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Editorial Revista “ZACATRAZ”
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Carlos Francisco da Silva do Rio Carvalho (307/1971) Membro da Direcção
Editorial Os Colegiais Militares 25 de Abril de 1977 Quando tocou o hino nacional em continência à bandeira e ao Presidente da República - General António Ramalho Eanes - ouvia-se provocatoriamente a “Grândola”, mais gritada que cantada. Estávamos formados no Parque Eduardo VII, ia iniciar-se o 3º aniversário do 25 de Abril e tinha corrido o boato de que o desfile ia ser atacado, que muito provavelmente haveria bombas como no enterro do Sidónio Pais em 1918. Era a nossa oportunidade de ficar na história dos grandes desfiles do Colégio e eles ali estavam, no Marquês e logo à entrada da Avenida, a provocar e a gritar palavras de ordem. O desfile começou, ouviam-se distintamente os apupos e palavras de ordem, havia faixas dos muito ativos GDUPs – Grupos Dinamizadores da Unidade Popular. Lá estava o inimigo, ia acontecer! Entramos no Marquês de Pombal em frente de doze, fileiras abertas, a marchar como deve ser. E eis que fomos intensamente aplaudidos pela multidão e… pelos GDUP. Não eram o inimigo, não se repetiu o enterro do Sidónio, seguimos o nosso conhecido caminho pela Avenida da Liberdade e correu muito bem o desfile até ao Rossio. Por que razão nos aplaudiram?
14 de janeiro de 1882 Os Colegiais Militares Por ocasião da grande parada em honra dos Reis de Espanha, abria a marcha, no desfilar das tropas, em frente do pavilhão real armado na praça do Rossio, o pequeno batalhão dos alunos do Colégio Militar. Era a primeira vez que os jovens colegiais se
mostravam em forma numa revista do Exército. Quando – depois de haverem passado os dois reis com o seu estado-maior, fazendo reluzir ao sol numa grande palpitação triunfal as testeiras e os peitorais dos cavalos, as pedrarias das condecorações, as faixas ondeadas das grã-cruzes e os penachos dos capacetes e dos bicornes - se abriu uma clareira na enorme multidão compacta que coalhava toda a superfície do Rossio e que no quadrilátero descoberto sobre o macadame o batalhão colegial apareceu, uma sensação nova percorreu os nervos do grande público lisbonense. Dir-se-ia que cada um via então pela primeira vez o Exército nacional na sua expressão mais genuína. Esse regimento em miniatura representava efectivamente na sua encarnação virginal o mais puro espírito militar da nação. Esses soldadozinhos, de todos os mais pequenos, eram de todos os mais instruídos e ilustrados. Os dos outros regimentos estavam ali nas fileiras porque em tempo os tinham ido capturar para isso ao trabalho dos seus campos ou das suas oficinas, e eles não haviam sido bastante ricos para pagarem um substituto, nem bastante corajosos para se isentarem, como outros, da escravidão da farda, arrancando dois dentes da boca ou decepando um dedo da mão. Os alunos militares eram os soldados voluntários e livres. Para eles a honra de vestir o uniforme é a mais brilhante do mundo. Os seus pais e os seus mestres têm-lhes mostrado por muitas vezes as belas edições ilustradas das campanhas de Aníbal, de Frederico, de Napoleão e de Condé. Eles viram Leónidas nas Termópilas, César no Rubicon e Bonaparte em Arcole. Não sabem ainda bem o que é o peso das armas, mas aprenderam já o que é o peso
do dever e o que é a força do heroísmo. Têm a estética da sua profissão, conhecem o que é belo dentro da esfera das suas aspirações e dos seus actos. E eis aí a razão por que nenhum regimento desfilou como o deles, marchando com tão grande correção geométrica, com tanta unidade, com tanta certeza, com uma tão intensa expressão de força, de brio marcial e de bravura guerreira. Que esses belos e altivos rapazes guardem bem nos seus corações juvenis os aplausos que receberam dos seus concidadãos neste dia! É bem provável que nunca mais em sua vida tornem a ser objecto de outros tão unânimes e tão convictos. Porque aquilo que eles hoje julgam ser a nobre carreira de armas, não será mais tarde para eles senão o ofício de fazer guardas ao quartel, de ganhar postos a ler o Diário de Notícias numa cadeira à porta da casa da guarda, e de levar de quando em quando, pelas costas, um tiro de algum galucho enfastiado e epiléptico. José Duarte Ramalho Ortigão, 13 de Fevereiro de 1882 in “As Farpas”
Na Revista Ocidente, sobre a visita dos Reis de Espanha (…) A parada foi excellente. O exercito, na força de dez mil homens apresentou-se bem, merecendo especial menção os alunos do collegio militar e o corpo de marinheiros que foram victoriados pela multidão.(…) Gervásio Lobato, 21 de Janeiro de 1882 in Revista Occidente
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Editorial
Sobre a honra de vestir o uniforme Ramalho Ortigão viu a desfilar no Rossio “… soldados voluntários e livres.”; ”para quem a honra de vestir o uniforme é a mais brilhante do mundo…”; “que têm a estética da sua profissão, conhecem o que é belo dentro da esfera das suas aspirações e dos seus actos”. Que “Não sabem ainda bem o que é o peso das armas, mas aprenderam já o que é o peso do dever e o que é a força do heroísmo.” Gervásio Lobato1observou o desfile, detectou e reportou aos seus leitores a singularidade dos alunos serem “victoriados”. Ramalhão Ortigão também estava presente no momento, partilhou a emoção e interpretou-a num relance, compreendeu a singularidade do modo de educar do Colégio e transmitiu-a com precisão e arte, num texto que passados 132 anos está vivo e comprovado pelo futuro.
Também em 1882 Portugal vivia uma profunda crise económica, financeira e social. As forças armadas, tal como hoje, encontravam-se desmoralizadas e com relações pouco saudáveis com o poder político. Num relance, Ramalho Ortigão separou o potencial educativo do Colégio que decorre da essência das virtudes militares, dos problemas circunstanciais dos militares e da política naquele momento da história. Ramalho Ortigão criticava incisivamente a sociedade e a política do seu tempo. Nos muitos textos que dedicou à educação em Portugal, apresentou modelos alternativos e exemplos do que se fazia noutros países. No magnífico texto sobre os “Colegiais Militares” o exemplo é português e actual, transparece da escrita um misto de orgulho e emoção que
ainda hoje orgulha e emociona. Seriam precisos mais 130 anos para que um político inflado pela circunstância dramática do país, ignorando os muitos que publicamente o advertiram sobre o erro, tenha expressado o seu desprezo pelos militares através de uma acção de destruição do Colégio Militar. É hoje evidente que Aguiar Branco não quer reformar no sentido útil e nobre do termo, preservando a essência tão instantaneamente detectada por Ramalho Ortigão e que tanto tempo demorou a apurar. Quer apenas contaminar a essência e, assim, destruir. Os militares não deram importância ao caso: estavam porventura a ler o Diário de Notícias, sentados numa cadeira à porta da casa da guarda.
1 Gervásio Lobato (1850-1895), jornalista e escritor cuja obra incidiu com a frequência na vida e costumes da cidade de Lisboa. Colaborou com muitos dos periódicos do seu tempo e foi director da revista “Occidente”.
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Ficha Técnica
CORPOS SOCIAIS DA ASSOCIAÇÃO PARA O TRIÉNIO 2014-2016
Ficha Técnica PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL Fundada em 1965 Nº 196 Julho/Setembro - 2014 FUNDADOR Carlos Vieira da Rocha (189/1929)
DIRECÇÃO Presidente Vice-Presidente Secretário Tesoureiro 1º Vogal 2º Vogal 3º Vogal 4º Vogal 5º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente 3º Vogal Suplente
DIRECTOR Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949)
António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios - 529/1963 José António Madeira de Ataíde Banazol - 631/1968 Pedro Miguel Correia Vala Chagas - 357/1977 Vítor Manuel Galvão Rocha Novais Gonçalves - 666/1971 Carlos Francisco da Silva do Rio Carvalho - 307/1971 Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva - 53/1961 Luís Baptista Esteves Virtuoso - 72/1973 José Afonso Correia Lopes - 237/1976 José Nuno Castilho Ribeiro Pereira - 233/1973 Miguel Assis das Neves Carneiro de Góis - 188/1983 Gustavo André dos Santos Lima – 248/1994 Afonso Castelo dos Reis Lopez Scarpa - 222/2000
CHEFE DE REDACÇÃO Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957) REDACÇÃO Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950) Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva (53/1961) João Carlos Agostinho Alves (110/1996) CAPA Lourenço Paiva Raposo Farrusco Meess (222/2008), Batalhãozinho de 2008 © Foto Sérgio Garcia (326/1985) ENTIDADE PROPRIETÁRIA E EDITOR Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar MORADA DO PROPRIETÁRIO e SEDE DA REDACÇÃO Quartel da Formação - Largo da Luz 1600-498 Lisboa Tel. 217 122 306/8 Fax. 217 122 307
ASSEMBLEIA GERAL Presidente Vice-Presidente 1º Secretário
António José Fonseca Cavaleiro de Ferreira - 332/1950 Duarte Manuel Silva da Costa Freitas - 199/1957 João Miguel Jardim de Abreu Ferreira Pinto - 261/1980
TIRAGEM - 1350 exemplares DEPÓSITO LEGAL Nº 79856/94 DESIGN E EXECUÇÃO GRÁFICA: Tm. (+351) 933 738 866 Tel. (+351) 213 937 020 info@smash.pt www.smash.pt
CONSELHO FISCAL Presidente 1º Vogal 2º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente
José Manuel Spínola Barreto Brito - 539/1963 Eurico Jorge Henriques Paes - 306/1957 José Francisco Machado Norton Brandão - 400/1961 António Emídio da Silva Salgueiro - 461/1972 João Luís de Mascarenhas e Silva Schoerder Coimbra - 54/1984
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA AOS SÓCIOS DA AAACM Isenta de registo na Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC), ao abrigo do nº 1 da alínea a), do Artigo 12º do Decreto Regulamentar nº 8/99, de 9 de Junho. Os artigos publicados são da responsabilidade dos seus autores. Esta publicação não segue o novo acordo ortográfico.
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Sumário
05 Antigos Alunos em Destaque 06 Instituto de Odivelas 08 Colégio Militar Um projecto de formação em Liderança
11 Curso de 1943/1950 15 Curso de 1957/1964
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Entrevista a António José da Silva Coutinho (249/1980)
16 Curso de 1996/2004 26 Antigos Alunos nas Artes e nas Letras 30 Primeira Guerra Mundial 1914-1918 Os nossos mortos
38 Dia de Portugal - 10 de Junho de 2014 39 Homenagem aos Combatentes 10 de Junho de 2014
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Tenente Aragão, Um herói como há poucos.
41 Jumping do Colégio Militar 42 Do Mundo Hípico 58 O Espetro da Guerra 59 Geronimo 60 A importância da luta livre na Europa do Século XVI
62 Analisa a tua personalidade!
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Homenagem a Sérgio Bacelar (184/1956)
Antigos Alunos pelo Mundo.
63 Os que nos deixaram
52 Rumo à Grande Guerra. A louca corrida para o abismo
Antigos alunos em Destaque
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Antigos alunos
em Destaque
Tomaz Júlio Teixeira de Azevedo e Guimarães Metello (462/1958) Presidente do Conselho de Administração/CEO da EuroAtlantic airways
©Foto Pedro Bettencourt / Produção Diana Conceição
Pela GQ, conceituada revista internacional, foi-lhe atribuído o galardão “GQ Men of the Year” na categoria “Prémio MOTY Negócios”. No último ano e pela segunda vez consecutiva, a GQ distinguiu em Portugal homens e mulheres que mais se destacaram no panorama nacional. A gala GQ Men of The Year Awards 2014, decorreu na Cidadela de Cascais, no passado 11 de Maio, com a presença de diversas personalidades nacionais e internacionais, a assinalarem a importância e a visibilidade do evento para o país e para os nomeados. A GQ justificou o galardão de “Men of the Year” que entendeu atribuir ao Presidente do Conselho de Administração/ CEO da euroAtlantic Tomaz Metello, por este ter fundado uma companhia aérea de capitais privados, detendo hoje uma excelente frota de aviões de médio e longo curso. A euroAtlantic voa há 21 anos, ao serviço da indústria aeronáutica portuguesa, apresentando resultados anuais positivos e ultrapassou com sucesso, todas as crises globais e nacionais, que afectaram um sector empresarial de elevado risco e que provocaram o encerramento de muitas companhias. Em 2013, comparativamente a 2012,
a euroAtlantic apresentou resultados cinco vezes superiores. A história da euroAtlantic, assinala diversas efemérides, tendo sido, entre outras, a primeira companhia portuguesa a operar voos charter de longo curso, incluindo destinos como o Brasil, e a primeira empresa estrangeira certificada para operar nos Estados Unidos. Em Novembro de 2009, no pico de uma crise das economias, Tomaz Metello surpreendeu o mercado adquirindo o primeiro Boeing 777 para a frota da Península Ibérica. A euroAtlantic detém o record mundial por ter escalado 545 aeroportos em 164 países (83% do total dos 194 estados conhecidos), concretizando nove Cruzeiros Aéreos à Volta do Mundo e estando já programado um outro para o próximo mês de Novembro de 2014. Ainda no último ano (2013), fruto da excelência de serviços prestados, a euroAtlantic foi nomeada para os WTA–World Travel Awards na categoria "Melhor Companhia Aérea Charter do Mundo", tendo sido uma das companhias finalistas.
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Instituto de Odivelas
Instituto de Odivelas Nota prévia Através de divulgação documental da AOFA, tomámos conhecimento do texto da autoria da Senhora D. Maria Rodrigues que se identifica como sendo uma Amiga do Instituto de Odivelas, onde se referem aspectos da valia de uma Instituição que deveria ser acarinhada e preservada e que, infelizmente e sem fundamentos consistentes, se pretende por uma teimosia despropositada condenar à extinção. O futuro julgará quem assim procede e fará justiça a tal desmando. O texto pela sua actualidade e qualidade desde logo mereceu a nossa atenção, tendo solicitado à AOFA a indicação da sua autoria e da possibilidade de ser autorizada a sua inserção na ZacatraZ, a qual nos foi concedida de imediato. Agradecemos à Senhora D. Maria Rodrigues a sua disponibilidade para a transcrição deste texto e felicitamo-la pela forma elevada e objectiva como apresentou o Instituto de Odivelas, Instituição que nos merece o maior respeito mas que, infelizmente, tal não se verifica em quem competiria defendê-la. Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949) Director da ZacatraZ
Estas férias… Visite o Instituto de Odivelas, o Mosteiro de Odivelas e o Forte de Santo António do Estoril
E
m Fevereiro de 2013 foi nomeada, pelo Ministro da Defesa Nacional, uma comissão técnica para elaborar uma proposta para uma “Rede Nacional de Roteiros de História Militar”, incluindo as “instalações militares com potencial de exploração turística”. O Instituto de Odivelas já existe como “proposta de caráter educativo e formativo “ e valoriza há 114 anos o “conhecimento da História de Portugal”, aproveitando as expressões do objetivo de trabalho da supracitada comissão técnica. As alunas aprendem o gótico, o manuelino, o barroco, o neoclássico e sabem preservar o património monumental que é o Mosteiro de Odivelas. Os claustros ou o jardim da Princesa são espaços de recreio cuidados e respeitados. O património do Mosteiro
de Odivelas está aberto à comunidade e os Dias Abertos do Instituto de Odivelas (IO) foram um sucesso e sê-lo-iam mais, não fosse a extinção por despacho governamental prevista para 2015. O Instituto de Odivelas como escola de excelência e com a marca “Meninas de Odivelas” tem potencial de “caráter educativo e formativo” de forma intrínseca. Já o Forte de Santo António em S. João do Estoril, desde a I República a colónia de férias do IO, foi usado como local de férias pelo ditador de Santa Comba Dão. Salazar tomava em linha de conta o tempo e o modo das férias das alunas de IO. O Forte de Santo António tem, pois, potencial educativo e lúdico para crianças e jovens da Família Militar, e não só. Mas, será uma qualquer vocação turística,
em sentido restrito, a justificação que agora se apresenta para o encerramento de uma escola secular? Em França é impensável retirar o Mosteiro de Saint Denis da Maison D ‘Éducation de la Légion D’Honneur, aí instalada desde o século XIX, também ela uma escola feminina em regime de internato. Por direito e por vocação, o Mosteiro de Odivelas, monumento nacional desde 1910 e que remonta a 1295, o IO que remonta a 1900, o Forte de Santo António que remonta ao século XVI, e que é colónia de Férias do IO desde 1915, devem pertencer à Rede Nacional de Roteiros de História Militar. O Mosteiro de Odivelas, o Instituto de Odivelas ou a “Casa de Férias” do IO, como está escrito em painel azulejar no forte filipino são uma espé-
Instituto de Odivelas
Forte de Santo António do Estoril
Claustro da Moura
cie de “3 em 1”, uma trindade que funciona orgânica e harmonicamente e que já constitui, e naturalmente, um roteiro com História.
O Instituto de Odivelas foi criado por Decreto de 9 de Março de 1899.
Claustro Principal
O Instituto de Odivelas é uma escola que nas palavras do Presidente da República Portuguesa, por ocasião do discurso oficial na cerimónia solene comemorativa do 110.º Aniversário do Instituto de Odivelas em 2010, se deve acarinhar e incentivar. O Despacho N.º 2606/2014, de 18 de Fevereiro prevê o encerramento e a extinção do Instituto de Odivelas no final do ano letivo de 2014/2015.
Pela defesa do Instituto de Odivelas
Uniformes e equipamento ao longo dos tempos
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Colégio Militar Um projecto de formação em Liderança
Professor Doutor José Mexia Crespo de Carvalho Professor Associado, com Agregação, do ISCTE.
Colégio Militar Um projecto de formação em Liderança Nota da Redacção Texto transcrito da Revista Militar Nº 2/3, Fevereiro/Março de 2003, dedicada ao bicentenário do nosso Colégio, por amável deferência da Direcção desta publicação, de grandes méritos consagrados ao longo tempo. Aqui registamos o nosso agradecimento pela disponibilidade sempre manifestada no apoio solicitado pela ZacatraZ.
Introdução
H
ouve quem quisesse fechar, vejam só, o Colégio Militar. Ou melhor, houve governantes e interessados, incautos e mal informados, que o quiseram encerrar. E, com isso, condenar os ‘Meninos da Luz’, hipotecando os resultados educativos e os frutos societais de uma instituição com 200 anos e uma história absolutamente invejável. É justamente, pois, por altura do seu aniversário maior que reitero o que não deve, não pode, ser feito: acabar. As consequências do fecho, essas, seriam bem mais graves do que a putativa ‘blindagem’ económico-financeira de um sistema dito perdedor. Tratar-se-ia de uma verdadeira falta de conhecimento do que é o sistema educativo em Portugal e do que são as suas múltiplas facetas e necessidades de diferenciação – para o bem. E do que de melhor há nesse sistema educativo. Dir-se-á, portanto, que o Colégio tem muitíssimas vantagens e, se comparado com muitas outras instituições, prestou bem mais serviços à Nação que copiosos governantes, governos e instituições sem visão, sem estrutura, sem pro-
jecto, sem ambição e, porque não dizê-lo, sem resultados e sem mérito. E, assim, de uma assentada mandar-se-ia fora o resto do ensino militar (que verdadeiramente o não é), com expressão, em Portugal. Já não estamos, sequer, a mencionar a tristeza com que Portugal – o Portugal que gosta de ser português – iria sentir mas, face a tal tipo de decisão, à dimensão da injustiça, só mesmo comparável, em tamanho, à dimensão da Instituição. Estamos, pois, a sublinhar o erro desta hipotética decisão que, a pensar-se um dia – como já se ousou pensar –, só poderia ser classificada como das mais grosseiras de que há memória nos últimos anos. Não é inoportuno, pois, que nesta data festiva se relembrem alguns dos maus momentos atravessados e de onde, felizmente, emergiram vitórias – limpou-se, para já, o espectro do encerramento. Quanto ao futuro, não será demais lembrar que a intenção (a pior das intenções) existiu e que Portugal, e os portugueses, se têm que bater contra as atrocidades que lhe querem fazer.
Haverá, seguramente, porquês que explicam a hipotética decisão e a situação por que passou o Colégio há bem pouco tempo. Perguntem-se, então, quais? A mim, por exemplo, nada me ocorre. Nem mesmo a viabilidade económico-financeira do Colégio pode explicar tamanha falta de visão. Também, diga-se, um Governo, um conjunto de governantes ou de iluminados que se permite pensar tal sabe lá o que é isso de visão e, mais, muito menos o sabe quanto o pratica. Quantas são as instituições medíocres e terrificamente mal geridas, por onde circulam, pavoneando-se, os rostos da mediocridade deste país, qual Nação dos ‘tachos’, dos ‘ocupantes dos tachos’ e dos ‘aspirantes a ocupantes dos tachos’ que os Governos, governantes e sucessivas disfunções governativas mantêm? Quantas fundações e direcções? Quantas duplicações, triplicações,… e quantas aberrações se perpetuam, incólumes e impunes à crítica, na Administração Pública e suas muitas derivadas?
Colégio Militar Um projecto de formação em Liderança
Não. Nunca fui aluno do Colégio Militar. E, por isso mesmo, posso falar com o à vontade da isenção. E com o à vontade acrescido de não ter ninguém na família que seja, ou tenha sido, militar. Então, dir-se-á, porquê esta revolta? Porquê este comentário? Porquê esta insistência? E porquê esta crítica violenta a uma possível decisão de fecho? Escrevia eu, há não muito tempo, sobre a importância da capacidade de liderança numa Nação. E dizia, questionando, porque nem sempre, ou quase nunca, a liderança é entendível em Portugal? Para logo responder,
de forma seca e dura, com a noção clara e objectiva de que, salvo raras excepções, não há escola, hábito ou formação de liderança(s) em Portugal. O Colégio Militar seria, e ainda é, dos pouquíssimos espaços, entre nós, onde algo se pode aprender sobre liderança. Onde se podem assumir responsabilidades, enfrentar desafios, trilhar caminhos de risco, tomar decisões complexas. Com a vantagem de o fazer desde pequenino. Nem tudo corre bem. Nem tudo é aceitável no processo, todos sabemos. Mas se houver alguns alunos, como se verifica que há,
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a saírem com capacidade de liderança o Colégio já cumpre, e bem, a sua função. Perguntar-se-á, então, se o Colégio precisa de uma reconfiguração? Seguramente. De uma actualização? Obviamente. Nada mais normal numa instituição com 200 anos e onde as coisas, muitas delas, já não se adequam aos tempos que correm. Infelizmente, fechar seria o mais fácil e mais cobarde de todos os actos. O mais nobre só poderia ser, mesmo, a reestruturação e, porque não, o investimento.
Da Relevância da Liderança
U
m dos mais importantes, senão o mais importante de todos os temas da actualidade portuguesa assenta numa palavra nem sempre entendível, muitas vezes confundível, tantas vezes desprezável, mas absolutamente imprescindível: liderança. A liderança que se constrói numa empresa, a liderança que se constrói numa sala de aula, a liderança necessária numa família, numa instituição pública, num partido como num governo. Em primeiro lugar, pode perguntar-se porque nem sempre, ou quase nunca, a liderança é entendível? Não é entendível porque não há escola, hábito, formação de liderança em Portugal. O povo português, na maioria das circunstâncias, não foi confrontado com personalidades capazes de desenvolverem liderança. Não ouviu falar de liderança. Não estudou princípios de liderança. Assim sendo, apenas a pode entender, ainda que de forma ténue, quando a encontra. Mas, uma vez encontrado o/a líder, depressa estabelece para com ele/a uma relação de confiança. Liderança pressupõe, então, assumir responsabilidades, enfrentar desafios, trilhar caminhos de risco, tomar decisões complexas, mesmo se debaixo de stress e, ainda assim, perseguir objectivos. Ou melhor, tudo o resto para conseguir objectivos. Admite-se que não é fácil conciliar as várias frentes. E, precisamente por isso, não é fácil ser líder. A responsabilidade é frequentemente pouco assumida. Desde pequeno que se ouvem, e quase treinam, crianças a responder com um «Não fui eu». O risco não é assumido e, quando o é, raramente se torna claro, objectivo, partilhado (e explicado) e assumido. Porque o risco, quando se corre de forma legítima, assume-se pela necessidade de atingir objectivos. A decisão
(e o processo de decisão) é passada a outrem, e muito frequentemente, adiada. Pelo simples facto de haver vergonha se, e quando, se verificar falha. Que nunca se pretende assumir. Voltamos, então, à responsabilidade plena. Isto, bem vistas as coisas, para além da necessidade e o conforto que o português tipo sente por ser bem visto aos olhos do mundo, por agradar, por bem se dar com gregos como com troianos. Finalmente os objectivos. Ou, antes de tudo, os objectivos. Melhor, tudo se explica em face do estabelecimento de metas, de objectivos concretos, que acabam por envolver as demais variáveis. Em segundo lugar, pode perguntar-se porque se torna confundível a liderança? Se a liderança é a promoção e o desenvolvimento de uma relação estreita entre as variáveis anteriores, todas elas convergentes num líder, porque se confunde liderança e com quê? Confunde-se liderança, tantas vezes, com arrogância. Como se confunde liderança com autoritarismo. Desconfiança do passado, ‘liderança’ imposta e não aceite ou, simplesmente, desconhecimento de que um grupo (empresa, partido, universidade ou governo) não liderado entra no caos até conseguir um mínimo de organização (por via de um ou mais líderes)? A confusão pode até ser legítima face ao passado do país, tendo deixado marca numa geração, talvez duas ainda hoje presentes. Porém, nas mais recentes não deixou absolutamente nada, a não ser por via indirecta e, também, por via da libertinagem consentida (que não liberdade), sistematicamente incentivada e, mesmo, aplaudida. O resultado só podia ser a passagem do 8 para o 80. Com a agravante de se não ter conseguido parar no meio. Entre um caminho ditatorial, não pretendido, e um caminho caótico, hoje endeu-
sado, perdeu-se a virtude do equilíbrio. Para os americanos que têm a felicidade de passar por West Point, escola militar mas, antes de tudo, escola de líderes, o mote é dado desde cedo, assentando na expressão «Be, Know, Do». Aparentemente uma expressão simples. Mas demasiadamente complexa para colocar em prática, sobretudo se sem prática e na ausência de formação. Aqui, ou melhor lá, não há confusão possível. Os líderes não nascem, formam-se. Repare-se que, mal ou bem, a capacidade para desenvolver o saber e a acção pode ser incutida num estudante. Não é o mais difícil, seguramente. O mais difícil é ensiná-lo a ser – valores, ética, conceito próprio, entre outros. Se alguém, algum professor, por exemplo, ensinar a um seu aluno o que é isso de ser, um pouco do que representa ser, só o pode fazer pelo exemplo. Pede-se trabalho, mostre-se trabalho. Pede-se esforço, mostre-se esforço. Pede-se dedicação, mostre-se dedicação. Pede-se honestidade, mostre-se honestidade. Pede-se verticalidade, mostrem-se valores sólidos, referências. O aluno adere, sim, mas pelo exemplo. Onde o professor deverá dizer, sempre, que os seus (deles) objectivos, enquanto alunos, é superarem o ‘mestre’. Serem melhores que ele, o líder. Porque só assim se constroem líderes. Em West Point, de novo, a vantagem é redobrada. Um aluno é sempre aluno até ser bacharel. Mas os seus resultados dependem, também, dos resultados de um conjunto de outros alunos, chegados depois dele (ou não), e que lhe vão sendo confiados. O aluno, enquanto líder, pede determinadas tarefas, que vão aumentando, assim como a responsabilidade, à medida que o aluno se vai formando. A grande vantagem está,
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Colégio Militar Um projecto de formação em Liderança
precisamente, em todos os alunos serem líderes. É assim que se consegue construir liderança. Como é assim que se consegue transmitir confiança. E ser-se, ou não, aceite perante outros com potencial. A capacidade de aceitação joga em favor do aluno, empossado líder, pois outros, que por ele são liderados esforçam-se por fazer mais e melhor. Não por imposição. Antes por partilha de visão. Não por arrogância. Antes pela postura de humildade, pelos resultados, pelos factos concretos. A ideia não é criar uma curva de Gauss, normalizando os outputs. Antes pelo contrário. A ideia é torná-los todos, sem excepção, bons alunos, bons líderes. Cada um com a sua idiossincrasia, obviamente, mas bom à sua própria maneira. Não é permitida qualquer confusão. Como ninguém, mas ninguém, pensará que liderança é autoridade ou despotismo. Liderança é, sem querer entrar em redundância, responsabilidade, confiança, flexibilidade, planeamento e capacidade de reconhecimento das falhas próprias. Não só, mas também. Essencial num líder. Estão proibidas as vítimas do sistema. A vitimização é um artefacto, um desviar de atenções. Não existe, pois, vitimização. Existe, isso sim, responsabilização. Em terceiro lugar, pode perguntar-se porque se torna desprezável a liderança? Porque se confunde, não raro, com a ideia que se tem, absolutamente errada, de que liderança é uma espécie de comando “fechado” e controlo asfixiante. Isso, é bom que se diga, não é liderança. Coloque-se, por exemplo, um conjunto de crianças a jogar à bola. A entropia é total. Mas sabe-se que, mais tarde ou mais cedo (normalmente tarde demais) algum tipo de ordem emergirá. Até que, por exemplo, as crianças se formem em equipas. Mas até lá, o tempo perdido pode ser
de tal maneira grande que não haja possibilidade temporal para jogar, efectivamente, à bola. Esgota-se, entretanto (e por exemplo), o tempo de recreio. Se, ao invés, o professor indicar as equipas, explicitar as regras e ficar a assistir e a gerir o jogo, então joga-se futebol. E marcam-se golos. Atingem-se objectivos. Pergunte-se, então, qual foi o papel do líder? O líder foi apenas um facilitador, tornou-se um regulador das condições base, estabeleceu as fronteiras do campo. Ensinou as regras e estipulou as que deveriam ser absolutamente cumpríveis. Depois, bom, depois geriu o jogo por excepção. Mas não foi ele quem realmente marcou golos, como não foi ele que jogou numa das equipas. Não foi ele que disse a cada um como jogar. Ao invés, foi ele que definiu as regras base, aplicáveis a todos. Foi ele quem balizou o campo. Foi ele quem formou as equipas. Quem motivou os jogadores a darem o seu melhor. A entrosarem-se e a completarem-se. E passou a gerir o jogo, e os jogadores, por excepção. Ao influenciar o caos, impondo regras, afastou a entropia e transformou o sistema num sistema objectivável. Com resultados palpáveis. E, no entanto, não fez mais que o seu papel. O papel de líder. Por último, porque não se faz da liderança uma arma de gestão imprescindível? Sobretudo pelos vários argumentos anteriores mas, não menos, por dois outros aspectos, à boa maneira portuguesa: por medo e por total ausência de formação. Medo da ultrapassagem, de não existirem condições de liderança ou de não se reunirem as qualidades básicas ao seu exercício. Mas o medo, na maioria das circunstâncias, é um medo de principiante, i.e., nem sequer se identifica a sua origem porque não se admite, jamais, que o problema possa residir na ausência das variáveis
base a esse mesmo processo de liderança. Isso pode ser terrífico quando existem aspirações que, manifestadas ou sentidas, poderão não conduzir a lugar nenhum ou, quando conduzem, levam “exércitos” (partidos, governos, empresas, entidades) ao caos. Depois, bom, depois a falta de formação, aspecto que me tem feito reclamar vivamente – e reunir-me ao Colégio Militar, no que de bom tem – nos últimos tempos, mas que nesta área é, senão insuficiente, calamitosa. Nós estamos no ponto mais Ocidental da Europa, mas não em West Point (infelizmente). Nós mesmos liderámos expedições mar afora. E descobrimos terras e gentes. Fomos, entre muitos outros, talvez dos melhores colonizadores (para a época e o conhecimento possível). Procurámos, no mundo, a confiança. Ousámos arriscar. Conseguimos, não raro, liderar. Conquistámos, tantas vezes pela paz, o que outros conquistaram pelo sangue. E não deixámos de ser quem somos... ... Agora, no entanto, mesmo depois de um passado de que qualquer Nação se orgulha, não aguentamos a pressão. Perdemos a batalha da liderança. Como perdemos a batalha económica e social. Depois de cinco anos cumpridos ao serviço do exército e pós-West Point, a maioria dos americanos formados sai para as empresas. Segundo eles, nos dias de hoje «Business has Become the New National Defence». Nós devíamos procurar os mesmos desígnios. Porque o serviço à economia é hoje o serviço à Nação. No entanto, só se fará quando houver liderança. No governo, nas empresas, nas universidades, nos partidos. Voltando aos velhos tempos do risco e da decisão. Dos objectivos. Até lá, aguarda-se por quê? Não só, mas também, por formação. Aquela que o Colégio Militar – quase única excepção – há 200 anos confere.
