

Há decisões que exigem disciplina. Vender casa é uma delas.


T al como no Colégio Mili t ar, t imobiliário há v a lore s q ue não
C ompr o m i ss o . R i g or . R esp o nsabi
V e n d e r u m im ó v e l n ã o é coloc
É definir es t r a tégia, pro t e g er e negociar com firme z a .
T r ab alho com mé t odo, d a do égic o . nidade m o s a



n d e um a c on su lto r i a g rat u i ta c o m igo h o j e .

Adelino Fonseca Lage 176/1966
O “26” DE 1938
SENTIR E VIVER O COLÉGIO MILITAR
Em qualquer parte do país, ou do mundo, onde se encontram dois Antigos Alunos, celebrar o 3 de Março é motivo de festa e, muitas vezes, a oportunidade do reencontro quando, por vezes, a distância impede a presença na Avenida.
O sentimento de pertença está sempre presente e este 3 de Março, nos 223 anos do Colégio Militar, teve um momento único numa demonstração clara do que é sentir e viver o nosso Colégio.
Aos 98 anos de idade, o José Fragoso, “26” de 1938, fez questão de assistir ao desfile, e a família assegurou essa sua vontade. Assim, os 223 anos foram a motivação para que o “26” se juntasse aos Antigos Alunos e estivesse presente, vencendo o peso da idade e as dificuldades de saúde, numa promessa silenciosa que fizera a si mesmo e, teve para o ajudar, o ombro amigo do António Menezes (568/1969), presidente da AAACM.
Caminhando devagar, apoiado na sua bengala, e com a filha Rita a seu
lado, percorreu alguns metros da Avenida da Liberdade, para poder esperar sentado, junto à tribuna de honra, aguardando pela passagem em continência do Batalhão.
E foi com profunda emoção que o “26”, à passagem da 1ª Companhia se levantou, dizendo para o António Menezes, que aquela era a sua Companhia, ele que foi 3 estrelas e comandante do 1º pelotão, gritou o seu “Zacatraz”, emocionado pelo garbo da marcha da “Batalhãozinho”, a Isabel Chen Shi, 690/2025 que, com passo certo, seguia na

frente do Batalhão, comandado pelo Gonçalo Ares, o 319/208, Comandante de Batalhão.
O Colégio é assim uma casa de valores, onde se cresce com laços de camaradagem, que permanecem vivos na alma mesmo quando o corpo já não tem a vitalidade da juventude.
É por toda esta vontade e dedicação ao Colégio Militar, caro José Fragoso, 26/1938, num exemplo que fez história, te dedicamos e deixamos um sentido ZACATRAZ!

26/1938 (3* da 1ª Companhia em 1944/45) e a 1ª Companhia do 26/1938
CORPOS SOCIAIS DA ASSOCIAÇÃO PARA O TRIÉNIO 2025-2027
Assembleia Geral
Presidente Nelson Manuel Machado Lourenço (377/1982)
Vice-Presidente António Luís Henriques de Faria Fernandes (454/1970)
Secretário José Nuno do Rosário e Silva Leitão (153/1964)
Secretário Ricardo de Sousa Macedo Esteves Mendes (190/2006)
Direcção
Presidente António Xavier Lobato de Faria Menezes (568/1969)
Vice-Presidente Pedro Miguel Correia Vala Chagas (357/1977)
Vogal Francisco José Nogueira Correia (197/1997)
Vogal Ângelo Eduardo Manso Felgueiras e Sousa (498/1976)
Vogal Luís Manuel Marques Cóias (190/1990)
Vogal Maria Leonor Rainha Miranda Antunes dos Santos (628/2014)
Vogal Adelino Augusto Reis da Fonseca Lage (176/1966)
Conselho Fiscal
Presidente Luís Miguel Antão Gonçalves (236/2011)
Vogal Luís Filipe Figueira Brito Palma (214/1977)
Vogal Bruno Luís Pereira Martins (146/2012)
FICHA TÉCNICA
Nº 242 - Janeiro / Março - 2026
Publicação Trimestral
FUNDADA EM 1965
FUNDADOR
Carlos Vieira da Rocha (189/1929)
DIRECTOR
Adelino Fonseca Lage (176/1966) adelino.lage@aaacm.pt
CHEFE DE REDACÇÃO
João Barrento Sabbo (17/1967) joaosabbo@gmail.com
REDACÇÃO
Nuno Mira Vaz (277/1950)
Luís Ferreira Barbosa (71/1957) Jorge Santos Pato (484/1966)
REGISTO E BASE DE DADOS FOTOGRÁFICA
Leonel Tomaz
CAPA
Comandante de Batalhão e Batalhãozinho Nos 223 anos do Colégio Militar – foto de Sérgio Garcia (326/1985)
ENTIDADE PROPRIETÁRIA E EDITOR Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar
MORADA DO PROPRIETÁRIO e SEDE DA REDACÇÃO Quartel da Formação – Largo da Luz 1600 – 498 LISBOA Tel. 217 122 306 Tlm. 916 072 898
TIRAGEM - 1350 exemplares DEPÓSITO LEGAL - Nº 79856/94
Os artigos publicados são da responsabilidade dos seus autores. Esta publicação não segue o novo acordo ortográfico.
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ACEDA À REVISTA ZACATRAZ Número Anterior 241





2026
SABERES E SABORES DO VINHO - REGIÃO DÃO
223.º ANIVERSÁRIO DO COLÉGIO MILITAR
TRADIÇÃO DE HONRA E DISCIPLINA QUE TOMA CONTA DA AVENIDA
No passado dia 8 de Março, por imposição do calendário, Lisboa vestiu-se de gala para celebrar um dos marcos mais emblemáticos da educação e tradição castrense em Portugal, o 3 de Março, aniversário do Colégio Militar, uma das mais antigas instituições de ensino do país, apenas superada pela Universidade de Coimbra.
Assim, comemorou-se o 223.º aniversário, na forma solene e grandiosa, numa tradição a que já habituou a cidade de Lisboa, com o imponente desfile militar na Avenida da Liberdade.
Fundado em 3 de Março de 1803, pela visão do Marechal Teixeira Rebello, na altura com o objectivo de "educar e instruir” os jovens

órfãos ou filhos de militares que estivessem nos teatros de guerra, o Colégio Militar ultrapassou duas centenas de anos de história, adaptando-se às mudanças sociais e políticas, mas mantendo inabaláveis os seus valores basilares: a disciplina, o mérito, a camaradagem e o amor à Pátria.
Ao longo destes 223 anos, os seus corpos docentes formaram não apenas militares, mas médicos, engenheiros, escritores, estadistas e muitos outros, que contribuíram activamente para o desenvolvimento de Portugal.
O desfile, com início no coração da cidade, na Rotunda do Marquês de Pombal, depois das habituais honras e apresentações às entidades militares sob a vista do Parque Eduardo VII, com o ponto alto cantando o Hino do Colégio Militar e o Hino Nacional, ponto de partida para a descida da Avenida da Liberdade.
Batalhão em continência ao Estandarte Nacional

Esta nobre avenida da cidade de Lisboa viu a marcha ritmada e precisa dos Alunos, que, com a farda cor de pinhão, empunhando espingardas e espadas, confirmou o resultado de meses de treino e preparação.
O som da banda do exército marcou o compasso destas centenas de jovens que, ombro a ombro, evocam o espírito de corpo do “Um por Todos, Todos Por Um”, a Alma do Colégio Militar.
A efeméride assinalada com rigor e pompa militar, na presença de familiares e proximidade com a população civil foi, como habitualmente incentivada pelas vozes dos Antigos Alunos, gritando alto o nosso ZACATRAZ, em frente ao Monumento de Homenagem aos mortos da 1ª Grande Guerra Mundial, local de continência às entidades presentes.
A seguir ao Batalhão colegial, e conferindo um toque de tradição
e nobreza, desfilou a Escolta a Cavalo, um dos momentos mais aguardados e aplaudidos no desfile.
Os cavalos, tratados com o esmero que a ocasião exige, aparelhados com os arreios do Colégio Militar e impecavelmente montados pelos Alunos da Escolta, representou um momento alto, com o trote firme dos cascos no asfalto da Avenida da Liberdade, alargados ao galope junto ao ponto de continência, encerrando o desfile com chave de ouro, num misto de nostalgia e tristeza, para os que pela última vez desfilaram na celebração do 3 de Março, momento importante para recordar a figura do Fundador, Marechal Teixeira Rebello, no ano em que celebramos e recordamos 200 anos do seu falecimento.
O desfile seguiu em direcção ao Largo do Rossio, destroçando no interior do Palácio da Independência, local de encontro e passagem obrigatória dos Antigos Alunos que, na proximidade da “Ginginha do Rossio”, têm ali a oportunidade de celebrar e recordar memórias do passado colegial, enquanto no interior da Igreja de S. Domingos celebrou a habitual Missa por alma de todos os Antigos Alunos, professores e servidores do Colégio.
Pelo Colégio Militar seus Alunos e Antigos Alunos,
Um forte ZACATRAZ!
Adelino Lage (176/1966)


O Comandante de Batalhão a abrir o desfile na Avenida
O futuro do Batalhão e do Colégio Militar
Escolta a cavalo

António de Faria Menezes 568/1969
ALOCUÇÃO AO BATALHÃO COLEGIAL 2026
Alunos do Batalhão Colegial Camaradas
Com o acender da Chama na Feitoria e aqui no Colégio Militar, iniciamos as celebrações do Dia do nosso Colégio, jornada singular de comunhão dos Antigos Alunos com os que hoje vestem e honram a farda cor de pinhão, formando o Batalhão Colegial.
Celebramos a visão do nosso Fundador que em 1803, fundou junto ao Forte de São Julião da Barra, os alicerces desta instituição secular de ensino, assente em pilares sólidos de valores militares, como a disciplina, a camaradagem e o amor à Pátria, e no estudo esmerado da artes e ciências, almejando formar cidadãos com saberes e deveres para Servir Portugal.
Bem Haja Marechal António Teixeira Rebello, por ousar criar o nosso Colégio Militar, e sabemos bem que 200 anos depois da sua morte, na parada celeste onde nos contempla, sente que os Meninos da Luz são dignos herdeiros do seu intemporal legado, que se iniciou no edifício da Feitoria. 223 anos são Obra de alunos que decidiram viver e crescer num projeto educativo ímpar, em que é preciso vencer etapas e obstáculos, conquistar com mérito cada sucesso, colocar as qualidades individuais num sucesso coletivo, deixar de pensar egoisticamente no Eu para passar a falar sempre em Nós.
Nós o Batalhão Colegial, esta Força cheia de peculiaridades que nos individualiza.

Alocução ao Batalhão Colegial
Somos uma Força, porque formamos sob o comando dos mais velhos, numa ordem unida que nos alinha e nos faz acertar o passo. Somos Meninos Da Luz, designação que não distingue género, credo ou origem social. Iguais em tarefas e deveres, onde o número e a alcunha normalizam o tratamento e conhecimento, as tradições são cimento aglutinador e cultivamos o bom trato, o respeito pelo mais vulnerável e a importância da sobreposição da meta coletiva sobre o triunfo individual. Foi-nos entregue um Estandarte Nacional para o guardarmos e honrarmos e por isso somos uma força armada, que desfila apeada e montada, e se destaca pelo atavio, pelo brilho e pela firmeza e rigor nas cerimónias militares.
Olho para vós e com sentida emoção, revejo nos Ratas da 1ª, a ansiedade de querer fazer bem o seu primeiro 3 de março, de querer que os seus familiares se orgulhem da genica que vence o natural cansaço, o incómodo da arma, da Barretina, da chuva ou Sol, o desejo genuíno de cumprir o exemplo dos graduados. Não temais os espinhos deste início de caminhada, não estão isolados, tem de cada lado, um camarada, um irmão, que partilha as dores, mas que vos ampara, neste desfile e para sempre na vida.
Olho para a 2ª, para a 3ª, e vejo uma forte determinação em fazer melhor que no último ano, crescendo na coesão e camaradagem das aulas, do geral, do desporto e do internato, envergando as medalhas conquistadas, sem ostentação fátua antes como referência

Início da celebração da Feitoria
de bom desempenho, num brilho coletivo que a todos honra.
Olho para a vetusta 4ª, e sinto o peso da responsabilidade de cuidar das tradições, em agarrar com garra a missão de liderar os mais novos, de corrigir as falhas do percurso, priorizar o tempo duma rebeldia de adolescência, com o aprender a obedecer para depois saber comandar. Aproveitem este tempo de ser parte do pelotão que marcha, pois, amanhã serão quem marca a cadência na frente dos mais novos.
Olho a Escolta, tão específica do nosso Colégio Militar, que sabe andar a passo, num trote seguro ou no fervor controlado do galope, antecipo o aparelhar, o montar, sempre com garbo e desembaraço, patente no empinanço do cerra fila, tão marcante do Desfile do Colégio Militar.
Olho para ti, Comandante de Batalhão e sinto a voz decidida que
Todos seguem sem vacilações, na confiança fraterna do teu curso que se fez grande na preservação do nosso património imaterial. Imagino o turbilhão de emoções que vos invade na véspera do último desfile, desejo que façam dele um momento inesquecível, o culminar dum percurso que vos unirá para todo o sempre, por quem sois, mas sobretudo pelas boas memórias que deixarão nos que tiveram o privilégio de comandar.
Camaradas
O Batalhão Colegial está formado e preparado para desfilar. Sejam a alegria dos vossos familiares, sejam fortes e coesos, com o passo certo e olhar no infinito dos vossos sonhos.
Nós os Antigos Alunos nunca faltaremos à vossa chamada e estaremos com a genica e voz a incentivar o Desfile que nos sublima com um forte Zacatraz!
DA VIDA DA AAACM E DO COLÉGIO MILITAR
COLÉGIO MILITAR NO SÉCULO XXI

Duarte Rui Marques 408/1969
UMA ODISSEIA DE VALORES E SABEDORIA
COLÉGIO MILITAR – 223 ANOS DE HISTÓRIA
No coração pulsante da nossa História, onde o tempo aprende a respeitar aquilo que permanece, ergue-se o Colégio Militar. Farol e Casa. Lugar onde a exigência não é dureza estéril, mas método; e onde a tradição não é peso morto, mas coluna vertebral.
Hoje, 3 de Março de 2026, celebramos 233 anos de uma continuidade rara: uma obra humana construída por gerações — alunas e alunos, famílias, docentes, militares, e toda a estrutura que sustenta o quotidiano sem fazer barulho. Cada pátio, cada corredor, cada pedra guarda o eco do que aqui se aprendeu: a discipli-
na como instrumento de liberdade, a camaradagem como forma de estar no mundo, a responsabilidade como medida do carácter.
Aqui, o rigor não se opõe à sabedoria: afina-a. Honra, lealdade, coragem — não como palavras de cerimónia, mas como vértebras do gesto. E ninguém fica para trás por decreto sentimental: fica-se junto por escolha, por treino, por pertença. Há um orgulho limpo em ver alguém ir mais longe do que nós — porque a excelência, quando é verdadeira, não humilha: puxa.
E há os mestres — escultores de atenção, guardiões discretos da
curiosidade. Não dão apenas matéria: dão mapa. Ensinam a pensar com clareza, a falar com precisão, a escolher com consequência. Acendem, em cada jovem, esse lume raro que não é vaidade: é vocação de fazer bem.
Os militares, sentinelas do carácter e do serviço, lembram-nos que a força só é digna quando tem destino ético: o bem comum. E, invisível mas essencial, a teia de apoio — quem organiza, quem cuida, quem mantém o dia a funcionar — compõe o lado secreto desta Casa: o que permite que a exigência seja possível e a vida seja habitável.

