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Editorial Revista “ZACATRAZ”
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Presidente da Direção José Eusébio Pereira Barata Cordeiro de Araújo 591/1973
Editorial Camaradas Está a terminar o triénio de 2016-2018, para o qual foram eleitos os atuais Órgãos Sociais, impõe-se, pois, aqui partilhar convosco uma reflexão referente ao mandato e apontar as iniciativas planeadas até ao fim do mesmo. Nesse sentido, começaremos, em primeiro lugar, por recordar as nossas assumidas linhas de orientação de atuação, que, dando voz aos nossos Estatutos, se pretendiam nas seguintes vertentes: - A consolidação e fortalecimento dos laços de solidariedade que unem os Antigos e os Atuais Alunos do Colégio Militar; - A intransigente defesa e promoção da Instituição Colégio Militar, em tudo o que ela consiste e representa, nomeadamente nos seus princípios, valores e tradições; - A empenhada colaboração na reafirmação do Colégio Militar como escola de Excelência Académica, Cultural e Desportiva. Quanto a estes dois últimos pontos de forma extremamente resumida, diremos que a Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar, se empenhou em desenvolver a sua ação, sublinhe-se, de colaboração com a Direção do Colégio Militar e sempre a pedido desta, em salutar articulação com a Associação de Pais e Encarregados de Educação dos Alunos do Colégio Militar, procurando sempre preservar a matriz valorativa caracterizadora do Projeto Educativo do Colégio e garantir um trabalho na reafirmação do Colégio Militar como escola de Excelência. Já no que se refere ao primeiro ponto, genuinamente a alma da missão da nossa Associação, temos de assumir que embora desenvolvendo iniciativas nesse sentido, ficámos inequivocamente aquém do que pretendíamos. Assume-se, pois, aqui, que o pretendido reforço da rede de Solidariedade junto dos Antigos Alunos,
nomeadamente alargando o conceito e ações no âmbito da Solidariedade, afirmando uma maior presença, desenvolvendo mecanismos de deteção de situações difíceis e promovendo uma maior informação sobre a atividade desenvolvida necessitará de uma atenção mais profunda e empenhada. Também intimamente ligada á missão da AAACM, está o modelo de utilização da Infraestrutura PM 34. Foi neste contexto, que, cientes do cariz estratégico do Prédio Militar nº 34, se recorreu à criação da Comissão PM 34 para analise e apresentação de um plano visando a consolidação da missão de utilidade publica da AAACM. Camaradas Estamos certos, que, face à particular exigência e transversalidade destes desafios, para além de outros, estes serão por certo mobilizadores de futuras Direções e mandatos seguintes. Por isso, assumindo essa certeza e num humilde contributo para aqueles que nos irão suceder, iremos nesta parte final do mandato procurar mobilizar a reflexão no seio da comunidade de Antigos Alunos, para que, numa participação esclarecida e construtiva, se estruturem possíveis caminhos para uma resposta adequada aos desafios colocados. É, pois, nesta perspetiva que, já no final de Janeiro, iremos desafiar a nossa comunidade para em Jornadas de Trabalho dedicadas à “AAACM”, a realizar no Teatro D. Luis Filipe, apresentar propostas quanto ao futuro pretendido para a nossa Associação. Finalmente, já em pleno mês de Março, terá lugar a Conferência “Colégio Militar” que procurará induzir a reflexão propiciadora que nos aponte a Missão e o caminho a percorrer pelo Colégio Militar. Acentua-se que, face ao término da implementação do ciclo de profundas mudanças estruturais, resultantes do alargamento ao Colégio Militar do 1º Ciclo de Escolaridade, da frequência por ambos
os Géneros e da possibilidade de opção por regime de Internato ou Externato, nos parecem reunidas as condições para uma reflexão sobre a abrangência e especificidade da missão do Colégio Militar, tanto para o nosso País, como para as Forças Armadas. São manifestamente temas de partida: o papel do Colégio Militar no âmbito da Identidade e Defesa Nacionais; da Cooperação com os restantes países que integram a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa; do Apoio a militares e outros servidores do Estado deslocados em serviço e do contributo para o reforço de uma Cidadania ativa e responsável. Esta Conferência será certamente um contributo para a formulação de uma visão partilhada sobre o “Colégio Militar do Futuro” e consequente definição dos principais requisitos para o cumprimento do seu desígnio. Pretendemos, com esta particular e humilde iniciativa afirmar linhas de clarificação da Missão do Colégio Militar, tendo presente as necessidades para o futuro e procurando recolocar esta Instituição de Ensino, de forma efetiva, ao serviço dos relevantes desígnios do nosso País. Delineadas as linhas finais do mandato, não podemos terminar sem uma palavra de gratidão para com todos aqueles que connosco colaboraram e de forma extraordinariamente intensa nos ajudaram. O nosso profundo obrigado Camaradas. Por fim, acentuamos que para todos nós foi uma honra termos tido a oportunidade de servir o nosso Colégio e a nossa Comunidade. Desculpem-nos as nossas limitações. Em prol do nosso Colégio e da nossa Comunidade Um forte Zacatraz
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Ficha Técnica
CORPOS SOCIAIS DA ASSOCIAÇÃO PARA O TRIÉNIO 2016-2018
Ficha Técnica PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL Fundada em 1965 Nº 213 Outubro/Dezembro - 2018 FUNDADOR Carlos Vieira da Rocha (189/1929)
ASSEMBLEIA GERAL Presidente Vice-Presidente 1º Secretário 2º Secretário
DIRECTOR Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950) nunomira.vaz@aaacm.pt
Raul Miguel Socorro Folques - 380/1952 José António Pina de Bastos e Silva - 67/1957 António Luís Henriques de Faria Fernandes 454/1970 Pedro Gonçalo Coelho Nunes de Melo - 51/1982
CHEFE DE REDACÇÃO Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957) luisfbarbosa@aaacm.pt REDACÇÃO Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva (53/1961) Gonçalo Miguel de Matos Gonçalves (105/1984)
DIRECÇÃO Presidente Vice-Presidente Secretário Tesoureiro 1º Vogal 2º Vogal 3º Vogal 4º Vogal 5º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente 3º Vogal Suplente
José Eusébio Pereira Barata Cordeiro de Araújo - 591/1973 Artur Manuel de Spínola e Santos Pardal - 587/1961 João Eduardo Correia Barrento Sabbo - 17/1967 Luís Manuel Borges de Albuquerque Nogueira - 323/1969 Francisco Eduardo Moreira da Silva Alves - 392/1954 Luis Manuel Marques Cóias- 190/1990 José Miguel Teixeira de Faria - 2/1969 José Maria Gouveia de Azevedo e Bourbon - 598/1971 João Pedro Mendes Carreiro Gomes - 390/1983 Gonçalo Miguel de Matos Gonçalves - 105/1984 Tiago Simões Baleizão - 200/1987 Manuel Soares Albergaria Felgueiras e Sousa - 498/2006
CAPA Abertura Solene do Ano Lectivo 12 Outubro de 2018 ENTIDADE PROPRIETÁRIA E EDITOR Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar MORADA DO PROPRIETÁRIO e SEDE DA REDACÇÃO Quartel da Formação - Largo da Luz 1600-498 Lisboa Tel. 217 122 306/8 Fax. 217 122 307 TIRAGEM - 1350 exemplares DEPÓSITO LEGAL Nº 79856/94 DESIGN E EXECUÇÃO GRÁFICA: Tm. (+351) 933 738 866 Tel. (+351) 213 937 021 info@smash.pt www.smash.pt
CONSELHO FISCAL Presidente 1º Vogal 2º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente
Manuel Ramos de Sousa Sebastião - 604/1961 Rui Joaquim Azevedo de Avelar - 25/1960 Eugénio de Campos Ferreira Fernandes - 180/1980 Rui Manuel Gomes Correia dos Santos – 225/1981 Bruno Miguel Fernandes Pires - 27/1995
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA AOS SÓCIOS DA AAACM Isenta de registo na Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC), ao abrigo do nº 1 da alínea a), do Artigo 12º do Decreto Regulamentar nº 8/99, de 9 de Junho. Os artigos publicados são da responsabilidade dos seus autores. Esta publicação não segue o novo acordo ortográfico.
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Sumário
04 Novo Chefe do Estado-Maior do Exército 04
Estágio de Graduados
05
Composição do Batalhão
08
Imposição das graduações
16
115º Aniversário da AAACM
24
Centenário do armistício da I Grande Guerra
11
Abertura Solene do Ano Lectivo
31 A Barretina 34
Antigos Alunos em destaque
41
Romagens de saudade
46
Recordando um irmão
49
14º ano do Núcleo da Feitoria
50
Curso de 1948/55
20
O Armistício de 1918
Homenagem aos nossos professores
53 A família Abrantes da Silva 57
Jantar do Oeste
60 O fantástico périplo do Alferes Jacinto 63
O Almirante do Lugenda
28
O funeral de Sidónio
67 Histórias e Memórias 68
Homenagem a António Sérgio (1ªparte)
72
A viagem do Allegro
76
O tratado de Tordesilhas
79
O fabuloso elipsóide de inércia
81
Sabia que o minuto de silêncio
83
Regulamento Interno de 1901
85
Jantar de Braga
86 Os que nos deixaram
47
Equipe de voleibol da AAACM
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Novo Chefe do Estado Maior do Exército /Estágio de Graduados
Novo Chefe do Estado Maior do Exército GENERAL CHEFE DO ESTADO-MAIOR DO EXÉRCITO O General José Nunes da Fonseca, novo Chefe do Estado-Maior do Exército, nasceu em Mafra em 1961, ingressou na Academia Militar em 1979, onde concluiu a licenciatura em Ciências Militares (Engenharia) e o mestrado em Engenharia Militar. Sendo o novo Chefe do Estado-Maior do Exército Antigo Aluno do Instituto dos Pupilos do Exército, a Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar deseja ao Senhor General José Nunes da Fonseca as maiores felicidades no exercício do seu cargo de enorme responsabilidade e cumprimenta, com o maior júbilo, a Associação dos Pupilos do Exército, sua congénere, bem como o Instituto dos Pupilos do Exército.
Nuno António Bravo Mira Vaz 277/1950
Estágio de Graduados Entre 3 e 7 de Setembro de 2018 decorreu no Colégio Militar o Estágio de Graduados destinado preferencialmente aos alunos que poderiam vir a desempenhar esta função no presente ano lectivo, tendo em conta que a função os torna auxiliares de educação e corresponsáveis pelo enquadramento e formação dos alunos mais novos. O Estágio contou com a presença de todos os alunos do 12º Ano, num total de 32, e de 23 alunos do 11º Ano, considerados graduáveis, que sejam internos, não tenham tido negativas a aproveitamento ou/e a comportamento. A Direcção do Colégio Militar está consciente da importância do Estágio de Graduados num processo que, em consonância com o Comando, a Docência e a Família, se destina a equipar os futuros graduados com as capacidades, aptidões e ferramentas apropriadas para o desempenho de funções de Liderança e de afirmação da Cidadania. A colaboração da AAACM, no estágio materializou-se em três sessões, realizadas no dia 4 de Setembro e subordinadas aos temas seguintes: “Associação de Antigos Alunos do Colégio Militar”; “Tradições Colegiais”; “O exercício da Autoridade vs. Ilegalidade”. A Conferência das 15H00 às 15H50, subordinada ao tema “Associação de Antigos Alunos do Colégio Militar”, contou com a presença da estrutura diretiva dos Órgãos Sociais e das estruturas cimeiras do Conselho Supremo, Conselho de Delegados e Revista Zacatraz. Estes elementos fizeram
uma breve síntese das funções institucionais dos Órgãos que dirigem e endereçaram as recomendações julgadas convenientes aos alunos presentes. A Conferência das 16H00 às 16H50, subordinada ao tema “Tradições Colegiais”, que não pôde infelizmente este ano contar com a colaboração imprescindível do Antigo Aluno Costa Matos (96/1950), constou de uma breve apresentação cronológica das tradições e eventos planeados para o ano lectivo, remetendo-se a abordagem específica para momento posterior, sob a égide do Conselho das Tradições. No final da Conferência foram divulgadas a missão e a composição do Conselho das Tradições, criado no âmbito do protocolo entre o CM e a AAACM. A Conferência das 17H00 às 17H50 traduziu-se numa reflexão sobre “O exercício da Autoridade vs. Ilegalidade”, uma questão que constitui pedra basilar do Projeto Educativo do Colégio Militar e que vem assumindo uma relevância crescente nas sociedades democráticas. O modelo escolhido consistiu num «dueto» entre os Antigos Alunos Gama Barros (372/1983) e Francisco Santos (128/1998), os quais fizeram um esclarecido apelo à sustentação da Liderança, afirmando a autoridade que lhe está subjacente e a necessária e imperativa conformação legal. No final da sessão, houve ainda tempo para uma breve troca de impressões entre actuais e antigos alunos.
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Composição do Batalhão 2018/2019
Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
Composição do Batalhão 2018/2019 Dando seguimento à prática adoptada nos anos anteriores, apresentamos no presente artigo uma análise sucinta da composição do Batalhão Colegial no início deste ano lectivo de 2018/2019, tendo em consideração as composições do mesmo Batalhão nos anos lectivos anteriores, numa tentativa de detectar tendências que a referida composição possa apresentar. Segundo a informação de que dispomos, foram admitidos no Colégio, com destino ao Batalhão Colegial, 67 novos Alunos/as, dos quais 53 para o 5º ano, do que resultam 14 admissões para os 6º e 7º anos, que são os anos para os quais normalmente também se admitem Alunos/as. Aos 53 Alunos/as admitidos para o 5º ano juntaram-se 42 que completaram o 1º ciclo (antiga escola primária) no Colégio, do que resulta um total de 95 Alunos/as no 5ºano. A transição de 42 Alunos/as do 1º para o 2º ciclo dentro do Colégio, penso que dá razão aos que foram apologistas da criação do 1º ciclo dentro do Colégio, como fonte de «recrutamento» privilegiada do Batalhão. O ano passado o número de Alunos/ as que protagonizaram a mesma transição foi de 25.
Concluído o processo de admissões, a composição do Batalhão Colegial no início deste novo ano lectivo é a que se apresenta no Quadro 1.
A observação do Quadro 1 permite-nos algumas constatações, que passamos a apresentar:
- O total de Alunos masculinos internos é de apenas 216, a que corresponde uma percentagem de 41,3 % do Batalhão. Quadro 1 Composição do Batalhão no Ano Lectivo de 2018/2019 Ano
Al. Femininos
Al. Masculinos
TOTAIS
Internos
Externos
Internos
Externos
5º
19
34
7
35
95
6º
26
14
14
12
68
7º
32
27
16
10
85
8º
33
16
23
14
86
9º
33
8
19
6
66
10º
29
1
19
6
55
11º
20
1
14
1
36
12º
24
0
5
3
32
TOTAIS
216
103
117
87
523
%
41,3
19,7
22,4
16,6
100
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Composição do Batalhão 2018/2019
Se atentarmos a que se admitia, no início do período de transição que atravessou o Colégio, que os Alunos masculinos internos deveriam constituir o «núcleo duro» da instituição, o qual era desejável que estivesse sempre acima dos 50% do efectivo, vemos que esse desejo não se cumpre, sendo já o terceiro ano consecutivo que tal se verifica. Se atentarmos a que o edifício do internato masculino se destinava, quando foi construído, a cerca de 600 Alunos, os 216 que aí agora habitam, devem ficar a «nadar» no meio do espaço disponível. As camaratas, no seu conjunto, estão a menos de metade da sua capacidade. A utilização do espaço e o aumento da comodidade dos Alunos, decerto estarão agora nas preocupações dos responsáveis. - O total dos Alunos masculinos externos já ultrapassa a centena, representando cerca de 20% do Batalhão. Este total que se desejaria baixo, é excessivo. Seria desejável, a nosso ver, que
Alunos externos, a partir do 7º ano, constituíssem uma excepção. Estão porém nesta situação 26 Alunos, o que se nos afigura excessivo. Penso que competirá aos próprios Alunos mais velhos incentivarem os Alunos externos mais novos a aderirem ao regime de internato, que é a mais poderosa «ferramenta» de criação da camaradagem colegial, que é o «cimento» da nossa comunidade com características «sui generis».
- O total de Alunas externas é de 87, próximo do número de Alunos externos.
- O total de Alunas internas já atinge as 117, a que corresponde quase um quarto do efectivo do Batalhão.
No que respeita à composição por género assinala-se que as Alunas representam praticamente 40% do Batalhão Colegial. No que respeita ao regime de internato verifica-se que os Alunos/ as em regime de externato já ultrapassam um terço do efectivo, o que é contraproducente para a salvaguarda da coesão do Batalhão Colegial.
Tendo o edifício do internato feminino uma capacidade nominal de 100 Alunas, verifica-se que a grande procura que tem havido pelo regime de internato para as raparigas, já terá levado a algumas adaptações, no sentido de aumentar a capacidade das instalações. Não me admiraria se começassem a aparecer sugestões de adaptação de parte do subaproveitado internato de rapazes para internato de raparigas. É uma situação a ponderar, salvaguardando-se a separação de géneros.
É provável que este número diminuísse, se houvesse maior capacidade do edifício do internato feminino. No Quadro 2 apresenta-se a composição do Batalhão, no presente ano lectivo, por género e por regime de frequência.
Finalmente, no Quadro 3, apresenta-se a evolução da composição do Batalhão ao longo dos últimos quatro anos, que são os anos de existência do internato feminino.
Quadro 2 Composição do Batalhão por género e por regime de frequência Por Género
Por regime de frequência
Masculino
319
(61%)
Internos
333
(63,7%)
Feminino
204
(39%)
Externos
190
(36,3%)
TOTAL
523
(100%)
523
(100%)
Composição do Batalhão 2018/2019
A análise do Quadro 3 permite verificar o seguinte, a nível de tendências: - Efectivo total do Batalhão. Atingiu-se um pico de 574 Alunos no ano de 2016/2017, sendo que nos dois últimos anos lectivos temos um total de Alunos mais baixo (524 e 523) praticamente coincidente. - Percentagem de Alunos masculinos internos e externos. A percentagem de Alunos masculinos internos tem vindo a diminuir de forma rápida e continuada, sendo actualmente, como já se referiu, de cerca de 40% apenas. Tem de se combater esta tendência e reverter esta situação. Ao invés, a percentagem de Alunos masculinos externos tem vindo a aumentar de forma continuada. Como se indicou, consideramos desejável que este regime não se estenda para além do 7º ano. - Situação relativa das Alunas internas e externas. A situação relativa de Alunas internas e externas é completamente condicionada pela capacidade do alojamento existente.
O CERNE DA QUESTÃO Regressando ao Quadro 1 verifica-se que o número de Alunos/as no secundário (10º, 11º e 12º anos) é pequeno. Segundo sabemos, este ano e o ano passado deu-se uma quebra substancial do número de Alunos na transição do 9º para o 10º ano. No ano passado a redução foi de 85 Alunos para 56 e este ano foi de 83 Alunos para 55. Esta quebra pode ter causas várias, desde reprovações no 9º ano, até ao impedimento de matrícula no 10º ano devido a comportamento deficiente do Aluno, passando pela opção de pais de Alunos de tirarem os seus filhos do Colégio, para os matricularem noutro estabelecimento de ensino, onde tenham um ensino de melhor qualidade, que lhes permita terem melhores classificações nos exames nacionais do 12º ano, podendo assim matricular-se seguidamente nos cursos superiores da sua preferência. Não temos dados que nos permitam avaliar a dimensão desta terceira situação, mas trata-se de uma questão que tem de merecer a máxima atenção e que cremos que constitui uma das preocupações prioritárias da Direcção do Colégio. Se os melhores Alunos/as são retirados do Colégio pelos seus pais na transição do 9º para o 10º ano, mantendo-se no Colégio os Alunos/as de menor
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qualidade, entra-se numa trajectória descendente de efeitos seguramente catastróficos. É como uma bola de neve a rolar ribanceira abaixo. A situação é de importância capital para o Colégio e dela pode depender a sua sobrevivência. Todas as partes estão prevenidas. A Direcção conseguiu este ano trazer para o Colégio um conjunto de professores por si escolhidos. Os Professores sabem, que se não estiverem à altura daquilo que deles se exige, terão os seus dias contados no Colégio. Os Alunos estão mais do que prevenidos do que os espera no exterior, no dia em que transpuserem o portão de saída do Colégio. Exemplos recentes de colegas que os antecederam e que não conseguiram ingressar nos cursos da sua preferência não faltam. As numerosas medalhas que lhes cobrem o peito e as estrelas ou galões que ostentam na gola da farda, para nada contam fora do Colégio. O que conta são as notas, que lhes permitirão, ou não, o ingresso nas escolas superiores da sua preferência. É o seu futuro que está em jogo e ninguém tem o direito de brincar com a sua própria vida e muito menos com a vida alheia.
Quadro 3 Evolução da composição do Batalhão nos últimos 4 anos Anos
2015/2016
2016/2017
2017/2018
2018/2019
Masc. Interno
275 (50%)
274 (47,7%)
574 (100%)
216 (41,3%)
Masc.Externo
63 (11,5%)
85 (14,8%)
90 (17,2%)
103 (19,7%)
Fem.Interno
99 (18%)
116 (20,3%)
113 (21,5%)
117 (22,4%)
Fem.Externo
112 (20,5%)
99 (17,2%)
81 (15,5%)
87 (16,6%)
TOTAIS
549 (100%)
574 (100%)
524 (100%)
523 (100%)
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Cerimónia de Imposição de Graduações
Nuno António Bravo Mira Vaz 277/1950
Cerimónia de Imposição de Graduações Seguiu-se a imposição de graduações aos Alunos Comandantes das quatro Companhias, por ordem: da 4ª Companhia, o nº 460, Fuimilee Kanganje, pelo oficial comandante da 4ª Companhia, capitão de Administração Militar Rui Oliveira e familiares do aluno; da 3ª Companhia, o nº 30, António Alves, pelo oficial comandante da 3ª companhia, tenente de Cavalaria Miguel Martins e familiares do aluno; da 2ª Companhia, o nº 11, Guilherme Morais, pelo oficial comandante da 2.ª Companhia, tenente de Artilharia Rita Silva e familiares do aluno; da 1ª Companhia, o nº 2, Nuno Sousa, pelo oficial comandante da 1ª Companhia, capitão de Cavalaria Bruno Cruz e familiares do aluno. O Director do Colégio cumprimentando o Aluno Comandante de Batalhão. ©Fotos Leonel Tomaz
No dia 7 de Setembro de 2018 realizou-se a cerimónia de imposição de Graduações relativa ao ano lectivo 2018/19, na presença de numerosos familiares dos alunos que iam ser investidos nas funções de comando.
Seguiu-se a leitura pelo adjunto do comandante do Corpo de Alunos, sargento-chefe José Glória, do artigo da Ordem de Serviço referente às Graduações dos alunos para o ano letivo 2018/2019.
Presidiu o Director do Colégio Militar, coronel de Artilharia António Emídio da Silva Salgueiro, que agradeceu a todos quantos honraram a Cerimónia com a sua presença.
Seguidamente, o Director do Colégio Militar, acompanhado por familiares do aluno, impôs a graduação ao Comandante de Batalhão, Aluno nº 371, Martim Cunha.
A terceira leva de graduações destinou-se aos alunos pertencentes ao comando do Batalhão: adjunta do comandante de Batalhão, nº 534, Ana Pinto, porta-estandarte nacional, nº 472, Sebastião Farias, ajudante do comandante de Batalhão, nº 380, Ivo Santos, comandante da Escolta, nº 10, Sebastião Carvalho e porta-guião do Colégio Militar, nº 263, Luís Gonçalves. Impuseram as graduações em conjunto com familiares dos alunos, respectivamente, o Subdiretor do Colégio Militar, tenente-coronel de Ca-
Cerimónia de Imposição de Graduações
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foram entregues, respectivamente, pelo tenente de Cavalaria Miguel Martins e sargento-chefe José Glória, coadjuvados por familiares dos alunos.
Os novos graduados. ©Fotos Leonel Tomaz
valaria Rui Brito, a 2º comandante do Corpo de Alunos, major de Administração Militar Vânia Santos, o tenente-coronel Eliseu Nascimento, o adjunto do mestre de equitação do Colégio Militar, tenente de Cavalaria Miguel Martins e o major de Cavalaria Mário Silva. As insígnias dos alunos adjuntos dos alunos comandantes de Companhia foram impostas por familiares e pelas entidades a seguir designadas: da 4ª Companhia, nº 264, Diogo Fernandes, pelo coordenador pedagógico, professor Pedro Ferreira; da 3ª Companhia, nº 57, André Carvalho, pelo supervisor pedagógico, professor João Varela; da 2ª Companhia, nº 658, Maria Silva, pelo professor decano, professor Carlos Bernardino e da 1ª Companhia, nº 587, Maria Roque, pelo professor Balança Lopes. Foram graduados seguidamente doze alunos comandantes de Pelotão. Da 4ª Companhia o nº 774, David Alexandre (3º Pelotão) e a nº 632, Ana Sousa (2º Pelotão); impuseram as insígnias, respectivamente, o capitão de Infantaria Orlando Dias e o capitão de Cavalaria
Ivo Caseiro. Da 3ª companhia, a nº 542, Sara Rama (5º Pelotão), o nº 413, Diogo Neves (4º Pelotão), o nº 221, Kugiza Santos (3º Pelotão) e o nº 432, André Trindade (2º Pelotão); impuseram as insígnias, respectivamente, o capitão de Cavalaria David Garcia, o capitão de Administração Militar Paulo Fernandes, o capitão de Infantaria Hugo Rodrigues e a professora Helena Rodrigues. Da 2ª Companhia, o n.º 146, Bruno Martins (3º Pelotão) e o nº 165, Ricardo Silva (2º Pelotão); impuseram as insígnias, respectivamente, os professores Anabela Bispo e Pinto Lima. Da 1ª Companhia, o nº 394, Simão Rijo (5º Pelotão), a nº 562, Mariana Castanho (4º Pelotão), o nº 75, Guilherme Sérgio (3º Pelotão) e o nº 220, Pedro Raposo (2º Pelotão); impuseram as insígnias, respectivamente, os professores Helena Candoso, António Figueiredo, Margarida Cunha e Dulce Salgado. Os familiares colaboraram na cerimónia. As insígnias dos alunos comandantes de Pelotão da Escolta a Cavalo – nº 36, Filipe Sousa e nº 677, Maria Guimarães –
Seguidamente, foram impostas as insígnias a onze comandante de Secção. Da 3ª Companhia, a nº 564, Raquel Barbas (4º Pelotão), o nº 571, Gonçalo Loureiro (3º Pelotão), a nº 608, Mariana Quirino (2º Pelotão) e a nº 643, Sara Mendes (1º Pelotão); impuseram as graduações, em conjunto com os familiares dos alunos, os professores José Filipe, Maria de Jesus Machado, Nuno Belo e Ana Freire. Da 2 ª Companhia, o nº 313, José Mendes (3º Pelotão), o nº 107, Miguel Grilo (2º Pelotão) e o nº 417, Francisco Azevedo (1º Pelotão); impuseram as graduações, em conjunto com os familiares dos alunos, o sargento-mor Carlos Gonçalves e os professores Manuela Menezes e Joaquim Duarte. Da 1ª Companhia, o nº 200, Diogo Valdrez (4º Pelotão), a nº 569, Íris Fortes (3º Pelotão), o nº 106, Marco Grilo (2º Pelotão) e nº 23, Afonso Brandão (1º Pelotão); impuseram as graduações, em conjunto com os familiares dos alunos, os professores Olívia Paiva, Marco Arrifes, Palmira Pereira e Paulo Silva. Os novos graduados assumiram o seu compromisso de honra, repetindo a fórmula lida pela 2º comandante do Corpo de Alunos, major de Administração Militar Vânia Dalila da Silva: Assumo, com perfeita consciência e sentido das responsabilidades, as funções de graduado que me são confiadas, comprometendo-me a exercê-las no respeito por mim próprio e pelos outros, com inteira lealdade e de forma digna, honrando o Colégio Militar. Por fim, o Director do Colégio Militar proferiu uma alocução de que se destacam as reflexões finais:
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Cerimónia de Imposição de Graduações
“É no papel de graduados e nas funções que exercem que reside muita da especificidade e identidade do Colégio Militar: a exigente responsabilidade de enquadrar e de participar, de forma ativa, em todo o processo de integração e de formação dos alunos mais novos concorre, ao mesmo tempo, com a necessidade imperiosa de obter o sucesso escolar necessário à progressão académica num futuro próximo. O graduado tem que ser altruísta e determinado, disciplinado e disciplinador, solidário e responsável, amigo e líder, constituindo-se numa referência positiva, num exemplo. O cumprimento dessa exigente rotina continua a ser o alicerce para um relacionamento colegial leal e correto nas atitudes, entre todos os Alunos, assente numa disciplina individual e coletiva que decorre do cumprimento, assumido e consciente, dos princípios e valores enunciados no nosso Código de Honra e nas tradições que fortalecem a forma de ser e de estar do aluno do Colégio Militar. Como já referi e tenho reiterado, cito “não serve apregoar e depois ignorar; não chega afirmar, é obrigatório praticar; sem demagogias, há que saber ser e saber fazer, há que saber cumprir e saber demonstrar pelo exemplo, pela conduta responsável e correta, a todos os níveis, dos mais novos aos mais velhos, em particular os Alunos que, por mérito próprio e distinção do Colégio, exercem funções de Graduado, o porquê de sermos “Meninos da Luz”! Temos pela frente um desafio de mudança contínua de paradigma. A coesão, a verdadeira camaradagem, o respeito e solidariedade entre cada um de nós, na assumida aceção da nossa divisa “Um por Todos, Todos por Um”, impõe que todos os Alunos interiorizem o dever que têm para com o Colégio que tanto lhes dá. É minha obrigação, enquanto Diretor, com o apoio, profissionalismo e determinação de toda a estrutura interna, zelar para que vos sejam asseguradas as melhores condições de aprendizagem e vivência em espaço escolar. É um direito que vos assiste para o qual contam com a minha total dedicação. Mas é vosso dever, cumprir e fazer cumprir o nosso Código de Honra, contribuindo individualmente para o sucesso do nosso projeto educativo. Há que ter humildade, atitudes e comportamentos exemplares, forte carácter e motivação, por forma a
Familiares impondo graduação. ©Fotos Leonel Tomaz
que, com entreajuda e vontade, consigamos atingir os melhores níveis académicos que almejamos e que, cada um de vós, veja o seu esforço premiado no acesso ao ensino superior e na sua futura vida profissional. A cada um importará saber cumprir a parte que lhe compete! Confio muito em vós. Confio muito na frontalidade, lealdade e transparência com que partilhamos o nosso espaço. A linha de conduta está definida e as regras são claras. Manteremos o rumo anunciado, com perseverança e coerência de atitudes e procedimentos. O Compromisso de Honra que haveis acabado de publicamente assumir, com o testemunho de todos quantos nos distinguiram com as suas presenças, em particular os vossos Familiares e Amigos, é um voto livre, consciente e responsável para o exercício de uma missão muito digna que requer total lealdade e honra em Servir o nosso Colégio. Apelo a um bom trabalho de equipa e à ambiciosa dinâmica que este projeto merece.”
Por todos os Meninos da Luz, Pelos novos Graduados
Um Forte ZACATRAZ
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Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
Abertura Solene do ano lectivo 2018/2019
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Este ano a abertura solene do ano lectivo deu-se na tarde do passado dia 12 de Outubro, uma sexta-feira, em que fomos presenteados por mais um dia de fim de Verão, que se foi prolongando por Outono dentro. Como é tradicional, a abertura solene subdividiu-se numa cerimónia militar, que teve lugar nos Claustros, onde paira a «alma» do nosso Colégio, e numa cerimónia académica, que teve lugar no Ginásio Professor Dario Fernandes, onde, desde 1949, todos os Alunos desenvolveram o seu físico e aprenderam os nobres princípios por que se norteia a sã competição desportiva “Vencer com modéstia. Perder com dignidade. Respeitar sempre o adversário”.
CERIMÓNIA MILITAR NOS CLAUSTROS. A cerimónia iniciou-se com a entrada das Companhias e da Escolta (apeada) nos Claustros, marchando com o garbo e o empenho que o peso da tradição lhes exige. Observando a formatura, alguém ao meu lado me chamou a atenção para o facto de os Alunos se apresentarem com as baionetas caladas nas armas e embainhadas, facto anómalo, que já tinha ocorrido há pouco anos atrás e que felizmente tinha deixado de
ocorrer. Presumo, ter sido o regresso desta prática imposta do exterior ao Colégio, fruto de lucubrações de algumas mentes que pouco terão com que se preocupar no seu dia-a-dia. Terão voltado a atacar. É pena e para além disso, penso ser uma prática anti-regulamentar. À frente do Batalhão e esperando a entrada nos claustros do seu Comandante, postavam-se os seus adjuntos. Este ano o Comandante de Batalhão tem dois adjuntos, uma Aluna, ostentando um galão de comandante de companhia na gola, e um aluno com as tradicionais três estrelas de Ajudante de Comandante de Batalhão, como durante dezenas e dezenas de anos se designou. É a primeira vez que uma Aluna atinge tão elevada graduação. Preparem-se, para verem, dentro de poucos anos, uma Aluna a comandar o Batalhão. De seguida, o Comandante de Batalhão deu entrada nos Claustros. Postou-se em frente da formatura e recebeu a apresentação das Companhias e da Escolta, feita pelos respectivos comandantes. Estando o Batalhão completo, deu entrada nos Claustros a Alta Entidade que este ano presidiu
à cerimónia, o Tenente-General Cóias Ferreira, Comandante da Logística do Exército, antigo Director do Colégio. Imediatamente a seguir, deu-se a integração na formatura do Estandarte Nacional. O Batalhão apresentou armas e a Banda do Exército tocou o Hino Nacional, que foi cantado por todos os presentes, incluindo os Alunos do 1º ciclo (escola primária), postados na face Sul do piso superior dos Claustros. O Hino Nacional cantado nas condições acústicas particulares que os Claustros proporcionam, constitui sempre um momento emocionante destas cerimónias. Terminado o Hino Nacional, o Estandarte Nacional tomou o seu lugar na formatura, constatando-se então que a sua escolta apresentava as baionetas caladas nas armas e correctamente desembainhadas. O passo seguinte da cerimónia foi a apresentação dos novos Alunos, ou seja, dos «ratas», este ano em número de 109, sendo 42 oriundos do 1º ciclo do Colégio e 67 oriundos do exterior. A formatura dos «ratas», sob o comando da Aluna três estrelas da 1ª Companhia, entrou da forma titubeante habitual, com alguns quase a tropeçarem nas próprias pernas e a terem dificuldades em conjugar os
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Os “ratas” na sua apresentação pública. ©Fotos Leonel Tomaz
movimentos das pernas com os dos braços. Se não fosse assim, é que ficaríamos admirados, pois apenas têm um mês no Colégio e hoje em dia as formaturas estão reduzidas a um mínimo, pelo que a prática da marcha é reduzida, em contraste com os tempos de antanho, em que qualquer deslocação era feita debaixo de forma. Até os passeios ao exterior, ao domingo, eram feitos em formatura, o que não obstou a que, uma dada vez, um aluno «desertasse», regressando a formatura desfalcada ao Colégio. É habitual os pais dos «ratas» darem instruções aos alfaiates, para que lhes façam umas fardas folgadas, prevendo o normal crescimento dos seus rebentos e procurando adiar para um futuro distante a necessidade de substituição das fardas. A intenção é compreensível, os orçamentos familiares não são elásticos. O que já não é compreensível, é o que actualmente se verifica, com Alunos com dolmans a chegarem quase aos joelhos, como se se tratassem de capotes. É uma situação para a qual não nos cansamos de chamar a atenção. Não deve continuar. Tira a dignidade que uma farda requer.
De seguida, procedeu-se ao designado no programa por «Entrega do Símbolo de Comando ao Comandante de Batalhão Colegial e abraço ao Aluno «Batalhãozinho». Este ano o/a «rata» de menor estatura era uma Aluna, pelo que tivemos pela primeira vez uma «Batalhoazinha», a Aluna nº 176, de seu nome Carolina Pereira, que foi entregar ao Comandante de Batalhão a réplica da espada de El-Rei D. Carlos, que foi Comandante Honorário do Batalhão Colegial. Recorda-se que esta espada foi oferecida ao Colégio pela nossa Associação, para uso pelo Comandante de Batalhão. É uma espada de um enorme simbolismo, mais um dos sinais indicativos do que a TRADIÇÃO representa para o Colégio. Recebida a sua espada, o Comandante de Batalhão deu um forte abraço à «Batalhoazinha», simbolizando a admissão dos «ratas» na irmandade colegial e a protecção que é devida aos mais novos pelos mais velhos, dentro dessa irmandade. Regressada a «Batalhoazinha» ao seu lugar na formatura, foi a vez de o Comandante de
Batalhão proferir a sua habitual alocução, em que se dirigiu aos diferentes componentes da comunidade colegial, nomeadamente aos «ratas», aos professores, aos oficiais, aos outros servidores do Colégio e aos seus condiscípulos. Foi um discurso escorreito, em que falou da situação actual do Colégio de forma frontal, não deixando de mencionar os principais problemas existentes. Aos «ratas», deu as boas vindas, incitou-os a não cederem perante as dificuldades que terão de enfrentar e lembrou-lhes que são eles o futuro do Colégio. Aos professores, dividiu-os em dois grupos: os que dão tudo pelo Colégio, que no seu entender são muitos, e os que pela sua acção não ajudam a prestigiar o do Colégio. Aos primeiros agradeceu, aos segundos recomendou, com a maior simplicidade, que olhassem para os primeiros e que seguissem o seu exemplo. Aos oficiais, cujo contingente foi objecto de uma grande renovação neste início de ano lectivo, disse que esperava que este não fos-
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Continência ao Estandarte Nacional. ©Fotos Leonel Tomaz
se um ano de conflito, como sucedeu no ano passado, estando confiante que este ano a situação melhorará. Aos servidores do Colégio, que não estão em posições de tanta evidência, agradeceu o seu esforço diário em prol do Colégio. Finalmente, falando aos seus condiscípulos, lembrou-lhes o dever de manterem vivos os valores que o Marechal Fundador nos legou, mostrando diariamente resultados, postura e carácter. Terminou dizendo «Enquanto nós cá estivermos, enquanto os valores se mantiverem e enquanto o ZacatraZ ecoar nestas velhas paredes, o Colégio não morreu e cabe-nos a todos nós mantê-lo vivo. Esta é a nossa oportunidade. Esperamos, sinceramente, que os Alunos agarrem a oportunidade que este ano lhes oferece, para darem um passo firme no sentido de repor o Colégio no patamar de qualidade que sempre foi seu.» Por iniciativa da Direcção do Colégio e dada a proximidade da data do falecimento do Marechal Teixeira Rebelo, fundador do Colégio,
que ocorreu também no mês de Outubro, foi feita uma homenagem particular ao mesmo, sendo depositada uma coroa de flores junto ao seu busto, no átrio principal do Colégio. A acompanhar esta acção, a fanfarra tocou a silêncio, seguindo-se o toque de homenagem aos mortos, para a mesma se concluir com o toque de alvorada, a anunciar a esperança num novo dia.
de maior crise e adversidade, «Estamos sempre convosco. Nunca marcharão sozinhos». Os professores têm a estrita obrigação de estar com os seus alunos e de se regozijarem com eles nas datas festivas do Colégio. Se assim não o entendem, não percebem nada do que é o Colégio.
