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Revista ZacatraZ nº 200

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Editorial Revista “ZACATRAZ”

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Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949) Director da Revista ZacatraZ

Editorial

Cinquentenário da Revista C

om os mesmos objectivos de sempre, que perduram e hão-de ser a razão da sua existência, na defesa do Colégio (recentemente maltratado com uma pseudo reforma atabalhoada e imposta por um poder efémero e autocrático que não vai conseguir destruir esta Instituição multissecular) e dos seus Antigos Alunos constituindo um elo agregador entre os mesmos, defendendo-os e auxiliando-os nas dificuldades da vida que tantas vezes inusitadamente surgem, no registo de acontecimentos de interesse para a Família Colegial, perpetuando recordações características de uma vivência aglutinante e inesquecível, enaltecendo todos aqueles que se notabilizam e evidenciam nas mais diversas acções desenvolvidas e cargos desempenhados, publicamente reconhecidos pelos seus actos e pelos contributos dados para o bem comum nas mais variadas formas, apareceu em 1957 o «Boletim da AAACM» por obra e mérito de José Godinho Gama Barata (191/1921), um verdadeiro «faz-tudo» que desempenhava todas as funções inerentes a tal publicação. Deste Boletim apenas foram publicados quatro números até que, em Outubro de 1965, viu a luz do dia a «Revista da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar» que se manteve até hoje com este nome, tendo-lhe sido apenas acrescentada, a partir de Maio de 2010 (Nº 179), a designação ZacatraZ, altura em que também foi modificado o seu formato (para um mais consentâneo com as potencialidades de novas tecnologias e formas de comunicação), abandonando aquele que desde o início sempre tinha sido utilizado. A existência da Revista da AAACM deve-se ao espírito, determinação e tenacidade de Carlos Ayala Vieira da Rocha (189/1929) que a fundou e serviu, dando-lhe continuidade como Director nos seus trinta e oito primeiros números, até Março de 1975. Mais tarde, de Abril de 1992 a Março de 1994, voltaria a exercer o cargo de Director. Tais funções, ao longo do tempo, foram cumpridas com grande empenho e muita dedicação por Rui Manuel Figueiredo de Barros (62/1936)

- Abril/1975 a Junho/1979, José Manuel Francisco Maria de Castro Galhardo Soares Zilhão (288/1927) – Julho/1979 a Março/1981, José Fernando Lopes Gomes Marques (345/1940) – Abril/1981 a Junho/1982, António Pedro de Oliveira Collares Pereira (300/1946) – Julho/1982 a Setembro/1984 – Abril/1990 a Setembro/1992 – Abril/1994 a Julho/1999, Carlos Manuel da Costa Freitas (50/1933) – Outubro/1984 a Março/1986, Manuel Maria de Menezes Pinto Machado (92/1953) – Abril/1986 a Março/1990 e Mário Margarido e Silva Falcão (314/1936) – Outubro de 1999 a Dezembro/2013. Sem ofuscar o mérito de Todos os que serviram a Revista, é de inteira justiça lembrar o apego e o espírito de servir permanentemente evidenciado pelo Mário Falcão ao longo de uma vida ao serviço da Associação. Antigo Aluno sempre muito participativo e devotado à Causa Colegial, é de salientar que, das duzentas revistas editadas, cinquenta e sete foram sob a sua direcção e responsabilidade. Quem folhear as revistas já publicadas encontra apelos, desde o seu primeiro número e que se repetem com elevada frequência, à participação com todo e qualquer contributo que se enquadre no espírito editorial, única forma para que a Revista possa perdurar tornando-a, ao mesmo tempo, mais interessante e de melhor qualidade. Aqui fica mais uma vez este apelo, esperando que não caia em cesto roto e que o Universo dos Meninos da Luz e daqueles que com ele se relacionam nos faça chegar contributos que irão engrandecer esta publicação que é de Todos nós. A Todos aqueles que têm dado apoio nas mais diversas formas, registamos o maior apreço e agradecimento pelo auxilio prestado. Sem esse apoio, que esperamos seja cada vez mais activo, a missão da ZacatraZ não será cabalmente cumprida. É de toda a justiça que seja relevada a participação e dádiva de um elevado conjunto de Antigos Alunos cujo contributo e dedicação tornaram possível editar com regularidade a ZacatraZ, melhorando os seus conteúdos e aspecto gráfico, tornando consequente-

mente a sua leitura mais interessante e mais desejada, bem como o apoio e incentivo que nos têm sido concedidos por todas as Direcções da Associação. Para memória futura, aqui fica o registo dos actuais Membros do Corpo Redactorial Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957) – Chefe da Redacção, Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950), Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva (53/1961) e João Carlos Agostinho Alves (110/1996), que desde há alguns anos nos vêm acompanhando com um forte apoio na tarefa da edição regular da revista, do designer que executa a arte final e promove a sua produção gráfica, Ricardo Jorge de Almada Oliveira Pereira Dias (98/1990), sempre disponível para a solução dos inúmeros e muito frequentes problemas a ela inerentes com os quais somos constantemente confrontados, do apoio prestimoso e gracioso do atelier de fotografia do Sérgio de Deus da Silva Garcia (326/1985) e da colaboração de Leonel José da Silva Tomaz (Sócio Honorário), sempre manifestada às múltiplas e diversificadas solicitações que lhe são postas, muito especialmente para a cobertura fotográfica de que permanentemente necessitamos. De referir a disponibilidade e a ajuda eficaz que nos tem sido dispensada pelas Colaboradoras da Associação, Alina Alexandra de Sousa Nogueira e Ana Maria Gomes de Carvalho, registando igualmente o apoio sempre prestável de José Júlio Pacheco Martins que se encontra em serviço na AAACM. O Colégio será no futuro aquilo que sempre foi para os Alunos que o frequentarem em cada momento e para todos aqueles que tiveram o privilégio de nele terem sido integrados ao longo de mais de dois séculos, perdurando para além dos ataques vindos de alguém mal intencionado ou com uma completa incapacidade de compreender a sua essência e o seu valor como parte do Património da Nação. Outros aqui estarão quando a ZacatraZ comemorar cem anos, festejando o seu Primeiro Centenário, passando então a integrar o grupo daqueles que já fazem jus a essa honrosa qualidade: o COLÉGIO e a ASSOCIAÇÃO.


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Ficha Técnica

CORPOS SOCIAIS DA ASSOCIAÇÃO PARA O TRIÉNIO 2014-2016

Ficha Técnica PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL Fundada em 1965 Nº 200 Julho/Setembro - 2015 Número do Cinquentenário

DIRECÇÃO Presidente Vice-Presidente Secretário Tesoureiro 1º Vogal 2º Vogal 3º Vogal 4º Vogal 5º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente 3º Vogal Suplente

FUNDADOR Carlos Ayala Vieira da Rocha (189/1929)

António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios - 529/1963 José António Madeira de Ataíde Banazol - 631/1968 Pedro Miguel Correia Vala Chagas - 357/1977 Vítor Manuel Galvão Rocha Novais Gonçalves - 666/1971 Carlos Francisco da Silva do Rio Carvalho - 307/1971 Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva - 53/1961 Luís Baptista Esteves Virtuoso - 72/1973 José Afonso Correia Lopes - 237/1976 José Nuno Castilho Ribeiro Pereira - 233/1973 Miguel Assis das Neves Carneiro de Góis - 188/1983 Gustavo André dos Santos Lima – 248/1994 Afonso Castelo dos Reis Lopez Scarpa - 222/2000

DIRECTOR Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949) CHEFE DE REDACÇÃO Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957) REDACÇÃO Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950) Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva (53/1961) João Carlos Agostinho Alves (110/1996) CAPA Capas dos números 1, 50, 100 e 150 ENTIDADE PROPRIETÁRIA E EDITOR Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar MORADA DO PROPRIETÁRIO e SEDE DA REDACÇÃO Quartel da Formação - Largo da Luz 1600-498 Lisboa Tel. 217 122 306/8 Fax. 217 122 307

ASSEMBLEIA GERAL Presidente Vice-Presidente 1º Secretário

António José Fonseca Cavaleiro de Ferreira - 332/1950 Duarte Manuel Silva da Costa Freitas - 199/1957 João Miguel Jardim de Abreu Ferreira Pinto - 261/1980

TIRAGEM - 1350 exemplares DEPÓSITO LEGAL Nº 79856/94 DESIGN E EXECUÇÃO GRÁFICA: Tm. (+351) 933 738 866 Tel. (+351) 213 937 020 info@smash.pt www.smash.pt

CONSELHO FISCAL Presidente 1º Vogal 2º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente

José Manuel Spínola Barreto Brito - 539/1963 Eurico Jorge Henriques Paes - 306/1957 José Francisco Machado Norton Brandão - 400/1961 António Emídio da Silva Salgueiro - 461/1972 João Luís de Mascarenhas e Silva Schoerder Coimbra - 54/1984

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA AOS SÓCIOS DA AAACM Isenta de registo na Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC), ao abrigo do nº 1 da alínea a), do Artigo 12º do Decreto Regulamentar nº 8/99, de 9 de Junho. Os artigos publicados são da responsabilidade dos seus autores. Esta publicação não segue o novo acordo ortográfico.

NA AAACM PODE ADQUIRIR

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Sumário

06 Colégio Militar Berço de Grandes Portugueses 40 In Memoriam de José Godinho Gama Barata (191/1921) - Criador do Boletim da AAACM

41 Carlos Ayala Vieira da Rocha (189/1929) Evocando o Fundador da Revista da Associação

66 Novo Director do Colégio - Coronel Tirocinado de Artilharia

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Estatuto Editorial da ZacatraZ

- José Domingos Sardinha Dias

67 Curso de 1955/1962 - Romagem dos 60 Anos de Entrada 69 Curso de 1958/1965 - Romagem dos 50 Anos de Saída 70 Entrevista à Familia Norton Brandão 80 Livro do Curso 1943/1950 81 Curiosidades de outros tempos 85 XXIII Jantar do Oeste 87 Poema - Ser mãe de um Menino da Luz Jumping CM 2015

88 Histórias Colegiais

- Quando disseram o seu nome, não apareceu. Esclarecimento

89 Dia de Portugal 10 de Junho de 2015 94 Tenacidade, o valor, a honradez e a grande noção de SERVIR - João de Almeida

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No Cinquentenário da Revista

A palavra aos Presidentes da Direcção da Associação

100 O 4 de Cavalaria - Regimento do Imperador da Allemanha Guilherme II

107 Pitágoras e o Colégio ou a importância do número 108 Valores e Virtudes no modelo formativo do Colégio Militar

114 Antigos Alunos nas Artes e nas Letras 116 Gírias Militares Portuguesas Gíria do Colégio Militar

119 Especialistas de Marketing Digital visitam o Colégio Militar

120 Allegro - A Volta ao Mundo do Veleiro onde também navega a Barretina

124 Couto Misto 127 Antigos Alunos Veterinários Militares 128 Mães, Irmãs e Esposas 129 O Colégio à Noite 132 Os que nos deixaram

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Cinquenta Anos da Revista da Associação

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Estatuto Editorial da ZacatraZ Revista da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar

Estatuto Editorial da ZacatraZ

Revista da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar

A

Revista da Associação tem vindo a ser publicada, ao longo do tempo, com subordinação a regras básicas não formalizadas mas indispensáveis para a sua execução. Com alguma frequência foram surgindo vozes referindo a necessidade da existência de um Estatuto, onde seriam consignadas essas mesmas regras que sempre pautaram a vivência ao longo dos cinquenta anos da sua existência. Com a participação de alguns Antigos Alunos, onde é de toda a justiça destacar o contributo do José Alberto da Costa Matos (96/1950), foi elaborada uma base de estatuto que seria objecto de posterior apreciação e análise com vista à sua aprovação. Esse Estatuto, com as necessárias melhorias que lhe foram introduzidas, foi submetido e apreciado pelo Conselho Supremo, dele tendo merecido aceitação unânime na sessão que teve lugar a 1 de Julho de 2015. Remetido para a Direcção da AAACM, a quem cabe a competência da sua aprovação, verificou-se a respectiva deliberação na reunião realizada a 24 de Julho de 2015 com a concordância unânime de todos os seus Membros, após o que entrou em vigor. Pelo empenho de muitos Antigos Alunos salientamos com apreço e orgulho que, quando se registam os cinquenta anos da existência da Revista fundada por Carlos Ayala Vieira da Rocha (189/1923), tenha sido aprovado e posto em vigor o Estatuto onde se definem as regras e os fins que devem orientar esta publicação, que é de Todos nós. A ZacatraZ terá certamente os maiores êxitos presentes e futuros na sua missão na defesa do Colégio, dos Alunos, dos Antigos Alunos e da coesão da Família Colegial em quaisquer circunstâncias, muito especialmente naquelas em que, quem deveria defender intransigentemente este património secular, por autismo e prepotência, vai criando condições que manifestamente não defendem estes e outros valores sedimentados ao longo de mais de dois séculos.

Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949) Director da ZacatraZ

Estatuto Editorial da ZacatraZ 1. DEFINIÇÃO E FINALIDADES 1.1. A revista da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar (AAACM), é uma publicação periódica em suporte de papel, com distribuição nacional e internacional, é sua propriedade e tem como finalidades: - Contribuir para aumentar a notoriedade e o prestígio do Colégio Militar, da Associação e dos Antigos Alunos; - Servir de veículo de união, ligação e solidariedade entre todos os Antigos Alunos; - Divulgar assuntos referentes à história, valores, cultura e tradições do Colégio Militar; - Dar a conhecer aspectos biográficos e actividades especialmente significativas dos Antigos Alunos; - Informar acerca dos projectos, planos e actividades relevantes da AAACM ou do Colégio Militar; - Publicar edições temáticas como anexos da revista. 1.2. A alteração da actual denominação da revista da AAACM – “Zacatraz” - é da competência da Direcção da Associação, ouvida a Assembleia Geral. 1.3. A aprovação do presente estatuto, bem como das alterações que seja necessário introduzir-lhe, competem à Direcção da AAACM, sob proposta ou ouvida a Direcção da revista. 2. CONCEITO EDITORIAL 2.1. A revista assume-se como independente de poderes políticos e económico-financeiros, bem como de qualquer credo, doutrina ou ideologia. 2.2. A sua linha editorial e conteúdos orienta-se pelos valores e pelos princípios definidos pelo Fundador do Colégio Militar para a formação dos seus Alunos, os quais se mantêm inalteráveis e continuarão a ser seguidos. 2.3. Respeita o estatuto, regulamentos, normas e orientações da AAACM e não prossegue fins comerciais. 2.4. Assenta na adesão e participação dos Antigos Alunos, dos Sócios Honorários e dos Antigos Servidores do Colégio Militar. 3. ESTRUTURA ORGANIZATIVA 3.1. São órgãos da revista o Director e a Redacção. 3.2. A nomeação e exoneração do Director compete à Direcção da AAACM. 3.3. A Redacção é constituída pelo Chefe da Redacção e por um máximo de


Estatuto Editorial da ZacatraZ Revista da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar

quatro elementos cuja cooptação entre os associados, bem como a exoneração, compete à Direcção da Associação por sua iniciativa ou por proposta do Director da revista. 3.4. São atribuições do Director: a) Dirigir, gerir e representar a revista; b) Propor à Direcção da AAACM o formato da revista e o seu modelo gráfico; c) Determinar a estrutura, a programação e selecção dos conteúdos de cada número da revista, em conformidade com as orientações periódicas da Direcção da AAACM, e fazê-las implementar; d) Promover a produção e edição em conformidade com o modelo gráfico definido e com o orçamento previsto, assegurando um elevado padrão de qualidade, bem como a regularidade e pontualidade da publicação; e) Submeter à apreciação e decisão da Direcção da AAACM as propostas de artigos cujo conteúdo não cumpra os propósitos expressos neste Estatuto; 3.5. São atribuições do Chefe da Redacção a) Assessorar o Director e substituí-lo nas suas ausências ou impedimentos; b) Exercer as competências que que lhe forem delegadas pelo Director da revista. 3.6. Compete à Redacção: a) Materializar cada número da revista e promover a sua distribuição; b) Contactar colaboradores para obtenção atempada dos textos e imagens de cada edição, e coordenar com estes a respectiva composição gráfica; c) Rever os conteúdos de cada edição; d) Superintender na orientação gráfica de cada número da revista, bem como em eventuais alterações ou correcções. 4. SELECÇÃO DE TEXTOS APRESENTADOS PARA PUBLICAÇÃO 4.1. A Direcção da AAACM reserva-se o direito de não publicar qualquer proposta de artigo, caso a mesma não cumpra os propósitos expressos neste Estatuto. 4.2. A selecção dos artigos a publicar em cada edição da revista é da exclusiva responsabilidade do Director da revista, tendo em consideração o disposto na alínea f) do parágrafo 3.4. 5. NORMAS PARA APRESENTAÇÃO DE ORIGINAIS 5.1. As transcrições deverão abrir e encerrar com aspas. 5.2. Os vocábulos noutras línguas que não a portuguesa devem ser formatados em itálico. 5.3. As citações devem respeitar a ortografia original e indicar autor e data. 5.4. Nas notas de rodapé devem utilizar-se apenas números, sem parêntesis, e a sua numeração deve ser contínua do princípio ao fim do artigo. 5.5. As referências bibliográficas serão feitas como segue: a) Livro: apelido, nome próprio , Título do Livro, local de edição, editor, ano da edição; b) Artigo em publicação periódica ou colectânea: apelido, nome próprio, “Título do artigo”, nome da publicação periódica, volume, edição, número das páginas, data da publicação; 5.6. Todos os originais entregues à Redacção devem: a) conter a versão final do texto devidamente revista e corrigida de eventuais gralhas; b) quando incluírem imagens e outros materiais gráficos, fazer-se acompanhar dos mesmos em bom estado ou da sua digitalização com boa resolução e qualidade, indicando os locais do texto onde devem ser inseridos; c) assinalar claramente as expressões a imprimir em itálico ou a destacar por outra forma gráfica; d) vir acompanhados de:

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- título completo do artigo; - indicação dos dados de identificação do autor (nome, número de colegial e ano de entrada, actividade e contactos). 6. EDIÇÃO E PUBLICIDADE 6.1. Número de páginas: Variável, de acordo com os temas e conteúdos, oscilando entre 50 e 100 páginas, podendo este limite superior ser ultrapassado sempre que circunstâncias especiais o determinem e a Direcção da Associação o sancione. 6.2 Tiragem: número de exemplares a definir anualmente pela Direcção da AAACM. 6.3. Periodicidade: Trimestral. 6.4. Editor: Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar. 6.5. Sede do editor e da redacção: Largo da Luz - Quartel da Formação – 1600-498 Lisboa. 6.6. A aceitação de publicidade na revista é da competência da Direcção da AAACM, por sua iniciativa ou sob proposta do Director da revista. 6.7. A publicidade organiza-se por espaços de página e fracções e os proventos daí auferidos destinam-se a suportar custos com a edição da revista. 6.8. A tabela de publicidade é definida pela Direcção da AAACM, sendo válida para todo o território nacional; 6.9. A Direcção da AAACM poderá recusar publicidade que não se coadune com o objecto editorial e os princípios deontológicos da revista. 6.10. Não será aceite publicidade que não esteja em conformidade com a lei. 7. GESTÃO 7.1. A revista constará do Orçamento Anual e das contas da AAACM, em rubrica autónoma, que deverá ser apresentada em forma descriminada de conta de exploração. 7.2. A revista é distribuída: a) Gratuitamente, a todos os sócios efectivos da Associação no pleno exercício dos seus direitos; b) Gratuitamente, a todos os sócios honorários da Associação; d) Gratuitamente, ao Comando do Exército, ao Colégio Militar, a associações congéneres, nacionais e estrangeiras; e) Gratuitamente, a outras pessoas, individuais ou colectivas, consideradas relevantes para a prossecução dos fins institucionais da AAACM, a definir pela Direcção da AAACM. 7.3. Se tal for julgado conveniente pela Direcção da AAACM, ouvida a sua Assembleia Geral, a revista poderá ser colocada à venda por distribuição comercial nacional e internacional. 7.4. Constitui receita própria da revista a dotação orçamental inscrita no Orçamento Anual da AAACM e a publicidade angariada. 7.5. Constituem despesas da revista as relativas à composição gráfica, impressão e distribuição. 8. CONSIDERAÇÕES FINAIS 8.1. O presente Estatuto Editorial entra em vigor a partir da data da sua aprovação e será divulgado e disponibilizado no site da AAACM. 8.2. Os casos omissos serão pontualmente analisados e resolvidos em reunião conjunta da Direcção da AAACM e da Direcção da revista.


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Colégio Militar Berço de Grandes Portugueses

José Alberto da Costa Matos 96/1950

Colégio Militar

Berço de Grandes Portugueses Benjamim Luazes Monteiro Leite e Santos (109/1894) Oficial do Exército, professor e publicista

N

asceu no Porto a 25 de Fevereiro de 1883, filho do capitão Benjamim Monteiro Leite e Santos e de Amália Luazes Santos. Entrou como aluno do Colégio Militar em 1894, sendo-lhe atribuído o n.º 109. Durante o seu curso colegial foi distinguido no 2.º ano com a medalha de prata na disciplina de Inglês e com medalhas de prata de Comportamento Exemplar no 4.º e 6.º ano. Foi aluno graduado desde o 4.º ano e, no último ano do curso, foi Comandante de Companhia.

Terminado o curso no Colégio, assentou praça como cadete no Regimento de Cavalaria 2, em 1900, com licença para frequentar os preparatórios militares na Escola Politécnica. Depois, de 1901 a 1903, tirou o curso de oficial de Cavalaria na Escola do Exército, ficando classificado em 2.° lugar, após o que foi promovido a alferes a 15 de Dezembro de 1904. Ofereceu-se então, voluntariamente, para ir servir em África e, sendo promovido a tenente em 1 de Dezembro de 1906, é colocado no 2.° Esquadrão de Dragões de Angola, unidade criada pelo governador-geral, Eduardo Costa (antigo aluno do Colégio Militar), para intervir Além Cunene, com o fim de vingar o massacre de 1904. Depois de intensa e bem orientada instrução, o esquadrão entrou em operações em 1907, sob o comando superior de Alves Roçadas. Participou então nos combates de Mufilo, em 27 de Agosto, no reconhecimento ofensivo de 29 do mesmo mês e, dias depois, na defesa do bivaque de Aucongo. A 15 de Outubro integra a marcha de Chaminda e intervém na defesa de Damaquero, donde partiria dias depois para a defesa de Aluendo, seguindo-se-lhe nova marcha, debaixo de fogo, até Inhaca. Comandando o 2.º de Dragões participou ainda na tomada da embala do Cuamato Pequeno e, poucos dias depois, na do Cuamato Grande.

A decisão e coragem reveladas nos diferentes combates, bem como a prontidão que demonstrava sempre que era necessário desempenhar qualquer missão, por mais árdua que se antevisse, fizeram com que fosse várias vezes louvado pelo comandante Alves Roçadas e pelo governador do distrito. Depois da ocupação do Além-Cunene, permaneceu no desempenho dos cargos de comandante do seu esquadrão e de comandante militar até ao fim da sua comissão de serviço em Angola.


Colégio Militar Berço de Grandes Portugueses

De regresso a Metrópole, em 1908, foi colocado no Regimento de Cavalaria n.º 4 e, em 1909, volta ao Colégio Militar, mas desta vez como instrutor de Equitação. Em 1 de Março de 1913 foi promovido a capitão, sendo logo a seguir nomeado professor de Geografia e História, missão esta que desempenhou até fins de 1925. Entretanto, em Dezembro de 1918, fora promovido a major. Em 1926 partiu em comissão militar para a índia, onde exerceu o cargo de comandante do Corpo de Tropas de Guarnição. De regresso reassumiu as funções de professor, sendo promovido

Torre e Espada

Avis

a tenente-coronel em Junho de 1927. Sete anos depois, em Junho de 1934, atinge o posto de coronel, o que o obrigou a deixar a docência no Colégio Militar. Enquanto ali exerceu a docência sempre foi reconhecida por todos o seu inexcedível interesse, bem como a competência com que habilitava os seus alunos. Foi então comandar o Regimento de Cavalaria n.º 3 e a 1.a Brigada de Cavalaria, onde se manteve até 1935. Finalmente, de 1936 a 1939 exerceu o cargo de chefe da 1.ª Repartição da Direcção da Arma de Cavalaria. Era autor de «Noções de Geografia e História» (livro destinado à classe de sargentos). Proferiu diversas conferências, entre as quais «Viagem de Gago Coutinho e Sacadura Cabral», «Ensinamentos da Viagem de Serpa Pinto», «A Batalha do Ameixial» e «O Combate de Mufilo». Traduziu diversas obras de História do professor Albert Malet.

Serviços Distintos no Ultramar

D. Amélia

Mérito Militar de Espanha

Francisco Adolfo Varnhagen (114/1825) Oficial do Exército e engenheiro militar português, diplomata e historiador brasileiro

N

asceu na “Fazenda Ipanema”, Sorocaba (São Paulo - Brasil) a 17 de Fevereiro de 1816, filho do engenheiro militar austríaco Friedrich Ludwig Wilhelm Varnhagen (restaurador e administrador da então Real Fábrica de Ferro ali existente) e de Maria Flávia de Sá Magalhães, portuguesa de nascimento. Em Outubro de 1823, por decisão do seu pai, veio juntamente com a mãe para Portugal e, em 1825, foi admitido como aluno do Colégio Militar, onde lhe foi atribuído o n.º 114. Concluiu o curso colegial em 1832, ingressando depois na Academia Real de Marinha, onde viria a concluir o 1.º e 2.º ano, sendo

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mesmo premiado enquanto ali aluno. Entretanto, com o país mergulhado na guerra entre “absolutistas” e “liberais”, em 22 de Agosto de 1833 apresenta-se voluntariamente no 2.º Batalhão de Artilharia de Lisboa das tropas liberais de D. Pedro IV, sendo declarado aspirante a oficial. Em Dezembro desse ano é promovido a 2.º tenente para o 3.º Batalhão de Artilharia, voltando porém ao 2.º após a assinatura da Convenção de Évora Monte que pôs termo ao conflito (26 de Maio de 1834). Regressou então aos estudos, concluindo em 1839, na Academia Real de Fortificação, Artilharia e Desenho, o curso de Engenharia mili-

Faleceu a 3 de Fevereiro de 1962, dias antes de completar os 79 anos. Era agraciado com os graus de cavaleiro da Ordem da Torre Espada e de comendador e grande oficial da Ordem de Avis, e condecorado com a medalha de prata da Rainha D. Amélia, medalha de ouro de Serviços Distintos e Relevantes no Ultramar, medalha de prata da Ocupação Militar de Além Cunene, medalhas de prata e ouro de Comportamento Exemplar, e ainda com as medalhas de Mérito Militar (Espanha) e Ordem da Coroa (Prússia).


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Colégio Militar Berço de Grandes Portugueses

Instituto Histórico e Geográfico

tar, tendo entretanto ascendido a 1.º tenente em 1837. Em Julho de 1840 volta ao Brasil para tratar da sua nacionalidade. Regressa a Portugal em Abril de 1841 e cinco meses depois, por decreto real de 24 de Setembro de 1841, é-lhe conferida a condição de cidadão brasileiro. Entra então como membro correspondente para o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e, em Maio de 1842, ingressa no corpo diplomático brasileiro (no qual permaneceria até falecer), indo, como adido de 1.ª classe,

ocupar o cargo de adido cultural da legação do Brasil em Lisboa, com a incumbência de pesquisar documentos sobre História e Legislação referentes ao Brasil. No ano seguinte, sendo promovido a secretário, é transferido para a legação de Madrid, onde se manteve como encarregado de negócios até Junho de 1849. Regressado uma vez mais ao Brasil, em 1851 foi eleito primeiro secretário do Instituto His-

tórico e Geográfico, dedicando-se à reorganização da respectiva biblioteca, arquivo e museu. Em 1854 reassumiu o seu cargo em Madrid e, em Dezembro de 1858, foi nomeado ministro residente no Paraguai, seguindo-se, até 1867, os cargos de representante do governo brasileiro na Venezuela, na Colômbia, no Equador, no Peru e no Chile, em que, aproveitando os seus contactos com o exterior, foi recolhendo em bibliotecas e arquivos documentação diversa sobre o Brasil. Em 1868 foi para Viena (Áustria) como ministro plenipotenciário, sendo esta a sua última missão como diplomata. Para além de servir o Brasil com zelo e dedicação, Varnhagen consagrou grande parte da sua existência ao estudo da história do Brasil, justamente considerado o mais importante pesquisador de documentação histórica sobre o país. Será curioso referir que, em consequência dos trabalhos de pesquisa que levou a cabo, a ele se ficou a dever o conhecimento da localização, na Igreja da Graça, em Santarém, do túmulo de Pedro Álvares Cabral. O seu primeiro ensaio sobre história tinha por título “Notícia do Brasil” e foi escrito entre 1835 e 1838. Mas, em 1836, Academia Real das Ciências de Lisboa publicou o seu trabalho “Reflexões críticas sobre a obra de Gabriel Soares”. A obra capital de Varnhagen é, porém, a “História Geral do Brasil”, publicada primeiro em dois volumes (1854 e 1857) sem indicação explícita de autoria, pois apenas diz ter sido elaborada "por um sócio do Instituto Histórico do Brasil, natural de Sorocaba”. Depois de revista e aumentada, seria reeditada em 1877. Trata-se de um notável trabalho de pesquisa e investigação histórica, rigorosa no apuramento e descrição dos factos, e harmoniosa no conjunto da exposição. Mas a sua extensa obra histórica e literária é extremamente rica e variada, incluindo entre

outros: «Diário de navegação da armada que foi à terra do Brasil em 1530» (1839), «Crónica do descobrimento do Brasil» (1840), «Épicos brasileiros» (1843), «Réplica apologética de um escritor caluniado...» (1846), «Amador Bueno» (1847), «O Caramuru perante a história» (1848), «O tráfico de africanos e a escravidão» (1850), «Florilégio da poesia brasileira» (3 tomos - 1850 e 1872), «Sumé, lenda mito-religiosa» (1855), «Vespuce e son premier voyage» (1858), «Examen de quelques points de l’histoire géographique du Brésil» (1858), «Cancioneirinho de trovas antigas» (1860), «Diário de Navegação de Pero Lopes de Sousa, pela costa do Brasil até ao rio Uruguai» (1867), «História das Lutas contra os Holandeses no Brasil desde 1624 a 1654» (1871), «A questão da capital: marítima ou no interior?» (1877), «História da Independência do Brasil» (1917, póstuma). Faleceu em Viena, na Áustria, a 26 de Junho de 1878, tinha então 62 anos. Em 1890 a viúva, Carmen Ovalle, de naturalidade chilena, providenciou a trasladação dos restos mortais de Varnhagem para Santiago (Chile). Quando do centenário do seu falecimento, em 1978, os seus restos mortais foram transferidos para a cidade de Sorocaba, onde se encontram depositados num monumento a Varnhagen situado na Avenida General Osório. Na placa deste monumento pode ler-se: “Estão aqui depositados os restos mortais de Francisco Adolfo de Varnhagen, Visconde de Porto Seguro. Paulista de Sorocaba, o Pai da História do Brasil. 17-2-1816 29-6-1878”. Também no morro de Araçoiaba da Serra, junto da antiga Real Fábrica de Ferro, onde nasceu Varnhagen, existe um monumento erigido em sua homenagem. Era sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa. Em 1872 foi-lhe concedido o título de Barão de Porto Seguro e, volvidos dois anos, foi elevado a visconde.


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Era agraciado com a grã-cruz da Ordem de N.ª Sr.ª da Conceição de Vila Viçosa, e os graus de comendador da Ordem de Isabel a Católica (Espanha), comendador da Ordem Imperial da Rosa (Brasil), comendador da Ordem de Carlos III (Espanha) e de cavaleiro da Ordem Imperial de Cristo (Brasil). Era irmão dos alunos do Colégio Militar José Frederico Varnhagen (93/1824) e Frederico José Varnhagen (36/1850). N.Sr.ª Conceição de Vila Viçosa

Isabel a Católica

Carlos III

Imperial de Cristo

Francisco Maria da Cunha (39/1842) General de divisão, director do Colégio Militar, governador-geral ultramarino, ministro, deputado e Par do Reino.

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asceu em Angra do Heroísmo (Açores) a 22 de Dezembro de 1832, filho do general de divisão Francisco Jacques da Cunha e de Maria Cândida da França e Horta. Entrou como aluno do Real Colégio Militar em Outubro de 1842, sendo-lhe atribuído o n.º 39. Terminou o curso colegial em 1848 e, de imediato, assentou praça no Regimento de Infantaria n.º 10, indo então frequentar a Escola Politécnica como 1.º sargento graduado em aspirante a oficial. Depois de ali fazer as cadeiras preparatórias necessárias, foi promovido a alferes em 1851, ingressando depois na Escola do Exército, onde concluiu em 1853 o curso de oficial de Artilharia. Ficou então em comissão de serviço nos reconhecimentos militares no espaço compreendido entre a linha cobridora de Lisboa

e as Linhas de defesa de Torres Vedras, aí se mantendo até Outubro de 1853. Em Outubro do ano seguinte ascendeu a 2.º tenente, seguindo-se em 1855 a promoção a 1.º tenente e, cerca de cinco anos depois, em Maio de 1860, a capitão, postos estes em que serviu nos 1.º e 2.º Regimentos de Artilharia. Tendo aderido ao Partido Progressista, é eleito pela primeira vez deputado em 1863, pelo círculo de Elvas. No ano seguinte, em acumulação, passa a desempenhar as funções de subchefe da 4.ª Repartição da Secretaria de Estado dos Negócios da Guerra e, em 1865, volta a ser eleito deputado, agora pelos Olivais, passando, em 1866, a acumular o cargo de ajudante de campo do ministro Fontes Pereira de Melo. No começo de 1867, Francisco Maria da Cunha é promovido a major e nomeado comandante do Batalhão de Macau, onde desembarca a 6 de Julho desse ano, passando também, em acumulação, a desempenhar o cargo de director das Obras Públicas daquele território. Eleito deputado por Macau e Timor, regressa em 31 de Janeiro de 1870 para exercer o seu mandato. No ano seguinte volta a ser eleito, agora por Lisboa e, nas eleições de 1872 é mais uma vez eleito por Macau. Concluída esta última legislatura como deputado, regressa à sua condição de oficial de Artilharia, agora no Regimento n.º 3 e no Estado-Maior da Artilharia, sendo em 1875 promovido a tenente-coronel. Ocupa nos anos seguintes cargos de chefe de Repartição, na Direcção Geral da Artilharia e na Secretaria de Estado dos Negócios da Guerra, vindo a ser, por decreto de 9 de Maio de 1877, nomeado Governador-geral de Mo-

çambique, o que implicou a sua promoção ao posto de coronel. Exerceu este alto cargo com assinalável dedicação, rigor, honestidade e sentido do dever, em consonância com os valores que lhe haviam sido ensinados desde criança no Colégio Militar. Foi durante a sua administração que se tomou posse definitiva da Inhaca, que foi fundada a «Escola de Ofícios», que foi prontamente debelada uma revolta no distrito de Quelimane, que foi negociado o tratado de comércio com Zanzibar (com vantajosas condições para Moçambique) e que foi desenvolvida intensa actividade de perseguição ao tráfico de escravos. A sua invulgar acção governativa, que se prolongou até 1880, viria


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aliás a ser seria publicamente reconhecida com a concessão do grau de comendador da Ordem da Torre e Espada. Em 9 de Fevereiro de 1881 foi eleito par do reino e, até meados de 1883, fez parte de importantes comissões, designadamente das de reunião e codificação de legislação militar (1880), de reorganização das forças militares do Ultramar (1881), das obras de defesa de Lisboa e seu porto (1881) e de defesa do reino (1882). Por decreto de 27 de Junho de 1883 foi nomeado director do Real Colégio Militar. Francisco Maria da Cunha, que bem conhecia os defeitos e as necessidades resultantes do prolongado período de crise e incerteza que perseguia o Colégio desde que, em 1835, deixara o edifício da Luz, lança-se num aturado trabalho de organização, renovação e consolidação colegiais. Assim, cinco meses depois de assumir funções, tinha já elaboradas as «Instruções disciplinares provisórias para os alunos», as quais remeteu no começo de 1884 à Secretaria de Estado da Guerra, sendo postas em execução em 1 de Abril desse ano, depois de aprovadas pelo ministro.

Ainda em Novembro desse mesmo, o rei D. Luís, acompanhado do ministro da Guerra, efectua uma visita ao Colégio Militar, finda a qual manifestou ao coronel Francisco Maria da Cunha «o seu muito agrado pelo estado em que encontrou o Collegio». Em Abril de 1885 propôs e viu aprovado um conjunto de alterações ao Regulamento Literário colegial, que datava de 1876. Este regulamento acabaria por ser substituído dez anos mais tarde por um outro, em consequência da reforma do curso geral dos liceus centrais operada em meados de 1886, vindo esse novo Regulamento Literário a ser posto em execução no ano lectivo de 1886/87. Ainda em 1886, são aprovadas e postas em execução umas minuciosas «Instruções para o Serviço Interno do Real Collegio Militar», Em 1887 é estabelecido o «Regulamento do professorado do Real Collegio Militar». Em 8 de Março de 1888, talvez como corolário do esforço de renovação que fora encetado, o ministro da Guerra concede ao Corpo de Alunos direito ao uso de bandeira nacional, equiparando assim honorificamente o Colégio às unidades do Exército e da Armada, bandeira aquela que seria benzida em acto solene realizado no dia 18 daquele mês. Enquanto director, Francisco Maria da Cunha integrou também, cumulativamente, várias comissões como as da reorganização da Escola do Exército (1886), superior de guerra (1888) e de revisão do regulamento de reorganização das reservas do exército activo (1889). Promovido a general de brigada em 1890, deixou a direcção do Colégio em Janeiro do ano seguinte, por ter sido nomeado Governador-Geral da Índia, sendo por isso promovido a

general de divisão. Este novo cargo de Governador-geral seria no entanto relativamente breve, pois Francisco Maria da Cunha pediu exoneração, regressando a Lisboa, onde chega em 6 de Fevereiro do ano seguinte. E regressa também à sua anterior situação de general de brigada ocupando, em Fevereiro desse ano de 1892, as funções de governador da praça de Monsanto. Em Fevereiro de 1893 é nomeado Comandante Geral da Artilharia e, sendo promovido em Janeiro de 1895 general de divisão, é-lhe confiado o comando da Escola do Exército. Em Maio de 1896, transita para comandante da 1.ª Divisão e, em Fevereiro do ano seguinte, aceita ser Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Guerra, cargo para que fora convidado por um dos seus companheiros de partido, o presidente do Governo, conselheiro José Luciano de Castro. Exonerado a seu pedido deste cargo governativo em Agosto de 1898, representou em 1900 o governo português nas cerimónias comemorativas do Descobrimento do Brasil, para onde partiu, em 9 de Abril, a bordo do cruzador «D. Carlos».


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Passou à situação de reserva na véspera do Natal de 1902 mas, entretanto, foi em Março desse ano nomeado Chefe da Casa Militar do rei, membro do seu Conselho e seu 1.º ajudante de campo, funções em que se manteve até 1907, passando então à situação de reforma. Foi ainda presidente da Sociedade de Geografia, da Cruz Vermelha Portuguesa (de 1905 até falecer) e do Montepio, e também membro da comissão executiva da Associação de Socorros a Náufragos. Faleceu em Lisboa a 13 de Janeiro de 1909, com 76 anos de idade.

Para além do comendador da Ordem da Torre e Espada, era também agraciado com os graus de comendador e grã-cruz da Ordem de Avis e comendador da Ordem de Cristo, e condecorado com a medalha de prata de Bons Serviços, medalha de ouro de Serviços Distintos no Ultramar, medalha de prata de Comportamento Exemplar, grã-cruz da Ordem de Isabel a Católica (Espanha), grã-cruz da Ordem de Carlos III (Espanha), grã-cruz do Mérito Militar (Espanha), grã-cruz da Ordem de Alberto (Saxónia) e grã-cruz da Ordem da Estrela Brilhante (Zanzibar).

Torre e Espada

Avis

Cristo

Bons serviços

Mérito Militar de Espanha

Estrela Brilhante

Alberto da Saxónia

Isabel a Católica

Carlos III

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Dois dos seus filhos foram alunos do Colégio Militar: o José Rafael e o Álvaro Herculano. A filha Ana Henriqueta casaria com um antigo aluno do Colégio, o Militão Constantino Aragão. Na geração seguinte, três netos de Francisco Maria da Cunha seguiram como alunos as pisadas do avô: o Francisco Xavier, o Francisco Maria e o Álvaro Herculano.


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No Cinquentenário da Revista A palavra aos Presidentes da Direcção da Associação

No Cinquentenário da Revista

A palavra aos Presidentes da Direcção da Associação N

este número da ZacatraZ em que se comemoram os 50 Anos da Revista, solicitámos aos Antigos Alunos Rui Manuel Figueiredo de Barros (62/1936), José Baptista Pereira (318/1947), José Eduardo Carvalho de Paiva Morão (256/1946), Manuel de Mendonça Tavares da Silva (116/1950), José Eduardo Martinho Garcia Leandro (94/1950), Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958) e António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios (529/1963), que em diferentes mandatos foram investidos no cargo de Presidente da Direcção da Associação, a contribuição com textos da sua autoria para o marco do Cinquentenário, sem subordinação de tema. A solicitação apresentada mereceu o melhor acolhimento de Todos, com uma resposta unânime, pronta e positiva, que muito nos apraz e que consiste em mais um estímulo para o desempenho das tarefas que nos propusemos. Com a publicação desses textos que nos foram remetidos, registamos o nosso agradecimento com o espírito de amizade e de camaradagem que são apanágio dos Antigos Alunos do Colégio Militar. Os AA que se ocupam da edição da ZacatraZ


No Cinquentenário da Revista A palavra aos Presidentes da Direcção da Associação

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Rui Manuel Figueiredo de Barros (62/1936) Presidente da Direcção de 1979 a 1983 e de 1994 a 1999

Um Colégio com Alma, uma Associação com Corpo “Tenho a certeza, meus senhores, a razão é só uma: o Colégio Militar não morre porque tem alma!...” Ramiro Guedes de Campos (42/1915)

... a Revista, desde a sua criação, constitui, sem dúvida, um forte elo de ligação entre os antigos alunos e entre eles e o nosso Colégio.

N

a comemoração do número 200 da Revista da Associação da qual fui Director entre 1975 e 1979, não quero deixar de prestar homenagem e manifestar a minha gratidão ao Colégio onde fui educado e à AAACM que, para cada antigo aluno, se assume como o seu prolongamento no Tempo, mantendo com ele um estreito relacionamento continuamente alimentado e fortalecido. Neste âmbito, a Revista, desde a sua criação, constitui, sem dúvida, um forte elo de ligação entre os antigos alunos e entre eles e o nosso Colégio. Das minhas já ultrapassadas nove décadas de vida - com excepção da primeira, em que só indirectamente conheci o Colégio Militar (o meu Pai era antigo aluno militante) - as restantes oito foram vividas com total partilha e identificação dos valores que ali me foram aprofundados no tempo em que por lá andei como aluno. E ainda bem que assim aconteceu: durmo bem por sempre ter tido a consciência tranquila pelo dever cumprido, o que confirma que os valores que aprendemos e defendemos estão nos actos que praticamos.

Tive a honra e a oportunidade de poder servir, como Presidente, a Associação dos Antigos Alunos durante dez anos, repartidos por dois períodos temporais, o primeiro de 1979 a 1983 e o segundo de 1993 a 1999. Já antes, porém, havia tido o privilégio de integrar as Direcções presididas pelo saudoso 426 de 1917, Brigadeiro Armando Marques Girão, de 1975 a 1979, na última das quais, como Vice-Presidente. Em todos estes períodos combatemos e superámos crises de diferente natureza, de maior ou menor complexidade, de conse-

... o Real Colégio Militar nasceu, ele próprio, no início de uma das mais graves e dolorosas crises de soberania nacional: o despontar da Guerra Peninsular ... quências mais ou menos profundas, mas, indubitavelmente, todas elas sérias. É sabido que nunca tivemos medo de crises, provavelmente por imunidade genética. Em boa verdade, o Real Colégio Militar nasceu, ele próprio, no início de uma das mais graves e dolorosas crises de soberania nacional: o despontar da Guerra Peninsular que desencadeou três invasões no País pelos exércitos da maior potência militar da época – a França Napoleónica. E vencemo-la!

De aí para diante, a história do Colégio entrecruza-se com a agitada História política, económica e social do País. Contudo, e sobretudo nos últimos 40 anos, aqui e ali, fomo-nos forçados a dar conta de várias e sucessivas tentativas de atingir mortalmente o Colégio Militar pondo em questão a razão da sua existência e da sua adaptabilidade aos tempos que correm. Desde sempre tive a convicção de que os ataques ao Colégio Militar não eram inocentes. Foram várias as abordagens prosseguidas no sentido da sua extinção, umas mais evidentes que outras: desde acções políticas directas, como as campanhas de politização, logo após o 25 de Abril, realizadas por militares revolucionários, escorraçadas corajosamente pelos alunos do Colégio com o apoio da Associação; às movimentações que, sob a argumentação económica, visaram desvirtuar a natureza do próprio Colégio, transformando-o numa Fundação sem qualquer ligação ao Exército; ou ainda a outras que pretendiam evidenciar que o Colégio não se justificaria nos dias de hoje, pela sua natureza intrinsecamente militar e alegadamente conservadora.

De aí para diante, a história do Colégio entrecruza-se com a agitada História política, económica e social do País.


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No Cinquentenário da Revista A palavra aos Presidentes da Direcção da Associação

O Colégio Militar atravessa, actualmente, a sua maior ameaça existencial. Todas elas, porém, directa ou indirectamente, concorriam, no final, para um inegável objectivo: a destruição de uma das poucas Instituições do nosso País com uma tradição e cultura bissecular que ao longo da sua existência tem sabido moldar o carácter de jovens com vista a transformá-los em homens justos e de honrados princípios, defensores incondicionais da Pátria.

... lavrado em acta, datada de 1 de Março de 1903, na Assembleia-Geral da “Associação Philantropica dos Alumnos do Real Collegio Militar” precursora da nossa actual Associação: “a esse estabelecimento devemos tudo o que somos, educação e carácter que possuímos, ...” O Colégio Militar atravessa, actualmente, a sua maior ameaça existencial. As últimas Direcções da Associação tudo têm feito para o salvar. A elas e, sobretudo, aos seus Presidentes não nos bastará estar gratos. É obrigação de todos nós, como antigos alunos, apoiarmos e mobilizarmo-nos sob a orientação de quem actualmente dirige a Associação, para este fim. É, com este espírito e com este propósito, que melhor serviremos o nosso Colégio. Como ficou lavrado em acta, datada de 1 de Março de 1903, na Assembleia-Geral da “Associação Philantropica dos Alumnos do Real Collegio Militar” precursora da nossa actual Associação:

Os números que nos foram dados ao entrarmos pelo portão do Colégio transmitem-nos a herança dos nossos antecessores e projectam o futuro dos nossos sucessores. Têm corpos que somados dão sentido à nossa Associação que, por sua vez, só tem vida porque a alma que incorpora é a alma do Colégio Militar. “a esse estabelecimento devemos tudo o que somos, educação e carácter que possuímos”, segundo as palavras do seu primeiro Presidente, o ilustre General Luiz Augusto Pimentel Pinto (99/1854) que apelou, também, para que todos continuassem a manter a divisa característica do Colégio de «Um por todos, todos por um». E no seguimento, julgo oportuno transcrever a introdução do livro “Para lá do Colégio Militar, uma Associação Centenária”1, quando relembra que a AAACM é uma “Associação centenária, representada por gerações e mais gerações que se repetem na sua devoção à Instituição que as formou. Cada qual com as suas características intrínsecas – quantas vezes bem distintas e controversas – mas sempre imbuídas pelo mesmo espírito, o mesmo ideal, o mesmo sentimento de companheirismo e camaradagem. Todas, como um todo, orientadas para o mesmo desígnio de zelar e perpetuar o Colégio que as educou no ideal da cidadania, evocando, como exemplo perene, aquele que, com o olhar posto muito para além do seu tempo, fundou o Colégio Militar – esta Escola única que, pelo seu conteúdo histórico e pelo impulso irresistível da sua mística, significa para qualquer antigo aluno o desfolhar de uma saudade que se projecta na fundada esperança de que o Colégio, o mesmo Colégio de sempre, continue a ser a consagração do passado; a exaltação do presente; a certeza do futuro.

Procurando uma definição clara, a Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar assume-se, em plena consciência, como uma componente cívica que, na exacta medida dos seus princípios, pode e deve participar na vida de Portugal. Por essa via revigora-se a prática do lema “Servir” que de forma tão genuína e séria foi transmitida a todos os que por ele passaram e que os mesmos, depois do investimento formativo recebido, retribuem com disponibilidade activa ao seu País. A Associação existe e existe de forma muito concreta. Por isso, participa com disponibilidade total, não devendo nem querendo ir além do que, sendo justo e compatível, possa pretender ou que dela se pretenda – com a ressalva única de guardar a sua independência institucional e o seu permanente sentido crítico”. Os números que nos foram dados ao entrarmos pelo portão do Colégio transmitem-nos a herança dos nossos antecessores e projectam o futuro dos nossos sucessores. Têm corpos que somados dão sentido à nossa Associação que, por sua vez, só tem vida porque a alma que incorpora é a alma do Colégio Militar.

1 Editor: AAACM; Autores: Rui Figueiredo de Barros (62/1936) e Gonçalo Figueiredo de Barros (440/1967); data: Outubro,2008.


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José Baptista Pereira (318/1947) Presidente da Direcção de 1992 a 1994

Mandato da Direcção no período de 1992 a 1994 C

onvicto que ficarei aquém do que desejava deixar como testemunho da minha presidência da Direcção da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar, ouso fixar dois ou três apontamentos relativamente a este desempenho, só possível com a solidez da equipa constituída, com o único objectivo de prestigiar o Colégio Militar e a sua Associação de Antigos Alunos. Esta Direcção exerceu o seu mandato desde 7 de Abril de 1992 a 8 de Abril de 1994, conforme consta das Actas 882/1992 a 898/1994. No espaço de tempo respeitante às últimas quatro Actas antes referidas, a presidência da Direcção foi exercida por Sérgio Gysbert Graças de Andringa (215/1944), por motivo da minha marcha para os Açores (até aí no desempenho das funções de Inspector Geral da Força Aérea – número três da hierarquia do Ramo – em acumulação com a presidência do Conselho Superior de Disciplina, fui nomeado Comandante Operacional e tive que obrigatoriamente marchar ás ordens do Almirante CEMGFA). Compulsadas todas as actas desta Direcção verifico que desde 7 de Abril de 1992 até 8 de Abril de 1994 se realizaram 46 reuniões de Direcção precisamente duas por mês, conforme consta do programado na primeira sessão realizada. Na primeira reunião realizada estiveram presentes José Baptista Pereira (318/1947), José Manuel Francisco Maria de Castro Galhardo Soares Zilhão (288/1927), Jorge Monteiro Varela Pinto (200/1928), Leonel Gon-

çalves Rodrigues (275/1939), Sérgio Gysbert Graças de Andringa (215/1944), Humberto José Mota Nogueira (292/1949) e António Manuel Rosas Leitão (441/1958). Esteve também presente o vogal suplente Fernando José Pereira Marques Cavaleiro (147/1929), assim como o Presidente do Conselho Fiscal e membros do Conselho Supremo Henrique Costa dos Santos Paiva (117/1920), Carlos Ayala Vieira da Rocha (189/1929) e António Herculano Miranda Dias (292/1925) do Fundo de Solidariedade.

... foram desenvolvidos esforços para iniciar campeonatos de xadrez e bridge, concedidos apoios às equipas de vólei e de andebol de Antigos Alunos, ... Leonel Rodrigues (275/1939) foi indigitado para redigir as actas das reuniões, tendo sido a distribuição de pelouros feita como se segue: 1º Secretário - Sérgio Andringa (215/1944), 2º Secretario – António Rosas Leitão (441/1958), Cultura - Jorge Varela Pinto (200/1928), Adjuntos da Revista – Varela Pinto e Rosas Leitão (441/1958), Tesoureiro – Humberto Nogueira (292/1949). Carlos Vieira da Rocha (189/1929) foi nomeado Director da Revista. A Direcção resolveu reunir periodicamente cada 15 dias pelas 16 horas. Ficou acordado que sempre que o Presidente do Conselho Fiscal manifestar o desejo de assistir ás reuniões da Direcção, o faça sem qualquer comunicação prévia.

A exemplo do que acontecia anteriormente, foi decidida a elaboração de um balancete trimestral, com vista à apreciação e controle pela Direcção das receitas e despesas. Em relação ao bar sem inventário e respectivas contas, foi determinado que seria o Tesoureiro que daria conta do seu movimento. Também o mesmo ficaria encarregado de assistir ás reuniões e jantares que se venham a efectuar nesta Associação. José Soares Zilhão (288/1927) fez uma exposição sobre o projecto da nova sede. Quanto ás benfeitorias da Sede ficou determinada que com um mínimo de despesa, fossem feitas diversas melhorias de ordem geral, a fim de a tornar mais confortável. Para isso foram pedidos orçamentos para as obras a efectuar. Convirá aqui recordar que se procedeu à beneficiação das comunicações, foram adquiridos computadores e fax e dada formação aos Colaboradores em serviço da Associação. As mesas de jogo foram beneficiadas e os almoços de curso passaram para a Cooperativa Militar. Com o auxilio de Augusto Henrique Coelho Metzner (74/1944), foram desenvolvidos esforços para iniciar campeonatos de xadrez e bridge, concedidos apoios às equipas de vólei e de andebol de Antigos Alunos, tendo sido organizadas series de colóquios e palestras. A contabilidade da AAACM foi entregue á empresa SAPEME. Voltando ao assunto Nova Sede (Acta 865/1992) considero oportuno referir que face a uma carta recebida do João Augusto Oliveira de Ayala Botto (254/1948), relativa a


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... em relação à Nova Sede que surgiu a possibilidade de utilizar, com as necessárias adaptações, o edifício designado por «Quartel Velho». este assunto, achou-se conveniente nova convocatória para dar conhecimento do teor de uma reunião havida entre os membros José Soares Zilhão (288/1927), José Maria Soares da Costa Alvares (279/1932), Joaquim Lopes Cavalheiro (131/1935) e Joaquim Miguel de Matos Fernandes Duarte Silva (8/1934), que após diversas considerações, concluíram que, por já terem sido dados muitos passos, se devia ir em frente com a angariação de fundos para a construção da nova Sede. Focada a necessidade de fomentar esta ideia através da Revista, junto de Antigos Alunos, Empresas, Companhias de Seguros. Na Acta 886/1993, com a presença de Henrique Santos Paiva (117/1920), José Soares Zilhão (288/1927), João Ayala Botto (254/1948) e Eduardo Maria Rato Martins Zúquete (20/1945), não tendo comparecido por impedimento António Sebastião Ribeiro de Spínola (33/1920), consta em relação à Nova Sede que surgiu a possibilidade de utilizar, com as necessárias adaptações, o edifício designado por «Quartel Velho». João Ayala Botto (254/1948) que sugeriu a ocupação total possível, incluindo a parte junto da igreja, foi indicado para acompanhar este assunto com vista a ser apresentado à Assembleia Geral. Na Acta 892/1994, foi novamente analisada a questão da Nova Sede, ficando decidido que o assunto da utilização das instalações do “Quartel Velho” deveria ser bem explicitado em carta dirigida ao Chefe de Estado Maior do Exercito e entregue em mão, mostrando o interesse da Associação neste assunto. Em carta datada de 3 de Março de 1994, dirigida ao General Octávio Cerqueira Rocha, então Chefe do Estado Maior do Exército, reconhecia-se com muito apreço as inúmeras manifestações de amizade e de solidariedade por parte do Exército, referindo os contactos informais com o Director do Colégio onde se tomou conhecimento da construção de novas cavalariças que iriam disponibilizar dependências no Quartel da Formação. Salientava-se que no conjunto do Quartel da Formação se encontra o Teatro Dom Luiz Filipe, inaugurado quando do primeiro centenário do Colégio, local onde se desenrolaram inúmeras actividades culturais ao longo da sua existência. Uma eventual alienação do

património atribuído ao Colégio para entidades estranhas à Instituição Militar, seria um facto de grande pesar para todos aqueles que por lá passaram. De seguida mencionava-se que o conhecimento da alteração na utilização do imóvel, conjugado com o significado histórico e a ligação sentimental mantida com todo o Património que nos identifica e serve de catalisa-

para uma ligação mais estreita à nossa "Casa Mãe", onde se faria a ponte cultural e de vivência com os Alunos. No decurso deste mandato realizou-se a visita de uma Delegação de Antigos Alunos dos Colégios Militares do Brasil, organizada por José Galaor Ribeiro, Coronel Engenheiro do Exército Brasileiro e Presidente da respectiva Associação.

... a realização, pela primeira e única vez na história do Colégio, do desfile comemorativo do 3 de Março na cidade do Porto, na Avenida dos Aliados. Esta vinda a Lisboa originou um estreitamento de laços de amizade entre as duas Associações, laços que mais tarde deram origem a visitas recíprocas ao nosso Colégio e a Colégios Militares do Brasil. Assinalo também, como um marco importante no mandato desta Direcção, a realização, pela primeira e única vez na história do Colégio, do desfile comemorativo do 3 de Março na cidade do Porto, na Avenida dos Aliados. A Associação teve um papel importante na realização deste evento, nomeadamente através do seu Delegado no Norte, António Malta Leuschner Fernandes (436/1933).

Desfile do 3 de Março de 1994, no Porto na Avenida dos Aliados Foto cedida por José Alberto da Costa Matos (96/1950)

dor de uma relação dinâmica entre os nossos associados, fez com que surgisse quase espontaneamente a necessidade de manifestar o interesse pela conservação deste prédio e de poder vir a ser dada uma utilização funcional alargada a parte destas instalações. Terminava, pondo à consideração a eventual possibilidade de disponibilizar a parte Leste deste prédio, através de protocolo ou outro tipo de acordos onde estaria incluído o referido Teatro. A sua localização e a continuidade nos espaços tradicionais facilitar-nos-ia a realização de actividades culturais, desportivas e sociais, que permitiriam contribuir


No Cinquentenário da Revista A palavra aos Presidentes da Direcção da Associação

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José Eduardo Carvalho de Paiva Morão (256/1946) Presidente da Direcção de 1999 a 2002

O Cinquentenário da Revista da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar E

screver umas linhas por ocasião das comemorações do cinquentenário da Revista da Associação é prestar homenagem ao seu Fundador, Carlos Vieira da Rocha (189/1929) a quem o Colégio Militar (CM) e a Associação dos Antigos Alunos (AAACM) muito devem pelas suas excepcionais qualidades de trabalho, de organização e de inteligência que colocou ao serviço da Causa Colegial e deixaram marcas indeléveis em vários sectores da vida nacional.

A Revista ... É um acervo de inegável valor histórico para o Colégio e para todos que a ele estão ligados. Nestes 50 anos de existência colaboraram na Revista centenas de Antigos Alunos que no seu amor ao Colégio deixaram ali expressas interessantes narrativas relativas à vida escolar ou a figuras que nela participaram. Alguns outros foram mais longe e dedicaram muitas horas dos seus anos de vida a servir o Colégio e a Revista conduzindo em arquivos militares e particulares e em documentos privados, pesquisas infindas para legar aos vindouros factos históricos onde se imortalizaram os imutáveis valores do Espírito Colegial e as exemplares condutas de Antigos Alunos de excepção. Muitos desses Colaboradores partiram já deste mundo mas permanecerão para sempre entre as paredes dos nossos claustros: José Godinho Gama Barata (191/1921); Mario Mar-

... Mário Margarido e Silva Falcão (314/1936), uma das figuras mais emblemáticas da nossa Associação nos últimos anos, um exemplo de simplicidade e de dedicação e amor ao Colégio. garido e Silva Falcão (314/1936) são alguns deles, mas temos felizmente alguns outros que continuam a prestar os seus serviços ao Colégio: José Alberto da Costa Matos (96/1950) é um deles. São nomes que ficarão na História do Colégio Militar. A Todos expresso a minha admiração e respeito pelo seu trabalho e dedicação ao Colégio e as gerações futuras reconhecerão o seu mérito e lhes darão o apreço devido. A Revista nos seus 200 números e 50 anos de existência regista assim o maior e mais fiel historial da AAACM e ainda do relacionado com os 212 anos do CM. É um acervo de inegável valor histórico para o Colégio e para todos que a ele estão ligados. Por outro lado, durante muitos anos, a Revista da AAACM e as Cerimónias do “3 de Março” constituiram os mais importantes e permanentes pilares e referências do Espiríto Colegial e da manutenção dos seus Valores, sendo felizmente reforçados ultimamente com os poderosos meios técnicos de comunicação que alimentam as redes sociais. A Revista adoptou recentemente uma feliz e simbólica designação: “ZACATRAZ”. Os parabéns

de nós todos. Com novo formato e variado e interessante conteúdo, tornou-se mais atraente, actualizada com artigos de opinião e oportunas entrevistas merece todo o nosso apoio. Cumprimento e felicito o seu Director, Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949) e a Redacção a quem auguro os maiores êxitos na continuidade da sua prestimosa actividade como referência fundamental na preservação da identidade colegial. A Direcção que tive a honra de pertencer no período de 1999 a 2002, teve uma relação privilegiada com a redacção da Revista sendo seu Director, Mário Margarido e Silva Falcão (314/1936), uma das figuras mais emblemáticas da nossa Associação nos últimos anos, um exemplo de simplicidade e de dedicação e amor ao Colégio. A Direcção no seu relacionamento com os restantes Orgãos Sociais da AAACM e com a Direcção do CM, beneficiou de uma exemplar colaboração em especial a que foi prestada pelo Presidente da Assembleia Geral, Carlos Manuel da Costa Freitas, (50/1933) que recordo com muita saudade e retenho como personalidade ímpar e uma das mais distintas que conheci no desempenho das minhas funções.

Ao Comandante do Exército, General António Eduardo Queiroz Martins Barrento (40/1948) e ao Estado Maior do Exército de então, deve a AAACM a cedência do Prédio Militar ...


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toral; aumentara drasticamente o número de da Marquês de Abrantes, alunos oriundos de famílias monoparentais; permitissem, facilitassem a educação massificara-se e proliferaram os e convidassem ao estreitaliceus e colégios em todo o País; o CM abriramento das relações sociais -se a agentes das Forças de Segurança e a fune reforçassem ao convívio cionários do Ministério da Defesa Nacional de Antigos Alunos, Alunos (MDN) e ainda a alunos oriundos dos PALOPs; e outras pessoas ligadas ao as estruturas das Forças Armadas haviam sido CM e respectivas famílias. reestruturadas e dependiam agora dum MDN O projecto previa prioritáque avocara toda a produção legislativa noriamente a instalação da semeadamente a relativa a assuntos de pessoal cretaria administrativa e do aproveitamento Essa Direcção herdou da Direcção antedesde a elaboração de estatutos ao complede quatro corpos do lado Norte do convento, rior do Rui Manuel Figueiredo de Barros tamento de pessoal civil, que limitou a todo devolutos há muito e em estado de grande (62/1936), entre outros projectos, o de levar o custo; o serviço militar passara ao sistema degradação, na qual se instalariam o restaua efeito a transferência da Sede Social, da Calde voluntariado e os efectivos reduziram-se rante, bar e salas de convívio. Admitia-se em çada Marquês de Abrantes para o Convento drásticamente sendo os Quadros prioritáriasegunda prioridade a recuperação do Teatro de Nossa Srª da Luz -Quartel da Formação-, mente valorizados nas tarefas operacionais; D. Luís Filipe. A este Projecto ficaram para actuais instalações no Largo da Luz. Eram a maior estabilidade dos militares convidara sempre ligados o João Augusto de Oliveira conhecidas as limitações da antiga sede e à presença dos filhos no lar reduzindo-se asAyala Botto (254/1948) que dirigiu, projectou pretendia-se materializar um projecto tentasim o interesse pelo internamento escolar; e acompanhou a execução, o Vasco Maria do em 1977, pela Direcção do Armando José o corpo docente, maioritariamente feminiTavela de Sousa Santos Pinheiro (254/1982) Marques Girão (426/1917) e em 1988, pela no, beneficiara de legislação que conduzia a como arquitecto e o Manuel de Mendonça Direcção do Joaquim Miguel de Matos Feruma cómoda inamovibilidade; criaram-se as Tavares da Silva (116/1950), como Coordenanandes Duarte Silva (8/1934), de encontrar dor da Comissão. A recupeum local adequado para satisfazer as exigênração do Teatro deve-se em cias estatutárias da nossa AAACM. A Direcção ... em anos sucessivos, Comissões de Antigos Alunos grande parte ao entusias- conduziram concretas e bem formuladas campanhas de do Rui Barros conseguiu encontrar 20 anos mo e sensibilidade do José após a primeira tentativa e através de uma esclarecimento público e prontificaram-se juntos da Tutela Afonso de Almada Negreiexcelente colaboração com a Direcção-Geral a apresentarem analises, projectos e estudos; ... ros (144/1945). de Infraestruturas do MDN uma solução que Em Novembro de 2000 se mostrou adequada ás nossas aspirações. Associações de Pais, de Professores, de Pesforam transferidos os serviços administratiAo Comandante do Exército, General Ansoal Civil; personalizara-se e generalizara-se vos e abandonada a velha sede da Calçada tónio Eduardo Queiroz Martins Barrento a utilização dos meios individuais de comuMarquês de Abrantes e em Julho de 2001 fo(40/1948) e ao Estado Maior do Exército de nicação e proliferaram os meios e os agentes ram inaugurados as dependências sociais da então, deve a AAACM a cedência do Prédio de comunicação social que concorriam para a nova Sede na Luz. Militar bem como o apoio e o acompanhaobtensão das notícias sencionalistas; etc, etc. Entretanto havia sido assinado o Protocolo mento necessários ao início das obras e à As consequências destas alterações foram entre a AAACM e a Associação das Antigas completa finalização desta fase do projecto dramáticas no funcionamento das InstituiAlunas do Instituto de Odivelas (AAAIO) que para a qual foram ainda imprescindíveis as ções que não cuidaram ou não foram autopermitiu a construção do actual Lar de Idogenerosas contribuições financeiras e de serrizadas a cuidar em tempo oportuno da sua sos, projecto conduzido pelo João Augusto viços dos Antigos Alunos que se mostraram restruturação. No caso do Colégio resultaram de Oliveira Ayala Botto (254/1948) e que cuja especialmente receptivos á conclusão da na quebra do aproveitamento escolar, na reexistência se deve a essa figura de excepção obra. dução do número de candidatos, na deterioque foi D. Ana Maria Pinto Soares Hoeppner, A nova situação certamente que iria consrização do funcionamento do serviço interno por parte da AAAIO. tituir um novo paradigma das relações da por falta de pessoal competente e dedicaApós vinte cinco anos da Revolução de Abril AAACM com os Antigos Alunos pois pretendo; na afectação do estado disciplinar e no e no dealbar do novo Século eram já evidendia-se criar condições e espaços que, ao conaumento exponencial de casos de violência tes no CM as repercussões das muitas alteratrário do que se verificava na sede da Calçafísica sobre os alunos mais novos, (bulling) ções que sofrera a Sociedae na sua publicitação, alguns apreciados nos de Portuguesa no referente Os directores dos Estabelecimentos Militares de Ensino tribunais. à importância dos Valores enfrentaram diáriamente sérias dificuldades e propuseram Históricos e da escala da Sob o pretexto de que o rácio aluno/prosucessivas alterações de legislação e de regulamentação fessor se encontrava desajustado e que as valorização da instituição estatutária que apresentadas ao MDN (onde se sucediam despesas dos Estabelecimentos Militares família. A demografia alsuperavam as que eram atribuídas ao ensiterara-se profundamente os Ministros) morriam nas gavetas dos acessores sob o no público, começaram a surgir nos Orgãos reduzindo-se o número de pretexto de se conseguir a “uniformização” dos estatutos de comunicação social notícias fortemente filhos por casal e concendos Estabelecimentos de Ensino. lesivas destes Estabelecimentos que precotrando-se as famílias no li-

As consequências destas alterações foram dramáticas no funcionamento das Instituições que não cuidaram ou não foram autorizadas a cuidar em tempo oportuno da sua restruturação. No caso do Colégio resultaram na quebra do aproveitamento escolar, na redução do número de candidatos, na deteriorização do funcionamento do serviço interno por falta de pessoal competente e dedicado; ...


No Cinquentenário da Revista A palavra aos Presidentes da Direcção da Associação

Infelizmente entendeu a actual Tutela levar a efeito uma restruturação dos Estabelecimentos Militares que não respeitou o tradicional projecto Colegial e ignorou as opiniões e pareceres que lhe foram dirigidas por muitas notáveis Figuras públicas e pelos Orgãos Sociais da AAACM e Comissões de Antigos Alunos. nizavam mesmo o seu encerramento. Havia a percepção de que certos sectores do espectro político dominante não aceitavam a existência dos Estabelecimentos Militares de Ensino (EMEs) e pretendiam, no mínimo, integrá-los na estrutura massificada do ensino público. Os directores dos Estabelecimentos Militares de Ensino enfrentaram diáriamente sérias dificuldades e propuseram sucessivas alterações de legislação e de regulamentação estatutária que apresentadas ao MDN (onde se sucediam os Ministros) morriam nas gavetas dos acessores sob o pretexto de se conseguir

Antigos Alunos conduziram concretas e bem formuladas campanhas de esclarecimento público e prontificaram-se juntos da Tutela a apresentarem analises, projectos e estudos; internamente apelou-se ao exemplar comportamento dos Graduados cujo actuação se considerava fundamental para a manutenção do prestígio do CM. O Projecto educativo do CM foi desde sempre assente nos princípios de um projecto escolar de raiz essencialmente militar com sólida formação cultural, física, moral e cívica, de acordo com a ética decorrente das virtudes militares; para isso defendia-se a manu-

O Batalhão Colegial - unidade de camaradagem e de lealdade onde convergem todas as virtudes que advém da sua formação de raiz essencialmente militar e que é forjada no dia a dia do convívio de anos de uma generosa mocidade que é desperta para os Valores da Pátria. A História não vai permitir que qualquer tutela política de ocasião, desconhecendo as realidades e ignorando os pareceres de quem reconhece o Valor do Espírito Colegial, destrua ou desvirtue uma Instituição de mais de dois séculos de existência que enfrentou situações políticas das mais variadas matizes, que formou cinco Presidentes da Républica e milhares de Portugueses que honraram e dignificaram a Pátria nos mais diversos sectores da Vida Nacional e que se orgulha de venerar o seu Estandarte Nacional – o mais condecorado da Pátria Portuguesa. a “uniformização” dos estatutos dos Estabelecimentos de Ensino. Era então evidente que se impunha tomar medidas que levassem à alteração da situação e encontrar soluções que permitissem rebater as falsas acusações e defender o prestígio que o CM herdara dos seus fundadores. Em Outubro de 1999, nas Comemorações do Dia da AAACM, o Presidente da Assembleia Geral, Carlos Manuel da Costa Freitas (50/1933), terminava o seu discurso levantando o problema “Quando, onde e como, devemos nós - o Colégio Militar -, evoluir para que mudando, no respeito pelas circuntâncias de hoje, possamos continuar iguais no respeito pelos valores de sempre”. Havia então a convicção generalizada de que era essencial restabelecer a excelência do ensino e a normal disciplina e funcionamento interno colegial. Com esse fim a AAACM acompanhou de perto as diligêncas levadas a efeito pela Direcção do CM. Desde então e em anos sucessivos, Comissões de

tenção da tutela das Forças Armadas e do estatuto de Estabelecimento Militar. Foi desde sempre um estabelecimento destinado ao internato masculino forjado ao longo de uma vivência de mais de dois séculos de existência o qual formara centenas de notáveis figuras públicas com distintos serviços prestados nos mais variados campos da vida nacional. Infelizmente entendeu a actual Tutela levar a efeito uma restruturação dos Estabelecimentos Militares que não respeitou o tradicional projecto Colegial e ignorou as opiniões e pareceres que lhe foram dirigidas por muitas notáveis Figuras públicas e pelos Orgãos Sociais da AAACM e Comissões de Antigos Alunos. Entendemos e a maioria dos Antigos Alunos assim considera que o CM se deve adaptar aos condicionamentos da actual vida social e que na sua organização e regulamento interno devem ser introduzidas as necessárias alterações, aliás como foi sendo feito ao longo dos dois séculos no respeito pelos princípios

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que nortearam a sua criação por esse grande Homem que foi o Marechal Teixeira Rebelo. Mas o Colégio não é um liceu. Além das tarefas inerentes a esses Estabelecimentos tem no seu interior - O Batalhão Colegial - unidade de camaradagem e de lealdade onde convergem todas as virtudes que advém da sua formação de raiz essencialmente militar e que é forjada no dia a dia do convívio de anos de uma generosa mocidade que é desperta para os Valores da Pátria. A História não vai permitir que qualquer tutela política de ocasião, desconhecendo as realidades e ignorando os pareceres de quem reconhece o Valor do Espírito Colegial, destrua ou desvirtue uma Instituição de mais de dois séculos de existência que enfrentou situações políticas das mais variadas matizes, que formou cinco Presidentes da Républica e milhares de Portugueses que honraram e dignificaram a Pátria nos mais diversos sectores da Vida Nacional e que se orgulha de venerar o seu Estandarte Nacional – o mais condecorado da Pátria Portuguesa.


