Editorial Revista “ZACATRAZ”
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Luis Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
Editorial Há quatro anos, a proposta do Conselho Supremo para que eu preenchesse uma vaga de Conselheiro Efectivo foi aprovada pela Assembleia Geral. Fiquei então a ser um dos Conselheiros mais jovens, integrado num conjunto de Antigos Alunos que ao longo dos anos fui conhecendo e que aprendi a respeitar, tanto pelo seu valor pessoal, como pelo que deram de si ao Colégio e à Associação. Já no presente ano, o Presidente do Conselho Supremo, Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958), homem de uma dedicação exemplar ao Colégio e à Associação, decidiu, por razões de ordem pessoal, apresentar a sua demissão do cargo. Tornou-se então necessário, por circunstâncias de indisponibilidades diversas, eu dar um passo em frente para o substituir, apesar de ter a plena consciência de não ser o Conselheiro mais habilitado para o fazer. Tenho agora sobre os meus ombros a pesada responsabilidade de dirigir os trabalhos do Conselho Supremo e de o representar em
tudo aquilo que a Direcção da Associação determinar. Estatutariamente, o Conselho Supremo é um órgão de consulta, tendo as competências seguintes: - Dar parecer sobre assuntos de interesse para a Associação, que lhe sejam apresentados pelos outros órgãos ou por trinta sócios efectivos, pelo menos; - Dirigir, por sua iniciativa, recomendações aos outros órgãos da Associação. De acordo com o Regimento do Conselho, deve o mesmo reunir, no mínimo, duas vezes por ano. Obviamente este número mínimo de reuniões tem sido sistematicamente excedido, pois a dinâmica da ocorrência de factos que interessam ao Colégio e à Associação, não se compadece com um número tão reduzido de reuniões. Actualmente, o problema maior do Conselho é manter-se informado, em permanência, acerca dos factos anteriormente referidos,
para não se ver sujeito à situação de se ter de pronunciar sobre acontecimentos e questões que desconhece. O Conselho não pode confrontar-se com questões às quais tem de responder de chofre, sem uma prévia ponderação individual por parte dos Conselheiros. Isso seria desrespeitar o desígnio com que foi criado. Uma questão que também dificulta a missão dos Conselheiros é o conjunto de mudanças abissais que ocorreram, na Sociedade em geral, na Instituição Militar e no Colégio em particular, em relação aos seus tempos como Alunos no Colégio. Raciocínios começados com «No meu tempo no Colégio…..», correm o risco, nos tempos actuais, de não serem pragmáticos. No entanto, todos nós no Conselho não nos imaginamos a abrir mão dos sãos princípios que nos incutiram no Colégio. É esta a nossa maior dificuldade actual. Esperamos conseguir ter a sagacidade necessária para a conseguir ultrapassar.
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Ficha Técnica
CORPOS SOCIAIS DA ASSOCIAÇÃO PARA O TRIÉNIO 2016-2018
Ficha Técnica PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL Fundada em 1965 Nº 212 Julho/Setembro - 2018 FUNDADOR Carlos Vieira da Rocha (189/1929)
ASSEMBLEIA GERAL Presidente Vice-Presidente 1º Secretário 2º Secretário
DIRECTOR Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950) nunomira.vaz@aaacm.pt
Raul Miguel Socorro Folques - 380/1952 José António Pina de Bastos e Silva - 67/1957 António Luís Henriques de Faria Fernandes 454/1970 Pedro Gonçalo Coelho Nunes de Melo - 51/1982
CHEFE DE REDACÇÃO Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957) luisfbarbosa@aaacm.pt REDACÇÃO Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva (53/1961) Gonçalo Miguel de Matos Gonçalves (105/1984)
DIRECÇÃO Presidente Vice-Presidente Secretário Tesoureiro 1º Vogal 2º Vogal 3º Vogal 4º Vogal 5º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente 3º Vogal Suplente
José Eusébio Pereira Barata Cordeiro de Araújo - 591/1973 Artur Manuel de Spínola e Santos Pardal - 587/1961 João Eduardo Correia Barrento Sabbo - 17/1967 Luís Manuel Borges de Albuquerque Nogueira - 323/1969 Francisco Eduardo Moreira da Silva Alves - 392/1954 Luis Manuel Marques Cóias- 190/1990 José Miguel Teixeira de Faria - 2/1969 José Maria Gouveia de Azevedo e Bourbon - 598/1971 João Pedro Mendes Carreiro Gomes - 390/1983 Gonçalo Miguel de Matos Gonçalves - 105/1984 Tiago Simões Baleizão - 200/1987 Manuel Soares Albergaria Felgueiras e Sousa - 498/2006
CAPA O Colégio Militar nos Açores 10 Junho 2018 ENTIDADE PROPRIETÁRIA E EDITOR Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar MORADA DO PROPRIETÁRIO e SEDE DA REDACÇÃO Quartel da Formação - Largo da Luz 1600-498 Lisboa Tel. 217 122 306/8 Fax. 217 122 307 TIRAGEM - 1350 exemplares DEPÓSITO LEGAL Nº 79856/94 DESIGN E EXECUÇÃO GRÁFICA: Tm. (+351) 933 738 866 Tel. (+351) 213 937 021 info@smash.pt www.smash.pt
CONSELHO FISCAL Presidente 1º Vogal 2º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente
Manuel Ramos de Sousa Sebastião - 604/1961 Rui Joaquim Azevedo de Avelar - 25/1960 Eugénio de Campos Ferreira Fernandes - 180/1980 Rui Manuel Gomes Correia dos Santos – 225/1981 Bruno Miguel Fernandes Pires - 27/1995
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA AOS SÓCIOS DA AAACM Isenta de registo na Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC), ao abrigo do nº 1 da alínea a), do Artigo 12º do Decreto Regulamentar nº 8/99, de 9 de Junho. Os artigos publicados são da responsabilidade dos seus autores. Esta publicação não segue o novo acordo ortográfico.
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Sumário
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O Colégio Militar nos Açores
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Até o meu coração se encheu de orgulho
10 XXV Encontro Nacional dos Combatentes 24
Antigos Alunos em Destaque
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Confraria do vinho de Carcavelos
43
Histórias e Memórias
43
Uma questão de Honra
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A família Santa Marta
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O Colégio Militar e uma Casa Portuguesa
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Justiça e (In)disciplina
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Ainda a Operação Viriato
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O Colégio Militar e os Meninos da Luz
60
Curso de 1980/1988 Romagem dos 30 anos de saída
61 Curso de 1985/1993
Romagem dos 25 anos de saída
62
Curso de 2000/2008 Romagem dos 10 anos de saída
63
Países que fazem 100 anos em 2018
67 Hoplitas e besteiros 69
Moedas e notas (Parte II)
75 Os que nos deixaram 88
Edíficio do Hospital Real de Nossa Senhora dos Prazeres
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Entrevista a Ângelo Felgueiras
29
Open Day 2018
39
Os 60 Anos do “Colégio Novo”
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Homenagem aos nossos professores
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O Colégio Militar nos Açores
Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
O Colégio Militar nos Açores 10 de Junho de 2018 No passado dia 10 de Junho, escreveu-se mais uma página na história do nosso Colégio. Nas comemorações do Dia de Portugal, este ano realizadas em Ponta Delgada, uma formação de Alunos do Colégio Militar abriu o desfile das tropas em parada, levando o nosso guião na frente. Por outro lado, o Estandarte Nacional do Batalhão Colegial integrou o bloco de Estandartes Nacionais que precedia o desfile das várias formações militares que integraram o mesmo. O Colégio foi dar-se a conhecer aos Açores. Tendo eu família em Ponta Delgada e tratando-se de um acontecimento com tanto significado para o Colégio, gostaria de ter estado presente, a assistir à parada e ao subsequente desfile no local. Não sendo tal possível, tive de assistir às cerimónias recorrendo ao canal de televisão estatal (RTP). As forças em parada formaram no extremo leste da bela Avenida Marginal, em frente à tribuna de honra, situada junto ao forte de S. Brás, onde está sediado o comando das forças do Exército nos Açores, o que dava um enquadramento digno à tribuna. A reportagem televisiva iniciou-se com a chegada ao local da tribuna dos membros
dos Governos Regional e da República, que na mesma iriam assistir às cerimónias. A recebê-los, agindo como anfitrião, estava o Almirante Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas. Gostei de ver a maneira como recebeu aquelas altas entidades, com a saudação militar devida, com dignidade, sem mesuras nem reverências.
enquanto eram disparadas as salvas de artilharia da praxe, por um conjunto de peças postadas numa das plataformas de atracagem de embarcações no porto. Seguiu-se a revista às forças em parada pelo Presidente da República, que se deteve em frente ao bloco de Estandartes Nacionais, para saudar os mesmos.
As imagens deste intróito às cerimónias iam-se intercalando com imagens de um repórter que ia interpelando várias pessoas presentes na assistência, com perguntas que me pareceram descabidas e inadequadas ao objecto da reportagem. A maioria das pessoas não se deixaram influenciar pelas perguntas feitas e acabaram em geral por dizer que se sentiam satisfeitas e orgulhosas, como portugueses e como açorianos, por poderem assistir ao vivo às cerimónias realizadas na sua terra. Não era à procura de respostas deste tipo que o repórter andava. Não eram as respostas «fracturantes», que esperaria ter ouvido. Com todas as entidades convidadas nos seus lugares na tribuna, deu-se a chegada do Presidente da República, recebido com as honras militares da ordenança. As forças em parada apresentaram armas e foi entoado em conjunto o Hino Nacional,
Terminada a revista e com o Presidente da República no seu lugar na tribuna, foi a vez de ouvirmos um discurso alusivo ao Dia de Portugal, que ali se celebrava. Proferiu o discurso o Dr. Onésimo Teotónio de Almeida, ilustre professor universitário nos Estados Unidos da América e membro de relevo da diáspora açoriana naquele país. Nesse discurso, que soube matizar, com o mais fino humor, com a descrição de alguns episódios pitorescos protagonizados por emigrantes açorianos, deu-nos a conhecer como se deu a integração, ao longo do último meio século, desses emigrantes e dos seus descendentes na sociedade americana. Enquanto dantes se evitava falar português em público, para não se ser sujeito a alguma possível troça ou descriminação, hoje em dia os luso-descendentes estudam português e falam-no, com orgulho nas suas raízes.
O Colégio Militar nos Açores
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quase que reduzidas à insignificância. Aquele efectivo diminuto dá-nos ideia do esforço tremendo que as Forças Armadas têm de fazer, no seu dia- a- dia, com falta de pessoal a todos os níveis, para o cumprimento das suas missões. Obviamente, nunca houve ao longo dos anos qualquer governo que tivesse a coragem de indicar as missões que as Forças Armadas deixarão de cumprir, por falta de meios.
Forças militares em parada na Avenida Marginal de Ponta Delagada.
Seguiu-se a alocução do Presidente da República, ao que se sucedeu a cerimónia simbólica de condecoração de três militares, um oficial do Exército, um sargento da Armada e uma praça da Força Aérea, respectivamente com medalhas de serviços distintos, mérito militar e comportamento exemplar. Durante os intervalos entre as diferentes partes da cerimónia, a jornalista que conduzia a reportagem ia fazendo comentários vários e ia interrogando quatro oficiais que com ela se encontravam, actuando como representantes dos três Ramos das Forças Armadas e do Estado Maior General das Forças Armadas. Como já estamos infelizmente habituados, parte das perguntas feitas não tinham qualquer ligação com as cerimónias em curso, nem com o enaltecimento dos serviços prestados pelas Forças Armadas ao País, procurando apenas o sensacionalismo, em detrimento das Forças Armadas. Há dois anos atrás, nas cerimónias realizadas no Terreiro do Paço, foi o Colégio que esteve na berlinda. Este ano, o primeiro tema escolhido foi o roubo das armas dos paióis do Exército em Tancos, com o qual foi confrontado o oficial representante do Exército. Dado este não dar desenvolvimento ao assunto como a jor-
nalista gostaria, a questão foi posta mais duas vezes, procurando carregar na ferida que aquele assunto abriu. Este assunto é público, sendo também pública a forma como lhe foi dado seguimento, bem como a determinação de responsabilidades e medidas disciplinares resultantes com que culminou, tudo em desprestígio para a Instituição Militar. É uma questão que não se deve esquecer, para que nunca se volte a repetir, desígnio último este mencionado pelo oficial interpelado. Não é uma questão para ser abordada, de passagem, em reportagem de uma cerimónia, muito em particular de uma celebração do Dia de Portugal. A jornalista sabe-o decerto, mas deverá achar que da forma que actua dá mais «colorido» à sua reportagem. Foi trazido também à colação pela jornalista a questão dos efectivos das Forças Armadas. Fiquei a saber números que desconhecia. Segundo ela, o efectivo total actual das Forças Armadas é de 26.831 elementos, menos 1.000 elementos que há um ano atrás. Este sim é um assunto de que o público deve ter conhecimento e sobre o qual deve ter opinião. Aquele efectivo total, abaixo dos mínimos estabelecidos, é indício de umas Forças Armadas exíguas,
Ainda segundo o que foi indicado na reportagem, as forças em parada, sem grande dimensão, reuniam um total de cerca de 1.300 elementos, ou seja, cerca de um vigésimo do efectivo total das Forças Armadas actuais, algo que o cidadão comum não imaginaria. Deve-se porém realçar, que o transporte daquele pessoal para Ponta Delgada representou um exercício de projecção de forças assinalável, face à realidade anteriormente descrita. Voltando ao objecto deste artigo, ou seja, às cerimónias, refiro que o desfile das forças em parada foi antecedido pela passagem perante a tribuna de honra de um grupo numeroso de antigos combatentes da Guerra do Ultramar, homenagem justíssima prestada a esses homens, que souberam responder «PRONTOS», quando a Pátria os chamou. Os Açores deram um contributo importante ao nosso esforço de guerra. Nos Açores foram formadas e instruídas muitas unidades, que serviram nos três teatros de operações do Ultramar, ficando os açorianos conhecidos por ser gente rija e valente. Depois de passarem perante a tribuna de honra, os combatentes foram tomar lugar em tribuna anexa à mesma, para eles preparada, de onde puderam assistir à passagem daqueles que hoje estão em funções que já foram suas e de quem se espera que as honrem como eles as souberam honrar. Iniciou-se o desfile com o bloco dos Estandartes Nacionais, onde estava, logo na primeira fila, como é da tradição, o nosso
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O Colégio Militar nos Açores
Formação do Colégio Militar seguindo para o local de início do desfile.
Estandarte. Era o sinal de que o Colégio viria logo a seguir, o que veio a acontecer, marchando a formação colegial com o garbo que se lhe conhece, que se lhe exige e que é seu apanágio, desde a sua primeira aparição pública, imortalizada nas «Farpas», pela pena magistral de Ramalho Ortigão. As formações seguintes foram passando, sempre sob os aplausos da farta assistência, até que se fez um pequeno interregno, antes da aparição das forças especiais, que maior impacto têm sobre a assistência. E chegou a sua vez, com o desfile de uma formação de fuzileiros, no seu passo de corrida característico, ritmado por fortes batimentos com as botas no pavimento, acompanhados pelos seus próprios gritos de guerra. Aos fuzileiros seguiram-se os comandos, igualmente impressionantes com a sua marcha mais lenta e compassada. Quando eu observava com prazer a passagem dos comandos, a jornalista de serviço, dentro do critério «sui generis» com que conduziu a sua reportagem, achou que a questão mais oportuna e adequada para
pôr, naquele preciso momento, ao oficial representante do Exército, era a de saber em que ponto estava o processo em curso nos tribunais, relativo à morte de dois instruendos em curso de comandos realizado no passado Verão. A resposta foi óbvia, «o processo está em curso». A pergunta, como ela sabia, não poderia ter outra resposta, mas deve ter considerado que já tinha «marcado pontos», ao trazer a lume mais um problema que a Instituição Militar tem entre mãos. No final das forças especiais desfilaram os paraquedistas, também de forma impecável, entoando o seu hino «Pátria Mãe». A fechar a cerimónia deu-se uma passagem de meios aéreos sobre a assistência, nomeadamente: dois helicópetros, um EH101 da Força Aérea e um Lynch da Armada, um avião C 295 e uma esquadrilha de 4 caças F 16. Dei o meu tempo por bem empregue. Gostei do que me foi dado ver. Não gostei do que me foi dado ouvir, da senhora jornalista referida. Não esteve à altura das
cerimónias que ali se desenrolaram, não sabemos se por incapacidade ou se deliberadamente. Se deliberadamente tentou desprestigiar a Instituição Militar e todos os que a servem, que haja quem lhe explique na RTP, que ela é paga pelos contribuintes e que a RTP, dada a sua natureza pública, tem obrigações próprias e não existe para satisfazer os caprichos pessoais dos seus funcionários, como é o seu caso.
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Até o meu coração se encheu de orgulho
Carlos Miguel Ribeiro Ferreira Barbosa 16/1961
Desfile do 10 de Junho - Açores Até o meu coração se encheu de orgulho !
Aspecto do desfile da formação do Colégio Militar.
Este ano as comemorações do dia 10 de Junho, decorreram em Ponta Delgada, Açores. Eu, Carlos Ferreira Barbosa, ex 16 /1961, aqui vivo há 30 anos e pertenço a um pequeno grupo de Antigos Alunos, que todos os anos, pelo 3 de Março, nos juntamos num almoço,
geralmente organizado pelo saudoso e inesquecível fadista José Pracana, estando agora a organização entregue ao Carlos Teixeira da Silva, o mais veterano. Já fomos dezenas, chegando até os generais, comandantes dos três ramos das Forças
Armadas, nos Açores a serem Antigos Alunos. Pois acontece, que esta pequena cidade se encheu este fim de semana, com 1.500 militares, quatro navios da Armada, caças e helicópteros da Força Aérea, veículos de combate, tendas de campanha na Avenida Marginal com exposições didáticas das actividades de todas as nossas Forças Armadas, ou seja, uma “invasão” militar. Pois não é que vinha eu pela Avenida, onde decorria o treino do desfile e vejo o porta bandeira do Colégio no meio do pelotão dos porta bandeiras das outras unidades presentes! Fiquei contentíssimo e calculei logo que haveria de haver uma representação do Batalhão Colegial. Já não parei à procura deles e lá os encontrei ao pé do Forte de São Brás, à espera do ensaio geral. Que alegria ! Uma companhia de cerca de 50 Alunos e Alunas, estava pronta e animadíssima por estarem nos Açores. Ali passei um bocadinho delicioso à conversa com eles. Passado umas horas, e eu, que moro perto, resolvi ir espreitar o ensaio geral. Que orgulho que tive ao ver, a Companhia
Até o meu coração se encheu de orgulho
Outro aspecto do mesmo desfile.
do Colégio, perfilada em frente à bancada presidencial, liderando o desfile das forças em parada, como eu disse , com mais de 1500 militares ! Que aprumo! Que classe! Iniciado o desfile, aí vêm eles na minha direcção, e passam mesmo junto a mim, marchando com uma pujança e uma cagança, que eu não me contive e no meio daquela assistência, sózinho desatei aos berros : - Vai lindo o meu Colégio ! Todo eu vibrava de emoção … E o meu coração encheu-se de orgulho, quando uma Aluna, me retribuíu com um sorriso, todo aquele meu entusiasmo. Enfim, disparates de quem há dezenas de anos, não assiste a um 3 de Março! Como é possivel que aquela nossa Casa nos marque tanto para a vida, apesar de, por motivos de saúde, tão poucos anos lá ter passado. No dia seguinte, grande parada, farda de gala, calor intenso, discursos que nunca mais acabavam, soldados caíndo para o chão desmaiados, e o Colégio firme e aprumado. Nem se mexiam em “descanço”, mesmo de frente para as centenas de autoridades e embaixadores e convidados.
Começa o desfile, e nós um muito pequenino grupo de Antigos Alunos, juntámo-nos no passeio, e quando a Companhia do Colégio passou, fez-se ouvir em público, talvez pela primeira vez na história dos Açores, um tremendo Zacatraz, que a todo aquela multidão espantou, e que de certeza, surpreendeu os nossos jovens. Eu não concordei com a extinção do Instituto de Odivelas e com a incorporação das nossas “ eternas namoradinhas” , no Batalhão Colegial. No entanto, perante o aprumo e a dignidade com que estas Alunas se comportaram em parada, tenho de reconsiderar esta minha anterior reserva.. Que estes dias nos Açores fiquem nas vossas memórias, como ficarão para sempre no meu coração. Ponta Delgada, S. Miguel, Açores
Ainda o mesmo desfile.
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XXV Encontro Nacional dos Combatentes
XXV Encontro Nacional de Homenagem aos Combatentes 10 de Junho de 2018 Sem que tivéssemos dado pela passagem do tempo, lá fomos pela 25ª vez até ao Forte do Bom Sucesso, para celebrar a Pátria honrando os seus combatentes. Lembramo-nos bem do primeiro encontro, aquando da inauguração do monumento aos combatentes, erigido por felicíssima iniciativa da Liga dos Combatentes, bem como dos encontros subsequentes, em que ali nos reunimos, para homenagear os combatentes que morreram pela Pátria, não só os que pereceram na Guerra do Ultramar, de que as lápides deste monumento guardam os nomes, mas também aqueles que ao longo dos séculos deram as suas vidas por Portugal, nas sete partidas do mundo e nos mares que a todas une. Contrariamente ao que é habitual, não estava um lindo dia de sol, estava um dia de tecto baixo e brisa forte e fresca, que convidava a levar um agasalho, senão mesmo um impermeável. Felizmente acabou por não chover. Foi um dia «normal», dentro da normalidade desta Primavera fresca, chuvosa e atípica, que este ano nos surpreendeu, bem como a todos os turistas que nos procuram. Tendo chegado ao local da cerimónia com bastante antecedência, para podermos
desfrutar do convívio dos muitos camaradas que ali sempre se encontram e para nos irmos imbuindo, aos poucos, do espírito da cerimónia, tivemos oportunidade de, mais uma vez, deambular pelo interior do Forte, agora museu, que a Liga dos Combatentes mantém com todo o esmero e cuja visita se recomenda. Aproveitámos também para visitar a Capela e o Memorial aos Mortos, de criação relativamente recente, instalação de grande dignidade, onde se faz ouvir de forma continuada o nome dos mortos registados nas pedras do monumento. Encontra-se também aí uma foto, em grandes dimensões, do Cristo das Trincheiras, de transcendente significado para os nossos Combatentes da Grande Guerra (1ª Guerra Mundial), que há muito nos deixaram, mas que continuam sempre vivos no nosso espírito. Terminámos o nosso preâmbulo das cerimónias, com uma passagem lenta pelas lápides com quase uma dezena de milhares de nomes dos caídos na Guerra do Ultramar. Sabendo-se os anos dos seus falecimentos, qualquer um pode encontrar, com relativa facilidade, os nomes dos seus amigos e camaradas caídos nos três teatros de operações da mesma guerra. Junto a vários nomes estavam fixadas às lápides,
com fita adesiva, flores aí deixadas certamente por familiares dos Combatentes assim assinalados. São lágrimas de Portugal. Assinala-se que a atmosfera ribeirinha envolvente do monumento tem feito sentir o seu efeito sobre o mesmo, havendo um número elevado de nomes dos quais desapareceu a cor das letras, tornando difícil a sua leitura. Há que reavivar a cor desssas letras com a maior brevidade. Não podemos deixar apagar-se a memória daqueles nossos camaradas. Assinalamos que a par de centenas e centenas de veteranos da Guerra do Ultramar e de familiares dos combatentes falecidos, fomos também encontrar jovens militares dos três ramos das Forças Armadas, cuja presença naquele local e naquelas circunstância é sempre de saudar. A sua presença deu para actualizarmos os nossos conhecimentos sobre a realidade militar de hoje. Estabelecemos conversa com um jovem «marinheiro» que tinha nos ombros galões com o formato dos de um Guarda-Marinha, mas de cerca de metade da largura dos mesmos. Esclareceu-nos que, sendo aluno do 5º ano da Escola Naval, era Aspirante de Marinha, posto que já em tempos existiu, mas que não existia nos nossos tempos nas fileiras.
XXV Encontro Nacional dos Combatentes
Missa de sufrágio realizada no Mosteiro dos Jerónimos, antes da cerimónia frente ao forte do Bom Sucesso.
Chegada a hora da cerimónia, formou frente ao monumento uma pequena guarda de honra da Academia Militar, com cadetes do Exército e da Guarda Nacional Republicana, indo então os guiões das diferentes associações de combatentes postar-se frente ao monumento, ao longo das placas com os nomes dos mortos em campanha. A cerimónia iniciou-se, da forma habitual, com o discurso de abertura alusivo ao acto proferido pelo Presidente da Comissão Executiva para a Homenagem Nacional aos Combatentes 2018, Senhor Tenente-General Carlos Carvalho dos Reis, de que destacamos, de entre os altos cargos que exerceu na sua carreira, o de Chefe da Casa Militar do Presidente da República. Recorda-se que o Senhor Tenente-General Carvalho dos Reis é um militar que ao longo da sua vida demonstrou uma grande amizade pelo nosso Colégio, amizade essa que a nossa Associação reconhece e agradece, razão pela qual o distinguiu, em 2016, com um dos seus Prémios Barretina de Amizade ao Colégio. No seu discurso de abertura, homenageou o Senhor Tenente-General Carvalho dos Reis os combatentes,
tendo uma palavra especial para os nossos irmãos de etnia africana que integraram as nossas fileiras, homenageando ainda as mulheres, não só as enfermeiras paraquedistas, mas também as mulheres que na ausência dos seus maridos tiveram de garantir na retaguarda a coesão das suas famílias. Terminou afirmando que Portugal tem para com todos eles uma enorme dívida de gratidão. Seguiu-se a leitura da mensagem recebida do Presidente da República, que à hora em que decorreu este evento se encontrava em Ponta Delgada, nos Açores, presidindo à cerimónia comemorativa do Dia de Portugal, realizada este ano naquela cidade. Na ausência do Senhor Presidente da República foi a sua mensagem lida pelo Senhor Tenente-General Carvalho dos Reis. Na mensagem lida, o Senhor Presidente da República lembrou em particular os combatentes do Corpo Expedicionário Português que participaram na batalha de La Lys, na 1ª Guerra Mundial, na Flandres, cujo centenário passou há dois meses atrás. Finda a leitura da referida mensagem, teve lugar a habitual cerimónia inter-religiosa (católica e muçulmana) de sufrágio pelos
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combatentes mortos no cumprimento do seu dever. É sempre um dos momentos mais comoventes de todas as comemorações, sublinhado sucessivamente pelos toques de silêncio, dos mortos e de alvorada. Terminada a cerimónia religiosa seguiu-se a alocução de homenagem aos combatentes, alocução essa, que à semelhança do já verificado no ano passado, esteve a cargo de um Antigo Aluno do Colégio Militar. Este ano a responsabilidade da alocução caiu sobre os ombros do Senhor Coronel de Infantaria Comando Américo José Guimarães Fernandes Henriques (352/1956), combatente da Guerra do Ultramar, estudioso e conhecedor profundo da nossa História Militar, conferencista de renome. Como é seu timbre, proferiu uma alocução de grande qualidade, que foi muito apreciada e que, com sua autorização, reproduzimos mais adiante na presente revista.
Leitura da mensagem do Presidente da República pelo Senhor Tenente-General Carlos Carvalho dos Reis.
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XXV Encontro Nacional dos Combatentes
Rosas coladas às lápides do Monumentos aos Combatentes (lágrimas de Portugal).
Terminada a alocução transcrita, foi a vez de se proceder à deposição frente ao monumento de coroas de flores de homenagem ao Combatentes mortos. Esta parte da cerimónia não decorreu com a qualidade que seria desejável, foi demasiado morosa e descoordenada no seu final. Ao longo dos anos tem-se vindo a multiplicar o número de coroas de flores que são colocadas pelas mais variadas entidades, o que prolonga a cerimónia excessivamente, propiciando condições para que haja confusão. Há que restringir o número de coroas de flores a depositar, para que a cerimónia não se torne fastidiosa, se mantenha sob controlo e não perca a solenidade desejada. Finda a deposição das coroas de flores, a banda da Guarda Nacional Republicana executou o Hino Nacional, que foi entoado em uníssono pelos presentes, ao mesmo tempo que um navio da Armada surto no Tejo, em frente à Torre de Belém, executava uma salva de artilharia protocolar. Para finalizar a cerimónia deu-se o sobrevoo do monumento por um Alouette III da
Força Aérea, aeronave que prestou serviços relevantíssimos no decurso da Guerra do Ultramar. Quem sabe, se entre os presentes estaria algum homem cuja vida terá sido salva, depois de ter sido ferido, por uma evacuação atempada por helicóptero. Os homens dos helicópteros orgulhavam-se de ir buscar os feridos a sítios considerados «impossíveis», mesmo sob o fogo do inimigo. Não faltam testemunhos dessas acções de enorme abnegação. Como eles à vezes ainda hoje dizem, «não se deixou ninguém na picada». Seguiu-se o habitual desfile dos combatentes componentes das forças especiais, que não prescindem desse ritual, em que demonstram, de forma exuberante, que mentalmente a idade não os verga. Lá marcharam os «fuzos», os comandos e os «páras», na sua sã rivalidade. Confessamos que este ano a formação dos comandos não nos convenceu. Apresentaram-se envergando umas T-shirts brancas, vestidas sobre as suas camisas, nada de acordo, a nosso ver, com as circunstâncias do momento. Esperamos que este tipo de
indumentária não se repita e que estes homens continuem a fazer entoar bem alto o seu grito «MAMA SUME», mas «fardados» de casaco e gravata, como a cerimónia em que participam requer. No final das cerimónias não se assistiu aos habituais saltos dos paraquedistas, devido às condições de tempo, que como se disse não estavam de acordo com o calendário, não contribuindo para o brilho da cerimónia. Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957)
XXV Encontro Nacional dos Combatentes
torrão natal. “Ao cheiro desta canela o Reino se despovoa”, como disse Sá de Miranda. E esse despovoamento reflectiu-se no fechar do nosso Século de Ouro, afectando directamente o potencial militar da Nação, e materializando-se de forma trágica no desastre de Alcácer-Quibir. Sem Exército capaz de o Defender, com a Marinha dispersa pelas águas do Império, Portugal caiu debaixo da dominação estrangeira, e durante sessenta anos sentiu como a pior de todas as tiranias é a que vem imposta de fora.
Alocução pelo Senhor Coronel de Infantaria Comando Américo José Guimarães Fernandes Henriques (352/1956).
Alocução do dia 10 de Junho de 2018 Camaradas combatentes de África e das Forças Nacionais Destacadas. Irmãos de Armas. Na celebração do Dia de Portugal, De Camões e da Presença Portuguesa nas Sete Partidas do Mundo, recordemos neste lugar de Homenagem aos melhores de todos nós, a frase de Mouzinho de Albuquerque na sua carta ao Príncipe Real D. Luís Filipe:
Com as Forças Armadas de então minimizadas e mandadas defender o interesse alheio, a Independência da Pátria correu o risco iminente de extinção. Mas sempre fiel à perenidade do torrão que o viu nascer, o Povo Português, no braço armado dos seus filhos, revoltou-se no 1º de Dezembro de 1640 e venceu. Nasceu então o Exército Permanente, assente como desde a Fundação e da Reconquista Cristã no esforço da Nação levantada em armas, e a glória final de 28 anos de Guerra garantiu a Portugal a Independência e a Soberania. Tempos conturbados viveram depois as Forças Armadas. Tidas como caras demais e inúteis porque ninguém nos vinha atacar, recuperaram em parte o seu poder graças ao génio de Pombal e ao trabalho ilustre do Conde de Lippe, para se afundarem de seguida na incúria e na incompetência do Poder Político de então. Ignorando que um Exército leva a destruir o tempo de uma batalha perdida ou da assinatura de um Decreto (mas que a construir leva muito mais tempo e custa muito sangue), os Governantes de D. Maria I e do Príncipe Regente D. João votaram a coisa militar a um abandono criminoso, deixando Portugal indefeso e aberto à vergonha da Guerra das Laranjas e à tragédia da Guerra Peninsular.