A cerimónia nos claustros terminou com a saída do Batalhão Colegial pelo átrio principal, desfilando, em continência, perante o busto do Marechal Teixeira Rebelo, tal como ficou determinado em Ordem de Serviço, no longínquo ano de 1903, em que se comemorou o primeiro centenário do Colégio. É este um dos segredos da força do Colégio, o respeito pela TRADIÇÃO. Tive este ano a sensação de que a cerimónia teve menos concorrência do que a habitual, quer em termos de Antigos Alunos, quer em termos de professores. Se assim foi, é de lamentar. Os Antigos Alunos têm a obrigação de dizer aos Alunos, sobretudo em situações
Alocução do Aluno Comandante do Batalhão. ©Fotos Leonel Tomaz
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CERIMÓNIA ACADÉMICA NO GINÁSIO PROFESSOR DARIO FERNANDES. Desde os meus tempos de aluno não assistia à sessão solene efectuada no ginásio. A ideia que me ficou dessa altura, foi a de a cerimónia ser de «difícil digestão», dada a extensão das orações de sapiência que tínhamos de escutar e a aridez dos seus temas. Este ano, para poder fazer uma reportagem completa, decidi comparecer. A cerimónia iniciou-se com a alocução do Director do Colégio, da qual refiro de seguida os aspectos que, a meu ver, foram mais salientes. No início, manifestou o Director o seu público reconhecimento ao dedicado trabalho dos professores e sublinhou o esforço que tem sido feito na «consolidação e estabilização do Corpo Docente diferenciado
Alocução do Exmo. Diretor do Colégio. ©Fotos Leonel Tomaz
e diferenciador que este Colégio tem de ter». Mais à frente lembrou os quase 216 anos de existência do Colégio, ao longo dos quais, com uma grande resiliência, foram superados momentos difíceis, que puseram em causa a própria instituição, encontrando-se presentemente o Colégio num desses momentos difíceis, resultante da reforma de 2013, superando as dificuldades surgidas e em fase de consolidação e de forte aposta no seu renovado potencial. Referiu mais adiante o Plano de Modernização de Infra-Estruturas e Requalificação de Espaços, em que salientou a requalificação do edifício do internato masculino, a construção de um pavilhão Gimnodesportivo, a ampliação das instalações do 1º ciclo, para albergar 12 turmas (em fase de estudo). A nível pedagógico, salientou as iniciativas tomadas nos domínios da Informática, da Língua inglesa, da Educação Musical, da Educação Física e Desportos e da Liderança e Valorização Pessoal. Mais adiante indicou estar a ser preparado o Projecto de Preservação do Património Cultural do Colégio Militar, que se irá consubstanciar no levantamento de «Colecções Visitáveis» de diversas naturezas, na reabilitação da Biblioteca Antiga e na estruturação do Arquivo Histórico. Considerou este projecto de primordial importância para o reforço da identidade e da coesão da nossa comunidade, para a preservação da herança cultural do Colégio e para a sua visibilidade externa. Referiu de seguida o envolvimento do Colégio no programa Eco-Escolas do âmbito da Educação Ambiental para a Sustentabilidade e informou que o Colégio acaba de ser galardoado com a Bandeira Verde. Terminou o Director dirigindo-se a todos os Alunos, a quem desejou um bom ano escolar, com dedicação, disciplina e trabalho, dirigindo-se aos Graduados, a quem lembrou as responsabilidades do enquadramento dos Alunos mais novos, e dirigindo-se finalmente aos Alunos
que concluíram o seu curso no Colégio, desejando-lhes as maiores felicidades na continuação dos seus estudos e nas suas futuras vidas profissionais. Seguiu-se a Lição Inaugural, este ano a cargo do Professor Nuno Filipe Batista Belo, subordinada ao tema «Recursos Hídricos e Sustentabilidade». Como disse anteriormente, eu tinha uma má recordação das lições inaugurais. Confesso que desta vez tive uma surpresa muito agradável. Não direi que a lição foi excelente, apenas pelo facto de ela ter sido dita a um ritmo demasiado acelerado. Tirando esse senão, tinha todos os ingredientes necessários a uma excelente apresentação: tema muito interessante e actual, texto escrito com elegância e bem adequado à assistência alvo e auxiliar vídeo de elevada qualidade. O Professor Batista Belo está de parabéns. Dado muitos dos Alunos não estarem presentes no interior do ginásio durante a leitura da lição, sugiro, dada a sua importância e qualidade, que a mesma seja repetida no Anfiteatro, a um ritmo mais pausado, para ser bem entendida e bem «saboreada» pelos Alunos. Concluída a lição inaugural, passou-se à entrega de prémios medalhas e diplomas aos Alunos e Antigos Alunos. No meu tempo havia uma grande parcimónia na distribuição de medalhas. O acesso às medalhas de aplicação literária estava reservado aos alunos que eram realmente aplicados nos seus estudos, sendo que as medalhas de ouro atribuídas anualmente se podiam contar pelos dedos de uma mão, ou, em anos de muita fartura, pelos dedos das duas mãos. O acesso às medalhas de aplicação militar e física também não era fácil, não bastava ser bom a ginástica, havia a equitação, que deitava os sonhos de muitos por água abaixo, havia o atletismo e os vários desportos de equipa, havia a esgrima, em que se tinha de ser
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apresentou nenhum em calções. Houve duas Antigas Alunas que se apresentaram também em traje não próprio para uma cerimónia, julgando talvez estarem a fazer uma linda figura. No final, após a distribuição das medalhas, procedeu-se à distribuição de Diplomas e Cartas de Curso aos Alunos que frequentaram no ano lectivo transacto o 12º ano. Subiram ao palco apenas 23 Antigos Alunos. Desconheço quantos deles terão concluído o curso com aproveitamento, recebendo a correspondente carta de curso. Desconheço que diplomas terão os restantes recebido.
Um conjunto de Alunos premiados. ©Fotos Leonel Tomaz
um razoável «ferro» e havia a instrução militar, que era na altura uma coisa séria e em que os instrutores sabiam bem do valor de cada um. De há uns anos largos a esta parte, vive-se um período de completa inflação. Este ano na aplicação literária tivemos 27 medalhas de ouro e 100 medalhas de prata. Na aplicação militar e física o panorama foi semelhante, tivemos 21 medalhas de ouro e 118 medalhas de prata. Em suma, tivemos para cima de 250 medalhas, num Batalhão com cerca de 520 Alunos. Se pensarmos que já houve pais de Alunos mais fracos a sugerirem que houvesse medalhas de cobre, imagine-se o ridículo que seria se a sua sugestão absurda tivesse sido atendida. Dantes os Alunos eram chamados ao palco individualmente, para receberem as suas medalhas das mãos do Presidente da República. Cada um tinha o seu momento de glória. «Ir às medalhas» era um caso muito sério. Agora, com a inflação que persiste em não acabar, os Alunos sobem ao palco em «levas» de nove Alunos cada e recebem as
suas medalhas dos nove elementos que compõem a mesa de honra. “Industrializou-se” o processo. Esperamos sinceramente que sejam tomadas, com urgência, medidas no sentido de devolver o seu valor às medalhas, de forma a voltarem a ser distribuídas com a parcimónia devida. Dado o número de Alunos medalhados e apesar da «industrialização» do processo, a cerimónia da distribuição dos prémios e medalhas tornou-se fastidiosa, pela sua duração excessiva. Do que observei durante a cerimónia, não posso deixar de fazer alguns comentários. Houve um senhor, cuja identidade desconheço, que foi entregar um prémio vestindo uma camisa tipo polo, de manga curta, e usando calçado de ténis, vestimenta totalmente inapropriada para uma cerimónia em que os Alunos se apresentam em farda de gala e reveladora de falta de consideração pelo Colégio. Dos Antigos Alunos medalhados, só um se apresentou de casaco e gravata, como a ocasião impunha. Felizmente não se
Tirando estas dúvidas, este último acto da cerimónia merece-me duas observações pela positiva. A primeira devida ao facto de os Antigos Alunos e Alunas se terem apresentado todos convenientemente vestidos. A segunda devido ao facto de a entrega das cartas de curso ser agora um acto público. No meu tempo, concluíamos o curso e decorrido algum tempo passávamos pela secretaria, onde nos entregavam a carta de curso sem qualquer formalidade, num acto sem qualquer «sabor». No final do programa da Abertura Solene que foi distribuído dizia-se «Tudo fizemos para que esta cerimónia tivesse a dignidade e o brilho que a história deste secular Colégio impõe». Acho que o objectivo almejado foi atingido. O Colégio está de parabéns, mas a “inflação” das medalhas tem de acabar, para lhes restituir o seu valor.
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115º Aniversário da AAACM
Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
115º Aniversário da AACM Homenagem aos elementos da Velha Guarda Por decisão tomada em Assembleia Geral da nossa Associação, nos anos noventa do século passado, foi instituído o Dia da AAACM, a ser celebrado em 23 de Outubro de cada ano. A razão da escolha desta data, ficou a dever-se ao facto de ter sido nesse dia que, em 1903, foram legalizados os estatutos da Associação Philantrópica dos Alunos do Real Collégio Militar, antecessora natural da actual Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar. O Dia da AAACM, a que já de há alguns anos a esta parte se associa a Homenagem à Velha Guarda (Antigos Alunos maiores de 70 anos), foi celebrado mais uma vez este ano a 23 de Outubro, tendo-se celebrado, em simultâneo, os 80 anos de ingresso no Colégio do Curso que demandou a Luz em 1938. A Velha Guarda começou a concentrar-se nos claustros e no átrio de entrada no Colégio, onde se foi procedendo ao pagamento da «taxa» de inscrição. Longe vão os tempos, em que o Colégio se podia per-
Homenagem da Velha Guarda ao Marechal Teixeira Rebelo. ©Fotos Leonel Tomaz
115º Aniversário da AAACM
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obra «Convento e Hospital de Nª Srª da Luz da Ordem de Cristo», obra esta que foi apoiada pela nossa Associação. O Nuno Vilares Cepeda (310/1941) lembrou, por fim, que o restauro que nos seus tempos se fez da capela do Colégio foi feito com a intervenção de um professor do Colégio, o então Major Lacerda, pai de um Antigo Aluno do meu tempo no Colégio.
Os “ratas” de 1938. ©Fotos Leonel Tomaz
mitir convidar os Antigos Alunos para este tipo de eventos, sem ter de cobrar um tostão. Agora, no «reino da austeridade» em que vivemos, tais generosidades deixaram de ser possíveis. Os eventos do dia começaram no próprio átrio de entrada, em que o responsável pelo pelouro cultural da Associação, Francisco Eduardo Moreira da Silva Alves (392/1954), lembrou que o edifício princi-
pal do Colégio, o Hospital de Nossa Senhora dos Prazeres, perfez este ano 400 anos e prestou algumas informações relativas ao edifício. Pegando-lhe na palavra, o João Paulo de Castro e Silva Bessa (200/1957) sublinhou o facto de o edifício do Colégio, a Igreja da Luz e o edifício da Formação (antigo Convento) formarem um conjunto planeado como um todo, facto este que foi comprovado pelos estudos realizados pela Arquitecta Marta Ataíde, autora da
Do átrio do Colégio dirigiram-se os presentes ao anfiteatro, local este ano escolhido, para que todos os presentes pudessem acompanhar os eventos seguintes comodamente sentados. No anfiteatro, o Director do Colégio, Coronel António Emídio da Silva Salgueiro (461/1962), fez uma apresentação detalhada do que é o Colégio do presente, tendo-se seguido um período de perguntas e respostas sobre as questões por si expostas. Procedeu-se de seguida à investidura de dois novos sócios honorários da nossa Associação, o Tenente General João Nuno Jorge Vaz Antunes e o antigo Vigilante Principal do Colégio, José Maria Xavier, ambos agraciados já do antecedente com Prémios Barretina. A barretina de lapela foi imposta ao Tenente General Vaz Antunes pelo Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação, Raúl Miguel Socorro Folques (380/1952). Ao nosso Xavier não foi preciso impor-lhe a barretina, pois ele já ostentava orgulhosamente uma na sua lapela, oferecida do antecedente, em gesto de grande amizade, pelo Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958), ausente no estrangeiro, mas que o Xavier ali recordou, também com grande amizade. No final, ambos os agraciados agradeceram a distinção de que foram objecto por parte da Associação. À saída do anfiteatro os membros da Velha Guarda, que assim o quiseram, assinaram o Livro de Honra do Colégio. Terminada a sessão no anfiteatro, todos os presentes voltaram ao átrio de entrada do Colégio para aí se proceder à deposição
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não eram os mais antigos presentes. Os mais antigos eram Agostinho de Sousa Coutinho (15/1934) e João Sequeira Marcelino (458/1934), rijos e firmes nos seus gloriosos 94 anos. Dos Claustros todos seguiram para a Enferma, para a clássica fotografia de grupo com os sucessores, tendo-se procedido, durante o trajecto, ao acender da Chama Colegial, junto ao monumento aos 175 anos do Colégio Militar, no topo Leste da parada Marechal Teixeira Rebelo.
Sócio Honorário, Vigilante José Maria Xavier. ©Fotos Leonel Tomaz
de uma coroa de flores junto ao busto do Marechal Fundador. Este acto foi protagonizado pelo Director do Colégio, acompanhado pelos Presidente da Mesa da Assembleia Geral e Presidente do Conselho Supremo da nossa Associação. Do átrio passámos aos Claustros, para procedermos ao descerramento de uma lápide comemorativa dos 80 anos de entrada para o Colégio do curso de 1938, do qual só puderam comparecer dois elementos, José Joaquim Fragoso (26/1938) e Luis Eduardo Almeida Soares de Oliveira (137/1939). No descerramento da lápide participaram o Comandante de Batalhão e a Batalhãosinho (este ano uma menina). Descerrada a lápide, o 26 fez um breve improviso, em que lembrou os tempos difíceis que o seu curso viveu no Colégio, entre 1938 e 1945, primeiro com a Guerra de Espanha e de seguida com a 2ª Guerra Mundial, em que o racionamento atingiu o Colégio, o que deu origem a um assalto à dispensa, que ali recordou. É de sublinhar que os componentes do curso de 1938
Da Enferma dirigimo-nos à parada Serpa Pinto (parada do edifício do internato), onde assistimos ao desfile do Batalhão. O desfile correu bem, com os Alunos/as a mostrar à Velha Guarda que não querem desmerecer daqueles que os antecederam no Colégio. A forma de marchar é um bocado diferente, da forma como se marchava no nosso tempo. Agora bate-se muito com as solas das botas no chão, para melhor marcar a cadência. No nosso tempo a marcha era mais em «souplesse», sendo a cadência marcada pelo bater dos calcanhares no chão. Por outro lado, há muitos Alunos a marcharem contraídos, com os braços a movimentarem-se apenas para a frente, entre o plano do seu tronco e a altura do ombro, sendo que a marcha correcta é com os braços a ultrapassarem para trás o plano do tronco, quando completam o seu movimento descendente. É isso que é um movimento natural, não tornando a marcha num exercício fatigante. Terminado o desfile, seguimos para o refeitório, onde nos esperava uma surpresa. Devido à falta de pessoal, deixou de haver empregados/as a colocar as travessa nas mesas e a retirar os pratos depois de utilizados. Foi agora montado um sistema de self-service, que ainda deve estar em período experimental. Felizmente este novo sistema não foi extensível à Velha Guarda, que sentada em mesas para si reservadas foi servida da forma tradicional. Antes do início da refeição o Batalhão saudou a Ve-
lha Guarda com um vibrante Zacatraz, ao que a Velha Guarda respondeu de imediato, com um Zacatraz não menos vibrante. A refeição da Velha Guarda foi diferente da do Batalhão, consistindo no clássico «amarelo», com arroz doce à sobremesa e com o também clássico cálice de vinho do Porto no final. Concluída a refeição, dirigimo-nos de novo à parada Marechal Teixeira Rebelo, onde se procedeu ao apagar da Chama Colegial.
Sócio Honorário, General Vaz Antunes. ©Fotos Leonel Tomaz
Ao centro. Presidente cessante da Associação de Pais e Encarregados de Educação. ©Fotos Leonel Tomaz
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Homenagem à Velha Guarda 23 de Outubro de 2018
A Velha Guarda com os seus sucessores. ©Fotos Leonel Tomaz
D.Agostinho de Sousa Coutinho (15/1934), João Sequeira Marcelino (458/1934), José Joaquim Fragoso (26/1938), Carlos Frederico Dias Antunes (212/1939), António de Morais Sarmento dos Santos Lucas e Costa Brotas (30/1940), Nuno Vilares Cepeda (310/1941), Carlos Fernando Valente Ascensão Campos (12/1942), José Villa de Freitas (94/1942), Pedro Júlio Pezarat Correia (10/1943), Rui Ernesto Freire Lobo da Costa (160/1943), José Manuel Abranches de Sousa (209/1945), Manuel Luis Sena e Silva (209/1945), José Alberto Lopes Carvalheira (301/1946), Francisco Manuel Alcântara Mota Ferreira (307/1947), José Baptista Pereira (318/1947), Ruy Eduardo Anselmo de Oliveira Soares (332/1947), Luis José Passanha Braancamp Sobral (34/1948), António Rui Prazeres de Castilho (147/1948), António Hélder Monteiro da Sena e Silva (149/1948), João Augusto Oliveira de Ayala Botto (254/1948), Abílio de Matos e Noronha Pais Ramos (323/1948), Alfredo da Piedade Sério Lopes Rego (224/1949), Manuel Pedro Gonçalves Pulg Dória (363/1949), José do
Carmo Medeiros de Almeida (86/1950), Morris Artur de Almeida Lewes (160/1950), José Henrique Rola Pata (191/1951), José Eduardo Fernandes de Sanches Osório (210/1951), José Mário Fidalgo dos Santos (253/1951), Carlos Manuel Querido Batista (303/1951), João Manuel Monteiro Stichaner Lacasta (125/1952), Manuel Nuno da Costa Estorninho (207/1953), José Manuel Castanho Paes (228/1952), Raúl Miguel Socorro Folques (380/1952), António João Martins de Abreu (85/1953), Bernardo Manuel Diniz de Ayala (171/1953), António Manuel Latino Tavares (100/1954), Pedro Manuel de Almeida Serradas Duarte (192/1954), Francisco Eduardo Moreira da Silva Alves (392/1954), José Pina Cabral Trindade (101/1955), Sebastião Pinto Mendonça Garçia (111/1955), Victor Manuel de Freitas de Sousa Pereira (170/1955), Carlos Manuel de Sousa Baptista (211/1955), Pedro José Manuel Pereira de Bacelar Carrelhas (338/1955), Francisco Xavier Godinho de Abreu Novais (406/1955), Manuel Agostinho de Castro Freire de Menezes (423/1955), An-
tónio Filipe Nunes Salvador Tribolet (61/1956), António dos Santos Castro (63/1956), Rui Manuel Campos de Almeida Mota (2/1957), José António Pina de Bastos e Silva (67/1957), Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957), José António Saturnino Balula Cid (152/1957), Joaquim Inácio Passanha Braamcamp Sobral (160/1957), Duarte Manuel Silva da Costa Freitas (199/1957), João Paulo de Castro e Silva Bessa (200/1957), Arnaldo José Lima dos Reis Maya (242/1957), José Manuel Esteves Carvalho (368/1957), José Fernando Décoppét Coelho (379/1957), Augusto António Manuel da Silva Gomes (104/1958), João do Passo Vicente Ribeiro (153/1958), Alberto Nuno Lara Ponces de Carvalho (162/1958), José Manuel da Costa de Souza Medeiros (442/1958), Manuel José Marcelly Coelho de Carvalho (443/1958), Pedro João Reis Matos Silva (449/1955), Jorge Emanuel Soares Coelho Pote (464/1958), Carlos Manuel Pires Nobre Biscaya (469/1958).
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O armísticio de 11 de Novembro de 1918
Nuno António Bravo Mira Vaz 277/1950
O Armistício de 11 de Novembro de 1918 No início da guerra, as forças em confronto eram a Tríplice Aliança (Alemanha, Áustria-Hungria e Itália) e a Tríplice Entente (Grã-Bretanha, França e Rússia). No decurso do conflito, outras configurações e designativos foram adoptados. A Tríplice Aliança, depois de incorporar a Turquia e a Bulgária, ficou conhecida como Impérios Centrais. A Tríplice Entente, a que se juntaram Sérvia, Bélgica, Japão, Itália (vinda da Tríplice Aliança), Roménia, EUA, Brasil e Portugal, ficou conhecida como Aliados.
Chama-se-lhe I Grande Guerra ou I Guerra Mundial mas foi, no essencial, uma grande guerra europeia, na qual podem distinguir-se três fases: “(…) 1914 é a fase da manobra (fogo e movimento), cabendo a iniciativa à Alemanha; a segunda fase decorre entre 1915 e 1918, o fogo sobrepõe-se ao movimento e a guerra é estática, com ambos os beligerantes à procura da rutura das posições inimigas; na terceira fase, a partir de março de 1918, de novo a manobra, num primeiro momento por iniciativa alemã e depois por parte dos Aliados (…).”1 As trincheiras e o cortejo de horrores que caracterizaram a 2.ª fase são as imagens que ficaram para a posteridade. No decurso des-
ses anos, três grandes operações (Verdun – ao longo de 1916, de iniciativa germânica; Somme, de Julho a Novembro de 1916 – ataque combinado anglo-francês; e Paschendale – terceira batalha de Ypres, desencadeada por forças da Commonwealth, entre Junho e Novembro de 1917, redundaram em morticínios sem qualquer vantagem estratégica ou táctica e com baixas superiores a dois milhões de soldados de ambos os lados. Em Fevereiro de 1918, quando a guerra entrava no quinto ano, as forças militares americanas começaram a desembarcar em França e a relação de forças sofreu profunda alteração. Em Março, o Governo bolchevique da Rússia assinou com a Alema-
nha, em Brest-Litovsk, um tratado de paz. Em breve “(…) os exércitos francês, britânico, belga e americano reconquistam a bolsa de Aisne-Marne, depois derrotam as desgastadas e desmoralizadas divisões inimigas em Amiens, obrigando a uma retirada para a linha Hindenburg para, finalmente, atacar de forma conclusiva na Flandres, entre Cambrai e Reims e na região do Mosa-Aragone (…)”2. A Bulgária capitulou em Setembro e a Turquia em Outubro. O Império Austro-Húngaro desintegrou-se no dia 3 de Novembro e logo a Áustria e a Hungria assinaram acordos separados de cessar-fogo, deixando a Alemanha – um país cujas tropas se encontravam próximas da exaustão, mas onde a situação política interna, caracterizada por forte agitação social, não era mais animadora – sozinha na luta contra as potências aliadas. No dia 7, o chanceler alemão, Max von Baden, enviou a Compiègne, França, uma delegação encarregada de negociar um acordo de cessar-fogo. O armistício entrou oficialmente em vigor às 11 horas – a décima primeira hora do décimo primeiro dia do décimo primeiro mês de 1918. Assinaram-no, em nome dos aliados, o marechal Foch, o general Weygand, os
LOUSADA, tenente-coronel Abílio Pires, «A transformação e lições da grande guerra», Número temático da Revista Militar, Lisboa, Maio de 2016 LOUSADA, tenente-coronel Abílio Pires, «A transformação e lições da grande guerra», Número temático da Revista Militar, Lisboa, Maio de 2016
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O armísticio de 11 de Novembro de 1918
Marechal Foch, segundo da direita, retratado no exterior da carruagem em Compiègne, com a pasta contendo o documento assinado.
almirantes britânicos Rosslyn Wemyss e G. Hope. Pelo lado alemão, assinaram o ministro de Estado Matthias Erzberger, o general Detlof von Winterfeldt do Exército, o conde Alfred von Oberndorff dos Negócios Estrangeiros e o comandante Ernst Vanselow da Marinha Imperial. O marechal Foch fez-se transportar no comboio que utilizava habitualmente como posto de comando para um discreto ramal ferroviário com duas vias paralelas. Numa delas estacionou o comboio do Comandante-Chefe aliado, com dez vagões, incluindo o vagão-restaurante 2.419 D e, na outra via, o
comboio que transportara os representantes alemães. Em 8 de Novembro, os quatro representantes alemães ouviram o general Weygand ler as exigências imediatas para o armistício: a retirada das forças alemãs para lá do Reno e a entrega de toda a frota e de numeroso armamento. Apanhados de surpresa pela dureza das exigências, retiraram-se para três dias de consultas com o seu Governo. Quando regressaram ao vagão-restaurante 2.419 D, estavam mandatados para assinar o documento. Às 5 horas da manhã do dia 11 de Novembro de 1918 era posto um fim oficial a mais de quatro anos de uma guerra rapidamente conhecida como A Grande Guerra. Mais de 70 milhões de homens em armas, dos quais 60 milhões eram europeus, tinham sido mobilizados. Destes, mais de nove milhões foram mortos, 21 milhões foram feridos com maior ou menor gravidade e as baixas civis estimavam-se em 10 milhões. Além disso, as regiões onde se haviam instalado as frentes da guerra estavam parcial ou totalmente devastadas. Nesse próprio dia, nas seis horas que mediaram entre a assinatura do documento e a sua entrada em vigor pelas 11 horas, os combates continuaram, em virtude de muitos comandantes quererem ocupar todo o território que pudessem antes que a guerra terminasse. E muita gente morreu ainda nesse intervalo.
À mesa da assinatura do documento do armísticio.
A Alemanha queixou-se posteriormente de que assinara o armistício por acreditar que ele assinalaria uma “paz sem vitória nem vitoriosos”, como havia sugerido o presidente norte-americano Woodrow Wilson em Janeiro de 1918.
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A euforia desencadeada pelo final de um conflito tão longo e tão sangrento encorajou muita gente a pensar que tinha chegado não apenas o fim daquela guerra, mas o fim definitivo das guerras. Infelizmente, não foi preciso esperar muito tempo para se perceber que aquela tinha sido, afinal, apenas a primeira de outras Grandes Guerras. É verdade que a Alemanha se rendera, mas não é menos verdade que não tinha sido vencida nos campos de batalha; e o Tratado de Versalhes de Junho de 1919 viria a impor-lhe condições tão excessivas nos planos militar e financeiro, que em breve estavam a servir de alimento aos ímpetos alemães de vingança.
uma Via da Vitória e outras obras comemorativas e, em 1927, o conjunto monumental foi completado com a construção de um museu em cujo interior ficou instalado o vagão.
O VAGÃO DO ARMISTÍCIO
Em 22 de Junho de 1940, o vagão voltou a ser utilizado para outro armistício. Na sequência da vitória alemã sobre a França, Hitler escolheu o mesmo vagão – desta vez ornado com suásticas –, para praticar um puro acto de vingança revanchista relativamente ao ocorrido em 1918. Em seguida, após mandar destruir o Museu do Armistício de 1918 nos Inválidos, fez transportar o vagão para a Alemanha, onde acabou consumido por um incêndio num bosque da Turíngia.
O vagão original, com o número 2.419 D da Société des Wagons-Lits, foi durante anos exibido em Paris, no pátio dos Inválidos. Em 11 de Novembro de 1922 foi ali inaugurada
Finda a 2.ª Grande Guerra, foi edificado nos Inválidos o actual museu, no qual foi instalado um vagão com o mesmo número de série que o original.
Pierre Sellier, o corneteiro que tocou o primeiro cessar-fogo do armistício em 1918.
O armísticio de 11 de Novembro de 1918
BREVE NOTÍCIA SOBRE A CONVENÇÃO DE ARMISTÍCIO ENTRE A ALEMANHA, A FRANÇA E O REINO UNIDO 1) Na frente ocidental: – cessação das hostilidades em terra e no ar, seis horas após a assinatura do Armistício – evacuação imediata dos países invadidos, num prazo de quinze dias – repatriamento imediato de todos os cidadãos dos países discriminados em lista anexa – abandono, pelos exércitos alemães, de material de guerra em bom estado: 5.000 canhões, 2.500 metralhadoras, 3.000 minas terrestres e 1.700 aviões de caça e bombardeiros
Vagão 2.419D da Societé des Wagons -Lits.
– evacuação dos países da margem esquerda do Reno 2) Na frente oriental: – evacuação imediata dos países invadidos, considerando-se as fronteiras de 1 de Outubro de 1914 3) Na África oriental:
Antes da Primeira Guerra em 1914, a divisão territorial da Europa mostra grandes impérios.
– evacuação imediata das forças alemãs 4) Cláusulas gerais: – especifica uma série de medidas relativas a finanças e reparação de danos, a fixar aquando do Tratado de Paz; no que respeita aos oceanos, decreta a cessação de todas as hostilidades e o abandono pela marinha alemã de todos os portos ocupados 5) A duração do Armistício é fixada em trinta e seis dias, renováveis.
Depois do fim da Primeira Guerra deu-se a, fragmentação dos impérios em estados Nações.
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Centenário do Armistício da Grande Guerra
Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
Centenário do Armistício da Grande Guerra Cerimónias em Lisboa. 4 de Novembro de 2018 Portugal participou na Primeira Guerra Mundial com cerca de 100.000 homens, nas frentes de combate de França, de Angola e de Moçambique, bem como no mar, no oceano Atlântico, tendo tido cerca de 7.500 baixas mortais e muitos homens que ficaram diminuídos para o resto das suas vidas, devido aos efeitos de ferimentos ou à acção dos gases, usados na frente da Flandres, em França. Por todo o Portugal se sentiram e choraram essas perdas. Por todo o Portugal se honraram as memórias dos caídos, erguendo-se em vilas e cidades monumentos de homenagem aos mesmos. Foram numerosos os Antigos Alunos do Colégio que lutaram nas várias frentes da Primeira Grande Guerra. Foram muitos os que se distinguiram em combate pela sua valentia, alguns deles com o sacrifício da própria vida. Sempre que oportuno, enaltecemos esses nossos heróis. O Colégio não os esquece e guarda os seus nomes gravados na pedra, no átrio de entrada do edifício principal, onde se perpetua também a memória dos caídos noutras guerras, a par da memória do Marechal Fundador.
Passando o centenário do dia do armistício em 11 de Novembro de 2018, foi em boa hora decidido, ao mais alto nível, celebrar condignamente este acontecimento, organizando na Avenida da Liberdade, em Lisboa, uma parada militar, seguida de desfile das forças em parada, com uma dimensão, como já não se via há muitas décadas em Portugal. Esta intenção foi claramente expressa pelo Estado Maior General das Forças Armadas, a entidade organizadora das cerimónias, no programa da cerimónia, que passamos a citar, «as Forças Armadas, evocando o centenário do Armistício, prestam homenagem aos Portugueses que combateram nos campos de batalha de África e da Europa, sendo que, sobre todos eles se agiganta a memória dos que deram a vida por Portugal». As forças em parada, que, naquela manhã amena de 4 de Novembro, se estendiam ao longo da Avenida da Liberdade, incluíam cerca de 4.500 homens e mulheres dos três Ramos das Forças Armadas, da Guarda Nacional Republicana e da Polícia de Segurança Pública. Incluíam ainda representantes de
Estandarte Nacional do Colégio Militar em parada. ©Fotos Leonel Tomaz
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Escolta a Cavalo do Colégio Militar, desfilando a galope. ©Fotos Leonel Tomaz
Forças Armadas estrangeiras, nomeadamente da Inglaterra, França, Estados Unidos da América e Alemanha. As cerimónias iniciaram-se às 11H00 precisas, com a chegada do Presidente da República, que recebeu as honras militares da ordenança e passou revista às forças em parada. Seguiu-se a homenagem aos militares mortos em campanha, em particular aos caídos durante a Grande Guerra. Foi deposta uma coroa de flores na base do monumento aos combatentes da Grande Guerra, acompanhada, como é tradicional, pelo toque de silêncio, seguido do toque de homenagem aos mortos e terminando com o toque de alvorada. No decurso desta homenagem, a Avenida foi sobrevoada por um conjunto de caças F-16, da Base Aérea de Monte Real. Concluída esta fase das cerimónias, o Senhor Presidente da República, leu uma alocução às forças em parada e ao público em geral. Seguidamente, o Senhor Presidente da República procedeu à condecoração dos estandartes do Estado-Maior de cada um dos Ra-
mos das Forças Armadas, com as insígnias da Ordem da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito, como preito ao seu comportamento na Grande Guerra. Concluídas as condecorações, deu-se o desfile aéreo, com o sobrevoo das forças em parada por aeronaves da Marinha e da Força Aérea, nomeadamente pelos helicópteros Lynx MK 95 e EH101, seguidos dos aviões Hércules C-130H e Casa C-295M, terminando com dois conjuntos de caças F-16M. Continuando a cumprir-se pontualmente o programa, deu-se de seguida início ao desfile das forças apeadas e a cavalo. O desfile foi aberto por um bloco de Antigos Combatentes, tendo à frente os seus guiões. Esta é uma presença que infelizmente levou muito tempo até se impor, mas que hoje não se dispensa. É o testemunho público de respeito e gratidão das Forças Armadas, àqueles que responderam «pronto», quando a Pátria os chamou. Nunca será demais o apreço que lhes possamos expressar, ao que eles decerto responderão, dizendo que a Pátria nada lhes deve.
Aos Antigos Combatentes seguiram-se os representantes das Forças Armadas estrangeiras anteriormente citadas. Distinguiu-se a representação inglesa, composta por um pelotão de «gurkas», com os seus chapéus característicos de aba larga revirada de um dos lados e impecáveis a marchar, como é timbre daquelas tropas. As tropas inglesas não sabem marchar mal. Às forças estrangeiras sucedeu-se o bloco de Estandartes Nacionais, onde lá vimos, logo na primeira fila o Estandarte Colegial, carregado de condecorações. Ia lindo de se ver, só tivemos olhos para ele. A seguir passaram o Colégio e os Pupilos, como sempre em sã competição. O Colégio confiou a sua representação à 4ª Companhia, que marchou com o garbo habitual, sob o comando do Aluno que foi capa do último número da nossa revista, que se impõe pela sua estatura e pelo seu aprumo. Estávamos orgulhosos a vê-los passar, quando fomos surpreendidos por um ZacatraZ bem sonoro, que se fez ouvir por sobre os aplausos da assistência. Era um grupo de Antigos
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O Centenário do Armistício da Grande Guerra
A 4ª Companhia desfilando na Avenida. ©Fotos Leonel Tomaz
Alunos que estava não longe de nós, que mais uma vez veio dizer aos actuais Alunos «Nunca marcharão sozinhos». Os que iam marchando bem os ouviram e viu-se que lhes veio um sorriso aos lábios. É esta a cumplicidade colegial. De seguida passou a Marinha, com o efeito sempre vistoso do azul ferrete das suas fardas, a contrastar com a brancura das capas dos seus bonés e das suas polainas e com os dourados dos seus botões e galões. A banda da Marinha vinha no final, sendo todos muito aplaudidos pela assistência, que se via que tinha prazer naquilo que lhe era dado ver. À Marinha seguiu-se o Exército, segundo a ordem de precedências da regra. À frente vinha a Academia Militar, em farda de gala, seguida pelas tropas em farda de combate, de boinas e com lenços de pescoço de cores variadas, consoante as Unidades que iam passando. A banda do Exército vinha no final e também a todos eles a assistência não regateou os seus aplausos, bem merecidos, dada a forma como marcharam.
