Editorial Revista “ZACATRAZ”
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Presidente da Direcção António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios (529/1963)
Editorial O FUTURO DO COLÉGIO MILITAR E A POSIÇÃO DA ASSOCIAÇÃO
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ruto de uma inércia incompreensível por parte da sua tutela política e militar ao longo das últimas décadas, e dos tempos voláteis, incertos, complexos e ambíguos que vivemos, o Colégio Militar (CM) está a atravessar uma fase particularmente adversa do seu historial de mais de dois séculos. O CM perdeu atractividade junto da sociedade, reflectida no decréscimo acentuado do número de candidatos e com reflexo no efectivo do Batalhão Colegial que é no ano em curso de 355 Alunos - número este aquém da capacidade da sua notável infra-estrutura - que impede uma adequada gestão dos recursos disponíveis. Cientes desta realidade, mas também do valor do projecto educativo do CM quer para as forças armadas, quer para o País, as sucessivas Direcções da AAACM, têm, ao longo da última década, alertado as entidades responsáveis para a necessidade de serem introduzidas um conjunto de reformas no sentido de inverter esta tendência. Em Abril de 2010 a Direcção da AAACM fez entrega ao então CEME de um documento que resumia o seu Pensamento e Visão estruturados relativamente ao futuro do CM - aprovado na Assembleia Geral de Março de 2010 - onde constavam as reformas e medidas que considerava serem necessárias introduzir com caráter urgente. Em Setembro de 2011, em audiência solicitada pela Direcção da AAACM na sequência do episódio infeliz do chumbo do arranque da Escola Primária no CM, esse documento foi entregue ao Ministro da Defesa Nacional (MDN) e posteriormente ao Chefe do Estado Maior do Exército (CEME) entretanto empossado. A visita do MDN ao CM em Outubro de 2011 por ocasião da Abertura Solene do Ano Lectivo de 2011/2012, a que então se dignou presidir, suscitou em toda a Comunidade de Antigos Alunos uma compreensiva esperança alicerçada no teor do discurso que então proferiu, nomeadamente ao reconhecer o valor de um legado único com mais de dois séculos, e assumir a responsabilidade de honrar a memória desse património e de um futuro fiel à sua essência, sublinhando a dado passo que os valores e princípios incutidos no Colégio Militar são aqueles que um Estado verdadeiramente soberano e digno do seu povo hoje precisa, mais do que nunca. Desde então, a Direcção da AAACM colaborou de forma empenhada, construtiva e leal com as sucessivas Comissões nomeadas pelo MDN para análise da situação e futuro dos EME, como exemplarmente o atesta o contributo a que foi instada a dar pela Tutela sobre o Plano de Restruturação apresentado pela Comissão liderada pelo Professor Eduardo Marçal Grilo em Maio de 2012. Embora considerada uma base de trabalho com zonas de consenso com a posição da AAACM, esta proposta suscitava um conjunto de questões, em particular quanto à transição para um modelo misto e a manutenção dos pilares distintivos do modelo educativo do CM, que deveriam ser objecto de ponderação e análise mais aprofundada, questões essas bem explicitadas no documento de reflexão entregue em Julho de 2012 ao MDN e CEME. Neste documento foram enfatizados quer a indispensável participação formal da AAACM no processo de mudança, como garante da preservação e valorização do ethos cultural do CM e do apoio da sua vasta Comunidade de Antigos Alunos, bem como que o apoio a qualquer modelo distinto do apresentado em Abril de
2010, como era o caso, careceria sempre da ratificação pelos seus órgãos competentes, o que veio a acontecer na Assembleia Geral de 12 de Outubro de 2012. Quando da publicação do despacho do MDN de 6 de Setembro no qual se indicava uma orientação em linha com a recomendação daquela Comissão e se anunciava a constituição de uma nova Comissão Técnica de Acompanhamento (CTA), a Direcção da AAACM reagiu de imediato dirigindo uma carta ao MDN na qual apelava ao reconhecimento da sua participação formal no processo de definição, condução e acompanhamento das mudanças que o mesmo antecipava. Dois meses volvidos, quando da publicação de um novo despacho do MDN no qual é reiterada a orientação já definida, concretizadas algumas medidas e indicados os membros da citada CTA, reagiu de novo a Direcção da AAACM dirigindo uma nova carta ao MDN, na qual acentuava a sua preocupação por não ser possível concluir, nem ter a certeza, de que a orientação definida naqueles termos assegure a preservação e valorização do património do CM e da sua identidade, a percepção de que a reforma não contemplará o essencial da Visão da AAACM, de ter sido criado um ambiente de facto consumado que nos preocupa e desgosta, e considerarmos incompreensível que no processo em curso se ignore uma parte interessada como a AAACM. A Direcção da AAACM decidiu também solicitar uma reunião ao Professor Joaquim Azevedo, Coordenador da CTA, a qual mereceu a sua pronta anuência. No decurso desta reunião ficou patente a sua determinação em liderar esta CTA de acordo com a orientação política definida e o facto de estar muito bem documentado sobre a realidade dos EME. Registámos o seu reconhecimento sobre as virtualidades do modelo educativo do CM, expresso de forma categórica na afirmação de que a sua essência deveria ser preservada sem hesitações, a todo o custo. O Professor Joaquim Azevedo mostrou grande autoconfiança alicerçada num espírito de missão e conhecimento da realidade do ensino não só em Portugal, como no resto do Mundo, e disponibilidade para considerar o contributo da AAACM sempre que em seu entender se justifique. Aqui chegados, após uma caminhada não isenta de riscos ou incompreensões, impõem-se admitir que estamos desiludidos com o facto de não sermos reconhecidos - como ambicionávamos e fizemos por merecer pelo nosso trabalho empenhado e leal – como um interlocutor formal em todo este processo. Estamos desiludidos com a actuação do MDN relativamente à AAACM. Mantemos uma fundada esperança na liderança do Professor Joaquim Azevedo na fase crucial do processo que agora se inicia. Mantemos a nossa disponibilidade e vontade em participar no processo em curso, e alertaremos para quaisquer decisões ou mediadas que possam, em nosso entender, por em causa a preservação da essência e identidade do nosso Colégio. Mantemos uma enorme crença nesta Causa nobre de defesa intransigente do futuro da nossa Casa que é o Colégio Militar, cientes da natureza do desafio e do compromisso de o fazer promovendo a indispensável coesão entre a Comunidade de Antigos Alunos, honrando assim a divisa que nos distingue!
UM POR TODOS, TODOS POR UM!
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Ficha Técnica
CORPOS SOCIAIS DA ASSOCIAÇÃO PARA O TRIÉNIO 2011-2013
Ficha Técnica PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL Fundada em 1965 N° 189 - Outubro/Dezembro - 2012
DIRECÇÃO Presidente Vice-Presidente Secretário Tesoureiro 1º Vogal 2º Vogal 3º Vogal 4º Vogal 5º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente 3º Vogal Suplente
FUNDADOR Carlos Vieira da Rocha (189/1929)
António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios - 529/1963 José António Madeira de Ataíde Banazol - 631/1968 Pedro Miguel Correia Vala Chagas - 357/1977 Vítor Manuel Galvão Rocha Novais Gonçalves - 666/1971 Carlos Francisco da Silva do Rio Carvalho - 307/1971 Manuel Pedro da Costa Pereira Roriz - 519/1959 Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva - 53/1961 Luís Baptista Esteves Virtuoso - 72/1973 Francisco Maria Sarmento Cavaleiro de Ferreira - 58/1977 José Afonso Correia Lopes - 237/1976 Gustavo Lopes da Costa Pinto Basto - 227/2000 Gustavo André dos Santos Lima – 248/1994
DIRECTOR Mário Margarido e Silva Falcão (314/1936) CHEFE DE REDACÇÃO Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949) REDACÇÃO Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950) Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957) Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva (53/1961) João Carlos Agostinho Alves (110/1996) CAPA Um por Todos Todos por Um desde 1803 Foto Sérgio Garcia (326/1985)
ENTIDADE PROPRIETÁRIA E EDITOR Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar
ASSEMBLEIA GERAL Presidente Vice-Presidente 1º Secretário 2º Secretário
Manuel Carlos Teixeira do Rio Carvalho - 124/1945 Duarte Manuel Silva da Costa Freitas - 199/1957 Frederico Eduardo Rosa Santos - 78/1957 João Miguel Jardim de Abreu Ferreira Pinto - 261/1980
MORADA DO PROPRIETÁRIO e SEDE DA REDAÇÃO Quartel da Formação - Largo da Luz 1600-498 Lisboa Tel. 217 122 306/8 Fax. 217 122 307 TIRAGEM - 1350 exemplares DEPÓSITO LEGAL Nº 79856/94
CONSELHO FISCAL Presidente 1º Vogal 2º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente
Nº DE REGISTO NO ICS 100010 ISSN 0872-8224
José Manuel Spínola Barreto Brito - 539/1963 António Emídio da Silva Salgueiro - 461/1972 Eurico Jorge Henriques Paes - 306/1957 João Luís de Mascarenhas e Silva Schoerder Coimbra - 54/1984 João Sanches de Miranda Mourão - 552/1960
DESIGN E EXECUÇÃO GRÁFICA:
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA AOS SÓCIOS DA AAACM NÚMERO AVULSO: 4,00 € ASSINATURA: 15,00 €
Os artigos publicados são da responsabilidade dos seus autores.
ARTIGOS À VENDA NA AAACM PUBLICAÇÕES
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Outras Publicações
NO VO
I Volume da História ao Colégio Militar
PREÇO: 30 €
PREÇO: 3 €
50 €
II Volume da História do Colégio Militar
50 €
III Volume da História do Colégio Militar
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O Espírito do Colégio Militar
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Sumário
Dos Antigos Alunos
04 Assembleia Geral de 12 de Outubro de 2012
14 Velha Guarda
- 109º Aniversário da Associação
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06
Dos Antigos Alunos
Jantar Anual da Associação Novos AA - Prémios Barretina
35 Mensagem breve aos MENINOS DA LUZ 36 Cursos 1950/1957 | 1967/1974 | 1972/1979 | 1987/1995 | 1992/2000 |1994/2002
43 Um GALÃO em três Actos 44 A propósito de “Um caso de possessão”
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Do Colégio
Os Antigos Alunos e a Política
45 Abertura solene do Ano Lectivo 52 Um caso inédito no Comando do Batalhão 53 O Pólo e o Colégio Colaboração
56 Colégio Militar
- Também um Exemplo Online
57 Mais de 99,9% Recordando
Dos Antigos Alunos
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Dos Antigos Alunos Antigos Alunos em Destaque
59 O Colégio, a Índia e os TAIP 61 Um Novo Livro do Costa Matos 62 Antigos Alunos nas Tropas Pára-quedistas
67 DARIO e eu, tu, nós… 68 Os que nos deixaram
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Dos Antigos Alunos
Um legado com 55 anos
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Dos Antigos Alunos Assembleia Geral de 12 de Outubro de 2012
ASSEMBLEIA GERAL DE 12 DE OUTUBRO DE 2012 Síntese
©Fotos Leonel Tomaz
Nos termos do Artº 14º dos Estatutos da AAACM, reuniu em 12 de Outubro de 2012 a Assembleia Geral Extraordinária da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar com a seguinte Ordem de Trabalhos:
Mesa da Presidência: João Ferreira Pinto (261/1980), Frederico Rosa Santos (78/1957), Manuel Rio Carvalho (124/1945 – Presidente), Duarte Costa Freitas (199/1957). Mesa da Direcção: Pedro Vala Chagas (357/1977), António Saraiva de Reffóios (529/1963 – Presidente), José Ataíde Banazol (631/1968 – Vice-Presidente), Vítor Novais Gonçalves (666/1971)
1. Ratificação, nos termos da alínea b) do n.º3, do art.º 22º dos Estatutos, da cooptação pela Direcção, de dois novos Vogais Suplentes, o José Afonso Correia Lopes (237/76) e o Gustavo André dos Santos Lima (248/1994), na sequência da renúncia ao exercício das suas funções associativas dos Vogais da Direcção Tiago Simões Baleizão (200/1987) e Mário Maria Duarte Afonso Camões (401/2000); 2. Deliberação sobre a Comissão de Delegados de Curso; 3. Proposta de Novo Sócio Honorário; 4. Ponto de situação sobre a reestruturação dos Estabelecimentos Militares de Ensino; 5. Outras informações.
A Assembleia, que teve lugar no Auditório do Colégio Militar, reuniu às 18 horas em segunda convocatória por não se encontrar presente o quorum suficiente para deliberar validamente às 17h30. O Presidente da Assembleia - Manuel Rio Carvalho (124/1945) -, tendo verificado a regularidade da constituição da Assembleia, deu início aos trabalhos anunciando um período de 30 minutos para a discussão de assuntos a tratar antes da entrada na Ordem de Trabalhos. Questionada a Assembleia, verificou-se a existência de uma proposta do sócio Luís Ferreira Barbosa (71/1957), no sentido de ser proposto ao Colégio a atribuição do nome do “Professor Dario Fernandes” ao Ginásio o que foi aprovado por unanimidade e aclamação.
Dos Antigos Alunos Assembleia Geral de 12 de Outubro de 2012
Seguiram-se os seguintes actos: - Aprovação por unanimidade da acta da Assembleia Geral de 16 de Março de 2012 com dispensa da sua leitura; - Ratificação pela Assembleia, igualmente por unanimidade, da cooptação pela Direcção, de dois novos Vogais Suplentes, o José Afonso Correia Lopes (237/76) e o Gustavo André dos Santos Lima (248/1994) em substituição de dois membros que por razões profissionais tiveram que deixar Portugal; - Aprovação por unanimidade de uma proposta da Direcção que nos termos estatutários mereceu previamente o parecer favorável do Conselho Supremo, no sentido de ser atribuída ao Senhor Diamantino Candeias Zuna Arrifes o estatuto de Sócio Honorário da Associação. O Presidente da Direcção – António Saraiva de Reffóios (529/1963) – solicitou de seguida uma deliberação da Assembleia no sentido de ser criado um Conselho de Delegados (de Curso) que arrancará como uma Comissão de Delegados e que numa próxima revisão dos Estatutos venha a assumir aquela designação, para o que fez uma apresentação da sua importância como Órgão Estratégico, referindo-se à sua composição, características dos seus membros e acções operacionais a desenvolver, tendo proposto a nomeação do Martiniano Gonçalves (9/58) para Presidente da Comissão futuro Conselho de Delegados, o que foi aprovado por unanimidade. Seguiu-se o ponto principal da Assembleia tendo o António Reffóios feito uma apresentação das diferentes etapas percorridas e participação da Associação no processo em curso de preparação de uma reforma do Colégio, e da necessidade de, no entender da Direcção, ser esta mandatada com um voto de confiança para a continuação da sua participação nas negociações com o poder político. Para este efeito, e ser votada, apresentou uma Moção que foi posta à discussão pelo Presidente da Assembleia. A discussão mereceu uma primeira intervenção de fundo pelo João Sequeira (70/1942) fazendo uma retrospectiva da história do Colégio e dos diferentes sobressaltos da vida da sociedade a que, desde a sua fundação, tem resistido, manifestando o seu desacordo sobre a forma isolada como a nossa Associação tem participado nesta matéria, não o fazendo em conjunto com as Associações das Antigos Alunas do Instituto de Odivelas e dos Antigos Alunos dos Pupilos do Exército, referindo, nomeadamente, a não aprovação na Assembleia Geral de 16 de Março deste ano da participação da AAACM na REDEME, como um facto que enfraqueceu a nossa posição negocial. Referiu-se, ainda, de forma crítica a alguns aspectos da condução da referida Assembleia e da forma como a Direcção e alguns antigos alunos nela participaram, o que motivou uma intervenção por parte do Martiniano Gonçalves (9/58) que manifestou o seu total desacordo sobre as referências feitas considerando-as inadequadas. Seguiram-se intervenções de outros sócios que permitiram, sem alterar a essência da Moção da Direcção, melhorar a sequência dos seus diversos pontos e a melhor clarificação da sua redacção e sentido. Posta a Moção da Direcção à votação, pediu o João Sequeira (70/1942) a admissão igualmente à votação de uma Moção tendo por objectivo pedir a anulação do Despacho do Ministro da Defesa Nacional nº 11863/2012 de 29 de Agosto que nomeia uma comis-
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são técnica de acompanhamento dos trabalhos da reforma dos Estabelecimentos Militares de Ensino constituída por 7 membros. Foi a admissão à votação desta Moção recusada por maioria, seguindo-se a votação da Moção da Direcção que foi aprovada por larga maioria (numa das mais participadas Assembleia Geral de sempre), com 4 votos contra e 6 abstenções, no conjunto de 94 votantes, cujo texto se transcreve:
MOÇÃO Tendo em consideração o documento Reestruturação dos Estabelecimentos Militares de Ensino não Superior apresentado à Assembleia Geral, a Direcção propõe à Assembleia que ratifique os conteúdos do documento apresentado, considerando-os como o âmbito geral dentro do qual a AAACM se poderá posicionar enquanto parte interessada no processo de reestruturação, nomeadamente quanto aos seguintes pontos essenciais: • Defesa de um Colégio Militar de excelência, público, veículo estratégico da Lusofonia, tutelado pelo Exército, enquanto unidade militar, em regime que permita autonomia de gestão administrativa e financeira. • Exigência da preservação da nossa identidade através dos Pilares distintivos da Formação Militar e Liderança, da Formação Desportiva e do ethos do Colégio Militar. • Exigência de uma gestão eficiente do Colégio Militar, incluindo uma coordenação pedagógica capaz de recolocar os resultados académicos do Colégio Militar no nível de excelência. • Garantia de que, sejam quais forem os novos modelos de ensino que possam existir no Colégio Militar, eles coexistirão com o modelo actual durante o tempo necessário, em situação de gestão eficiente, para que se avaliem os méritos relativos das diversas opções. • Garantia de que a instalação de modelos de ensino misto deverá ser antecedida de reflexão e preparação particulares e que, a acontecer, deverá ser realizada de forma progressiva. • Exigência da participação formal e eficaz da AAACM na definição, condução e acompanhamento do processo de mudança. O Presidente deu a Assembleia por encerrada cerca das 21horas.
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Dos Antigos Alunos Jantar Anual da Associação - Novos AA - Prémios Barretina
Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957)
Jantar anual da O
ASSOCIAÇÃO
© Foto Leonel Tomaz
tempo voa. Quase sem darmos por isso passou mais um ano e de novo nos reunimos, com todo o prazer, para mais um jantar anual da nossa Associação. O jantar teve de novo lugar nas magníficas instalações do Hotel Pestana Palace, na zona alta de Alcântara, que mais uma vez foram postas à disposição da Associação devido à acção amiga do nosso camarada Tomaz Metelo (462/1958), que nunca é demais realçar. De facto, a categoria das instalações dão a este evento a dignidade que ele merece. O programa da reunião foi idêntico ao do ano passado, ou seja, para além da refeição, compreendeu uma intervenção do Presidente da Direcção da Associação, que de novo nos veio dar conta
Aspecto parcial da reunião de Delegados de Curso.
da actividade deste órgão estatutário e dos desafios que somos chamados a enfrentar, a habitual atribuição dos Prémios Barretina e a imposição das barretinas de usar nas lapelas aos novos Antigos Alunos que concluíram o seu curso no Colégio no passado ano lectivo, tendo tido lugar previamente um encontro dos Delegados de Curso onde foram abordados planos de actuação e de dinamização das suas atribuições. À chegada ao hotel houve como habitualmente abraços e alguma algazarra, próprios de um reencontro de amigos de longa data, que têm pena de as suas vidas profissionais e familiares não lhes
Dos Antigos Alunos Jantar Anual da Associação - Novos AA - Prémios Barretina
curso agora saído do Colégio, o 190 Ricardo Mendes, agradeceu a admissão, sua e dos seus camaradas de curso, na comunidade dos Antigos Alunos. Viu-se que foram umas palavras sentidas, gostámos de o ouvir. Seguiu-se então o jantar, que como já é habitual satisfez o nosso apetite e a nossa gulodice, sendo que alguns dos mais velhos tiveram de se retrair um bocado por causa das digestões difíceis, diabetes e outros achaques do mesmo género. Houve alguns deles que resolveram esquecer por uma noite essas aborrecidas complicações e participar no esforço colectivo de tentar «levar a copa à glória». Terminado o jantar, com maior ou menor esforço por parte dos comensais, seguiu-se o habitual discurso do Presidente da Direcção da Associação, o 529/1963, o António Reffóios, que começou por agradecer ao Tomaz Metelo (462/1968), a sua amabilidade por mais este ano ter posto as instalações deste magnifico Pestana Palace ao nosso dispor para as nossas celebrações. Em seguida fez-se um minuto de silêncio em memória de dois agraciados com Prémios Barretina o ano passado entretanto falecidos, o Nuno Bívar (121/1943) e o Professor Dario Fernandes (Sócio Honorário). Retomado o discurso o Reffóios deu as boas vindas à primeira senhora presente
© Foto Leonel Tomaz
permitirem encontrar-se mais amiúde. Beberam-se uns aperitivos, começou-se a pôr a conversa em dia e preparou-se o estômago para o jantar que esperava por nós. Consumidos os aperitivos, dirigimo-nos à sala Belém, que é o palco já habitual destas celebrações. Escolhidas as mesas e sentado o pessoal, deu para constatar que a sala ficou bem cheia com um número de participantes na sessão análogo ao do ano passado, o que não foi mau, face á situação geral de penúria que o país atravessa. É típico entre nós começarem-se as coisas com todo o entusiasmo e depois as pessoas irem-se progressivamente alheando, ficando no final os mais carolas sozinhos com a criança nos braços. Felizmente não é isso que se está a passar com a nossa Associação. Estando todos sentados, deu-se início à sessão, conduzida pela batuta do nosso «maestro», o 519/1959, que dá pelo nome de Pedro Roriz e que a maioria bem conhece. A sessão iniciou-se com a distribuição das barretinas de lapela aos novos Antigos Alunos. Foi a segunda vez que se procedeu a este acto no jantar anual da Associação. No ano passado este acto decorreu de forma um pouco desordenada, o que se compreende, dado ter sido uma novidade. Este ano as coisas decorreram de forma mais organizada, facto este que se regista com agrado. Considero esta imposição de barretinas um acto de grande significado. É um acto iniciático, que marca oficialmente a admissão destes jovens na comunidade dos Antigos Alunos, que os recebe calorosamente, com alguma «pompa e circunstância».Os novos Antigos Alunos foram chamados ao palco por pequenos grupos, correspondentes às companhias de que foram graduados. Foram-lhes postas as barretinas nas lapelas e ainda levaram como «bónus», cada um, uma gravata da Associação. Nos próximos anos não os veremos muito, pois andarão absorvidos nos seus estudos e nas actividades diversas e agitadas próprias da idade, mas daqui a uns anos, espero que tomem consciência, como nós, de que foi um privilégio termos frequentado o Colégio Militar e que comecem de novo a ser atraídos pela nossa «Casa Mãe». No decurso da imposição das barretinas o Comandante da terceira Companhia do
Intervenção de António Saraiva de Reffóios (529/1963), Presidente da Direcção da AAACM
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nestes nossos jantares, a Dr.ª Maria Isilda Lourenço Pegado, de quem mais à frente falaremos. Seguiu-se um breve balanço das actividades da Associação no ano que agora termina, que em geral decorreram de acordo com o planeado, havendo a sublinhar o recorrente problema das quotas não pagas a tempo, o crescente número de Antigos Alunos a terem de recorrer ao fundo de Solidariedade, a institucionalização da Comissão de Delegados de Curso, sob a chefia do Martiniano Gonçalves (9/1958) e a participação de representantes da Associação no curso de graduados realizado no Colégio. A seguir entrou o António Reffóios no tema mais importante e problemático, a reestruturação dos Estabelecimentos Militares de Ensino. Falou da falta de atractividade que o Colégio está a ter, estando o Batalhão reduzido a 355 alunos e falou em seguida dos últimos desenvolvimentos da questão. Após o Despacho do Ministro de 6 de Setembro passado, a Associação enviou-lhe uma carta, a que ainda não deu resposta. A 7 de Novembro passado sai novo Despacho, nomeando uma Comissão Técnica para tratar do assunto, chefiada pelo Prof. Joaquim Azevedo. A Associação envia nova carta a reiterar o nosso pedido de sermos um parceiro activo na questão, a qual também não teve resposta, o que em si constitui uma resposta eloquente. Conseguiu fazer-se uma reunião no Porto com o Prof. Joaquim Azevedo, em que ele informou que a Associação não terá participação formal na questão, podendo porém vir a ser consultada, o que é também uma resposta elucidativa. É de admitir que possamos vir a ser confrontados com factos consumados. A Associação ficou decepcionada com toda esta evolução dos acontecimentos, mas não se resigna, continuando a acompanhar o assunto. O nosso Presidente acabou a sua intervenção apelando à coesão entre os Antigos Alunos, reiterando a vontade de continuar a trabalhar com a Direcção do Colégio e agradecendo o trabalho dos colaboradores da Associação na preparação desta nossa reunião anual. Seguiu-se a tão aguardada distribuição dos Prémios Barretina, com os quais a Associação homenageia aqueles que mais se dis-
Dos Antigos Alunos Jantar Anual da Associação - Novos AA - Prémios Barretina
© Foto Leonel Tomaz
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A mesa dos AA mais antigos: João Pinto Ribeiro (47/1935), Fernando Perry da Câmara (143/1940), Manuel Limpo Serra (282/1936), Fernando Wahnon (73/1936) e José Manuel Soares de Oliveira (112/1936), estando também o Luís Barbosa (71/1957) da Redação da Zacatraz
tinguem na sociedade em geral ou nas actividades ligadas ao Colégio ou à Associação. Os agraciados com os Prémios Barretina foram este ano os seguintes: Amigos do Colégio Militar - Maria Isilda Lourenço de Oliveira Pegado. Associação – Notoriedade - João Maria Centeno de Gorjão Jorge (147/1959) Associação - Colégio Militar no Mundo - António Pedro Feio Ribeiro Mateus (57/1970) Associação – Desporto - João Paulo de Castro e Silva Bessa (200/1957) Associação – Amor ao Colégio Militar - António Francisco Martins Marquilhas (67/1944) Associação - Dedicação - João Salgueiro Pinto Ribeiro (47/1935) e Fernando Edgar Collet-Meygret de Mendonça Perry da Câmara (143/1940) No final desta reportagem apresentam-se os resumos dos currículos destes agraciados, que foram lidos aquando da entrega dos sucessivos prémios. Esses currículos falam por si e atestam a razão das esco-
lhas feitas pela Associação. A grande sensação dos Prémios Barretina deste ano foi sem dúvida o facto de, pela primeira vez, termos uma senhora a receber esta distinção, cuja atribuição foi da maior justiça. Para além de ter tido o bom gosto de casar com um antigo Aluno do Colégio, tem três filhos Antigos Alunos do Colégio e um ainda Aluno. Se estes factos em si já são merecedores do nosso apreço, o facto de ter sido durante 9 anos Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação de Pais e Encarregados de Educação do Colégio Militar, mostra bem o seu amor ao Colégio. É uma lídima representante de gerações e gerações de Mães, que tiveram a coragem de se separarem dos seus filhos, ainda rapazitos de 10 anos, e de os entregar ao Colégio, para que este fizesse deles homens de carácter. Ao ser-lhe atribuído o prémio foi exibido o filme em que ela, como deputada fez um magnífico discurso na Assembleia da
República, por ocasião do bicentenário do Colégio. Ao agradecer o prémio que lhe foi atribuído fez outro discurso notável, em que considerou que este prémio não era seu, mas sim de todas as Mães que ao longo dos anos confiaram os seus filhos ao Colégio, lembrando aquelas Mães que com os seus maridos em África durante a guerra do Ultramar tiveram de ficar com os seus filhos apenas a seu cargo. Este seu discurso não pode deixar de ser divulgado. No final recebeu obviamente uma monumental ovação. O Rão Kyao (147/1959) é de facto um caso de notoriedade, que a todos nos orgulha. O baptismo de um dos seus álbuns com o nome «Estrada da Luz» não terá sido acidental, tem todo um significado. Conheci-o bem no Colégio, dormimos na mesma camarata da 3ª Companhia, estava ele no 4º ano e eu no 7º. Na altura, devido ao seu físico e voluntariedade, pensei que ele daria um bom atleta, o que veio a
© Foto Leonel Tomaz
Dos Antigos Alunos Jantar Anual da Associação - Novos AA - Prémios Barretina
A Drª Isilda Pegado quando pronunciava o seu admirável discurso
acontecer quando ele se tornou praticante de remo, modalidade que puxa bem pelo «cabedal». O que eu nunca imaginei foi que ele se tornaria num músico de destaque. A notoriedade sempre foi com ele, já no Colégio dava nas vistas. Ao receber o prémio lembrou que tinha tido alguns problemas no Colégio. De facto o seu feitio rebelde não se coadunava muito com a disciplina militar, mas reconheceu que o Colégio lhe inculcou valores que ainda hoje preza, como seja o de assumir de forma espontânea completa responsabilidade pelos seus actos. Nunca tinha relacionado o António Ribeiro Mateus (57/1970) com os seus dois manos arquitectos, já distinguidos do antecedente com Prémios Barretina. Isto está a ganhar contornos de açambarcamento de carácter familiar. Ao conhecê-lo como jornalista e escritor, autor do livro «Mandela – A Construção de um Homem», que me proporcionou horas de prazer a lê-lo, nunca imaginei estar em presença de um professor de educação física, que resolveu mudar de ares e dedicar-se a uma vida bastante mais animada. Em boa hora o fez. Ao agradecer o seu prémio lembrou-nos o seu contacto com Nelson Mandela e a forma como este Homem o impressionou. Acabou abraçado ao Pai e com o
pessoal todo a aplaudir. O João Paulo Bessa (200/1957) é outro homem de notoriedade, este no mundo do desporto, em particular no mundo do râguebi. Lembro-me bem dos seus tempos de jogador, como crónico campeão nacional na equipa do CDUL e como membro da selecção nacional numerosas vezes. Seguiu-se a sua carreira de treinador, que também acompanhei, às vezes no inverno debaixo de umas valentes cargas de água, a ver jogar as suas equipas. Proporcionou a todos os adeptos da modalidade momentos de muita satisfação. Ao receber o prémio recordou-nos que os seus feitos desportivos se ficaram a dever à excelente preparação que recebeu no Colégio, que no seu tempo tinha um naipe extraordinário de professores de Educação Física, que tornaram o Colégio numa Escola de Desporto de sucesso, preparando-nos, por exemplo, para o Pentatlo Moderno, sem que nós déssemos por isso. Terminou lembrando o Chico das Bolas e o Carranço, que serviram gerações de alunos no Ginásio do Colégio. O António Marquilhas (67/1944) é um Antigo Aluno cujo apego ao Colégio é público e notório. É um dos componentes da nossa lista de Antigos Alunos atletas olímpicos, que se notabilizou não só na esgrima mas também no pentatlo moderno, onde a sua condição de cavaleiro, de que tanto se orgulha, também foi posta à prova. Quando cheguei a Angola, em 1971, era ele 2º comandante do Batalhão de Cavalaria «Às de Espadas», que tinha a fama de ser o mais operacional daquela Região Militar. O seu Batalhão foi condecorado colectivamente com a medalha de Valor Militar com palma, facto este que diz tudo. Tinha no seu quadro de oficiais vários Antigos Alunos, sendo seu Comandante o então Tenente Coronel Lage (233/1933), que como Aluno foi Comandante do Batalhão Colegial e que era um verdadeiro Senhor. Recebido o seu prémio o Marquilhas decidiu falar-nos como falava aos seus soldados: de peito feito, alma aberta e a falar com o coração (se não era assim era parecido). Disse-nos
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que três dos dias mais felizes da sua vida foram os dias das entradas, sua, do seu filho e do seu neto para o Colégio. Apelou à nossa união em defesa do Colégio. O Fernando Perry da Câmara (143/1940), distinto General do nosso Exército, foi um notável Director do Colégio e é também um daqueles Antigos Alunos cujo apego ao Colégio é público e notório. A sua acção como Director do Colégio foi de facto muito apreciada e ainda hoje é recordada. Incidiu sobre os mais variados aspectos da vida colegial, desde o ensino dos alunos à sua formação militar, passando pela ampliação e melhoria das instalações do Colégio. Ao agradecer o seu prémio fez um improviso acerca da fase difícil que o Colégio atravessa e também ele apelou à nossa união em sua defesa. Deixou-nos emocionados. Acerca do João Pinto Ribeiro (47/1935) tenho de começar por declarar que tenho a sorte de ser seu sobrinho e que ele foi um dos ídolos da minha meninice e adolescência. Posso comprovar que o Colégio foi «a paixão da sua vida». Quanto ao mais que falem os Antigos Alunos que foram seus cadetes na Escola do Exército e aqueles que com ele privaram no Colégio, nos longos anos em que ele aí serviu. Fui por ele incumbido de ler o seu texto de agradecimento pelo prémio, o que fiz com todo o prazer e com alguma emoção à mistura. Recordou-nos três dos Directores com quem serviu no Colégio, os Generais Jaime Banazol, Joaquim Cavalheiro e Perry da Câmara e recordou também os camaradas com quem mais intimamente trabalhou na Associação, o Rui Figueiredo de Barros (62/1936) e o Mário Margarido da Silva Falcão (314/1936). Terminada a distribuição dos prémios, em que todos foram ovacionados, foi a vez do actual Comandante de Batalhão pôr à prova os seus dotes vocais, soltando um vibrante ZACATRAZ, acto em que foi secundado com o maior entusiasmo por todo o pessoal. Seguiu-se a debandada geral, com todos a darem por bem empregue o tempo que ali passaram num agradável convívio. Para o ano haverá mais.
