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EDITORIAL
Adelino Fonseca Lage 176/1966
DA PERENIDADE DA AAACM
AO “SÓCIO ALUNO”
A
entrada no 5.º ano do Colégio Militar é mais do que o início de um percurso escolar — é o despertar de uma identidade que acompanhará cada novo Menino(a) da Luz para toda a vida. No instante em que passa de “Turista” a “Rata”, nasce nele um sentimento que só quem viveu o Colégio compreende: a certeza de que passa a fazer parte de uma história maior do que ele próprio, uma história feita de camaradagem, disciplina, sacrifício e orgulho.
panhá‑los desde o início, aco‑ lhendo-os como “Sócio Aluno”, informando-os dos eventos da Associação e levando‑lhes tri‑ mestralmente a revista ZacatraZ. Ali vivem as estórias que moldaram gerações, os momentos que nos fizeram crescer, e os sucessos que cada Antigo Aluno alcança, com o mesmo espírito de camaradagem que aprendeu dentro destas pare‑ des. Cada edição que chega a casa é um despertar silencioso: “Tu és parte disto. Sempre foste. Sempre serás”.
É por isso que a Associação dos Antigos Alunos decidiu estreitar ainda mais esta ligação, criando a figura do “Sócio Aluno”, para que cada “Rata” sinta, desde o primeiro dia, que pertence a uma família que nunca o deixará para trás. Em vez de, anos depois, tentarmos reencontrar antigos camarada dis‑ persos na vida e espalhados pelo mundo, sabendo que um dia, to‑ dos que envergaram a farda cor de pinhão serão Antigos Alunos, colocando com orgulho a Barre‑ tina na lapela, escolhemos acom‑
O primeiro “Sócio Aluno”, o Fre‑ derico 114/2024, recebeu o seu Kit de acolhimento na AAACM e descobriu e leu a revista ZacatraZ, abrindo um caminho que muitos outros seguirão, porque a ligação ao Colégio não se ensina — sente‑se. E quando um dia, por essa vida fora que por eles espera, saberão que a pergunta a que se vão habituar, “Qual é o teu número? Qual é o teu ano?” não é apenas tradição: É pertença, é memória, é a casa, que pela visão do Fundador Mare‑ chal Teixeira Rebelo, celebrou este ano 223 anos a formar jovens, que um dia se tornam Antigos Alunos.
Frederico 114/2024
NA CAPA: A Transmissão do Guião do Colégio Militar – Uma celebração interna, que assegura com dignidade a passagem do Guião do Colégio Militar, para o aluno mais novo do 11º ano, transmitindo os valores de um Colégio com 220 anos.
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FICHA TÉCNICA
CORPOS SOCIAIS DA ASSOCIAÇÃO PARA O TRIÉNIO 2025-2027 Assembleia Geral Presidente Vice-Presidente Secretário Secretário
Nelson Manuel Machado Lourenço (377/1982) António Luís Henriques de Faria Fernandes (454/1970) José Nuno do Rosário e Silva Leitão (153/1964) Ricardo de Sousa Macedo Esteves Mendes (190/2006)
Direcção Presidente Vice-Presidente Vogal Vogal Vogal Vogal Vogal
António Xavier Lobato de Faria Menezes (568/1969) Pedro Miguel Correia Vala Chagas (357/1977) Francisco José Nogueira Correia (197/1997) Ângelo Eduardo Manso Felgueiras e Sousa (498/1976) Luís Manuel Marques Cóias (190/1990) Maria Leonor Rainha Miranda Antunes dos Santos (628/2014) Adelino Augusto Reis da Fonseca Lage (176/1966)
Conselho Fiscal Presidente Vogal Vogal
Luís Miguel Antão Gonçalves (236/2011) Luís Filipe Figueira Brito Palma (214/1977) Bruno Luís Pereira Martins (146/2012)
FICHA TÉCNICA Nº 243 - Abril / Junho - 2026 Publicação Trimestral FUNDADA EM 1965 FUNDADOR Carlos Vieira da Rocha (189/1929) DIRECTOR Adelino Fonseca Lage (176/1966) adelino.lage@aaacm.pt CHEFE DE REDACÇÃO João Barrento Sabbo (17/1967) joaosabbo@gmail.com REDACÇÃO Nuno Mira Vaz (277/1950) Luís Ferreira Barbosa (71/1957) Jorge Santos Pato (484/1966)
REGISTO E BASE DE DADOS FOTOGRÁFICA Leonel Tomaz CAPA Transmissão do Guião do Colégio Militar ENTIDADE PROPRIETÁRIA E EDITOR Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar MORADA DO PROPRIETÁRIO e SEDE DA REDACÇÃO Quartel da Formação – Largo da Luz 1600 – 498 LISBOA
Tel. 217 122 306 Tlm. 916 072 898
TIRAGEM - 1350 exemplares DEPÓSITO LEGAL - Nº 79856/94
Os artigos publicados são da responsabilidade dos seus autores. Esta publicação não segue o novo acordo ortográfico.
DESIGN E EXECUÇÃO GRÁFICA:
Tm. (+351) 933 738 866 Tel. (+351) 213 937 021 www.smash.pt
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA AOS SÓCIOS DA AAACM Isenta de registo na Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC), ao abrigo do n. º1 da alínea a), do Art.º 12º Do Decreto Regulamentar n.º 8/99 de 9 de Junho.
ACEDA À REVISTA ZACATRAZ
Número Anterior 242
SUMÁRIO
04 DA VIDA DA AAACM
Um ano na vida de um Rata
10 A AAACM NO 10 DE JUNHO DE 2026
Homenagem aos Combatentes no Ultramar
13 ACTIVIDADES AAACM
Torneio de Padel da AAACM
15 GRAFONOLA DA ZACATRAZ A Grafonola em 2000
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ARTE EQUESTRE - GARRANOS, VOLTEIO E NÃO SÓ
19 DA VIDA DO COLÉGIO MILITAR
O Colégio Militar. Orgulho e Tradição
27 GÍRIA E TERMOS COLEGIAIS Dicionário "D", "E", "F"
29 SABERES E SABORES DO VINHO Região Borgonha
32 A VIAGEM DO ALLEGRO Santa Helena
35 DO MÉDICO E DA ENFERMA Se estas paredes palassem...
38 AA NAS ARTES E LETRAS
- Pela Boca do Baldumar - Lisboa, porta do Mundo Lisboa, porta de mim
40 FOI HÁ CEM ANOS...
- 28 de Maio de 1926 - Marechal Gomes da Costa - 28 de Maio de 1926 - O Golpe de Estado
46 DA VIDA DA AAACM - CONSELHO SUPREMO Homenagem a Ricardo Baião Horta
48 FARDAS E UNIFORMES Barretinas e Bonés
52 BAÚ DE ANTANHO
Recordar Ernesto Galeão Roma
58 AA NAS ARTES E LETRAS
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SARAU MUSICAL - 200 ANOS DO FALECIMENTO MARECHAL TEIXEIRA REBELO
54 DO COLÉGIO MILITAR À ACADEMIA MILITAR - UMA MENINA DA LUZ A FAZER HISTÓRIA
Mário Cortesão Casimiro
60 CONTOS E MOMENTOS Costa
65 AA NAS ARTES E LETRAS
Exército Português – Uniformes
66 POESIA NOS TEMPOS LIVRES
- Marechal Teixeira Rebello - o Fundador - Funeral de um Comando
68 ESTÓRIAS DO ESPÍRITO COLEGIAL O Espírito do Colégio Militar
69 ROMAGENS DE SAUDADE 72 OS QUE NOS DEIXARAM
63 TRIBUTO E RECORDAÇÃO ANTÓNIO MARTINS BARRENTO (40/1948)
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DA VIDA DA AAACM
Paulo Sande 60/1967
UM ANO NA VIDA DE UM RATA
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lá. Sou o Intragável, do curso de 2025, e o Zaca‑ traz pediu-me para es‑ crever um texto peque‑ nino sobre a minha experiência como “Rata” do Colégio Militar. Bem, eu acho que ele se chamava Zacatraz, era um senhor fininho e de óculos, mas de olhar penetrante, um bocadinho intimidante, e eu fiquei tão assustado que só consegui abanar com a cabeça a fazer que sim. Ele disse-me que tinha de ser até ao dia 15 de Junho e que esperava pelo meu texto a tempo, e dessa vez consegui responder-lhe, de olhar fixo na Barretina que tinha na lapela: “Sim senhor, pode contar com ele”, ao que me respondeu – e aí comecei a tremer-, “qual senhor qual quê, já não és Turista, agora és um de nós,
trata-me por tu” e eu “está bem, como estás?” e depois, quando ele se afastou, em voz baixinha ainda disse “…senhor”. Pois comecei a trabalhar. E aqui está. Eu sei que só tenho 11 anos e ainda a vida toda para conhecer coisas, mas nunca esquecerei este ano, seja quando tiver 18 anos e for um homem ou quando já for velhinho, com mais de 40. Tudo começou o ano passado, em Setembro, e o primeiro dia, melhor, a primeira noite, foi assustadora. Imaginem chegar a um sítio enorme, com aviões e canhões, darem-me uma farda esquisita e uns lençóis e juntarem-me a mais uma data de miúdos da minha idade, todos com ar assustado, como pássaros arrancados do ninho de um dia para o outro.
Havia lá alguns que já estavam no Colégio desde os seis anos e esses começaram logo a gozar connosco, a chamar-nos putos, Ratas e fedorentos; um dos graduados, que eu na altura não percebia bem o que eram senão malta mais velha com estrelas ao pescoço e um ar de autoridade, gritou-lhes que Ratas não éramos nós nem eles, éramos todos Turistas. Calaram-se. E assim ficámos por uns tempos. Depois, num dos primeiros almoços no refeitório, o Turista que eu era foi baptizado: estava a comer tran‑ quilamente no meio da algazarra, já ladeado por alguns dos meus cama‑ radas mais fixes, quando nos servi‑ ram uma coisa amarela e salgada que quase cuspi à primeira garfada, exclamando “intragável”!
DA VIDA DA AAACM
Pois claro, fiquei Intragável, nunca mais me ninguém me tratou pelo meu número, o 0 de 2025. Aprendi a marchar, aprendi a aceitar as praxes e as brincadeiras, ainda que tenha sofrido muito em certas ocasiões. Não é fácil ser-se um homem tão cedo. Na parada tínhamos de estar ao sol, formados e rígidos, e às vezes dava-me uma comichão na orelha e não podia coçar. Ou então, quando estava a marchar e íamos para as aulas logo de manhãzinha, tinha uma dor de burro e não me podia queixar. Às vezes, à noite, quando as luzes se fechavam na camarata e só se ouviam os sussurros da malta, ficava a pensar nos meus pais, na minha caminha confortável em Carcavelos e no meu cãozinho, o Whispers, nome dado pelo meu pai, inspirado, segundo parece, numa discoteca da sua infância. Depois tudo se precipitou. Uma noite, logo nos primeiros dias, tive muito medo e (isto não é para publicar) até fiz chichi na cama. Às tantas, ainda meio acordado, comecei a ouvir uns barulhos esquisitos, como de monstros e bichos e espectros, até que fantasmas aterrorizantes entraram na camarata e nos puseram aos gritos. Depois chegou um fantasma que se apresentou como o Fundador e disse: “Sou o Marechal António Teixeira Rebelo, fundei o Colégio Militar e intimo-vos a ser os representan‑ tes, desde hoje e para sempre, desta nobre instituição, assente na cora‑ gem, na camaradagem, no respeito pelos valores, no espírito de corpo”. Ainda hoje me lembro delas.
Entre aulas, a rigidez de alguns graduados, estudos, professores fixes e professores chatos, ginásti‑ ca, desporto – gosto muito de jogar futebol – e convivência ao final das tardes na nossa companhia com alguns dos amigos que ia fazendo, como o Essências, o Mago e o Tre‑ tas, os dias iam passando. Até que tudo se precipitou…
Colégio. E tenho saudades. E sabem do que mais tenho saudades? Do amarelo. ASSINADO: Intragável, 0 d/2025, ex-Rata
E foi quando tudo começou a fazer sentido. Quando percebi que o Co‑ légio, mais do que um colégio, é uma lição de como viver a vida, honrar a Pátria, ser verdadeiro e ser leal. A primeira vez que vesti a farda de gala, a Barretina e o capote. O compromisso de honra, que de “Turista” me fez “Rata”, fardado de gala e ao lado do Tretas e do Sebáceo, da Lady, ex- turista quatro anos, e da Micá, e dos outros, todos hirtos, todos de olhos húmidos de orgulho. O selar das barretinas. O Speliking. E a olhar no céu, o sinal na cruz do Zimbório da Capela. Fui para casa no Natal e, para os meus pais, já era outra pessoa. Voltei em Janeiro e o abraço que demos foi de amizade. De pertença. De sentido. De propósito. Eu era um deles, eles eram um de mim. Passaram meses, tudo a correr como sempre, entre aulas, desfiles, paradas, noites tranquilas, risos e Zacatrazes. Tudo parecia mais fácil, marchar como passear, até os graduados nos entendiam melhor (ou fingiam). Dispo agora por algum tempo a farda de pano, volto aos meus pais para passar umas belas férias de Verão. Mas estou ansioso pelo regresso. Penso nos meus amigos e penso no
A Tradição do capote e Barretina no Zimbório da Capela nos Claustros e o saco de pano, hoje em dia substituído por troley´s modernos.
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ARTE EQUESTRE - OS GARRANOS
Luís Barbosa 71/1957
GARRANOS, VOLTEIO E NÃO SÓ….
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egundo os entendidos, Por‑ tugal tem quatro raças de ca‑ valos autóctones, os cavalos Lusitanos, os Alter, os Sorraia e os Garranos. São cavalos muito dispares entre si, que consideramos poderem ser incluídos em dois pata‑ mares diferentes. No patamar «mais elevado» colo‑ camos o cavalo Lusitano e o cavalo Alter. O cavalo Lusitano, o «filho do vento», é o ex-libris dos Cavalos de Portugal, sobre o qual já escre‑ vemos, a propósito da classifica‑ ção da Arte Equestre em Portugal, como Património Imaterial da Hu‑ manidade, pela UNESCO. O cavalo Alter recebeu o seu nome da vila de Alter do Chão, no Alto Alente‑ jo, onde D. José I, decidiu criar, em 1748, na coutada do Arneiro, uma coudelaria destinada à criação de cavalos de elevada qualidade, para utilização pela Casa Real e para serem trabalhados pelos equita‑ dores da Real Picaria, ao serviço
da corte. Estando a Coudelaria de Alter ao serviço da corte, o seu ferro era formado por um A, enci‑ mado por uma coroa, donde cremos ter resultado a designação alterna‑ tiva, cavalos «Alter Real». No início da República a coroa foi retirada do ferro da coudelaria. Esta situação foi corrigida mais tarde, o que consideramos ter sido uma medida correcta. Misturar «imagens de marca» com questões políticas, em geral não dá bom resultado. No patamar «menos elevado» das raças cavalares portuguesas co‑ locamos os Garranos e os cavalos Sorraia, animais mais pequenos, rústicos e resistentes, usados tra‑ dicionalmente em trabalhos de campo. O cavalo Sorraia recebeu o seu nome do rio Sorraia, cuja bacia era o seu habitat natural. É um pequeno cavalo (1,43m de altura média) de grande rustici‑ dade, dócil e ágil. É ainda criado
nalgumas herdades alentejanas, sendo o seu efectivo diminuto. O Garrano encontra-se no Norte do País, em particular no Minho, onde ainda pode ser encontrado em liberdade, nas serras da Peneda e Gerês. Encontra-se também na Galiza, nas serranias que dão con‑ tinuidade ao nosso Parque Natural da Peneda – Gerês. É um cavalo pequeno (1,30 m de altura média), peso da ordem dos 200 kg, mas capaz de transportar cargas até 100 kg. Tem geralmente pelagem castanha, configuração algo atar‑ racada, grande resistência, sendo enérgico e de carácter algo bra‑ vio, de acordo com o seu habitat natural. No Colégio Militar os Garranos fo‑ ram usados, largos anos, nas aulas de equitação dos Alunos mais no‑ vos, do antigo 1.º ciclo, que eram ainda demasiado pequenos para se haverem com os normais cavalos da fileira dessa época, «rebarba‑
ARTE EQUESTRE - OS GARRANOS
tivos» de trato, devido às manhas adquiridas ao longo de muitos anos de cavalariça e picadeiro. Os Garranos não eram usados no Co‑ légio como cavalos de sela, eram sim usados para o volteio. Não eram aparelhados como cavalos de sela, eram aparelhados da for‑ ma usada para o volteio. Em vez de sela levavam apenas um cobertor dobrado sobre o dorso, que era fixo por meio de um cilhão, dotado de duas pegas na sua parte superior, para os pequenos cavaleiros aí se agarrarem. O volteio tinha como objectivo habituar os Alunos aos cavalos, fazendo-os vencer os ha‑ bituais «receios» iniciais e dan‑ do-lhes à vontade a cavalo, em qualquer um dos três andamentos. Esse à vontade obtinha-se com a
execução de vários exercícios de «ginástica a cavalo», que incluíam o clássico apear e montar a galope, com descida a pés juntos, seguida de uma batida no chão, que impulsio‑ nava o Aluno para o ar, ficando de novo montado no Garrano. Adqui‑ rido o almejado à vontade a cavalo, entrava-se na execução de exercícios variados mais exigentes, alguns já no domínio da «acrobacia», incluin‑ do exercícios com dois Alunos sobre uma só montada. Nas festas finais dos anos lectivos, as exibições de volteio eram muito apreciadas pela assistência, fican‑ do as «mamãs» muito orgulhosas com a valentia e o desembaraço dos seus meninos. Como uma ima‑ gem vale por mil palavras, apre‑
Exibição de volteio. Festa final do ano lectivo de 1959/1960
sentamos uma foto da festa final do ano lectivo de 1959/1960, publicada na revista «O Colégio Militar» n.º 110, de Junho de 1961, onde vemos uma exibição de volteio conduzida pelo então monitor Sargento An‑ dré, que do Colégio seguiu para a Ìndia Portuguesa, onde esteve pri‑ sioneiro na sequência da invasão de final do ano de 1961. A instrução do volteio era então orientada pelo Ca‑ pitão Milho Ferro, adjunto do mes‑ tre de equitação, o Capitão Manuel Cerqueira. Neste caso, tínhamos 3 alunos no mesmo cavalo, podendo ver-se os garranos em segundo pla‑ no, junto aos Alunos formados. Os alunos apresentavam-se equipados de branco e de barrete, preso à cabeça com o francalete, como então se usava nas aulas de equitação.
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ARTE EQUESTRE - OS GARRANOS
Exibição de volteio por alunos do 4.º ano em exercicios finais, na década de 1950
Dada a espectacularidade do volteio, era o mesmo geralmente apresentado nos «Jumpings» do Colégio, que naquela época se começaram a realizar no Hipódromo da Sociedade Hípica Portuguesa, no Campo Grande. Como testemunho desta situação, encontra-se, no n.º 112, de Julho de 1962, da revista «O Colégio Militar», uma foto do número de volteio apresentado no «Jumping» de Junho desse ano. A mais curiosa foto de volteio colegial que conhecemos, é a foto constante do Livro de Curso do curso de entrada no Colégio de 1950, da autoria de José Alberto da Costa Matos (96/1950), relativa a uma sessão de volteio realizada durante um dos exercícios finais desse curso. Aqui a reproduzimos, com os seus oito «artistas» em exercício de algum risco. Recentemente, soubemos que se chegou a fazer, em meados da dé‑ cada de 40 do século passado, uma exibição de volteio no Coliseu dos Recreios. Segundo apurámos, exi‑ biram-se nessa memorável apre‑ sentação, pelo menos, os seguintes Antigos Alunos: Pedro Pezarat
Garranos no transporte de armamento. Instrução Militar na década de 1940
Correia (10/1943), Mário Arada Pinheiro (164/1943), Carlos As‑ censão Campos (12/1942), José Monroy Garcia (38/1942) e João Ribeiro Mateus (169/1944). Calcu‑ lamos que terá sido uma exibição de luxo. Esses «rapazinhos» vieram a ser atletas de mérito em várias modalidades desportivas, do atle‑ tismo, ao hóquei em patins e ao próprio hipismo, modalidade em que Carlos Campos participou, em saltos de obstáculos, nos Jogos Olímpicos de Munique de 1972, onde obteve um honroso 13.º lugar. Não podemos terminar esta divaga‑ ção sobre Garranos, sem mencionar outro serviço que estes robustos animais prestaram ao nosso Exér‑ cito. Foram usados, como «animais de carga», no transporte de armas de apoio, desmontadas em peças, quer metralhadoras, quer morteiros. Esse serviço não era simples, os gar‑ ranos não o apreciavam e protesta‑ vam, disparando coices em todas as direcções. Quanto aos soldados, se não estavam habituados aos Garra‑ nos, viam-se gregos para lidar com os animais.
