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Editorial Revista “ZACATRAZ”
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Presidente da Direcção José Eusébio Pereira Barata Cordeiro de Araújo (591/1973)
Editorial Estimados Camaradas Como sabeis, pois foi amplamente divulgado, no passado dia 30 de Maio, a Associação de Antigos Alunos teve o privilégio de realizar uma visita de trabalho ao Colégio Militar. Face à enorme satisfação patenteada pelos Antigos Alunos intervenientes e também porque vos sei ávidos por “notícias do nosso Colégio”, vou aproveitar para, subvertendo um pouco a finalidade do editorial, aqui vos trazer a informação então recolhida. Começo, desde logo, por sublinhar o facto de encontrarmos uma situação de evidente regozijo, especialmente porque há muito não ocorria, a de termos nesta altura o próximo ano lectivo já todo planeado e preparado. Para todos os que se empenharam neste esforço preparatório aqui deixo o nosso reconhecimento e apreço. Muito obrigado. Saliento que esta preparação não foi rotineira, envolveu muitas novas medidas e soluções inovadoras, das quais me permito destacar algumas. Foi realizada a abertura de concurso para novos Professores, com determinadas exigências e que pretendam ser requisitados, o que permitiu encontrar cerca de sete dezenas de docentes voluntários para o CM. Foi ainda concluída a revisão dos novos horários de serviço interno para 2017-2018, quer para o 1º Ciclo, quer para os restantes alunos do 5º ao 12º ano, de modo a proporcionar tempo de qualidade de aprendizagem e de lazer a todos os Alunos, internos e externos. Foi igualmente concluída a revisão curricular para vigorar a partir do próximo ano lectivo, sendo de referir os diferentes projectos em análise, tais como: bi-docência no 3º Ano do 1º Ciclo; introdução, como Actividade de Enriquecimento ou Complemento Curricular (AEC-ACC), do Judo no 1º Ciclo e nos restantes; introdução de Latim, Cálculo Mental e Prática da Leitura e da Escrita, no 2º Ciclo; reajustamento curricular da Equitação e Esgrima, que passará a vigorar do 3º ao 7º ano, passando depois a ACC para os alunos que o pretendam; desenvolvimento de Informática-TIC do 1º ao 9º Ano; possibilidade
de opção por Educação Tecnológica ou Educação Musical no 3º Ciclo; existência de pelo menos um Estudo Geral diário em cada dia da semana, com sobreposição de Apoio ao Estudo numa disciplina diferente em cada dia, nos 2º e 3º Ciclos. Permitam-me ainda destacar que a disciplina de Inglês, ultimamente alvo de alguns reparos, passou a ter, do 1º ao 12º ano, a avaliação e certificação em parceria com Cambridge. No âmbito de outros projectos curriculares, gostaria de vos referir que o Programa de Liderança e Valorização Pessoal (PLVP), já em desenvolvimento no Secundário, está a ser dimensionado para extensão a todos os ciclos do Ensino Básico, tendo sido desenvolvida a reintrodução consistente dos projectos de Educação para a Saúde, Sexualidade e Afectos (ESSA) e Pedagogia Aplicada (PA). Também neste âmbito e para o próximo ano lectivo, saliento ainda que já estão preparados os horários semanais, estão a ser ultimadas as ofertas de AEC e ACC (ambas de carácter obrigatório) e estão a ser finalizados os trabalhos de preparação, teste e experiência interna da Plataforma de Gestão Escolar, que irá dar a conhecer, em tempo real, toda a informação relativa aos Alunos do CM. Já no âmbito das Infraestruturas, foi-nos possível constatar alterações também muito significativas. Assim, no 1º Ciclo, destacamos o início da requalificação do novo parque de recreio, que irá contar com um campo de futebol, pomar e horta, tendo sido colocados enormes toldos no actual espaço de recreio. Quanto ao Corpo de Alunos, foi iniciada a transformação das antigas Secretarias em Salas de Informática, uma por Companhia, e ampliada a rede de wi-fi para que os Alunos possam ter acesso a meios adequados aos tempos modernos que facilitem a aprendizagem e o trabalho escolar. Ainda no campo das infraestruturas, preveem-se mais Salas de Aula, com as obras no Pavilhão Morais Sarmento, melhoramento do sistema de Iluminação e Som do Auditório, renovação dos Balneários nas Companhias de Alunos, construção de um novo
Balneário no Complexo Desportivo Exterior, beneficiação da Pista de Atletismo e colocação de aquecimento nas Camaratas e Salas de Aula. Por fim, no que se refere a infraestruturas, assinala-se que o Pavilhão Polidesportivo, que ficará junto ao Ginásio, na área do Aeromodelismo, terá o inicio da obra para fim de 2017. Atendendo a que as fases das provas de admissão ao Colégio Militar já terminaram, com a inequívoca opção pelo preenchimento dos requisitos qualitativos nos cerca de uma centena de novos alunos apurados, termino dando-vos conta do efectivo planeado para o próximo ano lectivo, 2017-2018. O efectivo do 1º Ciclo, todo em regime de externato, prevê-se que seja de 180 Alunos, organizados em 2 turmas por ano, excepto no 4º ano que serão 3 turmas. Já no que se refere aos efectivos do Batalhão Colegial prevê-se que o Batalhão Colegial tenha cerca de 580 Alunos, sendo 189 da 1ª Companhia, 166 da 2ª Companhia, 283 da 3ª Companhia e 131 da 4ª Companhia. Resumindo o Colégio Militar terá no próximo ano lectivo 760 Alunos. Concluo, com mais uma nota informativa, referindo-vos que o próximo ano lectivo terá início 4 de Setembro, com o Estágio de Graduados, e que a Abertura Solene do Ano Lectivo será no dia 5 de Outubro. Estimados Camaradas, esta visita deixou-nos entusiasmados, constatámos que os tempos são de trabalho, numa linha que inequivocamente pretende recolocar o Colégio Militar no patamar de excelência académica, desportiva e cultural, onde tem condições para estar e merece estar. Por isso, estou certo que toda a nossa Comunidade deve persistir no acreditar que o Colégio Militar continuará a afirmar-se como Instituição propagadora de uma matriz valorativa de referência, disponibilizando um conjunto humano apetrechado com elevados padrões de desempenho e de conduta, com um dedicado espírito de servir. Um grande Zacatraz pelo nosso Colégio.
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Ficha Técnica
CORPOS SOCIAIS DA ASSOCIAÇÃO PARA O TRIÉNIO 2016-2018
Ficha Técnica PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL Fundada em 1965 Nº 207 Abril/Junho - 2017 FUNDADOR Carlos Vieira da Rocha (189/1929)
ASSEMBLEIA GERAL Presidente Vice-Presidente 1º Secretário 2º Secretário
DIRECTOR Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949) gosalema@aaacm.pt
Raul Miguel Socorro Folques - 380/1952 José António Pina de Bastos e Silva - 67/1957 António Luís Henriques de Faria Fernandes 454/1970 Pedro Gonçalo Coelho Nunes de Melo - 51/1982
CHEFE DE REDACÇÃO Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957) luisfbarbosa@aaacm.pt REDACÇÃO Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950) Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva (53/1961) Gonçalo Miguel de Matos Gonçalves (105/1984)
DIRECÇÃO Presidente Vice-Presidente Secretário Tesoureiro 1º Vogal 2º Vogal 3º Vogal 4º Vogal 5º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente 3º Vogal Suplente
José Eusébio Pereira Barata Cordeiro de Araújo - 591/1973 Artur Manuel de Spínola e Santos Pardal - 587/1961 João Eduardo Correia Barrento Sabbo - 17/1967 Luís Manuel Borges de Albuquerque Nogueira - 323/1969 Francisco Eduardo Moreira da Silva Alves - 392/1954 António Vítor Reynaud da Fonseca Ribeiro - 43/1968 José Miguel Teixeira de Faria - 2/1969 José Maria Gouveia de Azevedo e Bourbon - 598/1971 João Pedro Mendes Carreiro Gomes - 390/1983 Gonçalo Miguel de Matos Gonçalves - 105/1984 Tiago Simões Baleizão - 200/1987 Manuel Soares Albergaria Felgueiras e Sousa - 498/2006
CAPA O Estandarte Nacional mais condecorado ©Foto Leonel Tomaz ENTIDADE PROPRIETÁRIA E EDITOR Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar MORADA DO PROPRIETÁRIO e SEDE DA REDACÇÃO Quartel da Formação - Largo da Luz 1600-498 Lisboa Tel. 217 122 306/8 Fax. 217 122 307 TIRAGEM - 1350 exemplares DEPÓSITO LEGAL Nº 79856/94 DESIGN E EXECUÇÃO GRÁFICA:
CONSELHO FISCAL Presidente 1º Vogal 2º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente
Manuel Ramos de Sousa Sebastião - 604/1961 Rui Joaquim Azevedo de Avelar - 25/1960 Eugénio de Campos Ferreira Fernandes - 180/1980 Rui Manuel Gomes Correia dos Santos – 225/1981 Bruno Miguel Fernandes Pires - 27/1995
Tm. (+351) 933 738 866 Tel. (+351) 213 937 021 info@smash.pt www.smash.pt
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Sumário
05 Conselho Supremo
Novos Membros tomaram posse
07 A última Assembleia Geral Notas Soltas
08 Antigos Alunos em Destaque 10 Galeria dos Presidentes
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Assembleia Geral da Associação
António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios (529/1963)
13 Curso de 1960/1967
Romagem dos 50 Anos de Saída
14 Curso de 1979/1987
Romagem dos 30 Anos de Saída
15 Curso de 1996/2004
Romagem dos 20 Anos de Entrada
16 Curso de 1998/2006
Romagem dos 10 Anos de Saída
17 Curso de 1999/2007
Romagem dos 10 Anos de Saída
18 A Primeira Barretina 22 Comemorando o 3 de Março 26 60 Anos depois
09
Homenagem Póstuma Ricardo Bettencourt Sardinha Portela Ribeiro (556/1970)
Março de 1957 - Março de 2017
28 Colégio Militar
Berço de Grandes Portugueses
41 Da Geographia por Modo de Dialogo 45 Histórias e Memórias 48 A Infia do meu tempo 54 Era Assim...
FIM DE SEMANA, o começo de um ciclo
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Marcha da Sede Júlio Dantas (114/1887)
55 Esgrima - Categorias Sabre e Espada Campeonatos Nacionais de Juniores
56 Jornada Triunfal
1957 | A visita de Sua Majestade a Rainha Isabel II de Inglaterra
59 O Colégio Militar da Luz e as Cortes Ordinárias de 1822/1823
61 “Os Lusíadas”,
as versões inglesas... e não só
66 Allegro
A Volta ao Mundo do veleiro onde também navegou a Barretina
72 Ser Graduado 73 Ser Jovem... 74 Os que nos deixaram
43
Convento e Hospital de Nossa Senhora da Luz da Ordem de Cristo
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Assembleia Geral da Associação
Assembleia Geral da Associação 31 de Março de 2017
N
o passado dia 31 de Março realizou-se, no Teatro D. Luiz Filipe, a Assembleia Geral Anual Ordinária da Associação, que foi conduzida pelo Presidente da Mesa da Assembleia, Raúl Miguel Socorro Folques (380/1951). O objectivo primário desta Assembleia consistia na apresentação, pela Direcção da Associação, do relatório de actividades e das contas do exercício de 2016, tendo em vista a sua aprovação, e a apresentação das propostas do Plano de Actividades e do Orçamento para o exercício de 2017. Era ainda objectivo desta Assembleia, a eleição de dois novos Conselheiros para o Conselho Supremo. A Assembleia reuniu em 2ª convocatória com um número de Associados inferior ao que tem estado presente nos últimos anos em Assembleias similares, o que se julga atribuível ao facto de haver de momento um clima de estabilidade dentro do Colégio e um relacionamento profícuo de cooperação entre a Direcção da Associação e a entidade de tutela do Colégio (Estado Maior do Exército). A apresentação do Relatório de Actividades do exercício de 2016 e das respectivas contas foi feita pela Direcção, no seu conjunto. Começou com uma exposição de enquadramento pelo Presidente da Direcção, seguindo-se exposições
de âmbito mais restrito, pelos restantes elementos da Direcção, incidindo sobre os pelouros que cada um tem a seu cargo. Este modelo de apresentação pareceu concitar o agrado generalizado dos Associados presentes, que assim ficaram a saber, quem é quem e o que foi a acção de cada um dentro da Direcção. A apresentação feita foi de grande interesse e esclarecedora, o que levou à aprovação, por unanimidade, do Relatório e Contas e à aprovação de um voto de louvor à acção da Direcção da Associação, proposto pelo Conselho Fiscal. Assinalamos também, com satisfação, o louvor, aprovado pela Assembleia, de que foram objecto o Director e o Corpo Redactorial da ZacatraZ. Aproveitando essa circunstância, fez-se um apelo geral à colaboração na nossa revista, tendo-se sublinhado a necessidade de introduzir «sangue novo» no nosso Corpo Redactorial, actualmente formado, na generalidade, por septuagenários. Foi indicado que os quinquagenários seriam bem-vindos, pois tem de se proceder, sem sobressaltos e com suavidade a uma passagem de testemunho para a geração seguinte. A apresentação do Plano de Actividades para o exercício do presente ano e do respectivo orçamento, foi seguida com todo o interesse pela As-
sembleia, que aprovou estes dois documentos, também por unanimidade. Na parte final da sessão foi sujeita ao sufrágio da Assembleia a nomeação de dois novos Conselheiros para o Conselho Supremo. De acordo com o previsto estatutariamente, o próprio Conselho seleccionou, para o provimento das duas vagas nele ocorridas, dois Antigos Alunos com serviços relevantes prestados à Associação. Estes dois Antigos Alunos foram propostos à Direcção, que por sua vez os propôs à Assembleia. Os Antigos Alunos indicados foram Carlos Francisco da Silva do Rio Carvalho (307/1971) e Victor Manuel Galvão Rocha Novais Gonçalves (666/1971), tendo a Assembleia ratificado, por larguíssima maioria, a proposta apresentada. Estes novos Conselheiros tomaram posse na reunião do Conselho Supremo realizada no passado dia 4 de Abril. As notas curriculares” destes Conselheiros, que seguramente irão enriquecer o Conselho com o cabedal de experiência adquirido no seu passado ao serviço da Associação, serão apresentadas em separado. Luis Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
Conselho Supremo Novos Membros tomaram posse
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Conselho Supremo
Novos Membros tomaram posse N
a Assembleia Geral da AAACM, realizada a 31 de Março de 2017 no Teatro D. Luiz Filipe, foram eleitos para integrarem o Conselho Supremo os Antigos Alunos Carlos Francisco da Silva do Rio Carvalho (307/1971) e Victor Manuel Galvão Rocha Novais Gonçalves (666/1971).
A posse foi conferida pelo Presidente da Assembleia Gera da AAACM, Raúl Miguel Socorro Folques (380/1952) na sessão do Conselho Supremo que teve lugar no passado dia 4 de Abril de 2017. A ZacatraZ dá as boas-vindas aos novos Conselheiros, desejando-lhes os maiores êxitos no desempenho das suas funções,
êxitos que constituem uma certeza por força do seu passado em prol da Causa Colegial e sua intransigente defesa, bem como no relevante apoio à nossa Associação ao longo dos anos em que integraram a sua Direcção. Para cada Conselheiro, apresentamos uma breve nota curricular.
Carlos Francisco da Silva do Rio Carvalho (307/1971) Mestre em Silvicultura e Ecologia (1999) pelo Instituto Superior de Agronomia, sócio fundador e administrador da sua empresa “ERENA – Ordenamento e Gestão de Recursos Naturais, SA” à qual se dedica em exclusivo, num sector da economia portuguesa muito difícil (silvicultura e ecologia). De entre as suas muitas iniciativas em prol do Colégio e da Associação, destacam-se: - Em 2001 em conjunto com os camaradas de curso Francisco Sousa Ferreira (23/1971) e Vítor Novais Gonçalves (666/1971), preocupados com a diminuição do número de candidaturas ao Colégio, promoveu a realização de um estudo de mercado de que resultou o documento designado “Abordagem ao reposicionamento estratégico da Instituição” que esteve na base de reuniões com a Secretaria de Estado do Ministério da Defesa, a Direcção do Colégio, Corpo Docente e Oficiais,
Associação de Pais e outros organismos da tutela. Em articulação com este estudo foi realizado no Colégio um conjunto de jornadas sobre temas de educação, com participação de oradores da sociedade civil muito qualificados nas diferentes matérias; - A sua paixão pela Esgrima, o seu entusiasmo e a sua persistência na criação da Sala d’Armas da AAACM, “clube aberto” onde já praticaram algumas centenas de AA e não AA, garantindo a possibilidade da continuidade da prática da esgrima aos Alunos que saem do CM, desenvolvendo a sua ligação com gerações de AA mais velhos e permitindo que não AA participem do espírito colegial contribuindo, deste modo, para o seu alargamento à sociedade. Foi membro da Direcção da Associação durante quatro mandatos, entre 2005 e 2016. No ano de finalista no Colégio foi graduado de duas estrelas da 2ª Companhia.
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Conselho Supremo Novos Membros tomaram posse
Vitor Manuel Galvão Rocha Novais Gonçalves (666/1971)
©Foto Sérgio Garcia (326/1985)
Licenciado em Gestão de Empresas pelo ISC-HEC em Bruxelas. Iniciou a sua actividade profissional em 1984 na Unilever, inicialmente como Management Trainee e posteriormente como Gestor de Produto e Gestor de Mercado. Entre 1989 a 1992 exerceu funções no Citibank Portugal, inicialmente como Gestor de Negócios na área de Capital de Risco e posteriormente como responsável pela área de Corporate Finance e membro do Management Committee. Entre 1992 e 2000 foi administrador em várias empresas na área financeira do Grupo José de Mello, tendo exercido funções de Director de Marketing Estratégico e Desenvolvimento no Banco Mello e de Director Geral na Companhia de Seguros Império.
ANTIGO ALUNO USA A BARRETINA
Entre 2001 e 2009 foi administrador da SGC Comunicações, Grupo SGC, sendo o responsável pelo Marketing Estratégico e Desenvolvimento Internacional de Negócios. Actualmente é administrador, entre outras, da Zoom Investment, da Semapa e da The Navigator Company. A sua colaboração com a AAACM vem do ano de 2002, estando activamente envolvido em múltiplas iniciativas relacionadas com o Colégio, o seu Futuro e a sua Transformação. Foi membro da Direcção da Associação durante três mandatos entre 2011 e 2016. No ano de finalista no Colégio foi graduado de duas estrelas da 1ª Companhia.
A última Assembleia Geral Notas soltas
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Luís Miguel Guerreiro Félix António 302/1972
A última Assembleia Geral Notas soltas
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á já algum tempo, poucos anos apesar de tudo, que não ia a uma reunião da Assembleia Geral da nossa Associação e, confesso-vos, não dei o tempo por perdido na última 6.ª feira do mês de Março, apesar do reduzido número de participantes, circunstância, aliás, que não deve constituir uma absoluta surpresa. Pelo menos, para os que têm alguma experiência destes foros… Gostei da forma como tudo decorreu, da troca de pontos de vista, natural e salutarmente nem sempre coincidentes, sobre diversos aspectos da vida da Associação e do Colégio. Por exemplo, a propósito do tema relativo ao enquadramento dos delegados da Associação e sua formalização pela Direcção, veio-me imediatamente à memória (não tendo então dado disso testemunho para não demorar o desenrolar dos trabalhos e, também, para ter algum assunto para escrever…) o que se passou comigo em 1995. Acabado de chegar a Bruxelas, para desempenhar funções no Parlamento Europeu, logo o eterno delegado naquela cidade, o entusiasta Mário Baptista Coelho (55/1946), que ao tempo já era um funcionário antigo da NATO, me designou, sem apelo nem agravo, representante da Associação, em sua substituição. Certamente estava mortinho que chegasse um “rata” para passar o testemunho, ele que já tinha estas funções havia muitos anos. Assim, lá fiquei investido de tão nobre tarefa que, verdadeiramente, se resumia a convocar repastos… Quando abandonei a capital belga, em 1997, fiz o que a tradição me tinha ensinado. Falei ao João Delgado (531/1969), o mais velho de 5 irmãos colegiais todos do meu tempo, e nomeei-o para me suceder. Talvez tenha sido das melhores decisões de recruta-
mento que tomei ao longo da vida, uma vez que ele permanece nessas funções até hoje… Por outro lado, fiquei a saber (estão a ver como o conhecimento aumenta nas reuniões da Assembleia Geral!), através do eminente desportista João Paulo Bessa (200/1957), que o aluno(a) mais novo(a) da Escolta a Cavalo do Colégio (cuja génese remonta ao ano lectivo 1958/1959 e de que fui com muita honra o 24.º comandante) passou recentemente a ter a designação de “Mouzinho”, certamente em homenagem a Joaquim Augusto Mouzinho de Albuquerque, distinto oficial e patrono da Arma de Cavalaria do Exército Português. À parte estes episódios, é de destacar a excelente organização e empenho da Direcção da Associação na sua missão, o que transpareceu das apresentações dos seus membros sobre as actividades em curso e projectadas, no âmbito dos respectivos pelouros. Neste contexto, do debate que sobre vários temas teve lugar, não pude deixar de ser sensível ao apelo que o nosso Chefe de Redacção fez, no sentido de os antigos alunos se disporem a dar mais colaboração à nossa Revista. É que, lembro-me bem das dificuldades e dos constrangimentos que tinha em fazer cada edição quando, entre 1986 e 1990, a convite dos saudosos Carlos Costa Freitas (50/1933) e Manuel Pinto Machado (92/1953), desempenhei as mesmas funções que o Luís Barbosa (71/1957) agora tem. Eu já tinha tido a experiência, anos antes no Colégio, do que era ser o pivot de uma publicação, quando em 1979 sucedi ao actual Presidente da Direcção nas funções de Director Adjunto do Jornal/Revista (o Director era por inerência do cargo o aluno Comandante de Batalhão). Mas nessa altura, no Jornal do Colégio, tínhamos um professor orientador que de tudo cuidava e
que muito ajudava o corpo redactorial (constituído exclusivamente por alunos), não deixando que faltasse material, edição após edição. Ora, na Revista da Associação, anos mais tarde, já sem tutela, tudo era bem mais complicado, mas também mais desafiante, pelo que entendo perfeitamente as preocupações e a convocação para que se escreva, para que se ponha em forma de letra aquilo que são os pensamentos mais profundos, ou as historietas mais leves, como é o caso deste apontamento. À época, procurámos (a equipa de que fiz parte) dinamizar a Revista, fazendo entrevistas, convidando directa e individualmente alguns de nós a escreverem sobre determinados temas, colocando em destaque os que por um ou outro motivo sobressaíram, trazendo para as nossas páginas tudo o que se ia publicando noutros órgãos de comunicação sobre os antigos alunos. Claro que não era o bastante e só quem já passou por estes trabalhos, sabe o que é a angústia da chegada dos prazos para a saída da Revista e estarem ainda muitas páginas em branco…Por isso tivemos que escrever textos sem fim e imaginar as mais variadas iniciativas, para ter material que garantisse prosa, poesia e fotografias impressas, o que nos chegou a valer a crítica de alguns, que achavam que estávamos a monopolizar as páginas da Revista… Bem compreendo, pois, caro Luís Barbosa, a tua oportuna intervenção na última Assembleia Geral, admitindo a necessidade do recurso a pseudónimos e heterónimos para os artigos que tens que escrever… Portanto, não tendo o teu apelo caído em saco roto, espero poder ter ajudado a minorar as tuas ansiedades com este arrazoado. Nota da Redacção Obrigado Félix António, pelo teu apoio.
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Antigos Alunos em Destaque
Antigos alunos
em Destaque
João Miguel Beckert Rodrigues (293/1972) Médico, 1º autor de “Alteração da resposta fisiológica pelo efeito da altitude simulada”
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ecorreu no Salão Nobre da Reitoria da Universidade do Porto a Cerimónia de atribuição dos prémios de Investigação Ciências do Desporto Comité Olímpico Português/Fundação Millenniumbcp, abrangendo três categorias: Treino Desportivo, Psicologia e Pedagogia do Desporto e Medicina do Desporto. Em “Investigação Medicina do Desporto”, foi atribuído o 1º Prémio a João Miguel Beckert Rodrigues (293/1972), 1º autor do trabalho “Alteração da resposta fisiológica pelo efeito da altitude simulada”, em co-autoria com Ricardo Minhalma, Diana Ferreira, Joana Reis, Alberto Prata, Ricardo Silvestre, João Mendes, Nuno Neupharth e Francisco Alves. Nesta edição dos Prémios Comité Olímpico Português/ Fundação Millenniumbcp foram recebidos 44 trabalhos, sendo 10 respeitantes à área de Medicina do Desporto. João Miguel Beckert Rodrigues foi o médico da Selecção Nacional de Futebol que se sagrou Campeã da Europa em 2016.
Homenagem Póstuma
Ricardo Bettencourt Sardinha Portela Ribeiro (556/1970) Oficial do Exército - Coronel de Cavalaria Homenageada a sua memória no Regimento de Lanceiros 2, sendo baptizado o Campo de Obstáculos com o nome de “Campo de Obstáculos Coronel de Cavalaria Ricardo Portela Ribeiro”
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o passado dia 9 de Fevereiro de 2017, com a presença do Chefe do Estado-Maior do Exército, General Rovisco Duarte, teve lugar a cerimónia da inauguração do Campo de Obstáculos do Regimento de Lanceiros 2. Nessa cerimónia, pelo Tenente-Coronel Cavalaria Luís António Andrade Seabra Peralta Pimenta, foi lido o seguinte “texto evocativo” do Coronel de Cavalaria Ricardo Portela Ribeiro. “O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo” A Arma de Cavalaria e o Regimento de Lanceiros Nº2, não esquecem os seus. Nesse sentido, escolhemos para homenagear, num acto simples, o Coronel de Cavalaria Ricardo Bettencourt Sardinha Portela Ribeiro, ilustre militar de Cavalaria. O Regimento de Lanceiros Nº2, ao baptizar o seu Campo de Obstáculos como “Campo de Obstáculos Coronel de Cavalaria Ricardo Portela Ribeiro”, presta uma singela homenagem a um militar e Mestre de Equitação que, pela sua forma de estar, agir e ensinar, marcou de forma indelével todos aqueles que tiveram o privilégio de com ele privar. Evocando este grande Homem, e ilustre Militar, relembramos que o Regimento de Lanceiros de Lisboa, actual Regimento de Lanceiros nº2, foi a sua primeira Unidade de colocação. Após tirar o Curso de Instrutor de Equitação, foi colocado no Regimento de Cavalaria de Braga, actual Regimento de Cavalaria n.º 6, onde, como Capitão, foi louvado pelo Comandante do Regimento, Coronel de Cavalaria Fernando Luís Franco da Silva Atayde. Desse louvor passo a citar a seguinte passagem: “O Capitão Portela Ribeiro além de ser um oficial discreto, íntegro e brioso é um excelente praticante dos desportos equestres, o que lhe granjeou merecidos créditos nesta actividade e merece por isso ser notado, uma vez que tem conseguido de forma a constituir um exemplo para todos, coordenar a sua prática desportiva com as restantes actividades profissionais.” Colocado mais tarde no Centro Militar de Educação Física e Desportos, Unidade onde passou grande parte da sua vida, é referido num dos louvores que lhe foram concedidos por Sua Excelência, o General Chefe do Estado-Maior de Exército, o seguinte: “Louvo o Tenente-Coronel Portela Ribeiro pelo seu conhecimento profundo e praticante exímio da arte equestre – tendo atingido o estatuto de cavaleiro olímpico e o título de Mestre de Equitação - demostrou, de forma continua, qualidades pedagógicas ímpares, inexcedível dedicação e esmerado zelo nas inúmeras e diversificadas acções em que esteve empenhado, designadamente na área da formação. Também foi determinante a sua participação na Reprise da Escola de Mafra, como cavaleiro e como especialista, contribuindo para o reforço do seu reconhecido prestígio e projecção pública, fruto da procura permanente de evolução técnica, do rigor nos métodos e da disciplina de acção.”
Homenagem Póstuma Ricardo Bettencourt Sardinha Portela Ribeiro (556/1970)
No seu percurso militar passou também pela Escola que o viu crescer pois, como Antigo Aluno do Colégio Militar, foi chamado a desempenhar as funções de Subdirector. É de destacar na sua carreira ter sido duas vezes campeão nacional no Concurso Completo de Equitação e Penta-campeão militar na mesma modalidade, tendo sido apurado para os Jogos Olímpicos de Barcelo-
na, em 1992, onde acabou por não participar devido a doença da sua montada. Com esta homenagem pretende-se perpetuar, em todos aqueles que diariamente dedicam um pouco do seu tempo à equitação militar, a imagem de um grande homem que se tornou militar de Cavalaria, e ressalvar o facto de que, como dizia o Poeta Fernando Pessoa, “Os cavalos da cavalaria é que formam a cavalaria. Sem as montadas, os cavaleiros seriam peões. O lugar é que faz a localidade. Estar é ser.” Ao Mestre e camarada, Coronel de Cavalaria Ricardo Bettencourt Sardinha Portela Ribeiro, que partiu em 21 de Julho de 2016, deixando, para nós e para as gerações vindouras, um significativo e importante legado, dedicamos estas palavras: “… porque a morte é a curva da estrada, morrer é só não ser visto.”.
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O General Rovisco Duarte, Chefe do Estado-Maior do Exército, convidou os Familiares do Homenageado (Mulher e Filhos) para se associarem ao descerramento da placa alusiva ao acto. Gonçalo Salema Leal de Matos
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Galeria dos Presidentes António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios (529/1963)
Galeria dos
Presidentes António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios (529/1963)
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o passado dia 5 de Março, dia em que teve lugar o tradicional desfile do Batalhão Colegial nas comemorações do 214º Aniversário da Fundação do Colégio, realizou-se na Sede da AAACM a cerimónia do descerramento da fotografia do nosso Camarada António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios (529/1963), que presidiu à Direcção de 2011 a 2016. António Saraiva de Reffóios dirigiu a Associação num tempo particularmente difícil, por força da actuação política relacionada com o Colégio e da reforma atabalhoada que lhe foi imposta, desenvolvendo uma luta e um trabalho altamente meritório na defesa dos interesses desta Instituição Centenária e das convicções que abnegadamente a ela dedica. De trato delicado aliado à sua forte determinação, conduziu os destinos de Associação com firmeza e apoio dos membros dos Corpos Sociais que o acompanharam nessa vivência. Com empenhamento e denodo lutou pelas suas convicções relativamente ao que considerava a melhor solução para o Colégio – militar, masculino, interno – contra a reforma impreparada imposta pelo poder político. Cerimónia simples conduzida pelo actual Presidente da Direcção, José Eusébio Pereira Barata Cordeiro de Araújo (591/1973), com a presença do Director do CM, Coronel de
Galeria dos Presidentes António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios (529/1963)
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Membros da Direcção presidida por António Saraiva de Reffóios
Artilharia António Emídio da Silva Salgueiro (461/1972), dos membros da Direcção que o acompanharam nos seus mandatos, de membros dos actuais Corpos Sociais e de Antigos Alunos que quiseram testemunhar-lhe apreço pela forma como exerceu o cargo que desempenhou durante cinco anos. José Eduardo Pereira Barata Cordeiro de Araújo (591/1973), Presidente da Direcção, referiu as razões que determinaram a escolha do dia da grande comemoração do 214º Aniversario do nosso Colégio, para descerramento da fotografia do anterior presidente da Direcção, António Reffóios (529/1963), na Galeria dos Presidentes da AAACM, dizendo “Este é sem duvida o dia em que naturalmente a nossa Comunidade vive mais intensamente o seu sentir do espírito colegial que a todos nos anima. Por isso, também institucionalmente, devemos neste dia saudar os que se empenham em nosso nome”. José Cordeiro de Araújo inquiriu se alguém pretendia usar da palavra, ao que José António Madeira de Ataíde Banazol (631/1968), Vice-Presidente da anterior Direcção, referiu “... ter há muito perdido a competência disciplinar e que mesmo que ainda a tivesse não seria regulamentar o mais moderno louvar o mais antigo, pois isso até configurava “sabujice”. Mas mesmo assim, corria o risco de lhe chamarem “sabujo” e da competente sanção
disciplinar...”, sintetizando para os anos em que ambos serviram na Direcção da AAACM “... creio interpretar o sentimento de todos os que com o António colaboraram, a Associação, o Colégio, os Antigos e actuais Alunos muito lhe devem, viveram-se bons e maus momentos - mais maus que bons - em que o António sempre tinha sido a referência para a nossa conduta e a grande Alma da Direcção. Foi, para mim, um muito grato prazer e uma honra ter feito parte daquela equipa com uma tão boa e dedicada gente e um excelente Capitão. Terminou com um simples, mas sentido: Obrigado António.” Em seguida, Vítor Manuel Galvão Rocha Novais Gonçalves (666/1971) que integrou como Tesoureiro a anterior Direcção, com a qualidade que lhe confere a sua colaboração com a Associação nos últimos 25 anos, participando em várias Direcções, disse “... pelas circunstâncias que todos conhecemos relacionadas com a reestruturação do Colégio, num ambiente muito adverso, marcado por um Ministro da Defesa diletante e um Exército com prioridades diversas, a Associação viveu um período de extrema complexidade, sem qualquer poder para actuar, mas com a permanente responsabilidade de defender, intervir e apoiar. Dentro da comunidade de Antigos Alunos, todos defendiam a existência do Colégio que
estava a ser questionada, a melhoria da sua qualidade em rápido e evidente declínio, e a preservação da sua identidade profundamente desconsiderada. Todos sentíamos na alma a ameaça que pendia sobre o nosso Colégio! As perspectivas sobre qual o melhor modelo para o futuro e sobre a forma de actuar foram, no entanto, muito distintas na nossa Comunidade. Ideias muito diferentes, por vezes antagónicas, foram defendidas apaixonadamente e tornaram muito difícil, ou mesmo impossível, o desenho de visões e abordagens concretas suportadas em consensos amplos, obviamente necessários para uma actuação consistente e representativa num ambiente associativo.
