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Revista ZacatraZ nº 209

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Editorial Revista “ZACATRAZ”

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Nelson Manuel Machado Lourenço (377/1982)

Editorial “É verdade que já salvei muitas vidas, mas o Colégio Militar salvou-me a mim.”1 Esta foi uma das frases mais fortes que ouvi nos últimos tempos. É crua e quase brutal. Fala de uma vertente do Colégio em que não tocamos muitas vezes. Fala do caráter protetor que ele tem, mas sobretudo fala do papel de pai que o Colégio exerce sobre nós, ao educar-nos e ao formarmo-nos como pessoas. Não é à toa que nos referimos tantas vezes ao termo “família colegial”. Esta segunda família, torna-se por vezes a primeira ou até a única, estruturalmente falando. Este pai, que para muitos resulta felizmente na fantástica vantagem de ser um terceiro “progenitor”, para outros, assume por força das circunstâncias um papel principal e bem mais determinante. Foi assim com o autor desta frase, foi assim comigo, a partir do momento em que perdi o meu pai aos quinze anos, e foi assim com tantos outros, por um ou por outro motivo. E disto deve falar-se sem rodeios, e dizê-lo alto e em bom som. Porque o Colégio salva efetivamente vidas. Esta é aliás, parte da sua génese. Estou convencido de que é este efeito, de alguma forma presente em todos e em cada um, que nos cria o sentimento de dívida com que vivemos depois de sair. Uma dívida que nunca conseguimos dar por paga, que fica para sempre colada a nós, como o velho selo que não se consegue arrancar da carta. E não se consegue pagar, porque uma vida, ou até mesmo apenas parte dela, não tem preço. Mas tentamos. Tentamos pela barretina na lapela. Pelas presenças no desfile. Pelas placas de saudade nas paredes dos claustros e o brilho nos olhos quando neles reentramos. Os jantares com a malta. O desconhecido a quem tratamos por tu. Os professores, os mestres que recordamos com a mesma saudade que ao vigilante e à roupeira. O Zacatraz gritado em coro que a todos cala em volta. Pelo orgulho de ver um amigo ser reconhecido.

Pelos abraços e ameaças de ramalho que nunca damos. Pelo sentido de dever. Resiliência. Ética. Pelo conseguir dizer “não!” quando todos em volta dizem sim. E por procurarmos chegar mais longe sem nunca pisar quem está à nossa volta. Tudo isso, sabemos onde aprendemos. E quando defendemos cada um desses valores, quando nos deparamos com cada uma dessas situações, sabemos que estamos a honrar o Colégio. É importante manter o contacto com o Colégio. É. Mas é mais importante manter o contacto com os valores que ele nos ensinou. E é mais importante ainda sabermos passá-los aos outros: seja à nossa família, amigos, colegas de trabalho ou qualquer pessoa com que nos cruzamos na vida. É isso que nos distingue e é isso que nos continuará a distinguir. Os últimos anos do Colégio têm sido de mudança. Todos o sabem. Continuam a ser. Essa mudança, que chegou a saber a ameaça, levou-me a manter por perto. Atento. Talvez não tenha feito muito mais do que isso, mas quis pelo menos estar atento. Ter alunos a partir dos seis anos, ter rapazes e também raparigas, ter internato e também um regime externo, foram alterações violentas que haveria sempre grande dificuldade em encaixar, fosse em que escola fosse. Uma das grandes vantagens de estar atento, e por essa via, de estar um pouco mais próximo, é que conseguimos estar mais cientes desta nova realidade que já não é a nossa. Estando mais próximo, consigo ouvir quem dirige o Colégio, consigo ouvir quem melhor conhece o que lá se passa e, mais importante que tudo, consigo ouvir o grito de ajuda dos alunos, e perceber o brilho nos seus olhos, e reconhecer que é o mesmo que o meu. E tem sido esta proximidade que me permite ver que aos poucos, as peças têm vindo a encaixar, como (quase) sempre acontece na vida. Há alguns meses aceitei o desafio de coordenar o

Conselho de Delegados de Curso. Estou muito honrado por isso. Foi a forma que encontrei de, neste momento, pagar uma pequena prestação da tal dívida para com o Colégio. O Conselho de Delegados, não é a Associação nem é preciso ser sócio para lhe pertencer - mas trabalha com a Associação em tudo o que for em prol do bem do Colégio. O Conselho de Delegados é o fórum de discussão daqueles que cada curso elege para os representar. E é, por isso, a linha mais direta entre Antigos Alunos e o Colégio - e esta linha tem que funcionar nos dois sentidos. Tem que conseguir fazer ouvir a voz da massa de Antigos Alunos e tem que conseguir levar até estes a nova realidade do Colégio. É essa a tarefa de cada uma das duplas de delegados de curso e é esse o papel que cada curso deve exigir aos seus delegados. E se eu aceitei este desafio, é porque tenho a convicção de que se cada um de nós estiver mais perto desta nova verdade, consegue contribuir para a sua evolução, porque a vai perceber melhor. Mantermo-nos naquela que foi a nossa realidade, ansiando por que volte, é como esperar o regresso de D. Sebastião. Os alunos que estão hoje no Colégio Militar, precisam da nossa ajuda hoje, com a realidade que temos - e não com outra. Haverá quem esteja a favor e haverá quem esteja contra as alterações que ocorreram - não faz mal. É dessa diversidade que sempre soubemos sair mais fortes. O momento é de construir, e para isso, todos são chamados. Tenho visto este sinal de construção positiva a nascer e estou convicto de que vai dar frutos. O Colégio Militar vai ser diferente, tal como já se tornou diferente tantas vezes nestas já centenas de anos. Mas vai continuar a saber moldar caráteres e a incrustar os mesmos valores naqueles que lá viverem. Vai continuar a ser protetor e a ser pai. E tenho a certeza que vai continuar a salvar algumas vidas.

Frase proferida pelo João Miguel Vicente Carita (370/81) no discurso de agradecimento à entrega do seu Prémio Barretina 2017 na categoria Associação - Servir.

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Ficha Técnica

CORPOS SOCIAIS DA ASSOCIAÇÃO PARA O TRIÉNIO 2016-2018

Ficha Técnica PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL Fundada em 1965 Nº 209 Outubro/Dezembro - 2017 FUNDADOR Carlos Vieira da Rocha (189/1929)

ASSEMBLEIA GERAL Presidente Vice-Presidente 1º Secretário 2º Secretário

DIRECTOR Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949) gosalema@aaacm.pt

Raul Miguel Socorro Folques - 380/1952 José António Pina de Bastos e Silva - 67/1957 António Luís Henriques de Faria Fernandes 454/1970 Pedro Gonçalo Coelho Nunes de Melo - 51/1982

CHEFE DE REDACÇÃO Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957) luisfbarbosa@aaacm.pt REDACÇÃO Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950) Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva (53/1961) Gonçalo Miguel de Matos Gonçalves (105/1984)

DIRECÇÃO Presidente Vice-Presidente Secretário Tesoureiro 1º Vogal 2º Vogal 3º Vogal 4º Vogal 5º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente 3º Vogal Suplente

José Eusébio Pereira Barata Cordeiro de Araújo - 591/1973 Artur Manuel de Spínola e Santos Pardal - 587/1961 João Eduardo Correia Barrento Sabbo - 17/1967 Luís Manuel Borges de Albuquerque Nogueira - 323/1969 Francisco Eduardo Moreira da Silva Alves - 392/1954 António Vítor Reynaud da Fonseca Ribeiro - 43/1968 José Miguel Teixeira de Faria - 2/1969 José Maria Gouveia de Azevedo e Bourbon - 598/1971 João Pedro Mendes Carreiro Gomes - 390/1983 Gonçalo Miguel de Matos Gonçalves - 105/1984 Tiago Simões Baleizão - 200/1987 Manuel Soares Albergaria Felgueiras e Sousa - 498/2006

CAPA Graduações ©Foto Sérgio Garcia (326/1985) ENTIDADE PROPRIETÁRIA E EDITOR Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar MORADA DO PROPRIETÁRIO e SEDE DA REDACÇÃO Quartel da Formação - Largo da Luz 1600-498 Lisboa Tel. 217 122 306/8 Fax. 217 122 307 TIRAGEM - 1350 exemplares DEPÓSITO LEGAL Nº 79856/94 DESIGN E EXECUÇÃO GRÁFICA: Tm. (+351) 933 738 866 Tel. (+351) 213 937 021 info@smash.pt www.smash.pt

CONSELHO FISCAL Presidente 1º Vogal 2º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente

Manuel Ramos de Sousa Sebastião - 604/1961 Rui Joaquim Azevedo de Avelar - 25/1960 Eugénio de Campos Ferreira Fernandes - 180/1980 Rui Manuel Gomes Correia dos Santos – 225/1981 Bruno Miguel Fernandes Pires - 27/1995

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA AOS SÓCIOS DA AAACM Isenta de registo na Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC), ao abrigo do nº 1 da alínea a), do Artigo 12º do Decreto Regulamentar nº 8/99, de 9 de Junho. Os artigos publicados são da responsabilidade dos seus autores. Esta publicação não segue o novo acordo ortográfico.

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Sumário

04 Jantar Anual da Associação

Novos Antigos Alunos - Prémios Barretina 2017

09 Prémios Barretina 2017 16 Jantar Anual da Associação 18 Antigos Alunos em Destaque 29 114º Aniversário da AAACM

Homenagem à “Velha Guarda”

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Abertura Solene Ano Lectivo 2017/2018

32 Curso de 1947/1954

Romagem dos 70 Anos de Entrada

33 Curso de 1962/1969

Romagem dos 55 Anos de Entrada

34 Curso de 1984/1992

Romagem dos 25 Anos de Saída

35 Curso de 1997/2005

Romagem dos 20 Anos de Entrada

36 O Meu Colégio 38 Acontecimento Inesquecível 46 ZacatraZ esteve no Açor na jornada agridoce de “Um por Todos Todos por Um”

51 Um dia com

Padre Capelão José Maria Braula Reis

54 Uma inconsolável saudade,

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Liga dos Combatentes Comemorações a 11 de Novembro de 2017

com alguns laivos de Mar

58 Admiral William Harry McRaven

Commander United States Special Operations Command (SEAL)

59 Curso de Graduados 62 Sala de Armas da Associação

dos Antigos Alunos do Colégio Militar Época 2016/2017

64 ZacatraZ 1803

14º na Final do Expresso BPI Cup 2017

65 Antigos Alunos nas Artes e nas Letras 67 Fâmulos e Roupeiras Reconhecimento

48

Homenagem ao Colégio Militar e a Professores do Curso de 1948-1955

68 Radiografia do Batalhão 70 Da Hispânia à Espanha

A geopolítica e o corónimo Espanha

73 Velhos são os trapos 74 O Navio da Morte 87 Conselho de Delegados de Curso Visita ao Castelo de São Jorge

88 Apontamentos do Passado 89 Curiosidade

A origem do “Conto do Vigário”

90 Efeméride

O Exército Português ataca e destrói a base de Kumbamori

91 Adendas e Correcções 92 Os que nos deixaram

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Allegro A Volta ao Mundo do Veleiro onde também navegou a Barretina


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Jantar Anual da Associação Novos Antigos Alunos - Prémios Barretina 2017

Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957

Jantar Anual da Associação

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Novos Antigos Alunos Prémios Barretina 2017

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ste ano o jantar anual da nossa Associação realizou-se a 3 de Novembro, mais cedo do que aquilo que é habitual. Esta antecipação ficou a dever-se ao facto de o Hotel Pestana Palace não ter este ano datas disponíveis para a nossa Associação no final do mês de Novembro, que é a altura habitual da nossa grande jornada de confraternização. O encontro começou, como sempre, com uns aperitivos a anteceder a ida para o salão onde decorreu o evento, aperitivos esses tomados no meio de grande algazarra e satisfação, próprios dos reencontros entre amigos, que têm o maior prazer em se reencontrar e conviver. Nesse ambiente jovial e algo confuso, estava o grupo de Alunos finalistas do Colégio, convidados pela Associação, com um ar um tanto surpreendidos, por estarem pela primeira vez a ver aquela animação de gente de todas as idades, a exteriorizar os seus sentimentos com a franqueza e o calor próprios de uma grande família. Mas era disso mesmo que se tratava, era o encontro anual da família colegial, família esta única em Portugal, unida por fortíssimos laços de camaradagem que nos ligam aos que nos antecederam ao longo de mais de dois séculos e que nos ligarão àqueles que nos vierem a suceder. 1

A entrada para o salão decorreu este ano sem a formação de longas bichas, nem percas de tempo. Tudo estava preparado, a grande maioria do pessoal tinha feito antecipadamente o pagamento do jantar, pelo que não houve nenhum obstá-

As fotografias inseridas neste texto são de autoria de Leonel Tomaz (Sócio Honorário).

culo a superar para entrar na sala. Foi um primeiro motivo de satisfação para todos os presentes. Distribuídos os comensais pelas diferentes mesas, normalmente de acordo com as idades e cursos, deu-se início à função.


Jantar Anual da Associação Novos Antigos Alunos - Prémios Barretina 2017

O «mestre-de-cerimónias» subiu ao palco e começou por fazer um agradecimento ao Tomaz Júlio Teixeira de Azevedo e Guimarães Metello (462/1958), por mais uma vez ter posto à disposição as magnificas instalações do Pestana Palace, para o nosso grande encontro anual. Agradecimento justíssimo. Nunca é demais realçar a colaboração deste nosso camarada, que nos proporciona uma hospitalidade sem paralelo. Seguiu-se a cerimónia da imposição das barretinas aos novos Antigos Alunos acabados de sair do Colégio. Foram chamados em dois grupos, abrangendo o primeiro grupo os antigos graduados das 1ª, 2ª e 3ª Companhias e o segundo grupo os graduados da 4ª Companhia e do Comando do Batalhão. A todos foram impostas as barretinas, sendo simultaneamente distribuídas gravatas da Associação aos senhores e lenços da Associação às senhoras. A cerimónia foi simples e expedita, tendo-se notado uma assinalável melhoria em relação ao ano passado, em que as coisas não tinham corrido tão bem. No final da cerimónia foram apresentados o delegado e o vice-delegado deste novo curso de Antigos Alunos, tendo o seu Comandante de Batalhão dirigido palavras de agradecimento à assistência, por o seu curso ter sido admitido na nossa comunidade.

Terminada a admissão dos novos Antigos Alunos, foi a vez de o Presidente da nossa Associação nos dirigir a palavra, num discurso breve, mas cheio de significado, que se transcreve nesta revista após a menção aos fundamentos que determinaram a atribuição dos “Prémios Barretina 2017”. Findo o discurso foi a altura de nos dirigirmos ao «buffet», onde nos aguardavam iguarias variadas, em grande quantidade e de grande qualidade. Não podemos classificar este magnífico jantar da forma usual, dizendo que estava «bom, abundante e bem confeccionado». Temos de dizer que estava «opíparo e confeccionado com requinte», capaz de satisfazer os mais glutões, os maiores garfos e os mais exigentes «gourmets». Como os vinhos também eram da melhor qualidade, nada mais se podia pedir. Mais uma vez o hotel estava de parabéns. Concluído o repasto, que decorreu no meio da maior animação, chegou a vez do ponto alto da noite, ou seja, da distribuição dos prémios Barretina. O «mestre-de-cerimónias» subiu de novo ao palco e antes de fazer a chamada dos premiados leu o magnífico trecho intitulado «O convívio», que de seguida se transcreve, que os mais velhos bem conhecem, mas que nunca deixa de nos emocionar.

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«Tu lá que és? Um avançado? Um conservador? Um ateu? Um crente? Um desventurado? Um triunfador? Um vencido? Que importa? Estiveste no Colégio Militar? Viveste debaixo do mesmo tecto em que eu vivi? Há dez, há quinze ou há vinte anos? Comeste na mesma mesa? Dormiste na mesma camarata? Guardas no peito as recordações imorredouras daqueles anos de convivência? Lembras os recantos do «geral», o Sol que víamos pela janela, a ânsia da liberdade, a tristeza do entardecer, a conversa da camarata, a tortura da alvorada, o pavor das aulas, os companheiros de carteira, as nossas esperanças, as nossas ilusões, as alcunhas, o calão, a graça, a vida daquela colmeia, a bondade com que nos olhávamos, a simpatia que nos ligava, a alegria da nossa mocidade fresca e vigorosa? Foste educado naquela exemplaríssima escola de camaradagem? Eras o 30, o 26, o 34 ou o 14? És meu irmão! Estás ligado a mim por esse traço indestrutível da mesma saudade, tão forte, tão viva, tão doce, que eu ao escrever estas linhas tenho as lágrimas nos olhos….» Seria difícil encontrar melhor forma de nos preparar para o que se iria seguir. Este magnífico texto é da autoria do ilustre jornalista José Maria Sardinha Pereira Coelho (56/1889), foi pu-


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Jantar Anual da Associação Novos Antigos Alunos - Prémios Barretina 2017

blicado pela primeira vez na revista «O Colégio Militar», em 1925, sendo um retrato fiel daquilo que se pode chamar «O Espirito do Colégio Militar». Bem hajam por o terem recordado. O primeiro agraciado da noite foi o antigo Professor de Educação Física do Colégio, José Sousa Uva, que recebeu o Prémio Barretina «Amigos do Colégio Militar», que lhe foi entregue pelo Presidente da Direcção da Associação, José Eusébio Pereira Barata Cordeiro Araújo (591/1953), acompanhado por Alykhan Navaz Nadal Ali Sultanali (306/2005), que foi Comandante de Batalhão do curso de 2003/2011. O professor Sousa Uva lembrou que ensinou Atletismo no Colégio durante 8 anos, que saiu do Colégio há 5 anos, mas que é como se continuasse até hoje no Colégio. Resumiu os seus sentimentos dizendo, com toda a simplicidade, que foi mais o que aprendeu no Colégio do que aquilo que ensinou. O segundo agraciado foi António Pedro Pe-

reira de Bacelar Carrelhas (159/1947), irmão do meu camarada de curso José Manuel Pereira de Bacelar Carrelhas (338/1955), a quem daqui saúdo. O prémio foi-lhe entregue pelo Presidente do Conselho Supremo da nossa Associação, Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958). O António Carrelhas, a quem já não conheci pessoalmente no Colégio, era, no entanto, naquele tempo uma figura lendária, devido à enorme queda a que tinha sobrevivido, como que por milagre. Essa queda já foi por si descrita nas páginas da ZacatraZ. Despenhou-se das janelas do andar superior do Colégio, do local onde à época estava a 4ª Companhia, caiu de costas, de cerca de 10 metros de altura, embateu num estendal de roupa da lavandaria que se situava junto à 1ª Companhia, com tal sorte, que o arame que susteve a sua queda acertou no seu cinturão, sem o que teria sido profundamente cortado. Acabou por dar uma cambalhota e caiu no chão de pé,

partindo ambas as pernas. Se o episódio não fosse verídico, nem dava para acreditar. António Carrelhas recebeu um Prémio Barretina «Colégio Militar no Mundo», em reconhecimento pela viagem de cerca de 3500 km que fez descendo o Amazonas, recriando a rota seguida pelo explorador Pedro Teixeira, da qual resultou o reconhecimento pelo Rei Filipe IV de Espanha (III de Portugal) do vastíssimo território da Amazónia, como propriedade da Coroa Portuguesa, duplicando praticamente a superfície do território do Brasil. A sua extraordinária viagem foi por si descrita, no artigo «Descida do Amazonas», publicado no nº 208 da ZacatraZ, de Julho/ Setembro de 2017. Ao agradecer o seu prémio, que considerou ser a sua «Torre e Espada», falou-nos do seu projecto, que levou 10 anos a concretizar e que só foi possível com o apoio da Armada do Brasil, obtido com a ajuda do actual Director do Colégio, na altura adi-


Jantar Anual da Associação Novos Antigos Alunos - Prémios Barretina 2017

do militar na nossa embaixada naquele país. A sua aventura terminou em Belém do Pará, que na altura festejava o seu 4º centenário, coincidindo com a criação do Colégio Militar dessa cidade, ao qual teve a oportunidade de oferecer os 5 volumes da história do nosso Colégio, publicada no bicentenário da sua fundação. Desempenhou assim também o papel de embaixador do nosso Colégio e da nossa Associação. Contou-nos depois, de relance, as desventuras no Brasil, no século XIX, do então Major Fidié, que por capricho do destino, veio a ser Director do Real Colégio Militar, quando regressou a Portugal. A terminar, num gesto teatral, puxou do seu cinturão de Aluno do Colégio, que trazia cingido ao corpo por baixo do casaco, e disse-nos que agradecia a Deus e àquele cinturão o facto de ter sobrevivido à espantosa queda que atrás se descreveu. Foi assim o agradecimento deste aventureiro, escritor e grande comunicador. O terceiro agraciado, que também recebeu um Prémio Barretina «Colégio Militar no Mundo», foi Pedro Aires Ferreira de Almeida Gonçalves Magalhães (84/1969). O prémio foi-lhe entregue pelo Tesoureiro da nossa Associação, Luís Manuel Borges de Albuquerque Nogueira (323/1969) acompanhado por Carlos Eduardo Ramos dos Santos Lourenço (23/1978). O agraciado tem atrás de si uma notável carreira no mundo da música no qual se repartiu por vários tipos de actividades, tendo actuado em 36 países. Foi um dos fundadores do grupo Madredeus, que é um dos grupos da minha predilecção. O Pedro Magalhães leu um pequeno texto de agradecimento, no qual sublinhou as condições excepcionais de que desfrutou no Colégio, quer no domínio dos estudos, quer no da prática desportiva. O quarto a subir ao palco foi António Manuel Pereira da Cunha Ribeiro Valente (217/1978), que também recebeu um Prémio Barretina «Colégio Militar no Mundo». O prémio foi-lhe entregue pelo Presidente da Conselho Fiscal Manuel Ramos de Sousa Sebastião (604/1961) acompanhado por Carlos Eduardo Ramos dos Santos Lourenço (23/1978). O agraciado tem os seus créditos firmados no

domínio da investigação, do desenvolvimento de produtos e na inovação, sendo um inventor detentor de várias patentes. Foi o criador de uma prancha especial de surf, em cortiça, feita para o célebre Robert Mac Namara, para cavalgar as ondas gigantescas do canhão da Nazaré. António Valente deu as boas vindas aos novos Antigos Alunos e agradeceu a todos o seu prémio, declarando-se emocionado com a distinção recebida. Falou dos seus tempos no Colégio, onde foi um «trouble-maker», o que lhe valeu a «graduação» em furriel. Sublinhou que o principal atributo que um inovador tem de ter é a coragem para lutar contra tudo e contra todos, para transpor todos os obstáculos e fazer vencer as suas ideias. Lembrou, a propósito da transposição de obstáculos, o seu mestre de equitação no Colégio, o saudoso Gabriel da Fonseca Dores (120/1938) que lhe dizia «A um homem não lhe assiste o medo, quando muito o receio». O quinto premiado foi Pedro Miguel Gonçalves Afonso (503/1968), que recebeu ainda um Prémio Barretina «Colégio Militar no Mundo». O prémio foi-lhe entregue pelo Vice-Presidente do Conselho de Delegados António Luis Henriques de Faria Fernandes (454/1970) e por Carlos Daniel Fernandes da Silva (62/1986). O agraciado é um especialista nos domínios das tecnologias de informação e de comunicações e lidera as operações da AXIANS, empresa do grupo da VINCI, em Portugal, Angola, Moçambique e nalguns países europeus. O agraciado declarou que aquele era um momento forte para si, aquele que estava ali a viver, e que o sentimento que o dominava era a gratidão. O momento era tão importante para si, que estava ali connosco, apesar de os seus filhos gémeos fazerem nove anos naquele dia. Disse que levou os princípios do Colégio para as empresas. Falou da importância de se ter uma boa reputação, que se constrói com 97% de trabalho e o resto de boa disposição. Falou da importância do colectivo sobre o individual e da importância do bom relacionamento para se conseguirem grandes realizações. Lembrou José Manuel Nunes Salvador Tribolet (230/1959) seu professor (que também já foi Prémio Barretina),

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lembrou o seu Pai, agente da PSP apenas com a 4ª classe, e terminou lembrando que o Dario lhe dizia «Afonso, és um lutador». Impressionou-me o seu depoimento. Como dizia muito bem o saudoso Dario, trata-se de um lutador, que subiu a pulso na vida e que é um exemplo vivo de que o Colégio não é um Colégio elitista, mas sim um Colégio formador de elites. O sexto premiado foi Carlos Fernando Valente de Ascensão Campos (12/1942), que recebeu o Prémio Barretina «Desporto». O prémio foi-lhe entregue por outro grande desportista, o coordenador do pelouro do desporto na nossa Associação, António Victor Reynaud da Fonseca Ribeiro (43/1968). O agraciado, Coronel de Cavalaria, foi um notável mestre de equitação, tendo ensinado alguns anos no Colégio. Foi um grande cavaleiro de obstáculos, com mais de 600 prémios e vitórias no seu curriculum, tendo representado Portugal nessa modalidade, nomeadamente nos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972, onde obteve um honrosíssimo 13º lugar, competindo com os melhores cavaleiros profissionais do mundo. Carlos Campos, com a simpatia e a simplicidade que o caracterizam, agradeceu a distinção recebida e confessou o grande prazer que teve quando o informaram que a mesma lhe iria ser atribuída. Falou brevemente da sua carreira internacional, lembrando as oportunidades que teve de competir na África do Sul e na Rodésia, quando se encontrava colocado em Moçambique, e terminou renovando os seus agradecimentos. O sétimo premiado foi Manuel Agostinho de Castro Freire de Menezes (423/1955), que recebeu o Prémio Barretina «Amor ao Colégio». O prémio foi-lhe entregue pelo Presidente da Assembleia Geral, Raúl Miguel Socorro Folques (380/1952). Manel Menezes, como nós o conhecemos, foi sempre e continua a ser um aglutinador de Antigos Alunos e um homem que sempre se pautou pelo cumprimento do Código de Honra do Aluno do Colégio Militar, que o acompanhou ao longo da sua vida. É um homem com um carácter exemplar, solidário com os desventurados e intransigente com os arrogantes. O Manel Menezes recordou-nos os seus tempos


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Jantar Anual da Associação Novos Antigos Alunos - Prémios Barretina 2017

de Aluno do Colégio, em que teve o infortúnio de perder o seu Pai, ainda criança no 2º ano, e em que se notabilizou nos desportos, nomeadamente no futebol e no atletismo, tendo sido Comandante da 4ª Companhia no seu ano de finalista. Do Colégio seguiu para a Escola Naval, onde se voltou a notabilizar no desporto, desta vez como remador, componente de uma tripulação de Yolle de 8 que se sagrou campeã nacional, competindo com as melhores tripulações do país. A equipe que protagonizou esta façanha, era formada na sua maioria por Antigos Alunos do Colégio, dos quais três chegaram a Almirantes. Por razões de saúde o Manel Menezes saiu da Escola Naval. Quando se recompôs, voltou à Marinha, agora para a Reserva Naval, tendo sido comandante de uma embarcação no lago Niassa, durante a guerra em Moçambique. Aí contribuiu para a formação da Marinha do Malawi. Terminada a fase «naval» da sua vida, dedicou-se á gestão da sua empresa familiar, empresa de destaque no domínio da relojoaria. Terminou as suas palavras exortando todos a continuarem a praticar a camaradagem e manifestando a sua fé no futuro do Colégio, agora com as Meninas da Luz nele completamente integradas, para voltar a ser o melhor Colégio do País. O oitavo premiado, que recebeu o Prémio Barretina «Dedicação» foi este vosso servidor, a quem alguém propôs para o prémio, o que colheu a aceitação da Direcção da Associação. As razões que aduziram para essa aceitação podem-nas encontrar no artigo desta revista intitulado «Prémios Barretina 2017». Basicamente prendem-se com a minha actividade de escriba assíduo da ZacatraZ, onde me foram atribuídas as funções de Chefe de uma Redacção que não existe. Sou um chefe sem índios para comandar. Tal como as condecorações, estas distinções não se pedem, nem se recusam, daí eu tê-la aceite e posso dizer que o fiz com satisfação. Quem me entregou o Prémio foi o meu «patrão», ou seja o Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949), Director e Alma da ZacatraZ. Foi ele também que há algum tempo atrás me comunicou que eu iria receber o prémio. Quando eu lhe

disse que não concordava e que achava que era, no mínimo, prematuro. Ele respondeu-me, com a sua fleuma habitual, dizendo que achava que estes prémios deviam ser atribuídos com as pessoas ainda em vida. Não podendo eu garantir que não seria atropelado no dia seguinte ao dobrar da esquina, lá tive de me calar. Comuniquei à ilustre assistência que era a ele e não a mim, que deveria ser atribuído o prémio e recomendei à Direcção da Associação uma alteração ao regulamento dos prémios, no sentido de o poder premiar todos os anos. Fiz três agradecimentos: ao José Alberto Costa Matos (96/1950), por me autorizar a utilizar todo o material das suas obras da história do Colégio e dos Antigos Alunos, para eu desenvolver os meus escritos, ao Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950), pela revisão de alguns artigos de cariz militar e ao Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958), por em tempos idos me ter convidado a fazer parte da sua Direcção e também por conselhos relativos a artigos meus. Expliquei que a minha dedicação ao Colégio resultava de dois simples factos, o tempo feliz que passei no Colégio e a 2ª família que o Colégio me deu, com cerca de 5000 membros vivos. Contei como me apaixonei perdidamente pela Shirley Mac Lane, quando a vi actuar numa cowboyada magnífica a que assisti no meu tempo no Colégio, numa 4ª Feira à noite, no cinema da Formação. Paixão essa impossível de ser correspondida, por ela nunca ter sonhado, lá em Hollywood, que tinha um admirador incondicional em Lisboa, mais propriamente no Largo da Luz. Acabei dizendo que este prémio que recebia era o meu Prémio Nobel e dedicando o meu prémio ao meu tio João Salgueiro Pinto Ribeiro (47/1935), que foi quem me meteu o vício do Colégio no corpo, ao meu irmão João Nuno (16/1956), de quem herdei as fardas e as botas ao longo do meu percurso colegial, e á malta do meu curso, que obriguei a levantar-se da mesa para poder ser ovacionada pela assembleia ali reunida. O último premiado da noite foi João Miguel Vicente Carita (370/1981), que recebeu o Prémio Barretina «Servir». Poucas vezes se terá podido aplicar com tanta propriedade a co-

nhecida expressão «o último foi o primeiro». O prémio foi-lhe entregue pelo Presidente do Conselho de Delegados Nelson Manuel Machado Lourenço (377/1982) e por Rui Pedro Azevedo da Silva (379/1982). O Carita como era conhecido no Colégio, onde se destacou na ginástica, na classe de “Gafanhotos” do Dario, e no atletismo, destacou-se mais tarde na sua vida profissional como piloto de helicópteros da Força Aérea, a salvar vidas (mais de duas centenas), pondo algumas vezes em risco a sua própria vida. Leiam no artigo «Prémios Barretina 2017» o texto justificativo do seu prémio e dir-me-ão se tenho ou não razão em considerá-lo a estrela da noite. Mais de 20 anos de piloto de helicóptero na Busca e Salvamento é algo de verdadeiramente extraordinário e digno do nosso maior apreço. Esse apreço foi também manifestado ao mais alto nível pelo Estado Português, ao conceder recentemente à «sua Esquadra», a Esquadra 751 da Força Aérea, a condecoração colectiva da Torre Espada do Valor, Lealdade e Mérito. O Carita, nas suas palavras de agradecimento do prémio que lhe foi atribuído disse, a dado passo, que já tinha salvo muitas vidas, mas que foi o Colégio que o salvou a si. Disse também que aquilo que fez na sua carreira foi feito com verdade, seriedade, rigor e disciplina. Contou-nos o que é sair para uma missão de salvamento de tripulantes de um navio situado a mais de 100 milhas da costa, em noite cerrada, de mar alteroso, no meio de um temporal desfeito. Pôs-nos «em sentido» com essa descrição e acabou confessando que nos últimos 22 anos terá passado 2 ou 3 Natais em casa com a sua família. É uma situação que muitos nem imaginariam. Terminada assim com chave de ouro a distribuição dos Prémios Barretina 2017, foi a vez de se fazer ouvir um vibrante Zacatraz, que ecoou por toda a sala e que terá catapultado os hóspedes do hotel para fora das suas camas, julgando tratar-se de um sismo. Entoou-se de seguida o Hino Nacional, encerrando-se assim em alto nível as comemorações do 114º Aniversário da nossa Associação. É justo darmos os parabéns à Direcção da Associação pela forma como decorreu o evento.


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Fundamentos da atribuição dos Prémios e apresentação dos Agraciados

A apresentação dos Agraciados e a leitura dos fundamentos da atribuição dos Prémios Barretina esteve a cargo de João Pedro Mendes Carreiro Gomes (390/1983), enquanto Tiago Simões Baleizão (200/1987) se ocupou da coordenação da cerimónia. Ambos com bom ritmo e eficiência, “conduziram a bom porto” esta jornada de confraternização de Antigos Alunos. A apresentação do Senhor Professor José de Sousa Uva foi feita por Alykhan Navaz Nadal Ali Sultanali (306/2005), Comandante do Batalhão do Curso 2003/2011.

Professor José Sousa Uva "PRÉMIO BARRETINA - AMIGOS DO COLÉGIO MILITAR"

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Professor Uva tem um currículo profissional que fala por si, mas hoje quero partilhar convosco uma visão mais íntima de quem foi e quem é o Professor Uva para os seus Alunos. O Professor Uva é Professor Uva das famosas aulas a terminar com os 1000 metros! Quando

subitamente todos ficavam doentes e que ele motivava da forma que fosse cada um (uma dose de peso na consciência), e nos reabilitava a todos para a prova. É o Professor Uva que tratava de igual forma o tipo mais atleta e o menos proeminente ou mais gordinho. O Professor Uva de quem o 209/1999 era o «mê campeão» e que vimos treinar a correr amarrado a um pneu, estilo Rocky Balboa nas horas de ACC e na hora livre seguinte; que levou o 10 do meu curso ao mega-salto e tantos outros a tantas outras provas, cultivando uma cultura desportiva de alto nível. É o Professor Uva sempre disposto a dar uma palavra de incentivo, um ombro amigo para quem o precise. É o Professor Uva que andou atrás de mim para comprar polos da Récita com uma barretina bordada.

É o Professor Uva que levou a Patrícia Mamona ao Colégio após os Jogos Olímpicos de forma a inspirar os nossos sucessores colegiais. É o Professor Uva sempre acarinhado pelos Alunos, que também sempre acarinhou. Um Professor exemplar e exigente que partilha com o Colégio os valores da excelência no ensino. E é por ter sido um Professor “à Colégio” e pela sua contínua demonstração de amor ao Colégio que hoje lhe atribuímos o Prémio Barretina Amigos do Colégio Militar. Entrega o Prémio José Eusébio Pereira Barata Cordeiro de Araújo (591/1973), Presidente da Direcção e Alykhan Navaz Nadal Ali Sultanali (306/2005), Comandante do Batalhão do Curso 2003/2011.


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António Pedro Pereira de Bacelar Carrelhas (159/1947) "PRÉMIO BARRETINA - COLÉGIO MILITAR NO MUNDO"

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ntónio Pedro Bacelar Carrelhas entrou no Colégio em 1947 com o número 159. A sua vida tem sido marcada por impulsos que de tempos a tempos chamam irresistivelmente para uma “Aventura”. Já era assim nos tempos do Colégio quando, em 1953 decide, sem outro motivo que não fosse a aventura, tentar passear pela parte externa do edifício do Colégio, agarrado às janelas, com o resultado funesto de uma queda de cerca de 9 metros de altura da qual resultaram diversas fracturas expostas que obrigaram a várias cirurgias. Milagrosamente não morreu por ter sido amortecido pelo cinturão da farda ao bater num arame de roupa. Nos anos 1960 inicia a sua carreira profissional de Advogado e Administrador de Empresas em Portugal, até que decide em 1977 emigrar para o Brasil com dois grandes objectivos: Arranjar trabalho, o que aconteceu em São Paulo, e estar atento às oportunidades que lhe permitissem conhecer o Brasil profundo e sobretudo a Amazónia, o que foi acontecendo ao longo dos seus 40 anos de vida no Brasil (1977-2017). Após ter realizado em 2008 algumas expedições a zonas do interior dos índios do Brasil na Rondónia e na Amazónia, com subida do Amazonas até ao Peru, pesquisou nomes da História de Portugal tendo encontrado referências a Pedro Teixeira que entre 1637 e 1639 realizou a primeira viagem de subida e descida do Rio

Amazonas, comandando uma grande Expedição em canoas a remos com 70 Militares Portugueses e cerca de 1.800 Índios, com destino a Quito na cordilheira Andina, onde se encontravam as Autoridades Espanholas. Desta expedição resultou que em 16 de Agosto de 1639, por meio de Auto de Posse em nome do Rei Filipe IV de Espanha e III de Portugal, mas para a Coroa de Portugal, Pedro Teixeira assegurou a Portugal e mais tarde ao Brasil, toda a região Amazónica, muito além do acordado no Tratado de Tordesilhas de Junho de 1494, o que veio a ser confirmado pelo Tratado de Madrid em 1750. Fascinado com essa história, António Carrelhas sonhou refazer esses caminhos e foi recriar a Expedição de Pedro Teixeira com a intenção de dar conhecimento aos jovens da região quem foi o homem que, pela sua determinação, incluiu o imenso Território da Amazónia no mapa do Brasil, isto é, ensinar a razão pela qual “esses jovens são Brasileiros e falam Português e não Peruanos de expressão Castelhana, como deveriam ter sido pelo Tratado de Tordesilhas.” Assim, o projecto e o sonho acabariam por realizar-se. Precisamente 375 anos depois do Auto de Posse, a 16 de Agosto de 2014, António Carrelhas desce o Rio Amazonas em território Brasileiro, numa extensão de 3.500 km, de Tabatinga a Belém do Pará, com o objectivo de recuperar a memória deste herói esquecido que nasceu em Cantanhede (Coimbra) em 1585? e morreu em Belém do Pará em 1641. A Expedição que foi realizada em duas etapas, em 2014 e 2015, levou na sua bagagem um livro infanto-juvenil ilustrado sobre Pedro Teixeira, que foi sendo distribuído, numa missão com carácter pedagógico, nas dezenas de escolas indígenas por onde a Expedição passou a fazer palestras. Finalmente, fruto da Expedição, surgiu um livro “Descida do Amazonas - o caminho de Pedro Teixeira” onde Pedro Teixeira - tal como outros

cronistas o fizeram para ilustres portugueses da nossa História - é recuperado para a História de Portugal e do Brasil. Feito notável a recriação da viagem de Pedro Teixeira, consegue reescrever na História de Portugal e do Brasil um herói desconhecido através de um trabalho de investigação histórica que ilustra a forma como o Tratado de Tordesilhas foi “ultrapassado”, permitindo ao Brasil ter hoje uma área que seria inferior a metade se tal expedição não tivesse sido realizada. À investigação resultante da aventura e da pesquisa realizadas pelo António Carrelhas é reconhecido - pela República Federativa do Brasil, por academias científicas brasileiras e pela Sociedade de Geografia de Lisboa valor científico e contributo histórico e social pela pedagogia realizada, quer nos fóruns científicos brasileiros e portugueses, quer nas aldeias indígenas ao longo da viagem, repondo na História um português que contribuiu para a dimensão actual do Brasil. Pelo seu contributo para a História de Portugal e do Brasil é atribuído ao António Carrelhas o “Premio Barretina - Colégio Militar no Mundo”. Entrega o prémio Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958) – Presidente do Conselho Supremo.


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Pedro Ayres Ferreira de Almeida Gonçalves Magalhães (84/1969) "PRÉMIO BARRETINA - COLÉGIO MILITAR NO MUNDO"

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edro Ayres Magalhães nasceu em Lisboa, em 1959. Dedicou o melhor da sua vida à criação de espectáculos itinerantes de teatro musical, tendo criado, em seu nome, ou em parceria com outros autores e compositores, um repertório de trechos e canções originais em língua portuguesa, que também apresentaram ao vivo. É um guitarrista, autor, compositor e produtor discográfico com um longo percurso na produção em estúdio e grande entusiasta dos concertos ao vivo nas últimas quatro décadas. Frequentou o Colégio Militar entre 1969 e 1974,

também a Academia dos Amadores de Música e a Faculdade de Psicologia e Ciências de Educação. Profissionalmente, começou por ser baixista, primeiro nos Faíscas, considerado como o primeiro grupo de punk rock português e depois nos Corpo Diplomático, com quem lança “Musica Moderna” o primeiro disco de new wave Português. Em 1981, Pedro participa na criação e em toda a carreira dos Heróis do Mar (1981/90). Gravaram 10 discos de originais. Fundou os Madredeus (1985) com Rodrigo Leão, vindo dos Sétima Legião, e foi um dos impulsionadores do projecto Resistência, de 1991-1994. Com os Madredeus, nos primeiros 20 anos, realizou 5 digressões mundiais, de cinco repertórios distintos de originais em língua portuguesa, com cerca de 200 recitais cada, conquistando apreciável apreço em 36 países – incluindo, vários países Europeus, Turquia, Israel, Japão e Américas. Nos últimos 10 anos, dirigiu 3 novas formações do projecto Madredeus: de 2007 a 2010, o Madredeus & A Banda Cósmica, uma formação de 10 músicos, produzindo 3 álbuns e um DVD ao vivo, e um tour de

30 concertos em Portugal, Espanha, Brasil e Polónia; de 2011 a 2013, o Madredeus “Essência”, um álbum com concertos em Portugal, países da Europa e Brasil e, no final de 2015, a edição de mais um disco dos Madredeus, com nova formação. Pedro tem um percurso impar na projecção da música portuguesa pelo mundo, tendo realizado, com o seu projecto mais significativo, o Grupo Madredeus, 5 digressões mundiais/200 recitais cada, com originais de música portuguesa, que incluíram espectáculos nas melhores salas de concertos em mais de 36 países - incluindo na Coreia do Norte, Japão, e um festival de música na Noruega (Tromso) dentro do Círculo Polar Árctico. Nos seus 20 anos de carreira, os Madredeus lançaram 18 álbuns de originais. Pelo seu valioso trabalho e realização é-lhe atribuído o “Prémio Barretina Colégio Militar no Mundo”. Entrega o prémio Luis Manuel Borges de Albuquerque Nogueira (323/1969), Tesoureiro da Direcção e Carlos Eduardo Ramos dos Santos Lourenço (23/1978).