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Manuel de Mendonça Tavares da Silva (116/1950) Presidente da Direcção de 2002 a 2005

Mandato da Direcção no período de 2002 a 2005 P

or feliz iniciativa do Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949), responsável directo pelo conteúdo da ZacatraZ, foi pedido aos antigos Presidentes da Associação um texto contendo o essencial das actividades exercidas nos seus mandatos. Devo porém dizer-vos que referir com um pormenor que se aproximasse muito da realidade, exigiria uma pesquisa que abrangesse as memórias e a documentação sobre os assuntos, nomeadamente as Actas das AG, as Actas das Reuniões da Direcção, a Revista e a documentação específica de cada acção, a qual está arquivada em dossiers próprios na Associação. Se se fizesse isso poderia dizer-se que se faria a História do mandato. Não o fiz. Puxei pela memória, relembrei o fundamental, consultei as Actas das Reuniões da Direcção, das Assembleias Gerais, alguns documentos de que disponho e fiz algumas perguntas. Por ter muito interesse para explicar a situação que se foi criando com a Nova Sede, farei também comentários sobre situações anteriores ao meu mandato, que se desenvolveu de 27 de Março de 2002 a 28 de Março de 2005. Fui Presidente da Assembleia Geral da Associação de Março de 1993 a Março de 1996, tendo como Secretário José Manuel de Almeida Campos Soares de Oliveira (112/1936). Neste período foi aprovada em várias sessões da AG, em grande consenso, uma versão actualizada dos Estatutos na sessão final de 204-1995 realizada na Antiga Sede na Calçada do Marquês de Abrantes Nº40 1º Dtº. Contribuíram de forma relevante e fundamental Carlos Manuel da Costa Freitas (50/1933) e António

Pedro de Oliveira Collares Pereira (300/1946), para a definição de um texto rigoroso e actualizado. Estes Estatutos vigoraram até a aprovação final de nova versão no mandato de José Eduardo Martinho Garcia Leandro (94/1950), exercido de 2005 a 2008. Foi também neste período que foi eleita a Direcção presidida por Rui Manuel Figueiredo de Barros (62/1936) para os anos de 19941996 que sucedeu à presidida por José Baptista Pereira (318/1947) de 1992-1994 e depois para novo triénio de 1997-1999. José Eduardo

Foi seguidamente assinado o “Protocolo sobre a Utilização do PM34/Quartel Velho da Formação ou Quartel Velho” entre a Associação e o Exército Português em Novembro de 1998 e novo Protocolo em Junho de 2002 ... Carvalho de Paiva Morão (256/1946) foi eleito Presidente da Associação para o triénio 19992002, que antecedeu o meu mandato. Para a preparação das iniciativas relacionadas com as Comemorações dos 200 anos do Colégio Militar e dos 100 anos da Associação que ocorreriam ambas em 2003, foi constituída por Rui Figueiredo de Barros uma Comissão presidida por Fernando Edgard Collet-Meygret de Mendonça Perry da Câmara (143/1940) com a colaboração de João Salgueiro Pinto Ribeiro (47/1935) e de João Luís da Costa Estorninho (207/1944) que preparou um memorando datado de Fevereiro de 1996 com proposta das acções a desenvolver. Neste

documento as efemérides foram consideradas de carácter Nacional o que condicionou e caracterizou o conteúdo das propostas para as Comemorações. As iniciativas definitivas foram decididas após um inquérito entre os antigos alunos e foram posteriormente assumidas num Memorando proposto pelo Chefe do Estado Maior do Exército General António Eduardo Queiroz Martins Barrento (40/1948), datado de 18 de Maio de 1998. Os acontecimentos comemorativos incluíam: ● Lançamento de selos comemorativos ● Lançamento de moedas comemorativas ● Lançamento de medalha comemorativa


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● Inauguração de monumentos (da autoria do escultor José de Brito) no exterior do Colégio ● Atribuições toponímicas referentes ao Colégio e a antigos alunos consagrados ● Manifestações públicas ● Reuniões ● Congresso na Gulbenkian ● Produção de objectos comemorativos ● Publicações A emissão da moeda comemorativa foi considerada fundamental, porque a autorização pelo Estado da libertação da soberania da emissão para a Entidade comemorativa (Exército) permitiria a cobertura das despesas das Comemorações. Porém, apesar do parecer de princípio favorável das entidades interessadas (Exército, Tesouro, Banco de Portugal e Imprensa Nacional-Casa da Moeda), esta última contrariou a iniciativa sem motivo real e conseguiu que esta não se realizasse. Os Pupilos do Exército concretizaram pelos seus 100 anos de fundação em 2011, a emissão de moeda comemorativa com o valor facial de 2,5 € com uma emissão em Cupro-Niquel e uma emissão em acabamento “proof” em prata. Participei activamente com a Direcção de Rui Figueiredo de Barros em múltiplas diligências como Coordenador da Comissão da Nova Sede que incluía Nuno Rui da Fonseca Santos Pinheiro (249/1947) e João Augusto de Oliveira Ayala Boto (254/1948), tendo em vista a cedência do “Quartel Velho”, PM 34, para a instalação da Nova Sede. Rui Figueiredo de Barros concretizou esse pedido de cedência junto do CEME. por ofício com refª RFB/ LCP/110, de 14 de Julho de 1994. Anteriores diligências em 1993 foram feitas junto da Câmara Municipal de Lisboa e do “Gabinete de Carnide”, mas o primeiro pedido formal da Associação ao CEME, na altura General Octávio Sequeira Rocha, foi concretizado por José Baptista Pereira enquanto presidente da Associação. Rui Figueiredo de Barros iniciou diligências com o ofício MTS/LLP Prº 26/LFE – D-34 de Abril de 1996 junto da Direcção Geral do Património do Estado “para sucessivas e programadas fases de alargamento da ocupação e consequente reestruturação de novas actividades no edifício do PM 34”. Foram delimitadas junto da DGP áreas do Antigo Convento da Nossa Senhora da Luz, com a Paróquia de Carnide, nos termos de Acta das reuniões datada de 6-5-1997.

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O meu mandato foi exercido na quase totalidade enquanto era Director do Colégio o General Mário Delfim Guimarães Tavares de Almeida (362/1955), com o qual houve sempre uma excelente relação.

Pelo ofício Nº 6126/DSGP/981104, o Sr. Director Geral do Património, Dr Manuel da Cunha Rego, deu o seu assentimento a um protocolo de utilização formalizado em “Auto de Devolução e Cessões em Simultâneo” em 21-7-1998, envolvendo a DGP a AAACM e a Paróquia de S. Lourenço de Carnide. Foi seguidamente assinado o “Protocolo sobre a Utilização do PM34/Quartel Velho da Formação ou Quartel Velho” entre a Associação e o Exército Português em Novembro de 1998 e novo Protocolo em Junho de 2002 preparado com a intervenção da Direcção de José Paiva Morão, assinado já por mim, em nome da Associação e também pela Ana Maria Pinto Soares Hoeppner em representação da AAAIO, que previu a cedência dos espaços por um período de 36 anos. A intervenção da AAAIO no processo foi de interesse mútuo pela necessidade que tinha de encontrar área conveniente para a construção do seu Novo Lar e da AAACM por motivos estratégicos de segurança da cedência e amizade entre as Instituições. Os contactos iniciais entre as Associações sobre o assunto remontam aos anos 90. As áreas no PM34 foram partilhadas no meu mandato por Protocolo assinado entre ambas as Instituições. As obras no PM34 iniciaram-se na vigência do mandato de José Eduardo de Paiva Morão após conclusão do projecto base de recuperação e ocupação funcional do edifício, concluído em 1998 por Nuno Santos Pinheiro, João Ayala Botto e Vasco Maria Tavela de Sousa Santos Pinheiro (254/1982), sem qualquer encargo pelos seus trabalhos e foi apresenta-

do em AG de Março de 1999, altura em que cessei funções na Comissão para a Nova Sede. Sem entrar em mais pormenores sobre este assunto, que incluiu múltiplas diligências, refiro apenas que sobre a Nova Sede havia um projecto anterior da autoria do arquitecto antigo aluno José Manuel Francisco Maria de Castro Galhardo Soares Zilhão (288/1927) para a construção do edifício da Nova Sede no recinto do Colégio Militar em área que para o efeito tinha sido cedida pelo Exército. Este projecto foi preterido por decisão em AG de Junho de 1994 por se ter preferido a solução da instalação no PM 34.

Sobre o meu mandato de 2002 a 2005 Tomei a decisão de concorrer ao mandato após uma conversa ao almoço muito amável com o meu Amigo Rui Figueiredo de Barros. Os Corpos Gerentes foram eleitos na AG de 27-3-2002 e tiveram a seguinte composição: Assembleia Geral Presidente João de Almeida Bruno (230/1945), António de Carvalho Santos Silva (225/1950), Duarte Nuno de Carvalho Gomes de Castro (288/1949), João Paulo Noronha da Silveira Alves Caetano (609/1973) Direcção Presidente Manuel de Mendonça Tavares da Silva (116/1950), Vice Presidente Manuel Maria de Menezes Pinto Machado (92/1953), Vogais Mário Margarido e Silva Falcão (314/1936), João Luís Cabral Picão Caldeira (327/1951), Manuel Nuno da Costa Estorninho (207/1952), Bernardo Manuel Diniz de Ayala (171/1953), Vasco dos Santos Pinheiro (254/1982), João de Ayala Botto Mariz Fernandes (261/1984) (mais tarde substituído por cooptação da Direcção por motivo de deslocação para o exterior) por João Luís de Mascarenhas e Silva Schoerder Coimbra (54/1984) e Hugo Filipe Ribeiro da Costa Lapa (480/1989).


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No Cinquentenário da Revista A palavra aos Presidentes da Direcção da Associação

Foram feita 100 reuniões da Direcção durante o mandato, que corresponderam a 100 actas de Direcção. O meu mandato foi exercido na quase totalidade enquanto era Director do Colégio o General Mário Delfim Guimarães Tavares de Almeida (362/1955), com o qual houve sempre uma excelente relação. A acção da Associação foi fortemente condicionada pela Comemorações dos 200 anos do Colégio Militar e dos 100 anos da Associação no mesmo ano de 2003, assim como pela necessidade de continuar e terminar as obras no Teatro D. Luiz Filipe, para as quais não havia verba disponível devido às cedências do Exército estarem já absorvidas pelos trabalhos na zona do Restaurante e nos dois módulos anexos. A Associação tinha pois que contar com os meios próprios e com as ofertas e subsídios que conseguisse obter. Perante as dificuldades colocadas pelas exigências do que se pretendia atingir e pela escassez de meios disponíveis, foi notabilíssima a mobilização dos antigos alunos, ajudando nas iniciativas programadas, contribuindo com avultadas verbas e desenvolvendo iniciativas próprias muitas delas graciosamente, transformando-se assim um fracasso anunciado, num enorme e creio que incomparável e extraordinário sucesso.

Comemorações dos 200 anos do Colégio Militar Vou limitar-me a enunciar o que de mais relevante foi realizado. Publicação de 5 Volumes sobre o Colégio. 3 Volumes sobre a História da autoria de José Alberto da Costa Matos (96/1950). 1 Volume sobre o Espírito da autoria de Luís Miguel da Costa Alcide de Oliveira (163/1952). 1 Volume sobre os Jardins da autoria de José Afonso de Almada Negreiros (144/1945). O trabalho dos autores foi gracioso. Estes livros foram realizados nas tipografias do Exército com o acordo do Comandante de Instrução Tenente-General Durão Barroso e foram integralmente pagos pela Associação e com o produto das vendas. ● Selos comemorativos dos 200 anos – impressos pelos CTT – iniciativa sem encargos ● Moeda Comemorativa dos 200 anos – Iniciativa abortada pelo que se referiu, embora o processo de pedido fosse em processo

completo e rigorosamente justificado ● Medalha de esmalte – de técnica de execução muito sofisticada – paga com o produto das vendas e pela Associação ● Récita na Gulbenkian – realizada no grande auditório com sala cheia com a presença de personalidades políticas, da Administração da Fundação e com uma enchente de antigos alunos e Famílias e Amigos do Colégio. O espectáculo foi realizado por antigos alunos, tendo contribuído com relevância os antigos alunos João Manuel Saturnino Balula Cid (595/1967) e João Maria Centeno de Gorjão Jorge - Rão Kiao (147/1959), entre muitos outros. O pagamento desta récita foi feito

Durante o mandato do Director Tavares de Almeida obtiveram-se destacadamente os melhores resultados em relação a anos próximos relativamente ao número de concorrentes para admissão no Colégio. com a ajuda muito relevante da EuroAtlantic Airways de Tomaz Júlio Teixeira de Azevedo e Guimarães Metello (462/1958) no valor de 25.000€ e com a oferta de um beberete para as personalidades VIP oferecido pela empresa Trivalor. A Associação pagou aos artistas e à Fundação com a ajuda que referi e com os meios próprios, tendo acordado um pagamento faseado à Fundação que amavelmente aceitou e cujos pagamentos terminaram em Fevereiro de 2004. ● Finalização das obras no Teatro D. Luiz Filipe – Recebemos as obras no Teatro por

finalizar quer de construção civil quer de equipamento necessário para os espectáculos (som, iluminação, teia para suporte de cenários, electrificação). Obteve-se após entrevista com o Sr. Presidente da Câmara de Lisboa Dr Pedro Santana Lopes um apoio financeiro de 12.000€ . O Sr. Director do Colégio Militar também concedeu 5.388€ e o Governo Civil de Lisboa 4.500€. Estas obras foram quanto ao projecto e quanto à especialidade civil executadas graciosamente por José de Almada Negreiros e por João Ayala Boto. Foram também estes dois antigos alunos que superintenderam as obras no Novo Lar da AAAIO. ● Abastecimento eléctrico do Teatro D. Luiz Filipe e do PM 34 prevendo as absorções de potência necessárias para a AACM e AAAIO – Foi feito um projecto de instalação eléctrica para o Teatro e um projecto de Segurança. A inspecção Geral de Actividades Culturais (IGAC) aprovou em 29-5-2009 a abertura da sala ao público. Foi feito um projecto de abastecimento de energia eléctrica pela EDPcom com o recurso a um Posto de Transformação (PT) – Engª Clotilde Dias – com a capacidade adequada, a localizar à entrada do portão oeste do recinto. Foi também feito o projecto de distribuição de energia a partir do PT para os locais de consumo - Engº Costa Dias. O PT foi instalado no mandato seguinte de Garcia Leandro, e o seu custo foi suportado proporcionalmente às potências fornecidas para as instalações da AAACM e da AAAIO por ambas as associações. ● Estabeleceu-se uma concessão de exploração do Teatro D. Luiz Filipe com a sociedade SPARA – Sociedade Portuguesa de Agenciamento e Representação de Actores, SA de Luís Augusto Esparteiro Lopes da Costa (227/1969) e Outros, em Maio de 2003.


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Durante o mandato do Director Tavares de Almeida obtiveram-se destacadamente os melhores resultados em relação a anos próximos relativamente ao número de concorrentes para admissão no Colégio.

Comemorações dos 100 anos da Associação Foi decidido pela Direcção o seguinte programa para as Comemorações (Acta nº 1273) Dia 23-10-2003 (5ª Feira)

Homenagem ao Colégiio dos AA da Armada

● Condecoração do Estandarte do Colégio Militar – Foi agraciado com a Ordem Militar de Aviz (D.R. II série nº273 de 26-11-2002). ● Cerimónia no Teatro da Câmara de Oeiras – com a presença de Vereador da Câmara, do CEME e da Associação. ● Inauguração de toponímias em Oeiras da Praça Marechal António Spínola em 5-62003 e da Avenida do Colégio Militar. ● Homenagem na Cumieira ao Fundador Marechal Teixeira Rebelo em 17-3-2003. ● O Plano Geral de ocupação do PM34 incluindo já as áreas da AAACM e da AAAIO, foi aprovado pela Direcção da Associação em 28-1-2013 para apresentação e apreciação na AG de Março de 2013. Em Setembro de 2004 o IPPAR deu a aprovação para o Lar da AAAIO em função das áreas previstas no Plano Geral. ● Missa solene na Igreja de S. Domingos presidida pelo Sr. Bispo D. Januário Ferreira acolitado pelo Padre Braula Reis e pelo capelão do Colégio Padre Valdemiro. ● Inauguração pública do Teatro D. Luiz Filipe com a presença do Sr. Presidente da Câmara de Lisboa Dr. Pedro Santana Lopes em 28-5-2003. Outras actividades concretizadas ● Reforma da função administrativa com a entrada de dois novos funcionários em substituição do Sr. Ramos Antunes que se reformou e da Srª. Maria Leonor devido a ausência prolongada do trabalho por conflito laboral. Foi iniciada a respectiva acção judicial para resolução do conflito que terminou

no mandato de Garcia Leandro. ● Início do processo judicial de cessação do contrato com a Meninos da Luz Sociedade de Gestão da Área da Restauração por falta sistemática de pagamentos contratuais. Este processo foi também encerrado no mandato de Garcia Leandro. ● Outras edições: Câmara Municipal de Lisboa editou livro do antigo aluno João António Ferreira Lamas (75/1931) sobre antigos alunos na toponímia de Lisboa; Artigos na Revista Militar.

Sou muito crítico em relação ao que se está a passar e para o evitar apresentei por escrito uma estratégia em Conselho Supremo e à Direcção que representa no essencial a emancipação do Colégio, que creio teria asas para voar por Si e Connosco, evitando que vá morrendo lentamente no charco onde o colocaram. ● Melhorias na edição da Revista de Associação tendo em vista a redução de custos ● Visita do Comité de Colégios Militares do Brasil ● Cerimónia na Sociedade de Geografia ● Homenagem dos oficiais da Armada ao Colégio em 25-3-2003 ● Torneio de Golfe – Bicentenário no Algarve com venda de pólos e chapéus dos 200 anos e arranque da revista de Golfe da AAACM

● 11h00 Concentração da Velha Guarda (+ 70) nos claustros 11h30 Deposição de flores no monumento do Largo Luz e no busto do Fundador ● 12h00 Missa com coro dos alunos do Colégio na Igreja da Luz ● 13h00 Fotografia de Grupo na escadaria do Palácio Mesquitela ● 13h30 Almoço da Velha Guarda no Colégio Militar ● 17h00 Condecoração da AAACM como membro honorário da Ordem de Mérito no foyer do Teatro ● 17h30 Sessão solene com palestra do Tenente General Vasco Joaquim Rocha Vieira (127/1950) no Teatro D. Luiz Filipe Dia 26-10-2003 (Domingo) ● Rally paper – não foi realizado por falta de concorrentes Dia 27-10-2003 (2ª Feira) ● 21h00 Apresentação de objectos comemorativos do centenário – Medalhas, Tshirts, Pólos, Vinho do Bicentenário da Quinta Chocapalha de Paulo Manuel de Mendonça Tavares da Silva (434/1953) ● 21h15 Descerramento da lápide alusiva no foyer do Teatro ● 21h30 Concerto comemorativo no Teatro D. Luiz Filipe Dia 28-10-2003 (3ª Feira) ● 18h00 Tertúlia no Bar do Restaurante ● 18h30 Lançamento do livro da Culinária Colegial da autoria de João Salgueiro Pinto Ribeiro (47/1935) com desenhos de António Carlos Rainha Perry da Câmara (166/1967) que ofereceram graciosamente o seu traba-


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lho. Foram oferecidos 1.000 exemplares do livro pela tipografia Restauradores ● 19h00 Lançamento do livro de poesia Luz e Raiva de Roberto Ferreira Durão (15/1942) no Teatro D. Luiz Filipe ● Oferta de um painel de azulejos pelo Tito Lívio Esteves Xavier (335/1947) ● 20h00 Jantar de confraternização no Restaurante da AAACM Dia 31-10-2003 (6ª Feira) ● 11h00 Evocação dos Marechais Presidentes da República antigos alunos do Colégio. Plantação de 5 tílias na álea dos Presidentes antigos alunos ● 20h30 Jantar de gala na messe da Força Aérea em Monsanto – Encerramento das Comemorações Outros acontecimentos complementares: Exposição fotográfica com a colaboração do Arquivo Fotográfico da CML – Restaurante na sala de sócios da AAACM. Programa radiofónico na Antena 2 recordando os artistas músicos antigos alunos Tomás de Aquino Carmelo Alcaide (236/1912) e Rui Eduardo Azinhais Ferrão (161/1930). Instituição do Prémio da Associação a atribuir na sessão de abertura das aulas ao aluno finalista que melhor se identifique com o espírito de camaradagem e solidariedade em homenagem ao Fundador da Associação. Em 2004 foi organizado nas instalações do Campos Colégio Militar o Torneio de Bridge

da Associação, por José Manuel de Almeida Campos Soares de Oliveira (112/1936), sendo já o maior torneio de brigde em Portugal.

cia Leandro, lhe propus que se candidatasse ao próximo mandato, o que em boa hora aceitou para bem da Associação.

Comemorações dos 101 anos da Associação

O Futuro do Colégio Militar

Foram comemorados os 101 anos da AAACM no dia 23-10-2005 sendo a data do aniversário a 25-10-2005. Estabeleceram-se várias actividades de que destaco uma palestra do Director do Colégio e uma alocução sobre o Fundador da Associação Philantrópica dos Alumnos do Real Colégio Militar, General Luís Augusto Pimentel Pinto (99/1854), pelo Coronel Ribeiro Soares director do Jornal “O Combatente”, ambas as intervenções no teatro D. Luiz Filipe Não deixo de referir que a Direcção sofreu um revés desagradável muito injusto na AG Extraordinária de 6-12-2004 convocada para aprovar uma revisão dos Estatutos considerada necessária o que não se conseguiu concretizar devido a uma inadequada apresentação e à influência militante de grupos de antigos alunos contrários a orientações seguidas pela Direcção. Esta actualização dos Estatutos foi depois concretizada no mandato de Garcia Leandro. E, mesmo para finalizar estas breves notas sobre o mandato da minha Direcção, revelo que num agradável almoço a meu convite com o meu camarada de curso e Amigo Gar-

Caros camaradas antigos alunos, este documento já vai longo e possivelmente é chato, mas não posso deixar de expressar o que penso sobre o Futuro do Nosso Colégio, mais importante que todos os mandatos de Direcções que representam o nosso esforço em sucessivos momentos para manter a continuidade do Colégio, do seu Espírito e da Camaradagem entre os antigos alunos. Sou muito crítico em relação ao que se está a passar e para o evitar apresentei por escrito uma estratégia em Conselho Supremo e à Direcção que representa no essencial a emancipação do Colégio, que creio teria asas para voar por Si e Connosco, evitando que vá morrendo lentamente no charco onde o colocaram. Está o que referi na Acta Nº 2 de 2013 do Conselho Supremo. O que refiro não tem a mínima intenção de minimizar os enormes e heróicos esforços que foram empreendidos pela Associação e por Todos Nós, mas muito infelizmente, seguindo uma estratégia errada para enfrentar o fatídico e imponderado despacho de S. Ex.ª o MDN Nº 4785/2013, de 8 de Abril.


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José Eduardo Martinho Garcia Leandro (94/1950) Presidente da Direcção de 2005 a 2008

A Direcção da AAACM no período 2005/2008 F

acontecido. Terá sido esquecido pelos actuais ui Presidente da Direcção da AAACM enuma breve comemoração com a AAAIO festeresponsáveis? tre 28/03/2005 e 18/03/2008, depois jada com espumante) e avançar com o início Como consequência, ficariam ali instaladas de José Eduardo Carvalho de Paiva Morão das mesmas que fizeram uma revolução no as Sedes das duas AAA, bem como um Lar (1999/2002) e de Manuel de Mendonça Taespaço interno do PM34. Assim, de acordo da AAAIO (designado como NOVA CASA), vares da Silva (2002/2005), períodos que cito com o Plano Director preparado, as instaprocesso que durou muitos anos (começou por serem essenciais para se compreender a lações provisórias da AAACM no PM34 que com a Direcção de Paiva Morão em apoio da tripla situação rara por que se passou então. eram muito más, com este processo iriam ser incansável Ana Maria Pinto Soares Hoeppner) Para este texto evitei uma exposição cronolóintegradas na área definida para a AAAIO (sua devidamente autorizado por todas as Autorigica de tipo relatório algo cansativa, optando Sede e Lar); tal significaria a necessidade de, dades competentes e inaugurado por S. Ex.ª por me concentrar nos grandes temas, seu com base em instalações muito antigas ou o Presidente da República e Senhora de Cadesenvolvimento e no enquadramento geral abandonadas, construir: vaco Silva em 14/01/10; entretanto, com os de então. - Nova Sede para a AAACM (projecto muito Assim, pode ser dito que foi um período dispendioso que foi concretizado apede trabalho intensivo com más condinas com o apoio financeiro, de trabalho Um dos segredos para os bons resultados que ções, muitas dificuldades e limitações de tivemos foi ter conseguido que nos nossos Órgãos e em materiais oferecidos por vários tempo, essencialmente marcado por: Sociais, principalmente na Direcção, estivessem repre- AA, recuperando um abandonado imó- A comemoração do Bicentenário do vel que tem uma inscrição em pedra de sentadas todas as gerações desde os 80 aos 20 anos, 1639), a fim de libertar atempadamenCM em 2003 e suas consequências, cujo processo começou com grande antece- bem como sensibilidades diferentes ... te o espaço para a AAAIO, e cuja inaudência, bem como vários estudos sobre guração foi feita em 03/03/2008, ainda meus antecessores, já se encontrava a funcioo futuro do CM com continuação ininterrupta com esta Direcção; nar o Restaurante e o Teatro (cuja recuperaao longo dos anos. - Construção para a AAAIO de um espaço ção foi feita com o apoio da CML, no tempo - A transferência da Sede da AAA da Calçada completamente novo na zona mais espaçosa do Dr. Santana Lopes que esteve presente na Marquês de Abrantes para o PM34 (Quartel e adaptação do edifício onde estava o Secresua inauguração em 28/05/03), ambos com da Formação) depois do Protocolo assinado tariado da AAACM (r/c) e instalações de Sarautorização do EME; com o Exército Português em 1998 por 10 gentos do CM (1º andar), entretanto transfe- O terceiro ponto, fora de qualquer rotina, anos e de outro feito em 2002 para a cedência ridos para novas instalações no PM35, para deste PM34 às AAACM e AAAIO por uso da Sede da AAAIO e do Lar; 36 anos; esta possibilidade ocorreu - Construção de um Posto de TransFoi uma Direcção que funcionou com grande coesão ... já que havia a intenção, depois conformação da EDP para poder districretizada, de instalar tudo quanto o buir energia e responsabilizar todos aconteceu durante o meu mandato com a neCM tivesse no PM34 no PM35 (espaço nobre estes utentes do espaço integrado do PM34, cessidade de realizar todo o processo de condo CM), o que se foi concretizando e terminaPosto que previa 8 saídas e que contou com curso das obras a realizar para o LAR (desde do em finais de 2007, para depois se poder um apoio financeiro do EME (Despacho do que chegou a tão longamente esperada autodesafectar o PM34 da ligação patrimonial ao CEME de 2003, reiterado e concretizado em rização definitiva em 27/03/07, o que levou a MDN/Exército, algo que parece não ter ainda 2007), pago também pelas AAACM e AAAIO;


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sa altura apoiado pelo Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949), pelo Bernardo Manuel Diniz de Ayala (171/1953), Secretário Geral da AAA, sempre presente e produtivo, de grande segurança administrativa, rigor e capacidade de diálogo e em contacto quase diário com o Subdirector CM, pelo Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958), Tesoureiro, com inesgotável imaginação e capacidade de trabalho, responsável por muitas das novas iniciativas então tomadas, pelo Carlos Francisco da Silva do Rio Carvalho (307/1971), filho de AA e pai de dois alunos de então, de um entusiasmo e dedicação inultrapassáveis, responsável pela parte desportiva, ligação à APEECM e por estudos sobre o futuro do CM, pelo Samuel Ma (29/1995), o benjamim do grupo que tinha sido o Porta Estandarte do CM quando do Bicentenário, ainda estudante do IST, responsável pela informatização da vida da AAA e pelo seu site, isto sem esquecer todos os outros. Nesta Direcção, cuja foto se segue já nas novas instalações da AAA em Março de 2008, embora havendo formalmente Vogais Efectivos e Suplentes, todos os 12 funcionaram petido. Por outro lado, sempre me confundiu Este o grande enquadramento que nos domisempre como efectivos, havendo que consina tradição da AAA o excesso de seniores da nou, sem esquecer o que vem a seguir. derar nalguns muito sobrecarregados na sua sua Direcção e alguma despreocupação com Eu tinha começado a ser contactado para o vida profissional o seu conselho e a ligação a ligação à herança dos antecessores. Recebi exercício destas funções em Dezembro de a áreas específicas, sendo de lembrar o Vice naturalmente o conselho de AA que muito 2004 por vários AA não tendo no meu pasPresidente João Geraldes Freire (82/1945), considerava e integrei naquela Direcção cinsado, devido ao que foi a intensidade e diverque além de substituto do Presidente fez co membros que eu ainda não conhecia com sidade da minha vida profissional, qualquer vários estudos sobre a revisão dos Estatutos um leque de idades muito aberto, mas que ligação às actividades da AAA, o que foi conda AAA, o Victor Manuel de Oliveira Santos me pareceram especialmente dotados para siderado uma vantagem pela independência (365/1949) e o José Manuel Nunes Salvador o muito que teríamos de fazer, o que veio a que me dava. Tribolet (230/1959) essencialmente ligados ser comprovado com os bons resultados alPara fazer frente a este novo desafio consideaos estudos sobre o futuro do CM, o rei que me deveria apresentar à AG de Março de 2005 com um Programa de Os estudos sobre o futuro do CM ocuparam muito Manuel Ramos de Sousa Sebastião (604/1961), então no Banco de PorAcção que foi aprovado e quase totaltempo, vários GT, AA e entidades exteriores, mas a tugal, cujo bom senso, serenidade e mente cumprido: Essencialmente haveria que tudo fazer AAACM não era (e não é) proprietária do CM pelo que contactos eram úteis para qualquer para juntar a Comunidade dos AA e re- havia uma linha de fronteira entre a Reserva Moral, de tema e o Vasco Maria Tavela de Sousa Santos Pinheiro (254/1982), jovem Arsolver a questão das infra-estruturas, Valores e Conhecimento que é a Associação e a linha quitecto, a quem se deve a concepção incluindo a previsão da construção do hierárquica dos responsáveis pelo CM, desde a sua e acompanhamento das obras relacioLar, sem esquecer a ligação ao passado, Direcção ao EME e MDN. nadas com a nova Sede da Associação ao CM e ao seu futuro. e também para o Lar das AAAIO. Embora não cançados. Um dos segredos para os bons resultados que fizesse parte desta Direcção não pode ser Foi uma Direcção que funcionou com grantivemos foi ter conseguido que nos nossos esquecido o João Augusto de Oliveira Ayala de coesão, entusiasmo, sem descanso (fizeÓrgãos Sociais, principalmente na Direcção, Botto (254/1948) já do anterior ligado à AAA mos cerca de 40 reuniões por ano, normalestivessem representadas todas as gerações e sobre o qual recaiu todo o trabalho do conmente às 4ª feiras) e pelouros distribuídos, desde os 80 aos 20 anos, bem como sensibilicurso para as obras da NOVA CASA (houve tendo eu salientado especialmente na AG dades diferentes e elementos que já tivessem 14 concorrentes) e o acompanhamento das de 18/03/2008, em que foram eleitos novos estado em Direcções anteriores para que fosrespectivas obras, mesmo com prejuízo da Corpos Sociais, o trabalho desenvolvido pelo se assegurado o conhecimento e a evolução própria saúde. Mário Margarido e Silva Falcão (314/1936), sem roturas; em qualquer função e instituimemória da Associação, para a qual vivia, ção há sempre que perceber que o mundo Deste mandato considero dever salientar, e responsável pela Revista da AAA durante não começa connosco, sendo o seu esquealém do Plano Director já citado: muitos anos num formato antiquado (já nescimento um erro por muitos cometido e re-


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- Todo o trabalho de modernização administrativa, com a sua progressiva informatização e o arranque do novo site; como curiosidade é de registar que a última ACTA manuscrita das reuniões da Direcção é de 03/01/2007; - Levantamento da base de dados individuais de todos os AA do CM, trabalho de longa duração que deu origem à publicação (há muito desejada) “Meninos da Luz – Quem é Quem”, edição de 2006, lançada nos Paços do Concelho da CML em 25 de Maio, com a presença do seu Presidente, Eng. Carmona Rodrigues; esta versão foi sendo actualizada dando origem a uma 2ª edição apresentada em 02/03/2008 no Auditório do CM; - Rescisão dos contratos com as explorações do Teatro e do Restaurante por razões diferentes; no primeiro em que o Luís Augusto Esparteiro Lopes da Costa (227/1969) e a AAA tinham feito grandes investimentos por falta de rentabilidade devido a não se ter conseguido que o Teatro integrasse o circuito de teatro de Lisboa, embora tivesse apresentado espectáculos de qualidade, tendo sido mandes provadas de qualquer ordem, o que era val de Lisboa (ANL) foram organizadas regatas tido o contrato com a RTP/ANTENA 1 para o feito através do conhecimento pessoal ou de com AA antes deste almoço; seu programa semanal; no segundo caso, por pedidos concretos. O número de apoiados - A organização da Sala de Armas (esgrima) da falta de qualidade da empresa de então que foi crescendo ao longo dos anos, mas nunca AAA em instalações do Estádio Universitário, foi substituída com grande sucesso, depois de atingiu as disponibilidades financeiras atriiniciativa de grande sucesso e que se autoconsulta a vários interessados; buídas pela AAA. Concluiu-se que havia duas -sustentou ao longo dos anos; - Actividades que procuraram juntar os AA razões para tais limitações: algum pudor por -Criação em 2007 do “Prémio Barretina” que com frequência, tais como: parte dos necessitados e certa incapacidade procurou distinguir Instituições, Entidades e - Disponibilidade da AAA para dar apoio lode conhecimento geral por parte da CS, situaAA que se distinguiram em várias actividades gístico e organização normalizada às reuniões ção que só poderia ser ultrapassada através dando prestígio a Portugal e ao CM, iniciativa periódicas dos Cursos de AA, o que teve boa de cada Curso da AA. A situação geral do País que se consolidou e ganhou prestígio; aceitação e muito facilitou a vida de cada agravou-se depois desta Direcção Curso; pelo que terão aumentado os pedi- Comemoração do dia da AAA ... Ministra da Educação, Maria de Lourdes Rodrigues a dos, mas também tendo sido criado (23OUT), adicionando ao almoço quem tudo sobre o CM foi explicado e que considerou, para o Conselho de Delegados de Curso da “Velha Guarda” um espectáculo que teve lugar no Auditório do CM este tipo de Instituição de referência, não ver inconveniente (CDC) que poderá ajudar a encontrar em que o Corpo Docente pudesse ser escolhido, desde com menos dificuldades a detectar durante estes três anos; os interessados. É algo que sendo - Participação na meia maratona de Lis- que não houvesse qualquer impedimento legal. Embora nobre e necessário, nunca será fácil boa com muitos AA, mas também com tivéssemos informado quem de direito, esta abertura não e nunca estará terminado. uma equipa representante do CM; teve sequência. Gostaria de lembrar o trabalho dos - Continuidade do Torneio de Bridge José Augusto Monteiro Torres Pinto Soares - Concurso “Quem sabe, sabe” com base nos organizado pela AAA (com a mão do Eng. José (1/1930), Álvaro Nuno Lemos da Fontoura modelos nacionais e internacionais conheciManuel de Almeida Campos Soares de Olivei(167/1931), José de Oliveira Marinho Faldos e estando os concorrentes organizados ra - 112/1936) que chegou a reunir 84 particicão (75/1937) e do Roberto Ferreira Durão em equipas; teve também grande afluência pantes e ganhou prestígio pela qualidade da (15/1942), sem esquecer o José Francisco e bom ambiente, tendo tido lugar no hall do sua organização; Teles Pereira da Rosa (280/1949) com o qual, Auditório do CM de 2005 a 2007. - Continuidade da Sardinhada de Junho na a partir de certa altura, se procurou rejuve-Especial palavra é devida para a Comissão Feitoria, procurando contar com a presença nescer a CS, contando também coma as suas de Solidariedade (CS) funcionando com aude gerações mais novas; em 2006 a afluência ligações à Associação “Coração Amarelo”. tonomia de opções e contabilidade dentro foi grande, o que levou à situação ridícula de Também através da AAA se começou a criar do contexto da AAA; o seu objectivo era o que quando chegaram os Director e Subdirecuma rede de contactos a fim de apoiar AA na mais nobre e o primeiro da AAA, ou seja dar tor do CM não havia já lugares livres; a isto e procura de emprego. apoio pessoal ao AA que tivessem dificuldadepois de um Protocolo com Associação Na-


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Os estudos sobre o futuro do CM ocuparam muito tempo, vários GT, AA e entidades exteriores, mas a AAACM não era (e não é) proprietária do CM pelo que havia uma linha de fronteira entre a Reserva Moral, de Valores e Conhecimento que é a Associação e a linha hierárquica dos responsáveis pelo CM, desde a sua Direcção ao EME e MDN. Acresce que os Estatutos da AAA então em vigor não lhe davam responsabilidades sobre o funcionamento e futuro do CM; tudo o que foi feito passava pelo conselho, diálogo e aceitação por parte dos responsáveis formais, às vezes intermediação, não mais do que isso. Constatou-se que a Direcção do CM (com cujo Director falava uma ou duas vezes por semana, além do Bernardo Ayala falar quase diariamente com o Subdirector, como já indicado) pouco poder tinha para a resolução dos problemas estruturais e que na generalidade a posição do CEME era de muita simpatia no diálogo com a Direcção da AAA, mas sem querer que participasse nos estudos sobre o tema, o que fora proposto várias vezes, verbalmente e por escrito; assim, antes do final do ano lectivo 2005/2006 a AAA foi surpreendida com a informação que o CEME tinha decidido que futuramente todos os alunos passariam a ser externos, o que nunca se chegou a concretizar. Com a mudança de CEME em 2007 a posição foi alterada, a receptividade e o interesse aumentaram, mas não foram atingidos resultados palpáveis. Considero de registar que em 04/07/05 uma Delegação da AAA (com o então Presidente da Mesa da AG, Eduardo Maria Rato Martins Zúquete (20/1945), e o VP da Direcção João Geraldes Freire) foi recebida cerca de uma hora pela Ministra da Educação, Maria de Lourdes Rodrigues a quem tudo sobre o CM foi explicado e que considerou, para este tipo de Instituição de referência, não ver inconveniente em que o Corpo Docente pudesse ser escolhido, desde que não houvesse qualquer impedimento legal. Embora tivéssemos informado quem de direito, esta abertura não teve sequência. As cerimónias oficiais do “3 de Março” de 2008 foram presididas por S. Ex.ª o Presidente da República tendo então sido feito “Aluno Honorário do CM”, o que não alterou o curso desejado deste processo estrutural. No mandato seguinte fui eleito Presidente da Mesa da AG, tendo sido aprovada uma profunda alteração dos Estatutos da AAA em AGE de 21/10/2008, assumindo esta as suas responsabilidades pelo futuro do CM, o que

... os últimos anos têm sido muito difíceis passando o CM por alterações estruturais feitas sem qualquer cuidado conceptual, institucional e de gestão, em tempo muito curto, esquecendo novamente o EME, as AAA e as APEE do CM e do IO. Só o tempo, o grande juiz vai dizer se estas decisões preconcebidas e impostas autoritariamente foram correctas; ... foi bem aproveitado pelas Direcções que se sucederam, embora os resultados alcançados não correspondessem ao desejado pela comunidade colegial. No âmbito da AAA será ainda de sublinhar o seguinte: - As relações com o Conselho Supremo foram sempre de grande entendimento e colaboração, o que foi muito facilitado pelo elevado nível individual e de desempenho do seu Presidente, Pedro José Rodrigues Pires de Miranda (372/1940), tendo as reuniões de informação sido normalmente propostas pela Direcção da AAA; - Relativamente à Revista da AAACM, dentro do conjunto dos muitos e importantes objectivos desta Direcção havia também a necessidade da sua modernização, quer na forma e apresentação, quer na riqueza e diversidade dos textos e colaboradores. Mas havia que considerar a figura muito respeitada e dedicada do Mário Falcão, cuja idade, mesmo sempre apoiado pelo Gonçalo Leal de Matos, já não o fazia sentir capaz de grandes alterações estruturais e de modo de trabalho; alguns resultados foram conseguidos em termos de colaboração, mas não na forma e apresentação de Revista. Só futuramente a Revista teve a sua grande alteração estrutural, coincidindo com a mudança do nome para “ZacatraZ” , o que também ocorreu com a capacidade atingida de contactar os AA via mail, passo indispensável para um alcance mais rápido e alargado da nossa comunidade. Como se pode ver pela fotografia seguinte, também se procurou rejuvenescer o Corpo Redactorial permanente da Revista. Todos estes assuntos estão tratados em detalhe nos Relatórios de Actividades e Contas dos anos de 2005, 2006 e 2007, aprovados pelas AG do ano seguinte. A novidade deste texto é permitir apresentar, de um modo resumido, uma visão distanciada no tempo, rigorosa nos dados e datas, e interpretativa sobre os conceitos, as intenções e os factos permitindo uma ligação com o passado e com o futuro da AAA e do CM. Há factos e decisões concretas que têm sido omitidos e deturpados e que aparecem pela

primeira vez expostos e integrados na sua sequência. Esta Direcção por razões de Programa e conjunturais foi responsável por muitas e profundas alterações estruturais da AAA. À guisa de conclusão pode ser dito que os últimos anos têm sido muito difíceis passando o CM por alterações estruturais feitas sem qualquer cuidado conceptual, institucional e de gestão, em tempo muito curto, esquecendo novamente o EME, as AAA e as APEE do CM e do IO. Só o tempo, o grande juiz vai dizer se estas decisões preconcebidas e impostas autoritariamente foram correctas; de qualquer modo, na natural substituição das gerações, espero que a AAACM continue sempre a fazer o seu melhor para honrar e defender o CM e Portugal; Nação, Instituições e População que tão mal tratadas têm sido por quem recebeu a obrigação de nos governar. Apesar de todos os erros e desconsiderações, creio que os actuais responsáveis políticos ficaram presos a um compromisso de continuidade, embora de contornos distorcidos, quanto ao futuro do Colégio Militar. Vamos considerar (simplificando) que foi uma adaptação muito estranha que não pode prejudicar a Instituição Colégio Militar criada em 1803 e que a AAACM deve continuar com a força de sempre e nunca perder o seu ânimo. Mas, também, nunca poderá ser esquecido o modo indigno e conceptualmente errado como foi abatido o Instituto de Odivelas.


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Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958) Presidente da Direcção de 2008 a 2011

De "Revista" a "ZacatraZ" - 50 anos Até Março de 2010 era simplesmente a “Revista”, depois de Junho de 2010 (edição n.º 179) fomo-nos habituando à sua nova e bem colegial designação: a “ZacatraZ”. A sua génese remonta a 1957 quando, graças ao esforço e ao génio de José Godinho Gama Barata (191/1921), foi criado nesse ano o “Boletim da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar”. Mas a sua publicação viria a ser interrompida em 1959, haviam então sido editados apenas quatro números. Decorridos seis anos - em 1965 - Carlos Ayala Vieira da Rocha (189/1929) retomou a iniciativa de criar uma publicação periódica da nossa Associação - a “Revista” – à frente da qual, sem prejuízo da acção militante de todos os seus Directores, entendo destacar, para além do seu fundador, os desempenhos e a dedicação de Rui Manuel Figueiredo de Barros (62/1936), de António Pedro de Oliveira Collares Pereira (300/1946), de Mário Margarido e Silva Falcão (314/1936) e de Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949). A todos eles e aos “carolas” que têm constituído o seu corpo redactorial devemos nestes 50 anos, através dos artigos que foram sendo publicados, a “convivência” com alguns dos factos mais marcantes da História de Portugal, do Colégio Militar e da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar (AAACM).

50 anos em Portugal Nesse período os portugueses sofreram os reflexos das guerras ultramarinas, as quais atingiram especialmente aqueles Alunos cujos pais ou irmãos prestavam serviço nos diferentes tea-

... os reflexos das guerras ultramarinas ... A comunidade colegial ficaria igualmente marcada pela morte em campanha de 19 Antigos Alunos. tros de operações. A comunidade colegial ficaria igualmente marcada pela morte em campanha de 19 Antigos Alunos. Os catorze anos de guerra viriam finalmente a culminar em 1975 com a independência das Províncias Ultramarinas de África, às quais se juntaria depois Timor-Leste. Já na década de 70, o regime político até então vigente viria a esboroar-se precipitadamente. Marcelo Caetano é nomeado Presidente do Conselho; Spínola publica “Portugal e o Futuro”; inicia-se o Movimento dos Capitães; e em Março de 1974 ocorre o falhado golpe militar das Caldas da Rainha. Depois, foi a vez do “25 de Abril” em que vários Antigos Alunos tiveram acção preponderante na sua concepção e execução operacional, o mesmo acontecendo no período que se seguiu, durante os anos de intervenção do poder militar na esfera política, designadamente a seguir aos golpes militares de 11 de Março e 25 de Novembro de 1975, e depois até à aprovação da Constituição de 1976. Já no Séc. XXI e por motivos de natureza bem distinta, Portugal é fortemente marcado por um processo de violenta austeridade decorrente de um pedido de assistência financeira internacional que terminou em 2014. No plano internacional Portugal adere à Comunidade Económica Europeia (1986) e ao Acordo de Shengen (1995). No ano em que são celebrados os 500 anos dos Descobrimentos, Portugal

organiza a Exposição Mundial (Expo 98), e em 1999 o território de Macau é devolvido à China pelas mãos de um Antigo Aluno seu último Governador. Em 2002 o “euro” passa a ser a moeda usada entre nós e, dez anos decorridos, Guimarães é Capital Europeia da Cultura (2012). Num outro plano, mas com impacto internacional, registe-se a atribuição do Prémio Nobel da Literatura a José Saramago, e a Souto Moura o Prémio Pritzker (o maior galardão mundial em arquitectura), enquanto Cristiano Ronaldo é por três vezes eleito como o melhor jogador de futebol do Mundo. No mesmo período foram ocorrendo internamente outros acontecimentos que mobiliza-


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nidas, ruas, praças, etc. Lembro, ... é assinado um Protocolo de colaboração entre entre muitos outros, os topónio Colégio e a Associação (2009) que tem como presmos Colégio Militar e Marechal-Fundador a duas Avenidas em suposto “o interesse mútuo de cooperação entre ao Lisboa (em 1978 nas comemora- Colégio e a Associação”; ... ções dos 175 anos da fundação), do Colégio Militar, uma Associação Centenária” e do nome Colégio Militar a uma estação de me“Ratas”; é assinado um Protocolo de colaboração tropolitano de Lisboa (1981) e, no centenário entre o Colégio e a Associação (2009) que tem do nascimento de António de Spínola, o seu como pressuposto “o interesse mútuo de coonome a uma avenida de Lisboa (2010). peração entre ao Colégio e a Associação”; é Por iniciativa de Antigos Alunos, mas tamadquirido em leilão um manuscrito original do bém de Directores do Colégio, foi perpetuado o Marechal Teixeira Rebello, datado de 1799, que nome do “Professor Dario Fernandes” atribuinmanifesta de forma bem patente a força do seu do ao Ginásio o seu nome, a chamada “Parada carácter; é inaugurada no Quartel da Formação Nova” passou a ter a designação “Parada Maa Nova Sede da Associação, sucedendo à situada rechal António Teixeira Rebello” (2015) e, em até então na Calçada Marquês de Abrantes; são 2011, em Cabo Verde, foi criada a “Biblioteca comemorados os 50 anos da Escolta a Cavalo Marechal Teixeira Rebello”. (2009); é prestada homenagem aos 29 Antigos Alunos que, em representação de Portugal, participaram em Jogos Olímpicos, são criadas na As50 anos no Colégio e na Associação sociação a Sala d’Armas (Esgrima e Pentatlo Moram a opinião pública portuguesa: o Processo derno) e uma equipa de Tiro, ambas federadas, Casa Pia, o colapso do grupo Espírito Santo, a No meio século em referência alguns factos uma equipa de Futsal e a denominada Ordem detenção do ex-Primeiro Ministro José Sócrates relevantes foram acontecendo em ambas as de Mérito Côr de Pinhão (Golfe); são registadas e ainda, as mortes de conhecidas personalidainstituições. Comecemos pelo primeiro, tentancomo propriedade da Associação as marcas “Bardes nacionais: Salazar (1970), Amália Rodrigues do na sua descrição seguir a ordem cronológica: retina”, “Meninos da Luz” e “Zacatraz”. No plano (1999), Álvaro Cunhal (2005) e Eusébio (2014). São comemorados os 150 anos da fundação do social é criado um Fundo de Solidariedade disColégio e o 150º Aniversário da publicação do 1.º pondo de regulamento autónomo e destinado a Alvará e Regulamento do Real Colégio Militar; apoiar Antigos Alunos em situação difícil. no período revolucionário de 1974-75 os Alunos 50 anos de reconhecimento Na área da projecção do Colégio no exterior, reagem à instabilidade política vivida no país atradurante dois anos a Associação mobilizou esvés de diversos actos no interior do Colégio; presEnquanto tudo isto foi ocorrendo no país, a colas primárias para visitarem o Colégio com tam também homenagem aos Antigos Alunos actividade do Colégio e da Associação foi sendo consequências muito positivas no aumento das António Sebastião Ribeiro de Spínola (33/1920) reconhecida e posta em destaque. candidaturas e na selecção nas admissões. No e Francisco da Costa Gomes (254/1924); e são Institucionalmente, o Colégio foi agraciado primeiro ano (2005) foram enviadas 696 cartas ainda os alunos a escrever uma memorável carta com a Ordem Militar de Santiago da Espada (no aos Antigos Alunos presos em Ca... o Colégio foi agraciado com a Ordem Militar de xias após o 11 de Março de 1975. É comemorado o 175º aniversário Santiago da Espada (no seu 175º aniversário) e com do Colégio que inclui a inauguraa única das Ordens Militares que ainda não lhe havia ção do Padrão “Chama Colegial”; sido concedida – a Ordem de Aviz. em 2003 têm especial relevo os diversos eventos que assinalaram o Bicentenário da Fundação; o Presidente da Reseu 175º aniversário) e com a única das Ordens pública visita o Colégio no “3 de Março” de 2008. Militares que ainda não lhe havia sido concediNo quadro da Associação destacam-se: a criada – a Ordem de Aviz. Também pelo Governo ção formal da “Comissão de Solidariedade”; a Brasileiro o Colégio Militar é agraciado com a atribuição do estatuto de “Pessoa Colectiva de Ordem Militar do Rio Branco e condecorado Utilidade Pública”; a instituição da categoria de com as Medalhas de Honra do Mérito Despor“Sócio Honorário”; a concessão do Quartel da tivo, do Pacificador e do Marechal Trompowski. Formação para nova Sede da Associação; da E, igualmente, a Associação viu reconhecido autoria de Antigos Alunos são publicados os lio seu merecimento ao ser agraciada com a vros “História do Colégio Militar”, “O Espírito do Ordem do Mérito Civil, e condecorada com a Colégio Militar”, “Os Jardins do Colégio Militar”, Medalha do Pacificador (Brasil). “Meninos da Luz – Quem é Quem”, “O Colégio A notoriedade do Colégio e dos seus Antigos Militar na Toponímia Portuguesa”, “Colégio MiAlunos foi de igual modo reconhecida publicalitar – Berço de Grandes Portugueses”, “Para lá mente com a atribuição dos seus nomes a ave-


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político e não tem a capacidade de inverter tais e promoção da Instituição e no que ela consiste, para escolas públicas de Lisboa acompanhadas situações. nos seus princípios, valores e tradições.” de um resumo informativo sobre o Colégio, e Foi neste contexto, que algumas iniciativas de contactaram-se directamente 77 escolas prifundo e convenientemente fundamentadas junto Ao referir a promoção dos princípios, valores e márias de que resultaram 21 visitas envolvendo do Exército e de outras entidades tiveram lugar. tradições do Colégio, esta finalidade da Associa483 alunos. 48,3% dos rapazes manifestaramFazendo um pouco de história, em 2001 três ção, juntamente com os factos acima descritos do -se espontaneamente interessados no Colégio e Antigos Alunos preocupados com a diminuição Colégio e da Associação, contem explicitamente destes, 19% tornaram a visitá-lo para obter mais do número de candidaturas ao Colégio, promoo alargamento da missão a desempenhar numa informação ou proceder à candidatura; no ano veram a realização de um estudo de mercado de dimensão mais vasta: a da sociedade portuguesa, seguinte, o mesmo procedimento resultou em que resultou um documento designado “Abortal como consta, igualmente, dos seus Estatutos: 17 visitas ao Colégio num total de 573 alunos. dagem ao reposicionamento estratégico da Ins“A Associação, para concretização dos seus obOutras iniciativas de apresentação pública do tituição” contendo índices comparativos com esjectivos deverá, designadamente: Colégio tiveram igualmente origem na Associacolas privadas, estudos de mensalidades, análises a) Intervir na Sociedade por forma a fomentar e ção: lembro o período de 3 semanas em que o sobre a origem familiar dos Alunos, etc., que esa desenvolver os princípios e valores transmitidos Colégio esteve presente no Almada Forum com teve na base de uma reunião com a Secretaria de no Colégio Militar;”. Antigos Alunos e Mães de Alunos – Mães que Estado do Ministério da Defesa. A mesma equipa alcunhámos de “Mães Contentes” por estarem continuou o trabalho colhendo ideias e opiniões satisfeitas com a educação que nele era minisem reuniões com a Direcção do Colégio, Oficiais trada aos seus filhos - que ali estiveram “de serO Exército como nosso interlocutor e Professores, com as Direcções de colégios privaviço” prestando informações a quem passava dos, auscultações a familiares de Alunos, Antigos e mostrava curiosidade pelo Colégio. Foi uma É nesta dimensão que, em particular desde o Alunos e militares com filhos no Colégio e produiniciativa que continuou em anos seguintes, noprincípio deste século, - na continuidade de uma ziu em Junho de 2003 novo documento com as meadamente no Centro Comercial Colombo e fase da vida do Colégio em que a diminuição dos análises realizadas, que abordou, com carácter no Oeiras Parque, tendo depois passado por um Alunos no Batalhão se vinha acentuando - se muito concreto e aplicado à realidade da período em que o impacto positivo sobre vida do Colégio, questões estratégicas em o Colégio diminuiu, uma vez que passou a ”Zacatraz” inspira o espaço de amor e liberdade novos encontros com a Direcção, Corpo ser um evento conjunto com os Pupilos e que é o Colégio, inspira o seu “produto” - os seus Docente e Oficiais, Associação de Pais e Odivelas, tendo voltado recentemente a Antigos Alunos - os valores com que fomos educados, também com organismos da tutela entre ser feito em separado pelo Colégio. os quais a Secretaria de Estado da Defesa. Ainda neste período foram instituídos e inspira reconhecimento criando-nos a obrigação de Em articulação com este estudo foi realios “Prémios Barretina” e a Barretina do agradecer ao Colégio o que nos deu; ... zado no Colégio um conjunto de jornadas Colégio Militar subiu ao “alto do Mundo” sobre temas de educação, com participação de levada por um Antigo Aluno (Everest e Polo Norte tem que entender a actuação de alguns Antigos oradores da sociedade civil muito qualificados 2010 e 2013). Alunos e das sucessivas Direcções da Associação nas diferentes matérias. Já no fim do período, a partir de 2013, assumiu em que, numa primeira fase mais duradoura Em 2006, novo documento de iniciativa da Divisibilidade pública a dura luta que a Associação junto do Exército, e desde 2011 junto do poder recção da Associação - “O Colégio Militar como vinha travando na última década contra a pseupolítico, sobressai um conjunto de iniciativas que instrumento estratégico nacional” - foi submetido-reforma da autoria do Ministro da Defesa a “ZacatraZ” foi acompanhando e parcialmente do à apreciação de diversas individualidades de Nacional: precipitada e destituída de qualquer relatando na sua qualidade de principal órgão de prestígio nacional, sem ligação com o Colégio, respeito pela essência do Colégio e dos Alunos comunicação com os Antigos Alunos. tendo sido objecto de pareceres favoráveis em do seu Batalhão. A percepção que a sociedade tinha do Colégio toda a sua extensão que muito contribuíram para Militar encontrava-se directamente influenciada a consolidação do pensamento estratégico que pela queda da aparente importância e da imatem estado na base dos fundamentos das progem pública das Forças Armadas. “ZacatraZ” em forma de revista postas da Associação. A comunicação por iniciativa do Exército e do Nele são identificadas cinco dimensões em que Colégio com a sociedade não existia; o Colégio ”Zacatraz” inspira o espaço de amor e liberdao Colégio acrescenta valor estratégico à oferta “arrastava-se” como um “parente pobre da fade que é o Colégio, inspira o seu “produto” - os educativa em Portugal: no quadro do Sistema mília militar” cuja tutela pouca importância lhe seus Antigos Alunos - os valores com que fomos Educativo; no quadro da política de Defesa, na atribuía: algo que existia porque… existia. educados, e inspira reconhecimento criando-nos sua intersecção com a Educação; no quadro da Os atentados do poder político às Forças Ara obrigação de agradecer ao Colégio o que nos competitividade, obtendo bons resultados na madas em diversas frentes, ante o estado geral deu; de forma organizada e institucionalizada a preparação de líderes e profissionais diferenciade indiferença e incompreensão pela sociedade Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar dos, estruturantes da vida económica, social, culda missão das Forças Armadas em tempo de tem essa missão patente nos seus Estatutos: “A tural e política; no quadro da Instituição Militar, paz, criaram inibições de actuação no poder miAssociação tem por objectivos principais, além onde os Alunos do Colégio são um universo de litar: não obstante compreendermos que o midas acções de filantropia que estão na sua orirecrutamento privilegiado, e os Antigos Alunos litar tem que “cumprir” e se deve submeter ao gem, a consolidação e o fortalecimento dos laços são diferenciados quanto ao conhecimento que poder político é, hoje frequente, constatarmos de solidariedade que unem os antigos e actuais têm da Instituição Militar, e, no quadro da Lusoque a Instituição Militar é maltratada pelo poder Alunos do Colégio Militar e a intransigente defesa


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fonia, apoiando a resposta dos Países Lusófonos ao desafio educativo global, suportada por uma verdadeira rede de valores. Em síntese, concluiu-se que os eixos de um programa de acção para a mudança incluiriam o enquadramento institucional, o financiamento, o modelo de gestão e também a definição dos próprios limites da mudança. O documento que sob a designação “Vamos apoiar o Colégio” é o principal pilar das reformas do Colégio que desde 2010 a Associação vem propondo às tutelas militar e política vem na continuidade das acções referidas, sendo de realçar o reforço e a solidez que, em termos estratégicos, as últimas Direcções da Associação têm dado com a sua participação neste processo. Trata-se de um conjunto de propostas, numa primeira fase, apresentadas ao Chefe do Estado Maior do Exército em Abril de 2010, que resultou de se entender que “era inevitável e inadiável um profundo processo de reestruturação do Colégio” na sequência da realização de duas jornadas de reflexão com a participação de algumas centenas de Antigos Alunos e de novo inquérito à opinião pública dirigido a não Antigos Alunos pais de rapazes entre os 6 e os 10 anos, sem qualquer ligação com a instituição militar e residentes na região da Grande Lisboa. Os resultados indicaram o Colégio com uma elevada notoriedade (94%) muito distante de outros colégios privados, evidenciaram que os factores prioritários na selecção de um estabelecimento de ensino eram o seu Programa Desportivo e de Actividades Outdoor e o acesso privilegiado ao ensino superior, constatando-se que a possibilidade de acesso ao Colégio por filhos de civis era, na generalidade, desconhecida. Concluía-se, ainda, que a existência de um 1º Ciclo era factor de preferência por possibilitar aos Alunos realizarem todo o ciclo de estudos do 1º ao 12º ano na mesma instituição, o regime duplo com opção de internato e externato era preferido e apontava para o recurso a oficiais na situação de reserva para assegurar permanências mais longas na funções directivas principais. Numa perspectiva de acção imediata, “Vamos apoiar o Colégio” considerava, que a brutal queda de candidatos ao Colégio desde 2001 e a queda do desempenho escolar patente na deterioração da posição no ranking das escolas, impunham 10 acções: prioridade ao desempenho académico com diversas medidas em que se incluía a criação do Director Pedagógico cujo perfil e funções foi definido, aumento do núme-

ro de Alunos através de acções de comunicação, organização de visitas ao Colégio, protocolos com escolas primárias, etc, revisão do ambiente de intervenção dos Graduados e do modelo de acompanhamento dos Alunos, definição e promoção dos Programas Desportivo e de Formação Militar, revisão da política de mensalidades, assegurar o acesso dos finalistas às Academias Militares e desenvolver a comunicação com a sociedade com acções através de profissionais. Preconizava-se, igualmente a criação de um grupo de trabalho com a participação da nossa Associação, do Colégio e da Associação de Pais e Encarregados de Educação tendo como temas de reflexão e propostas os seguintes: o papel dos militares e dos civis no Colégio, internato, rapazes versus misto, modelo de gestão serviço aos PALOP’s e dia-a-dia dos Alunos. Mas, “Vamos apoiar o Colégio” sendo o principal pilar da acção não esgota o tema, tendo outras propostas detalhando algumas das acções nele sugeridas, sido entregues nos últimos cinco anos aos poderes militar e político e à Comissão encarregue pelo Ministro da Defesa Nacional de analisar a situação dos Estabelecimentos Militares de Ensino. Refiro-me, em particular, à “Formação para a Liderança e Enquadramento de Graduados”, “Organização e Director Pedagógico”, desenvolvimento das “Medidas Urgentes (Dez 2010)”, “Educação – Raparigas vs Rapazes”, a par de diversos Memorandos com elementos comparativos com outras instituições e análises sobre o funcionamento interno, autonomia pedagógica e curricular e para o recrutamento do Corpo Docente, actividades complementares, instalações pedagógicas e equipamentos do Colégio, valores cívicos e humanistas (Pátria, Dever, Servir, Responsabilidade, Lealdade, Coragem, Disciplina, ...), potencialidades do Colégio para constituir um estabelecimento piloto nos domínios formativo e pedagógico, .... Instrução Primária, etc.

O ciclo do poder político Em 2011, e ante a anterior passividade da tutela militar e a não implementação das propostas dos últimos anos da Associação dos Antigos Alunos, dá-se a “entrada em cena” do poder político. As regras do jogo mudam, a vantagem que o Exército teria para operar uma reforma consequente da sua proximidade e de ter uma História com este seu Estabelecimento Militar de Ensino

1 Despacho de 5 de Agosto de 2011 do Secretário de Estado Adjunto da Defesa Nacional

é substituída pela distância, o desconhecimento, a convicção de que as necessidades do Colégio se podem satisfazer por via administrativa. Logo nesse ano, dá-se uma alteração importante no processo de reestruturação do Colégio, tendo como primeiro acto público o discurso proferido pelo Ministro da Defesa Nacional na cerimónia de Abertura do Ano Lectivo em Outubro: o Ministro anuncia uma reforma e os princípios a que iria obedecer. A família colegial e a comunidade dos Antigos Alunos ouviram com agrado não antevendo a forma autocrática, precipitada e superficial com que se iria desenrolar uma pseudo-reforma do Colégio e dos Institutos de Odivelas e dos Pupilos do Exército. O interlocutor da Associação no processo deixou de ser o Exército passando para o poder político, o que se tornou muito mais complexo e difícil: as dependências, as variáveis e os interesses sempre presentes em todos os processos políticos naturalmente que tornaram mais complexa

Em 2011, e ante a anterior passividade da tutela militar e a não implementação das propostas dos últimos anos da Associação dos Antigos Alunos, dá-se a “entrada em cena” do poder político. a participação e a colaboração entre as partes interessadas. Não tendo o presente artigo como objectivo dissecar a pseudo-reforma levada a cabo, mas apenas referir as suas principais etapas, a forma como foram implementadas e a postura da nossa Associação ao longo do processo, registam-se, de seguida, os principais marcos. Entre 5/8/2011 e 18/2/2014, um Despacho do Secretário de Estado e quatro do Ministro da Defesa Nacional, juntamente com um Relatório de uma Equipa Técnica nomeada pelo Ministro, enquadram - sucessivamente e numa perspectiva meramente administrativa - medidas e temas como a abertura (com dois anos de atraso...) de um 1º Ciclo no Colégio, as condições de entrada de alunos externos, o esvaziamento da actividade do Instituto de Odivelas e admissão das suas alunas no Colégio como alternativa forçada a frequentarem outros estabelecimentos de ensino por terem sido obrigadas a deixar a escola. De todos estes documentos1, apenas o Relatório da Equipa Técnica, apresentado em 30 de

Despachos do Ministro da Defesa Nacional n.º 5588/2012 de 26 de Abril, n.º 11863/2012 de 6 de Setembro, nº 264/2012, de 5 de Novembro, nº 4785 /2013 de 8 de Abril, e nº 2606/2014, de 18 de Fevereiro; Relatório da Equipa Técnica de 30/5/2012


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Foram várias as cartas ao Ministro e à Secretária de Estado sem resposta; ... ... o poder político, autocrático, fez “tábua rasa” de todas as intervenções e contributos da Associação... O desrespeito pelos Alunos foi gritante! ... ficará para a História como adultos irresponsáveis prejudicaram adolescentes.

Jornada de luta junto do Monumento do Largo da Luz, sob chuva torrencial © Foto Francisco Silva Alves (392/1954)

O desrespeito pelos Alunos foi gritante! O turbilhão da implementação das medidas impostas, afectando adolescentes no seu dia-a-dia de estudantes, poderia ter causado problemas gravíssimos; a ansiedade com que, nos últimos dois anos, os Alunos viveram algumas etapas do processo teve consequências nos resultados escolares: ficará para a História como adultos irresponsáveis prejudicaram adolescentes. Não podemos neste tema deixar, igualmente, de louvar a conduta da Direcção da Associação dos Antigos Alunos, - que desde sempre se bateu por uma transição gradual propondo que as transformações ocorressem num período entre seis e oitos anos - sabendo separar a contestação às precipitadas decisões do Ministro, da colaboração com a Direcção do Colégio e com os Alunos, transmitindo-lhes serenidade e aconselhando-os na sua conduta. Aos Alunos em geral e aos Graduados em particular, ao seu bom senso, coragem e sentido do dever devemos a capacidade que tiveram de amortecer os efeitos devastadores deste processo, mantendo uma rotina diária que funcionou como rede de protecção de males maiores.

Desde a colaboração franca e aberta com os membros das comissões nomeadas incluindo a realização de estudos e relatórios encomendados por alguns dos seus membros, até às manifestações públicas e apelos à intervenção do Presidente da República em carta subscrita por mais de 80 personalidades públicas incluindo todos os membros dos Órgãos Sociais e do Conselho Supremo da Associação pedindo a sua intervenção no sentido de introduzir bom senso em tudo o que se estava a passar, aos pedidos de intervenção dos partidos políticos, às reuniões e exposições a membros do Governo e das Comissões da Assembleia da República e das hierarquias militares, tudo foi feito e... nada teve qualquer Ao longo de todo este processo a Direcção da efeito. Associação bateu-se com dedicação, coragem e Foram várias as cartas ao Minislealdade pela preservação dos princípios e valores tro e à Secretária de Estado sem do Colégio tentando evitar que fossem dados passos resposta; com uma honrosa exirreversíveis que conduziriam, inevitavelmente, cepção (Prof. Marçal Grilo) foram, à descaracterização do Colégio. No plano da visibilidade externa, ficarão para arrogantes ou sem assunção de a História a campanha mediática através da tequalquer compromisso, as poslevisão a que mais uma vez personalidades de turas da generalidade dos representantes do clui a reforma do ensino não superior de matriz vários quadrantes e de reconhecido prestígio poder político. militar”, extinguindo o Instituto de Odivelas e deram o seu apoio, e a grande manifestação Mas o poder político, autocrático, fez “tábua atribuindo responsabilidades alargadas a uma Disilenciosa e de luto na cerimónia de Abertura rasa” de todas as intervenções e contributos recção de Educação (do Exército), situada hierardo Ano Lectivo de 2013/14 que a “ZacatraZ” da Associação e, na sua fúria tresloucada de quicamente acima da Direcção do Colégio, que apoiou com duas capas notáveis nos seus núimplementação, seguiu a sua linha atropelando integra a gestão do Colégio e dos Pupilos, numa meros de 192 e 193 (Setembro e Dezembro de Alunos, Militares, Professores, Pessoal Civil do clara tentativa de ataque à identidade do Colégio 2013) Colégio, estruturas de funcionamento, etc, semMilitar que deixa de ter um Estatuto próprio. pre suportado por um desconheAo longo de todo este processo a Direcção da cimento e uma total indiferença Associação bateu-se com dedicação, coragem e Aos Alunos em geral e aos Graduados em partiperante aquilo que não conhecia lealdade pela preservação dos princípios e valocular, ao seu bom senso, coragem e sentido do dever ou não compreendia num comres do Colégio tentando evitar que fossem dados portamento ditado por irrespon- devemos a capacidade que tiveram de amortecer os passos irreversíveis que conduziriam, inevitavelefeitos devastadores deste processo, ... sabilidade e inconsciência! mente, à descaracterização do Colégio. Maio de 2012, procurou analisar com alguma profundidade o processo e as suas consequências no plano da implementação, procurando chegar à essência da transformação que se estava a operar, concorde-se, ou não, com as suas conclusões. Mas mesmo os apelos ao bom senso contidos no Relatório foram, em particular os referentes a uma calendarização progressiva e cuidada, a ocorrer ao longo de vários anos no sentido de não destruir aspectos da essência do Colégio, foram, liminarmente, ignorados. Finalmente, com data de 7 de Julho de 2015, é publicado o Decreto-lei 125/2015 que “con-


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... o Colégio Militar não pode deixar de ser e significar esperança e futuro. ... ... Portugal precisa desta esperança e do acreditar que vemos naqueles adolescentes que compõem o Batalhão logo desde a primeira vez que desfilam: o queixo levantado, o olhar vidrado, o orgulho da pertença, a convicção das suas convicções.

De todas as propostas da Associação apenas a inclusão do 1º Ciclo na oferta educativa do Colégio (com dois anos de atraso), a criação da função de Coordenador Pedagógico (mas num quadro restrito de poder, âmbito de funções e processo de selecção) e a abertura de admissões ao Colégio apenas até ao 7º ano foram contempladas. De todas as propostas da Associação apenas a inclusão do 1º Ciclo na oferta educativa do Colégio (com dois anos de atraso), a criação da função de Coordenador Pedagógico (mas num quadro restrito de poder, âmbito de funções e processo de selecção) e a abertura de admissões ao Colégio apenas até ao 7º ano foram contempladas. A melhor síntese de todo este processo e dos seus resultados foi a que consta do Comunicado da Direcção da Associação de 17 de Janeiro de 2015 “A propósito da ida do Ministro da Defesa Nacional (MDN) ao Colégio Militar” : “A obra lamentável do MDN no Colégio Militar. O MDN esteve em 15 de Janeiro no Colégio Militar a visitar a sua obra lamentável. Destruiu o Instituto de Odivelas, estabelecimento com elevado desempenho académico, conseguiu diminuir o número de alunos no conjunto CM+IO (a partir do 2º ciclo do ensino básico) e continua a conseguir esbanjar recursos na construção de um novo edifício, sem que se conheça a fundamentação da sua necessidade. Obra seria exigir sustentabilidade financeira e

resultados concretos na gestão de bons estabelecimentos e bem equipados. Obra seria alargar a mais alunas a oferta educativa de excelência do Instituto de Odivelas. Obra seria valorizar e investir no património existente e subaproveitado do Colégio Militar. Obra seria assegurar a preservação do carácter único do Colégio Militar, fortemente ameaçado por processos de mudança impostos sem planeamento e preparação. Obra seria exigir resultados em termos de desempenho académico. Obra seria desenvolver o papel estratégico do Colégio Militar nos importantes espaços das Forças Armadas, da Cidadania e da Lusofonia. Obra seria aproveitar o apoio de quem conhece o Colégio Militar e pretende a sua modernização, em vez apostar na ignorância e no autismo como sustento da determinação.
 Acreditamos que o Colégio Militar irá sobreviver porque o Exército deverá e saberá conter os danos desta governação lamentável e temporária do MDN.
 E continuam por explicar os verdadeiros objectivos do MDN!”

