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Revista ZacatraZ nº 198

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Editorial Revista “ZACATRAZ”

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Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva (53/1961) Membro da Direcção

Editorial O General Sem Medo, um Herói do Colégio Militar F

ez agora 50 anos, a 13 de Fevereiro de 1965, que foi assassinado por uma brigada da PIDE, em Villanueva del Fresno, perto de Badajoz, o General Humberto Delgado. Tem toda a pertinência esta evocação, neste editorial que abre este número da ZacatraZ, pois estamos a falar do 398 de 1916, um dos nossos mais notáveis Antigos Alunos. Contudo, devemos dizer desde logo, que não é nossa pretensão fazer uma qualquer biografia de Humberto Delgado. E não faremos por duas ordens de razões. Primeiro, porque não temos competência para tal tarefa. Segundo, porque a figura de Delgado é uma das mais complexas, contraditórias, polémicas e geradora de ódios e paixões. Humberto Delgado teve um percurso de vida tão paradoxal quanto imprevisível, que o fez chegar a ser um dos mais incondicionais apoiantes do Estado Novo, até vir a ser, a partir de certa altura, um dos seus maiores opositores e inimigo, e quase seu carrasco. Mas atenção, este percurso singular e contraditório, nada tem a ver com o de um vira-casacas movido por oportunismos e interesses pessoais. O seu carácter nunca o permitiria! Neste percurso, tudo arriscou e tudo perdeu: a sua carreira, a sua vida pessoal e familiar, a sua situação financeira. E sacrifício supremo — A PERDA DA PRÓPRIA VIDA! Humberto Delgado era uma força da natureza. Levava tudo pela frente. Em 1958, chegou mesmo a levar toda uma nação pela frente.

De uma enorme coragem física, com um temperamento irascível, era vaidoso, extrovertido, simpático, chegando mesmo a ser doce. Era arrogante e pouco dado a consensos. Autoritário e obsessivamente determinado, mas de uma enorme ingenuidade. Humberto Delgado tinha vincadas virtudes que se adquirem no Colégio Militar, as quais o levaram a reconhecer que o Colégio moldou a sua identidade1. Humberto Delgado era Humberto Delgado por várias razões da sua personalidade e carácter, mas uma das razões foi sem dúvida o caldo de valores que recebeu no Colégio Militar. Scott-Fitzgerald, em This side of paradise, estabelece duas curiosas categorias da gente de elite: personalidade e personagem. É-se personalidade quando o conjunto das virtudes pessoais cobra um certo volume, de molde a fazer destacar o individuo de entre os outros. Mas se esse conjunto possui o toque mágico e imponderável do génio, então ascende-se à categoria de personagem, pairando muito acima dos demais. Parece-me ser bem este o caso de Humberto Delgado, o General Sem Medo, todo um personagem.

1 Rosa, Frederico Delgado. Humberto Delgado,

Biografia do General Sem Medo, A Esfera dos Livros (2008), página 46.


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Ficha Técnica

CORPOS SOCIAIS DA ASSOCIAÇÃO PARA O TRIÉNIO 2014-2016

Ficha Técnica PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL Fundada em 1965 Nº 198 Janeiro/Março - 2015 FUNDADOR Carlos Vieira da Rocha (189/1929)

DIRECÇÃO Presidente Vice-Presidente Secretário Tesoureiro 1º Vogal 2º Vogal 3º Vogal 4º Vogal 5º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente 3º Vogal Suplente

DIRECTOR Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949)

António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios - 529/1963 José António Madeira de Ataíde Banazol - 631/1968 Pedro Miguel Correia Vala Chagas - 357/1977 Vítor Manuel Galvão Rocha Novais Gonçalves - 666/1971 Carlos Francisco da Silva do Rio Carvalho - 307/1971 Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva - 53/1961 Luís Baptista Esteves Virtuoso - 72/1973 José Afonso Correia Lopes - 237/1976 José Nuno Castilho Ribeiro Pereira - 233/1973 Miguel Assis das Neves Carneiro de Góis - 188/1983 Gustavo André dos Santos Lima – 248/1994 Afonso Castelo dos Reis Lopez Scarpa - 222/2000

CHEFE DE REDACÇÃO Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957) REDACÇÃO Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950) Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva (53/1961) João Carlos Agostinho Alves (110/1996) CAPA Caricatura do Moca, Cândido Gomes Alves, da autoria de Francisco Zambujal ENTIDADE PROPRIETÁRIA E EDITOR Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar MORADA DO PROPRIETÁRIO e SEDE DA REDACÇÃO Quartel da Formação - Largo da Luz 1600-498 Lisboa Tel. 217 122 306/8 Fax. 217 122 307

ASSEMBLEIA GERAL Presidente Vice-Presidente 1º Secretário

António José Fonseca Cavaleiro de Ferreira - 332/1950 Duarte Manuel Silva da Costa Freitas - 199/1957 João Miguel Jardim de Abreu Ferreira Pinto - 261/1980

TIRAGEM - 1350 exemplares DEPÓSITO LEGAL Nº 79856/94 DESIGN E EXECUÇÃO GRÁFICA: Tm. (+351) 933 738 866 Tel. (+351) 213 937 020 info@smash.pt www.smash.pt

CONSELHO FISCAL Presidente 1º Vogal 2º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente

José Manuel Spínola Barreto Brito - 539/1963 Eurico Jorge Henriques Paes - 306/1957 José Francisco Machado Norton Brandão - 400/1961 António Emídio da Silva Salgueiro - 461/1972 João Luís de Mascarenhas e Silva Schoerder Coimbra - 54/1984

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA AOS SÓCIOS DA AAACM Isenta de registo na Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC), ao abrigo do nº 1 da alínea a), do Artigo 12º do Decreto Regulamentar nº 8/99, de 9 de Junho. Os artigos publicados são da responsabilidade dos seus autores. Esta publicação não segue o novo acordo ortográfico.

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Sumário

04 Comunicado sobre as declarações

da Procuradora Geral da República

05 Comunicado a propósito da ida do MDN

ao Colégio Militar no dia 15 de Janeiro de 2015

18 Jantares de Antigos Alunos no Brasil 19 Jantar de Natal no Porto 21 Colégio Militar Berço de Grandes Portugueses

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Jantar Anual da Associação Novos Antigos Alunos Prémios Barretina 2014

27 Antigos Alunos em Destaque 30 Compromisso de Honra 32 Descerramento do Retrato do Comandante do Batalhão

49 100 Anos do Moca - Entrevista inesquecível 51 Curso de 1959/1966

Romagem dos 55 Anos de Entrada

52 Curso de 1964/1971

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No Colégio Militar Imposição de Condecorações

Romagem dos 50 Anos de Entrada

53 Curso de 1991/1999 Romagem dos 15 Anos de Saída

59 Grupo dos Bisavôs

Prémios Eficácia da Comunicação

61 Homenagem ao Marechal Fundador 62

O Último Moicano

63

As Mensurações

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212º Aniversário do Colégio 3 de Março de 2015

66 Antigos Alunos nas Artes e nas Letras 68 A Laranja Maculada 69 Antigos Alunos pelo Mundo 70 Equipa de Futebol 8 da AAACM 71 Barba ou Cabelo? 74 Sabe o que é um Analema? 75 Níveis de Pensamento 76 Educado com um GPS 77 Os que nos deixaram

54 100 Anos de Aviação Militar


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Comunicado sobre as declarações da Procuradora Geral da República

Comunicado sobre as declarações da

Procuradora Geral da República ao jornal “Público” de 13 de Dezembro de 2014

A

Senhora Procuradora Geral da República (PGR) declarou ao PÚBLICO que o “surgimento” de crimes é mais provável em instituições “opacas” como as escolas militares, que a organização destas instituições constitui “um obstáculo ao controlo da comunidade” e que “infelizmente, nestes espaços é mais fácil ocorrerem factos susceptíveis de constituir crime”. Sobre esta matéria a PGR ressalvou também que não comenta casos concretos. Neste contexto, a Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar vem repudiar as declarações da Senhora Procuradora Geral da República, pelas seguintes razões: 1) Embora afirmando não comentar casos concretos, as declarações da PGR constituem um anátema sobre as escolas militares, em geral, que é obviamente lesivo do seu bom nome, denigre sem fundamento a educação cívica e militar nelas ministrada e é susceptível de alarmar, injustificadamente, os encarregados de educação de centenas de jovens que as frequentam. O cargo que ocupa exigir-lhe-ia, pois, muito maior recato ao pronunciar-se sobre o funcionamento de escolas que, claramente, revela desconhecer. 2) Não existe nenhuma evidência que no Colégio Militar exista um ambiente que favoreça o “crime”, sendo esta uma afirmação contrariada pelos factos. Pelo contrário, trata-se de uma ins-

tituição cujos regulamentos e práticas geram um ambiente seguro e disciplinado, contrariamente ao que infelizmente se passa em muitas escolas do país. 3) A Senhora Procuradora Geral da República generaliza casos pontuais, que são e sempre foram tratados no âmbito dos regulamentos internos do Colégio Militar, como é desejável que aconteça. Quando generaliza, a PGR não está a tratar de crimes em concreto, mas a fazer uma apreciação que tem tanto de subjectiva como de inadequada. 4) O Colégio Militar não é opaco, sendo tão transparente quanto o são outras instituições que não comunicam em contínuo, vinte e quatro horas por dia, tudo o que nelas ocorre. O Colégio Militar não é menos transparente do que, por exemplo, a Procuradoria Geral da República. 5) A Senhora Procuradora Geral da República pretende evitar e reprimir a violência nas escolas, acção importantíssima que, no limite, também lhe compete. Porém, prejudicar a imagem do Colégio Militar, ainda que inadvertidamente, onde essa violência é e sempre foi transparentemente controlada, não contribui em nada para esse objectivo. Lisboa, Luz, 13 de Dezembro de 2014 Direcção da AAACM

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ara quem eventualmente desconheça as declarações da Senhora Procuradora Geral da República, transcreve-se no essencial o que foi referido no jornal Público do dia 13 de Dezembro de 2014.

Instituições "opacas" como escolas militares facilitam crime, diz Joana Marques Vidal O surgimento de crimes “é mais fácil” em instituições “opacas” como as escolas militares, os lares de idosos ou as prisões, considera a procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal. Ressalvando que não comenta casos concretos como as recentes denúncias de agressões de alunos mais velhos sobre colegas mais novos nos Pupilos do Exército, que deram já origem à abertura de um inquérito no Ministério Público, a procuradora-geral referiu, porém, que tanto a sociologia como a antropologia estudaram a forma como a organização deste tipo de instituições constitui “um obstáculo ao controlo da comunidade” e, portanto, à actuação da justiça. “Infelizmente, nestes espaços é mais fácil ocorrerem factos susceptíveis de constituir crime”, lamentou Joana Marques Vidal, acrescentando que, apesar de tudo, “cada vez é menos assim” que se passam as coisas.


Comunicado a propósito da ida do MDN ao Colégio Militar no dia 15 de Janeiro de 2015

Comunicado a propósito da ida do MDN ao

Colégio Militar no dia 15 de Janeiro de 2015 A obra lamentável do MDN no Colégio Militar

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MDN esteve em 15 de Janeiro no Colégio Militar a visitar a sua obra lamentável. Está a destruir o Instituto de Odivelas, estabelecimento com o melhor desempenho académico no concelho de Odivelas, conseguiu diminuir o número de alunos no conjunto CM+IO (a partir do 2º ciclo do ensino básico) e continua a conseguir esbanjar recursos na construção de um novo edifício, sem que se conheça a fundamentação da sua necessidade.

ce o Colégio Militar e pretende a sua modernização, em vez apostar na ignorância e no autismo como sustento da determinação.
 Acreditamos que o Colégio Militar irá sobreviver porque o Exército deverá e saberá conter os danos desta governação lamentável e temporária do MDN.

Obra seria exigir sustentabilidade financeira e resultados concretos na gestão de bons estabelecimentos e bem equipados.
 Obra seria alargar a mais alunas a oferta educativa de excelência do Instituto de Odivelas.
 Obra seria valorizar e investir no património existente e subaproveitado do Colégio Militar.
 Obra seria assegurar a preservação do carácter único do Colégio Militar, fortemente ameaçado por processos de mudança impostos sem planeamento e preparação.
 Obra seria exigir resultados em termos de desempenho académico.
 Obra seria desenvolver o papel estratégico do Colégio Militar nos importantes espaços das Forças Armadas, da Cidadania e da Lusofonia.
 Obra seria aproveitar o apoio de quem conhe-

Lisboa, Luz, 17 de Janeiro de 2015 Direcção da AAACM

E continuam por explicar os verdadeiros objectivos do MDN!

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Jantar Anual da Associação / Novos Antigos Alunos Prémios Barretina 2014

Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957

Jantar Anual da Associação Novos Antigos Alunos Prémios Barretina 2014 P

elo oitavo ano consecutivo rumámos ao magnífico Hotel Pestana Palace, para aí celebrarmos mais um ano de vida da nossa Associação. A festa foi magnífica e todos terão dado por muito bem empregue o tempo ali passado. Como é da praxe, começámos por nos concentrar numa galeria do hotel, onde nos foram servidas umas bebidas de aperitivo, para ajudar a «aquecer os motores» e para nos começar a soltar a língua para as conversas que se seguiriam mais tarde à mesa pela noite dentro. Chegados à antecâmara do «local do crime», ou seja, da sala de jantar, deparámo-nos com um obstáculo a transpor, nada menos do que uma pequena mesa, onde esportulámos a modesta quantia de vinte e cinco euros, sem a qual a admissão à sala , nosso objectivo da noite, nos era vedada. Chegados à sala, lá nos distribuímos pelas várias mesas, de acordo com as nossas afinidades e antiguidades, acomodámo-nos nas cadeiras e ficámos prontos para o inicio da função. A sessão iniciou-se com o discurso do António Reffóios (529/1963), Presidente da Associação. Avisadamente resolveu fazer o discurso logo de início, enquanto podia contar com a nossa atenção. Antes do início do discurso foi guardado um minuto de silêncio em memória de todos os Antigos Alunos falecidos ao longo do ano, sendo recordados em particular o Frederico Eduardo Rosa

Santos (78/1957), falecido na véspera do dia em que iria começar o seu segundo mandato como Vogal da Direcção da Associação e o Manuel Carlos Teixeira do Rio de Carvalho (124/1945) que, para além de ter sido Comandante do Corpo de Alunos, Subdirector e Director Interino do Colégio, desempenhou vários cargos na Associação, tendo terminado, no principio do ano, o seu mandato como Presidente da Assembleia Geral. O nosso Presidente começou por agradecer, em nome de todos os presentes, ao Tomaz Júlio Teixeira de Azevedo e Guimarães Metello (462/1958), a sua generosidade por mais uma vez ter disponibilizado as instalações do hotel para este nosso evento anual. Foram dadas as boas vindas aos convidados da Associação para este jantar, nomeadamente aos amigos do Colégio, Engº José Samuel Pereira Lupi e Professor Rui Jorge Vieira Farinha, a quatro antigos servidores do Colégio que, em conjunto, a ele dedicaram mais de 140 anos das suas vidas, aos novos Antigos Alunos a integrar na Associação e ao «alto comando» do Batalhão Colegial, ou seja, aos Alunos Comandante de Batalhão, Comandantes de Companhia e Comandante da Escolta. O discurso do Presidente, em que foram apresentados os pontos mais relevantes da actividade da Associação ao longo do ano, é seguidamente apresentado. Destacam-se as

actividades relacionadas com a luta que foi empreendida em defesa da identidade do Colégio, com iniciativas tomadas ao nível do Ministério da Defesa, da Chefia do Exército, do Parlamento, do 1º Ministro e do próprio Presidente da República, a quem foi endereçada uma carta assinada por 35 entidades de relevo da vida nacional, que acabou por não ter qualquer consequência, pois foi meramente passada ao Governo, que se terá limitado a arquivá-la numa qualquer gaveta dos assuntos aborrecidos que o tempo fará esquecer. Com o jantar a aproximar-se do seu final, foi a altura de se proceder à imposição das barretinas de lapela nos peitos dos novos Antigos Alunos que concluíram este ano os seus cursos no Colégio. Esta cerimónia decorreu de forma um pouco melhor do que nos anos anteriores, mas carece ainda de aperfeiçoamento, para não se atravancarem muitas pessoas em cima do palco. Fui chamado para impor as barretinas a alguns dos antigos graduados da 4ª Companhia, tendo acabado por as impor a todos eles, pois com o ruído de fundo na sala os restantes Antigos Alunos chamados para esta função não devem ter ouvido o chamamento. A imposição das barretinas de lapela foi acompanhada da projecção de slides com os retratos dos novos Antigos Alunos, trabalho este que, sem risco de ser desmentido, atribuo ao Antigo Aluno hono-


Jantar Anual da Associação / Novos Antigos Alunos Prémios Barretina 2014

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©Foto Leonel Tomaz

rário Leonel Tomaz. A qualidade do trabalho foi aquela a que ele já nos habituou. Seguiu-se a distribuição dos Prémios Barretina, que é sempre o ponto alto da noite. No seguimento deste artigo são apresentados os textos justificativos dos prémios distribuídos, bem como os agradecimentos dos premiados. O primeiro premiado foi o professor do Colégio Dr. Rui Jorge Vieira Farinha, que bastou ser pronunciado o seu nome para se perceber que o galardão estava bem atribuído. De facto os Antigos Alunos mais novos, de quem ele terá sido professor, e os Alunos actuais ali presentes imediatamente se levantaram todos das suas cadeiras e brindaram-no com uma grande salva de palmas. O seu discurso de agradecimento deu para ver que estávamos na presença de um homem que se deixou impregnar completamente pelo espírito do Colégio e se dúvidas houvesse, elas teriam sido dissipadas com a leitura do poema por si composto e que nos leu, que é uma verdadeira ode ao Colégio, que irá certamente passar a ser um daqueles textos de leitura obrigatória para quem se interessa pelas coisas do Colégio. O final da sua leitura foi recebido com uma estrondosa salva de palmas, em que lhe significámos o nosso grande apreço. Bem-haja Dr. Rui Farinha. É de professores como o senhor, capazes de inspirarem os nossos Alunos, que o Colégio está carecido.

O segundo premiado foi o engenheiro José Samuel Pereira Lupi, que durante muitos anos foi uma figura de grande relevo, como cavaleiro, no nosso meio tauromáquico e ainda hoje activo como ganadeiro de primeira linha. Há mais de quarenta anos, na sua herdade do Rio Frio, participei num treino do Grupo de Forcados de Santarém, a que depois não dei seguimento, vá-se lá saber porquê. O que o Colégio representa para José Samuel Lupi, é fácil de perceber. Aí entregou para educar e instruir cinco dos seus filhos e dois netos e segundo ali nos confidenciou, já tem um bisneto a quem vaticina o mesmo caminho. Oxalá assim venha a acontecer, seria sinal de que o Colégio continuaria a merecer a sua confiança, dos seus filhos e dos seus netos. O terceiro premiado foi o Francisco Alexandre Barros Covas (363/1984), que tem feito uma brilhante carreira profissional, ao mais alto nível, nos Estados Unidos da América, de onde veio para receber o seu galardão. Manifestou-nos a sua grande gratidão pelo prémio e cativou-nos pela sobriedade do seu agradecimento. Os grandes homens são assim, não precisam de se pôr em bicos dos pés. O quarto premiado foi de novo um homem de cavalos do nosso meio tauromáquico. Foi o João Manuel de Castro Palha Ribeiro Teles (676/1970), filho do inolvidável Mestre David

Ribeiro Teles, de quem foi um digno sucessor. Já deu por encerrada a sua carreira de cavaleiro tauromáquico, que nos deixou saudades, mas já lá tem um filho e um sobrinho a darem-lhe seguimento. O seu discurso de agradecimento foi delicioso. Começou por nos dizer como estranhou a sua entrada no mundo colegial, dado ser um rapaz criado na liberdade do campo e então metido nas andanças militares, que lhe eram estranhas. O seu feitio de camponês deu logo para ser brindado com a alcunha do «Matarruano». Não se deixou impressionar e lutou até atingir o quadro de honra e a classe especial de ginástica, esta pela mão do saudoso Dario Fernandes. Surpreendeu-nos no final, confessando-nos que um dos dias mais felizes da sua vida foi o da sua saída do Colégio. Compreendemo-lo bem, um pardal dos campos não é para estar metido dentro de uma gaiola. O quinto premiado foi o João Carlos Craveiro Lopes (71/1931), Coronel de Cavalaria, com uma impressionante folha de serviços, e cavaleiro olímpico na modalidade de obstáculos nos Jogos Olímpicos de 1952 em Helsínquia e de 1960 em Roma, onde obteve honrosas classificações. Com os seus vigorosos 93 anos, brindou-nos com outro delicioso discurso de agradecimento, relatando-nos a sua memorável viagem de Goa para Lisboa, com 10 anos de idade, para ingressar no Colégio, vindo à


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Jantar Anual da Associação / Novos Antigos Alunos Prémios Barretina 2014

guarda de um jovem de 18 anos, que vinha ingressar na universidade. A viagem, que durou 40 dias, teve uma paragem em Paris, onde visitou a exposição colonial em que Portugal participou, como o 3º Império Colonial da altura, e em que visitou o famosíssimo Casino de Paris, onde assistiu deslumbrado a um número de music-hall, com uma artista bem despida, que cantava a canção «La petite tonkinoise». Até nos trauteou os primeiros versos dessa canção, mais de 80 anos depois de a ouvir pela primeira vez. Terminou dizendo-nos que tinha pautado toda a sua vida pelo principio de «Honrar a Pátria» aprendido na sua vida colegial. O sexto premiado foi o António Eduardo Queiroz Martins Barrento (40/1948), General, oriundo da Arma de Cavalaria, antigo Chefe do Estado Maior do Exército, também ele cavaleiro de competição, fazendo parte do Conselho Supremo da nossa Associação. A sua brilhante folha de serviços militar fala por si. Também

agradeceu o prémio com que foi distinguido e fez-nos rir com um episódio que nos contou de uma entrevista telefónica em que a entrevistadora não acreditou que ele pudesse estar a chefiar mais de mil homens. O sétimo e último homenageado foi o Manuel Carlos Teixeira do Rio de Carvalho (124/1945), que nos deixou recentemente. Foi-lhe entregue o galardão a título póstumo, tendo sido o mesmo recebido por dois dos seus netos, também Antigos Alunos do Colégio. Subiram ao palco debaixo dos aplausos da sala toda de pé, testemunho do altíssimo conceito em que todos nós tínhamos o seu avô. O prémio foi-lhes entregue pelo António Cavaleiro de Ferreira (332/1950), Presidente da Assembleia Geral da nossa Associação, que pronunciou umas sentidas palavras evocativas do homenageado, de quem foi contemporâneo no Colégio. O neto mais velho proferiu, com compreensível custo, um emocionante discurso de

agradecimento, acabando por dizer que o seu avô estava ali presente entre nós, afirmação que todos compartilhamos. Enquanto estiver vivo nas nossas memórias, não estará morto para nós. Para encerrar o serão o Aluno Comandante de Batalhão lançou o nosso grito de guerra, no que foi secundado por toda a assistência, o que deve ter feito com que os hóspedes do hotel tenham saltado das suas camas completamente espavoridos. Para o ano vai ser difícil convencer de novo o Tomaz Metello a disponibilizar-nos as instalações do hotel. Foi uma boa jornada de confraternização, que decorreu de forma a deixar-nos a todos saudades. Aqueles que não puderam estar presentes, espero que possam ficar com uma pálida ideia do que se passou por intermédio desta breve reportagem. A última palavra que escrevi nos apontamentos tirados na altura foi «lindo».

Jantar Anual da Associação Palavras proferidas pelo Presidente da Direcção

António José Sousa Valle e Saraiva de Reffóios (529/1963) Boa noite a todos. Aqui estamos de novo pelo 8ª ano consecutivo para celebrar o nosso Colégio e a nossa Associação, com o mesmo espírito que nos une e nos distingue. Teremos uma noite longa. Serei breve, como convém. Começo por agradecer com gosto e sentimento de gratidão ao Tomaz Metello (462/1958), que a exemplo de anos anteriores, nos recebe neste magnífico espaço em condições únicas. Quero começar por lembrar todos aqueles que nos deixaram ao longo do último ano. Permito-me, desta feita, duas menções muito especiais ao Frederico Rosa Santos (78/1957) desaparecido de forma brutal e inesperada na véspera das eleições para os Órgãos Sociais da Associação para os quais tinha, uma vez mais, dito presente sem qualquer hesitação, fruto do grande amor que tinha ao Colégio e à Associação.

Ao Manuel do Rio Carvalho (124/1945) que nos deixou há pouco mais de um mês. Espírito independente e de convicções fortes. Homem integro e leal. Um amor ao Colégio indisfarçável. Apesar da doença que há muito o atormentava foi, enquanto Presidente da AG de uma disponibilidade enorme. Dois Meninos da Luz que nos deixam uma grande saudade. Peço que em memória destes AA e dos demais, guardemos um minuto de silêncio. Quero em nome de todos os AA presentes saudar os nossos convidados desta noite. São eles: O Engº José Samuel Lupi, grande amigo e defensor do CM. Confiou ao Colégio a educação de 5 Filhos e mais recentemente de 2 Netos. Um record absoluto na história do nosso Colégio. O Professor Rui Farinha, docente há cerca de 12 anos no CM. Agraciado em 2014 com a medalha de mérito D. Afonso Henriques, é reconhecido

pela sua competência e dedicação ao CM por todos os Alunos, que lhe dedicam um carinho muito especial. Um conjunto de 4 antigos funcionários do CM: Mário Caixado o “Marinho”, José Gomes, José Maria Polainas e Francisco Xavier, símbolos de uma geração de servidores que são também eles memória viva do Colégio e merecem o nosso reconhecimento. Os novos AA finalistas do ano lectivo 2013/2014. Os actuais Alunos Comandantes de Batalhão, de Companhia e da Escolta. Saúdo naturalmente todos os AA presentes e lembro todos os que, por qualquer razão não nos podem acompanhar esta noite. Como habitualmente, teremos duas cerimónias plenas de simbolismo: A atribuição dos Prémios Barretina, iniciativa que se concretiza pelo 8ª ano consecutivo que visa homenagear personalidades não AA que


Jantar Anual da Associação / Novos Antigos Alunos Prémios Barretina 2014

tenham contribuído para o prestígio e defesa do Colégio e AA que através da sua actividade profissional e exemplo se tenham distinguido pelo seu contributo para o Colégio, para a comunidade de AA, para a sociedade em geral e para o País. Procederemos também à imposição das Barretinas ao novos AA do curso de finalista de 2013/2014. Um gesto público de acolhimento na certeza de que estes novos AA honrarão este seu novo estatuto. Como habitualmente, esta é também uma excelente oportunidade para em breve minutos nos referirmos às principais actividades e desafios da nossa Associação. A exemplo dos dois últimos anos irei uma vez mais, inevitavelmente, concentrar-me nos aspectos relacionados com a reforma em curso no nosso Colégio. No ano passado, nesta mesma ocasião, apesar da frustração que então sentíamos – partilhada, atrevo-me a afirmar, por uma vasta maioria da nossa Comunidade de AA - por não termos conseguido evitar uma reforma que antecipávamos poder vir a contribuir para uma inevitável perda de identidade do nosso Colégio, assumimos, em nome da então Direcção da AAACM, o compromisso de continuar a lutar pelo futuro do CM, embora reconhecendo tratar-se de uma luta assimétrica e desigual. O compromisso da Direcção da AAACM num contexto adverso Em Fevereiro último, a Lista Candidata aos Corpos Sociais da AAACM que viria a ser eleita por larga maioria na AG do passado dia 9 de Março, divulgou junto de todos os Sócios da nossa Associação uma Moção Estratégica onde assumia de forma clara e inequívoca a renovação daquele compromisso , no quadro do mandato conferido na AG de Outubro de 2012, pese embora fossem então já visíveis algumas consequências negativas da acção precipitada e irresponsável do MDN e se reconhecesse que as opções políticas tomadas ou a tomar pela tutela poderiam condicionar de forma relevante o papel da AAACM na sua missão de apoiar o Colégio. Ao assumir aquele compromisso num contexto tão adverso, fizemo-lo convictos de que Apoiar o Colégio não é uma opção, mas um dever a que a AAACM e a Comunidade de Antigos Alunos não se podem furtar. Apesar das advertências e enorme esforço de sensibilização que a nossa Associação fez ao longo de todo o processo relacionado com a refor-

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ma dos EME desde Setembro de 2011 e em particular após o despacho do MDN de Abril de 2012, ficou patente que para além de um certo alheamento da opinião pública, a indiferença, o comodismo, o conformismo e a vassalagem mais espúria em alguns casos, demonstrados pelos diferentes sectores e actores, alguns com as mais altas responsabilidades na vida pública Portuguesa, lamentavelmente sobrepuseram-se à intransigente defesa de valores estruturantes da identidade e coesão nacionais como aqueles que estavam em causa. Esta triste realidade permitiu o exercício de uma prepotência e arrogância a que todos assistimos, e que porventura permanecerá, tendo em conta o contexto de excepção em que vivemos. A este respeito é bom lembrar que para além do MDN - cuja actuação me dispenso de comentar - o Exército, o Parlamento, o Primeiro Ministro, o Presidente da República e muitas outras entidades foram previamente advertidos, formal e informalmente, sobre os riscos da pseudo-reforma ©Foto Leonel Tomaz que estava em curso. Grilo, Bagão Félix, Luís Campos e Cunha, PacheRecordo em particular a carta co Pereira, João Soares e Cintra Torres, para citar subscrita por um conjunto de 35 personalidades, apenas alguns. para além dos membros de todos os Órgãos SoAo assumir aquele compromisso, fizemo-lo ciais e do CS da AAACM, que foi, como último ainda e assim, conscientes de estarmos muito isorecurso, dirigida ao Presidente da República - que lados na defesa do Colégio. Fizemo-lo convictos como creio saberem, foi em 2009 distinguido de que todos os esforços que tínhamos desenvolpelo CM como Aluno Honorário, distinção até à vido ao longo de três anos de intensa actividade data só concedida ao Príncipe D. Luís Filipe - carnão surtiram o efeito desejado, uma vez que não ta essa que mereceu tão somente um forward conseguimos que o Exército assumisse a necespara o PM, que prontamente a encaminhou para sidade e a responsabilidade de uma reforma ino MDN, demarcação logo sinalizada e difundida dispensável, não conseguimos que os decisores na comunicação social pelos acólitos do costume. políticos enveredassem por uma solução sensata Voltávamos à casa da partida ! e digna do historial ímpar do CM e também não Recordo ainda o tremendo esforço de sensibiliconseguimos, com indisfarçável mágoa, que o zação da campanha média difundida no verão de Aluno Honorário 695/2009 exercesse a sua ma2013, só possível graças ao apoio de alguns AA e gistratura de influência. de um conjunto de entidades que se identificaAo assumir aquele compromisso, fizemo-lo, em ram com a nossa luta que, para além da adesão suma, convictos de que o desfecho poderia ter generosa de Adriano Moreira, suscitou reacções sido bem diferente se todos - incluindo alguns favoráveis de outras destacadas figuras de relevo AA - se tivessem empenhado mais decisivanacional tais como Gabriela Canavilhas, Marçal


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Jantar Anual da Associação / Novos Antigos Alunos Prémios Barretina 2014

mente na procura de soluções e na oposição aos promotores da inércia ou da destruição do nosso Colégio. A realidade actual do Colégio Militar Fiel ao seu compromisso, a Direcção da AAACM tem acompanhado a evolução do dia a dia do Colégio, fruto, há que reconhecer, de um clima de colaboração estabelecido com o actual Director, Coronel Tirocinado José Feliciano, que tem demonstrado um empenhamento digno de registo, muito embora sem o grau de autonomia que a sua responsabilidade exigiria e desde há muito reclamado pela nossa Associação. Um ano após o início desta reforma, confirmam-se alguns dos receios que então antecipámos, em particular decorrentes da circunstância de se pretender homogeneizar os diversos modelos existentes no Colégio com o argumento da necessidade de criar uma desejável unidade e da defesa da existência de um único modelo educativo, em contraste nítido com a posição sempre defendida pela nossa Associação, em diferenciar positivamente o modelo do internato, que Marçal Grilo apelidou de casco, garantindo a coexistência dos diversos modelos , durante o tempo necessário, em situação de gestão eficiente, de modo a que se avaliem os méritos das diversas opções. Nesta matéria, é notório o escrutínio por parte do poder político, bem como a pressão constante dos vários grupos de EE no sentido de garantir essa mesma homogeneização. Muito embora se registem algumas iniciativas e mudanças no sentido da desejável melhoria dos resultados académicos em geral, e do ensino secundário em particular, estes permanecem a um nível inaceitável, com uma tendência para uma estratificação: alunos externos melhores que internos, raparigas melhores que rapazes. A Coordenação Pedagógica, outra das principais recomendações da AAAM, permanece virtualmente inexistente. É visível o relaxe nos pilares de Educação Física - com excepção da esgrima onde a AAACM tem um papel decisivo – e na Instrução Militar. O número de Alunas representa cerca de 1/3 do actual Batalhão Colegial e está em curso o projecto de construção do edifício para alojar o futuro internato feminino. Posicionamento da AAACM face a esta nova realidade. No pós Setembro de 2013, o universo dos AA repartiu-se entre os “realistas pragmáticos”

que legitimamente e por boas razões, acreditam que é desejável aceitar a nova realidade e integrá-la, e os “conservadores reformistas” que com a mesma legitimidade e igualmente por boas razões, que em maior ou menor grau e sobre diferentes aspectos, consideram a nova realidade, tal como se apresenta, inaceitável. Tendo presente esta dicotomia, também evidente, sem surpresa, entre os membros da actual Direcção da Associação, é importante neste momento deixar claro qual a sua posição, solidária, sobre esta questão central. Acreditamos, mais do que nunca, que o apoio da Associação e da Comunidade de AA ao Colégio, não é uma opção, mas um dever a que não nos podemos furtar. Acreditamos que é essencial continuar a dar público testemunho de compromisso e de unidade, cientes de que no universo dos AA existe, felizmente, diversidade de opiniões e liberdade de expressão. Acreditamos que os nossos argumentos deverão permanecer sempre apoiados no valor da Instituição e na sua importância para o presente e o futuro de Portugal. Desejamos, sem eufemismos ou cedências, que o CM permaneça público, veículo estratégico da Lusofonia, tutelado pelo Exército, enquanto unidade militar, em regime que permita autonomia de gestão administrativa e financeira, que valorize o modelo de internato, que preserve a sua identidade através dos pilares distintivos da formação militar e liderança, da formação desportiva e do seu ethos. Desejamos também que tenha uma gestão eficiente, incluindo uma eficaz coordenação pedagógica capaz de recolocar os seus resultados ao nível de excelência. Rejeitamos quaisquer tentativas ou posições, qualquer que seja a sua proveniência ou forma, que ousem atribuir à AAACM a responsabilidade histórica pelo “fim do Colégio como o conhecemos”, certos que estamos de jamais nos termos afastado do mandato que nos foi estatutária e legitimamente conferido. Rejeitamos igualmente a sujeição a qualquer lógica político partidária. Os AA parecem particularmente intolerantes a este tipo de posicionamento ou a algo que mesmo vagamente se assemelhe, como ficou amplamente demonstrado na última AG, com a impossibilidade em aprovar uma simples moção de repúdio face à atitude do MDN em visitar o CM de forma pouco menos que hostil e ofensiva, justamente na véspera das cerimónias do 3 de Março… !

Assumimos que a evolução em curso que conduziu a uma nova realidade, nos obriga a uma reflexão sobre a estratégia a seguir. Assumimos fazê-lo, nesta fase, com o apoio de um conjunto de membros do CS especificamente designados para o efeito. Assumimos também a responsabilidade de, numa fase subsequente partilhar esta mesma reflexão com o CS e CDC, os órgãos consultivos estatutariamente reconhecidos. Assumimos também que qualquer eventual alteração relativamente ao posicionamento actual terá de ser sufragada em sede própria, isto é a AG da AAACM. Assim faremos, insisto, tendo sempre presente a responsabilidade, também histórica, de promover a coesão entre a Comunidade dos AA em torno da sua Associação. Num registo mais pessoal, quero dizer-vos que apesar das dificuldades e incompreensões que também vão surgindo, iniciei em Março um 2ª mandato com a mesma energia a determinação de sempre, certo que estou da qualidade da Equipa que tenho o privilégio de ter comigo na actual Direcção e a quem uma vez quero manifestar a minha gratidão, do apoio dos demais Órgãos Sociais, e também dos Órgãos consultivos, o CS e o CDC. Embora com uma mudança inesperada na minha vida profissional que dificulta esta minha tarefa que muito me honra, tudo farei para ser merecedor da confiança que em mim depositam. A terminar, um agradecimento muito especial e sentido aos Colaboradores da Associação, Alina Nogueira, Ana Maria Carvalho e Leonel Tomaz, pela dedicação e espírito de missão que vão evidenciando em cada dia, e naturalmente pelo carinho com que organizaram mais este encontro tão especial na vida da nossa Associação. A todos desejo um Santo Natal e um até para o ano, com a esperança de que continuemos a ter boas razões para celebrar este nosso Colégio que tanto amamos e esta nossa Associação a que nos orgulhamos de pertencer. Obrigado e boa noite a todos!


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Prémios

Barretina 2014 Apresentação dos agraciados e textos das palavras que proferiram após o recebimento dos respectivos prémios durante o Jantar Anual da Associação, na noite de 28 de Novembro de 2014.

Professor Rui Jorge Vieira Farinha "PRÉMIO BARRETINA - AMIGOS DO COLÉGIO MILITAR"

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asceu em João Belo (Moçambique), em 1972, e é professor do ensino básico e secundário. Licenciou-se em Ensino de Biologia, pela Faculdade de Ciências de Lisboa, em 1995, é em membro da Ordem dos Biólogos. Depois de ter passado por escolas públicas dos concelhos de Cascais e Almada, é desde 2003 professor do Colégio Militar, onde lecciona as disciplinas de Ciências Naturais, Biologia e Geologia, do 2.º e 3.º ciclos. Mal chegou ao Colégio Militar depressa cativou os alunos com a sua maneira de ser e a permanente disponibilidade para os ajudar e para desenvolver projectos que os envolvessem. Coordenou múltiplos projectos dos quais se

destacam os Núcleos de Investigação em Astronomia, o Projecto de Educação para a Saúde e a Sexualidade e é responsável pela equipa que criou a disciplina de oferta própria do Colégio Militar, “Liderança e Valorização Pessoal”, destinada a alunos do secundário. Em 2004, proferiu a lição inaugural na abertura do ano lectivo do Colégio Militar, intitulada: “Um mundo do avesso – Reflexões sobre o Quotidiano”. É autor e co-autor de vários livros e foi co-autor dos guiões da primeira temporada do programa de divulgação cientifica “Megaciência”, emitido pela SIC. Em 2012 levou dois alunos do Colégio Militar aos dois primeiros lugares das Olimpiadas de Biologia. Foi agraciado, em 2014 com a Medalha de D. Afonso Henriques – Mérito do Exército 2.ª Classe. Mas é, acima de tudo, por ter integrado o espírito do Colégio e pela sua permanente disponibilidade para os alunos que o Prémio Barretina “Amigos do Colégio Militar” é para Rui Farinha, entrega Francisco Cordeiro de Araújo (591/2007), Comandante do Batalhão.

