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Revista ZacatraZ nº 210

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Editorial Revista “ZACATRAZ”

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Presidente da Direcção José Eusébio Pereira Barata Cordeiro de Araújo 591/1973

Editorial Estimados Camaradas Como tão bem nos ensinou o nosso Colégio, ora no aconchego dos tetos da Camarata, ora na solenidade das paredes dos Claustros, a Camaradagem e a Amizade aí germinadas são estádios supremos que nos ajudam a dividir o pesar da tristeza e a multiplicar o regozijo da Alegria. Hoje, é no privilégio desta nossa Amizade e Camaradagem que convosco partilho uma dor, pelo falecimento inesperado do Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949), e que propago uma alegria, pela chegada da nossa Barretina ao Polo Sul, pela mão do nosso camarada Ângelo Felgueiras, (498/1976). No que à dor respeita, pela fulminante partida do nosso camarada Gonçalo Salema Leal de Matos, (371/1949), distinto Diretor da Revista Zacatraz, confesso que me sinto atordoadamente deambulando por uma pesarosa multiplicidade de sentimentos. Desde logo, o carinho e a ternura por alguém que aos seus próximos sempre presenteou com uma presença afetuosamente calorosa. Depois, a respeitosa deferência, por alguém que não se escudava no estatuto da antiguidade etária, mas que convictamente nos trazia a sensatez e ponderação de uma vida vivida. Depois ainda, o sentido respeito, por alguém que sempre se esmerou no trato e na consideração por todos com quem lidava. Por fim, e numa simbiose suprema, a sentida camaradagem que se evidencia no afetuoso à-vontade da fórmula mágica que expressa a nossa comum vivência colegial, o TU e o 371/1949.

Neste turbilhão emocional, uma só certeza: O Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949), faz, incontornavelmente, parte do nosso património colegial. Pela sua desassombrada defesa dos valores colegiais, recorrendo de forma muito frequente e natural à evocação do nosso Código de Honra. Pela forma profundamente empenhada como se disponibilizou e assumiu funções na nossa Associação, dando uma evidente prova pessoal do nosso lema, “Servir”, e da nossa divisa, “Um por Todos, Todos por Um”. E também pelo espírito particularmente culto, fino, acutilante, irónico, que salutarmente espraiou na camaradagem dos nossos convívios, a todos mobilizando para novas e aprazíveis tertúlias tipicamente colegiais. Por fim, permitam-me uma nota pessoal, devo ao Gonçalo o privilégio da sua amizade e camaradagem. Mas acima de tudo, devo-lhe também o orgulho colegial com que me honrou, quando já deitado no leito hospitalar, traído pelo corpo, mas ainda muito presente na afirmação do seu espírito colegial, me atribuiu firmemente uma última incumbência: “Zé Araujo, se eu bater a bota, quero que assegures que me põem o manto fúnebre da Associação”. Gonçalo muito obrigado, pelo teu eterno espírito de Menino da Luz, que não sucumbiu na fragilidade da natureza humana, mas antes perdurará com todos nós. Concluo, como disse no inicio, com uma nossa orgulhosa alegria, portanto, multiplicando esse regozijo por todos nós.

O nosso camarada Ângelo Felgueiras (498/1976) agraciou-nos com a concretização de mais uma iniciativa, a chegada ao Pólo Sul. Nesta iniciativa vimos exemplificado magnificamente o tão característico Espírito do Menino da Luz: empenhamento numa realização de destaque, assumido orgulho na Nossa Barretina e preocupação em Servir, desta feita os mais carenciados. Sublinhe-se que o Ângelo Felgueiras, como em todas iniciativas anteriores, associou a sua ida ao Polo Sul a uma recolha de donativos, dirigida neste caso à Associação Acreditar. Este espírito de Solidariedade para com os mais desfavorecidos é manifestamente algo que nos orgulha e por isso mesmo determina o nosso envolvimento. Recordo ainda que, como todos sabeis, o Ângelo Felgueiras já escalou as maiores montanhas do mundo, tendo no seu currículo os designados “Seven Summits”: o Kilimanjaro em África, o Aconcágua na América do Sul, o Elbrus na Europa, o Denali na América do Norte, o Carstensz na Oceânia, o Evereste na Ásia e o Vinson na Antártida. Sempre levando e empunhando a Nossa Barretina. Agora, alcançou o Pólo Sul, e mais uma vez nos deu um profundo orgulho, pelo sucesso de tão árdua tarefa, pela solidariedade subjacente à iniciativa, e por mais uma vez vermos a nossa Barretina orgulhosamente envergada. Pelos Meninos da Luz, Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949) e Ângelo Felgueiras (498/1976), de TODOS Nós um profundamente grato ZACATRAZ.


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Ficha Técnica

CORPOS SOCIAIS DA ASSOCIAÇÃO PARA O TRIÉNIO 2016-2018

Ficha Técnica PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL Fundada em 1965 Nº 210 Janeiro/Março - 2018 FUNDADOR Carlos Vieira da Rocha (189/1929)

ASSEMBLEIA GERAL Presidente Vice-Presidente 1º Secretário 2º Secretário

DIRECTOR Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950) nunomira.vaz@aaacm.pt

Raul Miguel Socorro Folques - 380/1952 José António Pina de Bastos e Silva - 67/1957 António Luís Henriques de Faria Fernandes 454/1970 Pedro Gonçalo Coelho Nunes de Melo - 51/1982

CHEFE DE REDACÇÃO Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957) luisfbarbosa@aaacm.pt REDACÇÃO Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva (53/1961) Gonçalo Miguel de Matos Gonçalves (105/1984)

DIRECÇÃO Presidente Vice-Presidente Secretário Tesoureiro 1º Vogal 2º Vogal 3º Vogal 4º Vogal 5º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente 3º Vogal Suplente

José Eusébio Pereira Barata Cordeiro de Araújo - 591/1973 Artur Manuel de Spínola e Santos Pardal - 587/1961 João Eduardo Correia Barrento Sabbo - 17/1967 Luís Manuel Borges de Albuquerque Nogueira - 323/1969 Francisco Eduardo Moreira da Silva Alves - 392/1954 António Vítor Reynaud da Fonseca Ribeiro - 43/1968 José Miguel Teixeira de Faria - 2/1969 José Maria Gouveia de Azevedo e Bourbon - 598/1971 João Pedro Mendes Carreiro Gomes - 390/1983 Gonçalo Miguel de Matos Gonçalves - 105/1984 Tiago Simões Baleizão - 200/1987 Manuel Soares Albergaria Felgueiras e Sousa - 498/2006

CAPA Pólo Sul ©Foto Ângelo Felgueiras (498/1976) ENTIDADE PROPRIETÁRIA E EDITOR Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar MORADA DO PROPRIETÁRIO e SEDE DA REDACÇÃO Quartel da Formação - Largo da Luz 1600-498 Lisboa Tel. 217 122 306/8 Fax. 217 122 307 TIRAGEM - 1350 exemplares DEPÓSITO LEGAL Nº 79856/94 DESIGN E EXECUÇÃO GRÁFICA: Tm. (+351) 933 738 866 Tel. (+351) 213 937 021 info@smash.pt www.smash.pt

CONSELHO FISCAL Presidente 1º Vogal 2º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente

Manuel Ramos de Sousa Sebastião - 604/1961 Rui Joaquim Azevedo de Avelar - 25/1960 Eugénio de Campos Ferreira Fernandes - 180/1980 Rui Manuel Gomes Correia dos Santos – 225/1981 Bruno Miguel Fernandes Pires - 27/1995

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA AOS SÓCIOS DA AAACM Isenta de registo na Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC), ao abrigo do nº 1 da alínea a), do Artigo 12º do Decreto Regulamentar nº 8/99, de 9 de Junho. Os artigos publicados são da responsabilidade dos seus autores. Esta publicação não segue o novo acordo ortográfico.

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Sumário

04 Mensagem do Director 04 Da Chefia da Redacção 16 Sir Isaac Newton (1642-1727) O maior filósofo natural?

26 Prémios Barretina 2017 27 Notícias da Delegação do Norte 29 Apontamentos do Passado 31 Homenagem ao Colégio Militar e a Professores do Curso de 1948-1955

34 Os Fâmulos e outras figuras do nosso tempo

49 Esquadra 751 da Força Aérea 51 Curso de 1967/1974

05

Homenagem ao Gonçalo

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Homenagem a Óscar Monteiro Torres

Romagem dos 50 Anos de Entrada

52 Curso de 1937/1944

Romagem dos 80 Anos de Entrada

53 Curso de 1992/2000

Romagem dos 25 Anos de Entrada

54 Curso de 1951/1958

Romagem dos 60 Anos de Saída

36

Dos “Seven Summits” aos Pólos

55 O Conjunto Musical do Curso de Saída de 1966/67

57 O Galeão Português 60 Viajar é preciso... 62 Antigos Alunos em Destaque 67 Adendas e Correcções 68 Ciclo de Camaradagem 77 Os que nos deixaram

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215º Aniversário do Colégio Militar

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Mensagem do Director Da Chefia da Redacção

Nuno António Bravo Mira Vaz 277/1950

Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957

Mensagem do Director

Da Chefia da Redacção

P

I

elas tristes razões de todos conhecidas, fui investido nas funções de director da ZacatraZ. Aceitei o cargo pela consideração que me merece a actual direcção da AAACM e designadamente o seu presidente. Aceitei o cargo pela amizade que sinto pelos meus camaradas de redacção e em particular pelo Luís Barbosa, herdeiro natural do cargo, que só por gentileza para comigo o recusou. Aceitei o cargo porque o trabalho do Gonçalo merece ser continuado. Aceitei o cargo porque me orgulho de ter sido aluno do Colégio Militar. Ao contrário do que é tradicional nestas ocasiões, não vou enunciar objectivos ambiciosos. Espero apenas que, tanto eu como os membros da redacção, saibamos ser dignos da herança recebida.

niciando-se agora um novo ciclo da revista ZacatraZ, devido ao falecimento de Gonçalo Salema Leal de Matos (371/49), consideramos importante esclarecer os leitores acerca do que se espera que venha a ser a revista no futuro próximo. No essencial não se prevê qualquer mudança, dada a qualidade que é hoje em dia reconhecida à revista, fruto de muitos anos do labor e da dedicação do Gonçalo. Nada na vida é perfeito, pelo que é natural que possamos continuar a melhorar a revista, sendo bem- vindas todas as sugestões de melhoria que nos queiram apresentar. Identificamos como ponto fraco da revista, a veterania daqueles que têm a responsabilidade de a produzir e dos que com eles mais regularmente colaboram, enviando artigos para publicação. Se não fosse a juventude de espírito que todos os anteriormente citados procuram sempre manter, corríamos o risco de ter uma revista feita por velhos e destinada a velhos, o que não é de todo o nosso objectivo. Não temos dúvidas, porém, que é preciso sangue novo, pelo que toda a colaboração que vier das camadas mais jovens de Antigos Alunos é bem-vinda. Até há pouco tempo atrás, um dos principais problemas da revista era a falta de colaboração por parte da comunidade de Antigos Alunos. Felizmente esta situação tem vindo a melhorar progressivamente, com o aumento de colaboração que já se tem feito notar nos últimos números da revista. Agradecemos a todos aqueles que têm protagonizado esta mudança, pedimos-lhe que continuem a sua colaboração e de novo incentivamos os mais «modernos» a juntarem-se ao nosso «pelotão». Cá os esperamos de braços abertos, antevendo desde já o agradável problema que teremos, quando houver artigos em fila de espera, aguardando espaço para serem publicados.


Homenagem ao Gonçalo

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Homenagem ao Gonçalo Gonçalo

o Homem, o Camarada e o Amigo

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Em desfile no Terreiro do Paço.

m Outubro de 195l, após as férias grandes, quando voltei ao Colégio para iniciar o meu 2.º ano, fui colocado na 2.ª Companhia, onde fiquei a conhecer o «371», um miúdo vivo e esperto que havia sido “rata” em 1949/50, mas que transitaria para o meu curso no 3.º ano. Tive-o como colega até ao 5.º ano porque, concluído este, ele deixou o Colégio. Desses três anos recordo-me especialmente da sua aptidão para a ginástica e ainda da alcunha de “Sábio Matos” que, sarcasticamente, lhe fora posta pelo então capitão Carlos Maria da Silva Granate, nosso professor de Matemática, disciplina na qual o «371» não revelava tanta destreza como a que tinha na ginástica. Com a sua saída do Colégio, desde meados de 1955 deixámos de conviver durante largos anos, não só porque seguimos rumos de vida diferentes, mas também porque a “guerra do Ultramar” me manteve afastado da Metrópole. Enquanto isso o Gonçalo Salema Leal de Matos veio a concluir em 1962 o curso de Engenharia Técnica Agrária, actividade a que se dedicou na década seguinte, chegando a exercer em acumulação, a partir de 1971, as


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Homenagem ao Gonçalo

Em sessão do Conselho Supremo.

funções de perito de avaliação e de engenharia agronómica e florestal no Tribunal da Relação de Évora. Seis anos depois foi Director Operacional do Sul da EDP. Em 1983 partiu para o outro lado do Mundo para ir ocupar o cargo de Director da Companhia de Electricidade de Macau e foi aí que, em 1992, voltei a abraçá-lo quando em férias estive de passagem por aquele território. Homem activo e determinado, como sempre foi, enquanto permaneceu em Macau o Gonçalo fez-se ao mar, tendo na Escola de Pilotagem dos Serviços de Marinha de Macau obtido as cartas de “Patrão de Costa” (1985) e de “Patrão de Alto Mar” (1989). Regressado a Lisboa, veio a adquirir uma embarcação de alto mar que mantinha ancorada na marina de Cascais e que certo dia me levou a visitar. Mas o nosso relacionamento mais estreito veio a acontecer na passagem de século quando o Gonçalo passou a integrar a dupla de responsáveis pela Revista da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar: o Mário Margarido e Silva Falcão (314/1936) como Director e o Gonçalo como Chefe de Redacção. Nestas suas novas atribuições, a primeira Revista que ele trouxe à luz do dia foi a n.º

142 referente a Janeiro/Março de 2001, nesse tempo ainda com o formato 15x21cm. Por essa altura encontrava-me envolvido na elaboração da “História do Colégio Militar”, a publicar quando do seu Bicentenário, pelo que me deslocava semana sim semana não a Lisboa, e foi por essa altura que o Gonçalo ficou a saber pelo Mário Falcão que os meus trabalhos de pesquisa haviam revelado facetas do historial do Colégio que se afiguravam de muito interesse para a Revista. E assim se estabeleceu um relacionamento e uma amizade que se foi estreitando cada vez mais e que me permitiu conhecer um Gonçalo, de que eu não me apercebera bem quando éramos adolescentes. Fiquei então a conhecer um Homem e um Cidadão em que primavam a educação, o civismo e o respeito para com os outros. Embora não fosse alguém de grande estatura física, tinha no entanto um porte digno no qual se divisavam as marcas da educação de raiz militar que recebera no Colégio. As suas atitudes e o trato para com os demais pautavam-se sempre pela educação e sobriedade. Mas nem sempre, porque o Gonçalo perdia completamente a calma e a serenidade quando alguém - fosse quem fosse – usava

para com ele de menos correcção e civismo. Em meados de 2010, quando o Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958) presidia à Direcção da AAACM, esta decidiu alterar o formato da Revista, o seu aspecto geral e dar-lhe o nome “Zacatraz”. Nesta “nova” versão no formato 20x26,5 cm, a primeira edição foi o n.º 179 de Abril/Junho e, no editorial de abertura, era anunciado que a intenção da mudança era tornar a revista «mais moderna, mais leve e com um grafismo mais apetecível e apelativo» permitindo ter «mais cor, fotografias maiores, uma nova organização e sistematização dos conteúdos e uma mais fácil leitura». O desafio estava lançado. Cabia agora à Redacção torná-lo em realidade. E o Gonçalo, chefe da Redacção, assumiu essa responsabilidade com uma dedicação e entrega absolutamente fora do comum. A “Zacatraz” tornou-se então para ele num objectivo de vida que foi concretizando dia a dia, nos anos que se seguiram, de um modo tão perfeito que hoje até nos esquecemos que a Revista já teve outro formato e outra designação. O falecimento da “Bisa” (como afectuosamente ele chamava a esposa) foi para o Gonçalo uma perda irreparável, de tal sorte que, no seu apartamento, como tive oportunidade de verificar,


Homenagem ao Gonçalo

Com Costa Matos (96/1990) e Martiniano Gonçalves (9/1958)

nada do seu recheio foi mudado do sítio em que ela deixara, como forma de evocação permanente da sua memória. Porém, a realidade era só uma: o Gonçalo ficara só e só iria permanecer. Os seus afectos convergiram então no neto (que, para orgulho do avô, veio também a ingressar no Colégio Militar, onde foi o 88/2006) e a sua atenção e trabalho diário passaram então a consagrar-se em exclusivo à “Zacatraz”. E foi durante esse trabalho diário que o Gonçalo passou a recorrer a mim, por email ou por telefone, para me pedir imagens, informações, textos ou opiniões. Ele sabia que eu trabalhava nas minhas escritas até tarde e por isso ligava-me muitas vezes à meia-noite ou uma da madrugada. Mas como eu também sabia que, quando ele tinha uma edição pronta, trabalhava desde logo nas duas seguintes, com a preocupação de garantir que não haveria interrupções, e por isso procurava responder-lhe de imediato. E o Gonçalo logo me agradecia de forma reverente, apesar de eu sempre lhe dizer que não me agradecesse porque aquilo que nos movia a ambos era a dedicação ao Colégio e à Associação. Mas a sua esmerada educação e cortesia eram mais fortes que o meu apelo. E ele continuava sempre a agradecer. Quando eu me deslocava a Lisboa a amizade e

o espírito de camaradagem do Gonçalo instavam a que almoçássemos ou jantássemos juntos e, durante essas refeições, ele ia por vezes desabafando comigo as suas preocupações. Algumas destas refeições eram igualmente partilhadas com o Martiniano, quando os três passámos a fazer parte do Conselho Supremo da Associação. Discreto mas dotado de uma enorme afeição pelo Colégio, o Gonçalo estava presente em todos os eventos que ali se realizassem, o mesmo acontecendo em relação à AAACM, revelando-nos durante eles o seu invariável espírito de camaradagem, a sua simpatia e o grande respeito que tinha por todos. Na reunião de 16 de Dezembro de 2015 do Conselho Supremo propus para ele um “Voto de Louvor” que foi aprovado por unanimidade, «pela invulgar dedicação, zelo e entusiasmo com que vem desempenhando há quinze anos os cargos de Chefe de Redacção e, desde 2010, de Director da revista da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar. Consciente do papel que a revista assume na ligação entre as várias gerações de antigos alunos e da importância que os seus conteúdos representam para a História do Colégio

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Militar, tem-se dedicado de modo incansável às tarefas que tais cargos envolvem, trabalhando sem limites de tempo e agindo sempre com grande ponderação e bom senso. Fazendo apelo à sua persistente determinação e ao espírito de camaradagem que cultiva, foi capaz de aglutinar em torno da revista a colaboração de antigos alunos de diversas gerações, conseguindo assim ultrapassar as inevitáveis dificuldades que acontecem ao longo de 60 edições trimestrais, com particular relevo para a que assinalou os 50 anos da revista, e ainda os 2 números especiais publicados no corrente ano. Em 2010, quando assumiu as funções de Director, coube-lhe ser o grande obreiro das modificações decididas pela Direcção da Associação com vista à melhoria e modernidade que caracterizam actualmente a revista “Zacatraz”, tornando-a num importante veículo de comunicação que muito prestigia e dignifica a Associação. O seu raro sentido do dever e da responsabilidade, a sua sempre renovada capacidade de entrega, e a afeição que tributa ao Colégio Militar, fazem dele um exemplo vivo da divisa “Um por todos”, bem merecendo por isso o nosso respeito e admiração». Mas a discrição e simplicidade que o caracterizavam esfumavam-se quando estava em causa o seu automóvel. O Gonçalo tinha sempre que dispor de um veículo de grande qualidade e dotado dos mais modernos avanços tecnológicos da indústria, pelo que ia mudando de carro com relativa frequência. Conheci os seus últimos três, porque a amizade do Gonçalo fazia com que ele se sentisse na obrigação de me transportar para o hotel ou para a estação de Santa Apolónia sempre que eu vinha a Lisboa. Deixava-me na porta da estação voltada para o Tejo e eu aguardava ali que ele arrancasse para lhe fazer um aceno de agradecimento. A última vez que ali me deixou foi no dia 14 de Novembro após uma reunião do Conselho Supremo. Mal eu imaginava que, infelizmente, aquele seria o meu último aceno ao Gonçalo. José Alberto da Costa Matos

96/1950


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Homenagem ao Gonçalo

Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949)

A acender a Chama Colegial.

N

o princípio era o 371. Algum tempo depois passámos a tratá-lo por Matos, mas para memória futura ficou o Sábio Matos, tal como o baptizou o Granatão, sempre atencioso com os alunos mais empenhados em desvendar os enigmas da Matemática. Quando uma fórmula nova ou um problema mais difícil apelava à intervenção de um «especialista», o Sábio Matos era convocado para o efeito pelo major Granate; e nunca desiludiu o professor, nem a cambada que se torcia de riso nas carteiras. Passámos muitos fins-de-semana juntos no Colégio porque ambos tínhamos a casa da família na província. Connosco alinhava um grupo selecto de

provincianos pacatos e estudiosos que, por motivos jamais esclarecidos, começaram a certa altura a descurar as matérias escolares para se dedicarem com afinco ao estudo prático das técnicas de evasão e às subtilezas do abafa e da lerpa. Assim fomos singrando e construindo uma amizade cujo significado e alcance só são entendidos por quem viveu a intimidade inesquecível daqueles anos no nosso Colégio. E um dia, armados com a sabedoria assimilada numa convivência onde cabiam, amalgamados, os impulsos desordenados da juventude e os valores imorredouros do Dever, da Honra e da Camaradagem, fizemo-nos à vida. Andámos por terras distantes, palmilhando os últimos caminhos do Império português.

Alguns de nós tomaram as armas, outros preferiram ocupações mais sensatas. O Gonçalo – como finalmente passei a chamar-lhe – decidiu ser engenheiro e homem de família e tornou-se finalmente um especialista a sério em ambas as tarefas. Suspeito que nem o major Granate, que muito justamente o considerava sábio em Matemática, se arriscaria a vaticinar-lhe um tão nítido sucesso. Embora os constrangimentos profissionais nos mantivessem afastados fisicamente, as notícias relativas a cada um nunca deixaram de circular sobre oceanos e florestas, mantendo viva a chama de uma amizade que recusa esbater-se com a distância. Muitos anos passados, ambos reformados das nossas profissões, veio desencaminhar-me para colaborar na Zacatraz. Desafio aceite, tive a oportunidade de reviver uma amizade que nos trouxe de regresso ao Colégio. Septuagenários, não nos movia o alvoroço das irreverências juvenis. E por isso pude apreciar o Gonçalo na pele de chefe de redacção, mais tarde na de director da revista, tarefas nas quais ele pôs enormes determinação e eficiência, a par de uma delicadeza de trato muito pouco comum. Nos últimos anos ele foi a alma da Zacatraz, lutando sem desfalecimentos por uma revista com qualidade. E, sabem-no bem quantos o acompanharam nessa tarefa, isso significava ultrapassar pequenas e grandes dificuldades, alguns azedumes, incompreensões e indelicadezas, com uma convicção inquebrantável. E sempre tratando os seus companheiros de jornada com genuína consideração. O Gonçalo vai fazer muita falta aos filhos e aos netos. Vai fazer muita falta aos amigos. Vai fazer muita falta nas reuniões da redacção da Zacatraz. Na hora do adeus derradeiro, vejo-o de novo menino e abraço-o com sentida amizade.

Nuno António Bravo Mira Vaz

277/1950


Homenagem ao Gonçalo

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Gonçalo, meu irmão.

Na distribuição dos Prémios Barretina.

«Olha, lá vai o Gonçalo a caminho da escola……». Era assim que começava um texto de um dos livros de leitura da Escola Primária do meu tempo. Gostei tanto desse texto e da sua personagem principal, o dito Gonçalo, que até hoje não os esqueci. Estava então eu longe, muito longe, de imaginar, que cerca de sessenta anos mais tarde, iria estabelecer uma fortíssima relação de amizade com um outro Gonçalo, o nosso querido Gonçalo Salema Leal de Matos (371/49), cuja súbita partida nos deixou na maior consternação e no maior pesar. Não sou do tempo do Gonçalo no Colégio. O seu sucessor era do meu curso. A primeira vez que me cruzei com o Gonçalo foi num

dos jantares de Natal, que a nossa Associação há anos atrás costumava organizar, antes de se ter estabelecido o hábito, ou a tradição, de se realizarem os jantares anuais da Associação no hotel Pestana Palace. Esse encontro com o Gonçalo, em Dezembro de 2000, ficou documentado para a posteridade na foto que acompanha este escrito, em que o Gonçalo é o terceiro a contar da esquerda e eu o primeiro a contar da direita. Estávamos então ainda em boa forma. O nosso trabalho em conjunto começou quando nasceu a ZacatraZ, que exigia maior volume de colaboração do que a revista da Associação nos seus moldes anteriores. Passei a escrever com regularidade para a revis-

ta e a dar-lhe colaboração, nomeadamente nas sucessivas revisões dos textos. Era seu ponto de honra a produção de uma revista sem qualquer gralha, o que obviamente é muito difícil, exigindo de si próprio enorme disponibilidade para rever tudo até à exaustão, as vezes que fossem necessárias, até tudo estar perfeito. Não é exagero dizer que ele vivia para a revista. Era seu hábito trabalhar pela noite dentro, sendo frequentes os emails que me enviava já de madrugada. Era também seu ponto de honra, a publicação da revista ainda durante o último mês do trimestre a que cada número da revista dizia respeito. Não era homem de facilitar no que quer que fosse. Tinha gravado a fogo na sua


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Homenagem ao Gonçalo

Jantar de Natal do ano 2000, no antigo Pavilhão da Quinica.

mente, o princípio que o nosso Marechal nos deixou como herança, de que as coisas ou se fazem bem feitas, ou não devem sequer ser empreendidas. Todos os anos tínhamos uma luta, recusava-se a ir de férias no Verão sem ter feito a aprovação final do número da revista relativo ao 3ºtrimestre.Gozando eu usualmente férias durante o mês de Agosto, cheguei a ameaçá-lo de o correr, a pontapé, de Lisboa para fora, se ainda aí o encontrasse no regresso das minhas férias. Ele respondia a esta minha ameaça rindo-se. O nosso contacto telefónico era diário, maior do que com qualquer um dos meus irmãos. As nossas sessões conjuntas de trabalho em sua casa eram frequentes e sempre extremamente agradáveis, pois ele era um excelente anfitrião, com quem era um prazer conviver. No último jantar anual da Associação fui distinguido com um prémio Barretina. Penso que

a proposta para essa distinção terá partido do Gonçalo, nunca lho perguntei, nem ele mo disse. Pedi para que fosse ele a entregar-me o prémio, pois era das suas mãos que eu gostaria de o receber. Quando me entregou o prémio, frisei, perante toda a assistência ali reunida, que era ele que deveria receber o prémio, pois o mérito da ZacatraZ era 80% mérito seu e apenas 20% mérito de todos os outros intervenientes na sua feitura. Naquilo que pareceu ser uma brincadeira, eu disse que as normas de atribuição dos prémios Barretina deviam ser alteradas, para permitir que o Gonçalo recebesse todos os anos um prémio de dedicação à causa colegial. Fui testemunha presencial do esforço tremendo que o Gonçalo fez, para que o número 209 da ZacatraZ fosse publicado dentro do prazo por si próprio imposto. A última sessão de trabalho conjunto que tivemos foi-lhe visivelmente penosa e foi de dentes cerrados que ele transmitiu por email

as suas últimas instruções à empresa que faz a composição final da revista, antes de a mesma seguir para a «gráfica». Já hospitalizado, ainda estava preocupado em saber se a revista estava em condições de ter aprovação final, para seguir para a produção. Descansei-o quanto a isso e fui eu próprio que dei essa aprovação. A ZacatraZ 209, que ele pressentiu que seria a última que fazia, já não saiu a tempo de ele a poder ver. Foi pena. Na sessão em que recebi das suas mãos o prémio Barretina, referi que o Colégio me tinha dado uma adolescência feliz e uma segunda família. O Gonçalo, meu irmão, foi para mim e continuará a ser, um dos membros mais chegados dessa segunda família. Quero esperar, quando o tempo já não existir, poder voltar a estar com ele, ombro a ombro, como estivemos nestes últimos anos na feitura da nossa revista. Luis Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957


Homenagem ao Gonçalo

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In Memoria do Gonçalo Leal de Matos

C

onheci o Gonçalo desde sempre! Eu explico. Apesar dele ser do curso de 1949 e eu do de 1961, ambos partilhávamos os mesmos valores e as mesmas experiências, de tal modo que parecia que não existia um intervalo de 12 anos. Era como se tivéssemos sempre partilhado a mesma camarata e marchado juntos desde o nosso primeiro ano. E se isto é verdade em espírito, a realidade é que o meu conhecimento pessoal do Gonçalo só começou a partir de 2011, quando então, como membro da direcção da AAACM, fui desafiado para colaborar na redacção da ZacatraZ.

Estes cerca de sete anos de convivência revelaram um camarada fantástico. Aquela pequena figura, revelava-se uma enorme personagem. Inflexível e frontal, ai de quem faltava à palavra dada, ao não cumprimento das suas tarefas, ou até, que não cumprisse com a pontualidade combinada. Como dizem os brasileiros, aí o Gonçalo “virava fera”! Dito isto, não se pense que era intratável. Nada disso. É verdade que era exigente e rigoroso, mas fora isso, era um doce de pessoa. Mas mais que essas qualidades que con-

Com Mário Falcão (314/1936).

