, por enquanto) e as taxas de juros mais elevadas dos últimos anos. Some-se a isso duas guerras e um ano com eleições para presidente, governador, senador e deputados.

Acabou? Não. Há ainda uma “reforma tributária” que também atende pelo nome de “taxação abusiva do agro”. O ambiente é ruim, tenso e, o pior, gerador de muita insegurança. O que era certo já não é mais. O que é poderá não vir a ser.

No meio desse turbilhão está a Pecuária e, de forma particular, a ABCZ, entidade que tem entre seus objetivos a representação e defesa dos interesses dos criadores de Zebu. Surge, então, a questão central: o que pode (e o que tem feito) nossa entidade em defesa dos interesses de seus associados?

Ao longo dos anos, a ABCZ sempre exerceu com muita energia o seu papel de representação de classe. A abertura da ExpoZebu sempre foi evento marcante e importante no calendário político brasileiro, ocasião em que os discursos de seus presidentes sempre refletiram os anseios de seus associados.

Nesse contexto, vale ressaltar a participação ativa da ABCZ no Instituto Pensar Agro, que funciona como órgão consultivo da Frente Parlamentar da Agricultura. Ali, a agenda de debates é previamente

estabelecida e amplamente discutida em alto nível. Dividida em comissões temáticas por ramos do Direito, trata-se de uma iniciativa relevante e consistente na defesa dos interesses do setor.

Durante as discussões da reforma tributária, merece destaque a atuação da entidade na redação do Anexo IX da Lei Complementar 214/2025, que garantiu o enquadramento de reprodutores e matrizes de raça pura na categoria de “insumo agropecuário”. Essa conquista foi fundamental para mitigar a taxação absurda que pretendia se impor ao material genético de gado zebu no Brasil.

Com isso, as operações envolvendo animais de raça pura controlados pela ABCZ irão contar com a redução das alíquotas do IBS e da CBS em 60%. Também se permite que o setor continue usufruindo do diferimento de maneira alinhada às práticas já estabelecidas há muitos anos.

Os desafios, no entanto, estão longe de cessar. No atual governo temos enfrentado diariamente a tentativa de criação ou aumento da carga tributária. No momento, dedicamos especial atenção à elevação da carga de PIS/Cofins e do Funrural, conforme previsto na Lei Complementar 224. A premissa do governo federal, de que todos os benefícios fiscais seriam injustos e deveriam ser reduzidos em 10%, resultou na aprovação apressada da legislação. O resultado foi o impacto negativo do custo fiscal dos pecuaristas.

Diante desse cenário, o palco da discussão desloca-se do Congresso Nacional para o Poder Judiciário, onde a entidade tem atuado de forma ainda mais incisiva na defesa dos interesses de seus associados. Como exemplo, no ano passado, a ABCZ foi amicus curie na Ação Civil Pública do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, que pretendia proibir a exportação de gado vivo do Brasil. A ação foi rejeitada e a entidade foi vitoriosa.

É dessa forma que a ABCZ vem cumprindo seu papel na defesa dos interesses de seus associados em tempos tão desafiadores. Uma atuação que, mais do que nunca, se mostra tão necessária. Sabemos que crises são passageiras e o Brasil é maior que todas elas. Até lá, lutemos.

Eduardo Diamantino Advogado
Membro titular da Comissão Tributária do IPA

Com mercado aquecido, 19ª ExpoGenética destaca o equilíbrio como base do melhoramento zebuíno

A feira será realizada de 15 a 23 de agosto, no Parque Fernando Costa, em Uberaba (MG), reunindo genética, tecnologia e oportunidades de negócio

Com preços e demanda em alta, a pecuária brasileira vive um novo ciclo de valorização. Em 2026, a arroba do boi gordo já ultrapassa os R$ 360 em importantes praças do país, sustentada pela oferta restrita de animais terminados, escalas de abate encurtadas e pelo mercado internacional aquecido, especialmente pela demanda chinesa.

“O Brasil abate cerca de 100 mil animais por dia e, desse total, aproximadamente 30 mil são desti-

nados ao mercado externo. Isso mostra a relevância do país no cenário global. Hoje, de cada quatro bifes consumidos no mundo, um é brasileiro. É um dado que impressiona e evidencia a força da nossa pecuária”, destaca o gerente do Departamento Internacional, Juan Lebrón.

Acompanhar um setor cada vez mais orientado por eficiência, produtividade e competitividade global é essencial para se manter na vanguarda do melhoramento genético.

A 19ª ExpoGenética, promovida pela ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu), entre os dias 15 e 23 de agosto, no Parque Fernando Costa, em Uberaba (MG), traz como tema: “Genética. Fenótipo. Avaliação. O caminho mais forte para o melhoramento”.

“As avaliações genéticas indicam quais touros e vacas podem deixar descendentes mais férteis, mais precoces sexualmente, com melhor carcaça e maior ganho de peso, por exemplo. Ou seja, as DEPs publicadas pelo PMGZ apontam os indivíduos com maior probabilidade de transmitir genética

superior para produção nas fazendas. São dados que, quando bem utilizados, colocam o poder de decisão nas mãos dos criadores e contribuem diretamente para melhores resultados econômicos”, destaca o superintendente adjunto de Melhoramento Genético da ABCZ, Henrique Torres Ventura. Paulo Fernando, da agência Fórmula P, responsável pela campanha publicitária do evento, completa que a feira irá evidenciar a conexão entre ciência, prática e tomada de decisão. “Criar bem não é mágica. É

critério, consistência e cuidado diário”, resume. Ao longo de nove dias, a 19ª ExpoGenética reunirá produtores, pesquisadores, técnicos e estudantes em uma programação que equilibra negócios e conteúdo técnico. Estão previstos leilões e shoppings, lançamento de avaliações genéticas e sumário das raças zebuínas, fechamento do Programa Nacional de Avaliação de Touros Jovens (PNAT), programação para visitantes internacionais e uma agenda de debates especializados.

EVENTOS CONFIRMADOS

LANÇAMENTO DAS AVALIAÇÕES GENÉTICAS DO PMGZ

Para quem atua com melhoramento genético, o sumário é uma ferramenta essencial na tomada de decisões. Por meio dos dados, é possível simular acasalamentos, consultar tendências genéticas e avaliar cenários de descarte de matrizes e reposição de novilhas. São mais de 20 milhões de fenótipos, formando a base de dados fenotípicos mais representativa do Zebu no mundo. O evento também vai sediar os lançamentos das avaliações genéticas da Embrapa Geneplus, PAINT, Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP) e Instituto de Zootecnia de Sertãozinho (IZ).

6º ENCONTRO DE CRIADORES DO PMGZ

Criadores e técnicos de campo da ABCZ discutem estratégias e perspectivas da seleção genética no Brasil. Um encontro que abrange diferentes perfis de seleção e realidades regionais, promovendo um debate alinhado aos avanços e desafios da pecuária.

PNAT

Uma das principais ferramentas de difusão de genética de qualidade no país. O Programa Nacional de Avaliação de Touros Jovens (PNAT) já avaliou mais de 1.500 reprodutores zebuínos e distribuiu quase 200 mil doses de sêmen em todas as regiões do país. Na ExpoGenética serão conhecidos os campeões da edição, após todas as etapas de avaliações do programa, realizadas na Fazu e no Parque Fernando Costa. No encerramento, o Leilão PNAT chega a sua 9ª edição, com a oferta dos reprodutores PNAT 2026. Confira as datas:

15/08 a partir das 8h30 recepção dos touros no Pavilhão Multiuso 19/08 das 8h às 11h30 votação por criadores e técnicos 19/08 das 13h30 às 17h votação por técnicos da ABCZ 20/08 a par tir das 9h apresentação dos touros classificados 21/08 a par tir das 13h Leilão PNAT 2026 (sujeito a alteração)

LEILÕES E SHOPPINGS

A ExpoGenética se consolidou como uma vitrine estratégica para negócios. Até o fechamento desta edição da Revista ABCZ, em maio, mais de 30 leilões e 8 shoppings já estavam confirmados. Em 2025, os leilões da ExpoGenética faturaram mais de R$ 128 milhões.

EVENTOS CONFIRMADOS

BRAZILIAN CATTLE

Os criadores e visitantes internacionais contarão mais uma vez com programação especializada, organizada pelo Departamento de Relações Internacionais da ABCZ, por meio do Brazilian Cattle, em parceria com a ApexBrasil.

O Projeto Comprador promoverá rodadas de negócios entre empresas brasileiras e compradores internacionais, facilitando a exportação de produtos e serviços. Já os Farm Tours levarão os participantes a fazendas, centrais de coleta e processamento de sêmen, à FAZU e a indústrias do setor, proporcionando uma imersão na cadeia produtiva. No ano passado, o Salão Internacional da ABCZ recebeu 124 visitantes de 13 países.

PROGRAMAÇÃO DIVERSIFICADA

Além das atividades técnicas e comerciais, a ExpoGenética conta, tradicionalmente, com uma programação voltada à integração e formação de diferentes públicos, como o Encontro ABCZ Mulher, o Encontro Rural Jovem e as atividades do Museu do Zebu. A feira também é palco de homenagens a personalidades do setor, através do Mérito ABCZ e do Mérito ABCZ Mulher. Um parque aberto ao conhecimento, experiências e inovações.

NOVA ABCZ WALK N’ RUN

A corrida realizada pela primeira vez na ExpoZebu de 2025, volta para o calendário de eventos oficiais da ABCZ. Totalmente reformulada, a ABCZ Walk n’ Run acontecerá durante a ExpoGenética, encerrando a edição, no dia 23 de agosto. Em breve, todos os detalhes!

Estudo de validação dos dados de marcadores moleculares do tipo SNP é aprovado pelo Mapa e dá início à correção de genealogias

Ednira Gleida Marques Superintendente Adj. de Genealogia

Torres Ventura Superintendente Adj. de Melhoramento Genético

A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) detém, em parceria com a Embrapa Gado de Corte, um banco de dados de marcadores moleculares do tipo SNP (Single Nucleotide Polymorphism) contendo, aproximadamente, 680 mil animais genotipados, majoritariamente das raças Nelore e Tabapuã, mas também contemplando outras raças zebuínas, como a Guzerá, Brahman e Sindi.

É importante destacar que o banco de dados mencionado contém animais de quase todas as linhagens das raças Nelore e Tabapuã, abrangendo gerações que remontam ao início de suas formações, o que o torna extremamente útil para verificação de parentesco.

Um banco de dados genômicos dessa magnitude permite, por exemplo, realizar análises consistentes para verificação de possíveis erros de parentesco e para a predição acurada de valores genéticos dos animais em características economicamente importantes. Este banco de genótipos tem sido utilizado nas avaliações genômicas das raças zebuínas desde 2018. Nas avaliações genômicas, uma das etapas consiste na aplicação das rotinas do programa computacional SeekParentF90 (Aguilar, 2017), que utiliza painéis com 1.390 e 3.070 marcadores, respectivamente, nas raças Nelore e Tabapuã, para verificar a existência de conflitos de parentesco, seja com o pai, a mãe ou ambos.

A aplicação desse procedimento permitiu à ABCZ identificar conflitos de parentesco, inicialmente nas raças Nelore e Tabapuã, mas que poderão se aplicar a todas as raças zebuínas quando o banco de dados assim o permitir. Na Tabela 1 e na Tabela 2, podem ser verificados, respectivamente para Nelore e Tabapuã, o número de pares testados e o número de conflitos encontrados em um estudo realizado em 2025. É importante ressaltar que o percentual de erros de paternidade encontrado em ambas as raças é menor do que o relatado para outras raças em nível mundial e que é esperado, considerando-se a natureza do registro genealógico, que eles ocorram, mas também que, ao serem identificados, sejam corrigidos.

Luiz Antonio Josahkian Superintendente do SRGRZ

Nadson Oliveira de Souza Pesquisador de Melhoramento Genético

TABELA 1

CONFLITOS DE PARENTESCO NA RAÇA NELORE

TIPO DE CONFLITO PARES TESTADOS NÚMERO DE CONFLITOS CONFLITOS %

Pai-Filho404.63617.0624,22

Mãe-Filho209.1532.511 1,20

TABELA 2

CONFLITOS DE PARENTESCO NA RAÇA TABAPUÃ

TIPO DE CONFLITO PARES TESTADOS NÚMERO DE CONFLITOS CONFLITOS %

Pai-Filho 6.415 401 6,25

Mãe-Filho3.897 145 3,72

Os SNPs são marcadores altamente recomendados para a verificação de parentesco, devido à sua abundância, estabilidade e possibilidade de obtenção por rotinas automatizadas. Sobre a metodologia de verificação de parentesco, utilizando leituras de marcadores moleculares do tipo SNP, a literatura mundial aponta que o processo é confiável, seguro e preciso (Flanagan et al., 2019; Hu et al., 2021 e McClure et al., 2015). Tais fatores contribuíram para que o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) admitisse oficialmente os resultados de teste de parentesco baseados em um painel de marcadores do tipo SNP.

A partir da identificação de conflitos de parentesco por meio de testes baseados em informações genômicas, o SRGRZ da ABCZ comunicou formalmente a situação ao Mapa e ao Conselho Deliberativo Técnico com o objetivo de buscar soluções legalmente amparadas, considerando que essas análises têm permitido detectar inconsistências nos pedigrees oficiais. O regulamento do Serviço de Registro Genealógico das Raças Zebuínas já prevê regras que permitem a cor-

reção de erros de genealogia, o que facilita a busca de soluções. Estas correções podem ser realizadas a partir da identificação dos conflitos utilizando os marcadores do tipo SNP.

Em resposta, o Mapa determinou que o mesmo processo de verificação de parentesco fosse conduzido seguindo os padrões internacionais estabelecidos pela Isag (International Society for Animal Genetics).

A partir da nova verificação de conflitos de parentesco, foi elaborado um projeto, o qual foi submetido ao Mapa e cuja execução foi aprovada.

O projeto teve como objetivo principal validar o banco de dados de marcadores moleculares do tipo SNP presentes no banco de dados mantido pela ABCZ e Embrapa Gado de Corte com a finalidade de verificação de parentesco.

A validação dos dados genômicos foi realizada comparando resultados de genotipagens presentes na base de dados da ABCZ e Embrapa Gado de Corte com novas genotipagens dos mesmos animais. Animais das raças Nelore e Tabapuã de 47 criadores diferentes foram incluídos no estudo e compuseram uma amostra definida inteiramente ao acaso, a qual foi obtida através de coleta técnica de pelo da vassoura da cauda por inspetores do Serviço de Registro Genealógico da Raças Zebuínas (SRGRZ).

As amostras foram enviadas para empresa de genotipagem com códigos de identificação diferentes dos identificadores originais para não permitir conexão, no laboratório, entre as amostras pré-existentes e aqueles obtidas para o estudo. Deste modo, tivemos a garantia de que os genótipos obtidos para validação realmente foram resultado de nova genotipagem, com as novas amostras biológicas.

De acordo com os padrões científicos estabelecidos os genótipos preexistentes no banco de dados e os novos, de ambas as raças, apresentaram, estatisticamente, 100% de concordância, tanto quando foram considerados todos os SNPs em comum ou quando foram considerados apenas os marcadores recomendados pela Isag. É importante destacar que os resultados obtidos também estão dentro dos padrões

publicados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, no Art. 6º da Instrução Normativa nº 45, de 15 de dezembro de 2017.

A alta concordância observada demonstrou que os dados genômicos previamente armazenados no banco de dados apresentam elevada confiabilidade e consistência quando comparados aos genótipos gerados no estudo. Esses resultados foram submetidos à apreciação do Mapa que, através de Parecer Técnico oficial, se manifestou favorável para que a ABCZ realize as eventuais correções utilizando o banco de dados de SNPs preexistente e agora validado, em um processo que será contínuo de agora em diante através da implantação dessa rotina de correção de parentesco no registro genealógico.

Dessa forma, o SRGRZ da ABCZ dará início ao processo de correção das genealogias. Em vários casos, reprodutores com muitos descendentes impactarão na correção de milhares de genealogias onde aparecem como ancestrais, o que reforça a nossa preocupação de que os procedimentos sejam totalmente claros e transparentes para todos os criadores e usuários de genética.

Embora sabedores de que estamos à frente de um processo complexo, nosso compromisso, a partir do momento em que os erros foram detectados, é única e exclusivamente o de restabelecer a verdade, o que sem dúvida contribuirá para a evolução e melhoramento de todas as raças. Vale destacar que todo o processo não irá gerar custos aos criadores direta ou indiretamente envolvidos.

As soluções iniciais que serão aplicadas envolvem dois caminhos possíveis: o primeiro é o de que o genitor ou genitores reais sejam identificados e corrigidos; e o segundo, os casos em que os genitores não sejam identificados e, nesses casos, os animais serão reenquadrados na categoria de registro correspondente. Por fim, é muito importante registrar que o entendimento é o de que erros de anotações zootécnicas podem ocorrer, pois são inerentes aos protocolos exigidos para o registro dos animais, e em momento algum eles serão considerados como intencionais.

Guilherme Rosa reforça inovação no PMGZ

O melhoramento genético do Zebu conta com um importante reforço no contexto do PMGZ (Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos), por meio da atuação do geneticista Guilherme Jordão de Magalhães Rosa, consultor do programa desenvolvido pela ABCZ.

Com trajetória consolidada nos Estados Unidos e reconhecimento internacional nas áreas de genética e genômica animal, o pesquisador contribui diretamente para ampliar o uso de tecnologias avançadas e ferramentas de inteligência de dados.

A participação de Guilherme Rosa se consolidou como mais um passo da ABCZ na integração entre ciência aplicada e pecuária. O especialista atua principalmente em estudos relacionados à interação entre genótipo e ambiente, uma área estratégica para a produção pecuária moderna.

“O Dr. Guilherme Rosa domina tecnologias aplicáveis à interação genótipo-ambiente e à obtenção de fenótipos complexos, mostrando competência para adaptar soluções inovadoras na pecuária”, afirma o superintendente técnico da ABCZ, Luiz Antonio Josahkian.

“São contribuições como essa que nos permitirão avançar ainda mais no aprimoramento do PMGZ. Guilherme é reconhecido internacionalmente como pesquisador na área de melhoramento genético animal e traz muito conhecimento importante nesse

sentido”, avalia Henrique Torres Ventura, superintendente adjunto de melhoramento genético da ABCZ.

O objetivo do consultor é compreender com maior precisão como diferentes animais respondem aos variados sistemas de produção, biomas e condições climáticas, permitindo decisões mais assertivas na seleção genética e facilitando o dia a dia do produtor, possibilitando a expressão máxima do potencial genético dos zebuínos em seus respectivos ambientes.

Com experiência acumulada em pesquisas envolvendo bovinos de corte nos Estados Unidos e trabalhos voltados ao Zebu no Brasil, o consultor também contribui para aproximar o PMGZ de tecnologias emergentes ligadas à inteligência artificial e à coleta automatizada de dados.

Entre os estudos em andamento estão soluções de imagem digital capazes de avaliar características como peso e composição de carcaça em tempo real, aumentando a precisão das informações utilizadas pelos programas de seleção.

“É impressionante perceber quanto o melhoramento animal evoluiu desde os anos 80, com avanços em coleta de dados, genômica, avaliação genética e ciência de dados. A ABCZ e o PMGZ tiveram papel fundamental nessa transformação, não apenas pelo desenvolvimento técnico e científico, mas também pelo forte trabalho de extensão e capacitação de criadores e técnicos. E esse avanço não pode parar”, aponta Guilherme.

Breno Cordeiro
O

próximo salto da genética: do

melhor touro

ao

melhor

touro para a sua fazenda

Professor de Melhoramento e Ciências de Dados na Universidade de Wisconsin, nos EUA

Durante décadas, a seleção genética na pecuária de corte evoluiu de forma consistente, permitindo saltos produtivos em características de alto impacto econômico, como precocidade, fertilidade e acabamento de carcaça. As ferramentas atuais, capitaneadas pelas Diferenças Esperadas na Progênie (DEPs), representam um enorme avanço e são os pilares fundamentais para orientar a escolha de reprodutores nos sumários.

No entanto, um conceito estratégico vem ganhando protagonismo no debate técnico: o melhor animal na média de um sumário não é, necessariamente, o que entregará o melhor resultado em todos os cenários.

O FATOR AMBIENTE:

ONDE A GENÉTICA SE EXPRESSA

Variáveis como clima, tipo de solo e, fundamentalmente, o sistema de produção (nível de suplementação e manejo) ditam como o potencial genético será traduzido em arrobas ou bezerros. Na ciência, chamamos isso de Interação Genótipo x Ambiente.

Como ilustrado na Figura 1, a performance da progênie não é estática; ela responde ao ambiente onde os animais são inseridos. Na ilustração, o Touro A seria uma escolha segura e estável para o sistema extensivo, superior ao Touro B. Este, em contrapartida, revela-se a alternativa mais adequada quando o manejo sobe de patamar. É o típico caso do animal que ‘sente’ o desafio nutricional, mas responde com vigor à intensificação.

Figura 1

Interação Genótipo x Ambiente: o desempenho comparativo entre reprodutores pode variar significativamente conforme o nível de intensificação (extensivo ou intensivo) do sistema de produção.

zamento de dados ambientais com as informações de campo. À medida que os programas de melhoramento incorporam modelos estatísticos ainda mais robustos, a recomendação “sob medida” permite ajustar o foco da genética à realidade de cada bioma e fazenda.

“o melhor animal na média de um sumário não é, necessariamente, o que entregará o melhor resultado em todos os cenários.”

DE UMA RECOMENDAÇÃO GERAL

PARA UMA ESCOLHA ESPECÍFICA

O próximo passo da genética aplicada à pecuária é justamente este: avançar de uma recomendação “geral” para uma recomendação “customizada”. Para o selecionador e para o produtor comercial, isso representa uma oportunidade concreta de maximizar a eficiência e mitigar riscos.

Identifi car quais linhagens e indivíduos performam melhor em sistemas específi cos exige o cru-

A FORÇA DA DEP TRADICIONAL É importante ressaltar que, enquanto caminhamos para avaliações cada vez mais específicas por ambiente, as DEPs tradicionais continuam sendo a ferramenta mais robusta e segura à disposição do criador. Elas são consolidadas por meio de grandes volumes de dados de diversas regiões, o que garante a acurácia necessária para o progresso genético.

O desafi o atual é somar o rigor das avaliações genéticas ao conhecimento técnico sobre o ambiente de produção. O objetivo fi nal é claro: evoluir da pergunta “qual é o melhor touro do sumário?” para a decisão estratégica: “qual é o melhor touro para o meu sistema?”

Global, porque é feita por todos

Sob o olhar atento do Brasil e do mundo, o Zebu voltou a mostrar o seu potencial inigualável e indiscutível, reafirmando a ExpoZebu como o ponto de encontro internacional da pecuária zebuína

Fotos:

A força da pecuária zebuína e sua relevância estratégica para o Brasil e o mundo estiveram mais uma vez em evidência durante a ExpoZebu. Com 91 anos de história, a feira promovida pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu reuniu, no Parque Fernando Costa, em Uberaba (MG), uma programação ampla, diversa e conectada aos desafios e oportunidades do agro contemporâneo.

A edição já começou intensa, marcada por uma abertura oficial prestigiada por importantes lideranças políticas e institucionais. Estiveram presentes o governador de Minas Gerais, Mateus Simões, os ex-governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado, o secretário de Políticas Agrícolas do Ministério da Agricultura e Pecuária, Guilherme Campos, além da prefeita de Uberaba, Elisa Araújo, entre outras autoridades, lideranças do setor e comitivas internacionais.

Ao longo da programação, a ExpoZebu consolidou mais uma vez o seu papel como o principal evento do calendário da pecuária nacional, reunindo milhares de animais de todas as raças zebuínas em julgamentos, além de uma agenda intensa de leilões,

shoppings oficiais e o tradicional Concurso Leiteiro. A feira também ampliou sua vocação como espaço de geração e difusão de conhecimento, com iniciativas técnicas, científicas e institucionais que dialogam diretamente com o futuro da produção pecuária.

A presença internacional foi outro destaque, reforçando o alcance global da genética zebuína brasileira e o protagonismo do país na segurança alimentar. Delegações de diversos países acompanharam de perto as atividades, fortalecendo conexões e oportunidades de intercâmbio.

Além da programação técnica, o público encontrou uma experiência completa dentro do Parque Fernando Costa, que passou por melhorias estruturais para esta edição. Novos espaços, ampliação de áreas de convivência, modernização de instalações e incremento na oferta gastronômica e de serviços contribuíram para tornar a visita ainda mais confortável e dinâmica. Nas próximas páginas, convidamos você a se juntar a nós em uma jornada imersiva pela 91ª ExpoZebu, da inauguração ao anúncio dos Grandes Campeões e Campeãs de mais uma edição histórica da feira.

Em cada canto, uma oportunidade

Com mais de 100 empresas presentes, espaços comerciais do Parque Fernando Costa atingiram lotação máxima e registraram aumentos de até 50% na movimentação financeira

O Parque Fernando Costa voltou a se tornar o ponto de encontro da pecuária zebuína mundial, mas cumpriu um papel que foi ainda mais além: um espaço completamente ocupado e dinâmico, onde os mais variados segmentos se reuniram em todos os cantos. As oportunidades comerciais foram diversas e os visitantes da ExpoZebu encontraram um universo de opções em gastronomia e muitos outros produtos e serviços.

Ao todo, 111 estandes estiveram em operação, entre estruturas fixas e temporárias, formando um mosaico amplo e diversificado de atividades econômicas.

Os 59 estandes fixos reuniram empresas e instituições de áreas como pecuária, genética, nutrição animal, bancos, comunicação, administração, leiloeiras, laboratórios, restaurantes e associações promocionais de raças zebuínas, além de segmentos como troncos e balanças, soluções informáticas, vestuário e eventos.

Já os 52 estandes temporários, montados especialmente para a ExpoZebu, ampliaram ainda mais o leque de opções. Concessionárias, universidades, marcas de calçados e chapéus, acessórios, medicamentos veterinários, cutelaria, fotografia, selaria, instituições governamentais, empresas de marketing, imobiliárias, cafés, maquinários e até joalherias marcaram presença, dialogando diretamente com um público diversificado e multifacetado.

O resultado dessa ocupação: uma movimentação financeira que cresceu entre 30% e 50% em relação ao ano passado, refletindo o aumento do fluxo de visitantes e o sucesso de uma estratégia bem pensada e bem aplicada.

A ExpoZebu também investiu na experiência do público. Quem passou pelo parque encontrou três áreas de alimentação: Zebu Arte e Cultura, Zebu no Ponto e Vila Fazu. Os pontos foram distribuídos estrategicamente entre a avenida principal do Parque Fernando Costa, a região da mangueira e o espaço do rodeio. Nesses locais, o público encontrou não apenas variedade, mas também ambientes propícios para convivência.

“Foi um sucesso absoluto!”, resume o diretor da ABCZ, Arnaldo Prata Filho. “A ExpoZebu é uma oportunidade de oferecer à comunidade uma experiência memorável, e tanto a nossa equipe quanto os expositores que trouxeram o seu trabalho para a feira atuaram de forma exemplar. E, agora, a 92ª edição da ExpoZebu já está sendo preparada”, promete.

As praças gastronômicas receberam 45 apresen-

tações gratuitas de música ao vivo diariamente, criando uma atmosfera ideal para encontros entre amigos, famílias e profissionais do setor.

Ao todo, a estrutura somou 43 pontos de bebidas e alimentação, incluindo sete bares com cerveja, água e refrigerante, quatro bares especializados em drinks e 32 estandes gastronômicos. O cardápio foi amplo, com 15 categorias de alimentos, reunindo desde opções tradicionais e regionais até propostas mais elaboradas.

Responsável pela operação gastronômica, Bruno Barros, da DBarros Eventos Agro, destacou o cuidado com a organização e o padrão dos serviços. “Toda a estrutura foi padronizada, garantindo mais conforto e organização aos visitantes e aos expositores. Nosso objetivo foi disponibilizar alimentações diferenciadas, diversificadas e requintadas, sempre com foco na qualidade”, afirmou.

Valorização RECORDE!

Faturamento sem precedentes dos leilões oficiais demonstra com clareza a valorização da genética superior melhoradora e expande horizontes para um mercado cada vez mais aquecido

A agenda de leilões oficiais da feira entrou para a história. Em um cenário de forte demanda por genética de qualidade e crescente confiança dos criadores, os resultados foram inéditos em todos os principais indicadores: volume de remates, número de animais comercializados, faturamento total e média por exemplar.

Ao longo da programação, foram realizados 41 leilões oficiais que, juntos, movimentaram impressionantes R$ 254.558.414,00, um novo recorde da ExpoZebu. O resultado representa um crescimento expressivo de 26,23% em relação à edição anterior, quando o faturamento foi de R$ 201.670.016,92.

No total, 1.446 animais foram comercializados, número que supera em 78 cabeças o registrado em 2025. A média geral por animal atingiu R$ 176.043,16, consolidando uma valorização de 19,42% na comparação com o ano passado.

Os dados consideram exclusivamente os leilões oficiais da feira, não incluindo os 11 shoppings de animais também realizados durante a programação, o que reforça ainda mais a relevância dos resultados alcançados.

O desempenho observado ao longo dos leilões evidencia um mercado aquecido e altamente seletivo, no qual a genética de excelência segue sendo protagonista. Em praticamente todas as raças e categorias, os remates apresentaram liquidez consistente, médias elevadas e disputas acirradas por exemplares de destaque.

UMA VITRINE GLOBAL

Mais uma vez, a ExpoZebu cumpriu seu papel como principal vitrine da pecuária zebuína. Os nú-

meros alcançados nos leilões refletem não apenas um momento positivo para o setor, mas também o trabalho contínuo de seleção, melhoramento genético e profissionalização conduzido pelos criadores brasileiros.

A evolução simultânea de todos os indicadores, abrangendo crescimentos em faturamento, volume e média, demonstra que o avanço não está concentrado em um único fator, mas sim em um conjunto de elementos que reforçam a solidez do mercado e o espaço para ainda mais avanços no futuro.

Para a ABCZ, trata-se de resultados que confirmam uma tendência de expansão sustentável, baseada em tecnologia, informação, sustentabilidade e valorização da genética superior.

Feita por todos e para todos

Muito mais que um evento restrito ao setor pecuário, a feira também se reconsolidou na oferta de grandes shows e um rodeio para o público

Breno Cordeiro

Fotos: Jhowverty Filmes

Para além da vitrine da genética zebuína, a ExpoZebu reafirmou seu papel como um dos principais eventos de entretenimento de Uberaba (MG) e região. Com uma programação pensada para o público em geral, a feira reuniu shows com grandes nomes da música, o aguardado retorno do rodeio profissional e uma ampla estrutura gastronômica, transformando o Parque Fernando Costa em um grande ponto de encontro para famílias, amigos e visitantes de todas as idades.

No decorrer de quatro noites de festa, a ExpoZebu Rodeo Shows recebeu 50 mil pessoas, consolidando o sucesso da programação. No palco, oito nomes da música nacional garantiram a animação do público: Leonardo, Jads & Jadson, Ana Castela, João Bosco & Vinícius, Natanzinho Lima, Murilo Huff, Gusttavo Lima e Nattan. O último dia, com show de Gusttavo Lima, atraiu o maior público, coroando uma agenda que manteve a energia do início ao fim.

Antes mesmo dos shows, o campeonato de montarias trouxe de volta a Uberaba o clima tradicional do rodeio profissional. A arena foi palco de disputas intensas que integraram o Circuito Rancho Primavera (CRP), um dos principais do país.

Nos dias 24 e 25 de abril, foi realizada a 7ª etapa da temporada 2026, com vitória do uberabense José Marcos Nascimento, o Zeca. Competindo em casa, ele somou 262,75 pontos e emocionou o público ao repetir um feito histórico do seu tio na arena do Parque Fernando Costa.

Já nos dias 30 de abril e 2 de maio, aconteceu a 8ª etapa do circuito, marcada pela disputa no formato eliminatório Gold Cowboy. O grande campeão foi Lucas Paiva, de Guairaçá (PR), que conquistou mais uma vitória expressiva na carreira, a décima desde 2022. Com o resultado, além de faturar R$ 25 mil, o competidor subiu para a terceira colocação no ranking anual.

Da vitrine global aos acordos internacionais: a força da genética zebuína

O alcance internacional da genética zebuína brasileira e a capacidade de transformar tecnologia, adaptação tropical e melhoramento genético em oportunidades para o agronegócio mundial ficaram evidentes. A ExpoZebu reuniu representantes de diferentes nações para discutir genética, produção sustentável, intercâmbio de tecnologia e abertura de novos mercados para a pecuária brasileira.

“O mundo tropical está convencido de que o Zebu faz parte da solução para a segurança alimentar global. A ExpoZebu mostra como o Brasil conseguiu desenvolver, ao longo de décadas, um modelo eficiente de produção de carne e leite adaptado às regiões quentes do planeta. Hoje, além de exportarmos genética, também compartilhamos tecnologia, conhecimento e um modelo produtivo capaz de ajudar outros países a ampliar sua produção de alimentos”, afirmou o diretor de Relações Internacionais da ABCZ, Bento Mineiro.

“O

impressionados com a organização da ABCZ e com tudo o que os pecuaristas brasileiros conseguiram construir em genética e tecnologia”, destacou.

A ExpoZebu também recebeu uma comitiva formada por 70 representantes de nove países africanos e asiáticos, organizada pelo projeto Brazilian Cattle, com apoio da ApexBrasil. O grupo percorreu propriedades rurais e empresas ligadas à cadeia produtiva, em Minas Gerais e São Paulo, antes de chegar a Uberaba.

mundo tropical está convencido de que o Zebu faz parte da solução para a segurança alimentar global”

Esta edição teve participação de 788 visitantes de 44 países da América Latina, América Central, África, Ásia e Oceania. Entre eles, James Spana, pecuarista da Guatemala, que visitou o Brasil pela primeira vez, para conhecer de perto o trabalho desenvolvido em solo brasileiro.

“Foi uma experiência maravilhosa. Ficamos muito

“Nós apresentamos aos visitantes diferentes segmentos da pecuária brasileira, desde manejo, genética e nutrição até equipamentos, sanidade e tecnologia aplicada ao campo. É uma oportunidade para que eles conheçam, na prática, sistemas produtivos adaptados às condições tropicais”, explicou a supervisora de Relações Internacionais, Raquel Dal Secco Borges.

A ABCZ também firmou um acordo de cooperação internacional com a empresa nigeriana Sarman Integrated Farms and Solutions Limited, por meio do projeto Brazilian Cattle. A parceria prevê intercâmbio técnico e o desenvolvimento de projetos voltados ao fortalecimento da pecuária no país africano, incluindo a implantação de uma fazenda-modelo para demonstração de genética e manejo adaptados às condições locais.

“Esse acordo representa o primeiro passo para uma parceria histórica com a Nigéria, um país com grande potencial econômico e populacional no continente africano”, destacou Bento Mineiro.