António Manuel Pereira da Cunha Ribeiro Valente (217/1978) "PRÉMIO BARRETINA - COLÉGIO MILITAR NO MUNDO"

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ntónio Manuel Pereira da Cunha Ribeiro Valente 217/78, alcunha «O Gordo», saiu do Colégio no antigo 6º ano, bom cama-

rada, discreto, mas não o suficiente pois ficou na memória do seu tempo de ter sido um malandro simpático com algumas privações de saída e problemas nas notas em comportamento. Engenheiro Mecânico pelo IST-UTL e pela UC Berkeley – Universidade da Califórnia, EUA e Oxford, UK. Tem cerca de 25 anos de experiência profissional em ambientes industriais, em Investigação e Desenvolvimento de Produto nos sectores Automóvel, Rail, Aeronáutico e Aeroespacial. Assumiu desde 1991 elevadas responsabilidades em projectos de estruturas espaciais me-

tálicas em Portugal e no estrangeiro, tendo a partir de 1997 alargado a actividade a projectos de inovação para colagem de carroçarias automóvel bem como, na Oxford Brookes University - (Joinning Technology Research Center), o desenvolvimento dos carros de alumínio com a Ford e a Jaguar. Desde o princípio do século faz uma breve passagem como responsável técnico de uma unidade da Norsk Hydro grupo (Noruega) em que vence o concurso de ideias Norsk Hydro (de 2002), envolve-se como Director de Desenvolvimento de Novos Produtos num dos principais fabricantes


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de componentes metálicos em Portugal, focando principalmente as indústrias automóvel e aeronáutica (Ogma, Pilatus e Embraer no início do cluster aeronáutico português), de que resulta a sua primeira patente na unidade de montagem de camiões ISUZU (Patente WO/2009/130581) (Swedish Steel Prize 2005). Entre 2008 e 2010, a sua PLY Engenharia Lda foi a primeira empresa não finlandesa a ser financiada pelo programa TEKES na Finlândia, para o desenvolvimento da tecnologia de painéis “sandwich Opencell™, em cuja patente (WO/2009/034226) figura como inventor, com Outokumpu Oyj (2º produtor mundial de aço inox). Em 2011 foi prémio BES Inovação 2011 na categoria de produtos industriais com a tecnologia Opencell™. Em 2012 - o programa HannoverImpuls / Innovationszentrum Niedersachsen seleccionou-o para se estabelecer num dos mais importantes centros de desenvolvimento de tecnologias avançadas de produção em Hannover (Alemanha), nomeadamente para Aerospace, Rail, Naval e Energy para o que é constituída a PLY Technologies GmbH. A tecnologia é listada como “radical built concept” para a Airbus Deutschland, 2013. Nova patente (WO/2013/106112), é submetida

nos Estados Unidos relativa a painéis “sandwich” estruturais com protecção térmica integrada. Em 2013-2014, desenvolve a primeira prancha de cortiça para o surfista Garrett McNamara, especificamente para ondas grandes/Nazaré e participa no Billabong XXL Awards, tendo submetido nova patente para painéis sandwich de cortiça. Em 2013 seleccionado pela European Defense Agency (EDA) desenvolve um conceito inovador para veículos autónomos em profundidade (mar) visando a criação de tecnologia nacional para a presença em grande profundidade, com o objectivo do domínio do espaço marítimo nacional, no quadro da Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental, em conjunto com a Marinha Portuguesa, universidades e outras agências estatais. Em 2015 desenvolve para a Airbus Defence & Space novas tecnologias estruturais em alternativa aos painéis sandwich convencionais para os projectos Ariane6 (lançadores) e OneWeb (constelação de 900 satélites). Em 2016 é 3º classificado na categoria da Airbus Defence and Space (a maior empresa aeroespacial da Europa e líder em tecnologias de satélite) no Innospace Masters Airbus Defense and Space Challenge Competition (Berlim). É desde há pouco mais de um ano, Team Lea-

der da Divisão HVAC (Merak), na filial espanhola (Madrid) do Grupo Knorr-Bremse Munique. A notoriedade atingida pelo António Valente como técnico e investigador no plano nacional e internacional, faz dele um dos poucos portugueses que no seu sector de actividade se distingue no confronto com organizações poderosas no domínio da investigação aplicada em tecnologias de ponta: aerospacial, fundo do mar, defesa, etc. Low-profile, discreto e simples no trato, por um lado, e por outro, obrigado a contratos de confidencialidade envolvendo os seus trabalhos para grandes organizações internacionais, o seu brilhantismo não é tornado público, não revelando as distinções que lhe têm vindo a ser atribuídas. Com apenas 49 anos constitui o exemplo vivo para Antigos Alunos mais novos de que é possível com imaginação e perseverança, ser brilhante, mesmo com meios mais reduzidos dos que são postos à disposição noutros países, e num plano que ultrapassa a dimensão portuguesa. Pelas razões apresentadas é-lhe atribuído o “Prémio Barretina – Colégio Militar no Mundo”. Entrega o Prémio Manuel Ramos de Sousa Sebastião (604/1961), Presidente do Conselho Fiscal e Carlos Eduardo dos Santos Ramos Lourenço (23/1978).

Carlos Fernando Valente de Ascensão Campos (12/1942) "PRÉMIO BARRETINA - DESPORTO"

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imples, cativante e de uma simpatia extrema, é assim que o caracterizam os seus amigos e aqueles que têm o

privilégio de com ele conviver. O Coronel Carlos Campos, assim é ele conhecido nos meios hípicos, foi um dos membros mais novos de uma «geração de ouro» de cavaleiros militares portugueses, que marcaram uma presença assídua nos Jogos Olímpicos, desde 1948, em Londres, a 1972, em Munique. Muitos desses cavaleiros, tal como ele, eram Antigos Alunos do Colégio Militar. Natural de Rio de Moinhos, na região de Abrantes, foi aí que se iniciou na prática da equitação apenas com seis anos de idade. Em 1942 entrou para o Colégio Militar onde

recebeu o número 12. No Colégio destacou-se, como seria natural, na equitação em que sistematicamente tinha as notas mais elevadas. Mas não foi apenas na equitação que se distinguiu, foi membro da equipa de hóquei em patins do Colégio, que atingiu alguma notoriedade, quando esta modalidade desportiva era muito popular em Portugal. Concluído o seu curso no Colégio Militar, decide seguir a carreira das armas. Na Escola do Exército opta naturalmente pela Arma de Cavalaria, em que ingressa como oficial após conclusão do seu curso. Como seria de espe-


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rar, dedica-se então em pleno à equitação, qualificando-se como Mestre de Equitação na «Escola de Mafra». Exerceu funções de Mestre de Equitação na Academia Militar e no Colégio Militar, onde transmitiu os seus conhecimentos e o gosto pela equitação a numerosos discípulos. Foi praticante de várias disciplinas de equitação, desde o Ensino, ao Concurso Completo e aos Saltos de Obstáculos, disciplina esta em que obteve a maior notoriedade, chegando a ser recordista nacional de salto em altura. Quando já tinha os seus créditos bem firmados como cavaleiro de obstáculos, inicia-se a guerra em África, o que originou sucessivas interrupções da sua carreira de concursista, devido às quatro comissões de serviço que prestou, duas em Moçambique e duas na

Guiné. Apesar destas interrupções forçadas, decorrentes da sua condição militar, o seu palmarés é impressionante, obteve mais de seiscentas vitórias e troféus. O ponto mais alto da sua carreira hípica é sem dúvida a sua participação nos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972, na qual alcançou um notável 13º lugar na prova de obstáculos, em competição com a nata dos praticantes dessa modalidade. Teve como montada nessa jornada memorável a égua de sangue francês «Ulla de Lâncome», que ele elege como sendo a melhor montada da sua carreira. Os mais antigos adeptos da equitação recordarão decerto essa montada. Na sua carreira militar atinge o posto de Coronel, tendo sido comandante do Regimento de Cavalaria 6, em Braga. Terminada a sua carreira de concursista, conti-

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nuou sempre ligado à equitação, não só como juiz de craveira internacional em diferentes especialidades, mas também como mestre, continuando a transmitir aos seus alunos os seus vastos conhecimentos de equitação. Pela sua brilhante carreira de concursista e pelo seu contributo valiosíssimo para o ensino da equitação em Portugal, é-lhe atribuído o “Prémio Barretina – Associação – Desporto”. Entrega o Prémio António Victor Reynaud da Fonseca Ribeiro (43/1968), Coordenador do Pelouro do Desporto.

Manuel Agostinho de Castro Freire de Menezes (423/1955) "PRÉMIO BARRETINA - AMOR AO COLÉGIO MILITAR"

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ctualmente delegado do Curso de 1956/1963 e aglutinador de Antigos Alunos não só do seu tempo, mas de todos os cursos, mantendo desde sempre dedicação extrema ao Colégio e à nossa Associação. Assume-se como Antigo Aluno em todas as circunstâncias e encarna pela sua personalidade as virtudes do Colégio. “É minha convicção que se o Manel não tivesse sido formado no Colégio Militar não

seria o Manel que todos conhecemos e que admiramos e respeitamos. Todos os preceitos do nosso código de honra o Manel seguiu na sua vida adulta. Amou e honrou a Pátria; Dignificou a farda que envergou (e todas as camisolas que vestiu); Cultivou (e impôs naturalmente) a disciplina; Dedicou à sua formação (militar e académica) todo o seu esforço e inteligência; É verdadeiramente leal e assume sempre a responsabilidade dos seus actos (com coragem e com determinação); Sempre praticou a camaradagem sem denúncia nem cumplicidade; Foi sempre modesto nos êxitos que teve na vida, muito digno e valente nas adversidades e confiante (por vezes em demasia) face às dificuldades; É muito generoso na prática do Bem; Sempre repudiou a violência, a delapidação e o despotismo; É respeitador, afável e colabora naturalmente com os outros; É solidário com os desventurados e intransigente com os arrogantes.

É-lhe atribuído o “Prémio Barretina – Associação – Amor ao Colégio Militar”. Entrega o Prémio Raul Miguel Socorro Folques (380/1952), Presidente da Mesa da Assembleia Geral.


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Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957) "PRÉMIO BARRETINA - DEDICAÇÃO"

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dmitido no Colégio em 1957 para o 3º ano, o seu percurso distingue-o como um bom aluno e um grande ginasta. Pertenceu à Escolta a Cavalo onde despertou a sua paixão pelos cavalos. Foi Ajudante do Comandante do Batalhão e, por situação vivida no Colégio nesse tempo, desempenhou interinamente, na última metade do ano lectivo, a função de Comandante do Batalhão. Após a saída do Colégio ingressou na Academia

Militar concluindo o Curso de Engenharia Militar para a Força Aérea, onde foi o melhor aluno do curso, vindo a desenvolver a sua carreira militar como engenheiro de aeródromos da qual consta uma comissão de serviço em Angola. Durante 4 anos integrou a NATO (Bruxelas) como “Airfields Expert” no “International Staff” com função relevante na avaliação de projectos na Noruega, Dinamarca, Norte de Itália, Oeste da Grécia e nas bases da “Royal Air Force” na Alemanha. É Mestre pela Universidade Nova de Lisboa (1985), Bachelor of Science in Business and Management pela Universidade do Maryland (USA), Professor Auxiliar do Instituto Superior Técnico e Professor Catedrático da Academia Militar e da Academia da Força Aérea. Tendo passado à situação de reforma como Major, ingressou na COBA (Consultores de Engenharia e Ambiente, S.A.) como Director de Projecto de várias infraestruturas aeroportuárias em Portugal e no estrangeiro integrando

o Conselho de Administração e mais tarde o Conselho Geral de Supervisão desta empresa. O seu inestimável contributo para com a AAACM e para com a ZacatraZ, de que é Chefe de Redacção, onde apresenta os seus trabalhos de investigação de forma rigorosa e versando matérias da História de Portugal, de História Militar e da História do Colégio e dos seus Antigos Alunos. É o representante do seu Curso no Conselho de Delegados de Curso sendo, também, Membro Efectivo do Conselho Supremo onde desempenha as funções de Secretário. O seu empenho e dedicação à Causa Colegial e á nossa Associação, são relevantes e merecedoras do maior louvor, constituindo um nobre exemplo de um verdadeiro Antigo Aluno, razão pela qual lhe é atribuído o “Prémio Barretina – Associação – Dedicação”. Entrega o Prémio Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949), Director da Revista ZacatraZ.

João Miguel Vicente Carita (370/1981) "PRÉMIO BARRETINA - SERVIR"

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João Miguel Vicente Carita entrou para o Colégio Militar em 1981 com o número 370. Desde cedo que o seu

nome se transformou também em alcunha, para ficar para sempre conhecido como “O Carita”. Quem com ele lidou nos anos do Colégio, recorda um rapaz de risada fácil, que se distinguiu na classe especial “Os Gafanhotos” com o grande Professor Dario, e também no atletismo, onde ganhar-lhe num corta-mato ou corrida de 1000 metros era uma tarefa ao alcance de muito poucos! Depois de envergar a farda “cor-de-pinhão” entre 1981 e 1990, parte para a Academia da Força Aérea Portuguesa. Entre 1990 e 1995, frequenta e conclui o Curso de Pilotagem Aeronáutica, tendo superado com de-

sempenhos excepcionais as fases de instrução elementar de pilotagem em avião e de instrução avançada em helicópteros, com os Allouette III. Pouco tempo depois de concluir a Academia, logo em 1995, entra para a Esquadra 751 “Pumas”, que viria a tornar-se a sua vida, sob o lema “Para que outros vivam”. Nesta esquadra já voou aproximadamente 2500 Horas em SA-330 PUMA, entre 1995-2005, e mais 2750 Horas em EH-101 MERLIN, desde 2005. Manifestando paixão ímpar pelos helicópteros e pela Busca e Salvamento, exibiu sempre um elevado espírito de missão, o desejo insaciável


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território português, em aeronaves civis, missão que abraça com igual altruísmo. O seu perfil e valor, em 2010, valeram-lhe a nomeação para transportar o Papa Bento XVI a bordo do EH-101 da Força Aérea Portuguesa (FAP), durante a Visita de Sua Santidade a Portugal. Na FAP, as suas qualidades humanas, elevado profissionalismo e extraordinários desempenhos enquanto piloto, permitiram-lhe granjear o respeito dos seus pares e alcançar a qualificação mais elevada na Esquadra 751, piloto instrutor. Liderou a Esquadra 751 entre 25 OUT 2011 e 11 JAN 2017. Nunca antes um militar havia comandado a Esquadra 751 durante tanto tempo, sobretudo debaixo de restrições orçamentais bastante severas para Portugal e para a FAP. Hoje, enquanto comanda o Centro de Treino e Sobrevivência da Força Aérea (CTSFA), continua a voar para Salvar Vidas. Sob o comando do 370/1981, a Esquadra 751 conquistou o Prémio Sikorsky Humanitarian Service Award , atribuído pela Helicopter Asssociation International, um prestigiado galardão internacional que distinguiu os serviços humanitários de excelência prestados pelos seus antecessores e subordinados em missões de Busca e Salvamento. A par da história da Esquadra 751, o legado do 370/1981 nos últimos anos permitiu também à Esquadra 751 ser distin-

©Foto Sérgio Garcia (326/1985)

de servir o próximo e descolou sempre em prol de terceiros, abraçando causas humanitárias e operações aéreas não menos gratificantes do que arriscadas: - Na noite de Natal do ano 2000, em SA-330 PUMA efectuou o resgate de 22 náufragos do navio “Coral Bulker” ao largo de Viana do Castelo, tendo sido esta missão aquela em que um maior número de náufragos foram resgatados de uma só vez pela Esquadra 751 – “Pumas”; - No dia 29FEV2017 efectuou o resgate de 10 tripulantes do pesqueiro “Ilhas do Mar”, a 155 milhas náuticas de Porto Santo (nesse dia, curiosamente, seu Co-Piloto nessa missão foi João Carlos Romano Almeida (73/1998). Desde 2005, a voar EH-101, o João Carita já contabiliza 67 vítimas resgatadas no mar e/ou navios, marca que supera a centena se lhe somarmos os resgates executados desde 1995, a voar SA-330 PUMA. Se a este número adicionarmos o número de cidadãos vítimas de problemas de saúde que careceram de evacuação médica urgente em território insular português e que foram transportados pelo 370/1981, aí teremos uma marca extraordinária, que supera certamente as duas centenas de vidas salvas por este Menino da Luz. Além do serviço à Pátria e ao povo português aos comandos de helicópteros militares, o 370/1981 tem combatido regularmente os incêndios em

ANTIGO ALUNO USA A BARRETINA

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guida enquanto Membro Honorário da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, a condecoração mais alta da República Portuguesa, pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, em 11 de Setembro de 2017. A vida operacional do João Carita na Esquadra 751 ilustra uma carreira militar exemplar pautada pela ética e pelos valores cultivados no Colégio Militar, em que serviço ao próximo, a dedicação a causas nobres e a salvaguarda da vida humana, falaram mais alto do que o risco das missões ou do que a distância à família, em especial à esposa e à filha. Numa época em que infelizmente tantas vidas se têm perdido em flagelos no território nacional, homenagear alguém que tantas vidas salvou, é quase arrepiante. Os feitos deste Homem que se orgulha de ser Menino da Luz perante os demais, são dignos de público louvor entre nós, Antigos-Alunos. Ele tem elevado o nome do Colégio Militar por onde quer que passa, demonstrando o carácter e a personalidade do Menino da Luz que bem sabe Servir as Forças Armadas, a Pátria e o povo português. Agraciado com o “Prémio Barretina – Associação – Servir”. Entrega o Prémio Nélson Manuel Machado Lourenço (377/1982), Presidente do Conselho de Delegados e Rui Pedro Azevedo da Silva (379/1982).


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Jantar Anual da Associação

Jantar Anual da Associação Palavras proferidas pelo Presidente da Direcção José Eusébio Pereira Barata Cordeiro de Araújo (591/1973)

C

amaradas Não será certamente sobranceria afirmar que temos aqui uma Sala que ilustrando magnificamente a nossa Comunidade, simultaneamente representa o que de melhor há na nossa sociedade. Aqui vemos a nossa Comunidade Colegial, na sua Amplitude Etária, no seu Valor e no seu Espírito. Na sua Amplitude Etária, magnificamente representada pelo mais antigo presente, o 15/1934, Agostinho de Sousa Coutinho, prestes a fazer 94 anos e a quem saúdo calorosamente, e nos mais Novos Antigos Alunos agora entrados. No seu Valor, como imediatamente se vislumbra e tão bem se exemplificará no momento de atribuição dos Prémios Barretina. No seu Espírito tão próprio, que podemos sintetizar na Realização empenhada, no tão característico Orgulho Colegial e na preocupação profunda de Servir o nosso País. Concretizo, recorrendo ao exemplo do nosso camarada Ângelo Felgueiras (498/1976), cujo roll-up1 todos tivemos a oportunidade de ver á entrada. Dentro de dias irá, e mais uma vez, irá a TODOS orgulhar com mais uma iniciativa. Nesta iniciativa veremos exemplificado esse tão característico Espírito do Menino da Luz: empenhamento numa realização de destaque, assumido orgulho na Nossa Barretina e preocupação em Servir, desta feita os mais carenciados. 1

Cartaz desenrolável.


Jantar Anual da Associação

Camaradas Peço-vos agora que me acompanheis no sublinhar de cinco palavras: Gratidão, Reconhecimento, Confiança, Colaboração e Reflexão.

GRATIDÃO: Ao nosso camarada Tomaz Metello, (462/1958), que com a sua grande generosidade tem contribuído determinantemente para que tenhamos um evento com esta elevada qualidade; Ao Nelson Lourenço (377/1982) e ao Luís Coias (190/1990), pela organização do cerimonial referente à recepção dos Novos Antigos Alunos; Ao Pedro Gomes (390/1983) e ao Tiago Baleizão (200/1987), que de forma muito intensa organizaram este evento; Por fim aos nossos colaboradores Alina Nogueira, Leonel Tomás e Ana Carvalho, pelo seu genuíno empenhamento.

RECONHECIMENTO: Ao nosso convidado Professor José Sousa Uva, que hoje será agraciado com o Prémio Barretina “Amigos do Colégio Militar” pelo trabalho em prol do Projecto Educativo do Colégio Militar. Ao Professor José Manuel Pinto Lopes, falecido esta manhã, pelo seu enorme amor ao Colégio, bem acentuado quando em fase muito adiantada da sua doença, pugnou continuar a trabalhar para que não faltassem as aulas aos seus Alunos. Aos Novos Antigos Alunos do Colégio Militar aqui representados pelo Curso Finalista de 2016/2017. Camaradas, o vosso ano de Alunos Graduados coincidiu com a implementação de uma nova e exigente linha de acção pela Direcção do Colégio Militar. Este processo não foi fácil e ditou o vosso profundo empenhamento, por isso o nosso apreço pelo vosso esforço. Camaradas, peço-vos ainda que não esqueçais que esta Barretina que hoje vos foi imposta na lapela ilustra o privilégio e a responsabilidade de pertencer a esta Comunidade. Aos Alunos Graduados do Batalhão Colegial do Colégio Militar - Aqui, representados por toda a estrutura de comando do Batalhão. Sois os principais responsáveis pela assimila-

ção e afirmação diária dos valores caracterizadores do nosso projecto Educativo. Peço-vos que com o vosso exemplo, demonstreis aos mais novos que o nosso Código de Honra é a referência que a todos vincula. Aos recentemente eleitos órgãos da Associação de Pais e Encarregados de Educação – entre os quais se encontram vários Antigos Alunos que aqui estão representados na pessoa do seu Presidente João Quadros (444/1972), pelo trabalho que em conjunto vamos desenvolvendo, visando a preservação e integridade do Projecto Educativo do Colégio Militar.

CONFIANÇA: Na Direcção do Colégio Militar - Aqui representada pelo seu Director, Coronel António Salgueiro (461/1972) e pelo Subdirector Tenente-Coronel Rebordão de Brito (1/1980). No seu profundo empenhamento para reafirmar o Colégio Militar como uma Escola de referência pelo Projecto Educativo único e diferenciador que a distingue. Distinto Director do Colégio Militar, 461/1972, estamos certos do desafio e complexidade da tua tarefa pelo que aqui assumimos a nossa disponibilidade para colaborar contigo em tudo o que entenderes solicitar e necessitares. Camaradas Antigos Alunos do Colégio Militar Deixo as duas últimas palavras para TODOS NÓS: Colaboração e Reflexão.

COLABORAÇÃO: No que se refere ao Conselho de Delegados – Este é um Órgão determinante para a nossa Comunidade de Antigos Alunos, por isso vos peço colaboração com o seu recentemente eleito Presidente, o nosso camarada Nelson Lourenço (377/1982). É preciso desenvolver a acção, alargar a representatividade e impulsionar o funcionamento do Conselho de Delegados. No que se refere ao Prédio Militar 34, a denominada antiga Formação, onde se encontra actualmente instalada a nossa Sede. Precisamos da vossa disponibilidade para a constituição de um Grupo de Trabalho, que agregue as vertentes Jurídica, Gestão e Enge-

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nharia, que terá a missão de estudar e propor um plano de utilização, conservação e reabilitação das infraestruturas do PM 34. No que se refere ao Pelouro da Solidariedade – como anteriormente afirmado, o objectivo de reforço da rede de Solidariedade junto dos Antigos Alunos em situação mais delicada, determina a colaboração de TODOS. Camaradas No próximo ano os Nosso Claustros comemoram 400 anos, o Nosso Colégio 215 anos e a Nossa Associação 115 anos. Que cenário magnifico para a ultima palavra:

Reflexão.

Faço-o num repto lançado à nossa Comunidade Colegial, dando por terminada a fase da “Navegação à vista. Estamos agora num momento em que se impõe reflectir estrategicamente sobre o NOSSO futuro, isto é, o futuro do nosso Colégio e da nossa Associação. Temos que encontrar as respostas às seguintes perguntas: Que Colégio Militar poderá SERVIR melhor o nosso País? Que Colégio quer e pode a tutela dar ao País? Que contributo os Antigos Alunos podem e devem dar para a reafirmação do nosso Colégio? Que modelo de Associação melhor servirá o nosso País, o nosso Colégio e a nossa Comunidade de Antigos Alunos? Procurando a reflexão propiciadora, que nos aponte o caminho a percorrer, iremos, no principio do próximo ano, organizar umas Jornadas de Reflexão sobre esta estratégica e fundamental temática. Atenção, esta reflexão não deve ser feita unicamente com o coração, impõe-se também o envolvimento das nossas cabeças mais lúcidas e também daqueles que também pensam fora da caixa. Por isso, e como sempre, contamos com TODOS neste significativo momento. Camaradas Agradeço-vos o privilegio que me deram. Muito obrigado, continua a ser uma honra poder servir o Nosso Colégio e a Todos Vós.


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Antigos Alunos em Destaque

Antigos alunos

em Destaque

Luís Alberto Santos Pereira (214/1952) Professor Emérito pela Universidade de Lisboa

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amizade que construímos ao longo da nossa permanência no Colégio tem uma característica peculiar. Perdura pela vida fora, mas mantém a natureza da sua origem, fraterna e igualitária. Nos almoços de curso todos nós regressamos aos velhos e saudosos tempos e são frequentes frases tais como “vi o “penico” ou “sabes que eu não gosto de ovo cozido” que só têm significado para quem sabe que o “Penico” era a alcunha de um graduado da 2ª ou alguém que connosco partilhou o rancho. Não é por isso invulgar que saibamos com surpresa que um dos elementos do nosso curso ocupa um alto cargo, fez qualquer coisa notável ou foi homenageado. Foi o que aconteceu com Luís Alberto Santos Pereira, que no passado dia 17 de Maio foi agraciado com o título de Professor Emérito da Universidade de Lisboa, atribuído a título excepcional, por proposta do Conselho Científico do Instituto Superior de Agronomia. O mais que nós sabíamos era que não podia comparecer ao próximo almoço porque, segundo nos informava por email, estaria em Kuala Lumpur ou no Japão. Ao aprofundar o assunto a surpresa aumentou substancialmente. Recebeu ao longo da sua carreira inúmeras provas de reconhecimento público, bem como

diversos prémios atribuídos por entidades públicas de países como o Japão, Egipto, Índia, Canadá e Estados Unidos da América, entre os quais se destaca o Outstanding Contribution Award, The XIV Memorial CIGR World Congress (Japão 2000), o Prémio de Investigação da National Academy of Sciences (USA 1983) e o Crawford Reid Memorial Award, conferido pela U.S. Irrigation Association (1992), em reconhecimento das actividades de âmbito internacional para a promoção de técnicas e práticas de rega apropriadas. Foi Presidente da Comissão Internacional de Engenharia Rural (CIGR), eleito em 2002, e Vice-Presidente Honorário da Comissão Internacional de Irrigação e Drenagem (CIID/ICID), New Delhi, distinção concedida em 1990. Foi designado “Honorary Scientific Consultant”, do National Center for Efficient Irrigation Engineering and Technology Research, Beijing, China (2002). É Membro da Academia de Engenharia de Lisboa, da Sociedade Científica da Universidade Católica Portuguesa, “Diplomate Member” da American Academy of Water Resources Engineers, e Membro Honorário da Associazione Italiana di Genio Rurale, além de Membro correspondente estrangeiro da “Accademia dei Georgofili”, Firenze, Itália. O seu curriculum é impressionante e ocupa umas dezenas de páginas.


Antigos Alunos em Destaque

É Doutorado em Hidrologia pela Escola Politécnica de Zurique e, para além de Professor Catedrático do Instituto Superior de Agronomia (ISA), desempenhou funções docentes em diversas Universidades, incluindo as Universidades do Porto e dos Açores. Como professor catedrático e investigador do ISA (UTL), em especial na área de Rega e Drenagem, Conservação do Solo e da Água e Gestão de Recursos Hídricos, foi colaborador em cursos no estrangeiro nas áreas da sua especialidade que tiveram lugar na China Agricultural University, Beijing, Inner Mongolia Agricultural University, Hohhehot e Universidade Nacional de Cuyo, Mendoza, Argentina, bem como em seminários no Instituto Brasileiro de Meteorologia, Brasília; no Departamento de Recursos Hídricos da Republica Dominicana, Santo Domingo; no China Institute for Water Resources and Hydropower Research, Beijing; no Instituto de Meteorologia de Xinjiang, Urumqi, China; na Administração Meteorológica da China, em Beijing, no Caribbean Institute for Meteorology and Hydrology e na Antigua Meteorological Services, St John’s, Antigua. Orientou ou co-orientou mais de 70 dissertações e teses de mestrado e de doutoramento e é autor ou co-autor de cerca de 100 livros ou capítulos de livros e mais de 350 artigos em Revistas. Fora da academia tem contribuído para o desenvolvimento do país, bem como de outros países em desenvolvimento (e.g. Índia e China) com os seus projectos, pareceres e participações no Banco Mundial, UNESCO, FAO, ICID, NATO, CE e muitas outras Comissões ou Grupos de Experts estruturantes de vários investimentos e infra-estruturas nas áreas da rega, drenagem e gestão da água, na agricultura. Em suma, é altamente prestigiado na sua área de saber tanto em Portugal como no Estrangeiro. E nós, os seus camaradas de Curso, ignorávamos tudo isto e só valorizávamos a amizade que desde o Colégio nos unia. Do seu curriculum sabíamos que tinha entrado connosco no Colégio no já distante ano de 1952. Ele também sabe isso e no discurso de agradecimento pela nomeação como Professor Emérito, na Reitoria da Universidade de Lisboa, referiu a importância do Colégio na formação do seu carácter e dos valores que lá adquiriu.

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O Professor Emérito Luís Alberto dos Santos Pereira, Antigo Aluno 214/1952, no uso da palavra na Cerimónia de entrega deste Título

Mas nem tinha sido preciso. No ambiente formal da Universidade, em que os sinais de estatuto são muito importantes, ele ostentava galhardamente na lapela a Barretina. O Curso de 1952/1959

Texto divulgado pelo Gabinete de Planeamento e Relações Externas do Instituto Superior de Agronomia “Professor Emérito é a distinção honorífica que, a título excepcional, a Universidade de Lisboa concede aos professores catedráticos ou associados, jubilados, aposentados ou reformados, que se distinguiram ao seu serviço pelo relevante contributo dado ao avanço do ensino, da ciência e da cultura. É, por isso, um enorme orgulho para o Instituto Superior de Agronomia que a atribuição deste título ao Professor Catedrático Jubilado Luís Alberto Santos Pereira, proposta pelo seu Conselho Científico em Janeiro de 2015, e aprovada em Maio de 2015 pela Comissão para os Assuntos Científicos do Senado da Universidade de Lisboa, tenha sido homologada pelo Reitor da Universidade de Lisboa. Com uma vasta carreira académica e científica, que iniciou em 1969, é nacional e internacionalmente reconhecido na área da engenharia rural, sobretudo no que respeita às áreas

da rega, drenagem e gestão da água, onde detém várias centenas de publicações, tendo recebido inúmeros prémios e distinções. Integra actualmente o Centro de Investigação em Agronomia, Alimentos, Ambiente e Paisagem - LEAF, sendo responsável pela Linha Temática “Coping with Climate Change and Water Scarcity”. Coordenou de 1994 a 2012 o Centro de Estudos de Engenharia Rural-CEER, do ISA, mais tarde designado por Centro de Engenharia dos Biossistemas. Fora da academia tem contribuído para o desenvolvimento do país, bem como de outros países em desenvolvimento (e.g. Índia e China) com os seus projectos, pareceres e participações no Banco Mundial, UNESCO, FAO, ICID, NATO, CE e muitas outras Comissões ou Grupos de Experts estruturantes de vários investimentos e infra-estruturas nas áreas da rega, drenagem e gestão da água, na agricultura. Foi o responsável pela organização e implementação da Direção-Geral de Hidráulica e Engenharia Rural do Ministério da Agricultura português, em 1977. Formou e orientou várias gerações de investigadores e técnicos nas áreas da Rega, Drenagem e Conservação do Solo e da Água contribuindo, desta forma, para a utilização da ciência no desenvolvimento do(s) país(es).”


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Abertura Solene Ano Lectivo 2017/2018

Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957

Abertura Solene 1

Ano Lectivo 2017/2018

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ste ano a abertura solene do ano lectivo ocorreu bem cedo, foi logo no dia 5 de Outubro, no feriado nacional comemorativo da implantação da República em Portugal. No meu tempo, neste dia ainda estávamos todos em férias grandes, pois o regresso ao Colégio dava-se em geral a 7 de Outubro. O Ministério da Educação, em cujo regaço o Colégio em má hora caiu, parece ter cada vez mais pressa em começar o ano lectivo, não atendendo ao nosso clima, imitando os países do norte da Europa. É mais uma excentricidade, que em nada beneficiou a aprendizagem dos Alunos. Já não estranhamos, é preciso é mudar, para se fingir que se está a fazer qualquer coisa. Segundo já ouvi dizer, o Ministério da Educação fez 35 reformas nos últimos 36 anos. Não sei se esta informação é exacta, mas é bem capaz de não andar longe da realidade. O facto é que nunca se fica a saber se uma reforma foi boa ou não, pois não se chega nunca a ter tempo de avaliar os seus efeitos. É a permanente fuga para a frente, em que o que menos interessa são os alunos. Os resultados estão à vista. 1

Todas as fotografias deste texto são da autoria de Leonel Tomaz (Sócio Honorário da AAACM)


Abertura Solene Ano Lectivo 2017/2018

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Mas voltemos ao dia 5 de Outubro. A tarde estava soalheira e bem quente, como se estivéssemos ainda no Verão. As mães dos meninos apresentavam-se, em geral, com vestidos leves e vaporosos, a condizer com a elevada temperatura, e os pais dos meninos, em geral, em mangas de camisa, para não destoarem das respectivas cônjuges. Os Antigos Alunos mais novos «fardavam» de acordo com vários padrões, incluindo as T-shirts, os «jeans» e os ténis, o que me levou a presumir que alguns deles iriam sair dali directos para a praia. Os Antigos Alunos mais velhos, para quem uma cerimónia militar é ainda algo de importante e respeitável, lá estavam de blaser ou de fato, devidamente engravatados, em geral com a gravata da nossa Associação, sofrendo a bom sofrer, aqueles que ficaram expostos ao sol. O mesmo veio a acontecer com os Alunos, que na formatura ficaram nessas condições. São estes os caprichos do ameno clima português. Na cerimónia do ano passado choveu a bom chover, este ano o sol não deu tréguas. Talvez para o ano venha um dia de temperatura amena. Os preparativos para as cerimónias começaram com a entrada das Companhias de Alunos nos Claustros, marchando com um garbo assinalável, indo tomar as suas posições, para a função que se seguiria.


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Com as Companhias todas em posição, deu-se a entrada do Comandante do Batalhão e do seu Ajudante. As Companhias fizeram ombro arma e foram apresentadas pelos seus Comandantes ao Comandante do Batalhão, dizendo aqueles, alto e a bom som, que as suas Companhias estavam prontas, aquecendo assim as suas vozes para as ordens que teriam de dar de seguida. Todos estes preparativos foram tomados com o primeiro andar dos Claustros preenchido pela numerosa assistência, estando um dos quatro lados preenchido pelos alunos do 1º ciclo, com a sua vestimenta própria. Estando o Batalhão pronto, deu entrada nos Claustros o Tenente-General Vice-Chefe do Estado-Maior do Exército, entidade que presidiu este ano à cerimónia. De acordo com o que mandam as regras, o Batalhão saudou-o apresentando armas, após o que tudo ficou pronto para se fazer a integração do Estandarte Nacional (ou Bandeira, como dantes se dizia) na formatura. O Estandarte e a sua escolta avançaram e postaram-se frente ao Batalhão. O Batalhão de novo apresentou ar-

mas, ouviram-se os acordes introdutórios do Hino Nacional, tendo sido entoado o mesmo por todos os presentes. Se o entoar colectivo do Hino Nacional é sempre algo que não deixa ninguém indiferente, fazê-lo naqueles Claustros, que têm umas condições acústicas muito especiais, onde aquele coro de vozes juvenis ressoa de forma magnífica, é algo que desperta em nós uma sensação difícil de expressar por palavras. Procedeu-se de seguida à apresentação dos novos Alunos, que entraram marchando nos Claustros, comandados pela graduada de três estrelas da 1ª Companhia, a Aluna com a graduação mais elevada no presente ano lectivo. Gostei de ver os «ratas», esforçados, compenetrados do seu papel e marchando razoavelmente, tendo em consideração que o tempo de instrução que este ano tiveram foi muito curto. Gostei também de ver que as fardas sofreram alguma melhoria e que todos tinham os seus dolmans com 8 botões. Deixou de haver fantasias dos alfaiates, no que toca a este aspecto, mas há ainda melhorias que têm de ser feitas. Foi lida a

Ordem de Serviço em que se determinou a integração dos novos Alunos no Batalhão, sendo anunciada a admissão de novos Alunos de acordo com os quantitativos indicados no artigo «Radiografia do Batalhão», incluído no presente número da revista. Seguiu-se a entrega do símbolo de comando ao novo Comandante do Batalhão, ou seja, à entrega da réplica da espada de El-Rei D. Carlos. A entrega foi feita pelo «rata» mais pequeno, o «Batalhãosinho», que desempenhou a sua incumbência de forma compenetrada, sendo de seguida abraçado pelo Comandante do Batalhão. Irá decerto recordar aquele momento até ao fim dos seus dias. Foi então a vez de o Comandante do Batalhão fazer o seu discurso, a seguir transcrito, ouvido por todos atentamente. Entre outros, retive o facto de ele se ter referido, no final do mesmo, aos seus Camaradas de Curso, dizendo «meus Irmãos», reconhecimento implícito de que são todos «filhos do Colégio», expressão agora pouco usada, mas que nunca é tarde para a recuperar.


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“Excelentíssimo Senhor Tenente-General Vice-Chefe do Estado Maior do Exército Fernando Celso Vicente de Campos Serafino, Excelentíssimo Senhor Tenente-General Perry da Câmara, Excelentíssimos Senhores Presidentes das Associações de Antigos Alunos e Pais e Encarregados de Educação do Colégio Militar, Meu Director Excelentíssimos Convidados Camaradas Hoje, formalmente, inicia-se mais um ano lectivo, mais um ano de muitas mudanças, mas, mude o que mudar, aqui vos apelo para que os valores de um Menino da Luz nunca deixem de estar presentes em todos nós! Temos de provar aquilo que somos, deixar de procrastinar e começar a escrever grandes feitos como outrora fizeram António Spínola ou Humberto Delgado, a fim de afirmar o nome desta instituição no Seio da sociedade. Hoje, além de ser o início oficial do presente ano, celebramos também o centésimo nonagésimo segundo aniversário da morte do nosso Marechal Teixeira Rebelo. Foi nestes mesmos claustros que, a 6 de Outubro de 1825, o nosso fundador deu o seu último suspiro. Não podemos, nem devemos chorar a sua morte, devemos pelo contrário celebrar a sua vida e reconhecer a sua grandeza. Com efeito, não devemos chorar sobre aquilo que aconteceu, mas sim aprender com os erros cometidos, pois o presente aprende com o passado, mas define o futuro. Quando falamos do Marechal Teixeira Rebelo, falamos de um jovem que com 16 anos saiu de casa e ingressou nas fileiras do exército, falamos de um homem que criou uma instituição de ensino para os filhos daqueles que lutavam além-fronteiras pela honra de Portugal, falamos de alguém que lutou até ao seu último dia pela perfeição desta casa, e a verdade é que, sendo ou não perfeito, o Colégio Militar,

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irá celebrar 215 anos. Não por sermos os melhores, mas por lutarmos sempre até ao fim pelo nosso ideal, tal como aqueles que vieram antes de nós, porque, os tempos mudam, mas os Meninos da Luz mantêm os seus valores, o mesmo sentimento de honra e lealdade para com esta casa. Contudo, após o início do processo de mudança, muitos baixaram as mãos e disseram que o Colégio já tinha acabado, deixando o destino desta casa ao sabor do vento. No entanto, 4 anos depois, o Colégio encontra-se tão vivo como há 214 anos, pois os alunos, que são a sua verdadeira essência, nunca deixaram morrer o sonho do nosso fundador, e, independentemente do género, da idade, ou do regime de frequência, todos defendemos os mesmos princípios, com o mesmo objectivo comum: elevar o nome do nosso Colégio.

vós o percurso será difícil, pois os problemas dos vossos filhos irão perturbar-vos, mas lembrai-vos que eles merecem sempre o vosso apoio, mesmo quando eles já derem tudo por perdido, pois sois vós a peça mais importante na sua educação. Confiem nesta casa! Irão decerto, haver momentos em que irão questionar as decisões tomadas, mas acreditem quando vos digo que o Colégio tem apenas um objectivo: fazer destes meninos de hoje, futuros Meninos da Luz que servirão a sociedade.

Caros Ratas, vocês são Futuro desta casa! O peso que a partir de hoje carregam nos ombros é bastante grande, passam a fazer parte desta secular família colegial, que se dedica a continuar o Colégio e a elevar o seu bom nome. Neste primeiro dia da vossa longa caminhada, poderão questionar-se se irá ser difícil? Certamente que sim, mas, quando se depararem com as dificuldades, apoiem-se naqueles que estão hoje ao vosso lado, os mesmos que estarão convosco até ao último dia, até ao vosso último suspiro e que vos irão acompanhar na transposição de todos os obstáculos. Hoje poderão não compreender o verdadeiro significado destas palavras, mas, daqui a 8 anos, irão entender o que elas simbolizam e lembrar-se-ão da primeira vez que vestiram a farda cor de pinhão e formaram nestes centenários claustros. Desejo-vos sorte para o percurso que têm à vossa frente, para esta etapa que vos marcará para a vida.

Estimados Professores, nos últimos anos, muitos vos culparam pelos maus resultados obtidos nas avaliações. Todavia, faço-vos um apelo para que deixem esses tempos para trás e provem, a quem vos teceu críticas, que sempre estiveram errados. A chave para o sucesso é o esforço e a dedicação!

