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ZACATRAZ_241 - Revista da AAACM

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ABERTURA SOLENE

RÉPLICA DA ESPADA DO REI D. CARLOS

António Faria Menezes 568/1969

A MALTA COLEGIAL!

Em Dezembro, com a aproximação da quadra natalícia, entramos num tempo de luz, de renovação e de solidariedade. Faz assim sentido, partilhar convosco e sublinhar nestas três dimensões, os nossos, pequenos, mas determinados, passos na direção duma Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar que defenda o legado, apoie o presente e quer ser útil e relevante no futuro.

Apostamos na Luz, sendo próximos no trato com a comunidade de Antigos Alunos, os quais queremos fazer regressar como sócios com plenos direitos, com acesso à realidade colegial através da renovada Revista Zacatraz, realizando ou apoiando eventos e convívios da família colegial, que fortaleçam os laços e os afetos das diferentes gerações, tornando-nos coesos e empenhados na preservação dos valores e Código de Honra que nos definem como Meninos da Luz.

Consideramos os atuais alunos do Batalhão Colegial como a forja se gura do nosso futuro e temos sentido orgulho nos Graduados e nos Ratas, marcando presença signifi-

cativa nas cerimónias e eventos, mobilizando a Malta Colegial a demonstrar a solidariedade e exigência no respeito das tradições, nos resultados escolares e despor-

EDITORIAL

tivos, nunca faltando com genica e numa só voz, pelos Antigos Alunos, pelos Alunos e pelo Colégio, um vigoroso Zacatraz.

Congregados na Associação de Antigos Alunos do Colégio Militar, procuramos abraçar todos os nossos camaradas, Antigos Alunos e sócios, estreitando laços e contatos, procurando responder com melhores ideias aos diferentes universos e gerações, fazendo a ponte e apoiando a transição de aluno para a vida académica e profissional, acompanhando e garantindo uma carteira de contatos que valorize o mérito e “ensine a marchar” nos diferentes percursos de vida.

Temos o privilégio de ter gente de enorme qualidade que lidera em diferentes vertentes profissionais e académicas, que é interventiva na sociedade, sempre com um traço distintivo colegial, de responsabilidade e respeito pelo outro, colhido no nosso Claustro, e que constitui uma mais-valia para a família colegial e para o País. Que se cheguem à frente para liderar!

Procuramos ser também renovação, num caminho de recrutamento de novos sócios, construindo uma AAACM rejuvenescida em ideias e com a participação das novas gerações, combatendo o afastamento que o foco no percurso académico e profissional naturalmente provoca. Assim, revisitamos as Romagens, fazendo destas um tempo de regresso a casa, ao nosso Colégio Militar, dos Antigos Alunos, agora com cabelos mais grisalhos, mais maduros e com as cicatrizes próprias do caminho, com diferentes percur-

sos profissionais e familiares, mas também mais reconhecidos pela excelente formação recebida.

Somos renovação nestas jornadas ímpares, onde se homenageiam os que já formam em parada celeste, se revisitam memórias e histórias, se abraçam os sucessores, que hoje desfilam com semelhante garbo e força, demonstrando que permanece atual a ideia original do Marechal António Teixeira Rebello de formar jovens úteis para Portugal.

Fazendo jus ao nosso código de valores, protegemos e apoiamos os mais vulneráveis dos nossos, Antigos Alunos a quem a vida foi madrasta e mesmo alunos com dificuldades escolares ou financeiras, mobilizando recursos e vontades na família colegial, fazendo levantar os tombados nos buracos da estrada da vida e retomar a marcha na nossa formatura colegial.

Somos todos parte desta boa gente que partilha valores e memórias do seu tempo de Menino da Luz, que diz presente em cada reunião do seu curso, se renova em cada Romagem ao Colégio, se perfila em cada cerimónia do Batalhão Colegial e assume sempre o dever de apoiar os mais vulneráveis nos maus momentos. É nesta comunhão de afetos e valores que nos fazemos perenes como instituição e nos orgulhamos desta pertença de camaradagem, coesão e amor ao País.

Dezembro, uma pausa para Boas Festas e reunião familiar. Neste espírito, procurem estar perto do vosso curso, procurem aqueles que estão mais apartados, zangados por razão nenhuma ou rancor

esquecido, e simplesmente falem, conversem e sublinhem o que vos une. Sejam Antigos Alunos parte imensa desta família colegial, a Malta Colegial, com sentimento de partilha e estima, cimentadas na camaradagem e no dever, e permitam-me desejar de forma fraterna aos meus camaradas e estimadas famílias, que sejamos Luz no exemplo, Renovação no compromisso de liderar e apoiar e solidários na partilha do bem, pelo Colégio Militar e por Portugal.

Pela Malta Colegial um merecido Zacatraz.

PROTOCOLOS COM A AAACM

INSTITUTO DE IMPLANTOLOGIA

João Mendes Caramês 42/1972

NOVA PHISIO ORTOPEDIA E FISIOTERAPA

Nuno Pombeiro 70/1973

Rui Mendonça 685/1974

HEXÓNIO CONSULTING, LDA TECNOLOGIA, DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE, MIGRAÇÃO DE DADOS E INFRAESTRUTURAS IT

António da Cunha Semedo 221/1973

RESTAURANTE JARDIM DA LUZ

ICON, LDA CONSULTORIA, CONTABILIDADE E PROJETO

Filinto Girão Osório 120/1997

CLÍNICA MÉDIS MEDICINA FÍSICA E DE REABILITAÇÃO

Emanuel Bragança 354/1995

A ligação da sua/tua empresa à AAACM, através de um protocolo com condições especiais, é uma forma de dizer presente, e dizer obrigado ao Colégio que criou as raízes, do teu sucesso.

Contacta-nos: geral@aaacm.pt | Tlm 916 072 898

Condições particulares a consultar no site da AAACM. Saiba mais em:

CLUBE MILITAR NAVAL

FICHA

TÉCNICA

CORPOS SOCIAIS DA ASSOCIAÇÃO PARA O TRIÉNIO 2025-2027

Assembleia Geral

Presidente Nelson Manuel Machado Lourenço (377/1982)

Vice-Presidente António Luís Henriques de Faria Fernandes (454/1970)

Secretário José Nuno do Rosário e Silva Leitão (153/1964)

Secretário Ricardo de Sousa Macedo Esteves Mendes (190/2006)

Direcção

Presidente António Xavier Lobato de Faria Menezes (568/1969)

Vice-Presidente Pedro Miguel Correia Vala Chagas (357/1977)

Vogal Francisco José Nogueira Correia (197/1997)

Vogal Ângelo Eduardo Manso Felgueiras e Sousa (498/1976)

Vogal Luís Manuel Marques Cóias (190/1990)

Vogal Maria Leonor Rainha Miranda Antunes dos Santos (628/2014)

Vogal Adelino Augusto Reis da Fonseca Lage (176/1966)

Conselho Fiscal

Presidente Luís Miguel Antão Gonçalves (236/2011)

Vogal Luís Filipe Figueira Brito Palma (214/1977)

Vogal Bruno Luís Pereira Martins (146/2012)

FICHA TÉCNICA

Nº 241 - Outubro / Dezembro - 2025

Publicação Trimestral

FUNDADA EM 1965

FUNDADOR

Carlos Vieira da Rocha (189/1929)

DIRECTOR

Adelino Fonseca Lage (176/1966) adelino.lage@aaacm.pt

CHEFE DE REDACÇÃO

João Barrento Sabbo (17/1967) joaosabbo@gmail.com

REDACÇÃO

Nuno Mira Vaz (277/1950)

Luís Ferreira Barbosa (71/1957)

Jorge Santos Pato (484/1966)

REGISTO E BASE DE DADOS FOTOGRÁFICA Leonel Tomaz

CAPA

Comandante de Batalhão e Batalhãozinho Entrega da Espada

ENTIDADE PROPRIETÁRIA E EDITOR

Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar

MORADA DO PROPRIETÁRIO e SEDE DA REDACÇÃO Quartel da Formação – Largo da Luz 1600 – 498 LISBOA Tel. 217 122 306/8 Tlm. 916 072 898

TIRAGEM - 1350 exemplares DEPÓSITO LEGAL - Nº 79856/94

Os artigos publicados são da responsabilidade dos seus autores. Esta publicação não segue o novo acordo ortográfico.

DESIGN E EXECUÇÃO GRÁFICA:

Tm. (+351) 933 738 866 Tel. (+351) 213 937 021 www.smash.pt

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA AOS SÓCIOS DA AAACM

Isenta de registo na Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC), ao abrigo do n. º1 da alínea a), do Art.º 12º Do Decreto Regulamentar n.º 8/99 de 9 de Junho.

À REVISTA ZACATRAZ Número Anterior 240

06 O ABRAÇO AO BATALHÃOZINHO e a entrega da espada

10 JANTAR ANUAL DA AAACM Prémios Barretina

14 REVISTA ZACATRAZ 60 Anos de vida

19 “OS LUSÍADAS”

24 ABERTURA SOLENE, VOLTAR A CASA

27 SONS DA “VELHA GUARDA” Aniversário da AAACM

33 CIRCUITO HÍPICO DE PORTUGAL

35 PROTOCOLO

39 DO ESPETÁCULO PARA A METÁFORA

41 A VIAGEM DO ALLEGRO Cape Town 3

44 20 ANOS DO NÚCLEO DA FEITORIA

46 A BANDEIRA DE HONRA do Exército Português

48 ARTE EQUESTRE EM PORTUGAL

51 PARA MEMÓRIA FUTURA

Os três marcos deixados pelo curso de 1959

53 INOVAÇÃO E STARTUP’S

55 NOTÍCIAS E NOTAS SOLTAS

57 MENINO DA LUZ BATE RECORDE MUNDIAL

59 POESIA NOS TEMPOS LIVRES

61 ROMAGENS DE SAUDADE

66 OS QUE NOS DEIXARAM

08 ANIVERSÁRIO 122º E A VELHA GUARDA

16 UMA VISÃO SOBRE ENSINO E ALUNOS

31 O DICIONÁRIO CALÃO - LETRA B

36 SABERES E SABORES DO VINHO - RIBERA DEL DUERO

O ABRAÇO AO BATALHÃOZINHO

E A ENTREGA DA ESPADA

Os primeiros meses da vida de um aluno recém-chegado ao Colégio Militar são cheios de peripécias e momentos emocionantes. Alguns, os “Turistas”, que frequentam o Colégio desde o 1º ano, passam a “Ratas” sabendo (mais ou menos) o que os espera. Outros, vindos da “vida civil”, chegam receosos, expectantes, repletos de sonhos e ilusões. Acabaram de entrar num Colégio como não há outro.

O primeiro trimestre é repleto de cerimónias marcantes. Nele tem lugar o Compromisso de Honra, quando os novos alunos desfilam pela primeira vez em farda de gala e com arma integrados no Batalhão Colegial, e formam nos claustros para uma cerimónia em que assumem publicamente o compromisso de cumprir o Código de Honra: Amar e Honrar a Pátria. Dignifi-

car a farda que enverga. Cultivar a disciplina. Dedicar à sua formação todo o seu esforço e inteligência. Ser verdadeiro e leal, assumindo sempre a responsabilidade dos seus actos. Praticar a camaradagem sem denúncia nem cumplicidade. Ser modesto no êxito digno na adversidade e confiante face às dificuldades. Ser generoso na prática

do bem. Repudiar a violência, a delapidação e o despotismo. Ser sempre respeitador, afável e correcto.

Imaginem ter dez anos, recém-promovido ou recém instituído como “Rata”, e a jurar um conjunto tão imponente de princípios e valores. Imaginem-se a levar a sério o amor à Pátria, a dignificação

Paulo Sande 60/1967
DA VIDA DA AAACM

da farda, a disciplina, o esforço, a responsabilidade, a camaradagem, a modéstia, a generosidade, o repúdio pelo despotismo. Imaginem-se respeitadores, afáveis e correctos. Esses jovens não o imaginam – vivem-no.

E vivem muitas outras cerimónias e momentos marcantes, todos a plasmar o carácter e a índole das novas gerações de “Meninos da Luz” (no que os “Ratas” se tornam no mesmo juramento de honra, sempre por volta do final de Novembro – ou até a 1 de Dezembro).

O Selar das Barretinas, com os jovens “Ratas” apadrinhados pelos graduados, ou o Armar Cavaleiro, que simboliza e assinala o Amor à Pátria, recordando esse dia de 1640 em que Dª Filipa de Vilhena ordenou os filhos cavaleiros e os enviou à missão da vida de uma geração: devolver a independência plena a Portugal.

Mas antes de tudo isso, a abrir o ano, uma outra tradição se impõe: É quando, na abertura formal do Ano Lectivo, em Outubro, o mais pequeno dos “Ratas” – o Batalhãzinho – entrega ao Comandante de Batalhão recém-nomeado a réplica da espada do Rei D. Carlos, símbolo de comando do Batalhão Colegial. Como este ano, quando a Batalhãozinho Isabel Chen Shi, 690/2025, abraçou Gonçalo da Costa Ares, o 319/2018, depois de lhe ter dado posse com a entrega da espada, selando assim o reconhecimento simbólico da sua legítima autoridade de comando. E Gonçalo, por sua vez, assumiu essa responsabilidade, grato pelo múnus que o Colégio lhe atribuiu – ao longo de todos os anos em que nele viveu e estudou.

Um abraço que ligou os alunos, todos eles, através do mais pequeno deles, ao novo Comandante de Ba-

talhão. Um abraço que, na grandeza da sua singeleza, muito mais do que um momento efémero é aquilo sobre o que escreveu Pessoa:

É a sinopse de um Colégio que, através das suas tradições e do seu Código de Honra, viverá para sempre, através do exemplo dos seus “Turistas”, dos seus “Ratas”, dos seus “Meninos da Luz”, do abraço de Isabel e Gonçalo, um Colégio para sempre e sem enquanto.

Comandante de Batalhão Gonçalo Ares 319/2018 e Batalhãozinho Isabel Chen Shi 690/2025

Adelino Fonseca Lage 176/1966

ANIVERSÁRIO DA AAACM

AAAACM celebrou este ano 122 anos de existência sobre o dia 23 de Outubro de 1903, num percurso de vida rico e em evolução, aproveitando para ter como convidados presentes no que já é uma tradição, Antigos Alunos que celebravam mais de 60 anos sobre a sua entrada no Colégio Militar.

Homenageamos assim a “Velha Guarda”, que este ano perdeu o seu “Decano”, o 458/1934, Coronel João Marcelino, recordado recentemente num artigo na ZACATRAZ, e infelizmente hoje referido nas últimas páginas, como mais um Antigo Aluno, que subiu ao Zimbório da Capela nos Claustros.

Sem descurar a celebração de cada aniversário, honrando a resiliência destes Antigos Alunos, a Associação tem feito aposta forte no apelo à juventude e à realidade de um

Colégio com Meninos e Meninas da Luz, invertendo uma tendência negativa do passado recente, a cada ano menos sócios envolvidos na vida da AAACM, este ano em que

disseram presente mais de 100 sócios efectivos e assim destinatários e leitores desta ZACATRAZ que é de todos nós, fazendo jus ao UM POR TODOS, TODOS POR UM.

A “Velha Guarda” homenageando o Fundador Marechal Teixeira Rebello
Romagem da Velha Guarda

Foi com enorme interesse, que no anfiteatro do Colégio Militar, os representantes de 20 cursos de um universo de 1946 a 1965, ouviram o presidente da AAACM António Menezes 586/1969, numa apresentação da vida da associação, e o Sr. Director Coronel de Cavalaria Alexandre Moura, uma descrição precisa do Colégio actual, numa realidade que envolve dificuldades e desafios, mas também um leque de oportunidades, entre outras o sucesso que o ensino primário tem tido, como principal fornecedor do

rimónia a que assistem, ou a cada Romagem em que são chamados à presença dos seus antecessores, vão criando uma vontade própria de também eles virem a vestir farda cor de pinhão.

A responsabilidade de cada um de nós Antigos Alunos, sermos capazes se possível de os acompanhar no seu percurso colegial, mas aproveitando sobretudo de forma intensa esses momentos, que para eles são marcantes e os motivarão a ingressar no Batalhão Colegial.

particular da revista ZACATRAZ, sabendo que para o ano, também eu integrarei a “Velha Guarda”.

O tempo passa demasiado depressa e a cada momento a oportunidade de restituir ao Colégio através da AAACM, o que o Colégio nos deu na nossa formação.

Quem é Quem

A Velha Guarda no anfiteatro do Colégio Militar
Interacção de jovens e menos jovens

JANTAR ANUAL DA AAACM

Prémios Barretina

No passado dia 21 de Novembro, tive a honra de participar, pela primeira vez como Antiga Aluna, no Jantar Anual da AAACM. Embora o encontro tenha decorrido fora das paredes do Colégio, o ambiente conseguia manter aquele sentimento nostálgico e sensação de “casa”.

Entre Antigos Alunos, atuais alunos, docentes e membros da direção, foi especial sentir a continuidade entre gerações. A convivência entre quem está a iniciar o seu percurso fora do Colégio e quem o concluiu há vários anos mostra a união entre alunos desta casa, como se todos estivéssemos ligados pelas nossas experiências, valores e histórias partilhadas. Fui convidada a apresentar os tex-

tos alusivos aos premiados, com os Prémios Barretina, um momento que simbolizou o orgulho de representar o meu curso nesta nova fase enquanto Antiga Aluna.

Ao longo da noite, multiplicaram-se conversas que nos fizeram recordar memórias, que nos moldaram mais do que perceberíamos na altura.

Carlota Maria Pires 687/2017
Vista geral do ambiente na Quinta dos Gafanhotos

Prémio Barretina - Amigos do Colégio Militar

Professora Maria Isabel Barros Oliveira

O amor e a entrega da Professora Isabel Oliveira ao Colégio refletem-se em cada aula, em cada conselho e em cada gesto pedagógico. Além de educadora, tem sido também mentora e referência para os novos docentes, transmitindo-lhes o "saber-ser" professor no Colégio Militar, do qual se tornou verdadeira fiel depositária.

Prémio Barretina - Colégio Militar no Mundo

Miguel Tribolet de Abreu 66/1977

- No passado também foi membro do Conselho Escolar e do Conselho Coordenador para Avaliação do Corpo Docente do Instituto SuperiorTécnico

- Coordenador do grupo de Geometria (desde 2013)

- Editor da Portugaliae Mathematica (desde 2015)

- Cargos temporários no Fields Institute (Toronto, Canadá), no MittagLeffler Institute (Suécia), Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (Brasil), ETH Zurich (Suíça) e na Universidade de Illinois em Urbana-Champaign (EUA)

- Realizou diversas contribuicões para a ciência e para a sociedade, reconhecidas internacionalmente

www.math tecnico.ulisboa.pt/~mabreu/

Prémio Barretina - Colégio Militar no Mundo

Nuno Miguel Carvalhosa 230/1982

- Responsável pelo Customer Field Force, Customer Experience, Market Research, Market e Business Inteligence

- CEO da OMTEL e, mais tarde, CEO da Cellnex Telecom

- Managing Director de um dos lustres europeus da Cellnex (abrange Portugal, Países Baixos e Polónia)

- Responsável pela introdução de um modelo de negócio inovador que aumentou a eficiência e competitividade do setor e suportou o 5G

O Nuno não se limitou a gerir uma empresa. Ele foi o arquiteto de uma transformação profunda no setor das infraestruturas de telecomunicações em Portugal.

