Editorial Revista “ZACATRAZ”
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Presidente da Direcção 2011-2016 António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios (529/1963)
Editorial
Valeu a pena
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o passado dia 27 de Novembro de 2015, a Direcção da AAACM apresentou a sua demissão ao Presidente da Mesa da Assembleia Geral, sem assim cumprir, na íntegra, o mandato que lhe tinha sido conferido na Assembleia Geral de 7 de Março de 2014. Dispenso-me de qualquer comentário sobre esta decisão, uma vez que as suas razões se encontram devidamente expressas no discurso que então proferi naquela mesma data por ocasião do Jantar que teve lugar no Hotel Pestana em Lisboa e que se encontra integralmente reproduzido nesta edição da ZacatraZ. Não me atrevo também a fazer qualquer balanço do que foram os cinco anos de uma luta desigual e assimétrica que enfrentámos com a determinação das nossas convicções e movidos pelo amor ao nosso Colégio, honrando assim a confiança que a Comunidade dos Antigos Alunos depositou na nossa Equipa. Apesar do esforço e da determinação com que nos batemos, a verdade é que não fomos capazes de contrariar os propósitos de uma pseudo-elite política, preconceituosa e desrespeitosa em relação à Instituição Militar, cujos verdadeiros propósitos não conseguimos descortinar.
Conscientes dos riscos que a reforma em curso no Colégio – caracterizada, em nosso entender, por uma insuficiente valorização do internato, desvalorização da componente militar e inapropriada organização do Corpo de Alunos – representa para a manutenção da sua identidade e da necessidade que havia de ajustar a orientação estratégica da AAACM, não fomos capazes de validar um caminho que suscitasse, como se impunha, um claro apoio dos seus Sócios. É com indisfarçável mágoa que registo esta minha e nossa incapacidade, que o contexto adverso com que nos deparámos e também, alguma ambiguidade, apenas ajudam a mitigar. Com a eleição dos novos Órgãos Sociais da AAACM, abre-se agora um novo ciclo. Desejo e faço votos sinceros, em meu nome e de todos os Membros da Direcção, de que a nova liderança tenha a capacidade de construir uma orientação susceptível de gerar, entre a vasta Comunidade de Antigos Alunos, o consenso que permita à Associação continuar a desempenhar o insubstituível papel que lhe está reservado no âmbito da sua Missão de apoiar o nosso Colégio. Nesta ocasião, cumpre-me com gosto manifestar a minha gratidão a todos quantos
me apoiaram ao longo desta caminhada exigente, mas inesquecível e muito honrosa. Um abraço reconhecido a todos os membros dos Órgãos Sociais - sem esquecer os que já partiram deste mundo - em particular aos meus Camaradas de Direcção, a quem devo, para além do compromisso, uma lealdade que jamais esquecerei. A terminar, uma palavra de reconhecimento aos Colaboradores da AAACM – Alina Nogueira, Ana Maria Carvalho, Leonel Tomaz e José Martins – pela ajuda que nunca regatearam e solidariedade que sempre demonstraram. Valeu a pena!
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Ficha Técnica
CORPOS SOCIAIS DA ASSOCIAÇÃO PARA O TRIÉNIO 2016-2018
Ficha Técnica PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL Fundada em 1965 Nº 202 Janeiro/Março - 2016 FUNDADOR Carlos Vieira da Rocha (189/1929)
ASSEMBLEIA GERAL Presidente Vice-Presidente 1º Secretário 2º Secretário
Raul Miguel Socorro Folques - 380/1952 José António Pina de Bastos e Silva - 67/1957 António Luís Henriques de Faria Fernandes 454/1970 Pedro Gonçalo Coelho Nunes de Melo - 51/1982
DIRECTOR Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949)
José Eusébio Pereira Barata Cordeiro de Araújo - 591/1973 Artur Manuel de Spínola e Santos Pardal - 587/1961 João Eduardo Correia Barrento Sabbo - 17/1967 Luís Manuel Borges de Albuquerque Nogueira - 323/1969 Francisco Eduardo Moreira da Silva Alves - 392/1954 António Vítor Reynaud da Fonseca Ribeiro - 43/1968 José Miguel Teixeira de Faria - 2/1969 José Maria Gouveia de Azevedo e Bourbon - 598/1971 João Pedro Mendes Carreiro Gomes - 390/1983 Gonçalo Miguel de Matos Gonçalves - 105/1984 Tiago Simões Baleizão - 200/1987 Manuel Soares Albergaria Felgueiras e Sousa - 498/2006
CAPA Escolta ©Foto Leonel Tomaz
CHEFE DE REDACÇÃO Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957) REDACÇÃO Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950) Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva (53/1961) João Carlos Agostinho Alves (110/1996)
DIRECÇÃO Presidente Vice-Presidente Secretário Tesoureiro 1º Vogal 2º Vogal 3º Vogal 4º Vogal 5º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente 3º Vogal Suplente
ENTIDADE PROPRIETÁRIA E EDITOR Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar MORADA DO PROPRIETÁRIO e SEDE DA REDACÇÃO Quartel da Formação - Largo da Luz 1600-498 Lisboa Tel. 217 122 306/8 Fax. 217 122 307 TIRAGEM - 1350 exemplares DEPÓSITO LEGAL Nº 79856/94 DESIGN E EXECUÇÃO GRÁFICA: Tm. (+351) 933 738 866 Tel. (+351) 213 937 020 info@smash.pt www.smash.pt
CONSELHO FISCAL Presidente 1º Vogal 2º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente
Manuel Ramos de Sousa Sebastião - 604/1961 Rui Joaquim Azevedo de Avelar - 25/1960 Eugénio de Campos Ferreira Fernandes - 180/1980 Rui Manuel Gomes Correia dos Santos – 225/1981 Bruno Miguel Fernandes Pires - 27/1995
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA AOS SÓCIOS DA AAACM Isenta de registo na Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC), ao abrigo do nº 1 da alínea a), do Artigo 12º do Decreto Regulamentar nº 8/99, de 9 de Junho. Os artigos publicados são da responsabilidade dos seus autores. Esta publicação não segue o novo acordo ortográfico.
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Sumário
05 Novos Membros do Conselho Supremo 21 Jantar Anual da Associação Discurso do Presidente da Associação
24 Colégio Militar
Berço de Grandes Portugueses
32 Antigos Alunos em Destaque 34 Curso de 1948/1955
3
04
Assembleia Geral de 11 de Fevereiro de 2015
Romagem dos 60 Anos de Saída
35 Curso de 1977/1985 Romagem dos 30 Anos de Saída
36 Curso de 1992/2000
Romagem dos 15 Anos de Saída
43 Luz Futebol Clube 44 Dia do Armistício 45 Tempos difíceis 50 Jantar de Natal no Porto 51 Almoço de Natal no Centro Interior 52 Mouzinho de Albuquerque 56 Um por Todos Todos por Um 58 E o Futuro, Colégio Militar! 59 Revista de Marinha 60 Espírito do Colégio 61 Uniformes uniformes 62 Linhas de Torres 64 Antigos Alunos entre os pioneiros do
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Condecorações
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Jantar Anual da Associação Novos Antigos Alunos Prémios Barretina 2015
pára-quedismo em Portugal
66 Carta Aberta 68 Antigos Alunos nas Artes e nas Letras 70 Convento e Hospital de Nossa Senhora da Luz 71 Grupo dos Bisavôs 72 O maior escândalo de sempre no BRIDGE internacional
74 Facebook, redes sociais & propaganda eleitoral 75 Os que nos deixaram
37 3 de Março
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Assembleia Geral
Assembleia Geral
de 11 de Fevereiro de 2015 Nesta Assembleia Geral foram aprovadas as Contas do Ano de 2015 e o Orçamento de 2016, eleitos os novos Membros dos Órgãos Sociais e 3 novos Membros para o Conselho Supremo. Integram os Órgãos Sociais para o triénio 2016-2018, os seguintes Antigos Alunos: ASSEMBLEIA GERAL
Presidente
Vice-Presidente
1º Secretário
2º Secretário
Raul Miguel Socorro Folques 380/1952
José António Pina de Bastos e Silva 67/1957
António Luís Henriques de Faria Fernandes 454/1970
Presidente
Vice-Presidente
Secretário
Tesoureiro
João Eduardo Correio Barrento Sabbo 17/1967
Luís Manuel Borges de Albuquerque Nogueira 323/1969
1º Vogal
2º Vogal
Francisco Eduardo Moreira da Silva Alves 392/1954
António Vítor Reynaud da Fonseca Ribeiro 43/1968
5º Vogal
1º Vogal Suplente
2º Vogal Suplente
João Pedro Mendes Carreiro Gomes 390/1983
Gonçalo Miguel de Matos Gonçalves 105/1984
Tiago Simões Baleizão 200/1987
Presidente
1º Vogal
2º Vogal
Manuel Ramos de Sousa Sebastião 604/1961
Rui Joaquim Azevedo de Avelar 25/1960
Eugénio de Campos Ferreira Fernandes 180/1980
Pedro Gonçalo Coelho Nunes de Melo 51/1982
DIRECÇÃO
José Eusébio Pereira Barata Cordeiro de Araújo 591/1973
Artur Manuel de Spínola e Santos Pardal 587/1961
3º Vogal José Miguel Teixeira de Faria 2/1969
4º Vogal José Maria Gouveia de Azevedo e Bourbon 598/1971
3º Vogal Suplente Manuel Soares Albergaria Felgueiras e Sousa 498/2006
CONSELHO FISCAL
2º Vogal Suplente Bruno Miguel Fernandes Pires 27/1995
1º Vogal Suplente Rui Manuel Gomes Correia dos Santos 225/1981
Novos Membros do Conselho Supremo
Novos Membros do Conselho Supremo José Manuel Castanho Paes (228/1952)
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osé Manuel Castanho Paes nasceu em Ponta Delgada, Açores, em 4 de Outubro de 1942, frequentou o Colégio e ingressou na Escola Naval em 1959. Em 1962, como Guarda Marinha, iniciou a sua carreira naval no navio-patrulha “Porto Santo”, onde fez uma comissão nos Açores. Após o curso de especialização em fuzileiro especial, integrou o Destacamento nº 10 de Fuzileiros Especiais como oficial imediato e mais tarde comandante dessa unidade, ao longo de uma comissão de dois anos na Guiné (1964-66). Ainda como oficial subalterno foi imediato de um draga-minas, professor auxiliar de navegação da Escola Naval e da Escola Náutica e comandante do navio-patrulha “Cuanza”, tendo neste último navio feito uma comissão de dois anos em Cabo Verde (1970-72). Seguidamente, fez o Curso Geral Naval de Guerra, exerceu o cargo de director de instrução do Curso de Formação de Oficiais da Reserva Marítima, no Grupo nº 2 de Escolas da Armada, e tirou o curso de aperfeiçoamento em Controlo Naval de Navegação. Como oficial superior, foi capitão-de-bandeira do N/M “Niassa” armado em transporte de tropas, imediato das fragatas “Alm. Pereira da Silva” e “Com. Hermenegildo Capelo” e comandante do navio-patrulha “Santa Luzia”, do navio-escola “Polar” e do navio-escola “Sagres”, exercendo este seu último comando no mar de Abril de 1986 a Setembro de 1989, com a realização de três longas viagens de instrução com escalas nos EUA, Brasil, Cabo Verde, Bélgica, França, Alemanha e Espanha. Em terra, desempenhou funções na área da gestão do pessoal, foi professor de Marinharia na Escola Naval, fez o Curso Superior Naval de Guerra e, já no posto de capitão-de-mar-e-guerra, foi assessor do Ministro da Defesa Nacional e Adido de Defesa em Brasília (1991/94). Promovido a Contra-almirante foi Director do Serviço do Pessoal e Comandante da Escola Naval. Como Vice-almirante foi Superintendente dos Serviços de Pessoal e Vogal do Supremo Tribunal Militar. Nomeado Presidente do Supremo
Tribunal Militar foi promovido a Almirante, em 18 de Fevereiro de 2004. Desempenhou estas funções até à extinção deste Tribunal, após o que passou à situação de reserva. Dos vários louvores e condecorações, destacam-se os graus de cavaleiro e comendador da Ordem Militar de Avis, três Medalhas de Serviços Distintos de prata, uma das quais com palma, o distintivo da Ordem da Torre Espada, as Medalhas de Mérito Militar de 1ª e 2ª classes, uma Medalha da Cruz Naval de 2ª classe, a Medalha de Ouro de Comportamento Exemplar, Medalhas Comemorativas das Campanhas e das Expedições Portuguesas, cavaleiro da Ordem de Mérito das Forças Armadas do Brasil, comendador da Ordem de Mérito Naval do Brasil, Medalha de Mérito Tamandaré do Brasil e grande-oficial da Ordem Caballeros Expedicionarios al Desierto Blanco da Argentina. É licenciado pelo ISCTE, desde 1983, em Organização e Gestão de Empresas. Foi presidente da direcção e da assembleia-geral do Clube Náutico de Oficiais e Cadetes da Armada, presidente da assembleia-geral do Clube Militar Naval e vice-presidente da direcção da Associação Portuguesa de Treino de Vela (APORVELA). É membro emérito da Academia de Marinha, sócio da Sociedade de Geografia de Lisboa, nela integrando como vogal a sua Secção de Ciências Militares, e presidente da assembleia-geral da Associação Marinha do Tejo. Foi presidente da assembleia-geral da Associação de Oficiais das Forças Armadas e é actualmente presidente do seu conselho deontológico. É ainda delegado suplente do seu curso no conselho de delegados de cursos da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar. Escreveu diversos artigos designadamente para os Anais do Clube Militar Naval, Revista da Armada, Revista Militar, jornal digital Defesa e Relações Internacionais, Revista Zacatraz e foi coordenador e co-autor do livro “Olhares sobre Guiné e Cabo Verde” da colecção “Fim do Império”. O seu desporto favorito é a vela, que praticou desde a juventude até à actualidade.
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Novos Membros do Conselho Supremo
Carlos Alberto Grincho Cardoso Perestrelo (329/1972)
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arlos Alberto Grincho Cardoso Perestrelo nasceu em Portalegre a 25 de Novembro de 1960. Após o ensino secundário no Colégio, ingressou na Academia Militar onde concluiu a licenciatura em Ciências Militares, tendo actualmente a patente de Major General a que foi promovido em 4 de Novembro de 2013. Oriundo da Arma de Infantaria está habilitado com os cursos curriculares de carreira, o Curso de Estado-Maior e o Curso de Promoção a Oficial General. Possui entre outros, o Curso de Pára-quedismo, Instrutor de Pára-quedismo, Saltador Operacional de Grande Altitude (SOGA), Instrutor Comando/Forças Especiais e “Rangers” do Exército dos Estados Unidos da América. Ao longo da sua carreira, prestou serviço em várias Unidades, Estabelecimentos e Órgãos do Exército e das Forças Armadas Portuguesas. Ingressou em 1985 no Corpo de Tropas Pára-quedistas da Força Aérea Portuguesa aí se mantendo até à sua extinção, onde exerceu funções de Comando e de Estado-Maior. Em 1993/94 desempenha uma missão na ex-Jugoslávia como observador militar da UNPROFOR. Colocado na Divisão de Operações do Estado-Maior do Exército, desempenha de 1997 a 2000 um cargo interna-
cional no Estado-Maior da EUROFOR em Florença (Itália). Em 2001 comanda o Batalhão de Instrução da Escola de Tropas Aerotransportadas e em 2004 é nomeado Chefe do Estado-Maior da Brigada Aerotransportada Independente, actualmente Brigada de Reacção Rápida. Em 2006 assume as funções de Comandante da Escola de Tropas Pára-quedistas para ser, em 2008, nomeado Chefe do Estado-Maior do Comando Operacional das Forças Terrestres, cargo que desempenhou até 2010. De 2011 a 2013 desempenha as funções de 2º Comandante da Brigada de Reacção Rápida, tendo após a promoção a Major-General, assumido as funções de Director de Doutrina do Exército. Por despacho de 08 de Outubro de 2014 de Sua Excelência o General Chefe do Estado-Maior do Exército foi nomeado Comandante da Brigada de Reacção Rápida. É Grande-Oficial da Ordem Militar de Avis, sendo condecorado com a Medalha de Prata de Serviços Distintos, a Medalha de Mérito Militar (1ª e 3ª Classe), a Medalha de Comportamento Exemplar (graus Ouro e Prata), a Medalha de D. Afonso Henriques de 1ª Classe, a medalha Comemorativa das Campanhas de Serviços Especiais das Forças Armadas, a Medalha da ONU e a Medalha NATO/OTAN.
Vasco Maria Tavela de Sousa Santos Pinheiro (254/1982)
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asco Maria Tavela de Sousa Santos Pinheiro nasceu em Lisboa a 14 de Julho de 1972, entrou para o Colégio em 1982, onde teve o número 254, tendo sido graduado com uma estrela da 3ª Companhia. Do Colégio Militar seguiu para a Faculdade de Arquitectura, onde concluiu a respectiva licenciatura em Julho de 1995. Dez anos depois, 2005, defendeu publicamente a tese de Doutoramento em Arquitectura, na vertente projecto, com a classificação final de 19 valores. É professor associado do Curso de Mestrado integrado em arquitectura da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, onde é director cientifico do respectivo centro de estudos e coordenador da International Scientific Network Shoppingskapes. É professor visitante nos cursos de arquitectura da Faculdade de Arquitectura e Engenharia da Universidade
de Gazy, Ancara (Turquia), do Instituto de Arquitectura de Dessau (Alemanha), do Politécnico de Milão (Itália), da Escola de Arquitectura da Universidade de Tessalónica (Grécia) e da Architectural Association (Reino Unido). Como arquitecto tem desenvolvido projectos em Portugal, Angola e Moçambique, muitos deles em parceria com o Pai, Nuno Santos Pinheiro (249/1947). Foi membro de quatro Direcções da AAACM (de 1996 a 2008) e colaborou, desde 1997, na elaboração dos estudos e planos para a sua instalação no Edifício do Quartel Velho, vulgo “Formação”, tendo pertencido ao Corpo Redactorial da “ZacatraZ”. Foi autor e responsável pelo projecto e pela obra de reabilitação do edifício da nova Sede da AAACM, concluída em 2008. Tem estado, sempre, disponível para colaborar com a AAACM, na sua área de actividade.
Condecorações
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Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949
Condecorações General António dos Santos Ramalho Eanes Grande Colar da Ordem da Liberdade
Tenente-General Vasco Joaquim Rocha Vieira (127/1950) Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito
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o passado dia 18 de Dezembro de 2015, em cerimónia realizada no Palácio de Belém, pelo Senhor Presidente da República foram condecorados o Ex-Presidente Senhor General António dos Santos Ramalho Eanes com o Grande Colar da Ordem da Liberdade e o Senhor Tenente-General Vasco Joaquim Rocha Vieira (127/1950) com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito. À cerimónia assistiram membros da Assembleia da República, do Governo (Ministro e Secretário de Estado da Defesa Nacional), Chefes dos Estado-Maior General e dos três Ramos das Forças Armadas, Representante da República para a Região Autónoma dos Açores, Oficiais Generais e Oficiais Superiores da Marinha, do Exército, da Força Aérea, da Guarda Nacional Republicana e das Forças Militarizadas, Familiares dos Agraciados, Amigos, Antigos Alunos do Colégio Militar e do Instituto de Odivelas e Alunos do Colégio Militar. A sala onde teve lugar a cerimónia foi exígua para albergar todos aqueles que quiseram manifestar o seu apreço e regozijo para
com os Agraciados, ficando a maior parte deles nas salas contíguas. Pelo Senhor Presidente da República foram proferidas as seguintes palavras: «Homenageamos hoje dois portugueses que se distinguiram no exercício das mais altas funções do Estado. Enquanto militar, estadista e cidadão, o percurso de vida do Senhor General António Ramalho Eanes tem, como traços marcantes da sua personalidade, o amor à Pátria, a honestidade e seriedade de carácter, o sentido de Estado e a firmeza inabalável das convicções, a que sempre foi fiel. A sua estatura moral, a sua integridade e a sua nobreza de carácter ficaram patentes, aos olhos de todos os Portugueses, quando assumiu funções como Presidente da República num período muito difícil da nossa História. Antes disso, o General Ramalho Eanes destacou-se como um homem de liberdade, que se distinguiu no 25 de Abril de 1974 e, acima de tudo, como líder do movimento que, em
25 de Novembro de 1975, afirmou Portugal como um País livre e democrático, um Estado de direito fiel aos princípios da dignidade da pessoa humana. Em momentos muito conturbados da nossa História, o General António Ramalho Eanes foi um lutador, um homem de coragem. Com invulgar serenidade e sentido de equilíbrio conduziu os destinos de Portugal com firmeza e determinação, colocando o interesse nacional e do povo português acima de várias tentativas de pressão e intimidação. Enquanto Presidente da República, demonstrou de novo o seu profundo apreço pela democracia e pela liberdade, mantendo-se integralmente fiel aos valores e aos mais nobres ideais de serviço a Portugal e aos Portugueses. Senhor General Ramalho Eanes, Em Portugal, Vossa Excelência merece, como ninguém, ser distinguido com o Grande Colar da Ordem da Liberdade, em reconhecimento da grandeza do seu carácter e dos serviços que prestou para que Portugal seja hoje uma Pátria de liberdade e de democracia.
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Condecorações
O Senhor Tenente-General Vasco Rocha Vieira, ao longo de uma brilhante e multifacetada carreira militar e de serviço público, prestou relevantes e distintíssimos serviços às Forças Armadas e a Portugal. No desempenho das altas funções de Chefe do Estado-Maior do Exército, demonstrou excepcionais qualidades de comando, a par de grande firmeza e integridade de carácter, sólida formação ética e militar e notável apego aos mais nobres ideais de serviço ao País. O Tenente-General Vasco Rocha Vieira contribuiu de forma determinante para a consolidação do processo democrático e para repor a autoridade hierárquica e a disciplina nas Forças Armadas num período especialmente conturbado da vida do País, levando a cabo uma importante e decisiva reforma do Exército. No desempenho das funções de Ministro da República para a Região Autónoma dos Açores, desenvolveu uma acção perseverante e avisada, serena e determinada, na procura das melhores soluções para que o processo da autonomia regional fosse conduzido no sentido do reforço da coesão nacional, missão que cumpriu com total dedicação, equilíbrio político e elevado sentido de Estado. Como último representante da administração portuguesa em Macau, o General Rocha Vieira assegurou de modo notável e com pleno êxito a transição de poderes para a Republica Popular da China, missão em que revelou um invulgar perfil de homem público, indefectível patriotismo e inteira devoção na defesa do interesse nacional e que concluiu com elevado brilhantismo, unanimemente reconhecido no País e no seio da comunidade internacional. Mais recentemente, e na qualidade de Chanceler das Antigas Ordens Militares, o Tenente-General Rocha Vieira evidenciou as suas qualidades humanas, revelando ponderação e inteligência, discrição e elevado sentido de Estado e de serviço público. Por estas razões, considero que o Tenente-General Vasco Joaquim Rocha Vieira é justo merecedor de ser distinguido com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, em reconhecimento dos relevantes serviços que prestou à nossa Pátria. Obrigado.» Após a imposição das insígnias usou da palavra, em primeiro lugar, o Senhor General António Ramalho Eanes que disse:
©Foto Luís Filipe Catarino/Presidência da República
«Agradeço-lhe, Senhor Presidente, a condecoração que decidiu outorgar-me, embora creia que a sua decisão teve por motivo e propósito, sobretudo, uma preocupação de igualização institucional, decorrente do entendimento, de vossa Excelência, sobre a tradição presidencial, perante a qual actos e exemplos pessoais se esbatem. Atitude, esta, de Vossa Excelência, que não só compreendo como, também, acato com anuência. Aliás, se algum mérito tive, tê-lo-ei ficado a dever à metamorfose que sofri, gerada pelos homens, e muitos foram, que, quer na guerra quer na paz, me ensinaram, quase exigiram, a entender o significado, a dimensão e os efeitos da esperança, da dignidade e da fraternidade, sem as quais tudo permanece quase em estado de invirtuoso potencial. Metamorfose que fácil não foi, mas que me levou a perceber quão indispensável é, socialmente, o reencontro da vontade e da liberdade – vontade, que intenta fazer, e liberdade, que permite ao homem o que a sua unidade, cultural e
afectivamente enraizadas, exige, e também o que a sua continuidade, de coerente e almejado futuro, face às mais adversas circunstâncias, sugere em motivação e acção individual e colectiva. Com esses homens aprendi, também, a paciência e o realismo, que ensinam sem frustrações imobilizantes, que “os fins, os mais dignos de ser visados são os que jamais se atingem”. Na verdade, ciente estou que as acções de merecimento que tenho liderado ou em que haja participado se processaram dominantemente em organizações ou instituições que são, na sua definição básica, conjuntos de pessoas que coordenam esforços para alcançar um fim, que a todos eles interessa, devendo interessar, também, à sociedade e ao próprio Estado. Assim, o único mérito que poderia reivindicar reside em ter tentado que a justeza do objectivo formal fosse bem compreendida por todos os partícipes, que a coordenação de todos os esforços desenvolvidos fosse realizada com liderante preocupação de competência
Condecorações
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©Foto Luís Filipe Catarino/Presidência da República
e de eficácia, e que, em todos os momentos, todos os partícipes sentissem e percebessem que a organização em que despendiam o seu esforço e investiam o seu trabalho era paradigmaticamente antropológica. Dado este entendimento, considero, pois, que a condecoração, que generosamente o Senhor Presidente me atribuiu, sendo pessoal também (e, neste plano, eu poderia, em consciência, questionar-me), é, sobretudo, dos que comigo colaboraram, me apoiaram, estimularam e em mim confiaram, e que aproveito, este momento, para homenagear. Permita-me, Senhor Presidente, que dirija, também, uma palavra de gratos parabéns ao General Rocha Vieira, que, na sua múltipla e eficaz actividade pública, concluiu o trabalho de transferência do território de Macau para a República Popular da China, permitindo, com ela, que Portugal encerrasse com dignidade o seu último Império.» Por sua vez, o Senhor Tenente-General Vasco Joaquim Rocha Vieira, nosso Camarada 127/1950, num improviso bem estrutura-
do e sem hesitações, dirigiu-se aos circunstantes nos seguintes termos: «Senhor Presidente da República Quero agradecer-lhe a distinção que me concede, ao atribuir-me a condecoração que acabo de receber. Quero agradecer-lhe, também, as suas generosas palavras a meu respeito. Julgo que qualquer português que receba das mãos do Presidente da República uma distinção – uma condecoração –, além da satisfação interior, que com certeza sente, sente-se honrado por ostentar uma condecoração nacional atribuída pelo Presidente da República. É o meu caso, Senhor Presidente. Atribuir-me a Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, é uma grande honra para mim e tem um significado profundo e muito especial. Tem, para mim, o significado e o valor de uma vida. Quando, aos 17 anos, tomei a opção da carreira militar, tomei a opção do sentido do serviço público. Tomei a opção de pôr
sempre o interesse nacional acima de qualquer outro interesse. De não me poupar a sacrifícios, estar disposto a qualquer sacrifício e pôr todas as minhas capacidades ao serviço do Estado e de Portugal. Nunca fiz um gesto – ou um pedido – para que me fosse atribuída uma função, um cargo ou uma nomeação. Em todas as circunstâncias procurei cumprir, com responsabilidade e o melhor que sabia, as nomeações e os cargos que tive que desempenhar. Sem procurar benefícios, e sem qualquer intenção de protagonismo. Fi-lo conscientemente. Mas tenho a certeza de que fui um privilegiado, pelas circunstâncias que a vida, as pessoas, me proporcionaram. E quero dizer que todos os dias eu agradeço o que recebi. Agradeço aos meus pais pela educação que me deram. Agradeço a todos aqueles que contribuíram para a minha formação. Ao Colégio Militar, onde aprendi os valores do patriotismo, da ética, da honra, da dignidade, da responsabilidade e do cumprimento do dever.
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Condecorações
E também quero mencionar, se me permite Senhor Presidente, que a vida é feita das circunstâncias e das oportunidades que nos conferem. E quero referir, neste momento, as pessoas que, em circunstâncias difíceis para Portugal e para os portugueses, me lançaram um desafio que aceitei sempre sem condições, e que foram determinantes no rumo da minha vida pessoal e profissional. Quero agradecer ao General Ramalho Eanes, que, quando eu tinha 36 anos, então Tenente-Coronel de Engenharia, me confiou o Comando do Exército, na função de Chefe do Estado-Maior. Numa altura em que Portugal ainda procurava os caminhos da Liberdade e da Democracia e as Forças Armadas tinham – e tiveram – um papel determinante na consolidação das instituições democráticas. Quero agradecer ao Professor Aníbal Cavaco Silva, que, quando Primeiro-Ministro, indicou o meu nome para Ministro da República nos Açores, numa altura em que ainda se processava a consolidação do regime autonómico, que é uma das grandes garantias da unidade nacional e da coesão nacional. Quero, também, recordar e agradecer ao Dr. Mário Soares, que me nomeou Governador de Macau, na altura do sensível e delicado processo de transição. Quando era preciso, honrando o passado e os compromissos internacionais de Portugal, perante o mundo e perante a República Popular da China, efectuar a transferência da Administração Portuguesa para a República Popular da China. E que isso fosse feito com sentido de futuro, honrando, como disse, as nossas responsabilidades, em harmonia e com dignidade. Quero referir que nada disto é possível fazer sozinho. E que recordo, neste momento, todos os meus colaboradores e amigos que, com dedicação, me ajudaram, me aconselharam, me criticaram e foram sempre solidários comigo. Naturalmente que não vou nomear nenhum, mas saibam que, a todos e a cada um, eu estou reconhecido e que esse reconhecimento é sincero e verdadeiro. Permita-me, Senhor Presidente, ter uma palavra ainda mais pessoal. Quero agradecer à minha mulher e aos meus filhos. A minha mulher foi inexcedível no seu papel de acompanhamento e foi a garantia da retaguarda familiar, em todas as circunstâncias. Quero dizer isto perante todos, mesmo que ela não goste que eu diga estas coisas publicamente.
Quero agradecer aos meus filhos, que mostraram sempre uma grande compreensão, e tolerância mesmo, pelas minhas omissões. Mas sabem que sempre estive com eles. Naturalmente que são situações que se espera de um casal que tem filhos. Mas, não deixando de ser natural, eu não quero deixar de dizer o importante que foi para mim, para a minha carreira, para as minhas responsabilidades e para mim próprio, naturalmente. Senhor Presidente Quero, finalmente, dizer-lhe que tudo quanto fiz, e que Vossa Excelência resolveu considerar de mérito, foi aquilo que se espera de alguém que tem uma opção de vida como eu tenho. E alguém que serve o nosso País deve fazê-lo com desinteresse, deve fazê-lo com determinação, deve fazê-lo com disponibilidade. E deve fazer aquilo que deve ser feito. Quero dizer-lhe que procurei sempre, ao longo da minha vida, ser igual a mim próprio. Nos bons momentos, em que tinha poder e influência, e em todos os outros. Quero dizer-lhe, Senhor Presidente, que sinto poder dizer, neste momento, que, ao longo da minha vida, sempre cumpri com lealdade as funções que me foram confiadas. Lealdade para com os outros, mas lealdade para com os meus superiores, lealdade para com os meus subordinados, lealdade para com os meus colaboradores. Lealdade, sempre, com a minha consciência. E sobretudo, Senhor Presidente, lealdade para com o meu País, para com Portugal. E não foi difícil. Bastou que fosse coerente. Porque eu gosto do meu País e tenho muito orgulho em ser Português. Quero finalmente, se me permite, agradecer a presença das pessoas que aqui estão: Senhor Ministro da Defesa Nacional; Senhor Doutor António Almeida Santos, que conhece muito bem o processo e que acompanhou muitos dos problemas que foi preciso resolver; Senhor Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas; Senhores Chefes dos Ramos – da Força Aérea, da Marinha e do Exército; Senhor Secretário de Estado da Defesa Nacional; Senhor Representante da República para a Região Autónoma dos Açores; todas as entidades, que não vou nomear. Quero agradecer-lhe, Dra. Maria Cavaco Silva, estar aqui comigo e com a minha mulher, nesta ocasião. Quero também referir os meus camaradas – e aqueles que têm a Torre e Espada –
que quiseram aqui estar, numa prova de solidariedade, que agradeço e não esqueço. A todos, o meu profundo e reconhecido Muito Obrigado.» A cerimónia terminou com a apresentação de cumprimentos aos homenageados, por todos os que se deslocaram ao Palácio de Belém para vivência deste acto de grande significado. A ZacatraZ felicita vivamente o Senhor General António Ramalho Eanes e o nosso Camarada Vasco Rocha Vieira, pelas honrosas condecorações com que foram distinguidos e que resultam do seu empenhamento ao serviço da causa pública nas mais diversas vertentes políticas e militares.
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Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
Jantar Anual da Associação Novos Antigos Alunos Prémios Barretina 2015
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em que dessemos por isso, lá passou mais um ano, pelo que nos dirigimos de novo, com o alvoroço próprio da juventude (continuamos jovens de espírito), para o Pestana Palace para mais um Jantar Anual da nossa Associação. O jantar foi memorável como adiante terão oportunidade de confirmar e, mais uma vez, o vivemos com grande intensidade, tendo saído todos com a mente tonificada pelo «banho» de Espírito Colegial que ali nos foi ministrado. Bem-haja a Direcção da Associação por mais esta jornada de alegre e são convívio que nos proporcionou. Da forma habitual, o convívio começou antes de entrarmos na sala de jantar, com o acompanhamento dos aperitivos da praxe. A entrada na sala revelou-se um exercício difícil pois a maioria do pessoal, onde eu me incluía, não tinha pago de antemão o seu jantar, o que obrigou ao seu pagamento no local, levando o pessoal do Secretariado da Associação a uma árdua jornada de trabalho suplementar. Formou-se uma longa bicha que se estendia pelo jardim fora. Estivesse a noite invernosa e teríamos sido todos brindados, à partida, com uma valente molha. Tal não aconteceu. S. Pedro esteve connosco e lá terá pensado que seria de mau gosto contribuir para uma constipação colectiva da malta da Luz. Daqui lhe agradecemos a atenção. Este ano a Direcção decidiu deixar as cerimó-
nias para depois do repasto o que, dada a demora na entrada, foi considerado de boa política pela esmagadora maioria dos presentes, face ao apetite de que já todos estávamos possuídos. Como habitualmente, o jantar foi «bom, abundante e bem confeccionado». Mesmos os mais jovens e mais comilões puderam dar largas ao seu apetite. Os mais velhotes, número no qual me incluo, jogaram mais à defesa, tendo em mente o período de excessos gastronómicos que nos aguarda pelo Natal e pela passagem do ano. Concluído o lauto repasto, subiu ao palco o nosso Mestre de Cerimónias habitual, o 519 de 1959, Manuel Pedro da Costa Pereira Roriz, que deu início às cerimónias da noite com a imposição das Barretinas nas lapelas dos finalistas do ano lectivo transacto, agora solenemente admitidos na Associação como novos Antigos Alunos. É a injecção anual de sangue novo que a Associação recebe, garante da sua vida futura. A cerimónia em si merece melhoria. Como este ano se optou por fazer uma projecção de slides individuais com as fotos de cada um dos novos Antigos Alunos, o resultado foi haver alguma dessincronização entre a projecção dos slides e os Antigos Alunos em cima do palco. Como a esperança é a última coisa a morrer, admito que com mais alguns anos de prática ainda iremos ser capazes de pôr esta cerimónia nos «triques», como agora é hábito dizer-se.