“Meu senhor, Este Reino é obra de Soldados”. Obra de Soldados de Portugal, Filhos do Povo levantado em Armas rodando entre a espada e o arado, que talharam a golpes de montante (mouros na terra, moradores às armas!!) as fronteiras da Pártia tornada Independente. Gloriosos que foram na defesa heróica dessa mesma independência nos campos sagrados de Aljubarrota, palmo de Terra defendida e Berço sublime do Espírito Nacional Português. Heróis da Aventura Imperial, navegadores ilustres de uma Marinha gloriosa, povoadores das novas terras em íntima relação com as novas gentes, num movimento de expansão que por pouco despovoava o
Gloriosa pelo sacrifício do Povo Português na guerrilha e na ressurreição do seu Exército, a Guerra Peninsular saldou-se por uma vitória conseguida sobre 200 mil mortos e com a riqueza Nacional completamente destruída. Ensinou-nos o Invasor de então que quando se quer destruir um Estado, três coisas se fazem sempre: Apagar a memória histórica, retirar a moeda e desmantelar as Forças Armadas. Veio depois o período acidentado do Liberalismo, com a luta política fracturando a Nação e o Exército, e lançando o Portugal Liberal contra o Portugal Legitimista numa Guerra Civil desgraçada e de consequências terríveis e profundas.
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XXV Encontro Nacional dos Combatentes
Venceu o Regime Liberal, mas a luta política permanente entre os vencedores de ontem, reflectiu-se de forma dramática na Instituição Militar, lançando a Nação em revoluções e pronunciamentos, confrontos e Guerras Civis destruidoras da Coesão Nacional, e causa última da vergonha de uma intervenção militar estrangeira para impor ao Portugueses a Convenção de Gramido. Com a Regeneração, procurou o Poder Político reorganizar as Forças Armadas, mas os seus estudos e propostas, papeladas brilhantes profundamente discutidas, a quase nada conduziram, e deixaram para a posteridade uma mensagem de permanente actualidade: os papéis e os estudos, por mais brilhantes que sejam, não combatem. Ai não combatem não! E assim, o Portugal Militar, na pobreza do seu Exército e da sua Marinha, teve que engolir a amargura afrontosa do Ultimato Britânico, e pese embora as gloriosas Campanhas Africanas de 1895 a 1898, clarão de força e prestígio num apagamento generalizado, o Portugal Militar manteve-se na triste posição de tolerado durante as lutas políticas finais da Monarquia. Infiltradas pela tempestade de insegurança social e permanente Guerra político-partidária que caracterizou a balbúrdia sanguinolenta da 1ª República, as Forças Armadas, saídas da Nação e repousando na presença generosa dos seus filhos, viram como a sua impreparação, agravada pela animosidade partidária que minava os seus quadros, as conduziu à África e à Flandres, cenários da nossa participação na 1ª Guerra Mundial. Votadas ao abandono, originado mais uma vez pela vontade política arregimentadora de paixões, deixadas à sua sorte para o sacrifício heróico dos melhores e mais generosos dos seus filhos, as Forças Armadas ainda hoje não viram ser perfeitamente julgado o drama da 1ª Guerra Mundial. Bateram-se depois os soldados da Pátria numa Guerra de 13 anos à sombra do So-
nho Imperial, e devolveram ao Povo Português o Direito de decidir do seu Destino. E bateram-se de forma brilhante, hoje internacionalmente reconhecida, nas chanas, bolanhas e matas africanas. Isolados que estávamos, aprendemos à própria custa que as Nações não têm amigos, têm interesses, e vimos como os nossos Aliados consideraram os nossos Teatros de Guerra fora da Área da Aliança. E do heroísmo e do sacrifício dos combatentes de Terra, Mar e Ar nas Campanhas Africanas, somos todos nós testemunhas vivas, que aqui e agora honramos os nomes gloriosos que enchem este Monumento, e que lembram, pelos Séculos dos Séculos, aqueles que, no cumprimento sagrado do Dever, se libertaram para sempre da Lei da Morte. Lutou a Pátria Portuguesa, desde a Fundação até às Campanhas Africanas, apoiada no braço armado dos seus filhos, unidos à sombra da Bandeira Nacional na Histórica Instituição do Serviço Militar Obrigatório, desenhado pelo Regimento de Ordenanças de D. Sebastião. E hoje, depois da extinção, no mínimo controversa, dessa ilustre Instituição que irmanava a Nação e as Forças Armadas numa comunhão inabalável afirmada pela luta de Séculos, as Gloriosas Forças Armadas Portuguesas, no seu esforço Patriótico em Terra, no Mar e no Ar, continuam animadas do mais exemplar Espírito de Missão. Reduzidas, quiçá abaixo do mínimo indispensável pela vontade do Poder Político, tidas por uns quantos, como tantas e tantas vezes sucedeu na nossa História, por caras e inúteis, as Forças Armadas continuam a defender brilhantemente o Interesse Nacional nas Forças Nacionais Destacadas, operando em Teatros que, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, estão agora dentro da Área da Aliança… E os militares de Portugal, na sua generosa humildade e no seu patriotismo irrepreen-
sível, estão hoje como ontem, na firme disposição de cumprir o Juramento mais sagrado a que qualquer cidadão de bem pode, e deve, sentir-se obrigado: Defender a Liberdade e a Dignidade, a Soberania e a Independência da Pátria que o viu nascer, mesmo com o sacrifício da própria vida.
VIVA PORTUGAL!
Américo José Guimarães Fernandes Henriques
(352/1956)
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Entrevista
Ângelo Felgueiras 498/1976
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que era para ser uma entrevista, com perguntas e respostas, virada para o conhecimento do entrevistado e menos para as expedições, foi uma conversa (gravada), muito agradável, espontânea, em que o “entrevistado” mostrou total arrumação de ideias e sentimentos relativamente ao seu comportamento, à forma como vê o Colégio, e a alguns aspectos da prática do social na vida em sociedade. A ideia de que quem faz coisas extraordinárias resulta de pessoas invulgares, confirma-se. Duas opções se puseram quanto à forma de apresentar o texto: ou editá-lo gramaticalmente e tratá-lo literariamente, ou apresentá-lo, tal e qual, como resultou da gravação feita, por vezes com frases começadas mas não acabadas,
mas sem perder a vivacidade, a espontaneidade e o entusiasmo das respostas. Fica a certeza de que, no caso presente, a passagem a escrito empobrece o conteúdo porque faz perder a riqueza da emoção: entrevistados com esta personalidade, pela força que transmitem, deviam sê-lo sempre com som e imagem. Como foi a tua vida no Colégio, o que se seguiu? A minha vida no Colégio foi atípica: sou filho de militar expulso das Forças Armadas na sequência da guerra da Índia, cresci com um Pai a quem toda a gente chamava “Capitão Felgueiras”, mas que não era militar, que na sequência da guerra ficou toxicodependente durante não
sei quantos anos, cresci com um Pai viciado em barbitúricos e drogas pesadas; os meus Pais separaram-se, eu era eu o mais novo de quatro irmãos, tinha 9 anos. Fui para o 1º ano do Ciclo num Liceu no primeiro ano lectivo depois da revolução, e chumbei por faltas e mau comportamento, e, não me perguntes porquê, no meio daquela bagunça de aulas naquele ano, miraculosamente acabei por passar de ano. As minhas companhias não seriam as mais recomendáveis, naquela época, e tive uma estrelinha na minha cabeça que me disse “ou mudo de vida, ou a minha vida não vai ser normal”. Entretanto, o meu Pai foi reintegrado após o 25 de Abril em Tenente-Coronel, e fui pedir-lhe para ir para o Colégio Militar, ao que me respondeu:
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Entrevista a Ângelo Felgueiras
Quando saí era um aluno médio, nunca tive qualquer apoio, explicações..., era eu que me desenrascava, que tinha que fazer tudo, que tinha que comprar tudo, era eu que fazia aquilo que, normalmente, os Pais fazem pelos filhos. Não estou a chorar-me! Passei quase sempre cortado a Inglês, quando saí do Colégio não tinha más notas, as minhas informações eram razoáveis, e, até para irritar o meu Pai, fiz um esforço para que fossem o melhor possível; a partir daí, saí, entrei provisoriamente numa escola de que não gostei muito, segui para o Pedro Nunes (área de Desporto), acabei o liceu e fui para a Força Aérea. O Colégio deu-me, como acho que dá a quase todos os alunos, em especial nos últimos tempos, uma série de valores de que na altura não nos apercebemos, mas que incorporamos e se vêm a manifestar um pouco mais tarde, ao longo da vida. Não tenho a mais pequena dúvida! Isto tornou-se patente logo que comecei a estudar cá fora. Que etapas profissionais se seguiram?
“vai buscar os papéis”; fui, o meu Pai assinou, levei os papéis ao Colégio e fui incorporado como o 498/1976 para o 2º ano, integrado no curso de 1975, onde andei e tinha, indiscutivelmente, uma história de vida e uma bagagem de sobrevivente que não tinha nada a ver com os meus colegas normais (cheguei a ficar fins de semana no Colégio porque ninguém me ia buscar!) No 10º ano, a meio do ano, tive uma guerra com o meu Pai, e como ele não acedeu ao que eu queria (tirar o passaporte e fazer o Curso de Paraquedismo no Colégio), saí do Colégio por minha decisão. Uma semana depois, no 2º Período, um dia bate à porta de casa do meu Pai um Vigilante (o Teixeira) dizendo que “o 498 não aparece, o que se passa com o seu filho?”; já eu estava noutra escola, onde me tinha ido matricular.
Fui para a Força Aérea como voluntário para a especialidade de Piloto (não carreira militar), onde estive 4 anos certinhos. Não fui para a Academia; eu não tinha dinheiro de família, tinha que me virar, eu não podia viver 4 anos com o ordenado de Cadete: não era nenhum pateta que não sabia o que queria da vida, sabia o que queria e, portanto, mesmo que quisesse ir para a Academia, primeiro tinha que ser Piloto. Previamente tinha investigado: naquele tempo faziam-se 4 anos teóricos, começava-se a voar no 5º ano e havia Cadetes que chumbavam e tinham sido perdidos 4 anos! Fazendo o que fiz, poderia sempre seguir, depois, a carreira militar, mas tinha as minhas dúvidas se era isso que queria, não por não acreditar: defendo imenso as Forças Armadas e a carreira militar, mas tenho enorme desprezo (é a palavra certa) pela gestão de recursos humanos das nossas Forças Armadas; e ainda bem, que o fiz, porque tudo o que me prometeram para me aliciar, acabou por não ser cumprido. Não estou nada arrependido.
Entrei como Oficial Miliciano, fiz 2 meses de recruta, fiz o Curso de Pilotagem onde sempre tive classificações bastante decentes, 4 anos depois terminei o meu contrato, saí, concorri à TAP, entrei com 23 anos, fui largado aos 24 e ... estou lá há 30 anos. Ainda relativamente a esta parte da TAP tiveste actividade para lá da de Piloto... Na TAP entrei directamente para o 727 em que fui co-piloto durante 3 anos, seguindo-se co-piloto de 310 durante 7,5 anos. Durante este período (entrei em 1988), passaram-se tempos muito perturbados. Temos que ter em conta, entrei para a Força Aérea 10 anos depois do 25 de Abril (1985), havia muita coisa do passado recente ainda muito viva: na TAP quase todos os pilotos eram oriundos da Força Aérea, tinham estado na guerra, pelo que havia uma maneira muito própria de estar, praticamente não havia dirigentes políticos que não tivessem sido militares, era uma conjuntura muito diferente da actual. E viviam-se, ainda, tempos conturbados do pós-PREC o que acontecia, igualmente, dentro da TAP que era uma empresa fortemente politizada. O meu Sindicato, ou a Classe a que pertenço, teve sempre prática sindical activa, mas sempre desligada de partidos políticos; nem eu tive ou tenho qualquer ligação partidária. Mas, muito descontentes com a Direcção do SPAC (Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil), em 1996 há eleições para o Sindicato, com 3 listas a concorrer, tendo eu sido convidado para as 3 listas, acabando por integrar a de dois Antigos Alunos: o João Soeiro (199/1956) e o Joaquim Santana (671/1970); ganhámos as eleições, o João Soeiro ficou o Presidente e eu o porta-voz do Sindicato. Depois as coisas tiveram o desenrolar que tiveram no braço de ferro com a Administração foi uma bola de neve com erros de parte a parte, mas muito mais da parte do Governo para quem outras variáveis entravam em jogo, que por razões políticas não podia “ficar mal na fotografia”, não tendo nós qualquer condicionamento político: quando fomos para uma Comissão Arbitral ganhámos em toda a linha.
Entrevista a Ângelo Felgueiras
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Aspetos da exposição realizada no Centro Comercial Colombo, em Lisboa.
Foram 4 anos de Sindicato, depois saí, seguidamente ainda estive 2 anos como Presidente e depois afastei-me e nunca mais tive funções associativas. E agora, hoje, estás na TAP no exercício pleno da tua profissão. Outra questão: porquê filhos no Colégio Militar no fim do Séc. XX e início do Séc. XXI, tendo tu a consciência que o Mundo na altura em que o teu filho mais velho entrou já era muito diferente de quando entraste, mais ou menos 25 anos antes? Com base no que actualmente estou a viver, quando o meu filho entrou, se o Colégio fosse como o do meu tempo, nunca o teria posto lá. Estou convencido que quando tu entraste, se o Colégio fosse o de há 200 anos, o teu Pai não te teria posto lá. Se aquilo que vivo hoje fosse o contexto em que o meu filho entrou no Colégio, também não o punha lá; não, por não acreditar nos valores do Colégio, mas por não acreditar na capacidade de algumas pessoas que por lá andam, que não merecem lá estar, que desvirtuam o Colégio, ao ponto de eu conhecer uma série de miúdos que quando lá entraram queriam a carreira das armas e hoje me dizem “eu não quero ficar como aqueles”, e isso desaponta-me muito. Por outro lado, eu creio que isto também é transversal à nossa sociedade, e apesar de
tudo, creio que ali existem boas condições, saiba o Estado Maior do Exército perceber a importância do Colégio no contexto de Portugal e das Forças Armadas, mas aquilo em que acredito é que, não sendo a melhor escola no plano académico, é uma grande escola de Valores; não estou arrependido de o meu filho mais velho lá ter passado, sendo que relativamente ao meu tempo, os meus filhos tiveram sempre a hipótese de dizer que não queriam e tentei sempre encarar a estadia deles no Colégio sem ser um compromisso definitivo. Fui pondo-lhes objectivos parciais, eles foram fazendo os seus percursos, no final do 5º ano não quiseram sair, quando chegaram ao 6º ano, foi combinado com o mais novo ir até ao 9º ano, depois passou-se o mesmo com a entrada no Secundário e, assim, se foi fazendo. O mais novo, no ano passado, manifestou alguma vontade de sair, mas estava tão enturmado com o Curso que continuou, e foi essa a razão porque continuo a acreditar no Colégio: o Colégio tem um enorme potencial em todos os aspectos. E fica aqui, nesta entrevista à revista da Associação, uma palavra aos Antigos Alunos: temos a obrigação de participar numa enorme transformação que o Colégio precisa de ter, porque, senão, vai acabar. É a minha convicção!
E globalmente estás satisfeito com a componente de educação que o Colégio trouxe aos teus filhos? Sim, globalmente estou satisfeito: não tenho dúvidas relativamente ao mais velho, mas ainda é cedo para perceber o que vai acontecer com o mais novo, que neste momento é Graduado, e ainda não sei como vai reagir para o ano. Mudando um bocadinho: falemos de expedições. Como se iniciou esta “senda” das expedições, o que é que te motivou, como é que um dia te lembraste de começar? Quando eu estava, ainda no tempo do Sindicato, o que é uma coisa importante... porque quando nós desempenhamos funções da forma como eu as entendo, isto é, numa total disponibilidade e sem vida própria nos tempos em que lá estamos, porque há muitas coisas em que temos que ser reactivos de imediato, fui convidado por uns amigos para ir subir o Kilimanjaro. Não tive que organizar rigorosamente nada, deram-me uma lista do material que tinha que ter, estava em boa forma física, e em Dezembro de 1997, fui para a Tanzânia, para Arusha, e subimos e descemos o Kilimanjaro; mas eu continuava com uma actividade sindical imensa e sem tempo para nada. Quando saí do Sindicato, de repente,
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Entrevista a Ângelo Felgueiras
Aspetos da exposição realizada no Centro Comercial Colombo, em Lisboa.
parecia que estava de férias, tinha tempo livre, e então decidi fazer coisas que há muito tempo me apetecia fazer, e uma delas era fazer uma viagem de bicicleta: fui dar um passeio de bicicleta na Patagónia, influenciado por um Antigo Aluno do Colégio que deu a volta ao mundo de bicicleta - o Filipe Palma (351/1980) - e, nessa viagem, lembro-me de estar a descer para Santiago do Chile, estarmos a ver o Aconcágua ...e aí 2 anos depois estava a subir o Aconcágua, que se subia a pé, sem grandes questões técnicas, que se fazia entre 2 e 3 semanas (não era muito exigente em tempo), não tinha um preço exorbitante e portanto... ainda eram umas viagens fáceis de “vender lá em casa”. E depois do Aconcágua, já eu tinha aí 40 anos, que é aquela que eu considero a minha primeira subida, aí gostei e comecei a subir..., comecei a conhecer pessoas que falavam das montanhas... e a partir de certo momento é que a coisa se complicou porque começou a ser mais difícil “vender em casa”. E diz-me uma coisa: a partir de um dado momento começaste a ligar a realização destas expedições e objectivos de natureza social; como apareceu essa motivação? E além disso houve algum aspecto de vontade de superação pessoal que terá funcionado dentro de ti? Sim, foi a partir do Denali; quando eu acabei o El-
bruz na Rússia, disseram-me “tu andas atrás dos Seven Summits” (eu nem sabia o que isso era...), depois fui ver à internet e os Seven Summits eram as montanhas mais altas de cada continente. Percebi que não conseguia meter-me nisso sozinho, e pensei que não tinha que me autolimitar, e que talvez conseguisse se me preparasse e fizesse uns cursos específicos. E aí fui fazer um curso de Técnicas Invernais no Alaska para ver se eu seria capaz de subir o Denali; se eu fosse capaz (já era uma montanha mais complexa e com particularidades), admiti ter capacidade para tentar fazer os outros, e, subi, correu bem, foi a primeira vez que fui patrocinado. A entrada dos patrocínios foi importante, porque me resolveu um problema: não fazia sentido eu andar a passar férias a fazer o que queria, e a família ir fazer férias ali para... a praia de Algés. Resumindo, eu dou por mim a subir o Denali, amarrados uns aos outros, mas a distâncias de cerca de 15 metros, e isto permitiu-me “pensar, lavar a cabeça por dentro”, é uma das coisas importantes destas viagens: começar a fazer rectrospectivas da minha vida, começar a pensar em tudo, desde que me lembro de mim, porque é que entrei para o Colégio, o que é que me levou a sair, os momentos de sorte que tive na vida, quando eu precisava de uma estrela a estrela estava lá, e com 4 irmãos que fomos todos uns sobreviventes, eu com um bom casamento e com 3 filhos, tudo saudável, com o emprego que eu queria, com o emprego de que eu gostava, e ainda me pagam estas viagens, senti a obrigação de dar
à sociedade aquilo que a sociedade me deu, e decidi que a próxima montanha a subir seria associada a uma causa social, fosse ela qual fosse, e assim foi. Quando cheguei cá (a Portugal), vi uma entrevista do Presidente Jorge Sampaio na Cova da Moura, entrei em contacto, falei com o Moinho da Juventude, propus-me a ajudá-los, comecei a ajudá-los e comecei a tentar perceber quando ajudo e não ajudo, porque é que ajudo e não ajudo. Eles queriam fazer uma biblioteca, tinham pessoas lá que são pedreiros e carpinteiros, eu arranjei o material, e eles contruíram a biblioteca. E depois, começas a perceber que com pequenas coisas que fazes, podes ter um impacto importante junto de algumas pessoas, e é só uma questão de pouco trabalho: não me considero um altruísta, ponho as coisas a rolar, dá-me um bocadinho de trabalho mas não me dá imenso trabalho, e já que tenho publicidade pelo facto de ir, aproveito para apontar os holofotes chamando a atenção para essas instituições. Agora tocaste em aspectos do teu interior, da tua psique, da tua forma de sentir e de analisar o teu passado, sentiste uma obrigação perante a sociedade, sentiste que eras beneficiado, e agora há aqui uma terceira componente (provavelmente haverá muitas outras...), e fisicamente, como é que é? Fazes alguma preparação física especial? Faço desporto quase todos os dias; faço as disciplinas do triatlo, não com objectivos de tempos
Entrevista a Ângelo Felgueiras
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Aspetos da exposição realizada no Centro Comercial Colombo, em Lisboa.
ou de velocidade, mas porque todo o treino para um IRONMAN deixa-me preparado para qualquer montanha: um IRONMAN são 3.800 metros a nadar, 180 quilómetros de bicicleta e uma maratona, tudo no mesmo dia, são coisas que os campeões fazem em 8 horas e eu faço em 12,5/13 horas, e o meu objectivo é chegar ao fim. Já tenho 54 anos, já não tenho 30, muita gente diz “és um jovem”, mas não é assim, ... o corpo dói sempre, nós começamos é a habituar-nos a conviver com essa dor, e, portanto, faço um treino constante, não faço um treino específico. Depois, consoante, a expedição que vou fazer, ... por exemplo quando fui ao Pólo Sul, em vez de treinar só a parte física, fiz também um treino do ambiente em que ia viver, ... fui acampar de inverno para a Noruega e para a Islândia, fui fazer uma travessia de um glaciar na Islândia de 200 quilómetros que fizemos em 9 dias, antes disso tinha estado na Noruega a fazer um workshop com a nata dos exploradores polares - o que é uma coisa absolutamente fantástica! - com isso apercebo-me dos últimos materiais, dos últimos avanços tecnológicos, das dicas que eles dão resultantes da sua experiência; agarrei em tudo o que me ensinaram e fui pôr tudo isso em prática na Islândia, para que, quando chegasse ao Pólo Sul, à Antártida, eu ter a combinação ideal de luvas, de meias, óculos, da logística, de uma série de coisas que podem transformar a expedição numa miséria, ou, por outro lado, a podem fazer correr bem.
E os sponsors das expedições, como é que medem o retorno do investimento que fazem? A primeira empresa que me patrocinou foi a Groupama; eles tinham tido uma ligação com o Sindicato, conheciam-me, o investimento era pequeno, e ficaram satisfeitos; correu de tal forma bem, que, quando foi a outra montanha a seguir quiseram o exclusivo, sendo uma montanha mais cara, e seguiu-se o Everest e só não tornaram a patrocinar-me para os Pólos, mas tiveram uma conversa comigo e foi um apoio fantástico, porque entretanto houve um problema muito grande com a Groupama-mãe resultante da crise internacional, e não há nada que eu faça – ainda agora na conferência no Colombo com o Presidente da República – em que não lhes faça uma referência. O Presidente da Groupama, o Dr. João Quintanilha, apostou em mim, quando ninguém sabia do que é que eu era capaz, e eu faço questão de dizer que estou sempre muito grato por esse apoio que me deram. Eu acho que o investimento não é assim tão grande e tem a ver com o retorno. Agora foi com a Delta e a ERA Imobiliária. A Delta parece-me que teve um bom retorno, porque, de facto, apareci em muitos sítios e, após a expedições, as várias iniciativas em que participo dão-me imenso trabalho, mas é um dever que eu tenho para com o patrocinador, e em todas as entrevistas
refiro que os entrevistadores “me querem aqui, porque eu fiz isto, mas eu fiz isto porque aqueles senhores (os patrocinadores) o permitiram”, e estou-lhes muito grato e agradeço. Duas ou três curiosidades: que tipos de controle fazes do teu estado físico durante as expedições? Durante as expedições, depende: quando estou numa expedição de montanha, todos os dias de manhã, quando acordo e ao deitar, levo um oxímetro e meço a minha pulsação e a minha saturação de oxigénio; nesta expedição (Pólo Sul) eu não fazia isso, mas todos os dias me punha todo nu, tinha que ver o meu corpo, ver se estava magro de mais ou com frio, quando chegava descalçava-me, esfregava os pés na neve, o que funcionava como esfoliante, via o estado dos pés, calçava umas meias secas cheias de pó de talco; quando era para mudar de roupa tirava as calças exteriores, ficava de cuecas, via como estava o corpo, punha um óleo hidratante,..., conforme a expedição que é, corremos riscos diferentes, e é preciso acautelá-los. Mas há algum acompanhamento, alguma monitorização por parte de um médico, ou coisa assim? Não, durante não há; antes eu fiz um check up, mas se necessário (na Antártida) há uma sala
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Entrevista a Ângelo Felgueiras
A barretina do Colégio, sempre presente.
de operações, e se for preciso uma evacuação médica, levam-nos e há médicos lá; antes de começarmos a expedição o médico da expedição quis ver-nos, medir pulsação, etc., E as comunicações com o exterior? A parte de GPS e comunicações? Isso, hoje em dia, está completamente assegurado; eu só por minha conta tinha dois telefones satélite, e podia mandar fotografias e emails. Um telefone só fazia chamadas e sms’s e no outro tinha um aparelho pequenininho ligado ao iphone que me permitia escrever o mail no telefone, tirar uma fotografia e enviar; isto são coisas que já não é preciso ser milionário, são coisas para 600/700 euros. Mas, voltando ligeiramente atrás: estas expedições poderão ter consequências físicas a médio/longo prazo? Garantidamente têm! A longevidade – para cima ou para baixo? – eu acho que para cima (grande gargalhada!). Vamos lá ver: eu não tomo coisas esquisitas, portanto não ando a tomar coisas que me façam mal, e isto obriga-me a ter uma vida saudável, por um lado; mas há um esforço físico muito grande... sim, as pessoas dizem “ ah e tal, tu abusas”; isso não é verdade, pode haver um treino em que isso
aconteça, num dia de IRONMAN, mas comparado isso com os disparates que se fazem, eu continuo a achar que não é nada, portanto, quem tem uma alimentação regrada como tenho e quem pratica desporto com alguma regularidade, ... olho para mim, comparo-me com outros pais de filhos que são da minha idade, e acho que estou mais novo, tenho o mesmo peso há muito tempo...
astronauta, a partir dos últimos 2 kms, xixi para o penico, cócó para o saco do astronauta. E faz todo o sentido; tem ali perto uma base norte-americana, e, portanto, tem um sítio que recolhe, e é só uma questão de trabalho: tem lá umas casas de banho de campanha que se utilizam, e os xixis são despejados para uns frascos grandes e em vez de despejar na neve, vão para lá.
E, há constrangimentos muito fortes autoimpostos ou impostos exteriormente em questões de natureza ecológica ou ambiental?
Outra coisa: do ponto de vista científico, há consequências destas expedições? há algum contributo para avanço do conhecimento?
Impostos por mim, há; na Antártida, são impostos por um Tratado Antártico. Se me perguntares se não deixei lá nada, deixei com certeza: antes de nos irmos embora a nossa expedição encheu 3 contentores de lixo, mas tudo o que era embalagens de plástico (mais de 100 kgs), tudo isso fica cá. Por outro lado, o Tratado impede que se leve micro-organismos, pelo que antes de entrarmos para o avião que nos leva, somos sujeitos a diversas medidas de protecção. Haverá alguns que cumprem e outros que não cumprem, mas não é possível garantir que tudo é bem feito e cumprido.