Em terceiro lugar passou a Força Aérea, tendo à frente os cadetes da sua Academia, a que se seguiram os militares das escolas das especialidades e os militares da Polícia Aérea. Em aprumo e rigor não ficaram atrás das forças que os precederam, sendo o bloco de tropas terminado com a banda da Força Aérea. A Guarda Nacional Republicana passou de seguida, com tropa de Infantaria, de Cavalaria apeada e com tropas especiais de intervenção, com as suas fardas próprias. À Guarda sucedeu-se a Polícia de Segurança Pública. O seu bloco tinha à frente os cadetes da sua Escola Superior, seguindo-se formações dos diferentes corpos de polícia, incluindo das unidades especiais de intervenção, com o pessoal embuçado. Tanto a Guarda como a Polícia receberam também fartos aplausos da assistência. Houve então uma pequena pausa, preparatória daquilo que a multidão mais aprecia, a passagem das tropas especiais. A vozearia da assistência diminuiu, até que se começou a ouvir o ruído ritmado produzido pela
primeira tropa que se aproximava. Eram os Fuzileiros, em passo de corrida, marcando o ritmo da corrida com fortes pancadas das botas no chão e entoando os seus «gritos de guerra». É sempre um espectáculo de sucesso garantido. Aos Fuzileiros sucederam-se os Comandos, soltando espaçadamente o seu grito «Mama Sume». Seguiam-se os Páras, entoando o seu canto «Oh Pátria Mãe», sendo o desfile das tropas especiais encerrado com a passagem dos Rangers, vindos de Lamego, que passaram em silêncio, mas que têm também de adoptar um canto próprio, para não ficarem atrás dos camaradas das outras forças especiais. Seguiu-se talvez o ponto mais vistoso de todo o desfile, a passagem da Cavalaria a cavalo. Esta parte começou de forma calma, com a passagem da «Reprise» de Mafra, cuja vocação não é propriamente a de desfiles militares. A seguir, o entusiasmo da assistência subiu em flecha, ao ver aproximar-se a Escolta Colegial, a galope, em perfeita formação. Os Antigos Alunos já conhecem bem este espectáculo, dos desfiles do 3 de Março, mas
O Centenário do Armistício da Grande Guerra
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O desfile durou cerca de uma hora, mas ninguém arredou pé. Valeu a pena assistir. Foi uma jornada memorável. Quer os militares que tomaram parte no desfile, quer os que a ele assistiram, saíram dali com a alma lavada. Depois de meses e meses a termos de suportar o enxovalho permanente resultante da tragicomédia de Tancos, cujos responsáveis se devem isolar e culpar sem contemplações, respirou-se naquela manhã uma lufada de ar despoluído e estimulante. O Presidente da República, ao distinguir as Forças Armadas da forma que o fez, demonstrou que é o seu digno comandante supremo. Que tenha sido este um virar de página, de restituição às Forças Armadas do prestígio que merecem, para continuarem a cumprir as suas missões, apesar das fortíssimas restrições e entraves que lhes continuam a ser impostas.
A 4ª Companhia em parada. ©Fotos Leonel Tomaz
para o público em geral foi uma novidade surpreendente. Foi lindo de se ver, quer a Escolta, quer o entusiasmo do público. Passou de seguida a Guarda Republicana, também a cavalo, levando à frente a sua charanga de tambores e clarins a tocar, também a galope, facto que tanto quanto sabemos é único no mundo. À passagem da Cavalaria a cavalo, sucedeu-se a parte final do desfile, com a passagem das forças motorizadas, pela seguinte ordem:
PSP, GNR, Força Aérea, Marinha e Exército. Notámos que alguns dos que comandavam as várias viaturas, ao passarem em frente à tribuna onde ficaram os Antigos Combatentes com os seus guiões, espontaneamente os saudavam, fazendo-lhes a continência. Ninguém decerto os instruiu nesse sentido, mas eles lá sabiam porque o faziam. Os Antigos Combatentes não ficaram indiferentes e retribuíam-lhe com aplausos. Foi um final do tipo «pôr a cereja cristalizada no topo do bolo coberto com chantilly».
A Artilharia no Marquês de Pombal. ©Fotos Leonel Tomaz
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O Funeral de Sidónio
Nuno António Bravo Mira Vaz 277/1950
O Funeral de Sidónio N
a madrugada de 8 de Dezembro de 1917, a Junta Revolucionária presidida por Sidónio Pais tomou o poder e destituiu o Presidente da República, Bernardino Machado. Em 11 de Dezembro, Sidónio Pais tomou posse como presidente do Ministério e, a 27, assumiu as funções de Presidente da República. Embora contasse de início com a cumplicidade ou com a expectativa
benevolente de vários sectores sociais, a situação social foi-se degradando no decurso de 1918, em boa parte porque o novo Governo não conseguiu dar satisfação às críticas que não deixavam de se avolumar relativamente à participação portuguesa na Guerra, dramaticamente avivadas pelos combates de 9 de Abril de 1918 em La Lys. Greves, pronunciamentos e assaltos a
estabelecimentos comerciais sucediam-se a ritmo alucinante. Por fim, é o próprio Presidente o alvo da violência: a 5 de Dezembro de 1918, durante a cerimónia da condecoração dos sobreviventes do navio de guerra Augusto de Castilho1, sofreu um atentado, do qual escapou ileso. No dia 14, na Estação do Rossio, foi assassinado com dois tiros de pistola – um dos quais, no estôma-
O Combate do Augusto de Castilho. Em Outubro de 1918, estando o Augusto Castilho fundeado ao largo do Funchal, o comandante, primeiro-tenente Carvalho Araújo, recebeu a missão de escoltar o vapor N/T S. Miguel, da Empresa Insulana de Navegação, até Ponta Delgada, nos Açores, com 206 passageiros a bordo.
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Tendo zarpado ao pôr do sol do dia 13 de outubro, pelas 06h15 do dia 14 a primeira granada disparada pelo U-Boat alemão U-139 explodiu perto do navio de guerra português, o qual, para permitir ao vapor que se distancie do local, avançou diretamente sobre o submarino alemão. “(…) Após duas horas de combate, com vítimas fatais no convés, a artilharia danificada, a munição quase esgotada e tendo perdido a telegrafia e as máquinas, o navio imóvel, rendeu-se. Um último tiro do submarino, entretanto, vitimou fatalmente o comandante Carvalho Araújo. Dada a ordem de abandonar o navio pelo imediato, o guarda-marinha Armando Ferraz, os sobreviventes conseguiram lançar ao mar um salva-vidas onde se comprimiram trinta e seis homens. Doze outros sobreviventes, em uma jangada improvisada, conseguiram autorização dos alemães para retornar a bordo e pegar um bote. O caça-minas foi então afundado pelos alemães, com o corpo do comandante coberto pela bandeira de Portugal e os dos demais auxiliares mortos em combate. O salva-vidas conseguiu atingir, em quarenta e oito horas, a ilha de Santa Maria, com trinta e cinco sobreviventes: um dos feridos não resistiu, tendo o seu corpo sido lançado ao mar. O bote com os demais náufragos alcançou a ponta do Arnel, na ilha de São Miguel, a 20 de outubro. Em 1920 foi publicado o relatório do comandante alemão, onde se tecem largos elogios à coragem de Carvalho Araújo, facto que, aparentemente, permitiu ao Parlamento Português conceder à viúva significativa pensão (…)”. (in Wikipedia).
O Funeral de Sidónio
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O funeral de Sidónio Pais.
go, viria a revelar-se fatal – disparados por José Júlio da Costa2, ex-sargento do Exército e militante republicano. O funeral do Presidente assassinado, que os seus correligionários quiseram transformar numa homenagem póstuma, acabou por constituir um acontecimento tumultuário, pontuado por desacatos, correrias e tiros em diversos locais. Fazia parte das forças em parada um Destacamento de alunos do Colégio Militar, cujo comportamento foi destacado em numerosos comentários. Zacatraz recorda aqui dois deles:
– POR JOSÉ BRANDÃO IN BLOGUE «A VIAGEM DOS ARGONAUTAS»:
“(…) Ao passar pela Rua Augusta, o cortejo, que seguia pela Baixa e pelo Chiado em direcção a Belém, transforma-se num verdadeiro pandemónio, quando alguns tiros começam a ser ouvidos, vindos não se sabe bem de onde, e os soldados dão em disparar as armas à doida. Para uns, tal tumulto ficou a dever-se aos gritos de um cidadão que se viu roubado da carteira e à pressa com que um polícia disparou a sua pistola para deter a fuga do ladrão. Para outros, foram as bombas lançadas do telhado do prédio n.º 124 da Rua Augusta, ou das janelas do Hotel Duas Nações, a causa da inferneira que deixa por terra mais
sete mortos e dezenas de feridos. O pânico foi praticamente geral. A custo se consegue evitar que o caixão de Sidónio Pais tombe na calçada. Um grupo de crianças, alunos do Colégio Militar, que faziam guarda de honra junto do armão, são dos poucos que nesta confusão conseguem manter a serenidade e continuar nos seus lugares. Na segunda fila desta guarda de honra encontrava-se um jovem aluno de 12 anos chamado Humberto Delgado. Depois de tudo normalizado, o cortejo volta ao seu andamento. É, na realidade, um funeral espectacular. Há bandas e orquestras por todos os cantos a tocar numa última homenagem a Sidónio Pais (…).”3
2 No Rossio foi espancado e posteriormente levado para a Escola de Guerra, onde os militares voltaram a espancá-lo de maneira selvagem. Daqui foi transferido para a Penitenciária de Lisboa e, mais tarde, para o Hospital psiquiátrico Miguel Bombarda, em Lisboa, onde morreu a 16 de Março de 1946, com 52 anos de idade. 3
José Brandão, in Blogue «A viagem dos argonautas»
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O Funeral de Sidónio
“Colégio Militar,
firme! – POR DR. OLIVEIRA SAN BENTO IN CORREIO DOS AÇORES.
P
ois os Meninos da Luz - os do Colégio Militar - são uma das mais características casas de educação e ensino da mui garrida e muito atraente Lisboa. Não sei se não será ele - o Colégio Militar - o caso português mais típico do que de salutar e construtivo pode a segura orientação, obedecendo sempre a um carácter escolhido e determinado de preparação da mocidade. Em poucas palavras julgo o provarei, escolhendo só um facto do meu conhecimento pessoal. Frequentava eu a Escola de Guerra (hoje Academia Militar), quando assassinaram o Presidente Sidónio Pais. O que foi o luto da Nação e a manifestação de profundíssimo pesar dela, ante o atentado que prostrara o malogrado Presidente, podia expressá-lo o importantíssimo cortejo fúnebre. Este, começando na Câmara, saía o ataúde, a vanguarda des-
se cortejo já se encontrava em Santos. É que em Santos, onde postara a Escola de Guerra, víamos já passar os que regressavam dos Jerónimos, antes das salvas de artilharia assinalarem a saída do féretro da Câmara Municipal. Mas... e o Colégio Militar, em que lugar aguardava a passagem do corpo de Sidónio Pais? Junto e em frente do Teatro Nacional, se a memória não me falha. As forças do mal, a minoria criminosa mais activa das alfurjas, não se achava ainda satisfeita, porém, com o seu hediondo atentado e tratou de perturbar a imponência enorme, a majestade de altíssimo significado daquela manifestação colectiva, verdadeiramente nacional, à memória de um Homem! E assim ousaram atirar, furtiva e fugidiamente - como mais tarde se confirmou - uma bomba ou duas, que deflagraram à passagem na Baixa, do infindo e eloquentíssimo cortejo. Houve perturbação popular que alastrou aos contingentes militares, mais próximos
do deflagrar do maquinismo explosivo. O Colégio Militar, porém, desde o mais pequenino dos seus alunos até ao comandante (um dos mais velhos) é que não arredou pé, apesar do petardo ou petardos haverem explodido perto de si. E a voz do comandante-aluno foi esta, que ainda hoje me soa aos ouvidos, por dita tão solene e corajosamente a rapazes e até crianças, em momento tão grave: Colégio Militar, firme! E ficaram firmes, os Meninos da Luz, sem se moverem, em postura impecavelmente militar..., enquanto a multidão se perturbava num pânico geral...”
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A Barretina do Colégio Militar
Pedro Soares Branco1
A Barretina do Colégio Militar M
ais do que um simples artigo do uniforme, a barretina constitui um verdadeiro símbolo do Colégio Militar. No entanto o conhecimento da sua história é ensombrado pelo facto de quase nenhum dos exemplares mais antigos ter sobrevivido, o que leva à necessidade de deduzir aquilo que em circunstâncias mais felizes bastaria observar. A documentação sobre
este assunto é igualmente difícil de obter, embora a publicação, em 2003, da “História do Colégio Militar”, tenha iluminado alguns aspectos mais obscuros. Apesar de muitas coberturas de cabeça tenham sido usadas desde a fundação do Colégio Militar, a actual barretina deriva muito provavelmente dos modelos usados a partir de 1866.
Com efeito, é nessa altura que pela primeira vez se reúnem os três elementos que ainda hoje caracterizam a barretina: as iniciais do colégio em letras góticas, a copa de pano da cor da farda (já com vivos, embora não encarnados como actualmente) e o penacho em lã de cor verde. A evolução da barretina desde 1866 até ao presente é apresentada no quadro 1.
Modelo
Copa
Vivos
Iniciais
Coroa
Laço
Penacho
1866
Pano
Verdes
R.C.M.
Real
Azul e Branco
Lã verde
Feltro (?)
-
R.C.M.
Real
Azul e Branco
Penas encarnadas e verdes
1871
Feltro
-
R.C.M.
Real
Azul e Branco
Lã (?) Verde
1872
Pano
Encarnados
R.C.M.
Real
Azul e Branco
Lã Verde
1910
Pano
Encarnados
C.M.
-
-
Lã Verde
1912
Pano
Encarnados
C.M.
-
Encarnado e verde
Lã Verde
1949
Pano
Encarnados
C.M.
Mural
Encarnado e verde
Lã Verde
QUADRO 1: Principais características das barretinas do Colégio Militar, desde 1866 à actualidade. Alguns dos modelos referidos nunca foram regulamentados como tal, embora tenham existido na prática. Nos modelos de 1872, 1912 e 1949, a versão original diferiu das versões usadas subsequentemente. Médico. Responsável pela Especialidade de Medicina Física e de Reabilitação do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central. Professor Auxiliar Convidado da NOVA Medical School. Estudioso de uniformologia, a quem agradecemos a sua colaboração.
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A Barretina do Colégio Militar
mais antigos teriam guarnições metálicas douradas a fogo (processo só abandonado em meados da década de 80 do século XIX) e penacho de lã aparada. O laço nacional seria “em relevo de seda” ou talvez, inicialmente, em retrós, do modelo adoptado para o Exército em 1868.
A barretina aprovada por portaria de 5 de Setembro de 1866 do Ministério da Guerra, veio substituir o barrete usado a partir de 1861 (figura 1). Esta barretina era de pano cor de pinhão, avivada de verde e muito possivelmente dotada de penacho de lã da mesma cor, que embora não seja mencionado na referida portaria, havia sido preconizado no ofício que a originou, dirigido pelo Director do Colégio, General Augusto Xavier Palmeirim, ao Ministro da Guerra. Desta barretina não se conhece qualquer exemplar ou registo fotográfico. A barretina de 1870, que veio substituir a de 1866, foi adoptada sob influência do Coronel (então Major) António José da Cunha Salgado. Inspirada nas barretinas adoptadas para o Exército em 1868 (figura 2), era provavelmente confeccionada em feltro, sendo a sua característica mais peculiar o penacho de penas encarnadas e verdes, a lembrar o modelo adoptado para as barretinas do Asilo dos filhos dos soldados em 1863. Desta barretina conhece-se uma única fotografia (figura 3), reproduzida na “História do Colégio Militar” (volume II, página 120). O penacho desta barretina foi modificado no início do ano lectivo de 1871/1872, passando a ser de cor verde. Não é possível afirmar se foram mantidas as penas ou readoptada a lã para a sua confecção, mas esta última hipótese parece francamente mais provável. Pouco tempo depois, na Ordem do Colégio nº 12, de 12 de Janeiro de 1872, é referida uma nova barretina, “de pano igual ao da farda, tampo liso, avivada de encarnado, laço de seda azul e branco seguro com botão dourado, coroa colocada entre o laço e as letras RCM”, com “penacho de lã verde”. Este modelo de barretina, usado até à implantação da república, sofreu seguramente modificações ao longo dos anos. Os exemplares
Figura 1.
Figura 2.
Figura 3.
Do modelo de 1872 conhece-se um único exemplar (figura 4). Neste, uma versão tardia, as aplicações metálicas já são douradas por electrólise e o laço “em relevo de seda azul e branca” é formado por duas pequenas calotes metálicas revestidas de seda, sobrepostas e fixadas por um botão metálico. O penacho é ainda de lã aparada, embora nos últimos anos da monarquia (talvez por influência dos penachos adoptados para o Exército em 1892), passasse a ser de lã não aparada. A implantação da república levou à proibição, por decreto de 8 de Outubro de 1910, do uso da coroa real nos artigos de uniforme. Tal facto levou à modificação das barretinas em uso, que foram despojadas do laço nacional azul e branco, da coroa real e da letra “R” que integrava as iniciais do Real Colégio Militar. Por uma questão estética, a letra “C” foi passada para o lugar anteriormente ocupado pela letra “R”, deixando livre (e perfurado) o espaço central. Por decreto de 11 de Setembro de 1912 foi adoptada uma nova barretina (figura 5), cujas diferenças mais notórias consistiam precisamente na ausência da coroa real e da letra “R”. O laço nacional passou naturalmente a ser encarnado e verde, as novas cores nacionais, mas manteve o seu característico fabrico “em relevo de seda”. Esta versão original do modelo de 1912 teve provavelmente uma existência fugaz, uma vez que o laço nacional “em relevo de seda” parece ter sido rapidamente substituído pelo laço nacional em retrós encarnado e verde de modelo semelhante ao adoptado para o Exército por decreto de 23 de Agosto de 1913.
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A Barretina do Colégio Militar
Figura 4. Barretina, modelo 1872.
Figura 5. Barretina, modelo 1912.
Figura 6. Barretina, modelo 1949.
Figura 7. Barretina, modelo 1949.
Figura 8. Barretinas, modelos de 1872 e 1949.
Embora seja tentador afirmar que o modelo de 1912 se encontra em uso ainda hoje isso não corresponderia à verdade. Com efeito, mesmo ignorando a pequena alteração do laço nacional, a barretina do Colégio Militar transformou-se radicalmente pela adopção da coroa mural. Este símbolo heráldico, inspirado na coroa atribuída ao primeiro legionário romano a pisar uma muralha inimiga, foi curiosamente adoptado por alturas da “conquista” de Madrid pelo batalhão colegial, em Junho de 1949. A esta “nova” barretina bem poderia corresponder a designação, nunca oficializada, de “modelo de 1949”. O modelo adoptado em 1949 (figura 6) é aquele que de facto perdura até hoje; no entanto, foi sofrendo diversas modificações ao longo dos anos, entre as quais a substituição do couro por materiais sintéticos. O processo de confecção da pala foi também modificado; talvez mesmo antes de 1949, esta deixou de ser cortada numa só peça de couro, passando a ser menos espessa, dotada de uma virola de remate e adquirindo por vezes uma certa tendência para revirar para cima. Infelizmente, a forma da barretina encontra-se, hoje em dia, completamente adulterada (figura 7 e quadro 2). Para além desta adulteração, ocorreu uma drástica alteração na cor do penacho que, para além de mal confeccionado, é hoje duma tonalidade de verde muito mais escura do que o tradicional “verde-salsa” (figura 8). Mais grave e particularmente incompreensível é o abandono dos botões “lisos”. No Exército, que sempre teve botões com distintivos das armas e serviços, estes foram abandonados. No Colégio Militar, que sempre teve botões sem distintivos, estes foram adoptados. Em ambos os casos impõem-se a mesma pergunta: porquê e para quê?
Ângulo com o plano horizontal (em graus)
1872 1912 2014
Face anterior da copa
85
85
95
Face posterior da copa
45
45
40
Tampo
15
15
<5
QUADRO 2: Evolução da forma da barretina, através de medições realizadas em exemplares originais de 1872, 1912 e numa versão de Março de 2004 do modelo de 1950, fabricada nas OGFE. Note-se a semelhança entre os modelos de 1872 e 1912 e a adulteração da forma na barretina de 2004. Figura 1: Aluno do Real Colégio Militar, circa 1861. Nesta fotografia é visível o barrete de pala horizontal do modelo de 1861 que viria a ser substituído pela barretina de 1866. Esta imagem constitui seguramente um dos mais antigos registos fotográficos de um aluno do Real Colégio Militar. (Colecção do Autor) Figura 2: Barretina de Oficial de caçadores, modelo de 1868. Esta cobertura de inspiração francesa, “à Napoleão III”, terá inspirado a barretina adoptada para os alunos do Real Colégio Militar em 1870. A sua forma obrigava à utilização de diversas peças de feltro, cosidas entre si, para revestir a copa. As costuras eram depois ocultadas por tiras de couro, dispostas em “V” de cada um dos lados. (Colecção do Autor) Figura 3: Aluno do Real Colégio Militar, 1870. A barretina adoptada em 1870 possuía um característico penacho em penas encarnadas e verdes, separadas por um anel de metal. A forma desta cobertura foi provavelmente inspirada pelo modelo de barretina adoptada para a maioria dos corpos do Exército em 1868. (Colecção do Autor) Figura 4: Barretina do Real Colégio Militar, modelo de 1872. Este raro exemplar, fabricado pela firma Manuel Nunes Correia Filhos & Cª, apresenta aplicações metálicas douradas, penacho em lã aparada de cor verde-salsa e laço nacional “em relevo de seda” azul e branca. (Colecção do Autor) Figura 5: Barretina do Colégio Militar, modelo de 1912. Este exemplar apresenta penacho de lã não aparada e aplicações metálicas douradas. O laço nacional “em relevo de seda” encarnada e verde adoptado em 1912 foi rapidamente substituído – talvez logo em 1913 – pelo retrós. Um aspecto muito curioso reside na cor preta do pano da copa, em vez da cor de pinhão regulamentar. O francalete encontra-se ausente. (Colecção do Autor) Figura 6: Barretina do Colégio Militar, modelo de 1949. Este exemplar, provavelmente fabricado na década de 50 do século XX, apresenta pala revestida a couro e debruada com virola do mesmo material. As aplicações metálicas – incluindo a coroa mural – são de metal amarelo. Apesar de cinquentenário, este exemplar apresenta uma forma adulterada pelo revirar da pala para cima. Esta prática infeliz adquiriu grande expressão durante os últimos anos do século XX. (Colecção do Autor) Figura 7: Barretina do Colégio Militar, modelo de 1949. Neste exemplar, fabricado durante a década de 80 do século XX, o couro foi substituído por material sintético e a copa revestida por tecido pouco adequado. Apesar disso, a sua forma é bastante elegante, facto para o qual contribui de forma decisiva a perfeita horizontalidade da pala. Note-se a alteração da cor do tecido, provocada pelas repetidas limpezas das aplicações de metal amarelo. (Colecção do Autor) Figura 8: Barretinas do Colégio Militar, modelos de 1872 e 1949 (fabricada em 2004). A barretina da direita, ainda com botões lisos, foi adquirida nas OGFE em Março de 2004. A sua comparação com o modelo de 1872 (à esquerda) ilustra bem a deterioração da forma e a alteração da cor do penacho. A modificação destes aspectos, bem como a readopção dos botões “lisos”, não seria difícil nem cara e permitiria devolver, a uma instituição multisecular, a aparência tradicional da sua barretina. (Colecção do Autor)
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Rui Manuel Figueiredo de Barros (62/1936) Engenheiro Geógrafo
A
os 94 anos Rui Figueiredo de Barros, filho de Jorge Figueiredo de Barros (62/1896), Engenheiro Geógrafo, faz em livro um “Encontro com a minha Memória” com a colaboração de seu filho Gonçalo Figueiredo de Barros (440/67). Num “Prefácio Familiar”, Gonçalo escreve “Estou certo de que este encontro entre o
meu Pai e a sua Memória – da qual reconheço também ter ficado admirador – conseguiu atingir o seu grande objectivo: dar a conhecer aos seus descendentes e a todos que tiverem a possibilidade de o ler, o seu contexto familiar, os seus mundos, a sua época, e com isto permitir nos apreciar a vincada personalidade, o Tempo e a Vida de um Homem justo, no sentido bíblico do termo.”
Com exceção de obras técnicas publicadas em livro, é a segunda vez que pai e filho escrevem em conjunto, na sequência da publicação de “Para lá do Colégio Militar, uma Associação Centenária”. Rui Figueiredo de Barros é Membro Vitalício do Conselho Supremo da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar (AAACM),
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tendo sido eleito seu Presidente em Outubro de 2001, e duas vezes Presidente da Direcção, num primeiro mandato entre 1979 e 1983, e posteriormente de 1994 a 1999. Foi Director da Revista da Associação entre 1975 e 1979. É Rui Figueiredo de Barros, que na qualidade de Presidente da Direcção, na sequência da Assembleia Geral de 30 de Junho de 1994, concretiza, por carta datada de 14 de Julho dirigida ao Chefe do Estado Maior do Exército, o pedido de cedência à AAACM do Quartel da Formação para nele ser instalada a sede da Associação. Sessão de lançamento do livro “Para lá do Colégio Militar, uma Associação Centenária”.
António Manuel Adão da Fonseca (286/1957) Engenheiro Civil
O
Excellence Award for Civil Engineering do Conselho Mundial dos Engenheiros Civis (WCCE – World Council of Civil Engineers), denominado “Jose Medem Civil Engineering Excellence Award”, foi atribuído este ano ao Eng. António Adão da Fonseca durante a 13ª Assembleia Geral do WCCE, em reconhecimento pela relevância dos seus projetos para o bem-estar social e pela sua carreira de engenheiro civil em benefício da Sociedade. Adão da Fonseca é um dos mais reconhecidos engenheiros civis portugueses, especialista em estruturas pela Ordem dos Engenheiros, tendo liderado projetos como a Ponte Infante Dom Henrique no Porto, a Ponte Pedro e Inês em Coimbra e o Pavilhão do Conhecimento em Lisboa, entre muitos outros. António Adão da Fonseca frequentou o Colégio Militar (1957-64) onde foi Comandante da Escolta a Cavalo, vindo a licenciar-se em Engenharia Civil na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto
em 1971. Fez o seu doutoramento em Engenharia de Estruturas no Imperial College of Science and Technology, na Universidade de Londres em 1980. Foi Presidente do Conselho Nacional do Colégio de Engenharia Civil da Ordem dos Engenheiros no triénio 1995-1998. Foi Presidente do ECCE – European Council of Civil Engineers no quadriénio 1998-2002 e membro do Conselho Consultivo do Instituto Português do Património Arquitectónico em 2004 e 2005. Foi Professor Catedrático na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e responsável pela Secção de Estruturas. Foi, ainda, Presidente e Diretor Técnico da “AFA - Adão da Fonseca e Associados – Consultores de Engenharia, SA – Portugal” de 1985 a 2005 e projetista de pontes e estruturas especiais na “Adão da Fonseca – Engenheiros Consultores, Lda. Portugal”, desde 2006. É Diretor Técnico da “ADEAM – Engenharia e Consultoria, Ltda. – Brasil”, desde 2012.
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João Paulo de Castro e Silva Bessa (200/1957)
José Manuel Kruss Fanha Vicente (289/1961)
Arquiteto
Arquiteto, Poeta e Escritor DG Direito, GSD Cascais e CDUL, Formador da FPR desde 1981. Jogador internacional (CDUP – 1965/68 e CDUL – 1968/81)”. Como jogador venceu 6 campeonatos nacionais e 2 Taças de Portugal, tendo jogado 3 anos no CDUP e 12 anos no CDUL de que foi capitão durante 10 anos, tendo sido jogador da selecção nacional e sido louvado pela Federação Portuguesa de Rugby. Foi treinador nacional do Grupo Desportivo de Direito, Grupo Dramático e Sportivo de Cascais, CDUL, tendo vencido 2 Taças Ibéricas, 4 Campeonatos Nacionais, 1 Campeonato Nacional da II Divisão, 5 Taças de Portugal, 5 Torneios de Abertura 3, Campeonatos Nacionais de Sevens e sido o Treinador do Ano em 1993/94/95/96. Como Treinador Internacional foi Seleccionador Nacional de Seniores de 1983 a 1986 e de 1994 a 1999, Seleccionador Nacional de Júniores de 1980 a 1982, participou em 1999 na Fase Final de Apuramento do Mundial de XV na Escócia, foi Finalista do Torneio Europeu de Seven’s em França e na Seven’s World Cup de Hong Kong em 1997. É membro do Painel de Observação e Supervisão de Árbitros da Federação Portuguesa de Rugby, da Comissão Consultiva de Treinadores do Comité Olímpico de Portugal, da Assembleia de Delegados da Ordem dos Arquitectos e Especialista de Mérito em Gestão do Desporto da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa.
N
o passado dia 7 de Outubro, nas Caldas da Rainha, a Federação Portuguesa de Rugby atribuiu o Prémio “Carreira Desportiva” ao João Paulo Bessa. Do seu currículo desportivo destacam-se: “Treinador de Rugby, Seleccionador Nacional da Federação Portuguesa de Rugby (Júniores 1980/82; Seniores 1983/86 e 1994/99), Treinador do Ano da FPR em 1993/94/95/96, Treinador do
Para além da distinção que agora lhe foi concedida, foi condecorado com a Comenda da Ordem e Mérito, Medalha de Serviços Distintos da Federação Portuguesa de Rugby, Medalha de Ouro de Mérito Desportivo do Município de Vila Nova de Gaia e Medalha de Mérito Desportivo da Federação Portuguesa de Rugby. O João Paulo Bessa foi “Prémio Barretina – Associação – Desporto” em 2012, pela sua longa carreira desportiva, em que, em particular, se destacou no rugby.
Diário de Noticias 13 AGO 2018 - Nº54536 “Prémio Barretina Associação – Notoriedade” em 2009.
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JOSÉ FANHA FOI “PRÉMIO BARRETINA ASSOCIAÇÃO – Notoriedade” em 2009. DE LONGA ENTREVISTA AO DIÁRIO DE NOTICIAS Nº 54536 DE 13 DE AGOSTO PASSADO, EXTRAÍMOS AS PASSAGENS QUE SE SEGUEM. 13 AGO 2018 - Nº54536 É arquiteto, poeta e escritor. Foi jornalista, professor e desenhador, mas também publicitário e ator. Levou mensagens clandestinas do PCP (m-l) para Paris, foi amigo de Ary dos Santos, partilhou o palco com Zeca Afonso, mas ficou conhecido no programa A Visita da Cornélia, em que ficou 13 semanas no pódio. Se não fossem os Beatles e um frasco cheio de orelhas cortadas - que um professor do Colégio Militar lhe mostrou - tinha seguido uma carreira no Exército, o que fazia sentido para quem tinha como herói Mouzinho de Albuquerque. Aos 67 anos, diz de si mesmo que, afinal, é uma coisa só: um contador de histórias, com um único sonho - vir a ser palhaço. Se é verdade que a vida dá muitas voltas, a de José Fanha é uma espécie de tontura. É conhecido como poeta e escritor, mas o curso que tirou foi arquitetura. Porquê esta área? Era a coisa mais distante daquela que o meu pai queria. Ele era militar e queria que eu seguisse essa carreira. Tudo o que tem feito vai no sentido oposto ao que aprendeu no Colégio Militar: as regras, a hierarquia rígida... Eu gostei muito de estar no Colégio Militar. Vê isso agora ou na altura já gostava? Na altura, gostava razoavelmente. Para mim o Colégio Militar era a guerra, um mundo que estava sempre presente, o meu pai era do curso do
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Costa Gomes e do Spínola. ... Esteve sete anos no Colégio Militar. Como é que resume esse tempo?
O’Neill, o [Mário] Cesariny e então passei a dizer os poemas desses senhores em voz alta pelos corredores. Fiquei com a fama do maluquinho que gostava de poesia. Teria uns 15, 16 anos.
Era duro, mas tínhamos princípios e eu gostava disso. Os meninos eram tratados como senhores, todos nos tratavam por “senhor aluno”. Além de que tinha um ensino de grande qualidade e princípios de solidariedade e companheirismo. Fiz bastantes amigos no Colégio, ainda hoje nos falamos.
Como é que o seu pai reagiu quando percebeu que o filho não iria seguir a carreira militar?
Chegou a ter um fascínio pela carreira militar, antes de seguir no sentido oposto?
Não foi fácil. ... Lembro-me de que, quando lhe disse que iria para Arquitetura, ficámos em silêncio dez minutos até que ele me disse: ‘Coitado. Mas a vida é tua.’ ... Depois entra na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa.
Eu achava que o meu pai era como o Mouzinho de Albuquerque: um herói. No colégio tínhamos educação militar e eu gostava de saltar de camiões a 60 à hora, com 12, 13 anos dávamos tiros de metralhadora, de pistola... Eu achava que o Salazar era lindo e a Nossa Senhora também. Cultivava todos esses mitos. Até que um sargento nos mostrou um frasco com orelhas cortadas...
Sim, na mesma altura em que comecei a levar mensagens clandestinas do PCP (m-l) para Paris, de comboio. Levava as mensagens dentro de maços de tabaco. Os papéis iam muito enroladinhos e enfiados no interior dos cigarros. “Depois ouviu-se dizer que andavam à minha procura [a PIDE] e rapei o bigode. Foi a única vez na minha vida que andei sem bigode”
Negras?
Tinha medo?
Sim, claro. Perturbou-me muito, tinha uns 12, 13 anos e foi quando comecei a pensar: ‘Isto está errado.’ Comecei a questionar. ... Quando é que começa a escrever?
Tinha medo que me fartava. Borrava-me de medo. Mas era preciso levar. Era um bocado o espírito do Colégio Militar, era preciso fazer, fazia-se. Depois ouviu-se dizer que andavam à minha procura [a PIDE] e rapei o bigode. ... Diz que foi o programa a Visita da Cornélia (1977) que mudou a sua vida. Porquê?
Em criança. Escrevia uns poemas, umas histórias, mas andava nessa fase do Mouzinho de Albuquerque: ‘Oh Portugal!’, coisas assim... [risos]. Depois o que acontece é que a primeira vez que tenho um professor [no Colégio Militar] que não era militar - de Filosofia - mostrei-lhe o meu caderno, com os poemas e os desenhos, e ele, que não era nada duro, disse-me: ‘Mas você é um surrealista.” Eu não fazia a mínima ideia do que era o surrealismo. Fui para a biblioteca e é no colégio que leio pela primeira vez o Alexandre
A sessão em que eu entrei na Cornélia foi o dia em que mais pessoas viram televisão em Portugal desde sempre: 50 por cento da população portuguesa viu o programa. O concurso estava no seu auge, havia um lado politizado - os da direita e os da esquerda - e eu tornei-me o campeão da esquerda. Entrei no primeiro terço do programa [esteve 13 semanas no pódio].
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O programa era gravado, saía tudo nos jornais, e só uma semana depois era emitido. As notícias diziam que tinha chegado um arquiteto que suplantou tudo e todos. O poema [“Eu Sou Português Aqui”] já vinha publicado nos jornais.
Carlos Manuel de Lucena e Vasconcellos Cruz (209/1967) Presidente da empresa “Experienced Management”
Ficou famoso. Sim, bastante. ... Durou muito tempo essa fama? Até hoje. Para as pessoas com mais de 45 anos eu sou o Fanha da Cornélia. A minha sorte foi que eu tinha uma estrutura familiar - estava bem casado -, tinha uma profissão, então aquilo [a fama] não me destruiu.... Quando é que se torna maçom? Foi há 20 anos, recebi um convite. Faço parte da Grande Loja Legal de Portugal/Grande Loja Regular de Portugal, que se rege pelos princípios da Liberdade, Igualdade e Fraternidade - para mim o mais importante é a fraternidade. É um bocadinho como regressar ao Colégio Militar, não? É um regresso a casa? É fácil ser maçom tendo vindo do Colégio Militar. Descobri que uma grande quantidade de antigos alunos foram maçons. Sim, é um voltar a casa. Arrisco dizer que não lhe falta fazer nada. Falta? Já fiz muita coisa, mas descobri muito recentemente que sou um contador de histórias. Mas falta-me cumprir um sonho. Gostava muito, um dia, de ser palhaço. Já fui um bocadinho, fiz de palhaço em hospitais para crianças, na área da oncologia, mas queria mesmo era criar uma personagem, trabalhar num circo. Costumo dizer isso às crianças e elas riem muito, pensam que estou a brincar, mas houve um dia em que um rapazinho de 8 anos me respondeu: “Eu sou palhaço. O meu pai é palhaço e a minha mãe também.” Fiquei boquiaberto. Nunca mais o encontrei. Por isso, aproveito para fazer um apelo: se te lembras disto, eu gostava muito de te rever.
Carlos Vasconcellos Cruz é Presidente da empresa “Experienced Management”, plataforma de Interim Management, sociedade criada com o objetivo de “dotar as empresas na área de top management e potenciar a sabedoria de gestores acima dos 50 anos”. O conceito da plataforma é a colocação de gestores com carreira feita nas empresas, com vista a desenvolver projetos específicos durante um período limitado de tempo (3 a 9 meses); trata-se de recrutamento de quadros temporários altamente qualificados. A iniciativa pretende dar resposta à necessidade que algumas empresas têm de contratar gestores experientes para implementarem projetos específicos durante um período de tempo limitado. É assim criado um projecto inovador que “pretende alocar, por períodos de tempo definidos ou por projecto, profissionais com mais de 50 anos e experiência comprovada em áreas de gestão de topo”.
nistradores de grandes empresas e instituições, que integram a estrutura acionista e asseguram a seleção dos candidatos: Manuel Lopes da Costa (CEO da BearingPoint Portugal), António Casanova (CEO da Unilever), António Pires de Lima (CEO da Unicer), Martin Schneider (CEO da BrainForce), João Vieira de Almeida (Presidente Executivo da sociedade de advogados VdA), Arlindo Oliveira (Presidente do Instituto Superior Técnico), Emídio Pinheiro (ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos e do Banco de Fomento de Angola), Estela Barbot (administradora e membro da comissão de auditoria da REN), Fátima Barros (ex-presidente da Anacom), Paulo Morgado (vice-presidente executivo da Capgemini ibéria), Rosário Pinto Correia (professora da Universidade Católica e vogal do conselho de administração da Pharol), Ricardo F. Reis (diretor para a área de Relações Internacionais da Universidade Católica) e Leonor Colaço (consultora da Oxford Leadership). “A Experienced Management é uma iniciativa de cidadania responsável que coloca ao serviço da economia nacional profissionais de gestão de alto valor e experiência comprovada e apoia as empresas na resposta aos desafios que enfrentam atualmente”, diz a plataforma.
Isto numa altura em que “o mercado de trabalho exige soluções diferenciadas”, diz a Plataforma em comunicado.