Também este serviço se praticou no Colégio, na Instrução Militar, como o testemunha a terceira foto aqui apresentada. A foto é do es‑ pólio da Secção de Fotografia do Colégio, tirada no início da década de 1940, quando aquela instrução era muito completa. Foi no tempo da 2.ª Guerra Mundial. É de notar a forma como os Alunos participa‑ vam nesta instrução, armados, de capacete na cabeça e com as per‑ nas protegidas por grevas, como então usavam as tropas apeadas do nosso Exército. Outros tempos… Luís Barbosa (71/1957) Fernando Santos Costa (118/1983)
ARTE EQUESTRE - OS GARRANOS
Fernando Cardoso de Sousa (28/1960)
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A AAACM NO 10 DE JUNHO DE 2026
10 DE JUNHO DE 2026
Coroas de flores para os Caídos pela Pátria
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e novo se realizou, na manhã do passado dia 10 de Junho, o Encontro Anual dos Combatentes, em Belém, frente ao monumento aos mesmos dedicado no Forte do Bom Sucesso. É o ritual anual, em que cumprimos o nosso DEVER DE MEMÓRIA, não só em relação àqueles que tombaram pela Pátria, mas também a todos aqueles que tiveram a honra de pegar em armas, quando chamados a defendê-la, os nossos Combatentes. Este ano, quis o destino que os «Filhos do Colégio Militar» de‑
sempenhassem um importante papel nas cerimónias efectuadas. O Presidente da Comissão Exe‑ cutiva das Comemorações foi o Vice-Almirante Henrique Silva da Fonseca (47/1956), enquanto que o Tenente-General António Faria Menezes (568/1969), actual Presidente da Direcção da nossa Associação, foi o Presidente da Comissão Promotora do Encon‑ tro. Intervenção importante nas cerimónias teve também o Coro‑ nel Comando Raúl Socorro Fol‑ ques (380/1952), membro da Or‑ dem Militar da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito, detentor
de três condecorações de Cruz de Guerra, que, em representação dos restantes membros da Ordem da Torre e Espada, depôs uma co‑ roa de flores junto do Monumento aos Combatentes. Chegado ao local da cerimónia tivemos a sensação de já ter vis‑ to, em encontros anteriores, uma maior assistência. Assim é, a lei da vida é inexorável, com o passar dos anos é cada vez maior o nú‑ mero de Combatentes já convo‑ cados por Instância Superior, para um bem merecido repouso eterno. No entanto, dado continuarem
A AAACM NO 10 DE JUNHO DE 2026
vivos na nossa memória, estavam também ali connosco, a homena‑ gear os seus Camaradas mortos pela Pátria. As cerimónias iniciaram-se com a leitura, pelo Presidente da Co‑ missão Promotora do Encontro, Tenente-General António Mene‑ zes, do discurso por si recebido do Presidente da República, que naquela hora se encontrava a presidir às comemorações do dia 10 de Junho no arquipélago dos Açores. Gostámos do discurso do Presidente, nesta sua primeira alocução aos Combatentes. Mos‑ trou respeito por aqueles que se sacrificaram pela Pátria, o que não é pouco. Como dizia um poeta: «O que pedes é tão só respeito Tu foste Soldado de Portugal» À leitura do discurso do Presidente da República, seguiu-se a cerimónia inter-religiosa, católica e muçul‑ mana, de prece pelos Combatentes
falecidos. Esta singela cerimónia esteve a cargo de um oficial capelão da Força Aérea e do líder religio‑ so da comunidade muçulmana da mesquita de Lisboa. De seguida, tomou a palavra o Vice-Almirante Henrique Ale‑ xandre da Fonseca, Presidente da Comissão Executiva das Come‑ morações, detentor de um currí‑ culo excepcional como oficial da Armada, onde ingressou, apenas com 16 anos de idade, como cadete da Escola Naval. Hoje em dia, um adolescente de 16 anos, quando necessita de uma consulta médica, é encaminhado para a Pediatria. É um sinal dos novos tempos que agora vivemos. Henrique Alexandre da Fonseca fez um discurso de elevado nível, começando por invocar o ano de 1961, quando era Aluno do então 5.º ano do Colégio Militar, onde tomou conhecimento do início da guerra em Angola, no mês de
Março, da retomada da mítica povoação de Nambuangongo pelo Exército Português, no mês de Agosto, e da invasão da Índia Por‑ tuguesa pelas tropas da República da Índia (antiga União Indiana), no final daquele ano horrível. Desta última tragédia, relembrou o comportamento heroico do 2. º Tenente Oliveira e Carmo, coman‑ dante da lancha de fiscalização «Vega», que morreu combatendo contra navios e aviões do invasor, numa luta sem esperança, face à abissal desproporção das forças em combate. Oliveira e Carmo foi nomeado Patrono do curso dos cadetes da Escola Naval, aí ingressado em Outubro de 1962. A senhora viúva de Oliveira e Carmo, cujo filho não chegou a co‑ nhecer o seu pai, confiou ao Colé‑ gio Militar a sua educação. Em boa hora o fez. Seu filho Diogo Oliveira e Carmo (69/1971), que foi Aluno Comandante de Batalhão no ano lectivo de 1977/1978.
Alguns dos Antigos Alunos presentes na Cerimónia - Da esquerda António Menezes (568/1969), Adelino Lage (176/1966), José Gatta (263/1965) e José Banazol (631/1968)
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A AAACM NO 10 DE JUNHO DE 2026
Henrique Alexandre da Fonseca referiu no seu discurso as duas comissões de serviço por si prestadas no Ultramar, que lhe permitiram ter um conhecimento directo das situações então vividas em dois Teatros de Operações distintos, Moçambique e Guiné. Neste último, recebeu a notícia do golpe militar de 25 de Abril de 1974, ocorrido em Lisboa. Terminou a sua alocução referindo a presente situação militar da componente europeia da NATO. Os governos europeus foram deixando definhar as suas Forças Armadas, na ilusão que de a guerra nunca mais nos atingiria. A realidade encarregou-se de provar a sua falta de previsão. Prever foi desde sempre o primeiro dever de qualquer chefe militar. Enorme falha aqui houve. Seguiu-se a homenagem aos mor‑ tos, sublinhada pelo respeitoso si‑ lêncio da assistência, com a guarda de honra, formada por cadetes da Escola Naval, em apresentar armas. Concluída esta singela homenagem, seguiu-se a deposição de coroas de flores frente às lápides em que estão gravados mais de dez mil nomes dos Caídos pela Pátria, na Guerra do Ultramar. Como já se referiu, a coroa ofe‑ recida pelos membros da Ordem Militar da Torre e Espada, foi de‑ positada pelo Antigo Aluno Raúl Socorro Folques. No momento dessa deposição, o locutor de serviço lembrou o recente fale‑ cimento de outro membro desta venerável Ordem Militar, o Ma‑ jor-General Paraquedista Heitor Almendra, bem conhecido pelos Antigos Alunos, não só como um
combatente de excepção da Guer‑ ra do Ultramar, mas também por ter confiado ao Colégio a educa‑ ção de dois filhos seus. A nossa Associação esteve também repre‑ sentada nesta parte da cerimónia, com a deposição da nossa coroa de flores, a cargo de Adelino Fon‑ seca Lage (176/1966), presente Director da revista «ZacatraZ». Consumada a deposição das coroas de flores, a banda de música da Guarda Nacional Republicana entoou o Hino Nacional, cantado, em uníssono, por toda a assistência. A solenidade do momento foi sublinhada por uma salva de 23 tiros, disparados pelo navio da Armada «Sines», ancorado frente ao Forte do Bom Sucesso, e pelo sobrevoo do local, por duas vezes e a baixa altura, por uma Esquadrilha de 3 aviões de instrução «Epsilon», da Esquadra de Instrução 101, da Base Aérea n. º11, de Beja. Finalizaram-se as cerimónias com a passagem, frente ás lápides dos Caídos pela Pátria, dos Guiões de diferentes associações de Antigos Combatentes dos mais variados pontos do País. A esta passagem, seguiu-se o desfile de pelotões de Antigos Combatentes das Tropas Especiais. Os «Fuzos» desfilaram impecavelmente, seguidos pelo pelotão dos Comandos e pelo pe‑ lotão dos «Páras», que encerrou o desfile. O desfile destas formações e o empenho posto no mesmo por aqueles Veteranos, são bem ilustrativos do que lhes vai na alma, «O tempo pode passar, mas o Espírito permanece». Mouzinho de Albuquerque, aio do Príncipe D. Luis Filipe, ao apontar ao seu pupilo as suas pesadas res‑
ponsabilidades, escreveu: «um Príncipe, para quem nascer foi assentar praça e que só pode ter baixa para a sepultura». Os Antigos Combatentes presentes neste ritual anual, não nasceram em berço de ouro, como o Príncipe. Nascidos em cidades, vilas e aldeias de todo o País, não assentaram praça à nascença, fizeram-no quando a Pátria os chamou. No entanto, tal como o Príncipe, só terão baixa quando descerem às suas sepulturas. É de toda a justiça sublinhar, que aos Antigos Combatentes se as‑ sociam, actualmente, os Antigos Militares que, por todo o mundo, em representação de Portugal, integraram forças de interposi‑ ção de paz, procurando assegurar condições para o estabelecimento de paz em zonas de conflito. Após o final das cerimónias decor‑ ridas, muitos Antigos Combaten‑ tes permaneceram no local, onde almoçaram, em são convívio. As fotos tiradas foram mais do que muitas. Houve quem optasse por tomar alguma coisa no café de que a Liga dos Combatentes agora dispõe, entre o Forte do Bom Sucesso e a Torre de Belém, em situação privilegiada, mesmo sobre o Tejo. Viemos de lá com a alma «lavada». Luís Ferreira Barbosa (71/1957)
ACTIVIDADES AAACM
Alina Nogueira AAACM - Organização
TORNEIO DE PADEL DA AAACM
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o passado dia 28 de março, realizou-se o 5.º Torneio de Padel da nossa Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar. Este ano o evento teve lugar no Lisboa Racket Centre e contou com o apoio da Nestlé na oferta do welcome pack.
Com 56 jogadores inscritos, a tarde foi pautada por um excelente nível de jogo e um grande espírito de convívio. Destaca-se a presença de várias gerações, incluindo a participação de oito atuais alunos do Colégio (cursos de 2026 e 2018), que elevaram a competitividade dos jogos.
Os grandes vencedores e finalistas foram: • Nível Avançado Vencedores: Miguel Inácio (146/2002) e Miguel Bastos Finalistas: João Roque (226/1991) e Carlos Ferreira • Nível Intermédio Vencedores: João Paulo Gomes (223/1981) e Rui Anselmo (68/1981) Finalistas: Francisco Serra (128/1984) e Bruno Lopes (18/1985) • Nível Iniciado Vencedores: João Coimbra (54/1984) e Pedro Delgado (278/1984)
Finalistas: Eneias Antunes (311/2016) e Gabriel Marques Encerramento do Torneio
(433/2016)
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ACTIVIDADES AAACM
Prémios
Momentos dos jogos
Participantes atentos aos jogos
Momentos dos jogos
Actuais alunos do Colégio Militar
Vencedores do nível Avançado Miguel Inácio (146/2002) e Miguel Bastos
Organizadoras Alina Nogueira e Sofia Feijão (AAACM)
Vencedores do nível Intermédio João Paulo Gomes (223/1981) e Rui Anselmo (68/1981)
Vencedores do nível Iniciado João Coimbra (54/1984) e Pedro Delgado (278/1984)
GRAFONOLA DA ZACATRAZ
Jorge Santos Pato 484/1966
A GRAFONOLA EM 2000 I. INTRODUÇÃO Nesta edição da rubrica Grafono‑ la e pelo facto de não termos tido cursos a celebrar Romagens dos seus anos de entrada, seleccio‑ námos o Curso de 2000, que se‑ guramente terão recordado esse ano muito especial, que, afinal de contas, marcou inequivocamente o final de século XX...
II. ANO 2000 Não obstante as manifestações populares e celebrações prematu‑ ras da suposta entrada no terceiro milénio e/ou no seculo XXI, a pura verdade é que, de acordo com o calendário gregoriano, estas dis‑ tinções são inerentes ao ano de 2001, pois o primeiro século foi efectivamente iniciado no ano 1.
Como o calendário gregoriano não tem ano zero, o seu primeiro milé‑ nio decorreu do ano 1 a 1000 inclu‑ sive, e o seu segundo milénio entre os anos 1001a 2000. Desta forma o ano de 2000 foi o derradeiro ano do século XX, tendo sido titulado pela ONU como Ano Internacional da Acção de Graças e também Ano Internacional da Cultura da Paz. Os Ratas do curso entrado em 2000, na sua maioria com 10 anos de idade, não terão sentido, pro‑ vavelmente, as preocupações que envolveram a comunidade inter‑ nacional nas primeiras semanas do ano, após a ameaça do “bug” informático Y2K e das profecias associadas ao fim do mundo, que os mais pessimistas anteviram no final de 1999. Felizmente nada disso aconteceu e o ano prosseguiu como tantos outros, embora com
algumas ocorrências menos habi‑ tuais, como foi o caso do inesperado “apagão” de 9 de Maio de 2000, que deixou grande parte do nosso País sem luz, nomeadamente a sul do Tejo, durante mais de duas horas. Curiosamente o incidente foi cau‑ sado por uma cegonha que, por volta das 22h, embateu numa linha de alta tensão em Lavos, concelho de Figueira da Foz. O ano começou logo com Portugal a assumir no dia 1 de Janeiro a Pre‑ sidência da EU (União Europeia), pela 2ª vez na história, mandato que seria válido para o 1º semestre. Antevia-se já um crescente de‑ senvolvimento da era digital e das tecnologias informáticas, com o advento progressivo dos portais da internet e das redes móveis de telecomunicações.
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Durante o 1º trimestre a Microsoft lançou o Windows 2000 e a Sony introduziu no mercado a PlaySta‑ tion 2. Numa breve resenha recordemos cronologicamente alguns dos diver‑ sos acontecimentos mais relevantes que ocorreram em Portugal e no Mundo no decurso daquele ano: • Fevereiro – Chuvas torrenciais e inundações em Moçambique que provocaram 800 mortos. • Março – Vladimir Putin foi eleito presidente da Rússia, tendo tomado posse em 7 de Maio. Entretanto o Papa João Paulo II iniciou a pri‑ meira visita de um Papa a Israel. • Maio – A população da India chegou oficialmente aos mil mi‑ lhões de pessoas. O Papa João Paulo II visitou Portugal e em particular o Santuário de Fátima. No futebol, para enorme gáudio e satisfação dos seus adeptos, o Sporting Clube de Portugal, após um jejum de 18 anos, conseguiu ser campeão nacional da 1ª divisão. No final deste mês ocorreu a visita a Lisboa do então Presidente dos EUA, Bill Clinton, que trouxe consigo uma comitiva de 1200 pessoas e 12 toneladas de apare‑ lhos de telecomunicações • Junho – No mesmo dia, 26 de Junho, enquanto o Vaticano re‑ velava o 3º segredo de Fátima, ocorreu o acontecimento cien‑ tífico do ano, com o anúncio da descoberta do sequenciamento completo do genoma humano. • Julho – Trágico acidente aéreo do icónico avião de passageiros supersónico Concorde, em Paris, que se despenhou contra um hotel após a descolagem, provocando 113 mortos. • Agosto – Nova tragédia, desta vez com a explosão e afundamento do
submarino nuclear russo “Kursk”, que causou 118 mortos. • Setembro – No dia 15, enquanto em Sidney, na Austrália, se proce‑ dia à abertura dos Jogos Olímpicos de Verão, na ilha da Madeira foi inaugurada a ampliação do Ae‑ roporto do Funchal, passando a ter uma extensão de 2781 metros, construída parcialmente em laje sobre o mar, ficando assente em 180 pilares. No panorama nacional dos “media” a TVI estreou o “rea‑ lity show” Big Brother, o que pro‑ vocou um abalo no meio televisivo português. • Novembro – Portugal tornou-se membro da ESA (Agência Espacial Europeia) a partir de 14/11. Ainda neste mês deu-se o peculiar episó‑ dio do “Voto do Queijo Limiano”, quando o Governo minoritário de António Guterres conseguiu fazer aprovar o Orçamento do Estado para 2001 graças ao voto de Daniel Campelo, o deputado do CDS de Ponte de Lima. • Dezembro - O 3º e último reactor da Central Nuclear de Chernobyl foi desligado, conduzindo assim ao encerramento definitivo da mesma. No domínio da Música importa re‑ ferir que o ano 2000 marcou uma viragem no panorama musical por‑ tuguês, servindo de ponte entre os clássicos sons da década de 1990 e a modernização sonora. Foi um período de grande diversidade, onde o rock alternativo, o hip-hop e o pop começaram a ganhar maior expressão no mercado nacional. Nesse ano destacaram-se grupos como os Ornatos Violeta, com o seu segundo e último álbum “O Monstro Precisa de Amigos”, os Silence 4, com o álbum “Only Pain Is Real”, os Da Weasel, Os Toranja, os Clã,
os The Gift, Moonspell e outros. Os grandes nomes do rock e da pop portuguesa continuaram a sua afirmação, esgotando salas e lançando alguns hinos geracionais. Desse modo algumas bandas já aclamadas no nosso País, como os Xutos e Pontapés, e artistas como Pedro Abrunhosa, Rui Veloso e Jorge Palma, consolidaram o seu estatuto. O ano de 2000 foi ainda particularmente vibrante para o hip-hop nacional, pois nomes que hoje são referências absolutas começaram a afirmar-se, trazendo a batida urbana para a rádio e para o grande público, designadamente os Da Weasel (com a fusão de reggae, rock e rap), Sam The Kid (letrista e produtor que reinventou a estética do hip-hop tuga) e Boss AC (que trouxe um som soul mais dançante, popularizando mais o género). Para além da pop e do hip-hop, houve outros géneros que foram objecto de algumas mutações, no‑ meadamente na música alternativa, pop-rock e fado. Determinados pro‑ jectos, como os Humanos e mais tarde os Toranja, trouxeram uma sonoridade intimista e poética, que definiu o som das rádios na primeira metade da década. Por outro lado, o ano de 2000 abriu caminho para novas vozes do fado, como Mariza e Camané, que transportaram este género de música para os grandes palcos internacionais. A despedida do milénio coincidiu com a explosão dos grandes festivais musicais de Verão em Portugal, como foram o Super Bock Super Rock, Vilar de Mouros, Paredes de Cou‑ ra e Sudoeste, os quais se tornaram no principal motor de promoção para bandas emergentes de rock e música alternativa, mudando a forma como os portugueses con‑
GRAFONOLA DA ZACATRAZ
na cultura pop daquele ano abran‑ geram diferentes estilos, desde a MPB ao pop romântico, passando pela música alternativa e sertaneja. O disco mais tocado nas rádios foi o single “Se Eu Não Te Amasse Tanto Assim", uma canção interpre‑ tada pela cantora brasileira Ivete Sangalo e incluída no seu álbum de estreia, que foi lançada em single em 2/05/2000.
Aceda aqui à PlayList Zacatraz.
sumiam a música ao vivo. Em 2000 cada português gastou em média dois mil escudos (10 euros na moeda actual) na compra de discos, uma quantia que hoje não seria sufi‑ ciente para comprar um CD novo. O total do mercado discográfico ultrapassou ligeiramente os 21 milhões de contos, o que cor‑ respondeu a mais de 15 milhões de discos vendidos, ou seja, um acréscimo de 6% relativamente a 1999. A possibilidade de fazer cópias digitais na Internet, com uma qualidade igual à da original, começou a gerar efeitos nocivos na indústria fonográfica. O recurso caseiro ao CD-R e o crescimento do consumo DVD musical foram os maiores responsáveis pelas quebras de vendas de discos face ao esperado, não só em Portugal como na maio‑ ria dos mercados internacionais. No nosso País os álbuns de músicos portugueses mais vendidos em 2000 foram os dos Silence 4, de Rui Veloso e dos Santamaria. Quanto a
artistas internacionais a primazia coube a Santana, com o excelente “Supernatural” que arrebatou 8 Grammys, a Britney Spears, com o álbum “Oops I Did It Again”, aos Corrs, com “In Blue”, a Alanis Morissette, com “MTV Unplugged”, a Lenny Kravitz, com “Greatest Hits”, aos Beatles, com “1”, a Madonna, com “Music”, aos Radiohead, com “Kid A”, aos U2, com “All That You Can’t Leave Behind”, aos Backstreet Boys, com “Black&Blue”, e o Enri‑ que Iglesias, com “Enrique”. No entanto o disco mais vendido em Portugal naquele ano foi mes‑ mo a compilação “Caribe Mix”, uma colectânea de ritmos latinos que vendeu mais de 160 mil cópias. No Brasil o ano de 2000 foi um marco importante para a MPB Música Popular Brasileira, pautando a transição de estilos e revelando grandes sucessos que dominaram as rádios e a MTV - Músic Television. Os maiores destaques nas rádios e
No foro internacional a profusão de novos géneros musicais decorren‑ tes da fusão de diversos subgéneros com as vertentes mais tradicionais do rock, pop e jazz, misturadas com os ritmos latinos e a electrónica, deram origem a novos intervenien‑ tes e estilos no panorama musical, enfatizados pelas correntes de co‑ municação e divulgação via internet. A popularidade da pop e em parti‑ cular do “teen pop”, veiculado pelas “boys e girls band”, transitou dos anos anteriores com expoentes como os grupos NSYNC, Backstret Boys, Westlife, e cantoras como Britney Spears, Christina Aguilera e Madonna. Um dos géneros que manteve mais popularidade foi o R&B contemporâneo, representado por artistas como Alicia Keys, Beyoncé, Usher, Toni Braxton, Des‑ tiny’s Child e Rihanna. Começou a surgir um novo estilo, o indie rock, e no Reino Unido o chamado “post‑ -Britpop" e o rock alternativo inten‑ sificaram-se, com nomes como os Coldplay, Radiohead, Travis, The Hives e The Libertines, que ascen‑ deram aos tops de vendas um pouco por todo o lado. Nos EUA a música country manteve os seus níveis de popularidade e produtividade, com novas cabeças de cartaz femininas, como Taylor Swift, Carrie Under‑ wood e Miley Cyrus.
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Entretanto a música electrónica continuava a ganhar protagonismo e disseminação, através de géneros mais ou menos sofisticados, como “trance music”, “chillout”, “house”, "Eurodance”, etc. Na América Latina, para além da continuidade do su‑ cesso do R&B, hip hop e pop rock, o Reggaetón tornou-se um desta‑ cado protagonista da cena musical, sempre acompanhado pelos ritmos da “salsa” e do “merengue”. O desenvolvimento contínuo do software e dos equipamentos elec‑ trónicos passou a desempenhar um papel fundamental ao longo da década seguinte. De entre as edições discográficas produzidas em 2000 seleccionámos um rol de 10 canções editadas em single, que tiveram um protago‑ nismo e uma relevância qualitativa a assinalar. Como habitualmente apresentam-se as mesmas de segui‑ da, por ordem alfabética dos seus intérpretes: 1. Aimee Mann “You Do”, 2.Bon Jovi “It’s My Life’” 3.Coldplay “Yellow”, 4.Mark Knopfler “Sailing To Philadelphia” 5.Neil Young “Razor Love”, 6.Red Hot Chili Peppers “Otherside”, 7 : Ryan Adams “Oh My Sweet Carolina”, 8.Sade “By Your Side”, 9.Santana “Love Of My Life”, 10.U2 “Beautiful Day”.
Deste “top-ten” particular escolhe‑ mos duas canções de dois dos nomes mais emblemáticos da história da música moderna, que decerto fazem parte da lista de músicos favoritos de muitos dos membros integrantes do Curso de 2000. São elas: Na vasta discografia de Neil Young há álbuns de extraordinária quali‑ dade que a maioria do público des‑ conhece. Em Abril de 2000 foi edita‑ do o excelente “Silver & Gold”, um disco predominantemente acústi‑ co, na linha dos anteriores “Comes A Time” (1978) e “Harvest Moon” (1982), ou também do futuro “Prai‑ rie Wind”(2005), que foi gravado de‑ pois de um período de maior calma‑ ria, após as emoções de uma recente digressão com os Crazy Horse.