NOTA: ZacatraZ está a efectuar diligências para publicar no próximo número as intervenções dos agraciados com os Prémios Barretina.
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Dos Antigos Alunos Jantar Anual da Associação - Novos AA - Prémios Barretina
AGRACIADOS COM OS PRÉMIOS BARRETINA 2012
Maria Isilda Lourenço de Oliveira Pegado
João Maria Centeno de Gorjão Jorge (147/1959)
António Pedro Feio Ribeiro Mateus (57/1970)
João Paulo de Castro e Silva Bessa (200/1957)
António Francisco Martins Marquilhas (67/1944)
Fernando Edgard de Mendonça Perry da Câmara (143/1940)
João Salgueiro Pinto Ribeiro (47/1935)
Dos Antigos Alunos Jantar Anual da Associação - Novos AA - Prémios Barretina
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Maria Isilda Lourenço de Oliveira Pegado E ao sexto jantar acontece história. Pela primeira vez, temos entre nós uma senhora. Casada com um Antigo Aluno, mãe de três Antigos Alunos e de um Aluno, Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação de Pais e Encarregados de Educação do Colégio Militar, entre 1997 e 2006, Isilda Pegado tem sido uma defensora, como o tem demonstrado nas mais diversas intervenções, dos valores e das tradições do Colégio Mili-
tar, muito provavelmente, por influência do marido, o Eduardo Pegado (205/1969). Advogada, licenciada em Direito pela Universidade Católica de Lisboa e em Direito Canónico pela Pontifícia Universidade de Salamanca, foi deputada à Assembleia da República na IX Legislatura onde integrou as Comissões de Direitos, Liberdades e Garantias, Justiça e Administração Interna, Educação, Cultura e Ética e é, ainda, Presidente da Federação Por-
tuguesa pela Vida e Associada Fundadora do Fórum para a Liberdade de Educação. Como referi, as sucessivas intervenções em defesa do Colégio Militar, levam a Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar a entregar-lhe o Prémio Barretina – Amigos do Colégio Militar. O Prémio foi entregue pelo António Saraiva de Reffóios (529/1963), Presidente da Direcção.
João Maria Centeno de Gorjão Jorge (Rão Kyao) Antigo Aluno 147/1959
Se falar do João Maria Centeno de Gorjão Jorge, muito poucos saberão a quem me estou a referir. Se referir o 147/59, alguns saberão quem é. Mas se disser que se trata do Rão Kyao todos o conhecem. O Rão Kyao entrou, para o 2.º ano do CM, em 1959, onde permaneceu durante quatro anos. Mas a música acabaria por ser a sua escolha, encontrando inspiração na música indiana, árabe, africana e chinesa, numa tentativa persistente de redescobrir o Oriente. Para isso recorreu ao saxofone e à flauta de bambu. Com 20 discos editados, a maior parte dos
quais com composições da sua autoria, o Rão Kyao foi o primeiro músico português a alcançar o disco de platina, tendo conquistado vários discos de ouro. O caminho começa com “Fado Bailado” e prossegue com “Estrada da Luz”, uma designação que a todos nós diz muito. Depois corre mundo. Artista versátil vai ao Brasil gravar “Danças de Rua”, inspirado na riqueza rítmica da música nordestina, cruza a música portuguesa com o flamenco espanhol em “Delírios Ibéricos” e grava com a Orquestra Chinesa de Macau, “Junção”, que integra o tema, da
sua autoria, que interpretou na cerimónia que assinalou a passagem do território de Macau para a República Popular da China, só para assinalar alguns dos seus trabalhos. E muito mais haveria a dizer da carreira do Rão Kyao, que vai continuar a deliciar-nos com a sua música. Por todo o percurso que tem desenvolvido na música e pela projecção nacional e internacional que alcançou, o Rão Kyao recebe o Prémio Barretina – Associação – Notoriedade. O Prémio foi entregue pelo João Schoerder Coimbra (54/1984), do Conselho Fiscal
António Pedro Feio Ribeiro Mateus Antigo Aluno 57/1970
Há dois anos distinguimos os irmãos que fazem dos riscos a sua arte, já que são arquitectos. Desta vez escolhemos aquele que se destaca pela escrita e pela palavra. Nasceu em Castelo Branco, em 1962 e entrou para o Colégio Militar em 1970, onde teve o número 57. Do Largo da Luz mudou-se para a Cruz Quebrada e licenciou-se em Educação Física no ISEF (Instituto Superior de Educação Física), que sucedeu ao INEF (Instituto Nacional de Educação Física) e antecedeu a FMH (Faculdade de Motricidade Humana). Contudo, “esqueceu-se” do ensino da educação física e dedicou-se à comunicação social. Jornalista encartado desde 1984, desen-
volveu grande parte da sua actividade em África onde chefiou a delegação da Lusa no Maputo e em Joanesburgo, sendo correspondente da RTP nesta cidade sul-africana. Ao longo dos 18 anos que esteve no continente africano acompanhou de perto os mais diversos acontecimentos, como os conflitos e as sucessivas rondas de negociações de paz em Moçambique, Angola e Namíbia, bem como a independência desta última, para além da retirada dos cubanos de Angola e a eleição de Nelson Mandela como primeiro Presidente negro da África do Sul. A longa permanência na África do Sul levou-o a escrever “Mandela – A Construção de um Homem”, livro que se junta a “Selva Ur-
bana” e “Homens Vestidos de Peles Diferentes”, os três títulos de que é autor exclusivo, já que é co-autor de “Curtas Metragens” e “Histórias sem aquele era uma vez”. Por cá foi, entre outras coisas, Director-Geral do Grupo Impala e Director-Fundador da revista “Focus”. Actualmente é Coordenador Geral de Informação das Antenas Internacionais de RTP. Por tudo isto e muito mais António Ribeiro Mateus (57/1970) recebe o Prémio Associação – Colégio Militar no Mundo. O Prémio foi entregue pelo José Manuel Soares de Oliveira (112/1936), do Conselho Supremo
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Dos Antigos Alunos Jantar Anual da Associação - Novos AA - Prémios Barretina
João Paulo de Castro e Silva Bessa Antigo Aluno 200/1957
É um homem do norte. Nasceu em Cedofeita, no Porto, e numa data histórica, 25 de Abril, mas de 1947. Veio para o COLÉGIO MILITAR em 1957, onde o seu espírito irreverente deixou marcas em todos quantos com ele contactaram. Saído do Colégio Militar, formou-se em Arquitectura, mas acabaria por ser o râguebi a torná-lo conhecido. Como arquitecto tem colaborado com a Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar e com o Colégio Militar nos mais variados projectos, mas a sua visibilidade maior é consequência da sua ligação ao desporto. Ligação que começou no Colégio Militar, onde integrou as equipas de voleibol, de andebol e de futebol, modalidade em que foi bicampeão de Lisboa, da Mocidade Portuguesa. Antes do râguebi, ainda teve tempo para
ser Campeão Nacional de Juniores, Pares e Pares Mistos em ténis, desporto a que ainda chegou a Campeão Nacional de seniores da 3.ª categoria. Depois o râguebi tornou-se o seu desporto. Começou por jogar no CDUP, mas seria no CDUL que conquistou sete Campeonatos Nacionais e duas Taças de Portugal e coleccionou dezenas de internacionalizações. Como treinador começou no Grupo Desportivo de Direito ao qual se seguiram o Dramático de Cascais e o CDUL, e nessa função juntou ao seu palmarés cinco Campeonatos Nacionais, cinco Taças de Portugal, um Campeonato Nacional da 2.ª Divisão, duas Taças Ibéricas e dois Campeonatos Nacionais de Sevens. Foi considerado o Treinador do Ano da Federação Portuguesa de Râguebi em 1993,
1994, 1995 e 1996, e recebeu o Troféu Treinador do Ano, Eng.º Vasco Pinto Magalhães, na época de 1999/2000. A sua dedicação ao râguebi faz com que tenha contribuído de forma significativa para a evolução que a modalidade tem conhecido entre nós e que levou Portugal ao Campeonato do Mundo de 15, em França, e a brilhar nos “Sevens”. É por isso que o João Paulo Bessa (200/1957) recebe o Prémio Barretina – Associação – Desporto. O Prémio foi entregue pelo Manuel do Rio de Carvalho (124/1945), Presidente da Assembleia Geral.
António Francisco Martins Marquilhas Antigo Aluno 67/1944
Entrou em 1944 para o 2.º ano do Colégio Militar, onde teve o número 67, seguindo depois para a Escola do Exército, de onde saiu Aspirante a Oficial de Cavalaria em 1953. A intensa actividade desportiva iniciada no Colégio Militar e continuada na Escola do Exército, leva-o a integrar as equipas Militares, Universitárias e Nacionais de Esgrima (Espada e Sabre) tendo participado nos Jogos Olímpicos de 1960, que tiveram lugar em Roma. Foi também praticante de Pentatlo Moderno e Pentatlo Militar a nível Internacional e entrou em concursos hípicos de saltos de obstáculos e de provas de campo a nível Nacional. Saiu da Escola do Exército e um ano mais tarde, já como Alferes, frequenta em Mafra os Cursos de Esgrima e os de Instrutor e Mestre de Esgrima e de Combate Corpo a Corpo, ali permanecendo como responsável da Secção de Esgrima e Luta até 1963 ano em que, como capitão, cumpre a primeira Comissão em Angola, primeiro no Centro de Instrução de Comandos em Zem-
ba e depois no comando de um esquadrão do Grupo de Cavalaria 345. Na segunda Comissão na Guiné (1966/1968) é comandante do Esquadrão de autometralhadoras 1578 em Bafatá. Regressa a Angola (1970/1972) como 2.º Comandante do Batalhão de Cavalaria 2899 (Ás de Espadas), onde volta mais tarde para a 4ª Comissão, desta feita, no Comando Chefe da Região Militar de Angola (1972/1974) no Gabinete das Forças Auxiliares (GEs, TEs, Leais, e Fiéis) disseminados por todo território de Angola em reforço das nossas tropas. No intervalo das Comissões passou por diferentes unidades onde cumpriu as mais diversas missões, sendo de destacar o facto de ter sido Comandante do Regimento de Cavalaria de Estremoz e 2.º Comandante da 1ª Brigada Mista de Santa Margarida. Depois de frequentar o Curso de Altos Comandos foi Comandante do Batalhão n.º 3 da GNR (Alentejo e Algarve) e após a promo-
ção a Brigadeiro foi Chefe de Estado-Maior da GNR no Comando Geral no Carmo. Regressado ao Exército foi Director do Serviço de Educação Física do Exército até à passagem à reforma, a seu pedido, em 1990. Ao longo da sua carreira militar recebeu várias condecorações, de que se destacam as medalhas de Valor Militar com palma Colectivo (Prata) Batalhão de Cavalaria 2899, três Medalhas de Serviços Distintos, sendo uma Medalha de ouro e duas de prata, destas uma com Palma e é Comendador da Ordem Militar de Aviz. Por tudo isto o António Francisco Martins Marquilhas (67/1944) recebe o Prémio Barretina – Associação – Amor ao Colégio O Prémio foi entregue pelo Gonçalo Leal de Matos (371/1949), Prémio Barretina – Associação – Amor ao Colégio, no ano passado.
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Fernando Edgard Collet-Meygret de Mendonça Perry da Câmara Antigo Aluno 143/1940
Natural de Lisboa e descendente de uma família de militares, entrou para o Colégio Militar em 1940, instituição por onde já tinham passado o seu pai e mais alguns familiares e por onde viriam a passar os seus três filhos mais velhos. Do Colégio Militar seguiu para a 3.ª Companhia do Corpo de Alunos da Escola do Exército, então só destinada aos Antigos Alunos do Colégio que seguissem a carreira das armas. Frequentou como cadete, na Faculdade de Ciências de Lisboa, os Preparatórios de Engenharia Militar e de seguida o Curso de Engenharia Militar, que incluía a frequência de dois anos no Instituto Superior Técnico. Formou-se em 1955. Dois anos depois seguiu para a India, onde foi Chefe dos Serviços de Engenharia na Direcção de Obras do Comando Militar do
Estado da Índia e aí se manteve até 1959. Quatro anos mais tarde e depois de ter passado por muitas das então designadas Províncias Ultramarinas, foi comandar a primeira Unidade de Engenharia instalada na Guiné, que iniciou o projecto e execução de um grande plano de construção de aquartelamentos e de captação e abastecimento de água às unidades. Desempenha as mais diversas funções, sempre com inegável brilho, até que em Fevereiro de 1978 é nomeado Subdirector do Colégio Militar, para em Outubro ascender ao cargo de Director, tendo nesse período desenvolvido uma importante acção educativa e pedagógica, planeando e dando grande impulso ao plano de remodelação e construção das novas instalações escolares. Na sua brilhante carreira de militar de destacar, ainda, o facto de ter sido director da
Arma de Engenharia. A sua folha de serviços está repleta de louvores e condecorações, e de entre estas destacam-se uma medalha de ouro e duas de prata de Serviços Distintos, além de ser Cavaleiro de Ordem Militar de Avis. Quanto tem tempo, dedica-se ao desenho, em particular aos desenhos humorísticos, de reportagem ou de crítica politica, social e militar, que vai oferecendo aos amigos. Por tudo isto Fernando Edgard Collet-Meygret de Mendonça Perry da Câmara (143/1940) recebe o Prémio Barretina – Associação – Dedicação. O Prémio foi entregue pelo Martiniano Gonçalves (9/1958), Presidente do Conselho de Delegados e Prémio Barretina – Associação – Dedicação, no ano passado.
João Salgueiro Pinto Ribeiro Antigo Aluno 47/1935
Natural de Abrantes, foi o primeiro porta-guião do Colégio Militar, para onde entrou em 1935 com o número 47. Do Colégio Militar segue para a Escola do Exército, onde conclui o Curso de Infantaria, em 1947. Em 1954 já como capitão comanda a 3.ª Companhia de Alunos da Escola do Exército, tendo como cadetes numerosos Antigos Alunos, que, ainda hoje, o consideram uma referência como homem e como militar. Em 1959 razões de saúde levam-no a passar à situação de licença ilimitada mas, em 1961, quando começa a guerra no Ultramar, apresenta-se ao serviço e segue para Angola como Oficial de Operações do Batalhão de Caçadores 317. Ofereceu-se como voluntário para comandar várias operações, sendo louvado pelos exemplos de muita coragem, dados em combate e pelas qualidades de comando, factores que contribuíram para elevar o nível operacional e o moral das tropas.
Em 1965 é promovido a Major e colocado no Comando Geral da Policia de Segurança Pública, onde permanece até 1975, desempenhando as funções de Chefe de Repartição, Chefe do Gabinete de Estudos, Subchefe do Estado-Maior e Chefe do Estado-Maior. Em 1975, já como Coronel, regressa ao Colégio Militar, «a paixão da sua vida», onde assume o cargo de Chefe do Gabinete de Estudos. A exemplo do que sucedera, nas colocações anteriores, volta a ser louvado, e se nos anteriores eram salientadas as suas reconhecidas qualidades pessoais, neste é destacada a sua capacidade de organização e planeamento da actividade de instrução do Colégio, a perfeita coordenação entre as directivas emanadas do Estado-Maior do Exército e as disposições do Ministério da Educação, nunca esquecendo o valor da experiência e tradição Colegial, e o extremo cuidado posto na selecção do Corpo Docente. Por todos foi considerado que as suas qualidades e os seus actos dignificaram e
honraram a Instituição que devotadamente serviu, o Colégio Militar. Em 1985 passa à situação de reforma extraordinária, sendo contratado pelo Colégio como Chefe do Serviço Escolar, cargo que exerceu até 1990. Recebeu diversas condecorações das quais se destacam as medalhas de prata de Serviços Distintos de Mérito Militar e a medalha de D. Afonso Henriques. É membro vitalício do Conselho Supremo da Associação, foi Director Adjunto da revista da Associação e foi membro da primeira comissão organizadora das comemorações do bicentenário do Colégio Militar. Pela sua permanente dedicação ao Colégio e à Associação João Salgueiro Pinto Ribeiro (47/1935) recebe o Prémio Barretina – Associação – Dedicação. O Prémio foi entregue pelo José Eduardo Garcia Leandro (94/1950), Prémio Barretina – Associação – Dedicação, no ano passado.
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Dos Antigos Alunos Velha Guarda - 109º Aniversário da Associação
Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949
Velha Guarda
109º Aniversário da Associação Deposto um ramo de flores em Homenagem ao Fundador Marechal António Teixeira Rebello, foi acesa a Chama Colegial com a presença de uma guarda constituída por Alunos da Escolta Colegial. Após a missa celebrada na Capela do Colégio e a tradicional fotografia nas escadarias da Enferma, o Batalhão Colegial desfilou em continência na Parada do Corpo de Alunos. No refeitório foi servido o tradicional almoço que reuniu à mesma mesa aqueles que actualmente frequentam o Colégio e os que há várias décadas atrás tiveram esse mesmo privilégio.
C
omemorou-se no passado dia 23 de Outubro o 109º Aniversário da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar, data em que se presta homenagem à “Velha Guarda” constituída por todos os Antigos Alunos que passaram os 70 anos de idade. Após a concentração dos participantes nos Claustros, no clássico ambiente da valiosa Biblioteca do Colégio teve lugar a apresentação de cumprimentos ao Director Coronel Tirocinado de Artilharia Fernando Joaquim Alves Cóias Ferreira, a que se seguiu a assinatura do Livro de Honra.