Não intencional, mas sem ser intencional aconteceu: a primeira vez que fui à Antártida para subir o Vincen, no avião vi uns tipos com uma bandeira brasileira nos casacos, que nos disseram que estavam a fazer um programa científico de estudo do solo, e descobrimos que conhecíamos em comum um português que se licenciou em Geologia, o Comandante João Branco da SATA, e pediram-me para fazer uma recolha de solo, o que não foi difícil com a picareta que temos (o piolet): meter dentro de um saquinho, pôr as coordenadas de GPS, e entregar ... fiquei todo feliz e todo vaidoso de ter contribuído para uma expedição científica... o resultado não faço a mínima ideia... mas, depois de irmos para sítios tão extremos, depois de tantos briefings preparatórios, dá-nos uma
Mas, por exemplo, urinar... não tem problema nenhum: xixi / cócó, fica tudo lá até aos últimos 100 kms; a partir daí, cócó vai para o saco do
Entrevista a Ângelo Felgueiras
coisa: dá-nos a consciência, se não formos atrasados mentais, do que está a acontecer ao nosso Mundo. Mudando de tema, mais uma vez: como é possível compatibilizar a profissão com estas ausências? Tens férias, tens muitas férias, como é isso? Não, não tenho muitas férias; tenho que ter muito cuidado para explicar isto. Eu tenho as mesmas férias que as outras pessoas têm, que são 25 dias, de uma maneira geral, só que as pessoas têm dias úteis e nós temos em dias de calendário: para termos as mesmas férias que os outros em dias de calendário, nós temos 40 dias de férias. Quando é que tenho mais férias que os outros? Se as gozar seguidas. O que acontece, na prática, é que as pessoas não tiram isto tudo de seguida; eu tenho a enorme sorte de ser uma peça de desgaste: tenho que fazer x horas, mas ser eu ou outro qualquer não tem problema nenhum, ao passo que nas empresas, ou por questões de quórum ou porque certas decisões que só podem ser tomadas por certas pessoas, quem tenha que tomar decisões não tem essa possibilidade. Portanto, desde que eu faça as horas anuais a que estou obrigado, desde que cumpra os dias de trabalho que tenho que cumprir, se eu “espremer” um bocadinho algumas das minhas férias ou algumas das minhas folgas, até porque tenho férias em atraso porque muitas vezes nos pedem para voar em folga (o que é sobejamente conhecido), não marco folgas em compensação, guardo esses dias e junto aos restantes dias de férias. E no caso desta última expedição, que foi a mais comprida de todas, apanhou todas as minhas férias de 2017 e uma parte das de 2018. E a família como é que “aguenta” estas expedições? Isto pressupõe uma relação familiar muito particular... Isto pressupõe, em primeiro lugar, que exista um enorme respeito, depois, tem que existir um enorme conhecimento das partes; eu nunca tive necessidade de ir de férias sozinho
para descansar 2 ou 3 dias, eu adorava que eles viessem comigo...vá-se lá saber porque é que não querem... (gargalhada); eu não quero é deixar de ir por causa disso; eu não vou para estar sozinho, eu estou sozinho porque vou, e as pessoas não me acompanham, mas eles teriam condições físicas e psíquicas para o fazer? Teriam - de caras! - se tivessem vontade, mas para isso teriam que se preparar, era necessário quererem ir ...ninguém corre uma maratona sem primeiro ter corrido uma corrida de 10 kms... era por aí que teriam que começar; até porque eles já foram comigo, até ao campo-base do Everest, são 130 kms, com 7, 9 e 14 anos, entre os 2.000 e os 5.200 metros, portanto, quem tem condições para isto, tem condições para tudo, e a parte psíquica só se torna complicada se as pessoas não quiserem ir, mas eu acho que percebo aquilo que tu queres dizer: é muito tempo fora, e há o sentido do risco que quem cá fica, fica a viver, eu quando os levei ao Everest, eles perceberam perfeitamente que há muito menos risco que “aquele que se vende”, sobretudo se as coisas forem feitas como eu as faço, que é não facilitar em nada naquilo que está do meu lado. Relativamente a esta última expedição, que foi a mais longa, é indiscutivelmente a menos perigosa de todas, a mais dura do ponto de vista físico e psicológico até pelos constrangimentos que tem – pesa não tomar banho nem ter uma casa de banho durante 58 dias! – e por isso é preciso ter alguma indiferença perante estas coisas, mas eles foram-se habituando a eu fazer isto, e depois, tem outra questão: eles sabem que eu não seria capaz de fazer isto sem o apoio deles, eles sentem-se também parte da expedição, por um lado, e também fazem um bocadinho de chantagem com o Pai, o que sempre obriga a umas contrapartidas..., mas além disto eu levo-os aos sítios onde isto tem impacto em causas sociais, eles percebem o impacto que consigo ter nessas pessoas, e que eu só o consigo ter
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por causa deles. E, portanto, no meio de tudo isto, também há um misto de orgulho com alguma pena pela ausência; ainda agora recebi das pessoa que me foram acompanhando (via facebook), que ficaram muito sensibilizadas com as mensagens dos meus Filhos, dizendo-me que tinham muita pena que não estivesse cá com eles na altura do Natal, dizendo que percebiam porque é que eu não estava, principalmente as da minha filha que é a mais pequenina (agora com 15 anos) em que as pessoas “põem lá uns “likes” que fazem “chorar as pedras da calçada” e eu, também, fico todo sentido com isso. Diz-me uma coisa: e na vertente social ligada à Acreditar e a esse apoio a pessoas mais carenciadas, como vês a sociedade actual no apoio aos mais necessitados? Penso que, de uma maneira geral, as pessoas quando estão bem informadas... enfim, bom... isto é por modas: neste ano em que houve os incêndios, as pessoas estavam dispostas a tudo e prontas para dar; de uma maneira geral, e quando não há incêndios, quando não estamos numa fase de moda de ajudar alguém, as pessoas arranjam, em geral, motivos para não dar: “eu não dou porque não sei o que se vai fazer...”, mas quem quer dar, dá sempre. Eu não vou deixar de dar à Raríssimas pelo que aconteceu agora com a Presidente, o que ali aconteceu podia ter acontecido em qualquer outra instituição, e por isso temos que pensar – digo isto em todas as palestras - que quando estou a ajudar a Acreditar estou a ajudar-me a mim... eu não sei o que vai acontecer amanhã a qualquer um dos meus Filhos, estive ali com aqueles jovens e a ver a carinha deles, e comecei a ajudar a Acreditar, porque, por acaso, um dia entrei na Acreditar num passeio de bicicleta em que eu fazia parte do “team Acreditar”, e fazia parte do passeio visitar uma casa da Acreditar em Coimbra; entro e vejo uma miúda da idade da minha filha com um lenço na cabeça, branca porque estava nos tratamentos e aquilo tudo, e depois focam-me outro “puto” com 6 anos e os Pais dizem que está internado há 4... isto posso ser eu, com um filho ou um neto, posso ser eu amanhã, e nós podemos pensar que a obrigação é do Governo, mas o
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Entrevista a Ângelo Felgueiras
que é que custa fazer alguma coisa? Na realidade não custa nada... eu pus isto a rolar, nunca arranjei tanto dinheiro, não é que tenha sido muito, mas desta vez já terá chegado aos 50.000 euros ou anda lá perto... quando subi o Everest tinha arranjado uma carrinha para o ATL Galiza, e quando há carrinha as pessoas vêem a carrinha, e convido-as para a entrega da carrinha, e é mais fácil. Para a Acreditar é mais difícil, porque, se fosse este ano era mais fácil porque eles vão construir uma casa, e aí as pessoas sentiam-se a ajudar a construir a casa; neste caso era só ajudar a manter quartos, cada quarto custa muito dinheiro por ano... mas eu vou lá e vejo as famílias; eu acho que muitas vezes têm aquela coisa de “eu não dou porque não sei para onde o dinheiro vai”, mas é uma desculpa para não dar, eu já não desanimo com isso, e continuo a dizer que os elefantes se comem às fatias, eu faço a minha parte, cada um faz a sua, e se todos fizermos um bocadinho, isto de facto tem muito peso. O Parlamento louvou-te; como te sentiste e que importância teve? Eu sou apartidário, tenho imenso respeito pela democracia e pela casa da democracia; não tenho o mesmo respeito por todos os deputados por igual, das várias bancadas, acho que isto é transversal a qualquer pessoa, temos mais respeito por uns do que por outros. Por um lado, é muito interessante ir àquela casa, já fui várias vezes, até responder a Comissões Parlamentares, uma vez por causa do Colégio, mas a maior parte delas na área da economia nos tempos do Sindicato. Sabe bem! Devo confessar que sabe bem! Gostei, claro que gostei! Mas gostava que isto tivesse outro tipo de reflexo, gostava que não fosse apenas a iniciativa de uma pessoa que propõe, as outras bancadas acham aquilo interessante, subscrevem, e tal e fazem, mas o que eu gostava é que esta sensibilidade não se resumisse a fazer um texto simpático que é aprovado, mas sim a dar credibilidade e visibilidade a uma série de coisas... basicamente: eu não fui louvado pelo Presidente da República (ao contrário
do Parlamento), mas a importância e o apoio que ele deu a esta iniciativa, para mim teve muitíssimo mais significado. Estás a referir-te a quê? O Presidente que papel é que teve? Eu fui oferecer-lhe a Bandeira de Portugal que levei ao Polo Norte e ao Polo Sul, ele esteve a conversar comigo, gostou imenso da história e disse, com aquela energia que lhe é particular, ”Maria João! Este tipo tem imensa energia, vamos pô-lo a trabalhar para nós; importa-se de vir comigo às escolas?” E convidou-me para ir com ele, e já fomos a uma escola em Almada, “temos que mostrar isto aos portugueses, como é que vamos arranjar isto, e tal” e através da Presidência fez-se uma exposição no Colombo que ele foi inaugurar, esteve 15 minutos a falar de mim, fez um discurso (até achei que ele estava a exagerar!), basicamente o que disse foi “O Comandante Felgueiras encarna o que de melhor o povo português tem” e isto encheu-me de orgulho mas ... fica-se um bocado à rasca (a expressão é esta, não tenho outra), mas ele depois desmontou aquilo e explicou porquê; e de facto,... tenho que concordar que, se não fosse eu, e estivesse a ouvir aquela história contada por ele, fazia um bocado de sentido, que foi o que as pessoas à minha volta disseram, mas o que eu quero dizer é que ele deu a isto uma visibilidade e uma importância, porque dizia, “façam, façam, porque se ele foi capaz de fazer e é um tipo normal, vocês também podem fazer”, e é aí que eu acho que o Parlamento, às vezes, podia enaltecer um bocadinho, sem ser só um procedimento administrativo, mas que tivesse um efeito motivador para a sociedade. Deixa-me pôr isto nestes termos: eu fui falar a várias escolas, e nunca cobrei nada. Agora cobro a todas: ou peço um artigo de higiene ou uma lata de atum, ou um artigo alimentar, e depois vou levar a uma mercearia social a um bairro necessitado; toda a gente pode dar, uns podem dar muito, outros podem dar pouco, e mandei a história para vários sítios entre os quais o Colégio Militar. Houve uma escola que me pediu para ir lá
contar a história, e quando lá cheguei, vi num quadro um mapa que me pediram antes de eu iniciar a viagem - o mapa da minha viagem - tinham ido todos os dias ao facebook buscar a minha posição, imprimiam algumas das mensagens que eu ia mandando no facebook, e onde tinha passado o Natal, e onde é que eu tinha feito não sei quê, e tudo estava lá, e os parabéns e a fotografia final e tudo, e o Colégio Militar... zero! O Colégio Militar apoiou-me? Apoiou com certeza, fez um email para os os pais e disse-lhes para mandarem donativos até tal data, mas de resto... nada; eu podia lá ter ido levar as minhas luvas, outras coisas da expedição, mostrar as coisas aos miúdos da instrução primária... Tu andaste sempre com a Barretina nestas expedições e fizeste questão de mostrar. Porquê? Por questões de natureza emocional, por ligações entre a Barretina e o teu ser, mas há aí uma vontade muito expressa de pôr a Barretina em destaque, o que é? Há uma parte que é emocional. Foi o facto de ter entrado para o Colégio, e foi aquilo que vivi no Colégio que moldou o meu carácter de forma a conseguir fazer as coisas que hoje faço. Não tenho nenhuma dúvida sobre isso: tenho uma dívida de gratidão para com o Colégio daquele tempo, por um lado; por outro lado, irrita-me que as pessoas hoje tenham medo de dizer “Pátria” e que algumas pessoas batam no Colégio, sem o conhecer, e por isso isto também é uma forma de pôr cá fora os valores do Colégio e de mostrar que existe uma escola que me deu valores que me permitem fazer isto. Diz-me lá uma coisa: o que pensas da Associação de Pais em termos de intervenção junto do Colégio? Como sabes eu sou o Presidente da Mesa da Assembleia Geral, e já lá trabalhei com 4 Presidentes da Direcção da Associação, e indiscutivelmente todos tiveram a sua intervenção mais virada para uma área do que para outra, mas tem sido importantíssima e muito mais importante do que aquilo... por um lado somos vistos pela Direcção (do Co
Entrevista a Ângelo Felgueiras
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légio) como “uns chatos”, porque às vezes somos incomodativos, mas nem eles têm a noção dos buracos que nós tapamos.
VOTO DE CONGRATULAÇÃO DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
e da Associação dos Antigos Alunos?
Na sessão de 2 de Fevereiro de 2018 da Assembleia da República, na sua reunião plenária nº44, foi aprovado, por unanimidade, um voto de congratulação ao alpinista e esquiador português Ângelo Felgueiras, proposto pelo grupo parlamentar do CDS – PP, com o seguinte teor:
O mesmo se passa com a Associação dos Antigo Alunos, que tem estado a melhorar imenso desde há alguns anos na forma como contacta e interage com todos os Antigos Alunos, mas não me revejo, de todo, em todas as posições da Associação, não me revejo, de todo, naquela campanha que foi feita (Estão a Matar o Colégio Militar), eu não concordo com o encerramento de Odivelas, não me choca que o Colégio seja misto, era incontornável ... era incontornável!, era uma questão de tempo!, e creio que aquilo que estamos a viver neste momento, ou a forma como o Colégio passou a ser misto, tinha sido muito melhor se nós tivéssemos assumido as coisas e em vez de elas aparecerem por decreto tudo tinha sido muito melhor... e actualmente estamos a tentar controlar os estragos, estamos a tentar fazer isso da melhor forma para o Colégio, mas independentemente desta minha posição, nunca saí da Associação, percebo a postura das pessoas que levaram essa campanha para a frente, devíamos ter canalizado a nossa energia para condicionar a forma como aquilo ia ser feito e não entrar em choque com uma realidade. Entrevista conduzida por
Ângelo Eduardo Manso Felgueiras e Sousa (498/1976)
Ângelo Felgueiras, nascido em 1964, tornou-se o primeiro português a alcançar a pé o Pólo Sul, um dos lugares mais inacessíveis e longínquos do planeta, no passado dia 14 de Janeiro de 2018, após uma expedição de mais de mil quilómetros, percorridos sobre esquis, em 57 dias de esforço intenso. O País assistiu empolgado, através dos relatos e imagens que iam chegando, à sua gloriosa jornada. À medida que avançava metro após metro, a confiança depositada no Português e o prestígio do nosso País saiam reforçados. Piloto experimentado e respeitado, casado e pai de três filhos, aventura-se pelo mundo há mais de 20 anos. São, de facto, facetas que nem sempre se distinguem, pois esta filosofia de vida não se esgota no seu aventureirismo e está sempre presente. Homem invulgarmente capaz e determinado, Ângelo Felgueiras vive como escala e esquia: com intensidade, dedicação e disciplina. Não sendo alpinista nem esquiador profissional, cumpriu em duas décadas, com grande êxito, o projecto designado de «7 cumes», superando a montanha mais alta de cada Continente e no espaço de 6 dias realizou uma expedição ao Pólo Norte, em Abril de 2013. Aquilo que mais impressiona em Ângelo Felgueiras é que estes desafios foram sempre vencidos em benefício de causas sociais, apoiando solidariamente projectos e associações, como a Associação Moinho da Juventude, o ATL da Galiza ou a Acreditar. Recentemente, e seguindo o exemplo de campanhas anteriores, por cada metro percorrido foi angariado um euro para a Associação Acreditar. Movido pelo espírito dos Descobrimentos Portugueses, Ângelo Felgueiras desperta a mais nobre das aspirações da nossa sociedade, a solidariedade, unindo-nos e inspirando-nos com a simples dádiva de si. A Assembleia da República saúda o Português Ângelo Felgueiras, reconhecendo a dimensão maior dos seus feitos e a sua grandeza de carácter.
Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958)
Ângelo Felgueiras no Pólo Sul. Sempre com a barretina.
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Eduardo Lourenço de Faria (92/1934) Filósofo, Pensador.
Labirinto da Saudade “Eduardo Lourenço filmado a passear na sua própria cabeça” filme de Miguel Gonçalves Mendes (jornal “Público” de 23 de Maio de 2018) Nas comemorações do 95º aniversário de Eduardo Lourenço, passou no dia 23 de Maio na RTP1 e foi no dia seguinte estreada nos cinemas a “Adaptação cinematográfica da obra homónima publicada, em 1978, pelo filósofo e ensaísta Eduardo Lourenço”.
Sinopse Oficial Miguel Gonçalves Mendes (José e Pilar) adapta ao cinema uma das obras mais lúcidas da cultura portuguesa - ”O Labirinto da Saudade” de Eduardo Lourenço - numa viagem única pelo interior de uma mente brilhante. Aos 94 anos, o escritor e filósofo Eduardo Lourenço projeta pelos espaços das suas memórias as perguntas que até hoje nele perduram. Que traumas nos definiram enquanto povo? Quem somos? O que fizemos? Que atrocidades cometemos? Quais os caminhos que podemos seguir? Estas questões são o ponto de partida para o “Labirinto da Saudade”, um filme sobre uma “nação condenada desde a sua origem a esgotar-se em sonhos maiores do que ela própria”, mas também a celebração da vida e obra de um dos maiores autores da cultura Portuguesa. Narrado e protagonizado pelo próprio Eduardo Lourenço, o documentário percorre os corredores da sua memória e da história de Portugal. Pelo caminho, cruza-se com fantasmas do nosso passado e amigos do seu presente - figuras marcantes da cultura lusófona como Álvaro Siza Vieira, José Carlos Vasconcelos, Diogo Dória, Gonçalo M. Tavares, Lídia Jorge, Ricardo Araújo Pereira e Gregório Duvivier, que assumem o papel de interlocutores e condutores das reflexões escritas no livro.
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Eduardo Lourenço com os Presidentes Ramalho Eanes e Jorge Sampaio.
... “um grupo de amigos de Eduardo Lourenço que inclui Ramalho Eanes, José Carlos Vasconcelos, Pilar del Rio e o general Luís Sequeira, decidiu promover a realização de um filme que celebrasse a vida e a obra do ensaísta, mas que funcionasse também como instrumento de divulgação do seu pensamento”. E, no dizer de Luís Miguel Queirós em “Público”: “Mas este é também um filme sobre o devir do país que Lourenço sonda na sua
Psicanálise mítica do destino português, subtítulo e ensaio inicial de O Labirinto da Saudade. E um dos problemas de Miguel Gonçalves Mendes era o de tornar inteligível, sobretudo para audiências estrangeiras, a sequência de momentos-chave da história portuguesa aos quais o ensaísta atribui uma dimensão traumática: a independência, a dominação filipina, o Ultimato inglês de 1890. E depois o salazarismo, a guerra colonial, o 25 de Abril, e todo o período que o livro de 1978 já não podia abarcar, do cavaquismo ao presente ...”
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Pedro Miguel Gonçalves Afonso (503/1986) Orador na «Leadership Summit Portugal»
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ntre oradores de renome internacional, Pedro Miguel Gonçalves Afonso (503/1986), que foi Prémio Barretina “Colégio Militar no Mundo” em 2017, participou enquanto orador na Leadership Summit Portugal – “How fast can we go”, no passado dia 25 de Setembro no Casino do Estoril; trata-se da maior iniciativa nacional relacionada com a Liderança, um evento anual inspirado em Davos, realizado pela Tema Central e pelos Global Shapers do Fórum Económico Mundial que pretende produzir conhecimento relevante em todas as áreas relacionadas com Liderança. Pedro Afonso é actualmente responsável pela estratégia de liderança e desenvolvimento das operações Axians em Portugal, África e em alguns mercados europeus - Comissão Europeia e instituições europeias e internacionais; é membro do conselho de energias de Vinci Portugal e tem assento no Comité Estratégico da Europa do Sul e integra o conselho estratégico para a economia digital da CIP, Confederação Empresarial de Portugal. Em longa entrevista a LINK TO LEADERS, em 12 de Março 2018, após um ano a liderar a Axians Portugal, Pedro Afonso fala do projecto, da estratégia de internacionalização da empresa a partir de Portugal e das dificuldades de recrutamento na área das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC). A finalizar foi submetido a algumas perguntas de resposta rápida no contexto da gestão empresarial que transcrevemos:
Respostas rápidas: O maior risco: Deixar o Medo minar a Coragem que precisamos para tomar as decisões certas para o futuro. O maior erro: Sucumbir à urgência dos resultados do imediato. A melhor ideia: A empresa: como fórmula de organização económica e social para gerar valor (tangível e intangível) para uma comunidade, para a sociedade em geral; ouvi um orador numa conferência dizer: “A única forma de criar emprego no mundo é através duma empresa: o emprego direto que ela cria, ou o emprego indireto, através dos seus impostos.” A maior lição: Duma pessoa que muito estimo e prezo, que me disse num grande momento de transição de vida profissional: “Pedro, muitos Parabéns, mas lembra-te que “Os relacionamentos são mais importantes que as realizações!”” A maior conquista: Pessoal: Ver os meus filhos crescer como Pessoas e fazerem-me perguntas difíceis. Profissional: Ver Pessoas de equipas portuguesas que ajudámos a desenvolver a crescerem e ocuparem papéis internacionais no nosso grupo.
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João Luís Rodrigues Quintas (280/1998) Novo Sacerdote da Igreja Católica
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oão Luís Rodrigues Quintas foi, no passado 1 de Julho passado, ordenado padre na cerimónia das Ordenações no Patriarcado de Lisboa, presidida pelo Cardeal Patriarca D. Manuel Clemente, no Mosteiro dos Jerónimos. Do site do Patriarcado de Lisboa, retirámos o seguinte texto: João Quintas – 29 anos Paróquia de Queluz A entrada num dos três ramos das Forças Armadas foi, para João Quintas, o percurso que “esteve no horizonte”. Educado durante 8 anos, do 5º ao 12º ano, no Colégio Militar, o pai dizia-lhe que, um dia, ainda lhe ia bater a continência. “Embora eu tenha posto a minha candidatura para entrar na Academia, não fiz muita força”, admite João Quintas, ao Jornal VOZ DA VERDADE. Mais tarde, ponderou a área da Saúde e acabou por entrar no curso de Análises Clínicas, onde chegou a trabalhar durante um ano. Mas a inquietação vocacional de João Quintas começou antes, quando foi “pescado”
para um serviço na Igreja. “Quando entrei na faculdade, em 2008, num dia, fui com a minha mãe para inscrever a minha irmã mais nova na catequese, na Paróquia de Queluz. Eles estavam com falta de catequistas e pediram-nos se não queríamos ser observadores de grupos e entrei para o grupo do 10º ano. Achei curiosíssimo porque eles tinham muito mais catequese do que eu. Aquilo interpelou-me bastante e fez-me recuperar a vida
de oração, fez-me voltar a colocar questões já enterradas”, assume o seminarista do Seminário dos Olivais, de 29 anos. Depois da catequese, seguiu-se o grupo de acólitos. “Lembro-me de, num dia, o então pároco de Queluz, padre Jorge Dias, me ter interpelado, na sacristia, com a pergunta se eu alguma vez tinha pensado na possibilidade de entrar no seminário. Aquilo bateu ‘cá dentro’ e lembro-me que a pergunta entrou e nunca mais saiu. Depois, foi continuar a vivência cristã e a questão foi-se adensando. A pergunta estava presente e precisava de maturar mais”, conta. Em casa, a mãe ficou “muito atrapalhada” com a notícia de que João, então com 22 anos, iria entrar no seminário. “Preocupava-a, sobretudo, a questão da solidão da vida de padre e o não ir ter filhos”. Chegado ao Seminário de Caparide, João Quintas imaginava o seu percurso como “um idealismo muito romântico, de que vai correr tudo bem e que todos se iam dar bem”. Por isso, o primeiro ano foi fundamental para desmontar essa ideia. “Houve um choque muito grande, mas o Ano Propedêutico foi uma experiência muito especial, muito bonita. O seminário foi sempre uma desconstrução, uma aprendizagem, de me reconhecer como sou, para reconhecer a minha fragilidade”, aponta este jovem, que realizou o trabalho pastoral no Pré-Seminário e, enquanto diácono, na Paróquia da Portela. Para a sua nova missão, enquanto sacerdote, João Quintas leva o desejo de “obedecer” e “ser sinal de Jesus para aqueles a quem for enviado’. “Servir, na consciência de que estou a caminho com aqueles que estão à minha volta”, ambiciona.
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João Gonçalo Viseu Vieira Sarrico (472/2003) Prémio Inovação Jovem Engenheiro
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nosso jovem camarada João Gonçalo Viseu Vieira Sarrico, desde 2017 com o Mestrado Integrado em Engenharia Electrotécnica e de Computadores, pelo Instituto Superior Técnico, ganhou, ex-aequo, o “Prémio Inovação Jovem Engenheiro 2017”, atribuído pela Região Sul da Ordem dos Engenheiros a engenheiros com menos de 35 anos, com o trabalho “Projeto, Fabrico e Teste de um Motor Elétrico de Alta Performance para um Veículo de Competição Fórmula Student”. Actualmente a trabalhar no Reino Unido, na Jaguar Land Rover, não compareceu na cerimónia de atribuição do prémio que decorreu no passado dia 12 de maio no Auditório da Fundação Champalimaud, pelo que enviou um vídeo, que foi apresentado na referida sessão, com a apresentação do trabalho. Neste vídeo o João Sarrico fez questão de referir que foi Aluno do nosso Colégio.
Do trabalho apresentado, que inclui o “Projecto do Motor”, “O Fabrico e Montagem do protótipo do motor MJF” e o “Teste do motor MJF”, extraímos a título de exemplo, de entre muitos cálculos matemáticos e gráficos o seguinte:
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Colégio Militar
Open Day 2018 Mostrar o Projeto Educativo O OPEN DAY* foi, como sabemos, introduzido pela atual Direção do Colégio Militar. Este ano realizou-se pela segunda vez. Em simultâneo com o encerramento do ano escolar, com a exposição de trabalhos e a realização de atividades escolares, na linha da tradição colegial, a iniciativa procura introduzir agora um novo propósito: a abertura e a visibilidade da Instituição pela comunidade. Esta abertura adquire, no atual contexto, um significado adicional. Trata-se de procurar promover de novo, e tomando corajosamente a iniciativa, a atenção da sociedade nacional, sobre esta instituição bicentenária de ensino. E numa lógica simples: mostrar que o seu projeto educativo continua adequado aos desafios da sociedade atual. Todos sabemos que o Colégio tem aparecido no domínio informativo público, em diversos momentos e nos últimos anos, de forma negativa. Podem os camaradas e demais leitores justamente perguntar, mas porquê esta abertura agora? Pois a resposta está à vista de todos: só Antigos Alunos, atualmente no comando da Instituição, conhecedores como ninguém da realidade colegial e das muito particulares condições do seu contexto interno, o poderiam fazer. Porque sabem, além do mais
de saber vivido, que a Instituição continua a ter grande vitalidade interna e grande validade educativa, pesem embora todas as circunstâncias de adaptação que tem estado a passar.
Um mar de desafios Mas sabem mais, estes nossos camaradas. Sabem também que a Instituição continua a ter pela frente um mar de desafios. Desafios que decorrem de uma constatação simples: a sociedade em que o Colégio hoje funciona organiza-se em torno de práticas, de comportamentos, de perceções do mundo, de motivações e de projetos de vida que são muito diversos dos que, quer o Fundador quer os grandes Pedagogos que pelo Colégio foram passando, encontraram nas respetivas épocas.
de Ensino (Ministério da Educação), a que está obrigado? E mesmo para com aqueles, raparigas e rapazes, que possam escolher o Colégio como primeiro passo da sua futura carreira militar, a Instituição enfrenta desafios. Pois as Forças Armadas também se tornaram mais exigentes na formação que promovem e colocam maior exigência nesse acesso. A resposta entronca assim, para o Colégio, noutro desafio: o desafio pedagógico.
O desafio pedagógico
O desafio da civilidade
A educação que o Colégio proporciona está sujeita a um escrutínio social aberto, em paralelo com todas as restantes escolas, qualquer que seja o seu perfil de gestão: público, cooperativo ou privado. A metodologia de “Ranking”, mesmo com as lacunas ou distorções de que possa enformar, está já entre nós bastante enraizada. E constitui um estimador social iniludível.
Grande parte dos alunos que procuram hoje o Colégio, não têm como objetivo pessoal seguir a carreira militar. Porque fazem essa escolha, então, estes “civis”? Um esboço de resposta irá aparecer mais à frente. Mas o Colégio tem, com esta situação, um desafio novo. Que resposta específica poderá dar a estes “civis”, para lá da aplicação dos programas do Sistema Nacional
Os conteúdos do ensino estão hoje muito mais estruturados por áreas, por patamares de percurso, por metodologias de ensino e de avaliação. Sendo esse modelo um Modelo Nacional, o Colégio precisa de nele se enquadrar. Este desafio acarreta portanto grande responsabilidade pedagógica e exigência para com o pessoal docente. Mas é um desafio comum a todas as escolas.
Vale a pena, por isso, tentar fazer um bosquejo sobre esses vários desafios.
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Open Day 2018
Os desafios sociais, a diversidade cultural As famílias que procuram o Colégio reconhecem a sociedade, através das suas vivências particulares. No limite, cada família com a sua cultura e a sua história particular. E a diversidade cultural é hoje entre nós bastante maior do que o era há anos atrás. Mas se cada família vem com a sua cultura, e se revê em práticas diferenciadas, como responde o Colégio a esta diversidade? O Colégio tem o seu modelo particular de ensino, é certo. E terá sempre, ao levá-lo à prática, de o fazer aceitar. Mas para que o modelo funcione, em condições de maior diversidade, os familiares precisam de entender e de aderir ao modelo que escolheram. O que implica alguma capacidade, recíproca, de diálogo. Esta tarefa está no entanto atualmente facilitada pela existência, em conformidade com a lei, da Associação de Pais e de Encarregados de Educação dos Alunos. Que assume, neste diálogo, um importante papel.
Os desafios sociais, as vivências sociais dominantes As mães e os pais dos alunos, vivem as suas particulares culturas de família imersos noutros padrões de vivência mais vastos, que estão presentes no corpo social. São vivências com ampla adesão social. Para lá de uma vivência economicista muito generalizada, que tende a ignorar a pessoa, e mesmo a instrumentalizar a sua humanidade, existe ainda uma cultura de progressão social, subsidiária daquela, que muito pesa nas decisões das famílias. O que, sendo entendível, coloca ao modelo educativo do Colégio, que justamente privilegia uma cultura de valores, e de progressão pessoal no culto desses valores, alguns problemas. O Colégio precisa de saber lidar, também, com esta realidade. Em paralelo existe também, generalizada, uma cultura de direitos civis, com acolhimento e tratamento legal, por vezes sem que exista in-
teriorizada uma equilibrada assunção dos correspondentes deveres, e que coloca situações novas de relacionamento com as instituições, em geral. E que portanto também se verifica no relacionamento com o Colégio. É outra realidade nova, que por vezes desemboca em litigância jurídica, para a qual o Colégio precisa portanto de estar preparado.
Os desafios sociais, uma maior diversidade e estruturação da sociedade A sociedade está hoje mais estruturada. Cada pessoa tende a envolver-se e a pertencer a várias dessas estruturas. E estas pertenças desenvolvendo-se no meio familiar, acarretam que os alunos sejam consequentemente delas portadores. E não é só a diferenciação por pertença. Também existe nas famílias um padrão de maior respeito pela diferenciação pessoal (gostos, aptidões, sentimentos) ao longo do crescimento de cada jovem. O que implica conhecimento, respeito e saber lidar com estas diversidades por parte de quem assume e se encarrega de um desempenho formativo, fora do ambiente familiar. E este é outro desafio para qualquer instituição de ensino. Mas que o regime de internato amplifica, no caso do Colégio. Como lidar com estas realidades novas? E também no caso dos colaboradores civis, acontece o mesmo. Estes profissionais civis (professores, auxiliares técnicos, vigilantes, prestadores de serviços vários) participam e estão enquadrados por diversos tipos de organizações e designadamente por organizações de caráter profissional. Aqui também o Colégio, e sobretudo dada a sua cultura militar, enfrenta outros tipos de desafios.
Desafios militares, uma organização militar que lida com jovens Embora o Colégio seja parte integrante do Exército Português constitui, nesse corpo, uma organização com grande especificidade: lida
Foto Sérgio Garcia
com jovens. A Instituição Militar, embora lhe seja também necessário lidar com os desafios decorrentes da sociedade atual, não está presente, como o Colégio, junto dos mais novos. A organização piramidal e a obediência e disciplina militar que, no caso do Colégio, se confronta com jovens em crescimento constitui talvez o mais exigente dos desafios da Instituição Colegial. E este particular desafio, que não é novo, foi ainda recentemente ampliado: por género e por patamar de idade. E quanto à idade, que diferença! Se os ratas “mais velhos”, quando desfilavam na Avenida faziam ecoar um coro de espantos, que dizer agora, mesmo sem o desfile?
Open Day 2018
Um esboço de resposta poderá passar, relembrando o Fundador, pelo “desvelo e carinho” com que os alunos do Colégio são acompanhados. Poderá ser. Mas tendo pela frente todo um percurso jovem, para mais diferenciado por género, é de facto um enorme desafio. Pelo que implica de atitudes e de relacionamento, necessariamente também diferenciados. Tudo isto, conjugado com os valores do Projeto Educativo. Nos tempos que correm, dá para pensar, não dá? Mesmo para antigos alunos no comando da casa, não são tarefas fáceis, convenhamos…
Porque os civis escolhem o Colégio Regressemos agora à pergunta: por que razão então um “civil” escolhe uma escola militar de ensino? Crescer e ser adulto nos tempos atuais é muito mais exigente, em termos de desenvolvimento das capacidades e gostos pessoais, do que o era há algumas décadas atrás. Os desafios sociais são mais complexos, porque as situações se apresentam de forma mais diversificada e especializada, e as respostas exigem assim, mais informação. Respostas que implicam também mais reflexão e coragem para tomar decisões. Pelo lado melhor sabemos, no entanto, que a natureza humana continua a exprimir-se por práticas e por comportamentos que não mudaram muito ao longo dos séculos. Para o lado do bem e para o lado do mal, claro. Mas as atitudes das pessoas, por repetidas, são facilmente percetíveis, mesmo nos novos contextos. Continua portanto a ser determinante, para fazer escolhas, que cada um seja capaz de conhecer e de apreender culturas de valores. E que, ao familiarizar-se com elas, aprenda também a hierarquizar esses valores. Porque é com esses valores e com essa hierarquização que pode contar para se orientar na vida. Esta prática de orientação de vida, não se adquire apenas com a informação e os conhecimentos que resultam dos programas do sistema nacional de ensino.
É portanto por isso que o grande desígnio do Projecto Educativo do Colégio, a par de outros projetos educativos, civis e militares, de perfil correspondente do ponto de vista dos sistemas de valores, resulta da sua raiz Militar. O sistema de valores do Exército Nacional, que em conjunto com as restantes Forças Armadas Nacionais opera as ações de Defesa Nacional, constitui um sistema de valores permanentemente praticado. É portanto a prática permanente desse sistema de valores, necessariamente adaptado a jovens, no caso do Colégio, que garante a perenidade do seu Projeto Educativo. E, em parte, os “civis” acorrem ao Colégio por isso. As famílias e os jovens sabem que para lá da formação académica que vão obter vão ser treinados na aprendizagem de valores. E sabem que isso é importante para orientarem as suas vidas no futuro. Mas valorizam também, como é sabido, a prática desportiva e de ar livre que resulta do projeto educativo colegial. Que sempre foi motivação fortemente apelativa. Mas podemos ainda, para os “civis”, acrescentar mais. Existe um alargado conjunto de práticas da organização militar (por exemplo, a ordem unida, as normas de execução permanente, o oficial de dia e os registos de ocorrência, os autos de averiguação, e muitos outros) que muito úteis se irão revelar pela vida (civil) fora. Este panorama coloca em evidência as boas e interessantes razões desta escolha por civis, mesmo para aqueles que sabem à partida que o querem continuar a ser na vida profissional. E resta finalmente acentuar uma outra faceta importante, hoje em dia, relativamente ao Colégio. O facto de este Projeto Educativo do Colégio encontrar as suas raízes na cultura militar e consequentemente na cultura de defesa nacional
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constitui talvez, em si mesmo, a mais forte razão justificativa da manutenção nos dias de hoje do Projeto Educativo do Colégio. Tendo a Instituição tido início nos longínquo ano de 1803 e tendo tido como finalidade original razões de natureza solidária no quadro da Corporação Militar – acautelar a educação e o futuro de rapazes filhos de militares, mortos em combate, ausentes em serviço nas colónias e prestando serviço no regimento de artilharia da corte – o Colégio constitui hoje um projeto educativo, maioritariamente dirigido a civis, entre os quais difunde também um sentimento de responsabilidade patriótica, acentuando também a importânca da cultura de Defesa Nacional. Defesa Nacional que, precisamente no quadro social que antes se apontou, tão importante cumpre fazer compreender pela sociedade atual.
