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Revista ZacatraZ nº 204

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Editorial Revista “ZACATRAZ”

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Presidente do Conselho de Delegados de Curso

Carlos Jorge Rodrigues Valdrez (354/1987)

Editorial “Nunca eu, tu, ele, vós ou eles. SEMPRE NÓS!” Este é o refrão de uma canção adoptada pelos Alunos do Colégio Militar como o seu 2º hino. Recentemente, os sites oficiais do Colégio Militar e da AAACM publicaram um vídeo onde podemos assistir ao Batalhão Colegial abraçado, nos claustros, cantando esta letra. Estaremos perante uma demonstração de que o valor da camaradagem continua bem vivo no seio dos Meninos da Luz? Esta imagem de continuidade contrasta com a expressão que ouvimos vezes sem conta nas conversas entre Antigos Alunos – “no meu tempo é que era...”. Importa reflectir que o Colégio que nos marcou foi aquele em que vivemos, e isso representa menos de 4% da vida da Instituição. Esquecemo-nos muitas vezes de que o Colégio Militar se foi adaptando à sociedade e que o Colégio dos anos 20 é naturalmente diferente daquele que sobreviveu à Segunda Guerra Mundial, que por sua vez também é distinto do Colégio dos anos da Guerra Colonial, dos conturbados pré e pós 25 de Abril, dos anos 90... A vivência colegial, constantemente ajustada à realidade do País mas simultaneamente centrada num conjunto de valores essenciais, tem permitido que os Antigos Alunos triunfem na sua vida e essa é a real medida do sucesso do Colégio Militar. Relembremos que a sua missão é a formação assente nos valores permanentes da identidade nacional, nos valores e virtudes militares e numa sólida educação moral, intelectual e física. No entanto, ao longo dos últimos tempos temos assistido à criação de uma onda de facilitismo que vai contaminando quase todos os sectores nacionais. Não podemos permi-

tir que este vírus domine o Colégio Militar. É tempo de justificar a utilização da Barretina na lapela. Se aquela Casa deu tanto por nós é tempo de retribuir reivindicando a EXCELÊNCIA como um dos pilares fundamentais na formação do Colégio Militar. Como tal, só o sucesso académico e o vínculo ao quadro de valores representados no Código de Honra permitirão concretizar o seu propósito. Relativamente ao sucesso académico sabemos que a competição é feroz. As escolas privadas têm alcançado melhores resultados, ainda assim, algumas escolas públicas têm recuperado. Infelizmente o Colégio não tem sido capaz de acompanhar este progresso. No ano lectivo 2014/15, a Direcção do Colégio Militar, apoiada pela APEEACM, promoveu a iniciativa “Mais Valor, com mais um valor!” que visava a subida das médias e portanto, da posição do Colégio Militar nos rankings nacionais. Infelizmente a ideia não teve resultados imediatos e, talvez por isso, a semente parece não ter germinado. A estabilidade é um dos factores fundamentais para o funcionamento de um projecto educativo de qualidade e portanto também importa sublinhar o facto de no início deste ano lectivo sermos confrontados com uma alteração parcial da Direcção (Subdirector) e um novo Comandante do Corpo de Alunos (anterior 2º Comandante). Muitos de nós, confrontados com os problemas que o Colégio Militar tem vindo a sofrer, questionamo-nos sobre a validade do projecto actual e sobre o nosso papel nesta luta desigual. Na minha opinião, devemos focar o nosso esforço na crítica construtiva e pragmática, concretizando-a em local apropriado. Se sentimos que

é tempo de retribuir nada melhor do que participar nas actividades da AAACM e, por exemplo, contribuir para as discussões que são promovidas nas Assembleias Gerais e nos Órgãos Consultivos (Conselho Supremo e Conselho de Delegados de Curso), não esquecendo que estes, pela sua natureza, são Órgãos privilegiados de intervenção. O Conselho de Delegados de Curso é, assim, um canal de fácil acesso e único, de comunicação e informação entre a Direcção da AAACM e os Delegados eleitos por cada Curso, que pode e deve ser utilizado por todos nós. Segue assim um apelo a todos os Antigos Alunos. É tempo de escolher os nossos Delegados para que participem nas reuniões do Conselho de Delegados de Curso. É tempo de discutir e mandatar o respectivo Delegado para transmitir as opiniões do Curso. Sejamos exigentes connosco para depois também podermos exigir, só assim seremos mais fortes e capazes de ganhar esta batalha! É tempo de SERVIR!


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Ficha Técnica

CORPOS SOCIAIS DA ASSOCIAÇÃO PARA O TRIÉNIO 2016-2018

Ficha Técnica PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL Fundada em 1965 Nº 204 Julho/Setembro - 2016 FUNDADOR Carlos Vieira da Rocha (189/1929)

ASSEMBLEIA GERAL Presidente Vice-Presidente 1º Secretário 2º Secretário

Raul Miguel Socorro Folques - 380/1952 José António Pina de Bastos e Silva - 67/1957 António Luís Henriques de Faria Fernandes 454/1970 Pedro Gonçalo Coelho Nunes de Melo - 51/1982

DIRECTOR Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949)

José Eusébio Pereira Barata Cordeiro de Araújo - 591/1973 Artur Manuel de Spínola e Santos Pardal - 587/1961 João Eduardo Correia Barrento Sabbo - 17/1967 Luís Manuel Borges de Albuquerque Nogueira - 323/1969 Francisco Eduardo Moreira da Silva Alves - 392/1954 António Vítor Reynaud da Fonseca Ribeiro - 43/1968 José Miguel Teixeira de Faria - 2/1969 José Maria Gouveia de Azevedo e Bourbon - 598/1971 João Pedro Mendes Carreiro Gomes - 390/1983 Gonçalo Miguel de Matos Gonçalves - 105/1984 Tiago Simões Baleizão - 200/1987 Manuel Soares Albergaria Felgueiras e Sousa - 498/2006

CAPA Sobre as velhas pedras o eterno amor à Pátria ©Foto Sérgio Garcia (326/1985)

CHEFE DE REDACÇÃO Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957) REDACÇÃO Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950) Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva (53/1961) Gonçalo Miguel de Matos Gonçalves (105/1984)

DIRECÇÃO Presidente Vice-Presidente Secretário Tesoureiro 1º Vogal 2º Vogal 3º Vogal 4º Vogal 5º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente 3º Vogal Suplente

ENTIDADE PROPRIETÁRIA E EDITOR Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar MORADA DO PROPRIETÁRIO e SEDE DA REDACÇÃO Quartel da Formação - Largo da Luz 1600-498 Lisboa Tel. 217 122 306/8 Fax. 217 122 307 TIRAGEM - 1350 exemplares DEPÓSITO LEGAL Nº 79856/94 DESIGN E EXECUÇÃO GRÁFICA: Tm. (+351) 933 738 866 Tel. (+351) 213 937 020 info@smash.pt www.smash.pt

CONSELHO FISCAL Presidente 1º Vogal 2º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente

Manuel Ramos de Sousa Sebastião - 604/1961 Rui Joaquim Azevedo de Avelar - 25/1960 Eugénio de Campos Ferreira Fernandes - 180/1980 Rui Manuel Gomes Correia dos Santos – 225/1981 Bruno Miguel Fernandes Pires - 27/1995

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA AOS SÓCIOS DA AAACM Isenta de registo na Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC), ao abrigo do nº 1 da alínea a), do Artigo 12º do Decreto Regulamentar nº 8/99, de 9 de Junho. Os artigos publicados são da responsabilidade dos seus autores. Esta publicação não segue o novo acordo ortográfico.

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35€


Sumário

04 Colégio Militar

Berço de Grandes Portugueses

13 Antigos Alunos em Destaque 15 Director de Educação do Exército

Major-General João Manuel Lopes Nunes dos Reis

24 10 de Junho, Dia de Portugal 36 Baile de Gala Finalistas do Ano de 2016

37 E agora? 39 Famílias Colegiais

Ser pai de um Aluno do Colégio Militar

40 Primeiro centenário da Fundação do Real Collegio Militar

42 Recordando José Pereira da Rosa 43 Ser Amiga é ser Irmã 45 Recordando o ano de 1962

As Meninas de Odivelas aprendem a nadar

46 6 anos depois 48 XXIV Jantar do Oeste 50 A Conferência de são Vicente de Paulo 53 Cinema 54 Escolas Militares de Ensino no Mundo 66 Aeroporto Humberto Delgado 67 Antigos Alunos nas Artes e nas Letras 69 Um Antigo Aluno nas Artes e nas Letras

Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950)

71 Sardinhada na Feitoria 72 Ser Graduado 74 Secretariat

O melhor cavalo de corridas de sempre?

75 Os que nos deixaram

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António José Ruivo Grilo (338/1978) Tenente-Coronel de Artilharia, Subdirector do Colégio

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Dia de Portugal 10 de Junho de 2016 Homenagem aos Combatentes e XXIII Encontro Nacional

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Alunas Finalistas 2016 Entrevista

58 A Legião Portuguesa ao serviço de Napoleão


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Colégio Militar Berço de Grandes Portugueses

José Alberto da Costa Matos 96/1950

Colégio Militar

Berço de Grandes Portugueses Eduardo Augusto Ferreira da Costa Oficial do Exército e Goverador-Geral Ultramarino

(143/1875)

N

asceu em Lisboa a 14 de Outubro de 1865, filho de Firmino José da Costa e de Amélia Augusta Ferreira da Costa. Estudou no Colégio Militar, onde em 1875 foi admitido como aluno com o n.º 143. Concluiu o curso colegial em 1879 e enquanto aluno, distinguiu-se nas disciplinas de Francês, Literatura, Latim, Geografia e História.

em Fevereiro desse ano de 1889, e colocado na chefia da Repartição de Reservas da 4.ª Divisão Militar.

No ano em que findou os estudos colegiais assentou praça como voluntário no Regimento de Cavalaria n.º 2, sendo 1.º sargento graduado aspirante a oficial.

Foi de seguida colocado no Comando do Corpo de Estado-Maior, aí permanecendo até ser nomeado, no final de 1894, para uma comissão de serviço em Moçambique, onde a situação se agravara, sendo para lá enviados António Enes, como comissário régio, acompanhado de Caldas Xavier, Freire de Andrade e Paiva Couceiro.

Fez então o curso preparatório da Escola Politécnica, findo qual, como alferes-aluno, ingressou na Escola do Exército onde fez o curso de oficial de Artilharia, sendo promovido a alferes efectivo em 13 de Janeiro de 1886. Voltou depois à Escola do Exército para frequentar o Curso de Estado-Maior que concluiu em 1888. Entretanto, em Janeiro deste ano havia ascendido a tenente e, no ano seguinte, passou ao Corpo de Estado-Maior, sendo então promovido a capitão

Mas por pouco tempo, pois em Junho desse ano passou a servir no Quartel-general da 1.ª Divisão, onde permaneceria até Março de 1893.

Eduardo Costa, que iria desempenhar no Comissariado as funções de Chefe do Estado-Maior, desembarcou em Lourenço Marques a 21 de Janeiro de 1895. Por essa altura, todo o distrito da capital se encontrava revoltado, mesmo nas vizinhanças de Lourenço Marques.


Colégio Militar Berço de Grandes Portugueses

Eduardo Costa foi desde logo encarregado de organizar uma coluna, que, sob o comando de Caldas Xavier, se dirigiria a Marracuene onde, a 2 de Fevereiro de 1895, se veio a travar a primeira acção contra os landins, durante a qual o quadrado das forças portuguesas, depois de rompido pelo inimigo, conseguiu a proeza de ser refeito graças à coragem e determinação dos seus chefes, entre os quais se notabilizou Eduardo Costa. Forças procedentes da Metrópole iriam de seguida operar no sector de Inhambane, o que impunha que se fizesse um reconhecimento prévio à região. Esta difícil e arriscada incursão pelos domínios de Gungunhana, veio a ser executada por Eduardo Costa, que seguiu o eixo Cumbana, Inharrime e Chicomo, até à foz do Changane, base das futuras intervenções contra os vátuas. Durante a operação que se seguiu a este reconhecimento, as forças comandadas pelo coronel Eduardo Galhardo (antigo aluno do Colégio Militar) bivacaram no Chicomo e, após Gungunhana se ter recusado a entregar alguns régulos rebeldes, avançaram

na direcção a Manjacaze, tendo chegado a Coolela na madrugada de 7 de Novembro, após três dias de marcha. Adoptado o dispositivo em quadrado, quando se preparavam para iniciar a marcha, foram atacados por milhares de guerreiros negros. No combate, que foi duro e prolongado, Eduardo Costa foi ferido na perna direita, mantendo-se porém na linha de fogo até ao final do combate.

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mérito militar e das qualidades de trabalho de Eduardo Costa, convida-o para ir governar o distrito de Moçambique, onde projectava realizar operações contra os namarrais.

A coluna prosseguiu então até ao vau da Manhuana, que ultrapassou, avançando sem interrupção até ao “kraal” do Gungunhana, que encontraram deserto, tendo-o destruído pelo fogo em 11 de Novembro de 1895. Eduardo Costa regressou de seguida à Metrópole e, pela sua actuação em combate, foi agraciado com o grau de comendador da Ordem da Torre e Espada e condecorado com a medalha de ouro de Valor Militar.

Desembarca em Lourenço Marques em 24 de Janeiro de 1897 e, poucos meses decorridos, enquanto Mouzinho, à frente de importantes forças, trava os combates de Mojenga, Naguema, Ibrahimo e Mocuto-Muno, Eduardo Costa cumpre a missão complementar de expulsar a gente do Marave do Lunga, destruir Mitiquite e Caiole, e abrir caminho até ao Pão, acções que teria que cumprir com escassos efectivos. Em 18 de Maio saiu a coluna sob o seu comando e, decorridos dois dias, pelas 9 horas e meia, à chegada á margem do rio Metavine, foram alvejados pelo inimigo, ainda que tal incidente não tivesse impedido a coluna de o atravessar. Porém, uma vez na outra margem, o tiroteio tornou-se constante, fazendo com que a coluna avançasse a custo.

Em 1896 Mouzinho de Albuquerque é nomeado comissário régio e, conhecedor do

Chegada a Calapute, após uma marcha de oito horas sob calor ardente, a força


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Colégio Militar Berço de Grandes Portugueses

dispôs-se em quadrado, tendo o inimigo aberto fogo rápido e violento que, em poucos minutos, causou 5 feridos nas nossas tropas. No momento mais crítico da luta, Eduardo Costa é também atingido na zona mastoideia e temporal direita. O terreno e a desproporção de forças, ambas favoráveis aos namarrais, a escassez de munições e a insuficiência de meios para transportar os feridos já existentes impuseram a retirada de Calepute para Ibraimo, feita penosamente debaixo de fogo e com o governador-comandante marchando a pé nos braços de dois sargentos. Passados alguns meses, sentindo a sua saúde abalada, pediu exoneração do governo do distrito e embarcou de regresso a Lisboa, para vir curar-se dos males que o afligiam. Em 1899, regressado ao serviço, foi nomeado chefe da Repartição de Recrutamento e Reserva da 3.ª Divisão e, pouco depois, chefe da sua Repartição de Justiça. Ainda nesse ano, mas em Novembro, foi escolhido para uma comissão de serviço na Companhia de Moçambique, relacionada com a delimitação dos seus territórios a Sul, tendo chegado à Beira a 1 de Dezembro de 1899, agora com o posto de major a que havia sido promovido no Agosto anterior. É então nomeado Secretário-geral da Companhia, tendo também desempenhado transitoriamente, e em acumulação, os cargos Inspector Geral da Fazenda e de Encarregado do governo.

Torre e Espada

Valor Militar

Terminado o seu contrato de dois anos, regressou à Metrópole em Novembro de 1901, sendo então nomeado Chefe do Estado-Maior da 5.ª Divisão. Decorrido pouco mais de um ano, volta a África, desta vez para Angola, por ter sido nomeado Governador do Distrito de Benguela, onde desembarcou a 3 de Fevereiro de 1903 para cumprir o seu mandato mas, decorridos cerca de quatro meses, assume também o governo interino de Angola. A 14 de Janeiro de 1905, a seu pedido, foi exonerado e regressou de novo a Lisboa. Mas aqui, a sua permanência seria curta. Em Abril do ano seguinte foi nomeado Governador-geral de Angola, ascendendo nesse ano, em 25 de Setembro, ao posto de tenente-coronel. No exercício deste cargo, dedicou especial atenção à ocupação da região do Ovambo, na fronteira sul de Angola, e também à remodelação dos serviços administrativos da colónia. Acompanhou pessoalmente a marcha dos trabalhos dos caminhos-de-ferro do Lobito e de Moçâmedes, que alcançaram o rio Cunene.

Inhambane» (1896, em colaboração com Aires de Ornelas, Couceiro e Mouzinho) e, sobre a sua experiência como governador de distrito, escreveu «O distrito de Moçambique» (1898). Em 1901, apresentou no Congresso Colonial promovido pela Sociedade de Geografia de Lisboa uma monografia sobre os territórios de Manica e Sofala e ainda os trabalhos «Ocupação e domínio efectivo das nossas Colónias» e «Estudos sobre a administração civil das nossas possessões africanas», e publicou ainda vários estudos na Revista do Exército e da Armada. Além de agraciado com o grau de comendador da Ordem da Torre e Espada e com medalha de ouro de Valor Militar já atrás referidas, Eduardo Costa tinha honras de oficial às ordens do Rei e era também agraciado com os graus de cavaleiro e de oficial da Ordem de Avis, e condecorado com as medalhas de prata da Rainha D. Amélia (da campanha contra os namarrais), de Comportamento Exemplar, e ainda com o grau de oficial da Legião de Honra (França).

Pouco tempo decorrido, a 1 de Maio de 1907, falecia em Luanda, com 41 anos, vítima de um ataque de apendicite Era co-autor de «Campanha das tropas portuguesas em Lourenço Marques e

Avis

Rainha D. Amélia

Comportamento Exemplar

Legião de Honra


Colégio Militar Berço de Grandes Portugueses

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Ernesto Maria Vieira da Rocha General, Ministro e Presidente do Supremo Tribunal Militar

(105/1855)

N

asceu em Évora a 18 de Outubro de 1872, filho de António Manuel Martins da Rocha, oficial de Cavalaria, e de Rita do Carmo Vieira da Rocha. Estudou no Colégio Militar onde foi admitido como aluno em 1884, sendo-lhe conferido o n.º 208. Deixou o Colégio em 1888 e, com dezoito anos, alistou-se como voluntário no Regimento de Cavalaria n.º 2, ingressando depois na Escola do Exército onde, em 1893, concluiu o curso de oficial de Cavalaria, sendo promovido a alferes a 7 de Dezembro desse ano. Ao longo da sua carreira militar ascendeu sucessivamente a tenente em 1899, a capitão em 1907, a major em 1913, em 1915 a tenente-coronel e, em 1919, a coronel. Dois anos depois, no último dia de 1921, foi promovido a general. Em 1894, ainda alferes, foi enviado para Angola a fim de fazer parte do Esquadrão de Dragões do Planalto de Moçâmedes, uma unidade militar então constituída para enfrentar a possibilidade de colonos bóeres estabelecidos no sudoeste de Angola, virem a constituir no planalto de Moçâmedes uma república independente.

Foi como oficial deste esquadrão que, em 1895, teve o seu baptismo de fogo, destacando-se sobretudo nas acções de Lupinda e Catumba, nas quais mereceu louvor pelo seu desempenho em combate. Regressado a Lisboa em 1896, foi colocado no Regimento de Cavalaria n.º7, mas por pouco tempo, pois em Junho desse ano embarcou novamente para África, desta vez para Moçambique, onde permaneceria até Agosto de 1898. Desembarcado em Lourenço Marques, foi nomeado ajudante de campo de Mouzinho de Albuquerque, então Alto-comissário naquela colónia. Em 1897 participou na Campanha dos Namarrais, destinada a «pacificar os rebeldes do continente fronteiro à ilha de Moçambique», na região nordeste do território. No decorrer desta campanha distinguiu-se no combate de Lugenda, durante o qual comandou um pelotão de Infantaria nativa encarregado de manter um dos lados do quadrado defensivo, violentamente atacado pelos rebeldes, tendo então sido ferido num braço.


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Colégio Militar Berço de Grandes Portugueses

No prosseguimento das campanhas de pacificação de Moçambique, então em curso, tomou parte nos combates de Naguema, Ibrahimo e Macuto-Muno, sendo citado pelo seu desempenho em combate. De Julho a Setembro participou na Campanha de Gaza, tomando parte no combate de Macontene e no ataque e morte de Maguiguana, em Mapulanguene. Neste último recontro, no qual comandou um pelotão de Cavalaria, foi novamente ferido, desta feita enfrentando forças vátuas comandadas pelo próprio Maguiguana, que se pretendia aprisionar vivo. Em 1898 razões de saúde obrigam Vieira da Rocha a regressar à Metrópole, sendo aqui recebido com auréola de herói e até louvado pelo rei D. Carlos pela coragem com que enfrentara o fogo inimigo, sendo também condecorado com a medalha de prata de Valor Militar, contendo o respectivo diploma menção de ser difícil encontrar um oficial que reunisse tanta aptidão para o serviço da arma de Cavalaria. Serviu então, sucessivamente, no Regimento de Lanceiros de Elvas, na Guarda Mu-

nicipal de Lisboa, no Regimento de Cavalaria de Santarém e no Regimento de Lanceiros n.º 2 onde, oito anos antes, iniciara o seu percurso militar. Em 1901 voltou a Moçambique, desta feita como ajudante de campo do general Venceslau Teles, comandante das forças expedicionárias para ali enviadas com a missão de protegerem a fronteira sul daquela colónia em virtude da Guerra Anglo-Bóer que decorria em território vizinho do Transvaal. Quando regressou à Metrópole foi comandar uma companhia do Corpo de Alunos da Escola do Exército e, quando em 1905 foi promovido a capitão, foi nomeado para servir em Timor, onde o governador José Celestino da Silva o encarregou inicialmente do governo militar de Viqueque, e depois de Baucau. Regressou a Portugal em fins de 1908, sendo colocado no Regimento de Cavalaria de Estremoz mas, no ano seguinte, transitou para a Guarda Municipal de Lisboa, onde servia em 5 de Outubro de 1910, aquando da implantação da República. Nela permaneceu mesmo depois de, em 1911, ser transformada em Guarda Nacional Republicana,

passando então a comandar um dos seus esquadrões a cavalo. Com a eclosão de 1.ª Grande Guerra, sendo já major, foi em 1915 integrado no Corpo Expedicionário ao sul de Angola, sob o comando do general Pereira de Eça (antigo aluno do Colégio Militar), corpo esse que tinha como missão controlar a presença de forças alemãs na fronteira com o Sudoeste Africano e subjugar os povos cuanhamas. Foi-lhe aí confiado o comando do Grupo Táctico de Cavalaria, o qual integrava esquadrões expedicionários de vários Regimentos, mas não tardou a assumir o comando do Destacamento de Dongoena, com o qual participou na Campanha do Cuanhama, designadamente na reocupação do Humbe, no combate de Môngua e na conquista das Cacimbas. Ainda no mesmo ano, em Setembro, participou nas operações de N’Giva e do Baixo Cunene. O seu desempenho em combate e a sua extraordinária serenidade debaixo de fogo foram enaltecidos em diversos louvores do general Pereira d’Eça, sendo-lhe também


Colégio Militar Berço de Grandes Portugueses

conferidas as medalhas de prata e de ouro de Bons Serviços com palma e a Cruz de Guerra de 1.ª classe. Regressado à Metrópole, agora tenente-coronel, foi nomeado comandante do Regimento de Cavalaria n.º 8, mas pouco depois, em Maio de 1917, ainda durante a 1.ª Grande Guerra, foi integrado no Corpo Expedicionário Português em França, e enviado para Brest como comandante da Base de Desembarque das forças portuguesas empenhadas nas operações da Flandres. Terminado o conflito retomou o comando do Regimento de Cavalaria n.º 8, mas o acentuar da instabilidade política da Primeira República empurrou progressivamente Vieira da Rocha, à semelhança do que aconteceu com muitos outros oficiais da época, para a ribalta da vida política. No começo de 1919 foi nomeado pelo ministro da Guerra comandante de todas as forças encarregadas de sitiar e atacar os revoltosos monárquicos na serra de Monsanto, sendo colocadas à sua disposição todas as forças da 1.ª e 4.ª Divisões Militares, as quais comandou nos combates de 23 e 24 de Janeiro, dominando a revolução.

Ainda em 1919 foi promovido a coronel, passando a exercer na Guarda Nacional Republicana os cargos de comandante da Cavalaria e, depois, de comandante das unidades da GNR do Porto. Em Novembro de 1920 comanda o Regimento de Cavalaria n.º 2, seguindo-se-lhe os cargos de Inspector das Tropas de Cavalaria da região de Lisboa e de chefe da Repartição de Gabinete do Ministério da Guerra. Pouco depois, numa situação de grande instabilidade política e social, foi nomeado Comandante Geral interino da Guarda Nacional Republicana, sendo no ano seguinte (1921), com 49 anos de idade, promovido ao posto de general e nomeado comandante efectivo daquela força militarizada. Entrou então mais empenhadamente na actividade política, tendo exercido funções ministeriais por cinco vezes. Quatro como ministro da Guerra: nos fins de 1922, por escassos nove dias, no efémero governo presidido por António Maria da Silva; em 1924, de Julho a Dezembro, no governo do almirante Alfredo Rodrigues Gaspar; em 1925, no governo de Vitorino Guimarães, de Fevereiro a 21 de Abril, data em que foi de-

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mitido por ter publicamente defendido que se deveria parlamentar com os revoltosos de 18 de Abril de 1925; e, no mesmo ano, de Agosto a Outubro, no governo presidido por Domingos Leite Pereira. Ocupou ainda a pasta das Colónias no governo do mesmo Leite Pereira, de Novembro a meados de Dezembro de 1925 e no de António Maria da Silva, de Dezembro de 1925 até à vitoria dos revoltosos do movimento militar de “28 de Maio” de 1926. Em Agosto desse ano foi nomeado Director da Arma de Cavalaria, cargo que exerceu até à sua passagem para a situação de reserva em 1937, já em pleno Estado Novo, sendo entretanto, em regime acumulação, presidente do Conselho Superior de Disciplina do Exército (1930), Director da Arma da Aeronáutica (de Janeiro de 1931 a Outubro do ano seguinte), presidente da comissão encarregada de regulamentar as Bases da Organização do Exército Colonial e presidente da Comissão de Táctica da Cavalaria. De 1922 a 1926 foi Presidente do Conselho da Ordem do Grande Oriente Lusitano. Passou à situação de reserva no final de 1932 e, nessa situação, presidiu durante dez anos ao Supremo Tribunal Militar, de 1932 e


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Colégio Militar Berço de Grandes Portugueses

1942, sendo também presidente da Comissão Executiva do Monumento em Lisboa ao Marquês de Pombal. Em 1942 passou à reforma, tendo falecido em Lisboa dez anos depois, a 16 de Abril de 1952. Publicou «A Acção da Cavalaria Portuguesa no Sul de Angola», obra pela qual foi louvado. Era agraciado com os graus de comendador com palma dourada da Ordem da Torre e Espada, cavaleiro, comendador, grande-

Torre e Espada

Cruz de Guerra

Avis

Bons Serviços

-oficial e grã-cruz da Ordem de Avis, comendador e grã-cruz da Ordem de Cristo e grande-oficial da Ordem do Império Colonial. Era também condecorado com a medalha de prata de Valor Militar com palma, Cruz de Guerra de 1.ª classe, medalhas de prata e de ouro com a letra «C» de Bons Serviços, medalha de prata de Serviços Distintos no Ultramar, medalhas de prata e de ouro de Comportamento Exemplar, medalha de prata da Rainha D. Amélia, medalhas Comemo-

rativas das Campanhas com as legendas «Sul de Angola 1914-1915», «Cuanhama -1915» e «França 1917-1918», medalha da Vitória, Cruz Vermelha de 2.ª classe da (Alemanha), grã-cruz da Ordem de Mérito Militar com distintivo branco (Espanha), e comenda da Legião de Honra (França).

Era irmão de Filipe Trajano Vieira da Rocha, que também foi aluno do Colégio Militar.

Cristo

Império

Mérito Militar de Espanha

Legião de Honra

Valor Militar


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Fernando Augusto Branco Oficial de Marinha, Ministro, Diplomata e Escritor

(218/1890)

N

asceu em Lisboa a 24 de Junho de 1890, filho de Marcelino Augusto Branco e de Clowy Lemoine Branco. Foi admitido em 1890 como aluno do Colégio Militar, sendo-lhe atribuído o n.º 218, cujo curso concluiu em 1896, tendo sido graduado em Comandante de Esquadra em 1893, Comandante de Secção em 1894 e Comandante de Companhia em 1895. Após o curso colegial assentou praça no Regimento de Caçadores n.º 2, indo frequentar os estudos preparatórios após os quais, foi transferido para a Armada, tendo feito como aspirante o curso de oficial de Marinha na Escola Naval. Foi então promovido a Guarda-marinha em 30 de Setembro de 1901, ascendendo depois, sucessivamente, a 2.º tenente em 1903, a 1.º tenente 1904, a capitão-tenente em 1918, a capitão-de-fragata em 1933 e a capitão-de-mar-e-guerra em 1937. Partiu então para a Estação Naval da Índia onde cumpriu uma prolongada comissão até 1905, tendo aí comandado a lancha-canhoneira “Granada”. Serviu depois na Divisão Naval do Índico, em Moçambique, embarcado no vapor Baptista de Andrade, e na canhoneira “Bengo” da Esquadrilha do Zambeze. Regressado a Lisboa, foi em 1909 ajudante de

Cerimónia de entrega do 1º submersível Português

ordens do Director da Escola Naval, almirante João Augusto Botto e, quando este oficial passou para Administrador dos Serviços Fabris, fez questão em manter o seu ajudante de ordens. Concluiu em 1907 o Curso de Oficial Torpedeiro na Escola Prática do Serviço de Torpedos e Electricidade. Por força dessa especialização, foi enviado em 1911 para Livorno (Itália), para assistir à montagem dos motores e assumir o cargo de Oficial Imediato do submersível “Espadarte”, que na altura se encontrava ali em construção nos estaleiros da Fiat San Giorgio, tendo-se especializado, em 1915, em Navegação Submarina. No começo de 1916 passou a comandar o “Espadarte” na sua viagem de La Spezia para Lisboa, comando esse que manteve até Setembro desse ano. Durante os anos da intervenção portuguesa na 1.ª Grande Guerra foi comandante do submersível “Hidra” desde Outubro de 1917 a Julho de 1919, sendo-lhe cometida a difícil e perigosa missão de patrulhamento constante da costa do Continente, missão que veio a ser reconhecida, em 18 de Fevereiro de 1920, com a atribuição do grau de cavaleiro da Ordem da Torre e Espada. Em 28 de Julho de 1919 foi nomeado Adido Naval em Londres, onde permaneceu até 1924,


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Colégio Militar Berço de Grandes Portugueses

Hidra

tendo sido membro da Comissão Internacional de localização e levantamento de minas submarinas colocadas pelos alemães durante a guerra. Seguiu-se depois uma carreira mais sedentária no Estado-Maior Naval (1924 a 1928), sendo posteriormente nomeado defensor oficioso no Tribunal de Marinha. A 21 de Janeiro de 1930 Fernando Augusto Branco foi nomeado Ministro dos Negócios Estrangeiros do governo presidido pelo general Domingos de Oliveira, e depois no primeiro governo Oliveira Salazar, cargo de que pediu exoneração em Julho de 1932. Enquanto ministro presidiu à Delegação de Portugal nas 11.ª e 12.ª Assembleia da Sociedade das Nações, representou Portugal na inauguração da Exposi-

Torre e Espada

Isabel a Católica

ção Internacional de Paris de 1931, e integrou a Comissão de Estudo a apresentar à Conferência Geral do Desarmamento convocada em 1932 pelo Conselho da Sociedade das Nações. Após esta experiência governativa foi então desempenhar as altas funções de Promotor de Justiça no Supremo Tribunal Militar. Passou à situação de reserva em 31 de Julho de 1940 e, nesse mesmo ano, veio a falecer em Lisboa, a 11 de Dezembro. Escreveu «Novelas Submarinas», «Novelas marítimas», «Os Submarinos», «A acção dos submarinos na actual conflagração» e «Corsários submarinos». Era agraciado com os graus de cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, oficial, comendador e grã-cruz da Ordem de Cristo e oficial da

Cristo

Santiago

Serviços Distintos

Coroa de Itália

Coroa do Luxemburgo

Sol Nascente

Vitória

Santo Olavo

Ordem de Santiago, condecorado com as medalhas de prata de Bons Serviços com palma, de prata e ouro de Comportamento Exemplar, da Vitória, Comemorativa das Campanhas com a legenda “No Mar 196-17-18” e Cruz Vermelha da Benemerência, e ainda com os graus de oficial e grande oficial da Ordem do Império Britânico, grã-cruz das Ordens de Leopoldo (Bélgica), Isabel a Católica (Espanha), da Coroa de Itália, do Sol Nascente (Japão), da Coroa do Luxemburgo, de Santo Olavo (Noruega), grande oficial da Legião de Honra (França), oficial da Ordem da Instrução Pública (França) e Cruz Vermelha de 2.ª classe (Alemanha)

Era avô materno do Dr. Jorge Sampaio, Presidente da República portuguesa de 1996 a 2006.