Depois do álbum “Milagro (1992)” Carlos Santana demorou 7 anos até editar em 1999, aquele que foi o maior sucesso comercial da sua prolífera carreira musical: o álbum “Supernatural”. Trata-se, obvia‑ mente, de um disco obrigatório para qualquer discófilo, que obteve 8 Grammys e originou a edição de 6 singles: 3 ainda no ano de 1999, (“Smooth”, ‘Put The Lights On”, “Maria Maria”), outros 2 editados ao longo do ano 2000, (“Corazón Espinado” e “Love Of My Life”), e, em 2001, “Primavera”. A soberba qualidade deste álbum e a evidente diversidade musical dos seus temas, enriquecidos, não só pela mestria e virtuosismo da guitarra de Santana, como pelos ilustres convidados que neles par‑ ticiparam, é deveras notável, sendo difícil destacar qualquer um dos singles editados em 2000. A escolha final recaiu em “Love Of My Life”, uma canção inspirada a partir da Sinfonia nº3 de Brahms, com ar‑ ranjos de Santana e vocalização de Dave Matthews.
“Razor Love” - Neil Young
Nesse álbum incluem-se diversos temas que evidenciam a inspiração e o notável talento do músico, so‑ bretudo nas canções mais subtis, como são “The Great Divide”, “Hor‑ seshoe Man”, “Distant Camera”, ou esta “Razor Love”, uma bela balada editada em single, acompanhado da faixa “Buffalo Springfield Again”, sendo esta última uma música inspirada nas memórias do tempo com aquela sua anterior banda.
“Love Of My Life” - Santana
HISTÓRIA E VIDA DO COLÉGIO MILITAR
João Soeiro da Costa 196/1956
O COLÉGIO MILITAR.
ORGULHO E TRADIÇÃO ESTAMOS MESMO PREOCUPADOS COM O ENSINO EM PORTUGAL?
Apesar do dia 3 de Março de 2026 ser o dia do 223º aniversário do COLÉGIO MILITAR, a sua cele‑ bração deu-se no dia 8 por ser domingo. Esta nobre e honrada instituição que deveria a todos encher de orgulho, não só pelo exemplo de ensino, como também pelos valores que instrui, lamen‑ tavelmente, não enche! Apenas porque não lhe é dado o mesmo estatuto ou importância entregue a qualquer outra casa, associação, instituto, agremiação ou conjunto de pessoas juntas à volta de inte‑ resses que pouco ou nada têm a ver com educação.
não pode ser diferente e ignorá-lo é não querer saber do futuro.
E todos sabem o valor da palavra Educação, da circunstância que sempre a envolve e do alcance que lhe queremos dar a qualquer momento. Com o Colégio Militar
Certo que honra alguns que, por isto ou por aquilo, estão mais li‑ gados à instituição mas é tempo de ver, para quem quer realmente ver, que o Colégio Militar é mesmo
O Exército, essa honrada e digna instituição, que tem como missão principal defender o chão Pátrio, mas ao mesmo tempo, uma ines‑ timável missão educadora, tem a obrigação e responsabilidade de cuidar do COLÉGIO MILITAR e de nomear os directores que dirigem há 223 anos aquela exemplar casa. São muitas as dificuldades, a maior parte, dizem, de natureza econó‑ mica, mas os resultados ao fim de mais de dois séculos, bem que nos deveria orgulhar.
demasiado importante para que, no dia em que comemoram 223 anos de existência, se ver ignorado por uma imprensa sempre preo‑ cupada com assuntos que pouco ou nada nos dizem, com a política do dia a dia que raramente é exemplo de orgulho, já para não falar daquela sensação que deixa sempre e só, de se preocupar com tricas e devaneios, divagações e cismas que, como uma marionete, repete à exaustão. Ignorar pura e simplesmente um dia e uma manifestação de orgulho para milhares de pessoas, pare‑ ce-me pouco digno de um serviço que se diz público e obriga a per‑ guntas. Os serviços prestados à Nação pelo Colégio Militar não deveriam orgulhar-nos a todos?
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E os anos de contínua e incessante função formando e educando os jovens, não mereciam mais relevo? Mais importância? Mais destaque? Uma simples linha ou nota de rodapé?
Sinceramente, parece que há alguém por detrás disto tudo! Alguém que não gosta do Colégio Militar nem do Exército, muito menos das figuras ilustres de lá saídas ou dos ilustres filhos por lá
formados e espalhados por todo o país. Ou o problema está nos valores ensinados, amor e dedica‑ ção à Pátria, educação, exemplo e vontade de servir?
Desfile do Batalhão de Alunos do Colégio Militar na Av. da Liberdade, a 8/3/2026
Como posso sentir-me bem se, orgulhoso daquela casa, vejo desde há muito, passividade, e até inten‑ ções maléficas, não daqueles que não sabem da data ou da institui‑ ção, mas daqueles que sabendo da mesma, propositadamente a mandam ignorar? Porque será? Mostrar aos portugueses o que representa o Colégio Militar, a sua
idade e a celebração do seu ani‑ versário parece não ser importan‑ te neste tempo de importâncias várias e de apreciação injusta e tantas vezes leviana de coisas banais e de interesse relativo. Mostrar aos portugueses que temos uma casa de Educação e Ensino de excelência desde 1803, parece uma coisa banal e sem importância. Mas não é!
A Argentina ficou independente em 1810, o Chile em 1818, a Co‑ lômbia em 1819 e o Brasil em 1822, só para, em termos de antiguidade, nos situarmos na história. E na velhice deste velho Colégio que não canso de cantar, de citar e de defender. Pondo de lado a ra‑ zão e a culpa, há sempre um factor, uma tradição e um acontecimento que não posso deixar sem dar deles conhecimento público.
HISTÓRIA E VIDA DO COLÉGIO MILITAR
Duma concentração que começa no largo de cota mais baixa do Parque Eduardo VII, bem junto ao Marquês de Pombal onde se concentra o Batalhão Colegial, se honra a Bandeira de todos nós e se canta a Portuguesa. Dum gar‑ boso e impressionante desfile que se segue dum Batalhão Colegial com quatro companhias de jovens, sempre ladeado por milhares de familiares e Antigos Alunos gri‑ tando apoios, alegrias imensas, ocupando a Avenida da Liberdade durante mais de uma hora. Duma Escolta a cavalo, Unidade cerimonial de elite de quase quatro dezenas de alunos, garbosos cava‑ leiros onde se destaca a disciplina, o rigor e enorme aptidão eques‑ tre, cavalgando belos e fogosos cavalos brancos. Duma passagem pelo Restauradores, finalizada no Rossio, seguida duma guarda de armas junto ao Palácio da Inde‑ pendência, bem ao lado da Igreja de São Domingos onde depois, e há muitos anos e muitos anos, se celebra uma missa de homena‑ gem aos alunos, aos formadores, aos fâmulos, aos dirigentes mi‑ litares e civis vivos ou já finados. Um dia cheio onde eu e muitos celebramos, uma vez por ano, o aniversário de um Colégio Militar único a que me honrou perten‑ cer e a ele continuar ligado como um irmão. Isto tudo não tem importância? Digam-me, não é notícia? Digam então o que é! Acompanhando o desfile, junto ao esplendoroso monumento da autoria de Maximiano Alves e de Rebello de Andrade, que homenageia os soldados portugueses na Grande Guerra, a primeira guerra mundial
de 1914/1918, encontrei maravi‑ lhadas duas simpáticas senhoras, nossas compatriotas, radicadas no Luxemburgo. Perguntaram-me o que se passava, qual a razão da alegria de tantos celebrantes. Que loucura, que ala‑ rido era este? Parei e disse-lhes que era o Colégio Militar. Olharam-me pouco esclarecidas. Disse-lhes que eram os Meninos da Luz e que até por cá não eram muito conhecidos, dada a pouca importância que a imprensa e a moderna história lhes dedicavam, mas que já tinham 223 anos de idade e muita história ti‑ nham para contar. Pois nós nunca vimos coisa assim, que maravilha, que orgulho devem vocês ter! Diziam elas. Inchou-me a alma, brilhou-me o coração, faiscou-me o orgulho. Que haja mais gente que veja assim e eu serei, enquanto puder, o seu arauto. Tentei explicar o acontecimento e resumi contando numa sucinta história da Instituição, a sua antiguidade e o seu exemplo. Ouviram-me com atenção e despe‑ diram-se agradecidas de telemóvel em punho, filmando ao pormenor o que viam. Estarrecidas com o ineditismo do que observavam. Com a novidade, a beleza e a pana‑ che, a elegância e a excelência, de tantos jovens desfilando concen‑ trados, passo certo ao ritmo dos clarins e tambores da banda do exército, fardas, penachos verdes, medalhas e barretinas, exímios cavaleiros e seus cavalos brancos, tal como nos sonhos, ao galope avenida abaixo. Acreditem, um acontecimento que vale a pena viver e mil vezes recor‑ dar como vos conto. Raro é o dia que Deus nos dá que não seja de um radiante sol.
Facto é que não me lembro de um em que a chuva sequer em céu plúmbeo, ameaçasse. Parece até que alguém se lembra de nós quan‑ do tristes, vemos outros esquece‑ ram dias que deveriam lembrar sem nunca saber porquê. É mesmo um dia que brilha e em que a luz ilumina diferente. Para o ano o desfile na Avenida da Liberdade, em 3 de Março de 2027, data correta da celebração dos 224 do Colégio Militar, será também a data em que tudo se repetirá. Nas redes sociais, sempre tão activas, os pormenores serão, como ha‑ bitualmente, noticiados. Com ou sem imprensa, estarão lá muitos como eu. Gostaria de levar comigo uma multidão. De levar a meu lado uns milhares de portugueses e de os ouvir a todos dizer que eu tinha razão. Que há poucas cerimónias assim e que todos sentimos a falta das mesmas. Afinal são nossas mães em celebração, nossos pais e jovens em êxtase bem dizendo o presente, montes de adultos e mais velhos revivendo um passado que não volta mais. A saudade em movimento num desfile a que po‑ deriam assistir milhares e milhares de portugueses se lhes fosse dada a oportunidade de ver e saber o que significa o respeito pela tra‑ dição, o orgulho e a educação que oferece o velho Colégio Militar. Até lá!
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DA VIDA DA AAACM
Carlota Pires 687/2017
SARAU MUSICAL
200 ANOS DO FALECIMENTO MARECHAL TEIXEIRA REBELO
O
Ano Letivo é feito de dinâmicas, de exigências e de múltiplos momentos marcantes, mas há alguns que conseguem concentrar a verdadeira essência da nossa Instituição. No passado dia 21 de maio, o “Sarau Musical” provou ser um desses momentos únicos. Organizado pela Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar, em colaboração com o Colégio Militar e, em particular, com o corpo docente, o evento ganhou vida numa apresentação que tive o enorme privilégio de partilhar.
Maestro João Nascimento (332/1967), Presidente da AAACM António Menezes (568/1969), Director do Colégio Militar, Coronel Alexandre Moura, Professora Alexandra Coutinho, Coordenadora da área de música e Professores do Colégio Militar
DA VIDA DA AAACM
Um dos momentos mais marcan‑ tes do projeto foi a obra musi‑ cal do Maestro João Nascimento (332/1967). Através dos seus “7 Aerogramas”, na voz e leitura da Aluna Raquel Vieira (559/2018), fomos transportados numa viagem emotiva que fez ecoar nas nossas memórias os sons, os afetos e os momentos mais profundos da vi‑ vência colegial: desde a ansiedade e expectativa do “Dia da Entrada” até à vibração única do “Zacatraz”.
Quinteto de 3 clarinetes saxofone e violoncelo
Quarteto de cordas
A noite ficou também marcada por uma profunda reverência à história viva do Colégio, personificada na presença do antigo professor de Canto Coral, o Sr. Padre Miguel da Silva Carneiro. Com 93 anos de idade, a sua presença recordounos o ano letivo de 1969/70, altura em que assumiu a exigente tarefa de substituir o Professor e Maestro Jaime da Silva, carinhosamente apelidado pelos alunos como “O Carioca”. Ver as pontes entre gerações a erguerem-se no mesmo palco é o testemunho intangível do que nos une.
Professor Sr. Padre Miguel da Silva Carneiro
Essa união geracional materia‑ lizou-se, de resto, na generosa disponibilidade dos Antigos Alu‑ nos que se juntaram à Big Band do Colégio Militar. Um agradecimen‑ to muito especial ao João Sabbo (17/1967) na flauta transversal e ao João Faro Viana (463/1965) no trompete, cujo talento e camara‑ dagem enriqueceram o espetáculo.
João Sabbo (17/1967)
João Faro Viana (463/1965)
O sucesso desta noite não teria sido possível sem o empenho invi‑ sível de quem coordena e orienta. Destaca-se o papel fundamental da Professora Alexandra Coutinho,
coordenadora da área de música o Colégio Militar, na ligação cons‑ tante com a AAACM, bem como o trabalho dos professores de música Ricardo Henriques (responsável
pela Big Band e clarinete) e Carlos Gameiro (responsável pela Orques‑ tra e trompete), que souberam ex‑ trair o melhor de cada executante.
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Big Band e Orquestra do Colégio Militar
Para encerrar com chave de ouro, a alma portuguesa subiu ao palco através do fado, brilhantemente in‑ terpretado na voz do Antigo Aluno Gustavo Pinto Basto (227/2000), que contou com o excelente acompanha‑ mento das Antiga Aluna Ana Marisa Jesus (21/2014) e Madalena Romão (623/2016). O fecho solene, como não poderia deixar de ser, culminou com um forte Zacatraz, comandado pelo Aluno Comandante de Batalhão Gonçalo Ares (319/2018).
Carlota Pires (687/2017)
Raquel Vieira (559/2018)
A nível pessoal, não posso deixar de partilhar o quão grata me sinto por ter pisado aquele palco e feito parte desta noite. É sempre uma honra imensa poder ajudar, cola‑ borar e, acima de tudo, representar o Colégio Militar e a AAACM. Momentos como este relembram‑ -nos de que a nossa ligação a esta Casa nunca se apaga; transforma‑ -se, cresce e continua a dar frutos.
Carlota Pires (687/2017), Raquel Vieira (559/2018) Gustavo Pinto Basto (227/2000), Ana Marisa Jesus (21/2014) e Madalena Romão (623/2016)
A todos os que tornaram esta noite possível, o meu muito obrigada.
FOI HÁ CEM ANOS...
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SABERES E SABORES DO VINHO
Luís Madureira Pires 336/1966
REGIÃO: BORGONHA Após a nossa visita à região de Bordéus (ZacatraZ n.º 237), a região da Borgonha afirma-se como outra referência francesa incontornável no mundo do vinho, embora assente numa filosofia profundamente distinta. Se Bordéus é o reino dos blends, a Borgonha é o território da pureza varietal e da expressão máxima do terroir. É também a região com preços médios e máxi‑ mos mais elevados do Mundo, fruto de uma vitivinicultura de “filigra‑ na”, de produções reduzidas, da fragmentação das vinhas e de uma procura global muito elevada. A Borgonha estende-se por cerca de 230 km e encontra-se dividida em cinco grandes sub-regiões: Chablis, Côte de Nuits, Côte de Beaune, Côte Chalonnaise e Mâconnais. A Côte de Nuits (mais a norte) e a Côte de Beaune constituem o cora‑
ção da região, dando origem à de‑ signação Côte d’Or, e correspondem a uma falha geológica orientada no entido norte-sul. A sua orografia é relativamente simples mas extre‑ mamente determinante: as vinhas estão plantadas em encostas suaves (200-400 metros de altitude) com exposição maioritariamente este/ sudeste, maximizando a luz solar matinal e reduzindo o risco de geadas prolongadas, ao mesmo tempo que favorecem uma matu‑ ração equilibrada das uvas. Os solos são predominantemente constituídos por calcário e margas (argila + calcário) apresentando, contudo, variações significativas em curtas distâncias; o calcário tende a dominar as encostas superiores enquanto a argila se concentra na base das encostas (originando vinhos mais estruturados). A Borgonha apresenta um clima
continental com ligeiras influências oceânicas, resultando em invernos frios (frequentemente com geadas) e verões quentes, mas não exces‑ sivos. É uma região de clima fresco (média anual entre 10ºC e 11ºC), o que contribui para a manutenção de elevada acidez e aromas finos, ainda que com grande variabilidade entre anos, influenciando a quali‑ dade das colheitas. A organização e classificação viti‑ vinícola da Borgonha baseiam-se no conceito de climat. Um climat corresponde a uma parcela de vinha perfeitamente delimitada, com iden‑ tidade própria, reconhecida his‑ toricamente e com um perfil base comum de vinho. Essa delimitação resulta da combinação de fatores como o solo, a exposição solar, o microclima e a tradição de cultivo. Existem mais de 1200 climats na Borgonha, especialmente na Côte
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SABERES E SABORES DO VINHO
d’Or, tendo sido reconhecidos como Património Mundial pela UNESCO em 2015. Como cada parcela pode ser explorada por vários produto‑ res, cada um imprime o seu estilo, pelo que, dentro de um mesmo climat, existe alguma diversidade de vinhos, sobretudo resultantes da intervenção humana (momento da vindima, processo enológico, etc). Por exemplo, o climat “Clos de Vougeot Grand Cru”, um dos mais prestigiados da Côte de Nuits, está dividido por mais de 80 produtores. Existem 83 AOC (Appellation d’Origine Controlée) na Borgonha. Nos brancos, no topo, destacam-se as diversas Montrachet, Corton e Meursault, e, nos tintos, Gevrey‑ -Chambertin, Vosne-Romanée e Chambolle-Musigny. A hierarquia de classificações na Borgonha é a seguinte: • Grand Cru (~1% da produção; 33 AOC, cada uma geralmente correspondendo a um climat) • Premier Cru (~10%) • Village (~35%) • Regional (~54%) As castas utilizadas na Borgonha - cerca de 95% em vinhos monovarietais - são as seguintes (peso na área plantada de vinha): Tintos: • Pinot Noir (~34%) • Gamay (~2%) Brancos: • Chardonnay (~57%) • Aligoté (~6%)
Os vinhos podem ser caracteriza‑ dos da seguinte forma: os tintos são elegantes, com taninos finos, elevada acidez e aromas de frutos vermelhos, notas terrosas e especia‑ rias; os brancos apresentam grande complexidade, com notas minerais, citrinas e amanteigadas, sendo dos mais longevos do mundo. Os principais produtores de refe‑ rência são naturalmente o Domaine Romanée Conti (com 9 diferentes grand crus, entre eles o Romanée Conti que atinge valores astronó‑
micos) mas também os Domaines Leroy, Armand Rousseau, Leflaive, Faiveley, Louis Jadot e Joseph Drou‑ hin. Estes produtores representam o topo qualitativo da região, sendo objeto de forte procura por colecio‑ nadores. O enoturismo na Borgonha existe, mas não se encontra estruturado como noutras regiões uma vez que é composto, na sua grande maioria, por pequenos produtores que exi‑ gem marcações prévias e visitas em pequenos grupos.
SABERES E SABORES DO VINHO
Não é, portanto, um território de “adegas abertas”, embora os maio‑ res produtores possam oferecer experiências semelhantes a outras regiões, com provas de vinhos e vi‑ sitas a adegas. Para além de uma visita a 2 ou 3 produtores com mar‑ cação, sugere-se uma visita à Maison des Climats em Beaune para uma introdução adequada à Região bem como a visita ao Château du Clos de Vougeot, na Côte de Nuits. Em termos de experiência pessoal, refira-se o seguinte: • os Grand Crus proporcionam experiências únicas, mas exigem grande investimento; • os vinhos da Côte de Nuits são mais próximos do perfil português (tintos, mais estruturados);
Borgonha, será optar pela compra online no estrangeiro (ver, por exemplo, ZacatraZ n.º237 ou caves-carriere.fr). Naturalmente que a AOC Borgo‑ nha (regional) é a que oferece vi‑ nhos mais acessíveis e, à medida que se sobe na hierarquia, os preços sobem também. Dentro das AOC Village, sugerimos um Pommard tinto ou um Mercurey branco para uma degustação mais refinada. A Borgonha é uma região de enor‑ me complexidade e detalhe, onde pequenas diferenças de terroir originam vinhos profundamente distintos. Representa uma abor‑ dagem quase artesanal e científica à viticultura, sendo, para muitos, o auge da expressão do vinho.
• os brancos da Côte de Beaune são, no nosso entender, dos melhores vinhos brancos do mundo;
Área total: ~29.500 hectares
• Chablis oferece excelente relação qualidade/preço e grande frescura;
Nº climats: >1.200
• Mâconnais é frequentemente subvalorizado, sendo uma excelente porta de entrada.
Média de exploração: 7 hectares, tipicamente dividida ainda em 10 a 20 parcelas
Face ao custo médio dos vinhos desta região, há uma oferta reduzida em Portugal de produtos de qua‑ lidade a preços acessíveis; é mais fácil encontrar vinhos destinados a colecionadores, a preços muito elevados, do que stocks que permi‑ tam uma escolha diversificada de vinhos para consumo mais corrente. A solução, para quem pretenda uma abordagem mais controlada dos Pinot Noir ou Chardonnay da
Produção anual: 1,2 milhões de hectolitros; 165 milhões de garrafas (2024)
Nº AOC: 84
Nº produtores: ~3.500
Produção média: 35–45 hl/ha Exportações: ~50% da produção Valor das exportações: 1,6 mil milhões € (2024)
Considerado o vinho mais caro do Mundo, o Romanée Conti pode ser encontrado a partir de 20 mil euros por garrafa de 75cl, sendo que em leilão de 2026 o colheita de 1945 atingiu 750 mil euros.
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VOLTA AO MUNDO NUM BARCO À VELA
António Prazeres de Castilho 147/1948
A VIAGEM DO ALLEGRO SANTA HELENA
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o dia 14 de Janeiro, cruzámos o Meridiano de Greenwich, às 07:51 da manhã (05:51 hora de Greenwich), passando de longitude Este para longitude Oeste!
Utilizando o piloto de vento, mesmo quando an‑ dámos a motor, conseguimos poupar o sistema de transmissão do leme, e a avaria não se agravou nem se complicou.
Allegro amarrado à boia. Jamestown. Ilha de St.ª Helena
Santa Helena pertence a Inglaterra, sendo a moeda a libra esterlina de Santa Helena. Foi descoberta pelo português João da Nova em 1502, quando regressava da Índia. Como era dia de Santa Helena (21 de Maio), foi esse o nome dado à Ilha. Cruzámos a linha de chegada a Santa Helena às 13:06 (hora de Cape Town), do dia 18 de Janeiro. Às 11:35 (hora de Santa Helena) prendemo-nos a uma das bóias amarelas da Baía de Saint James, onde fica a capital da ilha, Jamestown.
Allegro amarrado à boia. Jamestown. Ilha de St.ª Helena
VOLTA AO MUNDO NUM BARCO À VELA
Transporte colectivo em Jamestown
A hora é UTC, a mesma que em Portugal, agora no Inverno de lá, menos 2 horas do que na África do Sul. Vista do mar, a ilha é um grande blo‑ co de rocha negra, vulcânica, com um ar seco e árido. A cidade de Jamesto‑ wn, um fileira de casas que sobe coli‑ na acima, enfiadas num estreito vale entre montanha de cada lado. Ah, e já se vê do mar a famosa escada de Jacob, com os seus 699 degraus, que sobe até ao topo da colina. Fomos a terra, transportados por um “Water Taxi”, que eles chamam Ferry Boat, mas que é um barco pequeno onde cabem uma dúzia de pessoas, com uma pequena cabine de protecção do “taxista”.