O estado da arte pedagógica, no Colégio No meio da abertura e dos desafios, como está atualmente o estado da arte (pedagógica) no Colégio? Foi essa a razão de ser desta reportagem. O dia aberto continuou a apresentar um programa bastante preenchido e diversificado, que é impossível acompanhar na sua totalidade. Impuseram-se portanto escolhas. Este ano a reportagem, fugindo ao tradicional maior foco nas atividades desportivas, procura olhar para outras atividades, e nelas tentar descortinar aspetos inovadores. Em números, o Dia Aberto animou umas dezenas de eventos, em dez diferentes espaços. E cada espaço acolheu entre cinco a dez desses eventos. Mas mais, neste ano de 2018 teve lugar a celebração de um evento especial: completaram-se 400 anos sobre a conclusão das
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obras de construção do edifício mais antigo, do atual conjunto edificado colegial. Esse edifício, hoje designado como “Colégio Velho”, com o seu acarinhado Claustro, foi construído para funcionar como hospital e integrava o antigo Convento de Nossa Senhora da Luz. Desse antigo Convento continuam, também ainda em utilização, se bem que parcial após as derrocadas havidas com o terramoto de 1755, a Igreja Conventual (Igreja da Luz) e o próprio edifício do Convento (antigo Quartel da Formação), onde está hoje sediada a nossa Associação. A celebração dos 400 anos foi dinamizada pela Associação de Antigos Alunos, com o empenhado apoio da Direcção do Colégio. Nesse contexto foi lançado um desafio ao Grupo dos Professores de História, que se mobilizaram e se empenharam com os alunos, tendo os mais velhos dado origem a perguntas sobre a História do Edifício que os mais novos, através de um concurso de perguntas e respostas, jogaram.
Registo Fotográfico GERAL
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1.01 Encerramento do ano escolar. Na Foto, o Batalhão frente a familiares, amigos e antigos alunos. 1.02 Houve grande interesse pelos eventos do Dia Aberto. Na foto, a fila de espera para assistir a uma peça de teatro dos mais novos (1º Ciclo). Em primeiro plano, a antiga cisterna que existia dentro da cerca do Hospital. Hoje, memória patrimonial.
400 ANOS
A reportagem dá naturalmente ênfase a este evento. Depois percorreram-se atividades pedagógicas ligadas às Ciências, ligadas à Educação Visual e Tecnológica e à Música. E um, mais breve, apontamento sobre a Educação Física e Desportiva. Estamos convictos de que com a continuação dos Dias Abertos, dentro de algum tempo se conseguirá reportar na Revista a totalidade de atividades escolares do atual Projeto Educativo do Colégio Militar!
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Francisco Eduardo Moreira da Silva Alves
(392/1954)
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2.01 Na Foto, uma vista geral dos trabalhos escolares, alusivos à efeméride dos 400 anos. Trabalhos realizados pelos alunos do Grupo de História. O Grupo, coordenado pela Professora Rita Carvalho, foi de um notável entusiasmo na animação da iniciativa. A realização de “Maquetes Criativas”, alusivas ao “Colégio Velho”, foi um dos trabalhos em destaque. De salientar a coordenação das professoras de História do 2º ciclo, Luísa Pais e Ana Fonseca. 2.02 A imaginação e a criatividade estiveram presentes nos diversos trabalhos. Esta maquete denota uma boa compreensão volumétrica do espaço dos Claustros. 2.03 Uma particularidade interessante na exposição dos trabalhos: raparigas e rapazes do 7º e 8º anos foram guias dos visitantes. Empenharam-se muito a sério. Como profissionais! Nada lhes escapava. Informavam sobre o contexto histórico, na época da construção, sobre o terramoto e depois sobre a ocupação do antigo hospital. 2.08
2.04 Os trabalhos escritos obedeceram a um conjunto alargado de critérios e tópicos descritivos. As indicações bibliográficas e a referência a sites da Internet deixam antever que foram esforçados trabalhos. O livro, Convento e Hospital de Nª Sª da Luz, da Autora Marta Ataíde, não foi esquecido. 2.05 Aspeto de um dos trabalhos. 2.06 e 2.07 A diversidade criativa foi motivo de interesse também para os irmãos mais novos.
2.09
2.08 A informática e a técnica de cinema estiveram presentes nestas atividades. Um bom exemplo de coordenação horizontal – História e Clube Multimédia, trabalho conjunto entre o professor de História Mário Cabeças e os professores de TIC** Joaquim Duarte e Pedro Carvalheira. A OCC*** de Latim envolveu os alunos numa reportagem filmada. No filme, explicam o significado da mitologia presente nos azulejos do Palacete Mesquitela (antiga enfermaria). Esta atividade decorreu sob coordenação da Professora Madalena Abrunhosa. Este filme foi também exibido em Coimbra, no Congresso sobre o Ensino de Línguas Clássicas, em abril. No final dos trabalhos, uma ferramenta pedagógica informática (Kahoot, na Foto) permitiu um pequeno concurso de perguntas e respostas entre os alunos dos 7º e 8º anos. As questões foram elaboradas pelos alunos de História dos 10º e 11º anos. 2.09 Na foto a cerimónia na Biblioteca do Colégio, com a presença do Diretor, do Coordenador Pedagógico, dos Professores envolvidos e de elementos da Associação de Antigos Alunos. Foram distinguidos quatro alunos, acentuando o significado da sua participação. O Prémio de participação constou de um exemplar do livro atrás citado, sobre o Convento e Hospital de Nossa Senhora da Luz. Livro editado pela Associação. 2.10 Os premiados tiveram ainda um Diploma de Participação. Na Foto, o premiado Diogo Rodrigues Gomes da Silva (637/2015), aluno do 7º ano.
2.10
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MÚSICA NOS CLAUSTROS
3.01
EDUCAÇÃO VISUAL (E TECNOLÓGICA) 3.01 No meu tempo, costumam dizer os antigos alunos mais velhos quando em presença de novos contextos colegiais, não havia isto! Poderemos olhar a frase como uma evocação saudosista ou como o inevitável acolhimento das mudanças sociais. Ou, saudavelmente, como o conjunto das duas! O Ensino Musical (orquestra e coro, aulas de guitarra, conjunto Combo) a par com a Expressão Artística (teatro e dança) são hoje facetas importantes no Projeto Educativo do Colégio. Nesta área merce destaque o Gustavo Pinto Basto (227/2000), hoje fadista profissional, que anima em ACC*** aulas de Guitarra e o novo Conjunto Combo. Conjunto Combo, que é um Projeto de Banda Colegial, com instrumentistas e vozes. Na Foto, parte do naipe de metais da Orquestra Colegial.
4.01
3.02 As fotos testemunham o desempenho de uma orquestra alargada. Presentes alunos do Colégio e também alunos e professores da Escola Nuno Gonçalves, antes ensaiada pelo agora Professor do Colégio, Ricardo Fernandes. 3.03 Na orquestra não faltou o Coro Colegial, visível lá atrás, ensaiado pelos Professores Isabel Augusto Torres e Alexandre Coutinho. De notar, que a Professora Isabel Torres é das mais antigas no Colégio. Ainda trabalhou com o saudoso maestro Jaime Silva, o “Carioca”, tendo-lhe depois sucedido no ensino. 3.02
3.04 A participação feminina na foto, introduz no Coro, uma nota fresca e agradável.
4.02
3.05 Na foto, o Conjunto Gustavo, do Gustavo Pinto Basto. Sobre o Gustavo, vale a pena uma nota mais. Em anos recentes, anos 80, foi costume que os alunos dos últimos anos adotassem uma música, um “Slow” com letra e música deles, que era a última a ser tocada no Baile de Finalistas. E ficava o seu tema. No seu 10º ano, o Gustavo introduziu uma canção (letra e música) que têm por título “Sempre Nós”. Desde então a canção tem-se enraizado, como património coletivo, um pouco como 2º hino. Existe um vídeo com o “Sempre Nós” cantado, no baile de finalistas, com toda a gente abraçada. 3.03
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A presença do Desenho nas aulas será tão antiga quanto o próprio Colégio. E sempre houve a sair da “casa” para as artes, bons artistas. Daí a expetativa sobre o que agora se lá faz. A expetativa não saiu gorada! Ficou o registo de bons trabalhos na expressão cromática, no desenho e na composição. A exposição apresentou-se como “Momentos D´Arte” e foi coordenada pela Professora Anabela Bispo.
Aqui a novidade serão as demonstrações. Os antigos instrumentos pedagógicos, que serviram no passado estão hoje, em visita histórica, nas suas vitrines. Agora, com o apoio de novos aparelhos e equipamentos, o que é novo é “empurrar para a frente os alunos”, para que aprendam a falar em público e a comunicar… 5.01 No Pavilhão Gulbenkian ocorreram demonstrações pedagógicas na área das ciências: física, química, biologia, e matemática. Os alunos foram os principais atores. Aprender a mostrar e a comunicar também faz parte do projeto educativo…
E no registo a fazer, para lá da informática, mais uma novidade: a fotografia. O Clube Multimédia esteve presente, em primeira mostra criativa de outra ACC. Animado pelo Professor Joaquim Duarte, com colaboração da Professora Rosário Gonçalves (ERMC) ****. E havia ainda a Robótica... (que faltou visitar!).
5.03
4.01 Representação de um espaço interior a lápis de cor.
5.02 Como isolar o ADN a partir de plantas. Na área de Biologia, o Professor Rui Farinha “empurrou para a frente” os seus alunos. 5.03 Na Física, com o apoio do Professor Filipe Oliveira, os alunos apresentam o fenómeno da refração da luz.
4.02 Pássaro.
5.04 Na Matemática, o Teorema de Pitágoras foi demonstrado a partir de um jogo com pequenas esferas. Apresentado por “jovens gregos”, apoiados pela Professora Susana Farrica.
4.03 Fotografia “we can make it happen”. 4.04 Criatividade by Clube Multimédia…
DEMONSTRAÇÕES PEDAGÓGICAS
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5.04
5.05 Aplicar o contexto de jogo, desenvolver a concentração e a atenção: para isso, mostra a Foto, é preciso jogar. Com apoio pedagógico da Professora Anabela Teixeira, uma equipa do Colégio participou em Coimbra, com grande sucesso, no Campeonato Nacional de Jogos Matemáticos. Uma boa posição foi obtida por um jovem do 1º Ciclo (4º Ano). 5.06 A vertente ambiental e ecológica também está presente no Colégio, através da coordenação da Professora Sandra Areias. O Pomar do 1º ciclo, a reciclagem de materiais (na Foto) e o Projeto Ecoescola, são exemplos. Este último Projeto, com Delegados Ecológicos por turma, desenvolve toda uma dinâmica em torno, por exemplo, da economia de energia (substituição de lâmpadas tradicionais por equipamentos LED) ou da vigilância no destino dos lixos.
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DESPORTO
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A educação física e desportiva sempre foi um dos pilares educativos, no Colégio. Não podia portanto faltar aqui uma referência de visita. 6.01 O desporto contribui muito para desenvolver o espírito de equipa. Quem está sempre a falar nisto? Já advinharam? Pois é mesmo ele, o João Paulo Bessa (200/1957). Na foto uma equipa de Râguebi do Colégio (Sub-16) e o Professor de Educação Física, Nuno Leitão (filho do João Nuno Leitão, 153/1964). No Colégio existem vários escalões no Râguebi: Infantis, Iniciados e Juvenis, sendo responsável o Professor Nuno Fradinho. A equipa Sub-16, com Iniciados e Juvenis, defrontou no torneio que teve lugar neste Dia Aberto duas equipas nacionais, do Técnico e do Sporting. 6.02 A iniciação ao mergulho com escafandro, com apoio técnico do Grupo de Mergulhadores da Armada. 6.03 A equitação, uma área desportiva com longa tradição colegial. Hoje, a coordenação da área está a cargo do Major de Cavalaria Jorge Santos.
Notas (*) O evento foi realizado sob a designação anglo-saxónica de “OPEN DAY”. Este modelo de evento, e com esta designação, é hoje corrente em Portugal. É assumido por uma grande diversidade de instituições, entre as quais instituições de ensino. Consultada a “Wikipédia” encontramos resposta à pergunta “What is open day?”, que nos ajuda a perceber as origens do modelo: Open Day provides a wonderful insight into what university life is like. (**) TIC, Tecnologias da Informação e da Comunicação. (***) OCC, Oferta Curricular Complementar. Disciplina de frequência obrigatória mas que não conta para a passagem de ano. Enriquece o curriculo do aluno, integra o projeto educativo e está incluída nas mensalidades. ACC, Atividade de Complemento Curricular. Disciplina de frequência facultativa, com caráter eminentemente lúdico, que contribui para a formação geral do aluno. Pode ser cultural ou desportiva. Nas ACC têm lugar os treinos das equipas representativas do Colégio. (****) ERMC, Educação Religiosa Moral e Cívica.
Confraria do vinho de Carcavelos
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Confraria do Vinho de Carcavelos Colégio Militar, Confrade de Mérito Há dias atrás, fomos surpreendidos com a notícia de o Colégio Militar ter sido entronizado Confrade de Mérito da Confraria do Vinho de Carcavelos. Ficámos a tentar adivinhar o motivo de tal distinção. Estaria o Colégio a promover o consumo do vinho de Carcavelos pelos Alunos? Esta hipótese, nos dias que correm, era pouco plausível, pois o consumo de álcool por adolescentes é agora considerado crime. No nosso tempo de Aluno, em que se vivia de acordo com o slogan «quem bebe vinho, dá de comer a um milhão de portugueses», esse problema não se punha. No refeitório, em cima de cada mesa, tínhamos então um jarro de vinho, do qual nos podíamos servir à vontade. O vinho é que não era de Carcavelos, era um carrascão dos piores, proveniente das «adegas» da Manutenção Militar, que nós admitíamos ser “fabricado a martelo” lá para os lados do Poço do Bispo. Não sendo o vinho consumido pelos Alunos, seria ele consumido pelos Oficiais e Professores? Também esta hipótese nos pareceu pouco plausível, pois com as restrições orçamentais que há, a verba da alimentação não dará para pagar uma água mineral lisa, quanto mais um néctar dos deuses, como é o caso do Carcavelos. Feitas algumas inquirições, encontrámos o texto justificativo da concessão da distinção atribuida, que passamos a transcrever: «Considerando a existência, desde há muito tempo, de uma estreita e profícua colaboração entre o Exército, através do Colégio Militar, e o
Município de Oeiras, corporizada em protocolos que se foram celebrando ao longo dos anos, datando o último de 3 de Março de 2018. Considerando ainda que o Município de Oeiras tem contribuído para dinamizar a produção do «Carcavelos D.O.C.» e juntamente com a Confraria de Enófilos do Vinho de Carcavelos, tem promovido a divulgação deste vinho generoso que, tal como o
Colégio Militar, se assume de grande valor histórico, cultural e patrimonial. Vai o Colégio Militar ser entronizado «Confrade de Mérito» da Confraria do Vinho de Carcavelos, tendo como padrinho o Chanceler desta Confraria, Manuel Machado. Recebe o diploma de Confrade de Mérito o Senhor Director do Colégio Militar, Coronel António Salgueiro.»
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Confraria do vinho de Carcavelos
Face a este texto ficámos esclarecidos, lamentando apenas que a distinção concedida não fosse acompanhada por umas garrafas daquele magnífico vinho generoso, que poderíamos ir consumindo parcimoniosamente, em comemoração, prolongada no tempo, da distinção recebida.
- José Carlos Gomes de Carvalho Leitão (169/1965)
A entronização teve lugar no XIV Capítulo Geral da Confraria do Vinho de Carcavelos, sendo a nossa Associação representada pelos Presidente e Vice-Presidente da Direcção. A foto que se anexa, foi tirada no final da cerimónia, estando presentes os seguintes Antigos Alunos, que se identificam da esquerda para a direita:
- Artur Manuel de Spínola e Santos Pardal (587/1961). Vice-Presidente da nossa Associação.
- Manuel José Pimenta de Castro Machado (275/1961). Chanceler da Confraria.
- Carlos João Fernandes Pereira da Fonseca (277/1960)
- António Luis Henriques Farias Fernandes (454/1970) - António Alexandre de Castanheira Coelho (94/1965)
Visto as vestimentas dos quatro Antigos Alunos postados do lado esquerdo da foto não serem familiares à maioria dos nossos leitores, indicamos de seguida, da esquerda para a direita, as instituições a que pertencem: - Confraria do Vinho de Carcavelos. - Colegiada da Nossa Senhora da Anunciação (Grão Mestre da Colegiada). - Confraria da Gastronomia Macaense.
- José Eusébio Pereira Barata Cordeiro Araújo (591/1973). Presidente da nossa Associação.
- Colegiada da Nossa Senhora da Anunciação.
- António Emídio da Silva Salgueiro (461/1962). Director do Colégio Militar.
Pode-se dizer que foi uma «reunião de trabalho» de gastrónomos e enólogos ao mais alto nível. Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957)
Os 60 Anos do “Colégio Novo”
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Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
Os 60 anos do “Colégio Novo” Entrei para o Colégio no início do ano lectivo de 1957/1958. Foi o último ano em que toda a actividade do Colégio se desenrolava no edifício fronteiro ao Largo da Luz, que a partir do ano lectivo seguinte pas-
Camarata no “Colégio Velho”.
saríamos a designar por «Colégio Velho». O Colégio tinha-se instalado em definitivo na Luz em 1873, após duas passagens por este mesmo local, de 1814 a 1835 e de 1858 a 1870. Desde o ano de 1873 até
ao ano de 1957, ano em que eu entrei, muitas coisas se passaram no «Colégio Velho» a nível de melhoramentos das instalações, tal como nos descreveu José Alberto da Costa Matos (96/1950), no seu artigo «O Colégio Militar e o edifício do Hospital Real da Luz», no nº 211, Abril/ Junho de 2018, da ZacatraZ. Porém, esses melhoramentos não foram os suficientes para acompanhar as exigências dos novos tempos e o crescimento contínuo do efectivo do Batalhão Colegial, razão pela qual no ano da minha entrada já estava em avançado estado de construção um novo edifício destinado ao internato. No ano lectivo de 1957/58 o efectivo do Batalhão atingiu os 440 alunos, estando o Colégio «a rebentar pelas costuras», como é uso dizer-se. A camarata da 2ª, onde eu me encontrava, tinha excedido o máximo da lotação normalmente admissível. Chegava a haver camas colocadas longitudinalmente nos corredores que separavam as fiadas de camas que estavam na sua posição normal. Tudo, ou quase tudo, era velho e ultrapassado naquelas instalações. Na minha camarata, de elevado pé direito e de janelões que deixavam entrar correntes de ar gélido nas noites frias de
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Os 60 Anos do “Colégio Novo”
Sala de lavatórios no “Colégio Velho”, com espelho único pendurado na parte superior da parede.
Inverno, a humidade escorria pelas paredes abaixo e nas noites de muita chuva, a água chegava a cair das aberturas da cobertura, onde havia uns ventiladores accionados pelo vento. O chão era de soalho bastante desgastado, cuja limpeza se fazia por «baldeação», como no convés de um navio, trabalho a cargo dos fâmulos. Como mobiliário, para além das camas, havia apenas «peniqueiras», com os respectivos penicos de louça grosseira, um por cada par de Alunos. As fardas de passeio e as botas pretas, correspondentes à mesma farda, eram guardadas em armários colectivos, dispostos ao longo das paredes de um átrio, à entrada das camaratas As paredes eram, tal como nos gerais e nas aulas, pintadas a cinzento até aos dois metros de altura, para não se notar muito a sujidade provocada pelos utentes. O aspecto resultante era soturno, como se pode imaginar. O ambiente era caserneiro. Os lavatórios eram formados por grandes bancadas, em pedra mármore, encimadas por grandes espelhos colectivos. Nas latrinas as sanitas eram do tipo «turco», com dois apoios para os pés e um buraco de ligação directa aos ramais de esgoto. Não havia
papel higiénico. Usava-se o chamado «papel latrinal», umas folhas individuais de papel fino resistente, de cor acastanhada, que era distribuído parcimoniosamente pelos fâmulos, a pedido dos Alunos. Conforto, era um conceito desconhecido no universo colegial daquele tempo. Mas foi assim que lá se viveu e, por fantástico que pareça, é disto que a malta se recorda com saudade, havendo mesmo alguns mais «durões», que acham que quem não viveu no «Colégio Velho»,
não é um Antigo Aluno dos autênticos. Em Outubro de 1958, apresentámo-nos ao «serviço» para um novo ano lectivo e fomos instalados no «Colégio Novo», ficando o «Colégio Velho» reservado só para as aulas. A diferença de ambiente foi enorme. Tudo novo, tudo limpo, tudo cheio de luz, com as paredes pintadas de cores claras e suaves e nas camaratas até havia divisórias e armários individuais, para cada aluno pôr a sua farda de passeio e o que mais quisesse, não havendo cadeados. As «peniqueiras» tinham desaparecido. Quem precisasse, que fosse às modernas latrinas, dotadas de sani-
tas normais, pelo seu próprio pé. Na 3ª companhia havia compartimentos para 8 camas e na 4ª companhia havia compartimentos individuais. Passado um ano ou dois, as paredes divisórias foram demolidas, pois não permitiam uma visão desimpedida sobre todas as camaratas, não se podendo controlar os “sornas” que ignoravam olimpicamente o toque da alvorada. Os gerais eram maiores, arejados e bem iluminados e cada companhia tinha a sua sala de jogos e de leitura, dotada de um aparelho de rádio, coisa inimaginável no «Colégio Velho». O balneário ficava situado sob um dos refeitórios e tinha compartimentos individuais, continuando a distribuição e regulação das águas frias e quentes a cargo do Artur, que pautava a sua actuação de acordo com a berraria dos utentes. Aí tudo normal, o pessoal não dispensava aquele ritual. Nos refeitórios as mesas passaram a ser maiores, o que permitia um maior convívio entre todos, com o consequente aumento da algazarra. Enfim, era todo um mundo novo que se abria para nós e pode-se dizer, que a satisfação com a mudança foi geral.
Os 60 Anos do “Colégio Novo”
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novo Presidente da República. Terminada a continência, o Batalhão desfilou perante o Presidente, que seguiu depois para o gabinete do Director, onde lhe foram dadas as boas vindas.
Inauguração da parada do “Colégio Novo”, hoje Parada Serpa Pinto.
Para além desta grande novidade a nível das instalações, o novo ano lectivo teve uma outra inovação, que foi a presença de uma nova Direcção. A anterior tinha sido sumariamente afastada, após umas «eleições internas» clandestinas, cujos resultados não foram coincidentes com os resultados saídos das «eleições oficiais» para a Presidência da República, o que provocou um grande incómodo nas entidades de tutela do Colégio. Era preciso pôr aquela rapaziada na ordem. Um novo edifício de internato, com aquela qualidade e com aquela dimensão, estava mesmo a pedir uma inauguração com pompa e circunstância e para tal tínhamos o homem certo no lugar certo. Como já alguns sabiam e se veio a comprovar, o novo Director, o então Coronel Tirocinado Raúl Cordeiro Pereira de Castro (365/1916) era homem para cerimónias com aquelas condições. Como se costuma agora dizer, «estava na sua praia». A grande cerimónia de inauguração do «Colégio Novo» veio a ocorrer no dia 18 de
Outubro de 1958, coincidindo com a abertura solene do ano lectivo, que não poderia ter sido mais solene. O convidado de honra foi o recém-eleito Presidente da República, Almirante Américo Tomás, que foi acompanhado pelos Ministros da Defesa Nacional, do Exército, das Obras Públicas e da Educação Nacional, pelos Subsecretários de Estado do Exército e da Aeronáutica, pelo Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, pelos Chefes dos Estado Maiores da Armada, do Exército e da Força Aérea e pelo General Governador Militar de Lisboa. Os corredores do poder esvaziaram-se naquela tarde, ficando grande parte do poder reunido no Colégio, onde presumo que todos se quereriam mostrar ao novo Presidente da República. Como era prática corrente naquele tempo, o Batalhão formou no Largo da Luz, onde prestou continência ao Presidente da República, ao som do Hino Nacional, que na altura não era uso cantar-se. Por feliz coincidência, o Aluno Comandante de Batalhão era Luiz Filipe Ferreira Reis Thomaz (176/1952), que era sobrinho-neto do
Passou-se de seguida ao ginásio, devidamente engalanado, para o acto da abertura solene do ano lectivo, incluindo a distribuição de medalhas e prémios aos Alunos que mais se tinham distinguido no ano lectivo anterior. Nessa cerimónia, o ponto mais saliente foi a entrega de mais uma medalha de ouro de aplicação literária ao Comandante de Batalhão, pelo seu tio-avô Presidente, devendo ter ficado os dois comovidos com mais esta feliz coincidência. Salienta-se que Luiz Filipe Thomaz, ilustríssimo académico, especialista em História do Oriente e da Expansão Portuguesa, foi no Colégio um Aluno de extraordinária craveira intelectual, que «pairava» bem acima dos Alunos seus contemporâneos.
Presidente da República entrando no “Colégio Novo”.
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Os 60 Anos do “Colégio Novo”
Desfile do Batalhão em continência ao Presidente da República postado na varanda do 1º andar do “Colégio Novo”.
O que se seguiu à sessão solene é assim descrito, de forma muito sucinta, no nº 107, de Janeiro de 1959, da revista «O Colégio Militar»: «Terminada a sessão solene, S. Ex.ª o Chefe do Estado e os membros do Governo dirigiram-se para o novo Internato Colegial, em cuja parada fronteira se encontrava formado o Batalhão Colegial. Procedeu-se então á cerimónia da inauguração simbólica do edifício, marcada pelo hastear da Bandeira no mastro de honra, ao som do Hino Nacional. Seguidamente, o aluno nº 165 do 2º ano, Botelho Sebastião, abriu a porta do edifício, convidando o Chefe do Estado a entrar. S. Ex.ª antes de
começar a visita, dirigiu-se a uma varanda do 1º andar, de onde assistiu ao desfile do Batalhão Colegial em continência.
ilustramos este artigo com um conjunto de fotos extraídas do referido nº 107 da revista «O Colégio Militar».
Depois de ter percorrido demoradamente as instalações, S. Exª o Senhor Presidente da República exprimiu ao Director do Colégio a boa impressão que lhe deixara a visita.»
Refere-se, a título de curiosidade, que o Aluno nº 165/1957, que teve a honra de abrir a porta do edifício e cujo nome completo era António Manuel Cabral Botelho Sebastião, demonstrou, desde o seu primeiro ano, que era extraordinariamente dotado para a ginástica, tendo vindo a confirmar esses dotes ao longo da sua carreira colegial. Fica aqui sublinhado o seu nome, para a história do Colégio.
E foi assim, que vivemos aquele dia memorável, sobre o qual já transcorreram, não sabemos bem como, nada menos do que 60 anos. O «Colégio Novo» já não está tão novo como isso, sendo a sua conservação, restauro e modernização, uma das prioridades da actual Direcção. Como uma imagem vale por mil palavras,
Histórias e Memórias
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Histórias e Memórias Uma Questão de Honra
Humberto de Athayde Ramos e Oliveira (154/1899)
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as notas finais do artigo intitulado «Paul Emil von Lettow-Vorbeck. Um inimigo de respeito», publicado no número 211, de Abril/Junho de 2018, da ZacatraZ, indicava-se, que o Capitão Humberto de Athayde Ramos e Oliveira «Tendo ouvido injustos comentários de oficiais ingleses, acerca de uma acção por si tomada, no cumprimento de ordens recebidas, não suportou tal situação e possuído de um sentimento de honra, suicidou-se com um tiro de pistola, a 4 de Agosto de 1918». A explicação dos factos que levaram ao suicídio, durante a 1ª Guerra Mundial, em Moçambique, deste Antigo Aluno, fomos encontrá-la no nº 16, de Julho de 1969, da Revista da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar. Foram aí publicados extractos de um relatório e do diário de campanha do Alferes de Infantaria Alfredo Ribeiro Gomes de Barros, que, em Julho de 1918, chegou a Nametil comandando um pelotão de auxiliares indígenas com missão de reconhecimento e de acção psico-social. Apresenta-se de seguida a transcrição dos referidos extractos.
1 de Agosto de 1918 Por informações recebidas, os Alemães de-
viam atacar neste dia o Posto de Nametil com cinco companhias. Estacionara a cerca de 500 metros do Posto de Nametil um esquadrão de cavalaria inglesa, cujo comandante foi falar com o Capitão Ataíde, na presença do Alferes Barros, informando-o que os Alemães estavam perto, que possivelmente o Posto seria atacado e que tivesse tudo pronto para o abandonar, espalhando pelas dependências todas gasolina ou qualquer outro combustível, para as queimar, assim como aos géneros, não deixando nada que pudesse ser útil ao inimigo e que o mandaria avisar do que houvesse. Respondeu-lhe o Capitão Ataíde que como oficial do Exército Português sabia muito bem o que tinha a fazer. Cerca das 17 horas do mesmo dia, ouviu-se tiroteio nutrido pelo que o Capitão mandou graduados europeus saber o que se passava no acampamento da cavalaria inglesa e ao bivaque da patrulha inglesa do Inteligent Department, que encontraram abandonados, supondo-se que tivessem retirado sem lhes dar tempo sequer de mandar o aviso prometido. Em virtude deste facto e de não haver forças para resistir (havia poucos auxiliares e os cipaios estavam presos) o Capitão Ataíde mandara incendiar os edifícios do Comando Militar de Mogovolas, com sede na citada
povoação de Nametil, retirando todo o pessoal pelas 20H00 em direcção a Muatua, a cerca de 40 km, um dos postos do mesmo Comando Militar.
2 de Agosto de 2018 O pessoal bivacou no capinzal, a cerca de 20 km a N. E. de Nametil, fora do eixo de marcha, e prosseguiu a sua marcha pelas 6H00 para Muatua, onde chegou pelas 10H00. Nesta localidade encontrava-se uma patrulha inglesa do Inteligent Department, comandada por um oficial inglês. A meio da manhã veio outra patrulha inglesa, cujo comandante informara este oficial não ter sido Nametil atacada pelos Alemâes e que os estampidos haviam sido feitos pelas explosões das granadas das tropas inglesas em exercícios e que os Portugueses haviam retirado de Nametil fugindo com medo, o que foi ouvido pelo Capitão Ataíde.
4 de Agosto de 1918 Pelas 15H30, suicidou-se com um tiro de pistola, numa dependência do Posto Administrativo de Muatua o Capitão de Infantaria, Humberto Ataíde Ramos e Oliveira, Comandante Militar de Mogovolas, distrito de Moçambique. O Alferes Barros estava numa
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Histórias e Memórias
dependência próxima quando ouviu a detonação. Entrou no quarto e viu o cadáver do Capitão Ataíde deitado numa cama de campanha coberto com a sua capa azul. O cadáver foi transportado numa maca improvisada e seguiu por estrada para Angoche acompanhado por auxiliares desarmados, levando um pau com um lençol, como bandeira branca para assim poder transitar livremente por o inimigo se encontrar nas proximidades.»
dial, foi um Antigo Aluno, administrador local dos quadros do Ministério do Ultramar, o Administrador José de Castro Cabral (96/1908) conhecido na época pela sua alcunha «Niquer», que construiu no cemitério de António Ennes um jazigo condigno para Humberto de Athayde. Mais tarde o Antigo Aluno Luis Augusto Monteiro de Aguiar (368/1925) cuidou ele próprio do jazigo, quando se encontrava em António Ennes, e fotografou o seu próprio filho, Luis Filipe Magalhães de Aguiar (616/1962), devidamente fardado junto ao
mesmo jazigo. É essa fotografia publicada no já referido nº 16, de Julho de 1969, da revista da nossa Associação, que aqui reproduzimos. Onde quer que ele esteja, daqui saudamos o 616/1962, gratos pelo respeito que ele e seu Pai manifestaram pela memória deste Antigo Aluno, morto em condições tão trágicas, por não suportar ser posta em causa a sua honra de militar do Exército Português. Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957)
O Capitão Humberto Athaíde deixou duas cartas, uma dirigida ao Major Cabral, Governador do Distrito de Moçambique, mais tarde Governador- Geral da Província e outra dirigida a sua mãe. O Capitão Humberto Athaíde quando recebeu, antes deste episódio, ordem do Major Cabral para colaborar com os ingleses, considerou isso uma perda de soberania e manifestou logo o desejo de pedir a sua demissão. A partir de então, minado pelas preocupações de homem honrado, tornou-se pensativo, pouco falava e pouco comia. Em Julho de 1918 os ingleses haviam prendido todos os cipaios do comando de Humberto de Ataíde (alguns na presença dele) por meras desconfianças e dispunham de todos os seus carregadores sem seu consentimento. Então para que a Bandeira Nacional não sofresse mais ultrajes e não caísse nas mãos dos ingleses, mandou queimá-la, como se se tratasse de uma cerimónia fúnebre, onde não faltaram lágrimas nos olhos dos militares que a tal assistiram. Foi enterrado no cemitério de Angoche (António Ennes) e constou que o Capitão Torres, Comandante Militar desta área, mandou inscrever uma lápide na sua campa, dizendo o seguinte: «Uma vítima dos Ingleses». Mais tarde constou também que essa inscrição fora removida por razões de natureza política. Largos anos após o final da 1ª Guerra Mun-
Luís Filipe Magalhães de Aguiar (616/1962) junto da campa de Humberto de Athayde Ramos e Oliveira (154/1899) em António Ennes (Angoche).