À imposição das Barretinas aos novos Antigos Alunos, seguiu-se aquilo que é sempre o ponto alto da noite, ou seja, a atribuição dos PRÉMIOS BARRETINA, todos os anos aguardada com grande expectativa, procurando cada um adivinhar quem é que vai ser desta vez contemplado. Começou a atribuição dos prémios com a chamada dos agraciados com os prémios Amigos do Colégio Militar, sendo essa chamada acompanhada da leitura do texto justificativo de cada um dos prémios atribuídos, textos esses que apresentamos no final desta reportagem. O primeiro a ser chamado foi o Mário da Nazaré Caixado Couzinho, o conhecido Márinho, que durante anos e anos vimos a servir à mesa no refeitório, nas nossas idas ao Colégio em peregrinação ao longo dos anos como Antigos Alunos. Assim que o Márinho foi chamado, a malta que com ele conviveu no Colégio levantou-se espontaneamente das cadeiras, como um homem só, e brindou-o com uma enorme ovação que deixou o homenageado comovido, ele que se pode considerar um homem do género do Moca, para as gerações mais recentes de Antigos Alunos. O Márinho fez um pequeno improviso de agradecimento do prémio, em que referiu o facto de ter entrado ao serviço do Colégio com a idade de 16 anos, facto este inimaginável nos tempos que correm. Esteve 37 anos ao serviço do Colégio, tendo sido desde sempre considerado pelos Antigos Alunos que eram finalistas
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quando ele entrou para o Colégio, como fazendo parte do seu Curso. Como seria de esperar, o Márinho terminou o seu agradecimento dizendo que tinham valido a pena os anos da sua vida que dedicou ao Colégio. O segundo prémio Amigo do Colégio Militar foi para o Coronel Carlos Alves Cardoso Pimenta, Mestre de esgrima do Colégio durante onze anos, em que transmitiu não só a técnica da esgrima, mas também a paixão pela mesma, aos colegiais seus Alunos. O Coronel Pimenta optou por fazer o seu agradecimento com recurso a uma cábula, não fosse dar-lhe algum lapso de memória, esquecendo algum facto considerado importante. Referiu, a abrir a sua intervenção, que preferia às palavras a acção com o «ferro» na mão e que se sentia muito orgulhoso e muito honrado com o prémio que lhe era agora atribuído. Lembrou os bons tempos passados no Colégio, incluindo as sessões dos campeonatos internos de esgrima, efectuadas entre o jantar e o recolher no geral da 3ª Companhia, para ir instilando o «bichinho da modalidade» nos Alunos mais novos, que assistiam aos assaltos protagonizados pelos seus camaradas mais velhos. Lembrou também as competições externas aos fins de semana que roubava ao convívio com a família, acabando porém por referir, de forma convicta, que tudo valera a pena. O prémio Colégio Militar no Mundo foi atribuído ao 486/1974, Nuno Eduardo Moura dos
Santos da Costa Taveira. Este homem, farmacêutico de formação, decidiu no início da sua carreira profissional não optar por uma vida de barriga encostada ao balcão de uma farmácia, a vender aspirinas ou xarope Lipobiase para a tosse e outros problemas respiratórios. Optou pelo ensino e pela investigação. Em tão boa hora o fez, que tem hoje atrás de si uma carreira notável nesses campos de actividade. O seu currículo invejável fala por si. Recebido o seu prémio, fez um breve improviso de agradecimento, com a simplicidade própria dos grandes, afirmando que teria com certeza no seu curso gente tão merecedora de um prémio quanto ele, e referindo os excelentes professores que teve no Colégio, responsáveis pela bela educação que aí recebeu. O prémio Desporto foi atribuído ao 556/1970, Ricardo Bettencourt Sardinha Portela Ribeiro, Coronel de Cavalaria, seleccionado para os Jogos Olímpicos de 1992, em Barcelona, na modalidade de Concurso Completo de Equitação, onde não lhe foi possível competir por, já em Barcelona, ter sido detectada uma doença ao seu cavalo. Imaginamos o desgosto imenso que este facto lhe terá causado. No seu improviso de agradecimento começou por referir o grande orgulho que tinha por receber esta distinção, dizendo de imediato que devia muito ao Colégio. Lembrou a sua vinda da Madeira, onde deixou os seus pais, para ingressar
no Colégio e recordou o rude golpe que sofreu, passado apenas um ano, com a morte de seu pai. Terminou com um agradecimento à malta do seu Curso, pelo apoio que sempre lhe deu, malta essa que lhe retribuiu o agradecimento com um vibrante Zacatraz, secundado por todo o pessoal presente na sala. O prémio Dedicação ao Colégio foi atribuído ao Vasco Maria Tavela de Sousa Santos Pinheiro (254/1982), conhecido arquitecto da nossa praça e professor universitário da sua especialidade. Começou por confessar, que quando recebeu um telefonema da Direcção da Associação, a sua primeira reacção foi pensar que já lhe estavam a cravar mais um servicinho para a Associação ou para o Colégio, tendo depois ficado mais tranquilo, quando percebeu a finalidade do telefonema. Manifestou depois a grande honra que sentia ao receber este prémio, a que dava um significado imenso. Referiu que este prémio para si não era o fim de nada, mas sim um princípio, dando-lhe uma responsabilidade acrescida em relação aquilo que ao Colégio diz respeito. Lembrou de seguida a figura sempre presente do Rui Manuel Figueiredo de Barros (62/1936), que quando Presidente da Associação o convidou, pela primeira vez, a colaborar com a mesma. Terminou dizendo que partilhava o prémio recebido com o seu pai, o 249/1947, Nuno Rui da Fonseca Santos Pinheiro, que por motivos de saúde não podia estar presente, bem como com
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os «irmãos» do seu Curso. Também o Santos Pinheiro foi despedido com um vibrante Zacatraz. Seguiu-se o prémio Amor ao Colégio que este ano foi atribuído, com toda a justiça, ao 591/1973, José Eusébio Pereira Barata Cordeiro de Araújo, que nos anos transactos, como Presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação, só lhe faltou dormir no Colégio, tendo sido uma «bengala» importantíssima de apoio da Direcção do Colégio. Se a isto acrescermos o facto de ter sido o Presidente do Conselho de Delegados de Curso, cargo este em que exerce uma actividade notável, congregando no mesmo os esforços dos Antigos Alunos com idades entre os dezoito e os setenta e muitos anos, concluímos que o prémio não poderia ter ficado mais bem entregue. O José Cordeiro de Araújo, começou por referir que o seu amor ao Colégio não era nada, comparado com o amor ao Colégio que enchia e transbordava daquela sala e que era esse enorme amor que fazia toda a diferença em relação a qualquer outra instituição. Este princípio de intervenção foi logo interrompido, como não poderia deixar de ser, por uma enorme ovação. Expressou de seguida o seu agradecimento pelo apoio que recebeu do António Saraiva de Reffóios (529/1963), como Presidente da Direcção da Associação e do Martiniano Gonçalves (9/1958), como Presidente do Conselho Supremo. Também o Cordeiro de Araújo foi brindado
com um grande Zacatraz, que deve ter levado muitos hóspedes do hotel a darem um salto na cama no meio dos seus sonos. Mal sabiam eles o que se iria seguir. E o que se iria seguir foi o ponto alto da noite. Foi a atribuição do prémio especial Homenagem aos três antigos Alunos vivos condecorados com a Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito. Três portugueses de eleição que honram o nosso Colégio, em quem o nosso Colégio se revê e que são credores do nosso maior respeito, admiração e estima. O primeiro «Torre e Espada» a ser chamado foi o Raul Miguel Socorro Folques (380/1952), Coronel Tirocinado «Comando», com quatro comissões de serviço no Ultramar, três Cruzes de Guerra e 40 anos de espera para que lhe fosse feita justiça, com a atribuição da venera máxima da panóplia das Ordens Militares portuguesas. Como se costuma dizer, mais vale tarde do que nunca. O Raul Folques, com a simplicidade que todos lhe conhecem, começou por lembrar as dificuldades que sentiu quando entrou para o Colégio no 3º ano, por ter de se integrar no grupo já formado desde o primeiro ano pelos seus camaradas de curso. Segundo ele, quem mais o ajudou a vencer essas dificuldades foram os seus graduados, o Comandante de Companhia José Alberto Lopes Carvalheira (301/1946), Isaías Augusto Pinto Gomes Teixei-
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ra (235/1946), ambos Almirantes da nossa Armada e José Eduardo Carvalho de Paiva Morão (256/1946), Tenente General oriundo da Arma de Cavalaria. A todos eles deixou ali o seu agradecimento. O segundo ponto referido pelo Folques, relacionou-se com a cerimónia em que lhe foi imposta a «Torre e Espada» pelo Presidente da República. Ao fazer-se o planeamento da cerimónia, foi-lhe perguntado se ele tinha algum desejo relacionado com a cerimónia que pudesse ser satisfeito. A sua resposta foi afirmativa, tendo dito que pretendia que estivesse presente na formatura uma Companhia de Alunos do Colégio Militar. Foi esta a forma de manifestar ao Colégio, que o formou para a vida, toda a sua gratidão. A Companhia de Alunos do Colégio lá esteve presente, destacou-se pelo aprumo da sua apresentação e os Alunos receberam ali uma lição de patriotismo que os há-de acompanhar até ao final dos seus dias. Os Antigos Alunos que estiveram presentes, quer em representação da nossa Associação, quer a título individual, não podiam ter ficado mais felizes. Saíram de lá todos com a alma lavada. O segundo «Torre e Espada» a ser chamado, foi o 4/1952, António Joaquim Alves Ribeiro da Fonseca, de quem me lembro bem no seu último ano no Colégio, que foi também o nosso último ano no «Colégio Velho». O Ribeiro da Fonseca seguiu para Moçambique como Furriel
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Miliciano «Comando» depois da guerra ter aí eclodido. Distinguiu-se logo pela sua valentia em combate, tendo sido promovido por distinção a Oficial. Faz segunda comissão em Moçambique onde continua a alardear as suas qualidades de combatente, seguindo mais tarde para a Guiné onde acaba por ser gravemente ferido em combate, tendo estado na iminência de lhe ser amputado um braço que acabou por ser salvo em Lisboa, para onde foi evacuado de emergência. O Ribeiro da Fonseca começou por dizer que não estava preparado para falar, mas que queria dizer a todos muito obrigado pelo prémio que recebia e manifestar a todos o grande orgulho que sentia em o receber. Lembrou que quando foi agraciado com a Torre e Espada, em 1973, também já ficara muito orgulhoso com a barretina de ouro que a Associação na altura lhe atribuiu. Com a maior simplicidade, recordou que não tinha concluído o seu curso no Colégio, tendo ido para o «coco» no 5º ano, mas que tinha muito orgulho por ser Antigo Aluno e que recordava com saudade os 3 de Março que tinha vivido em Nampula, nos seus tempos de combatente em Moçambique. Como os últimos são os primeiros, o último «Torre e Espada» a ser chamado foi o João de Almeida Bruno, o 230/1945. O Almeida Bruno teve uma carreira militar a todos os títulos excepcional, concluída como General do nosso Exército nas mais altas funções militares, como o
atesta o texto justificativo do prémio que agora lhe foi atribuído. Foi um combatente da primeira hora na guerra do Ultramar, tendo integrado o célebre Batalhão de Cavalaria do então Tenente-Coronel Spínola, que foi dos primeiros batalhões a seguir para a guerra em Angola. Como combatente acabou a sua carreira na Guiné. Aí comandou o Batalhão de Comandos da Guiné, onde teve sob o seu comando os dois outros «Torre e Espada», com ele homenageados nesta jornada, tendo transmitido ao Raúl Folques o comando desse Batalhão quando o deixou. Foi Ajudante do General Spínola quando Comandante Chefe da Guiné e seguiu-o sempre com toda a lealdade nos bons e maus momentos da sua trajectória subsequente. O Almeida Bruno disse que se sentia desarmado perante a sala ali pronta para o escutar, mas que tinha que fazer uma reflexão em voz alta, que se consubstanciava numa simples frase «Este Colégio é indestrutível». Referiu de seguida os momentos difíceis da vida nacional que o Colégio superou, a começar pelas Invasões Francesas, para concluir que não podem destruir este Colégio. No que se refere à sua condição de Oficial da Torre e Espada, lembrou um episódio passado em Angola, quando o seu Batalhão foi visitado pelo Marechal Craveiro Lopes e ele, Almeida Bruno, foi designado para falar pelo seu comandante, Tenente-Coronel Spínola. No improviso que então fez, lembrou ao Marechal
Craveiro Lopes o facto de o mesmo ter sido agraciada com a Torre Espada como combatente em África, na 1ª Guerra Mundial, tendo o Marechal então referido que a oportunidade tinha surgido e que ele a tinha agarrado. A exemplo do Marechal Craveiro Lopes, também a oportunidade passou por ele, Almeida Bruno, que a agarrou, como outros, segundo ele, a poderiam ter agarrado. Saudou por fim o Aluno Comandante do Batalhão, como garante da continuidade do Colégio, tendo este retribuído a saudação com um emotivo Zacatraz, no que foi acompanhado por toda a sala. Este Aluno Comandante de Batalhão não mais irá esquecer esta jornada, em que teve a honra de entregar os prémios Barretina a três Homens deste calibre. Foi assim pois, o momento mais alto desta memorável noite, que nos encheu o peito de orgulho. Que outra Instituição, senão as próprias Forças Armadas, poderia viver um momento destes, homenageando em simultâneo três dos seus Filhos, Oficiais da Ordem da Torre e Espada, a mais alta condecoração nacional? ESTE COLÉGIO É ÚNICO. Em relação aos três homenageados, que nos tocaram pela simplicidade dos seus comportamentos e das suas palavras, podemos dizer, sem pedantice e parafraseando o nosso poeta, «DITOSA PÁTRIA QUE TAIS FILHOS TEM».
Prémios Barretina 2015
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Prémios
Barretina 2015 Fundamentos da atribuição dos Prémios e apresentação dos Agraciados A apresentação dos Agraciados e a leitura dos fundamentos da atribuição dos Prémios Barretina esteve, como já vem sendo hábito, a cargo de Manuel Pedro da Costa Pereira Roriz (519/1959) que, ao longo dos anos, tem desempenhado da melhor forma esta missão que não sendo simples faz com que assim pareça pelo modo como a executa.
Mário da Nazaré Caixado Couzinho, «Márinho» "PRÉMIO BARRETINA - AMIGOS DO COLÉGIO MILITAR"
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asceu em Niza a 6 de Maio de 1953 e entrou para o Colégio Militar, como funcionário civil, a 1 de Fevereiro de 1970, tendo passado à situação de reforma a 7 de Junho de 2007. Durante os mais de 37 anos que esteve no Colégio Militar viu passar por esta Casa centenas de Alunos que não esquecem a dedicação e a paixão com que serviu esta Instituição. Sempre disponível, nenhum daqueles que o conheceram o esquecem e por isso o Prémio Barretina “Amigos do Colégio Militar” é para o Marinho, entrega José Cordeiro de Araújo (591/1973).
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Coronel Carlos Alves Cardoso Pimenta "PRÉMIO BARRETINA - AMIGOS DO COLÉGIO MILITAR"
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asceu em Lisboa, em 1933, e frequentou a Escola João de Deus e o Liceu Pedro Nunes, antes de ingressar na Escola do Exército em 1953. Em Agosto de 1957 ingressa na Arma de Infantaria e é colocado no Regimento de Infantaria de Abrantes, tendo no mesmo ano frequentado o Curso de Instrutor de Esgrima, em Mafra. No ano seguinte volta a Mafra para frequentar o Curso de Aperfeiçoamento de Esgrima e é transferido para Tomar.
Em 1959 regressa a Mafra e ao CMEFED (Centro Militar de Educação Física e Desporto) para ministrar o Curso de Instrutores de Esgrima e Frequentar o Curso de Instrutores de Educação Física. Integrou a preparação da equipa de esgrima para os Jogos Olímpicos de Roma (1960), mas acabou por a deixar em Setembro desse ano, sendo transferido de Tomar para o CMEFED onde permanece até 1963, ano em que é colocado na Academia Militar como instrutor de esgrima e luta, lugar que ocupou durante vários anos no intervalo das quatro comissões no Ultramar: uma em Cabo Verde (1961-1963), duas em Angola (1963-1965 e 1967-1969) e uma em Moçambique (1971-1974). Finalmente de Setembro de 1979 a Abril de 1981 é colocado no Regimento de Infantaria de Ponta Delgada, primeiro como comandante do Batalhão Operacional e depois como 2.º comandante do Regimento. A sua ligação ao Colégio Militar inicia-se após o seu regresso dos Açores, quando é convidado por Fernando Perry da Câmara (143/1940), na
altura Director do Colégio Militar, para assumir as funções de Mestre de Esgrima. Manteve-se no Colégio até Setembro de 1994, mesmo depois de ter passado à reserva em Novembro de 1989. Ao longo desses ano passaram pelas suas mãos centenas de Alunos que, mesmo quando passavam à condição de Antigos Alunos, tinham as portas abertas para continuarem a praticar o seu desporto favorito e continuarem a sua formação humana e desportiva. Ao Colégio Militar confiou a educação dos seus dois Filhos. A sua paixão pela modalidade levou-o a ser Vogal do Conselho Técnico, Vogal da Direcção e Vice-Presidente da Federação Portuguesa de Esgrima. Por todo o trabalho feito na formação dos Alunos do Colégio Militar, o Prémio Barretina “Amigos do Colégio Militar” é para o Coronel Carlos Pimenta, entrega Pedro Melo (51/1982).
Nuno Eduardo Moura dos Santos da Costa Taveira "PRÉMIO BARRETINA - COLÉGIO MILITAR NO MUNDO"
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asceu em Lisboa no último dia do ano de 1964 e entrou para o Colégio Militar em 1974, onde teve o número 486. Licenciou-se em Ciências Farmacêuticas em 1988, doutorou-se em Farmácia em 1996 e fez a agregação em Farmácia, na área
da microbiologia, em 2014, sempre na Universidade de Lisboa. Depois de ter sido, entre outras coisas, consultor da Comissão Nacional de Luta Contra a Sida (2001-2006) e do Presidente Jorge Sampaio (2000-2004), na mesma área, é actualmente Professor Catedrático de Microbiologia e Biologia Molecular no Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz, investigador associado e chefe de grupo HIV Evolution Epidemiology and Prevention no Instituto de Investigação do Medicamento, consultor internacional da Abbott molecular, da Alemanha, na área de diagnóstico molecular de doenças infecciosas em África, membro do conselho de qualificação e admissão da Ordem dos Farmacêuticos, sócio da International Aids Society, da Ordem dos Farmacêuticos de Portugal e da Egas Moniz Cooperativa de Ensino crl.
A sua actividade levou-o a ser distinguido com o José Luís Champalimaud Award, em 1997 e 2003, com o primeiro prémio do Janssen Virology Award em 2010, com o Pfizer Award in Clinical Research em 2012 e com o segundo prémio do Janssen Virology Award em 2013. É autor de mais de 250 publicações cientificas, com destaque para uma patente, quatro livros, 22 capítulos de livros e 51 artigos em revistas internacionais. É por todo este trabalho feito pelo mundo que o Prémio Barretina “Colégio Militar no Mundo” é para Nuno Costa Taveira (486/1974), entrega Martiniano Gonçalves (9/1958), Presidente do Conselho Supremo.
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Nuno Bettencourt Sardinha Portela Ribeiro (396/1976) "PRÉMIO BARRETINA - DESPORTO"
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asce em Goa a 13 de Agosto de 1960 e, um ano depois, está na Madeira onde faz a Instrução Primária. Entra para o Colégio Militar em 1970 com o número 566, sai em 1978, tendo sido três estrelas da 3ª Companhia no seu último ano.
Segue para a Academia Militar onde faz a licenciatura em Ciências Sócio Militares, na especialidade de Cavalaria. Ao longo da sua carreira passa pelo Regimento de Lanceiros de Lisboa, pelo Regimento de Cavalaria de Braga, pelo CMEFED, pela Escola Prática de Cavalaria, pelo Agrupamento ASFOR como oficial de ligação na Bósnia-Herzegovina, regressa ao CMEFED, passa pela Academia Militar e em 2006 é promovido a Coronel e assume o cargo de Subdirector do Colégio Militar, posição que ocupa até 2008, altura em que passa a desempenhar o cargo de 2.º comandante do Comando da Zona Militar da Madeira, para em 2013 passar a ser Inspector Adjunto na Inspecção Geral do Exército. Enquanto cumpre a sua normal evolução na carreira militar, faz cursos de mergulho amador, pára-quedismo, instrutor de equitação, de aperfeiçoamento de instrutores de educação física,
Juiz Nacional de Ensino e de Concurso Completo de Equitação e é Director de Campo Nacional de Concurso Completo de Equitação e de Concurso de Saltos de Obstáculos. Do ponto de vista desportivo participa em concursos hípicos nacionais e internacionais de ensino, salto de obstáculos, concurso completo de equitação e trec (técnicas de randonneé equestre de competição). Em 1992 integra a Selecção Nacional do Concurso Completo de Equitação presente nos Jogos Olímpicos de Barcelona, mas acaba por não competir por doença súbita do cavalo. Por toda esta intensa actividade desportiva o Prémio Barretina “Desporto” é para Ricardo Portela Ribeiro (566/1970), entrega José Ataíde Banazol (631/1968), Vice-Presidente da Direcção da AAACM.
Vasco Maria Tavela de Sousa Santos Pinheiro (254/1982) "PRÉMIO BARRETINA - DEDICAÇÃO"
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atural de Lisboa, onde nasceu em 1972, entrou para o Colégio Militar em 1982, onde teve o número 254, tendo sido graduado com 1* da 3ª Companhia. Do Colégio Militar seguiu para a Faculdade de Arquitectura, onde concluiu a respectiva licenciatura em Julho de 1995.
Dez anos depois, 2005, defendeu publicamente a tese de Doutoramento em Arquitectura, na vertente projecto, com a classificação final de 19 valores. É professor associado do Curso de Mestrado Integrado em Arquitectura da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, onde é Director Cientifico do respectivo Centro de Estudos e Coordenador da International Scientific Network Shoppingskapes. É professor visitante nos cursos de arquitectura da Faculdade de Arquitectura e Engenharia da Universidade de Gazy, Ancara (Turquia), do Instituto de Arquitectura de Dessau (Alemanha), do Politécnico de Milão (Itália), da Escola de Arquitectura da Universidade de Tessalónica (Grécia) e da Architectural Association (Reino Unido). Como arquitecto tem desenvolvido projectos em Portugal, Angola e Moçambique, muitos
deles desenvolvidos em parceria com o Pai, Nuno Santos Pinheiro (249/1937). Foi membro de quatro direcções da AAACM (de 1996 a 2008) e colaborou, desde 1997, na elaboração dos estudos e planos para a sua instalação no Edifício do Quartel Velho, vulgo “Formação”, e pertenceu ao Corpo Redactorial da “ZacatraZ”. Foi autor e responsável pelo projecto e pela obra de reabilitação do edifício da Nova Sede da AAACM, concluídos em 2008. Tem estado, sempre, disponível para colaborar com a AAACM, na sua área de actividade e é por esta dedicação ao Colégio Militar que o Prémio Barretina “Dedicação” é para Vasco Santos Pinheiro (254/1982), entrega Manuel da Costa Freitas (199/1957) Vice-Presidente da Assembleia Geral da AAACM.
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Prémios Barretina 2015
José Eusébio Pereira Barata Cordeiro de Araújo (591/1973) "PRÉMIO BARRETINA - AMOR AO COLÉGIO MILITAR"
Prémio Barretina Homenagem
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oi o 591/1973 e a partir daí nunca escondeu o seu amor ao Colégio Militar, ao qual tem mantido uma intensa ligação Após a saída do Colégio Militar a sua acção dividiu-se entre a vida militar e a vida civil. Na vida militar fez o Curso de Formação de Oficiais do quadro permanente da Força Aérea Portuguesa, com a especialidade de navegação, o Curso Geral de Guerra Aérea no Instituto de Altos Estudos da Força Aérea e o Curso de Defesa Nacional no Instituto de Defesa Nacional. Na vida civil licenciou-se em Direito, fez um curso de pós-graduação na Área de Ciências Jurídico-Administrativas e um Mestrado em Direito – Ciências Jurídicas-Forenses, tudo na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Na sua vida militar foi Comandante de Missão no âmbito das missões atribuídas à Esquadra 601, tanto a nível nacional como internacional, e em missões reais de busca e salvamento. Foi Director do Centro de Estudos Aeronáuticos da Academia da Força Aérea e Director da Rádio Lajes – Comando da Zona Aérea dos Açores. Ainda na Zona Aérea dos Açores foi Chefe da Repartição de Operações e Informações do Estado-Maior e Chefe do Centro Coordenador de Busca e Salvamento. Foi, ainda, Professor Efectivo da Academia da Força Aérea. Recebeu várias condecorações, com destaque para a Medalha de Ouro de Serviços Distintos e vários louvores, para além de participar em diversos seminários, conferências e estágios. Ao longo dos últimos anos tem revelado total disponibilidade para o Colégio, tendo sido Presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação dos Alunos do Colégio Militar, para além de ter colaborado com a AAACM sempre que necessário. A sua dedicação ao Colégio Militar tem sido constante e por isso o Prémio Barretina “Amor ao Colégio Militar” é para José Cordeiro de Araújo (591/1973), entregam António Saraiva de Reffóios (529/1963), Presidente da Direcção da AAACM e Francisco Cordeiro de Araújo (591/2007).
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ste ano a Direcção da AAACM decidiu criar um Prémio Barretina especial, denominado Prémio Barretina Homenagem.
Com ele pretende distinguir os Antigos Alunos, vivos, que receberam o grau de Oficial com Palma da Ordem Militar da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito, a mais alta condecoração portuguesa. É pois com orgulho que podemos juntar aos cinco Presidentes da República e aos seis Marechais que passaram pelo Colégio Militar, três condecorados com a Torre e Espada, o que eleva para 154 o número de Antigos Alunos distinguidos com a mais alta condecoração nacional. Os seus feitos em combate justificaram a distinção e é com enorme satisfação que os temos aqui, para lhes expressarmos a admiração e o orgulho que temos por tudo aquilo que fizeram pela Pátria.
Prémios Barretina 2015
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Raul Miguel Socorro Folques (380/1952) "PRÉMIO BARRETINA - HOMENAGEM" Escola do Exército e foi subindo na hierarquia até chegar a Coronel Tirocinado.
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asceu no Algarve, em Vila Real de Santo António e veio para o Colégio Militar para ser o 380/1952. Iniciou a sua carreira militar em Outubro de 1957 ao ser incorporado como voluntário na
Tem entre outros os cursos de Infantaria, Métodos de Instrução, Comandos, Pára-quedismo, estes dois últimos feitos em Angola, e Geral de Comando e Estado-Maior, a que se juntam vários outros dos quais, três deles, concluídos na Alemanha. Integrou o quadro de várias Unidades Militares e cumpriu quatro comissões no Ultramar, três em Angola, 1961/1963, 1964/1967 e 1968/1970 e uma na Guiné (1972/1974), onde foi Comandante do Batalhão de Comandos da Guiné. Esteve, ainda, em Macau (1984/1986), como Comandante da Policia de Segurança Pública, e em Moçambique (1991/1992) como representante militar da Delegação Portuguesa da comissão mista de verificação dos acordos de paz.
António Joaquim Alves Ribeiro da Fonseca (4/1952) "PRÉMIO BARRETINA - HOMENAGEM"
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asceu a 25 de Novembro de 1941 e foi o 4/1952 no Colégio Militar. Iniciou a sua carreira militar em 1963 com o Curso de Sargentos Milicianos,
em Tavira, a que se seguiram os Cursos de Oficiais Milicianos em Mafra, de Comandos em Vila Cabral e de Capitão de novo em Mafra. Cumpriu três comissões, duas em Moçambique, de 1964 a 1966 como Furriel Miliciano e de 1967 a 1969 como Alferes Miliciano, e uma na Guiné, de 1971 a 1972, como Capitão Miliciano. Ferido em combate, recebeu inúmeros louvores e condecorações com destaque para o Grau de Oficial com Palma da Ordem Militar da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito (1973). O Prémio Barretina “Homenagem”é para António Ribeiro da Fonseca (4/1952), entrega Manuel Vasconcelos (99/2008), Comandante do Batalhão.
A sua caderneta militar regista 22 louvores e das suas várias condecorações o destaque vai para o facto de ser Oficial com Palma da Ordem Militar da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito e Grande Oficial da Ordem
Militar de Aviz. É por tudo isto que o Prémio Barretina “Homenagem” é para Raul Folques (380/1952), entrega Manuel Vasconcelos (99/2008), Comandante do Batalhão.
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Prémios Barretina 2015
João de Almeida Bruno (230/1945) "PRÉMIO BARRETINA - HOMENAGEM"
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©Foto Sérgio Garcia (326/1985)
asceu em Lisboa a 30 de Junho de 1935 e entrou para o Colégio Militar em 1945, com o número 230. Refira-se, desde já, que os seus três filhos andaram no Colégio Militar e que uma das suas filhas andou no Instituto de Odivelas. Do Colégio Militar seguiu para a Escola do Exército, onde concluiu o Curso de Cavalaria em 1957. Possui os Cursos de Carros de Combate, Mestre de Educação Física Militar, Guerra Subversiva, Comandos e Estágio de Actualização para Oficiais Superiores. Cumpriu quatro comissões, sendo duas em Angola (1961-1963) e (1965-1968) e duas na Guiné (1968-1970) e (1970-1973) tendo na
primeira, na Guiné, sido Ajudante de Campo do Governador e Comandante-Chefe e, na segunda, Chefe do Centro de Operações Especiais e Comandante do Batalhão de Comandos Africanos que fundou em Novembro de 1972. Esteve preso por duas vezes: a primeira entre 16 de Março e 25 de Abril de 1974, por alegado envolvimento no Golpe das Caldas, a segunda de 12 de Março a 29 de Julho de 1975, na sequência do 11 de Março, e ficou com residência fixa até 25 de Novembro desse mesmo ano. Foi Chefe da Casa Militar do Presidente da República António Ribeiro de Spínola (33/1920) de Maio a Setembro de 1974 e Conselheiro de Estado de Junho a Outubro de 1974. Desempenhou entre muitas outras funções as de Comandante do Centro Instrução de Operações Especiais e da Escola de Formação de Sargentos, em Lamego, Comandante-Geral da PSP, Director da Arma de Cavalaria, Inspector-Geral do Exército, Presidente do Supremo Tribuna Militar, Director Honorário da Arma de Cavalaria e membro da Chancelaria das Antigas Ordens Militares para a Ordem da Torre e Espada. Das suas inúmeras condecorações, muitas delas atribuídas por países estrangeiros,
ANTIGO ALUNO USA A BARRETINA
destaque para o grau de Oficial com Palma da Ordem Militar da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito (1973), a Medalha de Prata de Valor Militar com Palma (1973), a Ordem Militar de Aviz (Grã-cruz e Comendador), Medalha de Ouro de Serviços Distintos de Segurança Pública (1987) e duas condecorações colectivas, distintivo especial de membro honorário da Ordem Militar da Torre e Espada (Regimento de Comandos, 1987) e distintivo especial da Cruz de Guerra de 1.ª classe (Batalhão de Comandos Africanos da Guiné). Foi, ainda, Chefe da Selecção Militar de Futebol (1960), Presidente da Federação Portuguesa de Tiro (1983-1985), Vogal do Conselho Fiscal do Sport Lisboa e Benfica, Presidente da Assembleia-Geral da Associação de Comandos e professor convidado da Universidade Moderna. O Prémio Barretina “Homenagem”é para João de Almeida Bruno (230/1945), entrega Manuel Vasconcelos (99/2008), Comandante do Batalhão.
Jantar Anual da Associação
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Jantar Anual da Associação Palavras proferidas pelo Presidente da Direcção
António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios (529/1963) O nosso querido Márinho, também hoje distinguido com toda justiça pelos seus 37 anos de grandes serviços prestados ao nosso Colégio, com o Prémio Barretina “Amigos do Colégio Militar”. Saúdo os novos Antigos Alunos finalistas do ano lectivo de 2014/2015, a quem acolhemos nesta sua nova qualidade com muita alegria. Saúdo os actuais Alunos Comandantes do Batalhão, Comandantes de Companhia e da Escolta, a quem manifestamos o nosso incondicional apoio. Saúdo de forma particular os nossos convidados Antigos Alunos distinguidos com os Prémios Barretina desta noite. Todos são exemplos que quisemos destacar. Todos contribuíram para o prestígio do nosso Colégio e da nossa Comunidade. A todos estamos reconhecidos. Mas sobre estas distinções que me perdoem os demais por fazer uma referência especial àqueles que foram distinguidos com o Prémio Barretina Homenagem, atribuído pela 1ª vez desde que esta feliz iniciativa, plena de simbolismo, foi criada há 9 anos. Refiro-me e quero lembrar a todos:
©Foto Leonel Tomaz
Meus Caros Cabe-me, como sempre, que vos dirija umas palavras. Começo por manifestar em nome de todos a nossa gratidão ao Antigo Aluno Thomaz Metello (462/1958) que uma vez mais nos recebe neste magnífico hotel em condições únicas. Bem hajas Thomaz pela tua enorme generosidade. Começo por lembrar todos aqueles que nos deixaram ao longo do último ano e peço-vos que em sua memoria guardemos um minuto de silêncio. Saúdo os nossos convidados desta noite: O Senhor Coronel Carlos Pimenta, cuja qualidade do serviço prestado ao Colégio durante os onze anos que aí permaneceu como mestre de esgrima foi hoje reconhecida com a atribuição de um dos Prémios Barretina “Amigos do Colégio Militar”.
João de Almeida Bruno, Antigo Aluno 230/1945 António Joaquim Alves Ribeiro da Fonseca, Antigo Aluno 4/1952 Raul Miguel Socorro Folques, Antigo Aluno 380/1952. Numa época caracterizada por uma trágica elite política e social que por ignorância ou razões ainda mais espúrias demonstra um desrespeito militante e intolerável pela Instituição Militar, entendemos ser o momento adequado para homenagear estes militares insignes, verdadeiros Meninos da Luz, que ostentam a Ordem Militar da Torre e Espada, a mais alta condecoração de Portugal. Lembrá-los e dignificá-los é um dever. Tê-los connosco é uma honra. Que o seu exemplo perdure é o nosso desejo como portugueses que nos orgulhamos da nossa história e dos nossos maiores! Saúdo por fim todos os Antigos Alunos presentes em nome do Antigo Aluno mais antigo
- Agostinho de Sousa Coutinho, Antigo Aluno 15/1934 - e lembro aqueles que por qualquer razão não nos puderam acompanhar nesta noite tão especial, em particular o nosso Presidente da Assembleia Geral da AAACM, o António Cavaleiro de Ferreira (332/1950) a recuperar de uma recente intervenção cirúrgica, de quem sou portador de um forte abraço colegial. Vivemos nos últimos 5 anos momentos deveras exigentes, turbulentos e desgastantes, provocados pela insensatez de governantes desprovidos do mais elementar bom senso e respeito por Instituições de grande valor como o nosso querido Colégio. Convivemos ao longo deste período com … tempos de ansiedade… tempos de inquietação… tempos de esperança... tempos de indignação… e tempos de mudança. …tempos de ansiedade… O início do nosso 1º mandato em Março de 2011 foi marcado por uma indisfarçável ansiedade quanto ao futuro do nosso Colégio. Os resultados académicos permaneciam teimosa e lamentavelmente a níveis em nada condizentes com uma escola de excelência e o número e qualidade das candidaturas de novos Alunos reflectiam uma adesão muito aquém do que seria desejável. Essa ansiedade adensou-se quando, em Agosto de 2011, o Ministro da Defesa Nacional (MDN), à data recentemente empossado, emitiu um despacho que suspendia a programada introdução do 1º ciclo no Colégio Militar (CM) - uma das medidas emblemáticas há muito defendidas pela nossa Associação - por subsistirem dúvidas quanto à sua racionalidade económica. …tempos de inquietação… Esta ansiedade deu lugar a uma enorme inquietação quando da publicação do despacho ministerial de Setembro de 2011 em que era nomeada uma comissão com a missão de definir o futuro dos Estabelecimentos Militares de Ensino (EME) nas palavras do MDN - muito pouco lembradas ao longo destes anos - por um imperativo de racionalização que decorria da realidade questionável dessas mesmas escolas.
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Jantar Anual da Associação
Um minuto de silêncio pelos "Que Nos Deixaram"
Esta inquietação adensou-se quando na audiência concedida à Direcção da AAACM, a pedido desta, no final de Setembro de 2011, aquele membro do governo adiantou, sem rodeios e sem pudor, poder estar em causa a existência do CM. …tempos de esperança… Inesperadamente, a 28 de Outubro de 2011, o MDN decidiu presidir à cerimoniada da Abertura Solene do Ano Lectivo de 2011/2012 no CM. Surpreendentemente, proferiu então um discurso que a todos encheu de esperança. No final daquela cerimónia foi saudado pelos Antigos Alunos presentes com um caloroso Zacatraz. Teve honras de capa na revista da nossa Associação onde o seu discurso foi transcrito na íntegra. A inquietação deu então lugar a uma fundada esperança. Foi assim com esperança que iniciámos uma caminhada sempre norteada pelo cumprimento da missão estatutária de apoiar o Colégio através de uma orientação estratégica que a 12 de Outubro de 2012 tinha sido sufragada por uma larguíssima maioria numa Assembleia Geral (AG) extraordinária convocada para o efeito.
Foi com redobrada esperança e sentido de missão que conduzimos a nossa actuação promovendo sempre o diálogo com todos as entidades envolvidas no processo que estava em curso, nomeadamente as sucessivas comissões designadas pelo MDN, com o Exército, a Direcção do CM e naturalmente com os membros do governo que tutelavam os EME. …tempos de indignação… Como é sabido, este processo iniciado no verão de 2011 culminaria num despacho emitido pelo MDN em Abril de 2013 no qual se determinava o encerramento do Instituto de Odivelas e uma profunda transformação do modelo educativo do CM, sem a ponderação e a preparação que Instituições deste cariz e historial ímpar seriam merecedoras. A reforma anunciada nesse despacho sem acolher as principais preocupações e alertas que ao longo de todo o processo foram sendo veiculadas pela nossa Associação seria materializada no ano lectivo de 2013/2014. Mais, os decisores políticos não optaram, como se impunha, pela via do diálogo, mas sim pela confrontação. Como referi nesta mesma ocasião no ano passado, lembro que algu-
mas das posições defendidas pela AAACM, há muito conhecidas, foram então vergonhosa e despudoradamente deturpadas e por vezes grotescamente ridicularizadas em meios de comunicação social ao serviço do Ministério da Defesa Nacional. A esperança deu então lugar à indignação. A confiança que tínhamos depositado nos representantes do Estado tinha sido traída. Sentimo-nos legitimamente enganados. O diálogo e a colaboração leal que sempre promovemos, deu lugar á confrontação que nos foi imposta. …tempos de luta… Dispenso-me de comentar os esforços que então fizemos de sensibilização, quer junto dos diversos sectores e actores com as mais altas responsabilidades no estado, quer junto da opinião pública. Vivemos então tempos de luta. Uma luta sem tréguas. Uma luta desigual e assimétrica que perdemos, uma vez que os resultados ficaram aquém do que ambicionávamos. É com mágoa que reconhecemos esta derrota mas não foi uma derrota que nos envergonhe, pois foi uma luta que enfrentámos com a determinação das nossas convicções e movidos por um grande amor pelo Colégio.
Jantar Anual da Associação
©Foto Leonel Tomaz
Acreditamos ainda que não fora a nossa actuação e o diálogo que sempre conseguimos manter - apesar de algumas divergências - com as sucessivas Chefias do Exército, mas em particular com as diferentes Direcções do Colégio, e os resultados deste processo de transformação poderiam ter sido bem piores, levando a uma irreversível descaracterização do Colégio ou mesmo ao seu encerramento. Em suma, apesar da derrota, foi uma luta que valeu a pena ser travada e, atrevo-me a afirmar, na qual honrámos a confiança que a comunidade dos Antigos Alunos depositou nesta nossa equipa. …tempos de mudança… Antecipámos que a decisão política que veio a ser tomada poderia condicionar de forma relevante a nossa actuação na missão de apoio ao Colégio. Percebemos após este longo, conturbado e desgastante período, e perante a nova realidade do Colégio, que o discurso e a acção de resistência contra precipitações e improvisos - sempre consensual - teriam de passar a ser centrados na exigência da qualidade e na defesa da identidade do Colégio, circunstâncias que tornaram mais
complexa a construção de um consenso alargado entre a nossa Comunidade. Entendemos ser assim imprescindível promover a discussão e aprovação de uma nova orientação estratégica, uma vez que a que se encontra em vigor, como já referi, data de Outubro de 2012 e já foi assim ultrapassada pelos acontecimentos. Entendemos também que a Direcção da AAACM deverá seguir uma orientação clara, apoiada por uma maioria substancial dos seus Sócios. Assumimos propor uma nova orientação estratégica. Construímos uma proposta tendo como princípio de que mais do que a natureza das transformações introduzidas - ensino misto e externato - é o modo como estas estão a ser aplicadas relativamente a aspectos críticos como a defesa e a diferenciação do internato um dos pilares da moção aprovada em Outubro de 2012 e sempre defendida pela nossa Associação - que poderá corroer as características essenciais e diferenciadoras do Colégio. Como é certamente do conhecimento de todos, esta moção viria a ser rejeitada na AG da AAACM do passado dia 23 de Outubro. Ao constatarmos esta nossa incapacidade em validar uma visão construída a partir da convicção de que o rumo que está a ser seguido pode e deve ser alterado em aspectos que consideramos essenciais, entendemos ter chegado o momento de abrir caminho a uma mudança. Na verdade, acreditamos ser desejável e oportuno que se promova um debate o mais alargado possível sobre esta nova realidade. Para que este debate possa ser mobilizador é fundamental que exista tempo para a sua preparação e capacidade de distanciamento face aos acontecimentos recentes, pelo que consideramos que esta tarefa deverá ser protagonizada e liderada por uma nova equipa. Nestes termos, e no sentido de facilitar um consenso o mais alargado possível em torno de uma nova orientação estratégia - que todos por certo ambicionamos - apresentámos esta tarde formalmente a nossa demissão ao Presidente da Mesa da AG da AAACM. Nessa mesma carta propomos a realização de eleições para os Órgãos da AAACM para o final do próximo mês de Janeiro de 2016. Este prazo permitirá concretizar três importantes objectivos. 1. Os Antigos Alunos disporão de alguns meses para constituírem listas, preparar propostas e apresentá-las aos sócios. 2. A Direcção da Associação que vier a ser eleita terá tempo para cumprir as formalida-
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des habituais junto das entidades relevantes e representar a AAACM nas cerimónias do Aniversário do Colégio no início de Março. 3. A actual Direcção da Associação terminar o exercício orçamental do corrente ano. Foi uma decisão solidária. Confesso que fica um sentimento de frustração e de tristeza, própria de uma tarefa inacabada, mas defender uma ideia e não prescindir dela sem justificação racional, é honrar a nossa tradição de aceitar a diferença, e o cansaço ou a derrota não podem matar essa convicção. Dito isto, fica também em todos nós - posso afirmá-lo com a mesma convicção - o firme desejo de contribuir para construir esses novos caminhos. O CM é uma construção emocional e ética que decorre da partilha de vivências únicas e valores perenes. A nossa unidade é por isso natural e espontânea. Tal como o prodigioso projecto do nosso Marechal nos ensinou e o seu exemplo nos inspira, a nossa unidade não é forjada no unanimismo, mas na capacidade de aceitar as diferenças. Há sempre muito mais a unir que a separar e não há falso unanimismo que valha um abraço verdadeiro e fraterno ou o entusiasmo de um vibrante Zacatraz. Fica também a minha gratidão a todos quantos me acompanharam nesta jornada inesquecível. Permitam-me um abraço especial a todos os membros dos Órgãos Sociais e em particular aos meus Camaradas de Direcção, a quem devo, para além do compromisso, uma lealdade que jamais esquecerei. A terminar, uma palavra de reconhecimento aos colaboradores da AAACM – Alina Nogueira, Ana Maria Carvalho, Leonel Tomaz e José Martins - pela ajuda que nunca regatearam e solidariedade que sempre demonstraram… e também pelo carinho e qualidade com que uma vez mais organizaram esta celebração. Bem hajam por isso. A todos os presentes e respectivas Famílias desejo um Santo Natal com o sentido de pertença que nos une e a esperança de continuar a celebrar este nosso Colégio que tanto amamos. Um grande abraço e até sempre!
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Colégio Militar Berço de Grandes Portugueses
José Alberto da Costa Matos 96/1950
Colégio Militar
Berço de Grandes Portugueses Álvaro Herculano da Cunha Oficial de Marinha e Governador Ultramarino
(185/1874)
N
asceu em Lisboa a 4 de Julho de 1864, filho do general Francisco Maria da Cunha (ex-aluno do Colégio Militar e depois seu director entre 1883 e 1891) e de Esperança Rafael Nogueira. Foi admitido como aluno do Colégio Militar em 1874, sendo-lhe atribuído o n.º 185. Terminou o curso colegial em 19 de Outubro de 1881 e, no mesmo dia, assentou praça voluntariamente como 1.º sargento graduado em aspirante a oficial, no Regimento de Caçadores n.º 5, com licença para fazer os estudos preparatórios na Escola Politécnica, os quais concluiu em 1883, passando então à Escola Naval como aspirante provisório da Companhia de Guardas-Marinhas. Tendo terminado o curso de oficial de Marinha fez o tirocínio na Fragata “D. Fernando” até final de Fevereiro de 1886 e, a 5 do mês seguinte, foi promovido a guarda-marinha. Dois anos depois ascendeu a 2.º tenente, seguindo-se-lhe as promoções a 1.º tenente em 1892 e a capitão-tenente em 1905. Fez quase toda a sua carreira em servi-
ço de campanha na Guiné, para onde foi nomeado pela primeira vez em Setembro de 1887. Aí, em 1888, no seguimento da campanha iniciada dois anos antes contra o régulo Mussá-Molo que atacara as populações do Geba, tomou parte no bombardeamento de Nhacra estando embarcado na canhoneira Guadiana. Em Janeiro seguinte, ainda no mesmo navio, participou no bombardeamento da ilha de Canhabaque e de duas povoações balantas na margem direita do rio Geba. Regressou em Julho de 1890 sendo a seguir nomeado para prestar serviço no couraçado ”Vasco da Gama”. Porém, em meados do mês seguinte, seria colocado na canhoneira “Rio Ave” estacionada em Cabo Verde e, a 27 de Outubro assumia na Guiné o comando da lancha-canhoneira “Zagaia”. Nesse território, a 27 de Junho de 1890, os papéis de Antula, auxiliados pelos balantas de Cuntanga e Nhacra, haviam desencadeado na Ilha de Bissau, uma guerra contra os papéis de Intim.
Colégio Militar Berço de Grandes Portugueses
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Lancha-canhoneira
Foi uma guerra com indescritível ferocidade que durou até fins de Outubro. O Governador ainda tentou negociar paz entre ambas as partes, mas só os de Antula compareceram à reunião proposta. Era portanto este o cenário que Herculano da Cunha foi encontrar. Perante a situação, em 23 de Fevereiro de 1891 foi declarado o estado de guerra na Ilha de Bissau e, contra os régulos de Intim, Bandim, Safim, Bor e Entroncamento, foi organizada uma coluna de operações, constituída por forças destacadas em Bissau, outras vindas de Cabo Verde e por auxiliares, apoiada a partir das águas da ilha de Bissau pelas lanchas-canhoneiras Flecha e Zagaia. A 9 de Março as tropas constituídas caíram numa emboscada, foram desbaratados e fugiram tendo sido salvos pelas tripulações dos navios da Marinha. Nesta campanha de Bissau, bateu com o seu navio os revoltosos nos combates de 28 de Fevereiro, 1 e 3 de Março, e apoiou a coluna de operações nos ataques de 9 de Março e 19 de Abril, expondo a sua vida não só pelo muito que se aproximou de terra, como também porque os revoltosos respondiam ao seu fogo.
Planta da praça de S. José de Bissau
Como reacção ao insucesso de 9 de Março, o Governador mandou vir tropas do Geba que foram integradas na coluna das operações de Bissau.