deveriam saber pagar para conseguir atingir, de facto, o objectivo da liderança das coisas públicas – pelo menos essas. Mas isso que importa? Assim como assim, quando os cegos conduzem acaba tudo num buraco. Quem tem olhos para ver que veja. Porque, tanto quanto se sabe, ainda vamos a tempo. A tempo de pensarmos bem e depressa e de chegarmos à conclusão que o Colégio Militar está lá, hoje, não para formar militares. Mas tão só para formar líderes empresariais. Tal como
West Point, a famosa escola militar Norte Americana onde há muito se deixou a formação, no sentido estrito, de “guerreiros” profissionais. A tempo de fazermos do Colégio Militar a grande Instituição que sempre foi, investindo e reconfigurando um projecto que deu e dá frutos e apostando, também, na formação que mais falta nos faz: a formação para a liderança. Assente na disciplina, nos valores, na ética humana, na verticalidade, no trabalho e na dedicação.
Conclusão
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ão seria mau, então, e à semelhança do que se faz em West Point, que Portugal fizesse um investimento num Colégio (o Militar) de onde iria poder recrutar, futuramente Quadros e Chefias para a Administração Pública. Ou para Directores e Administradores de empresas e organismos com Capitais Públicos – e não só. Talvez não fosse uma ideia absurda. Porque os líderes fazem-se. Infelizmente, não nascem assim. Ou seja, formam-se com muito esforço e dedicação, ou com o preço que os Governos
Curso de 1943/1950 Romagem dos 70 Anos de Entrada
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Curso de 1943/1950 Romagem dos 70 Anos de Entrada 23 de Maio de 2014
Curso 1943/1950 – 70 Anos de Entrada – 23 de Maio de 2014 ©Fotos Leonel Tomaz
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etenta anos depois, voltámos mais uma vez aos Claustros em homenagem ao Colégio, lembrando a data de entrada em 1943 e a passagem pelo Curso até ao dia da saída, em 1950. Como Convidados estiveram o Major General António Madeira Peste antigo aluno 321/1943 do IMPE, representando a Família do "Pilão" e, pela Família Colegial tivemos connosco, como de costume, o José Maria Myre Dores (47/1942) e, desta vez também, o José Galvão de Melo (186/1944). Nesta Romagem de Saudade, estiveram presentes: João António Duarte Pina da Silva Ramos (9/1942), Pedro Júlio de Pezarat Correia (10/1943), Carlos Fernando Valente Ascensão Campos (12/1942), José Jaime Pinto Monroy Garcia (38/1942), António Sobreiro Pereira Gonçalves (43/1945), Je-
rónimo José Nunes Vieira Lopes (59/1943), Alberto Esteves Geraldes Freire (63/1943), António Francisco Martins Marquilhas (67/1944), João Manuel Bilstein de Meneses Luiz de Sequeira (70/1942), José Júlio de Azevedo Valarinho (73/1943), António Eduardo Domingos Mateus da Silva (86/1943), José Maria Barroso Branco Ló (90/1942), José Villa de Freitas (94/1942), Eugénio dos Santos Ferreira Fernandes (105/1943), Júlio Pimentel Fraústo Basso (116/1943), Fernando Manuel Gago Elias de Sousa (131/19439, Pedro António Nazareth Costa (152/1943), Rui Ernesto Freire Lobo da Costa (160/1943), Mário Arada de Almeida Pinheiro (164/1943), Joaquim Luís de Azevedo Alves Moreira (166/1943), João Martins Ribeiro Mateus (169/1944), José Fernandes Martins e Silva (174/1945), José Manuel Ferreira de Carvalho Martins (225/1943), José dos Santos Vicente de Bar-
ros (286/1941), Máximo António Coelho de Moura (306/1941). Foram recordados os que nos deixaram: João Pedro Garrido Borges (2/1943), Vasco Augusto da Silva Pinto e Simas (3/1942), José Júlio de Castilho Morais Sarmento de Luna Caldeira (18/1944), João Carlos de Oliveira Marinho Falcão (19/1941), José Gomes Martins Varela (28/1943), Arménio Augusto da Silva Teodósio (45/1942), Carlos Alberto Blasco Gonçalves (51/1942), Evaristo Ramalhinho Duarte (64/1942), Júlio César Pedreira de Campos (68/1943), António Maria de Craveiro Lopes Carneiro de Sousa e Faro (80/1941), Luís Jorge Lopes Gomes Marques (84/1942), Joaquim José das Neves Mendes Moreira (88/1943), António Lopo Machado do Carmo (96/1943), João Maria Teles de Almeida d’Eça (115/1943), Nuno Álvaro do Couto Bastos de Bívar (121/1943), João Luís Laia Nogueira Men-
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Curso de 1943/1950 Romagem dos 70 Anos de Entrada
des Paulo (132/1943), José Carlos Serra Figueira dos Santos (148/1943), Rogério Luís dos Santos Machado de Sousa (154/1943), Ernesto Beleza Ferraz Braga (158/1943),
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or unanimidade e como prova do maior apreço e camaradagem, solicitámos ao José Maria Myre Dores (47/1942) que, em nosso nome, apresentasse a saudação e cumprimentos à Direcção, tendo sido proferidas as seguintes palavras: “Agradecemos ao Senhor Director esta oportunidade de se comemorar a entrada para o nosso Colégio do curso de 1943, que fez em Novembro passado 70 anos! Para os antigos alunos aqui presentes esta data tem um significado afectivo e racional muito importante. Afectivo porque todos recordam os tempos aqui passados com muita satisfação, quando se iniciou aos 10 anos uma camaradagem entre todos nós e onde houve possibilidade dos então adolescentes ocuparem o seu tempo duma forma interessante, nomeadamente nos campos da amizade e desportivo. Esta camaradagem mantém-se até hoje, quando todos têm mais de 80 anos! Com a maturidade que a idade nos dá sentimos que mais se acentuou essa afectividade. Racional porque nos lembramos das pessoas que nos ajudaram no nosso desenvolvimento, os Directores do Colégio, os oficiais, os outros colaboradores da Instituição, e os nossos Professores que nos prepararam para a nossa vida profissional, militar ou civil. Este curso, em especial, vai homenagear o Dr. Jaime da Silva Mota, professor das disciplinas de Português e Latim, que além de muito competente, soube transmitir aos seus alunos o gosto pelo conhecimento, o entusiasmo pela cultura. Devo referir que não tive o Dr. Jaime da Silva Mota como professor, pois entrei para o Colégio em 1942. Aproveito, Senhor Director, para assinalar que tenho partilhado com o curso seguinte ao meu, o de 1943, a amizade e a camaradagem colegial. Assim, tive o privilégio de ser solicitado para participar nesta sessão de agradecimento a Vª Exa. e de testemunho da passagem pelo nosso Colégio. Aos meus amigos agradeço o honroso convite. Gostaria ainda de referir três aspectos da nossa
Adriano Acácio Guerra Baptista Cordeiro (159/1943), Jaime Reyes Leça da Veiga (201/1941), António Pedro Fernandes da Costa Malheiro (209/1943), Ricardo José
de Almeida e Sousa Gonçalves (233/1944), Mário Luís de Athayde Campos Costa (241/1943), Adolfo Diniz Afonso Sampaio (266/1945).
educação no Colégio, muito centrados em valores humanos. Desde o 10 ano que tivemos três horas diárias de estudo acompanhado o que contribuiu para criar hábitos de trabalho e de disciplina individual. Tivemos para apoio dos nossos estudos excelentes laboratórios de Química, Física e Ciências Naturais, o que nos permitiu ligar a experimentação ao estudo teórico, o que mostra a qualidade do ensino então praticado. Finalmente é de salientar que a actividade desportiva que tivemos, enquadrados pelos professores da especialidade, foi para nós uma escola de valores. Lembramos por exemplo, o ter-nos ensinado a capacidade de dar o melhor de nós próprios, o trabalhar em equipa e o respeito pelo adversário, qualidades que foram úteis na nossa vida posterior. Habituámo-nos a reconhecer o mérito, pois em todos os anos houve atletas de excepção que tiveram a nossa admiração. Recordamos, com muita saudade e amizade, os camaradas de curso de 1943, e aqueles que por lá passaram, e que infelizmente já faleceram. Em especial o 68, Pedreira de Campos, Comandante de Batalhão deste curso, que foi um aluno de excelência, duma enorme modéstia e com um carácter exemplar. Durante este dia vamos participar em algumas cerimónias. Será a oportunidade para se pensar porque é que a formação que tivemos resultou para todos nós. Julgamos que será possível identificar algumas características do Colégio no nosso tempo: o ser um estabelecimento de internato sob tutela militar, o que nos transmitiu disciplina, lealdade e sentido do dever; o haver alunos que vieram de todas as regiões do país o que nos deu a abertura para colegas com uma educação anterior muito diversificada; a existência de graduados que em grande parte do dia enquadraram os outros alunos, o que permitiu a experiência de liderança. Identificamos também estes e outros valores no Código de Honra dos alunos do Colégio Militar. O curso de entrada de 1943 é bem o exemplo do que se acabou de referir. Tem oficiais das forças armadas e civis que exerceram a sua ac-
tividade profissional com muito mérito, dando o melhor de si para o país. Outra característica deste curso consiste no facto de reunir mensalmente há muitos anos. Nesses encontros fala-se de tudo, mas especialmente de episódios passados no Colégio, que se recordam com muita saudade. O ambiente é festivo, de camaradagem e troca de impressões que ajuda a cada um a encarar a vida com mais optimismo! Senhor Director, o Colégio foi criado em 1803, portanto tem agora 211 anos de existência. Este estabelecimento de ensino foi-se transformando de acordo com a evolução da sociedade, mas respeitou a sua matriz de origem e ao mesmo tempo modernizou a sua actividade. Uma instituição que manteve, no essencial, os seus valores durante 211 anos e tão útil foi ao país, pode ser considerada um valor imaterial de identidade nacional! Sabemos que se têm verificado algumas alterações na organização e funcionamento do Colégio, mas temos a esperança de que se mantenham as características que foram referidas anteriormente. Qualquer que seja o cenário de evolução futura da sociedade a Direcção saberá encontrar as melhores soluções para o nosso Colégio. Obrigado “
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o Átrio do Fundador e com a presença do Director, Coronel Tirocinado de Artilharia José António Figueiredo Feliciano, o António Eduardo Domingos Mateus da Silva (86/1943) depôs uma coroa de flores, tendo dito: “Em nome do curso, cabe-me a honra, o privilégio e o prazer de apresentar a homenagem que maior significado tem nesta romagem ao nosso querido Colégio. É que se há algo que consubstancia, tudo o que o Colégio representa como projecto avançado e inovador em relação à época em que foi concebido, tudo o que o País deve ao Colégio Militar e tudo o que nós devemos ao Colégio, é a figura ímpar do Fundador.
Curso de 1943/1950 Romagem dos 70 Anos de Entrada
O Marechal Teixeira Rebelo não tinha origens aristocráticas que justificassem o posto que atingiu, subiu na carreira a pulso pela capacidade e pelo mérito que evidenciou, numa época critica para a independência nacional. Participou “em perigos e guerras esforçados” (Campanha do Rossilhão, Guerra das Laranjas, Guerra Peninsular e Invasões Francesas) e foi simultaneamente um militar operacional, um intelectual, um brilhante técnico artilheiro (professor com obra publicada) e um politico (Secretário dos Negócios da Guerra no Conselho de Regência). Serviu o seu País como ninguém, sem buscar honrarias e compensações, com desprendimento, com competência e sobretudo com inteligência e visão do futuro. Foi como diria o imortal vate: “Um forte capitão, também douto e ciente”. Apesar de uma carreira de sucesso em múltiplas áreas, a sua maior criação foi o Colégio Militar, como projecto intemporal, onde o modelo de educação que concebeu, associando a componente intelectual e a componente física, à camaradagem, à isenção, à ética e ao culto dos valores pátrios, criou uma elite que ao longo de mais de dois séculos serviu o País.
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©Fotos Leonel Tomaz
Neste momento em que alguns estão a pôr em causa a existência do Colégio Militar e o seu modelo educativo, esquecendo tudo aquilo que a Nação lhe deve, é particularmente oportuno realçar a necessidade de, num mundo em mudança rápida, onde tudo está em causa, haver uma elite informada, convicta e imbuída dos valores nacionais, que constitua uma reserva moral, afirmativa da continuidade da nossa Pátria de quase nove séculos.
Por tudo o que dissemos esta nossa homenagem se reveste hoje de uma grande oportunidade e um elevado significado.” O Colégio foi homenageado junto do Monumento existente no Largo da Luz, tendo sido deposta uma coroa de flores pelo Júlio Pimentel Fraústo Basso (116/1943), com a presença do Director e dos restantes membros do Curso.
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Curso de 1943/1950 Romagem dos 70 Anos de Entrada
©Fotos Leonel Tomaz
Nos Claustros pelo Eugénio dos Santos Ferreira Fernandes (105/1943), acompanhado pelo Comandante do Batalhão e pelo Batalhãozinho, foi descerrada a lápide que irá perpetuar esta vinda ao Colégio, 70 anos após a entrada destes ratas de 1943, tendo na altura sido bradado pelo António Francisco Martins Marquilhas (67/1944) um vibrante Zacatraz secundado por todos os presentes, alunos e antigos alunos. Após a tradicional fotografia nas escadarias da Enferma e do almoço no Refeitório do Corpo de Alunos, foi feita uma homenagem ao Professor de Português e de Latim, Capitão Dr. Jaime Pinto da Silva Mota, a qual teve lugar na Sala de Leitura junto da Biblioteca. Em todos os cursos, em todas as escolas, os alunos tendem a eleger os seus professores de referência. Os que, na sua perspectiva, reúnem características que os distinguem, competência pedagógica, certamente, mas também proximidade afectiva, arejamento cultural, capacidade para conjugar liderança, desembaraço, flexibilidade, fazendo de cada aula um tempo de aprendizagem num ambiente descontraído e quase lúdico. O Colégio Militar do “nosso tempo” era, provavelmente, uma escola mais favorável à revelação desses professores de referência, porque era comum que alguns acompanhassem os cursos na
sua progressão nos anos lectivos, por vezes mesmo do 1.º ao 7.º ano, porque no internato alunos e mestres se cruzavam nos espaços colegiais, porque não raro estes almoçavam no refeitório com os seus alunos, assistiam as suas turmas em tempos de estudo obrigatório, participavam e orientavam actividades extra-escolares e até porque, na sua maioria, eram oficiais do exército, do QP ou do QC, conferindo ao relacionamento com os alunos os paradigmas do ambiente militar, a hierarquia, a responsabilidade, a camaradagem, tornados marcas do dia-a-dia colegial. O curso 1943-1950 teve, obviamente, professores que o marcaram positivamente e, durante as nossas animadas reuniões quinzenais, recordamos muitas vezes e com saudade esses mestres, tendo chegado à conclusão unânime que, se tivéssemos de eleger o professor de referência, seria o Dr. Jaime Pinto da Silva Mota, alferes, tenente e capitão miliciano, que desde o 3.º ao 7.º ano leccionou a disciplina de Português e também a de Latim do 3.º ao 5.º. Apenas no 6.º ano sentimos a sua ausência – e com que prejuízo!... – porque fora fazer o curso para capitão na EPI. Foi assim que no curso em boa hora germinou a ideia de lhe promovermos uma homenagem. Adesão unânime e, amadurecido o projecto, decidiu-se incluí-lo na romagem que já estava
prevista para o ano lectivo de 2013-2014, em comemoração dos 70 anos de entrada. Feita a conveniente proposta à Direcção do Colégio, imediatamente acolhida e apoiada, o Director designou o Dr Pedro Ferreira, coordenador pedagógico, elemento de ligação com o curso. A sua disponibilidade e a voluntária colaboração do sempre pronto Sr. Leonel Tomaz, funcionário da AAACM e sócio honorário, foram decisivas para o êxito do evento. A homenagem concretizou-se com uma sessão promovida pelo curso a encerrar a sua visita de romagem, na Sala de Leitura frente à Biblioteca, presidida pelo Director e com a presença de vários professores, funcionários do Colégio e uma delegação de alunos, à qual assistiram, como convidados destacados, os filhos de Jaime Mota, D. Margarida Maria e Dr. Abel Luís, alguns de seus filhos e netos, portanto netos e bisnetos do homenageado. Aliás o curso tinha bem presente na memória os dois pequenos filhos de Jaime Mota, com menos de 10 anos, pois viviam na residência da Azinhaga da Fonte (que depois veio a ser a casa do subdirector) e com frequência os víamos do “alto da quinta” e, carinhosamente, lhes chamávamos os “tigrezinhos” já que o pai era entre nós chamado afectuosamente – nem sequer era uma alcunha – de “tigre da azinhaga”. O Dr. Abel Luís Mota, nas suas sentidas palavras finais de agradecimento não deixou de salientar esta cumplicidade dos nossos tenros anos. Depois das ajustadas palavras introdutórias do Director foi pelo Pedro Júlio de Pezarat Correia (10/1943) apresentado um power point em que a sequência de slides de fotografias e textos seleccionados evocou a profunda ligação do Dr. Jaime Mota a este curso, a récita de finalistas por si escrita, dirigida e encenada, a sua inevitável presença no jantar de despedida do curso num restaurante da capital, o seu inestimável papel no elevado nível que atingiu a tarde cultural na viagem do Batalhão Colegial a Madrid no final do ano lectivo de 1949-1950, a sua companhia e a “aula” que reviveu quando em 1976 cumprimos a nossa primeira romagem recordando os 25 anos de saída e o seu livro “Quadrângulo”, em que reúne magníficos textos relativos ao “seu” Colégio e aos seus alunos. A cerimónia, muito digna, terminou com o bisneto mais novo a descerrar a placa e fotografia que ficam a perpetuar a memória deste ilustre professor na Sala de Leitura do Colégio Militar. O Curso de 1943/1950
Curso de 1957/1964 Romagem dos 50 Anos de Saída
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Curso de 1957/1964 Romagem dos 50 Anos de Saída 6 de Junho de 2014
Curso 1957/1964 – 50 Anos de Saída – 6 de Junho de 2014 ©Fotos Leonel Tomaz
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stiveram presentes nesta romagem de saudade os Antigos Alunos Rui Manuel Campos de Almeida Mota (2/1957), Luís Ernesto Albuquerque Ferreira de Macedo (8/1957), Fernando José Cortez Pinto Seixas (24/1957), Carlos Manuel Alves Martins (26/1957), Ângelo Manuel Gerald de Queiroz da Fonseca (38/1957), José Joaquim Cortiço da Costa Braga (1/1957), António dos Santos Castro (63/1956), José António Pina de Bastos e Silva (67/1957), Fernando Manuel de Oliveira Vargas de Matos (112/1956), António Luciano Carrilho Roma Torres (114/1957), Rui Alexandre Carita Silvestre (115/1956), João Luís da Costa Ruas (118/1959), José Manuel Pinheiro Lopes Canavilhas (119/1956), Luís Manuel Cecílio Gonçalves (122/1957), José Manuel de Lorena Costa Nogueira (125/1957), Josino Vito Corte Real de Azevedo (129/1955), José Paulo Ferreira Saraiva Cabral (142/1958), José António Saturnino Balula Cid (152/1957), Henrique José Corga de
Vasconcelos Dias (155/1955), José Carlos Tavares Cabral (156/1957), Joaquim Inácio Passanha Braamcamp Sobral (160/1957), Vicente Manuel da Liz Bravo Ferreira (161/1957), João Macedo Pinto Nunes Correia (169/1957), José Manuel Cortez e Almeida (180/1957), José Edgar das Neves Baptista de Azevedo (188/1957), Diogo José Brochado de Abreu (190/1957), João Virgílio Soeiro da Costa (196/1956), Duarte Manuel Silva da Costa Freitas (199/1957), João Paulo de Castro e Silva Bessa (200/1957), Nuno Rodrigo Santos Pereira (216/1958), Fernando Manuel Matos Neves Pessoa (217/1957), Fernando Vasco da Silva Marques (220/1957), Diogo Ferrão de Castelo Branco (225/1957), José Eduardo do Amaral Netto e Aguiar (234/1959), Arnaldo João Reis Maia (242/1957), Nuno Joaquim Costa Cara de Anjo Lecoq (269/1958), António Manuel Adão da Fonseca (286/1957), João Carlos Lombo da Silva Cordeiro (304/1957), Manuel Dimas e Silva Cordeiro (310/1956), António Fernando
Diniz de Ayala Boaventura (339/1955), Dúlio José da Silva Pinto e Simas (349/1956), José Manuel Esteves Carvalho (368/1957), José Fernando Décoppét dos Santos Coelho (379/1957), Pedro Maria da Costa Maia (407/1955), Carlos Manuel Palhão de Vasconcelos (467/1958), José Joaquim Martins Romão (488/1958).
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Curso de 1996/2004 Romagem dos 10 Anos de Saída
Curso de 1996/2004 Romagem dos 10 Anos de Saída 30 de Maio de 2014
Curso 1996/2004 – 10 Anos de Saída – 30 de Maio de 2014 ©Fotos Leonel Tomaz
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stiveram presentes nesta romagem de saudade, como Convidados, os Professores José João Balança Lopes e Pedro Raimundo Freitas Ferreira e os seguintes Antigos Alunos: Adér Fernandes Burity da Silva (12/1996), Erik Vizeu Gonçalves Teixeira (28/1996), Ieró Djau (77/1996), Daniel Filipe Alves Brás (90/1996), Henrique Miguel Candeias Rodrigues (92/1996), João André Mendes Sobreira (113/1995), Filinto Elmano de Branco e Brito Girão Osório (120(1997), Frederico Luís Ferreira Teotónio (181/1995), Eduardo Filipe Calado e Machado (182/1996), Nuno Miguel Jacinto Félix (202/1996), Vasco Miguel Semedo Matos Januário Marques (213/1996), Ilídio José Martins Sarmento Barreiros (249/1966), Nuno Filipe Ferreira da Silva (262/1995), Francisco Teixeira d'Aguiar Norton Brandão (282/1996), Henrique Centieiro Gonçalves Pedro (290/1996), Bruno Miguel
Abreu da Silva (291/1996), Manuel António Bragança Pereira (293/1996), Rui Lopes Alves (306/1996), Hélio Filipe Gama Branco (15/1995), Luís Carlos Mendes da Cunha (316/1996), João Amaral de Ataíde Banazol (341/1996), António Carlos Garcia da Silva Trindade de Sousa (348/1996), Nelson Rogério Gomes dos Santos (352/1996), Emanuel António Lucas Fernandes Bragança (354/1995), Diogo Miguel da Fonseca Ferreira (361/1996), Tiago Miguel Nunes Rolo Ferreira de Vasconcelos (366/1996), Emmanuel Osvaldo Francisco da Silva (408/1995), Nuno Vasco dos Santos João (418/1996), Tiago Emanuel Lopes Monteiro (462/1996), Guilherme Pereira Rosinha (478/1996), José João Marques da Cunha Medeiros de Almeida (497/1995).
Entrevista a António José da Silva Coutinho (249/1980)
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Entrevista conduzida por Martiniano Gonçalves (9/1958)
Entrevista a
António José da Silva Coutinho (249/1980) António José da Silva Coutinho foi admitido no Colégio em 1980 para o 1º ano, tendo sido finalista em 1988, ano em que comandou a 3ª Companhia. É casado e tem três filhos, dois dos quais frequentam o Colégio, o 251/2010 e o 249/2013. Licenciado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico, é Administrador da EDP Comercial, tendo sido Principal da The Boston Consulting Group (BCG). Integra a Associação de Pais e Encarregados de Educação dos Alunos do Colégio Militar (APEEACM).
Gostava de começar por te pôr algumas questões relacionadas com a tua passagem pelo Colégio e a tua vida profissional. Martiniano Gonçalves - Como encaras mais de 25 anos após entrares para o Colégio, o período que lá viveste? Como foste como aluno? Em que é que isso te marcou? António Coutinho - O Colégio marcou-me muito como pessoa. Tenho a certeza que a minha vida seria muito diferente e não para melhor… Conto, de forma aberta e sem vergonha, que só à segunda é que consegui entrar no Colégio. Na primeira chumbei nas provas de Português… Fiz, então, o primeiro ano numa escola pública “cá fora” e, no meio da balda
dos finais dos anos 70, acabei por passar o ano chumbado a Matemática… Quando entrei no Colégio, no final do primeiro período, o mesmo miúdo teve 5 à mesma Matemática. Isto foi o resultado do Colégio, como um contexto mais exigente e focado, que tira muito mais de um miúdo. Isso marcou-me profundamente porque mostrou-me que uma exigência firme e cândida ao mesmo tempo consegue potenciar o melhor de todos nós. A consciência dessa experiência, e que os resultados dependem sobretudo do nosso trabalho e dos objectivos a que nos acometemos, foram determinantes no meu desenvolvimento de adolescente e na construção do meu carácter, com reflexos óbvios e vantajosos nos meus resultados académicos.