A ExpoZebu também impulsionou reuniões, articulações comerciais e conexões entre empresas, criadores e representantes estrangeiros. Segundo Raquel Borges, muitos dos acordos iniciados durante o evento

Integrado ao tradicional Dia de Campo, o Zebu Connect Day ganhou força ao reunir conhecimento técnico, inovação e oportunidades de negócios em um ambiente voltado à troca de experiências no campo. Realizado na Fazenda Experimental Orestes Prata Tibery Júnior, o evento atraiu mais de 1.000 participantes e se consolidou como um dos principais eventos de difusão de conhecimento dentro da feira. Ao todo, 60 empresas participaram da iniciativa, representando diferentes segmentos da cadeia produtiva do agronegócio, como fazendas, genética, nutrição e saúde animal, máquinas e equipamentos, sementes de capim, milho e sorgo, soluções para o agro, capacitação, instituições financeiras e veículos. A diversidade de áreas de atuação contribuiu para ampliar o acesso dos produtores a tecnologias e serviços voltados ao aumento da produtividade e da eficiência no campo.

O público foi formado majoritariamente por pequenos e médios produtores rurais, além de técnicos e profissionais do setor, com presença de participantes de diversas regiões do Brasil e do exterior. Entre as origens,

continuam sendo desenvolvidos nos meses seguintes.

“Grande parte das conexões construídas durante a ExpoZebu se transformam em negociações de médio e longo prazo. Muitas vezes, os resultados não acontecem imediatamente durante a feira, mas começam aqui, a partir dos contatos, visitas técnicas e acordos firmados entre empresas e representantes internacionais”, destacou.

destacaram-se municípios de Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Bahia, Mato Grosso e Distrito Federal, além de visitantes vindos de países como Canadá, Colômbia, Guatemala, México, Venezuela, Panamá e Austrália.

Durante a programação, os participantes tiveram acesso a palestras, minicursos e demonstrações práticas de tecnologias aplicadas à agricultura e à pecuária. Temas como inovação, manejo nutricional, biotecnologias reprodutivas e recuperação de pastagens estiveram entre os destaques, com foco na transferência de conhecimento e na aplicação prática das soluções no campo.

“Quando reunimos empresas de diferentes segmentos com produtores de várias regiões do Brasil e do exterior, criamos um ambiente muito propício para a troca de conhecimento e a geração de oportunidades. O Dia de Campo e o Zebu Connect Day cumprem exatamente esse papel de conectar tecnologia, mercado e produção, aproximando quem desenvolve soluções de quem está no campo”, destacou Gilberto Barata, diretor do Parque Fernando Costa e da Fazenda Experimental da ABCZ.

ZEBU CONNECT DAY E DIA DE CAMPO AMPLIAM CONEXÕES E DIFUSÃO TECNOLÓGICA

Ser global é ser SEM FRONTEIRAS

Com mais uma edição do COMCEBU se aproximando, mensagem da FICEBU é mais clara que nunca: o Zebu internacional é uma potência em crescimento

A sede da ABCZ foi palco de mais um importante encontro da FICEBU (Federação Internacional de Criadores de Zebu). A Assembleia Ordinária da entidade reuniu presidentes, diretores e representantes de associações ligadas à pecuária zebuína de diversos países, com destaque para nações da América Latina e da Índia.

Conduzida pelo presidente da FICEBU, Juan Manuel Conde, a reunião teve como um de seus principais marcos a definição oficial da ABCZ como sede da federação. Além disso, Conde destacou a importância da parceria histórica com a entidade brasileira.

“A ABCZ já era, na prática, a casa da FICEBU, e agora oficializamos essa decisão. Sempre fomos recebidos com grande hospitalidade e apoio administrativo e organizacional”, afirmou. O presidente também ressaltou o papel da federação na promoção do “Zebu sem fronteiras”, com ações voltadas à expansão da genética e ao fortalecimento da atividade em diferentes regiões do mundo.

Ao longo da assembleia, foram apresentadas iniciativas recentes desenvolvidas por associações ao redor do mundo, evidenciando o avanço da integração internacional do setor. Entre os desta-

ques, está a consolidação do COMCEBU (Congresso Mundial de Criadores de Zebu), criado em 2022.

“Em apenas quatro anos, já realizamos três edições e nos preparamos para a quarta. Isso mostra a força e a necessidade de promover o Zebu globalmente”, pontuou Conde, ao mencionar o crescimento e a relevância do congresso.

Encontro na sede da ABCZ reuniu diversos países integrantes da Federação Internacional de Criadores de Zebu

Outro ponto relevante foi a aprovação unânime da ata da assembleia anterior, que oficializou a eleição de Juan Manuel Conde para a presidência da entidade, além da apresentação dos balanços financeiros das associações ligadas à FICEBU.

A assembleia também marcou a ampliação da rede internacional da federação, com a entrada de associações da Nicarágua e o interesse de novos países, como Argentina, Angola e Congo.

No campo técnico, foi destacado o processo de construção de um padrão racial universal para as raças zebuínas, a partir da harmonização de critérios adotados por diferentes países. A FICEBU já identificou as pequenas divergências existentes em determinadas características em nível nacional e atuará, a partir de agora, para dialogar com as distintas associações para alcançar um consenso sobre elas.

A programação incluiu, ainda, a entrega do Mérito Internacional FICEBU ao presidente da ABCZ, Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges, reconhecido por sua contribuição ao fortalecimento da pecuária zebuína em nível global. Em seu discurso, Arnaldo ressaltou, emocionado, o caráter pessoal da homenagem. “É muito importante para mim e para a minha família. Tudo o que construí devo, em grande parte, à minha mãe, que sempre priorizou nossa educação”, declarou.

O presidente também relembrou a trajetória da tradicional marca R, que completa 120 anos em 2026. “É um trabalho iniciado pelo meu avô, Rodolfo Machado Borges, seguido pelo meu pai e por mim. Desde criança acompanho esse universo, e hoje segui-

O presidente da ABCZ, Arnaldo Manuel de Souza

Borges, e sua família durante a entrega do

mos transmitindo essa tradição às novas gerações da família. É assim que criamos nossos filhos, e é assim que criamos nossos netos”, completou.

Na sequência da assembleia, os participantes seguiram para o lançamento oficial do COMCEBU 2026, que será realizado entre os dias 19 e 25 de outubro, na cidade de Chone, no Equador, reunindo delegações de mais de 20 países.

Machado
Mérito Internacional FICEBU
Lançamento oficial do COMCEBU, após assembleia da FICEBU

Concurso Leiteiro, Certificado F1 Max e genômica marcam programação do leite

O Zebu leiteiro teve importante destaque na programação, contemplando novas tecnologias, valorização de cruzamentos e novos recordes de produtividade

CONCURSO LEITEIRO

A competição reuniu 78 matrizes Gir Leiteiro, Guzerá, Sindi e Sindolando, que ao longo de dez ordenhas oficiais, demonstraram elevado desempenho produtivo. Para o gerente de Melhoramento Genético do Leite da ABCZ, Rafael Vizoná, o resultado comprova a evolução das raças leiteiras zebuínas. “O Zebu leiteiro tem mostrado evolução em todas as vertentes”, destacou, ressaltando ainda alguns recordes registrados. Na raça Sindi, Nafira da Estiva, de Adaldio José de Castilho Filho, conquistou o título de Grande Campeã Vaca Adulta com média de 50,51 quilos de leite, enquanto Gilda FIV da Estiva foi a Reservada Campeã Vaca Sênior, com média de 49,23 quilos. Na raça Sindolando, Baroneza FIV da Estiva conquistou o campeonato Vaca Sênior com média de 72,08 quilos de leite, e Beldade FIV da Estiva ficou com o título de Reservada Campeã Sênior, alcançando média de 55,89 quilos. Entre os animais da raça Gir Leiteiro, Lucrécia FIV F. Recre sagrou-se Campeã Vaca Adulta, com média de 68,74 quilos, enquanto Barcelona FIV da Badajós conquistou o título de Campeã Vaca Sênior, com média de 71,10 quilos. Já na raça Guzerá, Emoção FIV JF foi a Grande Campeã Vaca Jovem com média de 34,51 quilos de leite, seguida por Demagogia FIV ESJ, Reservada Campeã Vaca Jovem, com média de 33,67 quilos.

F1 MAX

Outro momento marcante foi o lançamento do F1 Max e a marcação das primeiras fêmeas certificadas pelo programa. Ao todo, 19 fêmeas das raças Guzolando e Sindolando receberam a identificação, criada para reconhecer animais oriundos de cruzamentos entre raças zebuínas leiteiras e taurinas, com genética superior para produção leiteira.

Thaís Ferreira

O diretor da ABCZ, Rodrigo Simões, destacou a importância da iniciativa para a pecuária leiteira tropical. “Nós entendemos que o Zebu tem uma função essencial nas pecuárias de trópico e, no caso da pecuária de leite, é importantíssimo compreendermos a relevância do acasalamento entre raças zebuínas e taurinas”, afirmou. Segundo ele, a proposta busca garantir ao produtor maior segurança na utilização de genética comprovada e de alto desempenho.

Rafael Vizoná ressaltou que o selo permitirá identificar, de forma prática, animais provenientes de cruzamentos tecnicamente orientados. “Não queremos depender apenas da heterose, mas também assegurar ganhos genéticos aditivos, fortalecendo ainda mais os resultados desses cruzamentos”, explicou.

Representando as associações promocionais, Raul Prates, presidente da Associação dos Criadores de Guzerá e Guzolando do Brasil (ACGB), afirmou que a certificação representa um avanço importante para o setor. “Agora, com critérios técnicos e avaliação das matrizes leiteiras, conseguimos oferecer mais segurança para quem investe nesses animais”, pontuou.

Já Orlando Cláudio Procópio, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Sindi (ABCSindi), destacou o impacto da iniciativa para toda a cadeia produtiva. “Além de dar credibilidade ao produto F1, ele também vai estimular o melhoramento genético das próprias raças zebuínas leiteiras”, ressaltou.

SUMÁRIO DE TOUROS

A programação também contou com o lançamento do novo Sumário de Touros Zebuínos Leiteiros, publicação que reúne avaliações genéticas nacionais das raças Gir, Guzerá e Sindi. A nova edição trouxe avanços importantes para o melhoramento genético, com destaque para a inclusão inédita da avaliação genômica na raça Gir.

“Os criadores têm acesso a informações cada vez mais precisas para apoiar decisões de seleção e acelerar o ganho genético dos rebanhos”, afirmou o superintendente técnico da ABCZ, Luiz Antonio Josahkian.

O superintendente adjunto de Melhoramento Genético da ABCZ, Henrique Torres Ventura, ressaltou os impactos da genômica na seleção animal. “A genômica permite identificar, de forma mais precoce, os reprodutores com maior probabilidade de gerar

filhas com maior produção e melhor qualidade do leite”, explicou.

Para Rafael Vizoná, as novas ferramentas incorporadas ao sumário fortalecem as decisões dos criadores e contribuem para a manutenção da variabilidade genética das raças leiteiras zebuínas. “A adoção desse conjunto de informações permite ao criador tomar decisões mais estratégicas, contribuindo para o avanço genético do rebanho e para a manutenção da variabilidade genética da raça”, destacou.

Já Rodrigo Simões classificou a avaliação genômica como “um marco transformador no melhoramento genético da raça Gir”. “A avaliação genômica permite a identificação precoce e altamente precisa do mérito genético dos animais, tornando os programas de seleção mais eficientes e assertivos”, afirmou.

CAMPEÃS CONCURSO LEITEIRO

GIR LEITEIRO

GUZERÁ LEITEIRO

Grande Campeã (vaca adulta)

Barcelona FIV

da Badajós

Expositor

Leonardo Lima Borges

Criador

Leonardo Lima Borges (Fazenda Badajós)

Grande Campeã (vaca jovem)

Emoção FIV JF

Expositor

José H. D. Figueiredo e Outros Condomínios

Criador

José H. D. Figueiredo e Outros Condomínios (Fazenda Ygarapés)

SINDI LEITEIRO

SINDOLANDO

Grande Campeã (vaca

adulta)

Nafi ra da Estiva

Expositor

Adaldio José de Castilho Filho Criador

Adaldio José de Castilho Filho (Fazenda Tabaju)

Grande Campeã (vaca sênior)

Baroneza FIV da Estiva

Expositor

Adaldio José de Castilho Filho Criador

Adaldio José de Castilho Filho (Fazenda Tabaju)

ABCZ Mulher amplia protagonismo e movimenta negócios

O Espaço ABCZ Mulher ganhou ainda mais relevância na programação ao reunir ações voltadas ao empreendedorismo, à troca de experiências e ao fortalecimento da atuação feminina no agronegócio. O ambiente se consolidou como ponto de encontro para produtoras, empresárias e profissionais do setor.

Nesta edição, mais de 10 empresas de diversos segmentos comercializam seus produtos, entre roupas, calçados, acessórios e artesanatos.

“O nosso compromisso é continuar fortalecendo a participação feminina, aproximando mulheres de diferentes segmentos e criando ambientes cada vez mais voltados ao desenvolvimento, ao conhecimento e aos negócios”, afirmou a presidente da ABCZ Mulher e do Zebu do Bem, Iara Marquez.

A 91ª ExpoZebu também marcou a apresentação da comissão da ABCZ Mulher para o triênio 2026/2028. Ao lado da presidente Iara Marquez, o grupo conta com Ana Cláudia Mendes Souza, Ana Letícia Prata, Danielle Mendes, Juliane Moreira Brasileiro e Valéria Guimarães. A comissão tem ainda a participação de Ângela Pimentel Perez, diretora do Departamento de Promoção do Agronegócio da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Mapa.

“Esse ambiente contribui muito para o crescimento profissional, principalmente na pecuária, que tem muitas frentes. Aqui somos um universo de mulheres de diferentes áreas, e essa troca constante é o que faz a diferença para que possamos aprender e evoluir juntas”, afirmou Ana Cláudia Mendes Souza.

Além do ambiente de negócios, o espaço incorporou ações voltadas ao bem-estar e à qualidade de vida, como atendimentos de massagem, ampliando a experiência das participantes durante a feira.

“Pensei em trazer um pouco de saúde e bem-estar para esse ambiente. As pessoas estão na correria da feira e esse cuidado faz diferença”, comentou Danielle Mendes.

O fortalecimento da presença feminina no agro também esteve no centro das discussões promovidas durante a feira. Para Ana Letícia Prata, o momento é de escuta e construção coletiva.

“Estamos aqui para entender o que as mulheres precisam no campo e transformar essas demandas em temas e ações que realmente façam diferença”, ressaltou.

A atuação da comissão também mira desafios enfrentados pelas produtoras rurais, como sucessão familiar, questões jurídicas e gestão no campo.

“Todas nós buscamos respostas para problemas que são comuns nas propriedades rurais. Essa comissão está muito atenta a essas demandas e quer trazer soluções práticas para o dia a dia”, destacou Valéria Guimarães.

Entre os encontros realizados esteve uma roda de conversa com lideranças femininas do agro, que contou com a participação de representantes brasileiras no exterior e da ministra da Agricultura, Pecuária e Alimentação da Guatemala, María Fernanda Rivera Dávila, primeira mulher a ocupar o cargo no país.

Segundo Ângela Pimentel Perez, a presença femi-

nina no setor é um movimento em construção.

“Hoje, a atuação das mulheres nas propriedades rurais ainda gira em torno de 20%, e precisamos avançar cada vez mais. Esses espaços são fundamentais para inspirar e fortalecer essa presença”, afirmou.

Outro momento de destaque foi a homenagem à pecuarista Mônica Marchett, reconhecida como destaque feminino da 91ª ExpoZebu pela trajetória na seleção genética, liderança no setor agropecuário e atuação em iniciativas voltadas ao desenvolvimento humano e à inteligência emocional.

A agenda contemplou ainda uma reunião com lideranças femininas do agro e a participação do governador de Minas Gerais, Mateus Simões, realizada na sede da ABCZ.

Durante o encontro, Mateus Simões ressaltou a importância de iniciativas voltadas à valorização da presença feminina em setores historicamente ocupados por homens.

“Encontros como esse são importantes para discutir o papel das mulheres e fortalecer essa participação, sem retrocessos”, afirmou.

Finalizada a ExpoZebu, a comissão já iniciou a organização do tradicional Encontro ABCZ Mulher, durante a ExpoGenética. O evento já tem data marcada: 20 de agosto!

“Queremos expandir horizontes e buscar parceiros para fortalecer esse movimento. Acreditamos que esse é um caminho de construção coletiva”, reforçou Ana Cláudia Mendes Souza.

Comissão ABCZ Mulher 2026/2028

Guardião da história:

Museu do Zebu conecta passado ao futuro

Com acervo renovado e projetos educacionais, instituição cumpre papel social, retratando a rica trajetória das raças zebuínas e reforçando o caráter acadêmico da feira

O Museu do Zebu (MuZe) consolidou seu papel como importante polo de difusão de conhecimento, cultura e memória da pecuária zebuína no Brasil. Com uma programação diversificada, que reuniu educação, ciência, cultura e valorização histórica, a instituição estabelece um diálogo com públicos de todas as idades, reforçando sua missão de preservar o passado enquanto projeta o futuro do Zebu.

O grande destaque da programação foi a inauguração da mostra “Zebu 200: raiz tropical, futuro global”, uma exposição imersiva que celebra os dois séculos da chegada do Zebu ao Brasil. Com acervo repaginado, a mostra oferece ao visitante uma experiência que percorre desde a rusticidade dos primeiros animais importados até a consolidação da genética zebuína como referência mundial em produtividade e sustentabilidade.

ca e a adaptação ao clima tropical, pilares que transformaram o Brasil em protagonista na produção de leite e proteína animal. Ao mesmo tempo, o eixo “futuro global” projeta o papel estratégico da pecuária zebuína na segurança alimentar mundial.

“O mais importante é respeitar a história da nossa pecuária, daquele Zebu que chegou ao Brasil há mais de 200 anos”

Logo na entrada, o público é conduzido por uma narrativa que evidencia a evolução da seleção genéti-

Para a presidente do Conselho Deliberativo do MuZe e diretora da ABCZ, Ana Cláudia Mendes Sousa, a exposição reforça a importância de reconhecer uma trajetória que atravessa gerações.

“O mais importante é respeitar a história da nossa pecuária, daquele Zebu que chegou ao Brasil há mais de 200 anos. Essa história está diretamente ligada à sustentabilidade e ao trabalho desenvolvido por produtores, criadores, selecionadores e pelas famílias que ajudam a preservar esse legado”, destacou.

A abertura da mostra foi marcada por homenagens a personalidades fundamentais para a preservação da memória da pecuária zebuína, como Edilson Lamartine Mendes, Romeu Lins Caleiros e Maria Car-

melita Rodrigues da Cunha, uma das idealizadoras do MuZe. Emocionada, ela relembrou os primeiros passos da instituição.

“Começamos com uma preocupação muito grande em preservar o acervo e a memória. Era algo simples no início, mas hoje vemos que o museu se tornou uma referência para Uberaba e para todos os visitantes que passam pela cidade”, afirmou.

Já a historiadora Maria Antonieta Borges, que assina uma das obras da curadoria ao lado de Eliane Marquez, destacou a relevância histórica do MuZe. “O museu preserva a memória de um período fundamental em que Uberaba deixou de ser apenas um entreposto comercial e se tornou um dos principais polos da pecuária zebuína no Brasil”, afirmou.

A exposição também chama atenção pelo caráter humano da narrativa, despertando identificação e pertencimento. “É emocionante ver essa união entre crianças, jovens e idosos, todos se reconhecendo em alguma parte da história”, destacou a supervisora administrativa do museu, Maria Goretti dos Santos.

EDUCAÇÃO COMO PILAR

A atuação do museu durante a ExpoZebu também teve forte ênfase educativa. Um dos momentos mais marcantes foi o lançamento da 11ª edição da revista Turma do Zebuzinho, juntamente com a 23ª edição do projeto Zebu na Escola. O evento reuniu estudantes, professores e instituições de ensino.

Durante o lançamento, apresentações culturais inspiradas no Festival de Parintins deram o tom do encontro, reforçando a conexão entre o Zebu, a cultura popular brasileira e a identidade nacional.

Participaram das apresentações a Banda de Música Gastão, da Escola Municipal Gastão Mesquita Filho, sob

a condução do professor Jefferson Cristiano Silva, e o grupo de dança da Escola Municipal Arthur de Mello Teixeira, coordenado pela coreógrafa Maida Avelar Soares de Souza. O evento contou com a participação do Colégio Objetivo, da Escola Estadual Doutor José Mendonça, do Cemei Maria Elisabete Salge Melo “Tia Betinha” e da Escola Municipal Padre Eddie Bernardes.

Para Ana Cláudia, iniciativas como essa não se limitam ao ambiente escolar. “São instrumentos de transformação e de valorização da cultura ligada ao Zebu, capazes de criar conexões entre conhecimento, sociedade e futuro”, afirmou.

Outro eixo importante da programação foi o fortalecimento do diálogo com o ensino superior por

meio do projeto Zebu na Universidade. Durante a feira, estudantes da Unicerrado participaram de uma palestra sobre marmoreio da carne, ministrada pela pecuarista e endocrinologista Valéria Guimarães, e que contou com a participação de Iara Marquez, presidente da ABCZ Mulher e do Zebu do Bem.

Com o tema “Marmoreio: muito além da suculência”, a apresentação trouxe uma abordagem científica sobre os mecanismos hormonais envolvidos no processo, ampliando a compreensão dos alunos sobre aspectos técnicos da produção pecuária. A palestrante destacou a relevância da presença dos jovens no setor, ressaltando seu papel como protagonistas do futuro do agro.

CONHEÇA OS HOMENAGEADOS COM O MÉRITO MUSEU DO ZEBU 2026:

EDILSON LAMARTINE MENDES
MARIA CARMELITA RODRIGUES DA CUNHA
ROMEU LINS CALHEIROS

ABCZ

CATEGORIA NACIONAL

FLÁVIO PÁSCOA TELES DE MENEZES
JOÃO GUILHERME MALDINI PITANGUY
GASTÃO CARVALHO FILHO
JOSÉ FERNANDO BORGES BENTO
GIL PEREIRA
MILTON DIAS FILHO

CATEGORIA NACIONAL

CATEGORIA INTERNACIONAL

CATEGORIA ESPECIAL

PAULO HENRIQUE ARANTES HORTO
8º BATALHÃO DE BOMBEIROS MILITAR
RIVALDO MACHADO BORGES JÚNIOR
DEMILTON FACURI DIB
JAIME DARÍO MANTECÓN ÁLVAREZ
RAQUEL PEREIRA CAPUTO

CATEGORIA COLABORADOR

CATEGORIA POLÍTICO CATEGORIA TÉCNICOMÉRITO ABCZ MULHER

RODRIGUES
BARCELOS
MADEIRA
ADRIANO GARCIA
JORDANA DE OLIVEIRA FILGUEIRAS DALDEGAN
ROBERTO JOSÉ CALIXTO DA SILVA
Da geração de renda ao cuidado com a saúde: as ações do

Zebu do Bem

O braço filantrópico da ABCZ, o Zebu do Bem, realizou ações voltadas ao acolhimento, à promoção da saúde e à geração de renda para projetos sociais apoiados pela entidade.

A Pérgola Demilton Dib, no Parque Fernando Costa, recebeu artesãs dos projetos Costurando com Amor e Bordados Poéticos. Uma vitrine para exposição e comercialização de produtos artesanais confeccionados pelas integrantes dos grupos, entre roupas infantis, bordados, toalhas, fronhas, almofadas e doces mineiros.

O projeto Costurando com Amor desenvolve roupas infantis a partir da reutilização de peças doadas, que são transformadas pelas voluntárias e destinadas a crianças em situação de vulnerabilidade social. Parte das produções também segue para ações humanitárias em países africanos. Já o Bordados Poéticos atua no acolhimento emocional de mulheres, especialmente da zona rural, promovendo encontros semanais voltados à convivência, escuta e fortalecimento emocional.

“Por trás de cada peça exposta existe um ano inteiro de dedicação, trabalho e expectativa. Pensando em garantir visibilidade e oportunidade de renda para estas mulheres, criamos este espaço inteiramente para projetos sociais dentro da ExpoZebu”, destacou Andreia Azeredo, voluntária do Zebu do Bem.

Outra ação social promovida foi o projeto “NAIS

do Bem”, em parceria entre o Núcleo de Atenção Integral à Saúde (NAIS) da 5ª Região da Polícia Militar de Minas Gerais, a ONG Dentistas do Bem, o Zebu do Bem e o Museu do Zebu.

A iniciativa, realizada no Dia Mundial do Sorriso, reuniu profissionais da saúde e voluntários em uma mobilização voltada à promoção do cuidado e da prevenção, oferecendo atendimentos gratuitos e orientações nas áreas de odontologia, enfermagem, medicina e psicologia.

“Cuidar da saúde bucal é também cuidar da autoestima, da confiança e da dignidade das pessoas. O sorriso é uma porta de entrada para o bem-estar e ações como esta reforçam a importância do acolhimento e da solidariedade”, afirmou Iara Marquez, presidente do Zebu do Bem.

BRAHMAN

ANIMAIS INSCRITOS

JURADOS 81

TITULAR ASSISTENTE William Koury Filho Pedro Borges Sabino de Freitas

Grande Campeã

MS Terra Verde 1911

Expositor

Clodoaldo Sérgio Bendilatti Criador

Clodoaldo Sérgio Bendilatti (Fazenda Terra Verde)

Reservada Grande Campeã

Grande Campeão

MR Assu 1737

Expositor

Assu Empreendimentos Imobiliários e Agropecuários Ltda. Criador

Assu Empreendimentos Imobiliários e Agropecuários Ltda. (Fazenda Recreio)

Reservado Grande Campeão

Miss 3869 Portobello
Expositor e criador: Resort Portobelo (Fazenda Portobelo)
MR SEC Turbo 203
Expositor e criador: Luiz Carlos Vianna (Estância Santa Clara)

GRANDES CAMPEÕES

BRAHMAN A CAMPO

ANIMAIS

INSCRITOS

JURADOS 58

TITULAR ASSISTENTE

William Koury Filho

Pedro Borges Sabino de Freitas

Grande Campeã

MS Terra Verde 2233 FIV

Expositor

Clodoaldo Sérgio Bendilatti Criador

Clodoaldo Sérgio Bendilatti (Fazenda Terra Verde)

Reservada Grande Campeã

Grande Campeão

Mr. W2R Royal 1644

Expositor

Wilson Roberto Rodrigues Criador

Wilson Roberto Rodrigues (Agropecuária W2R)

Reservado Grande Campeão

Miss Ruba 466
Expositor e criador: Rubens Manreza (Brahman Ruba)
Mister Ruba 421 Expositor e criador: Rubens Manreza (Brahman Ruba)

JURADOS

GIR DUPLA APTIDÃO

ANIMAIS INSCRITOS

51 TITULAR ASSISTENTE Pedro Henrique Santos Turquia Tatiana Aparecida Rosa da Cunha

Grande Campeã

Serenata BI

Expositor

William Luis Ferretti Criador

José Luiz Junqueira Barros (Fazenda Pai João da Boa Vista)

Reservada Grande Campeã

Grande Campeão

Laredo

Expositor

William Luis Ferretti Criador

William Luis Ferretti (Fazenda Pai João da Boa Vista)

Reservado Grande Campeão

Tacuna BI
Expositor e criador: José Augusto Barros (Fazenda São José)
Garboso ZS
Expositor: Nadia Zacharia (Fazenda Americana) Criador: Zeid Sab

GRANDES CAMPEÕES

GIR LEITEIRO

ANIMAIS

INSCRITOS

JURADOS 275

TITULAR ASSISTENTE Fábio Miziara

Carlos Matheus Arantes Pereira

Grande Campeã

Betina FIV Irmãos CH

Expositor

Paulo César Chiari Criador

Paulo César Chiari (Fazenda São José)

Reservada Grande Campeã

Grande Campeão

Teórico FIV Mutum

Expositor

Paulo César Chiari Criador

Paulo César Chiari (Fazenda São José)

Reservado Grande Campeão

Greve FIV Cabo Verde
Expositor: Maurício Coelho (Fazenda São José)
Criador: José Coelho Vitor
Bonnus FIV Irmãos CH
Expositor e criador: Paulo Chiari (Fazenda São José)

GUZERÁ

ANIMAIS

INSCRITOS

JURADOS 125

TITULAR ASSISTENTE Rodrigo Coutinho Madruga Tomaz de Paula Melo

Grande Campeã

Patna FIV El Giza

Expositor

Douglas Brandão Costa Criador

Douglas Brandão Costa (Fazenda El Giza)

Reservada Grande Campeã

Expositor:

Grande Campeão

Oriente FIV

LBN

Expositor

José Nelson dos Santos Criador Leandro Botelho Neiva (Fazenda Mumbuca)

Reservado Grande Campeão

Expositor e

Química FIV da Nova
José Nelson dos Santos (Fazenda Mumbuca) Criador: Fabrício Miranda Sizo e Outros Condomínios
Zimbro FIV da ICIL
criador: ICIL e Itacarambi (Fazenda do Sertão)

GRANDES CAMPEÕES

GUZERÁ LEITEIRO

ANIMAIS INSCRITOS

JURADOS 77

TITULAR ASSISTENTE

Enilice Cristina Cadetti Garbellini (Icce)

Carlos Caetano do Nascimento Netto

Grande Campeã

Adrenalina FIV Ilha

Expositor

Genbra Genética Brasil Agropecuária Ltda. Criador

Agropecuária Ilha Funda Ltda. (Fazenda do Sertão)

Reservada Grande Campeã

Croácia FIV PEAC

Expositor: Álvaro Perez (Faz. Pecuária Santillana del Mar)

Criador: Marcos de Almeida Carneiro

Grande Campeão

Catmandu FIV

PEAC

Expositor

Marcos de Almeida Carneiro Criador

Marcos de Almeida Carneiro (Fazenda Palestina)

Reservado Grande Campeão

Genbra Ébano FIV

Expositor e criador: Genbra Agropecuária (Fazenda do Sertão)

JURADOS

INDUBRASIL

ANIMAIS

INSCRITOS

TITULAR ASSISTENTE

Gregorio Oropeza Guillen (México)

Túlio Gomes Araújo

Grande Campeã

Bhetyna FIV

Expositor

Henrique R. Mendonça e Outros Condomínios Criador

Henrique R. Mendonça e Outros Condomínios (Fazenda Induberaba)

Reservada Grande Campeã

Diamante

Grande Campeão

Belman FIV

Expositor

Henrique R. Mendonça e Outros Condomínios Criador

Henrique R. Mendonça e Outros Condomínios (Fazenda Induberaba)

Reservado Grande Campeão

Comanche FIV

e

Expositor e criador: Henrique Mendonça e Cond. (Fazenda Induberaba)
Expositor
criador: Henrique Mendonça e Cond. (Fazenda Induberaba)

GRANDES CAMPEÕES

NELORE

ANIMAIS

INSCRITOS

JURADOS 642

TITULAR ASSISTENTE

José Ferreira Pankowski

Paulo Ricardo Martins Lima

Grande Campeã

Courchevel FIV CBA

Expositor

Paulo de Castro Marques Criador

Paulo de Castro Marques (Fazenda Santa Ester)

Reservada Grande Campeã

Grande Campeão

Stallone FIV

Sausalito

Expositor

Osvaldo Monasterio Rek Criador

Osvaldo Monasterio Rek (Cabaña Sausalito)

Reservado Grande Campeão

Surfista FIV Sausalito

Ísis Valverde FIV DA
Expositor: Henrique & Juliano Produções e Eventos Ltda. ME Criador: Roberto Bavaresco (Fazenda Terra Prometida)
Expositor e criador: Oswaldo Modnastério Rek (Cabana Sausalito)

NELORE MOCHO

ANIMAIS INSCRITOS

JURADOS 112

TITULAR ASSISTENTE Rodrigo Ruschel Lopes Cançado Rayane Lage Cordeiro

Grande Campeã

Heringer Aurora FIV

Expositor

Dalton Dias Heringer Criador

Dalton Dias Heringer (Fazenda Paraíso)

Reservada Grande Campeã

Grande Campeão

Maverick da Louz

Expositor

Agropecuária V2 Flamboyant Ltda. Criador

Agropecuária V2 Flamboyant Ltda. (Fazenda Louzandes)

Reservado Grande Campeão

A8984

Dakota FIV SB da Mata
Expositor e criador: Sandoval Bailão Fonseca Filho (Fazenda Mata Grande)
Heringer
Expositor e criador: Dalton Dias Heringer (Fazenda Paraíso)

GRANDES CAMPEÕES

NELORE PELAGENS

ANIMAIS INSCRITOS

JURADOS 325

TITULAR ASSISTENTE Valdecir Marin Junior Luis Fernando Ferreira Cintra Junior

Grande Campeã

Sharon StoneSF GC D

Expositor

Geraldo de Souza Carvalho Júnior

Criador

Geraldo de Souza Carvalho Júnior (Fazenda São Lourenço)

Reservada Grande Campeã

Expositor:

Grande Campeão

Zap FIV GC DA SL

Expositor

Geraldo de Souza Carvalho Júnior

Criador

Geraldo de Souza Carvalho Júnior (Fazenda São Lourenço)

Reservado Grande Campeão

ESPN Astúcia
Washington Antunes (Fazenda Três Irmãos)
Criador: Luiz Aparecido Andrade e Outros Condomínios
Megatron FIV Boeira
Expositor: Washington Antunes (Fazenda Três Irmãos)
Criador: Leonardo Gervásio de Moura e Outros Condomínios

SINDI

JURADOS

ANIMAIS

INSCRITOS

TITULAR ASSISTENTE

Célio Arantes Heim

Elvanio José Lopes Mozelli Filho

Grande Campeã

Athena de La Mancha

Expositor

Kaik Pereira Santos Silva Criador

Kaik Pereira Santos Silva (Fazenda São Lourenço)

Reservada Grande Campeã

Grande Campeão

Prezado FIV da

Estiva

Expositor

PFF Agropecuária Ltda. Criador

Adaldio José de Castilho Filho (Fazenda São Lourenço)

Reservado Grande Campeão

Cafame FIV PFF AGRO
Expositor e criador: PFF Agropecuária (Fazenda Bom Jardim)
Lino Porangaba
Expositor e criador: Helena Leonel Curi (Fazenda Porangaba)

GRANDES CAMPEÕES

TABAPUÃ

ANIMAIS

INSCRITOS

JURADOS

TITULAR ASSISTENTE Lucyana Malossi Queiroz Alisson Andrade de Oliveira

Grande Campeã

Origem FIV TJG

Expositor

TJG Agropecuária Ltda.