Cruz Vermelha da Benemerência

Império Britânico

Leopoldo

Legião de Honra

Instrução Pública

Cruz Vermelha Alemã


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Antigos Alunos em Destaque

Antigos alunos

em Destaque

Ruy Fernando do Carmo Ribeiro (386/1954) Cônsul de Portugal em Huelva

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uy Fernando do Carmo Ribeiro (386/1954) foi agraciado pelo Presidente da República, Grão-Mestre das Ordens Honoríficas Portuguesas, com o grau de Comendador da Ordem de Mérito. A cerimónia, a que presidiu o Embaixador de Portugal em Madrid Dr. Francisco Ribeiro de Menezes, teve lugar numa sala do protocolo do Estado no Ministério dos Negócios Estrangeiros. Na sua breve alocução o Embaixador Ribeiro de Menezes enalteceu a vasta acção exercida por Ruy Ribeiro durante os mais de 40 anos dedicados às funções consulares tendo acrescentado que esta condecoração representa o reconhecimento do Estado Português por todo o trabalho por ele desenvolvido ao serviço do bem público. Por tudo isso era com o maior prazer que em nome do Presidente da República lhe iria impor a comenda com que fora agraciado. É, ainda, de salientar que Ruy Ribeiro já anteriormente tinha sido agraciado por Sua Majestade o Rei de Espanha com a “Cruz del Merito Naval de 1.ª Classe com Distintivo Blanco” e pela Marinha de Guerra Portuguesa com a “Cruz Naval de 2.ª Classe”. Esta cerimónia contou com a presença do Embaixador em Madrid, Dr. Francisco Ribeiro de Menezes, do Subchefe do Protocolo de Estado, Ministro Plenipotenciá-

rio de 2.ª classe Dr. Jorge Silva Lopes e do Adido de Embaixada colocado no protocolo de Estado, Dr. Francisco de Almeida, em representação do Estado português. Além destas entidades estiveram ainda presentes familiares e Antigos Alunos amigos do homenageado. Inesperadamente o nosso Camarada partiu para o descanso eterno. Em “Os que nos deixaram”, inscrevemos uma “memória” recordando-o com saudade. O Curso 1953/1960


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Antigos Alunos em Destaque

José António Carneiro Rodrigues da Costa (64/1966) Tenente General – Vice-Chefe do Estado-Maior do Exército ção Técnica de Engenharia, Chefe do Gabinete Técnico das Novas Instalações do Comando Superior do Exército e Chefe de Infra-estruturas do Exército. Na Direcção da Arma de Engenharia foi Chefe da Repartição de Pessoal e foi Adjunto Técnico do Regimento de Sapadores Bombeiros da Câmara Municipal de Lisboa. No Instituto de Estudos Superiores Militares, como Coronel Tirocinado, foi Coordenador da Área de Investigação e Doutrina, da Área de Ensino de Estratégia e da Área de Ensino Específica do Exército. Como Major-General ocupou os cargos de Director da Direcção de Infra-estruturas do Exército e de Presidente do Conselho da Arma de Engenharia. Nomeado Comandante da Academia Militar, em 28 de Junho de 2013, ocupou ainda o cargo de Director Honorário da Arma de Engenharia e de Presidente do Conselho Superior de Disciplina do Exército. Foram-lhe concedidos dezasseis louvores dos quais cinco pelo General Chefe do Estado-Maior do Exército e três por Oficiais Generais.

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osé António Carneiro Rodrigues da Costa (64/1966) foi nomeado Vice-Chefe do Estado-Maior do Exército, funções que desempenha desde Maio passado quando deixou o Comando da Academia Militar. Natural de Chaves onde nasceu a 12 de Abril de 1956, foi promovido a Tenente-General em 7 de Junho de 2013. Frequentou o Colégio Militar, onde foi admitido em 1966 com o número 64, tendo concluído o respectivo curso em 1974. Na Academia Militar obteve a Licenciatura em Ciências Militares (Engenharia).

Posteriormente, ficou habilitado com o Curso de Promoção a Capitão, o Curso de Promoção a Oficial Superior e o Curso de Promoção a Oficial General do Instituto de Estudos Superiores Militares. Ao longo da sua carreira militar prestou serviço em diversas Unidades, Estabelecimentos e Órgãos do Exército e das Forças Armadas. Foi Comandante de Companhia e de Batalhão na Escola Prática de Engenharia, sendo Instrutor e Director de diversos Cursos de Formação e de Promoção. Foi 2.º Comandante e Comandante do Regimento de Engenharia 1. Na Direcção dos Serviços de Engenharia foi Chefe do Gabinete de Engenharia de Novas Infra-estruturas do Exército, Chefe da Reparti-

Foi agraciado com várias condecorações de que se destacam uma medalha de ouro e três medalhas de prata de Serviços Distintos, a medalha de Mérito Militar de 2ª Classe, as medalhas de D. Afonso Henriques – Mérito do Exército de 1ª e 2ª Classe, e as medalhas de Ouro e de Prata de Comportamento Exemplar. Ao nosso Camarada Antigo Aluno, a ZacatraZ e todos os que com ela colaboram, desejam os maiores êxitos no desempenho da difícil e honrosa tarefa em que está investido e bem assim a concretização dos seus objectivos pessoais.


Director de Educação do Exército Major-General João Manuel Lopes Nunes dos Reis

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Director de Educação do Exército Major-General João Manuel Lopes Nunes dos Reis O novo Director de Educação, referindo não ser sua norma fazer discursos extensos, proferiu as seguintes palavras, as mesmas que iria dizer no Instituto dos Pupilos do Exército, onde na semana seguinte estaria presente em cerimónia idêntica:

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o passado dia 6 de Junho, esteve no Colégio o Major-General João Manuel Lopes Nunes dos Reis, pela primeira vez na qualidade de Director de Educação do Exército, que vinha acompanhado do Ajunto, Coronel de Infantaria António Manuel Diogo Velez. Numa cerimónia simples que decorreu na Biblioteca Nobre, recebido pelo Director Coronel Tirocinado de Artilharia José Domingos Sardinha Dias, com a presença do Subdirector Tenente-Coronel de Artilharia António José Ruivo Grilo (338/1978), foram-lhe dadas as boas-vindas e feita a apresentação de Oficiais, Sargentos, Praças, Professores, Funcionários Civis e Alunos. A esta cerimónia assistiram representantes da Associação dos Antigos Alunos e da Associação de Pais e Encarregados de Educação.

“Caros Alunos Exmº Cor Tirocinado Sardinha Dias Meu Director, Exmº Cor Velez Exmºs Representantes das Associações de Antigos Alunos, Exmºs Representantes das Associações de Pais e Encarregados de Educação, Exmºs Convidados, É uma honra servir o Exército como Director de Educação. É meu dever reconhecer, antes de mais e publicamente, o magnífico legado dos meus antecessores. As lutas travadas, o esforço despendido não foi em vão. Bem hajam. Um outro particular agradecimento àqueles que laboriosamente dão o seu melhor para que o CM e o IPE possam ser uma realidade moderna e de referência. É justo salientar aqui a ação dos militares e docentes, pedagogos dedicados, que, complementando, reforçando e respeitando a educação nas próprias famílias, forjam o carácter dos alunos e transformam jovens em adultos com valores e sentido crítico, transmitindo-lhes os conhecimentos necessários ao sucesso e ao exercício de uma cidadania activa e participativa. Gerações sucessivas estão e continuarão profundamente

gratas aos seus Mestres. Muito Obrigado a todos. Caros Alunos O Colégio e o Instituto sois vós! Sois os legítimos continuadores de três Escolas centenárias de onde saíram alguns dos portugueses que melhor serviram Portugal. Cumpri para com este histórico legado. Respeitai, como eles o fizeram, os vossos Códigos de Honra. Pertenceis a uma família alargada. Estamos, realço, estamos inseridos numa vivência e cultura militares. Somos herdeiros defensores de uma educação integral, onde marcham em conjunto a promoção de Valores, a formação técnico-científica, o treino físico e a prática da liderança. Cultivamos um ethos próprio, donde sobressai o Patriotismo, a Camaradagem, a Lealdade, a Justiça, a Disciplina, a Coragem e a Honra. Somos, de facto, diferentes, inigualáveis. Queremos continuar diferentes para bem de Portugal. Unamos as nossas forças individuais no desenvolvimento deste projeto educativo e, como um todo, na formação singular de cada aluno porque, se assim quisermos, poderemos, seguramente, voar cada vez mais alto.” Seguiu-se um briefing, no Miniauditório, e a visita às instalações do Colégio Militar. Ao novo Director de Ensino do Exército desejamos os maiores êxitos tanto pessoais como no desempenho das complexas e árduas funções em que foi investido. Ao seu antecessor Major-General Fernando Joaquim Alves Cóias Ferreira, nomeado para o cargo de 2º Comandante das Forças Terrestres, desejamos igualmente os maiores sucessos no desempenho da missão para que foi designado. Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949


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António José Ruivo Grilo (338/1978) Tenente-Coronel de Artilharia, Subdirector do Colégio

António José Ruivo Grilo (338/1978)

Tenente-Coronel de Artilharia, Subdirector do Colégio

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o passado dia 15 de Julho de 2016, cessou funções de Subdirector do Colégio o Tenente-Coronel de Artilharia António José Ruivo Grilo, Antigo Aluno 338/1978. Quando da sua posse em 25 de Novembro de 2013, o Subdirector dirigindo-se aos Oficiais, Sargentos, Praças, Docentes, Funcionários Civis e Alunos do Colégio Militar disse: “É para mim uma enorme honra assumir o cargo de Subdirector do Colégio. Faço-o perante vós e nestes seculares claustros, enquadramento que melhor se ajusta à natureza simbólica deste acto. ... Estou consciente da confiança em mim depositada, da grande responsabilidade de dar continuidade ao excelente trabalho desenvolvido pelos meus e pelos nossos antecessores, da qualidade pessoal e profissional dos militares e civis que aqui prestam serviço e do referencial que este Colégio constitui. ... O culto do Servir e da Camaradagem, desde que se entra no Colégio Militar, é chama que funde e perdura na vida dos que, desde 1803, envergaram a farda do Menino da Luz. ... Sei que é uma missão difícil e exigente cuja complexidade a conjuntura actual acentua, estando ciente do trabalho exigido e confiante no desempenho e na motivação de todos quantos aqui servem e estudam. ... Serei o vosso Subdirector e um vosso camarada, nos momentos bons e nas dificuldades, com entrega total e exigente no cumprimento da nossa missão e nos princípios éticos que nos devem orientar na continuidade da obra que é o Colégio Militar, pelo que significa, pelo que é e continuará a ser em prol do Exército e da Nação.” Assim o disse e assim o fez.

Ao longo dos quase três anos no exercício do cargo, num período de grandes transformações na vida e estrutura do Colégio, fê-lo com grande empenho, de modo elevado e profissional, dignificando-o com as suas qualidades de Militar e de Antigo Aluno. Recentemente louvado pelo mérito do desempenho das difíceis, complexas e muitas vezes ingratas funções de Subdirector, conseguiu, com a determinação e a generosidade inerentes ao seu valor, traçar rumos motivadores em situações árduas, granjeando o respeito e admiração da Família Colegial. Os termos do louvor aqui reproduzido e que se juntou a outros anteriormente concedidos e às condecorações que lhe foram impostas ao longo da sua carreira militar, espelham a personalidade marcante do Subdirector cessante: «Louvo o TCor Art António José Ruivo Grilo pela elevada competência profissional, invulgar dedicação e excepcional sentido da responsabilidade demonstrados ao longo dos últimos dois anos, no desempenho das funções de Subdirector do Colégio Militar (CM). Oficial muito distinto, dotado de uma excelente capacidade de planeamento e organização, conduziu sempre a sua acção com elevada competência perante as orientações e directivas superiores, as quais assessorou e cumpriu com base em análises muito cuidadas, rigorosas e objectivas o que levou a que as iniciativas e os assuntos em que esteve envolvido se traduzissem em pareceres e propostas extremamente

detalhadas e de grande utilidade na sua implementação para o bom funcionamento do CM. Neste âmbito destaca-se a sua capacidade para seleccionar prioridades e gerir recursos sempre escassos no cumprimento das inúmeras tarefas sob sua responsabilidade. A sua lealdade, dedicação ao serviço, espírito de corpo e de cooperação, bem como a atitude permanente de ponderação mas também de frontalidade, marcaram as suas inegáveis qualidades de liderança que permitiram concretizar com pleno sucesso todos os objectivos superiormente estabelecidos. Releva no desenvolvimento das suas tarefas a forma notável como soube conduzir o processo de admissões ao CM bem como coordenar as actividades da responsabilidade de Direcção e Estado-Maior, respondendo sempre às constantes e inúmeras exigências de funcionamento, o que contribuiu muito significativamente para melhorar os níveis de qualidade e a promoção da boa imagem deste estabelecimento de ensino. Acresce o acompanhamento minucioso na preparação, execução e controlo das inúmeras visitas de entidades, delegações e cursos de antigos alunos, o que exigiu rigor mas também grande flexibilidade no planeamento, permitindo responder sempre de forma atempada e com os recursos minimamente adequados. Chamado a acompanhar questões muito sensíveis durante o período de reforma dos Estabelecimentos Militares de Ensino (EMEs), em especial aqueles que envolveram as relações com os Alunos, com a Associação dos Antigos Alunos


António José Ruivo Grilo (338/1978) Tenente-Coronel de Artilharia, Subdirector do Colégio

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ou com os Encarregados de Educação, sempre se mostrou atento ao ambiente interno e externo, mantendo uma coordenação muito estreita com o Director na defesa do interesse do serviço e do Exército, constituindo-se como um inestimável conselheiro e um elemento fundamental na cadeia de comando, na resolução da maioria dos problemas e em todo o processo de integração do 1º Ciclo do Ensino Básico, do Ensino Misto e da frequência em Regime de Externato por parte dos alunos, durante um período de transição complexo com consequências internas significativas. Militar muito disciplinado, possuidor de forte personalidade, abnegação e integridade de carácter, nunca regateou esforços na persecução resiliente dos objectivos a alcançar e evidenciou em todos os seus actos extrema correcção, opinando de forma esclarecida e alertando com frontalidade para as eventuais consequências. Pelo invulgar sentido do dever, lealdade, espírito de sacrifício e excepcionais qualidade humanas e virtudes militares evidenciadas, é o TCor António Grilo, digno de ser apontado como Oficial de referência e um exemplo a seguir, devendo os serviços por si prestados ao Colégio Militar, dos quais resultam honra e lustre para o Exército e para o País, serem considerados como extraordinários, relevantes e distintos. 22 de Janeiro de 2016. – O Chefe do Estado-Maior do Exército, em exercício de funções, António Noé Pereira Agostinho, Tenente-General.» Ao Tenente-Coronel de Artilharia António José Ruivo Grilo, o nosso Camarada 338/1978, que vai exercer funções no Estado Maior do Exército, desejamos os maiores êxitos e a concretização de todos os seus objectivos, na convicção de que pelo seu modo de ser e de estar dará sempre contributos da maior valia onde quer que se encontre, dignificando a sua condição de Militar e de Antigo Aluno do Colégio.

Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949


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Dia de Portugal - 10 de Junho de 2016 Homenagem aos Combatentes e XXIII Encontro Nacional

Dia de Portugal

10 de Junho de 2016 Homenagem aos Combatentes e XXIII Encontro Nacional

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om um dia de sol bonito e brisa amena, mais uma vez se realizou a Cerimónia de Homenagem aos Combatentes e o seu XXIII Encontro Nacional. Cerimónia que cala fundo em todos nós e que não deixa de ser acompanhada com grande emoção. Nela são recordados e enaltecidos todos os Combatentes que ao longo da nossa existência

como Pátria e Nação, tudo fizeram para a sua defesa e engrandecimento, numa acção heroica em que muitos deles deram a vida no mais alto cumprimento do seu dever como militares e como cidadãos. A esta Homenagem de carácter mais protocolar, associa-se o Encontro onde de forma festiva se reúnem os diversos componentes das Unidades Militares onde serviram em que, muitos deles, acompanhados das suas Famílias, confraternizam recordando os tempos passados e os seus Camaradas que já não podem estar presentes fisicamente, mas que entre eles saudosamente irmanam em espírito. Esta Cerimónia e o Encontro têm lugar junto do Monumento aos Combatentes do Ultramar, erigido ao lado do Forte do Bom Sucesso. A finalidade das cerimónias está muito bem e claramente definida no desdobrável editado pela Comissão Executiva, onde se lê: “O Encontro Nacional de Combatentes de 2016 tem por objectivos reunir, no Dia de Portugal, os Portugueses de qualquer idade, credo, raça ou ideologia política que, amantes da sua Pátria, queiram celebrar Portugal e prestar homenagem a quantos, ao longo da nossa História, chamados a Servir o seu País, combateram por Portugal em qualquer época ou ponto do globo. Lembrando e honrando os nossos heróis e a obra grandiosa por eles desenvolvida ao longo dos séculos, estamos certos de que a Nação Portuguesa saberá aumentar a sua auto-estima e dinamizar-se para o futuro.” Pela manhã, na Igreja de Santa Maria de Belém do Mosteiro dos Jerónimos, foi celebrada uma missa solene por intenção de Portugal e de sufrágio pelos seus mortos, que teve a colaboração do Grupo Coral de Cantares Alentejanos e do terno de clarins da GNR.

A Cerimónia junto do Monumento aos Combatentes do Ultramar, com a presença da Banda da Guarda Nacional Republicana e de elementos dos três Ramos das Forças Armadas (Marinha, Exército e Força Aérea), convidados e familiares dos homenageados, foi conduzida pelo Coronel de Engenharia José Baptista Evaristo. Pelo Presidente da Comissão Executiva, Vice-Almirante Victor Manuel Lopo Cajarabille, foram proferidas as seguintes palavras: “Excelentíssimas Entidades civis, militares e religiosas Digníssimos Convidados Caros Combatentes Portugueses Esta cerimónia destina-se a homenagear todos os que combateram por Portugal em qualquer época e em qualquer lugar do mundo. Por essa razão foi escolhido o Dia de Portugal, porque só a dedicação ao país justifica o esforço e o sofrimento inerentes às campanhas militares. Mas, de entre tantos, devemos destacar os que sacrificaram a própria vida em função da exigência das missões e dos atos de coragem e bravura, bem como os que pelos mesmos motivos ficaram marcados para o resto da vida com deficiências relevantes. Parece-me ainda pertinente exaltar os nossos camaradas contemporâneos que se bateram no Ultramar e com os quais convivemos e partilhamos a mesma vontade de honrar Portugal. O monumento que se ergue à nossa frente significa que a sua memória jamais será apagada. Dir-se-á que esta homenagem é um acto simbólico, o que é verdade. Mas, na realidade, os valores que afirmamos e defendemos


Dia de Portugal - 10 de Junho de 2016 Homenagem aos Combatentes e XXIII Encontro Nacional

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©Foto Humberto Nuno Oliveira

ultrapassam em larga escala o simbolismo porque se trata de um património da História de Portugal, escrito com o sangue dos combatentes. Compete-nos respeitar e louvar estes portugueses, os melhores de nós, que nos legaram o exemplo sublime da generosidade, dedicando à Pátria o seu maior sacrifício, sem recompensa possível. A Pátria deve ser encarada como a nossa família alargada e que inspira responsabilidades comuns pelo destino coletivo. Todos os portugueses têm o direito e o dever de defender a Pátria, conforme se encontra consagrado na Lei. Porém, os combatentes diferenciam-se pela natureza dos perigos que enfrentam. Para honrar os que morreram pela Pátria é igualmente necessário dignificar os vivos que se bateram por ela e os que estão prontos a fazê-lo. Por isso, não esquecemos os militares que, hoje e certamente amanhã, continuarão a participar em teatros de operações em que o combate é pelo menos uma possibilidade. Combatentes Temos também a grande responsabilidade de transmitir uma mensagem de ânimo

às novas gerações para que não deixem de lutar por Portugal com ou sem armas, conforme as exigências. E não se pense que no futuro os conflitos armados serão raros ou muito pouco prováveis ou que o envolvimento de Portugal não seja requerido. O ambiente internacional de hoje é instável e imprevisível caracterizado por ameaças que não vão desaparecer certamente nas próximas décadas. Portugal não está isolado no sistema internacional e a qualquer momento pode ser compelido a participar em operações militares com qualquer grau de intensidade. Portanto, será sempre necessário encontrar a força, a energia e a vontade de fazer sacrifícios pelo país, especialmente quando as circunstâncias são mais penosas. Combatentes Dedicação, honra e disciplina são três grandes referências que interiorizamos na vida militar em comunhão com os nossos companheiros. Sabemos o que significa cumprir um dever arrojado, sabemos apreciar a solidariedade que emerge nos momentos supremos para nos ajudarmos mutuamente. Hoje e sempre afirmamos que os mesmos

sentimentos perduram para além da vida e a vossa presença nesta evocação é um sinal inequívoco de que esta homenagem é profundamente sentida e desejada pelos que serviram Portugal com grandeza. Os nossos antepassados que fizeram história e que combateram antes de nós iluminaram o caminho para que os pudéssemos seguir quando necessário. Legamos aos vindouros a mesma memória agora ajustada aos tempos modernos, como marca da nossa identidade. A nossa missão está assim definida, com a certeza de quem pertence ao povo de Portugal com orgulho e devoção. Honremos os combatentes, viva Portugal!”. Em seguida, o Presidente da Comissão Executiva leu a mensagem do Presidente da Republica e Comandante Supremo das Forças Armadas: “Combatentes Não é sem emoção que me junto a vós nesta solene e emblemática comemoração. A vossa dolorosa prova de guerra, a sabedoria para suportardes os seus corolários


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Dia de Portugal - 10 de Junho de 2016 Homenagem aos Combatentes e XXIII Encontro Nacional

©Foto Humberto Nuno Oliveira

ao longo da vida e a forma realista e intrépida como reagis, dão-vos, mais do que a qualquer outro, o direito de testemunhar e de serem escutados em defesa da paz. O combatente, acima de todos os actores da guerra, anseia pela paz, pois mais do que qualquer outro conhece o horror da batalha e carrega no seu íntimo as feridas mais profundas e as cicatrizes mais devastadoras. Embora a comparação da crueldade e da violência entre conflitos seja um exercício estéril e quase sem sentido, creio ser justo ao conceder às duas grandes guerras mundiais ocorridas no século passado a primazia dos actos mais desumanos cometidos pela humanidade. Portugal, que desde muito cedo na sua História compreendeu a força e a necessidade das alianças, como garantia da soberania, enquanto Nação, e da protecção e segurança do seu povo, foi um dos Estados que participou activa e convictamente no sinistro palco da Primeira Guerra Mundial, ombreando com os países aliados na defesa de uma Europa livre e progressista, capaz de permitir o tão desejado desenvolvimento dos povos, ao abrigo de uma Europa solidária e em paz.

Do primeiro conflito à escala mundial, ressoam os feitos heróicos dos militares portugueses que combateram na Batalha de La Lys, na Flandres, sobre a qual passaram quase cem anos. A nossa memória recorda o então recém-criado Corpo Expedicionário Português que defendeu com invulgar e reconhecidas coragem e firmeza, apesar dos escassos recursos humanos e materiais, os onze quilómetros de pântano que formavam a linha da frente aliada. Esta batalha constitui-se como um dos mais cruéis confrontos do Corpo Expedicionário Português. Mas os vossos feitos foram, por seu turno, mais duradouros, numa longa e difícil campanha em terras africanas, que testemunha o sacrifício heróico de cada homem que um dia foi rosto na guerra, soldado de um povo, mas sobretudo que procurou, pelas suas ações cumprir o desígnio de Portugal. São heróis que nós queremos perpetuar na nossa memória coletiva. E para manter viva a História da nossa Pátria, esculpida neste Monumento Nacional aos Combatentes do Ultramar, evocamos, hoje, todos aqueles que lutaram ao serviço

de Portugal… mas não só, pois um memorial como este fala das responsabilidades de cada um de nós. Não podemos esquecer o passado e temos que o compreender para construir um futuro melhor. É com este sentimento de renovação e incessante procura desse futuro melhor que celebramos este dia de Portugal e da Portugalidade. Como vosso Comandante Supremo quero estar atento e ser um parceiro inspirador nos vossos esforços. Assim, cumpre-me e cumpre a todos os portugueses prestar sentida homenagem aos militares que então combateram pelos ideais da Nação Portuguesa, que hoje ainda preservamos e que neste dia se revestem de especial significado, expressando o mais solene respeito pelo sacrifício dos nossos antepassados, demonstrando a coragem para prosseguir o caminho e a visão de uma nação com quase nove séculos de história, percebendo a essência da identidade lusitana enquanto povo sem fronteiras. Juntos, comprometemo-nos, aqui, a recordar que o amor à Pátria é condição essencial para o progresso e que, por maior que seja a intempérie, jamais abdicamos de Portugal.”


Dia de Portugal - 10 de Junho de 2016 Homenagem aos Combatentes e XXIII Encontro Nacional

Seguiu-se a cerimónia inter-religiosa católica e muçulmana de sufrágio por todos aqueles que, pelos seus ideais de defesa intransigente da Pátria, independentemente do seu credo e religião, tombaram ao seu Serviço e em prol do seu engrandecimento. A Homenagem aos Combatentes esteve a cargo do Tenente-Coronel Piloto Aviador João José Brandão Ferreira que, com a eloquência e o brilhantismo que o caracteriza, de forma empolgante proferiu as palavras que se registam e de que se realça o seu profundo significado: “Estes homens, nos tempos de lutas e de crises, tomam as velhas armas da Pátria, e vão, dormindo mal, com marchas terríveis, à neve, à chuva, ao frio, nos calores pesados, combater e morrer longe dos filhos e das mães, sem ventura, esquecidos, para que nós conservemos o nosso descanso opulento. Estes homens são o povo, e são os que nos defendem”.

“Acabo de ler um trecho de “O Povo”, de Eça de Queiroz. Bom dia a todos. Os meus agradecimentos por me dispensarem uns minutos da vossa atenção. A Constituição da República Portuguesa (CR), apesar de ser a mais extensa que tivemos, desde 1822, não encontrou espaço nos seus 296 artigos e sete revisões, para referir uma única vez a palavra “Nação” - a Nação dos Portugueses. Já relativamente à palavra “Pátria”, a Constituição é mais pródiga: invoca-a, nada mais, nada menos, do que uma vez, mais concretamente no seu artigo 276, e cito “A defesa da Pátria é direito e dever fundamental de todos os portugueses”! É sabido que a defesa da Pátria não se faz apenas de armas na mão; essa defesa pode e deve estender-se a todas as áreas da actividade humana. Mas convém não esquecer que a defesa armada é o último argumento, que se faz em extremo e pode implicar o sacrifício de bens, sangue e vida. E, ao ter-se abandonado o Serviço Militar Obrigatório, parece que a defesa da Pátria – esse dever e direito fundamental, segundo a Constituição, ficou direito de todos e dever só de alguns… A Lei de Defesa Nacional e das Forças

Armadas, por sua vez, continua omissa sobre a “Nação”, mas já fala duas vezes em Pátria; no seu artigo 9º repete a fórmula da Constituição; e no Art.º 22 afirma perentoriamente que, “será assegurada de forma permanente a preparação do País, designadamente das Forças Armadas para a defesa da Pátria” (atenção, eu só estou a dizer o que está lá escrito, não confundir com o que se tem feito…). Ora haver Nação sem Pátria é curto; mas haver Pátria sem Nação, é impossível!… Porém, não havendo aparentemente, Nação, o Estado, que é justamente a Nação politicamente organizada, representará, então, quem ou o quê? Ora se o Estado não representar a Nação, não pode sentir a Pátria como sua, tão pouco a entender. Portugal é, todavia, uma Nação coesa, seguramente desde o tempo do esclarecido Rei, o Senhor D. Dinis; com as mais antigas fronteiras estáveis do mundo, mau grado o esbulho pendente de Olivença; formou um Estado Nacional Português, desde o tempo do preclaro Rei, Senhor D. João II e ganhou consciência que era uma Pátria, senão antes, garantidamente, depois de Camões ter escrito os Lusíadas! E Camões – que também foi um combatente - não se esqueceu de, neles, referir a Nação – fê-lo, até, por sete vezes – e não foi avaro em relação à Pátria já que a evoca em 35 ocasiões! E a obra de Luís Vaz – cuja morte neste dia também evocamos - foi-lhe tão superior e transcendente, que ele próprio se enganou ao dizer, pressentindo o fim, que “morria com a Pátria”, antevendo a ocupação castelhana. O certo é que, a Nação que já era Pátria, sobreviveu aos 60 anos da Coroa Dual Filipina e passou a viver de vida própria, qual fénix renascida! O que atrás se disse representa, pois, a dissonância existente entre o Estado e a Nação, que é a razão por que nós nos reunimos aqui, desde há cerca de 25 anos, a comemorar o Dia de Portugal, honrando os combatentes, enquanto as figuras que ocupam transitoriamente as cadeiras do Poder – Poder que está hoje, maioritariamente, fora do país – estão sempre noutro lado. E quanto aos combatentes por norma, aos costumes dizem nada. Essa é também a razão pela qual as Forças Armadas só voltaram a integrar as comemorações oficiais do feriado nacional,

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há 10 anos, depois delas terem estado arredadas cerca de três décadas. E caros compatriotas aqui presentes, não somos nós que estamos mal; “eles” é que se afastaram do trilho certo. Do trilho do Dever, da Honra, do Patriotismo, do amor a Portugal. Esta cerimónia, singela mas muito digna, realizou-se sempre sem se pedir um ceitil que fosse, ao Estado e junto a um monumento, em memória dos combatentes, em que nada se pediu, também, ao Estado – aliás, em várias alturas, teve que ser construído com a oposição desse mesmo Estado. Parece que a frase, entre muitas, célebre, do grande português e militar, que foi o Tenente-Coronel Joaquim Augusto Mouzinho de Albuquerque, de que “Portugal é obra de soldados” passou a estar na moda. Mas estando ou não na moda, essa frase foi sempre uma realidade, pois sem soldados – isto é, sem combatentes – não haveria território, a tal “nesga de terra debruada de mar”, no dizer de Torga; não haveria população; não haveria matriz cultural; não haveria segurança, não haveria Justiça, não haveria Bem-Estar, não haveria liberdade. E quem permitiu e fez isto? Pois foram os soldados, os combatentes, o tal povo, do Eça. Onde se devem individualizar as mães e as mulheres, pois foram elas que sempre aguentaram a rectaguarda! Por isso todos nós devemos estar orgulhosos dos nossos combatentes; de quem disse “pronto”, quando chegou a hora; quem lutou quando foi preciso lutar; quem não virou a cara aos sacrifícios; quem não desertou do combate ou, pior ainda, quem não traiu a terra que lhe serviu de berço, a terra dos seus pais. Porque, desgraçadamente, desses sempre os houve e ainda há. Também deles falam “os Lusíadas” e não há estátuas, nomes de ruas, séries de televisão, condecorações, prémios, branqueamento da História, etc., que possa apagar essa realidade da memória colectiva da Nação. Pelo menos enquanto restar um português com algum saber, vergonha na cara, coluna direita e bem-querer na alma! Caros compatriotas, o combate não terminou com aqueles que hoje homenageamos e desenganem-se aqueles que julgam que não teremos de guerrear, novamente, ou que o terrorismo é apenas uma expressão de lunáticos contemporâneos, já que a sua origem remonta ao século XI, ao “velho da montanha” e à seita dos hashashin e, modernamente, em termos de terrorismo


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©Foto Humberto Nuno Oliveira