A chegada ao cais pode ser difícil quando há mareta, pois é feita com a ajuda de uns cabos com nós, presos a uma estrutura metálica, aos quais nos agarramos para não nos desequilibrarmos. Só vendo!…
Jamestown parece que parou no tempo nos anos 50. E em Inglaterra, claro. Tipicamente “british”…
Fomos aos “Customs” e seguida‑ mente à Emigração, onde nos fize‑ ram logo check in e check out para daí a 3 dias.
Regressámos ao Allegro, e Stephan (do Ayama) veio ajudar o Luís a ar‑ ranjar a caixa do leme. E consegui‑ ram! Menos uma grande dor de ca‑ beça!… Havia um BBQ nessa noite em terra, mas acabámos por comer num restaurante e ir beber um copo ao St Helena Yacht Club, onde era o BBQ. É um club náutico com umas instalações muito modestas, mas que nos recebeu muito bem. Aliás, por toda a ilha, as pessoas são amá‑ veis, e cumprimentam sempre.
Depois ao Banco, levantar Libras de Santa Helena, que não são aceites em Inglaterra, só na Ilha. Não há ATMs em Santa Helena, e não acei‑ tam cartões de débito ou de crédito para pagamentos. Nem para o gasó‑ leo, nem nos (poucos) restaurantes. Tudo em “cash”.
Almoçámos no “Consulate Hotel”, o único da ilha, e único em si próprio…
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VOLTA AO MUNDO NUM BARCO À VELA
No dia 19, de manhã, o programa foi “Mergulhar com os tubarões baleia”. Tubarões enormes, com 7 a 10 metros, cuja sombra na água já assusta pelo tamanho. Quando mergulhamos junto a eles, é impressionante! São realmente enormes, mexem-se devagar, têm o corpo, negro, sarapintado de pintas brancas, e trazem agarrados a eles
os peixes pequenos, as rémoras. São majestosos, e assustadores quando viram a cabeça para nós! Inesquecível! À tarde, veio um barco transportar o gasóleo para reabastecer o Allegro. O dia 20, sexta-feira, começou com o Luís a subir ao mastro, de manhã muito cedo, para substituir o “baby stay”.
Depois seguimos para terra para o passeio pela Ilha. Mas não num transporte qualquer. O “mini-bus” que nos transportou era um Chevrolet de 1929, com 18 lugares, descapotável, com um toldo de lona para nos proteger da chuva. Uma relíquia!
A ilha árida e seca que vimos do mar, é, afinal, no seu interior, verde, húmida, com zonas de vegetação luxuriante e outras zonas de pastagens. Uma muito agradável surpresa.
E às 16:00 largámos de Santa Helena, para percorrermos as 1900 Milhas que nos separam de S. Sal‑ vador da Baía de Todos os Santos.
Aspecto do interior da ilha de St.ª Helena
Visitámos a casa onde viveu Napoleão durante os seus 18 anos de exílio na Ilha, o túmulo onde esteve sepultado, a casa do Governador com as suas enormes tartarugas, sendo a mais velha chamada Jonathan e apresentada como o animal mais idoso do mundo, e as obras do aeroporto. É verdade, Santa Helena vai passar a ter um aeroporto, porque, até aqui, só é abastecida por barco que vem uma vez por semana.
No dia 21, de manhã, comprámos os frescos. Almoçámos no “Consulate Hotel” com as tripulações dos outros 2 barcos ainda na Ilha, o Luna Quest e o Wayward Wind.
E SIGA A MARINHA…
DO MÉDICO E DA ENFERMA
Manuel Silva e Sousa 356/1948
SE ESTAS PAREDES FALASSEM…
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aquele dia, estávamos nós no 4º ano, havia uma reunião do curso que celebrava os 30 anos de saída do Colégio. O almoço de confraternização com o Batalhão Colegial, a Direcção e os alunos seus sucessores era no refeitório do Colégio com um rearranjo das me‑ sas dispostas para o acolhimento. Era dia de almoço - concerto e, por isso, o tradicional “bruahah” da conversa dos alunos e do agitar das loiças e talheres reduzia-se significativamente. Os alunos pediam as músicas de que mais gostavam. Nesse dia, do programa cultural fazia parte a Dança Húngara nº 5 de Brahms, as Czardas de Monti e a Polonaise Militaire de Chopin.
Quanto à parte recreativa haviam sido pedidas algumas interpreta‑ ções da orquestra de Glenn Miller como “In the Mood” e “St Louis Blues March”, os Platters, Nat King Cole, Frank Sinatra e o célebre tan‑ go La Cumparsita. Estes almoços - concerto para além da função recreativa também con‑ tribuíam para o enriquecimento da cultura dos alunos do Colégio. Ia‑ -se desenvolvendo a sensibilidade musical ao mesmo tempo que se memorizava o nome daquelas me‑ lodias que mais tinham estimulado o nosso sentido estético. Algumas eram formas de recordar alguém que se tinha conhecido nalgum dos bailes do Colégio e que tinha começado a despertar os sonhos dos jovens que nós éramos. Subitamente veio-me à memória a excelente peça “A Ceia dos Car‑
deais” de Júlio Dantas (114/1887) quando o Cardeal Gonzaga, por‑ tuguês, nostálgico, ausente, re‑ cordando uma paixão platónica aos 15 anos por uma prima de 13, precocemente falecida, desgosto que tinha sido a semente da sua vocação, respondeu à pergunta do italiano Cardeal Rufo: “ Em que pensa Cardeal?” - Em como é diferente o amor em Portugal. Parafraseando Júlio Dantas diria como são diferentes estes tempos daqueles em que nós, alunos da minha época, vivemos e onde fomos moldando os nossos sen‑ timentos, o nosso carácter e os nossos valores.
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DO MÉDICO E DA ENFERMA
As paredes do Refeitório não fala‑ ram, mas… tremer, tremeram! Afinal quem era este orador? De seu nome Ramiro Guedes Correia de Campos (42/1915-1922 entrou no Colégio quando tinha 10 anos e, rapidamente “se impressionou com a habitual camaradagem en‑ tre os Meninos da Luz”.
Júlio Dantas – A Ceia dos Cardeais
No decurso do almoço, subita‑ mente, a música cessou. O sus‑ surro das conversas apagou-se. “O silêncio fez-se ouvir”. Na mesa dos Antigos Alunos, re‑ unidos em romagem de saudade, alguém se levanta. O discurso começa: - “Se estas paredes falassem…”. A partir daí, grandiloquente, bri‑ lhante na construção das frases, no exprimir das ideias, no ritmo sincopado das palavras, na perfeita dicção, nos altos e baixos das infle‑ xões vocálicas, tudo era emoção, tudo era vida. Os ouvintes, todos nós, estávamos como que hipnotizados e, quando o discurso terminou, num movi‑ mento colectivo espontâneo, re‑ bentou uma salva de palmas de entusiasmo que não cessava e que nunca mais se haveria de esquecer.
Foi, com Paulo de Brito Aranha (356/1914-1921) e mais 5 camaradas, fundador em 1921 da Revista “O Colégio Militar”. Durante a sua vida escolar teve oportunidade de evidenciar a sua eloquência. Fê-lo de tal modo que foi oficial‑ mente nomeado Orador do Colégio Militar tinha 16 ou 17 anos. Após a saída do Colégio foi para o Instituto Superior Técnico onde se licenciou em Engenharia Química, tendo recebido o prémio “Doutor Mário Bastos Wagner” destinado ao melhor aluno do curso. Entretanto, enquanto cursava En‑ genharia, sentiu despertar em si, inesperadamente, a vertente poéti‑ ca. Matriculou-se na Faculdade de Letras e licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas ainda um ano antes de terminar o curso de Enge‑ nharia. Havia na altura um Professor do Instituto Superior Técnico, Mira Fernandes, de enorme prestígio, que Egas Moniz qualificou de “glória das Ciências Matemáticas portuguesas”. Era de facto um ex‑ traordinário matemático, mas não era um grande pedagogo. As suas aulas, extremamente complexas, criavam nos alunos as maiores dificuldades. Por isso decidiram
nomear uma comissão para fazer chegar ao Mestre as suas dificul‑ dades. Receberam como resposta: “De onde estou não desço; os alu‑ nos é que devem elevar-se”. Também na relação docente-dis‑ cente muito se alterou e ainda bem, desde então. Contaram-me que, num exame de Matemática com o referido Professor, vendo Ramiro Guedes de Campos que não conseguiria a nota que ambicionava e, portanto, teria de repetir a Cadeira resolveu não perder tempo e dedicou-se a versejar. Nasceram assim as Odes Miríficas. Casou-se com uma Senhora, de‑ clamadora, filha do literato Carlos Malheiro Dias, o que ainda mais o estimulou para a poesia. Foi seu padrinho de casamento o Dr. Júlio Dantas, Antigo Aluno já aqui referido. Mas... “obrigações são obrigações” e iniciava agora uma família que tinha de sustentar. Pragmaticamente decidiu começar a sua actividade profissional como Engenheiro Químico. De si próprio dizia ser “poeta por vocação e engenheiro por necessidade”. O Prof. António Herculano de Carvalho sucedeu na Cátedra ao Prof. Charles Lepierre quando este se jubilou. Além de Engenheiro Químico e Hi‑ drologista era figura de relevo no IST como Professor, investigador, cientista e académico. Foi Diretor do IST e Reitor da Universidade Técnica de Lisboa.
DO MÉDICO E DA ENFERMA
- “Sinto-me realizado sob o ponto de vista social”. Era um apaixonado pela Família. “A minha Mulher de quem nunca estive separado mais do que no máximo cinco dias, deu-me cinco rapazes, quatro engenheiros e um ainda na tropa, quatro netos e quatro netas". “E agora” - pergunta-se?
Discos de 33 rotações em suporte vinyl
Mas, para além da sua vida acadé‑ mica o Prof. Herculano de Carvalho era um humanista e um amante da poesia, com livros publicados.
Florais Ibéricos estavam fora des‑ se impedimento legal. Concorreu. Voltou a ganhar.
Contrariamente às leis da electrici‑ dade em que dois polos do mesmo nome se repelem, pela cultura e inteligência as personalidades aproximam-se.
Pela sua obra poética foi considera‑ do (como diz: “cronologicamente”) o primeiro Príncipe das Letras Portuguesas.
Assim, no Instituto Superior Téc‑ nico, Ramiro Guedes de Campos, foi Assistente do Prof. Herculano de Carvalho a quem acompanhou no ensino, na Química e na inves‑ tigação. Para complemento do seu venci‑ mento entrou para a Companhia das Águas onde muito do seu tra‑ balho como engenheiro químico e investigador foi realizado. Concorreu aos primeiros Jogos Flo‑ rais de Poesia que venceu. A partir daí ganhou tantos prémios de poesia que foi, por imperativo legal, impedido de voltar a concorrer. Acontece que os primeiros Jogos
Foi também autor de Autos o pri‑ meiro dos quais “Auto da Fundação de Portugal” foi representado no Castelo de Guimarães, representa‑ do pela Companhia de Teatro Amé‑ lia Rey Colaço - Robles Monteiro da qual fazia parte Raul de Carvalho (155/1912-1915). Também deu grande relevo à sua obra “Apoteose das Bandeiras”. Numa entrevista à RTP em 1.11.1973 dizia que a sua vida tinha sido repartida entre a química, o ensino e a poesia e, como grande Homem que era, achava que muito do que tinha feito era devido a “nunca se ter dado muita importância a si próprio”.
“Como Professor acabei. Como Poeta também já acabei para as gerações modernas. Continuo apenas como Técnico das Águas o que ainda e sempre é um assunto poético. As águas são aquilo que é mais parecido com o Espírito. Já o Evangelho nos diz que o Espírito de Deus pairava sobre as águas.” Por vezes encontro-me a pensar nas palavras com as quais, “se as paredes falassem…” se vai escrevendo a história da nossa vida pessoal. Uma espécie da paragem que os letreiros “Pare, Escute e Olhe”, co‑ locados nas passagens de nível da via férrea, aconselha. E isto não para nos determos em atitude nostálgica face ao caminho percorrido, mas para confrontar‑ mos a nossa vida com a correspon‑ dência aos valores com que fomos educados. A vida vai-nos propondo modelos. Ramiro Guedes de Campos o 42/1915 é um deles. Não será exagero colocá-lo no grupo dos AA a quem admiramos. Para mim está nos designados por Camões: “Aqueles que por obras valerosas se vão da lei da morte libertando”.
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ANTIGOS ALUNOS NAS ARTES E NAS LETRAS
José Pedro Lupi Fialho 515/1967
PELA BOCA DO BALDUMAR
FIALHO¹ , JOSÉ, LISBOA, ASTROLÁBIO EDIÇÕES, LISBOA 2026
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um regresso à escrita com “Os contos do Bal‑ dumar”, o autor descreve estórias de ficção apoia‑ das em memórias longínquas e confusas, dos tempos em que nos anos 60 viveu em Nova Lisboa, Angola, hoje Huambo.
Ficam umas pinceladas de uma realidade nunca vivida e a sauda‑ de de umas figuras que o tempo se encarregou de fazer desaparecer. Por isso, a fantasia como num filme de cowboys.
Como refere, estes seus contos poderiam ser daquelas maluqui‑ ces do Pica-bia, ou inspirações do nosso Eduardo Luiz pintadas pelo Margritte, mas não. Essas são bem reais e, ao invés, os contos do Baldumar são pura ficção.
Com uma personalidade forte‑ mente marcada pela passagem no Colégio Militar, e depois de uma vida profissional na advocacia e nos domínios dos petróleos, numa carreira que o levou a vários países da Europa, África e em particular a Angola, dedica-se agora a ler e a escrever, que é o que gosta de fazer.
Resta apenas ao Baldumar o con‑ forto de não ter nada a ver com a realidade. É onde se sente bem e sem compromisso. 1
José Pedro Duarte Lupi Fialho (515/1967)
É isso que Baldumar falou. Só isso.
Adelino Lage (176/1966)
ANTIGOS ALUNOS NAS ARTES E NAS LETRAS
José Fanha Vicente 289/1961
LISBOA, PORTA DO MUNDO LISBOA, PORTA DE MIM FANHA¹ , JOSÉ, LISBOA, PORTA DO MUNDO, LISBOA, PORTA DE MIM, ÂNCORA EDITORA, LISBOA, 2026
O
périplo de José Fanha pela vida começa numa cidade que só os mais velhos conhecem, um sítio onde a miudagem podia correr e jogar à bola em muitas ruas e praças.
Depois vemo-lo no Colégio onde viveu venturas e desventuras como todos nós, onde aprendeu a camaradagem e onde fez amigos para a vida. Saído do Colégio aprendeu a ser arquitecto enquanto militava na oposição ao Estado Novo e, depois de vibrar com o 25 de Abril, passou pelo jornalismo, pelo teatro, pela música, pela televisão e pelo professorado. Num estilo vivo e em capítulos bem estruturados, o autor oferecenos um relato despojado duma vida a muitos títulos empenhada e interessante, sempre coadjuvado pela poesia e por um espírito curioso e irreverente. Nuno Mira Vaz (277/1950)
1
José Manuel Kruss Fanha Vicente (289/1961)
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FOI HÁ CEM ANOS...
MARECHAL GOMES DA COSTA O HOMEM DO 28 DE MAIO DE 1926
E
m 1926, o General Manuel de Oliveira Gomes da Costa (66/1873), encabeçou o pro‑ nunciamento militar de 28 de Maio, iniciado em Braga, que teve como consequência o final da 1.ª República em Portugal. Sendo Gomes da Costa Antigo Aluno do Colégio Militar, consideramos oportuno lembrar este extraordiná‑ rio militar. A 1.ª República, iniciada em 5 de Outubro de 1910, caracterizou-se por uma enorme instabilidade política. Em 16 anos (1910 – 1926), Portugal teve 46 governos e nove Presidentes da República. Destes, só António José de Almeida, cumpriu o seu mandato de 4 anos (1919 a 1923), em que deu posse a 17 gover‑ nos. A situação era insustentável, pelo que não foi surpreendente o pronunciamento militar de 1926. Em 26 de Maio de 1926, Gomes da Costa foi convidado a encabeçar o movimento revolucionário, que
estava em preparação em Braga. Nessa noite, seguiu de automóvel para o Porto. No dia 28, foi para Braga, onde assumiu, no Regimento de Infantaria 8, o comando das tropas revoltosas. Sem um tiro, ficou senhor da situação. Gomes da Costa nasceu a 14 de Janeiro de 1863. Filho de militar, a sua infância foi passada em Timor e Macau, de onde veio de veleiro para Lisboa, em viagem de 6 meses, pelo Cabo da Boa Esperança. Seguiu-se o Funchal, de onde regressou a Lisboa, em 1873, para ingressar no Real Colégio Militar, sobre o que escreveu
«O grande, o enorme prazer que eu senti quando vesti pela primeira vez o meu uniforme colegial….».
Rata Manuel Gomes da Costa (66/1873)
FOI HÁ CEM ANOS...
De 1887 a 1889, prestou serviço na Guarda Fiscal, sendo promovido a tenente em 1889. Nomeado «capi‑ tão para o Ultramar», em julho de 1893, seguiu para a Índia, como ajudante de campo do Governador Geral. Em Goa notabilizou-se na campanha de 1895, contra soldados maratas e os «ranes» revoltosos, sendo ferido em combate. Em Outubro de 1896, seguiu da Índia para Moçambique. No dia se‑ guinte ao da sua chegada, iniciou a campanha dos Namarrais, sob o comando de Mouzinho de Albu‑ querque. A campanha foi difícil. No combate da Mujenga (20/10/1896) as nossas tropas ficaram cercadas um dia e uma noite debaixo de fogo. Naquelas condições havia que re‑ tirar, em manobra muito arriscada. Gomes da Costa ofereceu-se para cobrir a retirada das nossas tropas. Fê-lo com sucesso, tendo perdido debaixo de si quatro montadas, abatidas pelo inimigo. Foi agraciado com o grau de oficial da Ordem Militar da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito. No ano seguinte, na campanha de Gaza, participou no combate de Macontene (21/7/1897), terminado com uma carga de cavalaria, lidera‑ da pelo próprio Mouzinho. Em 1898, ainda em Moçambique, já capitão, foi nomeado capitão-mor de Mossuril. Aí desempenhou um papel notável na pacificação do distrito de Moçambique Desempenhou, de seguida, o cargo de chefe de gabinete do Governa‑ dor-Geral Freire de Andrade. Em 1899, foi para a Companhia do Niassa, comandar uma coluna destinada a pacificar o território da mesma. Ao iniciar as novas fun‑
ções teve um desentendimento com a Companhia, apresentou a sua de‑ missão, regressando a Lisboa, em Fevereiro de 1900. Entretanto, fora processado em Moçambique, acu‑ sado de irregularidades durante a sua comissão em Gaza. Regressou a Moçambique para ser julgado. Voltou a Lisboa sem ser julgado, devido a grave doença. Recuperada a saúde, voltou, em fins de 1902, a Moçambique, onde foi ilibado de qualquer culpa. Regressado a Lisboa, no Verão de 2003, foi servir no 16 de Infantaria. Em Fevereiro de 1904, seguiu para Angola. Foi nomeado chefe do co‑ mando militar do Humbe e, de seguida, chefe do estado-maior da coluna de operações incumbida da pacificação dos Cuanhamas.
Brigada do Corpo Expedicionário Português (CEP). Em Abril de 1917, o CEP foi subdi‑ vidido em duas divisões. O comando da 1.ª divisão (15.000 homens) foi confiado a Gomes da Costa, para tal graduado em gene‑ ral, em Maio de 1917. A sua divisão entrou na frente de batalha em Maio de 1917 e aí se manteve até Março de 1918, em que, exausta, foi rendida pela 2.ª divisão. Gomes da Costa continuou na frente, passando a comandar a 2.ª divisão.
Foi promovido a major em Feve‑ reiro de 1908. Em 1910, não esteve envolvido nas operações de 4 e 5 de Outubro, que terminaram com a implantação da República. Em Janeiro de 1912, seguiu de novo para Angola, para desempenhar o cargo de chefe de Estado-Maior. Em Junho desse ano foi promovido a tenente-coronel, sendo transferido para S. Tomé, para o desempenho de idêntica função. Em Junho de 1914, foi promovido a coronel. Regressou a Lisboa em 1915, de onde seguiu para Moçam‑ bique, para inspeccionar as forças militares aí destacadas. De novo em Lisboa, em Junho de 1916, foi encarregue de inspeccionar as tropas das Unidades que iriam seguir para França. No final de Janeiro de 1917, embar‑ cou para França, comandando a 1.ª
Marechal Manuel Gomes da Costa
A 8 de Abril de 1918, o General Hacking comandante do corpo de exército que integrava a 2.ª divisão do CEP, reconheceu a necessidade de a render, expedindo ordens nesse sentido. Na madrugada do dia se‑ guinte, 9 de Abril de 1918, a 2.ª divisão sofreu um ataque maciço
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FOI HÁ CEM ANOS...
dos alemães, precedido de uma ar‑ rasadora preparação de artilharia. Foi a batalha de La Lys, em que a divisão portuguesa perdeu um terço do seu efectivo. O comandante do CEP, veio então a Lisboa, tratar da reconstituição do mesmo, assumindo Gomes da Costa o seu comando interino. A 9 de Junho de 1918, Gomes da Costa recebeu um telegrama do Minis‑ tro do Exército comunicando-lhe a sua promoção a general. A pro‑ moção era justificada «por revelar grande competência, forte acção no comando e outras qualidades de «chefe». Modesto louvor, para tão grande mérito. O General comandante do CEP nada obteve em Lisboa e regressou a França, com ordens para o regres‑ so de Gomes da Costa a Portugal. A 1 de julho de 1918, Gomes da Costa chegou a Lisboa, sem receber qualquer justificação para a sua re‑ tirada do CEP. Em Lisboa, foi nomeado para co‑ mandar as forças expedicionárias portuguesas em Moçambique, su‑ jeitas neste Teatro de Operações a um descalabro sanitário. O número de mortes de militares por doença, excedeu, largamente, o número de mortes em operações. Em viagem para Moçambique, Go‑ mes da Costa recebeu a notícia da assinatura do armistício com a Alemanha, tornando inútil a sua missão, como previra. O governo atingira, porém, o objectivo de o afastar de Lisboa, onde só regressou a 19 de Agosto de 1919. Nos 8 meses seguintes foi colocado, em comissão de serviço, no tribunal militar.