Caros Pais, congratulo-me pela confiança que depositaram no Colégio. Também para

Oficiais, o vosso empenho e dedicação contribuiu para a continuidade do nosso Colégio, para que este, ao longo dos anos, permanecesse focado no cumprimento do seu lema – SERVIR. Para que perdure, exorto-vos para que continuem a acreditar em nós e a servir o nosso Colégio.

Servidores do nosso Colégio. Dependemos em grande parte do vosso trabalho, e sabemos que o vosso compromisso em prol desta casa foi, é e será sempre importante. Caros condiscípulos, os problemas com que o Colégio se tem deparado nos últimos anos têm tido como origem os alunos que ignoram o seu estatuto de Meninos da Luz e corrompem o trabalho daqueles que realmente querem levar o Colégio a “bom porto”. Não se iludam. Querem dizer que pertencem a esta casa, que são Meninos da Luz? Então, demonstrem-no! Não só estando bem em cerimónias e demonstrações públicas, pois isso é-nos fácil, mas sim fazendo o difícil, aplicando o mesmo


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esforço e dedicação nos estudos, para que consigamos obter resultados académicos de que nos orgulhemos. Meus caros, o Colégio é a nossa casa. É por causa do Colégio que somos quem somos, e muito lhe devemos, por isso, antes de acusarmos “outrem” pelo que está mal, temos de garantir que somos parte da solução e não do problema. O fim de uns é o início para outros. Estou aqui hoje a falar-vos como Comandante de Batalhão, mas amanhã poderão ser vocês, por isso apro-

Concluído o discurso, chegou o momento mais alto da cerimónia, a Homenagem ao Fundador. A homenagem consistiu na deposição de uma coroa de flores no átrio de entrada, na base do plinto que sustenta o busto do Marechal Teixeira Rebello, ali descerrado por El-Rei D. Carlos, no longínquo ano de 1903, que se encontrava enquadrado por

veitem cada momento, pois não sabemos o que o amanhã nos reserva. Dirijo-me, por último, ao Curso 2010. Meus irmãos, é com imenso orgulho que hoje nos vejo como finalistas, sabendo que nunca desistimos face às adversidades e que enfrentámos os problemas de cabeça erguida. Alegro-me pelo que já alcançámos, mas o mais difícil ainda está para vir, mostrando sucesso a quem espera falhanço, pois ainda temos muito para dar ao Colégio e muito que com ele aprender. Hoje é o início desta etapa, o momento que parecia distante, está a acon-

quatro Alunos da Escolta, armados de sabre. O Batalhão apresentou armas, um terno de clarins tocou o toque evocativo dos mortos, o Capelão pronunciou uma breve oração pelos mesmos, pedindo o seu eterno repouso e incitando os Alunos a serem dignos daqueles que no Colégio os antecederam e que já não estão entre nós. Após alguns momentos de

tecer. O nosso dever agora é garantir que, quando chegar o momento de deixar de carregar a barretina na cabeça e começar a carregá-la no coração, possamos olhar para trás com o sentimento de dever cumprido. Por fim, quero desejar a todos um bom ano, cheio de sucesso, e que possamos continuar a trabalhar como a família que somos, e alcançar os resultados que o nosso colégio merece. A melhor maneira de garantir o sucesso de amanhã é fazer o impossível hoje. Disse.”

completo silêncio e meditação, fez-se ouvir o vibrante toque da alvorada, que nos impele a todos a seguir em frente com esperança. Foi então a vez de o Director do Colégio fazer o seu discurso, mencionando os factos mais recentes da vida colegial e perspectivando o que está previsto para o ano lectivo que agora se inicia.


Abertura Solene Ano Lectivo 2017/2018

“Excelentíssimo Senhor Tenente-General Fernando Celso Campos Serafino, Vice-Chefe do Estado-Maior do Exército, Meu General Permita-me que expresse publicamente o quão grato é, para todos nós, contar com a presença de Vossa Excelência neste importante dia de Abertura Solene do Ano Lectivo no Colégio Militar. Ao dignar-se presidir a esta Cerimónia, a presença de Vossa Excelência honra-nos pela dimensão e significado que confere a esta secular Escola, Casa com a qual o Exército sabe que pode sempre contar. Excelentíssimo Senhor Tenente-General Jorge Manuel dos Santos, Comandante da Escola Superior de Guerra de Angola Excelentíssimo Senhor Major-General Director de Educação, Excelentíssimos Senhores Oficiais Generais, Reconhecido e grato pela presença de Vossas Excelências, relevo a importância da vossa atenção para com o Colégio Militar. Permitam-me uma palavra de respeito ao Excelentíssimo Tenente-General Perry da Câmara, pessoa na qual cumprimento todos quantos me antecederam no cargo de Director do Colégio Militar. Excelentíssimos Senhores Adidos Militares de Países Amigos, A presença de Vossas Excelências torna esta cerimónia ainda mais simbólica pelo reconhecimento mútuo da importância da cooperação na área da Defesa Nacional e da estreita relação institucional entre os nossos países. Excelentíssimo Senhor Director do Instituto dos Pupilos do Exército, Grato pela presença, reconhecido pela franca cooperação e apoio institucional, reitero a nossa total disponibilidade e confiança no futuro comum e nos objectivos que nos unem. Excelentíssimo Senhor Presidente da Associação de Antigos Alunos do Colégio Militar,

Na sua pessoa saúdo todos os Antigos Alunos que nesta Casa foram formados e que serviram e servem Portugal em diferentes áreas profissionais, nos mais diversos sectores da vida pública e privada, cientes do seu dever, contribuindo para elevar e perpetuar o bom nome desta instituição nacional. Excelentíssimo Senhor Presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação dos Alunos do Colégio Militar, Na sua pessoa cumprimento todos os Pais e Encarregados de Educação de Alunos do Colégio Militar. Se sempre foi importante um diálogo institucional, proactivo, compreensivo e construtivo, hoje, cada vez mais, é fulcral que consigamos acentuá-lo em prol de um projecto educativo que exige, de toda a comunidade colegial, envolvimento, confiança e ambição. Entidades instituidoras de prémios, Digníssimos Convidados, Grato pela vossa presença, expresso o regozijo que o vosso apoio nos transmite e motiva a zelar, cada vez mais e melhor, por esta Escola e pelos seus Alunos. Senhores Professores e Antigos Professores, Publicamente reitero a estima e consideração pelo dedicado trabalho que têm vindo a desenvolver pelo nosso Colégio. A todos, sem excepção, dedico palavras de incentivo ao exemplo, ao rigor, à competência e à exigência permanente. Esse é o modelo que acredito ser o contributo decisivo para atingir os resultados académicos que todos ambicionamos para os nossos discentes. Só quem passou por este Colégio recordará a excelência de docentes que perduram na memória de muitos de nós que, enquanto alunos, fomos estimulados e ensinados nesse modelo. Estou profundamente convicto que, com o apoio indispensável do Exército, daremos passos determinados na consolidação e estabilização do Corpo Docente diferenciado e diferenciador que este Colégio tem que ter.

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Excelentíssimos Senhores Oficiais, Sargentos, Praças e Funcionários Civis, Caros Alunos, Minhas Senhoras e meus Senhores, A todos quantos nos quiseram honrar com a sua presença, que em muito dignifica esta cerimónia que marca o início do ano lectivo 2017/2018, formulo votos de boas-vindas a esta Casa de que tanto nos orgulhamos. Este é um dia festivo em que, nestes seculares Claustros, integramos os novos alunos do Corpo de Alunos, na presença de muitos dos que acompanham diariamente este projecto educativo único, vibrante e determinado no caminho trilhado. Gerações e gerações de antigos alunos, docentes, militares e servidores, são testemunho continuado de uma história de referência nacional. Ano após ano, rejuvenescemos, renovamos entusiasmos, projectos e objectivos, insistimos no sonho do outrora Coronel Teixeira Rebello, o nosso Marechal, figura marcante na nossa memória colectiva. Sem dúvida que é um Orgulho pertencer a esta comunidade colegial, servindo o Colégio com a Dedicação timbre de um passado marcante, exigente no Exemplo, desafiante na Afirmação de Princípios, Valores e Tradições. O Colégio foi, é, e continuará a ser uma Casa controversa, alvo de atenções permanentes, nem sempre com intenções construtivas e transparentes. Mas o Colégio regenera-se natural e persistentemente, com a altivez de um predestinado, com a humildade de um trabalhador incansável, com a ambição de uma superação sem limites, fruto da unicidade de um Sonho realizado e construído paulatinamente ao longo dos últimos 214 anos. Continuando em pleno processo de consolidação da reforma encetada em 2013, concluímos o último ano lectivo com 720 alunos, dos quais 170 (24%) no 1ºciclo e 550 no Batalhão Colegial. Do total de alunos, 278 (39%) eram raparigas e, sem


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Abertura Solene Ano Lectivo 2017/2018

contar com o 1ºciclo em que todos são externos, havia no Batalhão Colegial 171 alunos em regime de externato (31%), dos quais 91 raparigas, sem hipótese de opção por inexistência de alojamentos disponíveis, e 80 rapazes. A taxa de sucesso escolar superou, em geral, os 94%, com excepção do 3º ciclo que se ficou pelos 90% e o 12ºano que registou pouco mais de 60% de aprovações. Associando ainda, neste último caso, os fracos resultados nos exames nacionais, com impacto muito negativo no acesso às principais opções do Ensino Superior, a situação é, de facto, dramática o que nos levou a implementar medidas objectivas que contribuam para inverter, de vez, esta dura realidade. De forma transversal há que mudar mentalidades, priorizar, de facto, o estudo e a preparação de cada aluno, rever conceitos e procedimentos pedagógicos, trabalhar em prol dos alunos exigindo sentido de responsabilidade e ambição, desafiar e estimular o sucesso individual em prol do nosso reconhecimento colectivo. Durante o ano lectivo 2016/2017, o Colégio Militar fez-se representar nas actividades do Desporto Escolar, tendo participado ainda em diversos encontros e convívios desportivos, nas modalidades de Equitação, Esgrima, Ginástica, Pentatlo Moderno e Râguebi. Para além destas inúmeras participações, alunos do Colégio Militar marcaram presença em cerimónias militares e de representação, visitas de estudo, concursos, eventos culturais, de protecção do ambiente e de solidariedade. Relevo as cerimónias do Dia de Portugal, no Porto, do Dia do Exército, em Elvas, Dia do Combatente e Dia da Restauração, em Lisboa, Saraus Gímnicos com as classes de mesa alemã e minitrampolim, apresentações da Escolta a Cavalo no Aniversário do Colégio e no Dia de Portugal (no próximo dia 22out, também desfilará no Dia do Exército, em Guimarães), a 1ªedi-

ção do “Coding Fest” promovida pela FCT/ UNL com o envolvimento da Ciência Viva/ Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica e as Olimpíadas Nacionais de Química e de Biologia. Reitero publicamente o meu reconhecimento e apreço pelo trabalho desenvolvido por todos os docentes e militares que, de forma empenhada e motivadora, souberam contribuir para os excelentes apresentações e resultados obtidos, alguns de significativo realce nacional. Permitam-me ainda que releve, sem pormenorizar, as diversas obras e trabalhos efectuados na conservação e requalificação de espaços, infra-estruturas e equipamentos, no Edifício do Corpo de Alunos, nos Claustros, no 1ºCiclo e na área desportiva. A propósito, com previsão até final de 2017, tencionamos concluir, ainda, o fecho de parte das arcadas do Edifício Morais Sarmento para permitir o aumento do número de salas de aula à disposição do Serviço Escolar, a recuperação total do sistema de ventilação do Pavilhão de Ciências, o campo de relva sintética do 1ºCiclo, a expansão da rede informática escolar e de apoio aos alunos e a ampliação do sistema de videovigilância e controlo de acessos do Colégio. Todas estas intervenções constam de um Plano de Modernização de Infra-estruturas e Requalificação de Espaços que, tendo em conta as necessidades identificadas, as prioridades definidas e a concretização do plano de constituição de fundos financeiros, se tem vindo gradualmente a concretizar.

Dos 708 presentes, 279 (os mesmos 39%) são raparigas e 184 (26%) são alunos do 1º Ciclo, sendo que dos 524 alunos do Batalhão Colegial 171 (33%) são alunos em regime de externato, dos quais 81 raparigas, ainda com lista de espera para ingresso no regime de internato, e 90 rapazes. O novo ano lectivo inicia-se com um novo modelo de horário escolar que privilegiou a adopção de blocos de 90 minutos, o aumento do número de tempos escolares matinais com prioridade para as disciplinas de Matemática, Português e específicas com exames nacionais, para além das de actividade física. Simultaneamente com os estudos gerais diários passaram a existir estudos de apoio, por disciplina, para alunos que o justifiquem. Implementaram-se novos projectos curriculares, com reforço das ofertas curriculares complementares e com revisão/reformulação de alguns conteúdos, a saber:

Relativamente ao ano lectivo que hoje formalmente se inicia, foram seleccionados e admitidos 55 alunos para o 1º Ciclo, 47 para o 2º Ciclo, 12 para o 3º Ciclo e 1, a título extraordinário, para o Ensino Secundário, num total de 115 novos “Meninos da Luz”. O Corpo de Alunos passou a ser constituído por 728 alunos, dos quais 20 estão em situação de suspensão de matrícula temporária.

No que se refere a este último, a sua implementação curricular acarreta sobrecarga ao nível do Corpo Docente e do Corpo de Alunos, envolverá Antigos Alunos e Pais e Encarregados de Educação, contempla a realização de exercícios, provas de situação, palestras e práticas pedagógicas, ao nível da comunicação e da gestão de equipas. De referir, também, a revisão promovida

- Informática do 1º ao 9º Ano; - Inglês, do 1º ao 12º Ano, com Certificação Cambridge; - Judo, no 1º Ciclo; - Bidocência nas turmas do 3º Ano; - Esgrima e Equitação, do 3º ao 7º Ano; - Latim, Cálculo Mental e Oficina de Leitura e Escrita Criativa, no 2º Ciclo; - Reforço da opção Educação Musical/ Educação Tecnológica, no 3º Ciclo; - Abertura da área de Artes como opção no Secundário; - Projecto de Liderança e Valorização Pessoal, também no Secundário.


Abertura Solene Ano Lectivo 2017/2018

nos programas da Educação Física e a reformulação da estrutura curricular da Instrução Militar, concomitante com o Projecto da Liderança e incluindo as temáticas do Dia da Defesa Nacional por forma a poder viabilizar a sua eventual futura equivalência para efeitos de regularização da situação militar dos Alunos. Em todos eles perspectivou-se o reforço da formação de base em áreas prioritárias do conhecimento e cujo domínio poderá vir a contribuir para uma mais sólida capacitação dos alunos. Decorrente de uma exigente disciplina, rigor e interiorização dos valores da escola, bem patentes no Código de Honra do Aluno do Colégio Militar, entende-se, ainda, como prioritário, continuar a procurar garantir um saudável e tranquilo ambiente escolar que proporcione condições ideais para os melhores resultados académicos. Importa, no entanto, uma vez mais, reforçar a ideia de que só com um Corpo Docente estruturado, estável e identificado com o Projecto Educativo do Colégio, será possível concretizar as intenções anunciadas. Os anos passam e as vicissitudes provocadas pela diminuição sucessiva de docentes em mapa de pessoal civil do Exército agravam-se. Tal situação implica maior dependência da colocação de docentes requisitados ao Ministério da Educação, num procedimento regulado por

Concluído o discurso, foi a vez de tudo se preparar para o desfile do Batalhão, retirando-se para tal a formatura dos «ratas». Esta saída foi sublinhada por fortes aplausos da assistência, que quis assim demonstrarlhes o seu apreço pela forma como se comportaram e como aguentaram, como se fossem já «veteranos», a inclemência do Sol. Neste ponto e falando em veteranos, não posso deixar de assinalar o estoicismo e a resistência demonstrada por um dos mais veteranos entre nós, o Antigo Aluno Tenente-General Fernando Perry da Cama-

Protocolo de Cooperação com o Ministério da Defesa, mas em que a aplicação de critérios subjectivos e arbitrários acabam por criar situações de muito difícil gestão interna, pondo claramente em causa todo o esforço desenvolvido no seio desta informada e exigente comunidade colegial. Importa ultrapassar, de vez, este impasse para não condicionar o normal funcionamento escolar e a ambição de quem aqui serve tão dedicadamente. O Colégio tem tudo para ser uma das melhores Escolas nacionais, tendo em conta o projecto único de formação global que o caracteriza e diferencia: um ensino de cariz militar centrado nos Valores e ecléctico nas vertentes académica, comportamental, desportiva e cultural, vocacionado para a formação de futuros cidadãos responsáveis e com capacidade de iniciativa e liderança. Aos novos Alunos, Formulo votos de que a vossa integração no Corpo de Alunos do Colégio Militar, quer no 1º Ciclo, quer no Batalhão Colegial, seja simples, rápida e salutar e que a fraterna camaradagem colegial contribua para o vosso sucesso pessoal e escolar. A todos os Alunos, em particular aos mais antigos, e em especial aos Graduados, relembro que o Exemplo, o Sentido do Dever e de Responsabilidade, a Disciplina, a Leal-

ra (143/1940), antigo Director do Colégio mais antigo presente, que postado sobre a passadeira destinada às altas entidades, em «firmeza» prolongada, exposto ao Sol, nunca vacilou. Foi notável. Seguiu-se o desfile do Batalhão, que saiu para o exterior do Colégio através do átrio principal, para de seguida virar para a antiga Azinhaga da Fonte, reentrando no Colégio, marchando então através da Parada Teixeira Rebelo, com destino à parada Serpa Pinto, frente ao internato. À passagem pelo átrio deu-se cumprimento ao que foi determina-

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dade, a Honestidade e a Solidariedade são determinantes na vossa condição. Só com Trabalho conseguireis atingir bons resultados e só com objectivos esclarecidos e maduros sereis, de facto, felizes. O vosso sucesso individual será sempre muito importante para todos nós que amamos e servimos com devoção o nosso Colégio! Aos novos Antigos Alunos renovo os votos das maiores felicidades pessoais, académicos e profissionais na certeza de que esta Casa não vos esquecerá e que contará sempre convosco na dignificação do seu nome. Meus Generais Ilustres Convidados Caros Alunos Minhas Senhoras e meus Senhores O Colégio Militar está bem vivo! Renovado na sua orgânica interna e sereno no percorrer do seu caminho, consciente dos desafios e das dificuldades que tem pela frente e forte nas convicções que o seu passado lhe impõe. Sem nunca perder a sua identidade, adaptou-se, respeitando e preservando a sua essência de Escola de Cidadania e Valores em que a divisa “Um por Todos, Todos por Um” assume o verdadeiro espírito de camaradagem e solidariedade que sempre unirá os antigos, actuais e futuros “Meninos da Luz”. Votos de um Excelente Ano Lectivo para todos nós, Bem hajam!»

do, em 2 de Março de 1903, pelo então Director do Colégio, General José Estêvão de Morais Sarmento, que passo a transcrever: «Sempre que o batalhão collegial tenha de sahir ou entrar, debaixo de forma, do edifício do collegio, seja feita a continência regulamentar no acto de passagem por deante do busto do marechal António Teixeira Rebello, como preito e homenagem devida à memória do illustre e benemérito fundador e primeiro director deste estabelecimento de educação e ensino.»


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Alunos da Instrução Primária (1º Ciclo) distinguidos na cerimónia no Ginásio Professor Dario Fernandes

Mensagem do Vice-CEME

Esta determinação, que saibamos, nunca foi esquecida nos 115 anos que, entretanto, transcorreram e cremos que, enquanto houver Colégio, será sempre cumprida. Assisti ao desfile do Batalhão no interior do Colégio, na Parada Teixeira Rebelo, onde se encontravam alinhados os Alunos do 1º ciclo, para verem o Batalhão passar. O Batalhão marchou com a «panache» habitual, passando pelo meio da assistência postada em duas fileiras para assistir ao desfile. Aconteceu então algo verdadeiramente estranho. A assistência manteve-se em silêncio e não aplaudiu o desfile, provavelmente retraída e com vergonha de manifestar a sua satisfação. Desatei a bater palmas. Ninguém me acompanhou. Felizmente no final da parada havia um grupo compacto de Antigos Alunos, que não se cansou de aplaudir e fazer ouvir os seus gritos de Zacatraz.

No Ginásio Professor Dario Fernandes decorreu a cerimónia da entrega de prémios e medalhas aos Alunos que no ano transacto se distinguiram pela sua aplicação no estudo e na prática das actividades físicas que o Colégio complementa na educação dos seus Alunos. A Lição Inaugural esteve a cargo do Comandante do Corpo de Alunos, Tenente-Coronel de Infantaria Comando, Sérgio Nuno Silveiro Castanho, que dissertou sobre o tema “A Instrução Militar na Formação Integral do Aluno do Colégio Militar”. A sessão terminou com o Hino Nacional, entoado por todos os presentes.


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114º Aniversário da AAACM Homenagem à “Velha Guarda”

Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949

114º Aniversário da AAACM

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Homenagem à “Velha Guarda”

A

23 de Outubro de 2017, data da fundação da Associação Philantropica dos Alumnos do Real Collegio Militar de que resultou a actual AAACM, teve lugar, como vem sendo tradição, a Homenagem à “Velha Guarda” onde se incluem todos os Antigos Alunos com setenta ou mais anos de idade. Após a chegada ao Colégio e concentração no Átrio do 1

Fundador, os participantes deslocaram-se para o anfiteatro agora existente na antiga 3ª Companhia, local com excelentes condições técnicas e de comodidade que foi exíguo para o número de participantes, situação reveladora de que a longevidade aumenta e é acompanhada de condição física invejável para os septuagenários e octogenários que estiveram presentes.

Todas as fotografias deste artigo são da autoria de Leonel Tomaz (Antigo Aluno Honorário)

Não posso deixar de registar a presença do Antigo Aluno Dom Agostinho de Sousa Coutinho (15/1934) que, com os seus quase 94 anos, acompanhou todo programa com a jovialidade e grande camaradagem que sempre o caracterizaram. Do programa constava uma visita guiada ao Edifício dos Claustros que, no próximo ano, irá comemorar o quarto centenário do término da sua construção. Esta visita seria orientada pela Arquitecta e Mestre em Recuperação do Património Arquitectónico e Paisagístico, Senhora D. Marta Ataíde, que publicou um trabalho editado em livro com o título “Convento e Hospital de Nossa Senhora da Luz”, publicação que teve o apoio da nossa Associação. Por razões de força maior não foi possível a sua presença. Nesta circunstância foi lido um conjunto de apontamentos, relacionados e de sua autoria, pelo Antigo Aluno Francisco Eduardo Moreira da Silva Aves (392/1954). Na Biblioteca foram apresentados cumprimentos ao Senhor Director, Coronel de Artilharia António Emídio da Silva Salgueiro (461/1972), tendo usado da palavra o Presidente da AAACM, José Eusébio Pereira Barata Cordeiro de Araújo (591/1973), que


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114º Aniversário da AAACM Homenagem à “Velha Guarda”

O cumprimento do Batalhãozinho, André Pedroso Marques (353/2012) ao AA Dom Agostinho de Sousa Coutinho (15/1934), vendo-se o Director Coronel António da Silva Salgueiro (461/1972), o Presidente da AAACM, José Cordeiro de Araújo (591/1973) e o Comandante do Batalhão Bernardo Nuno Rebelo Moutinho (504/2010)

saudou os presentes e agradeceu ao Director a sua disponibilidade para nos receber nesta jornada de saudade aos tempos vividos no Colégio. O Director num breve e eloquente improviso, agradeceu a presença da “Velha Guarda”, referiu aspectos da actual vivência do Colégio e das perspectivas futuras, transmitindo a sua convicção de que, apesar do muito que ainda é necessário fazer, se está no bom caminho para alcançar as metas que todos desejam para se atingir a excelência. Roberto Ferreira Durão (15/1942), leu um poema de sua autoria, que foi muito apreciado. Assinado o Livro de Honra, foi prestada homenagem ao Fundador Marechal António Teixeira Rebello, com deposição de coroa de flores e os toques de ordenança executados por um terno de clarins do Regimento de Artilharia de Queluz. Após a cerimónia do acender da Chama Colegial, seguiu-se uma visita às instalações do Ensino Primário (1º Ciclo) onde os Alunos se encontravam nas aulas, sendo de realçar o ar compenetrado e atento com que se comportavam.

À tradicional fotografia na escadaria da Enferma e encontro com os Sucessores, com o Batalhão formado na Parada Serpa Pinto, foram entregues aos Comandantes das Companhias livros do Bicentenário para utilização dos Alunos nas respectivas bibliotecas. Após o desfile em continência, no Refeitório do Corpo de Alunos teve lugar o almoço de confraternização da “Velha Guarda” com o Director, Oficiais e Batalhão Colegial, sendo o prato forte “O Amarelo”. O que foi servido não é “Amarelo”. Insípido, sem ovo, com excessiva carne, com reduzida quantidade de batata frita que mais pareciam cozida. Na véspera, na Feitoria noutra cerimónia, também foi servido ao almoço, “Amarelo” com as mesmas características do anterior. Com este “Amarelo”, para o qual já não há grande entusiasmo das gerações actuais de Alunos, será preferível deixar de o servir, optando por qualquer outro prato que seja bem confeccionado, deixando que a a imagem do verdadeiro “Amarelo” perdure nos

que tiveram a felicidade de ao longo de muitos anos, o saborear. Seguiu-se uma visita às instalações do internato feminino, visita guiada e acompanhada, com a sua natural simpatia e boa disposição, pela Senhora Major Vânia Santos, 2º Comandante do Corpo de Alunos. Assim, com agrado, se concluiu mais este Aniversário da Associação e a homenagem à Velha Guarda. Nesta jornada de Homenagem que contou com a presença do Presidente e Vice-Presidente da AAACM, respectivamente, José Eusébio Pereira Barata Cordeiro de Araújo (591/1973) e Artur Manuel de Spínola e Santos Pardal (587/1961), do Presidente do Conselho Supremo Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958) e do Presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação dos Alunos do Colégio Militar, Filipe José de Sousa de Castro e Quadros (444/1980), responderam à chamada da “Velha Guarda” os Antigos Alunos “ratas” de 1957 e anos anteriores: Dom Agostinho de Sousa Coutinho (15/1934), José Joaquim Fragoso (26/1938), Nuno Gomes de Lacerda Teixeira


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114º Aniversário da AAACM Homenagem à “Velha Guarda”

(406/1955), José Maria Trigoso Correia de Barros (416/1955), Joaquim Guilherme Fernandes Correia de Sá das Neves (420/1955), Manuel Agostinho de Castro Freire de Menezes (423/1955), Rui Manuel Marques Pires (437/1955), António Filipe Nunes Salvador Tribolet (61/1956), Manuel José Matos Almeida (262/1956), Mário João Conde de Carvalho Pereira (275/1956), Armando António dos Santos Martins (351/1956), José António Pina de Bastos e Silva (67/1957), Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957), José António Saturnino Balula Cid (152/1957), Joaquim Inácio Passanha Braamcamp Sobral (160/1957), Duarte Manuel Silva da Costa Freitas (199/1957), João Paulo de Castro e Silva Bessa (200/1957), José Luís Nogueira Tolentino (247/1957), Eduardo Simões Pereira de Sousa (321/1957), João Manuel da Silveira Malheiro de Távora (364/1957) e José Manuel Esteves de Carvalho (368/1957).

(371/1939), Nuno Vilares Cepeda (310/1941), Carlos Fernando Valente Ascensão Campos (12/1942), Roberto Ferreira Durão (15/1942), José Maria Barroso Branco Ló (90/1942), José Villa de Freitas (94/1942), Pedro Júlio de Pezarat Correia (10/1943), António Eduardo Domingos Mateus da Silva (86/1943), Rui Ernesto Freire Lobo da Costa (160/1943), Mário Arada de Almeida Pinheiro (164/1943), António Francisco Martins Marquilhas (67/1944), João Martins Ribeiro Mateus (169/1944), Isaías Augusto Pinto Gomes Teixeira (235/1946),José Alberto Lopes Carvalheira (301/1946), Francisco Manuel Alcântara Mota Ferreira (307/1947), Ruy Eduardo Anselmo d’Oliveira Soares (332/1947), Luís José Passanha Braamcamp Sobral (34/1948), Luís Alberto de Oliveira Marinho Falcão (35/1948), António Eduardo Queiroz Martins Barrento (40/1948), António Rui Prazeres de Castilho (147/1948), Manuel Júlio Matias Barão da Cunha (150/1948), João Augusto Oliveira de Ayala Botto (254/1948), Abílio Matos e Noronha Pais Ramos (323/1948), António Maria de Almeida Bívar de Sousa (325/1948), José

Manuel de Vasconcelos Caeiro (41/1949), Alfredo da Piedade Sério Lopes Rêgo (224/1949), Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949), Manuel Paulo Lalande Vieira Pinto (382/1949), Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950), António José Fonseca Cavaleiro de Ferreira (332/1950, Carlos Manuel da Silva Monteiro (154/1951), José Eduardo Fernandes de Sanches Osório (210/1951), José Mário Fidalgo dos Santos (253/1951), Carlos Manuel Querido Baptista (303/1951), José Luís Passarinho Franco Preto (33/1952), Manuel Nuno da Costa Estorninho (207/1952), Raúl Miguel Socorro Folques (380/1952), António João Martins de Abreu (85/1953), Álvaro Fins Pereira de Lacerda Machado (143/1953), Luiz Manuel Caldeira Pinto (168/1953) Bernardo Manuel Diniz de Ayala (171/1953), Francisco Eduardo Moreira da Silva Alves (392/1954), José Luís Guimarães dos Santos Bessa (73/1954), José Pina Cabral Trindade (101/1955), Sebastião Pinto Mendonça Garcia (111/1955), Carlos Manuel de Sousa Baptista (211/1955), José Maria Eça de Queiroz (272/1955), Francisco Xavier Godinho de Abreu Novais

Breve Mensagem à Velha Guarda e a todos os Meninos da Luz (sempre jovens na Alma) Velha Guarda, Velha Guarda Seja de traje civil ou farda Guarda em Ti esta Mensagem De ontem, hoje, eterna Viagem! Com Honra e Integridade Contra a inveja e falsidade Enchamos de Humanidade Com Amor e Humildade Nossa Pátria antiga e honrada Tão esquecida e queimada Neste mundo em desatino Desumano e material Dá-nos ânimo Marechal Para Honrar esse Menino Que se chama Portugal Roberto Ferreira Durão

15/1942


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Curso de 1947/1954 Romagem dos 70 Anos de Entrada

Curso de 1947/1954 Romagem dos 70 Anos de Entrada 10 de Novembro de 2017

Curso 1947/1954 – 70 Anos de Entrada – 10 de Novembro de 2017 ©Fotos Leonel Tomaz

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ecorridos setenta anos da entrada no Colégio, nesta Romagem de Saudade estiveram presentes os Antigos Alunos Pedro Manuel de Vasconcelos Caeiro (14/1947), Luís Alberto de Oliveira Marinho Falcão (35/1947), Carlos José Sanches Vaz Pardal (100/1947), Jorge Maria de Lemos Pereira Máximo (101/1947), João Manuel Soares de Almeida Viana (107/1947), António Costa Gil Sousa Prates (138/1947), Joaquim Vito Côrte Real Negrão (146/1948), António Pedro Pereira de Bacelar Carrelhas (159/1948), Nuno Rui da Fonseca Santos Pinheiro (249/1947), João Augusto Oliveira de Ayala Botto (254/1948), José de Oliveira Tojal (273/1946), Manuel Luís de Sena e Silva (293/1946), Eduardo Lemos Roque (305/1947), Francisco Manuel Alcântara Mota Ferreira (307/1947), Fernando José Pinheiro Alçada 309/1947), João Manuel Ribeiro da Fonseca Calixto (314/1947), José Baptista Pereira (318/1947), José Burnay (319/1947), José Fernando de Oliveira Vilar Saraiva (320/1947),

José Manuel Lameira Machado Faria (324/1947), Pedro do Canto Lagido (330/1947), Rui Eduardo Anselmo d’Oliveira Soares (332/1947) e João Augusto Serrinha Figueira (339/1947). Texto enviado por Luís José Alves de Azevedo Pascoal (150/1948) Contrariamente ao que tanto desejava e aguardava, um súbito e forte ataque gripal impede-me de estar convosco hoje no Colégio. Sinto-me triste e frustrado pela ocasião perdida de rever os velhos amigos e camaradas de tantas horas de alegria, por vezes também de dificuldades e tristezas, em que lado a lado, como verdadeiros irmãos, crescíamos e nos preparávamos para uma vida de cidadãos dignos e responsáveis, em prol do Portugal nosso berço. Este inesperado azar vem, contudo, realçar a meus olhos a importância de sabermos aproveitar bem todas as oportunidades disponíveis para, juntos como outrora, recordarmos e revivermos os mo-

mentos bons da nossa mocidade e juventude, ao abrigo da sombra tutelar da Cúpula e sentindo sob os pés o apoio sólido do lajedo dos Claustros. Nesta nossa caminhada da Vida já muitos, infelizmente tantos, nos deixaram; mas que nós, ainda em marcha, não deixemos de nos reunir, em cada romagem futura, para os trazermos de novo aos nossos corações, já algo débeis, mas generosos e fraternos como então batiam sob aquela querida farda cor de pinhão.


Curso de 1962/1969 Romagem dos 55 Anos de Entrada

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Curso de 1962/1969 Romagem dos 55 Anos de Entrada 13 de Outubro de 2017

Curso 1962/1969 – 55 Anos de Entrada – 13 de Outubro de 2017 ©Fotos Leonel Tomaz

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ecorridos cinquenta e cinco anos da entrada no Colégio, nesta Romagem de Saudade estiveram presentes os Antigos Alunos Rui Manuel Amaral de Almeida (40/1962), João Lopo de Pinho Cancela de Abreu (64/1962), António José Carvalho de Paiva Morão (84/1963), José Manuel Cardoso Palhinha (136/1962), Jorge Sampaio e Pinho (134/1962), António Manuel Restani Graça Alves (206/1962), José Manuel Monteiro Salgueiro Rêgo (227/1962), João Carlos Colaço Alegre Branco (238/1962), Artur Joaquim dos Reis Ferreira (274/1962), António Luís Maldonado Coutinho (285/1962), Nuno Miguel Dias Agrely Rebelo (331/1962), Vasco Manuel Castro Coucello (335/1962), Artur Raposo Moniz Serrano (412/1962), Fernando José Saraiva Maia Henrique (492/1962), Jorge Manuel de Castro Gouveia da Costa (495/1962), Manuel Paulo de

Oliveira Ricou (512/1963), José Carlos Faria Amaral (584/1961), José Manuel Granja Gomes da Silva (586/1961), Artur Manuel de Spínola e Santos Pardal (587/1961), João Manuel Gomes Pereira Carmona

(589/1961), Eduardo Aires Monteiro Cortez das Neves (594/1962), Jorge Manuel Miranda Themudo Barata (608/1962, José Manuel Cabanas Nunes Pantaleão (614/1962) e Luís Filipe Magalhães de Aguiar (616/1962).


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Curso de 1984/1992 Romagem dos 25 Anos de Saída

Curso de 1984/1992 Romagem dos 25 Anos de Saída 29 de Setembro de 2017

Curso 1984/1992 – 25 Anos de Saída – 29 de Setembro de 2017 ©Fotos Leonel Tomaz

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ecorridos vinte e cinco anos da saída do Colégio, nesta Romagem de Saudade estiveram presentes os Antigos Alunos André Rodrigues de Oliveira Ponces de Carvalho (30/1984), Rui Pedro de Almeida Borges Isaías (34/1984), Hélder Manuel Dias Teixeira (35/1984), Pedro Miguel Sena da Costa Branco (38/1984), Henrique Maria de Proulle Dias Rebello da Silva (50/1983), João Luís de Mascarenhas e Silva Shoerder Coimbra (54/1984), João Paulo Marques Maximiano (58/1984), Nuno Miguel Silva Dias da Costa (93/1984), Rui Pedro Bargado Lérias (102/1984), Gonçalo Miguel de Matos Gonçalves (105/1984), Arlindo Miguel Rosado Rodrigues (140/1984), Rui Eduardo da Paiva Ferreira e Costa (163/1984),António Miguel de Oliveira Casimiro (186/1984), Tia-

go Mendes Silva Bossa Dionísio (202/1984), Luís Manuel Simões Viegas (218/1982), Pedro Nuno Morgado de Fonseca (224/1984), Marco Bruno Soares da Cruz dos Santos (243/1984), João Luís Pestana Pereira (256/1984), João de Ayala Botto Mariz Fernandes (261/1984), Miguel Mota da Costa Cascaes Guiné (269/1984), Pedro Henrique Marcelino Alves Delgado (278/1984), Gonçalo Faivre dos Santos Lopes (288/1984),José Miguel Pissarra Coelho Rolo Duarte (364/1984), Tiago Costa Gaspar Duarte Ramos (404/1984), Paulo Jorge da Silva Curto (431/1984), António Miguel Magalhães Nogueira Lúcio (437/1983), Paulo Jorge da Silva Gonçalves Serrano (449/1983), Pedro Manuel Patrocínio Dias Madeira (452/1983), Tiago Maria Duarte Santos Gonçalves de Azeve-

do (454/1983), Marco António Martinho da Silva (456/1983), Rodrigo Teixeira Monteiro (488/1984), Ricardo Afonso Barata (491/1984), António José Calhabrês Fiarresga (495/1984), António José Ferreira Pinto Dá Mesquita (498/1984) e João Miguel Trigueiros Serra Ramos Ferreira (499/1984.


Curso de 1997/2005 Romagem dos 20 Anos de Entrada

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Curso de 1997/2005 Romagem dos 20 Anos de Entrada 22 de Setembro de 2017

Curso 1997/2005 – 20 Anos de Entrada – 22 de Setembro de 2017 ©Fotos Leonel Tomaz

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ecorridos vinte anos da entrada no Colégio, nesta Romagem de Saudade, Ricardo Neto Galvão (347/1997) leu as seguintes palavras escritas pelo Comandante do Batalhão, Miguel Pinto dos Santos Matias (305/1997), que se encontra na Austrália onde exerce a sua actividade profissional: “O bom filho a casa torna O bom filho a casa torna. Ou quer tornar, um dia. Há 20 anos atrás, acabados de ingressar no Colégio, não passávamos de uns garotos assustados com a imponência destas paredes e o peso da história e responsabilidade que nos diziam que então começávamos a carregar. Hoje somos Homens. Lançados na vida e no mundo. Com a certeza de que esta, que foi a

nossa casa naqueles anos da nossa adolescência, nunca deixou realmente de o ser. Por mais ou menos que tenham sido esses anos, todos os presentes aqui demonstram que o Colégio não morre nunca dentro de nós. A vivência é demasiado forte para que tal aconteça. E hoje, Homens nos reunimos. O que um dia parecia distante, difícil de imaginar como seria, chegou mais depressa do que seria de pensar. E a vida aconteceu entretanto. E o fim dela também. Mais depressa do que seria de pensar. Mas estamos aqui reunidos hoje porque a vivência e o espírito vivem dentro de nós, tal como a memória dos que não podem mais estar aqui. A vida acontece, mas o Colégio continua. O Colégio vive e adapta-se aos novos tempos, mas a essência, essa é perene. E hoje

reunimos aqui não só para revermos velhos amigos, alguns que já não víamos há tanto tempo, mas também para mostrar aos nossos sucessores que o Colégio fica para sempre dentro de nós, e que hoje são eles os responsáveis por perpetuar o brio e o brilho dos Meninos da Luz. Por uma Firme Existência, Fiel à sua Essência! Aproveito ainda para agradecer ao Colégio Militar, na pessoa do seu Diretor, por nos permitirem voltar a esta nossa antiga mas eterna casa, e por terem organizado esta receção, em conjunto com a Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar.” Zacatraz Estiveram presentes os Antigos Alunos André Garcês Reis (21/1997), Sérgio Alexan-


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O Meu Colégio

dre Bento Esteves Gomes (37/1997), João Pedro Coelho Pereira Barreira (39/1997), Tiago Miguel Rodrigues Teixeira (78/1997), Pedro José Dias Moreira (96/1997), Tiago José Pereira Fernandes (131/1997), Tiago Manuel da Costa Rodrigues (155/1998), Afonso Lourenço de Oliveira Pegado (175/1997), Rui Pedro Santos Calçada (176/1997), Filipe Manuel Cavaco Bismarck (187/1997), Xavier Sabaté Moreira (190/1998), Francisco José Nogueira Correia (197/1997), João Pedro Félix Machado da Guia Costa (201/1996), José Manuel Cordeiro Ranhola (210/1997), Manuel Maria Teixeira d’Aguiar Norton Brandão (220/1997), Tiago José Machado Leiria de Brito (232/1997), João Luís Ignez Jorge de Ramirez Cordeiro (242/1997), Francisco Lourenço de Oliveira Pegado (285/1996), Diogo Miguel Pardal Alves (288/1997), André Tiago Paredes Pereira (304/1997), João Tiago da Conceição Silva Marques Gil (313/1998), Ricardo Neto Galvão (347/1997), Miguel Maria Dimas Nogueira de Cabedo e Vasconcellos (360/1997), João Nuno Vareda Tomé (380/1997), Carlos Miguel Ferreira da Silva (427/1996), Miguel Burguete de Bacelar Marreiros Figueira (482/1996).

Nuno Rui da Fonseca Santos Pinheiro 249/1947

O Meu Colégio H

abitualmente era o João Ayala Boto e eu próprio que organizávamos as nossas múltiplas reuniões de saudade, no Colégio. Recordo o nosso Amigo Padre Braula Reis que iniciava sempre as nossas missas dizendo que arranjávamos sempre um pretexto para lá voltar! Foi o nosso Capelão desde o 2º ano que sempre nos acompanhou até mesmo na celebração de casamentos de muitos de nós e até do meu próprio Filho Ainda bem que assim procedemos durante anos. Hoje, por razões de saúde de ambas as partes, vim a ter conhecimento pelo João Ayala que teríamos a nossa reunião de curso de setenta anos de entrada no Colégio, no próximo dia dez de Novembro. O tempo passa ou talvez melhor, voa… sem darmos por isso! Faz neste preciso momento setenta anos que estávamos, como os actuais Ratas, a entrar para o Colégio e por isso mesmo, aqui no meu recanto algarvio, na tranquilidade da nossa casa, sinto a necessidade de recordar todos os nossos colegas que infelizmente não conseguirão estar connosco nesta data altamente marcante para nós. São “irmãos” colegiais do nosso grupo de Ratas que estarão sempre presentes no nosso coração e que fazem parte da alma do nosso Colégio.