Dia de Portugal - 10 de Junho de 2016 Homenagem aos Combatentes e XXIII Encontro Nacional

de Estado, à Revolução Francesa de 1789. Temos que nos preparar para os combates do futuro. Os nossos antepassados não andaram a trabalhar, a lutar, a edificar e a expandir o nosso país, desde 1128, para agora estarmos a alienar ao desbarato, a nossa soberania, a nossa nacionalidade, a nossa cultura (onde a língua tem um lugar de destaque), as nossas gentes, o nosso património e a nossa terra. Para ficarmos escravos de dívidas perpétuas e enredados em leis alheias, iberismos serôdios ou federalismos espúrios; sermos, eventualmente, submersos por vagas de estranhos, para cujas matrizes culturais não estejamos aptos a integrar, sem perdermos a nossa; e a caminhar para, a breve trecho, não haver um quilómetro quadrado de território em mãos portuguesas. E, outrossim, por nos estarmos a suicidar colectivamente, por via de excesso de emigração, imigração, leis de naturalização erradas, quebra demográfica gravíssima e corrupção galopante. Finalmente para sermos reféns de organizações sem rosto oficial, de carácter internacionalista e mais ao menos secretas ou discretas, que ninguém elegeu e que transformam, só por si, a Democracia e a Justiça, numa ficção. E em vez das cinco Quinas passarmos a ter como símbolo o “Deus Mamon”. Temos de olhar à nossa volta, acordar e reagir! É que, como disse o tão mal citado Fernando Pessoa, “só existem Nações, não existe Humanidade”. Caros compatriotas, esta cerimónia destina-se à exaltação da memória dos combatentes, nossos antepassados ou contemporâneos, mas destina-se também, aos que hoje vivem e a quem compete receber e passar o testemunho. Pois deles é o futuro e, por isso, a quem compete refletir sobre o exemplo dos que caíram ou se sacrificaram no campo, que tem de ser da Honra, enquanto as imperfeições da natureza humana não permitem a erradicação da guerra e outras imoralidades, na eterna luta entre o Bem e o Mal. Devemos, deste modo, curvar-nos, reverentes e obrigados, junto aos nomes daqueles que estão gravados nos muros deste memorial, que combateram nas últimas das centenas de campanhas ultramarinas que realizámos nos últimos seis séculos (não foram seis décadas…), fazendo jus ao Padre


Dia de Portugal - 10 de Junho de 2016 Homenagem aos Combatentes e XXIII Encontro Nacional

António Vieira que um dia disse que “Deus deu aos portugueses um berço estreito para nascer e o mundo inteiro para morrer”. Evoco em nome de todos, aquele cujo nome figurou primeiro neste local: o do Subchefe da Polícia Aniceto do Rosário, morto em combate, que na iminência de um ataque dos indianos disse ao Governador, “Parta V. Exª descansado que eu não deixarei ficar mal a bandeira portuguesa”. E não posso deixar de dizer, com todas as fibras do meu ser, que eles lutaram bem, competente e vitoriosamente, numa guerra justa, em termos humanos e que, infelizmente terminou de forma trágica e não merecida. Nesta luta fizemos frente à maior campanha montada a nível global e mundial, contra a Nação dos Portugueses, desde a Guerra da Restauração. Nela chegámos a manter 230.000 homens em pé de guerra, em quatro continentes e três oceanos, a combater durante 14 anos, em três teatros de operações enormes, distantes entre si e a então Metrópole – que era a base logística principal – por milhares de quilómetros, sem fazer uso de alianças militares e sem generais ou almirantes importados, o que já não sucedia desde Alcácer-Quibir. Usufruindo de uma logística notável – basta comparar com o que se passou com a nossa participação na I Guerra Mundial – que já não conseguíamos montar tão bem, desde que enviámos a terceira Armada, à Índia, comandada pelo João da Nova, em 1501! Abro um parêntesis para destacar a Marinha Mercante, neste esforço logístico, sem a qual não poderíamos ter reagido rapidamente nem sustentado tão longo período de operações. Hoje, dos 70.000 navios mercantes existentes no mundo, apenas uma dezena são de armadores portugueses e ostentam o pavilhão nacional. Nem meio batalhão conseguem transportar… Nesta campanha só não conseguimos resistir à miserável invasão de Goa, Damão e Diu, pela União Indiana, em 1961, pela enorme desproporção de forças em presença e pela usual hipocrisia das relações internacionais. Mesmo assim ainda conseguimos pô-la em sentido durante mais de 10 anos – não foi coisa de somenos. Nova Deli usou o “direito da força”, mas nunca teve a força do Direito, nem da Razão! Toda esta acção, a todos os títulos magnífica, não encontra paralelo em nenhuma campanha contemporânea, mas foi apenas

corolário daquilo que o escritor americano, James Michener, disse de nós e cito: “Nesses anos quando um soldado português desembarcava de um dos barcos da sua nação para servir num forte de Moçambique, ou em Malaca, ou nos estreitos de Java, já previa, durante o seu tempo de serviço, três cercos, durante os quais comeria erva e beberia urina. Estes defensores portugueses contribuíram para uma das mais corajosas resistências da História do Mundo”. A estes se devem juntar todos aqueles e seus descendentes, que desde a tarde de S. Mamede, acompanharam o nosso pai, Afonso Henriques, e têm mantido o seu legado até aos dias de hoje. Lembrar o seu exemplo e preservar a sua memória, é tarefa ingente de todos os bons portugueses, pois tal deixou de ser feito na escola, na generalidade dos “média” e quase desapareceu do discurso político a não ser em frases de circunstância, ditas sem convicção. Em 1582, esse grande patriota que foi Ciprião Figueiredo de Vasconcellos, Governador das Ilhas dos Açores, escreveu ao monarca Habsburgo, que reinava em Madrid e atirou-lhe, “Antes morrer livres que em paz sujeitos” e logo acrescentou, “nem eu darei aos moradores destas ilhas outro conselho, porque um morrer bem é viver perpetuamente”. Afirmamos hoje, o mesmo, com Esperança e acrisolada Fé, em que consigamos manter a estamina necessária para preservar a nossa terra, Portugal, livre e independente. Lembro que um combatente só dá baixa para a cova! Caros compatriotas, vou terminar com a melhor homenagem que podemos fazer a quem combateu e, porventura, morreu na defesa da terra dos nossos antepassados, e por tudo o que tal representa, incluindo o de que o seu sacrifício não possa ser considerado em vão. Vamos todos em conjunto e em uníssono, darmos um grande e empolgante viva a Portugal. Viva Portugal! Seguiu-se a homenagem aos mortos e a deposição de flores junto do monumento. A Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar estava representada, tendo a respectiva coroa de flores sido deposta pelo Presidente da Assembleia Geral Raul Miguel Socorro Folques (380/1952), Oficial com Palma da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.

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O Hino Nacional foi entoado por um Coro de Meninas da Casa Pia de Lisboa, acompanhado pela Banda da Guarda Nacional Republicana e secundado por todos os presentes. A salva protocolar foi efectuada a partir do NRP Cacine, fundeado no Tejo, e o local foi sobrevoado por um helicóptero Alouette III que lançou flores sobre o Monumento. Os Guiões da Liga dos Combatentes e as formações presentes de Antigos Combatentes das diversas Armas, desfilaram perante o Monumento, seguindo-se a passagem das entidades e convidados pelas Lápides, Capela e Memorial ao Combatente, onde estão inscritos os nomes dos COMBATENTES que deram a vida em defesa da Pátria. Quatro Militaras Pára-quedistas do Exército saltaram do Allouete vindo a aterrar no terreno localizado entre o Monumento e a Torre de Belém. Seguiu-se um almoço-convívio de confraternização dos Combatentes e das suas Famílias nos terrenos anexos ao Monumento. Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949


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10 de Junho, Dia de Portugal

10 de Junho,

Dia de Portugal

10 de Junho de 2016 - o Colégio desfilando em continência no Terreiro do Paço

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ste ano, após um interregno que durava desde 1973, ou seja, um interregno de mais de 40 anos, realizou-se uma parada militar em Lisboa, no Terreiro do Paço, para comemorar o dia de Portugal. Já não era sem tempo! Durante muitos anos o Terreiro do Paço foi a nossa sala de honra, onde recebíamos as visitas de Reis e Chefes de Estado, que se deslocavam a Portugal em visita oficial. Os ilustres visitantes, transportados no bergantim real, que se encontra exposto no Museu de Marinha, eram

desembarcados no Cais das Colunas, onde eram aguardados pelos nossos Reis e mais tarde pelos nossos Presidentes da República, acompanhados pelos mais elevados dignatários do Estado. Eram então conduzidos a uma tribuna de honra, montada junto ao cais, profusamente engalanada, onde ficavam de frente para o imenso terreiro, completamente coberto de tropas prontas para os saudar. Eram-lhes prestadas as honras militares da ordenança, seguindo-se o sempre impressionante desfile das tropas em parada. Segundo a tradição, que ainda hoje felizmente se man-

©Foto GABCEME

tem, o desfile era sempre aberto pelo Colégio Militar, por vezes com o seu Batalhão completo, outras vezes apenas por algumas companhias. Foi assim que o meu curso participou na parada de 1957, de recepção à então jovem rainha Isabel II do Reino Unido e na parada de 1959, de recepção ao velho Imperador Hailé Selassié da Etiópia. Ambos os monarcas foram, no final das paradas, transportados em coches reais, retirados para o efeito do Museu dos Coches, sendo escoltados por um esquadrão a cavalo, do então Regimento de Cavalaria da Guarda


10 de Junho, Dia de Portugal

Nacional Republicana, a quem os «peritos» em assuntos militares do Ministério da Administração Interna deram há tempos uma designação que opto por não comentar. Apesar da nossa modéstia, eram na realidade recepções dignas de Reis. Nós no Colégio sentíamo-nos orgulhosos pelo papel que desempenhávamos nessas cerimónias. Apesar da nossa pouca idade, não nos passava pela cabeça que alguma unidade de «gente crescida» marchasse melhor do que nós. A tarefa não era fácil, pois o tempo que permanecíamos em formatura era longo e às vezes eramos castigados por um sol inclemente. Por outro lado, sabíamos que atrás de nós vinham sempre os Pupilos do Exército, que também não queriam deixar os seus pergaminhos por mãos alheias. Era uma emulação salutar. Após o início da Guerra do Ultramar, o Dia de Portugal passou a ser celebrado com uma parada militar no Terreiro do Paço, sendo aí condecorados aqueles que mais se distinguiam em combate pelo seu arrojo e pela sua valentia, alguns (não poucos) com o sacrifício da própria vida. Era impressionante, ver as condecorações destes últimos a serem recebidas pelos seus pais ou pelas suas jovens viúvas, de luto carregado que, por vezes, vencidos ou vencidas pela emoção não conseguiam conter o choro. Era impossível ficar-se indiferente a essas situações pungentes. Ali foram condecorados numerosos Antigos Alunos, com Cruzes de Guerra, com Medalhas de Valor Militar e até com a Ordem da Torre e Espada. Esses foram os heróis do nosso tempo, de que muito nos orgulhamos. Esses foram, como alguém em boa hora referiu, «Os últimos guerreiros do Império», que por obras valerosas se foram da lei da morte libertando. Tudo isto me veio à cabeça, em turbilhão, quando soube da realização desta nova parada. Não podendo estar «in loco» a assistir à cerimónia, tive oportunidade de a seguir, em diferido, pela televisão. Confesso que a primeira sensação que tive, ao ver as imagens iniciais das tropas em parada foi uma sensação de estranheza. As tropas, apesar de terem uma separação grande entre as diferentes unidades, ocupavam apenas uma pequena parte da praça. É o reflexo das sucessivas remodelações, reestruturações, racionalizações e possivelmente de outras palavras igualmente enganadoras acabadas em «ão», que têm vindo a reduzir as nossas Forças Armadas à insignificância. Foi a isto que chegámos, após anos de políticas ignorantes do papel das Forças Armadas e até de situações em que os principais inimigos das mesmas foram os

respectivos ministros da tutela, ou seja, da Defesa Nacional. Triste sina aquela dos que se têm de defender dos ministros que os tutelam, que tinham o dever de os defender. Vencido o choque inicial referido, segui com interesse o desenrolar da cerimónia, que se iniciou com a continência ao Presidente da República, que de seguida passou revista às forças em parada, comandadas por um Almirante. A cerimónia da continência foi sublinhada com a correspondente salva de tiros executada pelos navios da Armada surtos no Tejo em frente ao Terreiro do Paço, dos quais se destacava, em primeiro plano, o Navio-Escola Sagres. Completada a revista foi a vez dos discursos. Dos dois discursos feitos destaco pela sua forma e qualidade a do Presidente da República. Foi um discurso breve, escorreito, enxuto e prenhe de significado. Um discurso daqueles que os militares gostam e que classificam na sua gíria como um discurso «curto e grosso».1 Terminado o discurso foi a vez da imposição de condecorações. Para minha grande surpresa, foram condecorados com a Cruz de Guerra três antigos combatentes da Guerra do Ultramar. A um cabo enfermeiro foi atribuída uma Cruz de Guerra de 3ª Classe e a dois soldados a Cruz de Guerra de 4ª classe. Foi muito bom ver aqueles antigos combatentes a receberem o justo prémio da sua acção em combate, embora com mais de 40 anos de atraso. Foi bom, porque nunca é tarde para se fazer justiça. Foi bom, por se ter dado àqueles três veteranos (não velhos), ainda em vida, o seu momento de glória. Foi bom, por se ter mostrado à Nação que aqueles que combateram no Ultramar, continuam a merecer o seu respeito e a sua gratidão. À condecoração dos veteranos seguiu-se a condecoração de três militares ainda no activo. Atribuídas as condecorações deu-se a retirada das forças em parada, para se dar lugar ao desfile. O desfile iniciou-se com a passagem das viaturas motorizadas dos Fuzileiros, da Infantaria mecanizada e da Polícia Aérea. Por razões que desconheço, não desfilou nem a Artilharia, nem a Cavalaria. Foi pena. Seguiu-se o desfile das tropas apeadas, que se iniciou com a passagem de uma formatura de antigos combatentes, todos eles com as suas boinas e condecorações, mostrando orgulhosamente marchando que quem aprende nunca mais esquece. Como uma vez disse o General Mac Arthur num discurso, na Academia Militar de West Point, os velhos

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soldados nunca morrem, vão-se apenas esbatendo na distância. Aos veteranos seguiu-se a juventude e assim vimos desfilar uma companhia do Colégio, que marchou como dita a sua tradição. A Armada estava representada por uma formação dos Fuzileiros, que desfilou em passo de corrida e cantando, o que me fez lembrar o desfile dos Bersaglieri das tropas italianas. Seguiram-se, pelo Exército os Comandos e os Paraquedistas, estes últimos entoando o hino «Pátria Mãe». A Policia Aérea terminou o desfile das tropas apeadas. No ar também houve desfile, mas, tal como em terra, com modéstia de meios. Passaram sobre a praça praticamente um avião de cada tipo dos que a Força Aérea actualmente dispõe, com excepção dos caças que se apresentaram com duas esquadrilhas. Apesar dos reduzidos efectivos apresentados em parada, tenho de dizer, «GOSTEI». Por um lado, a parada e o subsequente desfile fizeram-me recordar, com saudade, os meus tempos de Menino da Luz e de Cadete da Bemposta. Por outro lado, o garbo e o orgulho estampado nas faces daqueles que desfilaram, pormenor que dá para ver pela televisão, reconfortou-me. Eles são poucos, mas creio que são bons. Creio ainda, que chamados a cumprir o seu dever em teatros de operações por esse mundo fora, quer em missões de paz, quer em missões de guerra, cumpri-lo-ão sem mácula, estando à altura dos que os antecederam, ao longo dos séculos, como militares e que levaram Mouzinho a escrever «este país é obra de soldados». Para terminar tenho de referir, com desgosto, um pormenor revelador da fraca qualidade da apresentadora do desfile pela televisão. Não esteve à altura das circunstâncias. Á procura de protagonismo, interrompia explicações dadas pelo seu colega de equipa de reportagem, esse sim emitindo opiniões com interesse e não dava o necessário «tempo de antena» ao Oficial do Exército, que era suposto explicar as cerimónias e o desfile. A sua actuação atingiu o cume da infelicidade, quando nos écrans passava a formação do Colégio. O melhor que ela encontrou para dar interesse à reportagem, foi perguntar ao referido oficial «Como está a questão da homossexualidade no Colégio Militar?». Merecia uma resposta à altura da pergunta colocada, mas isso seria descer de nível. Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957

1 As múltiplas tentativas para obter as palavras proferidas nesta cerimónia pelo senhor Presidente da República, não tiveram êxito. Lamentamos que assim tenha acontecido, razão pela qual não as podemos transcrever como era nossa intenção. Fá-lo-emos em próximo número, se dele pudermos dispor.


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Alunas Finalistas 2016 Entrevista

Alunas Finalistas 2016 Entrevista

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cabaram o Curso do Colégio Militar (CM) constituindo, na sua história de 213 anos, as primeiras Alunas Finalistas desta Instituição por onde passaram grandes vultos da História de Portugal, que integraram as Forças Armadas no Exército, na Marinha e na Aviação e nos mais diversos campos das Ciências, das Letras e das Artes. A ZacatraZ, com esta entrevista, pretende registar o momento e a visão das primeiras dez Alunas Finalistas sobre a sua vivência no Colégio e que, nesta altura, passaram a ser Membros da nossa Associação por terem obtido a qualidade de Antigas Alunas. Este é um marco nas vidas do Colégio e da Associação dos seus Antigos Alunos. Antigas Alunas que concluíram o Curso em 2016, Ana Raquel Viçoso Bento (436/2013), Miriam Morgado Sardinha (27/2014), Carolina Ferraz Marreiros (578/2014), Bea-

triz de Sousa Bandeira (579/2014), Maria José Sim Sim dos Santos (618/2014), Maria Leonor Rainha Miranda Antunes dos Santos (628/2014), Vitória de Sousa Coimbra (630/2014), Inês Alexandra Caridade Constâncio (661/2014), Kamia Tchissola Ambrósio Romero Lourenço (663/2014) e Ana Rita Pereira de Jesus (669/2014). Aqui fica uma visão relacionada com os anos que estiveram no Colégio a alguns aspectos da sua frequência, depois de terem ensaiado os primeiros anos no Instituto de Odivelas (IO) que foi destruído por quem, no momento em que deteve um poder efémero, determinou o encerramento de uma Instituição centenária e que tantos e tão grandes serviços prestou à Nação no ensino de qualidade aí ministrado. Ali se formaram grandes Mulheres que desempenharam importantes papeis na Cultura, na Ciência, na Arte e nas Letras.

Raquel Bento (436/2013)

Miriam Sardinha (27/2014)

Leonor Santos (628/2014)

Vitória Coimbra (630/2014)

Carolina Marreiros (578/2014)

Inês Constâncio (661/2014)

A realização desta entrevista foi possível com o contributo de José Cordeiro de Araújo (591/1973), Martiniano Gonçalves (9/1958) e Luís Barbosa (71/1957). Às nossas Camaradas Antigas Alunas, a quem agradecemos a disponibilidade e o espírito de colaboração manifestado, desejamos os maiores êxitos na sua vida pessoal e a concretização de todas as suas aspirações académicas e profissionais nas carreiras, quer militar quer civil, que irão iniciar.

Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949

NOTA: A maior parte das fotografias publicadas nesta entrevista são da autoria de Renato Oliveira.

Beatriz Bandeira (579/2014

Maria Santos (618/2014)

Kamia Lourenço (663/2014)

Rita Jesus (669/2014)


Alunas Finalistas 2016 Entrevista

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Ana Raquel Viçoso Bento (436/2013)

Furriel, nasceu em Lisboa a 7 de Fevereiro de 1998, Aluna externa no IO de 2008 a 2013 onde obteve 5 Medalhas de prata de aplicação física e literária e 1 Medalha de mérito, Aluna externa no CM de 2013 a 2016 onde obteve 2 Medalhas de prata de aplicação literária. Interessa-se pelo voleibol.

Miriam Morgado Sardinha (27/2014)

Comandante de Secção (*) – 3ª Companhia, nasceu em Lisboa a 28 de Janeiro de 1997, Aluna interna no IO de 2013 a 2014 e Aluna interna no CM de 2014 a 2016. Interessa-se pelo atletismo.

Carolina Ferraz Marreiros (578/2014)

Comandante de Secção (*) – 2ª Companhia, nasceu em Lisboa a 19 de Março de 1998, Aluna externa no IO de 2008 a 2013 e interna de 2013 a 2014, onde obteve 6 Medalhas de prata de aplicação física e literária e 1 Medalha de mérito, Aluna externa no CM de 2014 a 2015 e interna de 2015 a 2016 onde obteve 1 Medalha de prata de aplicação militar e física. Praticante de voleibol. Esteve no Quadro de Honra em todos os períodos dos anos de 2014 a 2016. Fez o Baptismo de Mergulho em 2007 e o Curso de pára-quedismo em 2015. Interessa-se pelo voleibol e pela natação.

Beatriz de Sousa Bandeira (579/2014)

Furriel, nasceu em Lisboa a 7 de Julho de 1998, Aluna externa no IO de 2012 a 2013 e interna de 2013 a 2014 e Aluna externa no CM de 2014 a 2015 e interna de 2015 a 2016. Interessa-se por teatro e participou activamente na realização da “Récita Colegial”.

Maria José Sim Sim dos Santos (618/2014)

Comandante de Secção (*) – 1ª Companhia, nasceu em Leiria a 25 de Dezembro de 1998, Aluna externa no IO de 2008 a 2013 e interna de 2013 a 2014, onde obteve 3 Medalhas de prata de aplicação física e literária, Aluna externa no CM de 2014 a 2015 e interna de 2015 a 2016. Interessa-se por voleibol. Fez o Curso de pára-quedismo.

Maria Leonor Rainha Miranda Antunes dos Santos (628/2014)

Comandante de Secção (*) – 1ª Companhia, nasceu em Lisboa a 22 de Fevereiro de 1998, Aluna externa no IO de 2008 a 2013 e interna de 2013 a 2014, onde obteve 6 Medalhas de prata de aplicação física e literária e 1 Medalha de mérito, Aluna externa no CM de 2014 a 2015 e interna de 2015 a 2016 onde obteve 1 Medalha de prata de aplicação militar e física. Pela sua conduta, dedicação e esforço, foram-lhe concedidas uma Referência elogiosa, duas Citações e uma Menção de Apreço, respectivamente, pelo Comandante do Corpo de Alunos, pelos Comandantes da 1ª Companhia e pelo Director do Colégio. Fez o Curso de pára-quedismo em 2015. Interessa-se por voluntariado, natação, atletismo, ginástica de solo, esgrima, tiro, fotografia, desenho, pintura, teatro, culinária e puericultura.


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Alunas Finalistas 2016 Entrevista

Vitória de Sousa Coimbra (630/2014)

Comandante de Secção (*) – 4ª Companhia, nasceu em Angra do Heroísmo a 12 de Outubro de 1998, Aluna interna no IO de 2008 a 2014 e Aluna interna no CM de 2014 a 2016. Interessa-se por política, voluntariado, línguas e desporto, pentatlo moderno, esgrima e voleibol.

Inês Alexandra Caridade Constâncio (661/2014)

Comandante de Secção (*) – 2ª Companhia, nasceu no Porto a 8 de Dezembro de 1998, Aluna interna no IO de 2012 a 2014, onde obteve 2 Medalhas de prata de aplicação física e literária, Aluna interna no CM de 2014 a 2016 onde obteve 1 Medalha de prata de aplicação literária. Interessa-se por voleibol.

Kamia Tchissola Ambrósio Romero Lourenço (663/2014)

Furriel, nasceu em Angola a 27 de Setembro de 1998, Aluna no IO até 2013 e Aluna interna no CM de 2014 a 2016.

Ana Rita Pereira de Jesus (669/2014)

Furriel, nasceu em Lisboa a 5 de Julho de 1998, Aluna no IO até 2013 e Aluna interna no CM de 2014 a 2016

Entrevista ZacatraZ - Como decorreu o período em que dormiam em Odivelas e frequentavam as aulas na Luz? Inês Constâncio (661/2014) - O período em que dormíamos em Odivelas e frequentávamos as aulas na Luz foi bastante complicado para todas nós, sendo deveras cansativo o deslocamento diário que enfrentávamos. De manhã tínhamos de acordar mais cedo para conseguirmos estar a tempo da forma-

tura de início de trabalhos no Colégio, ao fim da tarde, já cansadas e de volta ao Instituto na hora de jantar, aproveitávamos o pouco tempo que tínhamos para estudar e fazer trabalhos. Não nos podíamos dar ao luxo de desperdiçar esse tempo pois o ano, como nosso primeiro no Colégio, não foi fácil de gerir e o tempo livre que tínhamos para nos aplicarmos reduziu significativamente em comparação com o ano anterior. Assim, como era de prever, os nossos resultados escolares não foram os que gosta-

ríamos de ter tido, pois para haver resultados tem de haver tempo de dedicação ao estudo mas este, como já referido, era reduzido. Com este método de nos deslocarmos de um lado para o outro todos os dias de autocarro, ao cansaço de uma nova rotina num Colégio completamente diferente daquele que nos era familiar, juntou-se também o cansaço das duas deslocações diárias. Quando a meteorologia nos apanhava desprevenidas nos treinos de arma, o tempo que deveríamos aproveitar


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para estudar era utilizado para, com 3 ou 4 aquecedores, secarmos toda a roupa para que no dia seguinte pudéssemos estar pelo menos confortáveis. Este período foi para nós bastante cansativo e de difícil adaptação. ZacatraZ - Nesse período quais as situações mais penosas e difíceis que se vos depararam? Miriam Sardinha (27/2014) - O período em que dormíamos em Odivelas e frequentávamos as aulas na Luz foi um período de grande mudança e de adaptação, tanto da nossa parte como da parte dos camaradas do nosso curso. Foi um colmatar de situações que foram bastante desafiantes para nós. Não foi fácil executar os deslocamentos diários necessários à concretização do nosso dia a dia, que nos desgastavam imenso, tornando, por vezes, a nossa chegada atempada ao Colégio impossível devido a diversos contratempos. Um dos obstáculos com que nos deparámos, foi o facto de quer o corpo docente quer as alunas do Instituto de Odivelas não aceitarem as condições da mudança. Era acentuada a distinção feita entre as alunas de Odivelas e as alunas da Luz. Outra das dificuldades com que nos deparámos foi a falta de compreensão por parte do Corpo de Alunos em relação às adversidades que enfrentávamos tanto em Odivelas como no Colégio. Foram, portanto, bastantes os obstáculos que enfrentámos nesse período.

Carolina Marreiros (578/2014)

Inês Constâncio (661/2014) O Director do Colégio, COR TIR ART Sardinha Dias, felicita Miriam Sardinha (27/2014) após a graduação

ZacatraZ - A vossa vivência no Instituto de Odivelas e no Colégio decorreu em fases de idade bastante distintas. Como caracterizam essas vivências nos aspectos relacionados com a vida colegial, as horas de estudo e de frequência das aulas, as horas de recreio antes e depois do jantar e a camaradagem existente? Maria Santos (618/2014) - No Instituto nós começávamos o dia às sete da manhã e só acabávamos às dez da noite (semelhante ao Colégio). As aulas eram das oito da manhã até às sete da tarde. Havendo desde as cinco às sete da tarde um estudo obrigatório caso não estivéssemos numa actividade extracurricular. No estudo aproveitávamos para despachar o máximo de trabalhos e estudar para testes, para que à noite fosse possível descansarmos e convivermos umas com as outras. Era frequente mesmo assim, após a refeição do jantar, as melhores alunas ajudarem as piores. No Colégio este hábito também é muito frequente.

O MAJ INF COM Sérgio Castanho, 2º Cte do Corpo de Alunos, após a imposição da insígnia de graduada a Raquel Bento (436/2013)

Leonor Santos (628/2014) e a Irmã

Beatriz Bandeira (579/2014), Carolina Marreiros (578/2014), Inês Constâncio (661/2014)


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Alunas Finalistas 2016 Entrevista

Respondendo à questão da camaradagem: Camaradagem tem o mesmo significado em todo o lado, no Instituto de Odivelas (IO) vivia-se de uma forma e no Colégio Militar (CM) vive-se de outra. Os valores são exactamente iguais simplesmente aprendemos de uma forma diferente. Muitas pessoas tentam comparar e perguntam: “Gostas mais do IO ou do CM?”, “Onde aprendeste mais? No IO ou no CM?”. São instituições diferentes, com as mesmas finalidades: formar homens e mulheres! Por isso não tenho que comparar. São métodos diferentes, para colégios distintos e ambos de excelência.

no Spellyking, feita pelas minhas Camaradas. No fundo as tradições ocorrem maioritariamente à noite, como tal, sendo externa não as poderia viver. Mas é o dia a dia, ao lado dos nossos camaradas que torna a nossa vida colegial cada vez mais especial. Parece estranho afirmar isto, mas sinto-me privilegiada por ter sido externa e interna, pois deste modo consegui viver ambas as realidades.

ZacatraZ - Como foi a vossa relação no seio da comunidade de Alunos e dentro dela como se relacionaram os internos e os externos? Como decorreu a vossa integração nas “Tradições” do Colégio e que entendimento delas fazem, referindo alguns episódios mais marcantes dessa vivência?

Beatriz Bandeira (579/2014) - Essa foi uma componente em que senti, sem dúvida alguma, um grande “abanão”, por assim dizer.

Maria Leonor Santos (628/2014) - Acho que devo começar por mencionar o modo como fomos recebidas pelos graduados, já que foi com eles que começou a nossa integração no Colégio. Notou-se que os meus primeiros graduados, com quem tive mais contacto, fizeram um esforço enorme para nos receber da melhor forma possível. Foram eles que nos introduziram no Colégio e nos mostraram o que era um verdadeiro Menino da Luz. Muitos dos meus camaradas, agora irmãos, ajudaram também na realização dessa tarefa. Posso garantir que foram esses laços e esse sentimento de cumplicidade com eles que me mostrou o verdadeiro valor e orgulho de pertencer a esta Casa. Além disso, por ter sido externa no meu primeiro ano de Colégio, procurei saber o máximo possível desta Instituição e esforcei-me mais por a compreender melhor, inclusive as Tradições. Este ano, já tendo sido interna, apercebi-me que não é por dizer “o que é” ou “o que se faz” nas Tradições, que chegamos a compreendê-las, mas sim vivendo-as intensamente junto dos nossos amigos e dos miúdos. Foi a procura dessa informação e, mais tarde, a experiência que tive delas junto dos meus camaradas, que fez acender a Chama Colegial dentro de mim. Espero ter conseguido passar essa Chama, este ano, no selar das barretinas, de modo a que os miúdos gostassem e vivessem este ritual de integração, tanto quanto eu gostei no meu primeiro ano de Colégio. Também me senti realizada e acolhida quando me deram um “Ramalho” no meu aniversário, quando acendi a minha tocha,

ZacatraZ - A componente da disciplina e da instrução militar foi mais fortemente acentuada no Colégio? Como foi a sua assimilação?

Começando pelas constantes formaturas, em que algumas eram passadas no tão famoso chão (o Geral da Companhia), acabando numa semana de campo bastante puxada. Pode-se dizer que a disciplina e a instrução militar que havia no IO em nada se comparam com as do Colégio. Pessoalmente, tive uma adaptação complicada. Não estava habituada a esse tipo de disciplina, e apesar de já ter ouvido falar na elevada carga física existente, nunca pensei que fosse tão cansativo assim. As aulas de educação física e de instrução militar pediam sem dúvida um grande esforço, até porque não estávamos habituadas a ter esse tipo de aulas acompanhadas de rapazes que, verdade seja dita, têm muito mais capacidade física que a maior parte de nós. Sabíamos sempre,

Semana de Campo

Beatriz (579), Miriam (27), Kamia (663)

Maria José Sim Sim dos Santos (618/2014)


Alunas Finalistas 2016 Entrevista

por exemplo, quando íamos ter atletismo ou natação, que era algo que nos custava imenso, e posso afirmar com segurança que todas nós sofríamos por antecipação. Simplesmente não estávamos habituadas a tanta exigência, uma vez que no IO, as aulas não eram assim tão puxadas, e ficávamos apenas pelos desportos e pela ginástica, sendo raras as vezes em que íamos para a piscina ou praticávamos atletismo. Na instrução militar, principalmente, na semana de campo, também tivemos uma experiência intensa, de regime obrigatório, que no IO apenas quem se inscrevia na actividade extracurricular teria que ultrapassar. Em termos de disciplina: se no Colégio tínhamos obrigatoriamente que formar antes de qualquer refeição, e até antes de entrar na sala de aula, no IO tínhamos apenas uma formatura por semana, à quinta feira. O respeito pelos mais velhos, a tal hierarquia tão falada no Colégio, também se fazia sentir no IO mas, e digo-o honestamente, não tão acentuadamente. Nada ou quase nada sabíamos de ordem unida, coisa que rapidamente aprendi no Colégio.