©Fotos Leonel Tomaz
Mensagem do nosso Camarada Manuel Maria Cardoso do Sacramento Gomes (63/1969) Caros Amigos O meu nome é Manuel Sacramento (63/1969). Neste momento passo por uma situação um pouco complicada. Eu e a minha esposa, encontramo-nos desempregados. Procuro, urgentemente, uma oportunidade de trabalho. Tenho formação profissional em programação de aplicações de gestão, conhecimentos e experiencia em gestão de equipas, informática, gestão de qualidade, ges-
tão de formação, gestão administrativa, planeamento e controlo produção. Possuo ainda cartão de Segurança privada do MAI (Ministério da Administração Interna). Aceito, sem restrições, qualquer oferta de trabalho que me possam oferecer. Meus contactos: Email: msacramentog@gmail.com Tlm: +351 918 147 211
Dos Antigos Alunos Os Antigos Alunos e a Política
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Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva (53/1961) pmvgarrido@gmail.com
Os Antigos Alunos e a Política Colégio Militar: Escola de Valores Cívicos (CONCLUSÃO)
DITADURA NACIONAL E ESTADO NOVO
A
República foi na altura, um regime muito avançado para a época, quando na Europa, somente a França e a Suíça não eram monarquias. Muitas das medidas então tomadas, reflectiam essa novidade: Registo Civil universal e obrigatório, separação da Igreja e do Estado, ensino público generalizado. Mas lamentavelmente, foi também um dos regimes políticos mais instáveis da Europa, com o domínio do caciquismo eleitoral, das várias milícias civis, etc. Essa enorme instabilidade política da República, particularmente após as experiências efémeras de Pimenta de Castro e Sidónio Pais, já deixava adivinhar o golpe militar de 28 de Maio. Não é portanto de estranhar, que esse golpe militar tivesse tido o apoio inicial de um largo espectro de civis e militares, desde republicanos liberais e conservadores (a maioria oficiais superiores), passando pelos monárquicos, até aos integralistas e outros radicais mais fascizados (oficiais subalternos, aquilo que era então chamado de “tenentismo”). De facto, uma maioria muito expressiva das Forças Armadas, apoiou então o levantamento. Apesar de várias reacções iniciais à revolta militar, esta teve duas fases distintas. Uma primeira fase, de maior consenso e equilíbrio entre as diversas sensibilidades político-militares - a Ditadura Nacional de 1926 a 1930 e uma segunda fase, de maior agudização das contradições entre os apoiantes iniciais do golpe militar, tanto internas como externas - o chamado Estado Novo. Tanto na reacção inicial ao levantamento militar, como depois, em cada uma dessa duas fases, a reacção e o comportamento de vários antigos alunos, como veremos, foi muito distinta, tendo posto em muitos casos, antigos colegiais uns contra os outros. A nível interno, poderá dizer-se, que, contrariamente ao que se passou aquando da guerra civil de 1828-1834, a interferência do
novo poder no Colégio, foi relativamente pequena. Obviamente que um regime que se auto-intitulava de autoritário, antiliberal e antidemocrático, nunca poderia tolerar quaisquer veleidades, que não fossem conformes à nova ordem instituída. Pela terceira vez, e tal como já acontecera em 1826 e 1919, também em 1926, quando se dá o golpe militar do 28 de Maio, os alunos do então 7º ano, fogem do Colégio, afim de secundar o General Gomes da Costa, que estava com as suas tropas na Amadora, no campo do Grupo de Esquadrilhas de Aviação República. O cavanço saiu frustrado, pois os alunos acabaram sendo interceptados pelo oficial de dia. Veja-se o relato de um aluno do então 7º ano, o Costa Macedo (306/1919), que participou nesta aventura. “Ora no Colégio já havia a tradição de que um outro “7º Ano”, anos atrás, havia fugido para combater, em Monsanto, as unidades militares que ali se haviam concentrado para impor a implantação da Monarquia… “ Dias depois, continua o relato, “o Movimento Militar saíra vitorioso e tivemos a honra de uma inesperada visita do General Gomes da Costa. O Director mandou formar o Batalhão nos claustros. Gomes da Costa, com a sua majestosa figura e com o seu uniforme de campanha, dirigiu-nos uma patriótica alocução em que, sem fazer qualquer referência à nossa escapadela, enalteceu o Colégio Militar e as virtudes que ele conseguia introduzir nos seus educandos. E foi então que, finalmente, se concretizou a nossa esperada punição. Um ou dois dias depois, publicada na Ordem Colegial nº 153, de 2 de Junho de 1926. Dela constava, taxativamente:
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Dos Antigos Alunos Os Antigos Alunos e a Política
“5º - Que os alunos nº 111 - 242 - 306 - 438 -157 - 195 - 278 - 284 54 -109 - 135 - 226 - 272 - 48 -146 - 325 - 432 - 160 - 185 - 378 - 451 - 234 - 418 - 439 - 443 - 444 - 447 - 441 - 132 - 156 -173 - 233 - 236 - 266 - 291 - 304 - 364 - 380 - 421 - 441 e 259 foram repreendidos pelo mesmo Ex.mo Senhor, nos termos do art. 66 do RI, porque embora movidos por um sentimento generoso cometeram a falta de saírem do Colégio sem licença do Ex.mo Director, iludindo a vigilância do pessoal de serviço, sendo necessário que um oficial fosse ao seu encontro para os fazer regressar ao Colégio.” Ficámos anchos porque a redacção, aos nossos olhos, mais parecia um louvor. Mas mais anchos nos sentimos quando dias passados, tivemos o privilégio de fazer “guarda de honra” à tribuna presidencial quando o General Gomes da Costa, a cavalo, logo seguido de um luzido Estado Maior, fez a sua entrada triunfal em Lisboa, à frente de cerca de 20 000 homens de todas as unidades que se haviam concentrado na Amadora e em Sacavém, representando a totalidade do Exército Português. Momento inesquecível! Estávamos postados na Avenida da República, de costas para a Pastelaria Versalhes. Gomes da Costa, de espada desembainhada, brandia-a para um lado e para o outro, agradecendo as ovações que de todos os lados lhe tributavam! Nem faltavam, das janelas, as senhoras com as suas flores e “colgaduras”… Nós, os jovens trânsfugas, de baionetas armadas, apresentando armas, sentimos um frémito de regozijo quando ele, Chefe Vitorioso, nos envolveu num olhar cúmplice e baixou a sua faiscante espada na nossa direcção!
E foi assim que o nosso curso – o 7º ano de 1926 – entrou na História Colegial como autor de um dos maiores “emigranços” do nosso século.” 2 Alguns anos depois, já encerrado o ciclo da Ditadura Nacional e iniciado o do Estado Novo, Salazar fez uma visita ao Colégio Militar, em 6 de Setembro de 1938, numa altura de crise da instituição, visita essa que veio dar um novo alento ao relançamento do Colégio. Também por isso, uma petição assinada por 1.457 alunos e antigos alunos, nomeia-o “Ex-Aluno Honorário”. O caso de Salazar foi excepcional, por ter sido o primeiro “Antigo Aluno Honorário” em 150 anos de vida do Colégio. Até então, os únicos títulos honorários atribuídos, tinham sido o de “comandante de batalhão honorário”, a D. Carlos e a D. Luís Filipe. Julgo que esta atribuição honorífica foi “fruto da época” e do culto da personalidade que então se praticava, como aliás ficou bem ilustrado pela prosa laudatória de Humberto Delgado a Salazar, com o tratamento de “Chefe”, “Chefe da Revolução”, “Chefe do Exército”. 3 Neste período houve muitos antigos alunos afectos ao regime, nomeadamente Presidentes da República, mas, contrariamente ao que muita gente julga, também houve muitíssimos, que estiveram do outro lado da barricada, defendendo os valores da Democracia e da Liberdade. Destes, muitos foram expulsos das suas carreiras civis ou militares, outros exilados ou presos e no caso de Humberto Delgado, assassinado.
Antigos Alunos que tiveram alguma notoriedade neste período Marechal Manuel de Oliveira Gomes da Costa (66/1873) Típico militar colonial das campanhas de ocupação africanas. Esteve muitos anos em África (Angola, Moçambique, São Tomé) e Índia, onde granjeou um grande prestígio, que muito terá contribuído para a sua nomeação como comandante da 1ª Divisão do Corpo Expedicionário Português (CEP). Como quase todos os militares das campanhas africanas, a que acresce a sua condição de monárquico, Gomes da Costa nunca nutriu grande simpatia pela República. Apesar disso, após 1921, pertenceu ao Partido Centrista de Egas Moniz (sidonista); foi da direcção da Cruzada de Nun’Álvares (movimento nacionalista conservador, apoiante de soluções fascizantes) e conspirou contra o governo de então, ao participar na revolta de 19 de Abril de 1925. Ligou-se depois ao Partido Republicano Radical (Cunha Leal). Foi convidado à última da hora por Sinel de Cordes para chefiar o golpe militar de 28 de Maio tendo
sido nomeado por um brevíssimo período, Presidente da República, ainda no ano de 1926. Acabou afastado por Carmona e Sinel de Cordes, falando-se então que estaria senil e a ser manipulado pelo “tenentismo” radical e fascizante que gravitava à sua volta. Foi então preso em 11 de Julho de 1926 e depois deportado para os Açores. Antes de morrer, foi-lhe atribuído o marechalato.
Contra-Almirante Guilherme Ivens Ferraz (5/1878) Oficial às ordens de D. Carlos e Ajudante de campo de D. Manuel. Condecorado com a Torre e Espada. Foi deputado à Assembleia Nacional e por duas vezes ministro da Marinha.
Contra-Almirante Filipe Carlos Dias de Carvalho (141/1881) Combatente das campanhas de África e condecorado com a Torre e Espada. Republicano, foi exilado depois do 28 de Maio.
2 - Macedo, António Alfredo da Costa (306/1919), in Revista da AAACM, n.º 166 3 - Matos, José Alberto da Costa, (2003). História do Colégio Militar, (Lisboa: Estado-Maior do Exército), 2º Volume, pág. 495 e 496
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Marechal António Óscar de Fragoso Carmona (24/1882) Era o típico oficial de secretária, movimentando-se muito bem nos corredores do poder, era aquilo que então se chamava “general de espada virgem”. A sua carreira ficou a dever muito à sua habilidade política, à sua vasta carteira de conhecimentos e, deve dizer-se, com inteira justiça, à sua competência técnica. Ministro da Guerra do ministério de Ginestal Machado (1923), Membro do Partido Republicano Nacionalista (1923). Após o 28 de Maio, apoia a Ditadura e aceita o ministério dos Negócios Estrangeiros (1926). Ainda em 1926, é nomeado Presidente da República. Carmona teve um importantíssimo papel no garantir da sobrevivência do novo regime. Embora republicano conservador e maçom, assegurou três questões que foram fundamentais: 1. As relações com os militares das várias tendências, em particular com os republicanos conservadores; 2. As relações entre os militares e os políticos; 3. As relações entre monárquicos e republicanos. Por todas estas razões, a figura de Carmona foi muito mais importante que aquela a que geralmente é associado, particularmente nos seus últimos anos de vida.
General Artur Ivens Ferraz (5/1883) Republicano, pertencente ao sector liberal conservador, que via na ditadura, uma fase transitória para um regime parlamentar e razão pela qual apoiou o golpe de 28 de Maio, foi várias vezes ministro e depois presidente de um ministério da Ditadura Nacional, de 1929 a 1930. Esta data de 1930 é particularmente importante, pois representa, de alguma forma, o momento em que o salazarismo se torna dominante dentro do governo, ao derrotar definitivamente o republicanismo conservador, que até então, ainda tinha um peso muito grande no novo regime implantado a 28 de Maio e de que Ivens Ferraz foi um dos seus expoentes maiores.
Vice-Almirante Luís António de Magalhães Correia (164/1883) Republicano e maçom. Foi um heróico combatente de Timor e África, onde ganha uma Torre e Espada. Governador de vários territórios ultramarinos. Apoiou a Ditadura Nacional, tendo sido Ministro da Marinha de 1929 a 1932, onde se notabilizou pela sua acção renovadora da Armada e da subjugação da revolta de 1931 na Madeira. Foi também ministro dos Negócios Estrangeiros.
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Júlio Dantas (114/1887) Médico, escritor e dramaturgo, foi deputado de 1905 a 1926. Durante a República foi duas vezes ministro da Instrução Pública e duas vezes ministro dos Negócios Estrangeiros. Presidente do directório do Partido Nacionalista e senador. Após o golpe de 28 de Maio, passou a apoiar a Ditadura e depois o Estado Novo, tendo sido desde 1936, membro do conselho da Presidência da Câmara Corporativa.
Capitão-de-Mar-e-Guerra Fernando Augusto Branco (218/1890) Condecorado com a Torre e Espada, foi Ministro dos Negócios Estrangeiros do governo de Domingos de Oliveira e do primeiro governo de Salazar. Foi também ministro interino da Marinha em 1930. Foi diplomata em Londres, durante vários anos. Foi um notável autor naval, tendo sido um dos pioneiros da arma submarina em Portugal. Como curiosidade, refira-se que era avô materno do Presidente Jorge Sampaio.
Coronel Abílio Augusto Valdez de Passos e Sousa (63/1893) Apesar de também pertencer ao sector dos militares republicanos conservadores, que consideravam a Ditadura Militar um período transitório para um regime político parlamentar e pluralista, foi um dos responsáveis militares pelo sucesso da sublevação militar para a implantação da ditadura. Pertenceu a vários ministérios após 1926 e foi presidente da I Comissão Executiva da União Nacional (partido único). Mas onde de facto adquiriu uma grande notoriedade, foi quando, como ministro da Guerra, assumiu pessoalmente o comando operacional do combate a uma das mais sangrentas revoltas contra a Ditadura Nacional, a revolta de Fevereiro de 1927, que estalou no Porto e depois se estendeu a Lisboa. A resposta repressiva foi violentíssima. 100 mortos e mais de 500 feridos, no Porto, e 90 mortos e 400 feridos em Lisboa. Aqui, junto ao chafariz do Largo do Rato, no dia 9 de Fevereiro, vários marinheiros e civis foram então sumariamente fuzilados. Depois de dominada a revolta, foram feitas cerca de 600 prisões e todos os funcionários públicos que de alguma forma estivessem estado implicados, foram demitidos. De referir também, que na subjugação desta revolta, esteve o jovem oficial Humberto Delgado, outro antigo aluno a que nos referiremos mais adiante.
Dr. Álvaro Isidoro Faria Lapa (119/1893) Médico dermatologista e venerologista de prestígio internacional, foi demitido na sequências da vaga de depuração política da função pública e da Universidade ordenada pelo Governo, em Maio de 1935. Foi um intransigente democrata, que sempre se opôs à ditadura.
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António Sérgio (178/1894) Oficial de marinha. Socialista, filósofo, pensador, ensaísta, doutrinador político, agitador social fecundo, professor vocacionado, historiador original, prosador admirável, que apesar de completar o curso da Marinha de Guerra, o veio a abandonar com a implantação da República, em 1910. Houve quem lhe chamasse “Educador de Gerações”, não só pelas marcas que deixou em várias personagens de vulto, como também pela sua enorme paixão pela Educação. Combateu sempre as ideias que, a partir do fim da República, menorizavam a educação, como por exemplo aquelas contidas nas palavras da escritora Virgínia Castro Almeida, que no jornal O Século, em 1927, escreve esta pérola: “A parte mais linda, mais forte e mais saudável da alma portuguesa, reside nos seus 75% de analfabetos”. Ao contrário, para Sérgio o ensino era um factor de ressurgimento nacional e criador de uma elite humanista, sendo a cultura encarada como produto da democracia, por oposição ao autoritarismo. A regra de ouro do pensamento político Sergiano - a ligação da Democracia à Liberdade, como via para a Educação e Cultura. Por isso era defensor de um socialismo associativista, libertador ou libertário, a ser criado pacificamente de dentro para fora, pela extensão gradual, mas ilimitada do cooperativismo. Foi preso em 1910, 1933, 1935, 1948 e 1958. Quando regressa do exílio em 1933, participa intensamente nas actividades de oposição à ditadura. Mas é após o insucesso da candidatura de Norton de Matos à Presidência da República em 1949, que a sua expectativa que o regime se liberalizaria ficou completamente frustrada. A partir dessa altura, volta a ser um conspirador activo e privilegiando soluções de carácter militar. Foi um apoiante de primeira hora da candidatura de Humberto Delgado à presidência da República, tendo então classificado essas eleições de “farsa indecorosa”.
Coronel Júlio César de Carvalho Teixeira (131/1895) Ministro do Comércio e Comunicações do ministério do general Carmona.
Tenente-Coronel Carlos Germano Guedes Ribeiro de Carvalho (130/1900) Combateu na Flandres, durante a Grande Guerra, onde se distinguiu por excepcional bravura e heroísmo, tendo sido promovido por distinção ao posto de major, condecorado com 2 (duas) Torre e Espada, Cruz de Guerra de 1ª classe, Military Cross (Reino Unido) e Legião de Honra (França) e outras altas condecorações e distinções. Foi o maior herói português da Grande Guerra e o oficial que comandou a força militar do CEP que desfilou sob o Arco do Triunfo, no desfile da vitória. De volta a Portugal, Ribeiro de Carvalho, na senda dos seus antepassados, soldados que aliavam à cultura, o valor cívico e uma honrada bravura e coragem acima de qualquer sectarismo e no
respeito do mais puro espírito militar, partiu de Lisboa para ajudar o seu pai, o então Coronel António César Ribeiro de Carvalho, que como comandante da divisão militar de Vila Real, pretendia debelar, em Janeiro de 1919, uma sublevação de forças muito numerosas da Junta Governativa do Porto, que precedera a instauração da Monarquia do Norte. Neste confronto desigual o major Ribeiro de Carvalho é ferido, mas o avanço realista acaba repelido. Depois de ainda ter servido no Ultramar, assume a pasta da guerra no ministério nomeado em 18 de Dezembro de 1923. Quando se dá o 28 de Maio, Ribeiro de Carvalho, por manter intransigentemente os seus princípios democráticos e republicanos, é demitido do Exército e exilado para Espanha. Até ao fim dos seus dias manteve-se fiel aos seus princípios, tendo inclusive recusado a amnistia de 1950 que então lhe poderia ser concedida.
Tenente-Coronel da Força Aérea Francisco Xavier da Cunha Aragão (93/1901) Democrata, conspira contra o Estado Novo, sendo por isso expulso do Exército e expatriado pela Ditadura em 1931. Regressa do exílio em 1940, passando a viver com residência fixa nos Açores.
Coronel de Engenharia Álvaro Eugénio Neves de Fontoura (116/1901) Deputado à Assembleia Nacional, governador de Timor e professor catedrático do Instituto Superior de Ciência Política e Ultramarina (ISCPU).
Coronel José Manuel Sarmento de Beires (36/1903) Foi notável como pioneiro da aviação, homem de cultura e de uma elevada estatura cívica. Condecorado com duas Torre e Espada. Sem referir todos os feitos importantes para história da aviação em Portugal, destaco em particular o primeiro voo nocturno em 13 de Maio de 1920, o raid aéreo de 1924 a
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Macau e a travessia nocturna do Atlântico Sul em 1927. Como homem de cultura (escritor e poeta), pertenceu ao Grupo da Biblioteca, com Aquilino Machado, Abel Manta e Augusto Casimiro. Por volta de 1925, pertenceu à direcção da revista Seara Nova, que marcou o seu comprometimento com alguns opositores não comunistas ao regime da Ditadura, como o foram os dois gigantes, António Sérgio (antigo aluno do Colégio Militar) e Jaime Cortesão. Participa na tentativa de golpe de estado contra a Ditadura em Julho de 1928, para restaurar a democracia. É imediatamente demitido da Aeronáutica e obrigado a exilar-se. Contudo, continua a ter uma imensa actividade contra o regime, embora clandestinamente. Em 1930 é iniciado Maçon, na loja “Paz”. Regressa clandestinamente a Portugal, onde participa na tentativa de golpe de estado de Agosto de 1931. Ainda chega a ocupar a base aérea de Alverca, mas face à reacção das forças leiais ao governo, acaba por se retirar e abandonar novamente o país. Contrariamente a outros revoltosos, Sarmento de Beires escapou desta revolta com vida. Em 1933 Sarmento de Beires é preso em Lisboa pela Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE, polícia política antecessora da PIDE), sendo condenado em 1935 a 7 anos de desterro para Macau e perda de todos os direitos cívicos durante 10 anos. Depois de ser libertado, exilou-se no Brasil, até que em 1951, foi amnistiado e reintegrado na reserva com o posto de major. Em 14 de Agosto de 1972 foi promovido por distinção ao posto de coronel. Ainda sobreviveu 2 meses ao 25 de Abril, o qual saboreou lúcida e conscientemente. Sarmento de Beires foi um daqueles grandes homens que tudo expôs - a sua vida e os seus haveres - a um elevadíssimo desígnio patriótico.
Marechal da Força Aérea Francisco Higino Craveiro Lopes (27/1904) Governador-Geral da Índia em 1936, comandante-geral da Legião Portuguesa de 1944 a 1950. De 1945 a 1949 é eleito para a Assembleia Nacional, pelo distrito de Coimbra e em 1951 é eleito para a Presidência da República, depois da desistência do Almirante Quintão Meireles e de o Prof. Ruy Luís Gomes, um dos mais prestigiados matemáticos do seu tempo, ter sido considerado sem idoneidade e portanto, não elegível. Embora, fora da esfera militar, fosse um ilustre desconhecido, era-lhe contudo reconhecida uma grande integridade pessoal, lealdade e isenção à manipulação politica. Parecia assim estarem reunidas as condições, que o tornavam uma figura ideal para reunir consensos, entre militares e oposicionistas, cada vez mais inquietos, e que cada vez com mais acuidade, punham a questão da substituição de Salazar. Puro engano! A sua Presidência acabou por ser um grande incómodo e um grande desconforto para o regime, logo desde o seu início. As suas relações com Salazar não eram nada amistosas, antes pelo contrário, eram frias e formais e com o passar do tempo vão fazê-lo sentir-se cada vez mais secundarizado e humilhado. Este papel decorativo parece não se ter adequado ao seu tempe-
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ramento, que era um temperamento activo e virado para acção. Não é pois de estranhar, que a Oposição se fosse aproximando cada vez mais do Presidente. Seria esse o caso também de vários militares mais inconformados com a situação que então já começava a tomar forma, tanto interna como externamente. Para o regime esta situação era insustentável e a sua solução inadiável. Tanto mais que se sabia que Craveiro Lopes ambicionava um segundo mandato. Antes das eleições, o próprio Humberto Delgado afirmou que não se candidataria, se a candidatura de Craveiro Lopes se formalizasse. Por isso foi-se desacreditando o Presidente e quando foi da escolha do candidato às eleições de 1958, a União Nacional escolhe o Almirante Américo Tomás. Apesar de afastado, e tal como já sucedera com Gomes da Costa, recebe a distinção do marechalato da praxe, quem sabe se para exigir lealdade e contenção. Se era essa a intenção, julgo que não foi bem-sucedida, pois continuou a manter uma grande abertura e contacto com os vários sectores da nação, militares e oposicionistas. Em 1959, militares a si ligados, participam no movimento revolucionário ligado a Humberto Delgado, que ficou conhecido como “golpe da Sé”. Particularmente evidente do seu inconformismo, foi o seu envolvimento no golpe de 13 de Abril de 1961, dirigido por Botelho Moniz (outro antigo aluno), o qual ficou conhecido como a “Abrilada”, golpe que falhou clamorosamente devido à ingenuidade dos conspiradores, que acreditavam ainda na legalidade institucional do regime. Essa ingenuidade, levou a que várias altas individualidades se tivessem concentrado, às claras, na Cova da Moura, a qual foi cercada e tomada de pronto por brigadas de choque da Legião Portuguesa e pára-quedistas. Entre os conspiradores presentes estava Craveiro Lopes, levava na mala a farda de marechal, um discurso para ler ao País e a indigitação de ascender, de novo, à chefia do Estado. Tanto Craveiro Lopes, como Carmona, apesar das grandes diferenças entre eles, são duas figuras da Ditadura e do Estado Novo, a que não só nunca foi dada a relevância que de facto tiveram na vida nacional de então, como inclusive foram, de alguma forma, menorizadas e que por isso mesmo mereceriam um estudo mais aprofundado das suas personalidades e do papel que realmente desempenharam. São duas figuras que historicamente foram extremamente contraditórias, por terem representado em cada momento, as várias faces e as respectivas conflitualidades internas, das forças que sustentavam o regime.
General José Maria Rebelo Valente de Carvalho (140/1906) Combateu em França no C.E.P. Foi comandante-geral da Legião Portuguesa e da Guarda Fiscal.
Tenente João António Maria Martens Ferrão Gomes da Mata (256/1906) Morto em combate na guerra civil espanhola, na frente do Ebro (sector S. Juan), em 15 de Março de 1938.4
4 - Colégio Militar, Ordem de Seviço n.º 119 de 29 de Abril de 1942. Descerramento de uma lápide de homenagem aos “antigos Alunos mortos na Guerra de Espanha contra os bolchevistas”.
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Brigadeiro Augusto Dantas Pimenta Serrão de Faria Pereira (94/1908) Participou na Guerra Civil de Espanha e foi um dos fundadores dos “Viriatos” (Legião de Viriato).
Engenheiro Sebastião Garcia Ramirez (332/1908) Após 1932, foi ministro do Comércio, Indústria e Agricultura, vogal da Comissão Executiva da União Nacional (partido único) e deputado à Assembleia Nacional. Em 1957 foi o delegado de Portugal na Assembleia Geral das Nações Unidas.
Major Jorge Augusto Alves Dias Botelho Moniz (345/1910) Foi comandante do batalhão no Colegial de 1915 a 1915. Condecorado com uma Torre e Espada. Republicano, que combateu a revolta monárquica de Monsanto em 1919, sidonista, membro do Partido Republicano Nacionalista (de Álvaro de Castro e Cunha Leal), fundador da União Liberal Republicana (de Cunha Leal) e depois partidário da ditadura, tendo participado activamente no golpe de militar do 28 de Maio. Foi fundador da Legião Portuguesa e comandou os “Viriatos” (Legião de Viriato) que combateram na guerra civil espanhola.
Vice-Almirante Jorge Maia Ramos Pereira (43/1911) Primeiro classificado do seu curso de Marinha, foi um dos grandes especialistas de comunicações da Armada e Director do Instituto Superior Naval de Guerra. Democrata com antecedentes familiares, foi candidato por Viana de Castelo nas listas da oposição, em Outubro de 1969.
General Júlio Carlos Alves Dias Botelho Moniz (106/1911) Sidonista na sua juventude, participou activamente no 28 de Maio e foi depois apoiante da Revolução Nacional, observador da Wehrmacht por parte do exército Português, ministro do Interior de 1944 a 1947, chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas de 1955 a 1958, Ministro da Defesa Nacional de 1958 a 1961. Foi nesta função, que conjuntamente com outros oficiais, conspirou para o derrube de Salazar. Apesar de homem do Estado Novo, mantinha ligações estreita com gente da União Liberal Republicana (de Cunha Leal) e da Oposição Democrática. Tal como uma parte importante da elite político-militar reformista do regime, particularmente após a II Guerra Mundial, repu-
diava a total intransigência sobre a política ultramarina e a falta de evolução democrática do regime. Foi sob sua direcção que se deu o golpe de 13 de Abril de 1961, conhecido como a Abrilada, no qual, conjuntamente com Craveiro Lopes e outras figuras ligadas ao círculo do poder, tentam forçar a demissão de Salazar e a reforma do Estado Novo, o que só não conseguiram, por ingenuidade política.
Alberto Carlos de Liz Teixeira Branquinho (328/1913) Diplomata de carreira, face à perseguição aos judeus na Hungria, onde esteve colocado durante a 2ª Guerra Mundial, a acção de Carlos Branquinho consistiu na concessão de asilo diplomático e passaportes provisórios até se conseguirem formas que permitissem aos judeus perseguidos saírem do país. Alugou muitas casas em Budapeste aí hospedando judeus, com a justificação de que pertenciam à Representação Portuguesa, não podendo, por isso, ser atacadas porque serem território português. Gesto esse, que não granjeou a simpatia de Salazar.
Engenheiro Carlos Ernesto de Sá Cardoso (25/1914) Democrata, foi um intransigente opositor ao Estado Novo. Maçom, pertenceu durante a clandestinidade à loja Liberdade, do Grande Oriente Lusitano (GOL).