Arriscando, agora, pensar o futuro: reflexões soltas. Nesta fase de grandes mudanças de padrões e valores na sociedade portuguesa e de transição da vida colegial e da Associação dos seus Antigos Alunos, poderão ter cabimento algumas curtas reflexões sobre o tema tendo em conta algumas das tendências actuais.

A “ZacatraZ” cobriu um passado de 50 anos; como poderão ser o Colégio, a Associação e os Antigos Alunos e a “ZacatraZ”, no futuro? Tenho como pressupostos que o Colégio Militar não pode deixar de ser e significar esperança e futuro. É grande a sua responsabilidade porque tal como “Tudo começou porque era preciso defender Portugal” (Costa Matos na “Resenha Histórica” de “Meninos da Luz – Quem é Quem”, 2006), Portugal precisa desta esperança e do acreditar que vemos naqueles adolescentes que compõem o Batalhão logo desde a primeira vez que desfilam: o queixo levantado, o olhar vidrado, o orgulho da pertença, a convicção das suas convicções. Desenganem-se os que – militares ou não não acreditam nas novas gerações de Meninos da Luz! O Colégio é um património nacional que contribuiu e contribui para Portugal como nenhum outro estabelecimento de ensino.

A responsabilidade do Exército é enorme, extravasa largamente os teatros operacionais onde a bravura, a arte e o engenho guerreiros se manifestam: o Colégio é um desses teatros operacionais! A responsabilidade do Exército é enorme, extravasa largamente os teatros operacionais onde a bravura, a arte e o engenho guerreiros se manifestam: o Colégio é um desses teatros operacionais! Numa fase em que a Comunidade Europeia atravessa um momento difícil, mas em que a vontade é de contínua e progressiva integração e em que os fenómenos migratórios se intensificam, os valores culturais assumem particular importância sob pena da perda das referências históricas estruturantes e da desintegração progressiva como nação. Neste campo o Colégio Militar com o conceito de Pátria que, desde cedo, é inculcado nos Alu-


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O Monumento do Largo da Luz durante a Campanha “MATAR o Colégio Militar PORQUÊ?”

dependentes do percurso a realizarem até serem finalistas, creio que o Colégio, na sua dimensão mais lata, encontrará um equilíbrio em que todas caberão. Diferente é o tema dos Alunos e Alunas externos. Sendo certo que é fora das aulas que todo o Menino da Luz interno adquire a maior parte da sua essênnos e por eles interiorizado (convido os descrencia, será, para os Alunos externos, muito difícil a tes e os desconhecedores a presenciar o Hino sua absorção do conjunto de valores expressos Nacional em cerimónias nos Claustros) contribui no Código de Honra: não poderão nem eles nem com a maior das mais valias que constituem o os seus encarregados de educação pretender seu projecto educativo: “Código de Honra – 1º algo que é impossível. Amar e Honrar a Pátria”. De igual modo, não poderá o Exército, numa É neste quadro de princípios e deveres que tentativa de acomodar situações “congenitao Colégio terá que evoluir adaptando-se aos mente” diferentes, tentar encontrar um denomitempos e acompanhando a sociedade. nador comum que permita a “homogeneização” A nova composição do Colégio com rapazes, que alguns responsáveis e partes interessadas raparigas e externato implica um trabalho de defendem: não é possível transigir em questões integração contínuo, sem que sejam destruídos de princípios e valores. alguns dos pilares da instituição. As Tradições têm um papel importante enAs raparigas, em particular as mais novas que quanto “rede de protecção” e suporte da entraram para os primeiros anos, estão hoje intransmissão do espírito, e não poderão aqueles tegradas. Salvo situações transitórias relacionaque, sucessivamente, venham a ser destacados das com a sua absorção dos princípios e valores para assumir responsabilidades na ... não poderá o Exército, numa tentativa de aco- condução e direcção do Colégio, modar situações “congenitamente” diferentes, tentar desconhecedores das suas componentes imateriais e espirituais, reencontrar um denominador comum que permita a petir, o comportamento do poder “homogeneização” que alguns responsáveis e partes político decidindo por via adminisinteressadas defendem: não é possível transigir em trativa e de forma irresponsável e questões de princípios e valores. autocrática ou optarem pelas deci-

... o Colégio Militar com o conceito de Pátria que, desde cedo, é inculcado nos Alunos e por eles interiorizado (convido os descrentes e os desconhecedores a presenciar o Hino Nacional em cerimónias nos Claustros) contribui com a maior das mais valias que constituem o seu projecto educativo: “Código de Honra – 1º - Amar e Honrar a Pátria”.

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sões, de momento, aparentemente mais fáceis e simpáticas . Outra componente relevante na manutenção do espírito tem a ver com as alterações culturais dentro das próprias Forças Armadas. São os princípios da Instituição Militar a base da educação, pela prática, dos Alunos. Acontece que as próprias Forças Armadas se têm tornado “mais civis”, mais técnicas, menos militares, aqui e ali mais esquecidas do sentido do Dever, do Rigor e das outras virtudes militares o que obrigará a que a escolha dos militares destacados para o Colégio tenha que ser criteriosa e muito selectiva. Terão os valores da frontalidade, da competição leal e da camaradagem, que ser impulsionados por outras formas o que não será tarefa fácil para o Exército. Sem dúvida que a “escolinha da Instrução Primária” é simultaneamente semente e adubo que muito irão contribuir para a resolução equilibrada deste tipo de problemas, permitindo a aquisição e interiorização, desde mais cedo, destas varáveis da formação dos Alunos. Que não se entenda destas palavras qualquer sentido de intromissão na governação do Colégio, antes ficando um apelo ao bom senso no sentido de ser a Associação dos Antigos Alunos participante de forma institucionalizada em matérias como esta. No que respeita à Associação dos Antigos Alunos a questão é, igualmente, complexa. Os Estatutos - definindo como Objecto o apoio ao Colégio Militar e o exercício da Solidariedade - e a modificação contínua da vida de todos os dias, obrigam a que reinventemos, diariamente, a postura da Associação e a sua resposta a estes dois objectos estatutários. Fenómenos como a corporalização cada vez mais intensa da sociedade, a consequente diluição do peso relativo dos Antigos Alunos, a alteração de valores e referências, impõem acompanhar e reconstruir em contínuo a nossa acção e organização. O conceito de solidariedade numa sociedade mais egoísta, mais individualista, com menos interacção pessoal, em que os actores estão simultaneamente mais perto à distância de um “click” num telefone, de um “tweet” ou de um e-mail, e mais longe em termos visuais, físicos, emocionais, terá que ser objecto de particular atenção e adaptação. Este tipo de necessidades exigirá uma mais intensa participação dos Antigos Alunos nestes objectivos, ao contrário do que hoje acontece com muitos que praticam a ligação ao Colégio como um objecto de satisfação da saudade,


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No Cinquentenário da Revista A palavra aos Presidentes da Direcção da Associação

... a Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar terá que ser imaginativa, aberta, acompanhar continuadamente os movimentos da sociedade e encontrar formas de, no seu seio, gerar colaboração em pé de igualdade entre homens e mulheres; ... o que todos temos em comum não é o sexo, mas termos sido educados no Colégio, constituindo desse modo uma comunidade.

Desafios para mais 50 anos

E agora, que desafios se põem à evolução da “ZacatraZ”? A “Revista” renovou-se na forma e no seu estilo de comunicação: tornou-se mais alegre, decorasociação em actividades em que tal já acontece tiva, fácil de ler, transmissora da vida colegial, dos numa vertente meramente egoísta: mantém(Sala de Armas, Esgrima, Tiro, Pentatlo Moderseus Antigos Alunos e da Associação: passou a -se a ligação como forma de satisfazer sentino) com um estatuto que venha a merecer o “ZacatraZ”. mentos e necessidades emocionais. consenso dos sócios. A continuidade deste processo é indispensável: Na sociedade dos grupos de pressão e dos lóTendo em conta que existe um universo de não podemos satisfazer-nos com o progresso já bis, será necessário trabalharmos em conjunto pessoas e entidades ligadas ao Colégio, noalcançado. A missão de chegar a toda a comunie de forma institucionalizada (Associação) para meadamente Familiares de Alunos, Professodade colegial deverá ser o próximo passo. Creio termos reconhecimento institucional e termos res, Servidores militares e civis do Colégio, que que, para além de uma edição em papel, se imforça para intervir. publicamente se identificam e revêem no Colépõe uma edição electrónica que chegue a todos Por isso, a Associação dos Antigos Alunos do gio e seus Princípios, Valores e Tradições, e que os Antigos Alunos, sejam ou não sócios: a AssoColégio Militar terá que ser imaginativa, aberta, no passado tem havido manifestações e vontaciação dos Antigos Alunos do Colégio Militar tem acompanhar continuadamente os movimentos de de pessoas pertencentes a estes grupos se que se abrir mais ao universo dos Antigos Alunos da sociedade e encontrar formas de, no seu inserirem numa estrutura organizada que dee da sociedade e não pode, não acompanhanseio, gerar colaboração em pé de igualdade enfenda princípios e tenha por objecto os da Asdo a evolução e dinâmica da sociedade em que tre homens e mulheres; não esqueçamos que sociação, considero que seria positiva a criação o conhecimento é, cada vez mais, “servido de o que todos temos em comum não é o sexo, de uma categoria de sócio, ou com outro tipo bandeja” e sem custos adicionais, limitar-se, no mas termos sido educados no Colégio, constide vínculo, que permita o seu envolvimento futuro, a um clube de “carolas” dedicados e com tuindo desse modo uma comunidade. bons propósitos no âmbito dos seus actuais Já no que respeita aos Antigos Alunos cerca de dois mil sócios. que tenham feito todo o percurso colegial A missão de chegar a toda a comunidade A utilização, intensa e organizada, das como externos a questão é mais comple- colegial deverá ser o próximo passo. Creio que, ferramentas que o universo da internet vai xa, não significando que qualquer tipo para além de uma edição em papel, se impõe uma criando e nos disponibiliza é indispensável: de criação de escalões de Antigos Alunos edição electrónica que chegue a todos os Antigos iPhone, iPad, facebook, google, amazon... deva ser equacionada. fazem que tudo tenha tendência a tornarSerão Antigos Alunos e deverão ser inte- Alunos, sejam ou não sócios. -se virtual, numérico, imaterial: a comunigrados na Associação se assim o entendecom as actividades da Associação, a quem secação, o sentido de grupo, os amigos, lazer, disrem; será importante o esforço de integração riam conferidos alguns dos direitos dos sócios, tracções, etc. pelo acolhimento positivo no seu seio, tentannomeadamente (algumas alíneas do “ Artº 7º E, neste imperativo, a “ZacatraZ” é um elo esdo suprir parcialmente o que não receberam - Direitos dos Sócios” dos Estatutos): sencial ... que terá que se adaptar e continuadano Colégio devido à sua condição de externos mente evoluir. e cabendo à própria Associação encontrar as formas de os integrar nos seus objectivos esb) Frequentar as instalações da Associação e ouTermino como comecei, saudando e agradetatutários. tro património a ela afecto, de acordo com as concendo, desde já, a todos quantos, como colaboA colaboração com outra parte interessada dições regulamentarmente estabelecidas, com exradores “carolas” da “ZacatraZ”, vierem a conno Colégio - a Associação de Pais e Encarregatensão desse direito aos familiares e convidados; tribuir nos próximos 50 anos para a difusão dos dos de Educação dos Alunos do Colégio Militar c) Integrar as representações desportivas, cultvalores em que acreditamos. - é um imperativo: trata-se de uma Associação urais e outras, da Associação; E deixo, também um pedido aos Alunos, fazenque zela pelos interesses dos seus educandos f) Participar e ter acesso a todas as actividades do-o nos termos em que a eles me dirigi nos três durante um período limitado – o da sua perque, no prosseguimento das finalidades da Assoanos em que tive a honra de falar ao Batalhão manência no Colégio – tendo objectivos mais ciação, se vierem a realizar; nas comemorações do 3 de Março: imediatistas e não tão intensos relativamente à g) Serem assistidos pela Associação e utilizar os “Alunos do Colégio Militar! dimensão espiritual do Colégio, pelo que uma seus serviços nas condições que vierem a ser esNós somos sempre confiantes face às dificularticulação com a nossa Associação em matétabelecidas; dades, e essa confiança transporta o Colégio rias estruturantes deve ser estabelecida e deh) Receber da Associação a publicação periódica para o futuro. senvolvida. por ela editada e as informações que solicitarem Ponham esforço, inteligência e confiança na Independentemente das necessidades de sobre a sua actividade; vossa missão: sejam bons alunos e bons atletas. adaptação aos tempos, preconizo que desde já, Sorriam para o futuro. e noutra frente, a Associação dos Antigos AluSeria uma forma de permitir a militância em O Colégio e Portugal precisam dessa confiança nos se abra a não Antigos Alunos, seguindo a torno dos objectivos da Associação engrossane desse sorriso.” tendência da criação, no passado, da categoria do as suas fileiras num movimento de alargade Sócios Honorários e da representação da Asmento da nossa missão na sociedade.


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António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios (529/1963) Presidente da Direcção desde Março de 2011

A Associação na defesa do Colégio N

esta Edição Especial comemorativa do número 200 da Revista da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar (AAACM) – baptizada ZacatraZ em 2010 (cuja paternidade desconheço) numa feliz decisão da Direcção da AAACM de então - cumpre-me, com todo o gosto e sentimento de gratidão, na qualidade de actual Presidente da Direcção da AAACM e em nome de toda a vasta Comunidade de Antigos Alunos do Colégio Militar (CM), lembrar todos aqueles que ao longo dos seus 50 anos de vida asseguraram a sua existência de forma interrupta e tão valiosa. Destaco em particular aqueles que, fruto do seu saber e dedicação - nem sempre devidamente reconhecidos – a dirigiram, com um notável sentido de serviço, em prol da preservação da memória de uma Casa e defesa de uma Causa que são afinal de Todos nós !

gerações de forma a que esteja assegurada a sobrevivência da nossa Revista, pelo menos, por mais 50 anos! A Revista ZacatraZ, afirmo-o sem qualquer hesitação, é hoje, como tem sido ao longo deste meio século de existência, o principal meio de comunicação quer entre a Comunidade de Antigos Alunos do Colégio, quer também entre toda a Família Colegial, assumindo assim um papel de inestimável valor que nem a enorme expansão e atractividade das novas tecnologias vieram destronar. Nos últimos anos, por força das circunstâncias adversas de todos conhecidas e as incertezas que pairavam e pairam quanto ao presente e futuro do nosso Colégio, a ZacatraZ foi também e sempre um indiscutível pilar na defesa deste património impar a que nos orgulhamos de pertencer e na divulgação da

com a eventualidade de apresentar uma Lista para os Órgãos Sociais da AAACM, reagi com surpresa, mesmo com estupefacção. Embora conhecedor da realidade colegial pelo facto de ter o meu Filho António (529/2003) então a frequentar o 8º ano do Colégio e tivesse colaborado em algumas das iniciativas promovidas pela Direcção de então, esta possibilidade era algo que jamais havia considerado. Num primeiro momento afastei de todo esta eventualidade, entre outras igualmente ponderáveis razões, pelo facto de ter uma vida profissional de tal modo exigente que entendia inconciliável com a dedicação que uma tal responsabilidade exigiria. Mas o apoio que então senti por parte do Presidente da Direcção em exercício e de outros dois membros da Direcção que o acolitavam - Carlos Francisco da Silva do Rio de Carvalho (307/1971) e

Carlos Ayala Vieira da Rocha (189/1929), Rui Manuel Figueiredo de Barros (62/1936), José Manuel Francisco Maria de Castro Galhardo Soares Zilhão (288/1927), José Fernando Lopes Gomes Marques (345/1940), António Pedro de Oliveira Collares Pereira (300/1946), Carlos Manuel da Costa Freitas (50/1933), Manuel Maria de Menezes Pinto Machado (92/1953), Mário Margarido e Silva Falcão (314/1936), Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949)

Em sua homenagem, e para que a sua memória perdure, aqui ficam as fotografias e a identificação de todos estes nossos camaradas. Faço-o com a esperança de que este seu exemplo frutifique e inspire as novas

iniciativas e posições assumidas pela actual Direcção da AAACM. Quando em 2011, por iniciativa do Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958)- Presidente da Direcção da AAACM à data – fui confrontado

Vítor Manuel Galvão Rocha Novais Gonçalves (666/1971) - atrevo-me a dizer, pelas mesmas razões de todos aqueles que me antecederam e também, devo confessar, pela vaidade em representar uma Comunidade tão reco-


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Foi uma candidatura pautada por um desejo de renovação mas também de alinhamento com a Visão e a Missão que a anterior Direcção havia definido para o futuro do Colégio Militar ... nhecida e respeitada , levaram a que tivesse decidido assumir aquele desafio. Tive desde a primeira hora também o apoio do Presidente do Conselho Supremo – José Alberto da Costa Matos (96/1950), e da generalidade dos membros daquele Conselho. Muito significativo em particular o incentivo de todos os Presidentes da Direcção que me antecederam e a quem saúdo de uma maneira especial.

A reforma concretizar-se-ia no ano lectivo de 2013/2014 sem acolher as principais preocupações e alertas que ao longo de todo o processo foram sendo veiculadas pela nossa Associação, ... Foi uma candidatura pautada por um desejo de renovação mas também de alinhamento com a Visão e a Missão que a anterior Direcção havia definido para o futuro do Colégio Militar e que em Abril de 2010 fizera chegar formalmente ao CEME. Foi uma candidatura que assumiu o compromisso em promover a coesão entre a Comunidade dos Antigos Alunos, ciente que estava da urgência das mu-

É com indisfarçável mágoa que reconheço que apesar da determinação com que enfrentámos esta nossa luta, os resultados ficaram aquém do que desejávamos. danças que entendia serem indispensáveis à afirmação de um modelo educativo depurado ao longo de dois séculos e no qual acreditava, mas que perdera atractividade junto da sociedade. Foi uma candidatura que assumiu também o compromisso em adoptar uma postura de diálogo com a Instituição Militar (IM) e em particular com o Exército, reconhecendo ser este o seu natural e indispensável aliado nesse desígnio de recuperar o brilho de outrora e garantir o seu futuro. Os primeiros meses do mandato iniciado em Março de 2011 foram caracterizados por uma natural ansiedade quanto ao futuro do Colégio. As candidaturas de novos alunos

Vivemos uma época caracterizada por uma pseudo-elite política e social que por ignorância ou quaisquer outras razões porventura ainda mais discutíveis, tem demonstrado um desrespeito militante pela Instituição Militar. confirmavam uma adesão e uma qualidade aquém do que seria desejável. Os resultados académicos, reflectidos nos rankings nacionais das escolas, permaneciam a níveis em nada condizentes com a imagem de uma escola de excelência com os pergaminhos do CM. A decisão da Direcção do CM em avançar com o projecto da introdução do 1º Ciclo – uma das medidas emblemáticas que constavam no memorando da AAACM entregue ao CEME em Abril de 2010 – foi naturalmente recebida com regozijo. Foi assim com surpresa e grande frustração que fui informado na manhã do dia 6 de Agosto de 2011, que o Secretário de Estado da Defesa Nacional (SEDN ) tinha emitido um despacho através do qual suspendia a introdução do 1º Ciclo no CM, por considerar não estarem reunidas as condições para tal e subsistirem dúvidas quanto à racionalidade económica que teria sido considerada pelo Exército, o que obviamente provocou inquietação. Começava neste dia quente do verão de 2011 uma longa caminhada que se veio a revelar uma verdadeira via sacra ! Sucederam-se, no espaço de um ano - Setembro de 2011 a Setembro de 2012 - três comissões designadas pelo Ministro da Defesa Nacional (MDN) com o propósito de definir um futuro para os Estabelecimentos Militares de Ensino (EME) - nas palavras do MDN - por um imperativo de racionalização que decorria da realidade questionável dessas Escolas. Este processo culminaria num despacho em Abril de 2013 no qual se anunciava o encerramento do Instituto de Odivelas (IO) e uma reforma profunda no Colégio Militar (CM), sem a ponderação e a preparação que decisões dessa natureza justificariam estando em causa Instituições centenárias de tamanho prestígio e relevância na História de Portugal. A reforma concretizar-se-ia no ano lectivo de 2013/2014 sem acolher as principais preocupações e alertas que ao longo de todo o processo foram sendo veiculadas pela nossa Associação, uma vez que os decisores políticos não optaram, como se impunha, pela via do diálogo, mas sim a da confrontação, tendo

sido algumas das posições defendidas pela AAACM despudoradamente deturpadas e por vezes grotescamente ridicularizadas nos meios de comunicação social ao serviço do Ministério da Defesa Nacional. Apesar das advertências e esforço de sensibilização que a nossa Associação fez ao longo de todo este processo desde Setembro de 2011, mas em especial a partir de Abril de 2013, para além de um certo alheamento da opinião pública, a indiferença, o comodismo e o conformismo e a vassalagem mais espúria – evidenciados por sectores e actores com as mais elevadas responsabilidades na vida pública Portuguesa - sobrepuseram-se à defesa dos valores estruturantes da identidade e coesão nacionais como os que estavam em

... acredito que a perenidade do CM só poderá ser assegurada no actual quadro orgânico, isto é, mantendo a sua natureza enquanto unidade militar, na dependência do Exército. causa. Esta realidade permitiu o exercício de uma prepotência e arrogância como aquela a que assistimos. É com indisfarçável mágoa que reconheço que apesar da determinação com que enfrentámos esta nossa luta, os resultados ficaram aquém do que desejávamos. Está em curso uma profunda alteração do modelo educativo do Colégio Militar, feita sem a preparação e a discussão que seriam exigíveis. Os nossos esforços não surtiram o efeito desejado, uma vez que não conseguimos que o Exército assumisse - em devido tempo e por sua iniciativa - uma reforma há muito reclamada e indispensável, não conseguimos que os decisores políticos enveredassem por uma solução sensata e digna, e por fim, também não conseguimos que o Presidente da República - Aluno Honorário 695 - exercesse a sua magistratura de influência..!! É assim, compreensível, o sentimento de frustração e até mesmo de decepção entre a Comunidade de Antigos Alunos, que partilho. É consensual que este sentimento jamais poderá caucionar uma renúncia à defesa do Colégio, que não é uma opção, mas um dever a que não nos podemos nem queremos furtar. Já é porém menos consensual qual a orientação a seguir. Ciente desta realidade, a Direcção assumiu um caminho que tem seguido o seu curso, fiel ao compromisso de tudo fazer no sentido da promoção de uma


No Cinquentenário da Revista A palavra aos Presidentes da Direcção da Associação

Vivemos confrontados com uma situação de facto consumado e uma pseudo-reforma que não caucionámos. indispensável coesão entre a Comunidade de Antigos Alunos e um diálogo leal e empenhado quer com a Associação de Pais e Encarregados de Educação dos Alunos do Colégio Militar ( APEEACM ), quer com a Direcção do CM. Ao longo desta caminhada a actuação da Direcção da AAACM pautou-se sempre por uma genuína vontade em ser parte da solução e nunca parte do problema, não abdicando porém, como se impunha, da defesa das posições em que acreditava e para as quais

... e sou assim crítico relativamente à homogeneidade que tem estado subjacente à reforma em curso, justificada por imperativos de unidade que não consigo descortinar. estava mandatada pelos seus Associados. À medida que todo este processo se foi desenrolando tive por vezes dúvidas quanto à melhor forma de fazer valer as nossas posições, mas a confrontação não foi, como é sabido, uma escolha nossa. Vivemos uma época caracterizada por uma pseudo-elite política e social que por ignorância ou quaisquer outras razões porventura ainda mais discutíveis, tem demonstrado um desrespeito militante pela Instituição Militar. Os reflexos desta postura são hoje, infelizmente, evidentes na sociedade Portuguesa. A Instituição Militar é de forma deliberada e acintosa confundida com uma qualquer corporação e considerada como um custo. Embora nos custe admitir, pelo seu historial ímpar - hoje ainda mais relevante tendo em conta a trágica decisão política de se acabar com o serviço militar obrigatório - o CM não constitui uma prioridade para o Exército, como tem sido aliás reconhecido por algumas Chefias Militares. Apesar desta triste realidade, acredito que a perenidade do CM

... não ter conseguido impedir esta pseudo-reforma de resultados imprevisíveis e de algumas incompreensões, foi uma luta que muito me honra, que valeu a pena… e que valerá sempre a pena!

só poderá ser assegurada no actual quadro orgânico, isto é, mantendo a sua natureza enquanto unidade militar, na dependência do Exército. Não fora esta condição, tenho a convicção de que o CM, tal como tantas outras prestigiadas instituições, não teria sobrevivido às diversas e profundas alterações sociais e políticas ocorridas durante os seus mais de dois séculos de existência. Vivemos confrontados com uma situação de facto consumado e uma pseudo-reforma que não caucionámos. Tenho, como muitos, algumas dúvidas quanto ao melhor enquadramento das diferentes realidades – ensino misto com internato e externato - que hoje constituem o CM, por forma a preservar a sua identidade e singularidade através dos pilares distintivos da formação militar e liderança, da formação desportiva e do seu ethos. Mas acredito que a indispensável preservação dessa identidade só será conseguida através da diferenciação e valorização do modelo do internato, e sou assim crítico relativamente à homogeneidade que tem estado subjacente à reforma em curso, justificada por imperativos de unidade que não consigo descortinar. Vivemos tempos em que a qualidade académica reconhecida é factor determinante na escolha da escola por parte dos encarregados de educação. Os resultados académicos do CM não estão, desde há já alguns anos, ao nível que seria exigível a uma escola de excelência, tendência que urge inverter. É assim indispensável e urgente que a este aspecto seja conferida uma prioridade clara. A existência de uma Direcção Pedagógica - outra das medidas há muito reclamadas pela AAACM – é um bom sinal, mas a sua relevância e influência estão ainda aquém do que seria desejável. Maior autonomia por parte da Direcção do CM na gestão dos seus recursos e na definição de uma visão para o futuro, serão condições necessárias a este propósito essencial para o futuro do CM. Apesar das malfeitorias que uma geração de políticos ignara, falha de convicções e de sentido de Estado impôs, acredito que o nosso Colégio irá sobreviver ! Apesar de uma natural frustração por não ter conseguido impedir esta pseudo-reforma de resultados imprevisíveis e de algumas incompreensões, foi uma luta que muito me honra, que valeu a pena… e que valerá sempre a pena! Nesta ocasião impõem-se um agradecimento a todos quantos me acompanharam e acompanham nesta caminhada e que tornaram

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possível constituir uma lista para todos os Órgãos Sociais da AAACM quer em 2011, quer na recandidatura em 2014. Todos, sem excepção, foram uma primeira escolha. A todos, sem excepção, devo, para além da dedicação demonstrada, uma lealdade a toda a prova. Todos são merecedores de uma gratidão que procurarei honrar no futuro. A terminar, uma palavra de reconhecimento aos Colaboradores da AAACM, nomeadamente Alina Nogueira, Ana Maria Carvalho, Leonel Tomaz (Sócio Honorário da AAACM) e José Martins, pela ajuda que nunca regatearam e solidariedade que sempre demonstraram. Bem hajam.


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In Memoriam de José Godinho Gama Barata (191/1921) Criador do Boletim da AAACM

In Memoriam de

José Godinho Gama Barata (191/1921) criador do Boletim da AAACM Evocando o Antigo Aluno que criou e publicou o Boletim da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar, que apenas foi editado por quatro vezes, reproduzimos a Capa do primeiro número1, distribuído em Junho de 1957.

1 Cedida por Eduardo Maria Rato Martins Zúquete (20/1945).


Carlos Ayala Vieira da Rocha (189/1929) Evocando o Fundador da Revista da Associação

Carlos Ayala Vieira da Rocha (189/1929) Evocando o Fundador da Revista da Associação

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vocando o Antigo Aluno fundador da Revista da AAACM, transcrevemos a memória publicada no ano de 2002 no “Boletim Informativo” da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, subscrita pelo seu Director, General Manuel Freire Themudo Barata, bem como o poema de António Herculano de Miranda Dias (292/1925), homenageando o eterno “Menino da Luz” e lido na missa de corpo presente celebrada na Igreja da Luz. "Vieira da Rocha, Presente! Na nossa sociedade, tal como em qualquer família, todos os seus membros têm iguais direitos e obrigações. Mas, por vezes, um ou outro desempenha papel tão decisivo na sua defesa, ou até sobrevivência, que destacá-lo e enaltecer os excepcionais serviços que prestou, mais do que um dever de gratidão colectiva de todos nós, é um sinal de pujança e de unidade da Instituição que apaixonada-

mente serviu e o preito de homenagem que mais diz sobre quem ele foi e sobre o que ele fez - e o que melhor exprime o nosso sentir acerca daquele que agora nos deixa. Traduzir tudo isso nas poucas palavras deste editorial, era o que eu - seu sucessor em funções por expresso convite seu - gostaria de ser capaz de fazer, nesta hora de saudade em que Deus chamou a Si o nosso querido Mestre e Amigo Carlos Vieira da Rocha. Mestre e Amigo, dois títulos de que muito justamente se orgulhava: mestre, porque academicamente o conquistou já em idade adulta, o que bem revela a sua preocupação permanente de se actualizar para melhor servir Portugal, pois os seus estudos sempre visavam tal finalidade; amigo porque o era no culto sadio e franco, por vezes rude, dessa amizade solidamente incutida no Colégio Militar - o seu "Colégio" - que não mais esqueceu, e amou e serviu pela vida fora com uma paixão e uma entrega que depois Vieira da Rocha repetiu na SHIP. A esta tomou-a em suas mãos em hora dificílima, quase inanimada, vazia de associados e sem que lhe fosse reconhecido o direito de vir a ter o Palácio como sua sede. Conseguiu dar passos fundamentais nesta como noutras áreas. E quando lhe sucedi, chegara a hora de colher os frutos de tanta coragem e de tão ingente esforço. Saindo este Boletim nas vésperas e anunciando as Comemorações de mais um 1º de Dezembro, é possível, e de alguma forma um dever até, associar esta nota de dor e de gratidão a uma iniciativa que sendo de festa, desta vez deve ser de homenagem a quem tanto batalhou para que a SHIP estivesse viva e fosse a presença secular que nunca se calará na defesa da Independência de Portugal e na celebração desse dia maior para a autonomia da Pátria Portuguesa.”

Carlos Vieira da Rocha Carlos Nome exaltante De reis e de Santos. Vieira A concha que os Peregrinos Levavam no seu chapéu Rocha Massa compacta de pedra. Carlos Vieira da Rocha O teu viver Leva a exaltação dos Grandes Que querem algo de grande A construir. Foste peregrino da vida Procurando encontrar Um sentido alto De ser e de fazer Foste compacto, Como a pedra, Na certeza que havia Algo a construir Para que as tuas convicções Tivessem forma e estrutura Para permanecer. Os Meninos da Luz, Que representaste e viveste Por inteiro, Aprenderam contigo Que amar é realizar, Realizar é dar o melhor de si Para que outros Sejam servidos E aprendam a servir. O teu exemplo Não será esquecido. A tua obra Continua firme e entusiástica Como uma Fé. O teu nome, Será recordado com alguém Que soube viver, Que soube sonhar, Que soube realizar, Como o espírito das gentes Sonha, pede e agradece. CARLOS VIEIRA DA ROCHA Foste grande, foste peregrino, Foste pedra de uma fortaleza.

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Cinquenta Anos da Revista da Associação

Cinquenta da Revista

Nº 1


Cinquenta Anos da Revista da Associação

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Anos

da Associação

Nº 50

Nº 100

Para o número 200 da Revista fundada em Outubro de 1965 pelo Carlos Ayala Vieira da Rocha (189/1929), que actualmente tem a designação de ZacatraZ, quando se comemoram os 50 Anos de existência foi decidido que cada um dos actuais colaboradores mais assíduos se ocuparia da abordagem dos números conspícuos da sua vida, realçando e relembrando os aspectos neles focados e as preocupações vividas em cada um desses momentos pelos seus responsáveis e por aqueles que neles participaram com os diferentes contributos.

Nº 150

O nº 1 será abordado pelo Gonçalo Leal de Matos (371/1949), o Nuno Mira Vaz (277/1950) ocupar-se-á do nº 50, o nº 100 estará a cargo do Luís Barbosa (71/1957) e o nº 150 será visto pelo Pedro Garrido (53/1961).


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Cinquenta Anos da Revista da Associação

Número 1 Outubro de 1965 visto por Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949)

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m Setembro de 1965 a Associação emitiu uma circular onde se dizia: «Em Outubro sairá o número 1; agradecemos que nos escreva ou telefone (66 20 21) indicando se o deseja receber. Custo 20$00. O pagamento poderá ser feito já ou quando receber o exemplar desde já agradecendo o envio da verba por vale de correio. Como a edição é limitada agradecíamos uma resposta até ao fim do mês.» Assim, iria ser entregue a Revista Nº 1 que, na sua “ficha técnica”, nos revela a seguinte composição na distribuição de responsabilidades e referências: Director Carlos Ayala Vieira da Rocha (189/1929); Editor Leonel Martins Gonçalves Rodrigues (275/1939); Capa José Manuel Francisco Maria de Castro Galhardo Soares

Zilhão, Arquitecto (189/1929), Revisão de Provas António Joaquim Ferreira Durão, Coronel de Cavalaria (168/1915), Propriedade da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar, Calçada Marquez de Abrantes, 40, 1º Dto - LISBOA, Telefone 662021, Composição e Impressão Tipografia Godal – Entroncamento. Nada de transcendente se verifica nesta ficha técnica para alem da tipografia e do local onde se situava. Podemos ter a liberdade de deduzir que, sendo o responsável pela revisão de provas um Coronel de Cavalaria (que eventualmente estaria ou esteve a prestar serviço na Escola Prática de Cavalaria ao tempo sediada em Torres Novas) tivesse conhecimento da qualidade da Gráfica ou esta oferecesse condições que não podiam ser desprezadas. A razão desta situação já não será viável de se conhecer pois todos os intervenientes nesse processo infelizmente já não se encontram entre nós. Nestas linhas que se pretende não sejam demasiadas extensas mas que inevitavelmente o vão ser, vamos procurar dar uma ideia das preocupações de então, algumas delas que não deixam de ser curiosas. Ainda que não designado por Editorial, no entanto apresentando-se um pouco como tal, o texto de abertura tinha por título «Leitor Amigo, ao que vimos» e aí se referia “... Achamos completamente absurdo que cerca de 2 500 antigos alunos do Colégio Militar que hoje ocupam na vida as posições mais variadas andem dispersos, sem coesão, vivendo romanticamente dos tempos passados mas não se conhecendo uns aos outros com a intimidade que julgamos necessária”., e prosseguia “Pareceu-

-nos por isso indispensável a criação duma Revista onde nos pudéssemos encontrar, expandir as nossas ideias, os nossos anseios. Se os mais maduros já estão lançados na vida, bem ou mal, os mais novos, os que iniciam as primeiras lutas, terão decerto toda a vantagem em se apoiarem nos mais velhos que serão para eles guias seguros e desinteressados.” Propunha-se neste texto inicial a criação de uma rubrica “Um por todos e todos por um” onde seriam publicados nomes das firmas dirigidas por Antigos Alunos que admitam empregados e também divulgados pedidos de Antigos Alunos que procurem emprego. Era este o primeiro passo para criar na Associação um “Centro de Informações” com o objectivo de ajudar a resolver problemas diários com que se debatem Antigos Alunos. Relativamente aos subsídios ínfimos que têm sido dados e que não resolvem quaisquer situações, era alvitrado como auxílio mais eficaz o de se arranjarem empregos para amparar quem estivesse em dificuldade. Aqui estavam evidenciados os princípios básicos da Associação desde os primórdios da sua fundação. Um outro aspecto focado e que tem também alguma actualidade, está bem patente quando se refere: “Ideias há muitas, o mais difícil é realizá-las. Mas para isso, cá estamos e contamos sem hesitar com o teu apoio, o teu entusiasmo, a tua dedicação. Precisamos de acções concretas, sugestões realizáveis e poucas fantasias. É bem possível que, ao findares de ler ou ao passares de relance a vista sobre este número, faças apreciações pouco amáveis. Estamos de acordo mas não queremos deixar de informar que, para obtermos colaboração, contactámos vários «sabichões» mas, na verdade, as ajudas foram poucas. Foram todos amáveis: que iam já tratar do assunto, que para a semana já teriam mais tempo, que quem era bom era sicrano, que o tal era um poeta formidável, que o X era um engenhei-


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ro excepcional, que o Y era um sábio e que o K era uma besta mas tinha imensa piada a contar histórias do Colégio... etc. etc. Gostaríamos que se deixassem de conselhos e nos mandassem alguma prosa, assuntos sobre a especialidade a que na vida se dedicam, histórias do Colégio, artigos sobre o Ultramar, etc. Sem artigos será difícil a Revista manter-se e, por isso, ficamos com a esperança de que este apelo seja ouvido e atendido como merece. A Revista é vossa e o seu futuro depende de vós, arranja-nos artigos, arranja-nos anúncios e garantimos que os números seguintes já serão melhores.” Como curiosidade bem diferente do que actualmente acontece, salientamos que este número da Revista, para além do verso da capa, da contracapa e do seu verso, tinha ainda mais vinte páginas de anúncios onde constavam a Manutenção Militar, as Oficinas Gerais de Fardamento, a Fábrica Militar de Braço de Prata, a Fábrica Militar de Santa Clara, as Oficinas Gerais de Material de Engenharia, a Fábrica Nacional de Munições e Armas ligeiras, o Laboratório Militar de Produtos Químicos e Farmacêuticos, a PANAM, o Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa, o Banco Nacional Ultramarino, o Banco de Angola, os veículos Taunus 17M, Austin 1800 e Vespa, os Motocultivadores Haco, as Empilhadoras Coventry, os Agentes de Navegação E. Pinto Basto & Cª e a Wiese & Cª, a Companhia Mineira do Lobito, a Sociedade Construtora Portuguesa, a Sonorte, a Sociedade Geral de Construções, a Shell, a BP, a Sanitas - Material Médico Hospitalar, a Alves Diniz & Cª, a Sociedade Portuguesa Ar Liquido, a Sociedade Continental de Representações, a J A Costa Pina (bebidas nacionais e estrangeiras), a SOPAL (decoração), SIERA (rádios e gravadores), a Companhia do Buzi, a Rodrigues & Rodrigues (alfaiates), a Metalúrgica da Longra, as Bombas Ritz, os Contadores Pollux, a Sommer & Cª (ferros e aços), a DAUN Ldª (material aeronáutico) e os Postes CAVAN. *** Ao saudar o “Jornal do Colégio Militar” desejando-lhe êxito e longa vida, não deixa de fazer um reparo à substituição do lema “Um por todos e todos por um” por “Sempre unidos pela Pátria e pelo bem”, interrogando se haverá algum motivo forte para tal alteração

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que representa uma quebra da tradição que nos propomos defender? *** Com o título “Meninos da Luz Heróis do Ultramar” inicia uma rubrica relacionada com feitos praticados no Ultramar por Antigos Alunos, destacando a figura de grande relevo do Coronel de Cavalaria António Sebastião Ribeiro de Spínola (33/1920) - «Medalha de Prata de Valor Militar», Comandante do Batalhão 345 em Angola, do qual fizeram parte os Antigos Alunos Capitão Rui Mamede Monteiro Pereira (163/1945) - Cruz de Guerra de 3ª classe, Capitão João de Almeida Bruno (230/1945) - Medalha de Prata de Serviços Distintos com palma, Capitão miliciano Rui Ferreira (28/1937), Tenente João Goulão de Melo (265/1945), Tenente miliciano Luís Augusto Nunes de Almeida Bandeira (236/1945), Alferes miliciano Rui Manuel Machado da Cruz (271/1949) - Cruz de Guerra de 3ª classe e, também, o Capitão Xavier de Brito - Cruz de guerra de 2ª classe que, não sendo Antigo Aluno do Colégio Militar, ali exerceu funções de instrutor de equitação antes do seu embarque para o Ultramar.

Sob a designação de “Figuras Lendárias” encontra-se uma interessante referencia ao Alferes José de Castro Cabral (96/1908) - o Niquer, o que “brilha” – que no Colégio, pela sua pequena estatura, tinha a alcunha de Micro. Tendo partido para Moçambique em 1918, em 1953 faz uma rápida visita à Metrópole com passagem pelo “aeródromo” de Roma onde o seu trajo ultramarino, de “shorts”, provocou uma imensa curiosidade porquanto, na altura, estava-se em pleno inverno. Toda a sua fortuna cabia numa pequena mala onde trazia alguns jornais velhos... Em breve estava de volta à terra que lhe tinha consumido a juventude ardente, Moçambique. Administrador de lmala, Mogovolis, Malema, Lago e Memba é um símbolo de tão grandes feitos no norte de Moçambique que hoje não se sabe onde acaba a verdade e onde principia a lenda. Aos 68 anos, quando inimigos externos atacaram a sua querida Província de Moçambique, não hesitou em se oferecer como voluntário, aguardando ordens para seguir... Um Almirante inglês escreveu-lhe dizendo: “Não esquecerei facilmente aquela ponte que atravessámos, um pouco assustadora para pobres marinheiros, pouco habituados aos perigos da terra. Posso felicitá-lo pelo asseio notável, belas estradas e de uma maneira geral pela prosperidade e encantadora civilidade do povo da Província que administra. Vi um grande número de colónias em toda a África Inglesa, Francesa, Belga e Portuguesa e nunca fiquei tão impressionado em parte alguma, é uma grande honra para si e mostra o que pode ser praticado». A sua têmpera era tal que um governador distrital, aflito, pediu uma companhia... ou o José de Castro. A referência a esta figura lendária termina assim: Rapazes do Colégio Militar, quando avistarem o Niquer não hesitem, parem e quando à sua passagem lhe fizerem a continência pensem com orgulho: - «José de Castro - o Niquer - foi Menino da Luz»! Como curiosidade - reparem no animal de estimação de José de Castro - um pequeno leão.

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Também a poesia teve lugar logo no primeiro número da Revista, nela constando um poema intitulado “Para quê?!” da autoria de Edgar Pereira da Costa Cardoso (272/1919), Coronel Piloto Aviador, em memoria do seu Irmão José Pereira da Costa Cardoso (27/1917). Poema simples onde se enaltece o Colégio e o orgulho de a ele ter pertencido. Para quê falar Dos meus saudosos tempos Do Colégio Militar? Ali cresci Na grata imagem De uma só palavra Sem igual Ímpar E que se chama singelamente Camaradagem! Para quê evocar Teixeira Rebelo, O fundador Em 1803 Que, com amor E desvelo, nos fez Os homens válidos Do Presente Na sua previsão Determinação Clarividente! Para quê falar De militares famosos Ou médicos distintos Insignes diplomatas Escritores E eu sei lá, o tudo mais! Para quê hei-de falar Da paixão Que sinto pelo Colégio Militar Nada é mais grato Ao meu sentir ardente E lato Do que esse recordar Mas eu pergunto a Vocês Companheiros de ontem De hoje e amanhã Que são A expressão Extreme Da alma do português: Para quê, falar Dessa grei querida Nunca esquecida Que quase me faz chorar?! Não me peçam para escrever ... Deixem-me viver A sonhar No Colégio Militar!!! Deixem-me dizer Bem alto Numa frase que traduz

O meu sentir Para além da Vida Até ao Porvir: Viva o Colégio Militar! Vivam os Meninos da Luz!

*** Vão desaparecer as varandas dos claustros... Era este o título do artigo mais participado deste número da Revista. A Associação, ao tomar conhecimento do descontentamento manifestado por diversos Antigos Alunos, levou a Revista, no âmbito do entendimento das suas obrigações, a promover um inquérito onde foram feitas as seguintes perguntas: 1. Concordam que sejam retiradas as varandas dos claustros? Em breve tal irá acontecer. 2. Concorda que tenha desaparecido a camarata da 7ª, a camarata geral da 4ª e que tudo esteja hoje reunido numa única sala, com várias divisórias? 3. Acha que devia ser mantido o traçado existente nos anos de 1905-1945? 4. Acha que devia ser criada uma comissão composta de arquitectos, engenheiros e outros ex-meninos da Luz para se pronunciarem sobre as obras já feitas e a fazer, que vão alterar profundamente o Colégio que quase todos os ex-alunos vivos conheceram? Apesar do inquérito ter sido lançado no verão, em plena época de férias, as respostas foram numerosas, incluindo as do Ultramar, a maioria optando para que se não tocasse no velho edifício, que se fizessem as obras necessárias de restauro e conservação e que se nomeasse uma comissão de Antigos Alunos que junto das entidades competentes abordasse este assunto escaldante. Das numerosas respostas recebidas foram publicadas seis delas e, para se avaliar a preocupação ao tempo quanto ao magno problema das alterações que iriam ter lugar nas instalações do Colégio, entendemos que só a sua transcrição e o relato das acções que se lhe seguiram podem dar a panorâmica dos “momentos dramáticos” então vividos. Carta do Senhor Capitão Jorge Figueiredo de Barros (166/1896), que foi rata em 1896 e que, além de ter desempenhado altos cargos no Ultramar, tem a sua vida ligada a diversos empreendimentos de vulto, tanto comerciais, como industriais: “Muito e muito agradeço a consulta que se dignaram fazer-me na sua circular relativa a «Obras no Colégio Militar».

Certamente poucos ex-alunos ainda andam cá por este mundo, de camadas mais antigas que a minha: eu entrei no Colégio em Outubro de 1896. Dito isto, está dito tudo e, assim se desculpará ou, pelo menos, se explicará a minha opinião se ela a alguns parecer muito «ultrapassada» . Mas, boa ou má, ela aí vai. I. Concordo com que se retirem as varandas de ferro que foram postas no claustro. Tiveram talvez a sua justificação sob o ponto de vista funcional, como agora se diz, mas são um verdadeiro sacrilégio sob o ponto de vista artístico. Entendo, pois, que ao primeiro andar do claustro deve ser restituída a sua forma primitiva. II. No meu tempo havia 5 companhias, sendo a IV e a V as que davam para o claustro. Não faço, pois, bem ideia do que se trata. Em todo o caso devo dizer que, se me mostro de uma certa intransigência no que respeita à forma do edifício no seu exterior, já não digo o mesmo quanto aos arranjos internos que, sem dúvida, precisam de obedecer às necessidades e conveniências do serviço. III. Assim. Acho que se deve manter quanto possível o que havia no primitivo Hospício para Cavaleiros Pobres, que, para benefício destes e, depois, para nosso, em tão boa hora mandou edificar a sábia Infanta Latina, que tão insuficientemente tem sido lembrada na casa em que fomos educados. O Colégio já tem construídos belíssimos e grandes edifícios nos terrenos da antiga quinta do Palácio Mesquitela, o que é digno da nossa admiração.


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Suponho que ainda haverá terreno disponível para novos edifícios que venham a ser necessários. Assim, dou todo o meu aplauso a tudo que, nesse terreno, se fizer obedecendo às modernas exigências do ensino e da higiene, mas que se altere o menos possível o aspecto do antigo Colégio da Luz, tal como o conhecemos, como o conheceram todos os nossos antecessores que não estiveram internados na Feitoria ou em Mafra. Havia, e talvez ainda haja, alguma coisa que convinha manter para conhecimento das gerações, actual e futuras, como, por exemplo, a cisterna e a antiga casa de banho, que ficava por baixo da cozinha e que tinha apenas umas 6 ou 8 grandes tinas de pedra, cujos bordos ficavam poucos centímetros acima do chão. Essa casa de banho deixou de funcionar aí por 1908, quando o grande general José Estêvão de Moraes Sarmento mandou arranjar uma outra, ao lado da sala de armas, com 6 tinas e cerca de 50 chuveiros. IV. Pode ser que seja útil a comissão de que se trata, se os arquitectos nela incluídos não forem dos que se consideram exclusivos detentores da estética, do bom gosto, daqueles que pretendem brilhar inventando projectos extravagantes no género de uma horrível igreja recentemente construída em Lourenço Marques, na Polana. Não deixem fazer «ondas novas», agora elogiadas por alguns mas provavelmente condenadas daí a 50 anos. Espero que ninguém se escandalize com esta opinião. É absolutamente sincera e a única que eu saberia dar-lhes.

Com ela abraço os camaradas mais novos, desejando que tudo o que resolverem seja pelo melhor, seja inteiramente para bem da Casa a que devemos o que somos.” Do Senhor Eng.º Viriato Castro Cabrita (10/1907), Presidente interino do Conselho Superior de Obras Públicas “1 - Tenho real prazer em responder à circular que recebi ontem, quanto a obras no Colégio. 2 - Eu próprio, no intuito de atenuar, quanto possível, os inconvenientes das alterações previstas no edifício principal, visitei com o arquitecto inspector superior encarregado - ao tempo - de elaborar a minuta de parecer do Conselho Superior de Obras Públicas, por cujos serviços sou agora responsável, por ser o engenheiro inspector mais antigo. 3 - V. Ex.ª poderá contar com a minha modestíssima colaboração, para consecução do fim que todos os meninos da Luz «julguem o mais conveniente». E respondendo concretamente ao questionário diz-nos: 1 - Não concordo; nem disso advém qualquer vantagem. 2 - No meu tempo não havia 7ª. Se se referem à camarata da 5ª, por cima do balneário, julgo que só haveria vantagem em ter uma grande sala que poderia servir para trabalhos manuais. 3 - Sim. Se se deseja manter a tradição - o que seria de respeitar a sério - não deveria alterar-se nada do que estava.

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Como há necessidades novas, é - e foi - necessário ampliar as instalações desse tempo. Haveria que estabelecer um programa racional conjugando as novas necessidades com as condições tradicionais. Nesse programa haveria que ponderar as vantagens e inconvenientes resultantes de colocar o internato longe das aulas, com todos os males que resultam - principalmente nos dias de chuva - da deslocação imposta para, do novo local das camaratas, irem às aulas. Este pormenor interessa particularmente aos alunos dos primeiros anos, embora para todos seja inconveniente ter de assistir às aulas depois de terem apanhado uma molha. 4 - Acho que sim, embora já não se possa remediar o mal feito. Servirá apenas para evidenciar erros de uma solução que se adoptou com critério que não é o melhor.” Do Senhor Coronel Engenheiro Virgílio Vicente de Matos (180/1919), Comandante da Escola Prática do S. M. “O apelo que é dirigido a todos os ex-alunos do Colégio Militar com este título, e com tanta urgência, é um sinal dos tempos! Em palavras mais chãs, isto equivale a um grito de socorro, a um «acudam enquanto é tempo!». Já me tinha constado qualquer coisa; respondo ao apelo porque me sinto obrigado na qualidade de ex-aluno; respondo ao apelo porque, o caso tem dentro de mim um eco muito especial. Na verdade, desde há muito que venho sentindo com profunda mágoa as transformações que o nosso Colégio ano para ano sofre,


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alterando-se-lhe a sua fisionomia, como se esta CASA SECULAR devesse mudar de aspecto e de mentalidade para entrar e estar de acordo com os «descuidados» tempos que ora vivemos. E ainda mais - como se fosse vantajoso ou útil para os rapazes e, consequentemente, para a NAÇÃO - apagar as coisas e demolir as pedras do PASSADO COLEGIAL, comuns a tantas gerações, para dar ao presente a traça igual em todos os liceus desde o Minho até ao Algarve, mesmo até ao Ultramar, que nada nos fala aos olhos, e, muito menos, ao coração. Tenho como certo que, a partir da idade amadurecida, os ex-alunos do Colégio Militar, particularmente pelo 3 de Março, não se metem a caminho até à Luz, com o propósito firme de se divertirem, ou verem moças novas, ou até mesmo, para abraçar os velhos amigos e companheiros. Eles vão sim, antes numa romagem votiva, pagar a promessa da gratidão à CASA que os fez homens! Eles vão sim, encher os olhos daquelas paredes, escadas, dependências, recantos e sei lá que mais, que viram a sua mocidade crescer, assistiram com a mudez própria das coisas inanimadas às peripécias de seguidos anos lectivos, guardam dentro de si as recordações duns verdes anos que não voltam mais! Eles vão sim, respirar aquele ar que entra pelas narinas como que mais rico em oxigénio, mais vivificante, um ar que cheira ao passado que não morreu! Eles vão sim, para sentir o Espírito do FUNDADOR TEIXEIRA REBELO que paira por toda a parte a indicar o caminho da HONRA, do DEVER e do PATRIOTISMO, a bem do BOM NOME DO COLÉGIO! Eles vão sim, para revigorar as forças perdidas, espevitar a chama ALMA, tantas vezes tornada bruxuleante pelos pontapés da vida, pela incompreensão dos Homens e pela descrença semeada à sua volta! Ora, sendo assim como julgo e sinto, esse desvario de deitar abaixo para fazer outra coisa, tirar daqui para pôr ali, com mais metros quadrados e mais estética arquitectónica, tirar isto porque não existia na traça primitiva (inadaptada ao fim, é de crer), fazer também aquilo para satisfação do ponto de vista deste ou daquele, é certamente matar o espírito que anima as coisas, é enterrar uma expressão palpável da Tradição, é, sobretudo, desconsolar os que vivem do Espírito e não se deixam seduzir pelas inovações. No dia em que eu souber que no Colégio não encontrarei nada que me fale da minha passagem por lá; no dia em que eu souber que ao

entrar numa aula não possa viver a presença do professor e dos meus companheiros; no dia em que eu souber que não posso dizer - aqui estava a minha cama, além fulano; no dia em que eu souber que as obras «apagaram» o Colégio que eu vivi e agora tudo me é desconhecido e frio, nesse dia... não voltarei mais; só no meu coração existirá o Colégio Militar do meu tempo. E estou bem certo que o meu «saudosismo» não é piegas, nem retrógrado, nem impeditivo que se façam obras necessárias para o desenvolvimento e progresso cultural do Colégio. Mas não bulam com aquilo que é de todos nós, que nos é familiar, aquilo que nos fala dos antecessores e que falará aos sucessores, aquilo que os Avós podem mostrar aos Netos, com orgulho, emoção e vontade de voltar a ver e a tocar com as mãos! Parabéns à ASSOCIAÇÃO DOS ANTIGOS ALUNOS DO COLÉGIO MILITAR, à sua DIRECÇÃO actual, que assim levanta a luva em defesa de uma CAUSA que é a causa de todos que têm a honra de usar a BARRETINA na lapela!” Do Senhor Coronel de Cavalaria António Joaquim Ferreira Durão (168/1915) “Satisfazendo ao solicitado na vossa circular, que me veio surpreender dolorosamente, aqui lhe envio a opinião de um velho, que embora tenha um espírito largamente compreensivo para acompanhar as necessidades da vida presente, continua ferozmente velho no que diz respeito à tradição e, sobretudo, à que se refere àquele período da nossa longínqua mocidade, passado dentro dos velhos muros do nosso querido Colégio. Por isso não posso concordar e revoltado me insurjo com o que classifico de vandalismo, isto é, a destruição absolutamente injustificada da antiga traça do Colégio Militar, Casa por onde passaram e aprenderam a ser HOMENS, tantos e tantos cujos nomes estão inscritos nos anais da Pátria com refulgentes letras de oiro. Repito, não concordo: - com a demolição das varandas dos claustros, e com o desaparecimento das camaratas da 7ª e da 4ª e do Geral da 4ª. Acho que deve ser mantida, intransigentemente, a traça antiga do velho edifício da Luz. Dou o mais caloroso apoio à criação de uma comissão que trate, junto das entidades competentes, das medidas tendentes a salvar a representação viva e eterna das velhas tradições do Colégio: as suas velhas pedras, as velhas camaratas e gerais e até, as latrinas, onde a malta ia fumar a sua beata. Disse já que compreendo perfeitamente a

necessidade de acompanhar as exigências da vida e da educação actuais, mas entendo que isso não deve ser feito à custa de demolições e mutilações como as que se estão verificando no nosso Colégio. Há espaço de sobra, ainda, para fazerem construções novas sem se recorrer a acabar com o que é velho e que para nós tanto representa. Como exemplo deste são critério, apresento o exemplo da cidade de Évora. Capital do Alentejo, progressiva e dinâmica necessitou de se desenvolver e de se alargar. Mas não buliu nas velhas ruas, que continuam com a sua calçada à antiga portuguesa nem destruiu os seus valiosos Monumentos, que arranjou e reconstruiu. Antes, foi para fora dos antigos limites e aí construiu Bairros novos e alegres que satisfazem às modernas exigências e em nada molestam a velha cidade museu. Tomem este exemplo as entidades responsáveis e ponham cobro às devastações que, em má hora, se propuseram fazer nas velhas pedras do nosso querido Colégio. Um grande abraço do 168, o velho «Bigodes de Lata.” Do Médico Senhor Dr. J. Piedade Guerreiro, (161/1913) “Recebi a vossa circular e, confesso, foi com profundo sentimento de mágoa que tomei conhecimento da mutilação que se pretende fazer no vetusto monumento do Colégio Militar! Berço de numerosas gerações ilustres e de tantos homens cujos feitos, largamente contribuíram para o engrandecimento da nossa querida Pátria, seria doloroso para eles e para todos nós, modificar-lhe a fisionomia, cuja recordação permanece indelevelmente gravada na memória de quantos ali passaram os primeiros anos da sua juventude, evocando um passado que já não volta. Desde que o País entrou, há anos, numa fase de franco ressurgimento, tem-se procurado reconstruir os monumentos de forma a conservar-lhe ou a restituir-lhe o que têm de evocativo histórico. E, o Colégio Militar, tem todo o direito de ser considerado no número desses monumentos. Conservou-se o fardamento de que faz parte a tradicional «barretina». Conservaram-se as excepcionais tradições de camaradagem, únicas no seu género, incompreendidas por uns, invejadas por muitos. Porque inexplicável motivo se pretende agora modificar o belo e saudoso claustro, as camaratas, etc:!? - Não! Sinceramente, não!


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- Por favor! deixem ficar o «Colégio» como nós o conhecemos há mais de 50 anos! Creio que não poderá ser outro o voto de quantos estão vivos. E seria também aquele dos companheiros que já não existem, muitos dos quais tombaram em defesa da Pátria. Que a sua memória e o seu voto póstumo sejam respeitados!” Do Senhor Thomaz Lithgow Croft de Moura, Gerente Comercial (344/1933) “Qual foi o meu espanto e indignação ao receber a circular «Obras no Colégio Militar»! É inconcebível que se pretenda alterar o velho edifício da Luz, fazendo obras que irão mudar o aspecto do Colégio, tal como nós todos o conhecíamos. É como se parte da tradição do Colégio tenha morrido. Sim, porque à tradição de nós, os ex-alunos, não se resume apenas factos que tenham ocorrido e a meninos da Luz, que tenhamos lembrado (turmas, companhias, etc.), mas ao edifício em si mesmo. Sei que poderemos confiar inteiramente na Associação, de modo que esta seja não só o porta voz de nós todos, neste momento difícil do Colégio, mas que também leve a bom termo as diligências efectuadas de modo que as obras se não realizem. Sugiro ainda que a Associação faça uso de todos os meios ao seu alcance para levar ao conhecimento do maior número possível de ex-alunos, deste magno problema. A utilização da imprensa diária seria de ponderar. Assegurando a Associação do meu incondicional apoio a todos os meios destinados a preservar o Colégio como todos nós o lembramos, subscrevo me, etc... etc...” Do Senhor Arquitecto José Manuel Zilhão (288/1927) “R. 1 - De forma alguma podemos concordar que sejam retiradas as varandas dos claustros; se tal acontecer isso desagradará a todos os antigos alunos. R. 2 - É evidente que temos a maior pena com o desaparecimento da camarata da 7ª, cheia de tradições. Será que todas essas inovações devam ser decididas sem se considerarem os aspectos sentimentais que envolvem o problema? Não estamos a pedir que nos dêem satisfações, que aliás não nos são devidas, mas apenas que nos concedam um pouco de respeito pela saudade que temos da traça do edifício tal como o conhecemos. R. 3 - Não há qualquer dúvida sobre a vantagem espiritual de manter um traçado que existe há 40 anos. Uma das formas de ensinar aos alunos que o

presente se constrói com o apoio no passado é respeitar as tradições. Para quê transformar o edifício antigo numa construção incaracterística (que nenhum de nós conheceu) ainda que houvesse melhoria sob o ponto de vista estético, o que é discutível? R. 4 - Afigura-se-nos que a comissão de arquitectos, engenheiros e outros ex-alunos para apreciação, sobretudo das obras a executar, seria da maior utilidade mas vamos mais longe: entendemos que os arquitectos e engenheiros membros dessa comissão, que seria permanente (é fácil encontrar 20 destes técnicos entre os antigos alunos) deveriam trabalhar em equipa e inteiramente grátis, ressalvadas naturalmente as despesas, na elaboração dos novos projectos e adaptações para o Colégio da Luz. Esta seria uma contribuição inteiramente devida à casa que nos educou e o trabalho distribuído por muitos não exigiria grande sacrifício. Para já podem contar com a nossa colaboração se ela for considerada de aproveitar. Resta-nos apresentar cumprimentos e agradecimentos à Direcção da A. A. A. C. M. pela forma como está reavivando, em cada um de nós, a chama acesa no convívio fraterno daqueles verdes anos que nunca mais esquecem.” “Para finalizar não queremos deixar de esclarecer que não se está fazendo qualquer campanha de ataque pessoal, seja a quem for, mas os ex-alunos acham que cumprem um sagrado dever em lutar pela conservação do edifício que há muito devia ter sido considerado como monumento nacional . Que todos nos escrevam dando-nos opiniões e sugestões sobre tão momentoso assunto. Em 9 de Setembro a Direcção da Associação foi recebida pelo sr. Ministro das Obras Públicas, a quem expuseram, entre outras pretensões, o desejo que, dentro do possível, se mantivessem os claustros com as suas características actuais e que, portanto, não fossem retiradas as varandas. O sr. eng. Arantes e Oliveira encarou este assunto com a maior simpatia e compreensão, pois também foi aluno do Colégio Militar e, para se chegar rapidamente a uma solução prática, ficou combinado que a Associação nomearia uma pequena comissão de técnicos ex-alunos que colaboraria no estudo das obras no Colégio Militar com o sr. arquitecto Costa Silva, do Ministério das Obras Públicas, que se ocupa deste assunto. Fica pois o assunto entregue a essa comissão e não queremos deixar de, reconhecidos, apresentar os nossos melhores agradecimentos e gratidão a Sua Ex.a o sr. Ministro das

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Obras Públicas, pela maneira rápida e eficiente como resolveu o assunto e pela extrema amabilidade como recebeu a Direcção da Associação, presidida pelo sr. general Venâncio Deslandes. Poderemos não ter pontos de vista ou ideias idênticas mas o termos sido educados no Colégio Militar deve ser motivo para chegarmos rapidamente a um entendimento, basta cada um ceder um pouco.” Quando entrei para o Colégio em 1949, as varandas do primeiro piso dos Claustros ainda existiam e perduraram, não tendo referência quanto ao tempo em que foram retiradas. As áreas do piso superior dos Claustros estavam adstritas à 3ª Companhia (zona Oeste) e à 4ª Companhia (zona Este). A utilidade dessas varandas resumia-se a apanhar sol nos dias primaveris ou de Verão e, nos Domingos de visita, para os mais sornas que não queriam envergar a farda de passeio (estando consequentemente impedidos de participar no chá dançante que tinha lugar no Refeitório, onde actualmente se encontra o Museu Colegial), aí se deslocarem em observação às visitas, muito especialmente às irmãs e amigas dos seus Camaradas que tinham idades semelhantes às suas. A obra feita de retirar as varandas e restabelecer a traça inicial dos Claustros foi, em meu entender, obra muito meritória e que deu a este ex-líbris do Colégio a grandeza que ele merece. As fotografias que se anexam são bem a prova do que antes se afirmou. *** Com o título Recordação um relato de prosa muito rica e de grande sentimento do Dr Semião Vitória, Professor do Colégio de 1932 a 1936, com um “incidente” ocorrido com um Aluno durante uma prova escrita de Química. Algumas considerações deste Professor são notáveis e são elas que diferenciam os bons dos maus Mestres na sua missão de ensinar. Dizia o Dr. Semião Vitória: “Quem há que não tenha na vida pelo menos uma grata recordação, sim, mesmo aqueles que ao longo do caminho, em vez de saudáveis horizontes, calcorrearam sendas entre abismos? Há sempre um cantinho sossegado dentro do coração de cada um, onde pode florir uma réstia de sol. Já alcancei o topo da montanha e percorro


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que no fim da aula me disse, nunca mais as esqueci. Talvez fossem elas que iluminassem o meu caminho.” Aqui está um exemplo de verdadeira pedagogia, onde o Professor pela sua forma de estar e de actuar consegue frutos impossíveis de obter com atitudes intempestivas ou de prepotência inusitada. *** As notícias das Reuniões de Curso apareceram logo na primeira Revista e a fotografia que registava o encontro era acompanhada de uma relação designada “O que somos... Por onde andamos...”. Aí se listavam os Antigos Alunos a ele pertencentes referindo o número, nome, profissão e endereço. Curso de Saída em 1925- Reunião em 29 de Abril de 1950

agora a encosta da descida volvendo os olhos da memória para os marcos da distância entre acenos de saudades. Nesta casa de ensino (Colégio Militar), escola de bons portugueses, colhi impressões que não posso esquecer no convívio que lá tive com os meus alunos, amigos que criei para sempre. Deve haver entre o professor e o educando um elo apertado de confiança tecido no respeito mútuo. As portas do coração da gente moça estão sempre abertas para o romeiro que chega, sorrindo, e pede licença para entrar. Pelo contrário cerram-se com trancas de ferro para os que pretendem conquistá-las à força com uma autoridade indesejada. Ocorre-me neste momento, para ilustrar o que venho afirmando, certo episódio singular, deveras justificador que não semeou pedras no caminho. Ele será acolhido com um sorriso de simpatia pelos antigos alunos, tal como o recolho no livro de notas do meu eu. Dia de prova escrita. Registadas as perguntas ... o tempo corria célere e a tarefa ia adiantada. ... numa das últimas filas de carteiras, um aluno de óculos pretos, que aliás não costumava usar, a espaços olhando para determinada direcção, com certa e teimosa insistência. ... pé ante pé, cheguei ao local do... «sinistro». À queima roupa disparo esta pergunta: - Porque é que o Senhor está hoje de óculos

pretos! Não costuma usar este ornamento! - O meu capitão desculpe, mas eu sei pouco «disto», e aponta para o papel, de maneira (que tive) de olhar para o parceiro do lado. Para o meu capitão não notar a minha fraqueza, pus os óculos pretos. V. Ex.ª também faz o mesmo para nós não vermos para onde olha! Eu achei graça à resposta, e não querendo perturbar a classe... disse ao aluno, a meia voz, que continuasse o seu trabalho, mas que no fim da aula fosse falar comigo. E assim foi. A turma desliza a caminho dos claustros, e eu fiquei a falar com o «delinquente». - Não se assuste, meu amigo, disse-lhe, levemente sorrindo, eu não o menciono na «minuta». Descanse. Isso só serviria para o Director lhe aplicar determinado castigo. Seria uma atitude trivial. Mais nada! Não meu amigo, acrescentei, o que desejo dizer-lhe é que estude mais um bocadinho. Os artifícios de que o aluno se serve para enganar o mestre, antes de mais, enganam-no a si próprio. Sem trabalho nunca se consegue vencer, creia. Passaram anos e anos. Um dia, surgiu na minha frente em certo local, um indivíduo que me olha e faz esta pergunta: - Já não me conhece?! Eu respondi: - Assim, à primeira vista, confesso, não me lembro.. Pois fui seu aluno, diz-me, e relata-me o episódio que acabo de contar. - Creia V. Ex.ª ... Aqueles palavras amigas

*** Esta história apresentada com o título de «Solidariedade» vou transcrevê-la na integra para que fique mais uma vez registada e possa ser lida e apreciada por um universo mais alargado de Antigos Alunos. Ela, nos seus vários aspectos, traduz o espírito do Colégio, da vivência dos Alunos enquanto o frequentam e da emoção dos Antigos Alunos quando no exercício das suas funções se lhe deparam situações como as vividas no episódio relatado. “Foi numa manhã invernosa do ano de 1910, estava eu no 2º ano, quando se deu o que a seguir vou contar: O «7» que era corneteiro no Colégio Militar há um bom par de anos e que por uma gorjeta de «UM TOSTÃO» nos deliciava, quando estávamos deitados, com um toque de «silêncio» que mais parecia uma ária duma ópera italiana, acabava de tocar a «alvorada», sem ter remorsos de obrigar a saltar da cama umas centenas de garotos que dormiam regaladamente com os cobertores puxados até à testa. O frio na camarata da Segunda Companhia que nessa data ficava situada em cima do Refeitório abobadado, onde só havia lugar para trezentos alunos, só era combatido com o calor dos dois bicos de gás que davam o aspecto tristíssimo à camarata. Então ainda não havia na Luz a corrente eléctrica que mais tarde apareceu depois das férias grandes, e só havia luz branca e com fartura, no Refeitório, nas salas de estudo e nos gerais. Nas camaratas e la-


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trinas só havia bicos de gás que davam mais calorias do que luz, o que nos servia para os nossos cozinhados, quando nos davam para comer, «pelanca de ervilhoco», «peixe frito» e «bacalhau de espívia». Os nossos cozinhados resumiam-se a «ovos estrelados» que fritávamos em pequenas frigideiras de cabo no bico de gás que ficava por cima das divisórias das retretes. A posição dos cozinheiros era bastante incómoda, pois tinham de se escarranchar no tabique das divisórias abertas em cima , mas era um martírio para aqueles que, pela força das circunstâncias, eram obrigados a ser ocupante dessas divisórias, onde de vez em quando saltavam pedaços de manteiga derretida e a ferver, o que provocava protestos quando queimava as coxas dos camaradas que no plano horizontal inferior, se esforçavam por se escapar ao martírio. Logo que se deixou de ouvir o toque de «alvorada», com imenso estrondo, abriu-se a porta da camarata e o segundo-sargento de Caçadores, em serviço na 2ª Companhia, como zelador e encarregado da Arrecadação, o Ferreira por alcunha colegial o «Ferrier», surgiu como uma fera e apesar da sua estatura enfezada, falava com arrogância e muito volume de voz. Aproximando-se, rapidamente, do primeiro dorminhoco do seu lado esquerdo, abanando fortemente os pés da cama, gritou: - 3! Toca a levantar. Notando que o aluno que tinha esse número, se sentava na cama esfregando os olhos, passou ao seguinte. Era o 7. - 7! Vamo-nos embora. O 7 voltou-se na cama e deitou um braço para fora da roupa. - 11! Quando ia a dizer a frase complementar, não sei o que ouviu que só disse. - O que é isso?!... Não teve tempo para completar uma frase que ia proferir num tom bastante agressivo, porque uma «palheta» voando nas suas costas, foi embater com certa violência no «bonet à búlgaro» que trazia no alto da cabeça. Voou o «búlgaro» para debaixo da cama; o «Ferrier» desequilibrou-se e teve de se agarrar ao cabide que usávamos aos pés das camas e que utilizávamos como alteres para medir forças; o 11 saltou para o chão, para socorrer o «Ferrier» que depois de ter na cabeça o «bonet», começou a procurar como um perdigueiro o sapato que acertara no alvo. Mas todos os seus esforços foram em vão. A palheta que podia servir para descobrir o agressor, já tinha ido parar muito longe, com um pontapé que lhe dera o 11.