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A Família Santa Marta O
livro Para lá do Colégio Militar, uma Associação centenária, da autoria de Rui Manuel Figueiredo de Barros (62/1936) e Gonçalo de Medina Figueiredo de Barros (440/1967), no seu «capítulo 6 – O Universo Colegial», apresenta uma série de famílias que se notabilizaram na sua ligação ao Colégio, por cumprirem um ou mais dos seguintes requisitos: › número de elementos que o frequentaram numa ou mais gerações. › vocação desportiva, com representantes de duas gerações em Jogos Olímpicos. › número de irmãos que o frequentaram. › serem irmãos gémeos. Na lista das famílias notáveis pelo número de irmãos que frequentaram o Colégio, destaca-se entre todas a dos Santa Marta, com sete elementos, não sendo identificada nenhuma com seis elementos e surgindo depois várias com cinco elementos. A família Santa Marta, que há muito queríamos recordar nas páginas da Zacatraz, teve irmãos a entrar no Colégio desde 1963 até 1977, com a particularidade de três deles terem sido sucessores no número de outros três. A intenção de publicar um artigo onde se recordassem
Da esquerda para a direita: Pedro, Miguel, Zé, João, Paulo e Luís
os principais aspectos da passagem dos irmãos Santa Marta pelo Colégio, e onde se desse a conhecer, de forma muito sucinta, o que foi feito deles depois de saírem do Colégio, foi muito bem recebida pelo Pedro (144/1963), que prontamente se disponibilizou para nos fornecer os elementos pretendidos. Infelizmente, não lhe foi possível
obter uma fotografia com todos os irmãos, pelo que se publica uma com seis, tirada no final de uma caçada.
A acompanhar a fotografia e os elementos informativos, o Pedro escreveu as seguintes palavras:
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Histórias e Memórias
A Família Santa Marta no Colégio Militar
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uis Deus que o então tenente Inácio Santa Marta – colocado à época na Escola Prática de Artilharia, em Vendas Novas – conhecesse e viesse a casar com Maria Constança Mousinho Almadanim. Desse casamento nasceram nove filhos: quatro rapazes, seguidos de duas raparigas e mais três rapazes. Dado o estatuto de oficial do exército do nosso pai, os sete rapazes fizeram o curso dos liceus no Colégio Militar e as raparigas no Instituto de Odivelas. Tanto quanto se sabe, foi até hoje o maior número de irmãos a passar pelo Colégio, tendo os seis mais velhos chegado até ao último ano. É curioso constatar que os três mais novos “herdaram” os mesmos números que os mais velhos, tendo o mais novo sido também o 144 catorze anos depois do mais velho.
Nome
O quadro abaixo apresenta um resumo da passagem dos sete irmãos pelo Colégio. Curiosamente, o nosso pai foi professor de Matemática no Colégio Militar, no ano lectivo de 1963/1964, ano de entrado do filho mais velho. Só exerceu essa actividade nesse ano porque, entretanto, foi mobilizado para o Ultramar, tendo cumprido três comissões em Angola. Passou à reserva, com o posto de Coronel, no ano de 1988. Morreu em Outubro de 1996.
Data Nascimento Nº
Entrada
Graduação
15/12/1952
144
out/63
1 Estrela 3ª
João Rafael Mousinho Almadanim Santa Marta
08/06/1954
443
out/64
1 Estrela 2ª
Luís Inácio Almadanim de Nápoles Santa Marta
04/11/1955
137
out/66
José Eduardo Almadanim do Vadre Santa Marta
02/04/1957
212
Miguel Almadanim do Vadre Santa Marta
23/10/1961
Paulo Almadanim do Vadre Santa Marta Francisco Xavier Almadanim do Vadre Santa Marta
João (443/1964)
Obrigado Colégio pelo que aprendi, pelo que vivi e pela ajuda no meu crescimento e na formação do meu carácter!
Todos nós guardamos muito boas recordações do Colégio, especialmente os que cumpriram o curso completo e todos usamos com orgulho uma barretina nos nossos casacos! Embora cada um dos irmãos tenha seguido a sua vida, mantemos contacto com
Pedro Almadanim do Vadre Santa Marta
Pedro (144/1963)
colegas de curso e, quando se proporciona, participamos nos almoços do 3 de Março, no Colégio ou onde se juntem ex-alunos para o efeito.Eu, por exemplo, já estive no Colégio, com um número razoável de colegas de curso, a celebrar os 25 anos de saída e os 50 anos de entrada, existindo neste caso uma placa comemorativa nos Claustros do Colégio.
Pedro Almadanim do Vadre Santa Marta
(144/1963)
Observações
Saída
Formação Académica
jul/70
Licenciatura em Eng. Química
Chumbou no 2º ano
jul/72
Licenciatura em Medicina
1 Estrela 3ª
Chumbou no 5º ano
jul/74
Licenciatura em Veterinária
out/67
2 Estrelas 3ª
Chumbou no 3º ano
jul/75
Licenciatura em Eng. Civil
443
out/72
Furriel
jul/79
Bacherel Novas Profissões
27/01/1964
137
out/74
Porta Guião
jul/82
Licenciatura em Economia
26/09/1966
144
out/77
-
jul/82
Licenciatura em Direito
Luís (137/1966)
José (212/1967)
saiu no 5º ano
Miguel (443/1972)
Paulo (137/1974)
Francisco (144/1977)
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O Colégio Militar e “Uma Casa Portuguesa”
Q
ue é estranha a relação entre o Colégio Militar e a conhecida canção “Uma Casa Portuguesa”, lá isso é! Mas para tudo há uma explicação que se irá desvendar a seguir, recorrendo à imprensa actual e à mais antiga. Começando pelo princípio, refira-se que o jornal Público publicou na sua edição de 21 de Setembro do ano passado um texto de um dos seus colaboradores, o jornalista Nuno Pacheco, dando a conhecer a história desta canção que tem vindo, desde há muitos anos, a identificar a “alma portuguesa”. Nessa crónica, o jornalista do Público fazia um relato do caminho percorrido pela canção, desde a sua criação até ao «enorme sucesso depois de ter sido cantada por Amália Rodrigues», até ao tempo presente, em que a «cantiga se impôs aos ouvidos, nacionais e internacionais, tendo a “Casa” hoje mui-
tas versões, entre as quais a do brasileiro João Gilberto». O curioso disto tudo é que a “Casa” nasceu em África, «num hotel cosmopolita de Moçambique, e nasceu de um episódio picaresco» 1. Abreviando a história, sabe-se hoje de fonte segura que os seus autores foram o poeta Reinaldo Ferreira, filho do célebre Repórter X, e Vasco Matos Sequeira, filho do autor teatral Gustavo Adriano de Matos Sequeira (219/1890). O pícaro da história é que os dois ilustres intelectuais que passavam as tardes no então Hotel Girassol, na antiga Lourenço Marques, entretidos a escrevinhar versos pornográficos (sic), foram a certa altura admoestados pelo maestro Artur Fonseca, lembrando-lhes este que «estavam numa casa portuguesa», e que isso deveria merecer-lhes algum respeito.
Guerreiros que participaram num “batuque” apresentado à comitiva do Colégio em Marracuene (Moçambique).
Terá sido então Reinaldo Ferreira quem chamou a atenção para aquela expressão que resultaria bem como título de canção, o que mereceu a concordância do maestro. Daí até meterem mãos à obra foi um ápice e, entre os versos de Reinaldo Ferreira e Matos Sequeira e a música de Artur Fonseca, nasceu “Uma Casa Portuguesa”. Sabe-se de dezenas de fadistas e cançonetistas que já cantaram “Uma Casa portuguesa”, desde Amália Rodrigues, a João Maria Tudela, ou Roberto Leal, ou até mesmo algumas versões pop-rock dos tempos modernos. Mas quando e onde se estreou a canção “Uma Casa Portuguesa”? Pois quem primeiro a cantou foi uma cançonetista amadora de Moçambique, de seu nome Sara Chaves, num sarau em honra da embaixada do Colégio Militar de visita a Moçambique no ano de 1951. Quem foram então estes “Meninos da Luz” que tiveram o privilégio de ouvir pela primeira vez os encantadores versos “Numa casa portuguesa fica bem / Pão e vinho sobre a mesa / …”. Sabemos que foi o curso de 1944/51 que teve a extraordinária oportunidade de fazer a sua viagem de final de curso percorrendo a África portuguesa, iniciando-se por S. Tomé e continuando depois por Angola, com visitas, além de Luanda, a Malange, Lobito, Benguela, Sá da Bandeira e Nova Lisboa e, por último, Moçambique, visitando Lourenço Marques e a Beira. A Revista Militar, no seu número de 11 de Novembro de 1951, não refere, como seria de esperar, a noite “memorável” em que se ouviram pela primeira vez aqueles versos da “Casa Portuguesa”, mas faz um relato sucinto da visita dos alunos finalistas que terminou justamente em Lourenço Marques e que se transcreve abaixo.
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Comitiva colegia em “equipamento colonial” (Moçambique).
«Visita dos alunos do Colégio Militar - Acompanhados do seu Director, Sr. Brigadeiro Correia Leal e de alguns professores, e depois de terem estado em S. Tomé e Angola, os alunos finalistas do Colégio Militar visitaram Moçambique. A missão do Colégio Militar, secular estabelecimento de ensino de gloriosas tradições, foi acolhida com manifestações de grande simpatia por parte das autoridades e da população, como é timbre dos portugueses que residem naquela Província Ultramarina em todas as representações, condignas, metropolitanas. Os «meninos da Luz» visitaram além de Lourenço Marques e arredores, Beira, Gorongosa e a histórica ilha de Moçambique, tendo efectuado numerosas visitas e excursões dentro da escassa duração da viagem, perdida, em grande parte, com os deslocamentos. Culminaram a sua visita à Província, a romagem ao monumento comemorativo do Combate de Marracuene, que revestiu de grande imponência e de alto significado patriótico, e a solene homenagem à extraordinária figura de Mouzinho de Albuquerque, em cujo monumento foi colocada, por dois alunos uma palma de bronze, como preito de veneração pelo grande herói, que também foi aluno do Colégio Militar.» 2
Vale a pena referir por último que existe uma detalhada crónica desta viagem, escrita pelo 132/1943, João Mendes Paulo, que vem transcrita na Revista da AAACM n.º 169 de Outubro/Novembro de 2007, mas onde também não é feita qualquer referência ao dito “sarau em honra da embaixada do Colégio Militar”. José Mário Fidalgo dos Santos
(253/1951)
Nota Extra: Ouvir no site abaixo uma crónica recente sobre a criação da “Casa Portuguesa”, mais uma vez sem mencionar o sarau com os alunos do Colégio Militar http://www.rtp.pt/play/p955/e253085/david-ferreira-a-contar
Refira-se que o cronista do Público coloca ele próprio algumas reticências a certas passagens da sua crónica, por virem de uma terceira pessoa que narrou os factos já passados vários anos.
1
É muito frequente a errada referência a Joaquim Augusto Mouzinho de Albuquerque, o herói de Chaimite, como tendo sido antigo aluno do Colégio Militar (ver Wikipedia). Prestou serviço como Tenente no Colégio Militar.
2
Justiça e (In)Disciplina
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Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
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o meu tempo no Colégio, a nossa rotina diária acabava com o toque do recolher que era executado por um conjunto de corneteiros, que se deslocavam da Formação ao Colégio, propositadamente para tal efeito. Assim que tocava a recolher, todos se dirigiam rapidamente para os locais de formatura dos respectivos pelotões nos gerais das companhias. Formada a companhia, era a vez de se proceder à leitura da ordem de serviço, que se processava segundo um ritual rígido. O comandante de companhia começava por ordenar sentido e era nessa posição, em rigoroso silêncio, que ouvíamos o graduado de dia à companhia, anunciar o número e a data da ordem de serviço, para de seguida debitar a frase sacramental «Sua Excelência o Coronel/Brigadeiro Director determina e manda publicar». Nessa altura recebíamos ordem de descansar e passávamos a ser informados daquilo que se passava no Colégio em geral e na nossa companhia em particular. Começava-se com o anúncio do oficial de dia para o dia seguinte, que nos deixava logo antever uma revista mais ou menos rigorosa na formatura para o almoço do mesmo dia, passando-se pela indicação dos alunos que baixavam ou que tinham alta da enfermaria, bem como daqueles que ficavam a dieta ou convalescentes, ou ainda autorizados a usar capotes ou alpercatas. Os anúncios iam-se sucedendo, até que se chegava ao capítulo da ordem que causava mais «frisson». Era o célebre
capítulo intitulado «Justiça e Disciplina». Aí começava o nosso sofrimento, com a indicação daqueles que ficavam privados de sair do Colégio por um, dois ou mais fins de semanas, com as respectivas justificações, algumas delas algo bizarras, resultantes dos diferentes estados de alma ou humores, dos oficiais ou professores que com as suas participações tinham dado origem às penas, mais ou menos pesadas, que sobre nós desabavam. Raramente as penas chegavam à prisão. Louvores, também só com raridade eram atribuídos. Face a este panorama, em que a questão de fundo parecia ser a repressão de um estado de indisciplina latente, muitas vezes me interroguei, se seria de propor a mudança do título deste importantíssimo capítulo da ordem de serviço para «Justiça e Indisciplina». Como prezava bastante os meus fins-de-semana passados fora do Colégio e como algo dentro de mim me dizia que a minha proposta não seria devidamente valorizada pelos decisores colegiais da época, optei por abster-me de apresentar qualquer sugestão. Como entretanto tudo mudou, talvez seja agora oportuna a avaliação do mérito das minhas lucubrações daqueles tempos de antanho. A questão da disciplina no Colégio, sobretudo no século XIX em que os Alunos só saiam do Colégio para as férias grandes, que de grandes não tinham nada, e na primeira metade do século XX, em que só se saía do Colégio durante as férias, era uma questão séria. Mesmo usando «rédea curta» não era
fácil manter dentro das baias regulamentares umas centenas de rapazes retidos dentro do Colégio na força da adolescência, cheios de imaginação e com as cabeças a puxarem para o disparate. E ainda bem que assim era, senão estaria o Colégio a formar um monte de lesmas abúlicas e sabujas, sem qualquer préstimo para o que quer que fosse. A importância que a questão da disciplina tinha, pode-se bem medir pela extensão com que é tratada na «História do Colégio Militar» de José Alberto da Costa Matos (96/1950), onde ocupa nada menos do que 54 páginas, sendo a questão tratada com bastante pormenor. Muito interessante é também a consulta da obra «O Colégio Militar através das ordens e livros de correspondência colegiais. 18031960», da autoria do Major Balula Cid, professor do Colégio nos meus tempos de Aluno e pai de dois Alunos também desse tempo. No que se segue, procuro analisar a «Justiça e Indisciplina» no Colégio, ao longo do Século XIX, tomando como base a referida obra de Costa Matos. Quando em 1812 Teixeira Rebelo começou a preparar aquilo que viria a ser o primeiro estatuto do Real Colégio Militar escreveu como principio «….ficando como uma Lei constante a proibição do uso de pancadas. Elas inspiram aos educandos o terror, abatem-nos, desanimam-nos ou tornam-nos revoltosos. Alteram a sua saúde, destroem a sua vivacidade natural e terminam por endurecer os seus corações. Desde que uma vez perdem a sen-
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Justiça e (In)Disciplina
Capa do Alvará e Regulamento de 1816.
sibilidade natural, que é a maior das virtudes sociais, fazem-se duros, sombrios, hipócritas, enganadores, vingativos e cruéis.» Em 1814 são publicados os primeiros estatutos do Colégio que no seu “capítulo II – Da disciplina do Corpo Colegial”, previa apenas as quatros penas seguintes: privação de passeio, diminuição de comida, desgraduação e expulsão. É de assinalar que era criado um Conselho de Disciplina, em que tinham assento quatro colegiais graduados e que a pena de expulsão tinha de ser sancionada pelo Rei. Os Estatutos de 1814 foram de pouca dura, pois em 1816 é publicado o «Alvará e Regulamento para o Real Collégio Militar da Luz», cujo “capítulo II – Da disciplina do Corpo Colegial”, apresentava algumas alterações em relação ao mesmo capítulo do diploma normativo anterior, sendo as principais, a desaparição do Conselho de Disciplina e de a pena de expulsão passar a ser sancionada pelo ministro, na sua qualidade de inspector do Colégio. Eram mantidas as quatro penas previstas no diploma anterior e era bem frisado que a disciplina devia ser regulada com prudência e moderação, com
recurso preferencial a admoestações verbais, em particular para as faltas cometidas pela primeira vez e que devia ser tida em conta a idade dos alunos, a sua anterior conduta e as circunstâncias em que a falta teria sido cometida. Tendo o Marechal fundador falecido em 1825 e não havendo ordens de serviço até essa data, não há registo das sanções por si aplicadas, mas apenas das aplicadas pelos seus sucessores. O seu regulamento manteve-se até 1849, mas até essa data verificou-se a aplicação de vários tipos de sanções não previstas no mesmo. Há registo de penas de prisão na camarata e prisão rigorosa, de «letreiros» que os alunos tinham que transportar, indicando, por exemplo, que eram mandriões, podendo esta sanção ser agravada com a sanção de «exposição», em que o aluno com letreiro se devia expor publicamente com o mesmo, em locais que lhe eram determinados. As sanções foram objecto de uma escalada sensível durante o reinado de D. Miguel, em que o Colégio conheceu «tempos difíceis», sob a direcção de Pedro Santa Bárbara, um absolutista ferrenho, que chegou ao extremo de determinar que «qualquer colegial pode prender à minha ordem outros que encontrar brigando». Foram introduzidas as palmatoadas, a prisão sem cama, a privação de sobremesa e merenda, a substituição da refeição por pão e água, se um aluno se recusasse a comer um prato, a assistência em pé às aulas, a privação de sobremesa, assistindo o aluno a ela em pé no refeitório, havendo ainda a pena suprema de um aluno ser impedido de usar «a insígnia honrosa da real efígie» de D. Miguel, medalha que o director conseguira do monarca para premiar os colegiais mais aplicados. Em Março de 1840, uma portaria institucionaliza o castigo com a palmatória para os alunos até ao 4º ano. Em 1847, é a própria Rainha D. Maria II que ordena a expulsão de dois alunos por terem fugido do Colégio. Um deles, por estudar a
expensas dos Estado ( os alunos eram subdivididos em duas categorias, consoante estudavam a expensas do Estado ou a expensas dos pais), foi ainda preso 20 dias no Castelo de S. Jorge. Estava assim legalizada a pena de prisão. Em Abril de 1849, uma portaria torna extensiva a todos os anos do curso a pena das palmatoadas, sempre que tal se tornasse «indispensável à manutenção da disciplina no Colégio». Os castigos de palmatória aplicados a alunos do 4º ano e seguintes eram registados na secretaria «a fim de se dar mensalmente parte ao Ministério da Guerra». Não havendo computadores na época, imaginamos que haveria alguém no Ministério, que seria o fiel guardião de um caderno de folhas azuis de 35 linhas, onde zelosamente anotava as palmatoadas recebidas por cada aluno do Colégio, mantendo assim permanentemente actualizada a «contabilidade» desta modalidade de castigo. No começo do ano lectivo de 1849/50 é regulamentada a prática do «letreiro» ou «rótulo» com «exposição», tendo esta os quatro graus seguintes: exposição perante todo o Corpo Colegial, exposição pública à entrada do edifício do Colégio, exposição na comparência à Missa e exposição na «Cerca», por ocasião da música. No final de 1849 é publicada uma reforma do Colégio, que remetia a tipificação dos castigos para um regulamento a publicar e que apenas indicava que haveria um Conselho Disciplinar, de três membros, para julgar os casos graves, que poderia recomendar a expulsão dos alunos nos seguintes casos: falta de aproveitamento em dois anos sucessivos, mau comportamento incorrigível, factos criminosos e deserção cometida depois dos catorze anos de idade. Em 1851, não tendo saído o anunciado regulamento, o Director faz publicar uma «Tabela de Castigos», onde se listavam nada menos do que vinte e três tipos de castigos. Havia advertências e admoestações de vários tipos, culminando com a repreensão à frente do Corpo Colegial em formatura geral, com assistência de todo ou parte do Estado-Maior. Havia privações de sobremesa, de merenda, de recreio e de passeio, podendo ainda o aluno ser posto a dieta como castigo. Havia detenções, desde
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O Capítulo II do Alvará e Regulamento de 1816.
detenção nos quartos, até à prisão rigorosa por mais de 8 dias. As palmatoadas podiam chegar a ser em número superior a 24 por dia ou durante mais de três dias (as mãos dos alunos deviam ficar em mísero estado). A «exposição com rótulo» podia ser nas aulas, nos gerais, no refeitório e por qualquer número de dias. Havia a separação, que podia ser, temporária ou expectante e absoluta ou de incorrigibilidade. Havia finalmente a expulsão, que ultrapassava a competência do Director, sendo da competência do Governo. A publicação da tabela era acompanhada da indicação que continuariam a aplicar-se as «Correcções Particulares em uso», o que indicava que a panóplia dos castigos ainda era mais lata, indicando-se também as composições das dietas de castigo, que podiam ser dos tipos «ordinária» ou «rigorosa». Para não se debilitarem os alunos, era indicado que «com as dietas deve procurar-se preencher o fim da punição mas sem desatender as necessidades da vida e
as conveniências da saúde». Era uma louvável preocupação do «legislador». Para se ter uma ideia do rigor das sanções naquela época, refere-se um castigo de dez dias de prisão em quarto isolado, aplicado, em Janeiro de 1855, a um aluno que durante as férias de Natal passou no Chiado, à uma hora da tarde, sem o seu uniforme, «ridicularizando deste modo, pública e indecentemente, as ordens do Estabelecimento na boa educação que por ele lhe é ministrada, ordens que sempre, em vésperas de férias, lhes são recomendadas». No final de 1855, foi publicada uma portaria com o primeiro regulamento disciplinar do Colégio, mas ainda com a designação de «provisório». Tinha quarenta e nove artigos e tinha a particularidade de fazer a distinção entre os alunos dos quatro primeiros anos e os dos anos seguintes. Para os primeiros, estavam previstas «correcções», devendo os responsáveis pela disciplina actuar «preferindo
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sempre os meios suasórios, e os expedientes que suscitem o pundonor, a outros quaisquer, a que poderão não obstante recorrer, com prudente autoridade e moderação, se os primeiros houverem sido ineficazes». Para os mais velhos estavam previstos castigos mais duros, que podiam ir de simples advertências ou repreensões em ordem do Colégio, a vários tipos de prisão, culminando com a prisão militar e a expulsão. A prisão militar era coisa séria, o aluno só podia sair da prisão para assistir à missa e para as aulas, onde ficava separado dos seus condiscípulos, acompanhado de um fâmulo armado. Na prisão tinha para leito «uma barra de pau, com enxergão e travesseiro de munição, sem roupa branca, e apenas os cobertores necessários». Esta prisão ainda podia ser agravada, dando ao punido pão de munição e uma só comida em cada vinte e quatro horas, em dias alternados, não podendo este agravamento durar mais de cinco dias. Em 1857, o Brigadeiro Director Celestino Soares, recentemente empossado no cargo, declara o perdão geral de todas as faltas cometidas pelos alunos, determina a cessação de castigos corporais e determina também que, a partir de então, qualquer falta de respeito a professores e oficiais, passaria a ser punida com o dobro das penas até aí aplicadas. Infelizmente, passado um ano, reconhece em ordem colegial que «tendo a experiência de um ano mostrado que a não aplicação de castigos com palmatória, longe de produzir um efeito salutar, tem pelo contrário feito relaxar o mesmo», autoriza de novo o recurso à palmatória pelos professores e oficiais, aproveitando para dizer aos alunos que deste modo são os mesmos «postos a par dos filhos dos homens grosseiros e sem educação alguma e que precisam ser tratados quase como irracionais, a quem só a dor obriga». Ao Brigadeiro Celestino Soares, sucede na direcção do colégio o Brigadeiro Palmeirim, que já fora do antecedente Director entre 1851 e 1856. No seu reassumir de funções, o Brigadeiro Palmeirim começou por recomendar aos professores para usarem o mais possível da persuasão em relação aos alunos,
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Justiça e (In)Disciplina
ajustamentos sob orientação ministerial. Nestas instruções são estabelecidos 46 deveres para os alunos, que substituem os «Princípios de moralidade colegial» de 1871, sendo erradicados os castigos envolvendo violência física. Não era sem tempo. As penas previstas nas «Instruções» de 1886 eram as onze seguintes: admoestação, serviço fora de escala, detenção na Companhia, lições de recruta, repreensão em ordem de Companhia, prisão na sala de Polícia, prisão isolada, baixa de graduação, repreensão em ordem de Batalhão, prisão militar e expulsão. O regime de prisão militar continuava a ser rigoroso, pouco diferindo do regime de 1855, sendo que agora o aluno preso não era Página final do Alvará e Regulamento de 1816, “Dado no Palácio do Rio de Janeiro aos 18/5/1816”. acompanhado por um fâmuabolindo os castigos corporais, mas acabou, lo armado, mas sim por um graduado armado. «contra o seu ânimo e só por excepção», por A expulsão, prevista para alunos maiores de restabelecer o recurso à palmatoada. Este catorze anos, era publicada em ordem de serDirector estabelece normas complemen- viço, lida à frente do Batalhão armado em fortares às «correcções» previstas no regula- matura especial, com a assistência de todos os mento provisório de 1855, estabelecendo oficiais e professores em serviço no Colégio. castigos que incluíam exposição em pé sobre As «Instruções» de 1886 estavam em vigor um banco, quartos de sentinela à porta da quando o Coronel José Estevão de Morais Sarcompanhia e privações de recreio, de sobre- mento assume a direcção do Colégio, em Março mesa, de merenda, de visitas e de parte ou de 1898. Este homem, que foi, e ainda hoje é, da totalidade das férias. considerado um pedagogo predestinado e cuja Em 1871 é publicado um «Guia para o candidato acção no Colégio procurei caracterizar, de forma a aluno do Real Colégio Militar», onde são com- sumária, em artigo publicado no número 208, piladas todas as normas de serviço incluindo as de Junho/Setembro de 2017, da ZacatraZ, exordisciplinares, complementares das do regulamen- tou os professores a recorrerem ao mínimo às to «provisório» de 1855. Este novo documento punições e a levarem os alunos ao bom caminho apresenta os «Princípios de moralidade colegial» por meio da persuasão e acima de tudo pelo e discrimina as transgressões disciplinares. exemplo. Mandou desactivar várias instalações Em 1883 assume a direcção do Colégio o Co- usadas como prisões e começou a introduzir alronel Francisco Maria da Cunha, que em 1884 terações ao que estava estabelecido, nomeadapublica umas «Instruções disciplinares pro- mente quanto às lições de recruta que passaram visórias para os alunos», as quais se tornam a ser dadas por graduados ou até substituídas definitivas em 1886, depois de efectuados por exercícios de ginástica e às detenções na
Companhia que passaram a ser substituídas por sessões de estudo, em que os alunos fariam trabalhos que lhes eram passados pelos professores e depois sujeitos a avaliação. A acção de Morais Sarmento culminou já no início do século XX, com a publicação do seu «Regulamento Interno» de 1901, obra de enorme mérito, que se inicia com a exposição do que designou por «Bases fundamentais da educação», que são por si só uma peça extraordinária de pedagogia. Neste regulamento inovador estabeleceu dois tipos de penas, designadas por “penas de ordem moral e penas de ordem corporal”. As penas de ordem corporal não implicavam porém qualquer violência física, implicando sim a presença física do punido em determinada actividade, ou a inibição de comparecer ou desfrutar de outras. As penas de ordem moral eram: admoestação (simples ou agravada), repreensão (pelo subdirector, pelo director ou em ordem colegial), baixa de graduação e expulsão. As penas de ordem corporal eram: estudo suplementar, exercício de instrução táctica, privação de saída do Colégio e reclusão. É de salientar que Morais Sarmento mostra uma grande preocupação em manter a dignidade do aluno e em não lhe causar situações de humilhação. Com Morais Sarmento voltou-se à pureza dos ideais do Marechal fundador e ficaram definitivamente enterradas práticas mais próprias de um reformatório, do que de um Colégio que se orgulha de ter sido «Berço de Portugueses Ilustres». Nota final: ao avaliarmos hoje, o que se passava no Colégio em termos de Justiça e Disciplina no século XIX, tem de se ter bem presente a diferença abissal entre a sociedade daquela época e a dos nossos dias. Atente-se, por exemplo, que a pena de morte para crimes civis só foi abolida em 1867 e que a extinção completa e definitiva da escravatura apenas se deu em 1869. Por outro lado, não se podem esquecer as vicissitudes pelas quais passou o Colégio durante aquele século, com cinco mudanças de instalações, até se fixar definitivamente na Luz em 1873, que em nada beneficiaram a estabilidade e a disciplina no seu interior.
Ainda a Operação Viriato
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Manuel Júlio Matias Barão da Cunha 150/1948
Ainda a Operação Viriato «A mais significativa, e a mais emblemática, seria a operação Viriato para reconquista de Nambuangongo, no coração dos Dembos.» (GOMES, Carlos de Matos e Fernando Farinha: Guerra Colonial: um repórter em Angola. Lisboa, Editorial Notícias, 2001, p. 44.)
O
Luís Barbosa teve a gentileza de publicar no n.º 211, da revista Zacatraz, (superiormente dirigida pelo Nuno Mira Vaz e por ele), de Abril/Junho 2018, pp 60/61, Operação Viriato, Angola 1961, onde se refere a mim e ao Ruben Domingues (196/1948), meu camarada de curso colegial, da Arma de Cavalaria, da operação Viriato e de muitas jornadas em Portela da Cerdeira. Nas nossas fotografias, por coincidência somos graduados de duas estrelas, ou seja, «alferes», posto que tínhamos em 1961…
Algures no mato.
E desafiou-me a completar o seu interessante artigo, o que procuro fazer, socorrendo-me da memória e do já escrito anteriormente, nomeadamente, no meu livro “Tempo Africano, aquelas longas horas”, 5.ª edição, 2.º título da coleção Fim do Império, pp 87/98 (à venda na AAACM). 1º Cabo Batista Neto, mulher e filho.
Soldado condutor de ETT Manuel de Brito, mulher e filhos.