De praticamente todos, nós conhecíamos os Pais que visitavam os seus filhos nos fins de semana em que ficávamos obrigatoriamente no Colégio, o que ainda conseguiu unir-nos ainda mais, como é natural Hoje, passados tantos anos, ainda consigo manter na minha memória a fisionomia de quási todos esses familiares. Eram domingos de visita que posteriormente, depois de terminarmos o curso, se tornaram inesquecíveis. Numa perspectiva muito curta e muito singela sinto que a minha educação e a forma como conduzi a minha vida se deve a dois “momentos” de grande importância, a educação que recebi em minha Casa, de meu Pai que toda a vida foi um pedagogo e de minha Mãe que naturalmente venero e que foi a alma de ter acontecido o segundo “momento”: A minha entrada no Colégio Militar. Foram sete anos inesquecíveis que fazem parte de mim próprio e onde a minha formação se acabou de estruturar com os valores que aqui se gravam em nós e que dão a expressão de vida do “menino da Luz”. Se por um lado é para mim inesquecível a maneira como a educação dada por meus Pais me marcou e que por isso a quis manter com meu Filho, a forma como o Colégio completou todo este meu processo formativo, foi de uma grande relevância e importância.


O Meu Colégio

Ao longo de toda a minha vida, o Colégio e as marcas que deixou, nunca me permitiram esquecê-lo e deixá-lo de reviver. Sobretudo por razões de trabalho, nunca deixei algum artigo na nossa revista da Associação da qual sou sócio ainda dos tempos colegiais. Hoje, setenta anos depois de ter entrado nos seus Claustros, que considero poder significar o Símbolo deste nosso Colégio, sinto o dever de fazer um agradecimento sobretudo muito emotivo pela forma como aqueles sete anos foram passados e vividos, recheados de ensinamentos, de alegrias, de companheirismo e de fortes amizades

que foram, com a presença permanente de meus Pais, a base de toda a minha vida. Meu Filho, que a seu tempo foi sucessor do João Ayala Boto acompanhou-me, enquanto criança, nalguns desfiles do 3 de Março, que eu fazia até há bem pouco tempo descendo a Avenida e sempre acompanhado pelo Ayala Boto, o Oliveira Soares e o Alcântara Mota. No dia do pai do ano de 1986, meu Filho deu-me de presente uns simples versos de criança, mas por isso mesmo, com um significado que me deixaram feliz e que transcrevo:

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O DESFILE Já se começa a ver Ao fundo da avenida O Batalhão a crescer Cheio de alegria e vida E lá vêm eles a desfilar Com um ar imponente Todos a marchar Com um riso contente Sinto-me naturalmente feliz e realizado por ter podido transmitir a meu Filho o meu testemunho.

Bem-Haja, Colégio.


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Acontecimento Inesquecível

Jorge Alberto Gabriel Teixeira 315/1947

Acontecimento Inesquecível N

a maioria dos artigos que tenho escrito para o jornal, embora com a razão que assiste a quem vê o estado deplorável em que se encontra a nossa sociedade, tenho sido talvez demasiado crítico, excessivamente pessimista em relação ao futuro. Infelizmente, continuo a não ver grandes esforços por parte da maioria, sejam eles pais, governantes, ou quaisquer outros responsáveis pela educação cívica, ética e moral da nossa juventude. Mas seria profundamente injusto se não considerasse as excepções – e, graças a Deus, são ainda muitas – que, denodadamente, com um esforço enorme e continuado, teimam em remar contra a maré. E é aí precisamente que reside a nossa esperança. Que Deus os ajude e lhes dê forças para continuarem, para não desistirem. Pela vida fora, que, como bem sabem, já vai longa, tenho encontrado exemplos notáveis de compreensão, de aceitação, de resignação perante acontecimentos pungentes, embora inevitáveis, que me encheram de profunda admiração, de enorme respeito pelas pessoas que assim foram capazes de reagir. Vou contar-vos uma história verdadeira que se passou comigo, já há muitos anos. Perdoar-me-ão certamente alguma coisa que eu possa vir a romancear, pelo facto de a minha memória já me ir atrai-

çoando. Mas acreditem: o essencial, aquilo que realmente interessa, o que no fundo representa a grandeza de alma daquelas gentes, não tem pinga de fantasia. É a verdade maravilhosa das atitudes dos simples, daqueles de quem, de acordo com as palavras de Cristo, será o Reino dos Céus. Era eu ainda um jovem alferes, nos romançosos anos sessenta, ainda antes do início da guerra no ultramar. Na altura, as disponibilidades financeiras do Exército ainda permitiam que os oficiais de cavalaria que o desejassem tivessem uma montada, por outras palavras, um cavalo distribuído. Essa atribuição implicava não poucas responsabilidades, na medida em que o oficial era responsável pelo ensino e treino do animal, exigência testada e inspeccionada ao longo do ano por oficiais sabedores e exigentes. E havia ainda outra dificuldade acrescida. Naquele tempo já o Exército estava completamente virado para a mecanização, que atingia o auge na Arma de Cavalaria e, em particular, em Santa Margarida, campo militar que todos bem conhecem. Eu encontrava-me colocado no então Grupo Divisionário de Carros de Combate, estava no início da minha carreira e não queria falhar nas minhas obrigações, fossem elas quais fossem. Era um esforço grande, mas a paixão por uma coisa, e o dever por outro

lado, obrigavam realmente a uma ocupação completa de todo o santo dia. Mas a que propósito virá isto, dirão os meus leitores. Digamos que é uma excelente maneira de vos apresentar o infeliz protagonista da minha história. A existência de cavalos no Exército pressupunha, evidentemente, a disponibilização de tratadores. Não me lembro bem do modo como aquele excelente rapaz assumiu as funções de tratador do meu cavalo. E nem sequer me lembro já se teria tido alguma experiência anterior em tal matéria. Uma coisa é certa: tornou-se não só um óptimo tratador como, talvez sobretudo, um ajudante sempre pronto a desenrascar certas coisas para o seu alferes. Embora a distância e a tristeza dos acontecimentos possam ter alguma influência, acreditem que me afeiçoei ao rapaz. Ainda hoje sinto uma grande tristeza sempre que de tal me recordo. Tempos difíceis aqueles em que estes jovens não tinham sequer dinheiro para passar os fins-de-semana com a família. Santa Margarida era longe das Beiras, sua terra natal. Mas nunca um português se enrascou, muito menos um militar. A imaginação não tem limites para a juventude, sobretudo naquela vastidão dos campos que rodeavam as instalações militares. E um dos seus passatempos favoritos, no Verão ou assim que apertava o calor, era darem umas


Acontecimento Inesquecível

braçadas refrescantes na lagoa de Caldelas, albufeira de uma pequena represa de fins agrícolas. Infelizmente, a juventude é, com muita frequência leviana ou, no mínimo, descuidada. E foi por isso que aconteceu … Esqueci o dia, o mês e nem sequer tenho a certeza do ano. E isso também pouco interessa. Mas lembro-me perfeitamente que era uma segunda-feira, regressando eu certamente de um fim-de-semana bem passado; não esqueçam que teria os meus vinte e dois anos, era solteiro e, mesmo que não fosse bom rapaz – como era então costume dizer-se da rapaziada – teria arranjado certamente maneira de me divertir. Julgo que o primeiro contacto referente ao triste acontecimento me foi proporcionado pelo meu comandante de esquadrão. Ter-me-á dado certamente a notícia com cuidado, mas, para alguém jovem, saber da morte dum outro jovem, morte originada em factores de acaso e infelicidade de atitudes, uma morte com tanto de inesperado como de vazio, é sempre um grande choque. E, coisa curiosa que nunca mais esqueci, foi o ter sentido imenso aquele desaparecimento; por um lado, nunca me tinha apercebido do quanto nós podemos ficar sentimentalmente ligados a pessoas que fazem parte da rotina do nosso dia-a-dia; por outro, o quanto estamos, enquanto jovens, afastados da ideia da morte, talvez porque isso não se encaixa, naquelas idades, na nossa ideia de vida. Talvez tivéssemos razão, era demasiado cedo para pensar numa coisa em que, mesmo alguns depois de velhos, teimam em não encarar. A Instituição Militar, que muitos consideram dura, fria e mesmo desumana, não teve quaisquer dúvidas em tratar de tudo para que o corpo do malogrado rapaz fosse entregue à família na sua terra natal. A trasladação seria feita em carro funerário militar, o soldado, na sua condição de militar, teria as honras militares a que tinha direito, e a unidade de tudo trataria. Relembro que o falecimento se deu por acidente com que a instituição militar nada teve a ver, fora das horas de serviço e do quartel. Mas, e isso é que era importante, tratava-se de um dos seus, com direito a ser tratado com a dignidade devida ao ser humano, em particular numa

circunstância tão penosa. A lógica da nomeação do comandante da força a realizar todo um conjunto de tarefas era por demais evidente: seria o seu alferes, portanto eu, a encarregar-me de tal missão. Incapaz de pôr em causa tal nomeação, por razões ligadas ao meu espírito militar, mas sobretudo de ordem sentimental, apercebi-me, apesar da evidência do dever e do sentir, da angústia que tal tarefa me trazia. Para além de todos os problemas e responsabilidades que residiam no simples cumprimento da missão, pensem bem na perturbação, na intranquilidade, na tristeza que me assolava ao pensar no desgosto profundo daquela família, daqueles pais que viram sair de casa o seu jovem e saudável filho e, agora, o iriam ver entrar numa urna, sem sopro de vida. A narração completa de tudo o que se passou até entrarmos na simpática aldeia, seria fastidioso e sem interesse, pois, na realidade, o que sobressai de toda a história é o que se vai passar naquele ambiente rural. De qualquer modo, há factos notáveis antes disso, e eu não poderia esquecê-los. O primeiro tem a ver com a nomeação do pessoal que me acompanharia na triste missão. Creiam que não tive qualquer dificuldade; o militar era de tal modo considerado por todos que o único problema foi escolher entre os voluntários: todos queriam prestar uma última homenagem ao seu camarada e amigo. Ironicamente, a viagem desenrolou-se num dia lindo, de sol, daqueles que podemos considerar como um hino à própria vida. A aldeia, de que me não lembro o nome, situava-se na Beira, perto duma vila bem conhecida: Vila Nova de Tazem. A unidade, de acordo com as boas regras e os regulamentos militares, havia contactado as autoridades locais que, neste caso, eram a Junta de Freguesia. Como verão mais tarde, o Sr. Regedor encarregou-se excelentemente de tudo o que isso implicava: contactos com a família – e esses certamente bem difíceis – com o pároco da freguesia e, apercebi-o bem, com o povo da terra. E, tal como o senti profundamente, fê-los de forma magnífica. Será fácil entendê-lo à medida que forem seguindo a narração. Feitos os preparativos para a viagem, lá seguimos, uma bela manhã de verão; pelo menos

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estava um tempo magnífico, quente e com noites cálidas. A coluna era constituída por apenas duas viaturas, aliás bem conhecidas de todos nós: um velho ”jeep Willis” e um, também idoso, ”jeepão” – perdoem-me a maneira de escrever uma palavra inglesa tão liberalmente aportuguesada. Como não podia deixar de ser, e face à idade avançada das viaturas, o pessoal que acompanhava o féretro era constituído por uma secção, com o respectivo sargento e cabos, e por um mecânico, já bem batido nas manhas e birras daqueles veículos. Mas diga-se em abono da verdade que elas se portaram à altura das circunstâncias, pois não avariaram, e, mesmo no regresso, rolaram tranquilamente, muito embora talvez devido às cuidadosas verificações e afinações que o mecânico fez antes da nossa viagem de retorno. Podemos, pois, considerar que se tratou de uma viagem sem história. De referir, talvez apenas a angústia que aumentava à medida que nos aproximávamos da aldeia, angústia certamente muito mais sentida por mim, responsável pela força, pela representação que me era delegada pelo Exército, e muito mais pela minha proximidade de convívio com o filho, que entregávamos sem vida, àqueles pais e, de algum modo também, à grande família das gentes da aldeia. Ainda hoje me sinto admirado e, sobretudo, profundamente comovido com a reacção daquelas gentes. Tive a estranha sensação de estar a ser recebido com o respeito que normalmente se tributa a gentes importantes e, espantosamente, com o carinho que se devota aos amigos que nos trazem boas notícias. As “forças vivas”, que incluíam o Regedor e o Pároco receberam-nos com toda a gentileza, preocupando-se apenas, naquela ocasião, em nos proporcionar condições para descansarmos da extenuante viagem que havíamos feito; relembro-vos que se trata de umas centenas de quilómetros em viaturas que, de turismo e conforto nada têm – aliás todos o sabem bem, pois no Ultramar foram muitos os quilómetros que todos nelas fizemos. Tudo estava tratado: o velório, o funeral, o alojamento e a alimentação de todos os militares. Tudo se passou com uma enorme tranquilidade, embora com enorme tristeza. Na realidade, não era por acaso


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que o nosso camarada desaparecido tinha muitos amigos entre nós. Ele era, na realidade, muito bom rapaz, e isso granjeara-lhe a estima das suas gentes. O tempo que mediou entre a nossa chegada e o funeral na manhã seguinte, não tem também história. É certo que a tristeza imensa daquela gente, e, em particular de seus pais, não tem descrição possível. Só quem alguma vez sofreu tal perda ou a viu de muito perto pode imaginar esta tragédia. Mais uma razão para admirarmos e guardarmos para sempre a emoção, os sentimentos então vividos. E isso é tão mais verdadeiro quanto a observação do mundo de hoje nos deixa abismados com tanta recriminação, tanto azedume, sem qualquer razão de ser. Mas antes de vos contar o que se passou na manhã seguinte, culminar de uma série de surpresas e emoções, permitam-me um devaneio sobre o que senti nessa noite cálida e acariciante, tão mais própria para viver alegrias e amores do que sentir a tristeza tão perto de nós. Eu, simples alferes, fui tratado com uma deferência enorme, mas sobretudo com um carinho que me impressionou sobremaneira. As conversas, amarguradas e difíceis que tive com os pais do rapaz, fizeram-me sentir a crueza da vida, mas também, e sobretudo a grandeza de alma das pessoas simples. Em lugar de me recriminarem pela sua perda, pois era fácil, e até humanamente compreensível essa abordagem, a maioria das perguntas e da ânsia de saber coisas sobre o seu filho, tinham a ver com o seu comportamento, com a sua conduta, “pois nós educámo-lo como uma pessoa de bem nos princípios da Santa Madre Igreja”! Espantosa prova de discernimento, de grandeza de alma, de pureza de sentimentos. Claro que me foi imensamente fácil encher-lhes o coração de boas notícias, tanto mais que ele era realmente um jovem muito bem formado. Que lição de humanidade, de compreensão! E que alegria quando, com todo o prazer, com toda a facilidade, lhes garanti que podiam orgulhar-se imenso do filho que haviam perdido. A tranquilidade que, após isso, demonstraram foi tamanha que tive a percepção de isso ter talvez diminuído um pouco o seu desgosto. Por razões que só eles próprios saberão, e

que não me atrevi a perguntar, o alojamento a mim destinado era na casa do pároco da aldeia. Invocando os outros o facto de ser aquele o alojamento mais digno para o nosso alferes, desfilou o simpático padre um ”rosário” de desculpas por eu talvez me não vir a sentir suficientemente bem. A minha condição de militar permitiu-me esclarecer a rusticidade da nossa vida e, neste caso bem concreto, a aceitação do que quer que fosse, por razões ligadas à enorme simpatia e carinho com que tínhamos sido recebidos. Devo dizer-vos que o alojamento era óptimo, sobretudo para quem a vida já preparara para coisas bem piores. Mas as surpresas sucederam-se umas atrás das outras. O padre era, além de extremamente simpático, eficiente na sua missão pastoral – não foi decerto alheio à preparação de todos os seus paroquianos para saberem enfrentar uma tão dura provação. Mas mais ainda do que isso, era uma pessoa extremamente culta, se acreditarem na minha capacidade de então para avaliar tal coisa. Pela noite fora, até altas horas, conversamos um pouco sobre tudo; e ele bem soube responder aos meus anseios, às minhas dúvidas. Podem imaginar o sossego de uma pequena aldeia, a tepidez de uma noite de Verão, o desfazer de uma angústia que me atormentara durante todo aquele tempo? São momentos inesquecíveis, em que o mundo nos parece em paz. São momentos que recordamos a vida toda, com uma enorme intensidade, exactamente porque a nossa vivência nos diz que o mundo não é realmente assim; e isso amargura-nos, entristece-nos, leva-nos quase a perder a esperança. Dessa noite, guardo ainda uma bela recordação: um livro que o pároco me ofereceu, gorados que foram todos os meus esforços para recusar a gentileza. Outra recordação inesquecível, porque cada vez mais rara, o acordar de uma pequena aldeia. Todos aqueles ruídos, que os urbanos nem sonham que existem, embalando o acordar de uma noite pouco dormida, mas de enorme serenidade espiritual, encheu-me a alma de tranquilidade e de fé nos destinos do homem; baldada esperança, é verdade, mas o que alguma vez se sente toma um lugar de onde nunca mais sai. É claro que a minha con-

dição de comandante depressa me chamou ao cumprimento dos meus deveres. E aqui, nova e espantosa surpresa. Na reforma, tenho direito a já não saber exactamente o que dizem os regulamentos; nem sequer o que diziam. Eu explico: independentemente do que diria o regulamento naquela altura, o Comando da Unidade não teve quaisquer dúvidas no direito do nosso soldado a honras fúnebres militares. Daí a razão para me ter acompanhado a secção que já referi que seguiu devidamente armada e municiada com munições de salva. É óbvio que isto era então possível … embora tenha dúvidas que hoje o fosse. Momento alto da nossa estadia em terras beirãs, embora no sentido mais trágico da vida, realizou-se o funeral. Toda a dignidade das coisas simples, o envolvimento de toda a população como se duma família se tratasse, a tristeza profunda sem histerismos urbanos, a aceitação do trágico da vida em nome da vida que, apesar de tudo, continua, deu-nos mais uma lição que, hoje, parecemos todos apostados em não entender. E mais, a admiração, o agradecimento, de algum modo o orgulho por um filho da terra ter direito a tamanhas honrarias, tudo isto revelado com a franqueza dos homens simples e bons, aconteceu durante e depois das honras militares. Cerimónia que, como sabemos, inclui a brusquidão e a estridência das salvas, deixou como que um selo profundo no coração daquelas gentes. O regresso também não tem história; e mesmo que a tivesse, o que seria no meio de tudo o que de maravilhoso vos narrei? Antes de terminar, só gostava de vos dizer o quanto ainda hoje me comovem estas lembranças e o quanto, pela vida fora, me tenho recordado das magistrais lições de vida que ali recebi. E acreditem, consciente ou inconscientemente, elas influenciaram muito o modo como tenho vivido. E entendo que é um lugar óptimo para deixar um profundo agradecimento, embora demasiado tardio, a quem devemos tais ensinamentos.


Liga dos Combatentes Comemorações a 11 de Novembro de 2017

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Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949

Liga dos Combatentes Comemorações a 11 de Novembro de 2017 99º Aniversário do Armistício 96º Aniversário da Fundação da Liga dos Combatentes 43º Aniversário do fim da Guerra do Ultramar Evocação do Centenário da Grande Guerra

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©Foto Hugo Gonçalves

Liga dos Combatentes

stando presentes o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, o Secretário de Estado da Defesa Nacional, o Chefe do Estado-Maior do Exército, o Chefe do Estado-Maior da Armada, o Vice-Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, restantes Entidades e Convidados, chegou o Senhor Presidente da República que presidiu à cerimónia, a quem foi prestada continência e as honras militares regulamentares, enquanto fundeado no Tejo, o NRP Jacinto Cândido executou uma salva de vinte e um tiros. A Banda do Exército toca o Hino Nacional, após o que o Senhor Presidente da República passou revista à Força em parada. Pelo Presidente da Liga dos Combatentes, Tenente General Joaquim Chito Rodrigues, foram proferidas as seguintes palavras:


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Liga dos Combatentes Comemorações a 11 de Novembro de 2017

«Exmo. Senhor Presidente da República, Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, Comandante Supremo das Forças Armadas e Presidente de Honra do Conselho Supremo da Liga dos Combatentes Excelência Dá-nos V.ª Exa a honra de presidir, mais uma vez, a uma cerimónia da Liga dos Combatentes. Permita que transmita a V.ª Exa o sentimento de regozijo por reconhecermos ter connosco não só́ o Presidente de todos os Combatentes, mas igualmente um verdadeiro Presidente de todos os portugueses. Num momento bem recente em que V.ª Exa enunciou várias fragilidades resultantes das tragédias, fragilidades que o país tem que resolver, testemunho a V. Exa o pesar de todos os Combatentes e a garantia de que pode contar quer individualmente, quer como Instituição, no apoio à resolução dos objectivos que definiu. Feita a referência ás Altas Entidades presentes, o orador continuou Em meu nome pessoal e da Instituição, a que presido, agradeço a presença de V. Exas e a compreensão e os apoios que nos têm sido concedidos. Ilustres Convidados, militares em Guarda de Honra, Porta Guiões, Combatentes e Exmas. Famílias Minhas Senhoras e meus Senhores. Não é por ser tradição que nos reunimos mais uma vez neste simbólico lugar. É por devoção e para evocação neste histórico dia do valor da Paz e do valor dos actos praticados por militares portugueses das forças armadas e membros das forças de segurança, na defesa pelas armas, dessa mesma Paz, ao serviço da qual muitos caíram para sempre. O armistício da Grande Guerra e os Acordos de Paz de Versalhes, os Acordos de Paz com os novos países de Angola, Moçambique e Guiné, no fim da Guerra do Ultramar e o 96º aniversario do nascimento da fundação nossa Instituição, como promotora dos valores, da solidariedade e da Paz, após a Grande Guerra, são motivos suficientes para essa evocação histórica.

Armistício. Arma parada, Cessar-fogo. Suspensão das hostilidades. Suspensão das batalhas. Conflito encerrado sem rendição. Mas não necessariamente acordo de Paz. Por isso a necessidade de manter as Forças Armadas de ambos os lados, disponíveis para facilitar negociações e em última instância retomar as hostilidades caso necessário. Se o Armistício tem a ver com o calar das armas, logo implicando sobremaneira o controlo e a coordenação do factor militar, o acordo de Paz tem a ver com as condições a acordar para a Paz definitiva e logo implicando de sobremaneira o factor político. Assim aconteceu na Grande Guerra com o Armistício de Erzincan, de que se evoca precisamente o centenário em 5 de Dezembro próximo, seguido do Acordo de Paz de 1918 entre a República Socialista Federativa Soviética e as Potências Centrais e assinala a saída da Rússia da Grande Guerra. Precisamente um ano antes do Armistício de Compiègne, a 11 de Novembro de 1918, seguido do Acordo de Paz de Versalhes, seis meses depois, em 28 de Junho de 1919, entre os aliados e o Império Alemão. Dois armistícios, dois Acordos de Paz, separados por meses, o que por vezes demora anos, como acontece com o armistício entre as duas Coreias, conseguido em 1953, que ainda não viram o Acordo de Paz assinado com os inconvenientes óbvios, nos dias de hoje, para a Paz internacional. E se hoje assinalamos os 99 anos do Armistício e os cem anos da entrada das forças portuguesas nas hostilidades na Flandres, evocamos também os 43 anos do fim da Guerra do Ultramar, sublinhando nomeadamente o dia da independência de Angola. É então oportuno interrogarmo-nos sobre quais foram os Armistícios que precederam os Acordos de Paz com Angola, Moçambique e Guiné e qual o período que mediou entre eles e se às forças armadas foi dado tempo e condições para se manterem operacionais até que os acordos de paz fossem assinados. O golpe de estado e a revolução que se seguiu não terão permitido a aplicação destes tempos estratégicos com os resultados dra-

máticos que se conhecem. Houve Acordos de Paz sem que se tenham criado condições para prévios e seguros armistícios. Macau foi uma excepção. Não havendo conflito armado, mas havendo igualmente quem defendesse a passagem imediata para a Administração Chinesa, levou vinte anos para que a transmissão pacífica se verificasse, com honra para ambas as partes Acontece, porém, que os próprios países a quem foi conferida a independência, souberam, face à guerra civil que sofreram, encontrar tempos para os seus armistícios mantendo operacionais as suas forças de parte a parte, enquanto dialogavam, e quer em Angola quer em Moçambique, só́ depois de estabelecidas as condições e conferidas todas as garantias de segurança e objectivos a atingir por cada uma das partes, foram assinados os Acordos de Paz. E demorou anos de diálogo duro e de conflito para que tal acontecesse. Exmo. Senhor Presidente da República Este Forte do Bom Sucesso, este monumento, este memorial conjuntamente com a Torre de Belém evocam 600 anos de História de Portugal Além Atlântico. Este espaço e este monumento onde anualmente nos reunimos, já́ ultrapassa hoje, o conceito restrito de Ultramar e situa-se no seu sentido lato e abrangente que o conceito britânico traduz em duas palavras: “overseas” e em francês “outre-mer”. Com um memorial central dedicado aos combatentes do Ultramar, com 184 lápides e cerca de 10.000 nomes, com uma capela e um memorial com os restos mortais de um soldado anónimo vindo da Guiné, é tudo parte integrante do Museu do Combatente. Materializam o conceito alargado de Ultramar e a homenagem à acção das forças armadas ao serviço de Portugal, bem evidente na primeira placa que à esquerda do memorial tem inscrito: “ao Soldado de Portugal”. Outras lápides assinalam esse conceito de Ultramar que protagonizado em operações de paz e humanitárias nos dias de hoje pelas forças nacionais destacadas, simbolizam uma constante histórica iniciada em 1415 em D. João I na conquista de Ceuta.


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Forças Nacionais Destacadas que homenageamos com uma lápide onde infelizmente inscrevemos já vinte nomes de militares caídos ao serviço do país. Finalmente uma lápide assinala os 50 anos do início da Guerra do Ultramar e hoje Sua Exa o Presidente da Republica descerrará uma lápide, ao lado daquela, evocando o centenário da entrada do CEP (Corpo Expedicionário Português) em operações no teatro europeu na Grande Guerra. Exmo. Senhor Presidente da República Minhas senhoras e meus senhores Hoje, que o Bem que aqui estamos evocando, a Paz, é diariamente interrompido por episódios que evidenciam ameaças de âmbito global. Uma de baixa intensidade, em termos militares, já́ em desenvolvimento: o terrorismo; Outra, de alta intensidade e periculosidade, que ameaça o fim de uma era de Paz pela dissuasão Nuclear. Permitam-me dar o meu contributo para a paz e segurança relativamente à primeira situação por estar já́ em curso há́ anos apresentando grande imprevisibilidade quanto ao lugar de aplicação. Sem comentários justificativos, enumerarei apenas algumas medidas que considero importantes sejam tomadas. De extraordinária e difícil aplicação, controversas, mas frontais, realistas e de extrema utilidade, pois uma vez interiorizadas e adoptadas garantiriam mais tranquilidade, mais paz e segurança. Enumero assim oito medidas como contributo para a Paz e Segurança, em Portugal e na Europa face à ameaça do terrorismo: 1. Realização de encontros sucessivos dos responsáveis máximos das principais igrejas por forma a acordarem uma acção conjunta que minimize as acções violentas de âmbito religioso e preconize uma verdadeira Estratégia dos Espíritos; 2. Criação, para a juventude, de um sistema integrador de valores da sociedade pelos quais valha a pena lutar, se necessário, com o sacrifício da própria vida. Só́ um serviço cívico de tipo militar garante à juventude a transmissão desses valores e o preenchimento do vazio actual;

3. Sem prejuízo das medidas actuais, controlo efectivo das fronteiras nacionais e da União Europeia que permita identificar quem sai e quem entra; 4. Formação e responsabilização individual dos cidadãos no âmbito da Paz e Segurança por forma a constituirem-se em elementos válidos do sistema de segurança nacional; 5. Investimento prioritário nos sistemas dos serviços de informações que garantam a sua eficácia e permitam detectar por antecipação as ameaças; 6. Criação e manutenção de Programas governamentais efectivos contra a fome, a exclusão e o vazio de valores; 7. Acção directa sistemática sobre os prevaricadores conhecidos, por forma a conduzir à sua neutralização definitiva e antecipada quer pelo investimento económico quer quando necessário pela violência. 8. Plano de Concertação Estratégica da Comunicação Social a nível europeu, no âmbito da Paz e Segurança, evitando tornar-se em correia de transmissão e ampliação, úteis aos objectivos do adversário. Minhas senhoras e meus senhores. Há́ 96 anos três combatentes reuniam-se com uma ideia que sendo patriótica e humanitária nunca pensaram que a mesma tivesse o êxito que perdura. É tradição neste dia, em que nos aproximamos do fim do ano, fazer breves referências ao que de mais significado aconteceu durante o ano em curso, no que à Liga dos Combatentes diz respeito. Permitam-me que comece por referir uma decisão de Sua Exa. o Presidente da República que muito nos tocou e tocou todos os combatentes: - O facto de V. Exa. ter decretado a Reabilitação Moral do soldado João Ferreira de Almeida, único militar fuzilado durante a Grande Guerra, precisamente no dia do centenário da sua morte. A decisão de V. Exa. ouvidos o Governo e os Chefes de Estado Maiores, favorável à proposta da Liga dos Combatentes, foi não só um acto que trouxe reconciliação dos combatentes consigo próprios e grande Paz de espírito, como representa a reconciliação

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de Portugal consigo mesmo, no âmbito dos direitos humanos e das profundas raízes e justificações da real abolição da Pena de morte em Portugal. Permita-me uma palavra de agradecimento ao Sr. Ministro da Defesa Nacional, Dr. Azeredo Lopes, pelo empenho colocado na resolução deste problema, de não fácil interpretação jurídica. Outro momento de grande significado simbólico foi o ocorrido neste espaço no passado dia 29 de Maio. Pela primeira vez se realizou uma cerimónia de homenagem aos combatentes das Operações de Paz caídos ao serviço de Portugal e aos vivos que se têm batido em Forças Nacionais Destacadas. O dia 29 de Maio é dia dos Capacetes Azuis da ONU. Com representantes de todos os ramos das Forças Armadas e da Liga dos Combatentes e após a colocação de uma coroa de flores junto à lápide com os seus nomes, seguiu-se uma conferência com a participação de combatentes das Operações de Paz. Também neste lugar e no respeito por recomendações da ONU que definiu o dia 21 de Setembro como o dia Mundial da Paz e de recomendações da Federação Mundial dos Antigos Combatentes, a Liga dos Combatentes e a Associação de Deficientes das Forças Armadas, membros daquela Federação e com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, levaram a efeito a já́ tradicional Marcha dos Combatentes Pela Paz com centenas de participantes. Foi lida uma mensagem do Presidente da ONU, Dr. António Guterres e colocada uma coroa de Flores no Monumento aos Combatentes. O Museu do Combatente, pela primeira vez e o Monumento aos Combatentes do Ultramar, pela segunda vez, receberam os Prémios Tripadviser 2017, resultantes da excelência da opinião pública, obtida dos seus visitantes. Sublinho também os 300 actos de evocação do Centenário da Grande Guerra levados a efeito pela Liga dos Combatentes em todo o país e no estrangeiro com conferências, exposições, parcerias e cerimónias entre as quais se situa aquela a que estamos assistindo. No âmbito do apoio social e da saúde para além do apoio dos Núcleos e dos Centros de Apoio Médico, Psicológico e social a milhares de Combatentes e famílias, saliento a inauguração ofi-


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cial por Sua Exa. o Secretário de Estado da Defesa Nacional Dr. Marcos Perestrello da Residência S. Nuno de Santa Maria na cidade de Estremoz, hoje funcionando a cem por cento. De relevo igualmente a evocação do Centenário da Casa dos Filhos dos Soldados com a presença do Senhor Secretário de Estado da Defesa Nacional, no que é hoje o Complexo Social Nossa Senhora da Paz, no Porto, com uma residência para idosos, uma creche e um jardim-de-infância, materializando uma verdadeira estrutura de apoio inter-geracional. Temos esperança que V. Exa., Senhor Presidente da República, um dia possa visitar estas duas estruturas Sociais no Porto e em Estremoz, que nos honram e dignificam pelo serviço que estão prestando ao país e aos combatentes e famílias. Alguns aspectos, porém, foram vividos no corrente ano como factos negativos. Hoje saliento dois. Como factor negativo do ano, continua a ser a aplicação à Liga dos Combatentes do Principio da Onerosidade, o que todos os órgãos sociais da Liga dos Combatentes, enquanto Instituição promotora da Cultura, do Ensino, da Saúde e da Solidariedade, isentas por Lei, consideram injusto, imoral, ilegal e incumprível. Dos 120 imoveis da Liga dos Combatentes, há́ seis, cedidos pelo Exército há́ décadas, por protocolo, nomeadamente o que temos à nossa frente, pelos quais os Governos de Portugal através do Ministério das Finanças facturaram nos últimos três anos à Liga, cerca de um milhão de euros de renda, a que corresponderia um aumento de 50% que não pagámos. Não pagámos porque não podemos pagar. Como factor negativo de vários anos sou moralmente obrigado a assinalar um sentimento de frustração generalizado dos combatentes. A lei 3/2009, conhecida pela “Lei das Tretas”, em vigor há́ oito anos, que fez a alteração da Lei 9/2002, transformou, segundo eles, em “esmola” o chamado Complemento de Pensão sobre o qual se fez recair o IRS. Julgamos que, no mínimo, a reposição da Lei 9/2002 que vigorou durante sete anos, ou outra solução semelhante, seria justo e bem aceite pelos milhares de combatentes e famílias, e evitaria

as permanentes tomadas de posição, sucessivas exposições e outras atitudes permanentes mais ou menos abertas, de Combatentes e Grupos de Combatentes, que se revelam inconformados e descontentes com a sua própria Pátria. Exmo. Senhor Presidente da República Excelência A Liga dos Combatentes e os Combatentes ficar-lhe-iam gratos se V. Exa. Inscrevesse estes dois pontos na sua pesada agenda de atenções. Exmo. Senhor Presidente da República, Excelência Minhas senhoras e meus senhores Não podendo nem devendo alongar-me mais neste dia de evocação de Armistícios e da Paz, termino buscando inspiração no Hino do Exército com letra de Adolfo Muller quando afirma: “Iremos até onde a Pátria for E seja em Paz ou seja em guerra Que este clamor Vibre imortal De mar em mar De serra em serra Portugal! Portuga!! Portugal!” Eu direi com plena convicção do que afirmo e em nome de todos os Combatentes que dirijo e represento: “E fomos até onde a Pátria quis Quer fosse em Paz, quer fosse em guerra. Vibrou imortal pelo país Aquele clamor De mar em mar De terra em terra, Portugal! Portuga!! Portugal!”» No uso da palavra1 o Senhor Presidente da República, Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, no seu importante discurso, disse: ... ... a nação “tem-se manifestado avara” em pagar o devido tributo aos combatentes ... ... “Memória tantas vezes que tarda em traduzir-se em plena justiça, até porque a nação, sempre tão pródiga a recorrer aos nossos combatentes, às vezes se tem manifestado tão avara em pagar-lhes o correspondente tributo”. “Disse V. Ex.ª, Sr. presidente da LC, que anseios há, legítimos, não plenamente reconhe-

cidos pelo todo nacional, sucedendo-se os responsáveis sem que esse tributo tenha sido efectivamente prestado. Acabo de receber de V.Exª como sabe, documentação importante para enfrentar um desses tributos tão justo que só é de admirar como tanto tempo tem demorado a ser reconhecido e satisfeito”. Seguiu-se a imposição da Medalha da Defesa Nacional, destinada a galardoar militares e civis, nacionais ou estrangeiros que, no âmbito técnico-profissional, revelem elevada competência, extraordinário desempenho e relevantes qualidades pessoais, contribuindo significativamente para a eficiência, prestígio e cumprimento da missão do Ministério da Defesa Nacional. Foi atribuída a primeira classe ao Coronel de Cavalaria na reforma Manuel Júlio Matias Barão da Cunha (150/1948), condecoração que foi imposta pelo Senhor Presidente da República. A Medalha de Mérito da Liga dos Combatentes, destinada a galardoar pessoas singulares, nacionais ou estrangeiras, bem como sócios e funcionários da liga, pelos serviços distintos e de elevado mérito prestados em benefício da Liga dos Combatentes ou ao seu serviço, que revelem excepcionais qualidades e virtudes pela afirmação constante de elevados dotes de carácter, lealdade, abnegação, espírito de sacrifício e competência profissional, foi atribuída no grau ouro ao Major na reforma João José Carixas Silveirinha, ao Capitão na reforma Manuel Ascensão Figueiredo, ao Sargento-Mor na reforma Sérgio Augusto de Matos, ao Dr Hélder dos Santos da Silva Freire e a Manuel Serra Barreto, condecorações impostas pelo Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, Secretário de Estado da Defesa Nacional, Chefe do Estado-Maior do Exército, Chefe do Estado-Maior da Armada e Vice-Chefe do Estado-Maior da Força Aérea. Iniciou-se então à cerimónia de homenagem aos combatentes mortos pela Pátria, com a deposição de coroas de flores junto ao Monumento aos Combatentes do Ultramar por diversas Entidades entre as quais esteve Raúl Miguel Socorro Folques (380/1952), condecorado

As inúmeras tentativas para obter o discurso do Senhor Presidente da República foram infrutíferas. Os prazos para a edição da revista chegar aos leitores antes do Natal, não permitiram aguardar por mais tempo, razão pela qual publicamos apenas alguns excertos mais significativos.

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©Foto Hugo Gonçalves

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©Foto Hugo Gonçalves

com a Ordem da Torre Espada do Valor, Lealdade e Mérito, em representação da AAACM. A última coroa de flores foi deposta pelo Presidente da República, acto em que foi acompanhado pelo Presidente da Liga dos Combatentes. Em seguida, foram prestadas honras militares aos mortos caídos em defesa da pátria, executado o toque de silêncio e o toque de homenagem e, após um tempo de silêncio, o Monumento foi sobrevoado por uma formação de quatro aeronaves F-16.

©Foto Gonçalo Leal de Matos (371/1949)

Liga dos Combatentes

A invocação religiosa esteve a cargo do Capelão Jorge Manuel Matos, seguindo-se o toque de alvorada. A Banda do Exército executou o hino da Liga dos Combatentes que foi entoado pelo tenor Carlos Guilherme após o que teve lugar o desfile das forças em parada com a Banda do Exército, seguida do Estandarte Nacional à guarda da Liga dos Combatentes desde 1928, um Batalhão conjunto com uma Companhia da Marinha, uma Companhia do

Exército e uma Esquadrilha da Força Aérea e, por fim, integraram-se os Estandartes dos Núcleos da Liga dos Combatentes e das Associações de Combatentes. No exterior do Forte do Bom Sucesso foi descerrada uma lápide evocativa do esforço da Nação Portuguesa. No final as Entidades e os Convidados visitaram o Museu do Combatente, onde o Senhor Presidente da República inaugurou a exposição “Aviação Militar Portuguesa na Grande Guerra”


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ZacatraZ esteve no Açor na jornada agridoce de “Um por Todos Todos por Um”

ZacatraZ esteve no Açor na jornada agridoce de

“Um por Todos Todos por Um” U

ltimamente tenho recordado bastante o nosso lema colegial «Um por Todos Todos por Um». O passado dia 15 de Outubro foi o dia seguinte ao do António Carrelhas (159/1947) festejar os seus 80 anos. Infelizmente, o António Carlos Dias da Cunha Nogueira «Manolo» (262/1948) já não o pôde festejar, pois já não está connosco, está Filomena Nagui Nogueira e os filhos, em S. Martinho da Cortiça, na Serra do Açor. Relativamente a pouca distância, na Portela da Cerdeira, ardeu o casarão onde vivia outro nosso camarada e amigo, Ruben de Almeida Mendes Domingues (196/1948). Penso que compreendo, um pouco, o que ele está a sentir, pois julgo ter sido um dos não familiares que mais frequentou aquela casa/museu, que ele tanto estimava e em que tanto apostou. A tragédia aconteceu pouco antes do seu 80.º aniversário que ele já andava a viver e a planear há muito … Assim, a última ida à Serra do Açor ocorreu de 3 a 5 de Novembro de 2017, com o objetivo de estar com o Ruben, nesta altura «agridoce». A primeira vez que lá estive deve ter sido há mais de 15 anos. Durante esta quinzena de anos, frequentemente, tive o gosto de partilhar o solar da família do Ruben, acompanhado de outros amigos e antigos camaradas do Colégio Militar. Na primeira vez, fomos quatro: António Hélder Monteiro de Sena e Silva (149/1948), José

Manuel dos Reis Moreira (200/1948); Eduardo José Naughton Félix Rodrigues (278/1947) e eu, Manuel Júlio Matias Barão da Cunha (150/1948). Ficámos cada um no seu quarto, na casa de três pisos: o inferior, com adega, carpintaria e arrecadação, o intermédio, o principal, com corredor ao meio, sala, dois quartos e casa de jantar, numa das alas, e quartos, casas de banho e cozinha, na outra. Contando com o piso superior, havia 13 quartos. Anteontem, dia 3, voltámos lá, o José Reis Moreira, eu e um camarada do Ruben do curso da Arma de Cavalaria da Academia Militar, o Rui da Costa Ferreira, pai de três Antigos Alunos do Colégio, um deles prémio «Barretina». O Eduardo Naughton já não está connosco, mas o seu nome perdura no painel-de-azulejos dedicado aos fundadores do Núcleo da Feitoria. Já a aproximação foi «agri», ao irmos vendo as marcas drásticas dos grandes incêndios do passado dia 15 de Outubro. Lá, foi a desolação total. Do casarão secular restam algumas paredes, à beira da ruína. As memórias da família do Ruben arderam … «Um por Todos Todos por Um» é o lema colegial que ainda vai funcionando. Durante anos, o Ruben acolheu, na casa da família, quantos puderam responder aos seus convites. Da minha parte, lá voltei com Naughton e Reis Moreira mais vezes, mas também com Pedro do Canto Lagido (330/1947), António Carrelhas

(159/1947), recente “Prémio Barretina”, Álvaro António Duarte Dinis Varanda (347/1948), e outros camaradas do Exército, como João Sena, coronel de Cavalaria e José Montez, coronel de Infantaria … E mais outros o visitaram, pois ele soube cultivar amizades, incluindo camaradas do Esquadrão de Cavalaria 149, desde o comandante a praças, com quem esteve em Angola, incluindo a célebre operação Viriato de reocupação de Nambuangongo, em 1961, na qual também participei. Ontem, na comemoração dos seus 80 anos, lá estiveram a viúva do alferes/coronel Júdice Pontes, o alferes/advogado Ribeiro de Carvalho, que veio de Viseu e lhe ofereceu a sua boina e os galões de alferes, o Chambel, o Cardona, que veio de Alter do Chão e é o grande animador dos convívios do Esquadrão, o furriel Vítor Ramos que vive em Moçambique e veio cá para ser operado … E, também, camaradas da Guiné e de S. Tomé, os primos da Galiza, o filho Ruben Pedro de Almeida Domingues (196/1974), os filhos gémeos, Ricardo e Rodrigo, a irmã Mitu e o cunhado Fernando, o irmão Fernando e o companheiro de caça José Gaspar que o acolheu em sua casa após o incêndio … A filha Rute/«Rucha», uma das grandes organizadoras deste convívio comemorativo dos seus 80 anos e uma das apoiantes do Ruben nesta altura mui melindrosa, é casada com Pedro Gomes, pessoa também mui atenta.