Com Costa Matos (96/1950) e Luis Barbosa (71/1957).

quistaram a minha inquestionável amizade e respeito — e que o tornavam uma pessoa excepcional — o Gonçalo representa uma enorme perda para a comunidade dos antigos alunos e, acima de tudo, para a ZacatraZ. O Gonçalo era a alma, o esforço e a dedicação incondicional à “sua” revista. É verdade que não há ninguém insubstituível. Mas a perda do Gonçalo, far-nos-á a todos, comunidade dos antigos alunos e a ZacatraZ, muito mais pobres. Com enorme saudade, Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva

53/1961


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Homenagem ao Gonçalo

Em memória do Gonçalo Leal de Matos, o 371/1949

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A ternura do Gonçalo para todos nós.

screver sobre o Gonçalo é relembrar momentos bem passados com um companheiro e amigo que me marcou pela sua muito particular e multi-facetada personalidade e elegância no trato. A chegada do meu convívio com o Gonçalo foi tardia: estava eu na Direcção da Associação em 2005 quando ele aparecia nalgumas reuniões da Direcção como colaborador da nossa Revista que na altura era dirigida pelo Mário Margarido e Silva Falcão (314/1936) então seu Director. O Gonçalo falava pouco e mantinha um “ar de poucos amigos“ quando alguém queria alterar textos, layouts, fotografias, etc., dos números da Revista que já estavam por ele preparados; volta e meia, irritava-se, ameaçava demitir-se e saía porta fora. Não mostrava, nos primeiros contactos, o Homem bem educado e completo que era, que cultivava para si próprio um rigor austero, e para com os outros a lealdade, a honestidade, a pontualidade (ai de quem se atrasasse um minuto num encontro ou reunião!), a sempre disponibilidade para ouvir e colaborar… tudo com uma condição: desde que houvesse correcção e educação no trato… senão, aí vinha uma - não direi fúria mas grande irritação frontalmente expressa. Manteve sempre grande humildade quando reconhecia e confessava que, frequentemente, ajuizava mal as pessoas nos primeiros contactos e vinha, depois, a corrigir a primeira impressão: aconteceu isso com muitos Antigos Alunos de quem depois se tornou amigo e a quem manifestou o seu respeito e consideração. Apreciava a boa qualidade das coisas. Tinha um elevado sentido estético: cultivava elegância no vestir (calças e camisas sempre impecavelmente passadas, as camisas de manga curta com dois bolsos para tudo caber no sítio…), nas características e qualidade dos “gadgets“ do seu


Homenagem ao Gonçalo

carro (quando entrava no meu, inspeccionava tudo o que o meu tinha e o dele não tinha e vice-versa e gostava de ver todos os extras a funcionar: tectos de abrir, luzes, etc.), no seu computador portátil que trocava quando aparecia uma versão mais sofisticada, e quando íamos na rua e passava algum representante do sexo oposto mais vistoso, elegante ou bem vestido, admirava e comentava com gosto. Ríamos-nos e a conversa continuava. Tinha algumas “calistices“ engraçadas que compunham a definição do personagem que foi. Apreciava o vinho branco frizante, quando bebia cerveja começava sempre por uma pequena, mas depois bebia duas ou três “meias-imperiais“, invariavelmente no fim das refeições pedia “uma italiana em chávena escaldada“ pedido que os criados dos restaurantes já conheciam de cor; era guloso por azeitonas: quando os criados vinham tirar o pratinho das azeitonas, se ainda tinha algumas estava muito atento e dizia para as deixar na mesa; o bife que íamos comer de vez em quando era o bife do Nicola, e “bife só é bife se for do lombo“ e tinha que ser o do Nicola; o cozido do Canal Caveira era outra das suas referências das andanças de carro pelo país que os tempos modermos tinham dificultado (agora era preciso sair da auto-estrada); a semana de férias em

Setembro num apartamento do Pine Cliffs de uns amigos, fazia, igualmente, parte da organização da ocupação e programação dos seus tempos: mais uma vez apreciava a qualidade e gostava de contar como tinha sido! O Pipo (seu neto) era a sua grande paixão: volta não volta, contava a viagem de comboio que ambos fizeram ao Porto para o Pipo aprender o que era andar de comboio, em que o miúdo comeu bifes atrás de bifes à ida e à volta. Quando Pipo tirou a carta de condução, veio contar-me, estava contente. Vivia muito o dia-a-dia do Pipo! Era também enternecedor ver a sua alegria quando estávamos juntos e recebia chamadas dos filhos para saberem como estava: acontecia no dia-a-dia e quando estávamos em viagens que periodicamente fazíamos ao Porto para os jantares de Natal e do 3 de Março com os Antigos Alunos do norte do país. Nestas viagens falava muito, dominava a conversa à ida e à volta, ia e vinha sempre muito satisfeito. Na última vez que conversámos, já no hospital e alguns dias antes de nos deixar, disse-me a propósito do jantar de Natal do Porto de 2017: “da próxima vez ficamos lá de um dia para o outro; ir e vir no mesmo dia (o que fizemos ao longo de mais de dez anos) é muito cansativo.“

Aguardando o desfile do Batalhão no jardim de entrada no Colégio.

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A qualidade que, era seu timbre em todos os aspectos da sua vida, reflectia-se, também, nos textos que escrevia ortográfica e gramaticalmente impecáveis, e estendia-se à estética da paginação do objecto que preenchia com paixão e dedicação os seus dias - a “sua“ revista ZacatraZ - de que foi o obreiro da grande mudança no estilo, formato e conteúdos. Ficamos a dever-lhe muito! Os Antigos Alunos ficam a dever-lhe muito! Para mim, foi também o companheiro de longas e frequentes conversas telefónicas, noite a dentro - uma , duas, três da manhã – em que falávamos de tudo e de nada, da revista e dos seus textos já feitos ou em preparação, das reuniões do Conselho Supremo, das faltas de educação que uma ou outra pessoa tinha tido com ele (o que só de se lembrar lhe fazia “subir a mostarda ao nariz“ mesmo durante a conversa que estava a ter comigo!), resolvíamos problemas de computadores, mandávamos fotografias por mail etc, etc. … Sinto falta do Gonçalo. Martiniano Nunes Gonçalves 9/1958


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Homenagem ao Gonçalo

Lugar Cativo

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Gonçalo tinha um lugar cativo. Era uma cadeira simples e sem nada de especial. Encostada à parede de vidro, com vista para todas as outras, de onde nos via a todos e onde todos o podíamos ver. Perto de quem fala, para poder ouvir melhor. E quando ainda assim não ouvia, lá estava a Gonçalo de braço no ar a pedir para repetirmos. É assim que o tenho na memória. Durante anos habituei-me à sua presença naquela espécie de lugar cativo, nas nossas reuniões do Conselho de Delegados. Sempre bem disposto. Sempre pronto para uma piada. Sempre atento. Sempre com uma palavra sábia quando ela era necessária.

O que se sentia no Gonçalo, sem necessidade que ele o dissesse, era um amor transbordante por tudo o que se relacionava com o Colégio. Aquele amor de estar sempre ao lado. O amor de apoiar sem condições, de respeito e de infinita gratidão. Há certamente quem o tenha conhecido bem melhor do que eu tive oportunidade, mas quase arrisco dizer que se fossem observar o Gonçalo ao microscópio, encontrariam pequenos vestígios do Colégio entranhados nele. O Gonçalo não faltava a reuniões. Mas por brutal coincidência, faltou às duas últimas as duas que dirigi até agora como presidente do Conselho de Delegados.

Na penúltima, em novembro, surpreendeu-me com um telefonema a lamentar que não se sentia bem naquele dia e a pedir desculpas por não poder ir. Digo que me surpreendeu, porque ninguém tem o hábito de dizer que não vem com um telefonema - mas o Gonçalo fazia isso e telefonou! Na última reunião, em janeiro, o Gonçalo faltou porque já não estava entre nós. Mas esteve. Na sua cadeira de sempre, fizemos questão de marcar o lugar como “Reservado”. O Gonçalo tem um lugar cativo. No nosso coração. Nelson Manuel Machado Lourenço 377/1982

C

omo neto, amigo e Menino da Luz queria agradecer todo o seu carinho e dedicação tanto a mim como ao nosso querido Colégio. Através dos seus valores e do seu carácter será sempre um exemplo a seguir. Um beijinho avô, muito obrigado por tudo.

Gonçalo de Aires Mateus Salema de Matos

88/2006

Com o Pipo, o 88/2006, seu neto.


Homenagem ao Gonçalo

CONSELHO SUPREMO

Voto de Louvor Conferido pelo Conselho Supremo na sua reunião de 16 de Dezembro de 2015 a

GONÇALO SALEMA LEAL DE MATOS Director da Revista da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar pela invulgar dedicação, zelo e entusiasmo com que vem desempenhando há quinze anos os cargos de Chefe de Redacção e, desde 2010, de Director da revista da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar. Consciente do papel que a revista assume na ligação entre as várias gerações de antigos alunos e da importância que os seus conteúdos representam para a História do Colégio Militar, tem-se dedicado de modo incansável às tarefas que tais cargos envolvem, trabalhando sem limites de tempo e agindo sempre com grande ponderação e bom senso. Fazendo apelo à sua persistente determinação e ao espírito de camaradagem que cultiva, foi capaz de aglutinar em torno da revista a colaboração de antigos alunos de diversas gerações, conseguindo assim ultrapassar as inevitáveis dificuldades que acontecem ao longo de 60 edições trimestrais, com particular relevo para a que assinalou os 50 anos da revista, e ainda os 2 números especiais publicados no corrente ano. Em 2010, quando assumiu as funções de Director, coube-lhe ser o grande obreiro das modificações decididas pela Direcção da Associação com vista à melhoria e modernidade que caracterizam actualmente a revista “Zacatraz”, tornando-a num importante veículo de comunicação que muito prestigia e dignifica a Associação. O seu raro sentido do dever e da responsabilidade, a sua sempre renovada capacidade de entrega, e a afeição que tributa ao Colégio Militar, fazem dele um exemplo vivo da divisa “Um por todos”, bem merecendo por isso o nosso respeito e admiração.

Lisboa, 16 de Dezembro de 2015 O Presidente do Conselho Supremo

MARTINIANO NUNES GONÇALVES (9/1958)

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Sir Isaac Newton (1642-1727) O maior filósofo natural?

António Rafael Passarinho Franco Preto 67/1950

Sir Isaac Newton (1642-1727) O maior filósofo natural? 1

“A maravilhosa disposição e harmonia do universo só pode ter tido origem segundo o plano de um Ser que tudo sabe e tudo pode. Isto fica sendo a minha última e mais elevada descoberta.” 45 Anos

Filósofo natural?

A

ssim eram denominados todos os cientistas (por estudarem a “filosofia da natureza”, também designada por “filosofia natural”). Os termos “ciência” e “cientista/s” só apareceram no século XIX, acompanhando o desenvolvimento

70 Anos

de uma investigação experimental e de natureza matemática, governada por um método. Antes disso, o termo “ciência” significava apenas conhecimento. Newton – que escrevia com igual facilidade em Inglês e em Latim – deu ao seu primeiro tratado fundamental publicado em 1687 em 3 volumes, o título de “Philosophiae naturalis principia ma-

thematica” (normalmente referido simplesmente como “Principia” 2) e escreveu-o em Latim. Em Português, o seu título é “Princípios Matemáticos da Filosofia Natural“. (Este é o exemplar que era do próprio Newton e que tinha anotações escritas por ele, o que é visível na página da esquerda).

Foi em 1705 nomeado pela Rainha Anne da Inglaterra, Escócia e Irlanda (o País de Gales – Wales – já estava politicamente unido à Inglaterra desde o “acto da união” de 1536). A rainha Anne foi a última monarca inglesa da dinastia Stuart. Nota Adicional - O “acto da união”de 1707 da Inglaterra com a Escócia criou a Grã-Bretanha e a rainha Anne passou então a ser rainha da Grã-Bretanha e Irlanda.

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Publicou uma segunda edição em 1713.


Sir Isaac Newton (1642-1727) O maior filósofo natural?

Neste seu tratado “Principia”, Newton juntou “o céu e a terra” num só sistema, com um conjunto de leis que eram válidas para todo o universo e produziu explicações matemáticas e físicas relativamente ao movimento dos planetas e à queda dos corpos no planeta Terra. Na realidade, Newton formulou nos séculos XVII e XVIII todos os princípios físicos que os cientistas usaram até ao princípio do século XX, quando Einstein e outros mostraram que o universo era ainda mais complexo que o que Newton tinha imaginado. O Professor William Bynum (Emeritus Professor of the History of Medicine, University College London) publicou em 2012 um livro extraordinário, resumindo em 40 capítulos a história da ciência através dos tempos (A Little History of Science). Cobrindo quase todas as áreas da ciência desde o início do mundo até à actualidade, ele dedica no entanto 2 capítulos inteiros a Newton – “What goes up”... e “The clockwork universe” (para além de inúmeras referências noutros capítulos). Neste meu despretencioso artigo, abordo não só as suas descobertas, como igualmente o que é conhecido sobre Newton, o homem. Comecemos por uma breve descrição da personalidade do ser humano Isaac Newton. O pai morreu quando ele era uma criança, odiava o padrasto, não gostava do avô e tinha muitas reservas relativamente à mãe e à avó. Desde criança sentia-se bem sózinho, preferência que

o acompanhou ao longo de toda a vida. Como adulto, não gostava de quase ninguém, tinha um temperamento horrível e pensava que todos conspiravam contra ele. Era extremamente difícil convencê-lo a publicar as suas descobertas, pois só as mostrava àqueles dentre as suas relações que entendia merecerem-no. Como exemplo deste comportamento está o facto de ele ser então (sabe-se hoje, devido ao que ele escreveu em Outubro de 1666 para sua satisfação própria e não para publicação) o mais avançado matemático da Europa na área do chamado “Cálculo Infinitesimal”, que ele tinha desenvolvido por ter a necessidade de efectuar medições exactas em certas áreas da Física. Era, pois, o matemático mais avançado da Europa, mas só ele é que o sabia. A sua única verdadeira relação pessoal conhecida foi com o matemático Suiço Nicolas Fatio de Duillier que encontrou pela primeira vez em Londres em 1689. Essa relação terminou abruptamente e sem explicação conhecida em 1693, altura em que Newton sofreu uma forte e longa depressão nervosa. Alguma da correspondência trocada entre os dois ainda existe. A “fotografia pessoal” de Isaac Newton não é “brilhante”. Mas uma fotografia é o que é. As áreas a que se dedicou na Física (e pelas

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quais ficou conhecido) foram a Mecânica (as leis dos movimentos e da força da gravidade) e a Óptica (livro que publicou em 1704 e em que desenvolveu uma sofisticada teoria das cores). O modelo do nosso sistema solar, as trajectórias dos cometas, as marés e a velocidade do som são só alguns dos muitos temas específicos de que se ocupou. A sua invenção e construção do primeiro “telescópio de reflexão” simples foi uma consequência das suas necessidades para provar a sua teoria de que a luz branca era composta por um espectro de cores (tal como os desenvolvimentos que fez em “Cálculo Infinitesimal” foram consequência da necessidade que tinha em fazer medições exactas em “Mecânica”). O telescópio de reflexão Newtoniano3 (como ficou conhecido) utiliza um espelho côncavo (parabólico ou esférico) primário e um espelho plano em diagonal, como secundário. Como utiliza espelhos, a luz é reflectida e

O telescópio de reflexão

O prisma decompondo a luz branca

3 Os telescópios de refracção são anteriores ao telescópio de reflexão de Newton e usam a refracção da luz através de 2 lentes convergentes. Galileu Galilei (1564/1642) já os usava e até melhorou os existentes (produziam, no entanto, uma distorção chamada “aberração acromática” que é uma imperfeição na reprodução correta das cores das imagens, que o telescópio de reflexão não tem).


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Sir Isaac Newton (1642-1727) O maior filósofo natural?

não refractada, como acontece se se utilizam lentes. Newton produziu-o em 1668, tendo sucesso onde outros tinham falhado. O seu “design” simples tornou-o muito popular também entre amadores, devido a ser fácil de produzir. Nota: A ideia de que espelhos curvos se comportam como se fossem lentes, data do século XI e foi largamente difundida na Europa (o tratado do árabe Alhazen - 965/1040 - sobre óptica foi traduzido para Latim). Isaac Newton alcançou uma fama tão grande na Europa dos séculos XVII e XVIII que alguns dos maiores cientistas em áreas diversas aspiravam a ser reconhecidos como o “Newton” das suas áreas: - Adam Smith 1723 - 1790 (o “Newton” da Economia) - William Cullen 1710 - 1790 (o “Newton” da Medicina) - Jeremy Bentham 1748 - 1832 (o “Newton” das reformas sociais e políticas) O que eles na realidade ambicionavam era conseguirem apresentar, na sua área de interesse, uma lei geral ou um princípio que englobasse a área como um todo, tal como a força da gravidade definida por Newton mantinha o universo “unido” na sua progressão através dos tempos. O poeta Inglês Alexander Pope escreveu, com graça: Nature and Nature”s laws lay hid in the night. GOD said: Let Newton be! And all was light. Vamos descrever a actividade profissional de Newton, amenizando-a com alguns aspectos da vida em Inglaterra nos séculos XVII-XVIII e com referências a outros cientistas que se pronunciaram objectivamente sobre a genialidade de Newton. Isaac Newton não foi um aluno especialmente brilhante na Universidade de Cambridge mas aproveitou bem os quase dois anos que trabalhou em casa, porque a Universidade esteve fechada de Agosto de 1665 a Abril de 1667 devido à epidemia de peste bubónica que assolou a Inglaterra e que em Londres matou aproximadamente 100.000 pessoas (1/4 da população). 4 5 6

Durante esse período, desenvolveu teorias nas áreas do “Cálculo Infinitesimal”, da Óptica e das leis que regiam a aceleração da gravidade e suas consequências. Tendo sido eleito Membro (Fellow) da Universidade4 viu-se confrontado com a obrigatoriedade de ser ordenado padre da Igreja Anglicana, uma exigência absoluta e de que só podia ter um adiamento temporário. Newton, tendo assinado o seu acordo relativamente à obediência aos 39 artigos que então compunham a base da doutrina da Igreja Anglicana, pediu e obteve do rei Carlos II – o chefe supremo da Igreja Anglicana – a dispensa dessa obrigatoriedade, pois embora com argumentos triviais, Newton já não era nesse tempo “igual aos outros”5. Depois de em 1672 ter sido eleito Membro da “Royal Society”, ninguém mais teve a coragem de se lembrar da excepção representada por Newton face à Igreja Anglicana (foi nomeado presidente da “Royal Society” em 1703 e membro-associado da Academia Francesa das Ciências no mesmo ano). Entre 1670 e 1672 Newton dedicou-se principalmente à Óptica e a sua teoria da cor (propriedade intrínseca da luz) e a da natureza corpuscular da luz são só duas das inúmeras teorias e desenvolvimentos que ele incluiu no seu livro sobre Óptica, publicado em 1704. Nota: Deve no entanto dizer-se em abono da verdade que a actual teoria hoje aceite sobre a dualidade onda-corpuscular da luz, está distante e é bastante mais complexa que a compreensão que Newton tinha do fenómeno luminoso. Newton mudou-se de Cambridge para Londres em 1696 por lhe ter sido oferecida pelo ministro das finanças uma posição da maior importância na “Royal Mint” (a instituição emissora da moeda) e que manteve até ao final da sua vida. A falsificação da moeda era um crime de alta traição e punível com a morte, mas era extremamente difícil de

Como professor era simplesmente...péssimo. Os alunos raramente o percebiam e a sala estava frequentemente vazia. Todos os homens são iguais mas, desde sempre, há uns mais iguais que outros. Tipicamente Inglês: pagavam as importações em prata, mas recebiam o preço das exportações em ouro.

provar e obter a condenação dos acusados. Newton – tendo tomado a sério a sua posição e tendo feito uma estimativa que lhe dizia que aproximadamente 20% da moeda existente em circulação era falsa – dedicou-se a actuar como “advogado de acusação” dos suspeitos e entre Junho de 1698 e Dezembro de 1699 conseguiu a condenação de 28 falsificadores (facto que reduziu imenso a actividade de falsificação da moeda). (Ainda sobre esta sua actividade) Um relatório de Newton datado de 1717 produziu uma lei estabelecendo uma relação entre as moedas de ouro (guinéus) e de prata (xelins) e proibindo que o guinéu fosse trocado por mais de 21 xelins. A Inglaterra passou assim do padrão-prata (“silver standard”) para o seu primeiro padrão-ouro (“gold standard”). Imprevisivelmente, esta decisão teve como consequência uma falta de moedas de prata (usadas para pagar as importações). As exportações eram transacionadas em moedas de ouro6. É interessante notar que um dos grandes adeptos do génio de Newton era francês e – sendo quem era – aumentou imenso a sua reputação. Era nem mais nem menos que o poeta, novelista, homem de letras e filósofo François Marie Arouet (1694-1778), mundialmente conhecido como Voltaire! Voltaire passou uns anos em Inglaterra e ficou extremamente impressionado com a liberdade de expressão e de pensamento que regia a sociedade inglesa (Voltaire tinha estado em prisão domiciliária em França por ter criticado a Igreja Católica e o rei Luis XV). Tendo apreciado imenso os desenvolvimentos científicos de Newton, Voltaire escreveu – quando regressou a França – uma versão popular das ideias de Newton, dando-as assim a conhecer ao povo francês. Embora afastando-nos totalmente do tema que escolhemos para este texto, não resistimos a mencionar a obra prima da novela satírica que Voltaire publicou em 1759 com o título de “Candide, ou l’Optimisme”. Candide vive uma vida de desastres sucessivos (em que tudo o que pode correr mal,


Sir Isaac Newton (1642-1727) O maior filósofo natural?

corre ainda pior) mas nunca esquece a sua filosofia de vida: o mundo que Deus criou é certamente o melhor possível. Mantém-se sempre optimista seja o que for que lhe cai em cima até que no fim das suas horríveis aventuras reconhece que tinha feito melhor se tivesse ficado em casa a tratar do jardim! Reencontrando o nosso tema, mencionamos – sem as discutir ou explorar em detalhe – as 3 leis fundamentais do movimento dos corpos (porque “parecia mal” num texto sobre Newton tal não ser feito): 1ª Lei de Newton - Princípio da Inércia “Um corpo em repouso tende a permanecer em repouso, e um corpo em movimento tende a permanecer em movimento.” Então, conclui-se que um corpo só altera o seu estado de inércia se alguém ou alguma coisa aplicar nele uma força resultante diferente de zero. 2ª Lei de Newton - Princípio Fundamental da Dinâmica “Quando aplicamos uma mesma força em dois corpos de massas diferentes observamos que elas não produzem aceleração igual”. Esta 2ª lei de Newton diz ainda que a Força é sempre diretamente proporcional ao produto da aceleração de um corpo pela sua massa. 3ª Lei de Newton - Princípio da Acção e Reacção “As forças atuam sempre em pares, para toda força de acção, existe uma força de reacção.” Satisfeita que está esta “obrigatoriedade” e decidindo não discutir as causas das marés ou o número e órbitas dos planetas do nosso sistema solar (temas igualmente abordados em pormenor por Newton) vamos terminar este artigo com outro tema Newtoniano para termos oportunidade de “contar uma história” que permitirá a cada um dos leitores colocar em perspectiva a sociedade em que viveu Newton, com a actual. 7

É a Terra esférica? Newton respondeu que não a esta questão que ele próprio tinha colocado, porque tinha provado que a força da gravidade no equador era ligeiramente menor que a força da gravidade no Norte da Europa (e tinha concluído isto através de experiências feitas com um pêndulo em vários locais à superfície da Terra). Para isso tinha inventado um método seguro de calcular as “distâncias percorridas” por um pêndulo durante um segundo. Segundo Newton, a Terra era “achatada” nos polos (e até um pouco “dilatada” no Equador). A sua justificação é fácil de descrever: como o pêndulo “percorria” (no mesmo intervalo de tempo) uma distância ligeiramente menor quando estava situado no Equador, isso significava que a força da gravidade era ligeiramente menor ali e portanto a distância do pêndulo até ao centro da terra era maior nesse local; portanto, se a distância ao centro da Terra no Equador era maior que em latitudes mais altas, a terra não era esférica e era “achatada” nos polos. Quando esta teoria de Newton foi discutida em França na década de 1730, muitos cientistas franceses recusaram aceitar esta forma “imperfeita” para a Terra. Foi o rei de França Luis XV que resolveu acabar com a polémica e foi “extraordinário” o método utilizado para confirmar (ou não) a posição tomada por Newton. Decidiu enviar duas expedições, uma ao equador e outra a um local perto do círculo polar ártico, para medirem a distância exacta que seria necessário percorrer para alterar a posição inicial de um grau em latitude! Uma expedição foi enviada a Lapland (perto do círculo polar ártico) e foi chefiada pelo físico Sueco Anders Celsius7 e pelo matemático Francês Pierre Maupertuis. A outra foi enviada ao Equador (Quito) em Maio de 1735 e foi chefiada pelos astrónomos franceses Charles Marie de La Condamine, Pierra Bouguer e Louis Godin e pelos geógrafos espanhóis Jorge Juan e Antonio de Ulloa. A expedição a Lapland foi relativamente rápida. A expedição ao equador demorou (por motivos adicionais) um total de 9 anos!

A quem devemos a escala de temperaturas em graus centígrados (ou “Celsius”)

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Luis XV, rei de França e de Navarra

A conclusão (devidamente quantificada) foi que Newton tinha razão e é interessante ver que a diferença entre as “medições” de Newton no início da século XVIII e as actuais – uns 300 anos mais tarde – é muito menor que o que se poderia esperar (o que é mais um tributo a Newton). Verifica-se pelo gráfico apresentado que Newton dizia que a terra era mais “achatada nos polos” do que na realidade é (havendo uma diferença de 1,3% entre os valores das duas medições nos polos, diferença essa que é muito menor em latitudes mais baixas).


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Sir Isaac Newton (1642-1727) O maior filósofo natural?

Conclusão: As leis de Newton sobre a gravidade e os movimentos dos corpos, em conjunto com a sua análise matemática das forças, das acelerações e da inércia, mantiveram-se como os princípios fundamentais que guiaram os “filósofos naturais” durante os séculos XVIII e XIX e ninguém fez tanto para que estes princípios fossem sempre considerados como o Marquês Pierre Simon de Laplace8 (1749-1827). Matemático, astrónomo e físico francês. Foi chamado o “Newton“ de França, e é considerado o fundador da moderna teoria das probabilidades. Laplace utilizou as leis de Newton dos movimentos dos corpos e as suas ferramentas matemáticas para mostrar que o que vemos nos céus pode ser compreendido e que o movimento dos planetas, estrelas, cometas 8

e asteróides pode ser previsto com precisão. Ele desenvolveu a teoria de como o nosso sistema solar pode ter nascido há milhões de anos devido a uma vasta explosão, com o Sol expelindo enormes quantidades de gases que ao arrefecerem formaram os planetas e as suas luas. Chamou a esta teoria a “hipótese nebular” e apresentou complicados cálculos matemáticos para mostrar que tal podia ter acontecido como era por ele imaginado. Laplace descreveu, pois, o que actualmente denominamos por “big bang”. Laplace acreditava totalmente nas leis dos movimentos de Newton e dizia até que se fosse possível saber onde estava cada partícula do universo num determinado momento seria possível prever a evolução do universo através dos tempos futuros. Embora sabendo que tal não era possível, ele queria simplesmente dizer que as leis de Newton

De quem Napoleão Bonaparte era um admirador incondicional.

permitiam compreender que o universo era como um relógio de grande qualidade. A sua visão de um “clockwork universe” foi muito útil aos cientistas que se seguiram. O túmulo de Sir Isaac Newton está na Abadia de Westminster em Londres. Espero não ter aborrecido demasiado os leitores com alguns termos e definições próprias dos “filósofos naturais”, que procurei, no entanto, reduzir ao mínimo. Fica-me a esperança de que a imagem global que tentei dar sobre a evolução de algumas áreas da Física ao longo dos séculos e uma visão – embora reduzida – de alguns aspectos das sociedades em Inglaterra e França nos séculos XVII e XVIII, tenham apesar de tudo conseguido proporcionar-vos uma leitura agradável (que na realidade foi o meu único objectivo).


Homenagem a Óscar Monteiro Torres

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Homenagem a Óscar Monteiro Torres (228/1900)

Portugal, em 1916, foi instrutor do primeiro curso de pilotagem que teve lugar no nosso País, o curso que ficou conhecido para a posteridade como o «Curso Histórico de Vila Nova da Rainha», realizado na recém- criada Escola de Aeronáutica Militar, localizada à beira Tejo, perto daquela localidade.

nordeste do país, na Flandres, no decurso da 1ª Guerra Mundial. Dado aquele Serviço de Aviação não ter recebido os aviões que estava previsto serem fornecidos pela Inglaterra, Monteiro Torres foi, como voluntário, servir na Esquadrilha de Observação inglesa nº10, onde desempenhou múltiplas missões, transitando posteriormente para a célebre esquadrilha de caça francesa SPAD nº 55, que ficou conhecida para a posteridade como a «Esquadrilha das Cegonhas». Em 19 de Novembro de 1917, fazendo parelha com o piloto francês capitão Lamy, em missão de patrulha aérea sobre as linhas alemãs, atacam dois aviões germânicos que pretendiam regular o tiro da sua artilharia, sem notarem que sobre eles manobravam três aviões Fokker inimigos, que ,picando sobre eles, os atacavam pela retaguarda. O piloto francês livrou-se da situação criada com uma manobra acrobática, enquanto que Monteiro Torres foi atingido, mas conseguiu aterrar de emergência em território ocupado pelo inimigo. No dia seguinte, a 20 de Novembro de 1917, morre dos ferimentos recebidos em combate, no hospital militar alemão instalado em Laon, sendo enterrado, com honras militares prestadas pelo inimigo, em cemitério de guerra naquela localidade. Os seus restos mortais acabam por vir para Portugal em 1930, onde lhe foi prestado funeral nacional de rara imponência, no dia 22 de Junho. Os seus restos mortais seguiram para o talhão da Liga dos Combatentes no cemitério do Alto de S.João, em Lisboa.

Piloto de Guerra.

No Centenário da sua Morte.

Em 1917 seguiu, como voluntário, para França, para integrar o Serviço de Aviação do Corpo Expedicionário Português, que actuou na parte

No passado mês de Novembro de 2017, cumpriram-se 100 anos sobre a morte de Monteiro Torres, tendo-lhe a Força Aérea Portuguesa prestado

Aluno 228/1900 - Real Colégio Militar

Pioneiro da Aviação.

Ó

scar Monteiro Torres foi um dos onze pioneiros da nossa aviação, que em 1915 se ofereceram para seguirem para o estrangeiro, para fazerem a sua aprendizagem de pilotagem, com o objectivo de posteriormente criarem serviços de aviação militar no Exército e na Marinha. Óscar Monteiro Torres era ao tempo Tenente de Cavalaria, tendo seguido para a Inglaterra, onde obteve a sua licença de pilotagem, com as maiores classificações, na Escola de Northold, do Royal Flying Corps. Regressado a


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Homenagem a Óscar Monteiro Torres

homenagem, organizando cerimónias comemorativas da efeméride, as quais foram acompanhadas por uma sessão de homenagem promovida pelo Instituto Bartolomeu de Gusmão, da Sociedade Histórica da Independência de Portugal. As comemorações realizaram-se nos dias 20 e 22 de Novembro de 2017.