Criador

TJG Agropecuária Ltda. (Fazenda Porto Seguro)

Reservada Grande Campeã

Grande Campeão

Getúlio FIV de Tabapuã

Expositor

Lucas Mendes

Criador

Fábio Zucchi Rodas - Espólio (Fazenda Vista Alegre)

Reservado Grande Campeão

Criador:

Hexxtra 2 FIV DAGA
Expositor e criador: Gustavo Oliveira e Souza Cond. (Faz. Gurita)
Minotauro FIV
Expositor: Lucas Mendes (Fazenda Vista Alegre)
Nagila Rachid Abreu Bittencourt

MATRIZ MODELO

JURADO

Jurado Carlos Eduardo Nassif

GIROLANDO

MODELO FRIGORÍFICO

ANIMAIS INSCRITOS 17

ANIMAIS INSCRITOS

JURADO Jurado Fernando B. Salgueiro (Bolívia)

JURADOS 58 JURADO Petros Medeiros

ANIMAIS INSCRITOS 36

Grande Campeã 1/2

Lisa FIV APBR

Expositor

Geraldo Augusto Martins Teixeira Criador

Antônio Puizana e Raul Carvalho Puizana (G28 Agropecuária)

Grande Campeã 1/4

PASS Sereia

FIV

Expositor

Túlio Gomes Araújo Criador

Túlio Gomes Araújo (Girolando PASS)

Grande Campeã 3/4

União da Pavana

Expositor

Paulo Victor Sousa Machado Criador

Paulo Victor Sousa Machado (Fazenda Pavana)

ELO INQUEBRÁVEL

A união que projeta o Zebu para além das fronteiras brasileiras só existe porque as associações promocionais trabalham incansavelmente para seu fortalecimento

No epicentro da pecuária tropical, a relação entre a ABCZ e as associações promocionais deixa de ser apenas institucional para se tornar o motor de uma engrenagem que movimenta bilhões. Entre a tradição milenar e a genômica de ponta, presidentes das raças revelam como a união é o único caminho para a prosperidade do setor.

Neste triênio de 2026-2028, o tom entre as lideranças é de coesão absoluta. Orlando Claudio Procópio, presidente da ABCSindi (Associação Brasileira dos Criadores de Sindi), resume o sentimento que ecoa pelos pavilhões do Parque Fernando Costa: “Nenhu-

ma associação consegue crescer se não tiver o apoio da ABCZ. Cada elo é importante”.

Esse pensamento é compartilhado pela ACNB (Associação dos Criadores de Nelore do Brasil), entidade que há 72 anos fomenta a raça responsável por sustentar o pilar das exportações brasileiras. Com o sangue Nelore presente em mais de 90% da carne bovina brasileira enviada ao exterior, gerando uma receita de quase R$ 100 bilhões em 2025, a associação foca agora na perenidade dessa liderança.

O presidente da ACNB, Victor Miranda, enxerga na sucessão familiar o segredo para manter esse vigor.

Renata Thomazini

Nesse contexto, foi criado o projeto Nelore Next. A entidade busca atrair jovens criadores para o comando do futuro da raça, garantindo que a produtividade e a genética seletiva continuem atraindo mercados como é o caso da Bolívia e do Paraguai, que hoje já integram o Ranking Nacional e o Circuito Nelore de Carne de Qualidade.

Para Miranda, essa engrenagem só gira com diplomacia. Ele reforça que o relacionamento com a entidade-mãe deve ser de suporte mútuo. “Sempre fomos cordiais, demonstrando a importância da raça para o sucesso da pecuária. Com o retorno do Dr. Arnaldo à presidência da ABCZ, assumimos o compromisso de caminhar juntos. Estamos todos de passagem e nosso objetivo é deixar uma contribuição sólida para fortalecer a ABCZ”, afirma.

Essa corrente de união ganha contornos de inovação com o Tabapuã, uma das raças genuinamente brasileiras, que é fruto de um cruzamento estratégico entre Nelore, Guzerá e Gir. João Trivelato Neto, liderança à frente da associação, destaca que estar “dentro de casa” faz a diferença. “O Tabapuã tem sido prestigiado pela ABCZ, inclusive com participação direta na diretoria, o que nos dá voz firme para sermos o braço técnico que o produtor precisa”, ressalta.

DE IMPORTADORES

A REFERÊNCIA GLOBAL

Se, há décadas, o Brasil buscava fora o que não tinha, hoje o jogo virou. O Brahman é o exemplo vivo dessa transição. Gustavo Rodrigues, presidente da ACBB (Associação dos Criadores de Brahman do Brasil), aponta que, após 33 anos de seleção criteriosa, o país deixou de ser importador para se tornar o grande celeiro de genética para a América Latina. “A ABCZ realiza o registro; nós damos continuidade ao fomento, como a prova do ‘Boi com Bula’”, explica Rodrigues, focando agora na abertura de fronteiras sanitárias para exportação ao Peru e Argentina.

Enquanto o Brahman olha para o futuro, o Guzerá celebra 70 anos de sua associação (ACGB, a Associação de Criadores de Guzerá e

Guzolando do Brasil) investindo em um marketing que une a história milenar à eficiência moderna. Na mesma linha, o Indubrasil, sob a liderança de Roberto Fontes de Góes, reforça uma parceria de três décadas com a ABCZ. A raça, que une a rusticidade ao desempenho de dupla aptidão, encontra no apoio institucional a base para prosperar como patrimônio genético nacional, uma vez que também é originária das propriedades brasileiras.

EQUILÍBRIO ENTRE LEITE E CARNE

Talvez nenhuma raça exemplifique tão bem a prosperidade do diálogo técnico quanto o Gir. Rodrigo César Neiva Borges, presidente da ABCGIL (Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro), destaca a “ligação umbilical” com a ABCZ, para o avanço do sumário genômico do Gir Leiteiro. A raça hoje é a segunda de maior participação na ExpoZebu.

Por outro lado, Jorge Sab, presidente da Assogir (Associação Brasileira de Criadores de Gir), traz o olhar para o Gir dupla aptidão como chave para a sustentabilidade econômica do pequeno produtor. “Entregamos bezerros pesados e vacas que produzem leite com baixo custo. É um mundo a ser desbravado”, pontua Sab, enfatizando que a harmonia entre as visões valoriza o Zebu como um todo.

A FINALIDADE É O ZEBU

A cada depoimento, uma palavra se repete: união. O sucesso das raças é indissociável da chancela da ABCZ. Mas, o que inspira a existência da entidade é a sua dedicação ao crescimento e consolidação das raças.

Em uma licença poética, as associações promocionais funcionam como as mãos que semeiam, enquanto a ABCZ é o solo fértil que garante a legitimidade da colheita. Como resume o diretor de Relações com as Raças Promocionais da ABCZ, Sérgio Junqueira Germano: “Em 2026, a mensagem é clara. Quem caminha sozinho pode até ir rápido, mas as raças zebuínas, unidas sob a mesma bandeira, são as que chegam mais longe”.

Guilherme Bendilatti é eleito presidente da Associação de Brahman

Eleição ocorreu durante a 91ª ExpoZebu, que ainda registrou crescimento dos leilões da raça

A Associação dos Criadores de Brahman do Brasil (ACBB) passa a ser comandada, a partir de agora, pelo criador e médico-veterinário Guilherme Bendilatti. A eleição ocorreu no dia 30 de abril, durante a 91ª ExpoZebu, em Uberaba (MG), e teve a participação de criadores da raça de todo o país.

Aos 37 anos e criador de Brahman na Fazenda Terra Verde, em Marília (SP), ele assume a presidência com o desafio de, pelos próximos dois anos, dar continuidade aos projetos de fomento e avaliação da raça que vinham sendo desenvolvidos por seu antecessor, Gustavo Rodrigues.

“Há uma demanda crescente pela raça, inclusive de outros países que querem levar o Brahman brasileiro com o intuito de melhorar a qualidade da carne produzida. Vamos continuar promovendo avaliações zootécnicas, como a Prova de Eficiência e Performance Brahman - Boi com Bula, para selecionar animais de alta eficiência produtiva e reprodutiva”, diz o novo presidente. A sexta edição da prova ocorrerá de maio a julho, no Centro Tecnoló -

Novo presidente da Associação de Brahman, Guilherme Bendilatti

gico Bela Vista, em Botucatu (SP).

De acordo com Bendilatti, outro projeto será a intensificação da participação da raça em exposições e eventos. Depois de concorrer na ExpoZebu, o Brahman já tem presença garantida na Exposição de Maringá, Expointer, Feicorte, dentre outros eventos. Já a Exposição Internacional da Raça Brahman (ExpoBrahman) está prevista para o mês de outubro, em Uberaba.

Ao transmitir o cargo para seu sucessor, Gustavo Rodrigues destacou que os projetos realizados nos últimos quatro anos projetaram o Brahman como uma genética eficiente em cruzamentos para produção de carne. “Geramos dados técnicos importantes sobre eficiência alimentar, qualidade de carne, reprodução, dentre outras características, que comprovaram a contribuição da raça para o desenvolvimento de uma pecuária sustentável. Para o mercado nacional e internacional, essas informações científicas são essenciais no momento da compra. Prova disso é que o Brahman vem aumentando sua participação nas exportações de sêmen”, diz Rodrigues.

Além de Guilherme Bendilatti, fazem parte da nova diretoria Igor Melo, Paulo Scatolin, Ericka Antunes, Wilson Roberto Rodrigues e Miguel Xavier. O presidente do Conselho Técnico será Fernando Pereira.

RESULTADOS DA 91ª EXPOZEBU

A raça Brahman também marcou presença nas competições e leilões da ExpoZebu. Os dois remates realizados tiveram crescimento nas vendas. O 5º Leilão de Sêmen, promovido pela ACBB, que ofertou doses de importantes touros da raça, teve compradores de vários países, dentre eles Brasil, Bolívia e Peru. Todo o material genético leiloado foi doado pelos associados. Já o Leilão Portobello e Terra Verde teve aumento de 120% no faturamento em relação ao ano passado.

Já nas competições da ExpoZebu, a raça, única a ter dois julgamentos diferentes na ExpoZebu, passou pelo crivo de um dos jurados mais experientes e renomados pesquisadores das raças zebuínas, William Koury Filho. Ele destacou a evolução da raça dentro das características de maior relevância para a pecuária atual.

“O Brahman, desde que chegou ao Brasil, em 1994, já mostrou um modelo de conformação frigorífica diferenciado em pista, com costelas profundas, arqueadas, massa muscular bem desenvolvida e distribuída pelo corpo, características muito importantes dentro de uma raça de corte. E agora, na ExpoZebu, a raça deu um show de qualidade, não só no campeonato de pista, mas também no Brahman a Campo, mostrando que está em total sintonia com o que o mercado busca, sejam os animais de elite ou aqueles voltados para a pecuária comercial”, explica o jurado.

Na pista de julgamento, quem levou o título de Grande Campeã foi MS Terra Verde 1911 FIV, do expositor Clodoaldo Sérgio Bendilatti. Já a Reservada Grande Campeã foi Miss Portobello, do expositor Resort Portobello. “Trabalhamos bastante este ano para tentar o bicampeonato na ExpoZebu, mas sabíamos que a disputa seria muito acirrada. Ficamos muito felizes com a conquista da premiação máxima nas duas competições da raça. Esta é uma conquista de toda a equipe da Terra Verde”, afirma Clodoaldo Sérgio Bendilatti, que terminou a ExpoZebu como Melhor Criador e Melhor Expositor do Brahman a Campo e do Brahman de pista.

Já a Assu Agropecuária levou o título de Grande Campeão com o touro MR Assu 1737, e o expositor Luiz Carlos Vianna conquistou o prêmio de Reservado Grande Campeão com MR SEC Turbo. “Voltar a ganhar na ExpoZebu é muito gratificante. Um dos prêmios que mais me emocionou foi o de Progênie de Mãe, pois mostra que estamos no caminho certo na seleção da raça”, assegura o expositor Edgar da Silva Ramos, titular da Assu.

No Campeonato Frigorífico, o campeão foi o touro MR SEC Sorenno 257, da Estância Santa Clara, do expositor Luiz Carlos Vianna.

No campeonato Brahman a Campo, a Grande Campeã foi MS Terra Verde 2233 FIV, do expositor Clodoaldo Sérgio Bendilatti, e a Reservada Grande Campeã foi Miss Ruba 466. O Grande Campeão foi MR. W2R ROYAL 1644, do expositor Wilson Roberto Rodrigues, e o Reservado Grande Campeão foi Mister Ruba 421, do expositor Rubens Manreza.

ASSOGIR celebra 70 anos com protagonismo na 91ª

ExpoZebu e reforça o avanço da carne de Gir no mercado

A participação da ASSOGIR (Associação Brasileira dos Criadores de Gir) na 91ª ExpoZebu foi marcada por intensidade, relevância institucional e forte conexão com o mercado. Em um ano simbólico, em que a entidade celebra seus 70 anos de fundação, as atividades desenvolvidas durante a feira integraram um calendário comemorativo mais amplo, composto por diversas ações e eventos ao longo de 2026.

Os pavilhões da ExpoZebu permaneceram movimentados durante toda a programação, refletindo o dinamismo da pecuária nacional. A presença de criadores, investidores e técnicos impulsionou constantes negociações envolvendo animais e material genético, especialmente sêmen, evidenciando a valorização da raça Gir e a confiança do mercado em sua evolução produtiva.

No campo técnico, o julgamento da raça Gir Dupla Aptidão reafirmou a consistência do trabalho de seleção conduzido pelos criadores. Os exemplares apresentados demonstraram equilíbrio entre produtividade leiteira, desempenho para corte, funcionalidade e caracterização racial, atributos cada vez mais alinhados às exigências de sistemas tropicais eficientes.

Outro momento de destaque foi a Assembleia Geral da entidade, que marcou a eleição e posse da nova diretoria. Assumem a condução da ASSOGIR Jorge Sab como presidente, William Luis Ferretti como vice-presidente, Anestor César Dias Barreira na diretoria financeira, Leonardo de Paula Gasbarro no marketing, Guilherme Faria Costa como diretor de corte e Daniel Batuíra de Alvarince como diretor de leite. O conselho é formado por Gabriel Garcia Cid, Marcelo Baptista de Oliveira e Henrique Almeida Machado Borges.

Para o novo presidente, o momento representa continuidade com evolução: “A ASSOGIR chega aos seus 70 anos com bases sólidas, construída por gerações de criadores que acreditaram na raça. Nosso compromisso agora é avançar, conectando ainda mais a genética ao mercado e ampliando a percepção de valor do Gir dentro da cadeia produtiva.”

Entre as ações mais prestigiadas da programação, o desfile de animais e, principalmente, a degustação de carne de Gir reuniram grande público e se consolidaram como momentos estratégicos da participação da entidade na feira. Com forte adesão de criadores, convidados e profissionais do setor, a degustação reforçou, na prática, o potencial da raça na produção de carne de qualidade.

Mais do que uma experiência sensorial, a iniciativa apresentou ao público um novo posicionamento para o Gir. Cortes cuidadosamente preparados evidenciaram atributos como maciez, suculência e sabor característico, resultado direto de um trabalho integrado que envolve genética, nutrição, manejo e seleção orientada por indicadores objetivos de carcaça.

“A degustação é uma forma clara de mostrar que o Gir é, sim, uma solução completa. Estamos falando de uma raça extremamente eficiente nos trópicos, com capacidade produtiva tanto no leite quanto na carne. O que fizemos aqui foi aproximar o consumidor dessa realidade”, destacou o presidente.

Além de valorizar o produto final, a ação cumpre um papel estratégico ao encurtar a distância entre campo e mercado, fortalecendo a imagem do produtor e ampliando as oportunidades de agregação de valor.

A atuação da ASSOGIR na 91ª ExpoZebu evidencia um momento de maturidade e expansão da raça Gir. Ao integrar tradição, inovação e visão de futuro, a entidade não apenas celebra sua história, mas projeta, com consistência, os próximos passos de uma pecuária cada vez mais eficiente, conectada e orientada ao mercado.

André Rabelo Fernandes

A 91ª ExpoZebu, realizada em Uberaba (MG) entre os dias 25 de abril e 3 de maio de 2026, consagrou mais uma vez o Gir Leiteiro como um dos grandes pilares da pecuária nacional. Com pavilhões repletos e qualidade animal de excelência, a raça demonstrou sua qualidade nos julgamentos e no tradicional Concurso Leiteiro, no qual dois recordes de produção foram quebrados. No entanto, o brilho nos recintos de avaliação é reflexo direto de intenso trabalho de bastidores.

Ao longo dos últimos 12 meses, a gestão da Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro (ABCGIL) implementou uma série de ações estratégicas voltadas à transparência, modernização tecnológica, rigor técnico e oferta de novos serviços aos criadores. Essas iniciativas não apenas consolidam o crescimento do Gir Leiteiro no Brasil, mas também projetam a raça rumo a novos patamares de confiança e excelência produtiva.

UM ANO DE AVANÇOS:

AS CONQUISTAS DA GESTÃO ABCGIL

O sucesso visto na ExpoZebu 2026 é fruto de planejamento sólido que se desdobrou em importantes frentes de atuação ao longo do último ano:

O Gir Leiteiro na 91ª ExpoZebu: força genética e avanço na gestão marcam a edição 2026

1. Novo Regulamento de Exposições

A ABCGIL revisou e atualizou o regulamento de exposições. As novas regras trouxeram distribuições de categorias e campeonatos mais adequados ao momento atual das pistas, promovendo o equilíbrio e valorizando os melhores animais e seus expositores e criadores. A adoção pela ABCZ do novo regulamento na ExpoZebu 2026 permitiu, pela primeira vez, padronizar todas as exposições do Ranking 2025/2026 do Gir Leiteiro.

2. Sumário Genômico do PNMGL

O Programa Nacional de Melhoramento do Gir Leiteiro (PNMGL) deu um importante salto evolutivo com o lançamento do novo Sumário Genômico. Esta ferramenta permite aos criadores identificar com maior antecedência e precisão os animais superiores para produção de leite e idade ao primeiro parto.

3. Plataforma de Resultados e Certificado Genômico

Para facilitar o acesso às informações, a ABCGIL disponibilizou plataforma digital exclusiva para a consulta de resultados genômicos. Por meio dela, o associado pode emitir o Certificado Genômico de forma rápida e segura, agregando valor comercial aos

animais avaliados, além de verificar as informações genômicas de seu rebanho.

4. Sistema de Acasalamentos On-line

A inovação tecnológica chegou também ao manejo reprodutivo. O novo Sistema de Acasalamentos On-line permite ao criador simular cruzamentos entre touros e vacas Gir Leiteiro genotipados. A plataforma cruza os dados genômicos das vacas com os touros avaliados pelo PNMGL, apontando as várias informações de cada combinação com as GPTAs estimadas, além de indicar o percentil do parentesco médio para evitar a consanguinidade.

5. Expansão no Nordeste e Unificação do Ranking

O Gir Leiteiro vive forte expansão no Nordeste do Brasil, evidenciada pelo expressivo aumento no número de associados e de exposições na região. Em decisão estratégica, a ABCGIL definiu a unificação do Ranking Nordeste com o Ranking Nacional para o biênio 2027-2028. Essa integração colocará todos os criadores do país sob as mesmas regras, fortalecendo a união da raça em âmbito nacional.

6. Controle Leiteiro em Rebanhos Colaboradores do PNMGL

Para dar ainda mais robustez às avaliações genéticas/genômicas, a ABCGIL intensificou os controles leiteiros oficiais nos rebanhos colaboradores do PNMGL. O aumento no volume de dados coletados diretamente nas fazendas participantes amplia a confiabilidade das avaliações e garante que o Sumário Brasileiro de Touros reflita a realidade dos diferentes sistemas de produção do país.

7. Compromisso com a Transparência: Auditorias Contábil e do Mapa

A governança e a lisura dos processos foram reforçadas por meio de auditorias rigorosas. A ABCGIL submeteu suas contas a uma detalhada auditoria contábil independente, demonstrando responsabilidade na aplicação dos recursos dos associados. Além disso, a entidade passou também por auditoria do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

8. Crescimento na comercialização

Os leilões da raça Gir Leiteiro foram um capítulo de sucesso. A raça obteve recordes de valorização e liquidez com venda de animais para vários estados do Brasil e exterior.

9. O Futuro do Gir Leiteiro

Com as arquibancadas do Parque Fernando Costa cheias de criadores, técnicos e investidores de diversos países, o Gir Leiteiro encerra sua participação na ExpoZebu 2026 com olhos no futuro. Graças à união entre a paixão do criador e a gestão profissional da ABCGIL, a raça segue firme como protagonista da pecuária leiteira tropical, pronta para os desafios das próximas décadas.

Associação de

Guzerá

celebra 70 anos na ExpoZebu com registro histórico e homenagens

Raça teve número expressivo de animais competindo e atraiu comitivas estrangeiras de vários países

Larissa Vieira

No ano de comemoração de seus 70 anos de fundação, a Associação dos Criadores de Guzerá e Guzolando do Brasil (ACGB) marcou sua participação na 91ª ExpoZebu com fatos históricos, a entrega de importantes premiações, leilões e um número expressivo de animais competindo em pista e torneio leiteiro. A feira ocorreu de 25 de abril a 3 de maio, em Uberaba (MG).

De acordo com o presidente da entidade, Raul Prates, a raça teve participação expressiva na maior exposição de zebuínos do mundo. “Tivemos mais de 230 animais competindo em julgamento e torneio leiteiro, além de três leilões da raça, com excelentes médias”, explica. Juntos, os eventos Leilão União Guzerá JF, Leilão Guzerá Genética de Campeões e 7° Leilão Pilares da Raça movimentaram mais de R$4 milhões.

A genética Guzerá não foi demandada somente por brasileiros. A ACGB recebeu comitivas internacionais de vários países interessadas em importar a genética Guzerá por conta da versatilidade, alta eficiência produtiva e rusticidade da raça. Entre os estrangeiros recepcionados pela associação, estavam investidores de Bangladesh, Tanzânia, Egito, Etiópia, Sudão, Quênia, Nigéria, Ruanda, Zâmbia e de países

da América Latina. Todos tiveram a oportunidade de saborear os produtos lácteos de Guzerá A2A2.

Além da forte demanda pelo Guzerá, a ExpoZebu registrou um momento histórico para a ACGB, com o lançamento do selo F1 Max. A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) registrou 16 fêmeas Guzolando com genética comprovadamente superior para produção de leite.

“A certificação surgiu a partir da proposta apresentada pela ACGB ano passado à diretoria da ABCZ com o intuito de oferecer mais segurança aos produtores de leite na identificação de animais com elevado potencial produtivo. Será mais uma oportunidade de agregar valor aos rebanhos que produzem Guzolando, a partir de animais Guzerá Leiteiro geneticamente superiores”, esclarece Carlos Fontenelle, diretor Técnico da ACGB.

Todas as fêmeas que receberam a certificação F1 Max atendem a critérios técnicos estabelecidos pela ABCZ, como PTA positiva para leite do pai e da mãe e desempenho superior das matrizes em lactação, além do Certificado de Controle de Genealogia.

Outra ação durante a ExpoZebu promovida pela

ACGB ao longo da feira foi a degustação de queijo, doce de leite e pão de queijo, todos produzidos com leite de Guzerá. A entidade ainda realizou degustação de carne da raça para o público da feira.

HOMENAGENS E PREMIAÇÕES

Durante a ExpoZebu, a ACGB premiou os melhores do Ranking Nacional 2025. Além dos melhores expositores, criadores e animais Guzerá das linhagens leiteira e de corte, a entidade concedeu o prêmio Guzerá de Ouro a personalidades que vêm contribuindo para o desenvolvimento da raça.

Os agraciados foram o presidente da ABCZ, Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges, o presidente da Faemg e criador de Guzerá, Antônio Pitanguy Salvo, os criadores Carlos Fontenelle, Roberto Corrêa Leal e Álvaro Abascal Perez.

Entre os premiados do Ranking Nacional 2025, Marcos de Almeida Carneiro foi premiado como Melhor Criador e Melhor Expositor Guzerá Leiteiro. “É um trabalho de longo prazo, de muita consistência. Ser reconhecido em várias exposições, por diferentes julgadores, é muito importante. Estou muito feliz com esse reconhecimento”, afirma Carneiro.

Já a Companhia Mate Laranjeira conquistou o título de Melhor Criador do Ranking Nacional Guzerá Corte e José Nelson dos Santos foi agraciado com o prêmio de Melhor Expositor.

“É a premiação de muito trabalho realizado junto com meu sócio Roberto e toda a equipe da fazenda. É uma dedicação diária para chegar a esse resultado e conquistar um reconhecimento como esse”, afi rma Santos.

GRANDES CAMPEÕES DA EXPOZEBU

A raça Guzerá teve dois julgamentos na pista da maior exposição de zebuínos do mundo. No Guzerá Corte, a Grande Campeã foi Patna FIV El Giza, do expositor Douglas Costa e a Reservada Grande Campeã foi Química FIV da Nova América, do expositor José Nelson. Ele também fez o Grande Campeão, com o touro Oriente FIV LBN. O Reservado Grande Campeão

foi Zimbro FIV da ICIL, do expositor ICIL e Itacarambi. No Guzerá leiteiro, a Grande Campeã foi Adrenalina FIV Ilha Funda, do expositor Genbra Agropecuária e a Reservada Grande Campeã foi Croácia FIV PEAC, do expositor Álvaro Perez. Já o Grande Campeão foi Catmandu FIV PEAC, do expositor Marcos Carneiro e o Reservado Grande Campeão foi Genbra Ébano FIV, do expositor Genbra Agropecuária.

No campeonato Modelo Frigorífico, a raça Guzerá teve como vencedor Líbano ASW, do expositor Arilson Carvalho. No Concurso leiteiro, a Grande Campeã foi Emoção FIV JF, do expositor José H.D. Figueiredo e Out.Cond., com média de 34,51 kg/leite. A Reservada Grande Campeã foi Demagogia FIV ESJ, do expositor Emerson Soares, com média de 33,67 kg/leite.

NOVA MARCA

Dentro das comemorações dos 70 anos da ACGB, a entidade lançou um novo design de sua marca, desenvolvida pelo renomado publicitário Paulinho. Agora, a sigla GUZ sintetiza a identidade do Guzerá e de seus cruzamentos, Guzolando e Guzonel, criando um símbolo próprio, forte e memorável. Segundo ele, o objetivo foi modernizar a marca, de forma elegante e única, mantendo a tradição da raça Guzerá. “Ampliamos sua força de comunicação, permitindo que a marca se torne facilmente reconhecida e difundida no universo da agropecuária”, conclui Paulinho.

Indubrasil

que acolhe e encanta

A estirpe dos Indubrasilistas é moldada por gerações pela transferência consistente, e em nível elevado de valores relacionados a respeito, ética, conduta e credibilidade

Márcia Benevenuto

Chamem de energia, essência ou gentileza, mas o ambiente na área da esquina da ABCI é agradável e positivo desde o pavilhão dos animais até o andar superior da Casa do Indubrasil. “A rua lateral do estande do Indubrasil é uma das mais movimentadas

do Parque Fernando Costa por causa do acesso das pessoas aos shows, provas equestres, rodeio e praça de alimentação. E não tem quem não pare pelo menos uns minutos diante dos animais para fazer um carinho, tirar uma selfie ou apenas admirar esses animais maravilhosos. E isso é muito importante para conscientizar a comunidade e os jovens sobre a nossa atividade pecuária”, destacou a criadora e associada Claudia Fraga Leonel.

Na programação da raça, além do show na pista de julgamento, a tradicional confraternização homenageou o diretor Eduardo Rodrigues da Cunha, a presidente da ABCZ Mulher, Iara Marquez, Lucyana Malossi Queiroz, Willian Eduardo Ponath e Silvestre Marinho do Carmo (Connect Leilões), e em um momento surpresa, o próprio presidente da ABCI.

“Quando o grupo começa a refletir sobre esse perfil de gentileza e acolhimento, uma certeza é a de que todos seguem o modelo do Dr. Roberto. Ele sempre lembra de todos e faz questão de reconhecer o trabalho e as contribuições dos amigos e dos profissionais ao Indubrasil. Então, com anuência da diretoria, foi organizado esse momento muito feliz”, disse a Exe-

cutiva da Associação, Dali Silveira.

Lembrança importante foi prestada também ao saudoso zebuzeiro Fabiano Mendonça, que teve seu nome descerrado no salão nobre da sede da ABCI.

Mendonça, que foi diretor e vice-presidente da ABCZ, integrou com o fundador o Condomínio Induberaba e ajudou a formatar o leilão que reposicionou o Indubrasil em destaque, dentro do principal circuito mundial de remates de alta genética de zebuínos.

O Leilão Condomínio Induberaba & Convidados teve liquidez e registrou média de quase R$30 mil para as fêmeas. “A genética do Indubrasil segue valorizada e os investimentos retornam. Em minha opinião, ter os animais na maior vitrine zebuína do mundo é o grande diferencial que atrai os olhares dos selecionadores do Brasil e dos estrangeiros que frequentam a mostra”, avaliou Roberto Góes.

A raça Indubrasil teve um papel de grande destaque na ExpoZebu 2026, consolidando-se como referência em qualidade e excelência genética. Os animais de pista e de leilão expostos no Parque Fernando Costa, destacados para o desfile de abertura oficial e para o julgamento, impressionaram os visitantes da maior mostra mundial de raças zebuínas pelo porte, padrão racial, temperamento e potência nas características produtivas de relevância econômica.

A nobreza do primeiro Zebu genuíno do Brasil, somada à rusticidade e à dupla aptidão, tornaram a raça, ao longo de décadas, uma grande exportadora e doadora inata de genética para o cruzamento comercial e a formação de outras raças.

Por essa razão, o esforço da ABCI se concentra em uma verdadeira cruzada pela extração de planteis PO controlados por apontamentos de fazenda, inclusão de rebanhos isolados junto ao serviço de escrituração

e registro genealógico da ABCZ e estabelecimento de regras que estimulem e incentivem a descoberta e retomada de linhagens essenciais ao banco zootécnico da raça.

O líder maior de todas as ações dos indubrasilistas pelo fortalecimento da genética é o Presidente Roberto Fontes de Góes, que foi reeleito por seus pares da promocional para a gestão 2026-2029.

“Nossos amigos insistem sempre, e voltaram a insistir nessa eleição, para que eu ocupasse a cadeira. Estamos de acordo, mas já temos um quadro interessante de associados que são pessoas capacitadas e apaixonadas pela raça, e que também podem representar a ABCI em todas as esferas técnicas e políticas em nível nacional ou internacional e uma das minhas missões será a de lapidar e encorajar a sucessão”, disse o Presidente.

ACNB anuncia calendário do Circuito Nelore de Qualidade 2026 com 38 etapas

Com primeira etapa nacional programada para maio, maior campeonato de avaliação de carcaças de bovinos do mundo chega à 28ª edição

Texto Comunicação

A edição do Circuito Nelore de Qualidade, considerado o maior campeonato de avaliação de carcaças bovinas do mundo, teve início no dia 17 de março, em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, marcando a abertura da 28ª edição, em 2026. A primeira etapa nacional acontecerá em 28 de maio, na cidade de Araguaína (TO). A Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), responsável pela iniciativa, realizará 33 etapas no Brasil neste ano, além de outras 5 distribuídas entre Bolívia e Paraguai.

De acordo com o presidente da entidade, Victor Paulo Silva Miranda, “a expectativa para este ano é superar 2025, que teve números recordes, com mais de 400 pecuaristas participantes e 49,7 mil animais analisados”.

O Circuito Nelore de Qualidade acompanha o abate dos animais e avalia suas carcaças, analisando na prática como está a qualidade da carne produzida. Realizado desde 1999, o projeto ajuda os produtores a entenderem melhor os resultados do seu trabalho, desde a escolha dos animais até a alimentação e os cuidados no dia a dia. Além disso, comenta o Miranda, “fortalece a raça Nelore, que representa cerca de 80% do rebanho bovino de corte do Brasil, e contri-

bui para que o consumidor tenha acesso a uma carne cada vez melhor”.

Em 2026, o Circuito passará por 11 estados de destaque para pecuária brasileira: Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Rondônia, São Paulo e Tocantins. A edição de 2026 já conta, até o momento, com a confirmação dos frigoríficos Friboi, Frisa, Cooperfrigu, Fridosa, Minerva Foods, Fribal e Masterboi, além do apoio da Matsuda Sementes e Nutrição Animal.

“O Circuito Nelore de Qualidade é uma forma de mostrar, na prática, como a carne é produzida e como ela pode melhorar cada vez mais. A primeira etapa internacional foi realizada no dia 17 de março, em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, e já apresentou ótimos resultados. O Circuito aproxima o produtor das exigências do mercado e valoriza quem investe em qualidade. Os pecuaristas são protagonistas desse processo. São eles que, no dia a dia, investem em genética, nutrição e manejo para produzir uma carne de qualidade. O Circuito reconhece esse trabalho, oferece visibilidade aos resultados e incentiva a evolução contínua da raça Nelore”, destaca o presidente da ACNB.

CONFIRA O CALENDÁRIO DO CIRCUITO NELORE DE QUALIDADE 2026

17/03

19, 20 e 21/05

28/05

01/06

02/06

16/06

18 e 19/06

23 e 24/06

30/06, 01 e 02/07

06/07

08/07

10/07

16/07

29 e 30/07

11/08

20/08

25/08

27/08

01, 02 e 03/09

10/09

15/09

17/09

18/09

22 e 23/09

01/10

05 e 06/10

08/10

15 e 16/10

20, 21 e 22/10

21 e 22/10

24/10

27, 28 e 29/10

05 e 06/11

09/11

11/11

11 e 12/11

13/11

17/11

Santa Cruz de La Sierra (Bolívia)

Asunción (Paraguai)

Araguaína (TO)

São Geraldo do Araguaia (PA)

Nova Olinda (TO)

Água Boa (MT)

Barra do Garças (MT)

Santa Cruz de La Sierra (Bolívia)

Nanuque (MG)

Anastácio (MS)

Naviraí (MS)

Nova Andradina (MS)

Pontes e Lacerda (MT)

Igarapé do Meio (MA)

Confresa (MT)

Ituiutaba (MG)

Araputanga (MT)

Vilhena (RO)

Belén (Paraguai)

Gurupi (TO)

Lins (SP)

Iturama (MG)

Senador Canedo (GO)

Canhotinho (PE)

Andradina (SP)

Colíder (MT)

Alta Floresta (MT)

Barra do Garças (MT)

Diamantino (MT)

Santa Cruz de La Sierra (Bolívia)

Marabá (PA)

Mozarlândia (GO)

Imperatriz (MA)

Santana do Araguaia (PA)

Casa de Tábua (PA)

Itapetinga (BA)

Redenção (PA)

Campo Grande (MS) – Unidade II

SOBRE A ACNB

A Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB) é a entidade de âmbito nacional que representa criadores da raça de todo o país. Fundada há 71 anos, a ACNB se dedica ao fomento, defesa e valorização do Nelore, contribuindo para a seleção zootécnica e a produção de carne bovina de qualidade. Para isso, valoriza a genética superior, o manejo sustentável e o bem-estar animal. Entre outras iniciativas, a ACNB promove o Circuito Nelore de Qualidade, os Rankings Nacionais (Nelore, Nelore Mocho e Nelore Pelagens) e a oficialização de leilões da raça. O Nelore é a raça mais importante da pecuária brasileira, representando cerca de 80% do rebanho de corte nacional. Para mais informações, acesse www.nelore.org.br e acompanhe a associação no Instagram e no Facebook.