A carreira militar de Gomes da Costa estava praticamente concluída. Foi um herói, não só como combaten‑ te no Ultramar, mas também como comandante na Flandres, com pre‑ sença assídua nas primeiras linhas das trincheiras, mesmo debaixo de fogo, para incentivar os seus sol‑ dados, que por ele nutriam o maior respeito e admiração. Foi um mili‑ tar da cabeça aos pés, «every inch a soldier», como diziam os ingleses. Em resultado do seu comando em França, Gomes da Costa foi agra‑ ciado com o grau de grande oficial da Ordem Militar da Torre e Espa‑ da e com a Cruz de Guerra de 1.ª classe, sendo ainda condecorado pelos nossos aliados. Em 1920, indignado com uma arbi‑ trariedade cometida pelo Ministro da Guerra, Gomes da Costa criti‑ cou-o publicamente. Foi punido com 20 dias de prisão correccional. A sua reclamação do castigo foi julgada improcedente. Seguiu de comboio para Elvas, para cumpri‑ mento de pena em presídio militar, sendo «escoltado» por um General mais antigo do que ele, como dis‑ punha o regulamento. Em Maio de 1921, Gomes da Costa foi nomeado comandante da 4.º Divi‑ são do Exército, com sede em Évora. Em 1922, o governo em funções vislumbrou uma oportunidade para se livrar da presença incómoda do General. O Ministro das Colónias convidou-o para Governador de Timor. O General, considerando poder ser ainda útil ao País, aceitou o convite. Mudou, porém, de posi‑ ção, face a calunias postas a correr, de que queria apenas beneficiar das vantagens financeiras ineren‑ tes ao cargo.
Face à recusa do General, o gover‑ no decidiu nomeá-lo para reali‑ zar uma inspecção extraordinária às três colónias do Oriente: Índia Portuguesa, Macau e Timor. Partiu em Agosto de 1922, sem que alguém do governo se fosse des‑ pedir dele ao cais de embarque. O jornal «O Século», de 27 de Agosto, noticiava «O General partiu pois, na indiferença dos inimigos, no desespero dos amigos e com grande alívio dos políticos». Gomes da Costa foi muito bem recebido em Macau e em visitas efectuadas às colónias portuguesas de Hong-Kong e Xangai, a Cantão e a Pequim. Na Índia Portuguesa, sua conhecida desde 1893, a recepção foi igualmente calorosa. Ao tomar conhecimento que os militares e funcionários em Timor viviam dos créditos que o comércio local lhes concedia, por só receberem os seus vencimentos, de seis em seis meses, ou, de ano a ano, decidiu não se deslocar aquele território. De regresso do Oriente, Gomes da Costa chegou a Lisboa a 7 de Maio de 1924. Face à degradação contínua da situação política que veio en‑ contrar em Lisboa, a sua aderência a um golpe militar de regeneração da vida pública, era apenas uma questão de tempo. O seu tempo chegou, a 28 de Maio de 1926. Dias antes dissera «eu não conspiro, revolto-me». Luís Barbosa (71/1957)
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Nuno Mira Vaz 277/1950
O GOLPE DE ESTADO DE 28 DE MAIO DE 1926
D
enominado na altura pelos executores como Revolução Nacional, o Golpe provocou a queda da Primeira República Portuguesa e conduziu à instauração de um regime político que durou 48 anos e que, após a aprovação da Constituição de 1933, foi cunhado Estado Novo.
Implantada a 5 de Outubro de 1910, a Primeira República Portuguesa cedo deu sinais de instabilidade, marcada pela sucessão imparável dos Governos (23 entre 1920 e 1926), pela forte actividade anar‑ co-sindicalista, pela profusão de atentados bombistas e por episódios de extrema violência contra perso‑ nalidades políticas, como o ocorrido na Noite Sangrenta de 19 para 20 de Outubro de 1921, quando um
grupo de marinheiros e arsenalistas assassinou algumas das principais figuras da República. O sector militar era dos mais ex‑ postos à turbulência. Em 1924, os aviadores aquartelados na Amadora sublevaram-se na noite de 3 para 4 de Junho; no dia 14, registaram-se confrontos em Lisboa entre milita‑ res do Exército e da Guarda Nacio‑ nal Republicana; a 13 de Agosto foi assaltado o forte da Ameixoeira; a 28 de Agosto foi abortada uma sublevação com base no castelo de São Jorge. 1925 não foi mais calmo: em 18 de Abril, o Batalhão de Metra‑ lhadoras, o Batalhão de Sapadores de caminhos-de-ferro e a Artilha‑ ria de Queluz ocuparam a Rotunda; a 19 de Julho foi assaltado o Forte do Bom Sucesso e o cruzador Vasco da Gama revoltou-se.
Em 2 de Fevereiro de 1926, parte da guarnição da Escola de Artilharia de Campanha de Vendas Novas di‑ rigiu-se para Almada onde abriu fogo sobre forças governamentais. Mais sintomático ainda da deso‑ rientação geral era o facto de os militares implicados nas diversas intentonas terem sido presos e julgados, mas muitos deles rapi‑ damente libertados e reintegrados nas fileiras.
28 de Maio
1926
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Cacilhas, Largo do Costa Pinto, em Fevereiro de 1926: forças da GNR preparando-se para atacar os revoltosos
Tal como acontecia em boa parte do continente europeu, também em Portugal as principais forças políticas e quase todos os sectores de opinião ansiavam pelo estabe‑ lecimento da estabilidade e da se‑ gurança, não sendo de estranhar as sucessivas solicitações a Gomes da Costa1 para encabeçar uma regeneração nacional. Quando se iniciou, o golpe de Estado de 28 de Maio de 1926 prenunciava um desenvolvimento semelhante ao de muitos levan‑ tamentos anteriores. Mas quando se soube, em Braga, onde se pre‑ parava para o dia 28 de Maio um Congresso Mariano, que Gomes da Costa tinha para ali partido, perce‑ beu-se que este pronunciamento seria diferente. No dia 27, preparando o terreno, Cunha Leal pronunciou um discurso inflamado, antecedendo a chegada 1 2
Manuel de Oliveira Gomes da Costa (66/1873) António Óscar de Fragoso Carmona (24/1882)
à cidade, pelas 22H00, do general decidido a assumir o comando do golpe. No dia imediato, pelas 6h00, a chefia militar sublevada anuncia a intenção de marchar para Sul. Por todo o país, um número signifi‑ cativo de Unidades militares, e entre elas a 4.ª Divisão do Exército che‑ fiada pelo general Óscar Carmona2 , solidariza-se com o golpe. A única reação negativa de relevo é assu‑ mida pelo comando da 3.ªDivisão do Exército, aquartelada no Porto; mas no dia 30 também esta Unidade se associa ao golpe. Em Lisboa, alvo prioritário do mo‑ vimento, reuniram-se os represen‑ tantes do Comité Revolucionário – capitão-de-mar-e-guerra Mendes Cabeçadas, capitão Jaime Baptista, comandante Gama Ochoa e tenen‑ te de Infantaria Carlos de Vilhena –, tendo ficado decidida a constituição
de um Governo chefiado por José Mendes Cabeçadas. Este oficial en‑ tregou ao Presidente da República Bernardino Machado, em nome de uma Junta de Salvação Pública, um manifesto reivindicativo, enquan‑ to a guarnição militar da capital e a Polícia Municipal anunciavam a adesão ao golpe. Incapaz de resistir, o Governo apresentou a demissão. A 30 de Maio, Mendes Cabeçadas é encarregado de formar Governo. No mesmo dia, considerando estar ultrapassado o risco de confrontos com outras forças militares, Gomes da Costa ordena a todas as Unida‑ des comprometidas que avancem sobre Lisboa, concluindo-se assim a fase militar do pronunciamento. No dia 31 é encerrado o Congres‑ so da República. Completamente isolado, o Presidente Bernardino Machado resigna e entrega a che‑ fia do Estado a Mendes Cabeçadas.
FOI HÁ CEM ANOS...
Em Coimbra, onde ainda se encon‑ tra a 1 de Junho, o general Gomes da Costa anuncia a formação de um triunvirato por si presidido, incluindo Mendes Cabeçadas e Ar‑ mando Humberto da Gama Ochoa. Contudo, numa primeira cisão, Gama Ochoa3 retira-se, recusando a solução. A despeito de alguns percalços inevitáveis resultantes da falta de preparação militar dos revoltosos, o movimento tinha-se transfor‑ mado numa verdadeira coligação que incluía republicanos conserva‑ dores, monárquicos, nacionalistas revolucionários e um núcleo de jovens oficiais, apoiada e aceite por todos os sectores sociais e pela es‑
magadora maioria dos portugueses. A 3 de Junho as tropas de Gomes da Costa entraram em Lisboa sem resistência, enquanto o general se instalava na Amadora a supervisio‑ nar a formação de um novo Gover‑ no e os preparativos de uma mar‑ cha triunfal na capital. A 7 de Junho, Gomes da Costa co‑ manda um impressionante desfile militar de 15.000 homens ao longo da Avenida da Liberdade, perante o aplauso de centenas de milhar de pessoas. Infelizmente, a turbulência social e política não terminou ali. Nos dois meses seguintes, Portugal teve três chefes de Estado: Mendes Cabeça‑
das, Gomes da Costa e Óscar Car‑ mona, cada um representando uma visão diferente sobre o futuro do golpe militar. O primeiro, que era simultaneamente Chefe de Estado e do Governo, foi em 17 de Junho forçado a renunciar às duas fun‑ ções a favor do segundo. Este, um mero mês após assumir em simul‑ tâneo as referidas funções, recusou manter-se apenas como Presiden‑ te da República sem a chefia do Governo, tendo sido preso e depor‑ tado para os Açores. E foi por fim o terceiro quem acabaria por assu‑ mir a chefia do Estado, tendo sido formalmente eleito em 25 de Março de 1928, por sufrágio directo restri‑ to aos cidadãos do sexo masculino maiores de 21 anos.
Entrada triunfal do General Gomes da Costa em Lisboa 3 Oficial da Marinha de Guerra e político ligado às facções unionista e sidonista da fase final da 1.ª República. Foi deputado ao Congresso da República (1915 a 1917) e Ministro de diversas pastas.
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DA VIDA DA AAACM – CONSELHO SUPREMO
RICARDO MANUEL SIMÕES BAYÃO HORTA 25/1946
HOMENAGEM NA EFEMÉRIDE 25 ANOS DE CONSELHEIRO DO CONSELHO SUPREMO DA AAACM
H
á vinte e cinco anos, Ricardo Bayão Horta aceitou sentar-se neste Conselho. Não era um compromisso menor para alguém a quem o tempo pouco sobra, mas que insiste em encontrar o espaço para aquilo que lhe importa. Engenheiro, Professor Catedrático e Emérito do Instituto Superior Técnico, Ministro da República em dois governos constitucionais, administrador e chairman de em‑ presas de referência nacional: a sua vida pública não admitia folgas. E ainda assim, aqui esteve. Sessão após sessão, década após década. Esse facto, por si só, diz tudo sobre a natureza do vínculo que o liga ao seu Colégio — não um vínculo de conveniência ou de hábito, mas de amor verdadeiro a uma instituição que o formou.
DA VIDA DA AAACM – CONSELHO SUPREMO
Presidente do Conselho Supremo José Araújo 591/1973 e Vice-Presidente do CS António Coutinho 249/1980 com o homenageado Ricardo Baião Horta 25/1946 Comandante de Batalhão em 1952/53
A AAACM já o reconheceu com Prémio Barretina em 2011. Tive o privilégio de o observar nestas reuniões ao longo dos anos. Raramente fala em primeiro. Escuta, pondera e deixa o debate respirar. E quando intervém, fá-lo com a economia para rematar com uma perspectiva que só a expe‑ riência acumulada de uma vida inteira de responsabilidade torna possível. Há uma qualidade rara e inspirados nessa contenção e partilha, há um episódio da sua vida no Colégio que me contou e que gostaria de partilhar. No seu 10º ano, por entenderem que seria o candidato ideal para Comandante de Batalhão, os ofi‑ ciais começaram a prepará-lo para a posição. Tinha quinze anos. Era muito novo. O Colégio viu nele, cedo, aquilo que o tempo confir‑ maria: uma capacidade de liderança
que não precisava de se anunciar para se impor. Olhando para o que veio a seguir — a cátedra, o Minis‑ tério, a gestão de empresas — per‑ cebe-se que quem viu o seu poten‑ cial estava certo e que a preparação precoce não o formou apenas para uma função. Formou-o para todas as que viria a assumir ao longo de uma vida notável. Este Conselho vive hoje um momento especial. Estamos em processo de reflexão profunda sobre nós próprios — sobre o nosso papel, a nossa com‑ posição, até o nosso nome. É o movimento natural e necessário das Instituições que não se querem museus de si mesmas, que reco‑ nhecem que servir bem o futuro exige a coragem de se reinventar. Mas há uma condição para que essa reinvenção seja bem-sucedi‑ da: precisa que seja sustentada por referências que cruzam o tempo, que dêem corpo à continuidade e
que garantam que a mudança é evolução e não ruptura. Ricardo Bayão Horta é precisamen‑ te isso. Vinte e cinco anos de pre‑ sença constante neste Conselho, atravessando fases, presidências e debates muito diferentes, tornam‑ -no numa dessas referências in‑ substituíveis — não como peso do passado, mas como garantia de que o que somos tem raízes sufi‑ cientemente fundas para suportar o que queremos vir a ser. Celebrar esta efeméride não é, por isso, um gesto de nostalgia. É um acto de consciência institucional. Em nome do Conselho Supremo: obrigado, Zacatraz. António Coutinho (249/1980)
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FARDAS E UNIFORMES
BARRETINAS E BONÉS
É
sempre com gosto que escrevo sobre as fardas colegiais que, há quase dois séculos, mantêm a cor de pinhão das primitivas fardas das tropas de Caçadores. Com elas se cobriram de glória os nossos Caçadores no decurso da Guerra Peninsular. O último artigo que escrevi relativo ao fardamento colegial versou sobre o «képi» do Comandante de Batalhão. Este «képi» foi criado expressamente para o Comandante de Batalhão Honorário, o Príncipe Real D. Luis Filipe, para ser usado, no dia 20 de Maio de 1901, dia da cerimónia de juramento como legítimo e presuntivo herdeiro da coroa. O juramento foi feito com a farda de gala, de barretina. O boné foi usado fora da cerimónia. Foi um artigo de fardamento único, de que ficou como testemunho uma fotografia que consta da obra «Família Real. Uniformes», da autoria de Pedro Soares Branco, o maior especialista português em matéria de uniformes. O «képi» de Comandante de Bata‑ lhão Honorário, conforme o que se encontra ilustrado na obra «História do Colégio Militar», de José Alberto da Costa Matos (96/ 1950), não foi o primeiro «boné» dos uniformes colegiais. Ponho boné entre aspas, por se terem de‑
signado por boné, ao longo do sé‑ culo XIX, tanto barretinas, como bonés, no sentido usual do termo, como barretes de bivaque. A figura 1, retirada da História do Colégio Militar, de Costa Matos, representa os primeiros uniformes cor de pinhão, do tipo dos uni‑ formes de Caçadores, usados pelos Alunos. São os uniformes atribuí‑ dos ao Real Colégio Militar, no ano de 1837, pela nossa Rainha D. Maria II. O uniforme de parada compreendia uma barretina alta e aguda, de cor preta, com pe‑ nacho, como as dos soldados de Caçadores (Plano de uniformes do Exército, de 1834).
Fig. 1 - Grande uniformes e uniforme de polícia de 1837
O uniforme designado de polícia, para uso diário no serviço interno, compreendia um boné, no sentido usual do termo, e uma jaqueta de cor preta. Estes uniformes foram usados até ao ano de 1852, tendo sido o uniforme de polícia com‑ plementado, em 1849, por um lon‑ go capote, próprio para o frio do Inverno em Mafra, onde o Colégio estava então situado. Naquele tem‑ po, em que os Alunos praticamen‑ te só saiam do Colégio para férias, não havia o que mais tarde se veio a designar por farda de passeio. Em Dezembro de 1851, foi decreta‑ da uma reorganização do Colégio, em que se estabeleceu que os Alu‑ nos teriam um «uniforme especial», ou sendo decidido adoptar novos uniformes para os mesmos. Nestas circunstâncias, no ano seguinte, em Agosto de 1852, foi decretado um «Plano de uniformes para os oficiais do Estado-Maior e alunos do Real Colégio Militar». O artigo 2.º, relativo aos Alunos, dispunha o seguinte: «Os Alunos terão farda de pano com abas curtas como as dos Corpos de Caçadores do Exérci‑ to, sem acostelado, mas com uma corneta de metal dourado em cada aba (…); canhões vivos e vistas de pano preto; na gola, que será do mesmo pano da farda, uma casa de cada lado, em relevo de veludo verde salsa, que abranja um terço,
FARDAS E UNIFORMES
sendo em feitio como as fardas dos Lanceiros, nos ombros presilhas de pano preto; as calças serão de pano igual em cor ao da farda, bastan‑ te folgadas, como o devem ser as mangas destas, apertando-se aque‑ las na cintura… e sendo no verão de brim branco;…e os bonés como os das praças de pré do Exército, sendo de pano igual ao da farda, com vivos e borla de seda verde, letras e coroa como adiante se designa. Em cada ombro usarão sempre de uma estrela de metal amarelo. O grande uniforme em dias de gala, nas diferentes paradas e sempre que se achem de férias, consistirá no adicionamento de dragonas de pano como o da farda, avivadas de preto, com rolo de lã fina desta cor……e de outro boné de pano de cor da farda, conforme o modelo n.º 1……………sendo simplesmente avivado de preto tendo na frente em letras góticas as iniciais de Real Colégio Militar e uma coroa, tudo em metal amarelo-dourado e com correia de cor envernizada de preto. No inverno usarão de sobretudo até ao joelho, de briche, sobreabo‑ toado com duas ordens de quatro botões cada uma, tendo na gola casas de pano verde semelhantes às das fardas.» É curioso verificar que no texto acima transcrito se designa o capote por sobretudo, como se diria a propósito da vestimenta de um paisano. Na figura 2, também extraída da obra de Costa Matos, podemos observar o uniforme de polícia de 1852, em que os «bonés» não têm pala, são do tipo de barretes de bivaque, com uma borla verde pendurada do topo do barrete, algo muito semelhante ao usado durante muitos anos pela Legião Estrangeira de Espanha.
Fig. 2 - Uniforme de polícia de 1852
Fig. 3 - Grande uniforme de 1852
Na figura 3, pode-se observar o grande uniforme de 1852, que era obtido do uniforme de polícia «por adicionamento de dragonas» de cor preta e pelo uso de «outro boné», muito semelhante às actuais bar‑ retinas, mas com vivos verdes e sem penacho.
outros as detestam». Sensível a esta forte argumentação, o então mi‑ nistro da Guerra, Sá da Bandeira, determina, por portaria de 11 de Setembro de 1861, um conjunto de alterações da farda, das quais sa‑ lientamos as seguintes:
O grande uniforme era usado pelos Alunos «sempre que se achem em férias». Era bonito de se ver, mas devia ser um suplício para os alunos. Estando longe do Colégio, eram inevitáveis as «adaptações» para tornar as fardas menos incómodas. Isto mesmo foi reco‑ nhecido, em Agosto de 1861, pelo General Palmeirim, Director do Colégio, tendo então escrito, numa exposição ao ministro, «Sucede, porém, que fora do Colégio, nunca as barretinas foram do agrado dos alunos, pelo que, e a aprazimento das famílias, lhe extraem o cartão e convertem em bonés resultando daqui desigualdade no uniforme e ofensa desta parte disciplinar. As dragonas são apenas usadas pelos mais pequenos, porque os
1.º Substituir a barretina actual‑ mente em uso por kepis de pala horizontal, conforme o modelo apresentado. 2.º Permitir o uso dos actuais barretes de polícia unicamente dentro do Colégio. 3.º Ordenar que as golas das fardas sejam baixas e folgadas e as mangas largas. 4.º Ficam suprimidas as dragonas chamadas rolos. 5.º Que as presilhas actuais de pano preto sejam substituídas por outras de trança de lã preta (segun‑ do o modelo apresentado), cosidas á farda por um dos extremos.»
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FARDAS E UNIFORMES
Fig. 4 - Grande Uniforme de 1861, com kepi em vez de Barretina.
Fig. 5 - Aluno com Grande Uniforme de 1961, com kepi sobre a sua perna direita.
Fig. 6 - Grande Uniforme e Uniforme de Polícia de 1866
Na figura 4, extraída da obra de Costa Matos, pode-se observar o uniforme de gala resultante da portaria de 1861, sem dúvida mais cómodo para o uso pelos colegiais durante os seus períodos de férias. Admitimos que este possa ser o uniforme colegial mais antigo de que chegaram fotos até nós. Na figura 5, reproduzimos uma foto de um aluno, constante da obra «Portugal Militar. 1850 – 1918», da autoria de Pedro Soares Bran‑ co. Como se pode observar na foto, o aluno tem, apoiado sobre a sua perna direita, um kepi de pala ho‑ rizontal com as iniciais RCM enci‑ madas pela coroa real.
O cómodo grande uniforme de 1861, do tipo «uniforme de passeio», foi Sol de pouca dura. Durou cinco anos apenas. Em 1866, o Director do Colégio, ainda o General Palmeirim, fazia as seguintes observações quanto às coberturas de cabeça «Os alunos usam actualmente uns kepis pessimamente talhados e que tombam para diferentes lados. Na forma produzem péssimo aspecto» ……….Concluindo, «Proponho pois a barretina com laço nacional e penacho verde piramidal».
Este uniforme passou a ser de pano de mescla e o respectivo «boné» passou também a ser de pano de mescla e de feitio cilíndrico, feitio este ainda hoje em uso. Na figu‑ ra 6 apresentam-se os uniformes adoptados em 1866, podendo-se concluir, que a forma cilíndrica do actual barrete, usado com as fardas de pano e com as fardas de serviço interno, mantem-se há 160 anos, o que não é coisa pouca. Finalmente, a Portaria de Setembro de 1866, suprimiu «as estrelas e as cornetas que os alunos usam no actual uniforme». As cornetas, ou melhor dizendo, as trompas de caçadores, desapareceram dos uni‑ formes, ao fim de cerca de 30 anos de uso. Isto não nos impede de considerar, que as nossas fardas cor de pinhão nos continuam a dar direito à designação de "Caçadores da Rainha".
De notar a ausência das dragonas (rolos), substituídas por tranças de lã preta sobre os ombros, e a estrela metálica sobre a parte superior da manga do dólman, já usada na farda antecedente. Pensamos ser o uniforme de gala adoptado em 1861.
Em resultado da proposta do Di‑ rector do Colégio, o então Ministro da Guerra, Fontes Pereira de Melo, determinou, em Portaria de 5 de Setembro de 1866, a reintrodução do uso de barretina, agora com penacho e com vivos verdes, e de dragonas, guarnecidas de lã preta riçada. A Portaria de Setembro de 1866, determinou também uma importante alteração ao nível do uniforme de polícia.