Vendo que não conseguia encontrar o corpo do delito, o agredido voltando-se para o lado oposto àquele onde estava, disse em alta grita: Comigo ninguém brinca. E abrindo a mão como se fizesse o gesto de saudação da Mocidade Portuguesa, saiu espumando, atirando com o guarda-vento com risco de quebrar os óculos de vidro que os guarneciam, como as portas da Geral do Coliseu dos Recreios. A malta saltou da cama entre risos e piadas, e, o dono do sapato agressor foi a pé coxinho buscar a palheta que lhe faltava, até que de novo o «7» tocou a «Formar Companhias». Os alunos graduados gritavam: Forma! A malta corria segurando nas calças só presas por um botão, ou vestindo o capote. Já todos formados, depois do comandante da Companhia ter dado a voz de: «Pela direita perfilar». Esses pés mais para trás! E os alunos com o braço como os componentes das «Marchas Populares», iam-se movendo mais para trás. - Olhar frente! Exactamente nessa altura, assumiu na porta do Geral o Oficial de Serviço. Devia ser o coadjuvante, um tenente que costumava ir revistar as primeiras companhias, pois as dos alunos mais velhos, era o capitão oficial de serviço que as revistava. A presença do capitão fez-nos logo pensar que algo havia de anormal. De facto assim era, pois o capitão, depois de corresponder à continência do Comandante da Companhia, perguntou desabridamente: - Qual foi o aluno que agrediu o sargento Ferreira ? E voltando-se para o Comandante da Companhia, ordenou que mandasse dar um passo em frente o autor do delito. Quem agrediu o sargento Ferreira, um passo em frente, marche! Ninguém se moveu. Então o capitão, depois duma arenga sobre disciplina e respeito que se deve aos mais velhos, falou nas privações de visitas, de saídas, chegou até a falar em prisão e expulsão, mandando repetir a pergunta. - O aluno que agrediu o sargento Ferreira... um passo em frente, marche. Como um só aluno, toda a Companhia deu um passo em frente. O capitão dirigiu-se rapidamente para a porta do Geral e quase ao sair, parecendo que se havia esquecido, disse ao comandante, sem se voltar: - Pode mandar destroçar. Os alunos que na formatura estavam mais

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perto da porta por onde saíra o capitão, contaram-me que ele ia a sorrir, mas que não compreenderam porque levava lágrimas a bailar nos olhos. Anos mais tarde vim a saber que o tal Capitão era um ANTIGO ALUNO DO COLÉGIO MILITAR .” Luís Maia Colaço 301/1909 *** Ainda a propósito de «Solidariedade» e com o espírito do «Um por Todos Todos por Um» é feita divulgação de Antigos Alunos que pretendem melhoria da sua ocupação e de uma firma que pretende admitir um Antigo Aluno para a área técnico-comercial. Como são diferentes os tempos. Na altura havia pretensão de melhoria de situação e uma empresa publicitava a intenção de admitir colaborador, hoje luta-se por uma primeira ocupação (seja ela qual for) e a oferta é praticamente inexistente. *** O primeiro Antigo Aluno em destaque na Revista, Vasco António Martins Rodrigues (67/1929), foi nomeado Adido Naval em Washington. Oficial de Marinha com o posto de Capitão-de-Fragata e com uma brilhante carreira, foi o Comandante do Batalhão no ano 1933/1934. Cursou na Faculdade de Ciências de Lisboa o Curso Preparatório para a Escola Naval onde completou o Curso de Marinha, na Escola de Aviação Naval em Aveiro o Curso de Observador Aeronáutico, o Curso de Oficial Superior da Força Aérea e o Curso Geral Naval de Guerra, tendo ainda todos os certificados de Piloto Comercial de Aeroplanos. Foi agraciado com altas condecorações e foram-lhe atribuídos inúmeros prémios, tendo em todos os anos que esteve no Colégio medalha de aptidão literária e na Marinha recebeu no 1º Ano o Prémio João Fiel Stockler (Aluno mais classificado em 1936) e de Aprumo Militar no 3º Ano. Foi Oficial nos Navios Pedro Nunes, Republica, Vouga, Douro, Tejo, Bartolomeu Dias, Oficial Imediato no Altair, Almirante Lacerda, Diogo Gomes, Comandante da Fragata Diogo Cão, Piloto da Esquadrilhas Operacionais da Aviação Naval dos Açores e de Aveiro, Oficial do Estado-Maior da Armada e Governador da Província da Guiné.


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Enfermeiro Valério

*** Em «Meditar» , Manuel do Nascimento de Almeida Júnior (3/1932) refere o apanágio e motivo de orgulho da camaradagem colegial e exorta ao incentivo desse magnifico conceito de indissolúvel amizade e lealdade. Quem não passou pelo Colégio dificilmente o compreende e entende que o tipo de vida da época não se compadece com tais platonismos ou romantismos ultrapassados. Discordando de tal entendimento, acredita que as «circunstâncias do actual tipo e ritmo de vida exigem, e mais do que nunca, que sejamos coesos, arreigadamente unidos sob o signo do nosso lema, pois só assim seremos fortes, só assim poderemos honrar o Colégio Militar e dignificar as suas tão nobres tradições de mais de século e meio de existência. ... que todos unidos tornemos cada vez mais vivo, mais vibrante, mais excelso o nosso lema “Um por Todos Todos por Um”. Parece que em todas as épocas se verificam preocupações semelhantes. *** Quando cheguei ao Colégio e durante toda a minha estadia, a equipa de enfermagem era constituída pelos Enfermeiros Gomes (civil e mais antigo), Valentim e Valério (sargentos). O Enfermeiro Gomes era o mais bondoso, o

Enfermeiro Valentim o mais bem disposto e brincalhão e o Enfermeiro Valério o mais sisudo sempre com cara de pau e aquele que menos jeito tinha para dar injecções. Esta era a opinião quase unânime de rapazes que tinham entre dez e dezoito anos. Hoje com outra idade e uma perspectiva diferente da vida, emocionou-me o relato simples e sincero do Enfermeiro Valério, onde transparece um pouco do sofrimento que os Alunos com as suas diabruras e procedimentos lhe terão causado, mas onde se nota também uma certa benevolência para com a irreverência própria da juventude.

E o Valério termina com os seguintes versos: Do velho Valério se recordam Dos tempos que já lá vão Também o velho Valério os recorda e do Colégio E os traz gravados dentro do coração.

Aqui fica o texto simples mas sincero e humano, redigido pelo Enfermeiro Valério:

A nota final do Director da Revista é elucidativa “Experimentei a receita em casa mas fiquei desolado: o sabor era outro...” Nunca experimentei em casa e não faço tenção de o fazer. Tenho tido diversas oportunidades de saborear “amarelos” de várias proveniências, todos eles antecipadamente rotulados de serem os verdadeiros e iguais ao que se come no Colégio. Nenhum deles fez jus à aureola de que vinha acompanhado. Todos consistiram em pratos agradáveis de um cozinhado que não era exactamente o “amarelo”, apenas parecido. Apesar de uma diferença apreciável em relação ao “amarelo” dos anos cinquenta (será um problema dos ovos liofilizados, das batatas que vêm mais cozidas do que fritas, do excesso de carne), apesar disto o que se continua a servir no Colégio no 3 de Março e nas Romagens dos Cursos ainda é o melhor. No entanto, para quem queira experimentar, aqui fica a receita preconizada há cinquenta anos no primeiro número da Revista da Associação:

« ...Mais tarde fui promovido a 2º cabo da mesma especialidade, começando a minha vida a aturar meninos da Luz. Todos bons rapazes, mas uns melhores do que outros, alguns muito exigentes e teimosos, que queriam sempre levar a deles avante, mas que não podia ser por o regulamento o não permitir e por isso é que o Valério era mau. «O Funga, o Carrasco» alcunhas que eles me puseram mas que eu agora até me deixo rir mas antigamente aqui alguns anos eu zangava-me e arreliava-me com eles, e era o que eles queriam para me gozarem. Hoje já não me importa, continuei a passar grandes arrelias e sustos com eles». «Muitas coisas se têm passado durante estes 41 anos de serviço no Colégio, felizmente sempre estimado por várias Direcções que cá têm estado e todos os senhores oficiais e demais pessoal. A seguir, mais tarde, fui promovido a 1º cabo enfermeiro, depois a furriel, tendo tirado vários cursos, fui a concurso para o posto de 2º sargento, no qual estou reformado, continuando cá no serviço com a minha caderneta limpa e com alguns louvores, sendo um deles: - Louvado por Sua Excelência o Brigadeiro Director do CM, porque durante 38 anos consecutivos de serviço prestados no Colégio como enfermeiro, além de ter revelado sempre no desempenho das suas missões destacadas qualidades profissionais e pessoais dedicando inteiramente ao serviço soube pela sua exemplar conduta, honestidade, dedicação e carinho, vencer da parte de gerações sucessivas de alunos uma grande estima e consideração dignas de serem apontadas e seguidas como exemplo por todos quantos neste Colégio prestaram serviço».

*** Por fim, uma preocupação candente a fechar este primeiro número da Revista da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar Como se fabrica o maravilhoso “AMARELO”

Amarelo (Batata frita com ovos e carne desfiada) 1. Fritam-se as batatas; 2. A carne pode ser cozida, esfolada ou assada, depois de fria desfia-se bem; 3. Deita-se a carne numa frigideira com banha, deitam-se os ovos e mexe-se bem com a carne para ficar bem misturada; Faz-se a mistura com as batatas fritas. 4. Quantidades por pessoa - Batata frita / 600 gramas - Carne / 150 gramas - Ovos / um e meio


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Número 50 Janeiro de 1978 visto por Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950)

Oliveira e Carmo (69/1971). De entre estas colaborações, seleccionámos a primeira – 175 Anos: O Colégio em festa, de Rui Figueiredo de Barros.

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ste número da revista, correspondente ao primeiro trimestre de 1978, destaca, como seria de esperar, a passagem dos 175 anos do Colégio. A efeméride está presente logo na capa, através duma imagem da Medalha Comemorativa dos 175 Anos do Colégio, uma iniciativa colectiva que se concretizou numa sugestão gráfica de José Manuel Zilhão e de Tasso de Figueiredo e com modelação do escultor Norte de Almeida. A cunhagem é da Casa da Moeda. A edição abre com palavras alusivas, do director da Revista da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar (era assim que na altura se chamava a nossa revista), Rui Figueiredo de Barros (62/1936), do director do Colégio Militar Brigadeiro Joaquim Lopes Cavalheiro (131/1935) e do aluno comandante do Batalhão, Diogo Jorge Ventura

175 Anos: O Colégio em festa 175 anos! Tantos quantos o nosso Colégio – o Colégio Militar – agora completa. Longa caminhada; longa história a acompanhar, actuante, a História do País. Por influência dos muitos e muitos que, através destes sete quartéis, tiveram a honra de o frequentar. 1803 – Ano da Fundação: ponto de partida para um percurso que, na sua constante renovação, não vislumbra, felizmente, limites no Tempo. Gerações e mais gerações, repetindo-se na cor-de-pinhão, vêm-se sucedendo nos velhos Claustros. Cada qual com as suas características intrínsecas – por vezes e, ainda bem (!) distintas e controversas – mas todas unidas pelo mesmo espírito, o mesmo ideal, a mesma alma. Todas com o mesmo sentido de companheirismo e de camaradagem; todas, como Todo, imbuídas pela mesma intenção de bem Servir a colectividade. É a força do Colégio; é a nossa grande responsabilidade: é o UM POR TODOS; o TODOS POR UM! Não cabe nesta nota qualquer retrospectiva destes 175 anos vivificadores. Mas compete-lhe, isso sim, evocar, carinhosa e respeitosamente, Aquele que, com os olhos lançados muito para lá do seu Tempo, criou o Colégio Militar – esta escola única que a todo o instante, pela sua significação moral e pelo impulso irresistível do seu encantamento, representa para cada um de nós o desfolhar duma saudade e o propagar duma esperança. 1978 – Ano dos Sete Quartéis: o Colégio, o mesmo Colégio de sempre, continua, em plenitude, a ser a consagração do passado; a exaltação do presente; a certeza do futuro!

Honra ao Marechal António Teixeira Rebello, Fundador do Colégio Militar! Zacatraz, Zacatraz pelo nosso Colégio! Seguem-se alguns artigos dedicados à vida e à obra do Fundador, Marechal António Teixeira Rebello. O facto de estas circunstâncias serem regularmente lembradas em ambiente colegial, faz com que os referidos artigos sejam menos representativos do espírito do n.º 50 do que alguns dos outros artigos. E dado que não podemos transcrever a totalidade das colaborações, optámos por outros que nos pareceram mais adequados a essa finalidade. É o caso da notícia relativa ao Padrão Comemorativo do 175.º Aniversário da Fundação do Colégio Militar Aos 31 dias do mês de Janeiro de 1978, ficaram neste local executadas as fundações do PADRÃO a inaugurar em 3 de Março de 1978, por iniciativa da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar. Este PADRÃO será transferido para o seu local definitivo, assinalado na planta junta, logo que esse local esteja livre. Estiveram presentes e testemunharam este lançamento o Director do Colégio Militar, Brigadeiro Joaquim Lopes Cavalheiro (131/1935), o presidente da Direcção da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar, Brigadeiro Amando


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É preciso acordar. As almas andam danadas. Temos de lembrar aos homens, que ser homem, é também, ser Camarada.

SE (do «Menino da Luz») Adaptação livre do poema de Rudyard Kipling por Roberto Ferreira Durão (15/1942)

Antevisão da Chama Colegial e do Padrão dos 175 Anos

José Marques Girão (426/1917), os autores do PADRÃO – Arquitecto José Manuel Francisco Maria de Castro Galhardo Zilhão (288/1927) e Engenheiro José Luís Faria Câncio Martins (268/1946), e o comandante do Batalhão Colegial Diogo Jorge Ventura Oliveira e Carmo (69/1971), que de seguida vão assinar pela ordem referida. A este documento juntaram-se as duas moedas em circulação e dele ficaram duas cópias, uma em poder da Direcção do Colégio Militar e outra em poder da Direcção da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar, ficando referido que o PADRÃO foi construído por Luís Filipe Leal da Costa. A poesia ocupa neste número um lugar de destaque: Camarada Escrito e lido por António Herculano de Miranda Dias (292/1925) a 27 de Maio de 1977, no jantar de confraternização dos Antigos Alunos do Colégio Militar, Ratas de 1923, 1924 e 1925.

Camarada, é o outro lado do nada, que eu sou. Camarada, é a projecção do meu ser, nos outros seres, nos outros, que são, Camaradas. Camarada, é a mão estendida, a alma lavada, a mente entendida, a ajuda dada sem ser pedida, o compromisso com os outros, na senda do bem.

Camarada, é ajudar quem de nós carece, sem esperar paga ou benesse. Camarada, é isto, e mais aquilo que bem sabeis. Eis, o que é ser Camarada. Ou é isso ou então não é nada. Camarada Ah! Não! Não é a traição dos outros da verdade da razão. Não! Não é a palavra estragada nas orgias do ódio e da vingança, e da asneira sem temperança. Camarada, foste tu ontem, e és hoje, e serás amanhã, pronto a lembrar o afã que no Colégio Militar, – fonte, cadinho, escola – onde cada um sabe que ser Camarada, é ser, é dar, sem cuidar de reaver, Só se pretende ajudar os outros, a serem Camaradas. Oh Colégio Militar! Oh Camaradas

SE podes conservar o amor ao Colégio quando muitos lhe batem, até mesmo tu. SE podes crer na malta, olhando a sua alma com orgulho e carinho, sem complexos, a nu. SE à inveja, ao despeito, à mediocridade dos que do teu Colégio dizem mal, tu puderes responder sem ódio e sem vaidade, com coragem e esperança, defendendo este Ancião com alma de criança; Ancião que só dá amor, compreensão a quem já se olvidou da Casa que o formou e, injusto, o calunia. SE podes manter vivo, como a luz do dia, o passado vivido entre os teus camaradas, nos claustros, no recreio, na Companhia, sem te julgares melhor que os outros, lá de fora, a quem estendes a mão desinteressada e franca. SE aprendeste o sacrifício e a humildade, Comendo sorridente a boa «pelanca». SE lembras com igual saudade o que foi bom e mau, porque tudo afinal foi construtivo e belo. SE são p’ra ti iguais a «pelanca» e o «amarelo», ambos manjares do céu, com o mesmo sabor, porque tu os temperaste com o sal do amor. SE podes engolir sem vomitar esse doce que sabe a pastinha de dentes, que até pode servir para os lavar e, sem ódio ou revolta, com os olhos ardentes, rapaz, tu fores capaz, «obscuro herói do povo», de voltar a pedir outro prato, de novo... SE não és vaidoso nem envergonhado, SE não guardas rancor nem te armas em casmurro quando és gozado ou, numa luta leal, levas um «enxurro». SE souberes, quando deres um estoiro na equitação, erguer rapidamente o «canastro» do chão e sem um termo agreste apesar desse «galo» te escarranchares, de novo, no cavalo. SE puderes ao chumbar, o que é fácil bem vês, ser capaz de estudar a matéria outra vez e se apanhando um cinco tu arrancares um vinte a matemática, logo no mês seguinte. SE em pleno inverno, na ginástica, sem o fato de treino ou mesmo em tronco nu,


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desdenhando do medo e do frio, saltos mortais e outras coisas mais, são para ti um desafio. SE ao falares a um «cão» não confundires «manteiga» com educação. SE falando a serventes, roupeiras, professores, aos teus oficiais da Companhia, aos soldados ou cabos lá da Formação, usares de igual respeito e simpatia, tratando todos com a mesma correcção. SE quem conta contigo encontra mais que a conta, SE souberes ajudar, numa hora de ponta, ou antes de uma prova um aluno mais fraco sem meteres a ridículo o seu «pouco caco». SE não perdes num estudo nem sessenta segundos que florescem em anos produtivos, fecundos... Então, jovem fardado, Este Colégio é teu, desde «rata» a veterano e até mesmo depois, quer civil, quer soldado. Já subiste lá acima, à cruz, no fim do ano, já andaste à «mocada» no 1.º de Dezembro, já de noite «amandaste» muita cama «ao poço», pintaste a tromba aos outros e foste tu também, pintado, moço... Mas muito além, em ti, a eterna «Luz» raiou em sete anos abrindo um rumo que marcou e sempre marcará de fé e dignidade a tua vida inteira, o que fores no futuro, sem precisares de truques, de «saltar o muro»... Lembrando com carinho o presente-passado, a velha barretina, o capote coçado com os quais tu vestiste, lá no alto, a cruz, SE, já velho, souberes gritar um Zacatraz, alegra-te meu filho, então serás «Um Menino da Luz»

Fado do Menino da Luz I Só quem tiver já sido colegial No convívio fraternal Do Colégio Militar E que percebe e sente a lealdade Dessa grande intimidade Que jamais pode acabar! Quando entra um rata novo para a Luz Desde logo ali traduz A repulsa p’la traição, Que se mantém na vida de mãos dadas Entre nobres camaradas De tão nobre tradição. - Estribilho: Ser aluno do Colégio Que à Nação deu tanta glória, É guardar o privilégio

De que vive a nossa história! Foi naquele doce ninho Que gerou p’ra nossa terra Esse herói que foi Mouzinho E os heróis da Grande Guerra. II O tempo corre, vão-se as ilusões, Mais fiéis os corações Continuam a vibrar, De modo tal, que, após dezenas d’anos, São os próprios desenganos Que nos tornam a juntar. E mesmo até, sem já se conhecer, O que vem p’ra recorrer Ao amigo e diz quem é, Ao recordar da Luz os tempos velhos Dão-se abraços e conselhos Sempre com a mesma fé. Estribilho: Ser aluno do Colégio, etc. III Depressa até se faz com que um petiz, Nos princípios varonis, Educado sem temor, Aprenda a ser um verdadeiro homem P’ra que logo a sério o tomem Pelo brio e p’lo vaIor. Por isso quando a gente d’aIi sai Honra o nome do seu pai Que já foi colegial Ao mesmo tempo dando, ao sentar praça Novo sangue a esta raça, Novo alento a Portugal. Estribilho: Ser aluno do Colégio, etc. Merecem igualmente saliência algumas Curiosidades no relacionamento do Colégio Militar com a Revista Militar ● O Tenente de Cavalaria e Fundador da Revista, António José da Cunha Salgado, primeiro antigo aluno a publicar um artigo na Revista, foi também o primeiro antigo aluno a escrever um artigo acerca do Colégio Militar, inserto na página 158 do número 4, de Abril de 1851, com o título «Última Reforma do Real Colégio Militar». Este oficial foi o primeiro antigo aluno a exercer as funções de Director do Real Colégio Militar, de 1869 a 1870.

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● O artigo publicado em 1858, no número 1, de Janeiro, pág. 21, intitulado «Colégio Militar», não assinado, transcrito do jornal «Português», relata que o Ministro da Guerra, compenetrado de que o Colégio Militar não pode continuar em Mafra, determinou a execução das obras necessárias no edifício da Luz, destinando para esse fim 4.000$00 reis. ● O número 21, de 15 de Novembro de 1860, pág. 675, contém a notícia: «Bandeiras de honra existentes no Real Colégio Militar», que descreve a inauguração da sala de armas, em 31 de Julho de 1854 (Mafra), onde deram entrada as antigas bandeiras do Regimento de Infantaria n.° 9 e do Batalhão de Caçadores n.° 11, concedidas por distinção a estas duas Unidades pelo valoroso comportamento na Guerra Peninsular, sobretudo na Batalha da Vitória, em Espanha, a 21 de Junho de 1813, sob as ordens do General e Duque de Wellington. Estas bandeiras foram mandadas entregar pela falecida Rainha D. Maria ll ao Colégio Militar e encontram-se colocadas, do antecedente, na sala dos actos. ● A mesma notícia informa que, finda a cerimónia, um aluno declamou o «hino» do Real Colégio Militar, escrito pelo poeta José da Silva Mendes Leal Júnior, que o dedicou ao Director do Colégio, General Augusto Xavier Palmeirim. ● Os alunos que não queiram servir no Exército, levarão consigo, para a carreira que seguirem, o espírito da educação militar, pela qual serão funcionários úteis e distintos, metódicos e pontuais no serviço, prontos na obediência, respeitosos no trato, enérgicos no mando, firmes no dever, violentos na acção, severos na disciplina, inteligentes e activos na execução. (Do discurso do Director do Real Colégio Militar, Coronel Francisco Maria da Cunha (39/1842), proferido em 3 de Novembro de 1886, na abertura do ano lectivo, in Revista Militar n.º 22, de 30 de Novembro de 1886. Outro tema que não podia faltar é o desporto, e desta vez numa modalidade que ainda tinha poucos praticantes. 1.º Campeonato Nacional de Pentatlo Moderno Uma equipa de jovens alunos do Colégio Militar esteve presente nestes Campeonatos. Tomou parte na prova de Tetratlo (esgrima, tiro, natação e corrida) dado que o Pentatlo completo, incluindo portanto a prova de equitação era só para juniores e seniores. Nesta prova de Tetratlo-juvenis, a equipa do nosso Colégio alcançou o primeiro lugar, seguida da equipa do Liceu Padre António Vieira. Individualmente saiu vencedor o aluno


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José Eduardo Correia Barrento Sabbo (11/1973), ficando em terceiro lugar o aluno Nuno Miguel Mendoça Frazão Arnaut Pombeiro (70/1973). Na prova de Pentatlo (juniores e seniores) que falta completar em virtude de a prova de equitação ter sido adiada por motivo de doença dos cavalos, encontram-se à frente da classificação dois antigos alunos, respectivamente Roberto Pedro Puig Dória Durão (37/1970), nos juniores e António Augusto Correia Barrento Sabbo (11/1966), nos seniores. Por equipas vai à frente a Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar. Está pois de parabéns o nosso Colégio uma vez que tanto Alunos como Antigos Alunos pertencem à mesma Casa. Deixámos para o fim dois textos que muito nos marcaram na juventude. O primeiro é: A Alma do Colégio Militar (Fragmento da brilhante oração que o 42 de 1915, Engenheiro Ramiro Guedes de Campos, proferiu na noite de gala do Teatro Nacional do D. Maria II, em 3 de Março de 1953, que encerrou o ciclo das comemorações do 150.° aniversário do Colégio Militar) “Tenham a certeza, meus senhores! A razão é só uma! O Colégio Militar não morre, porque tem alma! A alma! Cada geração de alunos, com o seu pitoresco próprio, o seu anedotário mais ou menos original, o seu friso de caricaturas de traço mais ou menos vivo, o seu vocabulário mais ou menos sonoro, e, ainda, com essa coisa tremenda e indefinível que é a juventude, misto inominado de impulsos instintivos e arrebatamentos românticos, julga possuir a alma da velha Casa! Mas nada disto, no fundo, é a alma do Colégio! A alma do Colégio Militar é qualquer coisa de subjacente que pertence às camadas mais profundas da realidade e que a cada aluno se revela, de súbito, no simbolismo do número que lhe foi destinado, número misteriosamente impregnado da vida de todos os antecessores e contendo o futuro de todos os sucessores, em ilimitada potencialidade. Porque – acreditem! – não é indiferente que eu tenha sido o 42, o insigne Júlio Dantas tenha tido o número 114 e tenha tido o número 27 o Sr. Presidente da República! Mas a Alma é qualquer coisa que passa para lá das almas, e reveste as lajes, sensibilliza as abobadas! Qualquer coisa que faz perfilar militarmente as colunas do Claustro mas que as une umas às outras por arcos de pedra que são abraços! E mais ainda! Uma expressão de virtudes cívicas e guerreiras, transmitidas não por oralidade mas por intuição, e temperadas sempre, como o

heroísmo dos grognards de Napoleão, de humorismo irreverente; códice de regras entre monásticas e de ordem de cavalaria medieval, de que o ponto mais alto, a cúpula, o zimbório – como o Zimbório da Luz que é do Colégio o que se avista na distância – é a camaradagem. Eis, meus senhores, porque o Colégio Militar não pode morrer: tem a imortalidade da sua alma! Mas quem fala aqui em morrer? O jubileu magnífico que hoje nos reúne é antes o remoçamento perpétuo duma instituição que povoou de homens a terra bendita de Portugal! De modo que a alma do Colégio Militar já tão alto a vejo que a confundo, em honra, glória, grandeza e perenidade, com a própria alma da Pátria! O outro texto, embora citado com alguma frequência, merece, pelo seu transcendente significado, ser aqui lembrado de novo: Os Colégios Militares (de Ramalho Ortigão, in Farpas, vol. VIII) Por ocasião da grande parada em honra dos reis de Espanha (14 de Janeiro de 1882), abria a marcha, no desfilar das tropas, em frente do pavilhão real armado na Praça do Rossio, o pequeno batalhão dos alunos do Colégio Militar. Era a primeira vez que os jovens colegiais se mostravam em forma numa revista do exército. Quando – depois de haverem passado os dois reis com o seu estado-maior fazendo reluzir ao sol numa grande palpitação as testeiras e os peitorais dos cavalos, as pedrarias das condecorações, as faixas ondeadas das grã-cruzes e os penachos dos capacetes e dos bicornes – se abriu uma clareira na enorme multidão compacta que coalhava toda a superfície do Rossio e que no quadrilátero descoberto sobre o macadame o batalhão colegial apareceu, uma sensação nova percorreu os nervos do grande público lisbonense. Dir-se-ia que cada um via então pela primeira vez o exército nacional na sua expressão mais genuína. Este regimento em miniatura representava efectivamente na sua encarnação virginal o mais puro espírito militar da Nação. Esses soldadozinhos, de todos os mais pequenos, eram de todos os únicos instruídos e ilustrados. Os dos outros regimentos estavam ali nas fileiras porque em tempos os tinham ido capturar para isso ao trabalho dos seus campos ou das suas oficinas, e eles não haviam sido bastante ricos para pagarem um substituto, nem bastante corajosos para se isentarem, como outros, da escravidão da farda, arrancando dois dentes da boca ou decepan-

do um dedo da mão. Os alunos militares eram os soldados voluntários e livres. Para eles a honra de vestir o uniforme é a mais brilhante do mundo. Os seus pais e os seus mestres têm-lhes mostrado por muitas vezes as belas edições ilustradas das campanhas de Aníbal, de Frederico, de Napoleão e de Condé. Eles viram Leónidas nas Termópilas, César no Rubicon e Napoleão em Arcole. Não sabem ainda bem o que é o peso das armas, mas aprenderam já o que é o peso do dever e o que é a força do heroísmo. Têm a estética da sua profissão, conhecem o que é o belo dentro da esfera das suas aspirações e dos seus actos. E eis aí a razão por que nenhum outro regimento desfilou como o deles, marchando com tão grande correcção geométrica, com tanta unidade, com tanta certeza, com uma tão intensa expressão de força, de brio marcial e de bravura guerreira. Bravo! Bravo! – gritava-lhes em coro de todos os lados a multidão comovida. E eles, graves, sérios como granadeiros da velha guarda, de cabeças altas, olhar em frente, clavinas ao ombro, marchando triunfantes como se fossem conquistando passo a passo terreno em que pousavam os pés, passavam entre palmas, como ao regressarem vitoriosos duma campanha. E afinal era efectivamente de uma vitória que eles vinham, porque equivale a uma vitória conquistada toda a noção do dever adquirida. E, por fim, os preceitos do: Código de Honra, que então estava em vigor. O aluno do Colégio Militar tem por norma os dez princípios que constituem o seu Código de Honra: – Amar a Pátria. – Honrar a farda que enverga. – Cumprir os princípios de disciplina. – Dedicar aos deveres escolares todo o seu esforço e inteligência. – Ser leal, verdadeiro e assumir a responsabilidade dos seus actos. – Praticar uma sã camaradagem sem denúncia nem cumplicidade. – Ser modesto e enfrentar as adversidades com dignidade e confiança. – Praticar desinteressadamente o bem. – Opor-se à delapidação, à violência e ao despotismo. – Ser respeitador, afável e correcto.


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Número 100 Janeiro de 1990 visto por Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957)

P

or decisão do nosso Director, que não admite qualquer tipo de contestação, coube-me em sorte fazer uma análise do nº100 da nossa Revista, o que me fez viajar para trás no tempo 25 anos e que me deu a surpresa de encontrar (já não me lembrava) uma carta que escrevi na altura à Direcção da Associação. Naquele tempo já longínquo, o Director da Revista era o falecido António Pedro de Oliveira Collares Pereira (300/1946) e o Subdirector o Eduardo Maria Rato Martins Zúquete (20/1945), que continua entre nós e de boa saúde, até prova em contrário. Na altura ambos tiveram uma actividade intensa e meritória em prol da nossa revista, que é de toda a justiça realçar.

O Editorial do número 100 da revista é da autoria do Collares Pereira, em que lembra o seu fundador, o Carlos Ayala Vieira da Rocha (189/1929), figura que nunca podemos esquecer, e aqueles que o antecederam, ou seja, os que editaram o Boletim da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar (AAACM), que foi uma iniciativa de curta duração. No editorial daquele número da revista anunciam-se alguns dos textos que o compõem, terminando, de forma muito feliz, como a seguir se transcreve: «Esse um, que confiou em todos nós, que de todos espera e de todos será sempre credor, é o Colégio Militar, em si mesmo. Ocasiões não irão, por certo, faltar para que possamos cumprir o nosso dever diário para com ele, com consciência e com o sentido sempre presente que ele também precisa de nós, constituindo verdadeiramente o «Um» por quem temos e teremos de ser todos, sempre e, sobretudo, quando necessário». Face à situação que se tem vivido nos últimos dois anos no Colégio e face ao que ainda está para vir, esta exortação não podia ser mais actual. O nº 100 da revista era subdividido em várias partes, sendo a primeira designada «Da Direcção», que passamos a analisar. A primeira parte começava com um pequeno texto em que se noticiava a morte do Dr. Cristóvão de Sousa Lima, um notável professor de português e latim que serviu o Colégio de forma superior e exemplar entre os anos de 1941 e 1977. Foram 36 anos de completa dedicação ao Colégio e aos seus alunos. Segundo o autor do texto, seu aluno durante 6 anos, esse insigne mestre podia ser caracterizado, concisamente, da seguinte forma:

«Um homem íntegro, sério, profissional competente, que dedicou ao Colégio Militar grande (a maior) parte da sua vida, que nele se integrou, amando-o mais do que muitos ex-alunos fazem hoje e tendo-o vivido como missão, como projecto e como orientador». Ao longo deste número da revista surgem mais duas contribuições relativas a este saudoso mestre, uma de autoria de Armando José Marques Girão (426/1917), um notável Antigo Aluno, que foi Presidente da nossa Associação e outra da autoria do já mencionado Collares Pereira. Esta última contribuição, intitulada «Uma flor na despedida», terminava, sentidamente, da seguinte forma: «Se eu pudesse deixar a todos de quem dependi na minha formação como homem, o meu agradecimento profundo e não retribuível, um dos primeiros seria ele. É por isso que lhe deixo aqui, molhada por sincera lágrima de saudade, a minha mais profunda homenagem. Uma Rosa, viva, molhada e verdadeira». Naquele tempo, o «nosso» capitão Cristóvão de Lima, era conhecido entre nós por «Labom». Esta alcunha resultava de uma poesia, que tínhamos de empinar, e que constava de uma Selecta Literária então adoptada no Colégio. Nessa poesia, lia-se a dado passo: «Sete anos de pastor Labão servia Jacob, pai de Raquel, serrana bela Mas não servia o pai, servia a ela» O pobre do Labão, «Labom» na pronúncia nortenha do nosso mestre, queria casar com a Raquel, mas não tinha posses, dado ser um modesto pastor. O pai da Raquel, tirando partido desta situação, disse-lhe que lhe daria a filha se ele o servisse por sete anos. Naquele engano de alma ledo e cego próprio dos apaixonados, o Labão assim fez. Quando se preparava para colher o fruto do seu sacrifício, o pai da Raquel exigiu-lhe mais sete anos de pastor, o que ele voltou a fazer, tal era a sua paixão. Já não me recordo com terminava o poema,


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Capitão Cristóvão Lima

mas terá sido certamente com o casamento de um Labão envelhecido com uma Raquel já de beleza passada. Era assim a vida naqueles tempos difíceis. O «Labom» era também muito conceituado no Colégio, por ter sido, nos seus tempos de estudante em Coimbra, um temível defesa central, numa famosa equipe de futebol da «Briosa». Constava, que os seus pontapés eram de molde a catapultar um aluno sobre os dois degraus que separavam as aulas da 1ª Companhia do seu Geral. Até nisso era mestre. Como nunca fui aluno dele, não posso opinar sobre esta matéria. Nunca senti na pele o «afago» da biqueira da sua bota. Na primeira parte da revista em análise, era dado o devido destaque à primeira participação da AAACM no campeonato de Portugal de Pára-quedismo. A equipe da Associação classificou-se num honroso quarto lugar, entre 14 equipas. Para que seja recordada, aqui fica a constituição da equipa, que era a seguinte: Luís Augusto de Noronha Krug (269/1964), José António Nobre Pires (646/1969), António Victor Reynaud da Fonseca Ribeiro (43/1968) e Carlos Alberto Grincho Cardoso Perestrelo (329/1972). Com o mesmo fim, também se apresenta uma fotografia dessa famosa equipe. O Luis Krug faleceu na execução de um salto e o Carlos Perestrelo guindou-se entretanto ao posto de major-general, o que muito nos orgulha.

A segunda parte da revista era designada «Da Revista» e iniciava-se com um conjunto de dez perguntas feitas ao fundador da revista. Das dez perguntas seleccionei a que me pareceu mais interessante nestes dias e que era do seguinte teor: «Qual é a tua atitude, hoje, tantos anos passados, perante a vida, o Colégio, a Associação e a Revista?» A esta pergunta respondeu Carlos Ayala Vieira da Rocha (189/1929) da seguinte maneira: «A minha atitude perante o Colégio, a Associação e a Revista foi sempre a mesma, dum grande e talvez excessivo interesse, o que me fez ter tido alguns desgostos que poderia ter evitado se acalmasse o grande amor que tinha, tanto pelo Colégio como pela Associação, o que me fez por vezes vibrar demasiado com assuntos, no fundo sem qualquer importância e que são assuntos mais para uma conversa do que para um escrito deste tipo». Embora não seja uma resposta objectiva à pergunta apresentada, a resposta dada é interessante, pois está de acordo com desabafos já ouvidos de outros Antigos Alunos que ocuparam cargos de responsabilidade na Associação ao longo do tempo e que acabam a queixar-se da incompreensão de outros Antigos Alunos. É um facto estranho, tendo em conta quem somos e o que nos une. Mas como até há famílias em que as pessoas se antagonizam e se prejudicam mutuamente, tudo é possível, não deixando no entanto de ser doloroso. Na segunda parte da revista é referido o Boletim da AAACM, cujo primeiro número saiu em Junho de 1957, seguido apenas de mais quatro números. Foi seu Editor, Director, Narrador, Angariador e Cobrador (segundo a sua própria linguagem), o José Godinho Gama Barata (191/1921), que foi médico de profissão e de uma grande dedicação à nossa Associação. Ainda nesta parte da revista surge um pequeno artigo com o título «A mais antiga foto?», em que se apresenta uma foto de Hipólito Ernesto Delisle (140/1852). Tal como o autor do artigo, também eu tenho dúvidas acerca da foto apresentada. Hei-de voltar a este assunto, numa próxima ocasião. A segunda parte da revista termina com a apresentação de uma lista de anunciantes que apoiaram a revista ao longo dos seus primeiros vinte e cinco anos. Foram cerca de trezentos. Imagino o tempo gasto em telefonemas, cartas e conversas, para angariar todos aqueles anunciantes. Terão tido algum retorno material para o seu investimento? Penso que não. O retorno terá sido apenas o prazer de ajudar os amigos.

A terceira parte da revista, designada «Do Colégio», começava com a apresentação dos três guiões que o Colégio já teve ao longo do tempo e com um artigo intitulado «O Trapo», escrito por um antigo Porta-Guião, em que ele manifestava o seu desgosto por o terceiro guião conseguir ser mais feio do que o segundo e por andar pendurado de uma velha lança de madeira, sem o travessão horizontal que mantinha o guião esticado e à vista de toda a gente. Segundo ele, o guião nestas condições até se podia confundir com um trapo pendurado de um pau. Recordo-me que este artigo teve na altura consequências aborrecidas, por as palavras do seu autor terem sido tomadas à letra e julgadas com excessivo rigor por um outro Antigo Aluno, em carta posteriormente publicada na nossa revista. Os ânimos entretanto serenaram e a situação foi parcialmente corrigida, com a inserção de um travessão horizontal, que permite que o guião fique bem visível, dando porém para comprovar, que este é o guião mais feio que o Colégio alguma vez teve. Esperemos que apareça um dia destes um novo perito em heráldica, que descubra que o actual guião tem algum erro e o substitua por outro mais bonito. Para mim, o mais bonito era o primeiro, mas isto é um velho a falar do guião do seu tempo. Esse primeiro guião foi pela primeira vez usado sendo Porta-Guião o meu tio João Salgueiro Pinto Ribeiro (47/1935), ainda hoje entre nós, com os seus 90 anos. Na terceira parte da revista constava também um artigo relativo ao teatro do Colégio, o Teatro Dom Luiz Filipe. Nesse artigo apresentava-se o designado «Regulamento do Teatro Colegial», homologado, no dia 4 de Maio de 1868, pelo Director do Colégio, Augusto Xavier Palmeirim, General de Brigada. Este regulamento é uma delícia. Apresenta disposições curiosíssimas, das quais transcrevo as seguintes: Artigo 1º - O teatro é destinado á diversão do Corpo Colegial e para exercícios de declamação. Artigo 3º - Os alunos notados de falta de aplicação, e de comportamento irregular, são privados de assistir às representações, e de concorrer para qualquer trabalho teatral. Nesta classe são sempre compreendidos os alunos que na última informação mensal, têm o conceito de pior - ou nota de zero - no último exame de frequência. Artigo 6º - As representações só têm lugar em véspera de dia feriado, e nessa ocasião são mudadas as horas da refeição por modo que, se evite qualquer estorvo ao andamento do espectáculo.


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de Mendonça Perry da Câmara (143/1940), antigo Director do Colégio, em que se esclarecia a origem da designação da nossa Feitoria, de que não se conhece em Portugal outro local com a mesma designação. A explicação para a designação pode ser encontrada numa nota de rodapé de um trabalho de Lívio da Costa Guedes, intitulado «Aspectos do Reino de Portugal nos Século XVI e XVII, II tratado». A nota de rodapé, na parte que mais nos interessa, dizia o seguinte: «1596 (….) Neste ano deu-se princicípo (sic) à Fortaleza da Cabeça Seca, hoje Torre de S. Lourenço. Toda a cantaria se preparava nums barracões de madeira, que se fizeram ao pé da Fortaleza de S. Julião da Barra, e chamou-se àquele sitio Feitoria das Obras da Cabeça Seca e, também, Feitoria de El-Rei. Pouco mais para Poente desta Feitoria, há uma pequena enseada, à qual se chamou o Portinho de S. Julião, aonde as barcas vinham buscar os materiais para a construção da dita fortaleza da Cabeça Seca.»

Equipa da AAACM no campeonato de Portugal de Pára-quedismo.

Artigo 11º - Os alunos serão formados em turmas conforme lhes acontece para o refeitório. Em cada banco haverá um responsável pela polícia e quietação. Artigo 12º - Ao Snr. Ajudante pertence dirigir a policia, e a verificação das senhas pelo ajudante de policia fazendo depois encaminhar as Snrªs aos seus lugares, conduzidas pelo braço dos alunos graduados e pelos do 6º ano. Artigo 14º - O porteiro do Colégio, nas noites de representação, vestirá o seu uniforme e cingirá espada. Não permitirá a entrada de pessoa estranha ao Colégio sem que apresente bilhete de admissão. A quarta parte da revista, designada «Colaboração», começava com uma poesia de um Antigo Aluno já falecido, que foi de uma enorme dedicação ao Colégio e à nossa Associação, o António Herculano de Miranda Dias (292/1925), que foi Coronel de Cavalaria e que tem uma lápide com o seu nome numa das salas do actual restaurante «O Jardim da Luz». A poesia do Miranda Dias tinha por título «Peregrinação» e terminava da seguinte forma: «Para mim, O que mais me apraz, Agora, É gostar Como outrora,

Como nos tempos de rapaz, E prestar minha mercê: Pelo Colégio Militar, ZACATRAZ» Era assim o Miranda Dias, que os mais velhos conheceram e muito estimaram. É sempre bom recordá-lo. Seguia-se na quarta parte da Revista, a parte III de um longo artigo intitulado «A Partilha de África», que foi sendo publicado ao longo de uma série de números da nossa Revista. Este interessantíssimo artigo, cuja leitura recomendo a quem se interessa por assuntos de História, era da autoria do fundador da revista, o já mencionado Carlos Vieira da Rocha, Mestre em estudos africanos. A quinta parte da revista era designada «Ideias e Factos». Esta parte começava com um artigo intitulado «Opiniões sobre temas vários» com extractos diversos de um livro do pensador Henry Miller, com o titulo «Livre de ma vie», na sua edição francesa, traduzidos pelo então director da revista, o António Collares Pereira. Era um artigo fora do habitual na nossa revista e que dava que pensar, como era o intento tanto do seu autor, como do tradutor. Seguia-se nesta quinta parte da revista um curto artigo, intitulado «Toponímia - Um esclarecimento», baseado no fruto de uma pesquisa efectuada pelo Fernando Edgard Collet-Meygret

Para aqueles que o desconhecem, esclarecemos que a Torre de S. Lourenço é a torre do conhecido Farol do Bugio, situado em frente à Feitoria, na barra do Tejo. Nos meus tempos de aluno tínhamos na Feitoria uma baleeira cedida pela Marinha, com a qual se planeou ir a remos até ao farol, o que era um atrevimento, dadas as fortes correntes e a nortada frequente no local. Consta que lá se foi. Não o posso comprovar, pois não fiz parte da tripulação de tão temerária expedição (os meios de comunicação e de socorro eram nulos na altura). A antepenúltima parte da revista, designada «Actualidade», era composta por 3 entrevistas aos então 3 últimos Presidentes da Direcção da nossa Associação. As entrevistas baseavam-se em 10 perguntas idênticas feitas aos referidos Presidentes. Considerámos interessante transcrever as respostas dadas pelos mesmos, em relação a uma das perguntas formuladas, que era do seguinte teor: «Que pensas como futuro, a médio e longo prazo, para: a) O Colégio Militar b) A Associação c) A Revista Com base na tua experiência e no teu conhecimento do passado, presente e futuro de cada uma delas?» Passados vinte e cinco anos, ou seja, já dentro do longo prazo, vejamos o que cada um destes nossos camaradas mais velhos vaticinou. Rui Manuel Figueiredo de Barros (62/1936), Presidente da AAACM de 1979 a 1983, respondeu o seguinte:


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Teatro Dom Luiz Filipe

«Quanto ao futuro do CM (e, por arrastamento, o futuro da Associação e da Revista) é verdade que o encaro com alguma preocupação. Não tanto quanto à sua existência, mas sim na luta que se impõe ao Colégio travar contra a erosão do tempo. O futuro do Colégio (e o da Associação), já o disse antes, preocupa-me pelos reflexos ao estilo e evolução que a sociedade actual vem sofrendo, nela se introduzindo alguns parâmetro imprevisíveis que, só por serem novos, não serão os melhores. A vida social afigura-se cada vez mais difícil e complexa e o Colégio, como alguns têm pretendido, não pode ser visto à luz de uma simples relação custos-benefícios directos e imediatos. Não é nesta linha de rendibilidade, para ele injusta e inadequada, que o Colégio deverá ser apreciado.» Desgraçadamente, o receio do Rui Figueiredo de Barros revelou-se fundado. Vinte e dois anos após a sua resposta, um governante de fraca figura e de vistas curtas, usou a «cartada» dos custos-benefícios, como uma das razões para atacar o Colégio e destruir o centenário Instituto de Odivelas, um verdadeiro crime de lesa Património Nacional. Rui Figueiredo de Barros acabava porém a sua resposta com uma nota de esperança, que, até ao presente, não se revelou infundada. Oxalá assim continue:

«Apesar de tudo, muito embora o porvir do Colégio me dê preocupação, é ainda nele que continuo a encontrar razões de esperança para o futuro, já que cada geração que vai saindo se identifica com a geração anterior, na manutenção das virtudes colegiais que nos são intrínsecas, justificando assim a sua razão de existir.» Carlos Manuel da Costa Freitas (50/1933), Presidente da Associação de 1983 a 1986, deu uma resposta muito extensa, pelo que decidimos apresentar aqui os aspectos essenciais da mesma, podendo a resposta integral ser vista no número em análise da revista, disponível na nossa Associação. «O futuro, a médio e longo prazo, para o Colégio, creio que estará assegurado enquanto se mantiver, como tem sido, alfobre de «elites» no plano físico, cultural e moral. Pode o Colégio mudar: pode o recrutamento dos alunos sofrer sensíveis alterações. Mas acabar com uma das poucas coisas que neste país funciona bem e produz bem, parece-me crime de que ninguém terá coragem para ser réu.» Nem sonhava Carlos da Costa Freitas o que seriam as transformações que a nossa sociedade atravessaria, em que até governantes com cargos da maior responsabilidade, mas sem a estatura exigível para os mesmos, não temem ser réus do que ele considerava impensável. Foi a isto que chegámos.

Quanto à Associação, Carlos da Costa Freitas considerava que a mesma estaria condenada se se mantivesse nos moldes então existentes, referindo porém: «Mas talvez seja possível dar-lhe nova vida se lhe for dado novo projecto, novo papel a desempenhar: a solidariedade deverá ser, talvez, o aspecto mais importante a desenvolver e que lhe pode dar nova vida. O que existe neste campo é muito bom mas muito pouco» Finalmente, quanto à Revista, opinava Carlos da Costa Freitas «…penso que a Revista terá de lutar para se manter, pois creio que TEM DE SE MANTER; mas precisa de verdadeiras dedicações que se terão de procurar sem desfalecimento». A revista continuou até hoje e as dedicações não têm faltado, como a do saudoso Mário Margarido e Silva Falcão (314/1936), que dirigiu a revista durante 14 anos e a do nosso actual Director, que lhe sucedeu e que o acompanhou, como Chefe de Redacção, doze daqueles anos. O último entrevistado foi o nosso famoso cavaleiro olímpico, o Joaquim Miguel de Matos Fernandes Duarte Silva (8/1934), Presidente da Associação de 1986 a 1990, que respondeu assim às questões que lhe foram postas: «Esta pergunta é vaga e pode ser respondida, ou duma maneira muito empolada, ou duma maneira muito comezinha. Opto pela segunda: a) O Colégio com os seus quase 200 anos está jovem e tenho a certeza que daqui a outros duzentos ainda estará. Há sempre detractores, especialmente os que vêm com as histórias de «... no meu tempo…», mas para esses a minha resposta é só uma, é que sou o primeiro a aconselhar os meus filhos a meterem lá os meus netos. b) A Associação é o que for a sua Direcção, e logo que haja uma sede convidativa, dará um grande salto em frente. c) A Revista tem grande interesse e é o elo natural que nos une. Depende da aptidão e da carolice da sua Direcção, pois que a colaboração dos Antigos Alunos é pouca. A penúltima parte da revista, designada «Recordando», apresentava um artigo «Memórias e Recordações» da autoria do Cristóvão Manuel Banazol de Carvalho (83/1940), um contador inato de episódios mirabolantes do seu tempo colegial, que terminava o seu artigo da seguinte forma: «Recordando estes episódios, que volto a dizer, são verdadeiros, e que se passaram comigo, chego à conclusão, conhecendo a humanidade de hoje, que agora nada disto se poderia


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de Homem que pôs «a malta a cantar», com prazer, com qualidade e com orgulho, durante cerca de vinte anos. A minha geração, a que me antecedeu e a que me sucedeu lembram-no com saudade, admiração e carinho. Entre Rectas e Planos

Professor Jaime da Silva ("Zé Carioca")

passar, só numa casa como o nosso Colégio, com uma rapaziada como aquela, é que episódios destes se davam, sem ódios, invejas ou deslealdades. É por isso que todos os ex-alunos, quando falam do seu Colégio, têm sempre uma palavra na boca que define tudo: CAMARADAGEM.» Ainda na penúltima parte da revista era apresentado o final de um extenso artigo do Eduardo Zúquete (20/1945), também ele um exímio contador de histórias, intitulado «Histórias e Figuras do meu Tempo». Este artigo era subdividido nas partes adiante indicadas: O Horse-Ball O Horse-Ball é uma modalidade hípica hoje divulgada internacionalmente e praticada a nível elevado entre nós. Foi introduzida em Portugal no Colégio, numa altura em que a instrução da equitação tinha um alto nível, resultante de duas horas de instrução semanal de equitação do 1º ao 7º anos e da acção pedagógica de dois magníficos instrutores, os então Capitão Reymão Nogueira e Tenente Romeiras Júnior, que na altura eram concursistas de obstáculos de nomeada. Era um desporto duro, que requeria cavaleiros de qualidade, expeditos e destemidos, e que deixaria hoje em dia os Papás e Mamãs dos alunos com os cabelos em pé (no mínimo). O Canto Coral Esta parte do artigo é uma ode a uma figura impar de professor que foi o Maestro Jayme da Silva, o inolvidável «Carioca», o Pequeno-Gran-

Esta parte do artigo é também ela uma ode a uma outra figura notável de professor, que já não conheci, o Coronel Ivo Guedes da Silva, mestre de matemática de nível pedagógico tal, que inspirou um aluno pouco dado às matemáticas e que viria a seguir Direito, o António Aboim Ascensão de Sande Lemos (66/1944), a escrever aquilo que o Zúquete considerou uma espantosa mini-peça teatral, intitulada «Entre Rectas e Planos», onde descrevia o clima , o ambiente e o vocabulário de uma aula daquele mestre. Vamos procurar descobrir o rasto desta obra, para que todos possam desfrutar do seu conhecimento. A Carreira de Tiro Aqui recordava o Zúquete uma pequena carreira de tiro existente no seu tempo, com cerca de 25m de comprimento, situada no início da rampa de subida para o Ginásio, cuja construção, em 1949, terá ditado a demolição da carreira. Já não conheci esta carreira de tiro. No meu tempo não fazíamos tiro com as Mauser, apenas me lembro de ter feito algum tiro, com arma de menor calibre dentro do Pátio da Infia, já desaparecido. Esse pátio servia para tudo na Instrução Militar e lembro-me de lá ter sido feito um pequeno telheiro, adoçado a um dos muros, onde foram empilhados fardos de palha para fixação de alvos de tiro ao arco. Esta modalidade desportiva foi sol de pouca dura, mas ainda me recordo que um dos praticantes mais jeitosos era o Lacerda, de seu nome completo Álvaro Fins Pereira de Lacerda Machado (143/1953), que ignoro se continuou a praticar a modalidade depois de sair do Colégio. O BC O BC (iniciais do apelido do então Major de Engenharia Bastos de Carvalho) foi um notável professor da disciplina então designada Ciências Físico-Químicas. Segundo o Zúquete foi um guia, um educador e um amigo dos seus alunos. Era um homem polifacetado, com grande sentido de humor camuflado pelo seu ar austero, de grande competência e cultura (até sabia japonês) e com queda para a poesia. Fazia poe-

Coronel Bastos de Carvalho

mas relativos às matérias que ensinava, que passava aos alunos, que as tinham de empinar, para assim fixarem, sem dor, as noções que de outra forma se lhes afiguravam intragáveis. Constava que ele tinha escrito um poema denominado «As Alquimíadas», em que, a dado passo, dizia, fazendo lembrar o vulto maior da nossa poesia: «Química ensinarei por toda a parte Se o Santos me ajudar na sua arte» O Santos ainda conheci. Era o preparador que auxiliava nas aulas práticas de Química. Era o guardião do «templo» da Química, uma jóia do princípio do século XX, belissimamente equipada, que o malfadado «progresso» transformou em messe de oficiais e professores. Aí passei bons momentos. A grande diversão da malta era produzir vapores rutilantes em quantidades tais que obrigavam à evacuação do laboratório, para não ficarmos todos intoxicados. Havia alguns que faziam mão baixa de reagentes vários, com que se entretinham depois nos estudos a fazer misturas clandestinas descontroladas no interior das suas carteiras, que nem sempre terminavam da melhor maneira. Começavam a sair gases, fumos e odores pestilenciais, através do buraco de colocação dos tinteiros na carteira, que o «alquimista» procurava dispersar, abanando freneticamente o seu barrete sobre o referido buraco, sem grande êxito, o que levava à intervenção do oficial assistente ao estudo e, por vezes, à subsequente ida ao «Sub», para sentir o peso da mão férrea da justiça colegial de então.


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O BC conheci-o mal, era Coronel, Director do Colégio no meu ano de entrada. Naquele tempo o Director era um ser inacessível e praticamente invisível. Só o víamos nas cerimónias, ao passar a revista ao Batalhão. O BC acabou mal a sua passagem pelo Colégio. Teve o azar de ser Director em 1958, ano das eleições presidenciais, a que concorreu o General Humberto Delgado (398/1916). No final do ano lectivo, o BC foi «removido» do Colégio, devido a uma brincadeira dos alunos relacionada com as eleições, descrita no número 199 da ZacatraZ. Os Toques Segundo o Zúquete, no seu tempo o Colégio era «um mundo de relativo silêncio... permanentemente pontuado, interrompido, pautado, comandado por toques de clarim e de corneta». Vivi também nesse mundo já desaparecido, de que dei uma ideia num artigo intitulado «Ao toque da Corneta», aqui publicado há poucos anos. Nesta última parte do seu artigo, presta o Zúquete uma homenagem enternecedora a um virtuoso da corneta e da requinta, o cabo Estrela. Atentem no que ele escreveu: «invariavelmente escolhido para os grandes desfiles ou paradas do Governo Militar de Lisboa, estivesse ou não o Colégio presente - com o seu uniforme rebrilhando de graxa e polimento, substituía a corneta de todos os dias por uma minúscula e faiscante requinta que tocava com espantoso virtuosismo. Tremia todo o Colégio, pedras e corações, com as notas vibrantes incomparáveis que o Estrela arrancava com facilidade e entusiasmo do reduzido engenho; e todos ficávamos com a ideia precisa de que a festa tinha, de facto, começado». Não resisto a transcrever mais este passo magnífico da prosa do Zúquete: «A requinta luminosa do cabo Estrela a tocar a formar para um 3 de Março, a charanga do cabo Carriço atronando os acordes solenes da «Aída» no asfalto quente do «Paseo de la Castellana» ou o túnel sonoro das fanfarras no mini-desfile, rua do Ouro abaixo, deixam um rasto de arrepios que só encontra eco na memória daqueles que viveram esses momentos sem retorno». Conclui o Zúquete dizendo, com pesar, que a desaparição dos toques foi uma perda de cultura e que os toques «foi mais uma língua morta que terá enriquecido o meu currículo». Quase que por milagre, ainda ouvimos, um dia por ano, tocar o sinal do Colégio. É no 3 de Março, para começo do canto do hino do Colégio. Que ao

menos continuemos a saber que aquele breve sinal é o nosso sinal. É o sinal que diz à malta «isto é para vós». É O SINAL QUE NOS UNE! Para que esse sinal, que nos une, não se perca, aqui fica, para a posteridade, o “Toque indicativo do Colégio Militar”. Este toque já era no Século XIX o sinal do Batalhão Colegial do Real Colégio Militar. Até hoje não mudou.


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Número 150 Janeiro de 2003 visto por Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva (53/1961)

marcantes e simbólicas, foi o lançamento da gigantesca “História do Colégio Militar”, do José Alberto da Costa Matos (96/1950) e do Mário Margarido e Silva Falcão (314/1936). Na impossibilidade de transcrever tudo o que achámos de mais relevante ou interessante, tomámos a liberdade de escolher alguns textos que, no nosso entendimento, ilustram a variedade de temas e abordagens então feitas. Colégio Militar: memória ou projecto? - António José Chrystello Tavares (45/1971)

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ste número 150, saído em 2003, teve a felicidade de coincidir com o 200º Aniversário do Colégio Militar. É devido a essa coincidência, que nas páginas do seu interior abundam artigos de celebração desse aniversário, assim como de um ou outro sobre o futuro do Colégio. Naturalmente que o bicentenário do Colégio Militar ocupa uma extensa parte deste número, com eventos vários, fossem internos, fossem públicos e uma extensa e variada resenha de imprensa alusiva ao evento. Entre as muitas iniciativas descritas, como foram a inauguração do monumento do bicentenário e o discurso evocativo deste aniversário na Assembleia da República, proferido pela deputada Dra. Isilda Pegado, uma das mais

“A reformulação da estrutura castrense, em todas as suas cambiantes, consequência do regresso à matriz europeia, após cinco centúrias e meia, dos seus efectivos que se repartiram pelo espaço de Além Mar, obrigou a que fosse reequacionada a funcionalidade dos estabelecimentos militares de ensino. Assim, tanto o Colégio Militar como o Instituto Militar dos Pupilos do Exército, a par do Instituto de Odivelas, não escaparam aos ventos da mudança e, porventura, dificilmente sobreviverão ao curso da História. Pelo menos, da forma como ainda hoje os concebemos e que lhes granjearam uma mística única. Efectivamente, a maior parte das instituições que já não reflectem um grau de prosperidade idêntico ao de épocas originárias podem perder-se na ilusão de que o tempo de Deus parou para seu benefício. Os muros que ruidosa­mente vão caindo e que albergavam, no seu interior, tradições e hábitos ancestrais, são, sem dúvida, um livro aberto a que todos têm acesso e a que dificilmente poderão ficar alheios. Esse conhecimento poderá preservar-nos, enquanto colectividade, de que outros venham de novo colher os frutos das nossas sementeiras,

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conforme nos tem acontecido, com alguma regularidade, a partir do século XVII. A consciência dos diversos quadros e do nosso relevo permitirá sempre aproveitar, em ganho próprio, as grandes forças em presença. Não se trata de algo ao alcance de quantos gerem, de forma improvisada, o nosso destino, tanto mais que a improvisação na conduta da respublica é pecado que as nações poderosas costumam pagar muito caro e em que as menos poderosas arriscam a própria soberania. De uma sociedade que, consciente ou inconscientemente, valida um imenso mosaico de sistemas educativos contrastantes, impondo a sua lógica pelo menor divisor comum, pouco se poderá esperar. Com efeito, quantos recusam essa obdientia sine mora e procuram dar, para lá de todas as contingências, uma nova solenidade e urgência no retorno aos valores espirituais, acabam por ser postergados para as margens do mundo e relegados para estádios de acção completamente diversos. Por outro lado, a submissão massiva aos ditames do século, condição por excelência para se obter um lugar cativo na cada vez mais pesada estrutura do Estado, não permite que se resgatem princípios éticos tidos por ultrapassados, ainda que tão intemporais como a própria noção da temporalidade. Ciclicamente, em tempos de crise e desde que as sociedades humanas se organizaram, surge uma corte de quantos pretendem ser generosos e, marcando assim igualmente lugar no céu, questionar a direcção dos ventos. Nunca lhes ocorre, porém, a tais demiurgos de serviço, que a generosidade é um modo de ser e não um modo de aparecer, uma forma de mudar o estado e, consequentemente, como referiu Gregório o Grande, em 593 Regula Pastoralis, de nos mudarmos também: ars artium regímen animarum. Outros terão, tacitamente, dificuldades em conciliar as exigências de profissional com o sentido agudo do dever. As ruínas altaneiras de tantas instituições que soçobraram ao longo dos tempos, muito para além da própria memória humana, servem para a fragilidade e a fraqueza em que acabaram por cair, mau grado períodos em que o seu domínio imperou sobre territórios e povos desvairados. Os saques de Roma, em 410 e 419, pelos Visigodos e Godos, a anteceder a pacata demissão do último imperador, Rómulo Augustulo, em 476, vêm servindo ao longo dos séculos para demonstrar essa verdade que muitos teimam, por ametropia ou estulta ambição, em não aceitar: a temporalidade das instituições. É certo que esse limite não consente excepções, o que inviabiliza tentativa de tornar pe-


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rene uma ou outra instituição. Porém, sendo certo que a própria condição humana reage, por instinto de sobrevivência ou por cálculo, aos mais diversos estímulos e impulsos, torna-se imperativo que muitos seriam aqueles que, irmanados por um ideal comum, das divergências ideológicas que inevitavelmente se perfilam, serrariam fileiras em prol da instituição ameaçada. Para que essa diligência colectiva possa vir a ter êxito, objectivo nuclear da conjugação de esforços, seria necessário identificar as causas que concorreram para a alteração do status quo, contrapondo mecanismos susceptíveis de inverter a situação e, até, de a fazer singrar para novos estádios de desenvolvimento. Sob pena de, caso contrário, ditar a ruína daquilo que seria mister defender. Exemplos sobre exemplos, em todas as épocas e latitudes, despertam-nos para a necessidade de conjugar esforços e vontades, mesmo que estas se possam revelar de laboriosa e árdua prossecução. Face aos ataques de que, nos últimos anos, o Colégio Militar tem sido alvo, desferidos muitos deles de forma frontal, ainda que outros - certamente os mais mortíferos - completamente dissimulados, rastejantes, por terem a sua origem onde menos se poderia esperar, impõem-se a mais profunda identificação das causa que concorrem para tal facto e, assim, encontrar os antídotos necessários à sua regeneração. E que futuro? É esta interrogação que constantemente se repete e à qual alguns respondem com promessas e soluções miríficas e vãs, as quais pesam pela inconsciência ou pela cumplicidade dolosa, na base do pressuposto tão falacioso quanto pueril de que terceiros cuidarão do porvir do Colégio Militar. Assim, mais do que discorrer sobre o aniversário da instituição fundada, nos alvores de Oitocentos, pelo Marechal Teixeira Rebelo, urge questionar - efectivamente - se o quadro docente privilegia, como seria seu dever, os ditames de um estabelecimento de elite (já que, como é sobejamente sabido, qualquer sociedade para se renovar e afirmar necessita obrigatoriamente de criar elites, constituindo a sua rejeição a própria negação da comunidade). Da mesma forma, urge saber se os mesmos professores deveriam ser, na sua maioria, oficiais do Exército, dos três ramos das Forças Armadas, ou paisanos. Como seria mister definir qual o plano de estudos e, até, a própria praxís dentro do perímetro colegial. Será importante manter-se uma ligação diária à estrutura castrense, onde a visualização das fardas de oficiais, sargentos e praças são uma constante, em articulação com um

código militar, ou dever-se-á dar primazia às instituições do século, onde fazem lei as campainhas (a substituir a corneta regimental), aos acessórios de marca (a substituir o preceituado regulamentar quanto a fardamentos), às pausas escolares (a substituir um plano de estudos autónomo, consequência da especificidade de tal estabelecimento), à segurança por empresas do ramo (a substituir praças e fâmulos) e a um ideário que admite, cítra morem, um plano cursivo que é a antítese daquele que se poderia e deveria desejar? O bicentenário do Colégio Militar, estabelecimento que já não se revê nos padrões que o antigo regímen impôs, mais do que servir para recordar tempos idos, em que a salutar camaradagem imperou, deverá tender a questionar o seu porvir. Futuro este que, obrigatoriamente, passará pela identificação dos seus maiores problemas e pela apresentação de resoluções realistas. Isto, para que se defina ad aeternum se queremos um Colégio Militar castrense ou, ao invés, uma escola secundária fardada. Ou, por último, se queremos um estabelecimento de elite ou, pelo contrário, mais um colégio diluído entre tantos. Como referia nestes casos o genial autor de Alceste, Eurípedes, facere alícuí potestatem, optíonemque ut elígat utrum velít.” Outro texto que não podíamos deixar de transcrever, foi a peça do Diário de Notícias, de 7 de Março de 2003. Colégio Militar “Era uma vez... um colégio de um país pobre, criado ainda os reis não tinham fugido para o Brasil (onde João VI iria sucumbir aos encantos de uma mulata «que havia lá»). Destinado a filhos de oficiais ausentes da Pátria, veio a ser chamado de Colégio Militar. Educou milhares de portugueses. Quatro presidiram à República. O Colégio cultiva valores sólidos - camaradagem, honra, sentido do dever - alimenta tradições, valoriza a competência. Mas o mundo mudou, nada se parece com os idos de 1803. Há algum tempo, um ministro cujo nome não recordo pôs a correr a ideia de que o Colégio não servia para nada. Perdia dinheiro. Quis acabar com ele. Conheceu-se do assunto uma versão «construção civil» (um belo condomínio fechado em perspectiva). Ex-alunos, ilustres e desconhecidos, reagiram. Os portugueses ouviram falar do 60 de 67, do «preguiças» da quarta, dos «ratas» de 81. O ministro recuou. Zacatraz.

O estranho Colégio do país pobre comemorou há dias 200 anos. Dois séculos de património nacional. A televisão fez uma reportagem sobre os «meninos da Luz». Ao entrevistar os miúdos, 12, 13 anos, a jornalista questionou as firmezas: “Não é disciplina a mais?” teve resposta pronta: “Antes a mais do que a menos.” Todos proclamaram o seu amor por aquele antro de rigor, valores e disciplina. A seguir à reportagem saí para uma bica. No café comentava-se: “os miúdos estavam preparados”, “é outra casa pia”, “filho meu não põe lá os pés” e até “uns totós”. Será estranho um Colégio assim num país pobre, ou será pobre o país que estranha um Colégio assim?” E finalmente, um texto, muito engraçado, que nos tempos de uma cada vez maior influência paisana, dentro dos muros do nosso Colégio, achámos divertido e MUITO OPORTUNO de publicar: Desfile com canas de pesca – Mário Margarido e Silva Falcão (314/1936) “Manhã do desfile na Avenida da Liberdade. Uma “jornalista” televisiva, do género daqueles entrevistadores que armadilham as perguntas para obterem as respostas que pretendem, aproxima-se de uma senhora que assiste ao desfile e “dispara” mais ou menos isto: A senhora não fica incomodada ao ver meninos tão pequenos transportando espingardas? Resposta imediata da interpelada: Tratando-se de um Colégio Militar, o que é que acha que os alunos deviam trazer? Uma cana de pesca? Esta cena foi descrita por um Antigo Aluno que a ela assistiu e parece-me interessante revelá-la aqui, por mais não seja pelo reconhecimento e admiração devidos aos familiares, especialmente mães e irmãos que se vêem privados da companhia diária dos seus entes queridos durante anos importantes das suas vidas. Bravo minha Senhora! Mostrou bem que é membro de direito da nossa alargada Família Colegial.” É também neste número que outra coincidência, desta feita triste e infeliz, se evoca o falecimento do fundador na nossa revista, o Carlos Ayala Vieira da Rocha (189/1929).


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Novo Director do Colégio Coronel Tirocinado de Artilharia - José Domingos Sardinha Dias

Novo Director do Colégio Coronel Tirocinado de Artilharia

José Domingos Sardinha Dias N

o passado dia 14 de Agosto do ano em curso tomou posse, como Director do Colégio, o Senhor Coronel Tirocinado de Artilharia José Domingos Sardinha Dias. Na Sala de Armas teve lugar a recepção de boas vindas, usando da palavra o Subdirector Tenente Coronel de Artilharia António José Ruivo Grilo (338/1978). Após a apresentação de Oficiais, Sargentos, Praças e Funcionários Civis, seguiu-se um encontro no pequeno auditório e a visita às instalações do Colégio.

Numa breve nota curricular, constatamos que o Coronel Tirocinado de Artilharia José Domingos Sardinha Dias nasceu a 30 de Dezembro de 1961, em Ciladas/Vila Viçosa, tendo sido promovido ao actual posto em 19 de Dezembro de 2008. Está habilitado com os cursos curriculares de carreira, o Curso de Artilharia da Academia Militar, o Curso de Promoção a Capitão, o Curso de Promoção a Oficial Superior, o Curso de Estado-Maior e o Curso de Promoção a Oficial General. Possui ainda, entre outros, o Field Artillery Target Aquisition and Survey Officer Course e o Crisis Management Course frequentados, respectivamente, nos Estados Unidos da América e na Alemanha, o Curso de Artilharia Auto propulsada, o Curso de Operações Irregulares e o Curso de Coordenação de Apoio de Fogos. Ao longo da sua carreira, prestou serviço em várias Unidades, Estabelecimentos e Órgãos do Exército e das Forças Armadas. Na Escola Prática de Artilharia, exerceu as funções de Instrutor, de Comandante de Pelotão, de Chefe da Secção de Topografia, de Comandante de Bateria, de Chefe da Secção de Logística entre 1986 e 1995 e de 2º Comandante entre 2005 e 2007. No Estado-Maior do Exército esteve como Adjunto da Repartição de Cooperação Militar e Alianças (1998/1999).

No Estado-Maior da EUROFOR em Florença (Itália), de 2000 a 2003 exerceu as funções de Chefe da Secção de Artilharia, da Repartição de Apoios Técnicos e da Divisão de Operações. Na Direcção de Administração Militar Permanente, foi Chefe da Secção de Avaliação e Promoção da Repartição de Pessoal Militar (2003/2005). No Gabinete do General Chefe do Estado-Maior do Exército exerceu as funções de Chefe da Repartição de Assuntos Gerais (2007/2009). No Comando da Logística foi Inspector e Subdirector da Direcção de Aquisições (2009/2010). De 2010 a 2012 comandou o Regimento de Artilharia Antiaérea nº 1. Antes de ter frequentado o Curso de Promoção a Oficial General no Instituto de Estudos Superiores Militares (2014/2015) esteve colocado na Direcção de Administração de Recursos Humanos, onde foi Chefe da Repartição de Pessoal Militar. Da sua folha de serviços constam 13 louvores, dos quais 3 concedidos pelo General Chefe do Estado-Maior do Exército, 7 por outros Oficiais Generais e 3 por outras Entidades Militares. Possui, ainda, várias condecorações de que se salientam duas medalhas de Prata de Serviços Distintos, medalha de Mérito Militar de 2.ª Classe, medalha de D. Afonso Henriques de 2.ª Classe e medalhas de Ouro e de Prata de Comportamento Exemplar.

O Director e o Corpo Redactorial da Revista ZacatraZ cumprimentam o novo Director do Colégio Militar, Coronel Tirocinado de Artilharia José Domingos Sardinha Dias, a quem desejam os maiores sucessos no desempenho do cargo em que está investido e os maiores êxitos na defesa desta Instituição que há mais de dois séculos e nas várias épocas da sua existência, formou Alunos que serviram a Nação em todas as vertentes da cidadania, como militares e como civis nas ciências, nas letras, nas artes e na política.