Evoluir é a nossa natureza!

Com intensa demonstração de força e união por parte de seus associados, a raça Sindi segue em momento pujante no mercado e promove renovação institucional durante a ExpoZebu

Márcia Benevenuto

Fotos: Carlos Lopes

O título da reportagem é o novo slogan adotado pela ABCSindi para marcar ações de marketing e divulgação. Segundo o Presidente Orlando Procópio, a frase resume a essência da raça que avança de forma ascendente em suas próprias qualidades e já marca presença em quase todo o território nacional.

Além do lema, foi exibida na abertura do Sindi Fest – evento que homenageou amigos da raça e premiou os melhores do ranking de 2025 – a nova identidade visual da entidade em peças que foram desenvolvidas pelo time da agência Fórmula P, e apresentadas em um filme de animação com os elementos e silhuetas que formam as logomarcas da ABCSindi, das exposições ranqueadas e dos leilões oficiais.

“O design digital foi criado e apresentado a nós pelo Paulinho da Fórmula P. O material indica, inclusive na silhueta do touro e da matriz que aparecem estilizados na logo, uma modernização que não descola da tradição e da história da raça”, pontuou Orlando.

DE VOLTA À ORIGEM

Os estrangeiros que estiveram no Parque Fernando Costa bateram ponto na chamada “Esquina da Alegria”, tanto para confraternizar, quanto para

obter informações e se aproximar dos Sindistas. Porém, foi com a participação da ABCSindi e de seus associados no Zebu Connect Day que se registrou um momento emblemático para a seleção Sindi do Brasil. O estande montado na Fazenda Experimental Orestes Prata Tibery Junior recebeu um grupo de técnicos do governo do Paquistão. O grupo ficou impressionado com a qualidade do plantel nacional do zebu vermelho e abriu diálogo para intercâmbio de genética e de pesquisas.

MAIOR RECORDE DE TODOS OS TEMPOS

A sinalização de um grande sucesso do Sindi na 91ª ExpoZebu começou já na fase das inscrições. As argolas disponíveis foram rapidamente reservadas, confirmadas e esgotadas pela corrida dos criadores e expositores que estavam ansiosos para apresentar os times de pista e animais superiores de cada plantel, além de submeter seus exemplares ao crivo do experiente jurado Célio Arantes Heim. O profissional, que foi assistido por Elvanio José Lopes Mozelli Filho, avaliou um total de 268 animais na exposição, com o acréscimo de exatas 100 cabeças em relação à mostra de 2025. O gado foi apresentado pelas equipes de manejo de 25 criatórios localizados nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Ceará.

RESULTADOS PRINCIPAIS FÊMEAS

Grande Campeã

Athena De La Mancha de Kaik P. Santos da Silva

Reserv. Gr. Campeã

Cafame FIV PFF Agro da PFF Agropecuária Ltda

Campeã Progênie de Mãe

Espiga FIV Cariri de Angelo Mário Tibery

Reserv. Campeã Progênie de Mãe

Libéria FIV da Estiva de Gabriela Delsin Castilho

Carvalho

1° Progênie Jovem de Mãe

Raja Dondoca de Kaik Pereira Santos Silva

2° Progênie Jovem de Mãe

Bee FIV da 3 Barras de Jander Mascarenhas

Matriz Modelo

Gloria FIV OT-2 de Jander Mascarenhas Marques

RESULTADOS PRINCIPAIS MACHOS

Grande Campeão

Prezado FIV da Estiva de PFF Agropecuária Ltda

Reserv. Gr. Campeão

Lino Porangaba de Helena Leonel Curi

Terceiro Melhor Grande

Líder FIV OT de Angelo Tibery

Campeão Progênie de Pai

Mogli FIV da Estiva de Angelo Tibery

Res. Campeão Progênie Pai

Guerreiro AJCF de Victor Borelli Biagi

1° Colocado Progênie Jovem de Pai

Jundu da Estiva de Kaik P. S. Silva

2° Colocado Progênie Jovem de Pai

Meuro da Estiva de Adaldio Castilho

Modelo Frigorífico

Agreste Arese de Jander Mascarenhas Marques

Torneio Leiteiro recebeu 11 vacas e novilhas

SINDOLANDO

Grande Campeã

Baroneza FIV da Estiva de Adaldio José de C. Filho

Produção total de Leite: 216,25

Produção média de Leite: 72,08

Reserv. Gr. Campeã

Beldade FIV da Estiva de Isabela Delsin de Castilho Di Colla

Produção total de Leite: 167,66

Produção média de Leite: 55,89

Melhor Úbere Vaca Sênior

Baroneza FIV da Estiva

Melhor Úbere Vaca Adulta

Negona de Wilton de Melo

SINDI

Grande Campeã

Nafira da Estiva de Adaldio José de Castilho Filho

Produção total de Leite: 151,53

Produção média de Leite: 50,51

Reserv. Gr. Campeã

Gilda FIV da Estiva de Adaldio José de C. Filho

Produção total de Leite: 147,70

Produção média de Leite: 49,23

Melhor Úbere Vaca Sênior – Gilda FIV da Estiva

Melhor Úbere Vaca Adulta – Nafira da Estiva

Melhor Úbere Vaca Jovem – Diva de Wilton de Melo

LEILÕES SINDI EM ASCENSÃO

A raça Sindi segue com demanda aquecida no circuito dos leilões. Esse movimento foi reforçado no calendário comercial recordista em valorização da ExpoZebu 2026. O Leilão Sindi Castilho & OT - Convidados movimentou R$ 5.012.942,00 com a venda de 36 animais da raça. A média por exemplar foi de R$ 139.248,38 e o destaque do remate foi do Rafado FIV da Estiva, que teve metade de sua posse negociada por R$ 648.000,00.

A oferta virtual do Sindi Porangaba, com ponto de encontro no Parque Fernando Costa, encerrou a programação da raça com faturamento de R$ 1.149.120,00 com a venda de 26 animais e destaque para a oferta de 50% de Lino Porangaba, comercializado por R$ 108.000,00.

TABAPUÃ EM ASCENSÃO

Recorde de participação na ExpoZebu 2026 confirma o avanço técnico e a consolidação da raça no cenário nacional

A edição 2026 da ExpoZebu registrou um marco importante para a raça Tabapuã. Com participação recorde, a única raça zebuína genuinamente brasileira levou ao parque de exposições 211 animais em julgamento, apresentados por 28 expositores de diferentes regiões do país, consolidando sua presença entre os destaques da principal vitrine da pecuária zebuína mundial.

Do total, 78 machos e 133 fêmeas foram apresentados em pista, números que evidenciam não apenas o crescimento quantitativo da participação, mas também a confiança crescente dos selecionadores no potencial produtivo, funcional e competitivo da raça.

Mais do que um resultado expressivo, os números observados nesta edição refletem um processo consistente de fortalecimento genético, expansão comercial e amadurecimento técnico construído ao longo das últimas décadas.

CRESCIMENTO SUSTENTADO POR FUNCIONALIDADE E EFICIÊNCIA

A evolução do Tabapuã é resultado de um trabalho contínuo de seleção orientado por características cada vez mais valorizadas pela pecuária moderna.

Reconhecida por atributos como rusticidade, fertilidade, habilidade materna, adaptação a diferentes sistemas de produção e pela característica de ser naturalmente mocho, a raça reúne qualidades estratégicas para uma pecuária que exige produtividade aliada à eficiência operacional, sustentabilidade e segurança no manejo.

Esse conjunto de características tem ampliado o interesse de selecionadores e produtores que buscam genética funcional, adaptada às condições tropicais e capaz de entregar desempenho econômico consistente.

EVOLUÇÃO GENÉTICA

EVIDENCIADA NA PISTA

Os animais apresentados na ExpoZebu 2026 demonstraram o elevado padrão técnico alcançado pelos criatórios.

“a

tificam no Tabapuã uma genética cada vez mais valorizada no mercado nacional.

UNIÃO INSTITUCIONAL COMO FATOR DECISIVO

O desempenho observado na edição 2026 também reflete o esforço coletivo desenvolvido em prol do fortalecimento racial.

raça reúne qualidades estratégicas para uma pecuária que exige produtividade aliada à eficiência operacional, sustentabilidade e segurança no manejo”

Em pista, foi possível observar avanços significativos em aspectos como precocidade, musculatura, estrutura frigorífica, conformação funcional e equilíbrio racial características que refletem o trabalho criterioso desenvolvido pelos selecionadores e o avanço dos programas de melhoramento genético.

A diversidade de expositores também chama atenção e evidencia a ampliação da base de criadores da raça, hoje composta tanto por selecionadores tradicionais quanto por novos investidores que iden-

A atuação da ABCT, somada ao comprometimento dos criadores, ao intercâmbio técnico entre os plantéis e ao constante aprimoramento dos programas de avaliação genética, tem ampliado a visibilidade e consolidado a credibilidade técnica da raça.

A presença recorde na ExpoZebu é resultado direto dessa construção conjunta, pautada em planejamento, investimento e visão de longo prazo.

PERSPECTIVAS PARA OS PRÓXIMOS ANOS

O desempenho registrado em 2026 sinaliza uma fase de expansão consistente para o Tabapuã. A combinação entre tradição, base genética sólida e capacidade de adaptação às demandas contemporâneas da pecuária posiciona a raça em trajetória ascendente, tanto no ambiente de pista quanto no campo e no mercado.

Mais do que números expressivos, a participação histórica desta edição reafirma o protagonismo crescente do Tabapuã e evidencia sua vocação para representar, com eficiência e funcionalidade, a força da genética brasileira na pecuária do presente e do futuro.

Conheça as diretorias das associações promocionais das raças zebuínas:

ASSOCIAÇÃO DOS CRIADORES DE BRAHMAN DO BRASIL GESTÃO 2026-2028

Presidente

Guilherme de Camargo Bendilatti

Conselho Administrativo

Wilson Roberto Rodrigues

Miguel de Paula Xavier Neto

Igor Nogueira Alves de Melo

Ericka Christina Antunes Lauermann

Paulo Sérgio Scatolin

Conselho Fiscal

Carlos Jardim Borges

Alex Arikawa Miyasaki

Gustavo Alves Fioresi Rodrigues

Edgar da Silva Ramos

João Carvalhaes Ferreira

Regina Celia Miguel Corrêa de Oliveira Lima Conselho Técnico

Fernando Roberto Pereira

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS CRIADORES DE GIR GESTÃO 2026-2029

Presidente

Jorge Sab

Vice-Presidente

William Luis Ferreti

Diretores

Anestor César Dias Barreira

Leonardo de Paula Gasbarro

Guilherme Faria Costa

Daniel Batuíra de Alvarince

Conselho Fiscal

Gabriel Garcia Cid

Marcelo Baptista de Oliveira

Henrique Almeida Machado Borges

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS CRIADORES DE GIR LEITEIRO GESTÃO 2025-2028

Presidente

Rodrigo César Neiva Borges

Vice-Presidente

Leo Machado Ferreira

Diretores

Roberta Bertin Barros

Adriano Fróes Bicalho

Marlon Tenório Chavez

Conselho Fiscal

Adriano Maia

Alexandre Gondim da Rosa Oiticica

João Machado Prata Júnior

Wilson Carneiro Silva Junior

Maria Tereza Lemos Costa Calil

Carlos Alberto Damasceno

Conselho Diretivo

Bruno de Souza Machado Ferreira, Eduardo Falcão, Evandro do Carmo Guimarães, Flavio Peres, Joaquim José C. Noronha, José Afonso Bicalho, José de Castro de R. Netto, José João Salgado

R. dos Reis, Odilon Rezende Barbosa Filho, Rodrigo Coelho Denipote, Silvio Queiroz Pinheiro

ASSOCIAÇÃO DOS CRIADORES DE GUZERÁ E GUZOLANDO DO BRASIL GESTÃO 2026-2028

Presidente

Raul Prates

Vice-Presidente

Eros Gazzinelli

Diretores

Ana Cláudia Mendes Souza, Rodrigo Canabrava, José Luiz Filho, Marcos Carneiro, Carlos Fernando Fontenelle, José Brilhante Neto, Savio Tinoco

Conselho Fiscal

Fabrício Sizo, Pedro de Salvo, Paulo Rêgo

Conselho Científico

Vânia Pena

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS CRIADORES DE INDUBRASIL GESTÃO 2026-2029

Presidente

Roberto Fontes de Goes Vice-Presidente

Rodrigo Caetano Borges

Diretores

Natal Schincariol Júnior

Claudio Silveira Resende

Eduardo Rodrigues da Cunha

Conselho Fiscal

Danielle Corrêa Mendes

João Carvalho Pinto

Guilherme Rosa Vaz Coelho

Acrisio Cruz Neto

ASSOCIAÇÃO DOS CRIADORES DE NELORE DO BRASIL GESTÃO 2025-2027

Presidente

Victor Paulo Silva Miranda

Vice-Presidentes

Arthur Cesar Pereira de Lira

Felipe Carneiro Monteiro Picciani

Paulo de Castro Marques

Diretores

João Leopoldino Neto

Bruno Abreu Leão

Romildo Antônio da Costa

Mônica Marchett

Luiz Carlos Marino

Cesar Tomé Garetti

Fernando Carvalho Leite Barros

Nabih Amin El Aouar

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS CRIADORES DE SINDI GESTÃO 2023-2027

Presidente

Orlando Cláudio Gadelha Simas Procópio

Vice-Presidentes

Adaldio José de Castilho Filho

Ângelo Mário de Souza Prata Tibery

Eduardo Henrique Magalhães de Oliveira

Diretores

Henrique Garbellini Cárnio

Beatriz Biagi Becker

Álvaro Lins Borba

Claudia Leonel

Helena Leonel Curi

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS CRIADORES DE TABAPUÃ GESTÃO 2025-2026

Presidente

João Trivelato Neto

Vice-Presidentes

Edgard Martins da Silveira Júnior

Miguel de Carvalho Dias Sobrinho

Diretores

Renato Oliveira Ximenes

Luiz Antônio Teixeira de Figueiredo

Arthur Assumpção Ortenblad Filho

Conselho Fiscal

Júlio Christian Laure

Márcio Henry Gregg

Sérgio Junqueira Germano

Marcos de Oliveira Germano

na 91ª ExpoZebu: aulas extramuros, estágios

“Como faz para trabalhar na ABCZ?”. Em época de ExpoZebu, essa pergunta se torna ainda mais frequente, principalmente entre aqueles que sonham em atuar no agronegócio. Na Fazu (Faculdades Associadas de Uberaba), o questionamento não passa despercebido — e já vem acompanhado de uma resposta: as portas estão entreabertas; com dedicação e comprometimento, é possível abri-las totalmente.

Criada pela ABCZ para ser seu braço educacional, a Fazu mantém uma relação estreita com a associação. Esse vínculo gera grandes oportunidades para os estudantes, seja em termos de networking, estágios ou até mesmo efetivação.

O aluno da Medicina Veterinária, Lucas Signato, entrou na ABCZ ainda no primeiro período, como estagiário no Museu do Zebu. Hoje, no 5º período, já foi efetivado em sua área.

“Essas experiências foram fundamentais para minha formação e refletem diretamente na minha atuação atual, já contratado na área técnica o PMGZ. Devo muito à Fazu, que foi essencial para abrir essas

e networking

oportunidades e construir minha trajetória dentro da ABCZ”, ressaltou.

Leonardo Dias, aluno do 2º período de Zootecnia, começou a construir sua trajetória na ABCZ assim que entrou na faculdade. No ano passado, teve a oportunidade de estagiar na ExpoLeite, com a raça Guzerá. Com uma postura exemplar, foi selecionado para atuar novamente, desta vez durante a ExpoZebu. “Minha expectativa no estágio da Guzerá, na Expozebu, foi de ganhar um grande conhecimento e fazer bastante networking com a diretoria”, celebrou.

Todos os estágios da ExpoZebu foram preenchidos por alunos da Fazu. Assim como no ano anterior, o processo seletivo para atuação na feira atraiu um grande número de interessados. Do Museu do Zebu ao Torneio Leiteiro; do Brazilian Cattle à pista de julgamento, há estudantes da instituição atuando em diferentes frentes. “Recebemos mais de 250 inscrições para 138 vagas solicitadas pela ABCZ. Para nós, é motivo de orgulho e satisfação contribuir com 100% dessas vagas sendo ocupadas por alunos da Fazu”,

destacou o coordenador de Extensão da instituição, Gustavo Stein.

Com uma rotina intensa, o Concurso Leiteiro foi um dos espaços que concentrou grande número de estagiários, de diferentes cursos. Entre eles, o estudante do 3º período de Agronegócio, Antônio Andrade. “A experiência agregou muito. Foi uma oportunidade de colocar a mão na massa e aprender diretamente com pessoas que já vivenciam o agronegócio”.

Além dos estágios, durante a feira, todas as aulas da Fazu foram realizadas no Parque Fernando Costa. Para os estudantes do período diurno, foram promovidas atividades nos eixos animal e vegetal. No período noturno, as atividades contemplaram todos os cursos ligados ao agro, além de Psicologia, Administração e Ciências Contábeis, com temas como manejo integrado de pragas na pecuária, impactos na produção animal, bovinocultura de corte e leite, pecuária de elite, saúde única, ferramentas de tecnologia da informação aplicadas ao agro, comunicação, experiência do cliente e saúde mental, entre tantos outros.

A aluna do 5º período de Medicina Veterinária, Lí-

Inicialmente, Lucas passou por estágios na ExpoZebu, depois foi efetivado pela ABCZ

“Essas experiências foram fundamentais para minha formação e refletem diretamente na minha atuação atual, já contratado na área técnica o PMGZ. Devo muito à Fazu, que foi essencial para abrir essas oportunidades e construir minha trajetória dentro da ABCZ”

via Roberta, destacou que a experiência na ExpoZebu foi extremamente enriquecedora, contribuindo significativamente para sua formação e aproximando-a da realidade do mercado. “Ter aulas nesse ambiente amplia muito nosso conhecimento, já que temos contato direto com o manejo, a genética e a qualidade dos animais, além de podermos circular pelos estandes e conhecer novidades do setor”.

O coordenador do curso de Medicina Veterinária, Thiago Braga, ressaltou três objetivos importantes alcançados com as aulas extramuros: benefício acadêmico, interdisciplinaridade e networking.

“Tiramos o aluno do ambiente familiar — sala de aula e Fazenda Escola da Fazu — e o levamos a um espaço que proporciona vivência prática e contato direto com a pecuária de elite. Além disso, ao integrarmos diferentes cursos, ampliamos a visão dos estudantes sobre o agronegócio como um todo, contemplando todas as áreas envolvidas”. Outro ponto destacado foi a interação com produtores e pesquisadores, evidenciando a importância da ciência para o desenvolvimento do setor.

Leonardo vem construindo sua trajetória com a raça Guzerá

“Minha expectativa no estágio da Guzerá, na Expozebu, foi de ganhar um grande conhecimento e fazer bastante networking com a diretoria”

Engenharia da visão: como um curso de julgamento pode refinar a avaliação

O Curso de Exterior e Julgamento de Zebuínos da ABCZ calibra o olhar técnico para identificar animais que unem o padrão racial à máxima eficiência produtiva em pista, mas pode realçar a visão para detalhes até então despercebidos

O Brasil consolidou-se como o maior produtor de carne bovina e um dos maiores do leite graças à resiliência e adaptabilidade do Zebu às terras tropicais. Contudo, em uma era de pecuária de precisão, a rusticidade sozinha já não basta. O mercado atual exige precocidade, qualidade de carcaça e, acima de tudo, velocidade de retorno sobre o investimento.

Nesse cenário, o Curso de Exterior e Julgamento de Zebuínos, chancelado pela ABCZ, atua como um centro de apuração de alta performance, onde o padrão racial é interpretado sob a ótica da lucratividade, mas sem perder a essência do Zebu. O objetivo é claro: garantir que a excelência vista nas pistas de julgamento seja o espelho da produtividade nos currais de todo o país. Prova disso é o sucesso ano a ano da ExpoZebu, realizada em Uberaba (MG).

Luiz Antonio Josahkian, zootecnista e superintendente Técnico da ABCZ, é jurado efetivo e dá o tom da área técnica da ABCZ. Entre seus ar-

tigos científicos, debruça seu conhecimento para a formação de novos jurados e para transformar o olhar de quem trabalha com a pecuária ou é entusiasta do Zebu. Para isso, o curso defende a Morfologia Funcional. O conceito prega que a beleza de um exemplar só faz sentido se for o suporte para uma função produtiva impecável.

Para o médico veterinário Pedro Prata, participante da imersão em 2025, o curso é uma aula de estratégia aplicada. “Aprendemos a decodificar o animal. Cada detalhe morfológico é, na verdade, um indicador de quanto esse animal pode entregar em rentabilidade e longevidade”, afirma.

“Aprendi a melhorar a qualidade da estrutura das minhas fotos”
André

Santos, fotógrafo.

Já o fotógrafo André Santos, que tem 26 anos de profissão e começou há cinco anos a fotografar animais elite, conta: “Antes, eu utilizava os princípios da fotografia tradicional em relação à luz e posicionamento de enquadramento, entre outras coisas, como a arquitetura do ambiente. Mas, isso muda

totalmente quando se faz o curso.”

O fotógrafo ficou impressionado com os detalhes que conseguiu abranger para aprimorar sua visão fotográfica. “Gosto de fotografar dando ênfase à beleza da imagem. Pude transportar para a fotografia dos animais de seleção a qualidade. Antes, dependendo da luz a musculatura ficava ‘chapada’, menos evidente. Agora, a questão de aprumos, posicionamento das orelhas, detalhes de realce da musculatura do animal, linha de dorso, posição de cabeça, cupim... Aprendi a melhorar a qualidade da estrutura das minhas fotos,” define André Santos.

MOTOR DE CONVERSÃO

A análise técnica começa pelo que Pedro chama de “chassi do animal”: a estrutura de carcaça. A literatura de Josahkian, que é referência absoluta em melhoramento genético tanto no Brasil, quanto no exterior, destaca que a avaliação visual é uma ferramenta preditiva poderosa. E, no curso, o foco também recai sobre o arqueamento e o espaçamento das costelas. “Buscamos costelas longas e bem arqueadas, o que garante amplitude torácica e abdominal. Isso não é estética; é espaço vital para os sistemas respiratório e digestivo”, explica Prata.

Um animal com boa profundidade de costelas caracteriza uma “máquina” interna capaz de processar forragens de forma muito mais eficiente. Na prática, isso significa que ele atinge o peso de abate ou a idade reprodutiva em menos tempo, otimizando o giro de caixa da propriedade. “No final do ciclo, o arqueamento de costelas é o que determina a capacidade do animal de transformar capim em carne ou leite com agilidade”, pontua o veterinário Pedro Prata.

so que me surpreendeu como ela teve facilidade em aprender e ter habilidade de identificar os padrões. Meu pai era criador de Nelore e faleceu. Eu que tinha meu olhar treinado para os animais de aptidão leiteira pude ampliar o horizonte”, afirma.

João Ávila também ressalta o fato de o curso dar oportunidade para o criador entender o pensamento dos jurados em pista. “Cada um julga com sua sensibilidade, mas é um momento de entender como tudo funciona no momento de eles julgarem. Acredito que é bom sempre trocar experiência e trazer para a fazenda detalhes que podem auxiliar e incrementar a nossa maneira de enxergar a seleção, claro, sem dispensar os programas de melhoramento”, destaca.

O criador João Ávila, que fez o curso há quatro anos com a filha Clara, conta que a experiência foi proveitosa também para prepará-lo para a seleção de outras raças. “Crio Gir Leiteiro e Girolando. Fiz o curso com minha filha, ela tinha 15 anos na época e confes-

O ATLETA QUE NÃO TIRA FÉRIAS

Diferente dos sistemas intensivos de outros países, o Zebu brasileiro é um “atleta do pasto”. Ele precisa caminhar para se alimentar e para se reproduzir. Por isso, a correção de aprumos é um dos filtros mais rigorosos da ABCZ. Pedro Prata enfatiza que falhas na locomoção são gargalos financeiros. “O animal deve deslocar-se com fluidez, sem baixar as quartelas. Um touro com aprumos corretos cobre mais fêmeas e por mais tempo; uma vaca com bons aprumos permanece no plantel por muito mais safras”, ressalta.

Essa busca pela correção morfológica evita o descarte precoce e maximiza o potencial do reprodutor. Quando o pecuarista investe em um animal com essa base técnica, ele está comprando segurança. A eficiência locomotora garante que a genética de elite se espalhe pelo rebanho comercial com escala, transformando o investimento inicial em bezerros de qualidade superior em um intervalo menor de tempo.

E, por isso, a busca em alinhar o crivo técnico ao competitivo também é importante. Afinal, é a partir

O criador João Ávila, com a filha Clara

da troca de conhecimento que se encontra o norte que seja competitivo e, ao mesmo tempo, não fuja do que o criador busca para seu rebanho.

MODERNIDADE MAMÁRIA E A SUSTENTABILIDADE DO LEITE

No segmento leiteiro, a evolução do crivo técnico é notável. O foco saiu do volume absoluto para a funcionalidade do sistema mamário. Segundo o veterinário Pedro Prata, a modernidade exige úberes com excelente inserção e ligamentos fortes. “Não basta ter capacidade de armazenamento; o úbere deve estar bem colocado no ventre, com tetos de dimensionamento correto. Isso facilita a mamada do bezerro e minimiza o risco de mastites e traumas”, detalha Prata.

O jurado efetivo da ABCZ

Túlio Araújo

Essa precisão na seleção morfológica reduz a necessidade de intervenções veterinárias e aumenta a produção acumulada ao longo da vida da matriz. Ao selecionar fêmeas com sistemas mamários funcionais, o criador garante que a alta genética se traduza em leite no balde e saúde no curral, elevando a média de produtividade de toda a fazenda.

Para sustentar toda essa estrutura, o animal precisa de uma linha de dorso forte e expressiva – o eixo central de sustentação da carcaça. Além disso, o curso reforça o dimorfismo sexual como o principal indicador de equilíbrio hormonal. “Macho com biotipo de macho e fêmea com delicadeza feminina. Essa distinção é o que garante que as características de produtividade sejam transmitidas fielmente à progênie”, observa o veterinário.

queno, queria seguir esse caminho e, desde que entrou na veterinária, focou nesse intuito. Em 2022, começou a atuar como jurado auxiliar. Hoje, além de julgar animais em pista, auxilia na seleção de outros criatórios além do seu próprio. “Tentamos buscar equilíbrio. Dentro da fazenda a seleção é pessoal, mas ganha o olhar comercial e mais apurado tecnicamente quando alinhado às vitrines da genética”, explica Túlio Araújo.

É a consistência na transmissão genética que permite ao criador de elite atuar como um fornecedor de tecnologia para o mercado. Ao adquirir um reprodutor que passou por rigoroso julgamento das pistas e crivo técnico dos programas de melhoramento, o produtor comercial “importa” décadas de seleção para o seu rebanho, acelerando o melhoramento genético que levaria anos para ser alcançado de forma isolada.

O FUTURO É ÁGIL E PRODUTIVO

O Curso de Exterior e Julgamento de Zebuínos cumpre a missão de unir a ciência dos artigos técnicos à realidade prática das fazendas. Profissionais como Pedro Prata, André Santos, João Ávila, Clarinha e Túlio Araújo saem de Uberaba com a visão calibrada para identificar os animais que sustentam o crescimento do PIB nacional.

Prata, veterinário

O jurado efetivo da ABCZ Túlio Araújo, desde pe-

Em um cenário onde a eficiência por hectare é a regra de ouro, o Zebu moderno se destaca como a solução mais equilibrada. Com técnica, critério e foco em resultados, a seleção assistida garante que o protagonismo do Brasil no agronegócio mundial não seja apenas uma posição, mas uma evolução constante, safra após safra.

Pedro

Colégio de Jurados: ponto

de encontro da renovação e tradição

No palco da ExpoZebu, os julgamentos das raças zebuínas revelaram a sabedoria ímpar de quem comandou um dos momentos mais aguardados do ano

Breno Cordeiro

Fotos: ABCZ

No coração do Parque Fernando Costa, um lugar representa o que há de mais incrível no mundo do Zebu. O Recinto de Avaliação das Raças Zebuínas Torres Homem Rodrigues da Cunha é mais do que um palco onde se conhecem os melhores exemplares de cada uma das raças –é um ponto de encontro que concentra os especialistas mais indicados para julgar, com precisão e embasamento técnico, aqueles animais que merecem destaque absoluto.

Tomaz de Paula Melo, uma nova geração de profissionais na avaliação zootécnica

É ali que, diante de um público atento que esperou o ano inteiro para assistir ao espetáculo, se definem referências e tendências. Sobretudo, é ali que se desenham os rumos da pecuária zebuína.

Quando o assunto é ExpoZebu, é nesse cenário

que atua o Colégio de Jurados das Raças Zebuínas (CJRZ) da ABCZ. Formado por profissionais selecionados com rigor, o órgão é um dos pilares mais fundamentais do sistema que sustenta a filosofia do melhoramento genético do Zebu em nível mundial, desenvolvido pela ABCZ com maestria desde os primórdios da associação.

O Colégio reúne a experiência de campo, o conhecimento técnico e a responsabilidade institucional para conduzir uma das tarefas mais estratégicas: identificar, entre os melhores exemplares, aqueles que realmente representam o avanço da produção e que têm as condições de estabelecer os padrões raciais que alimentarão o mundo do futuro.

“É através das exposições e dos julgamentos que os criadores têm a oportunidade de expor o trabalho que é realizado nas propriedades e comparar com o trabalho de outras propriedades. O CJRZ tem um papel fundamental nesse processo, visto que ele é o órgão responsável pela regulamentação e pela formação dos profissionais altamente qualificados para o exercício da função e que influenciam a condução do melhoramento genético nas diversas propriedades. Hoje, o CJRZ conta com 176 jurados efetivos ativos em todo o Brasil e no exterior, além de 211 auxiliares em formação”, explica Mauro Bueno, gerente do Departamento de Programas Técnicos e Fomento da ABCZ e coordenador do Colégio de Jurados.

Na 91ª edição da ExpoZebu, o Colégio se apresentou como um retrato fiel da própria pecuária: um equilíbrio entre a experiência da tradição e o ar fresco da renovação, somando vivência acumulada e novos olhares e, ainda, ampliando fronteiras com a participação de jurados internacionais.

compromisso com a credibilidade. Nosso papel não é escolher o animal mais bonito, e sim aquele mais completo, que reúna de fato funcionalidade, produtividade, características raciais bem definidas e eficiência dentro do sistema de produção.”

A expectativa é encontrar em pista um nível elevado de qualidade, reflexo direto da evolução genética promovida pelos criadores.

Recém-integrado ao CJRZ, Tomaz de Paula Melo simboliza o ingresso de uma nova geração de profissionais na avaliação zootécnica. Seu entusiasmo é proporcional ao peso da responsabilidade que assume.

“É a realização de um sonho antigo. Estar no Colégio significa poder contribuir de forma ainda mais ativa para a melhoria do Zebu, ao lado de profissionais que sempre admirei e que hoje tenho a satisfação de chamar de colegas”, comemora.

Atuando como jurado assistente da raça Guzerá nesta edição, Tomaz encarou a ExpoZebu como um marco em sua trajetória. Não apenas pelo prestígio do evento, mas pelo significado da atribuição.

“O julgamento exige critérios bem definidos e

“A pista da ExpoZebu é o grande palco da pecuária nacional. Estar ali é um privilégio, mas também uma oportunidade de mostrar um trabalho alinhado com as demandas reais do setor”, destaca, aludindo à importância de se unir funcionalidade com padrão racial. E, se a renovação traz novas perspectivas, a experiência garante consistência. Nesse contexto, poucos nomes traduzem esse equilíbrio como Izarico Camilo Neto. Membro do Colégio desde 2008 e com mais de duas décadas de atuação técnica, Izarico construiu uma trajetória marcada pela vivência prática e pelo aprofundamento no julgamento das raças zebuínas, no Brasil e no exterior.

“Fazer parte do Colégio é uma conquista para poucos. É uma honra muito grande, mas também uma responsabilidade enorme”, aponta.

Para ele, o impacto do trabalho do jurado ultrapassa os limites do recinto de avaliação. “Quando entramos em um recinto de avaliação, estamos, de certa forma, direcionando a seleção de inúmeros criadores. Nossas decisões acabam servindo como referência para a pecuária de um país”, explica, deixando claras não só a importância do trabalho como as consequências de cada decisão.

Esse nível de responsabilidade exige mais do que conhecimento técnico formal. “O jurado precisa

Izarico Camilo Neto: experiência garante consistência e equilíbrio

ter ética, sensibilidade e, principalmente, experiência de campo. É na prática que se entende qual biotipo realmente funciona, qual animal entrega desempenho produtivo”, revela o jurado.

Mesmo sem atuar diretamente nesta edição, Izarico destaca o simbolismo único da ExpoZebu. “Julgar em Uberaba é o auge da carreira. Quando se pisa naquela pista, a sensação é de estar em um ambiente à parte, onde tudo gira em torno da avaliação. Todo o resto desaparece”, conta.

PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS

O mexicano Gregorio Oropeza Guillen é o responsável pelo julgamento da raça

A presença de jurados estrangeiros na ExpoZebu amplia o alcance técnico da feira e fortalece o intercâmbio de conhecimento entre diferentes realidades produtivas. Em 2026, essa dimensão ganhou destaque com a atuação de profissionais como o mexicano Gregorio Oropeza Guillen e o boliviano Fernando Baldomar.

Responsável pelo julgamento da raça Indubrasil, Gregorio destaca o significado institucional de integrar o quadro da ABCZ. Para ele, trata-se de um reconhecimento construído ao longo de anos de formação.

“É uma honra e, ao mesmo tempo, uma grande responsabilidade. Cada decisão impacta diretamente o progresso genético das raças, por isso deve ser baseada em padrões raciais bem definidos, funcionalidade produtiva e critérios zootécnicos objetivos”, comente, em concordância com seus colegas brasileiros.

Sua atuação na ExpoZebu envolveu não apenas a avaliação de animais de elite, mas também a interação com criado-

res, técnicos e pesquisadores de diferentes países. Nesse contexto, o objetivo foi claro: selecionar exemplares superiores que contribuam para o melhoramento genético, promover eficiência produtiva e fortalecer a credibilidade do sistema de julgamentos.

Já Fernando Baldomar, que atuou no julgamento da modalidade Modelo Frigorífico, enfatiza o caráter único da experiência.

“Participar da ExpoZebu foi algo diferente. É a principal feira de zebuínos do mundo, e estar na área técnica faz com que a responsabilidade seja ainda maior.”

