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Revista ZacatraZ nº 192

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Editorial Revista “ZACATRAZ”

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Editorial Dando continuidade às inúmeras iniciativas que tem desenvolvido, com o objectivo de alertar para a necessidade de suspensão do despacho n.º 4785 de 8 de Abril de 2013 do Ministro da Defesa Nacional, a Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar (AAACM) organizou uma acção de luto que decorreu na madrugada de 2 de Setembro em todas as capitais de distrito do Continente e das Regiões Autónomas. Esta acção de carácter cívico que decorreu de forma ordeira, traduziu-se na colocação de uma faixa negra nas placas toponímicas com nomes de Antigos Alunos do Colégio Militar que se distinguiram ao longo da sua vida ao serviço de Portugal. Ao evocar a memória desses Antigos Alunos do Colégio Militar que fazem parte da História de Portugal, pretende-se com esta iniciativa simbolizar a importância de preservar os valores e instituições que sustentam a identidade da nossa Nação porque, “Matar o Colégio Militar é matar a História de Portugal“. A AAACM irá continuar a sua luta em defesa do Colégio Militar, para a qual conta com o apoio de todos os seus Antigos Alunos e de todos quantos se têm vindo a solidarizar com a defesa desta Instituição bicentenária. A Direcção da AAACM

ABEL BOTELHO, ABOIM ASCENÇÃO, AFONSO DE CASTRO, ALFREDO MAGALHÃES RAMALHO, Almirante PEREIRA CRESPO, ÁLVARO DE CASTRO, ANDRADE CORVO, ANTÓNIO SÉRGIO, ARTUR SEMEDO, AUGUSTO CARDOSO, BARATA FEYO, BRITO ARANHA, CAMPOS RODRIGUES, CARLOS SELVAGEM, Comandante FILIPE TRAJANO VIEIRA DA ROCHA, Comandante FONTOURA DA COSTA, Comandante FREITAS DA SILVA, CONDE DE VALBOM, Coronel RIBEIRO VIANA, DUQUE DE LOULÉ, EDUARDO GALHARDO, Engenheiro EDUARDO ARANTES E OLIVEIRA, Engenheiro MANUEL ROCHA, ERNESTO ROMA, FRADESSO DA SILVEIRA, General FERREIRA MARTINS, General GARCIA ROSADO, General PEREIRA D’EÇA, General SILVA FREIRE, GUSTAVO DE MATOS SEQUEIRA, HENRIQUE CARVALHO, HERCULANO PIMENTEL, HUMBERTO DE ATAÍDE, General HUMBERTO DELGADO, JORGE DA SILVA HORTA DUCLA SOARES, JOSÉ ALBERTO DE FARIA, JOSÉ ANCHIETA, JÚLIO CÉSAR MACHADO, JÚLIO DANTAS, LADISLAU PARREIRA, LUÍS DE ALBUQUERQUE, LUÍS XAVIER PALMEIRIM, Marechal ANTÓNIO DE SPÍNOLA, Marechal CARMONA, Marechal COSTA GOMES, Marechal CRAVEIRO LOPES, Marechal GOMES DA COSTA, MÁRIO MOUTINHO, MORAIS SARMENTO, NERY DELGADO, OLAVO D’EÇA LEAL, ÓSCAR MONTEIRO TORRES, PAIS DE RAMOS, PEDRO BANDEIRA, PINHEIRO CHAGAS, PLÁCIDO DE ABREU, RAUL FERRÃO, SÁ CARDOSO, SANCHES DE MIRANDA, SARMENTO BEIRES, SERPA PINTO, TEIXEIRA PINTO, Tenente VALADIM, TITO DE MORAIS, TOMÁS ALCAIDE, VERÍSSIMO SARMENTO, VIRIATO CORREIA DE LACERDA.


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Ficha Técnica

CORPOS SOCIAIS DA ASSOCIAÇÃO PARA O TRIÉNIO 2011-2013

Ficha Técnica PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL Fundada em 1965 Nº 192 Julho/Setembro - 2013

DIRECÇÃO Presidente Vice-Presidente Secretário Tesoureiro 1º Vogal 2º Vogal 3º Vogal 4º Vogal 5º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente 3º Vogal Suplente

FUNDADOR Carlos Vieira da Rocha (189/1929)

António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios - 529/1963 José António Madeira de Ataíde Banazol - 631/1968 Pedro Miguel Correia Vala Chagas - 357/1977 Vítor Manuel Galvão Rocha Novais Gonçalves - 666/1971 Carlos Francisco da Silva do Rio Carvalho - 307/1971 Manuel Pedro da Costa Pereira Roriz - 519/1959 Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva - 53/1961 Luís Baptista Esteves Virtuoso - 72/1973 Francisco Maria Sarmento Cavaleiro de Ferreira - 58/1977 José Afonso Correia Lopes - 237/1976 Gustavo Lopes da Costa Pinto Basto - 227/2000 Gustavo André dos Santos Lima – 248/1994

DIRECTOR Mário Margarido e Silva Falcão (314/1936) CHEFE DE REDACÇÃO Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949) REDACÇÃO Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950) Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957) Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva (53/1961) João Carlos Agostinho Alves (110/1996) CAPA Matar o Colégio Militar é matar a nossa História. ENTIDADE PROPRIETÁRIA E EDITOR Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar

ASSEMBLEIA GERAL Presidente Vice-Presidente 1º Secretário 2º Secretário

MORADA DO PROPRIETÁRIO e SEDE DA REDAÇÃO Quartel da Formação - Largo da Luz 1600-498 Lisboa Tel. 217 122 306/8 Fax. 217 122 307

Manuel Carlos Teixeira do Rio Carvalho - 124/1945 Duarte Manuel Silva da Costa Freitas - 199/1957 Frederico Eduardo Rosa Santos - 78/1957 João Miguel Jardim de Abreu Ferreira Pinto - 261/1980

TIRAGEM - 1350 exemplares DEPÓSITO LEGAL Nº 79856/94 DESIGN E EXECUÇÃO GRÁFICA:

CONSELHO FISCAL Presidente 1º Vogal 2º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente

José Manuel Spínola Barreto Brito - 539/1963 António Emídio da Silva Salgueiro - 461/1972 Eurico Jorge Henriques Paes - 306/1957 João Luís de Mascarenhas e Silva Schoerder Coimbra - 54/1984 João Sanches de Miranda Mourão - 552/1960

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA AOS SÓCIOS DA AAACM NÚMERO AVULSO: 4,00 € ASSINATURA: 15,00 €

Os artigos publicados são da responsabilidade dos seus autores.

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Sumário

Dos Antigos Alunos

04 Comunicado da AAACM 05 COLÉGIO EM RISCO IMINENTE! 11 Ecos de um despacho 16 A origem da “Velha Guarda” 17 Antigos Alunos em destaque 19 Entrevista a Mário Camões 23 João Teixeira Pinto 27 Cursos de 1962/1969 | 1975/1983 |

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Dos Antigos Alunos

Carta a Sua Excelência o Senhor Presidente da República

1980/1988 | 1985/1993

31 Jantar do Oeste 2013 33 Sardinhada na Feitoria Do Colégio

34 Director do Colégio Militar 36 O desdobramento do Colégio Militar

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Dos Antigos Alunos Entrevista a Mário Camões

Colaboração

42 Ao toque da corneta 46 Cinco Mitos da Tecnologia! 47 Raspa, raspa, raspa... 48 A Esgrima, o Colégio e os Jogos Olímpicos

50 Antigos Alunos nas

Tropas Pára-quedistas

Recordando

53 Os que nos deixaram

3

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Dos Antigos Alunos

A Nobreza, o Carácter e a Verticalidade


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Dos Antigos Alunos Comunicado da AAACM

COMUNICADO 11 de Julho de 2013 Declarações da Secretaria de Estado da Defesa Nacional demonstram uma preocupante leviandade em relação ao Colégio Militar A Associação de Antigos Alunos do Colégio Militar (AAACM) repudia de forma veemente a ligeireza das declarações prestadas ontem pela Secretária de Estado da Defesa Nacional, Berta Cabral, sobre o processo de reforma em curso que, a prosseguir, levará à inevitável descaracterização do Colégio Militar. É pena que a Secretária de Estado da Defesa Nacional nunca se tenha dignado responder ao pedido de audiência solicitado pela AAACM a 29 de Abril de 2013, pois certamente teria sido esclarecida que existem alternativas menos onerosas e mais racionais para o Estado e que viabilizam o actual modelo do Colégio Militar. A AAACM considera que a defesa de um modelo educativo único, comprovado pelo percurso de milhares de Antigos Alunos ao longo de mais de dois séculos, não pode ser entendido como uma “razão afectiva”, como afirmado ontem pela Secretária de Estado da Defesa Nacional. Para a AAACM é um Dever de Cidadania. Aliás, foi o Dever de Cidadania que levou 35 destacadas personalidades da sociedade portuguesa que não têm qualquer ligação ao Colégio Militar, a assinar uma carta enviada pela AAACM ao Senhor Presidente da República solicitando a suspensão do sinuoso processo de transformação do Colégio Militar. Ramalho Eanes, Marçal Grilo, Adriano Moreira, Artur Santos Silva, Bagão Félix, Campos e Cunha, Cruz Serra, João Salgueiro, João Soares, Lemos Ferreira, Loureiro dos Santos, Manuel Braga da Cruz, Medina Carreira, Melo Gomes, Roberto Carneiro, Rui Vilar, Rui Machete, Veiga Simão, Vieira Matias e D. Januário Torgal Ferreira, foram algumas das 35 personalidades independentes ao Colégio Militar que decidiram abraçar esta causa na defesa de uma Instituição que contribuiu ao longo dos seus 210 anos de história para a valorização da sociedade portuguesa. O Colégio Militar contribui com a formação de milhares de jovens nas dimensões estruturantes da cidadania e da liderança, através de um modelo educativo único assente nos pilares Académico, Desportivo e Militar. Formou 5 dos dezasseis Presidentes da Republica. Artistas, cientistas, estadistas, militares e outros formados no Colégio Militar dão hoje o seu nome a duas mil ruas e avenidas de Portugal – isto para além de um em cada 73 alunos desde sempre formados nesta Instituição terem sido agraciados com a Ordem de Torre e Espada, a mais elevada condecoração atribuída em Portugal. Este património valioso não pode ser ignorado nem desbaratado pelo Governo, nem pela actual Secretária de Estado, Berta Cabral, que tomou conta do processo recentemente, não tendo, como o atestam as sua infelizes declarações, aprofundado o dossier e compreendido a verdadeira dimensão do Colégio Militar na sociedade portuguesa. Aliás, só assim se explica a fraca argumentação da Secretária de Estado

da Defesa Nacional veiculada ontem pelos órgãos de comunicação social em relação à carta enviada pela AAACM e por destacadas personalidades da sociedade portuguesa ao Senhor Presidente da Republica. Na verdade, as razões económicas invocadas ontem pela Secretária de Estado, Berta Cabral, não colhem, uma vez que o actual processo de fusão será muito mais oneroso que as alternativas já apresentadas pela AAACM. A AAACM apresentou propostas concretas de redução de custos e aumento de eficiência, contrariamente ao Ministério da Defesa Nacional que se propõe gastar 6 milhões de euros num internato feminino que não vai ser utilizado! Os argumentos da Secretária de Estado da Defesa Nacional sobre a “segregação por género no ensino público”, expressos na afirmação que “No século XXI não há justificação para haver segregação por género no ensino público em Portugal, (…), também não faz sentido que haja nas Forças Armadas quando há tantas senhoras nas fileiras das Forças Armadas”, são desprovidos de bom senso. Esta “reforma” ignora de forma inacreditável o facto de se pretender instalar no Colégio Militar, com um custo de 6 milhões de euros, um internato feminino, onde alunas e alunos, adolescentes, menores de idade, coabitarão. Esta é a ideia brilhante da Secretária de Estado da Defesa Nacional! Berta Cabral não reconhece a diferença entre alunos, adolescentes, menores de idade e profissionais, adultos, maiores de idade…! O Antigo Ministro da Educação, Professor Marçal Grilo que foi nomeado já pelo actual Governo como coordenador da Comissão para restruturação dos Estabelecimentos Militares de Ensino, assume que não se revê na decisão do Ministério da Defesa Nacional que usa o seu relatório para fundamentar esta reforma no Colégio Militar. Aliás, o Professor Marçal Grilo já veio a público transmitir a sua enorme preocupação pela decisão precipitada de instalar no Colégio Militar um edifício de internato feminino, considerando que a mesma pode colocar em causa o futuro do Colégio Militar. Acresce que nem os Pais e Encarregados de Educação dos Alunos do Colégio Militar e das Alunas do Instituto de Odivelas, ou mesmo as Associações dos Antigos Alunos destas duas instituições, foram ouvidos sobre este processo. Ou seja, não faz sentido o Governo impor um modelo totalmente descaracterizado que não atrai os actuais usuários destas duas instituições. Esta decisão do Governo vai ditar o fim a curto prazo do Colégio Militar, através da descaracterização de forma abrupta e insidiosa do seu modelo educativo.

A AAACM tudo fará para defender o futuro desta Instituição de Portugal.

É um Dever de Cidadania.


Dos Antigos Alunos COLÉGIO EM RISCO IMINENTE!

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ALERTA - COLÉGIO EM RISCO IMINENTE! Camaradas e Amigos Vinte e dois meses volvidos desde o início do processo de restruturação dos Estabelecimentos Militares de Ensino (EME) desencadeado pelo Ministro da Defesa Nacional (MDN) Aguiar Branco em Setembro de 2011, e a pouco mais de um mês do começo do ano lectivo no Colégio, impõem-se um esclarecimento e um alerta a toda a Comunidade de Antigos Alunos e Amigos do Colégio Militar . São públicos e fundamentados os contributos que, numa perspectiva de colaboração leal e durante o período referido, foram dados pela Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar (AAACM).
Desde a relação com a primeira Comissão nomeada com a incumbência de analisar os EME até à anuência ao pedido do MDN em Julho de 2012 para nos pronunciarmos sobre a proposta de reestruturação da Comissão presidida pelo Professor Marçal Grilo, tudo fizemos com o melhor espírito de colaboração.
As nossas propostas integraram sempre e de forma articulada as componentes escolar, militar e desportiva numa perspectiva de educação e formação dos Alunos e sustentabilidade futura do Colégio.
O MDN ignorou todos os apelos no sentido de participarmos na Comissão Técnica de Acompanhamento (CTA) nomeada em Novembro de 2012, nunca se tendo dignado, sequer, a responder às três cartas e ao pedido de audiência que lhe foram formalmente dirigidos pela Direcção da AAACM entre Setembro de 2012 e Março de 2013. Logo após a publicação do Despacho 4785 de 8 de Abril de 2013, que prevê alterações profundas no modelo educativo do CM sem a ponderação e calendarização exigíveis, e dada a manifesta falta de vontade do MDN em dialogar com a AAACM (bem como com a Associação de Pais e Encarregados de Educação dos Alunos do Colégio Militar – APEEACM), solicitámos audiências a todos os Grupos Parlamentares (GP), bem como à Comissão Parlamentar de Defesa Nacional (CPDN), no decurso das quais desmontámos o argumento da racionalidade económica invocado pelo MDN como justificação da reforma, tendo ainda alertado para os riscos da descaracterização do Colégio e o seu consequente desaparecimento a curto prazo, caso tal reforma seja realizada nos termos definidos pelo citado despacho. Confrontados com a ausência de qualquer

iniciativa de âmbito parlamentar com resultados visíveis, solicitámos uma audiência ao Senhor Primeiro Ministro, tendo sido recebidos pelo seu Chefe de Gabinete no final de Junho 2013, a quem reiterámos as nossas preocupações com o processo de reforma em curso e apelámos para que fossem suspensas as disposições contidas no despacho 4785 relativas a dois pontos essenciais, a saber, a entrada de alunos externos em anos posteriores ao 7º ano de escolaridade e a introdução do ensino misto já no ano lectivo de 2013/2014. Como último recurso, a 28 de Junho de 2013, a Direcção da AAACM elaborou uma carta dirigida ao Senhor Presidente da República, carta essa que, além de ser assinada por todos os membros dos Órgãos Sociais da Associação, foi também subscrita por trinta e cinco personalidades de grande relevo nacional que decidiram associar-se a esta iniciativa. Nessa carta, que segue em anexo, a AAACM denunciou a incapacidade revelada pelo MDN em distinguir os níveis operacional e conceptual do projecto educativo do Colégio Militar e alertou para as consequências desastrosas daí decorrentes, apelando ao Senhor Presidente da República para que exercesse a sua influência no sentido de que as nossas exigências fossem consideradas. No passado dia 24 de Julho, por iniciativa da Secretária de Estado da Defesa Nacional (SEDN) – a quem há três meses (29 de Abril) tinha sido formalmente solicitada uma audiência – a AAACM, juntamente com a APEEACM, foi recebida por esta responsável governamental. No decurso desta reunião, a SEDN mostrou-se insensível aos argumentos apresentados e justificados por ambas as Associações e intransigente quanto a qualquer alteração à aplicação integral do despacho ministerial em causa, muito embora não tenha apresentado qualquer fundamentação credível de carácter económico ou pedagógico.
Justificou a decisão de integração de género como uma opção política, não considerando relevante a fundamentação de uma decisão que determina a existência de um internato misto de adolescentes e ignorando ostensivamente as escolhas feitas pelos Pais e Encarregados de Educação que optam pelo ensino diferenciado.
Surpreendentemente, a SEDN fez, então, às duas Associações um

inconcebível apelo de cooperação na reforma em curso, com o único e despudorado propósito – como pudemos posteriormente confirmar - de utilizar a natural e óbvia reserva e indisponibilidade manifestadas pelas Associações, como álibi para justificar o seu não envolvimento, esquecendo a discordância por elas sempre manifestada quanto ao modo de aplicação da reforma, em particular no que concerne ao seu ritmo de concretização e à flagrante ausência de ponderação. Ao longo de todo este processo, e apesar do modo autoritário como o MDN sempre o conduziu, a AAACM actuou sempre com a convicção de que o Governo de Portugal, particularmente neste período de crise nacional, seria capaz de promover a coesão, através do sentido de pertença e continuidade que caracterizam instituições como o Colégio Militar. Porém, a realidade é outra: encontramo-nos agora confrontados com uma obstinada teimosia do MDN, incapaz de perceber a sua própria ignorância e erro, que rejeitou a cooperação que, reiteradamente, lhe foi oferecida, em particular pela AAACM. Camaradas e Amigos do Colégio: Durante quase dois anos procurámos colocar ao serviço de Portugal, através dos órgãos de soberania atrás referidos, o conhecimento profundo que temos sobre o Colégio. Contudo, o MDN não quis considerar o nosso parecer em questões que são essenciais à sobrevivência do Colégio Militar. De facto, a alteração abrupta do projecto educativo e da vida interna do CM provocará a sua irreversível descaracterização e destruirá a instituição em pouco tempo. A “ reforma “ de Aguiar Branco é um veneno fatal para o Colégio. O Ministro da Defesa Nacional tem disso a perfeita consciência mas continua, obstinada e incompreensivelmente, a insistir na sua solução. Todos nós fomos formados na solidariedade e na disciplina dos cidadãos honrados.
Recorremos, por esta razão, com esperança e confiança democráticas, ao Parlamento, ao Primeiro Ministro e ao Presidente da República e demonstrámos claramente os erros em que o Governo incorre e reincide. Pedimos e obtivemos o apoio de concidadãos cuja palavra deve ser escutada. Nada disto foi suficiente ou demoveu o Ministro da Defesa Nacional. Neste contexto, e chegados a esta situação,


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Dos Antigos Alunos COLÉGIO EM RISCO IMINENTE!

não temos mais a quem recorrer senão a nós próprios.
Defender o Colégio é defender Portugal da destruição maligna das suas instituições.
Defender o Colégio é um dever patriótico. Exortamos todos os Antigos Alunos do Colégio Militar e todos aqueles que conhecem e respeitam esta venerável instituição a difundirem esta mensagem com o maior vigor e amplitude possíveis, explicando de forma alargada que os mesmos erros que estão a determinar o fim do Colégio Militar estão também a minar a coesão, o sentido de pertença e a combatividade dos Portugueses para dominar a crise e ganhar o futuro. Os Antigos Alunos do Colégio Militar são ouvidos e respeitados em Portugal.
Está na hora de devolver ao Colégio o que ele nos deu e de fazer ouvir a nossa voz. A Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar nunca desistirá desta causa e usará de todas as suas capacidades para salvar o Colégio.

UM POR TODOS, TODOS POR UM!

António Saraiva de Reffóios (529/1963) Presidente da Direcção da AAACM

Publicado no Diário de Notícias de 30 Junho 2013

“Exército acusado de ignorar gestão danosa”

Este direito de resposta é publicado por deliberação da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC). Na sequência da notícia “Exército acusado de ignorar gestão danosa”, da autoria de Manuel Carlos Freire, de 3 de Março de 2013, serve o presente texto para prestar os devidos esclarecimentos, sobre afirmações inverídicas e atentatórias do bom nome da Associação de Antigos Alunos do Colégio Militar (AAACM), ao abrigo do “Direito à informação” consagrado na Constituição da República Portuguesa e na Lei de Imprensa. Na notícia o jornalista imputa ao presidente da Direcção da AAACM as seguintes afirmações: 1.”Exército acusado de ignorar gestão danosa’’; 2.”A Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar (AAACM) acusa o Exército de “alheamento total” pelo que resultou uma gestão danosa da infraestrutura’’; 3.”O “pai” do CM, o Exército, está num alheamento total perante esta problemática ( ... ).

Este factor é intrigante preocupante, pois tem-se reflectido num marasmo de ideias para o CM e a consequência disso tem sido uma gestão danosa da infraestrutura.” Segundo o jornalista, estas afirmações constam de uma “carta” e de um “texto” que diz citar e cuja autoria atribuiu ao presidente da Direcção da AAACM, o que é falso, e atentatório do bom nome da AAACM e do seu presidente da Direcção. Na verdade, nunca aquelas afirmações foram escritas, nem proferidas, pelo presidente da Direcção ou qualquer membro dos órgãos sociais da AAACM. Além de falsas, trata-se de afirmações numa linguagem imprópria que a AAACM não utiliza nas comunicações com os associados ou terceiros e que repudia. Lamenta-se e estranha-se que o jornalista não tenha cumprido o elementar dever profissional de contactar previamente o presidente da Direcção da AAACM para confirmar, quer a autoria quer a veracidade das graves afirmações que lhe imputa e “cita’’ por diversas vezes. A AAACM não deixará de defender a sua honra e bom nome por todas as vias legais que estão ao seu alcance. António Saraiva de Reffóios Presidente da Direcção da AAACM

Ministro da Defesa “inventa” nova entidade e lança campanha para apagar a marca e a memória do Colégio Militar O Ministro Aguiar Branco vai gastar 80.000 euros numa campanha publicitária para promover uma marca inventada à pressa, e que não tem existência real: Estabelecimentos Militares de Ensino. Contradizendo todas as suas afirmações anteriores contrárias aos “dogmas de casta”, a entidade que o ministro inventou é de um elitismo grosseiro, absolutamente contrário ao espírito do Colégio Militar, que o ministro manifestamente não entende, não quer entender, mas que à viva força quer destruir. O ministro Aguiar Branco tem invocado argumentos financeiros para justificar a tentativa de destruição do Colégio Militar. Apesar disso, não se coíbe de realizar gastos inúteis desde que isso sirva a sua vontade obsessiva, agora já muito clara e patente, de desvirtuar o Colégio, para melhor o suprimir. A apresentação da “nova marca” foi feita sem a presença dos Directores do Colégio Militar e do Instituto de Odivelas. O evento foi organizado à pressa, apenas para servir o calendário do ministro, uma vez que estão já concluídas

as inscrições para o ano lectivo 2013/2014. A campanha apaga o nome de Instituições centenárias e sugere a sua substituição pela “marca” inventada pelo ministro. Nos vídeos da campanha são despudoradamente utilizados os nomes de Antigos Alunos que pertencem à História do Colégio e de Portugal, manchando a sua memória numa farsa grotesca. O ministro tenta com esta encenação transmitir a ideia de que está a trabalhar empenhadamente nos “Estabelecimentos Militares de Ensino” mas, na verdade, está a apenas a evoluir no seu plano de destruição: muitos criticarão a “campanha” pelo seu gasto insensato de dinheiro público; outros a criticarão porque desrespeita implicitamente todas as outras escolas. O ministro sabe que essas críticas recairão sobre as Instituições e não sobre ele, abrindo um fosso – que não existe – entre o CM, o IO e o IPE e as restantes escolas do sistema de ensino público nacional. Ao escolher os Antigos Alunos como tema essencial da campanha está

a tentar colocar-nos no centro das críticas. À comunicação social o ministro disse, num registo muito emocional, que os vídeos da campanha lhe fizeram “bater forte o coração”… Do ministro esperamos mais racionalidade na decisão e lealdade nas funções que lhe foram confiadas e menos palpitações. O sentido de pertença e continuidade, a estrutura ética contida no Código de Honra, os camaradas da nossa juventude, o sentido de serviço a Portugal, o passado como alicerce moral e exemplo para o futuro, geram uma profunda ligação e um verdadeiro amor ao Colégio Militar. Esse amor exprime-se e também se prova. Sempre foi assim em 210 anos de História e não vai ser diferente agora. A “reforma” dos EME está a ser conduzida de forma perversa e atentatória da democracia. O ministro José Pedro Aguiar Branco está a ultrapassar, despudoradamente, todos os limites da decência. A Direcção da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar


Dos Antigos Alunos Carta a Sua Excelência o Senhor Presidente da República

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Carta dirigida a Sua Excelência o Senhor Presidente da República Excelência O Colégio Militar é uma Instituição Educativa bicentenária, com uma oferta educativa de excelência e única no nosso País. Respeitando os valores identitários da matriz da formação militar, o Colégio Militar faculta aos seus alunos uma preparação académica e cultural de excelência, uma rigorosa formação ética e cívica e administra-lhes uma forte capacidade de liderança, em plena harmonia com um exigente desenvolvimento físico. O essencial dos valores desta matriz educativa é transmitido aos alunos do Colégio Militar através da vivência quotidiana dos seus valores no enquadramento da vida colegial em que o patriotismo, o sentido do dever, da honra e da dignidade, o reconhecimento da importância da coragem, da honestidade e da solidariedade são determinantes quer na formação individual do caracter dos alunos quer na capacidade para contribuir com o valor de cada um para um colectivo maior. O Batalhão Colegial liderado pelos próprios alunos, o uso da farda e o direito conferido ao Colégio Militar à ostentação dos símbolos nacionais constituem manifestações exteriores distintivas da sua identidade e dos seus valores intrínsecos, sendo ainda a Instituição nacional mais condecorada. O forte empenho em alargar a sua oferta educativa aos jovens dos PALOP’s que já há anos frequentam o Colégio Militar em números muito significativos e a existência de uma Comunidade de Antigos Alunos que, solidariamente com a Instituição, a mantêm em ligação permanente com a sociedade portuguesa em todas as suas vertentes são, somente, dois aspectos característicos da abertura e capacidade de adaptação permanente da Instituição às realidades do posicionamento do nosso País no mundo e à evolução da sociedade portuguesa. Esta abertura para avaliar criticamente e incorporar selectivamente no projecto educativo do Colégio Militar as mudanças necessárias tem sido crucial para a longevidade secular do seu mérito e para a preservação das características essenciais desta Instituição singular. Como tantas vezes no passado, o nosso País vive hoje um período em que tudo está a mudar rapidamente à nossa volta gerando uma forte necessidade de adaptação rápida a que, a urgência criada pela actual emergência económica e financeira retira tempo para avaliação, serena e selectividade crítica. Mas é nestas situações conturbadas que é crucial que as Instituições, pilares da nossa Sociedade, tenham a capacidade e o saber para distinguir o essencial do acessório, as modas superficiais das evoluções estruturais, de forma a conseguirem evoluir mantendo as suas características e identidade essenciais. O Colégio Militar vive, hoje, naturalmente, um período de mudança desta natureza com necessidade urgente de, por um lado, melhorar a sua capacidade operacional introduzindo critérios de acrescido rigor e eficiência organizativa, económica e financeira, e por outro, revisitar os conceitos fundamentais do seu projecto educativo à luz da actualidade do nosso País e do seu posicionamento no mundo com especial relevância para o relacionamento com os PALOP’s. Pela sua própria natureza, estes dois planos de análise e avaliação crítica das mudanças desejáveis implicam períodos de incubação conceptual e velocidades de concretização muito diferenciadas que exigem ponderada compatibilização. Contudo, possivelmente sob a enorme pressão da actual situação financeira do nosso País, o Ministro da Defesa Nacional, ao tomar a iniciativa de concretizar um conjunto de mudanças no funcionamento e na oferta educativa do Colégio Militar, não conferiu suficiente atenção a esta diferenciação intrínseca.

Assim, no seu despacho 4785/2013 de 8 de Abril, o Ministro da Defesa Nacional, pretende tratar da mesma forma alterações com implicações conceptuais profundas no projecto educativo do Colégio Militar que exigem adequada reflexão e ponderação, e simples melhorias de eficácia operacional e coordenação com os outros dois Estabelecimentos Militares de Ensino que são de fácil e rápida concretização. Melhorar significativamente todos os rácios de gestão pedagógica e financeira do Colégio Militar, gerir coordenadamente todos os recursos humanos e infra-estruturais dos três Estabelecimentos Militares de Ensino é, há muito tempo, indispensável e relativamente fácil de conseguir. Alargar a oferta educativa ao Ensino Primário é uma alteração estrutural já bem amadurecida e ponderada por todas as partes interessadas no universo do Colégio Militar, registando esta decisão um atraso de vários anos. Mas, transformar em dois anos um projecto educativo com 210 anos baseado em internato masculino, num Colégio com internato e externato, masculino e feminino, é uma decisão que, com enorme ligeireza, descaracteriza totalmente o conceito educativo do Colégio Militar sem que tenha sido feita uma discussão profunda da sua justificação, das suas consequências e dos conceitos educacionais substitutivos, apesar de o Prof. Eduardo Marçal Grilo o ter expressamente recomendado na sua Nota Prévia ao Relatório da Comissão por si presidida para, por nomeação do Ministro da Defesa Nacional, estudar esta matéria. A falta desta indispensável ponderação é também ilustrada, de forma gritante, pelo facto de no já referido Despacho 4785/2013 de 8 de Abril, o Ministro da Defesa Nacional determinar a construção imediata de uma infra-estrutura de internato feminino no perímetro do Colégio Militar, orçada em cerca de 6 milhões de Euros, para funcionar já no ano lectivo 2014/2015, simultaneamente com o encerramento do Instituto de Odivelas, totalmente desnecessária no conjunto das três instalações de internato já existentes nos Estabelecimentos Militares de Ensino. A concretizar-se, é um passo desnecessário e de difícil reversibilidade, além de totalmente injustificável no actual contexto de austeridade.