Mas a 22 de Junho, os rebeldes, suspeitando que haviam sido pedidos reforços à Metrópole, e encontrando-se impedidos de vender as suas oleaginosas, decidiram iniciar negociações tendo em vista a sua submissão. Herculano da Cunha foi encarregado pelo governador da Guiné de negociar o perdão dos revoltosos, tarefa em que demonstrou firmeza de carácter, valentia e arrojo, pois fora ele, com o seu navio, quem mais destroços causaram aos revoltosos, e porque se internou para o efeito no território daqueles, acompanhado apenas por dois grumetes. De facto, a 6 de Fevereiro do ano seguinte, e com condições, o rei viria a conceder-lhes um perdão que, contudo, não chegou a durar dois anos. Entretanto, em Maio de 1891 Herculano da Cunha foi nomeado ajudante de ordens do Governador-geral do Estado da Índia, onde se manteve até Fevereiro seguinte. Durante o desempenho deste cargo, foi em meados de Setembro de 1891 nomeado cumulativamente secretário da comissão encarregada de proceder a uma rigorosa inspecção ao estado dos rios de Goa, propondo os melhoramentos adequados bem como os correspondentes planos. Regressado da Índia teve embarque na canhoneira “Rio Ave” mas, a 16 de Agosto de 1892 era nomeado novamente comandante da lancha-canhoneira “Zagaia”, seguindo a 15 de Setembro para Bolama, então capital da Guiné, para assumir o comando do navio. A 7 de Dezembro de 1893, rompendo o acordo existente, 3.000 papéis e balantas de Nha-
cra e Cuntanga atacaram de surpresa a praça de Bissau. Acabaram por ser repelidos mas, a 9 de Janeiro de 1894, atacaram novamente, sendo mais uma vez repelidos com grandes baixas. Porém a revolta continuou no Intim pelo que, a 3 de Maio foi constituída nova coluna de operações formada por uma secção de metralhadoras, companhias da Marinha da Guiné e de Angola e três secções de artilharia que, a 16 de Maio, tomou de assalto Bandim e e ocupou o alto de Intim. Os papéis vieram então a Bissau com uma bandeira portuguesa encimada por uma bandeira branca, pedir a suspensão das hostilidades. A 22 de Junho, os de Intim, Bandim, Antula e Safim prestaram submissão a Portugal. Durante esta campanha, Herculano da Cunha executou em Maio, com o seu navio, o
Fortaleza da Amura (Bissau)
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Colégio Militar Berço de Grandes Portugueses
bombardeamento das povoações dos papéis, participou na repressão ao ataque à praça de Bissau e realizou os bombardeamentos de Bandim e Andulo. Em 23 de Novembro de 1894 deixou o comando da lancha canhoneira “Zagaia” regressando à Metrópole. No Agosto do ano seguinte foi nomeado comandante do porto de Olhão, cargo que exerceu até ao fim de Outubro de 1896, data em que foi nomeado, mais uma vez, para servir na Guiné. Tomou parte na campanha do Óio em 1897, cujas operações dirigiu como delegado do governo, prestando serviços importantes e actos de muita coragem em Bafatá. Durante os dois meses de preparação da campanha, trabalhou tanto e tão dedicadamente, de dia e de noite, atendendo a tudo e em todo a
Torre e Espada
Avis
parte, sempre sem descansar, que chegou a recear-se pela sua vida. De 6 de Fevereiro a 6 de Abril de 1897 foi delegado do governo em Farim e, cumulativamente, comandante superior das forças navais em operações no rio do mesmo nome entre 1 de Março e 3 de Abril. Foi por duas vezes governador interino da Guiné, primeiro desde Novembro de 1897 a Agosto do ano seguinte e, num segundo mandato, de Janeiro a Setembro de 1899, períodos em que foi, simultaneamente, comandante das Forças Navais naquele território ultramarino. Por motivos de saúde e em conformidade com parecer da respectiva Junta, a 14 de Março de 1900 regressou à Metrópole, mas dois meses depois, nos finais de Maio desse ano, era já nomeado capitão do porto do Funchal.
Valor Militar
Bons Serviços
Em 1891, sendo 1.º tenente, foi nomeado sócio honorário da Sociedade de Geografia de Lisboa. Veio a falecer a 8 de Dezembro de 1915. Era agraciado com os graus de cavaleiro e oficial da Ordem da Torre e Espada e de cavaleiro e oficial da Ordem de Avis, e condecorado com as medalhas de ouro de Valor Militar, de prata de Bons Serviços, de ouro de Serviços Distintos no Ultramar com o algarismo 1, de prata de Comportamento Exemplar e de Socorros a Náufragos. Foram alunos do Colégio Militar os seus filhos Francisco Maria e Álvaro.
Serviços Distintos no Ultramar
Comportamento Exemplar
Socorros a Náufragos
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António Dinis de Ayala Oficial do Exército
(22/1877)
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asceu em Pangim (Goa) a 31 de Janeiro de 1867, filho de José António Dinis Ayala. Com a idade de 9 anos veio para Lisboa, com sua mãe e um irmão, e entrou como aluno para o Colégio Militar em Outubro de 1877 com o n.º 22. Em 1884, no seu último ano lectivo, foi graduado em Comandante de Esquadra. Iniciou a sua carreira militar em Moçambique, onde fez parte de diversas colunas de operações contra indígenas revoltados, tendo o seu baptismo de fogo na povoação de Naguema (próximo do Lumbo), distinguindo-se no comando da guarda avançada e num ataque nocturno que a sua coluna sofreu no sítio de Namancasa. O seu valor e a sua coragem foram então enaltecidos nos relatórios do comandante da coluna. Estava em Inhambane quando aquele distrito foi atacado por hordas de guerreiros do régulo Gungunhana, tendo tomado parte,
entre 1885 e 1889, em todas as expedições ao território de Gaza. Foi secretário do governador do Cabo Delgado e preceptor da Escola de Artes e Ofícios de Moçambique. Ainda em 1889, foi nomeado intendente dos negócios indígenas em Inhaoche onde pouco tempo permaneceu por motivo de doença, tendo por isso regressado a Lisboa, onde esteve alguns meses para se restabelecer. Nomeado subchefe da Repartição Militar de Moçambique, partiu novamente para aquela província, onde mais tarde chefiou interinamente a referida repartição, sendo louvado por portaria do então governador-geral, o oficial de marinha Rafael Lopes de Andrade. Quando o alferes Salustiano Correia foi gravemente ferido em Monginquale, numa operação destinada a capturar alguns mojojos que exerciam a escravatura, ofereceu-se imediatamente para ir em socorro daquele oficial, levando sob o seu comando apenas 50 praças, um alferes e
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três sargentos. Lançou um ataque à povoação de Mutucera e conseguiu conduzir o seu camarada ferido através de terras sob controlo do inimigo, apesar da reduzida força que o acompanhava. Exerceu depois o comando daquela localidade durante dois anos e, nesse tempo, mercê da sua acertada política, conseguiu acabar com as constantes razias que os namarrais e outros povos praticavam. Mais tarde, sentindo-se desprestigiado por o vice-governador de então não permitir a execução de um castigo que ele pretendia aplicar ao rebelde Faulay, por cartas que este lhe dirigira com ameaças e insultos, pediu a exoneração do comando, que veio a ser-lhe concedida por portaria do governador-geral que, não obstante, o louvou pela forma inteligente como se conduzira durante o seu comando, ao mesmo tempo que, numa outra portaria, o nomeava comandante da Bateria de Artilharia do Batalhão de Caçadores n.º 1 do Príncipe Real, criada naquela ocasião. Foi de seguida em comissão de serviço para a Índia, ali permanecendo durante um ano, regressando depois à Metrópole.
Avis
Cristo
Serviu também em Angola, de Junho de 1903 a Agosto de 1905, tendo aí comandado várias Companhias Indígenas. Participou na 1.ª Grande Guerra, em França, em 1917 e 1918, fazendo parte do Corpo Expedicionário Português. Transitou para a situação de reforma em 11 de Maio de 1929, sendo considerado inválido de guerra por padecer de grave doença. Faleceu no Telhal (Rio de Mouro) a 16 de Fevereiro de 1957. Era agraciado com os graus de cavaleiro e comendador das Ordens de Avis e de Cristo e condecorado com as medalhas de preta de Bons Serviços, de prata e de cobre de Bons Serviços no Ultramar e de prata de Comportamento Exemplar. Era irmão de Bernardo Diniz de Ayala, pai de Fernando Diniz de Ayala, bisavô de João e de Antonio Ayala Boaventura, tio de António Diniz de Ayala, tio/avô de Bernardo Manuel Diniz de Ayala e tio/bisavô de Bernardo Diniz de Ayala, todos eles antigos alunos do Colégio Militar.
Bons Serviços
Bons Serviços no Ultramar
Comportamento Exemplar
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António José da Cunha Salgado Oficial do Exército e primeiro Antigo Aluno Director do Colégio Militar
(103/1834)
N
asceu em Lisboa a 10 de Janeiro de 1823, filho de António José da Cunha Salgado, capitão de engenheiros, e de Maria da Nazareth Durão. Entrou como aluno para o Colégio Militar em 1834, sendo-lhe conferido o n.º 103, ali concluindo os seus estudos em 1840. Apresentou-se de seguida no Regimento de Lanceiros n.º 2, onde assentou praça como voluntário em 28 de Agosto daquele ano, ascendendo então a aspirante a oficial. Três meses depois, a 28 de Novembro, já alferes, foi transferido para o Batalhão de Caçadores n.º 27 em consequência de uma determinação que, face à iminência de um conflito com a Espanha, mandava transitar para a Infantaria todos os aspirantes de Cavalaria, que era o caso de Cunha Salgado. Ainda nesse ano vai frequentar o curso de Engenharia da Real Academia de Fortificação, Artilharia e Desenho e a Escola Politécnica tendo feito várias cadeiras. Em Junho de 1842 vai servir em Caçadores n.º 2, sendo transferido dois anos depois para Caçadores n.º 9. No ano lectivo de 1845/46 volta a estudar na Escola Politécnica mas, em 1846, o movimento popular da “Maria da Fonte”, que acabou por
degenerar meses depois na chamada guerra da “Patuleia”, faz com que, no fim de Outubro, o alferes Cunha Salgado seja dado como pronto para o serviço e colocado em Caçadores n.º 1. O reacender da guerra civil manifestava-se um pouco por todo o país e, em Dezembro, as forças patuleias que se haviam concentrado em Santarém, sob comando do conde de Bonfim, avançam sobre Lisboa. As tropas da rainha, sob comando do marechal Saldanha, e integrando entre outras unidades Caçadores n.º 1, barram-lhe o acesso à capital, obrigando aquelas a retroceder sobre Torres Vedras onde, em 22 de Dezembro, se trava batalha decisiva com a derrota e o desbaratar das forças revoltosas. Durante o combate Cunha Salgado é gravemente atingido numa perna. O «seu comportamento e relevantes serviços prestados na acção de Torres Vedras» fariam com que, em 20 de Janeiro seguinte, fosse agraciado com o grau de cavaleiro da Ordem da Torre e Espada. O ferimento recebido deixara-o porém impossibilitado de continuar a servir na Infantaria. É então utilizado em tarefas da repartição do Quartel Mestre do Exército e, em fins de Outubro de 1848, é reintegrado no quadro da
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sua arma de origem, a Cavalaria, então com o posto de tenente a que ascendera em Abril do ano anterior. Ajudante de ordens do Chefe do Estado-Maior General em 1850 e capitão graduado em Junho do ano seguinte, permanece em funções no Comando em Chefe do Exército, onde se conservará até Setembro de 1859. Entretanto, os seus serviços haviam sido distinguidos mais uma vez, em 1852, agora com o grau de cavaleiro da Ordem de N.ª Senhora da Conceição de Vila Viçosa. Em 1853, a 23 de Setembro, foi nomeado para executar experiências comparativas com armas de fogo portáteis de diferentes sistemas em uso nos exércitos europeus, na sequência do que, um ano depois, faz parte de uma comissão encarregada de examinar o sistema de armas de percussão proposto para o nosso Exército. De Fevereiro de 1856 até Outubro de 1857, acompanhou o brigadeiro Fortunato José Barreiros, notável oficial de Artilharia que, regressado do governo de Cabo Verde, fora escolhido pessoalmente por D. Pedro V para fazer uma viagem científica e militar a Inglaterra, Bélgica, Prússia, Áustria, Itália e França, a fim de estudar e tomar conhecimento dos últimos aperfeiçoamentos introduzidos no armamento das tropas.
Em 27 de Junho de 1859, sendo criado em Mafra o Depósito Geral de Recrutas, é nomeado comandante da sua Escola Complementar. No ano seguinte integra a comissão de organização da arma de Cavalaria e, em Fevereiro de 1861, a comissão encarregada do plano de reorganização do Exército. Em Setembro seguinte é encarregado de criar e dirigir a Padaria Militar de Lisboa, que viria depois a converter-se na actual Manutenção Militar, à frente da qual se manteve até ao começo de 1868, quando foi exonerado a seu pedido. Cumulativamente com aquelas funções, comandou o Asilo dos Filhos dos Soldados, criado em 17 de Janeiro de 1862 e inaugurado em Mafra em Agosto do ano seguinte, após trabalhos de organização, levantamento e estabelecimento de normas e regulamentos internos, desenvolvidos por Cunha Salgado, seu efectivo fundador, que se inspirou essencialmente no modelo do Colégio Militar, onde fizera os seus primeiros estudos. Simultaneamente, fez parte da comissão para a escolha de armamento para o Exército, em Junho de 1866, e, no mês seguinte, da comissão para o estabelecimento de um campo de tiro e manobra. Em 6 de Fevereiro de 1867 é promovido a major.
No ano seguinte, foi organizado um batalhão expedicionário à Zambézia, constituído por soldados incorrigíveis e cheios de castigos, destacados para o efeito por comandantes de muitas unidades. Após uma tentativa de sublevação em Alcântara, onde se achava aquartelado, o batalhão é transferido para Mafra, onde também funcionava o Asilo dos Filhos dos Soldados. Uma vez aqui, os expedicionários revoltam-se de novo. Foi então que, com extraordinária determinação, Cunha Salgado conseguiu sufocar a insubordinação auxiliado por alguns alunos mais corajosos, não hesitando em mandar entrar em posição a bateria do Asilo, e apontá-la sobre os insubordinados. A sua intervenção veio a ser objecto de louvor na Ordem do Exército de 20 de Abril de 1869. Por decreto de 18 de Novembro de 1869 foi nomeado director interino do Real Colégio Militar, então na Luz, em acumulação com o comando do Asilo dos Filhos dos Soldados. No ano seguinte, em 14 de Junho, um decreto da autoria do marechal Saldanha reorganizava radicalmente o Real Colégio Militar nele incorporando o Asilo dos Filhos dos Soldados, que estava instalado em Mafra, onde se lhe devia ir juntar o Colégio, que então ainda estava sediado na Luz.
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Torre e Espada
Cunha Salgado, comandante do Asilo que assim iria desaparecer, deixa, decorridos nove dias, a direcção interina do Colégio, e passa a seu comandante efectivo, designação que, por força do decreto reorganizador, passava então a ter o director do Colégio. Terminado o ano lectivo de 1869/70, e com a quase totalidade dos alunos em férias, o director estabelece e difunde, no dia 12 de Agosto, as suas directivas para a transferência do Colégio para Mafra, tarefa complexa e difícil que exigia grande coordenação e capacidade de previsão e planeamento. E a coluna arranca às 5 horas da manhã do dia 15. No dia seguinte inicia-se a reinstalação no palácio de Mafra e, em simultâneo, Cunha Salgado orienta a integração do extinto Asilo dos Filhos dos Soldados, de que fora o fundador, e prepara as normas e instruções mínimas porque se deveriam reger toda a actividade, de modo a que haja condições suficientes para se dar início ao novo ano lectivo na data estabelecida. Mas o marquês de Sá da Bandeira, ministro sucessor de Saldanha, suspende em 27 de Setembro a reorganização promulgada em 14 de Junho. Cunha Salgado é exonerado do comando do Asilo, que voltava a separar-se do Colégio, e mantém-se apenas neste, na condição de director interino, conforme decreto de 4 de Outubro de 1870.
Avis
N.ª Sr.ª da Conceição de Vila Viçosa
Perante este quadro perturbador do presente e desencorajador do futuro, o major Cunha Salgado pede a demissão do cargo, sendo-lhe esta concedida na semana seguinte por decreto de 11 de Outubro de 1870. Gorava-se assim a possível vantagem que poderia resultar de ser um ex-aluno do Colégio a orientar os seus destinos. O major Salgado é então designado para elaborar um projecto de regulamento para a instrução da arma de Cavalaria e, tendo ascendido a tenente-coronel em 16 de Janeiro de 1872, é colocado na Direcção Geral do Ministério da Guerra como chefe de Repartição; em 29 de Agosto desse ano é nomeado cumulativamente presidente da comissão encarregada de propor as modificações convenientes no armamento, correame, equipamento, fardamento e arreios da Cavalaria Coronel em 6 de Maio de 1874 vai comandar o Regimento de Lanceiros n.º 1 e, cinco meses depois, em 21 de Outubro e de novo em acumulação de funções, integra a comissão para a reforma do regulamento disciplinar do Exército, cujos trabalhos decorrem até meados de Dezembro do ano seguinte. Comandante do Regimento de Lanceiros n.º 2, transita para a situação de reforma a 20 de Janeiro de 1881.
Leopoldo da Bélgica
Isabel a Católica
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Legião de Honra
Viria a falecer oito meses mais tarde em Lisboa, com 58 anos de idade, no dia 25 de Setembro de 1881. Primeiro como estudante e depois já oficial, nos anos de 1838 a 1842, redigiu os jornais «Galeria Pitoresca e Cosmorama Literário» da Sociedade Filomática, para cujas aulas nocturnas, de que foi professor em 1843, escreveu o «Curso Elementar de Geografia». Em 1852 publicou também «Noções Gerais da Guerra». Era agraciado com os graus de cavaleiro e oficial da Ordem da Torre e Espada, cavaleiro e comendador da Ordem de Avis, e cavaleiro da Ordem de N.ª Sr.ª da Conceição de Vila Viçosa, e também condecorado com os graus de cavaleiro da Ordem de Leopoldo (Bélgica), comendador da Ordem de Isabel a Católica (Espanha) e da Legião de Honra (França).
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Antigos alunos em Destaque
Antigos alunos
em Destaque
José Manuel de Mello Sousa Uva (466/1959) Director Jubilado da Comissão Europeia
J
osé Manuel de Mello Sousa Uva, no dia 5 de Janeiro de 2016 em cerimónia que assinalou o início das comemorações dos 30 anos da Adesão de Portugal à União Europeia (então CEE), foi agraciado pelo Senhor Presidente da República com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique. Nasceu em Lisboa a 12 de Maio de 1949, foi admitido no Colégio no ano de 1959 com o número 466, licenciou-se em Engenharia Química no Instituto Superior Técnico e prosseguiu a sua formação académica no inicio da década dos anos oitenta na Universidade Católica de Lisboa e, posteriormente, na Universidade de Economia de Amesterdão, em ambas obtendo o grau de post-graduado em Economia Europeia. Funcionário do Ministério da Economia desde 1973, integrou em 1978 a equipa responsável pelo processo de Adesão à então Comunidade Económica Europeia (CEE), nos domínios da Agricultura, Industria Alimentar e Comércio. Após implicação activa nas negociações do processo de adesão, exerceu desde 1 de Janeiro de 1986, dia da entrada de Portugal na CEE, o cargo de Conselheiro Comercial na Representação Permanente de Portugal em Bruxelas. Nesta qualidade, representou Portugal em diversos Comités ligados às Políticas Europeias da Agricultura, Indústria e Comércio, no âmbito das actividades do Conselho de Ministros e da Comissão Europeia. Por concurso, integra em Novembro de 1987 os quadros da Comissão Europeia, como Chefe de Divisão da Direcção-Geral de Agricultura.
Em Novembro de 1993 foi promovido a Director sendo responsável pela política do Desenvolvimento Rural da União Europeia, estando directamente envolvido nas negociações dos sucessivos alargamentos da União Europeia que actualmente conta com 28 Estados Membros, quando em 1 de Janeiro de 1986, data da adesão de Portugal e Espanha, se contavam por 12 os que a compunham. Durante os 21 anos de exercício das funções de Director, foi também responsável das relações da Direcção-Geral da Agricultura com o Parlamento Europeu, tendo a seu cargo a aprovação e o acompanhamento da Gestão dos Programas de Desenvolvimento Rural de 16 Estados Membros da União Europeia. Em 2008 foi designado Director responsável pela concepção da Política de Desenvolvimento Rural da União Europeia, aprovada em 2013 para vigorar no período de 2013/2020. No início de 2013 foi designado para as funções de Director-Geral Adjunto, acumulando-as com as que vinha exercendo, até ao final da sua carreira que ocorreu em 1 de Junho de 2014. No decurso da sua longa e brilhante carreira de Alto Funcionário da União Europeia, foi-lhe atribuída a Medalha de vinte anos de serviços prestados nas Instituições Europeias, o grau de cavaleiro da Ordem de Mérito Agrícola da República francesa e o grau de Grande-Oficial do Mérito da República da Áustria. José Manuel de Mello Sousa Uva casou em 1974 com a Senhora Dona Maria Luísa Pinto Machado Cordovil de Sousa Uva, vivem em Bruxelas desde 1985 e têm 4 filhos e cinco netos.
Antigos alunos em Destaque
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António Maria Pinto Cardoso e Saraiva de Reffóios (529/2003) Medalha de bronze ao serviço da Selecção Nacional de Portugal no Campeonato da Europa de Horseball, disputado em Agosto de 2015 em Bordéus, França.
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endo completado o antigo 8º ano no Colégio Militar no ano lectivo de 2010/2011, foi graduado com duas estrelas da 1ª Companhia. Actualmente finalista da licenciatura em Gestão no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG ) em Lisboa, tem-se distinguido no plano desportivo na modalidade hípica de Horseball, quer ao nível de clubes, quer ao serviço da Selecção Nacional de Portugal. No âmbito nacional, e em representação do seu clube - Quinta da Figueira – sagrou-se Campeão Nacional nas épocas de 2013/2014 e 2014/2015, tendo também nesta última época vencido a Taça de Portugal e a Supertaça. A nível internacional destaque para o 4º lugar alcançado pelo seu clube na Champions League disputada em Outubro de 2015 em Le Mans, França e, com maior relevo, a conquista da medalha de bronze ao serviço da Selecção Nacional de Portugal, no Campeonato da Europa disputado em Agosto de 2015 em Bordéus, França.
O Horseball nasceu em França, nos anos 70. Na sua origem encontra-se o Jogo do Pato Argentino. Em 1990 esta modalidade hípica chegou a outros países europeus, entre os quais Portugal, com o primeiro Campeonato da Europa a ser disputado em 1992. Actualmente são 21 os países membros da Federação Internacional de Horseball e Portugal, fruto dos seus resultados em provas internacionais ocupa o 3º lugar do ranking a nível mundial. Duas equipas, de quatro jogadores cada, participam num jogo de Horseball, necessitando de apanhar a bola do chão, sem desmontar. Tendo a posse de bola, a equipa precisa de efectuar três passes, entre três jogadores diferentes, antes de poder rematar e marcar golo. Através de um jogo de ataques e defesas, as equipas procuram marcar golos nas balizas colocadas nas extremidades do campo que tem a dimensão de 65 x 25 metros.
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Curso de 1948/1955 Romagem dos 60 Anos de Saída
Curso de 1948/1955 Romagem dos 60 Anos de Saída 4 de Dezembro de 2015
Curso 1948/1955 – 60 Anos de Saída – 4 de Dezembro de 2015 ©Foto Leonel Tomaz
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ecorridos sessenta anos da saída do Colégio, nesta Romagem de Saudade estiveram presentes os Antigos Alunos Luís José Passanha Braamcamp Sobral (34/1948), José Alberto Alves de Paula (62/1948), Jorge Maria de Lemos Pereira Máximo (101/1947), Guilherme Luís Faria Câncio Martins (126/1948), Francisco Augusto Ortigão de Melo Sampaio (148/1948), António Helder Monteiro da Sena e Silva (149/1948), Manuel Júlio Matias Barão da Cunha (150/1948), António Pedro Pereira de Bacelar Carrelhas (159/1947), José Manuel Rocha Carvalho Araújo (170/1948), João Diogo Weinstein (186/1950), José Manuel dos Reis Moreira
(200/1948, Jorge Carlos Niblett do Passo (227/1947), Luís Gonzaga de Castro Mendes de Almeida (285/1948), Vasco Manuel de Lucena (290/1948), Fernando Manuel da Câmara Marques Moreira (317/1948), António Maria de Almeida Bívar de Sousa (325/1948), Pedro do Canto Lagido (330/1947), João Augusto Serrinha Figueira (339/1947), Rui Armando de Sousa Carneiro (345/1948), Álvaro António Duarte Dinis Varanda (347/1948), José Manuel de Abreu Chagas Pinto (350/1948), Luís Lince Núncio (362/1949), José Maria d’Avillez Corrêa de Sampaio (367/1949), Manuel Paulo Lalande Vieira Pinto (382/1949).
Curso de 1977/1985 Romagem dos 30 Anos de Saída
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Curso de 1977/1985 Romagem dos 30 Anos de Saída 13 de Novembro de 2015
Curso 1977/1985 – 30 Anos de Saída – 13 de Novembro de 2015 ©Foto Leonel Tomaz
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ecorridos trinta anos da saída do Colégio, nesta Romagem de Saudade estiveram presentes os Antigos Alunos João Carlos Gil da Silva Ribeiro (18/1976), Paulo André Castanheira Seiz Alcalde de Freitas (20/1987), Carlos Alexandre Patrício Fernandes (33/1977), João Alexandre Constante Pinto Correia (40/1976), Manuel Maria Sarmento Cavaleiro de Ferreira (57/1977), Paulo Jorge Lopes da Silva (62/1977), João de Oliveira Baptista Geraldes Freire (82/1977), Carlos Alexandre Cruz Algéos Ayres (88/1977), Pedro Miguel Louriz de Mira Godinho (125/1977), Paulo Domingos Bicho Raminhas (131/1976), José Manuel Díez Roncon (140/1977), Luís Miguel Baptista Barreiros (151/1977), Alexandre Miguel Palma Pinheiro da Silva (187/1977), Manuel António Lopes de Freitas (204/1977), Rui Alexandre Quintans dos Santos (207/1978), Luís Filipe Figueira Brito Palma (214/1977), José
Carlos de Faria Leal Afonso (238/1977), Vitor Manuel Pires Gonçalves Capela (255/1977), Jacinto Paulo Alves Ribeiro (260/1976), João Carlos Albuquerque Teixeira de Abreu Pestana (288/1977), José Manuel Martins Gonçalves Roberto (308/1976), João Miguel Coelho de Sousa Matos (315/1977), Gonçalo Nuno Puig Dória Durão (333/1976), Manuel Gião Pires Lopes Morais (335/1976), António José Ruivo Grilo (338/1978, Nuno Miguel Bulcão Sarmento (346/1977), Pedro Miguel Correia Vala Chagas (357/1977), António José de Jesus Neves Correia (358/1977), José Fernando Clemente Pires Lopes (376/1977), João Alberto Gonçalves Simões (401/1977), Nuno Filipe Canavilhas de Freitas Lopes (403/1977), Nuno Miguel da Silveira e Lorena Lopes da Ponte (405/1976), Rui Jorge Fernandes Bettencourt (436/1976), Luís Manuel Serpa Soares de Araújo Pereira (442/1977), João Carlos Correia Barreto (446/1976), Óscar Fernando
Pimentel da Costa Ribeiro (481/1977), João Paulo Martins Arantes (522/1977), Alberto Joaquim Moreira de Sousa Rosado Cabral (544/1977), Luís Miguel Azeredo Pereira Rodrigues Coelho (555/1977), Francisco Manuel Rosa Ferreira Rodrigues (557/1977), João Henrique Mendes Pestana dos Santos Dias (572/1977) e Rodrigo Manuel Luz Teixeira de Almeida (583/1978).
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Curso de 1992/2000 Romagem dos 15 Anos de Saída
Curso de 1992/2000 Romagem dos 15 Anos de Saída 8 de Janeiro de 2016
Curso 1992/2000 – 15 Anos de Saída – 8 de Janeiro de 2015 ©Foto Leonel Tomaz
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ecorridos quinze anos da saída do Colégio, nesta Romagem de Saudade estiveram presentes os Antigos Alunos Tiago Beirão Almeida (54/1992), Jorge Tiago Pinheiro da Fonseca (140/1992), Pedro Alexandre Gaspar de Campos Leal (211/1992, Tiago Farinha Torres (227/1992), Ricardo Joaquim de Almeida Ribeiro (251/1992), Bruno Miguel Martins Farinha (279/1992), Frederico Antunes Sanches de Miranda (326/1992), Luís Pedro Magalhães Varela Mendes (334/1992), André Tiago Pardal da Silva (353/1992), Tiago Lopes da Silva Cristóvão (405/1992), Vasco Manuel Veloso Josefino (412/1992), Gonçalo José Costa Santos (413/1992) e Nuno Jorge Silva Figueira (456/1992).
213º Aniversário do Colégio 3 de Março de 2016
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Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
213º Aniversário do Colégio
3 de Março de 2016 A chama foi acesa em conjunto pelo Aluno Comandante de Batalhão, pelo Aluno Batalhãozinho e pelo Antigo Aluno mais antigo, respectivamente, Manuel Maria de Almeida e Vasconcelos (99/2008), Eduardo Marques Manso Pereira Sérgio (745/2015) e Carlos Gaspar Galvão de Mello e Mota (48/1945). Seguidamente o Director proferiu uma breve alocução que se transcreve.
©Foto Leonel Tomaz
E
ste ano pode dizer-se que o 3 de Março começou a festejar-se no próprio dia 3, não se esperando pelo fim de semana mais próximo, que ocorreu a 5 e 6 de Março, para o fazer. No dia 3 efectuou-se uma cerimónia em que foi dada a designação de «Parada Serpa Pinto» à parada do Colégio Novo, ou parada do Corpo de Alunos, consoante a antiguidade dos Antigos Alunos que a ela se referem. Homenageia-se assim, com toda a justiça, não só o sertanejo que atravessou África de Angola à contracosta, mas também aquele que foi o primeiro Comandante do Batalhão Colegial, no longínquo ano de 1862. A este evento será dedicado um artigo no próximo número da ZacatraZ.
As comemorações tradicionais começaram, bem cedo, no sábado dia 5 de Março, com a já habitual cerimónia do acender da Chama nas instalações da Feitoria. Na cerimónia participou uma guarda de honra constituída por Alunos da Escolta, estando presentes o Director, Coronel Tirocinado de Artilharia José Domingos Sardinha Dias, o Subdirector Tenente-Coronel de Artilharia António José Ruivo Grilo (338/1978), os Presidentes da Direcção da Associação e do Conselho Supremo, José Eusébio Pereira Barata Cordeiro de Araújo (591/1973) e Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958), o Comandante do Corpo de Alunos Tenente Coronel de Cavalaria Luis da Silveira e Lorena Lopes da Ponte (80/1980), Oficiais em serviço no Colégio e Antigos Alunos.
Excelentíssimo Senhor Presidente da Associação de Antigos Alunos do Colégio Militar, meu Tenente Coronel, Camaradas Caríssimos Alunos e Antigos Alunos Estamos aqui hoje para recordar um Homem e a sua Obra, que aqui nasceu, que muito deu ao nosso País e presentemente continua a perdurar nas instalações do Colégio Militar e nas gerações de Antigos Alunos que a vivem constantemente. Falamos do Coronel António Teixeira Rebello que, no já longínquo ano de 1803 foi responsável pela criação do Colégio da Feitoria, no local onde neste momento nos encontramos, também designado por Colégio de Educação do Regimento de Artilharia da Corte. Mais tarde baptizado Real Colégio Militar nascia assim a mais importante e emblemática Obra deste Homem à qual consagrou o resto da sua vida, acarinhando-o, protegendo-o e dando-lhe toda a sua força e dedicação. O então Coronel de Artilharia Teixeira Rebello, com a nobreza de espírito e a vontade férrea que lhe é reconhecida, atento à rea-
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213º Aniversário do Colégio 3 de Março de 2016
lidade da época, foi cuidando da formação dos alunos, da qualidade do ensino e da procura das infra-estruturas mais adequadas a um efectivo que não parava de aumentar. O altruísmo, concretizado no empenho criador de um Colégio destinado a acautelar as necessidades de formação dos filhos de militares e traduzido na obra pedagógica da qual foi mais tarde Director, rapidamente se transformou na instituição que conhecemos e cuja origem aqui hoje celebramos – o Colégio Militar. Camaradas, Caros Alunos e Antigos Alunos, A vida e o conhecimento deste Homem, bem como deste seu grande empreendimento, obriga-nos a reconhecer o Marechal de Campo António Teixeira Rebello, como um pedagogo genial e um exemplo que, ancorado na nobreza de carácter própria de quem é grande e simples, soube sempre ser generoso para com todos aqueles que precisavam de auxílio e de forma muito particular, para com as crianças e jovens. De salientar ainda que, apesar das injustiças e das adversidades com que reiteradamente se debateu, soube com discrição e humildade respeitar a Pátria na sua condição de militar e de português, afirmando-se pelo exemplo, pelo saber e pelo trabalho, reservando para si próprio, como objectivo de vida, a direcção do Colégio que fundara. Termino, não podendo deixar de destacar a vontade e o querer dos Antigos Alunos, que sempre animados por um profundo espírito colegial, estiveram na origem da cerimónia em que honrosamente participamos e que diríamos, se assume já, como um espaço de culto e homenagem a este Homem extraordinário. Bem hajam o Colégio Militar, o seu Fundador e todos os que decisivamente contribuíram para perpetuar esta Obra. Parabéns ao Colégio Militar que hoje cumpre 213 Anos de vida. Antes do início das cerimónias no Colégio caiu uma intensa chuvada, que nos levou a temer o pior. No entanto a chuvada foi breve, iniciando-se as cerimónias sob um sol radioso. O início das cerimónias no Colégio deu-se às 10h00, com o Batalhão formado na agora designada Parada Marechal Teixeira Rebello, com os representantes dos órgãos sociais da Associação e o seu Porta-Guião perfilados em frente ao Batalhão e perante uma vasta assistência formada por familiares dos Alunos e Antigos Alunos, que nesta ocasião acorrem em massa ao Colégio. As Companhias e a Escolta entraram na parada, marchando garbosamente, para irem ocupar as suas posições na
formatura geral. Seguiu-se a integração do Comandante de Batalhão na formatura, sendo-lhe apresentadas as Companhias e a Escolta pelos respectivos comandantes, competindo entre si para ver quem dava um berro mais potente, audível em toda a parada. Este começo de cerimónia foi bom e deu logo para ver que o manejo de arma estava afinado e cada um preparado para o que dele se esperava. Seguiu-se o hastear do Guião Colegial, acompanhado em uníssono pelos Alunos e Antigos Alunos cantando o Hino do Colégio, como que num aquecimento para o canto do Hino Nacional, que iria ocorrer mais tarde nos Claustros. Ao hastear do Guião seguiu-se a alocução ao Batalhão do novo Presidente da Direcção da Associação, que foi uma alocução curta mas prenhe de significado, tendo repetidamente sublinhado o conceito de «Família Colegial» em que todos os ali presentes se integram, chamando-lhes a atenção para o dever comum de darem o melhor dos seus esforços em defesa do Colégio e para a sua projecção no futuro. Apresenta-se de seguida a referida alocução. Alunos do Colégio Militar, Militares, Professores, Funcionários, Encarregados de Educação e Antigos Alunos Numa expressão: Família Colegial Em uníssono, estamos hoje aqui reunidos para comemorar os 213 anos do nosso Colégio. Nós todos, membros desta Família Colegial, na parada que evoca o nome do fundador desta nobre casa, o Marechal António Teixeira Rebello. Hoje não haverá discurso, pois esta moldura única de Amor ao nosso Colégio exige que afaste a retórica e vos peça uma reflexão conjunta sobre o futuro do Nosso Colégio. Assim, evocando os 213 anos que hoje celebramos, urge apontar a razão desta longevidade de sucesso. A resposta é assustadoramente simples: um Projecto Educativo extremamente consistente e único, que afirmou e consolidou uma Comunidade Colegial solidária e se materializou num serviço extremamente relevante para Portugal. Embora esta síntese seja axiomática para grande parte de nós, impõe-se no entanto a sua explicitação. Detalhando no que se refere à qualidade do nosso Projecto Educativo, destaque-se que esta se alicerçou em duas grandes vertentes formativas, por um lado a matriz valorativa encimada pelos princípios do nosso Código de Honra, por outro lado a necessá-
ria procura e afirmação da excelência académica, cultural e desportiva. No que se refere à consolidação da Comunidade Colegial, esfera armilar de camaradagem e solidariedade, sublinhe-se que esta só foi possível pela comunhão de valores individuais e colectivos dos seus membros. Comunhão esta, soberbamente revelada na nossa divisa “Um por Todos, Todos por Um” e no apanágio de tratamento por TU entre Alunos e Antigos Alunos. Por fim, selando o certificado e atestando o seu elevado nível, surgem no âmbito do serviço a Portugal, as inúmeras páginas de manifestações e contributos, que dão inequívoco sentido ao nosso lema “SERVIR”. Resumida que foi a genialidade da obra do nosso Marechal, impõe-se agora em período de aniversário reflectir, sobre a responsabilidade que sobre TODOS recai na sua preservação. Exmo. Director do Colégio Militar, Coronel Sardinha Dias, nosso anfitrião, é neste espírito de família e amor por esta casa que a todos deve caracterizar, que me permito exortar os membros desta nossa Família Colegial. Distinta Família Colegial Não nos podemos dar ao luxo de nos distrairmos com o acessório, TODOS temos a obrigação de nos empenhar ainda mais no essencial, pois devemos isso ao nosso Colégio e aos seus Alunos. Distintos Professores sendo vós o alvo preferencial do nosso reconhecimento aquando em romagem de saudade ao Colégio é justo que aqui apelemos á vossa dedicação, ajuda e rigor numa procura conjunta de reafirmação da excelência. Camaradas Militares, personificais as virtudes militares caracterizadoras da matriz especifica da nossa formação, faz pois todo o sentido que apelemos à vossa presença qualitativa e empenhamento dedicado, como contributo incontornável nessa afirmação distintiva. Restantes funcionários desta casa, nossos tão queridos fâmulos, é também pela vossa prestação que sentimos o particular aconchego desta casa, por isso vos peço que continueis a olhar por nós e não desvieis o vosso olhar para o lado. Encarregados de Educação permiti-me a familiaridade de quem ainda há pouco estava entre vós, para vos relembrar que o acreditar e confiar no Projecto Educativo do Colégio Militar, foi manifestado de forma inequívoca quando este foi o conscientemente escolhido para a formação dos nossos educandos.
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Por isso vos peço que não tenhais duvidas e por ele luteis, pois trata-se da formação dos cidadãos de amanhã e da sua aptidão com os instrumentos necessários a uma vida útil e feliz. Antigos Alunos, esta Barretina que trazemos no coração, também nos obriga em grandes responsabilidades para com esta Comunidade a que nos orgulhamos de pertencer, muito em especial para com os seus membros mais novos, pelo que não nos podemos esquecer da importância do nosso exemplo. Alunos do Colégio Militar o nosso Código de Honra preceitua de forma precisa a linha da nossa vida colegial, mas também da nossa vida, por isso mais do que estar afixado nas paredes desta casa, deve ser demonstrado diariamente na nossa conduta. A este propósito, não esqueçais que o espaço entre estas paredes deve ser o santuário da nossa genuína e salutar vivência colegial. Graduados, envergais uma especial responsabilidade junto dos restantes Alunos, por isso não vos esqueçais que embora amanhã seja o vosso ultimo desfile no Batalhão, nunca deixareis de ser Meninos da Luz, este é um compromisso para a vida. Família Colegial A restruturação foi implementada, mas não tenhamos dúvidas será sobre TODOS nós, que recairá a responsabilidade da preservação institucional deste Colégio. Assim, e como nas famílias genuínas, não nos recriminemos mutuamente, antes lutemos em conjunto pela afirmação deste Nosso Colégio. Alunos do Colégio Militar, Meninos da Luz Sois o coração desta Instituição sem par, por isso eis-me aqui com uma certeza que vos devo, o nosso COLEGIO MILITAR NÃO VAI MORRER, esse é e será sempre o nosso compromisso. Em vós temos a garantia que aí estão aqueles que a seguir a nós perdurarão a afirmação desta nossa casa pelo Século XXII. Finalizando, selo este compromisso com um pedido ao Aluno Comandante de Batalhão, o actual 99, que o primeiro ZACATRAZ destas comemorações seja por PORTUGAL, pátria que servimos, amamos e respeitamos. Camaradas muito obrigado, Parabéns ao nosso Colégio, Obrigado meu Marechal. A alocução foi seguida pela cerimónia de acender a «Chama Colegial», acto a que procederam o Comandante de Batalhão e o Batalhãozinho, sendo acompanhados pelo Director do Colégio e pelo Presidente da Associação. De seguida o Batalhão prestou
continência ao Director do Colégio, após o que o Comandante de Batalhão deu um vibrante Zacatraz por Portugal, sendo secundado por todo o Batalhão e pelos numerosos Antigos Alunos presentes. Concluída assim esta primeira parte da cerimónia, a Banda do Exército e a 4ª Companhia dirigiram-se marchando para a parada Serpa Pinto, para aí prestarem as honras da ordenança ao Vice-Chefe do Estado Maior do Exército, que viria a presidir às restantes cerimónias da manhã. As cerimónias continuaram nos Claustros, como é da tradição. Aí formado o Batalhão, procedeu-se à integração na formatura do Estandarte Nacional, ao qual o Batalhão prestou continência cantando o Hino Nacional. Apesar de anualmente repetida, esta cerimónia nunca deixa de nos tocar, dada a sua elevada carga emocional. Não menos emocional foi a cerimónia que se seguiu, de Homenagem aos Antigos Alunos Mortos em Campanha. Os clarins tocaram a silêncio, foi deposta uma coroa de flores no átrio do Colégio, junto às lápides onde estão gravados os seus nomes, acto que foi acompanhado de palavras relativas ao mesmo, proferidas pelo Padre Capelão, seguindo-se o toque de alvorada. Pairaram então nas mentes dos mais velhos, em que me incluo, as memórias dos nossos camaradas caídos na Guerra do Ultramar. Para os Antigos Alunos nestas circunstâncias a cerimónia não é imaterial ou abstracta, pois voltam ao nosso espirito as faces daqueles que do Ultramar não voltaram e farrapos das nossas vivências comuns no Colégio. Seguiu-se a tradicional alocução ao Batalhão pelo Director do Colégio, a qual passamos a apresentar: Excelentíssimo Senhor Tenente-General António Noé Pereira Agostinho, Vice-Chefe, do Estado-Maior do Exército, Meu General Comandante, A presença de Vossa Excelência, presidindo à celebração dos 213 anos do Colégio Militar, constitui, por si só, um forte estímulo para todos quantos levam a bom termo a missão que a cada um compete, neste Estabelecimento Militar de Ensino e, em particular, para os nossos Alunos. Representa igualmente o inequívoco reconhecimento por parte de VExa para com esta Instituição e para com o seu projecto educativo, que ao longo da história se tem constituído como uma referência, na formação e educação de tantas e tão ilustres personalidades da elite militar, académica, empresarial e política em Portugal.