Cerimónias do dia 20/11/2017. No dia 20 de manhã, as cerimónias tiveram lugar na zona da cripta da Liga dos Combatentes, no cemitério do Alto de S. João, em Lisboa, sendo presididas pelo Presidente da República, Chefe Supremo das nossas Forças Armadas, tendo tomado parte nas mesmas Alunos do Colégio Militar. Nestas cerimónias foi imposto, pelo Presidente da República, na urna com os restos mortais de Monteiro Torres, o brevet de piloto-aviador e foi imposta, na mesma urna, pelo Aluno Comandante de Batalhão do Colégio Militar, uma miniatura da nossa barretina. Usaram da palavra nesta cerimónia o Tenente-General Mimoso e Carvalho, Presidente da Comissão Histórico-Cultural da Força Aérea e o General Teixeira Rolo, Chefe do Estado Maior da Força Aérea (CEMFA). Na sua alocução, o Tenente-General Mimoso e Carvalho terminou dizendo «Prestamos uma simples mas significativa homenagem, áquele que para sempre será um herói português da Primeira Guerra Mundial, motivo de orgulho dos aviadores militares por terem um pioneiro assim. Para todos é e será, sempre, um modelo de honra e coragem. Que as suas asas o continuem a fazer subir, cada vez mais alto! Obrigado Major Óscar Monteiro Torres.» O General CEMFA, por sua vez, lembrou que Monteiro Torres foi o «primeiro e até agora o único piloto militar português a tombar num combate aéreo», para de seguida referir «partiu como viveu - a lutar, com alma, até ao fim. Morreu como sempre quis, ao serviço da Pátria - voando». Sublinhou as honras e veneras com que foi distinguido Óscar Monteiro Torres, que foram, da parte de Portugal, o grau de Comendador da Ordem da Torre Espada do Valor,

Lealdade e Mérito, a Cruz de Guerra de 1ª classe e a promoção por distinção ao posto de Major. Por parte da França foi distinguido com a Legião de Honra e com a Cruz de Guerra. Referiu de seguida «cumprimos em contínuo, o compromisso de honra de manter viva a sua memória e perdurar o seu exemplo e, também por isso, Óscar Monteiro Torres é patrono de um dos cursos de pilotagem da Academia da Força Aérea». Terminou a sua alocução frisando «a Força Aérea não esquecerá o Major Óscar Monteiro Torres e ele continuará eternamente a voar connosco.» No dia 20, à tarde, teve lugar, no Salão Nobre do Palácio da Independência, a sessão de homenagem promovida pelo Instituto Bartolomeu de Gusmão, da Sociedade Histórica da Independência de Portugal. Foram oradores o Major Engenheiro de Aeródromos Luis Barbosa, que proferiu uma palestra subordinada ao tema «Óscar Monteiro Torres. Menino da Luz» e o Tenente-General Mimoso e Carvalho, que abordou o tema «Óscar Monteiro Torres. Cavaleiro do Ar». Apresenta-se de seguida o texto da conferência proferida pelo primeiro orador.

Óscar Monteiro Torres. Menino da Luz. Sendo eu Antigo Aluno do Colégio Militar, coube-me a grata e muito honrosa incumbência de Vos falar de Óscar Monteiro Torres como Menino da Luz, ou seja, da sua vida antes de se tornar um «Cavaleiro do Ar». Óscar Monteiro Torres nasceu em Angola, em Luanda, a 26 de Março de 1889, filho de Julião Monteiro Torres e de Ema Monteiro Torres. Antes de ingressar no Real Colégio Militar fez o primeiro ano do curso dos liceus no então designado Lyceu Central de Lisboa. Ingressou no Real Colégio Militar no ano de 1900, passando a ser o Senhor Aluno nº 228. Concluiu o seu curso no ano de 1906, tendo sido graduado em comandante de secção no seu último ano de curso. O período em que Monteiro Torres fez os seus estudos e se formou como homem no Real Colégio Militar foi um período marcado por dois acontecimentos de grande relevo: a direcção

do Colégio por parte do general José Estevão de Morais Sarmento, que foi director do Colégio no período de 1898 a 1904, e as comemorações dos cem anos do Real Colégio Militar, que decorreram, com grande brilho e solenidade, no ano de 1903. Morais Sarmento era antigo aluno do Colégio, onde ingressou em Outubro de 1854, com o nº 44, estando na altura o Colégio no Convento de Mafra. No seu tempo de aluno, em 1858, o Colégio regressa a Lisboa, para o antigo hospital da Luz, onde se mantem até hoje. Quando em 1898, o então coronel Morais Sarmento, assume a direcção do Real Colégio Militar tinha já atrás de si uma brilhante carreira como militar e como político. Falando apenas dos antecedentes próximos, de Abril de 1896 a Fevereiro de 1897 fora ministro e secretário de Estado dos Negócios da Guerra. Cessadas estas funções ministeriais, volta às suas funções de deputado às Cortes, para a legislatura de 1897/1900, funções para as quais fora eleito pelo círculo de Vila Real. O que era o ambiente no Colégio quando Morais Sarmento se torna seu director, é descrito, de forma curiosa, por um homem que, tal como Monteiro Torres, foi piloto - aviador. Trata-se de Teófilo Ribeiro da Fonseca, que entrou para o Colégio, onde teve o número 205, em 1897, três anos antes de Monteiro Torres. Relata Ribeiro da Fonseca, que quando entrou para o Colégio, o que era «chic» entre os alunos era ser-se refractário, tendo escrito «Este era admirado pelos seus camaradas, mormente pelos mais petizes, para quem era o espelho onde pretendiam ver-se no futuro, era o aluno muito castigado, aquele que tinha mais dias de detenção do que dias para os cumprir, aquele que de vez em quando entrava na prisão. Ao Domingo ia, entre dois alunos armados para a missa, como se fosse um grande personagem, invejado pelos seus companheiros. Transformara-se nisto o Colégio Militar.» Segundo Ribeiro da Fonseca, chegara-se a este estado de coisas porque os alunos eram rigorosamente punidos, a torto e a direito, pelos professores e outros oficiais. Todos podiam castigar, havendo até emulação entre eles, para se ver quem era mais severo. Morais Sarmento entrou no Colégio e num relance viu tudo. De tal for-


Homenagem a Óscar Monteiro Torres

Representação do combate aéreo em que o avião de Monteiro Torres é abatido.

ma, que em discurso proferido, afirmou «Não é tão excessivo o espaço de que o Colégio dispõe, para que um pavimento inteiro de uma das suas alas possa continuar a ser exclusivamente destinado a prisões solidamente aferrolhadas», para logo de seguida anunciar «As penas de ordem moral, que têm como elemento constitutivo o conselho e o estimulo paternais, serão as que passam a formar o sistema repressivo normal; e lisonjeia-me a ideia que bastarão para chamar ao cumprimento do dever os raros alunos que dele se desmandarem», terminando dizendo, que o novo regime educativo que iria vigorar se baseia nos sentimentos aparentemente contraditórios, mas que não o são realmente «amor e severidade, benevolência e firmeza irredutíveis». Morais Sarmento passou a ser ele, e apenas ele, a ministrar justiça no Colégio. Os efeitos desta mudança de atitude foram imediatos. Segundo Ribeiro da Fonseca «a camaradagem acentuou-se; os alunos melhor classificados ensinavam, durante os estudos, os que tinham piores notas; os mais fortes protegiam os mais fracos e acabaram as brutalidades e os despotismos». Morais Sarmento operou pois uma verdadeira «revolução» disciplinar dentro do Colégio, tendo instituído um Quadro de Honra para o Procedimento Moral. Óscar Monteiro Torres teve o privilégio de ser um dos alunos beneficiados por esta «revolução». Foi pois no Real Colégio Militar,

que Óscar Monteiro Torres desenvolveu o seu caracter, ou melhor dizendo, a sua nobreza de carácter, um dos grandes objectivos do sistema educativo introduzido por Morais Sarmento, que escreveu «a nobreza de carácter, que foi sempre e mais do que nunca é hoje, a jóia de maior valor que pode enriquecer um homem». É importante referir que Morais Sarmento não designava o Colégio como um estabelecimento de ensino, mas sim como um estabelecimento de educação e ensino. Segundo ele «O professor tem ainda uma missão mais elevada do que a de transmissor de ciência: a de educador. Ilustrar sem simultaneamente moralizar, constitui uma grave imprevidência pedagógica». Em 1901, um ano após a admissão de Óscar Monteiro Torres, é aprovado um novo Regulamento Interno do Colégio, da autoria de Morais Sarmento, que ainda hoje é considerado como um modelo de raro senso pedagógico e de exacta noção do valor da educação integral. Tendo como objectivo a educação integral dos alunos, Morais Sarmento foi também um homem à frente do seu tempo, no que se refere à introdução da educação física e desportos no Colégio. Ainda segundo o testemunho de Ribeiro da Fonseca, «Morais Sarmento deu grande desenvolvimento à ginástica e outros exercícios físicos (…) e demonstrou, contra a expectativa de quem não conhecia o assunto, que a própria aplicação literária dos alunos, ao contrário de

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prejudicada, era por ela favorecida.» Fruto da doutrina de Morais Sarmento, a partir de 1901, os alunos, para além das disciplinas normais do seu curso, tinham também: - Ginástica, para todos os anos. - Esgrima de baioneta e jogo de pau, para o 4ºano. - Esgrima de florete e sabre, para o 5º, 6º e 7ºanos. - Equitação, para o 6º e 7ºanos. - Instrução de Cavalaria, para o 5º, 6º e 7ºanos. - Escola de Instrutores, para o 7ºano. - Táctica de Infantaria, para o 1º, 2º, 3º e 4ºanos. - Tiro ao alvo, para o 5º, 6º e 7ºanos. - Dança, para o 4º, 5º e 7ºanos. - Música, para voluntários. Para que todo este programa pudesse ser desenvolvido, foi organizado um vasto ginásio ao ar livre, com um pórtico, mastro com cordas, barra fixa, paralelas, espalier, etc.. A parte central do ginásio foi coberta de cimento, para efeitos de patinagem, velocipedia e ginástica sueca. Foi ao mesmo tempo adaptada uma velha casa a ginásio coberto, para quando chovesse. Era verdadeiramente uma educação integral que se praticava no Colégio, proporcionando aos seus alunos uma sólida formação literária, uma preparação física fora de comum para a época, a par de uma elevada formação moral. Foi pois neste cadinho que se deu a formação de Óscar Monteiro Torres, que na sua curta vida muito honrou o seu Colégio, vivendo de acordo com os princípios que aí lhe foram incutidos. Como foi inicialmente referido, um dos factos notáveis que ocorreram no Colégio no tempo em que Óscar Monteiro Torres foi aluno, foram as comemorações do primeiro centenário do Colégio. Os festejos estenderam-se por três dias. No primeiro dia, a 1/3/1903, ocorreu um jantar de confraternização de Antigos Alunos no refeitório do Colégio. Neste jantar foi decidido criar uma associação filantrópica para acorrer aos Antigos Alunos e viúvas de Antigos Alunos em dificuldades. O general Morais Sarmento, director do Colégio, foi ele próprio o primeiro presidente da direcção desta associação, antecessora da actual Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar.


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Homenagem a Óscar Monteiro Torres

elementos. Um dos componentes desta orquestra, criada em 1901, era Óscar Monteiro Torres. No terceiro e último dia das comemorações, a 3/3/1903, celebrou-se de manhã, na igreja da Luz, uma missa por alma de Teixeira Rebelo, à qual compareceu todo o Batalhão Colegial. À tarde, no ginásio descoberto recentemente construído, realizou-se um festival desportivo variado, que incluiu ginástica sueca, lutas de tracção, saltos em altura com trampolim e à vara, patinagem, esgrima, equitação e canto Óscar Monteiro Torres 228/1900 Oficial do Exército, 1º Piloto Aviador Português morto em combate na Grande Guerra coral. À noite deu-se uma repetição do espectáculo No segundo dia, a 2/3/1903, as cerimónias ofi- da véspera, dado que, devido à pequena diciais das comemorações iniciaram-se à tarde, mensão do teatro, nem todos tinham tido a com a presença de El-Rei D.Carlos, que fora em oportunidade de o ver. criança Comandante de Batalhão Honorário do Real Colégio Militar. As cerimónias principia- Concluído o seu curso no Colégio Militar em ram com uma sessão solene de distribuição de 1906, Óscar Monteiro Torres assentou praça prémios aos Alunos com as mais elevadas clas- no Regimento da Cavalaria nº 2, Lanceiros sificações. Óscar Monteiro Torres recebeu um de El-Rei, com licença para os estudos prelouvor pelo seu Procedimento Moral. Seguiu-se paratórios de admissão à Escola do Exército, uma cerimónia de transcendente significado, onde ingressou de seguida. Concluiu o seu que foi o descerramento, pelas mãos do próprio curso de Cavalaria em 1909, ao que se seRei, de um busto do Fundador do Colégio, Mare- guiu o tirocínio na Escola Prática de Cavalachal Teixeira Rebelo, no átrio da entrada princi- ria em Torres Novas. pal do edifício do Colégio. O busto ainda hoje lá Durante o seu tirocínio, como aspirante a ofiestá e, passado mais de um século, o Batalhão cial de Cavalaria, fez parte do grupo de adepColegial sempre que passa por diante do busto tos das actividades equestres, que fundou a presta-lhe continência, como ficou determinado Sociedade Hípica Portuguesa, a 23 de Março naquele longínquo dia do seu descerramento. À de 1910, ainda no período da Monarquia. noite deu-se um espectáculo no teatro do Colé- Óscar Monteiro Torres foi o sócio fundador gio, ao qual assistiu o Ministro da Guerra, tendo nº 16. A Sociedade Hípica não estava então o teatro recebido então a designação Teatro instalada no Hipódromo do Campo Grande, D. Luis Filipe, que ainda hoje mantém. O es- para onde transitou apenas em 1930. Na pectáculo incluiu declamações, representações altura os seus concursos hípicos eram realiteatrais e momentos musicais diversos, sendo zados no hipódromo da Palhavã. Admitimos totalmente protagonizado pelos alunos, incluin- que a paixão de Óscar Monteiro Torres pelos do a Orquestra Colegial com cerca de trinta cavalos lhe tenha sido incutida, como a tan-

tos outros, no Colégio Militar. Foi promovido a Alferes em Novembro de 1910, após a implantação da República, sendo promovido a Tenente um ano mais tarde. Em Dezembro de 1911 parte em comissão de serviço para Angola. Dois anos volvidos, em Dezembro de 1913 regressa à Metrópole, indo servir num regimento da sua Arma. Filia-se então no Partido Unionista, que abandonaria pouco depois. Após o início da 1ª Guerra Mundial, em Agosto de 1914, houve uma grande divisão de opiniões na sociedade civil portuguesa e no seio das Forças Armadas, quanto à eventual entrada de Portugal no conflito. Óscar Monteiro Torres era defensor da entrada de Portugal na guerra. Quando em Outubro de 1914 se pôs a hipótese de Portugal enviar um Corpo Expedicionário para França, o que só viria a ocorrer três anos mais tarde, em 1917, Óscar Monteiro Torres ofereceu-se como voluntário para o mesmo. Em Janeiro de 1915, na sequência do «Movimento das Espadas», Óscar Monteiro Torres exila-se em Inglaterra, sendo dado como desertor. Em Inglaterra oferece-se para combater integrado nas forças inglesas, o que não chegou a ocorrer. Com a deposição do General Pimenta de Castro, regressa a Lisboa, onde chega a 14 de Maio de 1915. A posição defendida por Óscar Monteiro Torres de participação de Portugal na guerra, deu origem a uma acesa troca de argumentos nos jornais com Cristóvão Ayres de Magalhães (filho), também ele militar, que era contra a beligerância. Esgotados os argumentos nos jornais, os dois oponentes enfrentaram-se em duelo, em Junho de 1915. A arma escolhida foi o sabre, o local escolhido para o duelo foi a estrada da Ameixoeira, então nos arrabaldes de Lisboa. O local do duelo era suposto manter-se secreto, mas rapidamente foi do domínio público, acabando por ter numerosa assistência, segundo a imprensa da época reuniram-se 63 automóveis no local. Nos primeiros assaltos Ayres de Magalhães é atingido várias vezes. Ao sétimo assalto é atingido no antebraço, ficando a sangrar com uma ferida de 6 centímetros


Homenagem a Óscar Monteiro Torres

de comprimento. Os médicos suspendem o duelo, que é dado por terminado com honra para ambas as partes. Ayres de Magalhães e Óscar Monteiro Torres acabam por participar na guerra. Ayres de Magalhães regressou com vida e condecorado. Óscar Monteiro Torres morreu de ferimentos recebidos em combate aéreo. A descendência directa de Óscar Monteiro Torres foi toda feminina, tendo porém a sua família continuado ligada ao Colégio. Foram Alunos do Colégio Militar o seu sobrinho, José Augusto Henrique Monteiro Torres Pinto Soares (1/1930) e o filho deste, Duarte Nuno Ataíde Saraiva Marques Pinto Soares (44/1953), ambos Coronéis do Exército. O Colégio Militar não esquece Óscar Monteiro Torres. O seu nome está perpetuado na lápide de homenagem aos mortos da Grande Guerra, situado no átrio de entrada do Colégio. O seu espólio, em que se inclui o colar da Ordem da Torre Espada do Valor, Lealdade e Mérito, cedido ao Colégio pelos seus sobrinho e sobrinho-neto acima citados, encontra-se no Museu Colegial. O modo como Óscar Monteiro Torres pereceu, deu origem a que o seu nome passasse a integrar a toponímia de ruas em várias cidades e vilas portuguesas, sendo a mais conhecida a Avenida Óscar Monteiro Torres, em Lisboa, na zona do Campo Pequeno.

Cerimónia no cemitério do Alto de S. João.

Imposição do brevet pelo Presidente da República.

Cerimónia do dia 22/11/2017. No dia 22 as cerimónias desenrolaram-se em Sintra na Academia da Força Aérea, ao que se seguiu, nas instalações do Museu da Força Aérea, também em Sintra, a inauguração de uma exposição intitulada «Major Piloto-Aviador Óscar Monteiro Torres (1889-1917). Cavaleiro do Ar».

Barretina e brevet impostos na urna.

Luis Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957

Exposição evocativa no Museu do Ar, em Sintra.

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Prémios Barretina 2017

Prémios Barretina 2017

Fundamentos da atribuição dos Prémios e apresentação dos Agraciados

Pedro Miguel Gonçalves Afonso (503/1986) "PRÉMIO BARRETINA - COLÉGIO MILITAR NO MUNDO"

P

edro Afonso tem a seu cargo a liderança e a estratégia de desenvolvimento das operações Axians em Portugal, Angola, Moçambique, e em alguns mercados europeus (Comissão Europeia e Instituições Europeias e Internacionais). Enquanto CEO da AXIANS Portugal, tem assento no Strategic Comittée South Europe da Axians, e integra o Board da VINCI Energies Portugal. Com um percurso de 18 anos no sector das Tecnologias de Informação e Comunicação, Pedro Afonso foi Membro da Comissão Executiva da Novabase SGPS, Director Geral da Novabase Infrastructures and Managed Services, liderou a divisão de Digital TV do grupo onde foi responsável pela sua transformação, tanto em Portugal como a nível internacional, tendo também liderado o seu processo de fusão e aquisição, foi administrador de várias empresas da Novabase, tendo iniciado a sua carreira na Octal, Engenharia de Sistemas.

Tem 41 anos, 3 filhos e é casado, é licenciado em Engenharia Informática e de Computadores, com especialização em Sistemas Computacionais pelo Instituto Superior Técnico, Advanced Management Program pela Universidade Católica Portuguesa, MBA em Marketing pela Universidade Católica Portuguesa e Formação em Entrepreneurship for Venture Capital e Design Thinking pela Universidade de Stanford, Califórnia. Fiel, cultivador e difusor dos valores do Código de Honra dos Alunos do Colégio Militar, tem pautado a sua vida profissional ao longo dos últimos dezassete anos por uma conduta de excelência, rigor, determinação e inteligência que o distingue entre pares no meio empresarial tecnológico nacional e internacional. Atingiu em 2017 o cargo de CEO da Axians, num dos maiores grupos empresariais do mundo VINCI. A sua modéstia e sobriedade, própria de um “Menino da Luz”, têm-no mantido reservado do conhecimento da grande maioria da nação colegial. A nomeação para esta distinção serve para divulgar a expressão da excelência da formação académica, social, cívica e acima de tudo dos valores do Colégio Militar, servindo também de exemplo e motivação para as gerações mais novas de Alunos e Antigos Alunos Alunos. Pedro Afonso cresceu profissionalmente a pulso, fruto de muito trabalho, competência e mérito, sempre alicerçado nos Valores que

lhe foram incutidos no Colégio. Essa educação, a nossa educação, é a principal herança que os pais lhe proporcionaram. A família do Pedro não tem qualquer ligação ao mundo empresarial, o Pai é agente da PSP aposentado e a Mãe sempre foi doméstica, família humilde, mas que em conjunto com a “família” colegial, ajudou o Pedro a tornar-se um exemplo para a sociedade. O seu amor ao Colégio Militar e a exaltação dos Valores estão presentes diariamente na sua vida, desde a inseparável barretina na lapela à utilização de imagens e exemplos do Colégio em intervenções públicas, palestras ou artigos de opinião. A liderança pelo exemplo não é uma forma de liderança, é a única! É-lhe atribuído o “Prémio Barretina – Colégio Militar no Mundo”. Entrega o Prémio António Luís Henriques de Faria Fernandes (454/1970), 1º Secretário da Assembleia Geral. Nota da Redacção A apresentação dos Prémios Barretina 2017 foi feita na Zacatraz nº 209, de Outubro/Dezembro 2017. Por lapso, foi omitida a apresentação relativa ao premiado Pedro Miguel Gonçalves Afonso (503/1986). Rectificamos esse lapso, pedindo desculpa pelo incómodo causado.


Notícias da Delegação do Norte

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Notícias da

Delegação do Norte 99º Aniversário

do Armísticio da Grande Guerra na Cidade do Porto

A

cerimónia comemorativa do 99º aniversário do armistício da Grande Guerra que teve lugar na cidade do Porto, ocorreu no passado dia 14 de Novembro de 2017. A cerimónia teve lugar na Praça Carlos Alberto, tendo sido da iniciativa do Núcleo da Liga dos Combatentes no Porto e do Comando de Pessoal do Exército sediado na cidade. Esta cerimónia foi antecedida por uma missa de sufrágio pelos combatentes falecidos, que teve lugar na igreja dos Carmelitas. A cerimónia foi presidida pelo Director de Administração de Recursos Humanos do Exército, Major-General Pereira de Melo, em representação do Vice-Chefe do Estado- Maior do Exército. Estiveram representadas, para além das entidades militares, a delegação do Porto da Associação dos Deficientes das Forças Armadas, o Comando Metropolitano do Porto da Policia de Segurança Pública, a Junta de Freguesia do Centro Histórico da cidade do Porto, a Câmara Municipal do Porto e a Assembleia Municipal do Porto. Esteve também presente o Cônsul Britânico na cidade. A nossa Associação esteve representada por Bruno Pinto Basto Soares Franco (281/1970) da nossa Delegação Norte, que à semelhança das outras entidades presentes depôs uma coroa de flores na base do monumento aos combatentes da Grande Guerra.


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Notícias da Delegação do Norte

Natal Nortenho

O

Jantar de Natal de 2017, da Delegação do Norte da nossa Associação, teve lugar no Porto, como habitualmente, mas um pouco mais cedo do que aquilo que é usual, ou seja, a 11 de Dezembro. A representação da Associação foi protagonizada pelo Presidente do Conselho Supremo, Martiniano Nunes Gonçalves (9/58), pelo Presidente da Direcção, José Eusébio Pereira Barata Cordeiro Araújo (591/73), pelo Vice-Presidente do Conselho Supremo, Bernardo Manuel Diniz de Ayala (171/53) e pelo signatário, na sua qualidade de Chefe da Redacção da ZacatraZ.

À semelhança do ocorrido nos últimos anos, o jantar teve lugar nas magníficas instalações do Oporto Cricket and Lawn Tennis Club, muito «british» instituição da «Invicta», em que logo que se transpõe o portão da entrada da quinta onde se situa o «club», se passa a circular pela esquerda, como determina o código da estrada aplicado aos territórios do «Império Britânico». O evento foi organizado, com a eficiência habitual, pelo chefe da nossa Delegação Norte, o incansável e eficiente Bruno Pinto Basto Soares Franco (281/70), o «TOFA», que nos recebe sempre de forma fidalga, como é timbre das gentes do Norte. O convidado de honra deste ano foi o Comandante do Comando Territorial do Porto da Guarda Nacional Republicana, Coronel Victor Carlos Mesquita Fernandes, que no final do jantar usou da palavra, tendo feito referências muito elogiosas ao nosso Colégio, que calaram fundo em todos os Antigos Alunos presentes. Há também a assinalar o facto deste ano o «amarelo» não ter feito parte da ementa, dada a dificuldade tida pelos cozinheiros estranhos ao Colégio em acertar com a consistência e o sabor «sui generis» daquela iguaria colegial. Em lugar do «amarelo», saíram uns filetes de pescada, que foram devidamente apreciados pelos comensais.

Para além do organizador e dos «sulistas» anteriormente referidos, estiveram presentes os Antigos Alunos seguintes: Luis Augusto Nunes de Almeida Bandeira (236/1945), António Rui Prazeres de Castilho (147/1948), José António Campos Rezende dos Santos (23/1949), José Alberto da Costa Matos (96/1950), José Manuel Simões Ramos de Campos (319/1950), Jorge Manuel Morais da Silva Duarte (153/1951), Luis Manuel Ferraz Pinto de Oliveira (138/1954), António Manuel Adão da Fonseca (286/1957), António Norton de Matos do Carmo Pereira (522/1959), Armando Nuno Saraiva Valente Perfeito Canelhas (591/1961), António Carlos Pacheco Lobato de Faria (373/1960), Alfredo Filgueiras Resende (313/1961), António Manuel Pereira de Sousa Botelho (342/1961), José João Ponce Centeno Castanho (562/1961), José Júlio Costa de Moura Borges (74/1963), Jorge Fernando da Cruz Cordeiro (27/1963), Carlos Alberto da Costa Pimenta Machado (83/1963), José António Marques Salgado Lameiras (281/1963), Paulo Manuel Ferreira Lobo Fernandes (487/1966), Rui Manuel Albuquerque Soares (615/1966), José Manuel da Silva Pinto dos Reis (100/1967), Gualter Manuel da Mota Santos (229/1969), José Manuel Sanches Roma Moreira Lobo (572/1969), António Jaime Tavares Coutinho Lanhoso (176/1971), Guilherme Eduardo Lickfold de Novais e Silva (488/1971), Pedro Manuel Santos Lestro Henriques (200/1973), Agenor Guerreiro Ranhada Rolo (199/1974), José Eduardo da Costa Silva Pereira (391/1974), Augusto José Ferreira de Matos (688/1974), Luis Miguel da Silva Esteves (453/1983), Nelson José Cordeiro Cajão (496/1984), Marcos Nuno Alves Faceira Teixeira (232/1985), Amândio Emanuel Lopes Ribeiro (368/1993) e Francisco José Castro Martins (409/1993). Foram cerca de quarenta os comensais, constituindo um conjunto de peso. Constata-se que o número de Antigos Alunos presentes

entrados para o Colégio após 1974 foi apenas de cinco, o que diz algo acerca das mudanças entretanto ocorridas no País e no Colégio. Cada vez menos as pessoas do Norte mandam os seus filhos estudar para o Colégio. Por lapso, não foi este ano tirada qualquer fotografia do evento. Esperamos que para o ano tal não aconteça, pois estes momentos de camaradagem e convívio merecem ficar registados fotograficamente para a posteridade. Foi uma boa jornada de confraternização Colegial. Parabéns ao «TOFA» por mais esta iniciativa. Luis Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957


Apontamentos do Passado

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Apontamentos do Passado João Nuno Ribeiro Ferreira Barbosa 16/1956

Excursões, botas e vinho às refeições

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emexendo na memória lembrei-me de mais umas coisas que marcaram uma época e a nossa vida no Colégio nos anos cinquenta do século passado. São pequenos factos e situações que hoje nos fazem sorrir. Nesse tempo havia visitas de estudo e excursões para quase todos os anos. À medida que se ia avançando no curso as excursões eram melhores e mais longe. Eram um acontecimento ansiado por todos nós, pois permitia-nos sair para outro

ambiente e ter alguma distracção das fadigas habituais.No meu curso, se não me falha a memória, fomos no 4º ano à zona de Torres Vedras e Caldas da Rainha, no 5º fomos a Vila Viçosa, Elvas e Badajoz, no 6º fomos ao Algarve, a Palos de la Frontera e Huelva, finalmente, no 7º ano fomos a Marrocos. Esta última viagem foi num avião da Força Aérea, sendo o baptismo do ar para a maioria. Foi no sexto ano que, em visita pelo Algarve pernoitámos em Lagos, no Hotel da Meia Praia, que já não existe, e que pertencia ao pai de um aluno de um curso à nossa frente, o 387/53, João Cândido Ventura Furtado de Antas. Os quartos foram distribuídos e, qual não é o nosso espanto, quando verificamos que na porta de cada quarto estava uma etiqueta com o nosso nome e uma quadra alusiva ao Colégio. No meu caso ainda guardo a imagem que aqui se reproduz. Numa segunda pernoita no Algarve, desta vez em Montegordo, ficámos no Hotel Vasco da Gama, acabado de estrear, pertencente à família Sousa Uva que também teve vários membros no Colégio. Nestas excursões não se usava sempre a farda de saída; usávamos também a farda de cotim, a que estivesse em melhor estado e passada a ferro, com botas pretas. Isto do calçado também tem que se lhe

diga porque, imagine-se hoje, nós tínhamos o calçado feito por medida. O sapateiro vinha ao Colégio à hora de almoço e, quem precisasse de botas, tratava com ele. Punha o pé descalço num papel pardo no chão e ele, com um lápis grosso, desenhava o pé do aluno. Daí a uns tempos aparecia com um par de palhetas novas perfeitamente à medida. As botas para uso interno eram de atanado ou carneira e tinham que ser resistentes porque o tratamento a que eram submetidas era violento. Por isso raramente se usava a simples sola. Optava-se por solas de pneu, por botas cardadas ou, ainda, por travessas à futebolista. As de pneu eram as mais resistentes e evitavam os estoiros provocados pelas escorregadelas nos gerais e nas escadas. Havia ainda opção por botins “à mexicana”, que era um modelo mais sofisticado. São estes apontamentos e troca de informações que tornam pitorescas as conversas entre várias gerações de Antigos Alunos. No último jantar do Hotel Pestana eu tinha na mesa um pequeno grupo de ex-alunos trinta anos mais novos. No decorrer da conversa mencionei o facto de, no meu tempo, haver vinho às refeições para todos do 1º ao 7º anos. Ficaram estarrecidos. Nem queriam acreditar. Mas era assim, sem problemas de maior. Se fosse hoje o ministro era demitido.