Curso de 1955/1962 Romagem dos 60 Anos de Entrada

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Curso de 1955/1962 Romagem dos 60 Anos de Entrada 15 de Maio de 2015

Curso 1955/1962 – 60 Anos de Entrada – 15 de Maio de 20151 ©Fotos Leonel Tomaz

60 anos passados, lá voltámos. Há meses atrás, numa das nossas jantaradas de curso, descobrimos, com enorme consternação, que se perfaziam este ano 60 anos sobre a entrada para o Colégio dos «Ratas de 1955», ou seja, do nosso Curso. Como devem calcular o choque foi violento, pois correspondia este facto à nossa admissão, mais do que involuntária, na categoria da Velha Guarda, dos Veteranos, da Velhada, dos Carcaças ou da Brigada do Reumático, podendo cada um, a seu gosto, escolher a designação que menor desgosto lhe desse. Eu optei por continuar a ser «Rata», que acho que continua a ser a designação que melhor vai com a minha maneira de ser. Muitos mais optaram por esta postura mental, com a qual nos apresentámos no Átrio da Porta Principal do Colégio, na manhã ventosa do passado dia 15 de Maio. No Átrio esperava-nos o busto do nosso Marechal fundador, com o seu ar austero, o Sr. Leonel tirando fotografias, às mãos cheias, das nossas exuberantes saudações mútuas, que culminavam em regra com uma valente «cavernosa», e a Srª D. Ana Maria, simpática funcionária da nossa Associação, que nos aliviava logo ali da módica quantia de 30 euros, sem o pagamento

da qual nos era vedada a continuação da nossa participação nas comemorações. Ultrapassado este momento de dor, dirigimo-nos à Biblioteca, onde fomos amavelmente recebidos pelo «Sub», dado o «Dito» se encontrar fora, nessa manhã, em representação do Colégio. Na ausência do nosso Comandante de Batalhão, falou então em nome do curso o Rui Pires (437/1955), o nosso Comandante da 2ª, que apesar de viver no Canadá é sempre um dos primeiros a apresentar-se ao serviço para todo o tipo de comemorações. Não sei o que mais o atrai, se a saudade das «belas» roupeiras do nosso tempo ( Cacilda, Lizete e Cª), ou a saudade, porventura ainda mais forte, do «amarelo», que terá deixado uma marca indelével nas suas papilas gustativas. Ele saberá, o problema é dele. O Rui trazia um discurso escrito, mas decidiu metê-lo no bolso e deixar falar o seu coração, o que é sempre a solução mais adequada neste tipo de eventos. Concluído o seu improviso, procedemos à entrega, para o museu do Colégio, de uma reprodução da capa do nº 101 da revista «Colégio Militar», de Dezembro de 1955, onde estão retractados alguns de nós, no seu primeiro dia no Colégio, bem como de uma reprodução de uma genial caricatura feita a aguarelas pelo Lati-

1 A fotografia do Curso foi feita junto da Chama Colegial e do Monumento dos 175 Anos, na Parada Marechal António Teixeira Rebelo, devido às obras de consolidação das guardas da Escadaria da Enferma.

no (100/1954), relativa aos nossos feitos hípicos no Colégio. O Latino apresentou ali a «arma do crime», ou seja, a minúscula caixa de aguarelas que ele trazia sempre no bolso do blusão, a qual guardou religiosamente até hoje, como se de uma relíquia se tratasse. Da Biblioteca seguimos para o Largo da Luz, para depor um ramo de flores no Monumento ao Valor do Colégio Militar, ali erigido em 1932, obra de uma cotização então levada a cabo com sucesso, no seio da comunidade dos Antigos Alunos e de outros amigos do Colégio. A enquadrar o monumento, lá continuam um marco de correio e um quiosque de venda de jornais, já quase promovidos à condição de inamovíveis. Reentrados no Colégio procedemos à deposição de um ramo de flores, irmão gémeo do primeiro (?), na base do busto do Fundador. Nesta altura guardámos um minuto de silêncio, em memória dos três camaradas do nosso curso mortos na Guerra do Ultramar. No decurso desta cerimónia e da anterior, no Largo da Luz, foram executados os toques da ordenança próprios da ocasião, por dois clarins ali presentes. Fomos muito agradavelmente surpreendidos por este facto, que bem revela a atenção e gentileza com que a Direcção do Colégio recebe os seus Antigos Alunos. Bem hajam por isso, fomos transportados em espirito àqueles saudosos tempos em que a nossa rotina diária era regida pelos toques da corneta. Seguimos depois para a missa na Capela, com uma «passagem baixa» (desculpem-me a linguagem aeronáutica) pelo Museu. Pude aí constatar que já existe uma boa ampliação da fotografia do Bruno Soares (50/1954), Comandante de Batalhão do curso anterior ao nosso, só faltando emoldurá-la e colocá-la no seu devido lugar na Galeria dos Comandantes. É possível que ainda lá a consiga ver, antes do meu passamento. Ao entrar na Capela lá vimos a lápide evocativa dos anos em que serviu no Colégio o «Nosso Capelão», o Padre Braula Reis, graças a Deus ainda vivo.


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Curso de 1955/1962 Romagem dos 60 Anos de Entrada

A missa começou com a leitura dos números e nomes dos 23 camaradas do nosso curso já falecidos, lembrados por todos nós com imensa saudade. Esperamos que lá em cima nos tenham ouvido e que lá nos guardem lugar para o nosso reencontro. No final da missa, em que o actual Capelão fez uma tocante homília, o «Chico» Paulino (265/1955), sacristão crónico no nosso tempo, seguiu o Capelão até à sacristia. Não sabemos com que intuito o fez, mas houve más línguas que logo disseram que ele teria ido matar saudades do vinho do padre. Não estou em condições de os desmentir, o «Chico» que se explique. Terminada a missa descemos para o andar inferior dos Claustros, para nos encontrarmos com os nossos sucessores. Eu lá tinha à minha espera a minha sucessora, Victória Barbedo (71/2013), agora uma Senhora Aluna da 2ª Classe, já mais espigadota e bem integrada no Colégio, com quem estive uns minutos em amena cavaqueira. Pela pinta que tem e o desembaraço que mostra, é daquelas que ainda vai dar que falar. O final das cerimónias nos Claustros deu-se com o descerramento de mais uma lápide do nosso curso, tendo-se verificado que imediatamente abaixo desta ultima lápide se encontra um interruptor eléctrico, pelo que para colocar a próxima lápide, teremos de pagar uma instalação eléctrica nova para os Claustros. Vamos começar, desde já, a fazer poupanças. A caminho da Parada do Corpo de Alunos, tirámos umas fotografias, no local onde no nosso tempo estava a camarata da 1ª Companhia, que ainda veio a servir alguns anos como picadeiro, antes da inauguração do actual. Foi o melhor lugar que se arranjou para a fotografia, por não ser possível usar a escadaria da «Enferma», dado a sua guarda metálica ter caído. Chegados à Parada do Corpo de Alunos lá tínhamos o Batalhão à nossa espera, pronto para desfilar, o que fez acto contínuo, com assinalável aprumo, com as raparigas a mostrarem que não querem ficar atrás dos rapazes. Ao entrarmos no refeitório, já lá se encontrava todo o Batalhão, que nos recebeu com um vibrante Zacatraz. Respondemos-lhe na mesma moeda, mas com menor potência sonora, dado o nosso reduzido número. No final do repasto, lembrámos os ausentes que nos enviaram mensagens, e os oficiais e fâmulos já falecidos, que por essa ponderosa razão não puderam estar presentes. Do refeitório seguimos para as instalações do 1º ciclo (escola primária) para conhecermos esta nova realidade colegial. O que vimos deixou-nos bem impressionados, reina a ordem e vê-

As festividades prosseguiram à noite, em Alcântara, num restaurante que já nos tinha acolhido em comemoração anterior, aqui há uns anos atrás. Aí já só comparecemos pouco mais de uma vintena de resistentes, acompanhados pela viola do Ernesto Durão (227/1955). Comemos e bebemos mais do que devíamos e no final houve cantoria. O ponto alto da cantoria deu-se quando entoámos o fado, que adoptámos no nosso 7º ano como sendo o hino da fadistagem do curso. A coisa ia dando para o torto, quando o Ernesto disse que a personagem central do dito fado era o Roberto e eu insisti que era o Bento. A contenda foi porém breve, pois o Ernesto quando é contrariado torna-se colérico, tendo eu logo cedido, antes que ele me enfiasse com a viola pela cabeça abaixo ou começassem a voar cadeiras por cima das mesas. -se que a miudagem está feliz e compenetrada do seu papel. Assisti à entrada para a aula de uma turma da 2ª classe, formada à porta da aula e sob o comando de uma minúscula chefe de turma, a aluna nº 138. Quando a professora chegou, a 138, muito compenetrada, deu as suas ordens e a turma correspondeu, fazendo firme, sentido, esquerda volver e entrando ordeiramente na aula. Oxalá assim continuem, por muitos anos e bons. Saídos das instalações do 1º ciclo, fomos livres de visitar o Colégio. Em conjunto com dois camaradas, dirigi-me para o «reino da equitação», ou seja, para o picadeiro e as cavalariças. Gostei do que vi. As cavalariças são incomparavelmente melhores do que as do nosso tempo, situadas então na Formação, fazendo pena ver uma série de «boxes» vazias. Estando as Forças Armadas à mingua de tudo, também a Cavalaria está à mingua de cavalos, e o melhor é não lembrarmos a sua existência, não vão «eles» acabar com os cavalos de vez. Quanto ao picadeiro, fiquei agradavelmente surpreendido. Logo no átrio de entrada tem uma estátua equestre de Mouzinho de Albuquerque, que creio ser aquela que no nosso tempo estava na antecâmara do gabinete do Director. Nas paredes do átrio estão as fotografias dos Comandantes da Escolta e anexa ao átrio está a sala com os arreios para os cavalos da Escolta, que me fez lembrar o seu fundador, o saudoso Capitão Manuel José Lopes Cerqueira (341/1931), uma «Figura» do nosso tempo no Colégio. No andar superior está a galeria dos cavaleiros olímpicos Antigos Alunos, bem como quadros com os nomes dos antigos Mestres de Equitação e dos antigos Comandantes da Escolta, ambos a carecerem de actualização.

Para que fique para a posteridade, aqui deixo a letra do dito fado, que como podem comprovar constitui uma pérola da nossa poesia fadista. Só foi pena foi nunca ter sido cantado pela Amália (que eu saiba). Roberto era um operário consciente Trabalhador leal, alma divina Vivia do trabalho honradamente Sem faltar um só dia à oficina. Nunca numa taberna dera entrada O vinho nem sequer o podia ver Porém um certo dia um camarada À força lá o levou a beber. Tornou-se um beberrão, homem perdido Começando o trabalho a aborrecer Faltou à oficina foi despedido Ficando sem nada para comer. Estas contrariedades estes revezes Palavras que eu aqui as acarinho São as más companhias muitas vezes Que levam um homem honrado ao mau caminho. Oram digam lá, se isto não é FADO do melhor. Luis Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957

Estiveram nesta Romagem de Saudade os Antigos Alunos José Manuel de Albuquerque Cabral Sacadura (14/1954), Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957), José Luís Guimarães dos Santos Bessa (73/1955), Luís Fernando Cordeiro Falcão Mena (77/1955), José de Pina


Curso de 1958/1965 Romagem dos 50 Anos de Saída

Cabral e Trindade (101/1955), Sebastião Pinto Mendonça Garcia (111/1955), Henrique José Corga de Vasconcelos Dias (155/1955), Pedro Manuel Ferreira de Bastos Moreira (186/1955), João Carlos de Figueiredo Pinheiro (203/1955), Carlos Manuel de Sousa Baptista (211/1955), Ernesto Manuel de Andrade e Silva Durão (227/1955), Manuel José de Matos Almeida (262/1956), Francisco Manuel Geraldo da Faria Paulino (265/1956), José Maria Eça de Queiroz (272/1955), Mário Carlos de Sousa Tavares (274/1956), Mário João Conde de Carvalho Pereira (275/1956), Jorge Pedro de Almeida

Cabral (278/1955), Manuel Augusto Moutinho da Silva Pereira (292/1955), Mário José Roncon Santos (333/1955), João Manuel Balançuella Bandeira Ennes (335/1955), José Manuel Pereira de Bacelar Carrelhas (338/1955), António Fernando Diniz de Ayala Boaventura (339/1955), Armando António dos Santos Martins (351/1956), Manuel Lourenço Castelo Branco Gomes Pereira (353/1956), José Manuel Esteves de Carvalho (368/1957), Carlos Manuel Ferreira e Costa (371/1955), Francisco José Aguiar Branco Sampaio (376/1957), José Fernando Décoppet dos Santos Coelho

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(379/1957), Francisco Xavier Godinho de Abreu Novais (406/1955), José Maria Trigoso Correia de Barros (416/1955), Joaquim Guilherme Fernandes Correia de Sá Neves (420/1955), José Luís Pereira de Almeida Viegas (421/1955), Francisco José da Silva Antunes (422/1955), Manuel Agostinho de Castro Freire de Menezes (423/1955), António Manuel Loureiro de N. Gonçalves Trindade (424/1955), Fernando Luís Schiappa de Azevedo (429/1955), Rui Manuel Marques Pires (437/1955).

Curso de 1958/1965 Romagem dos 50 Anos de Saída 22 de Maio de 2015

Curso 1958/1965 – 50 Anos de Saída – 22 de Maio de 20151 ©Fotos Leonel Tomaz

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omemorando os cinquenta Anos de Saída, estiveram nesta Romagem de Saudade os Antigos Alunos José Luís Campos de Almeida Mota (4/1958), Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958), António Augusto Mello Gomes Duque (12/1058), Carlos Manuel Caramês Mendez (42/1959), Luís Manuel de Almeida da Silva Carvalho (49/1958), Jorge Manuel de Morais Kol de Carvalho (79/1958), Carlos César Lima da Silva Mota (98/1958), João Manuel Ermida Corrêa (102/1959), António Manuel da Silva Gomes (104/1958), António José de Carvalho Mexia Leitão (108/1956), António Luciano Car-

rilho Roma Torre (114/1957), Luís Manuel Cecílio Gonçalves (122/1957), Mário Rafael Martins Baptista de Brito (125/1960), José António Graça Pereira de Almeida (144/1958), António Manuel Cabral Botelho Sebastião (165/1957), João Macedo Pinto Nunes Correia (169/1957), João Virgílio Soeiro da Costa (196/1956), João Paulo de Castro e Silva Bessa (200/1957), José Carlos Margarido Lima Bacelar (241/1958), Arnaldo João Reis Maia (242/1957), Manuel Fernando da Rocha Silva (248/1957), Carlos Manuel de Almeida Cabral (287/1958), Manuel Dimas e Silva Cordeiro (310/1956), Rui Cardoso Telles Palhi-

1 A fotografia do Curso foi feita junto da Chama Colegial e do Monumento dos 175 Anos, na Parada Marechal António Teixeira Rebelo, devido às obras de consolidação das guardas da Escadaria da Enferma.

nha (418/1958), José Manuel da Costa de Souza Medeiros (442/1958), Manuel José Marcelly Coelho de Carvalho (443/1958), José Manuel Vaz Tenreiro (456/1958), José Manuel Filipe Capristano (457/1958), Tomaz Júlio Teixeira de Azevedo e Guimarães Metello (462/1958), Carlos Manuel Palhão de Vasconcelos (467/1958), Carlos Manuel Pires Nobre Biscaya (469/1958), Mário Montenegro de Carvalho (471/1958), Manuel Pedro Dias Santos (487/1958), Nuno Gonçalo Lynce de Faria (490/1958), Isidro Alberto Silva Santos (531/1960).


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Entrevista à Família Norton Brandão

Entrevista conduzida por Martiniano Gonçalves (9/1958)

Entrevista à Família

Norton Brandão O

pai José (400/1961) “o Trabuco” e os 3 filhos, Francisco (282/1996), Manuel (220/1997) e José Guilherme (325/2001), formam o “clã” de ginastas colegiais constituído na última metade do século XX. Juntamente com a mãe Leonor (46/1958-IO) e a namorada do Francisco, a Sandra (289/1996-IO), duas Antigas Alunas do Instituto de Odivelas, eles marcam a passagem de duas gerações pelo Colégio, que já contava com um tio-trisavô, Camilo Augusto Rebocho (87/1846), e um irmão gémeo, Francisco (425/1961). Falam-nos de algumas recordações do Colégio e comprometem-se com um futuro membro do “clã”: um neto (ainda em pensamento) que, um dia, - diz a futura avó - há-de ser… Comandante do Batalhão. Nota: sujeita esta introdução aos entrevistados, foi-me sugerida, pela futura avó, a seguinte correcção que transcrevo: “eu não quero ter só um neto no Colégio Militar, ... quero todos, assim as noras consigam ser convencidas!”

José Francisco Machado Norton Brandão (400/1961) frequentou o Colégio Militar em 1961-1968 do 1º ao 7º ano tendo sido graduado como 2 ** da 3ª Companhia. É Engenheiro Electrotécnico pelo IST e trabalha como consultor de empresas. Leonor Teixeira d’Aguiar Norton Brandão (46/1958-IO) frequentou o Instituto de Odivelas em 1958-1965 do 1º ao 7º ano. É Engenheira Química pelo IST e é Professora do Ensino Superior. Francisco Teixeira d’Aguiar Norton Brandão (282/1996) frequentou o Colégio Militar em 19962004 do 1º ao 8º ano tendo sido graduado como 3 *** da 2ª Companhia. É Médico interno de Medicina Nuclear no IPO de Lisboa. Manuel Maria Teixeira d’Aguiar Norton Brandão (220/1997) frequentou o Colégio Militar em 1997-2005 do 1º ao 8º ano tendo sido graduado como Comandante da 3ª Companhia. É Engenheiro Civil pelo IST. José Guilherme Teixeira d’Aguiar Norton Brandão (325/2001) frequentou o Colégio Militar em 2001-2009 do 1º ao 8º ano tendo sido graduado como Comandante da 1ª Companhia. É estudante de Engenharia Civil no IST. Sandra Cristina Fernando (289/1996-IO) frequentou o Instituto de Odivelas em 1996-2004 do 1º ao 8º ano. É Mestre em Gestão pelo ISG. Trabalha em Anatomia Patológica. Namora com o 282/1996 desde 2003- conheceram-se no Colégio.


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Gostava de começar por vos pôr algumas questões relacionadas com a vossa passagem pelo Colégio e a vossa vida profissional. Martiniano Gonçalves – Que circunstâncias determinaram que frequentassem o CM? José Norton Brandão (400/1961) – O meu Pai que era oficial da Força Aérea não era Antigo Aluno nem era um entusiasta do Colégio. No entanto tinha um espírito pragmático. Contou-me muitos anos depois que nos tinha colocado no Colégio, a mim e ao meu irmão, porque com o início da guerra previa ter que se ausentar por períodos longos para o Ultramar e o Colégio era uma plataforma segura e estável para nos educar. Foi este o motivo pelo qual fui para o Colégio. No caso dos meus filhos o motivo foi já o da tradição familiar. Falei-lhes sobre o Colégio que tinha frequentado e qual a minha opinião, sugeri-lhes

bro-me também de ter chegado ao Colégio e ter visto malta a jogar hóquei naquilo que são hoje os campos verdes. Aquilo foi um sonho para mim e convenceu-me! Curiosamente, nunca mais vi ninguém jogar hóquei no Colégio. Ou então é a minha memória a fantasiar… Leonor Norton Brandão (46/1958-IO) - Ele chegou a casa e disse: “Oh mãe, aquilo é que é organização!” José Guilherme Norton Brandão (325/2001) - A minha entrada para o Colégio foi bastante simples. Já lá tinha os meus irmãos, por isso a fase de adaptação foi fácil. Além disso, já antes de entrar para o colégio vivia rodeado deste ambiente colegial; era costume pôr a barretina do meu pai e começar a marchar no corredor de casa com a vassoura a fazer de Maneliker.

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Martiniano Gonçalves – Mais de 3 décadas separam a passagem do 400 e dos seus filhos pelo Colégio. Em conversa entre vocês que diferenças essenciais identificam no dia a dia da vida do Colégio entre as duas épocas? Todos – Embora consideremos que o Colégio é, na essência, o mesmo, as principais diferenças entre as duas épocas que identificamos são: Menor isolamento - Maior comunicação/interligação com o exterior, maior envolvimento da cidade, maior presença dos Pais e Antigos Alunos, telemóveis, maior possibilidade de saída durante a semana (4.ª e 6.ª F), mais dinheiro no bolso. Menor ligação ao meio militar - Menor percentagem de filhos de militares no Colégio (incluindo de antigos alunos), menor número de finalistas a seguir a carreira militar, menos

Árvore familiar dos entrevistados

José Brandão 400/61

Sandra Fernando 289/96- IO

Francisco Brandão 282/96

que experimentassem e que se não gostassem poderiam sair. Assim, durante o 4.º ano da primária, no 3 de Março, após o desfile na Avenida, fui com o mais velho ao Largo da Luz e mostrei-lhe o Colégio. Penso que a visita foi bastante interessante e ajudou à decisão por parte dele. Os três frequentaram o Colégio do 1.º ao 8.º ano com gosto e desempenho. Francisco Norton Brandão (282/1996) - Lembro-me bem dessa visita ao Colégio no 3 de Março. Lembro-me de estar a fazer birra em casa por me terem levantado cedo a um Domingo… mas lem-

Manuel Brandão 220/97

Leonor Norton Brandão (46/1958-IO) - Como andei no Instituto de Odivelas (IO), vivi sempre num contexto colegial, o que tornou natural a ideia de pôr os meus filhos no Colégio Militar. Depois de o primeiro ter entrado e de ter percebido que tudo corria bem, os outros dois seguiram o mesmo caminho. Um dos motivos que me atraiu foi o projecto educativo apresentado pelo Colégio Militar que combina o currículo académico com outras actividades no âmbito militar, gimnodesportivo e vivencial.

Leonor Brandão 46/58- IO

José Guilherme Brandão 325/01

professores militares e ausência do contexto de guerra. Corpo docente menos estável. Menor carga horária de estudo, condicionando substancialmente o aproveitamento escolar e obrigando os graduados a coordenarem estudos à noite. Menos empregados provocando maior necessidade de disponibilidade para exercer funções antes consideradas de serventia. Implicando estas duas últimas numa maior ligação e interdependência entre a área escolar e o internato.


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filhos mais novos) primeiro com o Reis Pinto e depois com o Dario. O Reis Pinto seria mais técnico mas o Dario dava-nos mais daquilo que queríamos. Penso que o Dario era identificado com “confiança”. Por mais malabarismos que fizéssemos caíamos sempre em segurança. Francisco Norton Brandão (282/1996) - Pelos vistos o gene da mesa alemã não passou para mim! Sempre gostei de desporto, mas O 282/1996 nas provas de selecção para as Olimpíadas Internacionais da Física, na nunca fui exímio nele… Tive Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, em Maio de 2004 de compensar nas literárias e tive como ponto alto a Martiniano Gonçalves – Como foram como aluparticipação nas Olimpíadas Internacionais da nos e para cada um de vós, quais os aspectos Física em 2004, na Coreia do Sul; essa participaque mais apreciaram na vossa passagem pelo ção, em Julho do 8.º ano, fez com que fosse um Colégio? Que características da vossa personalidos últimos alunos do meu curso de graduados dade o Colégio mais vincou em cada um de vós? a ser abatido ao efectivo do Batalhão Colegial, para conseguir ir à prova ainda em representaJosé Norton Brandão (400/1961) – Felizmente ção do Colégio. assisti a um upgrade geracional. No âmbito das literárias os meus filhos foram melhores alunos e Martiniano Gonçalves – Lembram-se de alguns esse foi um factor de sossego extraordinário. Tiveacontecimentos de que guardam memória? O ram também uma melhor graduação do que eu. que mais gostaram na vossa vida como alunos Nenhum de nós chumbou, embora eu tenha internos? sido mau aluno até ao 5º ano. No 6º ano fiquei no Quadro de Honra no primeiro trimestre mas José Norton Brandão (400/1961) - Guardo depois começaram os Saraus de Ginástica e o memória de muitos acontecimentos sendo imnível de desempenho literário desceu para o nípossível relatá-los a todos. Alguns deixaram revel de suficiente. cordações muito vivas pela intensidade com que No âmbito da Educação Física e Desporto perforam vividas. Destaco as seguintes: tenci à classe especial (tal como os meus dois Greve da fome no 1.º ano em 1961-1962. A Greve da Fome, como ficou conhecida, marcou particularmente todos os que nela participaram e, de uma forma mais geral todos os que se relacionavam com o Colégio. Penso que os motivos e condicionantes do processo não tenham sido totalmente esclarecidos já que houve dispersão dos envolvidos no desenrolar da mesma. Felizmente que a história está a ser feita ouvindo com a imparcialidade possível diversos intervenientes. Constou que o facto foi Volta por Angola em Agosto de 1966 relatado na Rádio Moscovo.

Para nós, Ratas, foi uma aventura. Houve prisão de alunos, expulsões, suspensões, desgraduações, substituições, fome, solidariedade pela solidariedade, medo, pressão familiar, desobediência e, por fim, retorno à normalidade. São factos que nos fazem pensar e moldam subliminarmente a nossa personalidade. Curiosamente, na minha cabeça, não subsistiram “culpados” mas apenas intervenientes. Francisco Norton Brandão (282/1996) - Até no meu tempo se ouvia falar da greve da fome! José Norton Brandão (400/1961) - Viagem da classe especial a Angola em Julho de 1966, nas férias do 5º ano, integrado na Classe Especial para participação no III Congresso Luso Brasileiro de Educação Física. Fomos enquadrados pelo Reis Pinto, professor da Classe Especial de Ginástica, pelo Sub, Coronel Tribolet e pelo Capitão Carvalho de alcunha “Porco”, antigo aluno amigo, professor de Ginástica, que nos encomendou no regresso uma redacção sobre a viagem, por mau comportamento. Claro está que ninguém, que eu saiba, apresentou a dita redacção, coisa que ele também não estaria à espera. Depois de dez dias (19 a 30 de Julho) em Luanda a fazer ginástica fomos convidados para dar uma volta por Angola de mais duas semanas (1 a 17 de Agosto) em saraus de ginástica por diversas cidades (Gabela, Lobito, Benguela, Sá da Bandeira com visita às quedas do Duque de Bragança, Moçâmedes, Nova Lisboa, Cela com visita ao colonato, Salazar, Malange, Carmona, Cambambe com visita à barragem, Massangano). Esta viagem foi feita juntamente com a classe de Odivelas enquadrada pela D. Ofélia, Subdirectora do IO, e a Prof.ª Lavínia da Classe especial e com a classe do Liceu da Beira que também participaram nos Jogos. Foram várias centenas ou milhares de quilómetros, muitos por estradas de terra. Nunca comi tanta terra na vida. Um episódio pitoresco foi que havendo três classes e dois autocarros tinham que ser distribuídos alguns rapazes pelo autocarro das raparigas. Assim, a D. Ofélia, Subdirectora do Instituto de Odivelas determinou que isso só seria possível se, durante a noite, o autocarro das raparigas fosse à frente e o autocarro de trás levasse os máximos acesos. Também passámos por zonas de guerra onde visitámos vários aquartelamentos. Um aspecto marcante foi a forma como fomos recebidos em toda a digressão, nomeadamente o contacto com Antigos Alunos.


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Manuel Norton Brandão (220/1997) - A mim as várias viagens da ginástica também me marcaram bastante e guardo boas memórias e boas amizades. De 2004 a 2006 fomos à Finlândia, Alemanha e Bélgica sempre enquadrados pelos professores Pinto Lima e Domingos Fradinho. José Guilherme Norton Brandão (325/2001) – Tal como o meu pai e irmão Manuel também pertenci à classe de ginástica. Um momento que guardo na memória foi a minha entrada na classe. Eu sabia fazer os “saltos” que eram necessários para pertencer ao grupo mas tinha um grande obstáculo que era o medo de saltar por cima da mesa Alemã. Um dia decidi finalmente enfrentar esse medo e corri em direcção ao trampolim com intenção de saltar por cima da mesa e aterrar nos colchões. Não passou da intenção. Fiquei completamente “colado” à mesa. Estava a segurar todo o meu corpo com os braços. As pernas estavam a baloiçar no ar. Só me lembro que não conseguia respirar e tiveram que ser os professores Pinto Lima e Domingos Fradinho a puxar-me para cima da mesa. Depois deste episódio fiquei ainda mais assustado com a mesa, mas os professores nunca desistiram de mim e lá acabei por conseguir saltar por cima da mesa. Nunca mais tive medo. Fiquei na classe até terminar o Colégio e ainda continuei mais quatro anos como antigo aluno. José Norton Brandão (400/1961) - Censura da Récita. A récita é um evento importante para toda a comunidade colegial e em especial para quem participa nela. Revelam-se nela todo o tipo de dotes e aproveita-se para criticar jovialmente a comunidade colegial. No nosso tempo, não sei bem em que termos, a récita ia à censura. No meu ano, ou antes, calhou ir ao Colégio o Spínola, onde fez o seu discurso no Teatro D. Luís Filipe e todos assistimos. Assim, replicámos o discurso numa versão fantasiosa para a récita. Creio que dizia a páginas tantas qualquer coisa como “o porta aviões avança pelo capim…”. Esta e outras tiradas foram o suficiente para a récita ficar suspensa com muita pena nossa, aceitando no entanto que tínhamos passado os limites. Francisco Norton Brandão (282/1996) - A minha só teve uma frase ou outra “abafada” pela Direção do Colégio, mas nada tão sério como censurar uma récita inteira. José Norton Brandão (400/1961) - Subida à cúpula. No meu curso calhou-me a mim e à “Preta” (Luís Mateus de Magalhães – 146/1961) subir à

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cúpula para colocar a Barretina na ponta do mastro e o capote na cruz. Foi uma aventura. Francisco Norton Brandão (282/1996) - No meu tempo todo o 8.º ano subia à cúpula, mas só um ou dois iam ao zimbório. José Norton Brandão (400/1961) - O que mais gostei na vida como aluno interno foi a cumplicidade e a Camaradagem. A capacidade de criarmos e gerirmos interesses muito diversos adaptados ao nosso Classe Especial em Luanda. contexto e vivência que era diversa e apresentava frequentes coisas que gostei bastante na minha vida como oportunidades de interesse que nos mobilizavam aluno interno e que deixam alguma saudade. E de acordo com espírito e maneira de estar de os fins-de-semana que ficava no Colégio quando cada um. tinha jogos ou saraus, que ficávamos com o CoÉ muito relevante o facto de o Colégio oferelégio só para nós e podíamos fazer quase tudo o cer inúmeras áreas de interesse permitindo a que quiséssemos. Lembro-me que desfazíamos a cada um explorar enquanto jovem oportunidacamarata toda e criávamos o nosso próprio camdes diversas que se adequam à sua natureza. po de futebol ou a nossa pista para podermos Para mim essas áreas centraram-se em torno andar de skate. da Educação Física e Desporto, tendo pertencido à Classe Especial de Ginástica, com a partiFrancisco Norton Brandão (282/1996) - A Feitocipação em dezenas de saraus gimnodesportiria vai ficar-me sempre na memória. Se o Colégio vos, primeiro com o Reis Pinto e depois com o já era bom, o Colégio em férias era espectacular. Dario. Também iniciei o “brevet” de Pilotagem na OTA, em Chipmunk, vindo a concluir em MoMartiniano Gonçalves – Como descreve cada çambique. um de vós o seu exercício como Graduado? Em que medida ser Graduado vos dificultou a vossa Francisco Norton Brandão (282/1996) - E eu vida escolar? consegui fazer o curso de Abertura Automática de Pára-quedismo também durante o Colégio. Lembro-me de ser uma boa oportunidade para perder algum do meu medo de alturas… Mas mesmo com o meu medo de alturas, logo no primeiro salto, vinha atrás de mim um camarada dos PALOP que, aterrorizado, me diz: “Por favor vai à minha frente! Preciso de ver alguém saltar antes de mim, porque nos filmes o preto morre sempre!” José Guilherme Norton Brandão (325/2001) - As tradições, as cerimónias, as almofadadas, as churrascadas, as brincadei- Viagem da classe especial de ginástica à Finlândia em 2004. ras no geral das aulas foram (220/1997 primeiro à direita e em baixo)


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Eu considero que quem chega a graduado não está preparado para esse exercício e as instâncias superiores não estão eventualmente focadas em como garantir uma preparação adequada. Cada caso é um caso. Em muitas circunstâncias estás só, perante decisões que tens de tomar por ti mesmo, com impacte noutros e não dominas a previsibilidade dos efeitos. É isso que te faz ter medo, mas também crescer. Quando os meus filhos andaram no Colégio percebi Classe Especial na Festa Final de 1968 que o problema se mantinha praticamente nos mesmos Tendo sido Graduados em companhias com termos. Por isso, integrando um trabalho da alunos em diferentes fases da adolescência, AAACM coordenado pelo Martiniano Gonçalves que aspectos da vossa acção consideraram e (9/1958), expus a minha opinião como base para efectivaram como prioritários no vosso comreflexão e trabalho futuro que sintetizo em seguiportamento como Graduados? da com alguns extractos condensados do texto então escrito. José Norton Brandão (400/1961) – O meu Revisão do âmbito de intervenção dos graexercício como graduado foi pacífico. Fui duas duados - Apelar para a contenção, o esforço e estrelas da 3ª. Tentei não exercer muita pressão dedicação dos graduados (e tem havido esforços sobre o pelotão que comandei gerindo o equilínesse sentido), é apenas casual e dependente do brio possível entre as obrigações decorrentes do contexto. O actual momento exige elevar a quesenquadramento. Vivi preocupado em poder não tão a um nível superior e sistémico. corresponder à responsabilidade que me tinha Os alunos dos 10º, 11º e 12º anos recebem caído nas mãos. formação de Liderança 1º, 2º e 3º graus resNão me sentia preparado para o cargo (?) e tipectivamente como um módulo da disciplina de nha receio de não cumprir. Finalmente o tempo Instrução Militar, preparando-os para o exercício passou e cumpriu-se sem sobressaltos. da função graduado. Dois anos de comando - 11º ano, graduados 1 estrela; 12º ano, graduados 2 e 3 estrelas e Comandantes de Companhia, Batalhão e Comando, onde na formação se faz também o acompanhamento e avaliação de desempenho. Objectivos - Fornecer uma base técnica evolutiva, sustentada e profunda de formação e apoio no desempenho da função graduado (hoje os alunos graduados são-no por inerência do ano, 12º, por mérito e "por observação" superior, sendo treinados uma semana no ano de graduação, o que é manifestamente insuficiente e desajustado dos tempos que correm). Distribuir a função por mais alunos de forma sistémica, permitindo uma maior dedicação ao estudo e preparação para o desempenho escolar do 11º e 12º anos. O Desenvolvimento deste conceito passaria pela elaboração de um regulamento versando o enquadramento, responsáveis pelo programa, Subida à Cúpula em 2004. modelo de instrução, avaliação e selecção; ma282/96 na segunda fila, ao centro, com o Cotovelo levantado.

nuais para formação e actuação, condições de acesso, exclusão, recompensas e punições para os graduados; competências, responsabilidades, funções, actividades e tarefas associadas a cada graduação, etc… Não posso terminar este tema sem contar um episódio interessante que caracteriza a importância e o espírito de missão que os graduados atribuem ao cargo. Todos os anos fazemos em casa uma reunião de objectivos para o ano seguinte. O meu filho mais novo, 325, comandante da 1ª, quando chegou a vez de falar, apresentou os objectivos das notas do 12º. Para espanto de todos o objectivo para a disciplina de Português era de 9 valores. Justificou ele que era o suficiente para ir para a Universidade e, portanto, não podia dispor de mais recursos para uma nota maior porque iria roubar disponibilidade e empenho à função de Graduado, que tinha mais importância e exigia mais responsabilidades. É o espírito de missão Colegial a funcionar. Ninguém contestou. No meu caso não me lembro de ter vivido essa obsessão. José Guilherme Norton Brandão (325/2001) Não me lembro nada dessa história... Manuel Norton Brandão (220/1997) – Fui Comandante da 3ª Companhia e foi um trabalho bastante dificultado pelo facto de no meu curso termos chegado apenas 20 alunos ao fim do Colégio. Decorrente disso os “sorjas” eram alunos do 7º ano e foram todos colocados na 1ª e na 2ª Companhias. Assim, a 3ª Companhia ficou apenas com 5 graduados, o Comandante de Companhia e os quatro Comandantes de Pelotão. No fim do 1º Período saiu um dos Comandantes de Pelotão e ficámos apenas 4 graduados para cerca de 100 alunos. Aquela que eu penso que deva ser a prioridade n.º 1 em todas as Companhias é implementar uma cultura de estudo nos alunos. Na 3.ª, especificamente, é necessário tentar conter a rebeldia característica da “idade do armário” e começar a prepará-los para a importância académica dos seguintes anos, que contam para a entrada no mundo académico/militar. Francisco Norton Brandão (282/1996) - Concordo com a cultura de estudo. Na 2.ª Companhia, onde tive três estrelas, mesmo depois de ter feito da camarata sala de estudo para os piores alunos e de ter até dado algumas explicações de Física e Química, fiquei a sentir que deveria ter feito muito mais para implementar uma rotina de estudo sistemática.


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José Guilherme Norton Brandão (325/2001) - Ter sido graduado foi sem dúvida uma experiência fantástica. Como comandante da 1ª Companhia, foquei-me principalmente em pôr os “putos” a estudar e em incutir-lhes conceitos básicos tais como andar sempre bem vestidos, ter o armário arrumado e cuidar da higiene pessoal. A vida escolar tornou-se muito complicada. Como graduado tinha a vida bastante preenchida e mal sobrava tempo para estudar, e quando sobrava, o cansaço era tal que preferia ir descansar. Martiniano Gonçalves – Refiram para cada um de vós o facto ocorrido que mais os marcou na vossa passagem pelo Colégio. José Norton Brandão (400/1961) – Curiosamente alguns dos factos que mais me marcaram tiveram algum pendor negativo. Refiro particularmente dois. Foi o caso da “visita” à “adega” do Palhaço no 5º ano. Num fim de semana de privação (alguma coisa teríamos feito...) um grupo de uma dezena de “predadores” deambulávamos à noite pelo Colégio e pensámos visitar a cisterna por baixo dos claustros. Esta mítica cisterna que na realidade nunca vi nem confirmo a existência fazia parte do imaginário da Malta. Todas as tentativas de encontrar a passagem nos claustros e na actual parada nova foram fracassadas. Assim, já que ali estávamos, decidimos ir à “bolama” ou ao “tinto” à também mítica adega do Palhaço. O Palhaço era um Professor de Desenho Antigo Aluno que tinha o gabinete por baixo do pavilhão de desenho. Tinha fama de ter uma boa garrafeira. Por azar, ao testar a porta, esta partiu-se. Nesse momento percebemos que o assunto poderia ter consequências graves. Assim, recolhemos tudo o que parecia ter valor, recolocámos a porta o melhor que pudemos e decidimos que no dia seguinte (Domingo) logo de manhã iríamos ao Capelão Castelão denunciar o assunto e entregar os valores recolhidos, pedindo-lhe uma intervenção junto da Direcção do Colégio, o que veio a acontecer. Da análise prévia da situação considerámos que alternativamente nos poderíamos calar mas optámos pela primeira opção. Stressante foi na 2ª Feira de manhã observarmos, da varanda do 5º ano, o Palhaço a estacionar o carro junto ao pavilhão de desenho, como fazia todos os dias, meter a chave à porta e esta tombar-lhe em cima. Os momentos seguintes foram de pânico e riso mas a situação já estava controlada pelo Capelão. Como resultado disto conseguimos uma punição “particular” do Sequeira e safámo-nos da oficial.

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Um segundo acontecimento teve lugar nas patrulhas em Mafra. Um “desenfianço” para uma tasca deu um MAU a comportamento a toda a patrulha. Este tipo de acontecimentos ensinam-nos para uma atitude de prevenção pela análise do risco inerente às potenciais consequências. Essa pode ser uma lição para a vida. Do meu lado penso que a partir destes episódios me tornei mais bem comportado. Francisco Norton Brandão O 325/2001 à frente da 1ª Companhia (282/1996) - Senti que a Résó por lá ter conhecido o Francisco (obviamente) cita foi o culminar da vivência Colegial; foi sem - apesar de não ter gostado muito dele ao início dúvida o pico do melhor ano do Colégio (no meu - mas também pelas actividades que experienciei caso o 7.º), em que o curso ainda está todo junto e não voltei a repetir (não vou esquecer a noite e aproveita ao máximo as regalias do internato, da sobrevivência e a caminhada interminável na sem as responsabilidades das graduações. No primeira noite) e ainda por todos os amigos com caso do meu curso com bastante impacto, até quem ainda hoje eu e o Francisco partilhamos porque nem houve graduados no 7.º. É sem dúbons momentos. vida, a altura em que a cumplicidade é maior, acabando por ficar para a vida. Manuel Norton Brandão (220/1997) – A mim, Tenho de referir ainda um outro facto que é o de um facto que me marcou foi no ano em que fui ter começado no 8.º ano a namorar com aquela Graduado ter havido uma disputa entre Graque é ainda hoje, passados 11 anos, a minha comduados que resultou na saída de um de nós do panheira, que é a 289/1996-IO. Conhecemo-nos Colégio e numa suspensão de 1 dia. Também me nas aulas de Instrução Militar, que as “Iolitas” vimarcou o facto de ter sido Batalhãozinho pela exnham ter ao Colégio. Posso dizer que a nossa priperiência diferente do resto dos alunos no 1º ano. meira viagem juntos foi, na verdade a semana de campo. Sandra Cristina Fernando (289/1996-IO) - Não tinha pensado nessa perspectiva, mas realmente foi a nossa primeira viagem juntos. E ainda me lembro, dias antes da partida, do Francisco me perguntar se tinha luvas para proteger as mãos para quando tivesse de carregar a G3. Lá respondi que não e no dia da partida ele veio dar-me um par. Soube depois da semana de campo, que eram as únicas que ele tinha. As aulas de Instrução Militar não eram obrigatórias para alunas do IO, por isso estava ali como voluntária. Gostei Momento de descontracção na semana de campo em 2004. bastante da experiência, não Setas: 282/1996 (esquerda) e 289/1996-IO (direita)


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O Batalhãozinho 220/1997 no acender da chama no ano lectivo 1997/1998

José Guilherme Norton Brandão (325/2001) - Posso dizer também que a Récita me marcou muito, em especial, porque metade do meu curso foi graduado logo no 7º ano e portanto, nesse ano, a Récita representou a oportunidade de estarmos todos juntos outra vez. Tal como o 220/1997 também fui Batalhãozinho. Martiniano Gonçalves – Como correram as vossas transições para a faculdade após a saída do Colégio? O que foi, neste aspecto, principalmente diferente entre o Pai e os três filhos)? José Norton Brandão (400/1961) – No dia em que terminei o 7º ano o Director, Brigadeiro Reimão Nogueira, conhecido do meu Pai, chamou-me ao gabinete, entregou-me um bilhete de

O Batalhãozinho 325/2001 a fazer continência ao Comandante de Batalhão antes do acender da chama

avião e disse “amanhã vais para Moçambique”. O meu Pai que era 2º Comandante da 3ª Região Aérea tinha-lhe pedido isso. O voo até Lourenço Marques num DC6 da Força Aérea durou 36 horas com escala na Guiné e Luanda onde pernoitámos. Um dos pilotos era antigo aluno. Quando chegámos a Lourenço Marques instalámo-nos na Messe da Força Aérea e, depois, numa moradia perto do Polana de onde saímos ao fim de um ano e meio de estadia em África com regresso a Lisboa. Para trás deixei uma vida totalmente nova mas tão intensa como a do Colégio. Fiz o 1º ano de Engenharia concluí o Brevet de piloto, fiz Ginástica no Sporting de Lourenço Marques estudei para todas as disciplinas na piscina do Clube Militar, conheci muita gente, visitei a Gorongosa, Joanesburgo, a Suazilândia. Assim foi fácil a transição imediata para a faculdade que representou a entrada num mundo novo.

Francisco Norton Brandão (282/1996) - Quando saí do Colégio ingressei em Engenharia Aeroespacial no IST e, de repente, passei a ter tardes livres, o que foi um sarilho. Não estava habituado a não ter nada que fazer. O resultado: engordei 18 kg nos dois anos seguintes… mas felizmente a disciplina militar fez-me ser bem sucedido a perder de volta 14 desses 18. Acabei por desenvolver vários Mocada- 1º de Dezembro de 2004 hobbies, dos quais destaco a fo(220/1997- segundo a contar da direita) tografia. Tive no ano passado o

luxo de ter a autorização para fazer uma série de fotografias de paisagem do Colégio à noite. Manuel Norton Brandão (220/1997) – A transição foi bastante fácil, dado que já tinha observado a transição do meu irmão e dado que segui o mesmo curso e a mesma faculdade já ia bastante preparado. Ajudou também o facto de, no meu curso, termos ido 8 para o IST (cerca de 40% do curso). José Guilherme Norton Brandão (325/2001) No meu primeiro ano como antigo aluno, houve um domingo à noite, logo em Setembro, que eu estava no quarto quando o meu irmão veio ter comigo e disse “Ainda não te fardaste? Já devias estar a ir para o Colégio!”. Num primeiro instinto, saltei da cadeira e fui a correr para o armário buscar a farda de pano. Quando olhei para o lado, o meu irmão estava perdido de riso e só ai é que eu me apercebi que já não era aluno. Depois fomos os dois ter com o meu pai e pregámos a mesma partida... Francisco Norton Brandão (282/1996) - … que se sobressaltou quando pensou no tempo que iria perder a dar a boleia até ao Colégio. José Guilherme Norton Brandão (325/2001) Mas a experiência dele falou mais alto e ele só se sobressaltou durante um segundo. Martiniano Gonçalves – Como têm sido as vossas vidas profissional e de estudantes? Algum de vós teve em algum momento inclinação para a vida militar? Porque não é militar nenhum de vós? Para o Pai: Que influência teve o Colégio na tua vida profissional?


Entrevista à Família Norton Brandão

José Norton Brandão (400/1961) – Tive uma vida profissional bastante diversa, focada na Indústria. Depois de 3 anos de professor no ensino secundário fiz um estágio em Barcelona na “Bendix”, onde acabei por ficar dois anos. Este estágio foi feito no âmbito da cooperação internacional pelo ISEG que frequentava na altura. De regresso, após algumas experiências ligeiras fixei-me na OTIS onde estive 11 anos acabando como Director Industrial e de Engenharia. Saindo para experiências menos conseguidas, acabei por montar a minha própria empresa onde me mantenho há 18 anos, tendo passado por períodos melhores e piores em diversas áreas de consultoria. Ao longo do Colégio pensei sempre ir para a Força Aérea onde o meu Pai era Oficial. No 7º ano iniciei o brevet na Ota. O meu Pai achava que deveria experimentar a Universidade antes de me decidir a ir para a Academia e orientou-me nesse sentido. A saída para Moçambique logo que acabei o 7º ano e a dinâmica daí resultante deu origem a um rumo diferente. Durante alguns anos não deixei, no entanto, de ter uma pedra no sapato por não ter seguido a Força Aérea. A ligação que mantive com a Aviação, por ser piloto, fez-me sentir isso. Acabei também por tirar o brevet de planadores, dar uns saltos de pára-quedas e ter um ultraligeiro.

Honestamente, conheço muito pouco da história da AAACM para a poder ver “ao longo dos anos”… e que tal se fizessem um manual de boas vindas para os novos sócios (com a história, encontros habituais, contactos, etc.)?

Francisco Norton Brandão (282/1996) - Equacionei com alguma seriedade a hipótese de seguir Engenharia na Academia da Força Aérea. Optei por não o fazer porque, sendo bom aluno, julguei que ficaria limitado nas minhas escolhas futuras, caso seguisse o meio militar. A verdade é foi a decisão acertada, uma vez que, depois de 3 anos em Engenharia Aeroespacial no IST, mudei-me para Medicina e actualmente sou médico no IPO Lisboa; este percurso teria sido impossível numa Academia.

José Norton Brandão (400/1961) - Em tempos recentes a AAACM desenvolveu actividade relevante que permitiu a proximidade entre os Antigos Alunos. Realço como exemplos o lançamento do “Quem é Quem” e o jantar no Pestana. Entretanto os tempos são de grande evolução nas comunicações e têm-se desenvolvido modelos de comunicação com os cursos mais descentralizados que poderão beneficiar do trabalho herdado. A Revista mantém-se periodicamente, sendo um interessante meio de manter informação de índole colegial.

Manuel Norton Brandão (220/1997) - Sou Eng. Civil e quando ainda estava a acabar o curso fiz um estágio numa empresa de um antigo aluno.

FALEMOS DA ASSOCIAÇÃO Martiniano Gonçalves – Desde quando são sócios? Como vêm a Associação ao longo dos anos e com a diferença de idade que existe entre o Pai e os Filhos? José Norton Brandão (400/1961) – Penso que sou sócio desde os anos 70. Francisco Norton Brandão (282/1996) - Sou sócio desde a minha saída do Colégio, em 2004.

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Martiniano Gonçalves – Qual pensam que deve ser a missão da Associação nos tempos que correm? José Norton Brandão (400/1961) - Vejo a AAACM como uma representação da continuidade, promovendo a ligação entre a comunidade de Antigos Alunos e o CM e dos Antigos Alunos entre si.

1.º dia de Colégio do 282/1996, com os pais, 46/1958-IO e 400/1961

Francisco (282/1996), Manuel (220/1997), José Guilherme (325/2001) - Sentimos falta de um espaço físico onde se possam encontrar os AA de diferentes gerações para convívio, como existia nos nossos primeiros anos de antigo aluno no Largo da Luz.

bastante limitadas e uma dinamização a todos os níveis impensável no anterior “modelo”. De realçar a potenciação da comunicação intergeracional.

TEMA, O COLÉGIO. Martiniano Gonçalves – Como vêm o Colégio de hoje? Que experiências significativas tens vivido como Pai de alunos? E como filhos de Pai antigo aluno? Como foi viver um período tão longo de Pai de aluno do Colégio, sendo sujeito às variações ocorridas nesse período? Leonor Norton Brandão (46/58-IO) - Senti-me sempre muito orgulhosa (e às vezes até chorei

Martiniano Gonçalves – O que acham dos Delegados de Curso e do papel que podem desempenhar? José Norton Brandão (400/1961) - A ideia da criação dos Delegados de Curso pareceu-me interessante, embora com alguma contestação, nomeadamente no meu próprio curso. Tradicionalmente o Comandante de Batalhão do curso representava o curso, havendo eventualmente alguma continuidade dessa representação após a saída do Colégio, mas muitíssimo escassa e limitada. Penso que os Delegados de Curso poderão desempenhar um papel de união do curso ao Colégio para além das ligações tradicionais que são

325/2001 na Récita


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Entrevista à Família Norton Brandão

meus filhos, incluindo parte da minha família, quando comuniquei que iria colocar os meus filhos no Colégio fui alvo de críticas, por vezes exacerbadas, que apontavam uma educação antiquada e desadequada aos tempos actuais, violenta, militarista, concentracionária. Obviamente este discurso cai fundo, induz sentimentos de culpa e faz-nos pensar durante bastante tempo. Um dia, já depois dos dois mais velhos estarem no Colégio, estava a ver uma reportagem na televisão sobre A cúpula à noite com o rasto das estrelas durante cerca de meia hora. Fotografia do 282/1996 a ocupação da juventude e fiquei completamente esclarecido. Dizia o estudo que um jovem passava umas lágrimas) ao ver desfilar os meus filhos no em média entre 4 e 6 horas por dia em frente da 3 de Março; alguns desfiles obrigaram-me a suTelevisão ou do computador que incluía os jogos bir e a descer a Avenida várias vezes, a saltitar de mais violentos e sanguinários que se poderia companhia em companhia. imaginar e que o tornavam no próprio agente de violência. Particularmente lembro-me de um José Norton Brandão (400/1961) - Vejo o Coléjogo que premiava quem conseguisse atropelar gio de hoje como o do meu tempo. Embora com maior número de peões numa rua. as alterações de contexto, a vivência em comum Depois desta reportagem fiquei completamenenquadrada nos mesmos valores produz um rete esclarecido e descansado. Este tempo de TV e sultado semelhante que eu pessoalmente não PC eram, no Colégio, ocupados na prática desconsigo diferenciar. portiva ou Militar, controladas, bem mais formaCostumo dizer que frequentei 20 anos o Colétivas e até pacíficas do que os jogos electrónicos. gio. Sete meus e treze desde que entrou o filho mais velho e saiu o mais novo. Passei mais horas Leonor Norton Brandão (46/58-IO) - Durante a nos Claustros à espera dos meus filhos do que passagem dos meus filhos pelo Colégio integrei quando lá andei. Estava “em casa”. durante alguns anos a Associação de Pais e EnNão resisto a contar algo que me surpreendeu: carregados de Educação e tenho dado a minha Em vários ambientes que frequentava com os colaboração no estágio de Graduados no tema “Comunicação”, versando a comunicação entre Pais, Graduados e Alunos. José Norton Brandão (400/1961) - Os laços de família mantiveram-se sempre firmes e de grande intensidade já que o Colégio proporciona a integração da família na vivência Colegial levando-a a participar em inúmeros eventos de grande significado para os jovens e por inerência para os pais. Acho que Baile dos Finalistas do 220/1997 no ano de 2005 para isso muito contribuiu

o facto de os meus filhos serem bons alunos e eu ser antigo aluno, conhecendo os cantos à casa. Leonor Norton Brandão (46/58-IO) - E o que eu gostei de dançar a valsa da meia noite no Baile de Finalistas de cada um dos meus filhos!! José Norton Brandão (400/1961) - Também facilitou ter vários oficiais meus conhecidos. Refiro principalmente o João Cruz Azevedo (286/1960), do meu curso de saída, que era Comandante do Corpo de Alunos quando o meu filho mais velho entrou e que depois foi Subdirector; o Mário Tavares de Almeida (362/1955), graduado no meu 1º ano, Director durante vários anos com os meus três filhos presentes. Aproveito para lhe prestar homenagem pela forma como dirigiu o Colégio; o Zé Ribeiro de Faria (173/1961), Mestre de Equitação, também do meu curso de entrada. O Sr. Delgado, fotógrafo já no meu tempo, representou também, de certa forma, pela presença constante nas cerimónias, um ponto de ligação e continuidade entre as duas gerações. Leonor Norton Brandão (46/58-IO) - Fiz questão de ter o Sr. Delgado em minha casa a desenrolar aqueles quase infinitos rolos de fotografias, para que pudesse escolher as dos meus filhos! Francisco Norton Brandão (282/1996) - Foi interessante ter logo no 1.º dia a cama impecavelmente feita sem a ajuda dos graduados, com o clássico nó nos lençóis por baixo do colchão. Vem-me também à memória um Ramalho que o meu irmão mais novo, 325/2001, levou no corredor de casa no seu aniversário. Martiniano Gonçalves – O que pensas da reforma em curso protagonizada pelo MDN? E do internato, externato e misto no Colégio? Que impacto pensas que podem ter na identidade do Colégio? José Norton Brandão (400/1961) – A reforma em curso protagonizada pelo MDN é uma reforma igual a tantas outras feitas pelas entidades de tutela com o objectivo de servir os interesses que essa mesma tutela espelha em determinado momento e circunstâncias. Para quem está dentro pode parecer Maquiavélico porque os fins justificam os meios. No caso que nos respeita e que é a reforma do Colégio Militar preocupa-nos o facto de ser feita sem ter em conta pretensões nossas que consideramos importantes e eventualmente condicionadoras da manutenção do espírito colegial, além de, em simultâneo, terem encerrado o IO que sempre


Entrevista à Família Norton Brandão

considerámos um colégio irmão. No entanto estou confiante que o Colégio saberá ultrapassar as dificuldades e desafios que se apresentem de uma forma positiva, garantindo a sua essência no futuro. Assim, penso que o Colégio misto, com externato e com a primária ao lado, constitui um modelo com um futuro promissor mais adequado aos tempos modernos. O aspecto mais crítico será mesmo o do desempenho pedagógico que urge melhorar, sendo condicionante do êxito do Colégio que todos pretendemos. Francisco Norton Brandão (282/1996) - Tenho só medo da perda de diferenciação do Colégio. Quanto mais igual a tudo o resto for o Colégio, menos motivos restam para ser um investimento diferenciado do Estado. O Colégio assume-se como uma escola com uma formação diferenciada em três vertentes: educação para a liderança, educação militar e educação física. Cada passo tomado na direcção de tornar a sua educação mais generalista, compromete a sua razão de existir. Porque é que os finalistas dos Estabelecimentos Militares de Ensino não têm vagas preferenciais no acesso ao ensino superior militar? Cada vez mais vemos os EME com menos vantagens específicas na sua formação; e uma instituição igual às outras, mas mais cara, deixa de ter razão de existir…

A Família Norton Brandão ao tempo desta entrevista

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Sandra Cristina Fernando (289/1996-IO) - Custa-me falar deste tema, porque inevitavelmente penso no encerramento daquela que foi a minha casa durante oito anos da minha vida. Deixa-me triste e prefiro não explorar muito o assunto. Espero sinceramente que a reforma contribua para a continuação do sucesso do Colégio e que, daqui a alguns anos, eu possa escolher esta Casa como a segunda casa tanto dos meus filhos como também das minhas filhas. Martiniano Gonçalves – Já se falou de internacionalização do Colégio. O que pensas sobre isto? Sob que formas? Manuel Norton Brandão (220/1997) – A meu ver, no nosso tempo o Colégio já era internacional. Sempre houve bastantes alunos dos PALOP e não vejo o que seria diferente se fossem de outros países a não ser na língua, que hoje em dia é um obstáculo facilmente ultrapassável. Martiniano Gonçalves – Como imaginas o Colégio dentro de 20 anos e qual a sua missão ? Leonor Norton Brandão (46/58-IO) - Com um neto Comandante de Batalhão! José Norton Brandão (400/1961) – O Colégio oferece uma proposta formativa diferenciada pela essência dos valores que realça. Saiba o destino pro-

O Pai e os 3 Filhos, quando estes se encontravam simultaneamente no Colégio

porcionar um equilíbrio de forças entre todos os “interessados” e a fórmula, ou seja, o Colégio que conhecemos pode estar vivo dentro de 20 anos. Assim, quanto à missão, penso que neste momento será a de melhorar o modelo que existe com as adaptações necessárias aos tempos de mudança. Se assim acontecer o Colégio cumprirá a sua missão quando o momento o exija. Aliás, espero que os meus Netos possam vir a ser Meninos da Luz.


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Livro do Curso 1943/1950

Livro do Curso 1943/1950 A

biblioteca da Associação recebeu a oferta de um exemplar do “Livro do Curso 1943/1950 Foi assim...”, onde na Nota Explicativa das primeiras páginas se pode ler:

«Este "Livro" surge naturalmente como resultado de contactos e trocas de impressões, que fomos fazendo nos nossos almoços durante o ano de 2012 e princípio de 2013 e que desencadearam trocas de e-mails, com memórias e recordações de outros tempos. A informação daí resultante era muito variada e dispersa e por isso o 86/Mateus da Silva, depois de uma troca de ideias com outros, apresentou uma primeira versão com cerca de 20 páginas, onde se sugeria como estrutura de um possível livro: uma apresentação do que era o Colégio, os depoimentos individuais de como cada um ali foi parar, a estrutura de enquadramento que nos geria, os alunos que passaram pelo curso 1943-1950 e algumas considerações genéricas. Esta iniciativa provocou outras ideias, em particular do 67/Marquilhas, que redigiu um conjunto de "estórias" interessantes e divertidas que aconteceram durante o curso a que chamou “Momentos Colegiais" e que foram integradas no "Livro". Daí resultou uma segunda versão do "Livro" que teve em conta um conjunto de colaborações diversas incorporadas no texto inicial.» O livro foi dedicado «Ao Fundador do Colégio Militar, Marechal António Teixeira Rebello, cujo Sonho permitiu que viéssemos a ser Meninos da Luz. Aos Oficiais e Professores que contribuíram de para a nossa formação como homens e como cidadãos amantes da sua Pátria.

Curso, com interessantes depoimentos pessoais, e são relatados momentos da vivência colegial. Esta é a segunda iniciativa deste género (a primeira teve lugar em 2007 quando dos 50 anos de saída do Curso 1950/1957, tendo então sido publicado o livro “Histórias e Memorias”). Tanto um como outro constituem um testemunho do historial dos respectivos Cursos e um registo muito importante para memória futura. Se todos os Cursos tivessem iniciativa similar, ficaria disponível um importante acervo de memórias que, sem que tal aconteça, serão perdidas na erosão do tempo. Felicitamos os componentes do Curso 1943/1950, Curso dos meus Graduados no ano em que entrei para o Colégio, desejando-lhes uma longa vida com a sua presença em futuras Romagens de Saudade nos anos que se seguem. Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949

Aos Sargentos e Pessoal Auxiliar que, na sua grande maioria e com grande humildade e amizade nos ampararam de forma discreta em momentos de desânimo. Aos nossos camaradas Graduados, irmãos mais velhos, ainda meninos mas já responsabilizados, que nos ajudaram na dolorosa fase da separação familiar. Aos Camaradas que já partiram e deixaram um espaço inapagável nas nossas memórias.» Ao longo das suas páginas existem textos relacionados com a missão do Colégio, é feita uma síntese histórica, são referenciados Directores e Professores, faz-se o enquadramento de todos os que se relacionam com o


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José Alberto da Costa Matos 96/1950

Curiosidades de outros tempos E

ntre 1999 e 2002, para poder cumprir a missão de que fui incumbido de dar conhecimento geral da “História do Colégio Militar”, tive que passar longos dias - e até noites - em vários arquivos onde tive que vasculhar mais de meio milhão de documentos amarelecidos pelo tempo ou acinzentados pela poeira de dois séculos. Foi respirando o pó da sua velhice e procurando ler a letra por vezes indecifrável de vários manuscritos que tomei conhecimento de factos e memórias que, depois de trabalhados, me permitiram escrever dois grossos volumes. Mas fiquei desde logo com a clara noção de que a história de uma Instituição com a grandeza do Colégio Militar nunca estaria concluída, nem integralmente estudada. O nosso Colégio é um “mundo” em que ainda haverá muito a descobrir. Entre o muito que fui consultando e descobrindo, tropecei algumas vezes com pormenores e curiosidades que, embora não se justificasse fazer constar do que então escrevi, não deixei de ir anotando para mais tarde a elas voltar se fosse oportuno. Quando o Gonçalo Leal de Matos, velho amigo e camarada de curso, me demandou para colaborar nesta edição comemorativa dos 50 anos da nossa revista, achei que talvez fosse adequado divulgar um pouco dessas pequenas curiosidades, algumas com cem anos e que, provavelmente, são desconhecidas de muitos de nós. Por outro lado, constituindo a “ZacatraZ” e a “Revista”, sua antecessora, uma incontornável fonte de informações que os historiadores do futuro terão que folhear para poderem escrever

a “História do Terceiro Século do Colégio Militar” (aqui fica a sugestão para uma hipótese de título desse próximo volume), pareceu-me aconselhável deixá-las aqui registadas, antes que o tempo as faça desaparecer em definitivo. Recuemos então a 11 de Junho de 1910, a escassos quatro meses da implantação da república. Nesse dia publicava-se o n.º 1 do jornal «Os Sports Ilustrados» sendo 20 réis o seu preço de capa. Sedeado em Lisboa, este jornal desportivo era propriedade de J. J. da Silva Graça e dirigido por José Pontes. Divulgava notícias de cariz des-

portivo referentes a todas as modalidades praticadas em Portugal e também no estrangeiro. Mas não tardaram a acontecer sucessivas mudanças na direcção e esse facto, aliado a dificuldades financeiras, ditaram o fim do jornal decorridos três anos, em 31 de Maio de 1913. Passado um ano ainda foi feita uma tentativa de o fazer voltar à vida mas também ela teve curta duração. Aqueles que um dia decidirem folhear as envelhecidas páginas deste “avô” na nossa imprensa desportiva, vão aí encontrar interessantes referências ao nosso Colégio Militar. Logo no n.º 2, datado de 18 de Junho, sob o título “Campeonato Inter-escolar de Esgrima”, é noticiado que a competição decorreu nos dias 12 e 13 tendo nela participado equipas de três atiradores da Escola Académica, do Ateneu Comercial, da Escola Politécnica e do Real Colégio Militar. A este o jornalista refere-se deste modo: “A equipa vencedora foi a do Real Colégio Militar, que se apresentou bem treinada e talvez a


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mais homogénea, salientando-se desta equipa o Sr. Craveiro Lopes que era prudente no ataque e rápido na defesa”. Na edição seguinte (25 de Junho), com o título «Uma parada de ginástica reúne 1180 crianças», que havia acontecido na semana anterior no Velódromo da Palhavã, é feita referência ao Real Colégio Militar (treinado pelo tenente Tavares Portugal), que nela participou juntamente com o Ginásio Clube Português, Casa Pia, Escolas Académica e Nacional, o os Colégios Francês, Nacional, Arriaga e Campolide. Em 25 de Fevereiro de 1911, na página 5 do n.º 37, é publicada uma curiosa fotografia de grandes dimensões do “grupo de tracção à corda do Colégio Militar em 1909-1910”. Na edição n.º 55 de 1 de Julho do mesmo ano, são apresentadas na página 2 duas fotografias de uma demonstração de esgrima e de equitação realizadas durante aquilo que titulam de “Festa Desportiva no Colégio Militar”. Um ano depois, a 6 de Julho de 1911, o nº 108 inclui quatro fotografias legendadas com a identificação dos “Campeões de atletismo do Colégio Militar”: Silva Pereira (lançamento de peso e salto em comprimento), Craveiro Feio (400 e 800 metros), Gama Lobo (100 metros) e Pereira de Castro (200 metros). E por fim, a pouco mais de um mês de cessar a sua publicação, o n.º 147, de 19 de Abril de 1913, dá conta em página inteira de um “Concurso Sportivo Inter-escolar” que tivera lugar em 13 e 14 desse mês no Velódromo da Palhavã, organizado pela Associação de Estudantes da

Faculdade de Ciências, cujo produto era destinado a “socorrer estudantes pobres”. Mas o apuro não foi o desejável porque nesse domingo havia um Sporting-Benfica em futebol que desviou para esse encontro parte da assistência que seria esperada naquele concurso. Na competição o Colégio Militar conquistou a Taça Câmara Municipal de Lisboa (em disputa entre os estabelecimentos de ensino secundário), venceu a corrida de estafetas e, individualmente, os seus alunos alcançaram os resultados que seguem. Salto em altura: 1.º Lança Moraes (1,645 m) e 3.º Manuel Salvação (1,57 m). Salto à vara: 1.º Paes Ramos (2,95 m) e 2.º Ribeiro Pinto (2,90 m). Salto em comprimento: 2.º Silva Pereira (6,06 m). Corrida de barreiras: 3.º Paes Ramos. Mas também na “sétima arte” o Colégio era protagonista nas exibições das salas de cinema da capital. Em meados de Dezembro de 1920 um decreto do Presidente da República, António José de Almeida, agraciou o Colégio Militar com a mais alta distinção nacional: a Ordem da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito. A solene imposição teve lugar no dia 3 de Março de 1921, no Largo da Luz, perante a formatura do Batalhão Colegial, e também de uma outra que era constituída por antigos alunos sob comando dos generais Gomes da Costa e Alberto da Silveira, que servia de Guarda-de-Honra à Bandeira que estava confiada à guarda do Batalhão de Alunos. A colocação das insígnias foi feita pelo então Ministro da Guerra, major Dr. Álvaro de Castro, também antigo aluno do Colégio. Decorridas duas semanas uma vez que, naquele tempo, era necessário revelar o filme em película de 35 mm, fazer a montagem manualmente e proceder à locução e sonorização - a 17 de Março o cinema Olympia estreava o documentário “Festa da Condecoração da Bandeira do Colégio Militar”, que havia sido realizado pela Secção Cinematográfica do Exército. Dias depois, a 26 de Março, a Ordem de Serviço colegial avisava os alunos que, “por amável aquiescência da Empresa do Salão Olympia, os Alunos presentes no Colégio

devem assistir amanhã, no mesmo Salão, a uma sessão cinematográfica em que se exibe o filme «Festa da Condecoração da Bandeira do Colégio Militar»”. O velho Olympia era uma sala de cinema nascida no começo do séc. XX pela mão de uma empresa especialmente criada para a sua construção e exploração, pois o cinema era por essa altura um negócio em crescendo. Constituíam essa empresa um descendente de irlandeses, o empresário do então "Chiado Terrasse" (uma das grandes salas de Lisboa na rua António Maria Cardoso) e mais três outros sócios. A partir de 1916 o Olympia foi ganhando notoriedade no panorama da oferta cinematográfica lisboeta, mas sempre foi considerado, dada sua frequência, como um cinema relativamente "popular" por comparação com outras salas, como por exemplo o S. Luís, o Tivoli ou o Condes. Porém, isso não significava que pela sua tela não passassem obras de grandes nomes da cinematografia mundial. Mas, de facto, a predominância dos filmes projectados nas suas "matinées" e “soirées” eram os de aventuras, os dramas históricos e as comédias. Anos mais tarde, a 30 de Junho de 1930, foi estreado no Salão Central um documentário produzido por Raul Lopes Freire para a Ulyssea


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Filme que, sob o título “Uma festa no Colégio Militar”, mostrava os eventos que assinalaram o encerramento do ano lectivo de então. Este Salão Central situava-se então no Palácio Foz, na esquina do elevador da Glória com os Restauradores, e fora inaugurado em 1908. Tinha capacidade para 425 espectadores o que, nessa época, fazia dele uma das mais importantes salas de cinema da capital. Quando entrou em funcionamento os filmes eram “mudos”, e por isso, a partir de 1917 passou a ter uma orquestra que acompanhava musicalmente o que ali era projectado. Depois, com o passar dos anos, foram abrindo diversas salas de cinema noutros locais da cidade e o Salão Central acabou por encerrar. Em 1929 aconteceu aí um violento incêndio e só muito mais tarde, em 1958, o espaço ocupado pelo Salão foi recuperado para nele instalar a Cinemateca Portuguesa, que aí se manteve até 1980, ano em que viria a ser transferida para instalações onde actualmente se encontra. Em 1932, a 23 de Agosto, foi estreado no Tivoli o documentário “O 130.º aniversário do Colégio Militar” que no começo de 1935, a 8 de Janeiro, foi também exibido em Luanda (Angola). O Cine Teatro Tivoli, erguido na Av. da Liberdade segundo projecto do arquitecto Raúl Lino na

linha dos teatros franceses, demorou cerca de quatro anos a ser concluído, tendo sido essencialmente concebido para a exibição de filmes de grande qualidade, embora nele pudessem também ter lugar outras manifestações artísticas e culturais. Inaugurado com gala a 30 de Novembro de 1924, passou então a ser a melhor sala de espectáculos do país, e nela foram levadas à cena inúmeras peças pelo grupo Teatro Novo bem como por outras companhias nacionais e estrangeiras, e também bailado e orquestras. Em 1997, setenta e três anos após a sua inauguração, foi classificado de imóvel de interesse público. Refira-se finalmente que, a 30 de Outubro deste mesmo 1932, o Olympia voltaria a incluir o Colégio na sua programação, estreando desta vez o documentário “O Colégio Militar”. Mas sem sairmos do espaço colegial, podemos encontrar um imenso manancial de curiosidades: as Ordens de Serviço do Colégio. Especialmente nas mais antigas, que eram escritas diariamente, à mão, num livro próprio, e copiadas também à mão pelas Companhias de alunos para serem depois lidas a estes na formatura do recolher. Repare-se em alguns exemplos. Em 1825 já existiam alunos externos, como nos revela a Ordem n.º 5, de 3 de Outubro ao publicar um Aviso Régio do dia 1 desse mês, segundo o qual era permitido, “por Graça especial”, que dois filhos de D. Luís de Sousa frequentassem o Real Colégio Militar como discípulos externos. Em 1848 era determinado que a sopa não fosse, como é costume, sempre de pão, mas sim variando nos diversos dias da semana, e também que o modo de comer o segundo prato fosse alterado, evitando-se o perigo de comer o arroz com as facas, pelo que deviam ser seguidas as práticas que modernamente tinham sido introduzidas entre as pessoas de educação apurada, a cuja classe se deve supor que pertencem todos os indivíduos do Corpo Colegial (Ordem n.º 17 de 9 de Outubro). Quatro anos mais tarde a Ordem declarava ser necessário repor em execução práticas úteis que se achavam em desuso, entre as quais figurava a seguinte:

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“Todos os Senhores Colegiais, segundo o antigo costume, devem confessar-se por ocasião da Páscoa e nas vésperas dos exames.” (Ordem n.º 13 de 27 de Novembro de 1852). Em 1869 começava uma saga capilar. Com efeito, no final desse ano, era determinado que os cabelos de todos os Alunos fossem cortados à escovinha. (Ordem n.º 24 de 13 de Dezembro). Já no século seguinte, em 1937, foram publicadas umas “Instruções para o Serviço da Barbearia do Colégio” em que se determinava que os Alunos eram obrigados a cortar o cabelo uma vez em cada mês, observando-se, quanto ao tamanho, o que segue: 1.°, 2.° e 3.° anos à escovinha; 4.°, 5.° e 6.° anos cabelo curto, mas que possa pentear-se; 7.° ano cabelo um pouco maior que o dos anos anteriores, mas sempre penteado, sem que apareçam madeixas a sair do barrete. Adiantava também que não era permitido o uso de patilhas ou suíças. (Ordem n.º 15 de 15 de Janeiro de 1937). No começo do ano lectivo de 1938-39, a Ordem de 12 de Outubro determinava que atendendo ao brio dos alunos que sempre procuravam dignificar-se, o cabelo, nos alunos do 1.° Ciclo poderia ter o comprimento de 2 cm, nos do 2.° Ciclo 4 cm e nos do 3.° Ciclo 6 cm. Se porém o cabelo ultrapassasse estas dimensões, ou se os alunos o trouxessem mal cuidado, passariam a usá-lo cortado à escovinha, por tempo indeterminado, sucedendo o mesmo quando pelo seu comportamento, isso lhe fosse aplicado como castigo. (Ordem n.º 285 de 12 de Outubro de 1937).