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Excelentíssimo Senhor General Martins Barrento, meu General Excelentíssimos Senhores Oficiais Generais, Excelentíssimo Senhor Doutor Hugo Martins, Presidente da Câmara Municipal de Odivelas Excelentíssimo Senhor Major-General Director de Educação, Excelentíssimo Senhor Tenente-General Perry da Câmara, na pessoa do Meu General permita-me que dirija uma palavra de particular apreço e consideração pelos que me antecederam no cargo de Director do Colégio Militar, Exmo. Senhor General João Jorge “JOTA” e Distinta Delegação das Forças Armadas Angolanas que neste momento se encontram de visita ao nosso Colégio, Excelentíssimo Senhor Doutor Fábio Sousa, Presidente da Junta de Freguesia de Carnide, Excelentíssimos Senhores representantes do Comandante Geral da Guarda Nacional Republicana e do Director Nacional da Polícia de Segurança Pública, Excelentíssimos Senhores Director do Instituto dos Pupilos do Exército, do Colégio Maristas de Lisboa e do Colégio Europeu-Astória. Excelentíssimos Senhores Adidos Militares de Países Amigos, Excelentíssimos Senhores Presidentes da Associação de Antigos Alunos e Associação de Pais e Encarregados de Educação dos Alunos do Colégio Militar, Nas pessoas de vossas excelências, saúdo todos os Antigos Alunos, Pais e Encarregados de Educação, A vossa presença é para nós um privilégio. Estimados Professores, Oficiais, Sargentos, Praças e Funcionários Civis do Colégio Militar, Distintos Convidados, Caros Alunos, Comemoramos hoje não só mais um aniversário, mas muito especialmente 213 anos de História desta Grandiosa, Nobre e Ilustre Instituição: O Colégio Militar… …Que nasceu da percepção e visão de um homem extraordinário, um pedagogo genial e sobretudo, um exemplo de vida que ancorado na nobreza de carácter própria de quem é grande e simples, soube sempre ser generoso para com os mais desprotegidos, nomeadamente crianças e jovens carecidos de necessidades educacionais e de apoio escolar. Nesta circunstância o então Coronel António Teixeira Rebello, no longínquo ano de 1803 foi responsável pela criação de um colégio nas instalações da Feitoria, designado naquele tempo também por Colégio de Educação do Regimento de Artilharia da Corte.
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Nascia assim a mais importante, valiosa e simbólica obra do Coronel Teixeira Rebello: o Real Colégio Militar, ao qual dedicou o resto da sua vida, aprofundando os alicerces do projecto educativo e as bases do seu funcionamento para que perdurasse para além da sua existência, e assim aconteceu. Comemorar o Aniversário do Colégio Militar é também recordar esta distinta personalidade e os serviços por si prestados à Pátria, pois foram o seu empenho, a sua perseverança, e a sua força que permitiram a esta Instituição manter-se, singrar e fortalecer-se servindo sempre Portugal e os portugueses. O sucesso do nosso Colégio, que hoje mais uma vez comemoramos, é indissociável do caminho percorrido até aqui, fosse em momentos de maior estabilidade ou em alturas de crise económica, social, militar e política, que apesar de amiúde terem originado incompreensões para com esta Escola, jamais ofuscaram a sua solidez, alteraram o seu carácter ou modificaram a orientação da sua génese: Isto é, proporcionar uma educação ecléctica e a formação integral dos seus alunos. Assim, o que é importante sublinhar no contexto actual é que apesar dos obstáculos, das adversidades e das múltiplas transformações nos modelos formativos ao longo da história, o Colégio Militar foi consolidando o seu sistema de ensino, conferindo-lhe um enorme valor acrescentado e um prestígio ímpar junto da sociedade portuguesa. Hoje, continuamos a assumir esta identidade, assente nos princípios da formação militar, apresentando-se o Colégio como um instrumento de elevada importância na relação que as Forças Armadas, e o Exército em particular, estabelecem com a sociedade, no que diz respeito aos valores basilares da sua cultura e da vivência castrense. Hoje, o Colégio Militar continua a assegurar a todos os seus alunos uma formação intelectual, técnica, física, moral e cívica que, inspirada nas qualidades e virtudes da vida militar, os prepara para as exigências de uma sociedade cada vez mais diversificada e competitiva. Este é sem dúvida um marco distintivo, impresso e partilhado por todos quantos o frequentam e frequentaram. Hoje, o Colégio Militar reforçou as suas responsabilidades educativas, potenciando as suas valências como instituição de excelência. A implementação do 1º Ciclo do ensino básico, a introdução do ensino misto e a adopção do regime de frequência optativo entre internato e externato, são exemplos desta constante evolução na continuidade, sem nunca descurar os valores intrínsecos desta grande Casa, que actualmente temos a honra de dirigir.
Na senda de uma Educação pelos valores, de uma Liderança pelo exemplo e de um Ensino para o sucesso, os nossos alunos encontram aqui uma Instituição onde a tradição e a inovação se harmonizam continuando o Colégio Militar a desenvolver, para tal, métodos de ensino e de aprendizagem rigorosos que pretendem formar cidadãos activos e com consciência cívica e social orientando-os na construção de promissores projectos de vida. Hoje, nos semblantes dos nossos alunos, testemunhamos sorrisos genuínos que reflectem a alegria e o júbilo de pertencerem a esta grande ‘família’ que, sendo uma referência nacional, lhes proporciona uma vivência académica ancorada em valores, que pretendem honrar a tradição e o legado de gerações que serviram a Pátria com verdadeiro espírito de missão. Hoje, num espaço onde se pretende que cada aluno se sinta integrado, acarinhado, protegido e feliz, o Colégio incrementa um modelo de aprendizagem com uma identidade única, assente no “Código de Honra”, na farda, na ordem, na disciplina, no respeito mútuo e na vida em comum a que se sente ligado todo aquele que um dia passar o átrio da entrada, na honrosa qualidade de “Menino da Luz”. Hoje, esta empatia envolve igualmente os pais, seus encarregados de educação, que pretendemos que sejam elementos activos na formação dos seus filhos, nossos interlocutores privilegiados e que connosco tomam parte nas reuniões e na maioria dos eventos culturais, religiosos, desportivos e tradições mais emblemáticas e importantes da vida académica do Colégio Militar. Hoje, braço dado com o presente, aqui nestes claustros, onde mais se sente o espírito e a mística do Colégio, encontramos gravadas as memórias de gerações e gerações de alunos que por aqui passaram ao longo de mais de dois séculos de história, e em cada recordação que aqui é saudosamente guardada, são anos e anos de um projecto educativo singular, de uma Educação de excelência e da preparação integral para a vida que sendo frequentemente revisitados são por nós igualmente revividos. Mas mais do que um Colégio ao serviço da Educação, esta é uma Casa imbuída de história e talvez por isso, os laços que aqui se edificam perduram para toda a vida e comprovam, indubitavelmente o fortíssimo espírito colegial corporizado de forma muito especial na Associação de Antigos Alunos, no seu grito de saudação, o “ZACATRAZ”, e na inestimável “barretina” que respeitosa e orgulhosamente, ostentam na lapela do casaco.
Hoje, após um período algo conturbado, marcado por mudanças significativas, importa assinalar que o espírito colegial se mantém e que a essência e a matriz identitária não foram alteradas – renovando-se e aprofundando-se no quotidiano vivido pelos nossos alunos. Por tudo isto, continuaremos a pugnar para que este Projecto Educativo, único, nunca se transforme, assegurando deste modo, que o sucesso escolar se manterá de perfeita harmonia com uma oferta formativa, orientada pelos princípios, veiculada nos valores e vivida nas tradições anualmente renovadas. Meu General, Vice-Chefe do Estado-Maior do Exército Distintos Convidados, Srs. Professores, Oficiais, Sargentos, Praças e Funcionário civis, Caros Alunos, Num momento em que vivemos tempos de consolidação e encaramos novas realidades, acreditamos que não será sem dificuldades que seguramente enfrentaremos o futuro, mas com o apoio de toda a comunidade colegial continuaremos a ser uma Instituição sólida e coesa e uma referência no sistema de ensino em Portugal. Ao comemorarmos os 213 anos de existência deste Colégio, em que o nosso efectivo continua sistematicamente a aumentar e a procura excede já as nossas expectativas, podemos afirmar que estamos todos de parabéns. O Colégio, os Antigos Alunos e os Pais porque no âmbito do processo de reestruturação dos Estabelecimentos Militares de Ensino Não Superior, foram capazes de, serenamente, superar os desafios que lhes foram colocados e cujas alterações mais significativas culminaram este ano na admissão de alunas ao regime de internato e na implementação do 1º Ciclo do Ensino Básico, que, também pela primeira vez, vai “alimentar” o Batalhão Colegial. Estão também de parabéns o corpo docente, os funcionários e os alunos, que têm sabido adaptar-se a todas as mudanças, algumas drásticas e, ainda assim, preservar os alicerces essenciais de uma cultura pautada pelos princípios inerentes ao rigor, à exigência, à camaradagem, à disciplina e ao amor ao Colégio Militar. Embora não sendo a sua missão prioritária, de Parabéns está igualmente a Instituição Militar, e o Exército em particular, por acreditar no projecto colegial. E se numa fase inicial a tarefa se centrava na educação dos órfãos de militares, se mais tarde constituiu o apoio
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de retaguarda para gerações de camaradas durante o período da guerra do ultramar, actualmente permanece como fundamental no apoio à família militar. Alunos do Colégio Militar, cabe-vos a vós, agora, dar continuidade a esta obra sempre inacabada, perpetuando a memória de tantas e tão notáveis personalidades que passaram por esta Instituição, vestiram a sua farda e contribuíram para a sua grandeza. Estes Claustros, o Zimbório, o Pátio da “Infia”, a Enferma, as Salas de Aula, o ambiente da camarata e tudo aquilo que integra o espírito do nosso Colégio, esperam da vossa parte a mesma camaradagem, espírito de corpo, coragem e empenho escolar dos vossos antecessores, para que, ainda que num quadro de crescente exigência, nos mantenhamos enquanto projecto educativo de referência. É através de vós e neste enquadramento que reside a vitalidade e a longevidade do nosso Colégio, que lhe permitiu vencer inúmeros obstáculos e traçar o caminho do futuro de uma Escola de excelência em que professores, militares, funcionários, Pais e Antigos Alunos, continuam a dar corpo ao sonho que há mais de duzentos anos animou o Marechal António Teixeira Rebello.
Concluída a alocução procedeu-se à imposição de condecorações e à entrega de prémios aos Alunos que mais se distinguiram na equitação, na esgrima, bem como na instrução militar. O Tenente-Coronel Subdirector do Colégio foi condecorado com a medalha de Serviços Distintos, grau prata, sendo condecorados com a medalha de D. Afonso Henriques de 4ª classe
©Foto Leonel Tomaz
Meninos da Luz Amanhã será seguramente mais um dia que perdurará na vossa memória para toda a vida. Vão desfilar na Avenida da Liberdade, fardados a rigor, mostrando à Cidade de Lisboa os ideais que vos movem e o brio que sentem por integrarem esta Instituição. Façam-no com a alegria, o brilhantismo e o garbo que é apanágio do Colégio Militar, afirmando a divisa que nos guia “Um por Todos Todos por Um” e a justiça do reconhecimento da missão do nosso Colégio em prol de Portugal. Terminamos, agradecendo a presença de todos os que se dignaram assistir a esta singela cerimónia, onde uma vez mais relevo o papel dos pais e dos antigos alunos aqui presentes, pelo particular significado que transmitem a todas as cerimónias e actividades deste Colégio. Muito obrigado a todos e parabéns ao Colégio Militar por mais este seu aniversário.
o Sargento Ajudante de Infantaria Joaquim António de Matos Bernardo, a Assistente Técnica Maria Dulce Girão Gouveia e a Assistente Operaciona Beatriz da Silva Pereira Amaral. Considero que a venera concedida ao Tenente-Coronel Grilo foi mais que merecida, pois ele foi uma das pessoas que com a sua calma, claro discernimento e empenhamento, conseguiu que a transformação a que o Colégio foi e ainda está a ser sujeito, decorresse com o mínimo possível de efeitos nocivos.
Os Alunos que receberam prémios nas diferentes instruções foram os seguintes: Educação Física - Aluno 204 Rodrigo Fernandes; Esgrima - Aluno nº 261 Rafael Onofre; Equitação - Aluno nº 93 Vasco Pereira; Instrução Militar - Aluno nº 31 Rúben Garcia. À entrega de prémios seguiu-se o encerramento das cerimónias do primeiro dia das comemorações, com o desfile do Batalhão Colegial, passando pelo átrio do Colégio em continência à esquerda ao busto do Marechal Fundador, como determinado em Ordem de Serviço há mais de 100 anos, aquando do descerramento do busto. Transposto o átrio o Batalhão continuou marchando através do jardim, onde saudou o Vice-Chefe do Estado Maior do Exército, aí postado para receber a continência, em conjunto com
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todas as entidades convidadas. À sua frente estavam colocadas os alunos do ensino primário, que assim vão aprendendo para no futuro serem os Meninos da Luz. A julgar pelo ar atento e compenetrado com que a tudo assistiram, estou em crer que os veremos no futuro nessa condição. Transposto o jardim, o Batalhão rodou à direita para seguir pela Estrada da Luz para o internato, ovacionado por um numeroso grupo de Antigos Alunos que aí os esperava. Foi o ensaio geral para o desfile no dia seguinte. O domingo, segundo dia das comemorações, amanheceu soalheiro, a prenunciar um pano de fundo favorável a um vistoso desfile. O Batalhão formou ao longo de uma das alas laterais do Parque Eduardo VII, que nos acolhe anualmente para esta cerimónia. Deu-se a integração do Estandarte Nacional na formatura com o Batalhão apresentando armas e entoando o Hino Nacional, com familiares e Antigos Alunos a acompanhar no canto. Pontualmente às dez da manhã, como previsto no programa e imposto pela tradição, deu-se início ao desfile ao som de marchas militares tocadas pela Banda do Exército, que antecedia o Batalhão. Foi contornada a Rotunda e chegou-se ao topo da Avenida, que considero ser o nosso «Passeio da Fama». Durante umas escassas dezenas de minutos aquela fantástica Avenida é nossa. Ali estamos proibidos de falhar, é levantar a cabeça, encher o peito de ar e marchar como se aquela fosse a última marcha da nossa vida, em que temos de deixar bem patente que o nosso Colégio é único e inexcedível. Com este pensamento na cabeça nada detém o Batalhão e tive bem a prova disso, pendurado num dos candeeiros da Praça dos Restauradores (as pernas já não dão para trepar ao monumento), ao ver passar os ratas mais pequenos da 1ª Companhia, em que um deles já estava sem forças a deixar escorregar a arma do ombro. Incitado pelos nossos gritos e aplausos, nitidamente cerrou os dentes, deu um puxão à arma para cima, foi buscar forças sabe Deus onde e lá seguiu direito ao Rossio.
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Este ano, não sei porquê, a Escolta esperou mais tempo do que o normal a seguir o Batalhão. Tardou, mas desceu a Avenida com a imponência costumada, num galope controlado, fazendo jus aos seus pergaminhos. No Rossio meteu a trote e como de costume o cerra fila levou a assistência ao rubro com uns empinanços da sua montada. O pessoal já não passa sem este número, que este ano não me deixou apreensivo, pois dava para ver que a situação estava bem controlada, estava ali um bom "calção". Chegados ao Rossio o pessoal acompanhante do Batalhão subdividiu-se, conforme as suas convicções religiosas, entre o botequim das ginjinhas e a igreja. Dado o grande aumento do número de Alunos do Batalhão e de acompanhantes que se verificou este ano, a Igreja de S. Domingos foi pequena para albergar todos os que aí queriam entrar, ficando a grande maioria dos acompanhantes em pé, pois os Alunos por si só ocupavam a maior parte das cadeiras. A missa decorreu da forma habitual, fazendo-me relembrar outros tempos em que o nosso capelão, o padre Braula Reis nos brindava com as suas brilhantes homilias. O orfeão do Colégio actuou da forma costumeira, mas agora com muito mais vozes femininas. Concluíram-se com a missa as cerimónia matinais, que acho que decorreram com a pompa, a circunstância e o brilho habituais. Para os mais curiosos que não puderam acompanhar estas cerimónias, posso afirmar que as Meninas se comportaram à altura do evento. Elas encarregaram-se de mostrar a todos os presentes que não estão dispostas a ficar atrás dos rapazes, em nada. À noite deu-se o encerramento das comemorações com o jantar para os Antigos Alunos no Colégio. A concentração foi nos Claustros onde fomos surpreendidos, no piso superior, com uma magnifica exposição de fotografias de grandes dimensões, todas elas relativas a temas colegiais, da autoria do Antigo Aluno Sérgio Garcia (326/1985). Algumas das capas da revista ZacatraZ foram feitas a partir de fotografias deste Antigo Aluno, a quem aqui agradecemos publicamente e damos os nossos parabéns pela elevada qualidade do seu trabalho. O jantar teve este ano um numero elevado de presenças e teve a ementa habitual que me dispenso de apresentar, referindo apenas que o amarelo estava ao seu melhor nível. Como novidade refiro que este ano houve bolo de anos, o que foi uma surpresa, acompanhado pelos clássicos cálices de vinho do Porto. E foi assim o 3 de Março deste ano, que posso dizer nos encheu as medidas.
©Fotos Leonel Tomaz
Luz Furebol Clube mais do que um clube
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Nuno Miguel Vieira Pássaro 256/1998
Luz Futebol Clube
mais do que um clube F
undado a 3 de Março de 2014, (registo no RNPC a 25 de Fevereiro de 2015) o Luz Futebol Clube emerge de um anseio antigo de quatro Antigos Alunos do Colégio Militar. Os fundadores, fortemente determinados em conceber um Clube enraizado nos mais profundos pergaminhos históricos daquela Casa, asseveraram, desde logo, uma obra alicerçada nos mais nobres princípios e valores. Baptizado com o nome do largo situado defronte do Colégio Militar, e com sede na freguesia de Carnide, o Luz Futebol Clube é material e funcionalmente conexo com toda a comunidade de Alunos e Antigos Alunos do Colégio Militar, e com todos aqueles que incorporam o espírito, missão e valores do clube. Firmado na ideia de promoção e estímulo do desporto, cultura e recreação das actividades a que se dedica, o futebol (Sénior)
assume-se como a principal modalidade do clube, que compete na Série B da Liga de Futebol 11 organizada e tutelada pela Side Line Events. Com um plantel e equipa técnica constituídos por 90% de Antigos Alunos, o Clube adopta, ainda, os principais símbolos do Colégio Militar no seu emblema – a “Barretina”, a divisa “Um Por Todos e Todos Por Um”, e a referência ao ano de “1803”, sendo que, cada uma das estrelas exprime um século, numa clara menção aos 212 anos de existência do Colégio Militar. Ademais, muito por força do crescimento que se está a verificar, em tão curto espaço de tempo, está conjecturado um elenco de novas modalidades desportivas, e escalões de formação, em estrita harmonia com o desenvolvimento sustentado do Luz Futebol Clube (mais info em http://www.luzfutebolclube.com).
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Dia do Armistício
Dia do Armistício
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“Dia do Armistício” representa o fim simbólico da Primeira Guerra Mundial, terminando as hostilidades na Frente Ocidental, e foi assinado entre as forças dos Aliados e as forças do Império Alemão. A assinatura do cessar-fogo e rendição das forças do Império Alemão perante os Aliados, teve lugar em França, na cidade de Compiègne, na “undécima hora do undécimo dia do undécimo mês” do ano de 1918. No passado dia 11 de Novembro, a Liga dos Combatentes assinalou o 97º Aniversário do Armistício, o 92.º aniversário da sua fundação, o 41.º aniversário do fim da Guerra do Ultramar, evocando também o primeiro Centenário do início da I Grande Guerra.
As cerimónias realizaram-se em Lisboa junto ao Monumento de Homenagem aos Combatentes do Ultramar, em Belém, e no Porto junto do Monumento aos Mortos da Grande Guerra, na Praça de Carlos Alberto. Na cerimónia da Cidade do Porto, a AAACM esteve representada pelo seu Delegado, Bruno Pinto Basto Soares Franco (281/1970) que depositou um ramo de flores na base do monumento. As fotos documentam melhor do que qualquer descrição, o momento desta homenagem. A Redacção da ZacatraZ
Tempos difíceis O reinado do Senhor D. Miguel e o Colégio
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Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
Tempos difíceis O reinado do Senhor D. Miguel e o Colégio
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D. Miguel I
descrição mais curiosa que conheço do Senhor D. Miguel, que reinou em Portugal de 1828 a 1834, é a apresentada por Oliveira Martins a páginas 264 e265 do Tomo II da sua HISTÓRIA DE PORTUGAL, editada pela Parceria António Maria Pereira, que fui encontrar na pequena biblioteca da nossa Associação. «Plebeu nos modos, violento e bronco no espírito, fanático e valente, o infante democratizava a monarquia e o seu povo adorava-o. Era corpulento e trigueiro, queimado pelo sol, e tinha uns grandes olhos negros peninsulares sobre a face rapada e sanguínea. Vestia-se à picadora, com um casaco de baetão verde, calção preto, botas altas de cava, com tacões de prateleira e esporas de prata. Usava um boné azul, de prato largo, com viseira. Tinha inclinações grosseiras e rústicas. Ensinava a lavrar aos moços do campo: tomava a rabiça do arado, chicoteava as mulas e sulcava fundo a terra mais dura. Sufocava um forte cavalo de Alter, puxando-lhe a ponta da cilha com os dentes. Levantava com a boca um saco de trigo de seis alqueires, e punha-o ao ombro com uma só mão. Galopava à desfilada com o José Veríssimo e o Sedvem de Queluz a Lisboa, trazendo a vara entalada contra sela, sob a perna. Os soldados de cavalaria da escolta nunca podiam acompanhá-lo: ficavam para trás. Preferindo as touradas, os cava-
los, as caças, as estrebarias, os arreeiros, os picadores, os frades bem grosseiros, as raparigas saloias de Queluz, tisnadas pelo sol e cheirando a erva, aos moles requintes do paço, aos entretenimentos da corte, ao luxo arrebicado e às damas e meninas preciosas da aristocracia, D. Miguel era o demagogo das antigas idades, perdido no meio de um século inimigo.» A crer nesta descrição, a acção deste homem como rei só podia dar origem a conflitos e foi isso o que acabou por acontecer. É durante o seu reinado que se dá uma guerra civil, opondo os seus seguidores, os absolutistas, aos seguidores do seu irmão D. Pedro, os liberais. Uns tempos difíceis como estes, tinham, necessariamente, de ter os seus reflexos na vida do Colégio, reflexos esses que fui encontrar na «História do Colégio Militar», da autoria de José Alberto da Costa Matos (96/1950), bem como no livro «O Colégio Militar através das ordens e livros de correspondência colegiais 1803-1960», da autoria do major Balula Cid, que foi professor do Colégio nos meus tempos de aluno e pai de dois Antigos Alunos também do meu tempo. Para se perceber bem qual era a situação naquela época, é bom recordar, de forma muito sucinta, os factos mais salientes da vida portuguesa nos anos que antecederam o reinado de D. Miguel.
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Tempos difíceis O reinado do Senhor D. Miguel e o Colégio
D. João VI
No ano de 1821 o rei D. João VI regressa do Brasil com a rainha D. Carlota Joaquina e seu filho o infante D. Miguel, tendo ficado no Brasil o seu filho primogénito e herdeiro da coroa, o infante D. Pedro, que passado pouco tempo, em 1822, declara a independência do Brasil e se torna de seguida Imperador deste novel país, ficando conhecido na história do Brasil como D. Pedro I. Em 1922 o rei D. João VI jura, perante as Cortes, a nova constituição política da monarquia portuguesa, de cariz liberal, das mesmas emanada. A rainha D. Carlota Joaquina recusa-se a jurar a nova constituição, do que resulta a sua perda de direitos de cidadania portuguesa e a clausura na quinta do Ramalhão, em Sintra. D. Carlota Joaquina começa imediatamente a conspirar para vir a conquistar o poder, no que é acompanhada pelo seu filho dilecto D. Miguel. Segue-se um período bastante conturbado, em que D. Miguel acaba por não conseguir depor o rei, sendo obrigado a seguir para o exílio em Setembro de 1924. Em 1925 dá-se uma série de factos com grande significado não só para o país mas também para o Colégio. Em Maio o rei D. João VI declara o seu filho D. Pedro seu imediato sucessor. Em Outubro morre, nos aposentos em que residia no Colégio, na Luz,
do se aperceberam que ainda estava vivo. Napoleão condecora então Cândido Xavier com a Legião de Honra e promove-o por distinção. Recuperado dos seus ferimentos e regressado ao serviço, Cândido Xavier é mandado apresentar no quartel-general de Massena, que no ano seguinte lidera a 3ª invasão francesa, o que valeu a Cândido Xavier a condenação à morte à revelia, pela regência do reino de Portugal, impossibilitando-o, durante anos de regressar à sua pátria. Esta situação manteve-se assim até 1820, ano em que a sua sentença de morte é anulada, o que lhe permite o regresso a Portugal e o seu reingresso no exército, no seu antigo posto de Sargento-Mor. No ano de 1926 morre inesperadamente o rei D. João VI, após o que D. Pedro, já Imperador do Brasil e herdeiro da coroa de Portugal, abdica da coroa portuguesa em favor da sua filha D. Maria da Glória, então com sete anos de idade, que estava previsto que se viesse a casar com seu tio D. Miguel. Ainda neste ano D. Miguel jura, em Viena, por escrito, a carta constitucional. Em 1927, no mês de Maio, D. Pedro confia a D. Miguel a regência do reino, com o titulo de «lugar-tenente», enquanto durar a menoridade de D. Maria da Glória. Em Fevereiro de 1828 D. Miguel regressa a Portugal, sendo recebido jubilosamente em Lisboa por sua mãe D. Carlota Joaquina e por uma multidão de partidários seus que grita «Viva D. Miguel I, rei absoluto de Portugal». D. Miguel não perde tempo, passado menos de um mês dissolve a Câmara dos Deputados, substitui os generais comandantes de armas das províncias por outros seus partidários, proíbe o «Hino da Carta» e determina a prisão de uma série de liberais, o que conduz ao exilio de muitos outros. Os absolutistas apoiam e rejubilam com estas medidas, as quais vão dar porém origem, logo no mês de Maio, a uma revolta de grandes proporções no Porto, que alastra de seguida de Norte a Sul do país, sendo seguida em Julho pelas declarações da ilha Terceira, nos Açores, e da ilha da Madeira contra o governo de D. Miguel. O País ficava profundamente dividido, começava a Guerra Civil. A situação derivada do regresso de D. Miguel a Portugal teve reflexos imediatos no Colégio, como testeCândido José Xavier munha a Ordem do Colégio nº 19,
o Marechal Teixeira Rebelo fundador do Real Colégio Militar. Passados breves dias, assume o cargo de Director do Colégio o então Tenente- Coronel Cândido José Xavier, que vinha exercendo as funções de Subdirector e de coadjutor do Marechal Director, desde Dezembro de 1822. O Tenente Coronel Cândido José Xavier tinha atrás de si uma carreira militar singular. Quando em 1807 se dá a primeira invasão francesa, Xavier tinha 39 anos de idade e o posto de Sargento-Mor. O General Junot seleccionou então os melhores componentes do nosso exército para constituir um corpo de tropas, na altura designado por Legião Portuguesa, que seguiu para França para engrossar as forças de Napoleão. Cândido José Xavier foi nomeado comandante de um batalhão do 1º Regimento de Infantaria da Legião, tendo tomado parte em todos os combates em que o seu regimento foi empregue. Em Julho de 1809, na célebre batalha de Wagram, nas proximidades de Viena, o seu batalhão tem um comportamento verdadeiramente heróico, que merece a Napoleão o comentário «Quem os seguir não estará longe do caminho da honra». Nesta batalha Cândido Xavier é dado como morto em combate, sendo porém salvo no dia seguinte, quan-
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de 7/5/1828, que comunica que o Director do Colégio embarca no dia imediato para Inglaterra, por ter sido intimado pela Intendência Geral da Policia para sair do Reino no preciso termo de oito dias. Cândido Xavier acaba por embarcar para Inglaterra no dia 18 de Maio. Sendo um reputado liberal, a sua presença em Portugal não era tolerada pelo novo regime.
Com a saída de Cândido Xavier o Colégio fica entregue, durante cerca de um ano, ao Tenente-Coronel João José da Cunha Fidié, que tinha vindo servir no Colégio ainda em vida do Marechal Fundador. Cunha Fidié teve de fazer face a intrigas, delações e outras acções desestabilizadoras, chegando a levantar-se dúvidas quanto aos «sentimentos políticos dos alunos». Este facto originou uma informação sua ao ministro, em que escrevia em relação aos alunos «que pela sua diminuta idade», os julgava «pouco capazes de se interessarem ainda em objectos de tanta monta e consideração». Por decreto de 7 de Maio de 1929 é nomeado Director Interino do Colégio o Tenente Coronel Pedro José Santa Bárbara, um fanático miguelista, que iria dirigir o
Colégio durante um período de quatro anos, com uma actuação do tipo «guerra psicológica». Pouco tempo depois da chegada de Santa Bárbara ao Colégio o Tenente-Coronel Cunha Fidié é afastado do mesmo. No entanto, passados anos volta ao Colégio, de que é nomeado Director em 1837. Para podermos avaliar o que foi a acção de Santa Bárbara no Colégio, damos a palavra a José Alberto da Costa Matos (96/1950) que indica, na sua História do Colégio Militar, o seguinte: Pedro José Santa Bárbara revelaria na sua direcção, não só o reflexo de um conjunto de circunstâncias que iam desde algum ressentimento (fruto de situações na sua carreira que considerava injustas), passando por ataques apoplécticos, de que padecia, até à forma, por vezes despropositada, como pretendia demonstrar o seu «amor pelo melhor dos soberanos» (D. Miguel), mas também, e em simultâneo, de uma grande preocupação com a manutenção do nível do ensino e com a resolução de carências de alunos eventualmente desamparados como consequência dos tempos agitados em que decorria o seu mandato. Não admira, assim que, um mês depois de estar no Colégio, iniciasse uma série de despedimentos de empregados, esclarecendo que isso se devia ao facto de desejar «manter a ordem e a opinião pública deste Real Collegio: querendo arredar, e mesmo afugentar, as mais leves sombras, tanto as que são contrárias a Santa Religião Catholica Romana que professamos e a Fidelidade que por muitos títulos devemos ao Nosso Augusto Libertador, Snr. D. Miguel 1º, como qualquer fermento anárquico, em hum lugar aonde deve sempre existir obediência exacta as Leis e Ordens dimanadas por competentes autoridades» (Ordem do Colégio de 10 de Junho de 1829). Para os lugares vagos passaram a ser nomeados indivíduos sujeitos a prévias e escrupulosas «indagações dos costumes Civis e Políticos». É interessante verificar também o modo in-
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vulgar como são redigidas as ordens do dia colegiais durante a sua direcção, através das quais exerce como que uma continua acção psicológica em favor de D. Miguel, a quem se refere permanentemente com expressões como: «Augusto e Adorável Rei, Nosso Libertador e Nosso Benfeitor»; «O melhor dos Soberanos, o Augusto e Insuperável Senhor D. Miguel 1º»; «o Nosso Anjo Libertador, Pai, Rei e Senhor D. Miguel 1º»; «Viva o Nosso magnânimo Rei, Anjo e Senhor»; «o Nosso Anjo Libertador, Pai, Rei e Senhor D. Miguel 1º». Em relação aos oficiais do estado-maior, professores e estado menor do Colégio, é peremptório na exigência de «huma conduta politica, civil e christan», ameaçando desde logo que «serão imediatamente despedidos deste Estabelecimento, por que o Nosso Adorável Monarcha Snr D. Miguel não quer que existam propagadores de doutrinas e costumes venenosos, em um Collegio, por sua Régia Beneficência conservado como viveiro de intrépidos defensores do Altar e do Throno».As informações por si prestadas e assinadas, acerca de oficiais e professores são o corolário do seu posicionamento, não hesitando em reparti-los em três grupos: os que eram «entuziastas do falso governo que infelismente existiu», os que «a respeito dos seus sentimentos Civis e Políticos» não podia pronunciar-se com precisão, e os que eram «sem suspeita, afectos a S. Mag.de O Sr. D. Miguel». Quanto aos Alunos, Pedro José Santa Bárbara tanto se mostra exigente com o ensino ao afirmar em ordem do dia que D. Miguel quando o «mandou honrosamente» para o Colégio, foi para que «empregasse todo o esforço para que os Collegiaes tirarem todo o partido, adquirindo os conhecimentos que neste Collegio se ensinão com precisão, e tudo quanto é necessário para huma boa educação», como se revela protector daqueles cujos pais, vitimas das convulsões internas, ficavam sem condições para pagar os estudos dos filhos, não deixando de advogar perante o trono «a causa da innociencia aflita e miserável». Mas por outro lado não tinha rebuço em introduzir conotações politicas nas informações dos alunos finalistas ao transitarem para o Exército uma vez concluído o curso, como foi o caso de um «aplicado e bem comportado» aluno, filho de um conhecido coronel liberal, que recomenda desde logo, ir «servir em alguma Colonia», ou de um outro que apesar de ter talentos, ser aplicado, desenhar bem e ter desembaraço e
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docilidade, vai acrescentando ser filho de um capitão sobre o qual tem duvidas, pois, como então escreve «se he Pedreiro he dos pacíficos», numa clara alusão a eventuais ligações à maçonaria, ou ainda de um outro que não tem dúvidas em afirmar que «será um Official que sirva fielmente a S. Mag.de O Snr. D. Miguel». Para completar o quadro que nos é descrito por Costa Matos, não resisto a transcrever excertos de algumas das Ordens do Colégio do «mandato» de Santa Bárbara: Ordem de 22/6/1829 Determina que «logo que o Corpo Colegial entrar no Templo deste Colégio, e o mesmo em qualquer outro, se postre de joelhos, persignando-se, e fazendo o Acto de Contrição e rezando a estação, para dar a Jesus Cristo a veneração que lhe devemos, e pedir-lhe os auxílios de que muito se necessita neste miserável Mundo». Ordem de 14/7/1829 Determina que sejam despedidos do Colégio os indivíduos do Estado Menor que não possuam uma «boa conduta politica, civil e cristão» A todos os fâmulos, Policias e Contínuos, etc., é proibido falar em particular a Colegial algum sob pena, de que sendo visto, sofrer prisão, e uma rigorosa e escrupulosa indagação do objecto que se tratava. Ordem de 16/7/1829 Comunica que pelas 5 horas será colocado na Sala de Actos o retracto de El-rei D. Miguel, na presença do «Corpo Colegial». Ordem de 27/7/1829 Determina que o Capelão assista à oração de entrada no Refeitório e àquela de graças quando se finaliza. Determina que todos os Colegiais devem ao Capelão o maior respeito e veneração. Ordem de 31/7/1829 Expulsou um fâmulo «por demonstrar maus princípios de moral, muito nociva entre inocentes que se pretende habituar em bons costumes e afugentar de tudo quanto é mau». Ordem de 6/8/1829 Determina que no dia seguinte, pelas 5 horas da tarde, o Corpo Colegial compareça na Sala de Actos para assistir à colocação no mesmo local do retracto da Rainha D. Carlota Joaquina de Bourbon.
Ordem de 28/10/1829 Informa que no dia 26, o Subdirector do Colégio, acompanhado pelo 2º Comandante, 2 oficiais do Estado-Maior e por 2 Colegiais, beijaram a mão de El-rei D. Miguel, no Real Palácio da Ajuda.
Ordem de 24/3/1830 Determina que se deve apresentar ao Capelão uma relação dos indivíduos que existem no Colégio, os quais devem comungar apresentando ao dito Capelão os «Bilhetes de desobriga» para que este os possa «desarriscar».
Ordem de 14/8/1829 Informa que Sua Majestade concedera aos Colegiais mais aplicados a graça de poderem usar na farda uma medalha com a sua efígie, devendo os «Colegiais Graduados desde já prover-se delas».
Ordem de 26/6/1830 Publica as seguintes palavras do Subdirector Santa Bárbara «Muito desejarei o poupar-me a castigos pelas faltas de execução de Ordens porque Meninos nobres, basta uma palavra para com prontidão e vontade se executar o que se ordena»
Ordem de 7/1/1830 Determina que, em virtude de se encontrar gravemente doente a Rainha D. Carlota Joaquina, todos os dias, depois do terço, se façam «Orações de Súplicas» para que Deus lhe conceda a vida. Determina que durante o mês de Janeiro, todo o Corpo Colegial, segundo os Estatutos, cumprirá o preceito da Confissão, devendo o Capelão dar parte ao Subdirector da sua execução. Ordem de 8/1/1830 Determina que, em virtude do falecimento da Rainha D. Carlota Joaquina, não haverá Aulas, nem qualquer outro exercício até 11 do corrente mês. Todo o Corpo Colegial logo que se apresente em público de uniforme, usará de fita de luto «junto ao pulso» do lado esquerdo. Ordem de 11/1/1830 Expulsa um fâmulo que foi comprar «doces» a um Colegial, contra o que estava expressamente determinado. Ordem de 18/2/1830 Determina que «Qualquer Colegial poderá prender á minha Ordem outro que encontrar brigando». Ordem de 5/3/1830 Comunica que no dia 11 o Colégio será visitado por sua Majestade, El-rei D. Miguel. Ordem de 13/3/1830 Na sequência da visita régia ao Colégio escreve Que provas mais convincentes podemos ter do seu Magnânimo Coração? O carinhoso modo com que tratou a todos, o interesse que mostrou nos diferentes objectos deste Colégio, o prazer que se divisou no seu Régio Semblante, tudo nos deve encher de satisfação.
Ordem de 19/7/1830 Comunica que no dia 21 serão presentes a sua Majestade alguns Colegiais que executaram trabalhos notáveis em Desenho. Ordem de 18/10/1830 Determina que se executem várias solenidades no dia 26 dia do aniversário natalício de El-rei D. Miguel. É feito convite para que os Oficiais do Estado-maior e do Corpo Instrutivo compareçam na cerimónia do Beija-mão a sua Majestade. Pelas 7 horas da noite realizar-se-á O Baile do Corpo Colegial. Ordem de 24/10/1830 São nomeados 21 Colegiais para irem à cerimónia do Beija-mão a efectuar no Palácio Real. A nomeação que o Subdirector indicar «regulará as Seges» que transportarão os Colegiais. Ordem de 1/7/1831 Expulsa um fâmulo por ter introduzido no Colégio «bebidas espirituosas». Ordem de 3/10/1831 Determina que se exerça a maior vigilância para se verificar se algum «Colegial Antigo» trata mal alguns dos novamente admitidos. Logo que se observe uma falta desta natureza, o Colegial será levado à presença do Oficial de Estado-Maior que o mandará castigar com seis palmatoadas, continuando este castigo todos os dias pela manhã antes do almoço, até segunda ordem para que «não caia mais na grosseria a tratar mal os hóspedes e falte a este preceito de uma humana e boa educação». Ordem de 27/6/1932 Determina várias solenidades em honra de D. Miguel.
Tempos difíceis O reinado do Senhor D. Miguel e o Colégio
À noite haveria «iluminação» e o Corpo Colegial representaria uma Comédia, a qual já fora autorizada pelo Subdirector. A partir de meados de 1833 a estrela dos miguelistas começa a empalidecer e com ela a do Coronel Santa Bárbara. A última Ordem do Colégio por si assinada, datada de 18/06/1833,termina com a seguinte mensagem algo patética: «A guerra e a peste que nos flagela, he evidente ser o Braço do Omnipotente que segundo a sua Justiça nos castiga dos nossos pecados, não nos resta outro meio, senão pormos tudo quanto pudermos da nossa parte, para emendar a nossa vida, arrependendo-nos das nossas culpas, e rogando humildemente ao Senhor dos Infinitos Merecimentos de Jezus Christo, use da sua Misericórdia».