O Colégio Militar é mais do que um edifício: é um espírito em movimento. Um hino vivo que honra a diversidade e a inclusão sem abdicar do que o torna singular. Num mundo em metamorfose, adapta-se sem se trair — como fazem as instituições que não confundem moda com futuro.
Ao erguer o olhar, reconhecemos a linhagem a que pertencemos: uma escola de liderança, serviço e humanidade. Que o Colégio Militar continue a ser estrela polar dos nossos passos, energia dos nossos voos, porto seguro de quem entra com sonho — e sai com dever.
Celebremos, assim, não apenas um passado de grandeza, mas um presente inteiro e um futuro com pro-



Paulo Sande 60/1967
O PRIMEIRO 3 DE MARÇO DE UM RATA
Releio o título deste artigo e imagino a estranheza de alguém que o leia sem fazer ideia do que é o Colégio Militar, o que simboliza, a sua história e tradições.
Para um Rata, um jovem caloiro chegado ao Colégio no cair das folhas, também o primeiro 3 de Março é um momento singular. Já usa a Barretina "selada" nos Claustros, já veste o uniforme da cor do pinhão, já se sente colegial. Mas o 3 de Março é um dia especial.
Foi nesse dia, num 3 de Março de 1803 (diz-se) que o comandante do Regimento de Artilharia da Corte, então Coronel António Teixeira Rebello, criou, na Feitoria anexa à unidade militar que comandava, em São Julião da Barra, uma escola para educar as crianças dos militares do seu Regimento.
Nascia o Colégio da Feitoria, que começou logo a formar guerreiros, que se distinguiram pelo seu comportamento e coragem nas campanhas contras as tropas de Napoleão. Da Feitoria à Luz, passando por Rilhafoles, Mafra, de novo a Luz, outra vez Mafra, até ao regresso definitivo à Luz, onde persis-

Isabel Chen Shi 690/2025
Batalhãozinho
te: este é o Colégio Militar, 223 anos de ensino, de camaradagem, de tradições, princípios e valores forjados no aço e nos anos.
É por esse Colégio, pelo peso dos anos feitos séculos, pelos seus alunos, pelos seus professores, pelos seus militares, que os Ratas desfilaram.
No seu primeiro 3 de Março.
Imagino os Ratas de 1893, ao tempo ainda não lhes chamavam Ratas (atenção: o vocábulo Rata está dicionarizado, consta no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora como gíria – caloiro do Colégio Militar), o primeiro ano em que se celebrou o Colégio, 90 anos após a criação; e imagino os jovens Ratas de 2025, a prepararem-se para a cerimónia no Colégio, para o desfile Avenida da Liberdade abaixo, que decorreu por imposição do calendário no dia 8 de Março de 2026.
E recordo. E procuro. Vejo-os, crianças ainda, erectos e orgulhosos nas suas fardas de gala.

Vejo-os nas fotografias, na televisão, nos filmes antigos. E revejo um documentário sobre os 169 anos, ainda durante o Estado Novo:
Enquanto o Batalhão em parada saúda a deposição do ramo de flores em honra do fundador, Fernando Pessa (“e esta, hem?”) recorda que o Colégio, dentro de “pouco mais de trinta anos”, comemorará (... ia) 200 anos. Já comemorou, Pessa, e continua a envelhecer com garbo.
Num outro documentário, de 1978 (https://arquivos.rtp. pt/conteudos/o-colegio-militar-175-anos/), posterior ao 25 de Abril, 175 anos de história, imagens fortes no forte da Feitoria:
“- Quem é aquele velho que ali vai, direito e orgulhoso, de olhos a brilhar?
- Aquele velho foi avô e pai, de heróis, sábios, artistas e poetas. Para contar a sua história, nem sei por onde começar.
- E o seu nome, qual é?
- Colégio Militar.
- Embora velho, ele marcha orgulhoso. Leva em si Portugal.
- Tem a idade exacta do seu neto mais novo – o mais jovem Rata”.
Agora com 223 anos, o Colégio Militar tem a idade exacta da Batalhãozinho, Isabel Chen Shi, a 690/2025.
Tem a idade exacta do Gonçalo Ares, o 319/2018, Comandante de Batalhão.
Tem a idade exacta de todos os Ratas, de todos os alunos do Batalhão Colegial, dos que desfilaram na Avenida da Liberdade, de todos quantos o frequentaram.
Um país também se faz assim.
Com velhinhos como o Colégio Militar, pregos que cravam no coração dos portugueses um sentimento de pertença feito de orgulho, memória, valores, tradição e, sim, de futuro.
Comandante de Batalhão Gonçalo Ares 319/2018

Nuno Mira Vaz 277/1950
ANGOLA. VIDAS QUEBRADAS
MATEUS, ANTÓNIO1, ANGOLA. VIDAS QUEBRADAS, CLUBE DO AUTOR, LISBOA, 2025
Aobra de António Mateus1, centrada na história de dez famílias com raízes em Angola, algumas com três gerações, outras mais recentes, todas deixando para trás o fruto duma vida de trabalho, muitas vezes árduo, de avós, pais e filhos, constitui um valioso contributo para a compreensão da turbulência – frequentemente violenta – que, durante o processo de transição de poderes, atingiu os civis portugueses radicados no território. Um pouco por todo o lado a intensidade e desumanidade dos confrontos iam sempre
em crescendo. E as pessoas fugiam desses perigos avassaladores para zonas precariamente seguras, suportando condições sub-humanas de higiene e alimentação.
Num registo que recusa o catastrofismo e a desmesura sem com isso desvalorizar o dramatismo das situações, o autor leva-nos aos meses finais de 1975 para acompanhar a caravana automóvel de portugueses de Angola para as Terras do Fim do Mundo2.
Legitimamente receosos dos violentos combates em que se envolveram
1 António Pedro Feio Ribeiro Mateus (57/1970) 2 Província do Cuando Cubango, no sul do país, à qual era difícil aceder.


os três Movimentos de libertação logo após terem assinado os Acordos de Alvor3, nos termos dos quais se comprometeram a criar e integrar Forças Armadas unificadas, milhares de residentes brancos, pretos e mestiços, rumaram a Sul.
A coluna de 2.500 viaturas transportando 8.000 pessoas só partiu de Nova Lisboa após difícil negociação com o comandante local da FNLA – a força dominante na cidade na altura – e sob protecção de uma escolta constituída por 14 antigos militares portugueses e 25 «Flechas»4, tendo sido pagos cinco mil escudos por cada viatura.
O primeiro e principal local de concentração nas Terras do Fim do Mundo foi Katwitwi, junto à fronteira sul, onde foram protegidos e alimentados durante cerca de dois meses por um destacamento militar sul-africano. Daqui, como de outros campos de acolhimento, só poderiam sair depois de encon-
trarem emprego no país ou para viajarem por via aérea ou marítima para fora do território. Em meados de Outubro, tendo-se iniciado a invasão do território angolano por forças militares sul-africanas que procuravam combater o MPLA e as forças cubanas que o apoiavam, o campo foi fechado e os fugitivos encaminhados para Calai, outra pequena povoação fronteiriça.
Em prosa contida que rejeita adjectivações excessivas, António Mateus fornece um relato impressivo da sofrida migração de gente que o destino obrigara a fugir, deixando para trás tudo quanto até aí dera sentido à sua vida.
Não esquece as longas jornadas por caminhos inóspitos, a absoluta falta de intimidade, a ganância e o altruísmo, o severo desconforto do deserto e sempre, sempre, a ameaça de intersecções violentas. Com a pouca roupa que levavam vestida a caminho dum futuro incerto.
O livro termina em tom nostálgico. Passados cinco, dez, vinte anos, há pais que reencontram filhos, amigos que se reabraçam, homens e mulheres que regressam a uma terra a que chamavam Nova Lisboa e que agora se chama Huambo. Ali podem visitar fugazmente, pela última vez, as ruas onde brincaram e as casas onde viveram um sonho que a violência armada interrompeu para sempre.
3 Assinados em 15 de Janeiro de 1975, em Alvor, Algarve, entre Portugal e os três principais movimentos de libertação de Angola (MPLA, FNLA, UNITA) para gerir a transição para a independência angolana, marcada para 11 de Novembro desse ano.
4 Militares de uma Força Especial portuguesa dependente da PIDE/DGS.
PRIMEIRA REPÚBLICA PORTUGUESA
O PRENÚNCIO DO FIM
Em 18 de Dezembro de 1925, quando António Maria da Silva foi empossado Presidente do Conselho do 23.º governo dos últimos cinco anos, começava a parecer inevitável o fim da Primeira República. A economia, que há muitos anos estava marcada por forte inflação, sofria ainda do agravamento resultante da participação na I Guerra Mundial. Greves, atentados bombistas e forte atividade anarco-sindicalista criavam enormes clivagens sociais. Os próprios responsáveis pela agitação política – fossem republicanos, democratas ou socialistas – reclamavam estabi-
lidade e segurança, e o sentimento popular ia no mesmo sentido, estimulado pelo conhecimento de que, um pouco por toda a Europa, as forças políticas dominantes inauguravam regimes autoritários, indispensáveis motores da ansiada «regeneração nacional».
Embora se não registassem apoios explícitos, a maior parte da classe política acompanhava com benevolente expectativa as movimentações militares, invocando a necessidade de uma arrancada patriótica para a restauração do orgulho nacional.

Na realidade, ainda não haviam terminado as investigações e os julgamentos das anteriores tentativas revolucionárias e já ocorriam novas ondas de boatos e movimentações, quase sempre associadas a Gomes da Costa e Mendes Cabeçadas.
Em Janeiro de 1926 registou-se mais uma tentativa de revolução radical, mas o seu fracasso não impediu a constituição, em Braga, de uma Junta Militar Revolucionária. Em 2 de Fevereiro, parte da guarnição da Escola de Artilharia de Campanha de Vendas Novas abriu fogo em Almada sobre forças governamentais, mas acabou por render-se no dia seguinte. Em Março, foi criada mais uma organização política: a União Liberal Republicana, liderada por Cunha Leal.
Estes e outos eventos de idêntica natureza constituem um claro prelúdio da queda da Primeira República Portuguesa, ocorrida com o golpe de estado militar de 28 de maio de 1926, o ano que deu início à Ditadura Nacional.
Nuno Mira Vaz (277/1950)



Luís Barbosa 71/1957
CAVALO LUSITANO
No número 240 da nossa revista ZacatraZ, no artigo intitulado Arte Equestre em Portugal, informámos que esta arte, que está bem viva no nosso País, foi reconhecida pela UNESCO, no ano de 2024 como Património Imaterial da Humanidade. Foi uma honra para Portugal, em particular para os que se dedicam à equitação, ou a qualquer outra actividade incluída na agora designada “fileira do cavalo”.
Tomámos recentemente conhecimento da entrega, pela direcção da Feira Nacional do Cavalo, da candidatura desta feira ao Inventário Nacional do Património Cultural e Imaterial. Foi o primeiro passo para a subsequente candidatura da Feira da Golegã ao seu reconhecimento, pela UNESCO, como Património Imaterial da Humanidade. Foi este o percurso já trilhado pela Arte Equestre em Portugal. Acreditamos que a candidatura da Feira Nacional do Cavalo possa
ter sucesso análogo. Se assim for, teremos duas distinções complementares, tendo ambas como figura central o Cavalo Lusitano, imagem de marca de Portugal no mundo hípico.
A importância actual da Feira da Golegã, que inclui a Feira Nacional do Cavalo, é inequívoca. Na sua edição do ano de 2025, foram inscritos 2362 cavalos e mais de 300 atrelagens. Um dos pontos altos da Feira foi, como é de regra, o concurso de cavalos Lusitanos, em que competiram 53 cavalos, em 3 categorias. Mas a Feira da Golegã vai muito para além da apresentação de cavalos e da sua transacção. Tem uma vertente desportiva importante, abrangendo várias disciplinas. Na edição da Feira de 2025, tivemos 120 participantes na Dressage, 200 conjuntos em provas de Saltos de Obstáculos (duraram três dias), e 50 participantes na Taça de Portugal de Equitação
de Trabalho, modalidade em que Portugal está ao mais alto nível internacional, com um cavaleiro português actual campeão do mundo.

Quiebro das Arcas, Campeão Macho Montado do Festival Internacional do Cavalo Lusitano de 2024
A principal consequência da consagração da feira será uma importante promoção do Cavalo Lusitano, rei e senhor da mesma. Assim sendo, permitimo-nos apresentar este “ex-libris” da Feira Nacional do Cavalo.
Desde tempos imemoriais, que esteve presente na Península Ibérica um cavalo distinto daqueles que se encontravam no resto da Europa. A comparação de pinturas rupestres figurativas de cavalos, tanto as existentes entre nós como as existentes além Pirinéus, permite validar esta afirmação. Segundo a lenda, os cavalos então existentes na península, nomeadamente na Lusitânia, eram cavalos velozes, velozes como o vento. Esta característica extraordinária resultava do facto de as éguas serem fecundadas pelo vento. Assim sendo, os cavalos Lusitanos eram considerados os “filhos do vento”.
A altura média ao garrote dos Lusitanos adultos é da ordem de 1,57m, sendo o peso correspondente de cerca de 500 Kg. O Lusitano tem um pescoço médio e crinas muito fortes, o tronco é bem desenvolvido e o peito amplo e musculoso. O rim é curto, bem ligado ao dorso. A garupa é forte e arredondada, bem proporcionada. Os membros são bem musculados. A cabeça do Lusitano é a sua característica de mais fácil reconhecimento. É bem proporcionada, de comprimento médio, com um perfil da fronte levemente abaulado. É uma característica bem visível em desenhos antigos e em fotografias, mais antigas ou mais modernas, deste cavalo. O pescoço, também de comprimento médio, é largo na sua base e bem inserido

nas espáduas compridas, oblíquas e bem musculadas. As pelagens predominantes são a ruça e a castanha. Para ilustrar as características físicas do Cavalo Lusitano, recorremos à apresentação neste artigo de uma figura de “Jaquetão”, um belo garanhão Lusitano de pelagem ruça, do criador José Infante da Câmara. Esta figura vale por mil palavras.
O Lusitano tem um temperamento nobre, generoso e ardente, mas sempre dócil, o que o recomenda para a aprendizagem de cavaleiros. Os seus andamentos são ágeis e elevados, projectando-se para diante, do que resulta uma grande comodidade para o cavaleiro. São óptimos cavalos de sela e uma fonte inesgotável de prazer para os que têm o privilégio de os montar.
O Cavalo Lusitano tem uma tendência natural para a concentra-
ção e predisposição para exercícios de Alta Escola, pelo que até houve quem afirmasse, que os Lusitanos “nascem a fazer passage”. A importância que a Dressage já alcançou entre nós, é ilustrada pelo facto de, na Feira da Golegã de 2025, se terem apresentado 120 conjuntos a competir nesta disciplina. Recordamos, a propósito, que a “Reprise” da Escola de Mafra começou a exibir-se, a partir de 1999, com cavalos Lusitanos, cedidos pelo Serviço Nacional Coudélico. A presença dos Lusitanos nas grandes competições de Dressage a nível internacional tem vindo a aumentar paulatinamente, tanto com os nossos cavaleiros de mais elevado nível, como com cavaleiros estrangeiros. Dizem que os cavalos ibéricos, pelas suas características peculiares, tornam a Dressage mais artística e brilhante e menos atlética. Cada um luta com as armas que tem.
Garanhão Lusitano – Jaquetão – Ferro Veiga
O Lusitano é dotado de grande coragem, o que lhe dá uma aptidão particular para cavalo de toureio. Os nossos cavaleiros tauromáquicos, que ao longo dos anos têm dado preferência aos Lusitanos, são, no seu conjunto, um dos responsáveis pela preservação e melhoria desta raça cavalar. O Lusitano pode também ser um bom cavalo para obstáculos. O Cavalo Lusitano deste tipo mais conhecido a nível internacional foi o “Novilheiro”. O cavaleiro olímpico inglês John Wittaker guindou-o ao nível A de competição deste tipo, no final da sua primeira temporada como cavalo de obstáculos. Na sua segunda temporada obteve 30 vitórias em Inglaterra. Em 1983 foi campeão naquele país em somas ganhas (12.º no Top 20 mundial). Este magnífico saltador regressou a Portugal, em 1987, pela mão do criador Arsénio Raposo Cordeiro, que o destinou a garanhão da sua eguada na Lezíria dos Cavalos, em Benavente. A nível nacional, recordamos um outro Lusitano, montado por um cavaleiro Antigo Aluno, que bem se salientou. Foi o “Castiço”, montado por António Pimenta da Gama (21/1940), um grande ganhador. Este Antigo Aluno obteve também grande sucesso (160 primeiros prémios, sendo 60 em provas Internacionais) com o “Ribamar”, um cavalo Anglo-Lusitano.
Em 1996, realizou-se o 1.º Campeonato da Europa de Equitação de Trabalho, nova disciplina hípica com origem em Itália. No campeonato seguinte, em 1997, Portugal esteve presente a nível individual. De seguida, ganhou 3 campeonatos da Europa, tanto a nível individual como por equipas
(1998 Santarém, 1999 Montpellier, 2000 Camaiori). Como se referiu, o actual campeão mundial de Equitação de Trabalho é português. Esta nova disciplina hípica parece ter sido concebida a pensar nos nossos Lusitanos e também nos nossos campinos. Nesta disciplina só se pode conduzir o cavalo com uma das mãos. Sabemos bem o que isso é. Na Escolta a Cavalo do Colégio é assim que se monta, há mais de 60 anos.
Finalmente, o Cavalo Lusitano tem conseguido impor-se nas provas de atrelagem, quer a nível nacional quer internacional. Recordamos com saudade um falecido Antigo
Aluno, que era praticante desta disciplina bem exigente e que proporciona aos espectadores momentos de grande beleza.
O controlo da raça dos Lusitanos é, desde 1990, uma incumbência da Associação Portuguesa de Criadores do Cavalo Puro-Sangue Lusitano, que herdou esta responsabilidade da Associação Portuguesa de Criadores de Raças Selectas. A grande montra do Cavalo Lusitano é o Festival Internacional do Puro-Sangue Lusitano. Este Festival começou por ter lugar na Sociedade Hípica Portuguesa, entre 1986 e 2003 (17 anos), indo de seguida para outras paragens.