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Curiosidades de outros tempos

Voltando umas décadas atrás, na Ordem n.º 85 de 26 de Março de 1870 pode ler-se uma interessante resolução que determinava que “as caixas de roupa dos Alunos devem estar debaixo das camas, com as frentes alinhadas com os pés dos leitos”. E pormenorizava logo de seguida que “enquanto não houver mesas-de-cabeceira, as bacias de cama serão todas as noites postas debaixo das camas, junto às caixas de roupa”. Ordem e arrumação, como convém na educação de jovens! Quase um século depois o então director, general Campos Andrada, antigo aluno do Colégio, solicitou o apoio do Gabinete de Heráldica do Exército para que fosse feita uma nova ordenação do guião colegial segundo as normas heráldicas entretanto adoptadas pelo Exército. Aquele Gabinete elaborou então um esboceto seguindo tanto quanto possível, os elementos fornecidos pelo director, que mereceu a sua concordância, sendo depois aprovado por portaria do Ministro do Exército de 1 de Junho desse ano. Acompanhado da sua descrição heráldica, foi aquilo que aqui resumi que fiz constar da “História do Colégio Militar”. Em anos mais recentes, o Francisco Comprido (254/1961) fez chegar amavelmente ao meu conhecimento esta curiosa e relevante informação que aqui compartilho agora com todos: «Em Fevereiro de 1966, o Senhor tenente-coronel (arquitecto) Jorge Monteiro Varela Pinto (200/1918), que era o director do departamento de Desenho e Trabalhos Manuais, foi encarregado de preparar o desenho do novo guião. Para a

conclusão do projecto, o coronel “Bandalheiras” (alcunha que lhe era dada pelos alunos porque eram usuais os seus apelos para “acabar com a bandalheira” nas aulas) pediu-me a ajuda. Fiz a passagem do desenho a lápis que estava em papel vegetal para uma maqueta de madeira. E usei uma mistura de guache e óleo para pintar as cores indicadas no projecto. Sobre os tons das cores, lembro-me que o Senhor coronel Varela Pinto me disse para escolher os tons que “tivessem mais a ver com o Colégio, com o guião até então usado e com as fardas antigas”. Demorei dois meses e meio, porque só podia trabalhar no fim-de-semana, depois da saída no sábado e antes da entrada no domingo. O Senhor coronel Varela Pinto pediu-me confidencialidade sobre este nosso trabalho. Que guardei até hoje. Recompensou-me generosamente com dois “20” no segundo e no terceiro períodos. Encontrei-o com frequência depois de sair do Colégio porque vivíamos perto. Até deixar Portugal nove anos depois, ficou como um amigo mais velho. Estava longe daqui quando soube do seu falecimento.» Este é portanto o testemunho de que o projecto inicial do guião de 1966 foi executado por dois antigos alunos, facto que, provavelmente, a maioria de nós desconhecia. E porque este é o n.º 200 da revista que a Associação edita, seja-me permitido dar uma ajuda a quantos gostariam ler as suas edições mais antigas, mas não têm tempo para ir até à AAACM e aí as folhear todas, uma a uma. Recomendo-lhes especialmente os artigos que enumero de seguida, indicando o n.º da revista, o título e o autor. E, desde já, boas leituras! N.º 2: «Colégio Militar – Matéria e Espírito», de Álvaro Neves da Fontoura (116/1910); e «Alcunhas», de Luís Colaço (301/1909); N.º 3: «A Carroça dos Cães», de Luís Colaço (301/1909); N.º 4: «O Mendes Barbeiro», de Luís Colaço (301/1909); N.º 6: «As Graduações», de António Roma Torres (114/1957): e «O Vinte», de Luís Colaço (301/1909);

N.º 8: «Passa a Beata», de Luís Colaço (301/1909); e «O Colégio em Crise?», de António Roma Torres (114/1957); N.º 10: «Os Pencos», de Luís Colaço (301/1909); N.º 11: «Os Meninos da Luz e o Teatro», de Jorge Freire Garcia (63/1915) - continuou no N.º 15; e «Ó tempo Volta para Trás», de Jorge Figueiredo Barros (62/1896) - com continuação nos N.ºs 14, 16, 18 e 21; N.º 12: «O Animatógrafo», de Luís Colaço (301/1909); N.º 22: «O Cabo Ferreira», de Luís Colaço (301/1909); N.º 41: «A Aviação Portuguesa e o Colégio Militar», de Edgar Cardoso (272/1919) - continuando nos N.ºs 42, 46, 48, e 52; N.º 50: «A Revista Militar na sua ligação com o Colégio Militar», de Fernando Louro de Sousa (239/1922).


XXIII Jantar do Oeste

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XXIII Jantar do Oeste

©Fotos Leonel Tomaz

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ais uma vez os anfitriões António José de Azeredo Lopes (350/1954) e o seu filho António Mucharreira de Azeredo Lopes (378/1981), abriram as portas da Quinta do Castelo para um caloroso acolhimento aos convivas do XXIII Jantar do Oeste. Foi no ambiente das óptimas instalações, onde se encontram muitos motivos de decoração que se relacionam com o Colégio, que decorreu mais este encontro de Antigos Alunos que já se pode considerar tradicional. Começou por ser circunscrito ao Oeste e agora, desde alguns anos, tem tido uma incidência geográfica mais alargada. São sempre momentos de franca confraternização onde o espírito colegial e de boa camaradagem irmana em todos os que têm a possibilidade de marcar presença. A amplitude etária dos convivas é grande e como sempre sucede quando Antigos Alunos se reúnem, seja qual for a razão, essa diferença não transparece para além da condição física inerente às diferentes idades.

A culinária e todo o serviço foram executados sob responsabilidade de um conjunto de pessoas de elevado mérito que, não sendo profissionais deste ramo, lhe imprimem uma qualidade digna de registo. Tudo muito bem servido e organizado. Aqui fica uma referência especial e merecida para a excelente sopa de peixe. Os vinhos, todos de boa qualidade, foram oferecidos como também já vem sendo costume neste jantar. Os branco e rosé Cerejeiras e o branco Sottal, da Quinta do Sanguinhal, oferta do Carlos João Fernandes Pereira da Fonseca (277/1960). Os apreciados tintos da produção própria da Quinta do Castelo, constituíram mais uma amabilidade dos donos da casa. Participaram neste jantar Fernando Edgard Collet-Meygret de Mendonça Perry da Câmara (143/1940), João Geraldes Freire (82/1945), José Eduardo de Almeida Barata Correia (28/1949), Vítor Manuel de Oliveira Santos (365/1949), Gonçalo Salema Leal de

Matos (371/1949), António José Fonseca Cavaleiro de Ferreira (332/1950), José Carlos Santos Corrêa Monteiro (184/1952), Carlos Alberto Guerra da Silva Beja (268/1953), João Nuno Bellegarde Bello da Conceição (270/1953), Eduardo Henrique Vidigal Solano de Almeida (5/1954), João Manuel Coelho da Silva Ruivo (293/1954), António José de Azeredo Lopes (350/1954), Luís Fernando Cordeiro Falcão Mena (77/1955), Manuel Augusto Moutinho da Silva Pereira (292/1955), Nuno Álvaro Pistacchini Calhau (320/55), António Fernando Diniz de Ayala Boaventura (339/1955), José Manuel Fortes dos Santos Ferreira (342/1955), José Manuel Vasconcelos e Silva de Magalhães (409/1955), Manuel António Santos Correia Monteiro (419/1955), Manuel Agostinho de Castro Freire de Menezes (423/1955), Fernando José Raposo Marques Cavaleiro (135/1956), Mário Carlos de Sousa Tavares (274/1956), Mário João Conde de Carvalho Pereira (275/1956), Arnaldo João Reis


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XXIII Jantar do Oeste

Maya (242/1957), António Maria de Oliveira Carvalho (380/1957), Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958), Carlos Manuel Pires Nobre Biscaya (469/1958), António Cortez Freire Damião (236/1959), Joaquim Manuel Teixeira Nunes Barata (239/1959), João Luís Madeira de Carvalho Egreja (359/1959), Feliciano José Mora Moniz Santos (392/1959), Rui Manuel de Sá Leal (502/1959), Fernando Faustino Roque Vale (518/1959), Joaquim José Arranhado Bação (77/1960), Luis Miguel Pinto e Abreu Soares de Albergaria (203/1960), Gonçalo Rui Santos Pereira (221/1960), Carlos João Fernandes Pereira da Fonseca (277/1960), João Sanches de Miranda Mourão (552/1960), Luís Alexandre de Oliveira Mateus de Magalhães (146/1961), Artur Manuel de Spínola e Santos Pardal (587/1961), João Manuel Gomes Pereira Carmona (589/1961), João Carlos Beleza Gonçalves Vaz (123/1962), António Manuel Restani Graça Alves Moreira (206/1962), Luís Fernando Bernardes dos Reis (429/1962), Eduardo Aires Monteiro Cortês das Neves (594/1962), João António Feio Pereira (157/1963), João Manuel Porto Silva Frade

(362/1963), Luís Manuel Gomes do Prado Quintino (474/1963), José Manuel Spínola Barreto Brito (539/1963), José Nuno do Rosário e Silva Leitão (153/1964), Carlos António de Lima Duarte Ferreira (398/1964), João Manuel Simões Carvalho (464/1964), Francisco Manuel Carvalhosa de Matos Silva (52/1965), António Alexandre Castanheira Coelho (94/1965), Luís Jorge Rodrigues Semedo de Matos (165/1965), Luís Alberto de Brito Correia de Matos (196/1965), José Manuel Machado dos Santos (200/1965), Joaquim Paleta Marreiros (413/1965), João Carlos Romão Matias (415/1965), José Manuel Pais Sampaio (483/1965), Mário Manuel Godinho Simonetti (544/1965), Eduardo Manuel Abreu de Oliveira Pegado (205/1969), Eduardo José de Carvalho Marques (666/1969), Alberto Luís e Silva Maria Santos (618/1970), João Paulo de Almeida Rainha Perry da Câmara (270/1971), António Manuel Gonçalves Alexandre (527/1974), António Manuel Pereira da Cunha Ribeiro Valente (217/1978), Pedro Nuno Gonçalves Alexandre (257/1978), Pedro Miguel Coutinho Sobral de Oliveira Pinto (352/1980), João

Paulo dos Santos Gomes (223/1981), Dário Duarte Mendes Prates (340/1981), António Mucharreira de Azeredo Lopes (378/1981), Miguel de Oliveira Baptista Geraldes Freire (380/1981), Pedro Gonçalves Coelho Nunes de Melo (51/1982), Vasco Maria Tavela de Sousa Santos Pinheiro (254/1982), João Pedro Mendes Rodrigues da Silva (428/1982), Francisco José da Silva Jorge (233/1987), Frederico Luís Ferreira Teotónio (181/1995), Carlos Miguel Serôdio Alves da Costa (39/2006), Francisco Fernandes Faia Pinto Colarinha (70/2008), os antigos funcionários do Colégio José Pontes e Leonel Tomaz (Sócio Honorário e actual colaborador da AAACM) e José Augusto Romão Matias, irmão do João Carlos Romão Matias (415/1965).

Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949


Poema - Ser Mãe de um Menino da Luz Jumping CM 2015

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Jumping Roberto Ferreira Durão (15/1942)

CM 2015

Ser Mãe de um Menino da Luz à Catarina Moutinho Tu te orgulhas dele, Mãe!... Na medida em que ele se orgulhar de ti também. Ditosa Mulher!, ...Podes bem gritar: "Duas vezes o dei à LUZ, Primeiro ao Mundo e, agora, ao Colégio Militar!" Mãe-Mulher, quem és, o que és? Onde estás, onde vais?... Com tua camisola cor de sangue Onde lemos bem estampada: «Eu sou Mãe de um Menino da Luz» Que honra, que esplendor o teu e dele Que passa para além das palavras gravadas Na tua camisola e em teu rosto... Iluminadas! Sabes Amiga, Mãe, Mulher, Irmã... Essas palavras estão agora gravadas a fogo em tua Alma! E nele que dormiu em ti e que em ti despertou para esta Vida E este mundo confuso que tecemos. Grande Missão vos une aos dois, Catarina: Se o teu filho é o "Menino", Terás também, como ele, de saber ser "Menina", Uma Menina-Mulher e, acima de tudo, MÃE!... Que honra tão bela e árdua, para os dois, a vossa sina! Qual a maior? A honra no prazer do dever a cumprir, A saber ser o Menino da Luz que tanto queres E te diferencia das outras mulheres?! Ele a semente , o fruto do qual tu és a Mãe: Terra MÁTRIA e PÁTRIA Nesse tão frágil e sublime corpo de Mulher-Menina, O exemplo dele, sua tarefa, seu Caminho É de ambos, mas sobretudo é dele, É só ele que tem de o saber trilhar, sem fraquejar. E tu, como Mulher e Mãe que o sabe amar Como mais ninguém, Nunca esqueças isto: Além de Mãe Para o acarinhar e encorajar, Tens de aprender com ele a ajudá-lo a Caminhar! Sejam quais forem as pistas, Faz como ele: NUNCA DESISTAS! E, assim, há uma palavra que, nos dois, há-de nascer mais forte, Sem terem medo dos embustes da sorte Pois na Alma dos dois vai florir E essa palavra é esta: SERVIR!

CLASSIFICAÇÃO DA PROVA DE PARELHAS 1º - Vicente dos Santos Durão (Aluno 412) e Joaquim António Pessanha de Oliveira Caimoto Duarte (40/1980).

2º - Ricardo Mestre Campos de Lima (Aluno 269)

e José Manuel Marques Ribeiro de Faria (173/1961)

3º - David Pinto Cavaleiro Ferreira de Almeida (Aluno 477) e Nuno Filipe Vieira Simão (124/1981)

4º - Mariana Jorge Figueiredo Gomes (Aluna 585) e Luís Miguel Machado Dionísio (3/2004)

5º - Afonso Maria Cachado Galvão e Lorena da Ponte (Aluno 405)

e Bernardo Luis da Silveira e Lorena Lopes da Ponte (80/1980)

CLASSIFICAÇÃO DA PROVA INICIAÇÃO 1º - Ana Madalena Cachado Galvão e Lorena da Ponte (Aluna 88) 2º - Diogo Manuel Mendes Costa (Aluno 123) 3º - Alexandra Valentina Frolova Pereira Bernardino (Aluna 565) 4º - Beatriz Henriques Patrício (Aluna 655) 5º - Pedro Manuel Lopes Raposo (Aluno 220)


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Histórias Colegiais Quando disseram o seu número, não apareceu!

Histórias Colegiais Quando disseram o seu número, não apareceu!

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oje, 26 de Maio de 2015, durante a visita dos Delegados de Curso ao Colégio, procurei o meu actual sucessor e acabei por ficar a conhecer a Laura Alves do 3ºA. Gostei de a conhecer. Ela entrou este ano para o 3º ano do ensino primário, gosta muito da equitação e da esgrima, e tem uma grande amiga de nome Mariana Guerreiro. Andam sempre juntas. Têm pena de serem só três raparigas numa turma de 11. O resto são rapazes. Tirámos fotografias juntos, que já lhe enviei através do mail do responsável, cabo Diniz Tias. A primeira coisa que me disse quando falei com ela, e que me deixou sem pinga de sangue pela falta cometida, foi “da outra vez, quando chamaram pelo seu número, não apareceu!” Francisco Eduardo Moreira da Silva Alves 392/1954

As Eleições Presidenciais de 1958 no Colégio Militar ESCLARECIMENTO No artigo publicado no número 199 da ZacatraZ, na página 48, 30ª linha, lamentavelmente, por lapso, foi referido que o Ministro da Guerra Santos Costa tinha assinado o despacho de exoneração do Director do Colégio Militar. Tal não corresponde à realidade pelo facto de o Ministro da Guerra de então ser Afonso Magalhães Galvão Mexia de Almeida Fernandes. Por tão indesejável gralha não intencional, apresentamos as nossas desculpas aos leitores, muito especialmente ao nosso Camarada Menino da Luz Rui Ernesto Freire Lobo da Costa (160/1943). A Redacção da ZacatraZ


Dia de Portugal 10 de Junho 2015

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Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957

Dia de Portugal 10 de Junho de 2015

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umprindo um dever que a nós próprios impusemos, aqui estamos mais uma vez a assinalar o Dia de Portugal e a noticiar a homenagem aos Combatentes da Guerra do Ultramar, que como já se tornou tradição, teve lugar no Monumento ao Combatente, situado em frente ao Forte do Bom Sucesso, junto à Torre de Belém.

Como sempre, o objectivo da cerimónia consistia em homenagear os combatentes que deram a vida pela Pátria e celebrar Portugal, tendo a Comissão Executiva do evento convidado a tomar parte no mesmo, não só os que foram combatentes no Ultramar e os que mais recentemente serviram em missões de paz no estrangeiro, mas também todos os portugueses amantes da sua Pátria e orgulhosos da nossa História. Este ano a cerimónia teve um aspecto novo, que foi a homenagem às Enfermeiras Pára-quedistas, que actuaram na Guerra do Ultramar. Esta justíssima homenagem era mais que devida e só pecou por ser tão tardia. As Enfermeiras Pára-quedistas, que foram de uma dedicação e de uma coragem exemplares, nos três teatros de operações onde actuaram, nunca procuraram louros, louvores ou condecorações, e sabiam bem que o seu maior louvor era o imenso respeito e gratidão que os combatentes sempre lhe dedicaram. Foram buscar os feridos a todos os locais onde se combatia, assistiram-nos durante as suas evacuações e terão sido elas, nalguns casos, a escutar as últimas vontades dos que morreram nas suas mãos. A homenagem foi tardia, mas fez-se, e como se costuma dizer, mais vale tarde do que nunca. Iniciou-se a homenagem aos mortos pela Pátria com a tradicional cerimónia inter-religiosa, católica e muçulmana, de sufrágio pelas almas daqueles que pereceram ao serviço da Pátria, independentemente da sua religião. Tal como foram camaradas de armas em vida, ficaram irmanados na morte, em defesa dos seus ideais.

Terminada a cerimónia religiosa foi a vez de homenagear as Enfermeiras Pára-quedistas, que alinharam, para tal, junto ao púlpito destinado aos oradores. O elogio às Enfermeiras Pára-quedistas foi feito por um combatente, o Tenente-Coronel Aparício, que proferiu um discurso admirável, que adiante reproduzimos e que qualquer um dos combatentes presentes gostaria de ter subscrito. As Enfermeiras Pára-quedistas foram ainda nesta ocasião louvadas pelo General Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, cujo louvor também apresentamos a acompanhar este texto. A convite da Comissão Executiva da Homenagem Nacional aos Combatentes 2015, encarregou-se do discurso alusivo ao acto o Professor Doutor Nuno Manuel Soares de Oliveira da Rosa Garoupa (286/1980), figura de relevo da comunidade colegial, a quem a nossa Associação já distinguiu oportunamente, com a atribuição de um dos seus Prémios Barretina. Transcrevemos também na íntegra o discurso proferido e permitimo-nos salientar algumas das suas passagens com maior significado. Começou o Nuno Garoupa por apresentar-se, referindo ser Antigo Aluno do Colégio Militar e ser filho, sobrinho, neto e bisneto, quer do lado materno, quer do lado paterno, de militares que serviram e combateram por Portugal em momentos diferentes da nossa História contemporânea, o que o levou a concluir estar entre amigos. Referiu a honra e o orgulho que sentia por estar a falar aos combatentes e o respeito e a admiração que nutria pelos homens cujos nomes estão assinalados no monumento ali situado. Lembrou cumprirem-se este ano 600


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© Fotos José Banazol

anos sobre a tomada de Ceuta, que marcou o início da expansão marítima e ultramarina portuguesa, que tornou Portugal a primeira potência global do mundo moderno, promovendo a ligação de muitos povos e a exportação da nossa língua e da nossa cultura. Terminou mencionando o compromisso que os nomes gravados nas lápides ali existentes nos impõe, de continuar a honrar Pátria, nunca virando as costas aos desafios que a construção de um Portugal melhor nos apresenta. Seguiu-se o discurso do Presidente da Comissão Executiva, Tenente-General Leonel Silva Carvalho, após o que se procedeu à homenagem aos mortos e à deposição de flores junto ao monumento. A nossa Associação esteve presente, como é habitual, tendo a Direcção deposto uma coroa de flores, com a qual homenageámos todos os combatentes falecidos em campanha e em particular os Antigos Alunos caídos pela Pátria. Cantou-se o Hino Nacional com a emoção, que o momento suscitava, com acompanhamento por uma salva de tiros de um navio da Armada fundeado na proximidade da Torre de Belém. Da forma habitual a cerimónia terminou com o desfile dos «velhos combatentes», que neste dia esquecem a idade e marcham com o vigor e a energia de outros tempos.

Palavras proferidas pelo Tenente-Coronel de Infantaria José Aparício Por decisão da Comissão Executiva para a Homenagem Nacional aos Combatentes em 2015, realiza-se hoje aqui frente ao “Monumento aos Combatentes do Ultramar” uma homenagem às Enfermeiras Pára-quedistas que serviram nas Forças Armadas Portuguesas de 1961 a 1980.

A data escolhida – o Dia de Portugal e dos Portugueses - e este local tão especial para todos nós que fomos combatentes, conferem a importância devida a esta homenagem nacional. Que nos envolve a todos; os ex-combatentes vivos; mas também, aqueles que da lei da morte se libertaram e cujos nomes estão gravados nestas pedras, nossos irmãos de tantos momentos das nossas vidas, que todos recordamos sentidamente e com uma imensa saudade. De onde quer que eles se encontrem, seguramente estão agora aqui a acompanhar-nos; esses “… nossos irmãos tão breves, que morreram com Lisboa tão longe, e que nunca mais acenderão nos nossos os seus cigarros…”, como são cantados na “Canção com Lágrimas” de Adriano. É pois na presença, e em nome de todos, que vou aqui recordar o que foram as enfermeiras pára-quedistas portuguesas na guerra do Ultramar, e o que foi o seu desempenho, como militares, como enfermeiras profissionais altamente qualificadas, e como Pessoas de uma enorme estatura moral e humana. A ideia da “enfermeira pára-quedista” nasceu de uma mulher portuguesa, Isabel Bandeira de Melo, filha dos Condes de Rilvas. Na década de cinquenta frequentou em França cursos de pilotagem e de pára-quedismo civil, onde teve conhecimento da existência na Cruz Vermelha Francesa de um grupo de médicos e de enfermeiras, denominados “Socorristas do Ar”, com desempenhos conhecidos nos conflitos da Indochina e depois na Argélia. Sendo das relações do então TCor Kaulza de Arriaga, na altura Secretário de Estado da Aeronáutica, convenceu-o definitivamente da bondade da solução que foi de seguida muito rigorosamente aplicada, pela Força Aérea Portuguesa. E assim no final de 1958 foi publicada a primeira legislação aprovada em Conselho de Ministros

para a criação do Quadro das Enfermeiras Pára-quedistas, depois completada e consolidada em Dezembro de 1959 e em Maio de 1961. As condições para ingresso neste Quadro foram o voluntariado das candidatas, com a exigência de serem já enfermeiras diplomadas, e a aprovação no curso de pára-quedismo militar que lhes iria ser ministrado. Em 26 de Maio de 1961 as primeiras onze voluntárias seleccionadas apresentaram-se em Tancos no então BCP. Durante 12 semanas fizeram ali a formação de pára-quedista, após o que estagiaram nos serviços de Urgência do Hospital de S José e também no Hospital Militar Principal onde na altura já havia feridos de guerra evacuados de Angola. Nos cursos seguintes e até 1974, os estágios passaram a ter lugar nos diferentes TO, com o acompanhamento das recém-chegadas por uma enfermeira já experiente em evacuações de combate. As primeiras a aterrar em África chegam a Luanda em 12 de Outubro de 1961 com a guerra em Angola já em desenvolvimento, e que logo de seguida se estendeu à Guiné e depois a Moçambique. Até ao fim da guerra do Ultramar, estiveram sempre presentes em todos os locais onde a guerra foi mais intensa e dura. Publicamente a sua presença é conhecida no acidente do Chitado em Angola em 16 de Novembro de 1961 na identificação dos cadáveres carbonizados encontrados, e posteriormente no apoio e acompanhamento para Lisboa dos familiares dos mortos. Depois, quando da invasão dos territórios portugueses da Índia em Dezembro de 1961, são de novo referenciadas em Karatchi onde estiveram cerca de dois meses no acolhimento aos evacuados daqueles territórios, nomeadamente mulheres e crianças, mas também militares que tinham estado prisioneiros nos vários campos de detenção e que foram para ali evacuados.


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Mas foi nas zonas sombrias do combate, muito longe do foco mediático, e até dos comunicados militares, que a sua acção foi permanente, muito importante, mesmo decisiva. Todos os ex-combatentes, da Marinha, do Exército e da Força Aérea, têm memórias das evacuações a que assistiram, esses momentos de horror, de dor e de sofrimento que tão intensamente vivemos; lembramos ainda hoje os olhares de tantos, quando as palavras já não saem, e só os olhos falam no esforço de tentar transmitir uma última mensagem; e também recordamos os apelos às Mães ausentes, mas que estão sempre presentes quando se pressente a morte próxima. Todas as guerras são o Mal absoluto, em que a morte, os corpos desmembrados, as terríveis mutilações, as feridas monstruosas, o sangue, o sofrimento, e o sacrifício estão sempre presentes. Foi com todos estes horrores, na circunstância os mais duros e dolorosos, que as 46 enfermeiras pára-quedistas portuguesas se confrontaram quase diariamente durante 13 anos. Viveram então muitas situações no limite do sofrimento humano, na enorme solidão desses momentos em que até Deus parecia estar ausente. Muitas famílias portuguesas, que a horas mortas da noite no aeroporto militar de Figo Maduro esperaram os seus entes queridos evacuados dos Hospitais Militares de Bissau, de Luanda e de Lourenço Marques, têm gratas recordações das enfermeiras pára-quedistas que os acompanhavam. Durante esses voos em aviões de transporte da FAP, e também da TAP, em viagens muito longas sobre África e o oceano Atlântico, foram elas que asseguraram a manutenção das funções vitais dos feridos, e controlaram o melhor possível a ansiedade de muitos, perante o momento terrível de, naquelas condições de diminuição física – quase sempre para o resto da vida – reencontrarem as suas famílias. Por tudo passaram com a maior discrição, sem um lamento ou desfalecimento, sem qualquer apoio psicológico exterior. Valeram-se apenas dos mecanismos de autodefesa que foram criando entre si, e individualmente, e ajudadas pelo convívio e apoio dos militares que com elas partilhavam as instalações que ocupavam. Os muitos riscos que correram tiveram consequências: uma faleceu tragicamente trucidada pelo hélice do avião para onde corria para fazer uma evacuação; outra foi atingida em voo por um tiro na cabeça de que felizmente recuperou; outra escapou milagrosamente a um disparo de um míssil Strella que passou nas imediações do avião que a transportava; várias

estiveram em aterragens forçadas dos meios aéreos que as transportavam em zonas fortemente controladas pelo adversário, no planalto dos Macondes (Moçambique) e na ilha do Como (Guiné). Tudo o que fizeram durante a guerra são magníficas lições de humanidade, de respeito por valores, de companheirismo, e de dádiva pelos outros. E não só pelos militares portugueses, mas também por combatentes feridos do PAIGC e da FRELIMO, de que por vezes também cuidaram com o mesmo desvelo, carinho e entrega. Até nas suas horas de descanso ainda arranjaram tempo e disposição para nos locais onde se encontravam apoiarem as populações locais em postos de socorro rudimentares, em aulas de educação sanitária, e ajudando nas Missões contra doenças tropicais. Nós os ex-combatentes fomos os principais beneficiados da acção das enfermeiras pára-quedistas, mas também as testemunhas presenciais dos seus actos, da sua coragem e valentia, e da sua dedicação pelos outros. Senhoras enfermeiras pára-quedistas! Envolvo nesta saudação todas as que hoje aqui se encontram, todas as que já partiram, as que estão doentes, e ainda as que por qualquer razão não puderam estar hoje aqui connosco. Permitam-me que muito sentidamente evoque também a enfermeira Maria Celeste Ferreira da Costa, que morreu por nós em Bissau em 1973, quando com a maior rapidez possível se preparava para embarcar para efectuar uma evacuação urgente de um ferido em combate. Nós nunca poderemos esquecer tudo o que fizeram por nós; o vosso magnífico desempenho profissional a que tantos devem a vida, ou a melhor recuperação possível de tantas mutilações. Como também nos lembraremos sempre da vossa qualidade humana sempre presente, dos pequenos gestos de ternura e afecto que nos prodigalizaram em tantas situações dramáticas, e que tão profundamente nos tocaram em momentos de enorme sofrimento e dor. É por isso, que seguramente interpretando o sentimento de todos, os que morreram na guerra, os nossos irmãos Deficientes das FA que tão galhardamente lutam todos os dias pela sua dignidade e pela melhoria possível das suas vidas, todos os ex-combatentes ainda vivos, todos aqui nos congratulamos e participamos com muita emoção nesta grande homenagem nacional, tão justa, e que tanto, tanto merecem. Disse!

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Louvor do Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas às Enfermeiras Pára-quedistas Louvor n.º 288/2015 Louvo as antigas Enfermeiras Pára-quedistas, que tendo servido na Guerra do Ultramar entre 1961 e 1974, desenvolveram obra marcante, fruto do espírito de patriotismo, de audácia, de inovação, e de devoção humana que sempre alardearam durante os anos de serviço na Força Aérea. Desde o início da guerra do Ultramar, trinta anos antes da inclusão do género feminino nas Forças Armadas Portuguesas, souberam responder ao chamamento da modernidade,

abraçando uma carreira de entrega e sacrifício físico e emocional em prol dos militares seus camaradas chamados a combater por Portugal. A decisão de incorporar mulheres nas Forças Armadas no princípio dos anos sessenta do século passado, ainda hoje causa alguma perplexidade, mas trabalhar no meio de homens, de igual para igual, na frente do combate, agitou a sociedade daquela época. As antigas Enfermeiras Pára-quedistas foram precursoras e souberam suportar o impacto de dar o salto que ninguém antes delas tinha dado. Para o Combatente Português, cada uma delas era o anjo que descia do céu para o confortar com uma palavra de irmã e de mãe, para lhe dar esperança que iria haver um amanhã, para lhe tirar as dores lancinantes que lhes percorriam o corpo. Ainda jovens, souberam sempre ser as mulheres maduras que um militar precisava ter a seu lado para lhe apontar o futuro; ainda tão jovens, expostas às agruras da urgência da guerra, sempre assumiram compromissos de dedicação e eficácia perante quem tudo esperava delas, antes que a vida se escoasse. Sempre souberam resistir à ansiedade de


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cada evacuação, ao contacto com o grito e com o sangue; e conseguiram não chorar para não tirar a esperança a quem olhava com medo para o futuro; as suas palavras calaram desânimos e as suas mãos foram o bálsamo para o momento aziago. No transporte de doentes e feridos da frente de combate para os hospitais de retaguarda foram exímias nas boas práticas de evacuação aero médica, inovando e melhorando procedimentos aprendidos nos cursos. Foram também as psicólogas tão necessárias no intervalo entre operações, confortando e inspirando os mais carentes nos instantes de medo ou de dúvida. Para além do teatro africano, tiveram também oportunidade de apoiar decisivamente acções de evacuação de civis e militares prisioneiros das tropas indianas e de civis refugiados de Timor -Leste. Com o seu sentido de dever, sempre cumprido, com o seu espírito de superação das dores alheias, as antigas Enfermeiras Pára-quedistas ainda são um exemplo de capacidade dos portugueses para realizar acções ao mais alto nível; são merecedoras de respeito e de gratidão e devem ser publicamente apresentadas como exemplo de que a dádiva aos outros e à comunidade é uma atitude superior, uma superação das naturais limitações humanas. Pelo exposto e pela importância de toda a obra desenvolvida pelas antigas Enfermeiras Pára-quedistas, que serviram as Forças Armadas e Portugal, na Força Aérea entre 1961 e 1974, é de inteira justiça considerar que são totalmente dignas deste público reconhecimento, que mereceu o apoio e acolhimento por unanimidade do Conselho de Chefes de Estado-Maior em sessão realizada a 15 de Maio de 2015. 4 de Junho de 2015. - O Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, Artur Pina Monteiro, General.

Palavras proferidas pelo Professor Doutor Nuno Manuel Soares de Oliveira da Rosa Garoupa (286/1980) Combatentes, Minhas Senhoras e meus Senhores, Amigas e Amigos, Bom dia, A organização do Encontro de Combatentes 2015 convidou-me por vos dirigir umas breves palavras. Sou antigo aluno do Colégio Militar; filho, sobrinho, neto e bisneto, quer do lado materno, quer do lado paterno, de militares

que serviram e combateram por Portugal em momentos diferentes da nossa História contemporânea; sei por isso que estou entre amigos. O que vos possa dizer, por muito profundo que seja, será sempre bem pouco quando comparado com os sacrifícios que todos aqueles que combateram tiveram de passar longe da sua casa, da sua terra e dos seus entes queridos. É pois para mim uma honra e um orgulho ter a oportunidade de vos falar neste 10 de Junho de 2015. É por demais evidente o respeito e a admiração que merecem todos aqueles que, sacrificando a sua família e a sua vida, quando não mesmo perdendo a sua vida, se entregaram a servir e a combater por Portugal. Não se trata de saudosismo sem sentido, nem abraçar ou abnegar esta ou aquela ideologia; não se trata de ajuizar quem defendeu ideias diferentes; não se trata de refazer a História para agradar a quem seja. Trata-se sim de, respeitando e admirando os nomes nestas lápides, projectar os exemplos para o nosso presente, para a minha geração e para as gerações vindouras. Combatentes, Portugal vive momentos complicados e está numa verdadeira encruzilhada complexa. Mas, acima de tudo, todos nós, portugueses, precisamos de uma esperança. Uma esperança que nos abra horizontes e nos permite servir o País nos novos combates que temos pela frente, combates sem dúvida de natureza diferente, combates que vão para além dos partidos, das ideologias, dos modelos, mas combates que temos que saber ganhar, combates a que não podemos virar as costas como os combatentes não viraram as costas quando foram chamados a servir a Pátria. A nossa História é a que é. Uma história feita por homens e mulheres, de carne e osso, e por isso mesmo imperfeita. Não é uma gesta heróica de feitos gloriosos e corajosos, de líderes sobredotados. Mas também não é uma vergonha que mereça o desprezo ou o esquecimento das novas gerações. A nossa História enquanto Nação é o produto das qualidades e dos defeitos dos nossos antepassados. Não nos compete julgar aqui e agora os nossos Avós mas sim aprender que não podemos viver o nosso presente e futuro sem compreender o passado. Teremos uma História imperfeita porque é necessariamente humana mas não podemos entregar-nos ao cinismo de pensar que chegámos onde chegámos sem o sacrifício de muitos.

Somos uma Nação multissecular, mas pequena e sempre com recursos limitados. Nem sempre fomos bem governados. As nossas elites falharam-nos muitas e muitas vezes. Mas o português anónimo lá esteve sempre para responder à chamada. E assim os novos Avós foram chamados à tomada de Ceuta, a 22 de Agosto de 1415, há precisamente 600 anos, data que marcou o início da expansão marítima e ultramarina portuguesa. Não sei se fechámos ou não fechámos esse ciclo há trinta anos, porque entre 1415 e 1975 tanta coisa aconteceu que certamente faz pouco sentido arrogar-nos o direito de pensar que somos melhores que os nossos antepassados. Mas sim sei que infelizmente 1415 foi esquecido nas muitas comemorações oficiais que se fazem em Portugal em 2015. E, no entanto, Ceuta deve fazer-nos pensar. Fomos a primeira potência global do mundo moderno, fizemos a primeira globalização do nosso planeta, ligámos muitos povos, exportámos a nossa língua e a nossa cultura. E hoje, no ano de 2015, temos a sensação que somos um país falhado que não sabe viver no mundo global. Se temos uma relação complicada, quando não esquizofrénica com o nosso passado, o nosso presente parece-nos simplesmente determinado ao fracasso. Combatentes, Portugal mudou, os valores da nossa sociedade mudaram. O Portugal soberano de 2015 é diferente. Não vale a pena alimentar e viver de mitos do passado. Cedemos soberania dentro da União Europeia e foram cedência democráticas e respaldadas pela grande maioria dos portugueses eleição após eleição. Cedemos soberania porque vivemos num mundo globalizado, onde as fronteiras mudaram de sentido e onde os projectos nacionais se transfiguraram. Como Nação, o nosso combate hoje tem que ser aproveitar o futuro em vez de lamentar o presente. Cultura, Língua, História são um importante património mas exigem a cada um de nós uma atitude de compromisso, e não uma mera retórica ou um alheamento das nossas obrigações como cidadão ou cidadã. Não basta queixar-nos que estamos hoje pior, não basta culpar as elites que nos governam, não basta lamentar a sorte que nos coube neste momento da nossa História. Temos um combate pelo nosso futuro e não podemos faltar à chamada. Temos hoje uma Lusofonia que nos pode dar esperança. É parte do nosso património, da nossa História, mas também do nosso futuro.


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A Lusofonia pode voltar a ser o nosso desafio, certamente muito distinto dos 600 anos que nos separam da tomada de Ceuta, mas não por isso longe das nossas raízes e dos nossos espaços de referência cultural. E temos o mar. O mar que queremos que vá para além do discurso politicamente correcto que se repete mas que tarda em acontecer, da conversa que entretém as elites mas não tem consequências práticas, o tal mar da epopeia portuguesa que alimenta discursos sem que se vislumbrem quaisquer políticas concretas que abram um novo ciclo de riqueza e prosperidade. Combatentes, Em 2015, temos que ser combatentes por um Portugal melhor e mais consequente, de palavras menos bonitas mas com mais concretização das políticas que nos são prometidas. Não nos podemos envergonhar da nossa História, mas temos que combater pelo nosso futuro comum com esperança. Os nomes destas lápides comprometem-nos a todos nessa missão. Cada um na sua vida, cada um da sua forma, mas não podemos desistir. Recordar sempre a lição de nunca virar as costas. No momento actual, como em todos os momentos, é preciso lutar por Portugal. Aceitar o presente, mudar o futuro, ser exigente com o nosso dever e cumprir a missão de cada português. Viva Portugal!

Palavras proferidas pelo Tenente-General Leonel de Carvalho, Presidente da Comissão Executiva Excelentíssimas Entidades civis, militares e religiosas Digníssimos Convidados Minhas Senhoras e meus Senhores Combatentes É especialmente para vós que dirijo estas palavras. Aos combatentes de Portugal, de todas as raças e credos, aos que aqui estão presentes e também aos ausentes, aos vivos, e de um modo muito sentido aos que no cumprimento da sua missão ficaram diminuídos na sua condição física ou mental, mas sobretudo lembro os que, como divinamente escreveu Camões, “por obras valerosas se vão da lei da morte libertando”. As minhas palavras não esquecem também os familiares e entes queridos que, enfrentando medos, angustias e sofrimentos, souberam constituir um suporte de retaguarda feito de

amor e de carinho, alicerçado na esperança de um bom regresso daqueles que a Nação tinha chamado a servir. Neste dia especial e dando seguimento à notável alocução que ouvimos há pouco, é também meu privilégio salientar e agradecer a presença das nossas generosas enfermeiras pára-quedistas, hoje tão justamente homenageadas pelos relevantes serviços e excepcional desempenho na Guerra do Ultramar, nunca esquecendo que estas corajosas mulheres, ultrapassando ancestrais preconceitos, anteciparam, em cerca de 30 anos, no nosso País, a abertura formal ao serviço militar feminino. Portugal não é de agora, como Estado-Nação tem perto de nove séculos de história. Nasceu pequeno em território e população, mas nunca se sentiu diminuído na sua dimensão e por isso, ao “dar novos mundos ao mundo” deixou laços perenes que, não obstante a globalização, persistem, e assim continuarão, através do legado da língua, da cultura e também dos laços de amizade entre toda a vasta comunidade lusófona. Devemos sentir orgulho do nosso passado histórico para melhor podermos enfrentar o difícil presente. Em nome de princípios, valores e ideais, encontraram os combatentes portugueses o adubo moral e a coragem para aceitar o perigo, o sacrifício e tantas vezes a incompreensão. Assim aconteceu ao longo de muitos séculos da Monarquia nas suas diversas dinastias, assim prosseguiu na 1ª e 2ª Repúblicas. Assim continuará através das gerações presentes e futuras se formos dignos do legado dos nossos antepassados. Estamos conscientes dos desafios que a moderna sociedade nos apresenta, numa trajectória em velocidade alucinante, impulsionada pela tecnologia e pelos apelos económico-financeiros de toda a ordem. Contudo, compreendendo e aceitando esta realidade marcadamente materialista e tantas vezes egoísta e interesseira, jamais devemos pôr em causa a primazia dos valores morais, estes sim, os verdadeiros suportes das nações humanizadas e livres. Combatentes, Na reforma, na reserva ou no activo, do quadro permanente ou do serviço militar obrigatório ou voluntário! Ao terem envergado os uniformes das nossas Forças Armadas, soubestes apreciar o valor da camaradagem, a responsabilidade do acto de servir e do cumprimento da missão, o sentido da lealdade e da obediência consciente,

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o encontrar da força de vontade que supera as fraquezas e do espírito de corpo que torna mais forte e coeso o colectivo, no propósito do bem comum. É nosso dever continuar a pugnar por tudo o que, em consciência, nos conduz à valorização e afirmação da Nação Portuguesa, não pactuando com demagogias nem com a depreciação de conceitos e princípios fundamentais. Vejamos o conceito de Pátria, que é muito mais que um sistema ou forma de Governo. É o território, o povo, a língua, a comunhão da lei, o património espiritual e moral, as tradições, o berço dos nossos filhos e túmulo dos antepassados, o modo peculiar de ser, como povo secular e autónomo. E foi por amor à Pátria e em consequência da defesa de tudo o que ela representa que, ao longo dos séculos, centenas de milhares de soldados portugueses, fizeram dela o seu lema, o seu destino ou o seu martírio. Diante de nós, estão gravados os nomes de muitos deles que, no cumprimento do seu dever, tombaram em sacrifício supremo. Perfilemo-nos em sua homenagem. Honra e Glória aos Combatentes! Viva Portugal!


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Tenacidade, o valor, a honradez e a grande noção de SERVIR João de Almeida

Tenacidade, o valor, a honradez e a grande noção de SERVIR

João de Almeida Este texto foi recolhido pelo Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950), do livro Dembos, Colecção Pelo Império, n.º 3, Ministério das Colónias, Lisboa, 1935, da autoria de Henrique Galvão, tendo-se mantido a ortografia original da época em que foi publicado. A fotografia que abaixo se reproduz foi obtida no Anuário da Academia Militar na parte intitulada «Galeria dos Patronos dos Cursos da Academia Militar».

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oão de Almeida regressou a Luanda, onde uns meses antes fôra chefe do Estado Maior, de regresso do Sul, em 11 de Fevereiro de 1907. Tinha,tomado parte na campanha de 1906 contra os cuamatos, como Chefe do Estado Maior da coluna Roçadas, tendo além disso realizado os notáveis reconhecimentos do Cuanhama e do Evale e organizado a linha de penetração para o Cuamato, atravessado Angola, de Benguela ao Moxico. Durante a sua ausência de Luanda, a intriga africana, ao tempo virulenta e cruel, tinha-lhe criado certa animadversão por parte do Governador Geral, Eduardo Costa, aliás um dos coloniais da escola de António Enes e Mousinho. Recebido friamente, no dia 12 foi-lhe comunicado que o Governador Geral, que nem sequer o felicitou pelo êxito dos seus trabalhos no Sul, lhe proporcionaria a ida para outra Colonia, onde pudesse tranquilamente terminar a comissão ordinária a que se tinha obrigado, tanto mais que o seu estado de saúde estava rudemente abalado pelos serviços que acabava de prestar. Repeliu João de Almeida energicamente a proposta, dizendo que tendo vindo para Angola, era em Angola que desejava terminar a sua comissão. Defendida assim a sua atitude, a alternativa foi-lhe exposta como uma sentença de morte: – Então... o reconhecimento dos Dembos! E João de Almeida, sem hesitar, escolheu: – Seja o reconhecimento dos Dembos! No dia 13 recebia informações confidenciais para o reconhecimento e no dia 18, uma semana após o seu regresso de Benguela, com

a saúde profundamente abalada, como se a expedição ao Cuamato, os reconhecimentos do Cuanhama e do Evale, os reconhecimentos da Huíla, de Benguela e de Mossâmedes fossem comissões de repouso, iniciava o reconhecimento dos Dembos, partindo para Quifandongo de manhã e indo pernoutar, nessa mesma noite, à fazenda Tentativa. Acompanhavam-no como auxiliares o tenente Melo Vieira, um soldado de cavalaria da Polícia, Manuel Morgado, sua ordenança, e oito soldados pretos. A semana que se demorara em Luanda tinha sido destinada a passar a limpo as cartas itinerárias e o relatório dos seus reconhecimentos no Sul, para não partir sem os deixar entregues ao Quartel General. No dia I9, reconheceu a barra do Dande e foi a Caxito, então sede do concelho, para angariar os carregadores de que necessitava e, nos três dias seguintes, com a mesma actividade trepidante que construíra o êxito dos reconhecimentos do Sul, reconheceu as terras de entre Bengo e Dande, a lagoa Morime, prolongando o reconhecimento a Este e a Sul até às divisões de Cacori, Cambuale e Icau e a Quilengues por alturas de Mubela e Cabiri. No dia vinte e três reconhecia a margem norte da Iagoa Morime e do rio Dande até Sote, onde foi detido pela enchente do rio que alagava os terrenos marginais e pela cobardia dos indígenas que se recusaram a acompanhá-lo mais para diante. Em Sote se refugiavam, a bom recato, muitos serviçais, foragidos e desertores – era zona, por assim dizer, impenetrável.


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Estavam em plena situação do calor, dos mosquitos e das chuvas – dessas chuvas africanas que caem em pesadas cataratas e transformam rápidamente uma pequena linha de água num rio enorme e caudaloso, essas chuvas torturantes, lamurientas, que dão àqueles que as sofrem a impressão de caminharem atravez duma paisagem submarina, essas chuvas, enfim, durante cuja quadra ainda hoje toda a gente evita viajar. Nos dias vinte e quatro e vinte e cinco choveu torrencialmente; João de Almeida teve que demorar-se em Sassa para se abastecer e angariar os carregadores de que necessitava para o troço da viagem até ao Encoje que só no dia 26 pôde iniciar. Transcrevemos do seu diário: «Dia 26-2-907 (3.ª feira). Partida da Tentativa às 6 horas da manhã. Rumo a E., passagem em Caxito, sede do concelho, às 8,10 e em Sassa às 8,50. É a última povoação com comerciantes estabelecidos. Rumo 20° a E. Terreno subindo em degraus alternados com platós durante uns 8 quilómetros com ligeiras ondulações até à pequena depressão onde corre o Lifune. Pequenas matas nos cimos das ondulações, mais compactas e frondosas nas depressões. Nos intervalos predominam os imbondeiros e os cáctos arbóreos. Terreno escuro sem rochas. Chegada à sanzala de Anapasso às 3,35 da tarde, acampando junto do rio Lifune, na margem esquerda. Marcha efectiva desde Sassa a 33 quilómetros, altitude de 250 metros: temperatura à sombra, à chegada, 38.º, ao anoitecer 35º, sobre a madrugada 24º. Tempo claro, céu com bastantes núvens. Começa aqui a região dos Dembos. Recebido hostilmente. O macota não nos deixou pernoitar na povoação nem consentiu que nos vendessem os géneros que esperávamos adquirir. Ao anoitecer veio ao nosso acampamento com um batuque infernal fazendo jús ao presente. Pedindo-lhe informações sobre o caminho e a região limitou-se a dizer-me que o caminho estava trilhado até Amaxixe, por onde teríamos que passar se quiséssemos ir ao Encoje e que mais não podia informar sem licença do Dembo. Anapasso – Povoação pobre, de umas vinte e tal palhotas, quarenta pessoas e o macota Mané Quité. As cubatas de duas águas, sem divisões interiores. Cultivam o milho, batata dôce e amendoim e criam galinhas, porcos e cães. Lifune – Bastante caudaloso, devido às chuvas torrenciais que têm caído; 20 a 25 metros

de largura, fundo de lodo e pedras, margens baixas e à mesma altura: cruza-se num vau de 15 metros com 1,5 de profundidade; terreno ondulado em ambas as margens. À nossa chegada estava acampada uma comitiva de uns 30 carregadores com café que se dirigiam a Sassa. O café é transportado em sacos fabricados com fôlha de palmeira (mateba), tecidos com as esteiras, contendo cada um entre 35 a 40 quilos. Entre os carregadores vêm algumas crianças que dois dos mais velhos estavam a ensinar a ler e a escrever. Quási todos trazem um tinteiro de vidro ou de chifre dependurado. Os rapazes vêm ajudar os pais e êstes aproveitam os descanços para os ensinar. Quási todos os carregadores sabem ler e escrever o português. Esta comitiva vinha da região de Quibaxe e prosseguia na marcha uma hora depois da nossa chegada, não tendo conseguido colher dêles quaisquer informações.» Nenhum dos pioneiros de África, nenhum dos seus exploradores mais afamados, sem esquecer os nomes de Capêlo e Ivens, Stanley, Serpa Pinto e Levingstone, realizaram, em condições tão difíceis reconhecimentos tão meticulosos e claros. Atrás dos percursos de João de Almeida era uma verdadeira luz que ficava a iluminar a passagem para vindoiros. Não havia pormenor nem acontecimento que não ficasse revelado, reconhecido e constituindo luminoso ponto de

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referência, de segura precisão, para quantos se lhe seguissem. A caminho do Encoje, que as informações de Luanda davam como terra submissa e de providências, fiel ao rei de Portugal e ricamente apetrechada de comerciantes e tropas, visitaram o Dembo Quinguengue na sua banza (sanzala do soba), no dia 4. Foram recebidos de tal forma que João de Almeida teve que desistir de reconhecer outro Dembo da mesma região, onde decerto não teriam a generosidade de o deixar seguir. No dia 6, as chuvas tinham provocado no rio Lua cheias torrenciais que não lhe permitiram avançar mais de oito quilómetros. Só no dia 9 pela tarde pôde atingir Quinzambo que pertencia já às terras do Encoje – essas terras que, segundo informação de Luanda, dispunham de todos os recursos de que João de Almeida precisava para prosseguir o reconhecimento. O seu estado de saúde ia profundamente abalado. As hemorragias intestinais de que começara a sofrer no reconhecimento do Lubango a Mossâmedes e que se tinham agravado no reconhecimento do distrito de Benguela, acrescidas ainda pelas fadigas e privações duma viagem arriscada em plena estação das chuvas, sem ter gozado sequer, em Luanda, um repouso para tratamento, enfraqueciam-no dia a dia. A viagem até às terras do Encoje tinha sido penosíssima. As chuvas copiosas e constantes, um terreno movimentado e crespo de florestas, em que o caminho, muitas vezes, tinha que abrir-se à catana, a alimentação deficientíssima, os perigos constantes duma região pouco segura, tudo isso fêz daquela viagem, que constituía o prefácio do reconhecimento dos Dembos, uma atribulação amarga. O gentio não os atacava nem os perseguia, mas também não lhes prestava qualquer auxílio. Por tôda a parte eram mal recebidos e nunca conseguiram adquirir os mais insignificantes géneros de alimentação. A própria fuba para os carregadores não a puderam obter, tendo de alimentá-los com as suas próprias rações, já de si insuficientes e amargas. As mulas que levavam só lhes aumentavam dificuldades. Escorregando nas argilas patinantes, obrigando-os a contornos muito longos nas passagens dos cursos de água, quási conduzidas ao colo nos declives mais ásperos, acabaram por constituir um dos mais graves embaraços do reconhecimento. Quando chegaram a Quinzambo tudo mudou e parecia realmente que iam confirmar-


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Esboço da Região dos Dembos da autoria de João d’Almeida

-se tôdas as informações colhidas em Luanda sôbre as terras do Encoje. Ao contrário dos povos que tinham atravessado, que não acatavam a autoridade Portuguesa, os da região do Encoje, logo a partir da fronteira marcada pelo Quinzambo, não só acatavam as nossas autoridades, como manifestavam certo orgulho em declarar-se gente do manueneputo (rei de Portugal). Transcrevemos do diário de João de Almeida a parte referente à saída do Quinzambo até ao Encoje, que tem um interêsse muito especial: «Dia 10-3-907 Partida do Quinzambo às 8,10. Temperatura 38”; rumo 80°. Marcha ao longo da ribeira em terreno ondulado e com declives ásperos. Aumenta o porte da vegetação. Às 8,20 rumo a 20°; altitude de 680 metros. Às 8,30 rumo de 80°; as 8,45 rumo de 100°; às 9,0 rumo de 135°; as 9,22 rumo 195°; altitude de 800 metros. (...) Às 10 horas rumo de 60; altitude de 770 metros. Marchamos ao longo de uma divisória de águas. Terreno completamente coberto de arvoredo. Para leste, a uns três quilómetros, a serra Buto. Eleva-se muito acima das linhas de cabeços arredondados que vamos cruzando. (...) Às 11,20 chegada a Mané Dando; altitude 630 metros; temperatura 39°; distância percorrida desde Quinzambo, 13 quilómetros. Marcha muito fatigante por causa da abertura do caminho para as muares. Os soldados e os carregadores, de catana na mão, cortavam as árvores e as trepadeiras, terreno argiloso; grandes lameiros, nas linhas de água onde

as mulas e os carregadores se atolam. Para os peões há sempre troncos sôbre os quais se passa. (...) Cumprimentos dos macotas e principais moradores que já nos aguardavam. Mostram-se satisfeitos e retribuem os nossos presentes com fuba para os carregadores e café que não podemos levar. Há duas casas para pousada de soldados e funcionários em trânsito. Visitei a casa do Mané Dando, de duas águas e vários compartimentos, grande, limpa e confortável. Como nas sanzalas anteriores, as casas da habitação têm portas e janelas com divisões interiores e quási sempre barreadas for dentro e por fora. Usam também camas de madeira, algumas com duas cabeceiras, com enxergas ou esteiras e travesseiro; armário com gavetas, cadeiras e bancos de madeira, cestos com asa, de verga ou de mateba, redes para transporte de cargas, etc. Utilizam púcaros, bilhas e panelas de barro, bem como escudelas e outros vasos de madeira. O vestuário e os adornos das mulheres são como nas povoações anteriores. Seguram o cabelo com uma fita que passa pela testa e vai atar atrás. Braceletes de cobre e ferro. Há ainda bastantes casos de doença do sono, mas que parecem diminuir, segundo informa o Mané Dando, que fala e escreve português. De facto nós fomos hoje menos perseguidos pelos enxames de moscas que, caso curioso e que não sei explicar, nos largam e ficam para traz, ao cruzarmos qualquer curso de água. Retomámos a marcha à 1,10 com rumo a 36°. (...)

Às 4 horas chegada ao Encoje; altitude de 650 metros; temperatura de 37°; distância percorrida desde o Mané Dande 9 quilómetros. O caminho corre quási sempre numa planície sulcada de linhas de água de leitos pouco profundos e fracas correntes, aos torcécolos por entre enormes montes de rochas e fragas de calcáreo. (...) Às 3 horas começou a chover torrencialmente, ficando os campos cobertos de água. Trovões e relâmpagos de luz tão viva e crua que nos cegavam, obrigando-nos a parar atordoados. O caminho que nos conduzia à fortaleza estava tapado por falta de trânsito e na mata contígua enormes árvores derrubadas à nossa vista pelos raios tolhiam-nos o passo. Foi necessário abrir caminho com as catanas para as muares poderem passar. Quando chegámos à fortaleza a porta estava fechada. Batemos à porta e ninguém a abria. Foi preciso, com uma vara, tocar a sineta que estava pendurada por cima da verga. Lá dentro, no barracão de capim que lhes serve de caserna, estavam os soldados da guarda sentados ao lume, que se mostraram muito surpreendidos com a nossa aparição. Passada a chuva, subimos ao parapeito da fortaleza e, com funda emoção, verificámos que o grande centro comercial e agrícola do Encoje estava reduzido aos arruinados muros da fortaleza. (...) É tudo quanto resta da pujante e gloriosa Encoje! Da guarnição de quinze móveis que deviam estar na fortaleza, estavam apenas três soldados. O Chefe do concelho, o tenente de 2.ª linha Vandumen, um preto, mora a três horas da fortaleza. Mandei-o chamar por um soldado. Há muito que aqui não há estabelecimentos comerciais, nem de brancos nem de pretos. E quanto a alimentação, tivemos ainda que cear a comida dos carregadores: fuba com azeite dém-dém.» O Encoje era como dissemos o limite máximo dos reconhecimentos anteriores, o ponto para além do qual não tinham conseguido avançar homens como Tamegão e Gomes Costa. Além disso, as informações de Luanda, que se confirmavam quanto à submissão dos povos do Encoje, falhavam por completo no que dizia respeito a recursos e possibilidade de abastecimento. Da nossa influência e soberania na região restavam as ruínas que o diário enumerava... e três soldados de segunda linha acocorados em volta duma fogueira.


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Para além viviam povos hóstis, senhores duma civilização adiantada, militarmente organizados, entre os quais não era de prever nem bom acolhimento nem sequer a possibilidade de encontrar a aIimentação. Tôdas as tentativas que João de Almeida fêz para obter géneros e carregadores foram baldadas. Não era uma cobardia voltar para traz, visto que para a frente se desenhava manifestamente a impossibilidade de avançar. Além disso, a doença continuava a fazer estragos profundos e a encaminhá-lo, pela perda diária de sangue que dela resuItava, para uma anemia cujos primeiros sintomas começavam a manifestar-se. A alimentação de acaso, escassa e anti-higiénica, agravam-na dia a dia. (...) Foram três dias amargos, esses que João de Almeida passou no Encoje, numa caserna de pretos, como um condenado à pena última. É preciso procurar em razões profundas de ordem religiosa e de são patriotismo o alimento duma energia que ainda se mantinha e não queria admitir a possibilidade dum regresso a Luanda. Esgotados todos os meios para encontrar géneros e carregadores, informado de que a uns dez quilómetros para além já estava interdita a passagem aos brancos ou pretos do Govêrno, João de Almeida, não querendo sacrificar os seus companheiros numa aventura cujo desenlace não permitia optimismos, mandou voltar para trás o tenente Melo Vieira e os carregadores, abandonou toda a impedimenta e resolveu continuar o reconhecimento, levando consigo apenas essa figura humilde de herói plebeu, fiel, dedicado e enorme, que se chamou Manuel Morgado – a sua ordenança, o seu antigo companheiro nos reconhecimentos do Evale e do Cuanhama.

O Manuel Morgado já morreu e ninguém sabe até que ponto contribuiram para a sua morte os duros trabalhos em que acompanhou João de Almeida. Nunca esperou um lugar na História nem nunca o impeliu um sonho de glória ou uma miragem de riqueza. O Manuel Morgado, soldadito bisonho a quem João de Almeida um dia protegeu, engrandecendo-se sem dar por isso, e o seu heroísmo sem teatro, sem galeria, sem reflexão era um produto genuíno e puro de dedicação e da lealdade plebeia que tantas vezes se encontram entre os humildes de Portugal. Que o seu nome, que a História não recolherá, fique ao menos nas páginas modestas dêstes folhetos. João de Almeida saiu do Encoje no dia 14 com o Manuel Morgado e seis pretos de segunda linha. Não tinha guia nem mantimentos. Para se orientar contava com as suas qualidades e para se alimentar – que fôsse o que Deus quisesse! Tomou o rumo a leste e acometeu decididamente as terras desconhecidas; a escudela e a navalha à cinta; a bússola pendurada o pescoço, o podómetro na algibeira, os termómetros e o altímetro a tiracolo. As chuvas continuavam a cair copiosamente. A marcha fazia-se naquele terreno crespo dos Dembos, crivado de matas exuberantes, emaranhadas, impenetráveis, ora em negros desfiladeiros de enormes ravinas, ora trepando aos braços agrestes e movimentados, sob temperaturas máximas que atingiam os 48º. O que foi essa travessia de audácia, de coragem, de resistência física efectuada por um homem atacado de hemorragias intestinais, num país fendido por numerosas linhas de água e coberto por espessas florestas, tendo que passar sem ser pressentido pelo gentio, tendo de alimentar-se do que encontrava, e que muitas vezes – o milho e a mandioca – tinham de ser

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pilhados nas lavras dos indígenas, nem aqueles que hoje viajam por entre as serranias dos Dembos podem fazer uma ligeira ideia. Seguindo sempre para leste, João de Almeida foi pernoitar no dia 15 ao Ambuila, um lugar histórico da nossa ocupação anterior, onde se dera a grande batalha entre as tropas portuguesas e o exército do gentio que encerrou, nesse tempo, o nosso domínio nos Dembos. O Ambuila era considerado o limite das terras do Encoje. Aqui, com grande dificuldade, conseguiu um intérprete – o Prado Luiz – que até certo ponto podia desempenhar as funções de guia. No dia 16 entrou em região abertamente hostil, onde já era obrigado a contornar as povoações que o Prado Luiz ia nomeando para não ser descoberto. No dia 22, como os perigos se fossem avolumando e só muito trabalhosamente os tivessem evitado, pois não se podiam afastar das povoações tanto como desejariam, porque, além da população ser muito densa era nas suas lavras que tinham de procurar alimento, quando não encontravam frutos de mato, o Prado Luiz, receando cair nalguma cilada, na qual teria a mesma sorte que os brancos, fugiu. Outra vez só com o Manuel Morgado, João de Almeida continuou a marcha na direcção leste, vindo alcançar, completamente exausto, Quiconda no dia 28. Quiconda pertencia já às terras do Duque de Bragança e ai vivia um comerciante chamado Carvalho que tinha um pequeno estabelecimento de negócio com os indígenas. (...) Em Quiconda conseguiram reabastecer-se e tomar quatro carregadores para lhes transportarem a alimentação, graças à intervenção do Carvalho. Parecia assim que as coisas tenderiam a melhorar, reduzidas como ficavam, na parte referente a mantimentos, as dificuldades da viagem. Não devia durar muito tempo o optimismo. Marchando logo no dia seguinte de madrugada para Sudoeste, depois de passarem o Zenza, em Bazalote, foram pernoitar em Ganavunda. Quando acordaram, os carregadores tinham fugido com todas as cargas! Estavam outra vez sós, sem guia nem mantimentos! Porque tem um sabor muito especial e encerra um episódio de notável curiosidade, que é ao mesmo tempo uma nota vibrante do valor da influência que já tínhamos exercido na região, e ainda como demonstração da meticulosidade com que João de Almeida fêz o seu reconhecimento através de tôdas as inclemências, trans-


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Tenacidade, o valor, a honradez e a grande noção de SERVIR João de Almeida

crevemos novamente uma parte do seu diário: «Dia 30 – Partida da Ganavunda às 9 horas (...) À 1 e 45 chegámos ao cercado da banza do Caculo Cacabaça, onde fomos surpreendidos e obrigados a parar por ordem do Dembo. Nós que temos atravessado por tôdas as povoações sem parar, receosos de encontros com os habitantes e alarmadas pela fuga dos carregadores que tínhamos trazido de Quiconda, sentimo-nos apanhados ante a intimação nítida e retumbante: «Façam alto! Não podem entrar sem ordem do Dembo!» feita em claro português por dois pretos armados de caçadeiras, quando íamos a atravessar uma pequena cêrca que continha os gados da banza, cujas casas se adivinham a uns 300 metros por entre frondosas árvores. Esperámos, guardados à vista, pelos pretos durante duas longas horas em que receámos pelas nossas vidas, pois ouvíamos o rufar do tambor, repetindo-se por tôdas as sanzalas, a convocar as populações. Passado esse tempo ouvimos muito barulho e saiu da banza uma filarmónica infernal, com instrumentos do cobre e tambores, que nos veio receber festivamente. A demora tinha sido causada pelos preparativos da recepção. O Dembo e os macotas que nos esperavam à entrada do pátio do seu palácio sentem-se orgulhosos por não serem como os outros, dizendo-se amigos do Governo. (...) Disse o Dembo que sabia que nos tinham tratado mal, mas que ali era outra coisa. Fomos conduzidos triunfalmente para a banza de tribuna com quatro cadeiras forradas com um cobertor. O Dembo sentou-se no meio, eu à direita e o Manuel Morgado, a minha ordenança, à esquerda. Ao meu lado direito ficou um velho que eu de princípio não soube quem era. Uma vez instalado travou-se entre mim e o Dembo o seguinte diálogo: – Então como está o rei de Portugal? – O rei está bom. – Tu és parente próximo ou muito afastado do rei? Como os Dembos são chefes delegados do rei do Congo e escolhidos entre os parentes dêste, entendia o meu interlocutor que eu, como português de qualidade, devia ser também parente do rei de Portugal. A nossa conversa continuou nêste tom enquanto diante de nós se faziam dansas em nossa honra. Em certa altura, o velho que ficava a meu lado disse-me: – Eu sou reformado! Julgando que se tratasse dum oficial reformado de 2.ª linha comecei a fazer-lhe perguntas

nesse sentido, mas êle interrompeu: – Sou Dembo reformado. Sou irmão dêsse. Eu sou mais velho, mas como já estava aborrecido, reformei-me e dei-lhe o Govêrno. Disse-lhes que, por causa da fuga dos carregadores, não tinha nada comigo, mas que logo que chegasse ao primeiro estabelecimento de branco e me pudesse abastecer lhe enviaria o que quisessem. Deram-me uma casa ampla e limpa que era uma dependência do palácio. À noite, quando começava a dormir, entrou o Dembo reformado, trazendo debaixo do braço um livro, e perguntou-me de chofre: – Ouve lá! Quais são os factos mais notáveis do reinado de D. João II? Muito admirado citei-lhe dois ou três dos factos perguntados. Mas como não adiantasse mais ele abriu o livro, que era um velho compêndio de História de Portugal para uso das escolas primárias, observando: – Falta êste e êste e êste! – enumerando os factos que eu tinha omitido. Voltou a insistir pelos presentes. Pedi-lhes carregadores, mas disse que não mos dava por causa dos perigos que eu ia encontrar para diante, acrescentando, em tom de censura, que essa gente não era como êle. No dia seguinte, de madrugada, perguntei se podia ser recebido pelo Dembo para me despedir dêle, mas disseram-me que ainda estava recolhido. Só consegui sair às 10,30. Antes de sair fui ainda procurado pelo Dembo reforma-

do, que me perguntou: – Sabes que dia é hoje? À minha resposta «é Domingo!» acrescentou êle: – É Domingo de Páscoa! Perguntei-lhe o que queria como presentes e pediu-me que lhe mandasse papel, tinta, penas e aparos, 5 quilos de açúcar e um garrafão de aguardente. No momento da minha despedida trouxeram-me como presente um saco de café e uma perna enorme de boi. Embaraçado, sem poder transportar pesos e volumes tão grandes e não querendo melindrar o Dembo, disse que o saco de café ficava para ser levado pelo emissário que eu mandasse com o meu presente. Quanto à perna de boi não tive remédio senão atravessar-lhe um pau e trazê-la com o Morgado até fora das vistas da Banza onde a abandonei depois de nela ter cortado o que podíamos transportar.» Êste episódio tem um sabor, um pitoresco, uma originalidade e um significado tam profundo e tam agradável para os nossos brios que não podia deixar de ser posto em relêvo. Retomando a marcha, passaram em 3 de Abril, Duala, fronteira ao rio Zenza, sempre com as mesmas precauções para não serem surpreendidos pelo gentio e perseguidos pelas mesmas inclemências. Para se fazer uma idéia das condições em que a marcha de João de Almeida se fazia – condições de segurança, de subsistência e até de tranquilidade moral – citaremos um, entre


Tenacidade, o valor, a honradez e a grande noção de SERVIR João de Almeida

os episódios mais marcantes de que o seu reconhecimento está cheio. Chegando certa manhã à vista duma povoação que, como em geral tôdas as povoações dos Dembos, ocupava, entre altas palissadas, o cimo dum cabeço, resolveram evitá-la contornando o morro e cobrindo-se das vistas dos indígenas através da floresta imponente. Como desembocassem, inesperadamente numa clareira coberta de lavras, que lhes oferecia o almôço de acaso que procuravam – espigas de milho, amendoim, etc. – aproveitaram o ensejo para se abastecer rapidamente. Mas quis a má sorte que o barulho das canas despertasse a atenção dumas pretas que, encobertas pelas hastes do milho, andavam na apanha do amendoim. Lançadas em grande berraria, rapidamente atraíram todos os homens da sanzala que num cêrco fácil e fulminante aprisionaram João de Almeida e o Manuel Morgado. Enquanto ambos eram encerrados numa cubata, foram alguns pretos chamar apressadamente o Dembo que andava à caça. Êste, mal chegou, foi espreitar os brancos pela porta da cubata e, sem dizer uma palavra, mandou-os fechar outra vez. Pediram os guardas e captores de João de Almeida para que este e o companheiro fôssem imediatamente julgados, mas o Dembo, com o seu espírito cafreal de justiça, recusou alegando que só podia fazer o julgamento em conselho de macotas que, imediatamente, mandou convocar. Foi esta demora de algumas horas que salvou as vidas de João de Almeida e do Manuel Morgado. Os pretos, na precipitação e enervamento da captura, não os tinham despojados das armas e haveres, de modo que João de Almeida, pôde cortar com a navalha as ligações de capim que formavam a parede da cubata e verificar que a trazeira desta não ficava mais de um metro da palissada. Alargando cuidadosamente a fenda conseguiram passar para o exterior e saltar imediatamente a palissada. O ruído da queda dos corpos despertou a atenção dos guardas que deram o alarme. Mas, enquanto alguns pretos procuravam a porta da palissada para os perseguir já os dois brancos galgavam pelas terras fora, ganhando avanço aos perseguidores. Seguidos sempre pela alcateia dos pretos, tomaram a direcção do rio Lombige, que João de Almeida já tinha enxergado a uns seis quilómetros de distância. A perseguição é tenaz, ameaçadora e barulhenta. Os negros disparam as suas armas e

gritam – fazem uma verdadeira caçada em que os brancos se vão escapulindo como bambis. Chegados ao rio, os crocodilos que ripançavam nas margens saltaram espavoridamente para a água onde se sentiam fortes. Para poderem passar não havia ponte, nem barcos, nem um dongo sequer. E para se lançarem a nado encontrariam não só a gula dos jacarés como também um percurso caudaloso de mais de cem metros de largura e impetuosa corrente. Metidos, por assim dizer, entre a espada e a parede, fizeram frente aos perseguidores com tiros de espingarda. Mas a hoste ia engrossando e dentro em pouco a manga dos pretos formava uma meia lua com as pontas apoiadas nas margens do Lombige; ou se atiravam à água para ficarem na boca dos jacarés ou apenas lhes restava o fim trágico que tivera o Conde de Almoster, na Jamba, quando regressava do Humbe. O Manuel Morgado, que se lembrava dos seus tempos de contrabandista, em que atravessava o Coa debaixo da fuzilaria do fisco, não hesitou: – Oh! meu chefe, estamos salvos! E lançou-se denodadamente à água, com a carabina a tiracolo. João de Almeida, sem proferir palavra, seguiu-lhe o exemplo. Os pretos saraivavam de zagalotes os dois fugitivos, mas as suas balas em lugar de os matar salvavam-nos. Eram elas que espantavam os jacarés e permitiam aos brancos aproximarem-se lentamente da margem oposta. Vencida a corrente do rio, alcançaram por fim o caniço da margem. Estavam salvos. Reatando o relato do reconhecimento, depois da passagem de Duala: Repassaram para a margem esquerda do Zenza, a caminho do Golungo Alto, vindo a pernoitar numa fazenda de cana sacarina que ficava junto da margem esquerda. Foram, naturalmente, muito bem recebidos, mas o estado de saúde de João de Almeida tinha-se agravado de tal forma, com as hemorragias, cada vez mais abundantes por causa da fadiga e da alimentação, que o seu estado de anemia era profundo. Acometido por vertigens e quási cego, teve que seguir no dia 5 para Golungo Alto e baixar à enfermaria, onde foi tratado pelo Dr. Manso Preto que diagnosticou a terrível anquilostomiase. Conseguiu ainda na Fazenda reconstituir parte dos seus apontamentos mas teve que desistir porque o seu estado de fraqueza era tão grande que nem ler podia. Do Golungo Alto telegrafou João de Almeida

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para Luanda, em resposta a uma pergunta do Quartel General que há muito tempo não sabia do seu paradeiro e acreditava já na possibilidade dum massacre. No dia 13, como se julgasse curado, prosseguiu na marcha. (...) E assim fazia João de Almeida, logo no dia imediato, penetrações em vários sentidos. Não podendo seguir pela margem direita do Zenza, por estar completamente fechada, voltou ao pôrto de Anga e foi pernoitar a Quinguengue, donde em 27 prosseguiu no reconhecimento ao longo do vale do Bengo. Quando chegou ao Golungo encontrou um telegrama de Eduardo Costa mandando-o regressar a Luanda. O Governador Geral, dois dias antes da sua morte, arrependia-se da injustiça e violência com que tratara João de Almeida e mandava-o reassumir as suas funções de Sub-Chefe e Chefe do Estado Maior. Mas então já se sabia o que eram uma grande parte dessas terras misteriosas dos Dembos e já estava esclarecida mais uma das regiões negras da Colónia – exactamente aquela cujo mistério, por estar às portas de Luanda, era mais vergonhoso para nós. João de Almeida estava cadavérico, exausto. Só a sua resistência espantosa e essa fôrça de ânimo que pode e deve ser mostrada à gente nova como padrão maravilhoso de virtudes militares, o tinham aguentado até ali, depois dum itinerário duríssimo de mais de 1300 quilómetros (...).