Marechal da Força Aérea Humberto da Silva Delgado (398/1916) Participou no golpe militar do 28 de Maio, que derrubou a República e instaurou a Ditadura Nacional e depois o Estado Novo. Foi um homem do regime durante muitos anos. Combateu com mais 30 aviadores, para os lados da rua Filipe Nery, a revolta de Fevereiro de 1927. Foi ainda adjunto militar do Comando Geral da Legião Portuguesa. Foi procurador à Câmara Corporativa de 1951 a 1952. E desempenhou várias funções ao mais alto nível, particularmente na NATO. Tal como muitos outros camaradas do seu tempo, parece que os anos que passou nos Estados Unidos, de 1952 a 1957 e a sua participação na NATO, foram determinantes para a sua aproximação aos valores da Democracia e da Liberdade. Concorreu à Presidência da República em 1958, tendo sido derrotado nas urnas, mas num processo eleitoral fraudulento, em favor de Américo Tomás. A partir de 1959, depois do exílio forçado para o Brasil, e convencido que o regime nunca poderia ser derrubado por meios pacíficos, inicia um processo conspirativo, nomeadamente o assalto ao quartel de Beja em Janeiro de 1962 e que acaba no seu assassinato pela PIDE em Villanueva del Fresno a 13 de Fevereiro de 1965.
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Capitão João Augusto Pimentel Feio Ferreira da Silva (61/1917)
Major Engenheiro Eduardo Arantes e Oliveira (EXT/1918)
Morto em combate na guerra civil espanhola, na frente da Catalunha (sector de Tremp), em 4 de Janeiro de 1939.5
Foi o primeiro director do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), ministro da Obras Públicas, governador-geral de Moçambique e membro vitalício do Conselho de Estado, do Estado Novo.
António Aniceto Ribeiro Monteiro (78/1917)
Vice-Almirante Manuel Pereira Crespo (187/1921)
Matemático, fundador da Sociedade Portuguesa de Matemática. Por motivos políticos, devido às suas convicções democráticas, foi impedido de ter uma carreira universitária em Portugal, pois recusou-se a assinar um documento onde declarava o apoio ao salazarismo e o repúdio ao comunismo e às «ideias subversivas». Democrata convicto, exilou-se para o Brasil (para onde foi leccionar, recomendado por Albert Einstein, John von Neumann e Guido Beck) e depois Argentina, onde veio a falecer.
De grande craveira intelectual, foi último ministro da Marinha do Estado Novo (1968 a 1974).
Coronel Manuel da Silva Almeida (274/1933) Democrata, participou no golpe militar de 10 de Outubro de 1946, foi preso, demitido do Exército e expatriado pela Ditadura. Reintegrado com o posto de coronel em 1974.
25 DE ABRIL, DEMOCRACIA O profundo esgotamento a que chegara o Estado Novo, aliado à crise económica e social iniciada com a chamada crise do petróleo de 1970 e à agudização e prolongamento da guerra nos territórios ultramarinos, agravavam as debilidades do regime a cada ano que passava. A esperança do marcelismo, para resolver a situação, falhara. Depois de várias tentativas goradas, na manhã de 25 de Abril, um movimento de capitães, o Movimento das Forças Armadas (MFA) inicia um levantamento que rapidamente se alargou a toda a população civil e que terminou em poucas horas com o regime do Estado Novo. Neste movimento, essencialmente dirigido por capitães e oficiais subalternos, destacaram-se dois oficiais-generais, que já anteriormente, de forma muito corajosa, tinham deixado claro que o regime estava esgotado, ao não comparecerem no triste acto público de apresentação de cumprimentos ao Presidente do Conselho, Marcelo Caetano, feito pela generalidade dos oficiais-generais de então, a chamada “brigada do reumático”. Como consequência, foram então destituídos dos seus cargos. Foram eles os antigos alunos e generais, António de Spínola e Francisco Costa Gomes.
Antigos Alunos que tiveram alguma notoriedade neste período António Sebastião Ribeiro de Spínola (33/1920) Marechal. Foi um militar distinto, com um papel importante nas guerras ultramarinas. Ainda durante a II Guerra Mundial, participou com “observador Estagiário” da Wehrmacht na frente russa, integrado na Divisão Azul de voluntários espanhóis e de alguns portugueses. De 1968 a 1972, foi governador-geral e comandante-chefe das Forças Armadas da Guiné, onde granjeou grande prestígio e tentou ensaiar uma experiência federalista. Embora não fosse um democrata por tradição, o destino transformou-o numa das personalidades que levará à transformação da ditadura numa Democracia e o transformará num dos símbolos do 25 de Abril. Pertenceu à Junta de Salvação Nacional e depois da sua extinção, ao Conselho da Revolução. Foi Presidente da República de Maio de 1974 a Setembro de 1974. Foi membro do Conselho Supremo da AAACM.
Manuel Alfredo Tito de Morais (394/1921) Engenheiro. Foi em 1945, membro da comissão central do Movimento de Unidade Democrática (MUD), que entretanto é ilegalizado. Preso pela PIDE em 1947 e 1961, exilando-se a partir dessa data. Foi dirigente da Frente Patriótica de Libertação Nacional (FPLN) e em 1964 fundador da Acção Socialista Portuguesa, que viria a dar origem em 1973 ao Partido Socialista (PS). Depois do 25 de Abril foi deputado à Assembleia Constituinte e a partir de 1976, à Assembleia da República. Foi secretário de Estado do Emprego e depois da População e Emprego. Vice-Presidente da Assembleia da Republica de 1977 a 1983 e Presidente de 1983 a 1985. Foi presidente do PS de 1986 a 1988.
5 - Colégio Militar, Ordem de Seviço n.º 119 de 29 de Abril de 1942. Descerramento de uma lápide de homenagem aos “antigos Alunos mortos na Guerra de Espanha contra os bolchevistas”.
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Dos Antigos Alunos Os Antigos Alunos e a Política
Francisco da Costa Gomes (254/1924) Marechal. Intelectualmente brilhante, para além de distinto militar, foi também licenciado em Matemática, com distinção. Subsecretário de estado do Exército em 1958, esteve envolvido com Botelho Moniz, então ministro da Defesa, na tentativa de golpe de estado de Abril de 1961, tendo então sido exonerado. De 1965 a 1969, foi 2º comandante da Região Militar de Moçambique e em 1970, comandante da Região Militar de Angola. Foi chefe do Estado-maior general das Forças Armadas até 1974, altura em que, por não querer pactuar com os salamaleques políticos da chamada “brigada do reumático” a Marcelo Caetano, foi destituído. Pertenceu à Junta de Salvação Nacional e depois da sua extinção, ao Conselho da Revolução. Foi Presidente da República de Setembro de 1974 a Junho de 1976. Foi membro do Conselho Supremo da AAACM.
Eduardo Lourenço de Faria (92/1934) Para além de ser “uma personalidade intelectual, cultural, ética e cívica que marcou o século XX português”, particularmente a sua segunda metade, não foi um político no sentido partidário, mas foi um socialista intimamente fiel às liberdades politicas e um dos maiores cultores da reflexão política e elaboração teórica, no campo da teoria socialista. Também as “grandes questões do nosso tempo e da nossa identidade”, mereceram uma grande atenção deste pensador.
João Maria Paulo Varela Gomes (94/1935) Coronel. Em 1958 adere ao Movimento Militar Independente que apoia Delgado. Ligado à revolta da Sé de 1959, é desterrado para os Açores. Assume-se como candidato a deputado pela oposição em 1961. Líder operacional do assalto ao quartel de Beja de 1 de Janeiro de 1962, onde é gravemente ferido. Preso, é julgado em 1964. Apenas sai da cadeia de Peniche em 1968. Colabora com a CDE em 1973. Depois de 1974 circula nos meios do MFA, sendo um dos principais operacionais do COPCON.
José Joaquim Fragoso (26/1938) Engenheiro. Foi ministro das Finanças do IV e V governos provisórios. Desde os tempos da universidade que se iniciara na militância política, tendo sido dirigente associativo do IST. Participou no Movimento de Unidade Democrática Juvenil (MUDJ) e
apoiou as candidaturas presidenciais de Norton de Matos, de Ruy Luís Gomes e de Humberto Delgado.
António Morais Sarmento dos Santos Lucas da Costa Brotas (30/1940 Engenheiro e Professor catedrático do Instituto Superior Técnico (IST). Preso político durante a ditadura e exilado durante 12 anos. Membro do V governo provisório. Militante do Partido Socialista (PS). Secretário de Estado do Ensino Superior e Investigação Cientifica. O texto que se segue foi escrito em 1956, quando o autor estava a ser julgado num processo de medidas de segurança. Iniciado na cadeia do Aljube, foi terminado poucos dias depois em Caxias. Incluímos este texto, não por causa do seu autor, mas porque, apesar de ter alguma extensão, é dos poucos que falam abundantemente do Colégio Militar e dos seus valores, numa situação de excepção política, neste caso, num tribunal plenário do Estado Novo. Decreto nº 34.553, de 30 de Abril de 1945 Art.º 31, § Único – O arguido poderá no mesmo prazo juntar à resposta do defensor uma exposição pessoal sobre a sua vida, descrevendo o meio familiar e o ambiente social em que se criou, a educação, instrução e habilitação profissional que recebeu, as influências que sofreu na formação da sua personalidade, as tendências que se manifestam no seu carácter, os antecedentes próximos e remotos da sua delinquência, a sua situação familiar e modo de vida presente, ou imediatamente anterior à prisão, e tudo o mais que possa contribuir para uma caracterização tanto possível perfeita da sua personalidade. Meritíssimo Juiz João Augusto Fonseca de Moura do 2º Juízo Criminal da Comarca de Lisboa Venho fazer uso do disposto no § único do Artº 31 do Decreto-Lei n.º 34.553. (...) Em 1940 entrei para o Colégio Militar. Estive lá 7 anos. Se V. Ex.ª Senhor Juiz, perguntar a algum dos meus camaradas de então como é que eu era, certamente responderão: -Era um tipo “porreiro”. Nós éramos todos uns tipos “porreiros”. A minha família foi para os Açores. As comunicações eram um bocado irregulares. De uma vez recebi 7 cartas de minha Mãe e uma de meu Pai. Não se pode dizer que a guerra me afectasse muito. Eu estava num colégio que me encantava e tinha mais família em Lisboa. Fiquei numa ocasião muito zangado por me não ter sido permitido ir passar as férias aos Açores. Acabei por ir para uma praia. Afora isto, e a “campanha da batata-doce” em que as batatas do Colégio Militar foram substituídas por batatas-doces, a guerra em nada me incomodou. A vida do Colégio enchia-nos. Nada de verdadeiro está escrito sobre o Colégio Militar. Talvez algumas piadas, mas sobre a vida da “malta” ainda ninguém escreveu nada que se aproveitasse. E no entanto o Colégio Militar merecia um livro.
Dos Antigos Alunos Os Antigos Alunos e a Política
Duvido que algum dia venha a ser escrito e, na falta dele, guardo a fotografia de uma turma que não sei qual é tirada junto às escadas da Enfermaria. Gosto de ver aqueles miúdos com a cara a rebolar-se de gozo e os olhos a rirem-se para a máquina. Tínhamos uma terrível queda para as manifestações colectivas e um código de honra muito apurado que permitia com rigor saber o que era “canalhice” e o que não era. Havia também a vida oficial do Colégio. Ouvíamos lá muitos discursos, mas tínhamos uma sensibilidade muito apurada e quando um oficial se excedia em elogios a um Senhor Ministro, todo o Batalhão Colegial sabia perfeitamente que ele estava a lamber as botas ao Senhor Ministro. Fazíamos muito desporto e havia lá um sentimento de irreverência e fora da lei, que muito me agradava, e que os “meninos da Luz” perdem rapidamente quando saíam do Colégio. Aos domingos, quando o Batalhão era enfiado para dentro da Igreja, se o oficial de dia não tinha cuidado, ao atravessarmos os claustros, muitos de nós fugíamos para as camaratas ou para o alto da quinta para jogar futebol. E eu estou firmemente convencido, de que se há um Deus no Céu, ele gosta mais dos miúdos que fogem da missa para ir jogar futebol. O meu mundo era perfeitamente sólido, mas além disso havia o mundo em guerra. Resisti com a Inglaterra quando ela lutava sozinha. Zanguei-me com os alemães quando meteram barcos nossos no fundo e num dia em que ouvi um ardina dizer que a Rússia entrara na guerra, saí para a rua para ver de que lado é que era. Contei aviões abatidos e submarinos metidos no fundo. Avancei com os exércitos por cima dos mapas. Entrei na marcha para a Vitória, escrevia-se então com letra grande e, no final, a ideia de que a Inglaterra tinha ganho a guerra enchia-me o coração. Depois caiu a primeira bomba atómica e desconheci o problema humano e interessei-me pelo assunto “cientificamente”. Nessa altura começou a falar-se em Liberdade. Numas férias em que fui à cidade da Guarda, junto à estação, ouvi dois camponeses que falavam sobre a falta de batata e a fome que tinha havido nos anos da guerra. Achei muito estranho ouvir falar em fome. Toda a gente tinha falado em volfrâmio, mas de fome, e propriamente daquela maneira nunca tinha notado. É claro que eu sabia que as pessoas pobres passavam fome, creio mesmo que achava que os pobres tinham fome por culpa própria, mas sempre tinha identificado a palavra fome com pessoas e nunca com região. Começou então a falar-se em Liberdade e “reviralho”. Parece que ia haver eleições. Num sábado em que saí do Colégio, ao tomar a camioneta para a Amadora, o condutor lia alto a “República” para todos. Lembro-me que o artigo dizia que o povo “votava” rasgando os cartazes do governo. Num domingo à noite, um carro de reparações da Carris ficou encravado no Rossio. Os operários ficaram parados sem nada que fazer e houve um que disse: -”É uma greve de braços caídos”. E é este dito de um operário, no centro da cidade, que marca o momento em que senti pesar menos medo no meu País.
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Sempre que me lembro de 1945, pergunto quem foram aqueles dirigentes da oposição que permitiram a continuação do actual regime. Estas coisas emocionavam-nos no Colégio Militar. Havia uma canção destas canções escolares muito cantadas que começava: “Olé que somos da Esquerda, Olé vivam os esquerdistas…” O meu sétimo ano organizou-se em democracia parlamentar. A oposição estava em maioria. Eu era da oposição. Votámos a cor dos bilhetes para a “récita”. Os oficiais mandaram-nos imprimir sem nos consultar.
Pedro José Rodrigues Pires de Miranda (372/1940) Engenheiro e administrador de empresas. Dirigente e militante do Partido Social Democrata (PSD), ministro do Comércio e Turismo (1978) e ministro dos Negócios Estrangeiros (1985). Membro do Conselho Supremo da AAACM.
Nuno Manuel Guimarães Fisher Lopes Pires (115/1941) Coronel de Engenharia. Desterrado para o Estado Português da Índia na sequência das suas posições nas eleições presidenciais de 1958. Participante activo da Revolução do 25 de Abril, esteve com outros 6 oficiais no Posto de Comando da Pontinha, onde era o oficial de maior patente. Após o 28 de Setembro de 1974 passou a integrar a Junta de Salvação Nacional e depois da sua extinção, o Conselho da Revolução. Foi um dos 17 subscritores iniciais do “Documento dos Nove”.
Fernando Augusto dos Santos Martins (127/1941) Engenheiro. Militante do Partido Social Democrata (PSD), secretário de estado das Indústrias Ligeira e Pesada do I governo constitucional, ministro da Indústria e Tecnologia do III constitucional e ministro da Indústria e Comércio do X governo constitucional.
Pedro Júlio de Pezarat Correia (10/1943) Brigadeiro. Foi um dos capitães de Abril, membro da Comissão Coordenadora do Movimento das Forças Armadas (MFA) e membro do
Conselho da Revolução. Foi um dos responsáveis pela elaboração do chamado “Documento dos Nove”.
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Dos Antigos Alunos Os Antigos Alunos e a Política
Vasco Fernando Leote de Almeida e Costa (162/1943) Contra-Almirante. Foi membro do Conselho da Revolução e Ministro da Administração Interna do VI governo provisório e primeiro-ministro interino desse mesmo governo. Foi também governador de Macau.
Ricardo Manuel Simões Bayão Horta (25/1946) Engenheiro e Professor catedrático do Instituto Superior Técnico (IST). Dirigente do Centro Democrático e Social (CDS), foi várias vezes secretário de Estado, ministro da Indústria e Energia e ministro da Defesa Nacional. Membro do Conselho Supremo da AAACM.
Carlos Matos Chaves Macedo (239/1947) Médico. Dirigente do Partido Social Democrata (PSD), Secretário de Estado da Saúde e ministro dos Assuntos Sociais.
João António Morais Leitão (344/1948) Advogado, fundador do Centro Democrático Social (CDS). Foi ministro dos Assuntos Sociais de 1979 a 1980 e ministro das Finanças e do Plano de 1980 a 1981. Nas palavras de Ribeiro e Castro, “um personalista e democrata-cristão”.
Mário Alfredo Brandão Rodrigues dos Santos (56/1949) Tenente-coronel. Membro do Movimento das Forças Armadas (MFA) e assessor do Conselho da Revolução. Candidato independente pelo MDP/CDE nas eleições de 1987 e membro da Comissão Nacional de Apoio à Candidatura da Eng.ª Maria de Lurdes Pintassilgo. Eleito em 1989 para a Assembleia Municipal de Penafiel como independente pelos “Verdes”, integrado nas listas da CDU.
José Eduardo Fernandes de Sanches Osório (210/1951) Major. Participante activo da Revolução do 25 de Abril, esteve com outros 6 oficiais no Posto de Comando da Pontinha. Foi Director-geral da Informação e ministro da Comunicação Social. Fundador do Partido da Democracia Cristã (PDC), conotado com a extrema-direita e ilegalizado durante o PREC.
Francisco Sousa Lobo (95/1952) Coronel de Engenharia. Foi chefe de gabinete do general Vasco Gonçalves, no V governo provisório. É um dos maiores especialistas e historiador de fortes e fortificações. Presidente da Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos.
José Bernardo do Canto e Castro (397/1952) Major piloto-aviador. Membro da Comissão Coordenadora do MFA e depois membro do Conselho da Revolução. Após o 28 de Setembro, militou no Exército de Libertação de Portugal (ELP).
Duarte Nuno de Ataíde Saraiva Marques Pinto Soares (44/1953) Coronel de Engenharia. Foi um dos capitães de Abril, membro da Comissão Coordenadora do MFA e membro do Conselho de Estado e do Conselho da Revolução, do qual se demite, após os acontecimentos do “Documento dos Nove” e do 25 de Novembro.
Basílio Adolfo Mendonça Horta da Franca (144/1953) Licenciado em Direito, foi dirigente do CDS, deputado, tendo sido em representação deste partido, ministro do Comércio e Turismo, Ministro de Estado, ministro da Agricultura, Comércio e Pescas, Vice-Presidente da Assembleia da República, conselheiro de Estado e candidato à presidência da República. Mais tarde, foi deputado independente pelo Partido Socialista.
Pedro Augusto Lynce de Abreu Faria (21/1954) Engenheiro agrónomo e professor catedrático do Instituto Superior de agronomia (ISA). Militante do PSD, foi secretário de estado do Ensino Superior em 1987 e novamente em de 1991 a 1995. Ministro da Ciência e do Ensino Superior em 2002. Deputado de 2001 a 2009 e agora, desde 2011.
José Manuel Pauliac Matos Chaves de Menezes Alves (2/1955) Antigo militante do Partido Socialista, foi várias vezes candidato à Presidência da República.
Dos Antigos Alunos Os Antigos Alunos e a Política
Francisco Manuel Geraldo de Faria Paulino (265/1956) Capitão da Força Aérea, membro da Comissão Coordenadora do MFA, ficou célebre pelo seu papel na chamada “campanha de dinamização cultural do MFA”, que então se fez por todo o país.
Luís Ernesto Ferreira de Macedo (8/1957) Capitão de engenharia. Participante activo da Revolução do 25 de Abril, onde foi um dos 6 elementos do Posto de comando da Pontinha e membro da Comissão Coordenadora do MFA. Foi membro do Conselho da Revolução e do Conselho de Estado. Foi ainda secretário do primeiro-ministro do 1º e 2º governos provisórios.
Francisco José Aguiar Branco Sampaio (376/1957) Presidente da Câmara Municipal de Carrazeda de Anciães.
António Maria de Sá Leal (528/1959) Médico. Foi dirigente do Partido Revolucionário dos Trabalhadores (trotskista).
Vasco Paulo Lynce de Abreu Faria (21/1960) Professor de matemática no Colégio Militar. Presidente do Instituto Nacional do Desporto (1997), secretário de estado do Desporto de António Guterres e actual chefe de gabinete do ministro da Educação.
D. Duarte Nuno de Bragança (97/1960) Duque de Bragança e actual pretendente ao trono de Portugal. Após ter cumprido o serviço militar em Angola, organizou em 1972, nesse território, um grupo multiétnico de candidatos independentes às eleições para a Assembleia Nacional, ousadia essa que lhe valeu a sua expulsão de Angola pelo governo. No 25 de Abril, enquanto pretendente ao trono, divulga um comunicado em que afirma, nomeadamente: “Vivo intensamente este momento de transcendente importância para a Nação. Dou
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o meu inteiro apoio ao Movimento das Forças Armadas e à Junta de Salvação Nacional”. Mas onde teve uma grande notoriedade pública, foi, sem qualquer dúvida, no apoio e divulgação da causa Timorense, de que foi um defensor intransigente desde a primeira hora. Membro do Conselho Supremo da AAACM.
Pedro Domingos de Sousa Holstein Campilho (257/1960) Dirigente e militante do Partido Social Democrata (PSD) e deputado em várias legislaturas.
Alberto Manuel Belo da Cunha Matos (7/1962) Professor. Foi membro activo da Comissão Democrática Eleitoral (CDE) e do Comité Marxista-Leninista Português (CMLP) antes do 25 de Abril. Após o 25 de Abril, foi dirigente da União Democrática Popular (UDP), por quem se candidatou a Presidente da República em 1996, tendo então desistido a favor de Jorge Sampaio. Actualmente é militante do Bloco de Esquerda (BE).
Victor Manuel da Luz Azevedo (523/1964) Militante da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA). Morto na guerra civil que se seguiu à independência de Angola.
Fernando Jorge Loureiro de Reboredo Seara (453/1966) Advogado e professor universitário. Militante/dirigente do PSD e actual presidente da Câmara Municipal de Sintra. Neste período do 25 de Abril, que felizmente teve somente um breve período de maior radicalismo, o Colégio não teve grandes problemas, com excepção de um caso lamentável, até por ter envolvido antigos alunos, mas que uma “boiada” monumental do batalhão colegial prontamente resolveu, de acordo com a nossa melhor tradição colectiva. Também não houve nenhum “cavanço” colectivo de alunos neste período para apoiar uma das partes em confronto, como já acontecera por três vezes no passado. Contudo, não posso deixar de referir uma outra manifestação colectiva, transcrevendo a carta de alguns alunos do Colégio aos presos do 11 de Março de 1975, entre os quais se encontravam alguns antigos alunos e que, mais uma vez, traduz o Espírito Colegial.
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“Caros camaradas presos Esta carta é escrita pela malta mais nova, um grupo de alunos do Colégio Militar que apenas vos deseja enviar umas palavras de amizade e conforto no momento difícil que passais. Não acreditamos que todos vós sejais reaccionários ou fascistas como alguns, cá fora, vos chamam ou chamaram quando os ânimos estavam mais exaltados. Outros, não vos conhecem ou então, por conveniência ou cobardia evitam falar de vós. O respeito, a admiração e a estima que todo o povo português sente por vós e que bem o demonstrou quando do 25 de Abril, não se perderam nem se perderão. Aqui no Colégio, onde ainda não esquecemos esse dia que vivemos com uma grande esperança e entusiasmo, nós vos consideramos, de entre os bons, dos melhores, dos mais generosos, dos mais puros e bem-intencionados, ainda que, neste momento, alguns vos queiram fazer passar por aquilo que não sois nem nunca fostes. Acreditamos que também desejais como nós, a Democracia e a Liberdade para o nosso Povo e que não foi com certeza, vosso propósito fazer voltar tudo ao regime anterior. Mas ninguém por enquanto, tem coragem para vos defender. Apenas porque somos fieis à nossa Divisa “Um por todos e todos por um” e porque não esquecemos a verdadeira camaradagem que aqui aprendemos e que é, acima de tudo, pela lealdade e contra denúncia, qualidades estas que nunca deverão ser esquecidas pelos nossos militares do MFA (Movimento das Forças Armadas) é que vos queremos enviar um grande abraço, não só aos ex-alunos, mas a todos os que aí estão, para os quais a fraternidade e a dignidade aprendidas no nosso Colégio ou na vida Militar não foram esquecidas. Fazemos sinceros votos de que bem depressa tudo se esclareça, podendo voltar às vossas famílias e a ser novamente úteis ao País e ao Povo que de todos vós precisa e não esquecera, por certo muito injusto isso seria, os sacrifícios que vocês fizeram ao longo de toda a vossa carreira Militar. Dos vossos camaradas mais jovens “Meninos da Luz” 8 de Maio de 1975 Assinado (36 alunos do Colégio)6 Não quero concluir este período histórico, sem enfatizar que o pensamento português no século XX foi marcado por dois grandes vultos intelectuais de homens livres e democratas. Foram eles António Sérgio, na primeira metade e Eduardo Lourenço, na segunda metade e no caso deste último, também nestes primeiros anos do século XXI. Estes dois grandes portugueses, são sobejamente conhecidos de todos. Mas o que provavelmente a maioria das pessoas não sabe, é que estamos a falar do 178 de 1894 e do 92 de 1934. Ambos foram Meninos da Luz!
6 - Revista da AAACM, n.º 110.