Senhor Presidente Como último recurso, os signatários desta carta apelam a Vossa Excelência que aceite exercer a sua magistratura de influência no sentido de que o Despacho 4785/2013 de 8 de Abril do Ministro da Defesa Nacional seja imediatamente suspenso no referente à transformação repentina e imponderada do Colégio Militar num internato/externato misto e à construção de infra-estruturas de internato feminino no Colégio Militar, e se proceda a uma análise, serena e profunda, envolvendo, efectivamente, as Associações de Pais e Encarregados de Educação dos Alunos do Colégio Militar e dos Antigos Alunos do Colégio Militar que permita encontrar soluções para que as mudanças que venham a ser consideradas necessárias não descaracterizem esta Instituição bicentenária, antes a fortaleçam e lhe confiram capacidade e dinâmica acrescidas para continuar a servir a nossa Pátria. Lisboa, 28 de Junho de 2013 António Saraiva de Reffóios Presidente da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar


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Dos Antigos Alunos Carta a Sua Excelência o Senhor Presidente da República

Esta carta foi assinada por todos os elementos constituintes dos Corpos Sociais da Associação, do Concelho Supremo e pelas seguintes personalidades de reconhecido mérito e consagrado prestígio. Professor Doutor ADRIANO José Alves MOREIRA

- Vice-presidente da Assembleia da República (1991-1995) - Ministro do Ultramar (1961-1963) - Professor Emérito da Universidade Técnica de Lisboa - Director do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas - Presidente da Academia das Ciências de Lisboa (2008-2010)

Tenente-General ALEXANDRE Maria de Castro de SOUSA PINTO

- Ex-Governador Militar de Lisboa - Presidente da Comissão Portuguesa de História Militar

Dr. ARTUR Eduardo Brochado dos SANTOS SILVA

- Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian - Secretário de Estado do Tesouro (1975-1976). - Presidente da Comissão Executiva do BPI (1981-1988) - Presidente do Conselho Geral da Universidade de Coimbra

Professor Doutor EDUARDO Carrega MARÇAL GRILO

- Ministro da Educação (1995-1999) - Presidente do Conselho Nacional de Educação (1992-1995) - Coordenador da Equipa Técnica nomeada pelo MDN para a Reestruturação dos EMEs

Dr. Emílio RUI da Veiga Peixoto VILAR Tenente-General Alípio TOMÉ PINTO

- Comandante Geral da GNR (1982-1985) - Vice-Chefe do Estado-Maior do Exército (1988-1991) - Membro do Conselho Científico do IESM

General António dos Santos RAMALHO EANES

- Presidente da República (1976-1986) - Conselheiro de Estado - Chefe do Estado-Maior do Exército (1975-1976)

- Secretário de Estado do Comércio Externo e Turismo (1974) - Ministro da Economia (1974-1975) - Ministro dos Transportes e Comunicações (1976-1978) - Presidente do Conselho de Administração da CGD (1989-1995) - Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian (2002-20012)

Almirante Fernando José Ribeiro de MELO GOMES - Chefe do Estado-Maior da Armada (2005-2010) - Comandante da STANAVFORLANT (2001-2002)

Dr. ANTÓNIO José de Castro BAGÃO FÉLIX

- Secretário de Estado da Segurança Social (1980-1983) - Secretário de Estado do Emprego e Formação Profissional (1987-1991) - Ministro da Segurança Social e do Trabalho (2002-2004) - Ministro das Finanças e da Administração Pública (2004-2005) - Conselheiro de Estado

Professor Doutor António Manuel da CRUZ SERRA

- Reitor da Universidade de Lisboa (desde 2013) - Presidente do Instituto Superior Técnico (2009-2013) - Presidente da IMEKO (2006 a 2009)

Eng. HÉLDER António Guerra de SOUSA SILVA - Deputado à Assembleia da Republica (PSD) - Membro da Comissão Parlamentar de Defesa

Dr. Henrique MEDINA CARREIRA

- Subsecretário de Estado do Orçamento (1975-1976) - Ministro das Finanças (1976-1978) - Jurista


Dos Antigos Alunos Carta a Sua Excelência o Senhor Presidente da República

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Dr. José Augusto Perestrelo de ALARCÃO TRONI

D. JANUÁRIO TORGAL Mendes FERREIRA

- Bispo das Forças Armadas e de Segurança - Professor Assistente na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (1970-1989) - Presidente da Comissão Episcopal das Migrações

- Professor da UL (1980-1985) e da UAL (desde 1985). - Secretário de Estado Adjunto da Administração Educativa (1987-1991) - Secretário de Estado Adjunto e do Ensino Superior (1991/92). - Vice-presidente da Assembleia-Geral da UNESCO (1990). - Presidente dos CTT, Correios de Portugal, SA (1992-1995). - Secretário-Adjunto de Macau para os Assuntos Sociais e Orçamento (1996-1999). - Presidente da SHIP (2011-2013)

Dr. JOÃO Barroso SOARES

- Deputado à Assembleia da República (PS) (1987-1990 e 2002-2009). - Deputado ao Parlamento Europeu (1994-1995) - Presidente da Câmara Municipal de Lisboa (1995-2002) - Presidente da Assembleia Parlamentar da OSCE - Membro da Comissão Parlamentar de Defesa

General José LEMOS FERREIRA

- Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas (1984-1989) - Chefe do Estado Maior da Força Aérea (1977-1984)

General José Luís PINTO RAMALHO

Dr. João Guilherme Nobre Prata FRAGOSO REBELO - Deputado à Assembleia da República (CDS) (desde 1999) - Membro da Comissão Parlamentar de Defesa

- Chefe de Gabinete do Ministro da Defesa Nacional - Representante Permanente de Portugal na NATO - Director-Geral de Política de Defesa Nacional do Ministério de Defesa Nacional (1995-2002) - Director do Instituto de Altos Estudos Militares/ Instituto de Estudos Superiores Militares (2003-2005) - Chefe do Estado-Maior do Exército (2006-2011)

Dr. JOÃO Maurício Fernandes SALGUEIRO

- Subsecretário de Estado do Planeamento (1969-1971) - Ministro de Estado, das Finanças e do Plano (1981-1983) - Economista e membro do Conselho Económico e Social - Professor do ISCEF (1961-1969), da UC (1986) e da UN (1986-2003) - Presidente da Comissão Parlamentar de Economia e Finanças (1983-1985) - Administrador-geral da CGD (1996-2000)

Dr. JOSÉ MANUEL CONSTANTINO

- Presidente do Comité Olímpico de Portugal - Presidente da Confederação do Desporto (2000-2002) - Presidente do Instituto do Desporto de Portugal (2002-2005)

Drª JOAQUINA Maria Seara Marques CADETE Phillimore

- Docente convidada do módulo Trabalho de Menores com o Prof Jorge Leite na Pós-graduação sobre Direito de Menores, promovido pelo CDF da Faculdade de Direito de Coimbra – 2003 até ao presente - Directora do Programa para Prevenção e Eliminação da Exploração do Trabalho Infantil – 2002 a 2009 - Responsável regional do Programa de Promoção e Educação para a Saúde – 1997 a 1999 - Representante do Ministério da Educação no Grupo de Trabalho da Prevenção do Grupo Pompidou, no Conselho da Europa – 1995 a 1999 - Formadora na área da Promoção e Educação para a Saúde

General José Alberto LOUREIRO DOS SANTOS

- Ministro da Defesa Nacional (1978-1980) - Vice-Chefe do Estado-Maior General das FA (1977) - Comandante-Chefe das Forças Armadas da Madeira (1985-1987) - Director do Instituto de Altos Estudos Militares (1989-1990) - Chefe do Estado-Maior do Exército (1991-1992) - Membro da Academia de Ciências, do Conselho Científico do IESM, do Conselho de Honra do ISCSP e do Conselho Geral UAL.

Professor Doutor José VEIGA SIMÃO

- Ministro da Educação Nacional (1970-1974) - Embaixador de Portugal na Organização das Nações Unidas (1974-1975) - Presidente do LNETI (1979-1983 e 1985-1992) -Ministro da Indústria e Energia (1983-1985) - Ministro da Defesa Nacional (1997-1999)

Professor Doutor LUÍS António AIRES-BARROS - Presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa - Presidente da Academia de Ciências de Lisboa - Presidente da Classe de Ciências da Academia de Ciências de Lisboa


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Dos Antigos Alunos Carta a Sua Excelência o Senhor Presidente da República

Drª Maria MARGARIDA Branco Alves PEREIRA-MULLER

Professor Doutor Luís Manuel Moreira de CAMPOS E CUNHA - Ministro de Estado e Ministro das Finanças (2005) - Director da Faculdade de Economia da UNL

- Licenciada em Filologia Germânica - Pós-graduações para documentalista científica em estudos orientais (cultura árabe e islâmica) - Leitora de Português na Alemanha - Correspondente de diversos meios de comunicação na Alemanha, tradutora e assessora de imprensa - Actualmente, em regime de voluntariado, Presidente da Direcção da AAAIO

Almirante Nuno Gonçalo VIEIRA MATIAS Professor Doutor MANUEL António Garcia BRAGA DA CRUZ - Reitor da Universidade Católica Portuguesa (2000-2012) - Professor da UCP (desde 1992) - Membro do Conselho Nacional de Avaliação do Ensino Superior (1999-2000) - Membro da Academia de Ciências

- Chefe do Estado-Maior da Armada (1997-2002) - Comandante-em-Chefe da Área Ibero-Atlântica (1997) - Membro do European Security Research Advisory Board da União Europeia - Membro correspondente da Academia das Ciências de Lisboa - Presidente do Conselho Supremo da Liga dos Combatentes - Professor convidado do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa

Professor Doutor Manuel Coimbra SOBRINHO SIMÕES - Médico e cientista, professor da Universidade do Porto (desde 1980) - Criador do IPATIMUP (1989) e seu director desde então - Professor da Universidade de Thomas Jefferson/EUA (desde 1990) - Membro dos conselhos científicos da Escola Europeia de Patologia - Membro da Associação Europeia de Prevenção de Cancro - Prémio Pessoa 2002

Drª Maria RAQUEL RIBEIRO

- Directora Geral da Família - Directora Geral da Assistência Social - Directora do Instituto da Família e Acção Social - Antiga Aluna do Instituto de Odivelas

Dr. ROBERTO Artur da Luz CARNEIRO Drª Maria ISABEL Andrade e Silva LOWNDES MARQUES - Advogada - Administradora da Fundação Evergreen - De uma Família de Oficiais do Exército e da Armada - Com ligações de admiração, amizade e gratidão ao Colégio Militar

- Secretário de Estado da Educação (1980-1981) - Secretário de Esta do da Administração Regional e Local (1981-1983) - Ministro da Educação (1987-1991) - Professor associado da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa - Membro do Conselho Geral da Fundação Gulbenkian (1997-2001) - Perito/consultor da UNESCO, Banco Mundial, OCDE e Conselho da Europa

Dr. RUI Manuel Parente Chancerelle de MACHETE

Drª MARIA ISILDA Viscata Lourenço de Oliveira PEGADO - Deputada à Assembleia da República (2003-2004)

Professora Doutora MARIA MANUELA MENDONÇA - Presidente da Academia Portuguesa de História

- Deputado à Assembleia da República (1976-1980 e 1985-1995) - Ministro dos Assuntos Sociais (1975-1976) - Vice-Primeiro Ministro e Ministro da Justiça e da Defesa Nacional (1983-1985) - Presidente da Federação Internacional de Direito Europeu (1990-1992) - Consultor jurídico


Dos Antigos Alunos Ecos de um despacho

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Ecos de um despacho Milagre das Rosas

Contra o encerramento do Instituto de Odivelas No passado dia 14 de Junho teve lugar uma marcha/manifestação contra o encerramento do Instituto de Odivelas, promovida por Antigas Alunas desta Instituição. Após a concentração junto do Mosteiro dos Jerónimos, os manifestantes em número superior a um milhar e onde predominavam Alunas e Antigas Alunas do Instituto de Odivelas, seus familiares e amigos e Alunos e Antigos Alunos do Colégio Militar e do Instituto dos Pupilos do Exército, subi-

ram até ao Ministério da Defesa Nacional. As intervenções junto do MDN estiveram a cargo da Aluna do Instituto de Odivelas Catarina Ferreira (285/2005), das Antigas Alunas Maria Margarida Pereira-Muller (244/1967) e Maria Teresa Magalhães (334/1972), do Presidente da APEEIO Paulo Pereira Dias e do Presidente da AOFA Manuel Cracel. Intervenções vigorosas onde se defendeu a manutenção do Instituto de Odivelas com argumentações inequívocas do absurdo do

despacho do MDN e do perigo que a sua aplicação tem para o futuro desta Instituição centenária, que tantos serviços tem prestado com a formação e preparação das suas Alunas para servirem a Nação. A manifestação terminou com as Alunas do Instituto de Odivelas, num acto simbólico, a cobrirem com rosas a escadaria do edifício do Ministério da Defesa Nacional.

©Fotos Leonel Tomaz

Lusa 12.Jun.2013 - Deputado do CDS-PP contra extinção do Instituto de Odivelas O deputado centrista João Rebelo é contra a extinção do Instituto de Odivelas, decidida pelo Ministério da Defesa, e defende que é possível “desenvolver um projecto de reestruturação” que permita poupanças, sem pôr em causa a sua existência. No relatório sobre a petição “Em Defesa da continuidade do Instituto de Odivelas como uma Escola de Excelência”, que reuniu mais de 4000 assinaturas, o parlamentar do CDS-PP e vice-presidente da comissão de Defesa manifesta “discordância relativamente à agregação /extinção”


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Dos Antigos Alunos Ecos de um despacho

do Instituto, “apesar de reconhecer e concordar, em larga medida, com a reforma estrutural que é fundamental”. Na opinião de João Rebelo, “é possível desenvolver um projecto de reestruturação de todos os estabelecimentos de ensino militar não superior, que permita poupança, não pondo em causa a existência” do Instituto de Odivelas. “Seria importante continuar a preservar a sua história e as suas tradições, uma vez que a agregação/extinção poderá traduzir-se numa dissolução e descontextualização do legado rico e histórico do Instituto, que tantas mulheres formou e que têm prestado serviços relevantes ao país em diversos sectores”, sustenta o deputado da maioria. No relatório, com data de 04 de Junho, Rebelo assinala que o Instituto de Odivelas é “um estabelecimento centenário de um ensino de excelência e primaz, que é do interesse de todos os portugueses conservar e acarinhar”. Segundo o deputado democrata-cristão, o Instituto - que será extinto e integrado no Colégio Militar - deve ser “inserido numa lógica de reestruturação e racionalização que contribua para uma redução das despesas, através de uma estratégia de gestão que permita a optimização de projectos e recursos”.

Lusa - Publicado no Diário de Notícias de 9 de Julho de 2013

Personalidades pedem intervenção do PR no Colégio Militar Trinta e cinco personalidades, incluindo o ex-Presidente da República Ramalho Eanes, altas patentes militares e ex-ministros como Marçal Grilo, associaram-se à causa da defesa do Colégio Militar. O pedido, a que a agência Lusa teve hoje acesso, foi subscrito numa carta dirigida a Cavaco Silva, a 28 de Junho, pelo presidente da Associação de Antigos Alunos do Colégio Militar. No ofício, os signatários solicitam ao Presidente da República para que exerça a sua magistratura de influência, com vista à suspensão do despacho do ministro da Defesa, de 08 de Abril passado, que determina a transformação do Colégio Militar num internato/externato com rapazes e raparigas e a consequente construção de infraestru-

turas de internato feminino, absorvendo as alunas do Instituto de Odivelas. Em declarações à Lusa, o presidente da Associação de Antigos Alunos do Colégio Militar, António Saraiva Reffóios, disse que “não existem razões financeiras e pedagógicas” que justifiquem o internato misto e que, com este modelo de ensino, o Colégio Militar “corre o risco de uma descaracterização, que levará certamente à sua destruição”. A carta pede “uma análise serena e profunda” do assunto, envolvendo pais, encarregados de educação e antigos alunos, que “permita encontrar soluções” para que “as mudanças que venham a ser consideradas necessárias não descaracterizem a instituição bicentenária”.

Os subscritores da missiva advogam que “transformar em dois anos um projecto educativo com 210 anos, baseado em internato masculino, num colégio com internato e externato masculino e feminino, é uma decisão que, com enorme ligeireza, descaracteriza totalmente o conceito educativo do Colégio Militar”. O ofício considera ainda “totalmente injustificável, no actual contexto de austeridade”, a construção de um edifício de internato feminino no perímetro do Colégio Militar, “orçada em cerca de seis milhões de euros”, para funcionar no ano lectivo 2014-2015, “simultaneamente com o encerramento do Instituto de Odivelas”. A lista de personalidades integra o ex-


Dos Antigos Alunos Ecos de um despacho

-presidente da República Ramalho Eanes, o ex-ministro da Educação Marçal Grilo, que coordenou a Comissão para a Reestruturação dos Estabelecimentos Militares de Ensino, a pedido do Ministério da Defesa, os deputados Helder de Sousa e Silva (PSD),

João Rebelo (CDS-PP) e João Soares (PS). Subscreveram o teor da carta os ex-ministros Adriano Moreira, Bagão Félix, Campos e Cunha, Medina Carreira, Roberto Carneiro, Rui Vilar, Rui Machete e Veiga Simão. O ofício dirigido ao Presidente da República

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foi também subscrito pelo ex-chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas José Lemos Ferreira, pelos ex-chefes do Estado-Maior da Armada Melo Gomes e Nuno Vieira Matias e pelos ex-chefes do Estado-Maior do Exército Pinto Ramalho e Loureiro dos Santos.

Nuno Sá Loureiro, PÚBLICO de 9 de Julho de 2013

Um ex-presidente, oito ex-ministros e dez generais em defesa do Colégio Militar

Fusão de Colégio Militar com Instituto de Odivelas defendida por Aguiar-Branco é contestada por diversas personalidades PEDRO CUNHA

Um conjunto de notáveis assinou uma carta entregue ao PR contra a fusão do Colégio Militar com o Instituto de Odivelas. Chamaram-lhe o “último recurso” para travar uma reforma que “descaracteriza totalmente o conceito educativo do Colégio Militar”. A anterior démarche fora uma audiência com o chefe de gabinete do primeiro-ministro, há pouco mais de 15 dias, para tentar suspender o despacho do ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, que tenciona fundir o Colégio Militar com o Instituto de Odivelas. Já depois disso, a Associação de Antigos Alunos do Colégio Militar entregou na passada sexta-feira uma carta, em Belém, ao chefe da Casa Militar do Presidente da República, subscrita por um conjunto assinalável de personalidades. Entre estes contam-se um antigo chefe de Estado - Ramalho Eanes, um dos 11 generais das Forças Armadas, e oito antigos ministros. Tanto da esquerda como da direita. Marçal Grilo - que foi ministro da Educação de An-

tónio Guterres e coordenador da Comissão para a Reestruturação dos Estabelecimentos Militares de Ensino criada por Aguiar-Branco - também assinou a carta. A este juntam-se outros ex-governantes que passaram por pastas como a Defesa, a Educação e as Finanças. Personalidades como Adriano Moreira, Bagão Félix, Campos e Cunha, Medina Carreira, Roberto Carneiro, Rui Machete e Veiga Simão. E até mesmo alguns deputados que actualmente suportam a coligação governamental e fazem parte da Comissão de Defesa, como é o caso do social-democrata Sousa e Silva e do centrista João Rebelo, assinam a carta. O desconforto com a decisão de Aguiar-Branco atinge também as chefias militares. Além de Ramalho Eanes, assinam a carta os generais Rocha Vieira (ex-chefe do Estado-Maior do Exército e último governador de Macau), Martins Barrento (ex-chefe do Estado-Maior do Exército), Sousa Pinto, Loureiro dos Santos, Lemos Ferreira (ex-chefe do

Estado-Maior General das Forças Armadas), Pinto Ramalho (chefe do Estado-Maior do Exército), Garcia Leandro, Tomé Pinto e os almirantes e ex-chefes de Estado-Maior da Armada Melo Gomes e Vieira Matias. Na missiva datada de 28 de Junho, os signatários apelam a Cavaco Silva para que “aceite exercer a sua magistratura de influência no sentido de que o Despacho 4785/2013 do ministro da Defesa seja imediatamente suspenso no referente à transformação repentina e imponderada do Colégio Militar num internato/externato misto e à construção de infra-estruturas de internato feminino no Colégio Militar”. A carta acusa José Pedro Aguiar-Branco, de forma diplomática, de precipitação. “Possivelmente sob a enorme pressão da actual situação financeira do nosso país, o ministro da Defesa, ao tomar a iniciativa de concretizar um conjunto de mudanças no funcionamento e oferta educativa do Colégio Militar, não conferiu suficiente atenção a esta diferenciação intrínseca”. Essa diferenciação, que o ministro da Defesa Aguiar-Branco aparentemente não foi capaz de fazer, é entre a melhor forma de “melhorar a capacidade operacional” dos estabelecimentos militares de ensino - uma mudança “relativamente fácil de conseguir”, na opinião da associação - e outras decisões sobre o “revisitar dos conceitos fundamentais do projecto educativo”. Em causa está a decisão de juntar o colégio interno masculino com o colégio interno feminino nas mesmas instalações. “Transformar, em dois anos, um projecto educativo com 210 anos baseado em internato masculino num internato e externato, masculino e feminino, é uma decisão que, com enorme ligeireza, descaracteriza totalmente o conceito educativo do Colégio Militar”, avisam os signatários.


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Dos Antigos Alunos Ecos de um despacho

Diário de Notícias de 10 de Julho de 2013

Eanes quer intervenção do PR no Colégio Militar Trinta e cinco personalidades nacionais escreveram a Cavaco Silva em defesa da escola e contra fusão com o Instituto de Odivelas. Ex-alunos, militares, ex-ministros e até um ex-presidente da Republica, Ramalho Eanes. Todos unidos na defesa do Colégio Militar(CM} numa carta enviada a Cavaco Silva e que pede a intervenção do Chefe do Estado para que aquela instituição não passe a integrar o Instituto de Odivelas. A missiva é de 28 de Junho e visa suspender um despacho do ministro da Defesa, Aguiar­Branco, de 8 de Abril, que determina a transformação do CM num internato/externato misto. A carta, subscrita por 35 personalidades de vários quadrantes da nossa sociedade, apela a que o PR faça “uso da sua magistratura de influência” para travar o processo “imponderado” e “repentino” de transformação do CM, que, segundo o documento, vai “alterar em dois anos um pro-

jecto educativo que já contabiliza mais de 21O”. De acordo com a missiva, as “mudanças impostas” pelo Ministério da Defesa carecem de fundamentação económica. Financeira e pedagógica, até porque vão contra as recomendações de Marçal Grilo – antigo ministro da Educação e nomeado pelo actual Governo como coordenador da comissão para reestruturação dos estabelecimentos militares de ensino - e menosprezando os contributos dos estudantes, pais, professores, oficiais e antigos alunos. Os subscritores advogam ainda que a decisão foi tomada “com enorme ligeireza” e consideram “totalmente injustificável no actual contexto de austeridade” a construção de um edifício de internato feminino no CM, “orçada em seis mi-

lhões de euros”, para funcionar a partir de 2014. Entre os subscritores estão os deputados Hélder de Sousa e Silva (PSD), João Rebelo (CDS-PP) e João Soares(PS), os ex-ministros Adriano Moreira, Bagão Félix, Campos e Cunha, Medina Carreira, Roberto Carneiro, Rui Vilar, Rui Machete e Veiga Simão, bem como o antigo chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas José Lemos Ferreira, e os ex-chefes do Estado-Maior da Armada Melo Gomes e Nuno Vieira Matias e os ex-chefes do Estado-Maior do Exército Pinto Ramalho e Loureiro dos Santos – que vincou ao DN estar em causa a matriz duma “escola de valores”. Octávio Lousada Oliveira

Luís Carlos Loureiro Cadete - CorINF Ref.º (50180811) Não sou ex-aluno do Colégio Militar, mas não tenho a mais pequena dúvida de que é uma instituição nacional que urge preservar a todo o custo, bem como o Instituto de Odivelas e o Pilão. Por isso, estou e estarei sempre ao lado dos que o defendem da insanidade mental e da psicose persecutória da corja que, há demasiado tempo, nos vem, despudoradamente, desgovernando enquanto se governa! Embora a cair da tripeça, ainda tenho força para brandir o marmeleiro ferrado com que o meu avô Zé Cadete varreu feiras à paulada!

Caro Dr. Reffóios Tive conhecimento do seu Alerta sobre a situação do Colégio Militar. Após ter consultado o Coronel Rio Carvalho, decidimos publicar o Alerta - Carta do Presidente da Direcção da AAACM, no BLOG da PASC e divulgaremos no Facebook a partir de amanha. Pedi igualmente aos representantes das restantes 35 Associações, que para além da AAACM integram a PASC, para divulgarem junto dos respectivos Associados e Blogs.

O que se tem passado com as Escolas de Ensino ligadas às Forças Armadas - cujas Associações de Antigos Alunos - AAACM, AAPE, AAAIO - fazem parte da PASC, é, em meu entender, mais um exemplo de ausência de Visão Estratégica, quer em relação ao momento actual em que o País se encontra, quer em relação ao que estas Escolas representam para o futuro das Forças Armadas e da Indústria Nacional e, simultaneamente, ignorar o seu potencial de cooperação no Espaço Lusófono. É igualmente exemplo da sobranceria dos decisores políticos em relação a uma colaboração construtiva com a Sociedade Civil. Há semelhança do que fizemos em 7 de Março pp em relação à AAPE, se considerar que a PASC pode de alguma forma reforçar a vossa Causa, daremos os contributos que entender serem úteis. Quando li a sua Carta lembrei-me de imediato de uma passagem do Livro - “Porque Falham as Nações”. “Os Países são pobres porque os detentores do poder fazem escolhas que geram pobreza” ....” Erram não por engano ou por ignorância, mas de propósito” Melhores Cumprimentos Maria Perpétua Rocha

Caros Concidadãos, Caros Membros da PASC A Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar é uma Associação da Sociedade Civil com 110 anos de existência. Dela fizeram e fazem parte cidadãos que, pela sua ética e formação, são ouvidos e respeitados em Portugal. Assumindo o seu contributo para uma Cidadania mais participativa a AAACM é uma das 12 Associações Fundadoras da PASC – Plataforma Activa da Sociedade Civil, que hoje conta com o contributo de 36 Associações da Sociedade Civil. Trazemos por isso ao vosso conhecimento e associamo-nos à Divulgação da Carta do Presidente da Direcção da AAACM. Maria Perpétua Rocha Coordenadora da PASC Anexo: Comunicado da AAACM - ALERTA COLÉGIO

MILITAR EM RISCO IMINENTE!


Dos Antigos Alunos Ecos de um despacho

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José Campos e Sousa Só hoje abri os mails

estou a viver no Alentejo, um pouco longe do lixo sonoro e político que
todos os dias me invadia a casa, quando morava em Lisboa. Nunca estive ligado ao Colégio Militar, aos Pupilos nem ao Instituto de
Odivelas. Sou apenas um ex-furriel miliciano que cumpriu o deu dever e a
sua devoção de português, em Moçambique na C.CAÇ 2759, onde por necessidade
de serviço, fui graduado em alferes miliciano. Tudo isto para lhe dizer que a Instituição

Militar sempre me mereceu o maior
respeito e consideração,

não posso nem devo esquecer os despudorados e loucos anos da revolução que
acabaram com Portugal, não posso esquecer os Otelos, os diversos Vascos, os
Tomés etc ...

 - Quem semeia ventos!...



 Considero que nos dias de hoje, em que já batemos no fundo várias vezes, é
a Instituição Militar ou o que dela resta, a única coisa que me faz sentir
orgulho em ser português e ainda me faz sentir a pátria.

Claro que esta estória de acabar com o ensino militar, me causa engulhos.

 A tropa fez e faz muita falta a estas várias gerações de demasiados
desertores e muitos xoninhas e tótós

mas eles acabam por não ser culpados, os culpados somos nós todos que os
sustentamos e votamos neles e assistimos das nossas janelas ao enterro de
Portugal. Sou compositor e intérprete.
Canto a pátria
e
estou á disposição.