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Galeria dos Presidentes António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios (529/1963)
A total dedicação e a permanente ponderação de António Reffóios, foram características notáveis de excelência e foram essenciais neste enquadramento extremamente sensível e complexo. Refiro a título de exemplo a forma extraordinária como conseguiu manter a Direcção sempre fortemente unida, apesar de igualmente diversa nas suas múltiplas opiniões, também defendidas apaixonadamente. Durante o mandato de António Reffóios os principais riscos que ameaçavam o nosso Co-
légio foram árdua e habilmente combatidos e mitigados. Continuará sempre a haver visões distintas para o futuro do Colégio e ainda há um grande percurso a percorrer para que ele atinja os padrões excelência que desejamos, mas todos devemos muito ao António Reffóios pela forma como conduziu a AAACM neste período muito conturbado.” António Reffóios, sensibilizado com a manifestação de amizade e camaradagem desta
cerimónia simples, mas sentida, proferiu as seguintes palavras: “Tenho de confessar que me sinto constrangido com esta cerimónia que o Presidente da Direcção da AAACM entendeu levar por diante, por entender tratar-se de algo que não se justifica. Todavia, não tendo quaisquer dúvidas quanto às boas razões subjacentes à insistência do Cordeiro Araújo, aqui estou, naturalmente grato pela presença de todos aqueles que a ela se quiseram associar. Agradeço as palavras do Cordeiro Araújo, do José Banazol e do Vítor Novais Gonçalves. Permito-me nesta ocasião e uma vez mais manifestar a minha gratidão àqueles que me acompanharam ao longo dos anos em que tive a honra de liderar a Direcção da AAACM, muitos deles hoje aqui presentes. Num contexto deveras adverso que, como foi já lembrado, se transformou numa verdadeira “via sacra“, foi com um sentimento de frustração e tristeza que não conseguimos evitar a reforma precipitada do nosso Colégio levada a cabo pelo então MDN, nem tão pouco terminar o nosso segundo mandato, pelas razões de todos conhecidas. Mas, no que me diz respeito, prevalece de facto, como já referi em anteriores ocasiões, o sentimento de que “valeu a pena“, tendo em conta a vivência única de que se revestiram esses anos, fruto de um clima de solidariedade e amizade que se construiu entre todos os membros da Direcção - não obstante as diferenças, por vezes acentuadas, sobre as decisões a tomar - e em particular pela lealdade que sempre manifestaram, sem excepção, para comigo. Boa tarde a Todos e muito obrigado.” José Cordeiro de Araújo, em nome da Associação ofereceu a António Saraiva de Reffóios, um álbum fotográfico registando aspectos significativos do seu desempenho na presidência da AAACM.
Gonçalo Salema Leal de Matos
371/1949
Curso de 1960/1967 Romagem dos 50 Anos de Saída
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Curso de 1960/1967 Romagem dos 50 Anos de Saída 5 de Maio de 2017
Curso 1960/1967 – 50 Anos de Saída – 5 de Maio de 2017 ©Fotos Leonel Tomaz
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ecorridos cinquenta anos da saída do Colégio, nesta Romagem de Saudade estiveram presentes os Antigos Alunos Fernando João Hugo de Sousa e Menezes (5/1960), Fernando José Vieira Cardoso de Sousa (28/1960), Fernando Nuno Lamy da Fontoura (75/1959), Fernão Vasco Barreira Pimenta de Castro (90/1960), Eduardo Manuel Saraiva Henriques de Oliveira (113/1960), Eduardo Alberto Gavino Silva e Sousa (150/1960), João José de Sá Nogueira Meira e Cruz (159/1960), Luís Maria Pedroso Adão (164/1960), José Lúcio Amaral de Almeida (166/1960), Gonçalo Rui Santos Pereira (221/1960), José Luís de Castro de França Dória (226/1960), António Jorge Afonso Abreu Matos (244/1960), Luís Miguel Duarte Bivar (256/1960), Carlos João Fernandes Pereira da Fonseca (277/1960), Artur Manuel Restani Graça Alves Moreira (301/1960), Raúl Monteiro de Sousa Macha-
do (318/1960), Albino Manuel Pereira de Sousa Botelho (342/1960), João Luís Madeira de Carvalho Egreja (359/1960), António Carlos Pacheco Lobato de Faria (373/1960), Nuno Ferreira de Barcelos (374/1960), João Pedro Torre do Valle D’Avillez (389/1960), João Manuel Martins Casaca (458/1960), António Carlos de Lemos Lepierre Tinoco (500/1959), Nuno Manuel Esteves de Fernandes da Luz (504/1959), Fernando Faustino Roque do Vale (518/1959), João Sanches de Miranda Mourão (552/1960), Emídio Rafael Moreira Veloso (557/1961), Manuel Quintino Filipe
da Silva (579/1961), Luís de Carvalho Machado (582/1961), Armando Nuno Saraiva Valente Perfeito Canelhas (591/1961) e Manuel Ramos de Sousa Sebastião (604/1961).
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Curso de 1979/1987 Romagem dos 30 Anos de Saída
Curso de 1979/1987 Romagem dos 30 Anos de Saída 24 de Março de 2017
Curso 1979/1987 – 30 Anos de Saída – 24 de Março de 2017 ©Fotos Leonel Tomaz
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ecorridos trinta anos de saída do Colégio, nesta Romagem de Saudade foram convidados o Professor José Manuel Godinho da Sena Neves e o Funcionário Civil Mário Caixado Couzinho (Márinho), e estiveram presentes os Antigos Alunos Rui Eduardo Martínez-Sellés d’Oliveira Soares (8/1979), Nelson Manuel Rodrigues de Carvalho (10/1979), José Alberto Gonçalves Clemente (19/1979), Jorge Gustavo Pereira Bastos Rocha (25/1979), Carlos Augusto Tomás Fernandes (31/1979), Rui Miguel Sena da Costa Branco (37/1978), João Emanuel de Moura Afonso (42/1979), Vítor Manuel Alves e Silva Marques (49/1979), Jorge Manuel Oliveira Machado de Figueiredo Cardoso (53/1979), (Jorge Manuel Barros Bermudes da Costa Lemos (76/1979), Pedro Lavrador Correia Pombinho (89/1979), Fernando Jorge Marques Cadão de Jesus Almeida (90/1079), António José Pires Viegas (91/1979), Miguel Frutuoso Lopo Hipólito Pires Mateus (99/1979), Pedro de Paula Santos
Alves Monteiro (111/1979), Luís António Ramos dos Santos Raposo (115/1979), Luís Jorge Ferraz Loureiro Cadete (117/1979), Manuel Pedro Corrêa Mendes de Atayde Montez (120/1979), Mário Nuno Modesto Loureiro (128/1978), Fernando Joaquim Venâncio Pinéu (130/1979), Hermano Paulo Moreira Rodrigues de Noronha (160/1977), João Carlos Azevedo Rocha 162/1978), António Manuel Pinheiro Novais Branco Caetano (165/1979), João Alberto Barbosa Ribeiro Soares (189/1979), João Paulo Cabrita Alves Pires (192/1979), Miguel Nuno Quintans dos Santos (201/1979), Nuno Miguel Oliveira Marques da Costa Campos (262/1979), António Manuel da Silva Veiga (278/1979), Carlos Alberto Cabaço Dias (296/1978), António Sérgio de Bastos e Silva de Pinho Marques (319/1979), Victor Emanuel dos Anjos Tavares Morais (331/1980), Vítor Fernando do Olival Crespo Vendeirinho (333/1980), Pedro Miguel Coutinho Sobral de Oliveira Pinto (352/1980), João Pedro
Franco Pancada da Silveira (356/1980), Manuel Luís de Bastos Soares (363/1978), João Manuel de Almeida Cordeiro Chamiço (364/1980), Nuno Miguel Costa Gaspar Duarte Ramos (387/1978), José Armando Arnaut Monroy Vizela Cardoso (435/1978).
Curso de 1996/2004 Romagem dos 20 Anos de Entrada
Curso de 1996/2004 Romagem dos 20 Anos de Entrada 10 de Março de 2017
Curso 1996/2004 – 20 Anos de Entrada – 10 de Março de 2017 ©Fotos Leonel Tomaz
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ecorridos vinte anos da entrada no Colégio, nesta Romagem de Saudade foram convidados o Professor Mário Garcia do Carmo e o Professor João Balança Lopes, e estiveram presentes os Antigos Alunos Adér Fernandes Burity da Silva (12/1996), Filipe Monteiro Laranja Ramos Santana (19/1996, Tiago Manuel Fernandes Garcia (84/1996), Henrique Miguel Candeias Rodrigues (92/1996), João André Mendes Sobreira (113/1995), Marcos Tomé Domingues Vieites (116/1996), Filinto Elmano de Branco e Brito Girão Osório (120/1997), André Gonçalo Piloto Batalha (174/1995), Luís Manuel Mariano Gomes (180/1996), Frederico Luís Ferreira Teotónio (181/1995), Eduardo Filipe Calado e Machado (182/1996), Vasco Miguel Semedo Matos Januário Marques (213/1996), Ilídio José Martins Sarmento Barreiros (249/1996), Nuno Filipe Ferreira da Silva (263/1995), Luís Miguel Cardoso de Menezes Villa de Bri-
to (268/1996), Francisco Teixeira d’Aguiar Norton Brandão (282/1996), Bruno Miguel Abreu da Silva (291/1996), Manuel António Bragança Pereira (293/1996), Rui Lopes Alves (306/1996), Hélio Filipe Gama Branco (315/1995), Luís Carlos Mendes da Cunha (316/1996), José Maria de Matos Cortes Antunes Calçada (329/1996), João Amaral de Ataíde Banazol (341/1996), António Carlos Garcia da Silva Trindade de Sousa (348/1996), Nelson Rogério Gomes dos Santos (352/1996), Emanuel António Lucas Fernandes Bragança (354/1995), Tiago Miguel Nunes Rolo Ferreira de Vasconcelos (366/1996), Emmanuel Osvaldo Francisco da Silva (408/1995), Nuno Vasco dos Santos João (418/1996), Tiago Emanuel Lopes Monteiro (462/1996), Guilherme Pereira Rosinha (478/1996), Francisco Lúcio Marques da Cunha Medeiros de Almeida (496/1996) e José João Marques da Cunha Medeiros de Almeida (497/1995).
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Curso de 1998/2006 Romagem dos 10 Anos de Saída
Curso de 1998/2006 Romagem dos 10 Anos de Saída 21 de Abril de 2017
Curso 1998/2006 – 10 Anos de Saída – 21 de Abril de 2017 ©Fotos Leonel Tomaz
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ecorridos dez anos da saída do Colégio, nesta Romagem de Saudade estiveram presentes os Antigos Alunos Tiago Manuel Santos Nogueira (7/1998), Diogo Gabriel Hipólito Macedo (13/1998), Bruno Ricardo dos Santos Victorino (17/1998), João Miguel Costa Ceriz (46/1998), João Carlos Romano Almeida (73/1998), João de Amorim Martins (124/1998), Hugo Filipe Afonso de Castro (135/1998), Armando Nelson Pedro da Silva (137/1998), Nelson Miguel Farias Abreu (149/1998), Ruben Cordeiro Paulo (228/1998), Gonçalo Sonso de Sousa Rodrigues (254/1998), Nuno Miguel de Vieira Pássaro (256/1998), João Luis Rodrigues Quintas (280/1998), João Luis Mar-
cos Rodrigues (286/1998), Diogo Alexandre Correia António (294/1998), Jorge Miguel da Silva Calado (301/1998), André José Garçia Barata Domingos (320/1998), António José Barros Godinho (321/1998), André Henriques de Anunciada (350/1998), Bernardo de Aguiar Viana de Freitas (388/1998), Pedro Manuel de Matos Romba Fernandez da Silva (430/1998), Diogo Castro de Jesus Gadelho (499/1998), Rui Miguel Santos Esteves (544/1998).
Curso de 1999/2007 Romagem dos 10 Anos de Saída
Curso de 1999/2007 Romagem dos 10 Anos de Saída 19 de Maio de 2017
Curso 1999/2007 - 10 Anos de Saída - 19 de Maio de 2017 ©Fotos Leonel Tomaz
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ecorridos dez anos da saída do Colégio, nesta Romagem de Saudade estiveram presentes os Antigos Alunos João Carlos Sousa de Barros Grave (45/1999), José António Vinagre Pimenta (77/2001), Guilherme Boulton Trigo Lopes da Costa (85/1999), Nuno José Lopes da Costa Alves Caetano (99/1998), Tiago Serradas Viegas Mendonça (125/2001), Fábio André Carvalhinho Carvalho (126/1999), Manuel Carlos da Conceição Pereira do Rio Carvalho (141/1999), David Emanuel Monteiro Azevedo da Silva (147/1999), João Francisco Serigado Dias Alves (152/1999), Lourenço Sacadura Botte Corrêa Monteiro (171/1999), Pedro Rafael Bernardo
(209/2000), David Miguel Luís dos Santos (255/1999), Tiago Francisco Firmino Fragata (261/2000), Hugo António Magalhães da Costa (318/1999), André Miguel Andrade Trepado (333/1999), Nuno Gonçalo Bastos de Oliveira (363/1999), Lúcio Daniel Teixeira Lopes (377/1999) e João Emanuel Viegas Agostinho (460/1999).
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A Primeira Barretina
Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
A Primeira Barretina
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o número 205, de Outubro/Dezembro de 2016, apresentei um artigo intitulado «A Barretina», em que explicava como tinha surgido a Barretina com que nos identificamos como Antigos Alunos do Colégio Militar e que é também o símbolo da nossa Associação. A explicação apresentada correspondeu à transcrição de um texto com a designação «A Barretina» constante do livro «Para lá do Colégio Militar, uma Associação centenária», da autoria dos Antigos Alunos Rui Figueiredo de Barros (62/1936) e Gonçalo Figueiredo de Barros (440/1967), editado pela nossa Associação, em 2003, ano do centenário da sua fundação. Nesse texto indica-se que a ideia da criação do símbolo foi da autoria do Antigo Aluno José Soares de Oliveira (154/1913), oficial da Armada, que o desenho do símbolo foi da autoria do Antigo Aluno Virgílio Vicente de Matos (180/1919), oficial do Exército, e que o símbolo criado se destinava a «ilustrar a cobertura de um estojo que continha as medalhas colegiais, oferecido ao Prof. Doutor António de Oliveira Salazar, no dia em que recebeu a distinção de Aluno Honorário do Colégio Militar». Tendo verificado que a informação acima mencionada não era completamente correcta, resolvi voltar ao assunto, para seu total esclarecimento. O livro «Para lá do Colégio Militar, uma Associação centenária», anteriormente mencionado, tem vários anexos, sendo o Anexo IX relativo aos «Alunos Honorários do Colégio Militar». Nesse anexo indica-se que, no dia 16 de
Novembro de 1940, o Prof. Oliveira Salazar recebeu uma Mensagem que lhe conferiu, a título honorário, a qualidade de «Ex-aluno do Colégio Militar» e não de Aluno honorário. Mais se indica nesse anexo que a Mensagem referida foi assinada por cerca de mil e quinhentos Antigos Alunos, sendo as assinaturas encabeçadas pela do Presidente da República de então, Marechal António Óscar de Fragoso Carmona (24/1882), contando-se entre os subscritores o General Humberto da Silva Delgado (398/1916), que se tornaria mais tarde no maior símbolo de oposição ao regime, tendo-se candidatado a Presidente da República em 1958. Indica-se finalmente nesse anexo, que a entrega da Mensagem foi acompanhada pela oferta de um estojo com as condecorações es-
Capa da Mensagem com a 1ª Barretina
tabelecidas pelo regulamento do Colégio, destinadas a galardoar os seus Alunos. Verifica-se assim que ao Prof. Oliveira Salazar foi atribuída a qualidade de Ex-Aluno Honorário. No sentido de melhor esclarecer a questão, fui consultar a nossa «bíblia», ou seja, a «História do Colégio Militar», de José Alberto da Costa Matos (96/1950), que muitas vezes nos serve de tira-teimas relativamente a tudo, ou quase tudo, que se relaciona com a história do Colégio. Nessa obra de referência, encontra-se um texto intitulado UM CASO SINGULAR, que é parte do capítulo FACTOS E CURIOSIDADES, de que apresento de seguida alguns extractos. “A 6 de Setembro de 1938, o Dr. Oliveira Salazar, Presidente do Conselho acumulando a
A Primeira Barretina
pasta da Guerra, decide fazer uma coisa que não lhe era habitual: visitar o Colégio para o conhecer por dentro. As virtualidades que lhe terá reconhecido, fizeram com que, de imediato, desse apoio efectivo às acções reconhecidas como mais urgentes, designadamente a remodelação do mobiliário das aulas, das salas de estudo, das camaratas e do refeitório, a aquisição de grande quantidade de material didáctico e a autorização para ser instalada desde logo uma colónia de férias do Colégio na Feitoria. Seguir-se-ia: um vasto plano de remodelação das instalações, cuja primeira amostra foi a enfermaria, inaugurada em 1946, e a primeira obra de raiz, a construção do edifício do ginásio e a piscina, ambos concluídos em 1949, a reorganização dos quadros de pessoal docente militar e civil em 1943 e a reforma de 1944. A atitude de Salazar e as disposições por este tomadas geraram um ambiente de franca confiança, um novo ânimo e uma dinâmica, que, praticamente, se estendeu até ao fim do século. Pretendendo de algum modo interpretar o reconhecimento pelo empenho demonstrado pelo responsável político dos assuntos militares, o director da revista «Defesa Nacional», 1º tenente da Armada, José Soares de Oliveira (154/1913) pôs em marcha, através daquela revista, a ideia de prestar a Salazar «uma homenagem original e condigna, sem precedentes nos anais do Colégio, e durante a qual, através de uma Mensagem assinada por esmagadora maioria lhe seja concedido com a autoridade do número, o titulo honorário de «Ex-aluno do Colégio Militar» (….). E acrescentava: «Aproxima-se a data do aniversário da fundação do Colégio e nenhuma outra poderá ser melhor escolhida ou deverá ter preferência para reunir em formatura todos os antigos e actuais alunos e na sua presença realizar acto tão solene e expressivo, durante o qual serão igualmente entregues a S. Exª todas as condecorações pelo Colégio instituídas para galardoar o mérito científico e literário e o valor físico e moral dos seus alunos.”
Segundo nos conta em seguida Costa Matos, «a iniciativa foi posta em marcha, tendo a mensagem sido assinada por 1457 antigos alunos e alunos de então, militares e civis». Em nota de pé de página, informa-nos ainda o autor sobre alguns aspectos curiosos relacionados com esta iniciativa. Indica-nos que as relações completas dos assinantes da mensagem se encontram nos números 60 a 70 da revista «Defesa Nacional», de 1939 a 1940, e indica-nos até, as verbas que foram despendidas com a aquisição das folhas de pergaminho da Mensagem, com a expedição e embalagem das folhas de pergaminho, para serem assinadas nos diversos pontos do país, com a aquisição de uma pasta em seda, com o emblema de prata e esmalte, para conter a Mensagem e assinaturas, e finalmente com a aquisição das medalhas e do estojo em que as mesmas foram colocadas. Incluímos neste texto, com a anuência de Costa Matos, as fotografias que apresenta na sua obra, quer da capa da Mensagem e da sua primeira página, quer do estojo das medalhas, aberto, para que as mesmas possam ser vistas, bem como as palavras escritas no interior da tampa do estojo. A barretina que se pode observar na capa da Mensagem, de esmalte e de prata, como foi referido, foi a PRIMEIRA BARRETINA que existiu. A fotografia do estojo indica-nos, sem margem para qualquer dúvida, que foi atribuída a Salazar a qualidade de «Ex-aluno do Colégio Militar. HONORÁRIO» e não a de Aluno Honorário. Costa Matos indica-nos ainda na sua obra, que «A cerimónia inicialmente prevista para 3 de Março de 1939 (data indicada no estojo das medalhas) teve que ser adiada, por impedimento do homenageado, primeiro para Junho, quando seria englobada nas cerimónias de encerramento do ano lectivo, e depois para 16 de Novembro do ano seguinte, em cerimónia de carácter restrito, que decorreu no gabinete do Presidente do Conselho, onde se deslocaram os representantes dos subscritores da Mensagem, ali fazendo a sua entrega, bem como do estojo com as medalhas colegiais. Salazar protagonizava assim um caso singular da história do Colégio Militar, ao ser o seu único ex-aluno honorário em dois séculos.
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A mensagem e o estojo com medalhas ficaram desde então na sua posse e, depois de falecido, na dos depositários do seu espólio. Com o tempo, o caso caiu no esquecimento. Decorrido meio século, os objectos que haviam materializado o título honorífico surgiram entre pertences de Salazar que iriam ser sujeitos a leilão e a empresa leiloeira entendeu avisar do facto a Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar. Rapidamente se reuniram os centos de contos de reis que seriam necessários e aqueles objectos, depois entregues ao Colégio Militar, podem hoje ser apreciados no Museu Colegial». Ainda com a anuência de Costa Matos, apresentamos a fotografia constante da sua obra, em que se pode observar a cerimónia de carácter restrito (no que se referia à sua pessoa, Salazar sempre optava pela discrição), de 16 de Novembro de 1940, da entrega da mensagem e do estojo com as medalhas ao então Presidente do Conselho de Ministros. O estojo com as medalhas está nas mãos do 1º Tenente da Armada José Soares de Oliveira (154/1913) e a Mensagem, em cuja capa está a PRIMEIRA BARRETINA, está nas mãos do Capitão de Cavalaria Carlos Afonso de Azevedo Cruz de Chaby (49/1910). Pouco tempo volvido após a publicação da «História do Colégio Militar» da sua autoria,
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A Primeira Barretina
Costa Matos veio a verificar que António de Oliveira Salazar não era afinal o único Ex-aluno honorário em dois séculos de vida do Colégio. Em artigo da sua autoria intitulado «Um caso que, afinal, não era singular», publicado na página 52 do número 170 (Janeiro-Março) da revista da nossa Associação, do ano de 2008, relatou-nos as pesquisas por si efectuadas nos poeirentos arquivos colegiais, que lhe permitiram verificar que vinte anos antes da atribuição do título de Ex-aluno honorário a Salazar, já duas pessoas de grande prestigio tinham recebido a mesma distinção. Foram elas o General Bernardo de Faria e Silva, Director do Colégio quando recebeu a distinção e o Coronel Armando dos Santos Ribeiro, Ministro da Guerra na mesma altura. Ambos foram nomeados por proposta aprovada em sessão do Conselho Literário do Colégio, de 29 de Outubro de 1920. O General Bernardo de Faria e Silva, cuja efigie se encontra num baixo-relevo colocado no átrio de entrada do Colégio, foi uma figura notável de Director. Dirigiu o Colégio, onde vivia, durante seis anos, de Junho de 1919 a Dezembro de 1925, acompanhando os alunos desde a alvorada ao recolher, numa dedicação total ao Colégio e aos seus alunos, que o veneravam e o reconheciam como um seu amigo mais velho. O Coronel Armando dos Santos Ribeiro, brilhante figura de militar e politico, foi ministro em nada menos do que seis governos da Republica. Foi ministro da Guerra no 21º governo (29/6/1919 a 15/1/1920), no 23º governo (15/1/1920 a 21/1/1920), no 24º governo (21/1/1920 a 8/3/1920), no 27º governo (19/7/1920 a 20/11/1920) e no 42º governo (22/11/1924 a 15/2/1925) e Ministro da Instrução Pública no 40º governo (23/6/1924 a 6/7/1924). Só no ano de 1920 esteve em quatro governos. Não fez parte do 22º governo, que ficou para a história por ter tido apenas uma duração de 5 minutos, no dia 15/1/1920. A acta do Conselho Literário do Colégio da sua reunião de 29 de Outubro de 1920 terminava do seguinte modo «Por último o Senhor Professor Machado e Costa comunicou ao Conselho, que no jantar de
Entrega da Mensagem e do Estojo das Medalhas ao Professor Oliveira Salazar. Como curiosidade, vejam-se as Medalhas Colegiais no uniforme do Oficial do Exército.
confraternização de antigos alunos do Colégio Militar havia sido feita e aprovada por aclamação uma proposta para que, em virtude das provas de dedicação e carinho que, no desempenho dos seus altos cargos, Suas Excelências o senhor Ministro da Guerra Hélder Armando dos Santos Ribeiro e o General Director Bernardo de Faria e Silva, consagravam à benemérita Instituição que os tinha educado, verdadeiramente comparável ao amor que lhes tributavam os seus filhos, Suas Excelências fossem considerados Ex-alunos honorários do Colégio Militar. Perfilhando com todo o entusiamo tão enternecedora proposta, tem a honra de a submeter à apreciação do Conselho. Em seguida foi a proposta admitida e aprovada sem discussão por aclamação, resolvendo-se também que a Direcção do Colégio, comunicasse oficialmente ao Ministro da Guerra esta resolução, acompanhada achando-o conveniente, desta parte da acta da sessão. E não havendo mais nada a tratar, foi encerrada a sessão».
O Professor Machado e Costa, que levou a proposta referida à apreciação do Conselho Literário, era o Antigo Aluno 230 de 1883, de seu nome completo Alfredo Augusto de Oliveira Machado e Costa. Foi oficial do Exército, em que atingiu o posto de Coronel. Foi uma sumidade, reconhecida a nível internacional, no domínio da Geologia, de que foi professor, e foi Ministro do Comércio e das Comunicações. Na sequência dos dados anteriormente apresentados, aproveitamos este artigo para fazer uma súmula relativa aos Comandantes de Batalhão Honorários, aos Alunos Honorários, aos Ex-alunos Honorários e aos Sócios Honorários da nossa Associação, que são coisas substancialmente diferentes: Comandantes de Batalhão Honorários Sua Majestade El-Rei D. Carlos - Nomeado Comandante Honorário do Batalhão Colegial, apenas com quatro anos de idade, por Carta Régia de 13 de Julho de 1868, de seu pai, Sua Majestade El-Rei D. Luiz.
A Primeira Barretina
Sua Alteza Real o Príncipe D. Luiz Philippe Nomeado igualmente Comandante Honorário do Batalhão Colegial, por Carta Régia de 21 de Março de 1893, de seu pai, Sua Majestade El-Rei D. Carlos.
Príncipe D. Luiz Filipe, Comandante Honorário do Batalhão Colegial
Ex-alunos Honorários General Bernardo de Faria e Silva - Nomeado por proposta dos Antigos Alunos aprovada em Conselho Literário, em sessão de 29 de Outubro de 1920. Foi Director do Colégio durante 6 anos, de Junho de 1919 a Dezembro de 1925. Coronel Hélder Armando dos Santos Ribeiro - Nomeado por proposta conjunta com a do General Bernardo de Faria e Silva. Exercia na altura as funções de Ministro da Guerra. Professor Doutor António de Oliveira Salazar - Nomeado por proposta de 1457 Antigos Alunos, em 1940. Alunos Honorários Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva - Investido pelo Colégio como seu Aluno Honorário, com número atribuído, nas cerimónias do 205º aniversário do Colégio, realizadas em 1 de Março de 2008, na altura em que desempenhava funções de Presidente da
República. Deixou uma mensagem escrita no Livro de Honra do Colégio, em que, a dado passo, indicava «Foi com imensa satisfação que aceitei a nomeação de membro honorário do Corpo de Alunos, com o número 695». Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa - Distinção conferida na cerimónia da Abertura Solene do ano lectivo de 2016/2017, conforme descrito na reportagem deste acontecimento, apresentada no nº 205, de Outubro/Dezembro de 2016, da ZacatraZ. Indica-se nessa reportagem que foi atribuído a Marcelo Rebelo de Sousa o número 801, tendo-lhe sido ofertada uma barretina em metal com aquele número gravado. Sócios Honorários da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar (AAACM) Pode ser atribuída a qualidade de Sócio Honorário da AAACM a todas as pessoas singulares ou colectivas, que tenham prestado à Associação ou ao Colégio Militar relevantes serviços e ainda os antigos e actuais servidores que a este tenham prestado bons e dedicados serviços por tempo não inferior a vinte anos (ponto 2 do Artigo 4º dos Estatutos da AAACM). A atribuição da qualidade de sócio honorário depende da deliberação da Assembleia Geral, tomada sobre proposta da Direcção e/ou Conselho Supremo. Os primeiros Sócios Honorários da Associação foram admitidos na Assembleia Geral de 21 de Março de 1985, que atribuiu esta qualidade a: Antigos Professores do Colégio Os quatro insignes mestres: Dr. Cristóvão de Sousa Lima, Dr. Júlio de Jesus Martins, Dr. Jaime Silva e Dr. João Navarro Brazão. Antigo Enfermeiro do Colégio - Sargento Enfermeiro Valentim Jorge. Antigos Funcionários Civis do Colégio - Cândido Gomes Alves (o saudoso Moca) e Alberto Gomes de Araújo. À guisa de conclusão, verifica-se que a atribuição da dignidade de Comandante de Batalhão Honorário, foi privilégio dos Reis, que a atribuíam aos seus filhos príncipes-
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herdeiros. A atribuição da qualidade de Ex-alunos Honorários resultou de manifestações espontâneas de vontade de conjuntos de Antigos Alunos. A atribuição da qualidade de Sócio Honorário da nossa Associação é atributo da Assembleia Geral de Sócios, seguindo determinados procedimentos estatutários. Finalmente a atribuição da qualidade de Aluno Honorário, nos dois casos existentes, restringe-se a Presidentes da República, segundo critérios que desconhecemos, que presumimos que sejam de natureza política, sobre os quais não estamos em condições de opinar. Estranhamos, porém, que tal distinção não tenha sido conferida ao antigo Presidente da República General António Ramalho Eanes, que sempre defendeu o Colégio e o distinguiu com o seu apreço.
As fotografias inseridas neste texto foram cedidas por José Alberto da Costa Matos (96/1950), a quem agradecemos, registando o seu espírito de colaboração e a sua sempre pronta e prestimosa disponibilidade. Estas fotografias constam do II Volume da obra de sua autoria intitulada “História do Colégio Militar”, editada em 2003, ano do Bicentenário da Fundação.