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Apontamentos do Passado

Carnaval Colegial Francisco José Gomes de Sousa Lobo 95/1952

Do Colégio Velho ao Colégio Novo

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urante anos toda a vida colegial concentrava-se em torno dos claustros. As quatro companhias estavam instaladas no interior das alas desse edifício conventual, e num prolongamento, voltado para Carnide, construído no início do século XX, infelizmente já demolido. Ao nível do r/c uma série de portas davam para as arcadas. O Gabinete do oficial de dia, a sala dos “cães”, a secretaria-geral, o Gabinete do Director, o Gabinete do Sub, a porta do balneário, a cantina escolar, a porta para o corredor da sala de armas, a porta do gabinete de Física. O refeitório era na zona onde hoje se encontra o Museu Colegial e a cozinha do outro lado do corredor de acesso ao mesmo. A varanda, com uma estrutura de ferro, hoje demolida, estava ao nível dos gerais e acompanhava as arcadas. Quando tocava à alvorada, marchávamos para o pequeno-almoço e depois formávamos à porta das aulas. Este ritual entrou em crise quando se acabou a construção do Colégio Novo. O Subdirector entendeu que os alunos deviam vir a marchar do Colégio Novo até ao Velho Colégio. Para mim, que era Comandante da Primeira, foi uma grande chatice. Os “ratas” não tinham treino nenhum, e era difícil pôr a “Primeira” a desfilar impecavelmente por ali fora, todas as manhãs e vice-versa, quando iam almoçar, ou para os novos gerais, quando terminavam as aulas ao fim da tarde. Acontecia que o “sub” se colocava junto ao caminho que ligava o Colégio Novo ao Colégio Velho, entre as sebes do jardim, para ver como a malta marchava. Claro que todos os dias me chateava a mona, dizendo que a Primeira Companhia estava a marchar mal! Lá punha eu aqueles desgraçados, depois de jantar, a dar ao coco, intercalando pares de ratas,

com pares de alunos do 2º ano, que não achavam graça nenhuma ao sistema que eu tinha improvisado. Era muito novo e pensava que a malta com onze anos tinha pachorra para me aturar! Não sei durante quanto tempo durou aquela treta de vir a marchar do Colégio Novo para o Colégio Velho. Aqui há tempos, quando fui ao Colégio, a uma reunião de curso, constatei que os alunos vinham calmamente destroçados para as aulas. Haja Deus! Vários edifícios notáveis foram demolidos, com a renovação das instalações. Os pavilhões de Ciências e de Desenho são os que mais lamentamos. Vários rituais, desde o banho do Artur, à malta na varanda dos claustros a assistir aos cães, a entrar pela manhã, cheios de pressa, para se fardarem, foram à vida! Sentimos várias ausências! Naquele tempo havia um gabinete fotográfico, orientado pelo Capitão Nuno Cordeiro Simões, um sonhador, ex-aluno do Colégio, que era um homem muito dedicado e que procurava estar próximo de nós. Passávamos noites a revelar fotografias, era uma loucura. Comprávamos o papel fotográfico, na Filmarte, que era na rua do Ouro. Foi no Colégio que aprendi a ser “fotógrafo”! O entusiamo era tal que por vezes ficava ao fim de semana a fazer fotografia ou a jogar hóquei em patins. Nesses dias, o “Simões” que era ainda solteiro, convidava-me sempre para almoçar numa tasca, que havia no Largo da Luz. A ementa era sempre a mesma, bife com batatas fritas. Lembro-me que um dia no meu quarto ano estava muito chateado, deitado na camarata, em cima da coberta da minha cama porque tinha tido uma negativa. O Simões viu-me com aquele ar chateado e disse-me “então moço, tenha calma.”

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ctualmente as saídas dos Alunos do Colégio para ir passar o Natal, o Carnaval ou a Páscoa com as suas famílias constituem factos inquestionáveis. No entanto, as coisas nem sempre se passaram assim. A prová-lo está, por exemplo, uma determinação saída na Ordem de Serviço de 8 de Fevereiro de 1831, em que se determinava como se devia «brincar ao carnaval» no Colégio. Era o seguinte o teor de tal determinação: «Nos últimos 3 dias de Carnaval, depois da Missa de Domingo, todos os Colegiais entregarão os seus «bonés» na Arrecadação e poderão vestir-se com o «fato» mais ordinário que tiverem para poderem brincar «em razão da sua idade» advertindo-se que a brincadeira não será com água nem pós e sem máscara, tendo muita atenção em não se maltratarem uns aos outros, nem praticarem com autoridade ou qualquer pessoa desatenção alguma.» A Redacção


Homenagem ao Colégio Militar e a Professores do Curso 1948-1955

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Homenagem ao Colégio Militar e a Professores do Curso 1948-1955 Professor Dr. Jaime da Silva Mota so dr. Jaime da Silva Mota. Sendo extremamente exigente, era também muito próximo, conseguindo uma relação amistosa com todos. Há casos, que nos marcaram e ainda hoje retemos. “O caso da semana”, redacção semanal, a que nos obrigava, para aperfeiçoar a prosa. Fixar a descrição de determinadas noções, que continuam na nossa memória. No Latim, língua morta, mas essencial para bem conhecer o português, chegava ao ponto de ensaiar a conversação. Se hoje bem escrevemos, muito devemos ao Mota. Para ilustrar a sua estatura de professor, ligado aos seus alunos, recordo a última aula. No final, comovido, fez questão de, seguindo a caderneta, chamar, um a um, todos os seus alunos, pelo seu nome completo. Era a despedida…

25 anos de saída do Colégio (Abril de 1980). Aula simbólica dada pelo Prof. Dr. Capitão Mota.

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ara esta homenagem recorremos ao texto de três camaradas do curso, Luís Mendes de Almeida (LMA), Manuel Barão da Cunha (MBC) e Pedro do Canto Lagido (PCL): LMA: A qualidade, no ensino, consegue-se, naturalmente com a colaboração do aluno e instalações bem equipadas, mas sobretudo com bons professores. Tivemos o privilégio de viver o Colégio, considerado uma referência, se “ranking“

houvesse, certamente estaria no “top”, o que se manteve, julgo, até que a escolha dos docentes deixou de estar nas mãos da direcção. Sendo uma escola cara, se não houver qualidade, é pertinente perguntar, manter, subsidiando, uma instituição, cujos objectivos originais foram substancialmente alterados. Só para obedecer à moda da igualdade dos géneros, parece pouco… A qualidade, repito, consegue-se com bons professores. Um bom exemplo a recordar é o saudo-

MBC: “literatura portuguesa é o conjunto de documentos, escritos originariamente em Português, em prosa ou em verso, capazes de produzirem no leitor uma emoção estética, quer pela excelência da ideia, quer pela beleza dos elementos formais.” Esta definição foi-nos ensinada pelo grande mestre dr. Jaime Pinto da Silva Mota, nosso professor de Português, no Colégio Militar, do 1º ao 7º ano, em 1948/55, e também de Latim do 4º e 5º ano, 1951/53. Serviu-me em várias ocasiões para fundamentar pareceres no júri de prémios literários e de artes plásticas. Ainda me socorro dela atualmente no trabalho de coordenador editorial, em regime de voluntariado.


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O Mota, “veículo distribuidor de carolos ao domicílio”, como chegou a ser conhecido, tenente miliciano e capitão e dr. Jaime Mota foi dos mestres que mais nos marcou. Provavelmente sem ele não desempenharia tarefas de coordenador editorial, revisor, autor e organizador de livros… Foi, de facto, um grande pedagogo, mui exigente. A maioria dos seus alunos hoje redigem bem. Compensava o rigor, sabiamente, com o humor. Não punha o assento tónico na memória, pelo que o pouco que nos obrigou a decorar ficou retido, até agora, pelo menos, em parte, como a já referida definição de Literatura ou ”D. Beltrão: Quedos, quedos cavaleiros que el-rei manda contar; contaram e recontaram e só um lhes vinha a faltar; era esse D. Beltrão, tão forte no batalhar; nunca o acharam de menos, se não naquele contar” PCL: Nunca consegui atingir o nível “bom” com o

professor Jaime Mota mas considero que o seu ensinamento foi estruturante na nossa maneira de pensar e comunicar e isso mesmo lhe afirmei numa carta que lhe escrevi muitos anos depois de ter saído do Colégio Militar, isto no âmbito temporal de uma homenagem que o nosso curso tomou a iniciativa de lhe dedicar. Entre os múltiplos aspectos do seu ensino e do seu convívio connosco saliento os seguintes: - Ensinava com rigor e exigência, mas mantinha um clima de elevado interesse, a que não faltava, muitas vezes o humor. - Desenvolveu em nós, a capacidade de escrever, conduzindo-nos a relatar as nossas experiências, sentimentos e exercitando a nossa criatividade. - Introduziu-nos ao conhecimento vivo e exercitado das regras gramaticais.

- Demonstrou-nos a derivação das palavras portuguesas da sua origem latina, através do conhecimento das regras de acrescentamento e supressão de sílabas, ou letras, das palavras latinas que as originam, até se chegar à palavra portuguesa actual. Explicitou, também, a importância do grego na origem de muitas palavras portuguesas, nomeadamente termos científicos. - Deu-nos o conhecimento de textos e autores da literatura portuguesa, mas também alguns autores fundamentais da literatura clássica e renascentista. - Revelou-nos que em cultura literária é preciso uma abordagem multilateral, é preciso estar preparado mentalmente para a controvérsia e opinião diferente para se poder apreciar a excelência da ideia e a beleza dos elementos formais. - Foi um verdadeiro mestre de cultura.

Professor Dr. Carlos Manito Torres

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ra um professor muito exigente, austero, disciplinador, pouco demonstrando as suas emoções e afeições. Ele próprio designava as chamadas orais que programava, em cada período escolar, de “interrogatórios”. Era difícil obter classificações elevadas nas suas provas escritas o que só acontecia com os “barras” do curso. Por outro lado, os alunos que seguiram para cursos superiores de, engenharia, economia, ciência e dum modo geral todos aqueles que tiveram de utilizar a matemática na vida profissional, reconhecem a preparação que lhes foi dada pelo dr. Manito Torres. Não só a preparação matemática, mas a preparação para “vencer o difícil”. Devemos-lhe os conhecimentos matemáticos que ainda hoje perduram, como saber “pôr um problema em equação”, e saber resolvê-lo; sólidas bases de álgebra, geometria, trigonometria, análise combinatória e os conhecimentos básicos de cálculo diferencial e integral que nos permitiram nos cursos superiores estarmos aptos a aprender cálculos mais complexos. O dr. Manito Torres criou, no Colégio, um laboratório psico - técnico de orientação profissional, em 1955, no qual os alunos do 7º ano realizaram testes vocacionais.

10 anos de saída do Colégio. Foto com os sucessores, oficiais e professores.


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Professor, Maestro Jaime da Silva

O maestro Jaime Silva regendo o Orfeão Colegial.

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niciou a actividade no Colégio em Novembro de 1947, tomando desde logo conhecimento que havia uma lacuna no ensino da música e recorrendo a um documento de uma palestra sua a que tivemos acesso, estabeleceu como seus objectivos, o ensino básico da música, promoção do gosto pela música e criar o orfeão do Colégio. Já nessa altura era um experiente maestro e executante musical e trabalhando na Emissora Nacional. Era uma pessoa enérgica, assertiva e de natural autoridade. Logo foram instituídas as aulas de Canto Coral e começou a selecção de vozes e os ensaios do orfeão. Primeiramente, criou o orfeão com alunos do 1º ciclo que com apenas 84 alunos, pela primeira vez, actuou no dia 3 de Março de 1948, na Igreja de São Domingos, em Lisboa. Ainda, nesse ano de 1948, começou a organizar a discoteca do Colégio e começaram os almoços concerto, uma vez por semana, à quarta- feira e que eram constituídos por 15 minutos de música clássica e 15 minutos de música “recreativa” ( como ele designava a música ligeira). Os discos eram pedidos pelos alunos, cujos números vinham explícitos no

programa que era entregue no refeitório. Para avaliar do alcance pedagógico e do interesse suscitado, pelos alunos, de 1948 a 1955 os pedidos de discos mais do que duplicaram. Logo pouco depois o batalhão colegial passou a ter um orfeão com 175 alunos que sistematicamente passou a actuar no dia 3 de março, na Igreja de S. Domingos e também na festa final do ano. No ano de 1950, com a deslocação a Madrid do batalhão colegial, houve muitos ensaios do orfeão e muito trabalho de preparação para a exibição pública em Madrid que ocorreu no Teatro Madrid, em 20 de Junho de 1950, com total êxito e aplauso do público presente. Ocorreu, também uma segunda exibição na Igreja de S. Francisco El grande. A partir daí o progresso foi constante e no ano de 1955 o orfeão tinha 300 alunos. Tudo isto devemos ao maestro Jaime da Siva que pela sua competência profissional, determinação e autoridade, amor ao colégio e aos alunos, soube introduzir, a música, e criar o seu ensino e prática, como uma grande valência do já multifacetado projecto educacional do Colégio.

Jaime da Silva foi um dos educadores daquele tempo que “fez a diferença”. Ainda para realçar a personalidade do maestro Jaime da Silva, dois testemunhos do nosso camarada de curso e comandante de batalhão, Luís Mendes de Almeida: - quando no final do ano de 1955, quando acabámos o curso colegial, na festa final quando actuava o orfeão, a certa altura, o maestro chamou o Luís para reger o orfeão. - quando em 1965 festejávamos os 10 anos de saída do colégio e convidávamos professores nossos a participar, ficou o Luís encarregado de telefonar ao maestro, quando o maestro atendeu o telefone, ainda antes do Luís se apresentar, logo lhe reconheceu a voz, dizendo “ tu és o 285!” Passados 70 anos da sua entrada no Colégio, obrigado professor e maestro Jaime da Silva ! Luis Gonzaga de Castro Mendes de Almeida 285/1948

Manuel Júlio Matias Barão da Cunha 150/1948

Pedro do Canto Lagido 330/1947


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Os Fâmulos e outras figuras do nosso tempo

José Maria de Avilez Corrêa de Sampaio 367/49

Os Fâmulos e outras figuras do nosso tempo

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ema inesgotável, rico e apaixonante, a justificar artigos, notícias, tertúlias, reuniões, romagens e almoços sem fim, intensamente vivido e discutido ao longo de 214 anos, do absolutismo à geringonça, do machismo latino à igualdade de géneros, de Domingos Bom Tempo ao Tony Carreira, do Império ultramarino às Berlengas, o Colégio Militar a tudo sobreviveu, sendo definitivamente um “case study” dos estabelecimentos de ensino em Portugal e, atrevo-me a aventar, no mundo. Nos idos de quarenta, quando este curso iniciou a sua caminhada de meninos da Luz, ainda no edifício antigo, as paredes de pedra escorriam água, as correntes de ar faziam jus às portas e janelas cheias de folgas e os ratos não se coibiam de organizar incursões

regulares às camaratas, à cata de bolama e de uma ou outra orelha mais tenrinha. Os tempos mortos no fim do dia e os recreios em dias de chuva, que se pretendiam serenos e retemperadores, eram passados nos gerais das companhias em renhidos jogos de pingue-pongue e de futebol, numa confusão de empurrões, gritos e impropérios, a desanuviar das múltiplas tarefas diárias vividas em infindáveis formaturas a seco ou a toque de caixa e corneta de afinação duvidosa.

de Dickens, do que de um estabelecimento de ensino de excelência, que tinha/tem como desígnio formar elites para servirem o país... Mas para nós, sabe-se lá porquê, nem o regime de internato, nem o desconforto do sítio incomodavam... era tudo um entusiasmo, uma maravilha!

Da provação das alvoradas geladas nos invernos rigorosos, aos calores atabafantes no tempo dos cinco estudos, tudo ao natural; sem aquecimento central ou qualquer outro, nem ar condicionado.

Mais uma achega ao mistério, à dificuldade em explicar o como e o porquê do irrefutável sucesso deste projecto de enorme visão e despudorada ambição, que se mantém vivo e actual, resistindo a pressões, invejas e cobiças de uma sociedade cinzenta e esquisita, profundamente hostil à procura de excelência nas coisas e nas gentes.

Uma imagem feita realidade, mais próxima dos reformatórios tenebrosos dos romances

No editorial do último número da ZacatraZ, de autoria do presidente da nossa Associação,


Os Fâmulos e outras figuras do nosso tempo

Revejo-me nelas, mas em boa verdade, acho que cada um de nós terá a sua própria explicação para este inesgotável ensaio sobre o amor – amor ao colégio, amor à pátria, amor à malta, à tradição velha de 200 anos - que nos foi dado viver e partilhar, de ratas até à cova... Uma aventura que traz com ela não só os alunos, mas todos os que servem o Colégio - direcção, professores, oficiais, sargentos, praças, fâmulos e roupeiras. – E é precisamente sobre os fâmulos e as roupeiras que me encarregaram de escrever. Mais do que justo que se lhes destaque a importância porque sem fâmulos o Colégio não funcionaria. Era assim: - a direcção dirigia, os oficiais zelavam, os professores ensinavam, os alunos estudavam, e o resto era feito pelos fâmulos, verdadeiras referências na vida do Colégio, alguns com dezenas de anos de serviço, significando um apego à causa, à casa e aos alunos que serviam, cimentado pelo orgulho de pertencerem. A relação alunos/fâmulos era, como tudo o mais no Colégio, muito especial, feito em doses certas de respeito e cordialidade. Nós, de ratas a velhões, éramos sempre os “senhores alunos”; eles, os nomes próprios ou as alcunhas por que eram conhecidos, e não me lembro de qualquer incidente menos próprio ou sequer pouco agradável, que tivesse resultado deste relacionamento singular de homens feitos com badamecos saídos dos colos das mães, ou, já homenzinhos, a transpirar importância no seu papel de graduados. Já este escrito tinha chegado aqui quando o Nano (Martiniano Gonçalves), sentado ao meu lado no último almoço mensal de ex-

-alunos da zona de Cascais (grupo Mensurado), me confidenciou que acabara de escrever um artigo precisamente sobre este tema, a sair no próximo número da ZacatraZ! Enorme coincidência que me trouxe algum alívio, porque sendo o assunto delicado, ficaria certamente muito mais bem tratada pelo Nano do que por mim. E de facto, achei o trabalho que ele me fez chegar “na volta do correio”, excelente – muito bem escrito e muito bem documentado, a sugar, desde logo, oportunidade e interesse ao meu possível contributo.

para cá um primor. Não eram umas Lolobrígidas, longe disso, mas eram muito boas pessoas e óptimas profissionais, julgo eu?! Por curiosidade, fui ver o que havia na internet sobre fâmulos...não havia nada de jeito!? Para a net, o Moca, o Velhão, o Meia-lua, o Ramalho, o Artur e todos os outros fâwmulos não existiam... Vítimas da modernidade possidónia e enganadora da actualidade, passaram todos a “técnicos” de qualquer coisa (i.e. roupeiro = técnico de equipamentos)...mais chique, talvez, mas sem a retemperadora “patine” do tempo. Abraços

Ainda assim e estando já com a mão na massa, não resisto a relembrar, entre muitas outras, as figuras inesquecíveis do Cândido – o Moca - quiçá o mais estimado -; do Cartaxo, que “servia de alto” sólidos e líquidos sem entornar uma gota de café ou sujar uma toalha; do Meia-lua, encarregado do refeitório que, achávamos nós, nos enchia de pelanca enquanto dava destinos inconfessáveis aos bifes de carne limpa que nos eram reservados; do Velhão, que se devidamente motivado, partia com um único murro qualquer tampo de mármore do laboratório de química de que era responsável; do Ramalho barbeiro, o mais castiço e grande amigo, que jogava basquete no Carnide e a pedido dava saltos mortais à retaguarda com a bata vestida e os bolsos cheios de tesouras e pentes; do Artur dos banhos, que ao comando das águas, qual almirante, empoleirado num estrado meio encoberto pelo vapor de água de dezenas de duches em funcionamento, nos atormentava com jactos de água, ora gelada ora a ferver, a regalar-se perversamente com os gritos de angustia das pobres vitimas...nós. Quanto às roupeiras, lembro-me da Cacilda e da Lisete, a quem nunca faltava uma peça da roupa recebida, num emaranhado de peúgas, cuecas, calças de cotim, camisas de trabalho, camisolas de lã, eu sei cá... tudo acondicionado em sacos de chita que iam e vinham semana a semana - para lá um caos,

O Moca.

referia-se como 3 ilustres ex-alunos explicavam, “in a nut shell”, o mistério do Colégio, a razão de ser do sucesso deste projecto que tem tido a capacidade de se adaptar ao tempo que vai passando sem pôr em causa o essencial... a sua alma consubstanciada numa palavra – SERVIR!

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Dos “Seven Summits” aos Pólos Ângelo Eduardo Manso Felgueiras e Sousa (498/1976)

Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957

Dos “Seven Summits” aos Pólos Ângelo Eduardo Manso Felgueiras e Sousa (498/1976) O GRAND SLAM No passado mês de Janeiro de 2018, o Antigo Aluno Ângelo Felgueiras atingiu o Pólo Sul, ao fim de uma caminhada de 1200 km, que durou 57 dias, em que teve de superar todo o tipo de dificuldades que uma caminhada daquela extensão e naquela zona do planeta implica. Ângelo Felgueiras já tinha no seu currículo a ascensão aos míticos «Seven Summits», as montanhas mais altas de cada um dos sete continentes, e uma caminhada até ao Pólo Norte. Com a caminhada que agora realizou até ao Pólo Sul, perfez aquilo a que os exploradores e montanhistas designam por «Grand Slam», por analogia com a designação que os tenistas dão ao conjunto dos principais torneios de ténis dos diferentes continentes do globo. Ângelo Felgueiras entrou assim no «Clube» muito restrito dos exploradores e montanhistas que alcançaram esta proeza extraordinária, um enorme feito, que enche de orgulho a comunidade colegial.

O Ângelo Felgueiras é um caso extraordinário de dedicação ao Colégio, que nunca esquece. De tal forma o Colégio está presente na sua vida, que, para além de ter confiado a educação dos seus filhos varões ao Colégio, carrega sempre consigo, nas suas expedições, a sua Barretina, fazendo questão de se deixar fotografar com a mesma, quando atinge as metas das suas expedições, como foi agora o caso ao atingir o Pólo Sul. Este facto, que pode parecer uma excentricidade, é verdadeiramente notável, tendo em atenção que os montanhistas e exploradores têm de transportar consigo tudo o que necessitam, tendo de reduzir ao mínimo o peso e o volume das cargas transportadas, para não se sobrecarregarem a si próprios. Ângelo Felgueiras já foi, por duas vezes, figura de capa de revista na ZacatraZ, o que ocorreu no número 181, de Outubro/Dezembro de 2010, quando atingiu o topo do Evereste, e no número 191, de Abril/ Junho, de 2013, quando atingiu o Pólo Norte. Em ambas as capas de revista surge com a sua Barretina, salpicada de gelo, na cabeça. Não é

qualquer Barretina que aguenta este tipo de tratamento, pelo que se presume que, ou no seu tempo de Aluno as Barretinas eram feitas de um material especial, ou que foi ele que posteriormente lhe deu um banho antigelo, conferindo-lhe uma resistência fora do comum. Será segredo seu, que não iremos aqui desvendar. De qualquer forma, Ângelo Felgueiras já por duas vezes foi figura de capa da ZacatraZ, passando a três com a capa do presente número da revista. É um feito de que nem o nosso Marechal se pode gabar! O enorme feito de Ângelo Felgueiras tem ainda um valor muito especial, dado ele não se considerar um alpinista, nem ser um desportista profissional. A sua profissão é a de piloto de linha aérea na TAP, sendo comandante de Airbus 330 e 340. Não se pode dizer porém que o seu «hobby» seja a aventura, no sentido de ser alguém que se atira à aventura para as expedições a que mete ombros. Pelo contrário, prepara e conduz as suas expedições, com o mesmo empenho e o mesmo rigor com que exerce a sua profissão de piloto.


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Cume do Vinson.

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Dos “Seven Summits” aos Pólos Ângelo Eduardo Manso Felgueiras e Sousa (498/1976)

Cume do Kilimandjaro.

Foi um princípio que interiorizou logo na ascensão do primeiro dos seus «Seven Summits», para a qual não estaria completamente preparado, como adiante se verá. Segundo disse Ângelo Felgueiras, numa entrevista que deu «Primeiro sonho, depois projecto, e então concretizo. E enquanto vou e não vou, farto-me de gozar a pensar que vou.» Ângelo Felgueiras bem cedo na sua vida mostrou que era um caso especial, em termos de iniciativa e de assunção de responsabilidades. Quando, ainda rapazito, decidiu que queria ser Menino da Luz, foi ele que se deslocou ao Colégio e aí perguntou o que era necessário fazer para apresentar a sua candidatura. Penso que terá sido um caso único.

OS SEVEN SUMMITS Como se referiu anteriormente, os «Seven Summits» correspondem às montanhas mais

altas de cada um dos sete continentes, distribuindo-se do seguinte modo: - Evereste………. 8.850m, na Ásia. - Aconcágua…… 6.962m, na América do Sul. - Denali…………… 6.195m, na América do Norte. - Kilimanjaro……5.963m, em África. - Elbrus………......5.633m, na Europa. - Vinson……………4.897m, na Antárctida. - Carstensz……….4.884m, na Oceania. Dado as chamadas Pirâmides de Carstensz, situadas na Papua, terem estado interditas pelo governo indonésio, durante dez anos, muitos alpinistas subiram, em seu lugar, à montanha Kosciusko de 2.228m, também situada na Oceania, na Austrália, vindo mais tarde a subir as Piramides de Carstensz, passando assim a ficar no seu currículo com oito em vez de sete montanhas mais altas. Ângelo Felgueiras subiu as oito montanhas. O mais jovem alpinista a subir aos «Seven Summits» completou a sua proeza em Dezembro de 2011, apenas com

15 anos. O mais velho alpinista que cometeu igual proeza, fê-lo com 74 anos. Com o aumento contínuo da esperança de vida à nascença, ainda iremos ter, qualquer dia, um octogenário a alcançar, sorridente, o topo do Evereste. O «ataque» aos «Seven Summits» não é feito por qualquer sequência obrigatória. A sequência seguida pelo Ângelo Felgueiras, que é a apresentada neste texto, foi a seguinte: Kilimanjaro, Aconcágua, Elbrus, Denali, Carstensz, Evereste, Vinson e Kosciusko. A última montanha já não precisava de fazer, mas como ele gosta de trepar, ninguém o conseguia parar. Face ao que ele já tinha feito anteriormente, esta última montanha foi uma simples passeata.

KILIMANJARO (ÁFRICA) 1997 O Monte Kilimanjaro, situado no Parque Kilimanjaro «Património da Humanidade», na


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Cume do Aconcágua.

Tanzânia, é a montanha mais alta de África (5.963 m), composta por três centros vulcânicos, Kibo, Mawenzi e Shira. A origem do nome da montanha, segundo a teoria mais comum, deriva das palavras da linguagem swahili, kilima (pequena montanha) e njaro (brilhante ou branca). No século II antes de Cristo, já Ptolomeu referia nos seus escritos uma alta montanha coberta de neve para além dos territórios conhecidos de África. A subida ao Kilimanjaro foi feita a partir de convite de amigos. O único treino que fez foi a ascensão ao Pico (2.351 m), nos Açores. Quinze dias antes da expedição não tinha material nenhum, estava completamente desequipado. Fez a compra do vestuário e equipamento à última hora, em S. Francisco, tendo comprado algum equipamento desadequado e partido sem levar uma simples máquina fotográfica. De Nairobi, onde se reuniu com os seus amigos, partiu para Arusha, onde os esperavam

os guias locais. A caminhada para a montanha foi longa, sendo os três primeiros dias feitos sob uma chuva contínua. A caminhada durou cinco dias, feita de forma aos escaladores poderem adaptar os seus organismos à altitude. A ascensão é tecnicamente fácil, mas longa e penosa pelo frio e a altitude. Foi a única montanha em que Ângelo Felgueiras sofreu do mal da altitude com vómitos e dores de cabeça. O último acampamento, antes da parte final da ascensão, foi montado a uma altitude de 4.500 m. A noite do cume foi uma excitação. A ascensão final foi iniciada de noite e com frio. Segundo o testemunho do próprio, com a caminhada a respiração tornou-se difícil, sentindo-se cansaço e falta de ar. Adoptou uma sequência de passos, paragens e respiração e por fim atingiu o cume, subindo um pequeno desnível. A descida foi mais fácil, fez-se apenas num dia. Ângelo Felgueiras ficou com vontade de lá voltar, mas acompanhado pela família.

ACONCÁGUA (AMÉRICA DO SUL) 2004 O Monte Aconcágua, situado na cordilheira dos Andes, na Argentina, é o ponto mais alto do hemisfério Sul do planeta (6.962 m). A origem do nome é geralmente atribuída às palavras akon e kahuak da língua quechua, que significam Sentinela de Pedra. A primeira subida é atribuída a Paul Gussfeldt, que foi o primeiro homem que conseguiu chegar à altitude de 6.500 m, não tendo atingido o cume devido a uma tempestade. Após a expedição do Kilimandjaro, voltar a subir montanhas não era uma prioridade para Ângelo Felgueiras. A vida dá porém muitas voltas e uma delas levou-o a trabalhar para as linhas aéreas argentinas, cedido pela TAP durante três meses. A partir daí, decide fazer uma longa jornada de bicicleta pela Patagónia, na companhia de uns amigos, surgindo


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Cume do Elbrus.

então a ideia de subir ao Aconcágua. Seguiu-se um longo período de preparação, com muito treino físico, com corrida, passeios a pé e de bicicleta por Portugal inteiro. Segundo ele «Foi um ano com passeios magníficos, em que fiquei a conhecer sítios fantásticos da nossa terra». A partida de Lisboa para esta nova expedição deu-se a 30 de Janeiro de 2004. A partida para a ascensão deu-se em Mendoza, terra que impressionou os escaladores pelo seu vinho tinto e pelos seus enormes bifes, seguindo-se Puente del Inca. A jornada seguinte levou-os a Confluencia a 3.300 metros de altitude, onde passaram duas noites para aclimatação. Seguiu-se Plaza de Mulas onde passaram quatro dias. O campo a seguir foi em Cambio de Pendiente, onde apanharam uma grande tempestade de neve. Passada a tempestade, subiram logo para Campo Berlim, o último antes do cume, a 6.000 metros de altitude, pois as reservas de água e combustível não durariam para sempre.

A montagem da tenda em Campo Berlim foi muito penosa, com frequentes tonturas, devido ao efeito da altitude. No dia seguinte dois dos escaladores não se sentiram em condições de atacar a tirada final rumo ao cume. Ângelo Felgueiras, com um só companheiro, fez a ascensão até ao cume, o que lhe exigiu dez horas de esforço. No topo do Aconcágua Ângelo Felgueiras fez-se fotografar com a barretina na mão. Encontraram aí um livro com um lápis (àquela altitude a tinta das canetas congela), onde os alpinistas escreviam as suas mensagens. Ele e o seu companheiro escreveram «no more tea, no more Tang», pois estavam fartos destas duas bebidas, que tinham andado a consumir durante três semanas. A descida até ao campo Berlim, onde chegaram exaustos, fez-se em duas horas e meia. Esta expedição deixou-o muito alterado. Segundo o próprio reconhece, devia ter ficado uns dias em Mendoza, para fazer o «desmame da montanha».