QUE LHE BATE FORTE Diz que lhe bate forte no coração, o ministro. É natural, o senhor Aguiar Branco - não é que não perceba o erro da aposta - tem uma agenda. Uma agenda de destruição de instituições de ensino seculares - Colégio Militar, Instituto de Odivelas e Pupilos do Exército - a favor de qualquer coisa, no interesse de alguma coisa que, confesso, ainda não percebi.
Mas qualquer coisa existe de interesseiro neste poder governamental - cada vez que os ouço, no despudor das intervenções, na pesporrência das suas afirmações, na visão que demonstram, mais me convenço que assim é. Traição à Pátria?! Assim é para quem, na desculpa de mau pagador, usa e abusa - José Gil, o filósofo, lembrava Sartre para acrescentar em definitivo: “Canalha é aquele que usa e abusa do seu direito.” - pior, do que lhe deram como poder. E destruir, com ar triunfal de alquimista do futuro, património secular e transmiti-lo adulterado às novas gerações pode ser assim chamado, pode ter o nome de traição. À Pátria?! Claro, porque é à Pátria, a Portugal, que este património pertence!
E estas coisas do património, escrutinam-se - tirando as devidas conclusões e impondo as necessárias obrigações.
Eminência parda, à marca secular, ao nome feito e reconhecido, prefere a sua inovação: “Estabelecimentos Militares de Ensino”.
“Estabelecimentos Militares de Ensino”, a marca do senhor ministro que ninguém conhece, que ninguém sabe a que se refere mas que pre-

tende substituir na história as marcas que o tempo vincou. A substituição que o marketeer de serviço lhe impingiu. E que, num deslumbre, gostou. Que lhe bate forte, diz embevecido. São assim os recém-chegados, de nada sabem mas são serviçais na vaidade que os interesses lhes descobrem.
E abusa das caras, das imagens - os mais letrados as reconhecerão - e abusando da nossa memória, afirma o seu objectivo: mostrar-nos o poder de que desfruta.
É preciso ter lata: que a fusão é necessária, afirma, por razões económicas pela situação do país, etc. e tal, e, portanto, gasta-se dinheiro numa campanha sem sentido: estupidamente elitista e provocadoramente fora de tempo - AS INSCRIÇÕES JÁ FECHARAM!!!
Aqui e ali o senhor ministro e a sua equipa pretendem, num truque de extensão da parte ao todo, passar a mensagem - não falando já da amálgama de números para influenciar a opinião pública menos conhecedora ou atenta - de que o problema, a razão de ser, da oposição dos antigos alunos do Colégio Militar se centra na instituição mista. Disparate! Abuso! Pretensão de nos fazer passar - a mim e a outros ex-alunos como eu - por nostálgicos tontos passadistas.
O problema não está na eventualidade de uma abertura de género do Colégio Militar. O problema de base não é a questão de algum clube do Bolinha onde menina não entra. Não! O problema está na pressa, no desvario, com que se pretende fazer uma reforma destruindo o carácter

institucional que levou 200 anos a construir mas que a varinha mágica ministerial levará meia hora a destruir. E que define a diferença entre, no caso, o Colégio Militar e as outras instituições de ensino nacionais. O problema está no disparate, não numa qualquer guerra de sexos.
Que é necessária uma reforma?! Claro que é, di-lo há anos a Associação dos Antigos Alunos.
Aquilo que queremos, aquilo que pretendemos, é que a necessária reforma potencie as capacidades colegiais para um mundo actual e futuro de tal forma que o torne tão exemplar como o foi sempre. Com inteligência e sentido estratégico. João Paulo de Castro e Silva Bessa 200/1957


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Dos Antigos Alunos A origem da “Velha Guarda”

Martiniano Gonçalves (9/1958)

Para quem não sabe ou não se lembra: a origem da “Velha Guarda” Aproxima-se a comemoração no próximo dia 23 de Outubro dos 110 anos da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar. Como é tradição a “Velha Guarda” juntar-se-á e, seguramente, à semlhança do que tem acontecido nas últimas décadas, irá almoçar nessa data com o Batalhão Colegial no quadro de uma cerimónia com um programa que inclui, nomeadamente, a deposição de flores em homenagem ao Fundador e ao Colégio, a fotografia com os Alunos sucessores na escadaria da “Enferma” e o desfile do Batalhão Colegial. A título de curiosidade para os mais novos e rememorando os menos novos, veja-se o que a nossa Revista, quando ainda não se chamava “ZACATRAZ”, já, no passado, registou sobre este assunto. Revista nº 4 de Julho 1966 – pág. 3 e 4 Um artigo de Mário de Vasconcellos e Sá (45/1895) conta-nos em estilo épico e efusivo que em 30 de Abril de 1966 reuniu pela primeira vez a Velha Guarda escrevendo “Agora no dia 30 de Abril, o clarim tocou com mais vibração e as suas notas estridentes ouviram-se mais longe e com mais comoção. É que desta vez a chamada à “Velha Guarda” – a guarda branca, que a neve implacável dos anos tingiu de claro e enrugou as faces – ...” O nº 5 da Revista de Outubro do mesmo ano é mais rico de informação sobre o tema, em artigo que se estende por 92 páginas: Explica que “ Promovida pela Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar, realizou-se em 30 de Abril passado, um almoço de confraternização na Luz entre todos aqueles que entraram para o Real Colégio Militar até 1900 inclusive.” Presentes 27 e 19 “manifestaram a sua pena por não poderem comparecer”. No fim do artigo a Redacção da Revista, escreve ainda: “Na primeira reunião da Velha Guarda fizemos todos os esforços para reunirmos todos os que haviam entrado até 1900 inclusive. Houve falhas, pois grande parte de ex-alunos não nos envia devidamente preenchida, a ficha de inscrição, de que temos feito larga distribuição. Foi-nos, no entanto, chamada a atenção que havia ex-alunos que não pertencem à “Velha Guarda” – dentro das bases acima indicadas por terem entrado – por exemplo – em 1901 para o 2º ano. Para preencher esta lacuna, pensamos que o mais lógico é que façam parte deste grupo de honra todos aqueles que nasceram até 31 de Dezembro de 1889.... Nº 15 da Revista de Abril 1969 – pág. 49 e 50 Em artigo de Carlos Vieira da Rocha (189/1929) é anunciada a realização da 2ª reunião dos componentes da Velha Guarda, no sábado 7

de Junho, “ou sejam os “ratas” entrados até 1900 inclusive e os que em 1901 entraram para o 2ªano”, e é apresentada a lista de 55 AA “todos nascidos no Séc- XIX, que assistiram ao nascimento de todas as maravilhas que os nossos filhos acham natural terem encontrado; são homens que viveram as nossas lutas no Ultramar em que se confirmou a posse dessas terras pelas quais de novo nos batemos; são homens que viram tombar um regime de muitos séculos e assistiram ao nascer turbulento da República; são homens muitos deles carregados de benesses e honrarias que, no dia da reunião, tudo esquecerão para se lembrarem apenas que há mais de 60 anos, também envergaram a farda cor de pinhão. Vai ser um desfiar de recordações e de histórias vividas e, por algumas horas, serão todos, de novo, Meninos da Luz.” Fica, assim, explicada a base do critério que vem sendo utilizado na definição dos Antigos Alunos que compõem a Velha Guarda: todos os “que há mais de 60 anos, também envergaram a farda cor de pinhão” o que nos conduz, genericamente, aos Antigos Alunos com 70 ou mais anos. Dos textos da Revista transcritos, constatamos, ainda, que a coincidência da data da reunião anual de Antigos Alunos de cabelos brancos com o aniversário da Associação, só mais tarde se iniciou passando a constituir o que, já há umas dezenas de anos, é mais uma tradição dos Antigos Alunos.


Dos Antigos Alunos Antigos Alunos em destaque

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Antigos alunos

em Destaque José António Carneiro Rodrigues da Costa (64/1966) Tenente-General

Diário da República, 2.ª série — N.º 133 — 12 de Julho de 2013

Despacho n.º 31/2013 1. Nos termos das disposições conjugadas do n.º 3 do artigo 24.° do Decreto-Lei n.º 231/2009, de 15 de Setembro e alínea c) do n.º 3 do artigo 24.° da Lei Orgânica n.º 1-A/2009, de 7 de Julho, nomeio para o cargo de Comandante da Academia Militar, sob proposta do Chefe do Estado-Maior do Exército, o Tenente-General José António Carneiro Rodrigues da Costa. 2. O presente despacho produz efeitos à data da tomada de posse o ora designado ficando ratificados todos os actos praticados pelo segundo comandante da Academia Militar desde a vacatura do cargo até àquela data. 25 de Junho de 2013. — O Ministro da Defesa Nacional, José Pedro Correia de Aguiar-Branco. 207087252

O Tenente-General José António Carneiro Rodrigues da Costa (64/1966) foi nomeado pelo MDN, sob proposta do Chefe do Estado-Maior do Exército, para o cargo de Comandante da Academia Militar .

Nuno Manuel Soares de Oliveira da Rosa Garoupa (286/1980) Licenciado pela Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, Professor Catedrático de Direito na Universidade de Illinois, doutorado em Economia na Universidade de York e agregação em Microeconomia na Universidade Nova de Lisboa, membro do Conselho Científico da Fundação Francisco Manuel dos Santos, foi designado Presidente Executivo desta Instituição.

Rodrigo Maia de Abreu Seabra de Albuquerque (6/1983) A revista Marketeer de publicação mensal e especializada na área de Marketing, com uma tiragem média de 19.500 exemplares, tem uma secção denominada “BI” onde mensalmente retrata um profissional desta área. Rodrigo Albuquerque foi entrevistado pela Jornalista Maria João Lima após ter assumido a Direcção Executiva da Arena, a Agência de Meios, que neste momento lidera o ranking de investimentos publicitários em Portugal.


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Dos Antigos Alunos Antigos Alunos em destaque

Francisco Alexandre Barras Covas (363/1984) Licenciado pela Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, trabalhou no Banco de Portugal na área de previsão da inflação e no Banco do Canadá. Nos Estados Unidos fez o Doutoramento na Universidade da Califórnia, sendo economista sénior que integra o FED (Estados Unidos da América) e um dos que gravita no Federal Reserve Board of Directors (FRB) localizado em Washington onde sete governadores escolhidos pelo Presidente Obama e ratificados pelo Congresso, representam as várias áreas económicas e supervisionam o trabalho dos bancos regionais. A sua estreia no FED numa fase delicada com o início da crise financeira de 2007 e a sua chegada ao FRB foi a conquista de uma ambição que sempre teve em mente. Actualmente chefia a Secção de Análise Bancária, Divisão de Assuntos Monetários do FRB que, para além das inúmeras análises ao sistema bancário, também se ocupa dos testes de stress aos maiores bancos americanos. Ajuda também a preparar o tealbook, briefing que antecede as reuniões do comité responsável pela política monetária e que reúne oito vezes por ano. É reconhecido e as suas análises e conclusões têm peso e impacto significativo na tomada de decisões.

Mário Maria Duarte Afonso Camões (401/2000) Licenciado em Gestão

O Mário Maria Duarte Afonso Camões (401/2000), licenciado em gestão pela ISCTE Business School e estudante no Master of Science in Business Administration da Florida International University, foi seleccionado para o prémio de excelência académica. Este prémio, baseado na avaliação e votação por parte do corpo docente da escola de gestão da Florida International University, que tem em consideração os resultados académicos, a contribuição para a aprendizagem colectiva e as discussões em aula, destina-se ao melhor aluno finalista em 2013.


Dos Antigos Alunos Entrevista a Mário Camões

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Entrevista conduzida por João Carlos Agostinho Alves (110/1996)

Entrevista a

Mário Maria Duarte Afonso Camões (401/2000)

Mário Maria Duarte Afonso Camões entrou para o Colégio no ano 2000 com o número 401. Terminou os estudos no Colégio em 2008, ano em que ingressou no ISCTE. Apesar de jovem, tem já uma experiência cosmopolita e que teve recentemente destaque na imprensa nacional, augúrio de um futuro auspicioso. ZacatraZ - Quando entraste para o Colégio no ano 2000, qual era a motivação na altura? Tens historial de antigos alunos na família ou foste um pioneiro? Mário Camões - No ano 2000 eu e a minha família estavamos a regressar de 10 anos de residência em Macau. Apesar de ser de Castelo Branco os meus pais procuravam a melhor educação possível para mim, e foram aconselhados pelo antigo governador da Macau Gen. Rocha Vieira (ex-127/50) a conhecer o Colegio. Aceitámos o desafio e adorei. Sou agora o primeiro antigo aluno da minha familia e o primeiro de muitos espero! ZacatraZ - E como descreverias os teus tempos de Colégio? Quais são as memórias que guardas? Mário Camões - Os meus tempos de Colégio foram marcados por grandes mudanças e alguns desafios como o crescente

envolvimento diário dos pais no dia-a-dia dos alunos, o decréscimo do número de alunos no Batalhão Colegial (quando entrei o primeiro ano tinha cerca de 90 alunos, quando fui graduado esse número seria superior ao dos candidatos), e a abertura do externato. A minha vivência no Colégio foi inesquecível. Dela guardo as experiências que tive, boas e más. Guardo fundamentalmente as pessoas: o meu curso, os professores e militares mais exigentes, os funcionários que trabalhavam com amor ao Colégio, principalmente os mais antigos e com os quais tinhamos contacto diário, e os miúdos de quem fui graduado, que estão agora a um passo de serem graduados também. Por fim confesso que as histórias das malandrices também nunca serão esquecidas, mas essas todos as temos. ZacatraZ - Ao terminares o Colégio qual o caminho que querias percorrer?


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Dos Antigos Alunos Entrevista a Mário Camões

do bom trabalho que fizeste, já que recebeste um prémio lá, facto que chegou a ser comentado na comunicação social em Portugal. Estavas à espera? Mário Camões - Confesso que na altura da entrega do premio não estava à espera até porque não sabia da existência dessa distinção. Recebi-o com muita surpresa mas também com muito agrado pelo reconhecimento do esforço e rigor que imprimi durante o ano lectivo. Foi também uma enorme surpresa para mim o reconhecimento em Portugal e comentários em meios de comunicação social. Apesar de saber que o ISCTE estava interessado em promover o recebimento do prémio por um aluno da sua escola de gestão, não estava à espera que a notícia fosse ganhar a dimensão que acabou por ganhar. Mário Camões - Quando sai do Colégio apenas sabia que queria estudar Gestão de empresas, razão pela qual ingressei no agrupamento de economia no secundário. De resto, confesso fui descobrindo o caminho ao longo dos anos de faculdade. ZacatraZ - Depois do ISCTE seguiste para Miami para um MBA. Mas esta não foi a tua primeira experiência internacional pois não? Mário Camões - Desde que saí do Colégio procurei ter o máximo de experiências internacionais essencialmente para aprendizagem pessoal e valorização profissional também. Por estas razões agarrei as oportunidades que a universidade oferecia e fiz “summer school” na Eslovénia durante um mês e intercâmbio de Erasmus na Polónia por um semestre. ZacatraZ - E agora, falando um pouco mais em concreto dos tempos nos EUA, como foi a experiência? Considerarias que é uma mais valia de monta? Mário Camões - Foi uma experiência muito rica porque me permitiu ter contacto com o ensino Americano que é diferente do Português, isto é, um pouco mais proactivo e de aprendizagem em discussão em aula, embora talvez menos técnico.

Para além da experiência académica tive também a oportunidade de estar numa cidade com uma enorme diversidade cultural até porque mais de 50% da população de Miami é de origem estrangeira, maioritariamente da América Latina. Considero que é uma mais valia no sentido da aprendizagem pessoal que tive e dos contactos internacionais que pude estabelecer com os meus colegas no MBA que eram maioritariamente mais velhos e com experiência profissional muito superior à minha. ZacatraZ - Foi também uma etapa coroada de sucesso e com o reconhecimento

ZacatraZ - Por fim, quais são os teus planos para o futuro? Mário Camões - Os meus planos para o futuro são de começar a minha vida profissional, seja em Portugal ou no estrangeiro. Recebi convites para trabalhar e candidatei-me a algumas empresas cá, mas também estou à procura nos EUA para os quais recebi autorização de trabalho, Macau, onde poderei renovar o meu cartão de residente, bem como outros países da CPLP e da União Europeia. A ideia é avaliar as melhores oportunidades e dar o salto para o mercado de trabalho que agora é global.


Dos Antigos Alunos A Nobreza, o Carácter e a Verticalidade

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A Nobreza, o Carácter e a Verticalidade do Antigo Aluno 66/1873 Discurso do General Manuel de Oliveira Gomes da Costa (66/1873), pronunciado perante o Ministro da Guerra, em Agosto de 1925 No dia 15 de Agosto de 1925, a guarnição militar de Lisboa foi ao Terreiro do Paço, com o General Gomes da Costa à frente, apresentar cumprimentos ao novo ministro da Guerra, Senhor General Vieira da Rocha (208/1884). Reunidos os oficiais superiores no gabinete do ministro, pronunciou o general Gomes da Costa o seguinte discurso: “Sr. Ministro: - Impõe-me a minha graduação o dever de dirigir a V. Ex.ª algumas palavras em nome dos oficiais aqui presentes e se presume representarem todo o Exército. Não tendo, porém, conversado previamente com eles, eu desconheço o que eles pensam acerca desta convocação que a repartição do gabinete se não esquece de fazer sempre que um novo ministro toma posse do cargo e que pela sua frequência e imposição não tem outro significado mais que o simples cumprimento duma ordem banal. Creio bem que, por isso mesmo, deve V. Ex.ª, que sempre tem sido um soldado, sentir como todos nós a inutilidade e até mesmo o ridículo de uma cerimónia que só se justificaria, pelo entusiasmo suscitado após um alto feito militar, mas que em circunstâncias normais tão vexatória é para V. Ex.ª como para nós. V. Ex.ª, que não é a primeira vez que exerce o cargo de ministro da Guerra, deve saber do miserável estado do Exército, desprovido de organização, desprovido de instrução, desprovido de material, absolutamente incapaz de oferecer uma resistência séria. V. Ex.ª deve conhecer como nós a impossibilidade de mobilização imediata de uma simples divisão e da carência de armas, munições, cavalos, viaturas, etc. Deve V. Ex.ª conhecer a desorganização dos diversos serviços militares e o desleixo que para aí vai. Não me proponho detalhar agora toda a nossa miséria; mas, convém acentuar que não a desconhecem as nações que têm representantes em Lisboa, representantes que não são cegos nem tolos e têm por dever informar-se para saber informar os seus governos. Para lamentar é que sejamos nós, os que do Exército fazemos parte, quem menos conhece a verdadeira situação militar de Portugal, devido à norma das repartições superiores que envolvem tudo num véu de mistério, a coberto do qual nada fazem e gozam duma reputação nebulosa de saber e austeridade. Não há muito que achando-me à testa da 4ª Divisão do Exército e querendo inteirar-me do problema da defesa do território que comandava, eu pedi à estação competente para me confiar o plano de mobilização e defesa para o estudar: responderam-me que os planos de defesa eram secretos e portanto me não podiam ser enviados! Pasmei, e considerei esta resposta tão ridícula que preferi crer que não passava de uma simples forma de encobrir a ausência de qualquer plano; e até hoje continuo com a mesma convicção. Cito apenas este caso, entre muitos outros assaz curiosos, para

demonstrar a V. Ex.ª a necessidade de alterar todo este estado de coisas, introduzindo uma reforma radical nos usos e costumes do Exército, por forma a acabar com a mentira que nele reina e faz a fortuna a muita gente. E é destas e doutras causas análogas que vem a indisciplina provocada pelos de cima também com as suas faltas de tacto, de saber e de critério e, sobretudo, pela sua ausência de espírito militar. Escuso de acentuar a necessidade de preparação, pois hoje com a complicada ciência que é a guerra, não se improvisam exércitos e quem os não possuir bem preparados e organizados desde o tempo de paz será irremediavelmente batido ao entrar nela. Poderá parecer estranho que tendo nós recebido ordem para apresentar cumprimentos a V. Ex.ª, cumprimentos que a tradição impôs como afirmação da passividade imbecil e conformação com o estado de inércia mental a que nos têm reduzido, eu


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Dos Antigos Alunos A Nobreza, o Carácter e a Verticalidade

quebre essa norma chamando a atenção de V. Ex.ª para a falta de preparação militar do País; mas, senhor ministro, eu entendo que o meu dever como soldado, que me orgulho de ser, consiste precisamente em dizer o que penso, para que ao derrocar-se esta nacionalidade se não diga que tendo uma oportunidade de chamar a atenção do Governo para a miséria militar da Nação eu a deixei escapar por comodismo ou cobardia. Fazendo justiça às qualidades militares de V. Ex.ª, a quem conheço há cerca de 30 anos, desde que servimos sob as ordens desse grande soldado chamado Mouzinho de Albuquerque, que teve a coragem de se meter na sepultura quando começou a derrocada que conheceu e não pôde suster, fazendo justiça a V. Ex.ª, repito, eu convenço-me de que V. Ex.ª saberá preparar o Exército por forma a que ele ocupe o lugar de honra que na nacionalidade lhe pertence, e sirva efectivamente para a defesa da Pátria. Aljubarrota, Exmo. Sr., não é um facto isolado na História de Portugal e pode repetir-se sempre que haja um Governo consciente da sua missão e saiba pôr acima dos interesses particulares o interesse nacional e não faça da cobardia uma virtude cívica. Organize V. Ex.ª, como é seu dever, os serviços militares, influa, como é também seu dever, para que o Governo de que faz parte ponha em ordem a administração civil e financeira, cortando as cabeças a todos os chefes das quadrilhas que com a maior desvergonha e impunidade andam há anos a esta parte comprometendo a honra da Nação, e pode V. Ex.ª estar certo que todo o Exército o apoiará entusiasticamente nesse trabalho. Tem V. Ex.ª o coração colocado bem no seu lugar e de forma a poder encarregar-se dum tal papel? É o que resta ver”.

O Antigo Aluno 66/1873, General Gomes da Costa, encarna bem a figura do militar ferido no seu brio e na condição de ex-combatente pela desordem reinante no país. Pouco tempo antes da revolta de 28 de Maio, em entrevista a um órgão da imprensa portuguesa, o antigo comandante do Corpo Expedicionário Português em França não hesitou em exteriorizar toda a amargura que a situação política lhe causava: «Revolto-me! Revolto-me com todo o Exército português em nome da Pátria — ideal que servi sempre, por quem arrisquei cem vezes a vida, por quem tenho passado alegremente as fomes e as sedes dos areais africanos e os frios enregelados da Flandres. Revolto-me!» Depois, dirigindo-se ao jornalista que o entrevistava, Gomes da Costa acrescentava: «Você sabe o que significa isto, de um militar como eu dizer que se revolta? Significa que eu, que nunca choro, chorei lágrimas de fel e de sangue, lágrimas de raiva e de desespero pelos desesperos da Pátria amordaçada pelas quadrilhas partidárias, ao sentir o ulular faminto das clientelas vorazes que se esfaimam a roer os ossos de Portugal. Malditos!»

O original do discurso (2 folhas de papel em mau estado) encontra-se no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, onde tem o código de referência PT/TT/MI-DGAPC/2/693/409.

ANTIGO ALUNO USA A BARRETINA


Dos Antigos Alunos João Teixeira Pinto

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João Teixeira Pinto Antigo Aluno 144/1888

O Pinto dos

Bigodes No inicio da década de 50 do século passado os cursos de Infantaria e de Cavalaria de 1897 da Escola do Exército publicaram o seu «Livro de Curso», a propósito de uma reunião de saudade por eles promovida. Nesse «Livro de Curso», a que por acaso tive acesso, tem um lugar de particular destaque a nota biográfica relativa ao Antigo Aluno do Colégio João Teixeira Pinto, nota essa que não resisto a tornar conhecida da nossa actual comunidade de Antigos Alunos, através das páginas desta revista. Passo assim a transcrever a tal nota biográfica. «Entre os companheiros de curso que mais se distinguiram ao serviço da Pátria, por ela derramando o sangue generoso, tem glorioso destaque João Teixeira Pinto. No cenário guerreiro das campanhas coloniais, que em terras de além-mar impuseram ao gentio rebelde a soberania portuguesa, a figura imponente de Teixeira Pinto avulta no primeiro plano, aureolada pelo duplo prestigio da heroicidade e do talento de organizador, através da odisseia de valoroso combatente, na Guiné, em Angola e Moçambique, onde tombou batalhando como um simples soldado. O seu nome ficou gloriosamente registado nos anais da ocupação africana, ao lado do heróico Mouzinho de Albuquerque. Nasceu João Teixeira Pinto em Moçâmedes, a 22 de Março de 1876. Foram seus pais João Teixeira Pinto, oficial do Exérci-

to, que também fez em África parte da sua carreira militar, e D. Maria Augusta da Rocha Pinto. Tendo concluído em 1894 o curso do antigo Real Colégio Militar, onde era já conhecido pela antonomásia de «Pinto dos Bigodes», originada no precoce desenvolvimento deste ornamento capilar, assentou praça no R. C. 4, com o posto de 1º sargento cadete. Matriculou-se na Escola Politécnica de Lisboa, cursando os preparatórios para admissão à Escola do Exército, onde ingressou em 1897 no 1º ano do curso comum de Infantaria e Cavalaria. Concluído o curso de Infantaria em 1899 foi colocado, como aspirante a oficial, no R. I. 5, tendo em Dezembro do mesmo ano sido promovido ao posto de alferes. Não se afeiçoava, porém, o seu espírito combativo ao pacífico serviço de guarnição. O sol africano, que lhe aquecera o berço infantil, inflamava-lhe o sangue em belicoso ardor. Tendo-se oferecido para servir no ultramar ao abrigo das disposições do Dec. de 14 de Novembro de 1901, que concedia posto de acesso aos oficiais em serviço nas colónias, foi em 1902 promovido a tenente, indo servir na província de Angola como subalterno da 2ª companhia mista de artilharia de montanha e infantaria. Terminada a comissão em 1904, regressou em Julho à metrópole, servindo no R.I. 7. Voltando novamente a Angola em Outubro do mesmo ano, ali exerceu as funções de secre-

tário do Governo de Moçâmedes, passando depois a servir no Batalhão Disciplinar. Em 1906 foi comandante militar da Donguena. Em 1907, após breve estágio na metrópole, comandou as 16ª e 18ª Companhias Indígenas de Infantaria, assumiu a administração da Circunscrição do Humbe e a capitania-mor de Lutchazes. No mesmo ano, incorporado na coluna de operações contra os cuamatos, tomou parte nas seguintes acções: combate de Mafila (27 de Agosto); marcha debaixo de fogo, de Chaminde a Damequero (13 de Setembro); e de Damequero a Almendro;


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Dos Antigos Alunos João Teixeira Pinto

defesa do bivaque, em 20; marcha, debaixo de fogo, de Almendro a Inhaca; tomada da embala do Cuamato Pequeno em 22, marcha debaixo de fogo e tomada da embala do Cuamato Grande (4 de Outubro). Regressando ao reino em 1908, foi colocado no R.I.5. Tendo-se oferecido novamen-

te para servir no ultramar, partiu em 1909 para Angola com o posto de capitão, nos termos do já citado decreto, exercendo o comando da 10ª Companhia de Infantaria e o cargo de administrador do concelho de Bailundo em 1910, de onde passou ao Corpo de Policia de Luanda, e depois para a administração do respectivo concelho. De regresso à metrópole, foi colocado no R.I.15. Mas não tardou a partir novamente para África, desta vez a servir na Guiné, onde o gentio insubmisso mal reconhecia a autoridade portuguesa, desembarcando em 1912 na cidade de Bolama. Sobre o que foi a epopeia de João Teixeira Pinto na Guiné, escreveu no Diário de Noticias o Sr. Manuel Emídio da Silva, ao celebrar-se em 1947, na Sociedade de Geografia de Lisboa, o V Centenário do Descobrimento daquela região africana:

«Vai-se falar da Guiné, procurando esgotar-se tudo o que lhe diga respeito. Serão passados em revista os homens que a serviram devotadamente e analisada a sua obra. Um nome, no entanto, deve ser, neste momento acima de todos recordado: João Teixeira Pinto. A sua epopeia tem sido pouco ouvida, mas os relatórios de guerra escritos pelo seu punho ficarão gravados na História. São simples, como tudo o que é grande, e feito no único estilo que é próprio para descrições daquela altitude. Quatro campanhas gloriosas surgem-nos de súbito: a pacificação do Óio, de Cacheu, dos balantas e da ilha de Bissau. 1913 a 1915 É a conquista da Guiné portuguesa dos nossos dias. João Teixeira Pinto morreu há trinta anos, num combate, como um simples soldado. Trinta anos parece não terem chegado para lhe dar o lugar que lhe compete na memória do povo. Não se fala no seu nome por inexplicável capricho do Destino. Ora já vai sendo tempo de corrigir um pouco esse Destino. Desembarcou na Guiné em 1912, como Chefe do Estado Maior e, como os seus antecessores, podia ter-se confinado ao exercício burocrático das suas funções. Mas assim não foi.

Duramente experimentado nas campanhas do sul de Angola, ele era um grande colonialista e um grande cabo-de-guerra. Não podia perder tempo. A nossa soberania na Guiné limitava-se a meia dúzia de praças-fortes que viviam numa constante insegurança. O indígena era aguerrido e fornecia-se bastamente de armas europeias. O interior era, por isso, terreno que só pisavam alguns comerciantes. As chacinas dos que mais se aventuravam eram permanentes. Teixeira Pinto reúne todos os elementos disponíveis em oficiais e soldados europeus. Estes eram porém umas escassas dúzias. Resolve então chamar a si os indígenas fiéis, para lhe servirem de auxiliares nas suas campanhas. Estava encontrado o grande processo da guerra colonial: a utilização de tropas indígenas. Ele viu assim o problema, que outros no estrangeiro só viram mais tarde. Não tem tempo de os instruir. Sabe no entanto captar a simpatia dos seus chefes ao ponto de os tornar seus colaboradores dedicados e entusiastas. Houve um acima de todos que merece a nossa gratidão: Abdul Injai. Foi o grande auxiliar das quatro campanhas. Pôs inteiramente os seus homens e os seus recursos ao serviço de Teixeira Pinto. Eram tropas irregulares, mas foram elas


Dos Antigos Alunos João Teixeira Pinto

que venceram a resistência dos povos insubmissos da Guiné. Nas regiões acabadas de conquistar não se exerciam represálias. O comandante português chamava amigavelmente o indígena ao trabalho, mostrando destarte que a guerra acabara definitivamente entre eles e nós. O imposto é imediatamente exigido como manifestação de soberania e, logo terminadas as campanhas, os cofres da Fazenda enchem-se de novas receitas. É o talento do organizador, do homem de acção, do comandante militar, que tudo consegue suprir. É também o talento bem português do improviso. Começa por estabelecer um posto militar em Porto Mansoa, que lhe serve de ponto de apoio para a sua marcha sobre o Óio. Fez anteriormente um reconhecimento desta região disfarçado de comerciante, para depois avançar e submetê-la tabanca por tabanca, o que realizou em Maio e Junho de 1913. Em seguida, para «lavar a afronta» do massacre do alferes José Nunes, administrador do Cacheu, organiza a nova coluna de operações e em Janeiro e Fevereiro de 1914 pacifica a circunscrição numa série ininterrupta de vitórias.

Em Maio e Junho do mesmo ano subjuga os Balantas, que ocupavam uma grande extensão do território da colónia entre o rio Geba e o rio Cacheu. Faltava a ilha de Bissau. Era preciso submeter os Papéis e os Grumetes. A campanha começou em Maio de 1915. Em 12 de Junho Teixeira Pinto é ferido, sendo forçado a abandonar o comando da coluna, mas em 1 de Julho já está novamente à frente dos seus homens para os conduzir vitoriosamente, um mês ainda, até à pacificação completa da ilha. Tinha assim realizado plenamente a obra que sonhara. Desde então a Guiné passou a contar para nós como uma terra rica, pacífica e laboriosa. Encontramos lá ainda todos aqueles povos que nos fizeram a guerra, representados muitos deles ainda que entraram em combate connosco. Mas agora vivem tranquilos sob a nossa protecção. Esta mudança de cena devemo-la a Teixeira Pinto. Em resumo, mais uma lição para as crianças nas escolas, mais um nome para juntar ao lado de Mouzinho.» Os relevantes serviços prestados na campanha de ocupação da Guiné valeram-lhe a dispensa das provas de aptidão para o

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posto de major, a que foi promovido por distinção em Março de 1917, após o regresso à metrópole em 1916. A África era porém o seu campo de acção preferido. Para Moçambique partiu naquele ano, a comandar as companhias indígenas expedicionárias a esta província, e nessa campanha perdeu a vida, combatendo como um soldado, em Negomano a 26 de Novembro de 1917. Na sua brilhante folha de serviços estão averbados os mais honrosos louvores, assinalando: o zelo e a coragem de que deu provas na perseguição de uma quadrilha de cuamatos, apreendendo-lhes espingardas e aprisionando muitos deles (1906); a coragem e abnegação salvando um soldado do 1º esquadrão de dragões perseguido pelo inimigo; os relevantes serviços no abastecimento da coluna de operações de Cuamato; os actos heróicos praticados como comandante de uma diminuta força de tropas regulares que operou em Manjoa e Óio, conseguindo estabelecer um posto militar, apesar da resistência, e repelindo com energia o inimigo obrigando-o a aceitar a nossa autoridade, a entregar o armamento e a pagar o imposto; a valentia e coragem inexcedíveis e actos de verdadeiro heroísmo no posto militar de Maurabá (capital do Óio) submetendo à obediência aqueles povos, considerados inacessíveis tendo para isso de tomar, debaixo de fogo, 16 tabancas onde o inimigo se defendia corajosamente, vencendo o lendário «Òio», chefe dos rebeldes da Guiné; o zelo, boa vontade e inexcedível dedicação com que dirigiu as operações nos territórios de Churo, Psebindo, Costa de Baixo e Bramer; o zelo e proficiência demonstrados na organização da coluna constituída com os poucos recursos da Província e a extraordinária coragem, patriotismo e abnegação em todas as fases do ininterrupto combate contra um inimigo valente e traiçoeiro, com notável desproporção de forças, na quase totalidade constituídas por elementos indígenas, contribuindo para o resultado final das operações. Esmaltavam-lhe a farda gloriosa as mais valiosas condecorações: a Ordem da Torre e Espada, do valor Lealdade e Mérito; a Medalha Rainha D. Amélia, com a le-


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Dos Antigos Alunos João Teixeira Pinto

genda «Cuamato, 1907»; as medalhas de ouro de Valor Militar (1916), e de Serviços Distintos e Relevantes no Ultramar. João Teixeira Pinto é, assim, uma das mais lídimas glórias, não só do curso da Escola do Exército de 1897-99, mas do Exército, que ele honrou, e da pátria pela qual deu a vida, merecendo admiração, respeito e gratidão a sua honrada memória». A nota biográfica aqui transcrita apenas nos refere que morreu combatendo no norte de Moçambique em Negomano, em 1917, durante a 1ª Guerra Mundial, contra as forças alemãs, as quais se encontravam sediadas na então colónia alemã do Tanganica, que hoje em dia, em conjunto com a ilha de Zanzibar, constitui o país designado por Tanzânia. Para completar esta informação assaz escassa, socorro-me de uma outra nota biográfica de João Teixeira Pinto, esta constante do livro «O Colégio Militar na toponímia portuguesa» da autoria do Costa Matos (196/1950), cuja parte final passo a transcrever:

«A 19 de Setembro as forças portuguesas atravessam o rio Rovuma e invadem a África Oriental Alemã (actual Tanzânia) e ocupam a margem esquerda do rio sem grande resistência. A 4 de Outubro uma força de reconhecimento é surpreendida em Maúta e obrigada a retirar para junto da fronteira com Moçambique. Em 22 as forças portuguesas atacam e ocupam os poços de Nevala e, quatro dias depois, desalojam o inimigo do fortim de Nevala. Pouco depois, na sequência de um contra ataque, as tropas portuguesas retiram de Quivambo para Nevala; esta posição é então atacada pelos alemães, que apenas conseguem apoderar-se dos poços após combate à baioneta. Decorridos seis dias, os alemães atacam uma coluna de socorro à guarnição de Nevala, a qual se vê forçada a retirar sem alcançar o seu objectivo. Nestas circunstâncias, as tropas de Nevala, isoladas, conseguem evacuar o fortim, ao abrigo do nevoeiro, após renhido combate.