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Leonor Santos (628/2014) com o Comando e staff da 1ª Companhia

ZacatraZ - Que diferenças encontraram na preparação física e desportiva quando ingressaram no Colégio? Ana Raquel Bento (436/2013) - A componente desportiva é um dos aspectos que distingue o Colégio das outras escolas. Na verdade, as instalações e as suas condições proporcionam-nos uma vasta oferta desportiva e física, pois a natação, a equitação, a esgrima, o voleibol, o futebol, o rugby e a ginástica, fazem parte do dia a dia de cada aluno que frequenta o Colégio. O facto de ser um colégio militar faz com que acabemos por ter uma preparação física que nos fortalece psicologicamente. Por estes motivos, considero que nos encontramos muito melhor preparadas, uma vez que toda esta oferta relativamente à actividade física nos enriquece em diversos níveis. O Colégio Militar faz jus à expressão “mente sã em corpo são”. ZacatraZ - Tendo tido as experiências de “interna” e de “externa”, qual a situação que mais vos agradou e que razões foram determinantes para tal escolha? Carolina Marreiros (578/2014) - Quando entrei no Colégio as raparigas tinham duas opções, e nenhuma delas contemplava a oportunidade de pernoitar lá: ou éramos externas (como fui), ou à hora de saída íamos

Raquel Bento (436/2013)

Vitória Coimbra (630/2014), à esquerda, desfilando na Parada do Corpo de Alunos

para o Instituto de Odivelas onde passávamos a noite. Apesar de privilegiar o regime interno, desta vez, perante as condições de internato que nos eram propostas, tive de aceitar que a melhor opção seria o externato. Como foi um ano de mudança para todas nós, as bases de união e entreajuda foram pilares essenciais para a adaptação a uma diferente realidade, e penso que, apesar de não estar presente nas experiencias nocturnas nem no espírito que isso envolve, as relações criadas nos anos anteriores passados no Instituto de Odivelas foram uma mais valia para a nossa integração. Vivi, porém, o último ano do Colégio sendo interna (visto que se revelou possível para as Alunas passarem lá a noite). Desta vez não

apenas como Aluna, mas como Aluna Graduada, o que torna tudo diferente e incomparável com o ano anterior. Tanto a relação com as Camaradas de Curso como a ligação criada com os Alunos da companhia em que fui graduada (2ª Companhia), foi-se desenvolvendo e melhorando, facto que não imagino possível caso optasse por continuar externa. ZacatraZ - Como caracterizam a experiência de ser Graduada e como consideram esta missão e a sua influência junto dos Camaradas mais novos? Maria Santos (618/2014) - Tanto no IO como no CM ser graduada ou graduado é ser o exemplo. Quando cheguei ao CM nem sequer


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Alunas Finalistas 2016 Entrevista

ZacatraZ - Como classificam o acolhimento dispensado no Colégio pela estrutura pedagógica militar e, muito especialmente, pelos vossos Camaradas Alunos? Kamia Lourenço (663/2014) - No princípio apesar das desigualdades, fomos sempre bem acolhidas, tivemos algumas dificuldades na rotina mas, com o apoio dos nossos camaradas, militares e professores, conseguimos ultrapassá-las. O ponto negativo resume-se apenas ao alojamento feminino que deixa muito a desejar. Creio que num futuro próximo as Alunas do Colégio não passarão pelas mesmas dificuldades. ZacatraZ - Após a saída do Colégio é normal juntarem-se componentes dos Cursos em confraternizações e romagens de saudade. Como interpretam e entendem tais manifestações? O Subdirector TEN COR ART António Grilo (338/1978), impondo as insígnias de graduada a Kamia Lourenço (663/2014)

O Director COR TIR ART Sardinha Dias impondo as insígnias de graduada a Rita Jesus (669/2014)

Vitória Coimbra (630/2014) e o Sargento-Chefe António França após a imposição da graduação

pus a hipótese de ser graduada, uma vez que os meus camaradas de curso estavam lá há muito mais tempo que eu; por isso as primeiras Alunas a serem graduadas seriam as que entraram na segunda companhia e teriam tempo de Colégio semelhante ao dos seus Camaradas. No final do ano fiquei surpreendida pois soube que havia a possibilidade de ser graduada. Não me sentia preparada, estava preocupada e com medo de estragar o trabalho do meu curso. Se os rapazes fossem para o Instituto e tivessem apenas um ano de casa como eu e as outras raparigas também ficava preocupada com o que eles pudessem fazer. Muitas pessoas achavam que íamos implantar o Instituto no Colégio. A verdade é que essa nunca foi a nossa intenção, nós respeitávamos o Colégio, as suas tradições e a forma de viver. Tentámos ser o mais imparcial possível, também não gostávamos que fossem para o Instituto tentar impor o Colégio. Todos tivemos

que nos adaptar, tanto para rapazes como para raparigas, a realidade era diferente. Ser uma das primeiras graduadas foi uma experiência óptima, mas com muita pressão ao mesmo tempo. Pressão por parte de Oficiais, Antigos Alunos e do nosso Curso. Toda a gente queria que nada falhasse, à mínima falha parecia que o mundo caía sobre os nossos pés. Apesar dessa pressão, para que tudo estivesse sempre impecável, o apoio do curso foi fundamental. Estavam sempre disponíveis para nos ajudar sem hesitar. Parecia que cada dia que passava era mais difícil, mas nem se punha em questão desistir, pois a verdade é que nós estávamos a criar algo que iria servir de base para o futuro do Colégio. Ser graduada ou graduado é ser como uma irmã ou irmão mais velhos. Dar todos os dias o máximo, para que os mais novos aprendam e um dia possam ser ainda melhores do que nós fomos. Para que o Colégio seja melhor no futuro!

Beatriz Bandeira (579/2014) e Vitória Coimbra (630/2014) - Uma vez que, no Colégio, lidamos e vivemos com as mesmas pessoas ao longo de vários anos, considerando-os irmãos, mesmo após a saída tais laços e ligações não são quebrados. Deste modo tal como a ida para a universidade não resulta no cortar de ligações com a família, o mesmo acontece com as relações estabelecidas no Colégio, tornando-se frequente a confraternização entre Antigos Alunos desta Instituição. No Colégio uma das consequências de tudo o que passamos juntos diariamente, é o estabelecer de fortes ligações de amizade norteadas por valores como a camaradagem e o espírito de entreajuda, pois na verdade é uns nos outros que encontramos força para ultrapassar dificuldades como as saudades de casa nos primeiros tempos, tornando-nos inseparáveis. Na nossa opinião, o manter de todas estas fortes ligações, para além de saudável, é reconfortante saber que podemos contar uns com os outros e continuar a ser para eles um apoio, por termos partilhado um espírito de irmandade só compreendido por quem já teve a oportunidade de o viver. ZacatraZ - Após a conclusão do Curso no Colégio e da experiência em Odivelas, qual o Estabelecimento de Ensino que consideram ter melhor servido os interesses das Alunas na sua formação específica? Vitória Coimbra (630/2014) - Como já tivemos oportunidade de manifestar em diversas conversas informais com a Comunidade Colegial


Alunas Finalistas 2016 Entrevista

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Leonor Santos (628/2014) após a graduação

Miriam Sardinha (27/2014) com a sua Mãe e uma Camarada, após a imposição da graduação

em geral, quando ingressámos no Colégio Militar este não estava preparado para nos receber pelo que, apesar do esforço dos nossos Camaradas, as condições em que o nosso dia-a-dia se processava tinham bastantes lacunas. O Colégio Militar apenas admite raparigas há 3 anos. Na verdade, as condições que nos são proporcionadas neste estabelecimento ainda estão em evolução e serão cada vez melhores, notando-se já uma grande diferença em relação ao ano anterior. O Instituto de Odivelas pelo contrário, quando nos acolheu era já a sua missão há cento e onze anos acolher e formar mulheres para a excelência moral e académica. Para tal este possuía actividades específicas, tais como puericultura e culinária, com as quais adquirimos conhecimentos bastantes úteis para o futuro. É difícil entender as diferenças destes tão prestigiados ensinos de excelência, para quem nunca os viveu em simultâneo. Foi no Instituto de Odivelas que aprendi pormenores mais práticos e específicos no que ao tratamento de um bebé diz respeito e foi no Colégio Militar que percebi, apesar de certas limitações a nível de força e resistência, ser igualmente capaz de marchar com uma arma e manuseá-la com brio. Estes de entre muitos outros conhecimentos adquiridos tornaram-nos mulheres mais preparadas para enfrentar os obstáculos do futuro e nenhum deles é mais necessário que o outro, são apenas diferentes e igualmente úteis e necessários ao desenvolvimento. Deste modo ambos serviram os nossos interesses no

que à formação específica diz respeito com base nos valores imprescindíveis para qualquer ser humano e, ainda que de formas diferentes, nenhum foi melhor que o outro. Em suma, ambos nos proporcionaram uma excelente educação, cada um a seu modo e apesar de o Colégio estar em evolução no que a particularidades de ensino feminino diz respeito, consideramos que o balanço final é bastante positivo. Ambos nos deram a oportunidade de beneficiar de um ensino de qualidade e cada um deles foi importante, ainda que de forma diferente, na nossa formação específica. Fazem parte das nossas melhores memórias e olhamos para eles com a mesma nostalgia, saudade e orgulho de lhes termos pertencido. ZacatraZ – Que conhecimento têm da História do Colégio, nas diversas vertentes que a caracterizam? Quando nele ingressaram, houve alguém que procurou transmitir-vos esse conhecimento? Maria Leonor Santos (628/2014) - O Colégio é uma Casa que só a compreende realmente quem por ela já passou e viveu intensamente cada experiência, daí dizer-se “que só o vivido é compreendido”. Eu vivi, como tal compreendi! Vivi nele dois anos e, apesar do pouco tempo e desse percurso já ter acabado, sinto que aprendi bastante. Mas o bastante nunca é suficiente, pois sinto que ainda ficou tanto por descobrir e aprender.

Penso que nunca ninguém irá conseguir dizer que conhece o Colégio plenamente. Há sempre muita História e valores que nunca chegaram a ser realmente absorvidos, apesar de todo o trabalho dos Graduados. Os Graduados, quando me receberam no Colégio, explicaram-me a sua origem, pequenos pedaços da história da sua criação e os alicerces pelos quais se rege o Colégio. Mas quem me transmitiu a maior parte do meu conhecimento da História do Colégio e alguns dos seus valores intrínsecos, foram os meus amigos. Foi durante as pequenas conversas e as nossas aventuras diárias que vim a descobrir o Colégio na sua plena forma e a sua História. Já que o Colégio tanto é o passado, como o presente e o futuro. Daí lutarmos tanto por ele diariamente. Foi junto desta Comunidade Colegial que aprendi o que era o Colégio e o que era um verdadeiro Menino da Luz. ZacatraZ – Como antevêem a vossa ligação e participação na vida e destino da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar (AAACM)? Vitória Coimbra (630/2014) - Creio que nesta questão é imprescindível que no momento em que melhor nos debruçamos sobre ela, tenhamos em conta que a nossa experiência no Colégio, no que toca a vivências, em nada se compara com a de qualquer outro Camarada do nosso Curso. No meu entender, este facto faz com que sejamos capazes de observar as mesmas situações de prismas diferentes, pois também a nossa experiência, no percurso em Odivelas e no Colégio, foi diversificada. Cabe-nos, portanto, disso tirar o melhor partido. Pondo de parte qualquer veia feminista que poderia estar presente, sendo agora o Colégio Militar misto, torna-se necessária uma consciencialização para a necessidade de cada vez


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Alunas Finalistas 2016 Entrevista

Maria Santos (618/2014) e Pedro Fortes (289/2008), graduados da 1ª Companhia

Finalistas de 2016

Miriam Sardinha (27/2014), Maria Santos (618/2014), Inês Constâncio (661/2014)


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Viagem de Finalistas de 2016

mais, nos preocuparmos com a importância de adaptar a educação transmitida ao facto de agora não só formar homens, mas também mulheres. Deste modo é no meu entender útil a nossa presença na AAACM. Apesar dos prós e contras de toda a instabilidade que vivemos, (devido a prazos apertados e alguma inconsciência a nível de resultado prático por parte de quem conduziu todo o processo), uma opinião feminina poderá ter um impacto bastante positivo, ainda que seja no meu entender difícil desempenharmos algum papel de maior relevo na Associação nos próximos anos. Fomos as primeiras Graduadas e sempre aceitámos as vicissitudes da nossa condição, fossem elas positivas ou negativas, deste modo em nada tememos um papel activo e pioneiro na AAACM. No entanto não somos

apologistas de mudanças drásticas, acreditamos que ao longo do tempo a nossa visibilidade e relevo dentro da AAACM será cada vez maior e estamos dispostas a aceitar o desafio. ZacatraZ - Finalmente, que sentimento tiveram quando no “3 de Março” desfilaram na Avenida integradas no Batalhão Colegial para além, certamente, do orgulho de pertença ao Colégio Militar? Carolina Marreiros (578/2014) - Tive a oportunidade de integrar no Batalhão Colegial e representar o Colégio no seu aniversário duas vezes. Em ambos os anos esta cerimonia revelou ser um momento emotivo e, apesar do trabalho e dedicação que era exigido, o resultado final foi bastante recompensador. A primeira vez que desfilei na Avenida senti que, mesmo não sendo o primeiro ano em que

existiam Alunas no Colégio, tinha uma grande responsabilidade pois, tendo apenas cinco meses de vivência nesta Casa, a nossa postura tinha de estar ao nível dos nossos Camaradas que tinham mais alguns anos de experiência e, mesmo com a ajuda que nos prestaram, foi essencial uma forte dedicação da nossa parte. No meu caso, penso que os seis anos que vivi no Instituto de Odivelas me ajudaram nesta fase. O último “3 de Março” foi, sem duvida, o mais marcante do meu percurso. Encontrava-me extremamente confiante porque sabia que a Companhia a que pertencia me ia deixar orgulhosa, por outro lado o meu nervosismo era inevitável dado que, mais que nunca, o exemplo dos Graduados era fundamental. Penso também que foi um momento que ficou na História pelo facto de expor as primeiras Graduadas do Colégio Militar.


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Baile de Gala Finalistas do Ano de 2016

Baile de Gala

Finalistas do Ano de 2016

No Baile de Gala, Alunas Finalistas no ano de 2016

R

ealizou-se a 27 de Maio passado o Baile de Gala dos Finalistas de 2016, acontecimento festivo que decorreu da melhor forma no magnifico ambiente dos Claustros que, com a iluminação adequada que ostentava nessa noite, adquire uma grandiosidade e beleza ainda mais emocionantes. Este ano teve a particularidade de ser o primeiro em que participaram Alunas finalistas. Com a graciosidade própria das suas idades, ostentavam um vestido comprido de base castanho cor de pinhão, diferenciados apenas no meio corpo e na cor dos respectivos lenços de seda que os adornava.

©Foto Renato Oliveira

Aqui fica este registo marcando para a posteridade o ano em que, pela primeira vez em 213 anos, no Colégio fundado pelo Marechal António Teixeira Rebello, temos como Finalistas Alunas e Alunos. A ZacatraZ deseja-lhes as maiores venturas na fase que se irá seguir nas suas vidas, com os maiores êxitos tanto pessoais como nas carreiras académicas e profissionais que irão perseguir.

Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949


E agora?

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Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957

E agora?

N

o nº 195, de Abril/Junho de 2014, desta nossa revista, assinei um artigo intitulado «Descaracterização do Colégio Militar», em que analisava as manobras então em curso no Ministério da Defesa para descaracterizar o nosso Colégio, as quais o iriam ferir profundamente, podendo levar a prazo à sua morte. Nesse artigo indiquei que, na minha opinião, a identidade do Colégio era um edifício assente nos três pilares, ou características fundamentais, que se podiam traduzir nas três palavras seguintes.

- Militar - Interno - Masculino Mostrei-me na altura muito preocupado com estes três pilares, expondo para cada um deles os motivos da minha preocupação. O tempo entretanto decorrido veio demonstrar como a minha preocupação não era infundada. Bem gostaria de me ter enganado e de estar, agora e aqui, a dar a mão à palmatória, confessando que todos os meus receios tinham sido afinal o produto de sofrer de vistas curtas a nível intelectual, não tendo sido capaz de discernir a clarividência das medidas tomadas no sentido de engrandecer o Colégio. Seria com todo o prazer que estaria agora a retractar-me. Infelizmente não é esse o caso. Para fazer uma análise rápida da situação e não estar a aborrecer o leitor com explanações e explicações fastidiosas, apresento de seguida uma análise directa e objectiva dos factos, ou seja, da situação de cada um dos pilares que na minha opinião sustentavam a identidade do Colégio. Parto desta análise por pilar do fim para o princípio. ©Foto Sérgio Garcia (326/1985)


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E agora?

3º Pilar (Masculino) O 3º pilar suporte da identidade do Colégio era o seu carácter masculino. Dizia eu, no meu artigo anteriormente referido, que era fundamental, para manter o carácter masculino do Colégio, que fosse mantido o Instituto de Odivelas. Como todos sabem, o Instituto de Odivelas foi pura e simplesmente eliminado, num acto que considero totalmente condenável. É um acto imputável ao então ministro da Defesa Aguiar Branco, ao qual a Instituição Militar não soube, ou não quis, opor-se. Vergonha para este antigo governante e para o seu 1º ministro. Vergonha para todos aqueles, que tendo podido contribuir para evitar este desenlace, nada fizeram nesse sentido, por comodismo ou por cobardia. Sabemos quem são alguns deles. Sabemos também, infelizmente, que continuarão a viver despreocupadamente, na maior das impunidades. No meu artigo «Ainda, o Batalhão em números, ou a obra acabada» publicado no nº 201, de Outubro/Dezembro de 2015, da ZacatraZ tive oportunidade de indicar que no início do ano lectivo de 2015/2016 a percentagem de meninas no Batalhão Colegial era de cerca de 40%. Escrevo este artigo nos primeiros dias de Julho, veremos em Setembro qual será o valor desta percentagem. Segundo informação que obtive é provável que aumente. A manter-se esta tendência, poderá o Colégio a breve prazo ter uma maioria de meninas no seu Batalhão. O 3º pilar de suporte da identidade do «meu» Colégio foi destruído. Mantenho a minha afirmação de que nada me move contra as meninas, gostaria era de continuar a vê-las em Odivelas.

2º Pilar (Interno) O 2º pilar de apoio da identidade do «meu» Colégio residia no regime de internato em que os alunos viviam. No meu artigo já anteriormente citado, tive oportunidade de sintetizar o meu ponto de vista da seguinte forma. «A camaradagem, expressão militar de fraternidade, que tão querida nos é e que constitui a base do nosso relacionamento, cresce e frutifica em regime de internato. É a vivência comum, 24 horas por dia, de to-

dos e os bons e os maus momentos da vida colegial que nos une. É nos gerais, nas camaratas, nos recreios, nos desportos e também, porque não, nas golpadas que a camaradagem se desenvolve. É esse o seu cadinho. É a camaradagem que justifica o nosso lema «UM POR TODOS, TODOS POR UM». No artigo anteriormente referido tive oportunidade de indicar que, no início do ano lectivo de 2015/2016, a percentagem total de Alunos/as externos/as era de 33 % e que o número de Alunos internos, que constituiriam o «núcleo duro» do Batalhão, estava reduzido a 275, não chegando a 50% do Batalhão. O 2º Pilar pode-se considerar também destruído.

1º Pilar (Militar) Nesse artigo comecei por expressar o meu ponto de vista relativamente a este pilar da seguinte forma: «A natureza militar do Colégio é o primeiro pilar de apoio da sua identidade e constitui a sua essência mais intima, incutida pelo seu Fundador, um militar de excepção. Desde a sua fundação o Colégio está integrado no Exército Português. O seu corpo de Alunos constitui um Batalhão, ao qual foi atribuído, ainda no tempo da Monarquia, o seu Estandarte Nacional, o qual, não por acaso, é o mais condecorado das nossas Forças Armadas».

O rumor que nos chegou, se corresponder à verdade, deixa-me profundamente preocupado. Que mais se irá seguir? Não o sei, mas não fico nada tranquilo, face a tudo o que já se passou para trás. Sinto-me na obrigação de alertar todos, para que sigam com atenção o que está ainda para acontecer. Será que querem fazer do Colégio um «liceu com fardas»? Será que querem apenas manter a «fachada», ficando a natureza militar do Colégio cingida ao cerimonial militar? Estou angustiado, mas apesar de tudo, gostaria de ao menos desta vez me enganar. Tenho ainda esperança que a Direcção da nossa Associação consiga exercer a sua influência, no sentido de não se seguir mais por caminhos errados. Tenho ainda esperança, por termos agora um novo Director de Educação do Exército que é Antigo Aluno dos Pupilos do Exército, casa irmã da nossa, para quem as nossas preocupações não serão uma coisa disparatada e sem sentido. Espero que o que possa vir a ocorrer não dê origem a uma caricatura grotesca daquilo que foi o Colégio, o que nos poderia eventualmente levar a pedir um ponto final honroso para a sua vida. Para mim seria um tremendo desgosto. Mas mesmo que isso ocorra, o Colégio só morrerá com a descida ao túmulo do seu último Antigo Aluno. Enquanto houver um Antigo Aluno vivo, o Espírito do Colégio sobreviverá. Será uma chama que brilhará na sua alma até ao final dos seus dias.

Na parte final desse depoimento escrevi o seguinte: «Em suma, o primeiro pilar de apoio da identidade do Colégio tem vindo a ser progressivamente corroído, para desgosto dos Antigos Alunos e dos próprios Alunos mais velhos, que bem se apercebem desta triste situação. É essencial que a chefia do Exército considere como fundamental a continuação da natureza militar do Colégio». Chegou-nos o rumor de que o que se vai agora seguir será a «desmilitarização» do Colégio. Este é um conceito novo e estranho para mim. Uma instituição militar que é desmilitarizada passa a ser uma instituição civil. Não conheço o conceito de instituições militares a 75%, a 50% ou a 25%.

NOTA FINAL O presente artigo reflecte apenas o meu ponto de vista pessoal, não sendo a expressão de qualquer dos Órgãos Sociais da nossa Associação.


Famílias Colegiais Ser pai de um Aluno do Colégio Militar

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Famílias Colegiais

Ser pai de um Aluno do Colégio Militar

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ive dois filhos no Colégio Militar, Tomás Gomes Teixeira Esteves Virtuoso (164/2003) e Afonso Gomes Teixeira Esteves Virtuoso (72/2006), meu sucessor. São a quarta geração de Meninos da Luz, que se iniciou no começo do século passado com o João da Costa Virtuoso (164/1909) e com Joaquim José da Costa Virtuoso (163/1914); continuou nos anos quarenta com Joaquim José Esteves Virtuoso (72/1940) e nos anos sessenta e setenta com Pedro Baptista Esteves Virtuoso (616/1967), Francisco Baptista Esteves Virtuoso (135/1968) e Luís Baptista Esteves Virtuoso (72/1973). Todos fomos e somos os “Pescadas”. Curiosamente, vim a casar em 1992 com a Carmo Gomes Teixeira, já naquela altura, filha, sobrinha e irmã de Antigos alunos, respectivamente, Isaías Augusto Pinto Gomes Teixeira (235/1946), José Luís Augusto Pinto Gomes Teixeira (197/1945) e Isaías Augusto de Almeida Janela Gomes Teixeira (197/1977). Por uma incrível coincidência, viemos a descobrir que o meu pai Joaquim José Esteves Virtuoso (72/1940) tinha

João da Costa Virtuoso 164/1909

Joaquim José da Costa Virtuoso 163/1914

Joaquim José Esteves Virtuoso 72/1940

Pedro Baptista Esteves Virtuoso 616/1967

Francisco Baptista Esteves Virtuoso 135/1968

José Luís Pinto Gomes Teixeira 197/1945

Isaías Augusto Pinto Gomes Teixeira 235/1946

Luís Baptista Esteves Virtuoso 72/1973

Isaías Augusto de Almeida Janela Gomes Teixeira 197/1977

Tomás Gomes Teixeira Esteves Virtuoso 164/2003

Afonso Gomes Teixeira Esteves Virtuoso 72/2006

sido graduado directo na 1ª companhia do pai da Carmo (235/1946). Ora, com tamanha tradição familiar, ainda por cima dos dois lados da família, foi impossível não considerar seriamente a voltar a entregar ao Colégio parte da formação de mais dois elementos desta família alargada. Ao optar pelo Colégio Militar como complemento da Educação que quis dar aos meus filhos, escolhi claramente um Projecto Educativo diferente e praticamente único, não tanto pelo que oferece na sua componente académica, cultural, desportiva, comum a outras instituições de ensino, mas acima de tudo pela sua formação em valores de Cidadania, Carácter e de Liderança. O facto de ter posto os meus filhos num colégio interno é, quase sempre, motivo de grandes questões: é que não sendo uma decisão fácil para nós pais e muito menos para as mães, a verdade é que é o internato que faz toda a diferença - as dificuldades, as conquistas do grupo, as alegrias passadas com os camaradas, as praxes verdadeiras porque integradoras, a disciplina das formaturas, o rigor no cuidado da higiene e do atavio pessoal, as brincadeiras nos catorze hectares, e por aí fora. Sinto, como Encarregado de Educação, que os meus filhos estão bem entregues, com pessoal docente qualificado, uma equipa de militares preocupados e bem enquadrados superiormente, um punhado de funcionários

que vivem verdadeiramente o Lema do Colégio que é “Servir” e, finalmente, um conjunto de Alunos graduados que se dedicam 24 sobre 24 horas aos seus jovens camaradas, “os miúdos”, abdicando por vezes da sua vida pessoal, por quererem ser testemunho da nossa divisa: “Um Por Todos Todos por Um”. Os meus filhos foram felizes, embora saiba que as suas vidas não tenham sido fáceis, pois tiveram que ser mais autónomos, responsáveis e solidários que os restantes jovens da sua idade. É uma “fibra” que se construiu no dia-a-dia, são amizades que ficaram para a vida, conhecimentos e sentido de pertença que se desenvolveram e que moldarão a sua forma de encarar os desafios futuros. Por tudo isto, fiquei satisfeito pela opção familiar feita no ano de 2003, ano do Bicentenário do nosso Colégio. Obrigado Colégio Militar. Luís Baptista Esteves Virtuoso 72/1973 Nota da Redacção Os dois últimos membros da Família Virtuoso que frequentaram o Colégio, Tomás e Afonso, foram ambos Comandantes da 1ª Companhia, respectivamente, nos anos 2011/2012 e 2014/2015.


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Primeiro centenário da Fundação do Real Collegio Militar

Primeiro centenário da Fundação do

Real Collegio Militar O

meu Amigo e Camarada de Curso António Fernandes Duarte Silva (59/1950), fez-me chegar às mãos um interessante livro relacionado com o primeiro Centenário do Real Collegio Militar, da autoria de José Justino Teixeira Botelho (63/1874), Capitão de Artilharia e Professor provisório do segundo grupo, intitulado “A fundação e o fundador Narração feita aos Alumnos”, editado pela Imprensa Nacional de Lisboa em 1903. Para além da divulgação da Instituição fundada pelo Marechal António Teixeira Rebello e da efeméride que se comemorava, um dos objectivos desta edição consistia na sua distribuição individual aos Alunos que ao tempo frequentavam o Colégio. O exemplar que tive oportunidade de ver e ler, por força da amizade e amabilidade de António Duarte Silva, foi o exemplar que foi entregue ao seu Pai, Aluno Joaquim Plácido Duarte Silva (59/1901), mais tarde General do Exército, oriundo da Arma de Artilharia, e que foi Director do Colégio no ano da minha entrada como “rata” – 1949, então com o posto de Brigadeiro. A imagem que dele tenho com os meus dez anos é a de uma figura imponente, distante e próxima, aos olhos de rapazes que tinham iniciado a sua vida de pequenos militares.

Cada livro teve dedicatória personalizada do então Director, General José Estêvão de Moraes Sarmento (44/1854). A figura do Marechal António Teixeira Rebello, aparece numa reprodução de miniatura pertencente à sua família, seguindo-se um intróito que reza assim: «Alumnos do Real Collegio Militar O Collegio celebra hoje o primeiro centenário da sua creação. Cem anos! Voragem insondável onde se sumiram duas gerações, a que não tardará a juntar-se uma terceira! Como é longo para a humanidade este periodo! Lançae um olhar para o caminho percorrido, e vereis com espanto o que é o trabalho gigantesco de um seculo. Que profundas alterações na constituição da família humana, que imprevistas maravilhas nos deu a sciencia no seu ininterrupto progresso! Que magico poder do tempo esse obreiro indefesso, cuja acção lenta e persistente é irresistível! As comemorações como a nossa de hoje são o tributo de gratidão que pagamos aos que nos precederam no tumulo, e deixaram a sua passagem neste mundo beneficamente assinalada. Os apontamentos que ides ler, singela contribuição para esta solemnidade, fui buscá-los ao passado para vo-los offertar.»

Numa prosa interessante e relativamente amena para despertar o interesse dos jovens leitores a quem era dirigida, faz-se o historial de como nasceu o Colégio, com uma descrição pormenorizada do Forte de São Julião da Barra e da sua envolvente onde se localizava o quartel da Feitoria, que serviu de alojamento aos regimentos de Artilharia de Lagos e da Corte. Com a extinção do regimento de Lagos, o da Corte conservou-se no quartel de São Julião e da Feitoria onde, de Janeiro de 1802 a Fevereiro de 1807, foi seu comandante o Coronel António Teixeira Rebello. Nesse tempo, as guerras frequentes e as deslocações de soberania para os domínios ultramarinos e para o Brasil, originavam grande dificuldades aos oficiais na educação dos seus filhos por força das exigências do serviço e as sucessivas ausências a que estavam sujeitos. Essas crianças, sem os cuidados paternais para os orientar para o saber e para vida, despertaram a atenção do Coronel Teixeira Rebello que os reuniu, estruturando a génese do que hoje é o nosso Colégio. Numa descrição simples e objectiva são equacionadas as diligências e as soluções para levar a bom termo o propósito empreendido.


Primeiro centenário da Fundação do Real Collegio Militar

O pequeno conjunto de Alunos do início da obra do Marechal Teixeira Rebello foi ganhando projecção. A admiração e respeito pela grande determinação de Teixeira Rebello e pela forma como ultrapassava os obstáculos que a inveja de outros menos dotados lhe levantavam, fez com que surgissem apoios de membros da realeza e dos seus ministros. O modesto “Collegio da Feitoria” transforma-se no “Real Collegio Militar” pela visão lúcida e o apoio do Príncipe e de governantes entre os quais se encontrava o ministro da guerra. Tempos em que se defendiam e se desenvolviam ideias com projecção para o futuro. Que diferença para os dias de hoje em que se encerram Instituições centenárias e com expressivas provas dadas da sua valia e se descaracterizam outras sem que se vislumbre real benefício. O Marechal António Teixeira Rebello acompanhou até ao fim dos seus dias o Colégio que tanto amou, que tão bem serviu e pelo qual tudo deu. A 6 de Outubro de 1825, faleceu junto dos seus Alunos, tendo-lhe sido prestadas honras fúnebres que, pela narrativa do seu enquadramento e forma de testemunho, nos parece de muito interesse a sua transcrição.

“Pelas 2 horas da tarde desse mesmo dia foi o seu corpo depositado na capella do Collegio, a cuja porta se postou uma guarda de alunos para fornecer duas sentinellas efectivas, que juntamente com dois creados assistiam continuamente ao cadáver; os restantes collegiaes, em signal de sentimento, recolheram ás suas camaratas depois de terem ouvido missa. Pelas 5 horas da tarde formou o corpo colegial em alas desde a porta da capella até á da rua, e assim recebeu as comunidades que concorreram; ás 6 saiu o corpo, que foi conduzido pelas alas até ao coche pelos dois commandantes do Collegio, um lente, dois professores e um dos alunos premiados, seguindo-se ao caixão Candido José Xavier, acompanhado do ajudante, e seguido pelo corpo colegial, cujas alas dobravam em pelotões, cobrindo o saimento. As caixas, forradas de luto estiveram batendo a marcha até se pôr em movimento o coche, atrás do qual iam doze seges com o estado maior, o corpo instructivo e quatro collegiaes premiados com rigoroso uniforme e com as suas espadas. Pelas 8 horas da noite parou o cortejo no Largo do Corpo Santo, em frente da porta da igreja dos padres irlandeses, e o corpo do Marechal Teixeira foi descido aos subterrâneos onde dorme o sono eterno. Taes foram as honras funebres que o Collegio prestou ao seu fundador.” António Teixeira Rebello não deixou descendência e foi casado com uma senhora irlandesa de nome Maria Luisa Ardisson.

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No ano do Centenário, o Fundador do Colégio foi publicamente homenageado. O autor termina dirigindo-se aos Alunos com a exortação que se transcreve: “Alumnos do Real Collegio Militar, guardae no vosso coração carinhosa lembrança da comemoração a que ides assistir hoje, e se o animo um dia vos falecer, meditae nas virtudes d’esse antepassado que se elevou ás culminâncias das herarchias sociaes só pelo seu trabalho, que com a sua inabalável fé conseguiu obra de tanta monta e cuja aspiração suprema foi sempre a de bem servir o Estado.” O livro contem em anexo uma interessante “Relação de todos os Alumnos do Collegio da Feitoria com algumas notas biográficas”.

Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949


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Recordando José Pereira da Rosa

Recordando

©Fotos João Magalhães Mateus (513/1978)

José Pereira da Rosa

O

convívio do passado dia 20 de Maio, último do 11.º ano lectivo do Núcleo da Feitoria, começou cerca das 12h30 com a singela homenagem em memória do 280/1949, José Francisco Pereira da Rosa, um dos seus fundadores, tendo o painel de azulejos alusivo sido descerrado pela sobrinha Fátima, pelo Presidente do Núcleo, António Francisco Martins Marquilhas (67/1943), pelo Presidente da AAACM, José Eusébio Pereira Barata Cordeiro de Araújo (591/1973) e pelo Comandante do Batalhão do curso de 1948/1955, que integrou o homenageado, Luís Gonzaga de Castro Mendes de Almeida (285/1948). Também estiveram presentes as igualmente simpáticas sobrinhas do José Francisco, a Clara e a Guida. Já no refeitório foram oferecidos livros da colecção «Fim do Império» ao Director e Subdirector do Colégio, ao Sargento-chefe Arrifes, responsável pela Feitoria e Sócio Honorário da AAACM, ao Presidente e ao Vice-presidente da Associação e ao Director da revista ZacatraZ, aos Coordenadores do Núcleo António Marquilhas (67/1943), Carlos Gaspar Galvão de Mello e Mota (48/1945), Pedro do Canto Lagido (330/1947), José Alberto Alves de Paula (62/1948), Carlos Manuel Querido

Batista (303/1951), Pedro Miguel Correia Vala Chagas (357/1977), António Hélder Monteiro de Sena e Siva (149/1948) e António Manuel Pereira de Figueiredo Cardoso (181/1956), filho do também homenageado Comandante da 1.ª Companhia nos anos de 1948 a 1955, o Coronel de Infantaria António Cardoso na altura com a patente de Capitão. O Colégio esteve representado pelo Subdirector, Tenente Coronel António Grilo (338/1978), que foi acompanhado na mesa do almoço pelos Vice-presidentes do Núcleo, por António Pedro Pereira de Bacelar Carrelhas (159/1947), que irá lançar um livro, conjuntamente com Fernando Augusto Falcão Lamy (157/1947), sobre a viagem de revisitação dos feitos do bandeirante Pedro Teixeira, no Brasil, por Luís Mendes de Almeida, pelo escultor José João Brito (Sócio Honorário), por António Cardoso e por Manuel Júlio Matias Barão da Cunha (150/1948). Com um total de 50 presenças, este convívio incluiu várias homenagens: póstuma a um dos Fundadores do Núcleo e ao antigo Comandante da 1.ª Companhia do Colégio, e aos coordenadores do Núcleo, constituindo também mais um convívio do curso de 1948/1955, do qual participaram

Alves de Paula (62/1948), Jorge Maria Lemos Pereira Máximo (101/1947), Francisco Augusto Ortigão de Melo Sampayo (148/1948), Sena e Silva (149/1948), Barão da Cunha (150/1948), Bacelar Carrelhas (159/1947), José Manuel Rocha Carvalho Araújo (170/1948), José Manuel dos Reis Moreira (200/1948), Mendes de Almeida (285/1948), Fernando Manuel da Câmara Marques Moreira (317/1948), Abílio Matos e Noronha de Pais Ramos (323/1948), António Maria de Almeida Bívar de Sousa (325/1948), Pedro Lagido (330/1947), José Carlos Lobato Faria Roncon (333/1947), João Augusto Serrinha Figueira (339/1947), 347/48, Álvaro António Duarte Dinis Varanda (347/1948), José Eduardo Roquette Morujão (349/1948) e José Maria de Avilez Corrêa de Sampayo (367/1949). Na serra do Açor, Ruben de Almeida Mendes Domingues (196/1948) e António Carlos Dias da Cunha Nogueira (262/1948), não estiveram connosco por motivos de saúde. Desejamos-lhes boas melhoras. De Ançã, o Capelão, Padre José Maria de Braula Reis, enviou um grande abraço para Todos. O Núcleo da Feitoria da AAACM


Ser Amiga é ser Irmã

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Maria Margarida Pereira-Müeller IO 244/1967

Ser Amiga é ser Irmã A Associação das Antigas Alunas do Instituto de Odivelas (AAAIO)

O

s nossos “irmãos” do Colégio Militar conhecem bem o Instituto de Odivelas. Mas saberão como nasceu a AAAIO e o que faz? O seu lema “Ser Amiga é ser Irmã” resume bem o cerne da nossa associação. As origens do Instituto de Odivelas Em 1898, um grupo de oficiais, preocupados com o destino e o futuro das órfãs de oficiais mortos no Ultramar, decide juntar-se, quotizar-se e criar em Portugal uma instituição idêntica ao Collège de la Légion d’ Honneur, fundada por Napoleão Bonaparte, para acolher e educar as órfãs de oficiais. Tinha nascido a primeira grande obra de solidariedade das Forças Armadas portuguesas. No ano seguinte, a 9 de Março, o rei D. Carlos assinou o decreto de aprovação do estatuto do Instituto Infante D. Afonso. A 14 de Janeiro de 1900, o Instituto é inaugurado solenemente com dezassete alunas. A Família Real assistiu à assinatura do auto da inauguração. As aulas começam de imediato. A instrução oficial feminina estava nessa época muito descurada em Portugal, limitando-se ao ensino primário. A administração do Instituto decidiu, porém, que o ensino secundário ali fosse igualmente ministrado; assim, completada a instrução primária, as alunas transitavam para o ensino secundário, com a duração de três anos, seguindo-se o método e os livros adoptados no país. Além das disciplinas obrigatórias do ensino secundário oficial, as alunas tinham também educação religiosa e moral assim como aulas de ensino doméstico, considera-

1

Instituição Particular de Solidariedade Social

do indispensável a uma completa educação feminina. Também muito importante foi a decisão de implantar o ensino profissional para que as educandas saíssem do instituto aptas a desempenhar uma profissão. Em 1904, um decreto real equipara o Instituto Infante D. Afonso ao Real Colégio Militar, passando também a receber filhas de oficiais ainda vivos, mediante o pagamento duma mensalidade variável consoante a patente. A fundação Em 1919, por iniciativa do então director do Instituto, Coronel Ferreira de Simas, nasceu a Associação das Antigas Alunas, uma instituição de cariz humanitário, tendo por fim realizar a assistência material e moral às Antigas Alunas (AA). Foi a primeira associação feminina do país. As preocupações principais do fundador eram as que todas as AA fossem sócias, que se criasse um lar para as AA e que se organizassem reuniões de confraternização. O lar era uma instituição essencial para que as AA tivessem onde se instalar, sobretudo as da província, quando necessitassem de se empregar na capital. Lar de idosas Ao princípio, a actividade da associação limitava-se a alguns auxílios, como pequenos subsídios ou empréstimos. Foi somente no início dos anos setenta do século XX que a associação foi reactivada, com a primeira intenção de se organizar e fortalecer para depois criar um lar de idosas. Surgiu a opor-

tunidade de se arrendar, em Odivelas, um palacete, um antigo pavilhão de caça do início do século XIX, onde passou a funcionar a sede da AAAIO e se instalou a Nossa Casa, um Lar de Terceira Idade, graças a subsídios e apoios diversos, vindos de diversos sectores (Antigas Alunas, Serviços Sociais das Forças Armadas, e muitos outros). A Nossa Casa abriu as suas portas a 29 de Março de 1971. Em 1989, a AAAIO inscreveu-se como IPSS1 para poder apoiar as AA residentes com dificuldades financeiras. A partir de 1998 começaram as diligências para a aquisição dum imóvel para o alargamento da valência, dada a impossibilidade de se manter o Lar em Odivelas por decorrente de questão judicial entre os herdeiros do palacete arrendado. Foram esgotadas todas possibilidades até que, por Protocolo assinado em Junho de 2002 com o Ministério da Defesa Nacional, se conseguiu juntamente com a AAACM, dispor do prédio militar PM 34/ Lisboa, do Quartel da Formação no Largo da Luz para as respectivas sedes e para a construção do novo Lar. Devido a demoras do processo, em Dezembro de 2004 o Lar foi transferido, temporariamente, de Odivelas para o Forte de S. João das Maias, em Santo Amaro de Oeiras, depois de assinado um acordo de Comodato com o Instituto de Acção Social das Forças Armadas (IASFA) por anuência do Ministério da Defesa Nacional. Em 2010 foram inauguradas as novas instalações do lar Nova Casa, actualmente


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Ser Amiga é ser Irmã

Desenho de José Alberto da Costa Matos (96/1950)

com capacidade para 44 residentes (e planeando-se ainda um Centro de Dia e Apoio Domiciliário), extensivo a associados das associações irmãs (do Colégio Militar e dos Pupilos do Exército com quem a AAAIO assinou um protocolo de utilização). A Nossa Casa é diferente: esta obra social subsidiada em parte pelo ISS e gerida por uma equipa técnica e profissional, é dirigida por AA que, em regime de voluntariado, quer a nível dos Corpos Sociais quer do grupo de Voluntárias que apoiam este trabalho. Tem assim características muito especiais – somos uma família com um passado comum, muitas recordações e afinidades. Problemas de maior são resolvidos em ambiente familiar, contando acima de tudo com a amizade, a compreensão e a entreajuda.

ZacatraZ 203 No número 203 da ZacatraZ, foram referenciados incorrectamente dois anos relativamente a datas de acontecimentos nele relatados Aqui fica a necessária correcção: - Na página 46, coluna do meio, linha 13, onde se lê 1946, deve ler-se 1964; - Na página 47, coluna do meio, linha 40, onde se lê 1960, deve ler-se 1961.


Recordando o ano de 1926 As Meninas de Odivelas aprendem a nadar

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Recordando o ano de 1926

As Meninas de Odivelas aprendem a nadar Transcrito de Notícias Magazine Publicado por Ana Pago em 23/05/2016 • Fotografia Arquivo DN Com o maior apreço registamos o agradecimento pela forma amável e delicada como fomos atendidos quando da solicitação, à Jornalista Ana Pago, para transcrevermos na ZacatraZ este curioso texto relacionado com o Instituto de Odivelas (Infante D. Afonso) no já distante ano de 1926, passados que são 90 anos. Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949) 21.Jun.2016 15:24

A

23 de Maio, com pompa na festa de fim de ano, inaugurou-se a piscina do Instituto de Odivelas. As alunas experimentaram-na com os mesmos passos seguros que ainda hoje as mantêm à tona de polémicas. Unidas e solidárias, as Meninas do Instituto Feminino de Educação e Trabalho, em Odivelas, faziam tudo em conjunto. Em conjunto estudavam e criavam uma paisagem de uniformes iguais. Em conjunto comiam, dormiam (eram internas), trocavam confidências. E faziam ginástica, equitação, teatro, esgrima. E tinham natação avançada e de aprendizagem.

Como as desta fotografia, tirada em Maio de 1926, mostrando as alunas na beira da piscina, com cordas bem atadas à cintura, não fosse dar-se o caso de irem ao fundo antes de darem as primeiras braçadas. Nestas aulas não havia pranchas ou bóias, mas tudo se resolvia com boa vontade e o olhar atento «dum cento bem esticado de criadas saloias, monitoras, vigilantes e mestras», segundo noticiava o DN de 24 de Maio desse ano, cobrindo a festa anual (a 23) no antigo convento de Odivelas. «É uma escola modelar, limpa, alegre, cheia de flores e risos frescos de rapariguinhas»,

elogia o jornalista, encantando com as educandas banhando-se na nova piscina. Isso, e não só: «Deliciosa impressão trouxeram da regência e disciplina do Instituto todos quantos visitaram seus dormitórios, arrecadações, salas de trabalhos, salões de ensinança, cozinhas, etc. E da saúde e vida perfeita que lá têm as mocinhas aprendizas – amostras bastantes são a sua alegria, as cores viçosas, espírito despreocupado, boiando em luz, ar limpo, constante primavera abrindo no fundo quieto de seus corações.» Em 2013 a Instituição fundiu-se com o Colégio Militar.


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6 anos depois

Martiniano Nunes Gonçalves 9/1958

6 anos depois P

assaram 6 anos desde que numa Newsletter da Direcção da AAACM assinei a “Mensagem da Direcção” cujo texto abaixo reproduzo; foi em Outubro de 2010. Declaro-me vencido, mas não consigo aceitar. Nunca como agora se criticou tanto publicamente o Colégio Militar, casa de educação a quem os Pais confiam os filhos, nalguns casos desligando-se, demitindo-se, de complementarem a sua educação. Deixem-me também criticar: não o Colégio, mas alguns dos nele interessados. É de educação que se trata. De entre todos os que se encontram envolvidos neste processo - o de produzir Homens e Mulheres que nas mais diversas profissões hão-de servir Portugal - os últimos a demitir-se das suas responsabilidades terão que ser, inevitavelmente, os Pais e os Antigos Alunos: uns por interesse directo e obrigação paternal, os outros pela obrigação de dar aos actuais aquilo que receberam quando Alunos. Seguramente que, independentemente das componentes escolar, desportiva e formação nos princípios e valores militares, o desenvolvimento do sentido da solidariedade que na linguagem do Colégio é a “camaradagem” é o principal valor a ser incutido nos Alunos. A melhor forma de para isso contribuirmos – não a única – será nós próprios - Pais e Antigos Alunos - fazermos-lhes sentir que estamos com eles nalgumas das provações a que ao longo da sua passagem pelo Colégio estão sujeitos, o que nem sempre acontece. O texto a que me refiro é o seguinte:


6 anos depois

«Solidariedade com o Batalhão e com a Farda de Gala. Lembramo-nos todos (os mais velhos) de, quando éramos Alunos do Colégio, como foi, por vezes, difícil estar formado de Farda de Gala, nos Claustros, desfilando ou noutras cerimónias, suportando o calor do Verão ou a chuva que nos encharcava e, caprichosamente, gerava aquele pingo que descia da pala da Barretina, nos caía, continuadamente, no nariz e se perdia no dolman já bem pesado. Lembramo-nos todos de, volta e meia, estarmos, em dias de festa, formados nos Claustros e ouvirmos cair uma arma seguida de um impacto surdo no chão, e nem olhávamos para ver qual de nós tinha caído, desmaiado. Lembramo-nos todos de, nesses dias e festas, ver as nossas Famílias e os Antigos Alunos que nos iam acompanhar, respeitando sentidamente o cerimonial militar que presenciavam, respeitando o nosso garbo e orgulho por ali estarmos formados nesses momentos que para nós eram dias grandes para os quais tínhamos, nas últimas semanas, tido treinos de “Infiía” ou, em linguagem militar, de ordem unida. Lembramo-nos todos de como essas cerimónias eram vividas por todos nós - Alunos, Antigos Alunos, Famílias, Militares e Civis que trabalhavam no Colégio – como Dias de Festa a que estavam associados a Barretina, as Granadeiras, as Luvas Brancas, a Mauser ou a Maneliker e a Espada, com enorme respeito e dignidade, e em que os Militares se apresentavam de Farda número 1 e os Civis de fato, engravatados, aprumados acompanhando-nos em sintonia connosco dentro das nossas Fardas de Gala. Os tempos mudaram.

Hoje, nessas cerimónias, quando toca o Hino Nacional há Antigos Alunos e Familiares de Alunos que continuam, desrespeitosa e despudoradamente, a conversar. Hoje, durante os discursos nessas cerimónias, parte dos Antigos Alunos e das Famílias presentes conversam, por vezes impedindo a audição do que está a ser dito ou lido. Hoje, em contraste e em simultâneo com o brio do Batalhão de Farda de Gala vemos Antigos Alunos e Familiares de Alunos malvestidos (acrescento em 2016 militares mal fardados e professores malvestidos), por vezes desleixadamente, de fato de treino, bermudas, e até chanatas... Que falta de respeito e de solidariedade com os Alunos e com a solenidade dos momentos que se estão a viver! É assim que somos solidários com o garbo e por vezes sacrifício dos Alunos que estão formados ou a desfilar, sentindo no corpo a intempérie e na alma o orgulho daquele dia grande por que tanto esperaram? Não se trata de criticar a imagem degradada que fica mal nas fotografias que vão ficar arquivadas no Arquivo Histórico, nos Calixtos ou nos Álbuns de cada um, mas da essência dos factos. Estamos a esquecer-nos do mais importante… Estamos a lidar com adolescentes na fase da sua vida em que muito do que vão ser está a ser recebido. Temos a obrigação, como adultos, de os respeitar e de fazermos, também, os sacrifícios necessários para sentirem a nossa solidariedade para com os valores em que, naqueles instantes e nesta fase das suas vidas, acreditam. Palavras de saudosismo e conservadorismo? Não!

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No último ano, em conversas com Alunos, foram eles que me chamaram a atenção - por mais de uma vez - com alguma confusão de sentimentos e, por vezes, de forma até algo despeitada, para o facto de se encontrarem a “sofrer” (sic) - mas com gosto! como me diziam - enquanto os Antigos Alunos e os Pais e Encarregados de Educação estão “à civil” (sic) . Vamos então, também vestir as “nossas fardas” por respeito para com eles e com as cerimónias do Colégio. Deixemos nesses dias de parte as “jeans”, os “ténis” e outra roupa bem confortável mas mais própria de outros cenários. Apresentemo-nos com aprumo e respeitemos o silêncio e os momentos das cerimónias. O Batalhão de Alunos e os Claustros são para a Comunidade Colegial alguns dos símbolos, por nós venerados, de tudo o que o Colégio nos deu: respeitemo-los! Dirijo-me aos Antigos Alunos pedindo-lhes que façam campanha entre todos nós no sentido de nos vestirmos e nos comportarmos com particular dignidade em todas as cerimónias nos Claustros ou em que o Batalhão vista a “Farda de Gala”. Peço aos Pais e Encarregados de Educação que se solidarizem com os seus Filhos nestes dias que são para eles muitos especiais e que simbolizam os valores em que o Colégio os está a formar. Estimulo os Alunos a que continuem a sentir esse orgulho na Farda de Gala, e os Antigos Alunos a usarem como farda a gravata da Associação! O Presidente da Direcção Martiniano Gonçalves

(9/1958)»


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XXIV Jantar do Oeste

XXIV

Jantar do Oeste

N

O agradável tempo que se fazia sentir permitiu que os aperitivos fossem servidos no exterior, ressaltando a boa disposição de todos, em amenas conversas de pequenos grupos naturalmente criados pelas afinidades da contemporaneidade dos Cursos, onde se recorda o Colégio e a saudade dos tempos nele vividos. Este já tradicional encontro, inicialmente circunscrito aos Antigos Alunos da Região Oeste, tem vindo ano a ano a alargar a sua amplitude geográfica e etária dos convivas. Como também já vem sendo hábito os vinhos, todos de boa qualidade e da produção de Antigos Alunos, foram oferecidos. Foram apreciados o Quinta do Castelo Tinto (António José de Azeredo Lopes – 350/1953), o Quinta da Folgorosa Tinto (Joaquim Manuel Teixeira Nunes Barata – 239/1959), o Quinta do Sanguinhal Tinto, o Sottal Branco, o Quinta das Cerejeiras Branco e o Quinta do Sanguinhal Rosé (Carlos João Fernandes Pereira da Fonseca - 277/1960).

Este Jantar que se realiza há 24 anos na Região do Oeste, tem lugar nesta Quinta pelo sétimo ano consecutivo, foi servido na antiga adega da Quinta, com bom gosto transformada numa agradável sala de amplas dimensões em cuja decoração pontificam motivos e referências colegiais. Mais uma vez, foi alvo de dos melhores elogios não só pela qualidade da ementa como também pela forma como tudo estava organizado e pela eficiência do serviço prestado por um conjunto de gente nova e bem-disposta que executou as suas tarefas com a maior eficácia.

Participaram neste jantar João Geraldes Freire (82/1945), Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949), Fernando Duarte Pina da Silva Ramos (9/1950), António José Fonseca Cavaleiro de Ferreira (332/1950), Carlos Alberto Guerra da Silva Beja (268/1953), João Nuno Bellegarde Bello da Conceição (270/1953), António José de Azeredo Lopes (350/1953), António Manuel da Costa Vieira Lisboa (237/1954), Luís Fernando Cordeiro Falcão Mena (77/1955), Manuel Augusto Moutinho da Silva Pereira (292/1955), António Fernando Diniz de Ayala Boaventura (339/1955), José Manuel Vasconcelos e Silva de Magalhães (409/1955), Manuel Agostinho de Castro Freire de Menezes (423/1955), Carlos Manuel Pacheco Teixeira

©Foto Leonel Tomaz

a Quinta do Castelo, com a calorosa recepção de boa camaradagem que caracteriza os António Azeredo Lopes (350/1954 e 378/1981), realizou-se no passado dia 20 de Maio mais um Jantar do Oeste, reunindo oitenta Antigos Alunos e antigos Servidores do Colégio.

da Silva (34/1956), António dos Santos Castro (63/1956), Rui Alexandre Carita Silvestre (115/1946), Mário Carlos de Sousa Tavares (274/1956), Mário João Conde de Carvalho Pereira (275/1956), José Eduardo Ferreira Rosado Pinto (329/1956), Arnaldo João Reis Maya (242/1957), Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958), Carlos Manuel Pires Nobre Biscaya (469/1958), António Cortez Freire Damião (236/1959), Joaquim Manuel Teixeira Nunes Barata (239/1959), Feliciano José Mora Moniz Santos (392/1959), Rui Manuel de Sá Leal (502/1959), Fernando Faustino Roque do Vale (518/1959), Joaquim José Arranhado Bação (77/1960), Luis Miguel Pinto e Abreu Soares de Albergaria (203/1960), António Henrique Marques da Silveira e Lorena (70/1960), Carlos João Fernandes Pereira da Fonseca (277/1960), Manuel Quintino Filipe da Silva (579/1961), José Carlos Faria do Amaral (584/1961), José Manuel Graça Gomes da Silva (586/1961), Artur Manuel de Spínola e Santos Pardal (587/1961), João Manuel Gomes Pereira Carmona (589/1961), Rui Manuel Amaral de Almeida (40/1962), João Carlos Beleza Gonçalves Vaz (123/1962), António Manuel Restani Graça Alves Moreira (206/1962), Luís Fernando Bernardes dos Reis (429/1962), André Grant Aires de Abreu (612/1962), João António Feio Pereira (157/1963), Carlos Manuel Dias Lima Costa (340/1963), João Manuel Porto Silva Frade (362/1963), José Manuel Spínola Barreto Brito (539/1963), José Nuno do Rosário e Silva Leitão (153/1964), José Nuno do Rosário e Silva Leitão (153/1964), Francisco António Henriques Esteves (363/1964), Carlos António de Lima Duarte Ferreira (398/1964), João Manuel Simões Carvalho (464/1964), Francisco Manuel Carvalhosa de Matos Silva (52/1965), António Alexandre Castanheira Coelho (94/1965),


XXIV Jantar do Oeste

©Foto António de Azeredo Lopes (378/1981)

Luís Alberto de Brito Correia de Matos (196/1965), José Manuel Machado dos Santos (200/1965), João Pedro Rodrigues Ferreira Quaresma (213/1965), José Eduardo Eiras Dias (393/1965), João Carlos Romão Matias (415/1965), José Manuel Pais Sampaio (483/1965), Mário Manuel Godinho Simonette (544/1965), José Celestino Arnaut Monroy (573/1965), António Victor da Fonseca Ribeiro (43/1968), José Augusto de Almeida Serôdio (533/1968), Eduardo Manuel Abreu de Oliveira Pegado (205/1969), Luís Manuel Borges de Albuquerque Nogueira (323/1969), Eduardo José de Carvalho Marques (666/1969), António Luís Henriques de Faria Fernandes (454/1970), Afonso Jorge Alves Pereira Marques (623/1972), José Eusébio Pereira Barata Cordeiro Araújo (591/1973), António Manuel Gonçalves Alexandre (527/1974), Paulo Jorge de Almeida Maia Ribeiro Pestana (317/1975), João de Oliveira Baptista Geraldes Freire (82/1977), Mário Nuno Modesto Loureiro (128/1978), António Manuel Pereira da Cunha Ribeiro Valente (217/1978), Pedro Miguel Coutinho Sobral de Oliveira Pinto (352/1980), João Paulo dos Santos Gomes (223/1981), António Mucharreira de Azeredo Lopes (378/1981), Ricardo Alberto de Sousa Ribeiro Rebordão de Brito (8/1987), Frederico João Pereira Veloso (425/1987) e Carlos Eduardo Pereira Veloso (420/1991). Como convidados estiveram os antigos Servidores do Colégio José Pontes, Francisco Xavier e Mário Caixada (Márinho), Sócio Honorário. Esteve também connosco o Sócio Honorário Leonel Tomaz, actualmente colaborador da nossa Associação e a quem se deve a reportagem fotográfica do encontro.

©Foto Leonel Tomaz

A organização esteve a cargo de Luís Fernando Bernardes dos Reis (429/1962) e de Fernando Faustino Roque do Vale (518/1959). Para os Donos da Casa, para os Organizadores e para os “Fornecedores” dos vinhos, registamos a sua contribuição e disponibilidade para mais esta confraternização de Antigos Alunos.

Gonçalo Salema Leal de Matos

371/1949

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A Conferência de São Vicente de Paulo

Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957

A Conferência de São Vicente de Paulo

N

uma das várias romagens ao Colégio empreendidas pelo meu curso, para celebrarmos as sucessivas datas redondas dos aniversários de anos de entrada e de saída do Colégio, deu-se o caso de ter sobrado algum dinheiro, depois de pagas todas as despesas que tivemos (lápide nos claustros, flores etc….). Pôs-se então a magna questão de decidir o que fazer com o dinheiro sobrante, que não era muito. Reunida a comissão de festas, para dar por encerrada a nossa actividade, sugeri que o saldo apurado fosse entregue à Conferência de São Vicente de Paulo, para a ajudar na sua acção de assistência aos mais pobres da zona de Carnide. Para minha surpresa, o Francisco José Ferreira de Bastos Moreira (185/1955), também ele membro da comissão e na altura professor no Colégio, informou que a dita Conferência já não existia. Era coisa do passado. Fiquei surpreendido e triste com a noticia, pois esta Conferência de que fui membro activo e, se bem me recordo, tesoureiro no meu ultimo ano de curso, era uma instituição utilíssima, não só pelo apoio significativo que dava a um conjunto de famílias pobres que vivia na periferia do Colégio (incluindo a família de um fâmulo que tinha nada menos do que dez filhos), mas também pelo seu papel formativo do carácter dos alunos, que aprendiam, de forma prática e objectiva, o significado das palavras Altruísmo e Solidariedade, retirando das magras semanadas que os pais lhes davam, quando podiam dar, uma pequena quantia para acudir aos mais necessitados. As quantias dadas

eram modestas, mas todas juntas e bem administradas representavam muito para aquelas famílias que ajudávamos. A história da forma como nasceu a Conferência e dos seus primeiros anos de existência é relatada em pormenor pelo José Alberto da Costa Matos (96/1950), no seu livro «Histórias e Memórias», existente na biblioteca da nossa Associação, que mais não é do que o seu livro de curso, mas de uma abrangência e um nível fora de vulgar. Quem quiser saber o que se passou no Colégio entre 1950 e 1957, tem ali uma preciosa fonte de informação. Está lá tudo. Segundo nos informa Costa Matos, a Conferência nasce no Colégio em 1952, pela mão do Padre Capelão José Maria Braula Reis, figura inesquecível de Capelão, cuja passagem pelo Colégio é recordada numa lápide existente do lado direito de quem entra na capela, no piso superior dos Claustros, bem como num painel de azulejos, fixado numa parede exterior de um dos edifícios da Feitoria, em São Julião da Barra. A este inesquecível Capelão, que no seu retiro para padres veteranos, lá para os lados de Coimbra, continua, nos seus vigorosos noventa e tal anos, a interessar-se pelas coisas do Colégio, sendo leitor desta revista, envio daqui um apertado abraço de muita estima, respeito e gratidão, por tudo aquilo que nos ensinou acerca da vida e acerca da bondade de Deus, esta ultima parte até àqueles que diziam «graças a Deus sou ateu». Havia um Antigo Aluno, de quem eu era muito amigo,

que só entrava numa igreja para uma missa se a mesma fosse celebrada pelo nosso Capelão Braula Reis. Quando entrei para o Colégio, no meu 3º ano, o Capelão Braula Reis já lá não estava. Estava em Macau, em comissão de serviço. Mas o seu espírito e a sua obra lá permaneciam. A malta do meu curso falava dele como sendo um «gajo porreiro» e a Conferência lá seguia, com um peditório, durante a aula semanal de «Religião e Moral», para a família assistida por cada turma e com uma visita a essa família ao sábado à tarde, em que as aulas acabavam às 16h00, mas em que o trabalho dos delegados de turma só acabava bem mais tarde, após a visita à família sua assistida. No meu 4º ano, juntamente com o Jorge Pedro de Almeida Cabral (278/1955), coube-nos a tarefa de sermos os delegados da turma do 4ºA. Lá fazíamos o peditório semanal habitual e ao sábado saíamos, cada um munido de uma velha pasta de cabedal, que alguém nos emprestava, direitos a uma pequena mercearia que existia junto do grande edifício, agora sede da Junta de Freguesia de Carnide, onde enchíamos as pastas com tudo aquilo que o pecúlio angariado na turma nos permitia comprar. Parecendo que não, a Conferência Colegial foi para os donos daquela modesta mercearia, durante vários anos, uma fonte de receita não muito grande, mas segura. O que se comprava, dava apenas para suprir as necessidades de alimentação mais básicas. Era o arroz, o ma-


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«duche gelado», que nos fez dar verdadeiro valor ao facto de não termos nascido e vivido naquelas condições. Fruto daquela visita de Sábado, o nosso já curto fim de semana ficava anda mais curto, mas era muito mais apreciado, pois podíamos dar graças e ter uma muito maior consciência do valor dos mimos que em nossas casas nos esperavam.

carrão, o feijão e o grão. Se a colecta semanal tivesse sido excepcionalmente boa, ainda nos conseguíamos abalançar a comprar um ou dois chouriços, ou até uma garrafa de azeite, que para aquela pobre gente era ouro sobre azul. Feitas as compras, lá seguíamos, ajoujados com as pastas carregadas, até ao nosso destino. O destino do 4ºA, naquele ano, era uma barraquita situada já fora de Carnide, numa das estreitas azinhagas, lamacentas no Inverno e poeirentas no resto do ano, que então aí convergiam. A dita barraquita, de uma só divisão, servia de «habitação» a uma pobre família de quatro elementos. Um homem inválido, de

idade indeterminada, uma mulher já com o cabelo todo branco, que viemos a saber com grande surpresa que apenas tinha 36 anos, mais parecendo uma velha, uma filha com uns dez anitos, que constituía a maior preocupação da sua mãe, pois já havia uns matulões a segui-la para a desgraçar, e um rapazito de uns seis ou sete anos de idade. Viviam os quatro, em completa promiscuidade naquele compartimento único, que a mulher, com grande esforço, procurava manter arrumado e limpo, desfazendo-se semanalmente em desculpas, por não nos poder receber em melhores condições. Nos nossos 13/14 anos de idade de então, aquele nosso contacto directo com aquela miséria, foi um verdadeiro

Implicando a assistência àquelas famílias o consumo de algum tempo do nosso fim de semana, as atitudes relativas à condição de delegado de curso eram diferentes consoante os Alunos pertenciam ao grupo dos que tinham família em Lisboa e arredores, ou ao grupo dos que por regra passavam o fim de semana no Colégio, por não terem famílias nessas condições. Os do primeiro grupo (os lisboetas), procuravam em regra convencer os do segundo grupo (os provincianos), que eram eles que tinham o privilégio de reunir as melhores condições para o desempenho das funções, por não terem os seus pais à sua espera aos Sábados. Os do segundo grupo dividiam-se em dois subgrupos distintos, que eram: o daqueles que nem a tiro queriam sair do Colégio ao fim de semana, para poderem jogar intermináveis partidas de futebol nos campos ou nos gerais, consoante o estado do tempo, e o daqueles mais compreensivos, que se deixavam convencer pela argumentação dos lisboetas e que lá iam visitar os pobres. Compensavam o incómodo de terem de mudar de uniforme, com o prazer de passarem umas horas fora do Colégio, visitando Carnide, uma pequenina aldeia na altura, tirada apenas do mapa do anonimato por ser o términus de uma linha de carros eléctricos da Carris. Quando a Carris inaugurou aquela linha, uns largos anos antes do meu tempo no Colégio, as criadas dos senhores oficiais que viviam no Largo da Luz ou no Início da Azinhaga da Fonte, vinham por vezes a correr à paragem que havia em frente ao Colégio, pedir aos guarda-freios dos eléctricos que esperassem uns minutinhos, que as suas senhoras, que estavam a acabar de se arranjar para ir à Baixa, já aí vinham e não podiam perder o eléctrico. Ou porque os guarda-freios quisessem ficar de boas relações com as criaditas, ou por respeito aos senhores oficiais e respectivas senhoras, aqueles pedidos eram em regra atendidos. Outros tempos, nal-


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A Conferência de São Vicente de Paulo

guns aspectos bem melhores do que os de hoje, sobretudo se não se pertencia à arraia miúda. Mas voltemos à Conferência e aos seus delegados. Do grupo dos que não saíam ao fim de semana do Colégio, mas que se incluíam no subgrupo dos que sistematicamente se deixavam cravar e se dispunham a ir visitar os pobres, não posso deixar de lembrar dois elementos do meu curso: o Manuel António Salgueiro Lopes (205/1955), com os pais em Aveiro, e o Francisco Manuel Geraldo de Faria Paulino (265/1956), natural do distante arquipélago da Madeira. Eram dois companheiros de uma bondade excepcional, o que vulgarmente se chama «corações de oiro». O Salgueiro Lopes morreu num desastre de aviação no Negage, no Norte de Angola, durante a Guerra do Ultramar. O Chico Paulino vive pacatamente a sua reforma no Funchal, sua terra natal, agora de cabelo e barba brancas, mas mantendo o seu vigor físico de sempre, como pude comprovar através da televisão, em que o vi como remador de um bote, numa regata de travessia da Baía do Funchal. Tal como afirma Costa Matos no seu livro «Histórias e Memórias», o Capelão Braula Reis voltou ao Colégio em 1958 (no meu 4º ano). Manteve-se no Colégio, se bem me lembro, até ao início da Guerra do Ultramar, tendo seguido para Angola como Capelão. Afirma também Costa Matos no seu livro, que a última acta de reuniões da Conferência é datada de 4 de Dezembro de 1958, de onde se conclui que aí se finou a Conferência. Penso poder dizer que esta conclusão carece de correcção. Penso que a Conferência se prolongou, pelo menos, até à minha saída do Colégio. De outra forma não faria sentido eu sugerir que a verba sobrante da nossa reunião de curso revertesse para a mesma. É bem provável que a Conferência tenha continuado por uns tempos, mas sem o formalismo das actas das reuniões, para não sobrecarregar as tarefas dos carolas que a mantinham de pé. Há uns tempos atrás, em conversa com o Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958), disse-me ele que também tinha feito parte da Conferência, o que confirma que ela não se finou em 1958. Para terminar este desfiar de recordações, lembro que em Outubro de 1958, quando o

internato passou para o «Colégio Novo», cada Aluno passou a dispor de um armário individual, para aí colocar a sua farda de pano, botas, botas altas e calções de montar, quando os tinha. Foi um salto civilizacional notável. No «Colégio Velho» as únicas peças de mobiliário, para além das camas, de que dispúnhamos nas camaratas, eram as «peniqueiras», destinadas aos penicos que podíamos usar à noite para urinar. Os penicos e as respectivas peniqueiras não eram, porém, peças de uso individual, pois cada um e uma eram compartilhados pelos dois Alunos cujas camas as ladeavam. Foi assim, que, durante um ano, compartilhei com o António Filipe Nunes Salvador Tribolet (61/1956) um penico e a respectiva peniqueira, que presumo terão sido vendidos ao desbarato, provavelmente na Feira da Luz de Setembro de 1958, para assim se poder angariar uma verba suplementar para fazer face às despesas de construção do «Colégio Novo». Era assim que se zelava, com rigor, pelos interesses da Fazenda Nacional. Voltando aos armários individuais das camaratas do «Colégio Novo», que eram uns elegantes armários de madeira, bem diferentes dos armários metálicos, à prova de pontapé, da tropa comum, era no meu armário que eu guardava o dinheirito que angariávamos para dar aos pobres. O «cofre forte» onde eu punha o dinheiro, era uma daquelas caixas metálicas de que nós dispúnhamos no nosso enxoval para aí colocarmos os componentes do nosso «pequeno equipamento», ou seja, agulhas, carros de linhas (pretas e brancas) e botões de vários tipos, desde os dos blusões até aos das camisas e das cuecas. Obviamente a caixa do pequeno equipamento não dispunha de qualquer fecho, os armários, por sua vez, não eram dotados de cadeados. Apesar disso, como era natural naquele tempo no Colégio, sabendo toda a gente onde eu tinha o dinheiro, nunca me faltou um tostão que fosse. Isto recorda-me uma entrevista dada à televisão, há uns anos atrás, por um Antigo Aluno do meu tempo, mais novo do que eu e orgulhoso tripeiro. Para dar a perceber ao entrevistador o que era o Colégio naquele tempo, disse-lhe apenas «Eramos mais do que 500 alunos, cada um com o seu armário, e não havia um único cadeado naquele Colégio».