Santa Bárbara é demitido cerca de um mês mais tarde, a 24/07/1833, precisamente no dia em que o Duque da Terceira entra triunfalmente em Lisboa, à frente das tropas liberais vindas do Algarve, onde tinham desembarcado em Cacela, exactamente um mês antes. Foi pois esta, de forma muito resumida a vivência no Colégio, naqueles tempos conturbados do «mandato» do Coronel Santa Bárbara, de que se desconhece quando, onde e em que circunstâncias faleceu. A guerra civil continuou durante cerca de nove meses, tendo terminado somente com a assinatura da Convenção de Évora-Monte, em Maio de 1834. Seguiu-se a partida de D. Miguel para o exílio, tendo embarcado em Sines. O Colégio ficou entretanto sem Director até Outubro de 1834, data em que tomou posse como Director o Coronel Agostinho José Freire, prestigiado liberal, obrigado a emigrar no tempo de D. Miguel, sendo então dado como
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desertor. Do exílio foi-se juntar a D. Pedro na ilha Terceira, vindo depois com ele para o continente. A forma de actuar deste novo Director era obviamente distinta da do seu antecessor, como se pode constatar, por exemplo, pela leitura da Ordem do Colégio de 25/6/1835. Nesta ordem publicam-se várias considerações e determinações do novo Director. Chama a atenção para os prémios e castigos «que tendam a estimular e desenvolver o pundonor dos Alunos e nunca a suprimir os sentimentos de nobreza e elevação de carácter que devem ser a base de toda a educação liberal, principalmente da que tem por norma a disciplina militar». Neste sentido, “os Castigos Corporais serão raras vezes empregados e assim mesmo precedendo certas formalidades que se hão-de designar». Costa Matos, numa apreciação sumária final da actuação de Santa Bárbara no Colégio, diz-nos o seguinte: «Apesar de tudo, as convulsões e confrontos que se viveram durante o período em que serviu no Colégio, nunca chegaram a causar neste danos materiais e o ensino foi prosseguindo com a possível normalidade». Como curiosidade, apresentamos a assinatura de Pedro José Santa Bárbara, que era acompanhada da indicação do seu posto e funções, que rezava «Coronel Subdirector do Real Collegio da Luz». Foi de facto uma figura, controversa decerto, da vida do nosso Colégio. Como nota final, refere-se que antes de D. Miguel, já D. João VI visitara o Colégio por duas vezes, a primeira como Príncipe Regente em 1806 ainda na Feitoria, e a segunda em 1821 três semanas depois do seu regresso do Brasil.
Agostinho José Freire
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Jantar de Natal no Porto
Jantar de Natal no Porto
©Foto Gonçalo Leal de Matos
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as acolhedoras instalações do Oporto Cricket and Lawn Tennis Club realizou-se, a 14 de Dezembro de 2015, mais uma vez o tradicional Jantar de Natal dos Antigos Alunos residentes na área do Porto, organizado pelo dinâmico Delegado da AAACM, Bruno Pinto Basto Soares Franco (281/1970).
©Foto Gonçalo Leal de Matos
Não tendo sido possível a fotografia de grupo que deveria sempre documentar estas notícias para memória futura, fica o registo da sala antes do jantar e de quatro participantes com funções institucionais na nossa Associação: José Alberto da Costa Matos (96/1950) antigo Presidente do Conselho Supremo e actualmente seu Conselheiro vitalício, Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958) Presidente do Conselho Supremo, António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios (529/1963) Presidente da Direcção e Bruno Pinto Basto Soares Franco (281/1970) Delegado no Porto da AAACM.
O jantar, com o habitual menu de caldo verde, amarelo e arroz doce, decorreu com a boa confraternização própria destes encontros e nele foram abordadas as actuais situações do Colégio e da Associação, tendo sido esclarecidos aspectos com elas relacionadas. Para alem das presenças acima referidas, deslocaram-se de Lisboa o Bernardo Manuel Diniz de Ayala (171/1953) e o autor destas linhas Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949), ambos membros do Conselho Supremo. Antigos Alunos residentes no Porto e na sua área envolvente que participaram no jantar: Manuel José Martins Rodrigues (261/1940), Luís Augusto Nunes de Almeida Bandeira (236/1945), José Alberto da Costa Matos (96/1950), José Manuel Simões Ramos de Campos (319/1950), Francisco Xavier de Barros Cardoso de Menezes (6/1956), António Norton de Matos Carmo Pereira (522/1959), Albino Manuel Pereira de Sousa Botelho (342/1961), Jorge Fernando da Cruz Cordeiro (27/1963), Carlos Manuel Carrilho Roma Torres (35/1963), Carlos Pimenta Machado (83/1963), José Manuel Duarte Presa Fernandes (403/1963), Manuel Maria de Castro e Lemos (423/1963), António José Mesquita da Cruz (329/1965), Paulo Manuel Ferreira Lobo Fernandes (487/1966), Álvaro Manuel Cruz Cordeiro (48/1967), José Manuel da Silva Pinto dos Reis (100/1967),
João Manuel Sanches Roma Moreira Lobo (572/1969), José Manuel Queimada da Silva Soares (82/1970), Bruno Pinto Basto Soares Franco (281/1970), Paulo César Alves Bacelar (403/1970), António Jaime Tavares Coutinho Lanhoso (176/1971), Vasco Manuel Felgueiras Ferreira (340/1971), Guilherme Eduardo Lickfold de Novais e Silva (488/1971), Paulo Manuel Santos Lestro Henriques (200/1973), João Paulo Pereira Delgado (605/1973), Agenor Guerreiro Ranhada Rolo (199/1974), José Eduardo da Costa Silva Pereira (391/1974), Augusto José Ferreira de Matos (688/1974), João Francisco de Olim Marote Marques Guimarães (229/1975, João José Pacheco de Almeida Tété (383/1984), Francisco José Castro Martins (409/1993), Diogo Castro Jesus Gadelho (499/1998), Filipe Manuel Liberato Jesus Fonseca (59/2001).
Almoço de Natal no Centro Interior
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Almoço de Natal no Centro Interior
A
meida (312/1965). Em relação ao almoço do 3 de Março, que decorreu na Guarda, o grupo cresceu de seis para dez, com algumas faltas em consequência de imprevistos profissionais que determinaram a ausência ao encontro que estava combinado. Estiveram presentes: José António Fiúza Correia de Sá (228/1959), Manuel Pedro da Costa Pereira Roriz (519/1959), Eduardo Manuel Saraiva Henri-
©Foto Sérgio Garcia (326/1985)
exemplo do sucedido no 3 de Março, um grupo de Antigos Alunos a viver no Centro Interior reuniu-se para assinalar o Natal. Oportunidade para um reencontro, sempre inesquecível, por permitir recordar os bons, e maus, momentos passados no Colégio Militar e para conversar sobre a actual situação vivida na Casa que nos educou. Desta vez o encontro foi em Viseu, com organização do Luís Filipe Júlio Fernando de Al-
ANTIGO ALUNO USA A BARRETINA
ques de Oliveira (113/1960), Artur Manuel Restani Graça Alves Moreira (301/1961), Manuel Filipe Gomes Marçalo (478/1964), Luís Filipe Júlio Fernando de Almeida (312/1965), João Manuel Simões de Carvalho (464/1964), Vasco Júlio Moro Teixeira Lino (300/1966), Carlos Filipe Lopes Leal (98/1986) e José Nunes Pereira David Pereira (494/1986).
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Mouzinho de Albuquerque Cavalaria 4 ou Lanceiros 1?
Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
Mouzinho de Albuquerque Cavalaria 4 ou Lanceiros 1?
N
o artigo «O 4 de Cavalaria – Regimento do Imperador da Allemanha Guilherme II», publicado no nº 200 da ZacatraZ, indiquei que, para tomar parte nas campanhas de pacificação de Moçambique, partiu de Lisboa, em Maio de 1895, um contingente de tropas em que seguia o Capitão Joaquim Mouzinho de Albuquerque comandando um esquadrão com elementos do Regimento de Cavalaria 4. Pouco tempo após a publicação deste artigo fui contactado pelo nosso Camarada Antigo Aluno, Major-General Rui Lobo da Costa (160/1943), homem de cavalos e conhecedor das coisas que à Cavalaria dizem respeito, que me indicou que a informação dada no meu artigo estava errada, pois o esquadrão que Mouzinho então comandara era de Lanceiros 1 e não de Cavalaria 4. Para minha informação e para que eu pudesse comprovar este facto, fez chegar às minhas mãos, poucos dias mais tarde, o número especial da «Revista de Cavalaria», de Outubro-Dezembro de 1955, comemorativo do centenário do nascimento de Mouzinho de Albuquerque, integralmente dedicado à vida e obra deste homem notável, patrono da Arma de Cavalaria. A revista que me foi emprestada é interessantíssima e lia-a quase na íntegra. A revista apresenta vários artigos sobre uma série de temas relativos a Mouzinho e á sua obra, sen-
Largo da Luz, 11 de Julho de 1901
do complementado por um conjunto de fotografias, por notas biográficas e notas finais e por um noticiário relativo às várias cerimónias de comemoração do centenário do seu nascimento que ocorreu em 1955, ano em que o meu curso entrou para o Colégio. Destacam-se a sessão de homenagem do Exército, realizada na Sociedade de Geografia, a sessão na Escola do Exército, a sessão realizada no Colégio Militar, as cerimónias em Elvas e o desfile militar perante a espada de Mouzinho, que teve lugar na Avenida da Liberdade. Nas notas biográficas lá encontrei uma referência interessante para nós, que passo
a transcrever, «É promovido a tenente por decreto de 31 de Outubro de 1884 e, pouco depois colocado no Real Colégio Militar, como regente de estudos (do 1º e 2º anos do Curso Geral), cargo desempenhado durante aproximadamente dois anos». No que se refere à partida para Moçambique da força expedicionária em que Mouzinho se integrou, as suas notas biográficas dão-nos a seguinte indicação: «Em Dezembro de 1894... ... é transferido para o Regimento de Cavalaria nº1 – Lanceiros de Vitor Manuel – onde está a ser preparado um esquadrão expedicionário a Lourenço Marques. Parte de Lisboa em 15 de Abril de 1895, com o seu esquadrão de Lanceiros e chega a Lourenço Marques em 6 de Junho desse mesmo ano e a 15 deste mês segue para Inhambane, a fim de se enquadrar na coluna do Norte». Nesta campanha foram organizadas três colunas para ataque às forças à ordem do régulo Gungunhana, tendo a coluna do Norte, comandada pelo Coronel Galhardo partido de Inhambane, rumando a Sul, em direcção a Manjacaze. Continua a nota biográfica informando-nos: «De Inhambane passa a Chicomo e toma parte no combate de Coolela, a 7 de Novembro, onde, na refrega, perde o seu cavalo, e a 11 do mesmo mês no investimento de Manjacaze.
Mouzinho de Albuquerque Cavalaria 4 ou Lanceiros 1?
Joaquim Mousinho de Albuquerque 1896
Mousinho na Companhia dos Namarrais. Está montado em "Mixe", cavalo nº 35, sul-africano, que pertenceu, inicialmente, ao Cor. Galhardo. Mousinho esteve em Macontene com este esplêndido animal que veio a morrer no Mossuril.
Quando o Alto Comissário determina fazer embarcar as tropas expedicionárias para a Metrópole, Mouzinho pede para ficar em Lourenço Marques, desejo que é satisfeito. António Enes escolhe-o para a espinhosa missão de Governador de Gaza». De acordo com o livro «MOÇAMBIQUE 1895 – A Campanha de todos os Heróis», da autoria de António José Telo, o esquadrão de Mouzinho de Albuquerque foi subdividido no início da campanha, sendo o 4º pelotão integrado na Coluna Sul, do comando do Major Gomes Pereira. Os 1º, 2º e 3º pelotões, sob as ordens de Mouzinho, foram-se integrar na coluna Norte, como foi anteriormente referido. A acção da coluna Norte, embora vitoriosa, não foi de molde a satisfazer a fogosidade e a ânsia de tudo vencer de Mouzinho. Apesar de ter atingido e destruído Manjacaze, sede do poder Vátua, não tinha terminado na captura ou morte do seu régulo Gungunhana. Terá sido provavelmente esta, uma das razões que terão levado Mouzinho a oferecer-se para ficar em Moçambique. A 10 de Dezembro de 1895 Mouzinho é nomeado Governador do distrito militar de Gaza. Apenas 5 dias mais tarde, parte de Lourenço Marques para Languéne. A situação local é-nos descrita no relatório da acção, escrito pelo próprio Mouzinho, nos seguintes termos «O único ponto do território sob o domínio dos Vátuas que
as tropas expedicionárias tinham ocupado, era o posto de Languéne na margem direita do rio Limpopo, a umas 70 milhas da barra». Em Languéne colhe Mouzinho informações sobre os movimentos de Gungunhana, que indicam encontrar-se o mesmo no «Kraal» de Chaimite. Com base nesta informação, parte Mouzinho de Languéne no dia de Natal de 1895 em regime de marcha forçada, com uma pequena força, na direcção de Chaimite. Na madrugada de 28 de Dezembro avista o «Kraal». O que se segue é resumido em linguagem lacónica, própria dos registos militares, na «Nota de Assentos» de Mouzinho, da seguinte forma: «Comandando 48 praças de pré, aprisionou o régulo Gungunhana no meio de três mil vátuas, em Chaimite, a 28 de Dezembro de 1895». A composição da pequena força que empreendeu o «raid» sobre Chaimite é indicada pelo próprio Mouzinho no seu relatório de missão. Para além de si próprio, compunham a força os três oficiais seguintes: - 1º Tenente de Brigada de Artilharia de Montanha – Aníbal Augusto Sanches Sousa de Miranda. - Tenente graduado em comissão na província de Moçambique – Manuel José da Costa e Couto. - Facultativo de 3ª classe do quadro de saúde
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da província de Moçambique, com graduação de alferes – Francisco Maria do Amaral. Quanto a praças a situação era a seguinte: - Brigada de Artilharia de Montanha – 5 praças. - Regimento de Artilharia nº 3 – 3 praças. - Regimento de Artilharia nº 4 – 4 praças. -Regimento de Cavalaria nº 1 (Lanceiros de Vitor Manuel) – 1 praça - Regimento de Infantaria nº 2- 35 praças. A praça de Lanceiros, que acompanhou Mouzinho era o soldado nº 84, de sua graça Joaquim Pedro de Sousa. Voltando à Revista da Cavalaria e ao noticiário das homenagens prestadas em 1955 a Mouzinho, sublinho o seguinte: Sessão de Homenagem do Exército, na Sociedade de Geografia (21/11/1955) Referência aos Estabelecimentos Militares de Ensino do Ministério do Exército nos seguintes termos: «Lá estiveram nos seus vestidos e fardas de cor castanha as meninas de Odivelas e os Meninos da Luz; nos seus uniformes de barretinas empenachadas os garbosos Pupilos do Exército; e aprumados e distintos, já sentindo nos ombros o peso das responsabilidades futuras, os Cadetes da Bemposta».
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Mouzinho de Albuquerque Cavalaria 4 ou Lanceiros 1?
Sessão na Escola do Exército (24/11/1955) «A cerimónia teve lugar no Ginásio da Escola apropriadamente decorado para o efeito. A ela assistiram, além do Comandante da Escola, General Correia Leal, os professores e demais oficiais ali em serviço, bem como todos os cadetes, incluindo os do Curso Geral Preparatório que nesse dia se deslocaram da Amadora e, ainda, todos os sargentos daquele nosso estabelecimento de ensino militar». O conferencista foi o Tenente-Coronel do Corpo de Estado-Maior José de Freitas Soares, professor da 5ª Cadeira – Geografia Militar do Ultramar Português. Cerimónias realizadas em Elvas As cerimónias incluíram a inauguração de uma lápide dando o nome de Mouzinho de Albuquerque à parada do Regimento de Lanceiros nº 1 e uma sessão solene realizada na sala «Públia Hortênsia» da Biblioteca Municipal. O ponto alto da cerimónia decorrida em Lanceiros 1, é-nos descrito do seguinte modo: «O Director da Arma de Cavalaria, notando, entre a assistência a presença do heróico Capitão António Bráz, que estivera com Mouzinho em Macontene e tomara parte nos combates da Môngua, em África, e do 9 de Abril (La Lys), em França, convidou-o a descerrar, por direito próprio, como disse, a lápide comemorativa. Teve antes, palavras de muito apreço e que muito comoveram o Capitão Bráz, para a sua acção nas diferentes campanhas em que tomou parte.
Aquele heróico oficial, com manifesta emoção, procedeu, então, ao descerramento da lápide por entre vibrantes aplausos». Na sessão solene na Biblioteca Municipal proferiu uma conferência o Governador Militar da Praça de Elvas, Coronel Passos e Sousa. Sessão no Colégio Militar (24/11/1955) «A figura do herói de Chaimite, a propósito do centenário do seu nascimento, foi evocada no Colégio da Luz, em cerimónia presidida pelo Director, Brigadeiro Luciano Granate. O Batalhão Colegial compareceu na sua máxima força». O Brigadeiro Granate recordou que Mouzinho serviu no Colégio Militar e referiu ter sido inaugurada no ano lectivo anterior, no Colégio, uma maqueta da estátua equestre de Mouzinho, que se encontrava na altura numa das principais praças de Lourenço Marques. Essa maqueta encontrava-se então na antecâmara do Gabinete do Director (lembro-me bem dela) e encontra-se actualmente no átrio de entrada do edifício do picadeiro. Esperamos que aos actuais Alunos seja dado conhecimento da pessoa e dos feitos deste nosso herói, para que também eles agora o tomem como um exemplo a seguir. Os heróis são intemporais. Apresentamos uma fotografia da referida maqueta, na sua localização inicial, perfilando-se perante ela, em continência, o Comandante de Batalhão de 1954/1955, o Aluno António Carlos de Magalhães Arnão Metelo (353/1948). Nesta sessão usou da palavra o professor Capitão Dr. Stott Howorth (de quem fui aluno), que subordinou a sua conferência ao título «Mouzinho, o Africano». O conferencista descreveu o feito de Chaimite, referindo que fazia recordar vários episódios célebres da 2ª Guerra Mundial, nomeadamente os comandos de Laycock na Líbia, que por pouco não capturaram o General Rommel, e os raptos do General Kreiper, comandante militar da ilha de Creta, pelo grupo de Stanley Moss, e de Mussolini, pelos pára-quedistas de Skorzeny, para citar seguidamente as palavras de Aires de Ornelas «Com os soldados que temos tudo é fácil. A coragem, o sangue frio, a tenacidade, a alma que há dentro deles só os avaliam quem lhes partilha os perigos e tem a honra de os comandar». Desfile militar perante a espada de Mouzinho de Albuquerque (28/11/1955)
Parada de Lanceiros 1
A cerimónia em que teve lugar o imponente desfile militar de homenagem a Mouzinho realizou-se na Avenida da Liberdade, que foi
devidamente engalanada para o efeito. A tribuna de honra destinada a receber o Presidente da Republica e o Governo, que compareceu em peso à cerimónia, era ladeada por duas tribunas mais pequenas, uma destinada aos familiares de Mouzinho e aos brigadeiros e comandantes de todas as unidades de Cavalaria e outra destinada aos antigos combatentes de África, alguns deles companheiros de Mouzinho nas suas acções militares em Moçambique. A cerimónia iniciou-se com a chegada da espada de Mouzinho, vinda para o efeito do Museu Militar, onde ainda hoje se encontra depositada. O automóvel em que a espada foi transportada, foi escoltado, no seu percurso, por um esquadrão a cavalo da Guarda Nacional Republicana. A espada foi colocada numa vitrina vertical, situada em frente à tribuna de honra, onde já se encontrava exposto o colar da Ordem da Torre Espada do Valor, Lealdade e Mérito de Mouzinho de Albuquerque, pelo então Director da Arma de Cavalaria, o General Abílio Pais Ramos. A charanga da Guarda Nacional Republicana executou então a marcha da continência. Chegou imediatamente depois o Presidente da Republica, a quem foram prestadas as honras militares da ordenança, tendo sido tocado o hino nacional. Seguiu-se o desfile militar, em que o Colégio tomou parte, como se pode comprovar pela fotografia então tirada no largo dos Restauradores, publicada na altura no nº 101 da revista «O Colégio Militar», que aqui reproduzimos. Nesse dia não foi a formação do Colégio nem a das tropas pára-quedistas, recentemente criadas, que marcharam com o seu garbo habitual,
Mouzinho de Albuquerque Cavalaria 4 ou Lanceiros 1?
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O desfile das tropas de Moçambique
As tropas de Angola desfilando
as mais aplaudidas. As tropas para quem estavam reservados os aplausos mais entusiásticos foram as tropas vindas expressamente de Angola e de Moçambique para tomarem parte nesta cerimónia. Os soldados africanos, impecáveis na sua apresentação, com o seu característico kofió vermelho na cabeça, envergando os seus uniformes coloniais amarelos de caqui, de calção e com as suas grevas verdes ou polainitos brancos, desfilaram, no seu porte altivo, com tamanha correcção de movimentos, que conquistaram imediatamente a assistência. Apresentamos fotografias documentando a passagem destas tropas em frente à tribuna presidencial, para que possam ter ideia de quão marcante foi a sua apresentação. Concluído o desfile das tropas, foi a espada de Mouzinho devolvida ao Museu Militar, de novo sob escolta de um esquadrão a cavalo da Guarda Nacional Republicana. Do que atrás ficou descrito, de forma necessariamente sumária, podem os leitores avaliar a relevância do Colégio nas comemorações do centenário do nascimento de Mouzinho de Albuquerque. Estas comemorações deram-se, como já referi, no ano em que o meu curso entrou no Colégio. Não vivi este acontecimento, por só ter entrado para o Colégio no então 3º ano, mas a malta do meu tempo guarda-o nas suas memórias. Aqui chegados, temos de voltar ao que deu origem a este artigo, ou seja, saber afinal a origem do esquadrão que Mouzinho comandou em Moçambique, em 1895, nas campanhas de pacificação da então designada colónia. Ficou claro que o referido esquadrão foi formado e
preparado em Elvas, no Regimento de Lanceiros 1. No entanto, como se dizia no meu artigo relativo ao 4 de Cavalaria, pode este esquadrão ter incluído elementos deste Regimento, mobilizados expressamente para se integrarem no esquadrão em causa, como foi o caso do próprio Mouzinho de Albuquerque, mandado apresentar em Elvas para comandar o referido esquadrão. Tendo em atenção a figura de Mouzinho, é natural que todos tenham gosto em dizer que foi pessoal da sua unidade, que combateu sob as suas ordens na campanha de 1895 em Moçambique, a «Campanha de todos os heróis». No entanto, se Lanceiros 1 pode colher os louros por ter sido a unidade mobilizadora do esquadrão, o 4 de Cavalaria pode orgulhar-se de ter sido a unidade em que Mouzinho assentou praça, como voluntário, em 1871, com a idade de 16 anos, para aí iniciar a sua brilhante carreira militar. Após vários anos de estudos em Coimbra, Mouzinho volta ao 4 de Cavalaria em 1877, como Alferes-graduado, passando à situação de Alferes efectivo em 1880, sendo transferido para o Regimento de Cavalaria 6. Anos mais tarde, já como Capitão, depois de uma comissão na India e de outra comissão incompleta em Moçambique, como Governador do distrito de Lourenço Marques, Mouzinho é colocado, em Setembro de 1892, no Regimento de Cavalaria 8, do Príncipe Real, de onde passa de novo para o Regimento de Cavalaria 4, do Imperador da Allemanha Guilherme II. Os homens do 4 de Cavalaria podem pois ficar tranquilos, a ligação de Mouzinho ao seu Regimento não foi coisa menor.
Como lembrança de Mouzinho em Moçambique apresentamos uma fotografia sua montado no seu famoso cavalo «Mixe». Este cavalo, de origem sul-africana, foi adquirido pelo Estado Português, sendo-lhe atribuído o nº 35. Este esplêndido animal foi inicialmente atribuído ao Coronel Galhardo, tendo passado depois para Mouzinho, que com ele esteve em Macontene, onde comandou pessoalmente a célebre carga de cavalaria que decidiu esse combate. Como é sabido Mouzinho suicidou-se, em Lisboa, dentro de um coche de praça por si alugado, em Janeiro de 1902, quando era aio de Sua Alteza Real o Príncipe D. Luiz Filipe. Pouco meses antes, em 11 de Julho de 1901, terá visitado pela última vez o Colégio Militar, na companhia do Príncipe, como é testemunhado pela fotografia que também aqui apresentamos. Nesta fotografia, tirada no Largo da Luz, pode-se observar o Príncipe, enquadrado por Mouzinho e pelo Aluno Comandante de Batalhão, seguindo os três a meio galope, ao passar em revista o Batalhão Colegial, compondo uma figura de belo efeito. O Aluno Comandante de Batalhão era o 117/1895, Jorge Arsénio de Oliveira Moreira, que curiosamente exerceu estas funções nos anos lectivos de 1900/1901 e 1901/1902. Por coincidência, cerca de dois meses antes desta visita, o Batalhão Colegial prestou guarda de honra a Suas Majestades, no Palácio das Cortes, na Sessão Real do Juramento de Sua Alteza o Príncipe Real D. Luis Filipe (Ordem do Colégio nº 137, de 18/5/1901).
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Um por Todos Todos por Um
Manuel Júlio Matias Barão da Cunha 150/1948
Um por Todos Todos por Um
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e 17 a 20 de Novembro de 2015, três desses quatro dias foram intensamente vividos sob o lema colegial «Um por Todos Todos por Um». No dia 17, 3.ª feira, no Centro de Apoio Social de Oeiras do Instituto de Acção Social das Forças Armadas, realizou-se a 124.ª Tertúlia do Programa Fim do Im-
pério, iniciativa da Câmara Municipal de Oeiras (CMO), Liga dos Combatentes (LC) e Comissão Portuguesa de História Militar (CPHM), que integrou o lançamento do 20.º livro da coleção Fim do Império, Radiografia Militar e os 4 DDDD?, da autoria do Antigo Aluno Manuel Barão da Cunha (150/1948), e do 21.º livro, Na Fronteira de Timor, do 1.º Sargento Tadeu de Almeida,
em articulação com um exposição fotográfica sobre Timor, da autoria do Eng.º Vítor Cordeiro, e uma documental com fontes do livro Radiografia Militar e os 4 DDDD?. Este livro foi apresentado pelo presidente da CMO, Dr. Paulo Vistas. Na mesa coordenadora do lançamento encontravam-se o Presidente da LC, General Chito Rodrigues,
Um por Todos Todos por Um
o Secretário-Geral da CPHM, Coronel José de Ataíde Banazol (631/1968), Vice-Presidente da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar (AAACM), o representante da Âncora Editora, Dr. Batista Lopes, o apresentador do 21.º livro, Coronel José Aparício, e os autores. Nesta sessão participou também o Vice-Presidente Carlos Morgado da CMO, não tendo sido possível a presença do General Sousa Pinto, Presidente da CPHM, que se encontrava num congresso de iniciativa desta Instituição. Nas cerca de 130 presenças estiveram os Antigos Alunos João da Silva Ramos (9/1942), Mário Arada Pinheiro (164/1943), Francisco Barão da Cunha (53/1947), António Bacelar Carrelhas (159/1947), Pedro do Canto Lagido (330/1947), Diogo Baptista Coelho (343/1947), Hélder Sena e Silva (149/1948), Luís Mendes de Almeida (285/1948), Abílio Pais Ramos (323/1948), Manuel Vieira Pinto (382/1949), José Rola Pata (191/1951) João Moreira Freire (246/1953) e Manuel de Castro Machado (275/1961), Assessor da Presidência da CMO. Para além do Colégio, colaboraram ou foram referidos no livro Radiografia Militar e os 4 DDDD? o Sócio honorário da AAACM Capelão Braula Reis e os Antigos Alunos Francisco Craveiro Lopes (27/1904) antigo Presidente da República, Humberto Delgado (398/1916), António Ribeiro de Spínola (33/1920) antigo Presidente da República, Francisco da Costa Gomes (254/1924) antigo Presidente da República, António de Miranda Dias (292/1925), António de Figueiredo Cardoso (144/1929) que como Capitão comandou a 1ª Companhia nos últimos anos da década de 40 e primeiros da década de 50, Joaquim Miguel Duarte Silva (8/1934), Luís Vicente da Silva (40/1934), Amadeu José Ferreira (232/1936), Ricardo Ferreira Durão (17/1938), Alexandre Dias de Lima (147/1940), Eduardo Matos Guerra (89/1941), Manuel Martins Rodrigues (261/1940), José Myre Dores (47/1942), Carlos Blasco Gonçalves «Giriban» (51/1942), Pedro Pezarat Correia (10/1943), Rui Monteiro Pereira (163/1945), João de Almeida Bruno (230/1945), Mário Baptista Coelho (55/1946), Carlos Marques Pereira (102/1946), José Pereira Monteiro (212/1946), Isaías Gomes Teixeira (235/1946), Joaquim Mensurado (252/1946), Filomeno Garcia (311/1947), Rui Oliveira Soares (332/1947), Rui Cidraes (334/1947), António Martins Barrento (40/1948), Luís Dias Antunes (221/1948), Carlos Arnão Metelo
(353/1948), Vasco Ramires (198/1949), Vítor Oliveira Santos (365/1949), Vasco Rocha Vieira (127/1950), Carlos Ayala Botto (32/1951), Eduardo Sanches Osório (210/1951), Raul Folques (380/1952), Duarte Nuno Pinto Soares (44/1953), José de Ataíde Banazol (631/1968) e António Ribeiro Mateus (57/1970). Outros autores Antigos Alunos são Luís Dias Antunes (221/1948), já falecido, Carlos Marques Pereira (102/1946), Fernando Lamy (157/1947), Manuel Vieira Pinto (382/1949), Nuno Mira Vaz (277/1950), da equipa da «ZacatraZ») e José Castanho Paes (228/1952). Da intervenção do Presidente da CMO, Dr. Paulo Vistas: «(…) Entre muitas outras acções, o Município de Oeiras patrocinou também a construção do conjunto escultórico da autoria da escultora Maria Morais, intitulada “Presença do Soldado Português em África”, justamente no “Jardim do Ultramar” e colaborou nos arranjos exteriores da Feitoria do Colégio Militar, por ocasião das comemorações dos 200 anos desta prestigiada Instituição. Abro aqui um parêntesis para recordar aos presentes que o Município de Oeiras tem o privilégio de ter visto nascer este Colégio no seu território, no longínquo ano de 1803! (...)» No dia 19, 5.ª feira, foram quatro Antigos Alunos visitar o Padre Braula Reis, em Ançã, acompanhando-o no seu 93.º aniversário natalício: Pedro do Canto Lagido (330/1947), Manuel Barão da Cunha (150/1948), Luís Mendes de Almeida (285/1948) e Eduardo Sanches Osório (210/1951). No meio do almoço comemorativo, houve vários telefonemas de outros Antigos Alunos, incluindo Bernardo de Ayala (171/1953) e José Alberto Carvalheira (301/1946). O Padre Braula Reis parece ter rejuvenescido ao recordar tempos colegiais. «Recordar é viver». Finalmente, dia 20, 6.ª feira, na Feitoria, berço do Colégio, mais um convívio do Núcleo da Feitoria da AAACM, que se reúne mensalmente desde há 10 anos. Desta vez registou-se uma das maiores participações, talvez a maior, com perto de 60 presenças, incluindo o novo Director, Coronel Tirocinado de Artilharia Sardinha Dias, e abrangendo Antigos Alunos octogenários, mas também com metade dessa idade. O Vice-Presidente do Núcleo, António Marquilhas (67/1944), referiu Raul Folques (380/1952) que, tendo sido condecorado
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há cerca de 40 anos, de entre outras, com três medalhas da Cruz de Guerra, foi recentemente agraciado com a Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito e o antigo Comandante do Batalhão José Maria Myre Dores, que nos deixou, ficando o vazio da sua marca. Na mesa do Director, para além do António Marquilhas e do homenageado, estavam José Figueiredo Valente (352/1940) antigo Director, Rubi Mourão Marques (233/1940), Luís Mendes de Almeida (285/1948) e Pedro Chagas (357/1977) da Direcção da AAACM. O Núcleo tem como Presidente Jorge Gabriel Teixeira (315/1947), Tesoureiro Carlos Mello e Motta (48/1945), «logístico» Hélder Sena e Silva (149/1948), sendo os cinco grupos etários coordenados por António Marquilhas, Carlos Mello e Motta, Manuel Barão da Cunha, Carlos Baptista e Pedro Chagas. O apoio local tem sido assegurado por outro sócio honorário da AAACM, o Sargento-Chefe Arrifes.
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E o Futuro, Colégio Militar!
Roberto Ferreira Durão (15/1942)
E o Futuro, Colégio Militar!
A
ntes de tudo tenho de confessar, com tristeza e impotência, que não me preocupo demasiado com o futuro. Já vivi talvez o suficiente para, sem deixar de amar a vida, adquirir o necessário desapego daquilo que julgo transitório e efémero. O futuro como nos diz o ditado «a Deus pertence». Dizia, num fado, um popular cómico, ”Quem vier atrás de mim que feche a porta”. Há aqui, dirão, certo egoísmo ou egocentrismo mas é o sentimento de quem sente que já viveu e experienciou muito e, por isso, vive no “instante eterno do presente”, em cada passo que dá, com maior intensidade (retiro a palavra saudade) o passado no que de mais belo (e foi muito) sofreu, viveu e amou, encarando o futuro sem grande entusiasmo ou mesmo com certa apreensão, angústia e tristeza. De facto ele não parece prometer-nos grandes novidades e alegrias face a esta avalanche de terrorismo, dos milhares de refugiados de que a nossa velha Europa se sente invadida sem conseguir bem distinguir o “trigo do joio”. Não vislumbro uma solução definitiva ou conclusiva para tão complexo problema. Uma luta sem fim e sem respeito para com a humanidade, a vida e a natureza deste minúsculo, ínfimo mas belo e generoso planeta, que é afinal a única casa que nos foi dada para, como humanos habitarmos. O mal, o terror parece ter-se apossado do mundo, pior do que uma guerra (que alguns receiam) uma sanha de “matar em nome de “Deus”, fundamentalismos e radicalismos religiosos, traduzidos por um louco, incontro-
lável fanatismo, e não só, bem mais grave do que isso, interesses sem limites nem quaisquer fronteiras morais ou humanas de alguns “senhores” que tiram proveito disso e negociam igualmente com uns e outros, amigos ou inimigos. E pronto, chega! Alguma solução haverá para isto, mas não antevejo qual, por isso esqueço. Mudemos, rápido, de assunto e vamos ao nosso Colégio Militar, neste ”jardim à beira-mar plantado” que tanto amamos e desejamos preservar e prevenir contra todos os riscos. No último número da ZacatraZ, sob o título «E agora…, Colégio Militar?» escrevi umas linhas que, como já é natural, neste simples “amante da Poesia” (não me chamem poeta, please) que esta e outras artes este Colégio entre os seus reais Valores sempre nos incutiu. Terminava então com um poema, adaptação do antigo poema (meio cantado) de Villaret “Passa por mim no Rossio”. Hoje, escrevo como que em continuação, mas com umas pequenas nuances. 1. Digo portanto, agora: «E o Futuro…Colégio Militar?». Sobre isto penso que, embora misto (mesmo com o internato dos dois sexos dentro do Colégio, com que não concordo) o Colégio Militar permanecerá incólume e fiel às suas raízes no Essencial e investindo na Excelência do seu ensino entendendo esta sobretudo na formação e educação dos seus formandos, sempre com base na camaradagem e respeito
mútuo. Tenho esperança nisso. Que a nossa Associação, com seus novos corpos directivos eleitos crie laços de profícua união, fortes e firmes, saudáveis com a Associação de Pais e familiares (não sei bem o termo exacto) e também com a Direcção do Colégio Militar, mas tendo em conta sempre uma perspectiva de não ingerência sobre o Colégio pois isso compete à Direcção que decerto nunca esquecerá o cariz militar e patriótico desta Casa da Luz que se rege pelo seu lema "Servir" e divisa ”Um por todos todos por um”. E que a nota dominante da Associação radique, acima de tudo, nos princípios para que foi criada ou seja na Solidariedade e toda a assistência possível para com Antigos Alunos, em especial os mais necessitados, em termos de emprego, ocupação ou colaboração com a Associação e o Colégio. 2. Desviando-me um pouco, desejo afirmar que, como “Meninos da Luz” sempre soubemos ter uma certa intuição, quase direi sabedoria, em nunca entrarmos em campos políticos, ideológicos, religiosos, ou mesmo pessoais sobrepondo a tudo isso a nossa maneira de ser, aberta e franca, e onde a amizade e camaradagem nos une em vez de dividir (com respeito pelas convicções de cada um). Saibamos manter uma sã atitude de rebeldia contra a injustiça, a bajulação e a arrogância. Nunca devemos esquecer as sábias palavras de José Maria Pereira Coelho (56/1889)1, lapidar definição do carácter que
Tu lá que és? Um avançado? Um conservador? Um ateu? Um crente? Que importa? Estiveste no Colégio Militar? Viveste debaixo do mesmo tecto em que eu vivi? Há dez, há quinze ou há vinte anos? Comeste à mesma mesa? Dormiste na minha camarata? Guardas no peito as recordações imorredoiras daqueles anos de convivência? Lembras os recantos do “Geral”, o sol que víamos pela janela, a ânsia da liberdade, a tristeza do entardecer, a conversa da camarata, a tortura da alvorada, o pavor das aulas, os companheiros de carteira, as nossas esperanças, as nossas ilusões, as alcunhas, o calão, a graça, a vida daquela colmeia, a bondade com que nos olhávamos, a simpatia que nos ligava, a alegria da nossa mocidade fresca e vigorosa? Foste educado naquela exemplarissíssima escola de camaradagem? Eras o 30, o 26, o 84 ou o 14? És meu irmão! Estás ligado a mim por esse travo indestructível da mesma saudade, tão forte, tão viva, tão doce, que ao escrever estas linhas tenho as lágrimas nos olhos...
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E o Futuro, Colégio Militar!
nos anima como antigos alunos e camaradas. Alguns entenderão onde quero chegar, sem fazer aqui especial menção a uma discordância (já clarificada) que alguém manifestou sobre um Complemento da nossa revista ZacatraZ que só teve o objectivo de elevar os Valores do Colégio Militar (entrevistas a algumas Mães e Alunos) e sem qualquer pretensão de auto-promoção de quem quer que fosse. Não vou debruçar-me sobre este assunto. Passou… Sigo para diante. 3. Desejo acrescentar a um trecho do poema que dirigi a uma Mãe que, com orgulho, vestia uma camisola onde se lia estampada esta frase “Sou mãe de um Menino da Luz” o que me sensibilizou. Extraio esse pequeno trecho: “Tu te orgulhas dele, Mãe Na medida em que ele se orgulhar de ti também Ditosa mulher! Podes bem gritar: Duas vezes te dei à luz, Primeiro ao mundo E agora ao Colégio Militar!”. Pretendi, creio que todos o entenderam, fazer como que um pequeno hino de louvor ao nosso Colégio, aos meninos da luz e também às mães. Nada mais. E agora sobre o futuro do Colégio Militar que forma alunos e alunas dentro dos princípios que
sempre o nortearam. Acrescento apenas isto, que gostaria fosse lido nas entrelinhas (é aí que a poesia, muitas vezes, melhor se sabe exprimir): «E tu, actual aluna Quando fores mulher-futura Dirás talvez, pensa bem Sinto-me honrada Porque ali fui educada Fui eu própria Menina da Luz E aprendi no Colégio Militar Sem vaidade nem desdém A saber ser irmã Depois Mulher E hoje Mãe!». Digo isto, contudo, sempre descontente com a ideia bem lamentável para não dizer mesmo ”criminosa” do então Ministro da Defesa e sua Secretária de Estado, D. Berta Cabral. Conseguiram dar cabo de uma Instituição e Património de mais de cem anos, o Instituto de Odivelas, mas não do Colégio Militar e do Instituto dos Pupilos do Exército. Espero bem que nunca o consigam nem tentem, mas nunca se sabe o que o futuro nos reserva. E termino precisamente com um poema (adaptação também) que fiz e saiu, em 2008, na revista antiga da Associação (não se chamava ainda ZacatraZ) inspirado no IF de Kipling, adaptação essa que julgo adequar-se á realidade actual.
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SE podes conservar o equilíbrio e a calma Num mundo sem valor que quase não tem alma. SE sabes esperar mas sem cansar a Esperança ou sonhar mas que o sonho te humanize SE neste mundo que se transforma e avança, te empenhas nos estudos com perseverança SE acima de tudo tentas ser humanista e amas as artes sem presumires de artista. SE tens igual respeito aos teus professores como ao mais humilde dos teus servidores. SE ajudas uma aluna ou aluno mais fraco, a estudar, sem te rires do seu pouco “caco” SE podes sentir em tua alma os valores que te deu o passado sem procurares louvores SE embora frágil sentes a alma forte que te grita “segue em frente sem temer a morte” SE aos que te invejam ou te queiram mal tu não respondes com rancor igual. SE descobres em ti a paz e o perdão para quem te injuria sem qualquer razão SE vives e respeitas o Passado, caminho do Futuro, com o Presente a teu lado SE aos que ousam destruir tua escola e teu lar, lhes gritas NÃO com os olhos a brilhar. SE ainda sentes no sangue as ondas do mar, as velas das antigas e eternas caravelas, a Pátria, a Espada e a Cruz e, em ti, tudo isso se traduz com novas cores límpidas e belas. SE a Verdade te conduz… então, só podes ser uma Menina de Odivelas, um “pilão” dos Pupilos, ou um Menino da LUZ!