Para lá do percurso académico bem sucedido, o Colégio marcou-me por uma estrutura de valores e princípios que norteiam a minha vida. São elementos estruturantes com grande valor e conforto porque nos ajudam na altura da tomada de decisão. Herdei muito disso da educação que tive dos meus Pais e Avós, mas a comunhão dessas experiências de estrutura com os nossos amigos durante a adolescência torna todo o processo francamente mais sólido. Por fim, o Colégio marcou-me porque os meus melhores amigos, aqueles em quem confiamos e quem sentimos a falta de já não os ver há algum tempo, foram os meus camaradas (palavra em sentido literal). Somos hoje padrinhos de casamento, padrinhos dos filhos uns dos outros, companheiros de
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Entrevista a António José da Silva Coutinho (249/1980)
No Colégio em 1982 na hora livre de desporto.
aventuras, etc. Tenho uma vida mais rica por ter amigos a sério e por, sempre que vejo alguém de barretina, saber que também esse é meu amigo. Martiniano Gonçalves - Lembras-te de alguns acontecimentos de que guardas memória? António Coutinho - Acho que todos nós, antigos alunos, temos um conjunto de episódios que contamos de forma repetida que
fazem revirar os olhos dos nossos familiares quando os contamos pela enésima vez. Nuns participamos activamente, outros assistimos, mas todos contribuíram para sermos quem somos. São os aspectos que saltam desses episódios, qual moral da história, que nos marcam e com o passar dos anos (ou de muito os contar) que ressaltam como mais evidentes. Conto três episódios nos quais tive envolvido: um que envolve o assumir das faltas, outro de camaradagem e outro desenrascanço. Estava no meu primeiro ano em formatura em posição de descansar e havia um ruído de fundo de conversas de uns com os outros. O Comandante de Companhia perguntou quem estava a falar. Apenas um aluno do primeiro ano se acusou. O 55/73(?) perguntou se mais ninguém estava a falar apesar do “chavascal”. Como ninguém mais se acusou, mandou “firme” “seop” à companhia e, a quem se acusou, mandou ficar em posição de descansar. E assim ficou a companhia durante toda uma semana. Aprendi muito com esse episódio: desde o assumir das faltas, à benevolência de quem manda até ao exemplo de justiça. O segundo caso atira-me para o oitavo ano do Colégio em que já éramos graduados. Um dos meus colegas de curso ficou na iminência de ficar suspenso por ter deixado de pagar as mensalidades por circunstâncias familiares variadas. O Colégio, na altura
com algumas dificuldades financeiras, estava preocupado por o aluno poder terminar o curso e sair sem pagar a dívida e, por isso, embora lamentando a situação, viu-se obrigado a poder avançar com a suspensão num ano chave para a vida de qualquer jovem. O curso deliberou que iríamos ajudar esse nosso camarada com o dinheiro que tínhamos juntado com Chás Dançantes para a viagem de curso. Fomos a Bruxelas num autocarro da tropa, mas o nosso camarada acabou o curso e é hoje engenheiro. Tenho muito orgulho de, como jovens, termos proposto isto e ultrapassado os egoísmos adolescentes, próprios da altura. É um exemplo de camaradagem que corporiza o “Um Por Todos e Todos Por Um”. Ao longo da vida colegial, todos fomos confrontados com inúmeros episódios de desenrascanço, essa idiossincrasia lusa que é, muitas vezes, simplesmente a nossa capacidade de sobrevivermos às nossas próprias incompetências. Os cavanços eram pródigos nestas situações… A janela da 4ª estava fechada. E agora? Como vamos entrar no internato? O Anaia 273/80 e eu estávamos de regresso de uma ida ao cinema com as namoradas depois de vermos o mítico “Topgun”. Vínhamos inflamados com aquela vivência militar, de fanfarronice máscula e de regras vs pisar o risco. De repente, os corações aceleraram com o inesperado da situação. Ouvimos ruídos. “Ronda!”. Na altura, o Colégio era patrulhado à noite por soldados armados. A Instrução Militar sempre haveria de servir para alguma coisa… queda na máscara, silêncio e a ronda lá passou. Contudo, tínhamos ainda o problema de entrar no internato que não pela porta principal junto ao Gabinete do Oficial de Dia. Como o Colégio estava em constantes obras, procurámos uma escada e lá encontrámos uma de madeira. Utilizámo-la para entrar numa das janelas de báscula das camaratas. Sempre que vou ao Colégio e vejo as janelas, ainda hoje, me espanto como conseguimos entrar pela nesga. Caímos em cima da cama do 90/79. Os comentários e sons são irreproduzíveis… Martiniano Gonçalves - Como ocorreu a tua transição para a faculdade após a saída do Colégio?
Semana de campo na Carregueira em 1986, a escavar uma trincheira que gerou um riso colectivo
Entrevista a António José da Silva Coutinho (249/1980)
António Coutinho - Lembro-me que a transição da faculdade após a saída do Colégio gerou-me algum desconforto. Com efeito, tínhamos um controlo absoluto da nossa vida no Colégio: sabíamos o que fazer, quando fazer, com quem falar, tudo estava a 5 minutos, todos nos conheciam, etc. Já não tínhamos de provar nada a ninguém! É um desconforto em parte resultante da protecção que se sentia no Colégio, mas também própria do momento, como estou a ver pela situação da minha filha que agora se encontra nessa transição. Estranhamente, lembro-me de me preocupar com os transportes, mas também do positivo de as “vistas” melhorarem… A minha transição para a faculdade acabou por ser muito facilitada. Por um lado, porque o Colégio preparou-me bem e com positividade para enfrentar desafios. Por outro, porque metade do curso entrou para o Técnico! Só em Civil, éramos 4 e trabalhámos sempre juntos nos vários grupos e projectos. Martiniano Gonçalves - Como tem sido a tua vida profissional? António Coutinho - A vida profissional tem-me corrido bem. Segui sempre o coração e o desejo de aprender. Nunca planeei muito a sua evolução. Comecei com engenheiro civil a fazer projectos de estrutura. Após 4 anos, percebi que estava a estagnar em termos de aprendizagem e que ao fim de 20 anos estaria mais ou menos a fazer a mesma coisa, apesar dos projectos muito interessantes que estive envolvido e do calibre dos sócios para quem trabalhei (os irmãos Appleton). Fiz então um mestrado de Investigação Operacional no Técnico com o objectivo de uma mudança de carreira. Entrei para a The Boston Consulting Group (BCG) como consultor onde estive 6 anos. Foi uma grande experiência que está profissionalmente para a minha vida como o Colégio está num plano pessoal. Ao início foi um choque mudar a perspectiva de engenheiro que dimensiona o parafuso para procurar o big picture do negócio; trocar o exacto pela ambiguidade. Nessa transição, foi-me útil uma colega ter-me perguntado que responderia a um cliente que queria uma solução para atravessar um rio, o que um engenheiro civil responderia com uma ponte com X tramos e com as
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Classe Gafanhotos em 1987
características A e B; essa colega disse-me então que útil para o cliente teria sido perguntar-lhe porquê e se precisaria mesmo de atravessar o rio… Na BCG, tive a sorte de acompanhar muito de perto o sector da energia que um pouco antes de 2000 começou um processo grande de reestruturação com a liberalização dos mercados, necessidades de investimento em geração, preocupações ambientais e outras. Trabalhei muito para a EDP onde acabei por entrar em 2003 para montar a área de Planeamento da Holding e em 2007 fui para os EUA para as Renováveis. Voltei em 2010 para montar o negócio de Serviços e Eficiência Energética e agora estou também com venda de energia para PMEs e Sector Público. O sector energético tem vindo a alterar-se de forma profunda e, com bastante sorte, tenho acabado por trabalhar nos vários temas do momento, o que é um gozo grande e me permite manter a chama viva de aprender.
miúdos dos anos 80), mas o meu Pai, militar e engenheiro aeronáutico, esclareceu-me… Do Colégio e vida militar trago a capacidade de trabalho e disciplina, bem como a aprendizagem de que é esse trabalho que traz resultados. Trago ainda a experiência de graduado, mais importante para quem segue a vida civil do que talvez para os militares, que foi muito útil quando comecei a chefiar equipas. A experiência é ganha assim que se deixa de ser graduado e se chega à faculdade: a diferença de mundos e valores, faz-nos reviver a experiência com outros
Martiniano Gonçalves - Que influencia teve o Colégio na tua vida profissional? Porque não seguiste a carreira militar? António Coutinho - Nunca me vi como militar, apesar de todo o garbo que sentia nas cerimónias ou do gozo rapazola da dureza das provas físicas. No Colégio, ainda pensei ir para a Marinha para Oceanografia (o Cousteau foi grande na adolescência dos
Campeonato de Atletismo interno em 1987
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Entrevista a António José da Silva Coutinho (249/1980)
Cerimonia de imposição da graduação 1 mês após a morte do seu Pai, em 1987.
olhos, valorizar o que vale a pena valorizar, rever o que há a rever. Essa experiência revisitada acaba por ser um activo muito grande porque a chefia de equipas profissionais já se fará como líder com conhecimento experimentado de dinâmicas de grupo, ao que também não é alheia a experiência das reuniões de curso e escrutínio pelos pares. É, por isso, que entendo a experiência de graduado como um ponto forte da educação do Colégio e, apesar de algumas das desvantagens, haver graduados desde o 11º ano permite uma experiência mais rica, com um processo de aproximação mais lento, uma saída mais madura e serena, com vantagens tanto para os próprios como para o batalhão. Por tudo isto, creio que o Colégio me moldou muito e ao qual devo muito do meu percurso profissional.
António Coutinho - Creio que entrei como sócio logo após acabar o Colégio e depois andei afastado. Ultimamente, tenho estado mais próximo e sensível ao papel da Associação por causa da reforma. Tem havido críticas de antigos alunos à actuação da Associação em particular no que diz respeito à gestão do processo de reforma. E é bom que haja críticas porque mostram que a comunidade está viva, está activa e que com a ajuda de todos se encontrarão melhores soluções. Contudo, as críticas ficam-se muitas vezes no facebook e não em propostas concretas accionáveis e até em listas alternativas para os órgãos sociais que é a forma democrática de tornar as críticas consequentes. Em termos associativos, creio que padecemos do mesmo mal que muitas das associações em Portugal, onde as pessoas se focam mais no que as separa do que as une. Quando o fazemos, destrói-se o propósito de se estar associado que é valer mais estando juntos que separados. Penso que a reforma teve como aspecto positivo perceber que a própria Associação deverá ser mais do que é e que terá de encontrar uma forma de se constituir como representativa de uma comunidade para lá dos que hoje são sócios. Penso que até temos experiências entre nós de mobilização e alinhamento preservando sempre a opinião de cada um: as reuniões de curso. De algu-
Falemos da Associação. Martiniano Gonçalves - Desde quando és sócio? Como tens visto a Associação ao longo dos anos? Abertura Solene em 1987
ma forma, creio que a Associação não conseguiu ainda captar esta dinâmica que nos é tão familiar de reunir à sua volta as diferentes perspectivas e sensibilidades, identificar consensos e conseguir compromissos e tomar uma posição mobilizadora. Não é um caminho fácil, mas que terá de ser feito para se poder afirmar e poder ajudar o Colégio numa altura que a instituição muito precisa. Mudemos de tema: o Colégio. Martiniano Gonçalves - Tendo 2 filhos no Colégio, o que vos levou a optar pelo Colégio? Achas que o modelo do Colégio continua a ser atractivo para a sociedade portuguesa? António Coutinho - A equação para nós pais para os termos em regime de internato no Colégio vivendo próximo da Estrada da Luz foi muito simples: Amamos tanto os nossos Filhos que estamos dispostos a abdicar da presença deles todas as noites para que possam ter uma educação estruturante do carácter e uma experiência intensa que entendemos que o Colégio pode dar, como me deu a mim. No fundo, se acredito no que recebi, não posso querer menos para os meus filhos. E assim foi! Regressámos em Agosto de 2010 dos EUA, fizeram-se as provas e o Pedro, 251, entrou no Colégio para o 7º ano. Não foi nada fácil por causa de coincidir com
Entrevista a António José da Silva Coutinho (249/1980)
Na Abertura Solene em 1987, em primeiro plano o seu Irmão que tinha sido transferido dos Pupilos.
o regresso a Portugal, regime de internato com miúdos que já se conheciam há 2 anos e ainda por cima andou à civil no 1º período porque houve um problema com as fardas. Depois do primeiro 3 de Março, o Pedro agradeceu-me no dia do Pai por ter insistido que fosse para o Colégio. Fiquei muito feliz! O caso do António, o 249 (meu sucessor!), foi mais simples. Ao princípio dizia que não queria ir para o Colégio, mas depois foi uma decisão própria e mesmo quando a Mãe lhe
3 de Março de 1988
propôs ficar externo já no âmbito da reforma recente, disse que queria ficar interno como o irmão. Quando lhe perguntámos o que mais gostava do Colégio dizia ser a noite… São estes exemplos pessoais que mostram que o Colégio tal como ele é/era, militar/ masculino/internato, continua a ser no meu entender um modelo atractivo para a sociedade portuguesa. Penso que o tamanho reduzido do actual batalhão é um argumento que não suporta que
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3 de Março de 1988
o modelo já não está adaptado. Nos anos 80, quando se poderia considerar o Colégio saudável, o batalhão tinha mais 100 alunos do que tem hoje, i.e. quase 30% mais de alunos. Contudo, os alunos que se candidatavam ao Colégio resultavam de 200.000 nascimentos que representa 150% mais nascimentos que os actuais 80.000 . Portanto, apenas por questões demográficas, o Colégio deveria reduzir muito mais o batalhão que efectivamente reduziu.
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Entrevista a António José da Silva Coutinho (249/1980)
Durante a prova final do CGM, em 1988
Mas seria expectável que o Colégio reduzisse muito mais a sua dimensão se tivermos em conta a contracção do efectivo militar depois do necessário ajustamento finda a guerra colonial e o aumento exponencial da oferta de qualidade pública e privada concorrente com o Colégio, dentro e fora das grandes cidades. Contudo, o Colégio só reduziu 30%, o que dificilmente justifica no meu entender que o modelo não é atractivo. Aliás, é interessante ver que muitos dos actuais alunos estão no Colégio sem quaisquer ligações familiares e por decisão própria. Faltam é filhos de antigos alunos… Em todo o caso, a redução de 30% é muito elevada e retira suporte ao valor que o Colégio tem enquanto instituição para Portugal. Portanto, seria sempre necessário fazer qualquer coisa para subir o número de alunos e sobretudo a sua qualidade. No meu entender, ainda antes de repensar o modelo, muito se poderia fazer para aumentar o batalhão. Desde logo, ter bem claro quais as valias do modelo e fazê-lo chegar às Mães mais que aos Pais. Tal implica que o processo de candidatura e de abertura do Colégio à sociedade tenha de ser muito diferente. Por exemplo, o processo de candidaturas terá de ser feito muito antes do que é actualmente acontece. Em Maio/Junho, já os Pais dos alunos que interessam ao Colégio já decidiram a escola onde vão continuar os seus estudos; os alunos que chegam em Maio/Junho ou vão porque é o Colégio que querem ou porque será uma opção de recurso. Outro exemplo, o Colégio poderia ter
Durante o CGM ministrado no Colégio, antes da subida de Picheleiros em 1988
dias abertos para visita de futuros Pais (com vantagem se fossem recebidos por Mães de alunos existentes) durante o intervalo para a hora de desporto da tarde: é impossível ficar-se indiferente à liberdade do espaço e á alegria que os miúdos transmitem a jogar entre si. Para a Mãe dos meus filhos, resultou! Martiniano Gonçalves - Que experiencias significativas tens vivido como Pai de alunos? Como vês o Colégio de hoje? Como é ter um filho no Colégio e outro “Rata” no ano das grandes transições da pseudo-reforma? António Coutinho - Quando conheci o meu primeiro sucessor, senti que de alguma forma continuava no Colégio e que aquele era
Mocada em 1988
um outro eu. Quando temos filhos no Colégio é um pouco do mesmo, mas com um sabor mais intenso. As cerimónias ganham outra dimensão e são como uma comunhão inter-geracional. As ligações filiais ficam como que mais completas com as ligações colegiais. É um pouco estranho, mas intenso e verdadeiro. O pináculo da coisa vem com um filho descer a Avenida com a nossa barretina com mais de 30 anos e com o nosso número, essa outra coisa que nos acompanha quase como impressão digital e que fará parte da maioria das passwords de antigos alunos… Mas o aspecto mais curioso é ouvirmos os nossos filhos a falar. Reconhecemos uma qualquer forma de falar diferente, muito subtil e muito para lá da gíria. Percebi então
Entrevista a António José da Silva Coutinho (249/1980)
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aconteça, não é mais do que um reflexo da sociedade mais hedonista que temos hoje e dos candidatos que o Colégio tem captado talvez serem diferentes de outrora. Se assim for, o Colégio continua a manter-se com um diferencial face às outras opções educativas e que tem potencial para ser melhorado. Martiniano Gonçalves - O que te levou a integrares a Associação de Pais e Encarregados de Educação? O que pensas deste tipo de estrutura e como se tem passado as coisas com o Colégio? Que principais dificuldades e sucessos nos podes referir? Que principais questões se têm posto e virão a pôr-se no futuro imediato?
O actual 249/2013, no 3 de Março de 2014
que essa linguagem não era mais que uma reflexão de uma cultura que efectivamente existe e é passada de geração em geração, apesar de se transformar e a sociedade donde os miúdos vêm ser diferente. Portanto, o Colégio é diferente mas na sua essência é igual e é isso que nos liga como antigos alunos. Aliás, a esse respeito, há um texto de um antigo aluno (creio tê-lo lido na Zacatraz) que, quando o lemos, pensamos ser muito recente tal a proximidade que sentimos do que fala, mas na realidade esse antigo aluno tinha andando no Colégio no final do século XIX, numa altura em que uma parte significativa do próprio espaço físico era muito diferente. Acho que será uma máxima para qualquer antigo aluno que “no meu tempo é que era” e “o Colégio já não é o que era”. De facto, o Colégio é bastante diferente do tempo de quando fui aluno e muito diferente de outros tempos anteriores. Temos todos de compreender que isso é e deverá ser mesmo assim porque é a capacidade de adaptação na transição que faz o Colégio a instituição centenária que é. Tenho ouvido por parte de antigos alunos e professores mais próximos do dia-a-dia do Colégio que os valores e as ligações entre alunos já não são o que eram. Não sei quanto disso será verdade e não me é assim tão evidente nas conversas com os meus filhos. Em todo o caso, mesmo que tal
António Coutinho - A Associação de Pais e Encarregados de Educação é uma estrutura que vejo como muito importante para o projecto educativo do Colégio. É frequente ver antigos alunos a criticarem o envolvimento e presença da Associação, muito diferente de outros tempos. Creio que o fazem sem grande conhecimento de causa, pelo que falar sobre isto no Zacatraz é uma boa oportunidade para partilhar porque vejo o seu papel como muito importante. Primeiro, a sociedade exige hoje uma participação activa por parte dos Pais na educação dos seus filhos e, portanto, nem sequer estará em cima da mesa limitar esse envolvimento. Por outro lado, acho mesmo que é do interesse do Colégio que os seus alunos sejam provenientes de famílias empenhadas na educação dos seus filhos e não de famílias que os “depositam” no Colégio para os educar porque já não conseguem ou querem fazer qualquer coisa deles. Há a acrescentar ainda o papel que a Associação de Pais tem numa série de pontos chave para o sucesso do Colégio que se prende com os novos Pais, com o sucesso escolar e papel de amortecimento de situações complicadas. Os novos Pais não conhecem o Colégio e a Associação é a instituição que acaba por os receber, partilhar as dúvidas e sossegar quanto às vivências próprias de uma instituição como o Colégio. Em termos de sucesso escolar, os Pais têm uma atitude muito activa e acredito firmemente que contribuem para um processo de exigência sobre a instituição muito grande, sem o qual, os resulta-
Na recolha dos Filhos Alunos no 3 de Março de 2014
dos académicos seriam piores. Seria melhor que o papel da Associação não fosse esse, mas existe e é efectivo. Em relação ao papel de amortecimento de situações complicadas, por se tratar de uma parte interessada, a Associação consegue ajudar que muitas das situações não escalem e ganhem serenidade. Por fim e para falar da reforma, a Associação de Pais do CM, bem como a do IO, foram peças fundamentais na luta contra a reforma atabalhoada. É por valorizar tudo isto que acho o meu pequeno contributo importante como Pai e sobretudo como antigo aluno. Martiniano Gonçalves - O que pensas da reforma em curso protagonizada pelo MDN? E do internato, externato e misto no Colégio? Que impacto pensas que podem ter na identidade do Colégio? Tenho como máxima procurar sempre ver o lado positivo das coisas e ser muito consciente dos preconceitos e viés de análise que todos temos, em particular quando estamos envolvidos sentimentalmente. António Coutinho - Tendo consciência de tudo isto e tendo procurado ser bastante racional em todo o tema, sinto-me confortável em assumir a minha oposição não só às reformas pelo MDN como a todo o processo.
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Entrevista a António José da Silva Coutinho (249/1980)
Não valendo a pena sequer discutir o processo, nem para já os seus resultados com deterioração dos resultados no ranking das duas instituições e com uma contracção dos efectivos nas duas instituições, vou focar-me nos aspectos essenciais da reforma. O Colégio tinha o seu modelo assente em 3 pilares: militar, masculino e internato. Vejo estes três pilares como um banco de três pés que se tirarmos um, o banco fica instável. Isto é, no meu entender, as 3 componentes formam um conjunto harmonioso próprio que se traduz numa vivência familiar intensa.
O pilar militar traz a ordem unida, a educação física, a disciplina, a resiliência, a rusticidade e também a agressividade mediada. São pontos fundamentais da educação para um rapaz na sua adolescência. Dirão alguns que também o poderão ser para uma menina, ao que respondo que manejar armas me parece contranatura num momento em que as hormonas vão no sentir de ganhar feminilidade. Acho que termos mulheres na instituição militar é um ganho, mas são mulheres e não meninas na altura que se irão conhecer enquanto tal. Talvez sejam ideias
A Família em 2014, quando do Crisma do Filho mais velho (251/2010) em Odivelas.
preconcebidas e datadas; o tempo dirá. Daí a ligação do militar na adolescência ao masculino. O masculino tem a virtude de permitir os rapazes serem isso mesmo sem o constrangimento da presença das meninas: dizerem asneiras e graçolas fanfarronas de afirmação da sua masculinidade, fazerem parvoíces, brincarem com a agressividade que as hormonas na altura imprimem. Quem é antigo aluno creio que entende bem o que digo porque percebe o quanto da sua vivência como aluno se gerou por estas cumplicidades que entendo só se poderem gerar quando não há saias pelo meio. As cumplicidades entre géneros com hormonas à mistura parecem-me mais difíceis de conseguir. Daí o terceiro pilar do internato. O internato tem vários valores importantes para o que é ser aluno do Colégio. A cumplicidade que existe entre alunos do Colégio só é possível no meu entender por as desavenças terem vida curta para à noite poderem brincar ou jogar futebol, porque vão dormir na mesma camarata, porque comem a mesma coisa. O externato, pelo contrário, não exige a aceitação da diferença, nem a contemporização de partes porque à noite cada um vai para o seu lado. A ligação entre alunos também pode existir, mas não foi caldeada nas dificuldades e no ter de saber viver com o outro. Há ainda as tradições como a noite dos fantasmas, pinturas, almofadadas e outros que são manifestações e rituais de cultura geradores de uma comunidade de afectos e ligações. Já hoje se vê que a dinâmica entre alunos internos e externos não é a mesma. É, por isso, que penso que a solução de externato poderia ser considerada mas apenas até ao 7º ano para permitir a adaptação mais dos Pais que dos Filhos. Aliás, a este respeito é interessante ver que muitos miúdos que entram como externos pedem para ficar em internato porque querem participar daquilo que vêm nos outros. O internato é, pois um elemento chave na vivência entre alunos, na cultura colegial, nas suas tradições. Mas o internato tem mais: significa ainda conveniência (tudo está a 5 minutos!), foco no estudo, mais oportunidades de desenvolvimento físico e sobretudo mais liberdade. A passagem para ensino misto e com um eventual internato feminino no campus terá de traduzir-se numa redução de liberdade! Isso
Entrevista a António José da Silva Coutinho (249/1980)
parece-me uma perda grande que creio que nós, antigos alunos, temos pouco percepcionada e que toldará muito do bom que é viver naquele grande espaço. Como conclusão, acredito que a reforma vai alterar profundamente o que entendemos ser o Colégio Militar e a sua identidade. Isso não será necessariamente mau, mas será um Colégio diferente do que conhecemos. Se a reforma não foi bem pensada, pior está a sua execução que, por ter sido mal planeada, entendo ultrapassar muito os poderes e mesmo boa vontade de quem a está a executar. Há um ponto chave para o sucesso do Colégio que uma verdadeira reforma deveria focar-se: o sucesso escolar! O Colégio tem condições para se constituir como uma referência académica em Portugal. Contudo, não o é e agravou-se com a reforma. Enquanto o Colégio não for uma referência académica, leia-se estar sistematicamente no top 10 do ranking nacional com 90% dos alunos a entrar em primeira escolha na faculdade, será reduzida a capacidade de captar talento e atrair as famílias que o Colégio gostaria de ter. Actualmente, os Pais estão muito sensíveis ao tema do ranking e é inútil sequer argumentar sobre isso: é a realidade! A posição do ranking tem um efeito retroalimentado: quanto mais alto, melhores candidatos e, logo, mais facilmente se torna manter o ranking. No caso do Colégio, pelas suas especificidades próprias (já não posso dizer masculino e internato…), o tema do ranking pesa ainda mais porque o processo retroalimentado é menos potente. No meu entender, várias razões concorrem para actualmente o Colégio não estar no topo dos rankings. A primeira diria ser o tempo de estudo e descanso que hoje não creio estar bem assegurado. É uma área que a Direcção está consciente e, no próximo ano, haverá mais tempos de estudo e um maior controlo no Corpo de Alunos para melhorar nesta vertente. Uma outra razão terá a ver com o próprio nível dos alunos à entrada que não poderá ser tão bom quanto era noutros tempos dado o número reduzido de candidatos. Se, por um lado, isto é um facto, por outro, não creio que o deveremos sequer aceitar como razão. Com efeito, o sucesso de uma instituição
enquanto tal não será maior tornando mais forte quem partiu mais fraco? Quando revemos os nossos tempos, não sentimos que o Colégio o que tinha de bom era conseguir tirar o melhor de cada um de nós? Conforme contei no meu caso, o mérito do Colégio foi pegar num miúdo com um aproveitamento sofrível e torná-lo num aluno de medalhas. Quantos casos destes não terá o Colégio? Não será isto que medirá melhor o valor do Colégio para lá de todos os rankings, o processo e resultados finais? E que dizer dos alunos que entraram com boas notas no Colégio e se perderam academicamente? Creio que há uma terceira razão para o Colégio não estar no topo dos rankings. Ao Colégio faltará hoje professores com a qualidade, exigência e empenho dos de outrora como os Darios, os Batas e os Linces. Esses professores eram referências humanas que nos inspiravam e exigiam dar o melhor de nós, que nos obrigavam a respeitá-los por ser quem eram, que partilhavam o nosso amor pelo Colégio. Esses professores criavam ainda uma dinâmica própria de excelência entre si, positiva e auto-alimentada. A própria instituição era muito exigente com os seus professores e resultados. Hoje também há exemplos desse tipo de professores, mas a dinâmica não creio estar lá e, apesar de turmas de menos de 20 alunos e de os seguirem vários anos, os professores atiram os resultados de não excelência para os alunos que têm. Martiniano Gonçalves - Já se falou de internacionalização do Colégio. O que pensas sobre isto? Sob que formas? António Coutinho - O Mundo é cada vez mais global. Uma das coisas boas da crise é que a nossa economia foi forçada a internacionalizar-se de uma vez por todas, apesar dos inúmeros esforços e dinheiros públicos anteriormente gastos para o dinamizar. Parece-me que, com um projecto de excelência educativo, o “mercado” natural do Colégio é suficientemente grande em Portugal para não ter de pensar numa solução internacional. É que uma solução internacional para ser bem feita, como muitos empresários estão a sentir neste momento, leva tempo e requer foco. O Colégio tem neste momento desafios grandes que, no meu en-
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tender, dificultam dispor de energias para abrir mais uma frente. Além disso, a frente internacional só poderá ser bem sucedida e fazer sentido com a verificação da premissa de um projecto educativo de excelência diferenciador que neste momento não é totalmente evidente para quem não está ligado ao Colégio. No meu entender, o Colégio deverá canalizar todas as suas energias para absorver a reforma e atingir os lugares de topo do ranking. Se o fizer, o projecto de excelência educativo será uma realidade e o Colégio poderá crescer de forma sustentada por conseguir atrair os melhores candidatos. Martiniano Gonçalves - Como imaginas o Colégio dentro de 20 anos e qual a sua missão? António Coutinho - O Colégio representa um ideário educativo e humano que é necessário em qualquer sociedade e sobre o qual há uma constante nostalgia. Não sei como será o Colégio daqui a 20 anos. Será muito diferente por força destas reformas e também de uma sociedade que também ela será muito diferente. Creio que o Colégio terá de preencher esta necessidade que a sociedade portuguesa tem (especialmente no actual momento) de referências humanas e de excelência. Acredito que haverá sempre procura para a excelência e para valores perenes. Se o Colégio conseguir mostrar que o seu projecto educativo se reinventa e actualiza constantemente mantendo ao mesmo tempo a sua matriz de referência, imagino uma instituição duradoura.
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Antigos Alunos nas Artes e nas Letras
Antigos Alunos
nas Artes e nas Letras Sob coordenação e realização do Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950), a ZacatraZ inicia neste número uma rubrica destinada a divulgar os trabalhos de Antigos Alunos nos domínios da literatura e das artes plásticas. Concretamente, pretende-se dar a conhecer: as datas e os locais dos futuros lançamentos de obras literárias ou da abertura de exposições de artes plásticas, por forma a que todos os interessados possam comparecer; os trabalhos publicados ou exibidos, acompanhados de recensão ou de nota explicativa. Para o efeito, devem os autores fazer chegar à sede da AAACM um exemplar de cada livro, bem como as fotografias das esculturas, pinturas, ou outras expressões artísticas, acompanhados de nota curricular do autor. A regularidade da rubrica dependerá dos contributos chegados à nossa redacção, motivo pelo qual apelamos, desde já, à participação de todos.