São exemplos de casos em que se pode recorrer aos serviços de um quadro experiente com mais de 50 ano, processos de reestruturação, processos de sucessão para acompanhar o novo líder durante um período, ou em casos de ausência temporária de um gestor.
Para além de Carlos Vasconcellos Cruz a empresa conta com diversos empresários e admi-
Carlos Vasconcelos Cruz foi Comandante do Batalhão no ano lectivo de 1973/74.
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Eugénio de Campos Ferreira Fernandes (180/1980) CEO da euroAtlantic Airways, S.A. Shanghai na CEIBS – China Europe International Business School, e um MBA em Marketing Estratégico nos EUA na The University of Chicago Graduate School of Business.
24 anos após o seu primeiro contacto profissional com a aviação civil na Alitália, Eugénio Fernandes assume as funções de CEO da euroAtlantic Airways, S.A., transportadora aérea fundado pelo Antigo Aluno e seu Presidente do Conselho de Administração Tomaz Metello (462/1958).
©Foto Sérgio Garcia (326/1985)
Licenciado em Economia pela Universidade Católica, completou a sua formação académica com uma pós-graduação em
Com uma breve passagem como sócio gerente por uma empresa de construção pré-fabricada, a sua carreira profissional tem sido integralmente dedicada à aviação e operação turística (Administrador da sociedade Sonhando, S.A.), tendo sucessivamente desempenhado funções de Chief Commercial Officer (CCO), Assessoria do Conselho de Administração e vogal do Conselho de Administração na euroAtlantic, que acumula com a nova função.
ANTIGO ALUNO USA A BARRETINA
A euroAtlantic é uma sociedade com cerca de 400 colaboradores que tem, ao longo da sua existência, contado com a colaboração de muitos Antigos Alunos.
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Jorge Miguel Faria Conde Rendeiro (255/1989)
Diogo Garcês Reis (189/1999)
Executive Master em Marketing Management
Lutador de Boxe
UM ANTIGO ALUNO EXPATRIADO COM EXPERIÊNCIAS PROFISSIONAIS MULTI-CULTURAIS.
Apresentamos a tradução de um extracto da noticia que o próprio pôs, em 26 de Agosto, no facebook, após o combate de que saiu vitorioso.
Executive Master em Marketing Management (2010) pelo ISCTE / EMCQ European Mkt Confederation, exerce actualmente em Madrid (onde vive desde Janeiro de 2016) as funções de EMEA Direct to Consumer Manager da seguradora americana MetLife, líder mundial de seguros de Vida e Acidentes Pessoais. Desde há 15 anos na actividade seguradora, 12 dos quais na MetLife, tem, na prática, responsabilidades em diversos alinhamentos profissionais (Rússia, Turquia, Polónia, Emiratos Árabes Unidos, Roménia, Eslováquia, Egipto, Itália, França, Espanha e Portugal) com especial enfoque na comercialização de seguros por canal directo e em projectos impulsionados pela economia digital, experiência do consumidor e novas tecnologias. Nos 12 anos de MetLife, esteve ligado a diferentes projectos internacionais, destacando em 2012, a unificação das operações de Portugal e Espanha, numa única MetLife Ibéria... um projecto que 6 anos depois é visto como um case-study de sucesso não só dentro da organização mas, também, no plano internacional.
“Trabalho feito! Compostura, cabeça, coração e profunda crença na vitória! Contra um forte e perigoso lutador chinês, até agora invicto com todas as suas vitórias por KO, e apesar de ter sofrido um derrube no 2 º assalto quando estava claramente controlando e em cima da luta, ainda consegui a vitória no meu combate profissional na passada sexta-feira em Shenzhen, China. Estou especialmente orgulhoso por ter tido a oportunidade de representar Portugal e a academia ABORO neste grande evento internacional de boxe organizado pela Organização Mundial de Boxe (WBO) e, por ter sido o único lutador não-Chinês a sair vencedor nessa noite. Que sensação incrível de levantar a bandeira portuguesa tão longe de casa e dentro de um centro desportivo na China fortemente torcendo pelos seus lutadores locais!” (fotografias tiradas do facebook)
Destaque, ainda, para as funções regionais (EMEA) que nos últimos 4 anos lhe têm permitido a prática da gestão de equipas com diferentes culturas, tendo vivido 18 meses na Rússia (Moscovo) e onde, refere, teve de rapidamente alterar o seu estilo de liderança mais “Western Europe” para um que estivesse mais de acordo com a cultura e mentalidade locais.
Curso de 1982/1990 Romagem dos 35 Anos de Entrada
35 Anos
de Entrada
de um Curso que nunca saiu
E
ste curso que nunca saiu do Colégio só agora se está a aperceber que viveu uma experiência que deve andar perto de ser única nos longos anos desta instituição. Algo que entre nós sempre comentámos com naturalidade, vem a revelar-se estranho e singular aos ouvidos dos outros, e é isso que justifica a repescagem deste texto do 407/82, já alguns meses depois da nossa romagem ao Colégio. É que nós fomos parar literalmente ao meio da abertura solene, não mais do que uma hora depois de ter entrado no CM: foi entrar para o antigo pavilhão junto da fachada do CM, cada um vestiu o que tinha, passa para o pátio das osgas para um curso intensivo de marcha e cá vão dois pelotões para os claustros: poucos de pano, alguns de cotim e a maioria à civil, com destaque para o famoso caso do 110 que entrou de chuteiras.
Nelson Manuel Machado Lourenço (377/82)
20 de Abril de 2018... Eis-nos de regresso ao Colégio Militar, volvidos que foram 35 anos desde a nossa entrada numa solarenga manhã de Outubro de 1982. Nesse dia já tão longínquo, dava entrada no nosso Colégio, mais uma “fornada” de novos alunos (“turistas”), que chegavam carregados de sonhos, receios e expectativas. E tudo nos era novidade, pelo menos para a grande maioria de nós. Assim que chegámos, rapidamente fomos conduzidos para uma breve instrução militar, que nos iria intro-
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No número 211, de Abril/Junho de 2018, da ZacatraZ, noticiámos a romagem dos 35 anos de entrada no Colégio do Curso de 1982/1990. No artigo que se segue apresentamos dois depoimentos de elementos do mesmo curso, que testemunham um facto que poderá ter sido inédito na história do Colégio.
duzir na arte do marchar, com o objetivo de nos fazer participar condignamente nesse nosso primeiro grande momento colegial. Após alguns minutos de treino, com maior ou menor sucesso, lá acabámos por ser divididos em dois pelotões... uns ainda vestidos à civil e outros já orgulhosamente fardados com a velhinha farda de cotim cinzento. Atrás dos nossos graduados, lá entrámos nos claustros a marchar, ou pelo menos a tentar, e foi aí que sentimos pela primeira vez o peso daqueles claustros. O Batalhão Colegial estava todo formado e engalanado com a briosa farda cor de pinhão, preenchendo uma grande parte do espaço, dando-nos logo a impressão que tudo aquilo era muito solene e imenso. As varandas cheias de familiares e ex-alunos, que não perdiam a oportunidade de estarem presentes nesse dia tão importante. Seria esse o nosso primeiro de muitos dias no Colégio, nos quais fomos conhecendo o verdadeiro significado do lema “Um Por Todos, Todos Por Um” e também do Código de Honra que muito orgulhosamente fomos aprendendo a cultivar e respeitar. Independentemente do tempo e dos anos que cada um de nós viveu no Colégio, este foi-nos moldando com aquela marca, que só a entende quem viveu dentro daquelas quatro paredes. A longa e bem sucedida história do Colégio ao longo dos quase 200 anos (à altura da nossa passagem),
as tradições, a camaradagem, a confiança nos colegas (não haviam cadeados nos armários), as formaturas, o respeito pelos símbolos nacionais, pelos professores (ex: aguardando em pé antes da aula se iniciar) ou pelas hierarquias (militares ou outras), tudo isso contribuiu para a criação da “marca colegial” dentro de cada um de nós, e que define o verdadeiro “Menino da Luz”. Olhávamos para o nosso estandarte, profusamente condecorado, e isso era motivo de um enorme orgulho que nos transmitia a grande responsabilidade que era estar à altura desta Escola de grandes valores e grande disciplina. Esse foi o Colégio que conhecemos há 35 anos, e onde forjámos amizades que ainda hoje perduram. Passadas estas três décadas e meia, o poder regressar a esta casa é sempre uma ocasião de grande orgulho e também de alguma curiosidade. O Colégio que encontrámos este ano, está significativamente diferente daquele que nós vivemos no nosso tempo, como também esse já era diferente daquele que os alunos de outras gerações que nos antecederam, viveram na sua altura. Muitas mudanças aconteceram nestes últimos anos, nomeadamente a construção de mais e melhores instalações, a introdução do ensino primário, a possibilidade de haver alunos externos e a admissão de raparigas. Eu próprio, tive o gosto de poder ter pela primeira vez uma menina como sucessora, à qual também desejo uma boa e longa vivência colegial, repleta de sucessos a todos os níveis.
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Curso de 1982/1990 Romagem dos 35 Anos de Entrada
Abertura Solene do ano lectivo de 1982/1983 (formatura inédita dos “ratas”).
E são estes, alguns dos principais desafios que se colocam ao Colégio e é sempre importante que este consiga sempre estar à altura dos acontecimentos, evoluindo e trabalhando para um nível de excelência que todos nós desejamos, sem nunca se perder a matriz que o define e diferencia das restantes escolas. É certo que muitas interferências “externas”, quer da parte de alguma comunicação social, quer da parte de alguns encarregados de educação, ou de outros agentes da nossa sociedade mais ou menos “experimentalistas”, têm criado algum ruído no desenrolar da actividade colegial que se pretende que seja serena, dinâmica, cultivando-se o mérito e os princípios presentes no Código de Honra desta nossa Escola. Assim, gostar do Colégio é acima de tudo, pugnar que este possa novamente alcançar os patamares de excelência e sucesso a que sempre nos
habituou, não só ao nível desportivo, mas principalmente ao nível académico. E na nossa breve visita, pudemos constatar o esforço que a actual Direcção tem feito no sentido de dotar o Colégio de mais e melhores meios a todos os níveis, para que se possa atingir esse desiderato. É um caminho que se faz por etapas e que leva o seu tempo a mostrar resultados visíveis, tal como na natureza as árvores levam o seu tempo até darem os seus frutos. Sentir e amar este Colégio, não nos torna donos dele, mas dá-nos a responsabilidade de velarmos por ele e de apoiarmos todos aqueles que querem genuinamente o seu bem e que pugnam pela exigência do seu sucesso educativo. E isso também cabe a cada um de nós, quer sejam alunos ou ex-alunos, oficiais ou professores, funcionários civis ou militares, pais e encarregados de educação, o dever de participar positiva e construtivamente, sem
ingerências, no aperfeiçoamento desta Escola, para que tenhamos mais e melhor Colégio Militar! Um Por Todos e Todos Por Um! Zacatraz! Rui Manuel Cabral Carreira Coelho (407/1982)
Curso de 1988/1996 Romagem dos 30 Anos de Entrada
Curso de 1988/1996 Romagem de 30 Anos de Entrada 28 de Setembro de 2018
Curso de 1988/1996 - 30 Anos de Entrada - 28 de Setembro de 2018 ©Fotos Leonel Tomaz
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ecorridos 30 anos de entrada no Colégio, estiveram presentes nesta romagem de saudade os seguintes Antigos Alunos:
Luís Miguel Lauret Albuquerque Ferreira de Macedo (7/1988), Tito Eurico Miranda Fernandes (15/1988), Rui José Moreira Calmão (59/1988), Frederico António Aniceto Ferronha (90/1988), António Pedro Ferreira Fortes (132/1989), Hugo Barros Caldeira (153/1988), Eduardo Augusto Pinto Basto Metzener (174/1988), Amâncio Nuno Ferreira Santos (182/1988), Hugo Emanuel Camilo Quintela (196/1988), Pedro Queiroz Antão (202/1987), José Alexandre Barros Covas (221/1988), Carlos Anselmo
Guerra Simões (267/1988), Óscar António Piçarra de Castro Graça Ferreira (279/1987), Nuno Miguel Teixeira Ribeiro (310/1989), Miguel Henrique Domingos Dias Sereno (331/1988), Diogo Pedro Guerreiro Esteves (342/1988), Luís Miguel Gomes Gonçalves (348/1987), José Miguel Cara Nova Camacho da Cruz (352/1988), Valter Filipe Soeiro da Cunha (422/1988), Pedro Miguel de Brito Esteves Grilo (427/1988), Filipe André Miranda da Silva Pinheiro (438/1988), Vítor Luís Oliveira Ferreira da Silva (461/1987), Luís Mário Bugalho Gaspar (468/1988), Ricardo José Maia Carrilho (470/1988).
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Curso de 1998/2006 Romagem dos 20 Anos de Entrada
Curso de 1998/2006 Romagem de 20 Anos de Entrada 19 de Outubro de 2018
Curso de 1998/2006 - 20 Anos de Entrada - 19 de Outubro de 2018 ©Fotos Leonel Tomaz
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ecorridos 20 anos de entrada no Colégio, estiveram presentes nesta romagem de saudade os seguintes Antigos Alunos:
Samuel Henrique da Fonseca Gartner (5/1998), Tiago Manuel Santos Nogueira (7/1998), Diogo Gabriel Hipólito Macedo (13/1998), Bruno Ricardo dos Santos Victorino (17/1998), João Miguel Costa Ceriz (46/1998), João Carlos Romano Almeida (73/1998), Bernardo Marques Serra Pereira (86/1998), Francisco José Nina Martins Rodrigues dos Santos (128/1998), Armando Nelson Pedro da Silva (137/1998), Nelson Miguel Frias Abreu (149/1998), Luís Miguel Gomes Caro (153/1998), Rúben Cordeiro
Paulo (228/1998), Gonçalo Sonso de Sousa Rodrigues (254/1998), Nuno Miguel de Vieira Pássaro (256/1998), André Augusto Fernandes Brígida (265/1998), João Luís Marcos Rodrigues (286/1998), Diogo Alexandre Correia António (294/1998), Jorge Miguel da Silva Calado (301/1998), António José Barros Godinho (321/1998), Cristóvão Alexandre Vilas Boas Rosa Marques (359/1998), Bernardo de Aguiar Viana de Freitas (388/1998), Pedro Manuel de Matos Romba Fernandez da Silva (430/1998), Luís Filipe Carvalho Ferreira (445/1999), Rui Miguel Santos Esteves (554/1998).
Curso de 1961/1968 Romagem dos 50 Anos de Saída
Curso de 1961/1968 Romagem de 50 Anos de Saída 26 de Outubro de 2018
Curso de 1961/1968 - 50 Anos de Saída - 26 de Outubro de 2018 ©Fotos Leonel Tomaz
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ecorridos 50 anos de saída do Colégio, estiveram presentes nesta romagem de saudade os seguintes Antigos Alunos:
Pedro Roberto Menéres Cudell (3/1961), Jorge Manuel Tavares Salavessa Moura (14/1961), Raul Telles Boudry de Carvalho (34/1960), Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva (53/1961), Nuno Maria Reis de Matos Silva (91/1961), José Manuel Consolado Fajardo (110/1961), José António Formosinho de Palhares Falcão (126/1961), Joaquim Arnaldo Maltez Cardeira da Silva (133/1961), António Alberto Bastos Carriço (139/1961), Luís Alexandre de Oliveira Mateus de Magalhães (146/1961), João José de Sá Nogueira Meira e Cruz (159/1961), José Luís Chaves de Almeida Fernandes (171/1961), António Carlos da Cruz Cordeiro (175/1960), Tiago Braga Abecassis (192/1961), Luís Miguel Pinto e Abreu Soares de Albergaria (203/1960), Fernando José Mena Gravito (211/1961), Rui Manuel de Carvalho Mexia Leitão (240/1961), Pedro Domingos de Sousa Holstein Campilho (257/1960), António
Henrique Marques da Silveira e Lorena (270/1960), Manuel José Pimenta de Castro Machado (275/1961), António Rocha de Sousa Maldonado (293/1961), Miguel da Câmara e Almeida Pinto (361/1961), Pedro Maia Serpa de Vasconcelos (367/1961), Carlos Manuel Pinheiro Lopes Canavilhas (369/1960), Nuno Ferreira de Barcelos (374/1960), José Francisco Machado Norton Brandão (400/1961), José António Godinho de Abreu Novais (406/1962), Mário Filipe de Araújo Gonçalves de Lima (416/1962), Miguel João de Oliveira Sequeira Marcelino (420/1961), Francisco José Machado Norton Brandão (425/1961), António José Mourão da Fonseca e Silva (440/1961), Gabriel João Duarte de Figueiredo (447/1961), António Alberto Côrte-Real Frazão (542/1961), Hermano Duarte de Almeida e Carmo (543/1960), Sebastião Guerreiro Rodrigues (554/1960), Joaquim José Ferreira da Silva (560/1961), Fernando Reinaldo Luís Pereira dos Santos (563/1961), José Manuel Campos Lopes (565/1961), João Luís de Carvalho Charters Taborda (572/1961), José Luís Teixeira Pereira Soares (575/1961), Vitor Manuel de Carvalho Madeira Ferreira (576/1961), Artur Manuel de Spínola e Santos Pardal (587/1961), Pedro Henrique LeCoq Navarro de Andrade Botelho (588/1961), João Manuel Gomes Pereira Carmona (589/1961), António José Ferreira Lourenço (593/1961), António José Ferreira Fernandes da Ponte (599/1961), José Henrique Pereira Leite da Silva (602/1961).
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Recordando um irmão
Recordando um irmão Ao Sérgio Ricardo Lopes Ferreira, Moca (97/1989) VAI FAZER UM ANO QUE PARTISTE... CEDO DEMAIS... COM TANTO PARA VIVER... Durante este tempo todo, andei à procura das palavras para te escrever, para te fazer uma homenagem, mas não foi fácil. É no meio de muitas lágrimas, de tristeza e saudade, e lembranças, principalmente boas, que consegui escrever, bem perto de ti, cá em cima no céu. Foste o meu primeiro Chefe de Turma, em 1990, quando entrei para o Colégio e tu eras repetente. Desde o início que nos ligámos, não fosse eu também um espírito rebelde, no meio das minhas tormentas. Encontrei em ti um irmão, no meio de tantos outros, mas eras particular e a nossa ligação perdurou até ao fim. Com as nossas desavenças e tantas outras noitadas de boa disposição, se precisasse de alguma coisa, mesmo a meio da noite, sabia bem que me atendias e estarias lá para o que fosse preciso. Não hesitaste em ir comigo até à Base de Beja para me ajudares a ir buscar as minhas coisas quando fui colocado na Base de Sintra. Lá fomos e viemos no mesmo dia, com a carrinha apetrechada das minhas tralhas. Foi um dia de grandes conversas, onde relembrámos os nossos anos no Colégio e me contavas as tuas aventuras com as estudantes de Erasmus em Lisboa. Soubeste aproveitar a vida, quando ela não te pregava rasteiras ou surpresas ao virar da esquina. Como numa dessas noitadas de Erasmus em que te transformaste em Super-Homem e saltaste de uma varanda para a outra, não correndo bem a
brincadeira, e partiste a perna. Como te dei na cabeça! Isso era algo que já sabias que não falhava, dar-te na cabeça. Como nem sempre tomavas as melhores decisões, lá tinha eu de te colocar juízo nessa cabeça. Não gostavas, ficavas um tempo sem dar notícias, mas sabias bem que tinha razão e depois lá voltavas e esquecíamos tudo. Às vezes penso que te podia ter dado mais na cabeça, que podia ter feito mais... fico inundado de sentimentos de culpa... eu acho que podia ter feito mais, mas não fiz... outras coisas foram ocupando a vida e fui avançando. Tu parecias que tinhas 18 anos, sempre a querer curtir, e isso foi um factor que tornava as nossas opiniões bem diferentes. Só quando vinha para perto de ti, e por momentos também tinha 18 anos, é que nos entendíamos às mil maravilhas, mas não podia ser sempre assim. A vida não foi fácil! No meio de tanta luta e dissabores, encontravas maneira de fazer aquilo que gostavas: tatuar. Fiquei super contente quando me disseste que tinhas conseguido abrir uma loja. Dava para reparar no teu entusiasmo e felicidade quando te fui visitar e me mostraste a tua “Tattoo Shop”. Gostei bastante do espaço e da tua vontade em triunfar. Estavas no caminho certo e eu estava feliz por isso. Já chegava de tormentos! Mas as circunstâncias mudaram e voltaram a tirar-te o tapete debaixo dos pés... Que injustiça com que te deparaste! As pessoas não viam o teu lado bom, de lutador, facilmente te julgaram, mas terão a sua consciência pesada por isso. De certeza!
Nunca mais te esquecerei! Do teu sorriso e gargalhadas fortes! Das nossas saídas, dos nossos encontros! És mais uma estrela que me faz companhia em tantas noites! Até um dia Sérginho... Luís Manuel Marques Coias (190/1990) Zacatraz Moca!
Equipa de Voleibol da AAACM
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Manuel Pedro Costa Pereira Roriz 519/1959
Equipa de Voleibol da AAACM
A Primeira Experiência Federada Por causa do aparecimento da equipa de futebol da AAACM é altura de recordar a estreia da AAACM nas competições federadas, o que sucedeu na época de 1966/1967, com a filiação da AAACM na Federação Portuguesa de Voleibol.
Tudo aconteceu como consequência da superioridade que o Colégio Militar exibia nos campeonatos da Mocidade Portuguesa e que o grupo, que constituiu essas equipas, quis prolongar para manter a amizade que o unia, apesar de ter havido algumas abordagens de equipas mais cotadas. Confesso que não sei se, hoje, se mantêm o sucesso de então, mas espero bem que sim, embora saiba que a nova forma de viver no Colégio Militar pode condicionar o desempenho desportivo, por haver menos tempo para treinar. Durante a década de 60, o Colégio Militar dominava os Campeonatos da Mocidade Portuguesa, nas mais diversas modalidades, com o voleibol a estar em destaque, graças ao trabalho desenvol-
vido pelo João Manuel Ribeiro da Fonseca Calixto (314/47), como o demonstram os sucessivos títulos conquistados. Além disso, o facto do Calixto jogar no Técnico, dava direito aos jogadores das equipas de voleibol saírem do Colégio para irem ver os jogos da equipa dos “engenheiros”, com o objectivo de aprenderem alguma coisa, numa época em que estes tinham alguns dos melhores jogadores nacionais e em que discutiam os títulos, saídas essas, algumas vezes, aproveitada para “matar a fome”, quando o jantar não agradava. Pela minha parte, juntei aos vários campeonatos de voleibol, um campeonato de futebol (1965/1966), numa equipa treinada pelo capitão Luís Billstein Sequeira (5/1938), onde era o guarda-redes e da qual faziam parte entre outros, o Vasco Lince (21/1960), que chegou a jogar na Académica e foi Presidente do Comité Olímpico de Portugal, o António Fonseca e Silva (440/60), que foi recordista nacional dos 100 metros, o José Miguel Trigoso (324/1959), Presidente
da Prevenção Rodoviária Portuguesa, o Cecílio Gonçalves (122/57), um dos mais talentosos futebolistas desse tempo, o Nuno Lince (490/1958) e o Meira Cruz (159/60), médicos. Nessa final, jogada no Estádio Nacional, o Colégio Militar venceu o Liceu Gil Vicente (hoje Escola Secundária Gil Vicente), por 3-2. Não me lembro quem marcou os golos, mas recordo que defendi uma grande penalidade, a exemplo do que faria mais tarde, várias vezes, num Campeonato dos Órgãos de Informação (1970), quando fui guarda-redes da equipa do Rádio Clube Português. Mas deixemos o futebol e voltemos ao voleibol, para mim o “desporto da família”, porque pertenço a uma família de campeões nacionais e internacionais. No final do ano lectivo de 1965/1966, quando passei a ex-aluno, era para mim evidente que ia continuar a jogar voleibol, mas estive na primeira linha para a construção da equipa da AAACM, por preferir continuar com os meus amigos
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Equipa de Voleibol da AAACM
de muitos anos, que aderiram à ideia de continuarmos juntos em representação da AAACM. Contactada a Direcção, da época, a mesma foi receptiva à ideia, conseguiu que o Colégio Militar disponibilizasse o ginásio, para treinos e jogos, o Nascimento de Almeida, um dos seus elementos, ofereceu o equipamento (camisola azul, com punhos e gola preta e calções pretos) e o Professor Dario Fernandes assumiu o papel de treinador, tal como fazia com a classe especial de ginástica de Antigos Alunos. Foi assim que o Santana Pereira (8/49), então capitão do exército, que desempenhava funções no Colégio, Ramiro Mateiro (325/56), Luís Pardal (340/56), José Bastos e Silva (67/1957), Manuel Lino (266/1958), João Sampayo (486/1958), Nuno Lamy Fontoura (75/1959), Fernando
Tavares de Almeida (215/1959), Carlos Barão Pinto (282/1959), Pedro Roriz (519/59), Rui Feijó (92/1960), peço desculpa aqueles de que me esqueci, se juntaram para dar corpo a essa vontade, que era sustentada por nós, sem que a AAACM tivesse de despender um único tostão. A Faculdade de Ciências, na qual jogavam, entre outros, o Hugo dos Santos, que viria a ser figura de relevo na revolução, e o Jorge Mena Reis, que veio a ser cunhado do João Passarinho (59/1960), e o Externato de Moscavide eram os nossos mais directos adversários, que nos impediram de subir à 1.ª Divisão Regional, uma vez que, nesse tempo, havia Campeonatos Regionais, que qualificavam para o Campeonato Nacional. A equipa durou três temporadas e viu a sua actividade terminada, quando os
mais velhos começaram a ser chamados para a tropa e quem saia do Colégio Militar não sentiu vontade de a integrar. Nessa altura, o José Bastos e Silva, o Carlos Barão Pinto e eu fomos para o CDUL, onde nos juntámos a elementos que vinham da equipa da Faculdade de Ciências, que tinha sido nossa opositora, e a mais alguns, para, treinados pelo prof. Mário Moniz Pereira, conquistarmos o título nacional da 2.ª Divisão (1969/1970) e participar durante dois anos no Campeonato da 1.ª Divisão, com a equipa a acabar pelos mesmos motivos que tinham levado ao fim da equipa da AAACM. Ficou a saudade e hoje, quando nos encontramos, continuamos a recordar esses tempos e se aparecer uma bola de voleibol de certeza que estamos a dar “toques”.
A equipa de Voleibol da AAACM, no e de Março de 1966.
Em primeiro plano, do lado esquerdo, a equipa de voleibol da AAACM (calção preto e camisola de mangas compridas) no 3 de Março de 1966.
Núcleo da Feitoria 14º ano de actividade
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Núcleo da Feitoria
14º ano de actividade O
núcleo da Feitoria retomou os seus habituais Almoços de Amarelo, que de futuro passam a ser realizados às 2ªs Quartas-Feiras de cada mês.
Para os próximos Almoços Convívio as inscrições devem ser enviadas para:
Este grupo de Ex-Alunos, desde há 14 anos que se junta, em grande espírito de Camaradagem, e aprecia em almoços regulares, uma das iguarias da Culinária Colegial ‘’O Amarelo’’.
CURSOS DE ENTRADA DE 1945 ATÉ 1950 jaalvespaula@gmail.com
O Núcleo teve origem num Almoço de Curso (de 1948) na Feitoria, e que foram repetindo até à actualidade, mas desde há alguns anos, com a adesão de mais Ex-Alunos de outros Cursos.
CURSOS DE ENTRADA ATÉ 1945 aradapinheiro@gmail.com
CURSOS DE 1951 A 1960 bauta303@gmail.com
Descerramento de azulejos com nome de António Marquilhas.
CURSOS DE 1961 ATÉ ACTUALIDADE pvchagas@gmail.com O Amarelo, é confeccionado na Feitoria no próprio dia, por uma antiga Cozinheira do Colégio, e o Almoço completo, tem um Custo de 15€ por participante.
O último Almoço, a 17 de Outubro de 2018, ao qual compareceram cerca de 50 Ex-Alunos, foi antecedido de uma pequena Cerimónia de Homenagem ao António Marquilhas (67/44) recentemente falecido, e um dos Fundadores do Núcleo.
No final de cada ano letivo, o lucro resultante dos Almoços, tem servido para aquisição de material desportivo ou didático e oferecido para uso dos Alunos quando em Férias na Feitoria, ou em benfeitorias ou utensílios necessários ás instalações.
Estiveram presentes o Director e SubDirector do Colégio, assim como o Presidente e um Diretor da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar. Degustando o saboroso amarelo.
O Núcleo da Feitoria deixa aqui um Convite a toda a Comunidade Colegial, para participar nestes Convívios.
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Homenagem aos nossos Professores
Homenagem ao Colégio Militar e a professores e oficiais,
Do curso de 1948-1955
A
o chegarmos ao nosso 5º artigo da série em que vimos expressando a nossa homenagem ao Colégio, aos professores, oficiais e outros servidores que na nossa opinião mais nos marcaram, vamos neste artigo homenagear, ainda, o capitão e dr. Júlio Martins que foi muito importante nos aspectos culturais, no lançamento da revista do Colégio, na actividade de cinema e o capitão Simões que foi o responsável do renascimento da equipa de futebol colegial. Não podendo referir todos os servidores do Colégio dos nossos sete anos de curso, entendemos referir nominalmente mais alguns, como os directores sucessivos brigadeiros, Duarte Silva, Cotta de Morais, Correia Leal, Granate; os sub-directores majores Vieira da Fonseca e Sampaio; os instrutores militares capitães Cruz e Godofredo Freitas; professores de educação física Enes Ferreira e Pereira de Carvalho; professores de Físico-Química Rodrigues e de Geografia Dionísio; mestre de língua francesa msr. Regagnon e de língua inglesa mr. Williams, a par de muitos outros que contribuíram para os homens que somos hoje e que entrámos há 70 anos no Colégio Militar. 1 - HOMENAGEM AO DR. JÚLIO MARTINS: Embora o dr. Júlio Martins só tivesse sido professor do curso colegial de 1948/55 um ano, nomeadamente no antigo 3.º ano liceal (agora 7.º ano), e da disciplina de Latim, foi um dos
mestres que nos marcou, especialmente, no âmbito cultural e da solidariedade. Impulsionou sessões de cinema na sala de espetáculos no antigo quartel da Formação, atualmente à responsabilidade da AAACM; lutou pelo museu que se encontra no nosso antigo refeitório; e dirigiu a revista do Colégio Militar.
ficou comovido, agradeceu, mas convenceu-nos a retirar a marca da nossa homenagem… O nosso curso será um dos mais agarrados à Feitoria, berço do Colégio, designadamente por ser o único referenciado num painel de azulejos colocado numa das paredes, conjuntamente com
Nessa altura, julgo que não havia revista da AAACM, mas apenas a do Colégio. Tive a honra de pertencer à equipa redatorial da revista, no nosso 7.º e último ano (equiparado ao atual 11.º ano), conjuntamente com Luís Mendes de Almeida (285/1948), nosso comandante de Batalhão e diretor da revista, Carlos Góis Pinto (201/1947) e Eduardo Naugton Félix Rodrigues (278/1947, já falecido), sendo o oficial orientador o capitão Júlio Martins, conforme consta na página 2 do n.º 99 da Revista, datado de Março de 1955, sendo o 33.º ano da mesma. Tive o gosto de oferecer o exemplar que tinha à AAACM, como prometera na reunião que lá tivemos no dia 7 de Junho, e cópia ao Colégio. Dessa experiência, recordo um episódio interessante que abona do caráter do professor Júlio Martins. Uma noite, um de nós teve a ideia de dedicar-lhe a sala da redação, existente nos Claustros, próximo da barbearia, onde imperava o saudoso Ramalho, e colámos o seu nome numa das paredes, através de letras de madeira pintadas, o que deu algum trabalho. No dia seguinte, o «Juju», ao presenciar a nossa iniciativa,
Capitão Júlio Martins.
Homenagem aos nossos Professores
os alusivos ao padre Braula Reis e aos fundadores do Núcleo da AAACM, já falecidos, e por dar o maior contingente nos almoços de convívio do Núcleo, desenvolvidos desde 2005. E eu fui um dos que passei férias na Feitoria durante os sete anos de aluno, como o saudoso Luís Dias Antunes (221/1948) ou o Filomeno Malheiro Garcia (311/ 1947). Também lá estive no período de dois anos de professor (1971/73). Terminado o curso em 1955, deixei de poder passar lá férias e apontei-as para a Costa da Caparica, tendo dormido a minha primeira noite, lá, em casa do dr. Júlio Martins. Enquanto o Luís Joel Pascoal (145/1948) acolheu o meu irmão Francisco (53/1947), o professor foi o meu anfitrião e influenciou quanto ao facto de, mais tarde, passar a fazer sardinhadas na antiga casa do Joel, onde foram muitos antigos alunos, incluindo os saudosos José Maria Myre Dores (47/1942, comandante de Batalhão quando entrámos), Naugton, Dias Antunes ou José Pereira da Rosa (280/1949); assim como, António Hélder Sena e Silva (149/1948), Abílio Pais de Ramos (323/1948), Mendes de Almeida, Pedro do Canto Lagido (330/1947). O «Juju» também conseguiu que eu fosse professor no Colégio durante dois anos letivos, 1971/72 e 1972/73, e que eu frequentasse a Faculdade de Letras, em Românicas, pois convidou-me para professor de Português, embora, acabasse por lecionar Geografia e Desenho. E, ainda, deu uma ajuda nos meus primeiros livros, Aquelas Longas Horas e Tempo Africano, que editou, na sua Didática Editora, onde colaborava o dr. Jaime Mota, situada perto da Assembleia da República, tendo, inclusivamente, proporcionado um lançamento em que participou o, também, saudoso escritor dr. Fernando Namora. Por tudo isto, o então tenente e capitão miliciano dr. Júlio Martins foi um dos mestres que mais me marcou, pela positiva, assim como padre Braula Reis, dr. Jaime Mota, capitães António Cardoso, Ivo Guedes da Silva, Morais ou Ernesto Dionísio…
Outro elemento do nosso curso que registou a influência de alguns dos nossos mestres foi o saudoso Luís Dias Antunes (221/1948) com nome no painel de azulejos dos fundadores do Núcleo da Feitoria, tal como Naugton Rodrigues, Pereira da Rosa, Tito Xavier, Mello e Motta e, agora, também, infelizmente,António Marquilhas. Manuel Júlio Matias Barão da Cunha (150/1948) 2 - HOMENAGEM AO CAPITÃO NUNO CORDEIRO SIMÕES: O Simões, de sua graça Nuno Cordeiro Simões, ex-aluno 42/1935, entrou ao serviço no Colégio com a patente de tenente em 1951, substituindo o capitão Julio Cruz, também ele ex-aluno, como instrutor de Instrução Militar. Desempenhando uma função transversal a todo o Batalhão, passado pouco tempo não havia aluno que não conhecesse e com quem não tivesse privado. O respeito pela patente, a afinidade pela condição de ex-aluno e a idade – basta fazer as contas para constatar que o Simões, ao tempo, pouco mais velho era que os nossos graduados – tudo augurava uma excelente e profícua relação deste “Cão” com a malta, e assim foi! Integração rápida, fácil e bem assimilada por todos. O Simões regressava então de uma comissão em Timor, uma experiencia extraordinária e um deslumbre inesperado que não se cansava de enaltecer e partilhar connosco, e que o iria marcar para a vida. A beleza exótica do sítio, a afabilidade das gentes com o seu patriotismo atávico e fortíssima ligação a Portugal, temperado por uma paixoneta inesperada mas persistente por uma nativa, dava à narrativa o mistério e o picante necessários para se transformar num best-seller no nosso imaginário de adolescentes, ávidos de romance e aventura. Pedagogo e líder nato, o Simões era um homem de causas que abraçava com grande entusiasmo e convicção, a lembrar o Padre Braula Reis, seu contemporâneo no Colégio, de quem se tornou grande amigo.
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O Pedro Lagido, que tem uma memória privilegiada, lembrava há pouco tempo as cenas deliciosas do Simões a abrir a pontapé, noite sim noite sim, a porta do quarto que o Padre Braula ocupava no Corredor da Morte, na Segunda, que, de perra que estava, não cedia a tratamento mais carinhoso. Para o Simões nós éramos os moços – Oh moço vem cá, oh moço diz lá – e sendo um conversador nato, transformava a relação oficial/aluno numa sabatina de iguais, interessados em partilhar experiências e pontos de vista sem complexos, mas sempre com o maior respeito. Do nosso lado ficávamos mais sábios e mais preparados e ele, quiçá, contente por sentir que era aceite e escutado com interesse, conseguindo passar as mensagens que julgava úteis ao nosso crescimento, a desbravar solo virgem em anos tão marcantes da nossa adolescência. Uma das mais populares e mediáticas causas abraçadas pelo Simões teve a ver com a equipa de futebol do Colégio, de que eu na altura fazia parte. Às tantas, já não sei por alma de quem, o Simões auto proclamou-se responsável pelo futebol, assumindo-se, simultaneamente, como seleccionador, treinador, psicólogo e nutricionista, dedicando-se de alma e coração a fazer de nós a melhor equipa de sempre dos campeonatos escolares da Mocidade Portuguesa. Tratava-se de ganhar o campeonato “sem espinhas” e, pelo caminho, dar uma abada aos Pupilos, gente amiga mas eternos rivais. A importância do feito era tão marcante e a tradição tão forte e tão antiga, atrevo-me a dizer com algum exagero, admito, como o da regata anual no Tamisa entre as universidades de Oxord e Cambridge…o mesmo ambiente de exaltação a bola a fazer de remos e a relva a lembrar a água. Que me lembre, o Simões não era nenhum Guardiola, nem sequer um Zé Peseiro, e não me recordo de qualquer táctica que fosse além do “dar o litro, pontapé para a frente e fé em Deus”.