Do 2.º pelotão de Reconhecimento, do 1.º Esquadrão do Grupo de Dragões de Angola que eu comandava, foram
evacuados 10 militares até alcançarmos o objetivo Nambuangongo, incluindo o condutor, de engenhos blindados Panhard, Fernando Domingues, natural de Fornos de Algodres, que ficou deficiente das Forças Armadas e com quem almocei recentemente (2018.07.13), conjuntamente com outros «dragões» que, também, me acompanharam na operação Viriato, como outro condutor de
Panhard, nomeadamente do engenho de transporte de tropa (ETT), Manuel de Brito, n.º 134/1959, que, também, ficou por Angola, onde casou; José Leitão, 1.º cabo na altura, hoje sargento-chefe reformado; Edgar Serra e Moura, 1.º cabo da secção de atiradores, comandada pelo saudoso Hélder Teixeira, e depois sargento miliciano. Ambos faziam parte da equipa de futebol do 1.º Esquadrão que ganhou, no final de 1961, o campeonato do sector L. Outro elemento da equipa, infelizmente, também já não está connosco; era o 1.º cabo 87/1960, Pedro Batista Neto, natural de Carmona. Em 15 de Março de 1961, após a matança no Norte de Angola feita pela União dos Povos de Angola (UPA), o 1.º Esquadrão, embora desfalcado, conseguiu salvar 153 civis, como consta do louvor que lhe conferiu o general Carlos da Silva Freire, comandante militar de Angola, em 1961.10.03, publicado na Ordem de Serviço n.º 71, de 1961.10.11. Foram o comando e dois pelotões, o 1.º, comandado pelo tenente Roque da Cunha, e o 3.º, pelo alferes miliciano Cordeiro Gonçalves, que foi ferido, tal como o sargento Vitorino, tendo sido morto o soldado n.º 6/1960, Coelho, e tendo esse pelotão que abandonar o ETT, só recuperado na operação Viriato. O único pelotão que não participou nessa operação de salvamento foi o nosso, o 2.º, por estar de serviço no quartel, em Luanda.
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Ainda a Operação Viriato
A caminho de Nambuangongo. Remoção de um abatis.
Desde meados de 1960 que o comando do Grupo de Reconhecimento de Angola (Dragões) e o 2.º Esquadrão foram para Silva Porto (Bié), então, sede do enorme distrito do Bié, Cubango e Cuando, abrangendo as Terras do Fim do Mundo, ficando o 1.º Esquadrão em Luanda, como reserva do Quartel-General e da sua grande confiança, pois o recrutamento era local, integrando mancebos com experiência africana, o que não acontecia com os contingentes vindos da, então, designada Metrópole, a maioria dos combatentes. Quando as três colunas integradas na operação Viriato começaram a ter dificuldades grandes, como bem descreve o Luís Barbosa no artigo anterior, o comandante da 3.ª, a do eixo Ambriz/Quimbumbe/Zala/Nambuangongo, o «Esquadrão»/Companhia de Cavalaria n.º 149, do capitão Rui Coelho Abrantes, também já falecido e que tinha sido instrutor de Tática de Cavalaria na Escola do Exército, pede o reforço de um pelotão de Reconhecimento, ao Quartel-General. Como tinha sido o único oficial do Esquadrão que não tinha podido participar na jornada
de 15 de Março, pedi ao comandante para ser o meu pelotão a ir reforçar o «Esquadrão»/ Companhia de Cavalaria n.º 149. A designação era incorreta e foi corrigida posteriormente, pois, na realidade, tratava-se de uma Companhia de Atiradores, com um poder de fogo muito menor do que o de um Esquadrão de Reconhecimento. Sei do que se trata, pois, após comandar um pelotão de Reconhecimento em Angola, comandei uma Companhia de Cavalaria na Guiné. O comandante do Esquadrão argumentou que o meu pessoal estava de folga, mas, após minha insistência, disse que iria o pelotão que primeiro estivesse pronto e foi o nosso. Surgiu-me, então, um problema de consciência, pois tinha oferecido o pelotão sem o consultar e foi o que fiz quando estava formado e pronto. Tal como eu esperava, ninguém desistiu, pois a três deles tinham destruído as fazendas no Norte, durante o terrorismo inicial, e a dois morto, também, os familiares, designadamente ao já referido Batista e ao soldado condutor-auto Brito, que se ofereceu para vir para o Norte, quando, em Silva Porto, soube do drama. A adesão de todo o pelotão ao
meu oferecimento foi como um «pacto de sangue», para a vida, como o lema do Colégio Militar de «um por todos e todos por um» … Outro comentário, complementar ao artigo do Luís Barbosa, é o de que o Quartel-General tentou transformar a operação Viriato numa «corrida», estimulando os comandantes a chegarem primeiro. Infelizmente, o Batalhão n.º 114 teve muitas baixas e não conseguiu atingir o objetivo, ao qual chegou primeiro o Batalhão n.º 96, mas se formos a analisar a «corrida» ao cronómetro, quem «ganhou» foi a coluna de Cavalaria, pois o nosso pelotão, da guarda-avançada, partiu em 1961.07.27 (está a fazer 57 anos), ou seja, 10 dias depois e alcançou o objetivo apenas 10 horas após a chegada do Batalhão de Caçadores n.º 96… E poderia ter sido o primeiro, mas em Zala houve uma reunião de oficiais, na tenda cónica do comandante da coluna, à noite, em que ele apelou para que tentássemos ser os primeiros, como já o fizera o meu comandante de Esquadrão quando pousou em Zala de avioneta, em 1961.08.08, como refere o Luís Barbosa.
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3 2
1
1. O Autor recebendo uma galinha oferecida por um nativo bailando. | 2. Soldado condutor Brito. | 3. Cabo Batista Neto.
O primeiro dos alferes a falar na reunião fui eu, por ser o mais antigo, e respondi que a minha opinião era a de continuar se nos dessem as munições que já nos faltavam, pela necessidade do muito consumo até ali chegarmos; caso contrário, preferia não arriscar a vida dos meus subordinados à «glória» de ser o primeiro… Entretanto, ouve-se um tiro, sou alertado de que um dos nossos militares que estava de sentinela foi atingido e peço para acompanhar o médico da 149, o tenente miliciano Pimenta, o que foi útil, pois o enfermeiro desmaiou e eu tive de o ajudar. Infelizmente, ao cabo de algum tempo, o soldado morreu… Já de manhã, o comandante do 149 pergunta-me se confiava no meu comandante de Esquadrão que, na véspera, tinha prometido que nos enviaria munições. Face à minha resposta, disse-me para ir andando e que logo que viessem as munições mas enviaria… Felizmente, mais uma vez, Fátima esteve connosco! Ainda relativamente à «corrida», nos primeiros 15 dias, até ao objetivo Nambuangongo, removemos 182 obstáculos, participámos em
12 ações de combate, em cerca de 108 horas de guarda avançada; e a única coluna que explorou o sucesso foi a da Cavalaria, em direção a Quipedro, por um itinerário envolvente, de Encoje Micula, indo connosco o pelotão do Ruben Domingues, mas não o capitão dele, pelo que eu assumi o comando do «agrupamento». Só foi possível atingirmos o novo objetivo devido ao grande conhecimento do terreno por parte do soldado Jacinto Alexandre, n.º 20/1959, o terceiro militar cuja fazenda foi destruída. E, de novo, Fátima nos protegeu, pelo menos, mais duas vezes. No caminho, no dia 13 de Agosto de 1961, quando o apontador do morteiro 81, o saudoso 1.º cabo 35/1960, António Rodrigues, tentou, de noite, no acampamento, enviar uma granada, a qual caiu próximo, sobre a minha tenda, embora não tenha explodido, pelo que ele lhe pegou à mão e a atirou o mais longe possível, tendo, então, explodido… Nesse dia, o comandante do Esquadrão de «Dragões» sobrevoou-nos e lançou munições, mas sem paraquedas, e a maior parte ficou inutilizada… Na noite da véspera de chegarmos a Quipedro,
desconhecíamos que os paraquedistas tinham lá saltado. Felizmente, a rádio funcionou, o que era difícil, ficando a saber do «envolvimento vertical de Quipedro», caso contrário teríamos disparado contra eles… Entrámos em Quipedro no 20.º dia da operação, ao cabo de 857 km, remoção de 205 obstáculos, participação em 14 ações de fogo e após cerca de 153 horas na frente… Tínhamos ido para uma operação prevista de quatro dias, só com a roupa que tínhamos no corpo, mas só fomos rendidos e iniciámos o regresso à base no 34.º dia, 29 de Agosto, tendo chegado, de novo, a Nambuangongo às 22h30, após um longo dia, da 01h00 às 22h30, ou seja 21h30 longas horas… No dia seguinte, 35.º, 30 de Agosto, pedi ao comandante do Batalhão para as nossas viaturas serem reabastecidas de combustível, considerando o facto de ele me ter dito que não efetuava patrulhas. Penso que ficou ressentido por a sua Unidade não ter sido compensada com a passagem para outro local mais pacífico… Mas não tivemos sorte de nos dispensarem combustível; ao contrário, disseram-nos para escoltarmos camiões civis, ao que respondi que só com uma ordem por escrito…
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Conseguimos atingir Quimbumbe, às 22h00, onde atestámos as viaturas. Percorrêramos mais cerca de 100km em 14 horas e 30m, totalizando cerca de 1.143km de marcha… No 36.º e último dia, 31 de Agosto de 1961, às 02h15 (após 1.214km), chegámos ao Ambriz, onde, apesar da hora, fomos recebidos pelo administrador, seus familiares e mais população, com muito afeto. Quiseram obsequiar-nos com uma refeição ligeira e, infelizmente, lá veio o habitual atum de conserva. Gosto muito de atum, principalmente do dos Açores, mas após mais de um mês como quase única opção…
Na revista da AAACM n.º 19, de Abril de 1970, nas pp 17/18, refere-se: «o alferes de Cavalaria Rúben de Almeida Domingues (ex-196/1948), condecorado com a Cruz de Guerra de 3.ª Classe (O. E. n.º 2, 2.ª série, de 1 de fevereiro de 1963 e portaria de 8 de Janeiro de1963) (…) e em pp 33, «capitão Manuel Júlio Matias Barão da Cunha (ex-150/1948), condecorado com a Cruz de Guerra de 3.ª Classe (O. E. n.º 9, 2.ª série, de 1 de Maio de 1966) (…)»; ou seja, o Rúben foi justamente condecorado pelo que fez em Angola, mas eu, embora tivesse sido proposto em Angola, só recebi
©Foto Sérgio Garcia (326/1985)
Finalmente, pelas 17h30 (após 1.419km), chegámos a Luanda, não sem mais um percalço; perto de Cacuaco, um acidente com a viatura do comando provocado por uma manobra perigosa de um camionista, tendo ficado ferido o saudoso 1.º cabo 63/1960, Duarte João Lima, do Minho, filho de um alfaiate de Luanda, próximo da Mutamba, e que foi o importante registador de dados para o relatório. Ainda no serviço militar que, para estes bravos, foi
de cerca de quatro anos, conseguiu passar da antiga 4.ª classe para o antigo 7.º ano, tirando, depois, o curso de Medicina… Em resumo, durante 36 dias e 36 noites e ao longo de 1.419km, deparámo-nos com mais de 20 ações de combate, incluindo emboscadas, num total de três mortos e 38 feridos; mais de duas centenas de obstáculos, alguns constituídos por quatro e cinco árvores empilhadas ou embondeiros gigantes; fazendas destruídas, incluindo casas e viaturas. A previsão do tempo desta missão era de quatro dias.
ANTIGO ALUNO USA A BARRETINA
na Guiné, onde fiquei deficiente com 46% de incapacidade, ao comandar a Companhia de Cavalaria n.º 704, que recebeu 11 medalhas da Cruz de Guerra e cinco prémios Governador da Guiné. Mas os outros militares que também integravam a guarda-avançada e igualmente foram propostos para condecoração, nunca a receberam… apesar de alguns militares da 149 terem recebido, incluindo o comandante… Mas, enquanto os, então, condecorados ficaram em Lisboa, o não decorado foi escolhido para ser instrutor, no Centro de Operações Especiais, em Lamego, de oficiais superiores, comandantes de batalhão, embora fosse apenas tenente… Mas o grande prémio de Angola foi lá ter voltado, em 1969, 1970 e 1971, e ter voltado a conviver com os meus militares, tendo o Batista Neto, entretanto, casado com uma algarvia e o condutor Brito com uma negra, como se pode ver nas fotografias do excelente repórter Fernando Farinha e dando mais um testemunho do «modo português de fazer a guerra» como assinalou, oportunamente o grande comandante e doutor norte-americano John P. Cann…
Homenagem aos nossos Professores
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Homenagem ao Colégio Militar e a professores e oficiais, Do curso de 1948-1955
P
rosseguimos a nossa rota de homenagem, neste ano de 2018, em que o nosso curso vai comemorar os 70 anos de entrada no Colégio. Todos já temos 80 anos de idade, ou mais, excetuando-se os casos do Guilherme Câncio Martins, 127/1948, e do Manuel Barão da Cunha,150/1948, que só completam 80 anos mais perto do fim do ano. Este é o quarto número da revista ZacatráZ, dedicado a essa homenagem, que se iniciou no número relativo ao 4.º trimestre de 2017. No presente número da revista resolvemos homenagear mais alguns oficiais que nos deram aulas ou instrução e que nos deixaram memórias mais vivas.
1 - Coronel Ivo Guedes da Silva: Foi nosso professor de Geometria Descritiva, no 6.º ano, ano lectivo de 1953-1954, e no 7.º ano, ano lectivo de 1954-1955. Também tivemos esta disciplina no 4.º e no 5.º ano, mas foi este professor que nos desenvolveu o nosso interesse e saber nesta temática tão importante para as ciências militares, engenharias e arquitectura. Logo no início do 6.º ano nos surpreendeu, pelas suas qualidades de comunicação, suscitando vivo interesse, circulando pela sala e usando as mãos e objectos para nos explicar as definições fundamentais, falando com entusiasmo. Posteriormente, era com facilidade que resolvíamos os problemas de representação gráfica
e em especial os problemas de sombras de figuras geométricas. Ao terminarmos o curso colegial reconhecíamos a nossa boa preparação nesta disciplina. Pelo menos alguns dos alunos que ingressaram na Escola do Exército, tiveram grande êxito na cadeira de Geometria Descritiva. Um deles, o Manuel Barão da Cunha (150/1948), graças à competência do mestre Ivo Guedes da Silva foi, posteriormente professor de Desenho no Colégio de Lamego (1962/63) e no Colégio Militar (1971/73). Alguns dos elementos deste curso (António Sena e Silva (149/1948), Dias Antunes (221/1948), Manuel Barão da Cunha (150/1948), Filomeno Garcia (311/1947), recordam, também, a mais-valia que foi o então capitão Guedes da Silva como diretor da Feitoria, onde os ensinou a nadar e lhes proporcionou o usufruto de uma jangada, uma baleeira, um «charuto, um «kaiac» e vários barcos à vela, para além de uma excursão à Arrábida. E premiou-os, ainda, com uma disciplina baseada no conceito liberdade/responsabilidade, mais pedagógica e duradoira que muita no Colégio, tal como a da «Mula»/139… Permitia-lhes, por exemplo, ir ao cinema, à noite e à paisana, o que já não aconteceu com o seu sucessor, obrigando ao «salto»… 2 - Tenente de Engenharia, Morais: Foi nosso professor de Geografia no 2º ano,
no ano lectivo de 1949/1950, e no 3º ano, no ano lectivo de 1950/1951. Da matéria dada, a que nos deixou mais recordação, foi o estudo dos diferentes países, com o seu relevo, orografia, recursos naturais, dados populacionais e cidades mais importantes. Dava grande importância aos trabalhos individuais dos alunos, neles suscitando uma melhor compreensão da matéria, mas principalmente a criatividade pessoal. Também ajudou a criar espírito de equipa e competitividade controlada, nomeadamente, quando fazia sabatinas, em que a malta dava opiniões sobre condiscípulos, como, por exemplo, envolvendo Manuel Barão da Cunha (150/1948) e Lalande Vieira Pinto (382/1949). Tal como a maioria dos alunos do professor Mota, ficaram bem apetrechados em Português, também muitos dos do Morais foram bons alunos nessa disciplina, embora não tão bons noutras, como, o Sena e Silva (149/1948). Também, depois dele veio o contraste, na docência do incompreendido capitão Serra e só no 6.º ano voltámos a ter um pedagogo nessa disciplina, o capitão Ernesto Dionísio, que, igualmente, marcou pontos na direção da Feitoria…
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Homenagem aos nossos Professores
3 - Tenente de Cavalaria António Romeiras: Após os anos da aprendizagem de volteio a cavalo, e a iniciação à equitação, dada por instrutores, como os capitães Reimão Nogueira e Fernando Cavaleiro, passámos, a partir do 6.º ano, a aulas de equitação a sério, com passeios para os campos, fora do Colégio e a aprender os saltos de obstáculos. Nesse período o nosso verdadeiro mestre foi o, então, tenente António Romeiras, com quem criámos uma grande empatia, e um verdadeiro espírito de equipa com o seu leader natural e se desenvolveu uma amizade que se manteve ao longo dos anos. António Romeiras era participante nas tertúlias, junto à Igreja de São Domingues, com o padre Braula Reis e com vários Antigos Alunos do nosso curso. Por vezes, durante as férias escolares, permitia-nos acompanhá-lo e à Esposa, irmã de outro grande cavaleiro, Cruz Azevedo, em passeios equestres nos arredores do Colégio. Posteriormente, foi comandante de Companhia na Escola do Exército, voltando a ser um bom líder. Também esteve em campanha na Guiné e sofre alguma incompreensão no «25 de Abril». Foi sócio honorário da AAACM, como o padre Braula Reis e outros…
Manuel Júlio Matias Barão da Cunha (150/ 1948)
Pedro do Canto Lagido (330/1947)
Tenente António Romeiras com alguns instruendos (que não do curso 1948/1955).
O Colégio Militar e os meninos da Luz Pedro Soares Martinez, homem de cultura, antigo e conceituado professor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, publicou no jornal O Diabo de 15 de Maio p. p. um extenso artigo no qual faz a apologia do
Colégio Militar, das suas opções pedagógicas e, em especial, dos valores que durante mais de duzentos anos ali têm sido transmitidos a muitas gerações de portugueses. O professor Martinez não é Antigo Aluno.
As suas palavras elogiosas, numa época marcada por opiniões contraditórias acerca do presente e do futuro do nosso Colégio, calam bem fundo no coração de todos nós. Obrigado Professor Martínez.
Artigo retirado do Jornal “O Diabo”, edição de 15/05/2018.
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Curso de 1980/1988 Romagem dos 30 Anos de Saída
30 Anos
de Saída Celebração no CM
B
om dia a todos. Obrigado, caro Diretor do Colégio Militar por nos receber hoje.
Obrigado, caros Paulo Tavares de Almeida, João Ferreira Pinto e AAACM por nos terem organizado e assegurado mais uma vez a presença de muitos. E especialmente obrigado aos nossos convidados, Vasco Lynce de Faria e Abreu Matos, nossos queridos mestres de físico-química e atletismo e ex-alunos do Colégio como nós. Hoje estamos em família, pelo que posso dirigir-me a todos vós por Camaradas. A maioria de nós saiu do Colégio há trinta anos. Mas nunca deixámos o Colégio, levamo-lo na lapela mas também na alma. Quando nos juntamos os nossos olhares e cumplicidades revelam-nos algo que as palavras teimam em não abarcar. É bom estar convosco! Nas três horas que separam Frankfurt de Lisboa, pensei em que assunto pegar hoje. Sendo os nossos convidados grandes figuras do desporto nacional tem sentido dedicar estas palavras ao desporto no Colégio. O desporto foi parte integral da formação que o Colégio nos deu. Desde o primeiros ano fez parte do currículo colegial. Muitos de nós entrámos no Colégio com pouca aptidão para a ginástica, o atletismo e outras atividades físicas que se exercessem sem bola.
No número 211, de Abril/Junho-2018, da ZacatraZ, noticiámos a romagem dos 30 anos de saída do Colégio do curso de 1980/1988. Por lapso, a notícia não foi acompanhada do discurso que foi proferido durante a visita ao Colégio. Para correcção do mesmo lapso, reproduzimos de seguida o referido discurso:
Graças às condições de que usufruímos no Colégio e a grandes mestres, Dario, Abranches de Sousa, Carlos Bernardino, Lobato Faria, Durão, Abreu Matos e muitos outros, os nossos corpos desenvolveram-se em harmonia e nasceu em nós, pelo menos em nós os mais calões, um gosto pela atividade física que perdura nas nossas vidas. Também graças à inspiração dos nossos mestres, vários de nós dedicam-se profissionalmente ao desporto e outros continuam a praticá-lo assiduamente aos quarenta e muitos, o que é obra! Lembro-me que, orientados pelo Abreu Matos, o “Caparro” (39), o “Chinês” (77), o “Chico Escuro” (305) e o “Bolha” (176) bateram o recorde nacional de 4x100 na categoria deles. O Vasco Lince, apesar de não ser professor de educação física, colaborava com as equipas de râguebi do Colégio e participava na organização dos jogos para os mais novos nos Domingos às nove da manhã no Estádio Universitário. Quantos de nós fomos consolados pelo Vasco Lynce depois duma derrota amarga ou duma cabeçada num adversário! A mim marcou-me especialmente o Prof. Carlos Bernardino, que chegou ao Colégio como Aspirante Miliciano, salvo erro no nosso terceiro ano, e foi grande impulsionador do basquetebol. Tendo passado a sua infância em África, trouxe um vocabulário diferente e motivador. “Isso é muito bom, sr. 7”. Ou “essa mãozinha” após ter convertido um lançamento longo. O Carlos Bernardino trouxe-nos também vídeos da NBA antes de que se pu-
deram ver na televisão e assistimos a épicas finais dos Lakers contra os Celtics, ou o que era a mesma coisa, do Magic Johnson contra o Larry Bird. E o bichinho ficou lá e joguei basket até há poucos anos quando o meu joelho atingiu o prazo de validade. Como diria o Tribolet, é a PDI... Graças a Deus, o que não atingiu prazo de validade são os valores do desporto que ficam em nós. Como afirma o Código de Honra, o Menino da Luz é modesto no êxito, digno na adversidade e confiante face às dificuldades. São estes valores que ficaram em nós também graças ao desporto. Por isso também, obrigado Colégio! Rodrigo Martinez Sellés de Oliveira Soares
(7/1980)
Comandante da 1ª Companhia Zacatraz
Curso de 1985/1993 Romagem dos 25 Anos de Saída
Curso de 1985/1993 Romagem dos 25 Anos de Saída 18 de Maio de 2018
Curso de 1985/1993 - 25 Anos de Saída - 18 de Maio de 2018 ©Fotos Leonel Tomaz
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ecorridos 25 anos de saída do Colégio, estiveram presentes nesta romagem de saudade os seguintes Antigos Alunos:
Luís Miguel Fernandes Pimenta (2/1985), Bruno Manuel Cortes Lopes (18/1985), António Fernando Rodrigues Vieira Filipe (3371985), Hélder Manuel Dias Teixeira (35/1984), Bernardo de Carvalho Monteiro Sequeira Marcelino (46/1985), Nuno Miguel Benevenuto Falcão Correia Gonçalves (66/1985), Pedro Nuno Carvalho Saramago Soares da Costa (75/1985), Rui Pedro Rebelo Teixeira Cardoso (94/1984), Luís Miguel Vestinho Mestre (96/1985), Arturo João Loureiro da Nazaré Cortés Fernández (126/1985), Mário Jorge Calado Moacho (129/1984), Fernando Miguel Ribeiro dos Santos Castelo (138/1983), João Manuel Stoffel Queimado Borges Monteiro (146/1985), Luís Miguel Caramelo Gião (165/1985), Pedro Miguel da Silva Pimentel (171/1985), João Frederico de Brito da Silveira Machado (187/1985), Rui Abreu (195/1985), João Pedro dos Santos Correia Henriques Alves (199/1985), Luís Nuno Barrão Fernandes Rodrigues Janeiro (210/1985),
Luís Manuel Guedes Salgado Pessoa de Amorim (234/1984), Rúben Miguel Marques Correia (247/1985), José Pedro Almeida Garcia Lopes de Oliveira (250/1984), Rui Dinis Marques da Silva (264/1984), António Manuel de Brito Gonçalves Martins Soares (284/1985), Pedro José Nunes Pereira David Pereira (286/1985), Nuno Pedro Piedade Alegria Jorge Vinha (301/1985), Nuno Maria Gentil Carrilho Costa (302/1985), Rodrigo Manuel Cecília Marujo Gonçalves (312/1985), Pedro Guilherme Machiné da Silva (322/1985), Sérgio de Deus da Silva Garcia (326/1985), João Gonçalo Leal Bravo da Costa (329/1985), Mário Alexandre Marques Maximiano (351/1985), Pedro Miguel da Fonseca Ferreira (361/1985), João Alexandre Moutinho da Cruz (368/1984), João Pedro Neves Ferreira (385/1984), Nuno Alexandre de Jesus Afonso (396/1984), Marco António Nunes Guerreiro Inácio (403/1984), Bernardo Miguel Carrilho da Silva Malha (420/1984), Marco Paulo Martins de Paula (436/1985), Pedro Miguel Castanheira da Silva (459/1985), Luís Miguel Afonso de Carvalho Pires (464/1985), Nélson José Cordeiro Cajão (496/1984)
Convidados: Professor de Português: Mário Garcia Carmo Professor de Inglês: José Manuel Victor Hugo Gomes Professor de Educação Física: Nuno Maria Moreira Gomes Marques Funcionário Civil: Leonel José da Silva Tomaz
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Curso de 2000/2008 Romagem dos 10 Anos de Saída
Curso de 2000/2008 Romagem dos 10 Anos de Saída 25 de Maio de 2018
Curso de 2000/2008 - 10 Anos de Saída - 25 de Maio de 2018
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ecorridos 10 anos de saída do Colégio, estiveram presentes nesta romagem de saudade os seguintes Antigos Alunos:
João Paulo Pinheiro de Oliveira Alves (54/2000), João Paulo Serafim Lobato (91/2000), José Augusto Marcos Assunção (105/2000), Pedro Pereira Dagge (114/2000), David de Castro Almeida (114/2000), Mendo Saraiva de Reffóios Paes de Ataíde (121/2000), José Miguel Ribeiro Ferraz (198/2002), Gustavo Lopes da Costa Pinto Basto (227/2000), Domingos Alexandre Ferreira Ribeiro de Carvalho (259/2000), Miguel Esteves Fernandes (270/2000), Tiago Cipriano Vidal (307/2000), Pedro Miguel António Cordeiro (326/2000), Nuno Miguel Gaspar da Rosa Guerreiro Bota
(339/2000), David Nuno Thenard Ribeiro Pereira (344/2000), Mário Maria Duarte Afonso Camões (401/2000), Miguel Ortet Carmona e Silva (424/2000), José Gonçalves Gadelho Castro (444/2001), João Luís Fernandes Simões (453/2000), Frederico Araújo Abreu Fidalgo de Oliveira (454/2000)
Convidados: Professor de Ciências e Biologia: Rui Jorge Vieira Farinha Professor de Matemática: Joaquim da Cruz Bernardo
Países que fazem 100 anos
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Nuno António Bravo Mira Vaz 277/1950
Países cuja declaração de independência completa 100 anos em 2018
N
a sequência do desmantelamento do Império Austro-Húngaro, da revolução russa e do fim da I Grande Guerra, o mapa da Europa mudou de forma radical, sendo bem conhecidas algumas dessas alterações territoriais: a França reganhou a Alsácia-Lorena; à Bélgica foram atribuídas umas quantas localidades junto à fronteira com a Alemanha; a Dinamarca reouve parte de Schleswig; a
soberania da Polónia, perdida em 1795, foi restaurada, tendo ainda recebido territórios cedidos à Alemanha aquando da partilha; o Império Austro-Húngaro foi desmantelado, dando origem a quatro países – Áustria, Hungria, Checoslováquia e Jugoslávia. Hoje recordamos oito países que se tornaram independentes em 1918. Desses,
seis celebram este ano o centenário da sua fundação, ainda que nem todos tenham mantido continuadamente a independência; os outros dois, porque se repartiram, antes do final do século XX, em diversas entidades políticas, não chegaram a completar cem anos, foi o caso da Jugoslávia e da Checoslováquia.
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Países que fazem 100 anos
Islândia Os primeiros povoamentos na ilha datam do século IX e tiveram origem na Noruega. No século seguinte, a ilha contava já com um órgão de conselho com poderes legislativos e judiciais – o Althing. Entre 1262 e 1814, o território pertenceu à monarquia norueguesa e, a partir de 1814, à monarquia dinamarquesa. Nos anos 1850, um movimento nacionalista deu início à luta pela independência do território. Em 1874, a Dinamarca concedeu à Islândia uma constituição e um governo limitado, em condições que foram expandidas em 1904. Em 1 de Dezembro de 1918, através do Acto de União válido por vinte e cinco anos, a Dinamarca concedeu à Islândia o total reconhecimento como Estado soberano, embora ligado ao rei da Dinamarca. Em 9 de abril de 1940, a Alemanha ocupou a Dinamarca e o Parlamento islandês decidiu que a Islândia deveria assumir os poderes do rei dinamarquês e declarar a neutralidade relativamente ao conflito em curso. Um mês mais tarde, as Forças Armadas do Reino Unido ocuparam a Islândia, violando a sua neutralidade. Foram substituídas, em 1941, pelas Forças Armadas dos Estados Unidos. Em 31 de Dezembro de 1943, o Ato de União expirou. A partir de 20 de Maio de 1944, 97% dos islandeses votaram em referendo o fim da ligação ao rei da Dinamarca, tendo 95% votado a favor de uma nova constituição republicana. Em 20 de junho do mesmo ano, a Islândia converteu-se em república.
últimos já haviam sido independentes noutros momentos das suas histórias) uniram-se numa República Federal Transcaucásica que durou poucas semanas. Com efeito, os três países separaram-se pouco tempo depois, tendo o Azerbeijão declarado a independência em 28 de Maio desse ano como República Democrática do Azerbeijão. O novel país foi invadido por tropas soviéticas
Baku, capital do Azerbeijão. Ao fundo distinguem-se as Torres Baku Flame, que imitam chamas.
Bielorrússia O território que hoje é conhecido como Bielorrússia fez parte, no decurso da História, de diversas entidades políticas, de que se destacam o Grão-Ducado da Lituânia, a Comunidade Polaco-Lituana e o Império Russo. Embora tivesse identidade e idioma próprios, o território encontrava-se desde o século XVIII incorporado na Rússia. Em 1918, enquanto a Rússia negociava a sua saída da I Grande Guerra, os alemães aceitaram a criação da República Nacional Bielorrussa independente e, na consequência da derrota da Alemanha, o país declarou a independência como
Azerbeijão Até muito recentemente, a região nunca esteve unificada, sendo habitada por tribos diversas e submetida ao poder dos Estados islâmicos persas entre os séculos XI e XVIII. Em 1918, na sequência da revolução russa, o Azerbeijão, a Arménia e a Geórgia (os dois
em 1920 e, em Abril de 1922, foi incorporado na URSS como República Socialista Federativa Soviética Transcaucasiana. Em 1936 mudou o nome para República Socialista Soviética do Azerbaijão, tendo ficado a constituir parte integrante da União Soviética até 1991, ano em que declarou a independência, a qual veio a ser internacionalmente reconhecida no ano seguinte.
Biblioteca Nacional da Bielorrússia, em Minsk.
República Nacional da Bielorrússia. Um ano mais tarde os bolcheviques apoderaram-se da Bielorrússia, a qual passou a ser conhecida como República Socialista Soviética Bielorrussa, convertendo-se numa das quatro Repúblicas fundadoras da União Soviética. Em 25 de Agosto de 1991, na sequência do colapso da União Soviética, declarou independência como República da Bielorrússia. As atuais fronteiras da Bielorrússia foram estabelecidas no decurso da II Grande Guerra, quando o país foi novamente ocupado pelos alemães e mais de dois milhões dos seus habitantes, sobretudo entre os que pertenciam à comunidade judaica, foram exterminados.
Países que fazem 100 anos
Estónia O território agora conhecido como Estónia caiu sob domínio sueco em meados do século XVII. Por pouco tempo: o czar russo Pedro I, O Grande, apoderou-se desta e das outras repúblicas bálticas em 1721. Na sequência da Revolução Russa de 1917, a Estónia passou a gozar de autonomia, chegando mesmo a declarar a independência em 24 de Fevereiro de 1918, uns dias antes da assinatura do tratado de Brest-Litovsk, o qual não só punha um fim à participação da Rússia na I Grande Guerra como transferia a soberania dos países bálticos para a Alemanha. Todavia, tendo a Alemanha perdido a guerra, a Estónia recuperou a independência em 1920, após um breve conflito armado com a União Soviética. O país manteve um regime democrático até 1934, quando, por efeito da Grande Depressão, o Parlamento foi dissolvido e Konstantin Päts instaurou um regime autoritário.
invadiu o país e a Letónia passou à condição de mais uma República socialista soviética, ainda que a integração só se tenha tornado efectiva à custa de dura repressão sobre a resistência anti-soviética, a qual durou até 1952. Em 21 de agosto de 1991, tal como a Estónia, a Letónia recuperou a sua independência.