António Henrique Trigo Perestrelo D’Alarcão e Silva (202/1946)
Voos Terrenos D
a autoria do nosso Camarada António Henrique Trigo Perestrello D’Alarcão e Silva (202/1946) foi editado o livro de poemas “Voos Terrenos”, com prefácio do Autor e proémio do General Joaquim Chito Rodrigues, Presidente da Liga dos Combatentes. O Autor dedicou este seu livro à Liga dos Combatentes, lendo-se no proémio do Presidente desta Instituição o seguinte: “Com um estilo muito próprio quer no conteúdo, quer na escrita, quer na forma de apresentar a sua poesia, o Coronel Perestrello mostra simultaneamente grande espiritualidade, grande patriotismo, grande reconhecimento e conhecimento da vida. Dedicando o seu livro à Liga dos Combatentes, é uma forma de homenagear o soldado de Portugal, e entre eles seu Pai, combatente da Grande Guerra, e o militar mais condecorado das Forças Armadas Portuguesas, com duas Torre e Espada de Valor, Lealdade e Mérito com Palmas de Ouro, Medalha de Prata
de Valor Militar em Campanha com Palma de Ouro, três Cruzes de Guerra, Medalha da Cruz Vermelha de Mérito, «Ferrager» da Torre e Espada, e muitas outras. Este livro é pois um testemunho real de que a perenidade da Liga dos Combatentes é garantida por gestos como estes, em que um filho, escrevendo um livro de poesia em honra de seu Pai, combatente, é como se colocasse uma coroa de flores num monumento em sua honra, que reabilitasse a memória, promovendo assim valores e solidariedade.” Agradecemos a amabilidade do envio de um exemplar do livro, o qual já se encontra na biblioteca da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar, estando ao dispor dos seus Associados. Este livro poderá ser adquirido junto da Liga dos Combatentes e junto da nossa Associação.
Redacção da ZacatraZ
Antigos Alunos nas Artes e nas Letras
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Fernando Augusto Falcão Lamy (157/1947)
Angola: as Brisas da Memória, um peão lançado num turbilhão F
ernando Augusto Falcão Lamy nasceu em 1937, em Lisboa. Fez a instrução primária no Queen Elizabeth School, conjuntamente com António Pedro Bacelar Carrelhas, que foi também seu condiscípulo no Colégio Militar. Entraram ambos em Outubro de 1947, o Lamy com o número 157 e o Tó Pê com o 159. Ambos transitaram para o curso seguinte, repetindo o 1.º ano. Saíram no 5.º ano da altura, actual 9.º, tendo o 159 ido para Direito. O 157, Lamy, começou a trabalhar com 17 anos de idade. Em 1958, cumpriu o então serviço militar obrigatório, no Regimento de Cavalaria 7 em Lisboa, sendo em 1961 chamado de novo às fileiras ainda nesse Regimento. A 24 de Dezembro desse ano foi mobilizado para Angola, com o Batalhão de Cavalaria 350, integrando a Companhia de Cavalaria 351, estando já casado e com três filhos. Em Janeiro de 1962 embarcou, com o posto de furriel miliciano. A 1 de Abril de 1978 partiu para o Brasil, onde continua a residir. Em Junho de 2011 o António Carrelhas trouxe do Brasil, onde também reside, o original do diário escrito pelo Lamy em Angola, no período de 1962/1963, para tentar integrar a colecção Fim do Império, o que veio a acontecer em 20 de Maio de 2014, conjuntamente com um conto do autor escrito em 2008, já no Brasil. O Tó Pê deu-me o original do Fernando Lamy, quando fomos à Serra do Açor, visitar outro camarada colegial do nosso curso, o Ruben Domingues (196/1948). Entretanto, o Carrelhas publicou em 2009 o seu livro Cavalo Encilhado não passa duas vezes, um relato de algumas das muitas aventuras que tem vivido. Ou seja, estes camaradas e amigos, nascidos em 1937, foram «Meninos da Luz» entre 1947 e 1953, tendo seguido caminhos diferentes depois. Um combateu em Angola, o Lamy, enquanto o Carrelhas se deslocou a África em aventura. Há anos, o Carrelhas descobriu o Lamy no Brasil, no Natal, recordou-o ao Curso do Colégio e estimulou-o a publicar o seu escrito, tal como ele
Fernando Lamy e António Carrelhas aos 10 e aos 70 anos.
tinha feito. O facto mais marcante do 159/Carrelhas no Colégio foi, certamente, o de nas vésperas de sair ter caído de uma altura que, não fora um milagre, há muito não estaria connosco. Qual terá sido o que mais marcou o Lamy? O que significou para cada um deles terem publicado um livro? E o que sentiram agora na reunião do Curso em 16 de Maio e no lançamento do livro em 20 de Maio? ... O livro Angola: as Brisas da Memória, um peão lançado num turbilhão, de Fernando Lamy, o 14.º da colecção Fim do Império, encontra-se disponível na AAACM onde pode ser adquirido. Fernando Lamy esteve mais de um ano no Norte de Angola, de Março de 1962 a Abril de 1963. Naturalmente que o seu diário, escrito em cima dos acontecimentos, é fortemente marcado pelo quotidiano da guerra, numa época e num local onde a maioria da população, fugida inicialmente, ainda não tinha começado a regressar em força. O realismo do diário é atenuado com a inclusão do conto As Brisas da Memória, escrito mais de 40 anos após a experiência de guerra, no Brasil, e inspirado num facto real mencionado no 12.º capítulo do diário, a recuperação de uma mulher e suas filhas, no final de Janeiro de 1963… Manuel Júlio Matias Barão da Cunha 150/1948
Nota da Redacção A narrativa do episódio referenciado no texto e ocorrido com o António Carrelhas, foi integralmente publicada na ZacatraZ 182 – Janeiro/Março – 2011 (páginas 47 a 50), com o título “O Homem Aranha”.
Caros camaradas colegiais Tento encontrar um elo entre a minha infância no Colégio e os momentos inolvidáveis que vivenciei em Maio passado, quando me reencontrei com tantos amigos que já não via há tantas décadas. Um elo entre duas épocas que me transporta do início até ao fim. A minha cabeça roda à procura do impossível. Sentado frente ao teclado do computador, olho a janela que me mostra o imenso parque de verdura que no seu último recorte se lança, transformado em dunas de areia fina, sobre o oceano encapelado. As árvores acalmam a minha mente, o balançar das suas folhas é para mim uma melodia e as suas silhuetas majestosas inspiram-me. Achei! O elo são «Viagens». Viagens logo me lembram rasgos da minha infância. As viagens de Gulliver. A fantasia que mais de dois séculos passados ainda conseguiu transformar-se em filme! As aventuras do personagem que cruza com Lillyputs, Brobdingnags e Houyhnhm, os cavalos inteligentes que classificavam os humanos
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Antigos Alunos nas Artes e nas Letras
como «yahoos», seres de raça imperfeita. Afinal nada mais foi do que uma dura crítica do escritor irlandês Jonathan Swift à sociedade britânica da época. Mas a fantasia mostrou a «viagem», os lugares, os personagens, as situações e fez-me lembrar as histórias de ficção que costumava contar aos meus condiscípulos, nas escadarias da «segunda». Depois recordo o que eu considero o grande viajante do passado, Marco Pólo, o homem que no século XIII partiu em busca de descobertas, um explorador aventureiro que nos deixou, ainda antes de falecer, o livro máximo do viajante: As viagens de Marco Pólo. E muito embora ainda hoje se conteste que ele tenha passado por todas as situações que relata, supondo-se que alguns trechos não sejam mais do que transcrições de lembranças que recolheu de outros viajantes com quem tenha cruzado, a realidade é que a obra se mantém bem viva. Seja como for, ele foi um exemplo do aventureiro que soube olhar, analisar e relatar para o resto do mundo o que estava para além do horizonte mais distante. E este não foi ficção. Foi bem real! Mas surge a pergunta: O que têm as viagens a ver com o tempo passado entre a minha juventude e os meus gloriosos 77 anos? Elas estão ligadas à continuação das minhas histórias, elas deram nova visão aos cenários que eu inventei e levaram-me ao contacto e conhecimento com montanhas de personagens que não precisaram ser inventados. Estavam ali, na minha frente, em carne e osso. Deixem-me explicar: depois de sair do vosso convívio, completei o Liceu e comecei a trabalhar. Fiz o serviço militar e o curso de sargentos. Já casado e com três filhos, o mais novo com três meses de idade, fui mobilizado para seguir viagem para Angola. Estávamos em fins de 1961. Sobre esse período, mormente os 14 meses passados em «zona quente», permito-me recomendar a leitura do meu livro que foi recentemente publicado, Angola – As brisas da memória – Um peão lançado no turbilhão, integrado na colecção «Fim do Império»; ou perguntem ao Ruben (196/1948), com quem me cruzei na região do Mucondo, numa troca de companhias; ou ao Barão da Cunha (150/1948), que trilhou esses caminhos alguns meses antes de mim; ou a tantos outros que por lá andaram, desbravando a selva, cruzando rios e riachos e envolvidos numa luta cruel. E essa viagem colocou-me frente a realidades e situações que a imaginação não teria sido capaz de desvendar. Depois veio o 25 de Abril, a derrocada da minha vida comercial e, em 1978, a única hipótese de sobreviver: mudar de clima! Aportei ao Bra-
sil, onde resido até hoje. Foi mais uma viagem para o outro lado do Atlântico. E daí? É. Essa pensei ser a última, mas, ao fim de cerca de dois anos após a minha chegada fui contratado por uma grande empresa do ramo de confeitaria para dirigir o departamento de exportação. Ao fim de seis anos fui convidado para exercer o mesmo cargo na maior empresa brasileira do ramo onde fiquei até completar 14 anos ao serviço da exportação. O que significou essa minha experiência? O meu campo de acção era o mundo, o meu meio de locomoção o avião e a minha vantagem,
para além de um trabalho de que muito me orgulho, o contacto com pessoas, lugares e o aprendizado sobre civilizações. Alargava a minha visão e enchia a minha cabeça de realidades até então ignoradas. Andei por 51 países, incluindo as Américas, do Canadá ao sul do Chile, voltei a África e visitei quase todas as nações Atlânticas, percorri a Europa e quase todo o Oriente Médio. Viagens calmas? Algumas. No entanto, estive em Monróvia, na Libéria, com uma metralhadora encostada na minha cabeça. Era a minha primeira viagem a esse país e prometi a mim mesmo nunca mais lá voltar. Voltei mais cinco vezes! Aterrei em Beirute e fiquei no avião imobilizado no final da pista, esperando que terminasse o ataque a que o aeroporto estava a ser submetido. No desembarque, feito pela porta do restaurante que dava para a área de pouso, ainda não tinham removido os corpos e havia sangue por todo o lado. Fui extraditado do Paraguai e acompanhado pela polícia ao
mesmo avião que ali me havia levado. E tantas outras situações complicadas… Mas também houve situações cómicas, como o almoço na Jordânia, num restaurante que dominava as ruínas romanas de Jerash, onde a esposa do meu anfitrião me descascou um pequeno pepino e mo colocou nas mãos, como manda a praxe. Agradeci e mordi o suave legume. A porcaria do meu dente frontal, que era um pivô, ficou dentro do pepino e abandonou a minha boca. E lá vou eu, com o pepino recheado nas mãos, debaixo da mesa, tentando libertar o dente que não podia perder. Acabamos todos na gargalhada e terminei o dia no dentista. E com este rol de experiências, desde 2003, apesar de ainda continuar a trabalhar, escrevo histórias, com farta influência da minha passagem por Angola e de tudo o que aprendi nesses 14 anos passados rodando o mundo. E cumpre-se o ciclo. Em 16 de Maio deste ano, na Feitoria do Colégio, o meu reencontro com os companheiros de infância. Que momento maior na vida de uma pessoa! Que desenrolar de recordações, quantos abraços fraternos, quanta alegria fazendo o meu peito inchar. E eu, o 157, o Lamy, sendo reconhecido pelas histórias que, já lá vão 66 anos, contava aos meus camaradas, descrevendo as pradarias do oeste americano, os ataques dos índios, os fortes, as montanhas, as carruagens sendo perseguidas por bandidos impiedosos ou as abordagens dos piratas aos navios carregados de ouro nos mares do Caribe... Começou com histórias e acabou com a recordação dessas mesmas histórias. Que ciclo bonito! Logo a seguir no dia 20, foi lançado o meu livro, escrito em 1962, sob a forma de um diário. Os sentimentos de um simples peão e o seu ângulo de visão sobre o que o cercava. Com esse acto, acabei fechando outro ciclo. Dizem que um homem se completa quando faz um filho, planta uma árvore e escreve um livro. Tenho três filhos que já me deram nove netos. Já mencionei que sou amante das árvores. Durante a minha vida já plantei muitas. E agora, vi um livro meu ser publicado! Muito embora a cerimónia do lançamento do livro me tenha marcado fortemente, creiam, com toda a sinceridade, que a reunião com os meus camaradas também teve uma intensidade imorredoura. Um abraço, Meninos da Luz, da Luz das minhas memórias, da Luz dos meus mais nobres sentimentos… Fernando Augusto Falcão Lamy 157/1947
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Roberto Ferreira Durão (15/1942)
VERDE MAR
Cantos e Contos da Guerra e da Paz
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De acordo com o autor, “O livro tem como objectivo elevar e dignificar os valores mais genuínos que sempre nos identificaram e são em especial apanágio do nosso Colégio (e não só...). É dedicado ao nosso Colégio e à sua Associação, englobando também outras Instituições culturais, militares e humanitárias, não pretendendo o autor colher quaisquer benefícios de ordem material.” No prefácio do Professor Veiga Simão podemos ler: "Verde-Mar, da autoria de um
©Foto Sérgio Garcia (326/1985)
Roberto Ferreira Durão (15/1942) solicitou que fosse divulgado na ZacatraZ o lançamento do seu livro "VERDE MAR - Cantos e Contos da Guerra e da Paz" que terá lugar em Outubro, em dia que só poderá ser confirmado já depois deste número da revista estar impresso. O lançamento será feito no Anfiteatro do Colégio e o seu autor divulgará pela Família Colegial, logo que possível, o dia exacto em que tal ocorrerá.
ANTIGO ALUNO USA A BARRETINA
soldado de Portugal, é testemunho de que, contra ventos e marés, a expansão portuguesa, como nos ensinou Orlando Ribeiro, figura entre os maiores acontecimentos da História Universal. A Comunidade dos Povos de Língua Portuguesa é a sua Herança. Saibamos, como Roberto Durão nos ensina. «Criar novos Ecos e Esperanças, Canções Universais»"
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Primeira Guerra Mundial 1914-1918 Os nossos mortos
Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
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ompletam-se este ano, no mês de Agosto, 100 anos sobre o início da 1ª Guerra Mundial, que constituiu uma verdadeira hecatombe para a Europa. As baixas em combate atingiram cifras catastróficas: 8 milhões de mortos e 21 milhões de feridos, a que acresceu um numero de 7 milhões de prisioneiros e de desaparecidos. É conhecida pelo público em geral a participação de Portugal nesta guerra, particularmente na chamada «Frente Ocidental» europeia, em França, onde combateu o designado Corpo Expedicionário Português (CEP). Este Corpo Expedicionário seguiu para França em 1917, tinha um efectivo de cerca de 55000 homens, bateu-se na Flandres em condições extremamente penosas e sem o devido apoio de retaguarda, vindo a sofrer baixas consideráveis: quase dois mil mortos e mais de cinco mil feridos. A grande maioria destas baixas ocorreu no dia 9 de Abril de 1918, na batalha de La Lys, onde as nossas forças sofreram um bombardeamento demolidor da artilharia alemã, seguido de um ataque devastador da sua infantaria, cuja superioridade de efectivos em relação ao efectivo sobrevivente nas trincheiras portuguesas era tal, que o máximo que os nossos soldados conseguiram fazer foi conter e retardar a progressão das forças inimigas. A 4ª Brigada de Infantaria da 2ª Divisão do CEP, no sector de Fauquissart cumpre a ordem de morrer na linha B (2ª linha das trincheiras). Infantaria 20 (Guimarães), Infantaria 8 (Braga),
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Infantaria 29 (Braga) e Infantaria 3 (Viana do Castelo) tiveram 60% de baixas dos seus efectivos (cerca de 2000 homens) e quase um terço das baixas do CEP. Menos conhecida do público em geral foi a «guerra paralela» em que Portugal esteve envolvido nos teatros de operações africanos, nomeadamente no Sul de Angola, na fronteira com a colónia alemã do Sudoeste Africano (actualmente Namíbia), e no Norte de Moçambique, na fronteira com a colónia alemã do Tanganica ou África Oriental Alemã, como também era na época designada (Tanzânia actualmente). Para os «esquecidos» teatros de operações africanos seguiram cerca de 30000 homens, um efectivo também considerável. Nos três Teatros de Operações os soldados portugueses combateram denodadamente, dando muitos deles a vida pela Pátria. Como não podia deixar de ser, vários desses gloriosos soldados eram Antigos Alunos do Colégio Militar. Em números recentes desta nossa revista recordámos e homenageámos dois Antigos Alunos ilustres, que se cobriram de glória durante a 1ª Guerra Mundial. Foram eles o Capitão António Germano Guedes Ribeiro de Carvalho (130/1900), que comandou, no final da guerra, o contingente português no Desfile da Vitória em Paris, e o Tenente Henrique Augusto Perestrelo da Silva (2/1902), que foi o Porta-Estandarte desse mesmo contingente. Hoje é a vez de recordarmos e homenagearmos aqueles que não voltaram dessa guerra, tendo dado as suas vidas pela Pátria. Merecem um lugar particular na nossa memória colectiva. Os dados que seguidamente se apresentam, relativamente aos Antigos Alunos caídos pela Pátria durante a 1ª Guerra Mundial, foram extraídos da obra «Para lá do Colégio Militar, uma Associação centenária» de Rui Figueiredo de Barros (62/1936) e Gonçalo Figueiredo de Barros (440/1967). Conforme se indica nessa obra, os Antigos Alunos perecidos foram os seguintes: - Tenente Augusto Valdez de Passos e Sousa (181/1987), destacado para Angola, toma parte na operação de Mangua (Cuanhama), onde é ferido gravemente em combate em 19 de Agosto de 1915, falecendo em 1 de Setembro de 1915. - Alferes Octávio Augusto de Brito (169/1904), embarca para França em 22 de Dezembro de 1916 integrado no CEP. Morre no campo de concentração de Etaples, por ferimentos com arma de fogo em 16 de Janeiro de 1917.
- Alferes Jorge de Sousa Gorgulho (214/1905), Alferes do Regimento de Cavalaria 4 (posteriormente piloto-aviador), embarca para Moçambique em 2 de Julho de 1917. Morre em Moçambique por acidente de aviação em 8 de Setembro de 1917. - Major Óscar Monteiro Torres (228/1900), com o posto de Tenente é mandado apresentar na esquadrilha francesa SPAD nº 65, onde é promovido a Capitão Piloto Aviador, desaparecendo em combate aéreo sobre as linhas alemãs, falecendo em 20 de Novembro de 1917. Foi promovido a Major, a título póstumo. -Major João Teixeira Pinto (144/1888), Oficial da Arma de Infantaria. Depois de ter participado em várias campanhas em Angola e Guiné morreu em combate contra os alemães em Negomano, Moçambique, em 25 de Novembro de 1917. -Tenente Viriato António da Rocha Portugal Correia de Lacerda (38/1897), ferido mortalmente em combate na serra Mucula, Moçambique, em 8 de Dezembro de 1917. - Alferes Joaquim Vidal Pinheiro (245/1903), da 4ª bateria do 3º Grupo de Artilharia do CEP, em França, é atingido na Batalha de La Lys, em 9 de Abril de 1918, morrendo no mesmo dia ao chegar ao hospital. Está sepultado no cemitério de Hovenkuque, depois Cemitério Militar de Vieille Chapelle. - Alferes Pedro Carrazedo de Campos Viana e Andrade (298/1908), Alferes de Artilharia 1, embarcou para França e participou nos combates a 9 de Abril de 1918, sendo feito prisioneiro pelos alemães, falecendo por intoxicação de gases numa ambulância alemã do Lazaret 125 em 11 de Abril de 1918. - Major Humberto de Athayde Ramos e Oliveira (154/1899), Oficial de Infantaria, no posto de Tenente, sob o comando do General Pereira de Eça (73/1864), fez a campanha do Sul de Angola, tendo sido gravemente ferido em Tchipelongo em 29 de Maio de 1915, voltando a ser, posteriormente, ferido por mais três vezes e evacuado para Lisboa. Mais tarde, promovido a Capitão, morreu no posto administrativo de Muata (Angoche), quando as tropas alemãs invadiram Moçambique. Tendo ouvido comentários depreciativos de oficiais ingleses acerca do comportamento de tropas portuguesas na região e possuído de um sentimento de honra, suicidou-se com um tiro de pistola, a 4 de Agosto de 1918. Foi promovido a Major a título póstumo. - Capitão Tenente Eduardo Francisco de Azeredo e Vasconcellos (191/1899), 1º Tenente Aviador, morreu em patrulha aérea de guerra
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ao largo da barra de Lisboa em 23 de Agosto de 1918. Promovido a Capitão-Tenente a título Póstumo. - Tenente Joaquim da Silveira Ferreira Sarmento (69/1904), do 1º Batalhão de Artilharia de Costa, embarca para França integrado no CEP, em 22 de Janeiro de 1918. Intoxicado por gases tóxicos tem baixa ao hospital em 21 de Junho de 1918 e morre em 26 de Outubro de 1918. Foram estes pois os Antigos Alunos mortos em campanha, nos diferentes teatros de operações, durante a 1ª Guerra Mundial, que nós hoje aqui recordamos. O Colégio Militar homenageou oportunamente estes seus filhos, conforme de seguida se relata. A Ordem de Serviço nº 120, de 29/4/1924, informa que, tendo os Alunos do Curso de 1908/1909 oferecido ao Colégio, como homenagem aos Antigos Alunos mortos na Grande Guerra em defesa da Pátria, uma lápida, que será inaugurada hoje pelas 15H30, no vestíbulo do Estabelecimento, uma Guarda de Honra, formada por 2 alunos de cada Companhia, sob o comando do Aluno Comandante de Batalhão, esteja formada naquele vestíbulo para realizar a conveniente continência. Por ocasião do descerramento far-se-á um minuto de silêncio. A Ordem de Serviço nº 324, de 20/11/1931, determina que o Colégio Militar, constituindo um Batalhão a 4 Companhias, tome parte na Parada do dia 22, em homenagem ao Monumento aos Mortos da Grande Guerra, que será inaugurado nesse dia. No dia 3 de Março de 1946, por ocasião da celebração do aniversário do Colégio Militar, foi descerrado no átrio do Colégio, por iniciativa da Comissão de Propaganda da «Liga dos Antigos Alunos do Colégio Militar», uma lápida «Ad Perpetuam Gloriam», com os nomes dos Antigos Alunos mortos em defesa da Pátria. Ao terminar este pequeno texto, não resisto a mencionar um facto curioso e cheio de significado que ocorreu no Colégio, em Março de 1918, relacionado com a guerra na fronteira norte de Moçambique. No dia 22 de Março de 1918 foi recebido no Colégio um Oficio com o seguinte teor: «Ao Exmo. Sr. Director do Colégio Militar. Luz. Lisboa. Tendo tido conhecimento da morte em combate no dia 8 do corrente do Tenente Viriato Correia Lacerda, em Monte Mkula, na África Oriental Portuguesa, cumpre-me testemu-
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nhar perante V.Ex.ª, com o fim de constar do quadro de honra dos antigos Alunos do Colégio Militar que o referido Oficial estando convalescente no hospital em 30 de Novembro de 1916, solicitou o acompanhar voluntariamente uma força que, como Chefe do Estado Maior da Expedição a Moçambique dirigi para sustentar a retirada das forças portuguesas de Newala para a retaguarda do rio Rovuma, procedimento pelo qual foi louvado, mas que sendo exemplar me cumpre comunicar a V. Ex.ª na qualidade de antigo Aluno nº 103 do Colégio Militar. Saúde e Fraternidade. Dar-Es-Salam, 26 de Dezembro de 1917. O Oficial de Ligação junto do Q.G. Britânico. (a) Eduardo Augusto de Azambuja Martins, Tenente-Coronel de Infantaria e do Serviço de Estado Maior». O Director do Colégio não podendo dar satisfação ao desejo do signatário do Ofício, por não haver no Colégio um quadro de honra para os seus Antigos Alunos, decidiu publicar o Ofício em Ordem de Serviço (OS nº 95 de 5/4/1918) «para tornar conhecido de todo o Colégio Militar o nobre procedimento do malogrado Tenente Viriato de Lacerda, que neste Estabelecimento, onde teve o nº 38, havia já deixado assinalada a sua passagem como Aluno brioso, disciplinado e dotado de primorosas qualidades de carácter». Honra aos nossos mortos. NÃO OS ESQUECEMOS.
Nota Final A parte deste artigo referente às Ordens de Serviço colegiais baseou-se no livro «O Colégio Militar através das ordens e livros de correspondência colegiais 1803-1960» da autoria do Major Balula Cid.
Francisco Xavier da Cunha Aragão (93/1901) Um herói como há poucos
Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950)
Francisco Xavierda Cunha Aragão (93/1901)
Um herói como há poucos N
asceu em Pangim, em 15 de Maio de 1891. Completou em 1907 o ensino liceal no Colégio Militar, onde foi admitido em 1901 com o número 93, e, em 1911, o curso de Cavalaria na Escola do Exército. Em 5 de Outubro de 1910, estando colocado no Regimento de Cavalaria 4, participou na revolução republicana. Em 1913, com a patente de tenente, foi colocado em Angola.
No Combate de Naulila
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m 12 de Dezembro de 1914, quando uma força alemã estacionou na margem esquerda do rio Cunene, em território considerado português, frente aos morros de Calueque, a 12 quilómetros de Naulila, os Dragões de Moçâmedes, comandados por Cunha Aragão, entraram em contacto com o invasor, tendo feito um prisioneiro. Francisco Aragão propõe que se ataque imediatamente a força alemã, mas o comando das forças portuguesas prefere aguardar. Os 47 homens do 1.º Esquadrão de Dragões realizam diversas acções de vigilância até 18 de Dezembro. Entretanto, as forças alemãs organizam-se e avançam para Naulila. Na madrugada de 18, depois de um forte bombardeamento de ar-
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tilharia sobre as posições portuguesas, os alemães lançam um forte ataque que penetra nas nossas linhas. Perante o risco de envolvimento, o comando português decide retirar. Nessa altura, dois pelotões do 1.º Esquadrão de Dragões, sob o comando do tenente Aragão, carregam valorosamente sobre um dos flancos do ataque alemão, desorganizando-o e, com isso, facilitando a manobra das forças portuguesas. Uma boa parte dos cavaleiros fica para sempre no campo de batalha. Na Metrópole só em Janeiro de 1915 se sabe que as nossas tropas foram derrotadas em Naulila e que as baixas foram pesadas. Resta, para consolação, o gesto magnífico do jovem tenente e dos seus Dragões. Infelizmente, Aragão é uma das baixas do combate. Na época, a cobertura jornalística das operações militares em África era feita através de notícias dispersas, provenientes de fontes frequentemente pouco credíveis e invariavelmente desactualizadas. Durante cerca de três meses, houve duas únicas certezas para a opinião pública metropolitana: uma, que o combate de Naulila correra mal para as forças portuguesas; outra, que ali se comportara heroicamente o tenente Francisco Aragão, dado como morto no decurso do ataque dos Dragões às posições alemãs. No final de Março de 1915 há novidades. No dia 26 desembarcou em Lisboa do navio Moçâmedes o soldado clarim Augusto dos Reis, do 1.º Esquadrão dos Dragões e ordenança do tenente Aragão. O Século de 27 refere-se-lhe nestes termos: “(…) Além de clarim do esquadrão, era ordenança do heroico tenente Aragão e, n’essa qualidade, acompanhou-o sempre, assistiu ás suas façanhas e foi testemunha da sua morte (…). Augusto Reis descreve-nos as varias fases do combate, recordando especialmente a morte do tenente Aragão, que foi ferido a seu lado, no momento em que punha o pé no estribo para montar (…).” Os políticos atropelaram-se para homenagear a ordenança do herói. O Mundo de 30 de Março de 1915, descreve deste modo a sessão do Congresso do Partido Democrático realizada na véspera: “(...) Apareceu lá esse heroico e desventurado clarim dos dragões de Mossamedes – o compa1 O Século de 25 de Junho de 1915.