Excelentíssimo Senhor Presidente da Associação de Antigos Alunos do Colégio Militar Caríssimos Senhores Alunos (antigos e actuais) e particularmente aqueles que, de tão entranhados em nós, não queremos acreditar que a mofina colheu injustamente cedo… Caríssimos

convidados e demais distinguidos. Muito boa noite a todos, Primeiro, a surpresa! Depois, a incredulidade. Em seguida, a responsabilidade, logo provida de negação que ainda não me permitiu aportar na real percepção nem do porquê nem do para quê! Vou começar por recorrer às palavras de Miguel Torga porque sei que traduzem exactamente o que vou sentir daqui a pouco… Diz ele: "É difícil, isto de a gente se explicar. Não há conversa em que me empenhe a fundo da qual não saia cheio de ideias que queria pôr sobre a mesa, nítidas e precisas, e que não fui capaz de trazer à luz do dia naquela hora. Só depois de a discussão passada, de o caso arrumado (…) é que surge no meu espírito a expressão exacta e desejada do que era preciso dizer." Daqui a minutos, estarei sentado a pensar: poderia ter dito isto e aquilo e que me esqueci daqueloutro… Queria entrelaçar palavras belas, emotivas, que exortassem quem preciosamente me ouviu e lhes demonstrassem a grandiosidade e fidedignidade do meu sentir. Mas sei que não vou ser capaz. Resta-me a certeza de que, no meu íntimo mais cândido, permanece o ledo conforto de que, em cada dia, o que sinto suplanta largamente o que não tenho oportunidade de dizer.


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Por isso trago este completo improviso escrito… Agradeço a todos os que pensaram que eu poderia ser merecedor de uma tal distinção. As distinções são para grandes feitos e grandes homens. Eu apenas lido com eles e, através deles, me sinto grande, não através dos meus parcos feitos que mais parecem desfeitos quando antevejo o que me falta fazer. A honra não está em ser distinguido. Ela reside no facto de os meus alunos terem confiado em mim o suficiente para comigo partilharem fragmentos de si e me deixarem fazer parte da sua vida. Eles partem, fazem-se homens, e, quando retornam à casa, no seio da família colegial, demonstram-me o seu sentido afecto. Não ouso pensar que os marquei mas tenho provas de que me marcaram: só não posso mostrá-las aqui porque o atavio e a compostura não me permitem desfazer o nó da gravata, rasgar a camisa, expor o meu peito e mostrar-vos o meu coração. São um exemplo de coragem nas minhas horas de esmorecimento. E há uma frase que me acompanha nesses tempos em que o meu mar está revolto [e, para o nosso Colégio, ele tem estado algo sedicioso], e que é: À beira do abismo… cresceram-me as asas. [Seja qual for a altura de que queiram deixar-te cair, Colégio, sei que nunca o conseguirão pois, no momento da suposta queda, no dorso de cada um dos membros da unida família, despontarão belas (mas não bélicas) armas, daquelas que nenhuma outra saberá combater: duas asas crescerão, revigorantes e elevatórias, a fazer perceber que, do abismo [que tão assustador parecia], resta apenas o voo planante por sobre uma paisagem excepcional. Porque a vida vista de cima com bom-senso ganha outra dimensão e plenitude. “Vocês podem empurrar-me para o precipício: não me importo com isso, eu adoro voar”…] Obrigado a todos por me fazerem menino e me darem, a cada dia, esta capacidade de me encantar, maravilhar e surpreender. Obrigado meus professores-alunos pelo que me ensinaram e ensinam e cabe-vos também a vós a possibilidade de mudar o hoje. Mesmo não sendo um Menino da Luz, sinto, agora, na minha lapela que, como disse o 2921: aquela coisa pequenina que se põe à altura do coração (…) é um sinal de uma condição que não tem igual 1 António Herculano de Miranda Dias (292/1925)

Vou fazer algo inédito: partilhar convosco umas palavras em jeito de poeminha bacoco e descabido, de rimada estéril, que, há pouco, nem sei bem porquê, me senti impelido a redigir. Peço desculpa pela manca prosa mas ela aqui fica, com pedidos de relevação antecipados, a demonstrar que aprendi a coragem convosco… Na parada nova me fiz velho! E, dela, contemplo o capote ondulante na cúpula… Anuncia ele, em tempo de férias, Que os Meninos não estão mas virão! E, no claustro, por sobre cada uma das pedras seculares, Ecoam, nas placas, as palavras dos então meninos Que, não sendo números, sentem os números. Nas lapelas circulam barretinas Nas mesas há, no amarelo, outra cor Que na carne se entranha! E há calistos, fantasmas e grupais ramalhos E pinturas e plátanos de velhos galhos Que contemplam as estátuas que na enferma perfilam Tal como eles próprios se na Avenida desfilam! Das Belgas há escapatória [que, por vezes, dá em palmatória…] Já houve amarelas, que agora são brancas Mas nunca, por nunca, se perde a esperança. E há Tesouras que agitam e há a Quinta que explica E há mocas e moquinhas após o selar E casas de banho aflitas porque o papel está a acabar [Para onde será que ele foi?] Há chouriçadas e almofadadas E malões gigantes que encerram segredos: Escondem bolama que acalma as noitadas! E há Natação, Futebol, Esgrima, Equitação Râguebi, Pentatlo e Classe Especial Escolta e empinanço sem hesitação S. Pedro não chora: é tradicional! Há cor de pinhão sem verde pinheiro Em cada camarada um leal timoneiro. Há sequentes Janeiros que de Récita se aperaltam, E semanas de campo onde todos se esfalfam. E há chás dançantes de enamoramento Que quebram os muros antes de cimento. E há dedicados Mestres de ledo enlevo Com quem fugazmente se partilha um segredo. E há garraiadas e grandes noitadas E são às centenas as tradições…

Ali, mano-a-mano, à beira da cama Pedidos de ajuda e tantas confissões… Distantes de pais nas noites fraternas Há Graduados que cedem os seus corações. Ora digam-me cá se há outro lugar Onde este acervo se pode conjugar? Pois é com tudo isto dentro de mim Tudo imaterial mas possante e grandioso Que eu, Professor, quando chegar ao fim Não me quedarei plangente e silencioso Porque mesmo trespassado pela cruel investida Da desleal desdita que pela vereda me induz Sei que há uma campa onde, de forma sentida, Repousarei completo como um Menino da Luz.

E, se me permitem a veleidade: Allez Allez à Votre Santé A todos um forte Zacatraz! Obrigado!


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Engº José Samuel Pereira Lupi "PRÉMIO BARRETINA - AMIGOS DO COLÉGIO MILITAR"

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asceu a 5 de Maio de 1931, numa família de criadores de cavalos e formou-se como Engenheiro Silvicultor, para suceder ao pai como administrador da Sociedade Agrícola de Rio-Frio, até 1987, ano da sua venda. Apaixonado pelos cavalos e pelos touros, torna-se numa das referências da tauromaquia equestre portuguesa, tendo aprendido com João Núncio e Francisco Mascarenhas. Estreou-se em Vila Franca de Xira (1947) e recebeu a alternativa, das mãos de Mestre João

Núncio, no Campo Pequeno, a 16 de Junho de 1963, alternativa que seria confirmada a 12 de Outubro, desse ano, em Madrid. Ficam na memória, ao vivo ou na televisão, os “duelos” travados nas arenas com Mestre João Núncio, Mestre David Ribeiro Telles, Manuel Conde, José Mestre Baptista e Luís Miguel da Veiga. Em 1970 junta-se aos “rejoneadores” Álvaro Domecq, Angel Peralta e Rafael Peralta para formar os “Quatro Jinetes del Apoteosis”, onde marca pela diferença do seu tipo de toureio. A sua carreira de cavaleiro tauromáquico dura até 1977, mas antes já fundara a ganadaria Sociedade Agrícola de Rio Frio, que se estreia em Barcelona, a 19 de Setembro de 1971. A 8 de Maio de 2008 concede alternativa ao filho Manuel (267/1966), que assim continua a tradição da família. Sempre inquieto, promoveu grandes transformações na sua Herdade da Barroca d’Alva e contribuiu para o desenvolvimento cultural regional, em Alcochete e no Montijo, com Alcochete a acolher o Museu Lupi. Não sendo antigo aluno, confiou ao Colégio Militar a educação dos filhos (cinco) e dos netos (dois) e é o responsável pela realização da garraiada, que começou em Maio de 1966.

Foi na sua casa que quase todos experimentaram o que é pisar uma arena, para depois o fazerem noutros locais, os escolhidos para cenário da garraiada, e esteve sempre disponível para nos acolher, ensinar e ajudar. Obrigado Eng.º Samuel Lupi Por ter acreditado em nós e por tanto nos ter ajudado, o Prémio Barretina “Amigos do Colégio Militar” é para o Eng.º Samuel Lupi, entrega o António Saraiva de Reffóios (529/1963), Presidente da Direcção da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar.

É uma grande honra para mim estar hoje aqui convosco. Acompanhei como pai e como avô o Colégio Militar e só eu tenho que lhe agradecer e ele nada tem que me agradecer a mim. Se alguma coisa fiz pelo Colégio, nada é comparável com o que o Colégio me ajudou na educação dos meus Filhos e Netos e espero que venha a ajudar a educar um Bisneto que já existe. Muito obrigado a todos.

Francisco Alexandre Barros Covas (363/1984) "PRÉMIO BARRETINA - COLÉGIO MILITAR NO MUNDO"

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ntrou para o Colégio Militar, em 1984, e teve o número 363. Formou-se em Economia na Universidade Nova de Lisboa, em 1997, e sete anos mais tarde 2004 fez um Ph.D, na Universidade da Califórnia, em San Diego. Começou a trabalhar no Banco de Portugal (Julho de 1998 a Junho de 1999) mas depois a sua carreira internacionalizou-se e passou pelo Banco do Canadá (Setembro de 2004 a Maio de 2007) e pela Federal Reserve Board, cujas funções acumulou com ensino nas Universidades de Georgetown e John Hopkins. Vive em Washington DC e integra a Division of Monetary Affairs Board of Governors of the Federal Reserve Sistem.

É autor de inúmeros artigos e livros, neste caso com destaque para o livro intitulado “Moving the Escudo into Euro”, escrito em parceria com Braga de Macedo e Castela Nunes. Recebeu o Prémio Fundação Amélia de Melo, em 2000, e o Prémio Chancellor’s Teaching Fellow, em 2003. Com um percurso notável fora de portas, o Prémio Barretina “Colégio Militar no Mundo” é para o Francisco Covas (363/1984), entrega o Tomás Metello (462/1958) Caros amigos, Começo por agradecer a todos os convidados aqui presentes, mostrando o meu grande


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apreço por receber o Prémio Barretina 2014. Este galardão é o reconhecimento da qualidade de ensino e da construção moral e de carácter que o Colégio Militar me deu. Todos sabemos as dificuldades que o país atravessa e as dúvidas que são levantadas sobre a continuidade ou não do Colégio Militar. No meu caso, só posso agradecer a todos a formação que aqui recebi para desenvolver a carreira que estou a construir. É por isso que acredito que uma Instituição secular, com a importância histórica do Colégio, não deveria ser colocada em causa.

O Colégio é um património de Portugal e deve ser uma pedra importante na construção de um Portugal moderno, honesto, humanista e trabalhador. Valores que fazem parte do ensino que o Colégio sempre nos incutiu. Quem não se lembra do esforço e da dedicação que todos tínhamos nas várias semanas que antecediam o 3 de Março? São memórias como esta que ajudam a ultrapassar os desafios que todos encontramos nas nossas carreiras e vidas pessoais. Na minha carreira o meu trabalho é valorizado no sentido de ser um bom chefe de equipa, um

bom colega, um bom tutor para os mais jovens, ser persistente e ajudar a responder a questões importantes para a Reserva Federal Americana (FED). Em grande parte, muitas destas qualidades foram introduzidas e mais tarde aperfeiçoadas no Colégio Militar. Neste momento solene, gostaria de saudar com particular ênfase e apreço todos os Antigos Alunos e amigos. Com um grande Zacatraz.

João Manuel de Castro Palha Ribeiro Telles (676/1970) "PRÉMIO BARRETINA - NOTORIEDADE" Ribeiro Telles, tio de Manuel Ribeiro Telles Bastos e pai de João Ribeiro Telles Júnior, todos cavaleiros tauromáquicos de alternativa. É por isso que face aos seus êxitos, o Prémio Barretina “Notoriedade” é para o João Ribeiro Telles (676/1970), entrega o José de Ataíde Banazol (631/1968), Vice-Presidente da Direcção da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar.

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asceu nas Caldas da Rainha, a 12 de Julho de 1959, e entrou para o Colégio Militar, em 1970, onde foi o 676. Depois segue para Agronomia e, com o curso tirado, dedica-se ao toureiro equestre e à agricultura. Filho do Mestre David Ribeiro Telles, não surpreende que os cavalos e os touros fossem a sua paixão e que desde cedo tivesse actuado como cavaleiro amador. Dele, numa tarde de touros, em Montemor, disse Mestre João Núncio ao pai: «A este não lhe ensinas mais nada». E como resultado, a 5 de Junho de 1980, na Praça Celestino da Graça, em Santarém, tomou alternativa, apadrinhada pelo pai, para uma carreira de sucesso, numa família onde os sucessos nas praças de touros foram e são uma constante. É filho de David Ribeiro Telles, irmão de António

Bem meus Senhores, falar do Colégio é fácil e é difícil. Eu fui sempre um desalinhado no Colégio. Eu cheguei ao Colégio, vinha do campo, era um camponês autentico. Cortaram-me o cabelo e reparei que tinha um par de orelhas que parecia um cavalo. Depois eram todos filhos de oficiais, todos enfim, gente da cidade e eu um camponês, chamaram-me logo matarruano orelhudo. A seguir mais um problema, eu não era muito inteligente mas era persistente. Então todos iam para o Quadro de Honra. Também tenho de ir para o Quadro de Honra. Tanto estudei, tanto estudei que também fui para o Quadro de Honra. A seguir veio um dos grandes problemas que eu tive, que foi o da Ginástica.

Os meus Amigos, o Vitinha, o 2 que tinha uma alcunha que a gente não pode dizer, era o “aralhão”, o Grave, o Esparteiro, eram todos da Classe Especial e eu era um pixote, era dos piores, mas insisti e o Dario levou-me à Classe Especial. Era o pior mas estava lá ao pé. A seguir tinha um problema pior, todos filhos de oficiais, eu civil, os gajos pagavam duzentos paus e eu pagava três contos. O meu Pai com o 25 de Abril, teso. O Mota chamava-me à Secretaria – oh Telles tens de pagar as contas senão vais-te embora. Eia! No mês seguinte, o Mota outra vez a chatear – o teu Pai tem de pagar a conta. Estou lixado com isto! Ia para casa – oh Pai, tem de pagar a conta. Eh pá, não tenho dinheiro. Tem de pagar a conta. Enfim, lá a minha Avó dava o dinheiro e eu continuava no Colégio. Depois chegou o fim e eu sofri muito no Colégio, tive muitas saudades da minha Mãe, sofri sempre. Tenho que agradecer ao Zé Potes que aqui está e ao António Calça e Pina, que foram os meus pais no Colégio e me deram força para continuar. Eu no Colégio aprendi muitas coisas e talvez a palavra honra fosse a coisa que mais me ficou e eu dei a palavra de honra ao meu Pai que ia até ao fim e aguentei até ao fim. E, talvez, se não tivesse estado no Colégio não me tivesse formado, não tivesse a Família que tive, e não teria tido a satisfação de hoje estar aqui ao pé de vocês e de pertencer a esta Família. Mas para mim também era uma desonra se vos mentisse – o dia mais feliz da minha vida foi o dia em que saí do Colégio. Obrigado


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João Carlos Craveiro Lopes (71/1931) "PRÉMIO BARRETINA - DESPORTO" António Pereira de Almeida conquistou o 9.º lugar por equipas. O Prémio Barretina “Desporto” é para o João Craveiro Lopes (71/1931), entrega o Martiniano Gonçalves (9/1958), Presidente do Conselho Supremo.

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atural de Lourenço Marques, onde nasceu em 1919, entrou no Colégio Militar, em 1931, com o número 71. É filho do antigo Presidente da República, Francisco Higino Craveiro Lopes (27/1904) e faz parte de uma família que conta com 17 Meninos da Luz. Uma família que mereceu quatro condecorações da Ordem da Torre e Espada, do Valor Lealdade e Mérito. Do Colégio Militar seguiu para o Liceu Afonso de Albuquerque, na Índia Portuguesa, como consequência do destacamento do pai para esse local, e daí para as Universidades de Lisboa e Coimbra e para Escola do Exército, de onde saiu oficial de cavalaria, em 1943. Em Mafra tirou o Curso de Mestre de Equitação e tem, ainda, os cursos de Sapadores, Minas e Armadilhas, Carros de Combate e de Operações Especiais, este tirado nos Estados Unidos. Entre 1961 e 1974, cumpriu três comissões, durante as quais foi de capitão a coronel, e a comissão de serviço no Transporte de Cargas Críticas para a Barragem de Cabora Bassa. Entre vários louvores e condecorações destaque para três medalhas de Serviços Distintos com Palma (uma de ouro e duas de prata), é Cavaleiro da Ordem Militar Aviz e ostenta condecorações militares e diplomáticas do Brasil, Espanha, Malta e Reino Unido. Participou em duas Olimpíadas, as de Helsínquia (1952) e Roma (1960). Em Helsínquia foi 19.º no concurso individual de obstáculos e com Henrique Calado e José Carvalhosa colocou Portugal no 8.º lugar por equipas. Em Roma, de novo com Henrique Calado e com

Antes de falar o João Craveiro Lopes, o Martiniano Gonçalves (9/1958) pediu licença para dizer as seguintes palavras: No dia 11 de Março de 1975, para os mais novos direi que houve um incidente político-militar no nosso país O Antigo Aluno 384 de 1931 foi preso com muitos dos seus camaradas, alguns dos quais se encontram aqui. Na primeira noite esse Antigo Aluno esteve preso no Forte da Trafaria, na segunda foi para o Presídio Militar de Santarém e depois esteve quatro meses e meio preso no Forte de Caxias. Na noite em que seguiu para Santarém era comandante do Presídio o João Craveiro Lopes. Eu vou ler-vos uma frase do 384 de 1931, retirada do diário que escreveu nos dias que esteve na prisão: “O João Craveiro Lopes para alem de um camarada de armas que cumpriu as suas obrigações como comandante do Presídio, foi simultaneamente um amigo e um camarada solidário como Antigo Aluno do Colégio Militar enquanto eu aqui estive.” O 384 de 1931 chama-se Martiniano Gonçalves e é o meu Pai.

Em primeiro lugar desejo agradecer ao Presidente da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar, a lembrança de me premiar por uma parte da minha vida desportiva e militar, o que muito agradeço. Quero dedicar este prémio aos meus camaradas da equipa dos Jogos Olímpicos de Helsínquia e de Roma, entre os quais se encontrava um Antigo Aluno do Colégio Militar, António Pereira de Almeida, que foi o maior e melhor cavaleiro,

único cavaleiro do Mundo que entrou nas 3 modalidades dos Jogos Olímpicos: Prova de Campo, Prova de Obstáculos e Prova de Ensino. É de facto um caso único na História do Hipismo. Alem disso queria falar um pouco da minha vida no Colégio Militar. Sou como se diz, o 71 de 1931, portanto do século passado e tinha por alcunha o “gazela”. A gente nunca sabe porquê, as alcunhas aparecem – seria porque tinha os olhos em bico ou porque corria muito, não sei nem nunca soube, ao longo do tempo que estive no Colégio Militar, que foram apenas dois anos e meio. Porque os meus Pais e os meus Avós tinham sido Alunos do Colégio Militar, meteram-me num barco, praticamente sozinho, acompanhado de um universitário que vinha estudar para Coimbra. Aconteceu que tive de tomar dois barcos, paquetes na altura em que se levava um mês e tal a chegar a Lisboa desde Goa. Durante essa viagem que foi para mim muito atribulada com a mudança de paquete, cheguei a Port Said, depois fui parar a Génova, de Génova para Paris e de Paris para Lisboa, tendo demorado um mês e dez dias. Depois deste esforço todo e da aventura vivida neste tempo, cheguei ao Colégio Militar onde estive para não entrar por causa da prova de Oftalmologia. Os meus Pais, na Índia e sem comunicações como há hoje, tiveram de facto muita coragem. Infelizmente só estive cá dois anos e meio, porque o meu Pai e o meu Avô foram novamente para a Índia e decidi entre estar cá sozinho sem Família durante três ou quatro anos, optei e fui para a Índia. Voltei mais tarde a Lisboa para fazer o sétimo ano para ingressar na Universidade de Coimbra. Na minha viagem de Goa para Lisboa, aconteceram em Paris dois factos muito curiosos que me ficaram na memoria. Na Exposição Colonial de Paris 1931, fiquei muitíssimo impressionado. Havia uma escadaria toda iluminada e ao fundo estavam dois africanos fardados, um de Moçambique e outro de Angola, com uma frase “Terceiro Império Colonial do Mundo”. O primeiro era o Inglês, o segundo o Francês e o nosso era o terceiro. Isto vindo para entrar no Colégio Militar impressiono-me de sobremaneira. Outro aspecto de outra natureza. Consegui entrar no Casino de Paris, com onze anos apenas.


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Não sei o que o meu companheiro que tinha dezoito anos disse – que era seu filho ou que se responsabilizava – o que é certo é que entrei. Entrei e aquilo deslumbrou-me. Naquele palco que era um palco esverdeado, havia uma concha enorme onde se levantava uma personagem muito conhecida na época, que se espreguiçava à medida que a concha se abria e vinha muito pouco vestida. Fiquei absolutamente espantado. Cantava uma cantiga muito conhecida na época “La petite tonkinoise»”. Eu ainda era capaz de a cantar.

Eu nessa altura não sabia francês, só no Colégio Militar comecei a aprender e só mais tarde percebi o que era a cantiga. Era na altura que os franceses tinham a Indochina, mais tarde Vietname. Vou agora ler a parte final para não me enganar. O meu Pai e o meu Avô e muita da minha família foram educados no Colégio Militar e todos nós estamos muito gratos à educação que aí recebemos. Presentemente, o Aluno 363, dos últimos anos do Colégio Militar, está presente. Aquelas fotografias que foram inauguradas por iniciativa da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar com a aquiescência do Senhor

Director, são um marco muito importante para as novas gerações dos Alunos que ali podem ver o exemplo do valor e das virtudes que aqui se aprendem. Para terminar havia no meu tempo um hino do Colégio Militar que começava desta maneira Alunos o nome da Pátria cumpre manter Este verso orientou-me sempre na vida na Honra à Pátria, não só na Metrópole com em África, tanto na parte militar como na desportiva. Muito obrigado.

António Eduardo Queiroz Martins Barrento (40/1948) "PRÉMIO BARRETINA - DEDICAÇÃO"

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asceu em Estremoz, em 1938, e entrou no Colégio Militar, em 1948, onde teve o número 40. Licenciou-se em Ciências Militares e tem os Cursos de Estado-Maior, Superior de Guerra, tirado em Paris, e Superior de Comando e Direcção e cumpriu quatro comissões no ultramar, tendo passado por Moçambique, Angola e Timor. Foi professor do Instituto de Altos Estudos Militares e professor convidado do ISCSP/UTL. Como oficial general desempenhou funções na NATO e no SHAPE, em Mons, na Bélgica, e foi General Chefe do Estado-Maior do Exército, de 19 de Março de 1998 a 19 de Março de 2001. É Vice-Presidente da Sociedade Geografia, Académico de Mérito da Academia Portuguesa de História, membro do Conselho Consultivo da Comissão Portuguesa de História Militar e da Comissão Cientifica do Centro de História da

Universidade de Lisboa e integra o Conselho Supremo da AAACM. Tem publicados cinco livros sobre assuntos militares e de história e um sobre estratégia e recebeu várias condecorações militares portuguesas e estrangeiras, com destaque para a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo. Ao longo dos anos tem sido de uma dedicação enorme à AAACM, para a qual está sempre disponível. É por isso que o Prémio Barretina “Dedicação” é para o António Martins Barrento (40/1948), entrega o Vasco Rocha Vieira (127/1950).

Quando há dias o Reffóios me pediu um currículo e fotos para esta ocasião, disse-lhe que havia outros que, mais do que eu deveriam ser distinguidos neste jantar. Mas ele invocando a sua autoridade como Presidente da Associação, disse-me secamente: “Mas não és tu quem escolhe, somos nós”. Pois bem, porque assim é, creio que a razão desta escolha se deve ao facto de eu ter sido Comandante do Exército, já que não é muito vulgar ser ocupado por Antigos Alunos. Nos últimos 76 anos (é a minha idade) dos vinte e tal CEME que existiram, apenas cinco foram

Antigos Alunos. Porque creio ter sido esta a razão da escolha, lembro o seguinte episódio que sucedeu há poucos anos. No quadro de um inquérito qualquer, recebi um telefonema em que me perguntavam se tinha desempenhado funções de direcção ou de chefia. Tendo dito que sim, perguntaram se tinha sido sobre cinco ou mais pessoas. Tendo respondido que eram mais, perguntaram se eram mais de vinte (isto já sucedera no Colégio quando fui 2 estrelas da 1ª), mas disse mais. O número foi subindo e quando chegou a mil e eu disse mais, notei uma hesitação e nos cinco mil desligou-me o telefone. É que, ao tempo, eram cerca de trinta e cinco mil pessoas. Lembro isto porque aceito esta distinção como algo que abrange todos os Antigos Alunos que ao longo dos anos serviram o Exército nos Quadro Permanente ou Quadro Complementar. Creio que na formação que recebemos no Colégio houve valores que adquirimos e que depois realimentamos na Instituição Militar. O apagamento do “eu” face ao superior valor do “nós” Colégio ou do “nós” Exército; o sentido de SERVIR que está no nosso Guião; a sã camaradagem, princípios e valores que nos honram e distinguem como Antigos Alunos, Homens e Portugueses. Muito obrigado Colégio, muito obrigado Associação. Em nome dos Antigos Alunos que serviram nas fileiras do Exército, agradeço reconhecido esta distinção.


Jantar Anual da Associação / Novos Antigos Alunos Prémios Barretina 2014

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Manuel Carlos Teixeira do Rio Carvalho (124/1945) "PRÉMIO BARRETINA - AMOR AO COLÉGIO"

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asceu em Lagos, em 1935, onde o pai comandava o Regimento de Infantaria, tendo entrado para o Colégio Militar em 1945 com o número 124. Do Colégio Militar seguiu para a Escola do Exército onde, em 1952, concluiu o Curso de Infantaria. Em 1961, quando começa a guerra do Ultramar está, como tenente no norte de Angola, com uma das três únicas companhias de Caçadores Especiais aí presentes, companhia essa que foi condecorada colectivamente com a medalha de Valor Militar. Seria a primeira de três comissões em Angola, sempre em funções de comando operacional. Nos intervalos das missões serviu na Escola Prática de Infantaria, em Caçadores 5 e na Academia Militar. Já major, em 1971, é oficial de operações de um batalhão sediado em Tete – Moçambique, no momento crucial da construção da Barragem de Cabora-Bassa, um momento de grande exigência da sua vida militar e onde, de novo e reconhecidamente, demonstrou a sua capacidade. No 25 de Abril, regressado de Moçambique, é oficial na Academia Militar. Nos anos seguintes é assessor no Ministério da Administração Interna onde, usando o bom senso e a proverbial capacidade de diálogo, contribuiu para o esforço de controlo de alguns exageros revolucionários. Foi 2.º Comandante do Centro de Instrução de Operações Especiais/Escola de Formação de Sargentos, em Lamego, e Comandante do Regi-

mento de Infantaria 2, em Abrantes. Foi, ainda, assessor no Instituto de Defesa Nacional e director do “Jornal do Exército”. Frequentou o Curso Complementar do Instituto Superior de Ciências Sociais e Politicas, o Curso de Defesa Nacional e o Curso Superior de Comando e Direcção no Instituto de Altos Estudos Militares, tendo terminado a carreira como Coronel Tirocinado. Já na situação de reforma colaborou no livro “Moçambique – Operações 1964-1975”, incluído na “Resenha Histórica das Campanhas de África”. Foi seis vezes condecorado com a medalha militar de Serviços Distintos. No Colégio Militar, entre 1978 e 1988, foi Comandante do Corpo de Alunos, Subdirector e Director interino. É de facto muito raro conjugar numa mesma pessoa tantas experiências pessoais e profissionais ligadas ao Colégio Militar: aluno, pai de aluno e avô de dois alunos, oficial nos pontos-chave da Direcção do Colégio, integrando na Associação dos Antigos Alunos três Direcções e tendo sido no triénio passado Presidente da Mesa da Assembleia Geral. Conhecia e amava o Colégio profundamente, tendo uma visão muito lúcida do seu passado recente e dos factores que desencadearam a actual crise. O 124/1945 foi um militar que esteve, intensamente, e com amor, ao serviço de Portugal e que ao Colégio Militar dedicou uma parte especial desse esforço, até ao final da sua vida. É por tudo isto que o Prémio Barretina “Amor ao Colégio” é, a título póstumo, para o Manuel do Rio Carvalho (124/1945), recebem os netos, Manuel do Rio Carvalho (141/1999) e o Francisco do Rio Carvalho (197/2005), entrega o António Cavaleiro de Ferreira (332/1950), Presidente da Assembleia Geral. António José Fonseca Cavaleiro de Ferreira (332/1950) leu as seguintes palavras:

Esta minha primeira intervenção pública na qualidade de Presidente da Assembleia Geral da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar (AAACM) tem para mim um significado muito especial. Conheci o Manuel do Rio Carvalho em 1950, quando "rata" entrei para o Colégio Militar. Ainda que tivéssemos convivido esporadicamente foi dos camaradas mais velhos que durante cerca de dois anos mais marcaram pela simplicidade do seu trato e pelo especial cuidado que tinha na nossa formação. Durante a guerra de África na década de "60" encontrei-o em duas das suas quatro comissões. Mais tarde tive a oportunidade de melhor o conhecer quando exerceu os cargos de Comandante do Corpo de Alunos, Subdirector e Director do Colégio Militar. Foram tempos difíceis que sempre enfrentou com grande e exemplar serenidade, sensatez e extraordinário bom senso, qualidades que se reflectiram muito significativamente no futuro do nosso Colégio. É pois com alguma emoção que faço entrega aos seus dois netos, também Eles Antigos Alunos, do prémio que lhe foi conferido. Texto lido pelo neto Manuel Carlos da Conceição Pereira do Rio Carvalho (141/1999). Eu sempre tive uma relação complicada com a morte. Quando era mais novo, a morte aparecia de noite e deixava-me de rastos. De tal modo que me é difícil descrever-vos o que verdadeiramente sentia. Aterrorizava-me a ideia de que a partir de um determinado momento deixaria de existir para sempre. Pior do que isso! Deixaria de poder estar com todos aqueles que eram importantes para mim não só pelo meu, mas também pelo seu desaparecimento. Este gigantesco vazio consumia-me muito, e causava-me um misto de arrepios que me subiam pelas costas até à cabeça, suores frios, insónias e muito choro. Era uma soma de medo pavoroso da minha futura e eterna inexistência com um estado de profunda tristeza por saber que a morte caberia, um dia, a todos. Foi-me relembrado há pouco que o tempo passa depressa e não volta atrás. Quando dei por mim, o meu Avô já cá não estava. A morte veio,


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Jantares de Antigos Alunos no Brasil

mas desta vez não me consumiu. Desta vez eu decidi, com o devido respeito, mandá-la à merda. A morte existe porque nós a inventámos. Ela nasce das nossas próprias limitações e da incapacidade de respondermos às nossas dúvidas mais profundas, às nossas dúvidas existenciais. A morte é tão impura quanto quem a criou e tão obscena quanto a natureza humana o é. É do tamanho do homem, o que a torna incrivelmente pequenina. O meu Avô não morreu. O meu Avô existe, não da maneira que eu mais quero, mas existe. E como sei que não posso ter tudo o que quero, limito-me a permanecer grato pela dádiva da sua existência, que um dia veio a permitir a minha.

O meu Avô existe na energia química das suas cinzas; Existe nos genes do meu pai, do meu tio, das minhas primas, dos meus irmãos e existe em mim, nos meus próprios genes; Existe nas lágrimas da minha avó, que não são poucas, e cuja beleza cresce exponencialmente com a sua abundância; Existe em tudo aquilo que construiu e continua a construir na terra; Existe em tudo aquilo que nos ensinou; Existe porque eu me lembro dele todos os dias; Existe nesta sala, aqui, hoje porque eu assim vos digo, e porque vocês me ouvem. O meu Avô existe enquanto o Colégio Militar existir.

Hoje recebe o prémio "Amor ao Colégio". É um prémio que lhe assenta muito bem. Não lhe bastou ser Aluno. Teve que ser comandante do Corpo de Alunos, Subdirector, Director interino, membro da direcção da Associação, pai e Avô de Alunos que hoje são, como ele, Antigos Alunos. É com muito orgulho que eu e o meu irmão seguramos este prémio, sempre conscientes da sorte que temos, e muito felizes por ter um Avô feito desta fibra. Feito da fibra de um verdadeiro Menino da Luz. Hoje a morte não me atormenta, e sigo certo da existência do meu Avô. Ele é e será sempre um de nós.

Jantares de Antigos Alunos no Brasil N

o dia em que se realizou o Jantar Anual no Pestana Palace, três grupos de Antigos Alunos, residentes no Brasil em diferentes locais, juntaram-se em confraternização colegial manifestando assim a sua solidariedade com o acontecimento de Lisboa. Aqui ficam registados os diferentes jantares realizados em terras do Brasil.

Victoria Na Praia do Canto, em Victoria, estiveram os irmãos Luís Kock Leng Leal da Costa (77/1980) e Gonçalo Kock Moon Leal da Costa (87/1982), filhos do nosso Camarada Luís Filipe Leal da Costa (222/1950) que desafortunadamente nos deixou há alguns anos. Infelizmente não dispomos de nenhuma fotografia deste jantar colegial e familiar.

São Paulo Em São Paulo, o lugar escolhido foi o restaurante Portucalia, no Bairro Itaim-Bibi, sendo o critério da escolha definido pela proximidade da residência de três dos convivas – António Pedro Pereira de Bacelar Carrelhas (159/1947), Leopoldo Câmara de Oliveira Bastos Jorge (154/1954) e Pedro

Gonçalo Bandeira Fernandes (3/1982) - o que lhes permitiu aceder a pé ao local do encontro. A mesma sorte não teve o Tiago Manuel da Gama Barros (49/1987) que, nesse mesmo dia e por motivos profissionais teve de regressar a Goiâna. De registar o esforço desenvolvido pelo Eduardo Luís Coelho Figueira (42/1954) para estar presente mas que, todavia, tal desejo não pôde concretizar-se. Mora em Curitiba e as distâncias no Brasil não são bem iguais a uma ida ao Porto ou ao Algarve. O António Carrelhas, ofereceu a cada um dos participantes no jantar, os livros de sua autoria “Cavalo encilhado, não passa duas vezes” e “Pedro Teixeira o Conquistador da Amazónia”. De referir que o Autor, em Agosto de 2014, fez a descida do Rio Amazonas, de Tabatinga a Manaus, trilhando o percurso do ilustre historiador sertanista, intrépido bandeirante e militar português que, em 1637, “deu a Amazónia ao Brasil”.

Leopoldo Bastos Jorge, Pedro Fernandes, António Carrelhas, Tiago Barros.


Jantar de Natal no Porto

A importância e relevância dessa expedição, ainda em fase de conclusão, mereceu uma apaixonante reportagem da Rede Globo de Televisão, exibida no programa “Fantástico” de 28 de Setembro de 2014. Na mesa pode ver-se a Barretina aplicada sobre um suporte de madeira, especialmente feito para esta finalidade, onde foram inscritos os nomes dos AA participantes no jantar. Leopoldo Bastos Jorge, por força da divulgação do jantar, acabou por conhecer o seu sucessor directo, José Carlos Duarte Areia (154/1961), que também se encontra no Brasil.

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Rio de Janeiro

Jantar no Pestana Copacabana do Rio de Janeiro.

No Rio de Janeiro, num jantar no Pestana Copacabana, seguido de uns “drink” no terraço do hotel de onde se tem a mais inacreditável vista do Rio, estiveram o José Carlos Costa da Silva Rosa (108/1965), o Gonçalo Nuno Papoula Marcão de Figueiredo (142/1984), o Luís Miguel Afonso de Carvalho Pires (464/1985), o Luís Filipe Sarrico Lapão (5/1990), que desditosamente veio a falecer passados poucos dias, em Dezembro do ano passado, o Gustavo Filipe de Oliveira Cunha e Silva (261/1992) e o Cristóvão Alexandre Vilas Boas Rosa Marques (359/1998).

O jantar foi clássico com direito a “salmão mistério” em vez do “amarelo”, acompanhado com vinhos portugueses assim como os doces servidos na sobremesa. O José Carlos Rosa aproveitou o momento para comunicar o seu iminente regresso à Pátria, após quase 9 anos de Rio de Janeiro. Para o ano haverá mais com certeza. Até lá voltarão aos habituais jantares mensais no Paz e Amor, em Ipanema.

Jantar de Natal no Porto D

ecorreu a 15 de Dezembro do ano passado, o tradicional Jantar que reúne na Quadra Natalícia Antigos Alunos residentes no Porto ou nas suas proximidades. A organização esteve a cargo do Delegado da AAACM no Porto, Bruno Pinto Basto Soares Franco (281/1970), tendo-se realizado este ano, pela primeira vez, nas excelentes instalações do Oporto Cricket and Lawn Tennis Club. O menu do jantar não podia ser mais apropriado: caldo verde, amarelo, arroz doce, vinho do porto, tendo merecido os melhores elogios de todos os convivas.