Para ele, a feira também representa uma oportunidade de observar de perto a evolução das raças e compartilhar conhecimento com profissionais de diferentes continentes. “A troca de critérios e experiências entre técnicos e criadores torna o ambiente ainda mais rico e contribui para o avanço da pecuária em nível internacional”, esclarece.

Fernando Baldomar, que atuou no julgamento da modalidade Modelo Frigorífico

Na ExpoZebu, assim como em outras feiras do setor, cada animal premiado passa a representar um conjunto de atributos desejáveis, seja equilíbrio, estrutura, funcionalidade e/ou produtividade, que influenciam diretamente as decisões dos criadores e os rumos dos programas de melhoramento.

Assim, o Colégio de Jurados atua como guardião de critérios técnicos e como agente de transformação. A combinação entre experiência, renovação e diversidade de visões fortalece a qualidade das avaliações e garante que o sistema acompanhe e ajude a trilhar a evolução da pecuária.

Nelore Pelagens: da resistência ao protagonismo nas

pistas e nos leilões

Da origem na Índia à consolidação no Brasil, as pelagens ganham espaço no padrão racial, nos programas de melhoramento e no mercado

Thaís Ferreira

Fotos: ABCZ / Flávio Venâncio / Arquivo Pessoal

Por muito tempo, fugir do padrão tradicional significava ficar à margem. No caso da raça Nelore, isso incluía também as cores. Hoje, no entanto, animais de pelagens preta, vermelha e pintadas ganham espaço nas pistas de julgamentos, nos leilões e nos programas de melhoramento, consolidando uma trajetória que começou há quatro décadas.

Embora muitos associem o Nelore Pelagens a um movimento recente, sua origem é bem mais antiga e está diretamente ligada à própria formação da raça. A variabilidade de cores, muitas vezes vista como exceção no Brasil, tem raízes no país de origem do Nelore.

Para entender como essa variabilidade genética foi incorporada ao rebanho brasileiro e, ao longo dos anos, passou de exceção a referência dentro do padrão racial, a reportagem ouviu Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges, o Arnaldinho, presidente da ABCZ. Reconhecido como um dos maiores conhecedores de Zebu da atualidade e uma das vozes mais influentes da pecuária zebuína mundial, ele acompanhou de perto os principais movimentos que levaram ao reconhecimento dessas pelagens.

“Na Índia, essas pelagens já fazem parte da variabilidade natural da raça, incluindo animais brancos, manchados, pretos e vermelhos”, explica Arnaldo.

No Brasil, esse material genético começou a se manifestar a partir de linhagens importadas, como o touro Guarujá, Campeão Nacional da ExpoZebu, que já produzia descendentes com essas variações. No Triângulo Mineiro, criadores como Rodolfo Machado Borges e Neco Andrade foram pioneiros na identificação e valorização dessas pelagens.

Parte desses animais seguiu para o então Mato Grosso, especialmente para a região de Maracaju, onde novos núcleos foram formados. Ao mesmo tempo, criatórios no Rio de Janeiro e na Bahia também se destacavam, principalmente com o Nelore com a pelagem vermelha.

Apesar dessa base consistente, o caminho até o reconhecimento não foi imediato. Até os anos 1990, os padrões raciais eram mais rígidos e não contemplavam essas variações nos registros oficiais.

A primeira tentativa de reconhecimento, em 1983, não avançou dentro da comissão da raça. “Levei a pro-

posta para a reunião do Conselho Deliberativo Técnico (CDT) da ABCZ, para que os animais dessas pelagens fossem registrados no Livro Aberto, mas não foi aprovado pela comissão do Nelore”, relembra Arnaldo.

A orientação para o novo encaminhamento veio logo depois, em um movimento que seria decisivo para o reconhecimento das pelagens. “Após essa reunião, o Dr. Noel Sampaio me disse: ‘Arnaldo, faça igual eu fiz com o Nelore Mocho’. Ele contou que também tinha sido vetado na primeira tentativa e que só conseguiu a aprovação quando apresentou como variedade. Segui essa orientação e, em 1984, levei como Nelore variedade de pelagens. Aí, foi aprovado.”

A aprovação permitiu o início dos registros oficiais. Os primeiros animais registrados marcaram esse momento histórico: a matriz Pintora da Café e o reprodutor Pintor da Café receberam o número 1, enquanto o registro número 2 foi reservado à Fazenda Indiana, em reconhecimento ao seu pioneirismo com a pelagem vermelha.

Com o tempo, a classificação dessas pelagens também evoluiu dentro do padrão da raça. “Com a consolidação dos plantéis e a comprovação de desempenho, essas pelagens foram reclassificadas de permissíveis para ideais dentro do padrão racial”, explica.

Essa mudança acompanha uma transformação maior na própria seleção do Nelore. Com a limitação de novas importações, a última entrada de animais da Índia ocorreu em 1962, tornou-se essencial aproveitar todo o material genético disponível.

Na prática, os resultados confirmam essa decisão. Animais de pelagens apresentam fertilidade, qualidade de carcaça e desempenho produtivo equivalentes aos do Nelore tradicional. Um diferencial frequentemente observado está na habilidade materna. “Há uma recorrência na observação de boa habilidade materna, especialmente na produção de leite das fêmeas dessas pelagens”, pontua.

A consolidação também se reflete no mercado. Leilões específicos vêm registrando resultados expressivos e a participação em julgamentos cresce a cada ano. “O desempenho comercial desses animais

Pintor da Café: símbolo do início do reconhecimento oficial das pelagens no Nelore brasileiro

tem sido consistente, com valorização crescente em leilões especializados”, destaca.

Esse avanço também se traduz em reconhecimento institucional. Em 2023, durante a 88ª ExpoZebu, a ABCZ criou uma classe específica de julgamento para o Nelore Pelagens, avaliada separadamente do Nelore e do Nelore Mocho. “A separação dos julgamentos contribui para o desenvolvimento técnico dos criadores e para a melhor apresentação dos animais em pista”, explica.

No ano seguinte, a Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB) instituiu o Ranking Nacional Nelore Pelagens, ampliando uma trajetória consolidada de mais de 30 anos dos rankings da raça. Na 91ª ExpoZebu, a expectativa é de cerca de 400 animais dessas pelagens em pista.

Outro sinal claro de maturidade é a adesão de criadores tradicionais, que passaram a utilizar touros de pelagem em seus rebanhos. Com o registro genealógico, esses animais também passaram a integrar o PMGZ, ampliando as avaliações e acelerando o ganho genético ao longo das gerações.

Além dos números e indicadores, há um fator que chama atenção de forma imediata: o visual. “Trata-se de uma característica que agrega valor também do ponto de vista visual, sem comprometer os parâmetros produtivos”, observa.

Atuação do médico-veterinário na pecuária de elite: Integração entre clínica, reprodução e tecnologias emergentes

Médica-veterinária e professora da Fazu

A pecuária de elite tem apresentado avanços expressivos nas últimas décadas, impulsionados pelo melhoramento genético, pelas biotecnologias e pela crescente valorização econômica dos animais. Nesse cenário, a atuação do médico-veterinário assume papel estratégico, sendo fundamental não apenas na manutenção da saúde animal, mas também na maximização da eficiência produtiva, reprodutiva e na preservação do patrimônio genético dos rebanhos.

Entre as ferramentas diagnósticas emergentes, destaca-se a termografia infravermelha, uma técnica não invasiva que permite a avaliação da temperatura superficial corporal, identificando alterações fisiológicas antes mesmo da manifestação clínica. Sua aplicação na medicina veterinária tem se expandido, especialmente na detecção de processos inflamatórios, distúrbios circulatórios e alterações reprodutivas. Quando associada ao exame andrológico, considerado padrão na avaliação de reprodutores, a termografia potencializa a capacidade diagnóstica, permitindo uma análise mais precisa da funcionalidade testicular e da fertilidade. Essa integração tecnológica representa um avanço significativo na seleção de reprodutores e na eficiência dos programas de melhoramento genético, sendo objeto de investigação no âmbito acadêmico e científico.

A trajetória profissional na medicina veterinária voltada à bovinocultura de elite exige constante atualização técnico-científica, aliada à experiência prática em campo. A atuação integrada nas áreas de clínica médica, cirurgia, necropsia e terapias integrativas permite uma abordagem mais assertiva frente aos desafios sanitários e reprodutivos, especialmente em animais de elevado valor econômico. Nesses casos, o diagnóstico precoce e a intervenção adequada são determinantes para o sucesso terapêutico e para a minimização de perdas.

Com destaque para a ozonioterapia, que apresenta propriedades antimicrobianas, anti-inflamatórias e imunomoduladoras, sendo aplicada em diferentes contextos clínicos e reprodutivos. Na bovinocultura, seu uso tem sido explorado em afecções uterinas, ci-

Fotos: Arquivo Pessoal
Paloma Coutinho

catrização de feridas, processos infecciosos e como terapia complementar em protocolos reprodutivos. Embora ainda demande maior padronização e ampliação de evidências científicas, a ozonioterapia se mostra uma ferramenta promissora, especialmente quando utilizada de forma criteriosa e associada às práticas convencionais.

Outro aspecto de grande relevância na pecuária de elite é a realização de necropsias em animais de alto valor zootécnico, sobretudo aqueles cobertos por seguro. A necropsia constitui um procedimento essencial para a determinação da causa mortis, fornecendo subsídios técnicos para a tomada de decisões sanitárias, além de respaldo legal e econômico aos proprietários e seguradoras. A execução adequada desse procedimento requer conhecimento técnico aprofundado, rigor metodológico e capacidade interpretativa.

Dessa forma, a atuação do médico-veterinário na pecuária de elite transcende o modelo tradicional de atendimento clínico, incorporando tecnologias inovadoras, abordagens terapêuticas complementares e uma visão sistêmica da produção animal. A integração entre conhecimento científico, prática profissional e inovação tecnológica é fundamental para garantir a sustentabilidade, a produtividade e a valorização dos rebanhos de alto padrão genético. Nesse contexto, o profissional veterinário se consolida como agente essencial no desenvolvimento da pecuária moderna, contribuindo diretamente para a evolução do setor.

Uso da termografia infravermelha é uma técnica inovadora que vêm ganhando espaço na bovinocultura de elite

INTEGRAÇÃO ENTRE ACADEMIA E MERCADO

Paloma Coutinho é médica-veterinária (2013 a 2017) e atua na bovinocultura de elite. É pós-graduada em clínica médica, cirúrgica e anestesia e mestre (2020 a 2022) pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), com aprofundamento em cirurgia veterinária. Atualmente, é doutoranda pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pesquisa focada na aplicação da termografia infravermelha associada à avaliação andrológica de bovinos. O projeto conta com a parceria de importantes instituições do mercado de elite — Fazu (Faculdades Associadas de Uberaba), EPAMIG ( Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais) e ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu). Paralelamente à formação acadêmica, atua no atendimento clínico e reprodutivo de fêmeas e machos de alto valor genético, com ênfase na utilização da ozonioterapia, além da realização de necropsias em animais assegurados.

Referências

DIAS, G.; ANDRADE, D. FACULDADE DE EDUCAÇÃO E MEIO AMBIENTE. [s.l: s.n.]. Disponível em: <https://repositorio.unifaema.edu.br/bitstream/123456789/2984/1/TCC%20GISLAINE%20FINALIZADO.pdf>. Acesso em: 25 mar. 2026.

Dhami, Arjun J. et al. Effect of heat stress on sperm production, oxidative markers and their association in native breeding bulls. Indian Journal of Veterinary Sciences and Biotechnology, v. 17, p. 39-44, 2021.

AURÉLIO TORRECILLAS STURION, Marco; LEITE FOGAÇA, Jéssica; DE CAMPOS VETTORATO, Michel; MARIA VASCONCELOS MACHADO, Vânia. TERMOGRAFIA INFRAVERMELHA EM MEDICINA VETERINÁRIA – HISTÓRICO, PRINCÍPIOS BÁSICOS E APLICAÇÕES. Veterinária e Zootecnia, Botucatu, v. 27, p. 1–20, 2020. DOI: 10.35172/rvz.2020.v27.473. Disponível em: https://rvz.emnuvens.com.br/rvz/article/view/473. Acesso em: 24 mar. 2026.

BERNARDY, M. et al. Exame andrológico em touros: aplicações práticas. Revista Brasileira de Buiatria - RBB, v. 1, n. 3, p. 60–81, 2022.

COSTA, Cleber Nonato Macedo; AQUINO, Liliane Portilho de; ROCHA, Josiane Souza da; SILVA, Caroline Vanessa Pinto da; PINTO, Rosangela da Silva; CORREIA, Wellen Cardoso. OZONIOTERAPIA ENQUANTO PRÁTICA INTEGRATIVA E COMPLEMENTAR. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, [S. l.], v. 9, n. 9, p. 4291–4300, 2023. DOI: 10.51891/rease.v9i9.11525. Disponível em: https:// periodicorease.pro.br/rease/article/view/11525. Acesso em: 25 mar. 2026.

Quem passa na prova do PNAT?

Antes de chegar às centrais de inseminação e aos rebanhos comerciais, tourinhos passam por um dos sistemas mais completos de avaliação de reprodutores do país

Kelle Monik

Fotos: ABCZ / André Santos

Alguns dos touros que, no futuro, poderão influenciar milhares de rebanhos brasileiros passam antes por um ambiente muito específico. Não se trata da pista de julgamento ou central de inseminação, mas de uma etapa complementar e altamente controlada de avaliação.

O espaço técnico é onde jovens reprodutores são acompanhados por meses em aspectos como consumo alimentar, ganho de peso, estrutura corporal e características de carcaça. O Programa Nacional de Avaliação de Touros Jovens (PNAT), conduzido pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, funciona como uma “sala de testes” da genética zebuína.

Mais do que selecionar bons animais, o objetivo é identificar, com base em dados concretos, quais indivíduos realmente reúnem atributos capazes de impactar a pecuária de corte em larga escala.

“Nós trabalhamos com a ideia de um filtro técnico”, explica Paulo Martins, supervisor de Provas Zootécnicas da ABCZ. “Os animais são selecionados para

o programa através de avaliações genéticas muito consistentes, o que nos permite observar a expressão de todo esse potencial na prática”.

A base dessa seleção começa ainda antes da entrada dos animais na prova.

A partir das avaliações do Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ), são identificados touros com desempenho genético superior para características produtivas. Na sequência, esses animais passam por uma etapa criteriosa de pré-seleção e inspeções técnicas nas propriedades de origem e, só então, seguem para a fase presencial do programa, realizada na estrutura da Faculdades Associadas de Uberaba (FAZU), em Uberaba.

Em 2026, o cronograma já está em andamento. Após o período de adaptação dos animais à Fazu, realizado em abril, teve início o Teste de Desempenho e Eficiência Alimentar (TDEA), etapa central da avaliação, que se estende pelos meses seguintes e concentra a coleta dos principais dados zootécnicos do programa.

O QUE CAI NA PROVA:

Ganho Médio Diário (GMD - kg/dia)

Indica o ganho de peso médio diário, demonstrando a capacidade do animal de converter alimento em tecido corporal.

Consumo Individual de Alimento (CMS - kg/dia)

Mede a quantidade de matéria seca consumida diariamente, base para cálculos de eficiência e desempenho.

Consumo Individual de Água (litros/dia)

Indicador fisiológico essencial para monitorar a saúde e o bem-estar animal.

Eficiência Alimentar

Relaciona o ganho de peso ao consumo de alimentos. Aponta animais que produzem mais quilos de carne com a mesma quantidade de dieta.

Consumo Alimentar Residual (CAR)

Diferença entre o consumo real e o consumo esperado para determinado peso e ganho. Valores negativos indicam animais mais eficientes (comem menos que o esperado para produzir o mesmo).

Avaliação Visual (EPMURAS)

Método que pontua Estrutura, Precocidade, Musculosidade, Umbigo, Raça, Aprumos e Sexualidade, buscando funcionalidade e padrão racial.

Perímetro Escrotal (cm)

Indicador de precocidade sexual e fertilidade, correlacionado positivamente com a idade à puberdade das filhas.

Medidas Morfométricas

Avaliam proporções corporais (altura, comprimentos e larguras), essenciais para análise de biotipo e estrutura.

Área de Olho de Lombo (AOL - cm²)

Medida da seção transversal do músculo longissimus dorsi, utilizada como o principal indicador de musculosidade e rendimento de cortes nobres. Espessura de Gordura Subcutânea (EGS - mm): Indica o grau de acabamento da carcaça, fundamental para a qualidade da carne (marmorização e suculência) e proteção térmica no resfriamento.

Genética: ICF, o decisivo e desconhecido índice produtivo

Eu, pecuarista que viveu o “boi sanfona” e o Brasil importador de carne (até, dizem, carne radioativa de Chernobyl), me ufano de orgulho pela potência pecuária que nos tornamos. E não apenas eu, mas a comunidade pecuária se orgulha de sermos os maiores produtores e exportadores de carne bovina do mundo.

Entretanto, as transformações que expandiram a produção também reduziram drasticamente a sua margem, exigindo do pecuarista a aplicação de novas tecnologias e novíssimas competências para se manter competitivo.

A busca incessante de um modelo produtivo que contemplasse maior quantidade com lucratividade delineou e consolidou algumas tendências de incremento de produtividade dentro da porteira, como gestão, mão de obra, saúde animal, nutrição, ILP, lavoura de pasto, colheita de pasto, manejo racional, economia circular e, principalmente, genética.

Inegavelmente, o desenvolvimento da genética bovina no Brasil é um formidável case mundial de sucesso. Os estudos aplicados à raça mãe, a Nelore, a transformaram para melhor de modo inimaginável e, também, motivaram trabalhos de melhoramento nas outras raças que compõem a pecuária brasileira, com sucesso.

Pecuarista, pesquisa e associações, juntos, desenvolveram programas de seleção que norteiam e balizam a qualidade genética, gerando uma miríade de índices, por vezes incompreendidos. Merece destaque haver respeitável distância entre o gigantesco potencial produtivo da genética disponível no mercado e o desempenho nanico do desfrute pecuário nacional. Sim, somos os maiores, mas não somos os melhores: nosso desfrute geral é medíocre. Cumpre perguntarmos o porquê disso, dado possuirmos genética altamente adaptada e produtiva, superior, ou, ao menos, equivalente às melhores do mundo.

Parte da resposta, entrave velho conhecido, é o arraigado hábito da “economia da porcaria” de utilizar bois de boiada como touros reprodutores ou, ainda, sêmen desconectado com a realidade das matrizes que irão recebê-lo e dos objetivos buscados. Sobre a outra parte da resposta, creio dever-se à não observância do Índice ICF, provavelmente o mais importante quando da escolha genética.

O ICF, Índice de Cumprimento dos Fundamentos, cabe ao pecuarista. É o índice que mede a disposi-

ção do adquirente em oferecer à genética escolhida as condições necessárias para a sua total manifestação. Gestão da propriedade e de pessoas, seleção das matrizes, protocolo preventivo de saúde animal, nutrição estratégica para cada classe animal, acompanhamento individual das reses, ILP, rebanho e pastos conduzidos como lavoura, colheita de forragem com timing perfeito, manejo racional, processos de economia circular… cada uma dessas práticas e o seu conjunto, concomitante e customizado, é parte que cabe ao fazendeiro, e tem por finalidade proporcionar ao potencial genético a sua completa manifestação.

Esse índice não é encontrado nos catálogos de touros e sêmen. Exige, para sua identificação, exame cuidadoso e honesto da capacidade própria de promover aprimoramento e ajustes constantes no sistema produtivo. Não é simples, nem fácil, praticar a autocrítica, mas é o âmago de todas as transformações relevantes. A genética é a mais fantástica ferramenta de alavancagem da produtividade, mas, infelizmente, pouco pode fazer sozinha. O ICF, índice que mensura a disposição do pecuarista de cumprir os fundamentos produtivos, continua sendo indispensável e, insubstituível.

A boa notícia é que a pecuária “do futuro”, competitiva, ultraprodutiva e lucrativa em qualquer ciclo, finalmente chegou. A má notícia é que a pecuária fácil acabou.

Foto: Arquivo
Pessoal

Como o Brasil chegou ao topo da carne mundial

Depois de décadas de hegemonia americana, o cenário é inédito

A informação repercutiu na imprensa econômica internacional e ganhou destaque no Brasil por marcar o ponto mais alto e natural de uma trajetória única. “A liderança não é circunstancial, é consequência de um processo de mais de um século”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Zebu, Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges. Em 2025, o Brasil produziu cerca de 12,4 milhões de toneladas de carne bovina, superando os Estados Unidos, com pouco mais de 11,8 milhões, e a China, com 7,8 milhões.

Parte desse desempenho está ligada a uma fase específica do ciclo pecuário, marcada pela maior participação de fêmeas nos abates em 2025, o que ampliou a oferta de carne no curto prazo e impulsionou os volumes recordes.

“Tivemos abates que foram os maiores da história da pecuária brasileira”, afirma Felipe Fabbri, analista de mercado da Scot Consultoria. “Além disso, os Estados Unidos enfrentam redução de oferta nos últimos quatro anos. O rebanho encolheu, a produção caiu, e isso contribuiu para essa mudança de posição em 2025. Foi algo pontual? Em parte, sim, mas há uma

tendência quando consideramos o aumento do peso médio de carcaça no Brasil na última década”.

Ainda assim, o analista pondera que o ritmo tende a perder força. Com a recomposição dos rebanhos, produtores passam a reter mais matrizes, reduzindo o volume de abates no curto prazo. “A retenção deve se sustentar. Até 2028, pelo menos no primeiro semestre, devemos ter um efeito conjuntural com menor participação de fêmeas nos abates”, projeta.

A leitura é reforçada pelo assessor técnico da Comissão Nacional de Bovinocultura de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rafael Ribeiro de Lima Filho, que também aponta para um ajuste no curto prazo, mas mantém uma visão positiva no horizonte.

“Saímos de quase 28 milhões de abates, em 2021, para 42 milhões em 2025, com impulso forte da demanda, principalmente, da China, que exigiu um gado mais jovem e acelerou o uso de tecnologia, genética e intensificação da produção”, afirma.

O avanço tem efeito direto sobre a oferta futura. “Essa maior participação de fêmeas indica descarte de matrizes. São animais que deixam de produzir bezerros, o que deve gerar uma menor oferta nos próximos anos”, explica. “Para 2026, a produção deve ser menor que em 2025, justamente por esse movimento do ciclo pecuário”, avalia. Ainda assim, ele reforça a tendência futura. “Pontualmente, a gente pode perder a liderança, mas, no longo prazo, o Brasil deve se consolidar como o maior produtor de carne bovina do mundo”.

Asbia: exportações de carne bovina do Brasil devem superar média global em 2023

da produção fica no mercado interno e 35% de excedente vão para exportação. Essa participação vem crescendo, puxada pela demanda global”, explica.

O MERCADO EXTERNO CUMPRE PAPEL ESTRATÉGICO

“A pecuária brasileira avançou de forma decisiva em genética, manejo e intensificação”

Para o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, o momento é “resultado de um processo consistente”. Ano passado, além da produção, o país liderou também as exportações globais, com mais de 4 milhões de toneladas embarcadas no ano. Austrália, Índia e os próprios Estados Unidos apareceram na sequência.

Essa retomada posterior defendida pelos especialistas é sustentada, também, pela crescente inserção internacional da carne nacional. “Hoje, cerca de 65%

“A pecuária brasileira avançou de forma decisiva em genética, manejo e intensificação, com ferramentas como a inseminação artificial em tempo fixo (IATF) e sistemas integrados, como a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF)”, aponta.

Foto: Marcos Ribeiro
Foto: Divulgação

SALTO

TECNOLÓGICO TEM BASE CONSOLIDADA E, SOBRETUDO,

TROPICAL

A Embrapa é peça central nesse processo, ao desenvolver soluções adaptadas às condições do país e transferi-las para o campo. Para o diretor-executivo da instituição, Clenio Pllinio, o Brasil reúne hoje um conjunto raro de condições produtivas e ambientais que sustentam essa liderança no futuro.

Um dos pilares está na capacidade de expandir a produção sem avançar sobre novas áreas. “O Brasil tem área suficiente. O programa de conversão de pastagens degradadas é uma grande política pública, com o desafio de incorporar milhões de hectares ao processo produtivo”, afirma.

Ele chama atenção para o que considera o trunfo brasileiro: a combinação entre espaço disponível e tecnologia.

“Qual país no mundo consegue incorporar 4 milhões de hectares por ano? O Brasil consegue. E sem abrir novas áreas, sem derrubar florestas. Temos genética de forrageiras, de solo e animal de referência global. É uma tecnologia adaptada aos trópicos, que permite aumentar produção e produtividade, incorporando também novas exigências, como saudabilidade e balanços ambientais favoráveis”, diz.

Esse conjunto, segundo ele, projeta o país para um novo patamar de inserção internacional, mais qualificado. “Isso leva o Brasil a um protagonismo crescente, ocupando mercados mais exigentes”, finaliza.

Hoje, o país exporta para mais de 170 destinos, consolidando uma presença global diversificada.

MAIS EM MENOS

Na prática, o país não apenas deixou de expandir, como passou a reduzir sua área de pastagens. As projeções indicam menos de 150 milhões de hectares em 2025, frente aos cerca de 180 milhões registrados nos anos 2000.

“No Brasil, ainda existe um modelo extensivo baseado em pastagens, muitas vezes degradadas, que historicamente se sustentou pela expansão de área. Esse modelo vem sendo abandonado”, reforça o superintendente técnico da Associação Brasileira de Criadores de Zebu, Luiz Antonio Josahkian.

Segundo ele, a pressão por eficiência acelerou a adoção de tecnologia.

“Recuperação de pastagens, suplementação nutricional e genética superior formam um novo padrão produtivo, mais intensivo e tecnificado, que substitui o modelo extrativista”, afirma. Um pacote que inclui genética, nutrição, sanidade e manejo.

“O grande diferencial do Brasil é produzir carne com base em pastagens. Áreas bem manejadas podem sair de menos de uma unidade animal por hectare para até 3,6. É um ganho expressivo sem expandir área”, destaca.

Além do ganho produtivo, o sistema também apresenta efeitos ambientais positivos.

“Pastagens tropicais sequestram carbono continuamente. Quando analisamos o sistema como um todo, o balanço de emissões é positivo”, conclui.

Foto: Rubens Ferreira
CARNE

Mundo em paz com a carne brasileira

Vivemos um período tão complexo no mundo contemporâneo que alguns analistas alcunharam este tempo de “Era da Desordem”. As incertezas se avolumam perigosamente quanto ao futuro, a um nível que beira ameaças à paz universal.

Boa parte dessa condição é fruto da falência das organizações multilaterais criadas após a Segunda Guerra Mundial, exatamente para garantir regras para o desenvolvimento harmonioso da Humanidade. Mas esta situação de incertezas já dura alguns anos. Sem o funcionamento da ONU e suas instituições coligadas, como a FAO, a OMC ou a OMS, por exemplo, cada governo ao redor do mundo faz o que lhe parece mais conveniente, inclusive invasão de países “incômodos”, contrariando pressupostos de defesa de soberanias nacionais. E nada acontece, não existe reação contra tais deslizes.

Mas as coisas se complicaram dramaticamente a partir do ano passado, quando o governo americano iniciou uma sucessão de mudanças de caráter comercial, estabelecendo tarifas e ou barreiras comerciais de seu interesse, desequilibrando a geopolítica global.

O tema é tão desastrado que o economista-diplomata Marcos Troyjo propôs a revisão do conceito ESG criado para modelar as ações dos Estados para o desenvolvimento, sob o tripé da sustentabilidade: “E” seria Meio Ambiente em inglês; “S”, o interesse social e “G”, a governança. A ideia é mudar o tripé para: E, de economia; S, de segurança; e G, geopolítica. Esta “brincadeira intelectual” de Troyjo dá uma ideia das incertezas e da desordem mundial.

Mas, com ou sem incertezas, é preciso que haja paz no planeta Terra. E só haverá paz se houver comida para todo o mundo, que hoje é assaltado por quatro modernos Cavaleiros do Apocalipse: segurança alimentar; energia renovável; redução da desigual-

dade social e mitigação das mudanças climáticas. Estes quatro fantasmas têm que ser eliminados, ou não haverá paz. E quem fará isso será a agropecuária do cinturão tropical do planeta, composto pela América Latina, África subsaariana e parte da Ásia. É nesse território que existe terra à vontade para o aumento da área cultivada e a produtividade é muito baixa.

Mas, neste amplo cinturão tropical, o Brasil é o país que desenvolveu uma agropecuária tropical sustentável e competitiva, baseada em inovações tecnológicas. Portanto, cabe ao Brasil liderar os trópicos para produzirem comida e energia, gerando empregos e renda nos países pobres e cuidando do clima com ciência e tecnologia.

E, nessa missão dignificante, avulta o exemplo notável da produção de proteína animal, com ênfase para a pecuária de corte.

Os avanços deste setor essencial para a alimentação humana são extraordinários. De 1990 até este ano, segundo a Athenagro, a produção de toneladas equivalentes de carcaça no Brasil aumentou de 500 mil para 4,529 milhões – mais de 9 vezes mais! Nenhum outro país do mundo fez tanto. Nossos mais próximos competidores no setor (Austrália, Estados Unidos, Índia e Argentina) mal chegaram perto da metade destes números.

Com isso, saímos de aproximados 5,5% do total produzido no mundo para 16%! Somos o maior produtor de carne bovina do mundo! E hoje só exportamos 30% do que produzimos. Em 2025, por exemplo, exportamos 3,46 milhões de toneladas métricas de carne bovina, no valor de US$17,94 bilhões.

E vamos seguir crescendo e alimentando todas as populações, e destruindo a fome.

Para tanto, alguns temas, que já estão sendo implementados, serão potencializados, como a intensificação (mais UAs por hectare), a rastreabilidade, a integração lavoura-pecuária (em especial com a agroenergia de etanol e biodiesel, com o DDG e o farelo de soja), as cercas elétricas, o melhoramento genético do gado e das pastagens, a recuperação de pastagens degradadas, o uso da IA nos controles e a mecanização. Tecnologia e gestão integradas.

Ao garantir alimentos proteicos de qualidade para gente de todos os continentes, bem como energia renovável, cuidando do clima e gerando renda para os mais pobres, a pecuária de corte brasileira contribuirá de forma absolutamente essencial para nosso país ser o campeão mundial da segurança alimentar e, portanto, da paz. Quem viver, verá.

Zebu leiteiro:

ABCZ cria Certifi cado F1 Max para identifi car fêmeas com superioridade genética

Nova certificação fortalece o uso do cruzamento dirigido e amplia a valorização da genética zebuína no leite

Thaís Ferreira

Fotos: André Santos / ABCZ

A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) passou a emitir o Certificado F1 Max, iniciativa voltada à identificação de fêmeas F1 com superioridade genética e elevado potencial para produção de leite. O certificado reconhece animais resultantes do cruzamento entre raças zebuínas e taurinas, desde que atendam a critérios técnicos rigorosos.

“O Certificado F1 Max tem como objetivo valorizar a genética zebuína aplicada à pecuária leiteira, oferecendo ao mercado uma ferramenta confiável para a identificação de fêmeas mestiças com desempenho comprovado”, destaca o gerente de melhoramento genético do leite da ABCZ, Rafael Vizoná.

Para receber o certificado, a fêmea F1 deve possuir registro de Certificado de Controle de Genealogia (CCG) e ser proveniente de cruzamentos específicos, como Guzerá x Holandês (Guzolando), Guzerá x Jersey (Guzjer), Sindi x Holandês (Sindolando) e Sindi x Jersey (Sinjer), sem prejuízo de outros grupos genéticos que venham a atender os requisitos do regulamento.

Entre os critérios estabelecidos, está a exigência

de que pai e mãe apresentem PTA (Predicted Transmitting Ability) positiva para leite no ano de concepção do produto. Além disso, a matriz, mãe do animal F1, deve comprovar, por meio de Relatório Individual de Lactação (RIL) emitido sem pendências, pelo menos uma lactação com produção superior à média do seu sistema de produção no ano de secagem. Uma vez atingida essa qualificação fenotípica, ela passa a valer de forma permanente ao longo da vida da matriz, independentemente de lactações posteriores.

“A exploração da heterose na produção comercial já é um fato, uma vez que esse efeito genético, por si só, pode agregar aumentos de 10% a 20% na produção, decorrentes da heterozigose, que é a base genética da heterose. O F1 Max, além de garantir esse efeito, assegura que a genética aditiva melhoradora, outra importante fonte de ganhos, esteja presente naquele animal”, destaca o superintendente técnico da ABCZ, Luiz Antonio Josahkian.

“Na raça Sindi, por exemplo, nós temos o Sindolando, Sindi com Holandês e o Sinjer, Sindi x Jersey.

Portanto, o F1 Max chancela todo o trabalho do criador da porteira para dentro, valorizando esse produto. Não perca tempo, procure o técnico da ABCZ de sua região e saia na frente nessa evolução da pecuária leiteira nacional. Parabéns a ABCZ!”, comemora o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Sindi (ABCSindi), Orlando Procópio.

O primeiro registro com Certificado F1 Max foi realizado durante a ExpoZebu 2026. “Mesmo ano que a ACBG comemora seus 70 anos de atividades em defesa dos criadores e dessa raça espetacular que melhora absolutamente tudo o que cruza. A Associação dos Criadores de Guzerá e Guzolando do Brasil trabalhou com a área técnica da ABCZ para pensar no melhor produto que entregará ao mercado a segurança com origem leiteira zebuína”, pontua o vice-presidente da Associação dos Criadores de Guzerá e Guzolando do Brasil, Eros Gazzinelli.

METODOLOGIA

A média de produção utilizada como referência será calculada a partir dos sistemas de produção previstos no Regulamento do Serviço de Controle Leiteiro da ABCZ, divididos entre Sistema Básico e Sistema Potencializado. Essa classificação considera diferentes regimes alimentares, incluindo sistemas a pasto, confinamento, produção orgânica e uso de tecnologias como ocitocina e somatotropina bovina recombinante (bST). Para garantir maior precisão, lactações consideradas outliers serão desconsideradas no cálculo das médias.

dos como F1 Max deverão receber marcação na perna direita, acima da série única, com marca exclusiva definida pela entidade.

Criadores interessados na emissão do Certificado F1 Max devem entrar em contato com a ABCZ. Os certificados trarão informações sobre a avaliação genética dos progenitores do produto F1, além das chancelas da ABCZ e, quando houver manifestação, da associação promocional da raça zebuína envolvida no cruzamento. As taxas para emissão do certificado serão definidas pela diretoria da ABCZ.

NOVA MARCA

O logo e a identidade visual do Certifi cado F1 Max foram desenvolvidas pela agência Fórmula P, liderada pelo publicitário Paulo Fernando. “O símbolo traduz, de forma visual e contemporânea, a essência do programa: a convergência entre tradição e inovação na pecuária leiteira. A união do Z, que remete ao Zebu, com o X, símbolo do cruzamento, dá origem a um ícone forte e equilibrado, que representa a harmonia entre a genética zebuína e o avanço do melhoramento genético por meio dos cruzamentos dirigidos”, explica.