Pimenta da Gama (21/1940) – Montando Castiço
Actualmente este Festival tem-se vindo a realizar, no mês de Junho, em Cascais, no Hipódromo Manuel Possolo. Em Lisboa, começou a realizar-se, em 2024, no Hipódromo da Sociedade Hípica Portuguesa, o Salão do Cavalo Lusitano. Na sua edição de 2025, realizada no mês de Janeiro, na prova relativa à aprovação de Cavalos Lusitanos reprodutores, houve 109 cavalos inscritos. Foram apresentados 98, sendo aprovados 69. São números impressionantes. Como seria de esperar, este evento atraiu ao Hipódromo do Campo Grande um número considerável de pessoas interessadas, vindas de vários países.
O interesse de cavaleiros e criadores estrangeiros pelo Cavalo Lusitano tem vindo a crescer ao longo dos tempos. Há criadores de Lusitanos no México, no Brasil, em Inglaterra, Bélgica, França, Espanha e Estados Unidos da América. No início do século XXI, cerca de 30% dos Lusitano já estavam no estrangeiro.
Consideramos também interessante referir, que a Guarda Nacional Republicana promoveu, em Outubro de 2025, um seminário internacional subordinado ao tema “O Cavalo Lusitano: da História e Tradição ao Emprego na Segurança Pública”. É uma grande notícia para o Colégio. Se o desfile a galope da nossa Escolta a Cavalo pela Avenida da Liberdade abaixo, em montadas cedidas pela Guarda Republicana, já é um espectáculo único e empolgante, imagine-se o que será com a Escolta montada em Cavalos Lusitanos. Queremos lá estar para o ver.

Uma das obras de que nos socorremos para a preparação do presente artigo foi “Arte Equestre. Picaria Antiga Equitação Moderna” de D. Diogo de Bragança (Lafões). Nesta magnífica obra, tivemos a grata surpresa de observar que a sua última foto apresenta um Aluno do Colégio Militar montando um Lusitano, de forma exemplar. A legenda desta foto, que aqui reproduzimos, é a seguinte “Que a nova geração de cavaleiros portugueses, continue a montar assim. Domingos Ferreira, no Fenício”. Tal como o autor do livro, também nós desejamos que a este cavaleiro, de seu nome completo Domingos Ferraz Leal César Ferreira (484 /1995), se sigam outros Alunos do nosso Colégio a dedicar-se à “arte de Marialva”, a elevado nível.
NOTAS DA REDACÇÃO:
Luís Barbosa, continua assim a sua carreira hípica, depois de uma primeira fase a cavalo, iniciada no Colégio, uma segunda nas bancadas dos hipódromos e agora uma terceira a escrever textos equestres para a ZACATRAZ.
A ZacatraZ agradece à revista Equitação a autorização recebida para a reprodução da capa do seu número 169, de Setembro/Outubro de 2024
Domingos Ferreira (484/1993) – Montando Fenício

QUASE
SINOPSE
Henrique viveu anos protegido pela neutralidade do trabalho. Num despejo antigo, esteve presente, assinou, calou. Quando, muito mais tarde, um acaso lhe devolve o rasto da criança daquele dia, regressa ao prédio com um envelope: a versão do relatório onde a verdade chegou a existir, antes de ser apagada. Não pede absolvição. Faz um acto tardio.
Quase.
Henrique voltou ao prédio numa manhã de chuva fina, daquelas que não escolhem se ficam ou passam. Subiu as escadas devagar, contando os degraus como fazia quando precisava de tempo para pensar. No terceiro andar, parou. O patamar parecia mais estreito do que na memória. Ou talvez fosse ele que ocupava agora mais espaço.
Durante anos repetira o mesmo: não tinha alternativa. As ordens vinham de cima. O regulamento era claro. O relatório não era dele — era só a assinatura. Era a convicção funcional de quem precisa de continuar a trabalhar no dia seguinte.
Quando o despejo aconteceu, Henrique estava presente. Não como agente principal, mas como técnico. Verificou medições, confirmou datas, assinalou irregularidades menores — as que se corrigem no papel. A questão maior ficou sem lugar.
Não porque não a visse, mas porque não soube onde a pôr. A mulher chorou pouco. Choram pouco os que aprenderam que o choro não altera procedimentos. O homem manteve-se em silêncio, com uma dignidade que Henrique confundiu com aceitação. Havia uma criança no quarto ao fundo. Brincava com um objecto de plástico partido. Henrique não olhou demasiado tempo.
No relatório escolheu a neutralidade: conformidade geral; situação resolvida. O documento cumpriu a sua função. A família saiu. O prédio foi renovado. A cidade continuou.
Anos depois, Henrique soube do que acontecera àquela criança. Não por investigação, mas por acaso: uma notícia breve, um nome que reconheceu tarde demais. O corpo reagiu tarde, como as estruturas antigas quando finalmente cedem.
Foi então que decidiu regressar.
Não trazia desculpas. As desculpas pressupõem interlocutor. Trazia apenas um envelope. Dentro, uma cópia do relatório original — não a versão entregue, mas a primeira, a que nunca enviara. A que continha, num parágrafo apagado, a palavra ilegal.
Tocou à campainha.
Abriu-lhe uma mulher mais velha. Não o reconheceu de imediato. Henrique explicou-se em frases curtas: disse o nome, disse o motivo, disse que sabia que chegava tarde.
— Chega sempre — respondeu ela, sem raiva.
Sentaram-se à mesa da cozinha. Pequena, funcional, sem excessos. Henrique pousou o envelope sobre a mesa, como quem depõe algo frágil.
— Não muda nada — disse ele.
A mulher assentiu.
— Eu sei.
Acrescentou então a única frase que ainda lhe parecia verdadeira:
— Mas não queria que ficasse por fazer.
A mulher abriu o envelope. Leu. Não comentou o conteúdo. Dobrou o papel com cuidado e guardou-o numa gaveta.
— Às vezes — disse — o que chega tarde não serve para reparar. Serve para não repetir.
Henrique levantou-se pouco depois. Não houve aperto de mão. Não houve absolvição. Ao sair, sentiu algo próximo da leveza — não alívio, mas cessação. Como se o corpo deixasse, finalmente, de sustentar uma tensão inútil.
Na rua, a chuva tinha parado. O mundo mantinha-se indiferente, como sempre. Henrique caminhou sem destino, consciente de que nada se resolvera. O gesto não reescrevera o passado. Não devolvera casas. Não salvara ninguém.
Mas não fora inútil.
Há actos que não redimem, não compensam, não equilibram. Há actos que existem apenas para que, no interior de quem os faz, algo deixe de faltar.
Henrique soube, então, que aquilo não era redenção.
Era quase.
E, para alguém que chegara tão tarde, isso foi tudo o que ainda conseguiu fazer.

Duarte Dias Marques (408/1969) CONTOS
“ESTÓRIAS”

Francisco Vaz 373/1967
APAZIGUAMENTO E LIDERANÇA
LIÇÕES DE WINSTON CHURCHILL E DE FRANKLIN D. ROOSEVELT PARA O PRESENTE
Areação dos países europeus às atitudes dos Estados Unidos da América, tanto no quadro da OTAN como da União Europeia, tem sido marcada, a meu ver, por uma prudência excessiva e por uma estratégia de apaziguamento. Concessões simbólicas, gestos de deferência e tentativas de acomodação têm sido apresentados como realismo político, na expectativa de moderar posições consideradas mais extremas. A história, porém, oferece razões sólidas para duvidar da eficácia dessa abordagem.
Quando um governo assume, de forma explícita, uma atitude hostil em relação aos seus aliados — chegando mesmo a inscrevê-la em documentos oficiais de estratégia nacional — o problema deixa de ser
meramente diplomático e passa a revestir uma natureza histórica e política. A relação entre os Estados Unidos e a Europa atravessa, hoje, um momento que exige uma reflexão séria sobre liderança, princípios e responsabilidade internacional.
Winston Churchill foi uma das vozes mais lúcidas e persistentes contra o apaziguamento na década de 1930. Num contexto em que a maioria das lideranças europeias acreditava que ceder às exigências de Adolf Hitler garantiria a paz, Churchill alertou para o risco de se confundir prudência com fraqueza. A sua crítica ao Acordo de Munique não foi apenas política, mas, sobretudo, moral. A cedência perante a ameaça não evitou o conflito; apenas o adiou, conduzindo a uma
tragédia sem precedentes, que deixou a Europa devastada e resultou na perda de mais de cinquenta milhões de vidas em todo o mundo.
Franklin D. Roosevelt complementa esta lição a partir de uma perspetiva distinta, mas convergente. Antes mesmo da entrada formal dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, Roosevelt compreendeu que a neutralidade, perante regimes que rejeitavam a ordem democrática e o direito internacional, não era sinónimo de responsabilidade. O seu apoio gradual aos Aliados — em particular a um Reino Unido à beira da exaustão — e a defesa de uma ordem internacional assente na equidade, na cooperação e na justiça revelaram uma visão estratégica fundada em princípios éticos firmes.

O denominador comum entre Churchill e Roosevelt não reside apenas na vitória num conflito global, mas no discernimento moral aliado a um profundo sentido de responsabilidade histórica. Ambos compreenderam que líderes que desprezam compromissos, instituições e regras comuns não são contidos por concessões sucessivas, mas por limites claros, coerentes e assumidos. Governar, nestas circunstâncias, não é normalizar o inaceitável, mas aceitar o custo inerente a decisões difíceis.
Por outro lado, a resposta da Europa às agressões da Federação Russa, desde a invasão da Geórgia, em 2008, a anexação da Crimeia em 2014 e à guerra em larga escala contra a Ucrânia, tem oscilado entre a condenação retórica e a contenção cautelosa. Em nome da estabilidade e da prevenção da escalada, toleraram-se violações reiteradas do direito internacional, dos princípios da soberania e da integridade territorial.
Tal como noutras épocas, a expectativa de que concessões pudessem moderar um comportamento agressivo revelou-se ilusória, confirmando que a ausência de limites claros não promove a paz, mas incentiva novas agressões.
A Europa contemporânea enfrenta, assim, um desafio que não é apenas conjuntural, mas estrutural. A tentação de adaptar posições para evitar tensões imediatas pode parecer pragmática, mas comporta o risco de comprometer princípios e valores fundamentais a médio e longo prazo. A história demonstra que a força material é relevante, mas que a força política e moral desempenha um papel decisivo na preservação das alianças e na credibilidade internacional.
É neste quadro que o Colégio Militar adquire particular relevância enquanto instituição formadora. A sua missão não se limita à trans-
missão de conhecimentos académicos ou à inculcação de disciplina, mas inclui a formação do caráter, do sentido crítico e da consciência histórica. O estudo de exemplos como os de Churchill e Roosevelt permite compreender que liderar implica saber distinguir entre prudência e cedência, entre adaptação responsável e abdicação de princípios.
Num contexto educativo, esta reflexão é essencial. Formar futuros cidadãos e líderes significa prepará-los para reconhecer que há momentos em que a neutralidade deixa de ser virtude e passa a ser omissão, e em que a responsabilidade exige posições firmes e claras. A história não oferece respostas automáticas, mas constitui uma ferramenta fundamental para fornecer critérios de análise e de decisão. Cabe às instituições educativas, como o Colégio Militar, assegurar que esses critérios continuam a ser compreendidos, debatidos e assumidos.
Presidente Franklin D. Roosevelt e 1º Ministro Winston Churchill. Em conversa na Conferência em Casablanca