A 25 de Novembro de 1917, os alemães, sob o comando de Lettow-Vorbeck, abandonaram Nevala e deram início à invasão da província de Moçambique. Três dias decorridos surpreendem as forças portuguesas em Negomano, causando um verdadeiro massacre. Morreram 5 oficiais, 14 praças europeias e 208 soldados africanos; mais de 70 ficaram feridos e 550 foram feitos prisioneiros, entre eles se contando 31 oficiais que acabaram por ser libertados posteriormente. Entre os mortos jazia o comandante - o major Teixeira Pinto - atingido logo nos primeiros minutos da gorada defesa de Negomano. Era 28 de Novembro de 1917, e assim terminava a vida do bravo e experimentado oficial, que a dedicara inteiramente ao seu país.» Foi assim a curta e atribulada vida do «Pinto dos Bigodes», mais um heróico Antigo Aluno de que todos nos orgulhamos. Texto coligido por Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957) Fotografias cedidas por José Alberto da Costa Matos (96/1950)


Dos Antigos Alunos Curso de 1962/1969

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CURSO DE 1962/1969 Romagem dos 50 anos de Entrada 3 de Maio de 2013

Curso 1962/1969 - 50 Anos de Entrada - 3 de Maio de 2013 ©Fotos Leonel Tomaz

Estiveram presentes

nesta romagem de saudade os Antigos Alunos Alberto Manuel Belo da Cunha Matos (7/1962), Rui Manuel Amaral de Almeida (40/1962), João Manuel de Sousa Fernandes (47/1962), Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva (53/1961), Victor Manuel de Melo Sousa Uva (58/1962), António José Carvalho de Paiva Morão (84/1963), Manuel Maria de Sousa e Holstein Campilho (101/1962), Jorge Manuel Martins Valente de Almeida (104/1962), João Carlos Beleza Gonçalves Vaz (123/1962), José Manuel Cardoso Palhinha (136/1962), José Manuel Lopes Piairo (140/1962), João Bandeira de Sampaio e Pinho (143/1962), José António Paulos de Almeida Nave (178/1962), António Manuel Restani Graça Alves Moreira (206/1962), José Manuel Monteiro Salgueiro Rego (227/1962), Luís Alberto Saraiva Guimarães da Costa (229/1962), João Carlos Colaço Alegre Branco (238/1963), Miguel Soares Franco (250/1962), Rui Miguel Guedes Reis Trigoso (255/1962), Luís Pereira de Quintanilha e Mendonça Dias Torres Magalhães (264/1962), Artur Joaquim dos Reis Ferreira (274/1962), José António de Sequeira Carvalho Teixeira (279/1962), António Luís Maldonado (132/1996), André Miguel Martins Rodrigues (162/1995), Rodrigo José Fonseca Serra e Silva (164/1995), Gonçalo Nascimento Pinto Teixeira (185/1995), João Pedro Belchior de Paiva Ribeiro (206/1995), Fernando Jorge Pe-

reira Tavares (225/1995), João Miguel Martins Sarmento Barreiros (238/1995), Nuno Filipe do Espírito Santo Silva Ribeiro (246/1995), Diogo Manuel das Neves Camarate Ribeiro (271/1994), Artur Ribeiro Serafim (275/1995), João Pedro Dias Barbosa (311/1995), Filipe Miguel de Carvalho (324/1995), Miguel Ângelo Paulo Pousa (371/1994), João Manuel da Silva Santos Botelho (374/1994), Emanuel Osvaldo Francisco da Silva (408/1995), Ian Michael Couto (433/1994), Pedro Filipe Fonseca Freire (480/1995).


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Dos Antigos Alunos Curso de 1975/1983

CURSO DE 1975/1983 Romagem dos 30 anos de Saída 17 de Maio de 2013

Curso 1975/1983 - 30 anos de Saída - 17 de Maio de 2013 ©Fotos Leonel Tomaz

Estiveram presentes

nesta romagem de saudade os Convidados Professor António Carlos de Lemos Lepierre Tinoco, Professor Carlos da Cunha Perdigão Silva, o Funcionário Mário da Nazaré Caixado Couzinho (Márinho) e os Antigos Alunos Pedro Miguel Castanheira Seiz Alcalde de Freitas (15/1975), Vasco Manuel Parreira Carvalho Cubas (17/1975), Artur Manuel Pimentel da Costa Santos Marques (28/1974), Lélio Octávio Martinho Barata Félix (45/1975), João Miguel Potier Rodeia (54/1976), Carlos Manuel Fael Quintela Marques da Costa (64/1974), José Pedro Diniz Ferreira Pinto (71/1975), Paulo Alexandre Serôdio dos Santos Pinto Guedes (78/1975), Carlos António Olival Crespo Vendeirinho (85/1975), Nuno Manuel Romana Pires Barão (110/1976), Luís Maria Albuquerque de Saldanha Oliveira e Sousa (123/1976), João Carlos de Sousa Jerónimo (135/1975), Telmo José da Silva Godinho (139/1975), Luís Jorge Roseiro Gaspar (149/1975, Pedro de Almeida Raínha Perry da Câmara (166/1975), Nuno Miguel Aço Lagartinho Rodrigues (210/1976), José Pedro de Jesus Barreiros (212/1975), Rui Paulo de Almeida Pinto de Lima (236/1975), José Afonso Correia Lopes (237/1976), Sérgio Bruno Alambre de Carvalho (300/1975), Virgílio Jorge Rodrigues Ribeiro do Amaral (309/1976), Paulo Jorge de Almeida Maia Ribeiro Pestana (317/1975), Vitor Alberto Cardoso de Sousa Simões (343/1974), Nuno Correia Barrento de Lemos Pires (345/1975), António Miguel Mourato Coelho de Moura (384/1975), António João Gomes Correia dos Santos (392/1975), Jorge Álvaro Castelbranco Soares (437/1976), João Pedro Quaresma Pereira (447/1976), Luís Filipe Carvalho das Dores Moreira (480/1975), Paulo Manuel Rebelo Candoso (496/1975), Luís Miguel Coentro da Silva Barata (497/1974), Ângelo Eduardo Manso Felgueiras e Sousa (498/1976), Pedro da Ponte

Sancho (507/1975), João Augusto Cardoso dos Santos Belfo (524/1975), João Manuel Moreira Rato Rosa (530/1973), Pedro Manuel Correia de Freitas Pessoa de Amorim (537/1975), António Manuel de Andrade Maia Gonçalves (551/1975), Rui Paulo Brazão Martins Costa (560/1975).


Dos Antigos Alunos Curso de 1980/1988

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CURSO DE 1980/1988 Romagem dos 25 anos de Saída 10 de Maio de 2013

Estiveram presentes

Curso 1980/1988 - 25 anos de Saída - 10 de Maio de 2013 ©Fotos Leonel Tomaz

Palavras proferidas pelo 7/1980, Rodrigo Martinez Sellés de Oliveira Soares «Exmo. Senhor Diretor do Colégio Militar, Exmos. Senhores Oficiais, Professores e demais Funcionários, Camaradas (de que vocês também fazem parte caros atuais alunos): Tenho a certeza de que muitos de vós já ouvisteis antigos alunos iniciar uma frase com um “No nosso tempo”. “No nosso tempo” não havia professoras. “No nosso tempo” não havia computadores. “No nosso tempo” não havia telemóveis. “No nosso tempo” isto “No nosso tempo” aquilo. Estejam descansados; não vos vou falar como dono do tempo. Pelo contrário, sendo o tempo um bem escasso, tentarei administrá-lo com cuidado limitando-me a responder a três preguntas: Porque estamos convosco hoje?; Que atributos diferenciam os que passaram pelo Colégio?; Que mensagem queremos deixar-vos? Primeiro: Porque estamos convosco hoje? Viemos de várias partes do mundo porque o Colégio faz parte de nós, isto é, moldou a nossa personalidade e está embebido na nossa identidade. Passados vinte cinco anos da nossa saída do Colégio, estamos a prestar tributo à Instituição que mais marcou as nossas vidas. Segundo: Que atributos diferenciam os que passaram pelo Colégio? Basicamente: os valores, a preparação académica e as qualidades humanas. Os valores do Colégio estão presentes na divisa “Um por Todos e Todos por Um” em particular a camaradagem, a solidariedade e a lealdade. A estes devem acrescentar-se a promoção da cidadania e do patriotismo.

Na preparação académica colegial a teoria complementa-se com a prática experimental, e uma prática desportiva diversificada. O Colégio dá-nos tantas oportunidades académicas que seria um crime desperdiçá-las. Por último, o Colégio permite-nos o desenvolvimento de qualidades humanas (“soft skills” em inglês) tais como a disciplina, o espírito de serviço, o trabalho em equipa e a capacidade de comandar. Estas qualidades típicas das instituições militares são constantemente procuradas no mundo empresarial e na administração pública. Terceiro: Que mensagem queremos deixar-vos? Permitam-me lembrar o artigo sete (!) do Código de Honra do Aluno do Colégio Militar. O artigo sete estipula que todo aluno deve ser: modesto no êxito, digno na adversidade e confiante face às dificuldades. Claramente, Portugal e o Colégio atravessam dificuldades de vária ordem por todos nós conhecidas. Neste contexto, queremos deixar-vos uma mensagem de confiança e esperança. Confiança nas capacidades académicas e humanas que no Colégio têm florescido em vós, e confiança numa das instituições que provavelmente gerou mais capital humano em Portugal. Esperança porque a experiência nos ensina que as dificuldades são quase sempre passageiras e superáveis. Já sabem porque estamos convosco, o que nos diferencia dos demais, e qual é a nossa mensagem. Tendo respondido às três questões iniciais acabei o meu discurso (ou tal vez não). “No nosso tempo” no Colégio comia-se caldo verde, amarelo de carne e arroz doce e esse é provavelmente o rancho que nos espera. Resta-me desejar bom proveito a todos.

nesta romagem de saudade os Convidados Professor Vasco Paulo Lynce de Faria (21/1960), Professor Carlos Manuel Bernardino, o Funcionário Mário da Nazaré Caixado Couzinho (Márinho) e os Antigos Alunos Rodrigo Martínez-Sellés de Oliveira Soares (7/1980), Gonçalo Nuno Queiroz de Sousa dos Santos Leite (21/1980), Paulo Delfim Colaço Tavares de Almeida (24/1980), Luís Gonçalo Lecoq Vences e Costa Cancela (39/1980), Joaquim António Pessanha de Oliveira Caimoto Duarte (40/1980), Bartolomeu Pedro Martins de Bastos (65/1980), Jorge Manuel Pereira da Silva (70/1980), António Maria Gonçalves Bívar de Sousa (93/1980), Miguel António Serôdio dos Santos Pinto Guedes (113/1980), Jorge Miguel de Bastos Soares (122/1980), Paulo Nuno Roquete Marques (147/1980), António José Sousa Costa Godinho de Carvalho (153/1980), João Miguel Ferreira da Silva Teodoro (158/1980), António Manuel Pinheiro Novais Branco Caetano (165/1979), Diogo Batalha Silva Lopes (167/1980), Vasco Potier Rodeia (170/1980), Bernardo Manuel de Almeida e Vasconcelos Diniz de Ayala (171/1980), Eugénio de Campos Ferreira Fernandes (180/1980), Filipe Roldão Salvador Tribolet (199/1980), António Manuel Gardete Mendes Cabaço (205/1980), Pedro Emanuel de Campos Copeto Gomes (208/1980), Artur Ricardo de Matos Sequeira Coelho do Amaral (216/1980), Luís Miguel Traguedo Domingos (221/1980), Jorge Gonçalo Arnaut Monroy Vizela Cardoso (232/1980), Hilário João da Fonseca Margarido (233/1980), Rui Miguel da Silva Martins Coelho (242/1980), 247 Nuno Filipe Gomes Cavaco Henriques (247/1980), António José da Silva Coutinho (249/1980), Frederico Carlos Neto J. dos Reis Morais (253/1980), João Miguel Jardim de Abreu Ferreira Pinto (261/1980), Nuno Miguel Baptista da Silva (266/1980), Pedro Manuel Belo Sant’ana (267/1980), Rui Tomás Picaveco Henriques (268/1980), António Pedro Pascoal Anaia (273/1980), Manuel Luís Martins João (282/1980), David Manuel Annem Pires da Costa (284/1980), José Pedro Freitas Pereira da Silva (285/1980), Paulo Jorge Baptista Pranto (303/1980), Carlos Augusto Moreira Geraldes (305/1980), Carlos Manuel Duarte Canhoto de Carvalho (310/1980), Ricardo Jorge de Carvalho Graça Santos (313/1980), Manuel Lopes Goulão Pestana Bastos (324/1980), João Pedro Franco Pancada da Silveira (356/1980), Miguel Barata de Almeida Brito (436/1979).


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Dos Antigos Alunos Curso de 1985/1993

CURSO DE 1985/1993 Romagem dos 20 anos de Saída 24 de Maio de 2013

Curso 1985/1993 - 20 anos de Saída - 24 de Maio de 2013 ©Fotos Leonel Tomaz

Estiveram presentes

nesta romagem de saudade os Convidados Professor Mário Garcia do Carmo, Professor Nuno Gomes Marques, Professor Victor Hugo Gomes, Funcionária Edite Cruz Afonso, Funcionário Leonel Tomaz e os Antigos Alunos Luís Miguel Fernandes Pimenta (2/1985), Bruno Manuel Cortes Lopes (18/1985), António Fernando Rodrigues Vieira Filipe (33/1985), Bernardo de Carvalho Monteiro Sequeira Marcelino (46/1985), Nuno Miguel Benevenuto Falcão Correia Gonçalves (66/1985), Pedro Nuno Carvalho Saramago Soares da Costa (75/1985), Rui Pedro Rebelo Teixeira Cardoso (94/1984), Luís Miguel Vestinho Mestre (96/1985), Pedro Manuel Loureiro da Nazaré Cortés Fernãndez (125/1985), Artur João Loureiro da Nazaré Cortés Fernãndez (126/1985), Francisco Guimarães da Costa Cunha Serra (128/1984), Fernando Miguel Ribeiro dos Santos Castelo (138/1983), João Manuel Stoffel Queimado Borges Monteiro (146/1985), Francisco Maria Zagallo Pacheco Balula Cid (152/1985), Luís Miguel Caramelo Gião (165/1985), Pedro Miguel da Silva Pimentel (171/1985), João Frederico de Brito da Silveira Machado (187/1985), Rui Abreu (195/1985), Luis Nuno Barrão Fernandes Rodrigues Janeiro (210/1985), Marcos Nuno Alves Faceira Teixeira (232/1985), Luis Manuel Guedes Salgado

Pessoa de Amorim (234/1984), Rui Dinis Marques da Silva (264/1984), António Manuel de Brito Gonçalves Martins Soares (284/1985), Nuno Pedro Piedade Alegria Jorge Vinha (301/1985), Rodrigo Manuel Cecilia Marujo Gonçalves (312/1985), Pedro Guilherme Machiné da Silva (322/1985), Sérgio de Deus da Silva Garcia (326/1985), Pedro Miguel da Fonseca Ferreira (361/1985), João Alexandre Moutinho da Cruz (368/1984), João Pedro Neves Ferreira (385/1984), Nuno Alexandre de Jesus Afonso (394/1984), Pedro João dos Santos Pimentel Serra (396/1985), Marco Paulo Martins de Paula (436/1985), Luis Alexandre da Fonseca Tinoca (446/1985), Rodrigo Filipe de Oliveira de Ataíde Rodrigues Dias (473/1985), Nelson José Cordeiro Cajão (496/1984).


Dos Antigos Alunos Jantar do Oeste 2013

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Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949

Jantar do Oeste 2013 na Quinta do Castelo

A Quinta do Castelo, mais uma vez foi o cenário do Jantar Anual do Oeste, cuja realização remonta há já bastantes anos sendo inicialmente uma reunião de Antigos Alunos residentes naquela região e que nos últimos anos tem sido alargada a outros convivas “Meninos da Luz”. Tem sido assim um crescendo de manifestação de camaradagem e convívio muito agradável, recordando as peripécias e os grandes momentos que todos vivemos no Colégio.

Os anfitriões

©Fotos Leonel Tomaz

Os anfitriões, António José de Azeredo Lopes (350/1954) e o seu filho António de Azeredo Lopes (378/1981), lá estavam não só a receberem-nos de braços abertos com o acolhimento fraterno que os caracteriza como também no apoio logístico da organização a cargo do Luís Fernando Bernardes dos Reis (429/1962) e do Fernando Faustino Roque do Vale (518/1959), que mais uma vez a realizaram com a eficácia a que nos têm habituado nos anos anteriores. Foi um encontro muito agradável que teve a participação de cerca de oitenta Camaradas de diferentes níveis etários mas com predominância dos que entraram no Colégio nos anos 50 e 60. Este ano acompanharam-nos o Leonel Tomaz (Sócio Honorário da AAACM) e o José Luís Pontes, dois servidores do Colégio que ao longo de muitos anos contribuíram de forma exemplar para a formação dos Alunos que tiveram o privilégio de o frequentar no período de tempo em que eles aí exerceram as suas funções. Esteve também presente como vai sendo

habitual, convidado pelo dono da casa, José Augusto Matias, irmão do João Carlos Romão Matias (415/1965). As reuniões de Antigos Alunos, onde naturalmente se encontram pessoas com perspectivas divergentes sobre as mais variadas matérias, têm uma característica invulgar que emana do Espírito Colegial que a todos congrega na recordação do passado. É esta diferença que acontece em todas elas e esta não foge a essa regra magnífica. O Luís Fernando Bernardes dos Reis (429/1962) em breves palavras agradeceu ao dono da casa a disponibilidade deste magnífico local para a

©Fotos Leonel Tomaz

realização do encontro. O António Saraiva de Reffóios (529/1963), Presidente da nossa Associação, traçou uma panorâmica do desenvolvimento das últimas acções relacionadas com os Estabelecimentos Militares de Ensino, onde se enquadra o Colégio, e das diligências que se irão seguir, designadamente a audição junto da Comissão Parlamentar de Defesa Nacional, na Assembleia da República. A qualidade da cozinha que tem acompanhado estes jantares na Quinta do Castelo, mais uma vez foi provada em tudo o que foi servido. Um especial destaque para a excelente


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Dos Antigos Alunos Jantar do Oeste 2013

sopa de peixe que se enquadra no número muito restrito das melhores que tenho tido oportunidade de saborear. É claro que este juízo é pessoal e subjectivo, no entanto, foi esta mesma apreciação que tive oportunidade de ouvir em todos aqueles mais próximos e que se manifestaram quanto a este aspecto. Também como já vem sendo hábito, os vinhos servidos no jantar foram oferecidos por Antigos Alunos.

Do nosso anfitrião tivemos os tinto Quinta do Castelo 2007 e 2008 (Piriquita, Caladoc e Syrah), Quinta do Castelo Lágrima 2009 (Syrah e Piriquita) e Quinta do Castelo 2010 (Syrah). Da Companhia Agrícola do Sanguinhal, do Carlos João Fernandes Pereira da Fonseca (277/1960), vieram o tinto Sanguinhal Cabernet Sauvignon Syrah 2009 e o branco Sottal 2011. Uma nota de excelência para o Quinta do Castelo Lágrima 2009 e para o Sottal 2011.

©Fotos Gonçalo Leal de Matos

Lista de presenças no jantar do oeste 2013 82/1945 28/1949 365/1949 371/1949 94/1950 332/1950 154/1951 188/1951 245/1952 168/1953 268/1953 270/1953 350/1953 110/1954 237/1954 293/1954 77/1955 292/1955 320/1955 339/1955 342/1955 409/1955 423/1955 63/1956 274/1956 275/1956 242/1957 9/1958 461/1958 493/1958 215/1959 236/1959 239/1959 244/1959 359/1959 392/1959 502/1959 518/1959

João Geraldes Freire José Eduardo de Almeida Barata Correia Vítor Manuel de Oliveira Santos Gonçalo Salema Leal de Matos José Eduardo Martinho Garcia Leandro António José Fonseca Cavaleiro de Ferreira Carlos Manuel da Silva Monteiro Francisco Manuel Vidigal Solano de Almeida João Carlos de Azevedo de Araújo Geraldes Luís Manuel Caldeira Pinto Carlos Alberto da Silva Beja João Nuno Bellegarde Bello da Conceição António José de Azeredo Lopes Mário Quintanilha de Sampaio Nunes António Manuel da Costa Vieira Lisboa João Manuel Coelho da Silva Ruivo Luís Fernando Cordeiro Falcão Mena Manuel Augusto Moutinho da Silva Pereira Nuno Álvaro Pistacchini Calhau António Fernando Diniz de Ayala Boaventura José Manuel Fortes dos Santos Ferreira José Manuel Vasconcelos e Silva de Magalhães Manuel Agostinho de Castro Freire de Menezes António dos Santos Castro Mário Carlos de Sousa Tavares Mário João Conde de Carvalho Pereira Arnaldo José Lima dos Reis Maya Martiniano Nunes Gonçalves João Alberto de Figueiredo Ferreira dos Santos Luís Filipe da Silva Rocha Fernando Delfim Guimarães Tavares de Almeida António Cortês Freire Damião Joaquim Manuel Teixeira Nunes Barata António Jorge Afonso Abreu Matos João Luís Madeira de Carvalho Igreja Feliciano José Mora Moniz Santos Rui Manuel de Sá Leal Fernando Faustino Roque do Vale

519/1959 77/1960 80/1960 221/1960 270/1960 277/1960 275/1961 344/1961 400/1961 554/1961 123/1962 206/1962 429/1962 612/1962 13/1963 340/1963 529/1963 539/1963 118/1964 153/1964 363/1964 464/1964 517/1964 94/1965 196/1965 483/1965 205/1969 666/1969 473/1970 618/1970 329/1972 527/1974 257/1978 352/1980 223/1981 378/1981 380/1981 233/1987

Manuel Pedro da Costa Pereira Roriz Joaquim José Arranhado Bação Miguel de Bragança Gonçalo Rui Santos Pereira António Henrique Marques da Silveira e Lorena Carlos João Fernandes Pereira da Fonseca Manuel José Pimenta de Castro Machado José Joaquim Restani Graça Alves Moreira José Francisco Machado Norton Brandão Carlos Manuel Leal Barroso Hipólito João Carlos Beleza Gonçalves Vaz António Manuel Restani Graça Alves Moreira Luís Fernando Bernardes dos Reis André Grant Aires de Abreu Francisco José Petrucci Guterres da Fonseca Carlos Manuel Dias Lima Costa António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios José Manuel Spínola Barreto Brito Luís Carlos Fonseca Mourão da Costa Campos José Nunes do Rosário e Silva Leitão Francisco António Henriques Esteves João Manuel Simões de Carvalho Luís Alberto Oulman da Costa de Sousa Macedo António Alexandre Castanheira Coelho Luís Alberto de Brito Correia de Matos José Manuel Pais Sampaio Eduardo Manuel Abreu de Oliveira Pegado Eduardo José de Carvalho Marques Sérgio Vasco Travassos Valdez Marques de Lemos Alberto Luís Santos Carlos Alberto Grincho Cardoso Perestrelo António Manuel Gonçalves Alexandre Pedro Nuno Gonçalves Alexandre Pedro Miguel Coutinho Sobral de Oliveira Pinto João Paulo dos Santos Gomes António Mucharreira de Azeredo Lopes Miguel de Oliveira Baptista da Costa Freire Francisco José da Silva Jorge


Dos Antigos Alunos Sardinhada na Feitoria

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Sardinhada na Feitoria Dando continuidade a uma tradição recente mas que parece estar para ficar, realizou-se no Sábado 13 de Julho a sardinhada na Feitoria. Iniciativa da Associação que promove anualmente este encontro de Antigos Alunos e de seus familiares, onde se vive uma jornada de agradável convívio num local muito aprazível, só possível com o apoio da Direcção do Colégio que permite a sua realização com a cedência das magnificas instalações. Estiveram presentes o Director Coronel Tirocinado de Artlharia José António Figueiredo Feliciano, o Subdirector Coronel de Infantaria João Paulo Noronha da Silveira Alves Caetano (609/1973)

e o Presidente da AAACM António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios (529/1963). Para além de todos os participantes destacamos um conjunto de crianças com a alegria própria das suas idades, filhos e netos de antigos alunos, e a agradável presença dos Alunos que se encontravam no turno de férias da Feitoria. Para o ano esperamos de novo ter a companhia de todos os que aqui estiveram e também daqueles que irão participar no futuro neste encontro de lazer onde se saboreia uma das delícias da gastronomia portuguesa, a sardinha assada.


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Do Colégio Director do Colégio Militar

Director do Colégio Militar Cor Tir Art José António Figueiredo Feliciano

Palavras proferidas na tomada de posse em 29 de Abril de 2013

As minhas primeiras palavras são dirigidas ao Colégio Militar Aos seus 210 anos de história Faço-o neste momento, ao recordar no longínquo ano de 1803 o fundador e visionário Marechal Teixeira Rebelo, um homem para além do seu tempo. Respeito, Reconhecimento e Gratidão por todos aqueles que frequentaram esta casa e que ajudaram a construir Portugal. Recordemos as suas memórias. - Instituição com história, identidade, valor e valores. - Instituição com passado, presente e futuro. É assim que entendo o Colégio Militar. É assim que todos temos que entender o Colégio Militar. A minha fixação situa-se nos nossos alunos Sois a grandeza e a principal razão de existência do Colégio Militar. Ao olhar para o vosso garbo e para o orgulho que manifestais na farda que ostentais, estou certo que sabereis continuar a honrar a condição de ser aluno do Colégio Militar. O vosso olhar, o vosso idealismo, o vosso querer e a vossa vontade em crescer num espaço de tão grande significado, são a garantia de que o futuro se constrói todos os dias. À comunidade educativa do Colégio Militar: - Estimados professores, oficiais, sargentos, praças e funcionários.