Revista de Marinha No número 988 da Revista de Marinha correspondente aos meses de Novembro e Dezembro de 2015, pelo seu Editor/Director Vice-Almirante Henrique Alexandre da Fonseca, Antigo Aluno 47/1956, é feita uma referência muito elogiosa à ZacatraZ, relacionada com a edição do número 200 comemorativo do cinquentenário desta publicação. A Revista de Marinha que nasceu há 78 anos, constituiu desde sempre uma publicação de grande interesse e assim se mantém, versando assuntos relacionados com o Mar nas suas múltiplas vertentes. Em boa hora o nosso Camarada Alexandre da Fonseca tomou o seu leme, levando-a a bom porto e evitando que tivesse naufragado num período difícil da sua existência. A ZacatraZ e todos os Antigos Alunos que no dia a dia fazem com que ela cumpra os seus desígnios perante a Comunidade Colegial, agradecem a referência feita e saúdam a Revista de Marinha e todos os seus Colaboradores, a todos desejando os maiores êxitos muito especialmente ao seu Editor/Director Henrique Alexandre da Fonseca na difícil missão em que está investido. Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949
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Espírito do Colégio
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um convívio que se realiza mais ou menos mensalmente na Beloura, reunindo cerca de uma vintena de Antigos Alunos que entraram para o Colégio nos anos 40-50 do século passado, em que participei, foi referido um episódio de um Aluno muito jovem mas, sem sombra de dúvida, os cinco anos vividos como Menino da Luz revelam estar perfeitamente imbuído do Espírito desta Instituição centenária e única. É o «Feitiço dos Claustros» no dizer do General-Director D. Luiz da Costa Macedo (Mesquitela). O Colégio tão maltratado recentemente com reformas atabalhoadas, levadas a cabo por quem deveria defender este incomparável património, património que muitos países gostariam de ter e, se tal acontecesse, seria acarinhado, respeitado e desenvolvido para deixar uma herança maior do que aquela que sucessivas gerações foram recebendo dos seus antecessores. Mas o Colégio há-de singrar e vencer, tal como sempre fez ao longo da sua existência em situações de estrema gravidade e grande complexidade.
la Casa a quem devemos grande parte da nossa formação e o núcleo duro das nossas convicções? Conforme referi no nosso almoço de hoje, estive recentemente no Colégio onde fui comemorar 60 anos (!) de saída do meu Curso, e a impressão colhida da estadia e da visita não podia ter sido mais reconfortante. Quase todas as dúvidas se dissiparam e julgo que as alterações que tanto combati vêm, ao fim e ao cabo, acrescentar valor e garantir um futuro risonho para aquela Casa, menina dos nossos olhos. Regressado a penates após a visita, tratei de enviar uma mensagem ao meu actual sucessor dizendo-lhe do gosto de o ter conhecido, chamando a atenção para o que significa ser Menino da Luz e outras considerações de circunstância sobre o número que partilhamos. Inesperadamente, cereja no topo do bolo de um dia cheio de coisas boas, chegava-me, “na volta do correio”, resposta do João Rosinha, 15 anos (?), actual 367, que passo a transcrever:
Um dos convivas habituais, José Maria de Avilez Corrêa de Sampaio (367/1949) tinha estado no Colégio, em Romagem de Saudade comemorando os 60 Anos de Saída, tendo aí encontrado o seu actual Sucessor João Afonso Mourato Rosinha (367/2011). O Zé Corrêa de Sampaio teve a amabilidade de enviar à ZacatraZ um texto que enquadra as palavras lidas por si no final do almoço, ouvidas com emoção. «Das inúmeras e significativas mudanças registadas no Colégio nos últimos tempos, ficam, no espírito dos Antigos Alunos mais atentos e mais envolvidos/interessados, dúvidas sobre o papel que, nas circunstâncias, o futuro lhe reservará. Continuará a ser uma referência no País? Justifica-se a sua existência? Salva-se o essencial do espírito colegial e da tradição de mais de dois séculos? Vamos continuar a revermo-nos naque-
O 367 de 2011 e o 367 de 1949 ©Foto Leonel Tomaz
“Muito obrigado pela sua mensagem. Também eu tive muito gosto em conhecê-lo e falar consigo sobre o antigo Colégio Militar e das mudanças que ao longo do tempo se verificaram na nossa tão amada Casa. Continuarei a honrar o número 367 como tenho feito ao longo do tempo que já passei no Colégio, e farei com que o próximo 367 também o faça. Tal com referiu, é um privilégio ser Menino da Luz e estou a aproveitá-lo ao máximo. Sempre que quiser pode-me contactar... estarei sempre presente! Um grande abraço e um forte ZACATRAZ. Não se limitem a passar por esta Casa, vivam-na todos os dias.” Temos homem, temos Colégio!»
Uniformes uniformes
Uniformes uniformes
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á uma vez aqui escrevi sobre a qualidade dos uniformes colegiais, referindo-me mais particularmente à má qualidade dos alfaiates e do vergonhoso talhe das fardas. Várias desculpas haveria. Que hoje os tempos são outros e não há alfaiates, que os uniformes são caros, que o tecido não é o mesmo, etc. Curiosamente as mesmas circunstâncias afectam as forças armadas e policiais e não parece que estas tenham o mesmo problema. Pelo menos em grau tão elevado. Entretanto o tempo foi passando e o Colégio passou a ser misto, num passe de mágica acompanhado de retumbante propaganda que reputava a medida como um salto em frente civilizacional, impelido pelo irreprimível desejo de igualdade entre os géneros, etc. Lembraram-se de tudo. Foi tudo muito bem pensado excepto um pequeno detalhe: os uniformes. E aí está o resultado. Meninas e raparigas vestidas de homem, nitidamente desconfortáveis num uniforme desadequado. Desadequado ao seu corpo e desadequado aos tempos que correm. Em todas as corporações militares e policiais onde nos últimos anos entraram mulheres houve o cuidado de desenhar uniformes em conformidade com o seu género que resultaram muito bem e são envergados com mais garbo do que os seus congéneres masculinos. No Colégio não é assim. Veremos bailes em que parecem dançar homem com homem? Namorados de mão dada vestidos de igual? Não há dúvida que os uniformes são mesmo uniformes para as bandas da Luz. João Nuno Ribeiro Ferreira Barbosa 16/1956
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Linhas de Torres
Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
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o passado mês de Dezembro de 2015, teve lugar no Salão do Conselho Escolar, ou «Salão Nobre», da Academia Militar (AM), no Palácio da Bemposta, uma sessão de lançamento do livro intitulado «A Defesa de Lisboa – Linhas de Torres Vedras, Lisboa, Oeiras e Sul do Tejo (1809 – 1814)», da editora Tribuna da História, da autoria do Coronel da Arma de Engenharia Francisco José Gomes de Sousa Lobo, Antigo Aluno 95 do curso entrado no Colégio no ano de 1952. A sessão de lançamento do livro foi presidida pelo General Carlos António Corbal Hernandez Jerónimo, Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), tendo sido exíguo o Salão Nobre da Academia para albergar todos os interessados neste evento, fazendo com que parte da assistência tivesse ficado de pé. Para além do Dr. Jaime Gama, antigo Presidente da Assembleia da República, que fez uma interessantíssima apresentação do livro, usaram da palavra nesta sessão o Ten-General José António Carneiro Rodrigues da Costa (64/1966), Comandante da AM, o editor do livro, Dr. Pedro Avillez, e o autor do mesmo, Coronel Sousa Lobo. Apresentamos de seguida o discurso do General Comandante da AM, com que se deu início à sessão. “Excelentíssimo Senhor General Carlos António Corbal Hernandez Jerónimo Meu Comandante Os nossos agradecimentos por nos ter honrado com a sua presença neste lançamento do livro “A Defesa de Lisboa. Linhas de Torres Vedras, Lisboa, Oeiras e Sul do Tejo 1809-1814”. Efectivamente, esta é também uma obra do Exército, facto que é reforçado pela estimada presença do Chefe do Estado-Maior do Exército, que presidiu, inclusivamente, à sua sessão de apresentação realizada em 13 de Julho do corrente ano,
em Tancos, no âmbito das comemorações dos 368 anos de existência da Arma de Engenharia. Excelentíssimo Senhor Doutor Jaime Gama Os meus sinceros agradecimentos por nos honrar, mais uma vez, com a sua presença, mas também com o seu saber e conhecimento, materializados na apresentação que nos irá fazer da obra do Coronel Sousa Lobo. Excelentíssimo Senhor Doutor Pedro de Avillez – da Editora Tribuna da História, Excelentíssimo Senhor Coronel de Engenharia Francisco Sousa Lobo, Excelentíssimo Senhor General Valença Pinto, Excelentíssimos Senhores Oficiais Generais, Ilustres convidados, Minhas Senhoras e Meus Senhores Em nome de todos os que servem na Academia Militar dou as boas vindas e agradeço a presença de V.Exas nesta sessão de lançamento do livro do Coronel Sousa Lobo intitulado “A Defesa de Lisboa. Linhas de Torres Vedras, Lisboa, Oeiras e Sul do Tejo 1809-1814”. Em Abril de 2005, o Estado-Maior do Exército assinou um Protocolo de Colaboração entre o Exército e a Editora Tribuna da História, para a produção e publicação, por parte desta editora, de uma Obra sobre as Linhas de Torres Vedras e Defesa de Lisboa, tendo designado o Coronel de Engenharia Francisco Sousa Lobo como coordenador científico e Autor. Nos termos do referido protocolo, constituiu-se como entidade primariamente responsável para prestar o apoio e fazer a coordenação da obra com o Autor, a Editora e demais entidades, a Direcção de Infra-estruturas do Exército, de que fui Director ao longo de mais de cinco anos. Por isso, o lançamento deste livro na Academia Militar, constitui um motivo de grande satisfação pessoal mas também, certamente, um momento
marcante para o Autor por esta ser a sua casa onde foi aluno e, mais tarde, onde serviu como professor ao longo de vários anos, leccionando diferentes unidades curriculares dos cursos de Engenharia Militar. Ao meu Coronel e particularmente ao Doutor Pedro de Avillez, agradeço a escolha da Academia Militar para o lançamento desta obra, e felicito-os por nunca terem desistido e por terem sempre acreditado que, apesar das dificuldades e adversidades surgidas ao longo de todos estes anos, valeria a pena, pois afinal todos sabíamos que o resultado final seria sempre um trabalho de grande qualidade e rigor científico sobre um dos mais extraordinários feitos da História de Portugal e da História da Engenharia Militar Portuguesa. O sistema defensivo das linhas para protecção de Lisboa foi construído com enorme prontidão, zelo e entusiasmo notáveis, entre Novembro de 1809 e 1812, pela nação portuguesa, sob a orientação das engenharias militares britânica e
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portuguesa, sendo constituído por um conjunto de posições de obras de fortificação, de comunicações e estradas militares que ainda hoje se dispõem na Península de Lisboa em três linhas sucessivas, a partir do norte para o sul. Mais do que simples posições defensivas fortificadas, as Linhas de Defesa de Lisboa constituíram-se como uma obra-prima do aproveitamento do terreno através do seu conhecimento cartográfico, da rapidez e do sigilo da sua construção e da idealização de um sistema táctico baseado na mobilidade do exército defensor e na rapidez das comunicações. As Linhas de defesa de Lisboa cumpriram a sua missão; pararam a invasão francesa e materializaram o ponto de ruptura nos sonhos de hegemonia napoleónica.
pelo seu empenhamento, espírito de sacrifício e longo trabalho de investigação em prol do melhor conhecimento do nosso passado militar comum nesta obra que muito dignifica a Engenharia Militar e o Exército. Ao Doutor Pedro de Avillez, administrador da Editora Tribuna da História, que connosco partilhou esta grande caminhada, o meu reconhecimento e os meus sinceros parabéns pela edição deste excelente livro e os meus votos para que o mesmo constitua uma mais-valia no mercado editorial. Termino, reiterando a todos os presentes os agradecimentos pela vossa estimada presença no lançamento desta importante obra e felicitando todos os que contribuíram para a sua publicação.” À sessão de apresentação do livro seguiu-se um convívio no salão da biblioteca da AM, em que o
extraímos os seguintes parágrafos: «Propusemos ao CEME que fosse convidado o Coronel de Engenharia Francisco de Sousa Lobo, presidente da Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos, um profissional com uma longa ligação ao terreno a ser objecto de estudo da Obra, e de reconhecida competência em arqueologia e engenharia militar, para ser Autor, investigador e coordenador cientifico da mesma». «O Autor desta Obra, o Coronel de Engenharia Francisco de Sousa Lobo, realizou ao longo destes oito anos de investigação incansável um trabalho de grande valor científico que muito dignifica a Engenharia Militar Portuguesa». Finaliza a parte inicial do livro, destinada à respectiva apresentação, com um texto do Dr. Jaime Gama designado por «As Linhas de Torres Vedras
Mas sobre este tema e o conteúdo do livro, vai-nos falar com reconhecida proficiência o Senhor Dr Jaime Gama, que redigiu o texto de apresentação da obra e do seu enquadramento histórico. Ao longo do período compreendido entre 2007 e 2014, em que o Exército, em colaboração estreita com diversas entidades, evocou os acontecimentos mais significativos dos 200 Anos da Guerra peninsular, foram muitos os eventos em que Vossa Excelência se dignou presidir, na qualidade de Presidente da Assembleia da República, tendo marcado as referidas cerimónias com comunicações de grande interesse e qualidade de informação histórica. Senhor Doutor Jaime Gama, o nosso muito obrigado pelo seu apoio permanente à criação de saber e pela sua disponibilidade para participar nos eventos desta casa, onde recentemente participou como conferencista, no Colóquio realizado sobre o 25 de Novembro. Ao Coronel Sousa Lobo dou os meus parabéns
autor foi vivamente felicitado por todos os que tiveram o privilégio de assistir a este acto. O livro inicia-se com uma Nota do General CEME, da qual respigamos as seguintes passagens: «As Linhas de Torres Vedras, como bem demonstra o exemplar estudo do Coronel Sousa Lobo, atingiram um conjunto superior a 150 fortes e redutos, distribuídos por três linhas principais defendidas por cerca de 100.000 homens (... ...). Tinham os flancos protegidos de eventuais envolvimentos, nomeadamente a oeste pelo Atlântico e a este pelo Tejo, que materializavam a defesa avançada de Lisboa». «Perante este cenário, que o Coronel Sousa Lobo, a par de muita outra informação, descreve com pena de mestre, não se afigurava fácil a vida para o Marechal Massena». O livro apresenta de seguida uma Nota do Editor, que explica o acordo que houve entre o Estado-Maior do Exército e a editora Tribuna da História para a produção deste livro. Desta Nota
no contexto da Guerra Peninsular», em que refere que esta iniciativa editorial «encontrou no Coronel Engenheiro Francisco de Sousa Lobo um estudioso exaustivo, capaz de inventariar a trajectória das linhas de Torres da sua origem à actualidade, deixando assim um assinalável documento que nos permite ter uma perspectiva geral sobre a matéria, bem como o detalhe sobre cada um dos seus componentes». Está assim de parabéns este nosso Camarada Antigo Aluno, Francisco José Gomes de Sousa Lobo (95/1952), por esta sua magnifica Obra, que constituí a partir de agora uma referência indispensável para todos os historiadores, estudiosos da história ou simples curiosos da história militar que se queiram informar acerca do que foram e ainda são as famosas «Linhas de Torres». Está também de parabéns toda a Comunidade Colegial, por este assinalável serviço ao nosso País que este nosso Camarada Antigo Aluno acaba de prestar.
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Antigos Alunos entre os pioneiros do pára-quedismo em Portugal
Nuno António Bravo Mira Vaz 277/1950
Antigos Alunos entre os pioneiros do pára-quedismo em Portugal (Conforme a História da Força Aérea e a História das Tropas Pára-quedistas)
O
primeiro salto em pára-quedas – ou «guarda-quedas», como na época se dizia – registado em Portugal, foi protagonizado em 12 de Dezembro de 1819 por Eugénio Robertson, que se lançou de um balão pilotado por seu pai, duma altura de 1200 braças.1 Utilizou para o efeito um pára-quedas de barquinha, indo aterrar, cerca de 10 minutos depois, sobre um valado para os lados da Estrada das Laranjeiras, em Lisboa.
Pára-quedas Veranzio
A primeira mulher a executar um salto em Portugal foi a francesa Louise Poitevin. Em 16 de Setembro de 1857, a experiente aeronauta – efectuou mais de meio milhar de ascensões em balão –, largou do Campo de Santana, em Lisboa, e abandonou o balão a cerca de 800 metros de altura, indo aterrar na Quinta do Esteio Furado, próximo de Cacilhas. Em 29 de junho de 1889, durante uma exibição realizada no Jardim das Laranjeiras, em Lisboa, o espanhol Pastor saltou do topo de um mastro com 25 metros de altura para dentro de um Iago, utilizando um pára-quedas que se assemelhava ao de Fausto Veranzio2; infelizmente, Pastor sofreu ferimentos de gravidade, que o obrigaram a um longo e doloroso período de inactividade. O primeiro lançamento em pára-quedas no nosso país protagonizado por portugueses ocorreu em 1922. Foram autores da proeza os observadores aeronáuticos, Capitão Mário Costa França e Tenente José Machado de Barros (274/1907), ambos engenheiros militares e, respectivamente, 1.° e 2.° Comandantes da Companhia de Aerosteiros.3 O salto foi efectuado no dia
6 de Outubro de 1922, no aeródromo de Alverca, tendo os dois militares saltado de um balão, com pleno êxito, a cerca de 500 metros de altura. No dia 14 de Outubro de 1930, nas pistas da actual Base Aérea n.º 3, em Tancos, o 1.° cabo José Maria da Veiga e Moura, utilizando um pára-quedas de abertura comandada «Aviorex», saltou de 800 metros de altura, de um avião «Morane» pilotado pelo Tenente Encarnação Abreu, indo aterrar a nordeste da povoação das Madeiras. No ano de 1934 deslocaram-se ao nosso país duas famosas figuras femininas da acrobacia aérea e do paraquedismo mundial: as francesas Heléne Boucher e Edith Clark. Juntamente com outros grandes nomes nacionais e estrangeiros da acrobacia aérea da época, participaram nos “Certames Internacionais de Aviação” de Lisboa e Porto, organizados pelo Aeroclube de Portugal, nos dias 4 e 7 de Novembro de 1934, nos aeródromos da Amadora e da Senhora da Hora, respectivamente. Edith Clark levou ao rubro o entusiasmo da enorme multidão que muitas horas antes do início da sua exibição já enchia o aeródromo, ao saltar nos céus da Amadora envergando um típico fato minhoto.
Antiga medida de comprimento equivalente a 2,20 metros Embora muita gente pense que Leonardo Da Vinci foi o inventor do pára-quedas, a verdade é que ele nunca pôs em prática as suas teorias; com efeito, foi Fausto Veranzio quem construiu e testou, inspirado nos esboços de Leonardo, um pára-quedas artesanal, em madeira, com o qual saltou do topo de um edifício de Veneza, no ano de 1595, quando já tinha completado 65 anos de idade. 3 Aerostação - é a ciência que trata da navegação aérea em aparelhos mais leves que o ar (aeróstatos). A Companhia de Aerosteiros, criada em 1911, tinha por missão assegurar as comunicações militares através da aerostação, aviação e pombos-correio. Foi a primeira unidade de aeronáutica das Forças Armadas Portuguesas e a primeira a ser equipada com aviões. Esteve sediada em Vila Nova da Rainha até 1919, altura em que passou a estar instalada em Alverca. Em 1927, passou a Batalhão de Aerosteiros, tendo sido extinto em 1937. 1
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Antigos Alunos entre os pioneiros do pára-quedismo em Portugal
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O Tenente José Machado de Barros (274/1907) e o Capitão Mário Franca preparados para o lançamento.
Assinale-se também que, em data indeterminada anterior a 1927, o Capitão Teófilo José Ribeiro da Fonseca (205/1897), tendo obtido o seu diploma de aviador em França, no decurso da 1ª Grande Guerra, onde se evidenciou como piloto dos mais destemidos, decidiu, na altura em que exercia funções de comandante da 1.ª esquadrilha de Aviação de Caça, “(...) saltar dum avião e descer em pára-quedas e fê-lo mesmo (como se verá) consagrando-se como um dos pioneiros do pára-quedismo no nosso País. Certo dia subiu para um «Bréguet», da Amadora, pilotado pelo então Tenente Manuel Moreira Cardoso (um dos heróis da viagem aérea Lisboa-Índia em 1930), e em dado momento a uns 600 metros de altitude e sobre a pista, lançou-se do avião. Por falta de prática, quando o fez, puxou logo o cabo para abertura do pára-quedas, que prematuramente se abriu, mas por forma a ficar preso ao leme e fuselagem da aeronave, ficando suspenso e em situação aflita o comandante Ribeiro da Fonseca.
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História da Força Aérea, pp. 249-250
Seguiram-se momentos trágicos, a que a vontade indómita e o vigor pouco vulgar de Ribeiro da Fonseca puseram termo, conseguindo trepar e agarrar-se à fuselagem. Entretanto o piloto que assistira emocionado ao que se passara, preparou lenta e cuidadosamente a aterragem, só descansando quando poisou no solo, com o seu camarada e comandante são e salvo. Este porém, depois de liberto dos cordões e do pára-quedas que se enrodilhara, mandou vir outro e indicou ao piloto para de novo descolar, para uma nova tentativa. E desta vez resultou em cheio, mostrando à evidência que Ribeiro da Fonseca era homem de antes quebrar que torcer (...)." 4 Teófilo José Ribeiro da Fonseca, de seu nome completo, nasceu em Macau, a 18 de Outubro de 1886. Ia portanto completar 86 anos, quando faleceu em 1972 e era então o nosso piloto militar mais idoso.
Brigadeiro Ribeiro da Fonseca Comandante Geral da Aeronáutica Militar.
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Carta Aberta Ao Rui Castilho (147/1948)
Carta aberta Ao Rui Castilho (147/1948). velejador pelo Mundo, a propósito da reunião do Curso de 1948/1955, comemorando 60 anos de saída. ©Foto Leonel Tomaz
Texto dos Antigos Alunos Manuel Júlio Matias Barão da Cunha (150/1948), António Pedro Pereira de Bacelar Carrelhas (159/1947), Luís Gonzaga de Castro Mendes de Almeida (285/1948) e Pedro do Canto Lagido (330/1947), redigido em 16 de Dezembro de 2015
Do António Rui Prazeres de Castilho (147/1948), a 6 de Dezembro de 2015 «… Hoje terá lugar mais um almoço, onde espero que estejam presentes o maior número de pessoas. Para todos, de Cape Town, envio um grande abraço e que estas reuniões sirvam para unir mais o ESPÍRITO COLEGIAL. Como vou passar aqui o Natal e ele já está à porta, para todos desejo um Santo Natal. A viagem de Richards Bay para aqui correu muito bem. De toda a viagem era a «perna» de que eu mais receios tinha, mas felizmente com a ajuda de Deus, que nos mandou bom tempo, das novas tecnologias e com a nossa experiência, conseguimos passar o Cabo das Agulhas, nada fácil, onde o Índico se junta com o Atlântico e o Cabo das Tormentas, com o «Adamastor» a dormir profundamente!!! Só vamos arrancar daqui no dia 6 de Janeiro, por isso aproveito para vos desejar um BOM ANO DE 2016. A programação da viagem tem como próxima paragem a Ilha de Santa Helena, onde Napoleão deixou as suas últimas botas de montar, e depois Salvador da Baía, para passar o carnaval. (…) Um grande abraço COLEGIAL para todos.»
Carta Aberta Ao Rui Castilho (147/1948)
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aríssimo Rui Castilho, bem hajas. Anteontem foi mais uma grande jornada do nosso Curso. Estivemos presentes 24, incluindo 10 finalistas em 1955: Luís José Passanha Braamcamp Sobral (34/1948), José Alberto Alves de Paula (62/1948), Jorge Maria de Lemos Pereira Máximo (101/1947), Guilherme Luís Faria Câncio Martins (126/1948), Francisco Augusto Ortigão de Melo Sampaio (148/1948), António Helder Monteiro da Sena e Silva (149/1948), Manuel Júlio Matias Barão da Cunha (150/1948), António Pedro Pereira de Bacelar Carrelhas (159/1947), José Manuel Rocha Carvalho Araújo (170/1948), João Diogo Weinstein (186/1950), José Manuel dos Reis Moreira (200/1948, Jorge Carlos Niblett do Passo (227/1947), Luís Gonzaga de Castro Mendes de Almeida (285/1948), Vasco Manuel de Lucena (290/1948), Fernando Manuel da Câmara Marques Moreira (317/1948), António Maria de Almeida Bívar de Sousa (325/1948), Pedro do Canto Lagido (330/1947), João Augusto Serrinha Figueira (339/1947), Rui Armando de Sousa Carneiro (345/1948), Álvaro António Duarte Dinis Varanda (347/1948), José Manuel de Abreu Chagas Pinto (350/1948), Luís Lince Núncio (362/1949), José Maria d’Avillez Corrêa de Sampaio (367/1949), Manuel Paulo Lalande Vieira Pinto (382/1949). A jornada foi muito bem organizada pelo Colégio e pela Associação dos Antigos Alunos, incluindo cumprimentos ao Director, Coronel Tirocinado de Artilharia José Domingos Sardinha Dias, que revelou ter estado também interno, num colégio no Negaje, no Norte de Angola. Foi destacada uma iniciativa de outro «aventureiro» do nosso Curso, para além de ti e do Fernando Augusto Falcão Lamy (157/1947), actualmente no Brasil, o António Pedro Pereira de Bacelar Carrelhas (159/1947), que teve a excelente ideia de ser portador de uma mensagem do nosso Colégio para o de Belém, no Grão Pará, a propósito de novas instalações, quando dos 400 anos dessa cidade. A mensagem é assinada pelo Director, Presidente da AAACM, Comandante do Batalhão em 1954/55, pelo próprio Carrelhas e por outro Antigo Aluno, adido na nossa embaixada. E, obviamente, que foste referido. Por impedimento do Director, fomos depois acompanhados de uma forma, igualmente, eficiente e simpática, pelo Subdirector, Tenente Coronel de Artilharia António
José Ruivo Grilo (338/1978). Sucederam-se as cerimónias de colocação de ramos de flores no monumento no Largo da Luz, com a participação directa do nosso comandante, Luís Mendes de Almeida (285/1948), e no busto do Fundador, onde fomos representados pelo comandante da 4.ª companhia, José Corrêa de Sampaio (367/1949). E uma visita ao Museu Colegial, onde, oportunamente, talvez se possa entregar algo do espólio do nosso falecido camarada Eduardo José Naughton Félix Rodrigues (278/1947). Seguiu-se missa, na capela dedicada ao Capelão José Maria Braula Reis, tendo as leituras sido feitas pelos Comandantes da 3.ª companhia, Francisco de Melo Sampaio (148/1948), e da 1.ª, Pedro do Canto Lagido (330/1947). O nosso Comandante referiu os nomes dos que já nos deixaram, infelizmente já cerca de 40, ou seja, em maior número do que os presentes. É a lei da vida. Há 10 anos, em 2005, na comemoração dos 50 anos de saída, que incluiu descerramento de painel de azulejos na Feitoria, estiveram 46 presentes. Em 10 de Outubro de 2008, nos 60 anos de entrada, estivemos 45, recordando 23 falecidos. Em 11 de Julho de 2013, nos 65 anos de entrada, no restaurante «Jardim da Luz», 34 presenças. Em 3 de Dezembro de 2013, na Cooperativa Militar/IASFA/CAS Lisboa, participaram 29. Em 7 de Maio de 2014, na Feitoria, incluindo cerimónia de homenagem póstuma a elementos do curso falecidos e descerramento de painel de azulejos com nomes de Luís Manuel Dias Antunes (221/1948), de Eduardo José Naughton Félix Rodrigues (278/1947) e de Tito Lívio Esteves Xavier (335/1947), estivemos 31. Em 28 de Novembro de 2014, no restaurante Jardim da Luz, fomos 21. Na Feitoria, em 17 de Abril de 2015, participaram 25, mais o nosso comandante José Maria Myre Dores (47/1942). Foi a última vez que esteve connosco… Depois, foi a grande surpresa, o encontro com os sucessores, entre os quais várias garotas… seguindo-se a tradicional foto nas escadas da «Enferma» e o desfile do Batalhão Colegial, agora com cerca de 700 Alunos, incluindo cerca de 200 raparigas! Algumas pequenas diferenças relativas ao nosso tempo colegial, como a forma da continência, na qual a palma da mão virada para a frente foi substituída pelo virar para baixo, nada comparado à «revolução» da entrada das «Meninas da Luz», mas que parece estar a decorrer melhor do que previam alguns «velhos do Restelo»…
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Almoço tradicional, «bom, abundante e bem confeccionado», precedido pelo «Zacatraz» do Comandante do Batalhão e seguindo-se uma visita a algumas das instalações colegiais, incluindo as das alunas. Nada comparável às desconfortáveis camaratas do nosso tempo… Em conclusão, balanço bem positivo, em que apenas se parece ter retrocedido no número de cavalos e de horas de equitação… Assim, caríssimo António Rui Castilho, é com grande satisfação que retribuímos os teus votos, esperando que em breve estejas connosco. Bons ventos te tragam!
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Antigos Alunos nas Artes e nas Letras
Nuno António Bravo Mira Vaz 277/1950
Antigos Alunos
nas Artes e nas Letras Roberto Ferreira Durão (15/1942) Coronel de Cavalaria Comando Colaborador assíduo das publicações da AAACM, e em particular da ZacatraZ, o Roberto Durão é autor de uma vasta obra poética, na qual estão patentes o seu amor pelo Colégio e pelas Tropas Comando ao serviço das quais combateu e foi ferido. O seu patriotismo, o seu empenho na intervenção cívica e o respeito pelos valores que são apanágio do nosso Colégio e o nortearam pela vida fora são características permanentes nas suas obras. Poemas e contos de sua autoria foram publicados em jornais e revistas literárias e alguns dos seus trabalhos foram premiados em jogos florais. Estão disponíveis neste momento na nossa Associação dois livros:
Trovas do meu pensar e do meu sentir, Editorial Minerva, Lisboa, 2000. No prefácio, António Manuel Couto Viana diz do autor: “Alma rica e nobre de poeta, educada pelas lições camonianas e bocagianas, sensível e reflexível à poderosa presença pessoana,
não revela, todavia, influências, mas uma voz própria e singular, neste livro multifacetado, harmonioso e belo”, que cobre temas variados, “desde o lirismo inspirado pelo amor, até à filosofia e ao sarcasmo”. O conhecido poeta minhoto escolhe algumas quadras de sabor popular para destacar o virtuosismo formal do Roberto Durão: No que tenho me detenho Sonhando com coisas tais Que querendo mais do que tenho Nem sei o que queira mais. e Pura, a pétala desfaz-se, Nas asas do vento corre. Morre na vida que nasce, Nasce na vida que morre. Para enfatizar a inspiração do Roberto Durão na difícil modalidade do soneto, aqui fica a primeira quadra da sua celebração da Mulher: Quem atrai tanto, quanto mais distante? Quem é humilde e tanto se envaidece? Quem é tão forte e tão frágil parece? Quem é tão exigente e tolerante?
Verde mar. Cantos e contos da guerra e da paz, ACD Editores, Lisboa, 2013 Anunciado, pelo autor, como “um grito de alma transmitido de forma objectiva e inteligível, mas também algo subjectiva, em Poesia e Prosa (Cantos e Contos) com factos reais sobre a guerra e a paz”, o livro “tenta ser uma mensagem para todo um povo que serviu na guerra do Ultramar”. Conforme confessa o autor, “a maior parte dos poemas e os textos (Contos), nasceram nos espaços de paz da própria guerra do Ultramar”. Como sempre nas suas obras literárias, o Colégio Militar está presente, desta vez nas Dedicatórias, bem como no poema de abertura que evoca o 3 de Março (Nunca marchareis sozinhos): Sempre jovens, convictos, marchai, Desafios sem temor enfrentai Com vosso passo firme e ousado. (...) Sois a alma de todo esse povo Que em vós nasce, desperta de novo.
Antigos Alunos nas Artes e nas Letras
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Solidários e abertos, Vontade que não cede, libertos De todos os fantasmas mesquinhos Ficai certos: NUNCA MARCHAREIS SOZINHOS! Outra presença bem viva é a dos Comandos, desta vez numa sentida homenagem a um oficial morto em combate: Onde quer que tu estejas, bom amigo Eternamente sente-te lembrado Pois os Comandos, todos, são contigo, Vivo ou morto, a teu lado (...). E também na apaixonada justificação da Boina vermelha: Vermelha porquê? Que outra cor podia ter? Se ela conserva e consagra o sangue Sempre pronto a correr, Pois nunca se perdeu, Dos verdadeiros Comandos, Que gritam SIM, sem hesitar Onde e quando a Pátria os chamar! E há muito mais para ler e meditar, neste livro feito com talento e raiva por um «soldado da guerra e da paz», sempre fiel ao que aprendeu na nossa Casa Comum.
Comentário ao livro
A LARANJA MACULADA
de João Nobre de Carvalho (248/1952)
Coordenação de Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950)
O realismo e as minúcias descritos nesta ficção fazem-nos parte dela, como se estivéssemos nos locais descritos. São impressionantes os detalhes da ação dos piratas Somalis e os do interior da Guiné, onde tive o privilégio de viver. É excelente a expressão “promessas de leite e mel” dos políticos pouco habituados à realidade de governar contra o lóbi dos poderosos a travar um Estado moderno e justo. A preparação do ataque terrorista à costa de Portugal deixa-me preocupado. Se um estrangeiro com facilidade consegue obter dados vitais para a nossa defesa, indago se, a medida que a desestabilização da UE com a
massiva entrada de migrantes sem documentos, não se transformou numa ameaça a curto prazo. Como os muitos alertas de comerciantes na baixa de Albufeira, a lembrar enxurradas passadas, ignoradas pelos responsáveis, e que levaram à tragédia para muitos cidadãos. É um crime contra a nação ignorar a experiência e o alerta deste almirante, que partilha a observação do mundo extremista que devemos enfrentar. Jack Soifer, consultor internacional, autor de “Como Sair da Crise” e “Portugal Pós’Troika”
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Convento e Hospital de Nossa Senhora da Luz
Convento e Hospital de Nossa Senhora da Luz N
o dia 29 de Janeiro de 2016 teve lugar no Teatro D. Luiz Filipe a cerimónia de lançamento do livro Convento e Hospital de Nossa Srª da Luz da autoria da arquitecta Sra. D. Marta Ataíde1, obra que foi apoiada pela AAACM.
Marta Ataíde
Nesta cerimónia marcaram presença, a convite da autora e da AAACM, a Direcção do Colégio Militar, a Junta de Freguesia de Carnide, o Prior de Carnide, a Associação das Antigas Alunas do Instituto de Odivelas, um conjunto de personalidades da área científica, da arquitectura e da história que se têm dedicado ao estudo e divulgação da Ordem de Cristo, bem como membros da
Direcção da AAACM e Antigos Alunos, para além naturalmente de familiares e amigos da autora. A autora foi acompanhada na sua apresentação pela Sra. D. Cristina Cota2, licenciada em ciências geofísicas com um mestrado em ciências musicais e históricas com o tema “Música no Convento de Cristo em Tomar“, estando de momento a concluir um doutoramento em “Música e Missionação na Ordem de Cristo e na Ordem Franciscana no Brasil Colonial“. É indiscutível o interesse arquitectónico, religioso e histórico do Convento e Hospital de Nossa Senhora da Luz, conjunto que se ergue em plena época das descobertas do homem e do mundo e da sua ligação ao Colégio Militar desde 1814, como aliás bem o descreve e documenta o autor da História do Colégio Militar, Coronel Jose Alberto da Costa Matos, Antigo Aluno 96/1950, na edição comemorativa do 2º Centenário do Colégio Militar, publicada em 2003. Este conjunto arquitectónico e religioso é a única construção de raiz da Ordem de Cristo que ainda sobrevive – embora gravemente mutilado, como sabemos, pelo terramoto de Lisboa em 1755 - uma vez que o Colégio de Coimbra foi demolido no final do século XIX. A Infanta D. Maria, filha do Rei D. Manuel e meia irmã do Rei D. João III - considerada à época a Infanta mais rica da Europa – e a Ordem de Cristo, são os protagonistas deste projecto que ficaria conhecido por Casa da Luz ou Santuário da Luz. Podemos com alguma segurança afirmar que há, nestes protagonistas, a intenção de reforçar a importância política e social da Ordem de Cristo,
então abalada pela reforma levada a cabo pelo Rei D. João III, que retira a esta Ordem - que fora o braço armado da dinastia de Aviz ao longo do período das descobertas - a sua componente militar e social, ficando assim a mesma reduzida a uma Ordem religiosa de clausura. Estamos em 1575. A Infanta D. Maria, promotora e mecenas deste projecto grandioso, morreria pouco tempo depois, em 1577, sem naturalmente ver este seu projecto concretizado. O Hospital seria concluído em 1618. Não
Marta Ataíde, natural de Lisboa, é licenciada em Arquitectura de Interiores pela Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa, licenciada em Arquitectura pela Universidade Lusíada de Lisboa e Mestre em Recuperação do Património Arquitectónico e Paisagístico da Universidade de Évora. Desenvolve e colabora em projectos no domínio da arquitectura civil bem como, de recuperação e reabilitação arquitectónica. Tem desenvolvido estudos no âmbito da arquitectura da Ordem de Cristo e do Templo. Foi atleta federada nacional e internacional de rugby e treinadora da mesma modalidade.
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Cristina Cota, natural de Lisboa, tem o curso de violino pela Escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa. É licenciada em Ciências Geofísicas pela FCL, e mestre em Ciências Musicais Históricas pela FCSH-UNL. Foi bolseira de investigação da FCT, e prepara a sua dissertação de doutoramento sobre a “Música e Missionação na Ordem de Cristo e na Ordem Franciscana no Brasil colonial” pela FCSH-UNL. É colaboradora interna do CESEM. Elemento do CARAVELAS. É coordenadora geral do projecto e base de dados on line,“Music OFM Portugal”, em colaboração conjunta do CESEM/FCSH-UNL e a OFM da Província Portuguesa da Ordem Franciscana. Pertence à Ordem Franciscana Secular.
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Convento e Hospital de Nossa Senhora da Luz
existe qualquer documento que ateste a data de conclusão do Convento, mas sabe-se que a Igreja terá sido terminada em 1626. Com a morte da Infanta D. Maria e o desrespeito pelo seu testamento, a prossecução deste projecto vive dias difíceis. O terramoto de 1755 vem agudizar esta situação. O Convento é extinto em 1792. O Hospital mantém a sua actividade de forma precária até 1814, ano em que se instala neste núcleo o Colégio Militar, transferido da Feitoria.
que sempre se regeu a Ordem de Cristo e, não custará assim admitir que esta opção não tenha sido obra do acaso! Tal como os Membros da Ordem de Cristo usavam a sua Cruz, também os Antigos Alunos do Colégio Militar usam a sua Barretina, símbolo de identidade e de pertença que orgulhosamente exibem durante toda a sua vida. Estamos certos de que muito haverá ainda por descortinar sobre a história deste conjunto arqui-
um conjunto de alterações sem a ponderação e a preparação que o seu historial ímpar mereceria. Na verdade, o recente edifício, inqualificável, construído para alojar o internato feminino, é justamente prova disso. Perdeu-se uma oportunidade, quiçá única – tendo presente a decisão de encerrar o Instituto de Odivelas – de requalificação do Convento da Luz para aquele fim, sem que nunca tivessem sido explicadas as razões daquela opção.
Deve-se assim ao Colégio Militar e ao seu curador, o Exército, a manutenção de todo este núcleo arquitectónico. Assim, as suas paredes são preservadas, e os novos guardiões desta memória são os actuais e antigos alunos do Colégio Militar, os Meninos da Luz, que há mais de 200 anos constroem também aqui a sua própria história. Não se conhecem as razões desta opção da instalação do Colégio Militar na Casa da Luz, mas o modelo educativo criado pelo Marechal António Teixeira Rebello e depurado ao longo de mais de dois séculos, baseado nos valores e virtudes militares, é em tudo semelhante aos princípios por
tectónico único. Estamos certos também que esta obra da arquitecta Marta Ataíde tem o mérito de nos desvendar algo de muito relevante sobre este património ímpar, de enorme valor imaterial, e foi assim com enorme gosto que a Direcção da AAACM decidiu apoiar a sua edição. Acresce ainda que o momento é oportuno. Como sabemos, o Colégio Militar vive hoje um período de transformação do seu modelo educativo sem paralelo na sua longa história, transformação essa imposta por um poder político ignaro e leviano que teimosamente recusou, como lhe competia, a via do diálogo, impondo
Fazendo jus a um excerto do hino do Colégio Militar “…Sirvamos hoje a deusa Minerva para melhor servir a Marte…”, que possa o Colégio Militar e a Associação dos Antigos Alunos, em horas favoráveis ou conturbadas como aquelas que hoje atravessamos, possuir a sabedoria de proteger, salvaguardar e eternizar a memória da Luz, hoje e sempre, é também a nossa esperança! Bem haja a arquitecta Marta Ataíde por esta iniciativa. A Direcção da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar
O Curso de 1950/1957, que regularmente se reúne todos os meses em almoço do boa camaradagem e confraternização, foi novamente surpreendido com uma muito agradável notícia, semelhante à que tivemos há cerca de um ano e que rezava assim: o nosso primeiro bisavô foi o José Francisco Pereira Machado Dray (217/1950), cuja neta Ana Catarina, deu à luz a Maria em 14 de Dezembro de 2014. Desta vez, não tendo ainda decorrido um ano, registamos com a maior alegria que o Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950) ascendeu igualmente ao honroso e venerável grupo dos Bisavôs. A sua Neta Madalena foi Mãe do Bisneto Francisco que nasceu a 9 de Outubro de 2015. O Avô paterno, Alberto Coelho Bártolo, é também Antigo Aluno (480/1965). Com os desejos das maiores felicidades, parabéns aos Bisavós, aos Avós, aos Pais, à Neta e ao Francisco que com a sua vinda ao mundo deu uma enorme alegria à sua Família. O Curso de 1950/1957 NOTA - O grafismo da Barretina do Curso 50/57 é da autoria do José Alberto da Costa Matos (96/1950).