Jorge Santos Pato 484/1966
A GRAFONOLA EM 1975
I. INTRODUÇÃO
Nesta primeira edição de 2026 da rubrica Grafonola voltamos a dedicar-nos a um só ano, neste caso de 1975, já que o Largo da Luz acolheu muito recentemente o regresso dos Antigos Alunos que ingressaram no Colégio Militar naquela data e que vieram comemorar os seus 50 anos de Entrada. Foi mais uma romagem para celebrar e recordar tempos diferentes, nos quais um punhado de jovens, ainda sem perceberem muito bem quais as profundas transformações políticas e sociais ocorridas no nosso País, iriam constituir-se como uma das primeiras gerações de “Ratas” a frequentarem o CM após a Revolução de 25 de Abril de 1974.
II. ANO 1975
Para Portugal, após os acontecimentos que marcaram o ano anterior, 1975 afigurou-se como uma verdadeira montanha russa de alternâncias no meio político-social, num clima de incessante instabilidade e insegurança que afectou todos os portugueses.
Sucederam-se as mudanças nos cargos governativos, as manifestações de rua, as greves laborais, as nacionalizações, os atentados, e uma certa histeria colectiva ou extremista que se abateu sobre determinados estratos da população. A busca da desejada democracia não conseguiu evitar, quer os abusos de poder, quer a intolerância ideológica que se espalhou por todo o País.
O ano de 1975 foi um período de charneira, marcado em Portugal pelo auge do PREC (Processo Revolucionário em Curso), pelo "Verão Quente" (um período de extrema instabilidade, greves, ocupações de terras e disputas entre forças de Esquerda e Direita), pelo falhado golpe de 11 de Março, pelas eleições para a Assembleia Constituinte (em 25 de Abril) e pela crise de 25 de Novembro, eventos esses que antecederam a estabilização da democracia, e o abandono precipitado dos territórios portugueses em Africa e no Sudeste Asiático, fruto de uma descolonização acelerada e desorganizada. Internacionalmente destacaram-se o fim da Guerra do Vietname, a fundação da Microsoft (por Bill Gates e Paul
GRAFONOLA
Allen), a invasão de Timor-Leste pela Indonésia, a morte do Generalíssimo Francisco Franco com a consequente Restauração da monarquia em Espanha, que conduziu à proclamação de Juan Carlos como Rei, e também a eleição de Margaret Tatcher como líder do Partido Conservador, tornando-se a primeira mulher a chefiar um grande partido político no Reino Unido.
Recordemos alguns dos acontecimentos mais relevantes que ocorreram em Portugal ao longo desse ano:
• Março - Tentativa frustrada de Golpe de Estado por parte dos movimentos de Direita
• Junho – Independência de Moçambique
• Julho – Independência de Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe
• Novembro - Independência de Angola
• Novembro – Derrota de tentativa de golpe militar, perpetrado pela sublevação da esquerda radical.
Como nota lúdica salienta-se um facto de “enorme” importância para a população masculina: o lançamento em língua portuguesa, no Brasil, da primeira edição da icónica revista Playboy, em Agosto de 1975.
No domínio da Música subsistiam em Portugal os reflexos da viragem política ocorrida em Portugal a partir da Primavera de 1974, pelo que em 1975 o mercado fonográfico nacional foi marcado essencialmente pela música de intervenção e popular, associada à revolução ainda em curso.
As listas dos discos mais vendidos reflectiam a separação entre os consumidores de “singles” (45 rotações)
e de álbuns (de 33 rotações, também chamados LP, muito mais caros). O elitista top 10 dos álbuns mais vendidos chegou a ser encabeçado pelo duplo “The Lamb Lies Down on Broadway”, dos Genesis, que tinha sido apresentado ao vivo em Cascais, em dois concertos memoráveis, a 5 e 6 de Março daquele ano (e nos quais o autor deste texto teve o prazer inesquecível de ter estado presente). Para além do mencionado a lista incluía ainda nomes como os Supertramp, Rick Wakeman, José Afonso e Sérgio Godinho.
Com o passar das semanas, e devido a alguma rejeição ou saturação decorrente do autêntico massacre sonoro a que a Rádio e a TV submeteram os portugueses no pós-25 de Abril, a música nacional foi sendo varrida do “hit parade”, avultando então outros cantores românticos, como Demis Roussos, Juan Pardo e Camilo Sesto.
No Brasil surgiram clássicos como “Fruto Proibido”, de Rita Lee, o “Novo Aeon”, de Raul Seixas (pioneiro do “rock” brasileiro), a estreia a solo de Ney Matogrosso, e novos discos de músicos icónicos da MPB, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Jorge Ben e Roberto Carlos.
No foro internacional destacou-se uma abundante produção discográfica, nomeadamente de expressão anglo-saxónica, com a edição de alguns dos LPs mais relevantes da história da música moderna.
Não sendo viável reproduzir a extensa lista merecedora de tal destaque, referem-se todavia, 20 dos álbuns notáveis que foram editados ao longo de 1975:
1. Bob Dylan
“Blood On The Tracks”, 2. Led Zeppelin
“Physical Graffiti”, 3. America
“Hearts”, 4. Roberta Flack
“Feel Like Makin’ Love”, 5. Camel
“The Snow Goose”, 6. Joan Baez
“Diamonds & Rust”, 7. Eagles
“One Of These Nights”, 8. Neil Young “Tonight’s The Night”, 9. Bob Dylan & The Band “Basement Tapes”, 10. Bee Gees “Main Course”, 11. Fairport Convention “Rising For The Moon”, 12. Fleetwood Mac “Fleetwood Mac”, 13. Bruce Springsteen
“Born To Run”, 14. Pink Floyd
“Wish You Were Here”, 15. Crosby & Nash “Wind On The Water”, 16. Paul Simon
Still Crazy After All These Years”, 17. Patti Smith “Horses”, 18. Neil Young & Crazy Horse “Zuma”, 19. Supertramp “Crisis? What Crisis?”, 20. Queen “A Night At The Opera”.
Das edições discográficas produzidas seleccionámos 10 das canções que tiveram um maior protagonismo e relevância nas tabelas de vendas de singles, as quais apresentamos de seguida, por ordem alfabética dos seus intérpretes:
GRAFONOLA
1. America
“Sister Golden Hair”, 2. Bee Gees
“Jive Talkin’”, 3. Bob Marley
"No Woman No Cry”, 4. David Bowie
“Space Oddity”, 5. Eagles
“One Of These Nights”
6. Joan Baez
"Diamonds and Rust”, 7. Pink Floyd
“Wish You Were Here”, 8. Queen
“Bohemian Rhapsody”, 9. Rod Stewart
“Sailing”, 10. 10CC
“I’m Not In Love”.
Deste “top-ten” particular escolhemos duas canções de dois dos grupos mais emblemáticos da década de 70, que decerto fazem parte da lista de bandas favoritas de muitos dos membros integrantes do Curso de 1975. São elas:

Editada no final de Outubro de 1975 em single, e extraída do quarto álbum , intitulado “A Night At The Opera”, a icónica canção “Bohemian Rhapsody” chegou ao primeiro lu-
gar da tabela de vendas do Reino Unido em Novembro desse ano, onde se manteve durante 9 semanas, vendendo mais de 1 milhão de cópias até final de Janeiro de 1976. É um tema original e ”sui generis”, composto por Freddie Mercury. A música tem 5 segmentos, começando com uma introdução vocalizada por Freddie em harmonia, acompanhado de piano. Segue-se uma balada que termina com um solo de guitarra de Brian May, após o qual surge uma seção operática totalmente composta por Freddie. No entanto, diferentemente do início da canção, apenas cantado por Mercury, o segmento de ópera também conta com a participação das vozes de May e Roger Taylor. Segue-se uma secção de "hard rock", para finalmente se encerrar com mais um segmento de balada lenta.

A canção “One Of These Nights” que dá o titulo ao quarto álbum dos Eagles, foi escrita por Don Henley e Glenn Frey, tornando-se no segundo single da banda a atingir o topo da tabela da Billboard Hot 100, depois do tema “Best Of My Love”, do álbum “On The Border”, de 1974, ter logrado a mesma proeza poucos meses antes. O álbum “One
Of These Nights” contém 3 canções que figuraram no top 10 de singles da Billboard: a que titula o álbum, “Take It To The Limit” e “Lyin’Eyes”. Esta última foi premiada com um Grammy no ano seguinte, e o álbum, que recebeu uma nomeação para melhor álbum do ano, vendeu mais de 4 milhões de cópias.

“Bohemian Rhapsody” - Queen
“One Of These Nights” - Eagles
Aceda aqui à PlayList Zacatraz.

Carlota Pires 687/2017
RÉCITA 2026
Nos passados dias 4,5 e 6 de fevereiro o auditório voltou-se a encher de tradição. Como Antiga Aluna, habituada ao rigor das nossas tradições, é com um misto de orgulho e reflexão que analiso a Récita do Curso 2019. Inspirado na obra intemporal de José Saramago, Ensaio sobre a Cegueira, os alunos do 11º ano desenvolveram um belíssimo trabalho.
A escolha do tema foi excecional. Através de uma representação teatral bem conseguida, utilizaram a ironia como uma lente para examinar a nossa vivência colegial, e principalmente a vivência destas novas gerações. A cegueira branca de Saramago serviu de metáfora para uma certa dormência de valores.
O 11º ano apontou com a precisão de sempre para momentos em que o brio, o rigor e a camaradagem parecem ficar em segundo plano, obscurecidos pela rotina ou pela falta de foco no essencial. Espero que tenha sido uma chamada de atenção às novas gerações de que ser Menino da Luz é muito mais do que envergar a farda, é manter viva a chama do nosso Colégio.




Neste caminho de exigência, o 11º ano recordou-nos, como sempre, a força que o nosso Fundador exerce sobre todos nós. Não é apenas uma referência histórica, mas o alicerce que nos sustenta. No desenrolar da Récita, foi o Marechal quem conseguiu dar força ao único aluno que ainda protegia os nossos valores. Através desse exemplo de integridade, esse aluno tornou-se o guia necessário para ajudar a curar a cegueira dos restantes.
Mais uma vez, a Récita foi desempenhada brilhantemente, mostrando claramente a grandiosidade da nossa tradição. Curso 2019: “Com a imponência da tradição, curamos a cegueira desta geração”
ONDE A FLORESTA NASCE
Quando pensamos em floresta, pensamos em árvores grandes, copas densas e paisagens já formadas. Raramente pensamos no ponto de partida. Mas a floresta, que em Portugal é maioritariamente plantada (2,49 milhões de hectares dos 3,36 milhões do total de área florestal, de acordo com os dados do Global Forest Resources Assessment 2025, da FAO), começa muito antes de ser visível: começa nos viveiros, onde nascem as plantas que vão dar origem aos povoamentos.
No caso das plantações com fins de produção, que ocupam 780 mil hectares, a planta usada para florestar ou reflorestar é fundamental para a produtividade das explorações e para a sustentabilidade da floresta como um todo.
O exemplo do eucalipto ajuda a perceber essa realidade. As plantas utilizadas resultam de décadas de investigação em melhoramento genético, que permitiram desenvolver diferentes clones e híbridos, adaptados às condições específicas de clima e solo de cada região.
Esta escolha, aparentemente invisível, tem impacto direto no que acontece depois no terreno. Uma planta bem adaptada cresce melhor, utiliza os recursos de forma mais eficiente e é mais resistente a fatores de stress, como a seca ou as pragas. Pelo contrário, uma escolha menos ajustada pode comprometer o desenvolvimento do povoamento ao longo de todo o seu ciclo.
Os Viveiros Aliança, em Espirra, – dos maiores viveiros de plantas certificadas da Europa –, são um ponto de referência incontornável na planta de eucalipto. Todos os anos, há um novo ciclo de produção, pensado para responder às necessidades dos produtores.
A produção anual de plantas clonais e híbridos decorre durante os meses mais quentes do ano (entre maio e agosto). Os rebentos de eucalipto são retirados dos pés-mãe e colocados em tabuleiros, nas casas de sombra, onde se mantêm sob condições ideais de temperatura, humidade e luz, de forma a favorecer o enraizamento. Na fase seguinte, passam para o exterior, para as zonas de “atempamento”, adaptando-se progressivamente às circunstâncias que encontrarão no terreno.
Fruto da investigação conduzida pela The Navigator Company, através do RAIZ – Instituto de Investigação da Floresta e Papel, entre os seis clones e dois híbridos de Eucalyptus globulus disponibilizados pelos Viveiros Aliança, um deles será a escolha ideal para cada propriedade, de norte a sul de Portugal continental.
Tudo começa, por isso, nos viveiros, onde se define, em grande medida, o potencial da floresta que ainda está por nascer.

A capacidade de produção dos Viveiros Aliança, em Espirra, é superior a nove milhões de plantas de eucalipto por ano.

As florestas sustentáveis da The Navigator Company apoiam a Revista ZACATRAZ a diminuir a sua pegada ecológica.


Luís Madureira Pires 336/1966
REGIÃO: DÃO
Não surpreenderá certamente os leitores a escolha dos planaltos, encostas e vales do rio Dão para um artigo dedicado a mais uma região vitivinícola portuguesa. Trata-se de uma das regiões mais antigas e emblemáticas do País, frequentemente associada à elegância, frescura e longevidade dos seus vinhos, e cujo percurso histórico reflete, de forma particularmente expressiva, as transformações profundas ocorridas na vitivinicultura portuguesa ao longo do último século.
A produção de vinho no território hoje conhecido como Região do Dão remonta à época romana, mantendo-se ativa ao longo da Idade Média, impulsionada pelos mosteiros e pelas ordens religiosas. O reconhecimento institucional viria já no início do século XX, com a criação, em 1908, da Região Demarcada do
Dão, a primeira em Portugal especificamente dedicada a vinhos tranquilos. A Comissão Vitivinícola Regional do Dão (CVR Dão) foi constituída em 1996, assumindo desde então a certificação, regulamentação e promoção dos vinhos com Denominação de Origem Dão e Indicação Geográfica Terras do Dão.
Apesar deste estatuto pioneiro, o século XX revelou-se particularmente exigente para a Região. A crise provocada pela filoxera no final do século XIX, seguida por décadas de forte intervenção estatal, condicionou a sua afirmação. A obrigatoriedade de entrega de uvas às adegas cooperativas — decisiva para a subsistência económica de milhares de pequenos viticultores — conduziu, porém, a uma excessiva uniformização dos estilos e a uma perda gradual de prestígio junto dos mercados.
A verdadeira recuperação da imagem e da qualidade dos vinhos do Dão inicia-se a partir das décadas de 1980 e 1990, com a modernização das estruturas produtivas, o surgimento de produtores independentes, a renovação da enologia e, sobretudo, a revalorização das castas autóctones. Este movimento permitiu reposicionar a Região como produtora de vinhos de elevada qualidade, hoje amplamente reconhecidos nos mercados nacional e internacional.
A Região Vitivinícola do Dão localiza-se no centro-norte de Portugal, abrangendo áreas significativas dos distritos de Viseu, Guarda e Coimbra, num território historicamente associado à antiga Beira Alta. Encontra-se protegida por importantes maciços montanhosos — serras da Estrela com a altitude 1993m, do Caramulo 1075m, da
Nave 1998m e do Buçaco 549m — que funcionam como barreiras naturais às influências atlânticas mais húmidas e às correntes continentais extremas. As vinhas encontram-se implantadas maioritariamente em altitudes compreendidas entre os 200 e os 600 metros, sendo frequentes parcelas acima dos 500 metros, o que favorece maturações mais lentas, preservação dos ácidos e maior complexidade aromática.
Os solos são predominantemente graníticos, pobres em matéria orgânica, ácidos e de excelente drenagem, sendo comum a presença de areias graníticas resultantes da decomposição da rocha-mãe. Esta natureza obriga a vinha a um esforço acrescido, limitando naturalmente as produções e contribuindo para vinhos de maior concentração, estrutura e longevidade.
O clima assume um caráter continental moderado, com invernos frios e chuvosos e verões quentes e secos, mas temperados pela altitude e pelas amplitudes térmicas entre o dia e a noite. A temperatura média anual situa-se entre os 12ºC e os 15ºC, enquanto a precipitação média anual varia entre os 900 e os 1.200 mm, concentrando-se sobretudo nos meses de outono, inverno e início da primavera.
A Região do Dão integra sete sub-regiões com Denominação de Origem Controlada: Alva, Besteiros, Castendo, Serra da Estrela, Silgueiros, Terras de Azurara e Terras de Senhorim. Apesar das diferenças locais, todas partilham um perfil comum assente na elegância, frescura, equilíbrio e capacidade de envelhecimento dos vinhos.

Os vinhos tintos do Dão distinguem-se pela sua estrutura equilibrada, taninos finos e notável aptidão para envelhecer em garrafa, revelando aromas de frutos vermelhos e do bosque, notas florais e de especiarias. Os vinhos brancos apresentam frescura, complexidade e uma surpreendente capacidade de evolução, combinando aromas florais de sabugueiro e tília, frutados de pera e marmelo e cítricos de toranja, limão e lima e delicadas notas minerais.
A base ampelográfica da Região é largamente dominada por castas autóctones. As principais castas utilizadas na elaboração dos vinhos
do Dão são, por ordem de relevância e com referência a algumas das suas características principais, as seguintes:
- Nos brancos: Encruzado (5,5% da área total da vinha; estrutura, elegância e elevado potencial de envelhecimento); Bical (3,8%; frescura e acidez); Malvasia Fina (3%; aromas florais e fruta branca);
- Nos tintos: Jaen (22,8%; frutos vermelhos e suavidade); Touriga Nacional (21,3%; aromas florais, estrutura e longevidade); Aragonez (17,6%; cor, frutos maduros, elegância e potencial de envelhecimento);
SABERES E SABORES DO VINHO
O Encruzado será porventura a casta que melhor tipifica a região, onde os brancos cada vez justificam maior atenção.
Nas últimas duas décadas, o enoturismo afirmou-se como um eixo estratégico para a valorização da Região do Dão. A abertura das adegas ao público, a criação de centros de visitas, bem como a recuperação de casas senhoriais e antigas propriedades agrícolas para turismo de charme, permitiram aproximar o consumidor do território e dos seus vinhos.
A oferta enoturística articula-se frequentemente com o património histórico, a gastronomia regional e a paisagem serrana, contribuindo para a dinamização económica local e para a afirmação do Dão enquanto destino de turismo vínico de qualidade.
Entre os produtores de referência encontram-se projetos históricos e contemporâneos como a Casa de Santar, a Quinta da Pellada, a Quinta dos Roques, a Sogrape (Quinta dos Carvalhais), a Quinta das Marias, a Quinta de Lemos, a Casa da Ínsua, a Caminhos Cruzados, a Taboadella e a Adega de Silgueiros, entre muitos outros, cuja diversidade e qualidade tornam difícil qualquer exercício de seleção exaustiva.
No que respeita especificamente à oferta vínica, e sem entrar nos esplêndidos e dispendiosos Raríssimo de Osvaldo Amado, permito-me destacar a Quinta de Perdigão, onde o Encruzado assinado por Mafalda Perdigão continua a dar cartas. Por sua vez, os vinhos da Quinta de Cabriz permanecem,
nesta região, excelentes soluções em termos de relação qualidade-preço garantida pelo rigor e génio da enologia de Paulo Prior.
Atualmente, o Dão vive um período de forte afirmação qualitativa, sustentado na recuperação de vinhas velhas, na viticultura de precisão, na adoção crescente de práticas sustentáveis e na consolidação de um estilo próprio, assente na elegância, frescura e autenticidade.
A Denominação de Origem continua a ser amplamente valorizada pelos produtores, funcionando como elemento central da identidade regional.
Discreta, elegante e muitas vezes longe dos holofotes mediáticos, a Região do Dão recompensa quem a descobre sem pressas. Protegida pela Serra da Estrela e marcada por solos graníticos e altitude, gera vinhos de harmonia, frescura e profundidade, afirmando-se como uma das expressões mais refinadas e duradouras do vinho português.
A quase coincidência com a área demarcada do Queijo Serra da Estrela não é apenas geográfica e histórica - é também sensorial: o Encruzado, tenso e mineral, equilibra na perfeição a textura amanteigada do queijo, num encontro de identidade e requinte.
ALGUNS DADOS ESTATÍSTICOS DE 2024
((IVV E CVR DÃO)
A área total de vinha da Região Vitivinícola do Dão é de 9 826 hectares, representando 5,7% da área nacional.
A produção anual situou-se nos 28,1 milhões de litros de vinho (3,7% do total nacional) dos quais 15 milhões são DO ou IG
A produção média por hectare varia entre 25 e 30 hl, refletindo uma clara aposta na qualidade.
Existem cerca de 2.200 viticultores na região, embora apenas pouco mais de duas centenas certifiquem regularmente os seus vinhos.
Média de área por produtor: 2 ha
Quota do mercado nacional: 4,5%
A Região exporta para 79 países, num total de 4 milhões de euros, sendo que os países da União Europeia representam apenas 38% desse total e os Estados Unidos são o principal importador (12%)
A quebra de exportações entre 2022 e 2024 foi de cerca de 1/3 em valor.