EM CONCLUSÃO Por tudo isto que foi dito, não será descabido concluir, que para além do período absolutista, no breve reinado de D. Miguel, terá sido durante os quase 50 anos da Ditadura Nacional e do Estado Novo, dadas as características autoritárias e totalitárias desses regimes, que a pressão e a tentativa de condicionamento ideológico foi mais sentida e que os valores da Liberdade mais foram postos à prova. Mas para além de alguma patine própria de cada época, que sempre deixa ficar as suas marcas, nunca os princípios fundadores, a Tradição e o Espírito Colegial foram destruídos. Reconheço contudo, que essas características de cada época, em particular no período do Estado Novo, que dada a sua grande longevidade e proximidade histórica, possam ter levado a criar, em determinada altura, uma certa ideia de concubinato ideológico entre o Colégio e o regime anterior, o que poderá então ter gerado alguns preconceitos ideológicos contra o Colégio Militar, preconceitos esses, que hoje julgo já não existirem, ou pelo menos, serem totalmente marginais na nossa sociedade. Pela mesma razão, o que dissemos no parágrafo anterior também se aplica aos meses que se seguiram ao 25 de Abril, no período que ficou conhecido como PREC, os quais se caracterizaram por uma ingerência política e vários tipos de pressão ideológica, inclusive a ameaça de encerramento, que felizmente não teve sucesso, acabando por terminar sem grandes convulsões internas e, mais uma vez, sem nunca abalar os nossos valores e a continuidade desta instituição. Ao longo destas linhas, desfilaram perante os nossos olhos um grande número de antigos alunos, que durante estes 210 anos de vida do Colégio se evidenciaram, duma ou de outra forma, uns mais, outros menos, como figuras da vida política nacional e se afirmaram na sociedade com as mais diversas crenças politicas e com quem alguns de nós encontrarão mais afinidades, ora com uns, ora com outros. Esta capacidade prodigiosa de formar tantos portugueses, tão notáveis uns, menos notáveis outros, mas todos tão diversos, não se deveu nunca a uma política de formatação e condicionamento das mentes, mas, e antes pelo contrário, àquele intangível e elevado Espírito Colegial, que sempre nos tornou iguais nos Valores e diferentes no Pensamento e na Acção. É isto, que torna esta escola fantástica e única. Parece que dentro da nossa alma ficam, através da Vida, duas personalidades - uma a que se criou como resultante da evolução e amadurecimento do espírito, dos vai-vens da sorte, da profissão que se exerce, da cultura que se adquiriu, da natural inclinação das nossas ideias, das nossas ambições, dos nossos nervos, da nossa psicologia... e outra, a do antigo aluno do Colégio Militar, que se manteve íntegra, firme, invulnerável, orgulhosa até ao último minuto da sua vida! Tu lá, que és? Um avançado? Um conservador? Um ateu? Um triunfador? Um vencido?... Que importa! Estiveste no Colégio Militar. Viveste debaixo do mesmo tecto que eu vivi. Há 10, 15 ou 20 anos?
Dos Antigos Alunos Os Antigos Alunos e a Política
Comeste à mesma mesa? Dormiste na mesma camarata? Guardas no peito as recordações imorredoiras daqueles anos de convivência? Lembras o recanto do geral, o sol que víamos pela janela, a ânsia de liberdade, a tristeza do entardecer, a conversa da camarata, a tortura da alvorada, o pavor das aulas, os companheiros de carteira, as nossas esperanças, as nossas ilusões, as alcunhas, o calão, a graça, a vida daquela colmeia, a bondade com que nos olhávamos, a simpatia que nos ligava? Foste educado naquela exemplaríssima escola de camaradage m. Eras o 45, o 205, o 209 ou o 200? És meu irmão! Estás ligado a mim por esse traço indestrutível da mesma saudade, tão forte, tão viva, tão doce, que eu ao escrever estas linhas tenho as lágrimas nos olhos...»7. Um por Todos, Todos por Um Belíssimo lema este, que tanto resume e que com toda a justiça, hoje decora o nosso guião. É por tudo isto, que Liberdade e Democracia, sempre foram as opções maioritárias dos antigos alunos. Mas atenção, não quero com o que disse atrás, garantir que sempre fomos imunes e estivemos acima da sociedade que, em cada período da história nos envolveu e que, inevitavelmente, de uma ou outra forma, nos deixou algumas marcas e até mesmo algumas cicatrizes, próprias de cada uma dessas épocas. Nada disso. O que quero afirmar sem qualquer hesitação, é que a maior ou menor influência que cada uma dessas épocas históricas exerceu sobre a sociedade no seu conjunto e sobre o Colégio Militar em particular, nunca alterou nem destruiu a essência dos nossos Valores, os quais são eternos, por representarem aquilo que de melhor existe na Humanidade e que estão tão bem consubstanciados, permitam-me a insistência, no nosso Código de Honra, os quais, transmitidos através da Tradição, formam aquilo a que, com um enorme orgulho chamamos − o Espírito Colegial. Se não for sobranceria da minha parte, seja-me permitido dizer que uma das lições que podemos tirar da vida e obra incríveis desta Instituição ao longo dos seus 210 anos, é que podemos ser de direita ou de esquerda, revolucionários ou conservadores, religiosos ou ateus, mas seremos sempre homens que prezamos a HONRA acima de tudo, amando profundamente a sua PÁTRIA, moldados com um grande sentido de GENEROSIDADE, escorados numa grande DISCIPLINA e RESPONSABILIDADE em todos os actos que praticamos, com um apuradíssimo sentido de CAMARADAGEM, sem canalhice nem nepotismo e praticando sempre o BEM, sem VIOLÊNCIA nem DESPOTISMO. Que não pareça mal a alguns camaradas que tiveram a paciência e a benevolência de ler este artigo até agora. Mas não queria deixar de fazer uma última reflexão, apesar de ser uma reflexão amarga. É verdade que a História está povoada de gente que, à sombra de alguns dos grandes valores da humanidade, dos quais julgam ser eles os
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únicos a ter o seu monopólio, como sejam a Pátria, a Honra, o Dever e até mesmo a Liberdade, cometeram autênticas barbaridades. Felizmente que no Colégio, estes casos são despiciendos, pelo achei que não seria este o local para serem mencionados. E de tão poucos, nem uma leve mancha deixaram na nossa honrosa história. Mas uma coisa todos têm em comum: todos foram Meninos da Luz. Mas atenção, quando digo barbaridades, não digo erros. Porque erros todos nós podemos cometer, uns mais graves que outros, mas esses, pelo menos em tese, poderão ser perdoáveis, porque quando temos nobreza de carácter, é sempre possível corrigi-los com honradez. Costumo dizer que é preferível errar de vez em quanto, que ser santo toda a vida. De tudo o que foi dito, o que mais impressiona, não é só esta capacidade de abertura a realidades tão diferentes. Até acredito que possa haver outras escolas onde isso também se possa verificar. Agora o que é realmente notável e único, é que o Colégio Militar tenha conseguido este feito, ininterruptamente, ao longo dos seus 210 anos. Esta capacidade de preservar a Liberdade, dentro do espaço Colegial, é, a meu ver, uma das mais formidáveis características da Tradição e do Espírito Colegial. A este propósito costuma referir-se o Padre Braula Reis, que foi capelão do Colégio e é uma figura incontornável da sua história, dizendo que o Colégio Militar foi o único sítio onde conheceu o autêntico exercício da Liberdade. Cada aluno é livre de pensar e de dizer fundamentadamente o que pensa.8 Por isso, não será descabido concluir, em linguagem colegial, que o nosso Código de Honra é a base da vida em Democracia: a defesa dos valores individuais e de grupo, sem qualquer forma de despotismo ou canalhice. E para terminar este artigo, nada melhor que a opinião de duas personalidades, exteriores ao Colégio Militar, mas que de uma forma muito feliz, sintetizam a escola de CIDADANIA que é esta centenária instituição. «O Colégio tem isto de simpático: nele, o espírito militar não subalterniza o espírito civil, de forma que os rapazes saem daqui, a um tempo, soldados e cidadãos, como cumpre a democracia que, não só pela força, mas também pelo prestígio, precisa de defender-se e progredir».9 Ou mais recentemente. «Os alunos do Colégio Militar absorvem aqui os valores e princípios que o Estado, verdadeiramente soberano e digno do seu povo precisa, hoje mais do que nunca. Os alunos do Colégio Militar sempre se souberam distinguir. Na defesa da soberania. Na defesa da liberdade e na construção e desenvolvimento do país. Dos teatros de África às missões internacionais em que hoje estamos empenhados. Da política, à economia ou mesmo na chefia do Estado. Não é seguramente por acaso que esta é a instituição de ensino que mais Chefes de Estado deu ao nosso país».10
7 - Coelho, José Maria Pereira, ex-aluno n.º 56/1889, em 1925. 8 - Citado por José Alberto da Costa Matos, in “Introdução Histórica”, “Quem é Quem II”. 9 - Palavras manuscritas no dia 16 de Outubro de 1919, no “Livro de Honra” do Colégio Militar, por António José de Almeida, Presidente da República desde Agosto desse ano. 10 - Discurso proferido no Colégio Militar, na cerimónia da Abertura Solene do Ano Lectivo de 2011/2012, por José Pedro Aguiar Branco, Ministro da Deffesa Nacional.
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Dos Antigos Alunos Antigos Alunos em Destaque
Antigos alunos
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Na Revista do Expresso, nos “100 mais influentes portugueses” dos últimos 12 meses, divididos por “Agitadores”, “Consagrados”, “Criadores”, “Líderes”, “Revelações” e “Visionários”, estão dois Antigos Alunos: Eduardo Lourenço de Faria (92/1934) e Pedro Mendonça de Queiroz Pereira (140/1959).
Eduardo Lourenço de Faria (92/1934) O filósofo Eduardo Lourenço faz parte do lote dos “Visionários”, com António Guerreiro a designá-lo por “Português e universal” e a escrever: «Eduardo Lourenço (nascido em 1923) é, desde há bastante tempo, o intelectual português por excelência, aquele que intervém no espaço público com a autoridade que lhe advém da capacidade de reflectir sobre tudo o que se passa e de tornar o mundo mais legível. Este reconhecimento nacional que gera hoje um grande consenso obriga no entanto a recordar que foi como heterodoxo que se estreou em 1949, com um livro que se intitulava precisamente “Heterodoxia” e
que rompia com os modelos de pensamento dominante da época, tão desalinhado com o regime como com os modelos filosóficos e culturais da oposição. Foi uma estreia filosófica que não teria continuidade, já que o filósofo se mudou com armas e bagagens para o campo da literatura, de onde nunca mais sairia. A ele se deve uma leitura pioneira de Fernando Pessoa que tão grande efeito teve; e a ele se deve uma “psicanálise mítica do destino português” (“O Labirinto da Saudade”), com a qual ganhou o estatuto público de “pensador de Portugal”, algo que ele encarou sempre com muita ironia»
Pedro Mendonça de Queiroz Pereira (140/1959) Pedro Queiroz Pereira integra o lote dos “Consagrados”, com Anabela Campos a considerá-lo “Um dos últimos industriais portugueses” e a escrever sobre o empresário: «Pedro Queiroz Pereira não gosta muito de aparecer e só fala aos meios de comunicação social quando considera oportuno, mas é um dos homens mais poderosos do país. Afinal, a Semapa, empresa que lidera, é a cabeça de um dos poucos grupos portugueses que não está refém do endividamento. E é a dona de uma das maiores e melhores empresas portuguesas, a Portucel, que exporta 94% da sua produção. Ele é hoje considerado um dos últimos industriais portugueses. Porém, a vida nem sempre lhe sorri: o empresário acabou de ver fugir-lhe das mãos a Cimpor, uma empresa que desde há 12 anos deseja ter no portefólio de negó-
cios. Além da Portucel e da cimenteira Secil, comprada em 1994, a família de “Pêquêpê” – como é conhecido no mundo das corridas de automóveis – detém o Ritz, negócios de imobiliário e no agro-turismo. Juntam-se-lhe investimentos na América do Sul, nomeadamente no Brasil, em Angola e em Moçambique. Pedro Queiroz Pereira gosta de se dar bem com o poder – teve uma relação cordial com José Sócrates, que apoiou a expansão da Portucel e dar-se-á bem também com o novo executivo de Pedro Passos Coelho. Aproximou-se dele para lhe propor uma solução portuguesa para a Cimpor e assume que está interessado em algumas das futuras operações de privatização. O chumbo da sua proposta para a Cimpor poderá ser um trunfo em futuros negócios com o Estado, uma vez que lhe dá capital de queixa».
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António Cabral de Campos Felino (577/1965) fessor catedrático de Cirurgia Oral na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto, ao receber o galardão com que foi agraciado referiu que uma carreira nasce espontaneamente como as plantas silvestres na natureza e a minha foi exactamente assim, assumindo as tarefas que me incumbiram e as responsabilidades da melhor maneira de modo a dignificar a Medicina Dentária e os colegas. Na extensa entrevista que então concedeu, onde abordou inúmeros aspectos relacionados com a sua vida profissional e pessoal e com o exercício e o ensino da Medicina Dentária, transcrevemos com a devida vénia três questões que lhe foram colocadas e as respostas que deu: Galardoado com o Prémio Especial Carreira, no conjunto de prémios considerados como os Óscares da Saúde Oral, médico dentista, doutorado em Cirurgia Oral pela Universidade do Porto e pro-
Nasceu no Porto, vive no Porto, foi aluno da Faculdade de Medicina do Porto, é professor na Universidade do Porto, tem consultório no Porto e é do Futebol Clube do Porto. Coincidência ou foi mesmo propositado?
É verdade, tudo no Porto ... Houve apenas um interregno de sete anos quando frequentei o Colégio Militar. Até que ponto ser Menino da Luz lhe deixou marcas na sua personalidade?
Deixou tantas ... A camaradagem, a honradez, a honestidade. Repare, éramos 700 alunos e não havia nem uma chave, nem um cadeado. E havia o armário dos achados. Tudo o que não nos pertencia ia para ali. Fez todo o liceu lá?
Sim, já que na altura o meu pai era capitão-médico. Foram sete magníficos anos. O Colégio tinha a capacidade de transformar uma criança de dez anos numa pessoa responsável. Penso que independentemente do berço e da educação dos pais e dos avós, o Colégio Militar ajudou-me no sentido da responsabilidade. Saudamos o nosso Camarada António Felino pela sua brilhante carreira e pelo ambicionado prémio com que foi galardoado.
Manuel Maria Sarmento Cavaleiro de Ferreira (57/1977)
Licenciado em direito pela Universidade Católica de Lisboa, foi reeleito Presidente da Direcção do Ginásio Clube Português para o quadriénio 2012 / 2016.
O Ginásio Clube Português, fundado em 1875, instituição privada de utilidade pública, tem ao longo dos seus 137 anos de existência desempenhado um papel determinante no desenvolvimento e promoção do Desporto, Saúde e Educação Nacional. Nele nasceram a maior parte das modalidades desportivas que se praticam hoje em Portugal, sendo também responsável pelo nascimento do movimento olímpico Português. O Comité Olímpico Internacional, em reconhecimento do trabalho ímpar realizado em prol do desporto, já por duas vezes agraciou o Ginásio Clube Português com a atribuição da Taça Olímpica “Fearley” (1951) e da Taça Olímpica (1981), troféus estes destinados a galardoar clubes amadores de reconhecido mérito mundial, sendo o único clube do mundo a deter esta dupla distinção. A nível nacional detém inúmeras condecorações, sendo as mais relevantes: Colar de Honra ao Mérito Desportivo; Colar de Valor, Mérito e Bons Serviços da Federação
Portuguesa de Ginástica; Comendador da Ordem de Benemerência; Comendador da Ordem Militar de Cristo; Grande Oficial da Ordem de Instrução Pública; Medalha de Honra de Mérito Desportivo; Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa; Medalha de Ouro da Federação Portuguesa das Colectividades de Cultura e Recreio; Membro Honorário da Ordem do Infante; Sócio de Mérito da Federação Portuguesa de Ginástica. Gere duas instalações desportivas, um complexo desportivo na sua sede e uma piscina em Campo de Ourique, com uma oferta de actividade desportiva de aproximadamente 600 horas semanais, contando com uma qualificada estrutura profissional de 130 professores de educação física e com 80 funcionários de apoio. Na sua área de intervenção é o maior clube do País, conta com cerca de 12.000 associados de todas as idades, com mais de 7.000 praticantes de actividade desportiva dos quais 2.300 são crianças e adolescentes, tendo a Família e o bem-estar do indivíduo como os seus mais altos valores de referência.
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Dos Antigos Alunos Um legado com 55 anos
José Alberto da Costa Matos (96/1950)
Um legado com 55 anos A
inda jovens, quando deixámos o Colégio Militar onde passámos os melhores anos da nossa juventude, acontece que, nos três ou quatro anos que se seguem, a ele voltamos com frequência em busca da camaradagem vivida, do conforto de amigos de sempre ou simplesmente para acalmar uma saudade agitada pela realidade que fomos encontrar no exterior, onde os valores que nos foram ensinados e que aprendemos a cultivar são constantemente violentados pela competição sem regras, pelo individualismo exacerbado e por uma inquietante incerteza. Depois, a vida obriga-nos a ir em frente. A conclusão de um curso, o começo de uma actividade, a construção de uma família e o duro percurso de ascensão e afirmação profissional, forçam-nos a espaçar os regressos à Luz. Mas a recordação, a saudade e o apelo, esses permanecem dentro de cada um. Passamos a ir ao Colégio quando se fazem as reuniões do nosso Curso ou, um pouco mais assiduamente, se lá temos um filho como “Menino da Luz”. Mas, de um modo geral, vamos perdendo lentamente o conhecimento das transformações que se ali se vão operando, das alterações de comportamento e de afectividade dos professores e funcionários em relação aos alunos, da organização e do funcionamento interno, das praxes colegiais e, por vezes, das próprias tradições. Por isso se ouve frequentemente a frase: “No nosso tempo não era assim!”. A AAACM, que tem como objectivo fortalecer os laços de solidariedade entre os antigos e actuais alunos e realizar actividades de filantropia junto daqueles que necessitem de apoio, vive de igual modo as consequências do trajecto de vida de cada um. E isso é visível pelo número de sócios existente e pelos que têm as suas cotas em dia, pelo quantitativo dos que comparecem e se pronunciam
nas assembleias gerais, pelos que se juntam nos eventos promovidos pela Associação ou mesmo pelos que frequentam o restaurante. Só mais tarde, a partir da meia-idade, atingido o topo da carreira e com os filhos lançados na vida, os antigos alunos regressam mais amiudadamente ao Colégio e à sua Associação, porventura na tentativa de recuperar um tempo que o tempo restante faz ameaçar.
É certo que a AAACM edita uma Revista “de carácter informativo, memorial e lúdico e, também, evocativo dos valores apreendidos no Colégio Militar”, que vai estabelecendo a ligação entre os antigos alunos e a Associação, mas o que é facto é que há muitos que a não recebem e outros haverá que a não lêem. O cenário atrás traçado em pinceladas largas, serve de justificação para este artigo. De facto, se por um lado a idade nos faz interessar por coisas para as quais não tínhamos tempo, por outro, quando mais novos, falta-nos a curiosidade do historial e do porquê de coisas com que, sem pensar, lidamos no dia-a-dia. Como se elas sempre assim tivessem existido! Ora bem! Pelas minhas contas, a maioria dos que tiverem 55 ou menos anos, não fará ideia de quando, como e porquê nasceu a Revista da Associação, do que foi a sua evolução, e ainda menos quem foram
aqueles que lhe deram vida, a acarinharam e a fizeram chegar até hoje. E porquê? Porque a Revista teve a sua origem há precisamente 55 anos, e porque colecções completas da Revista são hoje uma raridade. Duas estão disponíveis para consulta na biblioteca da Associação e, na posse de antigos alunos não devem existir muitas mais. Recuemos então a 1957. Nesse ano, o 121/1921, José Godinho Gama Barata, que fora Secretário da Direcção da AAACM nos dois anos anteriores, teve a ideia de criar uma publicação periódica que constituísse “um meio de ligação” entre antigos alunos.
Muniu-se da sua enorme capacidade de trabalho, explorou a sua infindável dedicação por tudo quanto dissesse respeito ao Colégio e aos seus antigos alunos e deitou mãos à obra.1 Conseguiu convencer alguns patrocinadores (Seguros “A Mundial”, Sociedade Comercial Guérin, Laboratórios Atral, Mobil Oil Portuguesa e Sociedade Importadora de Artigos
1 - Para mais pormenores sobre Gama Barata, ver a Introdução a «O Colégio Militar na Toponímia Portuguesa», Costa Matos, AAACM-Lisboa, 2009.
Dos Antigos Alunos Um legado com 55 anos
de Refrigeração) e, em Junho de 1957, publicou o n.º 1 do que chamou de “BOLETIM da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar”, composto e impresso na Sociedade Industrial Tondelgráfica, e com o formato 21,7 x 27,5 cm.
Era uma espécie de folheto com oito páginas, impressas a castanho e, nesse primeiro número, o Gama Barata inseriu na primeira delas um artigo de apresentação com o título “Ao que vimos”, em que escreveu o seguinte: «Tem sido reconhecida por muitas agremiações a grande vantagem de existir um meio de ligação entre aqueles que as constituem. E, porque assim é, afigurou-se-nos também indispensável procurar-se esse “meio de ligação” entre todos aqueles que, em sucessivas gerações, tiveram a subida honra de envergar a farda cor de pinhão dos “Meninos da Luz”. Pretende a nossa Associação ser a continuadora, pela Vida além, daqueles sentimentos da mais fraterna amizade, indestrutivelmente cimentados durante os anos, que jamais se esquecem, passados portas adentro do Colégio Militar. Impõe-se-lhe, portanto, a obrigação de manter um íntimo e estreito contacto com todos os seus Associados, permitindo-lhes ter conhecimento perfeito da marcha da sua vida que de todos deve merecer o mais carinhoso interesse. Eis pois, a razão de ser deste “Boletim”, que se espera, a um tempo, venha a ser realidade aquela nossa aspiração e vincular, mais fortemente ainda, os laços de sentida Camaradagem, a traduzirem-se no apreço dispensado à nossa Associação.
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E, com este apreço, assim o julgamos, nos comportaremos conscienciosamente como Ex-Meninos da Luz, honrando o emblema que orgulhosamente ostentamos – a Gloriosa Barretina do Colégio Militar – símbolo do maior respeito, amor e gratidão pelo modelar Estabelecimento que nos educou e preparou para nos tornarmos Homens de Portugal.» Minucioso em tudo quanto fazia, Gama Barata era o editor, director, narrador, angariador e cobrador do Boletim, mas a sua tenacidade e empenho só conseguiram que ele vingasse até Março de 1959, quando foi publicado o seu n.º 4, então editado no formato 22,0 x 32,5 cm.
cianos” (oficiais do quadro de complemento). Não admira, por isso, que o n.º 1 da Revista surja com um artigo de abertura intitulado «Meninos da Luz – Heróis do Ultramar», no qual são divulgados vários antigos alunos condecorados por feitos em combate. Esta prolongada guerra em África (1974) viria, aliás, a ser um dos temas recorrentes da Revista durante esse período.
Mas a semente ficou a germinar durante seis anos. Em 1965, Carlos Vieira da Rocha (189/1929), vogal da Direcção empossada nesse ano, tomou nas suas mãos a tarefa de editar uma publicação que desse sequência ao Boletim bem como ao seu objectivo essencial. O primeiro número saiu em Outubro desse ano sob o título “REVISTA da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar”, que viria a manter até Abril de 2010. Tinha o formato 16,2 x 23,3 cm e era impresso na Tipografia Godal (Entroncamento). Nesta primeira edição da Revista é fácil apercebermo-nos de que ela vivia fundamentalmente dos 39 patrocinadores cujos anúncios ocupavam 23 das 61 páginas, capa e contracapa da Revista. Por essa altura (1965), a guerra iniciada em Angola em 1961 abrira novas frentes na Guiné e em Moçambique, aí se encontrando vários antigos alunos servindo quer como oficiais do quadro permanente dos três ramos das Forças Armadas, quer também como “mili-
Na sua já longa existência, a Revista foi tendo várias configurações, não só no conteúdo, mas, sobretudo, na sua capa e no formato. Mas façamos uma breve retrospectiva.
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então Presidente da Direcção, com a concordância do responsável pela edição, Leal de Matos (371/1949). Esta mudança causou, inicialmente, algum desconforto aos mais con-
O grafismo do primeiro número manteve-se durante pouco mais de dois anos. Com efeito, em Janeiro de 1968 (sendo ainda Vieira da Rocha seu responsável), a Revista saiu com um novo visual, mais apelativo, e com um número de páginas substancialmente aumentado. E assim se manteve até Vieira da Rocha deixar o cargo que assumira dez anos antes. Passada a agitação decorrente da revolução de “25 de Abril”, a Revista retoma em 1976 ao seu grafismo inicial mas, desta feita, em tons de azul e branco.
gem digital conduziu, inevitavelmente, a que a capa passasse a ter como elemento central uma fotografia alusiva ao Colégio Militar. Treze anos mais tarde, em Setembro de 2007 ocorreu mais uma pequena alteração: a capa da Revista passou e ostentar o emblema da AAACM sobreposto à fotografia da capa.
Decorridos dois anos, o “3 de Março” de 1978 (celebravam-se então os 175 anos do Colégio), constituiu motivo para, com uma edição especial, se assinalar o n.º 50 da Revista da AAACM. Chegados a 1983, sucedem mais duas pequenas alterações: o formato reduz-se para 14,6 x 21,0 cm e a capa, ainda que conservando os mesmos tons de azul e branco, é agora como que uma espécie de “negativo” da que vinha sendo usada até então. Decorridos mais três anos, a edição n.º 83 de 1986, ainda que conservando o formato antecedente, apresentou-se com uma capa completamente distinta das anteriores; era agora em tons de amarelo e castanho e tinha uma barretina a cores no canto superior esquerdo. De 1992 a 1994 a Revista ainda voltou ao aspecto que passara a adoptar em 1976 mas, a partir de Junho de 1994, o incremento da ima-
Mas a grande transformação evolutiva processou-se com o n.º 179 de Setembro de 2010. A revista muda de nome, altera o seu formato e sofre uma clara melhoria em termos gráficos. Passou então a designar-se «Zacatraz», por iniciativa do Martiniano Gonçalves (9/1958),
servadores, vindo desde então a esbater-se progressivamente, por força da habituação. O tamanho cresceu para 20,0 x 26,5 cm e a imagem passou a ilustrar os textos com muito
maior profusão, de tal sorte que, no conjunto das transformações operadas, a revista passou a ter uma muito melhor qualidade. Ao longo desta já longa caminhada de 55 anos, a revista da AAACM publicou cente-
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nas de artigos, escritos ou não por antigos alunos. Abordam os mais diversos temas, a maioria dos quais relacionados com o Colégio, com aqueles que nele estudaram ou
para que aqueles que se interessarem não tenham, como eu, de passar em revista dezenas das mais antigas edições: - «Colégio Militar - Matéria e Espírito», de Álvaro Neves da Fontoura, 116/1910 (na edição n.º 2). - «Alcunhas», «A Carroça dos Cães», «O Mendes Barbeiro», «O Vinte», «Passa a Beata», «Os Pencos», «O Animatógrafo» e «O Cabo Ferreira», de Luís Colaço, 301/1909 (respectivamente nas edições nºs 2, 3, 4, 6, 8, 10, 12 e 22). - «As Graduações» e «O Colégio em Crise?», de António Roma Torres, 114/1957 (nas edições nºs 6 e 8). - «Os Meninos da Luz e o Teatro», de Jorge Freire Garcia, 63/1915 (nas edições nºs 11 e 15). - «Ó tempo Volta para Trás», de Jorge Figueiredo Barros, 62/1896 (nas edições nºs 11, 14, 16, 18 e 21).
com a Associação. Actualmente, muitos deles tornaram-se num excepcional repositório de elementos para a História do Colégio Militar, cujo mérito resulta do facto de os seus conteúdos não constarem dos arquivos nem dos documentos oficiais, o que faz deles um património de raro valor. Do folhear atento dos diversos exemplares da Revista, alguns trabalhos mereceram o meu especial interesse. Passo a divulgá-los
- «A Aviação Portuguesa e o Colégio Militar», de Edgar Cardoso (nas edições nºs 41, 42, 46, 48, e 52). - «A Revista Militar na sua ligação com o Colégio Militar», de Fernando Louro de Sousa, 239/1922 (na edição n.º 50). Com a designação de “director”, ou qualquer outra, a revista foi tendo vários e muitas vezes ignorados “trabalhadores” a quem coube, quase que exclusivamente, a inimaginável canseira de “dar à Luz” os 188 exemplares da Revista mais os 4 Boletins. Foram ou são eles:
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Carlos Vieira da Rocha (189/1929) - do n.º 1 (1965) ao n.º 38 (1975); Rui Manuel Figueiredo de Barros (62/1936) - do n.º 39 (1975) ao n.º 55 (1979); José Manuel Galhardo Soares Zilhão (288/1927) - do n.º 56 (1979) ao n.º 62 (1980); José Leonardo Gomes Marques (345/1940) - do n.º 63 (1980) ao n.º 67 (1981); António Colares Pereira (300/1946) - do n.º 68 (1982) ao n.º 76 (1984); Carlos Manuel da Costa Freitas (50/1933) - do n.º 77 (1984) ao n.º 82 (1985); Manuel Pinto Machado (92/1953) - do n.º 83 (1985) ao n.º 98 (1990); António Colares Pereira (300/1946) - do n.º 99 (1990) ao n.º 106 (1992); Carlos Vieira da Rocha (189/1929) - do n.º 107 (1992) ao n.º 114 (1994); António Colares Pereira (300/1946) - do n.º 115 (1994) ao n.º 136 (1999); Mário Margarido e Silva Falcão (314/1936) - do n.º 137 (2000) ao n.º 177 (2009): Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949) - desde n.º 178 (2010). De entre eles, sejam-me permitidas quatro referências especiais: Ao Gama Barata, que foi aquele a quem primeiro coube sonhar com o Boletim.