Este encontro constituiu mais uma agradável jornada de convívio e boa disposição de gentes ligadas pelos profundos laços que resultam da sua passagem pelo Colégio Militar, Instituição centenária que há-de sobreviver aos poderes efémeros, que não quiseram ouvir vozes da razão e atabalhoadamente iniciaram reformas precipitadas sem a competente avaliação das suas consequências. As pessoas passam e o Colégio vai prosseguir na sua missão de SERVIR, formando jovens que nas mais diversas actividades irão, com

sempre aconteceu, dar o seu valioso contributo à Pátria. A Associação esteve representada pelo seu Presidente, António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios (529/1963) que transmitiu uma súmula dos últimos desenvolvimentos relacionados com a actual problemática do Colégio, tal com havia feito no Jantar Anual de Lisboa, palavras que estão reproduzidas nesta revista. Estiveram também presentes o Presidente do Conselho Supremo, Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958) e o Presidente do Conselho de Delegados de Curso, José Eusébio Perei-


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Jantar de Natal no Porto

©Foto Gonçalo Leal de Matos

ra Barata Cordeiro de Araújo (591/1973) que fez uma interessante exposição sobre a realidade actual do Colégio. O anfitrião/organizador ofereceu a todos os participantes um prato de cerâmica da autoria do Eduardo Alberto Vieira de Meireles Corte Real (27/1971), feito na Fábrica CERAGES, para assinalar a romagem de saudade dos 35 anos de saída do Curso de 1970/1978 onde no centro está a figura de um velhão, com o barrete à farra e, na bordadura, para além da inscrição dos anos, existem oito figuras que representam quatro delas o que se fazia quando andávamos no Colégio e as restantes o que se faz quando se progride na idade. Este encontro encerrou-se com um vibrante Zacatraz bradado pelo mais novo AA presente, secundado por todos os restantes. Participaram neste jantar para alem dos já referenciados e do autor destas linhas, os seguinte Antigos Alunos: Manuel José Martins Rodrigues (261/1940), Luís Augusto Nunes de Almeida Bandeira (236/1945), José António Campos Resende Santos (23/1949), José Alberto da Costa Matos (96/1950), José Manuel Simões Ramos

de Campos (319/1950), José Faceira Teixeira (234/1952), Raul Manuel Tamagnini Mendes de Carvalho (87/1953), Luís Manuel Ferraz Pinto de Oliveira (138/1954), Rui Carlos Aires Ferreira (314/1955), Francisco Xavier de Barros Cardoso de Menezes (6/1956), António Manuel Adão da Fonseca (286/1957), João de Lancastre de Mello Sampayo (486/1958), Luís Filipe Figueiredo da Cruz (489/1958), António Norton de Matos Carmo Pereira (522/1959), João Paulo Wrem Abrantes da Silva (527/1959), Cristiano Alberto Fernandes Pereira Lelo (432/1960), Albino Manuel Pereira de Sousa Botelho (342/1961), José António Marques Salgado Lameiras (281/1963), Manuel Maria de Castro e Lemos (423/1963), Luís Filipe da Cruz Cordeiro (130/1964), José Augusto Morais de Oliveira (296/1964), António Manuel Couto Espírito Santo (239/1966), Álvaro Manuel Cruz Cordeiro (48/1967), José Manuel da Silva Pinto dos Reis (100/1967), João Manuel Sanches Roma Moreira Lobo (572/1969), Bruno Pinto Basto Soares Franco (281/1970), Paulo César Alves Bacelar (403/1970), António Jaime Tavares Coutinho Lanhoso (176/1971), Vasco Manuel Felgueiras Ferreira (340/1971), Guilherme Eduardo Lickfold de Novais e Silva

(488/1971), Paulo Manuel Santos Lestro Henriques (200/1973), Jorge Gentil de Sousa Pinto Faustino (100/1974), Agenor Guerreiro Ranhada Rolo (199/1974), José Eduardo da Costa Silva Pereira (391/1974), Augusto José Ferreira de Matos (688/1974), Luciano Jorge de Sousa Pinto Faustino (504/1977), Bartolomeu Pedro Martins de Bastos (65/1980), Luís Miguel da Silva Esteves (453/1983), João José Pacheco de Almeida Tété (383/1984), Francisco José Castro Martins (409/1993). Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949


Colégio Militar Berço de Grandes Portugueses

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José Alberto da Costa Matos 96/1950

Colégio Militar

Berço de Grandes Portugueses Adriano Augusto de Pina Vidal (47/1851) General de divisão, professor, director da Escola Politécnica e director da Faculdade de Ciências de Lisboa.

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asceu em Elvas a 3 de Setembro de 1841, filho de Lourenço Cristóvão Vidal e de Teodora Justina de Pina Vidal. Frequentou o Colégio Militar, sendo admitido em 1851 como o aluno n.º 47. Durante o curso colegial foi premiado nas cadeiras de Matemática e de Ciências Naturais, nas quais obteve a Medalha n.º 2 (prata) no ano lectivo de 1856-57. Quando concluiu o 5.º ano colegial fez também na Escola Politécnica exame do 1.º ano de Matemática e Desenho, ficando 1.º classificado e recebido um prémio. Quando era aluno finalista do Colégio Militar, tendo ocorrido o falecimento do professor de Matemática que leccionava o seu curso, foi na circunstância escolhido para o substituir, acontecendo assim a situação excepcional de ser simultaneamente estudante e professor, com “função gratuita”, como refere o despacho da sua nomeação. Concluiu o curso colegial em Agosto de 1857 e de seguida assentou praça voluntariamente,

como 1.º sargento graduado aspirante a oficial, no Batalhão de Caçadores 5, estava então prestes a fazer 16 anos de idade. Matriculando-se nesse ano na Escola do Exército, prosseguiu os seus estudos na Escola Politécnica de 1958 a 1960. Regressou então à Escola do Exército onde, nos dois anos lectivos seguintes, concluiu com distinção, em 1862, o curso de oficial de Artilharia. Foi então promovido a 2.º tenente a 17 de Setembro desse ano, seguindo-se-lhe sucessivamente os acessos a 1.º tenente em Agosto de 1864 a capitão em 1867, a major em 1883, a tenente-coronel em 1885, a coronel em 1890, a general de brigada em 1899 e finalmente, em 1904, a general de divisão. Em 1862, quando ainda frequentava o 2.º ano de Artilharia, decidiu concorrer, e foi aprovado, ao lugar de lente substituto da 5.ª cadeira da Escola Politécnica, lugar esse que vagara com a passagem de Fradesso da Silveira (também ele antigo aluno do Colégio Militar) a lente proprietário. Quando tomou posse do cargo não completara ainda 21 anos de idade.


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Colégio Militar Berço de Grandes Portugueses

Treze anos depois, em Maio de 1875, viria a tornar-se lente proprietário da referida cadeira devido ao falecimento de Fradesso da Silveira. Concomitantemente, o governo comissionou-o para a reger as cadeiras de Matemática e Geometria no antigo Liceu Nacional de Lisboa no quadriénio 1868-1872. Após concurso realizado em 1882, exerceu ainda na Escola do Exército, durante dez anos, a docência de Arquitectura, Construções e Faróis. De 1885 a 1910, foi também docente de Matemática na antiga Escola D. Maria Pia. De Novembro de 1886 a Maio do ano seguinte foi também professor de Física do infante D. Afonso, irmão do rei D. Carlos. À dedicação e iniciativa de Pina Vidal se ficou a dever a introdução do ensino prático da Física na Escola Politécnica e, quando por decreto de 1898 esta cadeira foi desdobrada em duas (Física Experimental e Física Matemática), Pina

director da mesma Faculdade. Dois anos depois, após 51 anos como professor, foi jubilado a seu pedido em 21 de Junho de 1913. Pina Vidal foi eleito sócio correspondente da Academia de Ciências em 1869, em 1885 passou a seu sócio efectivo e, doze anos depois, era Secretário Geral da Academia. Mais tarde, em 1916, apesar de já jubilado, foi-lhe conferido o grau de doutor pelo Conselho da Faculdade de Ciências de Lisboa. Faleceu na capital a 23 de Abril de 1919. Pertenceu a numerosas corporações científicas estrangeiras, referindo-se entre outras a Academia de Ciências Exactas, Físicas e Naturais de Madrid, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, a Sociedade de Química Biológica de Londres, a Sociedade de Oceanografia de Gasconha e a Sociedade Belga de Astronomia, Meteorologia e Física do Globo.

Vidal foi então nomeado lente proprietário de Física Experimental. Em 1901 foi nomeado director do Observatório Meteorológico «Infante D. Luís». Decorridos mais seis anos, em 22 de Julho de 1907 passou a director da Politécnica e, no final desse mesmo ano, foi nomeado vogal do Conselho Superior de Instrução Pública. Após a revolução de 5 de Outubro de 1910 a dedicação que tinha à família real fê-lo pedir a demissão de todos os cargos que então exercia, incluindo o de director do Observatório, e a 28 de Novembro desse ano, apresentou também o seu pedido de passagem à situação de reserva com posto de general, o que lhe foi concedido em 26 de Dezembro de 1910. Porém, em 1911, quando foi criada a Faculdade de Ciências em substituição da Politécnica, passou a seu professor ordinário da secção de Ciências Físico-Químicas, sendo também eleito

Além das suas lições na Escola Politécnica e na Escola do Exército, bem como vários outros trabalhos, alguns dos quais foram depois aprovados pelo governo para uso no ensino liceal, publicou também: «Curso de Física» (Lisboa, 1868 seguindo-se-lhe numerosas outras edições), «Curso de Meteorologia» (Lisboa, 1869 e 1885), «Noções Elementares de Física», (Lisboa, 1870), «Trata-

do Elementar de Óptica» (Lisboa,1874, 1895 e 1897), «Elementos de Geometria» (Lisboa, 1871 e 1875), «Princípios de Geografia Matemática» (Lisboa, 1871 e 1877), «Tratado de Física Elementar» (Lisboa,1882), «Noções de Cosmografia Elementar» (Lisboa, 1891 e 1901), «Elementos de Geometria», (Lisboa, 1877), «Elementos de geometria plana» (Lisboa, 1881, 1882, 1885, 1887 e 1892, «Elementos de Geometria no Espaço e de Geometria Descritiva», (Lisboa, 1881, 1883, 1893, 1903 e 1905), «Elementos de Química» (Lisboa, 1883, 1888, 1894). Colaborou ainda com o “Jornal das Ciências”, “Revista de Portugal” e “Boletim da Academia das Ciências de Lisboa”. É considerado pela Associação de Professores de Matemática como um dos dez principais autores portugueses na matéria, no período 1836-1895. Era agraciado com os graus de grande-oficial e grã-cruz da Ordem de Avis e comendador das Ordens de Santiago e de N.ª S.ª da Conceição de Vila Viçosa, sendo também condecorado com a medalha de prata de Bons Serviços, medalha de ouro de Comportamento Exemplar e ainda com a grã-cruz da Ordem de Isabel a Católica (Espanha) e o grau de comendador da Ordem de Carlos III (Espanha).


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Alberto Carlos de Liz Teixeira Branquinho (328/1912) Diplomata

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asceu em Viseu a 29 de Janeiro de 1902, filho de Alberto David Branquinho e de Maria Cacilda de Melo e Castro Liz Teixeira. Foi admitido como aluno do Colégio Militar em 1912, sendo-lhe atribuído o n.º 328. Concluído em 1920 o curso colegial, matriculou-se na Universidade Técnica de Lisboa, onde se licenciou em Ciências Económicas e Financeiras. Em 28 de Fevereiro de 1930 concorreu ao quadro diplomático e consular tendo obtido aprovação e passando em Março a terceiro secretário de legação, prestando serviço na Secretaria de Estado. Em Novembro de 1933 ascendeu a segundo secretário para a Embaixada de Portugal no Rio de Janeiro, tendo representado em Março de 1935 o Governo Português nas comemorações do IV Centenário da Colonização Portuguesa de Pernambuco e, em Setembro desse ano, sido observador por parte de Portugal e delegado da Cruz Vermelha Portuguesa à Conferência Pan-Americana da Cruz Vermelha, realizada no Rio de Janeiro. Regressou a Portugal em meados de 1936 e, em Abril do ano seguinte, foi prestar serviço na Legação de Pequim, em 12 de Abril de 1937. Sete meses decorridos seguiu para a Legação em Xangai, onde foi encarregado de negócios, interino, de Fevereiro a Outubro de 1938. Regressado em Abril de 1942, ficou aprovado no concurso para primeiros secretários de legação realizado um ano depois.

Seguiu em 1944 para a Hungria, como secretário da Legação de Portugal em Budapeste, pela qual era então responsável o embaixador Sampaio Garrido. Nesse ano, Hitler fez as suas tropas invadir aquele país seu aliado sob pretexto da Hungria andar a efectuar negociações secretas com as potências ocidentais. E com a invasão veio a saga dos guetos e das deportações dos judeus húngaros em comboios que os conduziam a Auschwitz. Funcionários da legação portuguesa, amigos ou simples conhecidos de Sampaio Garrido que então foram considerados de judeus, ficaram de um momento para o outro sujeitos à deportação e à morte, o mesmo acontecendo com gente desconhecida vinda dos mais distantes locais que, carregando consigo vários dramas humanos, vinham em busca de uma última tábua de salvação. Perante tão dramática situação, os representantes dos chamados “países neutrais”, como Portugal, Espanha, Suécia, Suíça e Vaticano, começaram a acolher milhares de judeus perseguidos, quer nas próprias embaixadas, quer numa rede de 40 “casas protegidas”, criadas em Budapeste pelos diplomatas desses países, para nelas colocarem os judeus sob a protecção das respectivas embaixadas, uma vez que as mesmas seriam consideradas território estrangeiro não sendo por isso invadidas ou atacadas, o que não viria a ser respeitado. Entre essas “casas protegidas”, duas eram portuguesas e nelas, graças à acção do embaixador


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Colégio Militar Berço de Grandes Portugueses

E Sampaio Garrido foi afastado do cargo que ocupava, ficando Carlos Branquinho a exercer interinamente as suas funções. Garrido programou a sua viagem de regresso a Portugal para 5 de Junho, mas acabou por ficar na Suíça, de onde poderia manter contacto com Branquinho, permanecer a par da situação e apoiá-lo com algumas sugestões. Apesar de não existirem números exactos, estima-se que Portugal tenha contribuído para salvar cerca de mil judeus. Em reconhecimento da sua acção humanitária, os nomes dos diplomatas Sampaio Garrido e Teixeira Branquinho encontram-se inscritos numa lápide colocada na Sinagoga de Budapeste e também numa outra existente na parede exterior de um hotel onde então se localizava a Legação Portuguesa.

Sampaio Garrido e do encarregado de negócios Teixeira Branquinho, muitos judeus foram nelas acolhidos, ao mesmo tempo foram tentando ajudá-los a sair da Hungria, emitindo para o efeito passaportes provisórios, colectivos e individuais. Porém, logo a 11 de Maio, a atitude voluntariosa dos diplomatas portugueses em Budapeste mereceu de Salazar um telegrama dirigido ao embaixador Sampaio Garrido no qual, após uma referência inicial a razões humanitárias a que o governo português não pretendia ficar alheio, o acusava de ter agido sem dar conhecimento ao Ministério daquilo em que tencionava envolver-se, não devendo actuar sem receber instruções, porque tais atitudes podiam originar graves consequências para o governo português.

Em 2011 foi inaugurada uma nova placa evocativa da acção dos diplomatas portugueses na fachada do edifício n.º 5 da rua Ujpesti Rakpart, que fazia parte da rede de “casas protegidas” da Legação Portuguesa na capital húngara. Regressado a Portugal, no fim de Março de 1945 passou a exercer funções de secretário da Secção Diplomática da Comissão Internacional de Limites entre Portugal e Espanha após o que, em Outubro desse ano, seguiu para a Embaixada de Portugal em Washington, tendo sido delegado de Portugal à Conferência Internacional de Migrações, realizada em Montreal em Agosto de 1946. Em Outubro seguinte foi, como encarregado de negócios, interino, para a Embaixada em Caracas, tendo assistido à posse do Presidente da República da Venezuela, na qualidade de delegado especial, em 1947. Regressou à Secretaria de Estado, em meados de Setembro de 1949 e, seis meses depois, ascendeu a conselheiro de legação, indo então para a Legação portuguesa em Jacarta como encarregado de negócios, tendo, nos finais desse ano, presidido à delegação portuguesa junto da Comissão de Trabalhos nas Plantações, realizada em Bandung.

No final de Junho de 1951 passou a cônsul-geral no Consulado em Madrid, onde se manteve ao final de 1954, passando em Janeiro seguinte a conselheiro na Embaixada em Paris. Tendo sido promovido, no começo de 1956, a ministro plenipotenciário de segunda classe, foi enviado extraordinário e ministro plenipotenciário para Caracas, e com idênticas atribuições na República Dominicana, em Setembro de 1957, continuando porém a residir em Caracas. No começo de 1960 foi como embaixador para Ankara, acumulando, seis meses depois, com as funções de ministro plenipotenciário em Bagdade. Em Agosto de 1961 ascende a ministro plenipotenciário de primeira classe e, em Outubro, acumula também o cargo de enviado extraordinário e ministro plenipotenciário em Teerão. Em meados de 1964 é embaixador de Portugal em Haia e, dois anos depois, em Novembro de 1966, por ter atingido o limite de idade para prestar serviço no estrangeiro, passou à situação de «disponibilidade». Era agraciado com o grau de oficial da Ordem Militar de Cristo, com a Cruz de Benemerência da Cruz Vermelha Portuguesa, e ainda com grã-cruz da Ordem Orange-Nassau (Holanda) e os graus de grande oficial da Ordem de Isabel a Católica (Espanha), grande oficial do Mérito Civil (Espanha), comendador da Ordem da Coroa (Hungria), comendador e oficial da Ordem do Cruzeiro do Sul (Brasil) e comendador da Ordem do Libertador (Venezuela).


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António Artur Baldaque Pereira da Silva (18/1864) Oficial de Marinha e Engenheiro Hidrógrafo

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asceu em Lisboa a 28 de Dezembro de 1853, filho de Francisco Maria Pereira da Silva e de Isabel Maria da Nóbrega Baldaque da Silva. Em 1864 ingressou como aluno no Colégio Militar, tendo-lhe sido atribuído o n.º 18. Deixou o Colégio em 1866 por ter sentido dificuldades de adaptação ao regime colegial, ainda que tivesse sido um aluno com bom aproveitamento escolar. Em Outubro de 1870, assentou praça na Armada como aspirante extraordinário, indo então frequentar o Curso Preparatório de Marinha na Escola Politécnica, que concluiu em Julho de 1872, ingressando depois na Escola Naval onde fez o curso de oficial de Marinha, sendo promovido a guarda-marinha em 20 de Outubro de 1874, para servir na fragata D. Fernando. Em meados de 1876 embarcou para Cabo Verde, com destino à guarnição da canhoneira Tâmega ali estacionada. Exerceu também o comando interino da canhoneira “Rio Minho” desde 31 de Janeiro a 19 de Fevereiro de 1878, período durante o qual este navio, por se encontrar em avançado estado de degradação, teve que ser rebocado pela canhoneira “Rio Lima”, desde a baía de Ana da Chaves (São Tomé) até Luanda (Angola), enfrentando difíceis condições de mar apesar de não dispor das condições mínimas de segurança, feito que veio a ser enaltecido numa menção de apreço do Governador de S. Tomé. Completados três anos de embarque fora dos portos do Continente como guarda-marinha, ascendeu em Abril de 1878 ao posto de 2.º tenente, após exame prático de realizado a bordo da corveta “Rainha de Portugal”.

Em Agosto desse ano foi então colocado na Direcção Geral dos Trabalhos Hidrográficos, a fim de coadjuvar os trabalhos geodésicos nacionais e, em 1879, iniciou na Escola Politécnica o curso de Engenheiro Hidrógrafo, que veio a concluir em 1881, seguindo-se-lhe mais tarde o tirocínio na Direcção dos Trabalhos Geodésicos, mais concretamente no observatório astronómico da Tapada da Ajuda e no Observatório Meteorológico de Lisboa, o qual durou até Novembro de 1883. Contudo, só viria a ingressar no quadro de engenheiros hidrógrafos da Marinha nove anos mais tarde. Apesar disso, em Janeiro de 1884 voltou à Direcção dos Trabalhos Geodésicos e, três meses depois, foi incumbido da tarefa de proceder à organização do Roteiro das Costas e Portos do Continente do Reino, missão que o iria ocupar durante mais de dois anos, sendo entretanto promovido a 1.º tenente em Junho de 1884. No âmbito desta missão efectuou importantes e prolongados trabalhos a bordo da canhoneira “Bengo” (Agosto a Outubro) e do vapor “Lidador” (Outubro de 1884 a Agosto de 1889). Ainda durante esta comissão tomou parte nos trabalhos da Comissão de Limites Luso-Espanhola para a Zona Marítima (Maio a Setembro de 1886) e, em Novembro do mesmo ano, foi mandado executar o levantamento urgente da planta hidrográfica da costa entre o Cabo Espichel e Setúbal, onde se encontravam as armações da pesca da sardinha, sendo esta a sua primeira tarefa oficial no âmbito das pescas. Com efeito, em Junho de 1889 viria a ser nomeado vogal da Comissão das Pescarias, onde,


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durante oito anos, graças aos conhecimentos que adquirira durante a sua actividade hidrográfica, realizou importante trabalho de organização, tendo também concretizado em 1891 aquela que é a sua mais conhecida obra: «Estado Actual das Pescas em Portugal», reunindo uma importante colecção de modelos de embarcações e de aparelhos de pesca que é única em Portugal. Do seu saber e da sua intervenção resultou um incremento sem paralelo no país no sector das pescas. Em fins de 1890 fez parte da Comissão encarregada de apreciar e emitir opinião sobre o projecto de Torpedeiro Submarino concebido pelo 1.º tenente João Augusto Fontes Pereira de Melo (também ele antigo aluno do Colégio Militar). Ascendeu ao posto de capitão-tenente em Julho de 1891, ano em que passou a fazer parte da Comissão das Obras do Porto de Lisboa, com vista a melhorar e a tornar mais económico um projecto já existente. Em 1892 foi escolhido para organizar a representação marítima portuguesa na Exposição

Comemorativa do Centenário da chegada de Colombo à América, realizada em Madrid, representação essa que incluiu a sua colecção de modelos de embarcações e de aparelhos de pesca. Na mesma ocasião, e tendo em vista contribuir para a divulgação dos Descobrimentos Portugueses, apresentou então duas obras: «O Descobrimento do Brasil por Pedro Álvares Cabral» e «Notícia Sobre a Nau São Gabriel em que Vasco da Gama Foi pela Primeira Vez à Índia». Ainda em 1892, foi nomeado para proceder à delimitação do terreno municipal na zona marginal do Tejo desde o reduto do Bom Sucesso até à ribeira de Algés e, em fins do mesmo ano, passou a servir para o Ministério das Obras Públicas (Direcção de Trabalhos Geodésicos), onde permaneceria em comissão especial até ao fim da sua carreira como oficial de Marinha. Simultaneamente foi nomeado para a recém-criada Comissão Central de Piscicultura onde, durante cinco anos, organizou os serviços, regulamentou a pesca em águas interiores, foi inspector dos Serviços de Exploração das Águas Interiores, e concebeu no rio Ave a primeira estação aquícola portuguesa, que veio a ser construída em 1898. Em 1900 organizou na Exposição Universal de Paris a representação portuguesa no sector das pescas e, em Março do ano seguinte, foi promovido a capitão-de-fragata. Decorridos nove anos, em Março de 1910, ascenderia a capitão-de-mar-e-guerra Com a saúde debilitada, requereu a passagem à situação de reforma em fins de 1911, a qual lhe veio a ser concedida em 27 de Janeiro de 1912, continuando porém em funções no Ministério das Obras Públicas. Proclamada a República, foi convidado pela delegação da Figueira da Foz do Partido Republicano a envolver-se na política activa, passando a discursar frequentemente em congressos e reu-

niões do partido, onde revelou dotes de orador e capacidade para galvanizar multidões, tendo apresentado no Congresso da República um projecto de construção de um porto oceânico no Cabo Mondego. Nas eleições parciais de 1914 foi candidato a deputado pela Figueira da Foz, não tendo contudo sido eleito, pelo que passou a integrar a Comissão Municipal Republicana, sendo posteriormente proposto como candidato a senador do Congresso pelo distrito de Coimbra, mas sendo desta vez eleito. Pouco tempo depois, a 21 de Agosto de 1915, veio a falecer em Lisboa, na sua residência de Campolide. Publicou numerosos artigos nos Anais do Clube Militar Naval, em diversas revistas e em jornais e foi autor de várias obras, das quais, além das anteriormente mencionadas, se destacam: «Sondas e Marés» (1882); «Portos de abrigo na Costa do Algarve» (1885); «Planta Hidrográfica da Barra e Porto de Setúbal» (Tomo 1.º do Roteiro Marítimo da Costa Ocidental e Meridional de Portugal - 1887); «Objecção técnica às Obras do Porto de Lisboa» (1888); «Ètude sur l' amelioration des ports etablis sur les cotes basses et sablonneuses» (1888); «Estado actual das pescas» (1892); e «Estudo histórico hidrográfico sobre a barra e o porto de Lisboa» (1895). Era agraciado com o grau de oficial da Ordem de Avis e condecorado com a medalha de prata de Comportamento Exemplar.


Antigos Alunos em Destaque

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Antigos alunos

em Destaque

Eleitos na Sociedade Histórica da Independência de Portugal para o Quadriénio 2014-2017

José Baptista Pereira (318/1947)

João Luís Cabral Picão Caldeira (327/1951)

Eurico Jorge Henriques Paes (306/1957)

Presidente da Mesa da Assembleia Geral e Membro do Conselho Supremo.

Sócio de Mérito e Vice-presidente da Direcção.

Membro da Direcção e Presidente do Instituto Almeida Garrett-Portugal ao Mundo.

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enente-General Piloto Aviador que desempenhou os cargos de Inspector-geral da Força Aérea, de Comandante Operacional dos Açores, de Director do Instituto de Altos Estudos da Força Aérea e de Comandante da Academia da Força Aérea. Distinguido com Medalhas de Ouro de Serviços Distintos, de Mérito Militar e Aeronáutico de 1ª Classe. Cavaleiro da Ordem Militar de Aviz.

icenciado em Direito e Doutorado em História. Docente Universitário e Director-geral do Ministério da Educação. Fundador e administrador da INDEP - Indústrias de Defesa. Vice-presidente do IASE - Instituto dos Assuntos Sociais da Educação. Administrador delegado da Caixa de Previdência do Ministério da Educação. Distinguido com diversos louvores civis e militares.

icenciado em Direito. Foi Embaixador de Portugal e Chefe de Protocolo de Estado. Agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito, Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, Comendador da Ordem da Legião de Honra (França), Grã-Cruz da Ordem de Malta, entre outras condecorações..


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Antigos Alunos em Destaque

José Mira de Vilas-Boas Potes (3/1967) Director da Escola Superior Agrária de Santarém

©Foto Jornal O MIRANTE

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osé Mira de Vilas-Boas Potes (3/1967), tomou posse, no passado dia 11 de Novembro, como Director da Escola Superior Agrária de Santarém, em cerimónia que decorreu no auditório desta Instituição. A cerimónia foi participada por amigos, familiares e membros da comunidade académica, que enchiam por completo a sala onde decorreu o acto. O novo Director traçou um rasgado elogio ao seu antecessor, propondo-se dar continuidade ao trabalho já realizado e referindo que haverá aspectos a melhorar no reforço da ligação dos alunos ao meio empresarial, privilegiando a abertura ao exterior e disponibilizando recursos que possam contribuir para o desenvolvimento regional. José Mira Potes, é Professor Coordenador da Escola Superior Agrária de Santarém (ESAS), tem o Título de Especialista em Agro-

-Silvo-Pastorícia pelo Instituto Politécnico de Santarém, o Mestrado em Produção Animal na Universidade Técnica de Lisboa Escola Superior de Medicina Veterinária, uma Pós-Graduação em Produção Animal no CIHEAM-IAMZ, Zaragoza, Espanha e é licenciado em Engenharia Zootécnica pela Universidade de Évora. Ao longo da vida profissional, a sua área cientifica de investigação está focada na Agro-Silvo-Pastorícia, Pastagens e Forragens. Iniciou a actividade docente como Monitor na Universidade de Évora em 1980 e desde 1982 até ao presente tem sido responsável por mais de 10 disciplinas de cursos do Ensino Superior Politécnico ministrados na ESAS. Desde 1980 até ao ano transacto frequentou diversos cursos de formação na área das Pastagens, Forragens, Silvopastorícia e Produção Animal.

Foi responsável de diversos projectos de investigação relacionados com sistemas de pastoreio, melhoramento de plantas, sustentabilidade pecuária e culturas agrícolas. É autor de dois livros e tem mais de duas dezenas de trabalhos publicados da sua autoria ou em parceria com outros investigadores, com participação na organização de reuniões cientificas nacionais e internacionais. Em Setembro de 1996 iniciou uma requisição de serviço no INIA, para desempenhar o cargo de Subdirector e a partir de Abril de 2001 de Director da Estação Nacional de Melhoramento de Plantas, em Elvas e que terminou em 2008 quando as Unidades Operativas do INIA foram extintas. Participou nos Corpos Gerentes de várias Associações de Agricultores ou de Produtores, nomeadamente de Raças Autóctones Portuguesas. Congratulamo-nos com a atribuição do honroso e prestigiante cargo de Director da Escola Superior Agrária de Santarém a um Antigo Aluno, augurando-lhe um excelente desempenho com a concretização de todos os objectivos para levar a bom termo a espinhosa mas aliciante tarefa que tem sobre os ombros. Neste mesmo dia (Dia da Escola) e no mesmo local, por decisão expressa do empossado, teve lugar uma calorosa homenagem ao Mestre David Ribeiro Telles, antigo aluno da Escola de Regentes Agrícolas de Santarém, que no seu 87º aniversário foi distinguido como sócio de honra da Associação Nacional de Regentes Agrícolas. Por motivos de saúde, Mestre David Ribeiro Telles não pôde estar presente tendo o diploma sido recebido com grande emoção pelo seu filho João Manuel de Castro Palha Ribeiro Telles (676/1970), que recentemente foi agraciado com o Prémio Barretina 2014 – Notoriedade.


Antigos Alunos em Destaque

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Rui Miguel Frazão Dias Ferreira (189/1972) Fundador e Presidente executivo da VORTAL

Através das suas plataformas, a Vortal permite ligar em rede um maior número de empresas e organizações que compram e vendem de uma forma mais simples, segura e eficaz. As plataformas Vortal são um sistema alternativo ao modelo clássico de compra/ venda (via papel, telefone, fax), alicerçando as comunicações entre compradores e fornecedores em vias digitais, simplificando e agilizando todo o processo de compra, tornando-o também mais transparente e justo.

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icenciado em Engenharia Civil pela Universidade do Minho em 1995, com uma Pós-graduação em Gestão da Produção pela APICS – The Educational Society for Resource Management, participa no Programa de Continuidade da AESE (Associação de Estudos Superiores de Empresa) e no Advanced Management Program do IESE Instituto de Estúdios Superiores de la Empresa, da Universidade de Navarra, sendo orador convidado em diversos cursos, seminários e congressos. É Membro da Comissão Executiva dos Lideres 2020, grupo de individualidades empenhadas em promover o empreendedorismo. Inicia a sua carreira na construção da Ponte Ferroviária de São João, no Porto. Durante doze anos desenvolveu a sua actividade na Accenture onde liderou o sector de Engineering & Construction, realizando

um conjunto vasto de projectos nos domínios da organização, das tecnologias da informação e da reengenharia. Com um grande grupo de accionistas empresariais fundou, no ano 2000, a Vortal - de que é o actual Presidente Executivo (CEO) - para ser uma empresa portuguesa de tecnologias de informação líder em plataformas de comércio electrónico empresarial (B2B), com a missão de ajudar os clientes a comprar melhor e a vender mais para atingirem níveis elevados de desempenho. Com escritórios em Lisboa, Porto, onde tem um laboratório de inovação com 40 engenheiros, Madrid, Praga, Berlim e Bogotá, a Vortal conta com cerca de 200 colaboradores imbuídos dos valores da Integridade, do Respeito pela Diversidade e do Espírito de Equipa, de alguma forma inspirados nos valores do nosso Colégio.

o fecho deste número da ZacatraZ mas ainda a tempo de nele poder ser inserida, chegou à Redacção a notícia de que a VORTAL, presidida pelo Rui Miguel Frazão Dias Ferreira (189/1972), foi a vencedora do Prémio Produto Inovação COTEC-Nors. Este prémio foi ganho em resultado da eficiência e desempenho da Vortalnext, plataforma electrónica de compras que ajuda empresas e administrações públicas de todo o Mundo a fazer as suas transacções. A ZacatraZ saúda o nosso Camarada Rui Dias Ferreira (189/1972) pelo prémio que foi atribuído à Empresa a que preside e que tem notavelmente desenvolvido, augurando-lhe os maiores êxitos na sua acção futura.


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Compromisso de Honra

Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957

Compromisso

de Honra

©Foto Leonel Tomaz

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o passado dia 28 de Novembro desloquei-me ao Colégio para assistir à cerimónia do Compromisso de Honra dos «ratas». A cerimónia iniciou-se com a entrada do Batalhão, a marchar, nos Claustros, incluindo as quatro Companhias e a Escolta apeada. Seguiu-se a integração do Comandante de Batalhão na formatura, a apresentação das Companhias e da Escolta ao Comandante de Batalhão e a integração do Guião Colegial na formatura.

Apresentação do Guião

Com o Batalhão pronto, deu-se de seguida a entrada nos Claustros da formatura dos «ratas», armados de espingarda pela primeira vez nas suas vidas. Dado o elevadíssimo número de novos alunos existente este ano, ocuparam os mesmos uma área que não devia andar longe da área ocupada pela formatura que os aguardava. Seguiu-se a descrição heráldica do guião, feita pelo Aluno Comandante da 1ª Companhia, para que os novos Alunos compreendessem

o significado deste símbolo do Colégio. Foi-lhes chamada a atenção, em particular, para a nossa divisa «UM POR TODOS, TODOS POR UM» inscrita no guião. Também se lhes explicou o significado da divisa, símbolo da nossa solidariedade e camaradagem, com a qual se expressa o primado da defesa do interesse do colectivo em relação aos interesses individuais. Feita a apresentação do guião, procedeu-se à leitura do Código de Honra do Aluno do Colégio Militar. Concluída esta leitura, foi a vez de os «ratas» prestarem o seu Compromisso de Honra, o que foi feito de forma simples, mas cheia de significado. Foi-lhes perguntado se tomavam o compromisso de aceitarem para si o Código de Honra do Aluno do Colégio Militar, ao que eles responderam com um convicto SIM colectivo, que ficou a pairar por momentos no ar, sob as abóbadas dos Claustros. Terminado o Compromisso de Honra dos «ratas», deu-se a sua integração nas Companhias a que pertencem. Foi uma manobra algo complicada, por haver ratas pertencentes desde a 1ª à 4ª Companhia, fruto das «estranhas» condições que agora se vivem no Colégio, por obra e graça das desastrosas decisões ministeriais. Embora complexa, a manobra lá foi executada com êxito e sem atropelos, o que é de assinalar. Deve ter exigido algum engenho e imaginação de quem a congeminou, que presumo que terá sido o Instrutor Militar. Concluída a integração dos «ratas» nas suas Companhias, toda a assistência foi convidada a deslocar-se para a parada nova , onde o Batalhão iria desfilar em continência ao Excelentíssimo Director do Colégio.


Compromisso de Honra

Como nota dissonante desta simples cerimónia militar, assinala-se a presença no lugar da passadeira vermelha, frente ao Batalhão fardado de gala, de um civil em traje inapropriado para a cerimónia e que nunca tomou a posição de sentido, nos momentos em que tal era o procedimento adequado. Foi um mau exemplo para os Alunos. Esperemos que lhe seja chamada a atenção. Chegados à parada nova, deparámo-nos com um espectáculo inusitado e sem precedentes. Em vez de haver uma charanga, por pequenina que fosse, para acompanhar o desfile e abrilhantar a cerimónia, havia apenas dois militares, um tambor e um bombo, para marcar a cadência da marcha. Dei por mim a exclamar «Valha-nos Santo Ambrósio. Ao que chegámos!». Presumo que esta situação, verdadeiramente singular, seja o resultado lógico das sucessivas «racionalizações» a que têm sido sujeitas as Forças Armadas, muitas delas sinónimos de simples cortes cegos nas despesas, obtidos da forma mais fácil, à custa da redução de efectivos. Oxalá não se sigam mais «racionalizações», para não se chegar a ter de recorrer a um homem orquestra, como os que se apresentam nos circos. O desfile na Parada Nova decorreu de forma normal, ao som do tambor e do bombo referidos, se tal se pode considerar normal. Chamou-me a atenção uma situação a que nunca pensei na vida assistir. O primeiro pelotão da 4ª Companhia era praticamente composto só por meninas. Para quem se habituou, ao longo de décadas e décadas, a ver uma 4ª Companhia composta por «velhões», muitos já a ter de escanhoar as barbas, que orgulhosamente se consideravam a Velha Guarda colegial, quase como os «rezingões» (les grognards) da Guarda Imperial de Napoleão, a presença de todas aquelas meninas, contra as quais nada me move, não é fácil de engolir. Após o desfile decorreu no refeitório um almoço aberto aos familiares e convidados dos Alunos. No final da cerimónia, ao deixar o Colégio, dei comigo a pensar como as coisas se passavam quando eu era Aluno. Nesse tempo celebrava-se o dia da Restauração. Com a formatura geral do Batalhão em farda de gala, era-nos apresentada a Bandeira Nacional (como então se dizia) e a Bandeira da Restauração e havia sempre uma prelecção evocativa da acção dos conjurados do 1º de Dezembro, esses «Valentes guerreiros que deram por livre a Nação». No meu ano de finalista houve uma novidade, fruto da iniciativa do então Director do Colé-

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gio, que consistiu em impor os sabres-baionetas nas espingardas dos «ratas», que nesse dia armavam pela primeira vez. Ao chegar a casa, movido pela curiosidade, fui descobrir a descrição dessa cerimónia no número 111, de Janeiro de 1962, da revista «O Colégio Militar». Para conhecimento dos mais novos e recordação dos mais velhos, apresento de seguida essa descrição: «Todos os anos, na véspera do 1º de Dezembro, o Colégio Militar comemora a restauração da independência nacional. É dia de festa na Ordem dos Meninos da Luz, de recordação do heróico feito, de entrega de armamento aos «ratas», de visita de familiares e de antigos alunos, de parada e desfile, farda de gala, cabeça erguida, olhos em frente… O quadro repetiu-se ontem. O Batalhão Colegial, comandado pelo aluno nº 288, Matos Silva, formou nos claustros. A bandeira nacional, com altiva escolta, foi-lhe presente e a ela fez continência. Nem um sussurro então - apenas se ouviam os acordes de «A Portuguesa». Depois, o director, brigadeiro Pereira de Castro, acompanhado do subdirector, tenente-coronel Alcide de Oliveira, passou revista à formatura. A banda de Caçadores 5 tocava uma vibrante e bonita marcha e os arpejos das requintas e dos clarins, sobrepondo-se aos sons dos metais, contrastavam, pela sua alegria, com a posição hirta dos Alunos. E quando, a seguir, as caixas começaram a rufar, o bater cadenciado dos pés no lajedo anunciou a chegada dos «ratas» marchando à ordem do aluno nº 290, Carvalho Costa, comandante da 1ª companhia. Pendendo da haste e caindo sobre os ombros de um aluno graduado, em meio de uma escolta com as espadas ao alto rebrilhando a uma nesga de sol, entrou nos claustros a bandeira da Restauração. O comandante da companhia dos novos alunos, enquanto em volta todos se mostram dominados pela gravidade do momento, profere uma alocução. Evoca a data desastrosa de 4 de Agosto de 1578- batalha de Alcácer Quibir - e sublinha as suas consequências. Depois, acentua os acontecimentos da guerra dos trinta anos, até que a sua palavra recorda a hora em que na manhã de 1 de Dezembro de 1640 homens armados subiram ao Paço, dominaram a guarda, invadiram os salões, lançaram morto, pela janela, o secretário de Estado Miguel de Vasconcelos e bradaram - Liberdade! Liberdade!