Luis Barbosa (71/1957)
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BAÚ DE ANTANHO
RECORDAR ERNESTO GALEÃO ROMA (195/1897)
FUNDAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO PROTECTORA DOS DIABÉTICOS DE PORTUGAL (APDP)
E
rnesto Galeão Roma (195/1897; 95/1899) con‑ cluiu o ensino liceal no Real Colégio Militar (vin‑ do a ser membro do Conselho Supremo da Associação dos Anti‑ gos Alunos) e, em 1913, concluiu o curso da Escola Médica com 19 valores. Em 1915, com o posto de alferes médico, alistou-se como voluntário para integrar o Primeiro Batalhão Expedicionário Português destacado para combater em França no decurso da I Guerra Mundial. Abandonou a carreira militar em 1921, no posto de capitão.
Foi assistente e chefe de clínica na Faculdade de Medicina de Lisboa, sendo ali contemporâneo do médi‑ co José Alberto de Faria (205/1898; 9/1899; comandante do Batalhão Colegial em 1894/1895). Partiu para Boston em 1922 para estagiar no Massachussets General Hospital, onde testemunhou a re‑ volução operada no combate à dia‑ betes pela insulina, descoberta um ano antes em Toronto. Após regressar a Portugal, iniciou em 1925 a prática da insulinote‑ rapia no seu consultório, tendo conquistado elevada fama e reco‑ nhecimento como diabetologista.
Aluno do Real Colégio Militar
BAÚ DE ANTANHO
Ernesto Roma – busto de Dorita de Castel-Branco, na entrada da APDP
Corpo Expedicionário Português, com Ernesto Roma assinalado a azul no braço
Indignado com as condições de vida de muitos diabéticos sem capa‑ cidade económica para frequentar o seu consultório, Ernesto Roma fundou a 13 de Maio de 1926, com o apoio de alguns amigos e bene‑ méritos, a Associação Protectora dos Diabéticos Pobres, depois As‑ sociação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP), reconhecida‑ mente a mais antiga de todas as associações de diabéticos do mundo.
Foi distinguido com várias condecorações:
Quando era aluno do Real Colégio Militar revelou elevado mérito em diversos desportos e actividades físicas e, aos 70 anos, apresentava boa forma física e grande agilida‑ de que o deixava muito orgulhoso.
• Medalha de Prata comemorativa da Expedição a França
O seu nome perdura na toponímia portuguesa, em nomes de arrua‑ mentos nas cidades de Lisboa e Viana do Castelo, onde nasceu. Nuno Mira Vaz (277/1950)
• Medalha da Vitória • Cruz Vermelha de Benemerência • Medalha de Prata do Instituto de Socorros a Náufragos • Grande-Oficial da Ordem de Benemerência
Fontes: Wikipedia: https://www.medicina. ulisboa.pt/newsfmul-artigo/109/ ernesto-roma
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O CM PELOS OLHOS DE UMA MENINA DA LUZ
Elisabete Laura Cardoso 22/2015
DO COLÉGIO MILITAR À ACADEMIA MILITAR UMA MENINA DA LUZ A FAZER HISTÓRIA
E
m 2015, ingressei no Colé‑ gio Militar, Estabelecimen‑ to Militar de Ensino não Superior, de matriz mili‑ tar, que foi determinante no meu percurso de vida, conjugando a tradição, a disciplina e uma forma‑ ção académica de excelência, num contexto de acelerada mudança e avanço tecnológico como é o da Sociedade Portuguesa atual. No Colégio Militar, o meu número foi o 22 e integrei o curso de 2015, na área de Socioeconómicas. Durante o meu percurso, tive a honra de desempenhar funções como Porta-Guião do Colégio Mi‑ litar no meu oitavo ano colegial, uma missão que assumi com enor‑ me orgulho e elevado sentido de responsabilidade.
De Rata a Porta-Guião do Colégio Militar
O CM PELOS OLHOS DE UMA MENINA DA LUZ
cia, na rapidez e na estratégia, cujo objetivo é “tocar sem ser tocado”. Muito mais do que uma prática des‑ portiva, a esgrima tornou-se uma verdadeira escola de valores, ensinan‑ do-me disciplina, concentração, resi‑ liência e capacidade de superação.
Porta- Guião 2023/2024
Transportar o guião de uma insti‑ tuição tão nobre, na preservação da sua identidade nacional, foi para mim, uma das maiores honras da minha vida, concretizando um sonho que me acompanha desde os dez anos de idade. Atualmente, frequento a Academia Militar, onde sou o número 671 do curso General Sebastião José de Arriaga Brum da Silveira. Conti‑ nuo, assim, o caminho que sempre desejei seguir, a carreira militar, com dedicação, espírito de missão e um profundo orgulho em servir. O Colégio Militar marcou profun‑ damente a minha formação pessoal e académica. Foi nessa instituição que cresci e aprendi valores funda‑ mentais como a disciplina, o rigor, a camaradagem e o espírito de corpo. Como Antiga Aluna, levo comigo tudo aquilo que o Colégio Militar me transmitiu e que hoje procuro aplicar diariamente na Academia Militar. São valores que vão muito além da honra de servir a Pátria: represen‑ tam também a dignificação da farda, o culto da disciplina e o compromis‑ so permanente com a excelência.
Atualmente, encontro-me no se‑ gundo ano da licenciatura em Ciências Militares, no curso de Exército - Armas, da Academia Mili‑ tar. Trata-se de uma escolha exigen‑ te, que requer dedicação, resiliência e um elevado sentido de responsa‑ bilidade. Esta formação constitui a continuação natural do percurso que sempre ambicionei seguir ao serviço do Exército e de Portugal. Ser a primeira Antiga Aluna de Na‑ cionalidade Portuguesa do Colégio Militar a ingressar na Academia Mili‑ tar representa, para mim, um enorme orgulho, mas também uma grande responsabilidade. Este percurso sim‑ boliza não apenas uma conquista pessoal, mas igualmente um passo importante na afirmação da presença feminina no meio militar. Destaquei-me desde muito cedo na Esgrima, que faz parte da minha vida. Escolhi aos 10 anos, a Ativi‑ dade de Complemento Educativo (ACE) de Esgrima, logo no meu pri‑ meiro ano e apaixonei-me imedia‑ tamente pela modalidade. Fasci‑ nou-me o facto de ser um desporto de combate assente na inteligên‑
Tenho participado em inúmeras demonstrações de Esgrima a nível Nacional, articulando com a Socie‑ dade Civil, federações e outras en‑ tidades, representando o Colégio Militar e atualmente a Academia Militar. Graças à modalidade e aos resultados alcançados, tive também a oportunidade de representar Por‑ tugal e viajar por diversos países, conhecendo diferentes culturas e vivendo experiências inesquecíveis. Ao longo dos anos, participei em inúmeras provas nacionais e inter‑ nacionais, entre as quais Campeo‑ natos do Mundo, Campeonatos da Europa, Taças do Mundo e Campeo‑ natos Mediterrânicos. Estas com‑ petições permitiram-me enfrentar atletas de diferentes Países, adqui‑ rindo experiência e desenvolvendo competências técnicas e humanas fundamentais. Competi internacionalmente em países como o Dubai, o Egito, a Sérvia, a Croácia, a Itália e a Espa‑ nha, onde cada viagem representou uma oportunidade de crescimento, tanto a nível desportivo como pes‑ soal, contribuindo para o desenvol‑ vimento de capacidades que hoje aplico também na vida militar. Tenho como objetivo continuar a pra‑ ticar a esgrima, agora enquanto mili‑ tar, ambicionando representar o Exér‑ cito em competições internacionais. A ligação à modalidade mantém‑ -se atualmente na Academia Mili‑
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tar, onde continuo a praticar esgri‑ ma e desempenho funções como coordenadora da ACE de Esgrima. Assumo esta responsabilidade com enorme orgulho, camarada‑ gem, procurando contribuir para o crescimento da modalidade e incentivar outros cadetes a desen‑ volverem-se através do desporto. Ser a primeira Antiga Aluna Portu‑ guesa do Colégio Militar a ingressar na Academia Militar tem, para mim, um significado muito especial. Sinto que represento não apenas o meu percurso individual, mas também, o de todas as jovens que sonham seguir uma carreira militar e acreditam ser capazes de alcançar os seus objetivos. Importante esclarecer que, ao re‑ ferir-me como a primeira «Antiga Aluna Portuguesa» a ingressar na Academia Militar, deixo aqui a nota do percurso da camarada Titânia da Costa (832/2017), Antiga Aluna do Colégio Militar, oriunda de Timor‑ -Leste, que ingressou anteriormen‑ te no curso de Administração Mili‑ tar e que se encontra atualmente a frequentar o quarto ano da Acade‑ mia Militar. Espero que o meu exemplo possa demonstrar que, com trabalho, dedi‑ cação e perseverança, é possível abrir novos caminhos e superar desafios, deixando aqui outra nota que conjugo, em sede de igualdade de género, ser a primeira «Antiga Aluna Portuguesa» do Colégio Militar e «Ser Mulher», uma «Menina da Luz» a ingressar na Academia Militar e a fazer História. O futuro será exigente, mas con‑ tinuo este percurso com a mesma determinação, resiliência, orgulho, sentido de missão e de honra que me acompanham desde o primeiro dia em que entrei no Colégio Militar.
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ANTIGOS ALUNOS NAS ARTES E NAS LETRAS
MÁRIO CORTESÃO CASIMIRO
305/1937
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o passado dia 13 de Março de 2026, foi apresentado na Sociedade Portugue‑ sa de Psicanálise, o livro “A Psicanálise pode ser aprendida, mas não ensinada”, da autoria do Dr. João Pedro Fróis (*), dedicado a um dos protagonis‑ tas do “Movimento Psicanalítico em Portugal”, seu amigo de longa data, o Dr. Mário Augusto Cortesão Casimiro (1925-2003), Antigo Aluno do Colégio Militar 305/1937. Mário Augusto Cortesão Casimiro foi “Rata” de 2º ano do curso 1936/43, tendo sido graduado com uma estrela da terceira companhia no 6º ano do Colégio e uma estrela da 4ª companhia no seu ano finalista.
Mário Cortesão Casimiro 305/1937
ANTIGOS ALUNOS NAS ARTES E NAS LETRAS
Mário Cortesão Casimiro 305/1937
Mário Augusto Cortesão Casimiro nasceu em Maquela do Zombo, Angola, viveu em Lisboa a ado‑ lescência e a juventude, durante a Guerra Civil Espanhola e a Se‑ gunda Guerra Mundial. Teve vários mestres intelectuais, a começar pelo pai, Augusto Casimiro (18891967), Capitão do Exército, escritor e democrata, protagonista no mo‑ vimento Renascença Portuguesa e na revista Seara Nova. A sua mãe, Judite Zuzarte Cortesão, era irmã do médico e historiador Jaime Cortesão. Mário Casimiro fez os estudos liceais no Colégio Militar, onde foi o 305/1937. Licenciou-se em Medicina na Uni‑ versidade de Lisboa (1953), onde, tal como no Hospital Júlio de Ma‑
tos, foi assistente de Psiquiatria do Professor Barahona Fernandes. No final da década de 1950, por razões de perseguição política, foi afastado da leccionação e do exer‑ cício clínico em entidades públicas. Antes de partir para a Suíça, iniciou a formação em Psicanálise, con‑ tinuada em Genebra com Michel Gressot e em Portugal com Francisco Alvim e Pierre Luquet. Na Suíça, trabalhou na Clinique Psychiatrique Les Rives de Prangins. No regresso a Portugal, dedicou-se em exclusi‑ vidade à psicanálise, e foi um dos psicanalistas didactas mais proe‑ minentes da Sociedade Portuguesa de Psicanálise. (*) João Pedro Fróis (Lisboa, 1957)
É investigador convidado da Facul‑ dade de Medicina da Universidade de Lisboa. Trabalhou largos anos como psicólogo na área da Saúde Mental e Reabilitação de crianças e jovens. Coordenou o Programa Gulbenkian de Investigação e De‑ senvolvimento Estético, bem como projectos financiados pela Funda‑ ção para a Ciência e a Tecnologia. Publica regularmente na área da Psicologia da Estética, Criatividade e Artes Visuais. Tem particular in‑ teresse na História da Psicologia, da Psiquiatria e da Psicanálise. É autor de vários livros no domí‑ nio da psicologia das artes visuais — Jaime Fernandes (5 Continents, Milão, 2024), A arte da infância não é a infância da arte (Faculda‑ de de Medicina, Universidade de Lisboa, 2025). Traduziu dois livros de Lev S. Vygotsky, publicados no Brasil e em Portugal. Foi vice‑ -presidente da International As‑ sociation of Empirical Aesthetics. É investigador afiliado do Center for Phenomenological Psychology and Aesthetics da Universidade de Copenhaga, membro do Conselho Internacional de Museus e da So‑ ciedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental. "O livro, publicado pela editora Taiga, encontra-se disponível em: www.taiga.pt" em livrarias: Lisboa (Livraria da Travessa, Linha de Sombra - Cinemateca, Snob, Tigre de Papel) Porto (Livraria Flâneur) Adelino Fonseca Lage (176/1966)
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CONTOS E MOMENTOS
Duarte Dias Marques 408/1969
CONTOS E MOMENTOS "COSTA" SINOPSE
Henrique, antigo combatente da guerra colonial, vive sozinho num T2 da Damaia, assombrado por um calor nocturno que médicos e família confundem com idade, ansiedade ou doença. Quando uma crise o obriga a pronunciar o nome de Costa, camarada morto décadas antes, a filha e o neto começam a pressentir que o seu silêncio guarda uma guerra ainda por contar. A abertura de uma velha caixa no alto do roupeiro transforma a memória escondida numa forma mínima de transmissão, reparação e companhia.
O
calor não vinha do Verão, nem do aquecedor a óleo esquecido na tomada, nem da idade que Henrique invocava sempre que Marta lhe perguntava se estava bem. Vinha de um lugar mais fundo, entre o esterno e a memória, como se o peito guardasse um carvão antigo que voltava a acender-se quando a casa ficava quieta. Às vezes começava pelas mãos, num ardor miúdo nos dedos, outras vezes subia directamente à garganta, seco e violento, como se alguém lhe encostasse por dentro uma lâmina em brasa. Os médicos falavam em ansiedade. Marta culpava o sal, a tensão, os noticiá‑ rios, o excesso de café, a solidão daquele T2 estreito na Damaia. Ninguém acertava. Ninguém sabia que aquele calor chegava quase sempre entre as três e as quatro da manhã, a hora em que, muitos anos antes, alguém gritara “levanta” numa língua que já ninguém usava.
Henrique despertava sentado na cama, o pijama cola‑ do às costas, o coração em passo de corrida, e estendia a mão para a mesa de cabeceira como quem procura às cegas uma arma que já não existe, encontrando apenas o copo de água, os óculos e os comprimidos do colesterol. Bebia dois goles, deixava o terceiro pousar na língua mais um segundo — água benta de ateu — e esperava que a febre abrandasse, embora soubesse que ela apenas recuava o suficiente para ele conseguir vol‑ tar a ser, durante o dia, um reformado como os outros: centro de saúde, café curto, raspadinha e Benfica. Em casa de Marta, aos domingos, o neto trepava-lhe para o colo com a leveza dos que ainda não sabem que o mundo pesa e perguntava-lhe se alguma vez tivera medo. Henrique encolhia os ombros, dizia que tive‑ ra de ser homem, e aquilo não era resposta, era uma trincheira; mas o miúdo insistia, queria saber se medo
CONTOS E MOMENTOS
mesmo, medo a sério, e havia então um segundo em que o corpo inteiro do avô parecia hesitar. Via um cla‑ rão que não era relâmpago, um corpo que caía sem grito, uma mão aberta sobre a terra, sentia outra vez o cheiro a ferro quente e a roupa suada de um estranho a morrer demasiado perto; depois fechava a janela e dizia que medo, medo, só de não chegar a tempo ao autocarro. O miúdo ria, desarmado. Marta sorria tam‑ bém, com o pano da loiça preso nas mãos, como se sor‑ rir fosse uma maneira de não tocar naquilo. O prédio conhecia-o de vista: o senhor Henrique do terceiro esquerdo, que estivera na tropa em África. Diziam isto como quem diz que alguém entrou num filme antigo, desses que passam de madrugada com cores gastas. Ninguém perguntava detalhes, e Henrique agradecia o pudor, embora soubesse que o país preferia aqueles homens assim: à distância, com medalhas em gavetas, fotografias em álbuns fechados e memórias guardadas no armário do corredor. No alto do roupeiro, dentro de um saco de plástico, ao lado de mantas antigas, havia uma caixa em que nunca mexia. Lá dentro estavam duas fotografias a preto e branco, um lenço com nó, um emblema ferrugento e uma carta dobrada em quatro, com a tinta já a fugir. Às vezes, quando limpava a casa, Marta perguntava se podia deitar aquilo fora, e ele respondia que não, que ainda respirava. Não era figura de estilo. Aquilo respirava mesmo. Cada vez que a tampa se movia, o calor subia um grau. Naquela noite de Março, o incêndio começou mais cedo. Henrique estava à mesa da cozinha, com o prato vazio à frente e a colher pousada como uma desistên‑ cia, quando o telejornal mostrou imagens antigas de um documentário sobre a guerra do Ultramar, perdi‑ do entre anúncios de seguros e promoções de super‑ mercado. A voz neutra do locutor dizia “operações”, “patrulhas”, “baixas”, “teatro de operações”, palavras limpas, desinfectadas, incapazes de sangrar. Henrique ainda tentou ficar ali. Pegou no comando, baixou o som, tornou a aumentá-lo, como se a diferença entre dois volumes pudesse salvar uma vida antiga. Depois levou o copo à boca e reparou que a mão tremia antes de a água lhe tocar nos lábios. Durante alguns segundos, conseguiu ver apenas a televisão: a luz azulada no azulejo, o reflexo torto do seu rosto no vidro da porta, uma notícia qualquer a passar depressa demais. Disse a si mesmo que eram
só imagens, que aquilo já não era nada. Mas o corpo não acreditou. O que lhe chegava era já o estalar de ramos sob botas, um insecto a zumbir perto da orelha, o suspiro de alguém que se encostava à árvore errada, e o que via já não cabia na televisão: rostos sem nome gravados no escuro, bocas abertas sem som, olhos fi‑ xos numa noite que não acabava.
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O calor subiu como um relâmpago ao contrário, dos pés à garganta. Henrique levantou-se devagar, segu‑ rou a borda da mesa, respirou fundo, não chegou. A co‑ zinha rodou um pouco, só um pouco, como um barco mal ancorado. Foi à varanda buscar ar, mas encontrou paredes; voltou para dentro, abriu a torneira, deixou a água correr sobre os pulsos, contou um, dois, três, como lhe tinham ensinado no hospital depois de outro susto sem nome. Ao quarto número, já não estava ali. Nessa madrugada, o grito veio, não o grito de quem chama por ajuda, antes o de quem chama por uma época inteira. A vizinha do lado acordou sobressal‑ tada, em casa de Marta o miúdo levantou-se a chorar sem saber porquê, e na cozinha de Henrique a cadei‑ ra caíra para trás, o copo estilhaçara-se no chão, en‑ quanto ele permanecia de pé, encostado à bancada, os olhos muito abertos, a respiração aos soluços, a mão esticada para um vazio que ninguém mais via. — Costa… A palavra saiu antiga, arrancada à ferrugem, nome que não existia no telemóvel, nem no Facebook, nemno cemitério da freguesia. Costa não era herói, não era general, não tinha estátua, rua ou lápide.
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Tinha apenas ficado: um miúdo de vinte anos preso para sempre num pedaço de noite que ninguém reclamou. Henrique escorregou para o chão, encostouse ao armário e deixou a cabeça cair para trás, com o coração a bater num ritmo estrangeiro. Quando Marta entrou com a chave extra, encontrou-o assim, olhos abertos, suor frio na testa, os cacos do copo espalhados como gelo partido. Vinha de casaco por cima do pijama, o cabelo preso à pressa numa mola azul, e perguntou-lhe o que tinha. Ele demorou a responder; quando a voz saiu, vinha baixa, rouca, como se também ela carregasse fardas: “Não fui eu que voltei.” Marta não percebeu. Pensou na idade, na tensão, num princípio de demência, ajoelhou-se ao lado dele, tocou-lhe no pulso com dois dedos e chamou a ambulância só para despistar. No hospital, falaram em ataque de pânico, talvez confusão transitória, talvez memória traumática tardia, talvez nada. Henrique assentiu. Era mais fácil assim. Marta, no corredor, com os papéis da triagem na mão, ouviu siglas ocuparem o lugar de uma história e teve, pela primeira vez, a impressão de que o pai não estava apenas a envelhecer para a frente. Na semana seguinte, levou-lhe sopa, uma caixa semanal para os comprimidos e uma camisa lavada que ele jurava não precisar. Levou o miúdo. Ele andava pela casa sem saber onde pôr o corpo depois do susto, tocou no comando da televisão, largou-o, espreitou a varanda, caminhou até à porta do quarto e viu o saco no alto do roupeiro. Perguntou o que estava ali dentro. Marta ia dizer para não mexer, mas Henrique levantou a mão antes dela: “Deixa.” Foram para a mesa da cozinha, e Henrique trouxe a caixa com uma lentidão quase cerimonial. Quando a pousou, o neto arregalou os olhos, enquanto Marta ficou de pé, encostada ao lavaloiça, sem saber se devia sair ou ficar. Henrique sentiu o calor levantar-se do estômago, mas dessa vez vinha acompanhado de outra coisa, não alívio, ainda não, antes o espanto cansado de quem pousa na mesa um peso que já lhe parecia corpo. Abriu a caixa, não sem tremor. A fotografia dos cinco rapazes de farda riu primeiro. Os olhos de Costa continuavam ali, vivos, suspensos numa manhã que ainda não sabia o que a noite lhe faria. O lenço cheirava a roupa antiga e tabaco, o emblema tinha o brilho baço de tudo o que foi importante durante tempo de mais, e a carta, dobrada em quatro, parecia gemer nas dobras.