Manuel Silva e Sousa 356/1948
COMO SE PODE CONFUNDIR
UMA BACTÉRIA COM UM COMPUTADOR
No Colégio estávamos separados por um ano. Um dia no recreio, por mero acaso, descobrimos que morávamos na mesma rua. Ambos filhos únicos, após o fim do curso, convivemos bastante, materializando a afirmação “camaradas no Colégio, irmãos para sempre”.
Após uma carreira profissional de grande mérito o meu camarada, já reformado, foi obrigado a mudar-se com a família para o Algarve onde tinha herdado umas terras que agora tinha de administrar.
Continuámos em contacto frequente, consequência da amizade e, também, dos serviços clínicos que se mantiveram apesar da distância. Quando vinha a Lisboa havia sempre tempo para um almoço mais demorado, às vezes estendido às famílias.
Não me admirou, pois, o telefonema daquele dia. Era a rotina. O que me surpreendeu foi o ar preocupado.
- Eh pá! (O Asterix tem razão quando enfatiza o uso do “pá” na linguagem da Lusitânia). Estou muito preocupado!
- Mas afinal o que se passa?
- Arranjei um Hp.
- Ok. Mas… trocaste de computador? Compraste uma nova impressora? Não vejo qualquer motivo para tanta preocupação.
- Nada disso. A Isabel foi aqui ao médico e eu aproveitei para fazer umas análises. Já tas envio, mas, digo-te desde já, que me encontraram um Hp.
- Ora bolas! Com a preocupação com que estás, a tua ansiedade pregou-me, desnecessariamente, um grande susto. O teu Hp não é mais do que o Helycobacter Pylori uma bactéria que se instala no estômago com habilidade suficiente para resistir à ação corrosiva do ácido clorídrico que aí se produz em estado puríssimo.
- Está bem! Mas essa bactéria não é perigosa?
- Nem todas as bactérias são perigosas. Lembra-te que só no intestino tens 1014 bactérias enquanto que o número total de células do organismo humano é de 1013. E como são úteis… Em abono da verdade asseguro-te que ainda não tive tempo de as contar, mas é a estimativa dos que tiveram a “pachorra” de fazer esses cálculos.

Helycobacter Pylori
- Ok. Mas afinal tenho ou não motivo para estar preocupado?
- Claro que não. Em primeiro lugar porque nem todas as estirpes das bactérias deste grupo são patogénicas, mas, quer sejam ou não, é muito fácil eliminá-las.
- Mas ouvi dizer que já há muitas resistências à terapêutica.
- É a eterna luta do gato e do rato. Os antibióticos destroem as bactérias. As bactérias arranjam forma de lhes resistir. Surgem novos antibióticos, aparecem novas resistências e assim sucessivamente…
Claro que o problema se agrava quando se usa e abusa dos antibióticos ou estes são administrados de forma incorreta. Mas neste caso está tranquilo. Há muitos esquemas terapêuticos e se algum for ineficaz pode prescrever-se outro que resolve a situação.
Se há um capítulo da Medicina em que a evolução tem sido muito evidente é o do tratamento da úlcera péptica. Com efeito, o aparecimento dos anti-histamínicos H2, os inibidores da bomba de protões, o reconhecimento do Helicobacter pylori e a sua erradicação (desculpem-me tanto “palavrão”) transformaram completamente o tratamento da

úlcera e evitaram muitas das suas complicações.
Como tudo era diferente há cinquenta anos atrás! Recordo-me de uma consulta de gastrenterologia no Hospital Militar de Luanda. Um major, 2º Comandante de uma unidade instalada a cerca de mil Km de Luanda, muito fustigada, mas sem baixas, surgiu na consulta com dores intensas causadas por uma úlcera que não só estava muito ativa, mas já tinha dado origem a duas hemorragias digestivas. Vinha cheio de stress, rações de combate e doença que lhe eram impostas pelo desempenho responsável das suas funções militares.
Foi rapidamente reconhecido como Antigo Aluno.
Para aliviar a tensão que a ida à consulta lhe estava a causar, o médico resolveu descontraí-lo e, puxando pela conversa, conseguiu que ele falasse do Colégio. Tinha atingido o alvo. Perante umas “farpas” que o médico ia desbobinando o major defendia o Colégio com galhardia. Era demais, ele era major e o médico era tenente. Que atrevimento!
A conversa continuou e atingiu o seu clímax:
- Olha lá!
(Decididamente o médico é completamente doido. Agora trata-me por tu. Quem lhe deu esta confiança. Em que mãos eu vim cair… Mas isto não vai ficar assim. Era o que me faltava…) - pensou o Major denunciado por um olhar irritado, mas contido.
- Como foste meu graduado e eu estive um ano na tua mesa e não me conheceste “vou-te punir”. Esta tarde vou-te já fazer exames e iniciarás o tratamento. Farei todos os possíveis para não teres de ser operado. Vais ficar dois meses aqui em Luanda com dieta e tratamento. Podes ir ao cinema, à praia ou vir conversar com os camaradas do Colégio que aqui se reúnem para “gastar umas chalaças”.
- Mas tu também andaste no Colégio? – perguntou.
- Já te disse que foste meu graduado
E prenhe de autodisciplina, exigência, espírito de missão, sentido de cumprimento do dever e de liderança:
- Tenho de voltar já à minha unidade. Faço lá muita falta!
- Pois é, mas eu também tenho uma missão a cumprir. A minha é esforçar-me para que regresses curado à tua Unidade e depois continues curado quando regressares a Portugal e à tua família.
Este objetivo foi totalmente conseguido.
Penso que neste episódio, na sua essência verdadeira, fica expresso o espírito de camaradagem, de cumprimento do dever e de SERVIR que é apanágio da educação que recebemos no Colégio.
NÃO FOI NADA
Um poema contra a anestesia moral do quotidiano: mostra como a indiferença — feita de pequenos desvios, “não me meto”, volumes baixados e hábitos intactos — pode ser uma forma limpa de cumplicidade.
NÃOFOINADA:
um grito ao fundo da rua a dobrar a esquina como um papel amassado.
Não foi nada: a sirene a riscar a noite e nós, no sofá, a baixar um ponto no volume para não interromper a série.
Não foi nada: um corpo no noticiário, um nome que não conhecemos, um “infelizmente” dito com gravata e logo a seguir o tempo.
Somos peritos em continuar. O café chega, a colher bate no vidro, o elevador sobe com a dignidade dos hábitos, as mensagens entram como pombos mansos a pedir migalhas de atenção.
E lá fora — lá fora há sempre alguém a cair devagar.
Não cai de repente. Cai por etapas: primeiro perde-se a vergonha, depois perde-se o trabalho,
Vai crescendo até à ideia central: a injustiça não precisa de monstros, precisa de gente normal; e, quando regressa, já sabe o caminho porque o aprendeu connosco.
depois perde-se a casa, depois perde-se o rosto até ficar apenas um caso numa frase curta que ninguém cita.
E nós — nós ajudamos com a nossa arte mais limpa: o desvio.
Desviamos o olhar como quem fecha uma porta para “não entrar frio”. Desviamos a conversa para “não estragar o jantar”. Desviamos a consciência para “não sermos injustos com ninguém”.
A mentira é confortável porque não faz barulho.
Mas há um som que não se cala: o som de não ter feito. O som de não ter dito. O som de ter estado lá e ter escolhido ser mobília.
A injustiça não precisa de monstros. Precisa de gente normal com compromissos, com pressa,

com boa educação, com medo de parecer exagerada. Precisa de nós quando dizemos: “Não me meto.”
E um dia, sem aviso, a conta chega com a frieza das coisas certas: quando a injustiça nos bater à porta já saberá o caminho — aprendeu-o em nossa casa.
Porque foi assim que a deixámos entrar.
Não foi nada. Foi tudo.
Duarte Dias Marques (408/1969)

Pedro Soares Branco1
OS UNIFORMES COLEGIAIS DO PRÍNCIPE REAL DOM LUÍS FILIPE
Dois príncipes reais de Portugal têm o seu nome associado ao Colégio Militar por terem sido comandantes honorários do Batalhão Colegial: Dom Carlos, nomeado por Carta Régia de 25 de Junho de 1868, com quatro anos e Dom Luís Filipe, nomeado por Carta Régia de 21 de Março de 1893, o dia em que completou seis anos.
Uma vez que estes príncipes não foram alunos do Colégio, estas suas nomeações tinham essencialmente o propósito educativo de os ligar às instituições militares, o Exército e a Armada, das quais seriam comandantes supremos quando subissem ao trono.
Nessa mesma lógica, seria expectável que as nomeações fossem acompanhadas dos respectivos uniformes. No entanto, por razões que não se conhecem, o Príncipe Real Dom Carlos nunca terá usado o uniforme do Colégio. Tal conclusão decorre, sobretudo, da ausência de qualquer fotografia com este uniforme.
Já o Príncipe Real Dom Luís Filipe teve dois destes uniformes, um que usou em criança, por volta dos seus oito anos e outro que usou aos 14 anos.
Do primeiro destes uniformes existe ainda a farda e a calça, conservadas no Palácio nacional da

Figura 2: S.A. o Príncipe Real Dom Luís Filipe, circa 1895. O Príncipe Real enverga o grande uniforme de Comandante do Batalhão de Alunos do Real Colégio Militar (Palácio Nacional da Ajuda, Inv. 62714 – ©DGPC/ADF).
Ajuda (figura 1). Ambos os artigos são versões tardias dos modelos adoptados pela Ordem do Colégio nº 12, de 12 de Janeiro de 1872, sendo que a farda apresenta, como distintivo de Comandante do Batalhão de Alunos, uma coroa real em cada platina. Este uniforme foi usado em diversas ocasiões e surge em diversas fotografias, formais e informais, do Príncipe, uma das quais se apresenta (figura 2).
Do segundo destes uniformes resta apenas a calça, também conservada no Palácio Nacional da Ajuda. Este uniforme, que está bem documentado em diversas fotografias, foi usado pelo Príncipe Real no seu juramento como legítimo e presuntivo herdeiro da coroa, no dia 20 de Maio de 1901 (figura 3).
O uniforme do Real Colégio Militar foi escolhido por razões óbvias, uma vez que Dom Luís Filipe só teria então, como alternativa, um uniforme de praça de pré (possivelmente primeiro cabo) do Regimento de Infantaria nº 18 (Regimento de Infantaria nº 18 do Príncipe Real), o qual não seria suficientemente prestigioso para a ocasião.

De recordar que só mais tarde, por Carta Régia de 1 de Maio de 1902 é que o Príncipe Real seria nomeado Alferes Honorário do Regimento de Cavalaria nº 2, lanceiros de El-Rei.
Um dos aspectos mais peculiares deste uniforme era um dos seus artigos: o képi de pequeno uniforme para comandante do Batalhão Colegial. Na sua magnífica “História do Colégio Militar”, o Sr. Coronel Costa Matos assumiu, compreensivelmente, que este
képi se destinava a todos os comandantes e publicou, inclusivamente, um figurino deste uniforme. Na realidade, em minha opinião, o képi destinou-se exclusivamente ao Príncipe Real Dom Luís Filipe, por três razões: a data do modelo, as suas características e a necessidade da sua criação.
Quanto à data, o képi foi estabelecido por Nota da 3ª Repartição
da Direcção Geral do Ministério da Guerra de 7 de Maio de 1901, publicada na Ordem do Colégio nº 127, de 8 de Maio do mesmo ano. Ou seja: o képi foi concebido expressamente para ser usado pelo Príncipe Real no dia do seu último grande acto público com o uniforme do Real Colégio Militar.
As características do képi sugerem que se tratava duma cobertura de
Figura 1: Farda e calça para Comandante do Batalhão de Alunos do Real Colégio Militar de S.A. o Príncipe Real Dom Luís Filipe, circa 1895 (Palácio Nacional da Ajuda, Inv. 56633/a e 56633/b – ©DGPC/ADF).
grande aparato, como se depreende da sua descrição: “em pano cor de pinhão, tendo de altura na frente 0,09m e na parte posterior 0,10m; ao centro, em volta do képi, uma trança de ouro brilhante de 0,02m de largura, ladeada por dois vivos de caxemira encarnada de 0,004 m de largura; nas quatro costuras dos quartos, um soutache de ouro com 0,004 m de largura, ladeado por iguais vivos encarnados; na costura da copa um vivo de pano da mesma qualidade que a do képi e ao centro da copa um botão de serrilha de ouro com 0,025 m de diâmetro.
Pala de polimento preto, debruado do mesmo polimento, e junto

3: S.A. O Príncipe
Dom Luís Filipe em grande uniforme de Comandante do Batalhão de Alunos do Real Colégio Militar. Este uniforme foi usado no juramento como legítimo e presuntivo herdeiro da coroa, no dia 20 de Maio de 1901 (Augusto Bobone, Lisboa – Colecção Particular).
a este debrum um soutache de ouro de 0,004 m ladeado por duas serrilhas do mesmo metal; francalete de cordão de ouro como o dos oficiais de cavalaria. Emblema como o dos képis dos oficiais de infantaria, forrado de veludo verde, tendo ao centro, em monograma, as letras «R.C.M.» encimado pela coroa real”.
Quanto à necessidade, esta era óbvia: A seguir à cerimónia propriamente dita, na qual usou a barretina, o Príncipe Real necessitaria duma cobertura mais ligeira e esta, que era o barrete de polícia, seria demasiadamente singela. O képi, pelo contrário, com o seu grande aparato, adequava-se

Real Dom Luís Filipe em pequeno uniforme de Comandante do Batalhão de Alunos do Real Colégio Militar. O képi foi concebido expressamente para ser usado pelo Príncipe Real no dia do seu último grande acto público com o uniforme do Real Colégio Militar (Augusto Bobone, Lisboa – Colecção Particular).
ao propósito dos uniformes reais: serem quase idênticos aos restantes, mas ainda assim privativos de quem os usava (figura 4).
O nosso obrigado à colaboração do Professor Dr. Pedro Soares Branco, que nos privilegia com a sua colaboração na revista ZACATRAZ.
Figura
Real
Figura 4: S.A. O Príncipe
NOTAS FINAIS:

Nelson Lourenço 377/1982
O TEU FUTURO:
UMA MISSÃO QUE SE RENOVA
OTeu futuro é uma iniciativa da Associação de Antigos Alunos do Colégio Militar, que deu à luz no seio do Conselho de Delegados, e que tem por objetivo dar aos alunos do Colégio Militar uma maior consciência daquilo que são as suas opções universitárias e profissionais. Em última análise, queremos inspirar as melhores escolhas.
Este foi o sexto ano consecutivo em que realizámos estes eventos. O formato tem evoluído, e vai sendo aperfeiçoado a cada edição.
São sessões ao fim da tarde, este ano sempre às terças-feiras, e com duração típica de 90 minutos. Desde há alguns anos que O Teu futuro faz parte do cronograma oficial do Colégio Militar, tornando claro o reconhecimento desta ação junto dos alunos.
A primeira sessão traz ao Colégio um conjunto alargado de Antigos




Antigos Alunos que enriqueceram as Palestras
Cartazes do Evento


Alunos recentes, todos universitários. Os atuais alunos são divididos por várias salas do Pavilhão Gulbenkian e os vinte e cinco Antigos Alunos universitários vão rodando em pequenos grupos pelas salas, partilhando as suas vivências universitárias. É incrível saber que estes Antigos Alunos fazem questão de sair mais cedo das suas aulas, para eles próprios, virem dar uma aula diferente a quem os olha com admiração. E também foi incrível quando este ano demos por terminada a sessão, e dezenas de alunos ficaram ainda tempo sem fim à conversa sobre temas do futuro e do presente.
As três sessões seguintes sucedem-se no auditório do Colégio e reúnem três a quatro convidados por sessão. A escolha dos convidados procura naturalmente refletir um equilíbrio entre Antigos Alunos e outros convidados especiais, de variadas formações universitárias e profissionais, com percursos também eles variados.
Este ano o leque de temas foi mais variado do que nunca. Cruzaram-se a tecnologia, saúde, empreendedorismo, a arte de representar, economia, gestão, aeronáutica e a psicologia dos recursos humanos.
Do mundo das engrenagens às emoções de criar, cuidar e comunicar, descobriram-se percursos reais que podem ser o espelho da vida de alguns dos jovens que assistiram ao evento. E quando se consegue despertar a atenção de uma centena de adolescentes, que passaram já dez horas do seu dia em aulas e atividades físicas, e que reagem, fazem perguntas, e comentam e soltam risadas, então é porque foi um sucesso.
As mensagens são muitas: o sucesso não vem sem trabalho árduo e a descoberta daquilo que somos capazes de fazer bem, é uma viagem contínua.
Acima de tudo reforça-se que é importante ser feliz no trabalho, assim como na vida.
NOTAS FINAIS:
O Teu futuro resulta, ano após ano, da disponibilidade de dezenas de alunos universitários e dos ilustres convidados que nos dedicam o seu tempo. Na coordenação da iniciativa deste ano, estiveram a meu lado, dedicando muitas horas de trabalho, a Leonor Santos (628/14), a Ana Marisa Jesus (21/14), a Beatriz Santos (626/14), a Cíntia Barreira (726/15) e a Cláudia Mateus (487/13).

Interacções a merecer o aplauso dos presentes
Momentos das Palestras
PROTOCOLOS COM A AAACM

INSTITUTO DE IMPLANTOLOGIA
João Mendes Caramês 42/1972

RESTAURANTE JARDIM DA LUZ

CLUBE MILITAR NAVAL

NOVA PHISIO ORTOPEDIA E FISIOTERAPA
Nuno Pombeiro 70/1973 Rui Mendonça 685/1974

CLÍNICA MÉDIS MEDICINA FÍSICA E DE REABILITAÇÃO
Emanuel Bragança 354/1995

ICON, LDA CONSULTORIA, CONTABILIDADE E PROJETO
Filinto Girão Osório 120/1997
HEXÓNIO CONSULTING, LDA TECNOLOGIA, DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE, MIGRAÇÃO DE DADOS E INFRAESTRUTURAS IT António da Cunha Semedo 221/1973
A ligação da sua/tua empresa à AAACM, através de um protocolo com condições especiais, é uma forma de dizer presente, e dizer obrigado ao Colégio que criou as raízes, do teu sucesso.
Contacta-nos: geral@aaacm.pt | Tlm 916 072 898
Condições particulares a consultar no site da AAACM. Saiba mais em:




Luís Vasco da Veiga Ferreira Pedras
(311/1927)
Major do Serviço de Material do Exército

Amílcar Pompílio Margarido
(19/1922)
Tenente-coronel, do Serviço de Material do Exército Falecido por ferimentos recebidos em combate, na Guiné, em 1968
Falecido por doença, em Moçambique, em 1971
Convivi intensamente com estes dois oficiais do Exército e Antigos Alunos do Colégio Militar, quando durante o meu serviço militar, fui colocado na Escola Prática do Serviço de Material. (EPSM) a partir de Janeiro de 1961 e até ao fim de 1963.
Nessa altura a EPSM estava em organização, ainda não tinha sido inaugurada, e passou a ocupar o quartel do Regimento de Artilharia Pesada nº 1, em Sacavém, que estava em processo de extinção.
Vivia-se uma grande azáfama de actividades, com a organização de cursos especializados, para praças e sargentos, tendo em vista a preparação de pelotões de manutenção, sobretudo, armas ligeiras e viaturas, na previsão da guerra que iria ocorrer em Angola, Moçambique e Guiné. Estava-se a aplicar um método de formação acelerada utilizado pelo exército francês. Um dos objectivos da EPSM estar apta a enviar pelotões de manutenção para
dotar os vários teatros de operações no Ultramar, como se designava, e termo, também, utilizado na linguagem militar e empresarial britânica, com a palavra “Overseas”.
Dadas as necessidades de oficiais, das várias Armas, o corpo de oficiais, necessário para este grande projecto do Serviço de Material, veio de um conjunto de oficiais que estavam em Goa, Angola, Moçambique e Portugal continental, que eram milicianos, ou do quadro, formados na Escola Central de Sargentos, em Águeda, todos eles, transferidos para a EPSM. Estes oficiais eram muito experientes, não só em termos militares, mas em experiência de vida. Eram doze, se a minha memória não me atraiçoa, o número de oficiais deste grupo, tinham o posto de major, dois, vários capitães e tenentes, alguns ainda na idade dos trinta anos, mas a maioria com mais de 40 anos. O comandante era o Major Andreia, engenheiro fabril e oriundo da Escola do Exército, já com grande experiência do Serviço
de Material, antes fora comandante da “Companhia divisionária de manutenção de material”, no Entroncamento. Tinha como adjuntos o Major Margarido, um dos homenageados neste texto, e o Major Guilherme Luazes, também Antigo Aluno 72/1922, ambos oriundos da Escola Central de Sargentos. O total de oficiais era cerca de quarenta, onde a maioria eram aspirantes e alferes, oriundos do serviço militar obrigatório. No grupo de capitães havia, ainda, um Antigo Aluno, o 35/1923, Capitão Knopfli, com quem tive uma excelente relação e com quem falei muitas vezes. O número de sargentos, parte muito importante, deste grande projecto, e praças em formação e em serviço na unidade militar, é que a minha memória já não alcança.
Na minha memória, desse tempo, do então Major Margarido, ficou-me a imagem de um militar de estatura, pela influência, autoridade, responsabilidade, profissionalismo na gestão daquela grande institui-

Knopfli
ção, em que não era a autoridade máxima, que era o Major Andrea, e simultaneamente tinha uma capacidade e gosto de conversar, sempre de cigarro na mão, e um certo sentido de humor. Nunca mais esqueço que já prestes a terminar o serviço militar, num convívio, civil, de amigos, uma das pessoas presentes conhecia o Major Margarido, e eu, sem pesar bem o que dizia, disse a essa pessoa: “para mim era o melhor oficial da EPSM”. Algum tempo depois, ao despedir-me do Major Margarido, ao passar à disponibilidade, ele disse-me, no fim da conversa e com discreto sorriso: “veja lá, como fala dos seus superiores”. Nunca mais o vi, e soube anos mais tarde do seu falecimento, em Moçambique, por doença, já como Tenente-coronel. Deus o tenha na Sua misericórdia!
Do então Capitão Pedras, ficaram-me gravadas coisas diferentes, mas também vivas e sentidas. O Capitão Luís Vasco Pedras era cinco anos mais novo do que o Major Margarido, além de instrutor estava mais dedicado ao serviço e rotina do quartel, que a EPSM, também era, e fazia muitas vezes, serviço de oficial de dia. Foi nessa actividade que nos encontrámos muitas vezes. Com efeito, ao fim de algum tempo, os aspirantes eram designados adjuntos do oficial de dia, e fazíamos juntos certas funções típicas, em todas as unidades militares, que implicavam formaturas do pessoal.
Aí o Capitão Pedras expressava toda a sua energia e “vozeirão” que lhe era característico e impressionava os não prevenidos, mas simultaneamente, era protector dos
soldados com problemas complicados, de família, injustiças, ou outros assuntos. Como fazíamos o serviço à unidade, juntos, passávamos muitas horas à conversa, sobretudo, já tarde na noite. Falava-se da família, do desporto, do País. Por isso foi um amigo que ficou na minha memória. Já exercia a minha profissão, já tinha casado, já tinha uma filha, e outra vinha a caminho, no princípio do ano de 1968, soube que falecera no Hospital Militar Principal, da Estrela, após ser transferido da Guiné, em estado muito grave. Numa coluna militar de reabastecimento que comandava, no interior da Guiné, o jipe, em que seguia o major Pedras, foi atingido por uma mina terrestre. Deus o tenha na sua misericórdia!
Pedro do Canto Lagido (330/1947)
1ª fila - 1º à dir.ª: Major Margarido; 1º à esq.ª: Major Luazes; 2º à esq.ª: Major Andreia 2ª fila - 3º à dir.ª: Capitão

António Prazeres de Castilho 147/1948
A VIAGEM DO ALLEGRO
CAPE TOWN 4
No dia 22 de Dezembro, fomos passear até Cape Of Good Hope - Cabo da Boa Esperança, assim denominado pelo nosso Rei D. João II e pelo qual foi e é conhecido em todo o mundo. O Rei de Portugal tinha a Esperança de nas suas caravelas, chegarmos à Índia, feito que para a época, foi uma memorável, corajosa e gigantesca aventura. Foi mesmo um empreendimento utópico - ligar, por mar, a Índia a Portugal e evidentemente à Europa…
O primeiro homem a dobrar este Cabo foi o grande navegador português Bartolomeu Dias, batizando-o de Cabo das Tormentas - atendendo às tormentas e dificuldades que suportaram na sua passagem, em 1488.
Estas dificuldades são aludidas pelo nosso poeta Luís de Camões, quando nos “Lusíadas”, criou a figura alegórica do “Adamastor” – o mítico “Gigante do Adamastor”.
A viagem de Cape Town para o Cabo é lindíssima, passando-se por praias, povoações e zonas montanhosas junto ao mar.
Foi feita num carro alugado, com motorista - e friso - com motorista, por achar que é um elemento indispensável num passeio deste género. Nós, pouco ou nada conhecíamos da região, com a agravante de não termos grande prática de conduzir pelo lado esquerdo. Estes são verdadeiros profissionais, com cursos de Turismo, sendo de grande utilidade para qualquer visitante menos esclarecido. De acordo com a zona a visitar e o tempo disponível, levam os clientes para os lugares mais divertidos, notáveis e atractivos, explicando os pormenores com interesse e encanto turístico, histórico e mesmo social.

Cabo das Tormentas ou Cabo da Boa Esperança


De outra maneira, apenas com um mapa da zona, e, com os nossos próprios meios, não era possível uma viagem com tanta informação e conhecimento.
Os principais pontos de passagem foram:
As Praias, resguardadas pelas montanhas, são calmas, pacíficas e de mar chão; as expostas a mar aberto, tornam-se alterosas e agitadas.
Cabo das Tormentas ou Cabo da Boa Esperança, como já dissemos, é um Cabo mítico da história dos descobrimentos portugueses e do mundo. No entanto, causou em nós, que o visitámos de perto, alguma desilusão, mesmo um certo desencanto. Esperávamos
encontrar um acidente geográfico majestoso, uma escarpa alta, rochosa, entrando pelo mar dentro – não… ele é apenas um pequeno promontório, ligando duas estreitas baías!!!.
Realmente, este pequeno Cabo tornou-se célebre não pelo seu tamanho, mas pelas adversidades, perigos e sacrifícios que Bartolomeu Dias e os seus marinheiros passaram, sendo também a porta aberta para chegar, por mar, à tão desejada Índia.
Cape Point. Bem perto, a oriente do Cabo das Tormentas, visitámos Cape Point - este sim - um Cabo imponente, grandioso, sinalizado por um potente farol, cuja forte luz indica e rasga as noites do

Oceano Atlântico, avisando os navegantes dos seus perigos. Quando da aproximação à cidade de Cape Town, navegando de oriente para ocidente, o Allegro e a sua tripulação passou muito perto do Cape Point, tendo a oportunidade de ver, de um ângulo menos comum, esta maravilha da natureza. Porém, nada lhe valeu ser fascinante e suntuoso, aos olhos dos Homens – é somente mais um cabo a dobrar, quando se ronda o Continente Africano pelo sul.

As Praias
Cape Point
Cabo das Tormentas ou Cabo da Boa Esperança


Para que o Mundo o imortalizasse, faltou-lhe o carisma e o misticismo dado ao da Boa Esperança, pelos acontecimentos narrados pelo navegador português Bartolomeu Dias, pela História Trágico-Marítima e pela denominação de:Cabo das Tormentas ou Cabo da Boa Esperança.
Zona de praia coberta por colónias de pinguins. A costa ocidental do Continente Africano a partir do Cabo da Boa Esperança é banhada pela intitulada corrente fria de Benguela, que se desenvolve de Sul para Norte, tendo a sua origem na Antártida. Com estas características, influência positivamente o clima de toda a costa ocidental africana, até Angola. Esta corrente fria arrasta consigo colónias de pinguins que se vão fixando ao longo das praias da Africa do Sul, podendo ser vistas estas aves na costa sul de Angola, na região de Moçâmedes!!!
Painel alusivo aos Descobrimentos dos Portugueses. No espaço dedicado ao turismo e informação da área do Cabo da Boa Esperança descobri um painel com o título “Maritime Crossroads”, alusivo às rotas efetuadas pelos navegadores portugueses a caminho da Índia.
Mostra a figura de Bartolomeu Dias: 1487- 1488; Vasco da Gama: 1497- 1499.
Realmente, o feito dos portugueses na época dos descobrimentos, também chamada pelos historiadores, de “era dos descobrimentos” teve um impacto mundial incalculável. Fomos nós, os pioneiros das explorações marítimas, estabelecendo a origem e a abertura com as civilizações dos chamadospovos dos novos mundos. Por outro lado, as novas rotas proporcionaram um contacto entre civilizações distantes, originando um intercâmbio cultural e mercantil com as recentes populações de Africa, América e Asia - alternativos e ao mesmo tempo complementares, dos inicialmente conseguidos com a Índia.