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Comemorando o 3 de Março
Comemorando o
3 de Março Aveiro Em Aveiro comemoraram os Antigos Alunos António José Resende Fernandes Matias (284/1954), João Luís Mendes Leite de Almeida (445/1958), José Luís Frias de Almeida Branco (460/1958), Artur Manuel Restani Graça Alves Moreira (301/1961), Fernando Martins Machado da Silveira (555/1961), Fernando José Lemos de Araújo de Faria Barbosa (367/1968), Afonso José Leal Duarte de Oliveira (647/1968), Luís Fernando Leal Duarte de Oliveira (628/1972), Pedro Miguel Alpoim e Marques (433/1982) e João António da Silva Lopes Bordalo Matias (395/1987).
Braga Realizou-se no passado dia 8 Março, o jantar comemorativo do 214º Aniversário do Colégio Militar, no Restaurante Casinha dos Grelhados, com a presença do Antigos Alunos, residentes em Braga e Viana do Castelo, Jorge Manuel Morais da Silva Duarte (153/1951), Jorge de Sousa da Veiga Torres (317/1956), Armando Nuno Saraiva Valente Perfeito Canelhas (592/1961), António José Monteiro Afonso (479/1964), Herlander José Resende Marques (260/1969), António Pedro Duarte das Mota Cardoso (375/1971), Jorge Gustavo Pereira Bastos Rocha (25/1979) e Pedro de Paula Santos Alves Monteiro (111/1979).
Bruxelas Na 6ª feira, dia 3 de Março de 2017, em Bruxelas, no restaurante português DONLUIS, comemoraram o 3 de Março os Antigos Alunos Carlos Elmano de Oliveira e Rocha (45/1967), José Paulo Martins Casaca (458/1967), João Francisco Ramalho Ortigão Delgado (531/1969), João António Eduardo da Silva Santos (358/1970), António José de Jesus Neves Correia (358/1977), Paulo Sérgio da Silva Antunes (405/1982), Rodrigo Filipe de Oliveira de Ataíde Rodrigues Dias (473/1985) e David Miguel Alves de Brito Antunes (315/1990).
Comemorando o 3 de Março
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Golegã Na 6ª feira, dia 3 de Março de 2017, na Golegã, festejaram o 3 de Março os Antigos Alunos Frederico José da Veiga Bonacho dos Anjos (122/12944), António Manuel Lucas de Lemos (238/1969), Luís Maria Albuquerque de Saldanha Oliveira e Sousa (123/1976), Eleutério João Laranjinho Faleiro (264/1976), António José Sousa Costa Godinho de Carvalho (153/1980), João Pedro Franco Pancada da Silveira (356/1980), Pedro Miguel Pinto Reis (201/1988), Miguel Henrique Dias Sereno (331/1988), João Maria Calado Mendes Patrício da Costa (121/2008) e António Ramirez Godinho de Carvalho (150/2008).
Lisboa (Real Clube Tauromáquico Português) Os sócios do Real Clube Tauromáquico Português que são Antigos Alunos do Colégio Militar, reuniram-se na sede do Clube para comemorar o 3 de Março, num almoço que decorreu em ambiente de muita animação e camaradagem, tendo sido encerrado com um Zacatraz. Estiveram presentes João de Barahona Núncio (175/1945), António José Passanha Braamcamp Sobral (112/1950), Manuel de Lucena (405/1953), Eurico Jorge Eurico Paes (306/1957), José António Fiuza Corrêa de Sá (228/1959), Dom Duarte Pius de Bragança (97/1960), Rui Carlos Alvarez Carp (536/1960), Pedro Roberto Menéres Cudell (3/1961), Filipe Soares Franco (62/1963), Luís Miguel Guerreiro Félix António (302/1972) e José Luís Guimarães dos Santos Bessa (73/1995).
Madeira No jantar de 3 de Março, na ilha da Madeira, estiveram presentes os Antigos Alunos José Coelho Cardoso de Ávila (343/1959), João Filipe Pereira Nunes Prudente (337/1964), António José Oliveira Marques de Abreu (599/1967), Frederico Manuel Rezende Alves Martins (188/1973), Nuno Bettencourt Sardinha Portela Ribeiro (396/1976), Paulo Jorge da Silva Ramos Lourenço (484/1977), Marco Paulo Pereira Nunes (192/1987), Pedro Miguel Mendes Cunha (316/1988) e Luís Mário Bugalho Gaspar (468/1988).
Cochões, Castelo do Bode (Restaurante da Lúria) Antigos Alunos do Curso de saída de 1957 reuniram-se num almoço em que comemoraram o 3 de Março, neste dia de 2017. Com a boa disposição e a recordação do Colégio que sempre caracterizam os almoços e jantares dos componentes deste Curso, estiveram presentes José Eduardo de Almeida Barata Correia (28/1949), José Manuel de Vasconcelos Caeiro (41/1949), António Maria Morgado de Oliveira e Silva (91/1949), Ruy António de Menezes Fonseca e Silva (369/1949), Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949), António Fernandes Duarte Silva (59/1950), José Eduardo Martinho Garcia Leandro (94/1950), Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950), António Manuel Carvalho Cabral de Mello (341/1950), Francisco Manuel Vidigal Solano de Almeida (188/1951), António Bernardo Carvalhais Figueiredo (229/1951), Duarte Nuno Vaz Osório de Penalva (352/1951) e António Carlos Barreiros Nunes de Meneses (379/1951).
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Comemorando o 3 de Março
©Foto Mário Simonetti
Lagos
No passado dia 11 de Março, em Lagos, o 3 de Março foi festejado por Antigos Alunos residentes na região Algarvia. O almoço de confraternização, bem servido e de agrado de todos os circunstantes, teve lugar no Restaurante Bom Pecado. Participaram nesta comemoração os Antigos Alunos Fernando de Sousa de Brito e Abreu (330/1938), Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949), Ventura José Ortigão de Mello Sampayo (148/1955), Francisco José da Silva Antunes (422/1955), António Manuel Loureiro do Nascimento Gonçalves Trindade (424/1955), Martiniano Nunes Gonçalves (8/1958), Carlos Manuel Mendes Caramês
(42/1959), Fernando Vasco Barreira Pimenta de Castro (90/1960), António Carlos da Cruz Cordeiro (175/1960), Joaquim Arnaldo Maltez Cardeira da Silva (133/1961), Raul Monteiro de Sousa Machado (318/1961), Artur Manuel de Spínola e Santos Pardal (587/1961), Artur Joaquim dos Reis Ferreira (274/1962), João Manuel Porto Silva Frade (362/1963), António Carlos da Palma Estanislau (376/1964), João Manuel Simões Carvalho (464/1964), João Manuel Caçorino da Palma Baracho (545/1964), Artur Miguel Canas Soares Coelho (89/1965), Luís Alberto de Brito Correia de Matos (196/1985), José Manuel Machado dos Santos (200/1965),
Jorge Manuel Martins Casaca (207/1965), João Pedro Rodrigues Ferreira Quaresma (213/1965), Joaquim Paleta Marreiros (413/1965), João Pedro Beregovoy de Abreu Pimenta (461/1965), José Manuel Pais Sampaio (483/1965), Mário Manuel Godinho Simonetti (544/1965), José Pedro Duarte Lupi Fialho (515/1967), José Henrique Damas Mora Ponces de Carvalho (47/1969), António Manuel Freitas Soares de Almeida Pires (492/1969), Pedro Jorge Cabral Rodrigues (173/1972), Luís Augusto Pereira de Matos Duque (269/1975) e Pedro Miguel Ribeiro Fernandes (217/1996).
Miami Em Miami, como já de há longos anos vem sendo tradição, por iniciativa de Manuel de Lucena (405/1953), comemoraram o 3 de Março, num almoço, dois Antigos Alunos, o organizador e António Manuel da Silva Inácio Quelhas (677/1972).
Comemorando o 3 de Março
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Porto
Os Antigos Alunos da região do Porto reuniram-se no passado dia 10 de Março no Oporto Cricket and Lown Tennis Club, num jantar de confraternização e comemorativo do 3 de Março de 2017. Este ano o AA Eugénio Maximiliano Ferreira de Sequeira Varejão (188/1936), com os seus 90 anos, deslocou-se de Vila Real para participar neste encontro. Figura muito interessante e bom contador de histórias, a todos encantou com as suas fabulosas narrações. Mais uma vez o Delegado da AAACM no Norte, Bruno Pinto Basto Soares Franco (281/1970), com o dinamismo a que já nos habituou, levou a cabo mais esta jornada de coesão da Família Colegial.
Estiveram presentes os Antigos Alunos Eugénio Maximiliano Ferreira de Sequeira Varejão (188/1936), Luís Augusto Nunes de Almeida Bandeira (236/1945), António Rui Prazeres de Castilho (147/1948), José Manuel Mendes de Araújo (84/1950), José Alberto da Costa Matos (96/1950), Francisco Xavier de Barros Cardoso de Menezes (6/1956), António Norton de Matos Carmo Pereira (522/1959), Albino Manuel Pereira de Sousa Botelho (342/1961), Jorge Fernando da Cruz Cordeiro (27/1963), Carlos Manuel Carrilho Roma Torres (35/1963), Carlos Pimenta Machado (83/1963),), José Manuel Duarte Presa Fernandes (403/1963), Manuel Maria de Castro e Lemos (423/1963), António José Mesquita da Cruz (329/1965), Paulo Manuel Ferreira Lobo Fernandes (487/1966), Álvaro Manuel Cruz Cordeiro (48/1967), José Manuel da
Silva Pinto dos Reis (100/1967), João Manuel Sanches Roma Moreira Lobo (572/1969), José Manuel Queimada da Silva Soares (82/1970), Bruno Pinto Basto Soares Franco (281/1970), Paulo César Alves Bacelar (403/1970), António Jaime Tavares Coutinho Lanhoso (176/1971), Vasco Manuel Felgueiras Ferreira (340/1971), Guilherme Eduardo Lickfold de Novais e Silva (488/1971), Paulo Manuel Santos Lestro Henriques (200/1973), João Paulo Pereira Delgado (605/1973), Agenor Guerreiro Ranhada Rolo (199/1974), José Eduardo da Costa Silva Pereira (391/1974), Augusto José Ferreira de Matos (668/1974), João Francisco de Olim Marote Marques Guimarães (229/1975), João José Pacheco de Almeida Tété (383/1984), Luís Filipe Pinto Leite (384/1994) e Diogo Castro Jesus Gadelho (499/1998).
São Paulo, Brasil Em São Paulo juntaram-se, para comemorar o 3 de Março os Antigos Alunos António Pedro Pereira de Bacelar Carrelhas (159/1947), Leopoldo Câmara der Oliveira Bastos Jorge (154/1954), Pedro Gonçalo Bandeira Fernandes (3/1982), Nuno Miguel Berronas Gomes Cristina da Silva (64/1983), Tiago Manuel da Gama Barros (49/1987) e Marcelo Sonso de Sousa Rodrigues (424/94).
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60 anos depois Março de 1957 - Março de 2017
60 anos depois Março de 1957 - Março de 2017
... E dei por mim a pensar... Há quantos anos não assisto a um desfile comemorativo do aniversário do nosso Colégio? A resposta surgiu, algo “envergonhada”: há muitos. Para não continuar “envergonhado” e aproveitando o facto de ainda estar em condições de o fazer (dizem as estatísticas ... mas são só estatísticas ... que a esperança média de vida para os que fizeram 65 anos em 2005 – o meu caso – é de atingir os 78.5 anos de idade) decidi ir assistir ao desfile deste “3 de Março” e tirar as fotografias que me permitissem visualizar as diferenças, guardando tudo num texto, para minha “Memória Futura”. O que estou a fazer. Vou, pois, visualizar as diferenças (para isso tirei as fotografias), embora as semelhanças sejam mais importantes, nomeadamente o aprumo e o orgulho patente em toda aquela infância e adolescência a que tivemos a honra de pertencer na já longínqua
década de 1950 (esses - o aprumo e o orgulho - permanecem INALTERÁVEIS). Vieram em 2 ou 3 autocarros. Dos 6 aos 9 anos de idade. São a geração futura dos Alunos e Alunas do Colégio Militar. Gostei de os ver. A Bandeira Nacional (agora Estandarte Nacional) e o Guião do Colégio (muito diferente do de 1957) desfilam actualmente isolados, com o Aluno Comandante do Batalhão entre eles. O porta guião era uma Aluna. Em 1957 o desfile iniciava-se com o Aluno Comandante do Batalhão, seguido da Bandeira Nacional e do nosso Guião, juntos; ambos saudavam os mortos da 1ª grande guerra (e os Oficiais Generais que lá estavam em continência) não permanecendo na posição vertical. Seguiam-se as quatro Companhias de Alunos, tal como actualmente. O lema ‘SERVIR’ do Guião (que eu orgulhosamente transportei em 1957), foi alterado para ‘UM POR TODOS, TODOS POR UM’ no
Guião que se seguiu. O Guião actual não tem qualquer lema lá inserido. Um Aluno de origem africana e uma Aluna desfilam (tal como outros Alunos), armados com “pistolas-metralhadoras”, o que não acontecia no meu tempo. A escolta a cavalo (cavalos brancos e cavalos castanhos). Desfile a galope curto. Não existia em 1957. As Alunas também fazem parte da escolta a cavalo. Um Antigo Aluno com o Guião da nossa Associação no monumento aos mortos da 1ª Grande Guerra (e aproveitando o tempo para ver as novidades que lhe apareceram no “telemóvel”, o que também não existia em 1957). E foi assim o desfile do nosso “3 de Março de 2017”.
António Rafael Passarinho Franco Preto 67/1950
60 anos depois Marรงo de 1957 - Marรงo de 2017
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Colégio Militar Berço de Grandes Portugueses
José Alberto da Costa Matos 96/1950
Colégio Militar
Berço de Grandes Portugueses Jerónimo da Silva Maldonado de Eça General de Divisão
(30/1813)
N
asceu em Elvas a 8 de Dezembro de 1801, filho do general António da Silva Maldonado d’Eça e de Mariana Justina da Cunha e Brito. Por ordem do príncipe regente D. João, entrou para o Colégio Militar da Feitoria em Março de 1812. Quando, em Abril de 1813, o colégio foi oficialmente reconhecido sob a designação de Real Colégio Militar, tendo na sua direcção o marechal Teixeira Rebelo, o jovem Jerónimo foi nele integrado como o aluno n.º 30.
1820, é promovido a alferes, sendo transferido para o Regimento de Cavalaria n.º 10. Ascenderia a tenente em 1827 indo para o Regimento de Cavalaria n.º 8 e, quatro meses depois, para Cavalaria n.º 10. Seguidor do ideário liberal, colocando-se, por isso, na mira dos perseguidores miguelistas, viu-se coagido a emigrar para França em 1830, passando então por extremas privações, tal como outros portugueses que ali se achavam fugidos de Portugal.
Em Outubro de 1817, à beira de completar dezasseis anos de idade, assentou praça como cadete no Regimento de Cavalaria n.º 3.
Em Fevereiro de 1832, sabendo que em Belle-Isle (França) se preparava uma expedição destinada a Portugal para retomar o poder para o rei D.Pedro, apresenta-se nesta ilha a 4 de Fevereiro. No mês seguinte embarcou na armada libertadora que rumou à ilha de S. Jorge (Açores), onde chegaram em 21 de Março.
A 1 de Janeiro de 1818 foi nomeado porta-estandarte e dois anos depois, em Março de
A 1 de Abril integrou as forças constitucionais que desembarcaram na ilha Terceira, passan-
Em Agosto de 1816 deixou o colégio da Luz porque o seu pai falecera e a falta de recursos não permitia que se matriculasse no quarto ano do curso.
Colégio Militar Berço de Grandes Portugueses
do então a exercer o cargo de ajudante de campo do comandante da 2.ª Brigada. Decorridos mais dois meses, embarcou com o exército libertador rumo ao Continente, vindo a desembarcar com D. Pedro nas praias de Pampelido a 8 de Julho. No dia seguinte os liberais entraram no Porto, e Maldonado d’Eça é graduado em capitão em 3 de Novembro, mas com antiguidade referida a 6 de Agosto. Viria a ascender a capitão efectivo em Agosto de 1833. Assinada a Convenção de Évora Monte em 27 de Maio de 1834, é colocado em 24 de Julho no Regimento de Cavalaria n.º 3. No ano seguinte por obrigações inerentes ao tratado da Quadrupla Aliança de 1834, o governo português foi forçado a enviar uma Divisão Auxiliar a Espanha, para combater em apoio da causa constitucional de Isabel II, rainha deste país, contra as pretensões de seu tio Carlos V, proclamado rei tradicionalista de Espanha. E Maldonado d’Eça fez parte das forças que integraram essa divisão, a qual se distinguiu especialmente nas acções de Val Maceda e Armiñon, permanecendo em operações naquele país desde Outubro de 1835 até fim de Novembro de 1836. No ano seguinte esteve temporariamente separado do Exército em consequência da conven-
ção de 20 de Setembro, sendo porém reintegrado após juramento da Constituição de 1838. Foi então colocado no Regimento de Cavalaria n.º 4, com o qual tomou parte nas operações militares da serra do Algarve desde Abril a Julho de 1840, comandando um esquadrão e sendo elogiado pelo comandante da 8.ª Divisão. Só em Fevereiro de 1842 foi promovido a major, embora contando antiguidade desde Setembro de 1837 e, nestas circunstâncias, foi na mesma data graduado em Tenente-Coronel, posto em que viria a ser efectivo dois anos depois, em Julho de 1844, seguindo então para o Regimento de Cavalaria n.º 8, do qual regressou pouco depois a Cavalaria n.º 4 aí servindo até 1846, ano em transita para o Regimento n.º 5 da sua arma. Por discordar da transferência de alguns oficiais deste regimento, pediu transferência para a 1.ª Secção do Exército, a qual lhe foi concedida. Mas que pouco durou porque, em Outubro desse 1846, foi de novo colocado em Cavalaria n.º 4, cujo comando lhe foi conferido após a sua promoção a coronel em Abril de 1847.
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No exercício deste comando, sendo convidado a aderir à revolução de 1851 (Revolta dos Marechais), recusou o convite e demais ofertas, respondendo ao Marechal Saldanha: “Acima da amizade que me prende a V. Ex.ª, em mais alto valor tenho o cumprimento dos meus deveres de militar.”
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Colégio Militar Berço de Grandes Portugueses
Esta nobre atitude viria, aliás, a ser reconhecida e louvada em Ordem do Exército, sendo também agraciado com a comenda da Ordem da Torre e Espada.
Em Março seguinte deixou o cargo e, pelos serviços que prestou em ambos os distritos, foi então agraciado com a comenda da Ordem de N.ª Sr.ª da Conceição de Vila Viçosa.
Vingada a revolta, o marechal mandou chamá-lo para lhe dizer que louvava muito o seu nobre procedimento, mas que esperava que ele continuasse a comandar o seu regimento.
Em 1863 é vogal do Supremo Conselho de Justiça Militar e comandante da 8.ª Divisão. Foi ainda comandante da Brigada de Instrução e Manobra, Inspector dos corpos de Cavalaria e Presidente da Comissão encarregada de elaborar o “Regulamento de serviço interno para os Regimentos de Cavalaria”.
Mas Maldonado d’Eça não era homem para transigências e, ali mesmo, lhe reiterou o seu propósito de passar à disponibilidade. Propuseram-lhe então diversas e interessantes comissões, que recusou, sendo então colocado na inactividade em 26 de Maio do desse ano de 1851.
Em 1866, quando Fontes Pereira de Melo, ministro da Guerra, estabeleceu em Tancos um “campo de instrução e manobra”, Maldonado d’Eça foi nomeado comandante da Brigada de Cavalaria.
Não obstante, meses depois, a 4 de Outubro, ainda foi brigadeiro graduado.
Em Agosto do ano seguinte assume o comando interino da 4.ª Divisão, tornando-se comandante efectivo em 1873, por ter sido promovido a general de divisão. Mais tarde teve transferência, como vogal, para o Conselho Superior de Guerra e Marinha, cargo em cujo exercício se encontrava quando faleceu em Lisboa a 5 de Março de 1886.
Exerceu então o comando militar de Coimbra de Março a Junho de 1854, para então assumir o cargo de Governador Civil do mesmo distrito, lugar que manteve durante sete anos, sendo em Abril de 1861 nomeado para iguais funções mas, desta vez em Lisboa, sendo então promovido a brigadeiro efectivo.
Torre e Espada
Avis
N.ª Sr.ª Conceição de Vila Viçosa
Publicou na Revista Militar «O exército dinamarquês», «A equitação nos regimentos de Cavalaria da Prússia», «O teatro geográfico-militar da guerra russo-turca de 1877» e «A organização do exército egípcio», além de outros. Para o Boletim da Sociedade de Geografia escreveu «Navegação de Henrique Stanley no rio Zaire, ou Congo», «Sondagens no Oceano Pacífico» e «A Austrália». Traduziu ainda “Romeu e Julieta”, de Shakespeare. Era agraciado com os graus de cavaleiro e de comendador da Ordem da Torre e Espada, cavaleiro, comendador e grã-cruz da Ordem de Avis e comendador da Ordem de N.ª Sr.ª da Conceição, sendo também condecorado com a medalha de D. Pedro e D. Maria com o algarismo 6, com a medalha da Divisão Auxiliar a Espanha e com a comenda da Real Ordem de Isabel a Católica (Espanha).
D. Pedro e D. Maria
Isabel a Católica
Colégio Militar Berço de Grandes Portugueses
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João Carlos Craveiro Lopes General do Exército e Governador Ultramarino
(154/1882)
N
asceu em Lisboa a 16 de Março de 1871, filho do general Francisco Higino Craveiro Lopes e de Maria Luísa Adelaide Capou Craveiro Lopes. Foi admitido como aluno do Colégio Militar em 1882, sendo-lhe atribuído o n.º 154 mas, cerca de um mês depois, o seu número foi alterado para 117. Concluiu o curso colegial em 1888, ano em que assentou praça como voluntário no Regimento de Cavalaria n.º 2 e, como 1.º sargento graduado em aspirante a oficial, frequentou a Escola Politécnica, onde fez os preparatórios, ingressando depois na Escola do Exército onde concluiu em 1891 o curso de oficial de Infantaria. Foi então promovido a alferes a 30 de Junho de 1891, sendo colocado no Regimento de Caçadores n.º 2. Transitou em 1893 para a Guarda Fiscal onde veio a ser promovido a tenente em Março de 1897. Quatro anos depois, a seu pedido, foi exonerado do serviço da Guarda Fiscal, sendo então colocado no Estado-Maior da Infantaria para desempenhar o cargo de ajudante de campo do comandante da 1.ª Divisão Militar, que era então o general seu pai.
Ascendeu a capitão no fim de Junho de 1904, indo servir como ajudante para o Regimento de Infantaria n.º 22. Em 1911 foi desempenhar idênticas funções no Regimento de Infantaria n.º 28. Em Setembro de 1913 foi promovido a major, tendo servido até Fevereiro de 1915 em vários regimentos da sua arma. A 20 de Janeiro de 1915, quando se encontrava colocado no Regimento de Infantaria n.º 28 (Figueira da Foz), foi transferido compulsivamente para o Regimento de Infantaria n.º 19 (Chaves). Na origem desta medida disciplinar estavam razões incidentais de carácter particular com um militante do Partido Democrático, que então se encontrava no poder, denunciadas através do Comité Democrático Militar, que era uma organização de natureza política ligada àquele Partido. Este acontecimento acabou por agudizar o mal-estar generalizado entre os oficiais da guarnição de Lisboa face à constante interferência de elementos ligados ao Partido do governo nos processos de nomeação de oficiais para cargos de comando bem como na sua destituição.
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Colégio Militar Berço de Grandes Portugueses
Os oficiais aquartelados na Figueira da Foz insurgiram-se e o movimento alastrou a Lisboa, onde nos dias imediatos os oficiais da capital se solidarizaram com o seu camarada. Este protesto veio a evoluir para o chamado “Movimento das Espadas”, o qual ocorreu em 1915, quando a 22 de Janeiro numerosos oficiais do Regimento de Cavalaria n.º 2, liderado pelo capitão Martins Lima, mas sob as ordens de Machado Santos e Pimenta de Castro, marchou para o Palácio de Belém, com o propósito entregar as suas espadas ao Presidente da República Manuel de Arriaga. Três dias depois o governo pedia a demissão, sucedendo-lhe a ditadura de Pimenta de Castro. Em Maio de 1915 foi requisitado pelo Ministério das Colónias para uma comissão de serviço em Macau, para onde embarcou em 23 de Abril. Desembarcou naquele território a 8 de Junho e, no dia seguinte, assumiu o cargo de comandante do Corpo de Polícia, para que fora nomeado por determinação ministerial, sendo também encarregado de exercer, interina e cumulativamente, as funções de Inspector de Incêndios, tendo então organizado o respectivo serviço. No começo de 1916 foi nomeado membro da comissão incumbida de estudar e propor ao Governo do território quais os terrenos que, por motivo de obras, deviam ser excluídos das concessões por aforamento mas, tendo sido ordenado pelo Ministério das Colónias o seu regresso, embarcou naquele território a 23 de Março.
Já na Metrópole, foi colocado no 1.º Batalhão do Regimento de Infantaria n.º 21, sendo promovido a tenente-coronel em meados de Maio de 1917. Foi então mobilizado para o Corpo Expedicionário Português (CEP), empenhado na 1.ª Grande Guerra em França. Para ali embarcando a 20 de Junho de 1917. Uma vez em França, comandou interinamente a 5.ª Brigada de Infantaria da 2.ª Divisão desde 11 de Dezembro desse ano até 15 de Janeiro do ano seguinte, período este em que a unidade teve de realizar os inúmeros trabalhos de ocupação de um sector que lhe era desconhecido. Voltou ao comando da mesma brigada em 8 de Abril de 1918, na véspera da violenta e desastrosa batalha de La Lys em que foi envolvido pelo ataque alemão, acabando por ser feito prisioneiro com mais de sete mil outros portugueses.
Foi libertado depois do armistício de 11 de Novembro de 1918 que pôs termo à 1.ª Grande Guerra, tendo-se apresentado no Quartel-general do CEP a 11 de Janeiro de 1919, e regressado a Portugal a 29 desse mesmo mês. Depois da libertação ainda foi presidente da Comissão de Assistência dos Portugueses Prisioneiros de Guerra, na Alemanha. Decorridos dois meses, foi colocado no Regimento de Infantaria n.º 28, mas por pouco tempo, porque, a 4 de Julho, embarcou para o Estado da Índia, onde chegou a 24 de Setembro, passando a comandar interinamente a Guarda Fiscal. Entretanto, durante a viagem, fora promovido a coronel por decreto de 16 de Agosto de 1919. Foi então nomeado para presidir a diversas comissões, designadamente: a encarregada de elaborar o regulamento de promoções aos postos inferiores daquela colónia; a encarregada de elaborar o plano de
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uniformes da Índia portuguesa; e a encarregada de proceder à elaboração do regulamento das escolas para praças, harmonizando-o com as exigências do concurso para promoção aos postos inferiores. Foi também nomeado presidente da Comissão Administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Goa em 17 de Junho de 1920 e comandante efectivo da Guarda Fiscal em meados de Abril de 1921. Deixou o Estado da Índia em Maio de 1926. Apoiante da “Revolução de 28 de Maio”, quando a 3 de Fevereiro de 1927 eclodiu no Porto uma revolta com a intenção de derrubar a Ditadura Nacional, e sendo ao tempo comandante da Região Militar com Quartel naquela cidade, conduziu as operações do cerco aos revoltosos, os quais só dele puderam sair através de uma rendição quase sem condições. Promovido a general a 12 de Maio de 1928, voltou ao Estado da Índia, agora como Gover-
Torre e Espada
Avis
Cristo
nador-Geral, cargo que exerceu de 1929 a 1936. Durante o seu governo promoveu uma exposição sobre São Francisco Xavier, que incluiu a mostra de uma caixa de cristal com o cadáver do santo, e fundou em 1930 o Arquivo Geral e Histórico da Índia Portuguesa. Foi vogal do Conselho Superior do Exército e representou o Exército Português na entrega do monumento aos mortos da 1.ª Grande Guerra, em La Couture. Passou à reserva em 1937, após a sua missão no Estado da Índia, e foi reformado em 16 de Março de 1941. Faleceu em Lisboa, na Av. Júlio Dinis, n.º 6, em 21 de Julho de 1945. Era agraciado com os graus de cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, cavaleiro, comendador, grande-oficial e grã-cruz da Ordem
Mérito Militar
Bons Serviços
Vitória
de Avis, comendador com palma dourada da Ordem de Cristo, e condecorado com as medalhas de ouro de Bons Serviços com a letra C, de Mérito Militar de 1.ª classe, de prata e ouro de Comportamento Exemplar, da Vitória, Comemorativa das Campanhas do CEP com a legenda “França 1917-1918”, e também com a cruz de 1.ª classe da Ordem de Mérito Militar (Espanha), cavaleiro da Ordem de Isabel a Católica (Espanha) e comenda da Legião de Honra (França). Era neto do general Francisco Xavier Lopes e pai de Francisco Higino Craveiro Lopes (que veio a ser Presidente da República) e que eram ambos antigos alunos do Colégio Militar, e ainda de António Carlos Craveiro Lopes, também ele antigo “menino da Luz”.
Mérito Militar de Espanha
Isabel a Católica
Legião de Honra
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João Maria de Magalhães General de Brigada e Primeiro Engenheiro Florestal Português
(144/1846)
N
asceu em Chaves a 8 de Outubro de1835, filho de José Maria de Magalhães e de Miquelina Cândida da Silva Magalhães.
Estudou no Colégio Militar, onde foi admitido em 1846 como aluno n.º 144. Em 1850, concluído o curso colegial, assentou praça voluntariamente no Batalhão de Caçadores n.º 2 como 1.º sargento graduado aspirante a oficial, indo frequentar a Escola Politécnica até 1854. Entretanto, em 29 de Junho de 1852, foi promovido a alferes graduado de Infantaria. A partir de 1855 frequentou a Universidade de Coimbra tornando-se, em 1859, bacharel em Filosofia. Ao longo da sua carreira militar ascendeu sucessivamente a alferes em 11 de Novembro de 1859, a tenente em meados de Dezembro de 1868, em 1873 a capitão, em 1884 a major, dois anos depois a tenente-coronel e, em
1888, a coronel, atingindo o posto de general de brigada em 23 de Agosto de 1894. Em Setembro de 1860 foi encarregado pelo governo de frequentar o curso de Engenharia Florestal na Academia de Tharandt, na Saxónia, seguido do mesmo curso, teórico e prático, na Escola Florestal Imperial de Nancy, que concluiu em 1864. Durante as férias estudou a prática do serviço e administração florestal na grande floresta de Haguenau, bem como sequeiro de sementes florestais das essências resinosas. Fez também estudos em Estrasburgo, acerca do sistema de conservação de madeiras injectando-as com sulfato de cobre. De seguida foi encarregado de visitar e estudar, por conta do governo francês, os trabalhos feitos nos Alpes com vista a enfraquecer as torrentes e evitar as inundações, sendo também incumbido de examinar os processos de rearborização das montanhas em França, ir à Ale-
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Colégio Militar Berço de Grandes Portugueses
Em 1866 tornou-se assim o primeiro engenheiro florestal português, sendo então nomeado Inspector de Florestas. Dois anos depois propôs e projectou a arborização da serra de Monsanto, bem como de outras áreas envolventes. Todavia, este seu projecto só viria a concretizar-se decorridas que foram mais de sete décadas. Em 1872, em resultado da reformulação do regulamento dos Serviços de Matas Nacionais, foi nomeado Chefe da Divisão do Centro, com sede na Marinha Grande. Teve então também oportunidade de intervir no ordenamento do Pinhal de Leiria, bem como na sua resinagem. Em 1893, sendo então coronel, foi comandante da Escola Prática de Infantaria e, dois anos decorridos, já com o posto de general de brigada, foi vogal do Supremo Conselho de Justiça Militar. Faleceu a 26 de Março de 1896, quando se encontrava servindo há pouco tempo no Ministério da Obras Públicas.
manha visitar as escolas e investigar diversos sistemas de administração e prática florestal. Já de regresso a Portugal, recebeu ainda como incumbência observar os trabalhos
Avis
Cristo
de fixação das dunas no golfo de Gasconha, bem como de se inteirar do sistema de ensino e administração florestal no reino vizinho.