Cerimónia do 1º Dezembro de 1961 – “O Colégio Militar”, Janeiro de 1962

Frisando ao «rata» que o momento actual também é de luta pela liberdade, de expulsão de estranhos da Pátria que é só nossa, proclama com entusiasmo: «Prenhe de orgulho na nossa farda, sentindo todo o peso da responsabilidade, pegarás na tua arma, tremerás de emoção e marcharás vermelho, a escaldar, mas impecável, olhando o céu, olhando o Sol que se apaga, pois dentro de ti há uma onda de vontade e de valor, onda de espírito e de consciência. Então, invencível nas forças que sentes subir do coração, tu pensarás: A ti ofereço, o esforço, o sangue, a vida, eu vou servir-te, a ti, Pátria-mãe, Pátria querida». Soam ordens. Sentido! Levantar armas! Alunos do 7º ano à frente! A voz do aluno Carvalho Costa ouve-se de novo, lendo Camões: «Só com saber que são de vós olhados/ Demónios infernais negros e ardentes/ Contarão convosco e não duvido/ Que vencedor nos façam, não vencido». Dando um passo em frente, os alunos do 7º ano tiram o sabre-baioneta da bainha dos seus companheiros mais novos e, levando-o à frente na cara, batem, em pranchada, a lâmina no ombro esquerdo do «rata» e colocam-no na respectiva arma. A assistência segue a cerimónia emocionada. A banda executa a marcha «Angola é nos-


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Descerramento do Retrato do Comandante do Batalhão

sa». E quando todo o instrumental sustenta as últimas notas os novos alunos estão armados e incorporados no batalhão colegial. Retiram-se depois as bandeiras com as mesmas honras. A fanfarra do Regimento de Artilharia 1, onde em 1803 nasceu o Colégio Militar, toca uma marcha de guerra. E daí a pouco, por entre alas de alunos erguendo lanças, a 1ª companhia sai para o largo fronteiro, seguindo a escolta com a bandeira da Restauração e, diante dela, o batalhão, que ao deixar o edifício, presta continência ao busto do fundador, não tarda a desfilar, saudando o símbolo do feito histórico que se comemora. Todos os anos, na véspera do 1º de Dezembro, o Colégio Militar presta assim homena-

gem aos que um dia se bateram pela independência da Pátria». O texto aqui apresentado foi, como se referiu, transcrito da revista «O Colégio Militar», que por sua vez o transcreveu do Diário de Noticias, de 1/12/1961. Naquele tempo os jornais publicavam relatos de cerimónias patrióticas como a anteriormente descrita. Hoje em dia, como não implicam violência, corrupção ou escândalo, deixaram de ser notícia. Muito admirados ficaríamos todos, se numa cerimónia desta natureza se apresentasse agora um repórter para fazer a sua cobertura noticiosa. Que me recorde, a última visita de jornalistas ao Colégio ocorreu na visita incrível do ministro da Defesa ao Co-

légio, na véspera do 3 de Março de 2014, para a qual foram devidamente alertados, ou até mesmo convidados, com antecedência quiçá maior do que aquela com que foi convocado o Chefe do Estado Maior do Exército e prevenida a Direcção do Colégio. São estes os tempos que vivemos! Termino deixando um pedido à Direcção do Colégio, que penso que terá a concordância da maioria dos Antigos Alunos. Retomem a comemoração do Dia da Restauração. É uma data chave da nossa História, já quase de 900 anos. Os Alunos carecem deste alimento espiritual. São um solo úbere, mas que não dispensa regas oportunas.

Descerramento do

Retrato do Comandante do Batalhão ©Fotos Leonel Tomaz

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o dia das Comemorações do Primeiro de Dezembro e do Compromisso de Honra foi descerrado, na Sala de Visitas anexa ao Átrio do Fundador e ao Gabinete do Director, o retrato do Comandante do Batalhão 2014/2015, Aluno 591/2007 Francisco José de Jesus Santana Cordeiro de Araújo. Francisco Cordeiro de Araújo entrou para a posteridade na Galeria dos Comandantes do Batalhão do Colégio Militar.

Nesta cerimónia simples mas marcante da vida colegial, estiveram presentes Familiares do Comandante do Batalhão (Pais e Irmã mais nova), o Director, o Subdirector, o Comandante do Corpo de Alunos, O Vice Presidente da Associação em representação do Presidente que por motivos profissionais se encontrava ausente, o Presidente do Conselho Supremo e o Porta Estandarte Nacional, Aluno 198/2007 José Pedro Ribeiro Gomes.

A ZacatraZ saúda o Comandante do Batalhão, desejando-lhe as maiores felicidades no desempenho da difícil e complexa missão da mais alta hierarquia dos Graduados do Colégio Militar, estando certo de que ela será cumprida com o seu esforço e vontade e também com o apoio de todos os Camaradas sob o seu comando, na verdadeira afirmação de Todos por Um Um por Todos.


No Colégio Militar Imposição de Condecorações

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No Colégio Militar

Imposição de Condecorações ©Fotos Leonel Tomaz

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o passado dia 13 de Janeiro teve lugar a imposição de Condecorações Brasileiras com a presença de uma Delegação do Colégio Militar de Campo Grande do Estado Brasileiro do Mato Grosso do Sul, chefiada pelo seu Comandante Coronel de Infantaria Ricardo Guilherme Ribeiro de Almeida, composta por Militares que nele prestam serviço e por seis Alunos graduados: Tenente Coronel Fernando Pereira, Tenente Coronel André Gonçalves da Silva, Capitão Luiz Joaquim, Sargento Fabiana Gonçalves, Coronel Aluna Letícia Porfírio da Silva
(Comandante do Batalhão

Escolar), Tenente Coronel Aluna Isadora Zaneti, Capitão Aluno Vinicius Guterres, 1Tenente Aluno Marcelo Magalhães de Arruda, 2Tenente Aluna Rillary Cechim, 2Tenente Aluno Rafael Gonçalves da Costa. Na Biblioteca, com a presença da Delegação do Colégio Militar de Campo Grande e de representações de Militares, Docentes e Funcionários Civis que prestam serviço no Colégio, decorreu a cerimónia da condecoração do Director, Coronel Tirocinado José António de Figueiredo Feliciano, e do Adido do Exército e Aeronáutico do Brasil em Portugal, Coronel do Exército Brasileiro Cláudio Tavares Casali, com a Medalha Marechal Trompowski que se destina a premiar relevantes serviços à Educação, ao Ensino e à Cultura. Pelas 12h00, na Parada do Corpo de Alunos, com o Batalhão Colegial formado integrando a Escolta, o Guião e acompanhado da Banda do Exército, foi o Estandarte Nacional do Colégio Militar condecorado com a Medalha de Ouro da Ordem do Mérito Conselheiro Thomaz Coelho, proposta pelo Instituto dos Docentes do Magistério Militar do Mato Grosso do Sul. Esta Condecoração foi criada em 1898 pelo Presidente da Republica do Brasil, Prudente de Moraes Barros, destinando-se a galardoar Pessoas ou Instituições que, pelos seus feitos em prol do Magistério e/ou do Instituto dos Docentes do Magistério Militar, tenham contribuído para o Ensino e para a Cultura. Antecedendo o acto de imposição da condecoração, o Coronel de Infantaria Ricardo Guilherme Ribeiro de Almeida proferiu as seguintes palavras: Senhor Coronel Feliciano, Comandante do Colégio Militar de Portugal, Senhor Coronel Casali, Adido Militar do Brasil em Portugal, Senhores Oficiais, dignas Autoridades, Senhoras, Senhores, caros Alunos.

Em nome do Exército Brasileiro e do Colégio Militar de Campo Grande, agradecemos a fidalguia com que fomos recebidos em vossa terra e em vossa casa e ficamos extremamente agradecidos pela oportunidade do estreitar laços e conhecer algo desta modelar instituição de ensino, cujos bons exemplos de compromisso com a educação de qualidade vos fazem conhecidos no Brasil. Aqui chegando é impossível não perceber nossas semelhanças e os traços culturais em comum. É impossível também não deixarmos de pensar no arrojo e coragem dos portugueses que, um dia, debruçados sobre o mar, decidiram se lançar rumo ao desconhecido, “enfrentando feras marinhas” e terminando por encontrar nossa generosa terra, o Brasil. Impossível não deixar de perceber também as incontáveis cidades e regiões brasileiras, sobretudo na Amazónia e Centro-Oeste, que levam nomes idênticos aos desta terra, fazendo perceber o amor português ao seu chão. Certamente, também o Sistema Colégio Militar do Brasil, nascendo sob a égide do Duque de Caxias, um grande herói militar e Patrono do Exército Brasileiro, teve e tem como inspiração, como exemplo no trato com a educação, o Colégio Militar de Portugal. Malgrado sermos países distintos, sistemas distintos, notamos com muita satisfação existirem pontos de toque em comum: valores morais, o zelo na transmissão das tradições, a disciplina e a hierarquia, como pilares básicos na formação de jovens cidadãos patriotas. O Colégio Militar de Campo Grande vem, na manhã de hoje, com outra missão especial, a de conceder por meio do Instituto dos Docentes do Magistério Militar daquele educandário a medalha Ordem do Mérito Conselheiro Thomas


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No Colégio Militar Imposição de Condecorações

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ensino ministrado e pelo público reconhecimento do cumprimento da sua missão. Quando da realização de cerimónias ou desfiles militares ocupa o lugar à direita da primeira fila do bloco de estandartes. Ao Colégio Militar, foram concedidas as seguintes condecorações que ostenta no seu Estandarte Nacional:

• Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito (1920); • Ordem da Instrução Pública (1931); • Ordem Militar de Cristo (1953); • Ordem do Mérito Militar do Brasil (1959); • Ordem Militar de Santiago da Espada (1978); • Ordem Militar do Rio Branco - Brasil (1982); • Ordem Militar de Aviz (2003); • Medalha de Ouro de Serviços Distintos (1990); • Medalha do Pacificador – Brasil (1998); • Medalha Marechal Trompowski – Brasil (1999).

Foram também conferidas ao Colégio Militar mais as seguintes distinções:

Coelho, pelos excelentes serviços prestados pelo Colégio Militar de Portugal à educação e à cultura nacionais. Desta forma, o Colégio Militar de Campo Grande, renova, nesta bela formatura, o convite ao seu colégio irmão de conhecer também nosso país e nosso colégio, localizado na região do pantanal brasileiro, rico em tradições, cultura e ainda com marcas indeléveis da passagem de vossos patrícios em tempos antigos. Sejam felizes. Entoado o Hino Nacional, o Batalhão Colegial, ao som de uma marcha executada pela Banda do Exército, desfilou em continência ao Director do Colégio. No refeitório do Corpo de Alunos seguiu-se o almoço em que mais uma vez se manifestou a camaradagem de todos os que nele participaram, consistindo em mais uma manifestação dos laços fraternos que nos unem aos nossos Camaradas dos Colégios Militares do Brasil.

A

8 de Março de 1888 (celebrava o Colégio o seu 85º Aniversário), por decreto do Ministro da Guerra Visconde de São Januário, foi atribuído ao Real Colégio Militar e ao seu Corpo

de Alunos o primeiro Estandarte Nacional que ostentava a legenda “Corpo de Alunnos do Real Collegio Militar”. Este Estandarte que se encontra devidamente conservado no Gabinete do Director do Colégio foi, ao tempo, benzido pelo Capelão e Professor Manuel José Pereira Louro, tendo tal acto consistido num marco que o liga à Pátria e à Nação Portuguesa, reforçando como valor intemporal o lema “Servir”. Este símbolo concedido ao Corpo de Alunos era idêntico aos dos Regimentos do Exército, com as alterações posteriores que se verificaram nos reinados de D. Carlos I e de D. Manuel II. Implantada a República, a 22 de Junho de 1913 em cerimónia com a presença do Presidente Dr. Manuel de Arriaga e de do Ministro da Guerra, o Estandarte, que se manteve à guarda do Corpo de Alunos, passou a ter a sua actual configuração e nele pode ler-se “Batalhão de Alunos do Colégio Militar”. O Estandarte Nacional do Colégio Militar é o mais condecorado de todos os Estandartes Nacionais das Forças Armadas Portuguesas, pelo valor demonstrado por muitos dos seus Antigos Alunos, pelo reconhecimento da qualidade do

• Medalha Naval de Vasco da Gama (2003); • Medalha de Mérito Aeronáutico de 1ª Classe (2003); • Medalha da Ordem do Mérito Conselheiro Thomaz Coelho, classe de ouro – Brasil (2015); • Medalha de Ouro de Bons Serviços do Município de Oeiras (1967); • Medalha de Honra de Mérito Desportivo (1981); • Medalha de Honra da Cidade de Lisboa (1985); • Medalha de Benemerência da Cruz Vermelha (2003); • Medalha de Honra da Freguesia de Carnide (2005); • Colar de Honra de Mérito Desportivo (2008), • Troféu Olímpico do Comité Olímpico Português. Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949


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Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957

212º Aniversário do Colégio

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omo este ano a idade que o Colégio atingiu corresponde a uma capicua, achei que isso poderia ser um sinal de sorte, ao qual correspondessem uns festejos com um brilho especial, apesar da vida atribulada que o Colégio tem tido ao longo deste ano. Foram introduzidas alterações profundíssimas no seu modelo de funcionamento, sem a preparação e a maturação que seriam minimamente exigíveis, na ânsia «ministerial» de nos deixar como herança um facto totalmente consumado e um Colégio que nada tem a ver

com o que todos nós conhecemos. O objectivo agora é acabar o edifício para o internato feminino até Setembro, o resto não interessa. O programa este ano até tinha duas novidades: a atribuição da designação Parada Marechal Teixeira Rebelo à até agora designada Parada Nova e a homenagem ao nosso inesquecível «Moca», que a ser vivo, perfaria este ano cem anos de idade. Ambas as iniciativas foram felizes e de aplaudir com ambas as mãos. A nova designação

dada à parada não podia ser mais adequada. Tudo o que possamos fazer para enaltecer a figura do Fundador do nosso Colégio, nunca será demasiado. Foi na realidade um gigante, um verdadeiro visionário. Criou o Colégio, guiou-o nos seus primeiros passos e viveu e morreu no Colégio, junto dos seus alunos, no seio da sua gente. A homenagem ao «Moca», por seu lado, é justíssima. Como nos recordou o Carlos Rio Carvalho (307/1971), no editorial do último número da revista, o «Moca», de seu nome


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ronel Tirocinado de Artilharia José António de Figueiredo Feliciano, do Subdirector Tenente-Coronel de Artilharia António José Ruivo Grilo (338/1978), Presidentes da Direcção da Associação e do Conselho Supremo, António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios (529/1963) e Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958), do Comandante do Corpo de Alunos Major de Cavalaria Bernardo Luís da Silveira e Lorena Lopes da Ponte (80/1980), Oficiais em serviço no Colégio e Antigos Alunos. A Chama foi acesa pelo Aluno Comandante do Batalhão Francisco José de Jesus Santana Cordeiro de Araújo (591/2007), pelo Aluno Batalhãozinho Filipe Antunes da Fonseca Gomes Rodrigues (650/2014) e pelo mais antigo Antigo Aluno presente Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949). Aqui se transcrevem as palavras proferidas pelo Director, Senhor Coronel Tirocinado de Artilharia José Feliciano.

Cândido Gomes Alves, dedicou toda a sua vida ao Colégio. Veio para o Colégio em 1936, como soldado corneteiro, e serviu posteriormente no Colégio, como Fâmulo (assistente operacional, como agora se diria), até 1983, ano em que se aposentou, para poder gozar uma mais do que merecida aposentação. Os quarenta e sete anos em que esteve no Colégio foram anos de trabalho árduo e de dedicação total à Casa e aos seus alunos. Aqueles de entre nós que tiveram a felicidade de com ele conviver no Colégio, grupo no qual me incluo, foram sempre capazes de apreciar as suas extraordinárias qualidades humanas. Mesmo após a nossa saída do Colégio, a nossa amizade e o nosso respeito por ele foram sempre aumentando. Ele honrou o Colégio com o seu trabalho humilde e com a sua dedicação, o Colégio honra-o agora com mais este reconhecimento público da sua gratidão e admiração. É também isto que faz grande o nosso Colégio, não esquecendo aqueles que o serviram, por mais humildes que tenham sido as tarefas por si desempenhadas. Assim foi no passado com o lendário «Cabo 20», assim é agora a vez do «Moca». Ao citar o editorial do último número da nossa revista, sou obrigado a fazer uma pequena correcção. O nosso «Moca» era de facto minhoto, mas não de Barcelos. Ele era natural de Laundos, aldeia do concelho da Póvoa de Var-

zim, conhecida pelos seus moinhos de vento no alto de um pequeno monte. Como a minha família do lado paterno era toda poveira, ele tinha simpatia por mim, sendo eu o setenta e um, ele tratava-me, familiarmente, por setenta e unhas. Mais simpatia tinha ainda pelo «binte oito» o Mota, do meu curso, que esse era mesmo nado e criado na Póvoa de Varzim, tendo uma pronúncia cerrada nortenha, que nunca abandonou. Que será feito dele? Nunca mais ninguém o viu. Caindo este ano o 3 de Março numa 2ª Feira, decidiu a Direcção do Colégio fazer as correspondentes celebrações no fim de semana de 7 e 8 de Março, para o qual a meteorologia previa, para ajudar à festa, um tempo soalheiro. Foi pois com este enquadramento em mente que partimos para a função. No Sábado o dia nasceu com um sol esplendoroso, o tempo não podia estar melhor. Como diriam os ingleses, estava «a glorious day». À semelhança dos dois anos anteriores os festejos iniciaram-se na Feitoria, casa berço do Colégio, onde em 1803, ainda antes das invasões francesas, o então Coronel Teixeira Rebello iniciou a sua obra admirável. Com a Guarda de Honra constituída por Alunos da Escolta, teve lugar a cerimónia do acender da Chama com a presença do Director, Co-

«Excelentíssimo Senhor Presidente da Associação de Antigos Alunos do Colégio Militar, Dr António Reffóios Meu Coronel Subdirector, TCOR ART Ruivo Grilo Caros Alunos e Antigos Alunos, Reunimo-nos hoje aqui para homenagear e recordar o Homem e o Militar que está na génese da Obra que aqui nasceu. O fundador do Colégio Militar, o “Sempre Presente” Marechal António Teixeira Rebello. A 13 de Fevereiro de 1802, num contexto nacional e internacional particularmente conturbado, fez-se história neste local. O então, Coronel Teixeira Rebello assume a função de Comandante Regimento de Artilharia da Corte, sendo o primeiro Português a desempenhar tais funções. Pelos ideais que caracterizavam a sua personalidade, o novo Comandante, um militar e um cidadão de créditos firmados, desde logo se preocupou com a formação dos seus quadros, até então bastante precária. Os resultados obtidos trouxeram ao Regimento da Corte uma excelente reputação pelas aulas nele ministradas. Motivado pelo sucesso o Comandante, decide levar mais longe a vontade de ensinar, conseguindo estender o ensino aos órfãos, carenciados e filhos de militares destacados, num momento em que eram múltiplas as dificuldades que marcavam a vida da sociedade portuguesa. O então Coronel Teixeira Rebello, um exemplo vivo de tenacidade e perseverança, envolve toda a guarnição, levando a que Oficiais e Sargentos do seu Regimento, tomassem a seu cargo e sem qualquer remuneração, as funções docentes.


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Neste contexto, nasce assim, a 03 de Março de 1803 a mais emblemática obra de Teixeira Rebello, o Colégio da Educação Militar do Regimento de Artilharia da Corte, o designado Colégio da Feitoria. Esta é a matriz genética do Colégio Militar que hoje conhecemos e que importa ter como referência de altruísmo e que está na génese do lema do Colégio Militar: “SERVIR”. Caros Alunos e Antigos Alunos, A vida e conhecimento da sua obra obriga-nos a reconhecer o Marechal de Campo António Teixeira Rebello, como um símbolo e um exemplo de vida, competentíssimo no saber e excepcionalmente vocacionado para a pedagogia de crianças e jovens. Com a nobreza de carácter própria de quem é grande e simples, soube sempre ser generoso para com todos aqueles que precisavam de auxílio. Discreto e humilde nos seus êxitos, orgulhoso e respeitador da sua Pátria na sua condição de militar e de português, o Marechal Teixeira Rebello foi um exemplo no culto dos valores e virtudes. Recordemos a sua memória. A terminar, não posso deixar de relevar que foi a vontade de Antigos Alunos que esteve na origem desta cerimónia neste local, que diríamos, começa a adquirir um espaço de culto de um Homem e de um Sonho, que se veio a tornar uma realidade intemporal. A nossa homenagem ao Colégio Militar, ao seu Fundador e a todos os que decisivamente contribuíram para a perpetuação desta Obra. O nosso reconhecimento ao Colégio Militar pelos relevantes serviços prestados à Pátria, à Nação Portuguesa e ao Mundo, ao longo dos seus 212 anos de existência.» Fui dos primeiros a chegar ao Colégio, eram nove horas, o que me deu para vaguear um bocado pelos Claustros, onde tive a oportunidade de ser apresentado a dois dos filhos do «Moca», que em boa hora foram convidados para assistir às cerimónias. O início das cerimónias no Colégio deu-se pelas 10h00, com o Batalhão formado na Parada Nova, com os representantes dos órgãos sociais e o Porta-Guião da Associação perfilados em frente ao Batalhão e com o enquadramento de uma vasta assistência, formada maioritariamente por Antigos Alunos e por familiares dos actuais Alunos. O início das cerimónias consistiu na prestação de continência ao Director do Colégio, com o Batalhão a apresentar armas, sob o comando do Aluno nº 591 Francisco José Cordeiro de Araújo. Foi um bom começo.

Seguiu-se o hastear do Guião Colegial, acompanhado pelo canto do hino do Colégio tanto pelo Batalhão como pelos Antigos Alunos ali presentes. Este é um momento em que eu fico sempre mudo e quedo, dado não conhecer de cor o hino do Colégio, que no meu tempo como Aluno não era por nós cantado. Nunca percebi porque é que tal aconteceu, dado naquele tempo a disciplina de canto coral ser dada a sério e o Colégio ter então um grande orfeão, quer em quantidade de componentes, quer em qualidade. O professor de canto coral de então, o famoso e inolvidável «Carioca», que apesar da sua estatura diminuta nos dirigia com mão de ferro e não era para graças, não nos punha a cantar o nosso hino, por qualquer razão que não descortino. Não sou capaz de dizer com exactidão quando é que se retomou o hábito de cantar o

hino, nem sei quem é que tomou essa decisão, mas que foi uma boa decisão, disso não tenho dúvidas. De acordo com o que já se pode considerar tradicional, seguiu-se a alocução aos Alunos pelo Presidente da Associação, o António Reffóios (529/1963), que nesta fase tão difícil da vida do Colégio tem sido sempre firme a transmitir aos Alunos o testemunho da nossa solidariedade. Nas presentes circunstâncias, em que há tantas diferenças de opiniões acerca do que está a ocorrer no Colégio, não é fácil para ninguém dirigir-se aos Alunos e transmitir-lhes uma mensagem de apoio e de esperança. A alocução proferida centrou-se na figura do «Moca», expressando-lhe toda a nossa gratidão, como podem apreciar na transcrição da mensagem que seguidamente se apresenta.


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«Senhor Director do Colégio Militar, Coronel tirocinado José Feliciano Caros Colaboradores Militares e Civis do Colégio Militar Caros Pais, Encarregados de Educação e Familiares das Alunas e Alunos do Colégio Militar Caros Antigos Alunos do Colégio Militar Após a cerimónia plena de simbolismo do acender da Chama Colegial, na Feitoria, onde em 1803, pelo firme desejo de servir e génio do marechal António Teixeira Rebello nasceu o Colégio Militar - cerimónia essa que marca o início das comemorações do 212º aniversário do Colégio Militar - aqui estamos de novo no nosso Colégio e nesta parada, que a partir de hoje ostentará o nome do Fundador desta casa. Ao Antigo Aluno 96/1950, José Alberto da Costa Matos, ilustre militar a quem todos devemos - entre outros relevantes serviços prestados ao nosso Colégio e á nossa Associação - a História do Colégio Militar, caberá em seguida a tarefa de vos dirigir umas palavras sobre a insigne figura e obra imortal do nosso Marechal. Na qualidade de presidente da AAACM, e a exemplo daqueles que me antecederam nas última décadas, cabe-me a grande honra de vos dirigir umas palavras nesta ocasião. Faço-o, este ano pela 4º vez, sempre com a mesma emoção, e o sentimento de gratidão por ter passado por esta casa. Faço-o com o orgulho e sentido de dever por pertencer a esta comunidade em que o lema Servir e a Camaradagem são valores que nos guiam ao longo da nossa vivência colegial e pela vida fora. Faço-o, como sempre, recordando e honrando a memória de todos os Antigos Alunos e Servidores Militares e Civis do Colégio Militar que escre-

veram a história ímpar desta Instituição que continua a servir Portugal há mais de dois séculos. Faço-o também, e quero reafirmar, fiel ao compromisso da defesa de um colégio público e militar e do apoio incondicional e sem reservas à Instituição e aos seus Alunos. Apoiar o Colégio não é uma opção, mas um dever a que a AAACM e os Antigos Alunos não se podem furtar. Alunas e Alunos do Colégio Militar, SERVIR é o nosso lema. Para vos inspirar e a título de exemplo poderia falar-vos hoje de muitos Antigos Alunos ilustres, militares e civis, que se distinguiram quer pela bravura como combateram pela Pátria, quer pelo contributo para o desenvolvimento social, científico, económico e artístico do nosso país. E não precisaria sequer de escolher Antigos Alunos mortos: muitos deles estão ainda vivos, e com os seus cabelos brancos e os netos pela mão, passam por nós sem serem reconhecidos. Poderia falar-vos dos cinco Antigos Alunos Presidentes da República. Poderia falar-vos de um General sem medo, o 398/1916, Humberto Delgado - assassinado faz agora cinquenta anos, porque se opôs à ditadura e defendeu a liberdade. Poderia falar-vos dos muitos Antigos Alunos que em 25 de Abril de 1974, ainda jovens oficiais, estiveram na primeira linha da devolução da liberdade a Portugal. Poderia falar-vos de muitos Antigos Alunos, ainda muito jovens, com percursos académicos brilhantes, ou que ocupam posições que qualquer jovem ambicionaria, em Portugal e por esse mundo fora. Todos estes Antigos Alunos são fontes de inspiração e exemplos que devem ser recordados e divulgados. Mas nestas comemorações do 3 de Março de 2015 queremos recordar e honrar todos aqueles que serviram o nosso Colégio, através do exemplo de Cândido Gomes Alves. Usarei o seu nome colegial: Cândido Gomes Alves era simplesmente, o “Moca”. O “Moca“ faria este ano 100 anos. Era minhoto de Barcelos de onde veio para a tropa e para o Colégio. Serviu o Colégio muito antes de qualquer um de vós ter nascido, entre 1936 e 1983. Foi soldado e servente - fâmulo, como eram então designados os serventes. Durante 47 anos o “Moca“ limpou e organizou a nossa casa e a nossa vida. Aparentemente, as suas funções e preocupações resumiam-se a vassouras, baldes, esfregonas, molho de chaves, pequenos arranjos e outras tarefas aparentemente sem importância, mas que, se não são bem feitas, causam enorme perturbação.

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O “Moca“ fez este trabalho durante 47 anos, certo como um relógio, limpando o geral e o chão das camaratas, acendendo as luzes à alvorada, abrindo as janelas ao frio da madrugada sob um coro de protestos que eram não mais que a nossa capacidade de suportar qualquer frio, a ser construída no dia a dia. O ”Moca” fazia assim um trabalho aparentemente modesto, quase invisível, mas se perguntarem a qualquer Antigo Aluno desses tempos quem era o “Moca“, verão em cada resposta um sorriso de cumplicidade e saudade, fruto de uma verdadeira amizade e enorme respeito. O Colégio é a nossa casa onde vivem também aqueles que são nossos irmãos. A vida em conjunto – em particular o internato – onde se enfrentam os mesmos problemas e as mesmas preocupações, é geradora de uma força magnífica que se chama camaradagem e que emerge da necessidade de ser solidário. A camaradagem é uma virtude dos soldados, e é bom lembrar: estão aqui fardados, formados e armados porque são Alunos do Colégio Militar.


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O ”Moca“ compreendia tudo isto muito bem e, de certa forma, era mais um entre nós. Era solidário, detectou e ajudou a resolver milhares de pequenos problemas que surgem quando centenas de jovens vivem juntos. Evitou muito disparate, quantas vezes usando a sua inseparável vassoura como argumento..!!! Em suma , o “Moca“ ajudou a construir muitas gerações de Alunos e também por isso era sócio honorário da AAACM. Tal como lembramos os grandes oficiais, professores e outros servidores militares e civis e a visão genial do nosso Marechal, honramos hoje e em particular o nosso “Moca” que cuidou desta nossa casa interpretando na perfeição a verdadeira essência do espírito do Colégio Militar. Servir é o lema do Colégio Militar. Foi esse o caminho escolhido pelo “Moca“. O seu exemplo é para ser seguido e lembrado. Uma placa com o seu nome e inconfundível figura será amanhã descerrada no Corpo de Alunos antes do tradicional jantar dos Antigos Alunos e que contará com a presença de dois dos seus filhos, Rui Alves e José Alves. Nesta ocasião, quero também exortar todas as Alunas e Alunos do Colégio Militar ao escrupuloso cumprimento do Código de Honra e da desejável melhoria do desempenho académico. Uma última palavra para os graduados finalistas, que para além das suas obrigações escolares têm a nobre e gratificante missão de liderar os mais novos, num contexto de mudança deveras exigente. Sejam generosos e solidários. Apelo ao vosso sentido de responsabilidade e de justiça. Sejam um exemplo para os mais novos. Os Antigos Alunos confiam em vós. Este será o vosso último 3 de Março como Alunos do Colégio. Será, estou certo, uma comemoração digna dos pergaminhos do Colégio e um dia que jamais esquecerão. Termino, como habitualmente, pedindo ao Aluno Comandante do Batalhão, o 591, Francisco José Cordeiro de Araújo que o 1º Zacatraz destas comemorações seja por Portugal, a Pátria que o nosso Código de Honra nos ensina a amar e respeitar. Muito obrigado.» Seguiu-se a cerimónia de atribuição à Parada Nova da designação, em boa hora escolhida, de «Parada Marechal de Campo António Teixeira Rebello». Foi feita a leitura do despacho do Director do Colégio justificativo da atribuição da nova designação à parada, seguindo-se uma alocução aos Alunos relativa ao acto. A personalidade escolhida para usar da palavra, em tão importante ocasião, foi o Antigo Aluno José Alberto

da Costa Matos (96/1950). A escolha não poderia ser mais acertada. O Costa Matos, para além de ser um Antigo Aluno com uma inultrapassável dedicação ao Colégio, tendo já sido Presidente do Conselho Supremo, é sem dúvida o Antigo Aluno mais conhecedor da história do Colégio, história essa que ele próprio passou a escrito, de forma magistral, por ocasião das comemorações do seu segundo centenário. O Marechal Teixeira Rebello e a sua obra não têm para ele quaisquer segredos, eu até diria que ele o trata por tu, o nosso tu colegial. O Costa Matos começou por dizer aos Alunos que não iria fazer um discurso, mas sim contar-lhes uma história. A história que lhes contou foi a de um rapazito de origem humilíssima, que á custa de uma inteligência superior e de uma vontade férrea, atingiu a patente de Marechal do Reino. Ora leiam essa bela história. «Não venho fazer-vos um discurso. Venho contar-vos uma história. Uma história que nem todos conhecem e que nem sempre é relembrada. Ora escutem com atenção! Era uma vez um rapazito que nasceu numa pequena aldeia perdida nas dobras das serras transmontanas. Chamava-se António e o pai e a mãe, modestos agricultores sem posses, outro futuro não lhe podiam dar que não fosse vir a ajudá-los a eles próprios no amanho das terras. Quando já andava, a mãe levava-o pela mão a ouvir a missa na pequena capela da aldeia. Aí, o que mais lhe prendia a atenção não era o ritual, nem as imagens dos santos, mas sim o livro para o qual o padre olhava para dizer ao povo as coisas que nele estavam contidas. Apesar de ainda criança, certo dia, resolveu ir devagarinho à sacristia e, sem mais palavras, pediu ao senhor prior que o ensinasse a ler. Este achou-lhe graça e disse-lhe que sim. Mas não tardou a aperceber-se que havia naquele miúdo uma rara inteligência. Foi-lhe porém ensinando as matérias relacionadas com o seu mister, como a gramática, o latim, a metafísica, a ética e a lógica. Ele absorvia facilmente tudo quanto lhe transmitia ou lia, mas acabou por ter de falar com os pais para lhes dizer que o seu filho possuía decidida vocação para o saber, e que isso até as pessoas da aldeia já tinham notado pois ele era mais interessado nos estudos que nas correrias e folguedos dos demais miúdos da sua idade. Seria por isso bom que ele fosse para uma escola. Mas como é que eles podiam, se na terra não havia escola? Os anos lá foram passando e, quando fez 14 anos, resoluto e corajoso como era, o António partiu. Rumou a Valença, a 150 km da sua aldeia, pois soubera que havia aí um regimento de Artilharia onde oficiais estrangeiros ensinavam aos

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militares os saberes necessários para subirem de posto. Foi sozinho, por caminhos difíceis e perigosos, sem transportes, levando consigo a vontade de vencer, o desejo de aprender, uma enorme coragem e um saquito com o que a mãe, lavada em lágrimas, lá lhe conseguiu pôr. Após vários dias de jornada, era 27 de Setembro de 1764 quando chegou ao regimento de Valença anunciando: “Chamo-me António Teixeira Rebello e quero ser soldado.” Depois de alistado, nos quatro anos que se seguiram estudou empenhadamente matemática, fortificação, táctica de artilharia e desenho e, ainda não fizera 18 anos quando atingiu o posto de furriel. Mas para ele isso era pouco. Prosseguiu então estudos superiores na Academia Real de Marinha onde lhe concederam os prémios destinados aos melhores, e concluiu o curso com a dignidade de lente. Alcançado o posto de 2.º tenente, foi ascendendo sucessivamente na carreira de oficial, evidenciando-se sempre pelo seu carácter, pela sua coragem e firmeza, e pelo seu muito saber. Como matemático e artilheiro, escreveu ao longo de quatro anos o «Tratado de Artilharia», uma obra notável que marcou a sua época e que foi editada em 1793. A História guarda também nas suas páginas a forma heróica como combateu na campanha do Rossilhão, onde a sua tenacidade e destemor fizeram a artilharia portuguesa galgar píncaros abruptos e inimagináveis, debaixo de um tempo inóspito, vindo depois a destroçar com os seus fogos os ataques inimigos. O seu valor e audácia nesta campanha vieram a ser reconhecidos pelo rei, que decidiu promove-lo a tenente-coronel por distinção.


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Cinco anos depois, já coronel, foi nomeado comandante do Regimento de Artilharia da Corte, instalado na fortaleza de S. Julião, em Oeiras. A sua paixão pelo ensino e pela ciência, a lembrança dos benefícios de que usufruíra em Valença e a sua indestrutível determinação, começaram a povoar-lhe a mente com a ideia de criar

no Regimento uma escola onde os militares pudessem aprender os conhecimentos necessários à sua ascensão na respectiva carreira. No primeiro ano de funcionamento dessa escola oito dos seus alunos logo alcançaram resultados positivos nos exames a que foram sujeitos nas academias da Marinha e do Exército. Teixeira Rebelo resolveu então ir mais além interrogando-se a si próprio se não deveria proporcionar a outros aquilo que ele não tivera na sua aldeia quando era criança: aprender! Tanto mais que no seu regimento estavam alojadas algumas famílias e também filhos de soldados destacados no Brasil ou em outras paragens da Coroa. E nas redondezas, não faltariam por certo rapazes órfãos ou sem posses que poderiam nele aprender as primeiras letras. E para ensinar o regimento tinha nas suas fileiras alguns militares com capacidade e conhecimentos bastantes para o fazer! Esta ideia de um colégio perseguia-o a todo o momento. Foi então que, no começo de 1802, Teixeira Rebelo veio a saber que, no Conselho Militar presidido pelo ministro da Guerra para tratar da reorganização do Exército, fora abordada a necessidade de os jovens que se destinassem ao serviço nas tropas receberem uma prévia educação e formação militares. E alguns generais estrangeiros que no Conselho tinham assento, sugeriram mesmo a criação de um colégio para onde esses jovens entrassem com a idade de dez anos. Conhecedor disto o coronel Teixeira Rebelo entende ser chegado o momento de criar um colégio nas instalações da Feitoria, que eram um pequeno quartel anexo ao seu Regimento. Iria chamar-lhe «Colégio de Educação do Regimento de Artilharia da Corte».