- Aos pais, encarregados de educação e antigos alunos sempre presentes. - Aos alunos, [reitero] A educação constitui a raiz das sociedades. É aí que tudo nasce devendo ser entendida como um processo de crescimento. Trata-se de um longo período em que o conhecimento, os valores e as atitudes se transmitem num legado de gerações, em que os mais velhos e os mais novos se encontram numa missão ética de mútua responsabilidade. A propósito, neste momento, dirijo umas curtas, mas significativas palavras aos alunos graduados. Cabe-vos compreender, aceitar e ter plena consciência sobre a responsabilidade que sobre vós recai, na nobre missão de, também poder contribuir para a transição de gerações. Façam-no num quadro de elevação que vos traga a recordação de terem ajudado a construir um futuro com a saudade dos bons momentos que aqui vivestes. Diria, provavelmente, um dos períodos mais importantes das vossas vidas. A construção da vossa personalidade. Constituam-se como um exemplo de respeito e dignidade para os mais novos. Formar e educar jovens traz-nos inquietação, pois somos daqueles que entendemos que há sempre mais para fazer, para ensinar, para aprender, para ser… teremos que ser exigentes para connosco e para com os nossos alunos. Todos sabemos que a pedagogia, nos dias de hoje, se situa no campo dos princípios e métodos de ensino, na administração de escolas e na articulação de todos os vetores que envolvem os assuntos educacionais. No Colégio Militar a pedagogia tem sido, e terá que continuar a ser, mais do que isso. Formar cidadãos solidários, conscientes e respeitadores da pessoa humana, defensores do património cultural e histórico da sua Pátria, intervenientes e participativos na construção de Portugal é o nosso

desígnio. Fazê-lo numa matriz de sólida educação moral, intelectual e física, de aprender a ser, aprender a conhecer e aprender a viver em comunidade, são os vetores de garantia de uma formação integral, prosseguindo a afirmação de uma escola de excelência. Cumpre-nos a todos intensificar e aperfeiçoar as estratégias mais adequadas, utilizar todos os recursos disponíveis e, sobretudo, colocar ao serviço da comunidade um projeto de “Ensino e Valores” que saiba honrar o passado, mas que também encontre no futuro a motivação de quem quer continuar a construir Portugal. Esta continuará a ser a nossa pedagogia. Pedagogia do exemplo e do caráter. Encontrados os referenciais que nos orientam é momento de olharmos para o futuro. Como é do conhecimento de todos, encontramo-nos numa fase de transição. Foram lançados novos desafios ao Colégio Militar. Teremos que identificar o que evolui e o que permanece. Permanecem, seguramente, os princípios e os valores que nortearam o Colégio Militar ao longo dos seus 210 anos de história. O tempo em que vivemos trouxe-nos, no entanto, novas realidades. Teremos que encontrar novos rumos fazendo evoluir o quadro de referência que tem caracterizado o Colégio Militar. Promover a relação equilibrada e flexível das diferentes variáveis que caracterizam o processo de reestruturação dos Estabelecimentos Militares de Ensino será um dos nossos desafios. Fazê-lo de uma forma progressiva, numa perspetiva de harmonização pedagógica, assente num projeto educativo de competências e atitudes, num quadro de partilha continuada e permanente, num justo entendimento pelas ofertas formativas existentes e pelas opções das famílias, será uma das nossas grandes responsabilidades. Neste complexo quadro de mudança é fundamental uma visão que nos mobilize e nos


Do Colégio Director do Colégio Militar

una de uma forma articulada, coerente e sustentada, num propósito onde as pessoas se possam rever num projeto que encontre os melhores referenciais educativos. Consciente dos desafios que vivemos, reitero neste momento, que independentemente das suas diferentes variáveis é importante para as Forças Armadas e para o país, a manutenção de um projeto militar de ensino como uma indiscutível mais-valia no quadro da oferta formativa existente em Portugal. Será no encontro entre os valores da Instituição Militar e a construção e afirmação de um projeto educativo adaptado à realidade social que deveremos encontrar o nosso caminho. O Colégio Militar continuará, seguramen-

te, a saber encontrar nos princípios e valores militares o seu principal diferenciador, nomeadamente no culto da honra, da coragem, da lealdade, da camaradagem, do espirito de servir e do amor à Pátria. Articular um projeto educativo que se encontre entre o tempo em que vivemos e o quadro de valores que caracteriza a matriz formativa do Colégio Militar será o nosso principal instrumento de gestão. É com o conhecimento do passado, a compreensão do presente e a reflexão prospetiva que se aprende a escolher, a traçar e a percorrer novos caminhos. Num Portugal e num mundo em mudança só a estabilidade nos poderá orientar. Exorto-vos a que pensemos no plural

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como sempre o fizeram os nossos antecessores. Concentremo-nos no essencial: os alunos do Colégio Militar. A finalizar, uma palavra de confiança aos nossos alunos. O futuro espera por vós e só com a construção de um ideal é possível acreditar. Façam da vossa vida uma referência e um exemplo. Que a vida vos sorria, será neste momento o meu maior desejo. O sempre presente “Código de honra do aluno do Colégio Militar” constitui um legado e um futuro em que acreditamos, tendo como referência a divisa “UM POR TODOS, TODOS POR UM”. Disse

Orgulho, alegria e… surpresa até ao fim! (…) Já se sabia que o Colégio Militar tinha 2 alunos no “top ten” entre 8000 alunos de mais de 400 escolas do País, que também concorreram. Este feito já de si era notável. No entanto, ter conhecimento in loco de que os Srs. Alunos Rafael Onofre (261) e Mathias Weigl (209) obtiveram, respectivamente, o 1.º e o 2.º lugares, é mais que notável – é fabuloso! (…) A irmandade: no momento em que chamaram o 3.º classificado e eles entenderam que tinham ganho o 1.º e o 2.º lugares, antes de saberem quem de entre eles tinha ganho, abraçaram-se os dois e cumprimentaram-se como 2 vencedores. Foi LINDO! Foi a vitória do CM acima da vitória individual. Abraçaram-se e festejaram como 2 irmãos. Isto é o código genético do Colégio Militar! (…) Luís Onofre - Encarregado de Educação e Pai do Aluno 261 In Página da internet do COLÉGIO MILITAR


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Do Colégio O desdobramento do Colégio Militar

O desdobramento do Colégio Militar

Publicado na Revista Militar de Janeiro de 1918, página 65

Referiram os jornais diarios que, por ocasião da recente viagem do Ex.m° Presidente da República e Ministro da Guerra ao norte do país, lhe fôra entregue, na cidade do Porto, pelo General Comandante da 3.ª Divisão do Exército, uma mensagem de saudação, na qual se consignou o pensamento de que a vitoria política alcançada por S. Ex.ª – «que libertou a Pátria e dignificou o exército, ficasse vinculada por um monumento, que perpetuasse o feito, o qual seria a criação, naquela cidade, dum coIegio militar, à semelhanca do que existe na capital». Desenvolvendo as razões que justificavam tal pensamento, a mensagem referia, que o actual CoIegio Militar, tendo capacidade apenas para 300 alunos, aIoja actualmente perto de 450, donde resulta uma aglomeração, que ha de fatalmente - «produzir os mais detestaveis e perniciosos efeitos, sob o dupIo ponto de vista da higiene e da moral, reflectindo-se tais circunstâncias na educação do alumno, pervertendo-o». Além de que, da centraIização do coIegio em Lisboa resulta outro inconveniente digno de ser ponderado: obrigar os pais dos alumnos, residentes fóra da capital, a uma despesa com que muitas vezes não podem, em transportes e outros gastos que Ihes são inherentes. Desdobrado o Colegio Militar, com criação de outro instituto análogo na cidade do Porto, ficariam em igualdade de circunstâncias os alunos do sul e do norte do pais, além de se dotar, também, a heroica e nobre cidade com mais um estabelecimento de ensino, cujas vantagens são evidentes, o qual será digno dela e das suas nobres e honrosissimas tradições. E, realizado esse desdobradamento, poderiam ser, desde logo, transferidos para aquela cidade os aIumnos, que se encontrassem em excesso no CoIegio de Lisboa, devendo ser preferidos, para este efeito, aqueles cujas familias residam no norte. A mensagem terminava pela afirmação dela traduzir o pensamento da respectiva oficialidade, cujo aIto representante a subscreveu, e de que essa idéa, convertida em realidade, constituiria o monumento em que, para todo o sempre, resplandeceria no brilho e na gIoria, que lhe competem, o nome do actual Chefe do Estado, peIo muito que fez em pró da nacionalização. Crêmos haver exposto nas linhas precedentes com a maior fidelidade e escrupulo, reproduzindo quasi textualmente as palavras empregadas, os argumentos produzidos na aludida mensagem do Sr. General Comandante da 3.ª Divisão do Exercito. E, consignando-as nestas coIumnas, duplicada satisfação temos em o fazer: dar a maior publicidade a uma aspiração de numerosissimos camaradas nossos; poder reforçar os argumentos produzidos

com outros, que se nos afiguram não menos valiosos. Como alega a mensagem, que bem se póde denominar dos oficiais das varias guarnições do norte do país, o desdobramento do Colegio MiIitar impõe-se, mas não só pelas razões nela aduzidas, como ainda por outras não menos importantes, que passamos a expôr. O afrouxamento de cuidados na educação moral dos alumnos é defeito reconhecido nos estabelecimentos de ensino de grande população, ou êles sejam internatos ou externatos, e só consegue ser atenuado nos de reduzida frequência. Efectivamente, a educação, no sentido mais generico da palavra, ha de ser tanto mais inferior, quanto mais crescido seja o numero de crianças confiadas á educação de cada pedagogo. InteIectual, fisica ou moralmente considerado, o valor da educação recebida mede-se, em igualdade de equivalencia profissional, pela proporção entre o numero do pessoal educador e o dos educandos. Não haverá chefe, por mais esclarecido e activo, que se possa multiplicar, por fórma a levar a respectiva acção moraI a todos os que a necessitem em um internato demasiado popuIoso, nem a afirmar a unidade e a harmonia de procedimento do respectivo pessoal educador. Por isso, as competências mais autorizadas em materia educativa sustentam, como remedio para aquêle defeito, a redução do numero de internos, de modo a não exceder uns 250. Era êste, proximamente, o numero de alumnos existentes no Colegio Militar, pelos anos de 1900 a 1903, sendo, tambêm, de 240 o dos alumnos da EscoIa de Cadêtes de Namur, na Belgica, estabelecimento analogo ao nosso Colegio Militar, o qual gosa de reputação modelar. Mas, em fevereiro de 1916, contava êste ultimo estabelecimento 356 alumnos,1 efectivo que já era consideravelmente exagerado para o pessoal educativo de que dispunha, e até para a capacidade do edificio em que estavam aIojados, como bem afirma a mensagem. As diferentes companhias, em que se dividia o bataIhão colegiaI, possuiam, em média, um efectivo de 60 aIumnos. Agora são muito mais numerosas. Leiam-se as atribuições e deveres, que competem a cada um dos oficiais, que comandam essas companhias, e reconhecer-se-ha a impossibilidade manifesta que eles têm de exercer a conveniente acção educadora sobre os respectivos alumnos. As salas de estudo, a cargo de cada um dos respectivos regentes, compreendem correspondente numero de estudantes. Como poderão aquêles, portanto, desempenharem-se igualmente, no breve espaço dos estudos, dos multiplices e importantes deveres que Ihes são atribuidos peIo Regulamente vigente? O resultado dêste estado de cousas é que a grande maioria dos alumnos vive sob a exclusiva acção dos seus dotes naturais e dos

1 - Desde então, este numero elevou-se a 450, segundo a afirmativa do Sr. General Comandante da 3.ª Divisão do Exercito.


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adquiridos na vida da familia. Excepção haverá para um ou outro que, por circunstâncias especiais, mereça a predilecção dêste ou daquele educador. A massa desenvolve-se, porêm, ao sabôr do ambiente, que o cérca, ou sob a influencia dos camaradas, bons ou maus, que sob êles tem sabido adquirir preponderancia, sem receberem dos seus superiores, senão muito excepcionalmente, aquelas palavras de incitamento e de conselho, que tão recomendadas são nas - «Bases fundamentais da educação» -, constantes do respectivo Regulamento Interno. E êste consideravel mal agravava-se, em 1916, pelo facto das camaratas conterem um numero de camas bastante superior ao das que nelas deveria existir, atendendo não só ás condições higienicas, mas ao principio de ser indispensavel evitar a todo o transe a perversão moral do educando, visto como, se esta se efectivar, quasi impossivel se torna obter a respectiva regeneração. A devida separação êntre cada duas camas, e uma incessante fiscalização nocturna, não sómente dos agentes subalternos, mas dos proprios oficiais, são principios absolutamente imprescindiveis. Ora, ao tempo a que referimos as presentes afirmações, cuja veracidade tivemos ocasião de verificar, por exame proprio, havia companhia que tinha as camas quasi juntas, e bastava tal facto para que qualquer mediocre pedagogo se julgasse autorizado a tirar as desfavoraveis conclusões contidas na mensagem, e que deixamos reproduzidas êntre comas. Do ocorrido nos dois últimos anos nada podemos afirmar, mas o consideravel reforçamento sofrido pelo efectivo do corpo de alumnos, durante êles, não permite prever senão que o estado referido se haja agravado. E, para quebrar os dêntes á malediciencia, desde já, necessario se torna afirmar, que nas considerações expostas se não visa directa ou indirectamente o chefe daquêle estabelecimento de ensino, que estamos convictos ser um funcionario ao qual nenhum outro scbreleva na dedicação com que busca desempenhar-se dos seus deveres. A êsse zêlo é devido não ser o mal mais grave. Quanto a sua inteligencia, experiencia e força de vontade lhe permitem, tudo ele põe á disposição do melhoramento dos serviços sob a sua superintendencia. E na sua dependencia conta com auxiliares que, sem favor, devem ser considerados como dos mais distintos membros do corpo docente liceal do país. Mas o que nem aquêle nem estes podem, porque não cabe na natureza humana, é vencer as causas de enfraquecimento educativo derivadas das condições de instalação do estabelecimento e do efectivo neste existente. Ouvimos ter havido quem, avaliando da alma alheia pela propria, malsinára das nossas intenções, quando tivemos ocasião de expôr lialmente o resultado das investigações a que procedemos, em conformidade com as determinações que, para êsse fim, haviamos recebido, mas não considerou, quem o fez, que o dever dos chefes, que présam a propria dignidade, é seguir nos seus actos o conhecido ditame de um nossos mais estimados clássicos: Dizei em tudo a verdade, A quem em tudo a deveis. Além de que, não se deve a um estabelecimento de ensino a propria carreira, e a dos entes mais queridos, não se lhe votam largos anos de infatigavel dedicação, sem o presar com o mais intenso fervor. E a demonstração dêsse amor não se revela escondendo os defeitos

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existentes, mas revelando-os devidamente, para que se lhes possa aplicar o adequado remedio, único processo eficaz de assegurar condições de vitalidade e ressurgimento a qualquer instituição. Por isso mesmo é que nos permitimos obtemperar as considerações expostas na mensagem aludida dizendo, que o desdobramento solicitado não é, por si só, panaceia que extinga os males acusados na mensagem, os quais, repetimos, são peculiares de estabelecimentos análogos. Nos tempos contemporaneos, sem levar mais longe as nossas investigações, nem sempre, nos diversos paises da Europa tem corrido propicias as correntes da critica com relação á existência dos internatos liciais. Na França, designadamente, quer no parlamento, quer no seio das associações doutas, quer no inquerito ácêrca da instrução secundaria, realizado em 1899, por vezes se repetiram apreciações mui desfavoraveis à existencia dêsses estabelecimentos. Em tese, sempre reputei exageradas, quando não infundamentadas, parte dessas apreciações, o que não quere dizer que não reconheça a verdade de outras, sobretudo quando aplicadas a determinados internatos, onde deixam de ser respeitados os principios absolutamente essenciais para que tais institutos produzam frutos dignos dos sacrificios, que a nação faz com a sua existencia. Um dos mais fortes argumentos vibrados contra os internatos consiste na sua localização, ordinariamente situados nos grandes centros de população, sem espacos suficientes para a mocidade se expandir nas horas de descanço dos trabalhos intelectuais, condenada a respirar sempre a mesma atmosfera viciada, sem poder ser abundantemente renovada por outro ar, purificado pela ridente e benefica vegetação das regiões campestres. A ampliação do Colegio Militar com o limitrofe palacio e quinta dos Condes de Mesquitela, que constituia aspiração secular, pois provinha da epoca em que aquêle estabelecimento fôra transferido da Feitoria para a Luz, como consta dos seus proprios arquivos, aquisição essa que conseguimos obter em excepcionais condições económicas, quebrou inteiramente, para a actual propriedade, o valôr da critica aludida, já amesquinhada pelo facto da sua situação ser suficientemente afastada da parte central da cidade, e gozar de antiga reputação de salubridade, que os melhoramentos municipais e o aumento da arborização da quinta, como era nosso intento, muito poderiam acrescer e consolidar. Não obstante, se o Colegio Militar não dispõe das magnificas paisagens e parques, que tornam de Eton a maravilha dos estabelecimentos escolares, não somente da Grã-Bretanha, mas dos paises civilisados, representa uma instalação dotada de condições de localização satisfatórias, quando a sua população não seja exagerada, como desde época remota se póde comprovar pelas respectivas estatísticas sanitarias. Demais, com a compra da quinta do Conde de Mesquitela o Colegio adquiriu recursos de expansão, que até então não possuía, sendo-lhe permitido proceder à instalação de recreios e campos de exercicios de educação fisica numerosos e variados, como exige, para que não haja promiscuidade, uma população absolutamente heterogenea sob o ponto de vista da idade. Foram estas considerações que, recentemente, nos levaram a


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formular oficialmente os dois seguintes alvitres para melhorar as condições actuais do estabelecimento: ou reduzir a sua população a 250 alumnos, harmonica com a capacidade do edificio, ou ampliar êste com a edificação de um corpo e dependencias absolutameune isoladas da parte existente. Assim, á semelhança do que sucede nos actuais liceus da capital, um dos corpos do edificio seria destinado às três primeiras classes (dos 11 aos 14 anos de idade) e o outro às quatro restantes (dos 15 aos 18 anos). Cada um dos agrupamentos escolares seria regido por principios educativos adequados às respectivas idades, e subordinado igualmente a um chefe especial. Sôbre êsses dois agrupamentos ou secções distinctas exerceria o Director a conveniente superintendencia, com o firme proposito de nelas assegurar a devida unidade educativa. Desde que, porém, se alvitra uma nova ideia, qual a do desdobramento do Colegio em dois institutos paralelos, mas um situado em Lisboa e o outro no norte do país, não temos outro reparo a fazer a esta nova solução do problêma, que não seja o de procurar demonstrar a indispensabilidade de que ambos os internatos ofereçam identicas condições higienicas e pedagogicas de instalação, para evitar assim que, procurando apenas remediar os inconvenientes do excesso da população, se não venha a cair em outros tanto ou mais prejudiciais. Não é nova a ideia da instalação de um segundo Colegio Militar no norte do pais. Bem recentemente soubémos que, em tempo, a havia acalentado um dos seus actuais professores, que é honra, não só do professorado secundario, mas do exército a que pertence, pelos seus distintos dotes de educador. Referimo-nos ao nosso prezado amigo o sr. Coronel João de Sousa Tavares, que teve urdido, nêsse sentido, um projecto de lei para apresentar na Camara dos Deputados, de que era membro, ainda no tempo do regime deposto, projecto que subordinava ao pensamento de causar um encargo minimo para o Tesouro Publico pela fixação de pensões a este fim adequadas. Oportuno será afirmar que a criação de um segundo instituto da natureza do Colegio Militar, no norte do país, é aconselhada, não sómente pelas vantagens redundantes para a classe militar, mas ainda para as classes civis. São poucos os estabelecimentos liceais, de que o país dispõe, para a grande massa de estudantes, que todos os dias afluem à sua frequencia. E esses liceus, ou se encontram afastados de regiões, onde a população se intensifica, ou ocupam pontos excentricos, que dificultam a dita frequência. O mesmo sucede em outros Estados, mas, para obviar aos inconvenientes redundantes, é que nêles existem os internatos liceais oficiais, aos quais os pais, que dispõem dos recursos conveniêntes e habitam localidades desprovidas de escólas secundarias, entregam a educação de seus filhos. Sem querer deprimir os estabelecimentos particulares desta mesma natureza, não incorreremos em grande erro afirmando que, quer no país, quer no estrangeiro, só muito excepcionalmente êles satisfazem às exigencias da educação moderna, que visa simultaneamente ao desenvolvimento da cultura moral, intelectual e fisica. Por este motivo muitas familias preferem alojar os filhos em casas particulares das povoações em que existem liceus, embora inteiramente desprovidas dos confortos e auxilios indispensaveis

aos jovens estudantes, o que não sucede na Inglaterra e na Suissa, por exemplo, em que o alojamentc de estudantes constitue uma verdadeira industria, que oferece aos que a aproveitam as melhores condições higienicas e pedagogicas. Mas, nas nações em que o mesmo não ocorre, tem sido o facto da carencia dessa benefica industria a causa que tem impedido a extinção dos internatos liceais, contra os quais, aliás, se têm travado duras campanhas, como precedentemente referimos. Demais, não abunda no nosso país por tal modo o pessoal docente, com a devida cultura e experiencia pedagogica, que possa ser deixado ao abandono ou à escôlha da simples especulação industrial a missão da cultura média daquela grande massa da infância, que nasce, cresce e se desenvolve nas extensas regiões do país, afastadas dos centros liceais. A criação de um internato de instrução secundaria no norte do país, onde a população é mais intensa, não representaria, portanto, um simples beneficio à classe militar, mas importaria igualmente assinalada vantagem para o desenvolvimento geral da cultura média, a qual haveria da merecer o agrado das classes civis, que dêle viessem a aproveitar para a educação de seus filhos. A regidez do regime do internato, que se diz oprimir a vontade dos educandos, em nome da disciplina e não da convicção, a perniciosa influencia que sôbre os caracteres fracos .podem exercer os máus, e o abandono a que nalguns dêsses estabelecimentos fôra votada a educação moral, têm constituido argumentos empregados no estrangeiro contra a existencia dos internatos liceais. Para reduzir, senão destruir, a incontestada veracidade de tais criticas, foi que o então Director do Colegio Militar, não só elaborou, mas pôs toda a sua alma e esforços na execução do Regulamento Interno, aprovado por portaria do Ministerio da Guerra, de 12 de outubro de 1901, cuja doutrina basilar, esparsa por numerosos artigos, se encontra nitidamente sintetizada no primeiro dêles, em que se diz que - «a educação dos alumnos deve ser subordinada ao triplice ponto de vista moral, intelectual e fisico, tendo sempre em atenção tanto a actividade pratica como as investigações especulativas, de modo a formar homens dotados de caracter honrado e resoluto, inteligencia lucida e esclarecida e organismo fisico forte e desembaraçado». Mais frizantemente ainda se revela o pensamento que orientou aquêle diploma na exposição da doutrina contida no art. 4.º. que diz: - «O segredo da educação consiste em conseguir que os alunos não façam tudo quanto queiram, mas unicamente o que os principios morais, as leis e os preceitos sociais prescrevem, e, onde êstes forem ouvidos, o que a ordem impõe. E assim se conciliará a educação da vontade, que deve merecer o incitamento dos superiores, com a disciplina, que deve ser escrupulosamente mantida em qualquer agremiação de homens». A perniciosa influência, que sôbre os caractères fracos podem exercer os maus, por egual modo é prevenida e remediada no Regulamento aludido. Diz o seu art. 15.º: «Porque é a qualidade, e não o número de alunos, que honra um instituto de educação como o Colégio Militar, cujo uniforme deve ser sinal ostensivo da nobresa de caracter, serão cuidadosamente afastados do convivio colegial os alunos que, pela presistente


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incorrecção do seu procedimento ou pela inalteravel repugnância ao trabalho, se constituirem elementos de dissolução para o regime educativo consagrado pelas presentes instruções, devendo essa selecção ser efectuada desde os primeiros anos do curso, por ser exactamente entre os alunos de menor idade que mais dâno podem produzir êsses elementos dissolventes». Como sancção da doutrina exposta, prescreve o art. 6o.°, ainda do dito Regulamento, entre as penas, a aplicar pela infracção do dever colegial,- a expulsão. Se, como tem sido avençado, existem no Colégio Militar alunos - «que se não revelam aplicados ao estudo, exercendo influencia perniciosa no meio escolar, chegando a servirem de modêlo e a tornárem-se admirados por outros mais tacanhos e pacificos»- o facto redunda sómente da falta de cumprimento da disposição citada. Nos internatos, a lenidade do procedimento dos educadores tem consequências muitissimo mais graves, do que nos externatos. Não há nada que mais estimule a mocidade desenvolta e insubmissa, do que os educadores que não saibam temperar, segundo as circunstâncias, a conveniente benevolência com o procedimento austero, firme e rápido. No Pritaneo Militar ou Colégio de la Fléche, instituto francês equivalente ao nosso Colégio Militar, não só a cultura como a disciplina, haviam decaido por modo a justificar o pedido da sua extinção, a qual, por vezes, foi proposta a camara dos deputados. Porque aquêle estabelecimento tem no respetivo exército numerosos prosélitos, como o Colégio Militar no nosso, essas sucessivas tempestades foram conjuradas, não sem grandes dificuldades para os govêrnos. Até que apareceu um ministro sabendo com mão ferrea aplicar o adequado remédio à situação no Regulamento de 14 de outubro de 1911, o qual foi geralmente acoimado de excessivamente duro e violento, no começo da sua aplicação, mas cujos efeitos benéficos já todos reconhecem. Pelos artigos 37.° e 57.º dêsse diploma, foi determinado, que se fizesse o apuramento, no fim de cada trimestre, pelos respectivos conselhos de classe, dos quais tambêm fazem parte os repetidores e oficiais comandantes de companhias, dos alunos que, pelo seu mau comportamento, designadamente por actos de insubordinação ou imoralidade, e por falta de aproveitamento, devida a incorrigivel preguiça, devam ser presentes ao Conselho de Disciplina, o qual votará a sua expulsão. Austeramente cumprida na sua letra e espirito esta disposição, bem como outra, a que ao deante aludiremos, deu êste procedimento em resultado o levantamento da cultura e do procedimento dos alunos do Colégio de la Fléche, a ponto de serem classificados sempre nos primeiros lugares dos concursos de entrada e de saida, quer na Escola de Saint Cyr, quer nas demais Escolas superiores, a que

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concorrem, e isto em contraposição ao que anteriormente sucedia, por quanto, só por exceção, nelas tinham entrada, tão baixas eram as suas inscrições nas escalas classificativas dos concorrentes. Que nas disposições contidas no Regulamento lnterno do Colégio Militar, estão consignados processos educativos de seguros resultados, quando executados devidamente, é facto que não poderá contestar-se facilmente, embora seja limitado o engenho de quem o elaborou. A tal circunstância deveu êsse diploma, por certo, o ser conhecido fora do país, como o demonstra a seguinte ocorrencia. Quando o Marechal Hermes da Fonseca, regressava ao Brazil, depois da sua última viagem pela Europa, estando o paquete fundeado no Tejo, e sendo aquêle estadista visitado por um distinto oficial do nosso exército, felizmente ainda vivo, pediu-lhe com viva instância que lhe obtivesse urn exemplar daquêle Regulamento, denominando-o pelo apelido do autor, desejo este que foi devidamente satisfeito. O caso demonstra que as doutrinas educativas esparças por o referido diploma haviam chegado ao conhecimento do estrangeiro. É certo que na sua doutrina geral elas não constituem novidade pedagógica; o que a representou foi passá-las do campo restritamente doutrinário para o da perceptiva aplicação prática, com extraordinário carinho, o que muitas pessoas ainda vivas podem confirmar.2 A mais severa selecção no provimento dos logares de educadores, ou estes sejam professores, regentes de estudo, ou oficiais de servico, é outra das condições absolutamente indispensavel para a conveniente frutificação dos internatos. Corre parelhas com ela a da presistencia nas respectivas funções por tanto tempo, quanto o permitam outras exigências do Estado, se os interessados afirmam pelo seu procedimento a competência educativa. Ora, existem internatos nos quais se aponta como uma das causas das irregularidades disciplinares ali ocorridas, não só a renovação numerosa e simultânea de parte daquele pessoal, mas a sua substituição por individuos que, embora com reconhecidas aptidões e cultura, e pessoalmente muito estimaveis, não haviam tido ocasião de exercer convenientemente a acção educativa da infância, ou careciam de tempo para êste fim, por acumularem outras funções. Dessa alternativa constante resulta quebrarem-se as tradições e as salutares práticas estabelecidas no regime do internato, sujeitando assim os alunos a solavancos de processos educativos, sempre nefastos e desorganizadores. O mal apontado tem, sôbretudo, graves e irremediaveis consequências no professorado. Não será demais repeti-lo: - a missão educativa, embora se considére para os efeitos de classificação sob o triplice ponto de vista moral, intelectual e fisico, deve ser uniforme e conjunta. No seu exercicio pedagogico a missão do mestre deve acompanhar e resolver com a devida solicitude e competencia os diver-

2 - A fórma como foi executado esse diploma ainda hoje póde ser apreciada, examinando os diferentes «Annuários» do uso quotidiano do Director, e que este conserva em seu poder. Continham eles, não só as principais indicações referentes a cada aluno, como idades, companhias e classes a que pertenciam, notas obtidas em cada disciplina, plantas das diferentes aulas com indicação dos alunos que se sentavam em cada logar, mas ainda os retratos de todos os colegiais com os seus numeros respectivos. Por este modo se habilitava o referido funcionario a conhece-los pessoalmente, para o que muito contribuia a frequencia com que assistia ás aulas, verificando pelas plantas destas a identidade do aluno, que se lhe tornava menos conhecido. As notas de aplicação nunca foram dadas senão em conferencias de classes, ás quais nunca deixou de presidir o dito Director, que aproveitava essas reuniões para nelas exercer a missão, que o Regulamento lnterno lhe impunha, orientando nelas todo o corpo docente na execução uniforme e precisa dos preceitos pedagogicos regulamentares, e para ouvir o parecer de cada professor sobre determinados alunos, chamando logo á sua presença, para os corrigir e aconselhar, aqueles que, para tal fim, lhe eram apontados. Assim adquiria esse chefe o conhecimento, quanto possivel circunstanciado, de cada educando, que lhe servia para o sugestionar na presistencia do caminho do bem, ou na emenda de procedimento, nos casos de errada conduta. Lisonjeia-se ainda esse funcionario de raras vezes haver saído qualquer aluno do seu gabinete, neste ultimo caso, sem que nos olhos orvalhados de lagrimas houvesse dado prova cabal de quanto as palavras pronunciadas pelo educador haviam calado no coração do educando.


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sos problemas educativos, que se lhe apresentem sob qualquer daqueles aspectos. Mas êste procedimento ainda não entrou nos nossos costumes, constituindo apenas regra para os professores, que fazem da profissão um sacerdócio. Circunscrevendo a sua acção á simples transmissão dos conhecimentos literários ou scientificos, e seguindo métodos mais ou menos adequados, muitos professores, designadamente os menos experiêntes, se conservam largos anos, quando não em toda a sequência da carreira, indiferentes aos resultados derivados da sementeira, que praticam, sem buscárem aprimorá-la de cultura para cultura. O principio consignado no art. 12.º do Regulamento interno precedentemente citado, que recomenda aos professores aproveitar todas as ocasiões para enriquecer simultaneamente a inteligencia dos discipulos com novos conhecimentos e o caracter com afirmações de virtude, é uma pratica que depende essencialmente dos dotes pedagogicos do mestre ao servico de uma aturada experiencia, sendo os resultados desta que, pela messe colhida, ministra incitativos para ele prosseguir naquela senda. Pelo mesmo modo, os metodos e processos de ensino, tão recomendados no art. 168.º, obram prodigios, quando devidamente executados. E porque o foram exemplarmente, durante largo tempo, merecendo o facto menção especial no Congresso Internacional, em tempo reunido em Paris, foi que este, exaltou a organização do ensino secundario, então vigente no nosso país, dispensando ao Colegio Militar louvôr especial pelo modo distinto como a executou. A convicção firme, em que estavamos, de que a execução de tais doutrinas era absolutamente essencial para o conseguimento da esmerada educação dos alunos foi que nos levou, quando tivemos a honra de exercer a direcção do Colégio Militar, a recrutar, em regra, os novos professores entre os oficiais, que haviam exercido com reconhecida competência as funções do professorado, fosse em liceus oficiais ou no magistério particular. E assim conseguimos que o respectivo corpo docente houvesse adquirido a reputação de ser uma das mais autorizadas corporações do ensino liceal. A êste facto, e ao de se haver adotado a regra de não permitir a passagem nas três primeiras classes do curso senão aos alunos, que estavam devidamente preparados com os conhecimentos respectivos, se deveu o crédito com que saíam os que terminavam o curso, cuja origem era prontamente reconhecida, quer na Universidade de Coimbra, quer na Escola Politécnica, pelo modo pronto, seguro e certo como se distinguiam nas respostas, que dávam às perguntas que lhes eram feitas pelos competentes lentes. Donde se nos arreigou no espirito a convicção de que, sendo o Colégio Militar um estabelecimento de ensino secundário, restritamente sujeito aos programas dos Iiceus, e até pedagogicamente subordinado ao Ministério da Instrução Pública, nenhuma razão subsiste para que êle disponha de um quadro privativo de professores, recrutado por processos especiais. O curial parece ser, que o corpo docente secundário seja um só, em todo o país, recrutado pelo mesmo processo, e distribuido, segundo as conveniências do servico, pelos diferentes estabelecimentos liceais. É claro que ao constituir semelhante processo de recrutamento se deve fazê-lo sem prejuizo de direitos legitimamente adquiridos.