NOTA FINAL Louvor concedido ao Capelão Braula Reis no final da sua comissão em Angola, de 1961 a 1963: «Sacerdote exemplar, inteligente e culto, desembaraçado e flexível, cheio de entusiasmo e espírito combativo na defesa das causas justas, tem sido um guia espiritual e um conselheiro amigo de todos nos momentos difíceis da vida. Visitou unidades e subunidades nos lugares mais perigosos, com verdadeiro estoicismo e desprezo pela vida, com desportivismo e com alegria, falando aos soldados a linguagem que eles compreendem, incutindo-lhes ânimo e coragem, sentido do dever e da moral cristã, o amor da Pátria e a justiça da causa porque combatemos. Na sede do comando do Sector desenvolveu uma obra de protecção aos naturais, velando porque fossem tratados com humanidade e justiça, tendo em mente a sua dignidade e valorização profissional e orientando as crianças para a escola e profissões, angariando colaborações voluntárias sem olhar a problemas materiais. Em relação aos habitantes, dirigiu toda a sua actividade com verdadeira coragem moral, mostrando a brancos e pretos as vantagens da edificação de uma sociedade multirracial em que cada um tem os seus deveres e os seus direitos». Era assim o nosso Capelão.


Cinema

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Cinema

A

semana era longa e demorava a passar. A quarta-feira era um dia de viragem, talvez por coincidência o horário da tarde costumava ser mais ligeiro e, finalmente, à noite havia cinema. No velho teatro da Formação, decrépito e com cheiro a cavalariça. Mas não interessa. Terminado o jantar as companhias marchavam e atravessavam o Largo da Luz em direcção ao cinema, que ocupavam rapidamente. A primeira no balcão, as outras na plateia por ordem de antiguidade, da frente para trás. Alguns Antigos Alunos apareciam para assistir à sessão, pois sempre era cinema de borla e o dinheiro era escasso. Chegado o Oficial de Dia começava então o espectáculo. Um ou dois complementos mais ou menos desactualizados e depois o filme principal. Por esta época tinha começado a classificação etárias dos filmes, que foi uma maçada para a minha geração, mas no Colégio a classificação não valia. A escolha dos filmes estava a cargo do capelão que, se bem me lembro, nunca deu abertura para filmes para maiores de 17 anos. Havia a preocupação de dar uns filmes inofensivos, que

não inflamassem as mentes nem provocassem grande excitação, por isso apanhámos xaropadas monstras, como os musicais de Hollywood dos anos 40, toda a série de filmes do Jerry Lewis e Dean Martin e, também, muita coboiada. Mas também se viam filmes bons de vez em quando, como Rio Bravo, que ia fazendo vir a casa a baixo, A Ponte do Rio Kway, que provocou várias explicações dos oficiais entre os quais o Manuel Cerqueira em plena aula de equitação, O Homem que sabia demais com a costumada Doris Day a cantar, etc. Um belo dia o Subdirector resolveu ir ao cinema e fazer uma prelecção antes do filme, O mordomo da ilha deserta, exaltando as qualidades de trabalho e de liderança do mordomo, que se impos à família aristocrática que servia, incapaz de sobreviver sem ele. Não caiu bem. Nós queríamos era ver o filme e depressa, e não ouvir mais uma seca. Nunca mais se repetiu. Também acontecia, de vez em quando, sermos avisados de que o filme continha alguma cena mais rebarbativa (imagine-se naquela época) e deveríamos aguentar sem manifestações demasiado barulhentas, como

era norma sempre que o rapaz beijava a rapariga. Barulho mesmo fazia-se quando a fita se partia. Lá se acendiam as luzes enquanto se procedia à colagem. Chegado o fim da sessão, lá se formava e regressava ao Colégio e à camarata, comentando o que acabáramos de ver, a maioria das vezes classificando o filme como sendo um barrete. Mas tinham sido umas horas de fantasia que nos tinha alienado das agruras da vida colegial. E assim revigorados enfrentávamos o resto da semana. João Nuno Ribeiro Ferreira Barbosa 16/1956


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Escolas Militares de Ensino no Mundo

Carlos Jorge Rodrigues Valdrez 354/1987

Escolas Militares de Ensino no Mundo D urante o meu percurso colegial tive o privilégio de ter participado numa delegação de seis alunos que se deslocou à exposição Futuro Remoto, em Nápoles. O Colégio Militar participou com um projecto de produção de energia a partir de biomassa. A delegação era composta pelos professores de Química e Mecanotecnia e por 2 alunos de cada curso do ensino secundário. Ficámos alojados na Scuole Militari dell’Esercito Nunziatella, o que resultou numa experiência fantástica. Cerca de 20 anos depois, durante uma viagem de trabalho a Aix-en-Provence, decidi fazer caminhada matinal de cerca de 30 minutos até ao meu destino. Nesse percurso, passei pelo edifício do Lycée Militaire d’Aix-en-Provence. Fiquei curioso e nessa mesma noite visitei a sua página da internet onde detectei algumas semelhanças com o nosso Colégio. Foi num momento de grandes alterações ao funcionamento do Colégio Militar que se percebeu ser importante compreender como outras instituições semelhantes reagiram aos desafios. O estudo que a AAACM fez sobre os Colégios Militares do Brasil e o Duke of York’s Royal Military School trouxe uma nova percepção que certamente contribuiu para uma discussão mais fundamentada e ponderada. Afinal, o objectivo da análise passava por perceber como poderíamos valorizar o nosso Colégio, se existiam Escolas Militares com princípios semelhantes ao Colégio Militar e se poderíamos aprender algo com elas. Durante uma reunião de um grupo de trabalho do Conselho de Delegados de Curso achei pertinente questionar se tinham sido analisados outros Colégios Militares. Fui terrivelmente

teria de partir à descoberta das páginas oficiais de cada um dos colégios mas… a língua ainda é uma barreira e por isso Bangladesh, Malásia, Nigéria e Rússia mostraram-se obstáculos intransponíveis. Por ter decidido apenas utilizar informação obtida através das páginas oficiais não continuei a pesquisa sobre a Rússia, mas sublinho a existência de diversa informação na Wikipédia sobre as escolas russas: o Corpo de Cadetes (fundado em 1732), as Escolas Militares Suvorov e as Escolas Navais Nakhimov deverão ser exemplos interessantes. Excluindo os 4 países com obstáculos linguísticos e o caso português, sobraram oito exemplos para analisar. Importa mais uma vez referir que toda a informação se baseia naquilo que o site de cada instituição oferece devendo por isso ser analisada com alguma atenção.

ingénuo e nesse momento foi-me lançado o desafio de tentar fazer uma primeira abordagem sobre os colégios congéneres. A primeira dúvida foi sobre o método que iria utilizar para encontrar esses colégios, mas as tecnologias actuais permitem algo que seria muito mais difícil de concretizar num passado “recente”. Optei por fazer uma busca na Wikipédia na qual me foi revelada a existência de 60 países com escolas de ensino militar (ensino superior destinado à preparação de oficiais) e 13 com escolas militares de ensino (ensino básico e secundário de matriz militar) às quais estava associada uma página electrónica: Bangladesh, Brasil, Canadá, Estados Unidos da América, França, Itália, Malásia, Nigéria, Portugal, Tailândia, Turquia, Reino Unido e Rússia. Pareceu-me um bom ponto de partida, agora País Bangladesh

Área (103 km2)

População 2012 (106)

PIB-PPC 2014 ($ per capita)

Nº de Colégios encontrados

144

150

3 385

12

Brasil

8 500

203

15 153

12

Canadá

10 000

34

44 518

1

EUA

9 300

309

54 678

44

França

544

65

40 445

6

Itália

301

60

34 445

4

PORTUGAL

92

10

26 306

3*

Turquia

784

75

18 254

3

Reino Unido

245

63

37 744

2

Tabela com alguns dados sobre os países analisados. * no momento da pesquisa ainda existia o Instituto de Odivelas.


Escolas Militares de Ensino no Mundo

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Bangladesh http://cadetcollege.army.mil.bd Com o objectivo de educar para um desenvolvimento abrangente, inclui treino militar elementar e promove os alunos como líderes do futuro. A escola pretende dar aos cadetes um elevado sentido de moralidade, responsabilidade, integridade, capacidade de liderança, disciplina e patriotismo através de práticas e actividades centradas na motivação e aconselhamento. O primeiro colégio surgiu em 1958 e actualmente o sistema é composto por 9 internatos masculinos e 3 internatos femininos (1º inaugurado em 1983 e restantes em 2006). Cada colégio aceita 50 alunos para o 7º ano, tendo um total de 300, pois lecciona até ao 12º ano de escolaridade. Tem-se mantido no topo do ranking nacional em termos de resultados académicos, mas também tem grande enfoque nas actividades extra-curriculares. As admissões são realizadas através de testes académicos, físicos e médicos. A propina varia entre 10 e 90€ para funcionários governamentais e 10 e 150€ para civis. Os que os frequentarem têm uma ligação profunda entre si e por isso existem associações de antigos alunos de quase todos os colégios.

Brasil http://www.depa.ensino.eb.br Já nosso conhecido, este sistema tem o objectivo de preparar os alunos para o ingresso no ensino superior, em estabelecimentos de ensino militares - com prioridade para a Escola Preparatória de Cadetes do Exército, ou instituições de ensino superior civis. Baseia-se nos pilares de uma educação preparatória e assistencial, ou seja, capacita todos os alunos para continuar os estudos e permite ajudar a colmatar as dificuldades impostas aos militares. O Sistema Colégios Militares do Brasil funciona do 6º ao 12º ano como externato e a partir de 1989 começou a aceitar alunas. As escolas albergam entre 700 e 2900 alunos. Durante a manhã é ministrado o ensino regular e à tarde existem aulas de reforço, cursos preparatórios e actividades desportivas e culturais. Desde 2001, o Colégio Militar de Manaus aplica também o ensino à distância tendo já sido abrangidos mais de 2000 alunos, de 38 localidades da Amazónia e de 32 países. Cada colégio abre vagas para militares e civis e podem existir transferências entre colégios. As admissões verificam-se entre o 6º e o 10º ano e são feitas através de testes médicos e académicos. A propina varia entre os 60 e 80€/mês. Os antigos alunos e os professores têm uma forte ligação à Escola.

Canadá http://www.robertlandacademy.com Num registo muito diferente, esta escola privada oferece um programa estruturado para cultivar a autodisciplina e o respeito próprio em rapazes com problemas académicos e comportamentais ou não tendo ainda atingido o seu verdadeiro potencial. A Academia Robert Land é uma escola privada de matriz militar e oferece reabilitação académica, turmas pequenas, estudos acompanhados e um programa desportivo e militar criando as fundações para uma aprendizagem estruturada e disciplinada e para uma vida em comunidade focada no desenvolvimento da mente, corpo e carácter. A escola funciona como internato masculino do 6º ao 12º ano e tem cerca de 125 alunos dos quais 20% são estrangeiros. Nos últimos 8 anos, os finalistas foram todos colocados no ensino superior. A admissão é feita através de entrevistas e a propina tem um valor de 38 000€/ano. A maioria dos rapazes admitidos têm dificuldades relacionadas com atitude, concentração, respeito pela autoridade e por eles próprios.


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Escolas Militares de Ensino no Mundo

Estados Unidos da América http://www.amcsus.org As diferentes escolas pretendem providenciar uma educação de qualidade sob um ambiente militar com foco nos valores, liderança e cidadania. Apesar de cada uma das escolas oferecer programas diferenciados, todas partilham uma grande tradição de excelência académica e de relacionamento próximo. Trata-se de um sistema de educação completo, com grande foco no desporto e fornecendo ferramentas para os alunos enfrentarem o mundo actual. Algumas escolas têm como opcional o programa JROTC (Júnior Reserve Officers Training) que se baseia no treino de matriz militar para a liderança e cidadania. A Associação dos Colégios Militares tem 44 escolas privadas com funcionamentos muito distintos com regimes de internato ou externato e frequência exclusivamente masculina, feminina ou mista. Aglomeram diferentes níveis de ensino (desde a pré-primária até à universidade) e albergam entre 85 e 460 alunos, havendo algumas escolas com base religiosa (católicas, metodistas, episcopais ou baptistas). As admissões são essencialmente por entrevista e mérito escolar. As propinas dependem da escola e do sistema adoptado, mas variam entre os 8 000 e os 46 000$/ano.

França http://www.formation.terre.defense.gouv.fr/Accueil/Decouverte/ODF/Lycees/Index.htm Os Liceus cultivam a excelência e o sentido de serviço ao Estado, tendo em conta a contínua necessidade de se adaptar à sociedade e ao mundo. A formação também se centra nos valores da coragem, disciplina, solidariedade e honestidade. Trata-se de um conjunto de escolas de preparação para o ensino superior (civil ou militar). Duas das escolas iniciam a oferta no 6º ano e as restantes quatro no 10º ano, oferecendo também dois anos preparatórios para as grandes escolas militares (Academias). Importa ainda frisar a existência de uma escola com ligação à Marinha e outra à Força Aérea. A admissão é feita através de provas de acesso académicas e médicas, existindo vagas para filhos de militares (70%), magistrados e funcionários públicos (15%) e bolseiros (15%). As escolas funcionam essencialmente em regime internato misto com cerca de 800 alunos que pagam uma propina de 2100€ por ano.

Turquia http://www.kkk.tsk.tr/Okullar/kuleli/MyBtWebPages/index.html http://www.denizlisesi.k12.tr/index_eng.html http://www.kkk.tsk.tr/Okullar/maltepe/MyBtWebPages/anasayfa.html As escolas pretendem formar jovens para as academias militares através do desenvolvimento da capacidade de adaptação, liderança, iniciativa, comunicação, responsabilidade e da adesão ao sistema de pensamento de Ataturk. Trata-se de um regime internato masculino do 9º ao 12º ano e com uma grande aposta no desenvolvimento físico através de diversos desportos: pentatlo militar, tiro, atletismo, luta, dança folclórica, judo, orientação, corta-mato, xadrez, taekwondo e natação. É também fundamental o peso da língua inglesa, com 8 a 12 tempos semanais, destacando-se a utilização de laboratórios de línguas com CBT (Computer Based Training) e vídeos aos quais se podem somar diversas actividades práticas como os clubes de teatro, de scrabble e o concurso de cultura geral. As aulas começam às 08h20, já depois de um estudo matinal, e terminam às 15h00. Após o término das aulas existe algum tempo para desporto e outras actividades extra-curriculares. Depois do jantar ainda existem 2 períodos de estudo. As admissões requerem uma entrevista e provas médicas, físicas e de cultura geral (turco, princípios do sistema de Ataturk, história da revolução turca, história, geografia, matemática e ciências).


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Itália http://www.difesa.it As escolas militares perseguem o objectivo de formar jovens responsáveis através de uma educação dotada de fortes componentes militar, desportiva, cultural e social. Esta experiência única pretende fornecer as ferramentas para o sucesso na vida futura quer se desenvolva numa carreira civil ou militar. O desenvolvimento do espírito de grupo é fortalecido através da formação militar (semana de campo nas escolas do Exército; viagem num navio escola na escola da Marinha; ou iniciação ao voo na escola da Força Aérea) que exalta os valores do respeito, lealdade, confiança e sentido ético, mas também nas actividades desportivas onde solidariedade, amizade e competição sã são fundamentais. A ligação das escolas ao seu ramo das Forças Armadas é evidente havendo mesmo quotas específicas para os alunos destas escolas. É dada grande importância à língua estrangeira (incluindo um curso intensivo com estágio de verão em Inglaterra), informática e desportos: karaté, judo, natação, esgrima, equitação, atletismo, basquetebol, voleibol, andebol, vela, ski e tiro. Em 2009 começaram a integrar raparigas, funcionando agora em regime de internato misto do 10º ao 12º ano. Trata-se de um conjunto de 4 escolas de 120 a 240 alunos com 50% das vagas reservadas para órfãos e filhos de deficientes das Forças Armadas. A admissão é feita através de provas de acesso psicotécnicas, médicas, físicas (atletismo e natação) e cultura geral (italiano, latim, inglês, matemática, ciências, história e física). A propina varia entre 1100 a 2100€ mas pode ser reduzida ou mesmo eliminada para órfãos, filhos de deficientes das Forças Armadas ou filhos de militares com altas condecorações ou ainda em casos de mérito académico.

Reino Unido http://www.dsfc.ac.uk/index.asp http://www.doyrms.com Ambas as escolas formam jovens para a vida militar ou civil através de um programa único de desenvolvimento pessoal, físico e intelectual. O foco está no sentido de comunidade, respeito e cidadania, assim como na liderança, excelência e carácter. As escolas apostam no desenvolvimento físico através do desporto: atletismo, badmington, cricket, corta-mato, futebol, hóquei em campo, netball, remo, rugby, squash, natação ténis, triatlo e voleibol. Mas o vector social também é sublinhado através da organização de eventos de angariação de fundos para ajudar a comunidade local. O acesso é garantido através de provas médicas, físicas e académicas, mas também dos resultados escolares anteriores. O Duke of York’s tem uma vertente assistencial muito importante com propinas de 1650 a 16500€ e um internato misto do 8º ao 12º ano. O Welbeck funciona como ponto de partida para os futuros oficiais das Forças Armadas e para aqueles que pretendem seguir uma carreira na administração pública. Tem uma propina que pode chegar aos 25 000€ e funciona num regime de internato misto para os 11º e 12º.

Em conclusão Apesar das diversas dificuldades e condicionantes associadas a esta análise julgo que poderemos retirar algumas conclusões.

› Todas as escolas têm uma identidade própria reconhecida a nível nacional e baseiam a sua actuação numa matriz militar de liderança e cidadania. › Quase todas as escolas se dizem no topo do ranking nacional sendo que boa parte afirma ter diversos tempos de estudo dedicados. › Existe um grande foco na componente desportiva com uma enorme diversidade de desportos. › Alguns colégios têm bolsas por mérito escolar motivando o desempenho académico dos alunos. › É realizada uma preparação para o ensino superior civil, mas também para o militar e para tal, em alguns casos, existem vagas especiais para as Academias Militares.

› A língua estrangeira, com especial destaque para o inglês, é considerada fundamental. A preparação é concretizada através de aulas práticas e actividades dedicadas.

› É ainda considerada uma componente social concretizada através da angariação de fundos para benefício da comunidade local.


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A Legião Portuguesa ao serviço de Napoleão

Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957

A Legião Portuguesa

ao serviço de

Napoleão

1

E

m artigos ultimamente publicados na nossa revista, mencionei por duas vezes a Legião Portuguesa, criada no tempo da 1ª invasão francesa e que foi integrar os exércitos de Napoleão, tendo combatido por toda a Europa. A primeira vez que a referi, foi no meu artigo intitulado «O 4 de Cavalaria», publicado no número 200 (pág 100) de Julho/Setembro de 2015, em que indiquei que parte deste regimento foi integrado nas forças que viriam a constituir a referida Legião. A segunda vez que a referi, foi no meu artigo «Tempos difíceis, O reinado do Senhor D. Miguel e o Colégio», publicado

no número 202 (pág 45), de Janeiro/Março de 2016, em que indiquei que Cândido José Xavier, que foi Director do Colégio, integrou a Legião Portuguesa, tomou parte na batalha de Wagram, na Aústria, em que foi dado erradamente como morto, tendo sido salvo no dia seguinte ao de tal batalha. Admito que muitos dos leitores desconheçam, ou tenham um conhecimento escasso, daquilo que foi esta Legião, razão pela qual decidi escrever este artigo, com o objectivo de a dar a conhecer, de forma muito sucinta. Para tal, socorri-me basicamente do livro cujo título é igual ao deste artigo, da autoria de Ribeiro

Arthur, publicado em Lisboa, em 1901, pela Livraria Ferin, ainda hoje situada na Rua Nova do Almada. O livro foi-me emprestado por José António Madeira de Ataíde Banazol (631/1968), a quem agradeço essa amabilidade. Conforme nos indica Ribeiro Arthur na sua obra, a mesma é baseada nas memórias escritas pelos legionários Theotónio Banha e José Garcês e num livro relativo ao assunto da autoria do comandante francês M.P. Boppe. Na exposição agora apresentada segue-se a cronologia dos acontecimentos, que permitirá ao leitor situá-los no tempo.

1 As ilustrações respeitantes a Napoleão, Marquez de Alorna e Gomes Freire foram extraídas do livro “A Legião Portuguesa ao serviço de Napoleão” Livraria Ferin 1901. O mapa das Campanhas Napoleónicas é cópia de original publicado em “The Times Atlas of World History” da Editora © 1991 Times Books Limited, Londres, na versão francesa © 1991 Encyclopaedia Universalis France S.A.


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1807 A 22 de Novembro o exército de Junot penetra em Portugal, chegando a Abrantes dois dias mais tarde. A 27 de Novembro a família real embarca em Lisboa com destino ao Brasil (15.000 pessoas em 36 navios). Devido ao mau tempo no dia 28, a esquadra só levanta ferro no dia 29. A 30 de Novembro Junot entra em Lisboa com a sua guarda avançada, ficando «a ver navios» à distância, ultrapassada a barra do Tejo. Ainda com Junot em Espanha, a caminho de Portugal, já Napoleão lhe dava ordens para desarmar e licenciar o exército português e para recrutar os seus melhores elementos para os pôr ao seu serviço. A 12 de Novembro recomendava «Podeis mesmo reunir um corpo de cinco a seis mil homens do exército português, oficiais e soldados, fazendo-os marchar por colunas de 1.000 homens para França, declarando-lhes que os tomo ao meu serviço; fazei-os ajuramentar». Passados dias, a 20 de Novembro, referia «Não vos demoreis um instante em desfazer-vos do exército português; o que será fácil no primeiro mês, tornar-se-á difícil depois. Que parta imediatamente logo que tenha prestado juramento. Fazei-o dirigir em batalhões para Bayonne». Dando cumprimento às ordens de Napoleão, Junot decretou que os 24 Regimentos de Infantaria portuguesa fossem reduzidos a 6. A Cavalaria foi reduzida de 12 a 3 Regimentos, recebendo tanto a Infantaria como a Cavalaria a organização francesa. A Artilharia e a Engenharia mantinham a organização portuguesa. Com os restos dos Regimentos formou-se ainda um Batalhão de Caçadores a cavalo e um Batalhão de Caçadores a pé. Foram nomeados os seguintes militares para o comando superior destas forças: - Comandante: Marquês de Alorna (D. Pedro de Almeida). - 2º Comandante: Gomes Freire. - Chefe de Estado-Maior: Manuel Inácio Martins Pamplona. - Comandante da 1ª Divisão: D. José Carcome Lobo. - Comandante da 2ª Divisão: João de Brito Mouzinho


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1808 No início de Abril, ainda não concluída as «reduções» iniciadas em Fevereiro, Junot ordena que as primeiras tropas marchem para Salamanca e daí para Valladolid. Segundo Ribeiro Arthur «Marcharam os soldados num estado deplorável de arranjo, fardas de todos os feitios e de todas as cores, parecendo mais um bando de guerrilheiros estropiados do que soldados de linha». Logo no início da marcha começam as deserções de soldados que não queriam deixar a sua Pátria e famílias. Já em Espanha desertou mais de metade do 3º Regi-

mento de Infantaria. Cerca de 300 homens em conjunto voltaram para Portugal pela estrada de Valladolid. Quanto a oficiais não houve deserções conjuntas, pois segundo Garcês «pensando cada um que já tinha posto no exército e idade de servir, que, se não marchasse como oficial, dando baixa, poderia ir depois como recruta e soldado, a razão e o bom senso fez com que muitos oficiais partissem a servir, contra sua vontade, uma nação que não era a sua, longe dos lares em que tinham nascido». As primeiras tropas chegam a Salamanca a 16 de Abril, a Victória a 14 de Maio e a Burgos no dia 29 de Maio. Em Burgos o marquês de Alorna adoece gravemente, sendo o comando das tropas portugue-

sas assumido por Pamplona, que recebeu ordem de seguir para Bayonne, onde se encontrava Napoleão e onde poderiam prover-se de armamento e uniformes. No início de Junho passou Napoleão a primeira revista a tropas portuguesas. Em 18 de Maio, com as tropas ainda em marcha através de Espanha, foi publicado o decreto de organização da aí designada Legião Portuguesa. A Legião era composta por duas brigadas de infantaria e uma de cavalaria. O Marquês de Alorna ficou comandante da Legião, Pamplona ficou comandante da brigada de cavalaria e D. José Carcome e Brito Mouzinho ficaram comandantes de cada uma das brigadas de infantaria. Foi ainda criado um batalhão de depósito para toda a infantaria e um esquadrão de depósito para toda a cavalaria. No início de Julho estava a Espanha em situação de insurreição geral, dado não aceitar a nomeação de José Bonaparte, irmão de Napoleão Bonaparte, como rei de Espanha. Face a esta situação, decide Napoleão dar utilização a parte da Legião ainda em Espanha, para ajudar a combater tal insurreição. Forças portuguesas seguiram para Victória, que ficou com uma guarnição de cerca de 6.000 homens, franceses e portugueses, com Pamplona a comandar a praça. Forças da Legião foram postas à disposição do general francês Verdier, que ficou a dispor de 15.000 homens para o cerco a Saragoça, que durou de 2 de Julho a 13 de Agosto, data em que foi levantado o cerco. Verdier perdeu aí, entre mortos e feridos, 4.000 homens, sendo 300 portugueses, dos quais dois oficiais. Foi só no início de 1809 que entraram em França as forças que estiveram no assédio de Saragoça. É de notar, que, mesmo na parte final da travessia de Espanha pelos vários contingentes da Legião, continuaram as deserções dos nossos legionários, que esqueciam o juramento prestado à bandeira francesa, na ânsia de voltar à Pátria e combater por ela. Não seria alheio a este procedimento notícias que eventualmente lhes terão chegado de Portugal. Em Portugal a vitória não sorriu a Junot. Desembarcadas em Portugal, no início de


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Agosto, as tropas inglesas, Junot é derrotado a 17 de Agosto na batalha de Roliça e volta a ser derrotado a 21 de Agosto na batalha do Vimeiro, o que levou à assinatura da Convenção de Sintra, em 30 de Agosto, entre os ingleses e os franceses, o que permitiu a estes últimos retirarem de Portugal com o produto de todos os saques que tinham praticado. Na Convenção de Sintra a questão da Legião Portuguesa foi ignorada. Admitiu-se, na altura, que tal «esquecimento» se tenha devido à falta de interesse dos ingleses em verem de volta a Portugal homens com o prestigio do Marquês de Alorna, de Gomes Freire e de Pamplona, bem como da oficialidade da Legião em geral, nobre na sua maior parte, possivelmente já «afrancesada». A parte da Legião que não foi empregue em Espanha passou o mês de Julho em França em trabalhos de organização das unidades «à francesa» e de recepção de uniformes. Napoleão, a fim de que as tropas não estranhassem a rápida mudança de clima, resolveu o seu acantonamento na zona do Languedoc, no Sul de França. No entanto, esta resolução foi rapidamente revista, devido à deserção então ocorrida, em diferentes circunstâncias, do espanhol Marquês de La Romana com as suas tropas. Antevendo Napoleão o perigo de deserção dos portugueses, decidiu afastá-los da fronteira espanhola e determinou, que a infantaria portuguesa partisse para Grenoble e a cavalaria para Avignon. Chegou a ordem a 13 de Agosto e nesse mesmo dia puseram-se as tropas em movimento. Seguiram em conjunto até Avignon, onde chegaram a 3 de Setembro. Após uma revista da Legião pelo Marquês de Alorna, já recuperado da sua doença, a infantaria e a cavalaria separaram-se, seguindo a cavalaria para Gray, via Lyon e Poligny, onde chegou a 22 de Setembro, aquartelou e passou o Inverno, tendo recebido um «gracioso acolhimento» da população local. A infantaria por seu turno acabou por deslocar-se para Grenoble, como previsto. O Marquês de Alorna foi entretanto chamado a Paris, daí mandado para Espanha, reunir-se ao general Soult, que iria comandar no ano seguinte a 2ª invasão francesa a Portugal, indo depois para o quartel ge-

neral de José Bonaparte, não voltando à Legião senão em 1912.