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O 4 de Cavalaria Regimento do Imperador da Allemanha Guilherme II

Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957

O 4 de Cavalaria

Regimento do Imperador da Allemanha Guilherme II N

a fase de preparação do artigo «Os Gloriosos Malucos das Máquinas Voadoras», que foi publicado no último número desta revista, fui ao Arquivo Histórico da Marinha, recolher dados relativos ao 1º Tenente Eduardo Francisco Azeredo de Vasconcelos (191/1899), que morreu em 1918, em patrulha aérea ao largo do cabo da Roca, na tentativa de neutralizar um submarino alemão. Entregaram-me, para consulta, um enorme livro, com uma magnífica encadernação em cabedal, do início do século XX, com as folhas de serviços, ou folhas de assentos, de uma série de oficiais da Armada daquela época. Acho que chamam aqueles livros os «livros mestres». Ao retirar os dados relativos ao nosso herói, fiquei surpreendido com a indicação, que ele tinha dado ingresso no Corpo de Cadetes da Armada, em 1907, vindo do «Regimento nº 4 de Cavallaria do Imperador da Allemanha», onde era 1º sargento graduado cadete, com o nº 29/4318 do 2º esquadrão. Ocorreram-me de imediato as questões: «O que andaria ele a fazer pela Alemanha? Como passou do Exército alemão para a Marinha portuguesa?». Pensando um pouco sobre o assunto, achei que as minhas interrogações eram absurdas e que devia haver uma diferente explicação para o que constava daquela folha de serviços. Como na vida há coincidências extraordinárias, recordei-me que o meu falecido pai, na segunda metade da década de 60, foi comandante do Regimento de Cavalaria 4, facto de que se orgu-

lhava e que considerava um marco importante na sua carreira militar, tendo-me então dito, que esse seu regimento era também conhecido por Regimento de Mecklenbourg, por ter tido no seu início, como comandante honorário, um oficial alemão que ostentava o título de Duque

de Mecklenbourg. Daí a ser este regimento o Regimento do Imperador da Alemanha, havia porém muito a esclarecer. No entanto esta pista pareceu-me promissora, pelo que resolvi tirar a questão a limpo, com alguém que tivesse servido neste Regimento. A fonte de informação mais próxima que encontrei foi naturalmente um Antigo Aluno

cavaleiro, neste caso o José de Ataíde Banazol (631/1968), Coronel de Cavalaria, ele próprio oficial do Regimento de Cavalaria 4 durante muitos anos. Quando lhe pus a questão, a resposta foi imediata, confirmando-me que aquele Regimento foi também designado por Regimento do Imperador da Alemanha, tendo-me mostrado um pequeno livro com a história do Regimento, intitulado «Regimento de Cavalaria 4 - 240 anos ao Serviço do Exército e da Nação», em que aquele facto é devidamente comprovado, inclusive por meio de uma fotografia de uma bandeira do Regimento, do final do século XIX, onde se pode ver aquela designação. Desvendado o mistério e tendo concluído que o nosso herói aviador naval não tinha vindo da Alemanha para Portugal, tendo-se apenas deslocado da Calçada da Ajuda, onde na altura o Regimento estava sediado, até à Rua do Arsenal, para envergar uma nova farda, resolvi, com a ajuda do livro acima referido, perceber a origem daquela designação do Regimento. No que se segue apresento uma breve resenha da história do Regimento, que é verdadeiramente singular, transcrevendo para tal, sempre que oportuno, algumas passagens do livro que está na base deste escrito. Como verão, a história deste Regimento está relacionada de perto com a história do Colégio e dos seus Antigos Alunos, não se limitando tal relação ao facto de o nosso heróico aviador naval ter prestado serviço naquele Regimento.


O 4 de Cavalaria Regimento do Imperador da Allemanha Guilherme II

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ORIGENS DO REGIMENTO

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m 1762, quando em Portugal reinava D. José I e governava como 1º Ministro o Marquês de Pombal, tudo se preparava para, ao lado da Inglaterra, se iniciar contra a Espanha e a França, a Guerra dos Sete Anos. Por decreto de 26 de Junho desse ano foi criado um novo Regimento de Cavalaria, sob o comando do Coronel Henrique Garcez Palha de Almeida, que passados poucos meses transmitiu o comando ao Coronel João de Sampaio Melo e Castro. Nesse mesmo ano chegam a Portugal, contratados pelo Marquês de Pombal, o Conde de Lippe e o Duque de Mecklenbourg-Strelitz, com o objectivo de reorganizarem o nosso Exército. O Duque era um príncipe alemão, que nessa época era Marechal de Campo dos Exércitos Britânicos e cunhado do Rei Jorge III da Grã-Bretanha. O Conde de Lippe foi nomeado Marechal General do Exército Português, sendo o Duque nomeado, por Decreto de 5 de Julho de 1762, Tenente General do Exército Português e Coronel General do recém-criado Regimento de Cavalaria anteriormente mencionado, aquartelado naquela data na Feitoria de S. Julião da Barra, onde quarenta anos mais tarde iria «nascer» o Colégio Militar. O Decreto de nomeação do Duque, que está depositado na Biblioteca Nacional, é do seguinte teor:

«Tendo Consideração às ilustres qualidades, e merecimentos, que concorrem na Pessoa do Príncipe Carlos Luis Fiderico, Duque de Mecklenbourg-Strelitz, Principe de Vandalia, Schwerin, e Ratzebourg, Conde de Schwerin, Senhor de Rostock e Stargard, e Marechal de Campo dos Exércitos Britânicos: Attendendo á amigável e obrigante condecendencia com que El Rey da Grão Bretanha, Meo Bom Irmão, Primo e aliado, lhe permitio que pasase a Seguir no Meo Exército a sua louvável vocação militar: E confiando de quem Elle he, que em tudo o que de for encarregado obrará acções dignas da Sua Pessoa, e dos Principes de quem descende: Hey por bem nomeallo Thenente General dos Meos Exércitos, e (sem exemplo) Coronel General do Regimento de Cavallaria que lhe tenho destinado, o qual em atenção, e memória sua, Ordeno que seja, e fique Sempre denominado Regimento de Mecklenbourg. O Conselho de Guerra o tenha assim entendido, e lhe faça logo expedir os Despachos necessários nesta Conformidade. Palacio de Nossa Senhora da Ajuda a 5 de Julho, com a Rubrica de Sua Majestade.» Em 1762 os Regimentos de Cavalaria de Alcântara e do Caes constituíam os Regimentos de

Guilherme II, Rainha D. Amélia e D. Carlos I

Cavalaria da Corte. No ano seguinte, em 1763, esta designação estendeu-se ao Regimento de Mecklenbourg. No inicio do século XIX, por decreto de 19 de Maio de 1806, dá-se uma reorganização do Exército, em que foram abolidas as designações anteriores dos Regimentos e com elas os privilégios que provinham da antiguidade ou grau de nobreza dos seus comandantes. Os doze Regimentos de Cavalaria então existentes são numerados, cabendo ao Regimento de Mecklenboug o nº 4. Nasce assim o 4 de Cavalaria.

AS INVASÕES FRANCESAS E A GUERRA PENINSULAR

E

m 1807 dá-se a primeira invasão francesa chefiada pelo General Junot, que ordena a constituição de 3 regimentos de Cavalaria a partir dos Regimentos existentes no País. Por decreto de 18 de Maio de 1808, o Regimento de Cavalaria nº 4 cedeu um conjunto de homens e cavalos para a formação do 1º Regimento de Cavalaria da Legião Portuguesa então criada, que se destinava a integrar os exércitos napoleónicos, que combatiam por toda a Europa. Este Regimento serviu Napoleão durante seis longos anos, combatendo nas batalhas da Baviera (1809), Wagram, Tirol, na Campanha da Rússia, Bantzen e na batalha das Nações (Leipzig-1813). Os sobreviventes destas campanhas só regressam a Portugal na Primavera de 1814. Na segunda invasão francesa, chefiada pelo general Soult, que se circunscreveu ao Norte do País, não houve acção do 4 de Cavalaria. Na terceira invasão francesa, chefiada pelo general Massena (o filho dilecto da Vitória), e na subsequente perseguição às tropas francesas através da Espanha e da própria França, o 4 de

Cavalaria é chamado à acção e cobre-se de glória em diversas batalhas e acções de combate. Em Setembro de 1810, na batalha do Buçaco, o 4 de Cavalaria integrava a Divisão de Cavalaria comandada pelo Major-General inglês Henry Fane, que fazia parte das tropas anglo-lusas comandadas pelo General William Beresford. No final da batalha, Beresford exprimiu a sua satisfação relativamente ao desempenho das tropas portuguesas, através de um louvor, que terminava desta forma eloquente: «…uma conducta nas tropas portuguezas, de fazerem honra às tropas mais aguerridas, e não faltará dar a saber a Sua Alteza Real o merecimento distincto das suas tropas, e em particular o dos corpos e indivíduos que mais se assignalaram, e não tem que limitar-se senão a respeito daqueles que tiveram a fortuna de combater com o inimigo: todos esses cumpriram como deviam, e o inimigo o pode melhor dizer pelo que experimentou». Das últimas palavras deste louvor retirou o 4 de Cavalaria a legenda que para si tomou: «PERGUNTAI AO INIMIGO QUEM SOMOS»


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O 4 de Cavalaria Regimento do Imperador da Allemanha Guilherme II

Na sequência da derrota das tropas francesas no Buçaco, seguem-se mais três anos de campanha, com as tropas anglo-lusas na sua permanente perseguição, nomeadamente nos combates de Pombal e Redinha (Março de 1811), batalha de Fuentes de Oñoro (Maio de 1911), batalha de Albuera (Maio de 1911), combate de Mérida (Dezembro de 1911), combate de Almendralejo (Janeiro de 1912), combate de Fuentes del Maestro (Janeiro de 1912), batalha de Ara-

piles (Novembro de 1912), batalha dos Pirinéus (Junho de 1813), batalha de Vielle, já em França, (Março de 1814). Na batalha de Vielle foi gravemente ferido e deixado como morto em campo, o então Tenente Bernardo de Sá Nogueira, mais tarde Marquês de Sá da Bandeira e repetidas vezes Ministro do Reino, que deixou expresso o desejo de ter inscrita na sua campa um epitáfio com a seguinte frase final, ilustrativa da sua grandeza de carácter: «Servindo o seu Paiz, serviu as

suas convicções: morre satisfeito, a Pátria nada lhe deve». A «Paz de Paris», de Maio de 1814, pôs termo a 6 anos da Guerra Peninsular, regressando os Regimentos a Portugal, onde foram recebidos triunfalmente em Lisboa. Em 1816 o General Beresford promove uma reorganização do Exército. O 4 de Cavalaria mantem a sua designação, passando a sediar-se na Azambuja.

Regimento de Cavalaria 4 é extinto, passando o Regimento de Cavalaria 11 a denominar-se Regimento de Cavalaria 4. Nas reorganizações do Exército de 1849 e de 1864 o 4 de Cavalaria mantem a sua designação. Em 1872 o Regimento volta a Lisboa, primeiro para Campolide e depois para a Ajuda. Em Outubro de 1888, por ordem do Rei D.

Luís, por decreto de 24 de Outubro, o Regimento toma a designação de Regimento de Cavallaria nº 4 do Imperador da Allemanha Guilherme II, em virtude de ter sido oferecido ao Imperador o comando honorário do regimento «como recordação da sympathia mutua das duas nações». Esta designação perduraria até à implantação da República, em 1910.

GUERRA CIVIL (1826-1834)

N

o início da guerra civil o Regimento de Cavalaria 4 alinha com as tropas liberais e em Janeiro de 1827 combate em Aguiar da Beira contra as tropas miguelistas, que são expulsas para Espanha. Em 1828, sendo D. Miguel declarado Rei, o 4 de Cavalaria toma o seu partido e segue-o até ao final do seu reinado. Terminada a guerra civil, em Julho de 1834, o

CAMPANHAS DE PACIFICAÇÃO EM MOÇAMBIQUE

E

m Maio de 1895 um contingente de tropas comandadas pelo Coronel Galhardo desembarca em Moçambique, com a missão de sufocar uma rebelião dos povos Vátuas. Nesse contingente seguia o capitão Joaquim Mouzinho de Albuquerque (anos antes prestara serviço como tenente no Real Colégio Militar) comandando um esquadrão com elementos do Regimento de Cavalaria 4. Em Setembro de 1895 travam-se os combates de Magul e Coolela, que levam o chefe Vátua Gungunhana a refugiar-se em Chaimite, onde é surpreendido, em 28 de Dezembro, por Mouzi-

nho, que com uma força de apenas 48 homens, penetra nas paliçadas de Chaimite e prende o chefe Vátua, perante o espanto de 300 dos seus guerreiros armados. Em Março de 1896 Mouzinho é promovido a major e investido no cargo de Governador-Geral de Moçambique e em Dezembro do mesmo ano é nomeado Comissário Régio. No final de 1896, Mouzinho inicia a campanha dos Namarrais. Terminada essa campanha volta Mouzinho a ter de combater os Vátuas, em Gaza, agora sob o comando de Maguiguana, antigo chefe de guerra de Gungunhana. Esta campanha

termina com o combate de Macontene, que nos é relatado concisamente da seguinte forma: «No dia 21 de Julho de 1897, às 8 da manhã, avistou-se o inimigo nas alturas de Macontene. Formado o quadrado, logo os Vátuas atacam em número superior a 5000, contra os escassos 300 portugueses. As peças romperam logo fogo, esperando os infantes até aos 400 metros, para começarem as descargas. Quando os Vátuas começam a hesitar, Mouzinho decide assumir em pessoa o comando da Cavalaria e sai para fora do quadrado. Teve lugar então a mais bela carga que jamais se deu nos campos de África».

VISITA DO IMPERADOR GUILHERME II DA ALEMANHA A LISBOA

E

m Março de 1905, o Imperador da Alemanha Guilherme II, Comandante Honorário do Regimento de Cavalaria nº 4, chega a Lisboa em visita oficial. O Imperador desembarca no Cais das Colunas no Terreiro do Paço, com toda a pompa e circunstância que a ocasião exigia, onde o aguardavam as tropas em parada, em que se incluía o «seu» Regimento, com uma força de 255 cavaleiros, sob o comando do Major Jales, sendo Porta-Bandeira o Alferes Brito, escoltado pelos 1º Sargentos Cadetes Marrecas e Faria. O Imperador realiza toda a sua visita fardado de «Oficial de Cavalaria 4», só se separando deste seu uniforme numa visita a Sintra e no dia do seu

embarque. A 28 de Março, o Imperador visita o «seu Regimento» na Ajuda, onde na Sala de Armas observa pausadamente a Bandeira que acompanhou Mouzinho na campanha dos Namarrais, onde se podia ler a designação oficial do Regimento com o seu nome. Inspecciona de seguida o Imperador casernas, cavalariças, cozinhas e refeitórios, manifestando o seu aplauso pelo asseio e ordem em que tudo se encontrava. Assiste no picadeiro a exercícios executados tanto por «Cavalaria 4», como por «Lanceiros de El-Rei», que lhe arrancam aplausos entusiásticos. Em artigo publicado pelo jornal «O Século», a propósito desta visita,

podia-se ler, no seu final, o seguinte trecho: «Os nossos Regimentos, em particular a Cavalaria, em que serviam Oficiais da classe nobre, eram verdadeiras unidades de escola. Apreciava-se o asseio dos cavalos, introduzindo dois dedos, de luva calçada nas narinas dos equídeos. Pelas camaratas, despedia-se um boné, para sob um leito qualquer, a fim de averiguar se o pó era existente. Visitando Cavalaria 4, de que era Coronel Honorário e cujo uniforme envergava, o Imperador pôs, sobre os azulejos da cozinha, enluvadas de branco, ambas as mãos, para verificar o rigor da limpeza. Tirou-as como as havia colocado».


O 4 de Cavalaria Regimento do Imperador da Allemanha Guilherme II

El-Rei D. Carlos e o Imperador Guilherme II da Alemanha em visita ao RC4.

REPÚBLICA

I

mplantada a República, processa-se, em Junho de 1911, uma reorganização do Exército, passando o Regimento a ter dois esquadrões e a designar-se novamente por Regimento de Cavalaria nº 4.

I GUERRA MUNDIAL (1914-1918)

D

urante a I Guerra Mundial o Regimento de Cavalaria nº 4 teve efectivos seus nos teatros de operações de Angola, de Moçambique e de França, integrando na Flandres as forças do Corpo Expedicionário Português. Teve o maior destaque a acção das suas tropas no teatro de operações de Angola, como de seguida sucintamente se relata. Em 1915, segue para Angola um Corpo de Tropas Expedicionária, sob o comando do General António Júlio da Costa Pereira de Eça (73/1864), destinado à defesa da fronteira Sul contra as incursões das tropas alemãs a partir da Damaralândia (parte Norte da actual Namíbia). Dado as tropas alemãs se terem entretanto rendido às tropas da África do Sul, as forças expedicionárias, de que fazia parte o 3º Esquadrão do Regimento de Cavalaria nº 4, recebe como missão a recuperação das terras na margem esquerda do Cunene, que tinham sido abandonadas na sequência do combate de Naulila, em Dezembro de 1914, e a ocupação do território do Cuanhama. A expedição foi duríssima devido às enormes distâncias a percorrer, ao calor intenso e à falta de água ori-

Bandeira que acompanhou Mousinho de Albuquerque na expedição aos Namarrais.

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O 4 de Cavalaria Regimento do Imperador da Allemanha Guilherme II

ginada por sucessivos anos de seca. O que foi a parte final dessa campanha, o célebre combate da Môngua, é assim descrito no livro em que se baseia o presente texto, relatando a acção da coluna comandada pelo próprio General Pereira de Eça: «A 12 de Agosto a coluna encaminha-se para o Cuanhama, atravessa o Cunene e sob o sol abrasador, prossegue na direcção das cacimbas da Môngua, buscando água cada vez mais necessária aos homens e aos animais. A 16 do mesmo mês, referencia um grupo inimigo que a Artilharia logo dispersa. Na manhã do dia seguinte rebenta intensa fuzilaria. Forma-se o quadrado, a Cavalaria sai a bater o mato, mas não encontram adversários e, as cacimbas tão desejadas estavam secas. Na madrugada do dia seguinte, a 18 de Agosto, desenvolve-se o ataque sobre o quadrado. Bem protegido pelo arvoredo e

pelos morros, o inimigo causa importantes baixas. O nosso fogo consegue conter o assalto, mas o grupo de Cavalaria do Major Vieira da Rocha (208/1884) tem de sair a aliviar a pressão. Carrega primeiro o Esquadrão de Cavalaria 11, que se vê envolvido em luta corpo a corpo. Acorre o Esquadrão de Cavalaria 4; o inimigo acaba por ser rechaçado e põe-se em fuga». A carga da Môngua terá sido a última carga da Cavalaria portuguesa, tendo ficado documentada fotograficamente. Quando a Cavalaria saiu do quadrado e forma em linha frente ao inimigo, antes de carregar, começando logo a ter baixas face ao intenso fogo dos cuanhamas, todo o quadrado a saúda com vivas e cantando a Portuguesa. O próprio Vieira da Rocha, que já estivera com Mouzinho em Moçambique, nomeadamente no combate de Macontene, descreve este episódio extraordinário concisa-

mente e da seguinte forma: «O quadrado saúda-nos com vivas, cantando a Portuguesa: meto a trote: a uns 100 metros, antes da orla da mata de mutiáti, mando tocar a carregar ao meu clarim de ordens». A acção valorosa dos homens de Cavalaria 4 na Môngua, deu origem à condecoração do Estandarte Nacional do Regimento com a Cruz de Guerra de 1ª Classe. O seu comportamento no conjunto da Campanha do Sul de Angola, deu origem a nova condecoração do mesmo Estandarte com a insígnia de Comendador da Ordem da Torre Espada. Nos três teatros de operações da I Guerra Mundial homens do 4 de Cavalaria deram o seu sangue pela Pátria. Ainda hoje os seus nomes são lembrados, nomeadamente no livro em que se baseia este texto.

PERÍODO APÓS A I GUERRA MUNDIAL

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m 1919,concluída a I Grande Guerra, o Regimento de Cavalaria 4 é transferido para Alcobaça. Anos mais tarde, em 1927, o Regimento é transferido para Santarém, onde se conserva por 27 anos, até 1954. Em 1952, começam-se a receber em Portugal Carros de Combate M 47 «Patton». Não sendo os primeiros Carros de Combate da nossa Cavalaria, eram no entanto Carros de Combate de uma nova geração, que deram um grande impulso à Arma.

Os novos Carros de Combate concentram-se no Campo Militar de Santa Margarida, constituindo dois grupos. O primeiro grupo a operar, em 1953, foi o Grupo de Carros de Combate do Regimento de Cavalaria 8, sediado em Castelo Branco. O segundo Grupo a operar foi o chamado Grupo Divisionário de Carros de Combate, da responsabilidade da Escola Prática de Cavalaria, então sediada em Vendas Novas, que se destinava a integrar a Divisão Nuno Álvares, que era a Divisão portuguesa criada para inte-

gração nas tropas da NATO, em caso de eclosão de um conflito armado. Em 1955 é estabelecida uma nova orgânica dos Regimentos de Cavalaria, por Portaria 15292, de 4 de Março. Segundo o disposto nesse diploma legal «É transitoriamente extinto o Regimento de Cavalaria nº 4, em Santarém, para cujo aquartelamento transitará a Escola Prática da Arma até ao mês de Outubro do corrente ano».

NOVA VIDA PARA O REGIMENTO - GUERRA DO ULTRAMAR

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m 1964, já em pleno período da Guerra do Ultramar, os dois Grupos de Carros de Combates estacionados em Santa Margarida dão origem a um Regimento de Carros de Combate. Por Portaria nº 20608, de 29 de Maio de 1964, o novo Regimento de Carros de Combate é designado Regimento de Cavalaria nº 4. No dia 1 de Julho de 1964 é içada no Campo Militar de Santa Margarida a Bandeira Nacional do 4 de Cavalaria.

- ANGOLA 5 Batalhões de Cavalaria. 22 Companhias Independentes de Cavalaria.

A partir de 1968 o Regimento passou a Unidade Mobilizadora de tropas da sua Arma para o Ultramar, tendo formado e instruído tropas destinadas aos três teatros de Operações, nos quantitativos seguintes:

O primeiro Batalhão mobilizado foi o BCav 2854, que partiu de Santa Margarida em Outubro de 1964 e que desembarcou, de regresso, em Lisboa, em Novembro de 1970, tendo sofrido 8 baixas.

- MOÇAMBIQUE 7 Batalhões de Cavalaria. 10 Companhias Independentes de Cavalaria. - GUINÉ 5 Companhias Independentes de Cavalaria.

No decurso de toda a guerra as unidades mobilizadas pelo Regimento tiveram no seu conjunto cerca de 60 baixas. Estas baixas e as condecorações e louvores recebidos pelos seus militares, atestam bem o esforço e o valor das tropas mobilizadas pelo 4 de Cavalaria. Mais uma vez os homens deste notável Regimento fizeram jus à sua divisa: «Perguntai ao Inimigo Quem Somos».


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25 DE ABRIL DE 1974

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o dia 16 de Março de 1974 ocorre a tentativa de golpe militar que ficou conhecida por «Golpe das Caldas da Rainha», em virtude de as únicas tropas que avançaram sobre Lisboa serem provenientes do Regimento de Infantaria 5, sediado nas Caldas da Rainha. Após essa tentativa, o Governo decidiu reforçar as forças do Exército em Lisboa com carros de combate do Regimento de Cavalaria nº 4. Partem então de Santa Margarida, em comboio especial, 5 carros de combate, dos quais 4 ficam estacionados no Regimento de Cavalaria nº 7, na Ajuda, e um fica estacionado no Depó-

sito Geral de Material de Guerra, em Beirolas. Na madrugada de 25 de Abril de 1974 as forças provenientes de Santarém, da Escola Prática de Cavalaria, ocupam o Terreiro do Paço. Os carros de combate estacionados em Cavalaria 7, são enviados para o Terreiro do Paço, para neutralizarem as forças da Escola Prática de Cavalaria, comandadas pelo Capitão Salgueiro Maia. Aí chegados os carros de combate, seguem-se momentos de grande tensão, em que esteve eminente um banho de sangue, acabando as guarnições dos carros de combate por se juntar às forças da Escola Prática de Cavalaria, o

que foi um acontecimento decisivo para o êxito do golpe militar. Seguiu-se ao 25 de Abril, um período extraordinariamente conturbado, que ficou conhecido para a posteridade como a era do «PREC» (Processo Revolucionário Em Curso). Durante este período dá-se uma mudança geral das designações das Unidades do Exército, passando os Regimentos a ter a designação das localidades onde estavam aquartelados, o que levou o Regimento a designar-se então por Regimento de Cavalaria de Santa Margarida (RCSM).

MODERNIZAÇÃO DE MEIOS

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os anos que se seguiram ao 25 de Abril, os meios do Regimento foram sendo progressivamente modernizados, com a chegada de novos carros de combate. Em 1976 chegam a Santa Margarida os primeiros carros de combate M48A5. Em 1984 fica completa a substituição dos M47 pelos novos carros de combate. Cerca de 10 anos mais tarde, entre finais de 1993 e Fevereiro de 1997, o Regimento vai recebendo novos carros de combate do tipo M60 A3(TTS). Os M48A5 vão sendo progressivamente substituídos até ao ano de 2001, em que a substituição se conclui.

FORÇAS NACIONAIS DESTACADAS

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o decurso da guerra resultante do desmembramento da ex-Jugoslávia, entre 1999 e 2001, Portugal interveio, no âmbito da NATO, com o envio de tropas para aquele teatro de operações. Mais uma vez o 4 de Cavalaria esteve presente. - Agrupamento Bravo (Agr B)

Este agrupamento foi a Primeira unidade a ser destacada para o Kosovo, onde permaneceu de Agosto de 1999 a Fevereiro de 2000. A organização desta unidade foi da Brigada Aerotransportada Independente, sendo porém o seu Comandante um Oficial do 4 de Cavalaria, que naturalmente se fez acompanhar de Oficiais e Sargentos do seu Regimento, para constituir a sua equipa de comando. A acção deste Agrupamento foi de molde a granjear a confiança e a estima por parte dos kosovares, o que veio a facilitar a acção do Agrupamento Delta. - Agrupamento Delta ( Agr D)

Em Janeiro de 2000 é dada ao Regimento de Cavalaria 4 a responsabilidade de constituir este Agrupamento, sendo o seu comando atribuído ao Tenente Coronel de Cavalaria José António Madeira de Ataíde Banazol (631/1968). Em Agosto de 2000 o Agrupamento Delta, que substituiu o Agrupamento Charlie, assumiu a responsabilidade do sector de Klina. O Agrupamento desenvolveu uma actividade operacional intensa, cumprindo também uma acção de apoio à população na procura da melhoria das suas condições de vida. No final da missão foi confiado ao Agrupamento o planeamento e a execução da extracção da Força Nacional Destacada para Portugal, para o que a missão do Agrupamento foi prolongada em dois meses e meio, tendo terminado o seu regresso a Portugal no início de Maio de 2001. - Esquadrão de Reconhecimento do Agrupamento Echo O Agrupamento Echo, inicialmente destinado ao Kosovo, foi redireccionado para o Teatro de

Operações da Bósnia-Herzegovina, dado a missão no Kosovo ter entretanto terminado. À chegada à Bósnia, em Janeiro de 2001, o Agrupamento assume as funções de Reserva Operacional do Comandante da SFOR. No desempenho destas funções, o Esquadrão executa operações em conjunto com forças das várias nacionalidades integradas na SFOR, destacando-se uma missão em Mostar, zona de alta tensão entre as comunidades croata (católica) e muçulmana. De regresso a Portugal o Esquadrão de Reconhecimento é recebido no seu Regimento em Agosto de 2001.


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O 4 de Cavalaria Regimento do Imperador da Allemanha Guilherme II

EPILOGO

− Coronel de Cavalaria Jorge Alberto Gabriel Teixeira (315/1947) – Dezembro de 1985 a Julho de 1987; − Coronel de Cavalaria António Vital Fernandes Faia (71/1951) – Dezembro de 1987 a Julho de 1990.

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Lápide existente na Feitoria

tomou parte directa nas operações, sofrendo o que os seus soldados sofreram, comandando pelo exemplo, como sempre se ensinou no Colégio. Ao longo da existência do 4 de Cavalaria, foram muitos os Antigos Alunos que aí serviram. Não os podendo citar todos, citam-se apenas aqueles, que a partir do «renascimento» do Regimento, em 1964, o comandaram: − Coronel de Cavalaria João Carlos Craveiro Lopes (71/1931) – Dezembro de 1973 a Maio de 1974; − Tenente Coronel de Cavalaria José Cândido de Bonnefon de Paula Santos (192/1940) – Julho de 1975 a Julho de 1976; − Coronel de Cavalaria Joaquim Lopes Cavalheiro (131/1935) – Julho de 1976 a Julho de 1977;

©Foto Sérgio Garcia (326/1985)

sta é a história, muito abreviada, do notável Regimento de Cavalaria nº 4, que para além desta sua designação mais conhecida, teve ao longo da sua vida, de cerca de dois séculos e meio, as designações de Regimento de Mecklenboug, de Regimento do Imperador da Allemanha Guilherme II (que originou este escrito) e de Regimento de Cavalaria de Santa Margarida. A história deste Regimento tem uma intima relação com a história do Colégio e dos Soldados seus Antigos Alunos, que desde a Batalha do Buçaco deram o seu sangue pela Pátria. O 4 de Cavalaria e o Colégio tiveram o mesmo berço, a Feitoria adjacente ao Forte de São Julião da Barra, a qual foi confiada pelo Exército à guarda do Colégio na década de 30 do século passado. Para que a memória do seu local de nascimento não se perca, o Regimento de Cavalaria nº 4 colocou, no ano de 2005, uma lápide na Feitoria, em cerimónia em que tomou parte a Escolta do Colégio. Na campanha de pacificação de Moçambique, em que participaram tropas do 4 de Cavalaria, sob o comando de Mouzinho, lá estavam Antigos Alunos do Colégio. O mesmo sucedeu na campanha do Sul de Angola, durante a I Grande Guerra, campanha essa comandada por António Júlio da Costa Pereira d’Eça (73/1864), que como General

ANTIGO ALUNO USA A BARRETINA

Este notável Regimento foi extinto, devorado pela voragem das sucessivas reorganizações, reestruturações ou racionalizações das nossas Forças Armadas, que as irão conduzir, se nada for feito a breve prazo para o impedir, à insignificância. A história e o valor de uma unidade militar é o fruto das qualidades dos que a servem, independentemente das suas patentes. Já pensava assim o Rei D. José, quando mandou escrever, no despacho de nomeação do seu comandante, o Duque de Mecklenbourg, a frase premonitória: «obrará acções dignas da Sua Pessoa e dos Príncipes de que descende». Honra aos Homens que bem serviram o 4 de Cavalaria, notabilizando-o ao longo da sua existência. Tal como o Marquês de Sá da Bandeira, ao servirem o seu Regimento e a Pátria, serviram as suas convicções, podendo também eles dizer: «A Pátria nada me deve».


Pitágoras e o Colégio ou a importância do número

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Luís Miguel da Costa Alcide d’Oliveira 163/1952

Pitágoras e o Colégio

ou a importância do número E

ste título talvez faça pensar o leitor que me estou a referir a alguém com a alcunha de Pitágoras. Mas não: falo mesmo do grande Matemático e Filósofo de Samos, na antiga Grécia, que viveu por volta do ano 500 AC e que só por isso não pode ser antigo aluno. A relação com o Colégio tem a ver com os números. Pitágoras considerava que eles constituem a chave da harmonia e são por isso anteriores à forma e à substância. Parece que é o que pensa também a Mãe do 604, que eu não tenho o gosto de conhecer pessoalmente, porque fez um apelo à Família Colegial, através da internet, antes do seu filho ter escolhido o número, no sentido de ser aconselhada sobre o significado e a importância da escolha. Recebeu uma pronta e extensíssima resposta, que atesta bem a força do espírito colegial e iniciou, sem querer, uma polémica que dura até hoje. De uma maneira geral, existe um consenso de que o número não tem nenhuma capacidade operativa sobre o respectivo titular, mas fica para toda a vida como uma espécie de sinal de nobreza de quem foi formado no Colégio. Mas o assunto não se esgota aqui. Há quem entenda que os números mais baixos são mais cómodos por tornarem mais rápido o acesso a tudo o que é obtido através de critérios numéricos, como por exemplo a chamada para as provas orais. Também apareceram sugestões de que há números mais requisitados do que outros, e até foi dado o exemplo do “33”. Esta questão parece-me muito curiosa e digna de ser tratada através de uma técnica muito moderna chamada “data mining” que, correlacionando grupos extensos de dados como por exemplo bases de dados meteorológicas e policiais, revela coisas tão surpreendentes como o facto de haver mais

crimes violentos em noites de Lua Cheia. Será que os “33” são estatisticamente mais notáveis do que por exemplo os “34”? Voltando a Pitágoras, ele acreditava na “metempsicose” ou transmigração da alma de um corpo para outro. Sem ir tão longe, não há dúvida que de cada vez que encontramos um sucessor nas visitas ao Colégio sentimos uma certa sensação de parentesco, como se uma parte da alma tivesse transmigrado para um corpo mais jovem que prolonga a nossa permanência. Em sentido inverso, quando encontramos um antecessor, orgulhamo-nos, da nossa ancestralidade e achamos que somos mais um elo de uma corrente e que já vem do tempo do Fundador. Filóstrato escreveu que Pitágoras “não só sabia quem era mas também quem tinha sido”. Pessoalmente acho que o número não altera o nosso destino e recebi o meu com toda a naturalidade sem pensar muito nisso. O número do meu Pai não estava livre e por isso qualquer outro me servia.

A minha experiência neste domínio é no entanto muito curiosa e, apesar de não acreditar em bruxas, tenho que reconhecer que o meu número tem estado muitas vezes presente em momentos da minha vida, sem que no entanto isso signifique que me dá sorte ou azar. Não contabilizo as vezes em que, olhando para a matrícula do carro à minha frente, verifico que começa ou acaba no meu número porque é natural que ele prenda a minha atenção. Também não dei grande importância quando ontem, ao começar a pensar em escrever estas linhas, passei pela peixaria para fazer uma compra de que a minha Mulher me encarregou, verifiquei que a senha que tirei tinha o meu número, o 163. Mas outras situações houve em que as coincidências roçaram o enigmático. Contarei só uma pequena história, escolhida entre outras porventura ainda mais misteriosas mas que não me envolveram só a mim. Há uns anos, tendo eu acabado de votar, cruzei-me à saída com um extenso cordão de gente que aguardava a sua vez. Ouvi então um lamento sofrido e parei para averiguar a sua origem. Era uma velha senhora que manifestamente não estava a aguentar a espera. Dirigi-me a ela e convidei-a a acompanhar-me até ao local de voto, seguro de que a Lei deve com certeza prever uma dispensa de espera para os idosos com patologias ao nível da coluna vertebral. Com alguma relutância a senhora deu-me o braço até à Mesa da urna. Expliquei a situação e a minha protegida foi de imediato atendida. Entregou o seu cartão de eleitora, recebeu em troca o boletim e sempre apoiada ao meu braço, fez a respectiva escolha, após o que ficou a aguardar que a chamassem. Pouco depois, o cidadão que guarnecia a urna, chamou pelo número da eleitora: “163”! Era a nossa vez.


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Valores e Virtudes no modelo formativo do Colégio Militar

José Manuel Castanho Paes (228/1952)

Valores e Virtudes no modelo formativo do Colégio Militar A

análise que vou apresentar não assenta em qualquer modelo teórico específico da ciência ética, mas resulta essencialmente da experiência pessoal e de um trabalho de reflexão de alguém que passou a sua vida activa dedicada a uma carreira militar (Marinha), precedida, com muita honra, de sete anos de formação no Colégio Militar. Para que a matéria a abordar tenha, no entanto, um enquadramento tão claro quanto possível para os leitores, entendo tornar-se necessária a definição de determinados conceitos básicos, os quais, sendo naturalmente passíveis de conter alguma dose de subjectividade, porque não estamos propriamente no campo das ciências exactas, permitirão certamente facilitar um melhor encadeamento das ideias expostas. Comecemos então por procurar explicar a diferença entre valores e virtudes. De entre os diversos valores imateriais (ou intangíveis) que se possam definir, porque é destes que vamos tratar, muitos deles incorporam determinados conteúdos éticos de tal forma relevantes, que lhes conferem a importância e dignidade de se constituírem como verdadeiros padrões éticos de referência – valores éticos - reconhecidos pela generalidade da sociedade como factores fundamentais na regulação das atitudes e comportamentos

humanos em todas as suas formas de relacionamento social. As virtudes não são mais do que as práticas comportamentais consequentes que resultam da observância e obediência voluntária a tais valores, conscientemente interiorizados por quem as pratica. E algumas delas acabam por se consubstanciar em normas de conduta (deveres), impostas por lei aos cidadãos em geral, enquanto que outras só constam de regulamentos próprios das instituições e organizações (públicas ou privadas). No primeiro caso, do seu incumprimento em situações concretas podem efectivamente resultar sanções de natureza cível ou criminal; no segundo caso, do seu incumprimento resultam somente sanções de natureza disciplinar. Em resumo, há determinados valore éticos que são adoptados e enaltecidos pelas instituições e organizações em ordem, por um lado, a valorizar os seus próprios objectivos e, por outro lado, a guiar os comportamentos e atitudes dos seus membros ou servidores. Destes últimos, aquelas esperam que eles efectivamente se comportem segundo os ditames de tais valores, ou seja, através da prática de virtudes e do desenvolvimento de qualidades pessoais com eles estreitamente correlacionadas. Importa portanto clarificar estes conceitos, porque eles são comummente tratados de

forma indiferenciada, como se tudo fosse a mesma coisa, o que em nossa opinião acarreta como consequência natural a inconveniente mistura, e até confusão, entre o que são efectivas práticas comportamentais e as referências éticas em que aquelas verdadeiramente se inspiram. Entrando agora na casa que constitui o objecto do presente artigo – o Colégio Militar – procuremos então identificar o universo de apreciação do que, em matéria de valores


Valores e Virtudes no modelo formativo do Colégio Militar

e virtudes, lhe é aplicável. Para isso, parece-me oportuno recorrer a alguns conteúdos relevantes do “Projecto Educativo do Colégio Militar”, aprovado pelo Conselho Escolar para o triénio 2013-2016, designadamente os que constam dos seus seguintes excertos: Missão e orientação educativa ...“O Colégio Militar é um Estabelecimento Militar de Ensino não superior, que faculta aos seus alunos uma sólida formação intelectual, afectiva, ética, estética, física e militar, tendo como referência a divisa “UM POR TODOS, TODOS POR UM”, a qual resume os saudáveis conceitos dos valores colegiais impressos no Código de Honra do Aluno. Numa sociedade caracterizada pelo pluralismo e pelo princípio de que todo o cidadão tem o direito de escolher a escola dos seus educandos, o Colégio Militar assume a singularidade de um sistema de ensino assente em valores e num espírito próprio e que este, se constitua como uma verdadeira mais-valia por todos reconhecida, promovendo o desenvolvimento de um conjunto de princípios e valores à luz da identidade nacional e das virtudes militares, materializando, assim, um projecto educativo único na sociedade portuguesa”...

VISÃO “O Projecto Educativo do Colégio Militar pretende continuar a afirmar a Instituição como escola de referência do sistema de ensino português, pela excelência de uma formação integral alicerçada num projecto educativo assente nos valores permanentes da identidade nacional e das virtudes militares. Mantém como principal objectivo formar cidadãos solidários, com plena consciência dos seus direitos e deveres, respeitadores da pessoa humana e do meio ambiente, defensores do património cultural e histórico da sua Pátria, intervenientes e participativos no que toca às responsabilidades sociais. A vida colegial, inspirada nas virtudes militares, bem como numa rigorosa e exigente disciplina, constitui um vínculo inesquecível, traço de união entre o passado, o presente e o futuro, conjugando-se estes três estádios num todo que se mantém perene e actual, numa saudável prática comum a várias gerações”... Esta formulação do quadro de valores e virtudes que inspira o Projecto Educativo do Colégio Militar, com influência bem vincada da instituição militar no que a esta matéria

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respeita, parece-me muito bem elaborada e atrevo-me mesmo a afirmar que, descontadas as referências a um passado que nessa altura ainda não existia, seria aprovado com aplauso pelo seu ilustre fundador, o então Coronel Teixeira Rebello. Assim sendo, que valores imateriais com conteúdos éticos relevantes para a instituição militar poderemos então enunciar? Numa enumeração, possivelmente não exaustiva, entre os tidos por mais importantes distinguimos os seguintes: - A Pátria (soberania, independência e símbolos nacionais); - A Vida Humana; - A Virtude (no seu sentido genérico, isto é, a vontade de praticar o bem e de repudiar o mal); - A Honra e a Dignidade; - A Coesão; - A Disciplina; - A Segurança Militar; - A Valorização Profissional. A observância e obediência a estes valores implica então que se verifique uma correspondente prática de determinadas virtudes, passíveis de ser inscritas em códigos de honra e/ou em normas de conduta regulamentares. Quer isto dizer que as virtudes se consubstanciam assim na definição de um conjunto de deveres delas directamente emanados, que são de exclusiva imposição moral no primeiro caso (códigos de honra) e materialmente impostos no segundo caso (normas de conduta regulamentares). De entre outras virtudes possivelmente elegíveis, enumeremos para já as seguintes: Sentido do Dever; Patriotismo; Liderança; Respeito; Obediência; Lealdade; Camaradagem; Frontalidade; Coragem e Bravura; Espírito de Sacrifício; Espírito de Corpo; Espírito de Missão; Rigor e Brio. A ordem por que foram colocadas não obedece, com excepção da primeira – o Sentido do Dever - , a nenhum critério hierárquico da sua importância relativa, pois todas terão uma maior ou menor relevância consoante o contexto em que é exigida a sua observância nas atitudes e práticas comportamentais, tanto individuais como colectivas. E esses contextos vão desde o estado de segurança em que o país se encontra (paz, sítio ou guerra), o enquadramento organizativo, o meio físico e o cenário (operacional ou de apoio, frente de combate ou retaguarda) em que os militares estão a actuar, passando ainda pela

importância dos objectivos a atingir, pelo grau de risco e pelas regras de empenhamento estabelecidas para as forças e unidades militares em operação, pelos meios materiais que estão a ser operados, até à confrontação com os reais e concretos problemas humanos ou técnicos que surjam dentro das próprias forças, unidades e serviços a que os militares pertençam. Note-se que muitas destas virtudes têm uma evidente aplicação paralela, com as necessárias adaptações, em muitas outras instituições ou organizações sociais. Na verdade, a condição militar caracteriza-se pela imposição aos militares de um conjunto de deveres muito mais severo e exigente do que aqueles que são impostos ao comum dos cidadãos, inclusivamente a total e permanente disponibilidade para o serviço, a mobilidade sem limites geográficos e muitas vezes inopinada, com a consequente separação forçada da família, até, se necessário, ao caso extremo do sacrifício da própria vida. Pela Constituição são ainda impostas aos militares. em serviço efectivo, restrições em determinados direitos cívicos, que por aquela são conferidos sem quaisquer restrições aos cidadãos em geral. Daí que a condição militar implique, por um lado, um apurado sentido do dever mas, por outro lado, que exista um justo quadro de compensações especiais,


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Valores e Virtudes no modelo formativo do Colégio Militar

exigem respostas rápidas e muito corajosas sem paralelo em outras profissões, com excepção, na devida escala, das forças de segurança interna. Por outro lado, a inevitabilidade de provocar a perda de vidas humanas nas forças inimigas em acções de combate e ainda no exercício de responsabilidades de segurança de instalações ou unidades próprias ou até de património público ou cidadãos colocados à sua guarda, contra quaisquer ataques ou tentativas de infiltração forçada, são situações que não podem deixar de se reflectir fortemente na consciência dos militares que com elas se vêem confrontados, especialmente quando acontecem em tempo de paz ou no cumprimento de missões de paz. A Virtude, a Honra e a Dignidade são altos valores que me parece não necessitarem de grandes explicações, uma vez que o seu significado é comumente conhecido.

Fotografias que expressam Valores e Virtudes Militares

consentâneo com as exigências, as restrições e a dureza da vida militar. E a progressiva tendência, como infelizmente tem vindo a acontecer, de procurar transformar os militares em meros funcionários públicos (com todo o respeito que estes nos merecem), mas atribuindo-lhes mais deveres, menos direitos e cada vez menores compensações, constitui obviamente um forte factor de desmotivação para quem decidiu seguir uma carreira militar. Embora esquecido, ridicularizado ou mesmo maltratado por cidadãos afectos a algumas correntes políticas e sectores sociais, o facto é que o modelo de valores e virtudes militares sempre constituiu, e continua a constituir, inspiração para uma maior ou menor parcela da matriz conceptual dos estatutos regulamentares das organizações civis, no que concretamente respeita à regulação dos comportamentos profissionais dos seus servidores. Indo ainda mais além, não nos esqueçamos que os próprios conceitos de missão (definição e determinação de tarefas para se atingirem determinados propósitos), de estratégia e de táctica foram importados da doutrina militar e adoptados, no seu léxico comum (algumas vezes até impropriamente) pela maioria dos sectores de actividade civil (por exemplo, nos planos e programas políticos, na vida empresarial ou no futebol). Mas voltando aos valores e virtudes militares, vamos agora procurar correlacioná-los dentro do quadro conceptual atrás definido,

através de algumas dissertações tidas por apropriadas sobre o assunto. A Pátria constitui, sem qualquer dúvida, o valor supremo que qualquer cidadão português, que se preze de o ser, deve defender e respeitar. A defesa da sua soberania e independência, do seu património histórico e cultural, bem como o respeito devido aos símbolos nacionais (Bandeira e Hino), constituem deveres fundamentais impostos a todos os cidadãos nacionais pela Constituição da República Portuguesa. Para além da defesa militar da Pátria, que naturalmente compete às Forças Armadas, a defesa da soberania e independência nacionais tem componentes culturais, económicas, diplomáticas, jurídicas, ambientais, científicas, etc., que competem não só aos órgãos de soberania, mas também a todos os cidadãos nas respectivas esferas profissionais e demais actividades sociais. Segue-se no campo dos valores a Vida Humana, que constitui também um valor muito caro e sensível à instituição militar. A possível consequência do sacrifício da própria vida imposto aos militares em situações extremas de risco (combate e outras) para salvaguarda de outros valores mais altos, designadamente a defesa da Pátria e a Segurança Militar (protecção da vida dos seus camaradas em operação ou a defesa intransigente da integridade e operacionalidade, contra ataques inimigos, de valiosas instalações ou equipamentos militares fundamentais para o êxito da missão) são situações reais com que os militares se podem inevitavelmente ver confrontados e

A Coesão e a Disciplina constituem valores, altamente interligados, cuja observância é absolutamente indispensável para o bom funcionamento da instituição militar. Sem um rigoroso respeito por estes valores não há funcionamento minimamente eficaz de quaisquer Forças Armadas dignas desse nome. A Coesão consiste na união de todos os elementos que servem a instituição militar em torno dos valores que a regem, designadamente ao assumirem a convicção de que, tanto o contributo empenhado de cada um no correcto cumprimento das suas obrigações de serviço e das tarefas que lhe competem, como a harmonia do relacionamento humano nas tarefas colectivas a desempenhar, numa sã e coerente convergência de esforços, são requisitos absolutamente indispensáveis para o sucesso das missões a cumprir por qualquer força, unidade ou serviço. Em resumo, coesão é a firme crença de que “a união faz a força”. Por outro lado, a Disciplina consiste na exacta observância das leis, normas e regulamentos militares, na execução de uma eficaz acção de liderança por parte dos superiores hierárquicos investidos de funções de comando, direcção ou chefia, baseada na competência profissional, na determinação e no exemplo, bem como no pronto e completo cumprimento, por parte dos subordinados, das ordens, directivas e instruções legitimamente emanadas dos seus superiores hierárquicos. A Disciplina


Valores e Virtudes no modelo formativo do Colégio Militar

assenta assim em dois princípios organizativos basilares: o princípio da hierarquia (do qual resulta que os cargos na instituição militar são distribuídos por categorias, postos e especialidades militares, com requisitos e conteúdos funcionais bem definidos, obedecendo a um formal encadeamento hierárquico perfeitamente articulado); e o princípio da autoridade (em obediência ao qual se confere o poder de comando, direcção ou chefia aos incumbentes dos cargos a que na organização funcional dos comandos, forças, unidades e serviços tal corresponda). Idealmente, Coesão e Disciplina são valores que devem ser assumidos como opção perfeitamente consciente e não pelo temor das sanções disciplinares que o incumprimento de deveres possa implicar. No entanto, o funcionamento da instituição militar não se pode compadecer com quebras de disciplina, pelo que, nas situações em que eventualmente tal aconteça, haverá que repô-la através da utilização das medidas coercivas a que a lei e os regulamentos permitem recorrer. Note-se, porém, que em certos casos, a quebra da coesão e disciplina pode ter origem em reconhecidas falhas de liderança, designadamente por falta de confiança na competência ou no carácter dos respectivos superiores hierárquicos, situações que devem ser rapidamente corrigidas a bem do são funcionamento da instituição militar. Também se existir falta de motivação dos militares para o cumprimento das suas obrigações de serviço e execução das tarefas que lhes competem, isso constituirá sem dúvida um factor altamente corrosivo para o desejável bom ambiente disciplinar. E essa desmotivação pode gerar-se por duas ordens de razões: a primeira, quando os militares sentem que o exercício das suas funções não é suficientemente útil para os objectivos da instituição que servem, devido a um subaproveitamento das suas capacidades; a segunda, quando os militares, assumindo a convicção de que o seu trabalho é efectivamente útil e produtivo, sentem que ele não é devidamente reconhecido e recompensado, ou seja, que estão a ser injustamente desconsiderados pelos seus superiores hierárquicos, pela tutela política da instituição, ou até por outros sectores preponderantes da sociedade nacional. Se a desmotivação por esta última ordem de razões se prolongar no tempo, sem que seja corrigida, acaba por corroer perigosamente os alicerces da instituição militar, com consequências nem sempre previsíveis.

A Segurança Militar consiste na obtenção dos necessários níveis de segurança das infraestruturas, plataformas, armamento, equipamentos e sistemas de comando, controlo, comunicações e informação, que integram os comandos, forças, unidades e serviços das Forças Armadas , bem como de todo o pessoal que os guarnece, contra qualquer tipo de ataques, tentativas de intrusão, infiltração ou sabotagem, desencadeados por forças e agentes inimigos ou de origem desconhecida. Tal desiderato é conseguido através da organização e mentalização de todos os recursos humanos que servem a instituição militar e da utilização de alguns meios materiais próprios, devidamente articulados pela regulamentação dos mais adequados procedimentos para esse efeito. A preparação e mentalização do pessoal para a observância deste valor envolve obviamente vertentes da ética militar não negligenciáveis. A Valorização Profissional consiste na obtenção dos desejáveis níveis de formação e treino de todos os militares, não só com vista ao competente desempenho das suas funções e responsabilidades individuais, mas também no alcance dos desejáveis níveis de preparação e treino colectivo dos comandos, forças, unidades e serviços que guarnecem, com vista ao competente e correcto cumprimento das respectivas missões. Passando agora às virtudes militares, afirmámos atrás que o sentido do dever constitui o “primeiro mandamento” das virtudes militares. Na verdade, esta é uma virtude praticamente transversal e que comanda todas as demais. Temos desde logo o sentido do dever para com a Pátria; o sentido do dever para o correcto cumprimento das leis e regulamentos militares; o sentido do dever para o cumprimento das ordens e instruções legitimamente emanadas dos competentes superiores hierárquicos; enfim, o sentido do dever para o cumprimento responsável, rigoroso, dedicado e zeloso das obrigações de serviço que ao militar competem, assumindo em plena consciência de que tal constitui um contributo importante para o cumprimento das missões cometidas ao comando, força, unidade ou serviço a que cada um pertence. Sem esse sentido intrinsecamente arreigado na sua consciência, o militar fica desprovido de uma motivação suficientemente forte para bem interiorizar as outras virtudes. Pode até praticar uma ou outra em determinadas situações, mas faltar-lhe-á sempre o factor

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mental agregador que, em situações muito exigentes (como por exemplo o combate ou outras situações de elevado risco, o isolamento, as agruras do meio físico, etc.), o obrigam a dever comportar-se, em opção consciente, pela prática simultânea de um conjunto de virtudes (por exemplo: patriotismo, liderança, respeito, obediência, rigor, espírito de sacrifício, coragem e bravura, espírito de missão, espírito de corpo, camaradagem). Em relação às demais virtudes enunciadas, seguem-se as seguintes referências: O Patriotismo consiste no amor à Pátria e consequente defesa firme e intransigente, por imperativo de consciência e atitude prática, dos seus mais sagrados valores: a soberania e a independência nacionais A Liderança é uma virtude cuja assunção é obviamente indispensável para quem exerça cargos de comando, direcção ou chefia. A capacidade de liderança pode ser inata para uma minoria provida de dotes naturais que facilitam o seu exercício, mas isto não constitui de modo algum uma regra geral. A capacidade de liderança constrói-se, exercita-se e desenvolve-se pela adopção de um conjunto de qualidades profissionais e de carácter que levam naturalmente a que o chefe mereça o respeito e a confiança dos seus subordinados. São elas a competência, a assunção das responsabilidades, o exemplo, a determinação, o sentido de justiça e a humanidade nos procedimentos. Guiando-se sempre por este conjunto de qualidades determinantes para a uma boa capacidade de liderança, o chefe não terá certamente dificuldades em impor-se. O Respeito é uma virtude essencial para a coesão e disciplina militares. Ela não deve ser só vista como um dever imposto aos subordinados para com os superiores hierárquicos, mas deve também ser seguida no sentido inverso e, igualmente, entre militares do mesmo nível hierárquico. O respeito mútuo é a melhor base para um bom relacionamento humano. O respeito é também um dever a assumir quer na atitude para com altos valores de cidadania, tais como a Pátria e respectivos símbolos (Bandeira e Hino nacionais), quer para com os órgãos de soberania e leis que regulam a vida nacional, quer ainda para com quaisquer autoridades públicas no legítimo exercício das suas funções.


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Valores e Virtudes no modelo formativo do Colégio Militar

A Obediência é, para além de uma virtude, um dever regulamentar não só imposto a todos os militares em ordem ao integral cumprimento das leis e regulamentos que regem a sua instituição, mas também imposto aos subordinados que legitimamente recebem ordens, directivas ou instruções dos superiores hierárquicos de quem dependem. Convém observar que a obediência não tem necessariamente que ser cega; o subordinado, quando entende que uma determinada ordem não é exequível, ou que do seu cumprimento podem advir consequências muito graves para o cumprimento da missão, de que o superior eventualmente não se tenha apercebido, deve respeitosamente apresentar-lhe tais factos, mas se, mesmo assim, o superior insistir no cumprimento da ordem, cabe-lhe ainda o direito de exigir que o faça por escrito (ou diante de testemunhas) antes do seu cumprimento. Note-se ainda que ao subordinado cabe o direito de recusar o cumprimento de uma ordem da qual resulte o evidente cometimento de crimes previstos na lei. A Lealdade consiste na verdade e sinceridade por que se devem reger as relações de serviço entre os militares, quer entre superiores e subordinados, quer entre militares sem qualquer vínculo hierárquico entre si. A Camaradagem consiste na prática da solidariedade e entreajuda entre militares nas situações de vivência comum. Da sua prática podem surgir fortes laços de amizade e estima mútua que perduram para toda a vida, porém ela deve ser alargada a todo o grupo de militares que convive e actua em comum, não se restringindo a ser praticada exclusivamente dentro dos círculos de amizades que muito naturalmente possam ser geradas entre alguns militares. A Coragem consiste na capacidade de enfrentar e procurar vencer situações adversas de elevado risco físico (coragem física) ou de fortes pressões ou constrangimentos de natureza psicológica contra a própria consciência, exercidos por terceiros em posição dominante (coragem moral), procurando manter o discernimento, a firmeza de carácter e a capacidade de reagir serenamente à atitude instintiva de medo que tais situações possam provocar. Em situações de combate, ou de risco equivalente, a coragem adquire a peculiaridade de poder designar-se por Bravura, quando da sua prática resulta a realização de reconhecidos actos heróicos.

De uma simples observação deste quadro podemos concluir que os valores cuja observância implica a prática de um maior conjunto de virtudes são: a Honra e Dignidade, a Coesão e a Disciplina. Finalmente, vamos então verificar que valores e virtudes militares estão expressa ou implicitamente contidos no Lema e no actual Código de Honra do Colégio Militar.

O Rigor e Brio consistem na prática comportamental de severidade e intransigência no seguimento dos princípios éticos (valores), no esforço e dedicação dados à formação profissional, no empenho posto no exercício das competências profissionais e no rigoroso cumprimento dos deveres, não só relativamente a si próprio (exemplo), mas também na sua exigência para com os subordinados. O amor à instituição que o militar serve, o zelo no exercício das suas funções, o aprumo e boa apresentação, a pontualidade e a assiduidade nos actos de serviço, constituem exemplos de qualidades que se enquadram nesta importante virtude.

UM POR TODOS, TODOS POR UM Não me parece difícil de concluir que o valor fundamental implícito neste tradicional lema é o da Coesão. E as virtudes que, neste caso, dele decorrem de forma clara e evidente são a Camaradagem e o Espírito de Corpo. Para quem andou no Colégio sabe que isto é mesmo assim.

Quanto à Frontalidade, Espírito de Sacrifício, Espírito de Corpo e Espírito de Missão constituem virtudes cuja própria designação caracteriza bem o seu teor, não parecendo por isso necessitar de detalhadas explicações. Procurando finalmente sintetizar a correlação dos valores com as virtudes militares, podemos então construir a seguinte matriz, de certo modo intuitiva, onde se observa que determinadas virtudes se inspiram e concorrem, repetidamente, na obediência a mais do que um valor:

CÓDIGO DE HONRA Amar e honrar a Pátria - As invocação dos valores da Pátria e da Honra, bem como da virtude do Patriotismo estão aqui bem visíveis.

Correlação entre Valores e Virtudes Militares

V I R T U D E S

VALORES Pátria

Vida Humana

Virtude

Honra e Dignidade

Coesão

Disciplina

X

Sentido do Dever

X

X

X

X

X

Patriotismo

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

Liderança

X

Respeito

X

X

Segurança

Valorização

Militar

Profissional

X

X

X

X

X

Obediência

Lealdade

X

X

X

X

Camaradagem

X

X

X

X

X

X

X

Frontalidade

X

Coragem e Bravura

X

X

X

X

X

X

X

Espírito Sacrifício

X

X

X

X

X

X

X

X

X

Espírito de Corpo

Espírito de Missão

X

Rigor e Brio

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X


Valores e Virtudes no modelo formativo do Colégio Militar

Dignificar a farda que enverga - Está implícita nesta formulação a invocação dos valores da Virtude, da Honra e Dignidade, da Coesão e da Disciplina, bem como da grande maioria do largo conjunto de virtudes deles decorrentes. Uma especial referência, na observância da virtude do Rigor e Brio, ao dever do aprumo e boa apresentação pessoal. Cultivar a Disciplina - Está bem explícita a importância atribuída ao valor da Disciplina e, consequentemente de forma implícita, a todas as virtudes que desse valor decorrem. Dedicar à sua formação todo o seu esforço e inteligência - Está aqui implícita uma óbvia referência ao valor da Valorização Profissional e às suas correlacionadas virtudes do Sentido do Dever e do Rigor e Brio. Ser verdadeiro e leal, assumindo sempre a responsabilidade dos seus actos - Verifica-se nesta formulação uma implícita referência aos valores da Virtude, da Honra e Dignidade, da Coesão e da Disciplina, bem como das virtudes com eles correlacionadas da Lealdade, da Camaradagem, da Liderança e da Frontalidade. Praticar a camaradagem sem denúncia nem cumplicidade - Mais uma referência implícita aos valores da Virtude, da Honra e Dignidade, da Coesão e da Disciplina, agora através da referência explícita à virtude da Camaradagem. Ser modesto no êxito, digno na adversidade e confiante face às dificuldades - Esta é uma interessante formulação que invoca implicitamente os valores da Virtude e da Honra e Dignidade, com referências indirectas às virtudes do Sentido do Dever, da Coragem e do Espírito de Missão. Ser generoso na prática do bem - Mais uma implícita invocação do valor da Virtude, neste caso sem qualquer conotação específica com as virtudes militares. Repudiar a violência, a delapidação e o despotismo - Uma formulação muito direccionada para a vida interna do Colégio, que visa até certo ponto refrear algumas tendências para comportamentos irreflectidos e nada dignos que surgem na vida colectiva dos jovens, sobretudo em regime de internado. De qualquer modo assenta na invocação implícita

dos valores da Virtude, da Honra e Dignidade, da Coesão e da Disciplina e, muito especialmente, das virtudes do Sentido do Dever, do Respeito e da Camaradagem. Ser sempre respeitador, afável e correcto Mais uma implícita referência aos valores da Virtude, da Honra e Dignidade, da Coesão e da Disciplina, concretamente através da invocação das virtudes do Respeito, da Obediência e do Rigor e Brio. Desta sucinta análise, pode concluir-se que no processo formativo do Colégio Militar é de facto bem visível uma primordial relevância dada aos valores e virtudes que a instituição militar mais enaltece, enobrece e procura incutir na consciência e comportamentos dos seus servidores.

CONCLUSÃO O culto dos valores e virtudes, bem como o respeito pelas suas tradições, constituem o esqueleto de qualquer instituição com pretensões de afirmação e perenidade no espaço social em que se insere. É, sem dúvida, o caso do Colégio Militar. Porém, sendo isto condição necessária e fundamental, não é só por si suficiente. O Colégio Militar está a passar por um processo de transformações, basicamente impostas por fortes pressões externas, que o têm obrigado a um enorme e conturbado esforço de adaptação, devido fundamentalmente à inclusão do género feminino no seu corpo discente e da opção possível, embora limitada, do regime de externato. Importa, portanto, que no meio de todas as vicissitudes inerentes a esse processo de mudança, se procure, de forma firme e determinada mas realista, que o seu esqueleto não seja irremediavelmente ferido, o que traria como nefasta consequência a sua intolerável descaracterização. Contudo, para que a oferta formativa do Colégio se mantenha atractiva, não podem ser descurados outros aspectos competitivos do respectivo “mercado”. A melhoria da formação académica, por forma a se atingirem os mais elevados níveis de classificação no “ranking” das escolas nacionais de ensino básico e secundário, tal como a manutenção de uma panóplia de actividades formativas complementares, no campo das actividades desportivas e culturais, cuja prática fora do Colégio

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implicaria custos bastante acrescidos para os pais e encarregados de educação, constituem aspectos de primordial importância nas opções que estes fazem quando decidem meter os seus filhos e educandos no Colégio Militar. Pessoalmente, mantenho a fé e uma inabalável esperança de que os vectores tendencialmente destrutivos que, consciente ou inconscientemente, acompanharam a imposição do processo de mudança em curso, acabem por ser vencidos perante a força dos vectores construtivos que bem caracterizaram os mais de dois séculos da gloriosa história do Colégio Militar. Zacatraz, Zacatraz, Zacatraz...


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Antigos Alunos nas Artes e nas Letras

Antigos Alunos

nas Artes e nas Letras Histórias e Memórias de um Marinheiro-Aviador Colecção “Fim do Império”, n.º 12

Carlos Alberto Feliciano Marques Pereira (102/1946)

Recensão de Livros

H

istórias e Memórias é coisa que não falta neste livro. Umas risonhas, outras dramáticas, todas contadas com sentimento e contenção, são as que ficaram na memória do Carlos Marques Pereira, que no fim da adolescência conheceu, em casa de um tio, o piloto belga Pierre Closterman, herói da 2.ª Guerra Mundial – uma circunstância decisiva para o despontar da vocação que o levaria a servir

sucessivamente na Marinha e na Força Aérea. Da passagem pelo Colégio conserva na memória meia dúzia de peripécias, daquelas que podiam acontecer a qualquer um de nós, e cuja lembrança nos enche de saudades pelos anos fora. Quem não foi apanhado a cabular? Quem não foi um dia «despejado» por um cavalo que pura e simplesmente não gostava de saltar obstáculos? E quem não foi um dia interceptado por um fâmulo quando se preparava para saltar o muro da Quinta? Entre 1957 e 1959, após ter concluído com sucesso o curso da Escola Naval, o autor presta serviço na Armada. E então, sem que nos explique porquê – e que direito temos nós a saber os motivos? –, ruma à Força Aérea, onde obtém em 1960 o brevet de piloto. Quando o paquete Santa Maria foi assaltado por elementos da oposição ao Governo, Marques Pereira era 2.º piloto dos aviões Neptune que durante quatro dias tentaram, sem sucesso, localizar o navio. Meses mais tarde, nesse mesmo ano de 1961, a União Indiana invadiu Goa, Damão e Diu, e os Neptune foram colocados de prevenção na Base do Montijo. A rápida evolução da situação no terreno ditou o cancelamento da prevenção passadas 48 horas. Após uma breve passagem por Cabo Verde e Guiné em 1965, o autor foi colocado na Base Aérea da Beira, em Moçambique, para uma primeira comissão neste território, entre 1966 e 1969. Dessa estadia conserva o autor, entre outras, uma história que fez as delícias das

Messes militares e que recomendo vivamente: “O general, o brigadeiro, o coronel, o major, o capitão, o soldado e um avião” (pp. 94-97). Voltaria a Moçambique para uma segunda comissão, entre 1971 e 1973, desta vez em funções no Comando da 3.ª Região Aérea, em Nampula. A situação militar está a degradar-se, morrem pilotos atingidos por fogo inimigo, Marques Pereira vive em Mueda acontecimentos dramáticos que estão na origem duma profunda divergência com o seu Comandante. Em 1975, na sequência de uma revolução que ele entende ir por maus caminhos, decide sair da Força Aérea e procurar trabalho no Brasil, onde chega, com a família, em Outubro desse ano. Em Fevereiro de 1976, tendo vencido com engenho e arte um sufoco financeiro e inenarráveis obstáculos burocráticos, descola do Rio aos comandos dum bimotor Grand-Commander, pertença duma firma brasileira especializada em prospecção e fotografia aérea. Nos quatro anos seguintes, Marques Pereira vai fazer fotografia aérea no interior do Brasil, mas entretanto o seu salário, tal como as condições de segurança dos voos, deterioraram-se drasticamente. Em 1980, apercebendo-se de que não faz sentido continuar no Brasil, regressa a Portugal, onde encontra espaço e tempo para escrever as aventuras e as desventuras de uma vida com muitos motivos para recordar. Nuno António Bravo Mira Vaz 277/1950


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Antigos Alunos nas Artes e nas Letras

Memórias do Oriente – Índia, Timor e Moçambique Colecção “Fim do Império”, n.º 6

Luís Manuel Dias Antunes (221/1948)

Recensão de Livros

M

emórias do Oriente é justamente isso: o desfilar de recordações de um militar que viveu, umas vezes bem humorado, outras com intenso dramatismo, em três territórios distintos, os últimos anos do nosso «Império do Oriente». Militar de carreira, Dias Antunes partiu em 1959 para Diu onde se instalou, com o seu pelotão de madeirenses, na histórica fortaleza. Foi aqui, no cenário de antigas epopeias, que se encontrou pela primeira vez com a morte violenta de alguns camaradas, sendo especialmente lembrada a do Jorge Manuel Oliveira e Carmo, comandante da lancha Vega, que no dia 18 de Dezembro de 1961 se fardou de branco para dar combate, com a única peça antiaérea de 20 mm da embarcação, aos caça-bombardeiro Vampire, da Força Aérea Indiana, que atacavam

as forças portuguesas. Na última passagem, os Vampire mataram o jovem 2.º tenente e dois marinheiros. Dos muros da fortaleza, ela também atacada pelo fogo dos aviões e de um cruzador indianos, o autor assistiu à morte heróica do seu amigo – e nunca mais a esqueceu. Como não esqueceu as humilhações do cativeiro e, piores do que todas, as do repatriamento. Timor foi o destino seguinte, entre 1964 e 1966. Uma comissão recheada de incomodidades, num fim de mundo chamado Los Palos, onde Dias Antunes e a sua Maria João testemunharam as primeiras prospecções de petróleo no mar e aí observaram, um dia, uma mancha acastanhada, tão grande e densa, que não se podia entrar na água. O autor recorda com bonomia alguns dos seus companheiros de comissão, sem deixar de guardar na memória, com um olhar desencantado, o atraso do território e das gentes. De regresso à Metrópole, é colocado no Colégio, onde permanece um ano, até ser nomeado, em 1967, já capitão, para uma comissão em Moçambique. Mandam-no para o planalto de Mueda, para um buraco chamado Mutamba dos Macondes, tão mau que «nem na Guiné havia um sítio assim», onde os ratos, de noite, roíam as orelhas dos soldados e onde o autor, estando a fazer a barba, foi alvejado mais do que uma vez com tiros de espingarda que entraram pela janela. A comissão foi recheada de peripécias, umas alegres e outras dramáticas, até que um dia, encontrando-se a perseguir um grupo da Frelimo, caiu num buraco que o capim tornava invisível e ficou sem capacidade motora nas pernas. Evacuado sucessivamente para Mueda, Nampula e por fim Lourenço Marques, foi sujeito a dolorosas mas indispensáveis sessões de fisioterapia. De regresso à Metrópole, continuou os tratamentos em Alcoitão e no Hospital da Estrela, até que

uma junta médica o considerou «incapaz de todo o serviço». A memória do Luís Dias Antunes é complementada por testemunhos de diversos amigos, quase todos seus camaradas do Colégio, que muito ajudam a fixar o temperamento e o carácter do autor e da sua companheira de toda a vida. Nuno António Bravo Mira Vaz 277/1950


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Gírias Militares Portuguesas Gíria do Colégio Militar

José António Madeira de Ataíde Banazol 631/1968

Gírias Militares Portuguesas

Gírias do Colégio Militar

Q

uis o destino que encontrando-me à conversa com o Director da Biblioteca do Exército, Senhor Coronel de Infantaria Comando Freire da Silva, este me tivesse mostrado um livro, cujo título me atraiu. Folheei-o avidamente e, perante o meu entusiasmo, foi-me generosamente oferecida uma cópia da parte relevante do mesmo.

Trata-se de um livro da autoria do então Tenente Afonso do Paço, insigne arqueólogo, a quem se deve o estudo, entre outros, do Campo de São Jorge onde em 14 de Agosto de 1385 se travou a Batalha de Aljubarrota. Mas quem foi Manuel Afonso do Paço? De uma breve consulta da internet ficamos a saber que nasceu em 30 de Novembro de 1895 na freguesia de Outeiro, Viana do Castelo. Frequentou o Liceu em Viana do Castelo e Braga de 1908 a 1915 matriculando-se de seguida no curso de Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Em 15 de Maio de 1917 foi incorporado no exército como Aspirante a Oficial Miliciano. Herói da Grande Guerra, tomou parte na Batalha do Lys, em 9 de Abril de 1918, pertencendo ao 4º Grupo de Metralhadoras Pesadas. Foi aprisionado pelo Alemães e libertado em 28 de Dezembro de 1918. Condecorado com a medalha da Cruz de Guerra (2ª classe) era Cavaleiro da Ordem de Avis e possuía ainda duas «fourragères» da Cruz de Guerra, a medalha de bons serviços de prata com palma e a de comportamento exemplar bem como as medalhas comemorativas da Expedição a França (CEP-Corpo Expedicionário Português) e a da Victória para além de inúmeros louvores.