E oportuno se torna agora referir a segunda das reformas introduzidas pelo Regulamento de 14 de outubro de 1911 no Pritaneo Militar de França, a que precedentemente fizémos referencia, e ao qual se atribue, tambêm, o melhoramento da cultura e do procedimento, ao presente reconhecido nos respectivos alumnos. O professorado daquele instituto recruta-se no quadro geral dos professores oficiais do ensino secundario, dependente do Ministério da Instrução. Quando ocorre uma vacatura, ou se torna necessario afastar do ensino qualquer dos respectivos professores, ou algum dêles deseja outra colocação, o director propõe o professor do quadro geral da instrução secundaria, que deve ocupar a vaga aberta, e a substituição executa-se por simples transferência de situações, sem sacrificar as carreiras dos interessados. Como tem sucedido que a direcção do Pritaneo se tem empenhado sériamente em levantar os creditos dêste estabelecimento, sucede que os propostos têm sido professores com larga experiencia do ensino, donde derivam os resultados colhidos. O Pritaneo não é escola para tirocinar, mas para exercer aptidões consolidadas. O principio adquiriu condições de estabilidade, que já nem governantes nem governados pretendem abalar. Por fórma identica se procede na Escola belga de Cadêtes, sita em Namur. Os seus professores pertencem ao quadro geral do professorado secundario, donde o Director os escolhe para preencherem as vacaturas ali ocorridas. Há outros cargos no pessoal do Colegio Miiitar, além dos do professorado, para o exercicio dos quais os dotes pedagogicos são também essenciais. Referimo-nos aos oficiais a quem cumpre a fiscalização da vida colegial, ocorrida nas camaratas, nos recreios e nos varios locais por êles frequentados fóra do tempo das aulas, e aos quais dizem respeito as atribuições e deveres especiais, consignados na Secção 2.ª do do Tit. II do Regulamento aludido. Consubstanciam êsses oficiais nas suas atribuições uma parte consideravel do poder paterno, louvando os que trabalham, incitando os menos Iaboriosos, emendando os êrros de procedimento, temperando os arrebatados e irreflectidos, repreendendo e punindo os refractarios á palavra suasoria, dando a todos habitos de ordem, de asseio pessoal, de correcção no procedimento e na palavra, instigando-os nas diversas circunstâncias da vida a trilharem o caminho da virtude, e, sobretudo, exercedo a mais nobre funcção dos educadores, qual é a de prevenir as faltas, inteiramente convictos, como devem estar, de não haver grande merito em unicamente as reprimir. Para que tal acção seja eficaz e oportuna, o contacto destes educadôres com os educandos deve ser quasi que incessante, tornando-se prejudicial o afastamento entre uns e outros. O aluno, que sabe achar-se sempre sobre a persistente e carinhosa vigilância do superior respectivo, guia o seu procedimento pelos conselhos deste recebidos. Semelhantes funcções, porém, não as desempenha quem quer, e sómente quem dispõe de especiais aptidões educativas, êntre as quais sobreleva o poder da sugestão. Pode um oficial dispôr dos mais provados meritos profissionais e de vasta cultura e ser um deficiente, senão mau, educador. Por isso, e porque os diferentes processos educativos a seguir nos primeiros e nos últimos anos da adolescencia são diferentes, póde até suceder que o oficial de


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dificil substituição no exercicio do comando da companhia dos caloiros, careça de condições para exercer o comando da dos veteranos. O caso é mais vulgar do que vulgarmente se conjectura. Por tais motivos indispensavel se torna que ao Director do estabelecimento seja restituido o direito, de que foi privado, da escolha dos oficiais, que devem exercer os diferentes cargos aludidos. Não era nosso proposito alongar tanto as presentes considerações. Mas nas questões educativas, mais do que em quaisquer outras, succede aos profissionais com as palavras o mesmo que com as cerejas. Acodem aos montões nos labios dos que, reconhecendo a decidida importancia que a conveniente solução dos principios daquela ordem tem no aperfeiçoamento da humanidade, procuram sincera e nobremente colaborar no progresso das instituições, destinadas a este fim. A essa missão votámos larga parte da nossa já não curta existencia. Crêmos que a messe obtida foi muito inferior aos propositos concebidos e esforços

José Estêvão de Moraes Sarmento (44/1854), nasceu em Lisboa 12 de Outubro de 1843 e faleceu nesta mesma cidade em 14 de Fevereiro de 1930, foi um militar, Ministro da Guerra e escritor militar português. Nasceu no seio duma família nobre de Portugal: os Morais Sarmento, embora não detivesse a titularidade de títulos nobiliárquicos. Na carreira militar, seguiu a arma de cavalaria e, em 1901 é nomeado general de brigada, reformando-se em 1919. Foi comandante da Escola do Exército pelo Governo Provisório do regime republicano. Foi professor da Escola de Guerra e da Escola Militar. Escritor militar notável. Estreou-se em 1862, ainda alferes, com 19 anos de idade, na “Revolução de Setembro”. Mais tarde, fundou o “Diário Popular”, no género do “Diário de Notícias”, tendo constituído uma empresa, com antigos professores e condiscípulos. Em Janeiro de 1873, já então tenente, encarregou-se de uma notável secção Crónica Militar, que coordenou até começo de Abril de 1896. Em 1866 ingressou na «Revista Militar» onde colaborou durante 55 anos, dos quais alguns no exercício do cargo de Director. Abordou, jornalisticamente, vários temas, versando História e Jurisprudência, Direito e Moral, economia e administração, política nacional e internacional, filosofia e pedagogia, instrução e educação, legislação e ciências militares. A par desta imensa obra na imprensa periódica, avulta ainda a sua extensa e erudita obra avulsa. Publicou diversos livros que inseriu em seis grupos: Trabalhos jurídicos – Direito e Legislação; Trabalhos técnico militares; Trabalhos pedagógicos – Instrução e educação; Trabalhos de Direito Penal Constitucional; Trabalhos sobre «Defesa Nacional»; Trabalhos sobre História. Deputado e par do reino. Defensor oficioso e depois promotor de justiça no 2.º conselho de guerra territorial, da 1.ª divisão militar; defensor oficioso no então denominado Tribunal Su-

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empregados, mas culpa foi da inferioridade do espirito, que não da firme vontade de acertar. Em todo o caso, muito agradavel nos seria que os leitores só vissem nas considerações expostas, derivadas da pratica educativa, o propósito que acaba de ser exposto, e nunca qualquer outro menos nobre, que podesse atingir desagradavelmente qualquer individualidade. Tendo os nossos camaradas das guarnições do norte do país manifestado o desejo de que o actual Colegio Militar seja desdobrado, a fim de ali ser colocado o outro a criar, em favor de tal ideia viemos sómente oferecer o nosso apoio, mas tendo o cuidado de procurar demonstrar a necessidade de que fiquem conveniente e simultaneamente resolvidas questões essenciais para o progresso e devido aproveitamento de qualquer dêsses institutos, sem o que a respectiva existencia será sempre tormentosa e de fraca utilidade. General Moraes Sarmento

perior de Guerra e Marinha. Foi Ministro da Guerra em 1896. Habilitado com o curso do Estado-Maior foi, sucessivamente, professor da Escola de Guerra, director da Aeronáutica Militar, segundo comandante e professor da Escola Militar, comandante do Regimento de Infantaria n.º 6, chefe do Estado-Maior do Governo Militar de Lisboa, vice-presidente do Conselho Tutelar do Instituto dos Pupilos do Exército, Director do Colégio Militar entre 1898 e 1904 e comandante da 4.ª Divisão Militar de Évora. Na sequência das reestruturações levadas a cabo no Colégio Militar em 1867 e de 1875 a 1888, onde se incluía a preparação imediata dos alunos para as armas de infantaria e cavalaria, com uma breve passagem nas escolas superiores de Engenharia e Artilharia e Estado-Maior e da reforma do ensino secundário que permitiu adaptar e equiparar o ensino que era prestado na Instituição, o general José Estêvão de Morais Sarmento quando director do Colégio introduziu profundas modificações tanto no regime interno como nas instalações. Assim, ao concluírem o curso, os alunos eram promovidos a primeiros-sargentos. Aos filhos órfãos de pais oficiais era garantida a assistência do Estado, enquanto que os outros pagavam uma propina proporcional às possibilidades dos pais. Nesta altura era já permitida a entrada de filhos de civis que pagavam uma cota fixa. Para admissão dos alunos o Colégio encontrava-se subordinado ao Conselho Tutelar do Exército de Terra e Mar. Como político, Morais Sarmento fez parte do Partido Regenerador, chegando a Ministro da Guerra em Abril de 1896. Neste cargo, alterou diversos regulamentos e o Código de Justiça Militar. Desempenhou as funções de Presidente da Sociedade Histórica da Independência de Portugal entre 2 de Agosto de 1907 e 4 de Abril de 1911. A 17 de Maio de 1919 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, a 5 de Outubro de 1922 com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada e a 28 de Fevereiro de 1930 com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.


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Colaboração Ao toque da corneta

Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957

Ao toque da corneta Toda a minha vida colegial foi regida pelos toques da corneta. Nunca necessitei de ter relógio para o que quer que fosse. Havia toques para tudo o que se pudesse imaginar, incluindo o toque para vestir capotes e o toque para a revista de saúde, entre nós designado por toque a doentes.

O Cabo Estrela (requinta) e o Soldado Moca, Corneteiros que prestaram serviço no Colégio

Desenhos da autoria do Fernando Edgard Collet-Meygret de Mendonça Perry da Câmara (143/1940), cedidos pelo seu autor

O toque que ninguém gostava de ouvir era o toque da alvorada, que nos arrancava dos nossos sonhos, noite escura no inverno, quando ainda estávamos enroscados nas camas, debaixo de todos os cobertores de que dispúnhamos, dois deles de papa, para ver se nos conseguíamos aquecer na atmosfera gélida das ca-

maratas, em que, para ajudar, escorria humidade pelas paredes abaixo. Nas 1ª e 2ª Companhias o toque de alvorada era seguido de uns berros do graduado de dia, a mandar-nos todos sair da cama e vestir. No que se refere à primeira parte, todos obedecíamos. No que se refere à segunda, havia alguns que nada tinham


Colaboração Ao toque da corneta

que fazer, pois que, para se defenderem melhor do frio, dormiam todos vestidos. Nas 3ª e 4ª Companhias o toque de alvorada não desencadeava atitudes tão drásticas, o pessoal estava autorizado pelos graduados a ficar na sorna até ao toque de formar , pelo que a reacção mais comum ao toque se limitava a uma volta na cama, debaixo de lençóis. Ao toque de alvorada seguia-se o toque de formar para a primeira refeição e o respectivo toque de avançar. A primeira refeição era em geral bastante silenciosa, pois a maior parte da malta estava mais ou menos a dormir sentada. Durante o dia sucediam-se os toques de formar para as aulas e os toques de alto às aulas, estes últimos os mais ansiados, pois permitiam-nos uns pequenos intervalos de descompressão de 10 minutinhos entre aulas. À hora do almoço e antes dos toques a formar e avançar para a formatura geral do Batalhão para o almoço, havia o toque a doentes, para os doentes, reais e imaginários, formarem, para marcharem, sob o comando dos graduados de dia às Companhias, até à enferma. Quando havia chamadas ou provas escritas difíceis à vista, o número de doentes imaginários excedia o número dos doentes reais, com o pessoal a tentar simular umas febres elevadas, que lhe garantiriam uma baixa imediata à enferma, com os inerentes mimos e mordomias e o adiamento da temida avaliação de conhecimentos. Era o meio de empurrar com a barriga, típico do português desenrascado (de pequenino se torce o pepino). A formatura para o almoço era o momento alto do dia para a fanfarra colegial, que comparecia quase completa à formatura, com as caixas de guerra (tambores) e as cornetas, só faltava o bombo. À ordem de em frente marche, dada pelo Comandante de Batalhão, a fanfarra arrancava com uma marcha, tocada normalmente com bastante afinação. Recordo-me que tocavam uma marcha que eu achava particularmente bonita e que só anos mais tarde, quando comecei a assistir a espectáculos de ópera, descobri tratar-se de uma marcha da ópera Aída de Verdi. Até nisto nisso éramos um privilegiados, tínhamos direito a marchar ao som de música de primeira categoria. Ao almoço seguiam-se mais toques de corneta, para as aulas e para o recreio, sendo que o toque de alto ao recreio também não era bem-vindo, pois havia sempre uns saltos e umas corridas que ficavam por fazer e uns pontapés na bola que ficavam por dar. Os recreios sempre foram demasiado curtos. Ao recreio seguiam-se os toques para os estudos e depois para o jantar, ao qual chegávamos em geral esfomeados. A seguir ao jantar havia grandes futeboladas nos gerais das Companhias, que só terminavam com o toque de recolher, para a última formatura do dia. O toque de recolher era executado por um conjunto de cerca de meia dúzia de corneteiros, vindos em formatura da Formação, expressamente para esse efeito. Feita a formatura do recolher, lida a Ordem de Serviço e recebida do Oficial de Dia a necessária autorização, o Comandante de Companhia dava ordem de destroçar e seguíamos para as camaratas, onde continuava a cowboiada até se ouvir o toque de silêncio. O toque de silêncio, executado nos claustros por um corneteiro competente, era uma coisa que dava prazer ouvir. Era um toque

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executado num pianíssimo crescente até à sua extinção. Parecia que o último som ficava a pairar no ar durante mais alguns segundos. Era uma espécie de soporífero, que a malta tomava com gosto e que nos atirava para os braços de Morfeu. No Colégio havia ainda um conjunto muito peculiar de outros toques de corneta, que a maioria do pessoal não ouvia, pois eram apenas tocados na Formação e eram destinados aos soldados tratadores dos nossos cavalos. Era o caso do toque da data de água, sinal para levar os cavalos a beber água, ou o toque de limpeza de solípedes. Eram os toques da velha Cavalaria a cavalo. Saído do Colégio continuei a andar ao toque de corneta na Academia Militar, como cadete, durante mais quatro anos e mais tarde no Ultramar, embora já não andasse ao toque da corneta, ainda o ouvia nas unidades espalhadas por Angola onde, por razões de serviço, me tinha de deslocar. Aqueles sons da corneta ficaram-me no ouvido para o resto da vida. Falando do nosso Ultramar , de cornetas e corneteiros, recordei-me de uma fotografia de um velho corneteiro, tirada pelo meu Pai numa das suas comissões de serviço em Moçambique. Aqui a reproduzo para que possam admirar esse velho corneteiro bem castiço e todo orgulhoso da sua função. Há semanas atrás, andando eu a vaguear por uma livraria, como comprador compulsivo de livros que sou, saltou-me à vista um livro com três figuras coloridas na capa, duas de dois clarins de Cavalaria, um apeado e outro montado, e a outra com um tambor de Infantaria. O nome do livro era “Toques de Ordenança Militar”. Folheei o livro com uma curiosidade crescente à medida que fazia o “reconhecimento” do mesmo e que constatava que tinha diversas referências ao Colégio. Feita esta constatação, não me restou outro remédio senão comprá-lo, para poder em casa vê-lo com mais pormenor, tarefa esta que ainda não terminei. No entanto, aquilo que já vi levou-me a escrever este pequeno texto, para compartilhar com o leitor (como agora se diz), aquilo que lá fui descobrindo. O livro é da autoria de Pedro Marquês de Sousa, que sendo militar não é regente de qualquer banda militar, mas sim Tenente-Coronel de Artilharia, mestre em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e doutorando na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, professor de História Militar e de História de Portugal na Academia Militar, membro da Military Music Society, músico filarmónico e presidente da Sociedade Filarmónica Providência de Vila Fresca de Azeitão. Com este perfil peculiar, está mais do que explicada a sua apetência e competência para escrever um livro desta natureza. Daqui lhe endereço as minhas saudações e as minhas felicitações pela obra produzida. O livro foi editado em Fevereiro de 2013, sendo da Princípia Editora Lda. Logo no inicio da Introdução do livro o autor recorda-nos que a música era uma das actividades mais antigas ligadas à vida militar e desde a Idade Moderna que a arte da guerra passou a utilizar a arte dos sons, que, além do efeito psicológico, assumiu uma função verdadeiramente operacional na coordenação dos movimentos, na execução de acções de combate e na rotina diária dos quartéis.


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Colaboração Ao toque da corneta

Para ilustrar a função operacional da música militar, o autor apresenta-nos a transcrição de um trecho da obra Manuel General de Musique Militaire, de G. Kastner (1848), que nos informa que durante o século XVIII as célebres escolas militares francesa e prussiana adoptaram, na Infantaria a ordem linear, usando a marcha cadenciada pelos tambores para coordenar a aproximação e os disparos das sucessivas fileiras da Infantaria, enquanto a Cavalaria actuava nos flancos da Infantaria, à ordem dos toques de guerra das suas trombetas. Mais à frente o autor complementa a sua informação, referindo que o ruído dos disparos da artilharia e das armas ligeiras, no ambiente confuso do combate, não permitiam que as ordens verbais fossem escutadas pelos soldados, pelo que os sinais sonoros dos corneteiros (na Infantaria) e dos clarins (na Cavalaria) eram necessários para transmitir as ordens dos comandantes. Daqui se infere que em campanha os comandantes das unidades andassem sempre acompanhados do seu corneteiro ou clarim, que eram elementos que tinham, de facto, uma importante função a desempenhar. Tinham de ter um conhecimento total dos toques e tinham de ser capazes de os executar com toda a clareza, mesmo no calor e no fragor dos combates.

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Reportando-me ao meu tempo de aluno do Colégio, verifiquei que o autor nos informa que em 1959 passaram a existir oficialmente mais de 80 fanfarras em unidades do Exército da metrópole, 6 fanfarras na Força Área e 28 no Ultramar (12 em Angola, 13 1 - Oficial com o distintivo da tropa de Caçadores (trompa)

em Moçambique, duas na Índia e uma em Macau). Informa-nos ainda o autor, em nota de pé de página, que as fanfarras de corneteiros existiam nas unidades de Infantaria (regimentos de Infantaria, batalhões de metralhadoras e batalhões independentes), na Academia Militar, no COLÉGIO MILITAR e no Instituto de Pupilos do Exército, que os batalhões de Caçadores tinham fanfarras de trompas e que as unidades de Artilharia, Cavalaria, Engenharia, Administração Militar e Saúde tinham fanfarras de clarins. Confesso, que apesar de haver naquele tempo em Lisboa uma unidade de Caçadores, o Batalhão de Caçadores 5, nunca me tinha apercebido que a sua fanfarra era de trompas e não de cornetas. Não era de estranhar que assim fosse, pois o distintivo dos caçadores, usados nos bivaques e nos bonés dos seus militares, era uma trompa. Apresento aqui uma fotografia do meu Pai fardado, quando alferes, com a trompa no boné da farda sob o número designativo da sua unidade, que era o número 10. O Batalhão de Caçadores 10, se bem me recordo, era sediado em Bragança. O autor do livro ilustra a realidade descrita com uma fotografia de uma fanfarra de trompas, desfilando no cais de Alcântara, à frente de um batalhão que ia embarcar para o Ultramar. É bem possível que fosse a fanfarra de Caçadores 5 de que falei. A legislação de 1959, em que é mencionada a fanfarra do Colégio, vem apenas confirmar a sua existência, pois a fanfarra já existia do antecedente e era ao som da mesma que nós desfilávamos diariamente para o almoço e que nós desfilávamos em público, descendo a Avenida da Liberdade no 3 de Março. A nossa fanfarra era mais um motivo do nosso orgulho, chegou a integrar um conjunto de fanfarras do Governo Militar de Lisboa, que se exibiu no Estádio do Restelo, num Tatoo Militar com tropas portuguesas e britânicas, incluindo uma banda de gaiteiros escoceses, com os seus característicos e coloridos kilts e com os grandes capacetes pretos de pele de urso. A nossa fanfarra de corneteiros, incluindo uma dezena de caixas de guerra e precedida pelo garboso Cabo Santana com o seu bombo, era uma tropa que valia a pena ver. Nós admirávamos aqueles Senhores Soldados (era assim que a eles nos dirigíamos), eles, por sua vez tinham estima pelos Senhores Alunos (era assim que eles nos tratavam). Era um relacionamento único, entre Soldados e aprendizes de Soldados. Curiosamente este tratamento foi-me referido por um velho Sargento, no dia em que ingressei na Academia Militar, quando estava a receber as botas e o restante fardamento. O dito Sargento, ao ver-me com a barretina na lapela do casaco, dirigiu-se-me de forma espontânea e recordou-me esse tratamento que ele considerava extraordinário e único, e que segundo ele só era possível numa Grande Casa, em que ele se orgulhava de ter servido. No livro “Toques de Ordenança Militar” encontramos o sinal do Colégio Militar, breve toque indicativo de que os toques seguintes se destinavam ao Batalhão Colegial. Segundo o autor do livro, este sinal foi criado no século XIX, era o sinal do Real Colégio Militar e manteve-se até aos nossos dias. A última vez que o ouvi, foi no passado 3 de Março, com o Batalhão formado no Marquês de Pombal. Soou o sinal do Colégio e o Batalhão entoou de seguida o hino do Colégio, acompanhado pelos Antigos Alunos, postados em formatura à frente do Batalhão.


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de dia às companhias mandam as praças lavarem-se e arranjarem-se (....) e depois passam-lhes revista, verificando que estejam bem lavadas.” Finalmente, não posso deixar de referir que na última página do livro aqui citado o seu autor apresenta uma reprodução de uma poesia de um Antigo Aluno do Colégio, que é a seguinte:

O CLARIM Lá vae o clarim na frente do pelotão mais valente que sabe que vai morrer; Lá vae caminho da morte como um bravo como um forte que desconhece o temer. Quando abandonou a aldeia foi à luz da lua cheia que se despediu da mãe; e lá vai como esquecido desse amor estremecido que é o mais santo também. E quando, já derrubado, inda tenta extenuado dar o último sinal, limpa à manga da fardeta uma lágrima inquieta preito de amor filial

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A leitura do livro deu também para eu perceber a razão pela qual, no meu tempo, não cantávamos o Hino Nacional quando o Comandante de Batalhão dava ordem de “em continência à bandeira, apresentar armas”. Nesse tempo a nossa fanfarra tocava a marcha da continência e nós permanecíamos hirtos e mudos a apresentar armas. Segundo explica o autor do livro, o Hino Nacional, sendo um trecho musical cuja instrumentação tem acompanhamento e harmonia, tem de ser interpretado por um agrupamento musical com diversos naipes de instrumentos, pelo que, nos casos em que não esteja presente uma banda, o toque de continência à Bandeira Nacional e ao Presidente da República é a marcha da continência. Ainda de bastante interesse, mas agora para os Antigos Alunos do “Batalhão Naval”, é o último capítulo do livro, intitulado “Os Sinais da Marinha de Guerra”. Nesse capítulo são referidos os toques dos corneteiros e clarins da Armada, bem como os diversos toques de apito, de onde se destacam os toques do cerimonial marítimo. O toque de corneta mais extraordinário apresentado neste capitulo é o toque de lavagem de corpos. No Regulamento para o Serviço do Corpo de Marinheiros da Armada, de 1886, indicava-se “ao toque para limpeza corporal das praças, os cabos 2 - Cabo corneteiro do Exército Português – Moçambique 1966

Sente então fugir-lhe a vida, Vê a aldeia, a sua ermida tudo ele vê sem olhar... Depois morre.... ....a essa hora uma velhinha que chora Vae por ele a Deus rogar.

Este belo poema é da autoria de Viriato de Almeida, que o compôs quando era ainda Aluno do Colégio, o que é um facto notável. Segundo apurei no nosso “Quem é Quem”, teve o número 190 e frequentou o Colégio de 1898 a 1906. Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957

NOTAS FINAIS 1. O soldado corneteiro de 1941 «Moca», de que se apresenta a caricatura, ficou no Colégio após a sua passagem à disponibilidade, onde serviu durante dezenas de anos como fâmulo. O inesquecível «Moca», de seu nome Cândido Alves, foi sócio honorário da nossa Associação. O cabo corneteiro Estrela, seu contemporâneo, foi um exímio executante de requinta. 2. O livro citado no artigo é acompanhado de um CD com a gravação dos toques de ordenança nele citados. Os que comprarem o livro, poderão, se assim o entenderem, voltar a deitar-se e a acordar ao som da corneta, sendo livres de escolher as horas de execução dos toques, o que representa uma vantagem não desprezável.


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Colaboração Cinco Mitos da Tecnologia!

José João Marques Medeiros de Almeida 497/1995 josemedeirosdealmeida@gmail.com

Cinco Mitos da Tecnologia! Um mito é uma narrativa de caráter simbólico, relacionada a uma dada cultura, que procura explicar algo de uma forma fácil e muitas vezes desprovidada de lógica. Se há cultura que partilhamos entre todos é a tecnologia. De uma forma ou de outra, dos que mais gostam até àqueles a quem a tecnologia provoca a maior repulsa possível, todos acabam por ter PC... Telemóvel... Televisão... entre muitas outras formas de tecnologia. Segue-se um pequeno apanhado dos cinco mitos que mais abalaram o mundo da informática nos últimos anos. Devemos descarregar as baterias antes de carregá-las? Sim e não, as antigas baterias NICd tinham o temido “efeito memória” Ou seja, quando eram recarregadas, tomavam como o valor mais baixo da bateria aquele que ela tinha antes do carregamento. Actualmente isto já não acontece. Quase todos os portáteis e telemóveis usam baterias de iões de lítio. Este tipo de baterias pode ser carregado repetidamente sem efeitos no desempenho. Como qualquer bateria, estas também têm um tempo de vida, mas este não está dependente do ponto do início do ciclo de carregamento. Screens Savers prolongam a vida dos monitores? Sim e não. No tempo dos monitores CRT (aqueles que pareciam um aquário), as imagens que ficavam muito tempo paradas no ecrã do computador acabavam por ficar marcadas. A melhor forma que se arranjou para resolver este problema foi colocar imagens em movimento, de forma a que nenhuma ficasse marcada. Nos actuais monitores LCD e LED esta situação não acontece. O uso excessivo do telemóvel pode causar cancro? Até há muito pouco tempo existiam inúmeros estudos que colocavam completamente de lado a hipótese da utilização do telemóvel estar relacionada com o desenvolvimento de qualquer tipo de cancro. No entanto os relatos de pessoas que se começa-

vam a queixar iam aumentando progressivamente. A 31 de Maio de 2011 a International Agency for Research on Cancer publicou um documento indicando que existem inúmeras evidências para podermos considerar que a utilização do telemóvel está realmente relacionada com o aparecimento de alguns tipos de cancro (fonte: http://tinyurl.com/3sya7sy) Redes WIFI com password estão realmente protegidas contra hackers? Não, a partir do momento que o sinal é difundido pelo ar é sempre possível obter informação. De uma forma mais complexa ou de uma forma mais simples, é sempre possível chegar à informação. Os especialistas em segurança estão constantemente a criar novas formas para que os dados possam circular com mais segurança, no entanto há sempre uma forma de alcançá-los. Eliminar os dados da reciclagem apaga-os realmente? Não, quando eliminamos dados do disco rígido eles não são imediatamente apagados. Dependendo do sistema de ficheiros que está a ser usado, a forma de tratar os dados também é diferente. No entanto, quando falamos de eliminar ficheiros do disco, o que normalmente é feito é eliminar o nome do ficheiro no índice geral de arquivos. No entanto, o ficheiro mantém-se presente.


Colaboração Raspa, raspa, raspa...

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Francisco Teixeira d’ Aguiar Norton Brandão (282/1996) fnortonbrandao@gmail.com

Raspa, raspa, raspa... As raspadinhas voltaram à moda. Talvez a razão seja o novo modelo do “Pé-de-Meia”, onde os jogadores, em vez de um grande prémio de uma só vez, habilitam-se a ganhar um “ordenado”, isto é, a ganhar o prémio dividido por meses, durante alguns anos. Nesta moda, recentemente dirigi-me a um quiosque e comprei uma raspadinha. 2 €, paguei eu. Não jogava há vários anos e, para espanto meu, ganhei logo 10 €. Sem grandes hesitações, quis logo gastar os 10 € em mais raspadinhas, mas já não havia suficientes no quiosque, pelo que distribui os 10 € por várias apostas, como outras raspadinhas, Euromilhões e Totoloto. Nessa volta, já não viria a ganhar nada. Na altura estava com vários colegas e alguns ficaram relativamente espantados com a minha decisão de imediatamente jogar o dinheiro ganho. As alternativas que eles apresentavam: 1) guardar pelo menos 2 € e jogar o resto (assim ao menos não perdia dinheiro!); 2) ganhar os 10 € é tão raro que merece que eu guarde tudo (como curiosidade, a probabilidade de me saírem os 10 € era de 1%). Eis a razão por que eu joguei todo o dinheiro que ganhei, e nenhuma das outras opções: o meu objectivo ao jogar a raspadinha NÃO É fazer dinheiro; o meu objectivo É mudar a minha vida! Ora vejamos: na figura deste artigo está a tabela de prémios desta mesma raspadinha que eu joguei. Fazendo as contas, uma vez que o total de prémios é 10 400 000 € e o total de raspadinhas à venda 8 000 000, eu ganho, em média, 1,30 € por cada jogada, mas perco os 2 € do preço da raspadinha. Por isso, em média, tenho um prejuízo de 70 cêntimos. A conclusão é que jogar este jogo, a longo prazo, dá prejuízo. Toda a gente sabe disso, e é por isso que ninguém tem a profissão de jogador profissional de raspadinhas! Como tal, ninguém joga a raspadinha para fazer dinheiro. O verdadeiro objectivo de se jogar baseia-se na (vã?) esperança de, um dia, nos sair a sorte grande e sair um grande prémio, ou seja, mudar a nossa vida. E o mais importante de tudo isto é que este raciocínio NÃO MUDA depois de ganharmos ou perdermos o que jogámos. Quando eu fui comprar uma raspadinha, decidi logo que estava disposto a gastar 2 € para testar a sorte de mudar a minha vida. E isso não mudou quando eu ganhei o prémio de 10 €, porque as únicas hipóteses que realmente figuram no meu pensamento na altura de ver o prémio são mudar ou não mudar a minha vida. Por isso, antes de jogar, levo logo decido um valor: acima dele, fico com o prémio; abaixo dele, jogo tudo. No final de contas, gastei sempre 2 € e só isso. Esse valor que decido tem de ser relativamente alto, caso contrário passo a agir contra a razão que me levou a jogar na raspadinha. E eu tinha decidido que 10 € não eram suficientes para mudar a minha vida. Se, no fim de jogar, simplesmente puser o dinheiro na carteira e continuar a minha vida sem nada mudar (mesmo que seja 2 €, “e assim não perdia dinheiro”), eu fui só gastar dinheiro no jogo, porque a longo prazo isso vai fazer-me perder dinheiro, enquanto não leva ao máximo as possibilidades de mudar a minha vida, pelos iniciais 2 €. Um exemplo parecido a este, mas para perdas em vez de ganhos, pode ler-se no livro DUCY?, de David Sklansky e Alan Schoonmaker (Two Plus Two Publishing, 2010)*. O exemplo que os autores dão é diferente na prática, mas em termos de decisão é semelhante: imagine-se que tenho fome e então vou a uma máquina de venda automática comprar um chocolate, por 1 €. Depois de o comprar, abro o chocolate e, por azar, ele cai ao chão e fica impróprio para consumo. Uma reacção normal a um episódio destes será ficar zangado

e ir embora. Contudo, a verdade é que há uma coisa que provavelmente se mantém: antes eu estava disposto a pagar 1 € para matar alguma fome; agora ainda devo estar disposto a isso. A disponibilidade para esse custo, dado o benefício, mantém-se. O problema é que a minha ira me molda esse raciocínio relativamente básico e por isso a reacção normal é ir embora. Mas a decisão mais acertada é, provavelmente, voltar à máquina e comprar outro chocolate. Porque nada mudou, tal como nada mudou quando ganhei 10 € com a raspadinha; eu só queria mudar a minha vida. O objectivo destes exemplos é mostrar que os eventos de sorte ou azar, que normalmente mexem com as nossas emoções, não devem moldar os nossos raciocínios, porque provavelmente isso resultará em tomadas de decisão erradas. Uma boa maneira de contornar esse erro é ter, de forma antecipada, a decisão tomada e forçar-nos a manter essa decisão, independentemente do que aconteça. No caso da raspadinha isso é fácil, porque sabemos anteriormente que vamos estar sujeitos a um caso de sorte, e por isso podemos até decidir a partir de que valor deixamos de continuar a jogar e passamos a guardar o dinheiro. No caso do chocolate, como é natural, é difícil estar antecipadamente a pensar no que fazer se ele cair. De qualquer dos modos, sempre é uma estratégia que nos ajuda a sermos nós mesmos e a agirmos segundo os nossos princípios racionais. Mas claro, haverá sempre alturas em que nos emocionamos um pouco mais do que devíamos. É a vida… * O título deste livro deve ler-se “Do you see why?”