Mas depois pensou mais um pouco e por dever e respeito pela disciplina, antes de o fazer foi auscultar o ministro da Guerra no sentido de obter a sua prévia concordância. O ministro anuiu, mas foi-lhe também dizendo que o colégio teria um carácter experimental e que teria que ser exclusivamente sustentado com os recursos próprios da Unidade. E lá começou com 20 alunos, tendo como mestres oficiais, sargentos e praças que tivessem frequentado a aula regimental ou a universidade de Coimbra. Todos foram voluntários, exercendo gratuitamente o ensino das primeiras letras, da gramática, desenho, matemática e fortificação. A qualidade imposta por Teixeira Rebelo ao ensino ministrado no Colégio da Feitoria não tardou a ganhar fama na capital do reino, de onde começou a receber alunos. E até o Príncipe Regente D. João lhe enviou uma carta louvando a “eficácia e zelo empregada na boa direcção do Colégio, e também o assíduo trabalho dos seus lentes”. Os resultados alcançados e o número crescente de alunos desfizeram as dúvidas dos políticos e, no início de 1814, o Colégio da Feitoria foi oficializado em definitivo com a designação de «Real Colégio Militar», passando a dispor a partir de então de estatutos próprios e de instalações para 100 alunos no edifício do outrora Hospital de N.ª Sr.ª dos Prazeres, onde hoje nos encontramos. Possuidor de elevada capacidade pedagógica, Teixeira Rebelo entendia que os pilares de uma educação integrada de futuros cidadãos zeladores da defesa de Portugal deviam assentar num exigente ensino literário e científico, numa sólida formação moral e numa saudável preparação física que ele expressou pelo seu próprio punho quando então escreveu: “A experiência de todos os séculos e governos tem mostrado que, quando os Conhecimentos se não unem às virtudes e aos bons costumes, são muitas vezes mais perniciosos que úteis àqueles que os possuem e à própria sociedade”, e prosseguia acrescentando: “Como o fim principal desta instituição é não só criar homens sãos, robustos, vigorosos e capazes de servir útil e gloriosamente a sua Pátria, mas também formar o coração e o espírito da mocidade para a tornar útil a si e aos outros por meio das virtudes cristãs e sociais, a educação Física e a educação Moral devem constituir todo um objecto”. O espírito que o Fundador deu o Colégio Militar, a intemporalidade e universalidade dos conceitos que pôs na educação e formação dos colegiais, a sublimação que fez dos valores morais, humanos e sociais com destaque para o patriotismo, a honra, o dever, a coragem, a responsabilidade, a justiça, o respeito e a soli-


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dariedade, foram perpassando os mais de dois séculos da existência do Colégio, constituindo ainda hoje e sempre o principal alicerce do seu sistema educativo. No fundo, o desejo de Teixeira Rebelo era servir, o mesmo “Servir” que os alunos de ontem e de hoje trazem diariamente consigo gravado na fivela dourada do seu cinturão. Enquanto Director Teixeira Rebelo dava grande importância aos seus docentes, deles se considerando um simples colaborador, chegando mesmo a tratá-los por colegas. Mas era simultaneamente exigente e orientador do modo como pretendia o seu exercício pedagógico. Aos alunos deveriam apresentar as ideias fundamentais, habituando-os depois a discorrer por si próprios, para que não se sentissem obrigados a decorar à risca o discurso dos compêndios. Os professores teriam além disso que primar pelo rigor e pela disciplina e constituírem um modelo de exactidão de ideias e de legitimidade dos raciocínios e, ao mesmo tempo, serem o exemplo constante dos valores que constituíam um dos alicerces do ensino colegial. Teixeira Rebelo conduziu toda a sua vida por um rigor espartano, por uma modéstia deliberada e por um grau de exigência consigo próprio que apenas encontramos naqueles que perseguem elevados ideais. Sempre foi desapegado de honrarias e de bens materiais. E o seu testamento, que se encontra depositado no Museu do Colégio Militar, é bem a demonstração disso mesmo. Ao lê-lo espanta-nos desde logo que, sendo marechal e ex-ministro do reino, os bens que tinha para deixar fossem tão poucos e modestos. Afinal, tão modestos quanto ele próprio. Nesse documento, os primeiros contemplados são os pobres, como se quisesse recordar-nos a sua humilde origem. Como sabia da importância que tinham os empregados menores do Colégio, contempla depois os seus filhos proporcionando assim a esses jovens a ajuda que lhe faltara quando ele próprio quisera fazer-se homem. E não esquece especialmente aquele empregado que, com a mulher e a filha, dele cuidaram quando caiu à cama no seu último ano de vida. Desde que fundara o Colégio Militar nunca mais teve casa. Vivia austeramente dentro das suas instalações, dedicando-lhe por inteiro as 24 horas de cada dia, até àquela madrugada de 6 de Outubro de 1825, em que a morte o roubou aos seus colegiais. Nesse dia, o rosto sombrio e as lágrimas dos alunos eram bem a demonstração de que, por trás daquele rosto duro, eles sabiam que havia a bondade de um homem que, não tendo filhos, lhes dedicara todo o seu saber, toda

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a sua força, toda a sua determinação e todo o carinho de um pai, que afinal ele nunca havia sido. Era esta a história que tinha para vos contar. A história da grandeza de um Homem que criou uma grande Instituição há mais de dois séculos para “Servir” a sua Pátria. Grandeza, Servir e Pátria, três conceitos que a pequenez, a ignorância e a maldade de alguns não consegue ver nem compreender. Mas, como dizia um antigo aluno nas comemorações dos 150 anos, “O Colégio Militar tem alma, e a alma é imortal”. Saibamos todos, alunos e professores, militares e funcionários, pais e encarregados de educação, antigos alunos e demais cidadãos, ser merecedores do Marechal Teixeira Rebelo e do grande Colégio que depositou nas nossas mãos.» Concluída a história foi descerrada a placa com a nova designação da parada, acto em que tomaram parte os Alunos Comandante de Batalhão e o Batalhãozinho, acompanhados pelos Presidentes da Associação dos Antigos Alunos e da Associação de Pais e ainda como convidado o Senhor Coronel Vaz Serra. Na continuação das cerimónias passou-se ao tradicional acender da chama no monumento ao Colégio, para o que se utilizou a chama trazida ao inicio da manhã da Feitoria. Esta é a chama que simboliza o «Espírito do Colégio». Esta é chama que só se apagará quando morrer o último Antigo Aluno do Colégio, pois todos os Alunos, de-

pois da sua saída do Colégio, a mantêm acesa nas suas mentes para o resto das suas vidas. Ela não se vê, mas está lá. É ela que nos guia ao longo das nossas vidas pelo caminho da Honra, que todos procuramos trilhar. As cerimónias na agora Parada Teixeira Rebello terminaram com um vibrante Zacatraz, por Portugal e pelo Colégio, bradado em uníssono por todo o Batalhão. Foi o remate adequado para esta primeira parte das cerimónias. A 4ª Companhia seguiu então, precedida pela Banda do Exército, para a parada do internato, para aí prestar honras militares ao General Chefe do Estado Maior do Exército, que se quis associar pessoalmente às nossas comemorações. As cerimónias tiveram a sua continuação na nossa Sala de Honra, os Claustros. Segundo dizem, é aqui, que no silêncio da noite, se pode sentir a presença da Alma do Colégio. Formado o Batalhão, deu entrada nos Claustro o General Chefe do Estado Maior do Exército, a quem foi prestada continência, ao som do hino da Maria da Fonte, tocado pela Banda do Exército. No meu tempo tocava-se a marcha da continência, presumo que o protocolo tenha entretanto mudado. Seguiu-se a incorporação na formatura do Estandarte Nacional, que é sempre o ponto mais alto das cerimónias militares. O Batalhão apresentou armas e cantou, como só ele sabe cantar, o Hino Nacional. É sempre um momento único. As abóbadas dos Claustros amplificam o som das


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vozes e somos todos envolvidos por uma atmosfera de rara emoção. Foi então a vez de se prestar homenagem aos nossos mortos. Foi guardado silêncio, enquanto o Batalhão apresentava armas e a fanfarra executava o toque dos mortos, seguido do toque da alvorada. Concluída esta homenagem, foi a vez do Director do Colégio se dirigir ao Batalhão e a todos os participantes na cerimónia, tendo proferido as palavras que de seguida se apresentam. «Excelentíssimo Senhor General Chefe do Estado-Maior do Exército, Meu General, O Colégio Militar agradece a presença de V.Ex.ª nesta cerimónia de profundo significado, que muito nos honra pela dimensão institucional que representa, mas sobretudo pelo estímulo e sinal de reconhecimento pelo trabalho e dedicação dos Alunos e Servidores do Colégio Militar. Agradecemos de forma penhorada e muito sentida o apoio incondicional que o meu General tem manifestado para com o Colégio Militar, neste momento ímpar da sua já longa história. - Excelentíssimo Senhor Tenente-General Rocha Vieira, Chanceler das Antigas Ordens Militares, Meu General A presença de V.Ex.ª constitui uma honra, conferindo a esta cerimónia um especial brilho e um relevante simbolismo que muito reconhecemos. - Excelentíssimo Senhor Tenente-General Comandante da Instrução e Doutrina do Exército, Meu General Comandante, A presença de V.Ex.ª constitui um testemunho inequívoco do incentivo, da motivação e do apoio que tem expressado e materializado

de forma continuada e permanente no cumprimento da nossa nobre missão. O nosso profundo reconhecimento. - Excelentíssimos Senhores Oficiais Generais, - Excelentíssimo Senhor Major-General Director de Educação, - Excelentíssimo Senhor Tenente-General Perry da Câmara, Na pessoa do Meu General permita-me que dirija uma palavra de particular apreço e consideração pelos que me antecederam no cargo de Director do Colégio Militar, - Excelentíssimos Senhores representantes do Comandante Geral da Guarda Nacional Republicana e do Director Nacional da Polícia de Segurança Pública, - Excelentíssimos Senhores Directores do Instituto dos Pupilos do Exército e do Instituto de Odivelas, - Senhores Adidos Militares de Países Amigos, - Excelentíssimos Senhores Presidentes da Associação de Antigos Alunos e Associação de Pais e Encarregados de Educação dos Alunos do Colégio Militar, Nas pessoas de vossas excelências, saúdo todos os Antigos Alunos, Pais e Encarregados de Educação, - Distintos Convidados, - Estimados Professores, Oficiais, Sargentos, Praças e Funcionários que servem no Colégio Militar, - Alunos e Alunas, TODOS, Alunos do Colégio Militar Comemoramos hoje os 212 anos de História do Colégio Militar, fundado a 03 de Março de 1803. Uma narrativa épica, repleta de feitos e grandiosos momentos. Determina a tradição que o Director, em cerimónia pública, faça uma súmula histórica do

Colégio Militar e do seu Fundador. Diz-nos a realidade, que as evidências não necessitam de ser demonstráveis, são percepcionadas e confirmadas pela vida, pelas pessoas e pelos seus actos. Pela imponência do seu passado e pelo respeito que nos merecem todos os que tão bem interiorizam e cultivam os princípios emanados pelo seu Fundador, todas as palavras seriam sempre poucas para materializar a história grandiosa do Colégio Militar. No respeito pela tradição cumpre, no entanto, referir que o Colégio Militar tem as suas origens em Oeiras, no quartel da Feitoria, em 1803. Com a designação inicial de Colégio de Educação do Regimento de Artilharia da Corte, tendo como seu Fundador o, então, Coronel Teixeira Rebello, à data comandante do Regimento de Artilharia da Corte. Com a designação de Real Colégio Militar, implantou-se uma primeira vez em 1844, em Carnide, no Largo da Luz, local onde nos encontramos, tendo passado posteriormente por Rilhafoles e Mafra. Em 1873, regressa definitivamente ao Largo da Luz, adquirindo a sua designação actual com a implantação da República. Do Fundador, a quem hoje prestámos mais uma das homenagens devidas ao atribuir à já consolidada “Parada Nova”, a designação do “Sempre Presente”, Marechal António Teixeira Rebello, todas as referências serão singelas. Homem e militar de tamanha dimensão, pedagogo e humanista, dogmático e visionário, de uma humildade e nobreza de carácter ímpar, o marechal Teixeira Rebello vivenciou de forma indelével as virtudes da honra, do sentido do dever, da lealdade, da camaradagem, da disciplina e do altruísmo.


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É esta obra que perdura ao longo de mais de dois séculos e que está no espírito e na génese do lema do Colégio Militar: “SERVIR”. Meu General, Distintos Convidados, Oficiais, Professores, Sargentos, Praças e Funcionários Civis, Caros alunos, Ontem, tal como hoje, o Colégio Militar é uma instituição que encontra grande parte da sua identidade na instituição Militar e desta colhe muitos dos seus atributos e do seu ethos, continuando a assumir a sua singularidade formativa nos princípios e valores da identidade nacional e das virtudes militares, sendo este o seu principal e grande diferenciador estrutural. No encontro entre o formato organizacional, lato senso, designado Colégio e a matriz identitária de natureza militar, encontramos um conceito de educação muito próprio. A educação no Colégio Militar tem que ser entendida como um processo de alienação do EU, em proveito do todo. Do todo, significa o somatório do EU e do NÓS, que no seu estádio e desenvolvimento final encontra a matriz da formação ecléctica e integral como o seu grande desígnio. Um projecto educativo desta natureza só poderá ser atingido com uma visão global do homem, na conjugação da razão e da emoção, de valias intelectuais e morais. Só pela construção de pilares tão sólidos foi possível ir edificando um Colégio que soube atravessar os mais diversos períodos da insigne e conturbada história de Portugal desde o início do século XIX. Um Colégio que forma alunos com ideais e orgulho ímpar de quem nunca esquece a escola que os acolheu e os fez homens. Um Colégio que foi crescendo pela evolução das sociedades e dos tempos, e que sempre soube manter os seus fundamentos, só pode ser um Colégio Grandioso e de referência no sistema de ensino em Portugal. Num momento em que a história se cruza com o futuro, estamos conscientes de que o Colégio Militar é uma instituição em permanente construção, não só pelo momento que atravessa, mas sobretudo pela conjuntura que caracteriza as sociedades contemporâneas e as suas realidades. Vivemos um tempo de adaptação a novas realidades, com a força de acreditar e com o dinamismo de fazer crescer o nosso Colégio. Esta é a prova evidente da intemporalidade e vitalidade do Colégio Militar. Como é de todos conhecido encontramo-nos a viver um processo de reestruturação marca-

do, genericamente, pela implementação do 1º Ciclo do Ensino Básico, pela introdução do ensino misto e pela adopção de um regime de frequência optativo, entre internato e externato para o sexo masculino e, actualmente, ainda, exclusivamente em regime de externato para o sexo feminino. No âmbito do seu efectivo discente, é de relevar o acréscimo de alunos, que no seu todo, correspondem a um efectivo aproximado de 45 % de novos alunos, da totalidade dos 608 alunos que iniciaram o ano lectivo. Este aumento significativo de alunos foi o primeiro grande desafio colocado ao Colégio Militar, sob o ponto de vista operativo e logístico, ao qual temos respondido pela assunção de novos modelos e processos internos. Ao nível das designadas novas realidades no Colégio Militar, o 1º Ciclo encontra-se no segundo ano da sua implementação. Sendo o 1º Ciclo um tempo e um espaço, em que os alunos iniciam e desenvolvem saberes chave e estruturantes das suas personalidades e desempenhos futuros, estamos claramente numa fase de iniciação dos seus processos educativos. No entanto, refira-se que os nossos alunos mais pequenos, como por vezes os caracterizamos, já são parte integrante do nosso Colégio, sendo visível uma atitude e uma vontade de crescimento no sentido de se virem a constituir uns verdadeiros Meninos da Luz. Para eles, alunos, mas também para todos, nomeadamente para docentes e auxiliares de acção educativa, o nosso profundo reconhecimento por toda a dedicação e entrega a esta realidade que passou a integrar o projecto educativo do Colégio Militar. No que se refere à relação do regime de fre-

quência interno-externo e ao ensino misto, cientes de que são universos diferenciados do tradicional formato pedagógico do Colégio Militar, o projecto educativo tem sido caracterizado por uma visão mobilizadora e integradora, nomeadamente nos referenciais da organização de matriz militar que caracteriza o Corpo de Alunos do Colégio Militar. Têm sido, igualmente evidentes, os progressos no processo de integração no espaço escolar, em que a designada diferenciação de género tem encontrado um crescente esbatimento. Ainda no espaço escolar, começa a ser visível uma nova abordagem para a relevância dos resultados escolares, tanto no sentido de reforçar o prestígio do Colégio, mas também para garantir as desejadas opções académicas e profissionais dos nossos alunos. Apesar da sua centralidade, não é uma responsabilidade exclusiva dos alunos, sendo igualmente relevante o papel dos professores, pais e encarregados de educação num designado quadro de partilha responsável e de convergência de objectivos educativos. Uma palavra muito especial para TODOS, em especial para docentes, formadores, pessoal auxiliar de educação e apoio, mas sobretudo para alunos e alunas, pelo percurso que têm estado a efectuar. É na assunção deste quadro de evolução que o Colégio está a percorrer o seu caminho, pelo desenvolvimento de um modelo formativo que continue a encontrar nos valores do respeito pelo outro, da união e da camaradagem, a referência da sua divisa “UM POR TODOS, TODOS POR UM”. É este o desígnio que nos move. Formar as futuras gerações é um dever ético e civilizacional que a todos compete.


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Comunidade Colegial, Alunos do Colégio Militar, Num quadro de crescente exigência, ser aluno do Colégio Militar não é seguramente uma opção pelo facilitismo. Antes, exige capacidade, esforço e trabalho, e só pela conjugação do estudo, com boas atitudes e comportamentos será possível alcançar os objectivos, individuais e colectivos. Ser aluno do Colégio Militar é sobretudo uma opção de acreditar na vontade, no orgulho e na entrega a um projecto educativo de referência na sociedade portuguesa. O Colégio Militar é os seus alunos. A vós, TODOS, e em especial aos alunos graduados pela relevância que tem no projecto educativo do Colégio Militar, deixo aqui uma palavra pública de reconhecimento pela forma como têm estado a lidar com o processo de reestruturação, nomeadamente por toda a entrega que têm colocado no seu sucesso. Aos Oficiais, Professores, Sargentos, Praças e Civis cumpre-me o dever e a justiça de reconhecer o esforço, a dedicação e o profissionalismo que diariamente colocam do melhor de si ao serviço do nosso Colégio, exortando-vos a que continuemos, todos, a trabalhar no desígnio de elevar os padrões de aprendizagem dos nossos alunos, bem como na melhoria dos indispensáveis processos de apoio administrativo e logístico. À Associação de Pais e Encarregados de Educação e à Associação de Antigos Alunos o nosso reconhecimento pela prestimosa colaboração que têm manifestado, na assunção do quadro de partilha e cooperação que tem caracterizado a comunidade colegial a que todos nos orgulhamos de pertencer.

A terminar, dirijo-me particularmente a vós, Alunos do Colégio Militar Amanhã será um dia relevante nas vossas vidas. Ides mostrar na principal Avenida de Portugal, a Avenida da Liberdade, o orgulho e o garbo de ser aluno do Colégio Militar e da farda que ostentais. Façam-no como sempre, cumprindo o legado dos vossos antecessores. O vosso olhar e a vossa galhardia reflectem a imagem e o valor do Colégio Militar, Instituição secular que sempre soube dignificar Portugal. Sempre foi e assim será. Termino agradecendo a presença de todos os que se dignaram assistir a esta singela cerimónia, onde uma vez mais relevo as mães, pais e antigos alunos aqui presentes, pelo particular significado que transmitem a todas as cerimónias e actividades deste Colégio. A nossa homenagem, parabéns ao Colégio Militar por mais este seu aniversário.» Na sequência desta alocução, tomou o General Chefe do Estado Maior do Exército a iniciativa de usar também a palavra, tendo-se dirigido a todos os presentes nos seguintes termos. «Excelentíssimo Senhor Tenente-General Rocha Vieira, Chanceler das Antigas Ordens Militares Excelentíssimo Senhor Tenente-General Comandante da Instrução e Doutrina Excelentíssimos Senhores Oficiais Generais, no Activo, Reserva e Reforma Excelentíssimos Senhores representantes do Comandante-Geral da Guarda Nacional Republicana e do Director Nacional da Polícia de Segurança Pública Senhores Adidos Militares de Países Amigos Excelentíssimos Senhores Presidentes das As-

sociações de Antigos Alunos e de Pais e Encarregados de Educação dos Alunos do Colégio Militar Ilustres Autoridades Civis, Judiciais, Académicas e Militares Ilustres Autoridades e Entidades convidadas Excelentíssimo Director do Colégio Militar Militares, Corpo Docente, Funcionários Civis e Alunos do Colégio Militar O Comandante do Exército manifesta a sua particular satisfação em se associar à celebração do dia festivo desta Instituição secular, cujo reconhecido prestígio e valor têm contribuído também, em muito, para o prestígio do Exército. Ao longo de um extenso e notável percurso, neste Colégio se têm cultivado os mais nobres valores éticos, morais e institucionais que têm moldado o temperamento e o carácter de milhares de alunos, que muito contribuíram para o desenvolvimento do país, tantas vezes integrando a elite dirigente. A par de uma formação académica de elevada qualidade, tem sido igualmente dada particular atenção à componente cívica, à educação física e à formação militar dos seus alunos, o que tem permitido preparar cidadãos bem formados e úteis à Sociedade. Os prestimosos serviços prestados pelo Colégio Militar têm merecido o reconhecimento nacional e internacional, materializado nas dezanove condecorações com que já foi distinguido, o que muito ilustra os seus membros e a Instituição Militar. A realidade do presente, marcada pelas transformações em curso nos Estabelecimentos Militares de Ensino, exige capacidade de adaptação sem adulterar o essencial da Instituição. Estas transformações iniciaram-se no ano lectivo transacto com a implementação do 1º ciclo, passando o Colégio a garantir os três ciclos do Ensino


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Básico e Ensino Secundário, num sistema de ensino misto, masculino e feminino, em que o regime de frequência, externato ou internato, a partir do próximo ano lectivo, será estendido a todos os alunos. Na decorrência destas alterações, torna-se necessário levar a efeito um conjunto de requalificações de base, que incluem a construção de novas infraestruturas. Neste sentido, foi elaborado um plano director de infraestruturas para o quadriénio 2014-2017, decorrente do qual já se verifica a construção do edifício para internato feminino, que deverá estar concluído até final de Setembro do corrente ano. Por se entender que a prática de educação física é um dos referenciais do projecto educativo do Colégio Militar, constituindo-se como elemento diferenciador da sua oferta educativa relativamente aos estabelecimentos públicos de ensino básico e secundário, seguir-se-á a edificação de um pavilhão gimnodesportivo. Estes são passos necessários para que o Colégio Militar, onde o internato deverá continuar a ser um forte elemento diferenciador do seu projecto educativo, a par com as actividades de complemento curricular disponibilizadas, permita reafirmar um projecto educativo de matriz militar e de grande exigência no panorama do sistema de ensino nacional. As tarefas que se antecipam são complexas, exigindo grande sensibilidade, criatividade e capacidade de inovação nas soluções que forem sendo encontradas. Porém, o Chefe do Estado-Maior do Exército, reconhecendo a competência, o empenhamento e o dinamismo das sucessivas gerações que têm vindo a servir o Exército, no Colégio Militar, expressa a sua inequívoca confiança e optimismo no futuro, com a consciência de um presente de excelência e de sucesso no ensino à responsabilidade deste Colégio, que continuará a pugnar, deste modo, pela permanente dignificação e prestígio do Colégio Militar, do Exército e de Portugal. Cabe aqui naturalmente uma palavra de incentivo, de ânimo e de serenidade a todos quantos servem nesta nobre casa, docentes e discentes, militares e funcionários civis, aqui representados na pessoa do seu Director, num momento em que se atravessa um processo de transformação quer ao nível do Exército, quer ao nível do Ensino, que muito se reflecte na vivência, nas práticas e no funcionamento dos estabelecimentos militares de ensino, sem que contudo seja afectada a sua excelência, característica que os distingue e eleva no panorama geral dos estabelecimentos de ensino público nacionais.

Releva-se, ainda, o esforço desenvolvido na formação de várias gerações de alunos estrangeiros, designadamente alunos oriundos de Países de Língua Oficial Portuguesa, granjeando, desta forma, prestígio para o Colégio e para a Instituição Militar, e servindo o interesse nacional. Neste dia festivo, não quero deixar de trazer à memória duas figures ilustres e de referência para o Colégio, nomeadamente: o Marechal António Teixeira Rebello, fundador do Colégio, expressão de um “querer” determinado e de um “saber” consistente e persistente que, geração após geração, consolidaram o Colégio Militar enquanto casa de valores, de que muito nos orgulhamos e a quem prestamos justo tributo; e Afonso de Albuquerque, Patrono do Colégio, referência nacional que representa o farol orientador que os alunos desta casa devem seguir, em respeito pelas suas qualidades como estratega militar e capacidade como diplomata, e pela defesa constante dos valores morais e pátrios. Militares, Corpo Docente, Funcionários Civis e Alunos do Colégio Militar É com particular satisfação que o Comandante do Exército, neste dia festivo, saúda os militares e civis que prestam serviço no Colégio Militar, e que, com o seu saber, vontade e competência, participam, de forma directa ou indirecta, na formação dos seus alunos, e perpetuam a nobreza da missão educativa deste Estabelecimento Militar de Ensino. De igual modo, é de realçar a acção que a Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar tem vindo a desenvolver, de há longa data, na “consolidação e fortalecimento dos laços de solidariedade” entre os Antigos e os Actuais alunos do Colégio Militar, e de felicitar a Associação de Pais e Encarregados de Educação dos Alunos do Colégio Militar, recentemente eleita, na certeza da relevância que poderá ter no apoio aos alunos e também à Direcção do Colégio. Aos alunos, razão de existir do Colégio Militar, uma palavra de incentivo e de confiança no futuro e que continuem a ter presente a divisa “UM POR TODOS, TODOS POR UM”, garante dos valores desenvolvidos e consolidados ao longo de gerações. A todos, reafirmo o orgulho do Exército em ter como seu um Colégio que, ao longo de mais de dois séculos, tanta honra e prestígio tem trazido ao Exército e a Portugal.» As cerimónias nos Claustros concluíram-se com a atribuição de condecorações a militares e civis em serviço no Colégio e aos Alunos que mais se distinguiram no ano lectivo passado na Educação Física, na Esgrima, na Equitação e na Instrução Militar.

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Foram condecorados: Major Sérgio Nuno Silveira Castanho - Medalha de Mérito Militar, 2ª Classe; Capitão João Paulo Vilar Souto - Medalha de Mérito Militar, 3ª Classe; Sarg-Ajudante Vítor Manuel Antunes Rodrigues - Medalha de Mérito Militar, 4ª Classe; Major José Manuel Afonso da Costa - Medalha D. Afonso Henriques, 2ª Classe; Tenente Susana Rodrigues Melo - Medalha D. Afonso Henriques, 3ª Classe; Tenente José Carlos Festas Rodrigues de Azevedo - Medalha D. Afonso Henriques, 3ª Classe; Cabo Adjunto Nuno Miguel Barreiros Luzia - Medalha D. Afonso Henriques, 4ª Classe. Seguiu-se a entrega dos prémios aos Alunos que mais se distinguiram no último ano em diferentes modalidades desportivas e militar: Aluno 152, Gonçalo Fontes de Sousa - Prémio Educação Física; Aluno 270, Gonçalo Jorge Costa Alves - Prémio Esgrima; Aluno 41, João Fernandes Faia Pinto Colarinha - Prémio Equitação; Aluno 198, José Pedro Ribeiro Gomes - Prémio Instrução Militar.


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Finda a atribuição de condecorações e de prémios, seguiu-se o desfile do Batalhão, passando para o exterior do Colégio através do átrio de entrada, aí prestando continência ao Fundador, como determinado em Ordem de Serviço colegial de Março de 1903, seguindo-se a continência ao General Chefe do Estado Maior do Exército, postado no jardim e rodeado por todas as altas individualidades que assistiram às cerimónias. Também aí postados estavam todos os alunos e alunas do 1º ciclo (Escola Primária, como se dizia no meu tempo), para irem aprendendo e desenvolvendo a vontade de vir a pertencer ao Batalhão Colegial. No Domingo, de novo tivemos um dia com um tempo maravilhoso. O céu não podia estar mais azul, nem o sol mais radioso. São Pedro quis associar-se à nossa festa, não sei se foi o Capelão que fez alguma prece especial, ou se foi tudo obra do acaso. Se assim foi, acho que nos podemos considerar uns sortudos.

Chegado cedo ao Marquês já fui aí encontrar uma pequena multidão à espera do Batalhão, com a impaciência própria de quem aguarda um grande acontecimento. E o desfile anual do Colégio, Avenida abaixo, é para todos nós um grande acontecimento, que se repete todos os anos, sempre igual e sempre diferente. Para os Alunos, em especial para os graduados, que vão em local de destaque, é o seu «passeio da fama», são aqueles minutos mágicos em que nada lhes custa, nada os cansa, indo aparentemente a flutuar no ar, inebriados pelo ruído dos aplausos e dos sonantes gritos de Zacatraz, entoados pelos Antigos Alunos, que se vão repetindo Avenida abaixo. Não marcham com destino aos Restauradores, o seu destino, neste dia muito especial, é a «Glória», que os espera lá em baixo. Poucos anos após eu sair do Colégio, quando o 3 de Março se celebrava no seu próprio dia de calendário, o desfile deixou de se

fazer na Avenida, onde dava uma perturbação enorme, devido ao seu encerramento ao tráfego, passando a fazer-se, em Belém, na Praça do Império, em frente aos Jerónimos. Não era a mesma coisa. Felizmente esta situação foi de pouca dura, tendo de seguida o desfile voltado a fazer-se ao Domingo, de novo na Avenida. Penso que isto se passou no período em que o Director do Colégio foi o General Jaime Banazol, ainda hoje recordado com saudade. Foi uma medida sábia. Não sendo o desfile num dia normal de trabalho, muitos mais familiares e Antigos Alunos se podem associar ao mesmo. Até dá para alguns virem de longe, como é o caso de Antigos Alunos, que descem neste dia do Porto à capital da «Mourama», sendo que este ano até me encontrei com um que trouxe dois rapazitos seus netos a reboque, para que eles possam perceber o que representa aquela pequena barretina que o avô traz sempre pregada na lapela. Só lhe falta dormir com ela no pijama. Após uma pequena espera, à conversa e aos abraços, ao fundo do Parque Eduardo VII, lá vimos aparecer os autocarros carregados de fardas cor de pinhão e de gola verde, á moda das unidades de Caçadores do antigamente. O pessoal desembarcou, dirigiu-se ao local da formatura, retirou as bainhas das baionetas e formou por Companhias. Apresentadas as Companhias ao Comandante de Batalhão, que continua a andar infelizmente isolado, por lhe terem retirado o seu ajudante, ficou tudo pronto para se dar inicio à função. A função iniciou-se com a requinta a tocar o sinal distintivo do Colégio, que foi o sinal para o inicio do canto do Hino do Colégio, não só pelo Batalhão Colegial, mas também pelo «Batalhão» dos Antigos Alunos, ali presente com o seu Guião. Foi então que reparei que estávamos a ser filmados a partir de um pequeno «drone» que sobre nós pairava. Na véspera já tinha também andado a pairar sobre o Colégio. Não sei quem andará a espiar-nos, não temos nada a esconder. Terminado o Hino do Colégio, foi a vez da incorporação do Estandarte Nacional na formatura. À voz do Comandante de «avance o Estandarte Nacional», o mesmo avançou, o Batalhão apresentou armas e tocou-se e cantou-se o Hino Nacional, de modo a ser ouvido e bem ouvido, pelo Parque Eduardo VII acima e pela Avenida abaixo. É este o doping que usamos, para depois podermos acompanhar e incitar o Batalhão pela Avenida abaixo. Findo o Hino Nacional lá arrancámos a correr, Marquês fora, à procura da melhor posição no topo da Avenida, para gritarmos o primeiro


212º Aniversário do Colégio 3 de Março de 2015

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©Fotos Leonel Tomaz

Zacatraz. O Batalhão contornou o Marquês, ao som de marchas marciais da banda do Exército, que o antecedia, e chegou ao topo da Avenida, que a partir desse momento passou a ser só nossa. Desconfio que o São Pedro, que nos brindou neste dia com uma manhã radiosa, não terá resistido a dar lá de cima uma espreitadela, para ver o que é que podia estar cá em baixo a originar tamanho alvoroço. Se o fez, deve ter gostado do que viu, deve ter sorrido e deve ter dito para si próprio «Lá vão eles outra vez». Marchei Avenida abaixo, com mais alguns gerontes do meu tempo (já não dá para correr aquela distância), acompanhando a nossa bandeira. Ao chegar ao monumento aos mortos da Grande Guerra, dei um suspiro de alívio, estava lá um General a receber a continência do Batalhão. Dias antes tinha corrido o boato que o ministro da Defesa poderia lá estar. Eu tinha dito que seria uma muito má ideia, pois as coisas poderiam dar para o torto. Felizmente não apareceu, não ficando a nossa festa ensombrada. A partir do monumento acelerei para poder chegar primeiro aos Restauradores e ver lá de baixo a imagem de conjunto do Batalhão a descer a Avenida. É uma imagem única, aqueles que nunca a viram não percam no próximo desfile a oportunidade de a ver, não ficarão de certeza decepcionados. Nos Restauradores esperava-me uma cena dolorosa e comovente. Dei de caras com a mulher de um camarada do meu curso, o Francisco José Ferreira de Bastos Moreira (185/1955), que o tinha trazido ali, de cadeira de rodas, para ver passar o Batalhão. Apesar de gravemente doente ali estava ele, reconhecendo ainda os vários camaradas de curso que ali estávamos e mostrando, embora a custo, a sua satisfação. A mulher dele é filha de um falecido Antigo Aluno que foi professor do Colégio e é Antiga Aluna do Instituto de Odivelas, está tudo dito. Pela primeira vez na minha vida de Antigo Aluno não trepei ao monumento dos Restauradores. Deu apenas para ficar pendurado num candeeiro, tendo apesar de tudo uma boa visão sobre o local de passagem do Batalhão, que desfilou com todo o garbo, apesar de haver alguns ratas a dar sinais de cansaço. Era natural, o tempo estava quente e a emoção era muita. Após os minutos de espera usuais lá começámos a vislumbrar ao longe a escolta, descendo de forma imponente a Avenida a meio galope, perseguida por uma chusma de Antigos Alunos mais novos, que teimam em espicaçar o cavalo do cerra-fila. Como de costume houve uns quantos cavalos assustados, que começaram a não obedecer aos cavaleiros e alguns empinan-

ços de cavalos, que felizmente não acabaram em quedas. Pode-se dizer que mais uma vez se cumpriu condignamente a tradição. Aqui chegados, perguntarão os leitores que me acompanharam até este ponto. E as meninas, portaram-se bem? Posso dizer, que quanto às meninas, que são cerca de cento e setenta, não se deu por elas. Se não fossem os carrapitos dos seus cabelos a espreitarem por baixo das barretinas, não diríamos que ali estavam. Acho que não lhes posso fazer maior elogio, apesar de eu continuar a dizer que preferia vê-las num desfile do Instituto de Odivelas. No largo de São Domingos houve a concentração habitual de Antigos Alunos, familiares e mirones e a habitual corrida à ginjinha. Este fenómeno tem evoluído. O pessoal agora em vez

de comprar copinhos de ginjinha, compra às garrafas, acompanhadas por conjuntos de copinhos de plástico, que trás para o exterior do botequim, para consumo na via pública com os amigos. Isto há uns anos atrás dava prisão. Da forma habitual celebrou-se a missa em São Domingos, com a Igreja repleta com as Entidades e com a Família Colegial a que se associam inúmeras pessoas anónimas e que “lutam” para conseguir assistir a esta cerimónia religiosa-militar, cerimónia que correu com a maior solenidade sendo celebrada por D. Manuel Linda, Bispo das Forças Armadas, coadjuvado pelo Pároco de São Domingos Victor Manuel Fernandes Gonçalves e pelo Capelão Militar do Colégio Diamantino Júlio Custódio Teixeira. De salientar a excelente qualidade do Coro Colegial durante toda a celebração, das vozes solistas de muito jovens Alunas e Alunos que ecoaram cristalinamente na imponência das paredes


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212º Aniversário do Colégio 3 de Março de 2015

©Fotos Leonel Tomaz

da velha Igreja, do magnifico desempenho da orquestra composta por um conjunto de umas dezenas de Alunas e Alunos também eles muitos jovens e bastante talentosos, que de modo brilhante acompanharam toda a celebração. Mais uma vez uma referência para a actuação da Fanfarra do Exército do Centro de Tropas Comando da Carregueira. A execução dos diversos toques, enchem todo aquele magnífico espaço com as notas saídas dos instrumentos de sopro e percussão, causando um grande impacto, fazendo com que se recorde o passado e dando confiança para o futuro. Ao fim da tarde lá voltámos ao Colégio para o jantar da praxe e este ano para homenagear o «Moca». Foi descerrada uma placa com a caricatura do «Moca» numa parede do edifício do internato, ficando assim assinalada a sua presença

no local onde durante muitos anos trabalhou. Não cairá no esquecimento. Como nota dissonante desta pequena cerimónia, apenas os desafinados toques de clarim de acompanhamento da mesma. Se eu o notei, não tendo qualquer ouvido para a música, o que diria o «Moca», que foi corneteiro? Quanto ao jantar foi o habitual, mas que nós não queremos ver alterado: caldo verde, amarelo e arroz doce. É o que basta para nos deixar satisfeitos. Se querem saber a minha opinião sobre o jantar, socorro-me da clássica frase usada pelos oficiais de dia com pouca imaginação «bom, abundante e bem confeccionado». Talvez para a próxima me ocorra algo melhor. Para o ano há mais. É só esperar uns doze mesitos.