Ouro, prata e especiarias foram os produtos mais vantajosos da balança comercial. Assim, os velhos hábitos enraizados, em zonas restritas do globo, começaram lentamente a abrir-se e a serem substituídos pelos novos artigos, fazendo parte do dia a dia das populações. Citamos como exemplo mais marcante o consumo generalizado de: açúcar, pimenta, canela, gengibre, tabaco, café, chocolate, chá, algodão.
Resumindo, o conhecimento entre o Velho e o Novo Mundo permitiu uma transferência geral de tudo que se tornava essencial para a vida: plantas, animais, alimentos e as próprias populações.
Foi o primeiro movimento e globalização da História da Humanidade.
Depois de tudo que foi dito, não posso deixar de sublinhar o que os descobrimentos portugueses revelaram e deixaram em relação à revolução geográfica. Nós indicámos, finalmente, ao Mundo a verdadeira configuração do globo terrestre, descobrindo e abrindo novos caminhos.
E SIGA A MARINHA…
Foto de um painel local, alusivo aos descobrimentos dos portugueses
Cape Point
Zona de praia coberta por colónias de pinguins.
TRIBUTO E RECORDAÇÃO


Com muita mágoa pela sua partida, quero lembrar o “Menino da Luz” de eleição, que agora nos deixou.
Poucos terão encarnado, como ele, o espírito sagrado do “COLÉGIO”. A constância da sua participação nas atividades da nossa AAACM, levaram-no a integrar os seus diversos órgãos, avultando, naturalmente, o Conselho Supremo.
Afável e simples, foi um modelo de camaradagem e solidariedade.
Por décadas seguidas, que, com orgulho e alegria descia a Avenida da Liberdade no “3 de Março”, para assistir ao desfile do nosso “Batalhão”, com satisfação redobrada quando participaram os seus netos, Tomás (108/2001) e João (528/2014).
Licenciado em Engenharia Civil pelo IST, foi admitido de imediato numa empresa de construções em 1960,
(254/1948)
Nasceu a 13 de Fevereiro de 1937
Faleceu a 24 Novembro de 2025
e, volvidos 3 anos passou ao seu emprego definitivo, na Caixa Geral de Depósitos (CGD) onde exerceu múltiplas funções. Em 1969 já era 1º Assistente Técnico e depois, sucessivamente Chefe de Serviço Assessor Técnico e Adjunto Técnico.
Quando em 1981, passou a responsável pelo Gabinete para a instalação da nova sede da CGD, deu início à maior realização da sua vida. Os concursos sem fim que preparou e finalizou, as viagens a obras congéneres, o puzzle logístico que enfrentou, a direção de toda a construção, a receção do mais diverso material, validações, inspeções, verificações diárias, um mundo...
Não admira, pois, que tenha passado rapidamente a Consultor Diretor, Diretor Coordenador e mais tarde, a Diretor Coordenador da Direção do Património e Obras. Acumulou na sua brilhante carreira quatro promoções por mérito. A dedicação, o prestígio, a capacidade realizadora
são atributos de uma grande qualidade de chefia, também alicerçada no mérito e no exemplo.
Ao longo da sua louvável carreira profissional, frequentou inúmeros cursos, participou em seminários e elaborou pareceres de importância para empresas e particulares e exerceu funções de consultoria técnica no Banco Totta e numa Caixa de Previdência. De salientar, ainda, as funções no Conselho Fiscal da Culturgest.
Em 1979 vem a ser eleito, pelos trabalhadores, para a Administraçãoda CGD, o que não se efetiva por falta de regulamentação governamental.
Era um desportista de muito mérito, com relevo para a disciplina de barreiras, onde alcançou títulos regionais, universitários e nacionais (83/110/200/400 metros), tendo mesmo feito parte da Seleção Nacional de Atletismo.
João Augusto de Oliveira Ayala Botto
Por outro lado, o homem bom e solidário que era, revelou naturalmente preocupações de natureza social. São exemplos maiores a sua participação por escolha na Primeira Direção dos Serviços Sociais da CGD; a eleição para Presidente da Mesa da sua Assembleia Geral; a coordenação e o acompanhamento do projeto do Lar de 3ª Idade da Associação das Antigas Alunas do Instituto de Odivelas, no Quartel da Formação no Largo da Luz.
Igualmente definidor da sua personalidade era a faceta artística, presente desde verdes anos, quando modelou muitos navios respeitando a escala. Mais tarde, o seu hobby expressou-se não só na feitura do castelo e paço ducal de Guimarães e do castelo de Óbidos na escala 1/100, mas sobretudo na preparação e pintura de soldadinhos de chumbo. Chegou mesmo a modelar alguns deles.
Servindo-se de livros e publicações apropriados, terá pintado mais de 2 milhares de exemplares, com formatos e cores diversas, mais soldados que cavaleiros. Era vê-lo no seu pequeno escritório, com toda a satisfação a executar as suas pequenas obras. Com que prazer, rigor e esmero.
Alguns de nós Antigos Alunos tivemos o privilégio de ver a exposição que montou na Feitoria, com milhares de figuras recreando uma batalha, presumo que napoleónica. Quanta beleza e quanto trabalho, naquela mancha policromática!
A sua obra não podia esquecer o Colégio Militar. Por isso, moldou, preparou e pintou 2 modelos que veio oferecer ao Museu do Colé-

gio - uma Companhia/Batalhão de Alunos e a Escolta a Cavalo.
Exemplo de dedicação à família, pode dizer-se dele que era um Cavalheiro que a todos cativou.
Honro-me de ter sido seu amigo de sempre. Ligavam-nos estreitos laços familiares, com apadrinhamento de filhos. Partilhámos muitas alegrias e tristezas em tantas ocasiões e viagens inesquecíveis.
O meu cunhado, presbítero da Diocese de Lisboa, chamava-lhe sempre nas homílias mais familiares, o “Católico”.
Eu e o meu genro Luís Virtuoso (72/1973), que me ajudou neste escrito, e foi também, amigo e admirador do João, testemunhamos a saudade da sua companhia e a memória de uma existência vivida em plenitude, expressando as mais sentidas condolências e
a muita amizade à sua mulher Maria Fernanda, às filhas Catarina, Rita e Marta, a seu filho João e familiares.
Descansa em paz, João!
ZACATRAZ
Bonecos de chumbo - Escolta ao Estandarte Nacional
Isaías Gomes Teixeira (235/1946)
CURSO DE 1968/1975
ROMAGEM DE 50 ANOS DE SAÍDA - 9 DE JANEIRO DE 2026

No dia 9 de Janeiro, rumou ao Colégio o Curso de 1968/1975, para comemorar os 50 anos de saída. Contou com 36 Antigos Alunos, que tiveram oportunidade de conhecer os seus sucessores e com eles trocarem experiências colegiais.
Cinquenta anos após a saída, o regresso ao Colégio Militar é sempre a oportunidade do reencontro, do tocar a reunir, dizer presente.
Recordam-se assim memórias do passado, momentos que nos parecem vividos não há cinco décadas, mas fechando os olhos, quase pensamos ter sido na semana passada.
Reencontrar os camaradas, amigos, quase irmãos, é celebrar laços que o tempo não desfez. Neste marco dos 50 anos de saída, o sentimento é de profunda gratidão.
O nosso Colégio continua o mesmo,
e o desfilar do Batalhão na parada do internato, tendo ao lado os nossos sucessores é algo que nos preenche e motiva.
Obrigado Colégio Militar.
Estiveram presentes:
Luís Campos e Menezes (15/1968); Luís Fonseca Cordeiro (75/1967); Jorge Salazar Braga (87/1968); José Matos Duque (123/1968); Francisco Esteves Virtuoso (135/1968); Rui Casqueiro de Sampaio (139/1968); Delfim Osório Nunes (141/1968); Pedro Lages Martins (145/1967); Rui Valadas Calado (149/1968); Fernando Ribeiro da Silva (168/1968); José Santa Marta (212/1967); Gualter Mota Santos (229/1969); Luís Rodrigues Moutela (279/1967); António Pimenta da Gama (294/1968); António Costa Gomes (315/1967); Manuel Pinto Viana (360/1968); João Teixeira Pinto (361/1968); Fernando Faria Barbosa (367/1968); José Martins Agostinho (406/1968); António

Galvão de Melo (407/1968); Pedro Pezarat Correia (420/1968); Nuno Tomaz Ferreira (496/1967); José Almeida Serôdio (533/1968); José Brito Queiróz (563/1968); João Gomes do Amaral (575/1968); José Teixeira Barata (597/1967); Nuno Ferreira da Costa (602/1968); José Ataíde Banazol (631/1968); Joaquim Araújo Pinheiro (633/1968); Pedro Lima Orvalho (634/1968); Pedro Soares Correia (635/1968); Jorge Marques Esgalhado (643/1968); Hugo Gonçalves Damásio (645/1968); Afonso Duarte de Oliveira (647/1968); Pedro Silva Pedroso (654/1969); João Vela Bastos (665/1969)
©Foto Leonel Tomaz
ROMAGENS DE SAUDADE
CURSO DE 1993/2001
ROMAGEM DE 25 ANOS DE SAÍDA - 13 DE FEVEREIRO DE 2026

Ocurso de 1993/2001 voltou a reunir-se no Colégio Militar, agora pela terceira vez, para celebrar a Romagem dos 25 anos de saída. Foi um reencontro carregado de emoção e cumplicidade, onde cada passo dado, dos Claustros ao Jardim da Enferma, e dali até à parada do internato, despertou memórias de um tempo distante, que o tempo apenas fortaleceu. Revisitar o Colégio acompanhados dos nossos sucessores é a nova realidade a que já nos habituámos, agora com o olhar maduro de quem já percorreu outros caminhos, e permitiu redescobrir a importância daquela casa na construção do carácter e da amizade de cada um de nós.
Entre abraços e recordações partilhadas, renovou-se o orgulho de pertencer a esta instituição. A Romagem dos 25 anos não foi
apenas uma homenagem ao passado, mas um compromisso renovado com os valores que ali se aprenderam e que continuam a guiar cada um.
Até breve, Colégio!
Estiveram presentes:
Nuno Carvalho Ribeiro (2/1993); Armando Santos Ribeiro (26/1993); Ricardo Rocha Madureira (33/1993); Diogo Soares Coelho (89/1993); Francisco Lamy da Fontoura (94/1993); Nuno Miranda Santos (102/1992); Fernando Santos Costa (118/1993); Nuno Paredes Pereira (129/1993); Tiago Rodrigues Gonçalo (133/1992); João Lopes da Silva (146/1993); Paulo Martins Barreiros (234/1993); Luís Rodrigues Morais (253/1993); Francisco Domingos Antunes (265/1994); António Meira Dantas (323/1993); Luís Fernandes Castro (325/1992); João Ribeiro Azevedo (335/1992); Hermínio Branquinho de Almeida (362/1993);

Luís Pinto Leite (384/1994); Tito Barros Caldeira (394/1993); Bruno Pinto dos Reis (398/1993); Francisco Castro Martins (409/1993); José Miranda dos Reis (419/1994)
©Foto Leonel Tomaz
CURSO DE 2008/2016
ROMAGEM DE 10 ANOS DE SAÍDA - 27 DE FEVEREIRO DE 2026

©Foto Leonel Tomaz
No passado dia 27 de Fevereiro, o nosso curso regressou ao Colégio para assinalar os dez anos da sua saída, numa romagem carregada de significado e emoção. Este reencontro assumiu um caráter particularmente especial: fomos o primeiro curso a integrar Meninas da Luz finalistas e, por isso, também o primeiro a tê-las neste momento tão simbólico. Acreditamos, com um orgulho sereno, que fizemos história.
Esse legado ficou, assim o esperamos, gravado na memória e para sempre na nossa “Placa”, que com orgulho sentido descerrámos nos Claustros. Não apenas pela Barretina que sempre nos uniu, mas também pela presença do Laço do Instituto de Odivelas, instituição irmã que, de forma discreta, mas significativa, fez parte do nosso percurso e deixou também a sua marca na identidade do Colégio tal como hoje a reconhecemos.
Fomos recebidos com um cuidado que nos tocou, desde o kit preparado pela AAACM até às palavras que nos foram dirigidas. Reencontrámos espaços, memórias e rostos (alguns novos, outros bem conhecidos) e sentimos, desde o primeiro instante, que regressávamos a Casa. Dez anos passaram, mas a chama está acesa.. e recordada neste poema do Rúben Garcia (31/2008)
Regressados.
Após dez anos, que não foram passados
Entre estas paredes que nos viram crescer, Que testemunharam a luta, o ganhar e o perder, Que suportaram as voltas que a vida deu
E que fizeram de nós o que sei, hoje, ser meu.
Regressados.
Após dez anos, mais corridos que andados, Recordamos quem fomos e o que vivemos,
A história que juntos aqui escrevemos
E como ela ainda nos escreve a nós.
Regressados,
Gritemos uma vez mais Zacatraz, numa só voz.
Saímos de coração cheio!
À AAACM e ao Colégio, o nosso sincero agradecimento.
Presentes na Romagem:
José Oliveira (27/2008); Miriam Sardinha (27/2014); Rúben Garcia (31/2008); Tiago Vera- Cruz (51/2008); Henrique Melo (54/2008); Vasco Pereira (93/2008); Manuel Vasconcelos (99/2008); Francisco Sousa (105/2008); Miguel Pinto (107/2010); Francisco Lopes (130/2008); Diogo

NOTA DA DIRECÇÃO:
Leal (140/2010); António Rouxinol (142/2008); António Carvalho (150/2008); Leonel Lima (170/2009); João Robalo (173/2008); Mathias Weigl (209/2008); Paulo Cabo (212/2008); David Santos (226/2008); Pedro Coutinho (251/2010); Rafael Onofre (261/2008); Gonçalo Alves (270/2008); Henrique Pinto (272/2009); Pedro Fortes (289/2008); Eduardo Esteves (324/2008); Gonçalo António (328/2008);
João Pereira (332/2007); Enzo Joaquim (338/2008);Gonçalo Maia (342/2008); Pedro Ferreira (365/2008); Bernardo Carvalho (377/2008); Henrique Calado (398/2013); Francisco Gambôa (415/2010); Ana Raquel Bento (436/2013); Rui Domingues (511/2008); Beatriz Bandeira (579/2014); Leonor Santos (628/2014)
A AAACM não pode deixar de aplaudir o Curso de 2008, e em particular os seus Delegados, Leonor Santos (628/2014), Tiago Vera-Cruz (51/2008) e João Pereira (332/2007), que com a sua motivação e dinamismo, “marcaram” este Curso e Romagem que, pela primeira vez nos 223 anos da história do Colégio Militar, integrou Meninas da Luz, originárias do Instituto de Odivelas, uma Instituição que através delas continuou viva, respeitando os seus 115 anos de vida, que indevidamente encerrou no ano lectivo 2024/15. Também por isso, merecem um forte e sentido Zacatraz!
CURSO DE 1959/1966
ROMAGEM DE 60 ANOS DE SAÍDA - 13 DE MARÇO DE 2026

ARomagem iniciou-se como habitualmente na sede da AAACM, com um protocolo de acolhimento da sua(nossa) Direcção. Com palavras de cordial
recepção o Presidente a todos sensibilizou ao assinalar os valores colegiais que nos congregam. O pormenor do “Welcome Kit” fez também a diferença. O local trouxe-nos à memória o edifício da Formação, os cavalos nas boxes, o Teatro com os filmes à 4ª-feira... No Colégio tocou-nos a forma acolhedora com que o Director nos
©Foto Leonel Tomaz

recebeu, destacando-se na Biblioteca, as palavras calorosas e esclarecedoras sobre o momento actual do Colégio e a determinada vontade de vencer os desafios que se perfilam pela frente.
O encontro com os nossos actuais sucessores, as fotografias da praxe nas escadarias da "Enferma", o alinhado e garboso desfile do Batalhão Colegial e o caloroso convívio proporcionado pelo almoço no nosso
outrora "Pavilhão da Química", aonde bem apropriadamente pudemos desenvolver, a par do quimo, um genuíno prazer de reencontro de camaradas, foram todos eles altos momentos desta romagem, que ficará certamente bem gravada na nossa memória, como uma das mais bem sucedidas e participadas romagens do nosso Curso. Celebrar 60 anos de saída, formando nos Claustros 40 ex-Meninos da Luz junto do nosso fundador Teixeira Rebelo e em frente de mais uma placa celebrativa, mereceu aplauso convicto e um forte Zacatraz, que todos gritámos em uníssono.
Presentes:
António Duque (12/1958); Vasco Faria (21/1960); Carlos Mendez (42/1959); Fernando Fountoura (75/1959); Joaquim Bação (77/1960); Rui Feijó (92/1960); António Serra (95/1959); Carlos Mota (98/1958); João Corrêa (102/1959); João Giria (121/1959); An-
CURSO DE 1975/1983
tónio d`Athouguia (137/1959); José Almeida (144/1958); João Ribeiro (153/1958); António Mano (176/1959); José Ferreira (204/1959); João Fernandes (208/1959); Eduardo Pereira (214/1959); José Sá (228/1959); José Tribolet (230/1959); António Damião (236/1959); Joaquim Barata (239/1959); José Bacelar (241/1958); António Romão (276/1959); Luís Moutinho (281/1959); Carlos Cabral (287/1958); Carlos Esperança (300/1959); Carlos Burnay (319/1958); José Moreira (344/1961); João Egreja (359/1959); Luís Novais (381/1959); Tomaz Metello (462/1958); Raul Castanha (495/1959); Manuel Peixeiro (498/1959); Fernando d`Eça (499/1959); António Tinoco (500/1959); Rui Leal (502/1959); António Mourão (514/1959); Fernando Vale (518/1959); Manuel Roriz (519/1959); António Banazol (530/1960); Sau Pascoal (553/1960); Armando Canelhas (591/1961).
Os Delegados do Curso, António Ermida Mano (176/1959) António Freire Damião, (236/1959)
ROMAGEM DE 50 ANOS DE ENTRADA - 20 DE MARÇO DE 2026

©Foto Leonel Tomaz
Num espaço de quase três anos, o Curso 1975/1983 voltou a reunir-se no Colégio Militar para celebrar os laços de amizade forjados há mais de meio século. Tratou-se de um encontro marcante, pleno de memórias que apenas quem passou por esta Casa consegue verdadeiramente partilhar, mas também uma oportunidade para conhecer de perto um projeto educativo em permanente evolução e uma AAACM cada vez mais dinâmica, interventiva e empenhada na organização das Romagens, como hoje são designadas.