ZacatraZ esteve no Açor na jornada agridoce de “Um por Todos Todos por Um”

Ela solicitou-me que gritasse um «Zacatraz», após terem ecoado «gritos de guerra» de Unidades onde serviu em África. Antes de o fazer, recordei o nosso comandante do Batalhão em 1948, quando éramos «ratas», o saudoso José Maria Myre Dores (47/1942), que referia não dividir as pessoas em «esquerda» e «direita», mas sim em as que estão atentas aos outros e as que não estão … O Ruben tem estado, numa de «um por todos», agora, felizmente e foi a parte «doce», constatou que muitos familiares e amigos estão atentos a ele, numa de «todos por um» … Alguma «malta» tentou contribuir nesse sentido, pelo que lhe levámos uma televisão para ele voltar a poder ver desafios do seu «Clube de Futebol os Belenenses» e outras contribuições, incluindo da parte da AAACM, os livros da História do Colégio Militar, da auto-

ria de José Alberto da Costa Matos (96/1950), Mário Margarido e Silva Falcão (314/1936) e José de Almada Negreiros (144/1945) … O nosso presidente da AAACM, José Eusébio Pereira Barata Cordeiro Araújo (591/1973), incumbiu-me da missão de saber o que ele sente que lhe faz mais falta: condecorações (Cruz de Guerra de 3.ª classe, Mérito Militar, Ordem de Aviz, Afonso Henriques, Comportamento Exemplar, Campanhas de Angola 1961/63, de São Tomé 1965/67, da Guiné 1970/72, de Moçambique 1974/75), diplomas do Colégio Militar e da Academia Militar e a espada… Estamos a procurar satisfazer-lhe esse desejo, em mais uma prova do nosso lema, nomeadamente, com apoio do nosso camarada Vasco Joaquim Rocha Vieira (127/1950), o nosso último Governador de Macau… Foi mui «doce» poder saudar o Ruben com o

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nosso «Zacatraz» a que foram respondendo cerca de 120 pessoas, embora a voz de comando não seja já tão potente como a do nosso presidente da AAA ou a do presidente do Núcleo da Feitoria, António Francisco Martins Marquilhas (67/1944) … Foi um momento mui positivo, esquecendo incêndios, a saúde já debilitada do Ruben antes da tragédia … e de recordar o prémio Nobel de Literatura Albert Camus que escreveu que as grandes calamidades, se mostram o muito de negativo do homem, também mostram o muito de positivo… Manuel Júlio Matias Barão da Cunha 150/1948


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Homenagem ao Colégio Militar e a Professores do Curso 1948-1955

Homenagem ao Colégio Militar e a Professores do Curso 1948-1955

Razão de ser da iniciativa uitos dos Antigos Alunos deste curso continuam a encontrar-se regularmente nas Tertúlias da Feitoria, nas iniciativas promovidas, pelo próprio curso, pela AAACM e pelo Colégio. Até ao fim do ano de 2018 todos os entrados em 1948 terão 80 anos de idade e também celebrarão o 70.º aniversário de entrada no Colégio. Olhando-nos, nós os presentes, sentimos vivamente o fluir do tempo que passa. Lembramos com saudade os ausentes. Por isso achámos que agora era uma bela e oportuna ocasião para homenagear o Colégio Militar, os professores e outros servidores. Acontece, também que lemos os apelos da direcção da “ZacatraZ”, nos seus editoriais, para mais contributos de artigos para a revista. São estas as origens desta iniciativa.

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Em 1948, apenas 3 anos a seguir ao fim da Segunda Guerra Mundial, o País suportava ainda as enormes privações por ela provocadas, mas o Colégio Militar afirmava-se como uma Instituição educativa de grande prestígio, atraindo crescentemente as famílias civis e acrescentando uma nova dimensão ao pensamento do Fundador, ou seja, não só educando futuros oficiais das Forças Armadas, mas também dirigentes para a sociedade civil. A oportunidade que nos foi facultada de ter frequentado o Colégio Militar foi muito importante para as nossas vidas e é isso que queremos testemunhar. Homenagem ao Colégio Militar O Exército determinou que o posto de director do CM fosse atribuído a um oficial general, desde logo determinando um elevado nível de

exigência e responsabilidade e também uma direcção constituída por uma estrutura de oficiais assegurando uma boa gestão global e uma supervisão em todas as áreas, promovendo uma disciplina militar centrada em valores, bem expressos na sua bandeira “SERVIR”, e noutra bem forte ideia “Um por Todos Todos por Um”, gerando um ambiente de orgulho de pertença, identidade e espírito de equipa. Em relação ao currículo escolar que se encontrava noutras escolas secundárias do País, o CM com a ginástica e os desportos, a equitação, a esgrima, a instrução militar e o canto coral, complementados pela disciplina e estilo de vida militar, evidenciava-se pelo seu projecto educativo. Também merece relevo o que nos foi proporcionado no currículo escolar que além do estabelecido a nível nacional do secundário, e do ensino normal de inglês e francês tivemos aulas de conversação por professores da nacionalidade respectiva, além de laboratórios de química e física e de orientação profissional. A par de tudo isto gerava-se um clima de camaradagem e construíram-se fortes amizades que ainda hoje perduram. Esta parte das nossas vidas marcou-nos profundamente e muito contribuiu para aquilo que hoje somos. Homenagem a Professores e Oficiais do Colégio No que diz respeito às homenagens pessoais e individuais que se vão seguir em vários artigos na ZacatraZ, decidimos pôr em relevo os seguintes professores e oficiais que mais nos marcaram: Padre José Maria de Braula Reis, Capelão colegial e Professor de Moral e Religião; Coronel Ivo Guedes da Silva, Professor de Geometria Descritiva e


Homenagem ao Colégio Militar e a Professores do Curso 1948-1955

Director da Feitoria; Tenente Engenheiro Freitas Morais, Professor de Geografia e História; Dr. Jaime da Silva Mota, Professor de Português e Latim; Dr. Manito Torres, Professor de Matemática; Capitão Ernesto Dionísio, Professor de Geografia e História e Director da Feitoria, Maestro Jaime da Silva, Professor de Canto Coral e maestro do Coro Colegial; Dr. Júlio de Jesus Martins, Professor de Latim e coordenador do cinema, revista e museu colegiais; Tenente António Varela Romeiras Júnior, Mestre de Equitação; Capitão António Cardoso, Comandante da 1ª Companhia. Para estes, de modo especial, e para outros a nossa sincera homenagem e gratidão. Quantos somos? O que fizemos, como retorno da educação recebida? Passaram pelo nosso curso um total de 111 Alunos, destes concluíram o curso em 1955, apenas 32, ou seja 29%. Para já estes números definem uma grande exigência do sistema de ensino do Colégio Militar. Do conjunto dos 111 alunos já faleceram 41, ou cerca de 37%.

Do total deste número optaram por licenciaturas em arquitectura, direito, engenharia, medicina, cerca de 28%, carreiras militares cerca de 13%, empresários e quadros empresariais cerca de 18%, outras profissões como professores, oficiais da marinha mercante, agricultores, economistas e outras profissões diversas, cerca de 41%. Em funções de alta responsabilidade pública e política tivemos um Chefe do Estado-Maior do Exército, três ministros e ainda dois deputados na Assembleia Constituinte; vários oficiais das Forças Armadas com elevadas condecorações por desempenho em situações de combate nas antigas colónias, muitos dos profissionais civis passaram por essas campanhas militares, como oficiais milicianos, designadamente os médicos. Muitos dos profissionais desempenharam um papel importante no tecido económico e social do País nestes últimos 50 anos e agora na maioria reformados activos e interessados na evolução deste nosso Portugal e do nosso Colégio.

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Este nosso curso, o de 1948/55, deve ter sido um dos mais ligados ao “berço” do Colégio, a Feitoria, ajudando a atenuar a cobiça imobiliária, com mais ocupação durante o ano, nomeadamente pelos convívios do Núcleo da AAACM ligado à Feitoria desde há 12 anos e iniciado por três elementos do curso, em 3 de Junho de 2005, numa reunião com o então director do Colégio, Tenente General Luís Medeiros: Manuel Júlio Matias Barão da Cunha (150/1948), Eduardo José Naugton Félix Rodrigues (278/1947) e José Francisco Teles Pereira da Rosa (280/1949). Os dois últimos, infelizmente, já nos deixaram, tendo os nomes no painel de azulejos da Feitoria, conjuntamente com os de outros dois, também, muito ligados à Feitoria: Luís Manuel Dias Antunes (221/1948) e Tito Lívio Esteves Xavier (335/1947). Viva Portugal! Viva o Colégio Militar! O Curso de 1948/1955

Padre José Maria de Braula Reis Homenagem ao Capelão e Professor do nosso Colégio Recolhemos o testemunho de vários Camaradas do Curso e decidimos pôr em relevo a sua acção educadora e afirmar a sua extraordinária importância na nossa formação de cidadãos. Árdua tarefa falar do Padre Braula, pois é simultaneamente fácil e difícil. Fácil, pois é sem esforço e agradável que encontramos nele atributos notáveis, que jamais esquecemos. Difícil, porque tantos são, que não sabemos como escolher. Na certeza que faremos uma escolha insuficiente, vamos enumerar alguns pontos, muito naturalmente por se tratar daqueles, que mais nos marcaram. Para esse efeito queremos explicitar os seguintes três aspectos da sua acção que naqueles anos mais tiveram a ver connosco. Em primeiro lugar, a chegada ao Colégio, em 1950, do Padre Braula Reis como novo Capelão, foi uma autêntica revolução. Habituados ao anterior Capelão, Cónego Governo, bondade em pessoa,

mas de idade avançada, incapaz de acompanhar jovens, de “sangue na guelra”, a mudança foi como “da noite para o dia”. O Capelão passou a ser um de nós. Connosco jogava futebol e hóquei. Residia, como nós, no Colégio, sujeitando-se a dormir na espelunca do “corredor da morte”, sem um mínimo de conforto. A sua vivência pessoal transmitia segurança, alegria, bom humor, gosto pela vida e simultaneamente pela sua vocação sacerdotal, desempenhava as suas tarefas com frontalidade e carácter e apreciava, nos Alunos e Professores, isso mesmo. Ajudava e aconselhava todos os Alunos independentemente de serem crentes ou não. Natural e rapidamente tornou-se um dos Professores mais influentes no Colégio. Em segundo lugar, como Capelão, como Sacerdote católico, sem forçar ninguém, a missa colegial e todos os actos do culto católico, ganharam uma vivência mais dinâmica, com


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Homenagem ao Colégio Militar e a Professores do Curso 1948-1955

Julho 1953 – Fátima, ida a pé 1ª Fila Humberto Nogueira (291/1949), Silva e Sousa (356/1948), Mendes de Almeida (285/1948), Sousa Carneiro (345/1948) – 2ª Fila Sousa Lobo (298/1948) – 3ª Fila Capelão Braula Reis, Dias Antunes (221/1948), Lince Núncio (362/1949), Niblet Passo (227/1947), Pedro Lagido (330/1947)

1988 – Capela do Colégio – 40 Anos de Entrada 1ª Fila Niblet Passo (227/1947), Corrêa Sampaio (367/1949), Pedro Lagido (330/1947), Reis Moreira (200/1948), 2ª Fila Humberto Nogueira (292/1949), Vieira Pinto (382/1949), Sena e Silva (149/1948), 3ª Fila Chagas Pinto (350/1948), Jorge Máximo (101/1947), em pé Ribeiro da Fonseca (314/1947).

a adesão sincera e entusiástica de grande número de Alunos. Preparava os textos litúrgicos de maior beleza literária e apelativos para que fossem lidos por Alunos durante as missas. “Puxava” pelos mais generosos e colaborantes. A intervenção social era uma sua grande preocupação, que concretizou, e nos transmitiu, com a organização da “Conferência de São Vicente de Paulo”. Todos os Sábados, os que se ofereciam voluntariamente, visitavam famílias pobres, com ajuda alimentar e não só. Até aqui, revelava a sua grande estatura, de bondade e respeito por cada um: no peditório semanal, corria entre nós um saco, para recolha, e todos, dessem ou não, tinham de meter a mão no saco… Ninguém era diminuído. Em terceiro lugar como Professor e educador. As suas aulas ganharam um novo interesse e, para isso, recorria a modernos, na altura, meios audiovisuais. Ajudou-nos a usar a razão para assumir e fortalecer a nossa posição religiosa. O seu método de ensino era activo e participativo e os exercícios escritos eram um apelo á imaginação e criatividade e várias vezes os Alunos que se distinguiam e a quem dava melhores notas eram Alunos que assumidamente eram não crentes. A temática das suas aulas eram os grandes e fundamentais problemas da existência humana, mas também falava abertamente da sexualidade, como valor, e dos seus desvios e perigos. Um dos temas mais importantes do seu ensino era o autoconhecimento e sublinhava a importância para a felicidade nas relações humanas, nas actividades profissionais futuras e na vida familiar. Dizia-nos “lembrem-se que a vossa idade é como o ferro em brasa que pode ser moldado, ou seja é fácil criar bons hábitos e corrigir defeitos, mais tarde, o ferro arrefece e torna-se rígido e impossível de moldar e assim os nossos maus hábitos e defeitos permanecem”. Usava também um método, que hoje muitas empresas usam, de seguir o exemplo dos melhores: falava dos melhores Alunos que dava como exemplo para que os outros se aproximassem do mesmo nível de desempenho. Muito mais havia a dizer e muitos aspectos a relevar. Muito lhe devemos. Em Novembro próximo o Padre Braula Reis completa 95 anos e pode-se perguntar, não será este homem um santo? Há quem o considere! O Curso de 1948/1955


Um dia com Padre Capelão José Maria Braula Reis

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Um dia com

Padre Capelão José Maria Braula Reis N

o dia 20 de Setembro deste ano de 2017, véspera do equinócio do Outono, fomos mais uma vez visitar o Padre Braula. Na viatura do Luís Gonzaga de Castro Mendes de Almeida (285/1948), Comandante do Batalhão, Engenheiro reformado, com Pedro do Canto Lagido (330/1949), Comandante da 1.ª Companhia, Engenheiro reformado, Manuel Paulo Lalande Vieira Pinto (382/1949), licenciado em Direito, autor de General Ramalho Eanes e a História Recente de Portugal, 15.º e 26.º livros da colecção Fim do Império, e Adriano Moreira, 30.º livro e Manuel Júlio Matias Barão da Cunha (150/ 1948). A visita anterior tinha sido em 26 de Abril, na viatura do Luís José Passanha Braamcamp Sobral (34/1948), Comandante da 3.ª Companhia. O Padre Braula Reis reside em Ançã, perto de Coimbra e, desta vez, não nos enganámos. Cerca de meio-dia e meia hora, batemos à porta onde já fomos várias vezes. Acolhimento fraternal da parte do Padre Braula e da sua comadre Drª Virgínia Santos Silva, que vai publicar um importante livro sobre Ançã. A capa tem por base uma das muitas aguarelas que pintou e que está exposta naquela casa tão singular. Retrata a fonte local. Noutros quadros, veem-se interessantes paisagens locais e belíssimas «naturezas mortas», para além da muita azulejaria também de sua autoria. De repente, recuamos ao ano de 1950, à aula de Química, a caminho da enfermaria/«enferma». O Padre Braula estreia-se no Colégio Militar, sucedendo ao Cónego Governo,

depressa fazendo esquecer a imagem do seu antecessor. Integra-se rapidamente, chegando a participar em desafios de futebol e não evitando algumas caneladas… Na 1.ª aula fala-nos nos Evangelhos, com bastante ênfase. No exterior passava um aluno do 5.º ano, creio que o Isaías Augusto Pinto Gomes Teixeira (235/1946), hoje Almirante reformado, que repetiu em voz em alta, «Evangelhos» … O Padre Braula manda o chefe de turma, Pedro Lagido, averiguar. Naturalmente, o chefe de turma não encontrou ninguém e o Padre Braula começou a compreender, ainda mais, o espírito colegial… - Está na hora de irmos almoçar ao «Pingão»… Lá fomos levando o Luís, no «carro dos engenheiros», o Padre Braula e fazendo o Lalande Vieira Pinto e eu companhia à Drª Virgínia, rumo ao restaurante nos arredores de Ançã, pertencente ao simpático judeu Levi, com vinha e olival próprios abastecedores do restaurante. No percurso volto a recuar no tempo. O Padre José Maria foi - e ainda é hoje - um símbolo para muitos Antigos Alunos do Colégio Militar. Foi Capelão no Ultramar, incluindo Macau, Angola em 1961 e Moçambique em 1969, onde o encontrei. - Não é para me gabar, mas… amanhã é segunda-feira. O Padre José Maria gozava e partilhava o efeito da piada. Ria com gosto, dando o exemplo e convidando os outros a acompanhá-lo. Chegava mesmo a dar uma cotovelada no mais sisudo que ainda não digerira o sentido do seu humor.

Conheci-o quando éramos crianças e ele um jovem sacerdote, transbordando dinamismo. A imagem do Padre anterior era bem diferente, a dum velhinho que nos premiava com rebuçados quando recitávamos bem as orações, mas que nos era distante. Quando chegou o Padre José Maria, tudo mudou. Passou a mimosear-nos com caneladas nos jogos de bola e com alguns «gafanhotos» quando nos contava as suas piadas. Mas a malta gostava, ouvia-o, dialogava. Crescemos e o Padre José Maria marcou-nos. Voltei a encontrá-lo noutras paragens, quando vivíamos horas diferentes. Mal me podia mexer, numa enxerga, no hospital. Veio visitar-me. Ofereceu-me um isqueiro. Um isqueiro e a história dos calções. Quando chegou a Angola, em 1961, o Padre José Maria ia cheio de ideais e resolveu fazer uma fundação, a que pôs o nome de um Antigo Aluno do Colégio que faleceu nessa altura em Angola, no posto de Tenente de Cavalaria, Jorge Manuel Cabeleira Filipe (98/1945). Gastou as suas economias tentando fundar uma obra útil. Quisera valorizar as gentes, facultando a aprendizagem de ofícios e de letras. Montou um sistema para ensinar pretinhos a coser à máquina. A dada altura, um deles dirigiu-se-lhe exibindo uns calções na mão: - Sr. capelão! Olha os calções que eu fiz. - Estão muito bonitos, parabéns. O que é que queres mais? - Patrão! Vê bem os calções. - Já vi e já te felicitei. E virou-lhe as costas, continuando a conversa com outro militar.


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Um dia com Padre Capelão José Maria Braula Reis

O Presidente da AAACM, José Eusébio Pereira Barata Cordeiro de Araújo (591/1973), Comandante do Curso Luís Mendes de Almeida, Sobrinha do homenageado Pereira da Rosa e o Presidente do Núcleo António Francisco Martins Marquilhas (67/1944). O painel do centro é dedicado ao Padre Braula Reis.

- Sr. capelão, olha os calções. - Já vi, já vi! – Disse o Padre José Maria, um pouco impaciente com a insistência do garoto. - Patrão, agora tem de pagar os calções. - Pagar os calções, eu? De quem é a máquina onde fizeste os calções? - É a máquina do patrão. - E de quem era o pano? - Era do Sr. Capelão. - E as agulhas e as linhas? - Do patrão. - E quem te ensinou a fazer os calções? - Foi um empregado do patrão. - E para quem são os calções? - Para mim – arreganhava a beiçola, descobrindo

duas fileiras de dentes muito brancos. - Então se os calções são para ti e tu os fizeste na minha máquina, com o material que eu paguei e ensinado por quem eu paguei, porque é que eu tenho de te pagar os calções? Ora vai mas é lamber sabão! E, dito isto, o capelão, meio indignado, meio desiludido, tornou a virar-lhe as costas já um pouco incomodado. Mas o pretito insistiu, baixinho: - Patrão… - O que é, desta vez? O pretinho, com os calções contra o peito, o branco do olho a contrastar com a escuridão da íris e da face, remata baixinho, de mão estendida: - Patrão, dinheiro para o sabão…

Na mesa do costume, encomendámos peixe grelhado para o Padre Braula e duas doses de chanfana e uma de leitão. O vinho e o azeite eram da quinta do Pingão. Muitas histórias se passaram com o Padre José Maria e ele continua a ser um grande contador delas. Todas as terças-feiras almoçava com vários Antigos Alunos numa amigável tertúlia. Mas, nesse ano de 1961, em Angola, o Padre José Maria, quase acabado de chegar, apanhou rapidamente a situação que sintetizou de uma forma ainda hoje recordada por quem o ouviu contar há mais de meio século. Dizia ele, então, que Angola era uma moça preta bonita, mas ninguém reparava nela.


Um dia com Padre Capelão José Maria Braula Reis

Apareceu um branco, um português, e gostou dela, enfeitou-a com prendas. A preta trabalhava para ele, via-se que era bonita e que tinha préstimo. Começou a dar nas vistas, a ser cobiçada por outros, principalmente quando se enfeitava com um colar de diamantes. E um americano e um russo diziam ao português para lhe dar liberdade. «Larga a preta, deixa-a em paz.» O português achava que sim que ela merecia ser livre, mas… - O que eles querem é: «tira-te tu de cima da preta para eu me pôr nela…» … Durante o repasto, muitas histórias foram contadas, não esquecendo Santo Agostinho e a forma diferente de o encarar da parte do Padre Braula e do José Eduardo Fernandes de Sanches Osório (210/1951), Engenheiro militar e Licenciado em Direito, enquanto se apreciavam os aperitivos polvo e linguiça, antes dos pratos principais… - Agora deixem-me, também, contar uma história do Padre José Maria. - Conta lá, Pedro Lagido. - Uma vez, em Angola… - Mas tu não estiveste na guerra, pois não? - Não, mas ouvi-a do próprio Padre José Maria. Ele, também, comungou com os soldados o pó das picadas, o medo do desconhecido, a ração enlatada de uma «geração entalada». Certa noite, integrado numa coluna de viaturas de reabastecimento, enterra ali, atasca acolá, um dos camiões resvalou. O barranco era alto, só na manhã seguinte se avaliou quanto. A viatura permanecia em desequilíbrio arrimada a uma árvore. A carga heterogénea, incluindo trotil, oscilou, oscilou, mas nada de grave aconteceu. Apenas umas grades de cervejas se espalharam em torno da viatura. O Padre José Maria deu o exemplo, ajudando a apanhar objectos da carga, de cócoras, de gatas, apalpando o terreno, tacteando as garrafas, não fosse granada ou explosivo. Ele e mais uns quantos soldados, enquanto um grupinho, integrando um sargento, estava a observar e a fumar, gozando o espectáculo ou, talvez, só o tabaco. Depois de achar que já fizera a sua parte, o Padre dirigiu-se, calmamente, aos «pirilampos»: - Agora, se não se importam, vão apanhar o resto da carga e eu venho para aqui observar.

O Lalande apreciou, em especial, o leitão e a Drª Virgínia a chanfana… Um dos recordados foi o Joaquim Manuel Trigo Mira Mensurado (252/1946), paraquedista falecido recentemente. Era interessante o seu relacionamento. O Mensurado dizia-se ateu mas, por vezes, não resistia a ir ouvir a homilia do Padre José Maria. Ele falava muito bem, numa linguagem acessível a todos, o que é raro. - Também teve o seu «baptismo de fogo». Nessas ocasiões, difíceis de imaginar a quem não as viveu, interessa dizer ou fazer alguma coisa. Algo que ajude o homem a vencer-se, a combater o instinto de sobrevivência que o pode incitar a fugir ou a enterrar a cabeça no chão. Normalmente, o soldado tem um escape que o pode ajudar, mas estava ali o Senhor Prior, ainda se conseguiram lembrar alguns. O Padre José Maria apercebeu-se rapidamente da situação e confidenciou ao soldado mais próximo: «Sabes que o Papa disse que não era pecado dizer asneiras em combate?» Dava para falarmos horas sobre este homem inesquecível. Um dia, encontrando-nos no Hospital Militar da Estrela e sabendo que eu ia ao dentista, avisou-me: - Também vais ao dentista, não te chegam as outras consultas? Se vais tratar algum dente, desiste já. Põe-te a pau que o que eles querem é arrancar-nos os dentes todos. - Porquê, Padre José Maria? - Quando nos arrancarem os dentes todos, já não precisam de trabalhar mais – concluiu, soltando uma das suas célebres gargalhadas. Outro amigo que era fiel à tertúlia do Padre Zé Maria, o Zé Francisco Teles Pereira da Rosa (280/1949), muito virado para a solidariedade e que foi um grande cavaleiro, infelizmente, deixou de poder estar connosco por motivos de saúde, acabando por falecer… Em 3 de Junho de 2005, reuniu-se na Feitoria, com o então Director do Colégio, General Luís Medeiros, o Eduardo José Naughton Félix Rodrigues (278/1947) e eu, iniciando o Núcleo da AAACM a ela ligado desde então, procurando atenuar a cobiça imobiliária, com mais ocupação durante o ano, nomeadamente pelos convívios mensais.

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Na parede de um dos edifícios constam painéis de azulejos em homenagem ao Padre Braula Reis, ao curso de 1948/1955 e a fundadores do Núcleo que já faleceram, nomeadamente: Eduardo Naughton Rodrigues (278/1947), Tito Lívio Esteves Xavier (335/1947), Luís Manuel Dias Antunes (221/1948). O painel de azulejos foi inaugurado em 7 de Maio de 2015, na comemoração dos 50 anos de saída do Curso. A 2 de Abri de 2016 (6.ª feira), o convívio, na Feitoria, incluiu homenagem a José Pereira da Rosa, com acréscimo de nome no painel de azulejos dedicado aos fundadores do Núcleo. Uma vez, na igreja de São Domingos, uma velhota «beata» estava a incomodar o Padre Braula, que a remeteu para o «seu colega» Pereira da Rosa… Manuel Júlio Matias Barão da Cunha 150/1948


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Uma inconsolável saudade, com alguns laivos de Mar

Luís Joel Alves de Azevedo Pascoal 145/1948

Uma inconsolável saudade, com alguns laivos de Mar 1

«Whom the gods love die young’ was said of yore …» Lord Byron (1788-1824)

I Incluído no N.º 208 (Julho/Setembro 2017) da “ZacatraZ”, o artigo referente à “Romagem dos 60 anos de Saída do Curso de 1950/1957” reforçou em mim a vontade, latente há já uns tempos, de preparar algumas linhas para publicação nestas páginas, tendo em conta o meu directo envolvimento com o mesmo curso, iniciado no ano lectivo de 1953/1954 como “Primeiro Comandante de Pelotão”, isto é, “Tenente” da 3.ª companhia. Nessa época longínqua, o refeitório colegial dispunha apenas de mesas de quatro lugares por onde os alunos se distribuíam livremente, por iniciativa própria, mas com a ressalva de, em cada companhia, não haver mais do que um graduado por mesa. No meu caso, logo no arranque das aulas, cabia-me procurar três elementos, dentro das turmas A, B e C do 4.º ano, e a turma B do 5.º ano, para completar a minha mesa. Comecei naturalmente por quem já conhecia, o 41, José Caeiro (bom aluno e bom atleta, irmão do 14, Pedro Caeiro, do meu curso). Todavia, o 41 tinha já combinado uma mesa com outros

do seu ano, pelo que não insisti e lhe perguntei se havia alguns seus Camaradas, filhos também, como eu e ele, de oficiais da Armada. Na sequência disto, passei a compartilhar refeições e a acompanhar mais de perto o 64, António José da Silva Bagulho (filho do Capitão-Tenente, depois Almirante António Tierno Bagulho, Antigo Aluno 298/1920 e Comandante do Batalhão em 1926/1927); o 67, António Rafael Passarinho Franco Preto (filho do 1º Tenente engenheiro maquinista naval José Franco Preto); e o 199, Pedro Morais Silva Leitão (filho de civil), todos eles já várias vezes medalhados, e a entenderem-se na perfeição uns com os outros, o que tornou para mim ainda mais fácil e gratificante o nosso convívio diário. A meu olhar, o 64 revelava-se um miúdo resoluto, um pouco introvertido mas de ideias firmes e assentes, enquanto o 67 surgia como o mais interrogativo, dinâmico, optimista e acutilante. Por seu turno, o 199 impressionava pelas suas quatro medalhas já alcançadas e pela serenidade de espírito e justeza de atitudes, em

As fotografias inseridas neste texto parte são do Autor e parte foram cedidas por José Alberto da Costa Matos (96/1950) e por Eng.º Manuel Lema Santos, 1.º Tenente da Reserva Naval.

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Pedro Morais Leitão (199/1950), Luís Joel Pascoal (145/1948), Nuno Botelho de Medeiros (275/1948), António Franco Preto (67/1950), João Mendes de Araújo (84/1957)

consonância com a sua Fé católica profunda. Sobressaía pela sua voz rouca, pele clara, rosto sardento e cabelo ruivo. Além disso, era ágil e desembaraçado e um entusiasta pelo futebol, que gostava muito de praticar e de discutir, embora as cores clubísticas da sua eleição fossem antagónicas das minhas (enfim, ambas essas cores, vermelho e verde, se encontram plasmadas e dominantes na nossa Bandeira Nacional). O meu ano de finalista e de graduado da “3ª” decorreu sem novidade e terminou com o habitual acampamento do Batalhão para os exercícios finais de Instrução Militar, que dessa vez se realizou, em Junho, na região de Belas. Foram quatro dias de descontraída, mas empenhada actividade, de que recordo os solavancos estoicamente aguentados em viaturas de transporte do Exército, à ida e volta do acampamento, bem como as intensas provas de patrulha, aguerridas progressões no terreno e demais desenvolvimentos tácticos em matas e clareiras, de que registei imagens, com os 199, 41 e 67 armados e marcialmente equipados com cinturão, cantil e capacete. Concluído o meu 7.º ano e deixada para trás a vivência, de salutar austeridade castrense, do internato da Luz, procurei cultivar e, tanto quanto possível, manter uma estreita proximidade com o Colégio, e conservar-me assim a par do que lá dentro se passava. Tive logo a

curiosidade de conhecer o “rata” meu sucessor – e eis que se deu mais uma coincidência de cariz marinheiro: o 145/1954, Henrique Arantes Lopes de Mendonça era afinal filho do Capitão-Tenente Manuel Lopes de Mendonça, Antigo Aluno 144/1923, que estava presente na camarata da “1ª” a ajudar com a família a instalar o seu herdeiro. Na mesma ocasião conheci também outro “rata”, o 192/1954, Pedro Manuel de Almeida Serradas Duarte, cujo pai igualmente fazia parte do quadro da oficialidade de Marinha na qual eu tanto ambicionava ingressar. O curso entrado em 1950, entretanto, prosseguia o seu caminho no Colégio, alargando horizontes culturais a par de experiências próprias da juventude, vencendo desafios e contrariedades, e prestando naturalmente as provas, de natureza teórica e prática, requeridas para o avanço curricular no ensino secundário. Ao longo deste trajecto, reparei que muitos elementos do curso continuavam a distinguir-se, quer na área dos estudos, quer no plano atlético e desportivo, quer ainda (casos mais raros) em ambos esses pilares essenciais do projecto educativo colegial. Igualmente, foi assim que melhor me apercebi da influência positiva exercida pelo 199, Pedro Morais Leitão sobre os restantes companheiros de curso, e a profunda amizade, orgulho e in-

contida admiração que estes por ele sentiam. Tal como não poderia deixar de me aperceber do crescente prestígio que o Pedro granjeava junto da direcção, oficialidade e corpo docente do Colégio, ao ser premiado, de forma ininterrupta, ano após ano, com as medalhas de aplicação literária e de aptidão militar e física e, por via disso, ter ainda obtido, no final do 5.º ano, a Medalha de Mérito (de prata), o que desenvolverei mais adiante. O ano lectivo de 1956/1957 representou o culminar da vida intramuros do Colégio para aqueles que, três anos antes, me tinham encontrado como graduado na “3ª”. Nesse mesmo ano lectivo, a graduação mais alta – a de Comandante do Batalhão Colegial – foi muito justamente atribuída ao 199, Pedro Morais Leitão. E, para o acompanhar no comando, além do Ajudante (169, Luís Gonzaga Ribeiro Goulão), a escolha recaiu sobre os já referidos 41, José Caeiro – Porta-Bandeira e o 67, António Franco Preto – Porta-Guião. Após final do seu 7.º ano, o Pedro Morais Leitão veio a receber mais duas medalhas de aplicação literária e de aptidão militar e física, sendo-lhe também concedida a Medalha de Mérito (de ouro). Em consequência disso, tornou-se o primeiro aluno, na história do Colégio, a conseguir merecer todas as medalhas possíveis, ao abrigo e nos termos dos regulamentos em vigor.


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II Já na condição de Antigos Alunos, e como é próprio da natureza humana, os elementos finalistas do Curso de 1950/1957 dispersaram-se por diversas actividades profissionais. Infelizmente, 19 já faleceram (o último dos quais partiu mesmo há poucas semanas: o 64, Silva Bagulho, por triste sinal mais um da minha antiga mesa na “3ª). Em termos globais, 29 abraçaram a carreira das armas, com a esmagadora maioria de 25 para o Exército (dois dos quais transitaram mais tarde para a PSP), enquanto 3 ingressaram na Marinha e 1 na Força Aérea. Quanto aos que se decidiram pela vida civil, neles se incluem, sem exclusão de sobreposições: - 8 Engenheiros (7 IST). Há mais 5 oficiais do Exército, da arma de Engenharia, simultaneamente engenheiros militares e engenheiros civis (IST). E ainda 1 Engenheiro Agrário; - 3 Juristas, 3 Médicos e 1 Médico Veterinário; - 2 Economistas, 2 Gestores/Administradores de empresas, 2 Pilotos de Linha Aérea; - 1 Licenciado em Ciências Físico-Químicas, 1 Arquitecto, 1 Actor /Cineasta, e 1 Bancário; - 19 outras opções. Relativamente aos que escolheram as Forças Armadas, a maior parte dos oficiais do Exército atingiu o posto de coronel. Dois distinguiram-se por feitos extraordinários em campanha (380, Raul Miguel Socorro Folques, Coronel Tirocinado de Infantaria “Comando”, agraciado com o grau de Oficial com Palma da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito; e 79, Fernando Augusto Colaço Leal Robles, Coronel de Infantaria, condecorado com a Medalha Militar de Valor Militar, grau Prata); e outros dois ascenderam ao generalato (94, José Eduardo Garcia Leandro e 245, João Carlos de Azevedo de Araújo Geraldes, ambos Tenentes-Generais). Dos que transitaram para a PSP (319, José Manuel Simões Ramos de Campos, está reformado e o 364, Vasco Prego Rosado Durão, faleceu a 19 de Maio de 2016) ambos alcançaram o posto de Superintendente-Chefe. Quanto aos oficiais de Marinha, dois culminaram a carreira dentro do almirantado (248, João Manuel Velhinho Pereira Nobre de Carvalho, Contra-

-Almirante e 332, António José Fonseca Cavaleiro de Ferreira, Vice-Almirante) e o restante (190, Rui Manuel Ramalho Ortigão Neves) quis passar à reforma no posto de Primeiro-Tenente, prosseguindo actividade profissional na TAP, onde de novo se reformou como Oficial de Voo Sénior. O único membro da Força Aérea, (223, Gabriel João Viegas Rebelo), faleceu no posto de Tenente-Coronel Piloto Aviador. Particularizando mais, o 199, Pedro Morais Leitão frequentou o IST e aí se licenciou, com o costumado brilho das lides colegiais, como Engenheiro Electrotécnico, em 1965. Antes disso, perante o eclodir da insurreição em África, decidiu ser voluntário para cumprir o serviço militar na Marinha, no quadro de complemento. Foi admitido à frequência do 6.º Curso Especial de Oficiais da Reserva Naval (6.º CEORN), em Julho de 1963. E aqui começa uma série de coincidências navais curiosas: o Pedro, Comandante do Batalhão no ano lectivo de 1956/1957, navegou nas águas de um outro anterior Comandante do Batalhão, o 285/1948, Luís Gonzaga de Castro Mendes de Almeida (CB

1954/1955), o primeiro Antigo Aluno do Colégio Militar a voluntariar-se para a Reserva Naval, logo em 1961. No 6.º CEORN o Pedro entrou na qualidade de mais antigo da Classe de Marinha e foi, portanto, considerado chefe de curso, designação informal correntemente adoptada na Armada. E deu-se a segunda coincidência quando, eu de regresso da minha primeira longa comissão de embarque, em Moçambique, e colocado na Escola de Comunicações da Armada, no Alfeite, esse CEORN foi aí realizar um estágio de formação. Ao iniciar a minha primeira aula, tive a grata surpresa de ver surgir o Pedro, sorridente, a trazer-me para assinatura o boletim de presenças, como competia ao chefe de curso, e isto quando, por ter estado tanto tempo fora de Lisboa, eu nada sabia do seu ingresso na Reserva Naval. Um mês depois, o CEORN foi fazer uma viagem de instrução a bordo do NRP Bartolomeu Dias, exactamente o mesmo navio onde eu tinha estado embarcado nessa longa comissão e agora comandado pelo Capitão-de-


Uma inconsolável saudade, com alguns laivos de Mar

-mar-e-guerra Ferrer Caeiro, pai do 41 e do 14 (terceira e última coincidência). Promovido a Aspirante em Abril de 1964, o Pedro recebeu guia de marcha para a Escola de Electrotecnia (Grupo Nº 1 de Escolas da Armada), onde permaneceu até final dos seus dois anos de serviço efectivo na Armada, tendo sido licenciado como 2.º Tenente RN, regressando de vez aos seus estudos no IST. Após a sua formatura, em 1965, e durante o exercício da sua actividade profissional, tão precocemente interrompida aos 44 anos de idade, não tive muitas ocasiões de conviver com o Pedro, já que a minha carreira naval me levou a passar cerca de oito anos e meio, intercalados, em cursos e comissões no ultramar e no estrangeiro. Aliás, foi longe em Bruxelas, em 1984, que me chegou a tristíssima notícia do seu falecimento.

III

©Foto Sérgio Garcia (326/1985)

Remonta praticamente à fundação do Colégio Militar a concessão de prémios, louvores e medalhas como incentivo ao estudo e recompensa dos Alunos que anualmente mais se distinguissem pelo seu aproveitamento académico e/ou pelas aptidões militares e físicas, em conjugação imperativa com bom comportamento moral e manifesto

zelo no cumprimento dos seus deveres colegiais. Com o correr do tempo foram sendo promulgados sucessivos regulamentos, a definir, clarificar ou alterar a concessão dessas recompensas, incluindo prémios pecuniários, criando novas medalhas e extinguindo por vezes outras. Precisamente no ano de entrada do Curso de 1950/1957, em Agosto, foi publicada uma portaria a estabelecer um novo plano de estudos para o curso colegial (desde o início do século XX com a duração de sete anos) e criando uma Medalha de Mérito, com duas modalidades, de prata e de ouro. As condições de concessão para esse efeito eram de graus de exigência elevadíssimos, ou seja: - A Medalha de Mérito, de prata, só poderia ser concedida aos alunos que, ao terminarem o 5.º ano, tivessem merecido não só a medalha de aplicação literária no 1.º, 2.º, 3.º 4.º e 5.º anos como também a medalha de aptidão militar e física no 3.º, 4.º e 5.º anos; - A Medalha de Mérito, de ouro, só seria atribuível aos alunos que, no final do 7.º ano, tivessem já recebido a medalha de mérito de prata, a medalha de aplicação literária em todos os anos do curso e cumulativamente a medalha de aptidão militar e física no 6.º e 7.º anos. Ora, a partir da análise dos dados constantes da notável obra “História do Colégio Militar”,

ANTIGO ALUNO USA A BARRETINA

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Volume II (da autoria do Antigo Aluno 96/1950, renomado investigador e militar distinto, Coronel Tirocinado de Artilharia José Alberto da Costa Matos), o Pedro Morais Leitão surge como o primeiro a conseguir satisfazer todas aquelas exigentíssimas condições para concessão da Medalha de Mérito, em tão boa hora instituída em 1950, e que – lamentável e injustificavelmente, em minha opinião – foi extinta e substituída no ano lectivo de 1979/1980. Como todos os pioneiros a consumar desígnios até então irrealizados, como todos os que antes do que qualquer um lograram subir a patamares de excelência só ao alcance de muito poucos, o Pedro Morais Silva Leitão destacou-se para sempre como vulto cimeiro no historial já duas vezes centenário do Colégio Militar. Expoente do ideal sublime da Antiguidade Clássica, mens sana in corpore sano, o 199/1950, Pedro Morais Silva Leitão, referência, farol e guia do seu Curso, e que tão cedo quis Deus chamar a Si, merece de facto ser recordado e exaltado perante o universo dos “Meninos da Luz”, com particular pertinência agora que se perfazem 60 anos sobre a sua graduação como Comandante do Batalhão Colegial … e quando se acumulam já 33 anos duma inconsolável saudade pela sua figura inesquecível.