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Ao Carlos Vieira da Rocha, que foi o pai e mãe da Revista. Ao Mário Falcão que, após dez anos de dedicadíssima e profícua actividade efectiva como director, se viu de repente impossibilitado de exercer o cargo por razões de doença, figurando no entanto nominalmente na revista como Director.
E ao Gonçalo Leal de Matos que, desde 2010 inclusive, no impedimento do Mário Falcão, assegura sob a designação de Chefe de Redacção, todos os trabalhos necessá-
rios, e que foi o grande obreiro das últimas e importantes modificações que conduziram ao actual “Zacatraz”. A todos eles é devido o nosso eterno agradecimento e a nossa saudação Colegial: o Zacatraz! Mas a todos os outros, a maioria dos quais se acomoda à sua condição de meros leitores (não obstante terem a crítica sempre pronta na ponta da língua), é também devida qualquer coisa: um apelo! A nossa revista é feita da “carolice” de quem tem a “criança no colo”, e é também feita de papel, tinta e cola. Mas sem textos e imagens... não há revista! Já perceberam, por certo, onde quero chegar. Há muitos de nós que podiam escrever memórias do seu tempo, factos ocorridos, acontecimentos envolvendo antigos alunos... e tantas outras coisas. Já se sabe que o grosso do Batalhão de ex-alunos se refugia na estafada frase «Éh pá, eu não tenho jeito para escrever!», que todos sabemos esconder afinal uma tremenda “sornice”. Pensem bem: a coisa nem é tão difícil quanto isso; se já se tem uns anitos, começa-se por pegar num papel e num lápis (ou caneta), depois sentamo-nos a uma mesa... e, finalmente, começamos a escrever; se se está a par das modernas tecnologias ainda é mais fácil, pois basta abrir o “Word” e começar a carregar nas teclas, tendo o cuidado de, no fim accionar o “save as” para não se perder o trabalho. Serve isto, meus caros, para dizer que tudo é uma questão de vontade. O que é triste é que um dia tenhamos de partir, deixando perdidas algures no éter inúmeras histórias e memórias; aquelas que passamos a vida a contar uns aos outros (às vezes repetidamente!), sem que das mesmas fique registo para a História. Mas mesmo admitindo que haja alguns que “chumbaram” a Português, ou só passaram com 10, há sempre fotografias ou docu-
mentos do “nosso tempo” que importaria guardar nas páginas da revista pois são, também eles, comprovativos históricos cujo interesse e importância não somos, no tal “nosso tempo”, capazes de avaliar. Umas e outros, se não forem publicadas e/ou entregues no Arquivo do Colégio Militar ou da AAACM, acabarão provavelmente por ir cair nas mãos de alguém que os atirará para um destino sem regresso. Vá lá! Mãos há obra! Se outra razão não bastar, fá-lo ao menos em homenagem aos que nos deixaram como legado a nossa Revista.
Restaurante Jardim da Luz premiado O Restaurante Jardim da Luz, que funciona nas instalações da AAACM e que é ponto de encontro de muitos Antigos Alunos do CM, foi premiado com “1 Garfo”, no Concurso Gastronómico “Lisboa à Prova 2010”. Foi com natural satisfação que os concessionários do restaurante receberam a distinção, tanto mais que Qualidade de Serviço, Atendimento, Refeições e Preço eram os principais aspectos valorizados. Recorde-se que no “Jardim da Luz” há um menu “Colégio Militar”, que quando usado permite à AAACM receber 1 Euro por cada menu servido.
Dos Antigos Alunos Mensagem breve aos MENINOS DA LUZ
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Mensagem breve aos MENINOS DA LUZ (de ontem, de hoje e de sempre)
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isse Edmund Burke: «Para que o erro triunfe só é preciso que os homens bons não façam o que podem ou devem». Eu digo, nestes tristes e loucos dias que atravessamos: só alguns não esquecem o nosso passado, poucos conhecem o nosso presente e quase nenhum pensa no que será o nosso futuro. Isto aplica-se ao nosso País e a uma Europa laxista, decadente e dependente de um mundo cada vez mais perverso e materialista. Estamos muito perto, ou já mesmo nela. A vitória inexorável e talvez irreversível (?) das máquinas, do dinheiro, da ânsia do poder sem limites, tudo isso traduzido num consumismo intravável com a cedência ou impotência dos fracos, indecisos ou comodistas, numa perda progressiva, direi quase total, dos valores mais sagrados, humanos, espirituais, patrióticos e culturais que definem o Homem, em toda a sua dimensão. Bailaram-me aos ouvidos, estas frases após a nossa última Assembleia Geral (12 Outubro) em que, entre outras coisas, foi apresentada a ideia, por parte do Ministro da Defesa, da reestruturação dos Estabelecimentos Militares de Ensino, fundindo-os num só, estranha mistura ou «sopa da pedra» usando um termo da nossa prestigiada culinária. Não me vou alongar sobre isso, ainda que muito houvesse a dizer, escutando os brados do nosso Fundador Marechal Teixeira Rebello, heróico Soldado e Militar, o qual a palavra mestra que nos quis transmitir foi apenas esta: SERVIR. No nosso País, quase tudo se está desvirtuando ou adulterando e, tantas vezes, em vez de se manter, respeitar ou procurar melhorar o que está certo, segue-se erradamente ou até perfidamente o caminho de destruir ou se tal não é possível de descaracterizar as melhores Instituições que já provaram Servir a Nação e só desejam continuar a fazê-lo. O Colégio Militar, bem como os outros dois Estabelecimentos Militares de Ensino (Odivelas e Pupilos do Exército), tem todo o direito de se pronunciar e até exigir, em vez de se limitar a baixar os braços e a cabeça num «amen» fatalista ou, em parte, colaborante. Não!...O Colégio Militar tem voz própria e a coragem de a expressar a quem quer que seja. Todos sabemos que os momentos são muito difíceis (já tivemos outros piores) mas nem por isso perdemos as nossas convicções mais profundas e dignas, as nossas tradições, a nossa mística, a nossa singular e sui-generis maneira de estar no mundo e na vida. Não pretendo falar mais sobre este assunto e até quero respeitar, sem que se criem divisões inúteis ou anticorpos, a
boa-fé, generosidade, tenacidade e trabalho da Direcção da nossa Associação que, aliás, já por diversas vezes o tem demonstrado. Resumindo, nas duas moções que foram apresentadas à mesa da Assembleia Geral, abstive-me quanto á da Direcção não porque estivesse em discordância mas apenas porque achei que, apesar das rectificações propostas, não estava, a meu ver, «comme il faut». Votei na segunda, perdeu esta na votação final. Só desejo, a acabar, neste artigo no Zacatraz pôr estas questões a todos e em especial ao Senhor Ministro da Defesa Nacional: 1. Não será mais onerosa e dispendiosa esta solução para o Estado que somos todos nós? Já estamos habituados a soluções deste género como se quis fazer com os Comandos, Páras e Fuzos e que, felizmente, não se concretizou. 2. Estarão os três Estados-Maiores, em especial o do Exército que sempre teve a tutela, interessados nesta «amálgama» dos três Estabelecimentos Militares de Ensino? Foram devidamente ouvidos? Apresentaram outras soluções? Entre outras, uma maior abertura e mais bem feita aos Palop e até a outros países de língua latina? Uma melhor escolha dos quadros militares, pedagógicos e (muito importante) dos empregados? A grande vantagem da rápida implementação da Escola Primária e de uma bem estudada divulgação do Colégio a outras escolas e não só com reciprocidade? 3. Por último que pensam fazer das instalações já existentes de há longos anos dos Institutos de Odivelas e dos Pupilos do Exército? Vendê-los em hasta pública ou com benefício para quaisquer grupos ou empresas do «betão armado»? Terão de construir outras instalações novas? PORQUÊ, PARA QUÊ, COM QUE INTERESSE? E por aqui me fico, com um voto muito sincero e profundo: qualquer que seja a solução achada, dentro dos condicionamentos actuais, lutemos para que os três Estabelecimentos Militares de Ensino mantenham as suas características próprias e aqui foco, como é natural, o nosso mais que bicentenário Colégio Militar. Veremos o que futuro nos reserva. Roberto Ferreira Durão 15/1942
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Dos Antigos Alunos Curso de 1950/1957
CURSO DE 1950/1957 Romagem dos 55 anos de Saída 16 de Novembro de 2012
Curso 1950/1957 - 55 Anos de Saída - 16 Novembro 2012 ©Fotos Leonel Tomaz
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16 de Novembro de 2012, o Curso de 1950/1957, reuniu no Colégio comemorando os 55 anos de saída. Na Biblioteca Nobre teve a lugar a apresentação de cumprimentos ao Director, Coronel Tirocinado de Artilharia Fernando Joaquim Alves Cóias Ferreira, que se encontrava acompanhado pelo Subdirector, Coronel de Infantaria João Paulo Noronha da Silveira Alves Caetano (609/1973) e pelo Comandante da Formação Major Eliseu Augusto do Nascimento. À chamada pelo número e nome dos que já partiram e que continuam em espírito entre nós, o Curso respondeu «PRONTO», tendo em seguida o Francisco Manuel Vidigal Solano d’Almeida (188/1951), que foi comandante da 4ª Companhia, proferido as seguintes palavras: ESTÃO CONNOSCO Senhor Director do Colégio Militar Quero agradecer a V. Ex.ª, em nome do Curso 1950-1957, ter-nos facultado as instalações do Colégio para celebrarmos as comemorações dos 55 anos de saída. O nosso muito obrigado. Permita-me que agora me dirija ao Curso. O que somos.
Somos CAMARADAS, abrigamo-nos na mesma câmara, na mesma camarata. Somos COMPANHEIROS, cum panis, partilhámos o pão, comendo em conjunto. Somos COLEGAS, lemos e estudámos, dividindo o saber entre nós, cum lego. Desta tríade nasceu a nossa amizade, genuína, espontânea e primária de início, que ao longo dos anos foi criando raízes cada vez mais profundas, aperfeiçoando-se, burilando-se e sofisticando-se. Somos AMIGOS. Há que dizer, que no nosso conhecimento há sementes da cultura da Instituição COLÉGIO MILITAR, envolvida pela cultura dos tempos que fomos vivendo. Cultura entendida enquanto conhecimento triado e sedimentado ao longo dos anos. A cultura, transferida de gerações para gerações, é sujeita a reinterpretações sistemáticas, que são a dinâmica da vida, com a permanente evolução e crescimento do pensamento e do estar/ser. O que construí convosco, e que construímos em conjunto, faz parte da nossa memória.
Dos Antigos Alunos Curso de 1950/1957
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Sem a nossa memória, e outras memórias que fomos criando pelo tempo, não seríamos capazes de construir o nosso futuro. É com um grande e especial abraço a todos vós, Homens da minha memória e do meu futuro, que termino. Obrigado. O Director do Colégio, num improviso, saudou os presentes dando-lhes as boas vindas e enaltecendo as romagens dos Cursos, as quais integram a memória do Colégio Militar. Referiu que a ligação dos Antigos Alunos ao Colégio é muito significativa, tem de ser mantida e desenvolvida nos tempos difíceis que se vivem e que serão ultrapassados com a vontade e coesão da Família Colegial. Terminou dizendo que estes encontros constituem momentos de felicidade e de recordação, que reforçam os laços de amizade e de camaradagem existentes, fazendo votos para que daqui a cinco anos todos se encontrem de novo aqui em mais uma romagem de saudade ao Colégio Militar. No átrio do Fundador foi deposta uma coroa de flores em Homenagem ao Marechal António Teixeira Rebello, seguindo-se a Missa de sufrágio pelos Antigos Alunos, Oficiais, Professores e Funcionários do Colégio, já falecidos. Após uma visita ao Museu Colegial, foi descerrada a lápide evocativa desta romagem com a presença do Comandante do Batalhão Luís Maria Mendes de Almeida Cavaleiro de Ferreira (Aluno 285) e do Batalhãozinho Guilherme Marques Manso Pereira Sérgio (Aluno 75). Após a tradicional fotografia nas Escadarias da «Enferma», na Parada do Corpo de Alunos, o Batalhão Colegial desfilou em continência, seguindo-se o tradicional almoço de caldo verde, amarelo de carne, arroz doce e vinho do Porto. Assim se viveu mais este encontro dos componentes do Curso 1950/1957, que se deseja seja repetido daqui a cinco anos com todos os que aqui estiveram e com todos aqueles que desta vez pelas mais variadas razões não tiveram essa possibilidade.
Estiveram presentes 28 José Eduardo de Almeida Barata Correia • 32 Carlos Domingos de Oliveira Ayala Botto • 41 José Manuel Vasconcelos Caeiro • 43 Manuel Eduardo de Castro Arantes e Oliveira • 59 António Fernandes Duarte Silva • 64 António José Nunes da Silva Bagulho • 67 António Rafael Passarinho Franco Preto •70 João Luís Raposo Alves Saltão • 79 Fernando Augusto Colaço Leal Robles • 94 José Eduardo Martinho Garcia Leandro • 96 José Alberto da Costa Matos • 116 Manuel de Mendonça Tavares da Silva • 154 Carlos Manuel da Silva Monteiro • 156 António Coelho Sena • 160 Morris Artur de Almeida Lewis •188 Francisco Manuel Vidigal Solano de Almeida • 190 Rui Manuel Ramalho Ortigão Neves • 191 José Henrique Rola Pata •217 José Francisco Pereira Machado Dray •224 Alfredo da Piedade Sério Lopes Rego • 225 António de Carvalho Santos e Silva • 229 António Bernardo Carvalhais Figueiredo • 242 Eduardo José Moreno Castel-Branco Cary • 245 João Carlos de Azevedo de Araújo Geraldes • 247 Joaquim Lopes Picão Fernandes • 248 João Manuel Velhinho Pereira Nobre de
Carvalho • 277 Nuno António Bravo Mira Vaz • 286 João António Branco Martins da Rosa Garoupa • 288 Duarte Nuno de Carvalho Gomes de Castro • 294 José Maria de Campos Mendes Sentieiro • 332 António José Fonseca Cavaleiro de Ferreira • 341 António Manuel Carvalho Cabral de Melo • 364 Vasco Prego Rosado Durão • 365 Vítor Manuel de Oliveira Santos • 369 Rui António de Menezes Fonseca e Silva • 371 Gonçalo Salema Leal de Matos • 378 Carlos Manuel Carvalho Ferreira • 379 António Carlos Barreiros Nunes de Meneses • 380 Raul Miguel Socorro Folques • Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949
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Dos Antigos Alunos Curso de 1967/1974
CURSO DE 1967/1974 Romagem dos 45 anos de Entrada 28 de Setembro de 2012
Curso 1967/1974 - 45 Anos de Entrada - 28 Setembro 2012 ©Fotos Leonel Tomaz
Estiveram presentes 3-José Maria de Vilas-Boas Potes • 17-José Eduardo Correia Barrento Sabbo • 25-Miguel de Mira Duarte Silva • 28-Luís de Oliveira Amorim Cabrita • 48-Álvaro Manuel da Cruz Cordeiro • 56-Luís Manuel Madail Manitto Torres • 75-Luís Manuel da Fonseca Cordeiro • 80-José Fernando Belo da Costa Cascais • 100-José Manuel da Silva Pinto dos Reis • 101-João Correia Rasquilho Raposo • 124-José Pedro Galvão de Figueiredo Valente • 145-Pedro Miguel de Brito Lages Martins • 154-Gilberto Diogo Lima Castelo Branco • 166-António Carlos Rainha Perry da Câmara • 182-José Eduardo Goulão Marques 187-José Carlos Benito e Bismarck de Melo • 204-Rui Caseiro Viana • 212-José Eduardo Almadanim do Vadre Santa Marta • 234-Artur Luís Reynolds Chaves Brandão • 286-José de Melo Ribeiro • 301-José Luís Cardoso Faia Marinho • 315-António Portugal Costa Gomes • 332-João Francisco Rocha Pereira do Nascimento • 348-João Pedro Martins Pereira Graça • 355-António Conceição de Sousa Matos • 356-Miguel da Gama Costa Gomes • 373-Francisco Emílio Neves da Piedade Vaz • 404-Walter José da Guia Lúcio • 497-Mário João Gonçalves Alves de
Matos • 510-Luís Manuel Soares Franco • 578-Rui Fernando do Vale Caseiro • 579-Luís Miguel Henriques da Cruz Bucho • 583-Fernando Jorge Teixeira Barroso de Moura • 595-João Manuel Saturnino Balula Cid • 597-José Carlos Teixeira Barata • 609-Luís Alberto das Neves Braz Fernandes
Dos Antigos Alunos Curso de 1972/1979
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CURSO DE 1972/1979 Romagem dos 40 anos de Entrada 9 de Novembro de 2012
Curso 1972/1979 - 40 Anos de Entrada - 9 Novembro 2012 ©Fotos Leonel Tomaz
Estiveram presentes 7 Miguel Rui Neves Silva Machado Trincheiras • 19 João Manuel Candeias dos Penedos • 31 Rui Jorge do Carmo Cruz Silva • 35 Jorge Manuel Ventura Oliveira e Carmo • 49 Aníbal José Carvalho de Castro • 76 João Pedro Fernandes de Sousa Barros Duarte • 86 Joaquim Manuel Esparteiro Lopes da Costa • 103 António Mancelos Santos Gomes • 107 Vasco Miguel Martins do Couto • 148 José Paulo Ramalho Ortigão Delgado • 173 Pedro Jorge Cabral Rodrigues • 183 Luís Joel Pallos da Rosaria de Azevedo Pascoal • 189 Rui Miguel Frazão Dias Ferreira • 201 Nuno Maria Contreiras Braz de Oliveira • 256 Gustavo Likfold de Novais e Silva • 278 António Manuel de Carvalho Simas e Couceiro Braga • 295 Rui Jorge Ramalho Bajanca • 302 Luís Miguel Guerreiro Félix António • 329 Carlos Alberto Grincho Cardoso Perestrelo • 337 Pedro Luís Mouzinho Dias Antunes • 369 José Gabriel Constante Pinto Correia • 395 João Pedro de Vasconcellos e Sá Grave • 407 José Alberto de Magalhães Valdez Bragança Moutinho • 412 Pedro Frazão Alpendre • 433 Fernando Miguel Figueiredo do Couto • 436 Rui Barata de Almeida Brito • 444 João Vasco de Sousa de
Castro e Quadros • 455 Miguel Jorge Vieira Branco Ló • 461 António Emídio da Silva Salgueiro • 463 José Alexandre da Cruz Soares • 495 Rui Manuel de Faria Violante Amaro • 545 Carlos Alberto Caçorino da Palma Baracho • 569 João Vasco de Almeida e Sousa Elias de Sousa • 586 Francisco Manuel Guimarães de Oliveira Rodrigues de Areia • 591 José Eusébio Pereira Barata Cordeiro Araújo
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Dos Antigos Alunos Curso de 1987/1995
CURSO DE 1987/1995 Romagem dos 25 anos de Entrada 26 de Outubro de 2012
Curso 1987/1995 - 25 Anos de Entrada - 26 Novembro 2012 ©Fotos Leonel Tomaz
Estiveram presentes 4/1986 Tiago Coutinho de Paiva e Pona • 10/1987 José João Direito de Morais Guerreiro • 11/1987 Filipe Morais Napoleão Fernandes • 14/1987 Nuno António Panaças Vilhena • 25/1987 Alberto João Gomes Xavier de Brito • 32/1987 João Carlos Falcão Correia Gonçalves • 36/1987 Jorge dos Santos Cachado Lourenço • 37/1987 João Paulo Gonçalves Magalhães • 76/1987 Ricardo Fonseca dos Santos Almeida • 83/1987 Miguel Miranda da Conceição Santos • 86/1987 Jacinto João Rodrigues Aidos • 95/1987 António João Alves de Campos • 108/1987 Sérgio Paulo Macedo Alves • 123/1987 Rui Pedro Pinheiro da Fonseca • 143/1987 Nuno Manuel dos Santos Justino • 156/1987 Pedro Ferreira do Amaral Ribeiro Laia • 162/1987 Rodrigo dos Reis e Rosa Rodrigues • 164/1987 Pedro Magalhães Adão • 168/1987 Hugo do Canto Policarpo dos Santos • 181/1987 Tomé Barros Caldeira • 202/1987 Pedro Queiroz Antão • 219/1986 Nelson Manuel Cabral dos Santos • 233/1987 Francisco José da Silva Jorge • 245/1987 Rui Gonçalo Pires Pintado • 260/1986 João Pedro Teixeira Vaqueiro • 324/1987 Luís Manuel Nunes de Matos • 348/1987 Luís Miguel Gomes Gonçalves • 354/1987 Carlos Jorge Rodrigues Valdrês • 360/1987 Ricardo Jorge Brilha Leote •
386/1987 Pedro Alexandre Fernandes da Ponte • 387/1987 Jorge Manuel Gomes Gonçalves • 388/1987 Nuno Miguel Marques Ferreira • 395/1987 João da Silva Lopes Bordalo Matias
Dos Antigos Alunos Curso de 1992/2000
CURSO DE 1992/2000 Romagem dos 20 anos de Entrada 21 de Setembro de 2012
Curso 1987/1995 - 25 Anos de Entrada - 26 Novembro 2012 ©Fotos Leonel Tomaz
Estiveram presentes 88-Luís Pedro Santos Calçada • 140-Jorge Tiago Pinheiro da Fonseca • 163-Rui Miguel da Silva Pereira • 169-Renato Manuel Farinha Alves • 211-Pedro Alexandre Gaspar de Campos Leal • 251-Ricardo Joaquim de Almeida Ribeiro • 269-Luís Miguel de Bettencourt Jordão de Noronha Krug • 279-Bruno Miguel Martins Farinha • 292-Ricardo Jorge Bugalho dos Santos • 330-Filipe Matos Cortes Abelha da Silva • 334-Luís Pedro Magalhães Mendes • 353-André Tiago Pardal da Silva • 365-Jaime Henrique Silva Machado • 405-Tiago Lopes da Silva Cristóvão • 456-Nuno Jorge Silva Figueira
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Dos Antigos Alunos Curso de 1994/2002
CURSO DE 1994/2002 Romagem dos 10 anos de Saída 12 de Outubro de 2012
Curso 1994/2002 - 10 Anos de Saída - 12 Outubro 2012 ©Fotos Leonel Tomaz
Estiveram presentes 11-Rui Eduardo Vieira Barreto Sabbo • 23-Sérgio Alexandre Vieira Pombo Mendes • 44-Tiago Alexandre Fernandes Vaz • 61-José Augusto Pinho Tavares • 68-Carlos Ferreira da Silva Perpétua • 69-Duarte Nuno Ribeiro Machado Leite de Castro • 119-José Maria Duarte Silva Ferreira Lima • 139-Naissémio Ismael Ibraima Fonseca Fati • 148-Fábio Nuno Ribeiro das Neves • 151-Nuno Miguel Gomes Calado • 159-André Marinho Estrela Soares • 198-Tiago Jaime da Silva Ferreira • 241-Rui Pedro Fortuna Andrês • 248-Gustavo André dos Santos Lima • 252-João Pedro Bettencourt de Noronha Krug • 276Rui Manuel Ferreira Monteiro • 312-João Mário Ferreira Caracol • 343-Tiago Miguel de Castro Parente • 369-Gaspar Alberto Bolhão Fernandes • 371-Miguel Ângelo Paulo Pousa • 372-César Augusto Paulo Pousa • 373-Ricardo Manuel Machado Dias • 385- Fábio Micael Guerra Bento • 404- João Pedro Rodrigues Guerreiro Fonseca • 417-Pedro Rodrigues Mendes • 421-Ruben Gonçalo Cardoso Freire • 424-Marcelo Sonso de Sousa Rodrigues • 428-João Pedro Pascoal Marvanejo Barreto • 431-Guilherme João Cavaco Esperança da Silva • 437-Marco Gonçalo Carvalho Seca • 439-Gonçalo Francisco
de Oliveira Vilela da Silva • 441-Pedro Filipe Tavares da Costa Garcia • 442-David Miguel Tavares da Costa Garcia Seca • 446-José Ulisses Lemos Pires Ribeiro Braga • 447-Manuel Amaral de Ataíde Banazol • 448-Paulo Alexandre Ribeiro Martins de Sousa
Dos Antigos Alunos Um GALÃO em três Actos
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UM GALÃO EM TRÊS ACTOS Episódios relembrados na Reunião do Curso 1953/1960 e transcritos na Revista «O Colégio Militar» número 224 (Maio-Julho 2010), páginas 41 e 42. Pelo interesse da história e para que ela fique registada na ZacatraZ, sendo mais amplamente divulgada, aqui ficam com a devida vénia a sua transcrição e os agradecimentos ao Colégio que nos facultou o texto e as fotografias.