100 Anos do Moca Entrevista inesquecível

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Moca 100 Anos do

Entrevista ao inesquecível

Moca (Cândido Gomes Alves) Conduzida por Roberto Ferreira Durão (15/1942)

«I had a dream» assim disse Martin Luther King, sonho que até hoje ainda não se realizou como ele desejava. Como ele também eu tive um sonho, bem diferente, mas tão nítido e claro que quase me pareceu real: Imaginem, sonhei que estava entrevistando o Moca! Podereis dizer: - Este Roberto Durão é louco, entrevistando alguém que já cá não está. Têm razão. Assumo essa "loucura", mas entendamo-nos: - Será loucura amar humanamente o que é Bom, Belo e Eterno?... e entrevistar um homem singular que não morreu, só partiu pois foi e permanecerá um símbolo como alguns outros houve (como o cabo 20, o Rama-

«Morreu o Moca! Viva o Moca!»

15 Robd. - Que pensas de tudo isto, Moca, desta grande mudança que o nosso Colégio está sofrendo?

Com ou sem revoluções Só um clarim ele toca: O da Honra e Lealdade Porque o Moca é sempre o Moca! E a nós, Meninos da Luz Que no Colégio cumprimos Seu exemplo nos conduz: Também, como ele, O servimos. E aprendemos a dizer A palavra Camarada, Com alegria e prazer, Sem ter por detrás mais nada.

Moca - Aqui onde estou, perto do nosso Marechal, penso que todo esse mundo e, nomeadamente, o nosso país e a Europa, anda um pouco confuso e louco (da loucura errada, não da humana e divina), e talvez bastante à deriva sem saber bem o que faz ou o que quer para o futuro. No entanto, aproveito para te confessar, com toda a sinceridade, que o Colégio nada me deve. Eu é que tudo devo ao Colégio. Se procurei servir esses jovens "guerreiros de Liliput" foram eles e a magia e mística dessa Casa impar que me fizeram saber servi-la e amá-la pois acho que Servir e Amar são uma e a mesma coisa (nem todos o compreendem assim). Lembro-me de uma frase de Tereza de Calcutá «Quem não vive para Servir, não serve para Viver». É curioso mas tenho de o dizer que enquanto servi aí, (apesar da minha falta de cultura) consegui educar um filho que veio até a ser professor de Matemática do Colégio. Outra forma de o servir também. Mas, adiante. Penso que haverá por aí, realmente uma certa crise que se reflecte no Colégio Militar que não é nem pode ser uma ilha isolada. Mas espero bem que saberá superá-la como o fez noutras alturas piores e que sempre soube ultrapassar e vencer man-

lho, etc.) que amaram e serviram esta Casa da Luz como poucos? Sim, sou "louco", como eles foram (oxalá outros, como eles, voltem a surgir neste Colégio). Até talvez, um dia, me atreva a entrevistar (ciclópica tarefa!) o próprio Fundador, Marechal Teixeira Rebelo... só não sei bem se cá, ou já lá os dois. On verra! Decerto leram, se não todos, pelo menos alguns, no nº 196 (Jul/Set2014) do nosso ZacatraZ, o meu artigo "Gerónimo" onde pretendi, nas entrelinhas (espero que tenham percebido) atingir, uma ou outras pessoas, e não só associar esse carismático e quase lendário índio das pradarias planas e rochosas das Américas com o grito dos páras e o nosso zacatraz. Mas, aí tendes pois esta estranha entrevista.


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100 Anos do Moca Entrevista inesquecível

tendo-se no seu rumo e fiel aos seus Valores essenciais. O Fundador e o Código dos Meninos da Luz ficaram gravados em letras de fogo e sangue. Que mais queres que te diga? 15 Robd. - Gostaria que me dissesses mais objectivamente o que pensas sobre esta mistura de rapazes e raparigas que conseguiram cozinhar e logo no Colégio Militar. Moca - Vou tentar dar-te a minha opinião sincera embora não me seja fácil pois aqui, noutro patamar de reflexão e observação não me é permitido, contudo, prever exactamente o futuro. A vida por aí e os acontecimentos dela são o que são com os próprios erros que os homens tecem e nem sempre são aquilo que desejaríamos que fossem. Há que aceitar embora discordando os múltiplos disparates que alguns fazem. «Errare humano est». Bolas!, até na minha ignorância algum latim aprendi dos miúdos e de alguns professores». Acontece que muitas vezes é com os próprios erros de certos homens que a Humanidade aprende e avança. Assim devia ser. Parece-me, embora com algumas dúvidas, que essa mistura de rapazes e raparigas poderá naturalmente descaracterizar, um pouco, mas nunca destruir o Colégio Militar, como alguns supostamente pretendem. Há que haver bom senso, ponderação, poder de inteligência e adaptação, respeitando e mantendo sempre o Essencial, separando este do trivial e factual que poderá mudar mas sempre com o devido controlo e minimizando ou anulando aquilo que se desviar das normas educativas que o Colégio sempre seguiu. A mística dessa Casa da Luz, acho que jamais alguém manchará ou destruirá, mas é necessário o esforço de todos e uma atenção e prudência permanentes. Fizeram-se sem dúvida muitos disparates no ensino e de uma forma atabalhoada e irresponsável. Não se pode admitir que tenham fechado o Instituto de Odivelas, estabelecimento de elevado valor, mais que centenário e com provas de serviço prestados à Pátria. Que irão fazer do edifício ou Convento que era a sua Casa Mater? Não consigo entender e creio que ninguém me sabe dizer ainda, ao certo. Que raio de democracia é essa em que viveis onde apenas os senhores do poder e da

governação fazem como querem e lhes apetece, negando-se a ouvir aqueles que poderão apresentar melhores soluções. Não, isso cheira-me mais a uma ditadura de interesses, uma ditadura talvez pior porque mascarada de democracia e falsa liberdade que se vai transformando em pura rebaldaria. Mas procuremos distinguir com sabedoria e calma: O nosso Colégio permanece nos seus Valores mais autênticos mesmo que juntando rapazes e raparigas nas aulas teóricas ou práticas, nos estudos, nas formaturas e na ordem e disciplina que as próprias raparigas parecem aceitar tão ou melhor, porventura, do que os rapazes. Mas a meu ver em regime de externato, entenda-se, nunca colocando ou construindo um internato para elas dentro do espaço do Colégio. Isso me parece um perfeito absurdo. No primeiro caso, ou seja externato poderá até constituir um desafio salutar para o Colégio. Mas atenção, terão de haver normas e regras iguais para todos, rapazes ou raparigas. Elas trazem até uma nota de Beleza, Bondade, Senso, Equilíbrio e Determinação que bem se coaduna com a Coragem, Brio, Dignidade e Honra dos nossos rapazes. Daqui de cima vislumbro com agrado a determinação e correcção como as raparigas marcham, ao lado deles, com a mesma altivez e orgulho, ganhando jus a serem consideradas Meninas da Luz, mas também observo uma coisa que me faz certa confusão. Vejo algumas dessas bonitas e aprumadas raparigas com rabos de cavalo algo crescidos. Têm de ser mais curtos, não descer senão um pouco abaixo da nuca ou então usarem todas o cabelo enrolado tipo carrapito. E acho que nunca serão permitidos o uso de "piercings" ou quaisquer tatuagens, meu Deus! Que se mantenham as tradições genuínas e válidas do Colégio, de carácter histórico e patriótico, evocativo, como o primeiro de Dezembro e também as pinturas por altura do Natal, sem exageros, e a subida ao topo da cúpula pelos finalistas, colocando na cruz o capote e a barretina, como despedida. Tudo isso se pode e deve manter. Mas chamo a atenção para uma coisa que julgo muito importante: QUE SE ACABEM DE VEZ COM TODAS AS PRAXES estúpidas, inadequadas ou violentas. Que cada um mantenha a sua dignidade e género, nunca se pretendendo masculinizar

as raparigas, nem tampouco feminizar os rapazes. E já agora, só para desabafar um pouco, apetece-me dizer isto. Esses tais pretensos senhores do poder esquecem-se que os governos passam, mas o Colégio fica. Poderá mudar na aparência mas não muda nos princípios nem na alma. Sabes, por vezes penso que seria bom que alguém, ou um bom cavalo lhes desse um forte coice nos miolos, mas parece que já nem cavalos nem homens há para isso, apenas umas "pilecas" mas muito bem "arreadas" e bem falantes. Lembrei-me agora disto porque no princípio da minha colocação no Colégio Militar, como soldado, ao limpar um cavalo não me livrei de apanhar um coice de raspão (quase em cheio) na cara. Só me fez bem embora ficasse com o nariz como um trambolho. Por isso os miúdos (ah, que saudades!) me chamavam o Moca. Como me lembro bem de ti: eras o 15, o "macaco" mais novo da troika (é assim que agora se diz, não é?) dos três "macacões" com o 11 e o 17, todos bons desportistas. Eras um bom refilão e traquinas, nunca paravas quieto e às vezes tu, como outros marotos, me chateavam tapando a saída de ar do clarim (quase me partiam os dentes) quando eu ia tocar à alvorada ou às formaturas para o banho, ou para as refeições (no toque de Silêncio, o grande Mestre era o cabo Estrela. Até nos fazia chorar. Um artista!). E agora, quando eu estava lá em cima, tão descansado vens-me tu chatear com esta entrevista. Vá, diz-me lá se tens mais alguma pergunta a fazer. Se não te souber responder levas um chuto como apanhaste alguns, e sempre a propósito, e "avio-te" de cá de cima lá para baixo, em dois tempos. Não te vais esborrachar porque algum alienígena ou anjo te agarrarão no espaço... Pior é se for um «diabo com asas». Não Moca. Não te chateio mais, podes ficar descansado e em paz. Tu nos disseste tudo, ou quase tudo aquilo que precisamos de ouvir e nem sempre sabemos. Bem hajas e até sempre!.


Curso de 1959/1966 Romagem dos 55 Anos de Entrada

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Curso de 1959/1966 Romagem dos 55 Anos de Entrada 7 de Novembro de 2014

Curso 1959/1966 – 55 Anos de Entrada – 7 de Novembro de 2014 ©Fotos Leonel Tomaz

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inquenta e cinco anos depois, nesta Romagem de Saudade do ano de entrada no Colégio, estiveram presentes os Antigos Alunos António Augusto de Melo Gomes Duque (12/1958), Carlos Manuel Mendes Caramês (42/1959), Mário Fernando Gonçalves da Fonseca Ramos (44/1960), João Maria Bensaúde Galhardo (57/1958), António da Câmara Homem de Noronha (72/1959), Fernando Nuno Lamy da Fontoura (75/1959), Joaquim José Arranhado Bação (77/1960), Carlos César Lima da Silva Mota (98/1958), João Manuel Ermida Correia (102/1959), João José Fazenda Gíria (121/1959), António Jervis de Athouguia (137/1959), José António Graça Pereira de Almeida (144/1958), João do Passo Vivente Ribeiro (153/1958), Luís Fernando Lopes Picão Fernandes (158/1959), Júlio Augusto Mauhin Cruz (163/1959), António José Ermida Mano (176/1959), José Manuel da Luz Bravo Ferreira (204/1959), João Carlos Chaves

de Almeida Fernandes (208/1959), Vasco Manual Alves Veiga Morgado (210/1958), Eduardo José Santos Pereira (214/1959), Fernando Delfim Guimarães Tavares de

Almeida (215/1959), Pedro Arantes Lopes de Mendonça (222/1958), José António Fiúza Correia de Sá (228/1959), José Manuel Nunes Salvador Tribolet (230/1959), António Cortez Freire Damião (236/1959), Joaquim Manuel Teixeira Nunes Barata

(239/1959), José Carlos Margarido Lima Bacelar (241/1958), António Manuel Martins Ricardo Romão (276/1959), Luís Abel Magro Moutinho (281/1959), Carlos Manuel Santiago e Costa Esperança (300/1959), Manuel Luís Rodrigues Ferreira Quaresma (303/1959), Carlos Henriques Elias Casanova Burnay (319/1958), José Miguel Guedes Reis Trigoso (324/1959), José Joaquim Restani Graça Alves Moreira (344/1961), António Alexandre Peixoto Mangas (348/1959), João Luís Madeira de Carvalho Igreja (359/1959), Luís Gonzaga Godinho de Abreu Novais (381/1959), Feliciano José Mora Moniz Santos (392/1959), Alexandre António Henriques Bahia dos Santos (448/1958), João Manuel Vinhas Frade (457/1959), Jorge Emanuel Soares Coelho Pote (464/1958), Carlos Manuel Pires Nobre Biscaya (469/1958), Francisco Gualter Rodrigues Carneiro (484/1958), Manuel Pedro Dias Santos (487/1958), Luís Filipe Pereira Fi-


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Curso de 1964/1971 Romagem dos 50 Anos de Entrada

gueiredo da Cruz (489/1958), Raul José Lima Castanha (495/1959), Manuel Bernardo Cid de Oliveira Peixeiro (498/1959), Fernando Neto de Almeida d’Eça (499/1959), António Carlos Lemos Lepierre Tinoco (500/1959), Nuno Manuel Esteves de Fernandes da Luz

(504/1959), Abel Francisco Gaspar Soeiro e Sá (506/1959), Luís Francisco Craveiro Lopes dos Reis (507/1959), António José Pinto Mendes Mourão (514/1959), Fernando Faustino Roque do Vale (518/1959), Manuel Pedro da Costa Pereira Roriz (519/1959),

Curso de 1964/1971 Romagem dos 50 Anos de Entrada 26 de Janeiro de 2015

Curso 1964/1971 – 50 Anos de Entrada – 26 de Janeiro de 2015 ©Fotos Leonel Tomaz

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esta Romagem de Saudade estiveram presentes os Antigos Alunos Adriano Fraxenet de Chúquere Gonçalves da Cunha (2/1964), Joaquim de Calça e Pina Duarte Silva (8/1964), João Manuel Costa Correia de Magalhães (12/1964), Carlos Alberto de Brito Pina (16/1964), José António Benito e Bismarck de Melo (51/1964), Luís Filipe Moreira de Melo de Sampaio (59/1965), Rogério Paulo Salvado de Moura (67/1964), Joaquim Armando da Costa Salazar Braga (95/1964), José António Cruz Martins (105/1964), José Alexandre de Gusmão Rueff Tavares (119/1964), Carlos Jorge Taborda Barata (120/1964), Nuno José Reynolds Telles Pe-

reira (125/1964), Bernando Manuel Ratton Daupias Alves (129/1964), Luís Filipe da Cruz Cordeiro (130/1964), José Nuno do Rosário e Silva Leitão (153/1964), José Manuel Trabulo Espinosa de Seixas (161/1964), Joaquim Manuel Ramos Cavalheiro (177/1964), Jorge Tenreiro Theriaga (199/1964), Manuel Eugénio Moreira de Carvalho Teles Grilo (222/1964), João Manuel de Oliveira Sequeira Marcelino (252/1964), José Luís da Fontoura Canelhas (302/1964), Manuel Luís Moreira Rato Rosa (304/1964), José Pedro Ferreira Milheiriço Marques (311/1964), Carlos Alberto de Morais Neves Brás (320/1965), António Manuel Cruz de Sousa (328/1964), Carlos

António Norton de Matos do Carmo Pereira (522/1959), António Alberto Marujo Silva Banazol (530/1960), Saul António Dias Pascoal (553/1960), Armando Nuno Saraiva Valente Perfeito Canelhas (591/1961).


Curso de 1991/1999 Romagem dos 15 Anos de Saída

Manuel Dias Lima Costa (340/1963), Francisco António Henriques Esteves (363/1964), Francisco José de Melo e Oliveira (389/1964), Carlos António de Lima Duarte Ferreira (398/1964), António Jorge de Jesus Conceição

Grego (405/1964), João Lúcio Nunes Lopes (435/1966), António Manuel Arruda Ribeiro Marques (437/1964), Paulo Artur do Vale Garrido da Silva (462/1964), João Manuel Simões de Carvalho (464/1964), Miguel Ma-

Curso de 1991/1999 Romagem dos 15 Anos de Saída 23 de Janeiro de 2015

Curso 1991/1999 – 15 Anos de Saída – 23 de Janeiro de 2015 ©Fotos Leonel Tomaz

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stiveram presentes nesta Romagem de Saudade os Antigos Alunos Pedro Miguel Martins Ares (47/1990), Hugo Manuel Chalmique Chagas da Silva Lopes (85/1990), Hugo Ribeiro Silva Pugsley Inocêncio (92/1991), Ricardo Jorge de Almada Oliveira Pereira Dias (98/1990), Nuno Filipe Ferreira da Câmara Stone (106/1991), Carlos Manuel Ramos de Almeida Gonçalves (130/1991), João Manuel Canelas Rasquilho Raposo (141/1991), Pedro André Cravo da Silva Garcia Gonçalves (144/1991), Rui Marcelo Teixeira Ramos (167/1990), Filipe Joaquim Coutinho Pires Marques (178/1991), Ricardo Jorge Cardoso da Silva (188/1991), Pedro Miguel Tomás

Silva (189/1991), André Lapão Mendes Alpalhão (193/1991), Bruno Alexandre Esteves Afonso (215/1991), Pedro António Macedo Alves (216/1991), André Bragança Alves Lopes (224/1992), João Fernandes Tomaz Roque Martins (226/1991), Tiago Belo Antunes (256/1992), António Nuno Coimbra e Cruz Vaz Antunes (257/1990), Alexandre Rúben Barrocoso Palminha Janeiro (303/1992), Rui Miguel Marques Pereira (350/1992), Carlos Eduardo Pereira Veloso (420/1991),

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ria Sanches de Miranda Mourão (550/1964), António Orlando da Mota Ferreira Lopes (620/1964), Joaquim Artur da Costa Leite das Neves (626/1965), Júlio José Lavrador Lobo da Costa (627/1965).


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100 Anos de Aviação Militar

Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957

100 Anos de

Aviação Militar Introdução

O

ano de 1914 é em geral associado ao inicio da 1ª Guerra Mundial, assunto sobre o qual muito se falou e escreveu no passado ano. Esse ano foi também um ano importante para Portugal e para as nossas Forças Armadas, pois foi o ano em que nasceu a Aviação Militar que passados cerca de quarenta anos, mais precisamente em 1952, deu origem à Força Aérea Portuguesa. Dada a importância determinante que os Antigos Alunos do Colégio Militar tiveram na criação da Aviação Militar e no seu desenvolvimento ao longo do tempo, considerámos oportuna a apresentação deste artigo, em que se descreve o caminho percorrido até 1914, até à nascença da Aviação Militar, então com a designação de Serviço de Aeronáutica Militar, designação essa que perdurou até ao ano de 1924, em que passou a ser designada por Arma da Aeronáutica Militar (a 5ª Arma), que perdurou, como se referiu, até 1952. A Aviação Militar foi antecedida pela Aerostação Militar, responsável pela utilização de balões ou aeróstatos para fins militares.

A Aerostação Militar O precursor da aerostação militar em Portugal foi o General e escritor militar Augusto César Bon de Sousa, Antigo Aluno do Colégio Militar, onde

ingressou em 1841 com o número 154. Em 1876 publicou um artigo intitulado «Anteprojecto da organização dos telégrafos militares», em que falava da utilização militar dos aeróstatos como meio de observação e de comunicações. Foi preciso passarem 10 anos até se dar a primeira tentativa de organização de serviços aeronáuticos, com a publicação em Ordem do Exército, de 3 de Março (curiosa coincidência) de 1886, do Regulamento da Escola Prática de Engenharia, em que se prescrevia a instrução de aerostação militar no Polígono de Tancos. Foi determinada na altura a aquisição de um parque aerostático, tipo Lachambre, a escolher e recepcionar em França pelo Major de Artilharia Cipriano Jardim, que aí se encontrava à altura com a missão de proceder a estudos sobre balões cativos. Cipriano Jardim, que terminou a sua carreira militar como General de Divisão, era engenheiro civil e bacharel em matemática pela Universidade de Coimbra e foi ele próprio um precursor dos designados «dirigíveis». Em 1885 apresentou à Academia de Ciências de Lisboa um projecto de aeróstato mecânico dirigível, cujo relatório, então entregue no Ministério da Guerra, se encontra no Museu do Ar. O parque aerostático então adquirido era constituído por um balão de 600m3 de capacidade, por um guincho com 500m de cabo e um gerador de hidrogénio montado em carro especial. Este balão teve uma vida efémera, tendo-se rasgado em 1888, em Tancos, ao embater numa árvore.

Tenente Ribeiro de Almeida

A aerostação militar não foi no entanto abandonada, tendo sido criada em 1889, na Engenharia Militar a Inspecção do Serviço Telegráfico de Guerra de Aerostação e Pombais Militares. A título de curiosidade refere-se, que em 1903 o balonista francês Emile Carton, que realizou alguns voos de exibição em Lisboa, dedicou um desses voos ao Exército Português, oferecendo um lugar na barquinha a um representante do Exército. O Comandante da 1ª Região Militar, General Francisco Higino Craveiro Lopes (avô do que seria mais tarde Presidente da República e


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Balão Spencer em Tancos.

Marechal da Força Aérea, Francisco Higino Craveiro Lopes, ingressado no Colégio Militar em 1904, com o número 27) aceitou a homenagem. O oficial escolhido por sorteio foi o Alferes de Infantaria Manuel Luís dos Santos. O voo teve partida do antigo Jardim Zoológico (actual Fundação Gulbenkian), durou duas horas e 20 minutos e terminou na margem Sul do Tejo, para onde o balão foi impelido pelo forte vento que nesse dia se fazia sentir. O Alferes Manuel Luís dos Santos ficou entusiasmado por este voo e tornou-se um apaixonado pela Aviação. Em 1905 foi enviado em missão à Alemanha o General de Brigada José de Oliveira Garção, que no seu regresso a Portugal propôs a compra de dois balões destinados ao Campo Entrincheirado de Lisboa. Neste mesmo ano, o governo decidiu comprar material aerosteiro, por meio do Ministério da Marinha e do Ultramar, a fim de acompanhar a expedição ao Cunene no Sul de Angola. Admite-se que esta decisão tenha sido inspirada pelos resultados obtidos com os balões anos antes na guerra do Transval. Como o material só chegou a Portugal dois anos depois, após o final da campanha do Sul de Angola, o seu destino deixou de ser o previsto. Em 1907 fizeram-se em Tancos várias experiências com êxito relativo, nas quais tomou parte entusiasticamente e a seu pedido o Tenente de Engenharia, da Companhia de Telegraphistas de Praça, Pedro Fava Ribeiro de Almeida, que era Antigo Aluno do Colégio Militar (164/1892). O voluntarioso tenente auxiliou na realização das ascensões e no prévio enchimento dos balões,

operações estas que foram dirigidas pelo próprio construtor dos balões, o engenheiro britânico Spencer. Em seguida, na Escola Prática de Engenharia, na então denominada Escola de Aerostação Militar, executaram-se várias ascensões cativas, em que os balões chegaram a atingir os 300m de altura. Na sequência das experiências de Tancos, o Tenente Ribeiro de Almeida elaborou um relatório em que recomendava a introdução de certas alterações nos balões «Spencer», para tornar o material próprio para a instrução, melhorando-se as suas condições de segurança. Face ao parecer do Tenente Ribeiro de Almeida, foi o mesmo enviado em missão de estudo à Alemanha, em 1909, para aí assistir à exposição aeronáutica de Francfort sobre o Meno. Na Ordem do Exército de 26 de Julho de 1909, em que é publicada a nomeação deste oficial, indica-se que o mesmo deve «visitar a alludida exposição e assistir aos subsequentes trabalhos, em que será dado conhecimento dos mais recentes aperfeiçoamentos da aeronáutica, hoje tão importante na guerra». No regresso da sua missão, apresentou o Tenente Ribeiro de Almeida um relatório sobre os balões que experimentara e observara, o que levou a Inspecção dos Serviços Telegráficos Militares a propor a criação de um parque aerostático mais moderno e eficiente. O Tenente Ribeiro de Almeida voltou porém da sua missão transformado em fervoroso adepto da aviação, o que determinou o seu futuro. Em 1911, com a primeira organização militar da República, foi criado o Serviço de Aerostação

e Telegrafo sem Fios e organizada a Companhia de Aerosteiros. Pouco mais tarde esta companhia seria cancelada por falta de verba, voltando posteriormente a ser de novo criada, mas utilizando o antiquado material de que se dispunha. Para o comando desta companhia foi indigitado o já então Capitão Ribeiro de Almeida. O pessoal desta companhia resumia-se ao seu comandante, um oficial subalterno e um soldado impedido. A nomeação do Capitão Ribeiro de Almeida para outra comissão deu origem à extinção temporária da companhia. A aerostação militar continuou a sua atribulada existência até à 2ª Guerra Mundial, em que foram utilizados os então designados «balões de barragem». Criou-se na altura o denominado Batalhão de Balões de Barragem, com sede no Pavilhão dos Desportos em Lisboa, no Parque Eduardo VII. O batalhão dispunha de balões adquiridos em Inglaterra e foi então seu comandante o Capitão observador aeronáutico Carlos Arantes Pedroso, Antigo Aluno 61 de 1911. Terminada a guerra o Batalhão foi dissolvido.

O Aero Clube de Portugal O Tenente Pedro Fava Ribeiro de Almeida quando regressou da sua missão à Alemanha, em 1909, e face ao que aí observou, vinha não só com ideias assentes relativas aos aerosteiros, mas completamente rendido aos aparelhos mais pesados do que o ar, ou seja, aos aviões. Com o que ficou então a conhecer relativamente à


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existência de aeroclubes, decidiu o voluntarioso Tenente congregar um grupo de camaradas e amigos para a criação em Portugal de uma agremiação congénere. Os seus esforços foram coroados de êxito, tendo sido criado, em 11 de Dezembro de 1909, o Aero Clube de Portugal, de que foi o sócio nº 1, sediado numa sala cedida pela Associação dos Engenheiros Civis. O clube contou inicialmente com 17 associados, na sua maioria oficiais de Engenharia. Eram eles os seguintes: Coronel de Engenharia Serpa Pimentel, Capitão de Engenharia Salvador Correia de Sá (241/1885) Visconde de Asseca, Tenentes de Engenharia Ribeiro de Almeida (164/1892), Raul Esteves, Augusto Figueiredo, Duarte Veiga, Silveira e Castro, Francisco Henriques, Rui Ribeiro, Sousa Aguiar, António Schiappa, Tenente de Artilharia Gustavo Tedeschi Correia Neves, Alferes Luís Albuquerque Gusmão e os civis Augusto Esteves Plácido Duro, Henrique Monteiro de Mendonça e Sotero Esteves. O primeiro Presidente do clube foi o Coronel Serpa Pimentel. O clube começou a sua actividade com os melhores auspícios, criou a sua própria revista, com a designação de «Revista Aeronáutica», e muito viria a contribuir para a criação da Aviação Militar em Portugal.

O primeiro voo de um aeroplano em Portugal O primeiro português a pilotar um avião foi o civil Óscar Blanck. Tirou o seu «brevet» de piloto em França, em 1909, ano em que o piloto francês Bleriot fez a sua famosa travessia do Canal da Mancha. No mesmo ano de 1909, no dia 27 de Outubro, em Lisboa, o piloto Armand Zipfel propôs-se voar a partir do hipódromo de Belém, que se tornou assim a primeira pista de aviação em Portugal. Descolou desta pista improvisada, mas não conseguiu mais do que um «salto» de 200 metros de comprimento, a 8 metros de altura, vindo a cair sobre o telhado de uma casa térrea das redondezas, danificando seriamente o seu aparelho. No ano seguinte, em 1910, o francês Julien Mamet foi o primeiro piloto a voar em Portugal,

Hipódromo de Belém

Alberto Sanches de Castro

na verdadeira acepção do termo. No dia 27 de Abril, descolou também ele do hipódromo de Belém e conforme consta do Boletim do Aero Clube de Portugal «depois de descrever um largo circulo a 50 metros de altura no seu Bleriot (tipo travessia da Mancha), sobrevoou a Casa Pia e passando pelo Tejo, regressou ao ponto de partida, onde a multidão entusiasmada lhe dispensou uma calorosa manifestação». Em 1911 o Antigo Aluno do Colégio Militar Alberto Sanches de Castro (219/1898) foi para França, onde recebeu instrução de voo, não tendo no entanto recebido o «brevet» de piloto, por ter ficado sem dinheiro, após ter sido obrigado a pagar um avião de instrução que partira. Regressado a Portugal, realiza no ano seguinte, em 1912, o seu primeiro voo no nosso país, noticiado da seguinte forma na Revista Aeronáutica «Realizou-o no dia 10 de Setembro, o nosso consócio Alberto Sanches de Castro, que de há muito se dedica com entusiasmo ao estudo da aviação, tendo frequentado em França uma escola de pilotagem e organizado no Mouchão da Póvoa um campo de aviação… O aparelho empregado foi um monoplano Voison-Antoinette de 40 CV, o qual tinha já sofrido algumas reparações por se ter danificado em ensaios anteriores. A parte agora aproveitada, do Mouchão

da Póvoa tem de comprimento 1200m e 40m de largura… … . Os voos realizados foram quatro, todos em linha recta, sendo dois no sentido este-oeste e dois em sentido contrário. A maior distância de voo foi de 450m, percorrida em 30 segundos, e a maior altura obtida foi de 5m». Foi o que se pode designar como um «voo rasante». A revista publicava ainda a acta que na ocasião foi lavrada no local e assinada por seis testemunhas. A acta rezava assim: «Nós abaixo assinados testemunhamos ter visto no dia dez de Setembro de mil novecentos e doze, o Sr. Alberto Sanches de Castro, voando em aeroplano à altura aproximada de cinco metros, atravessando parte do Mouchão da Póvoa; e a fim de que este voo, o primeiro realizado por um português em terras de Portugal, em aeroplanos com motor, fique registado, lavramos a presente acta».

Um projecto de lei para criar a Aviação Militar. A 24 de Julho de 1912 foi apresentada na Câmara dos Deputados, pelo tribuno e estadista Dr. António José de Almeida um projecto de lei sobre a aviação militar, precedido de um relatório justificativo, destinado à criação de um Instituto de Aviação Militar e à criação de um aeroporto ou aeródromo nas planícies das margens do Tejo. O relatório referido é bastante interessante, pois revela um conjunto de conhecimentos militares que não seria de esperar num civil, neste caso um médico. O relatório iniciava-se com um conjunto de curiosas reflexões acerca da guerra, que não resistimos a transcrever: «A guerra é uma brutalidade inexorável que por muito tempo ainda infelizmente há-de exercer a sua terrível acção.


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Aos países previdentes que sabem e querem zelar a sua independência compete, pois, tomar todas as precauções para sofrer nas melhores condições possíveis as suas detestáveis consequências». Continua o relatório com as seguintes considerações de ordem geral sobre a aviação militar: «A navegação aérea vai afirmando já hoje o seu extraordinário valor militar, interessando por igual exército e marinha, e revolucionando por completo a exploração táctica e estratégica, os sistemas de transmissão e os próprios métodos de ataque e defesa. Assim como a aparição do submersível autónomo tornou impossíveis certas operações de uso corrente na guerra naval, determinadamente as de bloqueio durante a noite, assim o navio aéreo, simples balão, dirigível, ou aeroplano veio inutilizar por completo velhos sistemas de combate, e abrindo horizontes vastos na Ciência da Guerra, longe se está ainda de prever até que ponto os progressos ulteriores levarão a importância militar de tão audacioso engenho, na sua essência no entanto bem simples e barata». Longe estava o autor do relatório de prever como se tornariam complexos e dispendiosos, um século mais tarde, os aviões de combate e os seus sistemas de armas. Como curiosidade refere-se ainda que o projecto de lei reconhecia a perigosidade da utilização dos designados navios aéreos, pelo que tinha um artigo com o seguinte teor: «Artigo 11º - As famílias dos indivíduos pertencentes ao Exército ou à Marinha, que falecerem ou se inutilizarem por desastre de aviação em serviço do Estado, têm direito à mesma pensão que lhes seria atribuída em face das leis em vigor, como se morressem em Campanha». O projecto de decreto-lei foi admitido à discussão e deu origem a acesos debates na opinião pública, onde se destacou o Aero Clube de Portugal, que reconheceu que a aviação militar tinha de se instituir com urgência. Na sua «Revista Aeronáutica» publicou o seu parecer sobre a questão que terminava assim: «Finalizando diremos pois, que o Aero Clube é da opinião que, o que mais se coaduna actualmente com o estado da aviação militar e ainda com as diferentes condições do nosso meio, é o estabelecimento de uma Escola Prática de Aeronáutica». Como corolário da discussão pública que se produziu, é entregue no Ministério da Guerra um requerimento do Guarda Marinha da Administração Naval, Miguel Freitas Homem, que pretendia fazer parte do grupo de futuros pilotos. Foi o primeiro oficial a oferecer-se para

a Aviação Militar e foi seguidamente o primeiro conferencista que se apresentou em público fazendo entusiástica propaganda da Aeronáutica.

A Comissão de Aeronáutica Militar Dando continuidade ao projecto de decreto-lei do deputado Dr. António José de Almeida, nomeou o Ministério da Guerra, pela Ordem do Exército de 17 de Agosto de 1912, uma comissão que tinha como objectivo o estudo das bases para a criação duma escola de aviação e escola de balões cativos e dirigíveis. A comissão era presidida pelo Tenente Coronel de Engenharia Hermano de Oliveira, Presidente da Direcção do Aero Clube de Portugal, e tinha como vogais os seguintes oficiais: • Capitão de Engenharia Manuel Gonçalves da Silveira e Castro. • Capitão de Engenharia Pedro Fava Ribeiro de Almeida (164/1892). • Capitão de Artilharia Gustavo Tedeschi Correia Neves. • Capitão de Infantaria Luís dos Santos. • 2º Tenente de Marinha Eduardo Cândido Lopes Vilarinho. • 2º Tenente de Marinha Manuel da Cunha Rego Chaves (externo de 1984). A Comissão, com excepção do Capitão Luís dos Santos afastado por doença, lançou-se imediatamente ao trabalho e passado pouco mais de um mês, a 18 de Setembro, apresentou ao Ministério da Guerra um relatório relativo à escolha do tipo de aeroplano a adquirir para o Exército de Terra e de Mar. O relatório elaborado apresentava no seu final, de forma concisa, as suas conclusões que foram as seguintes: «Resumindo, deverão os aparelhos possuir as seguintes características: grande superfície sustentadora, velocidade não inferior a 80 quilómetros à hora, carga útil superior a 200 quilos, ser um bom pairador, número de lugares não inferior a dois, comandos duplos, caixilhos de aterragem permitindo quanto possível que ela se faça em terrenos variados, devendo ainda ser dotados de todas as disposições e aparelhos de segurança que actualmente existem. A título de esclarecimento julga a Comissão satisfazerem as condições referidas os seguintes biplanos: Astra-Wright, Breguet, Henri Farman, Maurice Farman Somer e Voisin (tipo Canard). Por último a Comissão entende, quanto aos hidroaeroplanos, não dispor de elementos sufi-

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cientes para com segurança se pronunciar sobre qualquer modelo, atendendo a que o problema sob este ponto de vista está mais incompletamente estudado do que o aeroplano terrestre. É porém de presumir que dentro em pouco com os importantes concursos que se vão realizar, se consiga obter para ele uma solução satisfatória.» A comissão continuou diligentemente os seus trabalhos, concluindo a 30 de Novembro de 1912, um Relatório Oficial verdadeiramente notável pela sua visão, abrangência, profundidade e rigor. O relatório começava por um conjunto alargado de Considerações Gerais em que se propunha a criação de um Serviço Aeronáutico e de uma «Escola Aeronáutica Militar, compreendendo uma Secção Naval e dispondo de todos os elementos para a instrução dum núcleo de pessoal (pilotos, observadores e mecânicos) e bem assim de pessoal destinado à manobra, preparação e conservação de material existente e a adquirir.» O relatório apresentava as «Bases para a Organização duma Escola Aeronáutica em Portugal» ordenadas de acordo com nos seguintes temas: dos fins da Escola, do Pessoal, da Instrução, das condições para admissão na Escola, das instalações anexas e dependências da Escola Campo de Instrução (aeródromo), aparelhos aeronáuticos (aparelhos de aviação e aparelhos de aerostação) e terrenos para aeródromo. No final do documento apresentava a Comissão a sua recomendação quanto ao local para a escola aeronáutica a criar. Na parte do relatório relativa ao aeródromo a Comissão começa por apresentar um interessante texto, que cremos que constitui a primeira especificação técnica feita em Portugal para a implantação e construção de aeródromos, seguindo-se a apresentação das características de sete locais visitados pela Comissão, com vista à escolha do melhor local para a localização da Escola Aeronáutica a criar. Os sete locais objecto de avaliação foram os seguintes: Mouchão da Quinta do Alfeite e terreno anexo, Polígono de Alcochete, Propriedade do Vale da Vaca (na zona entre a Golegã e a Chamusca), Quinta da Bugalheira (a Norte de Torres Vedras), Campo de Alverca, Várzea de Almargem do Bispo e Várzea da Granja do Marquês e terrenos anexos. Foi ainda sumariamente avaliado o campo de Tancos, anexo à Escola de Aplicação de Engenharia. Terminava o relatório com a recomendação final da Comissão relativa ao local para a instalação da Escola Aeronáutica, que era o campo de Alverca. A 12 de Fevereiro de 1913 a Comissão é louvada colectivamente em Ordem do Exército


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pela «muita competência técnica, patriótica e extrema dedicação com que deu cumprimento à sua missão» e pela «maneira distinta como se desempenhou do seu mandato».

Segunda Comissão de Aeronáutica Militar Poucos dias mais tarde, em Ordem do Exército de 25 de Fevereiro de 1913, é determinada a criação de nova Comissão de Aeronáutica Militar, para o aprofundamento dos estudos feitos para a criação da Escola de Aeronáutica Militar. Pela Ordem do Exército de 7 de Março de 1913 são nomeados para a nova Comissão os seguintes oficiais: Presidente • Tenente Coronel do Estado Maior de Engenharia, Hermano José de Oliveira Júnior. Vogais • Capitão de Engenharia, Manuel Gonçalves da Silveira de Azevedo e Castro. • Capitão de Engenharia comandante da companhia de aerosteiros, Duarte Figueiredo Nascimento Veiga. • Capitão de Engenharia Pedro Fava Ribeiro de Almeida (164/1892).