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Admiral William Harry McRaven Commander United States Special Operations Comand (SEAL)

Admiral William Harry McRaven Commander United States Special Operations Comand (SEAL) Adaptação das palavras proferidas à realidade do nosso Colégio

I

f you want to change the world, start to make your bed every morning Every morning, in seal training, my instructors who at the time were all Vietnam veterans, would show up in my barracks room, and the first thing they’d do is inspect my bed. If you did it right, the corners would be square, the covers would be pulled tight, the pillow centered just under the headboard, and the extra blanket folded neatly at the foot of the rack. It was a simple task, mundane at best, but every morning we were required to make our bed to perfection! It seemed a little ridiculous at the time, particularly in line of the fact that we were aspiring to be real warriors, tough battle-hardened seals, but the wisdom of this simple act has been proven to me many times over. If you make your bed every morning, you will have accomplished the first task of the day.

It will give you a small sense of pride, and will encourage you to do another task, and another, and another... And by the end of the day, that one task completed will turn into many tasks completed. Making your bed will also reinforce the fact that the little things in life matter. If you can’t do the little things right, you’ll never be able to do the big things right. And, if by chance, you have a miserable day, you come home to a bed that is made. That you made! And a made bed gives you encouragement that tomorrow will be better. So if you want to change the world, start off by making your bed.

Discurso proferido na Texas Exes Alumni Association

Se queres mudar o mundo, começa por fazer a tua cama todas as manhãs. Todas as manhãs, no internato Colegial, os Alunos Graduados, que na altura cuidavam de nós, revistavam as camaratas e a primeira coisa que faziam era inspeccionar as camas. Quando bem feitas, pela manhã, as camas ficavam abertas com as mantas dobradas aos pés da cama, cobertas pelos lençóis impecavelmente esticados, e tudo devidamente entalado debaixo do colchão, e com o pijama dobrado e alinhado por cima dos mesmos. Era uma tarefa simples, mundana até, mas todas as manhãs era preciso fazer a cama na perfeição! Parecia algo ridículo, na altura, particularmente nos últimos anos, pelo facto de sermos aspirantes a Graduados, já mais rijos e destemidos, mas a sabedoria deste simples acto provou-se várias vezes ao longo da vida. Se fizeres a tua cama todas as manhãs, terás cumprido a primeira tarefa do dia. Isto dá-te um pequeno sentimento de orgulho, pelo dever cumprido, e encoraja-te para fazeres outra tarefa, e outra, e outra... No final do dia, essa mesma tarefa cumprida transforma-se em muitas tarefas cumpridas! Fazer a tua cama também reforça o facto de que as pequenas coisas da vida importam. Se não consegues fazer bem as pequenas coisas, dificilmente serás capaz de fazer bem as coisas maiores E, se por ventura, tiveres um dia miserável, chegas à camarata e encontras uma cama feita. Feita por ti! E uma cama feita dá-te coragem e confiança de que amanhã será um dia melhor! Assim sendo, se queres mudar o mundo, começa por fazer a tua cama todas as manhãs. Gonçalo Miguel de Matos Gonçalves 105/1984


Curso de Graduados

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Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957

Curso de Graduados

N

o princípio do passado mês de Setembro, teve início o ano lectivo no Colégio Militar, com a realização do Estágio de Graduados (no meu tempo Curso de Graduados), destinado a fazer a preparação final dos Alunos agora graduados, para o exercício das funções em que foram investidos, ou seja, para o comando dos seus camaradas mais novos. Refiro a «preparação final», pelo facto de a preparação para o exercício das funções de graduado começar, desde sempre, sem que os Alunos disso na altura se apercebam, no primeiro dia em que entram no Colégio. Nesse dia e em todos aqueles que se lhe seguem, até ao dia em que são eles próprios graduados, os Alunos vão observando, avaliando e mentalmente aprovando, ou reprovando, as atitudes e as ordens que recebem dos seus graduados. Todos nós, que passámos por esse longo processo de aprendizagem, fomos, ao longo dos anos, «tirando os nossos apontamentos», fazendo os nossos próprios juízos de valor e fazendo promessas a nós próprios, do tipo «Este é um prepotente e um déspota asqueroso. Nunca farei como ele», até «Este é um tipo como deve ser. É assim que eu quero ser, quando for graduado». Entre estes dois extremos, há toda uma gradação de sentimentos. Os princípios de honra, justiça, lealdade e camaradagem cultivados desde sempre no Colégio, fazem que tenham sido poucos os déspotas que tivemos de aturar e que tenham sido em muito maior número

aqueles que recordamos com saudade e sob cujo comando nos poríamos de novo, sem qualquer relutância. O sistema das graduações é um dos grandes segredos educativos do Colégio que tão bons frutos vem dando ao longo de mais de dois séculos. Foi o sistema idealizado e posto em prática desde os tempos do Marechal Teixeira Rebello, a que foi dada continuidade por aqueles que lhe sucederam na Direcção do Colégio. É um sistema extraordinário, que faz com que os Alunos do Colégio assumam, ainda na adolescência, responsabilidades de comando, o que faz deles, precocemente, adultos responsáveis em quem se pode confiar. Quando ao longo de anos e anos, Antigos Alunos mais idosos confiaram, muitas vezes sem os conhecer, em Antigos Alunos mais novos, a quem deram emprego ou que ficaram sob a sua autoridade, a razão era só uma, sabiam que estavam a lidar com pessoas que compartilhavam os princípios em que tinham sido educados. Dito de outro modo, sabiam que dali não viria deslealdade ou traição. Terá havido ao longo de mais de dois séculos algumas decepções. Houve-as, sem dúvida, mas essas foram as excepções à regra. Daquilo que me foi dado ouvir e observar ao longo dos anos mais recentes, creio que se ficou a dever, numa parte muito significativa, aos graduados destes mesmos anos, o facto de o Colégio ter conseguido resistir às reformas desastradas e precipitadas, que lhe fo-

ram impostas, de forma prepotente, por um péssimo Ministro da Defesa, que pelo caminho destruiu o Instituto de Odivelas. Apesar de todos os desmandos e tropelias, o edifício moral que nos foi legado pelo nosso Marechal não soçobrou. O «navio» sofreu rombos de monta, mas não se afundou. O tempo nos mostrará o que acabará por ser o Colégio resultante daquele processo. Este ano, à semelhança do ocorrido em anos anteriores, a nossa Associação foi convidada a participar no Curso de Graduados, contribuindo para a formação dos mesmos. A Associação dispôs de uma tarde para si, tendo sido programada três intervenções, cobrindo os temas: - O Exercício da Autoridade vs. Ilegalidades. - A Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar. - As Tradições Colegiais. A sessão programada teve lugar no grande anfiteatro do Colégio, sendo a audiência formada pelos 52 Alunos(as) graduáveis do 11º e 12º anos, considerando-se como graduáveis, de acordo com o critério estabelecido pela Direcção do Colégio, os Alunos(as) internos. Por «determinação» do Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949), o Director da ZacatraZ, que não podia estar presente, por se encontrar no Algarve de aquém-mar, em gozo de merecidíssimas férias, coube-me a mim fazer a apresentação da nossa revista, incumbência que cumpri com o maior gosto. Acho que a sessão foi muito bem conduzida pelo Presidente da


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Curso de Graduados

Direcção da Associação, os vários prelectores expuseram as suas ideias de forma muito clara e simples e penso que o objectivo da sessão foi plenamente atingido, os futuros graduados ficaram a saber o que é a Associação e que podem contar connosco sempre que acharem necessário o nosso conselho e auxílio. Os cursos de graduados começaram no meu tempo de Aluno. Pensei, até há pouco tempo, que tinha participado no primeiro curso de graduados, mas conclui que participei no segundo e terceiro cursos. Participei no segundo curso, quando transitei para o 6º ano, no início do ano lectivo de 1960/61, e no terceiro curso, quando transitei para o 7º ano, no início do ano lectivo de 1961/1962. A conclusão a que cheguei, resultou da leitura acidental do nº 110 da revista «O Colégio Militar», onde fui encontrar um pequeno artigo, da autoria de João Evangelista Barradas Cardoso (252/1954), que foi comandante da 1ª Companhia quando eu estava no 6ºano, com o titulo «Curso de Graduados», em que refere que o seu curso de graduados foi o segundo a realizar-se no Colégio, o que me surpreendeu. Falando com alguns membros do curso anterior, obtive umas respostas vagas, até que Duarte Nuno de Ataíde Saraiva Marques Pinto Soares (44/1953), me confirmou que no início do seu 7º ano já tinha havido um curso de graduados, esse sim o primeiro curso. Do artigo do Barradas Cardoso transcrevo uma parte, que nos indica como as coisas decorriam naquele tempo. «No dia 30 de Setembro apresentámo-nos no Colégio, e daí partimos para a velha Feitoria, onde jantámos já tarde em virtude das circunstâncias. Acabado o jantar deitámo-nos, preparando-nos já para começar o mês de Outubro em verdadeira harmonia e trabalho. Desde a alvorada, às 7H30 até às 18H00, abrangia-se uma série de actividades, como educação física, desportos e várias aulas teóricas sobre a orgânica do Colégio, orientação da parte literária e da parte profissional, formação religiosa e formação militar. Havia quatro tempos da parte da manhã e três da parte da tarde, que alternavam com as refeições,

Abertura do Ano 1961/1962

banho na praia e sesta. O recolher era às 23 horas e o silêncio às 24 horas.» O artigo do Barradas Cardoso terminava deste modo: «De esperar é que, nos anos futuros, se verifique uma melhoria no que respeita à organização do curso de graduados, em boa

hora criado. A experiência de dois curtos anos não deixará de ser aproveitada.» Quando fui convocado, no início do meu 6º ano, para o curso de graduados, não entendi a razão de tal convocação, pois não era de esperar a graduação de alunos do 6º ano,


Curso de Graduados

visto o 7º ano ser um curso numeroso, em que até houve uns poucos furriéis. A razão da convocação foi conhecida já na própria Feitoria. Tinha sido convocado um pequeno número de Alunos do 6º ano, que ajudariam na integração no Colégio de um novo Aluno que iria entrar para o 5º ano, o que era um facto absolutamente inédito, visto nesse tempo as admissões terminarem no 3º ano. O novo Aluno era D. Duarte Pius de Bragança, o actual Duque de Bragança, que passou a ser o 97/1960, tratado no Colégio apenas pelo seu número, como qualquer um dos outros colegiais. Em abono da verdade, devo testemunhar que suportou com estoicismo os seus primeiros tempos no Colégio, que não lhe terão sido fáceis, e que se integrou completamente na nossa Comunidade. Actualmente é um dos componentes do Conselho Supremo da Associação. Desse primeiro curso de graduados guardo algumas recordações. Num dos dias, penso que no dia 5 de Outubro, que era feriado, fomos assistir a um concurso hípico no hipódromo da Gandarinha, em Cascais. Aí, enquanto os mais aficionados dos cavalos se espalhavam pela bancada, para melhor seguirem o desempenho dos concursistas na pista, os restantes passeavam-se pela «pelouse», para melhor observarem as meninas dos Estoris e de Cascais que por lá se encontravam, metendo conversa com as mesmas. Esta era naquele tempo e nas nossas idades uma actividade muito importante, pois não havia, como agora, meninas mesmo à mão no interior do próprio Colégio. Se alguém naquela altura nos dissesse que isto viria a acontecer, pensaríamos que esse alguém estaria com alucinações e a precisar de tratamento psiquiátrico urgente. Antes da conclusão das provas do concurso hípico, fomos levados até ao luxuoso Hotel do Guincho, para aquilo que então designaram por lanche-ajantarado, que era suposto substituir o nosso jantar. Lá entrámos ordeiramente no hotel, que nos espantou pelo seu requinte. Sentámo-nos às mesas, enquanto alguém nos entretinha tocando umas melodias ao piano, e ficámos à espera do dito lanche ajantarado,

que foi uma completa decepção. Tínhamos chá à descrição, mas quanto a «sólidos» para trincar o panorama era desolador. Havia apenas umas mini-sanduiches e uns bolinhos, que quando muito poderiam ser qualificados como aperitivos, mas nunca como uma refeição, sobretudo para aquele grupo de jovens comilões colegiais, que tinham como um dos seus entretenimentos favoritos as tentativas de levar a copa à glória. Os pratinhos das mini-sanduiches e bolinhos ficaram limpos num abrir e fechar de olhos. À moda colegial começámos logo a pedir a repetição, o que era uma coisa que o hotel não previra. Tivemos assim de voltar para a Feitoria de estômago vazio. Logo na camioneta, na viagem de regresso, começámos a manifestar o nosso descontentamento de forma veemente. A manifestação foi de tal ordem que, ao chegar à Feitoria, o oficial que nos acompanhava decidiu mandar fazer uma refeição improvisada, acabando-se o dia a comermos uns ovos mexidos com batatas. Penso que terá sido a primeira e única vez na história colegial, em que se tentou satisfazer o apetite vorás da rapaziada com um lanche-ajantarado. O resultado, como se viu, foi desastroso. O meu segundo curso de graduados correu de forma semelhante ao anterior. Tenho de confessar que, naquela idade, as minhas actividades preferidas foram as sestas e as sessões de praia. As doces recordações destas últimas ainda hoje as retenho. Ainda deste segundo curso guardo a recordação de uma espécie de prova de patrulhas nocturna que nos mandaram fazer. Recebidos os capacetes e as «canhotas» para esta actividade, ficámos ao portão da Feitoria, à espera da camionete que nos levaria ao local da largada. Houve logo um que teve uma ideia luminosa, ideias nunca lhe faltaram, e resolveu pôr-se no meio da estrada marginal, que à época tinha um trânsito diminuto, de arma aperrada, a mandar parar os carros, para os inspeccionar. Os carros até paravam, mas depois os condutores ficavam surpreendidos, ao se depararem com um «inspector» tão imberbe. A coisa só durou uns minutos, não fosse o oficial instrutor dar por ela.

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Ao curso de graduados seguiram-se as graduações, já no Colégio, as quais nos foram comunicadas em pequena cerimónia realizada na Sala de Armas. A mim calhou-me ser graduado em Ajudante de Comandante de Batalhão, que conjuntamente com os Porta Bandeira e Porta Guião, formava o trio dos graduados sem nada que fazer no dia a dia colegial. Para mim foi um princípio de ano santo. A meio do ano dá-se a greve da fome, já aqui por mim relatada no antecedente, tendo eu acabado a comandar o Batalhão, em dias de má memória. Não posso terminar sem deixar de realçar, de novo, o importantíssimo papel dos graduados no sistema educativo colegial. Conscientes desse facto, houve dois Antigos Alunos, Bernardo Manuel Diniz de Ayala (171/1953) e Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958), que fizeram um belíssimo trabalho, compilando e publicando um livro designado «Colégio Militar – Graduados e Graduações na República», em que se apresentam todos os que foram graduados no Colégio, a partir de 1910, ano da implantação da República. O lançamento do livro deuse, no anfiteatro do Colégio, no 3 de Março deste ano de 2017, acontecimento noticiado em número anterior da ZacatraZ. Aos Graduados do ano lectivo de 2017/2018 desejamos o maior sucesso e que sejam, no futuro, recordados com saudade, por aqueles que forem agora seus subordinados.


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Sala de Armas da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar - Época 2016/2017

Sala de Armas

da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar Época 2016/2017

C

hegámos ao fim de mais uma época desportiva com o sentido de dever cumprido e ambiciosos quanto ao futuro. Começámos a época com objectivos desportivos e administrativos bem demarcados e assinalados. As fases de remodelação da Sala, a nível administrativo, decorreram como previsto. A organização informática da base de dados e a organização financeira da Sala, foram as prioridades na primeira fase de remodelação. Se-

gue-se uma nova fase, de implementação dos sistemas informáticos, com a adesão a novas tecnologias e facilidades de pagamento. A estabilidade financeira da Sala permite estabelecer novos objectivos e traçar novas metas na formação dos atletas, bem como criar as melhores condições para o seu desenvolvimento. Foi feita publicidade para a angariação de novos atletas. Esperamos voltar a cativar antigos atletas. O núcleo é forte e bem composto, mas a Sala está aberta a todas as pessoas, Antigos

Alunos ou não, que queiram praticar esgrima, só pelo desporto, mesmo que não queiram participar em competições. Queremos reforçar e aumentar as nossas fileiras. São todos bem-vindos a pertencer a esta Equipa! A nível desportivo foi uma época de consolidação. Reforçámos o estatuto de atletas de alta competição, sendo a Sala com mais atletas a nível nacional nestas condições. Embora sintamos que estamos no caminho certo, sabemos que podemos e devemos me-

FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ESGRIMA Ranking Nacional Espada Masculino

Sabre Feminino

Masculino

Feminino

Seniores 7

Gonçalo Alves

3

Marta Alves

4

Luís Cóias

8

Joaquim Videira

7

Ana Rita Marques

5

João Subtil

9

Francisco Carvalho

10

Joana Nunes

8

Francisco Araújo

10

Rafael Onofre

11

Rita Nunes

12

Francisco Carvalho

12

André Vaz

27

Tiago Alves

21

Hugo Borges

25

Francisco Araújo

34

Nuno Pedro

51

Artur Dias

61

Carlos Carvalho

2

Gonçalo Alves

4

Ana Rita Marques

5

Rafael Onofre

5

Marta Alves

10

Francisco Araújo

1

Marta Alves

Júniores

Cadetes

3

Sofia Carvalho


Sala de Armas da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar - Época 2016/2017

lhorar ainda mais. Para isso vai ser necessário criar as condições para tal. O treino e a competição serão as nossas principais preocupações. Pretende-se estabelecer uma metodologia, onde a formação do atleta seja assumida na sua plenitude, com ênfase a nível de treino e ainda mais ao nível da competição. Só assim poderemos aumentar a nossa competitividade e o nosso crescimento. Importante salientar a parceria entre a AAACM e o CM, com a utilização das suas instalações e dos treinos em conjunto que servem para consolidar o futuro da Sala de Armas da Associação, com o ingresso dos alunos depois de saírem do Colégio, proporcionando-lhes a possibilidade de absorverem, no ime-

diato, a experiência dos atletas da AAACM. O espírito de equipa nasce deste saudável convívio e troca de impressões. Com as condições e limitações que a Sala possui, obtivemos óptimos resultados em provas individuais e por equipas, divulgados ao longo do ano. Com o término da competição, devo realçar as boas posições alcançadas pelos nossos atletas no ranking nacional da Federação Portuguesa de Esgrima (FPE). Para finalizar a época, os atletas e treinadores, juntaram-se para um jantar de convívio. Devo realçar o forte espírito de equipa e boa disposição, com muita conversa e troca de histórias, onde se enalteceram os feitos e se estabeleceram os objectivos para a próxima época.

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Um agradecimento especial ao Mestre Tenente Coronel Hélder Alves e ao Treinador Alfredo Alves, pelo esforço e dedicação, pelo ensino e mestria, pela crença e perseverança, com que trabalharam ao longo da época. Parabéns e obrigado a todos os atletas! Conto convosco para a próxima época! Contem comigo! Força Equipa! Vamos!

Luís Manuel Marques Cóias

(190/1990) Responsável pela Sala de Armas da AAACM


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Sala de Armas da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar - Época 2016/2017

ZacatraZ 1803 14º na Final do Expresso BPI Cup 2017

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ram 369 equipas no inicio da época de apuramento da 20ª Edição do Expresso BPI Golf Cup, também conhecido por Campeonato Nacional de Empresas, e a equipa formada exclusivamente por antigos alunos do Colégio Militar - “Zacatraz 1803” acabou, após dois dias de competição de golfe, a Final Nacional Açores 2017, em 14º Lugar com 302 pancadas (14 acima do par e a somente 6 pancadas do acesso à Finalíssima em Vidago). Esta é a segunda vez que uma equipa formada exclusivamente por Antigos Alunos consegue este feito e chega à fase final deste campeonato de golfe disputada também no Clube de Golfe da Ilha Terceira. Em 2011 foi a Unipar (nome da Empresa de Carlos José Sanches Vaz Pardal (100/1947) formada pelos pares de Antigos Alunos Nuno

Manuel Vitorino Soares Monge (101/1974), José Eduardo Correia Barrento Sabbo (17/1967), José Afonso Correia Lopes (237/1976) e João Frederico de Brito Silveira Machado (187/1985). Seis anos depois, os pares lembram as dificuldades idênticas ao nível da competitividade e qualidade dos adversários, mas também as condições físicas e meteorológicas bastante difíceis para se conseguir chegar ao “top” 4, Campo recheado de denso arvoredo de Criptomérias, com “greens” rápidos de elevado desnível, chuva persistente e “fairways” de sobeja moleza! Elevou-se o espírito do Colégio Militar e mais uma vez o golfe contou com a Nossa presença! Ficou igualmente registada a oferta do Livro “Espírito do Colégio Militar” em nome da AAACM ao

Responsável da prova Dr. João Morais Leitão, Filho do já falecido Pedro Morais Silva Leitão (199/1950) e Comandante de Batalhão do seu Curso. João Frederico de Brito Silveira Machado 187/1985

Parabéns à equipa de Antigos Alunos “Zacatraz 1803” formada pelos pares: - Luís Miguel Caramelo Gião (165/1985), Capitão e Ricardo Duarte Paiva Floreano (194/1989); Paulo Jorge da Fonseca Cunha e Martins de Almeida (150/1983) e João Fredeico de Brito de Silveira Machado (187/1985). A Direcção e a Redacção da ZacatraZ


Antigos Alunos nas Artes e nas Letras

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Nuno António Bravo Mira Vaz 277/1950

Antigos Alunos

nas Artes e nas Letras Manuel Paulo Lalande Vieira Pinto (382/1949) O General Ramalho Eanes e a História recente de Portugal (II volume) Colecção “Fim do Império”, Âncora Editora

E

ntrou em 1949, para o 2º ano, e saiu em 1953, completado o 5º ano, em virtude de o Colégio não ministrar o 6º e 7º de letras e por isso não dar acesso á Faculdade de Direito, para onde desejava seguir. Factos salientes: ganhou sempre

os prémios do adido militar francês, para o melhor aluno da disciplina, e nos primeiros anos registou sempre a nota de Muito Bom em comportamento. Só não ganhou a Medalha de Comportamento Exemplar – o que não ocorria há muitos anos no Colégio – por causa de um “pronunciamento” colectivo ocorrido em 1952 com o seu curso. À semelhança do I volume, também este não pretende ser uma biografia do general Ramalho Eanes. Na verdade, o livro trata tão só de «registar, analisar e apreciar a vida pública de um cidadão, nas suas actividades de natureza militar, político-militar e política (incluindo as que desenvolveu depois de ter cessado funções como Presidente da República), bem como das respectivas motivações e objectivos». Para que não reste qualquer dúvida, o autor esclarece que não entrevistou o próprio General nem pessoas da família próxima, recorrendo em exclusivo a pesquisa documental (imprensa, rádio, televisão, internet e literatura). Os únicos contributos de natureza pessoal são os depoimentos de alguns dos camaradas de armas do General. Neste volume, o autor conduz-nos através das muitas vicissitudes que marcaram o 2.º mandato de Ea-

nes como Presidente da República e, na parte final, faz algumas breves referências a aspectos posteriores, essenciais para se compreender a dimensão cívica e moral dum português a muitos títulos notável. Acompanhamos, entre 1981 e 1986, uma presidência marcada por acontecimentos de importância transcendente para o conjunto da sociedade. Foi aliás a percepção dessa transcendência que levou as diversas forças políticas a assumir posições de grande assertividade que muito dificultaram o exercício das funções presidenciais. Logo em 1981 começaram os trabalhos da revisão constitucional e, com ela, a marcação de territórios por parte dos Partidos. Recorde-se que, na sequência do golpe militar de 25 de Abril, a vida colectiva ficou tutelada por um sistema político no qual o Conselho da Revolução – constituído exclusivamente por militares – assumia uma influência relevante. Boa parte da classe política tinha aceitado a situação a contragosto e agora, em sede de revisão constitucional, manifestava grande pressa em instaurar o que designava por democracia plena. Por isso, e sendo certo que sempre considerou adequada e inevitável a diminuição dos poderes presidenciais e a total subordinação


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Antigos Alunos nas Artes e nas Letras

da Instituição Militar ao poder político, Eanes fez repetidos apelos públicos no sentido de se chegar a uma Constituição equilibrada, capaz de congregar a aceitação na generalidade dos portugueses. Outra questão que ensombrou o segundo mandato foi a do vencimento do Presidente da República, regulado ainda por um Decreto-lei de 1973. No início do segundo mandato, o vencimento de Eanes

era inferior ao do primeiro-ministro. O Parlamento deixou arrastar o assunto até um tempo em que os ajudantes de campo tinham um salário superior ao seu. Em lugar de protestar, o general pagava do seu bolso todas as despesas relacionadas com ele e com os seus familiares na residência que ocupava no Palácio de Belém e recusava receber as ajudas de custo a que tinha direito nas viagens oficiais – nas quais utilizava, com frequência, aviões C-130 da Força Aérea. Todo o segundo mandato é marcado, à semelhança do primeiro, pelo difícil relacionamento que manteve com alguns dos principais protagonistas da cena política, e em função dos quais a generalidade dos portugueses imaginava que Eanes abandonaria a actividade política mal terminasse as funções presidenciais. Foi, portanto, com alguma surpresa que se assistiu, em 1985, à criação do Partido Renovador Democrático, com o patrocínio tácito do general. Como se sabe, o Partido não teve vida longa. Vida bem mais longa, felizmente, teve o general Ra-

malho Eanes. E aproveitou-a para continuar a fazer pedagogia cívica, comportando-se com inexcedível dignidade como cidadão e como militar. Em 2000, tendo tomado conhecimento das diligências para que lhe fosse atribuído o título honorífico de Marechal, recusou liminarmente a honraria. E em 2008, quando uma nova lei veio revogar o Decreto-lei de 1973 e determinar que lhe fossem entregues todos os retroactivos devidos – e que eram muitos – Eanes prescindiu deles. Muito perto do final, o livro lembra as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa na Fundação Calouste Gulbenkian, em Julho de 2016: “(…) Carácter impoluto, personalidade austera, integridade pessoal, humildade constante, sentido de dever para com os outros e Portugal (…).” Em boa hora o nosso camarada Vieira Pinto decidiu passar a escrito, num registo sóbrio, alguns dos aspectos mais significativos da vida deste cidadão exemplar.

Duarte Rui Aniceto Dias Marques (408/1969) Golpe de fogo Chiado Editora, Lisboa, 2016

Z

acatraZ saúda a chegada de mais um Antigo Aluno para a nossa galeria de poetas. No Prefácio, Luísa Gonçalves deixa palavras de louvor: “(…) A emoção pura vem em on-

das, como o mar que tanto preza, ora serenas, ora tsunamis que embalam ou nos ferem. Os sentimentos postos a lume na primeira pessoa, que Duarte Marques cultiva com rara honestidade, vão de uma crueza aguda, a uma rebeldia feroz. (…) Parece evidente a correspondência entre este estilo original e misterioso e o próprio autor. Formado em Economia pela Católica/ Lisbon School of Business & Economics, traz consigo na bagagem a experiência de uma vida entre o «top management» em organizações de sucesso como IBM, Nova Base e a Companhia de Electricidade de Macau, entre outras, e o acumular de conhecimentos ligados ao ensino, à formação e ao trabalho, desde a Europa ao Extremo Oriente, passando por África (…).” No mesmo sentido vão as palavras de José Manuel Arrobas: “O autor manipula com facilidade ideias, conceitos, sonhos, reflexões, metáforas e até paráfrases, o que dá sempre ao outro a capacidade de interpretar o que expõe, e em que se expõe, mostrando bem como o poeta é um fazedor.”

Aqui fica um dos seus poemas: Entre passos Há anos que te amo, e foste sempre o mar que os meus sonhos acolheram, evitando os frios. Ardia o gelo para que as palavras entre as ondas te encontrassem adormecida na areia à minha espera. Entre os horizontes existem sussurros de passos sem destino, mas em que o silêncio grita pelo encontro. Sem esperas nem desassossegos. Apenas aquela sensação estranha de sede com o copo cheio, porque, por mais que se beba, o desejo deslisa pelas almas reclamando mais e mais.


Fâmulos e Roupeiras Reconhecimento

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Martiniano Nunes Gonçalves 9/1958

Fâmulos e Roupeiras Reconhecimento

A

Alguns dos Servidores do Colégio a que se refere o texto

Fotos cedidas por José Alberto da Costa Matos (96/1950)

o servir-nos eram amigos e educavam-nos: faziam-nos assimilar a nobreza do trabalho. Eram “especialistas de tudo”: limpavam latrinas, gerais e camaratas, os botões dos “senhores alunos”, etc; a sala deles era o “cubículo” onde estavam vassouras, baldes, rodos, talas de limpar botões, detergentes, solarina, trapos e outras coisas (bolama... cigarros) e, onde, sob as mais diversas formas, respirávamos a sua dedicação... por vezes os cabos das vassouras lutavam com os “senhores alunos” que os desafiavam e com eles se metiam. A sua vida connosco ocorria nos nossos tempos fora das aulas e formaturas: nesses tempos - que eram nossos - e em que eram a única companhia que tínhamos; não fora a diferença de idades e poderiam ser os nossos irmãos mais velhos, que de nós cuidavam. No refeitório serviam-nos com aqueles braços musculados e o desembaraço de quem tinha a prática de já ter repetido aqueles gestos milhares de vezes, agarrando várias travessas de amarelo de carne de uma só vez, depositando-as com rigor e suavidade nos espaços apertados das nossas mesas, a que se seguia a “garganeira” do “primeiros para a repetição” ou do “bom dia filipina” se se tratava da sobremesa com laranjas ou tangerinas. Nos intervalos da manhã e da tarde em que tínhamos o “reforço” eram eles que, passando entre fileiras abertas, traziam aqueles enormes cestos de verga cheios de pão com mortadela ou marmelada, a que, por vezes, nos atirávamos caindo uns sobre os outros. No desporto eram os nossos massagistas, companheiros e organizadores de claque, de acompanhamento no ginásio, nos campos de futebol, na distribuição das bolas no recreio, etc. Faziam ronda às camaratas durante a noite. Eram, de facto, “especialistas de tudo”!


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Radiografia do Batalhão

Foram dezenas de anos - vidas inteiras de trabalho com ordenados baixos - a caminhar para o Largo da Luz: cada um conheceu uns milhares de “senhores alunos” durante a sua vida. E não conheceram outra vida. As sobras do refeitório “davam jeito” bem como o circuito da bolama e dos cigarros; muitos viviam ali perto e eram – infelizmente – nossos “clientes” na Conferência de S. Vicente de Paulo: vidas esforçadas para sobreviverem e educarem filhos que viemos encontrar como nossos colegas na faculdade e se licenciaram: alguns são hoje oficiais e quadros de empresas privadas e do Estado. Como excepção ao universo masculino, tínhamos as nossas “roupeiras” que faziam por termos conforto, criarmos hábitos de boa apresentação e limpeza, tratando das nossas roupas. As rouparias tinham algum mistério: não eram locais que pudéssemos livremente “devassar”; antes da formatura para o desfile diário na parada, depois dos quatro tempos de aulas da manhã, e intervalando com o fecho das camas e outras tarefas na camarata, éramos atendidos à porta da rouparia, fazíamos bicha (se fosse hoje seria “fila”) e de vez em quando – mas muito raramente - lá entrávamos e presenciávamos a difícil gestão dos sacos azuis com a roupa suja, que tinha o nosso número bordado. Eram escolhidas a dedo para não criarem ilusões aos “senhores alunos” e tratavam-nos, em geral, com doçura e de forma maternal. Não é saudosismo; cada época tem as suas características e hoje entende-se que seja diferente do que foi, mas sem dúvida que a dedicação, o carinho e a amizade com que nos trataram contribuíram para a nossa formação e para aquele microcosmo fantástico que era o internato. São exemplos de dignidade e dedicação. Não podemos esquecê-los. Para além do sentimento, devemos, racional e reconhecidamente, agradecer-lhes e mantê-los, para a História do Colégio e das nossas vidas, como elementos estruturantes da educação que foi ministrada no Colégio a muitas gerações.

Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957

Radiografia do Batalhão

C

omo já vem sendo hábito, no princípio do ano lectivo fazemos uma análise daquilo que foram as admissões para o Batalhão Colegial e da composição do Batalhão. A esta análise já chamámos «O Batalhão em números» e o «O Batalhão à Lupa». Este ano, para variar, damos-lhe o título que em cima podem ler, o que dá um ar mais científico e doutoral a este exercício periódico. Começamos o exercício com a apresentação, no quadro 1, das admissões no presente ano:

Ano

M int

M ext

F int

F ext

TOTAIS

5º

8

18

5

13

44

6º

1

0

1

1

3

7º

4

3

2

2

11

8º

1

0

0

0

1

9º

0

0

0

0

0

10º

0

0

1

0

1

TOTAIS

14

21

9

16

60

Q1 - Admissões para o Batalhão Colegial

Uma primeira análise deste quadro indica-nos um escasso número de admissões para o 5º ano (44) e um escasso número de admissões totais (60). Na realidade os ingressos foram em maior número, dado neste quadro não se incluírem os ingressos no Batalhão de alunos de ambos os sexos que completaram o 1º ciclo no Colégio, transitando para o 5º ano, que foram cerca de duas dezenas e meia, o que melhora o panorama. Verifica-se, que o número de alunos ingressados para os 8º, 9º e 10º anos foi apenas de 2, o que é de saudar (no ano passado foram 18), dado estes ingressos estarem previstos apenas a título excepcional. Trata-se de 2 alunos vindos dos PALOP, um aluno oriundo de Angola e uma aluna oriunda de Timor, ingressando esta última no 10º ano, onde existe


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Radiografia do Batalhão

por coincidência uma outra aluna timorense, que seguramente a apoiará, tornando mais fácil a sua adaptação ao Colégio. No quadro 2 apresentamos a evolução das admissões nos 3 últimos anos lectivos, o que abrange os anos em que já funcionou o internato feminino. Verifica-se uma forte redução progressiva das admissões para o internato masculino e a estabilização do pequeno número de admissões para o internato feminino. Este número reduzido deve-se ao facto de o internato feminino estar desde o início deste regime com a sua capacidade esgotada. Verifica-se ainda uma progressiva diminuição do número de admissões total, facto que é mitigado pela transição de alunos(as) do 1ºciclo do Colégio para o Batalhão. No entanto esta tendência é potencialmente preocupante. No quadro 3 apresenta-se a composição do Batalhão no início do presente ano lectivo. Quando este número da ZacatraZ vir a luz do dia, a situação será decerto ligeiramente diferente, dado haver sempre desistências de alunos e transições de regime, estas em geral, no caso dos rapazes, de externos para internos. Verifica-se neste quadro 3, que já só existem 240 rapazes internos e que a relação entre rapazes e raparigas é de cerca de 2/3 para 1/3, o que é semelhante ao que já se verificava no ano passado. Verifica-se uma quebra grande na transição do 9º para o 10º ano e um número muito reduzido de alunos no 12º ano (28 alunos). Este é um dos maiores problemas que o Colégio hoje tem. Há pais que tiram os filhos do Colégio na transição para o último ciclo (10º, 11º e 12º anos). As causas deste procedimento são conhecidas. Há que as eliminar. É o grande desafio que tem a Comunidade Colegial. Finalmente no quadro 4 apresenta-se a evolução da composição nos últimos 3 anos: Verifica-se neste quadro 4 a quebra do número de Alunos internos, que tal como já anteriormente se referiu é agora de apenas 240. Verifica-se ainda nos anos em análise um aumento de cerca de 50% do número de alunos masculinos externos, apesar da redu-

Ano

M int

M ext

F int

F ext

TOTAIS

2015/2016

42

38

31

41

152

2016/2017

40

48

9

23

120

21

9

16

60

M int

M ext

F int

F ext

TOTAIS

18

28

9

17

72

2017/2018

14

Q2 - Admissões nos últimos 3 anos

Ano 5º 6º

22

29

10

12

73

7º

41

19

15

22

97

8º

38

7

21

10

76

9º

37

7

23

16

83

10º

36

0

18

2

56

11º

31

0

6

2

39

12º

17

0

11

0

28

TOTAIS

240

90

113

81

524

Q3 - Composição do Batalhão no Ano Lectivo 2017/2018

Ano

2015/2016

2016/2017

2017/2018

M int

275

274

240

M ext

63

85

90

F int

99

116

113

F ext

112

99

81

TOTAIS

549

574

524

Q4 - Composição do Batalhão nos últimos 3 anos

ção do número total de alunos do Batalhão no último ano. A redução do efectivo do Batalhão que este ano se verifica, esperamos que seja transitória, para que a capacidade das instalações não fique subaproveitada. Pessoalmente pensamos que não é desejável que o Batalhão passe dos 600 elementos, a fim de que os alunos se continuem a conhecer uns aos outros. Recordamos que o efectivo do Batalhão no ano de 1957/58, último ano em que se viveu no «Colégio Velho» (com muito pouca comodidade), era de 440 e que no ano de 1961/62, ano em que terminei o curso, o efectivo praticamente atingiu as seis centenas.


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Da Hispânia à Espanha A geopolítica e o corónimo Espanha

João Manuel Martins Casaca 458/1960

Da Hispânia à Espanha A geopolítica e o corónimo Espanha

H

ispânia (Hispania) foi o nome, de origem fenícia, dado pelos romanos ao território peninsular chamado de Ibéria pelos gregos e que é hoje designado por península Ibérica. O corónimo (nome de região) grego Ibéria já é referido por Heródoto nas suas Histórias, escritas no séc. V a.C. Note-se que os gregos também designavam por Ibéria um reino do Cáucaso que coincidia com o Sul e o Leste da actual Geórgia. Ainda no tempo da república romana, a Hispânia foi dividida em duas províncias: a Hispânia Citerior, com capital em Tarraco (Tarragona) e a Hispânia Ulterior, com capital em Corduba (Córdova). Em 39 a.C., a Hispânia foi reunida numa só província, governada por um procônsul, assistido por vários legados. Em 27 a.C., a Hispânia voltou a ser dividida em Hispânia Citerior e Hispânia Ulterior. Em 15 a.C., a Hispânia Citerior passou a ser designada por Hispânia Tarraconense e a Hispânia Ulterior foi subdividida na Hispânia Baetica (Bética), com capital em Corduba, e na Lusitânia, com capital em Emerita Augusta (Mérida). Em 298 AD, o imperador Diocleciano subdividiu a Hispânia Tarraconense em três províncias com os nomes de Hispânia Tarraconense, com capital em Tarraco, Hispânia Cartaginense, com capital em

A Hispânia Romana

Cartago Nova (Cartagena) e Galécia, com capital em Bracara Augusta. O primeiro governante de todo o território da Hispânia de que há memória foi o imperador César Augusto, após o fim das guerras Cantábricas (19 a.C.). No princípio do séc. V AD, a Hispânia fragmentou-se em reinos germânicos e voltou a ser unificada (585 AD) sob o rei visigodo Leovigildo que

reconquistou o Sul da península (incluindo o sotavento algarvio) aos Bizantinos (570 AD) e anexou o reino Suevo (585 AD). O território no Sul da Península conquistado pelo imperador Justiniano, em 552 AD, era designado por Spania pelos bizantinos. Se descontarmos uma pequena faixa costeira mediterrânica, que continuou nas mãos dos Bizantinos, Leovigildo terá sido o primeiro


Da Hispânia à Espanha A geopolítica e o corónimo Espanha

Filipe I rei das Espanhas

rei da Hispânia (a conquista definitiva foi levada a cabo pelo rei Suintila em 625 AD). Note-se que, a partir de Leovigildo, os reis visigodos se intitularam Imperator totiius Hispaniae e que este título, recuperado pelos reis das Astúrias e de Leão (Afonso VII proclamou-se imperador das Espanhas em 1135), foi o pretexto usado pelos portugueses para justificar a ascensão de D. Afonso Henriques

de Conde a “Rex” de Portugal, vassalo do imperador, ascensão essa consagrada no tratado de Zamora (1143). A mudança do vínculo de vassalagem directamente para o Papa (1179) libertou Portugal da vassalagem ao rei de Leão. Após a invasão moura do princípio do séc. VIII, a Hispânia começou a ser governada de Bagdad, mas rapidamente se fragmentou

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em reinos mouros e cristãos independentes. O território da Hispânia só voltou a ter um governo único no final do séc. XVI. O rei Filipe II de Castela, Leão, Aragão etc., filho do Imperador Carlos V e de Dona Isabel de Portugal, ao tomar a coroa de Portugal, tornou-se no primeiro rei de Espanha com o nome Filipe. No princípio do séc. XVI, as coroas de Castela, Leão, Aragão etc., detidas pelos reis católicos Fernando e Isabel, foram herdadas por sua filha Joana a Louca que casou com o arquiduque de Áustria Filipe de Habsburgo, filho de Maximiliano de Habsburgo, imperador eleito do Sacro Império Romano-Germânico e da duquesa Maria de Borgonha (bisneta de D. João I de Portugal). Os reis Habsburgo Filipe I, Carlos I – que veio a ser o imperador eleito Carlos V do Sacro Império Romano-Germânico – Filipe II, Filipe III, Filipe IV e Carlos II constituíram uma dinastia das coroas de Castela, Leão, Aragão etc. Estes reis Habsburgo e seus familiares mais próximos são vulgarmente conhecidos por Áustrias. D. João III de Portugal foi casado com D.ª Catarina de Áustria, irmã de Carlos I, e D. Sebastião de Portugal era filho do infante D. João Manuel de Portugal e de Joana de Áustria, irmã de Filipe II, ambos filhos de Carlos I e de Dona Isabel de Portugal. Dado que, no séc. XVI, o corónimo Espanha ainda designava toda a península Ibérica, o rei Filipe II de Castela, Leão, Aragão etc., ao tornar-se rei de Portugal, após a morte do rei cardeal D. Henrique em 1580, foi o primeiro rei Filipe de Espanha (os anteriores reis de Espanha tinham sido Visigodos) e de Portugal. Em 1665, sob a direcção enérgica do escrivão da puridade de D. Afonso VI, o Conde de Castelo Melhor, a guerra da Restauração corria de feição a Portugal e o rei Filipe IV de Castela, Leão, Aragão etc., III de Espanha e de Portugal, usou a mediação britânica para tentar chegar a um acordo de tréguas com Portugal. A proposta britânica, em que Filipe manteria o título de rei das Espanhas, foi liminarmente recusada por Castelo Melhor. De 1665 até à paz, com a assinatura do tratado de Lisboa, em Fevereiro de 1668, anos


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Da Hispânia à Espanha A geopolítica e o corónimo Espanha

marcados pela morte de Filipe IV de Castela, Leão, Aragão etc. e III de Espanha, ainda em 1665, e pela queda de Castelo Melhor, em 1667, a questão que protelou o acordo foi a exigência da regência castelhana de manter o título de rei das Espanhas para Carlos II de Castela, Leão, Aragão etc. Já sem a orientação do Conde de Castelo Melhor, Portugal aceitou assinar o tratado de Lisboa com o rei das Espanhas, deixando a porta aberta para uma futura reivindicação da Coroa de Portugal pelos castelhanos. A partir daí, os portugueses, que sempre se tinham considerado espanhóis, passaram a defender que a Espanha acabava na fronteira de Portugal. Foi, pois, por razões geopolíticas que, a partir do final do séc. XVII, para os portugueses, o corónimo Espanha deixou de incluir Portugal.