I Acto
Corria o ano de 1954. Estávamos nos primeiros dias de Junho e eu estava prestes a libertar-me da minha condição de “rata”. Seria meio-dia e terminadas as aulas da manhã, estava já na camarata da primeira, junto da minha cama, cuidando do meu atavio ou talvez fechando a cama que havia deixado aberta desde a volta do pequeno-almoço (com o lençol de baixo esticadíssimo e sem qualquer ruga, enquanto que o de cima jazia ao fundo dobrado em quatro e também sem mácula). De repente e sobressaliente ao barulho de fundo que a alegre criançada mantinha em permanência em elevados decibéis, ouço um chamamento, talvez carinhoso, sim, mas decididamente imperativo e autoritário - 268! Olhei e confirmei que quem me chamava era o Comandante do Batalhão, o 195 - Rocha Trindade , que havia escolhido, naquele ano, pernoitar na primeira e cuja cama pouco distava da minha. Prontamente interrompi os meus afazeres e aproximei-me dele sem, no entanto, deixar de me interrogar naquele ápice, “que terei eu
feito?”, “que quererá este gajo de mim?”. Antes que tivesse tempo de ensaiar qualquer resposta àquela súbita preocupação, em discurso directo, curto e incisivo, ter-me-á dito do alto do seu metro e setenta e cinco, algo parecido com: “Daqui a seis anos serás tu o Comandante de Batalhão, pelo que, ofereço-te o meu galão para que então o uses”. Mais atónito (ainda) do que satisfeito limitei-me a balbuciar um tímido obrigado e quando fui a casa contei a história aos meus pais e entreguei-lhes o galão.
Devo penitenciar-me por não ter reconhecido no José Tribolet, então aluno do primeiro ano, o futuro CB do seu curso. Perante tal facto, recorri ao segundo ano onde já despontavam dois candidatos bem destacados e muitos próximos entre si para virem a desempenhar o cargo. Eram eles o 4 - José Luís Mota e o 9 - Martiniano Gonçalves, hoje Presidente da Associação dos Antigos Alunos. Após “cuidada reflexão”, decidi-me pelo primeiro, aliás, com sucesso e repeti a cena ocorrida anos atrás, agora no papel inverso ao que havia desempenhado. O galão de 1953-54 e de 1959-60 voltou a ser usado em 1964-65.
II Acto
Seis anos mais tarde e depois de ter religiosamente usado o galão que o Rocha Trindade me tinha dado, achei por bem proceder de igual forma e entregá-lo a um futuro sucessor na função.
III Acto
Sei, por informação do Zé Luís Mota, que a tentativa de novo trespasse daquele galão não foi por ele feita em Junho de 1965, dado que não conseguiu eleger entre os mais novos um possível futuro CB. Ficam, para as nossas memórias, estes episódios de um pequeno grupo de Alunos que puseram ao seu serviço capacidades divinatórias e fizeram circular um símbolo colegial durante um par de anos para gáudio dos intervenientes. O Zé Luís Mota e eu decidimos, após a divulgação deste conjunto de episódios através da sua publicação neste livro, oferecer ao Museu do Colégio o Galão de Comandante de Batalhão que circulou em anos distintos pelos ombros dos três intervenientes nesta história. Assim o fazemos em homenagem ao 195.
Carlos Alberto Guerra da Silva Beja 268/1953
O 195 - Armando Teófilo Silva da Rocha Trindade, CB em 1953-54 faleceu em 28 de Maio de 2009.
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Dos Antigos Alunos Um Caso de Possessão
A propósito de
“Um Caso de Possessão” Aqui reproduzimos a capa do livro editado em 1961, a dedicatória que nele consta e dois pormenores de interesse, um relacionado com a investigação feita pela autora do artigo publicado no último número da ZacatraZ e outro pela sensibilidade colegial na oferta do livro ao seu camarada e amigo Horácio de Carvalho. No primeiro a referência clara da intervenção de Eduardo Lourenço de Faria e no segundo o facto do livro numerado com o 33 ter sido oferecido ao 33/1936. De salientar que este artigo só foi possível ter sido reproduzido na ZacatraZ porque o José Mário Fidalgo dos Santos (253/1951) nos alertou para a sua publicação na “Revista 2” do “Público” e também porque a Jornalista Isabel Coutinho que investigou o caso e o reduziu a escrito, quando contactada, de imediato e com a maior amabilidade autorizou a sua transcrição. A Todos a ZacatraZ agradece o contributo dado para a melhoria desta revista e para o registo de episódios envolvendo Antigos Alunos, deles dando conhecimento mais alargado a toda a Família Colegial. Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949
N
o último número da ZacatraZ, o 188, foi publicado um artigo da Jornalista Isabel Coutinho, colaboradora do jornal “Público”, referindo os Antigos Alunos António Lúcio de Sousa Dias (56/1933) e Eduardo Lourenço de Faria (92/1934), onde se contava a história desenrolada à volta de um livro intitulado “Pequena Volta ao Mundo”. Passados escassos dias da chegada desse número às mãos dos seus leitores, fui contactado telefonicamente pelo nosso Camarada Horácio de Carvalho (33/1936) que me manifestou o seu regozijo pela divulgação do episódio envolvendo “Meninos da Luz” do seu tempo e seus amigos e me informava que iria mandar-me o exemplar do livro que lhe tinha sido oferecido pelo autor, onde constava a expressiva dedicatória da amizade e camaradagem alicerçada na vivência colegial. Logo no dia seguinte tive oportunidade de o folhear, com o propósito de o ler mais tarde. O livro foi de imediato entregue na AAACM para registo e guarda na Biblioteca a qual fica enriquecida, pela generosidade do Horácio de Carvalho, com mais uma obra envolvendo Antigos Alunos.
Do Colégio Abertura solene do Ano Lectivo
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Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949
Abertura solene A
do Ano Lectivo
Abertura Solene do Ano Lectivo 2012/2013 teve lugar no passado dia 19 de Outubro, sob a presidência do Comandante de Instrução e Doutrina do Exército Tenente General Francisco António Correia, recebido na Parada do Corpo de Alunos com a Guarda de Honra a cargo da 4ª Companhia de Alunos com Banda, Fanfarra e Guião do Colégio.
Formalizada a tomada de posse do Aluno Comandante de Batalhão através da entrega da Réplica da Espada do Rei D. Carlos e após o abraço ao Batalhãozinho (Aluno 75 Guilherme Marques Manso Pereira Sérgio), foram apresentados os Novos Alunos à Família Colegial e lida a Ordem de Serviço que os aumentou a efectivo do Batalhão Colegial.
©Fotos Leonel Tomaz
Nos Claustros, a habitual presença de Oficiais dos três ramos das Forças Armadas, Adidos Militares estrangeiros, representações dos Estabelecimentos de Ensino Militar e Estabelecimentos Militares de Ensino, Entidades civis, Corpo Docente e Servidores do Colégio, Familiares dos Alunos, Convidados e Antigos Alunos. Apresentado o Batalhão Colegial, foi Integrado o Estandarte Nacional. O Hino Nacional foi então entoado com o acompanhamento da Banda do Exército.
O Comandante do Batalhão, Aluno 285 Luís Maria Mendes de Almeida Cavaleiro de Ferreira, proferiu as seguintes palavras: Exmº. Senhor Tenente General, Comandante da Instrução e Doutrina do Exército Exmº. Senhor Coronel Tirocinado Director do Colégio Militar Exmos. Pais e Encarregados de Educação Funcionários civis e militares desta casa, Alunos e antigos alunos Caros convidados.
Inicia-se hoje, oficialmente, o ano lectivo 2012/2013. O batalhão colegial encontra-se formado no centro destes bisseculares claustros, e aproveitando a ocasião, dirijo-me a todos vós na qualidade de comandante de batalhão. Agradeço a todos os presentes que, ao participarem em mais uma abertura solene, revelam entusiasmo e vontade de começar mais um ano lectivo. A presença de todos vós nesta simbólica cerimónia representa uma clara imagem de força e apoio a todo o batalhão colegial. Certamente é com um enorme orgulho e
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Do Colégio Abertura solene do Ano Lectivo
apenas a saudade. Em nome do grupo de verdadeiro sentido de honra que repregraduados, prometemos fazer os possíveis sentamos este nosso amado colégio, e para justificar o voto de confiança depositamuito apreciamos a vossa colaboração do em nós, e estaremos sempre dedicados nesta cerimónia. O facto de aqui estarem a função que nos foi atribuída. demonstra uma acrescida preocupação Antigos alunos, a vossa presença nestas com os actuais alunos do Colégio Militar, alturas cruciais que vão definindo o futuro e evidentemente também com o próprio do nosso querido colégio é emocionante Colégio Militar. Esta atitude e postura são e muito significativa para nós, alunos. O de louvar. Desde já, manifesto o nosso vosso amor é inquestionável e deve ser profundo e sincero agradecimento. sempre utilizado em prol da casa que vos Mais uma abertura solene, mais um ano cheio de expectativas, mais desafios e obstáculos que se avizinham para toda a comunidade colegial. Apelo ao empenho, interesse, e dedicação de todos os pilares estruturantes desta casa que, cada vez mais, necessita de fortalecer a coerência, coesão e espírito de união. Pais e Encarregados de Educação, a decisão ambiciosa e corajosa de apostar na formação cívico-militar fundamentada em valores essenciais para a vida futura dos vossos educandos será visivelmente proveitosa e frutífera. Com mais de duzentos anos de história, o Colégio Militar forma homens de carácter valoroso, prontos para servir o país, e que, indubitavelmente têm conseguido destaque na sociedade. A estrutura pedagógica desta casa intenta ao máximo desenvolver as aptidões dos seus alunos, tanto a nível académico como a nível moral, e apoio não lhes faltará. Ao longo de oito anos, as adversidades serão ultrapassadas com confiança e espírito de entreajuda. Os bons e maus momentos serão passados junto daqueles que levarão para o resto das vidas como irmãos. A experiência será indescri- ©Fotos Leonel Tomaz criou ao longo de oito anos. O Colégio tível e única. A possibilidade e oportunidaacompanha-nos para a vida e, como tal, de oferecidas aos vossos filhos de poderem devemos estar sempre (sendo antigos aluviver tudo o que milhares de ex-alunos já nos ou não) disponíveis para ajudá-lo no viveram e amaram é algo que pouquíssique for necessário. As iniciativas da vossa mos pais puderam proporcionar à infância parte (sendo bem ou mal sucedidas) sedos seus filhos e que nenhuma outra escola rão sempre apreciadas como atitudes de dá. Pela minha voz e pela voz de todos os grande valor, porque transparecem preque tiveram o privilégio de sentir o que eu ocupação, carinho, e interesse por tudo ainda sinto como aluno, posso garantir-vos o que acontece ao nosso amado colégio. que o arrependimento não existe, mas fica
A vossa forte intervenção, apoio e acompanhamento (de todos) em variadíssimos assuntos só trará benefícios para o nosso papel enquanto graduados e aceitaremos com gosto todas as críticas e conselhos. O vosso grupo, ao qual nós um dia também pertenceremos, é um símbolo de unidade e carisma, pois representa todos aqueles que amam incondicionalmente o Colégio Militar, sendo a vossa experiência fulcral para nós e para o Colégio. Contamos convosco. Quero também transmitir a todo o corpo docente e oficiais uma palavra de força em nome dos alunos. Entendo que, nestes períodos, o colégio é obrigado a melhorar o seu aproveitamento escolar e, para tal, a disponibilidade dos professores durante o ano lectivo que decorre é indispensável. Acredito que, através da exigência e motivação contínua dos professores, do esforço e bom senso dos alunos, conseguiremos atingir os objectivos pretendidos por todos. A imagem e prestígio do nosso Colégio estão dependentes deste simples (mas custoso) facto. Em segundo lugar, a eficácia e produtividade do Colégio ao longo do ano lectivo serão obtidas pela boa comunicação entre todos. Tentaremos manter um diálogo activo com os nossos superiores a fim de manter ou mesmo melhorar o já bom funcionamento da casa. A influência educacional dos nossos oficiais em parâmetros de cariz militar é decisiva e agradecemos-lhes por isso. Com um bom entendimento (ferramenta fundamental no Colégio) o consenso chegará rapidamente e o proveito será notável. Uma palavra especial aos alunos do 7º ano colegial que, em menos de um ano, estarão a desempenhar as funções que agora nos estão confiadas. Temos total confiança nas vossas capacidades e, quando estiverem no nosso lugar, viremos ao vosso encontro sempre que nos pedirem. É estritamente necessário haver continuidade no trabalho dos graduados e, por essa razão, estamos a demonstrar
O Batalhão Colegial desfilou em seguida na Parada Nova, tendo os Novos Alunos no final marchado também prestando continência ao General Director de Instrução e Doutrina e às Entidades presentes.
Mesa da Sessão Solene: Tenente-General Garcia Leandro (94/1950), Tenente-General Perry da Câmara (143/1940), Tenente-General Rocha Vieira (127/1950-Chanceler das Ordens Militares), Tenente-General Francisco Correia (Comandante de Instrução e Doutrina do Exército), Dr Helder Sousa e Silva (Deputado à AR), Major-General Alves Rosa (Director de Educação) Dr António Saraiva de Reffóios (529/1963 - Presidente da AAACM), Dr Cardoso Amaral (209/1974 - Presidente da APEEACM), Coronel de Artilharia Tirocinado Cóias Ferreira (Director do CM)
De salientar que os novos ratas, apesar do reduzido tempo de treino e de instrução militar de ordem unida, marcharam com garbo e vigor. Na Sessão Solene no Ginásio, o Director Coronel Tirocinado de Artilharia Fernando Joaquim Alves Cóias Ferreira, proferiu as seguintes palavras: Excelentíssimo Senhor Tenente-General Francisco Correia, Comandante da Instrução e Doutrina do Exército, Meu General Comandante, Em nome de todos quantos servem e estudam nesta Casa agradeço a vontade de Vossa Excelência presidir a esta cerimónia, simbolizando o apreço e a consideração pelo Colégio Militar como estabelecimento militar de ensino que se insere na estrutura orgânica do Exército há mais de dois séculos. Excelentíssimo Senhor Deputado à Assembleia da República Hélder Silva, Excelentíssimo Senhor Tenente-General Rocha Vieira, Chanceler das Antigas Ordens Militares, Excelentíssimos Senhores Oficiais Generais, Permitam-me uma palavra de particular apreço pelos que me antecederam no cargo de Director, na pessoa do Senhor General Perry da Câmara. Excelentíssimos Senhores Director de Educação e do Instituto de Pupilos do Exército e Director do Instituto de Odivelas, a quem agradeço de forma particular a disponibilidade para estarem aqui presentes. Excelentíssimo Senhor Presidente da Junta de Freguesia de Carnide, O nosso agradecimento pela sua presença que muito apreciamos.
Excelentíssimo Senhor Presidente da Associação de Antigos Alunos do Colégio Militar, Na sua pessoa saúdo todos os Antigos Alunos cuja presença neste Colégio constitui sempre uma salutar ligação com o passado próximo e a expressão da alma colegial que a todos une. Excelentíssimo Senhor Presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação dos Alunos do Colégio Militar, A sua presença materializa o interesse e importância da participação das famílias no projeto educativo desta escola que tem vindo a acentuar-se e que consideramos essencial para a concretização dos nossos objetivos no âmbito da comunidade educativa. Senhores Adidos Militares de Países Amigos,
©Fotos Leonel Tomaz
interesse em fazê-lo sintonizados ideologicamente convosco. Trabalhem ao máximo para que o código de honra do Colégio militar não seja esquecido, de forma a representarem o modelo e exemplo de aluno que o Marechal António Teixeira Rebelo idealizou para o seu Colégio. Desta forma a vossa liderança tornar-se-á mais eficaz, genuína, e honesta. Por fim, aos novos alunos ... nem vocês próprios já se aperceberam de que entraram para uma casa que jamais vão deixar. Os momentos que irão passar aqui ficarão gravados na vossa memória para a eternidade e um dia, se merecerem, serão dignos e honrados meninos da luz, fortemente preparados para servir o Colégio e servir o vosso país. Orgulhem-se pela instrução à qual poucos têm direito e apliquem-na. Esforcem-se para conseguir subir os oito degraus que só alguns conseguem subir e verão que não se arrependerão. É gratificante, é uma sensação única que apenas vivida é compreendida, e, por isso, completem o colégio ... com os vossos irmãos. Ratas, futuros meninos da luz ... nunca desistam! Na comunidade colegial, o cargo de cada um de vós tem relevada importância para o funcionamento e continuidade desta nobre instituição, e não é de maneira nenhuma menosprezada. O sentido de dever tem que se erguer! A cooperação será o maior factor do nosso sucesso. Todos nós temos de cumprir produtivamente a nossa função ajudando o Colégio para que todos estejamos, no fim do ano, de consciência tranquila e orgulhosos do trabalho realizado. Tentaremos todos de forma uníssona guiar esta casa para os patamares prestigiados aos quais já pertenceu muitos anos, e façamos, por favor, um maior uso da frontalidade e humildade. A relação entre todos deve ser recíproca, e o objectivo comum. As minhas palavras foram emotivas e evocadas com muita sinceridade. Obrigado pela vossa atenção. Tenho dito
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©Fotos Leonel Tomaz
Do Colégio Abertura solene do Ano Lectivo
Coronel Tirocinado de Artilharia Fernando Joaquim Alves Cóias Ferreira, Director do Colégio Militar
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Do Colégio Abertura solene do Ano Lectivo
Entidades instituidoras de prémios, a quem agradecemos uma vez mais o contributo para galardoar o mérito dos nossos alunos no seu desempenho comportamental, académico e físico. Digníssimos Convidados, Excelentíssimos Senhores Professores e Antigos Professores, Oficiais, Sargentos, Praças e Funcionários Civis que merecem a nossa estima e consideração pelo trabalho que desenvolvem por este Colégio, garantindo no dia a dia o ensino e o funcionamento no cumprimento daquela que é a nossa missão. Caros Alunos, Minhas Senhoras e meus Senhores, Agradecemos a todos os que nos quiseram honrar com a sua presença que muito dignifica esta cerimónia relativa ao início do ano lectivo de 2012/2013. A Abertura Solene do Ano Lectivo constitui, de facto, o momento em que o Colégio Militar se apresenta pronto para desenvolver a sua actividade perante a Comunidade Colegial, a qual traduz, no caso desta escola, a respectiva comunidade educativa. À parte do nosso quotidiano, este momento permite que reflictamos sobre o caminho efectuado e como vamos enfrentar os principais desafios ao logo deste ano lectivo e no futuro próximo. Só faz sentido falar numa comunidade educativa quando todos os que nela se inserem conhecem e sentem o que se passa na escola onde ensinam, estudam, servem e se relacionam. O Colégio Militar irá completar no próximo ano 210 anos de existência, marcada por muitos desafios vencidos no passado e que consolidaram a sua identidade actual. Esta identidade assenta em princípios e valores de matriz castrense, ensinados e praticados num ambiente muito marcado por aspectos da vida regimental, associado a múltiplas tradições e actividades de prática desportiva, e pela vivência de alunos do sexo masculino em regime de internato e semi-internato, que ao longo dos tempos convencionou a camaradagem de quem partilha a mesma camarata, os mesmos problemas e as mesmas alegrias, encontrando no espírito de corpo a resposta às dificuldades e anseios do dia a dia.
Esta é a essência que marca a diferença do projecto educativo do Colégio Militar em relação a outras escolas. Mas também no que se refere às disciplinas curriculares determinadas pelo Ministério de Educação, este mesmo projecto educativo mostra especificidades que o tornam mais exigente ao determinar uma maior autonomia dos alunos na gestão do seu tempo de estudo no internato, complementado por estudos gerais ou aulas de apoio sempre em grupo, ainda que acompanhados pelos professores. Por isso, é de toda a justiça referir que, para um mesmo nível de desempenho escolar, é mais difícil e exigente ser aluno neste Colégio do em outras escolas, públicas ou privadas. É este o ambiente colegial que, com as suas motivações próprias e também com dificuldades, molda a personalidade de cada aluno como Menino da Luz e o identifica mais tarde com uma postura própria perante todos os antigos alunos e a própria sociedade. Independentemente de toda a reflexão que actualmente tem lugar sobre o futuro dos estabelecimentos militares de ensino em geral e do Colégio Militar em particular, é neste quadro educativo que iremos conduzir o actual ano lectivo, com um registo de trabalho continuado de racionalização e procura de maior eficiência nos últimos dois anos, onde para um número sensivelmente igual de alunos do Batalhão Colegial, diminuiu de forma assinalável o número de professores, militares e funcionários civis que aqui servem, o que nos obrigou a rever processos e metodologias de funcionamento, com especial destaque para a gestão escolar. Os resultados dos Meninos da Luz são consequência directa das especificidades de funcionamento do Colégio Militar, onde para além das competências pedagógicas de quem aqui serve, releva a dinâmica escolar condicionada pelos muitos aspectos que enformam a vida colegial dos alunos e a caracterizam. É neste espectro alargado que devem merecer sempre a nossa apreciação e avaliação, designadamente no que se refere ao ano lectivo de 2011/2012. O Batalhão Colegial iniciou o anterior ano de lectivo com 355 alunos e terminou com 340.