Prémio Barretina - Colégio Militar no Mundo

Bruno Miguel Abreu da Silva 291/1996

- Membro do Board da ERFA (European Rail Freight Association) (desde 2018)

- CEO do operador Ferroviário e Logística Medway, SA (desde 2016)

- Gestor de projeto e responsável pelo departamento de vendas e planeamento na MSC (Mediterranean Shipping Company)

- Direção Comercial e Desenvolvimento Novos Projetos, Grupo Mota-Engil, S.A.

- Adjunto de Diretor de Obra, na Mota-Engil, S.A.

Prémio Barretina - Associação - Notoriedade

José Sanches Osório 210/1951

- Participou na fundação do MDLP, movimento que se opunha à tomada do poder pela força por parte da esquerda revolucionária

- Deputado à Assembleia da República, pelo CDS

- Autor do "O Equívoco do 25 de Abril"

- Memórias publicadas "Sanches Osório, Memórias de uma Revolução" (Maria João da Câmara, Oficina do Livro)

- Agraciado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade

Falou-se de pequenas rotinas do dia a dia, tradições, agora vistas à distância. Mas é precisamente isso que torna o Colégio tão único: a capacidade de transformar aquilo que vivemos em pontos de referência para tudo o que fazemos depois.

Entre os vários episódios da noite, um destacou-se de forma muito especial: ver a minha primeira Professora de Matemática, a Profes-

sora Maria Isabel Barros Oliveira, ser distinguida com o Prémio Barretina – Amigos do Colégio Militar. Foi emocionante testemunhar o reconhecimento público de alguém que marcou não só o meu percurso, mas também o de tantos outros alunos ao longo dos anos. Fez-me perceber com clareza a profundidade do impacto que certos professores têm na nossa formação, muitas vezes maior do que conseguimos

compreender enquanto alunos. A sua distinção foi, para mim, um dos momentos mais simbólicos do jantar, lembrando-nos que o Colégio se constrói tanto pelos valores que nos transmite como pelas pessoas que nos guiam nos primeiros passos.

Também foi marcante observar a entrega e dedicação dos premiados deste ano. Os Prémios Barretina são, acima de tudo, uma cele-

bração do mérito, do esforço e da forma como cada docente ou antigo aluno honra o Colégio dentro e fora dele.

Mas considero que o mais importante da noite foi reencontrar o meu curso. Partilhar mesa, as lembranças, os abraços e tudo o que

sempre nos caracterizou fez com que tudo parecesse simultaneamente recente e distante.

O Jantar Anual da AAACM celebra todos os anos o mérito e a dedicação daqueles que integram a nossa comunidade. O Colégio continua vivo nas pessoas que dele

fizeram parte e que, de alguma forma, continuam a acompanhá-lo onde quer que estejam.

O Jantar foi, acima de tudo uma reafirmação da importância dos laços criados e do orgulho de fazer parte desta Casa.

Quem é Quem

REVISTA ZACATRAZ 60 ANOS DE VIDA

AZACATRAZ é a revista da Associação de Antigos Alunos do Colégio Militar (AAACM), de periodicidade trimestral, fonte de informação relativa a assuntos do Colégio, dos seus Antigos Alunos e da sua Associação. Tem como objectivo constituir um elo de ligação entre Antigos Alunos, reforçando o seu culto pelo Colégio Militar e realçando as figuras dos Antigos Alunos que, ao longo dos tempos e em qualquer tipo de actividade, mais se distinguiram pelos serviços prestados à Pátria.

A AAACM, fundada em 1946, é a sucessora da Associação Philantropica dos Alumnos do Real Collegio Militar, fundada em 1903, ano do centenário do Real Colégio Militar.

A primeira revista da AAACM intitulou-se «O Boletim da AAA-

CM», de que foram publicados apenas quatro números, o primeiro dos quais datado de Junho de 1957.

O seu fundador e director foi José da Gama Barata (191/1921).

Em Outubro de 1965, iniciou-se a publicação da «Revista da AAACM».

Luís Ferreira Barbosa 71/1957
Um ano na vida da Zacatraz

O seu fundador e primeiro director foi Carlos Vieira da Rocha (189/1929), que dirigiu a revista durante 10 anos, até 1975, vindo a reassumir a sua direcção entre 1992 e 1994.

Os directores da revista, de 1965 a 2025, foram os seguintes:

- Carlos Vieira da Rocha (189/1921) Revistas n.º 1 a 38 (1965-1975).

- Rui Figueiredo de Barros (62/1936) Revistas n.º 39 a 55 (1975-1979).

- José Soares Zilhão (288/1927) Revistas n.º 56 a 62 (1979 a 1980).

- José Gomes Marques (345/1940) Revistas n.º 63 a 67 (1980 – 1981).

- António Collares Pereira (300/1946) Revistas n.º 68 a 76 (1982 – 1984)

- Carlos da Costa Freitas (50/1933) Revistas n.º 77 a 82 (1984 – 1985).

- Manuel Pinto Machado (92/1953) Revistas n.º 83 a 98 (1985 – 1990).

- António Collares Pereira (300/1946) Revistas n.º 99 a 106 (1990 – 1992).

- Carlos Vieira da Rocha (189/1921) Revistas n.º 107 a 114 (1992 – 1994).

- António Collares Pereira (300/1946) Revistas n.º 115 a 136 (1994 – 1999).

- Mário Silva Falcão (314/1936) Revistas n.º 137 a n.º 193 (2000 - 2013).

- Gonçalo Leal de Matos (371/1949) Revistas n.º 194 a 209 (2014- 2017).

- Nuno Mira Vaz (277/1950) Revistas n.º 210 a n.º 234 (2018 -2024).

- Adelino Fonseca Lage (176/1966) Revistas n.º 235 (2024 - …..).

«O sucesso e a qualidade da revista devem-se, em geral, às duplas formadas pelos directores e respectivos chefes de redacção. Foi o caso da dupla formada por Nuno Mira Vaz (277/1950) e Luis Filipe Barbosa (71/1957), que geriu a revista de 2018 a 2024. Esta dupla continua a colaborar com a revista, com a produção regular de artigos, que a actual equipa de gestão reconhecidamente agradece.»

A primitiva revista da AAACM era uma publicação em formato A5, com fotografias ilustrativas, em geral, a preto e branco. Em 2010, sendo Presidente da Direcção da AAACM, Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958) e Director da Revista, Mário Margaride e Silva Falcão (314/1936), foi decidido aumentar o formato da revista, melhorar a sua organização e o seu visual, com a apresentação de um maior número de fotografias, de maiores dimensões e de preferência coloridas. O objectivo foi tornar a revista mais moderna, mais leve e mais apelativa para os seus leitores. Decidiu-se também, em boa hora, alterar e simplificar o título da revista, que passou a designar-se ZacatraZ, o «grito de guerra» de Alunos e Antigos Alunos do Colégio Militar.

O obreiro da revista no novo formato e com nova designação foi o Chefe da Redacção da revista, Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949). O primeiro número da revista no seu novo formato foi o número 179, de Abril/ Junho de 2010, que teve uma aceitação geral imediata.

A actual gestão da ZacatraZ, formada pelo Adelino Fonseca Lage (176/1966) e o Chefe de Redacção João Barrento Sabbo (17/1967), atenta à sustentabilidade ecológica, assegurou uma parceria com a The Navigator que fornece o papel da revista e também do envelope de envio, com origem em florestas certificadas, plantadas exclusivamente para a produção de pasta e papel, garantindo a sustentabilidade dos seus recursos.

Não descurando a vertente financeira, a revista regressou à presença nas suas páginas de publicidade selectiva, e à identificação de protocolos com empresas, para a qual cada Antigo Aluno, responsável por uma empresa ou em cargos de decisão, tem a oportunidade de chegar a um importante e considerável universo de leitores, que sob o lema “Um por Todos, Todos por Um, são seus potenciais clientes.

A revista da Associação completou, em 2025, 60 anos de existência, dos quais 15 já no novo formato. É nosso dever mantê-la bem viva, para continuar a cumprir a missão para a qual foi criada, por isso colabora, contamos contigo.

FORMAR PARA LIDERAR:

Ousamos Falar de Valores?

I. INTRODUÇÃO

Fala-se muito de liderança nas universidades, nas empresas, nos programas executivos. Mas é evidente que, sendo de importância gigante, não compara com a formação na base. A base da liderança constrói-se muito antes, i.e., quando ainda não se tem agenda, não se tem carreira, não se tem títulos. Constrói-se na formação inicial e secundária, onde se molda o carácter e se treina a espinha dorsal. E é aí que Portugal precisa de ser brutalmente honesto: não há liderança sem valores. Não há liderança com adolescências indulgentes, currículos leves e exigência fantasiosas. Não há liderança quando não se dá ao jovem a oportunidade de falhar, levantar-se, disciplinar-se, comprometer-se e servir.

É aqui que entra o Colégio Militar, uma escola que insiste, felizmente, em nadar contra a corrente do facilitismo. Uma escola que forma

pessoas inteiras, com rigor, com dureza, leu bem, com dureza, mas com valores vividos e não pregados.

E, sim, esse modelo assusta muitos. Porque é mais fácil formar consumidores do que formar cidadãos. Mais fácil criar opiniões do que moldar carácter. Mais fácil entregar diplomas do que construir responsabilidade.

II. COLÉGIO MILITAR: DISCIPLINA NÃO É OPRESSÃO, É LIBERDADE

O Colégio Militar lembra-nos isto. Simples, mas poderoso:

A disciplina não limita; liberta. O rigor não oprime; desenvolve. A exigência não exclui; prepara.

Num tempo em que tudo parece tornar-se fluffy e fácil, o Colégio Militar faz exatamente o contrário. Ainda bem. Treina jovens a lidarem

com frustração, a respeitarem hierarquias, a trabalharem em equipa, a comandarem quando é preciso e a obedecerem quando é necessário. Não se trata de “militarizar” jovens; trata-se de garantir que chegam a adultos com a solidez interior que hoje falta a demasiadas pessoas com demasiado poder.

Enquanto muitas escolas abdicam de exigir, o Colégio Militar insiste em construir. Insiste em formar. Insiste em responsabilizar. E isso incomoda quem confunde educação com entretenimento pedagógico.

III. O PARALELO COM WEST POINT: LIDERANÇA NÃO NASCE DO ACASO

Em West Point, nos Estados Unidos, o lema “Duty, Honor, Country” não é uma expressão bonita: é um contrato moral. West Point e o Colégio Militar partilham um ADN: formar pessoas que entendem que o mun-

do não gira à volta delas, que liderança implica sacrifício, que o mérito exige superação e que o serviço é uma missão, não uma figura de estilo.

A grande lição destas academias é simples e disruptiva: A liderança é treinável, mas nunca será gratuita. Gratuita de entrega, de compromisso, de responsabilidade.

E treina-se. Treina-se levantando às seis da manhã, resolvendo problemas reais, passando por falhas reais, assumindo responsabilidades reais. Não é um curso de fim de semana. Não é uma palestra motivacional. É formação de carácter mesmo. Carácter.

IV. SIM, EXISTEM OUTROS MODELOS DE VALOR EM PORTUGAL - E AINDA BEM

Mas seria injusto e redutor olhar apenas para o Colégio Militar. Portugal tem outras instituições que fazem da educação um ato de formação integral, não de cosmética curricular. Dou dois exemplos mas há muitos mais.

Colégio de São João de Brito — “Educar para Servir” Aqui o foco é claro: formar jovens para olharem para além de si próprios. Serviço, responsabilidade, humanismo, capacidade de estar para o outro. Um modelo poderoso, que cria líderes com consciência e capacidade de decisão ética. E que coloca o desporto como forma particular de praticar, desde cedo, o jogo em equipa. O serviço.

Colégio do Sagrado Coração de Maria — “Educar para a Justiça” Justiça, equidade, solidariedade, verdade. Uma escola onde o valor

não é um slogan, é uma prática. Onde se educa com exigência moral, não com slogans fáceis. Onde se pede aos jovens que pensem, sintam, se comprometam e se tornem agentes de transformação.

Outros colégios com identidade forte: Salesianos, Maristas, La Salle, internacionais com forte desporto ou forte ética, escolas que combinam excelência académica com exigência comportamental.

Todas eles mostram que o país tem alternativas, modelos distintos, mas com um ponto comum: há formação que cria pessoas fortes e há “formações” que criam fragilidade e facilitismo.

Não interessa a etiqueta. Interessa a exigência. Interessa o valor. Interessa o que fica quando a vida aperta, quando o mercado exige, quando a sociedade cobra.

V. O PONTO CRUCIAL: A FORMAÇÃO QUE NÃO EXIGE, NÃO TRANSFORMA

É preciso dizer com frontalidade: Não se criam líderes em ambientes onde ninguém é contrariado. Não se criam líderes em escolas onde tudo é negociado.

Não se criam líderes em sistemas que confundem liberdade com falta de fronteiras.

O Colégio Militar, o São João de Brito, o Sagrado Coração de Maria e outras instituições semelhantes têm algo em comum: não têm medo de exigir. Não têm medo de pedir rigor, esforço, sacrifício, aten-

ção, respeito, trabalho. Não têm medo de dizer que mérito conta. E que o mérito se constrói.

A educação sem exigência é espuma. Atribui diplomas mas não molda carácter. Concede média mas não dá espinha dorsal. Dá voz mas não implica responsabilidade.

VI. O QUE A FORMAÇÃO INICIAL TEM DE VOLTAR A ENSINAR

Se queremos líderes — de verdade e não de redes sociais — temos de voltar a cinco fundamentos que nunca deveriam ter sido abandonados:

A) Carácter: sem isto, o resto é cenário;

B) Serviço: porque liderar é estar ao serviço dos outros;

C) Disciplina — que permite ao talento não se autodestruir;

D) Rigor — intelectual, moral, comportamental;

E) Responsabilidade — assumir consequências, não inventar desculpas.

Não basta ensinar matemática, física, literatura ou línguas se depois deixamos os jovens incapazes de lidar com o fracasso, a pressão, a hierarquia ou a frustração.

O mundo real não é um recreio. E a liderança real não tem rede.

VII. O COLÉGIO MILITAR COMO METÁFORA DO QUE FALTA AO PAÍS

O Colégio Militar simboliza algo que o país perdeu (ou esqueceu): a coragem de educar com exigência.

O país discute tudo menos isto: valores, carácter, resiliência, coragem moral, sentido.

É mais fácil discutir metodologias da moda do que discutir espinha dorsal. Mas é precisamente essa espinha dorsal que sustenta as organizações, as empresas, a administração pública, a política, a sociedade.

Se queremos evitar líderes frágeis, vaidosos, impulsivos ou impreparados, temos de começar antes, muito antes. E isso significa olhar para modelos de educação que se atrevem a formar pessoas completas e não apenas alunos com média elevada.

O Colégio Militar, West Point, São João de Brito, Sagrado Coração e tantas outras instituições sabem isto:

Liderança não se improvisa, constrói-se. E constrói-se cedo.

VIII. CONCLUSÃO: SE QUEREMOS LÍDERES, TEMOS DE FORMAR PESSOAS

Falar de liderança sem falar de formação inicial é tapar o sol com a peneira. É fugir ao essencial.

A formação de líderes começa no secundário, no pré-universitário, no treino diário do carácter, no confronto com a exigência, na resiliência emocional, na capacidade de servir e não de consumir.

Portugal tem bons exemplos. Mas precisa de ter coragem para os assumir como referências.

O Colégio Militar continua a ser o farol de rigor. West Point, de resto, corrobora esta matriz universal.

São João de Brito e Sagrado Coração de Maria lembram-nos que a ética é a base de qualquer liderança adulta.

E o país precisa de líderes, não de protagonistas, não de personas.

Precisa de pessoas de carácter, não de perfis.

Precisa de valores, não de slogans.

Tudo o resto é paisagem. E, todos sabemos, paisagem é mesmo o que temos a mais.

NOTA DA REDACÇÃO:

O nosso obrigado à colaboração do Professor José Crespo Carvalho, com este seu texto de avaliação dos princípios formativos do Colégio Militar, numa ligação com a revista ZACATRAZ, que se espera de continuidade.

Valores presentes deste o primeiro dia

“OS LUSÍADAS”

Antigos Alunos do Colégio Militar, num projecto (quase) centenário

Por volta de 1930, e pouco depois de regressar a Portugal da sua segunda comissão de serviço em Macau como oficial da guarnição do NRP “Bartolomeu Dias”, o meu avô, CALM Alfredo Motta (1894-1984), primeiro Director da Biblioteca Central de Marinha em 1960, inspirou-se numa curiosa edição de 1898 de “Os Lusíadas”, de Luís Camões, conforme confessou em 1981 ao Arquitecto Eduardo Martins Bairrada, numa entrevista para a Revista da Armada. Consiste em convidar personalidades diversas da sociedade portuguesa a escolher uma estrofe de Os Lusíadas, transcrevê-la para uma folha de papel especial e assinar. Deve-se ao Dr. José Ribeiro e Castro a sugestão de “novo manuscrito”.

Distingue-se o projecto iniciado por Alfredo Motta da edição de 1898 por dois motivos: (1) é um projecto particular, embora tenha tido recentemente o apoio da Sociedade Histórica da Independência de Portugal (SHIP); (2) tem uma abrangência de cerca de 100 anos no que diz respeito às personalidades que nele constam, ao passo que a edição de 1898, uma iniciativa institucional da Academia Real das Ciências, em celebração dos 400 anos da chegada de Vasco da Gama à Índia, limita-se a esse ano.

De momento, a colecção Alfredo Motta conta já com mais de 900 estâncias (de um total de 1108) preenchidas, incluindo as de 12 Presidentes da República e as de 15 Presidentes da Câmara Municipal de Lisboa. Todos os 308 municípios do Continente e Ilhas já foram formalmente convidados a contribuir, assim como os deputados da Assembleia da República e membros dos XXIII, XXIV e XXV Governos. As duas estrofes mais antigas (datadas) são de 1932, de Thomaz de Mello Breyner (Conde de Mafra) e de Carlos Viegas Gago Coutinho. Mas é possível que algumas possam ser de uma data anterior.

A ideia, com o apoio da Sociedade Histórica da Independência de Portugal (SHIP) e do seu Presidente, o Dr. José Ribeiro e Castro, é completar a obra em 2026, no âmbito das Comemorações dos 500 anos de Camões, e posteriormente publicar um “fac simile” pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda. Para além da INCM, temos tido alguns apoios ao projecto, que incluem a Direcção de História e Cultura Militar do Exército, que irá proceder à digitalização das estrofes e também a Papelaria Fernandes que forneceu o papel especial Fabriano/ Tiziano.

Algumas famílias contribuíram com diversas estrofes como a família Alves Caetano. Encontram-se também

Manuel Galvão de Melo e Mota
Professor Catedrático Universidade Lusófona

pares de familiares do tipo bisavô-bisneto (caso de Bernardino Machado e Júlio Machado Vaz) ou avô-neto (Mendes Cabeçadas). Temos também tentado encontrar ligações familiares entre o projecto de 1898 e o nosso, como por exemplo o bisavô Frederico Ressano Garcia e o bisneto António Ressano Garcia Lamas. Ou o 9º Conde de Sabugosa, António César Menezes e o actual Conde de S. Lourenço e Sabugosa, António Vasco Mello.