N.ª Sr.ª Conceição de Vila Viçosa
Comportamento Exemplar
Era agraciado com os graus de cavaleiro, comendador e grande oficial da Ordem de Avis, cavaleiro da Ordem de Cristo e comendador da Ordem de N.ª Sr.ª da Conceição de Vila Viçosa, sendo também condecorado com a medalha de prata de Comportamento Exemplar e ainda com a comenda da Ordem de Isabel a Católica (Espanha) e com o grau de cavaleiro de 3.ª classe da Ordem de Dannebrog (Dinamarca).
Isabel a Católica
Dannebrog
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Marcha da Sede Júlio Dantas (114/1887)
Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
Marcha da Sede Júlio Dantas (114/1887)
N
o último número da ZacatraZ (Nº 205 - Outubro/Dezembro de 2016) publicou-se o artigo intitulado «O Tambor», baseado num conto com igual nome, da autoria de Júlio Dantas, inserido no seu livro «Pátria Portuguesa», editado no longínquo ano de 1914. Na mesma linha desta obra, escreveu Dantas, 40 anos mais tarde, já na fase final da sua vida, o livro intitulado «Marcha Triunfal». A crítica literária da época referiu que este livro se poderia considerar um segundo volume da «Pátria Portuguesa», sendo um hino à glória e á grandeza da nossa gente, ou que se poderia considerar como o fecho da abóbada da obra fulgurante e imperecível de Júlio Dantas. Tal como se indica logo no início da «Marcha Triunfal», é a mesma composta por um conjunto de narrativas da epopeia militar portuguesa do século XII ao século XX. Júlio Dantas dedicou a «Marcha Triunfal» à memória do General Pereira de Eça, seu tio pelo lado de sua mãe, Maria Augusta Pereira de Eça. O General António Júlio da Costa Pereira de Eça (73/1864), foi um general dos mais ilustres do Exército Português, sendo na sua época também conhecido como o «General de Aço», ou ainda como o «Pereira de Aço». A sua biografia abreviada pode-se encontrar no livro «O Colégio Militar na toponímia portuguesa», da autoria do nosso historiador José Alberto da Costa Matos (96/1950), aí se constatando que Pereira de Eça tinha uma grande experiência de serviço em África, designadamente em acções de combate. Dado o carácter do seu livro e a época em que foi publicado (década de 50 do século XX), decidiu Júlio Dantas no prefácio, a que deu a designação de «ATRIUM», explicar a razão de ser do mesmo, àqueles que ao tempo o consideravam como uma pessoa antiquada e ultrapassada. A esses, explicou-se do seguinte modo: «Mas, dir-se-á, para quê falar da guerra a uma geração que viu de perto as duas maiores guerras da Humanidade e que vive transida na eminência de outra mais terrível ainda? Para quê exaltar General Pereira d’Eça (73/1864)
Marcha da Sede Júlio Dantas (114/1887)
as másculas virtudes da raça, a bravura, a abnegação, o espirito de sacrifício, a vocação heróica, - em vez de deixar cair a sombra do esquecimento sobre o mais repugnante e o mais abominável dos flagelos humanos? Tornar bela a guerra, falar da guerra, - não será caminhar mais depressa para ela? Pensavam assim, há vinte anos, os filósofos pacifistas da Sociedade das Nações, então empenhados a fundo na obra do «desarmamento moral». Também eles queriam reformar os manuais escolares, para que desaparecessem do ensino universal da História todas as referências – quaisquer que elas fossem – à guerra e às hostilidades tradicionais dos povos. Também eles supunham assegurar a paz renegando os mortos e movendo contra a glória a campanha oficial do silêncio. Não. A glória – património deslumbrante dos povos livres – continua a ter o seu lugar no Mundo. Não há que escondê-la; há que a proclamar; há que a saudar – de chapéu na mão. Na «hora de Lúcifer» (como lhe chama Gunther Grundel), em que todas as nações se armam até aos dentes, o «desarmamento moral» é mais do que uma expressão vazia de sentido; é um erro político. Desarmar moralmente um povo não seria apenas amortecer o seu espirito de agressão; seria abastardá-lo; seria diminuir a sua capacidade de defesa. Não tenhamos medo da História; só devemos ter medo é de a esquecer.» Termina Júlio Dantas a sua justificação com esta asserção concisa: «É na forja do passado que se temperam as almas e as espadas. É no culto da História que se reforça a armadura moral das nações.» Admiráveis as palavras de Júlio Dantas, que continuam bem actuais nos nossos dias, quando os nossos sucessivos governos têm vindo a cometer o erro político de reduzir progressivamente as nossas Forças Armadas à insignificância (passando-se o mesmo ao nível da União Europeia) quando deixou de haver guerras declaradas, quando deixou de haver frentes de batalha localizadas e circunscritas e quando o inimigo se encontra já dentro das nossas portas, à espera que o fruto ambicionado caia de podre.
A «Marcha Triunfal» é uma colectânea de nove narrativas, correspondendo a última delas a um episódio da guerra no Sul de Angola, ocorrido no período da 1ª Guerra Mundial, no ano de 1915, episódio esse que Júlio Dantas designou por «A Marcha da Sede», em que as forças portuguesas foram chefiadas pelo seu tio, o já referido General Pereira de Eça, que se expôs pessoalmente a todos os sacrifícios e perigos, como o mais humilde dos soldados. Tal como Mouzinho dizia, a sua suprema honra foi ser Soldado. No ano anterior à campanha do Sul de Angola comandada por Pereira de Eça, exercia o mesmo as funções de Ministro da Guerra. Passados menos de dois meses sobre o início da 1ª Guerra Mundial, o embaixador da Grã-Bretanha em Lisboa invocou a velha aliança luso-britânica para apoiar o pedido do governo francês, para que Portugal cedesse à França o material de Artilharia «Canet», que o nosso Exército possuía. A resposta de Pereira de Eça foi seca e breve. «O governo português não vendia peças de artilharia. Concordava com a cedência à França da artilharia portuguesa – mas acompanhada dos artilheiros portugueses». Pressionado para alterar a sua posição, a resposta de Pereira de Eça foi firme «Não entendo. Eu não sou político, nem diplomata. Sou general». O chefe de governo de então, Bernardino Machado, colocou-se ao lado do seu Ministro da Guerra. Ainda durante o exercício de funções ministeriais por Pereira de Eça, ocorreu no extremo Sul de Angola o designado «incidente de Naulila». Um pequeno grupo de funcionários e militares alemães, oriundos da vizinha colónia alemã do Sudoeste Africano (África Ocidental Alemã), atravessou a designada «zona neutral», que tinha sido estabelecida na fronteira Sul de Angola, devido a uma discórdia existente entre Portugal e a Alemanha relativa à posição da fronteira no local, e penetrou ilicitamente no nosso território. Este grupo foi interceptado por uma força portuguesa e conduzido ao forte de Naulila. Aí chegado o grupo pretendeu abandonar o posto, não
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respeitando a detenção que lhes tinha sido imposta. Para evitar a fuga dos detidos, a força portuguesa abriu fogo sobre eles, matando alguns elementos do grupo. Prevenida a colónia alemã, pelos alemães que conseguiram escapar de Naulila, do incidente ocorrido, a sua resposta não se fez esperar. Atacaram vários postos fronteiriços portugueses, nomeadamente o de Cuangar, onde a sua pequena guarnição foi liquidada e executaram uma expedição punitiva ao posto de Naulila, atacado a 18 de Dezembro de 1914, da qual resultou o abandono deste posto por parte dos portugueses e a sua retirada para Norte, para a região do Humbe. As forças alemãs, ao retirarem, sublevaram contra os portugueses e armaram as tribos dos Cuamatos e dos Cuanhamas, a primeira delas pacificada anos antes, depois de vários anos de luta. Face à situação ocorrida, resolve o governo português, no início do ano de 1915, organizar uma expedição militar ao Sul de Angola, convidando o General Pereira de Eça, que em 12 de Dezembro de 1914 cessara funções como Ministro da Guerra, a assumir o comando da expedição. Pereira de Eça, então com 62 anos de idade (idade avançada naquele tempo), respondeu com a sua habitual concisão «Postos desta natureza não se pedem nem se recusam. Marcharei». Chegado a Angola em Março de 1915, para comandar a força expedicionária chegada a Moçâmedes no final de Fevereiro, Pereira de Eça toma conhecimento que os alemães no Sudoeste Africano se tinham rendido às forças do general Botha, vindas da vizinha África do Sul. Eliminado assim o inimigo alemão, a missão passou a ser a pacificação das várias tribos sublevadas do Sul de Angola, que apresentavam um potencial de fogo nunca visto, depois de armadas pelos alemães. Para submeter os povos sublevados, Pereira de Eça organizou quatro destacamentos: o primeiro destacamento destinado à ocupação do Cuanhama; o segundo à ocupação do Evale; o terceiro, à reocupação do território do Cuamato; o quarto à reocupação de Donguena e de Naulila e à vigilância das passagens do rio Cunene.
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Dos quatro destacamentos o que tinha missão mais espinhosa era o primeiro, o destacamento do Cuanhama, que tinha o mais longo caminho a percorrer e o inimigo mais aguerrido a combater. Em vez de dirigir as operações a partir da rectaguarda, Pereira de Eça decide acompanhar o primeiro destacamento, justificando assim a sua atitude «O meu dever é expor-me com os meus soldados e sofrer com eles todas as privações que as circunstâncias me obrigam a impor-lhes». O destacamento do Cuanhama era composto por um batalhão de Marinha, sob as ordens do comandante Afonso de Cerqueira, por landins de Moçambique, pela artilharia comandada pelo major Afonso Pala e por tropas dos regimentos de Infantaria 17 e de Cavalaria 11. A sua marcha iniciou-se no dia 12 de Agosto, tendo-se atingido nesse dia a margem do Cunene, que foi passado a vau no dia seguinte, atingindo-se a Chana das Palmeiras. Nos dias 14, 15 e 16 deu-se uma
penosa marcha, «em que os carros alentejanos, carregados de água e de forragens, tirados por muares extenuadas avançavam dificilmente enterrando os rodados na areia». No final do dia 16 foi a coluna atacada pela primeira vez. No dia 17 entrou-se na zona dos Cuanhamas, sendo o destacamento recebido a tiro pelo inimigo, o que o levou a formar quadrado. Foram encontradas algumas cacimbas, onde o destacamento esperava reabastecer-se em água, mas estavam secas. No dia 18 dá-se um duríssimo combate, que é assim descrito por Júlio Dantas «às 8 e meia da manhã o quadrado foi atacado pelas faces leste e norte, guarnecidas pelo batalhão de marinha, pelos landins do bravo tenente Umberto de Ataíde, que brandia, como única arma, um cavalo-marinho, e por Infantaria 17. O gentio abrigado no arvoredo e nos morros de salalé, varejava-nos com fogo certeiro; responderam a artilharia e
as metralhadoras. Abriram-se trincheiras sob uma chuva de balas. O major Afonso Pala, atingido no braço por uma bala de «Mauser», continuou no seu posto; o capitão de artilharia António Cortês, comandante do trem de combate, caiu, golfando sangue, o capitão Pires Monteiro, ferido por um tiro que lhe varou ambas as pernas e lhe matou o cavalo, foi levado em braços para um abrigo. Quase ao meio dia, quando o fogo inimigo afrouxou, a cavalaria, comandada pelo major Vieira da Rocha, antigo ajudante de campo de Mouzinho na guerra dos Namarrais, um herói e um gentleman, recebeu ordem de carregar e arrancou, valorosamente, enquanto no quadrado três mil bocas cantavam em coro a «Portuguesa». O alferes Damião, de Cavalaria 11, não voltou; o alferes Mateus, trouxeram-no os seus soldados, gravemente ferido. Respirouse um pouco no quadrado. Mas a sede devorava os homens e os animais. Sobre o
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O milagre da cacimba
areal imenso, onde não se distinguia uma ondulação no capim, pesava uma atmosfera de fogo. Era preciso que o destacamento se apossasse de mais trinta cacimbas – essas cheias de água – cavadas a poucos quilómetros de distância, na Môngua. No dia seguinte, quando se preparava para marchar a coluna foi atacada pela terceira vez. O capitão João Francisco de Sousa, de Infantaria 17, caiu morto, com uma bala na nuca. Às 3 da tarde, sob uma chuva de balas, o destacamento rompeu marcha – a «marcha da sede» - deixando pelo caminho as muares caídas a arfar, abandonando por falta de gado, as viaturas vazias, arrastando-se debaixo do peso do equipamento e das armas, no areal coruscante e interminável. O General, primeiro a dar o exemplo do sacrifício, recusava-se a beber a água que lhe levavam, porque os seus soldados não bebiam também. Finalmente as nossas tropas atingi-
ram as cacimbas da Môngua, abertas numa ligeira ondulação do terreno, e aí se restabeleceu o quadrado, numa chana rodeada de arvoredo denso, protegendo pela sua face sul os preciosos depósitos de água, onde os homens e o gado se dessedentaram. Foi nessa posição, com o campo de tiro prejudicado pela espessura da mataria, que o destacamento esperou o ataque definitivo do gentio coalizado. Esse ataque não se fez esperar. Pelas 7 e meia da manhã de 20 de Agosto, todo o quadrado foi alvejado por fuzilaria mortífera. Agora era o próprio Macumbe, soba do Cuanhama, com sessenta mil pretos cuanhamas, cuamatos, evales, cuambis, bem instruídos e armados, serenos no fogo, dispondo de carros de bois atulhados de munições. Chegara a hora do salto da fera. Dissimulados no mato, uns rastejando, outros empoleirados nas árvores como macacos, os negros fuzilavam-nos com uma cer-
teza de tiro admirável, aproximavam-se cada vez mais de nós, envolviam-nos num círculo de fogo. Tivemos tempo ainda para abrigar o pessoal; o gado, porém, exposto ao inimigo e especialmente alvejado pelo tiro certeiro das «Mauser», caía em massa, varado de balas. As nossas «Canet» respondiam, troando; as metralhadoras pesadas, varrendo as comas do arvoredo, abatiam verdadeiros cachos de negros. A meio do quadrado, a cavalo, erecto no selim como um rapaz, o General Eça, que tinha debaixo de fogo, a mesma fácil e despreocupada elegância de Mouzinho, dava ordens, enrolando um cigarro. Quando o fogo se tornou menos intenso, estava indicado que carregasse de novo a cavalaria, apoiada pela infantaria. Impossível. Nos esquadrões havia apenas quatro cavalos prontos para marchar. O gado que não fugira, tomado de pânico, estrebuchava, gemia, num mar de sangue. Mas o General Eça não se pertur-
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bou. Que carregasse a infantaria sozinha, ao assalto das primeiras posições inimigas! Foi um instante épico. O batalhão de marinha, os landins, a gente do 17 destacaram pelotões alternados; trezentas baionetas lampejaram ao sol do Cuanhama; os tambores bateram a carga; com o intrépido comandante Cerqueira à frente, aos gritos de «Pátria» e de «República», os soldados portugueses avançaram como leões, vacilaram um momento ao receberem a peito aberto a fuzilaria, e atiraram-se de novo, furiosos, impetuosos, ardentes, magníficos, levando de vencida, diante de si, de roldão, em tropel, como farrapos negros, aos uivos, aos pinchos, as hordas mais valentes e mais guerreiras de toda a África. Durara dez horas o combate.» A epopeia do destacamento do Cuanhama não estava acabada. O inimigo cortara as comunicações com a base das operações no Humbe. O destacamento estava cercado, isolado, exausto, sem cavalaria, sem víveres, sem transportes e quase sem munições. Não podia seguir para N’Giva, como planeado inicialmente, nem retroceder. Foi decidido enviar uma pequena força, comandada por Bento Roma, para tentar estabelecer o contacto com as tropas de um outro destacamento, que pudessem vir em socorro do destacamento do Cuanhama. A força partiu. Os homens que ficaram esperaram três dias e três noites que se desse um milagre. O que depois aconteceu, é-nos relatado do seguinte modo por Júlio Dantas: «O milagre deu-se. O Destacamento do Cuamato, em marchas forçadas (130 quilómetros em 50 horas), chispando baionetas, batendo tambores, chegou, fremente de entusiasmo, ao acampamento da Môngua. No dia 27 chegava também a coluna de Evale. Com os elementos válidos dos três destacamentos dissolvidos, o General Pereira de Eça organizou uma nova coluna, que marchou a caminho de N'Giva, objectivo militar da expedição. Ao atingilo, soube que o Macumbe fugira. Espessos
rolos de fumo negro erguiam-se da embala incendiada. Manadas ruivas de gado corriam espavoridas, mugindo. Ao sol, no alto de um grande mastro, tremulou a bandeira da Pátria. O gentio cuanhama, reconhecendo pela primeira vez a soberania portuguesa, depôs as armas e apresentou-se em massa.» Em jeito de epílogo, apresento os seguintes factos relacionados com esta narrativa de Júlio Dantas: - Em homenagem ao General Pereira de Eça a localidade de N’Giva passou a ter a designação Vila Pereira de Eça. Após a independência de Angola, voltou a ter a sua designação original, mas agora com a grafia Ondjiva. - Cumprida a sua missão, Pereira de Eça, doente e esgotado, regressou a Lisboa em Novembro de 1915, sendo nomeado comandante da 1ª Divisão, posto em que terminou a sua carreira militar. Faleceu em Lisboa, em Novembro de 1917. - A espada de Pereira de Eça encontra-se no Museu da Marinha em Belém, devido ao facto de Pereira de Eça a ter oferecido ao Comandante Afonso Cerqueira, como prova da sua amizade e reconhecimento ao homem que conduziu a carga de Infantaria, que quebrou o abraço de ferro que os cuanhamas faziam ao destacamento. - Na coluna do Cuamato, que veio em socorro da coluna do Cuanhama, estava o Alferes Henrique Augusto Perestrelo da Silva (2/1902) cuja biografia foi apresentada no último número da ZacatraZ (Nº 205 - Outubro/Dezembro de 2016). De regresso à metrópole foi mobilizado para servir no Corpo Expedicionário Português (CEP) em França, onde se voltou a notabilizar. - Bento Roma, que chefiou a força que foi à procura de reforços para a coluna do Cuanhama, veio também mais tarde a notabilizar-se integrado no CEP, na frente da Flandres. - O pequeno mapa que ilustra este artigo permite situar todos os locais mencionados no mesmo. - Nele pode-se ver a zona neutral mencionada no texto. A discórdia que havia relativamente à fronteira Sul de Angola, consistia no facto de Portugal considerar que a mesma
se situava à latitude das cataratas, ou quedas, do Ruacaná, enquanto que a Alemanha considerava que se situava mais a Norte, à latitude do rápido de Cazambué. Tendo a Alemanha perdido a guerra, a fronteira ficou estabelecida a Sul, passando pelas quedas do Ruacaná. - Em 1961, já no final da sua vida (faleceu em 1962) Júlio Dantas oferece ao Colégio um exemplar da sua obra «Marcha Triunfal», autografado e com a seguinte dedicatória: «Ao Exmo Senhor Brigadeiro Raul Pereira de Castro, de cujas nobres mãos tive a honra de receber a miniatura do guião do Colégio Militar, que Sua Excelência dirige e onde me eduquei, - peço licença para oferecer, com as minhas gratas homenagens, a nova edição deste livro, em que se exaltam as nossas glórias militares e que escrevi, já velho, com os olhos postos na Pátria.» No «Atrium» do seu livro, Dantas explica quando é que a História se pode considerar uma ciência e quando é que se pode considerar uma arte. Segundo ele, «enquanto realiza as operações da eurística, procede à análise e à síntese crítica do documento, determina as causas e deduz as leis, - a História é uma ciência. Quando porém, investigados cientificamente os factos, os narra, os descreve, os transmite, os completa pela imaginação, os anima pela eloquência, tornando acessíveis ao Futuro a visão, o sentimento e a compreensão do Passado – a História é uma arte». Com base nestes conceitos, não tenho dúvida em afirmar, que Júlio Dantas foi mais do que um artista da nossa História, foi um grande Mestre da História como arte.
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João Manuel Martins Casaca 458/1960
Da Geographia por Modo de Dialogo D
. João de Castro, que nasceu em Lisboa, em 1500, e faleceu em Goa, em 1548, é uma das grandes figuras do renascimento europeu: combina uma brilhante carreira militar e administrativa com uma vasta cultura literária e científica. Membro da alta nobreza portuguesa foi companheiro de infância dos filhos mais velhos de D. Manuel, os Infantes D. João (futuro D. João III), D. Luís e D. Afonso. Foi discípulo e amigo de Pedro Nunes, de quem pôs em prática muitas ideias. Aos 18 anos partiu para Tânger, onde iniciou a sua carreira militar. Em 1535, comandou um dos navios da armada portuguesa que colaborou com o imperador Carlos V na tomada de Tunes. Em 1538, partiu para o Oriente ao comando da nau Grifo. Entre 1542 e 1545, foi Capitão-Mor da armada do estreito1. Em 1545, foi nomeado Vice-rei da Índia e, em 1546, libertou Diu do seu segundo grande cerco (onde foi morto o seu filho mais novo D. Fernando de Castro), esmagando o exército do reino de Cambaia numa cruenta batalha, que ficou nos anais militares de Portugal. Para reconstruir as fortificações de Diu, arrasadas durante o cerco, D. João de Castro pediu um empréstimo à Câmara de Comércio de Goa, oferecendo como garantia as suas barbas, já que não possuía outros bens.
Armada que, durante três séculos, Portugal manteve a patrulhar o Atlântico e o Mediterrâneo na vizinhança do estreito de Gibraltar para controlar os piratas barbarescos.
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Da Geographia por Modo de Dialogo
As suas obras mais conhecidas são três roteiros que escreveu no Oriente: Roteiro da viagem que D. João de Castro fez a primeira vez que foi à India, no ano de 1538, mais conhecido por Roteiro de Lisboa a Goa (1538), o Roteiro de Goa a Diu (1538-1539), e o Roteiro que fez Dom Joam de Castro da Viagem que Fezeram os portugueses Desda India atee Soez, mais conhecido por Roteiro do Mar Roxo (1540). Nestes roteiros, além de informações sobre correntes, ventos dominantes, rotas e posições geográficas, D. João de Castro inclui esboços panorâmicos das cidades e dos portos e levantamentos batimétricos dos portos, baías e embocaduras dos rios mais importantes e ainda informações sobre a flora e a fauna. São descritas experiências para a observação da altura e azimute do Sol com um instrumento concebido por Pedro Nunes, com vista à determinação da latitude a qualquer hora do dia. São apresentadas muitas observações da declinação magnética, com as quais D. João de Castro demonstrou que, ao contrário do que defendiam certas teorias em voga na altura, as isogónicas (linhas de igual declinação magnética) não coincidiam com os meridianos. D. João de Castro escreveu também, enquanto se encontrava no Oriente, dois interessantíssimos textos: O Tratado da Sphaera por Perguntas e Respostas a Modo de Dialogo e Da Geographia por Modo de Dialogo. Estas duas
obras ao estilo de Platão, em que um mestre (M) responde às perguntas de um discípulo (D), encontravam-se desaparecidas. O Comandante Abel Fontoura da Costa descobriu uma cópia dos dois textos, na Biblioteca Nacional de Madrid, que publicou em Lisboa, em 1940. Segue-se um excerto da Geographia onde o mestre discute com o discípulo os conceitos de Geografia, Corografia, Topografia e Cosmografia: D – Desejo de saber que cousa he a verdadeira Geographia em poucas palauras? M – Ha de ser essa descripsão do globo da terra, de maneira que se ponhão nelle todas as partes principais do mundo sem descer a muitas miudezas. D – Pois que remedio auera ahi se quisermos ter um perfeito conhecimento das miudezas? M – Pera isso se enuentou apartarse cada Reyno ou Prouincia por sy, E tantas mais particularidades se notão quanto mais piquena parte de todo este globo se aparta, E por si apartada se descreue, a esta chamão chorografia, ou topographia, que quer dizer discripção da Região e discripção de lugar. D – He o mesmo Geographia, E Cosmographia, tem por uentura alguma differença, ou he tudo isto huma mesma cousa? M – Não he isso tudo a mesma cousa, porque Cosmographia quer dizer, representaçam de todo o mundo, que he não tão somente o globo do mar, E da terra, senão de todos os globos2; E de toda a Esphera Uniuersal.
Trata-se das oito esferas do modelo cosmológico Aristotélico-Ptolomaico.
©Foto Sérgio Garcia (326/1985)
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ANTIGO ALUNO USA A BARRETINA
NOTA DA REDACÇÃO João Manuel Martins Casaca (458/1960), Bacharel em Matemática (FCUL), Licenciado em Engenharia Geográfica (FCUL) e Doutor em Engenharia Civil (FEUP), Investigador-coordenador do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), Responsável pelo Núcleo de Geodesia Aplicada (NGA) do Departamento de Barragens de Betão do LNEC (1985/2015), Professor Catedrático Convidado do Departamento de Engenharia Civil, desenvolvendo a sua actividade, de entre outras, em áreas de investigação cientifica na Geodesia Aplicada, Inferência Estatística, na Monitorização de deslocamentos de grandes obras de engenharia (barragens, pontes etc.), inicia neste número da ZacatraZ uma colaboração com a cedência de textos versando os mais diversos temas e que pela sua curiosidade e passatempo foi escrevendo e guardando ao longo do tempo. Agradecemos ao nosso Camarada João Casaca a sua pronta disponibilidade e o valioso contributo que irá melhorar a nossa Revista, dotando-a de conteúdos diversificados e tornando-a mais atraente.
Convento e Hospital de Nossa Senhora da Luz da Ordem de Cristo
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Convento e Hospital de Nossa Senhora da Luz da Ordem de Cristo
Figura 1 - Capa da obra de Frei Roque do Soberal, Prior do Convento da Luz no início do século XVII, que nos relata e transmite importantes dados sobre a história deste conjunto monástico.
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á 203 anos o Colégio Militar rumou até ao sítio da Luz, onde se mantém até hoje. No entanto, mal saberiam os “Meninos da Luz” que iriam residir e estudar numa anterior casa da Ordem de Cristo, que terá cessado o seu funcionamento ainda antes do processo de extinção das Ordens Religiosas e Militares a partir de 1834. Durante 269 anos, a Ordem de Cristo permaneceu no sítio da Luz tendo à sua total administração o antigo convento (actual Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar e Lar das Antigas Alunas do Instituto de
Odivelas) e igreja da Luz (actual Paróquia de São Lourenço de Carnide) e o antigo hospital (actual Colégio Militar). O início do culto a Nossa Senhora da Luz que terá dado lugar ao topónimo “Sítio da Luz”, data de meados do século XV e fica marcado pelo momento de construção de uma ermida por Pedro Martins, um local de Carnide, que tendo ficado cativo em Argel terá rezado a Nossa Senhora para que o libertasse. Conta a lenda que a Virgem lhe terá aparecido e dito que o libertaria, mas deveria regressar a Carnide onde encontraria uma imagem sua junto a uma fonte onde há uns tempos apareciam luzes e que por cima da mesma fonte deveria erguer uma ermida a Nossa Senhora da Luz. Esta ermida foi inaugurada a 8 de Setembro de 1464 e poucos anos depois já era local de romagem de peregrinos e devotos locais e de todo o país bem como muitos navegantes, que aqui se deslocavam para pedir protecção nas suas viagens marítimas. Na mesma altura foi criada a confraria da mesma evocação à qual terá pertencido D. Afonso V e durante vários anos, outros reis e infantes. Assim se foi construindo e aumentando a devoção a Nossa Senhora da Luz durante cerca de um século, até que em 1545 D. João III terá doado a ermida à Ordem de Cristo, que pertencia até ao momento ao Mosteiro de Ceiça da Ordem de Cister, solicitando ao Papa autorização para a construção de um novo convento. A nova presença da Ordem de Cristo na Luz insere-se num período de grandes transformações na religiosidade nacional e europeia. As
reformas católicas do Concílio de Trento bem como a sua fervorosa aplicação por parte de D. João III, marcam e transformam profundamente o carácter duplo, religioso e militar, da Ordem de Cristo. Vem a sofrer a extinção do seu braço militar ficando os freires religiosos obrigados a clausura nos seus conventos, numa obstinada reforma encabeçada por Frei António de Lisboa (Ordem de São Jerónimo), a mando do rei. É neste período que são executadas grandes transformações e ampliações no Convento de Cristo em Tomar e são construídas, pela primeira vez, duas novas casas da Ordem de Cristo: o convento de Nossa Senhora da Conceição ou colégio de Coimbra e o convento e hospital de Nossa Senhora da Luz em Lisboa (Carnide). O grande projecto da casa religiosa e hospitalar da Luz é erguido a partir de 1575, quando se iniciou a construção da igreja de Nossa Se-
Figura 2 - “São Bento a dar a regra aos religiosos”, retábulo presente na Igreja de Nª Srª da Luz. Podemos observar os freires da Ordem de Cristo em cima à esquerda e a Infanta D. Maria em baixo à direita. Presume-se que à sua frente esteja representado D. Manuel, seu pai.
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Convento e Hospital de Nossa Senhora da Luz da Ordem de Cristo
Figura 3 - “Feira da Luz”, desenho de Luís Gonzaga Pereira perto do ano de 1830. É possível observar nesta gravura o edifício do convento em frente, do hospital à esquerda e o espaço de terreiro onde se encontra representada a Feira da Luz. Cópia do original presente na colecção do Museu de Lisboa.
nhora da Luz em lugar da primitiva ermida que hoje já não podemos observar, salvo poucos vestígios da mesma que permanecem no acesso à fonte por baixo do altar-mor da igreja. A forte romagem de peregrinos à Luz aumentou e o seu trajecto culminava no terreiro (actual Jardim Teixeira Rebello) onde todos os anos no início de Setembro se realizava a grande feira agrícola, coincidente com a festa litúrgica a Nossa Senhora da Luz. Dirigindo-se ao local a partir das estradas que vinham de Lisboa, Benfica, Sintra e Lumiar os peregrinos passaram a encontrar um local onde eram acolhidos e onde lhes era permitida a cura do corpo (hospital) e da alma (igreja e convento). Esta abordagem “cenográfica” de acolhimento era explanada pela forma como os edifícios, embora separados entre si, encerravam e “abraçavam” o terreiro dos peregrinos ao mesmo tempo que manifestavam e materializavam uma nova abordagem estética com a experimentação dos recentes modelos e tratados renascentistas e maneiristas provenientes da Europa e que aqui seriam aplicados pelos arquitectos, pintores, escultores e variados artesãos de forma deliberada, consciente e conhecedora da recente tratadística. A Ordem de Cristo, total gestora espiritual e temporal do convento e hospital viria a ser homenageada pela intervenção régia da Infanta D. Maria, filha de D. Manuel e de D. Leonor. Considerada grande intelectual
e uma das mais ricas infantas da Europa e grande entusiasta e devota de Nossa Senhora da Luz, tornou-se a grande mecenas deste núcleo. Escolheu, idealizou e concebeu a Igreja da Luz para seu mausoléu e assegurou em testamento a construção do hospital para pobres e peregrinos bem como a total administração deste “santuário mariano” por parte da Ordem de Cristo. Os edifícios foram sendo construídos ao longo de várias décadas e atravessando vários reinados. O hospital foi inaugurado em 1618, a Igreja da Luz acabada em 1626 e o convento manter-se-ia em obras durante largos anos, não tendo muito provavelmente sido totalmente acabado até ao terramoto de 1755 que provocou uma grande destruição em todo o conjunto. A partir deste momento a Luz acabou por ver diminuído o seu fulgor religioso e de peregrinação. O convento viria a ser extinto entre 1792 e 1795 e só o hospital se terá mantido em funcionamento durante mais alguns anos, até à chegada do Colégio Militar em 1814 que se instalaria nos dois edifícios. No século XV o sítio da Luz não existia. À excepção da zona habitacional de Carnide, o restante território era preenchido por áreas de mata e campos agrícolas com pontuais quintas de veraneio de famílias nobres. A partir do século XVI e durante cerca de 400 anos a Luz adquire uma maior envergadura com novas casas re-
ligiosas, (Carmelitas Descalços e mais tarde Franciscanos) culminando no século XX numa esmagadora construção habitacional em seu redor, que felizmente não dilacerou por completo o núcleo original. Os antigos convento e hospital permanecem, mesmo que decepados em parte pelo terramoto. Da mesma forma e pelas mesmas vias se acede hoje ao espaço de antigo terreiro e se mantém a festa litúrgica a Nossa Senhora da Luz com a realização da feira no mês de Setembro. Continuamos a observar e a sermos “observados” pelos dois edifícios, no largo vivido pelos peregrinos e posteriormente pelos alunos do Colégio Militar onde, até há alguns anos, se realizavam algumas das principais cerimónias do Colégio. Será curioso reflectir que a Casa da Luz da Ordem de Cristo, uma ordem religiosa e militar, poderia ter sido eventualmente entregue a qualquer outra instituição com função distinta. No entanto, a presença do Colégio Militar acabaria por vir a retomar um princípio próximo do seu original, principalmente no que toca à vertente militar que a Ordem de Cristo viu extinta e que se retoma de alguma forma no projecto educativo do Colégio. Reflectir igualmente, que em grande parte das civilizações a ideia de Luz está muito associada à sabedoria, à vida, à iniciação, à iluminação e que embora a palavra nos remeta aqui à sua evocação a Nossa Senhora da Luz e ao topónimo consequente, os Meninos da Luz são, no conceito idealístico e espiritual, os “Meninos da Sabedoria”. No Brasão de Armas do Colégio Militar estão representados muitos dos princípios e elementos que geraram o advento do sítio da Luz onde a presença da Ordem de Cristo não deverá ser considerada acidental. Será importante relembrar e não esquecer o seu papel e relevância, ainda com a sua antecessora Ordem do Templo, na fundação da nação e extensão da cultura e identidade portuguesa aquém e além mar.