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Colaboração A Esgrima, o Colégio e os Jogos Olímpicos

Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957

A Esgrima, o Colégio e os Jogos Olímpicos Em número anterior desta nossa Revista escrevi acerca dos Antigos Alunos que se notabilizaram no hipismo, em particular acerca daqueles que participaram, ao longo de 80 anos, nos Jogos Olímpicos. Mal ficaria porém se não dissesse nada acerca dos Antigos Alunos que participaram também nos Jogos Olímpicos noutras modalidades, em particular na esgrima, desporto com grandes tradições colegiais, dado que a instrução de esgrima tem feito parte do nosso currículo escolar há já muitos anos. Nos poucos registos de que disponho, constato que participaram nos Jogos Olímpicos, representando Portugal na modalidade de esgrima, os cinco Antigos Alunos seguintes: • 90/1932 Álvaro Francisco Torres de Andrade e Silva (Jogos de 1952, em Helsínquia); • 67/1944 António Francisco Martins Marquilhas (Jogos de 1960, em Roma); • 307/ 1955 Francisco Agostinho de Jesus da Silva (Jogos de 1968, no México); • 132/1969 João Francisco Braga Marquilhas (Jogos de 1984, em Los Angeles); • 37/1970 Roberto Pedro Peig Dória Durão (1988 em Seoul). É curioso constatar que voltamos a ter na esgrima uma situação que já tínhamos verificado que ocorreu no hipismo, que consiste no facto de termos pai e filho atletas olímpicos na mesma modalidade. Na esgrima tivemos o pai e filho Marquilhas, no hipismo tivemos os dois Jorge Mathias. Outro facto que não posso deixar de assinalar foi a participação de um meu camarada de curso nos Jogos Olímpicos do México, em 1968. Trata-se do 307/1955, o Francisco Jesus da Silva, cuja história já contei no artigo intitulado «OU TÓQUIO OU NUNCA», publi-

Três gerações de Marquilhas na Prova do Bicentenário: os Olímpicos António Marquilhas (67/1944) e João Francisco Marquilhas (132/1969) e João Maria Marquilhas (3/1998)

cado também nesta nossa Revista. Enquanto que no hipismo fui capaz de apontar as classificações que os nossos cavaleiros olímpicos alcançaram, em relação à esgrima não posso fazer o mesmo, dado não dispor de dados. Desafio alguém que esteja metido no mundo da esgrima a fazê-lo, pois é também uma oportunidade para aumentar o número dos que escrevem para a nossa Revista. Tal como aconteceu com o hipismo, a notoriedade dos Antigos Alunos na esgrima não se limitou aos atletas olímpicos, tivemos também um grande número de campeões nacionais nas diferentes armas, facto este que está devidamente registado no livro «PARA LÁ DO COLÉGIO MILITAR, UMA ASSOCIAÇÃO CENTENÁRIA», relativo à nossa Associação, da autoria de dois Antigos Alunos, pai e filho, o Rui Figueiredo de Barros (62/1936) e o Gonçalo

Figueiredo de Barros (440/1967). No Anexo V do livro referido constam como Campeões Nacionais nas 3 armas os seguintes Antigos Alunos:

ESPADA

- Marciano António de Freitas Beirão (252/1904), em 1918. - Mário Martins Correia (262/1924), em 1937. - Luís Carlos de Campos Quina Ribeiro (316/1953), em 1965. - Francisco Agostinho de Jesus da Silva (307/1955), em 1969. - Artur Manuel Pestana Moreira (301/1961), em 1974. - João Pedro Teixeira de Faria (449/1964), em 1978,1979,1981,1982,1986 e 1987. - António Augusto Correia Barrento Sabbo (11/1966), em 1980.


Colaboração A Esgrima, o Colégio e os Jogos Olímpicos

- Pedro Gonçalo Coelho Nunes de Melo (51/1982), em 1993.

FLORETE

- Herculano Pimentel (366/1919), em 1932. - Mário Martins Correia (262/1920), em 1936. - Fernando da Cruz Ferreira (218/1924), em 1945. - João Moreira Freire (246/1953), em1964. - Fernando Vasco da Silva Marques (220/1957), em 1967. - Miguel Joaquim de Quintanilha e Mendonça Magalhães (111/1965), em 1976.

SABRE

- Ernesto Maria Vieira da Rocha (208/1884), em 1916. - António Augusto Victor Sabbo(86/1894), em 1923. - Fernando da Cruz Ferreira (218/1924), em 1934,1935,1936,1938, e 1939. - Mário Martins Correia (262/1920), em 1937. - Álvaro de Andrade e Silva (90/1932), em 1949,1950 e 1953. - José Carlos Tavares Cabral (156/1957), em 1968. - Miguel Joaquim de Quintanilha Mendonça Magalhães (111/1965), em 1974, 1975, 1977, 1981 e 1984. - Paulo Maldonado Coutinho (201/1964), em 1976, 1980, 1982 e 1983. - João Mesquita de Faro Viana (463/1965), em 1978.

- João Francisco Braga Marquilhas (132/1969), em 1985, 1990 e1992. - José Maria Rebocho Pais de Paula Santos (644/1968), em 1989. - Tiago Manuel Santiago dos Santos Alves (249/1988), em 1995 e 2000. O livro dos Figueiredo de Barros é de 2008, pelo que a lista apresentada pode não estar actualizada. Por outro lado o livro refere um facto curioso que passo a transcrever «Durante alguns anos os atiradores militares ficaram excluídos de participar nos campeonatos nacionais, por se considerar que não tinham o estatuto de amadores, o que impediu que muitos Antigos Alunos, grandes atiradores, especialmente na arma de Sabre, pudessem figurar como Campeões». A análise da lista apresentada permite-nos verificar que houve Antigos Alunos que foram repetidas vezes campeões nacionais e que houve Antigos Alunos que foram campeões em mais de uma arma. O Mário Martins Correia (262/1924) cometeu a proeza de ser campeão em florete em 1936 e campeão em espada e sabre em 1937. Neste ano “roubou” o título em sabre ao 218/1924. Aquele que conseguiu conquistar mais títulos foi o João Pedro Teixeira de Faria (449/1964), com seis títulos em espada. São também dignos de grande revelo os cinco títulos em sabre dos Fernando da Cruz Fer-

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reira (218/1924) e Miguel Joaquim de Quintanilha e Mendonça Magalhães (111/1965). Voltando aos Jogos Olímpicos, acho que devo de novo recordar os nossos atletas do Pentatlo Moderno, pois também eles tiveram a esgrima como uma das modalidades em que prestaram provas. Para que sejam também eles recordados, aqui vão os seus nomes: - Ricardo Fernando Ferreira Durão (17/1938), 1952 em Helsínquia; - António Cid de Juzarte Lopes Jonet (339/1938), 1952 em Helsínquia; - Roberto Pedro Peig Dória Durão (37/1970), 1984 Los Angeles. Finalmente acho que seria injusto não recordar o único Antigo Aluno atleta olímpico de quem ainda não falei, trata-se do José Manuel Cayola Carpinteiro (186/1940), que representou Portugal na modalidade de tiro nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Aqui fica pois a nossa homenagem a estes Antigos Alunos que honraram o nome do Colégio, salientando-se no campo do desporto. Bem hajam. Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957


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Colaboração Antigos Alunos nas Tropas Pára-quedistas

Nuno António Bravo Mira Vaz 277/1950

Antigos Alunos nas TROPAS PÁRA-QUEDISTAS José Manuel Adão de Castro Lousada (289/1968) Embora não tenha trabalhado directamente com o José Lousada, a verdade é que servimos em simultâneo nas Tropas Pára-quedistas por cerca de doze anos, de modo que, por força das funções que exercia, estive sempre informado acerca da forma como ele cumpria as suas. Tal como muitos outros «Meninos da Luz», passou boa parte do tempo de serviço em actividades da área aeroterrestre, tendo aí revelado aptidões psicofísicas e qualidades morais assinaláveis, que lhe permitiram cumprir as suas missões com dedicação e

persistência notáveis, sem nunca abdicar da modéstia que sempre o caracterizou. O aprumo, a simpatia, a camaradagem e o alto sentido do dever são algumas das facetas que os seus camaradas pára-quedistas jamais esquecerão. Nuno António Bravo Mira Vaz 277/1950


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Colaboração Antigos Alunos nas Tropas Pára-quedistas

Procurando caracterizar em “flash (s)” o meu amigo, companheiro e camarada José Lousada, diria que, para além de todas as qualidades que podem esperar-se de um cidadão bem formado e de um bom militar, ele revelou, no âmbito humanista, uma grande generosidade, um altruísmo sem reservas e uma solidariedade não publicitada, mas constantemente praticada. Como militar pára-quedista, teve o mérito de sempre lutar “contra a maré”, apesar de eventuais prejuízos pessoais; além disso, deu um grande e decisivo contributo – como pensador e como executor - à doutrina da actividade aeroterrestre nas Tropas Pára-quedistas portuguesas, no pós-guerra do Ultramar, tendo sido co-responsável pela criação e redefinição de opções que implicaram a reestruturação da instrução, do treino e da actividade operacional, bem

Castro Lousada/Curriculum Frequentei o Colégio Militar entre 1968 e 1971, tendo terminado os meus estudos liceais em Bragança, terra do meu pai. Fui incorporado em Tancos em Agosto de 1977 e desde cedo quis fazer carreira no sector aeroterrestre. Para tal foi necessário habilitar-me com determinadas qualificações técnicas, que na época eram as seguintes: Transporte Aéreo, Lançamento de Material e Pessoal, em 1978; Instrutor de Pára-quedismo, em 1979; Precursor Aeroterrestre, em 1981; Instrutor Comando, em 1984; Saltador Operacional a Grande Altura, 1984; saltador HALO1, em Fort Bragg, Carolina do Norte, USA, em 1985; Chefe de Salto de Abertura Manual, em 1990; e, finalmente, Instrutor de Queda Livre Operacional, em 1990. Como pára-quedista civil qualifiquei-me como piloto de pára-quedas tandem do fabricante “Parachutes de France, S.A.”, em Évora, no ano de 1991, sendo detentor desde 1987 de licença de

como da estruturação e organização da carreira aeroterrestre. Deve realçar-se igualmente a excelência alcançada em todos os patamares da carreira operacional aeroterrestre, tendo participado, com prestações meritórias e algumas vitórias, em competições técnico-desportivas militares, nacionais e internacionais, representando as Tropas Pára-quedistas e as Forças Armadas portuguesas. Num plano que designaria de transversal, revelou um persistente “sobressalto da insatisfação”, que se traduziu na procura de novas e diversificadas áreas de interesse, mesmo quando ainda não esgotadas as possibilidades/potencialidades da última “incursão”. Um amigo, companheiro e camarada José da Fonseca Barbosa

Tenente-coronel pára-quedista na situação de reforma

Instrutor da Federação Portuguesa de Pára-quedismo. Em 24 anos de serviço desempenhei essencialmente as seguintes funções: instructor-chefe de cursos de especialista aeroterrestre, comandante do destacamento de saltadores operacionais a grande altura/S.O.G.A. (1985), comandante do destacamento de precursores aeroterrestres (1986), oficial de operações do Grupo Operacional Aeroterrestre (1987), chefe da Secção de Estudos Aeroterrestres da Direcção de Estudos e Instrução da Escola de Tropas Aerotransportadas, (1987 e 1994–1995), 2.º Comandante do Batalhão de Apoio Aeroterrestre (1997–1998) e oficial de operações da Escola de Tropas Aerotransportadas (1998–2000). Desempenhei também, em acumulação, as funções de Oficial de Segurança Aeroterrestre do Comando das Tropas Aerotransportadas e da Escola de Tropas Aerotransportadas.

1- As duas técnicas militares para infiltrar pára-quedistas das forças especiais ou afins a grande altitude são conhecidas por HALO e HAHO. HALO significa High Altitude Low Opening e consiste num lançamento a grande altitude com abertura do pára-quedas a baixa altitude, muitas vezes para evitar a exposição da aeronave ao fogo das armas ligeiras existentes no solo. Com as técnicas HAHO (High Altitude High Opening/stand-off operations) os pára-quedistas saltam também a grande altitude mas abrem os pára-quedas a grande altitude, após o que percorrem em calote, sobre o terreno, por vezes com o apoio de GPS’s, algumas dezenas de quilómetros em direcção à área-objectivo, tirando partido dos ventos existentes nos vários patamares de voo. Estes saltos são desejavelmente efectuados de noite ou em condições de visibilidade reduzida, respirando-se por máscaras o oxigénio contido nas garrafas (bailouts), transportando-se equipamento de combate e, eventualmente, seguindo-se cargas de acompanhamento especialmente preparadas para a missão.


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Colaboração Antigos Alunos nas Tropas Pára-quedistas

Participei num número significativo de eventos técnico-profissionais dos quais destaco o Seminário de Pára-quedismo da Federação Francesa de Pára-quedismo, em Vichy, em 1991, o Simpósio da Associação Industrial Norte-Americana dos fabricantes de pára-quedas, em Orlando, na Florida, em 1993, o Seminário do Salto Operacional a Grande Altitude realizado pelas Forças Armadas Belgas, que teve lugar em Schaffen e o Seminário de

Queda Livre Operacional realizado pela École des Troupes Aeroportées francesas, em Pau, ambos no ano de 1995, o Seminário de Transporte Aéreo e Lançamento de Pessoal, em Schaffen, na Bélgica, em 1998. Fui director-técnico do Seminário do Salto Operacional a Grande Altitude organizado pela Base Escola de Tropas Pára-quedista em 1993 e do “Challenge” entre escolas militares de pára-quedismo que teve lugar em Tancos em 1997. Coube-me ainda organizar e dirigir tecnicamente o Seminário Internacional de Instrução e Treino de Queda Livre Operacional, agendado para Tancos durante o ano de 1998. Participei como competidor em 9 eventos do “Challenge” entre escolas militares de pára-quedismo, tendo averbados dois primeiros lugares por equipas em 1986 e 1987, respectivamente em Alcantarilla (Espanha) e Brize Norton (Reino Unido). Fui chefe de equipa em mais quatro eventos desta série. Durante este périplo, recebi 9 brevets de pára-quedista militar e acumulei cerca de 1500 saltos, sendo detentor do brevet honorífico de pára-quedista (ouro). Entre Julho de 1995 e Julho de 1996 servi na ECMM, na ex-Jugoslávia. Nesta missão fui observador da União Europeia (UE) no sector de Tejang, Bósnia Central e durante a presidência espanhola da União Europeia chefiei o centro de coordenação da missão de observadores no cantão Zenica-Doboj, na Bósnia-Herzegovina. No decurso da presidência irlandesa, desempenhei, em Zagreb, as funções de assessor de assuntos políticos do Chefe da Missão da UE na Ex-Jugoslávia, Embaixador Antóin MacUnfraidh. Após o Verão de 2000, fui transferido para o Tribunal Militar Territorial de Tomar onde desempenhei as funções jurídicas de defensor, após o que transitei para a situação de reserva com o posto de Tenente–Coronel no ano seguinte. Enquanto estive ao serviço das Tropas Pára-quedistas, licenciei-me em ciências jurídico-forenses para mais tarde, na reserva e na reforma, poder experimentar algo substancialmente diferente, o que veio acontecer a partir do ano 2003, inscrevendo-me na Ordem dos Advogados Portugueses. Querendo valorizar-me um pouco mais fiz estudos pós-graduados em fiscalidade e contencioso tributário. Exerço advocacia em Tomar.

Restaurante Jardim da Luz premiado O Restaurante Jardim da Luz, que funciona nas instalações da AAACM e que é ponto de encontro de muitos Antigos Alunos do CM, foi premiado com “1 Garfo”, no Concurso Gastronómico “Lisboa à Prova 2010”. Foi com natural satisfação que os concessionários do restaurante receberam a distinção, tanto mais que Qualidade de Serviço, Atendimento, Refeições e Preço eram os principais aspectos valorizados. Recorde-se que no “Jardim da Luz” há um menu “Colégio Militar”, que quando usado permite à AAACM receber 1 Euro por cada menu servido.


Recordando Os que nos deixaram

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Os que nos deixaram Joaquim de Vilhena Ramires Ramos (451/1935) Nasceu a 29 de Março de 1923 - Faleceu a 7 de Julho de 2013

Joaquim de Vilhena Ramires Ramos, filho de Maria de Vilhena Cuba Braz e de Tomaz Ramires Ramos nasceu em Ervidel, Concelho de Aljustrel, Distrito de Beja a 29 de Março de 1923. Fez o seu percurso escolar no Colégio Portugal e na Escola Valsassina, ambas em Lisboa, tendo posteriormente frequentado o Colégio Militar onde era o nº 451 e onde se destacou como atleta, tendo sido campeão de Portugal dos 60 metros (7s 1/10) e do salto em comprimento (5,73 m). Mais tarde numa das suas frequentes visitas ao Algarve conheceu a louletana, Dina Carapeto, com quem casou e de quem teve dois filhos. O Jorge Manuel e o José Fernando. Estiveram alguns anos no Alentejo, tendo mais tarde mudado para Loulé onde trabalhou na parte financeira dos escritórios “Andrade e Andrade” e dos “ Irmãos António Neto e Francisco Neto”. Pessoa de fácil convívio e bom sentido de humor, facilmente se relacionou com os colegas de trabalho e se rodeou de muitos e bons amigos. Sempre se recordou com muitas saudades e muito orgulho dos anos que passou no Colégio Militar e dos camaradas com quem privou, tendo frequentado durante muitos anos os encontros entre os mesmos. Fernando José Loureiro Ramires Ramos (211/1968) Pedro Manuel Loureiro Ramires Ramos (106/1971)

Apesar do 451 Ramires Ramos não ser do meu ano de entrada no Colégio Militar pude privar com ele de perto uma vez que o irmão dele era meu camarada de Curso. Dele me recordo principalmente dos seus feitos desportivos nomeadamente no salto em comprimento e nos 60 m. Posteriormente tive o privilégio de privar de perto com ele e com a sua família no Algarve, onde estreitámos laços de amizade que perduram até hoje. Sempre foi um bom amigo, amigo do seu amigo e sempre uma companhia agradável. Emygdio Landerset Cadima 236/1938


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Recordando Os que nos deixaram

José Manuel de Almeida Campos Soares de Oliveira (112/1936) Engenheiro Químico Nasceu a 30 de Janeiro de 1926 - Faleceu a 22 de Julho de 2013 Partiu o melhor de todos nós… O homem põe e Deus dispõe… Tinha falado com o Zé Manel no sábado anterior e nada fazia prever que a sua vida terminasse tão depressa. Para um católico é natural que tal aconteça, mas para um não crente a notícia é inacreditável! E sim, por muito tempo, vou-me comportar como um não crente. Sempre atento a todos os acontecimentos relacionados com os seus Colegas e o Colégio Militar, procurava contactar com todos, de todos saber e de dar conhecimentos aos Colegas do estado de saúde e de acontecimentos da vida de muitos de nós. E estava tão atento que algumas vezes eu disse e repeti que se ele não existisse era preciso inventá-lo. Já não existe, vamos então inventá-lo!!! Como????? Não esquecendo Nunca e lembrando o seu nome em todos os actos que envolvam o Colégio Militar e os seus ex-alunos. Era notável a sua dedicação e Amor à família, na qual sempre me falava em todos os momentos propícios para isso. À sua Maria Helena, suas filhas, filhos, netos e bisneta que ele muito amava. Foi um católico praticante exemplar que associado a outros casais frequentava a Igreja assiduamente… Há Homens com missões na Terra, e dou a minha humilde opinião, a sua verdadeira missão não foi a pastoral dos casais católicos (sempre importante e necessária); a sua verdadeira missão foi o Colégio Militar, naquilo que ele tem de mais fundamental: a camaradagem e a amizade ao longo da vida.

Ao ex 112, José Manuel Soares de Oliveira a nossa saudade e lembrança enquanto vivermos, minha e da família (em especial da Paulinha que o tratava e chamava de Tio), em amizade e solidariedade à família na pessoa da Maria Helena. Do sempre e eterno Amigo, António Ferreira Alves 86/1934

Quando entrámos para o Colégio, a circunstância de sermos ambos filhos de oficiais da Marinha, de figurarmos juntos nas pautas (110, 112) e de o meu pai estar fora em Comissão de Serviço, fizeram que a Sr.ª D. Maria Luiza e o Comandante José Soaras de Oliveira me acolhessem e praticamente me adoptassem como um 4.º

filho. Tive, assim o privilégio de conviver não só com os filhos, como também com a Família mais alargada a que presidia a figura patriarcal do General Domingos de Oliveira. Passada décadas, uma análise retrospectiva leva-nos a reconhecer o valor e a qualidade dos princípios que aí frutificavam que afectaram os filhos e a mim próprio. E este estatuto manteve-se pela vida fora com uma Amizade entre nós dois que nunca esmoreceu, não obstante as vicissitudes profissionais nos terem mantido fisicamente afastados por períodos que chegaram a anos. Compreende-se, assim, a onda de incompreensão e de desalento que me invadiu quando me foi comunicado que o Zé Manel nos tinha deixado. Caro Zé Manel Isto não se faz! Parece impossível que uma pessoa que passou a vida preocupado com os Amigos e a dar apoio aos necessitados, procedesse deste modo, deixando-nos repentinamente e sem qualquer aviso prévio. Que será de nós, agora? Esqueceste-te de que, desde pequeno, sempre foste correcto nos teus procedimentos, mesmo quando um dia, ao afirmar a tua personalidade, aparentemente, refilaste com um oficial e foste preso – meteram-te na “choça”! Crianças que éramos, ficámos perplexos com um misto de surpresa, admiração e consternação – qual será o futuro deste “criminoso”? Dois anos depois, veio a resposta – chumbaram-te por teres passado o ponto no exame do 6.º ano a um colega que estava em apuros! E se te deixaram repetir em Outubro, não te graduaram como merecias pelo teu bom comportamento e aplicação escolar, já premiada com uma medalha (das muito poucas que houve no nosso curso…). Mas, quando foi preciso preparar a “récita”, lá apareceu o 112 revelando a


Recordando Os que nos deixaram

sua capacidade literária e de organizador. Embora com vários familiares ilustres na Marinha e no Exército, prescindiste da via mais fácil que te encaminhava para a vida militar e foste para o Técnico. Mas isto não te chegava e despertaram, então, as tuas qualidades altruístas que te levaram aos Domingos e nos tempos livres para os bairros carenciados a prestar assistência moral e religiosa a crianças desfavorecidas. Isto e, talvez, também o volley, distraíram-te dos estudos. Superaste esse atraso partindo para Grenoble onde, naturalmente, ultimaste a licenciatura em Engenharia de fabrico de papel. Regressaste e deste o teu contributo no fabrico de papel em Portugal a que se seguiu, mais tarde, o lançamento de uma fábrica no Alto de Catumbela em Angola. Mas, a intolerância para com certas “irregularidades” da parte do patronato de quem eras amigo, não te deixaram tranquilo enquanto não regressaste. Durante o PREC, numa firma em que, por formação e índole própria, eras o protector dos funcionários, estes, prescindiram da Administração e entraram em autogestão (com a inevitável falência a curto prazo…). Mas o Brasil esperava por ti e o trabalho lá desenvolvido abriu-te as portas da Europa e daí, felizmente para nós, voltaste ao Portugal continental. É, então que, a par de várias actividades de índole social, pudeste dar largas ao teu interesse pelo bridge, onde a tua notável capacidade organizacional teve um papel de relevo. Mas começa também o apoio aos ex-alunos, congregando todo o Curso e mantendo uma informação sempre disponível sobre todos e cada um e promovendo os sucessivos encontros o último dos quais foi a comemoração dos 70 anos de entrada para o Colégio. Mas, talvez menos notória, mas mais importante, era a preocupação de manter todos informados sobre o estado dos Amigos e seus familiares e o apoio moral aos que, com o passar do tempo, foram perdendo as suas capacidades. Nisto, foste inexcedível. E, agora, o que vai ser deste Curso sem ti? Uma pessoa com as tuas qualidades de carácter e de solidariedade, tinha obrigação de ser o último a partir. E tu não cumpriste esta obrigação. Deixaste-nos desolados. Isto não se faz !... Este foi o desabafo inicial, mas há mais. Sem esquecer a dor de toda a Família (…a que não sou estranho…) que respeitamos acima de tudo, quero fazer-te um pedido: - agora que estás numa situação privilegiada, não deixes de continuar a interceder por todos nós que também não te esqueceremos. Luiz Manuel de Freitas Teixeira Diniz 110/1936

Zé Manuel, 112/1936, era assim que gostava de assinar os mail que nos enviava sempre num espírito de grande participação em tudo o que respeitava ao Colégio e à Associação dos seus Antigos Alunos. Para além da sua capacidade intelectual e das suas qualidades profissionais demonstradas ao longo dos tempos, cultivava uma nobreza de trato e uma delicadeza invulgares, tendo sempre uma palavra agradável e de incentivo para com todos os seus Camaradas. Preocupado com as questões relacionadas com o Colégio, foi um dedicado Antigo Aluno sempre disposto a colaborar com a Associação e prestando uma excelente colaboração à ZacatraZ. Impulsionou os Torneios Anuais de Bridge da Associação, que são considerados entre os melhores que se realizam em Portugal, aos quais dedicou as suas reais capacidades de trabalho e organização. Era o animador das romagens do seu Curso de Entrada, dando igualmente um grande apoio na reunião anual em Penafiel por iniciativa de um dos seus Camaradas, cabendo ao José Manuel Soares de Oliveira a coordenação relacionada com a deslocação dos componentes do Curso residentes no sul, tarefa difícil e que realizava com o maior empenho e muita alegria. Na Associação foi membro do Conselho Fiscal em 1973 e 1974, Vice-Presidente da Assembleia Geral de 1993 a 1995 e actualmente era membro do Conselho Supremo desde Março de 2004.
 A nossa revista foi sempre muito acarinhada pelo Zé Manuel (112/1936) e eram dele, logo após a sua publicação, as primeiras palavras de apoio e incentivo, sempre transmitidas com uma invulgar delicadeza e com muita amizade e forte camaradagem. Ficámos sem o nosso Camarada José Manuel Soares de Oliveira mas ficámos também sem um Grande Amigo. Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949

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José Manuel de Almeida Campos Soares de Oliveira faleceu ontem aos 87 anos, em Lisboa, cidade onde nasceu a 30 Janeiro 1926. Aluno do Colégio Militar de 1935 a 1945 (instituição à qual ficaria sempre ligado), José Manuel Soares de Oliveira foi um técnico consagrado e um dos grandes especialistas da indústria papeleira, não apenas em Portugal mas também em países como Angola, Brasil, França, Colômbia, Chile, entre outros, tendo projectado e coordenado a montagem de diversas fábricas em vários países.
Formado em Engenharia Química, especialidade papel, na École de Papeterie de Grenoble, em França, terminou a sua carreira profissional no Conselho de Administração da Portucel, tendo estado ligado à expansão em praticamente todas as fábricas do grupo.
Paralelamente a este intenso percurso profissional, foi um grande impulsionador do bridge no nosso país, tendo participado em centenas de jogos e organizado dezenas de torneios. José Manuel Soares de Oliveira foi durante largos anos presidente da Federação Portuguesa de Bridge e fica na história como tendo sido, possivelmente, o primeiro português da direcção da World Bridge Federation (a confederação mundial de bridge).
Além da engenharia e do bridge participou ainda activamente na Acção Católica – onde foi um dos responsáveis na época da Juventude Universitária Católica -, e colaborou em jornais e revistas especializadas.
José Manuel de Almeida Campos Soares de Oliveira era casado com Maria Helena de Loureiro da Cunha Motta Soares de Oliveira, e pai de Maria Luísa Mota Soares de Oliveira, Maria da Conceição Mota Soares de Oliveira Callé Lucas, José Pedro Mota Soares de Oliveira, Domingos da Cunha Mota Soares de Oliveira e Paulo da Cunha Mota Soares de Oliveira, sendo sogro de Adriano Callé Lucas, director do nosso jornal.
As exéquias fúnebres de José Manuel Soares de Oliveira realizam-se hoje, com celebração de missa de corpo presente às 12 horas na Igreja do Campo Grande, em Lisboa, seguindo--se funeral para o Crematório do Cemitério dos Olivais, em Lisboa.