Outra interessante ligação familiar, embora por afinidade ou em 2º ou 3º grau é o caso de Afonso Costa com as famílias Sassetti e Freitas Branco. Ou o caso de José Afonso, de quem não conseguimos obter contributo, mas de que temos as estrofes da irmã, “Mariazinha” e mais 5 sobrinhos, um dos quais o cantor e músico João Afonso.

No caso do Colégio Militar, encontramos muitos contributos de Antigos Alunos (António Spínola 33/1920, Francisco Costa Gomes 254/1924 ou o professor Manuel Afonso do Paço), Directores (José Justino Teixeira Botelho), Presidentes da AAACM como José Eduardo Garcia Leandro 94/1950 ou António Faria de Menezes 568/1969, e “last but not least” o actual Director da “Zacatraz”, Adelino Lage 176/1966.

São de destacar, aliás, os numerosos contributos dos três Ramos das Forças Armadas, com uma predominância da Armada, com cerca de 100 contributos, que

incluem a quase totalidade de Chefes de Estado Maior (CEMAs) depois do 25 de Abril, de 15 Comandantes da “Sagres” e 14 Comandantes da Escola Naval, onde Alfredo Motta foi secretário em 1926 e 1936. Os convites efectuados ao longo dos anos não atenderam a ideologias ou políticas, o mesmo se verificando na parte militar. Assim temos a estrofe de Kaúlza de Arriaga e de Otelo Saraiva de Carvalho. Nestes dois casos temos também previstas as estrofes da filha Ana Arriaga e do filho Sérgio Carvalho.

Este ano decorre um acontecimento que considero singular na Ciência ou na Cultura portuguesa: completam 100 anos as duas maiores geógrafas portuguesas, Suzanne Daveau e Raquel Soeiro de Brito. Já integram a galeria.

Outras situações curiosas: em alguns casos foi-me pedido para a estrofe ser transcrita a meias, por marido e mulher. Foi o caso de dois militares notáveis, Manuel Monge e Aniceto Afonso. Obrigado Bárbara e Marília. Em outros casos, temos também casais, mas cada um com a sua estrofe.

Embora a vontade inicial de Alfredo Motta fosse que as personalidades convidadas fossem portuguesas, achei por bem considerar a situação de cidadãos de outros países, mas que, entretanto, se tornaram também portugueses. Há pelo menos dois casos, um do Brasil e outro do Reino Unido. A estrofe “brasileira” escolhida faz referência ao almirante francês Villegagnon (1550) cuja

António Spínola 33/1920, Adelino Lage 176/1966, António Menezes 568/1969

ilha com o seu nome no Rio de Janeiro é a casa da Escola Naval do Brasil. A estrofe “inglesa” refere-se ao episódio dos “12 de Inglaterra” (os “magriços”).

Em meia dúzia de situações, não fomos a tempo! Embora tivessem sido efectuados convites, e aceites, perdemos as estrofes de, entre outros, Eunice Munhoz, António Couto dos Santos, Álvaro Laborinho Lúcio, Francisco Pinto Balsemão e Rómulo de Carvalho. Uma pena.

Em 1933, Alfredo Motta conseguiu três ilustrações para abrir cada Canto, neste caso os Cantos IV, V e VIII. Obteve-se, entretanto, uma nova ilustração, para o Canto II, e contamos em breve obter ilustrações para os cantos em falta. Além disso obteve um magnífico desenho de Camões, feito por Martins Bairrada, e que será a capa do livro.

Trata-se de um projecto, ainda em aberto, que pretende salientar a actualidade e importância da genial obra de Camões, enriquecido com os contributos das mais diversas personalidades, e das mais diversas áreas e credos políticos, em domínios tão distintos como a Política, a Cultura, a Educação e a Defesa.

Presidente da AAACM António Menezes 568/1969
Capa dos Lusíadas

COMO A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

ESTÁ

A TRANSFORMAR UMA DAS

MAIORES EMPRESAS PORTUGUESAS

Pode um grupo empresarial com sete décadas continuar na vanguarda da inovação, fazendo da Inteligência Artificial um motor de crescimento e uma alavanca de competitividade? No caso da The Navigator Company, terceira maior exportadora nacional, a resposta é claramente positiva.

Produtor integrado de floresta, pasta, papel, tissue, soluções sustentáveis de packaging e bioenergia, a Navigator tem vindo a alocar forte investimento em tecnologia e na literacia digital das suas equipas, num esforço que está já a traduzir-se em aumentos de eficiência, redução de custos e otimização de recursos.

A mudança é profunda. Não se trata apenas de automatizar processos, mas de redesenhá-los, reinventando desde a forma como se chega às tomadas de decisão aos meios de relacionamento com clientes, parceiros e fornecedores. A IA está a chegar, de forma transversal, a todas as áreas da empresa e o Roadmap Digital é o plano que guia essa transformação, cruzando ambição com experiência e visão estratégica. Nos processos produtivos, os resultados são promissores. Novas metodologias de Controlo Avançado de Processos (APC – Advanced Process Control) têm permitido ganhos significativos em duas frentes: na produção de papel de impressão e escrita, através da otimização da gestão das matérias-primas; e no branqueamento da pasta, pela redução do consumo de químicos.

A IA está também a mudar a forma como a Navigator vai gerir os seus dados e o acesso à informação: encontra-se em desenvolvimento um projeto para implementação de um

Data Management System que permitirá maior autonomia no uso da informação pelas equipas. A tomada de decisão mais rápida e informada será uma realidade, em breve e em todas as áreas.

Digitalização: da floresta ao cliente final

Os sistemas de gestão florestal da Navigator, com plataformas unificadas e dados integrados, permitem hoje disponibilizar aos produtores florestais, fornecedores e prestadores de serviços o conhecimento desenvolvido pela Direção Florestal e pelo RAIZ – Instituto de Investigação da Floresta e Papel. O investimento na promoção da gestão ativa e sustentável da floresta torna-se, assim, mais eficaz com o suporte de novas ferramentas e tecnologias.

Na logística, o impacto da IA tem sido especialmente notório. O Transportation Logistics Portal permitiu aumentar a produtividade, sendo de destacar que este resultado foi alcançado num contexto de incremento significativo da complexidade de processamento, com o crescimento do número de empresas de transporte ativas no sistema.

A plataforma Navigator Commercial HUB, por seu lado, trouxe novas formas de a empresa se relacionar com os clientes, otimizando interações e melhorando a performance comercial.

Na base da mudança: as pessoas

Toda a transformação digital em curso na Navigator passa, de uma forma transversal, pelo investimento na valorização do capital humano. O envolvimento das equipas e a promoção da literacia digital são a fundação sólida de uma mudança estrutural. Na Navigator, a IA não é uma tendência, nem se reduz a um projeto de IT. A transformação digital constitui-se, acima de tudo, como um processo de pessoas, no qual as competências que sempre fizeram a diferença – saber comunicar, mobilizar, concretizar, resolver problemas e construir relações – continuam a ser fundamentais. Programas de upskilling e reskilling estão a preparar as equipas para os desafios do futuro, constituindo-se como ações formativas que colocam o fator humano no centro desta evolução digital.

As florestas sustentáveis da The Navigator Company apoiam a Revista ZACATRAZ a diminuir a sua pegada ecológica.

OS NÚMEROS DA TRANSFORMAÇÃO

DIGITAL NA NAVIGATOR

37 Direções e mais de 400 formandos abrangidos pelo programa de formação digital e IA/GenAI

Redução de 22% no processamento manual de encomendas e de mais de 40% no volume de email relacionado

Redução de 0,2% nos custos de fibra, na Máquina de Papel 1 da unidade industrial da Figueira da Foz

Redução de 5 a 8% no consumo de químicos no branqueamento, nas três fábricas de pasta (Aveiro, Setúbal e Figueira da Foz)

ABERTURA SOLENE VOLTAR A CASA

Pela primeira vez, a vista foi diferente. Não olhei para as varandas à procura dos meus pais, não senti o Hino de Portugal entoar ao lado dos meus irmãos, não vesti a farda cor de pinhão. Desta vez, usei a Barretina na lapela, ouvi o Batalhão entoar o Hino Nacional com a emoção que sempre senti e representei a Associação dos Antigos Alunos, ao levar o seu Guião.

Mas há algo que não muda: o orgulho. O orgulho de ter sido e de ser Menina da Luz, o orgulho de ter frequentado aquela tão nobre Casa que me acolheu, a mim e ao meu curso, como a nossa segunda casa, e o orgulho de ver as futuras gerações no meu lugar.

A manhã de 3 de outubro começou como tantas outras Aberturas Solenes que vivi. Há uma rotina própria, uma combinação de tradição e emoção que só quem viveu entende. Desta vez, porém, vivi tudo de forma diferente. Já não era a aluna nervosa a limpar a farda e a engraxar as botas até brilharem, mas a COLÉGIO

antiga aluna que regressava à sua antiga casa, para representar todos os que vestiram a farda antes, em simultâneo e depois de mim.

Quando o Hino Nacional começou a ecoar, senti um nó na garganta. Era o mesmo hino que tantas vezes entoei, naquele claustro, de queixo erguido, agora ouvido à distância, parecia conter todas as memórias condensadas num só instante. As formaturas, as tardes nas camaratas, as amizades eternas. E, entre os pelotões e as fileiras impecavelmente alinhadas, vi rostos que me lembravam o meu. Mas acima de tudo, senti saudade.

Saudade dos momentos antes da cerimónia, saudade do som das botas a marcar passo, do silêncio antes da entrada do Estandarte, das vozes firmes de todos os comandantes. Saudade da emoção que sentíamos e com que vivíamos cada cerimónia.

Levar o Guião da Associação dos Antigos Alunos foi mais do que um gesto simbólico: foi represen-

tar todos os que me antecederam e de todos o que hão de vir. Foi compreender que o nosso percurso não termina quando deixamos de vestir a farda, ou de dormir dentro das 4 paredes, eles continuam: os nossos princípios, tradições, ligações, continuarão connosco.

Ao olhar para o Batalhão formado, percebi que em cada novo Menino da Luz, há um pouco de todos nós, das histórias que contámos, das lições que aprendemos, dos valores que nos moldaram.

Quando o Comandante de Batalhão começou a discursar, senti o mesmo entusiasmo de sempre. Os discursos dos CB’s sempre me emocionaram, formada escorria-me sempre uma lágrima, e este ano não foi diferente. Espero que cada novo Menino da Luz tenha ouvido e percebido o impacto daquelas palavras.

Ver a cerimónia de outro ponto de vista foi estranho, mas bonito. Durante anos vivi aquele dia do lado de dentro, com o nervosismo típico, a expectativa e a vontade de

que tudo saísse perfeito. Este ano, estava de fora, mais calma, mas com o coração a bater da mesma forma. É uma sensação difícil de explicar, já não fazemos parte da formatura, mas continuamos a sentir cada momento como se ainda lá estivéssemos.

Tudo me pareceu igual, e ao mesmo tempo completamente diferente. A marcha, o toque de caixa, nada mudou. Mas eu já via tudo com outros olhos. Já não era a aluna que contava os dias para a próxima cerimónia, era alguém que sabe o valor do que viveu e o privilégio que é poder voltar. O que antes era rotina, agora é memória.

No final, quando o Batalhão começou a desfilar, senti o mesmo arrepio de sempre. O som das botas, as vozes no comando. É nesses instantes que percebemos que ser Menino

ou Menina da Luz não é uma fase, é uma identidade. É algo que fica connosco para sempre, quer estejamos dentro do colégio ou cá fora.

Depois da cerimónia, ver os abraços, as fotografias, as famílias orgulhosas, fez-me lembrar de quando era eu ali. O tempo passou rápido demais, mas percebi que tudo o que vivi continua presente. A ligação, o respeito e o orgulho continuam intactos. E por mais anos que passem, sempre que voltar àquela Casa, vou sentir o mesmo conforto de quem regressa ao seu lugar.

Ser Antiga Aluna tem um peso diferente. Já não é o peso da farda, é o peso da responsabilidade de manter viva a história e o espírito da nossa nobre casa. É olhar para os mais novos e saber que, de alguma forma, também contribuí para que aquele dia exista.

O abraço do Comandante de Batalhão 319/2018

Gonçalo da Costa Ares, à Batalhãozinho 690/2025 Isabel Chen Shi

O Guião da AAACM
COLÉGIO

Ao longo da manhã fui reencontrando amigos, professores e oficiais. Cada cumprimento trazia consigo uma lembrança diferente. É curioso como o tempo passa, mas a forma como nos tratamos continua igual. Falámos das cerimónias, das noites sem dormir, das estórias que só quem viveu enten

Também percebi como o Colégio continua a crescer, sem perder aquilo que o define. Há rostos novos, pequenas mudanças, mas o espírito mantém-se o mesmo. Ver a dedicação dos atuais alunos, a forma como se preparam e se respeitam uns aos outros, dá esperança. É bom perceber que os valores que

Há sentimentos que não mudam, o orgulho, a admiração, o amor àquela Casa. Mudou apenas o ponto de vista. Desta vez, vi tudo de fora, mas o coração ficou exactamente no mesmo sítio.

ANTIGO ALUNO USA A BARRETINA

Carlota Maria Pires
Cerimónia de entrega de Medalhas e prémios

SONS DA “VELHA GUARDA” ANIVERSÁRIO DA AAACM

Odia 23 de Outubro é sempre uma data particularmente especial e incontornável para a AAACM, aniversário da sua fundação, no longínquo ano de 1903.

Celebraram-se assim, recentemente, 122 anos de existência da nossa Associação, que contou na comemoração desta efeméride com um significativo grupo de Antigos Alunos da “Velha Guarda”. Estiveram presentes 60 elementos dos 20 cursos que entraram no Colégio Militar, de 1946 a 1965, abrangendo um notável período da vida e história desta instituição, cujos valores, tradição e cultura continuam perpetuados por estes camaradas.

O Largo da Luz acolheu assim a visita de um nobre punhado de antigos “Ratas”, titulares dos seus legítimos lugares na família da “Velha

Guarda”, já que todos ingressaram e iniciaram o seu percurso no Colégio Militar há mais de 60 anos, salientando-se o facto de dois dos mais velhos, pertencerem ao curso de 1946. Por outras palavras estiveram representados, naquele dia, 20 anos repletos de história e de vivências inolvidáveis, ligados por

um laço inquebrável de camaradagem e salutar cumplicidade que une todos aqueles antigos “Ratas”, quaisquer que sejam os seus anos de referência. Muitos deles cruzaram e partilharam dentro das paredes do Colégio, experiências únicas que os moldaram para a vida adulta, cujo relato seria muito

Jorge Santos Pato 484/1966
GRAFONOLA DA ZACATRAZ
A “Velha Guarda” na escadaria do Palácio Mesquitela - Enferma

interessante apresentar, mas que não é viável transpor para estas linhas.

No entanto houve diversas ocorrências relevantes naqueles anos de acesso ao CM, que estes antigos “Ratas” ainda devem recordar e que vale a pena relembrar.

Em Julho de 1946, por exemplo, no frenesim que se sucedeu ao período da II Grande Guerra, tiveram lugar os testes nucleares desenvolvidos pelos EUA no Atol de Bikini, no Pacífico, desbravando assim o sombrio caminho para a Era Nuclear. Quatro dias depois daqueles testes, o desenhador de moda francês Louis Réard introduziu a versão mais ousada do fato de banho feminino, baptizando-o de Bikini. Este facto iria revolucionar progressivamente a moda nas praias e piscinas do mundo ocidental, fazendo aumentar significativamente a afluência masculina a esses locais…

Até final da década de 40 alguns factos históricos marcariam esses anos, como foram o início da “Cold War” (Guerra Fria) entre as duas maiores potências políticas e militares da época, (EUA e a União Soviética), o Plano Marshall, a independência do Estado de Israel, a criação da NATO, o estabelecimento do regime de Apartheid na África do Sul e a fundação da República Popular da China. Na década de 50 destacaram-se episódios inerentes à competição entre os EUA e a União Soviética pela conquista e domínio do Espaço, denominada “Space Race”, (que se iniciou com o lançamento, pelos russos, dos satélites Sputnik), o início da descolonização em África e na Ásia, a criação do Pacto de Varsóvia que definiu um Bloco da Europa Orien-

tal, liderado pela União Soviética, e o estabelecimento da Comunidade Económica Europeia.

Já no dealbar da década de 60 surgiu o início da Guerra Colonial nas províncias ultramarinas portuguesas em África, a qual se iria prolongar até meados da década seguinte.

No campo da música o intenso período de protagonismo do “rock and roll”, que dominou a década de 50, teve a sua quebra a partir do início da década de 60, influenciado negativamente pela mobilização militar de Elvis Presley, pelo trágico acidente aéreo (3/02/1959) que vitimou Buddy Holly, Ritchie Valens e “The Big Bopper”, e ainda pelo facto de grandes estrelas como Chuck Berry e Little Richard, verem as suas músicas caírem nas tabelas de vendas, substituídas pelas canções da “surf music”, dos conjuntos femininos (“girl groups”), pelos novos artistas da pop, e ainda pelo sucesso crescente da “Motown music”. Uma outra notável mudança emergente no panorama musical foi o revivalismo da música “Folk” americana, com as suas figuras de proa: Bob Dylan, Joan Baez, Pete Seeger, Odetta, Phil Ochs, entre outros.

A partir de meados dos anos 60, com a consolidação da música dos Beatles, surgiu a Beatlemania que iria alastrar pelo mundo fora, acompanhada por outros grupos britânicos, como os Rolling Stones, The Who, The Kinks, The Animals, The Hollies e The Bee Gees, ou sejam as chamadas bandas da “British Invasion”, que penetraram no mercado e na cultura americana, contribuindo para o nascimento e afirmação do chamado “Movi-

mento da Contracultura” que dominaria a década de 60, sobretudo a partir dos EUA, e ultrapassando assim a euforia da chamada “surf music”, encabeçada pelos icónicos Beach Boys, a qual teve o seu apogeu entre 1963 e 1965. No entanto, sendo a Grafonola uma rubrica cujo objectivo principal é o de promover e divulgar a música que nos acompanhou e que ouvimos nesta vida, a melhor homenagem que podemos fazer a estes ilustres membros da “Velha Guarda”, é justamente uma sucinta abordagem das músicas que maior relevância assumiram em cada um daqueles 20 anos.

Nesse período sucederam-se factos notáveis e marcantes para a indústria musical, incluindo o surgimento de muitas bandas e cantores relevantes para a história da música moderna, e a gravação/ edição de imensos discos. Daí que a difícil tarefa de eleger um lote de músicas ou canções representativas de cada um daqueles anos, pecaria por falta de consenso entre os apreciadores e ouvintes da época. Procurou-se, contudo, elaborar uma listagem que contivesse intérpretes cuja menção não fosse repetida ao longo dos 20 anos abrangidos (1946 a 1965) e aqui desfilados, já que de outro modo, nomes como o de Elvis Presley, por exemplo, surgiriam por diversas vezes nessa mesma lista.

Assim poderão descobrir e ouvir essas 20 músicas que foram carregadas na “playlist – Grafonola Zacatraz” das quais destacaremos duas mais adiante.