Marta Pais Vaz Pereira S. de Ataíde
marta_pais@hotmail.com Arquitecta e Mestre em Recuperação do Património Arquitectónico e Paisagístico. Autora do livro “Convento e Hospital de Nª Srª da Luz da Ordem de Cristo”, com o apoio da AAACM.
Histórias e Memórias
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Histórias e Memórias Iniciamos neste número uma rubrica que se destina a enquadrar diversos contributos relatando “Histórias e Memórias” de acontecimentos, situações, vivências, ou quaisquer outras ocorrências que possam ser divulgadas e apreciadas pelos leitores da ZacatraZ, ficando registados para memória futura diferentes “tempos do Colégio e seus Alunos e tempos vividos no percurso de vida de Antigos Alunos”. Também nesta rubrica cabem textos de outra natureza, relacionados com temas de interesse cultural ou histórico, não tendo forçosamente de estar integrados no âmbito colegial. “Histórias e Memórias” é o nome do livro de autoria de José Alberto da Costa Matos (96/1950), livro dedicado ao seu Curso (1950/1957) quando se comemorou o cinquentenário da saída em 2007. Este livro é não só a história do Curso durante os 7 anos de permanência no Colégio, mas também
um valioso documento para, mais tarde, passados largos anos, os vindouros poderem ter uma noção da nossa vida colegial. Este título “Histórias e Memórias” era, em nosso entender, o que melhor enquadrava o espírito e a finalidade do propósito que nos moveu quando fizemos um apelo para que a Família Colegial nos fizesse chegar as suas “Histórias e Memórias”, o que aconteceu agora, ainda em “marcha lenta”. Esperamos que a inércia do arranque seja de pouca dura e que, em breve, tudo esteja em “velocidade de cruzeiro”. Contactado o nosso Camarada Costa Matos (o 96) no sentido de nos autorizar o uso do título, a sua resposta foi pronta e objectiva: “podes utilizar para o Colégio, Associação e “ZacatraZ” tudo o que seja da minha autoria”.
Tem sido sempre assim nas inúmeras vezes que, em nome da ZacatraZ, me socorro dos importantes conhecimentos do José Alberto da Costa Matos, que sempre me facultou o vasto arquivo que reuniu ao longo de muitos anos de intenso trabalho e pesquisa aturada. Aqui fica registada a valiosa, sempre pronta e prestimosa colaboração, permanentemente concedida por este nosso Camarada, cujo mérito não necessita de ser propagado por se impor por si mesmo, na sua vivência e actuação em prol do Colégio e de tudo que com ele se relaciona. Obrigado Zé Alberto pela tua, mais uma vez, grande disponibilidade e franco apoio. Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949
Guidage - Quem diria
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m 1973 a povoação de Guidage perto da fronteira norte da Guiné, esteve cercada por elementos do PAIGC durante várias semanas e debaixo de bombardeamentos quase permanentes que provocaram pesadas baixas. Ao que me recordo, a guarnição de GUIDAGE, era constituída por uma Companhia de Caçadores, uma Companhia de Caçadores Africana e ainda um Destacamento de Fuzileiros para ali enviado como reforço após os primeiros ataques, tal como o Comandante destas forças – o Tenente Coronel de Cavalaria António Valadares Correia de Campos (267/1929). No início de Maio desse ano, uma coluna de reforço tentou romper o cerco, mas não o conseguiu pois foi atacada de tal forma no itinerário de acesso que
sofreu grandes perdas, quer em pessoal quer em material. Em Abril tinham aparecido os primeiros mísseis terra-ar, que provocaram baixas na nossa Força Aérea (num só dia foram abatidos três meios aéreos na área de Guidage) e que obrigaram à restrição dos voos para aquela localidade. Dado o isolamento em que se encontravam e a pressão a que estavam a ser submetidas, o moral das tropas não podia ser elevado, apesar de terem como Comandante, um militar de rija têmpera, de grande coragem e determinação e já com provas dadas noutros locais da Guiné. Chegou mesmo a haver uma tentativa de abandono de GUIDAGE da Companhia Africana, mas a rápida e decidida reacção do Comandante Tenente Coronel Correia de Campos e do Destacamento de Fuzileiros, não o permitiu.
O General António Sebastião Ribeiro de Spínola (33/1920) com o Ajudante de Campo Capitão de Cavalaria Carlos Domingos de Oliveira Ayala Botto (32/1951) e o Tenente-Coronel de Cavalaria António Valadares Correia de Campos (267/1929).
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Histórias e Memórias
No dia 12 de Maio de 1973 no final do briefing diário no Comando Chefe das Forças Armadas da Guiné, e já apenas com a presença de um grupo muito restrito de Oficiais, o então General António de Spínola (33/1920) comunicou que no dia seguinte de manhã iria a GUIDAGE! Ao anunciar a sua deslocação àquela povoação, o General Comandante Chefe dava mais um exemplo das suas excelentes qualidades de chefe militar. De imediato, foi ali planeado todo o movimento a efectuar, ficando decidido que a deslocação seria feita de Dornier até FARIM e, a partir dali, de helicóptero até GUIDAGE. O Coronel Moura Pinto, Comandante da Zona Aérea da Guiné, declarou desde logo que seria ele a pilotar o heli. No dia seguinte de manhã, tudo se processou normalmente até FARIM. Aí chegados, o Coronel Moura Pinto deu as suas instruções para o voo que, entre outras que não me recordo, foram as seguintes: - ao contrário do que era hábito, o Ajudante de Campo do General Comandante Chefe, que na altura era eu, não iria no banco traseiro, mas sim à frente do lado esquerdo, para observar a mata e comunicar ao piloto qualquer anormalidade. - o General iria à frente, mas no meio.
- em GUIDAGE o heli só poderia estar parado, no máximo 15 minutos. Para além deste tempo, haveria grandes possibilidades de ser atingido pelo fogo inimigo. A deslocação para GUIDAGE foi feita em voo muito baixo, a rasar as árvores e com constantes mudanças de direcção. À chegada, a primeira imagem que surgiu, foi a de uma povoação abandonada e apenas se viu um militar que se dirigia para o heli em passo calmo e descontraído, como se estivesse a passear na baixa de Lisboa - era o Tenente Coronel Correia de Campos. Ao aterrarmos, o Coronel Moura Pinto voltou a chamar a atenção para o tempo disponível, ficando eu encarregado de comunicar ao General Spínola quando passassem 10 minutos. Após uma rápida descrição da situação militar, o General Spínola reuniu-se com todos os militares da guarnição, tendo feito uma vibrante alocução sobre a determinação, o patriotismo e o espírito de sacrifício do soldado português, ao mesmo tempo que apelidava de cobardes e medrosos todos aqueles que tinham tentado fugir às suas responsabilidades. E foi curioso ver como, após aquele pequeno discurso, um grupo de militares tristes e com o moral em baixo, se transformou rapidamente (nomeadamente os militares da Companhia Africana).
Quinze minutos exactos após a chegada, o General Spínola despediu-se do Comandante tendo mais uma vez salientado o seu excelente espírito de missão. Quanto aos militares, a presença entre eles do Comandante Chefe em momento tão difícil foi o suficiente para voltarem a ter esperança e ânimo para cumprirem a difícil missão que lhes competia. E assim aconteceu. Ao chegar ao Palácio do Governador em Bissau após mais esta arrojada deslocação, o General Spínola (que não era nada destas coisas) perguntou-me: “Tudo correu bem. Você já reparou que dia é hoje?” Já sim, meu General: É DIA 13 DE MAIO!
generis” que consistia em obrigar a malta a rezar as declinações em voz alta. À voz de “rosa, rosae” ou de “dominus, domini” irrompia um forte coro, do nominativo ao dativo, primeiro no singular e depois no plural. O barulho prestava-se a que o pessoal das carteiras do fundo, nas quais o 266 tinha assento, percebendo que o singular genericamente soava mais agudo que o plural, que incorpora genitivos retumbantes como “rosarum” ou “dominorum”, em vez da declinação propriamente dita, simplificasse e à ordem de “Singular” dissesse “Timbalalim Balalim” e à ordem de plural descesse o timbre para “Tão Balalão Balalão”. O sistema, segundo me foi garantido, funcionava mas, a meu ver estupidamente, foi riscado das
práticas pedagógicas. Já não funcionava no meu tempo com o “Menau”. Gostei da história e perguntei ao 266, reconheço hoje que a despropósito, se ele tinha aprendido alguma coisa de Latim. Respondeu-me de imediato que sim. O “Timbalalim Balalim”, “Tão Balalão Balalão” tinha sido suficiente para resolver todos os problemas de Latim que se lhe depararam ao longo da vida. E não julguem os leitores que estou a falar de um ignorante. Foi Professor de Matemáticas Gerais, publicou Livros de referência sobre as batalhas de Aljubarrota e de Ourique, foi um General distinto. Era meu Pai.
Carlos Domingos de Oliveira Ayala Botto 32/1951
NOTAS 1- Admito algumas falhas na descrição feita, dado o muito tempo entretanto decorrido. 2- Poucos dias depois, o Batalhão de Comandos da Guiné sob o Comando do Major João Almeida Bruno (230/1945) e do qual fazia parte o Capitão Raúl Miguel Socorro Folques (380/1952) lançou uma violenta e destemida operação de limpeza na zona e a situação ficou estabilizada. 3- De salientar que estes dois Oficiais foram posteriormente condecorados com a mais elevada condecoração Portuguesa: a Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor Lealdade e Mérito, com Palma.
Rosa, Rosae
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história foi-me contada pelo 266 de 1925 e passou-se no Colégio do seu tempo. Havia um velho Capitão que tentava, presumo que sem sucesso como à frente se verá, iniciar os alunos no Latim. Tinha estado na 1ª Grande Guerra e afirmava que tinha passado tanto frio que um dia se depositara no seu bigode uma fina camada de gelo. A turma não reagiu à narrativa e ele continuou: “Esta na verdade tem graça; podem rir”. Este prolongamento inesperado fez efeito e desencadeou uma sessão de riso forçado, mas ruidoso, que obrigou a uma ordem firme de “Alto” que foi cumprida de imediato. Além do apurado humor que o episódio revela, o nosso Capitão tinha uma técnica pedagógica “sui
Luiz Miguel da Costa Alcide d´Oliveira 163/1952
Histórias e Memórias
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Ilustração Portuguesa de 24Abr1916
A
Antiga Aluna de Odivelas Laura Maria de Sousa Santos (150/1967), teve a amabilidade de nos fazer chegar um interessantíssimo recorte da Ilustração Portuguesa de 24 de Abril de 1916, referindo “uma festa imponente”, com a presença do Ministro da Guerra, como acto solene da “reentrada de três alunos expulsos por faltas disciplinares”. Aqui fica o agradecimento, à Prezada Antiga Aluna de Odivelas, pela simpática iniciativa que nos fez conhecer situações de outros tempos.
Ao lê-las, o seu teor faz-nos aflorar um sorriso de boa disposição. A transcrição “ipsis verbis”, para melhor serem lidas as legendas, tem algumas curiosidades pela forma ortográfica das palavras e pelo conteúdo.
A festa constou de exercícios de infantaria e cavalaria, de tiro, ginástica e esgrima, mostrando todos os alunos rara energia e vivacidade em todos eles. Antes foi lida uma alocução de boa vinda ao sr. Norton de Matos, que, comovido, a agradeceu.”
“Colégio Militar – Para solenisar a reentrada de três alunos expulsos por faltas disciplinares do Colégio Militar, realisou-se ali uma festa imponente a que assistiu o sr. Norton de Matos, ministro da guerra, que foi muito ovacionado pelo seu ato generoso.
“O ministro da guerra, sr. Norton de Matos, tendo á direita o director do Colégio Militar Os alunos de cavalaria nos exercícios de lança” (Clichés Benoliel)
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A Infia do meu tempo
Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
A Infia do meu tempo
Treino para o 3 de Março (desenho do autor quando dos seus primeiros anos no Colégio)
Q
uando entrei para o 3º ano do Colégio, vindo da «civilaria», deparei-me com uma série de actividades que me eram desconhecidas, sendo uma delas a Instrução Militar, a qual ocorria para o 3º ano, uma vez por semana, se bem me lembro à quinta-feira depois do almoço, havendo duas horas seguidas de instrução. No vocabulário colegial havia uma designação própria para esta instrução, que era a «Infia», abreviatura de Infantaria. A malta gostava da «Infia», não só porque o responsável pela «cadeira», o Capitão Nuno Cordeiro Simões (42/1935), era um gajo porreiro (mas exigente), mas também porque era uma instrução ao ar livre, facto muito importante para a malta, cuja vida era passada en-
tre aulas, estudos, gerais e camarata, estando muito pouco tempo com a cara exposta ao sol e à brisa suave dos campos (naquele tempo o Colégio era rodeado de quintas). O «catedrático» da «Infia», o Capitão Simões, tinha um adjunto, que na altura era o Tenente Nuno Vilares Cepeda (310/1941), que pouco aqueceu o lugar, por ter sido promovido a capitão, vindo a ser nosso Comandante de Companhia quando passámos para o 4º ano. Ao tenente Cepeda sucedeu um jovem alferes, de apelido Sousa Afonso, saído do tirocínio na Escola Prática de Infantaria (que Deus tem) ainda tenrinho, que passou imediatamente a ser o «Afonsinho». Lembro-me de um dia, no final da instrução, o nosso chefe de
turma, o «Selvagem» (56/1954), ordenar em frente marche e a turma arrancar sem fazer batimento, por nesse dia ter falecido um Antigo Aluno. O «Afonsinho» pensou que estávamos a gozar com ele e foi necessário o «Selvagem» explicar-lhe aquela prática colegial. Mais tarde, o «Afonsinho» foi substituído por um tenente gabarolas ou fanfarrão, como queiram, com um valente arcaboiço, que gostava de se vangloriar dos seus feitos. Se bem me recordo, o seu apelido era Reis, mas foi logo designado por «Arranca Pinheiros», tendo em conta os feitos de que se gabava. Era um castiço. Ao «Arranca Pinheiros» sucedeu um outro tenente, esse sim tendo Pinheiro como nome. Era o Antigo Aluno Mário Arada de Almeida Pinheiro (164/1943). Encontrei-o há tempos no Colégio e, para minha surpresa, ele ainda se lembrava de mim. Para a malta dos primeiros anos, a «Infia» consistia basicamente em ordem unida e manejo de arma, ou seja, era a instrução típica de recrutas, organizando-se também uns jogos para amenizar a função. Algumas vezes faziamse umas marchas, de arma ao ombro, saindose do Colégio para o Largo da Luz e a partir daí percorríamos as azinhagas existentes na altura naquela zona. Estas marchas implicavam a vinda de dois soldados tambores da Formação, que seguiam à cabeça da formatura, marcando a cadência da marcha com os seus tambores. Não eram uns tamborzitos como agora usam as bandas militares, eram uns verdadeiros tam-
A Infia do meu tempo
bores. Embora de menores dimensões do que as das caixas de guerra, o seu rufar ouvia-se à distância e anunciava de muito longe a nossa presença. Numa dessas marchas, feita pela Azinhaga de Telheiras, ao aproximarmo-nos da igreja de Telheiras, sai de lá uma senhora de idade, toda vestida de preto, que veio pedir que se interrompesse o rufar dos tambores, por se estar a velar um morto na igreja. O pedido da senhora foi imediatamente atendido, ficando a mesma muito agradecida. Quando havia marchas, o melhor que nos podia acontecer era a marcha ir pela Azinhaga de Telheiras até ao Campo Grande. A azinhaga terminava no topo Norte do Campo Grande, praticamente no local onde agora se situa o restaurante «A Churrasqueira». Aí chegados, ensarilhávamos as armas e tínhamos cerca de meia hora para fazermos o que nos desse na real gana. A maior parte da malta não hesitava um momento e saía disparada para o lago, onde já nesse tempo se alugavam uns barquinhos a remos. Reuníamo-nos em grupo de quatro, juntávamos os poucos tostões de que dispúnhamos, e alugávamos os barquinhos. O homem dos barcos pensava que lhe tinha saído a sorte grande, pondo toda a sua frota na água, esfregando as mãos de contente. O seu júbilo era de pouca dura. A malta remava com toda a energia, sulcávamos o lago em todas as direcções e num ápice começavam umas ferozas batalhas navais, opondo-se os barquitos entre si, com o pessoal atirando, com os remos, chapadas de água uns para os outros. No calor da refrega valia tudo, os barcos abalroavam-se entre si e o seu proprietário, vendo em risco a integridade da frota, arrependido de ter alugado os barcos àqueles energúmenos, berrava da margem, para pôr cobro à contenda. Não tinha qualquer êxito, a batalha naval só terminava quando o tempo de aluguer dos barcos se esgotava, arribando ao cais de embarque, alguns de nós completamente encharcados. Neste mísero estado nos apresentávamos para marchar de regresso ao Colégio. Quem nos via passar marchando naqueles preparos, devia ficar a interrogar-se «O que é que obrigam estes miúdos a fazer, para eles ficarem neste estado?» É por isso que se diz, que às vezes «as aparências iludem».
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Lago do Campo Grande nos anos cinquenta do Século passado
Quando não saíamos em marchas, a instrução passava-se normalmente no pátio da «Infia», hoje desaparecido. A entrada no pátio da «Infia» dava-se por um portão existente ao fundo do Jardim dos Fâmulos, inserido dentro de um portal encimado por um arco de pedra, que ainda hoje se mantem, como memória daqueles tempos. Quando eramos mais pequenos, o pátio da «Infia» parecianos grande. Quando vemos hoje fotografias do mesmo, como a que apresentamos neste artigo, ficamos espantados ao pensar que em dias de festa era lá que formava todo o Batalhão, antes de marchar para os Claustros. As Companhias vinham dos seus gerais formadas e em farda de gala, entravam na Sala de Armas (essa ainda hoje no mesmo lugar), de onde retiravam dos armeiros as espingardas, «canhotas» na gíria colegial, com os respectivos sabres-baioneta, saindo para o pátio da «Infia» já armadas. Locais de instrução dentro do Colégio, alternativos ao pátio da «Infia», eram os próprios Claustros, os campos de jogos, que nesse tempo eram todos em terra batida, e quando se inaugurou o Colégio Novo, a respectiva parada, que há uns anos atrás, em boa hora, recebeu a designação de Parada Serpa Pinto, o nosso grande sertanejo que, quando frequentou o Co-
légio, foi o primeiro Aluno a receber a graduação de comandante do Batalhão Colegial. Até poucos anos antes da minha entrada no Colégio, havia um outro local alternativo de instrução, que era a carreira de tiro, que foi demolida para dar lugar ao arruamento de acesso ao ginásio, hoje designado Ginásio Professor Dario Fernandes, em homenagem a essa figura, já desaparecida, de excepcional servidor do Colégio, que tivemos o privilégio de ter como Sócio Honorário da nossa Associação. Para conhecimento dos Antigos Alunos mais novos, apresentamos também uma fotografia da carreira de tiro, há muito desaparecida. Quando deixou de haver carreira de tiro, deixou praticamente de haver instrução de tiro no Colégio. Que eu me lembre, no meu tempo só se fez tiro, raramente, no pátio da «Infia», com as armas mais pequenas, com que armavam a 1ª e 2ª Companhias, e fez-se tiro com espingardas de pressão de ar, para treino dos que iam competir nos campeonatos da Mocidade Portuguesa. Não me recordo de ter feito tiro com as Mauser, embora aprendêssemos a desmontá-las e montá-las, o que fazíamos com alguma desenvoltura. Um dos pontos altos da «Infia» eram os treinos para os desfiles do 3 de Março. As horas de recreio iam à vida, sendo substituídas por
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A Infia do meu tempo
Pátio da INFIA de que apenas resta o arco de pedra do portão da entrada, vendo-se ao fundo o telhado da Camarata da 1ª nos anos quarenta/cinquenta
Antiga Carreira de Tiro
paradas e marchas de todo o Batalhão, que se realizavam muitas vezes nas cercanias do Colégio, por exemplo no Largo da Luz, ou no estradão que então existia de acesso ao antigo estádio da Luz, a partir da Estrada da Luz, ou em lugares mais afastados, por exemplo, nos arruamentos circundantes do Campo Grande. Nesses dias a actividade era frenética, com todos a querer que corresse tudo bem. Os graduados tinham sempre como desígnio que o desfile fosse melhor do que o do ano anterior e os comandantes de pelotão e de companhia queriam sempre que as suas unidades fossem também as melhores. O resultado de toda essa ânsia de superação era uma berraria pegada, com que os pobres comandados eram massacrados. Os berros de «cobre pela frente», «alinha pela direita», «levanta o braço à altura do ombro» e outros quejandos, caíam qual torrente sobre as nossas cabeças, deixando-nos mais ou menos desnorteados, sem sabermos como cumprir instruções tão diversas em simultâneo. Para ilustrar o que era esse desvario, apresento um boneco, que fiz nos meus tempos colegiais, com um pelotão a ser atazanado por dois graduados. Depois de meia dúzia de treinos nestes moldes, lá chegava o grande dia do 3 de Março, em que tínhamos os corneteiros já todos fardados a rigor, de botas engraxadas e amarelos a rebrilharem como espelhos, a tocarem a alvorada dentro dos gerais das companhias. Deviam-se levantar a meio da noite para que isso fosse possível, mas era assim a tropa naquele tempo e ninguém estranhava. Tomado o pequeno-almoço a correr, seguíamos de autocarro da Carris para o Marquês do Pombal e depois era o desfile, em que íamos, incitados pelos gritos e os aplausos, como que a levitar, Avenida abaixo, chegando no final ao Rossio, a rebentar de orgulho e satisfação e todos a pensar o mesmo, «A minha Companhia foi a melhor». Outro aspecto da «Infia» que a malta gostava, era quando aquilo metia acampamento, que vinha sempre acompanhado de umas provas de patrulhas. Os acampamentos eram breves, uma ou duas noites, mas já davam para gozar. Recebíamos as armas, os capacetes, as
A Infia do meu tempo
cartucheiras, o cantil, um bornal com um pano de tenda para cada um, levávamos também um cobertor e estávamos prontos para ser transportados numa velha camionete da tropa, para onde houvesse um campo com aptidões adequadas às manobras militares que o «catedrático» da cadeira tivesse congeminado. Lembro-me de dois acampamentos, um feito na zona de Sintra, perto da cadeia do Linhó, e outro feito para os lados do Azeitão. No primeiro acampamento, no meu 5º ano, tivemos de montar postos de sentinela durante a noite, o que deu para várias facécias. Uma delas consistia em dar os gritos de «sentinela alerta» e «alerta está», durante a noite toda, bem em cima da tenda dos oficiais, para que estes não pregassem olho. Outra consistia em atacar um tipo do curso, que era um bocado mais medroso, durante o seu turno de sentinela. Aproximávamo-nos dele, na escuridão da noite, rastejando, e quando ele assustado começava aos berros «quem vem lá faça alto», caíamos em cima dele, abafávamo-lo com um capote, ficando ele a espernear e a pedir socorro. Com estas e outras cenas pouco se dormiu durante a noite e na manhã seguinte, mal dormidos, lá tivemos de fazer uma prova de patrulhas, serra acima, a terminar no alto de uns penhascos. A primeira patrulha a chegar ao objectivo era chefiada pelo José Luis de Arriaga Pinto Basto (428/1955). Chegou antes dos oficiais, que iam controlar a prova, que pensaram que levaríamos mais tempo a trepar a serra. O 428 resolveu então ser ele a tomar nota das horas de chegada das várias patrulhas, o que lhe valeu ali mesmo um louvor pelo seu desenrascanço e honestidade. No segundo acampamento, no meu 6º ano, fomos, como disse, para os lados de Azeitão, onde montámos bivaque, para no dia seguinte treparmos pela serra da Arrábida acima, descendo depois para o outro lado, para a zona do Portinho da Arrábida. Na noite passada no bivaque, houve um grupo, no qual me incluí, que resolveu fazer uma sessão de fados, com o acompanhamento à guitarra pelo saudoso João António de Sousa Dias de Almeida (344/1953), o «Banana», que mais tarde se notabilizou, como rabejador no Grupo de
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Camião em andamento, salto para a rectaguarda
Forcados Amadores de Santarém. Terminada a sessão de fados, resolvemos pregar uma partida à malta de uma tenda montada ali perto, arrancando as espias, o que levou à sua derrocada sobre os respectivos ocupantes. Não nos tínhamos apercebido que um dos ocupantes da tenda era um graduado, o «Jaquêsinho», que era uma besta de força, normalmente um tipo pacífico, mas temível quando se passava da cabeça, desatando a distribuir porrada à sua volta. O «Jaquêsinho» saiu debaixo dos panos da tenda, que nem um touro a sair dos curros, deitou a mão a uma das Mauser que estava junto à tenda, agarrou-a com ambas as mãos pelo cano, como se fosse uma clava, e deu uma pranchada com a coronha nas costas do desgraçado que estava mais perto dele, com tal força, que pensámos que lhe poderia ter partido a coluna. Ainda hoje não percebo como não ocorreu ali uma tragédia. O infortunado alvo da fúria do «Jaquêsinho» não ficou marcado para a vida por pouco, mas desatou aos gritos e aos saltos que nem uma corça. Valeu-lhe ter uns costados bem rijos. No dia a seguir a este incidente quase desastroso, lá fomos para a prova de patrulhas, que
tinha como objectivo calcorrear o vale que se estende de Azeitão até ao sopé da Serra da Arrábida, trepar serra acima até ao seu cume e descer pela encosta oposta até uma praia para os lados do Portinho da Arrábida. A minha patrulha não ia disposta a ganhar nenhum prémio, íamos para levar aquilo na desportiva. Com este estado de espírito, metemo-nos calmamente ao caminho, descendo o vale em direcção ao sopé da serra. Era um percurso que não dava para enganar, pois fazia-se percorrendo uma estrada em macadame que lá existia na altura. Não exigia peritos em bússolas e azimutes. Quando íamos mais ou menos a meio deste percurso, alcançámos uma carrocita vazia, puxada por um burro, tendo como condutor uma velhota, que ficou admirada e curiosa ao ver ali aquele pessoal em preparos bélicos. Cumprimentada a velhota, que nos respondeu amistosamente, veio-nos logo uma ideia à cabeça «Que tal pedirmos à velhota, para pormos o equipamento de guerra dentro da carroça, seguindo-se depois atrás dela, de mãos nos bolsos, a assobiar?» A ideia pareceu-nos excelente, pelo que entabulámos conversações com ela, naquilo que hoje se
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A Infia do meu tempo
Salto do alto da cobertura da Tribuna para a lona
chama uma «operação de charme», no sentido de obtermos a sua anuência em relação aos nossos propósitos. Estávamos nós entretidos no meio deste delicado processo de negociação, quando pára ao nosso lado um Mercedes preto da tropa, em que vinha o Director, o «Lambadanas», que quis logo saber o que se passava e se estava tudo bem. Mais uns minutos e teríamos sido todos apanhados em flagrante delito, não com a boca na botija, mas sim com o equipamento na carroça. Safámonos de boa. Lá tranquilizámos o homem, garantindo-lhe que estava tudo bem e ele lá seguiu o seu caminho. Chegados ao sopé da serra, deixámos a estrada e tínhamos de decidir a forma de atacar a encosta que se empinava à nossa frente. Absortos neste processo de lucubrações tácticas, fomos ultrapassados
por duas patrulhas, que vinham a todo o gás e que nem tiveram qualquer hesitação, atirando-se a direito pelo mato acima, ao longo daquilo que parecia ser a linha de maior inclinação do terreno. Esta atitude decidida e demonstrativa de alto espírito competitivo, levou-nos a tomar de imediato uma decisão, «por ali é que nós não vamos». Decidimos fazer aquilo de mansinho, escolhemos o percurso mais longo, mas com o declive mais suave, mais consentâneo com a nossa disposição naquele dia. Lá fomos andando «doucement», como diria o nosso lendário ciclista Joaquim Agostinho, e acabámos por chegar ao alto da serra, pensávamos nós que atrasadinhos, mas sem grande esforço. Passado um bocado, constatámos, com espanto, que não estávamos atrasados de todo. Os bravos guerreiros que
nos ultrapassaram e que tinham investido a direito, de cabeça baixa, pela serra acima, tinham sido obrigados a retroceder, pois aquele percurso, dada a densidade do mato e a declividade extrema do terreno era praticamente intransponível. Conclusão, chegámos à praia, do outro lado da serra, perfeitamente a tempo e só faltou sermos elogiados pela nossa criteriosa escolha do percurso a tomar. Por pouco não ganhávamos um prémio. Assim se cometem injustiças! Para terminar o assunto patrulhas, recordo ainda uma última, feita durante o nosso curso de graduados (o segundo que se fez), na Feitoria. Foi à noite. Lá recebemos os capacetes e as «canhotas» e ali ficámos ao portão, à espera de uma camioneta que viria do Colégio e que nos iria largar lá para o interior, para trás do Sol posto. Estávamos nós nestes preparos, quando há um tipo do curso que teve uma excelente ideia, para matar o tempo. Avançou para a estrada marginal e logo ali se pôs de arma aperrada, a mandar parar os poucos carros que por ali então circulavam. Os condutores obedientemente paravam, ele lançava, pausadamente, um olhar inquisitivo para dentro dos carros e deixava-os depois seguir, após verificar que não havia nada de suspeito a assinalar. Como se tinha iniciado nesse ano a guerra em Angola, aqueles condutores lá ficariam a pensar «Até já estão a chamar os miúdos para a tropa». Não posso terminar este texto sem citar, aquilo que constituía anualmente as «provas públicas» da nossa aptidão na Instrução Militar. Estas «provas públicas» eram feitas no Colégio, no campo de futebol, nas festas de fim de ano lectivo, com as bancadas do campo de futebol cheias de «Papás e Mamãs» a assistirem às habilidades dos seus meninos. Nesses dias aquilo era mesmo sério, era mesmo «teso». Lembro-me até de um ano em que veio um Tenente de fora, daqueles que tinham feito os primeiros cursos de Caçadores Especiais, que depois deram origem aos Comandos, para nos ensinar alguns números mais espectaculares, para impressionar a selecta assistência. Já lembrei, há uns anos atrás, nas páginas desta
A Infia do meu tempo
revista, num artigo intitulado «Em homenagem ao Capitão Simões», o que foi a cena, passada no final do meu terceiro ano, em que o Manuel Lucena (405/1953) ficou com o fato de combate embebido em gasolina e em chamas e em que o Capitão Simões se atirou para cima dele, para abafar as chamas, acabando os dois hospitalizados no Hospital da Estrela (que Deus tem). Houve depois esquemas vários, que foram apresentados, incluindo aqueles em que a malta se atirava de uma camioneta em movimento, saindo a correr pela parte de trás, saltando para o espaço, fazendo uma «aterragem», seguida de cambalhota à retaguarda, no piso da pista de atletismo. Quando o condutor da camioneta se animava e acelerava mais, aquilo dava direito a uns estoiros valentes, com forte pancada com a nuca no chão, que deixava o pessoal meio anestesiado para o resto da sessão. Lembrome do meu ano de finalista, em que o pessoal do 6º ano fez um número espectacular. No alto da bancada, em degraus de cimento, do campo de futebol, foi montada uma tribuna de honra com uma cobertura em oleado. O ponto alto da sessão consistia em saltos do alto da cobertura da tribuna para uma lona circular, que era esticada cá em baixo, no local da caixa dos saltos em comprimento e à vara, por um conjunto de Alunos, que a deviam manter bem esticada, para o parceiro que vinha em voo lá do alto ter algumas hipóteses de sobrevivência. O voo fazia-se com um desnível de cerca de 8 metros de altura. Aquilo estava mesmo rijo. A reportagem dessa exibição saiu no número 112 da revista «O Colégio Militar», de Julho de 1962, com o texto que de seguida transcrevemos: «APLICAÇÃO MILITAR. Seguiram-se demonstrações de aplicação militar, executadas por alunos do 6º ano, que deram entrada no campo por três formas: marcha rolante por uma rampa, saltos de uma camioneta em marcha e saltos para uma lona. Várias demonstrações de luta individual puseram então à prova a perícia dos alunos nas várias fases que a assistência pôde presenciar: defesa contra pontapé e contra soco; defesa contra estrangulamento com projecção pelo
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Marcha final
quadril, pela cabeça ou pela retaguarda; defesa contra golpe de punhal, por cima e por baixo; desarmamento de pistola, pela frente e pela retaguarda e ataque a uma sentinela. Na transposição de obstáculos, fase não menos espectacular destas demonstrações, a classe transpôs fardos de palha a arder, cavaletes, paliçadas e redes baixas com fornilhos, cujos rebentamentos vivamente impressionaram a assistência, pelo ar de realidade conferido a esta demonstração. Orientou e acompanhou a classe o respectivo Instrutor Militar, Sr. Tenente Sousa Afonso.» Melhor do que o texto desta reportagem, falam as fotografias da sessão, que aqui reproduzimos. Aos intervenientes nessa demonstração, em particular aos bravos que vindos do espaço conseguiram acertar na lona esticada cá em
baixo, envio daqui este testemunho da minha admiração e do meu apreço, 55 anos volvidos sobre o acontecimento. Uma assistência dos dias de hoje que visse aquilo, diria que estávamos todos malucos.