Aeródromo de Vila Nova da Rainha - Estudo

• Capitão de Artilharia, Gustavo Tedeschi Correia Neves. • Capitão de Infantaria e do serviço de Estado Maior, Genipro da Cunha de Eça Costa Freitas de Almeida. • 2º Tenente de Marinha, Manuel da Cunha Rego Chaves (externo de 1894). • 2º Tenente de Marinha, Eduardo Cândido Lopes Vilarinho. • 2º Tenente maquinista naval, José da Silva Migueis. Esta Comissão incluía seis elementos da Comissão anterior e os três novos elementos seguintes: capitães Nascimento Veiga e Freitas de Almeida e 2º tenente Silva Migueis No final do ano de 1913 a nova Comissão entrega no Ministério da Guerra o produto do seu trabalho intitulado «Estudo acerca da organização e estabelecimento da Escola de Aeronáutica na parte relativa à Aviação». O estudo apresentado era muito pormenorizado, apresentando um quadro orgânico de pessoal, uma relação dos aviões a utilizar e uma estimativa da despesa a efectuar com o estabelecimento da Escola. O quadro de pessoal previsto era composto por 14 oficiais, 30 sargentos e 60 praças, sendo as funções de comando atribuídas a oficiais de Engenharia, com excepção da Secção Naval que ficaria sob o comando de um 1º ou 2º tenente de Marinha. O total de aviões previstos era de 10, sendo 4 destinados à aprendizagem e 6 para tirocínio, incluindo estes últimos 2 monoplanos de 2 lugares, 2 biplanos de 2 lugares e 2 hidroaeroplanos. A despesa total prevista com a instalação da Escola era de 130 mil escudos. A grande novidade deste estudo era a localização prevista para a Escola, que passava a ser em Vila Nova da Rainha. A Comissão indicava que tinha visitado novos locais e que tinha optado por um terreno situado próximo daquela localidade. Indicava a Comissão que «O terreno medindo uma área de 95 hectares, faz parte da propriedade denominada do Queimado, pertencente a António Carlos Machado e está situado entre a linha férrea do Norte e o rio Tejo, aos quilómetros 40 e 41 daquela linha», indicando ainda que o terreno «pela sua situação permite dar-se instrução com os hidroaeroplanos e bem assim utilizar em excelentes condições, como meios de transporte, o rio e mesmo o caminho de ferro, quando porventura se estabeleça junto ao campo um apeadeiro, que servirá também o lugar de Vila Nova da Rainha, que dele pouco dista».

General Pereira d'Eça

Criação da Escola de Aeronáutica Militar Com base no estudo recebido da Comissão, o Ministro da Guerra, General Pereira de Eça (Antigo Aluno 73/1864) apresentou no dia 13 de Março de 1914 à Câmara dos Deputados uma proposta de Lei criando a Escola Aeronáutica Militar. A proposta considerada urgente foi enviada à Comissão de Guerra, vindo a ser aprovada pela Câmara dos Deputados a 22 de Abril e no Senado a 7 de Maio. A 14 de Maio a lei foi publicada em Diário de Governo, sendo posteriormente reproduzida a 18 do mesmo mês na Ordem do Exército nº 12 (1ª Série). A lei foi assinada pelo Presidente da República Dr. Manuel de Arriaga e pelos Ministros da Guerra, General Júlio da Costa Pereira de Eça (73/1864), e da Marinha, Almirante Augusto Eduardo Neuparth. Esta lei é considerada como a «certidão de nascimento» da Aviação Militar em Portugal. A criação da Aeronáutica Militar ficou pois a dever-se aos estudos e ao empenho de um conjunto de distintos oficiais, onde se destacaram os oficiais da Arma de Engenharia, contando com uma contribuição assinalável de Antigos Alunos do Colégio Militar.


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Grupo dos Bisavôs Prémios Eficácia da Comunicação

Grupo dos Bisavôs O

Epílogo A Escola Aeronáutica Militar foi inaugurada em 1 de Agosto de 1916, tendo como comandante o Coronel de Engenharia Hermano de Oliveira. Ficou a Escola instalada em terrenos de Vila Nova da Rainha, arrendados ao seu proprietário. O apeadeiro ferroviário foi construído como previsto, está ao serviço da CP e foi recentemente modernizado. Quando a Aviação Militar deixou as instalações de Vila Nova da Rainha, os terrenos do aeródromo foram devolvidos à sua função agrícola. O edifício do comando da Escola ainda está hoje no local, sendo utilizado pela companhia agrícola agora aí sediada. Em Agosto de 1915 foi aberto concurso para dez oficiais do Exército ou da Armada, serem enviados ao estrangeiro, a fim de praticarem numa escola de aviação. Concorreram e foram admitidos onze oficiais, dos quais quatro eram Antigos Alunos do Colégio Militar, que obtiveram os seus diplomas de voo em França e em Inglaterra. Em Novembro de 1916 começou o primeiro curso de pilotagem na Escola de Vila Nova da Rainha, conhecido como o «Curso Histórico de Vila Nova da Rainha», com dezasseis «aspirantes a pilotos». Em Maio de 1917 treze desses oficiais, dos quais quatro eram Antigos Alunos do Colégio Militar, receberam os seus diplomas de voo, em sessão solene realizada na Sociedade de Geografia. Foram pois estes homens os nossos primeiros «Gloriosos Malucos das Máquinas Voadoras», que em próximo artigo tencionamos homenagear.

Nota Final: O presente artigo foi baseado na HISTÓRIA DA FORÇA AÉREA PORTUGUESA, da autoria do Senhor Coronel Piloto Aviador Edgar Pereira da Costa Cardoso, Antigo Aluno 272 de 1919, onde as origens da nossa Aviação Militar podem ser estudadas em pormenor. Algumas das fotografias inseridas neste texto, foram cedidas pelo José Alberto da Costa Matos (96/1950).

Curso de 1950/1957, há mais de quatro décadas que se reúne regularmente em almoço que tem lugar na primeira Quarta-Feira de cada mês. O local deste almoço variou ao longo dos anos por muito poucos sítios (talvez 3 ou 4), tendo tido o seu início no Restaurante Celta da Rua Gomes Freire (provavelmente pela proximidade da Escola do Exército/Academia Militar onde uma boa parte dos componentes do Curso iniciou a sua Carreira das Armas e onde muitos deles mais tarde aí serviram como Oficiais). Ultimamente e desde a inauguração do Jardim da Luz nas instalações da AAACM, é aí que se tem realizado e tudo indica que aí continuará “ad perpetuam...”. No almoço de Janeiro tivemos uma grande alegria com uma notícia, a primeira do género que acontece no nosso Curso e de que não há conhecimento de outras semelhantes com Camaradas nossos. O José Francisco Pereira Machado Dray (217/1950), aos 75 anos, teve este Natal a melhor prenda que muitos certamente ambicionam, mas não têm. Passou ao honroso e venerável grupo dos Bisavôs. A sua Neta Ana Catarina foi Mãe da Bisneta Maria que nasceu a 14 de Dezembro de 2014. Acontecimento festejado com champanhe tendo o Bisavô sido muito felicitado por todos os participantes no almoço, que se regozijaram com tão encantadora notícia. Parabéns aos Bisavós, aos Avós, aos Pais e à Neta. Para Todos as maiores felicidades. O Curso de 1950/1957 NOTA: O grafismo da Barretina do Curso 50/57 é da autoria do José Alberto da Costa Matos (96/1950).

Prémios Eficácia da Comunicação A

APAN (Associação Nacional de Anunciantes) e o Grupo Consultores organizam e promovem anualmente a atribuição dos Prémios Eficácia da Comunicação. Em 2014 foram atribuídos 33 Prémios sendo 10 de Ouro, 12 de Prata e 11 de Bronze. À campanha da iniciativa da AAACM, “Querem matar o Colégio Militar” foram atribuídos um Prémio Ouro na categoria "Restantes Serviços e Administração Pública"e um Prémio Bronze na categoria “Comunicação Institucional”. Esta campanha foi apoiada pela nossa Associação tendo sido realizada pela BAR, agência de criatividade, sob a orientação de Diogo Anahory e José Carlos Bomtempo. Em carta subscrita pela Secretária-Geral da APAN e pelo Director-Geral do GRUPO CONSULTORES, dirigida a António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios (529/1963), Presidente da Direcção da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar, foram endereçadas felicitações pelos Prémios recebidos durante a gala realizada em 20 de Novembro de 2014. Estes prémios que se distribuem por várias categorias dos diferentes sectores de actividade, são um importante galardão da indústria do Marketing e da Comunicação em Portugal e pretendem dar reconhecimento público do trabalho dos anunciantes e agências e do seu impacto nos objectivos propostos.


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Entrevista a José Eusébio Pereira Barata Cordeiro de Araújo (591/1973)


Homenagem ao Marechal Fundador

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Nuno Miguel Vieira Pássaro 256/1998

Homenagem ao Marechal Fundador

N

o passado dia 28 de Dezembro, quatro Antigos Alunos do Colégio Militar, Nuno Miguel Vieira Pássaro (256/1998), João Miguel Costa Ceriz (46/1998), Bruno Ricardo dos Santos Vitorino (17/1998) e Pedro Manuel de Matos Romba Fernandez da Silva (430/1998) deslocaram-se ao lugar do Silhão, na freguesia da Cumieira, para homenagear o Marechal António Teixeira Rebello (1750-1825). Evocá-lo é trazer à memória o perfil moral de uma figura ímpar da História de Portugal. O seu legado tem na fundação do Colégio Militar a sua maior expressão, a sua coroa de glória.

Mergulhar nas origens do Fundador, e primeiro director do Colégio, conduz-nos numa máquina do tempo de volta aos saudosos e altivos tempos colegiais. Sob a saudação laudatória, vulgarmente conhecida por “Zacatraz”, é caso para dizer que a sua memória continua bem viva, intemporal e eterna. Sob a égide da barretina - símbolo da união e da condição igual a todos os que a usam - outrora na cabeça, hoje e sempre no coração, é com renovado sentido de gratidão que recordamos o Homem, que no longínquo ano de 1803 idealizou, ergueu e fundou uma Instituição – hoje

bicentenária – que continua a formar e educar homens. Bastião dos mais nobres princípios e valores, enraizados na crença, sabedoria, coragem e patriotismo daquele que, um dia, com 14 anos incompletos, saiu da sua aldeia transmontana para se alistar voluntariamente nas fileiras do Exército.


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O Último Moicano

Luís Miguel da Costa Alcide d’Oliveira 163/1952

O Último Moicano

S

empre que me debruço sobre acontecimentos relevantes da história de Portugal, concluo que eles se desenvolveram em três fases: “Antes da Bronca”, a “Bronca” e “Depois da Bronca”. Considero, modestamente, que esta formulação analítica é muito útil e devia até ser estruturante da nossa historiografia. Comigo nunca falhou e convido os meus leitores a aplica-la aos períodos mais recentes. Julgo que isto se deve ao facto de os portugueses

serem atavicamente avessos ao Planeamento e em compensação muito dotados de um atributo chamado desenrascanço, com o qual contam para resolver os problemas que, a terem sido previstos, não teriam a relevância de uma Bronca. Vem isto a propósito de um incidente que se passou na Academia Militar, durante o período em que lá fui professor. Num dado dia desapareceu um objecto suficientemente conspícuo para se tornar notada a sua falta e instalou-se um clima de grande alarme. Nunca tinha havido roubos na Academia e o sistema de segurança foi objecto de reestruturação imediata e radical. Os leitores que eventualmente chegaram até aqui repararam já como se recortam com toda a nitidez as três fases a que me referi atrás. O facto que vou referir passou-se “depois da Bronca” e envolveu um velho Coronel de Engenharia, Fernando de Souza Medeiros (226/1919), que ia regularmente montar a cavalo à Academia, para manter retemperada a sua fibra e o seu reconhecido desembaraço. Era um homem seco de figura, e talvez por usar o cabelo rapado à navalha, cobria-se com um gorro de pele castanho, o que conjugado com o chabraque de carneiro, também escuro, que guarnecia o arreio, lhe valia, entre os cadetes, a alcunha de “O Último Moicano”.

Um dia em que chegou ao aquartelamento no seu eterno Volkswagen verde metalizado, deparou, com natural surpresa, com um esquema complicado à porta de Armas, que incluía revista à viatura e uma burocracia demorada que culminava com a entrega de um documento para seguimento posterior da actividade do visitante. Ultrapassou com a necessária contenção as praxes que lhe foram impostas e lá foi para o Picadeiro. O problema surgiu à saída, quando na Casa da Guarda conferiram o documento de controlo. A coisa deve ter corrido mal porque, estando eu na Sala de Oficiais a tomar um café no intervalo entre duas aulas, o vejo entrar furioso e dirigir-se a mim, provavelmente por sermos ambos antigos alunos e ele se sentir à vontade comigo. _ Ó Engenheiro _ disse _ Importas-te de assinar aqui pelo meu Cavalo? Respondi de imediato “Com certeza meu Coronel”. _ É que a Praça da Guarda quer a assinatura da Entidade com quem eu contactei. Ora eu contactei com o Cavalo e o Cavalo não assina. Sem hesitar assinei pelo cavalo. Só muito mais tarde, quando prestei serviço no Supremo Tribunal Militar, percebi a gravidade do meu acto. O que eu fiz configura o Crime de Abuso de Confiança, em relação ao cavalo, que na sua forma agravada, tem uma moldura penal que vai até 10 anos de prisão. Felizmente, como é corrente cá na Terra, o crime já prescreveu.


As Mensurações

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Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957

As Mensurações Q

uando entrei para o Colégio fui um dia surpreendido por uma determinação no sentido de a minha turma comparecer no dia seguinte, ao recreio, na «Enferma», para sermos sujeitos a mensurações. Esta determinação suscitou em mim um sentimento misto de contrariedade e de perplexidade. Contrariedade por ver que ia ficar sem o recreio, que era o maior bem de que dispúnhamos diariamente, e perplexidade por não ter qualquer ideia do significado da palavra mensurações, para mim completamente desconhecida. A malta da minha turma riu-se da minha ignorância, fruto da minha entrada tardia para o Colégio (entrei para o 3º ano), e lá me esclareceu acerca do que me esperava no dia seguinte. Face à explicação que me deram achei que aquilo até poderia acabar por ser divertido. No dia seguinte, sob o comando do 281, o «Arturinho», que era o meu chefe de turma, repetente do 3º ano (por ter dito no exame de Ciências que a cor do sangue venoso era azul) e um tipo divertido, lá marchámos para a «Enferma». Aí chegados fomos conduzidos para a parte de trás do edifício, para uma sala contígua ao gabinete do «Ferrador». Dávamos esta designação ao médico dentista da época, em cujas mãos fazíamos todos os possíveis por não cair, para não sermos sujeitos à acção dos seus «instrumentos de tortura», as brocas, ganchos e alicates com que dava cabo dos nossos pobres dentes, quando detectava algo que requeresse tratamento ou arrancamento dos mesmos. O arrancamento dos dentes restringia-se, em geral, aos dentes de leite a abanar, com que ainda se apresentavam as queixadas de alguns« ratas» do 1º ano. A operação era feita sem qualquer anestesia, por o arrancamento de dentes de leite, no superior critério do «Ferrador», ser completamente indolor, opinião esta que

não era compartilhada pela generalidade das suas vítimas. Não me recordo se o homem foi algum dia louvado por poupar nos anestésicos, na defesa dos superiores interesses da Fazenda Nacional. Se não foi, tratou-se de uma injustiça, já vi outros serem louvados por bem menos. Mas voltemos às mensurações. À entrada da sala éramos esperados pela famosa dupla de enfermeiros da época, o Valentim, rubicundo, com o seu ar possante mas bonacheirão, e o Valério, magrizela, alquebrado pela idade, arrastando os pés e portador de uma constipação crónica, que o levava a fungar constantemente, de onde lhe veio a sua alcunha de «Funga». Esta dupla de enfermeiros era notável, tratou da saúde a gerações de alunos e foi naturalmente vítima das tropelias dos mesmos. Na época faziam lembrar o «Bucha» e o «Estica», dupla famosa dos filmes cómicos dos anos 40. Fomos divididos em dois grupos, para rodarmos pelas operações a cargo de cada um dos

«paramédicos», como agora se diz em linguagem ridiculamente rebuscada e à americana. As primeiras e mais elementares operações a que éramos sujeitos eram a pesagem e a medição de alturas. Antes da pesagem o pessoal era logo todo posto em cuecas, para evitar que enchêssemos os bolsos com pedras, para marcar uns quilinhos a mais. O falsear dos resultados era o maior dos nossos divertimentos, para de algum modo nos ressarcirmos do recreio que nos era roubado. A medição da altura já era uma fonte de gozo garantido, com o pessoal a pôr-se em bicos de pés, para tentar obter uns centímetros adicionais. Assim se iam treinando os mais baixos para uma possível inspecção de ingresso na Marinha, onde a altura mínima exigida na época era de 1,64m, o que naquele tempo não era tão pouco assim. Isto faz-me recordar um método alternativo de crescimento expedito usado no Colégio por um baixote, que consistia em pendurar-se com os braços da ver-


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As Mensurações

ga de uma porta, assim permanecendo entre o jantar e o recolher, esperando que a força da gravidade fizesse a sua acção e lhe esticasse a coluna vertebral. Ao que constou na altura, o resultado mais visível de tal operação foi o baixote ter ficado com uns braços anormalmente longos, o que lhe dava um aspecto algo simiesco. Da medição da altura passávamos à medição do perímetro torácico. Aí todos nós fazíamos peito, para obter também uns centímetros adicionais para o registo. A cena era do tipo da descrita na célebre fábula do Esopo «Rana Rupta et Bos» (A rã rebentada e o boi), em que a rã tendo inveja do boi e querendo ficar do seu tamanho, engolia tanto ar para inchar que acabava por rebentar. Éramos obrigados a recitar de cor esta fábula nas aulas de latim do saudoso «Menau». Da fábula já pouco me recordo, mas o «Menau» nunca o irei esquecer até ao fim dos meus dias. No meu curso havia um que não precisava de fazer esta batota na medição do perímetro torácico, era o 309, o «Peitaças», que, como a alcunha indica, já era provido pela natureza com um perímetro do tórax notável para a sua altura. A parte final e mais interessante das medições era a correspondente aos «aparelhos», a não confundir com os aparelhos da ginástica aplicada (argolas, paralelas, barra fixa, etc.). Os «aparelhos» eram apenas dois: um dinamómetro, para medir a força das mãos, e um aparelho cilíndrico1, para o qual se soprava por meio de um tubo, cujo nome desconheço, destinado a medir a «potência» do nosso sopro, ou, dito mais cientificamente, a nossa capacidade respiratória.

Estes dois aparelhos proporcionavam uma competição interessante, pois como era natural naquelas idades, cada um queria mostrar que era mais forte do que o parceiro do lado. No entanto, em termos de força ninguém se conseguia sequer aproximar das marcas alcançadas pelo 56, o «Selvagem», repetente do 3º ano, que tinha de altura uma mão travessa mais do que a maioria de nós e que era um verdadeiro homem de forças, do tipo de um Antigo Aluno bem mais velho do que eu, que conheci em Angola, que ficou conhecido no Colégio pela sua geração, como sendo o «Faria das forças». Mas passemos ao dinamómetro. A batota com este aparelho consistia em apertá-lo com as duas mãos ao mesmo tempo, em vez de uma só, o que dava logo origem a um bom salto do ponteiro no mostrador. Este truque rudimentar Idade (anos) 11 12 13 14 15 16 17 18

Quadro de Pesos (kg) Período 1 Período 2 Variação 31,69 33,88 2,1 34,62 38,11 3,59 38,58 41,26 2,28 44,01 47,25 3,24 49,45 52,32 2,87 53,85 57,29 3,34 55,67 60,53 4,86 58,67 62,22 3,55

tinha de ser executado com alguma contenção, não fosse o resultado obtido ser flagrantemente exagerado. Exigia pois alguma perícia por parte do batoteiro, bem como um parceiro fixe para ir distraindo o enfermeiro durante a operação. Apesar destas precauções o truque nem sempre surtia efeito, pois os enfermeiros, batidíssimos naquelas andanças, mandavam repetir a operação quando viam um «lingrinhas» qualquer obter um resultado próprio de um campeão. Quanto à batota na medição da capacidade pulmonar consistia a mesma em inspirar sub-repticiamente a meio da medição, o que permitia um sopro extra para finalizar a operação. Esta batota, para ter êxito, exigia muita subtileza, para não ser denunciada por um salto do cilindro a meio da sua ascensão. Enfim era desta forma ingénua que a malta miúda se divertia naqueles tempos idos lá para os lados da Luz. Quis o acaso, que a meio da escrita deste artigo eu encontrasse na biblioteca da Asso-

ciação um pequeno volume intitulado «Ensaio do tratamento quantitativo de dados históricos sobre os alunos do Colégio Militar». Este ensaio foi editado pela Associação em 1982, sendo da autoria de Henrique Garcia Pereira, na altura Professor Auxiliar do Instituto Superior Técnico. Ao folhear esta obra encontrei uma parte da mesma dedicada ás variáveis antropométricas, ou seja, aos resultados das mensurações, que imediatamente me interessou. Essa parte continha um quadro com os pesos e alturas médios dos alunos do Colégio, por níveis etários, em dois períodos de tempo, de 1898 a 1914 e de 1961 a 1965. Resolvi subdividir este quadro em dois quadros distintos, que a seguir apresento, tendo eu adicionado as variações dos valores médios das duas grandezas entre aqueles dois períodos, que designo por períodos 1 e 2. Idade Quadro de Alturas (m) (anos) Período 1 Período 2 Variação 11 1,37 1,39 0,02 12 1,42 1,43 0,01 13 1,47 1,48 0,01 14 1,54 1,54 0,00 15 1,60 1,59 -0,01 16 1,64 1,64 0,00 17 1,66 1,67 0,01 18 1,68 1,69 0,01

A análise da diferença de pesos leva-nos a concluir que há um aumento generalizado de peso entre o período 1 e o período 2, para todas as idades, com aumentos médios de pesos por idades variando entre os 2,1 kg (11anos) e os 4,9 kg (17 anos). A análise da diferença de alturas leva-nos a concluir que as variações de alturas médias por idades são insignificantes, com um máximo de 2 cm para a idade de 11anos. Em termos gerais parece poder concluir-se que os alunos não aumentaram praticamente de altura média entre os dois períodos, distanciados entre si de cerca de 50 anos, tendo no entanto ganho em peso médio, ou seja, tornaram-se mais robustos. Não sendo especialista na matéria, admito que este facto se possa atribuir a uma melhoria de alimentação no Colégio, associada a uma melhoria na educação física, com o correspondente aumento das massas musculares. Os entendidos que se pronunciem.

1A Redacção deu uma ajuda e informou que o aparelho se chama “espirómetro de Barnes”


As Mensurações

A partir do ano de 1972/1973 nada consta sobre mensurações nos Anuários do Colégio, o que me leva a supor que as mesmas tenham deixado de se fazer, o que, a confirmar-se, será lamentável. É mais uma coisa com interesse que se perde, provavelmente por dar trabalho, o que nos tempos que correm não é atractivo. No entanto, na actual conjuntura que se vive no Colégio, talvez até seja conveniente não se fazerem mensurações. Poderia ser embaraçoso para os «Valérios e Valentins» de hoje terem de tirar as medidas às senhoras alunas dos últimos anos. É menos um problema para resolver. Já bastam aqueles que o Colégio agora tem entre mãos, por obra e graça daquela fraca figura que nos «saiu em rifa». À falta de resultados de mensurações relativas aos alunos do Colégio apresento a evolução da altura média dos portugueses aos 21 anos, tal como a encontrei publicada num jornal. A evolução é a seguinte: Período 1911 a 1920 1936 a 1940 1956 a 1960 1976 a 1980

Altura 1,65m 1,67m 1,70m 1,73m

A informação acaba em 1980, mas o aumento de altura média dos portugueses terá seguramente continuado nos últimos 30 anos. Com este aumento de altura em breve nos tornaremos numa espécie de nórdicos do Sul, só nos faltando depois os olhos azuis, o que hoje em dia se consegue facilmente com o uso de lentes de contacto coloridas. Talvez então sejamos olhados com mais benevolência pela Ângela Merkel, o que nos poupará aos próximos 20 anos de austeridade que nos estão prometidos.

©Foto Sérgio Garcia (326/1985)

Do período de 1961 a 1965 até aos nossos dias, a altura dos alunos e consequentemente o seu peso cresceram um bom bocado, mas não me foi possível apurar qual foi a evolução verificada. Consultando os Anuários do Colégio constatei que o ano lectivo de 1965/1966 foi o último ano em que foram publicados os resultados das mensurações, pelo que se compreende que o estudo feito em 1982 tenha parado naquele ano lectivo. As mensurações terão no entanto continuado, pois no Anuário do Colégio de 1972/1973 encontra-se uma «Análise dos resultados das mensurações», que indicam as percentagens das variações das diferentes grandezas, não apresentando porém os valores das mesmas, que seria desejável conhecer. Nas percentagens das variações das grandezas surgem alguns resultados bizarros, como, por exemplo, uma variação negativa de uma grandeza em 27% dos alunos de um dado ano. Será que nesse ano a alimentação foi tão má que quase um terço dos alunos daquele ano ficaram mais raquíticos? Talvez haja aqui, quem sabe, matéria para uma interessantíssima tese de doutoramento.

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ANTIGO ALUNO USA A BARRETINA


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Antigos Alunos nas Artes e nas Letras

Antigos Alunos

nas Artes e nas Letras Manuel Júlio Matias Barão da Cunha (150/1948)

Recensão de Livros

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epois de ter sido «duas estelas» da 3.ª Companhia no Colégio em 1954/1955, rumou à Escola do Exército, de onde saiu alferes de cavalaria. Mais tarde frequentou com sucesso o curso do Estado-Maior. Entre 1960 e 1962 comandou um pelotão de reconhecimento em Angola, tendo participado de forma activa nas primeiras operações de salvamento de populações e de reocupação de povoações, na região dos Dembos. Em 1963 foi instrutor do 1.º curso de Rangers, no C.I.O.E. de Lamego. Em 1964/1965 comandou na Guiné uma companhia de cavalaria, de início em funções de intervenção e posteriormente em quadrícula. Ferido em combate, foi condecorado com uma medalha da Cruz de Guerra.

Já como deficiente das Forças Armadas, licenciou-se em Ciências Sociais e Políticas no I.S.C.S.P., após o que exerceu funções diversas. Para além de professor no Colégio, trabalhou no Município de Oeiras – incluindo a coordenação da Livraria-Galeria Verney durante 12 anos – e no de Lisboa, onde foi o primeiro director de cultura da Câmara Municipal. Actualmente coordena, em regime de voluntariado, a Colecção Fim do Império. É autor de uma vasta obra literária, que a seguir se apresenta resumidamente, com destaque para o primeiro livro, Aquelas longas horas, que é também o mais conhecido do público e que teve as duas primeiras edições em 1968. Memória da experiência africana do autor, é sobretudo um tributo de homenagem ao hu-

milde soldado português, que MBC evoca com pinceladas sentidas, tanto no ardor do combate como nas pacíficas tarefas da acção psicológica. Dele disse o saudoso dr. Júlio Martins, professor de Português do Colégio: «…E é este soldado, por isso mesmo, a personagem central do seu livro. Livro exaltador não de chefes, mas do português humilde de todas as latitudes…». Em 1972, publica Tempo Africano, que mereceu do jornal «A Tribuna» de Lourenço Marques, o comentário seguinte: «…Em Tempo Africano, tal como acontecera em Aquelas Longas Horas, hesita-se na classificação do autor. O cronista e o novelista aparecem-nos quase sempre de mãos dadas. As breves pinturas murais da vida em campanha valem tanto como os pequenos retratos de desconhecidos que a sua pena dese-


Antigos Alunos nas Artes e nas Letras

nha em traços de vibrante humanidade. É de crer, todavia, que, com o tempo, o novelista se sobreponha ao cronista. Haverá então que considerar muito seriamente no panorama da literatura portuguesa do final deste século o nome de Manuel Barão da Cunha…». Em 2010, publica na Colecção «Fim do Império» a 4.ª edição do livro, uma versão revista e aumentada dos textos dos dois livros anteriores, com o título Tempo Africano. Aquelas longas horas em oito andamentos. Dele disse, no Posfácio, o Tenente-general Vasco Joaquim Rocha Vieira (127/1950): «Este livro é o registo de uma época, estruturado pela experiência e pela memória dum observador singular, mas que só poderia ser escrito por quem viveu estes acontecimentos», porque só quem os viveu pode reconstituir a sua complexidade, uma «complexidade do real, que raramente se encontra nos encadeamentos assépticos dos factos, mas que está presente em cada uma das pequenas histórias que se encontram neste livro.» Também se pronunciou sobre o livro o General António dos Santos Ramalho Eanes, que escreveu na respectiva badana: «O soldado, o homem português humilde, é a personalidade principal. Personalidade que Manuel Barão da Cunha descreve, retrata, com sóbria adjectivação, numa linguagem bastante clara e viva, que testemunha com emoção e sentido respeito, na multiplicidade caleidoscópica das suas acções, interacções, feitas, elas também, de tantos e não raro contraditórios comportamentos e emoções». Merece igualmente ser recordado o depoimento de Mário Beja Santos, a pp. 443-447 do livro: «Trata-se de uma narrativa épica, uma exaltação da gesta que os portugueses estavam a viver no continente africano. Barão da Cunha escreve para recordar o heroísmo, a generosidade e até a dádiva da vida dos soldados anónimos.» «A vários títulos, Tempo Africano merece ser lido e meditado». Da sua significativa bibliografia, destacam-se ainda as seguintes obras: Em 1974, A Flor e a Guerra (o diálogo e o mito). «(...) obra em que realça a sua grande sensibilidade de português e de militar, os episódios de ansiedade e de bom humor sucedem-se e alternam-se num equilíbrio necessário ao espí-

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rito do combatente. Romance ou obra de ficção literária, como se queira, os quadros da vida real movimentam os seus personagens (…). De grande plasticidade literária, humaniza a vida numa guerra, a todos os títulos traiçoeira, cujo desfecho parece adivinhar. (…)» Em 1975, Radiografia Militar, uma obra que esteve fora de mercado por apreensão ilegal e que mereceu, entre outros, o seguinte comentário encomiástico: «(…) E lembro três nomes: um que acompanhou as suas campanhas de África com uma sensibilidade poética que, falando verdade, bem poderia ter sido aproveitada para outra temática. Refiro-me a Manuel Barão da Cunha, autor de Radiografia Militar, de que havemos mais adiante de falar. Prosador-poeta que sabemos virá ainda a dar-nos alguns livros mais conseguidos que Aquelas Longas Horas ou A Flor e a Guerra. Exigir-se-lhe-á uma preocupação de mais ampla dimensão, de interesse mais uni-

injustiças e oportunismos, interrogar e levantar questões sobre (...) velhos, reformados, doentes, deficientes, desempregados, uma espécie de “Párias” da nossa sociedade, cujos quotidianos contrastam com “Outros”: dirigentes, responsáveis pelo Programa do MFA e todos os que se mantêm aparentemente indiferentes ao drama daqueles por quem praticamente nada se tem feito. O autor de Radiografia Militar e de Na 23.ª Hora do MFA, que desde há anos vem lutando pelas causas dos mais desfavorecidos, analisa ainda, neste oportuno livro, outros pontos do Programa do MFA (descolonização e liberdade de expressão) focando, em especial, o contraste entre as intenções expressas e a prática. (…)» Além dos livros, Manuel Barão da Cunha ganhou diversos prémios literários e colaborou em obras como O Exército na Guerra Subversiva e Arte de Comandar, edições do Estado-Maior do Exército.

versal. (…) Dificuldades com a publicação do seu livro, teve-as MBC. Escondendo as pessoas reais do MFA sob pseudónimos, o escritor pretendia desmistificar o ambiente e os indivíduos. E não podemos deixar de acrescentar que se tratava de tarefa bem perigosa. (…)», Carlos S. Alves (professor doutor João Pinto Correia), Nota de Leitura, Nova Terra, 29 de Abril de 1976, pgs. 13. No mesmo ano de 1975, Na 23ª Hora do MFA, «(…) Livro dedicado aos que têm lutado pela liberdade de expressão e pelos mais desfavorecidos, dois pontos do Programa do MFA por cumprir… e a Fernando Namora, homem e escritor de diálogo (…), feito na reacção ao boicote ao livro anterior, quase clandestinamente (...)». Em 1976, Os Párias e os Outros (textos incómodos), livro escrito «(…) para denunciar

Foi também o coordenador de: Os Militares, as Artes e as Letras, os 25 Anos do 25 de Novembro. Lisboa, Ed Notícias, nov2001, 365 pgs. Os 30 Anos do 25 de Abril. Cruz Quebrada, Casa das Letras, 2005, 185 pgs. Revisitar Goa, Damão e Diu. Lisboa, Liga dos Combatentes e Núcleo Impulsionador das Conferências da Cooperativa Militar, 2010, 519 pgs.

Nuno António Bravo Mira Vaz 277/1950


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A Laranja Maculada

A Laranja Maculada A Nota do Editor Henrique Alexandre Machado da Silva da Fonseca (47/1956), subscrita em 1 de Fevereiro de 2015, traça uma panorâmica do conteúdo do livro e dos seus objectivos.

NOTA DO EDITOR

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o livro “A Laranja Maculada”- Terrorismo no Mar Português, da autoria de João Manuel Pereira Nobre de Carvalho (248/1952) publicado em Abril de 2009, vai ser lançada uma 2ª Edição cuja apresentação terá lugar no Clube Militar Naval no próximo dia 8 de Abril, pelas 18h30. O Autor e o Editor convidam os Antigos Alunos a estarem presentes nesta cerimónia. A razão desta 2ª Edição foi motivada pelo facto da 1ª Edição se ter esgotado rapidamente, ter Portugal falta de uma cultura de segurança e de haver necessidade de se estar preparado para enfrentar eventuais atentados por grupos armados. No livro são descritos atentados de ficção bem fundados na realidade com as correspondentes reacções do sistema de segurança nacional, onde são apontadas vulnerabilidades para que estas sejam colmatadas pelos responsáveis sobre tal matéria.

Quando o autor me contactou e me desafiou a publicar a 2ª edição desta obra, disse-lhe de imediato que sim, por duas razões: pela amizade que nos une desde há muitos anos e pelo interesse do texto, que já conhecia. Somos ambos Oficiais da Armada, na reforma, sendo eu uma meia dúzia de anos mais novo; travamos conhecimento no “verão quente” de 1975 e desde essa altura mantemos contacto, de vez em quando. À convergência de pontos de vista daquela época, aos valores e princípios semelhantes que defendíamos e defendemos, não deverá ser estranha a mesma formação recebida no Colégio Militar, que ambos frequentamos com alguns anos de desfasamento. Como antes referi, já conhecia o texto, pois tinha sido convidado pelo autor para apresentar a 1ª edição, numa sessão pública no Clube Militar Naval em Abril de 2009. Foi um livro que então li com muito gosto e interesse, com uma trama muito bem imaginada, uma espécie de romance policial,

tendo simultaneamente muita informação sobre a ameaça terrorista, cada vez mais actual, mostrando investigação detalhada e muito conhecimento de realidades culturais que não são as nossas e que importa conhecer para melhor perceber o que está em causa. Esta reedição de uma obra que teve muita procura e já há muito está esgotada, permite voltar ao tema, infelizmente agora tão oportuno, e alertar muitas mais pessoas para este tipo de ameaça. Por vezes pensamos que certas situações só acontecem aos outros, que o nosso País é pequeno e que não despertará interesse às organizações terroristas; mas não é exatamente assim, pois somos um membro da União Europeia, logo, um alvo apetecível para os terroristas fundamentalistas. O nosso passado marítimo, de que muitas vezes nos esquecemos - mas que eles não esquecem - poderá mesmo levar a que um ataque terrorista entre nós tenha um cunho marítimo. Não devemos ser alarmistas, mas importa estar atento e tomar alguns cuidados e precauções; muitos certamente foram já tomados e a situação é alvo de monitorização pelos serviços responsaveis pela segurança interna. Haverá contudo, que criar e desenvolver entre nós, na sociedade civil, uma “cultura de segurança”, que facilite fazer frente a este tipo de ameaças, que infelizmente está para ficar. Se com a reedição desta obra a Editora Náutica Nacional de alguma forma puder concorrer para este desiderato, ficarei muito satisfeito, com a consciência de ter cumprido o meu dever de cidadão.


Antigos Alunos pelo Mundo

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Coordenação de

João Carlos Agostinho Alves (110/1996)

Antigos Alunos pelo Mundo. Diogo Miguel da Fonseca Ferreira (361/1996) O “Falcão”, Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ciências e Tecnologia. Milão, Itália Telemóveis: +351 969112916 e +39 3441531522 Email: diogomfferreira@gmail.com Skype: diogomfferreira

S

empre quis ter uma experiência internacional na minha vida pessoal, académica e profissional. Foi em 2008 que vivi pela primeira vez fora de Portugal onde estudei em Roma na Università degli Studi di Roma “La Sapienza” através do programa Erasmus. Aqui aprendi uma nova língua, conheci um novo modo de viver e vivi num ambiente multicultural. A experiência foi incrível, cresci muito em termos pessoais e académicos e, acima de tudo, criei mais uma rede de contactos, onde algumas amizades ficaram certamente para sempre.

Terminei o meu Erasmus a dizer que um dia voltaria a Itália. Voltei para Portugal para terminar o Mestrado e para iniciar a minha carreira profissional. Passei por empresas como a DHL e a Portugal Telecom, onde tive grandes desafios e iniciei a construção daquela que acredito ser uma carreira sólida. No entanto, a vontade de voltar a desafiar-me e de procurar novas experiências não tinha terminado e comecei a trabalhar para conseguir trabalho no estrangeiro. Muitos foram os CVs que enviei para vários países e empresas. Não estava fácil conseguir o que tanto ambicionava, pois percebi que não estar localmente nos países para onde enviava a minha candidatura era uma limitação. Na mesma situação estava a minha namorada, que sempre ambicionou o mesmo, acabando por se tornar um objectivo que gostaríamos de atingir em conjunto. Tudo mudou no momento em que conseguiu uma proposta para ir a Milão através da empresa onde trabalha. Acabei eu por receber em Dezembro também uma proposta de trabalho para Milão para um projecto desafiante. Neste momento a família e os amigos tiveram um papel crucial no apoio e na tomada de decisão. Acabei por aceitar a proposta e em duas semanas a minha vida mudou completamente.