Henrique pousou o dedo sobre o rosto de Costa e disse que ele se chamava Joaquim Costa, que tinha medo do escuro mas nunca o admitia, que contava anedotas parvas, cantava mal, gostava de jogar à lerpa e escrevia cartas à mãe. O neto deixou de mexer no fecho do casaco e perguntou, quase num sussurro, se ele morrera lá. Henrique fechou os olhos por um instante e respondeu, com uma firmeza que não esperava: “Morreu no lugar onde eu não consegui chegar a tempo.” Houve um silêncio novo, não o silêncio de sótão fechado, mas o de uma igreja vazia antes de uma oração. Henrique disse que nunca contara aquilo a ninguém, e as palavras saíram cambaleantes, como soldados cansados. Não contou tudo. Não precisava. Falou de uma data partida, de uma picada que já ninguém encontraria no mapa, da chuva que não veio, da mão de Costa a segurar as cartas da mãe antes de as abrir. O miúdo ouviu sem saber onde pôr as mãos. Marta, junto ao lava-loiça, não mexeu em nada durante muito tempo. No fim, o neto perguntou se ele ainda tinha medo. Henrique pensou e respondeu: “Já não é medo. É calor.” E, pela primeira vez em muitos anos, a palavra não lhe ardeu na boca. Marta não disse nada. Antes de sair, lavou o copo em que ele bebera água, deixou-o virado no escorredor e beijoulhe a testa como não fazia desde pequena. Nessa noite, Henrique esperou o fogo habitual, que veio, pontual, entre as três e as quatro, mas encontrou qualquer coisa diferente no quarto: não paz, não cura, talvez apenas a presença incerta de um nome que deixara de estar enterrado sozinho. Costa. O calor continuava lá, era dele, fazia parte do preço, e talvez nunca perdesse a sua fúria inteira. Antes de adormecer, Henrique murmurou para o tecto: “Eu voltei. Tu ficaste. Agora alguém sabe.” Não esperava resposta, mas sentiu a garganta aliviar meio centímetro, como se a lâmina interna tivesse recuado apenas o bastante para o deixar respirar. Lá fora, um carro passou devagar, um cão ladrou ao nada, uma vizinha desceu o autoclismo, sem saber nada de Costa. Naquela casa pequena da Damaia, porém, a caixa fechada respirava de outro modo: já não era exactamente um caixão, ainda não era um altar, talvez apenas uma coisa pousada entre os mortos e os vivos, à espera de que alguém voltasse a abrir a tampa. Henrique fechou os olhos. O calor ficou. E ele não soube se isso era descanso, ou apenas a forma mais branda de continuar acordado.
DA VIDA DOS ANTIGOS ALUNOS
José Garcia Leandro 94/1950
TRIBUTO E RECORDAÇÃO ANTÓNIO MARTINS BARRENTO (40/1948)
Nasceu a 13 de Fevereiro de 1937 Faleceu a 24 Novembro de 2025
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odos sabemos que a vida de qualquer ser humano termina, mas quando tal acontece o choque é sem‑ pre grande e tanto maior quanto mais fortes eram as relações que tínhamos com o falecido. Foi o que me aconteceu com de‑ saparecimento do Barrento a 7 de Março deste ano com quem tive relações profissionais e de amizade muito fortes. Tratou-se de uma situação muito dolorosa para todos e para mim pois a ligação profissional e de amizade existia e não sabia que ele estava doente. E para além do seu Curricu‑ lum Vitae que era conhecido existia uma relação pessoal muito forte; e
é sempre diferente quando apenas conhecemos o Curriculum Vitae ou tivemos relações de trabalho e de mútuo respeito. Nesta situação que era excepcional e havendo muitos Oficiais e alguns já Generais mais novos que não o conheceram pessoalmente, este texto bem como a pequena inter‑ venção que fiz na missa da Corpo Presente em 10MAR na Capela da Academia Militar na Bemposta, tornava-se indispensável para co‑ nhecimento de quem era o Homem e o General que nos comandou, ci‑ tando características que não apa‑ recem no Curriculum Vitae oficial. Começo por chamar a atenção so‑ bre a sua personalidade, modéstia e caráter firme, bem como capacidade
de decisão e coragem moral que ve‑ rifiquei ao longo do tempo; mesmo quando tinha o apoio unânime do seus Órgãos de Conselho assumiu sempre a decisão sozinho, mesmo em matérias difíceis e controver‑ sas; nunca pensou na popularidade, mas sim no que seria melhor para o Exército e para Portugal. Estivémos juntos em Timor (1968/ 69) onde ele comandou como Capitão a Companhia de Polícia Militar local; mais tarde, a partir de 1974 foi CEM /CTIT tendo sofrido tudo quanto aconteceu nessa difícil crise não tendo responsabilidades nas decisões tomadas (esta triste memória nunca o abandonou). Acontece que na década de 90 do século passado trabalhámos muito
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em conjunto desde o Instituto de Altos Estudos Militares à Chefia do Exército. E aí testemunhei algo que é desconhecido que era a sua cultura superior resultado de mui‑ to estudo.
Como quase toda aquela geração teve muitos anos do antigo Ultramar com quatro comissões (Moçambi‑ que, 1961/63; Angola, 1964/66; Ti‑ mor, 1968/70; Timor, 1974/76, em Dili, Ataúro e Darwin.
Foi dos muito raros Professores do Instituto de Altos Estudos Militares que ensinava com o mesmo à von‑ tade Estratégia, Tática, História e Organização.
Além disto fez o Curso de Estado Maior no Instituto de Altos Estu‑ dos Militares (1970/73) e na Es‑ cola Superior de Guerra em Paris, foi o Coordenador dos NMR/CMM no SHAPE, Mons, Bélgica, já como Oficial-General (Representantes Militares no SHAPE).
E todo esse estudo e intervenções que teve durante a vida deram ori‑ gem a uma lista muito longa de livros, artigos e conferências que sempre foram referência para quem os leu ou ouviu em várias Escolas, Associações, Sociedades e Publica‑ ções em várias Editoras. Em termos biográficos frequentou o Colégio Militar entre 1948 e 1956 tendo o nº 40 de 1948 e foi também Membro do Conselho Supremo da AAACM.
Nesta longa carreira profissional e como professor e escritor foi ainda Comandante da Escola Prática de Cavalaria, Comandante da Região Militar SUL/Évora e finalmente Chefe de Estado Maior do Exército (1998/2001). Tendo sido seu Vice‑ -CEME em 2000/2001 deixo agora um pequeno apontamento não tris‑ te sobre o seu humor.
Tinha o hábito de fazer os seus Des‑ pachos em letra maíscula algumas das quais ficavam arredondadas criando dificuldades de interpre‑ tação; em consequência tinha de haver quem fizesse a sua tradução, normalmente o seu Ajudante de Campo e se falhasse avançava o seu Chefe de Gabinete. Certo dia ambos não conseguiram e vieram ter comi‑ go que também não não tive sucesso e fui falar com ele que me disse com um ar sereno: Isto tem uma certa graça porque também não sei o que está escrito e teve de refazer o des‑ pacho. É apenas um apontamento curioso sobre a sua personalidade. Dito isto e porque não posso ir mais longe, o seu desaparecimento irá fazer muita falta à sua Família, ao Exército, Forças Armadas e a Portugal na sua Cultura e Caráter.
Que descansa em paz depois de uma vida de grande valor!
©Foto Sérgio Garcia (326/1985)
José Garcia Leandro (94/1950)
ANTIGO ALUNO USA A BARRETINA
ANTIGOS ALUNOS NAS ARTES E NAS LETRAS
EXÉRCITO PORTUGUÊS – UNIFORMES DE PEDRO SOARES BRANCO¹
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ealizou-se na Academia Militar, em Lisboa, o lançamento da obra de referência "Exército Português – Uniformes", da autoria do Profes‑ sor Doutor Pedro Soares Branco.
Especialista de renome na área da militaria, colabora‑ dor da ZacatraZ e estimado amigo da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar. O autor apresentou um trabalho que se assume como um marco na historiografia militar nacional, dando continuidade à documentação em livro com que nos tem privilegiado ao longo dos anos.
O evento reuniu uma notável plateia, composta por di‑ versas personalidades da vida civil e militar, unidas pelo interesse na preservação e estudo da memória e da iden‑ tidade institucional das Forças Armadas Portuguesas.
Uma Obra de Riqueza Única Este livro destaca-se pela sua incomparável riqueza histórica e fotográfica, fruto de uma investigação mi‑ nuciosa que oferece uma visão detalhada da evolução estética e funcional das fardas do Exército Português. A obra estabelece uma ligação profunda e direta com o Colégio Militar, um aspeto central que valoriza ainda mais a publicação: • Registo Fotográfico: O livro conta com uma importante colaboração de António Sacchetti (33/1965), cujas fotos contribuíram para ilustrar a elegância e o rigor que caracterizam a iconografia militar.
• Património Histórico: A obra documenta detalhadamen‑ te a evolução das fardas e, particularmente, da Bar‑ retina do Colégio Militar no período compreendido entre 1861 e 1889, oferecendo um testemunho vi‑ sual valioso sobre a tradição e o historial do Colégio. Este lançamento não é apenas a apresentação de um livro, mas um contributo fundamental para o estudo da cultura material militar em Portugal, servindo de inspiração para futuras gerações de investigadores e entusiastas da história do Exército Português.
Médico. Assistente Hospitalar Graduado Sénior de Medicina Física e de Reabilitação. Professor Associado Convidado da NOVA Medical School. Membro da Comissão Portuguesa de História Militar.
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Adelino Fonseca Lage (176/1966)
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POESIA NOS TEMPOS LIVRES
João Barrento Sabbo 17/1967
200 ANOS
NO SILÊNCIO DE SI O SOM DOS CLAUSTROS MARECHAL TEIXEIRA REBELLO – O FUNDADOR HÁ MAIS DE 200 ANOS Naquela noite, nos claustros, conseguiam ouvir-se o silêncio e a tristeza. O Marechal morrera. Nem vozes de comando, nem passos cadenciados, nem hinos, nem discursos inspirados. O silêncio lembrava a dor. Como se de agora em diante só solidão. Gargalhadas por dar, sem lições, sem razão para lutar, sem força. O Marechal morrera e com ele todos nós. Só de manhã, ao toque da alvorada, percebemos o que se estava a passar. Queriam fechar o Colégio. Impensável para nós, impensável sacrilégio.
Ao que consta houve um rei, ou um príncipe já nem sei, que por força de razão, deu um murro na mesa e disse não. Passaram-se meses e anos, dizem que séculos até. No silêncio dos claustros ecoam gargalhadas de fé. Meninas e Meninos da Luz e mais pequeninos até. Com amigos há sempre ajuda. Ouvem-se as gargalhadas que ficam por dar na solidão. Celebrando memórias a nossa sagrada camaradagem reafirma-se na invocação do Marechal. Marechal, pai e irmão, podemos todos morrer mas o nosso Colégio não.
HOJE E SEMPRE AQUI LUZ PORTUGAL!!!
POESIA NOS TEMPOS LIVRES
FUNERAL DE UM COMANDO Homem – Mais outro funeral. Mulher – Quem foi? H – Foi um Comando. M – Um Comando? H – Sim, um soldado como os outros. M – Como os outros? H – Talvez não. Talvez um pouco mais, talvez um pouco menos. M – Mas, quem são os Comandos? H – Quem faz do perigo o seu pão, do sofrimento o seu irmão e da morte a sua companheira, E se habituou a tê-los sempre à sua mesa e à sua cabeceira Noite e dia, Sem perder a alegria E o prazer de viver e de sonhar. M - E a fome, a sede, o medo e a morte? H – A fome esquecem-na. Quando tudo neles a repele e denuncia. Vão procurar na alma o único alimento que a sacia. M – E a sede? H – Sede só têm uma e essa ninguém a mede: A de fazer melhor, a de chegar primeiro, A de mesmo no alento derradeiro, Quando o corpo já parece não ser nosso Gritar ainda, “Eu quero, eu posso!”. M – E o medo? H – Conhecem-no, por isso não o temem E para o combater e dominar, são teimosos, tenazes. Repetem em cada minuto do dia: “A sorte protege os audazes” M – E a morte? H – Ao pensar nela, a sua companheira habitual, Transfiguram o receio ou pavor, Tornando-o quase igual À volúpia no amor. No seu bornal, no seu cantil, na sua cama, Vivem o amor e a morte… e uma eterna inquietação. Meio-amar, meio-querer, meio luar, meio-sofrer, Isso não sabe o que é, está fora do seu mundo: A sua taça bebem-na até ao fundo! M – Mas assim pretendem ser melhores do que os outros, ser os melhores de todos… H – Não, porque não comparam. Só querem ser melhores do que eles próprios. Por conforto ou benesses, nenhum deles lutou, Fiéis a essa ideia:” Só provará o pão de Deus quem comeu o que o diabo Amassou” Antes ou depois que a vida de um Comando acabe, Nem sabe bem quem é, só Deus o sabe. M – Acho estranho não querer nem desejar para si mesmo a paz. H – Medita nisto: O primeiro Comando foi Cristo, Porque pregando a paz, nunca viveu em paz E até morreu por isso. M - Compreendo então, querem ser como Cristo. H – Também não, isso seria muito! Querem apenas isto: Ser Comandos e viver como tal. Roberto Durão Depois, só Deus ou Cristo lhes estenderá a mão (ou não) afinal. (15/1949)
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ESTÓRIAS DO ESPÍRITO COLEGIAL
Francisco Silva Alves 392/1954
O ESPÍRITO DO COLÉGIO MILITAR TODOS OS QUE POR LÁ PASSAM FALAM DO “ESPÍRITO DO COLÉGIO”. O QUE É ISSO, ENTÃO?
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qui há uns tempos arran‑ quei no carro sem apertar o cinto de segurança. Vou parar já ali à frente, não vale a pena, pensei. Tive de facto que parar, no sinal vermelho, e dou logo com um agente da PSP a olhar directamente para mim, do outro lado da rua. Aproximou-se. Vou ter chatice, pensei enquanto preparava a desculpa a dar. Fitou-me com ar sério e perguntou-me: qual é o teu número?
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Confesso que fiquei com ar de parvo, porque não percebi logo. Como nunca tinha estado preso, reflecti que só podia ser o número do Colégio e lá balbuciei desajei‑ tadamente: 392, de 54. Ele retor‑ quiu com o seu número e o ano de entrada. Era bastante mais novo, nunca antes nos tínhamos visto. Mas quando se aproximou tinha reparado, seguramente, na minha Barretina na lapela. Meneou a cabeça, naquele ar tão particular dos polícias quando estão a ponderar entre a multa e o perdão, e despachou: para a próxima vê lá se não te esqueces do cinto. Balbuciei de novo, agora a desculpa que tinha preparado, terminando com um “obrigado, desculpa lá” e arranquei, safandome daquele aperto. É claro que já o encontrei várias vezes mais e conversámos sobre o Colégio. Anda de giro nas avenidas novas. E quanto ao cinto, tenho pensado diversas vezes porque
é que no único dia em que o não apertei ao arrancar, me aconteceu isto. Ele há coisas! A história mostra uma das facetas do Colégio: a camaradagem que se gera instintivamente entre ex‑ -alunos, mesmo sendo pessoas que nunca antes se tenham encontrado. No Colégio desenvolvem-se valores de comportamento próprios da instituição militar que assentam na lealdade, na camaradagem, na entreajuda, enfim, naquilo a que na tropa se chama “o espírito de corpo”. É no dia a dia, e de geração em geração, que estas particulares visões do “bem e do mal feito”, se vão enraizando e vão ficando. Porque nos identificamos com elas, porque as aceitamos, porque nos ajudaram a perceber atitudes e a escolher comportamentos, é isto que afinal representa, para nós, “o Espírito do Colégio”...
ROMAGENS DE SAUDADE
CURSO DE 1983/1991
ROMAGEM DE 35 ANOS DE SAÍDA - 22 DE MAIO DE 2026
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m maio de 2026, os claus‑ tros do Colégio Militar vol‑ taram a ecoar com os passos e as vozes do Curso de 1983. Trinta e cinco anos após a despe‑ dida oficial da vida colegial, os An‑ tigos Alunos reuniram-se na sede da AAACM, em concentração para a romagem repleta de simbolismo, evocando o momento em que tro‑ caram a farda e a rotina do Largo da Luz pela emancipação do ensino universitário. O reencontro foi mais do que uma efeméride; foi um regresso às ori‑ gens que moldaram o caráter de cada um. Ao percorrerem os espa‑ ços onde viveram oito anos de for‑ mação intensiva, os Antigos Alunos recordaram a transição crítica de 1991, quando deixaram a proteção da "família militar" para enfrentar os desafios da vida civil. A celebra‑ ção sublinhou a resiliência dos laços criados na juventude, provando que
a identidade do curso permanece in‑ tacta, apesar das décadas passadas. Durante a cerimónia de evocação, prestaram-se homenagens aos que já partiram e reafirmou-se o com‑ promisso com os valores da frater‑ nidade e do serviço. Entre abraços e memórias partilhadas, o Curso de 1983 demonstrou que, embora te‑ nham seguido caminhos distintos nas mais diversas áreas profissio‑ nais, o espírito de corpo forjado no Colégio continua a ser a bússola que os une trinta e cinco anos depois.
Estiveram presentes: Rodrigo Seabra de Albuquerque 6/1983; João de Sousa Maciel 16/1983; Mário Balas de Matos 28/1983; Nuno Elias de Sousa 57/1982; Nuno Cristina da Silva 64/1983; João Oliveira Fresco 135/1983; Carlos Fonseca Pires 141/1982; Paulo Martins de Almeida 150/1983; André Dias Alves 154/1983; Nuno Pires Pombo 173/1983; Fausto Lopes do Pombal 178/1983; Luís Silva Serafim 237/1983; Tiago dos Reis Morais 241/1983; António Faustino Bastos 251/1983; Gonçalo Guerreiro Júdice 316/1983; Pedro Marinho Falcão 330/1983; João da Gama Barros 372/1983; Nuno de Atayde Montez 384/1983; João Carreiro Gomes 390/1983; Nuno Salomão de Abreu 423/1982; José Fernandes Amaral 442/1983; Jorge Mateus Catarino 445/1983; Luís Silva Esteves 453/1983; Bruno Miguel Lichenstain 455/1983; Duarte Marques Moreira 457/1983; Paulo Alves Costa 465/1983; Telmo Lau Hing 466/1983; Luís Vicente Rodrigues 468/1983;Pedro Domingos Isidoro 471/1983; Alexandre Teixeira Vieira 482/1983;
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ROMAGENS DE SAUDADE
CURSO DE 2002/2010
ROMAGEM DE 15 ANOS DE SAÍDA - 15 DE MAIO DE 2026
CURSO DO BICENTENÁRIO: A ALEGRIA DO REGRESSO NÃO APAGA A CHAMA DA SAUDADE
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o passado dia 15 de maio, os antigos alunos do Curso do Bicentená‑ rio voltaram a reunir-se na Casa que os formou para assi‑ nalar os 15 anos da sua saída do Colégio Militar. Foi um dia de nostalgia, de reen‑ contros, de memórias recuperadas e de uma emoção difícil de tradu‑ zir por palavras. Há lugares que nunca deixamos verdadeiramente
e voltar a eles é reviver as nossas melhores memórias e laços cujo tempo apenas fortalece. Ao atravessarmos os portões do Colégio, cada um de nós volta a reencontrar uma parte de si. O jovem Menino da Luz, que cor‑ re pelos corredores e galerias dos imensos espaços colegiais, des‑ de os ilustres Claustros ao nobre Corpo de Alunos, das cerimónias de farda de gala às formaturas nos
gerais das Companhias, as nossas melhores memórias catalisadas pela materialização dos espaços e das pessoas que lhes deram vida. Foi ali que aprendemos que o co‑ nhecimento exige dedicação, que o mérito resulta do esforço e que o sucesso só tem um verdadeiro significado quando alcançado com humildade. Foi ali que percebemos o valor da palavra dada, da respon‑ sabilidade assumida e da lealdade
ROMAGENS DE SAUDADE
para com aqueles que caminham ao nosso lado. Foram lições que venceram o tempo e que conti‑ nuam presentes nas nossas vidas, quinze anos depois. Cada reencontro permite-nos recordar os desafios, as conquistas e as adversidades que partilhámos. A amizade e a camaradagem cons‑ truídas nos anos da nossa juven‑ tude, permanecem como uma das mais valiosas heranças que o nosso Colégio nos deu. Recordamos com gratidão o nosso fundador, Marechal António Tei‑ xeira de Rebello, cuja visão e de‑ terminação deram origem a uma Instituição que, geração após gera‑ ção, continua a formar homens de carácter, sentido de serviço e pro‑ fundo respeito pelos outros. Foi com especial emoção que olha‑ mos para os alunos Graduados e que ainda revemos neles o produto desta visão, o produto mais valioso deste universo que é o Colégio Mi‑ litar, bem hajam e que os estimem com o valor que merecem.
Quem é Quem
O legado do nosso Fundador vive não apenas na história do Colé‑ gio Militar, mas naqueles que por ele passaram e procuram honrar diariamente os princípios que ali aprenderam. À medida que os anos passam, compreendemos cada vez melhor que o Colégio Militar foi muito mais do que uma etapa das nossas vidas. O regresso ao Colégio tem sempre um significado especial: recorda-nos de onde vimos, dos laços que nos unem e do orgulho de pertencermos a esta tão dis‑ tinta classe de pessoas que são os Meninos da Luz. Quinze anos depois da saída, permanece intacta a certeza de que o tempo pode levar-nos para diferentes caminhos, mas nunca apagará aquilo que construímos juntos. Obrigado Marechal, Obrigado Colégio. A vós, um forte Zacatraz!
Estiveram presentes: Ricardo Lopes Correia 116/2002; Tiago Alves Bastos 117/2002; João Forte da Silva 123/2002; João Nunes de Oliveira 133/2002; Raul José Janes Semedo 144/2002; Miguel Ferreira Inácio 146/2002; Pedro Reis Eugénio 238/2003; Gonçalo Falcão Paias 240/2002; Diogo Santos Silva 245/2002;Gil Duarte dos Santos 253/2002; Luís Rodrigues Pires 302/2002; Luis Pereira Coelho 311/2003; Eduardo de Melo Corvacho 343/2002; David Ribeiros Teixeira 422/2002; Tiago Maio Cristóvão 435/2002; Alexandre Vieira Fernandes 451/2002; João Rebelo Moutinho 504/2003; Bernardo de Sampaio Melo 511/2003;
ANTIGO ALUNO USA E DIVULGA A APP QUEM É QUEM
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OS QUE NOS DEIXARAM
UM MENINO DA LUZ
NÃO MORRE, APENAS PASSA A VIVER DENTRO DE NÓS
ANTIGOS ALUNOS
António Manuel Gomes Mendes Arnaut (45/1957)
Nasceu a 18 de Janeiro de 1946 Faleceu a 30 de Março de 2026
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ecebemos na “Zacatraz”, a triste notícia do falecimento deste nosso camarada, que subiu ao “Zimbório”, na Cúpula da Capela dos Claustros. Recordamos a comunicação da sua nora, Raquel Arnault, que com pesar nos comunicou o falecimento do Sogro e Antigo Aluno António Manuel Gomes Mendes Arnaut.