As fotografias do Pátio da Infia e da Carreira de Tiro inseridas neste texto, foram cedidas por José Alberto da Costa Matos (96/1950) e constam do Volume II da obra de sua autoria intitulada “História do Colégio Militar”, editada em 2003, ano do Bicentenário da Fundação e as restantes foram obtidas de “O Colégio Militar”, nº 112, Julho de 1962.
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Era assim... FIM DE SEMANA, o começo de um ciclo
Martiniano Nunes Gonçalves 9/1958
Era assim...
FIM DE SEMANA, o começo de um ciclo
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ábado à tarde. Os 4 tempos de aulas da manhã já lá iam. No próprio dia, na formatura antes do almoço ou na véspera na do recolher, já tinha sigo garantida a logística durante o fim de semana para o Colégio: “sai e não janta”... O almoço já aviado, seguia-se a camarata. Fardar de pano, limpar os botões com as talas (ou “pedir” aos serventes que o fizessem com aquelas talas que limpavam logo dois ou três dólmens de uma vez), botas engraxadas, usar eventualmente o “pequeno equipamento” para alguns últimos retoques nos botões da camisa ou do dólmen, bigode e patilhas aparados, barrete na cabeça e luvas castanhas na mão, lá íamos apanhar as camionetas com destino ao Estádio Nacional. O Colégio jogava contra os Pupilos. Ganhávamos ou perdíamos; ganhávamos mais vezes do que perdíamos: os nossos heróis, para nós “Ratas”, corriam, marcavam golos e aplaudíamos: Eh malta, Eh malta, Eh malta, Vamos lá jogar com gana Pra ganhar a jogatana Zacatraz, Traz, Traz Colégio! Colégio! Colégio! E no fim,
São horas de embalar a trouxa Boa noite ó Tia Maria! Que a malta ganhava a taça Já toda a gente sabia! Colégio! Colégio! Colégio! Regressávamos às camionetas: algazarra, a excitação era muita, discutia-se se foi penálti, e a defesa fantástica que o nosso guarda-redes tinha feito. Às vezes havia uns empurrões, barretes voavam, murros e pontapés à mistura porque nem todos estavam de acordo com o penálti. O Carranço ou o Ramalho intervinham, a camioneta começava a andar e a malta - os Senhores Alunos - lá se ia acalmando. À chegada, seguia-se a passagem pelo gabinete do Oficial de Dia para os que saíam: era preciso ir buscar o cartão de identidade. O Sequeira observava se o cabelo estava cortado, os botões e as botas brilhavam. “Meu Tenente, dá licença que saia?” Os que ficavam desfardavam-se, iam jogar futebol ou praticar outros desportos; era a paz do fim de semana para os que não tinham cá família ou estavam “privados”. No domingo à noite tudo voltava ao normal. “Meu Tenente dá licença? Apresenta-se o aluno número 9 que regressa de casa. Está apresentado; põe aí o cartão.”
Voltávamos ao blusão e à calça de cotim. Esperávamos mais uma semana para tudo se repetir: era uma vida simples, a daqueles que hoje são, por alguns intelectuais ou pretensos psicólogos, considerados vítimas de alienação e de um Colégio fechado à Sociedade, ela também fechada; a estes falta-lhes perceber e conhecer o contexto, mas nada os impede de manterem as suas convicções. Às vezes, nos dias seguintes sobrava um cabelo à escovinha para alguns: os desentendimentos na camioneta tinham deixado marcas... Para a grande maioria, o balanço de vida daquela geração é positivo: éramos felizes e continuámos a sê-lo toda a vida: fizemos o Serviço Militar, muitos de nós fizeram a guerra, vivemos e participámos na transição para o regime democrático, o sentimento de Pátria ficou para sempre. E o de agradecimento ao Colégio também. Martiniano Gonçalves, um “alienado” feliz!
Esgrima - Categorias Sabre e Espada Campeonatos Nacionais de Juniores
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Esgrima Categorias Sabre e Espada Campeonatos Nacionais de Juniores
O Campeão Nacional no pódio
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o passado mês de Março, nos dias 18 e 19, decorreram no Fórum Municipal Luís de Camões, na Brandoa, os Campeonatos Nacionais de Juniores, nas categorias Sabre e Espada, que contou com a participação de atiradores do Colégio Militar (CM) e da Associação dos seus Antigos Alunos (AAACM). Na arma de Sabre destaque para o atirador Francisco José de Jesus Santana Cordeiro de Araújo (591/2007), da AAACM, que se sagrou Campeão Nacional de Sabre Masculino, e para Gonçalo Jorge Costa Alves (270/2008), medalha de bronze, atirador que também obteve a 3ª posição na prova de Espada. Por equipas, a AAACM obteve o Título de Cam-
Equipas vencedoras das diferentes provas
peão Nacional de Sabre com a equipa constituída por Rafael de Vasconcelos Gonçalves Onofre (261/2008), Gonçalo Jorge Costa Alves (270/2008) e Francisco José de Jesus Santana Cordeiro de Araújo (591/2007). Esta mesma equipa sagrou-se Vice-Campeã Nacional na prova de Espada Quanto à sala de armas do Colégio, destacam-se o titulo de Campeã Nacional de Espada Feminina conseguido por Catarina Setim Madeira (343/2015), e para a prova de equipas com os títulos de Campeão e de Vice-Campeão de Espada Feminina. As duas equipas do Colégio foram constituídas pelas seguintes atiradoras: Equipa CM1 (1º Lugar) Constança Pires Carapu-
ço (393/2013), Inês Setim Madeira (91/2015) e Catarina Setim Madeira (343/2015). Espada CM2 (2º Lugar) Lídia Calisto Anes Vicente (318/2013), Vitória Leite Jubilado de Jesus (350/2014), Marta Ferreira Vasco da Conceição Dias (622/2014) e Inês Filipa Ribeiro Estêvão (667/2014). Estão de parabéns o Colégio e a sua Sala de Armas, a Sala de Armas da Associação, todos os Participantes e muito especialmente os Campeões nas diferentes categorias, com os honrosos resultados obtidos nesta modalidade de fortes tradições colegiais e que tanto nos tem dignificado.
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Jornada Triunfal 1957 | A Visita de sua Majestade a Rainha Isabel II de Inglaterra
Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
Jornada Triunfal 1957
A Visita de sua Majestade a Rainha Isabel II de Inglaterra
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ão de todos nós conhecidos o garbo, o aprumo e a «panache» com que o Batalhão Colegial se apresenta em todas as paradas e desfiles em que é chamado a participar. O sucesso dessas apresentações, para todos aqueles que nelas são chamados a tomar parte, é uma questão de honra. As apresentações não podem ser boas ou muito boas, têm de ser excelentes e todos marcham como se aquela fosse a marcha da qual dependesse o resto das suas vidas. É essa a nossa forma de honrar a «farda cor de pinhão». Esta é a realidade que todos conhecemos. Foi assim desde a primeira apresentação pública do Batalhão Colegial, em 14 de Janeiro de 1882, em que o Colégio foi chamado a participar na parada realizada em honra dos Reis de Espanha. Foi a primeira vez que o Batalhão Colegial desfilou integrado nas forças militares da guarnição de Lisboa. A extraordinária impressão causada pelo desfile do Batalhão, mereceu ao grande escritor Ramalho Ortigão uma das mais belas crónicas das suas «Farpas», que se encontra reproduzida no museu do Colégio. Na Ordem de Serviço nº 45, de 14/2/1882, foi transcrita a Ordem-circular do Quartel-General,
de 13/2/1882, do Comando da 1ª Divisão Militar, na qual se louvam os Corpos que desfilaram na Parada em honra de suas Majestades Católicas, citando-se entre eles o Real Colégio Militar. A partir dessa data memorável, nos tempos da Monarquia e mais tarde nos tempos da República, o Batalhão Colegial passou a tomar parte, regularmente, em todas as grandes paradas e desfiles militares realizados em Lisboa. Na sequência da tradição assim criada, foi com toda a naturalidade que foi determinada, em Ordem de Serviço nº 47, de 16/2/1957, a participação do Batalhão Colegial no desfile militar a realizar no dia 18 do mesmo mês, no Terreiro do Paço, em honra da Rainha de Inglaterra, Isabel II. Perfazem-se 60 ANOS sobre aquela que foi, como se indica no título, uma JORNADA TRIUNFAL, em que se escreveu mais uma página de ouro da história do nosso Colégio. Nas páginas centrais do nº 104, de Março de 1957, da revista «O Colégio Militar», foi apresentada uma reportagem dessa jornada memorável. O seu autor era o Aluno, então finalista, José Alberto da Costa Matos (96/1950), o nosso «historiador», que já então dominava a prosa com mestria. Apresentamos de
seguida, para recordação dos mais velhos e para informação dos mais novos, parte da referida reportagem. Ora leiam: «Sua Majestade a Rainha Isabel II, acompanhada de seu esposo, Sua Alteza o Príncipe Duque de Edimburgo, foi conduzida num bergantim (o mesmo que fora usado quando da visita do seu bisavô) até ao Cais das Colunas, onde o aguardava S. Exª o Chefe do Estado, General Craveiro Lopes e sua Esposa Srª D. Berta de Craveiro Lopes. Os cumprimentos trocados entre os mais altos representantes das duas nações, traduziram em absoluto a confirmação da nossa incondicional amizade e Aliança. O Terreiro do Paço, onde se instalara a Tribuna Real, apresentava um aspecto magnífico e imponente. Sua Majestade Isabel II tomou lugar na tribuna, conjuntamente com S. A. o Príncipe de Edimburgo, Chefe do Estado, Srª de Craveiro Lopes e demais membros do Governo, autoridades civis e religiosas, membros do Corpo Diplomático e de Protocolo do Estado. Na placa central da Praça estacionavam tropas do Exército e da Armada. Ouvidos os hinos dos dois países, o povo rompeu em frenéticas aclamações e vivas, ace-
Jornada Triunfal 1957 | A Visita de sua Majestade a Rainha Isabel II de Inglaterra
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Os Estandartes, os Guiões e a Guarda de Honra António José Bagulho (64/1950), António Franco Preto (67/1950), José Vasconcelos Caeiro (41/1949), Virgílio Prego Durão (23/1951), Victor Oliveira Santos (365/1949), entre os alunos da Escola do Exército vê-se a cabeça do Comandante do Batalhão Pedro Morais Leitão (199/1950) e, ao fundo, parte da 1ª Companhia
nando com milhares de lenços e bandeiras. Ia dar-se início ao desfile. O Colégio Militar ia escrever mais uma página de ouro na História de tão nobres e singulares tradições. Do fundo da Avenida das Naus desfilaram com imponência os estandartes dos regimentos de Portugal, logo seguidos daquela massa uniforme de fardas castanhas que o povo lisboeta já se habituou a ver, a aplaudir e a distinguir com o nome de «Meninos da Luz». O Batalhão Colegial, entre aplausos, passou em frente à tribuna Real, num alinho impecável, marchando com garbo e tal marcialidade que, por certo, Sua Majestade não mais esquecerá. O Batalhão de Teixeira Rebelo soubera honrar o seu nome. Após o desfile militar, a Rainha Isabel II, acompanhada do Chefe do Estado, tomou lugar num coche puxado a três parelhas brancas. Num landau tomou lugar S. A. o Príncipe Duque de Edimburgo, acompanhado da Srª de Craveiro Lopes, logo seguido de outros com membros do Governo e do Protocolo. O cortejo passa sob o arco da Rua Augusta, onde o povo português exterioriza a sua emoção lançando serpentinas e pétalas de flores, a que a Soberana corresponde sempre com um sorriso e um aceno de simpatia.
O cortejo passa; passa mas os aplausos não se extinguem, pois que atrás da escolta da GNR segue o Batalhão de Alunos do Colégio Militar. A maneira como se apresenta arranca à multidão os mais estrondosos aplausos. Fora mais um dia a juntar a tantos outros gravados na história do Colégio Militar.» O texto de Costa Matos prossegue com uma breve descrição do que foi a apoteótica recepção dada pela «mui nobre, sempre leal e invicta cidade do Porto» aos régios visitantes. A gente do Norte é imbatível na forma fidalga como sabe receber quem a visita e quando se trata de «cilindrar» os lisboetas (leia-se, os mouros), não há dificuldade que não superem. No dia daquela imponente e magnifica recepção, a Rainha, tocada pelo entusiasmo daquele nobre povo, quis corresponder e manifestou o seu desejo de seguir por entre a multidão em carro aberto, para melhor ver e ser vista. Não estava previsto carro aberto, nem havia nenhum disponível, mas o problema resolveu-se, com um gesto de simplicidade da Rainha, que a todos tocou. Seguiu numa tosca camioneta, o que presumo que terá levado a multidão ao delírio. Aqueles que a tal cena assistiram, ainda
a terão hoje, certamente, gravada na memória. O extraordinário desempenho do Batalhão de Teixeira Rebelo, na recepção à Rainha, foi reconhecido, tanto a nível militar como a nível da imprensa, que naquele tempo se fazia eco dos sentimentos populares. A nível militar registam-se as referências elogiosas do Director do Colégio e de S. Exª o General Governador Militar de Lisboa e um louvor do Director do Colégio aos graduados. O Director do Colégio fez publicar, em Ordem de Serviço, a seguinte referência elogiosa: «É com todo o prazer que exprimo a minha satisfação pela maneira garbosa, aprumada atitude e impecável correcção com que o Batalhão Colegial se conduziu no desfile de 18 do corrente, perante a tribuna e nas ruas do percurso, chamando sobre si a atenção da assistência que constante e expressivamente o aplaudiu, provocando as mais lisonjeiras referências de altas patentes militares, mantendo assim, mais uma vez e bem alto, a gloriosa tradição do Colégio Militar.» O General Valente de Carvalho, Governador Militar de Lisboa, endereçou ao Director do Colégio uma nota de apreço do seguinte teor:
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Jornada Triunfal 1957 | A Visita de sua Majestade a Rainha Isabel II de Inglaterra
A 1ª Companhia do Batalhão Colegial desfilando perante a Rainha Isabel II e o Presidente Francisco Craveiro Lopes (27/1904)
«É com o maior prazer que venho testemunhar a V. Exª a minha satisfação e o meu louvor pela maneira verdadeiramente irrepreensível e digna do mais elevado apreço com que se apresentaram, nas Cerimónias em honra de Sua Majestade a Rainha Isabel II de Inglaterra, os alunos do tão glorioso Colégio Militar, que tanto me orgulho de ter frequentado. A S. Exª o Ministro da Defesa Nacional e às altas individualidades estrangeiras que assistiram à cerimónias, mereceram muito apreço e louvor a apresentação e a conduta de todas as forças em parada. Endereço pois a V. Exª as minhas mais calorosas felicitações». O Director do Colégio fez de seguida publicar o seguinte louvor colectivo: «Por proposta do Instrutor Militar, louvo os graduados Comandantes de Companhia e de Pelotão da 1ª, 2ª, 3ª e 4ª Companhias, pela boa vontade, disciplina e trabalho com que colaboraram na instrução dos alunos das suas Companhias. Tornaram-se óptimos auxiliares do Instrutor Militar e, da sua contribuição, resultou a boa apresentação do Colégio Militar no desfile em honra de Sua Majestade a Rainha de Inglaterra.» A nível da imprensa, a revista «Defesa Nacional» fez a seguinte referência aos Meninos da Luz: «Fiéis respeitadores de uma secular tradição de aprumo e desembaraço, os alunos do Colégio
Militar souberam impor-se à admiração geral quando desfilaram perante as régias personagens». O «Jornal do Comércio», de 19/2/1957, dizia o seguinte: «Tocam clarins Da Ribeira das Naus avançam agora os alunos do Colégio Militar. Muito aprumados nas suas fardas castanho-escuras e com as suas armas minúsculas ao ombro. Aplausos aos Meninos da Luz que o público envolve sempre com carinho e ternura. A Rainha pensará no seu filho que ficou em Londres. Não poderia o pequeno príncipe ser nomeado aluno honorário do Colégio Militar? Era com certeza uma homenagem que falaria ao coração da Rainha.» O «Diário da Manhã», há muito desaparecido, de 19/2/1957, tinha o seguinte comentário: «Sua Majestade sublinhou, depois, o aspecto de grande beleza, do Terreiro do Paço e das forças militares em parada, relevando ainda, como boa amazona, quanto a impressionou a passagem dos esquadrões de Cavalaria, a galope curto, numa execução perfeita, que demonstra o alto grau de instrução daquela unidade. Também os alunos do Colégio Militar, com o seu garbo e marcialidade, lhe mereceram palavras de elogio». A parada e o subsequente desfile de 18 de Fevereiro de 1957, foram dos mais impressionantes a que o Terreiro do Paço, a Sala de Honra de Lisboa, alguma vez assistiu.
Não tive o privilégio de marchar naquela jornada triunfal. Concorri ao Colégio em 1956, mas a minha admissão ficou adiada para o ano seguinte, por nesse ano, em que foi admitido o meu irmão João Nuno (16/1956), se ter decidido que só se admitia um aluno por família, dado o grande número de candidatos à admissão ao Colégio. Não marchei, mas estava na primeira fila da assistência, na bancada do lado Poente da Tribuna de Honra, maravilhado com aquilo a que estava a assistir. Lá vi passar o Colégio em marcha impecável. Não consegui distinguir o meu irmão na massa compacta da formatura da 2ª Companhia, mas recordo-me perfeitamente de ver passar, garboso, a comandar a 4ª Companhia, o «Chico» Solano, Francisco Manuel Vidigal Solano de Almeida (188/1951), que era o único graduado que então conhecia. Na altura eu não tinha qualquer dúvida que queria ir para o Colégio, mas se a tivesse, ela ter-se-ia ali dissipado. Para que melhor avaliem o que foi aquela memorável cerimónia apresenta-se uma reprodução da fotografia que foi capa do nº 104 da Revista «O Colégio Militar». Nela consigo reconhecer vários alunos do curso em que me fui integrar em 1957. Com toda a nitidez reconheço António José do Carmo e Costa Franco (412/1955), já falecido, cujo francalete da barretina se escapou da ponta do seu queixo e que ele passou a segurar com a boca. Imagino o que terá sentido o Presidente da República, como antigo aluno (27/1904), ao ver desfilar naquele dia o Batalhão de Teixeira Rebelo. Termino referindo que o bergantim real, que transportou a Rainha do iate Britânia até ao Cais das Colunas, impulsionado pelas remadas perfeitamente sincronizadas de cerca de 40 marinheiros, naquele dia a actuarem como remadores, foi outra imagem impressionante que até hoje não esqueci. Aqueles que quiserem ver esse bergantim, vão até ao Museu da Marinha. Não darão o seu tempo por mal empregue.
O Colégio Militar da Luz e as Cortes Ordinárias de 1822/1823
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José Mário Fidalgo dos Santos 253/1951
O Colégio Militar da Luz e as Cortes Ordinárias de 1822/1823
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odos sabemos como o nosso Colégio nasceu pouco depois do conflito luso-espanhol que culminou na Guerra das Laranjas em 1801. Também sabemos que em Setembro de 1807 o país sofreu a primeira invasão francesa, tendo o exército gaulês comandado por Junot, ocupado o país, de que resultou a partida da corte portuguesa para o Brasil, onde o rei se manteve por quinze longos anos. A Guerra Peninsular prolongar-se-ia até 1814, com o exército anglo-português empenhado na luta contra as forças napoleónicas na qual irão participar alguns dos primeiros alunos do Colégio. Esta sequência de acontecimentos e a ausência do rei no Brasil, reforçada com a ocupação quase
permanente de forças militares estrangeiras no país, irá criar um clima de insegurança social e política, agravada com a falta de um poder central efectivo. É isto que vai finalmente desencadear a Revolução de 1820, a que não é alheio o facto das camadas intelectuais e burguesas da população, e mesmo alguma aristocracia ilustrada de Lisboa e Porto, não se rever na nobreza reinante e dispensar pouca simpatia pelo rei ausente. A revolução liberal irá permitir que sejam convocadas as Cortes Constituintes de onde sairá a Constituição de 1822, sufragada pelos deputados eleitos por sufrágio directo e secreto e jurada pelo rei, entretanto regressado com a corte a Portugal. Da Assembleia Constituinte surgirá então a de-
cisão de nova convocatória para eleições dos deputados às primeiras Cortes Ordinárias da nação, cuja vida efémera de menos de cinco meses, de 15 de Novembro de 1822 a 31 de Março de 1823, terminará com a Vilafrancada que porá fim ao regime liberal. Neste curto período de tempo, o Colégio Militar, ou Colégio da Luz como era chamado na altura, nascido vinte anos antes, viria a ser objecto da maior atenção por parte da assembleia de deputados quando, durante a discussão do orçamento para o ano de 1823, se levantaram dúvidas sobre o orçamento a disponibilizar para a sua continuação. Na origem das dúvidas estavam principalmente em causa as remunerações dos professores do Colégio, os seus “lentes”, ou “lentes de fortificação” como eram designados, mas também a possibilidade de transferir para outras escolas, tais como a escola de fortificações, o ensino das ciências que se fazia no Colégio que, ainda por cima, na opinião dos deputados, «não são próprias da idade em que se admitem os alunos». Pela transcrição abaixo (grafia actualizada) do que foram as considerações tecidas por alguns dos parlamentares a propósito da continuação do Colégio Militar da Luz, durante a sessão de 8 de Fevereiro de 1823, poderá verificar-se como não era particularmente bem aceite pelos deputados a necessidade de continuar a suportar os custos associados ao funcionamento do Colégio.
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O que se fica então a perceber pelo historial desses longínquos anos é que, não fora a grande persistência e empenho pessoal do Marechal António Teixeira Rebello, a que se deve acrescentar a insurreição liderada por D. Miguel, o Colégio Militar teria ficado pelo caminho logo em 1823. José Mário Fidalgo dos Santos 253/1951
Diário da Câmara dos Senhores Deputados da Nação Portuguesa Sessão Legislativa de 1823 Sessão de 8 de Fevereiro de 1823 “…, passou-se à verba lentes de fortificação. O Sr. Manuel Pedro de Mello: - A Nação mandou-nos para aqui para fazermos reformas: direi portanto o que me parece a respeito desta verba. O querer que se abula esta academia, única academia militar que temos, não me parece próprio; apesar de que ela não prestar os serviços que devia prestar, contudo deve haver uma academia militar; mas entretanto estes lentes são militares, e têm patente superior; parece-me pois que podiam passar pelo sacrifício de ceder os ordenados que vencem como lentes, ficando com o seu soldo. O Sr. Borges Carneiro: - Temos aqui para lentes de fortificação perto de cinco contos, e adiante veremos mais destes lentes no Colégio da Luz: não sei para que sejam necessários tantos lentes militares na mesma terra? Deve haver um só estabelecimento de instrução militar, reunindo-se umas com outras cadeiras, e pode encarregar-se este projecto à mesma Comissão incumbida da reforma do Colégio dos Nobres. O Sr. Franzini: - Todos sabemos que os estudantes da fortificação são já oficiais militares, e donde tem nascido tão bons oficiais engenheiros e artífices: isto porém não tem nada com o Colégio da Luz, no entretanto não há duvida que estes estabelecimentos se poderão minorar, e mesmo unir; porém isto não é para agora.
Entrou em discussão a parcela Colégio Militar da Luz. O Sr. Pato Moniz: - Este colégio consta-me está em deplorável estado, e por maneira que se tira pouquíssimo, ou talvez nenhum aproveitamento dele. Está dirigido por um pedantarrão1 e algo mais: há ali grandes abusos, e talvez haja mais desde que o marechal Rebello entrou na Secretaria de Estado dos Negócios da Guerra2, porque fez nesta parte o que quis. Talvez o colégio deva abolir-se, ou talvez deva reformar-se: eu não o decido, porém seria necessário de duas coisas uma: ou que o Sr. Ministro desse os esclarecimentos necessários para as Cortes poderem resolver, ou (e talvez seria o melhor) que este artigo ficasse adiado para se tomar resolução sobre a proposta do Sr. Ministro, e depois de haver bastante conhecimento de causa. Por ora parece-me que não se pode aprovar esta verba. Sr. Ministro dos Negócios da Guerra: - Este estabelecimento é bem conhecido: ou se trata de o reformar conservando-se no mesmo local, ou se trata de o refundir tirando-se dele o partido que se deva tirar. Se se trata, de o conservar no mesmo local, sem o transferir para o meio da cidade, algumas reformas se podem fazer. Este colégio é uma academia em miniatura; ensinam-se ali ciências que não são próprias da idade em que se admitem os alunos; e se é só para se adquirirem os conhecimentos de que precisa um militar, então podem-se dispensar alguns lentes, e nisso se poderá fazer uma economia de um conto e duzentos mil réis. Porém eu assento que se devia fazer outra reforma, e era transferi-lo para o centro da cidade para se tirar maior utilidade. Eu já recebi ordem do soberano Congresso para apresentar uma conta circunstanciada deste estabelecimento: já mandei pedir as informações necessárias; e como julgo que actualmente está uma Comissão encarregada da reforma deste colégio, assim como do colégio chamado dos nobres, logo que me cheguem estas informações eu as remeterei. Por conseguinte eu adopto a opinião que expendeu o ilustre Deputado, o vem a ser, que depois de se terem obtido todas as informações neces-
sárias se devem fazer aquelas reformas que se julgarem convenientes. O Sr. Borges Carneiro: - O Colégio da Luz não gasta só os 16:400$ reis que aqui se declaram, mas vem mais em outras estações, como no comissariado, obras públicas etc. Obra-se aqui como a respeito de alguns pensionários, a quem por não saltar a patronagem3 tanto aos olhos, em vez de uma só pensão, se estabeleceram muitas em folhas e repartições diversas. Nisto se parece o Colégio da Luz por exemplo com a condessa das Galveias, que gasta à nação por muitas partes. E que estudantes feitos e acabados tem saído desta Universidade? Nenhum que dê proveito à pátria. No fim de 5 anos tem de ir-se matricular na Academia da Marinha. Muito bem lhe chamou o Sr. Ministro da Guerra uma universidade pequena. Em verdade há ali um estado maior literário, directores, sub-inspectores, gratificações, etc. O meu parecer é, que o colégio abaixo, sans façon4 há em Lisboa muitos colégios aonde se estudem aquelas ciências, e nas aulas gerais é que devem todos estudar. Quando porém se não convenha nisto, deve uma Comissão informar sobre a redução e reforma que ali se deva fazer: devendo ser o colégio considerado como um simples liceu militar, onde os alunos só estudem as matérias do 1.° ano matemático, e os princípios de táctica elementar, e fortificação de campanha, para serem bons oficiais de infantaria; reduzindo-se por consequência todas as cadeiras a uma só, com o seu substituto. Julgou-se a verba suficientemente discutida. Se se aprovava a despesa Colégio Militar da Luz? Decidiu-se que não. Se se deve reformar este estabelecimento incumbindo-se disso a Comissão encarregada da reforma do Colégio dos Nobres? Decidiu-se que sim. Se se abonará interinamente a despesa necessária para este estabelecimento até que seja reformado? Decidiu-se que sim, encarregando-se ao Governo que faça desde já as economias possíveis.”
Pedantarrão - superlativo de pedante, que exibe conhecimentos superiores aos que possui; pessoa vaidosa 2 O Marechal António Teixeira Rebello foi Secretário de Estado dos Negócios da Guerra durante pouco mais de sete meses, de 1 de Fevereiro de 1821 a 11 de Setembro do mesmo ano, data em que abandonou o cargo a seu pedido. 3 Patronagem - ajuda financeira ou outra dada por uma pessoa ou instituição. 4 Sans Façon - sem cerimónia. 1
“Os Lusíadas”, as versões Inglesas... e não só
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António Rafael Passarinho Franco Preto 67/1950
“Os Lusíadas”,
as versões Inglesas... e não só
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uando aqui há uns dois meses decidi – por qualquer motivo – revisitar “Os Lusíadas” dei por mim a pensar se alguma vez teria o nosso poema épico sido traduzido para a língua Inglesa. Nem eu sabia no que me ia meter. Este texto não é nenhuma análise pessoal de “Os Lusíadas” pois – pura e simplesmente – não sou minimamente qualificado para tal, não podendo ir além de generalidades sobre este tema. Vou-me limitar pois a “pôr o preto no branco” relativamente ao que li sobre as versões Inglesas de “Os Lusíadas” (para memória futura, como agora se diz). No entanto posso dizer o que “todos sabemos”: a obra de Luís Vaz de Camões (1524 – 1580), entregue ao rei D. Sebastião em 1572, é um poema épico de enorme qualidade e dimensão, seguindo aspectos literários específicos da antiguidade, nomeadamente a Ilíada e a Odisseia (do poeta grego Homero, 850BC) e a Eneida (de Virgílio, o maior poeta romano, 70BC-19BC). A maior diferença entre “Os Lusíadas” e os poemas clássicos da antiguidade mencionados é que estes não cobrem quaisquer factos reais, o que não é o caso de “Os Lusíadas”. No aspecto métrico, “Os Lusíadas” tem umas 1.100 estrofes de 8 versos de 10 sílabas tónicas cada, divididas em 10 partes (Cantos), e com uma rima ABABABCC. Cobertas que estão as generalidades, abordemos então o tema das versões em língua Inglesa.