1809 Desde o início deste ano era evidente que a situação da Áustria ameaçava um rompimento. Napoleão querendo verificar se as tropas portuguesas estavam em condições de entrar em guerra, ordenou uma inspecção às mesmas em Grenoble. O general Dumas responsável pela inspecção, informou Napoleão que era excelente o espirito das tropas, dizendo «A qualidade dos homens é boa, o fundo das companhias de elite belo, o resto é de média e

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pequena estatura, mas nervosos, na força da idade e desejando marchar; tem menos doentes do que nenhuma tropa francesa», dizia ainda que os efectivos dos regimentos estavam diminuídos, não sendo possível recrutar mais pessoal em Portugal. O Imperador decide então tirar desses regimentos três batalhões de elite, que formariam uma meia brigada de 1.500 homens, a qual foi a 13ª meia brigada do corpo de granadeiros reunidos do general Oudinot. Dois dos batalhões de elite eram de granadeiros, sendo comandados pelos majores Cândido José Xavier (futuro director do Colégio Militar) e Baltazar Ferreira Sarmento. O terceiro batalhão era de atiradores e comandado por Francisco Stuart. O comando da 13ª meia


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brigada foi dada ao coronel Francisco Pego (Marquês de Ponte de Lima). O general francês Dumuy, depois de passar revista a esta tropa informou o ministro da guerra «Fiquei perfeitamente satisfeito; são doze soberbas companhias, todos homens robustos, já bem exercitados e prontos para entrar em campanha». O general Dumuy disse ainda, que os portugueses estavam lisonjeados com a escolha, que oficiais e soldados queriam à porfia fazer parte da meia brigada e todos os coronéis invejavam a sorte do coronel Pego.

Quando a 13ª meia brigada chegou a Viena, já tinha perdido 140 praças e ganho a estima de Oudinot.

A 26 de Abril a 13ª meia brigada parte para a Alemanha, indo encontrar-se em Estrasburgo com a cavalaria portuguesa vinda de Gray. A infantaria começa a combater o inimigo depois de transpor o Reno e o Irun, sendo incorporada nas forças do general Oudinot depois da batalha de Essling.

A 6 de Julho dá-se a grande batalha de Wagram. Na véspera da batalha o general Oudinot mandou ocupar uma altura importantíssima para a batalha do dia seguinte, que estava ocupada pelos austríacos, que a defendiam vivamente com o seu fogo. Os regimentos franceses encarregados do

A 19 de Maio a infantaria e a cavalaria voltam a encontrar-se em Saint Polten, mas logo se separaram. A cavalaria ficou em Ebersdorf, onde se situava o palácio de verão do Imperador da Áustria, em que Napoleão se instalou, confiando a sua guarda pessoal à cavalaria portuguesa, que se desempenhou dessa missão como se de veteranos se tratassem.

ataque começaram a debandar, ficando os batalhões portugueses, que ocupavam a retaguarda, face a face com o inimigo. Avançaram tão audaciosamente sobre ele, que os fugitivos, estimulados pela firmeza dos nossos batalhões, voltaram a reunir-se-lhe. Napoleão, ao tomar conhecimento que era a nossa Legião em acção, exclamou «Poupem-me os portugueses». Wagram foi tomada no dia 6 ao meio dia. Oudinot ganhou nesta batalha o seu bastão de Marechal. Os batalhões portugueses perderam cerca de 300 homens, sendo 4 oficiais. Cândido Xavier (futuro director do Colégio Militar) ficou toda a noite caído no campo de batalha entre mortos e feridos. Só no dia seguinte se constatou que estava vivo. O general Foy, que mais tarde viria a integrar a 3ª invasão francesa a Portugal, sob o comando de Massena, escreveu nas suas memórias «Dois batalhões portugueses


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cobriram-se de glória na véspera e dia da batalha de Wagram». A cavalaria portuguesa foi empregue na perseguição do inimigo, em que perdeu vários homens e dois oficiais. No agradecimento em ordem do dia que Napoleão dirigiu aos corpos que tomaram parte na batalha de Wagram, exprime-se a respeito da Legião Portuguesa nos seguintes termos «Estou contente convosco, uma parte da vitória de Wagram vos é devida». No dia 11 de Julho chegou o Imperador a Znaim, onde a cavalaria portuguesa, comandada pelo marquês de Loulé, dava duas soberbas cargas que mereceram elogios na ordem do dia do boletim do exército. No rescaldo da batalha de Wagram foram feitas bastantes promoções na 13ª meia brigada e concedidas a vários soldados e oficiais as insígnias da Legião de Honra. As perdas gerais da Legião Portuguesa na campanha alemã foram de aproximadamente 500 homens, sendo vinte oficiais. Foram perdas muito pesadas para uma meia brigada que tinha um efectivo de cerca de 1500 homens. De Grenoble foi enviado um batalhão provisional, comandado pelo conde de S. Miguel, para suprir as baixas da 13ª meia brigada, mas não chegou a reunir-se-lhe, ficando de guarnição em Hanover. Um segundo batalhão provisional foi então enviado, sob o comando do marquês de Valença, mas não chegou a entrar na Áustria, ficando em Nuremberga. Gomes Freire conservava-se em Grenoble com o comando nominal da Legião. Antes de terminar o relato dos acontecimentos mais notáveis de 1809, recorda-se que este foi o ano da 2ª invasão francesa a Portugal, comandada pelo general Soult. Foi uma campanha rápida, entraram em Portugal a 7 de Março pela zona de Chaves e saíram, acossados pelas forças portuguesas, a 17 de Maio pela zona de Montalegre, depois de todo o exército ter de passar pela estreitíssima ponte da aldeia de Misarela, onde tiveram de abandonar parte da sua artilharia e trem de abastecimentos.

1810 As tropas portuguesas passam o Inverno em Ratisbona. Em Abril dá-se a deslocação das tropas para Nuremberga, onde o general Gomes Freire assume o comando de

todas as tropas portuguesas na Alemanha. Em Junho as tropas chegam a Mayença onde no dia 26 o general francês comandante da 26ª divisão lhes passa revista. No relatório dessa visita elogia a disciplina da tropa e comunica que há na Legião muitos feridos e inválidos. A Legião é de seguida enviada para França, chegando a Metz a 13 de Agosto. De Metz é a Legião enviada para Paris, onde deveria ficar um mês de guarnição, o que era considerado uma honra por todo o exército, tendo os portugueses feito orgulhosamente, no dia 19 de Outubro, a guarda ao palácio do Imperador. Em Paris o Imperador passa revista à Legião, ocorrendo então um episódio notável, que é assim descrito no livro de Ribeiro Arthur «No fim da revista mandara o Imperador formar a infantaria em quadrado e entrando com o seu estado-maior para dentro dele, falou aos soldados dizendo-lhe que na sua pátria estavam os ingleses, os quais eram dela os maiores inimigos, perguntando-lhes se queriam ir convencer os outros portugueses desta verdade? Apesar do entusiasmo que a permanência nos exércitos imperiais tinha despertado nos soldados por Napoleão, a ideia de empregar as suas armas em Portugal fê-los estremecer e poucos se atreveram a responder que sim. O Imperador devia ter reflectido sobre a hesitação e a ideia de incorporar a Legião Portuguesa nas forças invasoras de Massena, pareceu-lhe menos realizável do que julgara». Independentemente deste episódio o marquês de Alorna, que estava em Espanha é mandado reunir-se ao exército de Massena em Ciudad Rodrigo, onde se lhe juntaram Pamplona e o seu ajudante de campo António Nobre, os marqueses de Valença, Loulé e Ponte de Lima, os condes de Sabugal e de S. Miguel, D. Manuel de Sousa, José de Vasconcellos, Manuel de Castro, Cândido José Xavier (futuro director do Colégio Militar) e o tenente António Severino de Gusmão. Apesar de estarem proscritos em Portugal, o marquês de Valença, o marquês de Ponte de Lima e José de Vasconcelos desertaram. Foram presos em Portugal, sendo reintegrados em 1912, pelo General Beresford, no exército português. O principal objectivo de pôr oficiais portugueses às ordens de Massena era de obter informações sobre Portugal, o que não teve êxito por a maior parte deles não conhecer o interior

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do país. Os chefes franceses tiveram a delicadeza de poupar-lhes missões em que eles tivessem de encontrar-se de armas na mão com os seus compatriotas. O marquês de Alorna acabou por voltar a França já no ano seguinte, em 1811, acompanhado pela maior parte dos oficiais, a tempo de serem reintegrados na Legião, vindo a fazer parte das tropas que foram enviadas para a campanha da Rússia. No final do ano de 1810 as forças portuguesas tomam quarteis de Inverno, a infantaria em Bourges e a cavalaria em Chateauroux. Quanto à invasão de Portugal pelas tropas de Massena os eventos principais ocorridos são os seguidamente indicados. Em 15 de Agosto Massena entra em Portugal e põe cerco à praça de Almeida. Progredindo para Sul enfrenta as tropas anglo-lusas na Batalha do Buçaco, que retiram, como fora planeado, para o conjunto de fortificações que ficou conhecido como as Linhas de Torres, que Massena reconhece não ter capacidade de transpor. Dado na zona a Norte das Linhas de Torres se ter praticado a politica da «terra queimada», o exército francês acaba por estabelecer quarteis de Inverno na zona de Santarém.

1811 No mês de Abril começou Napoleão os preparativos para a campanha da Rússia, que iria ter lugar no ano seguinte e em que a Legião Portuguesa iria participar. A 2 de Maio Napoleão promulga um decreto de reorganização da Legião Portuguesa que fica reduzida a três regimentos de infantaria, um regimento de cavalaria e um batalhão de depósito. A nova organização ficou completa no mês de Outubro. O general Gomes Freire ficou a comandar a Legião. A infantaria foi enviada para Toul e a cavalaria, comandada pelo marquês de Loulé, foi enviada para Epinal. No que concerne a Portugal, no mês de Março dá-se o início da retirada do exército de Massena para Espanha, tendo ficado a cobertura da retaguarda a cargo das tropas do general Ney, o qual iria no ano seguinte tomar parte na campanha da Rússia, acabando por comandar tropas da Legião Portuguesa.


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A Legião Portuguesa ao serviço de Napoleão

1812 Em 2 de Janeiro, Napoleão publicou a organização do Grande Exército (La Grande Armée), que iria marchar para a Rússia. Era um exército de 600.000 homens, dos quais apenas metade eram franceses. Em Março o Marquês de Alorna, que voltara de Portugal em 1911 com o exército de Massena, é promovido a general de divisão e é mandado inspeccionar os regimentos portugueses e preveni-los que que iriam entrar na campanha da Rússia. Quatro regimentos portugueses que estavam completos, tiveram os seguintes destinos: - O 1º de infantaria, comandado pelo coronel Pego, incorporou-se na 1ª divisão do 1º corpo de Exército, comandado por Ney. - O 2º de infantaria, comandado primeiro por Balthazar Ferreira e depois por Cândido José Xavier, incorporou-se também na 1ªdivisão do 1º corpo de exército. - O 3º de infantaria, comandado por Pereira de Mesquita, incorporou-se na 1ª divisão do 2º corpo de exército, comandado por Oudinot. - O regimento de Cavalaria, completo em homens mas com muita falta de cavalos, partiu com 150 homens a cavalo, enquanto o comandante de esquadrão João de Mello seguiu para Hannover com 250 homens para receberem cavalos. Este segundo corpo só se veio a reunir ao primeiro já em Moscovo. Os portugueses enfrentaram pela primeira vez os russos na tomada de Smolensk, junto ao rio Dnieper. O 1º batalhão do 2º regimento de infantaria português foi a primeira força a atravessar o Dnieper, para proteger a operação de lançamento da ponte de barcos por onde iria passar todo o exército. Chegou a lutar à baioneta com os soldados russos que defendiam o arrabalde da cidade, tendo cumprido a sua missão. O exército francês atravessou o rio durante a noite e de manhã começou o ataque da praça, que foi tomada em 48 horas, brilhante acção em que os regimentos portugueses se distinguiram, tendo sofrido grandes baixas.

Ultrapassada Smolensk o exército parte em direcção a Borodino. Após dois dias de marcha, numerosas forças russas opõem-se no planalto de Valontina à progressão do exército francês, travando-se um combate que durou 8 horas e que causou grande número de baixas francesas e portuguesas. Perante esta situação Napoleão ordenou que os regimentos de quatro batalhões passassem a dois batalhões. Nessa altura o 2º regimento da Legião uniu-se ao 1º, ficando ambos sob o comando do coronel Pego. Na marcha de Smolensk para Borodino, Napoleão passou pelo corpo de exército do marechal Ney e reparou que os portugueses marchavam na frente da coluna, lugar que não era costume ser ocupado por estrangeiros, e fez a esse respeito uma observação ao marechal, que lhe respondeu «Sim, Senhor, são os portugueses os nossos guias e os que os seguirem não se desviarão nunca do caminho da honra». Na batalha de Borodino os dois regimentos da Legião sob o comando do coronel Pego, foram à frente do corpo de Ney atacar à baioneta um reduto de russos que fazia o centro das suas linhas. Tiveram mais de 500 baixas entre mortos e feridos. Cândido José Xavier (futuro Director do Colégio) foi de novo ferido nesta batalha, em que o exército napoleónico teve 70.000 baixas entre elas 27 generais franceses. Depois desta batalha os regimentos portugueses ficaram muito debilitados, tendo-se seguido a sua destruição, mais tarde, durante a retirada a partir de Moscovo. A acção das tropas portuguesas na marcha sobre Moscovo foi oficialmente reconhecida. O Coronel Pego foi promovido a general de brigada, muitos portugueses receberam a Legião de Honra e Napoleão dirigindo-se-lhes em proclamação referiu «Que a posteridade mais remota cite com orgulho a vossa conduta neste dia». Em 14 de Outubro entraram as tropas napoleónicas em Moscovo, a cidade santa dos Czares, a cidade das torres e das cúpulas douradas, em grande parte abandonada. O marechal Mortier devia ficar em Moscovo com 18.000 homens para guarnecer o Kremlin. Destas tropas fazia parte o que restava das gloriosas fileiras portuguesas do coronel Pego.

No dia 22 mandou o Imperador ordem a Mortier para abandonar Moscovo, o que devia fazer-se alta noite, deixando as muralhas desmanteladas e o Kremlin em chamas. A retirada deu-se em marchas forçadas, com a cavalaria na testa da coluna, defendendo-a dos ataques dos cossacos. O objectivo era retirar sobre Smolensk, para aí estabelecer quarteis de Inverno. Durante essa retirada o «general Inverno» fez valer os seus argumentos. Na noite de 8 de Novembro uma violenta nortada fez baixar a temperatura para 27 graus abaixo de zero. É impossível descrever as cenas de desordem, de pilhagem, de selvageria e de horror daquela retirada trágica. O frio gangrenava os membros dos homens, as armas queimavam-lhe as mãos e tinham que quebrar à espadeirada e a coronhadas o gelo, para poderem encontrar um pouco de água. O duque de Treviso elogia a fraternidade dos portugueses nestas circunstâncias horríveis, unindo-se, auxiliando-se quanto podiam, tornando-se por isso notados no meio da anarquia reinante. Chegadas as tropas a Smolensk receberam os homens duas rações de pão, duas de arroz e um quartilho de aguardente. Em vez de ficarem aí aquartelados, receberam ordem para retomar a marcha no dia 14 de Novembro. Nesta cidade o resto dos regimentos portugueses encontraram o general Gomes Freire que vinha incorporar o estado maior do Imperador. A 16 de Novembro as forças de Mortier chegam a Krasnoe. Os russos procuravam tornear Krasnoe e cortar a retirada de Napoleão. No dia 17 uma avalanche de cossacos ataca as nossas tropas, mas é posta em debandada por uma carga impetuosa da nossa cavalaria comandada pelo marquês de Loulé. O próprio regimento de Pego, agora reduzido a 150 homens, atacou também os cossacos. Neste combate perdeu a nossa infantaria um oficial e quarenta soldados e a cavalaria um oficial e doze soldados. A 18 de Novembro as forças de Mortier deixam Krasnoe e marcham para Orcha, onde já se encontrava o Imperador. A Orcha chega também perseguido pelos russos o marechal Ney (agora príncipe de Mosco-


A Legião Portuguesa ao serviço de Napoleão

vo) que se supunha capturado pelo inimigo. Cem cavalos do regimento português e o resto da nossa infantaria saem ao seu encontro, contentes de terem ocasião de mostrar a sua gratidão ao grande marechal, que fora seu chefe. Continua a marcha e chega ao exército a notícia que os russos procuravam cortar-lhes a retirada nas margens do caudaloso rio Berezina. A 26 de Novembro o exército acampa numa eminência do terreno à vista do Berezina. No dia seguinte Napoleão atravessa o rio, escoltado pela guarda imperial, e chega vindo da Lituânia o Marquês de Alorna e tropas armadas e equipadas, com forragens e víveres para repartir com os seus famintos camaradas em retirada. A travessia do rio faz-se de forma caótica. A cavalaria portuguesa é empregue para suster os cossacos, que continuavam a castigar as tropas em retirada. Esta acção deu origem ao seguinte comentário de Mortier «Estes cavaleiros portugueses são bravos, conhecedores do seu ofício e a nova guarda deve-lhe grandes serviços». No dia 28 dá-se a tragédia, quando havia ainda um grande número de forças para atravessar o rio. Às nove da manhã, abateram as pontes destinadas à cavalaria e à artilharia, que em tropel se precipitaram sobre a ponte restante que a desgraçada infantaria atravessava. Foi um episódio de atroz egoísmo, perdendo-se tanta gente na passagem da ponte como numa batalha. Os russos, entretanto, atacavam em ambas as margens e atiravam bombas incendiárias sobre a ponte. Para salvar o grosso do exército, assim que passou a retaguarda das forças organizadas, os franceses lançam fogo à ponte. Os desgraçados que ainda se encontravam na margem esquerda do rio ou foram mortos pelos cossacos, ou arrebanhados e conduzidos cativos para a Sibéria. Neste número estava o valente coronel Pego, que só voltou a França em 1814. O exército francês, conseguindo libertar-se dos russos continuou a sua marcha para Oeste, semeando as estradas de cadáveres. As tropas sob as ordens de Mortier chegam a Vilnius, a capital da Lituânia, a 9 de Dezembro, prosseguindo a marcha no dia seguinte. No dia 14 atravessava o rio Niemen

e entrava na Polónia, aquilo que alguém comentou da seguinte forma «Que triste e melancólico aspecto oferecia a multidão de homens, quase todos desarmados, cobertos de rotas e queimadas vestes, com os pés envolvidos em trapos e de tal modo feridos que a custo e apoiados marchavam, com as barbas e bigodes carregados de neve, enegrecidos pelo fumo dos bivaques, pareciam mais espectros que homens».

1813 O ano começou da pior forma para os restos da Legião Portuguesa. A 2 de Janeiro, em Koenigsberg, morre o Marquês de Alorna. Gomes Freire assistiu aos últimos momentos do seu companheiro de armas. Os restos da tropa chegaram no final de Janeiro a Berlim, de onde partiram a 5 de Fevereiro. Dos cerca de 9000 homens saídos de Portugal, a que se juntaram depois cerca de 14000 prisioneiros de guerra espanhóis, já muito poucos restavam. Apesar disso, Napoleão ainda pensou em formar com eles um batalhão de guerra e um batalhão de depósito, no entanto só foi possível organizar uma força de cavalaria, comandada pelo capitão José Garcez Pinto de Madureira, que tomou parte nas campanhas de Napoleão ao longo deste ano de 1813. Face ao desenrolar das operações durante o ano, Napoleão decidiu em Novembro prescindir de todos os estrangeiros do seu exército. A 25 de Novembro é publicado o decreto da dissolução da Legião Portuguesa. Nessa data já o exército anglo-luso, vindo de Portugal e tendo atravessado toda a Espanha, pisava solo de França, em Bayonne. A Legião Portuguesa teve assim quase 6 anos de existência. Atravessou a pé e a cavalo toda a Europa, indo de Lisboa a Moscovo. Combateu galhardamente por toda a parte, desde Wagram até Smolensk, ficando dizimada após a horrível travessia do Beresina. Mereceu os mais altos louvores e as mais altas veneras dos seus generais comandantes franceses e do próprio Imperador Napoleão, que já no início de 1813 dizia «Nunca tive motivo de queixar-me dos portugueses que tenho». A Legião Portuguesa, levada pelas circunstâncias inicial-

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mente referidas neste artigo a combater no lado «errado» do enorme conflito europeu, fez sempre jus à fama do Soldado Português, com uma coragem, com uma abnegação e um espirito de sacrifício sem limites. O regresso dos poucos sobreviventes a Portugal foi uma outra odisseia, que fica para contar numa outra ocasião.


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Aeroporto Humberto Delgado

Aeroporto

Humberto Delgado

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or sugestão da Câmara Municipal de Lisboa que mereceu a aprovação do Governo, o Aeroporto da Portela passou a ser designado por Aeroporto Humberto Delgado, em homenagem ao General Humberto da Silva Delgado (398/1916). O Antigo Aluno Humberto Delgado foi uma grande figura da aviação civil, sendo o grande impulsionador da fundação da TAP (Transportes Aéreos Portugueses, mais tarde AirPortugal) para além de ter sido Director-Geral da Aeronáutica Civil, onde teve um papel muito relevante nos primórdios da Aviação comercial no nosso País. Humberto Delgado, pela sua coragem e determinação, foi uma figura notável da oposição ao regime da ditadura e um grande vulto da aviação portuguesa, nasceu no dia 15 de Maio de 1906 no local de Boquilobo, freguesia de Brogueira, concelho de Torres Novas. Assassinado no dia 13 de Fevereiro de 1965, encontra-se sepultado no Panteão Nacional. Adido militar de Portugal em Washington, membro do comité dos representantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN – NATO), representante de Portugal na Organização da Aviação Civil Internacional e Director Geral de Aeronáutica Civil, foi merecedor de altas honrarias e distinções até ao momento (1958) em que foi candidato presidencial pela oposição ao regime.

As inúmeras manifestações de apoio que então recebeu por todo o País, foram sendo reprimidas pela Polícia política do regime que então dominava a situação em Portugal, o Estado Novo. Quando tudo indicava que iria ganhar as eleições, tal não aconteceu graças a uma fraude eleitoral. Humberto Delgado sentindo que a sua integridade física e a sua liberdade estavam em perigo (o que era uma realidade), refugiou-se na Embaixada do Brasil de onde saiu para o exílio. Em 13 de Fevereiro 1965, encontrando-se em Espanha, foi atraído a uma armadilha executada através da PIDE, com a promessa de que se ia encontrar com militares oposicionistas. Dessa armadilha resultou o seu assassinato, juntamente com o da secretária brasileira Arajaryr Campos, perpetrado na localidade espanhola de Rosal de la Frontera. A Humberto Delgado, o «General sem Medo» foram concedidas as seguintes condecorações: Oficial da Ordem Militar de Avis, Oficial da Ordem da Instrução Pública, Comendador da Ordem Militar de Avis, Cruz de 2.ª Classe da Ordem do Mérito Militar com Distintivo Branco de Espanha, Comendador da Ordem do Império Britânico, Comendador da Ordem Militar de Cristo, Comendador da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, Grande-Oficial da Ordem Militar de Avis, Oficial da Legion of Merit dos Estados

Unidos, Grã-Cruz da Ordem Militar de Avis e Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, sendo esta última concedida a título póstumo. A cerimónia da nova designação do Aeroporto de Lisboa e da homenagem ao papel do militar na história da aviação em Portugal, quando se comemorou o aniversário do nascimento do General que ameaçou demitir Salazar, contou com a presença do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, do primeiro-ministro, António Costa, do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, além de familiares e amigos do General Humberto Delgado.

Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949


Antigos Alunos nas Artes e nas Letras

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Nuno António Bravo Mira Vaz 277/1950

Antigos Alunos

nas Artes e nas Letras José Eduardo Martinho Garcia Leandro (94/1950) Macau nos anos da revolução portuguesa 1974-1979 Gradiva Publicações, Lisboa, 2011

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vida de Garcia Leandro é multifacetada e envolve funções de grande responsabilidade tanto no sector militar como no sector civil, sobejamente conhecidas da Comunidade Colegial. Neste livro, ele recorda os anos em que desempenhou as funções de Governador de Macau, num período particularmente turbulento do passado recente do nosso país, sendo de resto esta volatilidade política e social que ajuda a perceber a designação de um jovem major de trinta e quatro anos para as referidas funções. Em muitos aspectos, o livro parece retratar um milagre, pois Macau não era imune à turbulência revolucionária que se vivia em Portugal, sobretudo no sector militar, onde a situação, nas palavras do autor, «não era de indisciplina… mas de completa insubordinação». E, num tal contexto, foi possível proceder a uma reformulação local do Estado e da Administração, instrumentos essenciais ao relançamento da economia.

Como nos explica Garcia Leandro em dezassete capítulos muito bem estruturados, Macau estava muito longe de ser a «árvore das patacas» quando ali chegou. O grande desenvolvimento que transformou por completo o Território, foi o resultado do trabalho levado a cabo com enorme dedicação por Garcia Leandro e pela sua equipa, num ambiente politicamente instável, que exigiu a tomada de medidas de grande dureza, em especial no funcionalismo público e no sector militar, ambos muito influenciados pela agitação vivida em Portugal. Escrito trinta e dois anos após ter terminado o governo do território, o livro de Garcia Leandro ajuda a perceber como foi possível, em 1999, entregar à China «uma joia – em termos de infra-estruturas e de capacidade de prestação de serviços – bem como uma desafogada situação económica e financeira, com prestígio acrescido para Portugal».


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Antigos Alunos nas Artes e nas Letras

Rui Manuel de Sá Leal (502/1959) RATAS Memórias do Colégio de há 50 anos Edição do Autor, 2009

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livro proporciona-nos uma viagem bem-humorada e emotiva pelo primeiro ano de permanência do autor no nosso Colégio, descrita num estilo elegante onde os bons e os maus momentos são tratados com notável discrição. Sá Leal leva-nos a revisitar, com paciência de relojoeiro e com bonomia temperada de saudade, o tempo em que ensaiou os primeiros passos nos Claustros e em que ouviu pela primeira vez o toque do clarim. O tempo em que, para os “ratas” do seu ano, tudo era mágico e um pouco assustador. A viagem, em tudo idêntica à que fizeram todos os “ratas” dos anos 50 e 60 do século passado, é meticulosa, rica em detalhes que assaltam a memória dos Antigos Alunos com saborosa contundência.

©Foto Sérgio Garcia (326/1985)

A espaços, a memória do autor prega-lhe partidas e fá-lo avançar alguns anos para nos dar notícia de acontecimentos que

ANTIGO ALUNO USA A BARRETINA

marcaram profundamente, por boas ou más razões, todo o seu percurso colegial. Mas tudo num registo sóbrio, equilibrado e com frequência comovente. Acrescente-se a um texto aliciante as fotografias da época e as magníficas ilustrações de Pedro Massano, e aí temos um livro para agradar plenamente à Comunidade Colegial.


Um Antigo Aluno nas Letras Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950)

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Manuel Júlio Matias Barão da Cunha 150/1948

Um Antigo Aluno nas Letras

Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950) N

a sequência e em complemento de vários livros da colecção Fim do Império, com a obra O Soldado Clarim, de autoria do Nuno Mira Vaz (277/1950), voltámos ao tema de Angola, desta vez em forma de romance, baseado na realidade, embora «coberta pelo manto diáfano da fantasia». Aliás, a própria capa da edição, baseada na última obra de arte do grande pintor luso-angolano Albano Neves e Sousa, parece apontar para um «manto diáfano» e muito tem a ver com o romance. Cacimbo, plantação de café, foi uma ótima escolha de Mira Vaz. Temos conhecimento de 224 títulos, de 188 autores, sobre Angola no período histórico do final do nosso 4.º Império (se considerarmos o 1.º no Norte de África, o 2.º no Oriente e o 3.º no Brasil). O presente livro é um romance histórico, cheio de contrastes e que envolve três gerações, incluindo a da personagem principal, o soldado clarim Ramiro Espada, um português nascido, em 1885, num planalto no centro de Angola. Incorporado em 1904, acompanhou o lendário capitão João de Almeida nas campanhas do Cuamato e dos Dembos, o que acabou por proporcionar ter-se tornado, posteriormente, um importante fazendeiro de café. Mas também a geração do pai, Mateus, de carácter duvidoso e de origem escondida, e do seu capataz negro, João, cujo filho Munima foi o grande amigo de Ramiro, acompanhando-o na escola, na vida militar e na fazenda. A amizade entre os dois consegue resistir às diferenças de estatuto da época. Munima não era considerado um cidadão como Ramiro, apenas um «indígena», à face da lei de então. E, ainda, a geração seguinte, a dos respectivos filhos, com relevo para Laura e o seu marido Diogo. Esta personagem proporciona outra dicotomia interessante, para além da de branco/negro, a do aristocrata leviano face à força da natureza dos homens da terra. Outra dualidade


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Um Antigo Aluno nas Letras Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950)

talvez seja a das pessoas atentas aos outros (como diria o saudoso José Maria Myre Dores, 47/1942), em contraste com as egoístas, como o pai Mateus ou o genro Diogo. Parece providencial que Ramiro, «criado por um pai descuidado e por uma mãe ausente», seja um homem bom. «Em boa verdade, aquilo que ele era aos 20 anos devia-se, muito mais do que aos pais, à influência de três pessoas com quem partilhava o quotidiano. Com Armando, aprendera a tocar clarim e a depreciar os valores que sustentavam o dia-a-dia do Mateus: o preço do marfim, a superioridade da raça branca, o sexo roubado nas sanzalas. João era o homem de confiança, alguém que valia muito mais do que a sua omnipresença silenciosa sugeria, o companheiro que não hesitaria em oferecer o peito às balas que um dia demandassem Ramiro. Munima, por fim, era o amigo (…)» A acção vai desde finais do século XIX, incluindo personagens históricas como Silva Porto, Artur de Paiva, João de Almeida, Roçadas, Paiva Couceiro, Norton de Matos e David Magno, até 1961, integrando o terrorismo inicial no Norte de Angola e a onda de repressão que provocou, descritos com grande realismo. O autor procura ter um olhar descomprometido para com as coisas boas e as menos boas da nossa presença histórica em África. Sobre a História de Angola portuguesa, há pelo menos dois romances que podem lembrar a trilogia O Tempo e o Vento, do escritor brasileiro Eurico Veríssimo, designadamente, a também trilogia Caçador de Brumas, de coronel João Sena, o primeiro prelector da tertúlia Fim do Império, e a presente obra. Não tenho encontrado muitos autores que consigam articular tão bem dotes de investigador e de ficcionista, como Nuno Mira Vaz, sendo, igualmente, um autor com quem foi fácil trabalhar em equipa. Outro exemplo será o engenheiro José Alvarez, autor do romance histórico sobre Guiné, Dois Amigos, dois destinos, 16.º título da referida coleção. Nuno Mira Vaz colaborou, também, no 9.º livro da colecção Fim do Império, Olhares sobre Guiné e Cabo Verde, uma edição com 30 autores, incluindo alguns Antigos Alunos do Colégio. O Soldado Clarim é o 13.º da coleção que, em 24 títulos integra nove de autores Antigos Alunos (ver Zacatraz n.º 203, Abril/Junho 2016). O nosso camarada colegial e de Arma nasceu em Arraiolos, em 1940. Completou o curso do Colégio Militar em 1957. É coronel de Cavalaria na reforma, mestre em Estratégia

e doutor em Ciências Sociais na área das Relações Internacionais, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, da Universidade Técnica de Lisboa. Fez toda a vida militar nas Tropas Paraquedistas, incluindo quatro comissões de serviço em África entre 1961 e 1974. A primeira (1963/65) no BCP 21, em Angola, duas na Guiné e uma em Moçambique. Foi agraciado com a medalha da Cruz de Guerra. Foi 2.º Comandante do Corpo de Tropas Paraquedistas (1986/89); assessor no Instituto de Defesa Nacional (1989/2004) e professor de Sociologia Militar na Academia Militar (1997/2010).

É autor de: Fogo Cruzado, Ed. Fernando Pereira, 1986, sobre Moçambique; Chão de Ventos, Europress, 1993; Opiniões públicas durante as guerras de África 1961/74, Ed. Quetzal e Instituto de Defesa Nacional, 1997; Guiné, 1968 e 1973; Soldados uma Vez, Sempre Soldados, Ed. Tribuna da História, 2003, sobre Guiné; co-autor de Olhares sobre Guiné e Cabo Verde, DG Edições e Caminhos Romanos, 2012; O Soldado Clarim, DG Edições, 2014. Os livros da colecção “Fim do Império” da autoria de Antigos Alunos podem ser adquiridos na AAACM.


Sardinhada na Feitoria

Sardinhada

na Feitoria

©Foto Leonel Tomaz

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or iniciativa da Associação que promove anualmente este encontro de Antigos Alunos e de seus Familiares, teve lugar no passado dia 25 de Junho a já tradicional sardinhada anual, realizada como de costume na aprazível zona arborizada da Feitoria. Dia limpo, com sol e de temperatura agradável, participaram 100 adultos e inúmeras crianças, filhos e netos de Antigos Alunos. O número de convivas deste ano constitui um record face às presenças que se verificaram nos anos transactos. É um sinal muito positivo que se espera possa ainda ser mais expressivo no futuro.