A ABCZ será responsável pela atualização periódica da lista de fêmeas aptas a produzir descendentes elegíveis ao Certificado F1 Max. Os animais identifica-

A F1 Max passa a integrar o conjunto de marcas da ABCZ voltadas à identificação de animais com desempenho comprovado. “Quando o produtor vê no campo um animal Guzolando, Sindolando, Sinjer ou Guzjer com essa marca ele pode ter certeza de que as bases genéticas dele foram muito bem construídas pela elaboração desse indivíduo e ele pode ter uma segurança de que ele tinha esse animal que vai corresponder a sua produção no campo, no dia a dia”, finaliza Rafael Vizoná.

Foto: Zzn
Peres

Leite global: como o Zebu brasileiro conquista o mundo

Ciência e genética aplicadas ao campo desenham a geografia da pecuária leiteira, com o Brasil no centro do mapa

Da Ásia ao Oriente Médio, passando pela África e pela América Latina, o leite de Zebu produzido no Brasil (e, sobretudo, a genética que está na sua origem) vem ganhando cada vez mais protagonismo em escala global.

Nos últimos anos, o avanço das exportações e o interesse crescente por material genético brasileiro evidenciam um movimento consistente de internacionalização. Um processo que posiciona o país não apenas como fornecedor de lácteos, mas como referência em tecnologia tropical aplicada à pecuária.

Em 2025, os embarques do leite produzido aqui registraram crescimento expressivo, com destaque para mercados que ampliaram significativamente sua participação. China e Hong Kong passaram a liderar esse movimento, com aumento superior a 300% no volume importado. A Argélia, tradicional compradora, mantém sua relevância estratégica, especialmente na aquisição de leite em pó.

Outros mercados consolidados, como Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos e Filipinas, completam um cenário que demonstra diversificação e crescente inserção internacional. As informações foram compiladas pela Rural Business, a partir de estatísticas fornecidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Esses dados indicam uma mudança de percepção: o leite brasileiro de Zebu é reconhecido por sua qualidade, regularidade e competitividade em diferentes contextos produtivos e realidades climáticas.

DE VOLTA À ORIGEM

Se o crescimento das exportações de lácteos chama atenção, é na genética que se observa o movi-

mento mais emblemático e historicamente significante. O fluxo de material genético zebuíno brasileiro em direção à Índia simboliza, ao mesmo tempo, reconhecimento técnico e um reencontro histórico.

Berço do Zebu e raiz de toda a zebuinocultura brasileira, a Índia (hoje, o maior produtor de leite do mundo) busca no Brasil soluções para elevar a produtividade de seu rebanho. O resultado é um movimento inédito: a genética brasileira, desenvolvida ao longo de décadas de seleção, retorna ao país de origem com alto valor agregado.

Recentemente, o Brasil realizou exportações recordes de sêmen de Gir Leiteiro, com um único lote de 40 mil doses, além de iniciar o envio de embriões; é um marco na internacionalização da genética nacional e da tecnologia a serviço da disseminação da produção de alimentos.

Esse movimento também se consolida na América Latina, com países como Colômbia, Equador, México e Bolívia demandando genética zebuína brasileira para cruzamentos leiteiros eficientes em sistemas a pasto. Segundo Izabelle Jardim, consultora de Assuntos Regulatórios da ABCZ, a explicação está na adaptabilidade.

“As exportações de material genético têm crescido principalmente para países com condições tropicais semelhantes às do Brasil. A resistência dos animais a parasitas, a adaptação ao calor e a capacidade de produzir bem em diferentes ambientes são fatores decisivos para essa demanda”, explica.

Mas, o avanço da genética brasileira também abre portas em regiões emergentes. Países como Vietnã e Tailândia, com clima comparável ao brasileiro e demanda crescente por lácteos, buscam

Uberabenses em visita à Índia

animais capazes de manter desempenho produtivo sob estresse térmico.

Na África Subsaariana, a genética zebuína surge como ferramenta estratégica para segurança alimentar, com sistemas de baixo custo e alta rusticidade. Já no Oriente Médio, cresce o interesse não apenas pelo leite, mas pela implantação de cadeias produtivas locais baseadas em genética adaptada.

Para Juan Lebrón, gerente de Relações Internacionais da ABCZ, esse movimento tem uma explicação estrutural.

“A atividade leiteira é uma das mais universais da pecuária. Está presente praticamente em todo o mundo. E, nesse contexto, a genética é essencial para aumentar a eficiência daquilo que é tão amplamente consumido”, diz.

As primeiras importações de animais eram feitas por navio

ência. Mesmo com a redução de 3,4% no número de vacas ordenhadas (totalizando 15,13 milhões de matrizes), a produtividade média nacional aumentou 4,9%, alcançando 2.362 litros por vaca/ano, o maior índice já registrado. Em termos simples: temos menos vacas produzindo mais leite.

E vale destacar que a pecuária leiteira está presente em 98% dos municípios brasileiros, somando cerca de 4 milhões de pessoas empregadas em 1 milhão de propriedades, segundo o Mapa, consolidando-a como uma das atividades mais capilares da agropecuária nacional.

“Brasil atingiu o maior volume de produção da série histórica: foram 35,7 bilhões de litros de leite”

Esse cenário desvela uma transformação estrutural: a pecuária leiteira brasileira produz mais com menos, apoiada nos fortes pilares da genética, tecnologia e gestão.

Ele destaca que o avanço vai além da produção. “Hoje, o foco está na eficiência do sistema como um todo: o ambiente, a sustentabilidade, o uso racional de recursos. E é justamente nesse ponto que a genética se torna decisiva”, pontua Juan.

É neste contexto que atua o Brazilian Cattle, projeto setorial desenvolvido pela ABCZ em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), dedicado à disseminação do Zebu nacional pelo mundo e que auxilia na abertura e consolidação de novos mercados para a genética zebuína brasileira – incluindo a de raças de aptidão leiteira.

MENOS É MAIS

O avanço internacional é apenas uma face da moeda. Do outro lado, os números da produção nacional ajudam a entender o cenário de forma completa. Dados da Pesquisa Pecuária Municipal (PPM), divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2024, mostram que o Brasil atingiu o maior volume de produção da série histórica: foram 35,7 bilhões de litros de leite, um crescimento de 1,4% em relação ao ano anterior.

O dado mais revelador, no entanto, está na efici-

Por trás desse avanço, está um processo contínuo de progresso genético. Programas como o PMGZ (Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos), desenvolvido pela ABCZ, elevaram significativamente o patamar produtivo nacional e estão na vanguarda da estratégia que permite atender às exigências de um mercado cada vez mais competitivo.

Nos últimos dez anos, a produtividade média das

Animais da raça Sindi embarcam em Fernando de Noronha

fazendas leiteiras cresceu cerca de 50%. De acordo com estudos feitos pela Embrapa Gado de Leite, no caso do Gir Leiteiro, o salto genético é expressivo: o potencial médio de produção passou de 230 kg em 2005 para 641 kg em 2025, impulsionado pela seleção genômica.

Outro ponto-chave é a eficiência reprodutiva, com o setor buscando reduzir a idade ao primeiro parto para entre 22 e 24 meses. Trata-se de uma estratégia que aumenta a vida produtiva e reduz custos de recria, um resultado que apenas é possível graças à seleção genética.

E a genética também influencia a qualidade do leite. Dados da Embrapa apontam que a soma de sólidos no leite brasileiro gira em torno de 6,92%. Raças como o Guzerá apresentam médias de 4,3% de gordura e 3,2% de proteína, características valorizadas pela indústria, especialmente na produção de queijos.

Se produtividade e qualidade impulsionam o mercado, é na sustentabilidade que o leite de Zebu brasileiro se consolida como diferencial competitivo.

Um estudo intitulado “Benchmarking da Pegada de Carbono”, conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Embrapa Gado de Leite, com apoio da Cargill, aponta que a produção brasileira emite, em média, 1,19 kg de CO₂ equivalente por quilo de leite, ou menos da metade da média global, estimada em 2,5 kg.

“Nos últimos dez anos, a produtividade média das fazendas leiteiras cresceu cerca de 50%”

O avanço do padrão A2A2, associado à melhor digestibilidade, também ganha espaço como estratégia de agregação de valor. Além disso, a seleção para genes específicos, como o da k-caseína BB, contribui para aumentar o rendimento industrial.

A pesquisa avaliou 24,3 mil animais em 28 propriedades, abrangendo diferentes biomas e níveis tecnológicos.

A genética tem papel central nesse resultado. Sistemas de alta produtividade podem emitir cerca de 0,90 kg de CO₂ por quilo de leite, enquanto sistemas menos eficientes chegam a 1,58 kg — uma diferença de 43%.

Além disso, o uso de genética superior permitiu reduzir em até 39% as emissões de metano por litro produzido.

A adaptação das raças zebuínas ao ambiente tropical também reduz a necessidade de insumos e intervenções, aumentando a longevidade dos animais e reforçando a sustentabilidade dos sistemas.

Abertura de mercados e internacionalização da genética bovina brasileira

Diretora do Departamento de Promoção do Agronegócio, Secretaria de Comércio e Relações Internacionais, Ministério da Agricultura e Pecuária

O Brasil consolidou-se como uma das maiores potências pecuárias do mundo, com o maior rebanho comercial bovino e elevada capacidade tecnológica em melhoramento genético adaptado às condições tropicais. Esse patrimônio tem permitido ampliar a presença do país no comércio internacional de material genético bovino, animais vivos para reprodução e sementes forrageiras, segmentos estratégicos para o desenvolvimento da pecuária global.

A expansão internacional está diretamente associada às políticas de abertura de mercados, promoção comercial e cooperação técnica conduzidas pelo governo brasileiro, em parceria com o setor produtivo e entidades como a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu.

Nos últimos anos, a diplomacia agropecuária liderada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, em articulação com o Ministério das Relações Exteriores, ampliou o acesso a novos mercados. As negociações sanitárias permitiram a habilitação de países para importar sêmen, embriões, animais vivos e sementes de pastagens, fortalecendo a presença do Brasil especialmente na América Latina, África e Ásia. Esse processo envolve certificação sanitária, reconhecimento

de sistemas de controle e adequação a requisitos técnicos, ampliando a competitividade da genética bovina tropical.

OS DADOS DEMONSTRAM

CRESCIMENTO CONSISTENTE

Entre 2023 e 2026, foram abertos 47 novos mercados para bovinos vivos para reprodução, sêmen e

embriões bovinos. Os principais destinos refletem a demanda por genética bovina adaptada aos trópicos.

Na América Latina, destacam-se Colômbia, Paraguai, Bolívia, Peru, Equador e Costa Rica, com forte demanda por genética zebuína, além de sementes forrageiras. Na África, países como Angola, Benin, Botsuana, Burkina Faso, Camarões, Gabão, Nigéria, Quênia, Senegal e Tanzânia ampliam programas de melhoramento genético, impulsionando a demanda por sêmen e embriões, especialmente de Gir e Girolando. Na Europa, países como Turquia e Belarus abriram mercados para animais vivos para reprodução e sêmen bovino oriundos do Brasil. No oriente Médio e Ásia, países como Emirados Árabes Unidos, Indonésia, Rússia, Cazaquistão, Quirguistão, Paquistão, e Armênia têm demandado genética de alta performance.

Para sementes forrageiras como braquiária, milheto, crotalária e setária, nos últimos três anos, 6 novos mercados foram abertos em países como Colômbia, Nicarágua, Benin, Togo e Gabão.

“A expansão da genética bovina está integrada ao comércio de animais vivos e sementes forrageiras, permitindo a implantação de sistemas produtivos completos em regiões tropicais”

A expansão da genética bovina está integrada ao comércio de animais vivos e sementes forrageiras, permitindo a implantação de sistemas produtivos completos em regiões tropicais. Nesse contexto, a genética brasileira assume papel estratégico na cooperação técnica internacional, combinando transferência de material genético com capacitação, assistência técnica e intercâmbio científico.

A transferência de conhecimento em melhoramento genético, manejo de rebanhos, reprodução assistida e sistemas de produção tropical tem sido cada vez mais demandada por países que buscam aumentar a produtividade de seus rebanhos e alcançar a autossuficiência alimentar. Projetos de cooperação técnica envolvendo instituições de pesquisa, associações de criadores e governos estrangeiros permitem integrar capacitação, assistência técnica e transferência de genética de alto desempenho. Esse modelo cria relações de longo prazo e fortalece a presença do Brasil como parceiro estratégico no desenvolvimento da pecuária global.

A abertura de mercados e o posicionamento do Brasil como referência em pecuária tropical deve ser também acompanhada por ações de promoção comercial. Missões empresariais, feiras de negócios e programas de imersão têm aproximado produtores, centrais de genética e compradores internacionais, evidenciando os diferenciais da pecuária brasileira: eficiência produtiva, sustentabilidade, rastreabilidade, garantia sanitária e tecnologia avançada.

A integração entre abertura de mercados, promoção comercial e cooperação técnica tende a ampliar a presença internacional do Brasil. Ao exportar não apenas produtos, mas também tecnologia genética adaptada aos trópicos, o país consolida sua posição como referência global em melhoramento bovino e contribui para o desenvolvimento sustentável da pecuária mundial.

BRASIL E ÍNDIA:

conexão que atravessa o mundo!

Missão institucional da ABCZ reforçou o laço construído pelos dois países que, embora distantes no mapa, encontram no Zebu o seu propósito comum

O Zebu voltou a ocupar o lugar de absoluto destaque entre o Brasil e a Índia em mais um capítulo da relação histórica que, ao longo de mais de um século, moldou o perfil produtivo do rebanho brasileiro e projetou o país como potência mundial na produção de alimentos. Se, no passado, o Brasil buscou na Índia a base genética que estruturou sua pecuária, hoje o movimento é inverso: o Zebu brasileiro desponta como referência internacional em melhoramento genético e biotecnologia, dando origem a um movimento que simboliza uma retribuição do nosso país para o berço da genética zebuína.

Concretizando essa ideia, a ABCZ realizou uma missão ofi cial à Índia, reforçando laços institucionais, ampliando oportunidades comerciais e consolidando o protagonismo brasileiro na difusão global da genética zebuína – um processo que está ajudando a Índia a desenvolver, modernizar e turbinar a sua própria pecuária.

Comitiva da ABCZ participa de inauguração do escritório da ApexBrasil em Nova Deli

Representada por seu presidente, Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges, pela presidente da ABCZ Mulher e do Zebu do Bem, Iara Maria Vieira Marquez, pelo vice-presidente e diretor, Ângelo Tibery, e pela analista de comunicação do Departamento de Relações Internacionais, Yasmin Perissê, a ABCZ integrou uma programação que evidenciou o peso estratégico da pecuária e do Zebu mesmo em países localizados em regiões quase opostas do mundo.

“Toda oportunidade de estreitar as relações com a Índia, nosso grande parceiro histórico na promoção do Zebu e uma nação à qual o Brasil deve o máximo respeito, é valiosa para nós. Iniciativas como esta revelam a verdadeira importância da zebuinocultura em todo o mundo”, destaca Arnaldo Manuel.

Na chegada à Índia, a comitiva foi prontamente recebida pelo pecuarista e presidente da International Federation of Indigenous Zebu Cattle of India (IFZCI), Madan Mohan, que acompanhou a programação da viagem e recebeu o grupo na sua própria fazenda.

“A relação entre a Índia e o Brasil é muito importante, e as visitas anuais do presidente e da delegação da ABCZ à Índia, ou da delegação indiana da IFZCI ao Brasil para a ExpoZebu, fortalecem ainda mais nossa amizade”, comemora.

DOIS PAÍSES, UMA MISSÃO

A agenda teve início em Nova Deli, durante a inauguração do novo escritório da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) na capital indiana. A solenidade contou com a presença do presidente da República, Luiz Inácio

Lula da Silva, além dos ministros Carlos Fávaro (Agricultura e Pecuária) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar), bem como do presidente da ApexBrasil, Jorge Viana.

Na ocasião, o ministro Fávaro ressaltou a importância da presença da ABCZ no evento e na própria missão no país.

A instalação do escritório da ApexBrasil na Índia, país mais populoso do mundo, reforça a importância da expansão do projeto setorial Brazilian Cattle, desenvolvido em parceria entre ABCZ e ApexBrasil, com foco na promoção internacional da genética zebuína brasileira.

Durante o Fórum Empresarial Índia-Brasil, realizado na sequência, temas como inovação agrícola, segurança alimentar, agricultura familiar e desenvolvimento rural ganharam destaque, demonstrando a convergência de interesses entre as duas nações. A presença da ABCZ nesse ambiente ampliou a visibilidade da zebuinocultura como ferramenta estratégica para o enfrentamento dos desafios globais de produção sustentável de alimentos.

“A manutenção de um escritório permanente na Índia fortalece o papel estratégico da ApexBrasil

“...essa presença institucional consolida uma política de cooperação e boa vizinhança, baseada em confiança, intercâmbio técnico e visão de longo prazo”

como elo ativo entre os dois países, ampliando a promoção das raças zebuínas leiteiras e tecnologias brasileiras que tornam o manejo do gado mais eficiente e produtivo”, avalia Yasmin.

“Mais do que fomentar negócios, essa presença institucional consolida uma política de cooperação e boa vizinhança, baseada em confiança, intercâmbio técnico e visão de longo prazo. E é a confirmação de que Brasil e Índia não apenas compartilham a história do Zebu, mas também um futuro promissor de colaboração, inovação e crescimento juntos.”

A missão também evidenciou o papel crescente da inovação tecnológica, seguindo para Bareilly, onde a comitiva participou da inauguração do Integrated Centre of Excellence, primeiro laboratório de fertilização in vitro (FIV) da Índia. O complexo representa um salto tecnológico para a pecuária local, ao incorporar ferramentas avançadas de biotecnologia reprodutiva que ampliam o potencial de melhoramento genético dos rebanhos.

A cerimônia oficial contou com a presença do ministro de Estado da Floresta e Mudança Climáticas, Arun Kumar Saxena, evidenciando o caráter estratégico da iniciativa para o desenvolvimento sustentável do setor pecuário indiano.

Além da participação na inauguração, a delegação realizou visitas técnicas a propriedades rurais e conheceu a estrutura da BL Agro, grupo empresarial com forte atuação no agronegócio indiano. As atividades permitiram a troca de experiências sobre manejo, genética e organização produtiva, fortalecendo a cooperação técnica entre os países.

“O laboratório conta com uma estrutura impressionante, com tudo o que é necessário para alcançar um resultado extremamente produtivo. Também estivemos em três propriedades e em uma feira na cidade que é a origem da raça Gir. As raças leiteiras são muito bem preservadas na Índia, e vimos muita evolução nas estruturas e instalações modernas. Acredito que estamos assistindo ao começo de uma nova etapa para o país”, considera Ângelo Tibery.

ZEBU E PATRIMÔNIO

Mais do que cumprir uma agenda institucional, a missão da ABCZ simboliza o culminar de uma relação construída ao longo de décadas e a semente que dará os frutos do futuro. Afinal, o Brasil estruturou sua pecuária tropical a partir da importação de animais indianos no decorrer do século XX, se tornando, mais tarde, um dos maiores produtores de alimentos do mundo.

O presidente da IFZCI, Madan Mohan, deu as boas-vindas aos visitantes brasileiros
O Fórum Empresarial Índia-Brasil integrou o itinerário da missão

FIV da Índia

Hoje, essa expertise retorna à Índia em forma de conhecimento técnico, biotecnologia, gestão e genética aprimorada; um verdadeiro complemento ao patrimônio histórico que une as duas nações, não só em homenagem ao passado, mas desbravando um futuro que alimentará o planeta.

Um exemplo desse processo é a Fazenda Floresta, comandada por Roberta Bertin e Rogério Barros, que também participaram da missão na Índia.

Oportunidades de aprendizado cultural também fizeram parte da missão

“Mais do que cumprir uma agenda institucional, a missão da ABCZ simboliza o culminar de uma relação construída ao longo de décadas e a semente que dará os frutos do futuro”

“O Brasil mantém uma trajetória centenária de importação de genética zebuína da Índia — base que transformou a pecuária nacional e foi determinante para a consolidação do país como potência mundial na produção de proteína animal. Hoje, vivemos um momento igualmente simbólico: a Fazenda Floresta passa a exportar embriões para a Índia, contribuindo para programas de melhoramento genético em parceria com a Embrapa e com produtores

indianos que conduzirão os trabalhos em campo”, revela Roberta.

“Essa via de mão dupla, que começou com a chegada do Zebu ao Brasil e agora retorna à sua origem com genética aprimorada, representa não só avanço técnico, mas também integração científica, comercial e institucional entre as nações. Encerramos essa missão com sentimento de satisfação e responsabilidade. Foi uma viagem marcante, produtiva e estratégica para o futuro da pecuária”, complementa Rogério.

Ao fortalecer o diálogo institucional, ampliar pontes comerciais e compartilhar tecnologia, a ABCZ reafirma o papel do Brasil como referência global na produção sustentável baseada em genética zebuína. A viagem à Índia não apenas celebra o passado comum, mas projeta um futuro de cooperação estratégica, em que Brasil e Índia seguem lado a lado, agora como protagonistas unidos na missão de alimentar o mundo.

A ABCZ também esteve na inauguração do primeiro laboratório de
No berço do Zebu, integrantes da ABCZ conhecem propriedades locais

A notável história da pecuária brasileira

Médico

Ex-ministro da Agricultura e Reforma Agrária

Ex-secretário de Agricultura de São Paulo

Há mais de 40 anos, fiz uma viagem à Índia com o Dr. Alberto Alves Santiago, na qual ele colheu subsídios para história da pecuária brasileira e de como a pata do Zebu foi um desbravador destemido nos rincões desse nosso imenso Brasil.

Se eu pudesse resumir essa epopeia, eu diria que ela é um verdadeiro retrato daquilo que podemos descrever como “mais Brasil e menos Brasília”. Isso porque a introdução do Zebu no Brasil foi fruto da iniciativa de criadores brasileiros que, a despeito do posicionamento contrário do governo brasileiro, se aventuraram em embarcações rústicas e se embrenharam pelos rincões da Índia na busca de um animal de mais fácil adaptação em solo tupiniquim do que o boi europeu. Eu diria que devemos tratar esses desbravadores como guerreiros e guerreiras.

É dessa iniciativa exclusiva de criadores brasileiros que escrevemos uma das mais belas histórias de nossa economia, nos tornando o maior produtor e exportador de carne bovina do mundo. Da mesma forma, temos uma imensa gratidão a esse animal, o Zebu, pilar central dessa revolução na produção de proteína animal no planeta, pois 80% de nosso rebanho, um dos maiores do mundo, tem sangue zebuíno.

Deve-se destacar que, hoje, a carne brasileira chega a mais de 150 países, em todos os continentes. Nesse ponto, o mais impressionante é que a proteína ganhou essa competição em uma arena em que o jogo não é justo com o nosso criador.

Explico, com destaque para dois exemplos. O primeiro é que o Brasil proíbe o uso de promotores de crescimento na pecuária. Tal medida foi feita no passado visando atender na época o mercado europeu, que majoritariamente abate vaca velha leiteira, pro-

“Zebu foi um desbravador destemido nos rincões desse nosso imenso Brasil”

duzindo uma carne de péssima qualidade, não tendo nenhum interesse que outros países façam uso desse estimulante aprovado até mesmo pela FDA (Food and Drug Administration). Vale dizer que, em alguns países, como os Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia, nossos concorrentes, o uso de hormônios na produção de carne bovina é comum.

Um segundo ponto é a questão da Cota Hilton, um tipo de acordo comercial de exportação que permite a países selecionados, incluindo o Brasil, venderem cortes bovinos de alta qualidade para a União Europeia com tarifa de importação reduzida. A discriminação é que os bovinos para a Cota Hilton brasileira devem ser criados obrigatoriamente a pasto, com alimentação baseada em pastagens durante toda a vida, podendo receber suplementação, mas não confinamento total. A arbitrariedade é que essas exigências não são feitas para os nossos concorrentes, como os EUA, Austrália e Canadá.

Assim, o que tivemos em nossa pecuária foi uma verdadeira revolução tecnológica. Considerando a produtividade da década de 1970, hoje seria necessário ocupar 418 milhões de hectares de terra, algo como quase 3x mais que os atuais 160 milhões de hectares que a pecuária usa. Isso significa que a área poupada é superior a 258 milhões de hectares. Traduzindo em números, isso equivale ao tamanho dos nove estados americanos que mais pecuária desenvolvem nos EUA (Oklahoma, Texas, Kansas, Iowa, Wisconsin, Nebraska, Dakota do Sul, Missouri e Califórnia) e que representam 54% da pecuária americana, ou uma área equivalente a dez países europeus com o maior efetivo bovino na União Europeia e que abrangem 84% do rebanho atual desses países: França, Alemanha, Espanha, Holanda, Bélgica, Irlanda, Itália, Holanda, Romênia e Áustria.

Por fim, o maior impacto desse colossal salto de produção também chegou à mesa do brasileiro, incrementando o seu poder aquisitivo. Se pegarmos o Coxão de Dentro, em janeiro de 1995, um salário-mínimo comprava 16,32 kg do produto, mas em fevereiro de 2025 o salário-mínimo comprava 31,26 kg, praticamente o dobro. É com esses dados que quero encerrar, exibindo a enorme contribuição dos criadores brasileiros nessa empreitada de grande envergadura. E, claro, a ABCZ foi uma instituição que ajudou a guiar a busca por essa máquina eficiente e sustentável de produzir carne: o Zebu brasileiro!

ABCZ e Embrapa Gado de Corte: quase 50 anos de ciência a serviço do campo

Renovada sob a liderança de Mariana de Aragão Pereira, unidade da Embrapa celebra quase cinco décadas de parceria com a associação, pautando o progresso alicerçado na genética

Fotos: ABCZ / Arquivo Pessoal

A maior entidade da pecuária zebuína do mundo e um dos centros de pesquisa mais relevantes para o desenvolvimento da pecuária brasileira estão próximos de celebrar cinco décadas de parceria em prol do avanço científico ligado ao desenvolvimento da pecuária nacional. São quase 50 anos de uma relação de sucesso que rende cada vez mais frutos para o produtor.

É essa a história que cresce e evolui entre a ABCZ e a Embrapa Gado de Corte, que passou a ser liderada por uma nova chefe-geral em março deste ano: a zootecnista e pesquisadora Mariana de Aragão Pereira, a primeira mulher a assumir o cargo.

“Assumir a liderança é um momento de profunda gratidão. Recebo esse fato não como uma conquista individual, mas como um símbolo da evolução da própria instituição”, ressaltou Mariana, durante a solenidade de posse, que contou com a presença da ABCZ.

De acordo com o pesquisador e ex-chefe-geral da unidade, Antônio do Nascimento Ferreira Rosa, o Toti, o vínculo da Embrapa Gado de Corte com a ABCZ representa o convênio vigente mais antigo da empresa. A cooperação entre as entidades ocorre desde 1979, com foco no compartilhamento de dados fenotípicos e genotípicos iniciativa, que resultou na formação da maior base de dados de zebuínos do mundo.

Essa integração contínua entre pesquisa e setor produtivo segue gerando avanços concretos para a pecuária. Entre as perspectivas atuais, está a contribuição da Embrapa para o desenvolvimento do Pró-Genética Online, iniciativa voltada à disseminação de genética melhoradora para pequenos e médios produtores.

“Vamos continuar trabalhando juntos em prol do produtor. A Embrapa demonstrou interesse em contribuir para o desenvolvimento do Pró-Genética Online, com o objetivo de transferir a genética da unidade para os rebanhos”, destaca o superintendente técnico da ABCZ, Luiz Antonio Josahkian.

A força dessa parceria foi novamente evidenciada

durante recente agenda institucional da ABCZ junto à Embrapa Gado de Corte. Na ocasião, o presidente da associação, Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges, e Josahkian participaram de reuniões com a chefia da unidade e membros do colegiado de gestão, reforçando o alinhamento de projetos e ações conjuntas.

“A Embrapa Gado de Corte é um centro de pesquisa absolutamente fundamental para o setor em nível nacional. A ABCZ tem uma longa e muito bem-sucedida parceria com essa entidade, e temos certeza de que o trabalho seguirá contribuindo de forma exemplar para o desenvolvimento da pecuária”, afirma Arnaldo Manuel.

Durante a visita, a comitiva também esteve na Fazenda Modelo da Embrapa, em Terenos (MS), onde pôde conhecer de perto o rebanho, a estrutura e as tecnologias empregadas na propriedade. O trabalho conjunto entre as instituições também se reflete nesse ambiente.

“Além de ser submetido a um criterioso trabalho de seleção genética, o rebanho da Embrapa passa pelo registro genealógico, executado pelo técnico de registro da ABCZ, Murilo Montandon Sivieri. Também tivemos a oportunidade de conhecer tou -

O presidente e o superintendente técnico da ABCZ se reuniram com a chefia e colegiado de gestão da Embrapa Gado de Corte

ros PO que poderão, eventualmente, ser ofertados por meio do Pró-Genética Online — um plantel de excelente conformação morfológica, genética e racial”, explica Josahkian.

A agenda incluiu ainda uma visita ao Escritório Técnico Regional da ABCZ em Campo Grande (MS), onde a diretoria se reuniu com a equipe local para discutir demandas e sugestões dos criadores da região, reforçando o compromisso da entidade com o atendimento e o desenvolvimento da pecuária em todo o país.

Como marco recente dessa relação institucional, Arnaldo Manuel e Josahkian participaram da cerimônia de posse de Mariana de Aragão Pereira, que também reuniu diversas autoridades políticas e do setor produtivo, incluindo a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá.

Mais do que um evento pontual, a ocasião simboliza a continuidade de uma parceria estratégica que, há décadas, impulsiona o melhoramento genético, a inovação e a sustentabilidade da pecuária zebuína no Brasil – frutos que continuarão levando resultados positivos para toda a cadeia produtiva da carne zebuína nacional.

Comitiva da ABCZ também visitou a Fazenda Modelo da Embrapa em Terenos (MS)
Visita ao Escritório Técnico Regional (ETR) da ABCZ em Campo Grande (MS)

A contribuição da avaliação genômica multirracial para o progresso genético de zebuínos de corte e de leite

A seleção genômica fundamenta-se na utilização de marcadores moleculares, como os polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs), para estimar o valor genético de um indivíduo antes mesmo da expressão da(s) característica(s) ou do nascimento das progênies. Em termos técnicos, as avaliações genômicas dependem de uma “população de referência” composta por animais que possuem simultaneamente fenótipos registrados (pesos às diversas idades, produções de leite etc) e as informações de DNA (ou seja, os genótipos dos marcadores moleculares).

A avaliação multirracial estende este conceito ao analisar conjuntamente dados de diferentes raças em um único modelo de avaliação. Diferente das avaliações considerando apenas uma raça, o modelo multirracial utiliza matrizes de parentesco genômico que contabilizam a origem dos alelos e as diferenças nas frequências alélicas entre as populações. Esta abordagem permite a predição de valores genéticos genômicos (GEBVs) para diversas raças dentro de um mesmo sistema, facilitando a comparação direta entre animais de origens distintas.

IMPORTÂNCIA ESTRATÉGICA

PARA AS RAÇAS ZEBUÍNAS

Para o zebu, que constitui a base da pecuária tropical, a avaliação multirracial pode ser importante para raças cujas populações de referência são limitadas. Nessa situação, as raças com menor número de animais em controle leiteiro ou pesagens oficiais podem enfrentar dificuldades para estabelecer populações de referência robustas, o que limita a acurácia das predições genômicas.

A acurácia da seleção genômica depende diretamente do tamanho da população de referência. Raças zebuínas com menor volume de dados, como o Sindi, Indubrasil ou linhagens específicas de dupla aptidão, podem sofrer com predições de baixa confiabilidade quando avaliadas isoladamente. A falta de registros fenotípicos consistentes impossibilita que o modelo “aprenda” a associação entre o marcador genético e a característica de interesse. Desta forma, por exemplo, se os dados dessas raças forem analisados de modo conjunto com aqueles provenientes do Gir Leiteiro, que possui mais de 60 mil animais genotipados e registros de produção de mais de 150.000

lactações, podem ocorrer melhorias nas predições e aumentos nas acurácias.

A avaliação multirracial permite o compartilhamento de informações por meio do desequilíbrio de ligação persistente entre raças mais próximas, como as zebuínas. Quando essas raças (por exemplo, Gir e Guzerá) são avaliadas juntas, o modelo aproveita segmentos do DNA que são conservados na subespécie zebuína para aumentar a precisão das estimativas.

Recentemente, Londoño-Gil et al. (2024) avaliaram a viabilidade de avaliações genômicas multirraciais para as raças Nelore, Brahman, Guzerá e Tabapuã. Os resultados mostraram que o uso de avaliações multirraciais melhorou significativamente a acurácia, especialmente para raças com menor número de animais, como Guzerá e Tabapuã. Os autores usaram os “metafundadores”, que é um conceito estatístico que cria “ancestrais hipotéticos” para representar a base genética de

diferentes raças, permitindo que o modelo reconheça que animais de raças distintas não são totalmente independentes. Na avaliação multirracial de zebuínos, ele é usado para parametrizar as relações de parentesco e as diferenças nas frequências alélicas entre as raças (como Nelore e Guzerá), corrigindo vieses e permitindo que as informações genômicas sejam compartilhadas de forma mais precisa entre as populações.

Além deste, outros estudos indicaram que raças menores apresentam aumentos significativos na acurácia das avaliações multirraciais, sem prejudicar o desempenho das raças maiores e com ganhos em precisão para animais que não possuem parentesco próximo com a população de referência principal.

BENEFÍCIOS AO PROCESSO DE SELEÇÃO E AO PRODUTOR

A implementação de modelos avançados, como o ssGBLUP (Single-step Genomic BLUP), que integra pedigree, fenótipos e genótipos em um único passo, traz vantagens diretas à gestão da fazenda. O primeiro deles é, sem dúvida, a maior confiabilidade na identificação de touros e matrizes superiores, mesmo em idade jovem. O segundo é a redução no intervalo de gerações, o que permite que o progresso genético ocorra de forma mais rápida. Uma terceira vantagem é a redução de riscos no processo seletivo, ou seja, menor probabilidade de erro na seleção de reprodutores, otimizando o investimento em sêmen e biotecnologias da reprodução.

A eficácia da avaliação genômica está atrelada à escolha correta das características econômicas (idade ao primeiro parto, ganho de peso pós-desmame, rendimento de carcaça ou sólidos no leite). No futuro,

a integração de dados de sequência genômica completa e a expansão das bases de dados multirraciais tendem a tornar o melhoramento genético no Brasil cada vez mais democrático e preciso, integrando raças puras, cruzamentos e raças sintéticas em um ecossistema de avaliação único.