ELBRUS (EUROPA) 2005 O monte Elbrus (5.633 m), é a montanha mais alta da Europa, estando sempre coberta por neve. Situa-se na cordilheira do Cáucaso, na Rússia, perto da fronteira com a Geórgia. O nome Elbrus, dependendo da raiz da língua, significa alto, abençoado ou eterno. A primeira ascensão do monte é atribuida a Florence Crauford Grove, no ano de 1874. Nesta expedição Ângelo Felgueiras foi acompanhado por dois portugueses, um dos quais já o tinha acompanhado na expedição do Aconcágua. Chegados a Moscovo, o primeiro grande obstáculo com que se depararam foi o facto de ninguém falar inglês, o que tornou a comunicação e a obtenção de informações extremamente problemática. Depois de grandes dificuldades em Mosco-


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Cume do Denali.

vo para encontrar a estação onde deveriam apanhar o combóio para o destino pretendido, a cidade de Mineralnye Vody, acabaram por atingir esta cidade, que era apenas um objectivo intermédio. Daí seguiram de táxi, numa atribulada viagem de 200 km, feita em cinco horas, até Terskol na base do Elbrus. Seguiram depois para Asau, a base da empresa Pilgrim Tours, com a qual Ângelo contratara a escalada. A partir desta base fizeram subidas e descidas de adaptação à altitude, seguindo-se a ascensão ao topo da montanha, com escalas em Barrels Hut, a 3.600 m de altitude, e em Diesel Hut, de onde partiram às duas da manhã para a etapa final. Atingido o cume, Ângelo viu algo completamente inesperado, borboletas voando. No cume Ângelo Felgueiras repetiu o gesto já feito em Aconcágua, fez-se fotografar com a sua inseparável Barretina na mão, mas agora tendo a seu lado uma placa com algumas frases em caractéres cirílicos.

DENALI/MCKINLEY (AMÉRICA DO NORTE) 2007 O Monte Denali ( 6.195 m), é a montanha mais alta da América do Norte, situando-se no Alaska. Das suas encostas emergem cinco glaciares. A primeira menção escrita a este monte foi feita em 1794, por George Vancouver. A palavra Denali significa alto ou grande na língua dos nativos (os Koyukon). Em 1890 o apoio de um prospector ao então presidente William Mckinley deu origem ao nome Monte Mckinley, que até hoje a Direcção de Denominações Geográficas norte-americana mantém contra o desejo da população do Alaska. O primeiro homem a atingir o cume foi Walter Harper, originário do estado do Alaska. Fê-lo em 1913. A expedição ao Denali foi um ponto de viragem na vida de Ângelo Felgueiras. Foi a primeira viagem para a qual fez uma prepara-

ção específica de grande rigor, foi a primeira viagem para a qual conseguiu patrocínios (viagem patrocinada pela Groupama), foi a viagem em que decidiu fazer os «Seven Summits» e foi a viagem em que decidiu começar a «escalar por uma causa», angariando fundos para causas sociais. A preparação específica para esta viagem foi feita com um ano de antecedência, em 2006, na «AMS – Alaska Montaineering School», onde frequentou um curso de 6 dias. O curso consistia em levar os instruendos de avião para um glaciar e deixá-los lá cinco dias, durante os quais faziam tudo o que se faz numa montanha, mas em compacto, sendo a instrução dada à americana, explicando-se tudo de A a Z. Ângelo Felgueiras ficou fascinado com a região, considerou o curso fantástico e ficou com a firme determinação de subir o Denali. Denali, sendo uma montanha fisicamente dura, foi a montanha que mais marcou Ângelo Felgueiras e foi a primeira verdadeiramente


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PIRÂMIDES DE CARSTENSZ (OCEANIA) 2008

Cume das Pirâmides de Carstensz.

“a doer”. Juntamente com oito companheiros, foi largado num glaciar, para trinta dias de expedição com uma carga de setenta quilos, parte às costas parte em trenó. Os últimos preparativos para a longa caminhada/escalada que os esperava foram feitos em Talkeetna, onde acondicionaram a comida em sacos, um para cada semana, cada saco com um peso entre 2,5 e 3,5 kg. Desta base seguiram para o campo 1, a 2.370 metros, de onde passaram ao campo 2, no Below Kahiltna Pass, onde tiveram de ficar quatro dias devido ao mau tempo, o que levou a expedição a temer o pior, pois o Denali é uma montanha que raramente se sobe à primeira tentativa e viam o tempo a passar. Seguiu-se o campo 3, Motorcicle Hill, onde ficaram três dias, passando ao campo 4, a 4.300 metros, onde passaram sete noites, aproveitando para fazer a aclimatação. Se até a este campo se andou muito e subiu pouco, a partir daí passou-se a andar pouco e subir muito. No campo 4, em que era suposto

ficarem quatro dias, acabaram por ficar nove, enquanto que um grupo que antecedia o seu ficou fechado nas tendas, a maior altitude, durante noventa horas, sem conseguir fazer o cume. Foi o drama de ver o tempo a passar, já no limite da autonomia, com o combustível e a comida a acabar. Logo que o tempo melhorou subiram directamente ao campo 5, sujeitos a uma forte ventania. No campo 5 o guia disse que ou faziam o cume no dia seguinte ou teriam de abortar. A subida para o cume foi feita ainda de noite, para poderem iniciar o regresso de dia. Foram oito horas de uma dura caminhada, para serem recebidos no cume com vento e neve. A descida para o campo 5 não foi fácil, com muito frio e cansaço. A descida para o campo 4 foi feita em glória, com Ângelo Felgueiras felicíssimo por ter alcançado o cume do Denali. Esta foi a expedição mais difícil para a família de Ângelo Felgueiras. Durante um mês não tiveram quaisquer notícias suas.

Em 1623, na Papua, província da Indonésia, o explorador holandês Jan Carstenszoon avistou pela primeira vez, num raro dia sem nuvens, o brilho dos glaciares nas encostas desta montanha. Quando comunicou a sua descoberta foi ridicularizado, ninguém acreditava que fosse possível existir neve tão perto do Equador. A montanha foi então designada por pirâmides de Carstensz. Em memória a este explorador, os alpinistas ainda hoje usam esta designação. É a montanha mais alta da Oceania (4.884 m), tendo sido escalada pela primeira vez apenas em 1962, por Heinrich Harrer, Philip Temple, Russell Kippax e Albertus Huizenga. Não sendo uma das montanhas mais exigentes fisicamente, é considerada uma montanha tecnicamente difícil, devido à combinação de paredes de rocha e gelo. A ascensão a esta montanha representou um desafio novo para Ângelo Felgueiras, por incluir a escalada de uma parede em rocha de 600 metros de altura. Não sendo uma grande dificuldade para um verdadeiro escalador, era um obstáculo de monta para quem nunca tinha escalado paredes deste tipo. Recorreu na altura ao auxílio de um amigo especialista neste tipo de escalada, e fez uma preparação que durou um ano. Outro obstáculo de respeito que teve de superar nesta expedição, foi aquilo a que os montanhistas chamam uma «tirolesa», que é uma passagem suspensa em cordas. Ângelo Felgueiras considera que há dois tipos de obstáculos difíceis, que são os fisicamente impossíveis de ultrapassar e os que temos medo de ultrapassar. Como este obstáculo caía na segunda categoria, para Ângelo Felgueiras a solução é simples «é chegar e fazer». A expedição estava planeada para oito dias, foi contratada com a empresa local «Adventure Indonesia», que se revelou não ser recomendável. Era para ser feita em conjunto apenas com outro explorador, de nacionalidade francesa, com quem só conseguiria contactar já na Indonésia, em Jacarta, de onde seguiram de avião para Timika na Papua. Era suposto


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Chegados à parede de rocha, começou a ascensão da mesma, de forma laboriosa para Ângelo Felgueiras, a pôr em prática os conhecimentos recentemente adquiridos, e de forma mais expedita para o seu companheiro francês, um experimentado alpinista. Surgiu antes do cume a «tirolesa», que pôs em respeito Ângelo Felgueiras, que pensou que a iria ter de transpor duas vezes, uma à ida e outra à volta. A transposição foi feita recorrendo a todas as medidas de segurança. Transposto este obstáculo, a ascensão fez-se sem novidade. A subida e a descida levou nove horas. À hora do almoço estavam de volta ao acampamento. Tirando os obstáculos tecnicamente mais difíceis, a ascensão não teve história, apesar de se terem queimado etapas, passando-se por cima de todo o período de aclimatação. Dado os exploradores terem contratado vários dias de expedição, ainda foram subir o Ngga Pulu, o segundo pico mais alto da Oceania, situado a curta distância. O regresso foi análogo à ida, com a travessia clandestina da zona do complexo mineiro. Os exploradores vieram a constatar que a vigarice e a aldrabice eram as práticas comuns da empresa contratada. Foi uma expedição que não deixou saudades em Ângelo Felgueiras, não pela montanha em si, mas pela falta de honestidade da empresa contratada, que nunca reembolsou os exploradores por incumprimento do contrato celebrado.

Cume das Pirâmides de Carstensz.

a partir daí fazerem o percurso a pé, o que não veio a acontecer. Os guias meteram os exploradores num jipe e seguiram de noite através de terrenos proibidos de um enorme complexo mineiro de ouro e cobre, onde foram transferidos para outro jipe e disfarçados com capacetes e coletes de mineiros, viajando os jipes boa parte do tempo sem luzes, tendo andado 45 minutos dentro de túneis, até chegarem a um descampado onde os largaram, perto de Zebra Wall, que era a zona onde era suposto chegarem ao fim de cinco dias de «trekking» de adapta-

ção progressiva à altitude. Tinham passado directamente, numa questão de horas, do nível do mar para 4.200 metros de altitude, o que poderia ter causado danos físicos sérios aos exploradores. Chegados a Zebra Wall montaram-se tendas para passar a noite. Na manhã seguinte o guia escusou-se a dar explicações acerca da viagem insólita da véspera, limitando-se a comunicar que na noite seguinte iriam fazer a caminhada para o cume. A ascensão começou às duas da manhã, com o guia, grande fumador, a ter dificuldade em acompanhar os dois clientes.

EVERESTE (ÁSIA) 2010 O Evereste, a mais alta montanha do Mundo (8.850 m), situa-se na cordilheira dos Himalaias, na Ásia, na fronteira entre o Tibete e o Nepal, países que durante muitos anos estiveram fechados a estrangeiros. A sua ascensão constitui o expoente máximo a que pode aspirar qualquer montanhista. O seu nome deriva do nome de George Evereste, que foi Governador- Geral da Índia, do Império Britânico, no século XIX. Foi escalada pela primeira vez, em 1953, por Edmund Hillary


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Cume do Cho Oyu (em continência). O Evereste em segundo plano.

(que por esse feito foi nobilitado), acompanhado pelo «sherpa» (montanheiro local) Tenzing Norgay. A ascensão de Ângelo Felgueiras ao Evereste e os seus antecedentes/preparativos davam para escrever um livro, pelo que se apresentam de seguida apenas os pontos essenciais desta expedição. Aquando da subida ao Denali, Ângelo Felgueiras combinou com Vasco Neves, que aí conheceu, irem ao Cho Oyu e ao Evereste, nos Himalaias. Em 2008, surgiu a oportunidade e foram, com mais quatro companheiros,

numa expedição ao Campo Base do Everest e ao Island Peak (6.189 m) tencionando, os dois, escalar de seguida o Cho Oyu (8.201 m), como preparação para a subida ao Evereste. A ascensão ao Island Peak foi feita sem incidentes, apesar do mau tempo que encontraram. Ao chegarem ao campo Base de Cho Oyu constataram que toda a gente estava a partir do mesmo, por ter terminado a estação das escaladas. Considerando imprudente ficarem sozinhos na montanha, sem qualquer apoio de retaguarda, decidiram descer também e adiar a ascensão para o ano seguinte.

Em 2009 Ângelo Felgueiras parte de novo com Vasco Neves para os Himalaias, à conquista do Cho Oyu. Depois de alguns dias no Campo Base, a 6.400 metros, Vasco Neves é obrigado a abandonar e Ângelo Felgueiras fica sozinho com o guia. Segue para o Campo 3, a 7.600 metros. Daí arranca, à 1h30 da madrugada, com um frio tremendo, e demora oito horas e quarenta a atingir o cume, por trás do qual vê o pico do Evereste e pensa «se tudo correr bem, daqui a seis meses estou lá». Para guardar para a posteridade aquele momento emocionante, põe


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a sua Barretina na cabeça, perfila-se e faz uma continência impecável, deixando-se fotografar com o pico do Evereste por trás de si, em pano de fundo. De volta ao Campo Base, foi-lhe apresentado aquele que viria a ser o seu guia na escalada ao Evereste. De seu nome Nima Gombo, este «sherpa», um de sete irmãos conhecidos na região como os «Summit Brothers», já tinha estado catorze vezes no cume do Evereste. Seria difícil melhor escolha. Ângelo Felgueiras passou um ano a treinar-se e a mentalizar-se, a si e à sua família para o Evereste. Ao fim desse tempo fez um conjunto de testes no Centro de Medicina Desportiva de Lisboa, que determinou que estava a 96% da sua capacidade física. Estava num extraordinário pico de forma. Mesmo que continuasse a treinar, não poderia evoluir muito mais. Em 2010 arrancou com a família para o Nepal, onde, a partir de Lukla, fizeram juntos um «trekking» de 130 km. Depois de se despedir da família, Ângelo Felgueiras reúne-se a um grupo de amigos portugueses em ChuKung, entre os quais estava Filipe Novo Palma (351/1980), e empreende com eles nova ascensão ao Island Peak, como parte do seu processo de aclimatação. Chegado ao Campo Base do Evereste, lá encontrou, à sua espera, Nima Gombo e mais dois dos seus «Summit Brothers». Antes de iniciada a ascensão, passou pela cerimónia da «Puja», em que se recebe a bênção de um monge budista, sem a qual ninguém se aventura pela montanha acima. A ascensão foi feita com subidas e descidas entre o Campo Base, o Campo 1 (6.065 m), o Campo 2 (6.500 m) e o Campo 3 (7.200 m). Quando as condições meteorológicas indiciaram a possibilidade de se fazer cume, Ângelo Felgueiras saiu para o Campo 2, onde pernoitou e decidiu esperar pela confirmação da melhoria das condições meteorológicas. No Campo 3 não se pode esperar, ou se sobe ou se desce, uma espera significa uma degradação da performance física. Ao meio dia recebeu uma actualização meteorológica favorável e, apesar de ser tarde, avança, sem «sherpas», até ao Campo 3.

No dia seguinte, após a chegada dos «sherpas», avança para o Campo 4, optando nesta fase por começar a usar oxigénio. A caminho do Campo 4 encontra o cadáver de um montanhista russo que conhecera dias antes nesta expedição. Começa a encontrar-se com muitos montanhistas que estão a subir, como ele, para tentar o cume. O vento é muito forte, o cansaço, mesmo com o oxigénio, é enorme. No Campo 4 (8.000 m) há de 200 a 300 pessoas, mas nem todas para tentar o cume. São retidos neste campo por uma tempestade de vento, durante 4 dias. O vento pára, Ângelo Felgueiras agarra na mochila, começa de novo a caminhar e entra na fila dos que tentam o cume. Eram 20h45, a escuridão só era cortada pela serpente de luzes brancas que saiam dos frontais dos alpinistas. Começam as desistências e a necessidade de ultrapassar as pessoas que desistem, o que não é simples, estando todos seguros à mesma corda. A longa rampa termina em Balcony, onde todos aproveitam para descansar, aproveitando-se também para deixar para trás os mais lentos. Retoma-se a subida, sem se ter bem a noção do tempo e da distância. Vai-se andando, pondo-se maquinalmente um pé à frente do outro. Começa a clarear, distingue-se a sombra do cume, a luz do sol faz recobrar o ânimo. Chega-se ao South Summit, a 8.690 metros, ao qual se segue uma pequena descida e a caminhada ao longo de uma lâmina afiada, com precipícios de 2.500 metros para um lado e de 3.500 metros para o outro, até se atingir o Hillary Step, que é considerado por muitos como o obstáculo mais difícil antes do cume. É um desnível de 15 metros de rocha e neve, quase na vertical. Transposto este obstáculo, só algo de anormal poderia impedir Ângelo Felgueiras de atingir o cume, que foi o que conseguiu, às 7H45 da manhã, do dia 17 de Maio de 2010. Foi dos primeiros a chegar, ainda não havia ninguém a descer. O que então se passou é descrito, pelo próprio, com as seguintes palavras «Faço as fotos da praxe. Fotografia da minha família, Bandeira Nacional, Barretina do Colégio Militar, patrocinadores e amigos. É engraçada a cara dos

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outros quando me vêm tirar a Barretina do Colégio, que não é propriamente uma coisa muito pequena, e àquela altitude não é leve. Mas é o Colégio Militar e alguns percebem porquê. Cumprindo a tradição de fazer uma dádiva à montanha, pego num rebuçado Dr. Bayard e, devidamente descascado, deposito-o no ponto mais alto do planeta.» Ângelo Felgueiras desceu no dia 17 para o Campo 4, no dia 18 para o Campo 2 e no dia 19 para o Campo Base. No dia 20 estava em Namche, de onde partira dois meses antes. Segundo marcou no seu GPS, o Evereste foram 558,3 quilómetros a pé, 129.714 quilocalorias, 25.285 metros a subir e , surpreendentemente, 26.084 metros a descer. Nas palavras de Ângelo Felgueiras «subir ao Evereste é uma viagem fantástica a um pico único. Merece tudo o que já se escreveu e todo o magnetismo que lhe está associado.»

VINSON (ANTÁRCTIDA) 2011 O monte Vinson (4.897 m), situa-se na Antárctida, a 1.200 quilómetros do Pólo Sul. Foi avistado pela primeira vez em 1958, sendo o seu nome uma homenagem ao congressista norte-americano Carl Vinson, grande defensor do estabelecimento de uma base de pesquisa na Antárctida, a qual é hoje uma realidade. O clima é polar. Mesmo no verão boreal, de Novembro a Janeiro, a temperatura média é da ordem dos 30o negativos. O monte foi escalado pela primeira vez, em Dezembro de 1966, por uma equipa de dez cientistas e alpinistas, a «American Antarctic Mountaineering Expedition 1966/67». Este era o «Summit» que faltava a Ângelo Felgueiras, para perfazer os «Seven Summits». De acordo com a informação de que dispunha, não era uma montanha tecnicamente exigente, mas era uma montanha muito «longínqua», pois levar uma expedição à Antárctida é caríssimo. Era preciso dar tempo aos patrocinadores para se recomporem do esforço da «ascensão» ao Evereste. Bem po-


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Cume do Vinson (com a fotografia da família).


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deria ter tido um patrocínio dos rebuçados do Dr. Bayard, como retribuição do rebuçado que deixou no topo do Evereste. Tal como fez quando se propôs escalar o Denali, Ângelo Felgueiras decidiu fazer uma preparação específica, mas agora em ambiente polar. Contactou uma empresa norte-americana, a «Polar Explorers, the Northwest Passage», que tem um programa denominado «Polar Shakedown Training», de preparação de pessoas que querem ir ao Pólo Norte, realizado no Minnesota, na fronteira com o Canadá, no mês de Março, a temperaturas da ordem dos 40o negativos. Foi frequentar esse programa, onde foi ver se se adaptava aos skis de fundo (no Denali andou de raquetes e não de skis) e aos trenós para transportar cargas de 150 kg. Descobriu que “tinha nascido” para aquilo e que era aquilo que gostava de fazer. Descobriu também, que para ir aos Pólos os materiais dos agasalhos e dos equipamentos são diferentes dos usados em alta montanha. Por incompatibilidade de calendários com a «Polar Explorers», acabou por fazer a sua expedição com o apoio da empresa «Antarctida Logistics and Expeditions», com intermediação da primeira empresa. Como tinha feito pouca montanha naquele ano, Ângelo Felgueiras, antes de se dirigir à Antárctida, aceitou o desafio de uns amigos, que pediram o seu apoio para subirem o Aconcágua. Era uma forma de aclimatação para o Vinson. A expedição não teve êxito. Nas palavras de Ângelo Felgueiras «foi uma experiência muito intensa, porque apanhámos um dia do mais duro que já experimentei, e decidimos voltar para trás a 150 metros do cume. Foi a primeira vez que fiz tal coisa, com o cume ali tão perto……….. revelava-se imprudente prosseguir…….não estou nada arrependido. A montanha não foge e haverá outra oportunidade.» Tendo descido do Aconcágua, Ângelo Felgueiras fez uma excursão com a família pelo Sul do Chile e da Argentina, seguindo-se o voo, de quatro horas e meia, num Ilyushin IL 76, de Punta Arenas, na Argentina, para a Antárctida. Nesse voo conheceu o seu com-

panheiro de expedição, um japonês de 60 anos, grande escalador, também em demanda dos «Seven Summits». Conheceu ainda uma equipa de cientistas brasileiros, que lhe pediram para recolher amostras de solos em altitude, o que veio a fazer, dando assim um cariz cientifico à sua expedição. Aterraram numa pista de gelo gigantesca em Union Glaciar, a 29 de Dezembro. Daí seguiram, num pequeno avião Twin Otter, para o Vinson Base Camp, onde os esperava o seu guia Tim Connelly. Para aclimatação, começaram por fazer um passeio a 2.700 metros de altitude. A 31 de Dezembro foram para o Vinson Lower Camp, onde passaram o ano com gente de várias nacionalidades, que ia celebrando a passagem do ano às horas a que a mesma se dava em cada um dos seus países. Foi uma noite agitada. O primeiro dia do ano foi passado a fazer a parte mais técnica, delicada e íngreme da escalada, até chegarem ao High Camp, onde montaram acampamento. Começou então o mau tempo, com muito vento, que os obrigou a ficarem dentro da tenda. No dia seguinte o tempo melhorou e saíram para o cume, mas a meio caminho retrocederam, por o tempo ter entretanto piorado. Enquanto descem, o tempo volta a melhorar e outras expedições, entretanto chegadas, sobem e fazem o cume. No dia seguinte essas expedições descem e eles ficam sós, tendo de esperar mais um dia. Voltam a subir só os três, fazendo uma rota circular de aproximação ao cume, ultrapassam uma aresta mais difícil, continuam a subir e acabam por atingir o cume. Nas palavras de Ângelo Felgueiras «Foi uma sensação gloriosa, uma emoção fortíssima. A concretização de dois sonhos, terminar de subir as sete montanhas mais altas dos sete continentes e ir à Antárctida.» Atingido o cume descem para o High Camp, onde descansam um dia, para no dia seguinte irem escalar o monte Shinn (4.681 metros), a segunda montanha mais alta da Antárctida, situada ali perto. À volta houve vários contratempos, provocados por instabilidade meteorológica, o que afectou os voos de saída do continente, acabando Ângelo Felgueiras por chegar a casa no dia

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14 de Janeiro, para celebrar o seu aniversário no dia 15 com a família.

KOSCIUSZKO (AUSTRÁLIA) 2012 Apesar de já ter no seu currículo os «Seven Summits», Ângelo Felgueiras decidiu subir o monte Kosciuszko, como faziam aqueles que foram impedidos, durante dez anos, pelas autoridades indonésias, de subir as pirâmides de Carstensz. O Kosciuszko é o ponto mais alto das Montanhas Nevadas, na Austrália, tendo uma altitude de 2228 metros apenas. A subida desta montanha não tem qualquer dificuldade técnica, não se podendo considerar uma escalada. É mais um passeio, que Ângelo Felgueiras fez com um vento com rajadas de mais de 60 km por hora, o que noutra montanha mais complicada implicaria abortar a subida. A chegada ao cume não deixou porém de ser emocionante e lá se fez fotografar como habitualmente, desta vez com a fotografia da família. Foi o oitavo dos «Seven Summits». De referir, que a caminho da Austrália ainda passou pelo Japão, onde subiu ao monte Fuji.

PÓLO NORTE (90o Latitude Norte) 2013 No nº 191, de Abril/Junho de 2013, da ZacatraZ, Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949) descreveu do seguinte modo esta expedição: «Sempre que pode, em Lisboa ou em viagem na sua actividade profissional, Ângelo Felgueiras não descura a sua preparação física e treino sistemático. No dia 4 do passado mês de Abril partiu para Oslo e no dia seguinte seguiu para Spitsbergen, local de encontro dos vários elementos da expedição constituída por 2 Ingleses, 2 Norte-americanos, 1 Australiano e 1 Mongol. Numa expedição deste tipo nada pode ser


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Dos “Seven Summits” aos Pólos Ângelo Eduardo Manso Felgueiras e Sousa (498/1976)

deixado ao acaso e tudo tem de ser treinado e revisto para que não haja surpresas. Durante três dias, em «briefing» e em treino intensivo de montagem e desmontagem do acampamento, foram sistematizados todos os procedimentos. O êxito da expedição depende fundamentalmente de muito trabalho, método e treino e, sem dúvida alguma, da boa forma física e mental dos participantes. Concluída esta fase, o Árctico é alcançado em avião fretado e, a partir daí, será o percurso de cerca de 120 km onde é necessário puxar um trenó com uma carga da ordem dos 50 kg até se chegar à Latitude 90o Norte. O Pólo Norte foi atingido depois de longas caminhadas com frio intenso que nunca desaparece e que entra por todos os lados, com temperaturas de 30o negativos agravadas pela humidade que ronda os 70%. O frio, como é natural, revela-se o pior inimigo que muito custa a vencer. Ângelo Felgueiras conquistou o Pólo Norte às 13H47 do dia 20 de Abril de 2013, em que os 90o Norte foram confirmados por GPS, a vestir, a comer, a beber, monitorado, orientado e a dormir em tendas feitas e isoladas, tudo «Made in Portugal». Aí esteve durante uns dez segundos por força da deriva das placas de gelo que faz com que elas se desloquem mesmo sem querer. Para a história desta expedição fica a queda à água de um dos elementos da equipa, sem consequências de maior por força do treino e da preparação prévia que permitiu decisão e resposta rápidas, e os pequenos almoços de cereais com colheres de manteiga e açúcar para se conseguirem calorias suficientes. Ângelo Felgueiras chegou a Lisboa a 24 de Abril de 2013 onde era aguardado pela sua Mulher Isabel e pelos seus três Filhos Teresa, Manuel (498/2006) e Francisco (395/2010), Meninos da Luz como o Pai.»

horizontais e a escalada do Pólo Sul foi a mais difícil expedição que empreendeu, só comparável com a ascensão ao Evereste. Foram 1.200 km percorridos de ski, em 57 dias, caminhando 10 horas por dia, rebocando um trenó com tudo o que precisava para a sua sobrevivência, havendo dias em que as nuvens eram tão baixas que tinha que caminhar dentro das mesmas, nada vendo para além das pontas dos seus skis. O que foi esta expedição será contado pelo próprio, em entrevista que lhe iremos fazer para o próximo número da ZacatraZ.

PÓLO SUL (90o de Latitude Sul) 2017/2018

CAUSAS SOCIAIS

Ângelo Felgueiras considera que as marchas para os pólos são escaladas de montanhas

ESCALAR MONTANHAS Escalar a maioria das montanhas que Ângelo Felgueiras escalou, é uma tarefa que a esmagadora maioria dos mortais considerará completamente fora das suas possibilidades. No entanto, Ângelo Felgueiras não pensa assim, tendo uma teoria muito sua. Para ele, escalar uma montanha é como comer um elefante e os elefantes comem-se às fatias muito finas, uma de cada vez, ou seja, na vida as dificuldades enfrentam-se uma de cada vez. É isto que ele ensina aos filhos, é isto que nos ensina a todos nós. Muitos não terão possibilidades de fazer durante toda a sua vida, nada daquilo que o Ângelo fez e ainda fará, mas todos nós temos nas nossas vidas montanhas para subir, algumas delas de encostas bem empinadas. Ao escalar essas montanhas que a vida nos apresenta, tenhamos sempre em mente a coragem, a determinação, a persistência e o estoicismo do Ângelo. E já agora, não nos esqueçamos de fazer como ele faz, ou seja, ao chegar ao topo ponhamos as nossas Barretinas na cabeça, para ficarmos bem na fotografia.

Ângelo Felgueiras sabe bem que tem uma saúde física e uma força de vontade excepcionais, que lhe permitiram os seus feitos extraordinários. Sabe também, que há neste

mundo jovens desfavorecidos, para quem os seus feitos e o seu exemplo podem ser uma inspiração. Para ajudar esses jovens, resolveu caminhar/escalar por eles, angariando fundos para suprir as necessidades de instituições de solidariedade social que os amparam. Foi assim que conseguiu uma biblioteca (biblioteca infanto-juvenil Ângelo Felgueiras) para Associação Cultural Moínho da Juventude, no Bairro Cova da Moura, na Buraca, uma carrinha para a escolinha de râgueby do ATL da Galiza, no Bairro do Fim do Mundo e é assim que apoia a instituição Acreditar, que lhe foi manifestar o seu reconhecimento à Assembleia da República, quando aí foi reconhecido, no início do passado mês de Fevereiro, o extraordinário mérito da sua carreira de montanhista e explorador. Nota Final: O presente artigo teve como base o livro «MAIS ALTO E MAIS LONGE. Escalar por uma causa», fruto de entrevista de Ana Pinto da Costa a Ângelo Felgueiras, edição de Contra a Corrente Lda, de Dezembro de 2012. Sem esse livro este artigo não seria possível.


Esquadra 751 da Força Aérea

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Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957

o número 209 da Zacatraz, foi noticiada a atribuição do «Prémio Barretina – Associação-Servir» ao Antigo Aluno João Miguel Vicente Carita (370/1981), Tenente-Coronel Piloto Aviador da Força Aérea, pela sua extraordinária carreira de piloto de helicópteros em missões de Busca e Salvamento, durante mais de 20 anos. Concluído o curso de Piloto-Aviador na Academia da Força Aérea, ingressou, em 1995, na Esquadra de Busca e Salvamento 751, actualmente sedeada na Base Aérea nº6, no Montijo, conhecida na Força Aérea como a esquadra dos Pumas. Nesta Esquadra voou aproximadamente 2500 horas em SA-330 PUMA, entre 1995 e 2005 e mais de 2750 horas em EH-101 MERLIN, de 2005 a 20017, resgatando, no mar ou em navios, mais de uma centena de vidas e salvando número análogo de vidas em evacuações médicas urgentes, efectuadas em território insular português. Comandou a Esquadra 751 de Outubro de 2011 a Janeiro de 2017, sendo o Oficial que comandou esta Esquadra durante mais tempo, ao longo da sua existência de cerca de quarenta anos. Na notícia inicialmente referida, indicou-se que a Esquadra 751 tinha sido investida, em 11 de Setembro de 2017, como Membro Honorário da Ordem Militar da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito, a mais alta condecoração portuguesa, pelo Presidente da República Professor Marcelo Rebelo de Sousa. A cerimónia da investidura referida foi divulgada, de forma circunstanciada, no número 429, de Setembro/Outubro de 2017, da revista «Mais Alto», da Força Aérea Portuguesa. Com a permissão do Director desta prestigiada revista, apresentamos de seguida alguns factos relativos a este evento, bem como duas fotografias que naquele número da Mais Alto o ilustravam.