Do Lubango para o Cuamato
nheiro de Aragão! – com a sua farda de colonial, trôpego, doente, comovido (...) o soldado obscuro que, sob a metralha alemã, sob o chuveiro de balas dos assaltantes, tocava a carregar e ouvia a voz estridente do Aragão gritar: – A elles, rapazes! (...) Nunca, numa reunião politica – nunca! – oficiais, sargentos, soldados e marinheiros sentiram vibrar uma tão funda simpatia, um tão enternecido afecto por elles (...).” Em consonância com a grande vibração popular suscitada pelo regresso do desventurado companheiro do herói, o Congresso do Partido Democrático propôs na sessão de 3 de Abril de 1915 a abertura de uma subscrição nacional “(...) para se erigir em Lisboa um monumento que perpetue a memoria do tenente Aragão, oficiais e soldados seus companheiros de armas no combate de Naulila, onde, contra a Alemanha, morreram defendendo a Pátria, honrando assim as tradições do exercito português (...).” No auge do entusiasmo patriótico, dá-se uma dramática reviravolta: em 13 de Abril, o Governo recebeu um telegrama de Lourenço Marques informando que o tenente Aragão se
encontrava vivo e prisioneiro dos alemães na Damaralândia. Com o herói vivo, a exaltação popular redobra de intensidade. Em 15 de Junho de 1915, os portugueses acorreram ao cais a saudar o regresso dos bravos de Naulila. A bordo do África sobem representantes do Presidente da República e do Governo. No cais, estão representações de todas as Unidades militares da região de Lisboa. O Terreiro do Paço está literalmente tomado pela multidão. No Ministério do Interior, o Presidente do Ministério e outros dignitários aguardam que Aragão chegue para o homenagearem. A demagogia campeia: O Ministro promete tudo fazer para “(…) que a afronta de Naulila seja vingada como merece. O exercito será dotado com os meios de que necessitar para cumprir o seu dever e fazer da Pátria e da Republica a defeza que uma e outra exigirem (…).” 1 O deputado por Lisboa Leote do Rego, que é também comandante interino da Divisão Naval, propõe à Presidência da Câmara dos Deputados que o tenente de Cavalaria Aragão seja promovido por distinção a capitão. A proposta é rapidamente secundada pelo tenente-coronel
Francisco Xavier da Cunha Aragão (93/1901) Um herói como há poucos
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O oficial é promovido a capitão. Mas reage à distinção de uma forma surpreendente, enviando à Câmara dos Deputados um requerimento em que, “(...) considerando que, tendo cumprido apenas com o seu dever, não se acha com direito á distinção que lhe foi dada (...); considerando que, não estando disposto a pôr nos braços os galões de capitão, lhe seria penoso desobedecer á lei que o promoveu (...), pede que fique sem efeito a referida lei (...).” A Câmara aceitou as razões do oficial e declarou a nulidade da lei. Além disso, o tenente Aragão pediu que o dinheiro angariado em subscrição pública para a espada de honra que lhe era destinada, fosse aplicado na educação dos filhos dos seus companheiros Sereno e Alves, mortos no combate de Naulila2. Os subscritores concordaram e abriram no Século nova subscrição. Mas não desistiram da espada, decidindo entregá-la no Colégio Militar, onde o oficial tinha estudado. Assim se fez. Passado pouco tempo, porém, a espada foi transferida para o Museu de Artilharia.
que se passou em Naulila tem sido objecto de apreciações muito diversificadas. Embora exista uma claríssima unanimidade relativamente ao comportamento de Aragão, os registos variam de forma significativa. Algumas testemunhas oculares não poupam nas palavras e traçam um quadro exaltante e altamente elogioso da carga suicida de Aragão. O Tenente Ernesto Moreira dos Santos vê desta forma o que aconteceu 3: “(…) Às oito horas e quinze minutos, ouve-se na retaguarda do inimigo, que se encontra a escassos metros de nós, um alarido surdo, seguindo-se um enfraquecimento do fogo das metralhadoras inimigas. Um punhado dos nossos Dragões, com cavalos chagados e esqueléticos, conseguiu dar uma carga, num terreno coberto de espinheiros, cujos bicos, são chamados de unhas de gato, lançando o pânico nas fileiras adversas, conseguindo baixar nas guarnições de duas peças de artilharia (…). Foi tão eficaz esta carga, por meia dúzia de homens, destacando-se o Tenente Aragão, o Alferes Serrano entre outros, feita à retaguar-
da do flanco da posição da artilharia inimiga, que os surpreendeu, rolando alguns desses artilheiros pelo chão, destroçados (…). Desta carga e desde o local da artilharia inimiga até ao nossos Postos, caíram quase todos os cavaleiros e cavalos, mortos ou feridos, pelas metralhadoras alemãs, voltadas em massa contra eles (…). Só quem presenciou pode avaliar tamanha ousadia e ânsia em salvar a Infantaria e em honrar as nobres tradições da Cavalaria (…)”. O alferes João Guilherme de Menezes Ferreira também nos deixou o seu testemunho 4: O tenente Francisco da Cunha Aragão (Alves Roçadas, ao que tudo indica, tencionava propor a sua promoção a capitão POR DISTINÇÃO) planeou apossar-se da artilharia alemã. Para o conseguir executou ousadas evoluções e chegou de uma vez a acometer as tropas germânicas pela retaguarda. Numa das investidas, soltas as rédeas, os Dragões cravaram as esporas nas ilhargas das montadas e por entre o vibrar metálico dos clarins e a gritaria rouquejante dos soldados, correram a toda a velocidade, envoltos em nuvens de poeiras, de estandarte desfraldado ao vento e de lança em riste. Os alemães, espantados com tanta audácia, esporeiam os cavalos e preparavam-se para deterem a temerária investida unindo e reforçando as fileiras. A Infantaria inimiga formou um quadrado, protegida pela cavalaria, mas os nossos Dragões nem hesitaram. Negros, queimados pelo sol tropical, cobertos de suor e de pó, espicaçaram doidamente os cavalos, que galopavam desesperados e doridos. O espaço que separava as duas forças, desaparece. O primeiro choque foi formidável, irresistível. Semeou a morte e o extermínio. Nada lhe resistiu. O quadrado alemão foi roto em vários pontos. Rolaram no chão, varados pelas lanças dos nossos, vários peões e cavaleiros contrários. As linhas germânicas foram, por momentos, desbaratadas. A superioridade do número de efectivos, permitiu-lhes reconstitui-las, não sem sérias dificuldades. No entanto a morte ceifou alguns dos nossos. Bastantes foram os que caíram para não mais se erguerem, tendo na sua queda a acompanhá-los apenas o rápido olhar de despedida do seu camarada mais próximo, a quem a morte do companheiro novos alentos
2 A Lucta de 26 de Maio de 1916, na p. 2
3 Blogue “Grande Guerra 1914-1918″,
4 Blogue “Grande Guerra 1914-1918″,
Cavalaria em deslocamnto
Alves Roçadas, invocando a sua condição de comandante das forças que combateram em Naulila.
Testemunhos
O
de Manuel Ribeiro Rodrigues
de Manuel Ribeiro Rodrigues
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Francisco Xavier da Cunha Aragão (93/1901) Um herói como há poucos
deu para a luta. O tenente Aragão, comandante desses bravos, tombou mortalmente ferido. Ao resvalar da sela teve ainda para os soldados as seguintes palavras: – "Para a frente, rapazes! Não desanimem. Combatam e cumpram o seu dever, que eu já cumpri o meu." E, abandonando as rédeas, caiu inanimado. Augusto Casimiro, militar e poeta, escreveu: “(...) São 30 os que se batem agora... De novo vão ser envolvidos, pelos dois flancos, sob o fogo violento do alemão que redobra de esforços. É preciso retirar por fim. Aragão dá a ordem. Os dragões alcançam os cavalos e, perseguidos, tomam a direcção do forte. Quando vão alcançar as posições abandonadas pela 12.ª, inesperada fuzilaria, de frente, recebe os cavaleiros. Já havia alguns elementos alemães, vindos do flanco esquerdo da coluna Franck, nas posições que haviam sido nossas...Os dragões, vão sobre eles, passam a galope, saltam as moitas do mato os cavalos, vão como uma tromba, deixam já atrás de si as trincheiras. Alguns soldados ficam no caminho, a montada de Andrade é morta. Aragão, estacando, volta, com o cabo 155, a procurar o seu companheiro, deixando o primeiro-sargento à frente do reduzido grupo que o acompanha. Uma bala atinge-o, então na coxa. O cavalo despede o cavaleiro. O 155 socorre-o e cai varado. Outros dois cabos são feridos. O tenente Aragão pede que o abandonem. Ata um lenço sobre a coxa sangrenta, arrasta-se até junto dum imbondeiro próximo e espera. O alferes Andrade e três dragões, todos apeados, vêm dar com ele assim e pro-
põem levá-lo, atravessar, com ele, o Cunene. Aragão pensa que, a aceitar, os expõe a ficar prisioneiros... Já têm a íntima, dolorosa convicção de que as nossas tropas sofreram uma derrota. Não se ouvem tiros. Contrariado, obedecendo, Andrade parte. Aragão fica sozinho, de novo, à espera...A espera de ser feito prisioneiro ou morto por qualquer cuamato. Vejamos, agora, as conclusões a que chegou o general Ernesto Machado no seu minucioso e exaustivamente documentado estudo5, as quais, para além de reporem a verdade possível, fornecem pistas para o entendimento de alguns comportamentos: “(...) Na madrugada do dia 18 de Dezembro de 1914, o tenente Aragão, no comando de dois pelotões do 1.º Esquadrão de Dragões, está posicionado junto ao vau de Nangula. «Não tinha ordens ou instruções escritas sobre a missão a desempenhar». (p. 133). Pelas 05H30, ouvindo fuzilaria para os lados de Naulila, Aragão decide marchar nessa direcção. Ao aproximar-se desta posição, lança uma patrulha em exploração, a qual informou «que se avistava, avançando do lado do rio, uma coluna alemã (infantaria montada) com duas bocas-de-fogo. Não hesitou em empenhar-se contra essa força sem perda de tempo, o que fez combinando o combate a pé com a carga. O pelotão que apeou não pôde manter-se, montou e, acossado pelo fogo, foi eliminado (...) e o comandante do esquadrão caiu ferido» (p. 181), tendo sido aprisionado pelos alemães.
5 In MACHADO, general Ernesto, No Sul de Angola, Lisboa, Agência Geral do Ultramar, 1965
A apreciação, do ponto de vista táctico, sobre a actuação do 1.º Esquadrão de Dragões no conjunto das acções de combate, está longe de lisonjeira: – «E assim, caiu-se na situação estranha de a única força de cavalaria que havia na frente de Naulila com a missão de observar e informar, não dar sinal da coluna de Franck (...) nem pressentir a coluna de Water (...). O resultado foi, para o comando, a surpresa táctica em Naulila». (p. 184) – «Quem vê o esquadrão subir o Cunene na manhã de 18, estando já travado o combate de Naulila, supõe que, considerando finda a sua missão de observação e informação na frente, vai tentar aproximar-se, ligar-se e receber ordens do comando (...). Mas o esquadrão não tentou a fundo essa ligação». (p. 185) – Em vez disso, «o esquadrão empenhou-se num combate a fundo contra as forças de Water, no qual deixou de existir». (pp. 186-187) Em todo o caso, tanto o general Machado como o comandante das Forças em Operações, tenente-coronel Roçadas, reconhecem que esta audaciosa acção resultou num valioso serviço para a situação táctica das nossas tropas. Diz Roçadas no seu relatório que “(...) não foi estéril, antes pelo contrário, este movimento do 1.º de dragões. Detiveram por algum tempo as forças alemãs destinadas ao ataque ao nosso sector sudoeste (...)”. (p. 190)
Francisco Xavier da Cunha Aragão (93/1901) Um herói como há poucos
Na Aeronáutica Militar
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Outras actividades
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m 16 de Outubro de 1921 reuniu-se em Lisboa, no escritório do advogado João Jayme Faria Affonso, a assembleia fundacional da Liga dos Combatentes da Grande Guerra, cujo núcleo inicial é composto, entre outros, pelos seguintes veteranos: tenentes-coronéis de cavalaria Ferreira do Amaral (comandante da Polícia) e Francisco Xavier da Cunha Aragão, primeiro-tenente Horácio Faria Pereira e tenente Joaquim de Figueiredo Ministro. Foi também um dos mentores do Apelo à Nação, feito em Março de 1923, por personalidades ligadas à Seara Nova, tendo integrado a comissão que foi entregar o documento a António Maria da Silva e ao Presidente da República. Integrou ainda a Comissão Directiva de Lisboa da União Cívica, juntamente com António Sérgio, Jaime Cortesão, Filomeno da Câmara, Ferreira do Amaral, Quirino de Jesus e Bourbon e Menezes.
Homenagem
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m 24 de Agosto de 1915, realizou-se no Teatro Avenida, em Lisboa, uma récita de homenagem ao capitão Aragão, tendo sido recitada pela atriz Ângela Pinto uma Saudação da autoria de Barbosa Júnior e Penha Coutinho.
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m 14 de Agosto de 1915, a Ordem do Exército, abriu concurso a dez oficiais do Exército e da Armada para iniciarem no estrangeiro cursos de instrução para pilotos aviadores, porque em Portugal nessa altura ainda não havia escolas de pilotagem, nem aviação militar. Um dos quatro admitidos foi o tenente Francisco Aragão, que tirou o seu curso em S. Diego, na Califórnia, pilotando hidroaviões e, depois, aviões com trem. Estavam assim a ser formados os primeiros pilotos daquilo que viria a ser a Força Aérea Portuguesa. Com a entrada de Portugal na 1ª Guerra Mundial (1914-1918), os pilotos portugueses foram depois transferidos para França, onde frequentaram as Escolas de Aviação de Juvisy e de Chartres. A 6 de Novembro de 1916, Francisco Aragão obteve o brevet de piloto na Escola de Aviação Militar de Chartres. Entre Novembro de 1917 e Janeiro de 1918, Aragão integrou a Esquadrilha Expedicionária a Moçambique. Porém, a falta de meios e a proverbial desorganização nacional impedem a esquadrilha de desempenhar qualquer missão operacional, motivo pelo qual Aragão se ofereceu para servir na 9.ª Companhia Indígena do Capitão Neutel de Abreu. Em Fevereiro de 1918 deixou Moçambique com destino aos Açores para aí organizar um aeródromo a pedido da Inglaterra.
Senhor! Mais se engrandece a luza história trazendo um nome ilustre ao vosso seio, Pois quanto mais as paginas folheio maior é meu desejo á vossa gloria! Se o feitos nos abrigam na memoria heroes de cuja fama inda descreio, é justo que eu vos guinde sem receio aos loiros culminantes da vitoria. Se grande foi a luta e grande o p’rigo, inda cintila ao sol a vossa espada e agora, da família, em doce abrigo, A nobre e heroica fama consagrada Tereis no Povo inteiro um só amigo No seio d’esta patria bem amada!
Cartaz alusivo à homenagem, ilustração de Stuart Carvalhais
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oi agraciado com o grau de oficial da Ordem da Torre Espada, comendador da Ordem de Avis, comendador da Ordem de Cristo, medalha de prata de Valor Militar, Cruz de Guerra de 3ª classe, uma medalha de ouro e duas de prata de Bons Serviços, medalha de prata de Comportamento Exemplar, medalha da Victoria, medalha Comemorativa das Campanhas Sul de Angola 1914-15, grau de oficial da Legião de Honra (França).
Torre e Espada cavaleiro
Ordem Avis oficial
Ordem de Cristo
Valor Militar prata 1910
Cruz de Guerra Republica
As fotos que ilustram este artigo foram cedidas pelo José Alberto da Costa Matos (96/1950)
Bons Serviços
Legião de Honra
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Dia de Portugal 10 de Junho de 2014
Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
Dia de Portugal
10 de Junho de 2014 N
o passado dia 10 de Junho de 2014 foi prestada a habitual homenagem nacional aos combatentes da Guerra do Ultramar, em cerimónia que teve lugar, da forma usual, no monumento ao combatente, defronte do forte do Bom Sucesso, junto à Torre de Belém. De acordo com o publicitado pela comissão executiva da homenagem, os objectivos da cerimónia eram os seguintes: - Reunir o maior número de portugueses de qualquer idade ou ideologia política para celebrar Portugal. - Lembrar e homenagear os combatentes que morreram pela sua Pátria. As cerimónias tiveram o seu inicio com uma alocução proferida pelo Presidente da Comissão Executiva deste XXI Encontro Nacional dos Combatentes, Tenente-General Piloto Aviador Fernando Sousa Rodrigues, ele próprio antigo combatente. Seguiu-se uma cerimónia inter-religiosa cristã e muçulmana, de sufrágio das almas de todos aqueles que pereceram na Guerra do Ultramar, independentemente da sua religião. É sempre a parte mais emotiva destas jornadas e constitui, tanto quanto nós saibamos, a única cerimónia inter-religiosa que se celebra com regularidade em Portugal. Esperamos que assim continue por muitos anos, dando testemunho público de que todos os combatentes se consideram como irmãos, independentemente das suas religiões. Terminada a cerimónia inter-religiosa, ti-
vemos a oportunidade de escutar o discurso de homenagem aos combatentes proferido pelo Prof. Dr. Henrique Leitão, que não tendo sido combatente, teve a oportunidade de acompanhar o seu pai numa das comissões por este feita no Ultramar. O seu discurso foi admirável e tocou fundo no íntimo de todos aqueles que ali estiveram reunidos para o ouvir. Foi um dos melhores, senão o melhor, discurso que ali temos ouvido ao longo dos anos. Para que aqueles que não estiveram presentes, possam eles também apreciar esse discurso, aqui o reproduzimos nas páginas desta nossa revista, com a permissão do seu autor, a quem cumprimentamos pelo seu magnífico discurso e agradecemos pela permissão dada para a sua reprodução. Bem-haja. Ao discurso seguiu-se a homenagem aos mortos, com os toques de ordenança executados pela Banda da Guarda Nacional Republicana e com a deposição de flores junto ao monumento. O chão junto ao monumento ficou juncado de coroas de flores, incluindo a coroa da nossa Associação, colocada pelos seus Presidente e Vice-Presidente, respectivamente, António Saraiva de Reffóios (529/1963) e José de Ataíde Banazol (631/1968). Assim prestámos homenagem a todos os combatentes em geral e em particular aos Antigos Alunos caídos pela Pátria. A esta homenagem seguiu-se o Hino Nacional, cantado por todos os participantes e assistentes à cerimónia, muitos com os olhos marejados de lágrimas, pensando naqueles cujos nomes se encontram inscritos nas lápides do monumento, a quem nunca nos can-
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Homenagem aos Combatentes em 10 de Junho de 2014
saremos de homenagear e a quem toda a nossa gratidão é devida. Um navio da Armada surto no Tejo, em frente á Torre de Belém, acompanhou o hino com uma salva das suas peças de artilharia. Ainda ecoavam no ar os últimos acordes do Hino Nacional, já as nossas cabeças estavam a ser sobrevoadas por um velhinho Allouete III da Força Aérea, aeronave que prestou os serviços mais relevantes durante a Guerra do Ultramar. Para muitos, feridos na mata pelo fogo do inimigo, foi a nave salvadora que desceu dos céus e os arrancou às garras da morte. Aos seus corajosos pilotos e às não menos corajosas enfermeiras pára-quedistas, que amiúde os acompanhavam nas missões mais arriscadas, ficaram muitos a dever a sua vida. O som característico, uma espécie de martelar ritmado, dos rotores daqueles helicópteros, foram para os que por eles esperavam angustiados na mata, em situação de necessidade de auxílio premente, uma espécie de melodia celestial, que nunca esquecerão até ao final dos seus dias. Às passagens do helicóptero sobre a assistência, seguiu-se a passagem final, pela frente das lápides com os nomes dos mortos, dos estandartes dos diversos núcleos da Liga dos Combatentes e das Associações de Fuzileiros, Comandos e Pára-quedistas. Os combatentes das três Associações, todos homens na casa dos sessenta e dos setenta anos, desfilaram com grande garbo e com o orgulho estampado nos seus rostos enrugados, mas não vencidos pela idade. Durante os breves minutos que durou aquele desfile, voltaram a ter a alma dos seus vinte anos. Os Comandos, como sempre, pararam em frente ao monumento coberto de flores, para fazerem ouvir o seu grito de guerra, MAMA SUME. Que extraordinário exemplo patriótico para os mais novos ali presentes. Pela primeira vez em muitos anos não vimos a placa identificativa do BCAV345, do então Tenente-Coronel Spínola (33/1920), um dos primeiros a avançar para Angola, em 1961, e cujos elementos sempre compareceram nesta cerimónia. Não podem ter morrido, pois como disse um dia o General Mac Arthur «OS VELHOS SOLDADOS NUNCA MORREM, VÃO-SE ESVANECENDO NA DISTÂNCIA».
Homenagem aos Combatentes em
10 de Junho de 2014 Palavras do Senhor Professor Doutor Henrique Leitão
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a Cerimónia de Homenagem Nacional aos Combatentes, ocorrida no passado dia 10 de Junho, foi orador convidado o Senhor Professor Doutor Henrique Leitão, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. A brilhante, expressiva e profunda alocução, enaltecendo e relembrando o feito de todos aqueles que serviram a sua Pátria em momentos muito difíceis da nossa História, tantas vezes esquecidos e tratados de forma ingrata, calou fundo no seio dos Combatentes e em todos os que os respeitam e lhes estão agradecidos pela sua generosidade que, infelizmente em muitos casos, se traduziu pelo sacrifício supremo da vida. A ZacatraZ, considerando a importância das palavras proferidas, contactou o Senhor Professor Henrique Leitão no sentido de reproduzir a sua oração nas páginas da nossa revista. Registamos a forma muito agradável e o elevado trato como a nossa solicitação teve acolhimento e a anuência do seu autor ao nosso pedido. Aqui fica reproduzido e registado o discurso brilhante proferido no 10 de Junho de 2014, bem como o agradecimento ao seu autor. Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949) Director da ZacatraZ
Portugueses Combatentes de Portugal
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ntendeu a Comissão Executiva para a Homenagem Nacional aos Combatentes convidar este ano, como orador, para proferir umas breves palavras, um professor universitário, que se dedica à história da ciência, que não foi combatente, e que certamente não passou pelas durezas por que muitos de vós passaram. A oportunidade de me dirigir a esta assistência e ao que ela representa é seguramente uma das maiores distinções que recebi na minha vida. Estou aqui, pois, antes de mais nada, para prestar o meu respeito e a minha homenagem a todos os combatentes, e para, com todos eles, lembrar muito em especial os que tombaram. De certa maneira estou aqui para dar voz a tantos da minha geração que, tendo vivido
em circunstâncias muito diferentes das vossas, olham com curiosidade, com admiração e, sobretudo, com imenso respeito, para todos vós. Ao começar estas breves palavras vale sempre a pena relembrar algo que é para todos nós uma evidência: não viemos aqui para celebrar nem uma ideologia nem uma política. Não viemos nem para comemorar vitórias nem para lamentar derrotas. Não viemos para julgar. Também não viemos apenas para relembrar o passado, como algo frio e distante que se examina com interesse vago ou apenas com saudade. Estamos aqui neste Dia de Portugal para relembrar e homenagear, talvez com comoção, mas também e sobretudo com alegria,
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Homenagem aos Combatentes em 10 de Junho de 2014
a grandeza dos que lutaram por Portugal, e para comemorar, com esperança, este amor pela nossa terra e pelas suas gentes. A passagem dos anos torna este Encontro Nacional cada vez mais importante e mais significativo. O tempo pode esbater as circunstâncias concretas dos feitos que recordamos, mas realça e torna mais nítidos o esforço e a entrega dos combatentes. Pobre de um país que não olhe com respeito e admiração para aqueles que o serviram nas situações mais duras e mais extremas. Pobre de um país que não lembre aqueles que por ele deram tudo. Pobre de um país que não recorde os seus mortos. A História de uma nação não é só feita de conquistas materiais - sejam elas de que tipo forem. A história é feita também de memória e de exemplos. Exemplos que o passado projecta no presente e nos esclarecem sobre quem somos. É por isso que o vosso esforço e o vosso exemplo nunca serão esquecidos. Não fui combatente, mas por razões familiares e de amizade, conheci e privei ao longo dos anos com muitos que o foram. Gostava de dizer o que aprendi com eles, ou seja, o que aprendi convosco. Aprendi convosco que os verdadeiros soldados lutam não porque odeiam o que têm diante, mas porque amam o que deixaram em casa. Aprendi que das missões em terras distantes nasce o encanto por essas terras e pelos seus habitantes. Aprendi que o amor ao próprio país não é um sentimento que fecha, mas um abraço que se alarga a outros povos. Aprendi que nas provações mais duras se forjam amizades que não distinguem nem raças, nem credos, nem origens sociais, nem níveis de instrução. Aprendi o que é o respeito e a admiração pelos que foram adversários e antigos inimigos. Aprendi que quem mais preza e deseja a paz é quem já teve que combater. Estas são lições que têm de ser recordadas às novas gerações - mas são lições que ninguém pode dar melhor do que vós. O vosso exemplo e a vossa presença são hoje tão importantes como no dia em que fostes chamados. Olhar para esta assistência é também, de
certa maneira, olhar para a história de Portugal. Os combatentes do Ultramar são os mais recentes representantes da história singular que o nosso país teve. A história do nosso país enche de surpresa e admiração a quem a estuda: Uma nação pequena, de escassa população e recursos limitados, veio a desempenhar um papel singular na história da Europa e do Mundo. Não foi uma história perfeita de gente irrepreensível (histórias assim não existem), mas só um olhar de imenso cinismo ficaria indiferente perante a grandeza do que foi feito. Desde muito cedo os habitantes deste pequeno território continental reclamaram independência e afirmaram a sua diferença. Depois, os portugueses foram o primeiro povo europeu a navegar em longa distância nos oceanos de forma estável e habitual, fazendo o que antes deles nenhum outro povo da Europa se atrevera a fazer. Foram o povo que transformou o oceano, que era uma barreira, nos mares que passaram a ser estradas. Aquilo que durante séculos marcava o fim, o terminus, passou a ser porta de passagem. Pedro Nunes, o matemático, o maior cientista da nossa história, sempre parco em palavras e nada dado a devaneios retóricos, disse-o sem timidez: "Os portugueses ousaram cometer o grande mar Oceano. Entraram por ele sem nenhum receio. Descobriram novas ilhas, novas terras, novos mares, novos povos: e o que mais é: novo céu e novas estrelas. E perderam-lhe tanto o medo que nem a grande quentura da torrada zona, nem o desconpassado frio da extrema parte do sul [...] lhes pode estorvar. [...] Descobrindo e passando o temeroso cabo de Boa esperança: o mar de Ethiopia, de Arabia, de Persia, puderam chegar à India. Passaram o rio Ganges [...] a grande Trapobana, e as ilhas mais orientais. Tiraram-nos muitas ignorancias [...] E fezeram o mar tão chão que não há quem hoje ouse dizer que achasse novamente alguma pequena ilha, alguns baixos, ou se quer algum penedo, que por nossas navegações não seja já descoberto." (Pedro Nunes, 1537). Estes acontecimentos colocaram os portugueses em contacto com povos de todo o mundo, misturaramnos com gente de todas as cores, levaram a fé de Cristo aos mais recônditos cantos da Terra. E espalharam a nossa língua por todos os continentes, a nossa língua que, como diz o poeta, é também
a nossa pátria. Os historiadores discutem há décadas como explicar estes factos surpreendentes. Razões económicas, políticas, sociais, religiosas têm sido avançadas como explicação, e todas elas são certamente necessárias. Mas talvez a resposta esteja em olharmos para nós próprios: Arrojados, às vezes imprudentes, sempre prontos para partir, voluntariosos e um pouco desorganizados, fascinados com o novo, com o diferente, sonhadores, assim foram portugueses de todos os tempos. Foi este movimento irreprimível de ir para fora das fronteiras do país que, com o passar dos séculos, nos levou a África e depois nos trouxe até aqui: nos combatentes do Ultramar estão séculos de história. E foi por causa dessa história que agora, no presente, contamos no mundo com várias nações que, com todo o respeito, tratamos como irmãs. Portugal atravessa de novo momentos difíceis - mas, apesar de tudo, são dificuldades muito mais benignas do que aquelas por que muitos de vós passaram. É nestes momentos que o exemplo de tantos combatentes - tantos que estão aqui e outros tantos que já não se encontram entre nós - se torna mais necessário. As circunstâncias específicas do momento actual são muito diferentes das que se colocaram diante dos combatentes do Ultramar, mas os desafios não são menores. Também hoje aquilo de que é mais preciso são homens e mulheres que amem a sua terra, e que estejam prontos para trabalhar e lutar por Portugal. Aquilo que os combatentes têm o dever de recordar é que o amor à própria terra é a primeira condição para todo o desenvolvimento e todo o progresso. Aquilo que têm a ensinar é que não há muito a esperar de quem não ama o seu país. Este Dia de Portugal e esta homenagem aos combatentes relembram o que passou, mas sobretudo olham para o futuro. Estamos aqui como quem, para dar um passo em frente, tem de começar por fincar um pé atrás. Relembramos hoje os que combateram por Portugal porque é o futuro do nosso país que nos interessa. Os nomes que estão nas lápides deste monumento não evocam só saudade e perda; eles comprometem-nos: recordam-nos a todos, de maneira muito severa e muito exigente, que quaisquer que sejam as dificuldades, não se desiste de Portugal. Viva Portugal!