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O maior escândalo de sempre no BRIDGE internacional
António Rafael Passarinho Franco Preto 67/1950
O maior escândalo de sempre no BRIDGE internacional
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ma palavra inicial para descansar aqueles que, embora jogando ocasionalmente jogos de cartas (assumo que “todo o mundo” o faz excepto a minha mulher que nem sabe quantos naipes ou cartas existem num baralho e muito menos os seus nomes) não jogam “bridge”. Muito mais que uma história relativa ao jogo de “bridge” é uma descrição do talento e simultaneamente da fraqueza humana, de enigmas e revelações, de orgulho e vergonha e é um exemplo claro das motivações humanas, das suas paixões, interesses escondidos e pecados. Um dos pares mais reputados e detentores de inúmeros títulos e vitórias internacionais em “bridge” durante a segunda metade do século XX, foi o par britânico Terence Reese e Boris Schapiro. Extremamente fortes em todas as áreas do jogo eram considerados por muitos como o melhor par mundial a defender (situações em que os adversários detêm uma maioria das cartas de mais alto valor). Tal como se diz em futebol que “os ataques ganham jogos e as defesas ganham campeonatos”,
assim se pode também dizer relativamente a campeonatos de “bridge”, em que as diferenças entre as melhores equipas nacionais são extremamente reduzidas e qualquer vantagem – por mínima que seja – pode ser decisiva para alcançar a vitória final. Porque não inventar um processo de comunicar ilegalmente ao parceiro um aspecto específico do seu conjunto de cartas? Assim fizeram Terence Reese e Boris Schapiro, tendo sido detectados por uma jogadora da equipa americana (Dorothy Hayden) na parte inicial do campeonato do mundo de bridge de 1965 em Buenos Aires. Perguntarão alguns leitores: “como é possível desconfiar-se duma das melhores e mais reputadas duplas mundiais”? Respondo com uma frase do meu irmão mais novo (59/1960) conhecido nos meios do “bridge” internacional como João Passarinho, que foi durante alguns anos o jogador nº 1 em Portugal e residindo em Espanha há bastante tempo, é desde há 3 anos o jogador nº 1 (de bridge) no país de “nuestros hermanos”
(para além de já ter sido campeão de Espanha por equipas e por equipas mistas). Eu não tenho medo dos jogadores que jogam sempre bem. Eu tenho medo (e desconfio) dos jogadores que adivinham sempre correctamente. Assim aconteceu a Dorothy Hayden que analisou os primeiros dias de actuação do par britânico Terence Reese e Boris Schapiro (o campeonato estendia-se ao longo de duas semanas) e concluiu que algo parecia desafiar as estatísticas... A análise dos jogos feitos até aí permitiu-lhe concluir – após horas de estudo pela noite fora dos jogos realizados – que determinadas opções (aliás vitoriosas) tomadas pelos jogadores desse par estavam contra todas as regras da probabilidade e da estatística, mas por qualquer razão, eles tinham sempre adivinhado correctamente como deveria ser jogado o naipe de copas para saírem vitoriosos (e não só1...) Tendo comunicado as suas conclusões iniciais a outros membros da equipa americana e a um reduzido número de jogadores não americanos em quem confiavam totalmente, foi organizado e distribuído entre eles o trabalho necessário para produzir (ou não) provas insofismáveis de que “havia batota”. As provas obtidas foram apresentadas ao Comité Executivo da Federação Mundial de “Bridge” e incluíam fotografias que mostravam que o esquema montado era simples mas suficientemente poderoso para “fazer a diferença”. Em resumo, Terence Reese e Boris Schapiro quando recebiam as cartas, apresentavam durante uns segundos um número diferente
Saber – no início de cada jogo – o número de cartas que o parceiro tem de um determinado naipe, é – para jogadores de alto nível – uma vantagem diabólica!
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O maior escândalo de sempre no BRIDGE internacional
Boris Schapiro- 1 dedo estendido - 1 carta de copas
Boris Schapiro - 2 dedos estendidos - 2 cartas de copas
de dedos estendidos (da mão que segurava as cartas) que reflectia o número de cartas do naipe de copas que tinham. Podiam assim “dizer” ao parceiro que tinham zero, uma, duas ou três cartas de copas. Para não me alargar neste texto, apresento quatro fotografias que mostram Boris Schapiro com um e dois dedos estendidos (e tinha de facto uma e duas cartas de copas) e Terence Reeese com dois e três dedos estendidos (e tinha nesses casos duas e três cartas de copas). Se não tinham cartas do naipe de copas, não tinham nenhum dedo estendido. Sendo um facto da natureza que qualquer jogador segura as 13 cartas que recebe inicialmente, sempre da mesma maneira, as conclusões eram óbvias e as provas – aliadas às opções escolhidas para jogarem o naipe de copas (e não só) – eram esmagadoras (se não em tribunal, pelo menos para um Comité Executivo de “Bridge”...). Face às provas obtidas o Comité Executivo publicou um comunicado em que dizia: “Após uma reunião com o capitão da equipa Britânica e face a certas irregularidades que foram presentes a este Comité, a equipa Britânica será constituída nos jogos ainda por disputar pelos jogadores K. Konstam, M. Harrison Gray, A. Rose e J. Flint2. O capitão da equipa Britânica decidiu também muito desportivamente que a vitória nos recentes jogos efectuados contra as equipas Americana e Argentina devia ser atribuída aos adversários da equipa Britânica. Estas conclusões e todos os dados necessários serão oportunamente transmitidos à Federação Britânica de Bridge.“ (Terence Reese e Boris Schapiro negaram sempre que fizessem “batota”). Consequências do ocorrido: Não obstante um tribunal Britânico lhes ter atribuído posteriormente o benefício da dúvida (num julgamento em que a acusação foi simplesmente documental), o par Terence Reese e Boris Schapiro nunca mais foi aceite em torneios internacionais. 2
Terence Reese - 2 dedos estendidos - 2 cartas de copas
Terence Reese faleceu em 1996 sem nunca ter aceite a sua culpa. Boris Schapiro (falecido em 2002) contou o acontecido a um jornalista antes de falecer, dizendo que a ideia tinha sido de Terence Reese para posteriormente escrever um livro – e ele era um escritor muito lido – a provar que era muito fácil fazer “batota”. Termino este artigo com um pensamento final: A que ponto não chegam algumas mentes humanas para demonstrarem (a si próprias?) que são mais “inteligentes” que os seus iguais...?
Portugal nos campeonatos internacionais de bridge Portugal – com uma equipa de 6 jogadores e um capitão de equipa não-jogador – foi em 1998 Campeão da União Europeia em Bridge (campeonato disputado em Itália).
O XVI Campeonato de Bridge da União Europeia Às primeiras horas da madrugada do dia 25 de Abril de 1998 …. Portugal tornou-se Campeão Europeu de Bridge. João Passarinho, Manuel Oliveira, Jorge Monteiro dos Santos, Rui Silva Santos, Juliano Barbosa e João Sá, capitaneados por João Beirão Reis (não-jogador), conquistaram o 1º lugar no Campeonato de Equipas “Open”. Eis a classificação final: CLASSIFICAÇÃO 1 Portugal
239
8
Espanha
193
2 Holanda
223
9
Irlanda
191
3 Itália A
222
10 Luxemburgo
178
4 Suécia
218
11 Áustria
173
5 Grã-Bretanha
218
12 Itália B
157
6 Finlândia
205
13 Alemanha
155
7 Israel
204
14 Bélgica
122
RESULTADOS
Dois dos “nossos” estiveram envolvidos nesse feito único – até agora – do bridge nacional, o meu irmão João Gabriel Passarinho Franco Preto3 (59/1960) como jogador (à esquerda na foto) e José Manuel de Almeida Campos Soares de Oliveira (112/1936), falecido em 2013, que foi Presidente da Federação Portuguesa de Bridge de 1985 a 1996 e Presidente da EUBL (European Union Bridge League) em exercício de funções (ao centro na foto). Á direita encontra-se o Eng Manuel Vasques de Oliveira, parceiro de João Passarinho Franco Preto neste campeonato.
Cada equipa tinha 6 jogadores, dos quais jogavam 4 em cada desafio. Doutorado, Professor Universitário que se dedica, actualmente, ao ensino do Bridge.
3
Terence Reese - 3 dedos estendidos - 3 cartas de copas
Portugal - Grã-Bretanha
16 -14 Portugal - Alemanha 25 - 2
Portugal - Holanda
25 - 3
Portugal - Espanha
13 -17 Portugal - Bélgica
25 - 0
Portugal - Finlândia
20 -10 Portugal - Israel
22 - 8
Portugal - Áustria
22 - 8
Portugal - Itália A
13 - 17
Portugal - Itália B
10 - 20 Portugal - Suécia
12 - 18
Portugal - Luxemburgo
20 - 10
Portugal - Irlanda
16 - 14
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Facebook, redes sociais & propaganda eleitoral
Facebook, redes sociais & propaganda eleitoral Proibição de campanha no dia da eleição (e no dia de reflexão) Nota prévia João Miguel Jardim de Abreu Ferreira Pinto (261/1980), Membro dos Órgãos Sociais da AAACM desde 2011, onde tem tido papel de relevo no aconselhamento jurídico sobre matérias diversas, Advogado, Mestre em Segurança da Informação e Direito do Ciberespaço (IST), abordou um tema muito recente e ainda em desenvolvimento com base num entendimento da Comissão Nacional de Eleições de 2014 (e de um novo comunicado da CNE de 2015). Conhecendo-se a amplitude que abrange os navegadores da internet e dos utilizadores das redes sociais, onde certamente se encontram muitos Antigos Alunos, com a anuência do autor publicamos a sua reflexão sobre o assunto.
A
tendendo à crescente utilização das redes sociais para fins de propaganda política e eleitoral, a Comissão Nacional de Eleições (CNE) pronunciou-se em Abril de 2014 sobre a proibição de propaganda nas redes sociais no dia da eleição (e na véspera). Para efeitos legais, considera-se propaganda eleitoral toda a atividade que vise diretamente promover candidaturas, incluindo a publicação de textos ou imagens, por parte de candidatos, subscritores ou partidos políticos. Segundo a CNE o princípio constitucional da liberdade de propaganda garante a livre divulgação de ideias e opiniões políticas, designadamente, através de redes sociais (como o Facebook), como “amplo espaço de troca de informações” e “rápida difusão de ideias e opiniões” para fins de propaganda política e eleitoral. Em certas circunstâncias este princípio é restringido para ser compatibilizado com outros princípios não menos importantes, tais como o da igualdade de tratamento das candidaturas (que proíbe a propaganda com recurso a meios de publicidade comercial), ou o princípio da livre determinação da vontade
do eleitor (que exige o respeito pela reflexão dos eleitores e a manutenção da paz social, proibindo acções e actividades de propaganda no dia da eleição e na véspera). A Lei Eleitoral proíbe acções ou actividades de propaganda eleitoral por qualquer meio, no dia da eleição e na véspera. Considera a CNE que é ilícita a atividade de propaganda praticada em dia de eleição (e em dia de reflexão) nas redes sociais, nomeadamente, no Facebook, em “páginas”, em “Grupos abertos” e em “Cronologias pessoais” com privacidade que extravase a rede de “amigos” e a rede de “amigos de amigos” quando se permite o acesso público universal (a qualquer pessoa incluindo não registados na rede social) ou o acesso público dentro da rede (a todas as pessoas registadas na rede social). É publicamente proibido praticar acções ou desenvolver actividades de propaganda eleitoral após as 00H00 da véspera da eleição, no entanto é legítima toda a actividade desenvolvida nas redes sociais até essa hora e pode permanecer (tal como sucede com os cartazes) à exceção da propaganda visível das assembleias de voto.
Este entendimento da deliberação da CNE (de 2014) diz respeito especificamente às eleições para a Assembleia da República. Porém, afigura-se aplicável quer, aos restantes actos eleitorais uma vez que as respectivas Leis Eleitorais contêm normas expressas com igual proibição (Presidente da República, Assembleias Legislativas das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, Autarquias Locais, Parlamento Europeu e Conselho das Comunidades Portuguesas), quer ainda aos Referendos (nacional, regional e local). João Ferreira Pinto - Advogado Cyberlawyers.pt jfp@joaoferreirapintoadvogados.pt
Os que nos deixaram
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Os que nos deixaram Fernando Ferreira Valença (25/1927) Oficial do Exército - Coronel de Artilharia Nasceu a 9 de Abril de 1916 Faleceu a 8 de Agosto de 2015
Instituições que ele apreciava e cultivava em conjunto, como um díptico e com idêntico sentimento de pertença. E que assim observou até ao fim dos seus dias. Um exemplo disso está na grande satisfação que tinha por, tendo sido o 25 no CM, ter recebido Coronel Fernando Ferreira Valença quando Aluno do Colégio Militar e aos 99 anos igual número como aluno da EE. E seja-me permitida uma nota ropõe-me a Revista ZacatraZ que espessoal para referir que quando, na sua creva um texto para ser publicado companhia, me apresentei em Gomes Freire como memória de meu Tio, o Coronel para ingressar na Academia Militar, ele tende Artilharia Fernando Ferreira Valença. tou que eu recebesse o mesmo número 25, Faço-o com o amor, o privilégio e o reso que naturalmente não foi possível... peito de ser seu familiar próximo e com a E posso também recordar o uso permanengratidão de quem com ele tanto aprendeu te da barretina, que religiosamente manteve e tanto lhe deve. ao longo de toda a vida e sobretudo a defesa E também porque, sendo à data do seu acérrima e apaixonada que sempre o vi fafalecimento um dos mais antigos e idosos zer do CM, sem prejuízo de uma atitude de antigos alunos do Colégio Militar (CM), não atenção e às vezes reparo, às exigências de será porventura fácil encontrar nessa comuevolução que na sua ótica os tempos colocanidade um contemporâneo que dele possa vam. Quem o conheceu sabe que era essa a dar testemunho directo e vivido. sua perspectiva e atitude perante a vida nas Mas não é sua longevidade como antigo suas diferentes manifestações. aluno do CM que importa salientar. O que, E era com enorme orgulho que evocava a a meu ver, suscita nestas páginas justa refecondição de Sargento-Cadete com que, por rência é o seu muito apego ao Colégio e ao inerência de ser proveniente do CM, freseu espírito. quentou a Faculdade de Ciências de Lisboa, Foram sem dúvida tempos e experiências no regime preparatório da sua posterior admarcantes no seu crescimento e formação. missão na EE. De que retirou referências e critérios que o Era um Homem de inteligência fulgurante, acompanharam ao longo da vida. cultura excepcionalmente vasta e profunda, Ainda que em planos e modos diferentes enorme energia e com uma enorme paixão e naturalmente complementares à Família, pelo debate de ideias, o que é uma evidêno Colégio Militar e a Escola do Exército (EE) cia do seu espírito aberto e exigente. constituíram os fundamentos da sua forFoi alguém que viveu a condição militar inmação humana, intelectual, cívica e militar.
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tensamente. Em primeiro lugar porque realmente a compreendia na sua grandeza e na sua singular e exaltante servidão. E depois por pura paixão e enorme e sempre insatisfeito empenhamento profissional. Mas que o fez compreendendo e vivendo duas circunstâncias essenciais. O entendimento que o Exército e as Forças Armadas só encontram pleno sentido quando projectados no todo da nossa vida colectiva, e a noção que a busca da plenitude pessoal é incompatível com um qualquer confinamento intelectual ou profissional, antes impondo permanente abertura e experiências diversificadas. O que também tinha como norma para a sua gestão dos tempos. Uma dos seus critérios e que frequentemente repetia, consistia na necessidade de “não viver apenas, ou sobretudo, guiado pelo espelho retrovisor".... Dele fica publicada uma extensa obra que reflecte isso mesmo. Nela tem natural primazia a temática castrense, mas nela têm igualmente expressão importantes contributos em domínios como a energia nuclear, a cartografia, a política de transportes e os caminhos de ferro. O livro “A abrilada de 1961”, de que foi autor, é um documento obrigatório para o estudo e compreensão das dinâmicas políticas e militares que marcaram esse difícil período da vida nacional. Na sua obra perpassa de modo manifesto o seu permanente propósito de servir com zelo e dedicação. Mas, para além disso, de servir com positiva ambição e saudável inquietação, sempre em obediência ao valor superior de serviço a Portugal que tanto cultivava. Deixou marcas profundas na reforma do Exército de 1958, que visou preparar melhor a resposta ao conflito ultramarino que se antevia, na modernização dos Serviços Cartográficos do Exército, em particular no que tange à cobertura dos territórios então expostos à
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Os que nos deixaram
guerra e no lançamento de preocupações e princípios de planeamento operacional na companhia ferroviária CP. Uma nota particular para o seu grande contributo para a consolidação do Instituto da Defesa Nacional e de um pensamento sério e estruturado em matéria de Defesa Nacional. Um apontamento final para o seu envolvimento na área social, designadamente como fundador e impulsionador da Associação Portuguesa de Ostomizados e como visitador no Instituto Português de Oncologia. A vida não lhe passou ao lado! 11 de Janeiro de 2016 Luís Valença Pinto
José Manuel de Guimarães Metello (221/1931) Licenciado em Administração Colonial Nasceu a 25 de Fevereiro de 1921 Faleceu a 18 de Dezembro de 2015
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asceu em Leça da Palmeira em 25 de Fevereiro de 1921 e morreu em Lisboa com 94 anos. Entrou para o Colégio para o 1º ano em 1931, com o número 221, tendo sido finalista em 1939/40 ano em que teve a graduação de Furriel. Espírito irrequieto, desde cedo manifestou a sua vivacidade e a sua paixão pela aviação, o que lhe granjeou a alcunha de “Avião”; reza a história que “nos seus estudos de aviação” pedia aos alunos mais novos para saltarem nos Claustros das varandas do 1º andar com um lençol agarrado que fazia de pára-quedas; na sua passagem pelo Colégio, distinguiu-se ainda como guarda-redes da equipa colegial de futebol vincando desde cedo a sua paixão pelo desporto amador. Após a saída do Colégio, licenciou-se no Curso de Administração Colonial na antiga Escola Superior Colonial, período durante o qual praticou atletismo em diversas modalidades no Benfica, com particular dedicação á prova dos 300 metros.
Prestou serviço militar como alferes piloto na Base Aérea de Sintra, onde um episódio muito particular confirmou o seu “desenrascanço” e gosto pelo desporto: estando seleccionado pelo Benfica para uma prova de estafetas em Espinho em determinado fim de semana, e não tendo como deslocar-se em tempo útil “utilizou” um dos aviões da Base para ir e voltar, tendo o episódio acabado com passagem pela prisão, por aplicação de castigo pelo... seu tio, à época Comandante da Base. Seguiu para Moçambique por volta de 1945, onde desempenhou vários cargos na Administração Ultramarina, terminando como Administrador de Concelho de praticamente todas as actuais províncias de Moçambique, tendo sido agraciado com diversos louvores e menções honrosas durante a sua longa carreira pública. A partir de 1975 e ao longo de mais de três décadas e em apoio da economia portuguesa, editou por sua conta o “Export Director de Portugal” em que eram listadas todas as empresas exportadoras portuguesas e macaenses, guia que constava para consulta na biblioteca da Comunidade Europeia. Foi um fervoroso e apaixonado Antigo Aluno do Colégio Militar, tentando estar presente em quase todas as cerimónias colegiais; apenas acreditava e usava profissionais (médicos, advogados, etc) que eram Antigos
Alunos do Colégio; a Barretina colegial era presença orgulhosa e permanente em todos seus sobretudos, casacos, camisolas,... Todos quantos com ele conviveram guardam a imagem do personagem simpático, enérgico, insinuante que agora nos deixa. Era casado com a Senhora D. Maria Odete Teixeira de Azevedo Metello, tendo tido três filhos e três filhas, sendo o mais velho o Antigo Aluno 462/1958 Tomaz Metello. A toda a sua Família, muito especialmente ao nosso Camarada Tomaz Metello, apresentamos as nossas mais sentidas condolências. Que descanse em Paz. A Direcção e a Redacção da ZacatraZ
Os que nos deixaram
José Martiniano Moreno Gonçalves (384/1931)
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Luís Manuel Saraiva Vicente da Silva (40/1934)
Oficial do Exército - Coronel de Infantaria (R) Nasceu a 6 de Outubro de 1919 Faleceu a 20 de Dezembro de 2015
asceu em Tavira a 16 de Outubro de 1919, morreu em Lisboa com 96 anos. Entrou para o 2º ano do Colégio Militar em 1931, com o número 384, tendo sido finalista em 1936/1937, ano em que foi graduado comandando a 5ª Companhia. Da sua passagem pelo Colégio, a Caderneta Escolar regista “ser estudioso e inteligente, muito bem comportado e muito cuidadoso com o enxoval e livros”, tendo sido um aluno mediano e premiado com uma Medalha de Ouro no 5º ano, em “Aptidão Física”. Desde cedo iniciou no Colégio a prática que o acompanhou ao longo da vida, da sua paixão pelo desporto (“mens sana in corpore sano” como muitas vezes repetia) destacando-se a Ginástica, o Pentatlo em que foi campeão nacional na sua categoria, o Salto à Vara e em Altura, a Esgrima, quase todas as restantes modalidades do Atletismo, remo e modalidades com bola, tendo jogado na equipa de futebol do Colégio como avançado. Alistou-se em 1937 no Exército, fez os preparativos para Armas Gerais na Universidade de Coimbra, após o que concorreu à então Escola do Exército, onde ingressou com o posto de Aspirante. Durante este período, o atletismo e o futebol continuaram a fazer parte importante da sua vida tendo, naquele ano, jogado como defesa esquerdo da Académica de Coimbra. Destaca-se no período da sua passagem pela Escola do Exército, a representação no Benfica em que foi recordista nacional da estafeta de 5x80m e, também, a participação em diversas modalidades do atletismo, no Sporting. Da sua carreira como militar ressaltam a passagem pela Guarda Nacional Republicana (15
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anos), período em que continuou a prática em competição de Voleibol, Esgrima e Tiro, pelo Secretariado Geral da Defesa Nacional (3 períodos num total de 5 anos), Pupilos do Exército como professor (2 anos) e três comissões no Ultramar: Moçambique/Timor (1944-1946), Moçambique (1964-66) e Guiné (1968-1970). Passou à Reserva em 8 de Outubro de 1971, tendo deixado o serviço activo em Outubro de 1972. Dois meses após o 25 de Abril de 1974 volta à GNR como Comandante da Brigada de Transito. No período conturbado de 11 de Março de 1975, foi detido e permaneceu sem culpa formada, nessa situação, durante 134 dias no Forte de Caxias depois de curtas passagens pelo Forte da Trafaria e pelo Presídio Militar de Santarém. Terminou a sua carreira militar em Julho do mesmo ano. Da sua folha de serviço constam 21 louvores e destacam-se, entre outras condecorações, os graus de Comendador da Ordem de Aviz, de Cavaleiro da Ordem de Cristo e duas Medalhas de Prata de Serviços Distintos (uma com Palma). Manteve ao longo de toda a vida a paixão pelo Desporto e pelo Colégio. Com quase 90 anos continuava a fazer caminhadas diárias de vários quilómetros e praticava natação. Estava sempre presente nas celebrações do Colégio (3 de Março, Abertura do Ano Lectivo, 1º de Dezembro,...) porque “gostava muito de ir aos Claustros e ver os miúdos a desfilar”. Uma das suas últimas visitas ao Colégio ocorreu quando, juntamente com mais 5 Camaradas, o seu Curso comemorou os 70 anos de saída. Deixa viúva Maria Vitória Modesto dos Santos Nunes Gonçalves, uma filha e um filho, 4 netos e 11 bisnetos. Martiniano Nunes Gonçalves 9/1958
Oficial do Exército - Coronel de Infantaria (R) Nasceu a 20 de Setembro de 1923 Faleceu a 11 de Janeiro de 2016
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uís Manuel Saraiva Vicente da Silva, coronel de cavalaria, reformado, nasceu na cidade de Tomar no ano de 1923. Em 1934 é admitido para o 2º ano do Colégio Militar, concluindo o 7º ano em 1940. Graduado em 1º Sargento-Cadete frequenta, na Faculdade de Ciências, os preparatórios para a admissão à Escola do Exército, onde conclui o Curso de Cavalaria. Em Julho de 1944, apresenta-se na escola Prática de Cavalaria, em Torres Novas, para frequência do Tirocínio, sendo convidado para Instrutor integrado no quadro desta Unidade Militar, fazendo parte dum Esquadrão de Cavalaria onde teve a honra de ser “Cavaleiro” junto de todos aqueles que cultivavam a camaradagem, o desembaraço, e sobretudo a presença de forte carácter. Como manifestação de tais predicados resolve projectá-los através de desenhos humorísticos, retratando as diversas actividades do dia a dia ou de épocas gloriosas – como as dos Campeonatos do cavalo de Guerra – publicando “O Lança Chamas”, infelizmente desaparecido em 1975. De 1950 a 1952, na Escola de Equitação em Mafra, conclui o curso de Mestre de Equitação. Durante largos anos é colaborador da Revista “Diana”, ilustrando artigos dedicados ao hipismo. Em 1954 encontrando-se em serviço na Escola Prática de Cavalaria, é mobilizado para a Índia onde comanda o Esquadrão Blindado do Grupo de Cavalaria nº 1 em Torçansori (Goa).
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Terminada a comissão em Maio de 1957, é colocado no Regimento de Lanceiros 2 (Ajuda). Na época agitada de 1958/1959 campanha de general Humberto Delgado recusa-se a sair com o seu esquadrão para reprimir manifestações dos seus apoiantes. Em 1960 é convidado para mestre de equitação dos três cursos do Estado Maior, sendo colocado no Instituto de Altos Estudos Militares (Pedrouços). No ano seguinte, em acumulação, exerce o cargo de Ajudante de Campo do Marechal Craveiro Lopes, até à data da sua morte em 1964. Em Janeiro de 1960 surge o “Jornal do Exército” onde colabora, actividade que se prolonga até 1975, sendo determinante a vontade de deixar “apontamentos” sobre as campanhas impostas pela difícil situação que no início de 1961 surgiu em Angola estendendo-se à Guiné e Moçambique, mobilizando milhares de soldados do serviço militar obrigatório. Nasceram assim passatempos e textos ilustrados, para além de um conjunto de interessantes “cartoons” que posteriormente foram publicados em livro. Frequentado o curso para oficial superior, após promoção a major, foi em 1965 mobilizado para Silva Porto (Kuito), Angola, como 2º Comandante do Grupo de Reconhecimento Dragões, onde em 1966 iniciou uma experiência de utilização da cavalaria a cavalo (em vez dos blindados), quando da ofensiva da guerrilha no leste. Terminada a comissão, seguiu-se a Academia Militar para o desempenho de funções de mestre de equitação adjunto e, mais tarde, professor da cadeira de táctica de cavalaria. Em Outubro de 1968, é novamente mobilizado desta vez para Angola, como oficial de informações e operações dum agrupamento destinado ao sector do Toto, nos Dembos, norte de Angola. Depois de intensa actividade como Comandante do Grupo de Cavalaria nº 1, baixa ao hospital de Luanda e é evacuado para Lisboa com prognóstico reservado. Tem alta em Novembro de 1969 considerando a Junta Médica “doença adquirida em serviço”, é promovido a Tenente-coronel, embarca novamente para Angola para terminar a comissão. Colocado no Quartel-general de Luanda com a missão de estudar e consumar a possibilidade de aumentar o número de cavalos no grupo do Bié, através de concurso público e de acordo com caderno de encargos. Delibe-
rada a compra de cavalos à Argentina, deslocou-se a este país numa comissão de remonta. Regressa a Lisboa em Outubro de 1970. Concorre para professor catedrático da cadeira de táctica da cavalaria na Academia Militar, onde se mantém dois anos lectivos 1970/71 e 1971/72, sendo novamente mobilizado para Angola, para a zona militar do Leste, Luso (Luena), como chefe do Estado-Maior das Lundas. Promovido a Coronel em finais de 1973, vai para Henrique de Carvalho (Saurimo). Chamado a Luanda após a Revolução do 25 de Abril, é colocado no Quartel-General e, através do MFA de Angola, faz parte da Comissão de extinção da Pide/DGS. Regressa a Lisboa em Outubro de 1974, sendo colocado na 5ª Divisão e depois no Ministério da Administração Interna, no estudo da unificação das forças de segurança. Em Agosto de 1975 é nomeado Director interino da Arma de Cavalaria e também Inspector. Passa à situação de Reserva em 28 de Maio de 1976. Em Outubro de 1977 matricula-se na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa no curso de Pintura, licenciando-se em 1982. Já nos anos 60 fizera um curso de iniciação ao Desenho e Pintura na Sociedade Nacional de Belas Artes de Lisboa. Desde 2007 regeu as aulas de Desenho de um grupo de alunos da Universidade Sénior – Estudos Gerais, promovido pela Santa Casa da Misericórdia da Ericeira. De 1980 a 2009 participa em diversas exposições individuais e colectivas com quadros a óleo, gravuras, desenhos e cartoons, subordinadas a temas, de entre outros, como “Os Militares nas Artes e nas Letras”, “A tropa antes e depois do 25 de Abril” e “Os Militares e a Arte”. Os eventos tiveram lugar no Cazaquistão no Museu Estatal de Arte em Alma Ata, em Lisboa na Galeria Codilivro, na Escola Superior de Belas Artes, no Museu Militar, no Colégio Militar, nos Claustros do Hospital de São José e no Forte do Bom Sucesso – Liga dos Combatentes, em Oeiras na Galeria Verney e na Feitoria do Colégio Militar, em Torres Vedras na Galeria Nova, em Mafra no Museu Municipal e no Centro Cultural D. Pedro V, em Coimbra no Edifício Chiado, em Tomar no Convento de São Francisco, em Vilnius na Lituânia, no Funchal, no Salão Nobre da Maia, em Setúbal no Convento de Jesus, em Guimarães no Palácio dos Duques de Bragança, em Ponta Delgada no Teatro Micaelense, em
Évora na Câmara Municipal e na Escola Bento de Jesus Caraça, na Ericeira na Casa da Cultura Jaime Lobo e Silva, em Vendas Novas na Câmara Municipal e na Escola Prática de Artilharia e nas Câmaras Municipais de Grândola, Alcácer do Sal, Sines e Aljustrel. A Todos os seus Familiares apresentamos as nossas mais sentidas condolências. Que descanse em Paz Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949
Foi com pesar que recebi a noticia do falecimento do Luís Vicente da Silva. Apesar de ser mais novo do que ele 22 anos, recordo-o com saudade, pois tive o privilégio de conviver com ele e com a sua mulher Gabita, nos meus tempos de aluno no Colégio, em que passava as férias na Ericeira, onde eles também iam veranear. Lembro o Luís Vicente da Silva como uma pessoa por natureza amável e bem disposta, um óptimo conversador, como era timbre daquele grupo de Antigos Alunos e respectivas mulheres, que ali se reunia no verão, e uma pessoa com grande sentido de humor, que fazia o favor de me tratar como se eu também fosse um membro do seu grupo. Como eu gostava de cavalos e ele era um mestre de equitação de reconhecido mérito, era mais uma razão para eu sentir simpatia por ele. Durante anos deliciei-me a ver os seus desenhos engraçadíssimos no Jornal do Exército, de que ele era assíduo colaborador. Recordá-lo-ei sempre com saudade. Para a Gabita e para a sua filha Margarida aqui expresso as minhas condolências. Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
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Emygdio Landerset Cadima (236/1938) Professor Universitário - Investigador Nasceu a 12 de Janeiro de 1927 Faleceu a 14 de Outubro de 2015
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mygdio Landerset Cadima nasceu em 12 de Janeiro de 1927 e foi admitido no Colégio no ano de 1938 tendo-lhe sido atribuído o número 236. Faleceu em Lisboa aos 88 anos. Emygdio Cadima licenciou-se em Ciências Matemáticas, em 1950, pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.Depois de enveredar pela área da gestão e avaliação dos recursos pesqueiros, foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian na Grã-Bretanaha, trabalhou no Instituto de Biologia Marítima, em Portugal, e no Laboratório de Pescas de St. Andrews, no Canadá. Tendo ingressado na Agência das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), foi colocado em Havana (Cuba) e, posteriormente, em Roma (Itália). Foi militante comunista organizado e activo, entregando-se sempre com a mesma dedica-
ção às tarefas de maior responsabilidade como também às de grande simplicidade. A sua vida foi dedicada ao ensino e à investigação, numa permanente intervenção pelo progresso com a preocupação sempre presente da justiça social. Os seus conhecimentos foram direccionados com o objectivo de um mundo melhor e mais desenvolvido. Após o 25 de Abril, regressa a Portugal desempenhando funções de Director do Serviço de Estatísticas da Secretaria de Estado das Pescas e de Investigador Principal no Instituto Nacional de Investigação das Pescas (INIP/ IPIMAR). Investigador com uma longa carreira na área de avaliação de recursos pesqueiros, reconhecido a nível nacional e internacional, formador brilhante, homem humilde, curioso, de espírito crítico, mente esclarecida e pensamento de vanguarda até ao fim, foi exemplo que motivou gerações de jovens para as Ciências do Mar. Emygdio Cadima que foi um Mestre na arte de investigar e ensinar, legando escola científica reputada internacionalmente, desenvolveu no Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores, com grande dedica-
ção, investigação pesqueira e formação na área da Avaliação de Recursos Vivos Marinhos. Reconhecido internacionalmente na área das Ciências das Pescas, Doutor Honoris Causa pela Universidade do Algarve, a quem dedicou a parte final da sua carreira científica onde foi Investigador Principal, responsável por diversas disciplinas, teses de mestrado e projectos de investigação, contribuiu decisivamente para a consolidação, nesta Universidade, da área científica da Biologia Marinha e Pescas. Aos 70 anos, já reformado, continuou a leccionar e a desenvolver trabalhos de investigação junto do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, mantendo-se como consultor científico da Federação dos Sindicatos da Pesca. A excelente capacidade de comunicação e a sua simplicidade e simpatia criaram laços de proximidade e estima sem fronteiras, desde o pescador ao investigador. Foram muitas as manifestações de pesar pelo seu falecimento, havendo inúmeras referencias às suas qualidades como Homem, como Professor Universitário, como Cientista e como Investigador. A todos os seus Familiares, apresentamos as nossas mais sentidas condolências. Que descanse em Paz. Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949
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José Maria Myre Dores (47/1942) Engenheiro Civil Nasceu a 31 de Janeiro de 1932 Faleceu a 13 de Novembro de 2015
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osé Maria Myre Dores, o 47 de 1942, pertenceu a uma “dinastia” de antigos alunos que marcou o Colégio Militar das décadas de 30 a 50 do século passado. Cinco dos oito irmãos (seis rapazes e duas raparigas) completaram o curso secundário no Colégio, o que quer dizer que, entre 1930, ano em que entrou o João Alberto (293 de 1930) e 1953, ano em que saiu o Armando Eduardo (118 de 1946), houve sempre, pelo menos, um Myre Dores envergando a farda cor-de-pinhão e a cruzar diariamente os claustros da Luz. Assinale-se que nenhum deles reprovou um único ano lectivo, dois foram comandantes do batalhão, o Manuel Maria (118 de 1940) e o José Maria (47 de 1942). O único que seguiu a carreira das armas foi o Henrique Adriano (32 de 1936). O Carlos Manuel, o mais novo de todos os filhos varões do coronel Adriano Augusto de Figueiredo Dores e da D. Maria Rosa Myre de Melo Dores, foi o único, que não frequentou o Colégio da Luz mas, bem como às irmãs Maria Raquel e Maria Amélia, a “Teca” que é da nossa geração e como nós a conhecemos, o Colégio nunca lhes foi estranho. Mas os Myre Dores (curiosamente só o Henrique assinava Mire Dores), comungavam outras particularidades. Eram todos marcados por uma vincada personalidade e por uma formação humanista, por uma imensa abertura de espírito e avidez pelas manifestações culturais, pela ânsia de ativa participação e intervenção cívica, pelo desembaraço físico, pelo convívio fácil, pelo culto de uma amizade cavalheiresca, leal e exigente. Foram produtos exemplares de sólidas forma-
ções morais de que resultaram mulheres e homens de carácter. Politicamente sensíveis, atentos e empenhados, todos eles se inseriram integralmente no Portugal do 25 de Abril. O Manuel e o Armando tinham-se visto forçados ao exílio, na década de 50, o primeiro para São Paulo na iminência de ser preso e o segundo para Moscovo, depois de um período na clandestinidade em Portugal.
neamento e Controlo do Ministério de Habitação e Obras Públicas (1975-1980). Terminou a sua carreira profissional como membro do Conselho Superior de Obras Públicas e Transportes.
O José Maria fora “adoptado” pelo nosso curso (1943-1950) e passou a participar, sem falhas, em todas as nossas actividades, reuniões, convívios, romagens ao Colégio. Adorava esses momentos e tornou-se, mesmo, pólo aglutinador de outros camaradas do seu curso, de resto tão chegado ao nosso, que passaram a alinhar nos nossos almoços. Era uma presença indispensável e já sentimos o peso da sua ausência. Faleceu em 13 de Novembro de 2015 e a indisposição que anunciou a sua partida deu-se, por fatídica coincidência, quando com ele partilhávamos a rotina do almoço quinzenal no restaurante Jardim da Luz.
«Na parte final da sua vida o José Myre Dores deixava, às suas filhas e netos, umas curtas reflexões sobre a vida, sobre o seu sentido e a forma de a cultivar, em benefício próprio, do próximo e do meio ambiente em que a humanidade se insere, e que reflectiam bem a dimensão humanista e altruísta da sua personalidade. A que se segue foi a derradeira que escreveu e que uma das suas filhas, Paula e uma das suas netas, Rita , leram, em sentida homenagem, na cerimónia fúnebre que antecedeu o seu funeral.
O José Maria licenciou-se em engenharia civil no IST, em 1955 e seguiu logo para o Huambo, Angola onde, aliás, nascera e aí trabalhou durante dois anos. Entre 1957 e 1960 trabalhou no Lobito e, a partir desta data, fixou-se definitivamente em Lisboa. Com uma vida profissional riquíssima e muito intensa, no sector público e privado, desenvolveu actividade académica no ensino superior, nomeadamente no “IST” e, na área da sua formação técnica, em projectos, organização, planeamento, gestão, direcção, fiscalização e consultoria. Sempre com reconhecida competência e honestidade. Depois do 25 de Abril foi secretário-geral do Ministério da Educação e Cultura (19741975) e director-geral do Gabinete de Pla-
O José Maria Myre Dores, o 47 de 1942, foi um camarada de eleição e fica como uma referência marcante de todos os que se orgulham da sua condição de “Meninos da Luz”. Às suas filhas Paula e Cristina e aos seus netos Rita, José Manuel e Madalena e a toda a família Myre Dores, as nossas sentidas homenagens. Para ti, Zé Maria, com o nosso obrigado por termos podido beneficiar do teu companheirismo e da tua amizade, um saudoso ZACATRAZ.
“– Setembro de 2015 Sinto a obrigação moral de transmitir sugestões sobre a vida, que aprendi com os meus Pais, Irmãos, Amigos e com a cultura que obtive ao longo de 83 anos! E com vocês! Desde que nascemos, praticar a cultura de prevenção da saúde. “Nós somos o que comemos” e a alimentação saudável é essencial. Controlo da obesidade. Convívio social, desenvolvimento intelectual e exercício físico. Acompanhamento médico adequado desde que nascemos e regular. Aproveitar os sistemas de saúde. Visão sistémica do corpo humano. Não ao fumo passivo e activo, não à obesidade, sim ao exercício físico adequado. Definir e actualizar as prioridades da vida “que é um ai que mal soa – Camões”. Cultivar a procura do belo, do conhecimento, praticar o ser, os valores espirituais, o gosto pela vida, o não ao consumismo.