Depois de um período dramático que englobou os anos da Segunda

Guerra Mundial, a década de 40 não terminaria sem dois acontecimentos essenciais para o futuro e sustentabilidade da indústria discográfica: a introdução em 1948, pela Columbia Records, do LP, um disco de vinil de 33 1/3 rotações por minuto, com 12 polegadas, e a resposta da RCA no ano seguinte (1949), com o disco de 45 rpm, de 7 polegadas, normalmente designado como “single”, e que se tornaria a chave para o sucesso, em 1951, das famosas “jukeboxes”. O velho formato de 78 rpm tinha assim os dias contados.

No início da década de 50 uma considerável maioria da música produzida era da responsabilidade de artistas afro-americanos. Entretanto os músicos brancos da “pop music” começaram a lançar “covers” das canções anteriores, provenientes dos compositores de Rhythm & Blues, que começaram a entrar e subir nas tabelas de vendas.

A música popular americana era até então dominada pelos resquícios da era das “big bands”, que incluíam vocalistas reconhecidos, como Frank Sinatra, Doris Day, Frankie Lane, Nat King Cole,Tony Bennett e Perry Como, entre outros. Entretanto, em Cleveland, Ohio, o Disc-Jockey Alan Freed introduziu no seu programa misturas de temas de Rhythm & Blues, jazz e western swing, atraindo as audiências, quer da juventude branca, quer da negra, e apelidando o resultado dessa mescla de sons como “Rock and Roll”.

Em 1953 o músico Bill Haley e os seus Comets foram o primeiro grupo a entrar nas tabelas de “pop music”, com um tema típico

de “rock and roll”, a canção “Crazy Man Crazy”, precursora do seu subsequente estrondoso e icónico êxito de 1955, afinal, aquele que é considerado como o primeiro single de “rock and roll” a atingir o topo da tabela de vendas: a incontornável “Rock Around The Clock”.

Em 1956 Elvis Presley ocupou a posição cimeira das tabelas com o primeiro single da RCA, contendo a canção “Heartbreak Hotel”. No final desse ano Elvis tornou-se no primeiro artista de sempre a lograr ter 9 singles em simultâneo na tabela Hot 100, e o seu sucesso abriu a porta para ambos os artistas brancos e negros de “rock and roll”, pelo que este tipo de música passou a ser uma constante e a dominar as tabelas de vendas da música popular, conquistando, não só a juventude de todas as raças, mas também o público mais adulto.

Na passagem entre as décadas de 50 e 60 surgiu o fenómeno musical do “Twist”, que se tornou na dança dominante nos EUA, evoluindo como um estilo de dança também adoptado na Europa.

Entretanto a Motown tornou-se na maior editora de “soul music”, logrando obter uma integração racial de sucesso da música dos artistas afro-americanos no seio das audiências de raça branca. Alguns dos artistas mais representativos do som desta editora foram: The Temptations, Stevie Wonder, Marvin Gaye, The Miracles, The Supremes, The Four Tops e The Jackson Five. Outras importantes editoras, como a Stax e a Atlantic Records, começaram também a entrar nos tops com os seus artistas, nomeadamente através de

músicos como Aretha Franklin, Sam & Dave, Otis Redding, Wilson Pickett, James Brown e Isaac Hayes.

Não obstante esta diversificação musical o Jazz e o R&B mantinham o seu fiel público, através de artistas como Miles Davis, Ella Fitzgerald, Louis Armstrong, Duke Ellington, Ray Charles, The Platters, Fats Domino, Chuck Berry, B.B. King, etc.

A segunda metade da década de 60 iria, contudo, provocar mais alterações no cenário da música moderna do século XX, com o crescimento e consolidação da música rock, sobretudo através das suas vertentes “hard rock”, “garage rock”, “rock psicadélico” e “folk rock”.

Como tem sido habitual nas edições anteriores da Grafonola, seleccionámos 2 canções, interpretadas por um cantor e uma das bandas mais icónicos da música da segunda metade do século XX, respectivamente:

A canção “Heartbreak Hotel” foi gravada pelo músico norte-americano Elvis Presley, e lançada “Heartbreak Hotel ” - Elvis Presley (1956)

GRAFONOLA DA ZACATRAZ

como “single” em Janeiro de 1956, pela primeira vez na sua nova gravadora, a RCA Victor. A canção foi escrita por Tommy Durden e Mae Boren Axton, e tornou-se o primeiro disco de Elvis a vender um milhão de cópias, tendo sido também a primeira música escrita especialmente para o artista com o estilo “rockabilly”. Foi uma das músicas mais tocadas por Elvis em actuações ao vivo e foi alvo de inúmeros “covers” por parte de outros cantores.

A canção “She Loves You", da autoria dos Beatles foi escrita pela crónica dupla John Lennon e Paul McCartney, e editada em “single”, no Reino Unido, em Agosto de 1963, país no qual estabeleceu recordes de vendas nas tabelas. Nos EUA logrou ser uma das cinco canções da discografia dos Beatles que conseguiram ocupar simultaneamente as cinco primeiras posições das tabelas respectivas. Ainda hoje se destaca no Reino Unido como o “single” mais vendido da banda, e também o mais vendido naquele país por qualquer artista, durante a década de 60.

1946 Frank Sinatra “Five Minutes More”

1947 Perry Como “I Wonder Who’s Kissing Her Now”

1948 Nat King Cole “Nature Boy”

1949 Frankie Lane “That Lucky Old Sun”

1950 Fats Domino “The Fat Man”

1951 Johnnie Ray “Cry”

1952 Jo Stafford “You Belong To Me”

1953 Dean Martin “That’s Amore”

1954 The Chordettes “Mr. Sandman”

1955 Bill Harley & His Comets “Rock Around The Clock”

1956 Elvis Presley “Heartbreak Hotel”

1957 Paul Anka “Diana”

1958 The Everly Brothers “All I Have To Do Is Dream”

1959 Cliif Richards & The Shadows “Living Doll”

1960 Roy Orbison “Only The Lonely”

1961 Del Shannon “Runaway”

1962 Ray Charles “I Can’t Stop Loving You”

1963 The Beatles “She Loves You”

1964 The Animals “The House Of The Rising Sun”

1965 The Rolling Stones “(I Can’t Get No) Satisfaction”

Aceda aqui à PlayList Zacatraz.

“She Loves You” - The Beatles (1963)

Nuno Mira Vaz 277/1950

CIRCUITO HÍPICO DE PORTUGAL

Aprimeira – e única – Volta a Portugal a cavalo, foi uma iniciativa do Diário de Notícias e serviu de referência para o desenho, dois anos mais tarde, da primeira Volta a Portugal em bicicleta. A prova arrancou do antigo Jockey Club, em Lisboa, a 10 de Outubro de 1925. Partiram 39 cavaleiros, dos quais apenas três eram civis.

A prova foi seguida por uma população entusiasmada e teve como principais protagonistas um militar e um civil. Durante setenta etapas em vinte e cinco dias, num percurso de 1456 quilómetros, sob sol e sob chuva, umas vezes a pé e outras a cavalo montado, a rivalidade entre o capitão Rogério Tavares1 e o civil José Tanganho entusiasmou multidões. A história do homem modesto e desconhecido que ganhou aos militares e virou herói nacional foi cheia de peripécias, a última das quais uma grande bebedeira do cavalo Favorito que quase custou a vitória com a meta à vista.

José Tanganho partiu na frente, primeiro em dupla com Germano Rodrigues, um bombarralense que era outro dos civis a concurso. Chegaram a Faro quatro dias depois da partida de Lisboa. A partir daí, Tanganho ficou sozinho a disputar a liderança com dois militares,

1

HÁ CEM ANOS…

o Tenente Brandão de Brito e o Capitão Rogério Tavares. Cavalgando noite e dia, sob condições duríssimas, cavalos e cavaleiros arribaram à Covilhã na manhã de 20 de Outubro. O «pelotão» da frente era composto por José Tanganho e três capitães. Em 22 de Outubro, o civil é o segundo dos quatro a chegar a Bragança. A partir daqui serão só três porque o cavalo do Capitão Ramires adoeceu.

O trio continuou fugido de um pelotão cada vez mais disperso e desalinhado. Passou por Vila Real, Penafiel, Guimarães e foi recebido em Braga por 5000 pessoas no dia 27 de Outubro. Em Viana do Castelo, a 31 de Outubro, dos 39 participantes que saíram de Lisboa, só nove alinham para o tiro de partida. José Tanganho fica para trás. O seu Favorito teve vários “furos” e até à Invicta teve de ser ferrado quatro vezes. Mas a partir daqui Tanganho tornou-se imparável, percorrendo os 260 quilómetros entre Viana e Condeixa sem parar, durante um dia, uma noite e parte de um dia. Em Coimbra, no dia 1 de Novembro, Tanganho levava cinco horas de avanço. A cerca de 200 quilómetros de Lisboa tudo parecia fácil. Mas haveria surpresas.

Em Alcobaça, o “camisola amarela” da volta a cavalo demora-se mais do que o previsto na calorosa recepção de que foi alvo. E nas Caldas da Rainha, sua terra natal, onde chega no dia 2 de Novembro, torna a perder tempo. O Capitão Rogério Tavares, montado no Emir, encurta a distância e dispõe-se a lutar pelo título. Tanganho é ainda o primeiro em Rio Maior e também em Santarém, mas o pior sucede no Cartaxo. O comerciante António Rosa, proprietário do Favorito, faz festa rija e

2 No decurso

oferece a totalidade do champanhe consumido na vila durante a recepção ao cavaleiro. O Capitão Rogério Tavares aproxima-se. José Tanganho é ultrapassado. Num esforço extremo para cavalo e cavaleiro, o Capitão Rogério Tavares havia jurado alcançar o Favorito ou estoirar. E conseguiu-o. Será o primeiro a chegar a Lisboa no dia 4 de Novembro, com sete quilómetros de avanço sobre José Tanganho que cruza a meta a pé, com o cavalo pela brida, duas horas depois.

Infelizmente, o capitão não poupara o cavalo de forma a permitir-lhe participar nas provas a realizar no dia seguinte. Nessa noite, exausto pelo galope da última etapa, o Emir morre e o seu cavaleiro é desclassificado. No dia seguinte apenas três cavaleiros participaram nas provas finais do Jockey Club (trote e saltos de obstáculos): José Tanganho, Tenente Brandão de Brito e Capitão Óscar da Silva Pereira Dias (AA 63/1900), que ficaram em primeiro, segundo e terceiro lugar, respectivamente.

Para a posteridade ficaram algumas revelações do vencedor: “(…) Rompi três pares de botas. (…) Andava dez quilómetros a cavalo e vinte a pé, para o animal se aguentar. E percorria 100, 150 e até 250 quilómetros por dia, sem horário fixo (…).

Ao chegar a Vila Franca de Xira, o Favorito começou a fraquejar e houve quem me desse uma garrafa de vinho do Porto para o animal beber e arribar. O cavalo bebeu e passados alguns metros estava com uma grande bebedeira. E para ali vim eu, com o cavalo a curti-la. Tive de o trazer à mão e foi assim que o Capitão Rogério Tavares chegou a Lisboa à minha frente.”

No livro José Tanganho – o herói do povo que ganhou a Volta a Portugal a cavalo, Mário Lino informa-nos de que Tanganho era de origem modesta e seu pai tinha um negócio de aluguer de trens e galeras. O miúdo crescera a familiarizar-se com cavalos e acabaria a trabalhar para o então conhecido mestre de equitação Vitorino Fróis, que o aconselharia no treino do Favorito. Para se preparar para a Volta, José Tanganho levava o cavalo para a Foz do Arelho, saltava para uma das bateiras e remava pela lagoa enquanto o Favorito era obrigado a nadar e a seguir o barco com o objectivo de “ganhar pulmão”. Depois, para poder alargar os músculos, com os cascos enterrados na areia, cavalgavam juntos criando um binómio bem sincronizado.

Foto do Diário de Notícias

PROTOCOLO

Liga Portuguesa contra o Cancro e Instituto de Implantologia

Presentes na sociedade, dois Antigos Alunos dão rosto a um protocolo de Consultas gratuitas de saúde oral para doentes oncológicos que resultam de parceria entre LPCC-NRS e FMDUL.

Nova resposta no apoio ao doente com cancro, pretende melhorar a saúde oral e qualidade de vida durante e após os tratamentos.

A Liga Portuguesa Contra o Cancro – Núcleo Regional do Sul (LPCC-NRS) e a Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa (FMDUL) estabeleceram uma parceria que vai permitir oferecer consultas gratuitas de saúde oral aos doentes oncológicos com carência económica, em diferentes fases da doença –antes, durante e após os tratamentos.

O protocolo foi assinado pelo (AA 58/1977) Eng.º Francisco Cavaleiro Ferreira, presidente da LPCC-NRS, e pelo (AA 42/1972) Prof. Doutor João Caramês, director da FMDUL, e surge como resposta a uma necessidade real e muitas vezes negligenciada no percurso dos doentes com cancro.

Os tratamentos oncológicos, nomeadamente a quimioterapia e a radioterapia, podem provocar complicações significativas na cavidade oral. Estas alterações têm impacto directo não só na adesão e eficácia dos tratamentos, mas também na auto-estima, na nutrição e na vida social dos doentes.

“A saúde oral é uma parte essencial da saúde global e um factor determinante na qualidade de vida das pessoas com cancro. Com esta parceria, queremos garantir que estes doentes têm acesso aos cuidados especializados que merecem”, sublinha Francisco Cavaleiro Ferreira, presidente da LPCC-NRS.

As consultas serão asseguradas por uma equipa especializada da FMDUL, coordenada pelo Prof. Doutor João Caramês, uma referência internacional na área da medicina dentária, com mais de três décadas de experiência e autor de um sistema de classificação para reabilitação oral utilizado em todo o mundo.

Esta colaboração entre duas instituições de referência pretende alargar a resposta de apoio ao doente oncológico, reforçando o compromisso da LPCC-NRS em disponibilizar cuidados humanizados ao longo de todo o percurso da doença.

O agendamento das consultas pode ser feito através: Telefone 910 773 882 ou do e-mail apoiosocial.nrs@ ligacontracancro.pt Mais informações disponíveis em www.ligacontracancro.pt

AA João Caramês (42/1972) e AA Francisco Cavaleiro de Ferreira (58/1977)

SABERES E SABORES DO VINHO

REGIÃO RIBERA DEL DUERO

Após as incursões nos dois países maiores produtores de vinho do Mundo – a Itália e a França – é inevitável uma visita ao país com a maior área plantada de vinha do Mundo – a nossa vizinha Espanha. E dentro dela, a Ribera del Duero destaca-se como uma das regiões mais emblemáticas e prestigiadas, onde o vinho se confunde com a paisagem, a história e a alma castelhana. O rio Douro atravessa este território austero, conferindo-lhe nome, fertilidade e carácter, num ambiente de altitude e contrastes marcados que moldam o espírito dos seus vinhos.

A tradição vitivinícola da Ribera del Duero remonta a mais de dois milénios, com vestígios arqueológicos que comprovam a presença da vinha desde a época romana. Durante a Idade Média, os monges cistercienses desempenharam um papel

essencial na preservação e desenvolvimento das práticas agrícolas e enológicas. No século XIX, apesar dos estragos provocados pela filoxera, a cultura da vinha resistiu e renasceu com vigor. Em 1982, a região obteve o estatuto oficial de Denominação de Origem (DO), reconhecendo formalmente a singularidade dos seus vinhos e as condições que os tornam únicos. Desde então, a Ribera del Duero consolidou-se como um símbolo de excelência e modernidade no panorama vinícola espanhol e internacional, tornando-se uma das denominações mais admiradas do mundo.

Situada no planalto norte da Península Ibérica, a Ribera del Duero estende-se ao longo de cerca de cento e quinze quilómetros, desde San Esteban de Gormaz, a leste, até Quintanilla de Onésimo, a oeste,

abrangendo terras das províncias de Soria, Burgos, Segovia e Valladolid. O relevo é dominado por colinas suaves e vales largos, entre os setecentos e os mil metros de altitude. Esta orografia, aliada a solos heterogéneos – calcários, argilosos, arenosos e cascalhentos – origina uma multiplicidade de terroirs que se traduz numa grande diversidade de estilos e expressões de vinho. Os solos calcários e margosos das zonas mais altas produzem vinhos elegantes e minerais; os argilosos e arenosos, mais quentes, originam tintos de estrutura e concentração; e os terrenos aluviais próximos do rio conferem suavidade e equilíbrio.

O clima é rigoroso e contrastante. As amplitudes térmicas entre o dia e a noite são elevadas e o ciclo anual alterna entre verões curtos, secos e quentes, com temperaturas que fre-

quentemente ultrapassam os quarenta graus, e invernos longos e frios, em que os termómetros descem por vezes abaixo dos quinze negativos. A pluviosidade média anual situa-se entre quatrocentos e quinhentos milímetros, concentrando-se sobretudo na primavera e no outono. Este conjunto de condições extremas obriga a vinha a um esforço constante, originando uvas de grande concentração aromática e equilíbrio natural entre acidez e açúcar. O resultado são vinhos de estrutura robusta, frescura notável e enorme potencial de guarda, marcados por uma elegância que distingue a Ribera del Duero de outras regiões espanholas.

O mapa da Denominação de Origem Ribera del Duero revela a extensão e a riqueza deste território. O traçado do rio Duero liga as quatro províncias que compõem a D.O. –Burgos, Valladolid, Soria e Segovia

– e atravessa algumas das localidades mais emblemáticas da região, como Peñafiel, Aranda de Duero e Roa. A área conhecida como “Milla de Oro” - cerca de 15 km situados a oeste, entre Quintanilla de Onésimo e Peñafiel - concentra algumas das adegas mais prestigiadas do país, entre as quais se destacam Vega Sicilia, Domínio de Pingus e Pago de Carraovejas, emblemas da excelência vinícola espanhola.

A casta dominante é a Tempranillo, localmente designada Tinta del País ou Tinto Fino (e que se redenomina Tinta Roriz quando o rio se passa a chamar Douro), que representa cerca de noventa e cinco por cento da área plantada. Adaptando-se de forma exemplar às condições locais, dá origem a vinhos de cor intensa, aromas de frutos negros, notas balsâmicas e especiarias, taninos firmes

tintas, como Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec e Garnacha, são usadas em pequenas proporções, enriquecendo o perfil e complexidade dos vinhos.

Os vinhos da Ribera del Duero são classificados segundo o tempo de envelhecimento: os Joven, jovens e frutados, sem estágio em madeira; os Crianza, com dois anos de maturação, um dos quais em barrica; os Reserva, com três anos de envelhecimento; e os Gran Reserva, que apenas se produzem em anos excecionais, após longos estágios em madeira e garrafa. Comercialmente, tem sido utilizada uma nova categoria Roble que integra vinhos com três a seis meses de barrica, por vezes nove.

Hoje, a Denominação de Origem Ribera del Duero cobre uma área de cerca de vinte e sete mil hectares e

SABERES E SABORES DO VINHO
Mapa de Ribera del Duero

SABERES E SABORES DO VINHO

O autor, Confrade da Cofradia del Vino de la Ribera del Duero, na sua sede, no Castelo de Peñafiel

reúne trezentas e doze adegas registadas. Mais de noventa e cinco por cento desta produção é de vinho tinto, e cerca de trinta por cento destina-se à exportação. A região representa aproximadamente 2,9% da área total de vinha de Espanha e entre 2,7 e 3,0% da sua produção nacional.