Lituânia Comemorou o centenário da independência em 16 de Fevereiro deste ano. Em rigor, tratou-se de celebrar uma segunda independência, pois a Lituânia já havia usufruído de um regime de independência, quando, em meados do século XIII, as tribos lituanas se uniram e nomearam rei a Mindaugas, dando início a um grã-ducado que se uniu à Polónia em 1385, no seio daquilo que veio a ser conhecido, a partir de 1569, como a Mancomunidade das Duas Nações. Esta associação, porém, entrou em decadência a partir do século XVIII e a Lituânia caiu sob domínio russo.
Castelo de Cesis, na Letónia.
Em 1915, a Alemanha ocupou a Lituânia com o objectivo de criar um Estado satélite. Em 1918, na sequência da derrota alemã na I Grande Guerra, os lituanos declararam a independência. Os alemães, porém, só dali saíram no período final da guerra, quando os russos tentaram por sua vez – e sem êxito, esclareça-se – recuperar a posse do território. Tal como os outros países bálticos, a independência durou até à II Grande Guerra: em 1940 a Lituânia foi anexada pela URSS como República socialista. Em 1991, após a implosão da URSS, o país tornou a proclamar a sua soberania.
Em 1940, Estaline depôs o Governo de Tallin e a Estónia foi incorporada na URSS como uma República socialista. Na sequência da dissolução da URSS, a Estónia voltou a proclamar a independência em 1991.
DOIS PAÍSES QUE SE TORNARAM INDEPENDENTES EM 1918
Letónia
Jugoslávia
A partir do século XIII, a atual Letónia esteve sob domínio da Ordem dos Cavaleiros Teutónicos até que, três séculos mais tarde, a referida Ordem foi extinta, ficando o território, no século XVI, a fazer parte do Reino da Polónia e Lituânia. Nos séculos XVIII e XIX, a Letónia passou ao controle do Império Russo. Tendo-se apercebido da difícil situação política da Rússia durante a I Grande Guerra, o Conselho Nacional letão declarou a independência do país em 18 de Novembro de 1918, como República Independente da Letónia.
Em 1 de Dezembro de 1918, o Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos foi proclamado em Belgrado, na sequência do colapso do Império austro-húngaro. Em 1929, o rei Alexandre suprimiu a democracia e mudou o nome do país para Jugoslávia, com o objectivo de conferir maior unidade ao conjunto dos territórios e povos.
Em 17 de Junho de 1940, o exército soviético
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MAS QUE NÃO CHEGARAM A COMEMORAR O CENTENÁRIO
Durante a II Grande Guerra, a Jugoslávia foi invadida pelas tropas alemãs. Nessa altura, Josip Broz, futuramente conhecido como Tito, organizou a re-
sistência armada, contribuindo de forma decisiva para a libertação do país. Terminada a guerra, o novo país instaurou um regime comunista, mas manteve sempre um certo distanciamento relativamente à URSS. A seguir à morte de Tito, porém, o delicado equilíbrio interno não se aguentou, dando origem a guerras fratricidas na década de 1990, as quais provocaram 125.500 mortos e 3,4 milhões de refugiados. Em 1991 tornaram-se independentes os territórios de Eslovénia, Macedónia e Croácia. Em Fevereiro de 2003, o que restava da Jugoslávia adoptou o nome de União Estatal da Sérvia e Montenegro até que, em 3 de Junho
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Países que fazem 100 anos
de 2006, o Montenegro declarou a independência. Dois dias mais tarde, a Sérvia declarou-se sucessora legal da Sérvia e Montenegro.
Fragmentação da Jugoslávia
Checoslováquia A independência do país foi proclamada em Praga no dia 28 de Outubro de 1918. Era mais um dos Estados saídos do descalabro do Império austro-húngaro e onde, apesar dos objectivos comuns aos dois povos, sempre existiram problemas causados pelas diferentes origens étnicas, pelas histórias separadas e pelas diferentes tradições religiosas, culturais e sociais dos checos e dos eslovacos.
LA DIVISIÓN DE CHECOSLOVAQUIA (1993)
O país manteve-se como democracia parlamentar até 1938, quando a Alemanha anexou a região dos Sudetas (região com maioria de habitantes de origem alemã). Nesse ano, por força do Acordo de Munique assinado por Alemanha, França, Itália e Reino Unido, os territórios fronteiriços da Boémia, da Morávia e da Silésia, foram incorporados na Alemanha. Além disso, o Sul do país foi cedido à Hungria. Ainda nesse ano, na sequência de um ultimato, a Polónia adquiriu a cidade de Cesky Tesin e 906 quilómetros quadrados de área circundante. No ano seguinte, o exército alemão invadiu o resto do país e, em 12 de Março, os eslovacos declararam a independência do seu território. Finalmente, em 23 de Março desse ano, a Hungria invadiu e ocu-
pou outras regiões no Leste da Eslováquia. A seguir à guerra, o país viveu num regime comunista muito alinhado com a URSS até que, em 1968, com o apoio do movimento denominado “Primavera de Praga”, o presidente Alexander Dubcek tentou mitigar o seguidismo relativamente à URSS. Desgraçadamente, a iniciativa foi esmagada em Agosto desse ano pelas tropas da União Soviética. Nos finais dos anos 80, a chamada “Revolução de veludo” conduziu à celebração de eleições democráticas em 1990. Na altura, pensava-se que era possível manter o formato de República federal, mas assim não aconteceu: em 1 de Janeiro de 1993, o país dividiu-se de forma pacífica em duas entidades políticas – a República Checa e a Eslováquia.
Hoplitas e besteiros
João Manuel Martins Casaca 458/1960
Hoplitas e besteiros 1. Os hoplitas gregos Ao tempo das invasões persas (início do séc. V a.C.), os exércitos das cidades gregas eram baseados em infantaria pesada: os hoplitas. Os hoplitas deviam o nome ao escudo circular (o hoplon), com 3 pés (um pé ≈ 30 cm) de diâmetro, a que se acrescentavam um elmo, uma couraça e grevas para as pernas. O armamento ofensivo do hoplita era constituído por uma espada curta, com 2 pés, e por uma lança com cerca de 10 pés (Figura 1). Apenas os cidadãos com posses podiam adquirir e manter este caro armamento. Em Atenas, os cidadãos com idades entre os 18 e os 60 anos eram obrigados a cumprir serviço militar e a cidade fornecia parte do armamento aos hoplitas. Os hoplitas combatiam numa formação compacta designada por falange (Figura 2) que terá sido introduzida no séc. VII a.C. pelo exército da cidade de Argos. A falange, que suportava o grosso dos combates, era geralmente apoiada por alguma cavalaria, para flanqueamentos e perseguições, por infantaria ligeira, para escaramuças, e por arqueiros. O número de hoplitas que uma cidade podia mobilizar era um sinal do seu poderio demográfico e económico. Atenas, Esparta, Argos, Tebas e Corinto seriam as cidades com maior capacidade de mobilização de hoplitas. Algumas cidades tinham pequenos corpos de
hoplitas especialmente bem treinados: Tebas tinha 300 e Argos tinha 1.000. Esparta, cujos cidadãos eram sujeitos a um treino especial desde criança (agoge), tinha uma guarda de honra real com 300 hoplitas, os hippeis, nome herdado de uma antiga guarda a cavalo (terão sido os hippeis que acompanharam o rei Leónidas às Termópilas). Note-se que os cidadãos espartanos (espartiatas) eram poucos e os contingentes de hoplitas espartanos eram completados com periecos, não cidadãos (pequenos proprietários rurais, artífices etc.) sem treino militar especial e a certa altura passaram a ser libertados ilotas (escravos do estado) para integrar a falange espartiata.
Figura 1– Falange de hoplitas
Figura 2 – Hoplita
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Hoplitas e besteiros
Em 479 a.C., diversas cidades do Peleponeso e da Grécia central (Megara, Atenas, Plateias, Eretria e Stira, estas duas últimas situadas na ilha de Eubeia), lideradas por Esparta, coligaram-se para enfrentar um exército persa que estava instalado no Norte da Grécia e que incorporava, como aliadas, as forças de muitas cidades da Beócia, de Locris, da Mália, da Tessália, da Fócida e da Macedónia, lideradas por Tebas. A cidade de Plateias, embora na Beócia, era grande aliada de Atenas: foi a única cidade grega que participou ao lado de Atenas na batalha de Maratona contra os Persas (490 a.C.). A batalha entre as forças da coligação helénica, chefiada pelo regente Pausânias, tio de um dos reis espartanos, e os persas e gregos do Norte, chefiados pelo general persa Mardónio, decorreu na vizinhança da cidade de Plateias, perto da fronteira da Ática com a Beócia. As forças mantiveram-se frente a frente, em linha, durante mais de uma semana ao fim do que os gregos decidiram recuar, durante a noite, para posições mais favoráveis. O recuo correu mal e acabaram por ser as forças de Esparta e de Tegeia isoladas a enfrentar os Persas enquanto as forças de Atenas e de Plateias, também isoladas, enfrentavam os gregos do Norte, liderados por Tebas, sendo que as restantes forças não intervieram na batalha. Apesar de um mau início, a vitória dos espartanos e atenienses foi retumbante. Heródoto, nas suas Histórias, refere os contingentes de hoplitas da coligação helénica, de acordo com a sua disposição na linha inicial da batalha, da direita para a esquerda: Esparta 5.000, Tegeia 1.500, Corinto 5.000, Potideia 300, Orcomenos 600, Sicion 3.000, Epidauro 800, Troezen 1.000, Lepreon 200, Micenas 200, Tirins 200, Fleios 1.000, Hermione 3.000, Erétria e Stira 600, Calcídica 400, Ambracia 500, Leucadis e Anactoria 800, Pale 200, Egina 500, Megara 3.000, Plateias 600 e Atenas 8.000. Os contingentes de Élis e de Mantineia chegaram já depois da batalha. As cidades da Acaia não participaram. A cidade de Argos declarou-se neutra no conflito, o que foi uma forma de dissimular a sua debilidade militar. Em 494 a.C., quinze anos antes da batalha de Plateias, o exército espartano, comandado pelo rei Cleomenes, surpreendeu o exército arguivo a descansar e massacrou cerca de seis mil hoplitas arguivos (batalha de Sepeia), deixando
Argos praticamente sem defensores. Como já foi referido, os hoplitas não combatiam sozinhos, mas eram acompanhados por infantaria ligeira (peltastas), arqueiros, cavalaria, auxiliares e escravos para apoio logístico. Em relação à batalha de Plateias, Heródoto refere que o total das tropas ligeiras envolvidas no lado da coligação ascendia a 69.500 homens, além dos hoplitas referidos.
2. Os besteiros do conto Os “besteiros do conto” eram uma milícia municipal instituída em 1299, por D. Diniz, e extinta nas cortes de Lisboa de 1498. D. Diniz inspirou-se no “Livro das Sete Partidas” de seu avô Afonso X de Castela para estabelecer um “Regimento da Guerra” (ou “Tratado da Milícia”) que veio a ser posteriormente integrado nas Ordenações Afonsinas. De acordo com o regimento, os municípios eram obrigados a manter um número fixo de besteiros, convenientemente treinados e equipados (Figura 3), que fariam parte do exército real em caso de mobilização. O número de besteiros a cargo de cada município era proporcional à sua população e riqueza, especialmente ao seu desenvolvimento, uma vez que os besteiros eram geralmente escolhidos entre os homens de ofício ou mester (mesteirais), com alguns recursos, tais como ferreiros, pedreiros, carpinteiros, tanoeiros, sapateiros etc. Em 1392, um decreto de D. João I criou a categoria de besteiro a cavalo, destinada aos mesteirais mais abastados.
Figura 3 – Besteiros do conto
Em Portugal, a milícia de besteiros do conto, que estava directamente dependente do poder central, atingiu um grau elevado de eficiência e era um elemento indispensável nas hostes reais. Na batalha dos Atoleiros (1384), cerca de cem besteiros do conto, distribuídos pelo Condestável Nuno Álvares Pereira pelas duas alas e pela rectaguarda de uma linha de 1.300 homens de armas e cavaleiros apeados, contribuíram decisivamente para a derrota da cavalaria castelhana. Em Aljubarrota (1385), participaram 800 besteiros do conto (de Lisboa e do Alentejo) que, juntamente com 600 arqueiros ingleses, distribuídos pelo Condestável pelas duas alas, combinados com homens de armas apeados, desempenharam um papel fundamental na vitória portuguesa. Em 1421, no reinado de D. João I, foi elaborado um rol dos besteiros atribuídos a cada município, que veio a ser publicado nas Ordenações Afonsinas (c. 1450). De acordo com a História de Portugal de António Borges Coelho, os totais referidos nas Ordenações para as diferentes comarcas (províncias) do país eram, por ordem decrescente: Alentejo 1510, Estremadura 1179, Beira 1077, Entre Douro e Minho 550, Trás-os-Montes 400 e reino do Algarve 139. As localidades obrigadas a fornecer, pelo menos, 30 besteiros eram: Lisboa 300, Évora 100, Coimbra 100, Santarém 100, Guimarães 100, Elvas 80, Beja 80, Setúbal 65, Torres Vedras 62, Almada 60, Braga 50, Guarda 50, Porto 40, Estremoz 40, Olivença 40, Leiria 40, Tomar 40, Mértola 40, Valhelhas 39, Faria 39, Rates 39, Pena Maior 32, Alcácer 30, Silves 30, Faro 30, Tavira 30, Serpa 30, Portalegre 30, Avis 30, Vila Viçosa 30, Monsaraz 30, Montemor-o-Novo 30, Abrantes 30, Punhete (Constância) 30, Montemor-o-Velho 30, Ponte de Lima 30, Vila Real 30, Chaves 30, Bragança 30, Pinhel 30, Lafões 30, Covilhã 30, Viseu 30, Castelo Branco 30. Os “contos” dos besteiros das povoações permitem verificar o declínio de muitas localidades, do séc. XV para a actualidade (Valhelhas, Faria, Rates, Pena Maior etc.), e a inversão da posição de cidades como Évora e Santarém e o Porto. Note-se a importância de Guimarães que ocupava a primeira posição no número de besteiros do conto na província de Entre o Douro e Minho.
Moedas e notas (Parte II)
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António Rafael Passarinho Franco Preto 67/1950
Parte 2
O Papel-moeda O ‘papel-moeda’ no mundo: China – O primeiro Papel-moeda no mundo A nível mundial, o primeiro papel-moeda surgiu na China, no séc. VII, na dinastia Tang, para evitar aos comerciantes o transporte de grandes quantidades de moeda em metal de baixo valor. Pode-se apreciar no museu do papel-moeda da fundação Dr. António Cupertino de Miranda no Porto, um exemplar de uma nota chinesa da dinastia Ming datada de 1375. Esta nota valia 100 moedas de bronze usadas no dia a dia (e que pesavam um total de 3,5 Kg). Estão detalhadas na ‘nota’, as penas que seriam infligidas aos falsificadores.
O primeiro banco português nasce, não no continente europeu, mas no Brasil em 1808, no reinado de D. João VI, devido à partida da corte para o Brasil, antecedendo as invasões napoleónicas. O papel-moeda aparece em Portugal em 1796, no reinado de D. Maria I. A decadência da exploração das minas de ouro do Brasil e o
aumento dos encargos do Estado estiveram na origem do aparecimento do papel-moeda. A forte crise económica levou a rainha D. Maria I a assinar um alvará em 1796, autorizando o Estado Português a fazer um empréstimo avultado. Como garantia, o Tesouro Real emitiu as ‘Apólices do Real Erário’ que venciam juros de 5 a 6% ao ano (e que são considerados por muitos como as primeiras ‘notas’ em Portugal). O exemplar que se mostra é datado de 1798 e é um empréstimo de vinte mil réis, válido por um ano, a um juro fixo. Em 1821 D. João VI regressa a Portugal e funda o primeiro banco em território continental – o Banco de Lisboa (com funções comerciais e emissoras).
Os bancos Na Europa, os primeiros bancos foram o Banco de Estocolmo em 1656, o Banco de Inglaterra em 1694 e o Banco de França em 1700. A evolução do papel-moeda em Portugal é muito mais confusa que a da moeda e – devido a esse facto – o texto descritivo não vai ter uma fluência normal. Ele vai referir, sincopadamente, os principais acontecimentos que marcaram essa evolução que – em muitos aspectos – foi algo descoordenada. Nota chinesa da dinastia Ming de 1375.
Apólice do erário público de 1798.
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Moedas e notas (Parte II)
Banco de Lisboa O primeiro Banco em Portugal Continental foi o Banco de Lisboa (desde Dezembro de 1821) e tinha funções comerciais e emissoras. Iniciou a sua atividade com 5 mil ‘contos de réis’ de capital. Em Março de 1825 foi aprovada a abertura de uma filial no Porto. D. Maria II sobe ao trono em 1834 e das principais medidas tomadas pelo seu governo é de salientar a introdução da máquina a vapor na indústria, a obrigatoriedade da instrução primária, a introdução do sistema decimal monetário e a criação do Banco de Portugal (em finais de 1846, o Banco de Lisboa fundiu-se com a Companhia Confiança Nacional, dando origem ao Banco de Portugal). Na imagem apresentada, a Direção Geral do Banco de Lisboa pagará ao portador desta ‘nota’, dezanove mil e duzentos réis. O papel utilizado no fabrico das primeiras notas foi fornecido pela Fábrica de Alenquer, passando depois a ser comprado em Inglaterra. As notas do Banco de Lisboa eram desenhadas pelo pintor Domingos Sequeira (acionista do Banco) que fez questão de nelas pôr toda a sua arte.
A pluralidade de notas e centros emissores de papel-moeda representava uma enorme dificuldade ao exercício de um controlo geral da sua emissão.
Nota do Banco Industrial do Porto.
Entidades não bancárias Aumentando a complexidade da situação, para além do Banco de Lisboa, e dos Bancos do Norte, havia entidades não bancárias que também emitiam papel-moeda. A União Comercial, a Empreza da Estrada de Lisboa ao Porto e a Firma João de Brito, são exemplos de um fenómeno que ainda durou alguns anos. A origem deste fenómeno é de natureza comercial. Os documentos eram entregues a clientes como “recibo” de adiantamento de quantias em dinheiro, para pagamento de encomendas futuras, quantias essas que venciam juros. Ao obterem autorização para serem transmitidas a terceiros e reembolsadas, eram consideradas “notas”.
Banco de Portugal A 19 de Novembro de 1846 é então criado o Banco de Portugal. Começou por ser apenas mais um banco, sem o monopólio da emissão de notas. Desde o início da sua atividade que se tornou num dos principais credores do Estado e, em 1887, chegou mesmo a ser autorizado o estabelecimento de um acordo que lhe concedia as funções de banqueiro do Estado e de caixa geral do tesouro. No entanto, muitas instituições bancárias, entre os quais os bancos emissores do Norte, resistiram durante alguns anos a este monopólio. As primeiras notas do Banco de Portugal foram como que a continuação das do Banco de Lisboa. Impressas a uma só cor, sobre fundo branco, muito fáceis de imitar. Com a finalidade de aproveitar o papel existente no Banco de Lisboa, o Banco de Portugal imprimiu as suas notas, durante mais de 28 anos, com a marca de água do antigo Banco emissor (até 1875).
Nota do Banco de Portugal.
“Nota” do Banco de Lisboa.
Bancos Emissores do Norte A partir de meados do século XIX aparecem os Bancos Emissores do Norte, os quais obtiveram autorização para emitir notas. Entre eles, contavam-se o Banco Comercial do Porto, o Banco Mercantil Portuense, o Banco União do Porto, o Banco Industrial do Porto, o Banco do Minho e o Banco Comercial de Braga.
Informação Interessante
Nota do Contrato do Tabaco.
Até 1892 as notas emitidas pelo Banco de Portugal eram manuscritas. As notas tinham direito a reembolso (cobre, prata ou ouro) só podendo tal acontecer nas Agências do Banco de Portugal, de Lisboa, Porto ou Faro. No caso do Porto e Faro, tinham um carimbo identificador.
Moedas e notas (Parte II)
A primeira grande revolução do século XX em Portugal foi a que levou à queda da Monarquia e à Implantação da República, em 5 de Outubro de 1910. A Implantação da República deu lugar a que se cunhassem novas notas e moedas, mas sem interromper o sistema decimal. Remodelou-se o sistema monetário, impondo-se o escudo como unidade monetária (moeda base ou padrão), em substituição do real. Em 1911, a moeda-base passa assim
a ser o escudo (que esteve para se chamar “Luzo”, chegando mesmo a haver maquetas com essa inscrição). Durante um período de quase 20 anos as notas de réis circularam simultaneamente com as de escudos, levando apenas a sobrecarga República inscrita. Circularam notas de 500, 2.500, 5.000, 10.000, 20.000, 50.000 e 100.000 reis.
Durante o ‘Estado Novo’ e posteriormente, o Banco de Portugal continuou a emitir notas, normalmente retratando figuras históricas. A nota que circulou com maior valor nominal foi a de 10.000 escudos. A última emissão é de Maio de 1996 e foi concebida para comemorar os Descobrimentos Portugueses e os 150 anos de emissão do Banco de Portugal. Estas notas circularam até 1 de Janeiro de 2002, data em que o Euro passou a ser a única moeda em Portugal.
Banco Nacional Ultramarino
Exemplos de notas várias:
D. Luís I ficou conhecido como o “Rei Numismata”. Foi ele que a 16 de Maio de 1864 assinou o decreto que criou o Banco Nacional Ultramarino (B.N.U.), cujo primeiro presidente foi Francisco de Oliveira Chamiço. O Banco Nacional Ultramarino foi um dos principais responsáveis pela harmonização do sistema monetário nas colónias portuguesas. Após as primeiras notas emitidas pelas Fazendas locais, o B.N.U. ficou com o estatuto de banco emissor para as colónias. Foram também as potencialidades económicas e a cobiça de outros países por aqueles territórios que levaram as autoridades portuguesas a centralizar a emissão fiduciária.
Esta é a nota mais antiga (não manuscrita) de que consegui obter uma imagem (1897)
Nota do B.N.U. de 1897.
Nota do Banco de Portugal (1914 - 1931). Nota do B.N.U. “Emissão Vasco da Gama”.
As primeiras notas emitidas para circular em todos os territórios ultramarinos portugueses eram manuscritas. Em Março de 1909 são uniformizadas as emissões para as cinco colónias de África, com a efígie do navegador Vasco da Gama. Nessa altura, as notas passaram a ter os mesmos valores, em escudos, sendo apenas diferentes na indicação da província. Chamou-se a esta série “ EMISSÃO VASCO DA GAMA”. Em 1926, a Junta da Moeda, passa a emitir “Angolares” em Angola. Estes continuam a ser o papel-moeda do Banco de Angola até à Lei Orgânica de 1958, quando todos os valores passam a ser mencionados em escudos (unificação da moeda).
Nota do Banco de Portugal (1914 - 1931).
Nota do B.N.U. Angola (1914 - 1932).
Nota de 10.000 escudos do Banco de Portugal.
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Nota do Banco de Angola.
Nota do B.N.U. (1914 - 1932).
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Moedas e notas (Parte II)
Estas emissões de 1914 - tal como qualquer outra emissão - incluia muitas vezes outras notas de diferente valor (por vezes com dimensões diferentes). Por exemplo: As últimas notas faziam parte de uma emissão múltipla de notas de 10, 20 e 50 centavos.
Nota do B.N.U. Cabo Verde (1914 - 1928).
Nota do B.N.U. Guiné (1914 - 1932).
Nota do B.N.U. Moçambique (1914 - 1937).
Nota do B.N.U. (1914 - 1928).
Nota do B.N.U. (1914 - 1932).
Nota do B.N.U. (1914 - 1932).
(EMISSÃO DE NOTAS DE 4, 5, 10, 20 E 50 CENTAVOS)
(EMISSÃO DE NOTAS DE 10, 20 E 50 CENTAVOS)
(EMISSÃO DE NOTAS DE 10, 20 E 50 CENTAVOS
Nota do B.N.U. de S.Tomé (1914 - 1929).
Nota do Banco de Portugal (1914 - 1929).
Nota do Banco de Portugal (1918 - 1929).
Nota do B.N.U. (1914 - 1929).
Nota do Banco de Portugal (1914 - 1929).
Nota do Banco de Portugal (1918 - 1929).
(EMISSÃO SIMPLES DE NOTAS DE 1 ESCUDO)
(EMISSÃO SIMPLES DE NOTAS DE 50 CENTAVOS)
Moedas e notas (Parte II)
Nota do Banco da Beira (Moçambique). (1919 - 1929).
Nota da Companhia de Moçambique (1931 - 1942).
1919 - 1929
1931 - 1942
(EMISSÃO DE NOTAS DE 10, 20 E 50 CENTAVOS E UM ESCUDO)
(EMISSÃO DE NOTAS DE 10, 20 E 50 CENTAVOS)
Interessante o facto destas duas notas de Moçambique terem sido emitidas pelo Banco da Beira e pela Companhia de Moçambique (que era accionista do Banco da Beira, em conjunto com o Banco Nacional Ultramarino). O Banco da Beira foi extinto em 1929 e a Companhia de Moçambique ficou com o privilégio de emitir moeda de 1929 até 1942). Note-se no entanto que a moeda que ‘de facto’ dominava toda a vida comercial e profissional na Beira (pelo menos até 1950) era a libra Inglesa! Tudo o que valia algo ou era usado como referência, era cotado em libras e não em escudos.
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Passemos agora a exemplos de notas e cédulas1 emitidas no nosso território europeu, por entidades diversas (públicas ou privadas): As emissões de notas (ou cédulas ) de várias denominações prosseguiram, quer lançadas periodicamente pelo Banco de Portugal, quer por Câmaras Municipais, Misericórdias e até por algumas empresas, para superarem a falta de moedas existente (devido à escassez de metais, nomeadamente durante a crise financeira que se seguiu à Guerra de 1914-1918).
Nota do Banco de Portugal (1920 - 1929). NOTA DE 20 CENTAVOS EMITIDA PELA CASA DA MOEDA
Nota do Banco de Portugal (1920 - 1929).
CÉDULA DE 10 CENTAVOS EMITIDA PELO BANCO DE BARCELOS EM 1918
As cédulas (títulos em papel, de pequeno valor, emitidos para substituir as moedas) não eram em finais da década de 1910 e no início da década seguinte, novidade para os portugueses. Este ‘Dinheiro de Emergência’ tem as seguintes designações, conforme o país: Cédulas (Portugal), ‘Emergency money’ em Inglês, ‘Notgeld’ (Alemão) e ‘Monnaies de nécessité’ em Francês.
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Moedas e notas (Parte II)
CÉDULAS DE 1 A 5 CENTAVOS EMITIDAS POR ENTIDADES PRIVADAS COMO ‘DINHEIRO DE EMERGÊNCIA’
Para terminar esta viagem rápida pelas moedas e pelo papel-moeda e para ‘Memória Futura’ Vamos incluir 3 notas da Índia, de Macau e de Timor (para assim cobrir a totalidade daquelas que eram as províncias ultramarinas portuguesas).
Os que nos deixaram
Os que nos deixaram Augusto Arnaldo Roque de Sá Nogueira
João Maria Paulo Varela Gomes
(404/1932)
(94/1935)
Tenente-Coronel do Serviço de Material Nasceu a 8 de Dezembro de 1920 Faleceu a 25 de Janeiro de 2018
Coronel de Cavalaria Nasceu a 24 de Maio de 1924 Faleceu a 1 de Março de 2018
Chegou à ZacatraZ a notícia do falecimento deste nosso Camarada, ocorrência que nos entristece e que muito lamentamos.
Chegou à ZacatraZ a notícia do falecimento deste nosso Camarada, ocorrência que nos entristece e que muito lamentamos.
O nosso camarada Augusto Arnaldo Roque de Sá Nogueira - 404/1932, com 97 anos de idade era Pai do nosso camarada Carlos Augusto Alves de Sá Nogueira - 391/1962.
A todos os seus Familiares apresentamos as nossas sentidas condolências.
A todos os seus Familiares apresentamos as nossas sentidas condolências. Que descanse em paz
Que descanse em paz
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Os que nos deixaram
José Manuel Martins da Silva (357/1939) Tenente-Coronel de Cavalaria Nasceu a 26 de Fevereiro de 1929 Faleceu a 14 de Julho de 2018
M
orreu o Tenente-Coronel de Cavalaria, José Manuel Martins da Silva (Silva Reis), antigo aluno nº 357/1939, neto do Sargento-cadete de Cavalaria (com licença para estudos) Joaquim Francisco Formosinho e Silva, filho do Capitão de Artilharia Aníbal Scipião Formosinho e Silva, e irmão do também ex-aluno Joaquim Henrique Martins da Silva (353/1938) e pai de José Manuel Sousa Martins da Silva (357/1970). Foi graduado como adjunto do comandante de companhia da 3ª companhia de alunos (3 estrelas) e teve a alcunha inicial de “Petisco” e “Preta”posteriormente.
Durante a sua vida colegial, salientou-se não só pelas suas aptidões académicas como físicas. Era muito dotado para a Ginástica (argolas, saltos e mesa alemã) e os desportos, tendo participado nas equipas hípicas que disputavam torneios a nível nacional (não existia ainda a Escolta a Cavalo). Fez parte das equipas de hóquei em patins e futebol do CM, bem como das equipas de velocidade pura e 100 m que disputavam os campeonatos nacionais inter-escolares. Era exímio na esgrima, na modalidade de Sabre (já na Escola do Exército venceu mesmo o
campeão Nacional). Nas actividades extra-curriculares salientou-se no campo musical e teatral, tangendo guitarra clássica e portuguesa e, também como actor e cenografista, tendo a sua récita de 7º ano (actual 11º) ficado memorável pela grande qualidade artística conseguida (mas também pelo grande número de alunos reprovados graças a ela). Oriundo de famílias do meio artístico cedo demonstrou a sua veia. Possuía uma vasta Cultura Clássica e Humanista que lhe foi passada no CM. Durante o ciclone de 15FEV41, com apenas 11 anos, o seu carácter foi testado e irrompeu como exemplar, quando foi o único dos camaradas que não abandonou a estação do Cais do Sodré (em ruína), onde havia combinado encontrar-se com os pais. Apreendeu no CM a Camaradagem (exercida em todos os sentidos) e a Solidariedade, e desenvolveu um enorme sentido de Justiça, que o caracterizavam. Fez parte dos sortudos que participaram em desfiles onde todo o Batalhão Colegial se apresentou a cavalo. Durante a sua permanência no Ultramar (5 comissões militares) comemorava o “3 de Março” e, depois, também no Rossio. O Colégio Militar foi a sua casa durante
8 anos, já que o seu pai se encontrava em missão de soberania na Madeira (2ª Guerra Mundial), onde comandava uma bateria expedicionária (2ªBE), pelo que apenas se juntava à família durante o período das férias de Verão. Concorreu à Escola do Exército, tendo concluído o curso da Arma de Cavalaria em 2º lugar (1948-1952). Ganhou o Prémio Mouzinho de Albuquerque, o mais importante da Arma de Cavalaria que muito o orgulhava interiormente. Adorava os Carros de Combate (CC) de que foi instrutor durante anos, principalmente em Santa Margarida (1955-60 e 1962-64). Mereceu louvores e condecorações várias, mas o que valorizava era apenas a camaradagem dos homens que com ele haviam servido sem nada pedirem em troca, fosse na Metrópole ou no Ultramar. Conhecido pelo seu carácter, não pactuava nem admitia pensamentos ou acções não conformes com a Ética Militar e os regulamentos da sua querida Profissão. Amava acima de tudo a sua Pátria, através do exemplo. Era sempre mais exigente consigo próprio do que com os outros. Empertigava-se perante os mais graduados e protegia sempre os seus subordinados. Fazia parte da geração de oficiais formados já na doutrina OTAN, não deixando porém de ser um “Oficial e Cavalheiro”. Militar dos 7 costados (nasceu num quartel, viveu num quartel, cresceu no CM, cursou a EE), nunca foi militarão nem militarista. Só teve cartão
Os que nos deixaram
de identidade militar e nunca foi civil. Nunca permitiu ou aceitou homenagens, nem as procurou. Disciplinado e disciplinador foi talhado para o combate. Comandou o Esquadrão de Reconhecimento nº1 (a sua unidade predilecta) contra o inimigo, as forças invasoras da União Indiana, tendo sido feito Prisioneiro de Guerra (em Pondá, GOA) 1. Mais tarde em Angola, serviu como 2º coman dante e comandou interinamente a última unidade de cavalaria montada do nosso exército em operações de guerra (GCAV1, Dragões de Angola). Como Preboste e comandante da Polícia Militar em Angola, fez parte do grupo de 48 oficiais que foram dispensados das suas funções pelos revolucionários abrilistas, por “alegadamente não se enquadrarem no espírito revolucinário em curso …”. Foi o único oficial de Cavalaria que não sendo do MFA, não foi saneado nem alvo de medidas restritivas em relação ao comando de tropas, por parte do Conselho da sua Arma, o que revela bem a forma competente, profissional e proficiente como era visto e reconhecido, mesmo em tempos de loucura revolucionária. Após regressar do Ultramar abandona a carreira militar, sem qualquer consideração ou estado de Alma e sem nun-
ca olhar para trás, e recomeça a vida (aos 46 anos e com 8 pessoas a seu cargo) sem qualquer rede, encarando isso com a mesma tranquilidade com que sempre viveu. Como Mestre de Equitação, formou centenas de cavaleiros, especialmente quando era Secretário-geral da Sociedade Hípica Portuguesa (Jockey Club), no Campo Grande, em Lisboa, nas modalidades de Sela e Obstáculos (1975 a 81 etc.). Foram seus alunos, entre muitos outros, os príncipes da Casa Real Portuguesa e uma princesa de Marrocos, bem como alguns do Colégio Militar. Iniciou em Portugal a modalidade de Hipoterapia com os seus alunos. No Brasil, em 2 centros hípicos de São Paulo, desenvolveu actividades que permitiram a diversos cavaleiros tornarem-se internacionais e conseguirem trabalho na Europa.