Para que o potencial das avaliações multirraciais seja plenamente atingido, a precisão da coleta de dados no campo é de extrema importância. A qualidade das pesagens, dos registros reprodutivos e do controle leiteiro é o que alimenta os modelos estatísticos. Embora a genômica forneça as ferramentas de precisão, o conhecimento do criador (o chamado “olho do criador”) continua sendo um componente importante para interpretar esses dados e direcionar o acasalamento de acordo com as necessidades específicas de cada sistema de produção. O engajamento em programas de melhoramento e a genotipagem sistemática do rebanho são os passos necessários para garantir a competitividade na pecuária moderna.

2026/2028

Conheça o novo CDT!

Conselho Deliberativo Técnico da ABCZ está ainda mais forte e representativo de todas as raças zebuínas CDT

Na ABCZ, uma das novidades mais aguardadas do novo triênio é a nova composição do Conselho Deliberativo Técnico (CDT). O CDT, órgão de deliberação superior integrante do Serviço de Registro Genealógico (SRG), é composto por oito comissões que representam as raças zebuínas, além de quatro conselheiros natos.

Amparado legalmente pelo Decreto 8.236, de 05 de maio de 2014, que regulamenta a Lei nº 4.716, de 29 de junho de 1965, o CDT é o braço do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) que responde pela regulamentação do SRG realizado pela associação.

O Conselho tem as atribuições de propor para aprovação do Mapa as diretrizes básicas que compõem o regulamento do SRG. Atua especialmente na revisão dos padrões raciais, mantendo a unidade das raças zebuínas e na orientação sobre todos os assuntos de natureza técnica, estabelecendo diretrizes para o desenvolvimento e melhoria das raças.

Cabe ao CDT, ainda, julgar recursos interpostos pelos criadores contra atos do superintendente e elaborar e aprovar o regimento interno do Colégio de Jurados das Raças Zebuínas, definindo os direitos e deveres dos jurados e, inclusive, critérios para julgamento, baseados em métodos e conhecimentos

científicos atualizados.

Cada comissão do CDT é composta por oito membros efetivos. É exigido que, pelo menos, quatro destes membros sejam técnicos com formação em Engenharia Agronômica, Medicina Veterinária ou Zootecnia. As comissões devem, também, incluir um representante da respectiva associação promocional da raça.

Neste sentido, o Conselho atua com a responsabilidade de assegurar a isonomia de tratamento a cada uma das raças zebuínas, mantendo o equilíbrio necessário para o bom funcionamento do registro genealógico, e garantindo, ainda, o cumprimento dos requisitos legais associados a essa atividade.

Além disso, são indicados dois membros suplentes para cada comissão, convidados a integrar o CDT em caso da necessidade da substituição de algum dos membros efetivos. Tanto os membros efetivos quanto os suplentes são indicados pelo superintendente, aprovados pela diretoria e empossados pelo presidente da ABCZ. Já a comissão de conselheiros natos é composta pelo superintendente do SRG em exercício, além de três ex-superintendentes.

Vale ressaltar que todas as deliberações do CDT são tomadas por maioria simples de votos.

CONSELHEIROS NATOS

Arnaldo Manuel De Souza Machado Borges Luiz Antonio Josahkian Manoel Eugênio Prata Vidal Moacir Duarte Gomes

Raça Brahman

Gustavo Alves Fiorese Rodrigues

Alex Arikawa Miyasaki

Bruno Aurelio Ferreira Jacintho

Carlos Alberto De Souza Celestino

Clodoaldo Sergio Bendilatti

João Paulo Pucci

Valdecir Marin Junior

William Koury Filho

Suplentes

Carlos Eduardo Nassif

Izarico Camilo Neto

Raças Cangaian e Punganur

Arlindo José Almeida Drumond

Carlos Henrique Cavallari Machado

Ednira Gleida Marques

Francisco Carlos Velasco

Guilherme Queiroz Fabri

Luis Renato Tiveron

Mauro Bueno Da Fonseca

Thinouco Francisco Sobrinho

Suplentes

Cristiano Cambraia Cunha Ferreira

Marcos Cunha Resende

Raças Gir e Gir Mocho

Rodrigo Cesar Neiva Borges

Jorge José Sab Zacharias

Eduardo Falcao De Carvalho

Ivan Luz Ledic

Joao Machado Prata Junior

Joaquim José Da Costa Noronha

Rafael Guimarães Vizoná

Tatiane Almeida Drummond Tetzner

Suplentes

Guilherme Gondim De Morais

José Augusto Da Silva Barros

Raça Guzerá

Raul Francisco Mendes Prates

Adriano Varela Galvão

Eros Gazzinelli Metzker

Luis Sergio Junqueira Amaral

Pedro Oliveira De Salvo

Roberto Winkler

Rodrigo Pinto Canabrava

Vânia Maldini Penna

Suplentes

João Eudes Lafeta Queiroz

Raça Indubrasil

Roberto Fontes Goes

Ademir Lucio Cornachini

Clarindo Irineu De Miranda

Eduardo Rodrigues Da Cunha

Leonardo Machado Borges

Otavio Batista O. Vilas Boas

Rodrigo Caetano Borges

Virgilio Batista A. Borba Camargos

Suplentes

Mariana Alencar Pereira

Vanessa Barbosa

Raças Nelore e Nelore Mocho

Victor Paulo Silva Miranda

Claudio Sabino Carvalho Filho

Danilo Gouveia Alves Franco

Fernando C. Leite Barros

Gilmar Siqueira De Miranda

José Luiz Niemeyer Dos Santos

Luiz Humberto Di Martino Borges

Torres Lincoln Prata Cunha Filho

Suplentes

Henrique Torres Ventura

Horacio Alves Ferreira Neto

Raça Sindi

Orlando Claudio Gadelha Simas Procópio

Adaldio José De Castilho Filho

Alvaro Lins Borba

Eduardo Tamer Neto

Helena Leonel Curi

Luis Otavio Pereira Lima

Ricardo De Miranda Henriques Leite

Rodrigo Coutinho Madruga

Suplentes

Adriano Vaz De Lima

José Eduardo Almeida Brito Dos Anjos

Raça Tabapuã

João Trivelato Neto

Célio Arantes Heim

Fernando José Garcia De Carvalho

Marcelo Ricardo De Toledo

Marcio Henry Gregg

Paulo Henrique Julião De Camargo

Rodolpho Ortenblad

Silvestre Germano S. Ambrosi

Suplentes

Lauro Fraga Almeida

Rafael Resende De Oliveira

INTEGRAÇÃO E EVOLUÇÃO:

novo DPTF fortalece ações estratégicas para a pecuária zebuína

Marcado pela fusão de programas e ações já existentes, o Departamento de Programas Técnicos e Fomento pretende aprimorar ainda mais os resultados registrados pela área técnica da associação no decorrer dos anos

A ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu) inovou com a criação do Departamento de Programas Técnicos e Fomento (DPTF), uma iniciativa que reúne e integra importantes programas e projetos voltados à atuação técnica, ao melhoramento genético e ao fortalecimento da pecuária zebuína nacional. A nova estrutura soma às ações anteriormente conduzidas de forma independente, como Pró-Genética, Pró-Genética Online, PNAT (Programa Nacional de Avaliação de Touros Jovens), PMGZ Comercial, PMGZ Carne, eventos homologados, Pontos de Apoio e demais iniciativas de fomento, sob uma gestão única e consolidada.

A criação do DPTF representa um movimento sintonizado com as demandas contemporâneas do setor, buscando maior eficiência, integração e difusão na entrega de soluções técnicas aos criadores. Para Mauro Bueno da Fonseca, que assume a gerência do novo departamento, a proposta é ampliar o alcance e assertividade das ações já executadas pela equipe.

“Vimos com muito bons olhos a criação do novo Departamento de Programas Técnicos de Fomento da ABCZ onde, a partir de agora, os programas Pró-Genética (incluindo o Pró-Genética Online), PNAT, PMGZ Comercial, PMGZ Carne e o Fomento passam a fazer parte de um único departamento. Entendemos que todos esses produtos compartilham de um mesmo propósito, que é oferecer aos nossos criadores ferramentas para uma melhor gestão dos seus rebanhos, seja ele PO ou Comercial, grande ou pequeno,

além de dar oportunidade para a comercialização de animais”, avalia Mauro.

“Eu, com muita alegria e entusiasmo, recebi o convite para gerenciar este novo departamento, sempre com o foco em proporcionar um melhor atendimento e suporte aos nossos associados e melhorias à pecuária em geral, através dos nossos programas, produtos e serviços.”

Já a superintendente adjunta de genealogia da ABCZ, Gleida Marques, destaca que a integração das frentes técnicas e de fomento fortalece o posicionamento institucional e amplia o impacto das iniciativas da entidade.

“A criação do Departamento de Programas Técnicos e Fomento representa um avanço importante na forma como a ABCZ organiza e fortalece suas ações junto aos criadores. Ao unir as frentes de Pró-Genética e Fomento, ganhamos mais integração, agilidade e coerência na entrega de soluções, ampliando o impacto dos programas técnicos e reforçando nosso compromisso com a evolução da pecuária zebuína”, aponta.

A criação do novo departamento está perfeitamente alinhada com os resultados consistentes e expressivos nas diversas áreas técnicas da associação no decorrer de toda a sua história. Para o superintendente técnico, Luiz Antonio Josahkian, “o novo departamento tem o desafio de implementar ações que robusteçam e acelerem o melhoramento genético da pecuária seletiva e, ao mesmo tempo, criar conexões reais de transferência dessa genética melhoradora para a pecuária comercial”.

Mauro Bueno da Fonseca, gerente do novo DPTF da ABCZ

Superintendência Técnica da ABCZ

celebra resultados positivos e planeja novas ações para o triênio

Metas da área técnica da associação incluem fomentar uma aproximação ainda maior com o criador e acompanhar o desenvolvimento de novas tecnologias

Fotos: ABCZ / JM Matos / Laertes Soares

A cada ano, o trabalho realizado pela área técnica da ABCZ renova seus votos de promover o registro genealógico das raças zebuínas com respaldo na ciência e com um serviço cada vez mais eficiente e eficaz. E, em 2025, o cenário não foi diferente, mostrando uma equipe engajada e competente no cumprimento dessa missão.

Entre 1939 e 2024, a ABCZ realizou mais de 23,5 milhões de registros de animais, sendo 15,4 milhões de RGNs (Registros Genealógicos de Nascimento) e 8,1 milhões de RGDs (Registros Genealógicos Definitivos). Somente em 2025, foram concedidos mais 687.817 registros, abrangendo 424.509 RGNs e 263.308 RGDs. Ao longo do ano, a equipe técnica realizou 14.092 visitas às propriedades dos associados.

A qualidade do trabalho em campo também foi confirmada por meio de pesquisas de satisfação aplicadas após cada visita técnica, que apontou um índice superior a 98% de aprovação em relação aos técnicos e conferentes de processos; um resultado que evidencia o compromisso da ABCZ com a excelência no atendimento e na prestação de serviços.

No âmbito do melhoramento genético, o Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento (DPD) manteve uma intensa agenda de avaliações. O PMGZ Corte realizou quatro avaliações genéticas anuais em sete

raças zebuínas, totalizando 28 avaliações por ano. A avaliação 2026-1 contemplou 18.510.214 animais, com 23.415.109 fenótipos e 623.787 genótipos analisados.

Por sua vez, o PMGZ Leite realizou sua avaliação genética anual em três raças leiteiras.

E, em 2025, o PMGZ alcançou um marco histórico ao conquistar a certificação ISO 9001, tornando-se o primeiro programa de melhoramento genético de bovinos no Brasil a obter esse reconhecimento internacional de qualidade.

Os programas zootécnicos também apresentaram avanços relevantes. No Controle Leiteiro, a raça Gir Leiteiro registrou 39.153 pesagens, com 5.254 matrizes controladas; o Guzerá contabilizou 3.124 pesagens e 441 matrizes; e o Sindi teve 1.842 pesagens, somando 277 matrizes monitoradas.

No Controle de Desenvolvimento Ponderal (CDP), o histórico entre 1968 e 2025 mostra 7.009.987 animais inscritos, sendo 341.854 apenas em 2025. Em relação às pesagens, foram mais de 28 milhões entre 1968 e 2025, das quais 1.165.933 ocorreram no último ano. Já as Provas de Ganho em Peso (PGP) testaram 162.026 animais desde 1972, incluindo 3.666 em 2025.

O avanço da genotipagem tem sido um dos pilares da evolução genética das raças zebuínas. O superintendente adjunto de melhoramento genético da

ABCZ, Henrique Torres Ventura, ressalta o crescimento expressivo na adoção dessa tecnologia pelos criadores.

“Em 2018, começamos esse trabalho com apenas 12 mil genótipos. Hoje, já estamos chegando aos 700 mil, o que indica principalmente a adoção de tecnologia – o criador tem investido e tem utilizado essa informação para tomar a decisão sobre os seus animais. Paralelamente a isso, novas características vêm sendo implementadas e estamos trabalhando para a inclusão de novos fenótipos que trarão a possibilidade para o criador construir critérios de seleção cada vez mais completos”, explica Henrique.

No segmento leiteiro, a utilização da genômica representa uma das principais metas da equipe. Segundo Rafael Vizoná, gerente de melhoramento genético do leite da ABCZ, a ferramenta contribuirá para acelerar o progresso genético e ampliar a confiabilidade das avaliações.

“Acredito que a utilização da genômica, inicialmente na raça Gir, é um passo fundamental para acelerar o nosso melhoramento. Ela aumenta a confiabilidade das avaliações, permitindo que animais mais jovens tenham valores genéticos mais precisos e possam ser utilizados mais cedo, encurtando o intervalo entre gerações. Além disso, amplia a acurácia para novos fenótipos e abre espaço para estudos importantes, como a estrutura da população, fortalecendo a evolução genética das raças”, descreve.

Outro destaque será a implantação do Certificado F1 Max durante a 91ª ExpoZebu, iniciativa que reconhecerá fêmeas F1 com superioridade genética e alto potencial leiteiro. O certificado contemplará animais resultantes de cruzamentos entre raças zebuínas e taurinas ou entre duas raças zebuínas, desde que atendam a critérios técnicos rigorosos estabelecidos pela ABCZ.

O relacionamento com os associados também segue como prioridade estratégica. O gerente de provas zootécnicas do PMGZ Corte, Ismar Carneiro, enfatiza a importância da comunicação direta e do suporte técnico personalizado.

“O nosso objetivo é promover uma aproximação

constante com os criadores, ou seja, com aqueles que são os parceiros e usuários dos produtos oferecidos pela associação. Entendemos que, quanto mais próximas estiverem ambas as partes, maior será a chance de êxito do negócio. Para tanto, o PMGZ Corte oferece um canal exclusivo e personalizado de suporte aos usuários do programa”, diz.

“Neste canal de atendimento, o usuário será orientado sobre como utilizar as ferramentas do programa, que vão desde o envio correto dos dados zootécnicos do rebanho até a interpretação dos relatórios gerenciais disponibilizados nas plataformas do sistema de avaliação genética”, detalha Ismar.

Com a criação do DPTF (Departamento de Programas Técnicos de Fomento), a ABCZ estabelece um conjunto de ações prioritárias para ampliar o impacto de seus programas técnicos e de fomento a partir de 2026. Entre os objetivos, estão a maior aproximação entre criadores e conferentes, com reforço na divulgação dos canais de comunicação e pesquisas de satisfação; a ampliação dos cursos de escrituração zootécnica e de melhoramento genético; e a intensificação da genotipagem em todas as raças, com a meta de alcançar avaliações genômicas completas até, no máximo, 2027.

De acordo com o superintendente técnico, Luiz Antonio Josahkian, também estão previstos o desenvolvimento e implementação de novas tecnologias digitais para obtenção de fenótipos mais precisos e até mesmo de novos fenótipos, assim como métodos inovadores de identificação animal, de forma a contribuir para a seleção com informações mais precisas, com menores custos e mais agilidade.

A entidade pretende ainda promover treinamentos híbridos (teórico-práticos) sobre registro genealógico e o PMGZ (Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos), com dias de campo pilotos nas cinco regiões de supervisão do programa, além de desenvolver ações específicas de apoio a criadores com planteis menores, mas de alto valor agregado, que representam uma importante parcela do quadro social da entidade.

Brasil pode ser referência global em carne de alta qualidade

Produtor Rural

Engenheiro Agrônomo

Presidente do Sistema Faemg Senar

Desde a chegada dos primeiros zebuínos vindos da Índia, há cerca de um século, o Brasil iniciou uma transformação que o levaria à liderança mundial na produção de carne bovina. Hoje, o país é o maior exportador da proteína e, em 2025, alcançou também a posição de maior produtor global, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

“Os resultados são evidentes. Hoje, os animais zebuínos apresentam ganho de peso comparável ao das melhores raças européias”

Raças como Nelore, Gir e Guzerá foram moldadas ao longo de décadas por criadores brasileiros que, com técnica, conhecimento e visão, consolidaram o Brasil como potência pecuária. Avanço que ganhou ainda mais consistência com os programas de melhoramento genético, especialmente o PMGZ (Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos), conduzido pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ).

Os resultados são evidentes. Hoje, os animais zebuínos apresentam ganho de peso comparável ao das melhores raças européias — um salto que reposicionou o Zebu, antes visto como exótico, no centro da pecuária moderna.

O desafio agora não é apenas produzir mais, mas produzir melhor. Consumidores, especialmente nos mercados internacionais, estão cada vez mais atentos a atributos como maciez, sabor, padronização e sustentabilidade. Esse movimento abre espaço para agregar valor, conquistar novos nichos e consolidar o Brasil também como referência em carne de alta qualidade.

A pecuária norte-americana enfrenta uma redu-

ção no tamanho do rebanho bovino, criando uma janela de oportunidade para o Brasil ampliar sua presença global. Mais do que ocupar espaço, o país tem condições de avançar com produtos de maior valor agregado, fortalecendo a competitividade e diversificando mercados. Outro aspecto que começa a ganhar protagonismo é o sabor. Estudos iniciais indicam que a carne proveniente de animais zebuínos selecionados pode apresentar características sensoriais diferenciadas e altamente competitivas. Trata-se de um campo promissor, que exige o aprofundamento de pesquisas para identificar linhagens, raças e estratégias de seleção capazes de valorizar ainda mais esse atributo.

Nesse contexto, ganham relevância ações integradas entre instituições, especialmente por meio de eventos técnicos voltados à promoção do conhecimento. Um exemplo é o Conacarne, que teve sua primeira edição em 2025, promovido pelo Sistema CNA/ Senar/FAEMG, com apoio da ABCZ, consolidando um espaço de debate qualificado sobre os rumos da pecuária brasileira.

O Brasil já demonstrou, ao longo de sua história, capacidade de evoluir rapidamente quando há coordenação entre produtores, instituições e pesquisa. Por isso, o Sistema Faemg Senar segue ao lado do produtor rural, levando assistência técnica e gerencial até as propriedades, incentivando a adoção de boas práticas, a capacitação e a inovação no campo.

Genética zebuína supera 17,4 milhões de doses no Index ASBIA

Dados do segundo semestre de 2025 mostram a liderança do Nelore na comercialização de sêmen e a presença consistente de outras raças zebuínas na difusão genética

Fotos:

Os dados do Index da Asbia, a Associação Brasileira de Inseminação Artificial, referentes ao segundo semestre de 2025, confirmam a forte presença das raças zebuínas na genética da pecuária brasileira. Considerando todas as movimentações registradas no levantamento, que incluem vendas, exportações, importações, produção e prestação de serviços, o Zebu somou 17.405.586 doses de sêmen no período.

Dentro desse total, o Nelore lidera amplamente a movimentação genética, com 15.909.789 doses. Também aparecem no levantamento o Gir Leiteiro (800.117 doses), Sindi (222.441), Brahman (162.082), Tabapuã (141.624), Guzerá Leiteiro (117.865), Guzerá (37.581) e Indubrasil (14.087). A maior parte desse volume está concentrada no mercado interno.

Apenas nas vendas realizadas no Brasil, as raças zebuínas alcançaram 7.485.222 doses, com ampla liderança do Nelore (7.035.316), principal base genética da pecuária de corte nacional. Outras raças zebuínas também aparecem no levantamento, ainda que em menor escala, como Gir Leiteiro (230.252), Sindi (68.244), Brahman (54.788 doses), Guzerá Leiteiro (32.958), Tabapuã (48.214), Guzerá (7.865) e Indubrasil (7.585).

No comércio internacional, a exportação de genética zebuína somou 411.321 doses no semestre. Os embarques incluem material genético de diferentes

raças zebuínas, com destaque para o Nelore, e ainda para as raças leiteiras utilizadas em programas de melhoramento em outros países.

Os dados também registram a produção de sêmen realizada no período. Nesse indicador, as raças zebuínas somaram 8.825.330 doses produzidas, com liderança do Nelore (7.995.679). Em seguida aparecem Gir Leiteiro (457.190), Brahman (76.041), Guzerá Leiteiro (72.955), Sindi (129.586), Tabapuã (66.525), Guzerá (20.997) e Indubrasil (6.357).

Para Mauro Bueno da Fonseca, gerente do Departamento de Programas Técnicos e Fomento (DPTF) da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), os números reforçam a confiança do produtor no Zebu.

“Os dados ratificam a consistência da genética zebuína para a pecuária, reforçando-a com a base para projetos de seleção e utilização maciça nos cruzamentos”, afirma.

Segundo ele, a liderança do Nelore reflete décadas de seleção genética voltadas para produtividade e adaptabilidade, “mas também é importante observar a presença de outras raças zebuínas, responsáveis por ampliar a diversidade genética e atender estratégias de produção diferentes que existem dentro da pecuária, principalmente em se tratando de um país heterogêneo como o Brasil”, completa.

Index Asbia Embriões entra em fase de consolidação e busca adesão de laboratórios

Além dos números já consolidados da inseminação artificial, o setor de genética bovina caminha para ampliar a base de informações disponíveis com a criação do Index Asbia Embriões, iniciativa que pretende reunir dados nacionais sobre a produção e transferência de embriões.

A nova base está atualmente em fase de coleta, análise e consolidação das informações, com foco na estruturação do banco de dados e na ampliação da adesão de laboratórios e centrais de genética. O objetivo é construir um panorama confiável sobre o uso da tecnologia no país. Segundo a executiva da Asbia, Lilian Matimoto, os dados referentes ao primeiro semestre de 2025 já estão fechados, mas nesta etapa inicial eles não serão divulgados ao mercado. “Neste primeiro momento, os dados serão compartilhados apenas com os associados da Asbia e com os laboratórios que estão colaborando com o envio das informações”, explica.

Para estruturar o levantamento, a associação optou por utilizar parâmetros e informações que os laboratórios já enviam ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A partir desses dados, foi criada uma planilha padronizada, preenchida diretamen-

te pelos laboratórios participantes, simplificando o processo de envio e organização das informações.

Após a coleta, os dados passam por um processo de curadoria e consolidação, sendo encaminhados diretamente para o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP), responsável pelo tratamento e análise estatística das informações. “A planilha está passando por um processo de curadoria e os dados seguem diretamente para o Cepea, que faz a compilação. A ideia é continuar ampliando o nível de detalhamento dessas informações ao longo das próximas edições”, destaca Lilian.

Como forma de incentivo à participação, os laboratórios que colaboram com o envio dos dados recebem posteriormente o compilado consolidado, permitindo acompanhar o comportamento do mercado e contribuir para a construção de um banco de dados mais completo.

A expectativa é que, com a ampliação da adesão das centrais e laboratórios, o Index ASBIA Embriões se consolide como uma referência nacional também para o acompanhamento do avanço das biotecnologias reprodutivas na pecuária brasileira.

NOVA FRENTE DE DADOS DO SETOR
Lilian Matimoto, executiva da Asbia

O crescimento do uso da genética zebuína e seus impactos na produtividade da pecuária brasileira

Thiago Bernardino de Carvalho Pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea Esalq/USP)

Nos últimos anos, a evolução da pecuária brasileira, de corte e leite, é notória e pautada no avanço no emprego de tecnologias nas fazendas brasileiras, baseado principalmente nos insumos de nutrição, sanidade, pastagem e genética.

Dentre eles, a genética vem ganhando notoriedade e importância para o crescimento da atividade no país. E, a genética zebuína teve papel central no desenvolvimento da pecuária brasileira, especialmente na bovinocultura de corte. Raças de origem indiana (como Nelore, Gir e Guzerá) foram fundamentais para adaptar o rebanho às condições tropicais do Brasil.

Entre as principais características para o emprego de raças zebuínas no Brasil, está em primeiro lugar a adaptação ao clima tropical, por se tratar de raças altamente resistentes ao calor, parasitas (como carrapatos) e doenças comuns em regiões quentes, permitindo a expansão da pecuária para áreas como o Cerrado e o Centro-Oeste, onde raças europeias tinham baixo desempenho.

Uma segunda característica dessas raças é a eficiência produtiva em sistemas extensivos de produção que, por muitos anos, foram e ainda são muito presentes na produção nacional, com os animais conseguindo ganhar peso mesmo em pastagens de menor qualidade, o que reduziu custos de produção e viabilizou a criação em larga escala, base do modelo brasileiro.

Hoje, a maior parte do rebanho de corte do Brasil tem predominância de sangue zebuíno, especialmente da raça Nelore, que se tornou a principal do país. Dados da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), em trabalho desenvolvido em conjunto com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), mostram que nos últimos anos houve um incremento de uso de inseminação artificial no país, contribuindo para o melhoramento genético do setor, além de que programas de seleção junto a instituições como a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu foram fundamentais para aprimorar características como ganho de peso, fertilidade e qualidade de carcaça.

E umas das raças que mais vem se destacando é a raça Nelore, com demanda crescente dado ao melhoramento genético. A Figura 1 mostra a evolução da participação de venda de sêmen de Nelore no mercado brasileiro. No início da década de 2010 a porcentagem de mercado da raça ficou abaixo de 50%, atingindo seu máximo no ano de 2023 e recuando um pouco até 2025.

O ciclo pecuário de preços, assim como a necessidade de manter matrizes Nelore para o cruzamento industrial, fez com que pecuaristas buscassem essa genética entre 2022 e 2024.

Figura 1 - Participação de mercado de semên Nelore Nesse ponto, o uso de zebuínos em cruzamentos com raças europeias (como Angus) gerou animais mais produtivos, combinando rusticidade com melhor qualidade de carne – cuja estratégia está sendo amplamente utilizada nos dias de hoje.

Um ponto de destaque na análise da raça zebuína recai sobre a análise econômica, com a adaptação e eficiência dos zebuínos contribuindo para que o Brasil se tornasse um dos maiores produtores e exportadores de carne bovina do mundo.

Observa-se que, sem a genética zebuína, seria muito mais difícil desenvolver uma pecuária competitiva em clima tropical, pois continua sendo a base da produtividade, expansão territorial e competitividade do setor no Brasil.

E, quando observados os ganhos de produção pelo uso de tecnologia, entre eles, a genética, dados do Cepea mostram uma evolução do peso de animais desmamados, principalmente oriundos de genética zebuína (Figura 2).

É possível observar que o peso médio do bezerro desmamado no estado do Mato Grosso do Sul saiu de 182,6 quilogramas para 198,71, atingindo em determinados meses o valor de 230 kg, sinalizando a evolução clara de ganhos produtivos por animal, como resultado de um melhor manejo e uso de genética.

Fonte: Asbia
Fonte: Cepea
Figura 2 – Peso do bezerro desmamado

Da visão pioneira de Rodolfo Machado Borges à consolidação da Ipê Ouro, trajetória atravessa gerações e se confunde com a própria história da pecuária zebuína brasileira

Thaís Ferreira

Fotos: Arquivo Pessoal

Antes de a pecuária zebuína brasileira alcançar o reconhecimento internacional que tem hoje, alguns criadores já compreendiam que o futuro do rebanho nacional dependia da introdução e da seleção criteriosa de animais de origem indiana. Em 1906, Rodolfo Machado Borges deu início à Marca R, estabelecendo as bases de um trabalho que atravessaria gerações e ajudaria a moldar a história da pecuária.

A seleção surgiu em um momento decisivo para a consolidação do Zebu no país. Poucos anos antes, em 1893, Teófilo de Godoy havia se tornado o primeiro brasileiro a viajar à Índia para importar animais zebuínos, movimento que abriria caminho para uma transformação profunda da pecuária nacional.

Atento a esse cenário, Rodolfo Machado Borges desenvolveu um trabalho pautado por visão de longo prazo, planejamento genético e rigor na seleção. Apaixonado pelas raças zebuínas, criava Gir, Guzerá e Nelore com o objetivo de formar um rebanho funcional, adaptado às condições brasileiras e produtivo. Defendia características como rusticidade, fertilidade e precocidade, além de evitar a consanguinidade excessiva, uma abordagem considerada avançada para a época.

Início da seleção da Marca R, a partir de animais adquiridos de José Caetano, base de um trabalho que marcaria a história do Zebu no Brasil

Os resultados vieram rapidamente. Em 1911, a Marca R conquistou a Medalha de Ouro na Exposição Pecuária de Uberaba. Em 1917, passou a integrar a primeira edição da Exposição Regional de Gado Zebu de Uberaba, evento que deu origem à ExpoZebu.

A BASE GENÉTICA DA SELEÇÃO

A consolidação da Marca R ganhou novo impulso em 1920, com a participação de Rodolfo Machado Borges em uma importante importação de animais diretamente da Índia. Dessa iniciativa vieram reprodutores e matrizes que se tornaram fundamentais para a formação da genética Gir no Brasil, como os touros Vassarí e Vesúvio, além das fêmeas Menina, Tonta, Esterlina, Paineira e Rainha.

Ao longo das décadas seguintes, a seleção se consolidou como uma das mais importantes da raça Gir no país. O reconhecimento máximo viria em 1938. Naquele ano, o touro Martelo, adquirido de Antenor Machado, conquistou os títulos de Grande Campeão Gir e Grande Campeão Nacional. Mais do que os títulos, entrou para a história ao receber o Registro Genealógico nº 1 das raças zebuínas brasileiras. A marcação foi realizada pelo então presidente da República, Getúlio Dornelles Vargas, durante a inauguração do Parque da Gameleira, em Belo Horizonte.

Outros animais da Marca R participaram desse momento histórico. O touro Vesúvio recebeu o registro nº 6 e Indhu o nº 7. Naquele período, foram registradas no Brasil 90 fêmeas da raça Gir, sendo 64 da Marca R, entre elas, a matriz Moreninha R, de registro nº 1. Na raça Nelore, foram registrados seis machos, quatro deles da Marca R (Louro nº 2, Ceylão nº 4, Indhu nº 5 e Guarujá nº 6), além de 37 fêmeas, sendo 18 pertencentes ao criatório da família.

CONTINUIDADE E SUCESSÃO FAMILIAR

A continuidade sempre foi um dos pilares da trajetória da Marca R. Em 1948, Arnaldo Machado Borges assumiu o criatório, dando sequência ao trabalho iniciado por Rodolfo Machado Borges. Ao lado da esposa, Yeda Maria Borges, conduziu uma nova fase da seleção, mantendo os princípios originais e fortalecendo a base genética do rebanho.

Segunda geração à frente da Marca R desde 1948, Arnaldo Machado Borges conduziu, a partir de 1948, uma nova fase da seleção ao lado de Yeda Maria Borges
Rodolfo Machado Borges ao lado de Getúlio Dornelles Vargas, durante a marcação do touro Indhu
Martelo, Grande Campeão Gir e Nacional em 1938, tornouse o primeiro animal a receber o Registro Genealógico das raças zebuínas no Brasil

Chave de Ouro, ícone da raça Gir, Grande Campeão Nacional em Uberaba (1956), tornou-se um dos principais pilares da seleção

Em 22 de fevereiro de 1952, nasceu na Fazenda Laranjeiras o touro Chave de Ouro, um dos maiores ícones da raça Gir. Filho de Bey na Anabela, o animal se tornaria um divisor de águas para a raça, não apenas pelos títulos, como o de Grande Campeão Nacional em 1956, mas principalmente por sua forte influência genética, que ajudou a redefinir os rumos da seleção Gir no Brasil.

Em 1966, a história de Rodolfo Machado Borges foi eternizada no Parque Fernando Costa, em Uberaba, onde um busto em sua homenagem passou a compor o conjunto histórico do local.

O NASCIMENTO DA IPÊ OURO

Em 1980, o legado da Marca R ganhou um novo capítulo com a criação da Ipê Ouro, projeto idealizado por Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges. O nome do criatório carrega referências diretas à história da família e da própria seleção.

“A escolha do nome Ipê Ouro vem de uma conjunção de fatos, para homenagear a história de seleção de meu pai e a exuberante natureza do nosso país. Meu pai tinha um touro Gir, o Ipê Ouro R-7, Grande Campeão Nacional. Além disso, o Ipê é a árvore que representa o Brasil, e o Ouro remete ao Chave de Ouro, um divisor de águas na raça”, conta Arnaldo Manuel.

A formação inicial do rebanho da Ipê Ouro foi estruturada no início dos anos 1980 com base na genética da Marca R. O plantel começou com 20 novilhas R7, somadas a bezerras oriundas de linhagens consagradas, incluindo animais da VR e da Zebulândia.

Entre esses animais estava a Turquesa da Europa VR, que se tornaria a primeira doadora do plantel e marcaria o início de uma nova fase da seleção.

Nas décadas de 1980 e 1990, a Ipê Ouro incorporou tecnologias e programas de melhoramento genético, participando de iniciativas em parceria com a ABCZ e a Embrapa, além de adotar precocemente ferramentas como a fertilização in vitro.

Desse trabalho surgiram animais de grande impacto na raça Nelore, como Gandhi, primeiro grande reprodutor de destaque da seleção Ipê Ouro, e Ranchi, considerado um dos grandes divisores de águas da raça.

Ranchi ultrapassou a marca de 400 mil doses de sêmen comercializadas e mais de 90 mil filhos registrados, consolidando a Ipê Ouro como uma das importantes formadoras de genética Nelore no país.

UM LEGADO ENTRE GERAÇÕES

A partir dos anos 2000, a quarta geração da família passou a atuar diretamente na condução do trabalho da Ipê Ouro.

Ana Carolina, João Marcos, Manuel Eduardo e Maria Isabel participam ativamente da seleção, dando continuidade ao legado construído ao longo de mais de um século.

Para João Marcos, essa continuidade está diretamente ligada à convivência e à transmissão de valores.

“Nós repetimos a receita que nossos pais fizeram conosco. Os filhos convivem nas fazendas, nos leilões e na ExpoZebu. É assim que esse legado segue adiante”.

“Eu nasci nesse negócio. Perguntam quando eu

Família reunida junto ao busto de Rodolfo Machado Borges, no Parque Fernando Costa, em Uberaba (MG), homenagem que eternizou o legado do selecionador

decidi seguir esse caminho, mas eu digo que decidiram por mim em algum momento, porque eu cresci vivendo isso”.