A era hispânica de César Na sua biografia de D. Afonso Henriques, o historiador José Mattoso cita várias vezes os “Annales Portucalenses Veteres”, nomeadamente, a propósito da batalha de Ourique: “Na era de MCLXXVII (1177), no dia de S. Tiago, no lugar chamado Ourique, houve uma grande batalha entre os cristãos e os mouros, sob o comando do rei Afonso de Portugal e, da parte dos pagãos, do rei Esmar”. Para quem, lembrando a data (1139) aprendida na escola, tenha estranhado a data referida nos Annales (1177), esclarece-se que, em Portugal, uma carta régia de D. João I, de 15 de Agosto de 1460, converteu o ano 1460, da era hispânica de César, no ano 1422 da era de Cristo. Em todos os documentos portugueses anteriores a esta mudança da era de calendário, as datas devem sofrer uma translação temporal de 38 anos para a era de Cristo. De um modo muito genérico, uma era de calendário é um sistema de numeração dos anos de um calendário, que se baseia na escolha de uma época de início de contagem, geralmente associada a um acontecimento notável, tal como a realização das primeiras

Olimpíadas (779 a.C.), a mítica fundação de Roma (753 a.C.), a batalha de Actium (31 a.C.), o nascimento de Cristo (1 AD), a subida ao cargo de imperador de Diocleciano (284 AD), a fuga do profeta Maomé de Meca para Medina (622 AD) etc. O calendário Juliano, que entrou em vigor no mundo romano em 46 a.C., estava inicialmente associado à era da fundação de Roma (ab urbe condita – AUC). Mais tarde, foram usadas, com o calendário, a era de Augusto (batalha de Actium) e a era de Diocleciano, a que os Cristãos chamaram a era dos mártires. No princípio do séc. IV, o Imperador Constantino decretou o início do ano no dia um de Setembro (ano bizantino) e situou a criação do Mundo no dia um de Setembro de 5.509 a.C. O calendário Juliano foi usado, no império do Oriente, em particular, pela Igreja Ortodoxa, até aos dias de hoje, associado à era da criação do Mundo. Em 523 AD, o monge Dionisius Exiguus, cónego da Cúria romana, calculou o nascimento de Cristo para o dia 25 de Dezembro de 753 AUC (na realidade, Cristo terá nascido entre 4 e 7 a.C.). Dionisius escolheu o dia 25 de Dezembro por ser o dia do solstício de Inverno (dies natalis solis invictus), no calendário romano. O primeiro ano após o nascimento de Cristo (754 AUC) foi designado por ano 1 AD (anno Domini). O ano imediatamente anterior ao ano 1 AD, passou a ser o primeiro ano antes de Cristo (1 a.C.), deste modo não existe ano zero e o nascimento de Cristo ocorreu no final do ano 1 a.C. A contagem dos anos do calendário Juliano a partir da data de nascimento de Cristo, a chamada era de Cristo, foi adoptada muito lentamente no mundo Cristão. Na Hispânia, o calendário Juliano foi usado, durante muito tempo, com a chamada era hispânica de César iniciada no ano 38 a.C. Mais tarde, em Leão e Castela, o calendário Juliano passou a ser associado à era do rei Afonso X, o sábio, com início em 1257 AD. Em Portugal, como já foi referido, a era hispânica de César foi mantida até 1422 AD, durante quase mil e quinhentos anos. A era hispânica de César suscita uma per-

gunta de difícil resposta: qual terá sido o acontecimento notável associado à era? Pesquisando uma cronologia histórica da época, o único acontecimento de relevo para a Hispânia é a sua promoção administrativa a província única de governo consular em 39 a.C. A iniciativa legislativa terá sido de César Augusto, que fazia parte, com Marco António e Marco Lépido, do triunvirato que, na altura, governava Roma, sendo que César era o triúnviro responsável pela Hispânia. Nascido Gaius Octavius, Augusto adoptou o nome de seu tio-avô Gaius Julius Caesar após a morte deste. O título de Augustus foi-lhe atribuído pelo Senado apenas em 27 a.C. Antes disso era conhecido somente por César. É, pois, plausível a hipótese de que o facto notável associado à era hispânica de César fosse a promoção administrativa da Hispânia a província de governo consular em 39 a.C. por César (Augusto).


Velhos são os trapos

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Velhos são os trapos

Desfile de Combatentes Paraquedistas

N

o número 208 da ZacatraZ, no artigo relativo ao XXIV Encontro Nacional dos Combatentes, realizado em Belém, a 10 de Junho de 2017, incluímos uma fotografia magnífica mostrando os paraquedistas antigos combatentes a desfilar no final da cerimónia. Dada a qualidade e a mensagem inerente a essa fotografia, achámos desejável voltar a publicá-la. Naquela fotografia vemos uma formatura de homens de idades nas casas dos sessenta ou setenta anos, a marcharem com uma correcção, uma determinação, um aprumo e um orgulho, de fazer inveja a muitos jovens dos nossos dias. Temos a obrigação de da-

©Foto Rafael Vicente/Jornal “Elo” da ADFA

qui saudar e homenagear aqueles homens, por aquilo que nos transmitem na fotografia. Apesar das suas idades, não vemos ali velhos. Velhos são os trapos. O que vemos é um conjunto de jovens em espirito, que ao marcharem daquela maneira, se sentiram de novo com vinte anos, a marchar nas cerimónias do 10 de Junho que se realizavam, durante a guerra do Ultramar, em Lisboa, em Bissau, em Luanda ou em Lourenço Marques, transmitindo às assistências uma mensagem de confiança e força. Estes eram os homens que tinham por divisa «Que nunca por vencidos se conheçam».

Ao observar aquela fotografia veio-nos à mente o artigo intitulado «Ser Jovem…», que publicámos no número 207 da ZacatraZ. Conforme dizia o General Mac Arthur: «A juventude não é um período da vida, é um estado de espirito, um efeito de vontade, uma qualidade de imaginação, uma intensidade emotiva, uma vitória da coragem sobre a timidez, um gosto da aventura sobre o amor ao conforto. Não é por termos vivido um certo número de anos que envelhecemos, envelhecemos quando abandonamos o nosso ideal.» Façamos por não abandonar os nossos ideais. A Redacção


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O Navio da Morte

João Nuno Ribeiro Ferreira Barbosa 16/1956

O Navio da Morte

O

texto que a seguir se transcreve é o relato de um capítulo da história trágico-marítima já hoje esquecido. Foi publicado no Diário de Lisboa de 19 de Agosto de 1937 e é da autoria do jornalista e escritor Albino Forjaz de Sampaio que, magistralmente, narra o trágico episódio. Este artigo de jornal foi-

-me entregue pelo General Luís Frederico Pinto Tavares de Figueiredo, que, com um ano de idade e ao colo de sua mãe, foi num bote a remos alugado em Belém até junto do paquete Moçambique, de quarentena fundeado no meio do Tejo, à procura de seu pai que ninguém sabia se estava vivo ou morto. Estava vivo.

«O paquete Moçambique da Companhia Nacional de Navegação chamara-se anteriormente Bruxelles-Ville. Tinha 400,8 pés de comprido, 52,2 de largo e 32,6 de pontal e fora construído em 1908 por A. Stephen & Sons Ld, de Glasgow. Estava-se em plena guerra e a navegação fazia-se rodeada de cuidados. O paquete, que saíra


O Navio da Morte

de Lisboa a 13 de Julho de 1918, fizera normalmente a sua viagem e regressava atestado de passageiros e de carga. Trazia entre militares e civis 952 almas, compreendendo 15 prisioneiros alemães, 133 tripulantes e a soldadesca repatriada das expedições a Moçambique, gente dizimada pela guerra e pela doença, ansiosa por ver a pátria amada. Em 25 de Setembro de 1918 se iniciou a viagem trágica. Nesse dia, pelas 15 horas, largara o paquete de Lourenço Marques. Com bom tempo e mar chão dobrou o Cabo da Boa Esperança e aproou à Cidade do Cabo, onde chegou a 29. Aí se demorou até às 23 e 30 do dia 30, hora em que as suas hélices se começaram a mover, largando o cais sob as indicações do prático. Depois o paquete abrandou a sua marcha, arfando docemente. A escada pendeu do convés a toda a altura do seu costado cinzento. Eram 23 e 45. O piloto, um inglês-africano, alto como um pinheiro, desceu fazendo um adeus de boa viagem para a ponte de comando, onde o imediato se debruçava. E o navio, a toda a força das suas máquinas, engolfou-se no cerraceiro da noite e do oceano. Fazia um frio intenso e soprava um vento de noroeste pouco usual naquelas paragens. Bom tempo apesar disso e mar chão. Até ao dia 3 o mesmo sem novidade. Em 3, aguaceiros e pouca visibilidade. Cuidados do mar na oficialidade responsável pelos quase 1000 homens, mulheres e crianças que lhes foram confiados. Olhos atentos na ponte, na gávea e na proa. Cuidados do mar, receio de submarinos ou piratas. Mas no dia 4 um passageiro subiu a bordo sem que ninguém desse por isso. E tomou conta do barco, dos homens e das almas. Ninguém o viu, mas todos o sentiram, a todos trouxe opressos, a todos cingiu a gorja o medo de o encontrar. Esse passageiro era a Morte. A Morte? Sim, era a Morte sob o nome de pneumónica ou de peste e ela, só ela, é que mandava. Imediatamente tomou posse de todo o navio. Da quilha ao tope dos mastros, e do cadaste da proa ao pavilhão da ré, nada escapava ao seu poder. Como uma fera truculenta da mitologia feroz, queria vítimas para saciar a sua goela, eternamente faminta.

No dia 4 apareciam casos de gripe, que logo tomou a forma de broncopneumónica. Sintomas: Fervores, bolhas finas e grossas, focos de hepatização, epistaxis, pontadas na região epigástrica, febre entre 39 e 40 graus, dores nas articulações, língua saburrosa, tosse contínua, garganta inflamada e cefalgia. Depois de invadidos os pulmões, o miserável vomitava sangue negro e pus e morria ao fim de poucas horas, asfixiado e denegrido. Onde entrara o misterioso e hórrido passageiro? No Cabo, certamente, onde atacara 600 trabalhadores das docas e onde, nas ruas, a população andava com as narinas e a boca protegidas por algodão impregnado de desinfectantes. Embarcara sem ninguém a ver e agora estava a bordo dizimando o carregamento humano que o navio transportava. Onde vivia? Onde se alojava? Que número tinha o seu beliche? Onde se situava o seu covil? Mistério. Sabia-se apenas que, numa fria ostentação de crueldade, à hora plena do meio dia ou pela calada da noite morta, ela vinha buscar as suas vítimas. Todo o barco era seu e à sua passagem as almas, num pressentimento conturbado, apequenavam-se para não serem sentidas por ela. Nada valia. Subia aos “decks” da 1ª classe, ia lá aos confins da ré, à 2ª e votava aos porões da proa, à 3ª e 4ª classes e de lá as suas vítimas às dezenas, para as arremessar pela borda fora, àquela «fria e inquieta sepultura», que é o mar profundo. A sua preferência ia, porém, para a 3ª e 4ªclasses. Vinham nela 558 soldados. Nas duas cobertas de proa, sem ar e sem luz, tinham-se armado duas tarimbas corridas, dispostas em dois andares, tendo entre si 0,50m de distância. Era ali que se amontoava toda aquela multidão. O ar cortava-se à faca. Nas tarimbas, no pavimento e nas próprias paredes restos de comida, escarros, fezes, urina, vómitos. Os soldados que ocupavam as tarimbas superiores chegavam a urinar, vomitar e defecar sobre os que lhes ficavam por baixo. A falta de higiene dos latinos manifestava-se em todo o seu horror. E embora fossem lavadas e desinfectadas diariamente,

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a porcaria era horrível. Os soldados vinham da guerra prostrados, cansados, exaustos, doentes. Vinham do interior de Moçambique, terras de sol e febre. O médico de bordo, o comandante e o médico militar reclamaram. Nada se podia fazer, diziam. Eram ordens do Ministério das Colónias. E nada se fez. A Morte inaugurou as suas tomadias com o 1º cabo da 9ª Companhia do Regimento nº29, nº691 António Gouveia. Pobre soldadito que voltava de uma campanha inglória e difícil, a ver a sua terrinha e os seus. Pobre soldadito que no fundo do mar brinca talvez com as velhas e enferrujadas partazanas e montantes dos bombeiros das conquistas, das velhas naus que o mar comeu e deliu. Foi no dia 6. Era a primeira vítima. No dia 7 duas vezes o paquete afrouxou a sua marcha para deixar cair no mar mais dois corpos: John Baptist Paulus, prisioneiro alemão e o soldado 537 de Infantaria 29, João António de Araújo. Um faleceu às 10 horas da manhã, e o outro às 11 e 30 da noite. Entre ambos um dia de esperança e de ilusões. Mas a Morte não descansava. Estava ali à espreita, hiante, sôfrega e impiedosa. Só os médicos e os oficiais sabiam. O comandante, esse bravo Alberto Harberts, velava pelo navio. Acolitado pelo imediato João Marques Ferreira. Os médicos, Dr. Álvaro Peão Lopes, oficial do navio, e o Dr. Alexandre da Cunha Rola Pereira, médico militar, velavam pelos homens. Eram a frente única contra a morte. A secundar esses últimos o enfermeiro do Moçambique, António Maria Garcia e algumas praças da companhia de Saúde que nem enfermagem sabiam. Que luta, que coragem moral, que integridade e que desprezo absoluto pela vida, a destes homens! No dia 8 morreram dois soldados e a filha de um passageiro de 2ª classe. No dia nove morreram 14 soldados, um civil e dois prisioneiros alemães. No dia 10 morreram 33 soldados, 1 alemão e 1 passageiro de 3ª classe. Os médicos mal têm tempo para comer e o pânico reina a bordo. Há por toda a parte um cheiro a enfermaria e a casa mortuária.


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O Navio da Morte

Como num sabatt da Idade Média, cheira a enxofre por toda a parte. A 1ª e a 2ª classes estão isoladas. Creolina e ácido fénico inundam todos os recantos do barco. O convés é baldeado a todos os momentos. A tripulação aterrada, anda exausta. Os passageiros menos animosos rezam e imploram dos médicos que não os deixem morrer. As mulheres e crianças choram e lamentam-se. Laboratórios não há. Também, de que serviria? Fosse qual fosse a etiologia da doença, a Morte continuaria matando, a zombar, cega de fadiga e da dor. São incansáveis os médicos. As seringas não param de injectar óleo canforado em doses máximas e soro glucosado, que por milagre não faltaram. Dia 11, terror pleno. 43 cadáveres foram pela borda fora. A 12, o comandante militar, coronel Serrão de Azevedo, o comandante do navio, o imediato e os dois médicos reuniram conselho. Querem uns que se arribe a S. Vicente para melhorar as condições sanitárias. Um dos mais encarniçados é o comandante militar que trazia uma filha doente. É a fuga, o pavor, o ser pai. Mas o capitão objectou que só tinha 10 dias de carvão e estava a 800 milhas de Cabo Verde. Nem ali nem em Dakar havia carvão. Com peste a bordo não podia desembarcar. O mais seguro seria soltar rumo directo a Lisboa. Poupar-se-ia cerca de 500 milhas. As opiniões divergem. Alterca-se. Apoiam o capitão os médicos, os oficiais do navio e o coronel José Ricardo Pereira Cabral, hoje governador-geral de Moçambique, que era passageiro com toda a família. Prevalece a opinião do comandante. Começa então a galopada trágica. O paquete todo apagado por causa dos submarinos, marcha, fantasma negro como que perseguido pela fatalidade. Mora nele a Morte. Nenhum porto se lhe abrirá, nenhum navio lhe prestará auxílio. Navio maldito, só lhe resta correr pelo Oceano até que encontre a terra donde partiu ou a última tonelada de carvão saia dos paióis para a labareda da fornalha. E a 12 vão mais 23 cadáveres para o mar. No dia 13 a faina continua. Todos desejam ardentemente deitar fora todos os que mor-

rem. Nunca a morte foi tão temida. E os que vivem têm nos olhos um pavor interrogativo. Parecem perguntar quando lhes tocará a vez, quando os empurrarão para a negridão profunda das águas. Vão 20 nesse dia. O navio continua a semear mortos. Já não é um barco; é um esquife que navega. Reina a dor e a desolação a bordo. No dia 15 há 15 cadáveres para alijar. Morreu o pobre do comissário de bordo, Francisco António da Fonseca, que arrastou desde o dia 4 a sua luta. Ele e o criado João de Deus Vaz são os mortos da tripulação. A 15, às 7 da manhã, é deitado ao mar o comissário. Morrem mais 9, dois civis e 7 soldados. A 16 morrem 4, dois civis e 2 militares; a 17 dez; a 18 quatro; a 19 seis, quatro militares e dois civis. Estes últimos, pode dizer-se que foram já para mar português, pois no dia seguinte, 20 de Outubro de 1918, à 1 e 5 avistava-se o Cabo Espichel e à 1 e 20 o Cabo da Roca. Em Cascais, às 4 e 40, o paquete metia piloto, às 5 e 35 passava entre torres e às 6 e 10 fundeava perto de Belém. Terminara a viagem, digna da prosa de um contista ingénuo da velha História Trágico-Marítima que Bernardo Gomes de Brito reuniu. Deitara ao mar, o barco onde viajara a Morte, 193 pessoas (173 soldados, 4 sargentos, 3 prisioneiros alemães, 11 passageiros civis e 2 tripulantes). Terminara a viagem, mas não terminara a odisseia. O navio fica de quarentena no Lazareto e aí o abandonam 3 dias. Uns militares fogem e vão parar a Almada. Um médico ido de Lisboa é vaiado pela gente de bordo, indignada por tanto e tão criminoso desleixo. Um batelão traz para terra mais sete cadáveres. Depois, a Morte, farta da chacina levantou voo para outras paragens. O navio cumpre o seu fadário de navegar. Ao comandante, verdadeiro lobo do mar, alma espartana de herói, deram a Ordem da Torre e Espada. Deram-na também aos médicos que bem a mereceram. A guerra acabou e os que passaram por estes perigos já os esqueceram. E só ninguém escreveu a história da marinha mercante durante a guerra. Esta página marca um dos seus grandes episódios, tão grande

como o cerco de Diu, tão notável como qualquer dos grandes feitos que imortalizaram o nome português. Estes são os apontamentos e a lembrança para o homem de génio que a haja de escrever…» Nota necrológica do Diário de Notícias de 25 de Junho de1966: No passado dia 11 de Junho faleceu o comandante Alberto Robin Harberts, não tendo sido, a seu pedido, dado conhecimento público desse tão triste desenlace. O comandante Harberts foi um verdadeiro lobo do mar e de carácter impoluto… Nasceu em Lisboa no ano de 1876, filho de pai alemão e mãe francesa. Desde muito novo … manifestando grande atracção pelo mar. Embarcou aos 14 anos e comandou depois sempre os maiores e mais novos navios da sua época. Entrou para a Empresa Nacional de Navegação em Junho de 1908. Durante a Grande Guerra comandou o navio “Moçambique”, tendo transportado, nessa altura, cerca de 30 000 homens. Em Outubro de 1918 desenrolou-se a bordo uma tragédia horrorosa porque o navio trazia a pneumonia a bordo, que dizimou centenas de tripulantes e passageiros civis e militares. Por falta de condições sanitárias nos portos intermediários e por falta de carvão, o navio teve de vir directamente para Lisboa. O comandante Harberts teve de arrostar contra a opinião de passageiros graduados e dirigir directamente o barco para Belém, onde ainda morreram 11 soldados. Nessa altura, a imprensa referiu-se a este grande heroísmo, que lhe mereceu a Ordem da Torre e Espada dada pelo presidente Sidónio Pais…


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Allegro A Volta ao Mundo do Veleiro onde também navegou a Barretina

António Rui Prazeres de Castilho 147/1948

Allegro

A Volta ao Mundo do Veleiro onde também navegou a Barretina

Em cima, plantação de coqueiros. Em baixo, fetos gigantes

Cachoeira

Ilha de Santa Lúcia - Marigot Bay

N

o nº 207, Abril/ Junho, do ZacatraZ, paginas 66/71, foi publicado o último artigo “Allegro - A Volta ao Mundo do Veleiro”, tendo o Allegro e a sua tripulação ficado em Marigot Bay, na ilha de Santa Lúcia. Como estávamos a dez dias do Natal, e o Na-

tal seria passado em Rodney Bay, achámos por bem rumar a sul, para conhecer mais algumas ilhas do Mar do Caribe, que pela sua beleza e exotismo foram alvo da nossa escolha. Porém, antes de largar tivemos tempo de conhecer um pouco do interior da ilha

que nos encantou com uma vegetação de variadíssimas cores, em diferentes tons, com predominância dos verdes. O Parque Florestal mistura-se com o Jardim Botânico de Diamond, formando os dois um arranjo e uma colecção magnífica de plantas. Realizado


Allegro A Volta ao Mundo do Veleiro onde também navegou a Barretina

pela mão do homem, mas ao qual o seu arquitecto deu um cunho pessoal de tal forma original, que tudo parecia Natureza! O guia que nos acompanhou era um afrodescendente com uma bagagem científica notável na área da flora tropical. Tinha uma facilidade de comunicação impressionante, apesar da sua dicção, de certa modo bizarra, mais cantada ao jeito da música “rap”, do que propriamente falada. Ele conseguia transmitir a todos, todo o seu saber, com uma entrega pouco vulgar, em prol do conhecimento da natureza, do próprio parque e da Ilha de Santa Lúcia, num inglês simples e carregado de um acento muito original destas regiões. Foi um dia bem passado na companhia agradável de velejadores amigos, rico pelo muito que aprendemos, belo pela sua paisagem, reconfortante pela paz que respirámos no

Em cima, zona montanhosa do parque com os “Pitons”, em baixo flores exóticas do jardim botânico,

seu interior. Será um momento que certamente ficará gravado na nossa mente e possivelmente lembrado em pequenas tertúlias entre familiares e amigos. Nesta zona encontram-se algumas placas tectónicas, destacando-se a Placa das Caraíbas ao centro, bem como várias bacias oceânicas

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separadas por montanhas submarinas. A fractura destas placas e a forte pressão exercida entre elas, faz com que esta região tenha uma grande actividade vulcânica. Para ilustrar esta realidade, fotografámos uma das muitas caldeiras que se encontram em permanente actividade. A cor esverdeada do solo, o vapor de água e o cheiro a enxofre são provas evidentes deste tipo de situação. A actividade vulcânica proporciona a formação de locais com águas termais e depósitos de argilas quentes que deveriam ser aproveitadas para fins terapêuticos. Estivemos a visitar alguns deles, pois segundo informação, podem ser encontrados em vários pontos da Ilha. Pelo seu aspecto rude e natural não estão a ser aproveitadas para fins comerciais, a exemplo das termas portuguesas. Contactei com algumas pessoas que residiam perto

a escolha preferencial de Santa Lúcia, como destino turístico de qualidade. Temos a certeza que muita coisa ficou por ver, mas tínhamos um programa a cumprir e outras ilhas mais para o sul seriam provavelmente também uma agradável surpresa.

Flores exóticas do jardim botânico

Em cima, Flores exóticas do jardim botânico, em baixo, Extraordinário guia do Parque, com a Teresa Gago, tripulante do Allegro, desta vez de visita às Caraíbas.

de uma destas zonas termais, verdadeiras dádivas da natureza, informando-me que ultimamente tem havido uma grande procura destes locais por parte de turistas estrangeiros e que o governo central estará a pensar desenvolver este tipo de actividade, pois seria, sem dúvida, mais um ponto positivo para

No canal entra as duas ilhas, verificou-se um fenómeno comum à maioria dos canais, principalmente com costas alcantiladas, ao qual os velejadores e as pessoas ligadas ao mar chamam de “zonas de aceleração”. Aqui, os ventos aumentam de intensidade; na gíria náutica “refrescam”, podendo soprar

Ilha de São Vicente O aeroporto internacional fica situado na costa sul, sendo utilizado para as ligações entre as restantes ilhas das Caraíbas o aeroporto da zona norte. A viagem para São Vicente foi muito agradável, com um sol radioso e um vento “ à medida”, que nos proporcionou momentos de vela maravilhosos e repousantes, apenas com o suave mas agradável ruído do chapinar da água no casco e o piar das aves marinhas que acompanham normalmente os barcos quando navegam com “costa à vista”.


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Allegro A Volta ao Mundo do Veleiro onde também navegou a Barretina

até de rajada e é necessário ter muita atenção a estas mudanças repentinas, de vento e de mar, para que não sucedam acidentes como infelizmente se verificou com este navio. Porém o sol foi de pouca dura, ou seja, o vento, voltando a instalar-se a calmaria, a tranquilidade e a paz de espírito que o mar tão bem nos sabe transmitir e gratuitamente nos oferece. Por fim encontrámos uma baía abrigada onde ficámos ao ferro, cujo nome foi herdado da povoação que ali nasceu: Wallilabou. Esta enseada, Wallilabou Bay, é maravilhosa pois acolhe com segurança os navegadores que a ela se dirigem como destino ou como abrigo de alguma tormenta, porque apesar de ser pequena, o acesso é fácil, seguro e com fundos excelentes para lançar e unhar o ferro; é encantadora pelo seu desenho em forma de ferradura, emoldurada por uma vegetação riquíssima.

Caldeiras vulcânicas do Parque Florestal

Apesar desta beleza e da simpatia da sua gente a povoação é pobre e não tirou partido deste local para fins turísticos, não obstante ter sido escolhida para palco de algumas cenas da película “Os Piratas das Caraíbas”. As construções que serviram de cenários e apoio a estas filmagens, estão num miserável estado de conservação, não tendo as míni-

mas condições para atrair qualquer visitante, nem tão pouco estão enquadradas em qualquer roteiro turístico. À chegada dos veleiros, uma frota de pequenas embarcações fez uma verdadeira abordagem aos barcos, dando as boas vindas e vendendo todo o tipo de bens e serviços. Realmente com tão poucas oportunidades de negócio que a terra tem para lhes dar, esta será porventura, uma possibilidade de realizar algum dinheiro. Uma situação também a registar, foi o facto de os barcos ficarem, segundo as indicações do presumível “Comandante do Porto”, amarrados com um cabo a terra. Para quê cabeçotes ou argolas fixas, chumbados no topo de fortes paredões, se a praia está pejada de coqueiros? Estes são pontos de amarração seguros, naturais e não chocam o partido “Os Verdes“ lá da

Em cima, Termas “naturais” a argila quente. Em baixo Termas ”naturais” de água quente

terra! Este trabalho fazia parte da eventual lista de serviços que Wallilabou disponibilizava aos velejadores. Até à data não tínhamos tido uma situação semelhante. Lembro-me apenas de em 2004, nas enseadas das Baleares, ser lançado um cabo a terra, mas por motivos de segurança. As formalidades foram cumpridas, e depois de um banho magnífico nas águas transpa-

rentes e mornas (28º) da baía, juntámos a tripulação do Magelanus e no Allegro comemos uma saborosa sopa de legumes que a Anne Marie preparou para o jantar. A bordo do Allegro ficou combinado desde o início, que para além do pequeno-almoço e da ceia, a refeição principal seria o almoço, constando o jantar apenas de uma sopa, fruta ou pão com qualquer coisa a acompanhar. É uma solução prática para a problemática da cozinha a bordo e higiénica para o bem-estar da tripulação. Para terminar a descrição da Ilha de São Vicente, a capital é Kings Town. Ilha de Béquia Seria bom que tivéssemos disponível todo o tempo do mundo, mas o relógio da vida roda sem parar a uma velocidade superior à nos-

Em cima, Pitons visto do mar e fotografados do Allegro. Em baixo, povoação na costa Oeste de Santa Lúcia

sa vontade, principalmente na minha idade e pensando nas milhas que ainda temos para navegar e nos locais que pretendemos conhecer. Em simultâneo não podemos esquecer os compromissos assumidos e, como diria o meu neto Bernardo, “Pai Rui, não é dramático... mas não é fácil”. Sendo assim, só nos resta ”levantar ferro” e zarpar mais para sul, até que


Allegro A Volta ao Mundo do Veleiro onde também navegou a Barretina

o GPS nos deixe na ilha de Béquia, formando com São Vicente e uma infinidade de pequenas ilhas o arquipélago das Granadinas. A viagem foi rápida e calma, apenas três horas de mar, com vento de sete nós. Encontrámos uma ilha montanhosa e completamente coberta de vegetação verde carregado que contrastava com um azul ultramarino do mar. Este conjunto é membro independente da comunidade Britânica, a língua oficial é o Inglês, mas a moeda corrente o dólar americano. A principal riqueza provém da indústria açucareira e seus derivados, o melaço e o rum, tendo o café e o turismo também um impacto substancial. Os visitantes apreciam principalmente as praias pela sua beleza natural, com um toque puramente tropical, a temperatura e a transparência das águas, propícias à prática do mergulho e para os menos radicais do “snorkelling”.

Em cima, Acidente numa zona de aceleração na costa de São Vicente. Em baixo, vista da povoação de Wallliabou

Admiralty Bay é o local que reúne melhores condições para quem chega a Béquia pelo mar. É uma baía com uma entrada franca, resguardada e com muitos barcos. Fomos recebidos como nos outros locais das Caraíbas por uma seria de pequenas embarcações que prestam os seus serviços mediante pagamento a combinar, de preferência de-

pois de regatear, pois os preços inicialmente pedidos são bastante inflacionados. Os “Yacht Services Guide” apelidam, com uma certa piada, a este conjunto de barcos e aos seus ocupantes “Comité de Recepção”. Salvo algum cuidado que necessariamente há que haver, eles são de grande utilidade para quem chega e tem apenas as informações que os “Guides” e os “Pilots” nos indicam. Para confirmar esta minha teoria este “Comité” tinha disponível um serviço que geria as bóias de amarração, indicando-nos uma para o Allegro e outra para o Magelanus, apoiando esta manobra. Vários barcos tinham montado um negócio, por exagero, de mini mercado, do tipo porta a porta, ou seja, barco a barco, onde vendiam produtos de primeira necessidade, principalmente bens alimentares e de limpeza. Foi num destas minis que

Em cima, Baía e povoação de Wallliabou com o Magelanus. Em baixo, Entrada Norte da Baía.

comprámos umas lagostas que eu preparei a bordo para o jantar do dia da chegada. A refeição constou de lagosta suada com maionese à “CHEFE”, regada com vinho branco seco gelado, abacaxi da região e café Nespresso, acompanhado com rum das Caraíbas. Se houvesse fumadores só faltava um “puro“cubano! Este mesmo jantar, num restaurante da Euro-

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pa, por exemplo, não tinha de forma alguma o mesmo ambiente, a mesma força anímica e o mesmo sabor com que a tripulação do Allegro e do Magelanus degustou este “menu”. O contexto do local faz toda a diferença. Realmente o “Comité de Recepção” de Béquia é de longe superior ao de outros locais, continuando a surpreender-nos pela positiva. Tinham um serviço de lavandaria, barco a barco, recolhendo a roupa suja, entregando-a lavada, no dia e hora combinada! Depois de uma noite tranquila fomos conhecer a povoação e fazer algumas compras no minimercado (chamado Super), para repor o stock da despensa e ir ao banco. O Multibanco foi das grandes descobertas da tecnologia moderna digital e de comunicação. Para quem viaja nas nossas condições e tocando em terras do fim do mundo, este género

Em cima, vista do lado Sul da baía. Em baixo, cenários das filmagens “Os Piratas Das Caraíbas”.

de serviços que os bancos colocam à nossa disposição, cobrando as respectivas taxas como sabemos mas por vezes esquecemos - são de uma utilidade incalculável. Quando estamos a viver na nossa cidade não damos conta desta maravilha! Ela entrou na rotina do dia a dia de todas as pessoas, mas para quem navega por estes sítios, em que tudo é


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Allegro A Volta ao Mundo do Veleiro onde também navegou a Barretina

paisagem e o resto é como Deus quer, encontrar uma caixa Multibanco é muito bom!!! O comércio e os restaurantes estão localizados na rua principal que fica paralela à baía e junto à praia. A população é pequena e simpática, com predomínio da etnia africana. O almoço foi no terraço do restaurante Coco’s, onde nos serviram um delicioso “mahi-mahi” grelhado na brasa, nome genérico no Caribe e que em Portugal conhecemos por dourada. Os restaurantes são simples sem qualquer espécie de requinte a condizer com a própria povoação, mas a cozinha é impecável, confeccionando uma comida deliciosa. No dia 16 de Dezembro de 2014, o Luís Adão e a Manuela regressaram sozinhos a Santa Lúcia, no Allegro, para o Luís tratar de alguns assuntos relacionados com os preparativos da largada Santa Lúcia - Colômbia, prevista para 10 de Janeiro de 2015.

Em cima, Vista parcial de Béquia. Em baixo, Manuela e Luís Adão com Béquia por bombordo

Eu e Anne Marie fomos convidados pelo João Manuel e a Matilde para os acompanharmos no Magelanus a visitar umas ilhas mais ao sul, pois só teríamos que estar uns dias antes do Natal em Santa Lúcia, para passar esta época festiva. Foi um convite que aceitámos com o melhor agrado, não só porque são duas pessoas de uma

simpatia extrema, como recebem no seu barco como poucos. O Magelanus é um Beneteau Oceanis Clipar de 42 pés, com vela grande a enrolar no mastro e um enrolador na genoa. É um veleiro de manobra fácil porque todos os cabos vão ter ao poço do barco, distribuídos por dois “pianos“ a bombordo e estibordo, com um molinete eléctrico. O camarote do comandante está colocado à proa, é muito amplo com casa de banho privativa e bons armários para arrumos. O camarote da tripulação é grande, com cama de casal, com uma casa de banho com porta para o salão. O Magelanus foi preparado par fazer travessias oceânicas, tendo frigorífico, congelador, dessalinizador e um gerador de corrente. Ilha de Mostique Instalados no novo veleiro, o Magelanus zarpou com uma tripulação renovada para a ilha

efectuem sem problemas. Um bom entendimento entre toda a equipa é essencial para se criar uma melhor e maior harmonia a bordo, desfrutando em pleno todo o prazer que a vela e o mar nos oferecem. Largámos às nove horas e trinta, depois de um lauto pequeno-almoço preparado pela Matilde. A viagem foi curta, apenas de vinte milhas náuticas, que foram cobertas em quatro horas. A derrota foi com costa à vista e a agulha indicava o rumo 160. O céu estava bastante nublado mas a temperatura era amena pois o sol tentava de quando em quando romper esta cortina. Com amuras a bombordo e mareação a um largo, a força do vento permitiu que desfrutássemos uma viagem à vela, tranquila e cómoda. Mostique é uma peque ilha do arquipélago das Granadinas, descoberta pelos es-

Vistas de Admiralty Bay tirada do Allegro Em cima, elementos do “Comité de Recepção”, minimercado. Em baixo, Anne Marie e Rui. Lagostas para o jantar

de Mostique. Uma viagem de quatro horas, sem problemas onde eu tive que aprender os pormenores principais da embarcação e os hábitos do comandante. Cada um tem a sua maneira de navegar, de arrumar, enfim, de estar a bordo, que convém conhecer e respeitar para que as fainas de bordo se

panhóis, apresentando à sua volta vários recifes de corais. Inicialmente habitada por pescadores pobres, hoje é conhecida e apreciada em todo o mundo por ser frequentada por um pequeno clã de famosos e ricos que lá compraram terrenos e construíram grandes e luxuosas mansões. É uma


Allegro A Volta ao Mundo do Veleiro onde também navegou a Barretina

ilha privada da Mostique Campany. A população da ilha gira à volta das quinhentas pessoas e tem uma pequeníssima e curiosa povoação situada na baía onde fundeámos o Magelanus. É servida por um aeroporto internacional situado no Norte. Demos uma pequena volta à ilha mas foi impossível fotografar as tais mansões. Existe uma publicação sobre Mostique que para além de uma boa descrição, tem uma fabulosa colecção de fotografias que mostra toda a ilha incluindo os segredos da ostentação e magnificência que os ditos famosos sustentam no seu interior. Não é acessível às câmaras de qualquer fotógrafo amador como eu! A estadia foi muito curta, apenas de vinte horas, não somos ricos nem famosos, não possuímos casas luxuosas nem dinheiro para as alugar (15.000 a 35.000 euros por semana)

Em cima, rua principal e supermercado. Em baixo, restaurante.

ou ficar num hotel (620 euros de diária) … mas temos todo o mar do mundo para navegar. Haverá riqueza maior na terra? Desta feita, continuámos mais para sul pois outras ilhas menos sofisticadas nos esperavam, onde tudo é beleza … tudo é simplesmente natureza!

Tobago Key Já passava das onze horas da manhã, de quarta feira, dia 17/11/2014, quando começámos a ter Mostique por través de bombordo passando ao largo de uma pequena ilha, Petit Mostique, e de dois grandes calhaus: o Savan e o Petit Cannon. As ilhas das Caraíbas estão muito próximas umas das outras, por isso as viagens são curtas e depois de quatro horas de navegação estávamos a entrar na zona do canal que separa a ilha de Petit Ranau a norte e Petit Bateau a sul. Tobago Cays é um pequeno conjunto de cinco ilhas desertas que fazem parte do arquipélago das Granadines e são património de um Parque Natural. São uma verdadeira maravilha da natureza. As praias são de areia branca dourada, banhadas por um mar azul

Em cima, comércio geral e artesanato. Em baixo, mercado local.

transparente como nunca tinha visto. Este azul junto à areia é claro, quase branco, mas à medida que a profundidade aumenta o azul torna-se progressivamente mais escuro até chegar ao azul ultramarino “deep”. É um verdadeiro fenómeno de “dégradé” de tons. A principal actividade é o turismo; segundo

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informação de um guarda do Parque, com quem falei, este local é visitado por mais de 8000 iates por ano. Este número de visitantes é completado por turistas que chegam em táxis aquáticos de ilhas próximas, principalmente de Mayreau, e pelos navios de cruzeiro. Junto à ilha de Petit Bateau está montado um negócio flutuante de tudo que se possa imaginar, nomeadamente roupa, principalmente “t- shirts”, artesanato, cervejas, gelo, pão, fruta, peixe, lagostas, etc, tudo transportado em pequenos barcos a remos e a motor. As ilhas são cercadas por recifes de corais que as protegem, mas que são um perigo iminente para a navegação. Há que ter o máximo cuidado quando se navega nestas águas, tendo uma atenção redobrada à interpretação da cartografia digital actualizada, às indicações dos “pilots”e

Em cima, almoço da tripulação do Allegro e do Magelanus no restaurante “Coco’s”. Em baixo, o Magelanus a navegar com costa à vista

principalmente não navegar durante a noite. Estes recifes de corais como fazem parte integrante e principal do Parque estão protegidos por regulamentos especialmente criados e focados para eles, de forma a tentar minimizar os danos causados por terceiros. Assim estão definidas e reguladas as áreas para a


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prática de “windsurf”, de pesca e de ancoragem de iates. Reparámos na existência de um conjunto de bóias que condicionam a navegação e o estacionamento dos iates junto às praias. Há também um controlo de despejo de resíduos. Mesmo com todos estes cuidados, o guarda com quem falei, disse que as autoridades responsáveis notam que há fortes indícios de que este ecossistema está a ser ameaçado principalmente por factores ambientais. Pergunto eu, quem e o quê é que neste mundo não está a ser ameaçado pelo ambiente? Entretanto como tínhamos chegado às 14 horas, a fome começou a dar sinais no estômago vazio e após termos preparado o bote fomos para terra. Em boa hora o fizemos porque fomos logo à chegada abordados por um vendedor de lagostas, mas que senhoras

Em cima, o Comandante, João Manuel, aos comandos do Magelanus. Em baixo, o Magelanus a navegar com amuras a bombordo e vento por través.

lagostas! Não eram grandes, eram gigantes! Depois de ajustado o preço perguntámos onde poderiam ser cozinhadas, pois os tachos da cozinha do Magelanus não tinham capacidade para bichos daquele calibre. Chegámos realmente na hora certa e ao local exacto. Mesmo à nossa frente funciona-

va um restaurante de praia que preparou as ditas super lagostas grelhadas na brasa. Não vou fazer mais descrições nem tecer mais considerações sobre o almoço, porque uma foto vale mais que mil palavras! A sala de jantar tinha alcatifa em areia, as mesas corridas com bancos, mas a baixela era de porcelana fina como podem constatar nos pratos ovais da Matilde e da Anne Marie na primeira foto e também na segunda. O criado de mesa pediu para tirar uma fotografia com as senhoras - ele ficou bem, apesar de um pouco escuro! Quem ficou muito bem foram as lagostas, com óptimo aspecto na travessa e com um paladar divino na nossa boca. A lagosta é o prato forte aqui das ilhas. Os cozinheiros são uns verdadeiros mestres a preparar este marisco, tanto no tempero como a

Em cima, baía e povoação. Em baixo, avenida principal.

grelhar nas brasas. Paralelamente a todos estes pormenores positivos, não fica caro como poderia parecer! É mais uma vez o problema do contexto. Estivemos mais um dia por estas maravilhosas paragens, apreciando e gozando tudo de bom que esta natureza no seu estado primi-

tivo tem para nos oferecer. É difícil encontrar locais como este. Como é evidente a fauna e flora estão também protegidas por forte regulamentação. É expressamente proibido levar para os barcos qualquer recordação seja de que tipo for: plantas, animais, pedras e corais. Estas limitações que tentam preservar o património do Parque encontram–se implementadas por toda a zona do Caribe e Ilhas Virgens. Eu tenho que confessar que em Junho de 2010 apanhei um grande susto em Tortola, nas ilhas Virgens, quando tentava levar para o veleiro um bonito exemplar de coral. A polícia marítima depois de grande prelecção e num tom agressivo, aceitando mal as minhas desculpas, mandou-me embora, com Deus! Tive sorte porque eles normalmente não costumam ser nada meigos neste tipo de infracções.