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Homenagem aos nossos Professores
nos habituou, neste caso uma lição simples e clara na arte de bem liderar e motivar um grupo a atingir objectivos. O escrito vai longo e o espaço disponibilizado pelo Zacatrás, quem sabe, já ultrapassado, pelo que me reduzo à minha insignificância com duas notas finais: - Ao homenageado - mestre e bom amigo Nuno Simões (42/1935), bem-hajas por tudo o que fizeste por nós… nunca esqueceremos o teu exemplo, o teu empenho, a tua amizade, a tua bonomia, o teu humor e as tertúlias sem princípio nem fim que enchiam de coisas boas aqueles tempos luminosos da nossa adolescência. - Ao futebol, enquanto projecto Simões - No ano em causa, o Colégio venceu o Campeonato escolar de futebol “com uma perna às costas” e, cereja no topo do bolo, ganhamos 3-0 aos Pupilos, golos marcados por – não resisto a referir – Carlos Pardal (1), eu (2). No ano seguinte, a Federação Portuguesa de Futebol pediu para que a equipa do Colégio fizesse um jogo de preparação contra a selecção nacional de juniores, em vésperas
de partir para Itália jogar o campeonato da Europa da categoria. A direcção do Colégio aceitou o convite, o jogo realizou-se no campo de treinos do Estadio Nacional e o resultado final foi… Colégio - 1 Selecção Nacional – 0. Uma emoção e um orgulho para a equipa, para o Colégio e para o Simões. - Mesmo para acabar, não posso deixar de referir a figura impar do Ripas (58), chefe incontornável e incontrolável da nossa claque, que de moca em riste e cem quilos de peso, punha em sentido os apoiantes adversários mais aguerridos, chegando ao ponto de ameaçar de terríveis sevícias, os elementos da nossa própria claque que não expressassem por gritos cheios de decibéis e impropérios “hardcore”, o apoio que achava devido à nossa equipa. José Maria de Avilez Correia de Sampayo (367/1949)
Capitão Nuno Simões.
Já como nutricionista, as suas dietas punham de lado tratamento mais subtil para nos encher de bifes com ovo a cavalo e batatas fritas, para delícia dos cerca de 22 eleitos, e grande inveja do resto da malta, a matar a fome com guisados de pelanca e feijão artilheiro, servidos de alto com enorme perícia e zero desperdício, pelo Cartaxo e quejandos. Claro que o Simões tinha a perfeita noção de que não era um “expert” na matéria, mas também sabia que mais do que qualquer dose extra de hidratos de carbono ou suplemento alimentar mais sofisticado, o importante era ganhar o grupo para uma causa. Não se tratava de melhorar o físico, mas sim de fortalecer a alma! Onde titubeava a ciência, sobrava entusiasmo, convicção e uma enorme capacidade de vender o “produto”. O exemplo é comezinho e pouco elevado trata-se apenas de futebol - mas serve para ilustrar o estilo de intervenção a que o Simões
Da esquerda para a direita. Em cima Pedro Caeiro (14/47), Serrinha Figueira (339/47), Niblet do Passo (224/47), Mota Ferreira (307/47), Cunha Nogueira (262/48) e Dias Antunes (221/48). Em baixo Carlos Pardal (100/47), Larcher Graça (5/47), José Sampaio (367/49), Joaquim Mensurado (252/46), Correia Branco (232/48) e Seixas Serra (30/47).
A Família Abrantes da Silva
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A Família Abrantes da Silva NOTA INTRODUTÓRIA DA REDACÇÃO: Na parte inicial do artigo «A família Santa Marta», publicado no nº 212 da ZacatraZ, referia-se que na lista
das famílias notáveis pelo número de irmãos que frequentaram o Colégio, se destacava a família Santa Marta, com sete elementos, não se conhecendo nenhuma família , com seis elementos. Rapidamente concluimos que estávamos enganados, facto para o qual fomos alertados por um dos seis irmãos da família Abrantes da Silva. Com todo o gosto damos a mão à palmatória e damos a palavra aos Abrantes da Silva.
N
o seguimento do artigo da Zacatraz n.º 212 sobre A Família Santa Marta não resisti ao convite do Luís Barbosa em estender o seu conteúdo à minha família por esta preencher um dos requisitos definidos na obra Para Lá do Colégio Militar, uma Associação Centenária, da autoria de Rui Figueiredo de Barros (62/1936) e Gonçalo Figueiredo de Barros (440/1967). A Família Abrantes da Silva contribuiu com o seu número de elementos (6) para a história do Colégio Militar de forma muito assinalável ao fixar os Claustros na mira dos seus horizontes e valores, tal como é enaltecido na obra supracitada. Para além destas, não se conhecem outras motivações objetivas para a decisão dos nossos Pais em escolher este estabelecimento de ensino para assegurar a formação dos seus 6 de 8 filhos rapazes. Se considerarmos ainda as 3 filhas (Margarida de Fátima, Teresa Mónica e Maria Isabel) que frequentaram o curso dos liceus no Instituto de Odivelas, estaremos na presença de um agregado de 9 irmãos a frequentar estes dois estabelecimentos.
Figura 1 Mário Abrantes da Silva e Maria Isabel Wrem da Silveira Viana (pais de 6 Meninos da Luz).
Mário Abrantes da Silva, nascido em Lisboa (Santa Isabel) a 7 de agosto de 1919 e atualmente com 99 anos de idade, oficial do exército, arma de cavalaria, casou em 6 de fevereiro de 1946, dia do 24º aniversário da sua futura esposa, na igreja paroquial de Nossa Senhora do Rosário de Fátima de Lisboa com Maria Isabel Wrem da Silveira Viana, nascida em Lisboa (Camões) a 6 de fevereiro de 1922, falecida na mesma cida-
de em 27 de outubro de 1991, filha de Luís Manuel da Silveira Viana, natural de S. Sebastião da Pedreira em Lisboa, proprietário, e de Josefina Mac-Mahon Wrem, natural de Barcelona, neta paterna de Francisco da Silveira Viana e de Eugénia Ludovina Viana Gonçalves de Lemos e materna José Zuzarte Wrem (1º visconde de Wrem) e de Maria Luísa Mac-Mahon y Sachi.
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A Família Abrantes da Silva
João Paulo Wrem Abrantes da Silva nasceu às 20 horas e 30 minutos do dia 22 de dezembro de 1948. Foram testemunhas Acácio Nunes da Cruz Tenreiro, casado, oficial do Exército, morador no Quartel da Guarda Republicana de Braço de Prata e Duarte Henrique Pinto da Rocha e Cunha, casado, sargento ajudante, morador no mesmo Quartel. Era o primeiro dos onze filhos de Mário e Maria Isabel, e viria a ser o único filho a prosseguir uma carreira militar no exército, arma de cavalaria, atingindo a patente de capitão.
Figura 2 Mário Abrantes da Silva
A FAMÍLIA COLEGIAL ABRANTES DA SILVA Em 1959, não sendo possível precisar o dia e mês, passados quase 60 anos, Mário e Maria Isabel deram início a algo que passaria a marcar a vida de 6 rapazes para sempre. Nesse dia, os nossos pais acompanharam o Rata João Paulo ao seu 1º dia no Colégio Militar,
dia este que todos nós colegiais sabemos e conhecemos a sua importância. Começava assim a execução de um projetivo educativo consubstanciado na formação e educação dos filhos de Mário e Maria Isabel – Família Colegial Abrantes da Silva - numa instituição, fundada pelo Marechal António
Teixeira Rebelo em 3 de março de 1803, cujos valores e princípios constituíam os seus principais alicerces.
OS 6 IRMÃOS QUE FREQUENTARAM O COLÉGIO MILITAR, DE UM TOTAL DE 11 FILHOS
ANTES
Figura 3 da esquerda para a direita, João Paulo (527/59), Mário(439/60), Luís Manuel (619/71), Francisco José (600/71), Tiago Filipe (253/72) e António Pedro (596/75).
AGORA
Figura 4 da esquerda para a direita, João Paulo (527/59), Mário(439/60), Luís Manuel (619/71), Francisco José (600/71), Tiago Filipe (253/72) e António Pedro (596/75).
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A Família Abrantes da Silva
OS 6 IRMÃOS QUE FREQUENTARAM O COLÉGIO MILITAR, DE UM TOTAL DE 11 FILHOS (8 RAPAZES E 3 RAPARIGAS) DO CASAL MÁRIO E MARIA ISABEL, FORAM OS SEGUINTES:
Data Nascimento
Nº Aluno
Entrada
Saída
Residência atual
Profissão/Empresa
João Paulo Wrem Abrantes da Silva
22-12-1948
527
1959
1967
Porto
Oficial de Cavalaria reformado
Mário Wrem Abrantes da Silva
22-05-1950
439
1960
1966
S.Miguel Açores
Engenheiro Agrónomo
Luís Manuel da Silveira Abrantes da Silva
14-11-1950
619
1971
1977
Oeiras
NAV Portugal, E.P.E.
Francisco José Viana Abrantes da Silva
31-03-1960
600
1971
1976
Cascais
Metropolitano de Lisboa
Tiago Filipe Viana Abrantes da Silva
30-06-1962
253
1972
1979
Oeiras
Banco Comercial Português, S.A.
António Pedro Wrem Viana Abrantes da Silva
24-12-1964
596
1975
1982
Sintra
Altice Portugal
Nome
Na consulta do livro Meninos da Luz Quem é Quem II, da autoria AAACM, editado em março de 2008, podemos concluir que, até ao ano de 2007 inclusive, os números de aluno dos irmãos Luís Manuel (619), Francisco José
Nome
(600) e António Pedro (596) foram atribuídos pela última vez a estes membros da Família Abrantes da Silva. As graduações com funções de comando atribuídas a elementos da Família Abrantes
da Silva e consequentemente publicadas em Ordem de Serviço do estabelecimento de ensino, resumem-se da seguinte forma:
1ª Companhia
2ª Companhia
3ª Companhia
4ª Companhia
João Paulo Wrem Abrantes da Silva
-
-
-
-
Mário Wrem Abrantes da Silva
-
-
*
-
Luís Manuel da Silveira Abrantes da Silva
-
-
**
-
Francisco José Viana Abrantes da Silva
-
-
-
-
Tiago Filipe Viana Abrantes da Silva
-
-
-
-
António Pedro Wrem Viana Abrantes da Silva
-
-
-
**
Naquele tempo e ao que tudo indica atualmente, as funções de comando atribuídas aos graduados com ** são as de comandante de pelotão, normalmente em número de 4 por Companhia, e com * de comandante de secção, em número de 3 por Pelotão.
Outra
Cerra-Fila da Escolta
Furriel
No que diz respeito ao mérito escolar os cursos com o ano de entrada de 1972 e 1975, dos antigos alunos Tiago Filipe e António Pedro, encontram-se no “Top 15” dos cursos com mais medalhas em termos absolutos, nas posições de 1º e 9º respetivamente. Figura 5 Aluno graduado António Pedro (596/1975)
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A Família Abrantes da Silva
FAMILIARES E PARENTES DO PASSADO São inúmeros os antigos alunos que evidenciam laços de parentesco à Família Abrantes da Silva que, no seu tempo, desenvolveram atividades na sociedade portuguesa de carater político, económico e filantrópico com destacada notoriedade. Alguns dos 23 antigos alunos com relações familiares e de parentesco à Família Abrantes da Silva: • BOAVENTURA FREIRE CORTE-REAL MENDES DE ALMEIDA (258/1885): esposo de prima em 1º grau de 2 gerações anteriores.
• FUNDADOR EM 1933 DO REFÚGIO ABOIM ASCENSÃO, INSTITUIÇÃO PARTICULAR CRISTÃ DE SOLIDARIEDADE SOCIAL (IPSS) • PRESIDENTE DO CONSELHO SUPREMO DA AAACM EM 1994 • ANTÓNIO HERCULANO DE MIRANDA DIAS (292/1925): padrinho de batismo da irmã mais velha, Margarida de Fátima Viana Abrantes da Silva • CORONEL DO EXÉRCITO • MEMBRO FUNDADOR DA COMISSÃO DE SOLIDARIEDADE DA AAACM EM 1980 • MEMBRO DO CONSELHO SUPREMO DA AAACM
Figura 8 Augusto Tito de Morais (431/1933)
Tiago Filipe Viana Abrantes da Silva (253/1972)
• OFICIAL DA ARMADA • GOVERNADOR DE LOURENÇO MARQUES, MOÇAMBIQUE • GOVERNADOR DE TIMOR E MACAU • DEPUTADO DA NAÇÃO Figura 9 Manuel Aboim Ascensão de Sande Lemos (64/1910)
• MANUEL ALFREDO TITO DE MORAIS (394/1921): 4º primo 2º grau. • MILITANTE E FUNDADOR DO PARTIDO SOCIALISTA (OS) • FOI DEPUTADO ELEITO POR DIVERSOS CÍRCULOS ELEITORAIS • VICE-PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA PARLA MENTAR DO CONSELHO DA EUROPA E PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
Figura 6 Boaventura Freire Corte-Real Mendes de Almeida (258/1885)
• AUGUSTO TITO DE MORAIS (431/1933): 4º primo 2º grau. Figura 10 António Herculano de Miranda Dias (292/1925)
• PROFESSOR CATEDRÁTICO DO INSTITUTO DE MEDICINA TROPICAL • MÉDICO DA ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE • IRMÃO DE MANUEL ALFREDO TITO DE MORAIS (394/1921) • MANUEL ABOIM ASCENSÃO DE SANDE LEMOS (64/1910): sogro de 2ª prima em 1º grau.
figura 7 Manuel Alfredo Tito de Morais (394/1921)
Jantar do Oeste
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Jantar do
Oeste
O
s assíduos participantes nos famosos Jantares do Oeste, cuja realização se continua a dever à enorme dedicação e hospitalidade do António José de Azeredo Lopes (350/1954), cujos pinos e flic-flacs impecáveis ainda retenho na memória, ficaram admirados e desgostosos por
Vista geral da sala de realização do evento. ©Foto Leonel Tomaz
a ZacatraZ não ter incluído em números anteriores a noticia do último jantar, realizado no passado dia 25 de Maio de 2018. Como caiu muito em cima do número que saiu em Junho, não dava para publicar no mesmo. Quanto ao número que saiu em Setembro, não incluiu a noticia por motivos de ordem
logística, que é uma explicação que serve para tudo e que acaba por não justificar nada. A verdadeira explicação é simples, falta de mão de obra para lidar com uma lista de participantes como aquela que se segue.
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Jantar do Oeste
Aspecto de uma das mesas.
©Foto Leonel Tomaz
A simpatia dos anfitriões.
©Foto Leonel Tomaz
Sessão de aquecimento no exterior do recinto da prova gastronómica.
©Foto Leonel Tomaz
Jantar do Oeste
©Foto Leonel Tomaz
Os comensais prontos para o início do jantar.
ESTIVERAM PRESENTES OS SEGUINTES ANTIGOS ALUNOS: Francisco Manuel Alcântara Mota Ferreira (307/1947); Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950); Francisco Manuel Vidigal Solano d’Almeida (188/1951); José Carlos Santos Corrêa Monteiro (184/1952); Manuel Nuno da Costa Estorninho (207/1952); Luiz Manuel Caldeira Pinto (168/1953); Bernardo Manuel Diniz de Ayala (171/1953); João Nuno Bellegarde Bello Conceição (270/1953); António José de Azeredo Lopes (350/1953); Eduardo Henrique Vidigal Solano d’Almeida (5/1954); Luís Fernando Cordeiro Falcão Mena (77/1955); Antonio Fernando Diniz de Ayala Boaventura (339/1955); José Manuel Vasconcelos e Silva de Magalhães (409/1955); Manuel Agostinho de Castro Freire de Menezes (423/1955); Mário Carlos de Sousa Tavares (274/1956); Mário João Conde de Carvalho Pereira (275/1956); Diogo José Brochado de Abreu (190/1957); Arnaldo João Reis Maya (242/1957); Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958); Carlos Manuel Pires Nobre Biscaya (469/1958); Fernando Delfim Guimarães Tavares de Almeida (215/1959); João Luís Madeira de Carvalho Egreja (359/1959); Feliciano José Mora Moniz Santos (392/1959); António Carlos de Lemos Lepierre Tinoco (500/1959); Rui Manuel de Sá Leal (502/1959); Abel Fran-
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cisco Gaspar Soeiro e Sá (506/1959); Fernando Faustino Roque do Vale (518/1959); Joaquim José Arranhado Bação (77/1960); João Sanches de Miranda Mourão (552/1960); José Joaquim Restani Graça Alves Moreira (344/1961); José Francisco Machado Norton Brandão (400/1961); José Manuel Granja Gomes da Silva (586/1961); Artur Manuel de Spínola e Santos Pardal (587/1961); João Manuel Gomes Pereira Carmona (589/1961); João Lopo de Pinho Cancela de Abreu (64/1962); João Carlos Beleza Gonçalves Vaz (123/1962); António Manuel Restani Graça Alves Moreira (206/1962); Luís Fernando Bernardes dos Reis (429/1962); Filipe Manuel Miranda Themudo Barata (608/1962); Francisco José Petrucci Gutterres da Fonseca (13/1963); João António Feio Pereira (157/1963); João Manuel Porto Silva Frade (362/1963); Luís Manuel Gomes do Prado Quintino (474/1963); Luís Alberto Oulman da Costa de Sousa Macedo (517/1964); José Manuel Spínola Barreto Brito (539/1963); José Nuno do Rosário e Silva Leitão (153/1964); Carlos António de Lima Duarte Ferreira (398/1964); João Manuel Simões de Carvalho (464/1964); Francisco Manuel Carvalhosa Matos Silva (52/1965); António Alexandre Castanheira Coelho (94/1965); Luís Alberto de Brito Correia de Matos (196/1965); José Manuel Machado
dos Santos (200/1965); José Eduardo Jorge Eiras Dias (393/1965); José Celestino Arnaut Monroy (573/1965); Duarte Rui Aniceto Dias Marques (408/1969); Eduardo José de Carvalho Marques (666/1969); António Luís Henriques de Faria Fernandes (454/1970); Pedro Frazão Alpendre (412/1972); José Eusébio Pereira Barata Cordeiro de Araújo (591/1973); João Paulo Noronha da Silveira Alves Caetano (609/1973); Pedro Nuno Gonçalves Alexandre (257/1978); Dário Duarte Mendes Prates (340/1981); João Miguel Vicente Carita (370/1981); António Mucharreira de Azeredo Lopes (378/1981); Miguel de Oliveira Baptista Geraldes Freire (380/1981); João Pedro Mendes Rodrigues da Silva (428/1982); Nelson Manuel Machado Lourenço (377/1982); Ricardo Alberto de Sousa Ribeiro Rebordão de Brito (8/1987); João Frederico Vasconcelos Beleza Vaz (152/1989); Nuno Miguel Teixeira Ribeiro (310/1989); Ricardo de Sousa Macedo Esteves Mendes (190/2006); Gonçalo de Aires Mateus Salema de Matos (88/2006); João Faustino de Azevedo da Silveira Caetano (1/2009). Convidados: Leonel José da Silva Tomaz José Luis Pontes
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O fantástico périplo do Alferes Jacinto
Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
O fantástico périplo do Alferes Jacinto N
o artigo intitulado «Paul Emil von Lettow Vorbeck. Um inimigo de respeito», publicado no número 211, de Abril/Junho de 2018 da Zacatraz apresentámos uma panorâmica sumária, do que foram as campanhas militares portuguesas em Moçambique, durante a 1ª Guerra Mundial. Estas campanhas tiveram um trágico saldo, a nível sanitário, com cer-
O Alferes José Teixeira Jacinto.
ca de 10% de baixas devidas a morte por doença, das tropas europeias mobilizadas para aquele teatro de operações. As baixas temporárias por doença foram de tal ordem, que tornaram algumas unidades inoperacionais. Em Dezembro de 1916, face ao enorme número de baixas por doença que já se verificava entre as tropas europeias, o Governador-Geral de Moçambique, Álvaro de Castro, faz seguir um telegrama para o Governo em Lisboa, em que indica que considera vantajoso recorrer ao emprego de tropas locais, pedindo o envio de quadros e material para a criação de 20 companhias de indígenas.
Praia, onde ficam cerca de duas a três semanas, aguardando destino. Novas ordens acabam por chegar. As quatro companhias iriam guarnecer a zona extrema Oeste, perto do lago Niassa, da linha defensiva traçada ao longo do rio Rovuma, que estabelecia a fronteira Norte de Moçambique com a África Oriental Alemã. O inesperado na ordem recebida, era que as companhias não seguiriam para o seu destino, ao longo dos trilhos existentes na fronteira Norte, mas sim através da colónia inglesa da Niassalândia (actual Malawi), onde se articulariam com as tropas inglesas, passando depois para Moçambique, atravessando para tal o lago Niassa, de Oeste para Leste.
O Governo envia os quadros e os meios que conseguiu disponibilizar, que chegam à Beira, em Abril de 1917. Na Beira tinham-se entretanto reunido nativos de Sofala, Sena e Manica, que seriam os recrutas a instruir. A instrução teve a duração de um mês e dez dias, sendo dadas como prontas quatro companhias de indígenas, que seguem, por via marítima, para Norte, com destino a Palma. A meio da viagem os planos mudam e as quatro companhias acabam por ser desembarcadas mais a Sul, em Mocímboa da
Em resultado das ordens recebidas, o conjunto das quatro companhias, que ficou conhecido para a posteridade como a «Coluna do Lago», embarca de novo, já no mês de Junho de 1917, retrocedendo para Sul, até Chindo, na foz do rio Zambeze. A subida do rio Zambeze é feita de barco, seguindo depois a coluna de combóio até Blantyre, na Niassalândia. Chegada a coluna a Blantyre, o imprevisto acontece. Após discussão entre o capitão
O fantástico périplo do Alferes Jacinto
português comandante da coluna e o general inglês Notherly, chefe das forças inglesas estacionadas na zona, conclui-se que os dois exércitos irão actuar separadamente, pelo que a «Coluna do Lago» tem como destino voltar a Moçambique. Por razões que desconhecemos, o regresso a Moçambique não se faria de combóio e barco, de modo inverso ao da ida, sendo feito a pé, por território inóspito e praticamente desconhecido do comando da Coluna, em direcção à frente do Rovuma, no Norte de Moçambique, a cerca de 900 km de distância. No compasso de espera de cerca de 10 dias, em que a Coluna permaneceu em Blantyre, sem quaisquer condições de alojamento, começaram a verificar-se baixas por paludismo. O comandante da Coluna fixa, como termo da primeira etapa da longa marcha a encetar, o forte de Milange, já no interior de Moçambique. Para além da grande distância a percorrer a pé por terreno agreste e desconhecido, os grandes problemas a resolver eram o da alimentação das tropas e da obtenção de carregadores, para transportarem todo os víveres e o material que a Coluna levava consigo. O alferes José Teixeira Jacinto, cujo percurso passaremos a acompanhar nesta
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descrição, é nomeado provisor da coluna, cabendo-lhe a ingrata missão da gestão dos escassos bens alimentares disponíveis.
que a Coluna chega a Metarica é deplorável, com o pessoal subnutrido e com as fardas e calçado em mísero estado.
A 15 de Julho, após 150 km de marcha, a Coluna atinge Mecanhelas, sendo a condição do pessoal deplorável, pois já estava em regime de meia ração. Neste local remoto, encontram um agricultor europeu, residente na zona, que ajuda o pessoal a encontrar caça, sempre insuficiente para a alimentação da Coluna, dado o seu grande efectivo.
Em Metarica, a Coluna do Lago é desmembrada. De acordo com ordens recebidas do quartel-general, sediado em Chomba, a 4ª companhia indígena parte para Muemba, a 3ª para Maziúa, enquanto a restante tropa, em que se integra o alferes Jacinto, dirige-se a Nanguar, situada a 160 km de distância, para se reunir com tropas provenientes da costa. A marcha para Nanguar é feita por etapas de 25 km por dia, por serras pedregosas e inóspitas, debaixo de calor intenso, o que deixa os homens depauperados.
De Mecanhelas a coluna segue para Amaramba, onde consegue contratar três aventureiros, um italiano, um grego e um indiano, que se tornam fundamentais para o abastecimento, sempre insuficiente, da Coluna com carne de caça. A partir de Amaramba, a Coluna percorre aproximadamente 200 Km, em cerca de 20 dias, até chegar a Maúa, cujo régulo era hostil aos portugueses, tendo sido necessário proceder a uma acção de pacificação. Concluída essa acção, a Coluna parte a 9 de Setembro para o forte de Metarica, onde a cabeça da Coluna chega a 16 de Setembro, tendo alguns dos homens de retroceder, pois como a Coluna se alongava por vários quilómetros, a sua retaguarda estava a ser atacada por leões, fazendo baixas entre o pessoal. O estado em
A chegada a Nanguar dá-se em Outubro de 1917. A longa caminhada da Niassalândia a Nanguar durara cerca de quatro meses, tendo-se percorrido cerca de 900 km, por terrenos inóspitos, desabitados e desconhecidos. Se tivessem partido de Mocímboa da Praia, teriam percorrido, para chegar a Nanguar, cerca de 250 km por trilhos conhecidos, através do planalto dos macondes. Em Nanguar não há nada para comer, a zona tinha sido raziada por incursões do inimigo. Nem caça havia. A situação alimentar só se resolve, quando chega a tropa vinda da costa, que traz um cabo que tinha estado no local e que sabe onde há mantimentos, que tinham sido enterrados, para não caírem nas mãos do inimigo. Em Nanguar o alferes Jacinto é nomeado comandante da 2ª companhia indígena, à qual é dada a missão de cavar trincheiras na Serra Mecula, onde se esperava deter as forças alemãs, caso as mesmas se internassem no território de Moçambique. Mas a 2ª companhia indígena não fica na serra Mecula, é-lhe dada a missão de construir e guarnecer um forte, a 450 km de distância, para Leste, já perto do lago Niassa, ficando sob a sua vigilância os terrenos a dois dias de marcha para cada lado do forte.
O fantástico périplo do Alferes Jacinto.
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O Fantástico périplo do Alferes Jacinto
A 7 de Novembro o alferes Jacinto e a sua companhia estão de novo em marcha. Atingem Maziúa, após 6 dias de marcha. Ao passarem em Mecaloge, começa a haver pessoal atacado pelas febres. A 24 de Novembro de 1917,atingem os montes Macolos, o seu destino. Entretanto os acontecimentos precipitam-se. No dia seguinte, a 25 de Novembro de 1917, o General Von Lettow Vorbeck atravessa com as suas tropas, o rio Rovuma, em Negomano e impõe uma pesada derrota às forças portuguesas que defendem essa posição. Apesar da distância de cerca de 500 km entre os montes Macolos e Negomano, a noticia da derrota chega ao alferes Jacinto cerca de 10 dias mais tarde e ele pressente que toda a linha defensiva disposta ao longo do Rovuma, da qual a sua unidade ocupava o extremo ocidental, começa a ruir. De Negomano as forças alemãs progridem para Sul. Após dura luta tomam Nanguar, de onde o alferes Jacinto e a sua companhia tinham partido, quando iniciaram a sua marcha para Oeste. O objectivo seguinte das forças alemãs foi serra Mecula, que o alferes Jacinto e a sua companhia tinham ajudado a preparar para suster um ataque, efectuando trabalhos de organização do terreno. A defesa da serra Mecula, feita sob o comando do capitão Francisco Curado, foi a acção militar de maior valor do Exército Português na guerra em Moçambique. O combate começou a 3 de Dezembro, sendo a força alemã comandada pelo general Kurt Whale. Durante dias combate-se duramente. A 8 de Dezembro, por volta do meio- dia, quando as munições da força portuguesa já escasseiam, os alemães começam a usar artilharia que entretanto chegara ao local. Pouco mais tempo dura a resistência portuguesa, tendo perecido, na parte final do combate, o valoroso
tenente Viriato Lacerda, quando tentava inutilizar uma metralhadora, antes que a mesma caísse nas mãos dos alemães. O combate de serra Mecula foi a última acção militar de vulto do Exército Português nesta guerra em Moçambique. Nos montes Macolos o alferes Jacinto vai entretanto recebendo pessoal fugido dos alemães, em geral em estado miserável, devido à fome passada durante a fuga. A 15 de Dezembro tinha recebido mais de 350 homens. Não tendo sentido continuar nos montes Macolos, o alferes Jacinto, a sua companhia e a massa de fugitivos que a ela se juntara, rumam a Sul e acabam por chegar a Unango, onde uma pequena força inglesa, que entretanto aí se instalara, assiste atónita à sua chegada. O aspecto daquela força era desolador. Chamaram-lhe a «companhia pirata». Estavam todos com cabelos e barbas de mais de dois meses e com as fardas e o calçado a cair aos bocados. Durante cinco meses ninguém soube do paradeiro do alferes Jacinto, da sua companhia indígena e daqueles que se lhes tinham juntado. A 15 de Março de 1918 o alferes Jacinto recebe em Unango um telegrama de felicitações do seu comandante, o coronel Sousa Rosa. Felicitava-o pela sua conduta e por ele e a sua gente estarem vivos, pois os mais pessimistas criam que as forças portuguesas tinham sido completamente aniquiladas. Após a recepção daquele telegrama o alferes Jacinto decide ir apresentar-se ao seu comandante a Muirite (a cerca de 500 km de distância). No final de Março, entrega o comando da sua tropa a um oficial que acolhera, depois de o mesmo ter sido feito prisioneiro pelos alemães na serra Mecula e conseguir fugir, e parte para Leste com um cabo, dois soldados indígenas, um guia e seis carregadores.
Foi a última etapa do seu fantástico périplo de cerca de 2000 km. Durante essa marcha foi encontrando pequenas unidades de tropas portuguesas, através das quais soube, via TSF, que tinha sido promovido a tenente. Depois de chegado a Muirite, o agora tenente Jacinto é dado como incapaz para o serviço por fraqueza geral, paludismo, bronquite e uma hérnia inguinal. Fica à espera de ser evacuado para a Metrópole. Antes que isso aconteça, ainda arranjou forças para ir montar um posto de etapas e para ir administrar o concelho de Amaramba, por onde passara no início do seu longo périplo. Terminada a guerra, passa à reserva e começa a última grande batalha da sua vida, que foi a de obter a condecoração de Cavaleiro da Ordem da Torre Espada do Valor, Lealdade e Mérito, atribuída, por lapso, ao oficial que se limitara a trazer a sua companhia de indígenas de Unango para Mocímboa da Praia. O erro só foi reconhecido pelo Exército em 1931. Por falta de verbas, o colar da condecoração só foi entregue em 1947, dois anos depois de José Teixeira Jacinto ter morrido. A sorte foi-lhe madrasta.
NOTAS FINAIS: 1. O presente artigo é baseado nos textos dos Suplementos nº9 e nº11, I GRANDE GUERRA, do jornal PÚBLICO, de 5 e 7 de Agosto de 2014, da autoria de Manuel Carvalho. 2. O tenente Viriato Lacerda, morto pelo inimigo na defesa de serra Mecula, é o Antigo Aluno Viriato António da Rocha Portugal Correia de Lacerda (38/1897). 3. Durante a guerra do Ultramar (19611974) um neto do alferes Jacinto, oficial do Exército, desempenhou uma comissão de serviço no norte de Moçambique, nos locias percorridos por seu avô.
O Almirante do Lugenda
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José Alberto Alves de Paula 62/1948
O Almirante do Lugenda anos depois, durante o ano de 1965, eu estive nessa zona, como alferes miliciano de Engenharia, como conto a seguir. Passa-se isto lá no norte de Moçambique, na parte mais larga, sensivelmente a meio caminho entre o mar e o lago Niassa, onde existe uma povoação pequena chamada Mecula e a serra do mesmo nome. A vila é sede de um “distrito” grande, com cerca de 18 mil km2, mas que, nessa altura, não teria muito mais de 5 ou 6 mil habitantes.
Norte de Moçambique. Localização do rio Lugenda, afluente da margem direita do Rovuma.
Quando li na “ZacatraZ” nº 211 de Abril/Junho 2018 o artigo do Luis Barbosa sobre o General alemão Paul Emil von Lettow-Vorbeck, achei-o interessantíssimo e fez-me recordar histórias que eu próprio vivi. Comentei o facto com o Luis Barbosa e ele encorajou-me: ”Eh pá, essa história é capaz de ser gira, escreve isso para a ZacatraZ”.
Aqui vai. Conta o Luis Barbosa, no seu artigo que o dito comandante alemão, militar teso e certamente muito obstinado, durante o período da 1ª Grande Guerra, pelos anos de 1917/18, percorreu grande parte da zona norte de Moçambique, em acções bélicas que incluíram combates duros com as tropas portuguesas na zona da serra de Mecula. Ora, quase cinquenta
A serra é um fenómeno geológico interessante: num planalto que se estende por dezenas de quilómetros em todas as direcções, ali surge um enorme ”matacão” granítico, com 12 ou 15 quilómetros de extensão, uma largura máxima de 3 ou 4 quilómetros, na zona central, e elevando-se cerca de 700 a 800 metros acima da planura que a circunda até perder de vista. Um ponto estratégico de muito valor, que deve ter despertado o interesse do general von Lettow-Vorbeck. Cerca de 150 km a sul situa-se a vila de Marrupa, também sede de distrito, com uma área
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O Almirante do Lugenda
Acidente no Lugenda
semelhante à de Mecula , um pouco mais populosa, mas não iria muito além de 10 ou 12 mil habitantes. O conjunto dos dois distritos é da ordem de grandeza do total de Portugal a sul do Tejo, mas com 15 a 20 mil habitantes! Não surpreende esta baixa taxa de população dos dois distritos: o solo é árido, a terra pouco dá, as gentes procuram outros sítios mais férteis. Ligando Marrupa a Mecula existia uma estrada de terra, uma “picada” tosca que nem está neste mapa, mas existia. A cerca de 100 km de Marrupa atravessava o rio Lugenda. Este é um rio grande (aliás, na língua local Lugenda quer dizer, precisamente, Rio Grande), afluente do Rovuma, mas com pouco menos extensão do que este. Na zona deste atravessamento tem várias dezenas de metros de largura, praticamente permanente. Em altura de cheias pode passar para mais de três centenas de metros. A travessia era assegurada por um jangada que pertencia à administração de Marrupa. Era bastante elementar, feita com uns 24 ou
30 bidões, ligados por uma estrutura de madeira e manobrado à vara, por marinheiros locais. Dava para passar um Jeep...se o rio não fosse alto... e viva o velho! No início de 1965 fui enviado para esse local com o objectivo de iniciar a construção de uma ponte para atravessar o Lugenda. Teria um interesse militar imediato e permitiria uma requalificação da estrada Marrupa-Mecula (continuava a ser picada de terra, mas passaria a ter direito a vir no mapa!). Entretanto, enquanto não houvesse ponte, com a guerra de Moçambique iniciada em 1963, com um pelotão em Mecula, com a previsão de alargar rapidamente aquela guarnição para, pelo menos, um companhia (cujo quartel estava, na altura, em construção), avançara para o Lugenda uma secção de pontoneiros de Engenharia, para instalar ali uma jangada motorizada para assegurar melhor a travessia. E instalaram, uma jangada grande, composta por dois insufláveis semelhantes aos que usam o fuzileiros da Armada; sobre esses dois flutuadores, uma estrutura de ma-
deira das que se usam na Engenharia, para instalar pontes provisórias; dois motores fora de borda potentes e a jangada militar passava tudo o que fosse preciso, incluindo camiões GMC carregados e coisas semelhantes. (É certo que certa vez, um camião Mercedes carregado com cimento foi parar à água; julgo que foi o único acidente; mas ficou célebre um rádio cifrado que o alferes da obra de Mecula enviou para a sede do batalhão: “Cimento todo em pedra. Mandem mais” !!!!) Quando cheguei às margens deste rio Lugenda em Fevereiro de 1965 e ali me instalei, dado que o tenente ou capitão mais próximo estava em Marrupa, a quase 100 km de distância, passei a ser o comandante militar da área controlando a jangada militar e, por simpatia, a jangada civil dos marinheiros locais! Um dia, no exercício das minhas funções fui até ao sítio das jangadas. Ia, também, com curiosidade de averiguar da verdade de certas coisas que me haviam dito do chefe dos marinheiros da jangada da Adminis-
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tração. No local pedi que o chamassem e verifiquei que era bastante idoso, sim, um velho negro, velho mas seco e firme, vertical. Tratei-o por você e estendi-lhe a mão. Retribuiu, com evidente respeito mas sem servilismo; também sem altivez, só com respeito. Perguntei-lhe e disse que se chamava Cepo. Disse-lhe que gostava de falar com ele e, propus-lhe que fosse ter comigo ao acampamento, no domingo à tarde. Claro que ele disse que sim, se calhar mais por respeito do que por vontade, talvez tentando avaliar o que poderia eu querer dele. Sem o referir, deixei que ele pensasse que era sobre a jangada, a travessia, etc e tal. Mas, para criar bom ambiente, resolvi usar a arma secreta que me tinham referido, a palavra mágica, o abracadabra, o abre-te sésamo, e disse-lhe: “venha até lá acima, sentamos lá e bebemos uma cerveja fresca”. A palavra mágica funcionou às mil maravilhas, abriu um sorriso e disse que ia. No domingo lá nos encontrámos. Sentámo-nos no “parrô” (uma espécie de alpendre forrado de capim, uma sombra fresca), abrimos as cervejas e eu fui ao que me despertava a curiosidade que já referi. “Diga-me Cepo, disseram-me que você já foi militar do Exército. É verdade?”; “já fui, já, nosso alferes” , ou, mais realisticamente, “foi militar, foi, nossalfés”; “e foi militar de engenharia?”; “hihihi, nããão, foi da infantaria, nossalfés”; “e há quanto tempo foi militar?” ; “chiii, faz muito tempo, ... muito tempo”; “ e foi militar aonde, em Marrupa, em Nampula?”; “ nããão, foi na serra Mecula” ; “mas oh Cepo, na serra Mecula só há tropa há dois anos, não foi há muito tempo e você não tinha nada que fazer lá”; “tinha, tinha, nossalfés; foi militar há muiiiiito tempo, foi militar na guerra contra o germânico”. Confirmava-se o que me haviam dito. O Cepo tinha sido militar do exército português na Grande Guerra, em 1917/18, na guarnição da Serra Mecula.