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Estão e vão aumentar as mudanças no mundo, na Europa e em Portugal. Manter-se informado sobre o ser humano e a sociedade. “Analisar as situações com base em factos e admitir que há pessoas boas e pessoas más – Bertand Russel”. “Homo lupus hominis”. Melhorar permanentemente a sua atitude e comportamento na vida, sendo maleável e adaptando-se às novas situações. Aproveitar as coisas simples e boas da vida. Respeitar “o código identitário de cada um e o seu próprio - Papa Francisco”. Quanto ao ter (situação económica) procurar no estudo e no trabalho profissional o gostar de fazer, a realização pessoal e a realização social. Uma pessoa poder estudar e aprender é uma oportunidade excepcional. Dar o melhor de si mesmo. Estudar todos os dias. Trabalhar muito. No que se refere à profissão, aprender a trabalhar em grupo, mas não se deixar envolver, quer no estudo quer no trabalho, só numa actividade. Cada pessoa tem necessidade de várias realizações, com a família, com a cultura de prevenção da saúde, com a cultura, com o descanso e diversão, etc. Visto na série dinamarquesa Borgen (RTP2) e na série policial francesa (Capitã! Berthsud) (RTP2). Cultivar amizades, é importante principalmente na velhice! Gerir duma forma adequada as obrigações fiscais, a casa, a sua limpeza, os assuntos do quotidiano. Uma pessoa só gosta da leitura, ouvir boa música (clássica ou não) aproveitar a beleza da Natureza e da Arte, se praticar. Só se é bem educado, se tiver princípios, se houver uma prática de conduta. Procurar evitar o stress, equilibrar a razão com os sentimentos. Ter bom senso, serenidade. Não se preocupar antes das situações acontecerem. Muitas vezes as preocupações não se chegam a concretizar (filósofo grego antes do século I). Carpe diem, viver a vida com a alegria possível, vendo o que se tem de bom”. O Curso 1943-1950
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Luís Furtado Miranda Branco (149/1943) Oficial da GNR - Major Nasceu a 10 de Junho de 1932 Faleceu a 13 de Janeiro de 2016
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meu Pai nasceu no dia de Portugal, 10 Junho, de 1932, em Gabela, Angola, onde o meu Avô, também militar de carreira, prestava serviço. Todavia a terra que ele sempre considerou o seu berço e onde viveu grande parte da sua infância foi Portalegre. Foi daí que, em 1943, com 11 anos, o meu avô o foi levar à estação de caminho de ferro com uma mala na mão e lhe confiou a missão de, sozinho, chegar até ao Colégio, na Luz, na distante Capital. Aí ingressaria no curso de 1943/44, aluno numero 149. Na sua memória este foi um tempo do qual sempre se orgulhou e que lembrava com carinho, seguindo com interesse a evolução posterior da Instituição Após conclusão do 7º ano, teve uma breve passagem pela vida civil, após o que ingressou no exército, como Oficial Miliciano. Transitou para a GNR em 1964, comandando a Secção de Vila Franca de Xira, como Tenente e, após promoção a Capitão, a Companhia Territorial da Guarda, em 1970 e, finalmente, a Companhia Territorial de Viseu, em 1972, onde foi promovido a Major e onde se aposentou em 1992. Durante os seus anos de serviço como oficial na GNR destaca-se a ponderação e justiça com que comandava e lidava com as situações de ordem pública mais difíceis, que lhe granjearam sempre a estima dos subordinados, independentemente do posto, e o reconhecimento das populações e superiores hierárquicos; encontrando o expoente máximo no comando da sua secção durante a catástrofe das cheias de 26 de Novembro de 1967, em Vila Franca de Xira, permitindo o
apoio eficaz à população sem descurar a motivação, pelo exemplo, aos seus subordinados; no seguimento desta intervenção viria a receber um dos 11 louvores que lhe seriam feitos durante a sua carreira. Entre outras, recebeu ainda as condecorações de Medalha de Mérito de Segurança Pública, de Primeira Classe e a Medalha de Prata de Serviços Distintos de Segurança Pública. Recebeu ainda a Medalha Municipal de Mérito, na sua despedida do posto de Comandante da Companhia Territorial de Viseu, da GNR, que ocupou durante 19 anos. No final da sua carreira supervisionou ainda, em Viseu, o processo de transição da GNR para o novo modelo de Comando e para as novas instalações, que hoje ocupa. Após passagem à reserva, dedicou-se à participação cívica na sociedade Viseense em que se integrara ao longo deste tempo, chefiando a protecção civil e sendo eleito como vereador do Município, cargos que ocupou durante aproximadamente 2 anos. Partiu aos 83 anos, deixa viúva, Maria Graciete dos Santos e dois filhos, João Manuel Santos Miranda Branco, Paula Margarida dos Santos Miranda Branco, e muita saudade de todos os que o conheceram... João Manuel Santos Miranda Branco
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José Eduardo Carvalho de Paiva Morão (256/1946) Tenente General Nasceu a 25 de Novembro de 1936 Faleceu a 23 de Dezembro de 2015
Meu General
Apesar de sabermos que em dia incerto todos vamos partir, isso não evita a pena e a dor que sentimos quando da partida daqueles que merecem o nosso profundo respeito e a quem nos liga uma forte amizade. Um dia, em que, apesar da minha “modernidade”, lhe pedi uma missão de sacrifício, o meu General respondeu com abnegação, colocando o interesse do Exército bem acima da lógica e da sua comodidade. Eu e aqueles que vivemos esse momento não podemos esquecer essa sua decisão de despojamento do “eu”, para bem da Instituição. É o SERVIR, com maiúsculas, que está inscrito no guião do nosso Colégio. Não sei quando nos voltaremos a encontrar, mas quero manifestar hoje a minha grande admiração e lembrar a nossa camaradagem e amizade. Descanse em paz, meu General. Zé Morão, ficas na nossa memória e nas nossas orações. António Eduardo Queiroz Martins Barrento 40/1948
O Presidente da Comissão de Ciências Militares da Sociedade de Geografia pediu-me para dizer algumas palavras sobre o General Paiva Morão, que há tão pouco tempo e um tanto inesperadamente nos deixou. É com muito prazer e emoção que o faço. Em primeiro lugar, para recordar o Amigo, o Camarada e o Militar, desde o Colégio, seguin-
do-se a Escola do Exército, a Escola e Unidades de Cavalaria, o Instituto de Altos Estudos Militares, o Comando Militar da Madeira, onde o substituí, o Estado-Maior do Exército, onde serviu como Quartel-Mestre e Vice-Chefe, e esta Comissão da Sociedade de Geografia. Ultimamente, fomo-nos apercebendo como era cada vez mais difícil a sua presença nas nossas reuniões e conferências. Cidadão com uma personalidade e carácter muito fortes e uma formação moral invulgar, foi um exemplo de sensibilidade humana, dignidade, simplicidade e persistência, para a sociedade em geral e especialmente para o meio familiar e dos seus muitos amigos. Militar muito prestigiado e com experiências profissionais de sucesso nas mais diversas situações, de paz e de campanha, no Continente, Ilhas, África e Macau, é recordado como um modelo das virtudes e qualidades que devem caracterizar a nossa Instituição. Lembro ainda uma característica, que naturalmente era mais evidente uns anos atrás, sobre a sua notável aptidão física, coragem e desembaraço, como militar e como atleta, em vários desportos e particularmente na equitação de alta competição, que praticou com especial sentido desportivo. O General Paiva Morão partiu. Fica a marca do seu exemplo de vida. De todos nós, fica uma eterna e grande saudade. João Goulão de Melo 265/1945 Excerto do email recebido de José Galaor Ribeiro, Antigo Aluno 1113/1948 do CMRJ, Coronel Engenheiro do Exército Brasileiro, Antigo Presidente da AAA dos Colégios Militares do Brasil e grande impulsionador das relações de amizade e camaradagem do nosso Colégio com os Congéneres Brasileiros.
«Mas fico triste, quando tomo conhecimento da partida de um querido companheiro, ainda mais quando se trata de um Menino da Luz que tenha prestado relevantes serviços para a AAACM. A Velha Guarda está se despedindo, deixando saudades nos nossos corações e na lembrança de tantos serviços prestados à entidade e ao Colégio Militar. Saudades do Miranda Dias, do Colares Pereira, do inesquecível Mário Falcão, do Oc-
távio, do imperador Tito Lívio, do Nogueira e muitos outros cadetes da Luz. Perdemos, agora, nosso Comandante Paiva Morão. Uma figura exemplar de soldado, de chefe militar, de amigo, de irmão mais experiente, de participante activo de todos os empreendimentos. Reconhecidamente um homem de valor, para a família, para a AAACM, para os amigos e para o Exército de Portugal. Que Deus o tenha em paz merecida, que a Família e os Amigos saibam que o tempo aqui passado por este Soldado e Menino da Luz NÃO FOI VIVIDO EM VÃO.» José Galaor Ribeiro
Quando entrei para o Colégio em 1949, o Zé Eduardo estava no 4º Ano (3ª Companhia) e aos olhos de um “rata” acabado de chegar, seria o que na gíria colegial designaríamos por “velhão”. Lembro-me dele nessa altura, assim como ele se lembrou de mim muitos anos depois. A nossa vivência no Colégio não foi de proximidade, dada a “enorme” diferença de idades ao tempo. Saídos do Colégio em anos distintos, os nossos percursos de vida por caminhos diferentes determinaram que nos viéssemos a encontrar 30 anos depois em Macau. Quando aí cheguei, o Zé Eduardo, com a patente de Coronel, era o Chefe do Estado-Maior das Forças de Segurança de Macau. A minha chegada a Macau teve lugar no dia de Todos-os-Santos do ano de 1984, realizando-se duas semanas mais tarde o XXXI Grande Prémio de Macau, acontecimento marcante da cidade e que lhe alterava profundamente a sua habitual pacatez, com o fervilhar de centenas de milhares de visitantes e o bulício próprio das diversas competições motorizadas, delas se destacando o Grande Prémio de Motos e o Grande Prémio de Formula 3. Eram 4 dias de completo “desassossego” mas que emprestavam à cidade uma vida e um colorido completamente distintos do seu habitual. No Quartel de São Francisco, Quartel General das FSM, o baluarte onde em tempo estiveram as peças de maior alcance para defesa da cidade, encontrava-se ajardinado e com arvoredo de grande porte, tornando esse local muito aprazível, especialmente nessa época do ano de
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temperatura amena e sem humidade. Na altura dos GP eram aí colocadas mesas e cadeiras, a par de diversos monitores de televisão que permitiam seguir os acontecimentos ao longo de todo o Circuito da Guia. Era um local privilegiado para se assistir ao GP com comodidade e sem a perturbação da multidão que fervilhava em redor. Passada a porta principal do Edifício (Porta de Armas), atravessava-se a zona ajardinada em direcção à muralha do baluarte e, quando ia a meio caminho, o Zé Eduardo levantou-se e veio ao meu encontro saudando-me calorosamente. Foi uma recepção, passados tantos anos, só possível pela sua nobreza de trato e pelo espírito colegial que o irmanava. Fiquei comovido com este gesto de verdadeira camaradagem e revelador do grande carácter que o caracterizava. Convivemos durante o tempo que durou a comissão em Macau, nos jantares colegiais regularmente realizados na Messe da Marinha e nos diversos acontecimentos e eventos que se desenrolavam ao longo do tempo e nos quais tomámos parte. Aí conheci a Teresa, sua Mulher, pessoa encantadora, vindo a saber que era Irmã de um colega meu de curso (é um mundo pequeno aquele onde vivemos). Terminada a sua missão em Macau, a Família Paiva Morão deixou o Território e o Zé Eduardo prosseguiu a sua magnifica carreira (que resumimos no final) noutros sítios e noutras missões, com o brilhantismo que sempre o caracterizou. Tendo permanecido ainda alguns anos em Macau, quando regresso a Lisboa tomo novamente contacto com o Zé Eduardo na AAACM e na deslocação aos Colégios Militares Brasileiros de Salvador e do Rio de Janeiro. É no seu mandato, como Presidente, que início a colaboração na nossa Revista. Sabendo conduzir as questões e problemas com vigor e determinação, a que aliava muito bom senso, a sua actuação caracterizava-se por uma educação primorosa e por uma afabilidade surpreendente. Seguramente onde quer que esteja continuará a olhar por todos os Seus, pelo seu Colégio e pela Associação que tão bem serviu abnegadamente. Perdemos um Homem Bom, um devotado Antigo Aluno, um grande Militar mas acima de tudo um Grande Amigo. À Teresa e a todos os seus Familiares apresentamos as mais sentidas condolências. Que descanse em paz. Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949
Tenente-General José Eduardo Carvalho de Paiva Morão – síntese curricular Natural de Castelo Branco ingressou no Colégio Militar em 1946 onde concluiu o Ensino Liceal para, em 1953, iniciar o Curso da Arma de Cavalaria na Escola do Exército (actual Academia Militar), após o que iniciou a sua carreira prestando mais de 45 anos de serviço militar activo. Concluiu os Curso Geral e o Curso Complementar de Estado Maior e o Curso Superior de Comando e Direcção, para além de cursos de especialização de que se destacam o USAF Command and General Staff Course e o National Security Management Couse, (non resident), o NATO Orientation Course, e os Cursos de Instrutor de Educação Física e de Instrutor de Equitação. Ao longo da sua carreira prestou serviço em várias Unidades, Estabelecimentos e Órgãos do Exército e das Forças Armadas onde desempenhou as mais diversas funções no Regimento de Cavalaria 8, em Castelo Branco, no Esquadrão de Reconhecimento da 3ª Divisão (NATO), no Batalhão de Cavalaria 163, mobilizado para Moçambique, no Centro Militar de Educação Física, Equitação e Desportos, em Mafra, no Regimento de Cavalaria 6, no Porto, na Companhia de Cavalaria 182, mobilizada para Moçambique, no Comando-Chefe de Moçambique como Ajudante de Campo do General Comandante-Chefe, no Regimento de Cavalaria 7, em Lisboa, na Companhia de Cavalaria 1777, mobilizada para Angola, no Estado Maior do Exercito (Adjunto do Chefe da 3º Repartição e da 5ª Repartição e Adjunto do Chefe de Estado Maior, no Comando-Chefe das Forças Armadas na Guiné (Adjunto e Chefe da Repartição de Operações), na Zona Militar dos Açores (Chefe do Estado Maior), no Regimento de Cavalaria 4 de Santa Margarida (Comandante do Grupo de Carros de Combate da Brigada Mista Independente - NATO), no Instituto de Altos Estudos Militares (Professor e Director de Curso), no Comando das Forças de Segurança de Macau (Chefe de Estado-Maior, Segundo Comandante e Comandante Interino), no Gabinete do Primeiro-Ministro (Assessor Militar), na Madeira (Comandante-Chefe das Forças Armadas e Comandante da Zona Militar), no Estado Maior General das Forças Armadas (Chefe de Gabinete do General CEMGFA), no Supremo Tribunal Militar (como General e Juiz Vogal), na Região Militar do Sul (General Comandante), no Comando da Logística do Exército (General Quartel-Mestre General), Vice-Chefe do Estado Maior do Exército. Cumpriu diversas Comissões de Serviço, duas em Moçambique, em Angola, na Guiné e em Macau. Realizou várias missões de estudo ao estrangeiro e tomou parte em diversos Exercícios Operacionais no Território Nacional e no Estrangeiro, no desempenho de funções de comando e de estado maior. Da sua folha de serviços constam diversos louvores e as condecorações da Grã Cruz da Medalha de Mérito Militar, Grã Cruz de Serviços Distintos, Medalha de Prata de Serviços Distintos com Palma, Medalhas de Mérito Militar de 2ª e de 1ª classe, os Graus de Comendador e de Cavaleiro da Ordem Militar de Aviz, Medalha de Ouro e de Prata de Comportamento Exemplar, Medalhas Comemorativas das Campanhas em Angola e Guiné e das Expedições em Moçambique e Macau e o Grau de Comendador da Ordem Militar do Brasil. É Sócio Honorário da Associação dos Antigos Alunos dos Colégios Militares do Brasil. Foi Presidente da Direcção da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar, no triénio 1999-2001.
Ismael Mendonça Vieira (312/1947) Médico Oftamologista Nasceu a 12 de Maio de 1936 Faleceu a 23 de Janeiro de 2016
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deus, Tigre. Adeus Tigre do Torrão. Ali, na quinta do Colégio, nos fins-de-semana do grupo dos “Não saio”, todos nós éramos reis de qualquer coisa. Com a família longe, praticamente só saíamos nas férias e, por isso, a princípio com alguma tristeza, depois com algum orgulho, escrevíamos o NS (não saio) à frente do nosso número no quadro do Geral da Companhia.O Sábado era das “ringalhadas” e da malta à solta na quinta, por essa altura ainda quase em estado puro; ao Domingo, mais solene, havia por vezes “chá dançante” no refeitório onde nós, os mais campestres e selvagens do grupo da quinta, raramente íamos.O riso, as peripécias vividas e esta grande dose de amizade e companheirismo que nos uniam fizeram desses tempos da adolescência os nossos anos inesquecíveis.Seguimos caminhos diferentes. Raramente nos encontrámos nos anos mais activos da vida. Quando, no repouso da reforma, nos passámos a encontrar regularmente, e tu uma vez decidiste contar-me o que de mais relevante te aconteceu ao longo da vida, foi como se estivéssemos outra vez na quinta, sentados junto ao muro das lagartixas, que tu apanhavas e exibias com um à vontade que me arrepiava, a falar de coisas de adultos, com o mesmo espírito que nos unia naqueles anos longínquos, subitamente tão perto.Adeus Ismael. Resta-nos o nosso símbolo, o nosso grito de união. Por ti, Zacatraz, Zacatraz, Zacatraz. Diogo Baptista Coelho 343/1947
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António Manuel de Morais Torres Paulo (165/1950)
(124/1952)
TAP - Comandante Sénior da Linha Aérea (R) Nasceu a 14 de Janeiro de 1940 Faleceu a 8 de Janeiro de 2016
Muito estimado pelos seus Camaradas de Curso, será sempre recordado com saudade. Aos seus Familiares, muito especialmente a sua Mulher Maria José (Zezinha) apresentamos as mais sentidas condolências. Que descanse em Paz.
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pós ter concluído o antigo 7º ano no Colégio e de uma breve vivência universitária, ingressou em 1960 na Força Aérea Portuguesa como Aspirante a Oficial e aí concluiu, em 1962, o Curso de Oficiais Pilotos. Em 1963 frequenta e conclui o Curso de Instrutor de Voo da Força Aérea para, mais tarde em 1965, no início de uma carreira diferente, frequentar com aprovação o 11.º Curso Geral de Pilotos da TAP e o Curso de Navegador. Na sua longa presença na Companhia Aérea de Bandeira de Portugal, até 1995, completa os seguintes Cursos de Qualificação: em Caravelle no Brasil, Rio de Janeiro (1965), em Boeing 727 e Lockeed L-1011 (1967), em Boeing 707 (1968), em Boeing 747 nos EUA – Seattle (1972) e o Curso de “Check Pilot” e Instrutor de Voo de L-1011 (1991). Na sua actividade aeronáutica militar desempenhou os cargos de Instrutor de Voo da Força Aérea em aviões de caça T-6 Harvard (1963) e de Piloto da Esquadra de Aviões Plurimotores DC-3 Dakota, na Base Aérea n.º 2 Ota (1963/64). Tendo sido acreditado como Piloto da TAP, foi promovido a Comandante de Boeing 707, Boeing 727 e Lockeed L-1011), fazendo voos de médio curso (Porto, Faro, Madrid, Londres, Paris, Frankfurt, Roma, Funchal, Las Palmas, Sal, Bissau) e de longo curso, para África (Luanda, Loureço Marques, Joanesburgo, Harare, Kinshasa, Brazzaville e Kano), para a América do Sul (Rio de Janeiro, S. Paulo, S. Salvador, Recife, Buenos Aires e Caracas) e para a América do Norte (Nova York, Boston, Toronto, Montreal, Los Angeles e S. Francisco). De 1992 a 1995 desempenhou o cargo de Piloto Chefe da frota Lokkeed.
Joaquim Alberto Alves da Silva
Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949
Até sempre, ‘165’ Um só apontamento que ilustra a nossa vida colegial na década de 1950. Era uma manhã da primavera de 1956 e a nossa turma teve banho “à alvorada”. Lembro-me de ter reparado que o Torres Paulo – a tomar banho ao meu lado – tinha o peito cheio de pintinhas vermelhas. Perguntei-lhe o que era e ele disse que não sabia. Estava assim desde o dia anterior e – embora não lhe doesse nem fizesse comichão – iria “a doentes” e talvez o médico lhe desse baixa à enfermaria e sempre se safava a uns dias de aulas. Pensei que era uma boa ideia. Esfreguei uma mão no peito dele e no meu. O efeito foi rápido e também fui “a doentes”. Foi-nos dada “baixa” e enviados para a zona restrita onde eram colocados os possíveis contagiosos. Foram de facto dois dias sem aulas (foi o tempo da nossa permanência lá) e as tais pintinhas desapareceram tal como tinham aparecido... silenciosamente. Pelo menos para nós, o “mistério das pintinhas” manteve-se até hoje. Como não há nada de graça nesta vida, não fomos alimentados nas primeiras 24 horas. Mas que foi uma semana diferente, pertencente a alguns dos melhores anos da nossa vida, lá isso foi! E assim te recordamos! António Rafael Passarinho Franco Preto 67/1950
As fotografias desta “memória” constam do livro “Histórias e Memorias” da autoria do José Alberto da Costa Matos (96/1950)
Empresário Nasceu a 9 de Dezembro de 1939 Faleceu a 6 de Maio de 2014
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onheci o Abé quando em 1946 fui morar para Santo Amaro de Oeiras. Daí em diante, tanto nós como as nossas Famílias, convivíamos com frequência a tal ponto que, em 1952, a decisão da ida para o Colégio foi tomada em simultâneo relativamente aos dois, pelos respectivos Pais. O Abé (que no Colégio adquiriu a alcunha de “Bijagó”) foi sempre um bom Camarada e Amigo e ambos fizemos um percurso comum no Colégio, cimentando ainda mais a amizade que já antes nos ligava. Recordo que nas férias de Carnaval de 1954, fui desafiado para ir na sua moto (uma Citifix, marca que já não existe) dar umas “voltas” ao Liceu de Oeiras. Desta “aventura” em que fiz o papel de “pendura”, numa curva mais apertada fui atingido no joelho esquerdo por uma antiga carrinha do Exército, que tinha um enorme guarda-lamas. Em resultado deste acidente fui “cuspido” enquanto o Bijagó seguiu em frente, completamente ileso e sem dar conta do sucedido. Daí resultou uma fractura parcial da cabeça do fémur com rotura de ligamentos cruzados e a impossibilidade de praticar desporto durante bastante tempo, especialmente na equipa de futebol do Colégio. A nossa amizade perdurou sempre e o espírito de “Meninos da Luz” acompanhou-nos para o resto da vida. Perdemos um Bom Homem e um excelente Camarada. Que descanse em paz. João Manuel Monteiro Stichaner Lacasta 125/1952
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Manuel Maria de Menezes Pinto Machado (92/1953) Oficial da Armada - Capitão Tenente (R) Nasceu a 16 de Novembro de 1943 Faleceu a 3 de Dezembro de 2015
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o passado dia 3 de Dezembro deixou o nosso convívio o Manuel Maria, mais conhecido pelo “Machadinho”. Nascido no Porto (Miragaia) em 16 de Novembro de 1943, entrou para o Colégio em 1953, com o numero 92 e herdou o “petit nom“ de um seu irmão mais velho também Antigo Aluno do Colégio. No Colégio distinguiu-se pelo seu elevado espírito de camaradagem, sentido de lealdade e de defesa dos seus ideais, no que temos de incluir o seu fervor portista. Extremamente culto e versátil, de resposta pronta e esclarecida, seguiu a carreira da Marinha de Guerra onde veio a atingir o posto de Capitão-Tenente, tendo passado à reserva, prematuramente, por não ter sido autorizado a ocupar um ilustre cargo no Gabinete do Vice-Primeiro Ministro, Diogo Freitas do Amaral, em Outubro de 1981. Mais uma prova do seu carácter! Como Oficial de Marinha desempenhou com mérito diversas funções, quer no Continente, quer em Angola, quer em São Tomé, e foi distinguido com diversas condecorações militares e civis, incluindo a Ordem de Mérito da República de que era Comendador. Mas o seu dever de cidadania, a sua capacidade dinamizadora e espírito irrequieto, manifestaram-se igualmente no meio civil, onde foi Chefe de Gabinete de Ministros, Vereador da Câmara Municipal de Lisboa, Secretário-Geral da UCCLA - União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa, Presidente do Conselho de Administração da Anop e mais tarde Presidente do Conselho Directivo do IDL - Instituto Adelino Amaro da Costa e, ao longo dos anos, Administrador de uma largo leque de Empresas.
À Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar o Manuel Maria deu um contributo inestimável, entre 1986 e 1990, como Vice-Presidente da Direcção e, simultaneamente, Director da Revista. Neste período, ficou-se a dever-lhe a atribuição da Medalha de Honra da Cidade de Lisboa ao Colégio Militar, cuja proposta por si apresentada na CML, foi aprovada por unanimidade em sessão de Câmara. Além disso, teve, ainda, um papel decisivo na preparação e acompanhamento do processo da atribuição à AAACM do estatuto de Instituição de Utilidade Pública. Voltou no período de 2002 a 2005 a exercer o cargo de Vice-Presidente da Direcção da Associação tendo, uma vez mais, a sua palavra sabedora e sensata e a sua imaginação criativa contribuído para o brilhantismo dos variadíssimos eventos que se desenrolaram nas cerimónias do Bicentenário do Colégio Militar. Como politico era, ultimamente, Presidente do Senado do CDS. Foi autor e co-autor de diversos livros e publicações. E é sobre a recordação deste Manuel Maria que nos curvamos, em respeito pela sua memória, e com Votos de que descanse em Paz. À sua mulher, Tiducha, aos filhos Matilde e Francisco, aos netos Manuel Maria, Teresa, Rodrigo e Francisco envio as mais sentidas condolências. Ruy Alberto Ferreira de Gouveia e Vieira 113/1952
Lembra-se? Foi sempre na terceira pessoa que o tratei e não seria agora que quebraria essa tradição. Logo entre nós, que sempre fomos uns incorrigíveis conservadores! É certo que muitas vezes me disse para o tratar por tu, ao menos por Manel… tendo em conta que eu sou o 302/1972 e o Comandante, como amiúde o tratava, era o 92/1953.
O tratamento aparentemente cerimonioso causava a maior estranheza aos muitos antigos alunos do Colégio com quem nos fomos cruzando ao longo destes mais de 30 anos de sólida e inquebrantável amizade e camaradagem, mas também a todos os que não tendo sido Meninos da Luz sabiam que uma das características imanentes a este universo é o tratamento por tu, independentemente do estatuto social, condição económica ou idade. Lembra-se, que a primeira vez que nos encontrámos foi no início da noite de 3.ª feira, 18 de Novembro de 1980? Um dia chuvoso, como que a anunciar um final de Outono amargurado... em que morreriam dois seus grandes amigos e companheiros políticos, Francisco de Sá Carneiro, desde jovem e Adelino Amaro da Costa, desde que com ele começou a colaborar já adulto. Na Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar (Calçada do Marquês de Abrantes, 40, 1.º Dtº, em Lisboa) assinalava-se a profunda remodelação da sua sede. Lembro-me bem, pois até o 33/1920, com quem estive em amena cavaqueira, me ordenou que o tratasse por tu. Mas como podia eu tutear António de Spínola, um antigo Presidente da República, Marechal, com idade para ser meu avô? Eu tinha ido, juntamente com o Comandante de Batalhão, o 325, João Taveira, representar o Batalhão Colegial em tão importante e simbólico acto. Claro que éramos os benjamins, os únicos envergando a farda cor de pinhão, que todos os presentes – à excepção de um, que haveria de chegar – também já tinham vestido. Já tarde, como parece que era hábito, lá chegou Adelino Amaro da Costa, Ministro da Defesa Nacional, acompanhado por si, como membro do seu Gabinete. Trocámos poucas palavras, a não ser talvez indagar-me se eu era filho do meu pai… pois Amaro da Costa era naturalmente o centro das atenções, depois de nos ter perguntado, ao João e a mim, como era a vida no Colégio naquela altura, quais as partidas e praxes que fazíamos aos mais novos, como era o nosso dia-a-dia. Lembra-se? Só nos voltámos a cruzar, mais de 4 anos depois, precisamente no mesmo local, para participarmos na 1.ª reunião da Comissão
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da Revista para a qual tínhamos sido convidados – juntamente com o 279/1920, Gualter Cardoso – pelo 50/1933, Carlos Costa Freitas, Presidente da Direcção da AAACM (um grande Presidente, diga-se) e novo Director da Revista. Um elemento de cada geração, mais o 357/1951, Gonçalo de Lucena, para a angariação da publicidade, que mais tarde viria a ser substituído pelo 113/1952, Rui Vieira, com a função de Director Adjunto (Marketing e Publicidade). Procurámos dinamizar a Revista, o que, graças ao seu empreendedorismo e gosto pelo risco, conseguimos nesse ano e nos seguintes, entre Março de 1986 e Março de 1990, em que foi Director e eu Chefe de Redacção, a par de termos estado também nesse período (2 mandatos) na Direcção da Associação, o Comandante como Vice-Presidente, eu como Vogal, sob a distinta presidência do 8/1934, Joaquim Miguel Duarte Silva. Lembra-se das várias entrevistas que fizemos a antigos alunos do Colégio, designadamente, a António de Spínola e a S.A.R. o Duque de Bragança, que chegaram a ser citadas em diversos órgãos de comunicação social, para além dos textos sem fim que escrevemos e das iniciativas que promovemos, também para ter material que não deixasse páginas em branco, o que nos valeu inclusivamente a crítica de alguns antigos alunos, que achavam que estávamos a monopolizar as páginas da Revista… Data igualmente dessa época, Março de 1985, a sua proposta, aprovada por unanimidade pela Câmara Municipal de Lisboa, para que o Colégio Militar fosse distinguido com a Medalha de Honra da Cidade de Lisboa e, Novembro de 1986, a atribuição à nossa Associação do estatuto de Instituição de Utilidade Pública, dossier em que teve papel preponderante, para além do esforço e entusiasmo que colocou na dinamização do início do processo que levou a que a sede da Associação esteja hoje no local onde está, junto ao nosso Colégio. Lembra-se que, logo após a primeira ou segunda reunião da Comissão da Revista, no início de 1985, me convidou para seu assessor nas funções de Vereador da Câmara Municipal de Lisboa, estava eu no 3.º ano de Direito? E que, desde essa altura e até final do mandato em 1989 por lá continuei, acompanhando a sua intervenção sempre inteligente e criativa, nos pelouros da Cultura, do Turismo, das Relações Internacionais e também na área da Salubridade e Transportes? Que, depois, continuámos na UCCLA, União das Cidades Capitais de Língua Portugue-
sa, concebida por um notável e visionário português, Nuno Abecasis, projecto no qual o Comandante se embrenhou desde a sua fundação, em Junho de 1985, e esclarecidamente promoveu durante uma década, como Secretário-geral? Lembra-se das inúmeras viagens que fizemos aos países africanos de língua portuguesa empunhando a bandeira da esperança para esses povos e a afirmação multifacetada em que a lusofonia se podia e devia exprimir? Das múltiplas conversas intermináveis sobre tudo e sobre nada, sempre recheadas de uma ironia cortante, com que fomos sedimentando uma sã e respeitosa amizade, com a cerimónia natural que ela sempre deve ter, em particular entre grandes amigos. Lembra-se do jantar, entre centenas que fizemos (como apreciava os grandes e pequenos prazeres da vida…), num restaurante na Rua das Janelas Verdes, em Lisboa, em 1994, no qual aceitou ser meu padrinho de casamento? Ou, de um outro, em registo completamente diferente, em que contou com gáudio, e eu deliciado escutei, a cena passada em uma assembleia revolucionária em 1974. Um dos militares que dirigia a sessão perante uma sua interpelação e com os ânimos ao rubro ter-lhe-á dito: tu és um burguês! A resposta pronta e desarmante, como era seu timbre, não se fez esperar: estão enganados, burgueses são vocês, eu sou um fidalgo! De facto, como muitos outros portugueses e estrangeiros, o 92/1953 tem na sua ascendência vários reis de Portugal, facto de que não fazia alarde, mas que em certas circunstâncias, nomeadamente, quando o odor a arrivismo tornava o ambiente insuportável, não deixava de mencionar, com a simplicidade que sempre caracterizou a velha nobreza. Lembra-se das cumplicidades políticas e das conspirações em que também participámos no partido em que entrei sob sua proposta em 1985, da sua humilde e corajosa candidatura a presidente da Câmara Municipal de Loures em 1997, sem qualquer chance de ser eleito sequer Vereador, depois de o ter sido durante largos anos na capital do país? Da insistência amiga para que eu – que em 2003 me tinha desvinculado do partido, sem um reparo seu e que natural que seria que o tivesse feito – aceitasse ser, como o fiz com muita honra, membro da mesa da Assembleia Geral do IDL – Instituto Amaro da Costa, instituição que discreta mas sustentadamente dirigiu durante mais de uma década, sucedendo ao grande amigo e inspirador, Nuno Abecassis.
Do incentivo que me deu, em 1995, quando era um dos seus principais colaboradores na UCCLA (a falsa modéstia é pior do que a vaidade…), para que eu tivesse aceitado o convite que me formularam para desempenhar funções no Parlamento Europeu? Das tardes e noites que passámos com outros dois amigos, um dos quais o 171/1953, Bernardo Diniz de Ayala, a preparar um dos livros (este com capa do 16/1956, João Nuno Ferreira Barbosa) que em conjunto fizemos, em que a conversa fluía a eito, para temas históricos e políticos, que tanto o apaixonavam, ou meras curiosidades a propósito, e a sempre suculenta e indispensável petite histoire, que tão bem conhecia, extravasando em muito, e ainda bem, o estrito objectivo dessas sessões. Pois bem, meu caro Comandante e amigo foi tudo isto, e muito mais que certamente daria para um livro (como gostava de livros...), que recordei quando saí do cemitério da Lapa, no Porto, onde ficou sepultado em jazigo de família, em 4 de Dezembro passado, curiosamente, ou não, no dia em que se completaram 7 lustros sobre a morte de um dos seus grandes mentores, Adelino Amaro da Costa. Partilhando a tristeza – mas também o contentamento por ter sido contagiado pela alegria transbordante com que viveu – da Tiducha (que mostrou o que é ser uma heroína nos novos tempos), dos seus filhos Matilde e Francisco, da sua nora Sofia, do seu genro Juan, e dos seus queridos netos, Manuel Maria, Teresa, Rodrigo, Francisco e Inês, para além de toda restante família, e que não tem fim… de que tanto gostava. Luís Miguel Guerreiro Félix António 302/1972
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Gabriel Pinto Tamgnini (276/1953) Médico Hematologista Nasceu a 8 de Outubro de 1942 Faleceu a 20 de Janeiro de 2016
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aleceu no passado dia 20 de Janeiro o nosso camarada Gabriel Pinto Tamagnini, o 276 do Curso de 1952/59. A sua mulher D. Yvonne May Tamagnini e a seus filhos Maria Pilar e José Gabriel expressamos o nosso mais profundo pesar pela perda do amigo e companheiro de tantos momentos bons e menos bons que passámos no Colégio. Podemos dizer que a vida do Gabriel Tamagnini foi de total dedicação aos outros, para o que muito contribuiu a sua formação em medicina, uma vocação que cresceu desde os bancos da escola, reforçada certamente por seu pai igualmente médico. Como é infelizmente muito frequente entre nós, só quando um homem se separa da vida é que, ao olharmos para trás, nos deparamos com a riqueza do seu percurso pessoal e profissional e lamentamos não ter reparado e dado a devida atenção ao seu valor. É este o caso do Gabriel Tamagnini, cuja vida e obra como médico ficou marcada pelas suas qualidades como brilhante hematologista e cidadão exemplar empenhado no bem comum. A sua modéstia, que era apenas o reconhecimento de que a obra devia elevar-se acima do autor, fez com que nunca alardeasse junto dos seus amigos os profundos conhecimentos que possuía na sua área de especialização médica, nem a sua importante actividade clínica e científica de que nós só raramente ouvíamos falar. Mas, acima de tudo, o Gabriel Tamagnini foi um exemplo e uma lição de humanidade para todos os que com ele conviveram e não deixaremos de recordar a sua grande generosidade para com todos os que o rodeavam, incluindo neles os seus amigos e antigos camaradas do Colégio Militar.
Nascido em Elisabethville, no ex-Congo Belga, em 8 de Outubro de 1942, o Gabriel ingressou no ano de 1953 no Colégio Militar para frequentar o 2º ano. Após ter terminado o 7º Ano com uma das melhores classificações do curso, matriculou-se na Faculdade de Medicina de Lisboa, onde se destacou na vida académica daquela Faculdade pela sua irreverência, tendo tomado parte activa na crise académica de 1962 e participado na greve de fome dos estudantes da Universidade de Lisboa. Como consequência dessas actividades foi obrigado a abandonar o país, escolhendo a Suíça para terminar o curso de medicina na Universidade de Lausanne no ano de 1968, seguido de internato no Hopital de Montreux, após o que emigrou para o Reino Unido onde viveu e exerceu medicina entre 1968 e 1976. Naquele país exerceu clínica nos serviços de Patologia e Hematologia em diversos hospitais de Inglaterra, designadamente no Kent & Sussex Hospital (Jun.1969-Set.1970), no Royal Sussex County Hospital (Out.1970-Jun.1972) e no North Middlesex Hospital & Royal Free Hospital (Jul.19’72-Ago.1975). Em 1975 regressou a Portugal para desempenhar as funções de director do Departamento de Hematologia que criou de raiz no Centro Hospitalar de Coimbra, onde se manteve por um período de dez anos até 1985. Participou nesse período em diversos cursos de formação e pós-graduação no estrangeiro, de entre os quais se destaca a realizada entre 1979 e 1980 como Research Fellow no King’s College Hospital, Department of Hematology. A sua vontade de encontrar novas oportunidades de desenvolver e aplicar as suas ideias na sua área de especialidade, levou-o a sair novamente do país, escolhendo desta vez Macau onde permaneceu entre 1985 e 1989 como director do Serviço de Patologia e Especialista de Hematologia no Hospital Central Conde de São Januário de Macau.
Regressado de vez a Portugal, voltou para o serviço de Hematologia do Centro Hospitalar de Coimbra como seu director, onde realizou um trabalho a todos os títulos altamente meritório. Entre 1975 e 1993 foi membro ou colaborador de diversas entidades públicas e privadas no âmbito da saúde, com relevo para o Ministério da Saúde, nas áreas da hematologia e da transfusão sanguínea. As suas preocupações sociais e científicas levaram-no a colaborar activamente na criação em 1983 da ASIC–Associação de Saúde Infantil de Coimbra, entre cujos objectivos se encontrava o de “contribuir para o desenvolvimento da educação e ensino em saúde infantil; prestar colaboração e cooperação a entidades públicas e privadas em assuntos de saúde infantil” e, em 1990, por sua iniciativa directa, é criado o Fórum Hematológico, uma associação científica sem fins lucrativos. Foi co-autor de mais de 70 comunicações e apresentações na sua área de especialidade em congressos e reuniões médicas em vários países, organizados por entidades como a European Hematology Association, International Society for Hematology, American Society of Hematology e European Society of Human Genetics, tendo participando, entre outros congressos, no 14th International Congress on Thrombosis, Congresso da Sociedade Iberica de Citometria, Intemational Conferences on Talassemia e International Congress on Hemophilia. Foi igualmente autor ou co-autor de diversos artigos em publicações médicas nacionais e estrangeiras. No seu desaparecimento, a Sociedade Portuguesa de BioAnalistas Clínicos incluiu na sua página digital a seguinte nota: «Faleceu o Dr. Gabriel Tamagnini, fundador do serviço de Hematologia do Centro Hospitalar de Coimbra. Uma figura histórica e incontornável da Hematologia portuguesa, foi mestre de muitos que com ele conviveram. Aproximou, como poucos, o laboratório à clínica, bebendo da experiência anglo-saxónica, não olhando a classes nem a normas estabelecidas, mas sim à competência de cada um". Um Homem à frente do seu tempo. O Curso de 1952/1959
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Os que nos deixaram
Pequeno testemunho à memória do Gabriel Tamagnini (276/1953)
Gabriel Tamagnini (1942-2016), ainda a propósito…
Nos anos 70, depois de regressar do Serviço Militar no Ultramar, ingressei na empresa têxtil da família, em Mira de Aire. Recebo um dia um telefonema do Gabriel, à altura já director do Serviço de Hematologia do Hospital dos Covões (Coimbra). - Vou aí almoçar (morcelas de Mira de Aire) contigo amanhã, pois tenho urgência em te falar. - OK, combinado. - Gabriel - ‘’Estamos com falta de sangue em Coimbra, preciso de dadores’’ Levei-o a todas as empresas fabris, e após reuniões com as administrações e sindicatos, o Gabriel regressou a Coimbra, com um potencial de cerca de 2.000 dadores, tantos quantos representavam a força operária de Mira de Aire, e ainda em alguns arredores... As recolhas de sangue seguiram-se mensalmente, anos e anos a fio. Embora afastado de Mira de Aire, julgo que essas recolhas ainda hoje prosseguem. Passados alguns meses do início das recolhas, e após deslocações de doentes de Mira de Aire a Coimbra, começou a constar pela Vila, de que à população de Mira de Aire, os Hospitais de Coimbra não cobravam qualquer importância por transfusões de sangue. De uma coisa me apercebi ao longo dos anos, toda a equipa de enfermagem e técnicos da recolha de sangue tinha um profundo respeito, consideração e admiração pelo Gabriel Tamagnini, e faziam questão de me levar sempre um abraço do Dr. Tamagnini. A par da sua actividade profissional, era um grande apreciador, estudioso e conhecedor da boa cozinha regional portuguesa, bem como de vinhos. As morcelas de Mira de Aire eram para ele uma das iguarias do país. Sempre que, nos nossos almoços e convívios de Curso, me sentava ao seu lado, eu sabia que ia enriquecer com os seus conhecimentos gastronómicos e vinícolas, que explicava com grande saber e revelando um grande gosto por este prazer da vida. Tinha planeado com ele, e sugeri ao nosso Curso, uma visita às Grutas de Mira de Aire, mas depois de uma “morcelada”. Tenho pena que a oportunidade fugisse. Talvez um dia possamos lá ir para lembrar e homenagear uma vez mais o Gabriel.
“Ao olharmos para trás deparamo-nos com a riqueza do seu percurso pessoal e profissional e lamentamos não ter reparado e dado a devida atenção ao seu valor” escreve o Fidalgo dos Santos no seu bonito texto evocativo. Por mais vezes do que gostaria fui ao longo da vida confrontado com esta sensação. Quando estou com alguém gosto de conversar e de fazer perguntas. Sou muitas vezes criticado, em família, quando me dizem “lá estás tu a fazer o inquérito”. Mas as pessoas abrem-se, e falam de si próprias. E gostam que as ouçamos. E podemos então acarinhar os seus gostos, as suas apostas de vida, e também compreender as suas frustrações e mágoas. No fundo podemos conhecê-las melhor. Não será uma receita de aplicação geral, há muitas outras formas. Mas parece importante que nos empenhemos, sempre que privamos uns com os outros, na valorização do que percebemos de bom em cada um. A comunidade dos antigos alunos e, em especial, as comunidades dos cursos, são ambientes próximos que favorecem essa valorização. Aproveitemos, pois. Um abraço Gabriel. Gostei de te conhecer.
Carlos Manuel Querido Baptista 303/1951
Francisco Eduardo Moreira da Silva Alves 392/1954
Arménio João Marques Vicente (341/1957) Economista Nasceu a 4 de Julho de 1946 Faleceu a 22 de Agosto de 2015
Texto relacionado com o nosso Camarada Arménio Vicente (341/1957), não inserido na “memoria” do número anterior da ZacatraZ e que agora se publica.
N
ão recordo o Arménio dos tempos do Colégio. É normal, ele estava dois cursos à minha frente. Também não recordo os seus tempos revolucionários, porque eu estava fora de Portugal ou a trabalhar em área diversa da dele. Só conheci o Arménio em 1986 no BPA- Banco Português do Atlântico quando regressei da Direcção da Sucursal de Londres e, tendo sido nomeado Director Regional de Lisboa o encontrei como Gerente de Campolide e com o estigma de “revolucionário”, que já não era. A Lourdes, sua mulher, tinha sido minha colega de curso. Devo ao Arménio o apoio que, com outros, sempre me prestou nas alterações de políticas e estratégias que decidi tomar quando em 1987 fui nomeado Director Central do Banco. Foi, de facto, um elemento determinante naquelas profundas alterações que agora me dispenso de relatar, mas que transformaram, na altura, o BPA no primeiro Banco Comercial do País. Exclusivamente pelo seu mérito foi nomeado para a Direcção do Banco e, mais tarde, para Director Regional do Oeste Ribatejo. Quando saí para outras funções, o Arménio prosseguiu a sua brilhante carreira pela Direcção e Administração de empresas participadas do Banco. Após a nossa saída, estivemos juntos muitas vezes e ainda tentamos abraçar um projecto comum, que acabou por não se concretizar. No dia 14 de Novembro de 1988, estava eu a jantar, no Tromba Rija em Marrazes, com ele e com o presidente da Iberomoldes e agora candidato presidencial Henrique Neto, quando um telefonema de Lisboa me comunicou a morte súbita de minha Mãe. Quis vir comigo para Lisboa. Como me poderia esquecer do Arménio? Um abraço caro Arménio e dá lá muitas, muitas saudades. João do Passo Vicente Ribeiro 153/1958