Em cima, tripulação do Magelanus na zona comercial. Em baixo, no supermercado

Os dias são contados pelos dedos e chegou a hora de regressar a Santa Lúcia para encontrar o Luís Adão e a Manuela. Foi pena não terem vindo, mas cada um toma as decisões que acha mais convenientes para atingir os seus objectivos. O Luís decidiu assim, tudo bem!


Allegro A Volta ao Mundo do Veleiro onde também navegou a Barretina

A viagem de volta foi feita por várias etapas: Tobago Cays à Ilha de Béquia com bom tempo, a velejar a um largo folgado, percorrendo calmamente as 23 milhas em cinco horas e meia. Béquia à Ilha Santa Lúcia na povoação de Soufrières. Navegámos com vento de nove nós, rumo 016 à bolina e por vezes ao largo. Para distância de 63 m/n demorámos nove horas. Soufrières a Rodney Bay. Chegámos à Marina de Rodney Bay no dia 21/12/2014, tendo saído a 22, depois da Anne Marie e eu termos vivido durante sete dias no Magelanus a convite da Matilde e do João Manuel. Foi sem sombra de dúvida uma estadia inesquecível não só por tudo aquilo que tivemos oportunidade de ver, conhecer, apreciar e comer, mas também pela agradável e franca companhia que os nossos amigos nos proporcionaram. Eles têm o dom

lhor dizendo dos turistas, que lhes faltava qualquer coisa. Se não tivesse vivido vinte anos em África dificilmente saberia responder. Assim soube o que lhes faltava – O FRIO -! É comum ouvir a estas pessoas dizerem: Natal sem frio? Natal sem neve? Dia de Natal na praia? Eu sou um nómada e para mim Natal é Natal em qualquer parte do Mundo, com frio ou com calor. O Natal é onde eu estou. As duas tripulações do Allegro e do Magelanus juntaram-se, decoraram os veleiros com motivos natalícios e festejámos alegremente no Allegro o dia 24 de Dezembro de 2014. Não faltou nada, prendas, mesa posta por ordem, barretes do Pai Natal, assobios, gaitinhas, boa comida, alguma bebida e muito boa disposição. Infalivelmente momentos houve de alguma tristeza e melancolia. Todos nós deixámos nas nossas

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Desde que as pessoas tenham mais para dar do que para receber é possível em qualquer situação, haja calor ou frio, num palácio ou num palheiro como Jesus o Deus Menino ou num veleiro como nós FESTEJAR O NATAL

Em cima, vista de Tobago Cays. Podemos ver a quantidade Em cima, pequena parte dos veleiros que visitam Tobago Cays. Em cima, João Manuel com o pescador de lagostas, mais a dita. de veleiros que visitam estas ilhas do fim do mundo. Em baixo, navio com turistas, o Club Med 2. Em baixo, cozinha do ”restaurante de praia”. Em baixo, praias de água azul transparente com um notório “dégradé”.

de bem receber no seu veleiro criando um ambiente cordial, alegre e divertido, condições fundamentais para que todos se sintam felizes. O Natal está à porta e as decorações próprias desta grande festividade estão por todo o lado, o tempo magnífico, 30o, a água do mar 26o, mas senti na cara dos estrangeiros, me-

terras, família, entes queridos, amigos, que neste dia estariam na nossa companhia. Não falando daqueles que nestes dias recordamos sempre com saudade. Penso que por instantes pelo coração de todos entrou uma nuvem pesada, carregada de emoção que nos deixou ausentes e pensativos, mas que saiu após ter deixado a sua mensagem.


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Allegro A Volta ao Mundo do Veleiro onde tambĂŠm navegou a Barretina

As lagostas no lugar de honra

Mesa posta e seus convidados

Por do Sol em Tobago Cays

Recorte de uma bela praia limitada por uma vegetação tipicamente tropical

Bonito exemplar de uma iguana

Fotografias do Natal no Allegro

Fotografias do Natal no Allegro

Fotografias do Natal no Allegro

Fotografias do Natal no Allegro


Conselho de Delegados de Curso Visita ao Castelo de São Jorge

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Conselho de Delegados de Curso

Visita ao Castelo de São Jorge

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o seguimento dos novos projectos que o Conselho de Delegados de Curso pretende desenvolver na vertente cultural, tendo em vista incentivar o conhecimento, a vivência e a camaradagem entre os diversos Cursos, realizou-se uma visita ao monumento mais visitado do País: o Castelo de São Jorge. Contactado Francisco José Gomes de Sousa Lobo (95/1952), desde logo manifestou o seu entusiasmo e disponibilidade para ser o nosso guia nesta jornada. Este nosso Camarada, distinto Oficial de Engenharia e Historiador empenhado, é Presidente da Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos.

Portanto, melhor guia não poderíamos ter tido. Participaram nesta jornada: Carlos Manuel Querido Batista (303/1951), Carlos Alberto Guerra da Silva Beja (268/1953), Pedro Manuel de Almeida Serradas Duarte (192/1954), José Manuel Fortes dos Santos Ferreira (342/1955) e Neto, João Paulo de Castro e Silva Bessa (200/1957) e e sua Mulher, João Manuel Ermida Corrêa (102/1959), Francisco Emílio Neves da Piedade Vaz (373/1967), Luís Miguel de Matos Cortes Picciochi (501/1967) com duas familiares e Mário Nunes Modesto Loureiro (128/1978) e sua Mulher. A visita, que durou toda a manhã, foi do completo agrado de todos em grande parte devido

às explicações do Camarada Sousa Lobo que, também, prestou todos os esclarecimentos às variadas questões que lhe foram postas. Não podemos esquecer as magníficas vistas que apreciámos durante o percurso. Foi uma bela jornada que deu a conhecer pormenores da história do Castelo, além de ter fomentado a vivência entre os Antigos Alunos que nela participaram. Pena foi que tão poucos tenham aparecido. Esperamos, de futuro, maior afluência.

José Manuel Fortes dos Santos Ferreira 342/1955


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Apontamentos do Passado

João Nuno Ribeiro Ferreira Barbosa 16/1956

Apontamentos do Passado

H

á pequenas histórias e episódios que nos marcaram e caracterizaram outras épocas, e aquilo que era um dado adquirido ou uma banalidade, hoje é visto com estranheza ou mesmo considerado inconcebível. Lembrei-me de algumas coisas dessas que vou aqui contar, para que conste.

O banho O banho nos anos cinquenta do século passado era duas vezes por semana e estava sujeito a um horário rígido, que podia ser à alvorada, antes de almoço ou antes do jantar. Os sacos com a toalha e a muda de roupa eram colocados pelas roupeiras

nos cabides dos gerais e a turma, à hora marcada, marchava através dos claustros para o balneário. Este era um compartimento comprido com bancos corridos e cabides ao longo das duas paredes. Era dividido ao meio por uma antepara de mármore que tinha por cima as canalizações com os chuveiros. Ao fundo, em cima de uma escada a comandar as operações encontrava-se o Artur, o encarregado do balneário, empunhando a válvula de água fria numa mão e a válvula de água quente na outra. Parecia o capitão de um navio. Começava a correr a água e, até atingir a temperatura confortável, a malta gritava “Mais quente”, “Mais fria”. Por vezes um escaldão dava direito a todo o tipo de impropérios de que o Artur era o alvo. Passado um bocado, fechava-se a água para então ensaboar os corpos e depois, novamente a mesma cena. Por fim, quando estávamos gozando as delícias da água quente, sem aviso prévio era cortada a água. Valente assobiadela e gritaria fazia o Artur dar mais um minuto de água, o que não era mau. Depois era vestir e andar. Música No refeitório, que hoje é o Museu Colegial, existia uma instalação de som, não sei desde quando, que permitia que de vez em quando houvesse almoços acompanhados por música. Creio que seria uma preocupação do professor de canto coral, o maestro Jaime Silva, o Carioca, dar alguma educação musical à malta, que, convenhamos, era um bocado selvagem. O programa, impresso e distribuído pelas mesas, incluía sempre uns trechos de música

clássica e outros de música ligeira, que já não seriam o último grito, pois a discoteca era um bocado limitada. Lá se ia ouvindo a música em relativo silêncio, com muitos chius pelo meio, que a malta não resistia muito tempo sem conversar. Podiam-se pedir discos para ouvir na sessão seguinte; para isso havia uns rectangulozinhos de papel onde se inscrevia o pedido, com a remota esperança de que fosse atendido. Tal como nos programas de rádio da altura. Enfim, era um dia diferente na rotina colegial. A égua do 400 Um caso insólito no meu tempo foi um Aluno ter um cavalo no Colégio. Era do Pedro Maria Sommer Ribeiro de Andrade (400/1952), já no 7º ano, que vivia no campo, numa quinta na Encarnação, perto de Mafra e, naturalmente, tinha uma égua que gostava de montar. Mas montar uma vez por semana ou menos não era satisfatório, de modo que engendrou uma maneira de poder disfrutar dos prazeres da equitação com mais frequência. Lá falou com o comandante da Formação, que era o mestre de equitação, e combinaram as condições para alojar o solípede nas cavalariças do Colégio. Obtida a autorização, era vê-lo ao recreio passeando-se pela quinta a cavalo, fazendo inveja ao pessoal. A égua era bonita, mas franzina, enquanto o cavaleiro tinha um físico avantajado, o que motivava comentários jocosos. Nunca emprestou a montada a ninguém, ou melhor, consta que só uma vez deixou montar o João Manuel Gomes de Sousa (202/1954), que era uma espécie de seu mentor nos estudos. Era o mínimo que lhe podia fazer.


Curiosidade A origem do “Conto do Vigário”

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Curiosidade

A origem do “Conto do Vigário”

V

ivia há já não poucos anos, algures, num concelho do Ribatejo, um pequeno lavrador, e negociante de gado, chamado Manuel Peres Vigário. Da sua qualidade, como diriam os psicólogos práticos, falará o bastante a circunstância que dá princípio a esta narrativa. Chegou uma vez ao pé dele certo fabricante ilegal de notas falsas, e disse-lhe: «Sr. Vigário, tenho aqui umas notazinhas de cem mil réis que me falta passar. O senhor quer? Largo-lhas por vinte mil réis cada uma.» «Deixa ver», disse o Vigário; e depois, reparando logo que eram imperfeitíssimas, rejeitou-as: «Para que quero eu isso?», disse; «isso nem a cegos se passa.»

O outro, porém, insistiu; Vigário cedeu um pouco regateando; por fim fez-se negócio de vinte notas, a dez mil réis cada uma. Sucedeu que dali a dias tinha o Vigário que pagar a uns irmãos negociantes de gado como ele a diferença de uma conta, no valor certo de um conto de réis. No primeiro dia da feira, na qual se deveria efectuar o pagamento, estavam os dois irmãos jantando numa taberna escura da localidade, quando surgiu pela porta, cambaleando de bêbado, o Manuel Peres Vigário. Sentou-se à mesa deles, e pediu vinho. Daí a um tempo, depois de vária conversa, pouco inteligível da sua parte, lembrou que tinha que pagar-lhes. E, puxando da carteira, perguntou se,

importavam de receber tudo em notas de cinquenta mil réis. Eles disseram que não, e, como a carteira nesse momento se entreabrisse, o mais vigilante dos dois chamou, com um olhar rápido, a atenção do irmão para as notas, que se via que eram de cem. Houve então a troca de outro olhar. O Manuel Peres, com lentidão, contou tremulamente vinte notas, que entregou. Um dos irmãos guardou-as logo, tendo-as visto contar, nem se perdeu em olhar mais para elas. O Vigário continuou a conversa e, várias vezes, pediu e bebeu mais vinho. Depois, por natural efeito da bebedeira progressiva, disse que queria ter um recibo. Não era uso, mas nenhum dos irmãos fez questão. Ditava ele o recibo, disse, pois queria as coisas todas certas. E ditou o recibo – um recibo de bêbedo, redundante e absurdo: de como em tal dia, a tais horas, na taberna de fulano, e «estando nós a jantar (e por ali fora com toda a prolixidade frouxa do bêbedo...), tinham eles recebido de Manuel Peres Vigário, do lugar de qualquer coisa, em pagamento de não sei quê, a quantia de um conto de réis em notas de cinquenta mil réis. O recibo foi datado, foi selado, foi assinado. O Vigário meteu-o na carteira, demorou-se mais um pouco, bebeu ainda mais vinho, e daí a um tempo foi-se embora. Quando, no próprio dia ou no outro, houve ocasião de se trocar a primeira nota, o que ia a recebê-la devolveu-a logo, por descaradamente falsa, e o mesmo fez à segunda e à terceira. Os irmãos, olhando então verdadeiramente para as notas, viram que nem a cegos se poderiam passar. Queixaram-se à polícia, e foi chamado o Manuel Peres que, ouvindo atónito o caso, ergueu as mãos ao céu em graças da bebedeira providencial que o havia colhido no dia do pagamento. Sem isso, disse, talvez, embora inocente, estivesse perdido.


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Efeméride O Exército Português ataca e destrói a base de Kumbamori

Se não fosse ela, explicou, nem pediria recibo, nem com certeza o pediria como aquele que tinha e apresentou, assinado pelos dois irmãos, que provava bem que tinha feito o pagamento em notas de cinquenta mil réis. «E se eu tivesse pago em notas de cem», rematou o Vigário «nem eu estava tão bêbedo que pagasse vinte, como estes senhores dizem que têm, nem muito menos eles, que são homens honrados, mas receberiam.» E, como era de justiça foi mandado em paz. O caso, porém, não pôde ficar secreto; pouco a pouco se espalhou. E a história do «conto de réis do Manuel Vigário» passou, abreviada, para a imortalidade quotidiana, esquecida já da sua origem. Os imperfeitíssimos imitadores, pessoais como políticos, do mestre ribatejano nunca chegaram, que eu saiba, a qualquer simulacro digno do estratagema exemplar. Por isso é com ternura que relembro o feito deste grande português, e me figuro, em devaneio, que, se há um céu para os hábeis, como constou que o havia para os bons, ali lhe não deve ter faltado o acolhimento dos próprios grandes mestres da Realidade – nem um leve brilho de olhos de Macchiavelli ou Guicciardini, nem um sorriso momentâneo de George Saville, Marquês de Halifax.

NOTAS História contada por Fernando Pessoa que ficcionou a vida de Manuel Peres Vigário, um lavrador ribatejano, que se terá aproveitado da ganância alheia para trapacear. Publicado pela primeira vez no diário Sol, Lisboa, ano I, nº 1, de 30 de Outubro de 1926, com o título de «Um Grande Português». Foi publicado posteriormente no Notícias Ilustrado, 2ª série, Lisboa, em 18 de Agosto de 1929, com o título de «A Origem do Conto do Vigário» Existem outras versões da origem do termo “conto do vigário”, mas todas têm em comum e como tema principal um golpe de esperteza e pelo menos um vigário. Uma história relacionada com este tema teria ocorrido no século XVIII em Ouro Preto no Estado de Minas Gerais do Brasil, onde os Vigários da Paróquia de Nossa Senhora do Pilar e da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição disputavam a posse de uma imagem desta Santa. Não tendo chegado a entendimento, um deles propôs que se amarrasse a imagem ao dorso de um burro que andava solto na rua e a imagem ficaria a pertencer à paróquia para onde o burro caminhasse. Assim fizeram e o burro encaminhou-se para a Igreja da paróquia de Nossa Senhora do Pilar que, deste modo, passou a ser a detentora da imagem. Mais tarde veio a saber-se que o burro era propriedade do vigário da paróquia de Nossa Senhora do Pilar, que de antemão sabia que o animal se encaminharia para o seu local de destino natural.

Efeméride

O Exército Português ataca e destrói a base de Kumbamori

N

a sequência da publicação do último número da ZacatraZ, recebemos uma mensagem do Antigo Aluno Pedro Júlio de Pezarat Correia (10/1943), pedindo a publicação de um esclarecimento relativo ao artigo nele publicado e acima referenciado, da autoria do senhor Tenente-Coronel Piloto-Aviador José João Brandão Ferreira. Nesse artigo era referido que os comandos africanos foram abandonados pelas autoridades portuguesas de então, acabando por ser fuzilados pelo PAIGC. Segundo Pezarat Correia, aquilo que Brandão Ferreira afirma sobre o abandono dos comandos africanos não corresponde ao que na realidade ocorreu, suportando a sua posição em testemunho apresentado na sua mensagem, que se reproduz: «... transcrevo extracto das declarações do general Alexandre Sousa Pinto, no debate que se seguiu à V Conferência do Ciclo de Conferência da Cooperativa Militar, promovidas pelo nosso camarada coronel engenheiro Rogério Taborda e Silva (92 de 1940), que estão publicadas no livro de actas dessa Conferência «25 de Abril de 1974 – Pronunciamento Militar», NICC Lisboa, 2012, pp 274 e 275: Um (…) testemunho que gostaria de dar, tem a ver com o seguinte, que em muita literatura que se tem publicado está profundamente alterado. Foram postos à disposição dos ex-comandos africanos os meios aéreos necessários para os transportar para Portugal, a eles e às famílias. Inscreveram-se para vir para Portugal cerca de trezentos elementos (…). É o comando africano capitão SAYEGH (…) que convence todos aqueles que já estavam inscritos

a não virem. Eu assisti ao governador FABIÃO a querer convencer o SAYEGH que ele estava doido, que ele não impedisse quem quisesse vir, porque senão aquilo podia dar para o torto (...) não é verdade que Portugal tenha tido qualquer coisa a ver com o facto de que eles não tenham vindo. Não vieram porque não quiseram (...) Sousa Pinto, então capitão, era o comandante da Policia Militar na Guiné e responsável pela segurança de Bissau, esteve presente com o governador e comandante-chefe brigadeiro Carlos Fabião, na reunião com os comandos africanos em que foi tratada a questão da sua vinda para Portugal. Gostaria de ver este esclarecimento na ZacatraZ.» Damos assim satisfação à solicitação apresentada, não nos competindo formular juízos de valor sobre a questão.

Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949) Director da ZacatraZ

Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957) Chefe da Redacção da ZacatraZ


Adendas e Correcções

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Adendas e Correcções Z-208 Página 4 Um Pedagogo Predestinado No artigo relativo a José Estevão de Morais Sarmento (44/1854), publicado na ZacatraZ 208, faltou referir um facto importante que devemos ter presente. Morais Sarmento, quando Director do Colégio Militar, foi também o primeiro Presidente da Associação Philantrópica dos Alumnos do Real Colégio Militar, fundada no dia 1 de Março de 1903, na passagem do primeiro centenário do Colégio, antecessora da nossa Associação.

Z-208 Página 20 Antigos Alunos em destaque Na ZacatraZ 208, na página 20, por lapso está referenciado Miguel Afonso Dias de Ayala Botto como sendo o Antigo Aluno 554/1972. Na realidade Miguel Afonso Dias de Ayala Botto é o Antigo Aluno 280/1975. Lamentamos que tal tenha acontecido e do facto apresentamos desculpas aos leitores e muito especialmente ao nosso Camarada Miguel Ayala Botto.

Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa

Gonçalo Salema Leal de Matos

71/1957

Z-208 Página 74 Histórias e Memórias Na ZacatraZ 208, Secção «História e Memórias», página 74, incluímos a reprodução de uma fotografia da orquestra do curso de saída de 1960, apresentando, no texto correspondente, a identificação dos componentes da mesma. Cometemos involuntariamente um lapso, indicando que o Aluno que estava com a viola eléctrica era António José Frias

Vasques Osório (257/1953), que era na realidade o homem que normalmente tocava esse instrumento. Por azar nosso, no dia da foto a viola eléctrica estava nas mãos de Bernardo Manuel Diniz de Ayala (171/1953), que também fazia parte da orquestra, tocando vibrafone e actuando também como vocalista, com uma voz de veludo, que cremos que era do agrado das meninas frequentadoras daqueles saudosos chás dançantes.

371/1949

Como a vista nos vai pregando partidas com o avançar da idade, tivemos esta falha, da qual pedimos desculpa aos nossos dois amigos anteriormente mencionados. Se os nossos óculos estivessem com a graduação correcta e com as lentes limpas, nada disto aconteceria.» Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957


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Os que nos deixaram

Os que nos deixaram Carlos Gaspar Galvão de Mello e Motta (48/1945) Funcionário Público do Ministério da Justiça Nasceu a 30 de Outubro de 1934 Faleceu a 8 de Agosto de 2017

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arlos Gaspar Galvão de Mello e Motta entrou para o Colégio Militar em 1945, onde permaneceu até 1951. Exerceu toda a sua vida profissional no Arquivo Nacional de Identificação, em Lisboa, tendo paralelamente desenvolvido actividade na revista da firma A.C. Santos e na revista “Tour” ligada ao turismo. Casou e teve dois filhos e sua Mulher Marília de Mello e Motta, trabalhou no Conselho Administrativo do Colégio Militar. No início dos almoços-convívio na Cooperativa Militar, promovidos por Antigos Alunos dos cursos entrados em 1945 e 1946, Carlos logo aderiu e era presença muito frequente. Ao fim de algum tempo passou a ser o coordenador desses encontros. Quando o Núcleo de Oeiras da AAACM promoveu os almoços mensais na Feitoria, Carlos de Mello e Motta exerceu as funções de tesoureiro e coordenou o 2.º grupo dos mais antigos. Foi um dos pilares do Núcleo, conjuntamente com Hélder Sena e Silva (149/1948)

que se ocupava dos aspectos da logística. Fê-lo sempre com grande serenidade, solidariedade, sensibilidade e eficiência. Para além da gestão mensal das receitas e despesas essencialmente no âmbito das refeições dos convívios, no final de cada ano lectivo auscultava o Sargento-chefe Arrifes, sócio honorário da AAACM por proposta deste Núcleo, providenciando e angariando contribuições para a Feitoria. Foi homenageado no dia 20 de Outubro de 2017, início do 13.º ano «lectivo» do Núcleo da Feitoria, passando o seu nome a figurar no painel de azulejos sobre os seus fundadores, gesto simbólico que foi organizado por Abílio Pais de Ramos (323/1948), seu sucessor como tesoureiro. O descerramento teve lugar perante cerca de 40 Antigos Alunos, com a presença da viúva de Carlos Mello e Motta que, na sua qualidade de servidora do Colégio Militar, costumava passar uns dias de férias na Feitoria com marido e netos. Esteve presente o Subdirector do Colégio, Rui Miguel de Sousa Ribeiro Rebordão de Brito (1/1982). Como é da tradição, todos os presentes gritaram o Zacatraz. Carlos de Mello e Motta, segundo testemunho de vários Antigos Alunos, foi uma pessoa de rara discrição, grande serenidade e sempre muito atento para com os outros. No bar da Feitoria convivendo após o almoço, era um agradável conversador nunca dispensando com o café um cálice de whisky. O Núcleo de Oeiras da AAACM


Os que nos deixaram

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António José Nunes da Silva Bagulho (64/1950) Licenciado em Ciências Económicas Nasceu a 26 de Fevereiro de 1940 Faleceu a 16 de Agosto de 2017

In Memoriam Os Pais

O

s nossos pais encontraram-se na inspecção médica para a Escola Naval em 1929. O sotaque alentejano denunciou-os, sendo o teu de Elvas e o meu de Évora. Assim nasceu uma amizade para toda a vida. Escolheram carreiras de alto risco, o teu sob as águas (submarinos), o meu sobre o mar (aviação naval). Ambos atingiram o topo da carreira (almirante), no tempo em que as altas chefias militares eram nomeadas (com raras excepções), pelo reconhecimento dos méritos militar, moral e intelectual. Nós Encontrávamo-nos nas reuniões de curso dos nossos pais, mas passámos a contactar mais directamente no Colégio. Sendo o teu pai Antigo Aluno foi lógico a vossa matrícula no Colégio. Para o meu irmão e para mim a principal motivação da matrícula no Colégio foi o facto de constituir um seguro, pois no caso de acidente fatal em serviço teríamos assegurado o ensino secundário grátis, como aconteceu com o pai dos gémeos Henrique e Gastão Lobato Faria (1 e 3 de 1950), que morreu em acidente de avião em S. Jacinto, nessa época Base da Aviação Naval.

Colégio Militar Sendo eu mais velho um ano, só passei para o teu curso no terceiro ano, pois no meu primeiro terceiro ano nem fui ao Colégio, devido a ter contraído uma primo-infecção (gânglios pulmonares), tendo ficado três meses de cama, a duas injecções de estreptomicina por dia. A partir desse ano estivemos quase sempre na mesma turma. Sendo os dois bons alunos saíamos todos os fins de semana, e muitas vezes eu ia passar o fim de semana a tua casa, no Alfeite. No sétimo ano fui graduado em porta-bandeira e pude designar a escolta, e esta incluiu-te a ti, obviamente, e ainda o Vítor (365/1949) e o Virgílio Durão (23/1951). Para além da honra de levar a bandeira nacional, tínhamos a vantagem adicional de só participar no ensaio geral, dispensados assim das longas horas de treino no Largo da Luz. Instituto Superior Técnico No nosso curso de saída 50% não seguiu a carreira militar. Dos 10 que foram para o Técnico, 5 escolheram o curso de Engenharia Química Industrial, tu, António Passarinho Franco Preto (67/1950), Manel Mendonça Tavares da Silva (116/1950), António Baião de Almeida Pereira (390/1949), o “Boça”, e eu. Lembro-me que o Tó escolheu Química por este curso não ter Geometria Descritiva, que ele odiava não sei porquê. A minha escolha do Técnico baseou-se no interesse que me tinha sido despertado pelas aulas do emérito professor de Físico-Química, Professor Mário Saraiva, mais conhecido por “pássaro

Bisnau”. A minha escolha da Química resultou de notícias referentes à provável futura instalação de uma Central Nuclear que, como se sabe, não se veio a concretizar. Suponho que a tua opção da Química resultou da minha escolha, pois não tinhas uma preferência marcada por qualquer dos ramos de engenharia. Durante os três primeiros anos no Técnico passaste a viver em nossa casa, no bairro de São Miguel, durante a semana. O meu irmão já estava na Escola Naval e assim tínhamos uma cama livre. Íamos a pé, como era natural, almoçávamos na cantina, e regressávamos depois da última aula. À noite estudávamos e só saíamos ao fim de semana, às vezes passados em tua casa no Alfeite. Assim chegámos ao terceiro ano. Nessas férias, no Alfeite, começaste a interessar-te por vários assuntos que, com as nossas ocupações estudantis, não tinham sido objecto das nossas preocupações. Refiro-me a questões relativas ao curso, religiosas, políticas, económicas, sociais e outras. As preocupações aumentaram, passaste muitas noites em claro, as dúvidas cresceram e quando o novo ano lectivo começou decidiste que não estavas preparado para continuar, pois não sabias que destino pretendias seguir. Para não desperdiçar tempo e o dinheiro dos pais, resolveste apresentar-te para cumprir o Serviço Militar e assim, interrompendo o curso de engenharia, foste parar a Tancos. Férias A partir do sexto ano passámos as férias sempre juntos. Num Verão fui passar 15 dias a Elvas, ficámos em casa do Tio Chico. Lembro-me de um jantar, em que éramos cerca de 14 convivas, em que se levantou a discussão de se poder distinguir o vinho branco do tinto, e em que se constatou , com grande surpresa dos comensais, a


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Os que nos deixaram

dificuldade em fazer essa distinção, após se terem feito vários blind tests (amostras à mesma temperatura e mesmas castas). Os dois meses de férias passavam-se num regime de praia de manhã (na Costa da Caparica), e piscina da Escola Naval à tarde, entremeados com jogos de ténis no court do Alfeite e “bilharadas” na Messe. Eu ia ter com a malta na vedeta da base do Alfeite ou, por vezes, ia na Vespa que o meu pai tinha e que nos cedia no Verão. A Vespa era alternadamente pilotada pelo meu irmão e por mim, quando ele não estava na Escola Naval. Frequentemente ficava em tua casa, deliciando-me com os cozinhados da tua mãe, a melhor Chef que conheci, tanto nos salgados como nos doces (maravilhosa pinha dourada!!). A malta incluía nós os dois, o teu irmão Luís Gonzaga (65/1951), o Luís António Pessoa Brandão (7/1951), o Henrique Vitória, cujo pai era engenheiro e que tinha estado na Base de São Jacinto, e também habitava no Bairro dos Oficiais no Alfeite. A estes ilustres juntava-se um indispensável grupo de donzelas, constituído pelas manas Vitória (Maria de La Ó, Elizabeth e Lena), as manas Ferrão (Jenny e Raquel), Ana Maria Ramos Pinto (que vivia na Piedade e dava aquelas festas em que aprendíamos a dançar), a que se juntavam ocasionalmente outros amigos e amigas vindas da Capital. A Tropa Em Tancos conviveste com os outros recrutas mais velhos, pois a maioria já estava formada. Aí agudizaram-se os problemas morais, económicos e sociais, e dessa convivência resultou a tomada de decisão de não participares numa guerra que consideraste contrária aos princípios de liberdade e justiça. Tiveste então a coragem de dar “O Salto”, e partiste para França, atravessando a Espanha com passaporte falsificado (saída de Portugal e entrada em Espanha). Na preparação da documentação fechavas-te no nosso escritório, para não me comprometeres julgando que eu não sabia o que se estava a passar.

Após o salto passei a ter o telefone vigiado pela PIDE, o que constitui o meu passado anti-fascista. Alguns dos nossos camaradas não compreenderam a tua decisão, mas os que te conheciam melhor sabiam que seguias a tua consciência, embora com isso arrostasses a sua reprovação. PARIS Chegado a Paris, juntaste-te a muitos portugueses que tinham tomado o mesmo rumo, sendo que pelas tuas qualidades intelectuais e humanas cedo tomaste um papel preponderante nesse meio. Nesses tempos difíceis, com empregos ocasionais e com os estudos da Alliance Française e Económicas (ver resumo da vida em Paris), tiveste a ajuda dos comunistas, mas cedo te afastaste, confirmando que aquela ideologia não era compatível com os teus ideais. Durante o ano em que o meu pai esteve a frequentar o curso para Almirante nos Estados Unidos, a minha casa era local de reunião e de jogo, sendo a maioria dos frequentadores os Antigos Alunos que tinham ido para o Técnico, mas não só (lembro a figura incontornável do Luís Manuel de Andrade e Silva Durão – 119/1948). Jogávamos poker, e os ganhadores pagavam uma dízima que eu me encarregava de te fazer chegar. Eu visitei-te durante os meses de Setembro de 1964, 1965 e 1966 em que fiz estágios profissionais em Paris e, já formado, por três vezes fiquei durante estadias de meses em tua casa, trabalhando com firmas de engenharia em projectos da Petrogal, primeiro em Antony e mais tarde em Bry-sur- Marne. Em Paris conheceste e casaste com a Noelle, companheira de toda a vida, e tiveram três filhas amorosas Sandra, Gaella e Sophie. A Sandra foi baptizada em Lisboa, tendo eu tido a honra de ser escolhido para padrinho, mas ao qual não pudeste assistir por motivos óbvios. Post 25 de Abril Depois do 25 de Abril, e após várias peripécias, pudeste voltar a Portugal.

Voltávamos a poder encontrarmo-nos e a conviver. Para quem como eu e muitos outros camaradas do Colégio viveram os tempos conturbados que se seguiram ao 25 de Abril até ao 25 de Novembro, a ideologia de esquerda tinha-se tornado perigosa e assim tínhamos muitas vezes discussões políticas acesas. A nossa amizade está aqui retratada neste pequeno resumo. Só falta concluir, meu Irmão, o quanto foi importante para mim a nossa convivência, e a admiração que sempre tive pelas tuas qualidades de coragem e humanidade, e a falta que todos sentimos de estares connosco. José Manuel de Vasconcelos Caeiro

41/1949

António Bagulho Quelques dates, faits, lieux et autres digressions sur sa vie en France António est arrivé à Paris en hiver 1963, il a résidé à la Maison des Provinces de France à la Cité internationale universitaire de Paris (Boulevard Jourdan dans le 14ème arrondissement). C’est ici qu’António a rencontré l’amour en la personne de Noëlle Gautier au printemps de la même année. António et Noëlle ont vécu ensemble au Foyer pour étudiants des Feuillantines au cœur du quartier latin. Ils se sont mariés le 15/04/1966 à la mairie du 5ème arrondissement. António et Noëlle ont eu trois filles, Sandra, Gaëla, Sophie nées en 1966, 1969 et 1972. Bien plus tard António et Noëlle auront 5 petits-enfants, Adèle, David, Gaël, Adam et Lou. De 1966 à 1970, la famille résidait à Paris dans le 14ème arrondissement, 23, rue Morère. En 1971 la famille, sur le point de s’agrandir, a déménagé à Antony, commune de la banlieue Sud de Paris, au 5, rue de la Méditerranée. António a acquis la nationalité française en 1974 mais personne de la famille n´a jamais pu l’appeler Antoine. En 1980, la famille a déménagé à Bry-sur-Marne dans le Val de Marne, banlieue Est de Paris, au 49 Bis quai Louis Ferber. António a poursuivi ses études supérieures en France dans un autre domaine que celui initialement choisi au Portugal et exercé différents métiers, alors qu’il était étudiant boursier, afin de financer son parcours ambitieux. Formation Alliance française – Paris 1963 3ème cycle de l’Institut d’Etude du Développement Economique et Social (IEDES) – Paris (1967) Maitrise ès Sciences Economiques, Option économétrie – Paris (1969) Diplôme d’Etudes Supérieures de Sciences Economiques – Paris II Panthéon-Assas (1973) Métiers exercés Réceptionniste à la maison de Norvège de la Cité internationale universitaire de Paris (1963) Figurant pour le Laboratoire Ferrania-Ciné dans le film ‘la Terreur et la vertu : Robespierre’de Stellio Lorenzi et Alain

Noëlle se souvient d’une anecdote illustrant la courte carrière cinématographique d’António. Le réalisateur Christian de Chalonge était venu rencontrer António, alors qu’il résidait avec elle provisoirement rue de Lamballe dans le 16ème arrondissement. Le réalisateur cherchait un acteur pour le rôle principal de son film ‘O Salto’ sorti en 1967 - dont le Synopsis est le suivant : « António rêve de faire le saut, de quitter le Portugal pour échapper à la guerre colonialiste et trouver du travail en France. » Le réalisateur a trouvé António trop beau pour le rôle! Aussi António n’a eu qu’un rôle de figurant. Le réalisateur aurait dit garder le contact d’António dans son vivier pour un éventuel rôle de jeune premier dans un prochain film…

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Os que nos deixaram

Decaux (1964)1 Veilleur de nuit à la Maison Universitaire Médico-Psychologique (1964-1965) Auxiliaire à l’imprimerie Chaix-Desfossés-Néogravure Paris (1965) Standardiste à l’hôpital international et dispensaire de l’Université de Paris (1967) Chercheur à l’IEDES (1969) Economiste à la Fédération Nationale du Bâtiment – FNB Paris 75016 (1970-1985) Directeur Emploi, Formation et Affaires Professionnelles à l’Union Nationale de la Maçonnerie –UNM- Paris 75016 (1986-1999) António a, tout au long de son parcours, participé activement à la vie de la cité, non seulement en s’engageant dans un parti politique comme militant, adhérent ou sympathisant (PC, PS, Liste Union de la Gauche- Ensemble à Bry pour un développement durable et solidaire) mais aussi en participant à des mouvements citoyens de différentes

natures et dimensions. Durant les années 2010-2017 António a notamment été actif dans les associations suivantes : Collectif ROMEUROPE Val de Marne, Comité de Soutien aux Roms de Bry-sur-Marne Les économistes atterrés dont António a signé le manifeste Collectif Roosevelt 2012 dont António a signé le manifeste et dans lequel il s’est investi notamment lors de la création du site internet de l’antenne au Portugal Le Coup de Pouce à Bry-sur-Marne, association dédiée à l’accompagnement scolaire d’enfants signalés « en difficulté » par les membres du corps enseignant Café-philo, dont les réunions se tenaient dans le Café l’Alexandrin de la grande rue de Bry-sur-Marne António s’est passionné pour différents domaines qu’il abordait toujours avec curiosité mais parfois aussi avec une ténacité obsessionnelle ; sans ordre de priorité on peut mentionner : physique, chimie, mathématiques, économie, politique, généalogie, casse-tête, cuisine portugaise, cuisine

Rui Manuel Campos Mendes Saraiva

Joaquim Guilherme de Sousa Fernandes

(267/1953)

(228/1964)

Engenheiro Faleceu a 30 de Março de 2017

Técnico Têxtil Nasceu a 5 de Março de 1953 Faleceu a 22 de Outubro de 2017

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hegou à ZacatraZ a notícia do falecimento deste nosso Camarada, ocorrência que nos entristece e muito lamentamos. A Todos os seus Familiares apresentamos as nossas mais sentidas condolências. Que descanse em paz.

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du monde, cuisine moléculaire, langues étrangères, la presse (notamment son inséparable quotidien « du soir », Le Monde)… António avait longtemps éprouvé un sentiment marqué de rejet pour les smartphones qu’il avait fini par accepter de côtoyer tout en gardant un amour démesuré pour son PC ordinateur de bureau où il pouvait passer de nombreuses heures. Nous ne pouvons manquer de rappeler qu’au final António s’est surtout passionné pour sa femme, sa famille et ses amis, en France, en Suède et au Portugal, et de façon plus générale pour les gens, tous les gens qu’il a croisés et qu’il a abordés avec une curiosité et une empathie sincères. Le 14/08, alors que Sophie faisait part à António de tous les messages et coups de téléphone, il a d’abord remercié et ensuite il lui a dit « Dis-leur à tous que je les aime, je les aime, je les aime »

meu Irmão Quim andou no Colégio até ao 7° ano, tendo nesse ano sido graduado de uma estrela na 3ª Companhia. Completado o curso do Colégio, seguiu para a Universidade de Leeds (Inglaterra) tendo frequentado o curso de Engenharia Têxtil, após o que ingressou na indústria de lanifícios onde, até ao seu falecimento e em várias empresas do ramo, fez todo o seu percurso profissional. Além da Teresa, sua mulher e namorada de sempre, deixou o Hugo e a Sara, seus filhos e dois netos. Da nossa família mais próxima, passaram também pelo Colégio, os nossos irmãos José (358/1948) e Nuno (10/1950) e ainda o nosso sobrinho Gonçalo (358/1998).

Como podem ver cinco “Meninos da Luz”. E do Quim, ficam-nos as lembranças e a Saudade. João Manuel de Sousa Fernandes 47/1962

Aos Familiares de Joaquim Guilherme de Sousa Fernandes (228/1964), muito especialmente a sua Mulher, aos seus Filhos e aos nossos Camaradas seus Irmãos e Sobrinho, apresentamos as nossas mais sentidas condolências.

A Direcção e a Redacção da ZacatraZ


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Os que nos deixaram

Ricardo Júlio Fonseca Teixeira (107/2000) Militar da Força Aérea - Sargento em serviço na Base Aérea da Ota Nasceu a 21 de Abril de 1990 Faleceu a 23 de Julho de 2017

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aleceu o nosso Camarada Ricardo Júlio Fonseca Teixeira (107/2000), vítima de acidente de viação quando se dirigia para a Base Aérea da Ota, onde se encontrava a prestar serviço. A notícia apanhou de surpresa todos os que com ele se relacionavam, causando grande consternação nos seus Camaradas de Curso e naqueles que com ele privaram a vivência do Colégio. O “Anelka”, como entre nós carinhosamente tratávamos o Ricardo Teixeira, foi muito provavelmente uma das nossas primeiras referências dentro do Colégio. Quando ainda lutávamos para nos adaptarmos ao novo espaço, às novas caras e à nova rotina, ele, enquanto repetente, conhecia já os cantos à Casa. Com uma generosidade sempre gigante, este irmão mais velho orientava os novatos nos seus primeiros passos pela Instituição, sendo cedo nomeado como um dos nossos chefes de turma, missão que desempenhava com um orgulho imenso. Exímio no Basquetebol, era a estrela da equipa, o que resultava quase invariavelmente na vitória da Turma A nos torneios internos, para grande frustração dos demais que se sentiam impotentes para travá-lo nas suas incursões em direcção ao cesto. Entre os inúmeros episódios que guardamos com carinho, recordamos uma actuação sua na nossa Récita onde, com uma coreografia

perfeitamente executada, arrancou por todos nós um forte aplauso de todo o auditório. De uma simplicidade singular, o Anelka estava sempre disposto a ajudar quem precisava, e fazia-o sempre com um sorriso rasgado. Viu estas qualidades reconhecidas ao ser nomeado a desempenhar funções de Graduado ainda no 7.º Ano, na altura como Comandante de Secção na 3.ª Companhia. No ano seguinte, mudou-se para o andar de cima, para a 1.ª Companhia, desta feita como Comandante de Pelotão, funções que lhe assentavam como uma luva, pois a sua energia e bom coração encontravam na inocência dos mais novos um par perfeito. Terminado o Colégio, seguindo as pisadas de seu pai alistou-se na Força Aérea, ao serviço da Esquadra 751, dedicada à busca e salvamento, uma vez mais reflexo do carácter altruísta que se escondia por detrás do sorriso que todos lembramos. À data, frequentava o Curso de Sargentos na Base da Ota, para onde se dirigia aquando do acidente que o vitimou, depois de um fim-de-semana passado em casa e em família, no Barreiro. Não vamos mais ter o privilégio da sua presença, de desfrutar da sua boa disposição e alegria que sem pedir licença contagiava todos à sua volta. Porém, os valores e os princípios que aprendemos com o Anelka ficarão marcados em nós até ao final das nossas vidas e temos, enquanto irmãos, a responsabilidade de honrar esse legado que nos deixou. Onde quer que estejas, olha por nós como sempre fizeste, desde o primeiro dia. 107/2000, Presente! Um forte abraço, até já!

Raphael Taboada Monteiro (410/2001) Tomás de Ayala Botto Fraústo da Silva (108/2001)


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