(Agora já viram a relação com o General alemão, aliás, germânico!) Continuei: “e teve combate nessa guerra?”; “teve combate, nossalfés”; “e você deu muitos tiros, foi ferido, feriu inimigos?”; “nãão, nossalfés, eu não deu tiro, eu não tinha espingarda”; “o quê oh Cepo, andou na guerra, era soldado de Infantaria, teve combate e não tinha espingarda?” admirei-me eu. E a sua resposta deixou-me, de facto, boquiaberto: ”não, não tinha espingarda, eu era corneteiro, só tinha clarim”. Que espanto, tinha perante mim não só um soldado da Grande Guerra mas um antigo clarim da guerra de Mecula, da mesma Grande Guerra!!. Seria mesmo verdade?; “então sabia os toques todos?”; “sabia, nossalfés”; “e ainda sabe?”. Riu-se; “ainda sabe, sim” ; “então, Cepo, toque lá a sentido” e ele: “ tiiiiiii......ti..ti........ti.. ti”. Sabia. “E a formar? ; “ti,ti,ti,etc”; “e a avançar?” “ti,ti,ti,etc”; ele não fazia como eu escrevi ti ti ti; não, ele cantava, imitava o som do clarim, baixinho, era preciso chegar perto dele, mas parecia de facto, um clarim a tocar. Era verdade; eram os
O autor com o Almirante do Lugenda
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toques certos; eu lembrava-me de vários desses toques, oito anos no Colégio ensinam muito; “oh Cepo e a alvorada?”; “chiiiii, nossalfés, muito grande, já não lembra tudo”. E ria-se satisfeito. Corneteiro na guerra de 17? Teria no mínimo 20 anos na altura; seria de 1895 ou 96; em1965 teria, certamente, uns 70 anos, podia ser mais. Mas era um velho ainda teso. As nossa tardes de domingo, com a cerveja fresca tornaram-se frequentes. Sentávamo-nos no “parrô”, quase sempre com os sargentos e furriéis que lá estavam comigo. Ele contava histórias, falava de nomes, alguns que eu reconhecia, e nós gostávamos de ouvir. Falava de muitos “nossalfés” portugueses, que tinham todos uma particularidade: eram “muito valente, muito valente”. Curiosamente não me lembro de o ouvir falar de capitães, majores ou generais, nem de sargentos ou praças; só dos “nossalfés”. Recordo-me, particularmente de falar do “nossalfés” Craveiro Lopes Muito Valente Muito Valente. Na altura eu não sabia, mas vim mais tarde a confirmar que era, de facto, o alferes Craveiro Lopes, ex aluno nº 27 do Colégio, que ganhou uma
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Torre e Espada nos combates do norte de Moçambique, que veio a ser Presidente da República e a fazer frente ao Presidente do Conselho Salazar. Muito valente, muito valente, sem dúvida!! O Cepo não dizia muito mal do “germânico”. Era o inimigo, evidentemente, mas não o ouvi amaldiçoar, acusar de traição ou crueldade; tinha o defeito de ser “o germânico” ou, pior ainda, o de não ser “nossalfés português”. Mas, aparte isso, nada de muito mau a acrescentar. As histórias que o Cepo contava eram surpreendentes e, na sua forma de falar, mais engraçadas se tornavam. “Nossalfés (não me recordo do nome que, na altura, me deve ter dito) vai com soldados na guerra contra o germânico; começa guerra, nossalfés leva tiro; soldado traz nossalfés para enfermeiro tratar; enfermeiro diz ”tem bala na perna, tem que tirar”; nossalfés diz ”então tira depressa”; enfermeiro pega pinça, .... pega pinça..... não consegue tirar bala; enfermeiro diz “tem que cortar na perna para chegar na bala”; nossalfés diz “então corta”; enfermeiro pega navalha (admito que um bisturi!).... mas não corta; nossalfés diz ”então corta ou não corta?”; enfermeiro diz ”não pode cortar, nossalfés”; nossalfés diz “não pode cortar porquê?”; enfermeiro diz “não pode cortar porque não tem remédio de tira dor”; nossalfés diz ”dá cá esse merda”; nossalfés pega navalha, corta na perna, diz “e agora?“ enfermeiro diz “agora pode”, pega pinça, tira bala, faz tratamento, liga perna; enfermeiro diz “agora nossalfés tem que ir na cama descansar”; nossalfés diz “tás parvo ou quê?”; levanta, ... pega bengala, ....vai na guerra outra vez. Muito valente, muito valente.” Também acho. E de outra vez: “Nossalfés do canhão está lá em cima na serra (Nota: lembro-me que aí a meia al-
tura da serra havia umas construções antigas que me diziam que eram casernas “do tempo da Grande Guerra”. Seriam?); soldado vem dizer “tem germânico lá no baixo”; nossalfés vai na janela, pega binóculo, vê germânico. Nossalfés vai para o pé do canhão; manda “prepáráááá canhão”; soldado prepara canhão; nossalfés manda “carrégááá canhão”; soldado carrega canhão; nossalfés manda “com alça quatro, ... apontááá canhão, ...... fogo”; pum, pum, pum! Nossalfés pega binóculo, olha, vê, diz “porra, falhou; .... com alça cinco, apontááá canhão;...... fogo”; pum, pum, pum! Nossalfés pega binóculo, olha, vê, diz “agora sim levou no corno”! Como já disse, frequentemente, o sargento Teixeira ou o furriel Dias também estavam nestas conversas. Mas um dia, estávamos só os dois, o Cepo encorajou-se a desabafar comigo. Não foi uma queixa nem nada parecido; só mesmo um desabafo entre amigos que já éramos. O que o afligia era que eu mandava nos soldados, era nossalfés; na jangada grande, quem mandava era o nossagento; na obra também mandava nossagento; e ele, que mandava nos marinheiros da jangada pequena era só o Cêpo! Entendi o desabafo. O que fazer? Ali no local havia um europeu, o Carlindo, que tinha uma cantina, uma loja do mato, daquelas onde se vende tudo. Ora ele tinha que ir a Nampula e eu fiz-lhe um pedido. E ele cumpriu. Passados dias apareceu com um boné azul. Não era bem um boné da Marinha, claro, mas quase parecia: era azul e até tinha um âncora! No domingo seguinte, com os sargentos presentes, ofereci ao Cepo o boné azul e uma das minhas camisas caqui. Não tinha divisas, claro, mas tinha platinas nos ombros, o que já era uma aproximação. E ficou combinado que, a partir desse dia se deveria sempre referir o chefe de marinheiros como Almirante Cepo. Fi-
cou feliz (às vezes é tão fácil fazer feliz uma pessoa!!). Nunca mais o vi sem aquela camisa e sem o boné. Terá sido o único almirante da história do mundo que nunca viu o mar; cuja frota era uma jangada de bidões; cuja guarnição era de oito ou dez marinheiros maltrapilhos; e que foi empossado por um alferes de Engenharia! Mas poucos almirantes terão sido mais orgulhosos do seu posto! E as nossas tardes de domingo foram continuando. Em Fevereiro de 1966 fui rendido no local, um ano e mais um dia depois de lá ter chegado. No último domingo chamei o Almirante e bebemos cerveja. Sabíamos que era a última vez, mas fomos falando. No fim estendi-lhe a mão para nos despedirmos, mas acabámos num abraço amigo. Vi que ele tinha aquele pequeno “brilho no canto do olho”; provavelmente eu também tinha e ele terá visto! Separámo-nos e ele foi para baixo, para a jangada. Fez um gesto de despedida com a mão mas não olhou para trás. Sabíamos que não íamos tornar a ver-nos. E, de facto, não tornámos. (PS: pois é, também eu gostava; já tive mais fotografias; mas que é delas?)
NOTA DA REDACÇÃO:
Valeu a pena lembrarmos a 1ª Grande Guerra em Moçambique, para que esta espantosa história das recordações do Almirante do Lugenda chegasse também a todos nós.
Histórias e Memórias
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Histórias e Memórias O BATALHÃO A CAVALO No texto publicado no nº 212 da ZacatraZ, da autoria de José Manuel Sousa Martins da Silva (357/1970), dedicado ao seu falecido pai, José Martins da Silva (357/1939), dizia-se, a dado passo, «Fez parte dos sortudos que participaram em desfiles onde todo o Batalhão Colegial se apresentou a cavalo». Há muito que eu sabia que pelo menos uma vez o Batalhão tinha feito um desfile a cavalo. Para tal houve que recorrer a cavalos emprestados por várias unidades, em que os Alunos mais novos iam todos na fileira do meio, enquadrados pelos Alunos mais velhos nas fileiras exteriores, procurando evitar que os cavalos dos Alunos mais novos não saíssem da formatura e não cavassem pelas ruas fora. Quem me contou esta história foi o Mário Jorge Santiago Baptista Coelho (55/1946), o saudoso «Bill», que tinha tomado parte nesse desfile ainda miúdo, integrado, presumo eu, na fileira do meio. Por ser ainda miúdo na altura do desfile, não me soube fornecer pormenores da cena. Anos mais tarde, em 2009, quando se celebraram os 50 anos da Escolta, o Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958) apresentou uma foto em que aparecia o nosso porta-bandeira com a sua escolta a cavalo, desfilando perante uma tribuna. Os Alunos iam fardados de gala, mas com calções de montar de cotim, pois naquela altura não havia calções de montar do mesmo tecido dos dolmans. Soube então que aquela foto seria do desfile feito em honra do Presidente da República
de então, António Óscar de Fragoso Carmona (24/1882), quando o mesmo foi promovido a Marechal. Aquele desfile a cavalo do Batalhão Colegial foi-nos descrito por José Alberto de Costa Matos (96/1950) no seu artigo intitulado “Desfiles e Escoltas”, publicado na nº 179, Abril/Junho de 2010, da Zacatraz. Voltaremos a esta “história” no próximo ano, a propósito da celebração dos 60 anos da Escolra a Cavalo. Solicitamos a quem tiver fotos daquele desfile que as faça chegar até nós.
3 DE MARÇO DE 1942 De acordo com as Ordens de Serviço do Colégio, a primeira vez em que o Colégio desfilou no 3 de Março, Avenida da Liberdade abaixo, foi no ano de 1942, tendo o Batalhão sido transportado para o Marquês de Pombal e no final do desfile da Baixa para a Luz, em carro eléctrico da Carris. Algum dos participantes nesse desfile nos quer contar como é que foi o mesmo? Calculamos que tenha surpreendido a sociedade lisboeta da época.Ficamos à espera de um testemunho de um participante no desfile.
O MISTÉRIO DO GUIÃO. A capa do nº 212 da ZacatraZ apresentava a fotografia de uma formação do Colégio desfilando na Avenida Marginal de Ponta Delgada, no dia 10 de Junho de 2018. Nessa foto destacava-se, a seguir ao Aluno que comandava a formação, a Aluna porta-guião, com o guião ao alto, em continência ao Presidente
da República, postado na tribuna de honra. A foto era bonita, mas tinha algo de estranho. Poucos dias após a distribuição da revista fomos contactados pelo António Rafael Passarinho Franco Preto (67/1950), que foi ele mesmo porta-guião no seu ano de finalista, que nos perguntava por que razão o Colégio não estava a usar o guião actual, mas sim o guião anterior. Observando de novo a capa da revista constatámos que o António tinha razão. Contactado o Presidente da Direcção da Associação, que está sempre a par de tudo que se passa no Colégio, ficámos a saber que naquela data houve que recorrer a uma situação de emergência. Sendo o guião necessário para outra cerimónia no Continente, seguiu para os Açores o guião anterior, que para tal foi retirado por uns dias do Museu do Colégio, para onde voltou de seguida, cumprida mais esta missão. A vida é assim, em situações de emergência até os reformados são chamados ao serviço.
A CARGA DE CAVALARIA O Antigo Aluno Júlio Dantas (114/1887), académico e escritor de grande mérito, foi autor de um poema intitulado «A Carga de Cavalaria». Temos procurado encontrar esta obra da sua autoria, mas sem êxito. Se algum dos nossos leitores conseguir encontrar este poema, ou o tiver consigo, pedimos que o faça chegar até nós. Este poema é de grande interesse para a história colegial, dado ter sido com a sua declamação que se iniciou, no teatro D. Luiz Filipe, a récita de gala comemorativa do centenário do então Real Colégio Militar, no longínquo ano de 1903.
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Homenagem a António Sérgio 178/1894 (1ª Parte)
José Mário Fidalgo dos Santos 253/1951
Homenagem a António Sérgio 178/1894(1ª Parte)
N
o próximo ano de 2019, assinala-se o cinquentenário da morte de António Sérgio (António Sérgio de Sousa Júnior), Antigo Aluno do Colégio Militar (178/1894), ensaísta, crítico, sociólogo, filósofo e pedagogo. Para assinalar a efeméride a Cooperativa António Sérgio para a Economia Social (CASES) irá prestar-lhe uma homenagem durante a cerimónia de entrega do Prémio António Sérgio, a realizar no dia 24 de janeiro de 2019, com o apoio da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA). A partir dessa data estará patente uma exposição comemorativa que reunirá material bibliográfico e documental, sendo lançada uma brochura “António Sérgio – Breves Percurso e Herança”, da autoria de João Salazar Leite. Realizar-se-á ainda um acto cultural e musical na Sala-galeria Carlos Paredes, na SPA. Está também prevista uma conferência sobre a vida e obra de António Sérgio. O Colégio Militar e a Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar associam-se a esta homenagem a um dos seus mais ilustres alunos, um dos maiores vultos da Cultura Portuguesa do século XX e um carácter eminentemente universalista em toda a sua dimensão política e social.
VIDA E OBRA DE ANTÓNIO SÉRGIO Quem foi então António Sérgio, Antigo Aluno do Colégio Militar e pedagogo? Para responder a esta pergunta, sendo embora por demais conhecida a biografia do homenageado, vale a pena deixar nestas breves notas uma abordagem da sua vida e obra, que permita dar a conhecer melhor o Homem que marcou todo o período da primeira metade do século XX com a sua cultura e intervenção cívica. Iremos socorrer-nos para esse efeito da sua correspondência pessoal – de grande importância para conhecer os primeiros anos da sua vida adulta – de documentação diversa e da bibliografia existente, além da própria autobiografia (inédita) que António Sérgio compôs durante a sua estada em Genève, na Suíça, enquanto frequentava as lições do seu mestre Pierre Bovet, no Instituto Jean-Jacques Rousseau. António Sérgio de Sousa Júnior, de seu nome completo, nasceu a 3 de setembro de 1883 em Damão (Índia), filho do vice-almirante António Sérgio de Sousa, à época governador do distrito de Damão, mais tarde nomeado governador do distrito do Congo (Angola), e de Ana Maria Henriques Sérgio de Sousa.
Homenagem a António Sérgio 178/1894 (1ª Parte)
Era seu avô pelo lado paterno o vice-almirante visconde de Sérgio-de-Sousa, que foi governador-geral da Índia, descendendo pelo lado materno do general Henrique Carlos Henriques, “o último conquistador da Índia”. A infância de António Sérgio foi passada em Angola, num regime de quase total liberdade dos três aos dez anos, sem irmãos e sem companheiros de brincadeira, recebendo uma educação não-escolarizada que mais tarde será objecto de nota na entrada para o Colégio Militar. Sérgio refere mesmo que aprendeu a ler à sua custa num atlas de geografia francês, fazendo perguntas ao pai sobre os países e as capitais. Ao regressar a Portugal aos dez anos, António Sérgio que nunca tinha até ali frequentado uma escola, prepara-se para fazer o exame da instrução primária e entra finalmente no Colégio Militar com uma classificação entre os primeiros da turma. Após o curso secundário, e por influência de um conjunto de circunstâncias: a experiência quase única de sempre ter contactado de muito perto com a administração colonial e com oficiais da marinha, bem como a tradição da família e o aliciante de viagens frequentes, leva Sérgio a tomar a decisão de ingressar na Escola Naval. Mas esta decisão acabará por ir sendo posta em causa ao longo da vida, como revela numa entrevista a um jornal, referindo: «Faltou-me aos 16 anos quem me fizesse ver claro nas minhas aptidões, possibilidades e gostos mais profundos e naturais, e uma lição que se tira da minha vida é a da conveniência do orientador profissional». Antes de ingressar na Escola Naval, António Sérgio começa por fazer os preparatórios na Escola Politécnica, onde consolida o seu gosto pela matemática – que já vinha da instrução secundária no Colégio Militar – e desperta para a filosofia «a partir de uma reflexão pessoal sobre a geometria analítica e sobre a física matemática».
O curso da Escola Naval vai permitir-lhe aproveitar os tempos livres para se dedicar intensamente à leitura dos filósofos – segundo ele sem método – desde Descarte a Schopenhauer, de Taine a Stuart Mill, mas também aos grandes autores, como Montaigne, Racine, Rousseau e muitos mais. Terminada a Escola Naval, Sérgio embarca numa grande viagem pelo Oriente durante cerca de ano e meio, atravessando o Suez e regressando pelo Cabo da Boa Esperança, com curta estadia em Inglaterra e em Cabo Verde. Entretanto, Sérgio vê publicado um volume de poesias e um ensaio sobre o “poeta-filósofo” Antero de Quental que será doravante uma das suas figuras de referência no plano das ideias e da literatura. Como se irá perceber, a correspondência de Sérgio com a sua futura noiva e depois mulher, Luísa Estefânia Gerschey da Silva, é simultaneamente um retrato íntimo do seu delicado e sensível autor mas também, noutra perspectiva, um manancial de informações sobre o que viria a ser o brilhante homem de letras que conhecemos. Com efeito, num excerto de uma dessas cartas, de 9 de Junho de 1909 – tinha Sérgio 26 anos e encontrava-se nessa altura de serviço no quartel – torna-se evidente a profunda angústia por que passava, obrigado a manter uma vivência o mais contrária aos seus interesses intelectuais. Sérgio confessa-se de forma pungente sobre a sua vida passada até aí «Para compreender bem, devo dizer-lhe que eu passava então a primeira crise da minha vida. Ia feridíssimo, doente de alma até ao fundo, sensível e delicado como uma pétala. Acabava o primeiro ano da Escola Naval com uma grande desilusão. Percebi que a minha carreira me não poderia dar nada do que esperava dela. […] Ninguém que conhecesse o meu íntimo, que suspeitasse das ideias que me encantavam, que se interessasse pelo que me interessava!»
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Proclamada a República em 1910, oficial de marinha e já casado com Luísa Epifânia da Silva, António Sérgio pede uma licença sem vencimento e abandona a marinha – de que só vem a demitir-se em Junho de 1915 – por o novo regime «ter sido proclamado depois de uma propaganda cujo caracter exclusivamente negativo não aprovo». O período histórico da Primeira República deu origem ao aparecimento de um «movimento de renovação mental encetado por uma associação ou agrupamento de intelectuais republicanos e nacionalistas que se congregaram sob a designação significativa de Renascença Portuguesa» . António Sérgio e outros companheiros imprimiram-lhe, em contraposição com outra corrente, a dos «saudosistas», uma feição progressista, racional, crítica e interventiva. Ainda na sequência da sua procura de uma ocupação, de uma actividade docente, Sérgio não consegue ser aceite em concurso para assistente na Faculdade de Letras de Lisboa em 1912 mas, a partir do ano seguinte, começa a colaborar na revista A Águia, órgão da Renascença Portuguesa, indo assim juntar-se a outras importantes figuras da cultura portuguesa, entre as quais Fernando Pessoa. Entretanto, os acontecimentos políticos e sociais em Portugal levam-no a interessar-se pelas questões sociais e históricas. Nas suas próprias palavras, Sérgio confessa que «as minhas reflexões conduziram-me a desprezar as soluções da política dos partidos ou clientelas – com as quais, de resto, nunca estive interessado, e cujos procedimentos me indignam». Em 1914, António Sérgio, acompanhado por sua mulher, vai aos 32 anos para Genève na Suíça, frequentar durante cerca de dois anos um curso no Institut Jean-Jacques Rousseau, fundado dois anos antes pelo psicólogo Edouard Claparède.
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Homenagem a António Sérgio 178/1894 (1ª Parte)
Nasce assim e vai sendo consolidado o interesse de Sérgio pelas questões da educação e da pedagogia, que iriam ser ao longo da vida o seu principal foco de actuação pública. Com efeito, as ideias sobre pedagogia que António Sérgio teve oportunidade de se informar durante a sua estada em Genève, vieram influenciar definitivamente o seu pensamento pedagógico após o regresso à Pátria. António Sérgio funda em 1918 a revista Pela Grei, que passa a dirigir, e que iria ser o órgão da Liga de Acção Nacional, propondo-se no seu editorial contribuir para o “ressurgimento nacional”, reforçado pelo golpe de Dezembro de 1918, identificando-se de início com a linha política de Sidónio Pais. No editorial do primeiro número, Sérgio destacava que a revista estaria «acima de todos os partidos políticos e interesses individuais, de classe ou seita», propondo-se ser «um meio de formação e intervenção de uma opinião pública consciente». Embora com a escassa duração de apenas 15 meses, entre Março de 1918 e Maio de 1919, a revista Pela Grei conseguiu obter certa relevância nos meios intelectuais de Lisboa. Entre os seus colaboradores incluíam-se, para além de António Sérgio como seu director, homens com a estatura cívica de Celestino da Costa, Ezequiel de Campos, Magalhães Lima e Raul Proença. Nos inícios dos anos vinte, Sérgio passa a fazer parte do célebre “Grupo da Biblioteca Nacional”, que se encontra na origem e desenvolvimento da revista Lusitânia-Revista de Estudos Portugueses, com publicação de Fevereiro de 1924 a Outubro de 1927, de que apenas saíram 10 números. A partir de 1923, é a revista Seara Nova que passa a ter a colaboração de Sérgio, juntando-se assim a nomes de intelectuais como Aquilino Ribeiro, Raúl Brandão, Azeredo Perdigão e outros. Alguns destes seareiros irão dar a sua colaboração para a formação do novo governo de Álvaro de Castro, como António Sérgio, que se vai manter como Minis-
tro da Instrução Pública de 18 de Dezembro de 1923 a 28 de Fevereiro de 1924. Mas será durante o curto período de três meses dessa experiência política que António Sérgio irá fundar o Instituto Português do Cancro (actual Instituto Português de Oncologia) e dar início à criação da “Junta Propulsora dos Estudos”. Esta instituição, que visava preparar uma elite de cientistas e pedagogos para, beneficiando de bolsas de estudo no estrangeiro, difundir os mais modernos métodos de ensino, não teve contudo continuidade. Na sequência das suas realizações como ministro e numa carta ao seu sucessor no ministério, Sérgio dá conhecimento da criação de «um serviço especial de cinematógrafos circulantes, com fitas instrutivas, fazendo uso de um Pathé-Baby que me foi oferecido […] para a Junta de Orientação dos Estudos.» Com a implantação do regime saído da ditadura militar do 28 de Maio de 1926, Sérgio passa à oposição e abandona o país, perante a possibilidade de ser preso, envolvido que estava num movimento de contestação ao governo por oposição a um empréstimo que o governo negociava com capitalistas estrangeiros. E é assim que em Janeiro de 1927 se vai exilar voluntariamente em França, onde irá permanecer durante os sete anos seguintes. Este período da vida de António Sérgio em que, acompanhado pela esposa, é condenado a este exílio de sete anos, obrigou-o a recorrer a todos os meios que encontrou para sobreviver, tendo trabalhado para editoras, escrito nas mais diversas revistas, dado lições e trabalhado até como director de diálogos num estúdio cinematográfico. Em 1929, ainda no exílio, é editada em Espanha a sua História de Portugal, que fica aliás proibida de circular em Portugal, o que só acabaria por acontecer depois da morte de Sérgio em 1969, com a primeira edição
Homenagem a António Sérgio 178/1894 (1ª Parte)
portuguesa a aparecer em 1972, ou seja 43 anos depois, com o título de Breve Interpretação da História de Portugal. Sérgio vai então leccionar para Santiago de Compostela durante o ano de 1933, regendo cursos livres de História de Portugal e de Literatura Portuguesa, regressando daí a Portugal com uma amnistia. É então que é preso por um período de oito meses, por razões políticas, durante a qual é transferido para a enfermaria da cadeia do Limoeiro e mais tarde «posto na fronteira, por ter sido banido do Território Nacional por tempo indeterminado». Tendo regressado finalmente a Portugal em 1944, António Sérgio assume a direcção da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, para a qual irá escrever dezenas de artigos, não assinados, e a partir da década de cinquenta irá dedicar-se activamente à política com empenhado sentido cívico. Durante este período são de grande significado, entre outras actividades, a criação da “Comissão Promotora do Voto”, tendo tido António Sérgio ocasião de lançar o nome de Humberto Delgado (398/1916) como candidato da oposição capaz de vencer as eleições presidenciais de 1958, apoiado por todas as forças oposicionistas. Mas não estava ainda terminado o seu castigo. Em Novembro de 1958 é novamente preso, agora já com 75 anos de idade, por ter assinado, juntamente com outros políticos oposicionistas, entre os quais Humberto Delgado – nesse ano candidato à Presidência da República – uma nota sobre a vinda a Portugal do líder trabalhista inglês Bevan, proibida pelo governo português. O jornal República de 26 de Novembro transcrevia uma nota oficiosa, do seguinte teor: «Foram detidos para averiguações os Srs. Jaime Cortesão, António Sérgio de Sousa, Drs. Mário de Azevedo Gomes e Francisco Vieira de Almeida. As prisões tiveram
lugar em virtude de as suas assinaturas figurarem em manifestos subversivos que têm sido distribuídos clandestinamente. Em alguns desses manifestos figura também a assinatura do Sr. General Humberto Delgado. Por este motivo e também por muitos outros actos do conhecimento geral foi-lhe mandado instaurar processo no Subsecretariado de Estado da Aeronáutica.» Terá sido aquele o último acto cívico do democrata António Sérgio, que acreditava na humanidade e se remeteu a um recolhimento do público nos últimos anos de vida. Até ao fim da sua vida, a 24 de Janeiro de 1969, António Sérgio manteve-se-silencioso, diminuído também pela morte de sua esposa ocorrido alguns anos antes. No seu funeral, e segundo foi noticiado em vários jornais, mesmo apesar da Censura, ficou escrito que «... já no cemitério, à hora de enterrar, ainda a polícia carregou sobre a multidão que o acompanhava naquela tarde fria e chuvosa». Refira-se que estiveram ali presentes inúmeras pessoas representantes dos mais diversos quadrantes da vida económica, social e política de Portugal. Para António Sérgio a política revestiu-se sempre de um carácter eminentemente ético e cívico, o que poderá entender-se pelas suas próprias palavras, apresentadas no opúsculo “Alocução aos Socialistas”. Ali escreveu Sérgio que o político deve aceitar as responsabilidades da sua posição e proceder com a nobreza e o prestígio moral que se lhe exigem. E mais à frente especifica: «Não me refiro à moralidade que deve ter um homem na sua vida particular com os demais seres humanos: refiro-me aos actos como cidadão político, à maneira de se portar com os demais homens públicos, do seu partido e dos outros. Na política, como sabeis, o comportamento rectilineo, sem astúcia alguma, – sincero, aberto, desartificioso, claro, – usa ser censurado, como sendo ingénuo: e, nessa sua qualidade, de comportamento ingénuo, como prejudicial, ou pateta. Paciência. Seja.»
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António Sérgio toda a vida se afirmou como «Democrata, embora antijacobino; anticlericalista, mas respeitador do Catolicismo; partidário da instrução democrática mas inimigo – e por isso mesmo – da mera superstição do abc» Resta acrescentar que António Sérgio foi também um dos grandes impulsionadores do cooperativismo em Portugal, interessando-lhe sobretudo a valorização do espírito cooperativo, na perspectiva de «pensar as coisas e de orientar os actos». Nos seus últimos anos de vida, Sérgio chegou mesmo a afirmar que a sua obra falhara, ficando apenas dela o seu combate pelo cooperativismo, e que esse seria o seu legado ao país. António Sérgio deixou-nos ainda uma vastíssima produção literária de dezenas de obras, de que constam principalmente ensaios, textos esses que vão da literatura à filosofia, passando pela história, a sociologia e a pedagogia, mas também poesia, traduções e literatura infantil.
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Allegro A Volta ao Mundo do Veleiro onde também navegou a Barretina
António Rui Prazeres de Castilho 147/1948
Allegro
A Volta ao Mundo do Veleiro onde também navegou a Barretina VIAGEM DE SANTA LÚCIA-CARAÍBAS PARA SANTA MARTA- COLOMBIA
N
o último número do Zacatraz, nº 211, de Abril/ Junho de 2018, a nossa descrição terminou com a viagem de Martinica para Santa Lúcia, depois de uma pequena mas agradável estadia no “Magelanus”, a convite do João Manuel Magalhães e da Matilde.
Foto nº1 Tripulação renovada.
Para nos situarmos no tempo, estávamos em Janeiro de 2015, no dia oito, e na marina de Rodney Bay. Foram feitos os últimos preparativos para mais uma travessia entre a ilha de Santa Lúcia, nas Caraíbas e Santa Marta, na Colômbia. Estava prevista uma distância de 820 milhas com uma duração de cinco a seis dias. Uma viagem do género, Lisboa/Açores. A previsão da distância e dos dias de mar são importantes para programar uma viagem, principalmente
para elaborar a lista das provisões. Não devem faltar, como é de esperar, e o erro por excesso não deverá ser exageradamente grande, pois a maioria das embarcações à vela não têm muito espaço livre para arrumar tudo o que é necessário. Outro sim, se pode afirmar para as zonas de frio, frigorífico e congelador, cuja cubicagem é sempre inferior à que desejaríamos! A Manuela e o Luís Adão já tinham feito quase todas as compras, deixando para a véspera da partida os frescos e as carnes. Hoje recebemos a Margarida Gomes e o Ricardo Silva Pinto, ambos arquitectos, convidados do Luís Adão, para fazerem parte da tripulação do “Allegro”, na viagem entre Santa Lúcia e a cidade do Panamá. São proprietários de um veleiro e entusiastas pelas coisas ligadas à vela e ao mar. No projecto da viagem, está agendado este casal fazer a perna Austrália – Indonésia. Ficaram instalados no camarote de estibordo que tem dois beliches e uma casa de banho à proa. Gente nova a bordo é sempre um motivo de alegria, pois trazem ar fresco à restante tripulação, com novas histórias, novas notícias do mundo e do nosso Portugal.
Allegro A Volta ao Mundo do Veleiro onde também navegou a Barretina
O Luís trocou de “dinghy”, pois o velho já metia muita água. Melhorámos consideravelmente a qualidade no transporte da tripulação do barco para terra. Este novo insuflável é superior ao antigo, bastante robusto, com chão em madeira, mas como nada é perfeito, para além de ocupar mais espaço na loca da proa, dá algum trabalho a montar e desmontar! Não se pode ganhar em todos os “mares”. O Luís Adão informou-nos que realizou vários mergulhos de inspecção ao casco, tendo revisto os zincos e limpo o hélice. Temos os dois carta de mergulhador (P 1), o que para estes pequenos serviços e, eventualmente, para situações mais complicadas, dá muito jeito. Para além deste trabalho, contratou uma equipa profissional para limpar o casco e polir o costado. Ficámos preparados para mais uma travessia, desta vez no chamado Mar das
Foto nº 2 Festa no Hotel
Caraíbas, depois de cumpridas as habituais e complicadas burocracias com as autoridades locais. Este ano, em Santa Lúcia, estavam muito menos veleiros para dar a volta ao mundo que o habitual. Largámos do mesmo por-
to, para o mesmo destino, navegámos nas mesmas águas, com o mesmo rumo inicial de G.P.S., mas depois de dois dias de navegação só ocasionalmente cruzámos as nossas rotas. O World Crusing Club organizou alguns seminários sobre a viagem que iríamos realizar até Santa Marta e um “Welcome Drink”, na segunda-feira, dia 5 de Janeiro, para que as tripulações dos diferentes veleiros se conhecessem melhor. No dia 9, véspera da largada, o ”bichinho do mar” já estava a roer dentro de mim e, possivelmente, dos outros restantes velejadores. Quando se termina uma viagem é muito agradável chegar a terra, mas volvidos alguns dias, parece que já passámos tempo demais em terra, que tudo está visto, que tudo foi feito! Mas a realidade não é esta - são manias de navegador – pois todas as povoações, por mais pequenas
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de, misturada com um pouco de angústia e impaciência. Para suavizar esta turbulência de sentimentos, esta maré de emoções, que não posso apelidar de negativas, nada melhor que uma boa festa, num riquíssimo hotel da cidade, junto à praia. O World Crusing Club providenciou uma grande despedida, ”Farewell Party”, para as tripulações e amigos (Foto nª3 Festa de despedida). Foi um convívio muito interessante com pessoas divertidas ligadas às coisas do mar e da vela. Dez de Janeiro de 2015, às 12 horas, largámos de Santa Lúcia, (Foto nº4- Largada para a Colômbia) esta bela ilha das Caraíbas, rumo à Colômbia, para a cidade de Santa Marta. A Anne Marie como não fez parte da tripulação desta perna, saudou-nos à largada, num bote, acom-
Foto nº 3 Festa de despedida
que sejam, têm sempre oculto os seus segredos, a sua beleza, as suas histórias, que dificilmente são perceptíveis ao vulgar visitante, ao turista de passagem. Os dias que antecedem uma viagem são sempre carregados de uma certa ansieda-
panhada da Bandeira Nacional. Como já referimos, para além da tripulação base do Allegro, tivemos um simpático reforço do casal Margarida e Ricardo que amenizou significativamente o número de horas de trabalho dos quartos.
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Allegro A Volta ao Mundo do Veleiro onde também navegou a Barretina
Foto nº 5 Saudação à largada
Foto nº4 Largada para a Colômbia
Navegávamos à popa, com vento “fresco” de 15/20 nós e mar um pouco “despenteado”, como costumo dizer, vaga de alheta de estibordo de dois a três metros. O Allegro nestas condições não é um veleiro muito cómodo, pois orça e arriba com muita facilidade. É um verdadeiro “twist” dentro do barco, tornando a viagem muito pouco cómoda. Apesar desta situação, a cozinha trabalhou normalmente, preparou bons pratos para o almoço e deliciosas sopas para a hora do jantar. A Margarida veio reforçar o seu efectivo e renovar o stock da despensa com alguns produtos trazidos de Portugal, tais como bacalhau e alheiras. Com estas condições de mar, nada melhor para o almoço do primeiro dia, que colocar no cardápio um “Hospital Rice”, para forrar o estômago e ganhar lastro para futuras aventuras gastronómicas. “Squalls” é a designação inglesa para borrascas tropicais que se desenvolvem entre as latitudes 10º N e 12º S. São situações meteorológicas locais que se manifestam com frequência nesta faixa e que perturba, de que maneira, não só a comodidade possível num barco, como a sua segurança. Estes “squalls” aprecem repentinamente, al-
Foto nº 6 Marina de Santa Marta
terando o estado do mar e do vento; as nuvens aparecem de tal maneira carregadas de água, com cor cinza escuro, que são visíveis no radar, sendo possível a sua localização, extensão e distância. Esta nebulosidade dá lugar a uma chuva torrencial. O “homem de quarto” tem que estar atento e agir com rapidez, desligar o piloto automático e governar o barco “à mão”; se o vento estiver de popa e a vaga entrar de alheta, é necessário ter uma boa “mão de leme” para não deixar a vela grande cambar, pois esta manobra inesperada, indesejável e perigosa, mesmo com o amortecimento do “preventer”, pode ser muito perigosa, principalmente com ventos de 30/40 nós, comuns nestas ocasiões. O resto da tripulação tem igualmente que estar atenta, porque os balanços do barco, principalmente os de bombordo/estibordo, podem projectar uma pessoa pela borda fora ou, se estiver dentro da cabine, causar-lhe graves ferimentos. Foi o que aconteceu à Margarida, quando preparava o almoço do dia 14; uma vaga mais forte adornou o Allegro para bombordo e a nossa simpática tripulante foi atirada com violência contra a escada. Ficou estendida no chão, com dores horrorosas, sendo observada de imediato
pelo Luís Adão, que diagnosticou pelo menos uma costela partida. Como é sabido, nestes casos, nada há a fazer!!!! As primeiras horas foram dolorosas, porque a própria movimentação do barco não era a situação mais recomendável para o estado de saúde da nossa amiga, marinheira e cozinheira! O dia seguinte ainda não foi nenhuma maravilha para a nossa doente, que se encontrava ainda bastante dorida. A chegada à Colômbia, Santa Marta, só estava prevista para o dia 16 onde poderia ser radiografada. As melhoras foram aparecendo gradualmente e felizmente no dia 16 de Janeiro, atracámos na Marina, tendo sido saudados por um barco da Guarda Nacional. (Foto nº 6- Marina de Santa Marta) À chegada à marina fomos recebidos pelas restantes tripulações, pois já tinham conhecimento do acidente com a Margarida. Desembarcámos e seguimos directos para a recepção, despachando as formalidades do barco e pedir uma ambulância para levar a nossa doente. O Luís Adão e o Ricardo acompanharam a Margarida a uma clínica para fazerem um RX. Em vez de uma, duas costelas partidas! Só o tempo resolve estes problemas, por isso a arquitecta teria que ter paciência e aguentar uma convalescença o mais rápido
Allegro A Volta ao Mundo do Veleiro onde também navegou a Barretina
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Foto nº 7 Baía da Concha
Foto nº 10 Local da cidade junto ao mar
Foto nº 8 Rua do interior da cidade de Santa Marta
Foto nº 9 Local da cidade junto ao mar
possível, pois a viagem não parava por estas terras, mas sim no Panamá. Havia um programa preparado para a estadia que começava já no dia da chegada com um espectáculo de música colombiana. No dia seguinte, passámos pelo Parque Natural de Tayrona, uma região muito seca e agreste que dá acesso à Baía da Concha, um local muito bonito e preferido da população da cidade para fazer praia. Esta grande enseada é abrigada, bastante funda e também de acesso fácil pelo mar. Por ser fim-de-semana e o tempo estar maravilhoso, uma dezena de veleiros estavam ao ferro, a poucos metros da praia. (Foto nº 7- Baía da Concha) Esperava-nos um fantástico e delicioso churrasco de peixe e de carne, depois de um bom banho de mar. O percurso de saída e de entrada da cidade de Santa Marta é, para o visitante, simplesmente arrepiante. São kms de ruas e estradas mal pavimentadas, cheias de buracos, ladeadas de bairros de lata sem o mínimo de condições de habitabilidade e higiene. A rede de saneamento e de águas pluviais não existe e a distribuição de electricidade é toda aérea, num embaralhado de centenas de cabos que saem de cada poste. Uma autêntica pobreza
generalizada e naturalmente uma falta de organização por parte do governo colombiano. A cidade, junto ao mar, tem bom aspecto, mas se nos deslocarmos um pouco mais para dentro a desgraça é total e completa. O pavimento das ruas e dos passeios tem buracos por todo o lado; não há manutenção e as obras não são acabadas. Não há canto, nicho ou buraco que não esteja cheio de latas, copos e garrafas de plástico! O comércio na sua generalidade é péssimo, existindo um negócio paralelo instalado nos passeios e montado em bancas, que vendem de tudo e, por vezes, os mesmos produtos que as lojas que estão em frente! Não dá para acreditar…. (Foto nº 8- Rua do interior da cidade) - (Fotos nºs 9e10-Locais da cidade junto ao mar)
tiva Ministra. Depois de alguns discursos de circunstância, a representante do Governo, pessoa muito simpática e comunicativa, deu as boas vindas aos velejadores em geral, saudando os representantes de todos os países, menos Portugal. Possivelmente o secretário não lhe preparou bem o “improviso” e ela involuntariamente cometeu uma gafe. O Luís Adão chamou a atenção do representante do W.A.R.C. que, por sua vez, falou com a Ministra. Prontamente, a Senhora levantou-se, foi ter com o Luís Adão, pediu desculpa, e ofereceu-lhe um livro da Colômbia. O acontecimento passou e ficou diluído, naquele ambiente de confraternização entre as tripulações e a simpatia e encanto que a Ministra distribuía por todos. De qualquer forma, o Luís Adão fez bem em ter marcado a posição de Portugal. Segunda-feira, preparámos tudo para a próxima viagem, pois iríamos começar dia no 20 de Janeiro a travessia, rumo ao Panamá.