O enoturismo é uma componente essencial da identidade da Ribera del Duero. As suas vinhas, os mosteiros medievais e as adegas subterrâneas, lado a lado com vinícolas de arquitetura moderna, criam um cenário irresistível. A Rota do Vinho Ribera del Duero, certificada como destino de enoturismo de qualidade, oferece

experiências que combinam provas comentadas, gastronomia regional – como o célebre cordeiro assado de Aranda de Duero – e alojamentos de charme entre vinhas. Peñafiel, com o seu castelo erguido sobre o vale, é o coração da chamada “Milla de Oro”, enquanto Aranda de Duero e Roa conservam o encanto das tradições e da hospitalidade local. Sugestões de visita neste contexto poderiam ser a inovadora e sustentável Bodega Emina, em Valbuena de Duero, a vanguardista Bodega Portia, em Gumiel de Izán ou a mais tradicional e monumental Bodega Abadia Retuerta, instalada num mosteiro do século XII em Sardón de Duero. Por seu lado, o Museu Provincial do Vinho, instalado no castelo de Peñafiel, é uma boa porta de entrada para quem deseja conhecer e compreender a relação profunda entre a paisagem, o clima e o vinho.

A gestão da Denominação cabe ao Consejo Regulador de la D.O. Ribera del Duero, organismo responsável pela certificação, promoção e defesa da origem e qualidade dos vinhos. O Conselho também promove iniciativas de sustentabilidade, incentivando a viticultura biológica e práticas de gestão racional da água e do solo. Um número crescente de produtores aposta em vinhos ecológicos e biodinâmicos, reforçando o compromisso da região com a preservação ambiental e a autenticidade.

Para quem deseja conhecer os sabores da Ribera del Duero sem sair de casa, um Crianza ou Reserva de produtores como Protos, Pago de Capellanes ou Arzuaga oferece uma introdução perfeita ao carácter da região. Tanto o Vega Sicilia Único (num estilo mais tradicional) como o Pingus (com perfil mais moder-

no) são verdadeiros ícones do vinho mundial, atingindo valores extremamente elevados. Para momentos especiais, sem arruinar a carteira, sugeriria então um Hacienda Monasterio ou um Aalto, ambos de perfil moderno. Várias lojas online espanholas dão ao transporte para Portugal o mesmo tratamento que para Espanha, tanto em termos de custo como de montantes mínimos para frete grátis.

ALGUNS DADOS ESTATÍSTICOS (CRDORD):

A área de vinha total da Região Demarcada de Ribera del Duero é de 26.647 hectares

A dimensão média das propriedades é de 5,3 hectares, e das parcelas de 0,41 hectare

Existem 5.047 viticultores na Ribera del Duero e 312 adegas

A produção anual foi de 670 mil hectolitros de vinho

A produção média por hectare foi de cerca de 25 hl, embora haja anos em que ultrapassa os 40 hl

2ª Região Demarcada de Espanha que mais vinho vende no mercado espanhol (14,1%)

Cerca de 30% da produção é exportada, sobretudo para os mercados do Reino Unido, EUA, Alemanha e Suiça

Extensão total da D.O.: 115 km (Quintanilla de Onésimo – San Esteban de Ormaz)

Manuel Silva e Sousa 356/1948

COMO SE PODE PASSAR

DO ESPETÁCULO PARA A METÁFORA

Há pessoas que gostam de corridas de toiros e pessoas que não gostam. São gostos e, como tal, não se discutem. Mas há factos que se passaram, foram vividos e, sem qualquer apreciação crítica sobre a “festa brava”, aqui se relatam.

Pelos acasos da vida encontrei-me, em certa altura, muito ligado ao mundo dos toiros. Para além de outras circunstâncias, também a ele estive ligado pela minha profissão de médico. Assim, pude avaliar e analisar, com proximidade, muita riqueza de comportamentos humanos, acompanhar enormes emoções e, naturalmente, estar preparado para resolver alguma traumatologia.

Há vários Antigos Alunos do Colégio que foram e outros que são forcados. Meu caro Luís, (refiro-me ao Luís Gonzaga Mendes de Almeida

285/1948, Comandante de Batalhão, do meu curso) conheceste bem alguns e, portanto, podes confirmar que não estou a mentir.

Pois numa noite, numa grande praça a abarrotar de público, muitos portugueses e muitos estrangeiros, havia um concurso de ganadarias. A festa prometia. Nestes casos, como é natural, na busca do prémio, os ganadeiros escolhem os toiros que, pelo trabalho no campo e pelo seu perfil genético, acreditam possam demonstrar maior bravura. Estes, em especial, são alimentados com esmero para que, além da bravura, venham a possuir a melhor apresentação. Geralmente são muito arrobados e, conforme o seu grau de bravura, podem ser um grande problema para os forcados. Às vezes os mais mansos, que não se desgastam a correr atrás do cavalo, tornam as pegas mais difíceis por se encontrarem mais folgados.

Numa das intervenções, nesta praça de grande exigência, um conceituado grupo de forcados não estava a ter uma boa noite. Nenhuma das pegas foi à primeira e, em cada uma das tentativas, os toiros já tinham feito muitos estragos. Não faltou trabalho na Enfermaria.

Naquela vez, após o toque para a pega, cheios de pundonor e impulsionados por orgulho ferido, mãos nas tábuas, impulso e o grupo dentro da arena.

Mais uma vez foi derrota sobre derrota e forcados bem marcados, com o pó da arena a esconder os desenhos da vestimenta. Resultado: mais baixas e muito trabalho para os médicos da praça. Já não havia grupo completo e, perante o descalabro, o director da corrida mandou recolher o toiro. Foi prudente. Fez bem…

DO MÉDICO

Quem não aceitou a decisão foi o cabo. De repente diz para os cinco elementos do grupo que, escalavrados, ainda restavam na praça:

- Eh rapaziada! Vamos lá alegrar a cara e vamos pegar o toiro.

E os seis, uns mancando outros com roupas rasgadas, olhos brilhantes, coração taquicárdico, alma prenhe de determinação, alinharam, citaram o toiro e fizeram uma excelente pega.

Não foram eles que ganharam o concurso, mas outro grupo onde um dos membros era Antigo Aluno. Decisão justa como foi unanimemente reconhecido.

E pergunto eu, com uma experiência de vida já longa:

- Quantas vezes ao longo da vida, para vencer as dificuldades que inevitavelmente se nos vão apresentando não temos que alegrar a cara e enfrentar os “touros” que surgem no nosso caminho?

É difícil. Mas dos fracos não reza a história.

Por paralelismo, lembrei-me da educação e da formação que no Colégio nos é dada. Resiliência, coragem, espírito de sacrifício, autodomínio, camaradagem, entreajuda, uma grande determinação e opti-

mismo são, neste episódio, figuras dessa formação e enriquecimento da personalidade. E a mais elementar evidência sabe que são qualidades essenciais para enfrentar os altos e baixos da vida e alcançar o sucesso pessoal e profissional.

Não se trata de uma ambição excessiva ou presunçosa, mas do desenvolvimento das capacidades com que cada um nasceu e que lhe permitem materializar o nosso lema: SERVIR.

E lembro-me de um artigo do nosso graduado, no ano de entrada no Colégio, João Manuel Luís de Sequeira, 70/1942, publicado no “Zacatraz” nº 232, pg.35 que assim termina: “Esta medição de forças, as vitórias e as derrotas, o esforço, o desembaraço, a destreza, o vencer medos e temores, e até o desenvolvimento da combatividade, faziam parte do quadro de crescimento da miudagem do nosso tempo, no Colégio Militar e ajudavam também à formação do nosso carácter leal e generoso, pois não se usava a exploração dos vencidos”

Uma

Alunos do Colégio Militar na habitual garraiada
pega de caras por alunos do Colégio Militar

António Prazeres de Castilho 147/1948

A VIAGEM DO ALLEGRO

CAPE TOWN 3

Como já foi dito no Zacatraz anterior, a descrição da nossa estadia em Cape Town ocupará necessariamente mais que um artigo da nossa revista –atendendo ao número de dias que estivemos nesta cidade, e, ao vastíssimo programa que preparámos para nossa longa estadia.

Cape Town é uma das cidades mais interessantes e atrativas que conheço, não só pela sua beleza, mas também pela combinação harmoniosa da sua arquitetura, emoldurada entre as suas agradáveis praias e a excelente e bem conhecida Table Mountain.

A Anne Marie chegou no dia 15 de Dezembro e a minha Filha Maria João chega hoje dia 18, vinda de Moçambique, Pemba, onde está a trabalhar. A presença das duas é realmente a melhor prenda deste Natal. Ficámos instalados no City Lodge Hotel, na Water Front, bem perto da marina.

Iniciámos o programa a três, com a visita à Table Mountain, bem conhecida pela numerosa colónia portuguesa: Montanha da Mesa. Esta linha de alturas limita a cidade pelo lado Sul, formando um maciço gigantesco de pedra, escarpado e abrupto - um verdadeiro e descomunal miradouro natural, pois domina por completo Cape Town, oferecendo uma vista deslumbrante da cidade e do litoral atlântico que a rodeia.

É um autêntico e original cartão de visita da cidade, uma atração

VOLTA AO MUNDO NUM BARCO À VELA
Cidade do Cabo

e um destino turístico imperdível, oferecendo uma experiência única e memorável. Possui um património e uma riqueza incalculável nos setores da fauna e flora, abrigando o Parque Nacional Table Mountain - sendo Património Mundial, pela Unesco.

O acesso a Table Mountain é comodamente feito por um imenso teleférico, como foi o nosso caso, aproveitando a viagem para desfrutar de uma paisagem única - só de helicóptero seria melhor! As condições meteorológicas lo-

cais e um fenómeno climatérico interessante, proporciona a formação de nuvens muito densas, de cor branca, cobrindo o topo da montanha e deslizando um pouco para a escarpa. Nestas condições e com este aspeto os habitantes da Cidade do Cabo dizem: A montanha está com Toalha de Mesa ou Table Cloth, para os sul africanos.

Pelos prospetos de propaganda que encontrámos no Gabinete de Turismo ficámos a saber, entre outras coisas, que a montanha tem mais

de 1000 metros de altura e o acesso pode ser feito também por trilhos com diferentes graus de dificuldade, de acordo com a preparação física dos caminhantes. Para os mais radicais encontram-se locais para a prática de escaladas e rapel.

No dia 21 de dezembro, resolvemos fazer um passeio utilizando o autocarro da linha - circuito azul. É uma forma prática e agradável de conhecer os arredores de Cape Town, privando com locais de interesse turístico muito bonitos, como

Verdadeiro Miradoiro
Fauna e flora locais. Exemplar dos famosos Damão do Cabo
Outra vista da cidade
Teleférico

Camps Bay, Sea Point e o lindíssimo Jardim Botânico Kirstenbosch

Camps Bay e Sea Point são pequenos centros urbanos, pertíssimo do centro, a SW e W da cidade, famosos pelas suas atraentes praias. Uma e outra têm um mar, uma areia e uma avenida marginal que fazem as delícias dos habitantes de Cape Town e fizeram também as nossas.

O Jardim Botânico é um ponto da cidade a visitar, zona impecavelmente cuidada, onde se podem

encontrar plantas, zonas verdes, cursos de água e lagos. Com tempo e descontração, passámos um lindo e enriquecedor dia – um verdadeiro encontro com arte e natureza.

À vista disto, fomos surpreendidos com uma autêntica e original exposição de escultura ao ar livre. É uma coleção de estatuária em estilo africano, colocada e bem enquadrada por zonas verdes e canteiros floridos. Não resisti em publicar uma pequena reportagem desta enormíssima mostra.

No fim do dia, aproveitámos para ir com a minha filha Maria João ao Allegro apresenta-la à Manuela e ao Luís bem como aos nossos amigos dos outros veleiros, pois estava já programada uma festa para o Natal.

“Palavras leva-as o vento”, mas as escritas ficam grudadas ao papel - lá terei de escrever o Cape Town 4 !!!!….

E SIGA A MARINHA…

A montanha está com Toalha de Mesa
Praia perto de Cape Town

20 ANOS DO NÚCLEO DA FEITORIA

CERIMÓNIA DE CELEBRAÇÃO

Celebrámos no passado dia 10 de Setembro 2025, a passagem dos vinte anos de existência do Nú cleo da Feitoria, de Antigos Alunos do nosso Colégio Militar.

A cerimónia ocorreu na Feitoria do CM em Oeiras, com as presenças da Direcção do Colégio Militar e do Presidente da AAACM, que muito nos honraram com a sua participação. Muitas dezenas de Antigos Alunos associaram-se a esta cerimónia a qual, em bora simples, foi bem significativa do apreço e valor atribuídos à existência e actividade desenvolvida por este Núcleo da Feitoria. As palavras proferidas pelo Director do Colégio e pelo Presidente da Asso ciação testemunharam de forma sucinta, mas muito expressiva a relevância reconhecida da missão a que se propôs e tem vindo a desempenhar este Núcleo da Feitoria, qual seja a de ajudar a manter bem viva a chama da camaradagem colegial que nos foi ensinada nos tempos de alunos e nos move e congrega hoje na vida, pela condição de Antigos Alunos.

Instituído em 13 de Setembro de 2005, no Colégio Militar, na presença da sua Direcção, bem como do então Presidente da AAACM, José Garcia Leandro

(94/1950), o Núcleo da Feitoria revelou-se desde a sua fundação como referência de coesão e camaradagem entre gerações, tendo merecido a atribuição em 2007 de um Prémio Barretina. Como delegação da AAACM, o Núcleo da Feitoria, beneficia do estatuto concedido à AAACM, no âmbito dum protocolo com o CM, para a realização dos seus eventos na Feitoria. Com empenho e dedicação o Núcleo tem exercido uma acção profícua visando a vivência do "espírito colegial", na promoção de iniciativas como a celebração na Feitoria, da cerimónia do Acender da Chama Colegial no aniversário do CM, e a concretização, muito participada, do convívio mensal em torno do "amarelo de carne, caldo verde e arroz doce".

As tarefas de instalação e gestão do Núcleo da Feitoria foram inicialmente asseguradas por uma comissão instaladora constituída por:

Diogo Batista Coelho (343/1947), Eduardo N. Rodrigues (278/1947, ¨*¨), Pedro Lagido (330/1947), António S. Silva (149/1948), M. Barão da Cunha (50/1948), Pereira da Rosa (280/1949, ¨*¨ ) e Rui Ortigão Neves (190/1951). (¨*¨, entretanto falecidos)

A continuidade da gestão do Núcleo foi sendo assegurada por comissões diversas cuja coordenação geral foi assumida até 2023 por um dos seus fundadores, o M. Barão da Cunha (150/1948), que temos a ventura de continuar a conviver activamente entre nós.

A tarefa de coordenação geral do Núcleo passou desde então a ser generosamente abraçada pelo António Damião (236/1959).

A cerimónia de celebração da efeméride aqui assinalada incluiu o descerrar de uma placa alusiva do Núcleo da Feitoria, em que se homenageiam os seus fundadores entretanto falecidos. No final foi lançado um ZACATRAZ em memória dos que partiram e incentivo aos que permanecem.

Seguiu-se o já tradicional almoço de "Amarelo" que, desta vez, teve uma participação recorde de 80 convivas, no limite da capacidade do espaço disponível.

Descerrar da placa alusiva à data
Presenças de AA de diversas gerações e cursos
DA VIDA DA AAACM

Luís Ferreira Barbosa 71/1957

A BANDEIRA DE HONRA DO EXÉRCITO PORTUGUÊS

Um livro, de que me tenho socorrido para a elaboração de alguns dos meus artigos na ZacatraZ, intitula-se "Família Real - Uniformes", obra do Dr. Pedro Soares Branco, justamente reconhecido como a maior autoridade em uniformes do nosso Exército. Os trabalhos por si publicados, testemunham-no amplamente.

Na parte final da citada obra, pode-se observar uma fotografia, mais do que centenária, de uma cerimónia militar evocativa da Batalha do Buçaco. A legenda da fotografia remete-nos para as comemorações do 1.º centenário da Batalha do Buçaco, que tiveram lugar, em 27 de Setembro de 1910.

A Batalha do Buçaco, foi ferida no dia 27 de Setembro de 1810, no decurso da 3.ª invasão francesa, comandada pelo Marechal Massena, conhecido então, em França, como «O filho dilecto da Victória». A seguir à legenda da foto, indica-se que se trata do Rei D. Manuel II, em uniforme de Mare-

chal General, empunhando a «Bandeira de Honra do Exército Português» ou «Bandeira do Centenário da Guerra Peninsular». Indica ainda o texto que a bandeira foi usada uma única vez, naquela ocasião, estando conservada no Museu Militar de Lisboa.

Esta fotografia despertou a minha curiosidade, por várias razões. Passadas duas semanas sobre a cerimónia fotografada, eclodiu a República e o Rei D. Manuel II embarcou para o exílio, na praia dos pescadores na Ericeira. A cerimónia do Buçaco foi a última cerimónia militar presidida pelo Rei D. Manuel II. Levado pela curiosidade, contactei o Museu Militar de Lisboa. Obtive a informação que a bandeira em causa está aí depositada e exposta, podendo ser observada na sala dedicada à Guerra Peninsular. Para além desta informação, tiveram a amabilidade de me enviar a foto da bandeira que aqui se reproduz. Na posse da informação facultada, decidi observar a bandeira no próprio

1º Centenário da evocação da Batalha do Buçaco

museu. Esta observação forneceu informação complementar muito interessante, que aqui partilho.

A Bandeira de Honra do Exército Português foi instituída pela Ordem do Exército (1.ª Série) de 27 de Setembro de 1910, dia da sua apresentação úni-

ca, no Buçaco. A bandeira destinava-se a passar pelas Unidades mais envolvidas na Guerra Peninsular, até ao ano de 1914. Daí por diante, seria atribuída, como reconhecimento de mérito da Unidade que mais se distinguisse. A bandeira seria unicamente mostrada em grandes paradas e solenidades militares.

Como se pode observar na foto da bandeira, ostenta a mesma as cores nacionais da Monarquia (azul e branco), as armas nacionais encimadas pela coroa da Monarquia, e a legenda camoniana «E julgareis qual é mais excelente se ser do mundo rei se de tal gente». A bandeira tem ainda, inscritos a ouro, os nomes das batalhas mais notáveis da Guerra Peninsular, em que combateram tropas portuguesas.

VIMIEIRO, BUÇACO, FUENTES DE ONÕRO, ALBUERA, CIUDAD RODRIGO, BADAJOZ e SALAMANCA.

Para além destas, houve mais batalhas em que as tropas portuguesas do exército luso-britânico se distinguiram, tendo atravessado toda a Espanha, entrado em França e combatido até a guerra terminar. A 20 de Março

de 1814, os franceses foram batidos em Tarbes e retiraram para Toulouse. A 10 de Abril o general Wellesley atacou Toulouse, sem saber que dias antes, a 6 de Abril, Napoleão já abdicara em Paris. A 12 de Abril, Toulouse foi abandonada pelas tropas francesas. A 16 de Abril é assinado um armistício. A 24 de Abril foi assinada a Convenção de Carcassone, que pôs fim à Guerra Peninsular. Os soldados portugueses do exército anglo-luso, que sobreviveram à longa guerra, regressaram a Portugal, pelas Beiras e por Trás-os-Montes, em Agosto de 1814.