Jumping do Colégio Militar
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Jumping do Colégio Militar
©Foto Leonel Tomaz
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o passado dia 10 de Junho teve lugar mais um Jumping do Colégio, nas instalações da Sociedade Hípica Portuguesa. Disputou-se, como é habitual, uma prova de parelhas, formadas, cada uma delas, por um Aluno e por um Antigo Aluno, constituindo uma mescla equilibrada, capaz de vencer o desafio que a prova constituía. Cada parelha tinha que cobrir o percurso duas vezes. Se o primeiro cavaleiro da parelha conseguia fazer o seu percurso limpo, o segundo cavaleiro só entrava em acção para fazer o segundo percurso. Se algum cavaleiro derrubava um obstáculo, o obstáculo seguinte já era abordado pelo seu companheiro de
parelha, havendo tantas alternâncias de cavaleiros quantos os derrubes de obstáculos verificados. A prova decorreu de forma agradável, com as peripécias do costume, ou seja, eliminações por erros de percurso e cavaleiros a apearem a meio dos seus percursos de forma involuntária e sem uma prévia autorização do júri. Enfim, coisas que só não acontecem a quem não anda lá dentro, metido nestas andanças. O que interessava porém era participar numa sã competição e esse objectivo foi plenamente atingido. Uma nota saliente do evento foi a presença de vários Antigos Alunos oficiais ou cadetes
da Guarda Nacional Republicana, para onde agora se viram os jovens na hora de fazerem a sua opção de vida militar. Outra nota saliente do evento foi a participação de uma aluna, Margarida Borges de Pinho Esteves (245/2013), na competição. Teve um lapso logo no inicio da sua apresentação, pois em vez de saudar o júri militarmente com a continência, fez uma pequena vénia com a cabeça. Ter-se-á esquecido da sua presente situação como aluna do Colégio. Decerto alguém já lha terá entretanto lembrado. A nossa amazona montou bem e é bem provável que dentro de pouco tempo tenhamos uma aluna na escolta. A ver vamos!
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Jumping do Colégio Militar
A prova foi ganha pela parelha constituída pelo antigo aluno Nuno Filipe Vieira Simão (124/1981) e pelo aluno Daniel Artur Santos Vargas de Sousa (96/2010). Para todos eles as nossas felicitações. Passou-se uma tarde agradável, como o testemunham as fotos apresentadas. Para o ano esperamos ter mais.
Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957) Chefe de Redacção da ZacatraZ
©Fotos Leonel Tomaz
Do Mundo Hípico António Pimenta da Gama (21/1940) D
o passado dia 29 de Maio ao dia 1 de Junho de 2014, teve lugar no Hipódromo do Campo Grande o 94º Concurso de Saltos Internacional Oficial (CSIO) de Lisboa, um dos CSIO mais antigos do mundo, ao qual eu assisto todos anos, a menos que me encontre no estrangeiro. É um hábito meu, de tal forma arreigado, que já não sei bem dizer se será ou não um acto de fé. É fruto do vício pelos cavalos que me foi incutido nos meus tempos no Colégio, vício esse que me parece inofensivo, pelo que nada faço para o combater. É sempre, para mim, um prazer assistir a concursos de qualquer modalidade hípica e confesso que ao fazê-lo tive oportunidade de observar, ao longo dos anos, feitos notáveis dos melhores cavaleiros portugueses e estrangeiros, muitos deles protagonizados por Antigos Alunos, que já homenageei nas páginas desta nossa revista. Ao chegar ao hipódromo no primeiro dia do concurso tive a grata surpresa de constatar que a Sociedade Hípica Portuguesa, organizadora habitual deste concurso, tinha decidido homenagear o Capitão António Pimenta da Gama (21/1940), falecido em Julho de 2013, notável concursista, não só a nível interno,
mas também a nível internacional. A capa do programa do concurso, que aqui reproduzimos, tinha por base uma bela fotografia sua, ainda dos seus tempos de Tenente da Guarda Nacional Republicana, saltando com a sua determinação habitual, um obstáculo de varas, daquelas do antigamente, bem grossas e pesadas. A homenagem, assim prestada, é mais do que justa, face à notável carreira de cavaleiro de obstáculos deste Antigo Aluno. A sua extensa carreira desportiva foi por nós recordada no nº 192 desta revista. Aí se referia, que durante mais de 20 anos, de 1962 a 1983, fez parte da equipe nacional de obstáculos, ganhou mais de mil provas hípicas, foi campeão nacional por quatro vezes e foi vice-campeão outras tantas vezes. Foi um caso singular de longevidade desportiva ao mais alto nível. Foi pena que o Pimenta da Gama não tivesse já podido assistir ao CSIO de Lisboa do presente ano, pois foi um ano excepcional para as cores nacionais. O Grande Prémio foi ganho por um cavaleiro português, o Luís Sabino Gonçalves, que pela segunda vez consegue este magnifico feito, depois de muitos anos de jejum para os cavaleiros nacionais. A nível de equipas o
comportamento dos nossos cavaleiros foi igualmente notável, tendo conseguido um brilhante segundo lugar na Taça das Nações, disputada por dez equipas. A taça foi ganha pela equipe de França, com oito pontos, tendo a nossa equipe totalizado doze pontos. Apenas um derrube nos separou da equipe francesa, com a qual a nossa equipe ombreou até ao último percurso. Este foi um CSIO para mais tarde recordar.
Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957) Chefe de Redacção da ZacatraZ
Homenagem a Sérgio Bacelar
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Jorge Manuel Noronha da Silveira Alves Caetano 641/1974
Homenagem a Sérgio Bacelar (184/1956)
C
omo leitor assíduo da nossa “ZacatraZ”, sei que o amor que sentimos pelo Colégio, a Casa que nos formou, também se alimenta das notícias que dizem respeito ao que de bom acontece a quem quer que tenha o privilégio de pertencer à Família Colegial. Também sei que, muitas vezes por modéstia, nos abstemos de partilhar publicamente os bons momentos que temos a felicidade de estar a viver. Desta vez, falou mais alto o desejo de o fazer e de contribuir para que ficassem registados “traços” que ligam o Colégio ao extraordinário momento profissional que me foi proporcionado durante a passagem pelo Regimento de Engenharia Nº 3, que tenho a honra e o privilégio de comandar. Não fazia sentido que o presente testemunho abordasse outras dimensões, por muito interessantes que elas pudessem ser e são, por exemplo, em termos da actividade operacional do Regimento. Por isso, após uma breve contextualização, aquilo a que nos propomos é dar a conhecer alguns desses “traços”, nomeadamente respeitantes a Antigos Alunos que já aqui serviram ou ainda servem, já que aquela ligação institucional é permanente e se manifesta todos os anos, através do apoio que damos, principalmente em alojamento e alimentação, a delegações
do CM que se deslocam a esta zona do País, com objectivos diversos. Antes ainda de falarmos sobre o Regimento, um breve esclarecimento. A circunstância mesmo sendo rara de, neste momento, o Comandante e o 2º Comandante serem Antigos Alunos (641/74, Jorge Caetano, desde 27 de Julho de 2010, e 65/80, Pedro Bastos, desde 11 de Março de 20131, respectivamente), não era, por si só, razão para “trazer à estampa” o presente testemunho; mas o facto de, este ano, durante as comemorações do aniversário do Regimento, ter sido feita uma singela homenagem a um outro Antigo Aluno (184/56, Sérgio Bacelar2), impeliu-nos a dar conta destes e de outros factos à Família Colegial. Feitos os anteriores considerandos, anotemos então que este Regimento pertence à Brigada de Intervenção que, diferentemente da Brigada Mecanizada de Santa Margarida, é uma Grande Unidade do Exército implantada no território de forma dispersa. Assim, tem, para além do Regimento de Engenharia Nº 3, em Espinho, os Regimentos de Infantaria Números 13, 14 e 19, localizados respectivamente em Vila Real, Viseu e Chaves, o Regimento de Cavalaria Nº 6, em Braga, e o Regimento de Artilharia Antiaérea Nº 1, em Queluz.
O então designado Regimento de Engenharia de Espinho sediou-se no Campo de Aviação de Paramos, em 1976. Já antes lá tinham estado aquartelados o Grupo Independente de Aviação de Caça, o Grupo de Artilharia Contra Aeronaves Nº 3 e um Destacamento do Regimento de Cavalaria do Porto, tendo-se portanto ali instalado há apenas trinta e oito anos, em contraste com a longevidade dos Sapadores Engenheiros, uma Unidade de Engenharia, que viria a ser a legítima herdeira das tradições e do património histórico do Batalhão de Engenharia Nº 3 de Santa Margarida, Unidade baseada no Batalhão de Engenharia Divisionária a uma Companhia de Comando e Serviços e duas Companhias de Sapadores, que se formou na então Escola Prática de Engenharia, em 1953, para a articulação orgânica da 1ª Divisão “SHAPE”, organizada para satisfação dos compromissos assumidos por Portugal, no quadro da Organização do Tratado do Atlântico Norte. Nos seus 38 anos de existência, o Regimento “arrecadou” para a galeria dos seus Comandantes e Segundos Comandantes os nomes de alguns Antigos Alunos.
1 Na cerimónia de tomada de posse, fiz questão de referir que, para além de outras razões que ditavam a sua escolha para o desempenho das funções de 2º Comandante, do que eu conhecia dele e
do que eu sabia da sua formação, podia garantir que o TCor Bastos: 1) Amava e honrava a Pátria. 2) Dignificava a farda que enverga. 3) Cultivava a disciplina. 4) Dedicava à sua formação todo o seu esforço e inteligência. 5) Era verdadeiro e leal, assumindo sempre a responsabilidade dos seus actos. 6) Praticava a camaradagem sem denúncia nem cumplicidade. 7) Era modesto no êxito, digno na adversidade e confiante face às dificuldades. 8) Era generoso na prática do bem. 9) Repudiava a violência, a delapidação e o despotismo. 10) Era sempre respeitador, afável e correcto. 2 Síntese Biográfica gentilmente cedida por Leonor Margarida Lopes Vicente Bacelar, em caixa.
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Homenagem a Sérgio Bacelar
Ao longo da sua existência, o Regimento tem vindo a apoiar centenas de entidades, principalmente as que têm grandes limitações de recursos ou estão situadas em locais de difícil ou distante acesso, executando uma enorme variedade de trabalhos, nomeadamente de terraplenagens para a construção de estradas, aeródromos, polidesportivos e zonas industriais. A obra deixada nesses locais fala por si, mas o reconhecimento das entidades apoiadas, através da concessão de medalhas e de outras distinções, constitui uma parte importante do Património Imaterial da Unidade. O RE 3 tem também assumido um papel de relevo como agente de protecção civil, em tarefas de natureza preventiva ou em apoio na intervenção em situações de catástrofe ou calamidade, que podem ser consideradas parte importante da sua actividade operacional mas a preparação dos encargos operacionais não se tem limitado à realização de trabalhos de construções horizontais ou verticais, em apoio de autarquias e de outras Entidades Civis ou Militares. O treino operacional conduzido internamente, ou através da participação em exercícios tem servido para complementar essa preparação. E foi assim que o Regimento conseguiu aprontar várias Unidades de Engenharia que projectaram o nome de Portugal além-mar, integrando recentemente a Força das Nações Unidas para o Líbano. Foi afinal este percurso histórico que culminou recentemente com a Concessão ao RE 3 do Título de Membro Honorário da Ordem Militar de Avis. Os termos em que tão honroso título e tão elevada distinção foram concedidos, significam o reconhecimento da “eficiência e assinalável capacidade de planeamento, organização e controlo da preparação das forças militares e, de que o Regimento, em prol da defesa dos interesses de Portugal, tem sido empenhado, de forma valorosa e devotada, não só no território nacional, como em territórios mais longínquos, como em Timor, Bósnia Herzegovina, Kosovo, Afeganistão e Líbano, tendo por isso sido distinguidos e exaltados publicamente os altos serviços militares, bem como os feitos junto das populações, em dezenas de autarquias, como serviços relevantes, distintos e altamente meritórios, ilustrando os mesmos, forma como o Regimento de Engenharia Nº 3 vem desempenhando a sua missão, do que tem resultado sempre honra e lustre para a Instituição Militar e para a Nação”. Mas significam também que, sozinho, o Regimento não teria conseguido trilhar estes caminhos de criação de valor. Por essa razão, esse reconhecimento do “extraordinário esforço desta Unidade militar ao longo da sua História, para além de constituir um factor de motivação para os militares e civis
Vista aérea do Regimento de Engenharia de Espinho e o Monumento de Homenagem aos seus Mortos.
Comandantes do RE 3 Antigos Alunos do Colégio Militar
Fernando Perry da Câmara (143/1940) 24 Dec 1976 - 12 Jan 1978
Sérgio Lima Bacelar (184/1956) 07 Dez 1995 - 09 Set 1997
Segundos Comandantes do RE 3 Antigos Alunos do Colégio Militar
Sérgio Lima Bacelar (184/1956) 24 Mai 1993 - 31 Dez 1993
Bartolomeu Martins de Bastos (65/1980) desde 11 Mar 2013
Equipamentos orgânicos do Regimento de Engenharia 3
Jorge Alves Caetano (641/1974) desde 27 Jul 2010
Homenagem a Sérgio Bacelar
Membro Honorário da Ordem Militar de Avis concedido ao Regimento de Engenharia 3.
da Unidade e para os milhares de cidadãos que nas últimas décadas serviram Portugal, sob o seu Estandarte”, não pode deixar de ser estendido a outros, assim homenageando igualmente o espírito de colaboração e de servir que tem ligado e continua a ligar o Regimento a tantas Entidades Militares e não Militares. Talvez por isso, a concessão do título mereceu destaque na imprensa local. Este ano, o Programa das Comemorações do 38º Aniversário do Regimento foi concebido para que o dia 9 de Maio de 2014 fosse também o epílogo e corolário do esforço de valorização do Património Imaterial da Unidade, o que inclui o reforço de laços com os seus concidadãos espinhenses, com a Cidade, bem como entre os militares e civis que ali servem e com os que os antecederam ou lhes hão-de suceder, cumprindo destacar: ■ Os que viram aquela Unidade de Engenharia nascer, em 1976, que podem ser considerados os Pioneiros do RE 3, cuja presença nas Comemorações foi emocionante; ■ O Concerto Musical, pela Banda Militar do Porto, no Centro Multimeios de Espinho, e a Missa de Acção de Graças e Sufrágio, na Igreja Matriz de Espinho, presidida por SExª Revª o Bispo Auxiliar do Porto, Dom João Lavrador, ambos os eventos abertos à população; ■ A inauguração da Sala MGen Lima Bacelar, muito querido e saudoso antigo Comandante deste Regimento, a que muito gentilmente se associaram vários membros da sua Família, designadamente a sua Filha, Senhora Doutora Leonor Margarida Lopes Vicente Bacelar, o seu Irmão, Senhor Vice-Almirante José Carlos
Bacelar (241/1958) e Senhora, e o seu sobrinho, Senhor Capitão Tiago Bacelar de Melo, a quem agradecemos penhoradamente o terem-se dignado dar-nos o privilégio da sua companhia, bem como pelo entusiasmo que desde o primeiro momento dispensaram à sua participação na singela mas muito justa e oportuna cerimónia de inauguração deste espaço, facilmente acessível a todos, de homenagem ao próprio mas também a todos os que, no período do seu Comando, de 7 de Dezembro de 1995 a 9 de Setembro de 1997, contribuíram para que tivessem sido atribuídos ao Regimento de Engenharia Nº3 os seguintes galardões: › Medalha de Honra de Espinho, em 1996, › Medalha de Honra de Sever do Vouga, em 1997, › Medalha de Ouro de Fornos de Algodres, em 1997, › Medalha de Ouro de Tabuaço, em 1998. Este é também um espaço de memórias de uma importante parte do nosso património histórico, do legado de que somos herdeiros e que nos cumpre honrar e valorizar; enfim um espaço, onde já não falta a Fotografia Regimental, que é ainda de representação dessa nova heráldica, que, fazendo jus às nossas origens, o Batalhão de Engenharia Nº 3, coloca no topo a “GENTE SUBLIMADA”, no Grito de Guerra agora acrescentado ao nosso Brasão de Armas; ■ O lançamento do livro do RE 3, que procura dar a conhecer quem foram e o que têm feito, os portugueses que têm servido Portugal, naquele Campo de Aviação de Paramos; ■ A entoação, em formatura pública, pela
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Livro Regimento de Engenharia 3.
primeira vez, do Hino que passou a ter o Regimento, um momento histórico que foi partilhado com quem esteve presente e teve a compreensão para aceitar uma ou outra nota “fora do tempo ou do lugar”.
Do antigo ao novo BRASÃO de ARMAS
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Homenagem a Sérgio Bacelar
ARMAS - Escudo de negro, dois castelos de ouro abertos e iluminados de vermelho acompanhados em chefe de uma margarida de prata abotoada de ouro, contrachefe de prata com três burelas de verde; - Elmo militar de prata, forrado de vermelho, a três quartos para dentro; - Correia de vermelho perfilada de ouro; - Paquife e viral de negro e de ouro; - Timbre: dois golfinhos de ouro entrelaçados; - Condecoração: Sataposta ao escudo a cruz da Ordem Militar de Avis; - Divisa: num listel de prata, ondolada, sotaposta ao escudo, em letras de negro, maiúsculas, de estilo elzevir "NÃO MENOS NOS ENGENHOS QUE NA ESPADA"; - Grito de guerra num listel de prata, ondulado, sobreposto ao escudo, em letras de negro, maiúsculas, de estilo elzevir "GENTE SUBLIMADA" ( LUSIADAS, Canto III, estrofe XIV).
SIMBOLOGIA - O CAMPO do escudo é da cor tradicional das carcelas da Arma de Engenharia; - O CASTELO de ouro é o emblema tradicional da Engenharia. Então representados dois castelos por a unidade ter sido o segundo regimento criado. - A MARGARIDA alude ao Batalhão de Engenharia 3 instalados em Santa Margarida, onde teve as suas origens esta unidade; - O ONDEADO de prata e verde representa o mar junto do qual se encontra a unidade. - Os GOLFINHOS são os do escudo de armas da cidade de Espinho, onde o regimento está sedeado; - Os esmaltes significam: - O OURO: Nobreza e constância; - A PRATA: riqueza e eloquência; - O VERMELHO: ardor bélico e força; - O VERDE: esperança e liberdade; - O NEGRO: firmeza e honestidade.
Aspectos da cerimónia e do descerramento da placa da Sala MGen Lima Bacelar HINO DO REGIMENTO DE ENGENHARIA Nº 3 Pelos ares nasceu a história Destes nobres destemidos. E na terra fica a memória Pois jamais serão esquecidos. De Santa Margarida a Paramos, Engenharia estará presente. É nestes bravos que encontramos A vontade de ser diferente. Hoje e sempre a defender As cores deste ilustre País. Ostentando com orgulho a insígnia De membro da Ordem de Avis Nosso estandarte bem alto içamos. Ousadia, GENTE SUBLIMADA! Por isso bem alto gritamos: NÃO MENOS NOS ENGENHOS QUE NA ESPADA. Letra: 1º Cb RC Frederico Correia Música: Prof Xavier Coutinho Harmonização e Arranjo: SCh Mus José Maciel
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MGen Sérgio Augusto Margarido Lima Bacelar Síntese biográfica O Major-General Sérgio Augusto Margarido Lima Bacelar nasceu em Sá da Bandeira – Angola, em 12 de Outubro de 1946. Frequentou o Colégio Militar de 1956 a 1964, com o Nº 184. Ingressou na Academia Militar em 6 de Outubro de 1964, tendo concluído o curso de Engenharia Militar em 1972, com a mais elevada classificação do seu Curso. Dos vários cursos de qualificação e promoção que frequentou, destacam-se o Curso de Pontes Flutuantes, na República Federal da Alemanha, e o Curso Geral de Comando e Estado-Maior, o Curso de Técnica de Estado-Maior, e o Curso Superior de Comando e Direcção, no Instituto de Altos Estudos Militares. Ao longo da sua carreira, desempenhou as mais diversas funções, das quais se destacam: ■ Comissão no Ultramar, como Adjunto e Comandante de uma Companhia de Engenharia, projectada para Angola; ■ Adjunto do Comandante da Companhia de Engenharia da Brigada Mecanizada; ■ Chefe da Delegação do Porto, da Direcção dos Serviços de Fortificação e Obras do Exército; ■ Adjunto Técnico e 2º Comandante do Batalhão de Sapadores Bombeiros do Porto; ■ 2º Comandante do Regimento de Engenharia Nº3; ■ Adjunto do Chefe de Gabinete do General Chefe do Estado-Maior do Exército; ■ Chefe de Gabinete do General Comandante da Região Militar Norte; ■ Comandante do Regimento de Engenharia Nº3; ■ Chefe do Estado-Maior da Região Militar Norte.
No período do seu Comando, de 7 de Dezembro de 1995 a 9 de Setembro de 1997, foram atribuídos ao Regimento de Engenharia Nº3 os seguintes galardões: ■ Medalha de Honra de Espinho, em 1996; ■ Medalha de Honra de Sever do Vouga, em 1997; ■ Medalha de Ouro de Fornos de Algodres, em 1997; ■ Medalha de Ouro de Tabuaço, em 1998. Da sua folha de serviços constam 17 louvores, dos quais se destacam 2 louvores concedidos por SExa. o General CEME, 13 concedidos por outros Oficiais Generais e um concedido pelo Presidente da Câmara Municipal do Porto, assim como as seguintes condecorações: ■ Cavaleiro da Ordem Militar de Avis; ■ Duas Medalhas de Serviços Distintos, grau Prata; ■ Medalha de Mérito Militar, 1ª Classe e 2ª Classe; ■ Medalha de Comportamento Exemplar, grau Ouro; ■ Medalha Comemorativa das Campanhas das Forças Armadas (Angola); ■ Medalha de Mérito do Município de Espinho, grau Ouro. Foi promovido ao posto de Major-General em 17 de Janeiro de 2000, tendo falecido em 26 de Janeiro do mesmo ano. Era casado com Lídia Maria Lopes Vicente Bacelar e tinha dois filhos, o Sérgio Miguel Lopes Vicente Bacelar e a Leonor Margarida Lopes Vicente Bacelar.
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Notícia do jornal “Defesa de Espinho” do dia 3 de Julho de 2014
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O Sérgio Augusto Margarido Lima Bacelar quando frequentou o Colégio Militar de 1956 a 1964, com o Nº 184.
Oficiais de Engenharia MENINOS DA LUZ
F
oi nesta passagem pelo Regimento de Engenharia Nº 3 que tomei conhecimento da existência de uma Lista de Oficiais de Engenharia Militar que tinham frequentado o Colégio. Ela consta da Revista da Engenharia Militar, mais propriamente do Número Comemorativo do III Centenário da Arma (1947) que, sob o título “Os Oficiais de Engenharia MENINOS DA LUZ”, fomos encontrar este que terá sido o primeiro levantamento1 e que vai desde JOAQUIM DAS NEVES FRANCO, aquele que terá sido o primeiro Oficial de Engenharia oriundo do Colégio2, ingressado no Real Corpo de Engenheiros em 1814, até JOSÉ PEDRO SARAIVA VICENTE DA SILVA e JOÃO MANUEL GONÇALVES DE OLIVEIRA, que terão saído do Colégio em 1940. Havia pois que proceder à
primeira tentativa de a completar até aos nossos dias. Graças ao inexcedível apoio de um grupo de pessoas que se dispuseram voluntariamente a colaborar, foi possível “lançar mãos à obra”. Porque o trabalho exaustivo e meticuloso de levantamento e registo não teria sido possível sem a sua disponibilidade, é da mais elementar justiça aqui deixar expressa uma palavra de enorme e sincera gratidão a Carlos Melo, Luís Saraiva e Paula Franco, da Academia Militar, e também a Pedro Bastos, António Mateus e, principalmente, Carina Ferreira, do Regimento de Engenharia Nº 3. É o produto desse labor que agora se traz à estampa3, respondendo também assim ao apelo feito à Família Colegial, no Número 183 da “ZacatraZ”, para que se lhe fizessem chegar
dados semelhantes aos relativos à presença de Antigos Alunos nas Tropas Pára-quedistas (compilação feita sob a coordenação do Nuno Mira Vaz (277/1950), bem como textos relacionados com a pessoa e a obra desses camaradas, cuja divulgação, para além de um acto de justiça, “permitiria tornar público o valor desconhecido de muitos desses nossos camaradas que, em muitos casos, escreveram brilhantes páginas da nossa História4”, mesmo quando simplesmente “espalhados por vários sectores da vida nacional, neles desenvolveram a sua actividade de forma que muito honra o Colégio que os educou e a Arma a que pertencem”. “Como tal, constituem um exemplo para os vindouros e o seu registo oportuno fará com que não se percam factos que
1 Realizado pelo Coronel João F. Craveiro Lopes de Oliveira. 2 Saído ainda da Feitoria.
3 Procurou fazer-se um levantamento exaustivo e rigoroso. No entanto, agradecemos que nos informem de algum Antigo Aluno que nela não conste e tenha pertencido à Engenharia Militar. Lembramo-nos, por exemplo, de nomes como o do Fernando Jorge Marcelino Mota Cardoso, 603/73, ingressado na Academia Militar em 1980, bem como o do José Carlos Costa da Silva Rosa, 108/65, ingressado na Academia Militar em 1981, que, apesar de terem “ostentado a insígnia do castelo”, não constam dos registos utilizados. 4 Nomes como Joaquim Lobo d’Ávila (depois Conde de Valbom – engenheiro, político e diplomata de renome, par do reino e por várias vezes ministro), saído do Colégio em 1839; José Joaquim de Castro (ministro da guerra e par do reino), em 1842; Caetano Alberto de Sori (condecorado com a Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito), em 1843; João de Andrade Corvo, em 1849; António Gouveia Prego (por muitos considerado, o modelo de oficial disciplinador e cumpridor), em 1869; António d’Almeida Pinto da Mota (Presidente da Assembleia Nacional), em 1881; Francisco da Cunha Rego Chaves (ministro), em 1897; Pedro Fava Ribeiro d’Almeida (o primeiro engenheiro aeronáutico português), em 1898; Eduardo Arantes de Oliveira ministro), em 1922, fazem parte desta galeria de ilustres personalidades cujas biografias são autênticos roteiros de momentos marcantes da História e da senda da nossa Pátria, incluindo 21 Antigos Comandantes de Batalhão (dos saídos até 1940).
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Homenagem a Sérgio Bacelar
de outro modo poderiam ficar para sempre esquecidos no tempo”. Pelo interesse histórico do testemunho, optámos por não deixar de transcrever o texto introdutório à referida Lista, reproduzindo-o na íntegra. Diz o seguinte: “A iniciativa do Comandante do Regimento de Artilharia da Corte, António Teixeira Rebelo, ao raiar o século XIX, foi tão benemerente; assinalou-se, por modo tão notável através dos tempos, excedendo o seu alcance por certo, o que lhe previu o instituidor, que pensamos não deverem – mesmo os que dela não colheram proveito directo – perder ensejo de patentear como em óptimos frutos, se tem desentranhado a pequena semente, que começou a produzi-los, perto da Feitoria, poucos anos após ser lançada à terra, não tendo sido avara em favorecer-lhe a germinação. Neste generoso propósito, nos ocorreu inserir, neste número comemorativo, uma ligeira local com o título supra. É o Colégio Militar – que sem diploma especial, em 1814, tomou o título de Real e, em 1910, automaticamente o perdeu – bem conhecido para que escusado seja fazer a sua história. Evocando a memória do Fundador, com a veneração que lhe é devida, vamos, apenas, relacionar os oficiais da Arma, que começaram por instruir-se, durante o curso liceal, tendo sido – como o vulgo carinhosamente os designa – “Meninos da Luz”. Possivelmente haverá falta de algum nome e a ser assim, releve-se-nos o lapso. Saído ainda do Colégio da Feitoria, aparece-nos o nome de Joaquim das Neves Franco, que, sendo alferes em 1809, ingressou no Real Corpo de Engenheiros, como tenente, em 1814. Tomou parte em todas as campanhas da Guerra Peninsular de 1810 a 1820, sendo depois nomeado lente da Academia Real de Fortificação em 1823, de onde transitou para lente proprietário da Escola do Exército, tendo também sido sócio da Academia Real das Ciências. Foi este distinto professor, o primeiro oficial da Arma, que cursou o Colégio Militar, e da sua acção como professor deixou testemunho numa obra didáctica de incontestável mérito, o “Ensaio sobre Minas Militares”. Saídos já da Luz – e estes em maior número – ou dos outros locais, por onde o Colégio passou, até se fixar definitivamente na sua actual residência da Luz, recordemos: Em 1827 ... E assim continua, desenvolvendo a Lista e fornecendo, aqui e ali, dados biográficos relativos a alguns camaradas, para terminar, em jeito de conclusão, afirmando que “Ninguém contesta-
rá, em face desta Lista, a boa razão com que ao Colégio se tem chamado um “manancial de bens imensos”. Quanto a nós, por aqui ficamos, apenas desejando que os dados aqui partilhados sejam considerados de interesse, apesar do humilde contributo para os elevados desígnios da “ZacatraZ”, onde está certamente incluso o de contribuir para coesão da Família Colegial.