Regressou a Portugal em 16 de Janeiro de 1919. De 1919 a 1921 serviu como oficial na Guarda Nacional Republicana tendo sido ajudante de campo do Coronel Francisco António Baptista e do General Ernesto Maria Vieira da Rocha (208/1884). Em 1924 transitou para o quadro do Serviço de Administração Militar. Em 1925 vamos encontrá-lo como professor provisório no Colégio Militar. Reformou-se no posto de tenente-coronel e morreu em 29 de Outubro de 1968, no Estoril. Não cabe neste pequeno artigo expandir sobre a vasta obra no domínio da arqueologia de Afonso do Paço mas sim, dar a conhecer um dos seus livros. Trata-se de «Gírias Militares Portuguesas», editado no Porto em 1926 pela Editora MARANUS. Este pequeno livro, de cerca de 60 páginas - com uma carta prefácio J. L. de Vasconcelos (José Leite de Vasconcelos Cardoso Pereira de Melo, Ucanha, 7 de Julho de 1858 - Lisboa, 17 de Maio de 1941) -, é composto por três partes. Mas é a terceira: «Gíria do Colégio Militar», a que nos interessa. Apenas dois apontamentos. O emprego – exagerado, no entender do autor – do calão por parte dos alunos e as suas (algumas) características: fatalismo – qual seria a escada e o corredor? - e a solidariedade. Muitos são os termos que ainda eram usados no tempo em que fui aluno (1968/1975) mas outros, constituíram para mim uma completa surpresa pois deles não tinha conhecimento e nalguns casos o “objecto” é designado por um termo diferente daquele a que estava habituado. Mas basta de conversa. Aqui vos deixo o dito glossário…


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Gírias Militares Portuguesas Gíria do Colégio Militar

III PARTE GÍRIA DO «COLÉGIO MILITAR» No Colégio Militar o menino da Luz fala muitíssimo calão, talvez mais do que seria para desejar num estabelecimento de ensino. Consegui colher por lá muitos vocábulos, sendo muito auxiliado na minha tarefa pelo então aluno do 7º ano Sr. Lobo da Costa, a quem presto aqui os meus sinceros agradecimentos. Além desta centena de vocábulos mais ou menos particulares do Colégio, outras centenas por lá abundam comuns à gíria civil, militar de caserna e dos nossos liceus, como gajo, tipo, boiada, tarata, sorja, penco, estar à vara, gaitado, etc., etc. O menino da Luz é muito fatalista. Não sobe uma certa escada do Colégio sem pôr a mão numa viga de ferro que lhe fica por cima servindo de ombreira, donde resulta estar sempre suja e precisar de frequentes pinturas, nem passa num determinado corredor sem bater com o pé numa chapa de ferro que cobre certo cano de água, o que causa uma barulheira infernal. São, porém, muito solidários. Oxalá essa qualidade se desenvolva entre eles a um tamanho grau que amanhã, quando forem oficiais, o nosso exército seja outro, onde a camaradagem nos faça fortes contra os embates dos adversários. Que para o menino da Luz nunca a camaradagem, hoje quási palavra vã, seja «a arte ou sciência de impingir aos parceiros as espigas que se não querem». Lisboa, Agosto de 1925.

-A-

CANIVETE - Espada de cavalaria.

AGUAZIL - Refilão.

CAROCHA - Ponta de cigarro. O mesmo que bia. V. bia.

ALAMBIQUES - Pés que cheiram mal de verão, com o suor.

CARROÇA DOS CÃES - Carro para transporte dos professores do Colégio.

ALVORADA A TOQUE DE CAIXA - Em dia de começo de férias, ao toque de alvorada, os alunos batem nas caixas de folha com botas ou sapatos, em sinal de alegria, fazendo uma barulheira infernal. Daí a «alvorada a toque de caixa» (de folha).

CARTUCHEIRA - Palmada que se dá na barriga. CAUCASO (ir para o ... ) - Diz-se que um aluno vai para o Cáucaso (ou para o coco) quando perde duas vezes o mesmo ano e é expulso.

AMARELO, VIVA A ESPANHA - Chouriço com ovos.

CHANA - Embriagado.

ANDAR DE CAMÊLO - Andar no recreio às cavalitas de um aluno, que por sua vez apoia a cabeça e as mãos nas costas de outro que vai à frente.

CHOÇA - Prisão.

ASSINANTE - Aluno que vai por hábito a um certo lugar (assinante do curativo, etc.).

-BBACALHAUS - Orelhas grandes e separadas do crânio.

CLAUDINA - Região nadegueira. CLAVIJA - Região nadegueira. COCO (ir para o…) V. Cáucaso. COMPRAS (is às…) - Sair ao domingo para a Baixa ou a passear pela cidade.

BAFO - Fumaça (de cigarro).

COPA A GLÓRIA (levar a ... ) - Esgotar o que na copa há para uma refeição. Hoje com a carestia da vida vai todos os dias a copa à glória, não havendo mesmo, em geral, repetições de qualquer prato.

BANHEIRAS - Travessas fundas onde geralmente servem a pelanca, (V. Pelanca).

CURRO - Turno de alunos para exame.

BACALHAU DE ESPIVIA - Bacalhau guisado com batatas.

BARRETINA (ENXÊRTO DE ... ) - Sova, pancadaria. BIA - Ponta de cigarro. Pelo seu tamanho divide-se em: bia de Marechal, General, Coronel, Tenente-Coronel ... até tambor.

-D-

BICA - Mulher.

DISTRAÍDO - Estúpido.

BICANÇADA - Pontapé.

DITO - Director.

BICO - Pontapé.

DONA-LAS - Dar manteiga, captar simpatias. O mesmo que manteigá-las.

DISTILAR - Suar dos pés.

BODE (DAR UM…) - Dar uma queda no picadeiro. BOLAMA - Qualquer comestível que se tenha no Colégio. BORRIFAR - Sujar.

-C-

-EEMIGRAR - Fugir, sair para fora da área estabelecida para qualquer coisa. ENCROCAR - Estudar afincadamente. ESCALHABARDODONTES - Sapatos de atanado, distribuídos aos alunos socorridos.

CAÇADO - Encontrado ou visto a fazer qualquer coisa defesa.

ESCOVINHA (estar a ... ) - Estar zangado.

CÁGADO - Pé.

ESTICA - Cigarro delgado.

CAGAITO - Mão.

ESTRANGEIRADA - Grande barulho.

CAGARIM - Barulho.

ESTRANGEIRO - Aquele que não pertence ao Colégio.

CAGARINHEIRO - Que faz cagarim ou barulho. CAIXA DE PAU - Caixa ou mala onde se guarda o enxoval. CALIXT0 - Caderno de apontamentos de capa de oleado.

-FFAZER ANOS - Apanhar pancada.

CANALHA - Delator. O que acusa os companheiros.

FARPA - Pontapé.

CANALHICE - Acusação aos superiores de qualquer acto dos camaradas que mereça punição.

FEIJAO ARTILHEIRO - feijão encarnado.


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Gírias Militares Portuguesas Gíria do Colégio Militar

FIFÓS - Tatebitates. FINANÇAS - Sucatas de certo valor. V. Sucatas. FLATÉTE - Palmada na testa. FRANCICA - Namorada. FURIOSO - Aluno muito influído em qualquer coisa (Ex. furioso em ginástica, etc.). FURRIEL - Aluno do 7.º ano, não graduado.

-GGAITADA - Descompostura. GALINHA METRALHADA - Galinha guisada, muito mal partida. Dava a impressão de que uma granada lhe caíra em cima e a estilhaçara. GÁSPEA - Pontapé. GOZO - Saída aos domingos, concedida aos alunos do 7.° ano.

-HHIBERNAR - Deixar-se ficar na cama depois do toque de alvorada, embrulhado nos cobertores para não ser visto pelo oficial de serviço. HIO - Gordo.

PASSAR REVISTA ÀS TROPAS - Diz-se do aluno que no picadeiro não doma o cavalo que, desenfreado, passa sem governo à frente de todos os outros. PASTAR (levar os meninos a…) – Acompanhar e vigiar os alunos no recreio. (Frase usada pelos oficiais de dia). PEIXE BLINDADO - Corvina cozida (por ser de difícil ingestão). PEIXE DE LATA - Peixe assado com batatas (por ser servido em assadeiras de folha). PERNICITAS - Pessoa com pernas pequenas em relação ao corpo. PIRANGUEIRO - Aluno que anda sempre sem dinheiro. PELANCA - Batatas guisadas com carne (por ter grande abundância de peles). PNEUMÓNICA - Lâmpadas verdes das camaratas. POÇO (armar um…) - Tirar os ferros a uma cama, resultando cair o seu dono ao chão quando vai a deitar-se.

-RRAPAR - Fingir de doente ou qualquer outra coisa. RAPAUTlTE ou INTRUGITITE - Doença fingida. RAPSÓDIA - Sopa marca e «miscelânea» (feita de muitas coisas). RATAS - Alunos do 1.° ano do Colégio.

HOMEM - Professor. Lá vem o homem.

REDUCTA - Ponta ele cigarro.

-I-

ROCAR - Andar de castigo.

INFIA - Instrução de infantaria. INJECTADO - Mal disposto, aborrecido. INTRUGITITE OU RAPAUTlTE - Quando algum aluno finge estar doente, diz-se que tem aquelas moléstias.

REFRACTÁRIO - Aluno pouco disciplinado.

-SSACO (armar um…) - Tirar um lençol à cama, dobrando ao meio o que fica fingindo de lençol de baixo e de cima.

IRRITAR O INDÍGENA - fazer acções que irritem o menino da Luz.

SALA DOS CÃES - Sala do oficial de dia, onde costumam reunir-se os professores.

-L-

SEM CLOROFILA - Pálido.

LAMESGA - Escarro. LEOTE - Parvo. Tanso. LESMA - Escarro.

SEBÊNCIA - Porcaria. SESSÃO (fazer ... ) - Juntar-se muita gente num lugar. SOPA DE BARRIL DO LIXO - Sopa de restos de pão, hortaliça, etc. SOPA DE FEIJÃO ARTILHEIRO - Sopa de feijão encarnado.

LOGARITMOS - Pasteis de bacalhau, com forma de «croquetes».

SOPA DE NAUFRAGOS - Sopa de carne com poucos feijões a boiar.

-M-

SUBIR COM O CARRO A ANDAR - Entrar para a forma, indo já todos em marcha.

MANGAS DE CAPOTE - Carne guisada com macarrão. MANTEIGÁ-LAS - Dar manteiga, captar simpatias. MAREFADO - Zangado. MARRAR - Estudar muito. MATULÃO - Aluno do 6.° e 7.° ano. Matulão é antítese de rata . MAYONNAISE X ... - Espécie de bacalhau à Gomes de Sá, especialidade do Colégio. MENINO DA LUZ - Aluno do Colégio Militar, por este estar situado na Luz.

-NNADAR (estar a ... ) - Estar sem saber ou sem perceber coisa alguma. NAUFRAGO - Frango ou pedaço de frango que servem na enfermaria aos alunos doentes. Aparece na terrina da canja com dois bagos de arroz, com uma perna ou asa de fora como um náufrago.

-OOCA - Região nadegueira.

-PPAPEL ZERO - Papel higiénico. PASSAGEIRO - Aluno que se lava pouco ou foge ao banho (faz passagens). PASSAGEM (fazer…) - Não ir ao lavatório ou ao banho. Fugir a praticar aqueles actos de higiene.

SUB - Subdirector. SUCATAS - Objectos sem importância que se tem guardados.

-TTABAQUEAR - fumar. TARULA - Soldado. TOCHA - Cigarro grosso. TRANCA - Cigarro grosso. TRINCOSA - Boca; trincadeira.

-VVULCÃO (armar um…) - Meter-se debaixo de uma cama e quando o seu dono estiver a dormir, por um impulso com o dorso atirar com cama e com o aluno para o chão.


Especialistas de Marketing Digital visitam o Colégio Militar

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Especialistas de Marketing Digital visitam o Colégio Militar U

m pequeno grupo de especialistas de Marketing Digital de Lisboa, Porto e Aveiro, Colegas de João Miguel Jardim de Abreu Ferreira Pinto (261/1980) na Universidade Europeia, IPAM, IADE e ISCTE, nas Pós-Graduações de Marketing Digital, considerados uma espécie de “gurus” nesta matéria, com milhares de alunos e seguidores nas

Biblioteca, Sala de Armas e Museu, visita que encantou todos os participantes. Estes especialistas do Digital ficaram assim a conhecer in loco parte do nosso Colégio. Pelo seu testemunho pessoal e pelos elogios e agradecimentos que espalharam pelas redes sociais e canais digitais, jamais irão esquecer o que testemunharam pessoalmente.

ção bicentenária em pleno funcionamento com os Meninos da Luz?».

redes sociais e em canais próprios, formadores internacionais e consultores de Marketing Digital, visitaram o Colégio Militar no passado dia 21 de Julho do corrente ano de 2015.

As fotos mostram o grupo de visitantes que atentamente ouviram a apresentação feita pelo Antigo Aluno Comandante do Corpo de Alunos. Um conjunto de fotos mais alargado e um vídeo estão no Facebook e têm constituído um sucesso.

Pranto, Pedro Caramez, Sandra Neves e Tomás Pardal Monteiro, engloba a maioria dos fundadores da DIGITAL MARKETERS – Associação de Profissionais de Marketing Digital (APMD), constituída em Assembleia Geral realizada na Universidade Europeia.

A ida ao Colégio, que constituiu uma surpresa para todos os participantes, foi organizada pelo João Ferreira Pinto com a colaboração do actual Comandante do Corpo de Alunos, Major de Cavalaria Bernardo Luís da Silveira e Lorena Lopes da Ponte (80/1980), que teve a amabilidade de os receber e acompanhar, ao entardecer, numa visita guiada aos Claustros,

Para o organizador foi muito gratificante o fascínio causado com a visita e a história do nosso Colégio, com especial relevância para o Museu Colegial, tendo-lhe sido questionado «quando será possível conhecer esta Institui-

Este grupo que visitou o Colégio, constituído por André Novais de Paula, Carlos Pinto Ascensão, Elsa Testa Heleno, Filipe Carrera, João Miguel Lopes, João Ferreira Pinto, José Rousseau, Luís Bettencourt Moniz, Luísa do


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Allegro - A Volta ao Mundo do Veleiro onde também navega a Barretina

António Rui Prazeres de Castilho (147/1948)

Allegro

A Volta ao Mundo do Veleiro onde também navega a Barretina

D

epois de algumas viagens no Atlântico e no Mediterrâneo, o meu imaginário ficou orientado para a grande aventura – A Volta ao Mundo. É permitido sonhar, mas não é fácil, sem barco e com a minha idade, realizar este sonho. Mas ele ganhou corpo e barco para navegar, graças uma vez mais, ao espírito único que se cria no Colégio Militar e que perdura pela vida fora.

O Luís Maria Pedroso Adão (164/1960), armador e skipper do Allegro, convidou-me para fazer parte da tripulação do seu barco, num projecto irrecusável. A mesma oportunidade não passa muitas vezes à nossa frente, a vida é curta, a idade longa e com uma viagem programada para vinte e dois meses ou era agora ou possivelmente nunca mais. Antes de aceitar este desafio, falei com o Luís

sobre o problema da minha idade e também do pouco conhecimento que tínhamos um do outro e a resposta foi somente esta: “Andámos os dois no Colégio Militar, tivemos a mesma educação, com os mesmos princípios e valores que o Colégio nos legou, tudo vai correr bem “. Para quem não faz vela de cruzeiro poderá não perceber esta minha preocupação, pois


Allegro - A Volta ao Mundo do Veleiro onde também navega a Barretina

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não têm ideia dos problemas que se criam com as tripulações. Não é fácil viver dia após dia com as mesmas pessoas, num espaço reduzido, principalmente em viagens grandes como esta que nos propomos realizar - A Volta ao Mundo. Ninguém imagina as reacções das pessoas perante situações de perigo, solidão, angústia, claustrofobia e outras, por mais calmas e normais que pareçam. Eu digo sempre que é fácil ensinar as técnicas base de velejar, mas é quase impossível ensinar alguém a estar “bem a bordo”. Cada tripulante tem que saber precisamente o espaço físico e virtual que pode ocupar, atendendo ao número de pessoas e ao volume disponível do barco, para que se consiga harmonia e bem-estar, gozando em pleno, o prazer que a vela nos proporciona. A tripulação base do barco será o Luís Adão, a Manuela Adão e eu, que em princípio, faremos a viagem completa. Outros convidados do Luís irão entrar para realizar algumas pernas do percurso de acordo com a disponibilidade de cada

máquinas, compõem o restante interior. A mesa de navegação está montada com todo o equipamento moderno de navegação e transmissões, de forma que a tripulação se desloque de porto para porto com a máxima segurança possível. A casa das máquinas para além do motor, tem um gerador de corrente 220 V, e um aquecedor de água, aparelhos que contribuem, sem dúvida, para o conforto da tripulação. Junto à roda do leme estão todos os repetidores da informação electrónica, um plotter com GPS, AIS, radar, sonda, os comandos do piloto automático e um terminal VHF. Para além deste piloto, na popa do barco, foi montado um piloto de vento, um gerador eólico, um hidrogerador e a balsa. O barco foi todo revisto e cuidadosamente equipado com todo este material, não esquecendo duas velas novas, a grande e uma genoa. Uma viagem destas não começa no dia da largada, ela envolve uma revisão total ao barco, devidamente programada, com muitos meses

Para além disso, pegado ao estaleiro encontra-se a Marina de Lagos, complexo novo, com uma envolvente de apoio aos navegantes e ao turismo. Lagos é hoje uma cidade moderna, simpática, de fáceis acessos e que se orgulha do seu passado. Devido à sua localização foi ponto de partida e de chegada das naus que progressivamente foram descobrindo a costa africana. Com este movimento nasceu o comércio de produtos vindos de regiões até então desconhecidas, como o ouro, o marfim, a prata e outros. Foi construída uma nova muralha e vários fortes que reforçaram o domínio cristão até então nas mãos dos muçulmanos. Um grande número de igrejas e capelas foram surgindo por toda a parte. A cidade foi reconstruida em grande parte após o terramoto de 1775. No dia 27 de Setembro de 2014, o Allegro largou as amarras da Marina de Lagos, com destino ás Canárias, dando início à Volta ao Mundo. Foi uma despedida simples, com a presença

um e o número de tripulantes necessários. Para a largada de Lagos está convidado o casal Pedro e Rita Katzenstein. O Allegro é um veleiro de 45 pés, do estaleiro holandês Trintela. Tem três cabines, com duas casas de banho. Um salão grande, contempla um sofá com mesa para refeições, uma mesa de navegação, cozinha, não faltando o frigorífico e o congelador. O compartimento do motor e

de antecipação. Cabe ao proprietário do barco a parte mais complicada e dispendiosa, para que, uma vez no mar, se verifiquem o menor número de avarias. A escolha de Lagos para a largada teve a ver com o estaleiro que o Luís Adão escolheu para preparar o Allegro. Um estaleiro com boas instalações, prestando às embarcações um serviço técnico de qualidade.

de familiares e amigos e revestida de uma certa emoção, tenho que confessar, pois ficaram em terra grandes valores e referencias que só passados vinte e dois meses será possível rever. A vida de marinheiro e marinheira é mesmo assim... As Ilhas Canárias são pontos de passagem, eu diria, de paragem quase obrigatório para quem vem da Europa e quer atravessar o Atlântico.


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Allegro - A Volta ao Mundo do Veleiro onde também navega a Barretina

Nós como partimos bastante cedo, visitámos primeiro Lanzarote e Forte Ventura antes de chegar a Las Palmas. Lanzarote é a primeira ilha que se encontra, por estar mais a oriente em relação ao resto do arquipélago. Para nós portugueses a casa museu e biblioteca, do escritor José Saramago, são pontos a não perder. São duas construções bem cuidadas onde a preocupação de preservar os espaços originais foram uma constante. Forteventura é um paraíso vulcânico com treze parques naturais protegidos e classificados pela Unesco. A grande atracção turística e fonte de riqueza são os seus cento e cinquenta km de praias de areia branca. Chegamos a Las Palmas no dia 13 de Outubro, às quatro horas da madrugada. Foi feita uma aproximação muito cuidada, pois a iluminação da cidade, do porto comercial, do terminal de contentores e petrolífero, causam grandes dificuldades à interpretação da navegação à vista, que tem de ser feita, conjugando-a ao

Esta ilha também é um ponto de reunião onde os barcos aguardam pelo dia 26 de Novembro, data de segurança estimada pela meteorologia para dar início à travessia. Mais de 400 veleiros e suas tripulações aguardam ansiosos e preparados para a grande viagem de cerca de catorze a quinze dias, rumo às Caraíbas. No nosso caso optamos por fazer a rota por Cabo Verde. Largamos a nove de Novembro, e chegamos a dezasseis á ilha de São Vicente, cidade do Mindelo. Foi uma viagem sem problemas, mas com mar de vaga forte, o que normalmente não nos tem acontecido. Esta terra ainda cheira a Portugal. Aqui fala-se a nossa língua, as pessoas são simples, simpáticas e afáveis. Conservaram tudo que era português na cidade, como gesto de urbanidade, dando um grande exemplo e uma lição a outros povos, mesmo até a nós portugueses: a História não se apaga. Na praça principal da cidade lá estão duas estátuas de portugueses, uma delas de Luís

a três pessoas, pois as outras duas, o Pedro e a Rita, por razões pessoais desligaram-se do projecto. O Luís, a Manuela e eu iremos continuar o nosso plano inicial, tendo para já a travessia do Atlântico. Vamos terminar em Cabo Verde esta pequena descrição da volta ao mundo no Allegro e dar resumidamente uma perspectiva dos locais de paragem que estão no nosso programa. Neste momento estamos na Austrália, na cidade de Mackay. Foi uma viagem longa, longa, através do Atlântico e do Pacífico. O Pacífico é um mar que parece não mais acabar. Largamos e Cabo Verde a 19 de Novembro de 2014, para chegar à Austrália a 25 de Julho de 2015. Claro que neste período paramos nos pontos previsto de apoio, não só para nos abastecermos, mas também para conhecer os países, as regiões mais bonitas, as suas gentes. A riqueza desta volta está para além da parte desportiva, o velejar, que tem evidentemente um lugar muito importante, mas contempla dentro do

mesmo tempo com as imagens do radar e da cartografia digital. Com estas ajudas preciosas e as mãos do Skipper no leme chegamos a bom porto. A cidade é grande, moderna com um movimento de carros incrível, uma zona comercial vastíssima e um centro histórico muito rico. É uma mais-valia para os barcos que se querem abastecer para a travessia do Atlântico.

de Camões. No portal principal do mercado municipal continuam a figurar as armas com o escudo português. O acesso à Ilha é franco com um ilhéu ao largo. O canal São Vicente - Santo Antão tem zonas de aceleração de vento e mar com vaga por vezes forte. A cidade tem uma marina moderna com todos os apoios à navegação. A nossa tripulação neste porto ficou reduzida

possível tudo que se relaciona com os povos, a sua história, língua e costumes. A alimentação e o folclore fazem parte da nossa descoberta. Deixando Cabo Verde e apanhando os alísios fizemos rumo às Caraíbas, à Ilha de Santa Lúcia. Algum tempo para repouso da travessia, pois com uma tripulação de três pessoas os quartos passam a totalizar oito horas por dia, fora as tarefas de cozinhar, limpezas, navegação e outras.


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Vistamos as ilhas mais próximas para sul, São Vicente, Béquia, Mostique e Tobago Key. Regressamos a Santa Lúcia, para passar o Natal na Marina de Rodney Bay. Foi um jantar divertido, no barco, onde eu e o Luís tiramos uma foto com a minha Barretina. Ela vai acompanhar-nos durante toda a viagem. Mais dois marinheiros entraram para a tripulação, o Ricardo e a Margarida que nos vão acompanhar até á cidade do Panamá. A rota prossegue para a Colômbia, cidade de Santa Marta, Ilhas de São Blas (Panamá). Estas duas pernas foram violentíssimas pois é uma zona de tempestades tropicais que se levantam em segundos. Vêem acompanhadas de ventos, mar e chuva muito fortes. O barco tem de ser governado à mão porque não há piloto automático que aguente estas condições. Navegávamos com vento de alhete e a correr com a vaga. Não foram fáceis estes dias para toda a tripulação. Na cidade de Colon entrou a

entre os dois oceanos fosse possível. Foi uma experiência única e muito interessante. Depois do canal, visitamos a cidade do Panamá. Entramos finalmente no oceano Pacífico. Continuando a volta sempre a rodar de leste para oeste, chegando ao arquipélago Las Perlas (Panamá) e a Galápagos. Aqui a nossa tripulação ficou reduzida novamente aos três elementos base, iniciando uma das pernas mais longa da viagem, cerca de três mil milhas, rumo às Marquesas. Destas ilhas passamos para o Arquipélago de Tuamatu, Tahiti, Moorea, Raieteia, Bora Bora, Tonga, Niue, Vava’U, Fiji, Vanulevu, Viti Levu, Vanuatu, Efata e Austrália. Estas ilhas do pacífico são maravilhosas, com paisagens lindíssimas e a aproximação por mar é de uma beleza incalculável. A chegada Mackay, na Austrália, será como chegar ao paraíso. E como chegar ao paraíso não deve ser fácil, para nós também não foi. Seis dias antes da chegada, estava previsto na meteorologia uma tempestade que nos apa-

A marina de Mackay é o espelho de tudo o resto. A partir de Mackay iremos contornar a costa leste da Austrália, conhecida como “Coral Coast”, para parar em Darwin. Depois segue-se Lombok na Indonésia, ilha de Cocos, Christmas Island, Mauricias, Ilhas de Reunião e Africa do Sul, na cidade de Richards Bay. O Natal de 2015 será passado na cidade do Cabo. Segue-se o Brasil com passagem por Santa Helena. No Brasil a cidade escolhida foi Salvador da Baía onde está prevista a chegada na sexta-feira de Carnaval. Depois de alguns dias de folia esperamos gozar de um mar calmo para chegar às ilhas Granadas e a Santa Lúcia. Aqui completaremos a Volta Ao Mundo!

Teresa Gago que vai ser nossa companhia até Galápagos. Estamos agora no Canal de Panamá. Este canal tem procedimentos muito específicos para se navegar, entrando um piloto para cada barco que dirige as respectivas manobras. A diferença de nível entre o Atlântico, a zona dos lagos e o Pacífico obrigou à construção de eclusas para que a navegabilidade

nhou com alguma violência, obrigando o barco e a tripulação a um esforço redobrado. Com apenas três tripulantes, o Luís, a Manuela e eu, não paramos dia e noite. O vento e as ondas acompanhadas de chuva violenta transformavam o barco numa verdadeira casca de nós. Apesar de Mackay ser uma pequena cidade, tudo está organizado, limpo, bem tratado, com zonas verdes espalhadas por toda a cidade.

muda, as nossas maravilhosas ilhas dos Açores e finalmente Lagos, donde partimos. Neste momento, como já disse estamos na Austrália, metade da volta já está feita, tendo dado para avaliar das dificuldades existentes numa viagem desta dimensão, mas também para registar que valeu a pena todo este esforço, pois sem ele, não seria possível conhecer toda esta longínqua e mítica fatia do mundo.

Mas a viagem não terminou, temos que ir para casa, e fazer mais algumas milhas. Teremos que navegar até ao norte das Caraíbas, parando para conhecer a maior parte destas ilhas, para depois rumar a NE passar pela Ber-


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Uma curiosidade Histórica Couto Misto

António Rafael Passarinho Franco Preto 67/1950

Uma curiosidade Histórica

Couto Misto

Um Micro Estado entre Portugal e a Espanha (Couto Mixto em Galego; Coto Mixto em Espanhol)

P

ara aqueles que nunca ouviram falar de tal – a existência durante séculos de um micro estado entre Portugal e Espanha (mais precisamente entre Ourense e Vila Real) – é uma surpresa e uma curiosidade histórica. No entanto, existem referências à sua existência desde o século X.

Couto Misto

Com uma dimensão de 27 km2, Couto Misto foi um verdadeiro estado independente (reconhecido “de facto” pelos reinos de Portugal e Espanha até 23 de Junho de 1868, quando se verificou a sua partição e anexação formal pelos dois países). E como de curiosidade histórica se trata, passamos a dar algumas informações sobre o Couto Misto (aqueles que se sentirem interessados poderão procurar na internet1 dados adicionais). A sua bandeira era branca e azul (dois rectângulos iguais – branco à esquerda e azul à direita – formando um quadrado) Delfim Modesto Brandão (nascido em Tourém em 1835), foi o último "chefe de estado", a partir de Janeiro de 1863 (de acordo com as suas memórias). Muito do que se conhece sobre este território raiano, suas normas, usos e costumes, provém dos relatórios diplomáticos produzidos à época das negociações do Tratado de Lisboa (1864). 1 Donde retirei a maioria destas informações.

Bandeira

O seu lema nacional Tres Unum Sunt (Três são Um) Capital Santiago Línguas Oficiais Português, Galego e Espanhol Religião Catolicismo Governo Democracia directa População 800 habitantes (estimativa relativa a 1845)


Uma curiosidade Histórica Couto Misto

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DEFINIÇÃO E HISTÓRIA Embora se desconheça a origem de sua instituição, ligada desde a Baixa Idade Média ao Castelo da Piconha, posteriormente vinculado à poderosa Casa de Bragança, constituía-se numa pequena área fronteiriça de cerca de 27 km² com organização própria, que não estava ligada nem à Coroa de Portugal e nem à da Espanha. Entre os direitos e privilégios deste pequeno território encontravam-se o de asilo para os foragidos da justiça portuguesa ou espanhola, o de não dar soldados nem para um reino nem para o outro, o de isenção de impostos, o de liberdade de comércio (como o sal, objecto de estanco até 1868), a liberdade de cultivos como o do tabaco, e outros. Até à assinatura do Tratado de Lisboa (1864) e sua entrada em vigor em 1868, cada habitante do Couto elegia livremente a nacionalidade espanhola ou portuguesa. A partir do Tratado, os seus domínios passaram para a soberania da Espanha, integrados nos Concelhos de Calvos de Randín (aldeias de Santiago e de Rubiás) e Baltar (aldeia de Meaus). Em contrapartida, passavam para a soberania de Portugal os chamados "povos promíscuos", até então divididos pela linha da raia, actuais Soutelinho da Raia, Cambedo e Lama de Arcos (Chaves). O território do Couto Misto ainda incluía uma pequena faixa desabitada que hoje integra o município português de Montalegre. OS PRIVILÉGIOS DO COUTO MISTO (alguns detalhes)

› NACIONALIDADE

Os habitantes do Couto Misto não se encontravam obrigados a uma ou outra nacionalidade, podendo inclinar-se, dependendo de razões geográficas, familiares ou tradicionais, por uma, por outra, ou por nenhuma. O momento em que tradicionalmente se exercia essa opção era no dia das bodas: os que optavam por Portugal bebiam um cálice de vinho pela honra e à saúde do rei português, inscrevendo a letra "P", de Portugal, à porta do domicílio conjugal; aqueles que optavam pela Espanha, brindavam à honra e saúde do rei espanhol, inscrevendo a letra "G", de Galiza, em seu domicílio2. A prática foi substituída pela inscrição de outras simbologias, a partir de meados do século XIX, quan-

do as autoridades de ambos os países começaram a questionar os privilégios do Couto. Concretamente, os seus habitantes não estavam obrigados a utilizar documentos de identidade pessoais, não estando sujeitos aos efeitos jurídicos de uma nacionalidade: eram considerados como "mistos" (o que quer que isso significasse). Como território independente de facto, os habitantes do Couto Misto detinham vários privilégios, como a isenção de serviço militar e de impostos, e podiam conceder asilo a estrangeiros ou opor-se ao acesso a forças militares estrangeiras.

› TRIBUTOS

Os habitantes do Couto Misto não eram obrigados a pagar tributos a Portugal ou à Espanha, quer os devidos pela terra, pela prática de actividades comerciais ou industriais, por consumo, sucessão ou outros. Esse facto levou muitas pessoas a casar e a se estabelecerem no Couto, para evitar o pagamento de tributos, ao mesmo tempo em que estimulou uma dinâmica actividade comercial, classificada pelas autoridades de ambos os países como contrabando. Entretanto, os "mistos" não podiam ser detidos até uma légua dos limites do Couto e nem nos caminhos ou veredas privilegiadas, ou por actividades consideradas ilícitas.

2 Era muito mais prático que ter de ir arranjar um passaporte!

› SERVIÇO MILITAR

Os habitantes do Couto não contribuíam nem para o Exército português nem para o Exército espanhol em tempo de guerra.

› PORTE DE ARMAS

Os habitantes do Couto não necessitavam de licença para o porte de armas de qualquer classe de (caça ou de defesa), quer dentro do Couto, quer no caminho privilegiado.

› IMPRESSOS OFICIAIS

Os habitantes do Couto não estavam obrigados ao uso de papel selado, podendo fazer uso de papel comum em todos os tipos de acordos e contratos. Do mesmo modo estavam desobrigados de pagar direitos pelo registo de propriedade, como no caso de hipotecas.

› AUTOGOVERNO

Os habitantes do Couto tinham o privilégio do autogoverno, mediante a eleição de um Juiz ou Alcaide que exercia as funções governativas, administrativas e judiciais, auxiliado pelos “homens-bons”, também eleitos em cada um dos três povoados (Santiago, Rubiás e Meaus). Além disso, havia a possibilidade de firmar acordos em conselho aberto (assembleia).


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Uma curiosidade Histórica Couto Misto

do Couto Misto (Rubiás, Meaus e Santiago) pertencerão à Galiza (província de Ourense). Outras aldeias, mais pequenas, foram objecto de negociação, mais propriamente aldeias situadas na fronteira, sendo que muitas delas eram atravessadas pela linha limítrofe. ACTUALIDADE

Placa comemorativa na Igreja de Santiago

› DIREITO DE ASILO Nem as autoridades portuguesas e nem as espanholas podiam ingressar no Couto em perseguição de um indivíduo, excepto no caso de determinados delitos, como o homicídio, por exemplo. Este direito, incomodava bastante as autoridades de ambos os países, o que, historicamente, se traduziu pela acção esporádica, quer da justiça portuguesa, quer da espanhola, no território do Couto. Do mesmo modo, o Couto podiam negar alojamento às forças militares de ambos os países, prática que em diversas ocasiões não foi respeitada diante da superioridade numérica das tropas visitantes, especialmente no século XIX.

› FEIRAS E MERCADOS

Os habitantes do Couto Misto podiam frequentar as feiras das comarcas limítrofes, comprando e vendendo todos os tipos de gado e mercadorias sem a obrigação de pagar direitos e de apresentar guias, documentos aduaneiros ou de qualquer tipo.

› CAMINHO PRIVILEGIADO

Os habitantes do Couto dispunham de um caminho neutro, de cerca de 6 km de extensão, que, partindo do Couto, atravessava as terras de Calvos de Randín, na Galiza, e de Tourém, em Portugal, seu destino. Era delimitado por mourões ou marcos de pedra, marcados com diversos sinais, como cruzes.

Utilizado para o trânsito de pessoas e de mercadorias, as autoridades de ambos os países não podiam realizar nenhuma apreensão dentro de seus limites (mesmo que se tratasse de contrabando), nem de molestar quem o utilizava.

› CULTIVOS

Os habitantes do Couto podiam cultivar todos os géneros, inclusive aqueles objecto de estanco, como o tabaco, controlado com rigor por ambos os países, por receio do prejuízo que poderiam causar às suas Fazendas. Assim, por iniciativa de ambos, este privilégio foi perdido desde 1850.

› OUTROS PRIVILÉGIOS

Os habitantes do Couto não eram obrigados a participar dos processos eleitorais e nem dos assuntos políticos quer de Portugal quer da Espanha, privilégio que tinha reciprocidade no respeito que as autoridades de ambos os países sempre tiveram pelos privilégios do Couto Misto. FIM DO COUTO MISTO Em 1864, o Tratado de Lisboa, celebrado entre Portugal e Espanha, dita o fim do Couto Misto. Com o Tratado de Lisboa, Portugal e Espanha acordaram no destino a dar às aldeias raianas. As três principais aldeias

O interesse pelo Couto Misto ressurgiu em meados da década de 1990, tendo levado ao incremento da investigação histórica e a várias publicações sobre o território. Um programa conjunto de verão foi organizado pela Universidade de Vigo e Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro em 1999 visando a história do Couto Misto. Em 1998 a Associação de Amigos do Couto Misto (Asociación de Amigos do Couto Mixto) foi fundada, seguindo-se em 2003 pela Associação Comunitária do Couto Misto (Asociación de Veciños do Couto Mixto). Movimentações políticas relativas ao Couto Misto levaram a debates e resoluções dos parlamentos galego, espanhol e europeu: em Maio de 2007 uma moção (Proposición no de ley) foi discutida e aprovada (com 303 votos a favor) pelo Parlamento Espanhol reconhecendo a singularidade do Couto Misto como enclave histórico e cultural, apelando a medidas que permitam o desenvolvimento social e económico do território. Ao mesmo tempo, uma moção semelhante foi aprovada pelo Parlamento da Galiza. Em 2008 uma questão foi colocada por escrito ao Parlamento Europeu em relação à contribuição da União Europeia para reavivar o Couto Misto, definido como "instituição que era politicamente e administrativamente independente das coroas espanhola e portuguesa."


Antigos Alunos Veterinários Militares

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Coordenação de

João Carlos Agostinho Alves (110/1996)

Antigos Alunos Veterinários Militares

É

Frederico da Fonseca (232/1964), João Alves (110/1996), Martiniano Gonçalves (9/1958), Henrique Barbosa (426/1933), António Pires (300/1930) e Pedro Silva (189/1991).

possível encontrar antigos alunos do Colégio em qualquer área de actividade, como facilmente se percebe pela acentuada presença na toponímia nacional ou numa visita pelo museu do Colégio. E a Medicina Veterinária não é excepção. Intimamente ligada, nos seus primórdios, à Instituição Militar, o corpo docente da primeira Escola Veterinária assentou num grupo de militares enviados por despacho real a França para se formar: “Eu El-rei, Faço saber aos que este Alvará virem: Que sendo de absoluta necessidade, que

nos Corpos de Cavalaria, e nas Companhias de Condutores do Meu Real Exército hajam Veterinários, que adquirindo os precisos conhecimentos desta Arte, possam bem desempenhar as funções daqueles lugares, com vantagem do Meu Real Serviço: E convindo igualmente que estes conhecimentos se generalizem, para utilidade publica, na conservação e criação de toda a espécie de gado cavalar, vacum, e lanígero, para o que se torna indispensável o estabelecimento de uma Escola Veterinária, aonde se ensine metodicamente a referida Arte. Palá-

João Alves (110/1996) no exercício das suas funções na GNR ©Foto GNR/DCRP

Pedro Silva (189/1991), no exercício Felino 2010 em Angola

cio de Queluz, 29 de Março de 1830.” Esta Escola teve as suas primeiras instalações no antigo quartel da Escola Elementar de Cavalaria, localizada no sítio da Luz, em frente ao então Real Colégio Militar, instalações que actualmente estão cedidas à AAACM. Foi nesse mesmo local que, no dia 28 de Março de 2010, se reuniram Oficiais e Sargentos ligados ao Serviço Veterinário Militar para assinalar os 180 anos de criação do ensino veterinário em Portugal. Esse grupo reunia vários antigos alunos, nomeadamente o António Relvas Pires (300/1930), o Henrique Duarte Casquilho Barbosa (426/1933), o Frederico Manuel Petrucci Gutteres da Fonseca (232/1964), o Pedro Miguel Tomás Silva (189/1991) e o João Carlos Agostinho Alves (110/1996) que, com o Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958), na altura presidente da AAACM, tiraram uma fotografia para a posteridade. Um dos nomes que importa também lembrar é o do José Joaquim Corrêa Monteiro Júnior (419/1923), pai e avô de antigos alunos, já falecido à data desse encontro e que ao longo da sua carreira desempenhou várias missões em Portugal e no Ultramar. Serviu ainda na Guarda Nacional Republicana, onde estará sempre ligado à Cinotécnia da GNR, tenho sido um dos fundadores do Centro de Instrução de Cães (no próximo ano celebra-se o sexagésimo aniversário da sua criação). Foi ainda chefe do Serviço Veterinário da GNR, médico veterinário do Jardim Zoológico e Secretário-geral do Clube Português de Canicultura. Esta história da Medicina Veterinária em Portugal e, em particular, nas forças militares, continua ainda hoje a ser escrita, com dois antigos alunos ao serviço destas Instituições, nomeadamente o Pedro Silva (189/1991), no Exército e o João Alves (110/1996) na GNR.


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Mães, Irmãs e Esposas

José Medeiros de Almeida 497/2004

Mães, Irmãs e Esposas josemedeirosdealmeida@gmail.com

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indo o ano lectivo é altura de reflectir. Muitas foram as vozes que se ouviram sobre o suposto fim do Instituto de Odivelas (IO). Muitas foram as petições, manifestações e retiros. Foi no Facebook, na comunicação social e nas revistas. Muito se fez e poucos resultados se atingiram. Garantidamente a força do correcto e do saber, não está na ordem do dia. No espaço de dois anos foi acontecendo o que há muito se falava. Aquilo que poderia ser uma alteração pacífica e lenta, tornou-se num cavalo de batalha da teimosia de quem “manda”. Quem viveu como nós vivemos, quem se esforçou por encontrar o mítico túnel até ao IO, quem ansiosamente esperava pelo Chá Dançante para travar conhecimento com aquelas moças de Odivelas, quem… quem… quem… percebe que há certas coisas que não devem nem precisam mudar. Depois das questões académicas serem postas de parte, apareceram as razões economicistas. De gravata e com a bandeira de Portugal na lapela, vieram explicar que não havia espaço para gastos. Vieram explicar que havia um objectivo para o Mosteiro de Odivelas, vieram explicar que o CM necessitava de algumas obras de “adaptação” orçadas em mais de 4 milhões de euros. De forma atabalhoada e useira de quem dá o passo maior que a perna, lá se adaptaram umas fardas e arranjaram uns autocarros. A questão logística estava garantida, portanto, projecto terminado! A questão humana foi ignorada, os valores e tradições das Meninas de Odivelas foram deixados para segundas núpcias, as aulas de educação para a saúde, puericultura e culinária foram questionadas e os fantasmas que ecoam por aqueles claus-

tros em Odivelas não foram certamente ouvidos. A nossa ligação ao IO não é apenas a cor da farda, quantos de nós não se casaram com uma Menina de Odivelas, quantos não tiveram as irmãs por lá, ou mesmo quantas mães, depois dos bons tempos que viveram em Odivelas, não decidiram colocar os seus filhos na nossa Casa. Enquanto a situação não se inverter, as Meninas de Odivelas sabem que vão ter sempre a seu lado a voz firme de quem envergou a farda cor de pinhão. Esta coluna tem, ou tenta ter, um apontamento de tecnologia, mas nada é mais importante que uma voz de indignação que apela ao actual jugo economicista que a todos afecta. Podia terminar de forma airosa invocando um “Cada vez mais alto”, mas isso deixo para elas, elas que durante estes mais de 100 anos souberam levar o seu nome cada vez mais alto. Um enorme bem-haja a todos que lutam por esta causa.


O Colégio à noite

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Francisco Norton Brandão 282/1996

O Colégio à Noite D

eve passar da meia-noite. Já nem sei bem que horas são… A meu lado aparece um vulto grande no meio da noite, do lado da enferma. Apesar de estar acompanhado com a minha assistente (e namorada), deixo-me mesmo assim surpreender; afinal de contas, todos crescemos a temer o jardim das estátuas. “Quem é você?” – pergunta-me o vulto que se apresenta como o Comandante de Corpo de Alunos, também ele antigo aluno – “Vi ali pela janela alguém que parecia um macaco a saltar com uma luz na mão e tive de vir ver o que se passava!”. Não deve ser, de facto, habitual. Deve ser a minha terceira ou quarta visita noturna ao Colégio para fazer fotografias de paisagem e o avião da parada do corpo de alunos precisava de iluminação com dois flashes, mas eu só tinha um. Por isso tinha de “saltar como um macaco”, porque tinha de disparar duas vezes o único flash que trazia comigo, durante os cinco segundos de exposição da minha fotografia. Lá me explico ao Comandante, que revela também ele perceber do assunto da fotografia, e terminamos a conversa com ele a perguntar-me quem tinha autorizado a minha presença àquela hora inusitada naquele sítio inusitado. “Só para saber quem me paga o café amanhã” – ri-se. O Oficial de Dia, entretanto chegado, corrobora a minha história e todos nos separamos… Passa-se pouco mais de um mês. Desta vez a noite não é de Lua nova; é de quarto crescente. Confesso que não tem corrido bem. O verão de 2014 foi meteorologicamente péssimo para a fotografia de estrelas: nas noites em que o céu não se cobria de nuvens, a saturação do ar em vapor de água era tal que a luz da cidade aparecia toda refletida; e estrelas… nenhuma! Tapar a Lua é mais difícil e, mes-

mo quando há nuvens, ela pode ficar com um efeito dramático e, por isso, hoje não venho tão preocupado com o tempo meteorológico. Venho preocupado com o outro tempo, o cronológico. Se por um lado, a Lua se deixa ver pelo vapor de água, por outro, não espera por ninguém. Chego por isso cedo. Sei exatamente o que quero: a Lua alinhada com o monumento dos 175 anos. Fiz as contas todas e sei exatamente a que horas tenho de lá estar… Monto a câmara no tripé no campo de atletismo junto ao jardim da Enferma e espero. Sento-me e observo. Desta vez venho sozinho, ocasionalmente acompanhado pelos raros carros que passam em direção ao corpo de alunos, ignorantes à minha presença. À medida que a Lua desce, torna-se mais

amarela e aparentemente maior. Aproveito para tirar umas fotografias enquanto ela caminha e, quando se aproxima do monumento, não posso falhar. Os astros não esperam por ninguém. A fotografia não fica tão estética como a tinha idealizado na minha mente, mas continua a ser com certeza diferente do normal. A Lua pousa. Os Claustros (ou, como me corrigiram previamente quando pedi autorização, O Edifício do Claustro) são inesperadamente acessíveis durante a noite, nesta altura do ano. Entro e subo diretamente ao primeiro andar. O objetivo é um lugar-comum: a cúpula. A câmara fica no tripé, programada para tirar fotografias continuamente durante mais de uma hora, automaticamente. O propósito é combinar tudo numa só fotografia, para ver


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O Colégio à noite

o rasto das estrelas a passar atrás da cúpula. Deixo a câmara ali sozinha, depois de me certificar que ela fará o trabalho. Agarro numa segunda câmara fotográfica, emprestada, e afasto-me do tripé enquanto ouço os cliques do obturador atrás de mim a desvanecer… Entro num geral das aulas. A escuridão é tanta quanto o silêncio. Mas não estou sozinho; o espírito do Marechal revela-se sob a forma de um pássaro que está comigo no geral. Ouço-o voar pelo amplo corredor. Não percebo se o acordei ou se está a tentar fugir. A verdade é que eu só sei onde fica a saída porque ainda conheço aquele sítio da minha adolescência de olhos fechados. Enquanto caminho pelo breu choco contra uma cadeira que está ali mesmo no meio. Ligo a luz do telemóvel para perceber o que se passa: o geral está cheio de cadeiras e carteiras cá fora, em vez de estarem nas salas de aula. É o que acontece quando vimos ao Colégio no início de Setembro. Vou para outro geral, já mais vazio e com uma janela no fundo, que deixa entrar a alaranjada luz da rua. Ponho a segunda câmara também num tripé e preparo o meu flash, que é separado da câmara. Abro o obturador e vou a correr, disparando uma “flashada” atrás de cada candeeiro do geral; volto a correr para a câmara e fecho o obturador. Após várias tentativas muito cansativas, o resultado final é uma fotografia em que os candeeiros podem parecer todos acesos (mas na verdade nenhum está). Depois de entrar numa sala de aula e sentir o cheiro e o eco nostálgicos, volto para a

varanda dos claustros, onde tinha deixado a primeira câmara a fotografar continuamente a cúpula. O resultado parece-me satisfatório; será seguramente a fotografia mais artística do dia de hoje, mas não a mais inesperada. Dói-me os pés e os braços de andar a noite toda a fotografar o Colégio à noite (e entre dois dias de trabalho). Aproxima-se a hora de saída que combinei com o Oficial de Dia (uma da manhã) e dirijo-me para a cancela. O soldado na cabine (também ele cansado, pelos vistos) dormita sentado com a cabeça por cima dos braços cruzados na mesa. Com uns toques no vidro acordo-o para que me destranque o torniquete de saída… Cá fora, o chão molhado à mangueirada denuncia o fecho da Feira da Luz, que tem ainda as luzes coloridas ligadas. Aproveito para tirar uma fotografia à fachada, já que é previsivelmente a minha última vinda a este tipo de horas ao Colégio. As luzes da feira estragam as cores da fotografia, mas “o bom é amigo do óptimo”; é melhor ter uma má fotografia do que não ter fotografia nenhuma. A poluição luminosa torna a observação das estrelas particularmente difícil, mas ainda consigo alguma coisa. Só fica mesmo a faltar a bandeira nacional hasteada para dar um toque mágico à fotografia. Mas já estivemos todos à hora do pôr do sol, fardados de gala, a arreá-la. Por isso já sabia com o que contar a estas horas, no Colégio à noite…


A Laranja Maculada

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Os que nos deixaram

Os que nos deixaram João Carlos Craveiro Lopes (71/1931) Oficial do Exército – Coronel de Cavalaria Prémio Barretina Desporto 2014 Nasceu a 20 de Outubro de 1919- Faleceu a 24 de Junho de 2015

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or serem demasiado conhecidas, não vou falar da vida castrense nem da vida hípica deste cavaleiro olímpico de obstáculos, de Helsínquia em 1952 e de Roma em 1960. Não serei eu a pessoa mais indicada para fazê-lo. Apenas irei falar dos meus contactos pessoais e também a minha vivência com o casal Craveiro Lopes nos últimos 20/30 anos. Foi o oficial de cavalaria que contactei mais tempo desde 1957 até 2015, ou seja durante 58 anos. Antes e depois conheci e lidei com muitos outros oficiais, entretanto falecidos. Aliás pertenceu a um numeroso curso de alferes de cavalaria de 1943 e que, ultimamente, ano após ano, um ou outro elemento vai desaparecendo ao longo da vida. Falávamos muito destas circunstâncias quando saíamos para comer o peixe fresco grelhado em Alcochete ou na Ericeira, situação que o deixava algo confuso e naturalmente apreensivo e preocupado, com o progressivo desaparecimento dos seus camaradas e amigos. Mas também com a paisagem da viagem era possível des-

viarmo-nos desse assunto sempre desagradável e, recordava o seu prato preferido, o bife com ovo a cavalo e batata frita que nesse dia era necessariamente proibido e substituído. O seu curso de cavalaria era grande e em 1969 deu-se o caso invulgar de estarem 4 tenentes coronéis de cavalaria na mesma zona restrita de Angola, em Silva Porto/Nova Lisboa, Herculano de Moura governador do distrito do Bié; Álvaro Andrade e Silva a comandar os Dragões do GCav 1, (que passou para o curso seguinte); Craveiro Lopes na Contra Subversão; João Cruz Azevedo como Chefe do EM/RMC. Várias vezes estiveram juntos em cerimónias e actos oficiais. Até no meu curso onde já faltam dois que são sempre insubstituíveis pelo aspecto intergeracional, nas recordações dos inúmeros episódios únicos e insólitos da nossa vida militar e da juventude já distante. E por isso vamos tentando acompanhar o estado de saúde de cada um de nós, como aconteceu com o Cavaleiro Militar a quem presto hoje o preito da

minha homenagem. As novas gerações pensam e actuam de modo diferente, são difíceis de entender pelos mais velhos duma outra época que nada tem a ver com a actual, e as antigas gerações vão sofrendo o desgaste da idade, com sequelas do corpo, da alma e da mente. João Craveiro Lopes tinha no entanto a abertura suficiente para saber lidar com os mais novos. No caso do seu curso, eu ia sabendo das «baixas» de muitos nomes que conhecia e outros de lidar mais de perto. Há poucos anos (2 anos talvez) faleceu o Coronel Joaquim Facco Viana Barreto, que vivia isolado para os lados de Elvas, e estava completamente desligado da instituição militar desde 1974. O Coronel Craveiro Lopes procurava saber notícias do seu antigo camarada de curso, de que eram afinal os 2 únicos sobreviventes. Entretinha-se com a caça quase escondido, traumatizado e afastado da situação militar, sendo impossível de contactá-lo. O Coronel Craveiro Lopes foi o ultimo a resistir do seu curso por isso ia-se sentindo militarmente sozinho e de certo modo algo ultrapassado e constrangido. Tinha uma família numerosa que era o seu refúgio, já com bisnetos, continuando a ser o chefe do Clã com o seu exemplo das virtudes morais e familiares. Dispunha no entanto duma arma que era a escrita e a conversa para ocupar o espírito e a mente. Era assediado por historiadores e jornalistas por vezes oportunistas, sempre com entrevistas à volta do Estado Novo, convencendo e defendendo sempre o papel e a função de seu Pai como Presidente da Republica. Fui contactado a primeira vez pelo Capitão Craveiro Lopes em 1957 numa visita do Presidente à Base Aérea 4 nos Açores. Seguia atrás do Pai como ajudante nos cumprimentos dos oficiais da Aeronáutica Militar formados em linha, onde eu estava fardado com o dólman fechado com as carcelas da cavalaria. Reparou


Os que nos deixaram

e admirado, perguntou-me: - De botas altas aqui? Ao que respondi: - Estou na Polícia da Base. Foi este o nosso contacto verbal momentâneo. Talvez eu achasse estranho, que um general fardado com o dólman aberto da Força Aérea, tivesse como Ajudante de Campo que o acompanhava, um oficial fardado com um dólman fechado, cordões, botas altas, pingalim, etc. Curiosamente passados dois anos, aconteceu exactamente o mesmo comigo. Fardado de alferes com o dólman fechado, cordões (agora do lado esquerdo) botas altas, pingalim, e ajudante dum general da Força Aérea. São dois casos familiares e algo parecidos com dois fardamentos diferentes dos Ramos das Forças Armadas (da Arma de Cavalaria e da Força Aérea). O capitão Craveiro Lopes era o ajudante do Pai e eu era o ajudante do Sogro. Depois o capitão Craveiro Lopes foi meu instrutor de equitação na Academia Militar da Amadora. Que diferença entre as aulas dos capitães Cruz Azevedo e Mano dadas com o chicote no picadeiro! Com o capitão Craveiro Lopes, saíamos do picadeiro e trabalhávamos cá fora em circulo, nas terras das antigas pistas do campo da aviação. O capitão no lado de dentro do circulo, e a escola a circular em ambas as mãos nos 3 andamentos, corrigindo as posições da mão e da perna, da coxa, do rim, da cabeça, do calcanhar para baixo etc. Eram aulas de descontracção a cavalo, enquanto nas outras no picadeiro era a contracção permanente para nos agarrarmos o mais possível e não ir ao chão. Num acidente de viação com um automóvel militar da DSEFE num choque frontal com outra viatura, ocorrido numa estrada da serra de Sintra, de Cascais a caminho de Mafra em que ficaram gravemente feridos os ocupantes, o Coronel Craveiro Lopes com muito expediente e decisão, aproveitando os carros de instrução do quartel do CIAAC de Cascais na condução no exterior, dirigiu as diversas evacuações para o hospital local nas viaturas militares. O condutor com uma fractura exposta dum braço, o Coronel Lemos Alves com ferimentos na cara de que resultou ficar praticamente cego duma vista com o pedaço do vidro do pára-brisas, e o Coronel Jorge Matias ferido com um golpe profundo na testa. Só depois das evacuações efectuadas dirigiu-se ao Hospital para saber do estado dos feridos e tratar da evacuação para Hospital Militar. Recebeu finalmente o tratamento necessário aos seus ferimentos. O Coronel Craveiro Lopes chegou ao fim da

sua vida em plena posse das suas faculdades mentais e intelectuais. Já depois de sofrer o AVC em 23 de Abril de 2015 já muito debilitado e internado no Hospital Pulido Valente, conseguia dizer com muito custo: «Chamem o Dias de Almeida para me levar para casa». Eu, na sua casa da Rua Conde de Sabugosa, era uma referência nem sempre muito favorável. Aos seus netos mais velhos, monárquicos como eu, dizia-lhes que eram muito reaccionários da direita (que duvido que lhe causasse algum desgosto) mas dizia-lhes que ainda havia um indivíduo muito pior, mais irredutível e mais conservador que os netos, e dizia ser a minha pessoa. Dizia-me nas viagens que fazíamos nos arredores de Lisboa, que eu era demasiado radical e intolerante nos meus julgamentos das personalidades da vida política. E a minha mulher dizia-me: Ouve o que te diz o Senhor Coronel, com o seu bom senso e tolerância para te modificares um pouco. No casamento do meu filho há 4 ou 5 anos, o casal Craveiro Lopes ficou na minha mesa. Ele conduziu a conversa interessantíssima, prendendo a atenção dos outros convidados que não o conheciam, falando de Goa onde passou a infância, o ataque e o ferimento causado por um veado e o tratamento por métodos hindus ancestrais, antes da longa viagem para entrar para o Colégio Militar onde era o 71 de 1931. Todos se admiraram da sua simplicidade e capacidade, a memória fresca e facilidade de conversar já com mais de noventa anos. Mas o que era inquestionável era a sua seriedade, e a dignidade que deu ao Exército como seu delegado aos concursos hípicos não só exigindo aos cavaleiros militares como dos seus tratadores o atavio e a compostura militar, como o bom relacionamento com os cavaleiros civis. Deslocava-se diariamente sozinho para o Café e andava na rua apenas acompanhado pela sua bengala, mantendo a sua independência total quando ia comprar o jornal e conversando com os vizinhos. Manteve sempre uma excelente e invejável qualidade de vida com saúde física e mental, sempre lúcido e consciente. Falei talvez demais em mim e fiz mais a minha apologia, de que a do meu homenageado. De certo modo fiquei relacionado em alguns aspectos com o Coronel Craveiro Lopes, pois ultimamente revelávamos, segundo as nossas mulheres algumas facetas parecidas em aspectos menos importantes como o perder as chaves, o esquecimento dos óculos, o pôr nódoas no vestuário, etc, etc e outras

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coisas normais. Surgia-nos sempre a mesma pergunta: «Onde é que está...?» Mas chegar à sua idade numa vivência plena como chegou, é atingir uma meta sempre invejável. Nem numa antiga doença degenerativa mental, a que um «alemão» deu o seu nome, e hoje tão conhecida e vulgarizada nas pessoas de idade, nunca consegui molestar a mente de João Carlos Craveiro Lopes. A SUA ALMA DESCANSE EM PAZ Carlos M. Dias de Almeida Ten-Coronel de Cavalaria


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Os que nos deixaram

João Luís Cabral Picão Caldeira (327/1951) Advogado e Professor Universitário Nasceu a 9 de Agosto de 1940- Faleceu a 20 de Junho de 2015

No Boletim da Sociedade Histórica da Independência de Portugal in memoriam de João Picão Caldeira, pelo Presidente desta Instituição, Prof. Doutor José Augusto Alarcão Troni, foi publicado o seguinte texto que se transcreve por amabilidade do seu autor.

In Memorian - João Picão Caldeira

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artiu para a Casa do Pai, na sequência de prolongada e incurável doença, o meu Amigo de toda a vida e querido vice-presidente da Direcção da Sociedade Histórica, Prof. Doutor João Luís Cabral Picão Caldeira. O João Luís era um Homem Bom. A Sociedade Histórica ficou-lhe devendo, entre muitos outros serviços, a venda da ruína contígua ao conjunto monumental Palácio da Independência – Páteo Salema – que permitiu constituir a reserva financeira garante da sustentabilidade da Sociedade Histórica, durante mais dois ou três anos. Por estes serviços, a Assembleia Geral, na sessão de 26 de Maio, ouvido o Conselho Supremo, conferiu-lhe o justíssimo título de Sócio Honorário. O João Luís ainda teve conhecimento da distinção, mas será a sua heróica Viúva, Maria Isabel Teixeira Botelho, quem, em nome da Família, receberá o respectivo diploma, em sessão de homenagem, integrando missa de sufrágio na Capela do Palácio, que a Sociedade Histórica vai promover em Setembro/Outubro. Teve uma

carreira ilustre. Antigo Aluno do Colégio Militar e alferes miliciano, combatente e condecorado, em Angola. Foi adjunto do meu gabinete na Educação, chefe de gabinete do antigo ministro Diamantino Durão, director-geral do Ministério da Educação – quando presidente da Obra Social – vice-presidente do IASE –Instituto dos Assuntos Sociais da Educação, administrador da INDEP Industrias Nacionais de Defesa, SA, etc. Quando partiu era administrador-delegado da Caixa de Previdência do Ministério da Educação, cargo em cujo exercício teve desempenho notável. Licenciado em Direito e doutorado em História da Expansão Portuguesa deixa bibliografia, publicada e inédita, da qual destaco o Morgadio no Brasil e o Morgadio nas Ilhas do Atlântico, instituto histórico-jurídico de que foi o maior especialista português. Descansa em paz, querido João Luís, pois nunca morrerás na memória da Família e Amigos.

O meu Amigo Antigo Aluno João Luís Cabral Picão Caldeira Conheci melhor o João Luís com a convivência que tivemos na Direcção da Associação no meu mandato de 2002 a 2005. Do Colégio pouco sabia sobre ele e quase só que era de boa Família de Elvas e óptimo cavaleiro e desportista. Por ter decidido ir para letras

saíu no 5º ano. Na Direcção e depois, descobri um Antigo Aluno exemplar pelo seu grande amor ao Colégio, admiração e culto pela História de Portugal e pela qualidade das suas intervenções. Agora depois de conhecer o seu curriculum, conheci a actividade intensa que desenvolveu quer no sector privado quer público, tendo ocupado cargos de relevo na Indústria e Energia, na Agricultura, na Defesa, na Educação, no sector Financeiro e na Docência, aprofundando as competências do seu curso de Direito com habilitações complementares em Gestão e Direito Comercial, matéria em que exerceu docência universitária. Foi autor de várias publicações em livro, em matérias de Gestão e de História Portuguesa e participou com artigos e dissertações. Muitas vezes por onde passou foi apreciada a sua acção com louvores. O João Luís foi um exemplar “Menino da Luz” cheio do “Espírito de Servir” e da vontade de “Ser Grande” que aprendeu no Colégio, que se entranha no fundo da alma e de que se gosta, por se querer ser assim. Deixo aqui uma nota curricular para conhecerem melhor até onde a vitalidade e querer o levaram. Manuel de Mendonça Tavares da Silva 116/1950

João Luís Cabral Picão Caldeira Licenciado em Direito com estágio completo de advocacia, com Curso Superior de Management, Mestrado em História dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa concluído na Faculdade de Letras de Lisboa e Doutorado em História pela Universidade Lusíada de Lisboa. Na carreira docente foi Professor de Direito Comercial na Universidade Moderna e na Universidade Lusófona. Foi Assessor Principal da Auditoria Jurídica do Ministério da Educação e cumpriu, como oficial miliciano, uma Comissão em Angola (19641967). Desempenhou funções de Chefe da 1ª Repartição da Direcção-Geral de Combustíveis, Director de Serviços do Ministério da Industria e Energia, Administrador da Ruobel-Fios e Malhas SARL, Administrador da Propriedade Agrícola Seixo da Oliveira e Anexos, Administrador da INDEP – In-


Os que nos deixaram

dustrias Nacionais de Defesa, EP, Director-Geral do Ministério da Educação, Vice-Presidente do Instituto dos Assuntos Sociais da Educação – IASE, Chefe do Gabinete do Ministro da Educação, Vogal da Direcção da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar, Sócio Correspondente do Instituto Cultural D. Isabel I a Redentora (Rio de Janeiro), Conselheiro Cultural da Comissão de Ligação da Associação da Nobreza Histórica Brasileira com a Associação da Nobreza Histórica Portuguesa e com a Commission D'Information et de Liaison des Associations Nobles D'Europe,

Administrador-Delegado da Caixa de Previdência do Ministério da Educação Vice-Presidente da Sociedade Histórica da Independência de Portugal. Publicou diversas obras de que se destacam “A Direcção de Empresas e a Gestão na Administração Pública”, “Morgados de Santa Catarina de Estremoz” e “O Morgadio e a Expansão no Brasil”, para além de colaborações regulares em revistas e jornais, designadamente no Semanário Expresso e Democracia 76. Foi distinguido com diversos louvores de que se destacam: da Direcção do Colégio pelo primeiro

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prémio no concurso de equitação (prova de ensino obstáculos e campo) realizado na Herdade da Agolada, do General Comandante da Região Militar de Angola no termo da Comissão de Serviço Militar, do Direcção-Geral dos Combustíveis, do Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Educação e do Ministro da Educação. Foram-lhe concedidas medalhas de Aptidão Física nos 4º e 5º ano do Colégio e a Medalha Comemorativa das Campanhas das Forças Armadas Portuguesas (Angola 1964-1967).

José João Abudarham da Cruz Azevedo (268/1960) Oficial do Exército – Coronel de Cavalaria Nasceu a 31 de Outubro de 1949 - Faleceu a 5 de Maio de 2015

Despedida a várias mãos em concerto Adeus-até-sempre ao nosso querido camarada e amigo João Cruz Azevedo (268/1960) que nos deixou repentinamente na madrugada de 5 de Maio. Já lá vão mais de três meses e parece ainda ter sido ontem. Ao contrário do que era comum nesse tempo, o meu “poiso” e a minha camarata quando CB eram na 4.ª. O João era Furriel da 7.ª e foi assim, como outros Furriéis do meu Curso, um dos meus mais próximos “compinchas” e confidentes nos parcos tempos de lazer; somavam-se-lhe também afinidades “herdadas” da amizade e cumplicidade do meu pai com o tio dele, ambos AA e camaradas na Academia Militar. Mantivemos também, sempre, relação de gran-

de amizade e cumplicidade, reforçadas mais tarde pelo facto de ele desempenhar funções como Comandante do Corpo de Alunos quando o meu filho Francisco (153/1996) entrou no Colégio. Partilhámos algumas das preocupações e dores de cabeça que o atormentavam na altura. Mau período no Colégio, mau período também na vida pessoal dele. Mas nada disso inibia a bonomia, a disponibilidade e a amizade que sempre reverberava nos olhos, no sorriso, na palma das mãos. Não me esqueço da vez em que – sendo ele sabedor das minhas boas memórias do Robles e das pequenas e inócuas patifarias que ele fazia e me fazia fazer quando era subalterno no quartel do CISMI, em Tavira, sob o comando do meu Pai, onde eu passava as férias colegiais com ele, como de costume – não me esqueço da vez em que vem ter comigo aos Claustros e me agarra entusiasmado “anda cá, está ali um tipo que vais gostar de rever”: era o Robles. Dádiva: simplesmente porque sim, dádiva sem retorno. Não me esqueço também das reprimendas que pedagogicamente me fazia quando eu – pai sozinho e atravessando ventos contrários - me preocupava demasiadamente com o Francisco, 153. Nem de quando veio passar uns dias aqui na quinta. Como liminarmente resumiu, na despedida, o Zé Brandão (400/1961): “o João só tinha, só podia ter amigos”. Definiu bem o João, talvez porque ele é também assim. Vou, agora, continuar a escrever-te: deste país distante. João, fica bem. Joaquim Arnaldo Maltez Cardeira da Silva 133/1961

Cavar dentro do cavanço

(Em memória do 268, o “Romeiras”) Havia uma espécie de abertura do regime durante os “5 estudos”. Corria o mês de Julho de 1966 e, em vésperas de exames do antigo 5º ano (actual 9º) quando ia a caminho da 4ª certamente a pensar em Faraday, Newton ou Boyle-Mariotte, sou interrogado pelo Romeiras: Machadinho tens dinheiro? – 20 Escudos, respondi. Para aqueles tempos não era nada mau. «Embora cavar! – decidiu o 268». Dito e feito. Pouco depois passeávamos nos Restauradores quando, de súbito, somos interpelados por um professor do Colégio. «Senhores alunos, aqui a estas horas?». Exactamente o que vos digo: era a voz dum professor nosso! Ou seja, cerca de meia hora após termos cavado, eramos os dois caçados em flagrante, de cigarro na mão. Pior impossível! Desânimo no máximo, pois a aventura estaria a chegar nesse momento ao fim, com o regresso imediato ao Colégio e a punição da praxe à espreita. Mas não. Nos Restauradores aprendemos que a vida está cheia de imprevistos e de pessoas fascinantes. O professor em questão era o “Teacher” (Dr. Almodôvar) o que faz toda a diferença. Com o seu ar boémio e libertino, logo nos convidou para irmos ao mítico Café Lisboa, local de reunião da sua tertúlia onde figurava gente como o escritor Luiz Pacheco ou o artista plástico René Bertholo que conhecemos nesse dia. Sempre muito open mind, o Teacher levou-nos, depois de um suculento bitoque, ao Parque Mayer, e no ABC assistimos os três, num camarote, à revista “Minisaias”. No final o Artur Semedo


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Os que nos deixaram

João,… camaradão. Não tenho palavras especiais a acrescentar. Havia nos furriéis uma frágil vaidade em não ser especial. Estamos juntos, somos assim, ficou-nos para a vida. Simplesmente camaradas. Abraça-te, Nuno Maria Reis de Matos Silva 91/1961

«Quem é aquele gajo?»

Com o CB na despedida de Subdirector

(Antigo Aluno do CM) que participava nessa revista como actor principal, achou-nos piada e convidou-nos para uma bruta ceia ao pé de 6 belíssimas coristas. Às tantas vemos o Teacher olhar para o relógio, levantar-se da mesa e dizer: «Os senhores alunos têm de se ir deitar». E quando julgávamos que nos ia levar ao Colégio para depois entrarmos sorrateiramente no mesmo, eis que nos encaminha para uma pensão ali perto do Parque Mayer recomendando à sua amiga balzaquiana da recepção, depois de ter pago o quarto, que nos acordasse às 6, pois às 7 queria ver-nos dentro do internato. Um breve parêntesis para relatar-vos que a pensão da amiga balzaquiana do Teacher era tudo menos silenciosa: portas a baterem, música no corredor, mulheres a rirem-se, enfim, o suficiente para o Romeiras e eu tomarmos uma decisão: saltar da varanda do quarto – um 1º andar – para a rua. Chama-se a isto, como ele dizia, “cavar dentro do cavanço”. E se pensam que antecipámos a hora de recolher ao Colégio, estão enganados. Na verdade, este não é propriamente um dos “Contos Exemplares” de Sophia de Mello Breyner Andresen… Resolvemos então subir ao Chiado e numa leitaria manhosa esperámos pela Mafalda Sassetti, uma amiga comum a quem o Romeiras na altura andava a bater a asa, para a acompanharmos de eléctrico ao “Maria Amália”. Cumprida a missão e já a caminho do 1º estudo do dia, recordo ainda a voz e o estilo pacato e risonho do Romeiras a filosofar comigo: «Já viste Machadinho o que aprendemos em tão pouco tempo e sem gastar um tostão?». Descansa em Paz, amigão! Manuel José Pimenta de Castro Machado 275/1961

Fiz esta pergunta ao Zé Maria Paula Santos (644/1968), nos primeiros dias de Novembro de 1976 quando entrámos na Academia Militar. O «gajo» era um Alferes de bigodinho e com um semblante carregado. O Zé Maria respondeu que era Antigo Aluno e, nesse preciso momento, o tal «gajo mal-encarado» passou a ser um amigo de longa data, de sempre. Não fomos contemporâneos no Colégio, pois os nossos cursos distam oito anos; ele entrou em 1960 e eu em 1968. Mas não há distância temporal que impeça a proximidade de quem viveu nos mesmos espaços, foi ensinado pelos mesmos Mestres comeu do mesmo rancho e, sobretudo, comunga dos mesmos Valores. Quando pela primeira vez falámos, retomámos uma conversa que podia ter começado em 1803 ou em qualquer outra data; que não tinha princípio nem terá fim. Quis o destino que pertencêssemos ao curso de Cavalaria que terminou o seu Tirocínio em 1980. Nunca servimos na mesma unidade, mas, uma vez mais, isso não impediu que os laços então estabelecidos se mantivessem, se reforçassem e jamais se quebrassem. Graças a Deus o Zé João tinha defeitos, mas era um Homem Bom, Amigo certo, Homem sério. Caro João, mandou o Senhor que te apresentasses no teu Regimento de destino. Cumpridor, assim o fizeste. Fazes falta e deixas saudades. José António Madeira de Ataíde Banazol 631/1968

Soube pelo Cordeiro da partida do José João mas por razões profissionais não vos pude acompanhar. Porque fui colega dele na primária no externato do Restelo vou contar um pormenor delicioso para recordar os anos 50. Se repararem no nome aparece um apelido de origem judia. Quando fizemos a admissão ao Colégio a mãe dele teve de ir à igreja dos Jerónimos pedir

ao padre Felicidade Alves que fizesse uma declaração em como apesar do nome eram católicos, caso contrário não era aceite como candidato. Isto uns 400 anos depois da expulsão dos judeus e em República. Fernão Vasco Barreira Pimenta de Castro 90/1960

Luís Carlos Fonseca Mourão da Costa Campos (118/1964) Empresário Nasceu a 27 de Junho de 1954 Faleceu a 17 de Junho de 2015

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hegou à ZacatraZ a notícia do falecimento deste nosso Camarada, ocorrência que muito lamentamos. A Todos os seus Familiares apresentamos as nossas mais sentidas condolências. Que descanse em paz.


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