In DIÁRIO de COIMBRA, 23.Jul.2013


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António Jorge Campos Pimenta da Gama (21/1940) Oficial da GNR – Capitão Nasceu a 14 de Maio de 1930 - Faleceu a 25 de Julho de 2013

sobre as nossas “maleitas” e comentando a melhor forma de “partir”, tu disseste-me: sabes, irmão, já não posso morrer como gostava, ou seja, montado a cavalo! Descansa em paz. José Maria de Campos Mendes Sentieiro 294/1952

Pimenta da Gama (1930-2013)

Campeão nacional de saltos de obstáculos por quatro vezes, foi eleito desportista do ano de 1965 pelo Comité Olímpico de Portugal. Recebeu a medalha de Mérito Desportivo em 1986

Cavaleiro e capitão da GNR que bateu recordes no hipismo

Partiste, mano Tico. Quando tiveste o AVC….chorei; agora agradeço, por ti e por todos, teres partido de uma forma serena e inconsciente da condição humana em que te encontravas. Ao longo da minha vida, aprendi contigo a tentar ganhar e a saber perder. Gostei de te ver sempre fiel ao que o nosso Colégio nos formou e ensinou. Vi-te alvo de algumas invejas pelas inúmeras vitórias que tiveste a cavalo, pela figura pública e considerada que eras e sempre serás, pelo prestígio que conquistaste para a G.N.R. e Portugal. Foste um fervoroso “adepto” da tua Cinda, filhos, netos e demais família. Nunca esqueceste os amigos e camaradas d’armas. Da minha parte e por despedida divulgo dois episódios da tua vida. Quando ganhaste o primeiro vencimento militar, dividiste-o em cinco partes, quatro das quais foram para os três irmãos e para a nossa mãe. Quando fizeste oitenta anos, falando os dois

António Jorge Campos Pimenta da Gama, mais conhecido como capitão Pimenta da Gama, faleceu no dia 25, depois de alguns meses hospitalizado na sequência de um AVC (acidente vascular cerebral). Tinha 83 anos. Oficial da Guarda Nacional Republicana (GNR) destacou-se no hipismo, tendo representado Portugal e a GNR em diversos concursos internacionais. Durante 20 anos fez parte da equipa nacional de saltos de obstáculos, enquanto a sua carreira competitiva no hipismo durou quase meio século. Recebeu a medalha de Mérito Desportivo do Estado português em 1986 e a medalha do Comité Olímpico de Portugal de melhor desportista do ano em 1965. Venceu o Campeonato Nacional de saltos de obstáculos por quarto vezes, entre 1966 e 1981, e foi vice-campeão também em quatro ocasiões. Nascido em Torres Novas, a 14 de Maio de 1930, ganhou mais de mil provas em Portugal e no estrangeiro. Quem com ele conviveu e competiu afirma que Pimenta da Gama não sabia outro caminho senão o da vitória. Tem o recorde de mais primeiros prémios ganhos em Portugal e detém ainda o recorde de prémios conquistados em concursos no Norte de Espanha-16 primeiros prémios em concursos no ano de 1975. Foi o único vencedor do Troféu Marquês de Furonda que obteve ao vencer por três vezes consecutivas os Concursos Internacionais de Barcelona, em 1963, 1964 e 1965. Destacou-se como chefe da Equipa Nacional de Juniores no Campeonato da Europa de Saltos e como membro da Equipa Nacional de Obstáculos entre 1962 e 1983. Ingressou na GNR a 12 de Janeiro de 1957, tendo-se tomado oficial do antigo Regimento de Cavalaria (actual Unidade de Segurança e Honras de Estado). Antes de se dedicar ao hipismo, Pimenta da Gama praticou hóquei em patins, futebol, voleibol, natação e caça. in DIÁRIO de NOTÍCIAS de 28 de Julho de 2013


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Marcolino Manuel Fernandes de Oliveira e Silva (231/1944) Empresário Nasceu a 8 de Outubro de 1934 - Faleceu a 12 de Maio de 2013

O Marcolino deixou-nos

No passado dia 12 de Maio, o nosso amigo Marcolino partiu para sempre, deixando entre o seu numeroso grupo de amigos, grande tristeza e muita saudade. Mas para além da mágoa que todos sentimos, julgo poder considerar que as pedras do seu amado colégio também o choraram. Mas porquê? Vejamos:

Conheci o Marcolino em 1944, quando fomos admitidos no Colégio, tendo lhe sido atribuído o número 231. Durante os 68 anos que se seguiram estivemos sempre em contacto, mercê de laços de grande amizade que estabelecemos. Pude assim no decorrer do tempo, ir observando o seu trajecto na vida, a sua conduta e quais os valores que o norteavam. Era uma pessoa como todas as outras, com qualidades e defeitos, que amava acima de tudo a sua querida família, mas que tinha em complemento uma paixão pelo Colégio Militar que atingia um grau que não é fácil de encontrar. Adoptou por convicção os valores básicos que o Colégio nos transmitiu, mantendo-os profundamente enraizados até ao final da sua vida. Os seus grandes amigos, perdoem-me os restantes, foram preferencialmente escolhidos entre os ex-alunos. Acompanhava sempre os acontecimentos que diziam respeito ao Colégio, vibrando com os sucessos e sofrendo com os dissabores. Não falhava um 3 de Março. Não teve filhos, mas sim 2 filhas, razão pela qual se fazia acompanhar pelos netos, ainda crianças, para assistir aos desfiles do Ba-

talhão na Avenida da Liberdade. Como seria de esperar trabalhou para o Colégio, tendo integrado os corpos sociais da Associação, sendo durante o seu mandato que se conseguiu instalar a sede na antiga Formação, o que constituiu uma grande vitória para o Colégio. Era um homem muito popular, mantendo contactos com muitos dos ex-alunos do seu tempo, sabendo normalmente aonde estavam e o que faziam, o que lhe permitia cultivar as amizades que vinham de longe. Não foi Comandante, Doutor, Arquitecto ou Engenheiro, foi sim aquilo que julgo poder chamar com alguma liberdade mas convicção, um ex-aluno exemplar a tempo inteiro. Eis pois as razões que me levaram a acreditar que para este tipo de ex-alunos, as pedras do nosso querido Colégio também podem chorar. Tive o privilégio e a sorte de ter sido seu amigo, com aquela amizade profunda e sadia que só quem andou no Colégio entende. É pois por estas razões que me permito pedir um forte e sentido ZACATRAZ pelo Marcolino. Do amigo, Manuel Maria Mariani Almeida Amaral 205/1944

ANTIGO ALUNO USA A BARRETINA


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Mário Jorge Santiago Baptista Coelho (55/1946), Bill Oficial da Armada – Capitão de Mar e Guerra Nasceu a 21 de Setembro de 1936 - Faleceu a 11 de Maio de 2013

Faleceu o nosso Bill, uma referência incontornável do curso que entrou para o Colégio Militar em 1946 e saiu em 1953.

Ao longo da sua vida, o Bill foi sempre um companheiro e amigo certo e o elemento mais activo para a manutenção da grande coesão existente no nosso curso desde que, há 60 anos, saímos do Colégio. Todos os meses o Bill nos convocava para o nosso almoço das 2ªs. quintas feiras com o seu permanente apoio à nossa comparência. Acompanhámos e vivemos a evolução da sua saúde com preocupação mas sempre com a esperança de uma recuperação. Em Outubro de 2012 o Bill passou a responsabilidade das convocatórias para os nossos almoços com a mensagem que se reproduz, bem reveladora da sua personalidade e da sua postura de vida. “Caros Amigos A nova época 2012/2013 começou em Setembro com uma participação muito abaixo do usual, mas isso fica-se certamente e unicamente a dever ao facto de ainda haver malta de férias e haver netos ainda sem aulas. Agora temos o almoço de Outubro marcado para 5ª feira dia 11, na Cooperativa Militar, pelas 12h30/13h00 como de costume. Desta vez espera-se que os netitos

já estejam a estudar e que os velhotes já tenham acabado as férias e disponíveis para mais este convívio. Infelizmente ainda não será em Outubro que esta máquina esteja em suficiente forma para se juntar a vocês, o que muito lamento. Mas isto vai melhor mas a recuperação é muito mais lenta do que eu esperava. Assim sendo pedia para indicarem ao 48 Carlos Motta se podem estar presentes até dia 9 de Outubro à noite.” Embora quase deixasse de poder aparecer não houve nenhuma reunião em que não nos lembrássemos dele com grande amizade e trocássemos informações sobre o teor dos telefonemas entretanto havidos com ele e com a Monique. O Bill foi um dos “7 magníficos” furriéis do nosso curso e toda a vida exibiu a sua enorme capacidade para levar à prática os princípios e critérios de vida que todos nós aprendemos no Colégio. Após ter terminado o curso do Colégio em 1953, o Bill foi admitido na Escola do Exército, para a realização do ano preparatório de ingresso na Escola Naval.

Promovido a 2º Tenente em 31.12.1957, prestou serviço a bordo de draga-minas, de fragatas e de patrulhas, em águas do Continente, da Madeira e dos Açores. Depois de especializado em comunicações foi nomeado, em Outubro de 1961, para a guarnição do NRP “Afonso de Albuquerque” em missão no Estado da Índia e assim participou na batalha naval de Goa a 18 de Dezembro de 1961, após a invasão do território pela União Indiana. Abandonado o navio, ajudou a transportar o Comandante do navio, gravemente ferido e foi internado no campo de prisioneiros de Pondá, até 2 de Maio de 1962. Regressado a Lisboa, foi nomeado para a Missão Geo-Hidrográfica da Guiné e embarcou no NRP “Pedro Nunes” de 1962 a 1969. Realizou diversas campanhas hidrográficas e geodésicas na Guiné e Cabo Verde chegando a comandar o navio, nos últimos meses desta comissão. Colocado no Secretariado-Geral da Defesa Nacional, posteriormente Estado-Maior General das Forças Armadas, entre 1969 e 1978, participou em numerosas reuniões, cursos e conferências nas áreas das comunicações, electrónica, operações, exercícios e infra-estruturas, como representante nacional em diversas agências e comités da NATO. Entre Agosto de 1978 e Setembro de 1981 exerceu as funções de Adjunto de Marinha na Missão Militar Portuguesa no Quartel-General da NATO, em Bruxelas. Mais tarde, na sequência de concurso internacional foi seleccionado para o cargo de Secretário de Política de Comunicações da NATO, como funcionário civil do Secretariado Internacional, funções que exerceu durante quase 20 anos entre Fevereiro de 1982 e Setembro de 2001. Tendo passado à situação de reserva em Junho de 1982, reformou-se em Junho de 1991. Da sua nota de assentos constam numerosos louvores e condecorações. É repetidamente lembrada a acção de solidariedade e apoio a muitos camaradas dos


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3 Ramos que, colocados em situações NATO em Bruxelas, recorriam aos seus enormes conhecimento e permanente disponibilidade. De referir ainda, a sua importante participação em diversos movimentos de reacção à situação política vigente (PREC) que levaram ao 25 de Novembro de 1975, designadamente a sua decisiva acção no seio do grupo de algumas centenas de oficiais da Armada que veio a ser conhecido pelo “Grupo dos 80”, confirmando elevados dotes de inteligência, dinamismo, capacidade realizadora, organização e liderança. Do seu casamento em 11 de Julho de 1959, no Funchal, com Monique Michele Yvonne Marcelle Mouton, nasceram o filho Pedro Miguel e as filhas Raquel Paula e Cristina Maria. Para todo o curso 1946/1953 e para a sua família em particular, o falecimento do Bill é uma enorme e irreparável perda, só mitigada pelo enorme privilégio de termos tido o Bill connosco. Pelo Curso de 1946/1953 Ricardo Manuel Simões Bayão Horta 25/1946

O Mário Baptista Coelho, ou seja o Bill (como desde o Colégio passou a ser por todos chamado e conhecido) foi, acima de tudo, na sua vida adulta, um Resistente! Ainda jovem segundo-tenente de marinha, em 1961, participou nos últimos combates navais na Índia Portuguesa a bordo do NRP “Afonso de Albuquerque” em águas de Goa; após o afundamento do navio, aguentou a nado e contribuiu directamente para a segurança e transporte em maca do seu comandante, ferido com gravidade durante as acções de fogo contra a força naval inimiga; prisioneiro de guerra, resistiu aos sofrimentos, vexames e privações de meses de cativeiro nos campos de concentração levantados pelo exército invasor; e resistiu por fim à gelada atmosfera de suspeições e subserviências em que na Metrópole decorreram os autos de inquérito instaurados aos militares regressados, mas não benquistos, da Índia. Passou o tempo e quase década e meia mais tarde, o Bill voltou a sentir fervilhar dentro de si toda a força anímica de um Resistente, agora perante a deriva totalitária que, na sequência do 11 de Março

de 1975, ameaçava subverter os ideais do programa do MFA aclamado pela maioria dos portugueses em 25 de Abril de 1974. Quando a chefia da Armada, na altura em sintonia com a ala gonçalvista do Conselho da Revolução, proibiu a divulgação interna e a recolha de assinaturas de apoio ao Documento dos Nove, o Bill resistiu de novo e foi um dos seus primeiros subscritores a ousar ir fazê-lo ao EMGFA; aliás, já antes tinha aderido a um núcleo coeso de camaradas e amigos para congregar esforços, analisar situações, propor medidas e corporizar atitudes em prol da defesa dos princípios, valores e tradições que desde há séculos alicerçavam a Instituição Militar. O Bill foi determinante no gabinete do CEMGFA nas horas tumultuosas do 25 de Novembro de 1975 e nos contactos mantidos com o estado-maior, o comando naval e as grandes unidades de marinha, em especial os fuzileiros. Restabelecida a ordem democrática no País, restituída a hierarquia e assegurada a normal cadeia de comando às Forças Armadas, foi considerado mais tarde que seria oportuno o Bill passar a servir na estrutura internacional da NATO em Bruxelas. Para lá partiu em 1978, como adjunto da Representação Militar (MILREP) Portuguesa, tendo três anos depois optado por passar à reserva como capitão-de-mar-e-guerra e concorrer a um cargo civil no Secretariado Internacional da mesma organização, que veio a ocupar até 2001, ano em que por limite de idade se reformou. Durante este tão longo período na Bélgica, o Bill revelou-se aberto, efusivo e sempre disponível para apoiar os portugueses que iam chegando para comissões quer no QG da NATO, quer nas delegações diplomáticas e organismos especializados da Aliança, quer ainda na estrutura de comando do SHAPE, em Mons, tendo-se assim tornado o decano muito próximo e respeitado da pequena comunidade nacional militar aí existente. Foi também um dos fundadores da delegação de Bruxelas da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar e muitos anos organizador das comemorações do 3 de Março na capital belga, em que chegaram a participar antigos alunos vindos de países vizinhos. Aliás, graças à sua persistência e ao inestimável apoio do director-geral da

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TAP para o Benelux (e também “Menino da Luz”) o Bill conseguiu até convencer o nosso querido amigo e capelão Braula Reis a arrostar canseiras e voar de Lisboa, em dois anos seguidos, para expressamente ir celebrar missa entre a malta nessa data colegial. De modo igual ao que sempre foi o seu posicionamento como cidadão e militar, também consigo próprio, e perante a sua família, o Bill quis e soube dar mostras de um resistente tenaz e corajoso face a dificuldades, injustiças, desilusões, surpresas, contratempos e, sobretudo, doenças. Na verdade, com insuficiência cardíaca registada desde há muito, submetido a duas intervenções cirúrgicas de extremo risco, evacuado de urgência por via aérea, em duas ocasiões, com médico à ilharga entre aeroportos, internado repetidas vezes por complicações várias durante algumas semanas nos últimos tempos, o Bill tudo suportou com um estoicismo impressionante, sem quebras de ânimo nem queixumes, apesar da crescente deterioração do seu estado de saúde. Foste um Resistente até ao fim, Bill - e muito para além daquilo que todos nós, teus amigos, pensámos alguém poder resistir! Naquela hora derradeira, partiste, mas connosco ficou indelével o teu exemplo, que nos contrabalança a tristeza e nos reconforta na esperança do nosso reencontro. Luís Joel Alves de Azevedo Pascoal 145/1948

Em memória do Bill O nosso «Batalhão Naval» ficou mais pobre, muito mais pobre. Morreu o Bill, um insigne representante dos homens do «botão da âncora», um marinheiro que apesar de ter passado a segunda metade da sua vida profissional em terra, foi até ao fim um verdadeiro homem do mar. Com ele convivi durante quatro anos, convívio esse que me marcou até ao dia de hoje. Conheci o Bill em 1987, quando fui trabalhar no International Staff da NATO, em Bruxelas, onde o Bill era o líder natural da comunidade de Antigos Alunos que vivia naquela cidade. Depressa nos tornámos amigos e acamaradámos naquela terra brumosa e chuvosa, lá do Norte da Euro-


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pa, onde aprendemos a dar o devido valor àquele solzinho que nos aquece e ilumina, neste nosso jardim à beira mar plantado. Todos os anos, no 3 de Março, o Bill organizava a nossa reunião anual, à qual comparecia em geral para cima de uma vintena de Antigos Alunos. A reunião constava sempre de uma jantarada, em que chegámos a ensaiar uma cópia do nosso amarelo, num restaurante português, onde nos deslocámos de véspera para desvendar ao cozinheiro os segredos do nosso manjar «celestial». Quer porque a nossa explicação não tenha sido suficientemente clara, quer porque o cozinheiro não possuísse a desejada competência, o resultado foi desastroso. Apesar de tudo, lembro-me que o pessoal atacou o pseudo-amarelo com voracidade e não ficou lá nada que pudesse testemunhar o desastre da nossa iniciativa. Todos os anos o Bill fazia questão de convidar o padre Braula Reis, antigo capelão do Colégio, para estar connosco e para celebrar uma missa por intenção dos Antigos Alunos falecidos. O Braula Reis sempre compareceu, aboletando em casa do Bill. Era um animador do jantar, e durante a missa fazia umas homilias como só ele era capaz, deixando-nos sempre muito sensibilizados. O Bill superintendia na elaboração das «actas» dessas nossas reuniões de carácter «gastronómico-religiosas», que estava a meu cargo e que todos os anos eram enviadas para publicação na revista da nossa Associação, com o titulo «Crónicas de Bruxelas». Durante cerca de 20 anos o Bill foi informalmente o Delegado da nossa Associação em Bruxelas. Ao regressar a Portugal a Direcção da Associação então em funções organizou um almoço com ele, em que lhe expressou o agradecimento pelo seu esforço continuado em prol das coisas do Colégio e da Associação. Foi um reconhecimento e ao mesmo tempo uma homenagem, mais do que merecida. Há muito que o Bill padecia do coração e foi este que acabou por o atraiçoar. Teve vários episódios de internamento hospitalar e foi sujeito a várias cirurgias. Antes de uma delas, ainda em Bruxelas, temendo que aquilo não corresse da melhor forma, despediu-se de mim, de forma muito natural, pelo telefone, o que me deixou na altura sem fala. Ainda recentemente o Bill colaborou com

a nossa revista, tendo escrito primeiramente um artigo acerca da invasão da Índia Portuguesa, no final de 1961, episódio que ele viveu e de que nos deixou esse valioso testemunho, e escreveu mais tarde um delicioso artigo acerca do seu reencontro com o «Carinhas», grumete num dos navios em que ele fez a sua vida de marinheiro dos sete mares andarilho. An-

in NATO Bulletim du Personnel - JUN/2013 – Nº 505

dava a pensar pedir-lhe um artigo acerca da sua experiência de vários anos na missão hidrográfica na Guiné, mas já não deu. Caro Bill, guardaremos sempre de ti a recordação de um Menino da Luz exemplar. Até ao nosso possível reencontro. Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957


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José Augusto Gonçalves Ramos (255/1946) Coronel - Engenheiro – Empresário Nasceu a 23 de Fevereiro de 1934 - Faleceu a 20 de Junho de 2013

Oficial distinto, durante vários anos Presidente da ASMIR (Associação dos Militares na Reserva e Reforma) onde pugnou pela defesa dos seus Associados, foi também membro do Conselho Deontológico da AOFA (Associação dos Oficiais das Forças Armadas), colabo-

rando activamente na elaboração de fundamentados documentos onde denunciava o incumprimento sistemático, por parte dos Governos, de normativos legais respeitantes aos militares. Foi sepultado no Cemitério de Benfica, em Lisboa.

António José Synarle de Serpa Soares (189/1949) Engenheiro Electrotécnico Nasceu a 25 de Junho de 1939 - Faleceu a 24 de Março de 2013

O meu irmão Ju

O António José Serpa Soares nasceu em Portalegre tendo feito a Escola Primária nesta cidade e na Guiné. Concluído o curso liceal no Colégio Militar ingressou no Instituto Superior Técnico onde conclui a licenciatura em Engenharia Electrotécnica (correntes fortes). Após o Serviço Militar, inicia a sua actividade profissional em Angola na SONEFE (Empresa de Electricidade). É também em Angola que casa com Julieta Andrade Pugliese de Serpa Soares. A 2 de Agosto de 1975 parte com a Família com destino a Portugal passando pelo Brasil. Aí encontra emprego na companhia COPEL de Curitiba, empresa igualmente de produção e distribuição de energia eléctrica, onde permanece até à reforma. Faleceu no Brasil. Aos seus Familiares apresentamos as nossas sentidas condolências. Redacção da ZacatraZ

Era o quinto de uma família de dez, cinco raparigas e 5 rapazes. Criança um pouco sisuda, só dava confiança a quem conhecia bem. Numa altura da Páscoa, tivemos a visita pascal, Padre e sacristão. Este estava atrás do Ju e, achando graça ao seu ar atento ao que se passava, brincou com ele fazendo-lhe cócegas na cabeça. Ouviu-se uma voz: Esteja quieto. O sacristão repetiu a graça e o Ju de novo: Esteja quieto, já lhe disse. Tinha os seus 4 anos. Era um grande comilão. A tia Joaquina costumava levar o Carlinhos a passar com ela uns dias em Vila Viçosa. Um dia convidou o Ju, ele olhou para a tia e não lhe respondeu sem antes perguntar à mãe: Em casa da tia Joaquina come-se? E essa faceta de “bom garfo” continuou pela vida fora… Foi um aluno fora de série. Quando chegámos à Guiné foi matriculado na 2ª classe (fizera a 1ª em Portalegre). Ao fim de uns dias de aulas, a professora mudou-o para a 3ª classe. Depois foi o Colégio Militar, aluno 189. Aluno do Quadro de Honra, fora o desaire do chumbo do 3º ano, que não se percebe. Chegou a casa, vestido de Menino da Luz, com a mala aos quadradinhos na mão. Admirada da chegada tão breve, a mãe perguntou-lhe: Então o exame? – Chumbei, e mais não disse. Ainda sobre o Colégio Militar, de que ele pouco ou nada falava, lembro-me que a mãe um dia estava dizer que a Luisinha nas vésperas de voltar ao Colégio do Prof. Cruz Filipe, não chorava lágrimas, mas engoli-as e isso notava-se nos olhos inchados. E o Ju, meio em surdina, disse: Isso acontece a todos que entram num colégio… Voltou ao Colégio Militar e foi sempre um bom aluno. Julgo que no 7º ano foi o 2º melhor do ano. Depois foi o Técnico. Acho que foi um aluno fora de série. Na altura em que andou no Técnico, ia muitas vezes almoçar a casa do Tio Neca e, como dizia a Tia Noémia: Entra mudo e sai calado…Continuava igual a si mesmo. Quando acabou o curso foi para Angola, Luanda, fazer a vida militar e acabou por lá ficar, arranjar emprego e casar com a Julieta. E o Ju modificou-se, falava bastante, uma conversa interessante com uma grande cultura. Escrevia pouco, mas tínhamos as suas visitas de longe em longe. Depois do 25 de abril, achou que Luanda não era uma cidade para se viver. Foi para o Brasil Curitiba,


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Recordando Os que nos deixaram

com a Julieta e o filho dela, do 1º casamento. A Julieta disse-me um dia: O Ju foi o verdadeiro pai do meu filho. E depois chegou o telefonema de Curitiba. Peguei no telefone e vi Ju. Era raro telefonar, fiz-lhe uma festa: Então Ju, como estás? E ouvi: Não é o Ju, é a Julieta, o Ju está a morrer. Tenho saudades dele. Das nossas conversas aqui em casa. Comoveu-me saber que ele fez um testamento (há muito tempo, com certeza) em que deixava metade dos seus bens à Julieta e metade aos Pais. Maria Beatriz Serpa Soares Vargas

como adulto, o nosso relacionamento directo em consequência da sua actividade profissional, reduziu-se e só era exequível quando das suas raras visitas. Desde o meu nascimento que demonstrou interesse ou até curiosidade pela minha pessoa. Contou-me a nossa Mãe que quando eu nasci, o Ju com apenas 2 anos, disse logo que queria ver a cara do “bebé Luisinha”. Lembro-me duma prenda que o Ju me deu e que para mim foi uma surpresa muito querida. Ele tinha regressado de uma viagem a Espanha promovida pelo Colégio Militar e lembrou-se de mim, resolvendo oferecer-me um casaco de malha, de cor verde muito forte, e do qual guardo uma fotografia. Um gesto que nunca esqueci e apreciei pois para além do gesto simpático, sabia que não tinha grandes disponibilidades financeiras para fazer uma tal oferta. Noutra situação em que o Ju demonstrou a sua compreensão pela minha deficiência, foi num fim-de-semana em que estava combinado que a Teté, a Lena e a Titi, vindas de Odivelas, se encontrassem no Rossio com o Ju e os Pais. Os Pais pediram então ao Ju para me ir buscar ao colégio que ficava na Av. da liberdade, perto dos Restauradores. O Ju foi e esperou-me no escritório onde estava também o professor Cruz Filipe, director do colégio. Quando eu cheguei, o Ju quis explicar-me por meio de gestos que os Pais estavam à nossa espera no Rossio. O professor reagiu e criticou o Ju por usar esses gestos, que até parecia um macaco! Que devia falar. O Ju ficou muito vermelho e eu ri muito. Lembro-me também dos animados jogos de cartas que fazíamos, tanto em Portalegre como em Torres Novas, especialmente o crapô, e em que rivalizávamos acaloradamente com as vitórias. Enfim, o Ju sob uma aparente calma silenciosa, atitude que aliás nos últimos tempos vinha até a contradizer já que conversava animadamente, escondia uma personalidade atenta e carinhosa. Os tempos foram correndo, a vida foi-nos condicionando e ultimamente apenas se correspondia com o João pela NET. Apenas se limitava ao relato de notícias de carácter político relativas ao Brasil. O Ju, querido irmão, nunca o esquecerei. Maria Luísa Serpa Soares Corte-Real Pereira

Uma vida dedicada à área de distribuição de energia eléctrica.

Pequenos apontamentos de “encontros” com o Jú, Apesar de passados tantos anos, tenho uma lembrança bem sentida do carinho que o Ju sempre me manifestou através de atitudes bem explícitas. Seria habitualmente pouco expansivo, mas era muito atento às pessoas e comigo revelava uma preocupação em entender-me. Claro que este estado de espírito só teve oportunidade de se manifestar no período da sua infância e no da sua adolescência pois,

Uma pessoa de grande carácter, ético, inteligente e sensato, serviu de exemplo para muitos profissionais na COPEL – Companhia Paranaense de Energia - e de outras empresas congéneres do Brasil. Ocupou na COPEL o cargo de Assistente do Departamento do Desenvolvimento do Sistema de Distribuição, na Superintendência de Engenharia de Distribuição e participou de vários trabalhos de engenharia de distribuição de energia eléctrica. Participou em grupos de trabalho do CODI – Comité de Distribuição a nível nacional, contribuindo com seu conhecimento para a melhoria da qualidade e continuidade no fornecimento de energia eléctrica . Desenvolveu muitos trabalhos na área de estudos e planejamento


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do sistema de distribuição da COPEL, entre os quais o Sistema MRT – Monofásico de Retorno por Terra, muito utilizado no Paraná para a distribuição de energia eléctrica em áreas rurais. Participou também de grupos de estudos para analisar a possível influência da Linha de Extra Alta Tensão de Transmissão de Itaipu/ Furnas de Corrente Contínua, na área de implantação dos seus eléctrodos gigantes de aterramento, quando operando em situação de emergência, e a forma de mitigar suas interferências no sistemas de distribuição da COPEL com retorno por terra. Apresentou trabalhos técnicos em Seminários de Distribuição de Energia Eléctrica no Brasil e em outros Países da América do Sul. Participou de intercâmbios técnicos da COPEL em busca de novas tecnologias, visitando Concessionárias da Energia Eléctrica da Austrália, Inglaterra, França e Portugal. Nas horas vagas gostava de discutir sobre política, economia, conhecedor que era dos fundamentos económicos e pensamentos de grandes economistas internacionais, e futebol, principalmente os campeonatos europeus que acompanhava como grande aficionado. Deixou muitos amigos tanto dentro da COPEL como fora, pelo seu comportamento cordial, ético, racional, pela sua cultura e disposição para sempre colaborar nos trabalhos profissionais e na vida quotidiana. Luiz Kanda, Engenheiro e colega na COPEL

Antigo Aluno usa a BARRETINA Solidariedade

Se este for o momento em que tudo te parece falhar e o desânimo te invade,

“por favor não desistas” porque nós não desistimos de ti.


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Recordando Os que nos deixaram

Rui Jorge Vinhas Frade (48/1961) Faleceu a 28 de Julho de 2013

Morreu o “Texugo”! Durante a nossa vida cruzamo-nos com muita gente, que em cada um desses momentos, fizeram parte do nosso dia-a-dia. E de repente, como qualquer partida do destino, essa gente sai da nossa vida. O Rui Vinhas Frade “Texugo”, o 48 de

1961, durante seis anos dormia na cama ao lado da minha, marchava ao meu lado no pelotão, chumbava quando eu chumbava e claro, nos outros anos, passava. Chegámos a passar alguns períodos das férias grandes em casa um do outro. Eu na casa dele em Setúbal, ele na minha casa da Figueira da Foz. Em 1967, saímos os dois do Colégio. O Rui foi com os pais para Moçambique, para onde o pai tinha então sido mobilizado. A partir daí, caiu a escuridão sobre a nossa amizade. Longe da vista, longe do coração... Nunca mais soube nada dele, a não ser uma ou outra notícia muito vaga. Até que, em 2006, inesperadamente, recebo um telefonema — era o Texugo! Tinha andado pelas esquadras da PSP e depois na AAACM, para descobrir o meu paradeiro e contacto. O Rui julgava que eu tinha morrido, e queria a todo o custo confirmar isso.

Felizmente estava bem vivo, e logo combinámos encontrar-nos naquele dia. 39 anos depois, voltávamos a encontrar-nos e avidamente pusemos a escrita em dia e aplacámos um pouco a nossa saudade. Logo prometemos um ao outro que passaríamos a encontrar-nos mais frequentemente. Lamentavelmente, no que a mim diz respeito, não cumpri com o prometido. Imaginem o choque que tenho, quando venho a saber que o Rui havia morrido de doença prolongada em 28 de Julho de 2013. As estafadas desculpas de falta de tempo e de oportunidade, que cada vez mais nos contaminam, acabariam por trair o prometido. Traíra o meu amigo e camarada, e agora não tinha mais forma de me redimir - as promessas entre amigos são para se cumprir! Saudade Rui e um forte Zacatraz para ti. Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva 53/1961

Gustavo João Lencastre de Mello Breyner Andresen (189/1963) Advogado Nasceu a 17 de Dezembro de 1953 - Faleceu a 23 de Janeiro de 2013

Ainda atordoado com a morte do meu amigo Gustavo, o 189, pois a última vez que falei com ele foi no dia dos seus anos, dia 17 de dezembro, e no dia 23 de janeiro soube que tinha falecido nesse dia. Durante o ano de 2012 fiz cirurgia e tratamento a um cancro da bexiga, e o Gustavo sempre me acompanhou nesse período difícil, quem diria que o novo ano começasse com a sua morte. Além de menino da luz, o Gustavo é um dos meus amigos da vida, por isso ainda sinto dificuldade de falar da sua partida tão súbita. Vejo o Gustavo, o 189, no colégio e na vida assim: - alto e esguio, e por vezes desengonçado quando corria ou fazia ginástica; - tinha um carater franco e pragmático sobre a vida, era um otimista, gostava de viver a vida com o menor número de problemas; - era especialmente culto, devorara livros, gostava muito da história do império romano; no Colégio, iniciou-me na leitura do Sttau Monteiro, Angústia para o Jantar;

- gostava de viver com a adrenalina quanto baste, quantas vezes o vi fazer flicks-flacks, onde estivesse, quando já estivesse mais “libertado” ; - foi um profissional honesto e competente, na advocacia. No Colégio lembro-me das loucas correrias para ver quem chegava primeiro às aulas de equitação para montar o Pardal ou para jogar ping-pong. A caminho do ginásio, naquelas hortas que confinavam com o Pavilhão de Desenho, havia um poço, que considerávamos, com outros, o nosso lugar secreto para fumar e falar. Fora do Colégio, entre tantas outras coisas que me podia lembrar, recordo o prazer que ele tinha de cavalgar a todo o galope nos terrenos circundantes à Caruma em Cascais. Sei que ele também me considerava seu amigo. Descansa onde estiveres e aqui fica o meu Zacatraz para ti. Paulo Artur do Vale Garrido da Silva 462/1964


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Revista ZacatraZ nº 192 by AAACM - Issuu