Joaquim das Neves Franco (sn/1803), António de Azevedo e Cunha (36/1820), Faustino José Mena Aparício (34/1828), Joaquim Thomaz Lobo d'Avila (45/1833), José Joaquim de Castro (39/1835), Nuno Augusto de Brito Taborda (164/1835), Caetano Alberto de Sorri (73/1838), Joaquim Filipe Nery da Encarnação Delgado (139/1844), Firmino José da Costa (158/1854), Carlos Augusto Morais d'Almeida (105/1855), Luiz António de Sousa Viana (79/1860), Fernando Pereira Mousinho de Albuquerque (107/1861), João José Pereira Dias (40/1862), Luiz Feliciano Marrecas Ferreira (57/1863), António Maria Mimoso de Mello Gouveia Prego (88/1864), Pedro António Salema Garção (81/1865), Eduardo Augusto Xavier da Cunha (4/1866), Alfredo Augusto de Vasconcellos (67/1870), António Joaquim de Sequeira d'Almeida Beja (153/1870), António d'Almeida Pinto da Mota (20/1875), Carlos Alberto Soares Cardoso (222/1876), Sebastião Augusto Nunes da Mata (159/1877), Luiz Augusto Sampaio (164/1877), António Óscar de Fragoso Carmona (24/1882), Luiz Teixeira Beltrão (94/1884), Fernando de Almeida Loureiro e Vasconcelos (154/1884), João Baptista d'Almeida Arez (167/1884), Henrique Jacinto Ferreira de Carvalho (240/1885), Salvador Correia de Sá (241/1885), Egas Ferreira Pinto Basto (147/1891), Francisco da Cunha Rego Chaves (166/1891), Pedro Fava Ribeiro d'Almeida (164/1892), Jaime Eduardo dos Santos Paiva (66/1894), Vasco Lopes de Mendonça (167/1894), Júlio César de Carvalho Teixeira (31/1895), Jorge Arsénio de Oliveira Moreira (117/1895), Eduardo Evangelista Carvalhal (158/1896), Carlos de Barros Soares Branco (192/1896), Bernardino Teixeira dos Reis (118/1897), José Caetano Mazziotti Salema Garção (154/1897), Ruy o'Connor Shirley Pereira (137/1898), Heitor de Mascarenhas Inglês (145/1898), Augusto Cordeiro Diniz Sampaio (198/1898), José Júlio Botelho de Castro Silva (48/1899), Fer-
nando de Oliveira Pinto (180/1899), Plínio Octávio de Sant'Anna Silva (10/1900), Alfredo Almeida Carvalho (112/1900), João Caetano Gomes Valente de Almeida (129/1900), Virgílio de Jesus e Silva Escudeiro (133/1900), João Alegria dos Santos Calado (136/1900), Afonso Zuzarte de Mendonça (178/1900), José Luís Supico (91/1901), Henrique Hipácio Brion (94/1901), Eugénio António Duro Xavier (96/1901), Eduardo Pimentel Maldonado Pellen (101/1901), Álvaro Eugénio Neves da Fontoura (116/1901), Fernando Galvão Jácome de Castro (89/1902), Mário José Ferreira Mendes (22/1903), José Manuel Sarmento de Beires (36/1903), Artur Quintino Rogado (40/1904), Júlio Carlos Faria Lapa (119/1904), Manuel Alexandre de Castro Pratas Dias (181/1907), José Machado de Barros (274/1907), Flávio José Álvares dos Santos (288/1907), Américo Soares Beirão (12/1912), Mário dos Santos Risques Pereira (233/1912), Alfredo de Sousa Ghira (33/1913), Albano Moreira de Almeida (127/1913), Manuel José Estêvão Guimarães (135/1913), Henrique Herculano Santa Clara da Cunha (141/1913), António de Brito Pereira Luz (172/1913), Mário António Lisboa Oliveira Dores (189/1913), José Rodrigues Moutinho (297/1914), Joaquim Fernando da Conceição Gomes Marques (326/1914), Paulo Emílio de Brito Aranha (356/1914), Luiz Ribeiro Viana (87/1915), Luiz José de Avelar Machado Veiga da Cunha (94/1915), Albino Augusto de Macedo Vendeirinho (182/1915), Manuel Artur Teles da Costa Monteiro (31/1916), Inácio Constantino de Meneses Oom do Vale (60/1916), Daniel Mendes Tavares (329/1916), José de Sousa Fogaça (357/1916), José Rafael Baptista Júnior (390/1916), António Arantes de Oliveira (114/1917), João Manuel Terenas Latino (207/1917), Carlos Miguel Lopes da Silva Freire (246/1917), Armando José Marques Girão (426/1917), João Correia de Magalhães Figueiredo (345/1918), Manuel Avelino Barreira Antunes (436/1918), Eduardo Arantes de Oliveira (ext/1918), José Carlos Arantes de Oliveira (ext/1918), Alexandre Guedes de Magalhães (290/1919), António Ferreira Molarinho do Carmo (72/1920), Henrique Costa dos Santos Paiva (117/1920), Rogério Jaime de Campos Cansado (131/1920), Humberto Lopes Gonçalves Garcia (169/1920), António Gonçalves Barata Galvão (216/1920), José de Azevedo Monteiro de Barros (219/1920), Vasco de Paiva Baltazar Brites (326/1920), Manuel
Homenagem a Sérgio Bacelar
Gonçalves (61/1940), Francisco Pedro de Oliveira Simões (155/1940), António Eduardo Domingos Mateus da Silva (86/1943), Manuel Robalo dos Santos (137/1945), José Augusto Gonçalves Ramos (255/1946), João Manuel Soares de Almeida Viana (107/1947), Álvaro António Duarte Dinis Varanda (347/1948), José Eduardo Roquete Morujão (349/1948), António Carlos de Magalhães Arnão Metello (353/1948), Fernando Eduardo Tinoco Barradas (6/1949), António Manuel Vilares Cepeda (38/1949), Rui António de Menezes Fonseca e Silva (369/1949), José Corte Real Gonçalves Dias (372/1949), Vasco Joaquim Rocha Vieira (127/1950), António Manuel Seabra Gomes (12/1951), António Bento Formosinho Correia Leal (74/1952), Francisco José Gomes de Sousa Lobo (95/1952), João José da Silva Veiga (130/1952), Mário José Rosas Leitão (193/1952), Mário Eduardo Abrantes Mendoça Frazão (215/1952), António João Miranda Cecílio Gonçalves (359/1952), Duarte Nuno de Ataíde Saraiva Marques Pinto Soares (44/1953), António Santinha Martins de Abreu (85/1943), Carlos Manuel Ferreira
©Foto Sérgio Garcia (326/1985)
Barbosa de Matos Chaves (178/1921), João Anacoreta de Almeida Viana (322/1921), Bernardo Tiago de Mira Delgado (348/1921), Raul de Brito Subtil (227/1922), Armando de Brito Subtil (134/1924), João Carlos Câncio da Silva Escudeiro (136/1924), José Augusto Salvador Tribolet (199/1925), Raul de Figueiredo da Cunha Pacheco (54/1926), Artur Vieira (289/1927), Viriato Monteiro Reinas (319/1927), Joaquim de Freitas Morais (21/1930), Vasco Manuel Fernandes Coucelo (91/1930), António Alves Ávila de Melo (323/1930), Francisco Maria Rocha Simões (141/1931), Carlos Maria Bastos Carreiras (249/1931), José Augusto Fernandes (133/1932), José Pedro Saraiva Vicente da Silva (30/1933), João Manuel Gonçalves de Oliveira (352/1933), Carlos Alberto Mongiardim Coelho Costa (237/1937), João António Lopes da Conceição (381/1938), José da Costa Pereira de Sande de Sacadura Bote Corte Real (384/1938), Gonçalo Nuno de Albuquerque Sanches da Gama (385/1938), José Eugénio da Costa Estorninho (77/1940), José Fernando Lopes Gomes Marques (345/1940), Manuel Joaquim Álvaro Maia
ANTIGO ALUNO USA A BARRETINA
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e Costa (371/1955), Sérgio Augusto Margarido Lima Bacelar (184/1956), Luís Ernesto Albuquerque Ferreira de Macedo (8/1957), José Fernando Decoppet dos Santos Coelho (379/1957), António Manuel Rosas Leitão (441/1958), José Joaquim Restani Graça Alves Moreira (344/1961), Manuel Ferreira da Silva e Osório de Castro (259/1965), José António Carneiro Rodrigues da Costa (64/1966), José Manuel Silva da Graça Monteiro (192/1966), António Manuel do Nascimento Mendes Abóbora (409/1966), Vítor Manuel dos Reis Correia de Almeida (410/1967), Gil Abel de Andrade Ramos (193/1970), Afonso Jorge Alves Pereira Marques (623/1972), Jorge Manuel Noronha da Silveira Alves Caetano (641/1974), Rui Paulo Brazão Martins Costa (560/1975), Bartolomeu Pedro Martins de Bastos (65/1980), José António Fernandes Amaral (442/1983), Miguel Henrique Domingos Dias Sereno (331/1988), Paulo Jorge Vieira Varanda (321/1989), Pedro Alexandre Gaspar de Campos Leal (211/1992), André Henrique Patrício Botica (191/1996).
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Rumo à Grande Guerra A louca corrida para o abismo
Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
Rumo à Grande Guerra
A louca corrida para o abismo P
or ocasião do centenário do inicio da Grande Guerra (1914-1918) pareceu oportuno relembrar as origens e o inicio desta guerra. Foi uma guerra com uma violência e um grau de devastação na altura sem precedentes, na qual Portugal participou, quer na Europa, na chamada «Frente Ocidental», quer em África, em Angola e Moçambique, então partes do Império Português. As tensões que deram origem à Grande Guerra, pode-se dizer que começaram em 1871, no final da guerra franco-prussiana, da qual a França saiu vencida, perdendo duas importantes parcelas do seu território, a Alsácia e a Lorena, na sua fronteira Leste. A partir dessa altura, passou a ser desígnio nacional da França a recuperação daqueles dois territórios. Na sequência da citada guerra franco-prussiana, dá-se a unificação da Alemanha, formando-se o segundo «Reich» (segundo império), basicamente pela junção dos reinos da Prússia, da Baviera, da Saxónia e de Würtemberg. Formou-se assim uma nova potência de primeira grandeza na Europa, que alterava significativamente a relação de forças até então existente neste continente. A França passava a ter um vizinho muito mais poderoso e com o qual tinha um contencioso a resolver, enquanto que a Grã-Bretanha, à época a primeira potência mundial e que se mantinha numa posição de isolamento, via nascer uma potência rival, que se iria fortalecer rapidamente no futuro próximo. A situação era preocupante para as duas velhas potências rivais. Na sequência do Congresso de Berlim de 1885, a Alemanha passou a dispor de um império colo-
Arquiduque Francisco Fernando e Mulher.
nial, sem que para tanto tivesse a necessidade de dar um único tiro. Este império era constituído pelas colónias do Togo, dos Camarões, do Sudoeste Africano (hoje Namíbia) e da África Oriental Alemã (hoje Tanzânia). Rapidamente a Alemanha começou a cobiçar a parte Sul do território de Angola, confinante com o Sudoeste Africano. Dispondo de um império colonial com grande dispersão geográfica, procedeu a Alemanha, a partir de 1898, com a sua primeira Lei da Marinha, ao lançamento de um conjunto de programas de construção naval muito ambicioso, com o objectivo de criar uma esquadra poderosa.
O crescimento do poderio da Marinha Imperial alemã foi visto com muita apreensão pela Grã-Bretanha, que era até então a incontestada rainha dos mares (Britain rules the waves) e deu origem a um plano de construção naval britânico paralelo. Criou-se assim uma corrida aos armamentos navais e um foco de tensão entre as duas potências. Na sequência da unificação da Alemanha, o chanceler alemão Bismark adoptou uma politica de paz e deu inicio a uma intensa actividade diplomática, no sentido de estabelecer alianças. A primeira aliança, inicialmente secreta, foi estabe-
Rumo à Grande Guerra A louca corrida para o abismo
lecida, em 1879, com o Império Austro-Húngaro. Ficou conhecida como a «Dupla Aliança», sendo posteriormente alargada. Em1882, a Itália, então com um conflito de interesses com a França no Norte de África, aproxima-se da Alemanha, do que acaba por resultar, em Maio desse ano, a «Tripla Aliança» (Alemanha, Áustria e Itália), que foi periodicamente renovada até ao inicio da Grande Guerra. Na sequência da sua derrota na guerra franco-prussiana em 1871, a França procurou estabelecer uma aliança com a Rússia. Com tal aliança, se eclodisse nova guerra, a Alemanha teria de repartir as suas forças por duas frentes, distantes mais de 1.500 km entre si. Em Janeiro de 1894 a França atingiu o seu desígnio e estabeleceu uma aliança secreta com a Rússia, que teria a mesma duração da «Tripla Aliança». O crescente poderio alemão deu de seguida origem a uma aproximação franco-britânica, que culminou, em Abril de 1904, com um acordo entre os dois países, que ficou conhecido como «Entendimento Cordial» (Entente Cordiale). Mais tarde, em Agosto de 1907, é celebrado um acordo similar entre os governos britânico e russo. A Grã-Bretanha, a Rússia e a França ficavam ligadas
por laços políticos, estabelecendo o que na altura ficou conhecido por «Triplo Entendimento», por oposição à «Tripla Aliança». O «Triplo Entendimento» foi visto nos meios políticos germânicos como um cerco à Alemanha. Nestes mesmos meios a aliada Áustria-Hungria era vista com apreensão, devido à fraqueza resultante da sua grande heterogeneidade étnica, e a aliada Itália era vista como não fiável (ambas as apreensões se vieram a revelar mais tarde como justificadas). O caso da Áustria-Hungria era complexo. Este império tinha 50 milhões de habitantes, dos quais 12 milhões de língua germânica, 10 milhões de língua magiar, falando os restantes 28 milhões 15 idiomas diferentes. Era um império com pouca coesão, sempre próximo de conflitos nos seus territórios nos Balcãs. Em Outubro de 1908, sem consultar os seus aliados, a Áustria-Hungria procede à anexação da Bósnia-Herzegovina, nos Balcãs, tirando partido de uma situação de fraqueza do Império Otomano. Sendo de etnia sérvia parte importante da população da Bósnia-Herzegovina, a Sérvia não aceita a anexação e mobiliza o seu exército, a julgar poder contar com a ajuda da Rússia, sua apoiante tradicional. O apoio da Rússia não se
28/06/1914
Assassinato do Arquiduque Francisco Fernando em Sarajevo, capital da Bósnia.
N
o início de Junho de 1914, o embaixador sérvio em Viena, conhecedor da intenção do arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do trono do império austro-húngaro (sobrinho do Imperador Francisco José), de visitar a Bósnia, comunica ao governo imperial que existia um elevado risco de ocorrência de um atentado à vida do arquiduque. Apesar de avisado, Francisco Fernando chega a Sarajevo a 28 de Junho e dirige-se à Câmara Municipal. No trajecto para a Câmara foi lançada uma bomba sobre o seu automóvel, que falhou o alvo, tendo o arquiduque saído ileso. No mesmo dia, depois de deixar o edifício da Câmara, o arquiduque é alvo de um novo atentado. Um jovem estudante bósnio, de 19 anos de idade, de seu nome Gavrilo Princip, acerca-se do automóvel do arquiduque e
abate a tiro o arquiduque e a sua mulher, a duquesa de Hohenberg. Segundo se apurou mais tarde, o jovem pertencia a uma organização secreta e teria recebido a sua arma de um oficial do exército sérvio. Sem que ninguém na altura o pudesse adivinhar, os tiros de Gavrilo Princip deram a partida para uma «louca corrida para o abismo», que iria lançar a Europa numa guerra de mais de quatro anos, de uma dimensão sem precedentes, que teve como consequência 8 milhões de soldados mortos, 21 milhões de feridos e 7 milhões de prisioneiros e desaparecidos. As autoridades austro-húngaras consideraram que a responsabilidade do atentado era da Sérvia e que se impunha uma retaliação sobre a mesma. Antes de tomar qualquer acção, decidiu o governo austro-húngaro garantir o apoio da Alemanha, sua aliada, para a eventualidade da Rússia reagir a um ataque à Sérvia, nação eslava sua amiga.
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materializou, por esta não estar preparada para uma guerra, tendo a Sérvia de reconhecer a anexação, nos termos de um ultimato que lhe fora entretanto apresentado pelo governo de Viena. A Sérvia e a Rússia saem humilhadas deste episódio, continuando porém a Sérvia a sonhar com a constituição de uma «Grande Sérvia» (o que mais tarde seria a Jugoslávia) e a dar um apoio encapotado aos activistas da libertação da Bósnia-Herzegovina. A anexação da Bósnia-Herzegovina desagradou á Alemanha, dado ir prejudicar a sua influência junto do Império Otomano e agravar o seu relacionamento com a Rússia. Em Itália, por razões distintas, também a reacção foi de desagrado. Chegado o ano de 1914, com os antecedentes políticos referidos como pano de fundo, havia uma sensação de equilíbrio entre os dois blocos, as grandes potências não estavam interessadas numa guerra e havia um sentimento geral de que a paz não estava ameaçada. Não se contava porém com um gesto tresloucado de um jovem estudante idealista nos Balcãs, nem com as suas consequências desproporcionadas que adiante se relatam.
05/07/1914
Entrega ao Kaiser Guilherme II, em Berlim, de uma carta assinada pelo Imperador Francisco José.
N
a carta entregue ao Kaiser pelo embaixador austríaco, o imperador fazia uma análise da situação decorrente do assassinato do arquiduque e comunicava que tencionava tomar medidas punitivas contra a Sérvia. O Kaiser informa o embaixador austríaco que a Alemanha daria o seu apoio ao império Austro-Húngaro, mas que só daria uma resposta definitiva após conferenciar com o seu chanceler.
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Rumo à Grande Guerra A louca corrida para o abismo
06/07/1914
Resposta do Kaiser à carta do Imperador Francisco José. Kaiser Guillerme II
23/07/1914
Ultimato do Império Austro-Húngaro à Sérvia.
P
assado cerca de um mês sobre o atentado, a Áustria apresenta um ultimato à Sérvia. O documento começava por afirmar que o atentado de Sarajevo fora preparado pela Sérvia, apresentando seguidamente várias exigências a este país, entre as quais a presença de inquiridores austríacos na Sérvia, para aí participarem nas investigações sobre o atentado. Terminava o ultimato com a fixação de um prazo de 48 horas (até às 6 da tarde do dia 25) para a Sérvia responder. O ultimato foi também entregue, para conhecimento, nas principais cidades europeias.
24/07/2014
A
resposta é dada, por telegrama do embaixador austríaco em Berlim para o seu imperador, informando que o Kaiser estaria ao lado da Áustria-Húngria. Neste mesmo dia o Kaiser parte para um cruzeiro nos fiordes da Noruega, tendo entretanto informado os seus chefes da marinha e do exército, ambos em férias, que não era necessário interromperem as mesmas, nem ordenarem medidas preparatórias para uma eventual guerra.
20/07/1914 Inicio de uma visita do presidente Poincaré, de França, e do seu primeiro ministro Viviani á corte russa em Kronstadt.
F
ace ao atentado de Sarajevo, chegou a equacionar-se o adiamento desta visita, o que não foi feito para não alarmar a opinião pública. Durante a visita, de três dias de duração (até dia 23), o presidente francês teve um diálogo com o embaixador austro-húngaro na corte russa, em que lhe indicou que a situação criada pelo atentado poderia ser muito séria, pois a Sérvia tinha a Rússia como amiga dedicada e esta tinha, por sua vez, a França como aliada.
Reacções ao ultimato. Consultas diplomáticas. Imperador Francisco José
intervir, embora sem qualquer proclamação de mobilização. O chefe do governo russo chegou ao ponto de dizer ao embaixador alemão em S. Petersburgo «A Áustria procura um pretexto para engolir a Sérvia: mas, nesse caso, a Rússia fará a guerra à Áustria». No entanto, a Rússia não estava interessada numa guerra, prevendo o governo russo que uma acção conjunta e determinada da Grã-Bretanha, da Rússia e da França seria a melhor maneira de suster a Áustria, evitando-se assim o inicio de um conflito armado. A Grã-Bretanha não tomou de imediato qualquer iniciativa, admitindo porém que a sua opinião pública não estaria interessada no envolvimento numa guerra por causa da Sérvia. A Itália considerou que a Áustria estava a proceder agressivamente em relação à Sérvia e informou o embaixador alemão em Roma que a Itália não se considerava obrigada a intervir, mesmo no caso de uma intervenção russa de apoio à Sérvia. Na Alemanha, por ordem do governo, os caminhos de ferro foram postos à disposição do exército.
25/07/1914
Resposta da Sérvia ao ultimato.
O
governo sérvio consultou os principais governos ocidentais, tendo recebido de Paris e de Londres conselhos de moderação e prudência. Por outro lado e por precaução, o governo sérvio mandou retirar de Belgrado, muito próxima da fronteira austro-húngara, parte dos arquivos do estado e do tesouro, para o interior do país, o que foi interpretado pelo embaixador alemão em Belgrado como o inicio de uma mobilização, tendo transmitido esta informação para Berlim. A Rússia, que pretendia manter a sua influência e prestigio nos Balcãs, iniciou preparativos para
Czar Nicolau II e Presidente Poincare 20-7-1914
A
inda sem o conhecimento da resposta sérvia ao ultimato, o Kaiser ordenou à esquadra alemã que se concentrasse no canal de Kiel. Na Rússia, a tradicional revista de verão às tropas começou por ser adiada uma hora, enquanto se discutia a situação, sendo de seguida executada de forma abreviada. Os cadetes do
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Rumo à Grande Guerra A louca corrida para o abismo
exército finalistas foram de imediato promovidos a oficiais. O chefe do governo russo convocou os embaixadores francês e inglês e informou-os da sua intenção de iniciar uma mobilização parcial. No final do dia, ao expirar o prazo previsto no ultimato, o governo sérvio fez entregar a sua resposta na embaixada austro-húngara em Belgrado. Nesta resposta a Sérvia aceitava as exigências austríacas, com excepção da exigência relativa à presença em território sérvio de inquiridores austríacos. O embaixador austríaco considerou que a resposta obtida era insatisfatória e comunicou de imediato ao governo sérvio que o pessoal da sua legação iria abandonar Belgrado ainda nessa noite, o que correspondia a um corte de relações diplomáticas entre os dois países. Em sessão do parlamento britânico o primeiro-ministro afirmava que as relações da Grã-Bretanha com o Império Alemão eram relações de amizade e de boa vontade e que estava seguro que assim continuariam. Entretanto a Grã-Bretanha sugeria uma acção a quatro, da Alemanha, Itália, França e Grã-Bretanha, tanto em S. Petersburgo como em Viena, em favor da moderação. A Alemanha dispôs-se logo a colaborar, enquanto que a França não deu resposta imediata.
26/07/1914
Recusa pela Áustria de uma revisão do ultimato. Rei Jorge V
P
or sugestão do embaixador alemão em S. Petersburgo, o chefe do governo russo manteve conversações com o embaixador austríaco, no sentido de se alcançar uma saída para a crise sem
o recurso à guerra. Informa de seguida os seus embaixadores em Paris e Londres acerca desta sua tentativa e indica-lhes que se a mesma não resultar está disposto a aceitar a proposta inglesa, ou qualquer outra, que permita uma solução pacífica do conflito. Na Grã-Bretanha o primeiro-lorde do almirantado Winston Churchill, com a concordância do governo, ordena à Royal Navy, que terminara um período de exercícios, para se manter concentrada. As altas chefias militares alemãs regressam das suas férias a Berlim. O chefe de governo austro-húngaro, obstinado em resolver o conflito com a Sérvia com recurso às armas, recusa qualquer revisão ao texto do ultimato.
28/07/1914
Declaração de guerra do Império Austro-Húngaro á Sérvia.
P
ressionado pelo seu governo, o imperador Francisco José assina, ainda de manhã, a declaração de guerra à Sérvia, que é imediatamente notificada por telegrama para Belgrado.
29/07/1914
Bombardeamento de Belgrado.
27/07/1914
General Von Schlieffen
Guilherme II da Alemanha regressa a Berlim.
O
Kaiser regressa a Berlim irritado, com a sensação de não ter sido devidamente informado pelo seu chanceler do desenvolvimento da situação nos últimos dias. Moltke, chefe do estado-maior do exército alemão, pensando já num ataque à França em caso de guerra, prepara um projecto de ultimato a apresentar à Bélgica, para permitir a passagem do exército alemão por este país, a caminho de França. Este movimento do exército alemão através da Bélgica fazia parte do designado «Plano Schlieffen» de ataque à França, preparado em 1906 pelo general Schlieffen, na altura chefe de estado maior do exército alemão. A Grã-Bretanha pede à Alemanha para usar a sua influência no sentido de levar a Áustria a aceitar a resposta sérvia como satisfatória, ou como ponto de partida para negociações. A Alemanha transmite á Áustria a pretensão da Inglaterra, mas o governo austríaco responde, dizendo que a iniciativa da Grã-Bretanha chega demasiado tarde e que a Sérvia já tinha aberto as hostilidades nas margens do Danúbio, alvejando tropas austríacas.
C
anhoneiras austro-húngaras descem o Danúbio e bombardeiam Belgrado, iniciando assim as hostilidades. Apesar de iniciadas as operações militares, o Kaiser Guilherme II tenta ainda uma solução conciliatória, para circunscrever o âmbito das operações, que consistiria numa ocupação provisória de parte do território da Sérvia, como garantia da submissão da Sérvia às exigências austro-húngaras. Se a Sérvia satisfizesse as exigências do ultimato, as tropas austríacas retirariam do seu território. O Kaiser considerava que face à resposta dada pela Sérvia ao ultimato, deixava de haver razão para uma guerra. A Alemanha estava disposta a cumprir as suas obrigações para com a sua aliada, mas não queria ser arrastada para uma guerra por uma questão que considerava de importância secundária. O Kaiser estabelece ainda neste dia contactos
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Rumo à Grande Guerra A louca corrida para o abismo
com o Czar Nicolau II, no sentido de preservar a paz. O Czar é pressionado pelo seu chefe de governo a assinar a ordem de mobilização do exército russo. Perante as suas objecções, é-lhe dito que a diplomacia já mais nada podia fazer. Relutantemente o Czar assina duas ordens de mobilização, parcial e geral, para utilização conforme o evoluir das circunstâncias. O embaixador alemão em S. Petersburgo comunica ao chefe de governo russo, que uma mobilização russa forçaria o governo alemão a mobilizar as suas tropas, o que poderia dar origem a uma guerra europeia. Já passada a meia-noite, o chefe de governo russo comunica ao embaixador alemão, que se a Áustria renunciasse aos pontos do seu ultimato que violavam a soberania da Sérvia, a Rússia pararia a sua mobilização. Em Londres continuava a indecisão. O primeiro-ministro acabou por comunicar ao embaixador alemão que a Grã-Bretanha poderia ficar fora do conflito se o mesmo se restringisse à Áustria e à Rússia. Se a França fosse arrastada para a guerra, já nada poderia garantir. Esta mensagem é transmitida para Berlim. Em Berlim, em conversa entre o chanceler alemão e o embaixador inglês, fica patente que a Alemanha violaria a neutralidade da Bélgica no caso de desencadear um ataque à França.
30/07/1914
Mobilização Geral na Rússia.
R
ecebida em Berlim a mensagem vinda de Londres, o chanceler alemão envia, cerca das 3 da manhã, uma mensagem para o seu embaixador em Viena, para propor ao governo austro-húngaro uma mediação, de acordo com condições honrosas. O governo alemão só então entendeu a posição de Londres e ainda admitia travar a sua própria máquina de guerra. No entanto não o fez, devido à forte oposição do general Moltke, seu chefe do estado-maior do exército. Ainda na madrugada deste dia, o Czar Nicolau II envia uma mensagem ao Kaiser Guilherme II, em que referia que, por razões da sua própria defesa, a Rússia tinha iniciado a mobilização há cinco dias. Terminava apelando ao Kaiser para continuar a actuar como mediador e a exercer uma forte pressão sobre a Áustria para se entender com a Rússia. A mobilização russa, agora anunciada ao Kaiser, era uma péssima noticia
para os planos de guerra alemães. Face a esta notícia o Kaiser declarou que não podia concordar com mais qualquer mediação. O embaixador francês em S. Petersburgo entrega ao chefe do governo russo uma mensagem do seu governo dizendo que a França cumpriria as obrigações resultantes da aliança existente entre os dois países, mas recomendava que fossem evitadas medidas que dessem um pretexto à Alemanha para ordenar a mobilização. O chefe de governo francês determina às tropas francesas colocadas na fronteira com a Alemanha, que recuem 10 quilómetros, para evitar qualquer incidente na fronteira e não dar à Alemanha qualquer pretexto para a mobilização do seu exército. Em caso de guerra a Alemanha seria a potência agressora. O governo austríaco dá resposta à proposta alemã de ocupação temporária de parte do território sérvio. Afirma o desinteresse territorial da Áustria, mas nada adianta no que respeita a questões referentes a medidas militares. Às 18h00 a ordem de mobilização geral das tropas russas é transmitida para todo o país. O general alemão Moltke, exorbitando as suas competências, aconselha ao seu congénere austríaco a proceder á mobilização geral, não declarando porém a guerra à Rússia e esperando que seja esta a atacar. Perto da meia-noite o Kaiser toma conhecimento de uma mensagem enviada pelo rei Jorge V ao seu irmão príncipe Henrique da Prússia, em que o monarca britânico se congratula com os esforços empreendidos pelo Kaiser e pelo Czar para evitar o conflito e afirma que tudo fará para preservar a paz.
31/07/1914
Mobilização geral na Áustria-Hungria. Declaração de «Perigo de Guerra» na Alemanha.