RECONHECIMENTO E ALCANCE INTERNACIONAL

A trajetória da Marca R e da Ipê Ouro é reconhecida por diferentes gerações da pecuária zebuína brasileira. Durante o leilão comemorativo realizado na 91ª ExpoZebu, o leiloeiro Paulo Brasil destacou o papel dos criadores pioneiros na construção da pecuária nacional.

“Pessoas visionárias trabalharam há mais de um século para construir o que vivemos hoje”.

Já o leiloeiro Paulo Horto ressaltou a força da continuidade familiar. “O agronegócio é família, tradição, trabalho e dedicação. O que vemos aqui é a construção de um legado”

Além do reconhecimento técnico, a história da família também é marcada por relações duradouras. O tratador Nilson Lúcio acompanha o trabalho desde os anos 1980.

“Criamos uma grande amizade. Trabalhei na fazenda deles durante anos e nunca deixei de acompanhar esse trabalho”.

A influência da genética da Marca R e da Ipê Ouro também ultrapassou fronteiras. Na Bolívia, a seleção brasileira teve papel importante no desenvolvimento da raça Nelore, como destaca Júlio Nacif.

“Começamos a criação de Nelore na Bolívia com a ajuda deles. É uma grande satisfação participar da comemoração dos 120 anos da Marca R e da Ipê Ouro.”

Arnaldo Manuel ao lado dos filhos Ana Carolina, João Marcos, Maria Isabel, e Manuel Eduardo, a continuidade de um legado centenário

aos 120 anos da

Terceira geração da Marca R, Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges, fundou a Ipê Ouro em 1980
Família Machado Borges reunida durante o Leilão Ipê Ouro 2026, em celebração
Marca R, cinco gerações conectadas por um mesmo legado

ACGB celebra 70 anos de promoção do Guzerá

Entidade vem desenvolvendo uma série de ações para ampliar rebanhos puros da raça, exposições, pesquisas e provas zootécnicas

Fotos: ACGB

Uma das primeiras associações de criadores de raças zebuínas a ser fundada no Brasil, a Associação dos Criadores de Guzerá e Guzolando do Brasil (ACGB) está comemorando seu “Jubileu de Platina” em 2026. A entidade foi fundada no diav 22 de maio de 1956, em assembleia realizada durante a 1ª Exposição de Gado Indiano, em São Paulo, com a presença de 40 pessoas. A primeira diretoria era composto pelo presidente Napoleão Fontenelle e pelos diretores Edilberto Ribeiro de Castro, Eduardo Duvivier, Durval Garcia de Menezes e Margarida Monnerat (Conselho Deliberativo).

Agora, a ACGB chega aos 70 anos com projetos voltados para a consolidação da raça tanto no mercado de corte quanto de leite, dentro e fora do Brasil. “Desde o início da história da ACGB, houve uma preocupação com o desenvolvimento de tecnologias capazes de auxiliar o criador na seleção de seus animais. Mantivemos parcerias com diversas entidades, o que permitiu a avaliação da raça em provas zootécnicas, pesquisas e programas de melhoramento. Hoje, ferramentas de ponta, como por exemplo a genômica e a ultrassonografia de carcaça, estão sendo utilizadas por criatórios de todo o Brasil, contribuindo para ampliar a confiança do mercado em nossa raça”, assegura o presidente da ACGB, Raul Prates.

O Guzerá está entre as 10 raças com mais doses de sêmen coletadas no Brasil em 2025 e entre as mais exportadas, especialmente para países como Colômbia, Costa Rica, Equador, Guatemala, Honduras, Panamá, Paraguai e República Dominicana. O envio de animais vivos também vem crescendo. Em 2025, quase duas mil fêmeas Guzerá foram exportadas para países da região central da África, como a República do Congo, Camarões, Gabão e Costa do Marfim. Essas nações estão apostando na genética Guzerá para elevar a produção de carne e leite dos rebanhos locais.

Segundo o presidente da ABCZ Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges, esse reconhecimento do mercado aponta que o trabalho desenvolvido pela ACGB ao longo dessas sete décadas está na direção certa. “Da beleza racial inconfundível à proficiência na produção de carne e de leite, o Guzerá e o Guzolando representam muito bem o valor do Zebu para a pecuária tropical. A ACGB realiza um trabalho de excelência que completa 70 anos na promoção dessas raças tão importantes. Seja em rebanhos de raça pura ou de cruzamento, o melhoramento genético é o caminho consolidado para o desenvolvimento das cadeias produtivas, e é essa máxima que a ACGB representa”, diz o presidente da ABCZ.

MODERNIZAÇÃO DOS REGULAMENTOS

DAS

EXPOSIÇÕES

Nos últimos anos, a quantidade de eventos com a participação do Guzerá tem crescido, contribuindo para dar maior visibilidade à raça e às suas caracte-

rísticas técnicas. Neste sentido, a Exposição Nacional de Guzerá passou a ser itinerante e em 2026 ocorrerá em Uberaba, no mês de outubro, paralelo à Expoleite. Com o objetivo de ampliar a participação dos criadores e valorizar os animais de maior longevidade e de melhor eficiência reprodutiva, a ACGB adotou novos regulamentos para competições de corte, de leite e os torneios leiteiros. As regras foram atualizadas em conjunto com a ABCZ com o objetivo de refletir a evolução da raça nas disputas em pista de julgamento e nos torneios leiteiros. “Na elaboração das regras que norteiam os julgamentos do Guzerá Leiteiro na Expozebu, a ACGB trouxe contribuições decisivas para tornar esse certame representativo do ideal dos julgamentos, a união de raça, morfologia e produtividade”, diz Luiz Antonio Josahkian, superintendente Técnico da ABCZ.

No caso do Regulamento de Corte, as mudanças foram feitas para permitir que animais de várias idades participem das competições. Além disso, foi criado o campeonato “Conjunto Família”, estabelecida idade mínima para o segundo parto, reduzida a idade do desmame e passou a ser exigida prenhez para as fêmeas que deixaram de ter um bezerro ao pé.

No Regulamento de Leite, ocorreram as maiores mudanças. A proposta foi intensificar a seleção leiteira para os animais que participam da pista de leite. Entre as alterações feitas estão: confiabilidade/acurácia acima da média da raça para os touros, pais dos animais que competirão em julgamento; para as mães, lactação mínima de 2.700 kg. O biotipo para o julgamento do Guzerá Leiteiro foi divulgado para os jurados da ABCZ, durante a Expoleite 2025, com o objetivo de padronizar a atuação dos profissionais nas exposições de todo o Brasil. “Se no corte preconizamos a longevidade por mostrar animais em maior idade, avaliando a funcionalidade e eficiência reprodutiva dos exemplares, na pista do leite podemos dizer que eles têm de apresentar maior aptidão leiteira, além de serem mais funcionais”, informa o vice-presidente da ACGB Eros Gazzinelli.

Primeira diretoria da ACGB reunida em 1956
Raul Prates, presidente da ACGB

Já as mudanças nas regras dos torneios leiteiros oficiais da raça contemplaram quantidade mínima de fêmeas e expositores nas categorias Fêmea Jovem, Vaca Jovem e Vaca Adulta, horário do trato e banho dos animais.

Além das atualizações promovidas nos regulamentos, foi implantado, a partir do Ranking Nacional 2025, um sistema digital, desenvolvido especialmente para a raça Guzerá, tanto o julgamento de leite quanto o de carne. Ele permite a inclusão em tempo real dos resultados por categoria de cada evento, a geração das pontuações de cada expositor e o acesso rápido dos associados às premiações. Outra vantagem do sistema é o acesso ao catálogo de animais de cada exposição.

“O fato de o Guzerá trazer em sua história uma seleção voltada para produção de leite contribui para a raça apresentar valores médios de marmoreio um pouco mais altos que em outros zebuínos”

Para valorizar o trabalho dos expositores, a ACGB instituiu a premiação dos Melhores do Ranking Nacional - Aptidão Corte e Aptidão Leite, que anualmente ocorre durante a ExpoZebu.

MELHORAMENTO GENÉTICO

A ACGB vem incentivando os rebanhos associados a participarem cada vez mais de provas zootécnicas, visando o melhoramento da raça. A associação adotou um sistema de benefícios que prevê o uso de 50% do valor da anuidade para o custeio de inscrições dos animais em provas oficiais de desempenho ou coleta de dados nos programas que integram. Outra medida adotada foi a doação de 10 doses de sêmen disponíveis na entidade para novos associados.

Outra iniciativa para garantir o avanço genético da raça é o fomento ao uso da ultrassonografia de carcaça junto aos criatórios de Guzerá associados em todo o país. A medida está permitindo o aumento dos dados referentes à Área de Olho de Lombo (AOL), Espessura de Gordura Subcutânea (EGS) e Acabamento de Carcaça (ACAB) de vários programas de melhoramento, contribuindo para a publicação de DEPs genômicas/genéticas.

No caso do PMGZ, as primeiras avaliações genéticas da raça para ACAB e AOL foram lançadas no final de 2025. Graças ao esforço conjunto de criadores, da ACGB e da ABCZ para ampliação das informações, foi possível inserir registros de mais de 5 mil animais.

Como os valores de herdabilidade das características de carcaça são de moderados a altos (37 a 70%), a avaliação de ultrassonografia em grupos de contemporâneos contribui para aumentar a frequência destas características no rebanho, incidindo em melhorias no rendimento de carcaça, fertilidade e maciez da carne da raça.

Os resultados vêm comprovando o que os criadores da raça já sabiam, mas de forma empírica. O percentual de animais com maior índice de marmoreio nos plantéis está acima de outras raças de corte. “O fato de o Guzerá trazer em sua história uma seleção voltada para produção de leite contribui para a raça apresentar valores médios de marmoreio um pouco mais altos que em outros zebuínos. Os criadores entenderam que a multiplicação dos indivíduos expoen-

Foto: Zzn Peres

tes da raça incide diretamente em carne de qualidade no rebanho comercial, agregando valor aos animais”, explica a diretora da DGT Brasil, Liliane Suguisawa.

PARCERIAS DE PESQUISAS

Vários estudos sobre a raça Guzerá vêm sendo conduzidos por instituições de pesquisa em parceria com a ACGB. No final de 2025, foi assinado um acordo entre várias entidades, entre elas a Embrapa Gado de Leite e a ANCP, para implementar um projeto de avaliação do Guzerá Duplo Propósito que utilizará diferentes técnicas.

Um dos estudos visa integrar as avaliações genéticas das linhagens de corte, leite e duplo propósito para o desenvolvimento de índices de seleção para os três tipos de sistemas de produção. Dados genômicos apontarem ser possível o melhoramento conjunto para características de produção de leite, crescimento e reprodução, pois há correlações genéticas favoráveis entre elas.

O estudo preliminar utilizou amplo banco de fenótipos de características de corte e leite, provenientes das bases de dados do Centro Brasileiro de Melhoramento Genético do Guzerá (CBMG) e da ABCZ. Já os dados genômicos gerados pela parceria Embrapa-CBMG foram, em sua maioria, obtidos de vacas com fenótipos apenas para características leiteiras. “A conexão genética entre rebanhos de corte e leite e de duplo propósito permitiu confiabilidade ao estudo, que trouxe co-

nhecimentos sobre a variabilidade genética, regiões gênicas, mecanismos de ação e efeitos de genes envolvidos na expressão dessas características”, explica Maria Gabriela Campolina Diniz Peixoto, pesquisadora da Embrapa Gado de Leite.

O incentivo às pesquisas permeia a trajetória da ACGB ao longo de seus 70 anos. Tudo começou quando, em 1992, Bernhard Winkler assumiu a presidência da associação. Ele tinha a convicção de que, para “alavancar” comercialmente a raça Guzerá, era preciso demonstrar cientificamente seus méritos e promover em moldes científicos modernos seu melhoramento. Para que isto se concretizasse, era necessário estabelecer convênios com universidades e instituições de pesquisa para realizar estudos com o Guzerá e iniciar programas de avaliação genética para características de carne, leite e reprodução. Foi, então, criado o CBMG para cumprir a função de “braço técnico” da ACGB. “O objetivo era produzir ferramentas genéticas confiáveis, que atendessem a todos, e manter a união entre os criadores a despeito dos diferentes objetivos. Com a participação de um pequeno grupo de criadores foi possível gerar dados de alta qualidade que permitiram, em 1994, dar início a um Teste de Progênie para características leiteiras e um Núcleo MOET de seleção para dupla aptidão”, lembra Vânia Maldini Pena, conselheira Científica da ACGB, que participou da fundação do CBMG.

“Os criadores entenderam que a multiplicação dos indivíduos expoentes da raça incide diretamente em carne de qualidade no rebanho comercial, agregando valor aos animais”

Já o Programa Nacional de Melhoramento do Guzerá para

Foto: Zzn Peres
Raça Guzerá marcou presença nas principais exposições
Guzonel: cruzamento tem um grande potencial para potencializar a lucratividade de sistemas de produção de carnes

Leite (PNMGuL) tem contribuído desde o ano 2000 para disponibilizar ao mercado animais provados. Há 26 anos, o programa vem publicando o Sumário do Guzerá. Já foram disponibilizados os méritos genéticos de mais de 700 touros e mais de mil matrizes puras na forma de classificação (ranking) para leite. Já o Teste de Progênie ultrapassou a marca de 100 touros provados e segue engajado na distribuição de sêmen e controle zootécnico das filhas de outros 100 jovens reprodutores.

GUZOLANDO MAX

Cruzamento utilizado no Brasil desde os anos de 1920, por conta da rusticidade e boa produção leitei-

ra, o Guzolando começa a escrever um novo capítulo de sua história a partir de 2025. A partir deste ano, as fêmeas passam a contar com um certificado de qualidade superior que será emitido pela ABCZ.

Intitulado “Certificado F1 Max”, o documento é resultado da solicitação apresentada no final de 2024 pela ACGB à equipe técnica e diretoria da ABCZ. “A ACGB tem tido uma participação muito ativa nas discussões das diretrizes seletivas da raça Guzerá, inclusive ampliando suas ações estimulando o uso da raça nos cruzamentos, especialmente aqueles voltados à produção de leite. Neste sentido, trabalhou intensivamente na construção do chamado F1 Max, uma certificação de fêmeas provenientes de animais provados para leite”, informa Josahkian.

O certificado F1 Max agregará ainda mais valor às fêmeas Guzolando no momento da comercialização, pois será a garantia de que o comprador levará para seu rebanho uma genética superior, com produção de leite comprovada.

Para ampliar o uso do Guzolando no Brasil, a ACGB ainda propôs alterações nas regras do registro visando a abertura do Livro de Registro na categoria PS – Puros Sintéticos. As propostas foram debatidas e aprimoradas pela diretoria da associação e pelo departamento técnico da ABCZ e pelo Conselho Deliberativo Técnico do Guzerá. Em seguida, o projeto foi submetido ao Ministério da Agricultura e Pecuária que deu o aval para o estabelecimento do Guzolando como uma raça sintética, desde que sejam atendidas uma série de determinações referentes ao registro.

“O certificado F1 Max agregará ainda mais valor às fêmeas Guzolando no momento da comercialização, pois será a garantia de que o comprador levará para seu rebanho uma genética superior, com produção de leite comprovada.”

A ACGB trabalhará em conjunto com a ABCZ para dar andamento ao projeto.

QUALIDADE COMPROVADA DO GUZONEL

A eficiência do Guzonel (Guzerá x Nelore) foi comprovada pelo Programa Zebu Carne de Qualidade da ABCZ, que avaliou o desempenho dos animais, da recria até o abate. Os 32 bezerros Guzonel participantes apresentaram o maior peso inicial (263 kg) e final (415 kg) de todos os cruzamentos entre zebuínos avaliados, com ganho médio diário de 680 gramas, além de ter o melhor Índice Prova Ganho em Peso.

No teste de eficiência alimentar (CAR), o Guzonel também teve o melhor índice final. Os dados apresentados de eficiência alimentar dos animais Guzonel são expressivos, enfatizando que este cruzamento tem um grande potencial para potencializar a lucratividade de sistemas de produção de carne.

Os dados de abate também comprovaram a superioridade do Guzonel. Ele teve o maior peso vivo entre os grupamentos e maior espessura de gordura e um dos melhores desempenhos em AOL. No geral, 84% da carne avaliada foi considerada macia.

MARKETING DO GUZERÁ

Além dos projetos técnicos de avanço da raça,

a ACGB tem realizado ações em eventos, veículos de comunicação e nas redes sociais para divulgar as vantagens de utilizar a genética Guzerá. Foram feitas degustações de carne e de queijos em leilões e importantes exposições do país, dentre elas Feicorte, ExpoZebu, Expogenética, Goiás Genética, ExpoBrasília e ExpoParacatu.

Para atingir um público ainda maior, o perfil da ACGB no Instagram divulga diariamente informações sobre a raça e a entidade. Também vêm sendo feitas publicações jornalísticas em revistas e sites do setor.

As ações de marketing sempre fizeram parte da história da entidade. Um dos slogans mais marcantes foi “Crie e use Guzerá, essa raça dá lucro!”, lançado na gestão de Renato Egídio Olivé Esteves, que presidiu a ACGB entre 2005 e 2009. Sua gestão também ficou marcada pela instituição do troféu “Guzerá de Ouro”, que premiava personalidades de destaque da raça, a inauguração da sede no Parque Fernando Costa, em 2010, pela estreia do Guzerá na Feicorte, convênio com a ABCZ para o registro do Guzolando, dentre outras ações. “A união dos criadores e o bom momento da pecuária contribuíram para que pudéssemos realizar vários projetos, dentre eles a construção da nova sede, que foi erguida com recursos doados pelos associados. Importantes criadores de

outras raças também passaram a investir no Guzerá e isso tornou a raça ainda mais valorizada no mercado”, lembra Esteves.

O atual diretor Técnico, Carlos Fernando Fontenelle, que presidiu a ACGB entre 2023 e 2025, ressalta que o trabalho de fomento da raça sempre permeou as ações da entidade desde sua fundação. “Os pioneiros da ACGB entenderam que a divulgação das vantagens do Guzerá, a sua promoção em eventos e o desenvolvimento de pesquisas e provas zootécnicas seriam fundamentais para colocar a raça como ferramenta importante para a produção de leite e de carne no mundo tropical. Hoje, temos uma raça moderna e capaz de contribuir para o sucesso de vários cruzamentos, com eficiência comprovada”, diz Fontenelle, neto do fundador Napoleão Fontenelle.

O premiado fotógrafo Zezinho Peres também ressalta a importância dos pioneiros para a consolidação da ACGB e da raça Guzerá. “O Guzerá me deu muitas alegrias à minha família. Meu pai, José Resende Peres, foi presidente da ACGB durante13 anos. A entidade não tinha funcionários e funcionava no mesmo local onde era o escritório do meu pai porque

os recursos eram poucos, pois ainda tinham poucos sócios pagantes. Ele escrevia uma coluna semanal no jornal O Globo, aos domingos. Pelo menos uma vez por mês o assunto era Guzerá. Os pioneiros eram solidários. Costumavam presentear os amigos com animais que consideravam bons de leite”, lembra Zezinho que foi diretor da ACGB por três mandatos e contribuiu para a implantação do controle leiteiro oficial de zebuínos da ABCZ.

PRESIDENTES

Em seus 70 anos, a ACGB foi presidida pelos criadores: Napoleão Fontenelle, José Resende Peres, Bernard Karl Georg Winckler, João Gomes Granjeiro, Carlos Fernando Falcão Pontual, Camillo Collier Filho, Francisco de Assis da Câmara F. de Melo, Paulo Roberto Brasileiro de Miranda, José Orlando Duarte, Aldo Tonetto, Benício Cunha Cavalcante, Renato Egídio Olivé Esteves, Paulo Roberto Menicucci, Antônio Pitangui de Salvo, Adriano Varela Galvão, Marcos de Almeida Carneiro, Carlos Fernando Fontenelle Dumans. De 2026 a 2028, a entidade terá em sua presidência o criador Raul Prates.

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Uberaba Mais Genética: parceria leva inovação ao campo e fortalece a pecuária local

Com o apoio da ABCZ, programa amplia o acesso à genética de qualidade e fortalece a produtividade de pequenos e médios produtores

Thaís Ferreira

Fotos Lílian Veronezi - PMU

Referência histórica na pecuária zebuína, Uberaba dá mais um passo para consolidar sua posição no cenário nacional ao ampliar o acesso ao melhoramento genético. Lançado em dezembro de 2025, o Programa Uberaba Mais Genética conecta tradição, tecnologia e cooperação para levar inovação ao campo, especialmente aos pequenos e médios produtores.

Desenvolvido pela Prefeitura de Uberaba, por meio da Secretaria do Agronegócio (Sagri), o programa reúne uma ampla rede de parceiros do setor, como a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), o Sindicato dos Produtores Rurais de Uberaba, a Alta Genetics do Brasil, a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, a Emater e o Sistema Faemg/Senar.

“É muito importante para a nossa região manter essa tradição na pecuária e na produção de material genético oriundo da Índia. Somos um polo histórico, marcado pelo trabalho dos pioneiros, e isso reforça ainda mais a relevância do setor. Sem dúvida, progra-

mas como esse contribuem de forma decisiva para o avanço dos criadores e para o contínuo melhoramento genético”, aponta o presidente da ABCZ, Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges.

A avaliação é compartilhada pelo superintendente técnico da ABCZ, Luiz Antonio Josahkian, que destaca o potencial de Uberaba para avançar ainda mais. “Uberaba reúne todas as condições para se tornar um polo de referência internacional para o estabelecimento de uma pecuária tropical sustentável e lucrativa, e a genética melhoradora, sem dúvida, é um dos insumos mais relevantes para alcançarmos esse status. O poder público municipal, ao instituir políticas que levem essa genética até os pequenos e médios produtores, estabelece ações de parcerias entre instituições e empresas, potencializando os resultados”, pontua.

O programa já começou a gerar resultados no campo. Em janeiro deste ano, os primeiros animais

foram inseminados dentro da iniciativa, marcando o início efetivo das atividades.

Um dos exemplos é o do produtor Maurício Barbosa Celestino, do Sítio Monte Sinai, na comunidade rural Dandara. Após avaliação técnica, parte do rebanho foi selecionada para passar pelo protocolo reprodutivo, incluindo sincronização de cio e inseminação artificial.

O trabalho envolve acompanhamento técnico desde a seleção dos animais até a execução dos procedimentos, garantindo que o melhoramento genético esteja alinhado a outros fatores essenciais, como nutrição e manejo.

Segundo o secretário municipal do Agronegócio, Luís Renato Tiveron, o programa vai além da genética. “São várias instituições envolvidas para que possamos construir um melhoramento genético e mudar, de fato, não é só o melhoramento genético, é mudar a condição dos produtores rurais que estão no campo”, destaca.

Ele ressalta ainda que o acesso à tecnologia precisa vir acompanhado de orientação técnica. “Para entrarmos com o trabalho de melhoramento genético, nós precisamos também melhorar a questão nutricional dos animais. Não é só a genética, é um conjunto de fatores que caminham juntos”, explica.

A iniciativa foi estruturada com foco nos pequenos e médios pecuaristas, que passam a ter acesso a tecnologias antes restritas a sistemas mais intensivos de produção. Com cerca de 20 produtores já cadastrados e 1.500 doses de sêmen disponibilizadas nesta fase inicial, o programa começa a ganhar escala no município.

vos. E ver o programa sendo implantado em Uberaba, referência nacional e internacional no setor, mostra que estamos no caminho certo para que essa iniciativa se torne uma política de Estado em todo o Brasil”.

O Programa Uberaba Mais Genética também evidencia a força da atuação conjunta entre poder público, entidades e iniciativa privada. A participação de instituições como a ABCZ e o Sindicato Rural garante respaldo técnico e proximidade com o produtor, enquanto os parceiros contribuem com insumos, conhecimento e estrutura.

“...programas como esse contribuem de forma decisiva para o avanço dos criadores e para o contínuo melhoramento genético””

Para o setor produtivo, a expectativa é de transformação. A introdução de genética melhoradora não só eleva os índices produtivos, como também abre novas possibilidades de renda, especialmente em atividades como a pecuária leiteira, onde a qualidade do rebanho impacta diretamente os resultados.

É justamente esse impacto que motivou a criação do programa. O deputado federal Emidinho Madeira, idealizador do Mais Genética, destaca que a proposta nasceu com o objetivo de atender quem mais precisa.

“Cinco vacas de genética melhorada, com manejo adequado, não fazem diferença para um grande produtor, que já trabalha com custos operacionais mais complexos. Mas, para o pequeno produtor, isso pode representar uma verdadeira transformação. É isso que buscamos com o Mais Genética: levar, gratuitamente, o que há de melhor em termos de genética para milhares de sitiantes e produtores familiares. Promover a sucessão no meio rural também é um dos nossos objeti-

Para o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Uberaba, Vinícius José Rios Rodrigues, o diferencial do programa está justamente nessa união de esforços.

“O programa Mais Genética amplia o acesso do produtor a um padrão de qualidade genética que, muitas vezes, não estaria ao seu alcance. É uma iniciativa construída a várias mãos, com a Prefeitura, por meio da Secretaria de Agronegócio, o Sindicato Rural, a ABCZ e outros parceiros, todos trabalhando juntos para levar essa tecnologia ao campo. O resultado é direto: mais produtividade, melhor rentabilidade e maior eficiência na atividade”.

O Bezerro perdido: a chave para a lucratividade e sustentabilidade na pecuária de corte brasileira

O PROBLEMA CRÍTICO DA IMPRODUTIVIDADE

A pecuária de corte é um dos pilares da economia brasileira, alimentando o mundo e gerando renda para milhões de famílias. A estimativa do Valor Bruto da Produção (VBP) da pecuária para 2025 é de R$511,6 bilhões, sendo que a carne bovina corresponde a 48,1% desse VBP. Esses números poderiam ser ainda mais elevados se um desafio silencioso e de fácil solução que assombra nossos rebanhos fosse resolvido: a baixa eficiência reprodutiva. Imagine que, de cada dez vacas em idade reprodutiva na sua fazenda, quatro não produzirão um bezerro este ano. Essa é a realidade alarmante da pecuária brasileira. Na pecuária brasileira, cerca de 40% das 65,6 milhões de matrizes de corte reprodutivas, ou 26 milhões de vacas e novilhas, não produzem um bezerro por ano, gerando forte ineficiência econômica: consomem recursos, ocupam espaço e não entregam retorno, além de limitar o crescimento do rebanho e a reposição de matrizes. Em 2025, esse problema se agrava com a virada do ciclo pecuário. O pico no abate de fêmeas

reduz a oferta futura de bezerros e cria uma janela estratégica para quem tiver animais para vender no curto prazo. Porém, com o ajuste do mercado, a tendência é de queda no preço do bezerro desmamado e alta forte no custo da reposição. Agir agora é essencial para capturar valor e garantir reposição própria.

CAUSAS DA BAIXA EFICIÊNCIA REPRODUTIVA

Nutrição inadequada, manejo reprodutivo deficiente, genética com baixa aptidão reprodutiva e sanidade comprometida são os principais fatores que reduzem a fertilidade. Cada um impede o retorno ao cio pós-parto, a concepção e a manutenção da gestação, exigindo ação integrada para recuperar a taxa de prenhez.

SOLUÇÕES PRÁTICAS E ALCANÇÁVEIS

A boa notícia é que a maioria desses problemas tem soluções práticas e acessíveis, que podem ser implementadas na sua fazenda com planejamento e dedicação.

Fotos: Embrapa Cerrados

1. Nutrição de Qualidade: Invista na melhoria das pastagens, com o uso de modernas cultivares de forrageiras, adubação e manejo rotacionado, para garantir forragem de boa qualidade o ano todo. Ofereça suplementação mineral adequada, formulada para a fase de vida do animal e para as condições da sua região. Em períodos de seca ou escassez de pasto, considere a suplementação com volumosos e concentrados.

2. Manejo Reprodutivo Inteligente: Estabeleça uma estação de monta definida, geralmente de 3 a 4 meses, para concentrar os partos e facilitar o manejo. Monitore o cio das vacas diariamente e utilize ferramentas como a Inseminação Artificial (IA) ou a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) para otimizar as chances de prenhez. Realize o diagnóstico de gestação precoce (com 30-45 dias) para identificar vacas vazias e tomar decisões rápidas, como o descarte ou o repasse com touros. Avalie a fertilidade dos touros anualmente.

3. Seleção Genética Estratégica: Escolha touros e matrizes com comprovada aptidão reprodutiva. Utilize dados de desempenho e índices genéticos que considerem características como precocidade sexual, idade ao primeiro parto e intervalo entre partos. A genética é um investimento de longo prazo que trará resultados consistentes para a fertilidade do seu rebanho.

4. Sanidade Rigorosa: Implemente um calendário de vacinação completo para as principais doenças reprodutivas e outras enfermidades que afetam a saúde geral do rebanho. Mantenha um programa de controle de parasitas (carrapatos, vermes) e realize exames periódicos para identificar e tratar doenças.

Ao adotar essas práticas, é possível aumentar significativamente a taxa de prenhez do seu rebanho, chegando a índices de até 80% ou mais, o que representa um salto gigantesco na produtividade.

O GRANDE RETORNO FINANCEIRO:

A JANELA DE OPORTUNIDADE DE 2025

Vamos a um exemplo prático para entender o impacto financeiro. Imagine um rebanho de 200 vacas.

• Cenário Atual (60% de prenhez): Você produz 120 bezerros por ano. Se cada bezerro for vendido a R$3.000 (preço atual favorável), sua receita é de R$360.000.

• Cenário com Melhorias (75% de prenhez): Com as mesmas 200 vacas, você passa a produzir 150 bezerros por ano. Mantendo o preço de R$2.500, sua receita sobe para R$450.000.

Isso significa 30 bezerros adicionais por ano, gerando R$90.000 a mais na sua receita. E o mais importante: esses bezerros adicionais estão sendo produzidos AGORA, em 2025, quando o preço do bezerro ainda está em um patamar elevado, antes da esperada queda.

IMPACTO ECONÔMICO E AMBIENTAL

Aumentar a eficiência reprodutiva não é apenas uma questão de ter mais bezerros; é uma estratégia poderosa para impulsionar a rentabilidade e a sus-

tentabilidade da sua fazenda. Com mais bezerros nascendo, você terá mais animais para venda, mais opções para reposição do rebanho e um fluxo de caixa mais consistente. As perdas bilionárias causadas pela improdutividade podem ser transformadas em lucros para o produtor.

Além do benefício econômico direto, a eficiência reprodutiva tem um impacto ambiental positivo inegável. Vacas que produzem um bezerro por ano são mais eficientes na conversão de alimento em carne. Isso significa que, para produzir a mesma quantidade de carne, você precisará de menos animais improdutivos no pasto. Menos animais improdutivos significam menos emissões de metano por quilo de carne produzido, contribuindo para uma pecuária mais sustentável e alinhada com as demandas globais por alimentos produzidos de forma responsável. Aumentar a produtividade na mesma área, sem a necessidade de desmatamento, é a receita para o futuro da pecuária brasileira.

CONCLUSÃO

A baixa eficiência reprodutiva é um desafio real, mas superável, na pecuária de corte brasileira. Ao focar em ter “um bezerro por vaca por ano”, o produtor rural não apenas aumenta sua renda e a lucratividade da sua propriedade, mas também contribui para uma pecuária mais eficiente, sustentável e respeitosa com o meio ambiente. Não se esqueça: bezerro ruim é aquele que não nasce!

O OUTRO IMPACTO DA PECUÁRIA

Zebu do Bem vai além das campanhas e vira base para instituições

Kelle Monik

Fotos: ABCZ / Arquivo Pessoal

Quando o Zebu do Bem conheceu Thiago, ele ainda tentava manter uma pequena casa de acolhimento para idosos em um imóvel do bairro Santo Antônio, em Uberaba (MG). Jovem e com poucos recursos, buscava apoio para manter de pé um projeto que começava do zero.

“Nossa maior dificuldade era conseguir estruturar o trabalho diante das dificuldades de iniciar um projeto social sem recursos e voltado para um público em grande vulnerabilidade social”, conta Thiago Fernando Borges, fundador do Lar dos Idosos Anjos do Bem.

A mudança começou quando decidiu procurar ajuda. E encontrou.

No primeiro contato com a ABCZ, quando os voluntários visitaram a casa, encontraram uma estrutura simples, mas organizada. “Estava tudo muito no começo, mas o cuidado com os idosos era evidente. Aquilo nos tocou”, lembra Andrea Azeredo, a Nega, uma das fundadoras do grupo.

A partir daquele encontro, o Zebu do Bem passou a ajudar com doações de alimentos, produtos de higiene e materiais básicos de todo tipo. Com o tempo, a mobilização também contribuiu para que a instituição conseguisse estruturar uma sede própria.

“Ele tinha conseguido um terreno, mas precisava de ajuda para começar. Acionamos parceiros, conseguimos apoio técnico para os projetos de construção e fomos ajudando com matéria-prima, mão de obra, com tudo”, conta Nega.

ZEBU
Thiago Fernando Borges, fundador do Lar dos Idosos Anjos do Bem

Hoje, quase uma década depois daquele primeiro contato, a instituição é referência na região. “Lembro até hoje do início, na rua Santo Antônio, quando o caminhão do Zebu do Bem chegou cheio de doações. Aquele momento foi muito marcante por ter nos dado a garantia da dispensa cheia por um bom tempo”, emociona-se Thiago.

Além da genética. Nem sempre o impacto de uma instituição ligada à pecuária pode ser medido apenas em números de produção. Em Uberaba, esse alcance também aparece nas iniciativas, muitas vezes silenciosas, da comissão.

Toda a estrutura do projeto é mantida por colaboradores da ABCZ e por doações da comunidade, sem utilizar recursos da associação. “Mais do que campanhas pontuais, o trabalho acabou se transformando em uma rede permanente de apoio, que identifica necessidades e direciona ajuda”, explica a presidente do Zebu do Bem, Iara Marquez.

O funcionamento é simples: instituições interessadas se cadastram no banco de dados do projeto e recebem uma visita presencial para checagem da estrutura, higiene, atendimento e documentação O alvo são casas de acolhimento infantil, creches comunitárias e instituições de longa permanência para idosos.

Para Iara, a iniciativa nasceu e se mantém de um sentimento de responsabilidade com a comunidade que convive historicamente com a presença da ABCZ. “A gente sente que a ABCZ é muito querida pela cidade e existe um carinho muito grande pela instituição. Isso sempre aparece quando o projeto pede ajuda! Por isso, também sentimos que temos o dever de devolver esse amor de alguma forma”, afirma.

Na cidade onde a pecuária ajudou a construir uma parte importante da história econômica, o Zebu do Bem revela outro tipo de impacto, ainda mais próximo da vida em comunidade.

“Nosso objetivo sempre foi fazer a ajuda chegar aonde realmente faz diferença. Muitas vezes são instituições pequenas, que não têm grande visibilidade, mas realizam um trabalho essencial, feito por pessoas especiais, como o Thiago”, finaliza Iara.

Caminhão do Zebu do Bem chega pela primeira vez ao Lar Anjos do Bem em 2017. O encontro que mudou a história

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