Assinala-se, ainda que a Bandeira de Honra ostenta o laço da Ordem da Torre Espada, de Valor, Lealdade e Mérito.

Cremos que a bandeira, após a cerimónia do Buçaco, terá sido entregue à guarda do Batalhão de Caçadores 3, o Batalhão de Caçadores de Trás-os-Montes. Com o advento da República, a 5 de Outubro de 1910, a bandeira recolheu ao Museu Militar, onde se encontra desde então.

A Batalha do Buçaco é de particular interesse para o Colégio e para a comunidade colegial, por aí ter caído em combate o primeiro Antigo Aluno do Colégio que deu a sua vida pela Pátria. Alferes Luís das Neves Franco , do Batalhão de Caçadores 4, nascido em 1789 e admitido no Colégio no ano de 1803, juntamente com seu irmão Joaquim das Neves Franco.

Para além de Luís das Neves Franco, houve mais quatro Antigos Alunos do Colégio que tombaram no decurso da Guerra Peninsular. Foram eles: - Capitão António Pedro Nolasco Pinto (S/N 1803)

Morto na Batalha de Arapilles (Salamanca), em Espanha, em Julho de 1812.

- Alferes Júlio César Augusto (S/N "ano desconhecido" ). Morto em consequência de ferimentos recebidos no combate de Zaragamendi, em Espanha, em Agosto de 1813.

- Alferes Valentim du Forest (S/N 1803)

Morto na batalha de Nivelle, em França, em Novembro de 1813.

- Alferes José Maria Mascarenhas Valdez (S/N 180?)

Gravemente ferido na tomada da praça-forte de S. Sebastian, no País Basco, em Agosto de 1813. Morto em combate, em Janeiro de 1814.

Concluímos assim, que a Bandeira de Honra do Exército Português, que homenageia os nossos soldados caídos em combate na Guerra Peninsular, tem uma forte ligação ao nosso Colégio, fruto do denodo e do amor à Pátria dos seus Antigos Alunos. No décimo ano da sua existência, o Colégio dava já testemunho do seu valor, com o sacrifício da vida, ao serviço da Pátria, de cinco dos seus filhos.

«E julgareis qual é mais excelente, se ser do mundo Rei se de tal gente».

NOTAS FINAIS:

No dia 27 de Setembro de 1910, para além da apresentação da Bandeira de Honra, procedeu-se à inauguração do Museu Militar do Buçaco, no lugar de Almas do Encarnadouro, na Serra do Buçaco.

A ZacatraZ agradece ao Museu Militar de Lisboa a sua colaboração.

Luis Filipe Barbosa (71/1957)

Bandeira de Honra do Exército Português ou Bandeira do Centenário da Guerra Peninsular Acervo do Museu Militar de Lisboa

ARTE EQUESTRE EM PORTUGAL

No passado dia 8 de Setembro, realizou-se em Lisboa, no Auditório do Museu dos Coches, por feliz iniciativa da revista EQUITAÇÃO, uma reunião subordinada ao tema «Arte Equestre em Portugal – Património Mundial da Humanidade: e agora?». A revista EQUITAÇÃO, terá querido, com esta oportuna reunião, «agitar as águas» e não deixar as pessoas adormecer sobre os louros conquistados.

No final de 2024, Portugal teve a honra de ver incluída no inventário mundial de Património Cultural Imaterial da UNESCO, a designada «Arte Equestre em Portugal». A decisão foi tomada, a 3 de Dezembro, na 19.ª sessão do Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, efectuada no Paraguai.

O reconhecimento pela UNESCO da singularidade da arte portuguesa de montar a cavalo, resultou do trabalho conjunto de três entidades: a Associação Portuguesa de Criadores do Cavalo Puro-Sangue Lusitano (APSL), a Parques de Sintra, gestora da Escola Portuguesa de Arte Equestre, e o município da Golegã. Foram 9 anos de trabalho, que passaram

por um primeiro reconhecimento a nível nacional, em 2021.

A história de Portugal esteve desde sempre ligada à história da sua cavalaria, sem menosprezo pela infantaria, que em Aljubarrota teve um papel crucial. Aí, se alcançou uma vitória improvável, que garantiu a independência de Portugal.

Naquela época, a importância da cavalaria era tal, que levou o nosso Rei D. Duarte a escrever o tratado «Ensinança de Bem Cavalgar a toda a Sela». Seguiram-se outros livros relativos à arte equestre nacional, até ao ano de 1790, em que Manuel Carlos d`Andrade escreveu «A Luz da Liberal e Nobre Arte da Cavallaria», obra profusamente ilustrada, baseada nos ensinamentos do Estribeiro Mor do reino, o 4.º Marquês de Marialva. Esta arte ainda hoje se designa por «A arte de Marialva». Foi preservada, entre outros, pelos cavaleiros tauromáquicos, que, por precaução, não foram focados na candidatura de Portugal à UNESCO, para evitar um possível «tropeção» nalgum preconceito relativo à tauromaquia.

Em 1748, foi criada a Coudelaria de Alter, para fornecer cavalos para a casa real e para o trabalho de picadei-

Cavaleira da Reprise de Mafra e sua montada (Foto do Jornal do Exército n.º 737)

ro da então designada «Picaria Real», que atingiu o auge da sua actividade no início do século XIX, antes das invasões francesas. Regressada a família real do Brasil, a «Picaria Real» não recuperou a sua importância passada, sendo extinta no final do século XIX. Passados mais de três quartos de século, em 1979, foi fundada a Escola Portuguesa de Arte Equestre, com o propósito de recriar a «Picaria Real». Tal propósito foi alcançado, o que permitiu o reconhecimento da UNESCO, que aqui sublinhamos.

Para que esta recriação tivesse sido possível, alguém teve de manter viva a «chama» da nossa equitação. Esse alguém foi o Exército Português, através da sua Escola de Equitação Militar, em Mafra, que se tornou no «farol» do meio hípico nacional. É nosso dever recordar a existência e o labor da «Escola de Mafra». Muitos Antigos Alunos do Colégio se formaram nesta escola como instrutores ou como mestres de equitação. Daí saíram para formar inúmeros cavaleiros, que se distinguiram, a nível nacional e internacional, e até como cavaleiros olímpicos.

De 1840 a 1851, esteve instalada em Mafra, fazendo uso das cavalariças reais aí existentes, a designada Coudelaria de Mafra, que complementava as Reais Manadas de Alter do Chão.

Em 1902, foi publicado o regulamento de remonta. Em 1908, instalou-se em Mafra o Depósito de Remonta do Exército. Em 5 de Outubro de 1910, foi implantada a República, sendo arrestados, de seguida, os bens da coroa.

Em Maio de 1911, a primeira organização do Exército Português do tempo da República determinou a integração da Coudelaria de Alter no Ministério da Guerra, com a designação Coudelaria Militar de Alter do Chão. Deixou então de se usar a coroa real no ferro da coudelaria. Em Agosto de 1911, foi publicado um novo regulamento de remonta, para substituir o regulamento de 1902, e foi criado o Depósito de Remonta e Garanhões, em Mafra.

Em Julho de 1930, foi estabelecido um novo regulamento para o Serviço de Remonta Geral do Exército.

A Coudelaria Militar de Alter manteve-se, foram criados dois potris e

admitia-se a existência de depósitos de garanhões, quando necessários. No ano seguinte, foi criado um único depósito de garanhões, em Mafra. Com a «reforma do Exército de 1937» o depósito de Mafra passou a Depósito de Remonta, tendo sido cedidos à Coudelaria Nacional na Fonte Boa (Santarém) os garanhões existentes.

Em 1942, a Coudelaria de Alter, após 30 anos no Ministério da Guerra, transitou para Direcção Geral dos Serviços Pecuários, do Ministério da Economia. Anteriormente o ferro da coudelaria tinha voltado a incluir a coroa real.

Em Dezembro de 1942, foi publicada novo regulamento do Depósito de Remonta, que transferia para Mafra a instrução equestre especial, até então ministrada na Escola Prática de Cavalaria, em Torres Novas. A transferência só se consumou no final da década.

Na década de 40, decidiu o Ministério da Guerra adoptar na equitação militar, a doutrina Danloux, praticada nas escolas militares francesas. Para o estudo e prática da mesma, seguiram para França dois reputados mestres de equitação, o Capitão Fernando Pais, da Remonta de Mafra, e o Capitão Reymão Nogueira, da Escola de Guerra. Em 1946/7, estagiaram na Escola Militar de Equitação de Fontainebleau e na Escola de Aplicação de Cavalaria de Saumur. Nesta última participaram na primeira apresentação pública posterior à 2.ª Guerra Mundial do seu célebre «Cadre Noir» e receberam o bastão e as correspondentes esporas de ouro, reservados aos mestres nela formados. Adoptada uma doutrina e havendo cavalos e infraestruturas ade-

quadas para treino, estabulação e tratamento dos mesmos, estavam reunidas as condições para a formação da «Reprise» de Mafra. A sua primeira exibição ocorreu no ano de 1949, durante a visita a Portugal do Generalíssimo Franco, o «caudillo» de Espanha.

Em 1950, o Depósito de Remonta de Mafra deu lugar à Escola Militar de Equitação, que desempenhou um papel notável no nosso meio hípico. Nela se formou uma geração de ouro dos nossos cavaleiros militares, que obteve um sem número de vitórias em competições equestres nacionais e internacionais. Em 1956, os cursos de equitação da Escola de Mafra foram abertos a cavaleiros civis. Concluído esse primeiro curso por dois cavaleiros civis, a Federação Equestre Portuguesa reconheceu de imediato a sua validade. Foi o reconhecimento do mérito do ensino ministrado na Escola Militar de Equitação de Mafra.

No ano de 1957, a Escola Militar de Equitação, recebeu a nova designação de Centro Militar de Educação Física, Equitação e Desportos (CMEFED), por inclusão na Unidade da Secção de Educação Física Militar, que funcionava até então na Escola Prática de Infantaria, aquartelada no vizinho Convento de Mafra. A Escola de Mafra prosseguiu a sua actividade, independentemente da sua designação.

Em Junho de 1960, a «Reprise» de Mafra , chefiada por Henrique Calado, fez uma memorável apresentação em Lisboa, na nave principal da Feira das Indústrias, em Alcântara. Ninguém imaginava então, que a sua próxima exibição pública se iria dar 15 anos mais tarde.

Em 1961 começou a Guerra do Ultramar e a mobilização maciça dos oficiais do Exército para a mesma, o que interrompeu as apresentações da «Reprise» de Mafra, mas não a actividade da Escola, embora com naturais limitações.

Concluída a Guerra do Ultramar e ainda no decurso do ano de 1975, de grande instabilidade política, a «Reprise» da Escola de Mafra renasceu das cinzas e voltou a exibir-se, no dia 19 de Junho, por ocasião da visita a Portugal de uma missão militar romena. O grande obreiro deste «renascimento» foi o Coronel Jorge Matias (459/1934) cavaleiro de elevado mérito, grande pedagogo e notável comunicador.

De regresso à normalidade, a actividade da Escola de Mafra prosseguiu, mas com as limitações decorrentes do «garrote financeiro» imposto

às Forças Armadas, que conduziu à sua subalternização. A «Reprise» da Escola de Mafra sofreu na carne as limitações impostas.

A continuada redução de pessoal tornou problemática a selecção de cavaleiros para a «Reprise». Teve de se diminuir o número dos seus componentes e teve de se recorrer a cavaleiros voluntários, colocados em unidades e órgãos militares de Lisboa, que, com sacrifício dos seus tempos livres, se deslocavam a Mafra para os treinos da «Reprise».

A aquisição de cavalos, cada vez mais dispendiosos, criou naturais dificuldades para a manutenção do efectivo das montadas. Valeu nestas circunstâncias, em Junho de 1999, a celebração de um protocolo entre o Serviço Nacional Coudélico e o Exército Português com vista à selecção de cavalos de Puro San-

gue Lusitano, através da «Reprise» da Escola de Mafra, para posterior aprovação como garanhões. Este protocolo foi providencial. A apresentação da «Reprise» da Escola de Mafra, em El Jadida, Marrocos, em Outubro de 2012, com os seus Puros Sangue Lusitanos, foi testemunho eloquente do acerto da medida tomada.

Estamos assim todos de parabéns, pelo reconhecimento da Arte Equestre em Portugal como parte do Património Imaterial da Humanidade. Não esquecemos os cavaleiros militares portugueses, que contribuíram com o seu labor e, quando necessário, com o seu sacrifício, para que aquele reconhecimento fosse agora possível.

NOTA FINAL:

O presente artigo baseou-se no artigo «Arte Equestre de Portugal para o Mundo», de João Pedro Rodrigues, na revista Equitação Magazine, n.º 171, de Janeiro/Fevereiro de 2025, e no livro «De Depósito de Remonta e Garanhões ao Centro Militar de Educação Física e Desportos. 100 anos de Formação de Equitação e de Educação Física Militar», Edição do CMEFD, de Novembro de 2012.

Luis Filipe Barbosa (71/1957)

Fernando Santos Costa (118/1993)

Cartaz do Evento

António Damião 236/1959

PARA MEMÓRIA FUTURA

A24 de Abril de 2020, o curso de 59 tinha programado a visita ao Colégio para comemorar os 60 anos de entrada na segunda mais velha instituição do país (mais antiga só a Universidade de Coimbra), mas as circunstâncias levaram a adiar o nosso reencontro para o dia em que for possível o regresso ao convívio normal.

Mas é importante aproveitar a ocasião para assinalar três marcos deixados pelo curso de 1959, que viu as suas iniciativas, na altura ousadas, serem prosseguidas por aqueles que nos foram sucedendo, com a esperança que perdurem no tempo, como tantas outras situações vividas por quem o frequentou.

A RÉCITA

Reza a tradição que, no final do século XIX, início do século XX, o sexto ano fazia a Récita e o sétimo o Baile de Finalistas.

A primeira tinha deixado de ser feita e o segundo mantinha-se tendo por palco o ginásio por altura das férias do Carnaval.

Em conversa surgiu a ideia de recuperarmos a récita e lançámos mão à obra, sem saber muito bem se havia ou não possibilidade de concretizá-la.

Como sempre as boas vontades surgiram, houve quem escrevesse os textos, quem ajudasse na construção dos cenários e acabámos por levá-la à cena no Teatro D. Luís, só para alunos, oficiais, professores, pessoal do CM e familiares.

Um dos maiores sucessos foi a imitação que o José Bravo Ferreira (204/1959) fez do Pina Lopes, nosso professor de desenho, no sexto e sétimo ano, que mostrou uma enorme satisfação pelo “boneco” que o “Zé” tinha construído e passou o quadro a dizer à mulher: «este sou eu! Este sou eu!».

Hoje em dia, no novo Auditório, as récitas são presenciadas, também, por familiares e amigos e têm mais de uma sessão, o que nos deixa satisfeitos por a termos recuperado, só nos faltando lá colocar a placa para assinalar o acontecimento.

Numa das revistas da Associação, o nosso historiador, Costa Matos, fez um artigo sobre a história da récita e “olvidou” a nossa actuação.

Quando lhe perguntei a razão disse-me que «nos arquivos do Colégio não há nenhuma referência à sua realização».

Sendo impossível recuperar os textos, fica o registo da sua exibição.

O BAILE DE FINALISTAS

No nosso sétimo ano, por altura do Carnaval o ginásio estava em obras, o que tornou inviável a realização do Baile de Finalistas.

Alguém sugeriu que o mesmo tivesse lugar nos Claustros, ideia aceite por quem decidia, e lá fomos descobrir maneira de o arranjar, tanto mais que a parede da nova área da Secção Administrativa tinha sido picada e estava a ser reparada.

Para tapar os “estragos” foi colocada uma serapilheira coberta com as fotografias, em tamanho natural, das caras dos finalistas de perfil, com o espaço a céu aberto, que era motivo de preocupação, a ser fechado por faixas largas de pano entrecruzado, com pequenas lâmpadas nos pontos de cruzamento

O Baile, abrilhantado pelos “Sheiks”, um dos mais importantes conjuntos da época, onde pontificavam o Carlos Mendes, o Fernando Chaby, o Fernando Tordo e o Paulo de Carvalho, e pelo Quinteto Académico, onde pontificava o Mário Assis Ferreira, hoje em dia responsável máximo do Casino do Estoril.

E o êxito foi tão grande que continua a ser feito nos Claustros, o sítio nobre do Colégio, e é uma enorme satisfação sabê-lo.

A GARRAIADA

No nosso sétimo ano entrou para o Colégio o José Joaquim Lupi (9/1965) filho de Samuel Lupi, cavaleiro tauromáquico, e não sei quem teve a ideia de fazer uma Garraiada. A ideia foi de imediato agarrada e o António Damião (236/1959) e o Guilherme Delgado (503/1959) e o Abel Soeiro e Sá “Buda” (506/1959) e o Capelão Castelão Gonçalves foram, em alturas diferentes, segundo os próprios, ao Campo Pequeno convencer o matador Manuel dos

Santos, na época responsável pela organização das corridas de touros na mais importante praça do país, que aceitou a ideia e a 24 de Abril de 1966 “invadimos” a arena e mostrámos as nossas habilidades tauromáquicas.

O Marcelino Nunes, empregado administrativo do Colégio, amante dos touros, treinou o Grupo de Forcados “Não me empurres”, tendo como cabo o João Sampayo

(486/1958) “El Pira-te”, que teve de pegar dois “comboios”, porque além dos garraios, para nós brincarmos, o engenheiro Samuel Lupi mandou dois bichos mais corpulentos para o filho e o Francisco Sepúlveda (1/1963) tourearem.

A Garraiada ficou marcada pelos “Tancredos” protagonizados pelo António Damião e pelo Luís Cruz “Brazuca” (489/1958), que tal como o João Sampayo tinha chumbado e vindo para o nosso curso, que estavam, vestidos de branco, feitos estátuas em cima de bidons à espera que os garraios marrassem, e pelo “Puro Sangue de Caneças”, burro montado pelo António Damião (236/1959) para tourear um garraio.

Os mais curiosos poderão encontrar o cartaz da Garraida na parede da “Adega Velha”, restaurante que o Joaquim Bação (77/1960), que entrou para o nosso segundo ano, tem em Mourão, que é de visita obrigatória, pela qualidade da comida e pela boa disposição do Engenheiro. Como a memória é curta fica aqui o registo, para que os vindouros não esqueçam, das três marcas que o Curso de 1959 deixou no Colégio, com o agradecimento aos que nos sucederam por as continuarem a organizar.

Francisco Correia 197/1997

INOVAÇÃO E STARTUP’S

Iniciativa, conhecimento e boa camaradagem deram o tom ao segundo encontro que teve origem no Grupo de Tecnologia, desta vez com o tema “Inovação e Startup’s”. A ideia inerente a estes eventos é simples: juntamo-nos para partilhar caminhos, trocar ideias e abrir portas. Estivemos cerca de 60, com grande energia dos mais novos — 14 camaradas com menos de 25 anos — a mostrarem que a chama está bem acesa.

Começámos com o Rui Calmão (59/1988), a lembrar porque fazemos estes encontros: aproximar Antigos Alunos, criar ligações profissionais e inspirar quem está a arrancar. Logo a seguir, o Gil Azevedo (111/1987) apresentou o projeto Unicorn Factory Lisboa e ajudando a enquadrar o ecossistema de inovação e o seu papel na aceleração de startups.