Foi assim que começou esta minha nova aventura em Janeiro de 2015, na PwC, na área de Advisory como Senior Consultant para a área de Telecomunicações, Media e Entertainment. Tem sido uma óptima experiencia pois estou a ter a oportunidade de trabalhar num ambiente muito desafiante e dinâmico e tenho sido muito bem acolhido na empresa. Sempre gostei de Itália e continuo a gostar pois este país tem muito para oferecer. Os Milaneses são um povo acolhedor, acessível e sofisticado, a vida é muito agitada e existe uma grande oferta de actividades relacionadas com a cultura, arte e moda, típico de uma cidade cosmopolita. Milão é claramente o centro económico de Itália, onde está bem presente uma enorme cultura empresarial e é aqui que estão sediadas grande parte das empresas multinacionais. Milão, é uma cidade plana e com passeios largos ideais para passear e apreciar uma das capitais mundiais da moda. Existem ainda ciclovias por toda a cidade muito utilizadas pelos milaneses no dia-a-dia. Aluguei casa numa zona muito central de Milão, onde tenho à minha disposição uma grande rede de transportes públicos a poucos minutos. Apesar da rede de transportes funcionar realmente bem, as saudades de conduzir apertam e aí posso sempre andar


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Equipa de Futebol 8 da AAACM

Nuno Miguel Vieira Pássaro 256/1998

Equipa de Futebol 8 da AAACM U

m dos objectivos principais da AAACM, tal como decorre dos seus estatutos (Art 3º, nº 2, c)), visa a concretização de actividades desportivas, procurando desenvolver o potencial dos Alunos saídos do Colégio Militar.

de carro, através dos programas de Car Sharing que existem na cidade. Basta andar na rua para se perceber a quantidade de pessoas que utiliza este tipo de serviço. Uma das melhores coisas que os italianos têm são os “aperitivi” que supostamente são, como o próprio nome indica, uma bebida antes do jantar acompanhada de alguma entrada de comida típica italiana. Hoje em dia o conceito evoluiu e os “aperitivi” acabaram por se tornar em autênticos jantares onde se convive depois do trabalho. Os aperitivi existem todos os dias de semana entre as 19h e as 22h30, aproximadamente, e têm uma grande adesão por razões óbvias. No geral, os italianos são muito parecidos connosco e partilham muitos dos nossos gostos: futebol, gastronomia, viajar, conviver e desfrutar a vida. Para já, o plano é permanecer cá por alguns anos, desfrutar da experiência e retirar dela o máximo possível. Um abraço e um enorme ZACATRAZ a todos.

Assim, e à semelhança do que acontece com a Esgrima, também o Futebol passou a constar do elenco de modalidade que a AAACM promove. A equipa de futebol da AAACM compete, desde 2011, no maior torneio de Futebol 8 amador do país – a denominada Liga AllStars. Para mais informações poderão consultar os sites http://www.allstars.web.pt/Allstars.htm e https://www.facebook.com/LigaAllstars?fref=ts ou ainda a página da equipa no Facebook em http://www.facebook.com/pages/AAACM-Allstars/331764973569701?fref=ts). Esta competição é constituída por 5 divisões, de 10 equipas cada, sendo que a AAACM disputa neste momento a 3ª divisão (Liga B+). Paralelamente ao campeonato, existe também a Taça Allstars, em que a cada ano civil correspondem dois campeonatos Allstars (de Janeiro a Junho e de Julho a Dezembro). O plantel conta nas suas fileiras com jogadores do curso de saída de 2006 ao curso de saída de 2014, encontrando-se sobre a direcção e orientação de um treinador. Os jogos realizam-se maioritariamente aos domingos no estádio do INATEL. Os treinos têm lugar todos os sábados, das 10:30 às 12:30, no campo de futebol do Colégio Militar. Cumpre-se assim também a missão da AAACM de consolidação e fortalecimento dos laços de solidariedade que unem todos os Antigos Alunos do Colégio Militar, desta feita num ambiente de competição desportiva.


Barba ou Cabelo?

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Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957

Barba ou Cabelo?

H

á anos atrás havia muitas barbearias onde os homens iam com alguma assiduidade rapar a barba ou cortar o cabelo, pelo que quando um cliente se sentava na cadeira do barbeiro, logo o «Fígaro» lhe fazia, com ar solícito e às vezes sabujo, a começar a fazer-se à gorjeta, a pergunta sacramental «Barba ou cabelo?». Quando a resposta era «Os dois», o profissional da tesoura e da navalha ficava feliz, pois já tinha ali garantido trabalho para mais de meia hora, normalmente acompanhado de gorjeta dupla, cujo montante dependia da sua maior ou menor capacidade de entreter o cliente, com uma conversa fiada que, em geral, começava com comentários futebolísticos elogiosos para o clube de que ele sabia que o cliente era fervoroso adepto, acabando com os últimos mexericos da vida local. O negócio da barbearia tinha o seu ponto alto nos sábados à tarde, em que o pessoal que tinha «semana inglesa» (folga ao sábado à tarde), aproveitava para escanhoar bem a barba, que assim não precisava de ser feita no domingo de manhã, deixando mais tempo livre para dormir, passear ou para outras distracções ou devoções quaisquer. A barbearia era uma instituição local importante, onde se liam

os jornais e se punha a conversa em dia. Era uma espécie de versão portuguesa modesta dos clubes dos «gentlemen» ingleses e quase ombreava com a botica, mais frequentada pelos licenciados lá da terra ou lá do bairro, que ali iam dar dois dedos de conversa ao seu colega farmacêutico. Em meados da década de 60 do século passado as coisas começaram a tornar-se difíceis para o negócio das barbearias. Primeiro deu-se a aparição dos «Beatles», com cabeleiras longas para aquela época e que faziam desmaiar as fãs nos seus concertos. Acto contínuo a rapaziada toda desatou a deixar crescer a guedelha, na esperança de que as suas longas melenas fossem o suficiente para que as meninas lhe viessem desmaiar nos braços. Umas quantas fizeram-no e isso foi o suficiente para a malta em geral não voltar ao cabelo curto, espaçando assim as suas idas ao barbeiro e diminuindo assim o seu o volume do negócio. Aos «Beatles» sucederam-se os «Hippies», estes de cabeleiras bem mais compridas, em geral até aos ombros, e acompanhadas de umas barbas à profeta, que implicavam não ter de recorrer de todo aos serviços do barbeiro. Novo revés para o negócio das barbearias.

Como se tudo isto não fosse suficiente, dá-se a seguir o 25 de Abril de 1974, em que muitos revolucionários resolvem deixar crescer barba e cabelo, tomando como modelo o «look» do Che Guevara, o que deitou o negócio das barbearias completamente de pantanas. Finalmente, já nos nossos dias, a malta nova começou a ser atacada por uma calvície precoce e, para disfarçar, opta por rapar a cabeça. Admito que a próxima desgraça será a depilação definitiva das barbas, por aqueles que não se sentem bem com a sua condição masculina. Não deve ser ignorado o facto de o negócio das clínicas de depilação ir de vento em popa. A situação mudou pois radicalmente e agora cada um «desenrasca-se» como pode, recorrendo a sucedâneos vários das velhas barbearias. Eu, por exemplo, corto hoje em dia o cabelo num cabeleireiro «unisexo», onde fico misturado com umas velhas que vão fazer permanentes com muitos caracolinhos e pintar os cabelos para disfarçar a idade, acabando quase todas por sair dali louras. Quem se encarrega de me cortar o cabelo, que já vai rareando à frente, é uma simpática senhora, em quem deposito uma confiança limitada, pois nunca me passaria pela cabeça deixá-la escanhoar os meus queixos e o meu pescoço. Enfim, chegámos a isto! Na tropa a situação é diferente, continuando a barba e o cabelo a constituir um assunto fulcral. Todos os que passaram pela tropa, sendo do quadro ou milicianos, sabem as habilidades que tinham de fazer no seu período de instrução, para não ficarem privados de fim-de-semana, por serem apanhados com uma barba sem ser bem escanhoada ou com um cabelo com uns milímetros a mais do que o regulamentar. Os «tropas» tiveram sempre que fazer face a despesas extras no que toca aos cuidados capilares acrescidos a que têm de se submeter, sem que para tal alguma


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Barba ou Cabelo?

vez lhes tenha sido atribuído um subsídio especial. E ainda há quem fale das «regalias» de que beneficiam os militares. Haja decoro! Sendo o Colégio um Estabelecimento Militar, também aqui a questão do comprimento dos cabelos foi, desde sempre, um assunto de importância capital. Lembro-me bem de no meu tempo os oficiais comandantes das companhias passearem pelo refeitório durante as refeições, tomando nota dos números daqueles que eram intimados a comparecer ao recreio nas barbearias, para aí porem o cabelo nas condições prescritas pelo regulamento. Todos nós passámos por isso, tendo havido alguns que, logo que saídos do Colégio e ingressados na «civilaria», resolveram dar o seu «Grito do Ipiranga» e ficar uns tempos largos sem cortar o cabelo. Estou-me a recordar de um que foi mais longe, só pôde dar o «Grito do Ipiranga» bem mais tarde, quando passou à reserva como coronel, tendo passado a usar o cabelo com «rabo de cavalo». Consta que está feliz! Tal como muitas outras coisas, no Colégio a importância do corte de cabelo pode ser bem avaliada pela consulta das Ordens de Serviço colegiais. Aqui seguem algumas determinações que aí foram encontradas. A Ordem de Serviço no 32, de 21/12/1869, determina que os cabelos de todos os Alunos sejam cortados à escovinha. A determinação não podia ser nem mais radical nem mais inoportuna, tomada no inicio do inverno, quando mais falta fazia um resguardo capilar contra o frio no alto da cabeça. Ignoro qual foi o tempo que esta determinação foi cumprida com rigor. Quase 70 anos mais tarde, a Ordem de Serviço no 15, de 15/1/1937,publica as «Instruções para o Serviço de Barbearia do Colégio». Nestas Instruções indica-se o seguinte: «Os Alunos são obrigados a cortar o cabelo uma vez em cada mês, observando-se, quanto ao tamanho, o que está autorizado para as diferentes classes. 1º, 2º e 3º Anos: à escovinha. 4º, 5º e 6º Anos: cabelo curto, mas que possa pentear-se. 7º Ano: cabelo um pouco maior do que o dos anos anteriores, mas sempre penteado, sem que apareçam madeixas a sair do barrete. Não é permitido o uso de patilhas e de suíças.» Estas Instruções são bem mais brandas do que as anteriores e têm a particularidade de não proibirem o uso de bigode. Quanto ao uso de «mosca» (pequeno tufo de pêlos sob o lábio inferior), que foi durante muitos anos timbre das tropas de Caçadores, são estas Instruções omissas. O uso de bigode foi popular no Colégio no princípio do século XX, de acordo com o que era moda

na época. Em fotografia da Tuna Colegial desse tempo podem-se ver quatro dos Alunos mais velhos exibindo vistosos bigodes de pontas reviradas. Quando eu estava no 7º ano cheguei a pensar em fazer o mesmo, mas, ou por falta de vitaminas, ou pelo que quer que seja, os poucos pêlos que me nasciam então penosamente no buço não me permitiram tal desiderato. Quem saiu do Colégio já com um bigode avantajado, foi o «Pinto dos Bigodes», de que Vos falei em número anterior desta nossa Revista (João Teixeira Pinto, 144/1888). Talvez por que tenha havido abusos dos Alunos do 7º ano, as Instruções atrás referidas foram revistas, transcorrido menos de um ano sobre a sua entrada em vigor. Na Ordem de Serviço no 302, de 29/9/1937, determinava-se que os Alunos do 1º ao 3º ano continuariam a ter o cabelo cortado à escovinha e que os do 7º ano passariam a ter um cabelo curto, mas que pudesse pentear-se, tal como os Alunos do 4º ao 6º anos. Lá «foram à vida» as madeixas que os Alunos do 7º ano eram autorizados a usar, desde que as mesmas não extravasassem dos barretes para fora. Passado menos de um ano dá-se uma mudança de vulto, por intermédio do determinado na Ordem de Serviço no 285, de 12/10/1938. Nesta Ordem de Serviço indicava-se que: «Atendendo ao brio dos Alunos que sempre procuram dignificar-se, o cabelo, nos Alunos do 1º ciclo poderá ter o comprimento de 2cm, nos do 2º ciclo 4cm e nos do 3º ciclo 6cm. Ultrapassando qualquer cabelo estas dimensões, ou quando os Alunos o tragam mal cuidado, passarão a usá-lo cortado à escovinha, por tempo indeterminado, sucedendo o mesmo quando pelo seu comportamento, isso lhe for aplicado de castigo.» Esta determinação foi de uma magnanimidade sem paralelo. Seis centímetros é muito centímetro.

Se alguém pensa que a magna questão do comprimento dos cabelos estaria resolvida, que se desengane, pois ela ressurge em força em 1945. Na realidade na Ordem de Serviço no 131, de 11/5/1945, determinava-se: «O cabelo não deve ultrapassar mais que 1cm, 2cm e 3cm de comprido, respectivamente para os Alunos do 1º, 2º e Curso Complementar». Será que esta determinação, com uma redução drástica dos comprimentos dos cabelos para metade, terá sido uma consequência da rendição, 3 dias antes, da Alemanha nazi, pondo termo à 2ª Guerra Mundial na Europa? É possível que sim, dado do lado dos vencedores estarem os americanos, que usavam o cabelo bem curtinho. Esta teoria deve porém ser tomada com alguma reserva, pois não é do nosso conhecimento a existência de qualquer investigação histórica séria que lhe sirva suporte. Seja o que for que tenha acontecido, o que é um facto é que aqueles não foram uns tempos fáceis para os barbeiros da época. Presumo mesmo que tenha sido um quebra-cabeças, que os tenha levado a adquirir umas pequenas réguas, colocadas estrategicamente, em conjunto com os pentes, nos bolsos de peito das suas batas (nem sempre imaculadamente brancas), que lhes permitiriam orientar-se na confusão de centímetros que as ordens superiores lhe impunham. Não me recordo do que estava determinado em termos de comprimento de cabelos nos meus tempos no Colégio. Recordo-me bem, que quando estava na 4ª Companhia, o pessoal queria ter uma popa à moda do Elvis Presley (figura de proa do rock naquela época) e atingia o cúmulo do prazer quando conseguia convencer o saudoso Ramalho a rapar a barba que ainda só existia na nossa imaginação. Em reconhecimento dos seus assinaláveis serviços, a foto desse «Fígaro» inesquecível está hoje exposta no museu colegial. Desconheço o que se passará hoje no Colégio no que concerne ao tratamento dos cabelos dos Alunos. Por aquilo que tenho visto nas festas e nos desfiles não tem havido até agora nada de anormal a assinalar. Quanto aos cabelos das Alunas, presumo que possa vir a verificar-se a necessidade de abrir um salão de cabeleireiro no Colégio, fazendo-se assim história, como pretendia determinada governante do nosso conhecimento. Já agora gostaria de não ter de assistir a uma situação semelhante à que testemunhei, há uns meses atrás, junto ao Centro Comercial Colombo, com uma menina, de uma instituição militar, fardada e com uns longos cabelos, caídos até ao meio das costas. Coitadinha, pensaria talvez, que estaria a fazer uma linda figura. A culpa não é dela, mas sim de quem a deixa andar naqueles preparos. Modernices!


Antigos Alunos nas Artes e nas Letras

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Sabe o que é um Analema?

António Rafael Passarinho Franco Preto 67/1950

Sabe o que é um

Analema? A

nalema é o termo usado em astronomia para designar um gráfico da posição do Sol no firmamento num determinado lugar, marcada à mesma hora em dias sucessivos (isto é com intervalos aproximados de 24 horas ou seus múltiplos) ao longo de um ano. A figura gerada assemelha-se a um 8 assimétrico. O 8 estará quase vertical se a posição do sol à hora escolhida for próxima do meridiano do lugar (por volta do meio-dia solar verdadeiro), inclinando-se progressivamente para a esquerda ou direita com o seu afastamento (esquerda de manhã; direita à tarde).

Origem do Analema

S

e a Terra rodasse em torno de um eixo perpendicular ao plano da sua órbita e descrevesse a sua translação em torno do Sol numa órbita circular, a velocidade constante, a posição aparente do Sol no firmamento seria, à mesma hora de cada dia, a mesma. Logo o gráfico da variação anual dessa posição seria um mero ponto e não o analema que conhecemos. Assim, o analema resulta da combinação de dois efeitos interdependentes: • O efeito da inclinação do eixo de rotação da Terra em relação ao plano da sua órbita em torno do Sol, que, ao provocar um movimento aparente do Sol em altura, dá origem ao eixo vertical da figura que constitui o analema. Repare-se que o analema tem como limite superior e inferior a posição do Sol nos dias dos solstícios (21/22 de Junho e 21/22 de Dezembro). • O efeito da excentricidade da órbita terrestre, já que a Terra, segundo as leis de Kepler, descre-

Exemplo teórico de um ANALEMA, algures no hemisfério norte

ve, na sua translação em torno do Sol, uma elipse. Como resultado, a conservação do momento angular obriga a um aumento da velocidade do planeta quando este está mais próximo do Sol (em torno do periélio) e um correspondente abrandamento quando está mais afastado (em torno do afélio). Como consequência desta configuração da órbita, surge o desvio para leste e oeste (caso o eixo da Terra não fosse inclinado, o analema seria, devido apenas à elipticidade, uma linha paralela ao equador terrestre). Por sua vez, a variação da velocidade provoca a ligeira assimetria entre a parte superior e inferior da figura.

Exemplo real do analema solar reproduzido por um observador que - desde 26 de Agosto de 2011 até 14 de Agosto de 2012 - tirou, sempre do mesmo local, uma fotografia semanal à posição do sol, sobre a catedral de Burgos (Espanha) - Uma imagem, aliás 52 sobrepostas, vale mil palavras.


Níveis de Pensamento

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Francisco Norton Brandão 282/1996

Níveis de Pensamento fnortonbrandao@gmail.com

M

uitos de nós já jogaram um jogo a que habitualmente chamamos “par ou ímpar”. O propósito do jogo é normalmente o mesmo que o clássico “cara ou coroa”: os dois jogadores, para decidirem qualquer coisa em favor de um ou do outro, depositam o problema na sorte. Inicialmente definem quem fica com o “par” e quem fica com o “ímpar”. Ambos escondem as mãos atrás das costas e, simultaneamente, mostram as mãos um ao outro, com uma quantidade escolhida de dedos levantados; somados os dedos levantados de ambos, o total é um número par ou ímpar, e o jogador vencedor é aquele que tinha escolhido a categoria correspondente à paridade do total de dedos levantados. Por exemplo, se um jogador levantar 1 dedo e outro levantar 4 dedos, o somatório são 5 dedos e ganha o jogador que escolheu a categoria “ímpar”. Outros jogos, como o “cara ou coroa”, são considerados um jogo de sorte (à excepção das situações de batota). O mesmo se poderá dizer do “par ou ímpar”? À partida, parece, de facto, um jogo de sorte. Jogado uma vez com um jogador mais ou menos aleatório, temos de confiar na sorte. Contudo, se começarmos a jogar várias vezes com a mesma pessoa, podemos detetar um padrão de jogo e, se nos adaptarmos a ele, talvez consigamos ganhar. O problema que surge nessa situação é que, se começamos a ganhar demasiadas vezes porque percebemos um padrão, o nosso oponente começa a desconfiar e ele próprio se adapta à nossa estratégia. E entramos num ciclo em que cada um se tenta colocar numa situação superior à do outro, complicando um jogo, que, antes, era “só de sorte”. É aqui que entra o conceito de “níveis de pensamento”, que pode ser visto como uma maneira de quantificar a expressão “eu sei que ele sabe que eu sei que ele sabe…”; que, naturalmente,

não tem limite. Vamos a um exemplo, caso eu não me tenha exprimido de forma clara. Temos dois jogadores, A (a jogar “ímpar”) e B (a jogar “par”), que jogam várias vezes consecutivas. O jogador A, que está a jogar pela primeira vez, levanta um número de dedos com base num padrão (que pode até ser subconsciente): nas primeiras duas jogadas, levanta 3 dedos; na terceira, levanta 2 dedos; e repete esse ciclo de três jogadas. Ele está a jogar num nível 0, isto é, não joga com base em informação nenhuma. O jogador B pode, então, adaptar-se a este jogo: levanta 1 dedo durante duas jogadas e, na terceira, levanta 2 dedos; e repete o ciclo. Assim, o jogador B atinge o seu objectivo de ter a soma sempre par e ganhar sempre o jogo. B está no nível 1, isto é, ele calcula o que A vai fazer e joga de acordo com isso. Claro que A pode perceber que B está a fazer isto. Aliás, pode até fazer parte da estratégia de A iludir B com um aparente padrão, para depois se sobrepor. Como A sabe que B vai levantar 1 dedo quando A levanta 3, A pode decidir afinal levantar só 2 para tornar o somatório ímpar. A partir deste momento A está a jogar num nível de pensamento 2, isto é, sabe que B pensa que sabe o que A vai jogar e joga de acordo com isso, para ganhar. Claro que B pode também detetar esta estratégia de A e passar para um nível 3 e voltar a ganhar. E A depois para um nível 4… e assim sucessivamente… Mas será que existe um limite? Numa primeira observação, parece que ganha quem está no nível superior e, portanto, um raciocínio intrincado e complexo pode fazer parte da solução para ganhar num jogo deste género. Porém, surge um problema quando o nível de pensamento é demasiado alto: vamos supor que, no exemplo anterior, A, uma vez mais, está a jogar no nível de pensamento 0, mas, desta vez, B está a jogar no nível 3. Assim sendo, A joga num ciclo

programado de 3, 3, 2 e B pensa que A vai jogar contra a estratégia de B para contrariar o ciclo de A (espero que nesta altura o leitor ainda não tenha adormecido nem se tenha baralhado…). Numa primeira jogada: A levanta 3 dedos; B sabe disso, pelo que devia levantar só 1 dedo; mas B pensa que A sabe disso e que, portanto, vai contrariar essa jogada de B, levantando só 2 dedos, fazendo um somatório ímpar; então, B vai afinal levantar só 2 dedos, para contrariar a suposta estratégia de A, que na verdade não existe; B perde, porque sobrestimou A! Esta é a beleza dos níveis de pensamento: mostram-nos que sobrestimar um oponente pode não ser benéfico para nós, mesmo que se jogue de maneira muito sofisticada. Neste caso corriqueiro de um jogo de “par ou ímpar”, estar dois ou mais níveis de pensamento acima do nosso oponente leva-nos a perder o jogo! Isto mostra que, para ganhar, não basta “jogar melhor”; é preciso “jogar de acordo” com o nosso adversário e temos de nos colocar na posição certa em relação a ele. Se estivermos abaixo dele, deixamos o nosso destino à sorte; se estivermos acima dele, temos de nos colocar na melhor situação para vencer, porque, mesmo acima, corremos o risco de perder, depois de muito trabalho. O desafio agora é encontrar outras situações na vida em que este tipo de raciocínio possa ser interessante. Se, por exemplo, eu for comprar um carro em segunda mão, é muito interessante para mim saber de antemão se o vendedor está disposto a negociar e, se estiver, se posso fazer várias propostas de valores ou se ele habitualmente só aceita uma antes de desistir de regatear o preço. Por muito boa que seja a minha estratégia de negociação, conhecer o vendedor é fulcral para optimizar o resultado que pretendo atingir. E tu, consegues lembrar-te de mais alguma situação em que ser demasiado bom pode ser mau?


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Educado por um GPS

José Medeiros de Almeida 497/2004

Educado por um GPS josemedeirosdealmeida@gmail.com

É

importante confiar no futuro mas é sempre melhor pôr a casa no seguro. As crianças são o mais importante deste país, nem que seja para nos pagar as reformas. Só quem não conhece o bicho homem é que nele confia. As crianças de hoje fazem uma vida semelhante à dos adultos, têm os mesmos horários, vêem os mesmos programas na televisão, consultam as mesmas páginas na Internet, passam os mesmos milhares de horas no Facebook, andam nos mesmos transportes, mas… têm menos defesas. Depois de bombardeados com notícias na televisão, é normal que os pais mais cuidadosos tenham receio quando deixam os seus filhos na paragem de autocarro às oito da manhã. Para somar ao receio, acresce a desconfiança nas próprias crianças. Será que realmente vão para a escola, ou depois dos pais virarem as costas juntam-se aos amigos rumo a destinos mais aliciantes? Quem necessita de mais segurança, os adultos em relação às crianças, ou as crianças em relação aos adultos que por aí andam? Todos querem um polícia em cada esquina para fiscalizar o vizinho do lado, mas como ainda não é possível, há sempre empresas que fazem questão de dar uma ajuda no processo. Já pensaram como seria útil no dia da primeira vacinação, colocar um chip sob a pele do bebé? Poderíamos segui-lo durante toda a vida. Para onde quer que fosse, lá estaríamos nós atrás de uma árvore a seguir os seus passos. A ideia parece um pouco macabra mas já estivemos mais longe de a concretizar. Desde 2012 e com o apogeu neste início de ano lectivo, os jovens perderam o direito à sua privacidade. Se inicialmente era um produto para ricos, este ano lectivo democratizou-se e começou a ser vendido a um preço atractivo. Mochilas com GPS! Com ou sem o consenti-

mento do jovem, este leva todos os dias para a escola um GPS pendurado ao lombo. Os pais traçam coordenadas por onde a criança se pode deslocar, a que a empresa que comercializa chama “cerca”, (sim, uma cerca como têm os cabritos) e sempre que o jovem se afasta alguns metros da “cerca” os pais recebem uma mensagem no telemóvel a informar que o seu filho está a transgredir. Depois do filho “transgredir” há vários planos a seguir, enviar a polícia em busca da criança, contactar um detective ou fazer um telefonema. Esta necessidade dos pais nasce da desconfiança em relação aos filhos e ao mundo que os rodeia. Nasce da falta de tempo que os pais têm para os filhos e da oferta educativa que o país nos coloca à disposição.

Para quem, como nós, viveu num regime de internato, nunca os nossos pais terão sentido a necessidade de nos colar um GPS na pele. Nunca sentiram que necessitavam de saber onde nós estávamos. Com toda a certeza nunca tiveram a ideia de nos dar uma mochila que indicasse sempre onde estivéssemos. Quando “eles”, os “eles” que nunca viveram na família do internato e sempre que possível colocam em causa este regime, todos os dias pela fresquinha correm em busca da mochila do miúdo para evitar que saia da cerca que a sociedade lhe impôs. O povo sábio diz que “a educação é a melhor herança”. Nós tivemos uma herança que nunca um GPS colado ao lombo poderá dar.


Os que nos deixaram

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Os que nos deixaram Ernesto Orlando Vieira Correia

Manuel Agostinho da Fonseca Salvação

(440/1930)

(31/1936)

Coronel Reformado Faleceu a 6 de Janeiro de 2015

Chegou à ZacatraZ a notícia do falecimento deste Antigo Aluno, ocorrência que muito lamentamos. A Todos os seus Familiares apresentamos as nossas mais sentidas condolências. Que descanse em paz.

Francisco Manuel Godinho Cabral (400/1932) Engenheiro Nasceu a 29 de Janeiro de 1921 Faleceu a 13 de Fevereiro de 2015

No seu ano de finalista no Colégio, comandou a 4ª Companhia de Alunos e, mais tarde, como Capitão Miliciano de Artilharia prestou serviço na Escola Prática em Vendas Novas, no Campo Militar de Santa Margarida e na Cidadela de Cascais onde participou em diversos exercícios de Artilharia Antiaérea. No dia em que festejou o seu 94º aniversário com a sua longa família (3 filhos, 6 netos e 12 bisnetos) e inúmeros amigos, para ele, sua segunda família, dediquei-lhe estas quadras (ele sempre amou a Poesia como tudo o que de Bom e Belo na Vida apreciava): 94 primaveras! Não fizeste mais um ano... É mais um ano que tiras, Porque o tempo, sabes bem, É um cofre de mentiras... Mentiras, "faltas" passadas, Ou verdades escondidas Que estão no tempo gravadas Para o Futuro, não perdidas. Se o Tempo é obra de Deus, Os anos vêem por bem: Olha o céu como é mais belo Quanto mais estrelas tem!.

Na missa (15 de Fevereiro em São João de Deus), sua partida ou breve despedida, todos o sentimos bem presente e vivo na nossa Memória e Alma. Levou com ele, bastante de

nós, toda a nossa amizade e eterna saudade e também, em nós, dele deixou muito mais (sempre deu aos outros mais do que recebia): a sua permanente Bondade, Alegria e Generosidade. Deus o receberá em Júbilo e Glória. Nesse dia, com o mesmo sentimento de comoção, paz, alegria numa palavra ALELUIA, acrescentei : Nossa vida é como um rio Que se alarga, ano após ano, A Nascente descobriu Quando atinge o Oceano. Um "casulo" tecemos, "Larva" imperfeita, incerta... Na morte adormecemos, Nova Vida desperta. Só dorme, não morreu, Como se a todos nós iluminasse: Todas as sombras da vida ele venceu, Ao partir, em nós renasce! Roberto Ferreira Durão 15/1942

Médico Veterinário Faleceu a 17 de Janeiro de 2015

Chegou à ZacatraZ a notícia do falecimento deste Antigo Aluno, ocorrência que muito lamentamos. A Todos os seus Familiares apresentamos as nossas mais sentidas condolências. Que descanse em paz.


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Os que nos deixaram

Carlos Manuel Amado de Campos (259/1948) Reformado da EuroAtlantic Airways Nasceu a 24 de Março de 1938 Faleceu a 21 de Novembro de 2014 5

João Carlos Sherman de Macedo Alvarenga

Chegou à ZacatraZ a notícia do falecimento deste Antigo Aluno, ocorrência que muito lamentamos. A Todos os seus Familiares apresentamos as nossas mais sentidas condolências. Que descanse em paz.

(252/1939)

José Edgar das Neves Baptista de Azevedo

Oficial da Armada / Capitão-de-Mar-e-Guerra Nasceu a 10 de Maio de 1929 Faleceu a 29 de Janeiro de 2015

(188/1957)

Saiu do Colégio Militar em 1946, completado o 7.º ano, tendo sido finalista graduado em comandante de companhia. Frequentou os preparatórios militares na Universidade de Coimbra, a que se seguiu a Escola do Exército, tendo ingressado depois na Escola Naval, e dado início à sua carreira na Armada, que culminou no posto de capitão-de-mar-e-guerra. Entre outras colocações, foi oficial da guarnição do aviso João de Lisboa em longa comissão de serviço na Índia e Macau, esteve embarcado em viagens de instrução a bordo do navio-escola Sagres, comandou o navio-patrulha Santiago em águas de Angola e serviu ainda no Comando-Chefe de Moçambique. Reformou-se em 1994. Desde muito novo, foi um entusiasta pela fotografia e grande aficionado pelas lides tauromáquicas. Começou, ainda aluno do Colégio, no grupo de forcados amadores de Tomar, sua terra natal, e foi depois cavaleiro amador em festivais, durante três temporadas, tendo sempre ao longo da vida mantido um contacto próximo com a festa brava. Era filho de um antigo aluno, o coronel de artilharia Carlos Kol de Alvarenga (153/1910), e também irmão e pai de antigos alunos, o Gonçalo Pedro (69/1945) e o Nuno Alvarenga (153/1972), respectivamente. Paz à sua Alma. Luís Joel Alves de Azevedo Pascoal 145/1948

NOTA

A Revista da AAACM, no seu n.º 42/Jan-Mar 1976, publicou uma interessante entrevista ao 252/1939, na secção Broncas e Olés, da autoria de Solilóquio (329/1939).

Empresário Nasceu a 6 de Fevereiro de 1947 Faleceu a 26 de Dezembro de 2014

O Zeca partiu. Conheci o Zeca em 1957. Entrámos juntos para o Colégio. Exactamente da mesma idade - separavam-nos 12 horas - morávamos perto – ele ao lado e eu em frente da Casa da Moeda. Éramos da mesma altura, fisicamente semelhantes e ambos um bocado agressivos. No 1º ano lutámos diariamente durante muitos meses. Ficámos amigos a vida inteira. Na adolescência partilhámos férias na Ericeira e estávamos juntos quase todos os fins de semana. Numa expressão feliz do “Suicida” (156/1957) formámos uma pandilha - "Os cinco do Arco do Cego". O Zeca, o Mané (199/1957), o Balula (152/1957), o Suicida e eu próprio, morávamos muito perto uns dos outros e, frequentemente, encontrávamo-nos para jogatinas de bilhar no Café São Remo. Escreveu o Suicida numa dedicatória: "Pertencemos à pandilha A mais fina lá do Arco O São Remo é a guarita E a arma o nosso taco!" Terminado o Colégio o Zeca foi estudar para Londres e, anos mais tarde, regressou a Portugal para cumprir o serviço militar. Mobilizado para Moçambique, foi gravemente ferido em combate. As sequelas dos ferimentos que sofreu viriam a acompanhá-lo toda a vida. Fomos os dois solteirões empedernidos. Brincávamos com o assunto e fazíamos apostas sobre qual seria o "último do curso" a dar o nó. Tanto quanto sabíamos já só restávamos nós os dois e, quando me casei, deixei-o ganhar o "prémio". Mas convidei-o para meu padrinho de casamento. Amigo da nossa casa, era conviva obrigatório do almoço do dia de Natal há já muitos anos. Este ano estava de novo confirmada a sua presença. No dia 23 soube pelo Castro (63/1956) que o Zeca tinha sido internado de urgência no Hospital Militar. Fui visitá-lo com a Amarela (379/1957) e prometi que lhe guardava a lembrança que já estava na árvore e uma boa parte do recheio do peru de que tanto gostava. O Zeca partiu e deixa uma enorme saudade. Em mim e na minha família. Que descanse em paz. 27 de Dezembro de 2014 José António Pina de Bastos e Silva 67/1957


Os que nos deixaram

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João Manuel Canavarro de Rhodes Sérgio (302/1959) Faleceu em Novembro de 2014

O Zé Brandão/400/Trabuco tinha-me ligado há dois dias a dar uma triste notícia: a da morte, na semana passada, do 302/1959 - João Manuel Canavarro de Rhodes Sérgio, que chumbou duas vezes e acabou por pertencer Curso de 1961/1968, até 1964. Era irmão do 68/1961 - José Pedro Canavarro de Rhodes Sérgio, já ido há uns anos e que partiu mais cedo que o irmão mais velho. Há anos que não estava já em condições de aparecer e o Zé Brandão, apesar das diligências que fez, não conseguiu saber mais pormenores sobre exactamente quando e como partiu.

Com ele - como com todos os outros – partimos todos nós um bocadinho. Como o Luto faz parte da vida de todos os dias acrescentemo-lo e enriqueçamos ao nosso dia a dia com a sua memória. Aqui vai um Zacatraz por ele, terminando com “allez allez à votre santé” para o Olimpo dos nossos já idos. Juntam-se a sua fotografia (302/1959) e a do mano (68/1961) para melhor os recordarmos.

António Maria de Sá Leal (528/1959) Médico Nasceu a 26 de Outubro de 1947 Faleceu a 23 de Novembro de 2014

Chegou à ZacatraZ a notícia do falecimento deste Antigo Aluno, ocorrência que muito lamentamos. A Todos os seus Familiares apresentamos as nossas mais sentidas condolências. Que descanse em paz.

António Carlos Vilas Ávila de Melo (409/1960) Gerente Comercial Faleceu a 12 de Janeiro de 2015

Chegou à ZacatraZ a notícia do falecimento deste Antigo Aluno, ocorrência que muito lamentamos. A Todos os seus Familiares apresentamos as nossas mais sentidas condolências. Que descanse em paz.

Joaquim Arnaldo Maltês Cardeira da Silva 133/1961


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Os que nos deixaram

Luís Filipe Sarrico Lapão (5/1990) Engenheiro Nasceu a 10 de Abril de 1980 Faleceu a 9 de Dezembro de 2014

Em memória de Luís Lapão Este tipo de notícias é sempre desconfortante de escrever e receber, especialmente se é alguém que nos é chegado. Foi pela chamada de um irmão de curso que recebi a notícia que o nosso irmão Lapão tinha falecido. A tristeza que se instaurou foi extrema.

queria fazer, ainda tirou Engenharia Civil pelo Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL) em 2012. Foi para o Brasil para dar asas a uma aventura profissional. Na senda

“Já fez dois meses desde que partiste. Estive a ver a nossa Récita e as lágrimas caíram quando te vi: Jovem cheio de vida e bem-disposto. Todos te recordamos como tal. As coisas más levaste-as contigo. Ficam as boas memórias.”

Esta é a homenagem que faço à sua memória, amizade, camaradagem, irmandade, ao seu espírito Colegial. Luís Filipe Sarrico Lapão nasceu em Lisboa no dia 10 de Abril de 1980. Entrou no Colégio em 1990 com o nº 5. Ficou na turma A, tal como eu, e assim permanecemos até ao fim. Sempre foi bom aluno e bem comportado. Comportamento recatado, reservado e calmo, mas ao mesmo tempo, sempre pronto para alinhar nas nossas brincadeiras de Ratas. O tempo no Colégio foi passado sempre com a mesma postura tranquila, até à saída em 1998 do Colégio como finalista graduado da 4ª Companhia. Formou-se em Engenharia Ambiental pela Universidade Nova de Lisboa (UNL) em 2003. A paixão pelo mar, pelo surf e pela natureza, ditaram a preferência profissional. Concluiu uma Pós-Graduação em Ordenação Territorial e Planeamento Ambiental na UNL em 2004. Não contente com o que podia e

curso. Só ele sabe o que lhe custou. Os sacrifícios que teve de fazer. Mas desde que colocou esse projecto na cabeça, foi até ao fim com ele.

de melhorar as suas competências, no Brasil estava a fazer duas Pós-Graduações em Engenharia de Segurança no Trabalho e em Gestão de Qualidade, Saúde, Meio Ambiente e Segurança do Trabalho (QSMS) na Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro. Muito haveria para dizer sobre o Lapão. Cada um tem na memória os mais diversos episódios passados com ele. E cada um recorda-o e presta-lhe a homenagem à sua maneira. Somos todos irmãos e crescidos, mas crianças entre nós. Era amigo, leal, cumpridor, adorava estar e sair com a malta do curso, de fazer surf com os seus amigos. Quis o destino que fosse trabalhar para o Brasil, longe dos seus, da família e dos irmãos de

Não há palavras para descrever toda a tristeza, e não são elas que irão vingar. Prefiro recordar os bons momentos que passámos. É triste morrer jovem, mas é mais triste morrer e ser esquecido, e tu nunca irás ser esquecido meu irmão, descansa em Paz.

Luís Manuel Marques Cóias 190/1990


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