Para além da evocação sentida dos camaradas que já partiram — alguns muito recentemente — e da lembrança daqueles que, por motivos de saúde, não puderam estar presentes, foi possível reunir cerca de quatro dezenas de Antigos Alunos.
Reataram-se conversas interrompidas há 15, 20 ou mesmo 30 anos, num ambiente de cumplicidade e proximidade que continua a caracterizar, de forma singular, quem artilhou esta vivência.
Como foi bem-dito pelo Miguel Estorninho (150/1975), …
Estamos presentes para dar o nosso testemunho do Valor maior que ficou de termos sido um dia alunos do Colégio – a Amizade. É um privilégio saber-se que, não obstante a idade, o momento, os compromissos, a distância, estamos sempre presentes para os demais. E cada um de nós tem disso exacta consciência.
Gratificante é olhar para cada rosto aqui presente e reviver as memórias daqueles tempos. Partilhámos momentos únicos, preciosos. Criámos memórias inesquecíveis juntos. Juntos, crescemos enfrentando desafios. É um privilégio ter amigos que celebrem as nossas vitórias, dividam as nossas dificuldades, artilhando as alegrias desta jornada que é a nossa vida.
Presentes na Romagem:
Nuno Silva (6/1975); João Costa (9/1975); Pedro Freitas (15/1975); João Cristóvão (39/1975); Carlos Costa (64/1974); Gonçalo Calheiros (68/1974); José Pinto (71/1975); Paulo Guedes (78/1975); Nuno Monge (101/1974); Rui Martins (107/1975); Nuno Barão (110/1976); Luís Sousa (123/1976); Miguel Pombeiro (133/1975); João Jerónimo (135/1975); Telmo Godinho (139/1975); João Roncon (142/1975); Ricardo Montez (147/1975); Luís Gaspar (149/1975); Luís Estorninho (150/1975); João Albuquerque (168/1975); Carlos Leitão (204/1974); Nuno Rodrigues (210/1976); João Guimarães (229/1975); José Lopes (237/1976); Flávio Martins (241/1975); Boanerges Faria (258/1974); Miguel Ayalla Botto (280/1975); Sérgio Carvalho (300/1975); Nuno Lemos Pires (345/1975); António Santos (392/1975); Emanuel Faria (414/1975); João Pereira (447/1976); Eurico Corvacho (453/1975); Luís Moreira (480/1975); Luís Barata (497/1974); Ângelo Felgueiras e Sousa (498/1976); Paulo Almeida (500/1975); Pedro Sancho (507/1975); João Belfo (524/1975); Pedro Pessoa de Amorim (537/1975); João Félix António

Quem é Quem

Fernando Cardoso de Sousa (28/1960)
UM MENINO DA LUZ
NÃO MORRE, APENAS PASSA A VIVER DENTRO DE NÓS
ANTIGOS ALUNOS


Recordamos o Luís Gonzaga Ribeiro Goulão desde que entramos para o Colégio, onde convivemos até o final do curso. Tornamo-nos amigos só separados quando a vida nos colocava em continentes diferentes.
O Luís sempre foi muito apto para actividades físicas, tendo representado o colégio na equipa de futebol onde sobressaia a sua capacidade de bom jogador e a alegria com que jogava, porém, a sua cultura aliada a uma memória prodigiosa tornava-o capaz de nos pôr a ouvi-lo com agrado e sobre assuntos que para nós eram novidade.
O seu irmão João universitário de Agronomia em Lisboa, vivia numa
Luís Gonzaga de Ribeiro Goulão (169/1950)
Oficial de Cavalaria
Faleceu a 14 de Janeiro de 2026
República onde o Luís se recolhia nas saídas do colégio; este irmão veio a ser Secretário de Estado da Agricultura mais tarde.
Na volta trazia sempre questões que ouvíamos e discutíamos, com realce sobre o Eng.º Amílcar Cabral, há poucos anos saído daquela faculdade onde deixara ideias que ainda eram recordadas.
Reunimo-nos na aula de "Santa", na janela para o Largo da Luz e nem percebíamos que falávamos de algo que iria ser tão relevante nas nossas vidas.
No 7º ano, 1957, foi Ajudante do Comandante de Batalhão, o saudoso Pedro Leitão. Pelo cargo que tinha competia-lhe dormir na
camarata da 1ª companhia, junto aos "Ratas" do Batalhão.
A sua paciência, alegria e doação, tornavam-no num protector dos mais novos alunos a quem procurava minimizar o espanto por viverem num novo mundo, por vezes cheios de saudades.
Entrámos no mesmo ano para a Escola do Exército, onde na Amadora concluímos os preparatórios.
O Luís escolheu a Arma de Cavalaria onde integrou o 1º ano já na Academia Militar, contudo a saúde faltou-lhe deixando nesse ano os estudos para tratamento hospitalar. Curiosamente nesse quarto de cinco estavam apenas Antigos Alunos do Colégio Mili-
tar (ele e o Garoupa (286/1950) de Cavalaria e de Artilharia o Leandro (94/1950), o Rola Pata (191/1951) e o Vasco Durão (364/1949). Depois de curado voltou à Academia tinha, entretanto, sido promovido a Alferes miliciano e com esse posto integrou o curso de Cavalaria que finalizou em 1964.
Em 1968 foi mobilizado como comandante de companhia para Moçambique. Colocado em Tete, recebeu como anfitriães militares rodesianos que vinham colher os conhecimentos da nossa antiguerrilha. Já no fim da comissão foi transferido para Namaacha junto a Lourenço Marques. Era altura de recuperar do tempo de guerra e sobretudo dar instrução de estudos primários aos soldados que por não os terem não seriam desmobilizados. O Comandante chefe, General Kaúlza de Arriaga,
de novo chamou a companhia para a zona de combate no planalto dos Macondes. Iria fazer parte da Operação Nó Górdio que cumpriu com relevância. Não deixou, contudo, de reagir à necessidade que existia de ensinar os seus soldados que necessitavam cumprir o ensino primário. Convenceu o comando chefe a pôr à disposição da unidade um professor primário que resolveu o problema.
De novo foi nomeado para comissão, agora em Cabo Verde onde estava no 25 de Abril, assistiu e colaborou bastante na passagem dos militares do Exército português oriundos da futura nação para a organização militar de Cabo Verde.
Voltando a Lisboa foi o 1º Presidente da AOFA (Associação dos Oficiais das Forças Armadas) onde a sua formação militar não permitiu


Rqualquer reacção indisciplinada. Veio a comandar o Presídio Militar de 1985 a 1996, data em que passou à reserva. A sua passagem por esta instituição foi excelente na gestão que exerceu, correcta, consistente e justa. Muitos dos militares que lá cumpriram pena, iam visitá-lo depois de saírem.
As circunstâncias levaram a que camaradas amigos, tivessem sido detidos no presídio. Nenhum deixou de ser seu amigo.
Os últimos anos da vida de Luís foram difíceis por falta de saúde, mas nunca faltou a amizade e o apoio que votou aos seus amigos e familiares.
José Garcia Leandro (94/1950) José Machado Dray (217/1950)
Artur José de Oliveira Mateus de Magalhães
(294/63)
Piloto-aviador
Faleceu a 26 de Janeiro de 2026
ecebemos na “Zacatraz”, a triste notícia do falecimento deste nosso camarada, que subiu ao “Zimbório”, na Cúpula da Capela dos Claustros.
Na impossibilidade de termos assegurado algumas palavras que aqui o recordassem, endereçamos a todos os seus familiares, as nossas mais sentidas condolências.
A Redacção


Éramos amigos desde o Colégio por influência do irmão Francisco, 95/1952, do meu curso. Encontrámo-nos algumas vezes enquanto estudantes, mas o grande encontro foi em Lourenço Marques, quando ele foi, com a família, para docente da novel Universidade de Moçambique, e eu estava então na Reserva Naval. Nós éramos amigos e as nossas mulheres também, desde a Universidade de Lisboa, pelo que as famílias conviviam. Em 1970 nasceu-nos uma filha, de quem o Luís Sousa Lobo foi padrinho.
Era o fim do Concílio Vaticano II e muitas novidades ditavam o rejuvenescimento da Igreja. Um sacerdote jesuíta, cujo nome esqueci, convidou-nos, e a um camarada da Reserva Naval, a animarmos jovens estudantes da Universidade e finalistas do liceu para viver a novidade do Concílio.
Começámos com uns doze e à terceira sessão tínhamos uma sala cheia. Porém, falar de igualdade, de dignidade, de liberdade levou a que esta estupenda experiência acabasse. Era inevitável!
Regressei à Metrópole, como então se dizia, e o Luís foi para Londres fazer o seu doutoramento. Após este, regressou a Moçambique e,
Luís Fernando Gomes de Sousa Lobo (266/1951)
Engenheiro, Professor e Reitor Universitário
Nasceu a 29 de Março de 1941
Faleceu a 30 de Janeiro de 2026
depois do 25 de Abril, a Portugal. O convívio voltou já que ele ficou a morar perto. Mas ele partiu de novo, agora para Paris para assessorar a Maria de Lurdes Pintassilgo na Unesco. Ainda nos encontrámos lá um par de vezes.
Após o seu regresso a Portugal ingressou na Universidade Nova de Lisboa, A sua turbulência intelectual e a sua costela institucionalizante levaram-no a vice-Reitor e a Reitor da Universidade, onde deixou obra notável. Entretanto, mexeu na Or dem dos Engenheiros e foi eleito Vice-Presidente tendo ajudado a rejuvenescer a Ordem. E lá me fez candidatar-me a um dos Conselhos.
Após a Ordem levou à criação da Academia de Engenharia, e colabo rei com ele neste sonho. Quis que o presidente fosse um engenheiro civil e não quis ser ele. Tudo correu bem nos primeiros anos.
Infelizmente a esposa adoeceu gravemente, doença que se prolongou por uns vinte anos, sempre com a sua dedicação e cuidado. Esta condição foi muito difícil para ele e para os filhos.
Guardo a melhor Memória do Luís e da Mana! Que Deus os tenha na Sua Paz!

Luís Santos Pereira (214/1952)


OEduardo era daqueles Antigos Alunos que, embora com uma passagem curta de dois anos no Colégio, usava a Barretina na lapela e sobretudo no coração.
Era muito dedicado às causas colegiais e comparecia sempre aos eventos, quer fosse no 3 de Março, quer nos jantares anuais da AAACM e outros.


Eduardo José de Carvalho Marques (666/1969)
Actividade na área comercial
Faleceu a 10 de Fevereiro de 2026
Como um dos organizadores dos "Jantares do Oeste" que se realizam na Quinta dos Azeredo Lopes (pai e filho), eu tratava-o como "meu secretário", numa interacção com os presentes, pois era ele que jantando à pressa, se levantava e percorria todas as mesas para recolher o dinheiro dos comensais, dando assim uma ajuda precio-
sa numa Tertúlia, em que todos o recordam com saudade.
Como nota de curiosidade, quando entrou em 1969, foi-lhe atribuído o número mais alto até então 666.
PARA ELE UM ZACATRAZ.
Luís Fernando Bernardes dos Reis (429/1962)
João Luís Raposo Alves Saltão (70/1950)
Piloto aviador
Faleceu a 15 de Fevereiro de 2026
Alentejano de gema, ginasta de eleição, camarada à prova de bala, sempre presente nos almoços do curso e nos encontros de saudade, repartindo com todos a bonomia sábia de quem aprendeu a caminhar entre chaparros, deixas entre amigos e camaradas um buraco que nenhum outro pode preencher, mas retomas o lugar que ganhaste no céu tantas vezes sulcado na qualidade de piloto comandante de longo curso.
Até sempre, João Luís.
Nuno Mira Vaz (277/1950)
Saltão


Raúl Monteiro de Sousa Machado
(318/1961)
Oficial de Marinha
Faleceu a 20 de Fevereiro de 2026
Recebemos na “Zacatraz”, a triste notícia do falecimento deste nosso camarada, que subiu ao “Zimbório”, na Cúpula da Capela dos Claustros.
Na impossibilidade de termos assegurado algumas palavras que aqui o recordassem, endereçamos a todos os seus familiares, as nossas mais sentidas condolências.
A Redacção


RGuilherme José Veiga Clara
(173/1949)
Faleceu a 23 de Fevereiro de 2026
ecebemos na “Zacatraz”, a triste notícia do falecimento deste nosso camarada, que subiu ao “Zimbório”, na Cúpula da Capela dos Claustros.
Na impossibilidade de termos assegurado algumas palavras que aqui o recordassem, endereçamos a todos os seus familiares, as nossas mais sentidas condolências.
A Redacção


RJosé Fernando de Oliveira Vilar Saraiva (320/1947)
Faleceu a 16 de Março de 2026
ecebemos na “Zacatraz”, a triste notícia do falecimento deste nosso camarada, que subiu ao “Zimbório”, na Cúpula da Capela dos Claustros.
Na impossibilidade de termos assegurado algumas palavras que aqui o recordassem, endereçamos a todos os seus familiares, as nossas mais sentidas condolências.
A Redacção


Omeu convívio com o António Barrento iniciou-se quando fui admitido no Conselho Supremo da nossa Associação, de que o António era membro de longa data. Sabia que o António tinha sido Chefe do Estado Maior do Exército (1998 a 2001), que tinha na sua folha de serviços quatro comissões na Guerra do Ultramar, que era um oficial altamente conceituado, tanto entre militares como entre civis, sendo para além disso um homem de cultura, com particular enfoque na História Militar. Era um dos membros de maior prestígio do nosso Conselho.
Iniciada a nossa vivência comum como conselheiros, em breve fui cativado por duas características suas, a ponderação das suas intervenções e a simplicidade do seu trato. Um dia, sem que eu o esperasse, felicitou-me por um artigo meu na ZacatraZ, relativo à “sua” Cavalaria.
(40/1948)
General António Eduardo Queiroz Martins Barrento
Nasceu a 23 de Julho de 1938
Faleceu a 7 de Março de 2026
Deu-me alento para me continuar a “arriscar” a escrever sobre o tema.
Em 2014, foi justamente distinguido pela nossa Associação com um “Prémio Barretina – Dedicação”, que lhe foi entregue pelo Vasco Rocha Vieira (127/1950), também ele antigo Chefe do Estado-Maior do Exército.
Por iniciativa própria, suspendeu a sua participação nos trabalhos do Conselho Supremo, quando a audição o começou a atraiçoar. Perdemos o convívio com um verdadeiro Senhor, mas esteve sempre presente nas nossas mentes.
Descansa em Paz António. O teu habitual sorriso já nos está a fazer falta.
Luís Barbosa (71/1957)
NOTA COMPLEMENTAR:
Foi dedicada e organizada por Manuel Barão da Cunha (150/1948) uma tertúlia de homenagem póstuma, no CAS Oeiras, com a presença do filho e assim o recordaram:
- Partiu um homem bom, um amigo que muito estimava, um militar de referência, por ser de excelência. Que Deus o tenha em seu eterno descanso. José Branco Ló (90/1942)
- Uma triste notícia, a morte do nosso camarada e amigo António Barrento, uma referência que sempre admirámos.
António Damião (236/1959)
- Muito lamento a morte do nosso vizinho e amigo. Editou comigo um livro de poemas, “Pedaços de Poesia”, modestamente assinado “A. B.”. Também era bom poeta. Daniel Gouveia