O centro da ação foi a ronda de “pitches”, com quatro camaradas a apresentarem os seus projetos. O Guilherme Vaz (151/1986) apresentou a blueOASIS, o Filinto Osório (120/1997) apresentou a Q-LIRI, o Tiago Dias (109/1990) apresentou a Unlockit e o Bernardo Moutinho (504/2010) apresentou a Granter. Cada “pitch” mostrou que há uma grande diversidade no que andamos a construir, mas um desejo comum de adicionar valor.

No debate, o tempo pareceu escasso. Muitas perguntas sobre como lidar com o arranque, atrair capital, persistir perante o erro e — talvez a mensagem mais importante

Agenda do encontro

para os mais novos — o caminho nem sempre é claro no início, basta dar um passo de cada vez.

Fechámos com um Wrap up do Pedro Afonso (503/1986), que uniu a apresentação de todos e lembrou o papel que a nossa instituição de ensino tem no desenvolvimento de resiliência e inovação.

Depois, a conversa continuou à mesa, no “Com Sabor”, no campus da FCSH, do Telmo Filipe (228/1990). Menu colegial: Caldo Verde, Amarelo de Carne e Arroz doce. Bom pretexto para mais ligações e troca de ideias.

Estes encontros nasceram dos grupos profissionais no WhatsApp e irão continuar a cruzar várias áreas profissionais. A missão é clara: dinamizar a nossa comunidade, promover o nosso capital humano através partilha, mentoria e colaboração.

A organização deste evento contou com a colaboração de vários Antigos Alunos que cederam o seu tempo e recursos das suas organizações para que este evento decorres-

se praticamente sem custos (apenas alimentação), bem como aqueles que tiveram a amabilidade de partilhar a sua jornada connosco. Para estes, um agradecimento especial!

O sucesso deste evento deve-se a todos os que deram um passo em frente e participaram.

Um grande Zacatraz a todos!

NOTÍCIAS E NOTAS SOLTAS

NOTÍCIAS E NOTAS SOLTAS

Nomeação internacional

NOVO CEO DA

Do lanche dos futebolistas ou do amargo da bolama

Em número anterior da Zacatraz, foi recordada uma estória na secção “Do médico e da Enferma”, à volta da equipa de futebol do Colégio Militar no ano de 1959/60, devidamente documentada com uma foto, mas a que faltou a identificação dos alunos, que hoje, pela mão do Luís Barbosa, foi possível recordar.

Fila de trás. Da esquerda para a direita:

279 Neves do Ó - 195 Matos Chaves - 252 Barradas Cardoso - 183 José Leitão - 69 Amado Carreira - 323 Neves Coelho - 355 António Picoto - 413 Carlos Borges - 109 Francisco Caldeira - 21 Pedro Lynce.

Fila da frente. Da esquerda para a direita:

291 Jorge Soares - 270 Belo da Conceição - 171 Bernardo Ayala - 427 Barbosa Alves - 87 Raul Tamagnini - 44 Pinto Soares.

Luís Barbosa 71/1957

VINCI ENERGIES PORTUGAL

No âmbito da sua carreira profissional, Pedro Afonso foi nomeado para “Managing Director of the Division VINCI Energies International & Systems”, juntando-se ao Comité Executivo, assegurando assim a responsabilidade de gestão e coordenação de 8 Holdings com 27 países representados, 3.000.000.000€ de “Revenue”, 20.000 colaboradores.

No “Board Mundial” com seis elementos, está o Pedro Afonso, com um Alemão, um Austríaco e três franceses. Esta nova responsabilidade abrange 3 âmbitos de operações:

1. Todas as operações do grupo fora da Europa , menos América do Norte (USA e Canadá). Portanto desde o Brasil a Nova Zelândia , passando Por África e Médio Oriente), mais Singapura Indonésia e Austrália

2. Três pólos de sistemas críticos em França: Oil&Gas (que vende de França para todo o mundos ), mais Nuclear Energy , mais Sistemas HVDC (transporte de energia de longa distância )

3. Espanha e Portugal

EQUIPA DE FUTEBOL DO COLÉGIO MILITAR EM 1959/60
DA REDAÇÃO
PEDRO AFONSO ANTIGO ALUNO 503/1986

NOTÍCIAS E NOTAS SOLTAS

Prémios Júlio César Andrino

Mérito e Excelência

ESQUADRA 751 - PUMAS

ANTIGO ALUNO 73/1998

AEsquadra 751 – "Pumas", responsável por inúmeros resgates e transportes médicos, foi galardoada com o prémio “Mérito e Excelência”, num evento que decorreu no dia 25 de Outubro no Auditório Ruy de Carvalho, em Carnaxide, o âmbito dos “Prémios Júlio César Andrino”.

O Comandante da Esquadra 751 – “Pumas”, Major João Almeida recebeu o prémio por parte do INEM, vencedor do prémio na edição de 2024, servindo este ato simbólico como uma passagem de testemunho.

O prémio é o resultado de um processo de pontuação de um júri composto por sete profissionais nas áreas de artes, cultura e medicina, sem envolvimento militar na nomeação ou decisão, o que avalia e atesta o trabalho público dos nomeados.

No evento estiveram presentes, entre outras entidades, o Presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, e o 2.º Comandante Aéreo, Major General António Moldão. Esta distinção é mais uma prova do trabalho desempenhado pelos “Pumas” e pela Força Aérea na salvaguarda da vida humana.

A Esquadra 751 - "Pumas", desde a sua criação, já salvou mais de 5000 vidas, continuando dia a dia a honrar o lema "Para que outros vivam"!

DA REDAÇÃO

Zona Marítima dos Açores NOVO COMANDANTE

ANTIGO ALUNO 4/1978

Tomou posse no passado mês de Novembro, o novo Comandante da Zona Marítima dos Açores, e por inerência Chefe do Departamento Marítimo dos Açores e Comandante Regional da Polícia Marítima dos Açores, o Comodoro Luís Nicholson Lavrador, rendendo no cargo o Comodoro Paulo Conceição Lopes.

A cerimónia, que decorreu nas instalações do Depósito POL NATO, em Santa Clara, foi presidida pelo Presidente da Assembleia Regional Legislativa da Região Autónoma dos Açores, Engenheiro Luís Correia Garcia, e contou com a presença do Director-geral da Autoridade Marítima e Comandante-geral da Polícia Marítima, Vice-almirante Nuno Chaves Ferreira, e do Comandante Naval, Vice-almirante José Salvado Figueiredo.

Estiveram também presentes diversas figuras regionais e locais, como o Presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro e o Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Pedro do Nascimento Cabral, entre outras entidades.

A Zona Marítima dos Açores é de importância estratégica fundamental para Portugal e para a União Europeia, dada a sua localização no Atlântico Norte, servindo como um pilar essencial na arquitectura de segurança e defesa marítima. Esta área desempenha um papel essencial na garantia da segurança marítima e na vigilância das rotas oceânicas transatlânticas, sendo também crucial para a protecção dos recursos marinhos e dos ecossistemas insulares, bem como para a resposta a emergências, incluindo operações de busca e salvamento na região.

JOÃO CARLOS ROMANO ALMEIDA
LUÍS NICHOLSON LAVRADOR

ANTIGOS ALUNOS NAS ARTES E NAS LETRAS

David Araújo 421/2003

MENINO DA LUZ BATE RECORDE MUNDIAL

OMAIORPODCASTDOMUNDOÉPORTUGUÊS!

Portugal volta a escrever história... desta vez, numa dimensão moderna, digital e global. Em 2025, o recorde do Maior Podcast do Mundo foi batido em terras lusas: 160 horas ininterruptas de emissão, mais de 100 convidados, uma equipa de dezenas de profissionais e mais de 35.000 pessoas a acompanhar o evento ao vivo, desde todos os cantos do mundo. O feito histórico? O autor deste marco global é um de nós. Um Antigo Aluno do Colégio Militar, David Araújo 421 do curso de 2003.

O Desafio

O podcast Conversas de Elite, nasceu com um propósito claro: inspirar pessoas para um estilo de vida mais saudável, através de conver-

As armas e os barões assinalados, Que da ocidental praia Lusitana, Por mares nunca de antes navegados, Passaram ainda além da Taprobana.

LUÍS DE CAMÕES, OS LUSÍADAS

sas profundas sobre fitness e longevidade. O que começou como um simples podcast, com entrevistas aos alunos do ginásio PumpAddicted que apresentavam os melhores resultados, rapidamente passou para grandes nomes do mundo da saúde, do fitness e do bem-estar, foi crescendo e tornando-se um movimento, com uma missão de levar a informação de qualidade ao maior número de pessoas possível.

Em 2025, o conceito atingiu um marco sem precedentes, com a realização de uma maratona de 160 horas de emissão contínua.

Foram sete dias e noites ininterruptas, transmitidas em direto, com centenas de horas de gravação e um leque diversificado de personalidades de várias áreas, como desporto, medicina, psicologia, nutrição e empreendedorismo.

O Maior Podcast do Mundo

A conquista, que ficou gravada na história, teve como objetivo claro não só quebrar um recorde mundial, mas também inspirar uma nova geração a olhar para a saúde, o desempenho e o bem-estar de uma forma mais ampla e integrada.

O Colégio Militar e os Valores que Guiam a Conquista

Este feito não é apenas uma conquista pessoal, é também um reflexo dos valores incutidos no Colégio Militar — valores como o espírito de missão e de resiliência. Estes são os pilares que sustentam qualquer grande feito, e é isso que tornou possível este recorde. O Colégio Militar ensina-nos a liderar, a resistir, a superar... a conquistar! A missão estava traçada, e o resultado não poderia ser outro: mais de 35.000 pessoas acompanharam esta verdadeira epopeia de resistência e superação.

A Realização de um Sonho Coletivo

Embora a realização desta missão tenha sido liderada por um antigo aluno, o Conversas de Elite e o recorde conquistado são um motivo de orgulho coletivo. São a prova de que valores como a capacidade de liderança, o espírito de equipa e a disciplina, são o combustível necessário para levar os nossos sonhos e conquistas para o mundo, com impacto nacional e internacional. Este feito é mais um capítulo na história que se continua a escrever em português, porque o Colégio Militar molda os vencedores do futuro.

Já podem rever os episódios em deferido no YouTube. As horas de gravação,

nho, e num mundo onde vemos cada vez mais jovens perdidos na escolha desses mesmos exemplos, nós podemos dizer veemente que tivemos os nossos bem definidos.

as conversas poderosas e as trocas de experiências vão continuar a ser uma fonte de inspiração, agora imortalizadas. Podes aceder ao conteúdo em https://pumpaddicted.pt/blog/o-maior-podcast-do-mundo ou através do YouTube do Conversas de Elite, mas de forma mais fácil através do QrCode: ANTIGOS

Ao curso 2003: há 22 Anos, Começámos Juntos!

Há 22 anos, entrámos juntos numa aventura, e aquilo que não sabíamos é que essa seria uma das aventuras mais transformadoras das nossas vidas. O sucesso do Colégio Militar na formação dos seus alunos parte de uma fórmula relativamente simples: princípios enraizados, valores sólidos e uma liderança exemplar que nos faz perceber com clareza como viver segundo esses mesmos moldes.

Certamente que já ouviram a célebre frase: “O homem não nasce homem, ele torna-se.” A importância dos exemplos é fundamental nesse cami-

Aos meus irmãos de armas, o meu sincero obrigado! Este recorde é uma vitória de todos nós.

A Epopeia Continua

A história continua a ser escrita, e o melhor ainda está por vir. O maior podcast do mundo não é apenas um número, não são apenas horas de gravação. É uma prova de que o Colégio Militar continua a formar homens e hoje em dia mulheres, capazes de alcançar feitos nunca antes alcançados. E a jornada está apenas a começar! O nosso legado, agora imortalizado, inspira gerações futuras.

Porque quando alguém grita Zacatraz, todos acompanham; quando algum antigo aluno conquista, todos conquistam.

A FLOR QUE NASCE NO CENTRO DO VENTO

Este poema vive naquela zona onde a linguagem deixa de descrever e começa a revelar — como se cada imagem fosse uma lâmina molhada em luz. A voz que aqui fala não procura ordenar o mundo: expõe-se ao seu próprio tumulto, à memória que se fragmenta, ao espelho que devolve rostos possíveis. Entre abismos que respiram e flores que insistem em nascer no vento, a matéria do ser é tratada como terreno vivo: frágil, contraditório, mas luminoso na sua persistência.

A imaginação opera como paisagem interior, atravessada por sombras inteiras, mares que convocam, pássaros de cobre que vigiam o silêncio. O poema assume o risco de aceitar a vertigem — e, na curva dessa loucura serena, encontra a epifania que o sustém: ser abismo e, ainda assim, ser poesia. É este paradoxo íntimo,

tenso e vital, que o texto oferece ao leitor como convite e espelho. A continuidade desta leitura leva

naturalmente à exploração mais ampla da forma como a nossa vida interior se costura de fragmentos.

POESIA NOS TEMPOS LIVRES

Na penumbra onde existo movem-se sombras inteiras.

As nuvens da memória murmuram vozes gastas, e a brisa — hesitante — é ternura e lâmina: ora cura, ora fere.

Dos abismos sobem flores de um céu de papel. No espelho quebrado multiplicam-se rostos: um riso de espuma, uma lágrima a selar o instante onde o sol esculpe a dor e as estrelas, reduzidas a cinza, ardem ainda por dentro.

Caminho por ruas de cristal, frágeis como o tempo.

Os pés descalços arrastam ecos de um sonho antigo.

No alto da montanha canta um pássaro de cobre, e os abismos, atentos, sussurram segredos que nunca chegam à superfície.

Alma minha — tempestade de contradições — os teus olhares são mares, e os meus dias, marés. Navego ondas altas, perco-me na espuma, e a alegria que seduz desfaz-se num véu de bruma.

Na paleta do sentir acendi cores radicais: verde febril, vermelho desejo, azuis que tocam o fundo do mundo. Em cada pincelada pulsa um coração:

a vida — sereia vigilante — prende-me e envolve.

Mas há sombras frias no lugar do peito um eco que abraça e deixa arranhões de silêncio. Nos braços da noite, a aranha tece destinos, e das teias abertas pelo sofrimento surge a beleza que os deuses escondem.

Sou a parte quebrada e as partes que se procuram. Rasgam-se, num bailado, as fronteiras que me chamam.

A luz — alimento breve — torna-se dor, e na dança dos paradoxos salvo o que ainda arde em mim.

Mesmo quando os ventos sopram em direcção incerta

e o universo ressoa como uma porta aberta, abracei, na curva da loucura, a epifania: ser abismo e ser poesia.

Assim, neste fio de fogo e tormenta, teço a vida com a mente desperta. No coração, um eco; na voz, um lamento: sou flor que insiste em nascer no centro do vento.

Duarte Dias Marques 408/1969

CURSO DE 1982/1990

ROMAGEM DE 35 ANOS DE SAÍDA - 10 DE OUTUBRO DE 2025

No passado dia 10 de Outubro de 2025, o curso de 1982/90 comemorou os 35 anos de saída com uma romagem ao Colégio Militar.

A concentração começou no Largo da Luz nas instalações da AAACM pelas 10h30. Fomos brindados com uma simpática lembrança personalizada e ouvimos um briefing do nosso Presidente António Menezes (568/1969) que nos alertou para alguns detalhes do Colégio actual, necessariamente diferente do Colégio por nós vivido, nomeadamente com a inclusão das Meninas da Luz e como elas assumiram bem o papel da vivência do Colégio.

O sentimento de todos nós ao nos juntarmos e, logo no nosso Colégio, é de uma enorme felicidade. Recordamos as nossas vivências, os

bons momentos que lá passamos, os Professores, os Oficiais, os Fâmulos, os Graduados, tanta gente que nos ajudou a sermos quem hoje somos - porque nos formaram com bons princípios e valores que ficaram connosco ao longo das nossas vidas. No Colégio, fomos recebidos na Biblioteca nobre pelo Sr. Director. Nessa altura, ouvimos umas palavras de boas vindas e um resumo da visão do Colégio por parte da direcção: a missão atual e também os desafios e dificuldades sentidas.

Quando fizemos a nossa placa comemorativa das efemérides do curso, debatemos entre todos, quais as palavras que demonstrariam o sentimento que temos pelo Colégio. Por unanimidade elegemos estas: Camaradagem, Orgulho, Saudade, Honra e Gratidão. Foi com este espíri-

to que voltamos e voltaremos sempre até que a saúde nos permita.

Contactamos com os nossos sucessores, o que é sempre um momento de ligação entre os actuais alunos e nós que já já saímos há 35 anos. É enorme a importância desta “ponte” que através do número, liga os actuais alunos com aqueles que já saíram há muitos anos e tantas coisas em comum, apesar das diferenças de idades.

©Foto Leonel Tomaz
ROMAGENS DE SAUDADE

ROMAGENS DE SAUDADE

Passamos pela escadaria da “Enferma” onde tiramos a tradicional fotografia da praxe e seguimos para a parada do Corpo de Alunos, onde assistimos ao desfile do Batalhão Colegial. Constatamos a elegância e garbo dos rapazes e raparigas a marchar.

Finalmente, fomos recebidos no refeitório, antigo “Pavilhão de Química” para almoçar o tradicional “Amarelo de Carne” e tivemos mais uma oportunidade de confraternizar entre todos do curso.

Estes dias de convívio colegial, elevam-nos o moral e reforçam a ideia

de que valeu tanto a pena ter frequentado o Colégio Militar…

Estivemos presentes neste evento: Pedro Fernandes (3/1982); Pedro Neves (11/1982); José Figueira (17/1981); Jorge Carvalho (29/1982); João Subtil (45/1983); Nuno Silva (64/1983); Tiago Carvalho (74/1982); Nuno Assunção (78/1983); Miguel Robles (81/1981); José Cordeiro (83/1981); António Martins (85/1983); João Ferreira (155/1981); Alexandre Fernandes (204/1983); Paulo Lança (206/1981); Paulo Lawson (215/1981); Luís Viegas (218/1982); Nuno Carvalhosa (230/1982); Vasco Pinheiro (254/1982); Artur Rodrigues

CURSO DE 1987/1995

(280/1982); Cláudio Pereira (317/1981); Nuno Roldão (320/1981); Pedro Falcão (330/1983); António Ricardo (344/1981); Ricardo Fernandes (354/1983); Nelson Lourenço (377/1982); António Lopes (378/1981); Rui Silva (379/1982); Miguel Freire (380/1981); João Gonçalves (386/1982); Sérgio Filipe (389/1982); Daniel Moreira (391/1982); Luis Alves (393/1982); Nuno Pereira (397/1982); Francisco Aidos (398/1982); Pedro Dias (399/1982); Rui Almeida (400/1982); Rui Coelho (407/1982); Francisco Nascimento (418/1982); Luís Morgado (421/1982); Nuno Abreu (423/1982); Paulo Azevedo (427/1982); Pedro Marques (433/1982); Alexandre Vieira (482/1983).