João Correia Rasquilho Raposo (101/1967)
Médico veterinário Nasceu a 5 de Dezembro de 1956 Faleceu a 22 de Abril de 2026
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onhecíamo-nos desde os seis anos, ou seja, desde sempre. Morávamos perto e íamos a pé para o Exter‑ nato Luso-Britânico. Aí, em resposta à professora da 4ª classe D. Olívia, eu, que já tinha um irmão no Colégio (51/1964), disse que ia para o Colégio Militar. Logo tu, o Carlos Manuel (209/1967)
e o Emílio (373/1967) decidiram que também iriam. Depois foram sete anos de percurso juntos, fins de sema‑ na incluídos. Férias em Sesimbra na casa dos meus pais ou acampado; Setembro na tua Amieira do Tejo para as Festas e para as vindimas.
OS QUE NOS DEIXARAM
Por fim, fomos ambos comandantes de pelotão na 1ª companhia. Tu com o 3º e eu com o 4º. Ainda me recordo das grandes petiscadas que organizámos com o Eduardo (182/1967). Mesmo depois de sairmos do Colégio e embora com op‑ ções formativas diferentes (tu em Veterinária e eu em En‑ genharia), continuámos a estar juntos ou não fossem as nossas futuras mulheres também elas amigas de infância. Não me consigo esquecer da imagem de dois matulões numa Honda Monkey a percorrer Lisboa sem capacete só para ir ter com as namoradas.... Poderia continuar neste registo, mas o que me fica é que podíamos estar 6 meses sem contacto que quando o re‑ tomávamos era como se a conversa tivesse sido inter‑ rompida na véspera. Fazes-me falta. Fazes-nos falta. Até sempre Johnnie ! José Carlos Bismarck de Melo (187/1967) O Curso de 1967
Vou retomar o texto do Zé Carlos precisamente após a saída do Colégio, porque foi no Serviço Cívico, o qual fomos obrigados a frequentar durante o ano lectivo 1974/1975, quando o Ensino Superior encerrou o aces‑ so aos novos candidatos, na sequência da Revolução de Abril de 1974 em que me aproximei ainda mais do João Raposo 101/1967. Iniciámos o Curso de Auxiliares Técnicos de Inseminação Artificial, logo no dia anterior ao 11 de Março de 1975, quando aviões de combate sobrevoaram a Avenida da Li‑ berdade, o que não impediu que desfrutássemos plena‑ mente da liberdade de exercer, na área da grande Lisboa, o dever cívico a que estávamos sujeitos. Aí se começou a desenvolver o crescente profissionalismo com que o João Raposo abraçou a carreira de Médico Veterinário. Concluímos as nossas licenciaturas, eu em Engenharia Zootécnica pela Universidade de Évora e ele na Escola Su‑ perior de Medicina Veterinária em Lisboa. Comungámos portanto da mesma devoção e paixão pela Produção Ani‑ mal, tendo ele enveredado pela especialização em Avicul‑ tura e eu pela carreira docente politécnica no domínio das Pastagens, Forragens e Sistemas de Produção Animal. O reconhecimento generalizado do sector empresarial em que o João se afirmou como um profissional de excepção, fundamenta-se sobretudo nas suas extraordinárias re‑ lações humanas e dedicação pessoal e empenhada, que inevitavelmente conduziram ao sentimento de perda in‑ substituível pela partida tão prematura do Dr João Raposo. A abnegação com que enfrentou o longo período da doença e o carinho com que ele e a Luísa nos recebiam na sua casa de Évora (eu e o João Nascimento 332/1967) para a visita prévia aos nossos jantares de Curso em Lis‑ boa, onde partilhávamos entre nós o registo da presença constante do João, deixam-me uma imensa saudade e a certeza da sua companhia em permanência. Subscrevo-me, comovido, sentido e com a memória nas lágrimas vertidas por mim e pelo Zé Carlos no abraço fra‑ terno e amigo, perante a última presença física do nosso querido irmão e camarada João Raposo. José Mira Potes (3/1967)
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OS QUE NOS DEIXARAM
José Manuel Rocha Carvalho Araújo (170/1948)
Coronel Piloto aviador Nasceu a 27 de Setembro de 1938 Faleceu a 1 de Maio de 2026
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om o falecimento do nosso 170/1948 José Araújo, que subiu ao “Zim‑ bório” na Cúpula da Capela dos Claustros, estou unido a vós todos, ca‑ maradas do curso de 1948, nesta notícia de partida de mais um dos nossos, e se contarmos apenas os 35 que fizeram o 7º ano em 1955, somos agora 11. A adicionar à tristeza e saudade naturais que nós todos temos, vejo a ima‑ gem garbosa do Coronel de aeronáutica fardado, em continência, a dizer: Missão cumprida! Abraços.
Recordamos assim o nosso camarada 170/1948, endereçando à sua mulher, filhos e seus familiares, as nossas mais sentidas condolências. O CURSO DE 1948
Pedro Lagido (330/1947-1955)
António Mário Castelo Branco Correia de Aguiar (178/1944)
Engenheiro civil Nasceu a 29 de Março de 1934 Faleceu a 7 de Maio de 2026
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s amizades do Colégio são para sempre e não dependem da frequência com que fisicamente nos encontramos ao longo da nossa vida.
O António Correia de Aguiar 178/1944 era dois anos à minha frente no Colégio e só convivemos um pouco quando ele foi Comandante de Batalhão em 1950. As nossas vidas familiares e profissionais não se cruzaram até que recen‑ temente os ex-Comandantes de Batalhão passaram a reunir-se anualmente antes de cada ano lectivo para “dar posse” e felicitar o novo Comandante. O António era o nosso Decano e ao nos reencontrarmos ao fim de décadas foi como se nunca nos tivéssemos separado. O mesmo trato de classe, a mesma simpatia, ponderação e companheirismo que já o caracterizavam nos tempos do Colégio. As suas intervenções eram escutadas por todos com atenção e respeito e recordo já com saudade as muitas conversas que tivemos sobre os mais diversos assuntos para além das nossas memórias colegiais.
Foi com imensa tristeza que recebi o telefonema da sua mulher a infor‑ mar-me do seu falecimento. Perdemos um homem bom e integro, um grande amigo que recordaremos sempre com saudade e admiração. Em meu nome e de todos os exComandantes de Batalhão queremos expressar a nossa solidariedade com a dor da família do António pela sua partida. Ricardo Bayão Horta (25/1946)
OS QUE NOS DEIXARAM
Paulo Henrique de Castro de Sousa Machado (205/1962)
Nasceu 1951 Faleceu a 28 de Abril de 2026
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ecebemos na “Zacatraz”, a triste notícia do falecimento deste nosso camarada, que subiu ao “Zimbório”, na Cúpula da Capela dos Claustros. Na impossibilidade de termos assegurado algumas palavras que aqui o recordassem, endereçamos a todos os seus familiares, as nossas mais sentidas condolências.
Artur José de Oliveira Mateus de Magalhães (294/1963)
Piloto de Helicópteros Nasc. 12 dezembro 1952, Torres Novas Falec. 25 janeiro 2026, Sobreda
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oram 73 anos de cumplicidade num percurso familiar que nos le‑ vou de Torres Novas para Timor, An‑ gola, Algueirão, Moçambique, Algar‑ ve. Foi uma parte de mim que partiu e ainda havia tanto para partilharmos. Mas a lei da vida é inexorável! A sua proverbial boa disposição e otimismo transmitia-se aos que o rodeavam e a sua determinação le‑ vava os outros a segui-lo, sem hesita‑ ções. A dedicação e o gosto pela aviação acompanharam-no durante toda a vida. O seu desejo de voar levou-o a ingres‑ sar em 1971 no curso de pilotagem do Aero Clube de Portugal, tendo sido brevetado no ano seguinte. Incorpo‑ ração voluntária na Força Aérea, em 11 outubro de 1972, com a recruta na BA2-Ota. De janeiro a fevereiro de 1973, curso de Chipmunk em Sintra
na BA1. Março 1973, curso de pilota‑ gem P1/73 “Os Indomáveis”, em São Jacinto, ex-BA7. Brevetado em 14 de dezembro de 1973, no Harvard T6. Curso PH2/73 de helicópteros na BA‑ 3-Tancos, de janeiro 1974 a 19 junho 1974, com treino de sobrevivência e salto de para-quedas (primeiro a saltar, tendo sido seguido pelos res‑ tantes camaradas). De junho de 1974 a 24 de junho de 1975, comissão em Moçambique, na esquadra de heli‑ cópteros 503, “Os Índios”.Posterior‑ mente colocado na BA6-Montijo, na busca e salvamento e apoio ao com‑ bate a fogos florestais, até 1979. Pi‑ loto comercial de helicópteros desde 1979, passando pela Nigéria, Egito e Moçambique (consultor ICAO). Re‑ gressado de Moçambique em 1984, optou pelo empreendedorismo pri‑ vado até 1993, retomando a aviação comercial no combate a fogos flores‑
tais em Portugal até 2006, partindo depois para as Canárias, Nigéria e Es‑ panha Continental e terminando por limite de idade em 2018. Pilotos não morrem, eles apenas voam mais alto! Até à eternidade, meu Irmão. Luís Mateus de Magalhães (146/1961)
NOTA DA REDACÇÃO:
A revista Zacatraz apresenta um pedido de desculpas ao Luís Mateus de Magalhães 146/1961 e família, pelo facto de o texto que ele dedicara ao seu irmão, não ter sido publicado no número anterior.
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OS QUE NOS DEIXARAM
José Maria de Avilez Corrêa Sampaio (367/1949)
Engenharia automóvel Nasceu em Outubro de 1937 Faleceu a 8 de Março de 2026
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osé Sampaio entrou no Colégio Militar em 1949, para o 2ºano, mas ficou na 1ª companhia. No ano lectivo de 1950/51, encontramo-nos a frequentar o 3ºano, na 2ª compa‑ nhia. Aí nasceu uma grande admi‑ ração e amizade. O Zé era de uma simpatia irradiante, um gosto e habilidade para o des‑ porto e evidenciava firmeza de ca‑ rácter e espírito liderante e simul‑ taneamente era divertido e com muito humor, era também autor de uma escrita riquíssima, por ve‑ zes irónica, sem magoar. Quando o Zé chegou à 2ª compa‑ nhia, jogava-se futebol no “geral” da companhia, a seguir ao jantar, eram jogos emocionantes, alegres e o Zé revelava-se o jogador que mais tarde veio a ser. Ele era o melhor avançado no futebol, bem como no hóquei em patins, era ainda um excepcional “sprinter”. No fim do 7º ano, saímos do Colé‑ gio, entrámos no IST, mas o Zé não gostou do IST e foi estudar para Londres, engenharia do automóvel e perdemo-nos de vista.
Sei que fez o serviço militar na unidade militar do Trem Auto e foi considerado o melhor do respecti‑ vo Curso de Oficiais Milicianos. Mais tarde foi director fabril da empresa A.M. Almeida, foi muito eficiente e excelente líder num tempomuito difícil. A seguir foi dirigente em diversas empresas e associações desportivas em funções de grande responsabilidade, como na Controlauto, em que foi presi‑ dente do conselho de administração. Em Cascais, desde 2020, juntámos um grupo de 8/9 Antigos Alunos que uma vez por semana se reu‑ niam para reflectir sobre o título “História e Cultura da Igreja, um novo olhar”. Neste grupo a presença do Zé Sam‑ paio era imprescindível e marcante as suas opiniões sobre todos os assuntos que falávamos. Esta con‑ vivência de 6/7 anos criou entre nós uma ligação que foi possível pela raiz comum que só o nosso colégio permitiu acontecer. As memórias são muitas e todas elas partilhadas dentro deste grupo que
foi de grande interesse para nós. Sendo todos católicos as conversas, para além da História, deslizavam para as nossas convicções religio‑ sas, nas quais o Zé sempre ousou expor as suas dúvidas e cumpria uma prática religiosa diária, assen‑ te num humanismo social muito presente. O Zé 367 partiu e dentro do grupo temos a certeza que, mais cedo ou mais tarde, todos nós iremos nos reunir no ómega da nossa exis‑ tência, e aí já sem as dúvidas que agora nos assaltam. O grupo de reflexão sobre a histó‑ ria da Igreja, Cascais, contava com JOSÉ V. FREITAS 94/1942, FRANCISCO C. ROSADO 167/1952, JOSÉ EDUARDO S. OSÓRIO 210/1951, LUÍS M. ALMEIDA 285/1948, PEDRO C. LAGIDO 330/1947, MANUEL F. MENESES 423/1955, MANUEL V. PINTO 382/1949, LUÍS L. FARIA 27/1957, LUÍS S. ALBERGARIA 203/1960. LUÍS M. ALMEIDA, 285/1948, PEDRO C. LAGIDO 330/1947
OS QUE NOS DEIXARAM
Porfírio Luís Rodrigues de Oliveira (376/1949)
Licenciado em Economia, pela Universidade Técnica de Lisboa (ISCEF) Nasceu no Funchal, em 22 de Maio de 1939 Faleceu em Inglaterra, em 5 de Abril de 2026
O
nosso querido Amigo Porfírio deixou-nos !
A Notícia foi-nos transmitida pelas filhas, através de um texto que nos comoveu profundamente, porque, tendo ele vivido a maior parte da sua vida adulta e elas a quase tota‑ lidade das suas vidas, em Inglater‑ ra, deixa bem expresso o seu amor e saudade que sentia pelo Colégio e como soube transmitir esses sen‑ timentos às filhas. Transcrevemos a maior parte desse texto que é, no nosso entender, muito mais significativo do que tudo o que pu‑ déssemos nós escrever: “É com profundo pesar que venho por este meio informar V. Exa. do
falecimento do nosso pai, Porfírio de Oliveira (376), ocorrido no Do‑ mingo de Páscoa, dia 5 de abril de 2026, às 04h30. Estivemos na sua companhia no sábado. Lutou com bravura até ao fim, porém, infeliz‑ mente, a sua doença acabou por prevalecer. Ao longo do período da sua enfermidade, sofreu diversas recaídas, durante as quais teme‑ mos pelo seu desfecho; todavia, conseguiu sempre recuperar com uma força notável — à semelhança ao Voo da Fénix — demonstrando uma resiliência e coragem. Em ho‑ menagem ao seu percurso no Co‑ légio Militar, aquando da recolha dos seus pertences, levei comigo a sua Barretina. Segurando-a junto ao meu peito, bati à porta, solicitei
autorização para entrar — “Porfírio de Oliveira 376” — e prestei conti‑ nência à sua cama vazia, proferindo: “Que descanse agora em paz.” Ao longo da sua vida, foi para to‑ dos nós um exemplo de resiliência, disciplina, coragem e força. Kikki e Lara – filhas” A Kikki e a Lara disseram tudo. Só nos resta desejar com elas: “Que o Porfírio descanse agora em paz.” A MALTA DO 7º ANO DE 1955-56
Diogo Ramada Curto (451/1970)
Licenciado em História/ Director da Biblioteca Nacional Nasceu a 22 de Abril de 1959 Faleceu a 11 de Abril de 2026
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aleceu Diogo Ramada Curto, 451/1970, “Rata” de 2º ano, “sucessor” do irmão (451/65, José Ramada Curto, já falecido) de quem recebeu o número.
Foi colaborador do jornal Expresso e era professor catedrático no Depar‑ tamento de Estudos Políticos da NOVA FCSH e investigador no Instituto Português de Relações Internacionais na mesma Universidade. Licenciado em História pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, doutorado em Sociologia Histórica, foi
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professor na Universitat Autònoma de Barcelona, na Universidade de São Paulo e em Brown e Yale nos Estados Unidos. Autor de vários livros, recebeu o Prémio P.E.N. na categoria de en‑ saio em 2013 e foi também co‑ -director da colecção “História e Sociedade” nas Edições 70-Grupo Almedina. A ministra da Cultura, elogiou a sua “dedicação e sentido de serviço pú‑ blico” como director da Biblioteca Nacional, referindo que “O seu trabalho marcou a cultura, o pensamento histórico e a vida académica em Portugal.” O Ministério da Cultura destaca o “contributo marcante” deixado pelo historiador “para o estudo da história de Portugal e para o debate públi‑ co sobre a cultura e a identidade do País”, e em que “A sua obra e o seu pensamento, expressos em dezenas de livros, artigos e intervenções, constituem um legado incontorná‑ vel para a nossa memória colectiva.”
CARTA AO DIOGO Caro Diogo Palavras leva-as o vento como se diz na gíria popular. Assim sendo, passo à escrita para que as mesmas não se esfumem. Sim. Escrever à moda antiga, como é do teu agrado e não as deixar escancaradas nas redes sociais que tu abominas. Sabemos que, por essa via, são genericamente palavras vagas, de escárnio ou mal dizer, mexericos e bisbilhotices da vida alheia que não fazem parte do nosso léxico. Havia histórico que facilitou a nossa aproximação. A minha avó Leonor conhecia a Senhora tua mãe, a Tia Margarida. Viviam próximo, para os lados do Chiado, na época em que as pessoas se cruzavam, cumprimenta‑ vam-se respeitosamente na rua e cimentavam relações de amizade. Assim, a nossa lealdade e confiança estava igualmente facilitada. Sabes tão bem como eu que as amizades nesta fase ingénua da nossa idade são verdadeiras e puras porque são inócuas, desprovidas de quaisquer interesses e assim perduram no tempo. Mais tarde, conheci uma das tuas irmãs. Num daqueles voos longos em que por questões protocolares os tripulantes se cumprimentam antes da realização da viagem. Sabes como foi? Olá, tu és o Pedro amigo do meu irmão Diogo. A partir de agora vais tratar-me por Faísca. Combinado, respondi. Mas porquê? Porque é como me tratam todos os amigos e a família. E assim foi em todos os restantes voos que acabámos por realizar. A Faísca tinha um orgulho desmesurado em ti. As nossas conversas, durante os momentos de cruzeiro, mais próximo de ti, eram sobre as tuas atividades académicas quer estivesses nos Estados Unidos, no Brasil, em Itália ou em França. Eram as saudades da tua presença. Sabes! Aquela manifestação de matar saudades. Mas as saudades não morrem. Como haveríamos de as querer matar? Que raio de expressões que por vezes se utilizam! Terás de me explicar todas estas minhas dúvidas. Tu, Homem erudito, com conhecimento adquirido através de estudo profundo, tens sempre uma forma inteligente e fácil de tratar estes significados por miúdos. Apercebi-me que, eras o pilar de toda aquela família. Faz-me um favor. Manda-lhe um beijinho meu!
OS QUE NOS DEIXARAM
Vem mesmo a propósito da posição de pilar que ocupavas enquanto foste brilhante jogador de rugby. O desporto que escolheste e eu entendo bem o porquê. Num jogo onde não há “falca”, expressão dos tempos do Colégio. Não há objeções às decisões do árbitro, onde se aplaude e elogia o adversário. Num jogo onde impera a lealdade e que independentemente do resultado acabam sempre ambas as equipas por crescer e triunfar. Era o desporto onde te sentias como peixe na água. Porque a conversa é como as cerejas, passou-se em ambiente de festa quando decorria o jantar. À minha mesa sentaram-se dois casais que falaram entre si com grande entusiamo. Naturalmente que fiz conversa de circunstância com os restantes comensais. Mas, atento ao que se passava, apercebi-me que os referidos casais falavam de alguém que identificavam por Professor Curto. Nunca conheci nenhum Professor Curto, pensei. Mas tinha de satisfazer a minha curiosidade. E lá me aventurei Desculpem interromper a vossa animada conversa, mas será que falam do Diogo Ramada Curto? O silêncio quase que me perturbou. O sr. conhece o Professor Curto? Sim, somos amigos de sempre, unha com carne. Ficaram fascinados de contactarem alguém que te conhecesse de sempre. Virei a conversa para esse lado e apercebi-me quão importantes tinhas sido para eles durante a tua passagem por Florença. Foste orientador de doutoramento de dois personagens desse grupo. Elogiaram-te efusivamente, manifestando o imenso orgulho em lhes teres facultado a tua competência, o teu entusias‑ mo, o teu carinho e a tua generosidade. Fiquei igualmente vaidoso, mas não surpreendido. Diogo. Todos sabemos que dás sempre o teu melhor. Agora as patuscadas realizadas na tua casa em Vale da Pinta, junto ao Cartaxo. Numa das vezes combinámos encontro, logo pela manhã, na feira de San‑ tana em Rio Maior. Desenhaste com magia o repasto que irias preparar. Dependia dos produtos frescos que te seduziam e magicavas o menu do teu agrado. Era um dia inteiro dedicado à conversa, sempre rodeado de amigos e família. O caldeirão era farto e tu exímio na confeção. A quinta é o teu refúgio, o silêncio, os livros, os amigos, a família. Interrogava-me como era possível descobrir qualquer coisa naquele acervo literário. Che‑ guei a perguntar-te como o fazias. Respondeste-me de forma assertiva;
Isso nunca acontece! Agora quero falar-te das tuas Meni‑ nas. Sim da Maria e da Madalena. Sabes melhor do que eu que elas são tão lindas por fora como por dentro Pai exemplar que, no meio de tanta atividade académica sabes como ninguém priorizar o essen‑ cial. A Família. A revelação mais deliciosa que presenciei vale mais que mil comentários. A tua expres‑ são de profunda felicidade na foto‑ grafia junto a ti, em que as abraças de um modo tão fraterno. Diogo. Todo o carinho que ecoou nas palavras que elas te proferiram foi intenso ao ponto de nos acelerar o coração. Emocionaram-nos com sentimentos de admiração, carinho, ternura, paixão, amor.... Terás ficado igualmente confortado pelas pala‑ vras sentidas. Agora serei eu a retribuir e irei dar um grande abraço à Maria, à Madalena, à Filipa e à Leonor por me aperceber que tu desejas que eu o faça. A nossa conversa, como verificas, tem pernas para andar. Espera. Um dia destes dar-lhe-emos continuidade. Até lá. Grande abraço. PEDRO SANTA BÁRBARA (512/1969)
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PROTOCOLOS COM A AAACM
INSTITUTO DE IMPLANTOLOGIA João Mendes Caramês 42/1972
CLUBE MILITAR NAVAL
RESTAURANTE JARDIM DA LUZ
NOVA PHISIO ORTOPEDIA E FISIOTERAPA Nuno Pombeiro 70/1973 Rui Mendonça 685/1974
CLÍNICA MÉDIS MEDICINA FÍSICA E DE REABILITAÇÃO Emanuel Bragança 354/1995
HEXÓNIO CONSULTING, LDA TECNOLOGIA, DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE, MIGRAÇÃO DE DADOS E INFRAESTRUTURAS IT António da Cunha Semedo 221/1973
ICON, LDA CONSULTORIA, CONTABILIDADE E PROJETO Filinto Girão Osório 120/1997
A ligação da sua/tua empresa à AAACM, através de um protocolo com condições especiais, é uma forma de dizer presente, e dizer obrigado ao Colégio que criou as raízes, do teu sucesso. Contacta-nos: geral@aaacm.pt | Tlm 916 072 898
Condições particulares a consultar no site da AAACM. Saiba mais em:
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