Acção de salvamento no mar.

©Foto Sargento Ajudante Élio Domingues

Esquadra 751 da Força Aérea N


©Foto 1º Sargento Carlos Barbosa

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Esquadra 751 da Força Aérea

Condecoração do guião da Esquadra de Busca e Salvamento 751.

Na cerimónia de investidura usou da palavra o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea (CEMFA), General Manuel Teixeira Rolo, de cujo discurso respigamos alguns dos pontos que consideramos de maior relevo. Lembrou o CEMFA as quase quatro décadas passadas desde que a BUSCA E SALVAMENTO passou a integrar a missão da Força Aérea, para de seguida frisar «Hoje, é de facto, um dia marcante para a nossa instituição, pois, para além de assistirmos, em breve, à investidura solene da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito à Esquadra 751, por Sua Excelência o Presidente da República, condecoração única em termos de Esquadras da Força Aérea, que a todos nos enche de orgulho, estamos também a evocar o feito de 3702 vidas salvas, número que espelha bem os notáveis préstimos de abnegação e altruísmo praticados, em prol da salvaguarda da vida humana, do país e dos portugueses e a total entrega e a dedicação dos militares da Esquadra 751, que diariamente, colocam todo o seu saber e empenho à causa que melhor a caracteriza – PARA QUE OUTROS VIVAM». Referiu adiante «Deste modo, a Esquadra 751, ao descolar, de dia ou de noite, em auxílio dos que mais precisam, na maioria das vezes nas condi-

ções difíceis que já referi, realizando missões de dificuldade muito elevada, está a cometer um acto de altruísmo e bravura extremos, no desempenho da sua actividade, que a atribuição desta Ordem vem agora reconhecer e fazer jus». Para de seguida lembrar, que a Esquadra 751 «tem à sua responsabilidade, aproximadamente um terço do Atlântico Norte, área que corresponde a cerca de 62 vezes a superfície de Portugal continental e que define a maior área de responsabilidade da Europa, no âmbito da Busca e Salvamento». Sublinhou depois, que a investidura que a seguir teria lugar «é a forma de agradecimento que a Nação, através de Sua Excelência o Presidente da República, ditou, para reconhecer estes militares extraordinários, perpetuando todas as missões realizadas, mas também o rigor que os caracteriza e a qualidade que imprimem ao seu trabalho, que não tem paralelo. Nesta justeza de intenções é Portugal no seu todo que sai prestigiado». Terminou agradecendo ao Presidente da República e a todos os que se associaram à cerimónia, naquele que considerou ser «um inolvidável dia para a Esquadra 751, para a memória

colectiva da nossa Força Aérea, para as Forças Armadas e para Portugal». Ao discurso do General CEMFA, seguiu-se a imposição das insígnias da Ordem da Torre e Espada no guião da esquadra pelo Presidente da República, que de seguida proferiu um discurso, de que igualmente respigamos alguns dos pontos mais salientes. Referiu, no início do seu discurso, que «Não pode haver maior talento, maior graça, do que a generosidade de oferecer a própria vida, o valor mais sagrado da nossa sociedade e direito inviolável para que uma outra vida aconteça. A esta dádiva única e insuperável acresce o eloquente anonimato de quem cumpre a sua missão, não para ser conhecido ou reconhecido, mas apenas para servir». Dentro da mesma linha de raciocínio, frisou «os vossos nomes não irão porventura abrir noticiários, nem farão primeiras páginas, mas estarão impressos no olhar e no coração de mais de 3700 pessoas que salvastes, das quais algumas estão aqui hoje presentes e que aproveito para saudar penhoradamente». Finalizou dizendo «Que toda a Nação se possa sentir agraciada, prestigiada e dignificada sempre que deixais as vossas famílias, as vossas casas, a qualquer hora do dia ou da noite. Quase sempre em condições muito adversas e por prolongados períodos de tempo, para que outros possam viver e regressar a casa onde os espera uma outra família. Pumas, vós sois o orgulho de Portugal». Desejamos que com as transcrições parciais dos discursos acima apresentadas, todos fiquem cientes da verdadeira dimensão da gesta dos Pumas, em cujo número se contaram e ainda contam, alguns Meninos da Luz, que, dando continuidade aos valores que lhes foram incutidos no Colégio, sempre tiveram como ponto de honra SERVIR. Nota Final: Desde o ano de 1963 foram doze as unidades e instituições investidas como membros honorários da Ordem da Torre Espada do Valor, Lealdade e Mérito, das quais três da Força Aérea: 2ª Região Aérea (Angola), em 13/11/1963, Corpo de Tropas Paraquedistas, em 15/3/1985, e Base Aérea nº1, em 8/5/2009.


Curso de 1967/1974 Romagem dos 50 Anos de Entrada

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Curso de 1967/1974 Romagem dos 50 Anos de Entrada 17 de Novembro de 2017

Curso 1967/1974 – 50 Anos de Entrada – 17 de Novembro de 2017 ©Fotos Leonel Tomaz

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ecorridos cinquenta anos de entrada no Colégio, nesta Romagem de Saudade estiveram presentes os Antigos Alunos José Mira de Villas-Boas Potes (3/1967), António Manuel Pacheco Neves (10/1965), João Eduardo Correia Barrento Sabbo (17/1967), Miguel de Mira Duarte Silva (25/1967), Álvaro Manuel da Cruz Cordeiro (48/1967), José Luís Deslandes Teixeira Gomes (53/1967), Luís Manuel da Fonseca Cordeiro (75/1967), Manuel Bernardo Dias Nunes (78/1967), José Fernando Belo da Costa Cascais (80/1965), José Manuel da Silva Pinto dos Reis (100/1967), João Correia Rasquilho Raposo (101/1967), Jorge Manuel Moreira de Melo Sampaio (115/1967), Mário Gil Correia Rodrigues Mendes (116/1967), José Pedro Galvão de Figueiredo Valente (124/1967), Pedro Miguel de Brito Lages Martins (145/1967), Gilberto Diogo Lima Castelo Branco (154/1967), José Deulonder Correia Amado (164/1967), António Carlos Rainha Perry da Câmara (166/1967), Carlos José Ramos Moreira dos Santos (175/1968), Adelino Augusto

Reis da Fonseca Lage (176/1966), José Eduardo Goulão Marques (182/1967), José Carlos Benito e Bismarck de Melo (187/1967), Rui Caseiro Viana (204/1966), Carlos de Lucena e Vasconcellos Cruz (209/1967), Reynolds Chaves Brandão (234/1967), Luís Filipe de Azevedo Mimoso Ruiz (249/1967), José de Melo Ribeiro (286/1968), João Carlos Bonifácio da Silva Matos (291/1967), Vasco Julio Morão Teixeira Lino (300/1966), José Luís Faya Marinho (301/1967), António Portugal Costa Gomes (315/1967), João Francisco Rocha Pereira do Nascimento (332/1967), António José Cardoso de Sousa Simões (343/1967), João Pedro Martins Pereira Graça (348/1967), António Conceição de Sousa Matos (355/1966), Miguel da Gama Costa Gomes (356/1967), Francisco Emílio Neves da Piedade Vaz (373/1967), Fernando Manuel Gil da Cruz Garcia (395/1967), Valter José da Guia Lúcio (404/1967), Mário João Gonçalves Alves de Matos (497/1967), Luís Miguel Cortes Picciochi (501/1967), Carlos José Ferreira Paixão Soares (506/1967), Luís Manuel Soares Franco (510/1967), António Vi-

tor Duarte Domingues (511/1966), Luis Augusto Neves Duarte (525/1967, João José Coruche Mendes (530/1967), Luis Miguel Cruz Bucho (579/1967), Fernando Jorge Teixeira Barroso de Moura (583/1967), José Carlos Teixeira Barata (597/1967), Luís Alberto das Neves Brás Fernandes (609/1966), Jorge Manuel Lourenço Marques Esgalhado (631/1967), Manuel Luís Júdice Gama Pinto da Cunha Jóia (649/1968), Ricardo José Vassalo Galiano Tavares (651/1968), José Augusto Soares Carrapatoso Rebelo (662/1969). Convidado do Curso: Escultor José João Carneiro de Brito


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Curso de 1937/1944 Romagem dos 80 Anos de Entrada

Curso de 1937/1944 Romagem dos 80 Anos de Entrada 17 de Novembro de 2017

Curso 1937/1944 – 80 Anos de Entrada – 17 de Novembro de 2017 ©Fotos Leonel Tomaz

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sta foi uma romagem especial, de jovens acabados de entrar na casa dos noventa anos, que nunca esqueceram a casa que os formou e os educou, onde ingressaram há 80 (oitenta) anos. Foram apenas cinco os que compareceram, mas valeram por todos os seus camaradas de cur-

so que já partiram e por aqueles que presumimos que, ainda vivos, não puderam estar presentes. Entre os cinco presentes conta-se Álvaro Sabbo, que recebeu há anos atrás um prémio Barretina (desporto) pela sua carreira como cavaleiro de obstáculos. Ficam aqui para a posteridade os nomes

dos cinco magníficos que mais uma vez se apresentaram na Luz: Francisco José Martins Ferreira (13/1939), Alberto Mendes Quadros (87/1938), Álvaro Augusto Fonseca Sabbo (133/1938), Luís Eduardo Almeida Soares de Oliveira (137/1939), Manuel Francisco Dias Pereira do Vale (376/1938).


Curso de 1992/2000 Romagem dos 25 Anos de Entrada

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Curso de 1992/2000 Romagem dos 25 Anos de Entrada 19 de Janeiro de 2018

Curso 1992/2000 – 25 Anos de Entrada – 19 de Janeiro de 2018 ©Fotos Leonel Tomaz

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ecorridos vinte e cinco anos de entrada no Colégio, estiveram presentes nesta romagem de saudade, os seguintes Antigos Alunos. Ricardo Jorge Ferreira Monteiro (58/1992), Jorge Tiago Pinheiro da Fonseca (140/1992), Rui Miguel da Silva Pereira (163/1992), Renato Manuel Farinha Alves (169/1992), Pedro Alexandre Gaspar de Campos Leal (211/1992), Ricardo Joaquim de Almeida Ribeiro (251/1952), Luis Miguel de Bettencourt Jordão de Noronha Krug (269/1992), Bruno Miguel Martins Farinha (279/1992), Frederico Antunes Sanches de Miranda (326/1992), Luis Pedro Magalhães Mendes (334/1992), André Tiago Pardal da Silva (353/1992), Jaime Henrique Silva Machado (365/1992), Rui

João Santos Pereira (401/1993), Tiago Lopes da Silva Cristóvão (405/1992), Vasco Manuel Veloso Josefino (412/1992), Gonçalo José

Costa Santos (413/1992), Nuno Jorge Silva Figueira (456/1992), João Pedro Queiroz Antão (459/1992).


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Curso de 1951/1958 Romagem dos 60 Anos de Saída

Curso de 1951/1958 Romagem dos 60 Anos de Saída 02 de Fevereiro de 2018

Curso 1951/1958 – 60 Anos de Saída – 02 de Fevereiro de 2018 ©Fotos Leonel Tomaz

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assados 60 anos de saída do Colégio, voltou ao mesmo, sob o comando do Bentes Penedo (132/51), o curso de entrada de 1951, que tem a particularidade de ter sido o último curso que perfez todo o seu percurso colegial no Colégio Velho. Estiveram presentes os seguintes Antigos Alunos Fernando Duarte Pina da Silva Ramos (9/1950), António Manuel de Seabra Gomes (12/1951), Carlos Alberto da Silva Pinto e Simas (49/1952), António Manuel Campos Batalha Machado da Graça (63/1950), João Luís Raposo Alves Saltão (70/1950), Luís Sebastião Delgado de Rodrigues Nascimento (75/1951), Eduardo Maria Passarinho Franco Preto (76/1951), Fernando Augusto Colaço Leal Robles (79/1951), José do Carmo Medeiros de Almeida (86/1950), Afonso Paulo Ferreira Epifânio Franca

(104/1953), António José Passanha Braamcamp Sobral (112/1950), Luís Jorge da Cunha Bruno Soares (128/1951), Filipe Gabriel Barbeitos Gonçalves (131/1951), Artur Mário Bentes Penedo (132/1951), António Manuel Borges de Brito Subtil (134/1952), Jorge Manuel Morais Silva Duarte (153/1951), Manuel Nuno da Costa Estorninho (207/1952), José Eduardo Fernandes de Sanches Osório (210/1951), José Mário Fidalgo dos Santos (253/1951), Luís Fernando Gomes de Sousa Lobo (266/1951), César António Duarte Neto Portugal (282/1953), João Bernardino Mira de Almeida Faria (295/1953), Carlos Manuel Querido Batista (303/1951), António Félix de Almeida Pereira de Mendonça (342/1950), Gonçalo de Lucena (357/1951), Francisco Eduardo Moreira da Silva Alves (392/1954), Manuel Maria de

Barros Cardoso de Menezes (393/1951), Carlos Henrique Cameirão Leite da Cunha (394/1951).


O Conjunto Musical do Curso de Saída de 1966/67

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O Conjunto Musical do Curso de Saída de 1966/67

Os “Fífias” actuando nos Claustros.

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as edições da revista ZACATRAZ, números 206 e 208 do passado ano de 2017, surgiram dois artigos associados aos conjuntos musicais do Colégio. O primeiro, do João Nuno Ferreira Barbosa (16/1956) e o segundo, da autoria do Luís Filipe Ferreira Barbosa (71/1957). Aproveitando o tema, não posso deixar de referir o conjunto que, no meu Curso de Saída, foi constituído ao longo dos anos de 1966 e 1967 e do qual fiz parte. A ideia nasceu logo no início do nosso 6º Ano, a propósito da Récita, a qual teria lugar nos

finais desse ano lectivo de 1966. Foi-lhe, por piada, dado o nome de “Os Fífias”. A formação foi a seguinte: Eduardo Gavino Silva e Sousa (150/1960) – vocalista Fernando José Vieira Cardoso de Sousa (28/1960) – guitarra eléctrica solo Eduardo Manuel Saraiva Henriques de Oliveira (113/1960) – bateria António Carlos de Lemos Lepierre Tinoco (500/1959) – guitarra eléctrica ritmo Relativamente aos instrumentos musicais, eram regularmente utilizados, nos ensaios que tinham

lugar na sala de canto coral (antigo picadeiro), uma bateria que existia no Colégio, uma guitarra eléctrica Vox e uma outra, de marca Eko, pertencente ao próprio Fernando Cardoso de Sousa. Depois, nas apresentações oficiais da Récita do 6º Ano no Teatro D. Luiz Filipe (na Formação) utilizou-se uma bateria bem mais evoluída e, no ano seguinte, no Baile de Finalistas que teve lugar nos Claustros, duas outras guitarras entre as quais uma magnífica Gibson, gentilmente emprestadas pelo artista Eduardo Nascimento cujo conjunto fora contratado para abrilhantar aquele Baile de Gala.


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O Conjunto Musical do Curso de Saída de 1966/67

Estava-se em plena “revolução dos 60’s”, com toda a nossa atenção focada principalmente nos grupos ingleses da altura. Do alinhamento musical apresentado nesses dois momentos mais altos fizeram naturalmente parte temas dos Beatles (claro!), dos Rolling Stones, dos Kinks… Que saudades! A Récita teve duas sessões; uma à tarde para os mais novos e uma outra, à noite, para os restantes alunos com as respectivas famílias. O Teatro D. Luiz Filipe esteve literalmente “à cunha”, com várias pessoas em pé; não cabia mais ninguém. Sem falsa modéstia houve que, no final da noite e a pedido de todos, voltar ao palco e… repetir todo o repertório uma segunda vez! No Baile de Finalistas, o Director do Colégio fez questão que o conjunto se apresentasse. Lá fomos nós, fardados de gala, bateria e guitarras em punho, pôr as pessoas a mexer! Mantendo-nos em contacto regular, encontramo-nos, de quando em quando, para matar saudades. A música constitui factor de união muito forte e mesmo de identificação geracional, tendo a nossa geração tido a sorte de ter vivido um período extraordinário, em termos musicais. Tantos e tão bons foram os grupos do nosso tempo que, num recente concurso que fizemos entre nós quatro para decidir as 15 melhores músicas e os 6 melhores álbuns entre 1963 e 1973 de música anglo-saxónica, ainda agora estamos em “sessões de trabalho” contínuas para conseguirmos um consenso. Quem sabe se um dia nos voltará a vontade de “tirar os instrumentos do saco”… António Lepierre Tinoco

500/1959

Os “Fífias” deliciando a assistência.

(com colaboração dos outros elementos de “Os Fífias”)

Fernando José Vieira Cardoso de Sousa (28/60), Eduardo Manuel Saraiva Henriques de Oliveira (113/60), Eduardo Gavino Silva e Sousa (150/60) e António Carlos de Lemos Lepierre Tinoco (500/59).


O Galeão Português

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João Manuel Martins Casaca 458/1960

O Galeão Português

Fig. 1 Galeão português (1521)

1. De acordo com o “Dicionário Ilustrado da Marinha” do Comandante Esparteiro, o galeão era um navio redondo de quatro mastros (traquete, grande, artimão e contra-artimão), os de vante redondos e os da ré latinos, de forma linear, de fábrica robusta, bem armado, de pouco porão e de boa bolina, presumivelmente desenvolvido, pelos portugueses, no reinado de D. Manuel, para a protecção da frota mercante. Era um navio essencialmente de guerra, mais alteroso que a nau, mas de melhores qualidades náuticas, mais bolineiro e melhor artilhado (Figura 1). Encontra-se representado numa iluminura do regimento dado, em 1502, por D. Manuel, à Câmara de Lisboa. Os primeiros

galeões teriam entre 100 e 200 toneladas, mas no final do séc. XVI já atingiam muitas centenas de toneladas. Ao longo do século XVI, o galeão tornou-se o navio de guerra, por excelência, de todas as potências marítimas europeias. No Oriente, as primeiras batalhas navais dos portugueses (Diu em 1509 e outras) foram travadas com naus de guerra: os galeões terão chegado apenas cerca de 1520. A armada com que Diogo Lopes de Sequeira tentou penetrar no mar Roxo (mar Vermelho), em 1520, era constituída por dez naus, dois galeões, seis caravelas, cinco galés e um bergantim. O mar Roxo não era, no entanto, favorável à navegação das naus e galeões e a esquadra portuguesa foi forçada a desistir devido à persistência de ventos contrários. Durante o séc. XVII, o galeão foi sendo gradualmente substituído por navios de três mastros: as naus de linha. A esquadra portuguesa que participou na batalha do cabo Matapão (1717) sob o comando do conde de Rio Grande, já não incorporava galeões, era constituída por sete naus de linha, uma nau auxiliar, uma tartana e dois brulotes. A poderosa nau capitânia, a Nossa Senhora da Conceição, que foi construída na Ribeira das Naus e lançada à água em 1707, tinha uma guarnição de 800 homens e 80 peças de artilharia. 2. O galeão São João Baptista, lançado à água em 1534, com 1.000 toneladas e armado

com 366 peças de artilharia era, na altura, o navio de guerra mais poderoso do mundo e recebeu a alcunha de Botafogo. Em 1535, o imperador Carlos V pediu a seu cunhado D. João III ajuda para a tomada de Tunes. D. João III enviou uma esquadra, cujo navio almirante era o Botafogo, sob o comando honorário do Infante D. Luiz, seu irmão. O Botafogo foi o navio usado para quebrar as correntes que fechavam o porto de Tunes. Curiosamente, o oficial responsável pela artilharia do Botafogo, João de Sousa Pereira, adoptou a alcunha de Botafogo como nome de família. Mais tarde, no Brasil, foi agraciado, pelo rei D. João III, com as terras que lhe tomaram o nome de Botafogo. 3. Conta o Comandante Saturnino Monteiro no “Batalhas e Combates da Marinha Portuguesa” que, em Agosto de 1553, uma esquadra portuguesa, constituída por seis galeões, sete caravelas e vinte fustas (pequenas galés) e catures (pequenas fustas), comandada por D. Diogo de Noronha, se encontrava a bloquear o estreito de Ormuz. Num dos últimos dias de Agosto, uma esquadra de quinze galés turcas bem tripuladas e bem artilhadas, proveniente do golfo Pérsico, forçou o bloqueio. A esquadra portuguesa formou em coluna e navegou em perseguição das galés turcas, até que o vento acalmou completamente. Note-se que foram os portugueses


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O Galeão Português

Fig. 2 Nau Senhora da Conceição (1707)

que introduziram a formação em coluna no combate naval que era a mais adequada para usar simultaneamente os canhões de estibordo e de bombordo dos navios, sem restrições (as galés combatiam em linha). Após a imobilização da coluna, o primeiro galeão, comandado por Gonçalo Pereira Marramaque, que estava muito adiantado, foi imediatamente rodeado pelas quinze galés turcas (as galés tinham as peças de artilharia à proa, pelo que tinham de se virar para o alvo para disparar). O galeão, guarnecido por 120 homens de armas, sustentou um duelo de artilharia com as quinze galés durante seis horas, até ao regresso do vento que permitiu a aproximação do resto dos galeões e das caravelas que encontraram o galeão de Gonçalo Marramaque muito danificado. As galés turcas também muito danificadas conseguiram escapar. Note-se que: i) durante o ataque ao galeão, as fustas e os catures portugueses tentaram incomodar as galés turcas, mas não estavam à altura delas, nem em gente, nem em artilharia; ii) as galés dispunham de duas peças de artilharia à proa

enquanto os galeões tinham trinta peças, quinze a bombordo e quinze a estibordo. 4. Ainda segundo o Comandante Saturnino Monteiro, Diogo do Couto refere nas suas “Décadas” (continuação das “Décadas” de João de Barros) que, no princípio de Setembro de 1558, durante o governo de Francisco Barreto, se encontrava ancorada, no rio de Goa, uma das mais poderosas armadas portuguesas de sempre, a saber: quinze galeões, dez caravelas, dez galés e mais de setenta fustas e galeotas. A grande quantidade de navios de remo (galés, fustas e galeotas) é justificada pelo regime de ventos do Oceano Índico que apresentava grandes períodos de calma e mar chão. Além desta armada, havia muitos navios de guerra estacionados em Ormuz, Diu, Baçaim, Chaul, Cochim, Colombo, Malaca e Molucas. Tal era o poderio naval do império português em meados do séc. XVI. 5. No dia 3 Outubro de 1566, uma esquadra de sete naus corsárias francesas desembar-

cou novecentos homens na praia Formosa, a Oeste do Funchal. Embora fustigados pela artilharia de uma caravela fundeada no porto, que feriu mortalmente o comandante da expedição, os franceses entraram no Funchal e saquearam a cidade, cometendo grandes atrocidades. A caravela navegou rapidamente para Lisboa, onde deu o alarme. A reacção foi célere: uma esquadra de socorro composta por oito galeões e catorze caravelas, comandada por Sebastião de Sá, fundeava no Funchal no dia 26 de Outubro. Embora não tivesse chegado a tempo, a força e a prontidão da resposta confirmam que, no séc. XVI, Portugal era uma grande potência marítima e o galeão a sua nave de excelência. A incursão francesa ao Funchal foi guiada por Gaspar Caldeira, um antigo mestre da marinha portuguesa, ao serviço dos franceses. As autoridades portuguesas conseguiram atrair Caldeira a uma emboscada no País Basco e trouxeram-no para Lisboa, em 1568, onde o Tribunal da Relação o condenou à morte. No dia da execução, a multidão era tanta que Caldeira saiu do Limoeiro às sete da manhã e chegou à Ribeira apenas às duas da tarde. Cortaram-lhe as mãos, enforcaram-no e, depois de morto, esquartejaram-no. Deixaram-lhe a cabeça na forca e pregaram as partes esquartejadas em várias portas da cidade. 6. No último quartel do séc. XVI, sob a supervisão de John Hawkins, a Inglaterra começou a construir galeões de um modelo novo (classe Ark Royal), mais afilado, mais rápido e manobrável do que o galeão convencional. A partir da união ibérica, em 1580, os inúmeros confrontos navais entre galeões portugueses e ingleses saldaram-se, em geral, por um empate técnico. O galeão inglês estava armado com canhões de menor calibre e maior alcance do que os canhões do galeão português. O galeão português não conseguia alcançar o galeão inglês para o abordar ou destruir com a artilharia de grande calibre. O galeão inglês não conseguia danificar o robusto galeão português com tiros de artilharia à distância.


O Galeão Português

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Fig. 3 Naus holandesas do final do séc. XVI.

A Armada Invencível com que o rei Filipe I tentou levar a cabo uma invasão da Inglaterra, no verão de 1588, era constituída por 74 navios de combate e 64 navios auxiliares. O núcleo duro da armada era composto por nove poderosos galeões portugueses, todos comandados por nobres castelhanos. No dia 31 de Julho, o galeão São João, de 700 toneladas, comandado por Juan Martinez de Recalde, foi atacado simultaneamente por seis galeões ingleses, entre os quais o Revenge, de Francis Drake, o Triumph, de Martin Frobisher e o Victory de John Hawkins. Ao fim de várias horas de furioso combate, o São João, já com o aparelho muito danificado e o comandante morto, foi salvo pela chegada da esquadra ibérica. Este episódio, entre muitos outros, prova como era difícil ao galeão inglês destruir o galeão português. 7. Em 1601, o Vice-rei da Índia, Aires de Saldanha, deu a André Furtado de Mendonça o comando de uma esquadra composta por quatro galeões, uma galé e dezoito fustas. A

esquadra, que se dirigiu a Malaca em Abril, tinha por objectivo procurar e eliminar navios holandeses na região das especiarias. No princípio de Dezembro, a esquadra, a que se juntaram dois galeões que estavam em Malaca, dirigiu-se para Bantam, na extremidade Oeste da ilha de Java, perto do estreito de Sunda (estreito que separa as ilhas de Sumatra e de Java e tem cerca de 30 km de largura mínima) e colocou dois galeões de guarda ao estreito. Na mesma altura, vinda do lado Sul da ilha de Sumatra, entrou no estreito de Sunda uma esquadra holandesa composta por três naus de guerra e dois patachos (navios armados, com dois mastros). Ao deparar com os dois galeões portugueses, a esquadra holandesa resolveu atacá-los, no que se deu mal, pois a artilharia dos galeões fez-lhe estragos importantes. Ao ver o resto da esquadra portuguesa no horizonte, a esquadra holandesa desistiu do combate e escapou com facilidade aos portugueses. A manobrabilidade, a rapidez e a capacidade bolineira das naus holandesas (Figura 3) permitiam-lhes manter-se a barlavento e

não davam a possibilidade aos galeões portugueses de se aproximar. O galeão português estava ultrapassado e os portugueses não foram capazes de aperfeiçoar o seu desenho de modo a melhorar-lhe o desempenho. Esta foi uma das razões pelas quais os holandeses conseguiram desalojar os portugueses do Oriente, nomeadamente, das ilhas das especiarias.


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Viajar é preciso...

Viajar é preciso... “Como é bom viajar. Viajar é viver muitas vidas numa vida só. É municiar a inteligência, nutrir o espírito e enriquecer a alma pela via móvel dos cinco sentidos. Ao viajar pertencemos instantaneamente a muitas terras, a muitos povos, a muitas eras, sem que corramos o risco de nos perdermos do nosso próprio mapa intrínseco, das nossas coordenadas originais. Viajar traz o mundo a nossa casa sem invadir a privacidade do nosso íntimo. Viajar é outra manei-

ra de nos conhecermos melhor, vendo-nos fotografados em snapshot ao lado daquilo que nos é estranho, como numa radiografia holística em que pudéssemos identificar o visitador e o visitado num aperto de mão amigável e exploratório.” Foi esta a parte inicial da alocução intitulada «A arte de Viajar pelo Ser Português», proferida pelo escritor Jorge de Morais, na Sociedade Histórica da Independência de

Portugal, em 6 de Junho de 2017, por ocasião do lançamento do livro «Miscelânea. Escritos da quarta idade…» de Vasco Callixto, decano dos jornalistas portugueses. Não resistimos a fazer esta transcrição, dado o rigor e a concisão com que esta bela prosa transmite aquilo que move um viajante. Quanto aos meios de transportes a usar nas viagens, disse Jorge de Morais, mais adiante na sua alocução: “De todos os meios de transporte que podem usar-se para viajar por esse mundo, o mais confortável e o mais universal não é o avião ou os seus antepassados – a passarola e o balão de oxigénio-, nem o automóvel ou o omnibus, nem o cavalo ou o char à bancs, nem sequer o tapete voador das Mil e Uma Noites ou a vassoura de feiticeira mono-motor. O melhor meio de transporte é a Literatura. A escrita não carece de marcação prévia de lugar ou de mediação de agência. Não corre o risco de lotação esgotada ou de overbooking. Não avaria nem sofre panne. Não conhece acidentes de viação ou de aviação. Não gasta gasolina. Não tem limites de quilometragem. Não enferruja nem se quebra. Está sempre ao alcance da mão, na estação das chuvas ou na época seca. E podemos repetir o percurso uma e outra vez, sem por isso pagarmos bilhete extra. Requer apenas um momento de serenidade e uma cadeira ao nosso jeito. E sem darmos por isso já estamos no outro lado do mundo….”