N
o final da manhã, em Berlim, toma-se conhecimento da mobilização geral russa. Para o chanceler foi o sinal do fim de qualquer tentativa de paz. Às 13h00 o governo alemão declara o estado de «Perigo de Guerra», iniciando medidas preparatórias para uma mobilização geral. De seguida envia um ultimato à Rússia, exigindo que num prazo de 12 horas a mobilização russa fos-
se suspensa e que o governo russo fizesse uma declaração inequívoca nesse sentido. Ao início da tarde, em Viena, ainda sem o conhecimento da mobilização russa, é publicada a mobilização geral. Só ao fim do dia o alto comando austríaco se aperceberia, face às notícias entretanto chegadas, que a sua frente principal de batalha passaria a ser na fronteira russa e não na fronteira com a Sérvia. Às 19h00, em Paris, o embaixador alemão informa o governo francês do ultimato apresentado à Rússia, sublinha que uma mobilização do exército alemão seria sinónimo de guerra e pergunta se a França ficaria neutral no caso de uma guerra entre a Alemanha e a Rússia. É dada à França um prazo de 18 horas para responder. Era um ultimato para justificar uma declaração de guerra que estaria iminente. Ainda neste dia a Alemanha é informada que a Grã-Bretanha se empenharia em manter a França fora da guerra, se a Alemanha não a atacasse. Face a esta evolução dos acontecimentos o Kaiser ainda pensa na possibilidade de redireccionar o exército alemão da França para a Rússia. O general Moltke faz-lhe ver que tal não é possível.
1/08/1914
Mobilização geral na França e na Alemanha.
A
o meio dia expira o prazo dado pela Alemanha para a anulação da ordem de mobilização russa, sem se ter recebido qualquer resposta de S. Petersburgo. Às 17h00 o embaixador alemão entrega, em S. Petersburgo, a declaração de guerra da Alemanha à Rússia. O governo alemão esqueceu-se de coordenar esta acção com o governo de Viena, pelo que este só declarou guerra à Rússia a 5 de Agosto. Também às 17h00 o Kaiser decreta a mobilização geral das tropas alemãs, notícia que é recebida com grande entusiasmo por todo o país. A Alemanha foi a última potência continental a decretar a mobilização geral, já que a França o fizera um quarto de hora antes.
Rumo à Grande Guerra A louca corrida para o abismo
2/08/1914
Invasão do Luxemburgo pela Alemanha e ultimato à Bélgica.
À
s 7 horas da manhã o exército alemão cruza a fronteira com o Luxemburgo. Ao fim do dia todo o grão-ducado está ocupado pelas tropas alemãs. A Alemanha apresenta um ultimato à Bélgica, exigindo o direito de passagem das suas tropas a caminho do norte da França. O rei dos belgas faz um apelo ao rei Jorge V, pedindo a intervenção diplomática britânica para salvaguarda da integridade da Bélgica. As diligências diplomáticas britânicas não tiveram qualquer efeito.
3/08/1914
Declaração de guerra da Alemanha à França.
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meio de voos de reconhecimento, para justificar o injustificável. A Bélgica rejeita o ultimato alemão. Já à noite, o rei Alberto da Bélgica, consciente da eminente invasão do seu país, ordenou a imediata destruição das pontes de Liége sobre o rio Mosa, bem como de túneis e pontes dos caminhos de ferro na fronteira com o Luxemburgo. Durante todo este dia continuou a discutir-se em Londres a posição a adoptar pela Grã-Bretanha. Ainda neste dia, o governo italiano, que não pretendia ser envolvido neste conflito, declarava a sua neutralidade.
4/08/1914
Invasão da Bélgica. Ultimato britânico.
À
s 8 da manhã, em Gemerich, a cerca de 50Km de Liége, inicia-se a invasão da Bélgica pelo exército alemão. Ao tomar conhecimento da invasão da Bélgica e da decisão do rei Alberto de resistir, o governo britânico decreta a mobilização e apresenta um ultimato à Alemanha, dizendo que a Grã-Bretanha defenderia a neutralidade da Bélgica. A Alemanha era intimada a dar uma resposta ao ultimato até à meia-noite. Ao receberem este ultimato os alemães comportam-se como se tivessem sido ofendidos e atraiçoados. O almirante Tirpitz (chefe da marinha de guerra alemã) afirmou, por exemplo, que a Grã-Bretanha não podia tratar a Alemanha como se fosse Portugal (ultimato de 1890 da Grã-Bretanha a Portugal a propósito do «mapa cor de rosa»). A Alemanha não deu qualquer resposta dentro do prazo que lhe fora imposto. A Grã-Bretanha considera-se em guerra com a Alemanha a partir da meia-noite (23h00 de Londres).
5/08/1914
A Áustria-Hungria declara guerra à Rússia.
Plano Schlieffen EUF/Albin Michel
O
governo de Berlim apresenta no Reichstag (parlamento alemão), para «encenação», uma declaração dizendo que a Alemanha se encontrava envolvida numa guerra defensiva devida a uma agressão da Rússia. Ao fim da tarde o embaixador alemão em Paris comunica ao chefe do governo francês, que a Alemanha se considerava em estado de guerra com a França, procurando justificar assim a eminente invasão deste país. A Alemanha acusava a França de «hostilidade organizada», de ataques a cidades alemãs e de violação da neutralidade belga por
Forças e baixas em presença EUF/Albin Michel
Esta declaração surge atrasada em relação à declaração alemã, devido a descoordenação entre os governos dos dois impérios (ver dia 1/08/1914). Estava assim generalizada uma guerra europeia, sendo a Itália o único estado membro da Tripla Aliança que ficava neutral.
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O Espetro da Guerra Júlio Dantas (114/1884)
Como uma avalanche de neve rolando pela encosta de uma montanha, assim se precipitou a Europa numa guerra de dimensão sem precedentes. Tudo ocorreu em 12 dias, a partir da apresentação do ultimato austro-húngaro à Sérvia. Custava a crer que menos de 2 meses antes, no decurso do mês de Junho, a Royal Navy participava, a convite da Marinha Imperial alemã, nas regatas de Kiel, onde o Kaiser Guilherme II, com o uniforme de almirante britânico, passou revista ao maior vaso de guerra britânico aí presente. Em 6/08/1914 a Grã-Bretanha decide enviar o corpo expedicionário inglês para França. Dadas as hesitações do seu governo, o exército inglês iria partir para França sem ter tido qualquer preparação para a guerra, o que iria causar dificuldades imensas aos seus chefes militares. Em Portugal, o governo liderado por Bernardino Machado consulta o governo britânico para saber qual era a posição que este aconselhava Portugal a tomar. Em resposta, o governo britânico aconselha Portugal a declarar-se não neutral e não beligerante. Esta posição ambígua era favorável aos interesses da Grã-Bretanha, que poderia utilizar os portos de Portugal e das suas colónias e pedir a passagem de tropas suas pelos territórios das mesmas. Em 7/08/1914 o governo português torna pública a adopção da posição aconselhada pela Grã-Bretanha, apresentando uma declaração nesse sentido perante o Congresso da República. Logo de seguida, a 13/08/1914, o governo britânico pede autorização para que as suas tropas desembarquem na cidade da Beira e atravessem o território de Moçambique, para irem reforçar as tropas da sua colónia da Niassalândia (hoje Malawi). No dia seguinte o governo português dá imediata satisfação ao pedido da Grã-Bretanha. Passados quatro dias, a 18/08/1914, o governo português ordena a organização urgente de duas expedições militares para o reforço das guarnições de Angola e de Moçambique, tendo em vista a defesa das suas fronteiras contra qualquer eventual ataque alemão vindo do Sudoeste Africano (actual Namíbia) ou da África Oriental Alemã (actual Tanzânia). Mas isso já é outra história…..
Nota Final O presente artigo tomou como base o livro intitulado «ORIGENS DA GRANDE GUERRA», da autoria do Senhor Coronel David Martelo, publicado pela «Edições Sílabo». Aos interessados por assuntos de história recomendo vivamente a sua leitura.
O Espetro da Guerra Júlio Dantas (114/1884) N o número de 3/8/1914 da revista intitulada «Ilustração Portuguesa», há muito desaparecida, o ilustre escritor Júlio Dantas (114/1884) apresentou um pequeno artigo intitulado «O Espetro da Guerra», em que previa a expansão à escala europeia da guerra iniciada dias antes, na Sérvia, pelo Império Austro-Húngaro, por meio de um ataque a Belgrado. Dado o seu interesse reproduzimos de seguida o seu texto, respeitando a ortografia então usada.
«O atentado de Serajevo teve como consequência uma guerra austro-sérvia. A guerra austro-sérvia determinará amanhã, em virtude dos compromissos internacionaes existentes, uma conflagração europeia. As vidas dos dois arquiduques vão custar milhares de vidas. O sangue real de Habsburgo far-se-ha pagar por uma hecatombe. Aos dois tiros que prostraram Francisco Fernando da Austria e a princeza de Hohenberg, responderão numa gigantomáquia de esquadras, as guelas de
aço de centenares de Krupps. Há quem neste «gâchis» internacional receie pelos pequenos paizes. Há quem já os veja, com na concepção de Aristophanes, esmagados no almofariz formidável da guerra. É um exagero de pessimistas. O que as pequenas nações devem recear, não são os conflitos entre as potencias; são os acordos.» Júlio Dantas só falhou na escala que previu para o conflito. As perdas de vidas não se cifraram em milhares, mas sim em milhões. As bocas de fogo Krupps, que vomitaram granadas sobre os combatentes durante mais de quatro anos, não se cifraram em centenares, mas sim em larguíssimos milhares. Quanto ao perigo para os pequenos países dos acordos entre as grandes potências Portugal teve naquela época uma experiência «interessante», que foram os dois acordos entre a Grã-Bretanha e a Alemanha para a repartição das colónias portuguesas, se houvesse incum-
primento por parte de Portugal das condições que lhe eram impostas para a concessão de um empréstimo. O artigo de Júlio Dantas era acompanhado de uma ilustração de Manuel Augusto, caricaturando a desigualdade do embate entre a pequena Sérvia e o Império Austro-Húngaro. Não resistimos a reproduzir também aqui essa figura. Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957) Chefe de Redacção da ZacatraZ
Geronimo
Geronimo E
le foi apenas um índio lendário, um homem que só queria que o deixassem viver livre e em paz como o vento ondeando nas crinas do seu cavalo ou nas penas que lhe aureolavam a fronte, caçando búfalos nas vastas pradarias do seu território para alimentar a sua tribo unida, pacífica e feliz. Mas não o deixaram ser ele próprio. Isolaram-no na liberdade ilusória de uma reserva, para que outros ditos civilizados e poderosos, sem uma raça própria (feita de múltiplas raças puras e impuras) construíssem uma grandiosa terra na qual, entre muitas coisa boas de humanismo, bondade, beleza e universalidade, coexistia também uma certa selvajaria capitalista, a luta pelo poder, manipulada pelo dinheiro, o ouro negro, o vício, o materialismo, a droga, os negócios, a iniquidade e a ganância. Porquê a escolha de tal título para este pequeno artigo? Tem a ver com o nosso Colégio e com esse grande guerreiro e chefe índio, Geronimo, da tribo dos Apaches que combateu os americanos dos EUA. Com indómita rebeldia e bravura sem limites, lutou pela terra que achava ser sua, até ser vencido e colocado numa reserva. Como outro grande chefe índio, Sitting Bull, dos Sioux (que tem uma estátua em South Dakota) o nome de Geronimo tornou-se lendário e deu até origem ao grito dos pára-quedistas americanos ao saltarem dos aviões (para lhes dar ânimo e coragem), antes de abrirem suas cúpulas brancas no espaço e de tombarem na sua terra que, aliás, era, na origem, em boa verdade, dos índios. Esse grito de guerra foi também adoptado pelos "páras" de muitos outros países e, creio poder dizê-lo, dos próprios pára-quedistas portugueses. Sobre isto poderá pronunciar-se melhor o nosso Mira Vaz (Coronel Pára e aluno deste Colégio, 277/1950). Também o Coronel piloto aviador Brandão Ferreira, com a sua vasta cultura, sabedoria e rigor poderá ou não confirmar o que digo. Ambos me merecem a maior amizade e admiração pelos seus belos escritos, sabendo nomeadamente salientar os mais altos valores do Colégio Militar, elevando-o como um dos mais fortes pilares e Instituições de ensino e cultura da nossa Pátria (há quanto tempo não oiço falar deste nome!) e que a soube servir, quase
confundindo-se com ela, há já mais de 200 anos. Curiosamente o Brandão Ferreira não foi "Menino da Luz" mas isso só o valoriza e penso até que o podemos considerar como tal pela forma tão autentica e corajosa como tem defendido o Colégio da Luz. Já lhe disse pessoalmente que além de "menino" o considero um verdadeiro "Guerreiro da Luz" que sabe como poucos criticar e bater-se pelas justas causas, usando a sua pena como espada e bênção, contra alguns que tentam descaracterizar este Estabelecimento, parecendo até querer destrui-lo na sua essência (nunca o conseguirão, ainda que já o tenham conseguido fazer com outro, também mais que centenário, o Instituto de Odivelas). E eis a razão de ser da escolha do título Geronimo para este artigo. É que, na realidade, sinto em mim um profundo e sincero desejo de unir, em espírito, ao nosso sagrado grito Zacatraz, outro grito "GERONIMO, sim GERONIMO!" (doa a quem doer, grito certo nesta altura incerta que vivemos). Isto para que não venhamos um dia a ter de gritar "Oh Gregório" para vomitar sobre toda esta mediocridade, arrogância, desconhecimento e ganância de tantos que nos rodeiam.
Roberto Ferreira Durão 15/1942
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A importância da luta livre na Europa do Século XVI
António Rafael Passarinho Franco Preto 67/1950
A importância da luta livre na Europa do Século XVI Q
uando um historiador amador (como eu) inicia uma pesquisa numa área específica, nunca sabe onde vai parar. O meu objectivo inicial não tinha nada a ver com o título que dei a este artigo, e na realidade, até já me esqueci dele! ‘Estava eu’ na primeira metade do século XVI quando – logicamente – deparei com a figura incontornável do rei Henrique VIII de Inglaterra que ficou conhecido na história pela sequência de mulheres com quem casou.
Henry VIII em 1520
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Catherine of Aragon – de quem se divorciou Anne Boleyn – a quem mandou cortar a cabeça Jane Seymour – faleceu rapidamente... Anne of Cleves – de quem se divorciou Catherina Howard – a quem mandou cortar a cabeça Catherine Parr – que lhe sobreviveu
Interessantíssimo notar que Henrique VIII teve 2 filhas e 1 filho (um de cada uma das suas primeiras 3 mulheres) e todos/as eles/as se tornaram monarcas Ingleses:
(Inglaterra) n.1491 – f.1547
François I em 1520 (França) n.1494 – f.1547
■ Mary (filha de Catherine of Aragon) foi a Rainha Mary I ■ Elizabeth (filha de Anne Boleyn) foi a famosa Rainha Elizabeth I ■ Edward (filho de Jane Seymour) foi o Rei Edward VI A descrição que vamos fazer neste artigo relaciona 3 monarcas: Henrique VIII de Inglaterra, Francisco I de França e Carlos V (o que foi Imperador...)
Charles V em 1520 (Império Romano) n.1500 – f.1558
A importância da luta livre na Europa do Século XVI
Apresento em seguida um mapa que dá uma ideia clara da geografia da Europa desse tempo:
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m 1518 foi assinado o Tratado de Londres que era um pacto de não agressão entre os maiores poderes europeus, nomeadamente a França, a Inglaterra e o Império Romano e uma promessa de auxílio mútuo face a eventuais ameaças estranhas. O tratado foi delineado pelo Cardeal católico Wolsey (representante do Papa) e assinado em Londres pelos embaixadores dos países nomeados. O seu objectivo era suster a ameaça crescente do Império Otomano no Sudeste da Europa. Em 1520 foi decidida a realização de uma longa reunião entre a Inglaterra e a França para fortalecer os laços amigáveis existentes e assinar pactos de cooperação ainda mais firmes. O local estabelecido foi uma área deserta perto de Calais e nenhuma das nações poupou esforços e dinheiro para fazer da reunião um acontecimento inolvidável (depauperando ainda mais os cofres dos reinos ...).
Em tons vários de vermelho, laranja e amarelo estão marcados os limites geográficos dos territórios controlados por Charles V1 (nota-se pois que a França tinha razão para se sentir ameaçada, até porque Charles V tinha formado o primeiro exército profissional da Europa).
A reunião durou de 7 a 24 de Junho de 1520 (com milhares de participantes de cada uma das nações). A riqueza despendida e mostrada era tanta que o local ficou conhecido como O campo dos tecidos de ouro (The field of the cloth of gold – Le camp de drap d’or).
Também interessante notar que Charles V se casou em Sevilha com a sua prima direita, a infanta Dª Isabel de Portugal (filha do nosso rei D. Manuel I) e de quem teve 7 filhos, o mais velho dos quais foi mais tarde Filipe II de Espanha e I de Portugal.
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egressemos a Henry VIII... As suas actividades desportivas contemplavam as justas, o arco e a luta livre (de que se orgulhava muito). Notemos que o nosso rei D. Duarte (n.1391 – f.1438) dedicou várias páginas do seu livro A Arte de Bem Cavalgar Toda Sela à descrição dos golpes e movimentos mais importantes da luta livre que praticava – tendo por mestre o melhor especialista do reino – e a incentivar todos os nobres a desenvolverem-se fisicamente praticando esse desporto que considerava fundamental para a aquisição de uma condição física e resistência, essenciais para a sobrevivência em batalhas.
As tendas erguidas mostravam tecidos com fios de ouro e de prata e a opulência era generalizada. Segundo descrições existentes, os abastecimentos de Henry VIII incluíam 2.200 carneiros e quantidades proporcionais de outras carnes. Eram banquetes e banquetes e mais banquetes... A capela erguida para o acontecimento era servida por 35 padres... A produção musical era dirigida pelo compositor francês Jean Mouton (n.1459 – f.1522) e possuía um dos melhores coros da Europa. Não obstante todo o formidável esforço financeiro, nenhum pacto adicional foi assinado e a reunião terminou mais ou menos abruptamente depois de Henry VIII ter sido derrotado num combate de ‘luta livre’ pelo rei François que o volteou e lançou ao chão utilizando uma técnica específica de luta bretã que ficou para sempre marcada pelo seu sucesso neste combate.
Passadas umas semanas, a história diz que Henry VIII assinou uma aliança com Charles V. Um mês depois, Charles V declarou guerra à França e a Inglaterra acompanhou-o.
1Charles V teve mais 7 filhos ilegítimos ... para só nomear os reconhecidos.
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Analisa a tua Personalidade! Antigos Alunos pelo Mundo
José Medeiros de Almeida (497/2004)
João Carlos Agostinho Alves
josemedeirosdealmeida@gmail.com
(110/1996)
Analisa a tua Personalidade!
J
ulgar alguém pelo que escreve no Facebook? Será correcto e justo? Para não ficarmos com esta dúvida existencial e passarmos ao degrau seguinte a Five Labs (startup americana) desenvolveu uma aplicação com uma capacidade humana, analisar a personalidade através dos posts do Facebook. Usar a nova aplicação é extremamente fácil, se aceder-mos a http://labs.five.com automaticamente irá abrir o teu perfil do Facebook e fazer uma análise completa de todos os posts associados a este utilizador. Segundo os criadores da aplicação, nenhum dado confidencial é guardado na Five Labs, fazendo com que esta respeite os tratados de confidencialidade de cada país. A aplicação irá processar os dados e fazer uma triagem do post e das palavras mais usadas. Ao iniciar a aplicação será automaticamente feita uma análise psicológica do utilizador. Depois da análise de todos os posts, a aplicação irá criar uma análise de personalidade baseada em cinco tópicos principais. Depois de terminada a análise, esta aplicação dará a possibilidade ao utilizador de fazer uma comparação entre a sua personalidade e a de algumas figuras internacionais. Quem não gostaria de ter o seu perfil comparado ao de Bill Gates, de Barack Obama ou mesmo de Mark Zuckerberg, o criador do facebook? A Five Labs é baseada num estudo da universidade da Pensilvânia e está relacionada com o Big Five, os cinco grandes traços de personalidade da psicologia moderna, instabilidade emocional, Extroversão, Amabilidade, Escrupulosidade e Abertura de espírito para a experiência. O resultado será apresentado num gráfico baseado nessas características. Se ficaste com curiosidade e queres saber se te aproximas das grandes estrelas da actualidade, testa-te! Experimenta este novo conceito de psicologia informática.
Antigos Alunos pelo Mundo. Samuel Ma (29/1995)
Mestrado em Engenharia Informática e de Computadores, Instituto Superior Técnico - Taguspark.
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udei-me para Macau em Dezembro de 2012 e estou a trabalhar como Engenheiro de Sistemas na Bally Technologies, uma empresa americana que fabrica slots e fornece sistemas de informação para casinos. A ideia da mudança partiu dos meus pais. O meu pai recebeu uma proposta de trabalho e mudou-se para cá em Setembro. Ele sugeriu e ajudou-me a procurar por oportunidades de emprego na minha terra natal. Em Outubro vim uma semana para Macau tratar do Bilhete de Identidade e para uma entrevista.
A minha aplicação foi aceite em Novembro, pelo que terminei o meu contrato de trabalho em Dezembro e mudei-me para Macau. A adaptação foi rápida. Ter a maior parte da família cá e o óptimo ambiente de trabalho foram essenciais no processo. Ter ainda um bocado de Portugal espalhado por aqui, ajuda a matar saudades. Macau é um bom sítio para se trabalhar. A taxa de desemprego ronda apenas 1%. As coisas ficam todas muito perto, não sinto a necessidade de ter um carro, consigo estar em qualquer lado em menos de 1 hora usando transportes públicos e demoro apenas 10 minutos a pé de casa até ao escritório. O plano é continuar por cá mais uns anos. Macau gira à volta dos casinos e estando dentro do sector, há imenso para aprender e a procura é enorme. O sector é competitivo e em funcionamento 24/7, 365 dias por ano, pelo que tem sido um constante desafio. Para além dos casinos, a hotelaria e o turismo também têm a sua importância, mas estão muito dependentes do jogo.
Os que nos deixaram
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Os que nos deixaram Carlos Manuel Nogueira Aibéo (346/1948) Engenheiro Electromecânico Nasceu a 13 de Maio de 1938 - Faleceu a 20 de Abril de 2014
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ngressou no Colégio em 1948 e aí concluiu o curso em 1956, matriculando-se em seguida no Instituto Superior Técnico onde permaneceu por pouco tempo. Foi então para a Universidade do Porto, tendo aí concluído a licenciatura em Engenharia Electromecânica. Iniciou a sua vida profissional na Covilhã, terra do seu nascimento, e aí permaneceu até à hora do seu falecimento. Além de exercer actividade liberal como projectista no ramo da engenharia electrotécnica e de ter trabalhado na empresa Carfil Materiais para Instalações Eléctricas, dedicou muito do seu tempo ao ensino, sendo professor na Escola Industrial e Comercial Campos de Melo, na Covilhã. Acometido por doença que o martirizou por muito tempo e lhe impunha tratamentos frequentes, mal que o impedia de se ausentar e conviver mais com os amigos como era seu desejo. Costumava dizer-nos que “estava em prisão preventiva”. Com coragem suportou essa situação adversa. Deixou-nos e deixa-nos saudades, porque era um bom amigo. À sua Mulher, Maria da Conceição e seus dois filhos, manifestamos a nossa solidariedade e as mais sentidas condolências. Os Camaradas de Curso
José Manuel Nolasco da Silva Ferraz (361/1948) Oficial da Marinha Mercante Nasceu a 19 de Junho de 1938 - Faleceu a 1 de Julho de 2014
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361 entrou para o Colégio em 1948. Talvez porque parecesse um pouco desorientado, logo nos primeiros dias ganhou a alcunha que o acompanhou ao longo de toda a vida colegial: “o Despistado”. Andou no Colégio até ao tempo designado por 6º ano (actualmente é o 10º mas, em termos de vivência colegial, era de facto o sexto ano e integrava a 4ª Companhia), altura em que saiu para terminar “cá fora” o curso liceal. Depois entrou no Instituto Superior Técnico onde permaneceu não por muito tempo, tendo preferido uma carreira na Marinha Mercante. Concluiu o Curso de Piloto na Escola Náutica Infante Dom Henrique, tendo durante anos feito carreira no mar, primeiro nas frotas mercantes (principalmente na pesca longínqua). Na Armada cumpriu o serviço militar. Ao fim de uns anos desembarcou e esteve ligado a comércio de tintas para navios, acabando a vida profissional como responsável de um departamento de vendas da Dyrup. Deixou-nos no dia 1 de Julho, depois de uma doença brusca, rapidamente evolutiva. Deixa-nos saudades. Era um “tipo fixe”, algo retraído mas sempre amigo. Nunca ouvimos dizer mal dele. À sua Mulher, Maria Inês e seus dois filhos, manifestamos a nossa solidariedade e as mais sentidas condolências. Os Camaradas de Curso
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Os que nos deixaram
Luís de Oliveira Amorim Cabrita (28/1967) Licenciado em Direito - Empresário/Gestor Nasceu a 25 de Agosto de 1957 - Faleceu a 7 de Junho de 2014
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aleceu Luís Cabrita, ex-presidente da Prológica e um dos principais impulsionadores da criação do computador Magalhães. Foi o responsável pela venda do computador português na Venezuela e noutros países da América Latina, no âmbito do consórcio Youtsu, uma parceria da Prológica com a JP Sá Couto (hoje JP-Inspiring Knowledge). No final de 2013, Luís Cabrita vendeu a participação da Prológica (hoje integra a ITEN) para se dedicar ao projecto de plantação de alfarrobeiras no Algarve, por acreditar que os subprodutos resultantes da alfarroba serão um dos negócios do futuro. Expresso – Economia – 09Jun2014
Camaradagem
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consciência da nossa finitude física e o saber da intemporalidade dos valores colegiais, que nos formam e identificam. Não deixes de aparecer!
Foram as palavras que o Luís, o nosso 28, me dirigiu quando retomei o convívio com os meus camaradas de curso, nestes jantares de quinta feira. Não nos víamos há mais de quarenta anos. Nunca pensei que o tempo restante fosse tão curto. Ficou-me a certeza de uma plenitude de vida tida em realização e sucesso. Uma mente apurada, brilhante, inquieta na procura da lógica das coisas, na acção diligente e concretizadora de projectos e ideias. E aquele livro do Tarôt de Fátima... como se o Espírito o estivesse a preparar para a jornada que nenhum de nós poderia supor. Coube-me o privilégio e a felicidade de levá-lo a casa neste último três de Março. Na lenta viagem da Almirante Reis à Caparica. Foi a última vez que o vi. Falámos. Falámos da vida, da esperança, do saber oriental ... de desentendimentos sarados. Falámos de camaradagem. Falámos da morte. O Luís tinha a consciência perfeita de que uma vida de totalidade obriga, também, à experiência consciente da finitude. Camaradagem! Foram as suas últimas palavras. Fica a saudade da sua ausência, viva na memória daquilo que, a todos nós, une sempre. Camaradagem! João Francisco Rocha Pereira do Nascimento 332/1967
"Devia ter morrido mais tarde; então, houvera ocasião certa para tal palavra; O amanhã, o amanhã; Outro amanhã, dia a dia se escoam de mansinho, até que chegue, enfim, a última sílaba do livro da memória" MacBeth , William Shakespeare
Luís, Sempre te conhecemos por seres um tipo porreiro, um amigo cheio de ideias e iniciativas. Foste sempre um Homem que contagiavas com a tua energia e capacidade empreendedora, inteligente, corajoso e desassombrado! Eras um lutador e um ganhador, por isso foste, és e serás sempre tão admirado por todos os que te conheceram e contigo privaram! Ficarás na memória como a junção num homem só, da visão, do desassombro e da coragem. Alguém que faz e fez a diferença, porque para ti o positivismo era uma forma de vida e, com os teus passos pela vida, eras rumo para muitos. E os homens-ex-e-sempre-Meninos da Luz voltam todos a ser meninos, chorando na despedida de um dos seus. Dia triste. Foste e és um grande homem. Obrigado por seres nosso amigo. Até já! ZACATRAZ! LEAL UTIL INTELIGENTE SAGAZ
CONFIÁVEL AMIGO BATALHADOR RIGOROSO INTEGRO TENAZ AUDAZ
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accionista e administrador da Prológica foi um dos principais mentores, senão mesmo o criador, do portátil Magalhães e de todo o desenvolvimento que se lhe seguiu, nomeadamente, a internacionalização do sector TIC português. O empreendedor Luís Cabrita faleceu no último sábado, vítima de cancro, com 55 anos (faria 56 no próximo mês de Agosto). O seu legado, na evolução desenvolvimento das TIC em Portugal, fica associado sobretudo à figura de mentor dos projectos em torno do desenvolvimento do portátil Magalhães. Mas o legado do empresário, com formação em Direito, fica ainda associado à antiga ParaRede (hoje Glintt), da qual foi um dos fundadores e que deixou antes da ida desta para a Bolsa, ao desenvolvimento do comércio electrónico em Portugal, e ao “ressurgimento” da Prológica, da qual era accionista e administrador, transformando-o duma das principais empresas portuguesas de TIC. Nos últimos anos esteve ligado à internacionalização das TIC portuguesas, destinada ao sector da educação, sobretudo através do consórcio YOUTSU, com o portátil Magalhães Também por isso, Luís Cabrita merecerá ser reconhecido como um dos mais destacados promotores das TIC portuguesas no estrangeiro e da expansão das empresas portuguesas do sector para mercados externos ‒ particularmente para a América Latina. Computerworld – 09jun2014
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