No domingo, dia 18, fui assistir à celebração da Santa Missa na Catedral. É um edifício com três naves, uma central e duas laterais, mas apenas com um campanário, bem ao estilo colonial sul-americano. Contrariamente a muitos edifícios, esta igreja está muito bem conservada por dentro e por fora. O dia terminou com um fantástico jantar, no melhor hotel da cidade, oferecido pela Junta de Turismo, onde estava presente a respec-
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O Tratado de Tordesilhas
João Manuel Matias Casaca 458/1960
O tratado de Tordesilhas 1. O MAPA DE CANTINO Em 1859, Giuseppe Boni, o director da Biblioteca Estense de Modena, ao entrar num talho para comprar salsichas, reparou num pergaminho, com cerca de dois metros por um metro, que servia de reposteiro no estabelecimento. O pergaminho, ainda hoje na posse da biblioteca, era o mapa actualmente conhecido como mapa de Cantino, que se encontrava num palácio de Mode-
Figura 1 O planisfério de Cantino (1502)
na, pilhado durante motins populares, nesse mesmo ano. Trata-se de um mappa-mundi, ou planisfério, com o “estado da arte” dos descobrimentos, obtido em Lisboa, em 1502, por Alberto Cantino, diplomata ao serviço de Hércules de Este, Duque de Ferrara e Modena. É seguramente uma cópia do padrão oficial português, que era mantido actualizado na Casa da Mina e da Índia, realizada, clandestinamente, entre Dezembro de 1501
e Outubro de 1502, por um dos cartógrafos que a ele tinha acesso. O mapa custou a Alberto Cantino a quantia “exorbitante” de doze ducados de ouro. O mapa assinala o Equador e o meridiano de Tordesilhas. e representa a costa do Brasil, as Antilhas (Cuba, Hispaniola e Santo Domingo), a Florida, a Terra Nova, o Labrador e a Gronelândia. Note-se que estas últimas eram de grande interesse para os portugue-
O Tratado de Tordesilhas
ses, devido ao seu potencial piscatório. As expedições de Gaspar Corte Real (1500) e de Gaspar e Miguel Corte Real (1501) contribuíram certamente com informação geográfica sobre aquela região para o mapa. O detalhe da costa do Brasil deve reflectir a informação recolhida pela expedição de Duarte Pacheco Pereira (1498), pela descoberta oficial de Pedro Álvares Cabral (1500) e, principalmente, pela expedição de Gonçalo Coelho, de Maio de 1501 a Julho de 1502, com quem viajou Américo Vespúcio. A Gronelândia e a Terra Nova, visitadas por Gaspar Corte Real, em 1501, são convenientemente representadas muito a Leste do meridiano de Tordesilhas. As Antilhas (Cuba, Hispaniola e Santo Domingo) e a Florida também são representadas com um detalhe que demonstra a eficiência do serviço de “recolha de informações” português. Curiosamente, a Florida encontra-se fora do sítio e tem toponímia portuguesa: a ponta Sul da Florida é designada por “Cabo do Fim de Abril”. Oficialmente, a Florida foi explorada em 1513 por Juan Ponce de Léon, mais de dez anos após a elaboração do mapa. O reconhecimento português da Flórida só faz sentido antes da assinatura do tratado, após a qual Portugal reconhece a soberania de Castela sobre a Florida (1494), e cobre temporalmente o período da viagem de João Vaz Corte Real e Álvaro Martins Homem. Quanto à informação relativa às Antilhas e América do Norte, existem indícios antecedentes. São conhecidas duas viagens para Oeste dos Açores, realizadas, em 1451 e 1452, por Diogo de Teive que, no regresso da segunda, descobriu as ilhas das Flores e do Corvo. Em 1472, João Vaz Corte Real e Álvaro Martins Homem realizaram uma viagem para Noroeste dos Açores que poderá ser responsável pela representação da Florida no mapa. Em 1487, João Afonso do Estreito e Fernão Dulmo partem dos Açores para Oeste e não regressam. Em 1498, após a assinatura do tratado, João Fernandes Lavrador e Pêro de Barcelos exploraram
as costas Nordeste da América e Sudoeste da Gronelândia. Importa salientar que o mapa de Cantino, para além do seu enorme significado histórico e político, demonstra a existência de um verdadeiro sistema de informação geográfica (com a tecnologia de ponta renascentista), centralizado na Casa da Mina e da Índia, ao serviço dos desígnios geoestratégicos nacionais.
2. O MERIDIANO DO TRATADO O tratado de Tordesilhas, assinado em 1494 entre as coroas de Portugal e de Castela, corrigiu os prejuízos para os interesses portugueses resultantes da bula Inter Coetera (1493) do Papa Alexandre VI (Bórgia), onde eram definidos dois hemisférios de influência pelo meridiano situado a 100 léguas a Oeste das ilhas dos Açores ou de Cabo Verde. A bula situa os extremos Oeste dos dois arquipélagos à mesma longitude, apesar de a ilha das Flores (c. 30º WGrw) estar situada mais de cinco graus a Oeste do que a ilha de Santo Antão (c. 25º WGrw), o que não é estranho dada a enorme incerteza na determinação das longitudes na época. Por outro lado, as 100 léguas, se medidas sobre o paralelo da ilha das Flores, definem uma longitude muito mais a Oeste do que se medidas sobre o paralelo da ilha de Santo Antão, o que indicia o uso, como referência, de uma carta onde os meridianos são representados por rectas paralelas: a carta quadrada. O tratado de Tordesilhas, ao levar o meridiano da repartição para 370 léguas a Oeste de Cabo Verde, corrigiu as ambiguidades da bula papal e, de acordo com a visão geográfica da época (planisfério de Cantino, na Figura 1) assegurou o controlo: i) do Atlântico Sul, fundamental para a chamada volta da Mina, que passava a Oeste do meridiano da bula papal; ii) da Terra Nova e das suas pescarias. Enquanto o meridiano da bula passava bem ao largo (para Leste) da costa do Bra-
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sil, o meridiano de Tordesilhas passava entre São Luís do Maranhão e a foz do Amazonas (c. 46º a Oeste de Greenwich). Em contrapartida, o antimeridiano da bula papal, que assegurava a influência portuguesa até ao Leste do Japão e da Austrália, foi substituído pelo antimeridiano de Tordesilhas que passava a Leste do arquipélago das Molucas (c. 134º a Este de Greenwich). Muito se tem escrito sobre a origem da contagem das 370 léguas, embora pareça óbvio que se trata da ponta ocidental da ilha mais ocidental (Santo Antão) de Cabo Verde. O tratado de Tordesilhas previa a organização de expedições para demarcar o meridiano no terreno. Dom Manuel encarregou Duarte Pacheco Pereira (membro da delegação portuguesa que negociou o tratado), de uma expedição que, partiu de Cabo Verde e atingiu, em 1498, a costa do Brasil, no Maranhão, e navegou para Noroeste, até à foz do Amazonas, percorrendo a zona do meridiano. A descoberta de Pacheco Pereira, mantida em segredo, foi formalizada por Pedro Álvares Cabral em 1500. A expedição seguinte ao Brasil foi comandada por Gonçalo Coelho e nela participou, como observador, o famoso Américo Vespúcio epónimo (que deu o nome) do continente Americano. Esta expedição, que partiu em 1501, avistou a costa do Brasil na foz do rio Mossoró (5º Sul) e navegou para Sul, tendo atingido a Patagónia a uma latitude superior (c. 42º Sul) à da ponta Sul de África (c. 35º Sul), conforme documenta o planisfério de Cantino, após o que regressou a Lisboa em Julho de 1502. O planisfério de Cantino (acabado em Outubro de 1502) reflectia a informação proveniente das viagens de Pacheco Pereira, Álvares Cabral e seguramente de Gonçalo Coelho. A segunda expedição de Gonçalo Coelho ao Brasil (1503-1504), novamente acompanhado por Américo Vespúcio, já não contribuiu para a elaboração do planisfério.
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O Tratado de Tordesilhas
Nesta época, as latitudes já eram determinadas, por métodos astronómicos, com uma exactidão razoável, embora as longitudes, baseadas nos rumos e em estimativas das distâncias percorridas, fossem afectadas por erros grosseiros, o que contribui para os grandes erros do planisfério na direcção Este-Oeste, nomeadamente na costa a Sul do Brasil, sendo que esta pode ter sido deliberadamente afastada para Leste. Finalmente, deve notar-se que Duarte Pacheco Pereira usava um módulo de 18 léguas por grau (cf. o Esmeraldo de Situ Orbis), o que dá cerca de 20,6º para as 370 léguas, que somados à longitude do extremo Oeste de Santo Antão (25,1º) dão cerca de 45,7º a Oeste de Greenwich para a longitude do meridiano de Tordesilhas.
3. O ANTIMERIDIANO DE TORDESILHAS A localização do meridiano de Tordesilhas (c. 46º a Oeste de Greenwich), no final do século XV, veio colocar o problema da localização do antimeridiano de Tordesilhas (c. 134º a Este de Greenwich). Com efeito, os hemisférios de influência portuguesa e castelhana no Oriente estavam separados pelo antimeridiano, cuja posição no terreno era de muito difícil determinação devido à grande incerteza das longitudes estimadas por navegação. Com particular importância, punha-se o problema da localização das ilhas Molucas: estariam a Ocidente do antimeridiano, no hemisfério português, ou a Oriente, no hemisfério castelhano? Em 1512, Francisco Serrão, partindo de Malaca, chegou às Molucas, onde estabeleceu uma feitoria na pequena ilha de Ternate. Serrão, amigo chegado de Fernão de Magalhães, escreveu a este uma carta onde lhe confidenciou que, de acordo com a longitude estimada na sua viagem, as Molucas estariam no hemisfério de influência castelhana. Quando Magalhães propôs ao rei Carlos I (imperador Carlos V) a viagem para as Molucas pelo Ocidente, usou a carta de Serrão para o persuadir de que tinha direito às Molucas. Deste modo,
instalou-se, nos meios castelhanos, a convicção de que as Molucas lhes “pertenciam”. Na realidade, o extremo oriental do arquipélago situa-se 129º a Este de Greenwich, bem no interior do hemisfério português. Após a morte de Magalhães, nas Filipinas, Sebastião de Elcano deixou (1521) uma feitoria em Tidore (pequena ilha a Sul de Ternate), onde carregou a nau Vitória de especiarias. No diário de bordo, Elcano posicionou as Molucas 24º a Oriente do antimeridiano. A partir daí, o conflito entre portugueses e castelhanos pela posse das Molucas, embora circunscrito à região, assumiu proporções militares. Tendo em vista resolver a disputa pela via negocial, D. João III e o rei Carlos I promoveram, em 1524, uma conferência, na ponte sobre o Guadiana, entre Elvas e Badajoz, em que participaram matemáticos (astrónomos) e pilotos de Portugal e de Castela. As divergências entre portugueses e castelhanos sobre a localização do antimeridiano eram tão profundas que não foi possível chegar a um acordo e o conflito prosseguiu. Finalmente, em 1529, foi assinado o tratado de Saragoça, em que mediante o pagamento de 350.000 ducados, Castela concedia a Portugal a extensão da sua zona de influência até ao meridiano situado a 297,5 léguas a Leste das Molucas. Assumindo que as negociações eram tratadas sobre uma carta quadrada, isto é, em que
Figura 2 Planisfério de Jorge Reinel (1519).
as imagens dos meridianos e dos paralelos eram retas paralelas (ver o planisfério de Jorge Reinel, na Figura 2), e que o comprimento do grau de círculo máximo era suposto ser de 17 e ½ léguas náuticas castelhanas, o meridiano de separação das zonas de influência estabelecido em Saragoça encontrava-se 17º a Leste do extremo Oriental do arquipélago das Molucas. De acordo com D. João de Castro, o valor de 17 e ½ léguas para o comprimento de um grau da circunferência terrestre, terá sido fixado por Américo Vespúcio no princípio do século XVI e foi adotado, primeiro pelos portugueses e depois pelos castelhanos, em toda a península ibérica, até aos primórdios do século XVIII. Dado que a légua náutica castelhana tinha 5.572 m, o comprimento de 17 léguas e ½ para o arco de um grau leva o perímetro do círculo máximo da Terra para cerca de 35.100 km. Esta conceção das dimensões terrestres, que era comum à generalidade dos cosmógrafos europeus da época, enquadrou as viagens dos descobrimentos e contribuiu para o problema da localização do antimeridiano. A notável exceção foi Cristóvão Colombo, que defendia um perímetro de 27.500 km para a circunferência da Terra, conforme com a sua convicção de que o continente asiático se encontraria do outro lado do Oceano Atlântico.
O Fabuloso Elipsoide de Inércia
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António Rafael Passarinho Franco Preto 67/1950
O Fabuloso Elipsoide de Inércia P
or favor não se assustem com o título do artigo que, na realidade, é só mais uma ‘historieta da vida real’, das muitas que todos nós temos. Esta, tem mais de 55 anos de idade (mas por vezes parece que aconteceu ‘ontem’). Como todas as ‘historietas’ que se prezam, podia começar com: ‘Era uma vez…’ Mas não. Talvez fique melhor: ‘Então foi assim…’
Circunstâncias da vida levaram-me a, no início da década de 1960 e depois de concluir o 3º ano da licenciatura em Engenharia Químico-Industrial no IST - Instituto Superior Técnico (onde todas as licenciaturas eram de 6 anos) transferir-me para a Faculdade de Ciências de Lisboa para obter a licenciatura em Ciências Físico-Químicas, que tinha a duração de 4 anos (como todas as licenciaturas dessa Faculdade). Para isso, tive de fazer 7 ‘cadeiras’ que estavam distribuídas pelo 1º, 3º e 4º anos dessa licenciatura1. A associação de estudantes era o único local de reunião, estudo (e almoço) de grande parte dos estudantes da Faculdade de Ciências Nessa associação, um grupo de três amigas
Uns dois meses após a obtenção dessa licenciatura iniciei a minha vida profissional na indústria química do petróleo donde, após 6 anos de actividade profissional, me ‘transferi’ para a área da informática (marketing), onde permaneci até à obtenção da merecida reforma (39 anos depois de ter começado a trabalhar).
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O Fabuloso Elipsoide de Inércia
(a Carmo, a Manuela e a Maria José) estudavam por vezes – e em conjunto – Mecânica Racional, que era considerada a ‘cadeira’ mais difícil do 3º ano da licenciatura (e que eu já tinha feito no IST, onde por sinal era mais complexa). Como tinha algumas ‘cadeiras’ em comum com elas, estabelecemos laços de relacionamento compreensíveis e eu tinha a oportunidade de, quando tal me era pedido, as ajudar a encontrar a solução de alguns problemas. Quando já relativamente perto dos exames finais lhes apareceu a preocupação de ‘que tipo de perguntas’ nos poderão aparecer no exame oral (pois a prova escrita era de resolução de problemas) começaram a pedir-me que lhes colocasse perguntas passíveis de saírem nesse exame oral. Aconteceu que um dia eu coloquei a seguinte pergunta: Qual é o conceito físico do elipsoide de inércia? Como nenhuma das três conseguiu responder satisfatoriamente eu dei a resposta à pergunta feita (o que demorava – se tanto – uns dois minutos). E esse conceito físico passou a ser a exigência que eu a partir daí fazia, sempre que me pediam ajuda: primeiro expliquem-me o conceito físico do elipsoide de inércia e depois eu ajudo. Barafustavam, mas nada feito. Tinham que me ouvir a repetir ‘à exaustão’ o conceito físico do elipsoide de inércia, antes de receberem a ajuda pedida. Por vezes, quase zangadas, mas era o preço que - por qualquer motivo inexplicável – eu tinha colocado. Chegamos então aos exames. A Manuela era a última a ser examinada numa quentíssima tarde de finais de Junho (a Carmo e a Maria José faziam a prova oral noutro dia). A certa altura, durante o primeiro dos exames orais, o professor saiu-se com a pergunta: Qual é o conceito físico do elipsoide de inércia? Não tenho recebido uma resposta minimamente satisfatória, deu o exame por termiOs tempos eram de facto, outros. Os outros, passem ao artigo seguinte na nossa ZacatraZ.
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nado com uma reprovação do examinando. O conceito físico do elipsoide de inércia passou a partir daí a ser a pergunta inicial feita a todos os examinandos dessa tarde. Pergunta inicial e …final. Nunca obtendo resposta satisfatória, os exames eram dados por terminados com uma reprovação, após um ou dois minutos (em vez da meia hora que cada prova oral demorava normalmente)2. Quando chegou a vez da Manuela (umas duas ou três horas antes da hora prevista), ela parecia um ‘papagaio’ a recitar com toda a confiança e à vontade o tal conceito físico, tendo sido o único examinando com aprovação final nessa tarde. Quando eu a felicitei no final pelo ‘brilhantismo’, obtive a seguinte resposta: Gostaste?! Pois não percebi nada do que disse! Fiquei sem resposta perante este exemplo de ‘vingança’ feminina. Tinham de facto algo de aleatório os resultados dos exames universitários na década de 1960, mas ao fim e ao cabo preparavam-nos para a vida real, que – como fomos aprendendo ao longo dela – tem situações tão inesperadas e tão fora do controle pessoal que, olhando para trás no tempo, fazem parecer os anos da universidade uma brincadeira de crianças.
O FABULOSO ELIPSOIDE DE INÉRCIA! Terminada esta ‘historieta da vida real’ – e exclusivamente para os que ficaram minimamente interessados no dito elipsoide de inércia3 – vou escrever algo sobre ele. A Mecânica Racional é a área da Física que estuda os movimentos dos corpos (ou sistemas) gerados por forças específicas (enquanto a Estática analisa as forças aplicadas a um sistema que está em equilíbrio). A análise matemática utilizada na Mecânica Racional tem a capacidade de representar a geração das trajectórias dos corpos (ou siste
mas) em movimento (enquanto a Geometria estuda as trajectórias havidas quando os corpos ou sistemas estão estáticos). A primeira lei do movimento de Newton é sobre o Princípio da Inércia: “Um corpo em repouso tende a permanecer em repouso, e um corpo em movimento tende a permanecer em movimento.” Então, conclui-se que um corpo só altera seu estado de inércia se alguém ou alguma coisa aplicar nele uma força diferente de zero. Definições: O momento de inércia de um corpo está relacionado com a sua massa e com a distribuição dessa massa – que quase nunca é uniforme – através de todo o corpo (dois corpos com a mesma massa podem, pois, ter diferentes momentos de inércia). O valor do momento de inércia I dum ponto com a massa m com um movimento de rotação à volta de um eixo, é definido por I = mr2 (em que r é a distância entre esse ponto e o eixo de rotação). Superfície exterior dum elipsoide: é o lugar geométrico de todos os pontos do espaço para os quais a soma das distâncias de cada um deles a dois pontos fixos (chamados focos) é igual. Considerando que a superfície exterior de um elipsoide é o resultado da rotação de uma elipse à volta do seu eixo principal, o facto do conjunto dos pontos do espaço que representam o momento de inércia de um dado corpo rodando à volta de um dado eixo ser um elipsoide, fornece importantes informações sobre a distribuição da massa do corpo e a sua dinâmica. E mais não digo… (mas com esta explicação demasiado simplista, certamente ‘chumbaria’ a Mecânica Racional, naquela quentíssima tarde de finais de Junho do início da década de 1960…)
Sabia que o minuto de silêncio
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Sabia que o minuto de silêncio foi inventado em Portugal? Respigado de “https://ncultura.pt”
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e todas as “invenções” portuguesas, a mais universal e mais difundida é, sem dúvida, o minuto de silêncio. O minuto de silêncio com o qual se presta homenagem a um morto ilustre ou a mortos em catástrofes. Tudo começou em 1912 com a morte do Barão do Rio Branco, ministro dos negócios Estrangeiros do Brasil e pessoa muito querida em Portugal, por ter sido um dos primeiros estadistas a patrocinar o reconhecimento da República Portuguesa em 1910. José Maria da Silva Paranhos Júnior nasceu no Rio de Janeiro a 20 de abril de 1845, filho do também diplomata que se tornou famoso sob o título de Visconde do Rio Branco. Político competente, o barão foi ministro dos Negócios Estrangeiros durante os governos presidenciais de 1901 até a data de sua morte em 10 de fevereiro de 1912. Antes da República, Paranhos Júnior servira com igual empenho a causa da monarquia. A sua morte teve tal repercussão no Brasil que o governo fez um decreto
adiando o carnaval, para que esse período de festas não coincidisse com o luto nacional. Como ministro dos Negócios Estrangeiros, Rio Branco foi o responsável pela demarcação das fronteiras, trabalho que executou com engenho e arte, dilatando ainda mais o já vasto território brasileiro com a anexação do atual estado do Acre, que pertencia à Bolívia (1904), uma área em litígio com a Guiana Francesa, que abrangia quase todo o atual Estado do Amapá, e resolvendo em favor do Brasil um litígio fronteiriço com a Argentina, incorporando em definitivo uma área territorial de 30 mil 621 km quadrados. “Em Portugal havia um verdadeiro culto pelo Barão do Rio Branco, o estadista ilustre que o Brasil perdeu, e o seu nome era entre nós tão querido e tão espalhado que raro dos portugueses de uma certa cultura o desconhecia. Todos os que amam o Brasil e seguem atentamente os seus movimentos políticos e literários, os que lá vão em busca de um pouco de bem-estar, os artistas que viajam anualmente na terra nossa irmã, os comerciantes que regressam com o seu pecúlio e vão instalar-se nas suas
províncias, todos recordavam com admiração o nome do ilustre homem de Estado”, como ficou registrado na Ilustração Portuguesa, de 26 de fevereiro de 1912, lamentando a sua morte e noticiando a missa de sétimo dia em sufrágio da sua alma. A morte do Barão do Rio Branco causou um forte impacto em Portugal. O parlamento português na sua reunião do dia 13 de fevereiro, sob a presidência de Aresta Branco, em homenagem ao morto ilustre, suspendeu a sessão por meia hora – como era tradicional. Já na reunião do Senado no dia seguinte, sob a presidência de Anselmo Braamcamp e secretariada por Bernardino Roque e Paes de Almeida, inovou e revolucionou. “O presidente, aludindo ao falecimento do Sr. Barão do Rio Branco, recordou que os altos serviços por aquele estadista prestados ao seu país e a circunstância de ser ele ministro quando o Brasil reconheceu a república portuguesa”, escrevia o Diário de Notícias sobre a sessão. Continuando com a evocação do DN: “Honrou também o Barão do Rio Bran-
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Sabia que o minuto de silêncio
co as tradições lusitanas da origem da sua família e por tudo isso propôs que durante dez minutos, e como homenagem à sua memória, os senhores senadores, se conservassem silenciosos nos seus lugares. Assim se fez…”. Cumpriu-se, assim, o primeiro momento de silêncio que se
Fotografia retirada do Diário de Notícias
tem notícia, numa sucessão que se vem prolongando até os nossos dias. Depois deste dia, todas as vezes que morria alguém passível de homenagem, o parlamento português repetia o gesto. Com o tempo, de dez minutos passou a cinco, depois a um, como atualmente. Em seguida, as ca-
sas legislativas europeias copiaram o modelo português e daí para o resto do mundo, ganhando visibilidade sobretudo nos estádios desportivos.
O Regulamento Interno de 1901
Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
Regulamento Interno de 1901
Um modelo intemporal de pedagogia No número 208 da ZacatraZ, de Julho/Setembro de 2017, publicou-se o artigo intitulado «Morais Sarmento. Um pedagogo predestinado», em que se fazia uma breve apresentação da figura de José Estevão de Morais Sarmento (44/1854), um extraordinário educador, que dirigiu os destinos do Colégio na passagem do século XIX para o Século XX, de 1898 a 1904, deixando no Colégio obra feita, que ainda hoje é fruto da nossa admiração. A peça mais notável da herança que então nos deixou, cremos que terá sido o «Regulamento Interno do Real Collegio Militar», aprovado por Portaria do Ministério da Guerra, de 12 de Outubro de 1901, a qual rezava assim: «Manda Sua Majestade El-Rei, pela secretaria de estado dos negócios da guerra, aprovar o regulamento interno do real collegio militar, proposto pelo respectivo director, o qual baixa assignado, pelo director geral da mesma secretaria de estado. Paço, em 12 de Outubro de 1901.» O referido regulamento inicia-se com um «Título I – Do regímen educativo», cujo primeiro
José Estevão de Morais Sarmento (44/1854).
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O Regulamento Interno de 1901
capítulo tem uma secção única «BASES FUNDAMENTAIS DA EDUCAÇÃO», apenas com quinze artigos, que constitui, ainda hoje, um modelo de pedagogia de inestimável valor. No sentido de sermos breves, apresentamos de seguida transcrições de partes seleccionadas daqueles artigos, que, a nosso ver, ilustram a sua extraordinária qualidade: Artigo 1º - A educação dos alunos deve ser subordinada ao tríplice ponto de vista moral, intelectual e físico (…………………………..) de modo a formar homens de caracter honrado e resoluto, inteligência lucida e esclarecida e organismo forte e desembaraçado. Artigo 2º - Para conseguir o fim proposto devem convergir, uniformes e solidários, os esforços dos indivíduos que compõem o pessoal superior do colégio (…………………………) visto ser o exemplo dos superiores o melhor de todos os processos educativos. Artigo 3º - O estudo dos temperamentos e dos caracteres é essencial para a escolha dos meios educativos a empregar, que devem variar segundo essas condições individuais. Artigo 4º - O segredo da educação consiste em conseguir que os alunos não façam tudo quanto queiram, mas unicamente o que os princípios religiosos, as leis e os preceitos sociais prescrevem e, onde eles forem omissos, o que a ordem impõe (…….) Artigo 5º - Conseguir a docilidade e a manutenção da ordem é apenas realizar uma parte do problema educativo; o essencial é tornar a mocidade laboriosa, empreendedora, fervorosa em realizar trabalho bom e útil, dedicando os melhores desvelos e aptidões ao cumprimento do dever. E para conseguir este resultado, mais apropriado será, em geral, o emprego do estimulo e do prémio que o do temor e o da pena. Artigo 6º - O incitamento ao trabalho por meio de louvor discreto, francamente dispensado logo a seguir a uma prova que o
mereça, é, na verdade, a mais agradável das recompensas e o mais eficaz dos estímulos (…………..) Para a formação do caracter são estas qualidades (esforço de vontade e amor ao trabalho) as que devem merecer o mais subido apreço aos superiores (…….) Artigo 7º - Sendo o regime moral a base da educação a ministrar aos alunos a disciplina deve ser essencialmente preventiva (…………..) A acção dos superiores far-se-á sentir, de preferência, pela palavra breve mas insinuante, conceituosa e convincente (…….) Frases vexatórias e ofensivas da dignidade individual jamais devem ser empregadas. Artigo 8º - A boa disciplina deve visar a melhorar e não a mortificar. O fim a atingir não deve ser a expiação da falta, mas o melhoramento do culpado (…………………) Artigo 9º - O culto da verdade deve merecer a maior consagração e, para o conseguir, é indispensável animar os alunos à sinceridade, tendo em benévola atenção a confissão leal das faltas praticadas ( ………………) Artigo 10º - Os superiores procurarão educar os alunos na convicção de que a disciplina que se baseia no temor do castigo é sempre transitória e deprimente e de que somente é solida e nobre a que se apoia no sentimento do dever (………………) Artigo 11º - A acção do professor na educação moral dos alunos deve ser preponderante (……) não há melhor disciplina moral do que a que tem por base uma boa disciplina intelectual (….) Artigo 12º - No ensino de qualquer disciplina, o professor que tenha a natureza de educador encontrará repetidos fundamentos, embora em proporções desiguais, para enriquecer simultaneamente a inteligência do discípulo com novos conhecimentos e o caracter com afirmações de virtudes (……………) (neste artigo, de grande extensão, explica Morais Sarmento como se pode atingir este desígnio, nomeadamente no ensino das lín-
guas, da geografia, da história, das ciências físico-naturais, das ciências abstractas, do desenho e da filosofia) Artigo 13º - Os exercícios físicos, designadamente os jogos ginásticos constituem excelente escola para a educação dos caracteres. Neles se apura e retempera a lealdade de procedimentos, a placidez de alma no triunfo e no revês, a coragem, a dedicação e a paciência (……..) Artigo 14º - As famílias têm o dever imprescindível de auxiliar a acção educativa ministrada no Colégio, diligenciando por todos os modos evitar fazer-lhe perder o espirito de unidade, que é a primeira condição da sua frutificação (…………………….) Artigo 15º - Porque é a qualidade e não o número de alunos, que honra um instituto de educação como o Real Colégio Militar, cujo uniforme deve ser sinal ostensivo de nobreza de caracter, serão cuidadosamente afastados do convívio colegial os alunos que, pela persistente incorrecção do seu procedimento ou pela inalterável repugnância ao trabalho, se constituírem elemento de dissolução para o regime educativo consagrado pelas presentes instruções (…………….) Era este o pensamento de Moraes Sarmento, que se referia ao Colégio não como um Instituto de Ensino, mas sim como um Instituto de Educação, o que encerra em si toda uma diferença. Estas “BASES FUNDAMENTAIS DA EDUCAÇÃO” ainda hoje podem ser dadas a ler aos professores que venham ensinar (e que também devem vir educar) para o Colégio, o mesmo se podendo dizer, nas partes em que lhes são aplicáveis, em relação aos alunos a investir nas funções de graduados. Se todos as assimilarem e puserem em prática, estará o Colégio de parabéns.
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Jantar de Braga
Jantar de Antigos Alunos em Braga R
ecebemos do Armando Nuno Saraiva Valente Perfeito Canelhas (591/1961), homem de cavalos (foi comandante da Escolta), arquitecto e empresário, residente no Norte quando se encontra em Portugal, a notícia de mais uma jantarada realizada lá em cima, por um grupo de bons garfos colegiais, que presumimos que queiram competir com as jantaradas da malta do Oeste. Se é esse o fito, é de saudar a iniciativa, pois não há nada como uma sã competição para se atingirem grandes objectivos, gastronómicos sejam eles. Para que todos possam avaliar a dimensão do acontecimento, reproduzimos a mensagem que recebemos do Nuno Canelhas, acompanhada de um fotografia ilustrativa dos evidentes benefícios para a saúde de cada um, retirados das regulares jantaradas colegiais.
“Tenho residência em Braga e no Brasil e estando em Portugal, iniciei já há uns anos, uns jantares de ex-alunos do CM residentes em Braga, Viana do Castelo, Guimarães e até no Porto, com a frequência de cerca de 4 a 5 jantares por ano (3 de Março, Lampreia, antes de férias. depois de férias, e Natal). Envio-te agora, para publicação na revista ZACATRAZ, a foto do grupo, do nosso último jantar de “depois de férias” (desta vez organizado pelo Pedro Mota Cardoso, por eu ter estado hospitalizado durante a realização do jantar anterior, em Guimarães) que se realizou em Braga, no Restaurante “Cibo no Prato”, no dia 28 de Setembro de 2018 e com a presença de 10 ex-alunos. Na foto e da esquerda para a direita ... - Pedro Mota Cardoso (375/71) - Luis Miguel Sousa (567/71) - Carlos Pimenta Machado (83/63) - António Monteiro Afonso (479/64) Nuno Canelhas (591/59) - Pedro Alves Monteiro (111/79) - José Moura Borges (74/72) - Gustavo
Rocha (25/79) - Jorge Veiga Torres (317/56) - Manuel Castro e Lemos - (423/63). Normalmente, o grupo é constituído por 15 ex-alunos (5 do Porto, 1 de Guimarães, 6 de Braga - núcleo inicial e 3 de Viana do Castelo) mas já sabes como é, faltam sempre 3 ou 4. Desta vez, faltaram 5, a saber : - Jorge Silva Duarte (153/51) - António Adão da Fonseca (286/57) - António Lobato de Faria (373/70) - Herlander Marques (260/69) - José António Lameiras (281/63). Os jantares são sempre muito animados, porque somos todos enófilos (todos apreciamos bons vinhos, apesar de eu e o Pedro Motas Cardoso termos formação na Escola de Vinhos - Wine School) e além de recordarmos cenas e camaradas dos tempos colegiais, nós é que levamos os vinhos e fazemos sempre um jantar “vínico” com a apreciação e troca de impressões colectivas de todos os vinhos, que vamos bebendo, com os vários pratos! E... assim vamos mantendo bem acesa a chama da nossa Amizade e Camaradagem Colegiais, pela vida fora... O próximo jantar é o de Natal, em Dezembro 2018. Eu muito provávelmente estarei no Brasil, mas.... o jantar não deixará de se realizar! Desde já agradeço a publicação na revista da AAACM. “
Armando Nuno Saraiva Valente Perfeito Canelhas (591/1959)
Jantar de Antigos Alunos em Braga
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Os que nos deixaram
Os que nos deixaram DOS QUE FICAM… AOS QUE PARTEM
Afonso José de Albuquerque de Campos Ferreira (103/1942)
O nosso curso vinha-se caraterizando pela resistência à inelutável “Lei
Comandante da Marinha Mercante Nasceu a 19 de Maio de 1932 Faleceu a 1 de Abril de 2018
da vida” (ou da morte?), distinguindo-se pela positiva em comparação com os cursos mais chegados, logo do mesmo nível etário. Nos finais de 2016 ainda “sobrevivíamos” 24 dos 35 finalistas, mais de 2/3, o que era notável quando estávamos no patamar intermédio dos 80 para os 90. Mas também estávamos conscientes de que se aproximava uma razia. E ela chegou, implacável, sem aviso prévio. Nestes últimos dois anos 8 já deixaram o nosso convívio e chegam notícias de alguns que também passaram pelo curso mas cujos contatos eram menos regulares e que também terão falecido. Mantendo o compromisso que entre nós assumimos, aqui deixamos registo da nossa homenagem aos que partiram e com os quais mantivemos fraterna convivência até aos seus últimos dias. O Curso 1943-1950
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eixou-nos em 1 de Abril passado. Entrou para o Colégio em 1942, um chumbo no 2.º ano trouxe-o para o nosso curso onde se manteve até ao 7.º ano. Novo chumbo no 7.º ano fê-lo transitar para o curso seguinte, pelo que só veio a sair em 1951.