Nuno Gonçalo Gonçalves de Mendonça (229/1999)

Entre os Antigos Alunos do Colégio não têm faltado os grandes viajantes, começando no século XIX com Alexandre Alberto da Rocha Serpa Pinto (159/1858), o nosso primeiro Comandante do Batalhão Colegial, que palmilhou os sertões africanos de Angola à Contracosta, até aos nossos dias, em que


Viajar é preciso...

tivemos António Pedro Pereira de Bacelar Carrelhas (159/1947) a fazer a descida do Amazonas, numa extensão de 3500 km, António Rui Prazeres de Castilho (147/1948) a dar a volta ao mundo num pequeno veleiro e agora Ângelo Eduardo Manso Felgueiras e Sousa (498/1976) a fazer uma caminhada de 1200 km, sobre o gelo, em 57 dias, até atingir o Pólo Sul. A ZacatraZ, por sua vez, através da escrita, põe os seus leitores a viajarem com estes exploradores, necessitando aqueles para tal, apenas dos momentos de serenidade

e de cadeiras ou cadeirões ao seu jeito, de que falava Jorge de Morais na sua alocação. Tudo isto vem a propósito de uma notícia que nos chegou de um outro Antigo Aluno aventureiro, médico cirurgião de profissão, o 229/1999, Nuno Gonçalo Gonçalves de Mendonça, «motard», que se vai lançar, em conjunto com mais três «motards», numa viagem de cerca de 35.000 km, cobrindo as Américas do Sul, Central e do Norte, desde a Terra de Fogo até ao Alaska, atravessando 14 países. Intitularam a sua expedição «SulAméricaNorte2018», apresentando-se de seguida a ante-

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visão que os «expedicionários» fazem da sua viagem, que cá estaremos para acompanhar e para a qual desejamos os maiores êxitos, ou seja, BOM CAMINHO, como desejam entre si os peregrinos a Santiago de Compostela. A Redacção

Aventura “Sul América Norte - 2018” Durante três meses, entre o primeiro dia de Abril e o último de Junho de 2018, percorreremos de mota (4 BMW R1200 GSA) as estradas de 14 países do Continente Americano, num total de aproximadamente 35.000 km, desde Ushuaia no sul da Argentina até Prudhoe Bay no norte do Alasca, atravessando a América do Sul (Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Equador e Colômbia), América Central (Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras e Guatemala) e América do Norte (México, Estados Unidos e Canadá). Em anexo, é possível observar o percurso aproximado. Contamos com o suporte da BMW Portugal, da Bridgestone Portugal, Cruz Vermelha Portuguesa, Centro Hospitalar do Barreiro Montijo (CHBM) e ainda com a Moto Ponto, empresa de referência na venda de acessórios de motociclismo. Para além da divulgação deste projeto nas redes sociais (@SulAmericaNorte2018) e página Web, podemos desde já assegurar a cobertura jornalística por jornais/revistas e

televisões de referência em Portugal, tornando ainda mais visível este nosso propósito. Como passageiro viajará o João Monteiro e Chaves, aluno da ETIC em Lisboa, duas vezes vencedor do prémio melhor ficção no festival CURTA-AÇORES, que se encarregará de registar e divulgar regularmente pequenos episódios durante o decorrer de todo o percurso, para além de um filme documental final que apostará na originalidade e qualidade. Como em aventuras anteriores, transportaremos um sistema de localização GPS que permitirá acompanhar em tempo real o progresso do grupo, funcionalidade que estará permanentemente disponível online.

Pedro Roque/João Monteiro e Chaves Nuno Pires Nuno Mendonça Emanuel Cabral


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Antigos alunos em Destaque

Antigos Alunos

em Destaque

Pedro Gonçalo Coelho Nunes de Melo (51/1982) Presidente da Comissão de Direito Administrativo da Union Internationale des Avocats

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Antigo Aluno 51 de 1982, Pedro Melo, foi recentemente designado Presidente da Comissão de Direito Administrativo da Union Internationale des Avocats (UIA), a mais antiga associação internacional de advogados fundada em 1927, que se encontra presente em mais de 120 países. Pedro Melo licenciou-se em Direito em 1995 na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL), sendo sucessivamente pós-graduado em Direito Administrativo (1998) pela FDUL, e em Direito da Energia pela Faculdade de Direito da Universidade Autónoma/Instituto Francês do Petróleo (2002) e é Mestre em Direito Administrativo desde 2011 (FDUL). É Docente Convidado da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa desde 2012. Como advogado, encontra-se inscrito na Ordem dos Advogados desde 1995 tendo-lhe sido atribuído em 2004 o título de Advogado especialista em Direito Administrativo, e é, desde 2008, sócio da PLMJ – Advogados, exercendo a sua actividade como Coordenador da Área de Prática do Direito Público, especializado em Contratação Pública, Contencioso Administrativo e Arbitragem, Direito da Construção, Direito da Energia e Direito dos Transportes.

Da sua carreira como Advogado constam inúmeras distinções, entre outras: “Prémios 40 under Forty” (2009), que elegem os 40 “melhores” advogados da península ibérica com menos de 40 anos; “Client Choice Awards” (2015) atribuído pelo International Law Office (ILO) pelo excelente serviço e dedicação ao Cliente dos Advogados PLMJ, tendo em conta a transparência, qualidade do aconselhamento jurídico, responsabilidade, comunicação eficaz, entre outros critérios, e resulta da escolha de mais de dois mil clientes que são contactados pelo ILO; Global Law Experts (2016) reconhece a sua competência jurídica excepcional e contributo dentro da Área de Prática de Direito Público; Global Arbitration Review (2017) integra Pedro Melo como co-coordenador da PLMJ Arbitragem na shortlist para a melhor prática arbitral do Mediterrâneo e Norte de África, constando ainda de diversos rankings da Europe Chambers – Leading Individual em 2016 e 2017. Pedro Melo é, desde 2011, autor de inúmeras publicações, nomeadamente, nas áreas do Direito Administrativo e da Arbitragem. Desde 2016 integra a Mesa da Assembleia Geral da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar.


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Luis Filipe Melo e Faro Ramos (617/1972) Presidente do Camões - Instituto de Cooperação e da Língua

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uis Faro Ramos é o novo Presidente do Instituto Camões – Instituto de Cooperação e da Língua por despacho do Ministro dos Negócios Estrangeiros de 24 de Outubro de 2017.

Nasceu em Lisboa em 1962, licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa tendo entrado na carreira diplomática em 1986. Da sua carreira profissional constam passagens pelas embaixadas em Atenas e Maputo, tendo sido Chefe de Gabinete do Secretário de Estado da Defesa Nacional em 2008 e Director-Geral de Política de Defesa Nacional no Ministério da Defesa; ocupou o seu primeiro posto como Embaixador na Tunísia em Julho de 2012, onde colaborou no lançamento de um programa–piloto de introdução do Português como língua estrangeira no ensino secundário, seguindo-se, a partir de Setembro de 2015, a Embaixada em Cuba onde esteve ligado ao lançamento da Cátedra Eça de Queirós na Universidade

de Havana, até à presente nomeação. A nomeação de Luis Faro Ramos para o Instituto Camões, na sequência de anteriores presidentes com currículo nos domínios da cultura e da língua, dá-se no quadro do alargamento das funções do Instituto, à área da cooperação, em complemento das da língua e da cultura: “fazer do português uma das línguas oficiais da ONU é uma aposta estratégica do actual Governo”, justificando-se, deste modo a nomeação pela primeira vez de um diplomata para dirigir o Instituto (Entrevista no “Expresso” de 13/1/2018). Em resposta a perguntas do jornalista do“Expresso”, Luis Faro Ramos refere que “o português já é falado por 261 milhões de pessoas e estimativas apontam para que dentro de pouco mais de duas décadas cheguemos aos 400 milhões“, “o português é utilizado em 30 organizações internacionais“ e “somos uma língua de negócios, de cultura, de herança, uma língua multiforme e um activo para promover o poder de influência de Portugal em termos internacionais“.


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Francisco José Nina Martins Rodrigues dos Santos (128/1998) Presidente da Juventude Popular do CDS-PP recebi, aos meus Amigos, pela suprema amizade que me dedicam, aos meus Professores, pelo que me ensinaram, ao meu escritório de Advogados, por acreditar no meu trabalho, à JP e aos seus militantes por me obrigarem a superar-me todos os dias para merecer liderá-los, ao CDS por ser o pináculo da minha missão política, aos meus adversários, por me exigirem estudo e aperfeiçoamento constantes e ao meu País, por me conceder a superior honra de poder servi-lo. Obrigado!

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istinguido pela revista Forbes como um dos quatro portugueses incluídos na lista de “estrelas em ascensão”. É licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e Mestre em Direito Administrativo pela Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa em Lisboa. Do seu curriculo profissional salienta-se a inscrição na Ordem dos Advogados desde 2011 e a actividade como advogado na ABBC & Associados, Sociedade de Advogados, RL, e Coriel & Associados onde actualmente exerce a profissão. No seu percurso político, foi membro da Assembleia de Freguesia de Carnide pelo CDS-PP (2013-2016), Vereador em substituição na Câmara Municipal de Lisboa pelo CDS-PP (2013), Técnico Especialista no Gabinete do Ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, no XX Governo Constitucional (2015), é Presidente da Juventude Popular (desde Dezembro de 2015) e Vice-Presidente da IYDU (International Young Democrat Union). Francisco Rodrigues dos Santos descreve e agradece a distinção no Facebook nos seguintes termos: Em Londres, onde me encontro, acabo de ser anunciado oficialmente pela revista Forbes, como um dos “30 jovens mais brilhantes, inovadores e influentes da Europa, com menos de 30 anos, na categoria Direito & Política.” A Lista dos “30 under 30”, nomeados pela Revista Forbes, representa as ““rising stars” no quadro da diversidade europeia, escolhidos entre milhares de jovens promissores, empenhados em desafiar o “status quo” para criar um futuro melhor.” Esta raríssima distinção que me atinge surpreendentemente, sendo o único português da categoria, deve-se à minha Família, pelo amor e educação que deles

Da notícia do Público de Mariana Correia Pinto em 26/1/2018 salientamos as seguintes passagens: Pode até estranhar quem ouvir o assumido conservador Francisco Rodrigues dos Santos tratar os amigos por camarada. Mas o advogado e líder da Juventude Popular (JP) desde 2015 “não tem nenhum problema” em fazê-lo — e isso tem uma explicação com morada para os lados do Colégio Militar, onde passou oito anos como aluno interno. “É engraçado que a camaradagem

foi sendo transportada para o espectro político, e logo o mais à esquerda”, graceja, “mas o termo é eminentemente militar”. E os ensinamentos desse tempo continuam na ponta da língua. Francisco ainda sabe de cor todo o código de honra da instituição: amor à pátria, disciplina, repúdio da violência... e por aí adiante. “Casas de formação” e espaços “fundamentais na renovação política”, as juventudes partidárias devem “dizer aquilo que pensam até às últimas consequências”, defende. E a “irreverência” é compatível com o conservadorismo? “Um conservador não é retrógrado. Sou conservador porque me considero um tipo de futuro.” O mais velho de três irmãos rapazes, filho de uma advogada e um oficial do exército, viveu em Coimbra até aos cinco anos, altura em que o pai foi deslocado para Tancos e a família foi viver para Vila Nova da Barquinha. Por ali fez a escola primária e transitou depois para o Colégio Militar. “Só ia a casa aos fins-de-semana”, recorda o sportinguista. “[Lá] aprendi valores que tenho no meu código de honra para a vida”.

FRANCISCO RODRIGUES DOS SANTOS, 29 Portugal President, Juventude Popular

Since becoming the leader of Centro Democrático e Social - Partido Popular’s Juventude Popular, Francisco has helped the organization grow to over 20,000 affiliates and double the number of elected members of JP, who promote a Conservative, Christian-Democratic policy platform in Portugal, in municipal elections.


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Bernardo Manuel de Almeida e Vasconcelos Diniz de Ayala (171/1980) Co-Managing Partner da Úria Menéndez-Proença de Carvalho, em Portugal.

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antigo aluno 171 de 1980, Bernardo Diniz de Ayala, foi designado Co-Managing Partner da Uría Menéndez - Proença de Carvalho em Portugal, com efeitos a 1 de janeiro de 2018. Bernardo Diniz de Ayala iniciou a sua carreira em 1993 de advogado na Morais Leitão, J. Galvão Teles & Associados (hoje Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados), de onde transitou, em 1995, para a Sérvulo Correia, Asdrúbal Calisto, Jorge Calisto & Associados (hoje Sérvulo & Associados). Em 2008 tornou-se sócio da Uría Menéndez, uma sociedade de advogados internacional com sede em Madrid. A Uría Menéndez é uma sociedade de advogados líder no mercado ibero-americano, com 17 escritórios localizados nos centros financeiros mais importantes da Europa, da América do Norte e do Sul e da Ásia. Foi fundada em 1946 e conta atualmente com cerca de 700 advogados na Europa e 300 na América Latina. Bernardo Diniz de Ayala presta assessoria jurídica nas áreas de Direito Público, Project Finance e Energia e Recursos Naturais Nessas áreas, dedica-se especialmente a (i) contra-

tação pública (sobretudo a que assenta em project finance), (ii) contencioso administrativo e arbitragem relativa a matérias de Direito Público, (iii) responsabilidade civil da Administração Pública, (iv) M&A (fusões e aquisições) envolvendo atividades com regulação de Direito Público, (v) privatizações, (vi) regulação em geral, (vii) produtos financeiros contratados por entidades públicas e (viii) ambiente, energia e recursos naturais. Entre 2015 e 2017 integrou, como único representante português, o Conselho de Administração da Uría Menéndez. No final de 2017, foi designado Co-Managing Partner da sociedade em Portugal, cargoquedesempenhadesde1dejaneirode2018. Bernardo Diniz de Ayala tem sido reiteradamente reconhecido como Leading Individual em Direito Público e Project Finance pelos diretórios internacionais Chambers and Partners, Legal 500 e International Financial Law Review. Em 2009, a publicação jurídica Iberian Lawyer destacou-o com o prémio 40 under Forty. No mesmo ano, foi considerado Melhor Advogado de Direito Público, em Portugal, pelo Diário Económico.


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Pedro Guedes de Andrade Puppe dos Santos (20/1989) Músico - Aquitecto

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o passado dia 3 de Março foi apresentado no MUSICBOX em Lisboa o novo disco “X“ da banda OIOAI liderada por Pedro Puppe, com dois “singles“ : “Ela Melhora“ e “Pintar o Mar“, este último com um videoclip realizado em parceria com a QUERCUS num manifesto que pretende alertar toda a população para os riscos inerentes à exploração de petróleo na Costa Vicentina, do Algarve. Mas quem é Pedro Puppe ? O 20 de 1989 – Pedro Guedes de Andrade Puppe dos Santos - Porta Guião do Colégio no ano lectivo 1996/97 – desde cedo revelou a sua tendência para as artes musicais compondo letras e músicas, apresentadas em público pela primeira vez na Récita do seu curso com a sua “banda colegial DOGMA“. Saído do Colégio, licenciou-se em Arquitectura na Faculdade de Arquitectura e Artes da Universidade Lusíada de Lisboa, mas já antes de terminar o curso a sua banda despertava o interesse de várias multinacionais da indústria da música, tornando a escolha de carreira para si evidente (já se tinha iniciado na produção musical na EMI com um contrato para 3 discos). “OIOAI” – a sua banda de rock portuguesa – edita em 2006 pela EMI um album com o mesmo nome – “OIOAI”, e em 2009 “Pela Primeira Vez” com a mesma banda e com a mesma editora, o seu último album de originais. Autor e compositor da música “Pertencer” com os Xutos e Pontapés, de “EP“ - disco com 7 músicas pelos “MIUDA” (2011), compositor da canção “Clandestinos do Amor” com Ana Moura, vencedora do Prémio Sophia para a melhor canção original (música do filme “Os gatos não têm vertigens” de António Pedro Vasconcelos). Em 2013 edita o primeiro disco a solo “Setembro” pela Optimus Discos e desde então participa com vários artistas nacionais a nível de produção musical e edição de texto.

Edita o novo disco “X“ com os OIOAI em 2018, marcando o regresso de uma excelente banda portuguesa. A propósito deste lançamento, da página do facebook da OIOAI recolhemos o seguinte texto: “A história deste acerto de contas podia começar de várias maneiras. Por exemplo, com o momento em que cinco tipos a rondar os 40 anos resolvem entrar num estúdio para gravar o primeiro disco juntos. Ou quando os quatro se reencontram no casamento de um quinto e sentem por uns instantes como seria bom voltarem a ser uma banda. Ou até mesmo naquele pensamento insistente que nunca largou um deles, de que deviam concretizar o álbum tão desejado por aquele mesmo grupo quando ainda eram “uns putos irreverentes”. De uma forma mais linear, podíamos começar assim: mais de dez anos depois do último concerto, a formação inicial dos OIOAI grava por fim o primeiro álbum de estúdio. Contam neste novo LP, que se chama “X”, com um quinto elemento. E ainda com mais uns bons anos de vida, feitos de várias outras bandas, muitas centenas de concertos e descendência abundante, num total de oito filhos. O resultado, 10 faixas de rock’n’roll encorpado, que vão desde temas mais pessoais, como a perda de quem mais amamos, a reflexões sobre a passagem do tempo e um manifesto contra a exploração de petróleo na Costa Vicentina. O casamento que agora faz parte da história de todos, no Verão de 2016, foi o de João Gil (Diabo na Cruz, You Cant’ Win Charlie Brown), o único membro novo desta formação. Os restantes são Pedro Puppe, João Neto, Bernardo Barata e João Pinheiro, os mesmos que se juntaram pela primeira vez em 2002 e que passaram o ano de 2004 a tocar todas as semanas no bar Europa, no Cais do Sodré, em Lisboa. “Eram concertos memoráveis, ‘de vida ou de morte’”, lembra Puppe”.


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Adendas e Correcções

Adendas e Correcções Z-209 O Navio da Morte No nº 209 da ZacatraZ, de Outubro/Dezembro de 2017, foi publicado o artigo «O navio da Morte» de autoria de João Nuno Ribeiro Ferreira Barbosa (16/56). Nesse artigo é referido o General Luis Frederico Pinto Tavares de Figueiredo, cuja mãe foi num bote a remos, alugado em Belém, até junto do paquete Moçambique (o navio da morte), que vindo de Moçambique estava fundeado no Tejo, em quarentena, para saber se o seu marido estava vivo ou morto. O General Tavares de Figueiredo, referido no artigo, foi professor de Matemática no Colégio Militar de 1958 a 1962.

Z-209 O BANHO

A Redacção

No nº 209, de Outubro/Dezembro de 2017, da ZacatraZ, na rúbrica «Apontamentos do Passado», João Nuno Ribeiro Ferreira Barbosa (16/56) apresentou um texto em que nos descrevia como se realizava, duas vezes por semana, o sagrado ritual do banho, no Colégio Velho, sob o comando do Artur, o homem que detinha todo o poder, ou seja, os manípulos de abertura e fecho das águas quente e fria. Para que os mais novos pudessem perceber como as coisas se passavam, até apresentou um desenho a acompanhar o texto, com o pessoal a duchar-se sob o olhar atento do Artur. Apenas faltou o som, com os berros que a malta dava quando a temperatura da água não era a seu gosto. Esta é uma falha que ainda não conseguimos suprir. Ainda não conseguimos incluir na ZacatraZ uma banda sonora. Mas fora o som, tudo estava lá no texto e no desenho. Aconteceu porém, que ao folhearmos o Volume I da «História do Colégio Militar», de José Alberto da Costa Matos (96/50), fomos encontrar na página 285 uma descrição e uma fotografia daquele balneário do Colégio Velho, onde gerações e gerações de Antigos Alunos procederam à sua higiene expedita, pois os duches eram tomados em regime de contra relógio, havendo sempre uma formatura à nossa espera. Costa Matos descreve assim o antigo balneário: «O balneário era um grande salão que tinha ao meio e longitudinalmente uma divisória em pedra mármore que formava duas alas, em cada uma das quais havia celas ou compartimentos individuais separados por divisórias, também em pedra mármore, em número de dezoito em cada ala e dotadas de chuveiro.

Em frente a essas celas para o banho e apoiados nas paredes havia os compartimentos correspondentes, cada um deles provido de dois cabides e uma banca; no piso havia um estrado corrido para o serviço de todos os compartimentos. A saída da água, quente ou fria, era comandada, do seu posto de manobra, por um fâmulo; a água quente vinha das fornalhas da cozinha e era acumulada num reservatório elevado que ficava a um canto e junto ao tecto.» O texto aqui transcrito era acompanhado da fotografia também aqui apresentada, que condiz rigorosamente com o texto, mas que não condiz com o desenho e com a descrição abreviada de João Nuno Barbosa. No ano em que eu frequentei aquele balneário, que foi o último ano em que o mesmo funcionou, ele não apresentava os requintes de privacidade que se podem ver na fotografia. Não havia 18 celas individuais para banho de cada lado da divisória central de mármore, nem havia os correspondentes espaços individuais para cabides. Era tudo aberto, como se apresenta no desenho do João Nuno Barbosa. O aumento da população colegial a isso teria obrigado (eramos então 440 alunos), aumentando-se também o número de chuveiros, pois íamos muito mais do que 36 Alunos simultaneamente para o banho. Era a confusão total, que confesso que me deixou surpreendido a primeira vez que entrei naquele balneário. Nunca tinha imaginado nada assim, com o pessoal todo despido, parecia uma moderna colónia de nudistas. Havia alguns mais «distraídos» que trepavam para as janelas situadas do lado direito da foto, que davam para o Pátio dos Fâmulos, o que originava algumas queixas apresentadas nas companhias. Assinalo ainda uma diferença importante na «ponte de comando», ocupada pelo Artur, que administrava a seu bel- prazer as águas frias e quentes. Na fotografia aqui reproduzida vê-se um grande volante metálico, uma espécie de roda do leme. Não me lembro de alguma vez ter visto tal coisa. Se aquilo tivesse existido no meu tempo, creio que teríamos promovido o Artur a Comandante, senão mesmo a Almirante. Na foto apresentada só falta uma coisa, a grande nuvem de vapor, devida à água quente, em que ficávamos envolvidos quando os banhos se aproximavam do fim. Parecia que estávamos nos banhos turcos. Luis Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/57


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Ciclo de Camaradagem

Manuel Júlio Matias Barão da Cunha 150/1948

Ciclo de Camaradagem (O presente artigo surge na sequência do artigo «ZACATRAZ esteve no Açor, na jornada agridoce de «Um por Todos, Todos por Um»», publicado no n.º 209, de Outubro/Dezembro de 2017, pp 46 e 47).

O homenageado na cerimónia na Academia Militar

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pós a tragédia nacional dos incêndios, em 2017.10.15, que afetou o nosso camarada colegial coronel de Cavalaria reformado Ruben de Almeida Mendes Domingues (196/1948), através da destruição da sua mansão familiar, situada na Portela da Cerdeira, freguesia de Coja, concelho de Arganil, na serra do Açor, como

referido em artigo anterior, deslocámo-nos lá, numa missão de camaradagem, em apoio dele, coincidindo com o seu 80.º aniversário, entre 3 e 5 de Novembro passado. Seguiu-se outra jornada marcante, de grande camaradagem/solidariedade, vivida no passado dia 21 de Dezembro, na Academia Militar, envolvendo três gerações.

A geração mais antiga foi representada por tenente-general reformado Vasco Joaquim Rocha Vieira (127/1950), último governador de Macau, membro do Conselho Supremo da AAACM, que organizou a jornada, conjuntamente com o Comando da Academia Militar, major-general reformado Manuel Monge (do curso do homenageado na Academia Militar e que lhe


Ciclo de Camaradagem

Entrega do diploma da Academia Militar, pelo Major-General comandante da Academia

Entrega da espada, pelo Major-General Manuel Monge.

ofereceu uma espada), o homenageado Ruben Domingues, sua irmã (Mitu) e o signatário (150/1948) que foi professor no Colégio de 1971 a 1973. A geração seguinte era a do comandante da Academia, major-general e doutor Vieira Borges (nascido em Luanda, em 1962), e do seu estado-maior, que integrava os coronéis de Artilharia Luís Monsanto (comandante do Corpo de

Alunos), de Infantaria José Fernandes (adjunto do diretor da Instrução), de Cavalaria Francisco Amado Rodrigues (diretor da Biblioteca) e tenente-coronel de Cavalaria Jorge Gonçalves Pedro (chefe de gabinete do comandante); e dos filhos mais velhos de Ruben Domingues, Ruben (196/74) e Rute (residente em Madrid, mas que fez a surpresa de aparecer). A terceira geração

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era composta por alguns cadetes da Academia, embora já estivessem em férias escolares. Fomos condignamente recebidos no gabinete do comandante, antigo quarto da princesa D. Catarina de Bragança, a que levou o uso do chá para Inglaterra. Pouco depois iniciou-se a cerimónia de homenagem e de camaradagem, sob a coordenação do chefe de gabinete, que seguiu uma ordem cronológica, começando pela entrega da reconstituição do diploma do Colégio Militar, feita pelo signatário, por delegação do diretor do Colégio, coronel de Artilharia António Emídio da Silva Salgueiro (461/1972); seguiu-se a oferta do diploma da Academia Militar, pelo próprio comandante da mesma, cuja reconstituição fora feita pelo artista que fizera os diplomas na devida altura, ou seja, em 1961, ainda com letra desenhada; depois foi a vez do major-general Manuel Monge oferecer uma espada que herdara de um camarada, Baltazar; terminando com o general Rocha Vieira a colocar a medalha da Cruz de Guerra no peito do homenageado. Após esta cerimónia singela, mas significativa, que provocou a emoção de Ruben Domingues e dos presentes, foi-nos feita uma visita guiada a parte da Academia, incluindo o átrio com uma decoração de homenagem ao fundador da Escola do Exército e a capela que irá ser restaurada, com o apoio do Município de Lisboa. No caminho para a sala de refeições, tive o gosto de constatar mais melhorias relativamente ao meu tempo de cadete (1955/58), incluindo no campo de futebol e râguebi, que era de terra batida, agora relvado, campo de obstáculos de Equitação, também, entretanto, relvado; e de observar bastantes crianças que usufruíam dos campos de jogos e da piscina, devido a um acordo com a Junta de Freguesia; enfim, provas de a Academia estar aberta à comunidade em que se insere. O convívio prolongou-se através de uma simpática refeição, na qual participaram o comandante e seu estado-maior, Ruben Domingues, irmã, filhos e os seus camaradas contemporâneos Rocha Vieira, Manuel Monge e o signatário.


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Ciclo de Camaradagem

de Spínola e Santos Pardal (587/1961), vice-presidente da Direcção da AAACM e coronel paraquedista e doutor Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950), também condecorado com a medalha da Cruz de Guerra, diretor da nossa revista Zacatraz, e engenheiro Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957), chefe de redação de Zacatraz. Fomos condigna e afetuosamente recebidos pelo diretor, Coronel de Artilharia António Emidio da Silva Salgueiro (461/1972), e pelo subdiretor coronel de Cavalaria Rui Miguel de Sousa Ribeiro Rebordão de Brito (1/1982), filho de um herói, seguindo-se uma visita ao Museu, onde encontrei uma fotografia retratando a equipa que preparou a comemoração dos 200 anos do Colégio Militar em Oeiras e em Lisboa. Depois, fomos, numa carrinha, percorrer vários pontos do Colégio e ouvindo esclarecimentos por parte do diretor, tendo ficado, mais uma vez, bastante impressionado favoravelmente pelo muito que esta equipa está fazendo pelo Colégio. Parece interessante referir a singularidade de diretor, presidente da direção da AAACM e presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação terem pertencido ao mesmo curso colegial. E a jornada integrou, também, um simpático almoço de confraternização, na Messe de oficiais e professores, situada no antigo Pavilhão de Química, a caminho da Enfermaria; após o qual, ainda fui com Raul Folques, Artur Pardal e Ruben Domingues à sede da AAACM, para o Ruben se inscrever como sócio, encerrando, assim, este ciclo de camaradagem/solidariedade de «Um por Todos, Todos por Um»…

Entrega da Cruz de Guerra, pelo General Rocha Vieira.

Fotografia de conjunto na escadaria principal da Academia Militar

Foi, pois, uma jornada intensa de grande camaradagem, em que foi oferecido ao Ruben, simbolicamente, parte do muito que perdeu no incêndio e de que tinha mais gosto, nomeadamente, diplomas, espada e condecorações… E o ciclo de solidariedade terminou com mais uma jornada de confraternização, desta vez no Colégio Militar, onde Ruben Domingues quis

ir agradecer o apoio recebido. Foi no dia 9 de Fevereiro, 6.ª feira, sendo acompanhado, novamente, por Vasco Rocha Vieira e o signatário, mas também pelo presidente da Assembleia Geral da AAACM, coronel tirocinado comando Raul Miguel Socorro Folques (380/1952), condecorado com a ordem da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito e com três medalhas da Cruz de Guerra, engenheiro Artur Manuel

Nota da Redacção Reconstituida a identidade militar de Ruben Domingues, desejamos-lhe agora uma rápida reconstrução da sua casa, para que dela possa usufruir, lembrando-se da sua “malta” do Colégio.


215º Aniversário do Colégio Militar 3 de Março de 2018

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Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957

215º Aniversário do Colégio Militar

©Foto Leonel Tomaz

3 de Março de 2018

Escolta apeada na Feitoria.

H

abitualmente o Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949) acompanhava a primeira parte das cerimónias comemorativas dos aniversários do Colégio Militar, que decorrem de madrugada na Feitoria. Eu ficava-lhe muito grato por essa sua iniciativa, que me permitia desfrutar mais um par de horas do aconchego da cama, o que no Inverno é coisa que aprecio. Na ausência do Gonçalo, coube-me a mim avançar, pelo que testemunhei pela primeira vez esta parte das cerimónias. Às 7H30 da manhã já eu estava à porta da Feitoria e não fui o primeiro a chegar. O tempo estava agreste, o mar encapelado com ondas altas a desfazerem-se em espuma e a chuva a ameaçar cair a qualquer momento. Não era

uma atmosfera muito propícia a cerimónias ao ar livre mas como andámos todos a pedir chuva durante meses, não podíamos reclamar. Às 8H00 começaram as cerimónias, presididas pelo Director do Colégio, Coronel António Emidio da Silva Salgueiro (461/1972), perante uma formatura de uma parte da Escolta, em que notei um facto elucidativo de como as coisas estão evoluindo no Colégio. Exactamente metade do efectivo da formatura era composto por raparigas. As cerimónias começaram com o hastear da Bandeira Nacional no mastro que dantes ficava sobranceiro ao mar, mais propriamente dito sobranceiro à praia do morto (deu lá à costa há muitos anos o corpo de um homem morto) e que agora fica sobranceiro à piscina

e à marina. A Bandeira Nacional, dobrada e colocada sobre uma bandeja, foi transportada pelo Batalhãosinho até junto ao mastro, onde o esperava o Comandante de Batalhão, que se encarregou de a amarrar à adriça e de a fazer subir no mastro, ao som de um tambor e de uma corneta, que sublinharam o significado do momento. Ficou assim a bandeira desfraldada ao vento forte a indicar que era dia de festa naquela casa em que há 215 anos Teixeira Rebelo fundou o seu Colégio. Seguiu-se o acender da chama Colegial, acto em que o Comandante de Batalhão e o Batalhãosinho foram acompanhados pelo Director do Colégio e pelo Antigo Aluno presente mais antigo, Raúl Miguel Socorro Folques (380/1952), presidente da Mesa


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Acender da Chama na Feitoria.