Versões em língua Inglesa A mais antiga versão que se conhece data de 1650 a 1655 e o seu autor foi “Sir Richard Fanshawe, 1st Baronet” (1608 –1666), poeta, tradutor, diplomata e político que foi membro do Parlamento Inglês. Esta tradução está disponível em “Oxford Scholarly Editions Online” para os subscriptores desse website e numa edição impressa de Peter Davidson (Oxford). A Guerra Civil Inglesa, de 1642 a 1651, foi uma série de conflitos armados e maquinações políticas que tinha verdadeiramente
como objectivo o estabelecimento da forma de governo em Inglaterra. Terminou com a vitória dos “parlamentares” (com a execução do rei Carlos I e o exílio do seu filho Carlos II) e com a definição de que nenhum monarca Inglês podia governar sem o consentimento do parlamento. Sir Richard Fanshawe (educado em Cabridge) acompanhou o rei Carlos II no exílio. Devido a esse facto a sua versão de “Os Lusíadas” praticamente só circulou entre os seus amigos e conhecidos, tendo pois um sucesso limitado. (Educado em Cambridge) Como di-
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plomata, foi secretário da Embaixada Inglesa em Madrid (1635), tendo sido nomeado Embaixador em Portugal depois da morte de Oliver Crowmwell (1658). Na falta de acesso à sua tradução da 1ª estrofe de “Os Lusíadas” (para ser possível uma comparação com as restantes) limito-me a dar uma idéia do seu estilo, apresentando a sua tradução de Cantando espalharei por toda parte, Se a tanto me ajudar o engenho e arte My song shall spread where ever there are Men, If Wit and Art will so much guide my Pen.
A 2ª versão em língua Inglesa de “Os Lusíadas” publicada inicialmente em 1776, teve um enorme sucesso e foi objecto de 9 edições durante os cem anos seguintes (!). O seu autor foi William Julius Mickle (WJM), poeta escocês (1734 – 1788). O comodoro Johnstone nomeou WJM seu secretário quando se deslocou a Portugal em 1778, como comandante duma esquadra. O poeta escocês foi recebido em Portugal com “pompa e circunstância” pelo Duque de Bragança D. José, filho primogénito da rainha D. Maria I, que de imediato o nomeou membro da Real Academia de Lisboa.
WJM regressou a Inglaterra em 1780 com uma fortuna inesperada adquirida durante estes dois anos em Portugal, que lhe permitiu pagar as dívidas que tinha, casar com a filha do seu anterior senhorio, comprar uma casa nos arredores de Oxford e viver calmamente até à inesperada morte em 1788, quando duma visita aos sogros.
Eis a sua versão dos primeiros oito versos:
Tendo-me logicamente chamado a atenção o tremendo sucesso da versão Inglesa de WJM decidi investigar as razões do seu sucesso até porque não só a sua versão (disponível na internet) não me satisfaz minimamente, como encontrei críticas muito duras à sua qualidade.
What wars they wag”d, what seas, what dangers past, what glorious empire crown”d their toils at last.
A crítica mais elegante que li, apresenta as seguintes frases: A linguagem deste poema épico é como o sonoro som dum trompete. A “imitação” de WJM apresenta-se como o som saído duma flauta. Se o estilo não é apropriado (e não o é), a versão de WJM tomou adicionalmente demasiadas liberdades relativamente ao texto original (é, pois, uma versão e não uma tradução). Para dar uma ideia das liberdades que tomou, encontrei referências a que inventou (é o termo apropriado) uma batalha naval inexistente no poema (que descreveu ao longo de muitas linhas!).
Arms and the Heroes, who from Lisbon’’s shore, Thro” seas where sail was never spread before, Beyond where Ceylon lifts her spicy breast, And waves her woods above the wat”ry waste, With prowess more than human forc”d their way To the fair kingdoms of the rising day.
Nota-se que de 8 versos por estrofe passou para 6 (sem necessidade visível para tal) com rima AABBCC e refere – como se tal estivesse no original – o cheiro a especiarias de Ceilão. O responsável pela revisão duma das edições da versão de WJM (posterior à sua morte) reconhece que a tradução de Sir Richard Fanshawe, tendo embora uma linguagem antiquada, é muito mais fiel ao original que a versão de WJM. Diz o revisor – como que em defesa de WJM - que a sua versão tem passagens de uma beleza invulgar e que no seu total é própria dum poeta genial com um gosto requintado e uma imaginação brilhante. Acrescenta ainda que não pretende entrar em competição com WJM no que respeita a elegância poética. Ao verificarmos que esta edição da obra de WJM tem um total de 680 notas em “pé-de-página” (grande parte delas do revisor) que ocupam 110 páginas, fica em evidência a “imaginação brilhante” de WJM. E, como sei por experiência própria (dirigi durante vários anos um centro de tradução Inglês-Português que chegou a ter 50 tradutores), esta característica - “imaginação brilhante” - não é minimamente apropriada para um tradutor. Porquê então o sucesso da sua versão em Inglaterra (para além da sua elegância poética)?
William Julius Mickle, a 1ª página-Edição de 1778 e a Edição de 1877
Deixo aqui a opinião-resumo da Professora Doutora Cláudia Santana Martins (pesquisadora camoniana há mais de 20 anos, nascida em Porto Alegre em 1961, cuja tese de dou-
“Os Lusíadas”, as versões Inglesas... e não só
toramento intitulou “A epopeia do comércio” – Os Lusíadas na versão de WJM): The Lusiad; or, The Discovery of India, a tradução de Os Lusíadas de Camões feita pelo poeta escocês William Julius Mickle, publicada na Inglaterra em 1776, fez sucesso em sua época e no século que se seguiu, sendo até hoje a mais lida e citada entre todas as traduções poéticas de Os Lusíadas para o inglês. Mickle adaptou a epopeia camoniana para o público britânico do final do século XVIII, rotulou-a como “A Epopeia do Comércio” e acrescentou paratextos de cunho ideológico. Manipulando o poema original tanto poética quanto ideologicamente, Mickle transformou Os Lusíadas em uma narrativa a serviço do Império Britânico e contribuiu, como outros “poetas do comércio” que celebraram o crescimento da riqueza e poder da Grã-Bretanha, para forjar uma identidade poética e cultural para o Império Britânico. Agora sim, percebo o sucesso de WJM em Inglaterra e lamento a “pompa e circunstância” com que foi recebido em Portugal. Infelizmente parece, pois, que temos tido “desde sempre” a propensão para considerar qualquer estrangeiro muito acima do verdadeiro
Sir Richard Francis Burton Taprobana – Antigo Ceilão; actual Sri Lanka
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valor que possui, sem averiguarmos devidamente os seus méritos. A 3ª versão em língua Inglesa (em 1880) foi de Sir Richard Francis Burton (1821 – 1890) Foi um escritor, tradutor, linguista, geógrafo, poeta, antropólogo, orientalista, erudito, espadachim, explorador, agente secreto e diplomata britânico (!). Das explorações e aventuras como agente secreto e estudioso na Ásia e em África aos escândalos e controvérsias que permearam sua vida, Sir Richard Francis Burton é sem dúvida uma das personalidades mais extraordinárias e fascinantes do século XIX. Diz-se que falava 29 idiomas e vários dialectos, sendo perito na arte do disfarce. Embora os seus livros tivessem aberto caminhos por onde poucos e ousados escritores penetraram, de facto essas obras não eram bem recebidas pela crítica, tanto por serem novas, quanto por abordarem temas que a Inglaterra vitoriana não se atrevia a comentar. Traduziu obras clássicas que contribuiriam para ampliar a visão ocidental sobre o sexo. As mais conhecidas foram o Kama Sutra (1883); O livro das mil e uma noites (1885), cuja tradução causou frenesim na sociedade vitoriana devido a uma série de notas onde figuravam temas polémicos considerados
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tabus na época, e também pelo seu erudito “Ensaio Final”, onde apresenta a história, os usos e costumes, os princípios e a religião de vários povos, além de relacioná-los com outras culturas. Este Ensaio ficou famoso por discursar sobre a homossexualidade, um feito corajoso e ousado numa sociedade que condenaria o ilustre Oscar Wilde a dois anos de prisão por sodomia. Eis a tradução que fez da 1ª estrofe de “Os Lusíadas”:
The feats of Arms, and famed heroick Host from occidental Lusitanian strand, who o”er the waters ne”er by seaman crost, fared beyond the Taprobane-Iand,1 forceful in perils and in battle-post, with more than promised force of mortal hand and in the regions of a distant race rear”d a new throne so haught in Pride of Place.
Duas versões de “Os Lusíadas” em língua Inglesa (no século XX) William Christopher Atkinson (1902 – 1992) Professor da Universidade de Glasgow até 1972; Director do Instituto de Estudos Latino–Americanos da mesma universidade.
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A sua tradução em prosa de “Os Lusíadas” está totalmente de acordo com o poema (a não existência de rima deu-lhe uma facilidade de escrita que o tradutor aproveitou totalmente, mantendo-se inteiramente fiel ao conteúdo ideológico do poema), o que não acontece de todo na versão em poesia de WJM. Por isso mereceu a sua publicação pela editora Penguin Classics.
Landeg White (LW) Oxford University Press (Oxford World”s Classics) É possivelmente a melhor tradução em língua Inglesa existente actualmente no mercado (sendo acompanhada de uma valiosa introdução e extensas notas adicionais). A título de exemplo eis a tradução de LW para a primeira estrofe: Arms are my theme, and those matchless heroes Who from Portugal”s far western shores By oceans where none had ventured Voyaged to Taprobana and beyond, Enduring hazards and assaults Such as drew on more than human prowess Among far distant peoples, to proclaim A New Age and win undying fame; LW nasceu no País de Gales em 1940 e licenciou-se na Universidade de Liverpool.
Publicou nesse ano uma tradução em língua Inglesa de “Os Lusíadas” em prosa (de muito boa qualidade). Eis a sua prosa referente à 1ª estrofe de “Os Lusíadas”: This is the story of heroes who, leaving their native Portugal behind them, opened a way to Ceylon, and further, across seas no man had ever sailed before. They were men of no ordinary stature, equally at home and in war and in dangers of every kind. They founded a new Kingdom among distant peoples, and made it great.
Com uma vida extremamente movimentada escreveu vários livros baseados na sua experiência africana, nomeadamente em Moçambique, no Malawi e na África do Sul. Viveu em Portugal desde 1994 e a sua tradução de “Os Lusíadas” (1997) foi devidamente premiada.
LW
Em 2008 seguiu-se a tradução, também em verso, de uma antologia de poemas líricos de Camões.
“Os Lusíadas”, as versões Inglesas... e não só
Edição Comemorativa dos 400 anos da publicação de “Os Lusíadas” Editora Lello & Irmãos
O pintor Gouvêa Portuense (pseudónimo de Manuel de Gouveia Coutinho de Tovar e Melo) 1907-1976 foi quem fez todas as ilustrações para a edição de luxo editada pela Lello & Irmãos publicada em 1972/3 e comemorativa dos 400 anos de “Os Lusíadas”. Solicitámos em Novembro de 2016 à Editora Lello & Irmãos – por email e por carta – que nos autorizassem a publicar algumas das centenas de ilustrações existentes nessa edição. Na ausência de resposta (“Quem cala, consente”), limitamo-nos a inserir neste artigo, quatro delas (em que facilmente identificarão a alusão ao primeiro verso da primeira estrofe – As armas e os barões assinalados - e aos episódios da Batalha de Aljubarrota, do Gigante Adamastor e da Ilha dos Amores) que vos permitirão apreciar a excelência
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da obra em causa, de que penso não existirem exemplares à venda (dos 120 que foram produzidos, devidamente numerados e assinados pela Editora).
E, entre gente remota edificarão Novo Reino, que tanto sublimarão.
Aconselho vivamente os interessados a tentarem adquirir tão extraordinária edição (em “alfarrabistas” ou em leilões específicos) pois não tenho conhecimento de quaisquer planos da editora para voltar a publicar esta edição comemorativa.
Duas Notas Finais A existência de tantas traduções não é mais que uma consequência natural da magnificência da obra de Luís Vaz de Camões (publicada em 1572). Neste artigo abordámos versões do século XVII, do século XVIII, do século XIX (uma versão por século) e duas do século XX.
Termino esta minha “digressão” literária com a 1ª estrofe de “Os Lusíadas”, tal como Luis Vaz de Camões escreve (e que nunca é demais recordar): As armas, & os barões assinalados Que da occidental praya lusitana Por mares nunca dantes navegados Passaram, ainda além da Taprobana, Em perigos, & guerras esforçados, Mais do que prometia a força humana
O aproveitamento do génio de outros em benefício próprio (WJM) desvirtuando o conteúdo ideológico duma obra e substituindo-o – com grande sucesso financeiro – por uma outra identidade poética e ideológica é mais um exemplo de que, desde sempre, neste mundo ... para todos aqueles para os quais a ética não é um estorvo ...”the only crime is to get caught”.
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Allegro A Volta ao Mundo do Veleiro onde também navegou a Barretina
António Rui Prazeres de Castilho 147/1948
Allegro
A Volta ao Mundo do Veleiro onde também navegou a Barretina
Santa Lucia
C
hegámos à ilha de Santa Lucia, nas Caraíbas, mais propriamente, à marina de Rodney Bay, no dia 7 de Dezembro de 2014, tendo já sido colocada a bandeira de Santa Lucia, do ARC e do Clube de Paço D’Arcos, associação, por tradição,
da estima do Luís Adão. Tivemos uma recepção fantástica, diria mesmo inesquecível, por parte das restantes tripulações dos barcos que saíram de Cabo Verde e como nós atravessaram o Oceano Atlântico. Depois de feita a amarração, surgiu uma caribenha com um tabuleiro com “rum ponche”, uma delícia para quem vem com a
boca salgada, depois de 18 dias e 15 horas de mar!!!.... mais uma cesta, com saborosa fruta tropical, enquanto uma banda tocava música ritmada com instrumentos típicos e característicos da ilha. A festa não ficou por aqui, à noite realizou- se um jantar com todas as tripulações, aproveitando o
Allegro A Volta ao Mundo do Veleiro onde também navegou a Barretina
momento para um convívio animado entre elas. A vela, principalmente a de cruzeiro, é um desporto onde se fazem amizades com relativa facilidade. Com a maioria das tripulações, este sentimento foi uma realidade, não só por termos encontrado gente de bem, sempre disponível e atenta às dificuldades dos outros, mas porque partilhávamos igualmente o mesmo gosto pelo mar, as mesmas alegrias e problemas que esse mesmo mar nos dá. As dificuldades aproximam as pessoas e viagens com esta extensão, feitas em verdadeiras “cascas de nozes”, levam-nos a pensar quanto de pequenos somos perante a imensidão dos oceanos e dos perigos a que estamos sujeitos. Mesmo assim quisemos partir, cada um do seu canto do mundo, não por “mares nunca dantes navegados”, como o fizeram os nossos antepassados, mas igualmente para um des-
verdadeiro hospital flutuante. O Luís, na sua área de especialidade, cirurgia geral, prestou um serviço notável aos tripulantes dos barcos que navegavam nas mesmas águas que nós. Para aqueles que recorriam à sua ajuda, mostrou sempre uma disponibilidade total, resolvendo prontamente os variadíssimos casos que lhe apareciam. O salão do barco era improvisado umas vezes em consultório, outras em sala de tratamentos, conforme o tipo de “maleita” do paciente. Eu, como morava no “hospital”, algumas vezes também fui socorrido. Rodney Bay é uma marina moderna e bonita, abrigada do vento e principalmente do mar, com uma envolvente urbanística de luxo, onde todas as casas têm um enorme jardim e um ancoradouro para um ou mais yacht.
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a fiabilidade de um veleiro, com vista às próximas “pernas”. Não se imagina o esforço constante e naturalmente o desgaste a que todo o material de um barco à vela está sujeito, perante a força dos elementos da natureza, principalmente, mar e vento. Outros problemas não menos importantes e que causam grandes dores de cabeça aos comandantes e tripulantes, são os equipamentos de apoio – motor, leme, gerador, dessalinizador, congelador, frigorífico, bombas de água e muito mais coisas! Para solucionar todos estes casos, nem sempre se tem a sorte de parar em locais que tenham oficinas de qualidade, que com rapidez e eficiência, resolvam estas avarias. Assim, reparam-se as possíveis e parte-se na esperança de encontrar no próximo porto, o tal estaleiro que imaginamos e desejamos.
A tripulação do Allegro – Manuela, Luís e Rui
conhecido, aquele desconhecido que a natureza sempre nos reserva. Levantámos ferro em busca de mais uma aventura, para uns, do sonho de uma vida, para outros. No campo da interajuda, o “Allegro” foi particularmente solicitado, pois levava dois médicos a bordo. Foi para mim e para todos, um
Num complexo desta natureza, não podiam faltar zonas com serviços técnicos de apoio. Santa Lucia fica do outro lado do Atlântico, a mais de 3.000 milhas do continente europeu e depois de uma longa viagem é quase inevitável haver necessidade de recorrer a um estaleiro para efectuar as reparações necessárias, que permitam repor
Em Rodney Bay havia vários estaleiros que conseguiram fazer a manutenção das avarias que o Luís achou mais convenientes: - Panela de escape do gerador; - Bombas de água doce. Para além da sujidade que fica após as reparações, os barcos devem ser aspirados e lavados com água doce, por dentro e por fora, para que o
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Allegro A Volta ao Mundo do Veleiro onde também navegou a Barretina
sal que se deposita durante a viagem, proveniente da água do mar e da própria atmosfera carregada de salitre, não se entranhe por tudo quanto é sítio. Ele dificulta que todo o tipo de material se mantenha seco, incluindo a própria roupa. O “Allegro” não está equipado com máquina de lavar roupa, como não estão a grande maioria dos 45 pés, por isso tínhamos que recorrer às lavandarias das marinas. Encontrámos vários tipos de instalações, umas com material mais industrializado, do género “self-service”, outras com pessoal que se encarregava de carregar as máquinas e no fim ainda dobrava a roupa.
mesmos escolhiam e levavam para os seus barcos. O problema estava na escolha, pois o género de literatura aqui encontrada era riquíssima pela sua variedade, multifacetada, pela proveniência dos seus primitivos donos, oriundos das sete partidas do mundo, dos mais variados extractos socais, faixas etárias e profissões.
Algumas ainda tinham serviço, porta à porta, vinham buscar a roupa e entregavam-na depois de pronta.
Faltava falar no reabastecimento da despensa, sector de grande importância da vida a bordo e do seu astral. Consultámos a publi-
Vista desde a varanda do Hotel
Em quase todas estas lavandarias existia um espaço próprio e muito característico, normalmente com prateleiras, onde se juntavam ou mesmo amontoavam, um sem número de livros e revistas que eram oferecidos e depositados pelos tripulantes e que serviam normalmente como moeda de troca a outras tantas publicações que os
Os menos experientes e pouco familiarizados com a vida no interior das marinas, registaram com espanto e ao mesmo tempo com agrado este tipo de intercâmbio, que tem muito a ver com o espírito de entreajuda das “gentes do mar”.
uma oferta acima da média, capaz de resolver uma lista bastante exigente. Hoje em dia, há publicações estatais e privadas, com o nome genérico de “Yacht Services Guide”, e “Pilots”, que fornecem, uns a título gratuito, outros não, todos os dados necessários para se entrar num porto, bem como visitá-lo. Estes livros estão divididos por vários sectores: contactos rádio em VHF, SSB e respectivos canais; navegação, com desenhos da cartografia dos portos e marinas, incluindo esquemas de pormenor, para que seja possível governar uma embarcação com segurança – faróis, canais, enfiamentos, batimétricas e pontos cotados. Estes elementos são necessariamente complementares, como é evidente, com as informações obtidas pelos aparelhos existentes a bordo - cartografia digital, GPS, AIS, radar
Conjunto local caribenho (steel drums)
cidade local e os informadores habituais que residem nas marinas e, depois de elaborada cuidadosamente a lista das compras, arrancámos para o local escolhido. Nem sempre como aqui, é possível chamar a estes estabelecimentos de supermercados, pois encontrávamo-nos relativamente perto da capital, a cidade de Castries, que tem neste campo,
e sonda; autoridades a contactar; centros de saúde e hospitais; estaleiros e seus serviços; lista dos hotéis, restaurantes, supermercados e lavandarias; bancos, moeda adoptada pelo país e respectivas taxas cambiais; mapas turísticos com os pontos principais a visitar; desportos que podem ser praticados; fotografias aéreas e locais importantes.
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Na sua generalidade, nesta terra, as coisas funcionam bem, pois as autoridades e os agentes económicos criaram serviços apostando na eficiência, tentando manter um grau de qualidade elevado, que garanta uma escolha turística preferencial em relação aos seus vizinhos e concorrentes mais próximos, a Martinica a N, São Vicente e Granadinas a SW. No dia 10 de Dezembro de 2014, realizou-se um beberete num hotel lindíssimo, junto à praia, com uma vista soberba para o mar, mas no qual só serviam praticamente bebidas. Os tais beberetes, nas nossas paragens, são substancialmente mais ”substanciais“! Nestes locais, onde o calor e a humidade se fazem sentir com grande intensidade há que ter o máximo cuidado com este tipo de festas, lista de bebidas e respectivas receitas.
vavelmente sairá de uma reunião destas, no mínimo, de “gatas”!!! Para além da distribuição de lembranças aos mais rápidos, na travessia do Atlântico, o convívio com as restantes tripulações foi como sempre divertidíssimo. Desta vez tivemos a presença de um animado conjunto local, com cerca de vinte figuras, que tocava instrumentos de percussão originários das Ilhas de Trinidad e Tobago, inicialmente feitos pelos afrodescendentes usando bidões de óleo ou gasolina, daí a designação inglesa de “steel drum”. Modernamente são construídos em ferro moldado, de vários tamanhos e devido ao seu peso, apoiados numa estrutura metálica. O som tem um timbre metálico, produzido por uma caixa-de-ressonância feita por um fundo falso em forma de calotes esféri-
Castries, capital de Santa Lucia
A mistura de frutas tropicais, rum, que chegue, muito gelo e açúcar, torna as bebidas naturalmente muito gostosas e apetecíveis, mas altamente explosivas. Qualquer ”indígena da Europa” que chegue aqui com um ar de Cristóvão Colombo, como se viesse descobrir a América pela primeira vez, e se a sede e a falta cuidado o atraiçoarem, pro-
cas. Os instrumentos não têm todo o mesmo tipo de som, uns são altos, outros baixos, mas de cada um deles, os hábeis e virtuosos músicos conseguiam obter notas diferentes de acordo com o local onde batiam com as baquetas, permitindo criar uma escala de notas harmoniosas e ao mesmo tempo vibrantes. Não é em vão que este tambor de
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aço seja usado no “calipso”, um dos ritmos musicais mais característicos destas zonas. Fomos realmente presenteados com um riquíssimo e diferente espectáculo de música, com um ritmo verdadeiramente alucinante, muito próprio e ao jeito caribenho, cujo resultado final e global foi do inteiro agrado de todos, ultrapassando largamente a expectativa inicial – parabéns, Santa Lucia. No fim deste festival, a fome era negra, como era de esperar. A tripulação do “Allegro” e alguns elementos do “Magelanus” terminaram a noite num restaurante em frente ao dito hotel. O “Magelanus“ é propriedade do João Manuel Magalhães, parente próximo, dizia eu, do nosso primeiro circum-navegador Fernão de Magalhães! De facto ele é irmão da Manuela Adão, mulher do Luís Adão.
Rui num miradouro sobre a cidade de Castries
A refeição foi servida num belo jardim, verdadeiramente tropical, desde a comida até ao clima, clima esse que nos brindou, a meio do jantar, com uma valente carga de água, que só quem andou por estas paragens sabe da sua violência. Rapidamente os empregados abriram os guarda-sóis / guarda-chuvas e com mais ou menos pingos, que iam
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sendo limpos por grandes guardanapos, já disponíveis para estas situações de emergência local, os deliciosos “mahis-mahis”, equivalentes aos nossos dourados, e os “hot pepperpots”, carne com molho picante, iam sendo saboreados pela nossa fome devoradora. A meteorologia aqui é mesmo assim, a chuva parou, a noite manteve-se quente e em pouco tempo tudo estava seco à nossa volta, até nós! Santa Lucia é uma ilha vulcânica, nas Pequenas Antilhas, cujo nome foi posto por Cristóvão Colombo, por ter chegado a esta terra, no dia daquela Santa. Este costume tornou-se quase uma regra na época dos descobrimentos marítimos. A ilha é banhada pelo Oceano Atlântico a Leste e o Mar das Caraíbas a Oeste e como
O Barco da fruta
A língua oficial é o inglês e a nativa, o crioulo de Santa Lucia, ”patoá” resultante da fusão do francês com o africano. Politicamente é independente e membro da “Commonwealth” desde 1979. Por influência da colonização francesa que se fez sentir durante décadas, a grande maioria professa a religião Católica Romana, coabitando pacificamente com as restantes. A economia tem por base o turismo, como principal suporte, a indústria ligada à cultura da banana e o armazenamento de combustível como meio de transbordo para outros países.
Comemos um almoço leve e comprámos fruta e legumes no chamado “barco da fruta”. Este episódio da compra de fruta passaria despercebido e sem o mínimo interesse a esta ou a qualquer outra descrição, se dele não fizesse parte integrante e principal o pitoresco e inimaginável “barco da fruta”!!!
A agricultura também tem um certo peso na economia, principalmente a cultura de cana-de-açúcar, cacau, coco e banana.
Não vou cair na tentação de arranjar mais adjectivos para esta embarcação, porque na realidade iria pecar por defeito. Só uma
Vista da Marigot Bay
é evidente, a confluência dos dois a Norte e Sul, sendo as suas coordenadas:
Rodney Bay – Marigot Bay (Santa Lucia)
Latitude 13º 53’ N e Longitude 61º 0’ W.
Ainda na ilha de Santa Lucia, no dia 11 de Dezembro, deixámos a marina de Rodney Bay rumo à baía de Marigot, situada um pouco mais a sul. Antes da largada passámos no pontão do gasóleo, para abastecer. Como ainda não tínha-
A capital é Castries, a cidade mais populosa. A área total do território é de 593 km2, com uma população de cerca de 162.000 habitantes.
mos a nossa cabeça formatada para horários de países tropicais, quando atracámos, eram horas do almoço, estando o posto de abastecimento encerrado para a essa refeição! Sendo assim, aproveitámos este contratempo para almoçar e mudar de roupa, pois nesta curta viagem até à bomba, apanhámos uma valente carga de água.
imaginação muito fértil conseguiria adjectivar, com rigor absoluto, tudo o que este barco encerra e nos transmite. É pena que a nossa artista plástica, Joana Vasconcelos, não conheça o “arquitecto naval” que concebeu e decorou este barco. Certamente será um afrodescendente, natural de Santa Lucia, pois não só seria para ela uma fonte natural
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de inspiração, mas também uma delícia ao observar tal obra. Acabámos por atestar o depósito de gasóleo e finalmente arrancámos para Marigot Bay onde nos esperava a Anne Marie, minha mulher, que veio como estava previsto, passar a quadra do Natal. Temos que nos mentalizar um pouco, eu até diria muito, para imaginar um Natal com temperaturas do ar bem acima dos 32º e com a água do mar a 29º. Finalmente chegámos a Marigot Bay, um local paradisíaco com uma baía muito recortada, com um acesso sem qualquer problema de navegação. Está abrigada do vento e do mar, emoldurada por uma densa vegetação tropical
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da baía, sendo o nosso transporte para terra feito no nosso “dingy” ou num bote de apoio do clube. Entretanto chegou também o “Magelanus” apenas com a tripulação base, o João Manuel e a sua mulher, a Matilde, que acumula as funções de imediata. Estes dias foram de repouso, em boas e bonitas praias tropicais, com água do mar sempre quente e à sombra dos coqueiros, que felizmente refrescam um pouco o ar. A nossa próxima rota dirigir-se-á para o sul para conhecer mais algumas ilhas, pois o Natal será passado em Rodney Bay.
Rosa de Porcelana, uma linda flor
que cai do alto das montanhas e a envolve até à praia. Para quem chega pelo mar, como nós, o espectáculo é de sonho. Faz parte da lista dos locais mais bonitos que encontrámos. Não tem marina, apenas um grande pontão ao longo dos restaurantes, da zona comercial e “resorts“. O “Allegro” ficou amarrado a uma bóia, no meio
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Ser Graduado
José Mário Fidalgo dos Santos 253/1951
Ser Graduado N ão sei se haverá muitos de nós que tenham em casa um baú com as “coisas” do Colégio. Eu tenho, está debaixo da minha secretária no escritório, e lá dentro estão os meus oito anos de Colégio, cheios até acima com fotografias, cartas, impressos, documentos e muito mais. Quando há dias atrás, por razões de que não me lembro, abri novamente o baú, deparei-me com dois velhos “Calixtos”, os únicos “Calixtos” a que me abalancei a fazer. Num deles, incompleto, estão algumas poucas dedicatórias dos meus camaradas do 5º ano, no outro, com a tradicional capa preta, tenho dedicatórias de quase todos os da minha turma. É neste outro que está a mais importante dedicatória de toda a minha vida colegial. Essa dedicatória, cujo texto mais abaixo se reproduz, foi escrita no “Calixto” pelo graduado do meu pelotão, tinha ele pouco mais de 17 anos. O ano lectivo é o de 1954-1955, eu estava no 3º ano e na minha mesa éramos três jovens alunos, o Paes, o Garoupa, eu e um graduado, o Carlos Góis Pinto (201/1947), “sorja” da segunda. Tínhamos apenas 13 anos e a adolescência estava já aí a manifestar-se com toda a força, com tudo o que isso pode significar de mudança de interesses, de perscrutação do que nos rodeava, de vontade de fazer coisas (algumas menos boas), sentindo o corpo a transformar-se rapidamente. Na nossa mesa o graduado conduz o diálogo, sempre interessado em saber da nossa vida, o que fizemos, como nos sentimos. Muitas vezes a conversa segue um rumo que procura responder às nossas preocupações existenciais do momento, noutras alturas são questões culturais que afloram e que
podem ir da apreciação dos filmes que vimos nas sessões de cinema na Formação, aos livros que estamos a ler. O meu graduado é alguém com gosto pela cultura, talvez escreva poesia às escondidas (nunca o virei a saber), que aprecia a literatura e adora ler. O meu graduado tornou-se um modelo para mim (o que ele nunca virá a saber) que era apenas um jovem pré-adolescente, e que me tornei num leitor compulsivo e num apaixonado por poesia. José Mário Fidalgo dos Santos 253/1951
Dedicatória Bem sabes que não são palavras de graduado, mas sim de amigo as que te vou dirigir. Não te desejo a felicidade, assim sem mais nem menos. Seriam palavras vãs despidas de qualquer sentimento, banais de mais para se poderem sentir, pelo menos com aquela intensidade com que pretendemos dizê-las. A felicidade, a alegria, o bom nome conseguem-se, mas lutando por elas, sofrendo para as conseguir. É preciso um ideal. É necessária uma vontade, é imprescindível a persistência. Essas qualidades, entre tantas para que o fim seja alcançado são as que eu tenho procurado fazer desenvolver dentro de vós. E desejo que outros as desenvolvam mais. O meu desejo é que medites naquilo que te deixo escrito, que compreendas e que dentro do teu espírito nasça a necessidade absoluta de perfeição. Essa sim, essa é a verdadeira felicidade.
Espicaça a vontade, estimula essa ambição, cria um carácter forte, uma maneira de ser sã e a minha missão de graduado não terá sido inútil. Pena é que em tão pouco tempo eu não tenha conseguido ser amigo de todos quanto sou de vocês os três que constituem a minha mesa. A minha obra teria sido mais vasta mas por outro lado mais incompleta. Não vos dei, nem sequer tentei dar exemplos de correcção e aprumo nos actos oficiais. O interesse seria secundário. Tentei sim incutir-vos o respeito por vocês mesmos, um aperfeiçoamento espiritual, que esse sim, esse é que importa. Nós não valemos pelo que mostramos da camada superior, mas por aquilo que encobrimos mais no íntimo. E vocês, os três que conheço melhor, têm boa massa para isso, a questão agora é quererem aproveitá-la ou não. Lê um dia estas palavras e verás que me compreendes perfeitamente. O que eu desejo é que as leias a sorrir, encaradas como um conselho seguido, e não torturado pelo arrependimento de as não ter ouvido. Serás então feliz. Por enquanto medita nelas apenas. Avante moço – é de fortes que necessita o desenvolvimento da vida e não de débeis consumidos por uma juventude putrefacta. Lembra-te deste que te escreveu palavras sinceras e que é teu amigo, mais do que o poderias supor. Nota da Redação Isto sim, era um Senhor Graduado!