Profundo conhecedor do Ser Humano, era talhado para Ensinar e Comandar. Partiu para a última batalha (contra o cancro) em desvantagem, com um Potencial Relativo de Combate muito desfavorável mas, como sempre, comandando na frente. Escolheu o momento e o tempo certo para partir. E saíu desta vida ao Galope, ao Galope, ao Galope, e à Carga!
José Manuel Sousa Martins da Silva
O seu reconhecido sentido de família consubstanciava-se num acrisolado Amor pela sua mulher e pelos seus queridos filhos. Considerava-se um homem com muita sorte na vida. Escutava verdadeiramente os outros, sempre pronto para ouvir; era modesto e pedia sempre desculpa. Queria sempre entender o seu semelhante.
Os militares do Esquadrão que teve a Honra de comandar conseguiram sempre esconder, por todas as formas, o guião da sua Unidade e regressar com ele a Lisboa.
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(357/1970)
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José Manuel Ferreira de Carvalho Martins (225/1943) Veterinário Nasceu a 30 de Novembro de 1932 Faleceu a 28 de Abril de 2018
Cai o cavalo, depois do cavaleiro Em memória do José Manuel Ferreira de Carvalho Martins (225/1943)
O
Monteiro tinha ascendência valorosa, consagrada no mundo hípico, e soube transmitir à descendência o amor, a arte e o saber de como lidar com tais animais. O trajecto de vida ia já alongado, mas sempre se mobilizava pelas causas nobres e os sãos convívios, e aceitava os problemas como dificuldades e desafios para termos a oportunidade e a prova de os tentar superar, como um oxer ou um ‘vertical’ que nem sempre logramos vencer. Com o físico magoado pelos acasos e a acumulação dos anos, ainda há pouco tempo o via com o sorriso de sempre e a inesgotável vontade de viver, também atento ao que ia pelo mundo, embora isso nos possa desagradar. Mas há dias deixou-nos, fazendo com que muitos se juntassem para o saudar uma última vez. Ontem, o meu garrano – semelhante àqueles que montávamos em volteio – pareceu-me tristonho. E, de madrugada, o Garruncho (para os amigos) resolveu encostar-se definitivamente, tratando disso à maneira como eles gostam lá no
Gerês, sem espectáculo nem cenas penosas, antes procurando um lugar ermo, sozinhos consigo próprios. Tive de o acompanhar na sua derradeira deslocação, mas pareceu-me que iria descansar em boa terra, a dois metros de profundidade, donde talvez um dia brote alguma nogueira ou castanheiro triunfante. A equitação que pratiquei cingiu-se ao espaço entre os meus oito e os dezoito anos. Mas sempre fiquei admirando a beleza de movimentos, a inteligência e naturalidade destes equídeos, bem como a paciência e o saber dos bons equitadores. A “parelha” homem-cavalo, hoje tão desprezada ou mesmo denegrida (que os exageros e maus exemplos sempre justificam), faz decerto parte da nossa história e devia talvez manter-se como um bom exemplo de interacção entre Razão e Natureza. João Carlos de Oliveira Moreira Freire (246/1953)
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Os que nos deixaram
Nuno Gonçalo Gago da Câmara Botelho de Medeiros (275/1948) Empresário da Indústria da Construção Naval Nasceu a 29 de Abril de 1938 Faleceu a 17 de Junho de 2017
actividade a que se entregou com entusiasmo. Fui com ele a Inglaterra buscar um iate, o “Galática” com o qual, além das inúmeras velejações feitas por esta costa, velejou duas vezes até aos Açores (S. Miguel).
O
Nuno Gonçalo Gago da Câmara Botelho de Medeiros nasceu a 29 de Abril de 1938 e entrou para o colégio em 1948. No ano seguinte à sua entrada foi com os pais passar umas férias às termas de Vichy em França e a partir dessa altura ganhou a alcunha de “Vichy”, que nunca mais o abandonou. Em todas as reuniões do colégio, sempre assim foi conhecido. O Nuno com o seu feitio extrovertido e diplomático, atravessou o período da revolução como administrador da Argibay, estaleiros navais, onde conseguiu através de uma boa relação com os seus colaboradores, prosseguir com sucesso a actividade da construção naval, passando por cima da contestação e dos problemas levantados pela metalomecânica. O Nuno era fã do desporto automóvel tendo participado em inúmeros rallyes como o “TAP”, rally dos Açores, Madeira, Volta a Portugal e outros mais, onde obteve ótimas classificações como comprova a enorme quantidade de taças na estante da sua propriedade do Alentejo. O desporto Náutico foi para ele uma outra
Corria o ano de 1988, o Nuno estava em Inglaterra quando recebe um telefonema da Presidência da Republica para uma reunião. Como grande parte da Comunidade Portuguesa da Costa Leste dos Estados Unidos tem origem direta ou mais remota nos Açores, era bom que alguém conhecedor das ilhas fosse aos EUA relembrar a razão de ser do 10 de Junho. O autor da ideia foi o Vasco Rocha Vieira (127/50), na altura Ministro da Republica. Ao convite de Mário Soares o Nuno lembrou que não era, nem “laico”, nem “socialista”, nem “republicano”- é por isso mesmo que preciso de si, respondeu-lhe Mário Soares. E assim começou esta aventura que durou até ao fim dos mandatos de Mário Soares1 tendo prosseguido com Jorge Sampaio. Os resultados e sucesso desta ação, bem como os inúmeros contactos com instituições e personalidades luso-americanas ou só americanas, como Ronald Reagan, Henry Mello, Frank Carlucci e outros, estão amplamente relatados na imprensa portuguesa dos EUA, como “O Jornal”, “Portuguese Times” e o “Portuguese Journal”. Muitos testemunhos de vária ordem estão agora numa sala do Museu Etnográfico,
em Vila Franca do Campo em São Miguel. Já fora da colaboração com a Presidência muitas iniciativas foram concretizadas através da FLAD e da Universidade dos Açores, como a atribuição de bolsas de estudo, criação do centro de estudos portugueses da Universidade de Massachusetts, conferencias e seminários sobre a justiça dos dois lados do Atlântico, sempre com os Açores e Açorianos como razão de todos os empreendimentos, para bem de Portugal. O Nuno era Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, Comendador da Ordem do Mérito. Do Brasil recebeu a Ordem do Rio Branco. Recebeu também de várias universidades americanas medalhas de ouro e o doutoramento “Honoris Causa” da Universidade Gama Filho do Rio de Janeiro. Deixou-nos pouco depois de completar os 80 anos. Fica a saudade de um grande amigo.
João Diogo Weinstein (186/1950)
Foi membro da Casa Cívil do Presidente da República.
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Luis Filipe dos Santos Patrício (373/1949) Médico Ortopedista do Hospital de Santa Maria Nasceu a 13 de Dezembro de 1937 Faleceu a 26 de Julho de 2018
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oi médico ortopedista no Hospital de Santa Maria. Pai de 5 filhos, quatro raparigas e um rapaz. Foi filho do primeiro Presidente de Câmara de Portimão.
Antes de ser Portimão, chamava-se Vila Nova de Portimão e em conjunto com o Presidente da República Manuel Teixeira Gomes fizeram a vila passar a cidade, tendo seu pai sido o primeiro Presidente da cidade de Portimão. A todos os seus familiares apresentamos as nossas sentidas condolências. Que descanse em paz.
Fernando José Pinheiro Alçada (309/1947) Economista Nasceu a 21 de Setembro de 1936 Faleceu a 3 de Março de 2018
Chegou à ZacatraZ a notícia do falecimento deste nosso Camarada, ocorrência que nos entristece e que muito lamentamos. A todos os seus Familiares apresentamos as nossas sentidas condolências. Que descanse em paz.
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Francisco Manuel Vidigal Solano de Almeida (188/1951) Arquitecto Nasceu a 5 de Fevereiro de 1939 Faleceu a 16 de Julho de 2018
os meus filhos e netos, os quais gabavas muito. Possivelmente era a falta de os teres que te levavam a apreciares ainda mais os filhos dos teus amigos.
“IN MEMORIAM DO CHICO SOLANO” Meu querido Chico Quis a vida que nos cruzássemos bastante apesar da nossa convivência no Colégio não ter sido por aí além. No Colégio tiveste o condão de teres pertencido a dois cursos, e cá fora como ex-aluno, teres convivido bastante com esses dois cursos, indo regularmente aos almoços de cada um, onde reforçaste verdadeiras amizades. Também estavas sempre disponível para os “extras”, quer seja excursões gastronómicas ao Ribatejo organizadas pelo Barata Correia, quer aquelas que eu organizava para o Oeste, Santa Cruz-Torres Vedras. Ias a minha casa com frequência e presença obrigatória nas minhas festas de anos. Ias a Torres Vedras, também com frequência, desculpando-te com as revisões do MG, para podermos ir almoçar a uma tasca muito típica, na qual entravas pela cozinha, destapavas todas as panelas e pedias um pouco de cada. As idas a Santa Cruz culminavam sempre com a prova dos apetitosos pastéis de feijão e a conversa sempre muito simpática. Tinhas sempre o desejo de veres
Conseguiste de facto moldares uma Ana à tua medida. Ambos respiravam simpatia e qualidade. Não iam a qualquer cinema, mas só ao que tivesse camarotes vip com maples e champagne. Escolhias sempre vinho de marca. Vocês eram verdadeiramente um casal apelativo da qualidade. Tiveste ainda outra grande faceta. Substituíste o “Banana” como chefe curso e assumiste em pleno a nova responsabilidade. Um almoço com o Chico no seu lugar habitual, na minha frente, era uma delícia de bocas e boa disposição. Não quero assumir a posição de falar em nome de todos, mas tenho a certeza de que os toques que dei da personalidade do Chico, servem para todos. Foste de facto francamente cedo, precisamente quando todos julgávamos que estavas em verdadeira forma física e mental. Um grande abraço de todos os teus amigos. Idem para a Ana. Vitor Manuel Oliveira Santos
(365/1949)
A notícia apanhou-nos a todos de surpresa, violentamente, de forma brutal e espantosa: o Francisco, o Solano, o 188, falecera repentinamente, inesperadamente. Os comentários sucederam-se, incrédulos: “O Xico? Mas ainda ontem lhe falei.....”, “Ainda a semana passada almoçámos....”; “Mas ele estava óptimo, bem disposto....”; “Não acredito....”. Mas era verdade: o nosso Francisco Solano, o 188 de 1951, grande Amigo, camaradão, bem disposto, partira bruscamente, sem que nada o pudesse fazer prever. Nascera em Lisboa, em Fevereiro de 1939 e entrou para o Colégio em 1951, para o então chamado 3º ano. De espírito muito aberto, sempre reinadio, não teve qualquer problema de adaptação. Entrou como “rata” e, em três tempos já estava instalado, já era senhor da situação e já era amigo de toda a gente.... e toda a gente já era amiga dele. E, no Colégio, foi sempre assim. Ou, talvez devêssemos dizer, “quase sempre” uma vez que, por qualquer razão que nunca ninguém entendeu, “chumbaram-no” (a ele e a outro) no 6º ano. Não temos dúvida em afirmar, não foram eles que chumbaram; chumbaram-nos. Não vamos entrar em conversa de dizer que “eles eram óptimos alunos, etc. e tal”. Não seriam, mas estavam longe de ser os piores alunos do curso. Porque chumbaram nunca ninguém entendeu. Mas o Solano não desanimou. Embora, como era natural, mantivesse sempre o estatuto de “tipo do nosso curso” imediatamente se adaptou ao novo e de tal forma que, no ano seguinte foi graduado Comandante da 4ª, a segunda mais alta graduação! E toda a gente aceitou bem.
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Os que nos deixaram
Concluído o curso do Colégio seguiu para Belas Artes, formou-se em Arquitectura, foi repescado para a tropa, seguiu para Angola como capitão miliciano, estava em Luanda no 25 de Abril, chegou a ser Presidente da Câmara de Luanda, depois regressou e fez a sua carreira profissional com prestígio e qualidade. E manteve-se sempre, sempre, o Grande Solano, grande Amigo de todos e com todos amigos dele. Sempre presente nas reuniões dos seus dois cursos, não perdia um almoço ou jantar, quer do nosso curso do 7º ano de 1955/56, quer do curso seguinte em que ele se incluiu no 7º ano de 1956/57. E sempre Grande Amigo, sempre camaradão, sempre bem disposto. E agora partiu, inesperadamente. Resta-nos, para nosso alívio, agarrarmo-nos à ideia de que terá partido sem sofrimento, sem fraqueza, sem dor. Como, provavelmente, preferiria que fosse. Mas deixa-nos uma enorme saudade e um grande vazio.
qualquer doença grave. E num Curso tão grande (finalistas de 1957) com 61 alunos no 7º ano, curso muito unido, os desaparecimentos começam a acelerar. É a vida, dir-se-à, mas cada caso é um caso individual que a todos nos toca e nos rouba parte da vida de uma geração portuguesa em que tudo nos caiu em cima. O Chico entrou para o 3º ano em 1951 tendo passado para o nosso Curso quando repetiu o 6º ano em 1955. Depois, no 7º ano, foi o Comandante da 4ª Companhia, função mais difícil quando só estava no seu segundo ano deste Curso e havendo (face à dimensão do Curso) quase um pelotão de Furriéis, mas tudo correu com grande normalidade. Era um bom comunicador, assumia ser o Comandante, sendo sempre um bom camarada. Adaptou-se muito bem ao Curso. Mais tarde, com a morte precoce do Pedro Leitão (em 1984), nosso Comandante de Batalhão indiscutível, teve de passar a representar o Curso em toda as situações em que tal se tornou necessário e fê-lo sempre bem, com dignidade e assumindo a situação com naturalidade e de modo consensual.
Que falta nos vai fazer. A “malta” do curso 6º ano (1954/55)
Estava nos Açores e a notícia atingiu-me como uma bomba. Ainda no dia 4 de Julho tínhamos estado juntos no almoço mensal do Curso e ele estava muito bem disposto, falador, escolhendo sempre o vinho com era seu hábito ; tinha trazido um dos seus carros antigos e tudo parecia correr bem. De repente, no dia 16, depois de acordar, caiu e morreu. Aconteceu e todos sabemos que é a única certeza que existe na vida; mas o choque é sempre grande, principalmente quando não há indicadores de
Embora tendo querido ser Piloto da FAP, acabou por ser Arquiteto, profissão da sua vida e em que ganhou alguns prémios, tendo ficado muito ligado à CM de Torres Novas. Os nossos contactos mais frequentes foram nos almoços mensais do Curso que começaram antes do 25A e quando da organização das reuniões do Curso pelos 50 (2007) e 60 anos (2017) de saída do CM, o que sempre se fez com trabalho, ideias e boa disposição. Acabámos por ter uma ligação maior como Antigos Alunos do que a ocorrida enquanto Alunos do CM, principalmente desde que fui Pesidente da AAACM em 2005. Foi um bom camarada, amigo do seu amigo, alegre, provocador e irónico, frontal
e mesmo polémico, conversador inveterado, educado, comodista, procurando atuar pelo charme, mas sempre com princípios. Foi também amante de carros antigos e especialista em vinhos o que por vezes causava discussões nos encontros pois não se preocupava muito com os preços. Sempre me pareceu haver em si grande cuidado com os mais fracos, não fazendo qualquer diferença entre aqueles com quem lidava e tendo sempre uma palavra pessoal para cada um. O Chico era uma figura que nos vai fazer falta, tanto pelas suas qualidades, como pelos seus defeitos; morreu sem aviso prévio, mas não sofreu, nem passou pela degradação física ou mental. Fica a saudade, um abraço amigo e um ATÉ SEMPRE!
José Eduardo Garcia Leandro (94/1950)
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José Carlos da Cruz Teixeira (208/1951) Professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova Nasceu a 24 de Dezembro de 1940 Faleceu a 28 de Abril de 2018
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aleceu inesperadamente no passado dia 24 de Abril o nosso José Carlos da Cruz Teixeira, o 208 de 1951, do que só tardiamente tivemos conhecimento, pois há já algum tempo que as notícias dele eram infelizmente escassas. Quando o curso de 1951 começou a preparar a sua reunião dos 60 anos de saída, em Fevereiro passado, alguns de nós conseguimos falar com ele pelo telefone, mas depressa nos apercebemos que o Cruz Teixeira se recusava a sair de casa, alegando não estar em condições físicas para se aventurar a sair à rua. A verdade, no entanto, é que a voz e, principalmente, o raciocínio não traíam qualquer doença ou incapacidade física que impedissem aparentemente uma vida normal. Foi portanto com surpresa e profunda tristeza que tivemos conhecimento deste desenlace que nada faria supor, pela forma como nessa altura as nossas conversas telefónicas decorreram. Iremos recordar para sempre este nosso
camarada, um verdadeiro homem de cultura, cuja personalidade incluía uma grande sensibilidade de que foram exemplo ainda no Colégio as poesias que dedicava às jovens por quem facilmente se apaixonava, aliada a uma preocupação com a cultura física que o ajudava a manter um corpo ginasticado e lhe permitiu chegar à classe especial de ginástica.
Durante alguns anos tivemos a sua companhia nos célebres e sempre recordados almoços da Feitoria, onde se sentia bem entre nós a discutir os seus temas favoritos que iam da poesia à filosofia, passando obviamente pela história da arte.
Para quem não o conheceu tão bem, recordamos que o Cruz Teixeira depois do Colégio ingressou na Academia Militar, tendo saído sem completar o curso e sendo de imediato mobilizado como alferes miliciano para Angola em 1961 (?), onde comandou um pelotão no norte de Angola, na mesma unidade do Fernando Robles (79/1951).
O Curso de 1952/59
Após o cumprimento do serviço militar, o Cruz Teixeira terá ido viver para França onde se licenciou em História de Arte. De regresso a Portugal foi admitido como Professor Auxiliar na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, onde leccionou História de Arte até se reformar.
Paz à sua alma
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Os que nos deixaram
Orlando Edmundo Jansen Alves Rodrigues (374/1952) Bancário Nasceu a 17 de Setembro de 1941 Faleceu a 16 de Abril de 2018
possante impunha-se perante os adversários que ficavam antecipadamente desarmados quando o confrontavam.
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Orlando, o 374 de 1952, partiu subitamente para sempre no mês passado, sem nos ter dado tempo para um último abraço e para lhe dizer como gostávamos dele e da sua amizade simples e sincera. Tínhamos estado a almoçar na quinta-feira, como sempre fazemos todos os meses, e o Orlando estava como sempre animado a contar as suas histórias antigas com que nos fazia rir pelo improvável desfecho e, de repente, veio a notícia brutal: uma síncope fulminante tinha-o retirado definitivamente do nosso convívio. Quando no momento seguinte nos apercebemos que tínhamos perdido para sempre a sua companhia, a recordação dos anos que vivemos juntos no Colégio começou a avolumar-se, com as suas proezas desportivas a chegar em primeiro lugar. Com apenas quinze anos, começou logo no 6º ano a fazer parte da equipa principal de futebol do Colégio, no importante lugar de defesa central de que era indiscutível titular. A sua figura
Nessa época de sucessos futebolísticos – já não nos recordamos se ganhámos aos pilões – a malta do nosso Curso estava bem representada na equipa colegial pois, para além do Orlando, tínhamos o Carlos Garoupa (88), o Cecílio Gonçalves (359), e o Lobo de Oliveira (348), todos já infelizmente desaparecidos. Mas era o Orlando que mais se impunha, não apenas pela presença física mas, principalmente, pela postura ética e moral do desportista sempre correcto perante os adversários, competindo com o espírito desportivo que caracteriza os verdadeiros atletas. Também a sua forte personalidade, cujos traços iam de uma grande simplicidade à tolerância e à generosidade, aliada a um físico imponente, faziam dele o companheiro sempre presente quando era necessário dirimir os conflitos entre camaradas com calma e bom senso. Descansa em Paz. Os teus camaradas de Curso não te esquecerão. O Curso de 1952/59
Nota: O 374/1952, Orlando Rodrigues, vivendo sozinho em Lisboa, sem familiares pró-
ximos, manteve durante a sua vida Colegial uma especial ligação de amizade com o 69/52 Luís António Carreira, que o acolheu sempre em sua casa em Mira de Aire ou na Praia da Nazaré, nos períodos de Férias, e sempre que não se deslocava a Moçambique onde residia a sua família mais próxima. Os Pais do 69 tratavam-no como se tratasse de mais um filho. Esta amizade estendeu-se a inúmeros amigos que fez nestas localidades, durante estes períodos, que sempre dele se rodeavam para ouvir as suas histórias. Por sermos do mesmo Curso, e também Mirense, fui disso testemunha, e gostaria de aqui o expressar.
Carlos Manuel Querido Batista (303/1951)
Depoimento da Família Orlando Edmundo Jansen Alves Rodrigues, era casado com Maria do Céu Rodrigues, pai de 2 filhos e avô de 4 netos. Orlando significa: “terra gloriosa”, “natural da terra gloriosa” Edmundo significa: “protetor das riquezas”, “protetor rico”
Os que nos deixaram
Numa terra Gloriosa nasceu o protector das riquezas, Orlando Edmundo, nosso amado pai e marido, amava incondicionalmente a Família, os Animais, os Amigos e companheiros do Colégio Militar, e o Benfica! Orgulhoso da sua ascendência, sempre tentou transmitir os valores da mesma aos filhos e aos netos. O seu Avô Edmundo Frederico Jansen Alves foi o 41º vice- rei da India, o que sempre o deixava incondicionalmente emocionado com a historia da família! O Orlando cedo se tornou adulto, quando aos 9 anos veio sozinho para Lisboa frequentar o Colégio Militar! Veio da Beira em Moçambique, onde vivia com a sua família! Longe da Mãe e da restante família que ficou em Africa, cresceu e viveu com a amizade dos seus camaradas e das suas famílias! No desporto fez Gloria, da esgrima ao Vólei, tornou-se campeão e ganhou medalhas. O Gordo, como era simpaticamente conhecido pelos seus colegas, tinha um grande orgulho no Colégio Militar e recordava com muita saudade os bons tempos que lá passou e as amizades que ainda mantinha. Fazia de tudo para não perder um jantar ou encontro de antigos alunos. Gostava de contar as boas histórias que tinha vivido, dos bons amigos que fizera, aos momentos mais divertidos, mas também aqueles em que mais tinha orgulho como, quando comandou a delegação dos alunos do Colégio Militar na visita ao Brasil e teve a oportunidade de cumprimentar o Presidente Brasileiro, Juscelino Kubitschek. Retornou à sua terra natal na Beira, Moçambique, onde completou o 7º ano no
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Liceu Pêro de Anaia, tendo depois trabalhado na Manica Trading na Cidade da Beira. Veio posteriormente para Portugal, Lisboa, onde fez a recruta militar em Mafra, após o que já como alferes foi mobilizado com a sua unidade e colocado em Mueda, no norte de Moçambique. No último dia da sua comissão militar foi ferido em combate, tendo levado um tiro na face, cuja bala entrou num dos lados e saiu no outro, arrancando-lhe um dente e partindo o maxilar. No local foi-lhe feita uma traqueotomia, sendo depois evacuado para Nampula, passando pela Beira com destino a Lisboa, directamente para o Hospital Militar. Um episódio que o deixou para o resto da vida com graves problemas nos dentes. Durante três meses, depois de lhe colocarem o maxilar no sítio, esteve internado no hospital com um capacete de gesso bem como os maxilares ligados por fios de platina, não podendo falar. Como não falava respondia a tudo por escrito. Contava que o dia do acidente não era o seu. Na emboscada em que foi ferido, morreram 7 soldados que ele recordava com muita tristeza. Para além de ter sobrevivido a um tiro na cara, teve a sorte de a granada que tinha na mão nesse momento não ter explodido. Quando recuperou, optou pela vida civil, tendo desenvolvido a profissão como bancário no Banco Pinto e Sotto Mayor. O Orlando era um contador de histórias, gostava de conviver com os seus amigos relembrando os bons momentos da sua vida e dos seus amigos, sempre com o sentido de humor e a boa disposição que caracterizavam a sua maneira de estar em família e com amigos. Gostava de História e orgulhava-se dos seus conhecimentos. Ficou muito feliz quando
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se apercebeu que o seu neto partilhava o mesmo gosto pela História, mas também, quando lhe pedia para contar as histórias mais marcantes da sua vida. Outra coisa que gostava de fazer era dançar. Dançava a marrabenta como ninguém, recordando com muita saudade a sua terra de nascimento. Mas também o Samba, dança que aprendeu para se preparar para a viagem ao Brasil. O Orlando era uma pessoa justa, que se regia por princípios de que não abdicava. Apesar de ter sido gravemente ferido e ter ficado com marcas para o resto da sua vida, sempre abdicou da reforma a que tinha direito por ter sido ferido em combate na defesa da Nação. Maria do Céu Jardim de Andrade Sandra Jardim de Andrade Jansen Alves Rodrigues Orlando Pedro Jardim de Andrade Jansen Rodrigues
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Armando António dos Santos Martins (351/1956) Arquiteto Nasceu a 20 de Março de 1945 Faleceu a 14 de Junho de 2018
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ntrei para o Colégio no 3º ano e fui cair no curso do 351, que tinha entrado para o 2º ano, no ano lectivo anterior. Talvez pelo facto de ele próprio, quando entrou, ter passado pela experiência de se integrar num grupo já formado no ano anterior, lembro-me que foi um dos que recebeu com mais simpatia os «ratas» do 3ºano. É essa uma das primeiras recordações que ainda hoje guardo de si. Naqueles tempos no Colégio, o 351 não era um rapaz espalhafatoso, era reservado, mas alinhava nas brincadeiras com os demais, fazendo amigos com facilidade. Como a meio do seu percurso colegial, foi apanhado numa razia de chumbos que reduziu o nosso curso a metade, passou ao curso seguinte, tendo o nosso convívio diminuído. Saídos do Colégio as nossas vidas levaram rumos diferentes, pelo que durante anos pouco nos vimos, sabendo eu porém que ele tinha ido prestar o seu serviço militar na Armada, na Reserva Naval, na Classe de Fuzileiros, situação da qual justamente se orgulhava. Os anos entretanto foram passando, as saudades da malta do Colégio foram apertando e lá começámos todos a ir em ro-
magem à Luz, sempre que havia um pretexto para tal. O Armando era dos «clientes» regulares dessas romagens, como se pode comprovar por fotos que temos das mesmas. Num desses encontros, calhou falarmos em Santiago de Compostela, onde o Armando tinha ido sózinho, como romeiro, trilhando o «caminho português de Santiago». Passados alguns anos, foi a minha vez de calcorrear esse caminho. Ao fazê-lo, foram-me úteis algumas dicas que me deu e muitas vezes pensei nele. Agora o Armando foi de novo à minha frente. Possa eu um dia seguir o seu trilho e encontrarmo-nos algures acima de Santiago.
no distrito do Niassa, com o destacamento de fuzileiros número 8. De regresso à vida civil começou a trabalhar numa seguradora e nos finais da década de setenta, eterno apaixonado pelas artes, engrossou o contingente de alunos de arquitectura da então Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, tendo terminado o seu curso de arquitectura já era então Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa. Casado desde o dia 14 de Novembro de 1971 com Maria de Lourdes dos Santos de Almeida dos Santos Martins, era pai de dois filhos, Ana Catarina e Filipe Alexandre e avô de quatro netos, dois rapazes e duas raparigas. Durante a sua vida foi autor de centenas de poemas, contos, peças de teatro, textos da mais variada índole. Maria de Lourdes dos Santos de Almeida dos Santos Martins
Luis Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957)
Depoimento da Família Sem dúvida que o Colégio Militar foi o grande marco e referência em toda a sua vida. Frequentou ainda a Academia Militar e fez o primeiro ano na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa antes de ingressar na Escola Naval e nos Fuzileiros, outro grande marco na sua vida, ao serviço dos quais cumpriria o serviço militar. Esteve destacado em Moçambique,
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Luis Humberto Severino Lourenço Carvalho Serrão (613/1973) Arquiteto Nasceu a 28 de Março de 1963 Faleceu a 25 de Março de 2018
dois traços para desenhar uma mota, um traço para desenhar um automóvel… Assim era o sapinho. A inveja é um pecado mortal, mas não é dessa inveja que falo, é daquela que no colégio vivíamos quando admirávamos alguém.
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oi-lhe diagnosticado há 4 anos uma mielofibrose, tendo vivido com sérias limitações físicas desde então. Em janeiro deste ano foi internado no IPO, na Unidade de Transplante de Medula Óssea, onde acabou por falecer.
“O Luís Serrão, 613/73, deixou-nos, mas para sempre aquele Sapinho estará entre nós. Deixou-nos sim mais “ricos” por todos aqueles anos em que partilhámos a sua calma e pacatez tão própria do “pequeno grande artista” que era, mas também a cautela necessária que era preciso ter quando a mostarda lhe chegava ao nariz. Modesto, despreocupado e desapegado de bens materiais. Quando se lhe perguntava se estava tudo bem, respondia sempre que estava tudo bem, mesmo em situações difíceis. O tempo apagou-me a memória dos pormenores, mas não me esqueço da sua bondade e camaradagem. Falava pouco, porque o espírito dos artistas é assim…
Quem não invejava aqueles dotes? O 613 viajava e passava algumas aulas a desenhar as suas máquinas. Era incrível o que ele fazia apenas com uma caneta bic numa qualquer folha de papel. Tinha os pormenores todos de cabeça… dos Águias da série espaço 1999, dos carros e motas. No fim eram fotografias autênticas! O talento não ficava por aqui, também a música lhe alimentava a alma. Tocava guitarra. Recordamos os seus traços, a forma singela como apreendia a vida no deslizar do seu lápis ou nos acordes que ensaiava na sua musica. Deixou-nos, sim, não marcados pela saudade, mas pela riqueza dos momentos que com ele partilhámos na nossa adolescência. O apinho partiu, mas o legado ficou. Descansa em paz, os teus acordes e os teus desenhos ficarão gravados nos nossos corações. Zacatraz ao Sapinho.” Fernando Júlio Guimarães Ló de Almeida (289/1973)
Sempre tive uma certa inveja de quem com três traços, fazia um boneco. De sorriso envergonhado, mas sincero, só precisava de
José Manuel Pereira da Cunha e Meneses Caria (506/1973)
Afonso Jorge Alves Pereira Marques (623/1972)
ALGUNS DESENHOS QUE NOS DEIXOU
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Edifício do Hospital Real de Nossa Senhora dos Prazeres
Ontem
Hoje
Edifício do Real Colégio Militar (final do século XIX).
Edifício do Colégio Militar (início do século XXI)
Colégio Militar SEMPRE.