Continência ao Estandarte Nacional.

da Assembleia Geral da nossa Associação, ilustre Menino da Luz, oficial da Ordem da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito, um exemplo vivo para toda a comunidade colegial. Com a chama a levantar-se altaneira, ateou-se nela uma segunda chama, que foi transferida para o interior de uma lanterna envidraçada, que o Batalhãosinho levou marchando para uma viatura, que iria fazer de seguida o seu transporte para o Colégio, para aí acender a chama na parada Teixeira Rebelo. Concluída a parte da cerimónia descrita, todos os presentes se deslocaram para o pequeno átrio de entrada do refeitório, onde estava uma mesa preparada para a assinatura de um convénio, relativo à feitoria, entre o Colégio, a Câmara Municipal de Oeiras e a empresa Oeiras Viva. O convénio foi assinado, em triplicado, pelos representantes das três entidades, tendo no final o Director do Colégio feito um pequeno improviso alusivo ao acto. De improviso, respondeu também o representante da Câmara Municipal de Oeiras, manifestando o seu prazer pela celebração daquele convénio e o particular significado do mesmo, por envolver as Forças Armadas, cujo papel como reserva moral da Nação sublinhou. Foi uma afirmação que calou fundo nos presentes, que como «filhos» do Colégio Militar procuram sempre enaltecer e defender os valores militares que nele lhes foram transmitidos.

Estava previsto que as cerimónias no Colégio se iniciassem às 10H00, na parada Teixeira Rebelo, incluindo uma alocução do Presidente da nossa Associação ao Batalhão Colegial, seguindo-se, cerca de uma hora mais tarde, a cerimónia nos Claustros. O programa teve de ser alterado mesmo sobre a hora, devido à forte chuvada que caiu. A manter-se a primeira parte das cerimónias na parada Teixeira Rebelo, tanto o Batalhão como a numerosa assistência ter-se-iam apresentado completamente encharcados para a segunda parte das mesmas, tirando-lhe o brilho que merecia. Atendendo a que fomos educados no princípio de que a «chuva não molha militar», houve alguns dos Antigos Alunos que não estiveram de acordo com a medida e logo ali recordaram monumentais molhas, que tinham apanhado em várias cerimónias no seu tempo de Alunos. Cedo falaram, pois os actuais Alunos também levaram que contar deste 3 de Março, como adiante se verá. Suprimida a primeira parte da cerimónia, as famílias dos Alunos tomaram os seus lugares na piso superior dos Claustros. As cerimónias iniciaram-se então com as quatro Companhias e a Escolta formadas nos Claustros, tendo ficado a 4ª Companhia e a Escolta sob as arcadas, o que constituiu uma enorme vantagem para os seus componentes, que assim se livraram de parte da chuvada. O Comandante de Batalhão

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e o seu Ajudante, que de há uns anos a esta parte se designa por Adjunto (vá-se lá saber porquê), tomaram o seu lugar frente à formatura, procedendo-se logo de seguida à apresentação das Companhias e da Escolta ao Comandante de Batalhão. Com o Batalhão pronto, deu entrada nos Claustros o Tenente-General Vice-Chefe do Estado-Maior do Exército (VCEME) Fernando Celso Campos Serafina, a quem o Batalhão prestou a continência devida. Seguiu-se a integração do Estandarte Nacional na formatura, com o Batalhão apresentando armas e cantando a uma só voz o Hino Nacional, no que foi acompanhado pela assistência. Entretanto tinha começado a chover, não tendo parado a chuva até ao final da cerimónia, o que, como atrás se disse, também deixou os actuais Alunos com algo que contar no futuro. Seguiu-se a homenagem aos Antigos Alunos mortos pela Pátria om a deposição de uma coroa de flores no átrio principal, junto ao busto do fundador. Fizeram-se então ouvir as cornetas, tocando a silêncio, ao que se sucedeu o toque de homenagem aos mortos, sublinhado por sonoras pancadas no bombo, que a todos fizeram vibrar. Este momento, que nos actuais Alunos poderá não despertar muitas emoções, cala fundo nos Antigos Alunos, a quem já lhes falta muita gente quando olham em torno de si, sentindo-se cada vez mais sozinhos. Concluiu-se esta parte da cerimónia com


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Recepção ao VCEME na parada Serpa Pinto.

o toque vibrante da alvorada, lembrando a todos que a vida continua e dando a certeza aos mais velhos, que aqueles jovens ali à nossa frente que nos sucederão, são a garantia que os valores do Colégio continuarão a ser cultivados. De seguida foi a vez de o Director fazer a sua alocução, que foi breve, mas carregada de significado. Apresentamos de seguida um extracto da referida alocução, em que se dirigiu aos Alunos em particular. Alunos do Colégio Militar, Como sempre, e cada vez mais nos dias de hoje, a determinação de cada um de vós, a capacidade de trabalho, a vontade de vos superardes, de serdes exemplo positivo e reconhecido de mérito e conduta, marcará a diferença e será, de facto, um contributo individual para a diferenciação do nosso Projeto Educativo e um pilar para a vida pessoal e profissional de cada um. Neste Claustro, espaço de memória coletiva, gerações e gerações de pequenos rapazes, jovens adolescentes, formaram-se como Homens da nossa Pátria comum. Muitos deles, como já frisei, são referências em diferentes áreas de trabalho como exemplos de conduta, de ética, de capacidade de inovar, criar e liderar. Esse sempre foi o nosso perfil de formação. Uma formação que supera a normal preparação académica e que dá, a cada um dos alunos desta

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Casa, bases fundamentais para a sua vida em sociedade e para a sociedade, tais como: determinação, espírito de sacrifício, solidariedade, sentido de responsabilidade e liderança. Tenho afirmado repetidamente, “Ser Menino da Luz não é opção fácil!”. Temos uma Escola exigente no dia a dia, muito para além do que hoje a sociedade entende suficiente ou adequado para os jovens estudantes. Exigente na atividade diária, na prática gímnica ou desportiva e na rotina derivada da matriz militar. Exigente na postura e no exemplo. O cumprimento dessa exigente rotina continua a ser o alicerce para um relacionamento colegial leal e correto nas atitudes, assente numa disciplina individual e colectiva que tem que decorrer do cumprimento, assumido e consciente, dos princípios e valores enunciados no nosso Código de Honra e nas tradições que fortalecem a forma de ser e de estar do aluno do Colégio Militar. Peremptoriamente, assumo, que esse é o nosso rumo! Não serve apregoar e depois ignorar. Não chega afirmar, é obrigatório praticar. Basta de demagogias, há que saber ser e saber fazer, há que saber cumprir e saber demonstrar pelo exemplo, pela conduta responsável e correta, a todos os níveis, dos mais novos aos mais antigos, em particular os alunos que exercem por mérito próprio e distinção do Colégio funções de Graduados, o porquê de sermos “Meninos da Luz”!

Reforço, ainda, que disciplina, caráter, respeito mútuo e camaradagem são reflexo natural da prática da nossa divisa, “Um por Todos, Todos por Um”, a qual resume os saudáveis conceitos dos valores colegiais impressos no Código de Honra do Aluno que todos devem cumprir e fazer cumprir! Sempre pela positiva, sempre com orgulho, sempre com sentido do dever! Ao discurso sucedeu-se a imposição de condecorações, tendo-se vivido então um momento emocionante, com a entrega à viúva do Professor José Manuel Pinto Lopes, que exerceu funções no Colégio, da Medalha de D. Afonso Henriques, atribuída a título póstumo ao seu marido. De seguida foi a vez da entrega de prémios aos Alunos que melhores classificações obtiveram na Instrução Militar, na Educação Física, na Esgrima e na Equitação. Os Alunos premiados foram os seguintes: - Instrução Militar. Aluna nº 145 Andreia Filipa Santos Vieira - Educação Física. Aluno nº 244 Tiago Manuel Anaia Ferreira Fernandes - Esgrima. Aluno nº 313 José Pedro Bento Mendes. - Equitação. Aluno nº 16 Filipe Morgado de Carvalho. Terminada a distribuição dos prémios e reintegrados na formatura os Alunos que receberam


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Batalhão perfilado no Marquês de Pombal.

os prémios, o Comandante de Batalhão deu o tradicional brado de ZacatraZ por Portugal, acompanhado por todo o Batalhão e pelos Antigos Alunos presentes. Foi o aquecimento de vozes destes últimos, para os gritos de incitamento que iriam dar de seguida, durante o desfile. Concluída assim a cerimónia nos Claustros, a alta entidade presente, famílias dos Alunos e Antigos Alunos deslocaram-se para a parte da frente do edifício do Colégio, para aí assistir ao desfile do Batalhão, ao longo da estrada da Luz. O Batalhão saiu dos Claustros pela sua parte lateral, entrou na estrada da Luz, junto à Igreja, e passou marchando garbosamente, indiferente à chuva inclemente que caia, pela frente do Colégio, em continência ao VCEME, seguindo depois pela estrada da Luz até ao portão de entrada da parada do Corpo de Alunos. Foi bonito de se ver, com os Alunos a manterem todo o seu aprumo e a mostrarem a todos, que ali não ia um Batalhão qualquer, a cumprir de forma rotineira um cerimonial que o calendário determina. O que ali desfilava era algo de muito diferente. Era um Batalhão com ALMA E ORGULHO. A única interrogação que ficou na cabeça dos presentes foi «Como é que eles vão conseguir secar as fardas até amanhã de manhã?»

Batalhão perfilado no Marquês de Pombal.

4 de Março Este foi o primeiro desfile na Avenida em que não trepei ao monumento dos Restauradores ou me pendurei num candeeiro, para melhor ver o Batalhão a marchar. As minhas funções na Associação obrigam-me agora a refrear os meus ímpetos. Eram 9H30 e já na parte baixa do Parque Eduardo VII estava tudo em preparativos, reinando

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grande azáfama. O Batalhão preparava-se para entrar em formatura e a multidão preparava-se para não perder pitada do «espectáculo» que se iria desenrolar a seguir. O Batalhão formou com a escolta postada a seu lado. As apresentações das Companhias e da Escolta ao Comandante de Batalhão foram feitas, após o que, com o pessoal todo em sentido, se ouviu o som agudo da requinta, tocando o


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Integração do Estandarte Nacional na formatura.

Batalhão Colegial a desfilar na Avenida.

sinal do Colégio Militar, ao que se seguiu o canto, em uníssono, pelo Batalhão e pelos Antigos Alunos, do Hino do Colégio. Deu-se então a integração da Bandeira Nacional na formatura. Postada a Bandeira e a sua escolta em frente da formatura, o Comandante de Batalhão ordenou apresentar armas e foi a vez de se entoar o Hino Nacional. Ficou então tudo pronto para se iniciar o desfile.

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Desta vez assisti ao desfile no ponto de continência junto ao monumento aos mortos da Grande Guerra, onde estava postado o Major General Director de Educação do Exército, a Direcção do Colégio e os representantes dos diferentes órgãos da nossa Associação. Encontravam-se aí também postados os Alunos do 1º ciclo (Escola Primária) do Colégio. O desfile correu tão bem, ou melhor, do que o desfile do

dia anterior. Notei, que raparigas, em número muito significativo, são agora comandantes de pelotão. Surpreendeu-me o facto de imediatamente a seguir à 4ª Companhia se deslocar um grupo de Antigos Alunos dos mais novos, que presumo que estariam a querer matar saudades dos seus tempos de Alunos. As indumentárias apresentadas eram das mais variadas, o que dava um ar anárquico ao conjunto. Há anos atrás, lancei a ideia de fazer marchar, a seguir à 4ª Companhia, o guião da nossa Associação, enquadrado por um pequeno número de Antigos Alunos, devidamente ataviados, de fato ou de blaser, consoante o que fosse mais exequível. Talvez um dia a ideia ainda pegue. Para gáudio da assistência, a Escolta a cavalo desfilou galopando, com um ou outro dos cavaleiros/as de menor estatura com alguma dificuldade em manterem os alinhamentos, o que é absolutamente compreensível. Uma cavaleira que enquadrava o guião da escolta, que montava um cavalo mais rebelde, que lhe tinha causado algumas dificuldades ainda no Parque Eduardo VII, passou no ponto de continência com a situação completamente controlada. Ao desfile seguiu-se a missa, da forma tradicional, na Igreja de São Domingos, que como sempre foi


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A Escolta a descer a Avenida.

pequena para albergar todos aqueles que queriam assistir à celebração. Fiquei bem impressionado com o coro e a orquestra do Colégio, que participaram na missa. Segundo me disseram, os professores de música que vieram do extinto Instituto de Odivelas têm contribuído muito positivamente para a melhoria do ensino da música no Colégio. A actual orquestra é nos nossos dias a sucessora da orquestra criada no Colégio pela reforma de 1901, da autoria do insigne Director Coronel José Estevão Morais Sarmento. Dado passarem este ano 400 anos sobre a inauguração do Hospital de Nª Srª dos Prazeres, onde o Colégio se instalou, pela primeira vez em 1814 e de forma definitiva em 1873, decidiram, em boa hora, a Direcção do Colégio e a nossa Associação assinalar este aniversário com o descerramento de uma lápide evocativa nos Claustros e com uma sessão no Anfiteatro principal do Colégio. A lápide, de mármore negro, que foi descerrada nos Claustros ficou colocada sobre a porta que dá acesso às instalações do Museu Colegial. Na sessão que teve lugar no Anfiteatro foram oradores a Arquitecta Marta Ataíde e o Antigo Aluno José Alberto da Costa

Matos (96/1950). A Arquitecta Marta Ataíde, que já do antecedente guiou visitas ao conjunto arquitectónico da Ordem de Cristo no Largo da Luz e que tem obra publicada sobre o assunto, incluindo um artigo publicado na ZacatraZ sobre o referido conjunto, pôs particular enfase, na sua intervenção, no edifício do Hospital. José Alberto da Costa Matos, demonstrou-nos mais uma vez os seus vastos conhecimentos sobre a história do Colégio, pondo particular enfase no edifício do antigo Hospital, descrevendo-nos, em pormenor, as sucessivas utilizações dadas às diferentes parcelas do mesmo e as transformações arquitectónicas que sofreu, muitas delas que os mais velhos ainda conheceram. Do anfiteatro seguiu-se para o edifício do internato, onde seria servido o jantar. Esperava-nos aí uma surpresa. O refeitório estava preparado para servir um jantar com os comensais em pé, coisa nunca vista e que lançou a consternação nas hostes, habituadas a abancar às mesas, quase que por cursos, para compartilharem velhas memórias comuns. Gerou-se um certo alvoroço, era necessário sentar de imediato pelo menos os mais velhos, que já não tinham frescura físi-

ca para aguentar uma refeição de pé. Passado o choque inicial, tratou-se do mais importante, que era resolver a questão, o que foi simples. O pessoal foi prontamente mobilizado e foram-se buscar as cadeiras que estavam armazenadas próximo do refeitório. Acabou tudo em paz, a comer o amarelo, que estava melhor do que nos últimos anos. Não estava ainda no ponto de outros tempos, mas é de assinalar a evolução positiva. No refeitório dos veteranos, onde por força da idade me integro, a sessão culminou com um vibrante ZacatraZ, em que fomos liderados por Nuno Vilares Cepeda (310/1941), um dos mais antigos presentes, que foi oficial meu Comandante de Companhia (um dos melhores) no meu tempo de Aluno, que mantem uma notável frescura física e intelectual e que ali nos contou como na década de noventa teve a oportunidade de ver um programa da televisão italiana, em que se dizia que Portugal tinha das melhores Forças Armadas da NATO, ilustrando esta afirmação com imagens de um desfile do Colégio pela Avenida da Liberdade. Foi mais um 3 de Março bem passado, em que se honraram as tradições do Colégio.


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Os que nos deixaram

Os que nos deixaram Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949) Licenciado em Engenharia Técnico Agrária Nasceu a 22 de Maio de 1939 Faleceu a 14 de Dezembro de 2017

O

Gonçalo partiu, mas permanecerá sempre vivo na memória dos que tiveram o privilégio de consigo conviver. Morreu um Homem. Deixou atrás de si um rasto de luz. Foi um verdadeiro Menino da Luz. Elogio Fúnebre a Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949) 17 de Dezembro de 2017 Cemitério do Alto de S. João - Lisboa Meus Amigos, Estamos aqui reunidos para a necessária e merecida homenagem ao Gonçalo por parte dos seus familiares e de quem com ele estudou e trabalhou. Uma primeira palavra de respeito e acompanhamento para a Família, filhos, netos e restantes membros. Estamos convosco! Nós, humanos, e as sociedades em geral convivemos mal com a morte; é algo que ao longo da vida parece estar sempre muito distante, e embora saibamos ser um destino inevitável, somos quase sempre apanhados de surpresa e com cho-

que. Isto voltou agora a acontecer! Fica sempre a questão:- Como foi possível? O Gonçalo entrou em 1949 para o CM tendo depois passado para o meu Curso, o de 1950, tendo saído depois de completado o 5º ano. Embora não tendo terminado ali o 7º ano, absorveu na totalidade e no melhor sentido todos os valores que ali se ensinavam. Foi verdadeiramente um homem de valores éticos, de rigor, de organização, de lealdade e frontalidade, de grande cortesia e com uma grande capacidade executiva, tanto só como em grupo. Formou-se em 1962 em Engenheiro Técnico Agrário na Escola Superior de Évora tendo sempre trabalhado nas questões agrárias, florestais e também de eletricidade; entre 1983 e 1992 teve responsabilidades de Direção na Companhia de Eletricidade de Macau, terra onde deixou grandes ligações. Mesmo depois de reformado em 2004 continuou em atividade liberal a trabalhar nos ramos de avaliação e de engenharia agrária e florestal. Convivemos muito depois de 2005 quando fui Presidente da AAACM até 2008 e depois Presidente da AG, relação forte que se manteve até hoje. A Revista da AAA era então dirigida pelo Eng. Mário Falcão (314/1936), nascido em 1924, homem raro, de grande memória e dedicação; a revista tinha ainda um estilo artesanal e já ultrapasado, mas o Gonçalo dava todo o apoio redatorial e

organizativo ao seu então Diretor, sem nunca o querer ultrapassar ou substituir. Foi um exemplo notável de lealdade e amizade a não esquecer; ele dizia que só ali estava por causa do Mário Falcão. Só se decidiu mexer na conceção, formato e estrutura da Revista, depois a ZACATRAZ, quando o Mário Falcão, já muito doente se afastou e o Gonçalo assumiu a sua Direção; conseguiu atingir níveis de qualidade notáveis, na sua apresentação, nos conteúdos, nas notícias, reportagens e entrevistas, no cumprimento dos prazos, reunindo um grupo redatorial permanente de grande qualidade e dedicação que muito a enqriqueceram e é, em si, uma fotografia perfeita das suas qualidades. A ZACATRAZ que muito honra a AAACM e a nós todos Antigos Alunos é o espelho do Gonçalo. Estes seus valores e comportamento foram nova e plenamente demonstrados no nosso Conselho Supremo e no Conselho de Delegados de Curso. Verdadeiramente, depois da morte da Biza que muito o abalou, a AAACM e a ZACATRAZ eram grande parte da sua vida. Por tudo o que fez foi também, muito merecidamente, Prémio Barretina “Amor ao Colégio Militar” em 2011. As presenças que hoje aqui se encontram neste triste e frio 17 de Dezembro demonstram a amizade e o respeito que todos por ele tínhamos. Antes de ocorrer o final definitivo deste nosso Amigo, proponho um momento coletivo de sentida relexão em sua memória. Que descanse em Paz! Lisboa, 17 de Dezembro de 2017 José Garcia Leandro 94/1950


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Os que nos deixaram

António Malta Leuschner Fernandes (436/1933) Coronel de Cavalaria Nasceu a 7 de Agosto de 1922 Faleceu a 16 de Janeiro de 2018

O adeus a um Homem

S

ó cheguei a conhecer o Leuschner Fernandes depois do “25 de Abril”. Ele era dezassete anos mais velho do que eu, tendo sido admitido no Colégio Militar em 1933 com o n.º 436. Terminou o curso colegial no ano em que eu nasci (1940), tendo no último ano sido Comandante de Secção (graduado de uma estrela) da 3.ª Companhia de alunos. Quando deixou o Colégio recebeu o posto de 1.º Sargento-Cadete do Exército indo então fazer os “Preparatórios” na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, findos os quais, em 1941, ingressou na Escola do Exército, onde concluiu o Curso de Cavalaria em 1943, ano em que as tropas Aliadas desembarcaram na Sicília em plena 2.ª Guerra Mundial. Concluído o tirocínio como Aspirante na Escola Prática de Cavalaria (que então era em Torres Novas), foi no ano seguinte colocado como alferes no Regimento de Lanceiros em Elvas, sendo em Maio de 1945, poucos dias depois de terminar na Europa a 2.ª Guerra Mundial, destacado para o Barreiro. Em 1947 transitou para a GNR, prestando serviço durante quinze anos no Batalhão n.º4 (Porto), primeiro integrando o Esquadrão a Cavalo e, posteriormente, já capitão, comandando o Esquadrão Moto-Blindado. Em 1962, findo o tempo limite para poder estar

afastado do Exército, foi colocado no Regimento de Cavalaria 6 (Porto), desempenhando interinamente o cargo de 2.° Comandante da Unidade. Decorridos seis meses foi frequentar no Instituto de Altos Estudos Militares, o Curso de Promoção a Oficial Superior no ano lectivo de 1962-63, após o qual foi mobilizado para servir em Angola onde, até Fevereiro de 1964, já com o posto de major, foi Oficial de Pessoal e Reabastecimento do Comando de Sector de Cabinda. Transferido de seguida para Luanda, desempenhou até final da comissão (Junho de 1965), o cargo de Adjunto do Comando da Defesa de Luanda. Voltou de novo ao Ultramar, desta vez para Moçambique, como oficial de Operações e Informações do Batalhão de Cavalaria 1923 (BCav 1923) mas, tendo sido promovido a tenente-coronel, em Fevereiro de 1968, regressou à Metrópole para assumir o Comando do BCav 2848 que se encontrava em formação. Tornou a Moçambique indo desta feita ocupar o Subsector de Mocímboa do Rovuma. Em Agosto de 1969 regressou ao Regimento de Cavalaria 6 onde desempenhou interinamente as funções de Comandante até meados de 1971. Mobilizado mais uma vez para o Ultramar, agora como Comandante do BCav 3854, seguiu para a Guiné onde assumiu a responsabilidade do Subsector de Nova Lamego até Setembro de 1973. De novo na Metrópole foi promovido a Coronel e colocado como Promotor de Justiça no Tribunal Militar Territorial do Porto. Mas decorrido cerca de um mês, foi nomeado Comandante efectivo do “seu” Regimento de Cavalaria 6, onde se apresentou a 1 de Janeiro de 1974. Decorridos dois meses e meio, a 15 de Março, quando da exoneração de dois antigos alunos

do Colégio, generais Costa Gomes e Spínola, dos cargos de Chefe e Vice-chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, o Leuschner Fernandes apresentou-se no Quartel-General informando o general Comandante da Região Militar de que, a partir de então, não contasse com a sua lealdade. E o general ordenou-lhe como resposta que entregasse o Comando do Regimento ao 2.º Comandante, sendo então mandado apresentar na Direcção da Arma de Cavalaria. Mas não tardou em ser colocado como Juiz Vogal no Tribunal Militar Territorial de Viseu, onde se apresentou na antevéspera da revolução de 25 de Abril de 1974. Não decorrera ainda um mês quando recebeu guia de marcha para ir reassumir no Porto o Comando de que fora destituído. Mas os tempos que se seguiram, quer do ponto de vista militar quer político, não se coadunavam com os valores que lhe haviam sido transmitidos enquanto “Menino da Luz”, e isso era patente nas intervenções que fazia frontalmente aquando das reuniões de Comandos realizadas no Quartel-General (QG). Foi aí que conheci o Leuschner Fernandes pois, no começo de Maio, eu fora colocado no QG. O tempo foi correndo e ele passou a sentir que era progressivamente encarado como um militar insuficientemente revolucionário. E foi assim que em 1975, depois do golpe de “11 de Março”, o Chefe do Estado-Maior do Exército ordenou a sua transferência, como Comandante, para o Centro de Instrução de Condução Auto do Porto (CICAP). Só que esta Unidade era organicamente de Comando de um major ou tenente-coronel, pelo que tal colocação não fazia sentido, sendo ao invés aviltante e vexatória. E o Leuschner Fernandes não ocupou o cargo, requerendo de imediato a sua passagem antecipada à reserva, a qual foi deferida em 31 de Março. Ao longo da sua carreira militar foi distinguido com 20 louvores, e foram-lhe também conferidos os graus de Oficial e de Comendador da Ordem Militar


Os que nos deixaram

de Avis, e condecorado com as medalhas de Serviços Distintos com Palma, Mérito Militar 2.a classe, Assiduidade de Serviço na GNR, e Comemorativas das Campanhas de Angola, Moçambique e Guiné. Decorrido um ano e meio, foi abordado por elementos de um partido político no sentido

de poder integrar a sua lista de candidatos à Câmara Municipal do Porto. E foi assim que, de 1977 a 1979, veio a ser eleito vereador, função que desempenhou em regime de permanência nos dois últimos anos. Posteriormente fomo-nos encontrando nos janta-

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res comemorativos do “3 de Março” e do “Natal” organizados pelo Delegado do Porto da Associação dos Antigos Alunos (AAACM), cargo este que viria a ser desempenhado durante vários anos pelo Leuschner, com uma entrega, um dinamismo e uma iniciativa que lhe eram impostos pela sua maneira de ser e pelo amor e dedicação que sentia pelo Colégio Militar, «essa velha e honrada “casa” onde se formam almas de homens no corpo de jovens rapazes», como ele deixou escrito. E foi sob seu impulso que, em 12 de Março de 1994, por ocasião das celebrações no Porto do 6.º Centenário do nascimento do Infante D. Henrique, o Batalhão de Alunos do Colégio Militar efectuou, pela primeira vez fora de Lisboa, o desfile, a missa e um almoço comemorativo do seu 191.º aniversário. Era uma velha aspiração dos Antigos Alunos do Norte e uma oportunidade para os portuenses admirarem ao vivo o garbo e determinação daqueles jovens que constituíam o mais condecorado Batalhão nacional. Tratou-se de um acontecimento que causou grande impacto nas gentes da Invicta que nas ruas os aplaudiram entusiasticamente. E isso ficou a dever-se à iniciativa, esforço e perseverança do Leuschner Fernandes com a colaboração de um pequeno grupo por ele escolhido a que pôs o título de “Comissão Ad-hoc” de que faziam parte o Guilherme Santos (375/1931), Sanches da Gama (211/1933), Cristiano Moreira (321/1941), Coutinho Lanhoso (108/1942), Costa Matos (96/1950), Ramos de Campos (319/1950) e o Sérgio Bacelar (184/1956). Decorridos dez anos, já septuagenário, foi seu desejo transferir para alguém mais novo o cargo de Delegado da AAACM, mas ainda o tivemos presente durante uns tempos nos jantares da Delegação do Porto. Com o decorrer do tempo fomos deixando de o ver e, aquilo que para todos nós será também inevitável veio a acontecer. O Homem de Honra, Dever, Honestidade, Lealdade, Civismo e Educação, deixava-nos para sempre aos 94 anos. Um dia voltaremos a encontrar-nos. José Alberto da Costa Matos

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Os que nos deixaram

Silvestre Sampaio Durões Pequito Antigo Professor do Colégio Militar Nasceu a 15 de Fevereiro de 1931 Faleceu a 1 de Agosto de 2017

5ªs-feiras entre professores reformados, nem de ir às Cerimónias. Sempre manteve o contacto e respeitou profundamente todos os antigos alunos e professores. Levou sempre o Colégio, cada aluno, cada colega, cada funcionário e cada recordação no coração e no espírito. Amigo sincero, foi para os alunos um pai atento, distribuindo crítica e elogio segundo um apurado e humano sentido de justiça. Alguns dos seus amigos foram-no durante toda a vida, outros durante décadas. Valorizou diariamente a Amizade como uma dádiva essencial, que sempre acarinhou.

Silvestre Pequito, o Nosso Professor e meu Pai

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rofessor e Educador por profunda vocação, Homem de caráter forte e incontestável personalidade. Alentejano convicto e, como dizia: “Nisorro, com certeza. Não mais do que muito”. Depois do percurso escolar, em Nisa, entrou para a Escola do Magistério Primário de Évora. Como professor primário conseguiu, sozinho, completar os exames necessários para ingressar em Filologia Românica, na Faculdade de Letras, em Lisboa. Ainda aluno participou na elaboração do Dicionário da Academia das Ciências. Começou depois a ensinar Português e Francês no ensino técnico, na Escola Industrial de Fonseca Benevides e de seguida, no ensino liceal, no Liceu D. João de Castro e, depois, Passos Manuel e Pedro Nunes, onde foi Diretor de Ciclo. Este percurso levou-o, por convite, para o Colégio Militar em outubro de 1974. Também deu aulas no Externato da Luz. Para ele o Colégio Militar era o máximo e foi lá professor com todo o coração! Enquanto pôde nunca deixou de frequentar os almoços das

Brincalhão, gostava de brincar, dizer piadas e pregar partidas aos seus próximos. O seu riso frequente, voluntário, espontâneo e sonoro, chamava a atenção e eliminava barreiras. Generoso, voluntarioso e não menos bondoso, reconhecido por tudo o que lhe faziam, disponível para tudo o que lhe pediam. Honesto, trabalhador e respeitador, sempre fiel aos seus princípios, que respeitava sempre, de forma absoluta e a qualquer custo. Gostava de viver com o sentido de missão cumprida, com dignidade. Forte e corajoso, sempre conseguiu gerir os obstáculos que a vida lhe apresentou, progredindo serenamente. Alguns desses obstáculos foram de dificuldade extrema, tanto para ele, como para os seus próximos. Calmo, sossegado e sério: nada o vergava, permanentemente firme e constante.

“(...) Esta Luz serena É luz de alegria, É sonho cumprido, É meta atingida, Vitória alcançada Em valor moral, Entre outros valores Aqui semeados E aqui colhidos, Não ontem nem hoje Mas todos os dias Há duzentos anos. (...) P’ra lá desses tantos Quantos são os que À Casa aderiram? Os próprios, os Pais, Irmãos e Amigos, Simples conhecidos Admiram e falam Da sua grandeza, Do espírito que, aqui, Entre essas paredes, Tem laços mais fortes Que o aço ou betão. Como a própria Terra (...)” Sempre senti que o meu Pai, o Professor Pequito, foi um Homem querido e respeitado, tanto dentro como fora do Colégio. Foi merecido. O meu Pai, o Professor Pequito, deixa saudades, muitas saudades, mas deixa também um excelente exemplo. Pai, guardo carinhosamente o exemplo que nos deixou a todos. Quero ser como o Pai! Obrigado Pai.

Simples, a sua maior ambição era ser bom professor, bom educador e útil aos seus alunos, colegas e à instituição que o acolheu. Relembro trechos de um dos textos que escreveu, pensando no Colégio Militar:

Manuel Mário de Araújo Pequito

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Revista ZacatraZ nº 210 by AAACM - Issuu