Estiveram presentes o Subdirector Tenente Coronel de Artilharia António José Ruivo Grilo (338/1978) e o Presidente da Associação José Eusébio Pereira Barata Cordeiro de Araújo (591/1973). O serviço prestado pela equipa que prepara e serve este almoço foi, como de costume, bem executado e com agrado dos que nele participaram. A sardinha assada constitui, do ponto de vista de uma boa parte dos portugueses, umas das iguarias da nossa tradicional gastronomia. Para evitar que as sardinhas cheguem à mesa em piores condições, como aconteceu este ano,

terão de ser servidas logo após terem sido assadas e não esperarem demasiado tempo amontoadas em tabuleiros, situação de que resulta uma perda apreciável da sua qualidade. Não será difícil ultrapassar este aspecto, pelo que esperamos no próximo ano voltar para uma sardinhada ainda mais agradável e com boas sardinhas.

Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949


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Ser Graduado

Ser Graduado F

inalizei o meu percurso no Colégio Militar, percurso esse que nunca esquecerei. Todos os momentos que passei e que me marcaram nestes oito anos, são coisas que levarei comigo e que nunca sairão da minha memória. A minha experiência como Graduado foi incrível. É um ano que obriga a crescer quer se queira quer não, pois dar o exemplo que sempre se pediu não é fácil e quanto mais velhos os “putos” (termo usado pelos alunos mais velhos para com os mais novos, sem nenhuma ofensa subentendida) forem, mais difícil e mais rigoroso vai ser esse exemplo que vamos e devemos passar. Chegado a Graduado muitas questões se puseram à minha frente: “Será que estou pronto para ser Graduado?”, ”Será que, após estas reformas todas durante estes anos, conseguirei ser o exemplo e deixar a marca que sempre sonhei?”. No decorrer do estágio de Graduados, as várias palestras sobre a responsabilidade de cuidar sobre os mais novos, a comunicação entre os Graduados e também lembrando todos os ensinamentos que os meus Graduados me transmitiram, todos eles foram factores que tornam o tecido preto da graduação mais “pesado”. A Cerimónia da Imposição das Graduações, destacando o juramento que fazemos, não deve na minha opinião ser encarada de ânimo leve, uma vez que estamos a comprometermo-nos a ser o exemplo, a sermos os primeiros a dar a mão independentemente de quem for o “puto” e da companhia a que pertence, mas acima de tudo a garantir a continuidade da nossa Casa. É um ano complicado que não me impediu de me relacionar e ajudar “putos” dos outros anos. Tive “putos” das várias


Ser Graduado

Companhias a pedirem ajuda para superar certas dificuldades. Devo confessar que, sendo a minha ambição ingressar na Academia Força Aérea e isso requerer notas altas, inicialmente não o queria fazer, mas, olhando para os ombros e lembrando o compromisso que fiz, senti-me na obrigação de deixar os estudos por um bocado, subir as escadas, sentar-me nas camas deles, e conversar sobre as dificuldades que os estavam a atormentar. A meu ver, isto é que é o dever do Graduado: ser o ombro amigo, a mão que ajuda a levantar e o que está sempre presente. Fui “sorja” do 4º Pelotão da 3ª Companhia, ou seja, estive com o 9º ano (5º ano antigo). A ideologia de “Estou a um ano da 4ª Companhia” faz com que certos miúdos ganhem demasiada confiança e isso não dá muito bom resultado. Tive alguns miúdos que tentaram sempre ”furar o esquema” e a achar que são os maiores. Penso que este ano devia ser um ano de reflexão. Sendo o último ano antes do Motor (4ª Companhia), os “putos” deviam olhar para o seu curso e perguntar: “Serei o melhor para o Colégio?”, “Será que estou pronto para ir para a tão digna 4ª Companhia?”, “Estará o meu curso apto para estar na linha da frente e defender o nome do Colégio?”. Foi esta a minha base de trabalho. Eu e o meu grupo definimos um conjunto de metas para os “putos”, o Curso 2011. Maior parte delas só se vê o resultado no futuro, como por exemplo os métodos de estudo, o interesse na continuidade do Colégio e a união de curso. Este último aspecto é um problema que surge, com a reforma, em todos os cursos. As raparigas que vieram do Instituto de Odivelas (IO), entre elas, comportavam-se como um curso e, com a junção, poucas foram as que quiseram “partir o gelo” que existia entre os rapazes e as raparigas.

É como se quiséssemos juntar dois cursos para criar um só. Como o Curso que apanhei já tinham um ano juntos, felizmente não verifiquei essa disjunção, antes pelo contrário, até estavam muito unidos. Com o passar do tempo reparei que em vez de existirem esses dois grupos, raparigas e rapazes, existiam sim de um lado o grupo do pessoal interno (rapazes e raparigas) e, do outro, as raparigas externas (só havia um rapaz externo no Curso mas como já estava tão bem integrado, considero-o como membro do grupo dos internos). Para nós Graduados foi a batalha do ano: fazer com que os internos e internas se dessem com o pessoal externo e, felizmente, conseguimos com que alguns dos internos se interessassem por essa união entre os “grupos”. Chegou o fim. Foram 8 anos no Colégio Militar. Foram 8 anos que passaram rápido. Foram 8 anos que nunca esquecerei. Foram 8 anos nas 4 paredes que me viram crescer e a que tive oportunidade de retribuir o favor. Se me orgulho do trabalho que fiz, sim. Se tenho fé nos meus “putos”, esperança de que eles se vão tornar no melhor Curso do Colégio (não fazendo isto uma competição), sim. Sinto-me triste por ter sido o meu último ano, mas estou feliz por ter acontecido. Acabo o ano de cabeça erguida. Levarei comigo Irmãos e Irmãs para a vida, pessoas, momentos, piadas e tradições que nunca esquecerei. No dia da Imposição de Graduados temia do ano que se avizinhava, mas, agora no fim, sinto que dei tudo. Se foi o melhor, não sei, mas ensinei tudo o que sabia e espero que os meus “putos” honrem o Colégio nas cerimónias, nas atitudes e, principalmente, porque a Casa precisa, nas notas. Uma frase que me disseram e que o meu camarada, Comandante da 3ª Companhia, disse num dos seus discursos, foi: “Não penses no que o Colégio te deu, mas pensa

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sim no que podes dar ao Colégio”. O facto de pudermos retribuir ao Colégio tudo o que fez por nós é incrível e, espero, que os actuais alunos cumpram a mensagem que esta frase transmite: retribuam, desde já, o que o Colégio vos deu, porque quando o quiserem fazer, e acreditem hão-de querer, pode ser tarde de mais. A experiência de ser Graduado é única. Ela obriga-nos a ter que tomar decisões rápidas e com cabeça fria, ou o mais perto disso. As suas consequências recairão sobre nós e terão influência no crescimento e formação de todos os Meninos e Meninas da Luz. Desejo e espero que todos tenham a oportunidade de passar por esta experiência mas, tal como ouvi no Estágio de Graduações, “Vocês são alunos do 12º ano e depois Graduados e não Graduados e só depois alunos do 12º ano”. Todos sabemos da importância do papel do Graduado, mas não poderemos nunca esquecer o artigo 4º do nosso Código de Honra “Dedicar à sua formação todo o seu esforço e inteligência”. “Não penses no que o Colégio te deu, mas pensa sim no que podes dar ao Colégio”.

Zacatraz Tiago André Martins Vera-Cruz de Abreu 51/2008


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Secretariat O melhor cavalo de corrida de sempre?

António Rafael Passarinho Franco Preto 67/1950

SECRETARIAT

O melhor cavalo de corridas de sempre? Nas minhas pesquisas chamou-me a atenção o facto de o record de qualquer das 3 corridas pertencer ao mesmo cavalo (SECRETARIAT, durante a primavera de 1973, respectivamente em 1 minuto e 59,4 segundos; 1 minuto e 53 segundos; 2 minutos e 24 segundos). Nas discussões intermináveis entre a 2ª e a 3ª corrida dizia-se que era impossível SECRETARIAT aguentar os adicionais 400 metros! Ora de 1973 até agora são mais de 40 anos! O treino e os estimulantes evoluiram imenso! Como é que é possível um cavalo ainda deter esses melhores tempos? Por muito bem treinado e conduzido durante as corridas, o facto é extraordinário! Fui pois ver os filmes das 3 corridas (que achei em): https://www.youtube.com/watch?v=LlzHv-Kv8aU SECRETARIAT – O melhor cavalo de corridas de sempre?

E

ntrando na internet sempre na “home page” do YAHOO há notícias que me chamam a atenção. A de hoje (17 de Maio de 2015) dizia respeito ao facto de um cavalo “American Pharoah” ter ganho a 2ª das 3 mais importantes corridas em terra batida que se disputam em território americano e estar assim em condições de poder ganhar a “Triple Crown”.

Nunca fui um apaixonado de corridas de cavalos mas... sou um eterno curioso!1 1

A minha mulher diz que eu estou cada vez pior! Eheheh!

Fui pois estudar o assunto e no final achei que valia a pena registar o que tinha aprendido, fazendo um resumo apropriado (o mais factual possível). Aqui vai ele: A Triple Crown é constituída por 3 corridas disputadas em terra batida (durante a primavera). Kentucky Derby – Louisville – 2.000 m Preakness Stakes – Baltimore – 2.000 m Belmont Stakes – Belmont, New York – 2.400 m

Se nas duas primeiras corridas SECRETARIAT foi conduzido de trás para a frente (e a locução sonora explica isso muitíssimo bem) na última foi para a frente logo de início e acabou com – imaginem! – 31 comprimentos de avanço sobre o 2º classificado! Aqui fica pois este registo para os interessados por cavalos...e não só. NOTA FINAL Este cavalo só correu durante 1972 e 1973 tendo sido retirado após esse ano (rendendo uma fortuna adicional como garanhão).


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Os que nos deixaram Joaquim Mendes Borges Ribeiro Simões (291/1934) Oficial do Exército – Coronel de Cavalaria - Professor do Colégio Militar Nasceu em 1924 Faleceu a 27 de Julho de 2016

C

hegou à ZacatraZ a notícia do falecimento deste nosso Camarada, ocorrência que muito lamentamos. A Todos os seus Familiares apresentamos as nossas mais sentidas condolências. Que descanse em paz.

Joaquim Manuel Trigo Mira Mensurado (252/1946) Oficial do Exército – Coronel de Infantaria Pára-quedista Nasceu a 18 de Abril de 1936 Faleceu a 16 de Junho de 2016

Joaquim Mensurado

O

Joaquim entrou no Colégio em 1946, não obstante eu ter entrado em 1947 só tomei conhecimento com ele talvez em 1948 ou 1949. Dada a sua grande habilidade para o futebol e também para o ping-pong e o seu temperamento extrovertido, tornou-se falado entre os seus pares e também pelos mais novos. A grande fase no conhecimento mútuo ocorreu em 1953 quando o Joaquim foi o comandante da 4ª companhia que integrava o nosso 6º ano. Correspondeu, certamente, para o Joaquim uma grande etapa de vida pessoal, uma vez que ser o comandante da 4ª companhia era em termos curriculares colegiais uma elevada distinção, só excedida pela do comandante do batalhão, mas implicando o reconhecimento, por parte da direcção e do corpo de oficiais do Colégio, de evidentes qualidades

de chefia e prestígio junto dos alunos dos últimos anos. Lembro-me bem como o Joaquim actuava. Não controlava detalhes disciplinares que deveriam estar assumidos em alunos do 6º ano, mas não tolerava quem “pisava o risco” e até um “furriel” do 7º ano foi castigado por ter destroçado a companhia nas escadas de acesso ao claustro, ao imitar uma cena retratada num filme que tínhamos visto algum tempo antes no cinema colegial. Outro episódio marcante da vida colegial, em 1953, foi um jogo de campeonato contra os Pupilos do Exército, em que foi muito importante a destreza do Joaquim e sua condução do jogo em campo, juntamente com outros excelentes jogadores e que ganhámos por 3-0. Isto depois de anos de supremacia, em futebol, dos Pupilos do Exército. Ainda me recordo que em 1947 quando entrei no Colégio, os Pupilos ganharam por 7- 0 ao Colégio num jogo de campeonato.


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Em 1954 o Joaquim, concluído o curso, saiu do Colégio e eu perdi-lhe o rasto. Sei que teve uma brilhante carreira militar. No turbulento período do “PREC”, em 1975 em que ocorreram duas movimentações militares, uma em Março, em que ele actuou comandando uma unidade de pára-quedistas, no ataque ao quartel do RALIS, às portas de Lisboa, e outra em Novembro de 1975 comandada por Ramalho Eanes. O País atravessava um período muito difícil, enquanto se trabalhava na elaboração da nova Constituição, ocorriam saneamentos de pessoas das suas funções, ocupações de propriedades, muitas ilegalidades, movimentos políticos dentro das Forças Armadas(S.U.V.), formas claras de quebra de disciplina militar, entregas de armas a civis, prisões ilegais, etc. Joaquim era um elo numa cadeia de comando da acção e esse movimento militar de Março não teve êxito por lhe não ser favorável, a relação de forças, nesse momento. Ele teve o grande mérito, de analisada a situação, ter decidido sozinho renunciar às hostilidades e evitar o derramamento de sangue. Foi preso. Onde esteve um ano e foi esquecido nas promoções, como o não foram outros camaradas militares e até outras pessoas, com responsabilidades mais elevadas na movimentação de Março, foram distinguidas, após a regularização da vida democrática. Isto era uma grande ferida que ele transportava consigo. Mais tarde Ramalho Eanes e a sua equipe, desta vez em articulação com o Presidente da República, tiveram de “pegar em armas” para repor a ordem e a disciplina democráticas, dada a situação de agravamento da ameaça ao estabelecimento do Estado Democrático, e desta vez com pleno êxito, embora com o sacrifício de algumas vidas. Foi o designado “25 de Novembro”. Voltei a contactar, mais frequentemente, com o Joaquim quando aderi, em 2002, a uma tertúlia que ele e o Padre Braula Reis fundaram e que durou, nesse local, enquanto o Padre Braula Reis se manteve como Pároco da Igreja de São Domingues. O Joaquim e o Padre Braula eram como irmãos, tratavam-se por tu e discutiam todos os assuntos com a maior abertura e sem rodeios. A essa tertúlia, todas as terças-feiras, aderiram vários Antigos Alunos do Colégio, tudo pessoas com altos

currículos militares e civis e a convivência era excelente. Alguns assistiam à celebração da Missa e homília do Padre Braula, sempre com o maior interesse, outros reuniam-se no gabinete do Padre Braula. No fim da Missa e enquanto este ultimava assuntos paroquiais, aí aguardávamos por ele para irmos todos juntos para o restaurante e aí estava sempre presente o Joaquim com sua conversa e espírito crítico sobre a situação política e social, trazendo artigos de imprensa de interesse, estabelecendo-se um ruidoso e fraternal diálogo. Depois íamos juntos para o almoço. Os almoços eram sempre momentos que decorriam com tal nível de convivência e boa disposição que nos faziam ansiar, a meio de semana, pela terça-feira. Desses tempos pude observar como para o Joaquim a família era um grande valor e muitas vezes nos falava da mulher e dos filhos e sempre nas suas comissões de serviço no antigo Ultramar sempre levou a família consigo. Também nessa tertúlia tomei conhecimento que o General Ramalho Eanes tinha grande consideração pelo Joaquim, pelas suas qualidades de liderança e carácter, desde os tempos da Escola do Exército, e após o tormentoso período pelo qual o Joaquim passou, expressou publicamente essa consideração. Muito mais havia para contar e inclusive falar das pessoas que frequentaram a tertúlia e ainda continuam a frequentar, agora noutro local e sem o Padre Braula Reis, graças ao suporte do seu filho Rodrigo, também Antigo Aluno do Colégio, e sobretudo ao espírito dos amigos, porque a qualidade dos amigos ajuda a compreender o Joaquim. Vou apenas contar um episódio que se passou com o Joaquim. Uma terça-feira, após o nosso almoço, o Padre Braula Reis, foi chamado pelo Cardeal Patriarca para a conversa da despedida de funções de Pároco de São Domingues. O Joaquim e eu próprio acompanhámo-lo. Fomos recebidos numa imponente sala do Patriarcado. O Joaquim, militante antitabagista, que nunca encontrara antes o Cardeal, ao vê-lo aproximar-se de cigarro na mão, dispara com a maior “à vontade”, frontalidade e “sem-cerimónia”, qualquer coisa como isto, “O Senhor devia deixar esse mau hábito de fumar!”. Em memória e homenagem, deixo-vos esta visão dum amigo que viveu em pleno, com carácter e coragem e mes-

mo nos períodos difíceis da sua vida não esqueceu a divisa dos paraquedistas. “Que nunca por vencidos se conheçam”. Pedro do Canto Lagido 330/1947

A recordação mais antiga que guardo do Joaquim Mensurado (252/1946) data do meu 3.º ano, quando ele era em simultâneo um dos craques da equipa de futebol e comandante da 4.ª. Um atleta que comandava a “velhice” – no nosso Colégio, o que é que podia ser mais importante do que isso? Apesar de ambos termos sido oficiais pára-quedistas durante cerca de trinta anos, só episodicamente coincidimos no Regimento de Caçadores Pára-quedistas e nunca num dos Batalhões ultramarinos. De modo que só voltámos a encontrar-nos muitos anos mais tarde. E não foi uma convivência muita longa: meros quatro meses do ano lectivo 1972/73, durante o Curso de Promoção a Oficial Superior, no Instituto de Altos Estudos Militares onde, confesso com alguma vergonha, nos dedicámos mais a jogar bridge do que aos estudos. Mas fui sabendo por camaradas e amigos comuns que, nos tempos deixados livres pelos compromissos operacionais, que ele não descurava, continuou a praticar com elegância e elevado rendimento quase todos os desportos colectivos tradicionais, com destaque para o futebol. Nenhum oficial pára-quedista cumpriu mais comissões de serviço do que ele durante as Guerras de África. Foram cinco: três em Angola, sua terra natal (era natural de Novo Redondo), uma em Moçambique e uma na Guiné, onde se encontrava no dia 25 de Abril de 1974. Em Angola teve a oportunidade de planear e conduzir, em coordenação com o amigo Major Piloto-Aviador Luís Fernando Almada de Oliveira (125/1945), algumas operações de combate conhecidas como “saltos de rã”, sendo justo realçar que o fez com os seus proverbiais sentidos de honra e do dever militar. Voltámos a conviver entre Janeiro e Março de 1975. Eu regressava de Moçambique e ele da Guiné, e o Comandante do Regimento de Caçadores Pára-quedistas, o então Coronel Rafael Ferreira Durão


Os que nos deixaram

(11/1941), colocou-nos no Batalhão Operacional, ele como comandante e eu como 2.º comandante. Num ápice, vimo-nos envolvidos nos acontecimentos do 11 de Março de 1975 e fomos afastados do serviço activo. O meu afastamento foi episódico, mas o dele, infelizmente, foi definitivo. Quando a poeira assentou, já a vida nos levara para distantes paragens. Nunca per-

di o contacto com ele porque trocávamos mails e porque li, e comentei para a ZacatraZ, os livros que em boa hora escreveu sobre a sua experiência de combatente e que serão sempre parte relevante da imagem dum camarada e amigo cuja morte muito sentimos – uma imagem em que ele aparece como um cidadão inteligente e profissionalmente competente, um homem atento ao mundo e um comandante

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preocupado com o bem-estar físico e moral dos seus homens. À família que o Joaquim muito amava, apresento as mais sentidas condolências.

Nuno António Bravo Mira Vaz 277/1950

Victor Manuel Nascimento Graveto (336/1947) Professor Catedrático Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra Nasceu a 26 de Maio de 1937 Faleceu a 24 de Junho de 2016

V

ictor Manuel do Nascimento Graveto (336/1947), faleceu a 24 de Junho de 2016, tendo sido sepultado no Cemitério de Mira de Aire. Frequentou e concluiu o curso do Colégio Militar, e no antigo 7º ano foi graduado como Comandante da 2ª Companhia, no Ano Lectivo 1953/1954. Era natural de Mira de Aire, tendo entrado para o Colégio Militar juntamente com o Armando Teófilo Silva Rocha Trindade (195/1947), também Professor Catedrático e oriundo de Mira de Aire, que foi no ano de finalista Comandante do Batalhão. Era Professor Doutor Catedrático Jubilado do Departamento de Engenharia Civil (DEC)

da Universidade de Coimbra. Licenciou-se em Engenharia Civil no Instituto Superior Técnico de Lisboa, em 1961, com a mais elevada classificação obtida por um aluno até essa data. Neste Instituto foi monitor e assistente. Doutorou-se em 1970 no Massachusetts Institute of Technology (MIT) com a classificação de A. Foi o primeiro Professor Catedrático do Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Em 1972 foi nomeado Professor Catedrático de Hidráulica do Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, lugar que ocupou até à sua Jubilação, no ano de 2007. Foi o fundador da área de Hidráulica, Recursos Hídricos e Ambiente, e do respectivo Laboratório tendo sido responsável pela aquisição de grande parte do equipamento pedagógico ainda existente. Foi colaborador do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, tendo participado em diversos estudos e é autor de diversas publicações técnicas e científicas. Foi ainda colaborador da COBA, na área de Hidráulica. Carlos Manuel Querido Baptista 303/1951

Nota da Redacção No final dos anos 40 e princípio dos anos 50, da pequena vila de Mira de Aire com 4000 habitantes, vieram para o Colégio um conjunto de seis Alunos onde se incluía o 303/1951. Carlos Baptista nasceu, em anos diferentes, no mesmo dia do Victor Graveto tendo ocupado, na Escola Primária, a carteira por este deixada vaga. A influência para este elevado número de Alunos admitidos no Colégio, oriundos de Mira de Aire, veio do Avô do 195/1947, General Teófilo de Andrade, primeiro Presidente da Junta Autónoma das Estradas.


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António Manuel Vilares Cepeda (38/1950) Oficial do Exército - Coronel de Engenharia Nasceu a 18 de Abril de 1940 Faleceu a 7 de Agosto de 2016

O

António Cepeda foi sempre um bom Camarada e Amigo que se recorda com saudade. Para além das suas qualidades profissionais, será lembrado pelo seu modo de estar e pelo bom relacionamento que mantinha com todos aqueles com quem lidava e convivia. Tendo entrado no ano a seguir ao da minha admissão ao Colégio, integrámos o mesmo Curso quando ela chegou ao 2º ano e eu aí fiquei a “marcar passo”. Os percursos de vida completamente distintos fizeram com que durante muitos anos não tivéssemos tido contacto, para além das idas do Curso em “Romagem de Saudade ao Colégio” e do tradicional “Jantar do 3 de Março”. Com regularidade aparecia no almoço mensal do Curso, na primeira Quarta-Feira de cada mês, presença que ultimamente não se verificava por força dos problemas de saúde que o afectavam. Concluído o 7º ano, onde pertenceu ao numeroso e honroso pelotão de “furriéis”

NOTA

integrado na 4ª Companhia, foi admitido na Academia Militar onde, com a frequência simultânea no Instituto Superior Técnico, concluiu a Licenciatura em Ciências Militares (Engenharia). A sua carreira militar culminou com o posto de Coronel de Engenharia em 1983, tendo após dois anos passado à situação de Reserva. Ao longo da sua vida profissional foi Comandante da Companhia de Engenharia 1531 em Moçambique e Chefe da Delegação de Obras e Comandante da Engenharia no Comando Territorial Independente de Cabo Verde. Foi Adjunto no Gabinete do Ministro da Defesa Nacional, Comandante do Regimento de Engenharia 1 (Pontinha), Director de Instrução da Escola Prática de Engenharia (Tancos) e Professor e Director dos Cursos de Engenharia na Academia Militar. Como Engenheiro Civil dos quadros da empresa “Gestécnica, Consultores e Projectistas, Ldª”, de que era sócio e foi gerente,

As fotografias e os elementos biográficos referidos, foram obtidos no livro “Histórias e Memórias” da autoria de José Alberto da Costa Matos (96/1950).

desenvolveu intensa actividade na área da elaboração de projectos bem como na gestão, fiscalização e coordenação de obras. Foram-lhe concedidos doze louvores e as seguintes condecorações individuais: Medalha de Mérito Militar de 2ª classe, Medalha de Prata de Comportamento Exemplar, Medalha Comemorativa das Campanhas de Moçambique e Medalha Comemorativa das Expedições de Cabo Verde. Que descanse em paz. A Todos os seus Familiares apresentamos as nossas mais sentidas condolências.

Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949


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José Carlos de Ataíde Pinto de Mascarenhas (337/1953) Economista Nasceu a 15 de Março de 1941 Faleceu a 17 de Março de 2016

R

ecordo comovidamente o Zé Mascarenhas cujo recente falecimento nos deixou a todos nós, os seus camaradas de Curso, profundamente abalados pelo inesperado e pelas trágicas circunstâncias em que ocorreu. O Zé Mascarenhas terá sido, entre todos os do meu Curso, aquele com quem convivi mais de perto durante um período da minha vida, entre o Colégio e o início da vida adulta. Tive o privilégio de ser acolhido pela sua família ainda aluno do Colégio e, mais tarde em Angola, por altura do seu casamento. Não que fossemos especialmente chegados, mas porque as vivências colegiais igualitárias facilitavam o convívio entre famílias de culturas diferentes. Logo no 3º ano, o Zé fez questão de me convidar a ir passar férias a Viseu, em sua casa. Antes da intimidade familiar, a viagem colocou-me de imediato noutro ambiente: o espectacular Citroen 11cv, conduzido pelo seu pai, carro conhecido na altura como “arrastadeira”. Depois, o Palacete da Rua Direita, onde a família residia, completou o cenário para mim novo. Conheci os seus irmãos e os pais e a cultura de família. E também compreendi, com surpresa, que no Colégio afinal não pertencíamos todos à mesma classe social e que, debaixo da farda que nos unia, existiam plebeus e aristocratas. Fomo-nos mantendo próximos durante o curso, frequentando as mesmas turmas,

após o que ingressámos os dois na Academia Militar. Por circunstâncias diversas, e não tendo eu concluído o curso da Academia, os caminhos foram-se depois afastando. Mais tarde, quando cumpria o serviço militar obrigatório no Porto, apareceu-me o Zé Mascarenhas com um pedido muito, mas mesmo muito particular. O motivo prendia-se com a existência de uma menina com quem o Zé desejava iniciar namoro e que estava a passar férias, também no Porto, com a irmã. Como naquele tempo as meninas não saíam sozinhas com os rapazes, e como a menina saía sempre acompanhada da irmã, o Zé achou que as coisas correriam melhor se ele levasse também um acompanhante… que seria eu. E foi assim que me tornei “chaperon” masculino, com a preciosa vantagem de já ter carro, muito útil nestes casos, e que acompanhei a fase inicial do namoro do Zé Mascarenhas. Já mobilizado em Angola, tive a agradável surpresa de ver o Zé aparecer no meu quartel em Luanda, onde também tinha sido colocado. Tivemos uma comissão que decorreu em conjunto, comandando cada um o seu pelotão, incluindo uma breve deslocação durante alguns meses no Leste, junto ao saliente Cazombo. Entretanto, aproveitando uns dias de férias, o Zé Mascarenhas lá foi à Metrópole casar com a sua namorada. Durante o resto da comissão passei, é claro, a aboletar-me

em casa do Zé, deleitando-me com as refeições generosamente preparadas pela mulher, deixando de frequentar a messe de oficiais e os restaurantes populares de Luanda. Tendo regressado a Lisboa no final da minha comissão, ao contrário do Zé que continuou por mais algum tempo em Angola, os nossos percursos sofreram caminhos diferentes e a nossa relação acabou por ser afectada por isso. Mas ficou entre nós, para o resto da vida, este percurso colegial alargado. No passado 3 de Março, no tradicional almoço mensal do nosso curso, a que o Zé Mascarenhas comparecia muitas vezes, lá estivemos mais uma vez juntos. Não podia no entanto nesse momento imaginar que o nosso abraço, nesse dia, seria mesmo o último. A sua morte trágica, de doença súbita e em terras do Brasil, colocou-nos perante o inimaginável desfecho da sua vida. É com profunda emoção que presto uma última homenagem ao camarada e amigo com quem vivi os melhores tempos do Colégio, e de quem recordo igualmente a convivência no período difícil da guerra colonial. Que descanse em paz. Expresso os meus sentimentos de pesar à família, especialmente a seus filhos Miguel e Filipe. José Mário Fidalgo dos Santos 253/1951


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Os que nos deixaram

Ruy Fernando do Carmo Ribeiro

Ricardo Bettencourt Sardinha Portela Ribeiro

(386/1954)

(556/1970)

Cônsul de Portugal em Huelva Nasceu a 16 de Julho de 1942 Faleceu a 23 de Julho de 2016

Oficial do Exército - Coronel de Cavalaria Nasceu a 13 de Agosto de 1960 Faleceu a 21 de Julho de 2016

N

N

o passado dia 23 de Julho faleceu o nosso querido amigo e companheiro de curso Ruy Fernando do Carmo Ribeiro (386/1954), que após prolongado período de luta pela vida, foi obrigado a deixar-nos. O Ruy teve uma vida completamente ligada ao Ministério dos Negócios Estrangeiros no exercício de Chanceler e Vice-Cônsul em Huelva tendo aí sido, posteriormente, promovido a Cônsul onde ao serviço do bem público, na defesa dos interesses da comunidade portuguesa residente na sua área de jurisdição, e na resolução de diversos conflitos, particularmente com pesqueiros espanhóis, mereceu os maiores encómios das autoridades quer espanholas quer portuguesas. Terminada a sua carreira profissional manteve-se na região fixando residência em Vila Real de Santo António tendo sido obrigado por razões de carência de saúde a vir para a região de Lisboa onde foi acompanhado nos últimos anos pela Fundação Champalimaud.

Nos “Antigos Alunos em Destaque”, foi inserido o texto que tinha sido redigido para publicação neste número da revista ZacatraZ, antes da ocorrência da sua morte, quando nada nos fazia supor que tal viria a acontecer, tão prematuramente. O Curso de 1953/1960

asceu em Goa, tendo um ano depois seguido para a Madeira, onde permanece e completa a Instrução Primária. Em 1970 concorre ao Colégio Militar e é admitido, sendo-lhe atribuído o número 556, concluindo o curso em 1978, ano em que é graduado com três estrelas da 3ª Companhia. Na Academia Militar obtém a Licenciatura em Ciências Militares, na especialidade de Cavalaria. Ao longo da sua carreira serve no Regimento de Lanceiros de Lisboa, no Regimento de Cavalaria de Braga, no Centro Militar de Educação Física e Desporto (CMEFD), na Escola Prática de Cavalaria, no Agrupamento ASFOR como oficial de ligação na Bósnia-Herzegovina. Regressando ao CMEFD, volta à Academia Militar e em 2006 é promovido a Coronel, assumindo o cargo de Subdirector do Colégio Militar, posição onde permanece até 2008. Vai então desempenhar o cargo de 2.º comandante no Comando da Zona Militar da Madeira e aí fica até 2013. Regressa a Lisboa para ser investido no lugar de Inspector Adjunto na Inspecção Geral do Exército. Enquanto se desenrolou a sua normal evolução na carreira militar, fez cursos de mergulho amador, de pára-quedismo, de instrutor de equitação e de aperfeiçoamento de instrutores de educação, foi Juiz Nacional de Ensino e de Concurso Completo de Equitação e foi Director de Campo Nacional de Concurso Completo de Equitação e de Concurso de Saltos de Obstáculos. Do ponto de vista desportivo participa em concursos hípicos nacionais e internacionais de ensino, salto de obstáculos, concurso completo de equitação e trec (técnicas de randonneé equestre de competição). Em 1992 integra a Selecção Nacional de Concurso

Completo de Equitação que participou nos Jogos Olímpicos de Barcelona, mas acaba por não competir por doença súbita do cavalo. Ricardo Portela Ribeiro desde muito cedo se distinguiu no hipismo, mantendo uma vida de grande ligação ao desporto equestre, a par do desempenho das suas funções militares. Na década de 90 participou em Roma nos Jogos Militares Mundiais. Foi Subdirector da Revista do CMEFD, contribuindo para a sua divulgação e qualidade dos seus conteúdos. Esteve ligado à Associação Hípica da Madeira, promovendo a organização de festivais equestres. Promoveu e foi um dos outorgantes da escritura de constituição da associação, sem fins lucrativos, denominada Associação Portuguesa de Concurso Completo de Equitação, tendo como objecto divulgar, valorizar e desenvolver a disciplina de concurso completo de equitação, agrupando os praticantes e todos os intervenientes nesta disciplina. Pela sua brilhante carreia foram-lhe outorgadas condecorações e concedidos louvores que atestam a forma como desempenhou a sua missão como militar e a sua atitude como cidadão. Foi Prémio Barretina “Desporto” – 2015. Ricardo Portela Ribeiro foi sempre exigente e determinado, aliando a estas características uma notável delicadeza e excelente educação de que resultava um bom entendimento com quem com ele tinha de se relacionar. Esteve em câmara ardente no Colégio que tão bem dignificou e serviu. Que descanse em paz. A Todos os seus Familiares, apresentamos as nossas mais sentidas condolências. Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949


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