ROMAGEM DE 30 ANOS DE SAÍDA - 7 DE NOVEMBRO DE 2025

©Foto Leonel Tomaz

Foi com enorme emoção que regressámos ao nosso Colégio, por ocasião dos 30 anos de Saída do Curso de 1987/95. Ao longo dos diferentes momentos do encontro juntaram-se 35 Camaradas, merecendo especial referência aqueles que empreenderam viagens de longa distância por uma única e nobre razão - estarem presentes.

Tivemos ainda o privilégio da participação de saudosos Professores e Colaboradores dos nossos tempos, demonstrando manterem elevadíssimos níveis de resiliência ao acederem suportar-nos mais um dia, apesar de tudo o que experienciaram connosco décadas atrás. O nosso sentido agradecimento ao Prof. Bernardino, à Prof.ª Isabel Mourão, ao Prof. Escultor Brito, ao Sr. Marinho, ao Prof.

Mário Carmo e ao Prof. Pedro Soares.

Entre abraços, histórias recontadas e as inevitáveis “versões oficiais” dos feitos de então, revivemos tantas boas memórias e confirmámos que o Espírito Colegial permanece bem vivo na realidade do Colégio que reencontrámos. Que assim perdure!

Presenças:

Tiago Paiva e Pona (4/1987); José Guerreiro (10/1987); Alberto Xavier de Brito (25/1987); João Gonçalves (32/1987); João Paulo Magalhães (37/1987); Tiago Barros (49/1987); Ricardo Almeida (76/1987); Miguel Santos (83/1987); João Aidos (86/1987); Sérgio Alves (108/1987); Nuno Justino (143/1987); 156 - Pedro Laia (156/1987); Ricardo Spencer de Abreu (161/1987); Rodrigo Rosa Rodrigues (162/1987);

CURSO DE 1999/2007

Marco Nunes (192/1987); Tiago Baleizão (200/1987); Pedro Antão (202/1987); Rui Pintado (245/1987); Hugo Dias (246/1987); João Vaqueiro (260/1987); Julio Oliveira (270/1987); Álvaro Santos (296/1987); Luís Matos (324/1987); Carlos Valdrez (354/1987); Nuno Silva (376/1987); Pedro Ponte (386/1987); Nuno Ferreira (388/1987); João Matias (395/1987); Frederico Veloso (425/1987); Ricardo Pereira (475/1987); (ao jantar) Bruno Barata (101/1987); Gil Azevedo (111/1987); Luís Gonçalves (348/1987); Ricardo Leote (360/1987); Jorge Gonçalves (387/1987).

ROMAGEM DE 25 ANOS DE ENTRADA - 5 DE DEZEMBRO DE 2025

ROMAGENS DE SAUDADE
©Foto Leonel Tomaz

Regressámos vinte e cinco anos depois. Um quarto de século nos separa daqueles jovens de dez anos que, com o coração a mil, cruzaram pela primeira vez o portão histórico do Colégio Militar. Hoje, voltamos. Não com as dúvidas e incertezas de 1999, mas como adultos já forjados pela vida profissional, trazendo às costas o peso e a leveza de um quarto de século de crescimento adquirido. É sempre único o sentimento que desperta em cada um de nós, ao regressar ao mesmo Claustro e aos edifícios que nos viram crescer, tropeçar, aprender e criar laços inquebráveis.

Os ecos desses momentos parecem pairar ainda nos corredores das Companhias, misturado com os cheiros das fardas e do engraxar das botas. Reencontramos rostos, agora com marcas do tempo, mas onde os olhos brilham com a mesma luz de outrora.

Aquela juventude transformou-se em história, em carácter, em saudade. Celebrar estes 25 anos não é apenas recordar; é honrar o alicerce que nos tornou quem somos. É reconhecer que, por mais longe que a vida nos tenha levado, parte de nós nunca deixou estes muros. Ao Colégio, aos camaradas do Curso de 1999, o nosso ZACATRAZ!

Presentes na Romagem:

João Barros Grave (45/1999); João Shearman de Macedo (58/2000); Gonçalo Pereira Heleno (72/1999); Guilherme Lopes da Costa (85/1999); João Simião Machaieie (106/1999); Tiago Viegas Mendonça (125/2001); Fábio Carvalhinho Carvalho (126/1999); Manuel Rio Carvalho (141/1999); Duarte Carvalho Tirapicos (144/1999); David Azevedo da Silva (147/1999); João Murteira Correia (150/1999); João Dias Alves (152/1999); Lourenço Corrêa Monteiro (171/1999; Diogo Garcês Reis (186/1999);

CURSO DE 2007/2015

Pedro Rafael Bernardo (209/2000); Tiago Firmino Fragata (261/2000); Hugo Magalhães da Costa (318/1999); André Andrade Trepado (333/1999); Gonçalo Paiva Fernandes (358/1998); Pedro Dias Martins (362/2001); Nuno Bastos de Oliveira (363/1999); Lucio Teixeira Lopes (377/1999); João Abreu da Silva (420/1999); Rui Dutra Capicho (440/2000); João Viegas Agostinho (460/1999).

ROMAGEM DE 10 ANOS DE SAÍDA - 28 DE NOVEMBRO DE 2025

©Foto Leonel Tomaz

ROMAGENS DE SAUDADE

AAprendi que “Só o vivido é compreendido”, mas há coisas que vale a pena tentar explicar, por mais difíceis de compreender. Compreender que milhares de portugueses sentem, sentiram e sentirão uma dívida de gratidão por uma pessoa que nasceu antes do grande terramoto, mas que o seu impacto chegou ao século XXI, replicando muito do seu ideal original.

De facto, há gente que fica na História por mudar a história de muita gente. Uns chegam a marcar gerações que nunca conheceram, mas que se sentem próximas e que procuram preservar o seu legado. O Marechal António Teixeira Rebelo é um exemplo singular dessa virtude.

Há 275 anos, em Dezembro de 1750, nascia na Cumieira um miúdo que se fez homem a pulso, e que se imortalizou com a criação de um projecto educativo intemporal ao serviço de Portugal.

Deixou-nos há 200 anos, Outubro de 1825, na Luz, e nesses seculares claustros, percorridos há mais de dois séculos ininterruptos por alunos, são incontáveis as placas de cursos de Antigos Alunos que rumaram com saudade à Casa que os formou. O meu (Curso 2007), por ocasião dos 10 anos de saída do Colégio Militar, faz agora parte desse espólio.

Uma pedra com um bonito significado, mas talvez seja mais que isso, porque já o testemunhámos ao longo do tempo com outras gerações. Sabemos que daqui a 50, 60, 70 anos não estaremos todos, mas estarão lá alguns a completar aquela placa, e quando não estiver nenhum, estarão outros a passar por ela. Irão

parar por um momento, como o fizemos, rever-se nesse epitáfio e relembrar que uma instituição criada por uma pessoa tornou-se mais do que qualquer individualidade.

Talvez por nos sentirmos pequenos perante a nossa história, nos sentimos iguais. Não só pela farda, mas pelo espírito que une um miúdo de 10 anos a um menino de 90 que se tratam por tu, ou um curso do século XIX a um do século XXI que fala a mesma gíria e viveu semelhantes tradições.

Agradeço ao fundador ter criado o Colégio Militar, aos meus pais terem me dado a oportunidade de o frequentar, aos Fâmulos, Professores, Militares e Camaradas mais velhos e mais novos o ter lá ficado e ter vontade de lá voltar.

Como em tempos disseram: “Se o espírito vive, a chama perdura.”

Presentes:

Jose Gerald Oliveira (27/2008); André Ventura dos Santos (38/2008); João Pinto Colarinha (41/2009); André de Sousa Esteves (65/2007); Pedro Manso Martins (77/2007); Gonçalo Salema de Matos (88/2006); Bernardo Melo do Cruzeiro (95/2007); Tiago Damásio Afonso (98/2007); Bartolomeu da Costa Cabral (127/2007); Vasco Condessa de Almeida (166/2009); António Ferreira Fernandes (205/2007); Dinis Heitor Churro (242/2006); Rodrigo Serra Farias (254/2007); Ricardo Campos de Lima (269/2009); Nuno Cepeda Silva (310/2007); António Rodrigues de Castro (320/2007); Gonçalo Garcia Pereira (327/2007; João Núncio Pereira (332/2007); Diogo Campos Ferreira (340/2007); Francisco Madaíl

Herdeiro (349/2007); Ari Jorge Coroado (459/2007); Francisco Cordeiro de Araújo (591/2007); Tiago da Silveira Caetano (609/2008).

Francisco Cordeiro Araújo (591/2007)

UM MENINO DA LUZ

NÃO MORRE, APENAS PASSA A VIVER DENTRO DE NÓS

ANTIGOS ALUNOS

Claro que foi difícil conter as lágrimas nesse momento.

“Partiu demasiado cedo, aos 46 anos, um jovem cuja força nunca esteve na facilidade do caminho, mas na coragem com que o percorreu. A vida nunca lhe deu tréguas — mas, ainda assim, ele insistiu em avançar, em crescer e em encontrar luz mesmo nos dias mais sombrios.

Recordo com emoção o momento em que decidiu ingressar no Colégio Militar. Não foi apenas uma escolha ou uma oportunidade; foi um gesto de carinho e de admiração por mim.

João Maria Alves de Jesus (45/1990)

Software Engineer

Nasceu a 21 de Outubro 1979

Faleceu a 21 de Novembro 2025

O irmão, num testemunho que ficará para sempre gravado, contou como esse dia marcou a história dele: um ponto de viragem. O Colégio Militar não lhe trouxe facilidades, mas deu-lhe algo ainda maior — deu-lhe estrutura, deu-lhe princípios, deu-lhe a coragem necessária para enfrentar todas as adversidades que viriam depois. Preparou-o para a vida dura, aquela que insistia em testar-lhe a força, mas também aquela que moldou o seu carácter.

Hoje, despedimo-nos com o coração apertado, sabendo que o mundo perdeu alguém que lutou sem-

pre mais do que viveu. Alguém que, mesmo cansado, tentou ser melhor. Alguém que encontrou na família, nos irmãos e nas memórias partilhadas uma razão para continuar.

Que a sua partida não apague o que deixou: os gestos de bondade, a vontade de ser digno dos que amava, a coragem silenciosa de quem nunca desistiu, mesmo quando o mundo parecia pesado demais.

Descansa em paz. Levas contigo as batalhas, mas deixas connosco o exemplo. E esse, ninguém nos poderá tirar.

Filipe Maçarico (197/1989)

OCarlos foi um dos camaradas mais queridos do Curso de 1975. Tive a sorte de partilhar com ele a mesma turma A, graças à opção mútua de Francês. No CM destacou-se pelo seu brilhantismo: Ajudante do Comandante de Batalhão, presença permanente no Quadro de Honra, medalha de Aptidão Literária em todos os anos até ao 12.º, e Medalha do Fundador em 1983. Somou ainda medalhas de Aptidão Militar e Física e integrou a Classe Especial de Ginástica, orientada pelo saudoso Professor Dario Fernandes.

Mas, acima de tudo, o Carlos distinguiu-se pela sua humildade e generosidade. Amigo dos seus amigos, nos estudos ajudava sempre quem precisava, dos mais baldas aos menos dotados. Era, verdadeiramente, um grande camarada. A última equipa que partilhei com ele foi na de remo, com o João Paulo Albuquerque (168/1975) e o Ângelo Felgueiras (498/1976).

Prosseguiu estudos em Engenharia no Instituto Superior Técnico (1983-88), e mais tarde reencontrámo-nos na Portugal Telecom.

O Carlos era um Engº da “casa das máquinas”. Quando surgia um problema sério, perguntava-se sempre: “O que diz o Carlos?” Sabia-se que,

Carlos António Olival Crespo Vendeirinho

(85/1975)

Engenheiro de telecomunicações na MEO, antiga Portugal Telecom

Nasceu a 20 de julho de 1965

Faleceu a 14 de novembro de 2025

havendo solução, viria dele. Era respeitado por todos, mantendo sempre a simplicidade de sempre.

Pedi ao Engº Jose Pedro Nascimento, CTO da MEO e seu chefe, um testemunho, que aqui fica: “O Vendeirinho foi muito mais do que um profissional exemplar: era um camarada de confiança, sempre disponível para ajudar, discreto, mas presente nos momentos que mais importavam.

A sua competência, dedicação e espírito colaborativo deixaram uma marca indelével na nossa equipa e na MEO.

Perdemos um profissional de primeira água e, sobretudo, uma pessoa de trato extraordinário, que nos conquistou pela sua generosidade e simplicidade.”

A sua memória permanecerá viva entre nós, como inspiração para continuarmos a trabalhar com o mesmo rigor e paixão que sempre demonstrou”.

Durante o velório, partilhámos com a esposa Manuela e a filha Mariana as mensagens trocadas por WhatsApp pelos camaradas do Curso de 75, que revelam bem o carinho e a admiração que todos tínhamos pelo Carlos, o que as deixou emocionadas e sensibilizadas.

No livro de condolências deixei o meu emocionado testemunho: “Camarada, amigo, colega Carlos. Como é possível [teres partido tão novo]? Nunca te esqueceremos. Foste e és um camarada especial. Ficas connosco, vivo na nossa memória. Abraço amigo.”

Para sempre connosco. Presentes!

Sérgio Carvalho (300/1975)

Recebemos na “Zacatraz”, através do seu filho, a triste notícia do falecimento do nosso camarada 120/1945, que subiu ao “Zimbório”, na Cúpula da Capela dos Claustros.

O António que fez carreira no Exército Português, com comissões de serviço nas Províncias Ultramarinas, era leitor assíduo da Zacatraz.

Endereçamos a todos os seus familiares, e em particular ao seu filho

António José Brites Leitão Ritto (120/1945)

Capitão do Exército

Nasceu em 6 de Março de 1935

Faleceu em 1 de Dezembro de 2025

António Korrodi Ritto, as nossas mais sentidas condolências, recordando nesta sua última foto, o prazer que o seu sorriso transmitia no uso da Barretina na lapela. O curso que saiu do Colégio em 1953 reúne-se todas as segundas quintas feiras de cada mês ao almoço.

O António Ritto vinha sempre de proposito de Leiria para se juntar a nós. Frequentemente aparecia com fotografias recordando as comis-

sões na Índia e Guiné portuguesas. Peripécias da sua carreira militar assim como a obra de expansão da sua fábrica em Leiria eram sempre motivo de animadas conversas e recordações.

Na quinta feira 14 de Dezembro, primeira após o seu falecimento os oito camaradas presentes relembraram com saudade o António Ritto prestando-lhe sentida homenagem.

O curso 1946/53

João Augusto de Oliveira Ayala Botto (254/1948)

Faleceu a 25 de Novembro de 2025

Recebemos na “Zacatraz”, a triste notícia do falecimento deste nosso camarada, que subiu ao “Zimbório”, na Cúpula da Capela dos Claustros.

Na impossibilidade de termos assegurado algumas palavras que aqui o recordassem, endereçamos a todos os seus familiares, as nossas mais sentidas condolências.

A Redacção

OS QUE NOS DEIXARAM

RJoão Cândido Ventura Furtado de Antas (387/1953)

Faleceu a 23 de Setembro de 2025

ecebemos na “Zacatraz”, a triste notícia do falecimento deste nosso camarada, que subiu ao “Zimbório”, na Cúpula da Capela dos Claustros.

Na impossibilidade de termos assegurado algumas palavras que aqui o recordassem, endereçamos a todos os seus familiares, as nossas mais sentidas condolências.

A Redacção

Ainda não acreditamos que o Miguel partiu.

Do nosso curso de entrada de 1972, o Miguel era magnânimo:

- Um verdadeiro amigo, um homem de família, com uma fé inabalável e que ao longo dos seus 64 anos, foi um exemplo de amigo que sempre esteve para lá das circunstâncias, um verdadeiro "guerreiro".

Sportinguista, bom garfo, gostava de estar à mesa, numa roda de amigos, com boa mesa e um bom vinho. As estórias que vivemos desde o Colégio até estes dias, são inigualáveis

Miguel Almadanim do Vadre Santa Marta

(443/1972)

Nasceu a 23 de Outubro de 1961

Faleceu a 28 de Novembro de 2025

e infindáveis. As suas gargalhadas e observações eram sempre de uma afabilidade admirável. Era reconhecidamente, um homem com Classe.

A família Santa Marta tem um lugar especial no nosso Colégio Militar, foram 7 os Irmãos Antigos Alunos. Na sua despedida final, a pedido de seu Irmão João, o Zacatraz ao Miguel, foi arrebatador. Arrepiou a todos os presentes, família e amigos.

O mote do Zacatraz foi simples e verdadeiro:

- Pela Vitória do Miguel, Zacatraz, Zacatraz, Zacatraz!

O Miguel gostaria que este fosse um tempo de celebrar a vida. No grupo de amigos que o acompanharam nestes últimos meses, o Miguel deu força, fé e esperança a todos os que acreditam e precisam de ajuda. Uma palavra à Nica, filhos, netos, irmãos...estamos todos com o Miguel, como disse o seu filho Tomás, "o Maior"!

Lado a lado, até à eternidade.

Zacatraz

António Mancelos Santos Gomes (103/1972)

O458/1934 de uma família de seis Antigos Alunos do Colégio Militar, o “Decano”, partiu e subiu ao Zimbório da capela dos Claustros.

Faleceu o “Pai Marcelino”, era assim que no 27 da Rua Conde Sabugosa, um prédio do IASFA em Lisboa, o referíamos, com respeito e carinho por ele e família, em particular os filhos Antigos Alunos do Colégio Militar e do Instituto de Odivelas.

Teve sempre uma agenda de vida preenchida, quer na vida militar quer civil e lhe permitiu uma vida activa, provável suporte da longevidade que a todos surpreendeu.

João Sequeira Marcelino

(458/1934)

Coronel de Cavalaria

Nasceu a 14 de Maio de 1922

Faleceu a 26 de Setembro de 2025

Quis esse respeito pelo Coronel João Marcelino AA 458/1934, Rata de 2º ano e “Decano do Colégio Militar” nos últimos anos, amigo e camarada de curso do meu pai 233/1933, ligados também no percurso e vida militar na arma de Cavalaria, que, enquanto responsável da revista Zacatraz, o ter homenageado em vida, dedicando-lhe um artigo em texto superiormente escrito pelo Paulo Sande 60/1967, recordando a sua longa vida de 103 anos, a vida do “Dr. Mabuse”, alcunha que com o seu número, o acompanhou até ao último dos seus dias.

Caro Coronel João Marcelino, foi um prazer e privilégio tê-lo conhecido e partilhado a proximidade em quase 60 anos da sua vida, intercalada pelas vossas idas e regresso das comissões nas Províncias Ultramarinas. A porta do 10º esquerdo do 27 na Conde Sabugosa fechou-se uma última vez, mas guardaremos para sempre as memórias dos muitos momentos e coisas boas que ali viveu com a Maria da Piedade e os vossos seis filhos.

Até sempre e se puder, dê um abraço ao meu pai.

Adelino Lage (176/1966)

RJorge Emanuel Soares Coelho Pote

(464/1958)

Faleceu a 27 de Outubro de 2025

ecebemos na “Zacatraz”, a triste notícia do falecimento deste nosso camarada, que subiu ao “Zimbório”, na Cúpula da Capela dos Claustros.

Na impossibilidade de termos assegurado algumas palavras que aqui o recordassem, endereçamos a todos os seus familiares, as nossas mais sentidas condolências.

A Redacção

Fernando Cardoso de Sousa (28/1960)

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