Convém aqui deixar um esclarecimento a algumas dúvidas legítimas para quem só entrou para o Colégio depois dos meados da década de 40. Só por essa altura saiu legislação que obrigava a abandonar o Colégio (ir para coco) o aluno que perdesse o ano pela segunda vez por falta de aproveitamento escolar (excluía-se o caso da perda do ano por motivos
de doença). Mas a alteração não tinha, obviamente, efeitos retroativos, pelo que só se aplicava a quem perdesse o ano pela segunda vez a partir de então. Como o Afonso Campos Ferreira chumbara a primeira vez antes dessa alteração, pôde permanecer no Colégio depois do segundo chumbo. Tivemos no nosso curso mais de uma dezena de companheiros com dois chumbos no currículo o que também contribuiu para lhe conferir a sua identidade própria. O Afonso José, excelente amigo e camarada, entre as várias caraterísticas pessoais sobressaía uma, a sua gaguez. Foi daí que, sem sa-
Os que nos deixaram
bermos absolutamente porquê, lhe veio a alcunha, o Tati, pela qual era essencialmente tratado e com a qual ele próprio se apresentava. Foi-se atenuando com o tempo mas agravava-se quando, com a “crueldade” da nossa adolescência o provocávamos e o desafiávamos: “Tati, canta!” (era ideia feita que, a cantar, os gagos não gaguejam). Oficial da marinha mercante fez toda a sua vida profissional nas carreiras comerciais de passageiros percorrendo toda a hierarquia até comandante das maiores unidades da nossa frota. Alguns de nós viajámos com ele, o que deu para amenizar a monotonia dos dias a bordo nas suas horas de folga e para nos apercebermos como era considerado e respeitado pelas tripulações. Presença assídua nas nossas confraternizações e romagens ao Colégio, começámos a sentir a sua ausência quando a doença se agravou e lhe limitou a mobilidade e a comunicabilidade. Até que a notícia chegou apanhando-nos, não diremos desprevenidos, mas não preparados. A nossa hora está a chegar sem contemplações e a sua partida é mais uma a ampliar o vazio que nos vai envolvendo. Que iremos compensar mantendo presente a sua memória e a nossa saudade. À Maria Teresa, companheira de toda a sua vida, aos seus filhos e aos seus netos, a sentida e fraterna homenagem do Curso 1943-1950
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José Manuel Ferreira de Carvalho Martins (225/1943) Veterinário Nasceu a 30 de Novembro de 1932 Faleceu a 28 de Abril de 2018
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osé Manuel Ferreira de Carvalho Martins nasceu em Lisboa (Benfica) a 30/11/32 e entrou para o 1ºano do Colégio Militar no ano lectivo de 1943-1944, tendo-lhe sido atribuído o nº 225. Era filho do coronel de Cavalaria Helder Eduardo de Sousa Martins, também antigo aluno do CM nº 225/1912, que se destacou com palmarés de prémios de concursos hípicos nacionais e internacionais, incluindo 3 jogos olímpicos (1924-Paris, 1928-Amsterdão e 1948-Londres) e da Senhora D. Maria Rosalina Ferreira de Carvalho Martins. Seu avô paterno, Coronel Manuel Eduardo Martins, esteve na guerra de 19141918 e, posteriormente, prestou serviço no Colégio Militar. Esta tradição castrense dos seus ancestrais haveria de constituir um forte apelo de lhes seguir as pisadas. Daí o seu desejo, desde menino, de ingressar no Colégio Militar, o que concretizou, com a feliz coincidência de ter podido “agarrar” o mesmo número, como aluno, que seu pai já tivera, cerca de trinta anos antes.
Contudo, cedo começou a revelar problemas de saúde que, de certo modo, o foram afastando da concretização do seu sonho: a carreira das armas. O seu percurso escolar foi, por tal facto, algo condicionado. Apesar desse cons-
trangimento, foi-se empenhando na prática de actividades desportivas, para que tinha uma queda natural, em particular para o hipismo e ginástica, o que lhe valeu, mesmo assim, ter sido premiado com a distinção de duas medalhas de Aptidão Militar e Física. No terceiro período do 5º ano, um grave problema do foro pulmonar, impediu-o de terminar o ano lectivo, pelo que transitou para o curso seguinte. A frequência das crises manteve-se, impedindo-o de terminar o percurso colegial antes do previsto, tendo saído do Colégio, no final do ano lectivo de 1949-1950. Depois de terminado o curso liceal, já fora do Colégio, licenciou-se em Medicina Veterinária, sua actividade principal que manteve durante toda a sua vida. Iniciou a actividade profissional como Inspector Sanitário no Matadouro Frigorífico de Lisboa; seguiu-se um período de 18 anos na Central de Tratamento de Leite Pasteurizado, tendo atingido o topo da carreira como Director de Serviços da
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CML, tendo a responsabilidade da cidade no que respeita à Higiene e Qualidade Alimentar. Casou em 07 de Abril de 1958 com Maria Ana Brandão Alves de Carvalho Martins, que também praticava o hipismo, prática que haveria de os aproximar. O casal teve cinco filhos, (três rapazes e duas meninas e doze netos (sete rapazes e cinco meninas). Filhos e netos continuam a tradição de família dos seus maiores. Quanto à parte desportiva (Hipismo) foi, durante anos, activo concursista em pistas nacionais e no estrangeiro, onde conquistou numerosos troféus, continuando a tradição familiar que transmitiu aos filhos e netos, indo já na quarta geração. Essa actividade, contudo, valeu-lhe algumas quedas pouco felizes que o marcaram fortemente a partir de idade madura e que condicionaram de forma irreversível a sua capacidade de locomoção. Não obstante tais limitações, manteve sempre o contacto com os seus antigos companheiros colegiais, sendo presença assídua nos eventos festivos na Casa que escolheu como ninho de menino. O “Zé Manel” faleceu em 28 de Abril de 2018. Os seus camaradas colegiais recordam-no com saudade e manifestam à sua companheira de percurso, aos filhos e netos, enorme tristeza pela sua partida. PAZ À SUA ALMA O Curso de 1943
António Francisco Martins Marquilhas (67/1944) Major General do Exército Nasceu a 7 de Julho de 1933 Faleceu a 22 de Agosto de 2018
É
do senso comum dizer-se que não há pessoas insubstituíveis. Aceita-se o sentido profundo do aforismo na medida em que interpreta o percurso do processo histórico – as pessoas passam a obra continua. Mas também sabemos que há projetos que ficam por concluir com o fim do seu criador, que há ideias que se esvaziam com o desaparecimento do seu inspirador, que há dinâmicas que se esgotam com a morte de quem as desencadeou. Mas o que temos como certo é que há ausências irreparáveis. E é isto que para nós, os que subscrevemos esta mensagem de despedida e de homenagem, se aplica inteiramente ao António Marquilhas que, ao deixar-nos definitivamente no passado 22 de Agosto abre, no seio deste grupo de uma coesão a toda a prova, um vazio sem remédio. Nesta solidariedade fraterna que nos identifica o posicionamento central do António era (é) absolutamente decisivo. Constituímos certamente o núcleo dos amigos que há mais tempo conviviam e permaneciam perto do António (com uma eventual ressalva para alguns sobreviventes da Escola Primária de Setúbal que foram seus colegas antes de nós, que não conhecemos pessoalmente mas sabemos
que anualmente se reúnem). Já lá vão 75 anos!!! Todos temos bem presente o menino franzino, que já tinha concorrido ao Colégio em 1943 para o 1.º ano mas não entrara “por falta de robustez física” (palavras do próprio António no Livro do Curso), mas entrou em 1944 para nos apanhar no 2.º ano com o n.º 67 e nunca mais nos largar. E logo nos cativou a todos pela vivacidade, pelo dinamismo, pela irrequietude, pela boa-disposição permanente. A fisionomia esguia de que se destacavam as duas orelhas, logo lhe deu a alcunha – e “Bacalhau” ficou para toda a vida. E que ele próprio adotou como “petit nom”. E é notável como aquele miúdo cresceu, encorpou, aliou uma boa constituição física a uns magníficos reflexos, boa elasticidade, perfeito autocontrolo, caráter competitivo, revelando-se um desportista eclético e que na área a que se dedicou, a esgrima, se tornou mestre, campeão nacional, atleta internacional e olímpico. O António Marquilhas deixa o seu nome gravado a letras de ouro na história da esgrima portuguesa e assegurou a continuidade através do seu filho João (132 de 1969). O nosso curso tem deixado vários registos nas páginas da ZacatraZ. E publicou um livro, “Livro do Curso 1943-1950 – foi assim…” Aí se revela o que somos e porque somos, a nossa especificidade
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coletiva. Cada curso, mesmo no contexto de uma mesma geração, tem a sua. Derivada de fatores diversos um dos quais é, seguramente, a complementaridade das várias identidades que o compõem. No nosso, uma das personalidades marcantes e caraterizadoras foi o António. Devemos-lhe isso. E agora, na parte final das nossas vidas em que esta união se tornava cada vez mais sólida e indispensável, foi determinante a ação catalisadora do António. Por isso não é uma mera retórica quando dizemos que a sua ausência é irrecuperável. E daí também o nosso compromisso em prosseguir os convívios quinzenais de que era o grande dinamizador e, invocando-o a cada passo, mantê-lo entre nós. Terminado o Tirocínio para Oficial em 1954 António Marquilhas iniciaria uma carreira militar a todos os títulos brilhante. Em unidades da sua Arma, Cavalaria, no Centro Militar de Educação Física Equitação e Desportos, em 4 comissões em Angola (3) e Guiné, na GNR já como oficial general, por onde passou deixou a marca do seu dinamismo, da sua iniciativa, do seu desembaraço físico e intelectual, do seu espírito de decisão, do rigor, seriedade, competência. Uma imagem de referência se distingue na sua carreira – os problemas existiam para serem resolvidos. Nunca encarou um problema como um obstáculo, sempre como um desafio. Foi sempre um construtor de soluções. Encarou o termo da vida com tranquilidade. Estava em paz com a sua consciência. Sabia que ia reencontrar-se com a sua Maria Eugénia, companheira da vida e mãe dos seus filhos, que se lhe antecipou poucos anos na última partida. Aos seus filhos, João, Rita e Ana, aos seus netos e bisnetos, que adorava, fica aqui o preito da nossa homenagem, a expressão da nossa solidariedade. Ao António, a nossa gratidão pelo que representas para nós e a garantia de que connosco permanecerás. O Curso de 1943-1950
MARQUILHAS POR ROBERTO DURÃO (15/1942) Convivemos em Mafra há largos anos, na década de 1950, ali fizemos o curso de Mestres militares, ele de Esgrima onde foi mais tarde atleta olímpico, e eu de Educação Física. Pertencemos a um grupo de entusiastas e dinâmicos militares que pugnavam por todas as actividades físicas militares e não só, pois cultivávamos um espírito como que espartano, virado para o risco, a abnegação e a aventura de uma dura preparação física e psíquica inerente à mais exigente profissão das armas. Era esse grupo, além de mim e do Marquilhas, constituído pelo Gilberto Santos e Castro, António Soares Carneiro (cunhado do Marquilhas, depois), estes dois primeiros talvez a cabeça do grupo, Mário Lemos Pires e Artur de Sá Seixas. No total, apenas seis que, apadrinhados pelo General Narciso de Sousa (Director da Instrução do Exército) demos origem ao CMEFED (Centro Militar de Educação Física, Equitação e Desportos), que passou a funcionar na antiga Escola de Equitação, em Mafra.
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entre todos nós, pela tua contagiante e irradiante alegria e optimismo. Com grande espírito de organização, soubeste tão bem reunir, aglutinar dois cursos do nosso Colégio da Luz, como num só, respeitando sempre as convicções de cada um, fossem quais fossem, pois o que nos unia e une acima de tudo isso, era e será sempre o espírito de camaradagem que no Colégio aprendemos e queremos cultivar pela vida fora (este o nosso traço comum e vínculo sagrado). Há já alguns anos (não posso deixar de referir isto pois bem define e caracteriza a sua profunda sensibilidade humana e espiritual): ao perder a sua Mulher, a Geninha, grande amiga da minha que me deixou também pouco depois, ele escreveu esta bela poesia, mendagem pessoal e familiar, para Ela. Divulgo-a aqui, nesta nossa reunião de homenagem (última 5.ª Feira de cada mês) pois sei que ele não se importará: Tens a sombra de um sobreiro, Tens a brisa de um montado, E este eterno companheiro À espera de ir para o teu lado
Ah, que saudades desses tempos onde formámos diversos cursos e que pelo nosso entusiasmo fomos, creio poder dizê-lo, o embrião dos futuros Comandos, oficialmente nascidos já depois de 1961, em Angola.
Finalmente se fez a tua vontade, pois estás a seu lado agora, como tanto desejavas. Esta a minha convicção. Quero assim, dedicar-te esta minha simples Trilogia (ambos amávamos a Poesia, com tudo o que é belo e autêntico):
Exibições de Educação Física Militar por todo o país (com referência nos jornais de então) e Exercícios às vezes arriscados e perigosos cursos de sobrevivência, combate corpo a corpo, Natação Militar e acções tipo «Comando», na Tapada, Cheleiros, Ericeira, etc., autênticas aventuras que até punham «os cabelos em pé» dos que assistiam, nomeadamente o próprio Hailé-Salassié da Etiópia, na sua visita a Portugal, que quase não queria acreditar no que via. Pois o nosso António Marquilhas esteve sempre presente e dando também instrução de Esgrima onde era Mestre. E é precisamente a ti que me dirijo, amigo e irmão, inesquecível António, que há pouco tempo partiste mas sempre estarás presente
Tens toda a Malta contigo Estás vivo, entre nós, sentado, Talvez, mais que nunca, Amigo, Presente: Futuro – Passado E nas dúvidas que temos, Com a Alma erguida: Muito contigo aprendemos, Não há morte, só há Vida! Foi isso que tu nos deste, Com Alegria e Calor, Nada pediste ou impuseste, Só Fraternidade e Amor! Aleluia! Pelo nosso querido António, um grande, eterno Zacatraz…
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GENERAL MARQUILHAS De julho de 1978 a Setembro de 1979, comandei a Brigada Mista de Santa Margarida. Era eu Brigadeiro. Coube-me a sorte de, entre vários oficiais de alta qualidade, dispor da colaboração do então Coronel Marquilhas como meu 2º Comandante.
Foi um dos oficiais mais brilhantes e qualificados que conheci. A sua total eficácia em todos os aspetos: a competência profissional, o aprumo moral, a arte de comandar e ser comandado, a nossa ligação pessoal e profissional, cedo passou a uma amizade profunda.
A sua permanente boa disposição, contagiava todos os que usufruíam do seu contacto. Um verdadeiro exemplo de qualidades humanas e militares.
Por tudo isso, e muito mais, ao tomar conhecimento da sua morte, fiquei surpreendido e profundamente desgostoso.
Não me foi possível deslocar às suas exéquias. Mas ouso ocupar um pequeno espaço da nossa revista para lhe prestar uma simples homenagem.
POEMA DE AMIGO O Sol nasceu O seu brilho persiste Meu mundo empobreceu Acordo pensativo e triste Mais um amigo faleceu.
José Luís Almiro Canelhas Tenente-General (302/1936)
(162/1950) Falta Profissão Nasceu a 12 de Abril de 1938 Faleceu a 11 de Dezembro de 2017
Amigo de grande estima Que a juventude fomentou Cruzando ferros na esgrima Amizade de ferro se gerou.
Hoje que a força se esgotou Não há mais golpe a cabeça Nem parada de quarta face Há uma memória que restou Como se sua morte falasse.
E o mundo das minhas ilhas De esgrimistas e combatentes Encontrou sempre o Marquilhas Entre os Honorários Presidentes.
Terminou uma alegria permanente A anedota fácil e contagiante Acabou a vida de um combatente Que no “Az de Espadas” confiante Em Angola se bateu e sempre.
Lisboa 25 de Agosto de 2018
São saudades para sempre. À sua família apresento sentidas condolências.
Arlindo Sarmento Falco Pereira
Joaquim Chito Rodrigues Tenente-General
O
162 entrou para o Colégio em 1950, para o 3º Ano.
Embora bastante reservado, alinhava com todos, ia para a “farra” com os outros, em suma, era “um tipo porreiro” e toda a gente gostava dele. Fez no Colégio o curso liceal até ao 7º ano, foi graduado da 4ª companhia, saiu em 1956. Pouco depois de sair do Colégio passou a ter graves problemas de saúde que, infelizmente, não foi possível controlar de forma a que pudesse ter uma vida profissional e pessoal realizada e feliz. Ainda conviveu um tempo com a “malta do curso” – a fotografia acima mostra-o na reunião dos 20 anos de saída do Colégio, em 1976 – mas era uma situação progressiva, sempre a piorar. Foi, de facto, uma vida infeliz que ele, certamente, não merecia e que terminou em Dezembro de 2017.
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Luís Alberto de Oliveira Marinho Falcão (35/1948) Coronel de Cavalaria Nasceu a 20 de Abril de 1936 Faleceu a 21 de Maio de 2018
O Arlindo era um de vários irmãos, um deles o ex-aluno 142/52 que julgamos ser, actualmente, o último desses irmãos, constituindo, com os seus, o grupo familiar que restava ao Arlindo e que foi seu suporte em vários anos da doença. Enviamos-lho o nosso abraço de solidariedade. A nós deixa-nos uma grande saudade sendo nosso conforto saber que agora, finalmente, está em paz. Os colegas de Curso, do 7º ano de 1955/56
E
stamos aqui por causa de um homem que nasceu feliz, numa família numerosa. Com 4 irmãos e 2 irmãs, nunca lhe faltou companhia, nem conversas, nem brincadeiras, nem risos. Perdeu o pai muito cedo, tragicamente. Talvez por isso, apesar das distâncias por vezes enormes, tudo fazia para tentar ser o pai mais presente, maravilhoso e amigo que alguém um dia pudesse desejar. Cresceu militar, foi militar, e toda a vida foi herói. Passou 12 anos na guerra, 8 dos quais em combate. Foi tão bom oficial, que nunca perdeu um homem. Cuidava deles como se fossem filhos: com a dureza necessária e com todo o cuidado e carinho do mundo. Foi condecorado; foi reconhecido; foi importante; foi respeitado. Um dia foi também avô e, uma vez mais, apesar de todas as distâncias, voltou a ser o “pai” mais carinhoso e atento que qualquer neto pudesse desejar. É querido. Vai ser sempre querido. É reconhecido. É importante.
Sobretudo, este homem vai ser sempre muito amado por nós. Hoje e sempre. Agora que poisou as rédeas de vez, como ele diria, “dá duas festas e apeia”. Sem ele, vamos ter que fazer o resto do caminho a pé.
Gostaria muito de agradecer pessoalmente a cada uma das Pessoas que nos contactaram nos últimos 3 dias, mas não vai ser possível. São várias centenas. Por isso peço-vos que considerem este agradecimento pessoal. Muito pessoal, para cada um de vós. Acredito que a vida de um homem apenas se pode medir pelas reacções, sentimentos e palavras que surgem, espontâneas, depois da sua morte. Não pelo seu cargo importante, por ser famoso ou ser figura pública, daquelas que arrastam multidões e gera dinâmicas de grupo. Mede-se pela quantidade e qualidade das Pessoas que avançam e se apresentam simplesmente para partilhar a forma como aquele homem tocou as suas vidas. Foram mais de quinhentas Pessoas. Foram, cada um à sua maneira, mais de quinhentos testemunhos pessoais e sinceros. A todos e a cada um, a nossa gratidão pessoal e sincera. Estou convencido de que ele está agora de sorriso rasgado, a velar por nós, consciente afinal que a sua vida valeu mesmo a pena. Pedro Filipe Paulo Marinho Falcão (330/1983)
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Pedro Mendonça de Queiroz Pereira (140/1959) Diretor Fabril Nasceu a 5 de Março de 1949 Faleceu a 18 de Agosto de 2018
“PRÉMIO BARRETINA - COLÉGIO MILITARNO MUNDO” EM 2010. O PQP deixou-nos no dia 18 de Agosto de 2018. Mantivemos, ao logo da vida, uma tranquila relação de amizade e estima recíproca. Recordo o Rata que entrou para o Colégio para o 1º ano, estava no 2º na 1ª Companhia. Recordo o miúdo que, no geral da 1ª, depois do jantar, dava lições de grande futebol, onde, no jogo, já manifestava as qualidades e personalidade com que veio a viver a sua vida. Recordo o miúdo simples e simpático que levava para sua casa, aos fins de semana e nas férias, os amigos onde continuávamos as futeboladas da semana e do trimestre anterior. Recordo o herdeiro do espírito de uma família de empresários, que em miúdo aliou o talento, o sentido de líder e do golo, da vitória, o foco nas regras do jogo, as jogadas de risco para poder ganhar, à frontalidade e coragem, ao sentido de risco e aventura,
à persistência, ao espírito de vencedor e incansável trabalhador, de contínua superação, que em adulto vieram a caracterizar a sua postura como Homem e grande empresário de indústria. Um Homem bom, esclarecido, que, sem ostentação, amava Portugal. Em 6 de Novembro de 2009 foi, merecidamente, condecorado pelo Presidente da República com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Industrial. A nossa Associação fica a dever-lhe, entre outros, um contributo importante aquando da edição do “Meninos da Luz - Quem é Quem” em 2006; sempre me disse e pediu que fizesse recato das suas acções solidárias. Portugal fica a dever-lhe o muito que fez em termos económicos e sociais. Que descanse em paz!
Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958)
O meu primeiro contacto com o Pedro, após a saída dele do CM em 1962, foi em 1994. Eu estava na SECIL como Director Fabril da Fábrica do Outão e recebemos a visita do novo sócio maioritário português, após uma renhida operação de privatização da empresa, em concorrência com gente bem mais experiente no ramo, como António Champalimaud. Recordo-me perfeitamente que o Pedro chegou para almoçar e foram-lhe apresentados alguns dos colaboradores da Secil que o Pedro cumprimentou com alguma solenidade (não da parte dele que era avesso a essas situações, mas por parte dos meus colegas). Quando ficámos frente a frente caímos nos braços um do outro, unidos num forte abraço e com um “Olá Zé” seguido de um “Olá Pedro”. Não nos víamos há 32 anos! Como é óbvio, a estupefacção dos meus colegas foi total e, nessa altura, não perceberam nada do que se estava a passar. Para mim e certamente para ele (que não escondia o que lhe ia na alma) foi um momento bem marcante na minha vida de “Menino da Luz”. O Pedro, por força de diversas circunstâncias familiares, viu-se responsável pelo desenvolvimento do património familiar e o seu objectivo sempre foi reconstituir o Grupo que o seu Pai detinha antes de 1974, o que quase conseguiu, só não tendo conseguido recuperar o sector das Águas de Portugal. Na minha opinião, foi um dos últimos grandes “capitães” da indústria nacional e com uma maneira de estar muito particular. Todos os anos, em Fevereiro (e não raramente coincidente com o dia do seu aniversário) reunia num jantar no Ritz (jóia da Família Queiroz Pereira) uma quantidade muito alargada de quadros das diversas empresas do Grupo. Eram
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apresentados os resultados que se iam alcançando e, invariavelmente, o Pedro agradecia sentida e sinceramente, nestes termos: “Eu só disponibilizo os meios, não sou capaz de fazer o que vocês fazem, pelo que agradeço a todos o privilégio de quererem continuar a colaborar comigo para o crescimento do Grupo.” Esta atitude era profundamente sentida e manifestava-a publicamente sempre que podia. Recordo que à SECIL foi atribuída pela Associação Portuguesa de Certificação um prémio, entre muitas outras empresas, referente à certificação das mesmas no domínio da qualidade e ambiente. As empresas eram chamadas, uma a uma, para receber os respectivos prémios, sendo nomeados o dono ou o Director Geral para as representar, os quais evidenciavam obviamente o seu orgulho e agrado pela distinção recebida. Quando foi a vez da SECIL, nomearam o Sr. Pedro Queiroz Pereira para receber o prémio e, ante o espanto geral, o Pedro (que estava na sala) respondeu alto e bom som que, em sua substituição, a empresa seria representada pelo responsável da implementação dos Sistemas de Qualidade e Ambiente (que por coincidência, nessa altura, era eu, cabendo-me a honra de receber o prémio atribuído). Procedeu de igual maneira com a minha colega da então Portucel/ Soporcel que também foi premiada. No final da cerimónia, numerosos técnicos da APCER e de outras empresas vieram ter comigo, fazendo questão de manifestar a sua surpresa e admiração pela nobre atitude do Pedro. Outro momento marcante para mim, como bem sabes, Pedro. Era por demais conhecida a aversão do Pedro a cerimónias protocolares e procurava reduzir as suas intervenções ao
meramente necessário. Como conta o Pedro Roriz (519/59), depois de muita insistência o Pedro acabou por aceitar a sua designação para o Prémio Barretina (2010). No dia do jantar da AAACM ele estava hospitalizado e à entrada do jantar o Roriz pediu-me para ser eu a receber o prémio em nome do Pedro. Felizmente para mim não é difícil falar dele. Assim, aproveitei para tentar transmitir a sua atitude rara como industrial deste País, dado que, a meu ver, o seu modo de liderar reflectia muitos dos valores que nós todos levámos do nosso querido Colégio. Entusiasmei-me um pouco e a intervenção foi algo mais prolongada. Quando cheguei à mesa do nosso Curso de 59, o Zé Tribolet (230/59) exclamou-me: “Nunca vi o Pedro falar tanto!” Na manhã seguinte entreguei-lhe o Prémio Barretina, no recato do quarto do hospital, de um modo muito simples e com poucas palavras porque ele estava ainda muito abananado devido à carga de sedativos. Mas não deixou de me agradecer com o seu sorriso gaiato que reflectia um grande contentamento e que eu bem conhecia de outras alturas muito prazerosas. Durante os 25 anos que estive na SECIL, por diversas vezes, o Pedro quebrou protocolos para que eu ficasse junto dele em determinadas ocasiões, assim como fazia questão de me dar, particularmente, informação adicional, para que eu pudesse perceber algumas decisões que tomava e pareceriam menos lógicas. Era a sua maneira de partilhar com o amigo alegrias e preocupações. Em Junho último e porque já me havia reformado, a Associação Técnica da Indústria do Cimento (organismo onde representei a SECIL mais de 20 anos) resolveu oferecer-me um almoço surpresa com individualidades da indústria do cimento que conheci e com quem trabalhei muitos anos.
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Para minha grande surpresa o Pedro apareceu e ficou sentado ao meu lado. Já não o via há muitos meses. Embora não fosse suposto, fez questão de me dirigir umas palavras lembrando que: “Eu conheço o Zé desde os 9 anos. Jogámos muito à bola. Eras muito fácil de fintar!”. Risada geral, como é óbvio. Depois disse-me coisas que me abstenho de transcrever, mas que me souberam muito, muito bem ouvir. No final, só para mim, segredou: “Não era assim tão fácil fintar-te”. Eram assim, os mimos do Pedro. Entretanto pediu-me desculpa de não ficar para o café, mas tinha que apanhar um avião para Itália pois ia lá passar férias com a namorada. Só no dia do funeral, dois meses depois, me disseram que ele havia interrompido essas férias em Itália para estar presente no meu almoço. Bem hajas Pedro. Retomámos o nosso contacto com um forte abraço e foi com um fortíssimo abraço que nos despedimos. Esse foi o último dia em que te vi, mas guardarei para sempre a tua atitude humilde, mas firme, a grande admiração pelo teu exemplo e a tua grandeza como industrial e como homem e, muito especialmente, esta tão extensa, intensa e linda amizade que começou aos 9 anos, no nosso querido Colégio. José Manuel da Luz Bravo Ferreira (204/1959)
O desporto automóvel colegial perdeu num curto espaço de tempo dois dos seus mais importantes representantes: primeiro o Conde de Botelho, Nuno Gonçalo Gago da Câmara Botelho de Medeiros (275/1948) e depois o “Pêquêpê”, Pedro Queiroz Pereira (140/1959). Deixo de lado a parte profissional, que outros, que com ele trabalharam direc-
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tamente, recordarão com muito mais eficácia e centro-me na componente desportiva do Pedro, que foi a que acompanhei de perto, ao longo de muitos anos. O Pedro entrou para o CM, em 1959, foi o 140 e tinha um pé esquerdo que o distinguia nas “futeboladas” nocturnas no geral. A presença no CM durou três anos, saiu em 1962, o ano da greve da fome, quanto estávamos no terceiro ano, mas manteve sempre uma enorme disponibilidade para colaborar com o CM. Reencontrei-o, anos depois, ele como piloto e eu como jornalista, ligado aos desportos motorizados. Na época, concessionário da Sorel, o Pedro começou a correr com um Opel GT, nos ralis, mas, ao contrário do irmão, Manuel, optou pela velocidade, por ocupar menos tempo, já que nessa época não havia limitações de tempo nos treinos dos ralis, ao contrário do que sucede agora, mas isso não o impedia de ir para os circuitos, muitas vezes à hora de almoço, experimentar afinações que lhe permitissem discutir as vitórias, por ter sido sempre muitíssimo competitivo. Na sequência do 25 de Abril foi para o Brasil, onde conheceu o Ayrton Senna, de quem se tornou amigo e fez sócio de “Os Belenenses”, o seu clube de sempre, e correu nos “Stock Cars”, que era uma das mais importantes competições da velocidade brasileira. Regressou a Portugal, para continuar a correr e, para além de ter vencido alguns troféus monomarca, foi campeão nacional de velocidade, em 1987 e 1988, títulos que nunca valorizou porque o que gostava era de competir. Dos seus tempos do Brasil, recordo os jantares na sua casa, no Rio de Janeiro,
quando o Grande Prémio era em Jacarepaguá, e eu acompanhava a F1, como enviado-especial de “A Bola”, tendo tido oportunidade de ver a Mafalda treinar na sala de jantar, onde havia um tapete de ginástica, para chegar aos Jogos Olímpicos de Inverno. Apesar de se dedicar à velocidade era presença habitual no Rali das Camélias, que decorria em Sintra e que era como que o “corredor” de sua casa, e no Rali de Portugal, a mais importante prova de estrada portuguesa, onde foi o melhor português em 1981 (8.º da geral), tendo como navegador o Miguel Villar. Em 1984 convidou-me para ser seu navegador no Rali de Portugal, naquela que seria a minha única presença “por dentro”, tendo feito dezenas “por fora”, para os jornais e a rádio, na mais importante prova do calendário nacional. Como consequência da sua intensa actividade profissional, que não lhe dava tempo para irmos para a estrada, foi reconhecer o percurso sozinho. Começamos bem, chegámos à Póvoa de Varzim, no comando dos portugueses, posição que perdemos para o Jorge Ortigão, nas demolidoras classificativas do Alto Minho, onde o Pedro optou por “levantar o pé” e não correr riscos. Partimos, para Viseu, a menos de um minuto do Jorge Ortigão e nas duas especiais de Fafe a diferença manteve-se quase inalterada, mas sabíamos que na Cabreira tudo podia mudar. Saímos um minuto atrás do Jorge Ortigão mas, como era uma especial longa e que pelo desenho permite ver outros carros, percebemos que estávamos a ganhar-lhe tempo até que, a menos de dois quilómetros do final, já na parte em asfalto, estávamos colados à traseira do carro do Jorge Ortigão.
Lembro-me de ter dito “esquerda média mais direita 50” e ter olhado para as notas para ver o que tinha de dizer, quando entrássemos na recta. Mas, apercebo-me que vamos depressa demais para uma “média”, grito-lhe “média”, o Pedro puxa o travão de mão para tentar fazer um pião, mas “faltou” estrada e “voamos” 30 metros, que foi quando tocamos, pela primeira vez no chão, porque no local não havia árvores que nos segurassem. O carro deu três “cambalhotas” e meia e acabámos de “patas para o ar”. Sem os meios de comunicação que existem hoje em dia, o GNR, que nos viu sair da estrada, agarrou no rádio e disse: - Atenção, atenção despiste do carro 26. Os dois membros da equipa estão completamente totalmente mortos. A informação, soube depois, causou pânico no Hotel Estoril-Sol, onde funcionava o posto de comando da prova, e houve quem pedisse ao GNR que fosse confirmar a informação. Minutos depois o GNR voltou ao rádio e disse: - Atenção. Rectifico. Os dois membros da equipa estão completamente vivos. Penso que esse foi o último rali do Pedro, apesar das minhas tentativas para o levar a participar no Rali Portugal Histórico, que recupera muitas das classificativas, primeiro, do “TAP” e, depois, do Rali de Portugal. Para além disso, como dedicado sócio do Belenenses, o seu nome foi falado para seu presidente, algo que nunca esteve nos seus horizontes, porque segundo ele, «eles não me querem pelo que sei de gestão, mas sim pelo meu dinheiro».
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Quando a AAACM decidiu entregar-lhe o Prémio Barretina (2010) fui com o Martiniano Gonçalves (9/1958) falar com ele e dizer-lhe da nossa intenção.
José Carlos Borges de Brito Subtil (133/1953) Oficial da Armada Nasceu a 15 de Outubro de 1932 Faleceu a 1 de Setembro de 2018
Pessoa discreta, que sempre fugiu dos holofotes, começou por recusar, mas, após uma longa conversa, acabou por aceitar. No dia do Jantar da AAACM estava no hospital, em consequência de uma operação, e foi o José Bravo Ferreira (204/1959), um dos seus mais directos colaboradores, a levar-lhe o Prémio. Foi, ainda, distinguido, pela FPAK, com o Prémio Carreira e penso que estes dois prémios foram aqueles que maior satisfação lhe deram receber, por serem distinções que não tinham nada a ver com a sua intensa vida profissional, mas sim com as paixões da sua vida. A terminar recordo a sua colaboração nas duas edições do “Quem é quem” e no livro “Os Ratas”, escrito pelo Rui Sá Leal (502/59), para assinalar os nossos 50 anos de entrada no CM. Foi um privilégio ter-te conhecido e partilhar contigo tantos momentos da nossa paixão pela competição automóvel.
Manuel Pedro da Costa Pereira Roriz (519/1959)
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IN MEMORIAM As memórias do Zé Carlos são muitas e boas, sejam elas do curso do Colégio ou dos tempos de Marinha. O “Bita” era dono de um coração muito maior que a sua altura, nele cabiam os valores humanos, a amizade, a solidariedade, a convicção, o discernimento nos momentos difíceis da vida, entre muitas outras coisas que o seu percurso nos mostrou. Pode parecer repetitivo dizer que aprendemos no nosso Colégio o valor da dignidade humana, e que depois o transportámos ás costas por toda a nossa existência. Mas a verdade é que foi isso que deu “sentido” à vida do Zé Carlos e à de todos nós, que hoje o recordamos com saudade. Trezentos dias por ano de vivencia diária no Colégio por um período de sete anos construíram muitos episódios em conjunto, que hoje são difíceis de fazer sair das brumas da memória. No entant o, arrisco recordar que na nossa viagem de fim de curso à India em 1958, foi o Zé Carlos que se lembrou de construir as nossas recordações deixando-nos uma óptima reportagem fotográfica, ilustrada com desenhos de sua autoria, que nos permitem a todos nós, hoje, chegar onde a memória já não nos consegue levar.
Dos tempos de Marinha recordo com muita saudade os idos de inícios de oitenta, quando estávamos ambos no Arsenal do Alfeite. O Zé responsável pela Divisão de Armamento e eu responsável pela Divisão de Electrónica. Subitamente ficámos um longo período sem Director do GOAME (Grupo de Oficinas de Armamento e Electrónica) e herdámos a responsabilidade das nossas Divisões face ás altas instâncias da Marinha. Recordo muitas e difíceis polémicas havidas com o Comando Naval do Continente, com a Superintendência dos Serviços de Material e até com o Estado Maior da Armada, relativamente ao apronto operacional dos navios. Foram momentos duros que nos uniram nas atitudes que ambos tínhamos de tomar. O Zé Carlos deixou-nos num dia Setembro de 2018 e partiu levando os seus sonhos, que são sem dúvida, também um pouco os nossos. Ele sabe que não ficará sozinho, porque um dia, lá no fim do Fim, nos vai encontrar a todos outra vez. À família a quem falta agora a presença e o carinho do marido, pai, irmão, deixa o curso de 52/59 as mais sentidas condolências.
Francisco Alberto Calhau de Carvalho Rosado (167/1952) Curso 1952/59
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Vicente Manuel da Luz Bravo Ferreira (161/1957)
(425/1968)
Arquiteto Nasceu a 8 de Dezembro de 1946 Faleceu a 28 de julho de 2018
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Vicente Bravo deixou-nos em Julho deste ano vítima de um último enfarte do miocárdio. Desde os seus 42 anos, em que sofreu o primeiro, o seu coração foi uma ameaça constantemente presente e exigiu-lhe muita luta e coragem até esta batalha final.
Fomos camaradas durante sete anos, tendo o Vicente passado pela Escolta a Cavalo e tendo sido graduado no sétimo ano como Comandante de Secção da 4ª Companhia, a mesma graduação que eu tive e na mesma Companhia. Do Colégio rumou à Academia Militar (fase em que também o acompanhei) na perseguição do sonho de ser piloto aviador da Força Aérea, mas já nessa altura o coração deu o seu primeiro sinal de não estar para altos voos e aí terminou o seu trajecto militar Mas as partidas do destino acabam por criar, por vezes, a oportunidade de criar novos sonhos a partir de aptidões e níveis de criatividade que até aí não passavam de um hobby. Assim, o Vicente virou-se mais para as artes e iniciou uma vida dedicada à Arquitectura e mantendo e desenvolvendo a sua paixão de pintar.
Joaquim Mário Venâncio Oliveira de Carvalho
Depois de ter trabalhado com Arquitectos conhecidos da nossa praça, como Hestnes Ferreira e Manuel Vicente, acabou por aceitar o convite deste último para assentar arraiais em Macau, no início dos anos 80. Foi aí que, já independente do mestre, desenvolveu projectos de relevo como o Museu das Ofertas sobre a Transferência de Soberania de Macau e da Praça do Centro Cultural de Macau, Complexo Desportivo da Universidade de Macau e a escola técnica do bairro Tamagnini Barbosa, o auto-silo da Areia Preta, tendo estado ainda envolvido em vários projectos de habitação, incluindo habitação social. Foi também projecto seu o Pavilhão Temporário da Transferência de Soberania, obra emblemática que foi construída expressamente para a cerimónia respectiva e desmontado logo após a mesma. Participou ainda em exposições de pintura, nomeadamente no Albergue da Santa Casa da Misericórdia de Macau. Muitos camaradas do Curso de 1957 acompanharam a sua mulher, Ema, e os seus dois filhos, Maria e Manel, no dia do seu funeral, numa demonstração da admiração e muita estima que todos tínhamos pelo Vicente.
João Manuel da Silveira Malheiro de Távora (364/1957)
Engenheiro Agrónomo Nasceu a 0 de Agosto de 1958 Faleceu a 12 de Setembro de 2018
Chegou à ZacatraZ a notícia do falecimento deste nosso Camarada, ocorrência que nos entristece e que muito lamentamos. A todos os seus Familiares apresentamos as nossas sentidas condolências. Que descanse em paz. Paz à sua alma. Zacatraz.