Ser Jovem... A juventude não é um período da vida, é um estado de espirito, um efeito de vontade, uma qualidade de imaginação, uma intensidade emotiva, uma vitória da coragem sobre a timidez, um gosto da aventura sobre o amor ao conforto. Não é por termos vivido um certo número de anos que envelhecemos, envelhecemos porque abandonamos o nosso ideal. Os anos enrugam o rosto, renunciar ao ideal enruga a alma. As preocupações, as dúvidas, os temores e os desesperos são os inimigos que lentamente nos inclinam para a terra e nos tornam pó antes da morte. Jovem é aquele que se admira, que se maravilha e pergunta, qual criança insaciável: E depois? – Aquele que desafia os acontecimentos e encontra alegria no jogo da vida. És tão jovem quanto a tua fé; tão velho quanto a tua descrença. Tão jovem quanto a tua confiança em ti e em tua esperança; tão velho quanto o teu desânimo. Serás jovem enquanto te conservares receptivo ao que é belo, bom e grande; receptivo às mensagens da natureza, do homem, do infinito. E se um dia o teu coração for atacado pelo pessimismo e corroído pelo deboche, que Deus, então se apiede da tua alma de velho.
General Douglas Mac Arthur em 1945
Este texto, ao mesmo tempo simples e magnífico, foi-me dado a conhecer pelo nosso camarada Antigo Aluno, José Baptista Pereira (318/1947)1, membro do Conselho Supremo da nossa Associação. São palavras que só podiam ter sido escritas por um Homem de grande carácter, de grandes princípios e de elevados ideais, como foi o caso do General Mac Arthur, herói americano da 2ª Guerra Mundial, no teatro de operações do Pacífico. É uma inspiração para todos nós e no qual nos revemos. Penso não errar, ao afirmar que este texto retracta a maneira como a esmagadora maioria dos Antigos Alunos caminharam e caminham pela vida. Por isso nos orgulhamos de ser meninos toda a vida. Somos e seremos, para sempre, «Meninos da Luz». Não abandonemos os nossos ideais. Não deixemos a nossa alma enrugar-se e continuemos até ao fim dos nossos dias receptivos ao que é belo, bom e grande. Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
1 Tenente General. Quando Comandante da Academia da Força Aérea (AFA), incentivou os Cadetes a saltar de pára-quedas. Em conjunto com os mesmos, também ele se lançou no ar no seu primeiro salto, em prova eloquente da sua juventude de espírito.
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General Douglas Mac Arthur, com o seu inseparável cachimbo, nas Filipinas durante a II Grande Guerra
Ser Jovem
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Os que nos deixaram
Os que nos deixaram João António Ferreira Lamas (75/1931) Engenheiro Civil Nasceu a 23 de Agosto de 1920 Faleceu a 3 de Março de 2017
J
oão António Ferreira Lamas (75/1931), “rata” de 1931, distinguia-se pela nobreza de trato e excelente relacionamento que mantinha com todos na Família Colegial. Homem de grande cultura, aparecia em todas as festividades do Colégio, nelas participando sempre com jovialidade e irradiando simpatia. Só muito recentemente deixou de estar connosco nessas ocasiões, face à avançada idade e à saúde mais débil. Concluído o Curso no ano de 1936/1937, em que foi Graduado de duas estrelas na 1ª Companhia, Ingressou na Universidade do Porto onde se formou em Engenharia Civil. Colaborador da Revista da AAACM, foi publicado na ZacatraZ um interessante artigo, da sua autoria, com o título “A Boiada de 1932”, descrevendo com minúcia o registo histórico de um acontecimento relevante daquele tempo, constatando a coesão do Corpo de Alunos (com idades compreendidas entre os 10 e os 17 anos) e a verticalidade de actuação dos Responsáveis Militares nos diferentes escalões de comando.
Colaborou também na revista “Ingenium” da Ordem dos Engenheiros onde, em 1988, foi publicado o texto - “O Sena que eu conheci” - relacionado com Jorge de Sena, seu colega de curso na Universidade do Porto. A sua carreira profissional como engenheiro teve início na Direcção-Geral dos Serviços Hidráulicos (DGSH), donde transitou para a Hidro Eléctrica do Zêzere (HEZ) e mais tarde para a Companhia Nacional de Electricidade. Com a criação da Electricidade de Portugal (EDP), que passou a ser a empresa única com a atribuição de produzir, transportar e distribuir energia eléctrica, nela foi integrado. Na sua actividade no Sector da Electricidade desempenhou, com elevado mérito, cargos de responsabilidade, sendo credor de apreço e respeito generalizado. João António Ferreira Lamas foi Membro do Conselho de Curadores da Fundação Casa de Macau e Membro da Direcção da Casa de Macau de Lisboa, de que era Sócio Benemérito. A vivência do seu trisavô-paterno António Gonçalves Lamas, comerciante de Lisboa com negócios na Ásia, tê-lo-á influenciado, despertando-lhe o interesse pelo Extremo Oriente e o seu fascínio, interesse que foi aumentado por força do seu casamento com a Senhora D. Ercília Maria de Sousa Nolasco da Silva, residente em Lisboa, mas Membro de uma antiga e prestigiada Família tradicional macaense.
Quando em 1971 visita Macau pela primeira vez, constata que a gastronomia macaense está em declínio, por força da contínua emigração que se verificou a partir da II Grande Guerra, aparecendo apenas nos “chás-gordos” (chá/jantar de dias festivos, com iguarias doces e salgadas, frias e quentes). Apercebendo-se do risco em que se encontrava a continuidade da tradição culinária macaense, que combina aspectos gastronómicos orientais e ocidentais numa fusão única e, antevendo que tal culinária poderia deixar de ser conhecida após a transição de poder que se iria efectuar, decidiu dedicar-se ao seu estudo. De uma pesquisa de 800 receitas, foram publicadas 600 no livro “A Culinária dos Macaenses” com duas edições em 1995 e 1997. Em 2009 foi editado um novo título, edição trilingue (chinês, português e inglês), com o nome de “Culinária Macaense - 100 Especialidades”. Esta edição, agrupando especialidades na sua maioria caseiras e pouco conhecidas, resulta da selecção efectuada do enorme e vasto espólio do autor - um apaixonado por Macau e por tudo o que lhe diz respeito - congregado para manter viva a velha cozinha macaense que considerou como uma das mais heterogéneas, englobando uma mistura de condimentos e sabores originários do mundo descoberto e navegado pelos portugueses. Aos seus Familiares, apresentamos as mais sentidas condolências.
Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949
Os que nos deixaram
João Maria da Costa Pereira de Magalhães Faria Araújo
José Jaime Pinto Monroy Garcia
(79/1937)
(38/1942)
Estaleiros Navais Viana do Castelo - Segurança no Trabalho, Comandante Bombeiros Voluntários de Viana do Castelo Nasceu a 24 de Fevereiro de 1926 Faleceu a 10 de Maio de 2017
Oficial do Exército - Coronel de Infantaria Nasceu a 20 de Fevereiro de 1932 Faleceu a 4 de Março de 2017
J
oão Maria da Costa Pereira de Magalhães Faria Araújo (79/1937), nasceu em Braga e faleceu na cidade da Maia, onde tinha fixado residência. Após alguns anos em que trabalhou na Siderurgia Nacional, regressou ao Norte, a Viana do Castelo, cidade que tomou como sua e onde passou a maior parte da vida. Trabalhando nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, foi nesta cidade Comandante dos Bombeiros Voluntários, tendo fundado a Associação da sua Velha Guarda. Os princípios e valores aprendidos no Colégio sempre o orientaram e guiaram ao longo da vida, e os amigos, que lá granjeou, mantiveram-se sendo sempre recordados com a maior saudade e grande estima. Vivia intensamente a mística da Instituição Colégio, com orgulho, prazer e um brilho intenso nos olhos! Participava com assiduidade, no Porto, em tudo o que era celebração ou manifestação Colegial. Recorda-se o desfile do 3 de Março de 1994, realizado na Avenida dos Aliados, a que assistiu vibrando intensamente ao nosso grito “Zacatraz”. Todos os anos, enquanto a saúde e a idade lhe foram permitindo, marcava presença nos jantares do 3 de Março. A sua última visita ao Colégio foi em Maio de 2012, participando na Romagem de Saudade comemorativa dos 75 Anos de Entrada do Curso de 1937. Apesar do seu estado de saúde já não aconselhar grandes viagens, não quis deixar de estar presente acompanhando e confraternizando com os seus Camaradas e Amigos nessa data tão marcante. Era neto do General Luís Augusto Pimentel Pinto (99/1854) que, quando Ministro da Guerra, foi um dos fundadores, e seu primeiro Presidente, da “Associação Philantropica dos Alumnos do Real Collegio Militar”, que antecedeu a AAACM. Este facto terá também contribuído para o afecto e ternura que nutria pelo Colégio e pela nossa Associação. Deixou-nos levando consigo, orgulhosamente colocada na lapela, a Barretina que sempre o acompanhava. A todos os seus Familiares, especialmente ao seu filho Manuel Faria Araújo, apresentamos as nossas mais sentidas condolências. A Direcção e a Redacção da ZacatraZ
J
osé Jaime Monroy Garcia, o 38, entrou para o Colégio em 1942. No 2.º ano “tropeçou”, veio parar ao curso de 1943-1950 ao qual passou a pertencer de parte inteira até ao final. Nunca teve alcunha que “pegasse”, porque era daqueles cujo nome, ou número, dispensava alcunhas. Era o Monroy, o Zé Monroy. Foi sempre um aluno normal, algo rebelde, personalidade vincada. Sobredotado para o desporto, nomeadamente pela sua elasticidade, flexibilidade, habilidade, distinguiu-se no hóquei em patins – fez uma célebre parceria de avançados com o Carlos Campos (12/1942) – e no atletismo, salto em altura e salto à vara. Nestas modalidades, se tivesse crescido mais 10 ou 15 cm (tinha a altura normal de um homem da nossa geração, cerca de 1,70m) teria sido um atleta de excepção. Na ginástica acrobática, saltos de trampolim, era espectacular, pelo domínio perfeito que tinha do corpo em movimento. Mas o Zé Monroy tinha outra particularidade, essa menos comum entre os “Meninos da Luz” da altura – a sua vocação para as artes cénicas. Era, aliás, dotado de especial sensibilidade artística, tocava piano, tocava órgão, tocava acordeão, tocava viola, tocava harmónica bocal. O nosso 7.º ano foi o da sempre invocada ida do Batalhão Colegial a Madrid, em Junho de 1950. Jornada inesquecível. Entre o vasto programa que íamos cumprir incluía-se a Noite Cultural, com actuação do Orfeão e representações teatrais entre as quais autos vicentinos. Os “actores” foram superiormente preparados por uma equipa do Teatro Nacional, dirigida pelo Raul de Carvalho (155/1912) e de que fazia parte o Augusto Figueiredo, o mais destacado intérprete vicentino da época. O Monroy falava bem o castelhano, a família do pai era espanhola e em casa das tias, onde passava os fins-de-semana e
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Os que nos deixaram
9 de Novembro de 1949 - Equipa de hóquei em patins representando o Colégio, no Pavilhão dos Desportos (hoje Pavilhão Carlos Lopes), ao tempo cenário habitual de grandes desafios e campeonatos de hóquei em patins, altura em que esta modalidade galvanizou o público português e durante a qual foram relevantes os papéis nela desempenhados pelo Colégio e pela Associação dos seus Antigos Alunos. 1º plano - Carlos Fernando Valente de Ascensão Campos (12/1942), Ricardo José de Almeida e Sousa Gonçalves (233/1944) e José Jaime Pinto Monroy Garcia (38/1942). 2º plano - Luís Jorge Lopes Gomes Marques (84/1942), Rui Ernesto Freire Lobo da Costa (160/1943), António Mário Castelo Branco Corrêa de Aguiar (178/1944) e Treinador Sanchez.
as férias (a mãe estava em Moçambique), falava-se normalmente castelhano. O Monroy foi escolhido para representar o “Monólogo do Vaqueiro”, no genuíno castelhano vicentino e renascentista. Foi um enorme sucesso, pôs toda a assistência que enchia o amplo Teatro Madrid, em delírio, a aplaudi-lo de pé. Para nós foi a confirmação. Aliás tinha havido uma “ameaça” de alcunha de “teatradas”, mas que nunca vingou. Oficial de Infantaria, fez a sua carreira apanhando todo o período da guerra, com comissões em Moçambique, na Guiné, em Angola. Depois de ter passado à reserva, no posto de coronel, fixou-se nas Caldas da Rainha, tendo-se dedicado com muito mérito à vida autárquica. Eleito vereador em 1985, em lista da AD e em representação do CDS, chegou a assumir interinamente a presidência da Câmara e aí teve oportunidade de dedicar particular apoio às actividades culturais, papel que foi reconhecido
por munícipes das mais variadas tendências partidárias. O Zé Monroy acompanhava-nos regularmente nos nossos almoços quinzenais, aos quais vinha expressamente das Caldas. Há cerca de dois anos começámos a sentir a sua ausência e a preocupar-nos porque sabíamos que a sua saúde se agravava. O nosso assíduo contacto com a família confirmava-o. Deixou-nos em 4 de Março. Mas continuará vivo entre nós, porque enquanto um de nós resistir o Monroy estará presente. O Curso 1943-1950
Monroy Garcia, um Vicentino num Palco de Madrid - foi há muitos anos, certamente muito poucos já se lembrarão. Em 19 de Junho de 1950 um comboio especial arrancava da estação do Rossio rumo à estação de Madrid-Delícias onde chegaria já noite fechada. Levava consigo o Batalhão de
Alunos do Colégio Militar, acompanhado da Direcção deste estabelecimento de ensino e de numerosos professores e instrutores que, na sua máxima força, iria fazer uma estada de 6 dias na capital espanhola numa inédita e nunca mais repetida visita protocolar. Na bagagem, além da juventude impaciente e da vontade de bem-fazer que animava aquelas três centenas de jovens, havia uma colecção heterogénea de actividades que tinham sido minuciosa e repetidamente ensaiadas ao longo de todo o ano lectivo e que se iriam desdobrar durante essa estada. E entre elas, logo no primeiro dia, estava uma apresentação no enorme Teatro Madrid, com a sua lotação de duas mil pessoas completamente esgotada, onde, além de várias intervenções do Orfeão Colegial, se iriam recitar três pequenas peças teatrais – um diálogo dito Colégio Militar, da autoria do coronel Carlos Chaby, entre um antigo e um actual aluno, evocando, em verso dodecassílabo, as principais efemérides da instituição, o Monologo del Vaquero, peça fundamental do nosso teatro que celebrou o nascimento do príncipe D. João (futuro D. João III), de Gil Vicente, e o entremez Todo o Mundo e Ninguém, do Auto da Lusitânia, do mesmo autor. Tive o privilégio de pertencer a este pequeno e audacioso grupo de actores juvenis, fazendo de “velho” antigo aluno, papel que, na edição original da peça, fora desempenhada pelo consagrado Raul de Carvalho, e sabia que a tarefa no Teatro Madrid ia ser muito mais difícil do que fora no Teatro D. Maria II – a dimensão do espaço e a circunstância da audiência ser predominantemente estrangeira eram duas contrariedades de peso. Mas a experiência que inúmeros ensaios e as duas representações anteriores nos tinham conferido e um atrevimento que só se tem naquelas idades, ajudaram a compor um desempenho, talvez mais gritado e pausado que em Lisboa, que julgo, todavia, não ter sofrido quebra de rigor. Mas o desempenho de Monroy Garcia, no Monologo del Vaquero, excedeu todas as expectativas. Interpretando com fidelidade e convicção a entrada tumultuosa de Gil Vicen-
Os que nos deixaram
te na câmara da Rainha, o Vaqueiro declamou com vigor inesperado e num castelhano irrepreensível, as primeiras estrofes do Auto: Pardiez! siete arrepelones Me pegaron a la entrada, Mas yo di una puñada A uno de los rascones. Empero, si yo tal supiera, No viniera, Y si viniera, no entrára, Y si entrára, yo mirára De manera, Que ninguno no me diera. Mas andar, lo hecho, es hecho: Pero todo bien mirado, Ya que entré, neste abrigado,
Todo me sale en provecho. Rehuélgome en ver estas cosas, Tan hermosas, Que está hombre bobo en vellas: Véolas yo; pero ellas, De lustrosas, A nosotros son dañosas. E quando se volta para a Rainha para continuar a declamação, Monroy Garcia, naquele arranque magistral, já silenciara a sala que o vai escutar reverentemente até à longa e calorosa ovação final. Foi um momento singular nas nossas vidas. Não tornámos a representar, nenhum de nós fez carreira por esse lado. Toda uma longa e persistente preparação – ensaios a perder de vista, inúmeros conselhos repetidos à
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exaustão, horas e horas a afinar o gesto ou a colocar a voz – dera os seus frutos, estava extinta. Sabia a pouco mas era assim. Mas ficou-me sempre a ideia, que apenas hoje publico, que o incomparável desempenho do José Jaime Monroy Garcia no papel do Vaqueiro do Auto da Visitação de Gil Vicente, foi um ponto muito importante no êxito que, reconhecidamente, o Batalhão de Alunos do Colégio Militar teve na visita que fez à capital espanhola – nesse já remoto ano de 1950. Eduardo Maria Rato Martins Zúquete 20/1945
O texto “Monroy Garcia, um Vicentino num Palco de Madrid”, foi publicado no passado mês de Março na “Gazeta das Caldas”.
José Fernando Reis Machado Faria (117/1945) Coronel Médico da Força Aérea Portuguesa Nasceu a 13 de Janeiro de 1934 Faleceu a 17 de Fevereiro de 2017
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osé Fernando Reis Machado Faria, após ter terminado os estudos liceais no Colégio Militar em 1953, matriculou-se na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, tendo obtido a licenciatura em 28 de Outubro de 1961. Em 21 de Janeiro de 1962 ingressou no Quadro Permanente de Oficiais Médicos da Força Aérea, tendo embarcado para Angola em 28 de Fevereiro de 1962 para cumprir comissão de serviço, como médico no Batalhão de Pára-quedistas 21 e no AB3 - Negage, tendo
regressado em 22 de Abril de 1964. De 17 de Março de 1967 a 1 de Setembro de 1968, cumpriu nova comissão de serviço na Guiné, como chefe da secção de saúde, e de 20 de Outubro de 1968 a 25 de Dezembro de 1970 cumpriu a 3ª comissão de serviço em Luanda, como médico do Batalhão de Pára-quedistas e posteriormente como médico na Delegação do Serviço de Saúde da Força Aérea. Regressado ao Continente, iniciou nos Hospitais Civis de Lisboa a especialização médica, tendo obtido a qualificação de especialista em Ortopedia e Traumatologia após a prestação de exames e provas públicas em 31 de Dezembro de 1975. Exerceu a actividade de médico ortopedista no HFA e mais tarde como Chefe de Servi-
ço de Ortopedia e Traumatologia. Em 6 de Janeiro de 1983 foi colocado na Escola do Serviço de Saúde Militar como Director dos Cursos e de 10 de Agosto de 1987 a 10 de Outubro de 1990, por ter sido nomeado por escolha, foi colocado no EMGFA/DLP como Chefe da Repartição de Saúde. Em 9 de Outubro de 1990, foi nomeado Presidente da Junta de Saúde da Força Aérea até 1 de Novembro de 1992, data em que passou à situação de Reforma com o posto de Coronel. Possui os cursos/habilitações literárias civis de: Grau de Chefe de Serviço, Grau de Assistente Hospitalar, Curso Geral de Guerra Aérea, Qualificação de Especialista de Ortopedia e Traumatologia, Qualificação em Medicina Aeronáutica - Curso nos EUA e Qualificação em N.B.C. em Medicina Aeronáutica-Curso na Noruega. Foi condecorado com a Medalha Comemorativa das Campanhas no Ultramar (Angola e Guiné), Medalha de Comportamento Exem-
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plar (Ouro e Prata), Medalha de Mérito Militar (1ª e 2ª Classe), Medalha de Ouro de Valor Militar com Palma (colectiva) - concedida ao Batalhão Pára-quedista 21 e Ordem Honorífica-Torre e Espada de Valor Lealdade de Mérito (colectiva)-concedida ao BCP21. Nota curricular
Não conheci o José Machado Faria no Colégio. O seu curso de saída, onde no 7º ano foi 3 estrelas da 2ª Companhia, saiu no Verão de 1953, e o meu curso entrou no fim do Verão desse ano. No entanto, uma particularidade, que nós valorizamos tanto uniu os nossos cursos, ou seja, a quase totalidade dos números desse curso foi assumido pelo meu, que entrou dois meses depois. Assim, o sucessor directo do Zé (117) era o José Aurélio Sequeira Falcão do meu, como o meu
antecessor directo, o Ricardo Bayão Horta (25) era o Comandante de Batalhão do curso saído em 1953. Só conheci o José Machado Faria em Outubro de 1970 em Luanda. Eu, terminada a minha obrigação militar em Moçambique, entrei para a TAP, casei e fui transferido para Luanda, onde vivia a família da minha mulher e conheci o Zé que na altura namorava com a minha cunhada mais velha. Encontrava-se o Zé Machado Faria na sua 3ª comissão de serviço. Privámos diariamente e tornámo-nos amigos, e se era fácil ser amigo dele. Afável, brincalhão, solidário com todos os seus amigos, sempre disposto a ajudar e a neutralizar todos os problemas que não tivessem importância de maior. Era assim o Zé. Depois, ou primeiro que tudo, havia o Colégio Militar, trave mestra do carácter de quem passou pela nossa Casa que
transforma os Antigos Alunos em Camaradas e Irmãos, seja qual for a idade ou as voltas que a vida deu a cada um. Ele regressou à Metrópole em 1972, casado e, portanto, meu cunhado, eu permaneci por lá e só voltei a estar com ele em 1974, quando lá foi tentar resolver a situação da Casa de Saúde, Dr. Machado Faria, fundada pelo Pai, Coronel Médico do Exército e Antigo Aluno (155/1915). Também teve mais um irmão no Colégio, o Jaime (75/1945), entrado com o Zé mas para o 2º ano. Os últimos tempos foram para ele de enorme sofrimento, tendo sido sempre acompanhado pela mulher, a Nazaré e pelo filho o Miguel, com quem tinha uma relação ímpar. Até sempre Zé. Francisco Décio de Freitas e Seixas 25/1953
Francisco de Barahona Núncio (258/1948) Engenheiro Mecânico, Gestor e Empresário Agrícola Nasceu a 30 de Abril de 1938 Faleceu a 29 de Março de 2017
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embro-me muito bem do Francisco nos já longínquos anos de 1948 a 1955 em que frequentámos o Colégio Militar. Era filho do grande cavaleiro tauromáquico que foi João Branco Núncio e irmão de João Barahona Núncio (175/1945) e de José Barahona Núncio, engenheiro agrónomo e também grande cavalei-
ro que sucederia ao pai na arte da tauromaquia não fora o grave acidente que sofreu. O Francisco começou logo nos primeiros anos a impor-se como o número dois do curso na sua prestação escolar. Fleumático, raramente se exaltava, nunca perdia a calma, muito metódico no estudo e na sua organização pessoal. Quando no 5º ano começaram as aulas de equitação revelou-se como um dos melhores cavaleiros do curso. Tive a oportunidade de o conhecer melhor quando no Verão de 1952 a minha mãe alugou, por acaso, uma casa, na Foz do Arelho, mesmo ao lado da família Núncio. Nessa ocasião conheci e convivi com os pais e irmãos. A 15 de Agosto havia grandes festas nas Caldas da Rainha que incluíam na sua programação bailes no Casino e uma grandiosa tourada onde Mestre João Núncio actuava e maravilhava, com a sua arte, a muito numerosa assistência na praça de touros da cidade. Tínhamos um grande grupo de rapazes e raparigas
que se divertia em passeios, bailes e em especial passeios de barco na Lagoa de Óbidos. Os Núncios tinham um barco a motor cujo condutor era o Francisco que nessa altura tinha apenas 14 anos. Era grande o seu sentido de responsabilidade, extremo cuidado e mestria na navegação. No conjunto do grande número de amigos desse tempo, o Francisco era uma das minhas referências. Em Outubro de 1955 entrámos para o I.S.T. num numeroso grupo de camaradas do Colégio Militar, aliás acontecimento raro nesses tempos, causando certa perplexidade na direcção do Colégio. Durante o curso do Técnico, dada a exigência do estudo e dado que a vida académica decorria em diferentes pavilhões pouco convivi com o Francisco. Muitos anos mais tarde, o Francisco era director-fabril da Refrige. A empresa onde eu trabalhava fornecia vidro de embalagem à Refrige e tive diversos contactos com o Francisco. Isto no início da
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década de 1980. Francisco tinha sido o coordenador responsável pela montagem da fábrica e ouvi da boca do administrador e conhecido empresário Engº Francisco Avillez grandes elogios à competência e liderança do Francisco. Assim, para mim, o Francisco foi um camarada, um amigo e uma das minhas grandes referências da adolescência e juventude. Pedro do Canto Lagido 330/1947
Do curso do Francisco Núncio, o Quico, fomos 3, Pedro Lagido, Francisco Sampayo e eu, os últimos a conviver com Ele uns momentos de felicidade e recordação dos tempos colegiais. Fomos às Alcáçovas e encontrámos o Quico já muito debilitado, fazendo prever o desfecho, que efectivamente ocorreu pouco tempo depois. A fleuma, que sempre lhe conhecemos, quebrou-se, e as lágrimas, de contentamento, apareceram. Tenho a certeza
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que o Quico exultou com este encontro, Ele previa tratar-se da Sua despedida, e nós gozámos uma última vez da sua companhia. Conheci o Quico, nos idos de 48, como “rata”, e juntos continuámos até 1961, quando terminámos as nossas lides académicas. Naturalmente, “irmãos”, como fomos, os contactos mantiveram-se e permitiram acompanhar, com agrado e alegria, a sua carreira de grande gestor, primeiro industrial, depois agrícola. Refiro aqui um episódio, que bem revela as suas qualidades humanas. Nos “negros” tempos do PREC, teve as propriedades, seu sustento, ocupadas, sendo, assim, forçado a retomar a sua actividade na indústria. Durante o período de inactividade, as pessoas da Terra, certamente pelo respeito, que por Ele nutriam, e reconhecendo a desumanidade e injustiça do procedimento, iam, pela calada, levar alimentos a sua casa. Por Ele tenho grande admiração. Não vou repetir as qualidades já enaltecidas, mas não quero
deixar de repescar uma, método e pontualidade, que nele sobravam, e a mim continuam a faltar. Na véspera dos exames, perfeitamente calmo, característica de quem age metodicamente, o Quico aparecia, a meio da tarde, para desfazer dúvidas. Seguia-se o descanso, contrariamente à “lufa lufa”, em que eu continuava, normalmente até altas horas… Uma outra feliz ocorrência veio cruzar nossos caminhos. Quis Deus que uma filha minha viesse a casar com um seu sobrinho por afinidade. Nunca é possível retratar com perfeição as grandes almas. Obviamente não o consegui. Contudo, repito, estamos perante um grande Homem. Deus o guarde numa boa e merecida morada. Até sempre, meu bom amigo Quico.
suas ideias. Com um bom stock de anedotas, tinha sempre a melhor para a ocasião. Já prenunciando a carreira de engenharia, que viria a seguir, era brilhante na Matemática, merecendo rasgados encómios do nosso professor, o capitão Manito Torres. Com profundo sentido do religioso, conforme o caracterizava o nosso Capelão, Padre Braula Reis. Recordamos um exercício prático de Instrução Militar organizado pelo Capitão Cruz e que consistiu em formar 5 a 6 equipas do nosso curso, com cerca de 5 alunos cada uma, para a montagem de uma rede de postos telefónicos para uso em campanha. O grupo do Luís foi o mais rápido graças ao “desenrascanço” do nosso Luís e o Capitão Cruz elogiou-o muito. Na sua carreira de bom gestor, começou na equipe de topo, em Cabora Bassa. Foi depois para a Sociedade Nacional de Sabões,
chegando a Director Geral. Nos quadros dirigentes do IPE, foi presidente da CIVE – Companhia Industrial Vidreira, promovendo a sua recuperação e notável desenvolvimento. Terminou como grande gestor agrícola. Despedimo-nos do Lince, já muito debilitado, no Hospital. Apesar disso, com a sua habitual boa disposição. Adeus bom amigo.
Luís Gonzaga de Castro Mendes de Almeida 285/1948
Luís Lince Núncio (362/1949) Engenheiro Electrotécnico, Empresário Agrícola Faleceu a 21 de Dezembro 2017
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Luís Lince Núncio deixou-nos. D´Ele guardando enorme saudade, gostaríamos de deixar um breve testemunho, naturalmente incompleto, mas recordando algumas das suas boas “marcas”. De esfusiante boa disposição, seguro de si, optimista, defendia com emoção e vigor as
Pedro do Canto Lagido (330/1947)
Luís Gonzaga de Castro Mendes de Almeida (285/1948)
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João Manuel Gomes de Sousa
João Agostinho da Silva Baptista
(202/1954)
(375/1955)
Professor da Escola Nacional de Saúde Pública da UNL Nasceu a 17 de Março de 1944 Faleceu a 12 de Janeiro de 2017
Gestor - Professor Universitário Nasceu a 1 de Janeiro de 1945 Faleceu a 22 de Março de 2017
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uando o curso de 1954 se começou a reunir há cerca de três anos, foi com grande satisfação que revimos o João Manuel Gomes de Sousa, o 202. Todos nós fisicamente muito diferentes, andámos a procurar quem és tu uns aos outros e, em breve, o grupo estava refeito. No jantar seguinte o João Manuel apareceu, mas com sinais evidentes de que algo de grave se passava no capítulo da saúde. Com efeito assim era. Deixou de aparecer e, recentemente, logo a seguir ao nosso último convívio, tivemos a notícia do seu falecimento recente, em Janeiro deste ano. Lembro-me do miúdo alegre e bem-disposto dos tempos do Colégio, que a partir do 4º ou 5º ano começou a ter notas altíssimas, acabando por dispensar do exame do 7º ano. Seguiu para o Instituto Superior Técnico onde formou em engenharia química. Cumpriu o serviço militar na Reserva Naval, tendo comandado uma lancha, o NRP Sirius, no norte de Moçambique, curiosamente rendendo um camarada do mesmo curso do Colégio, o Manuel Ferrão de Castelo Branco, 384/1954. Como docente da Escola Nacional de Saúde Pública preparou o seu doutoramento em Newcastle. No Ministério do Ambiente trabalhou no saneamento básico e depois foi Director de Serviço da Qualidade da Água. Terminou a sua carreira como professor associado da Escola Nacional de Saúde Pública. Casado e pai de dois filhos deixa uma profunda saudade em todos os que com ele conviveram. João Nuno Ribeiro Ferreira Barbosa 16/1956
osé Agostinho da Silva Baptista (375/1955), nasceu em Lisboa, a 1 de Janeiro de 1945 e faleceu a 22 de Março de 2017, em Providence, Rhode Island, USA. Quando no dia 23 de Março, o José João Reis de Matos Silva (51/1956) me deu a notícia, fiquei em choque e recuei décadas, aos mais de vinte anos que com ele convivi diariamente. Entrámos e saímos juntos do Colégio. Fomos sempre da mesma turma, mais o José Maria Trigoso Corrêa de Barros (416/1955). Também juntos entrámos na Faculdade de Direito de Lisboa. Quando regressei da Guiné, passava os serões em sua casa e ele e a mulher muito me aturaram. Homem de Cultura e muito inteligente, acabou por se formar no Instituto de Novas Profissões e na América tirou um Mestrado (Business Administration) na Bryante University. Profissionalmente em Portugal, concebeu, fundou e administrou a Moapão, grande empresa de moagem. Nos Estados Unidos, foi fundador e director do Portuguese American Journal e Professor na Roger William University. Era casado com Carolina Matos e tinha três filhos, Rafael, César e Helena Sofia. Com a sua morte não fiquei apenas triste, mas senti que me amputaram parte da minha Juventude. Até qualquer dia, Querido Amigo!
Jorge Pedro de Almeida Cabral 278/1955
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