No universo dos 249 Alunos que frequentaram todos os anos escolares do Ensino Básico, a taxa de aprovação foi de 94%, tendo obtido um desempenho académico idêntico ao ano anterior, em termos de média interna do 9.º Ano. Já no que se refere aos exames nacionais, importa referir os bons resultados obtidos no 3.º Ciclo com médias de Língua Portuguesa e Matemática superiores à média nacional de 8% e 24%, respectivamente, traduzindo uma evolução significativa relativamente aos resultados obtidos no 2.º Ciclo, também superiores às médias nacionais em 6% e 7%, respectivamente, mas muito condicionados pelas aprendizagens dos novos alunos admitidos em 2011. No universo dos 106 Alunos que frequentaram todos os anos escolares do Ensino Secundário, a taxa de aprovação foi de 86%, tendo obtido um desempenho académico sensivelmente idêntico ao ano anterior, em termos de média interna. Nos Exames Nacionais do 11.º e 12.º Anos, destacam-se os excelentes resultados obtidos no Português e na Geometria Descritiva. Durante o anterior ano lectivo e conforme a tradição, o Colégio Militar participou e fez-se representar em diferentes cerimónias militares, palestras, visitas de estudo, projectos escolares, concursos e eventos culturais, colaborando também na protecção do ambiente e em projectos de solidariedade social. Entre estas muitas actividades, importa destacar: Participação no Dia do Exército, em Bragança, com uma companhia do Batalhão Colegial e a Classe Especial de Ginástica; Participação na Cerimónia de Homenagem ao antigo aluno Tomaz Alcaide, em Estremoz, com uma escolta de alunos e uma representação do Orfeão; As Comemorações do 209.º Aniversário do Colégio Militar; Participação no Dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas, no Parque Eduardo VII, nos Jerónimos e junto ao Monumento aos Antigos Combatentes no Forte do Bom Sucesso, com uma companhia do Batalhão Colegial, a Classe Especial de Ginástica e alunos do Orfeão; O Festival dos Estabelecimentos Militares de Ensino, que ocorreu em Odivelas, organizado pelo Colégio Militar e Instituto de Odivelas;
Do Colégio Abertura solene do Ano Lectivo
A participação da Classe Especial de Ginástica na Gala Internacional EUROGYM, em Coimbra, e na Cerimónia de Abertura dos “Jogos da Lusofonia”, em Mafra; Participação no SuperTmatik e nas XXX Olimpíadas Portuguesas de Matemática; Participação nas Olimpíadas da Energia e Alterações Climáticas; Participação na IV edição da Escola-Electrão; Organização de Exposição Final de Ano com trabalhos dos alunos em diferentes disciplinas e centrada no tema anual “Aquecimento Global – uma verdade ou uma mentira?”; Organização do Dia Aberto do Colégio Militar, destinado a visitas de escolas e famílias; Campanha “Ajuda ao Próximo”, em que o Colégio Militar se associou à Ajuda de Berço; Campanha “Papel por Alimentos”, em associação com o Banco Alimentar Contra a Fome; Campanha “Roupa”, com a organização Associação Humana. Os nossos alunos estiveram presentes em diversos Convívios, Torneios, Saraus e Encontros Desportivos, no âmbito do desporto escolar, militar e federado, tanto ao nível nacional como internacional, tendo conquistado resultados de relevo. Destacam-se: Ao nível da Esgrima, a participação em 29 torneios nacionais e internacionais, tendo ganho um total de 125 medalhas, das quais 51 de ouro, 28 de prata e 46 de bronze, a par da obtenção a nível internacional do “Estatuto de Alto Rendimento – Esgrima” preconizado pelo Instituto de Desporto de Portugal; A participação no Campeonato da Europa de Juniores – Concurso Completo de Equitação e na Semana Equestre Militar onde foi obtido um primeiro lugar; A participação na Natação do Desporto Escolar, nos níveis II e III, com um total de 40 alunos que, ao longo do ano lectivo nos diferentes estilos da natação, entraram em 3 provas da fase local, conquistando 18 medalhas de ouro, 18 de prata e 12 de bronze nas várias provas e escalões; No Pentatlo Moderno, a participação na 19.ª edição do Challenge Pentajovem, que decorreu no Colégio Militar e contou com a presença de 110 atletas de 9 clubes nacionais, onde um dos nossos alunos venceu a 4.ª Etapa do Challenge PentaJovem 2012; participação ainda em
3 provas internacionais, sendo de destacar os resultados de um dos nossos alunos, que integrou a equipa vencedora do Torneio Internacional de Jovens em Barcelos, venceu o Torneio Internacional Vila Sant Boi, em Barcelona, e foi medalha de bronze na Copa Atlântica de Azeitão; No Futebol, no escalão de Juvenis, o Colégio Militar obteve o 1º lugar no Campeonato Distrital do Desporto Escolar de Lisboa e o 2º lugar no Campeonato Regional do Desporto Escolar; No Voleibol, no escalão de infantis B, a participação no “Torneio LUSOFONA KIDS”, tendo sido obtido o 2º lugar no Campeonato Distrital do Desporto Escolar de Lisboa; No Râguebi, no escalão de juvenis, a obtenção do 2º lugar no Campeonato Distrital do Desporto Escolar de Lisboa; importa ainda referir a organização do “Torneio de Râguebi do Colégio Militar”, com o apoio da Nestlé, que contou com mais de 400 participantes dos principais clubes nacionais, tendo a Equipa de sub-14 vencido a Taça Plate. Torna-se importante ainda referir as obras e trabalhos efectuados na conservação e requalificação de espaços, infra-estruturas e equipamentos, onde se releva: Os trabalhos de recuperação e manutenção do telhado do Pavilhão General Morais Sarmento, das aulas, e do Edifício Gulbenkian, das Ciências; A remodelação da salas de oficiais e professores e de sargentos; Conclusão da electrificação e iluminação do campo de futebol; A melhoria das infra-estruturas de apoio à prática de Equitação; A recuperação e alcatroamento de caminhos e dos espaços da entrada principal do Colégio Militar e da parada do Corpo de Alunos; Remodelação das instalações da lavandaria, serralharia, carpintaria e de electricidade. Deixo aqui a minha palavra de apreço pelo trabalho desenvolvido por todos quantos aqui servem e que permitiram, com o seu ensino, coordenação e apoio, concretizar o trabalho meritório dos Alunos e melhorar as condições de vida do Colégio nas actividades referidas e em muitas outras que tiveram lugar no anterior ano lectivo. O vosso empenho foi determinante nos resultados obtidos. Relativamente ao ano lectivo que hoje
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se inicia formalmente, importa referir que o Concurso de Admissão contou com 140 candidatos, dos quais foram seleccionados e admitidos 70 com a seguinte distribuição: 32 para o 5.º Ano, 13 para o 6.º Ano e 25 para o 7.º Ano, tendo-se verificado um acréscimo nas admissões de 16% relativamente ao ano de 2011. Actualmente o Batalhão Colegial dispõe de 349 alunos, sendo 241 do Ensino Básico, distribuídos por 11 turmas, e 108 do Ensino Secundário, distribuídos por 5 turmas. Verificou-se desta forma uma redução de 5 turmas, 24% relativamente ao total existente em 2011, para um total de alunos sensivelmente idêntico e, ainda assim, com uma média de 22 alunos por turma que julgamos ajustada aos objectivos pedagógicos nesta escola. Importa ainda salientar a diminuição de 12 docentes ao longo dos dois últimos anos lectivos, correspondente a 15% do efectivo, acrescentando que neste ano lectivo quatro dos nossos docentes civis e dois docentes militares ministram aulas no Instituto de Odivelas em acumulação. Meu General Comandante, Ilustres Convidados, Minhas Senhoras e meus Senhores, O projecto educativo do Colégio Militar teve como resultado no anterior ano lectivo tudo o que acabei de referir em diferentes actividades académicas, militares, desportivas e culturais e que no seu conjunto materializa uma dinâmica muito diferente das outras escolas. Esta diferença necessita de ser atendida no futuro próximo, onde a reestruturação e racionalização dos estabelecimentos militares de ensino em geral, e do Colégio Militar em particular, deve ser vista no sentido de optimizar o seu funcionamento, estando nós de acordo que muito ainda pode ser feito ao nível da gestão administrativa e escolar, com maior ou menor centralização conforme as áreas em causa, tendo sempre em vista a melhoria dos resultados escolares e condições de vida interna dos alunos e de todos quantos aqui servem. No entanto, julgo também ser compreensível que essa mudança tenha por limites a não afectação da identidade desta Instituição no futuro, a fim de evitar como
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Do Colégio Abertura solene do Ano Lectivo
resultado algo que não se identifica com a herança legada do passado, a qual tive oportunidade de caracterizar no início da minha intervenção e que deve servir de referência, sob pena do Colégio Militar se descaracterizar perante a Instituição Militar onde se insere, com consequências na sua imagem perante a própria sociedade e perante o País, o que no meu ponto de vista constituirá um risco que importa acautelar. Termino com a confiança no trabalho de todos quantos aqui servem e estudam e com a motivação de enfrentarmos o futuro com todas as suas dificuldades, resultantes dos desafios que nos sejam colocados. Aos novos alunos desejo uma rápida e plena integração no Batalhão Colegial. A todos os alunos faço votos de sucesso escolar em harmonia com a vida interna colegial, para a qual considero essencial o contributo dos alunos graduados finalistas. Aos alunos que terminaram a sua formação no Colégio Militar no ano lectivo anterior, desejo-lhes as maiores felicidades na condição de antigos alunos, designadamente na frequência do ensino superior e posteriormente na respectiva vida profissional. Um bom ano lectivo para todos! A Lição Inaugural, subordinada ao tema “Portugal no Contexto Europeu”, foi proferida pela Senhora Drª Maria Firmina Cruz Faro Valadas de Albuquerque, natural de Torres Vedras onde nasceu a 25 de Dezembro de 1961 e que exerce funções de docência no Colégio Militar desde Setembro de 2003, sendo licenciada em Geografia e Planeamento Regional pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa e professora de Geografia do 3.º ciclo e do ensino secundário, tendo desempenhado os cargos de Assessora do Conselho Directivo, Directora de Turma e Coordenadora dos Directores de Turma do 3º ciclo, Delegada do Grupo Disciplinar de Geografia, Coordenadora do Departamento de Ciências Sociais e Humanas e Membro da Comissão de Avaliação dos Professores e do Conselho Pedagógico. Segundo o geógrafo Orlando Ribeiro, “Portugal forma um rectângulo alongado, no sentido Norte - Sul, na faixa ocidental da Península Ibérica, de que ocupa pouco mais de um quinto da superfície,
encaixado numa península de contornos maciços e pesados, abre-se ao mundo por uma vasta fachada oceânica” ... A sua posição entre a Europa e a África, entre o Atlântico e o Mediterrâneo, colocou-o nas rotas de diferentes povos, nos principais fluxos económicos e comerciais e determinou a vocação marítima do seu povo. Portugal foi o país europeu que mais cedo se fez ao mar (Ceuta - 1415) e que mais tarde regressou (1974-1975); foi o país europeu que rompeu os limites do mundo e permitiu o encontro globalizante de culturas. A estabilidade das suas fronteiras continentais, praticamente inalteradas desde o século XIII, fazem de Portugal um dos mais antigos países do mundo e reflectem a sua marcada identidade e unidade interna. Portugal participou no mundo europeu desde a sua fundação. Através de relações diplomáticas com Roma, de Tratados de Paz e Amizade, Acordos, negociações de casamentos reais no xadrez político europeu, Portugal expandiu a influência ocidental e estabeleceu um império que incluía possessões em África, na América do Sul e na Ásia, tornando-se uma proeminente potência económica, política e militar. Portugal conheceu nas últimas décadas um processo de transição demográfica, semelhante ao dos países desenvolvidos, ©Fotos Leonel Tomaz
Drª Maria Firmina Cruz Faro Valadas de Albuquerque
tendo-se transformado num país envelhecido, com baixos níveis de natalidade e de mortalidade. O índice sintético de fecundidade é hoje de 1,37, inferior aos valores de 1,59 da União Europeia, e abaixo dos desejados 2,1 que asseguram a renovação de gerações. O aumento da população explica-se pela entrada de jovens imigrantes que contribuem para o rejuvenescimento da população, pois apresentam um índice sintético de fecundidade superior ao do país de acolhimento. A esperança média de vida é hoje, em Portugal, de 79,8 anos, quando em 1960 esse valor era de 64 anos. Os progressos realizados no nosso país são notórios e hoje temos uma esperança média de vida semelhante à da maioria dos países da União Europeia. Portugal tem a mão-de-obra mais desqualificada da União Europeia: cerca de 73% da população activa tem menos de nove anos de escolaridade e apenas 13% detém qualificação de nível superior. Os baixos níveis de qualificação profissional, associados a baixos níveis de escolaridade na generalidade da população activa em Portugal, constituíram, durante um longo período, um obstáculo ao desenvolvimento do país. Contudo, assiste-se actualmente a uma alteração notável do mercado de trabalho e das exigências de formação que se colocam aos trabalhadores. O século actual caracteriza-se por grandes movimentos das populações cujo perfil é significativamente diferente daquele dos portugueses que tradicionalmente emigravam. No que concerne aos recursos naturais, em Portugal, apesar de se registar alguma diversidade neste tipo de recursos, patente numa grande variedade de jazidas minerais, estes têm tem um peso económico pouco relevante, consequência das diminutas reservas e da conjuntura internacional, condicionando assim o mercado destes produtos. É em Portugal que estão localizadas as maiores reservas de cobre da Europa, o que torna o nosso país o maior produtor de cobre da União Europeia. Outros minerais explorados no nosso país são o ferro, o volfrâmio, o lítio e tudo aponta para que, num futuro próximo, o ouro ganhe uma importância determinante. As recentes descobertas podem, de facto,
Do Colégio Abertura solene do Ano Lectivo
um conjunto de medidas dinamizadoras, especialmente no âmbito da oferta. Mantendo a integridade geográfica do seu território, Portugal insere-se actualmente noutros espaços, assumindo particular importância a União Europeia. A União Europeia é uma organização internacional, formada actualmente por vinte e sete Estados-membros, que ocupam grande parte do espaço geográfico do continente Europeu. Actualmente, é um dos polos económicos mais importantes do mundo, particularmente a Europa Ocidental, onde predomina a economia de mercado. Paralelamente, Portugal foi-se integrando em novos espaços, tendo sido admitido na Organização das Nações Unidas em 1955, à semelhança dos restantes países que a integram. A ONU desenvolveu desde então vários organismos internacionais com missões especializadas, nos quais Portugal também participa e coopera. Perante o exposto, vários desafios se colocam, actualmente, para Portugal. Destes, indicamos aqueles que consideramos mais relevantes: • É imperioso adoptar medidas urgentes no âmbito demográfico que permitam a renovação de gerações; • É determinante projectar o país, não só na Europa mas no mundo, através da internacionalização e do aumento das exportações, que terão de se afirmar com base no domínio tecnológico e na conquista de novos mercados; • É forçoso incentivar empresários com iniciativa e conceder os apoios necessários para a sua projecção internacional; • É imperativo afirmar a sua capacidade competitiva nos sectores produtivos, aumentando a sua capacidade de exportação; • É premente criar alicerces na economia portuguesa, num tecido empresarial activo, numa visão estratégica de longo prazo e numa capacidade diplomática de atrair novos mercados. Portugal, na conjuntura de uma União Europeia alargada, faz parte de um mundo em mudança acelerada e radical, que precisa de encontrar uma nova estabilidade. A Europa é afectada por enormes perturbações com origem noutros continentes, das quais podemos apresentar
como exemplos o ressurgimento do fanatismo religioso no mundo islâmico, a doença e a fome em África, as tentações de hegemonia da América do Norte, as crises económicas na América Latina, a explosão demográfica e económica na Ásia e a deslocalização global de indústrias e de postos de trabalho. Por isso, a Europa não pode concentrar-se apenas no seu próprio desenvolvimento, tem de se envolver inteiramente na globalização. Embora tenha razões para se orgulhar das realizações das suas diferentes políticas, a União Europeia ainda tem um longo caminho a percorrer antes de poder exprimir-se a uma só voz e de se tomar um actor credível na cena politica mundial. Como forma de reconhecimento foram entregues a Placa Patrono do Exército ao Professor Vasco Paulo Lynce de Faria (21/1960), que prestou serviço no Colégio durante mais de 13 anos, e a Placa Colégio Militar ao Professor Armando Manuel Monteiro Francisco, assinalando 25 anos de docência neste Estabelecimento de Ensino. Seguiu-se a entrega de medalhas e prémios aos Alunos que no ano transacto se distinguiram pela sua aplicação literária e física e as cartas de Curso aos Finalistas do ano de 2011/2012, tendo a cerimónia sido encerrada com o Hino Nacional entoado por todos os presentes.
©Fotos Leonel Tomaz
vir a revitalizar a economia portuguesa. Portugal não tem petróleo, mas tem lítio no subsolo, o que muitos consideram como um tesouro desaproveitado. Portugal é apontado como o maior produtor de lítio da Europa e tem uma oportunidade única para “marcar pontos” neste importante mercado. O ouro, em cuja produção Portugal é conhecido desde tempos longínquos e que foi largamente aproveitado pelos romanos enquanto ocuparam o atual território nacional, nas últimas décadas praticamente deixou de ser extraído, devido à inviabilidade económica da sua exploração. Recentemente, houve um aumento da cotação deste minério e o aumento da procura pode permitir a revitalização da sua exploração por parte de Portugal. No âmbito das energias renováveis, Portugal é um dos países europeus que apresentam condições mais favoráveis para a utilização em larga escala deste tipo de recursos. Portugal encontra-se entre os países pioneiros em Investigação e Desenvolvimento ao nível do desenvolvimento de tecnologias ligadas à exploração desta forma de energia. O cumprimento das metas negociadas por Portugal no âmbito do protocolo de Quioto faz com que a necessidade de introduzir energias “limpas” seja ainda mais urgente. A potencialização das energias provenientes de fontes renováveis endógenas como o sol, vento, água e resíduos florestais é hoje uma aposta que o nosso país não poderá desperdiçar. As potencialidades da nossa posição geográfica privilegiada não têm sido devidamente aproveitadas, pois Portugal constitui uma plataforma multimodal, encontrando-se no cruzamento de rotas marítimas e aéreas que ligam a Europa aos restantes continentes. O turismo é uma das actividades mais dinâmicas da economia portuguesa, representando cerca de 8% do PIB e absorvendo perto de 10% do emprego. O aumento do número de turistas e a sua importância estratégica traduzida nas receitas que proporciona, na mão-de-obra que ocupa e nos efeitos multiplicadores que induz em várias áreas, têm levado os agentes económicos, perante a concorrência internacional, a adoptar
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José Eduardo Costa Afonso (20/2004), Prémio da Associação General Luís Augusto Pimentel Pinto
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Do Colégio Um caso inédito no Comando do Batalhão
Um caso inédito no
Comando do Batalhão E
m dois anos consecutivos o Comando do Batalhão foi entregue a dois irmãos, António Maria Mendes de Almeida Cavaleiro de Ferreira (57/2005) no ano 2011/2012 e a Luís Maria Mendes de Almeida Cavaleiro de Ferreira (285/2005) no ano 2012/2013, não se conhecendo situação semelhante em toda a história do Colégio Militar. Registe-se também a curiosidade de ambos serem de 2005, apesar da diferença de um ano idade, situação devida ao facto de terem entrado, o mais velho para 2º ano e o mais novo para o 1º. As suas raízes familiares directas estão relacionadas com diversos Antigos Alunos. Vinte e oito anos antes, em 1977, o Tio, Manuel Maria Sarmento Cavaleiro de Ferreira (57/1997), que viria a sair no 9º ano (para cursar Direito na Universidade Católica de Lisboa) e o Pai, Francisco Maria Sarmento Cavaleiro de Ferreira (58/1977), entravam também em simultâneo para o Colégio Militar. O Pai (58/1977) comandou a 4ª Companhia em 1983/1984 e é casado com Mariana Durão Ferreira Mendes de Almeida Cavaleiro de Ferreira, filha de Luís Gonzaga de Castro Mendes de Almeida (285/1948) que foi Comandante do Batalhão em 1954/1955.
285/1948 Comandante Batalhão 1954/1955 Luís Gonzaga de Castro Mendes de Almeida Margarida Durão Ferreira Mendes de Almeida
O avô paterno, António José Fonseca Cavaleiro de Ferreira (332/1950), comandou a 3ª Companhia no ano 1956/1957, sendo sua irmã Maria Beatriz Fonseca Cavaleiro de Ferreira Núncio casada com Francisco de Barahona Núncio (258/1948) que comandou a 2ª Companhia em 1954/1955. Para além de outros Antigos Alunos com proximidade aos Comandantes do Batalhão actual e do ano transacto como sejam irmãos do 285/1948 e do 258/1948, encontram-se actualmente no Colégio os seus primos Francisco Fialho Núncio (417/2007), Cerra-fila da Escolta neste ano de 2012/2013, António Fialho Núncio (258/2008) e João Núncio Pereira (332/2008), todos netos de Francisco de Barahona Núncio (258/1948). Aqui fica este breve apontamento, registando uma ocorrência inédita e que dificilmente se repetirá no futuro.
332/1950 Comandante 3ª Companhia 1956/1957 António José Fonseca Cavaleiro de Ferreira Ana Maria Junqueiro Sarmento Cavaleiro de Ferreira
57/1977 Saíu no 9º ano (Curso de Direito) Manuel Maria Sarmento Cavaleiro de Ferreira
Mariana Durão Ferreira Mendes de Almeida Cavaleiro de Ferreira
58/1977 Comandante 4ª Companhia 1983/1984 Francisco Maria Sarmento Cavaleiro de Ferreira
57/2005 Comandante Batalhão 2011/2012 Antº Mª Mendes de Almeida Cavaleiro de Ferreira
285/2005 Comandante Batalhão 2012/2013 Luís Mª Mendes de Almeida Cavaleiro de Ferreira
Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949
258/1948 Comandante 2ª Companhia 1954/1955 Francisco de Barahona Núncio Maria Beatriz Fonseca Cavaleiro de Ferreira Núncio
NETOS 417/2007 Cerra-Fila da Escolta 2012/2013
Francisco Fialho Núncio
258/2008 António Fialho Núncio
332/2008 João Núncio Pereira
Do Colégio O Pólo e o Colégio
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Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
O Pólo e o Colégio General Manuel da Costa Latino (207/1888)
A
modalidade hípica conhecida como jogo do pólo foi introduzida na Europa, na segunda metade do século XIX, por oficiais britânicos que tinham servido no exército da Índia. Os britânicos tomaram contacto com este desporto na Índia, onde era praticado pelas elites locais, deram-lhe o nome de pólo e passaram a praticá-lo entusiasticamente. Em1859 foi constituído em Calcutá, por oficiais britânicos, o primeiro clube dedicado exclusivamente à prática do pólo. Na autobiografia de Winston Churchill relativa à parte inicial da sua vida (1874-1908), intitulada na sua versão original por «My Early Life» e traduzida para português com o título «Os meus primeiros anos», descreve o autor como se tornou campeão de pólo na Índia, tendo a equipe do seu regimento vencido o torneio anual inter-regimental que então aí se disputava.
O primeiro campeonato de pólo realizado na Europa, de que se tem conhecimento, ocorreu em 1870, em Aldeshot e foi organizado pelos oficiais do 10º Regimento de Hussardos. A moda pegou e surgiram novas equipas, algumas de universidades inglesas. Foram entretanto estabelecidas as regras, que ainda hoje perduram, da autoria dos membros do Hurllingan Club. A partir da Grã-Bretanha a modalidade foi-se expandindo por vários países, iniciando-se em França no ano de 1891. Um dos países em que a modalidade se desenvolveu mais rapidamente foi na Argentina, um país com grande importância na criação de cavalos e de grandes tradições hípicas (ainda me lembro de alguns cavalos argentinos que estavam no meu tempo no Colégio). O pólo foi incluído no programa dos Jogos Olímpicos de 1924,
em França, tendo sido vencedora desta modalidade a equipa da Argentina. O pólo é uma modalidade que para ser jogada necessita, para além de cavalos rápidos e resistentes e de cavaleiros desembaraçados, de um relvado com um comprimento 200 a 300 metros por 100 metros de largura. A bola é jogada com um martelo de duas cabeças, de 1,30 metros de comprimento, normalmente com cabo de bambu. As equipas são formadas por quatro elementos cada, tendo um defesa, dois médios e um avançado. O árbitro actua a cavalo, acompanhando o movimento das equipas no terreno. Também ele tem de ser um bom «calção». A duração do jogo é de 35 minutos, divididos em cinco períodos de 7 minutos cada, sempre jogados a galope. Nos intervalos os jogadores podem proceder a mudanças de cava-
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Do Colégio O Pólo e o Colégio
los, sendo vulgar um jogador dispor de vários cavalos, aquilo que os britânicos designam por «a string of horses», o que torna a prática desta modalidade bastante dispendiosa. Nos extremos do campo estão montadas as balizas formadas por dois postes. A bola pode ser impelida com tacadas dadas para a frente e para trás (daí as duas cabeças dos martelos) e os jogadores estão impedidos de empurrar, agarrar ou interpor o cavalo entre os cavalos dos adversários e a bola. Tal como no futebol, também no pólo existe o fora de jogo. Quando esta falta ocorre, o jogador que a cometeu não pode tocar na bola, nem impedir que o adversário a jogue. O jogo é naturalmente muito exigente, tanto para os cavaleiros como para as montadas, obrigadas a um galope constante, com mudanças de velocidades, paragens bruscas, arranques e mudanças de sentido, o que origina as substituições de montadas anteriormente referidas. A introdução do pólo em Portugal deu-se na década de 30 do século passado. Começaram por se efectuar desafios de treino e de adaptação às regras nas instalações do Jóquei Club em Lisboa, tendo tido lugar a primeira apresentação de pólo com assistência de público em 19 de Outubro de 1930, no campo hípico então existente no Estoril, propriedade da Sociedade de Propaganda da Costa do Sol. A 3 de Novembro do mesmo ano foi feita nova apresentação no mesmo local. Segundo a imprensa da época, houve dois cavaleiros que naquelas partidas denotaram especial propensão para a prática da modalidade. Foram eles o Coronel Manuel Latino e o Capitão José Mouzinho. O então Coronel Manuel Latino era antigo aluno do Colégio, tendo sido o 207 de 1888. Quanto ao Capitão José Mouzinho, presumo que não terá sido Antigo Aluno do Colégio. De facto, no nosso «Quem é Quem» apenas aparece um Antigo Aluno de nome José Mouzinho, que frequentou o Colégio entre 1887 e 1889, tendo portanto idade idêntica à de Manuel Latino. Assim sendo, é pouco provável que fossem em simultâneo um deles coronel e o outro capitão. Foi pois um Antigo Aluno do Colégio um dos introdutores desta modalidade hípica em Portugal, quando já tinha 52 anos de idade, o que para a época já era uma idade avançada, em particular para um
«sportman», como na altura se dizia. O Antigo Aluno Manuel da Costa Latino, para além de ter sido uma figura notável no nosso panorama hípico, teve uma carreira militar brilhante, que se apresenta seguidamente de forma necessariamente reduzida. Concluído o seu curso de Cavalaria na Escola do Exército em 1899, foi promovido a Alferes em 1900, a Tenente em1904 e a Capitão em 1911, tendo neste posto sido instrutor de equitação na Escola do Exército. Promovido a Major em 1917, foi nomeado Presidente da Comissão de Remonta-Norte, cargo que desempenhou até ter sido promovido a Coronel em 1929. Neste posto foi Chefe de Gabinete da Presidência do Ministério, Comandante do Regimento de Cavalaria 2 e da Escola Prática de Cavalaria, Presidente da Comissão Técnica de Remonta e Comandante Interino da 1ª Brigada de Cavalaria. Como Brigadeiro, em 1939, foi Inspector da Arma de Cavalaria, sendo promovido a General em1940, posto em que foi Director da Arma de Cavalaria e em que exerceu as funções de Presidente da Federação Equestre Portuguesa. A actividade de Manuel Latino no desporto hípico foi notável. A sua competência desportiva indicou-o para cargos oficiais de direcção e de organização tais como: membro do Comité Olímpico Português e da Comissão Executiva dos III,IV,V e VI Comités Olímpicos, membro dos Júris Internacionais dos Jogos Olímpicos de Paris em 1924 e de Amesterdão em 1928, Chefe da Equipe Portuguesa nesses mesmos Jogos Olímpicos, delegado do Ministério da Guerra e orador oficial na cerimónia da inauguração do Monumento aos mortos portugueses na Grande Guerra, em Gand (1928),membro da comissão encarrega-
da da compra de cavalos de «sport» em França, Bélgica e Itália, em 1909, presidente das comissões de remonta em Espanha em 1915 e em Espanha, França e Argélia em 1926, encarregado da aquisição de garanhões em Inglaterra em 1921. Foi componente das equipes portuguesas no concurso hípico de San Sebastian em 1909 e chefe das equipas nos concursos de Madrid, Barcelona, Nice, Roma, Nápoles e Milão de 1924 a 1934, organizador durante mais de 20 anos do concurso hípico da Figueira da Foz e colaborador na organização dos concursos hípicos e corridas de cavalos na Marinha, Cascais, Jóquei Club e Estoril. Manuel Latino foi em toda a sua vida um «homem de cavalos», como se costuma dizer na gíria hípica. Desde as primeiras corridas de cavalos realizadas em Torres Novas no ano de 1902, onde ganhou a taça «Rainha D. Amélia», tomou parte, durante décadas, em importantes competições hípicas, campeonatos de cavalo de guerra e inúmeros concursos nacionais e estrangeiros, marcando de forma notável o desenvolvimento do hipismo nacional na primeira metade do século XX. Foi fundador e diligente director da Sociedade Hípica Portuguesa, que ainda hoje tem uma actividade notável. A brilhante carreira de Manuel Latino foi alvo de reconhecimento a nível nacional e internacional, tendo-lhe sido concedidas as mais variadas veneras, das quais se destacam, a nível nacional a grã-cruz da Ordem de Avis, os grandes oficialatos das Ordens de Cristo e da Instrução Pública e a comenda de Santiago da Espada. A nível internacional foi-lhe concedido o grau de oficial da Legião de Honra de França e da Coroa da Prússia, de comendador das Ordens de Carlos III e de Isabel a Católica de Espanha e outras condecorações. Manuel da Costa Latino teve cinco filhos, dos quais três filhos varões, tendo dois deles frequentado o Colégio. Foram eles o João Manuel Terenas Latino (207/1917) e o Rui Terenas Latino (7/1918). Foram meus camaradas no Colégio dois netos de Manuel da Costa Latino: o José Latino Tavares (197/1952) e o António Latino Tavares (100/1954). Foram dois dos cavaleiros colegiais da fundação da Escolta a Cavalo em 1959, seguindo na senda do seu avô, figura marcante do panorama hípico nacional e internacional da primeira metade do século XX.
Colaboração 1.º Regimento Estrangeiro de Pára-quedistas
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Colaboração Colégio Militar – Também um Exemplo Online
José João Marques Medeiros de Almeida 497/1995 josemedeirosdealmeida@gmail.com
Colégio Militar
Também um Exemplo Online A
presença das organizações online tem passado por inúmeras fases. Em tempos o facto de alguém ter um email já o colocava na linha da frente. Depois começaram a surgir os sites, todas as empresas começaram a reivindicar o seu lugar online e todas passaram a ter um site, melhor ou pior, mais bonito ou mais feio, o que interessava era ter uma página na Internet. Depois foram os fóruns, os Blogs e finalmente as redes sociais. Foram contratados especialistas para gerir a presença na rede, para fazer com que só passasse para o exterior aquilo que realmente interessava. O tempo passou e os estudos começaram a mostrar que a presença nas redes sociais podia ser mais prejudicial que benéfica, muitas empresas decidiram eliminar a sua presença nas redes. O mau uso da Internet faz com que pequenas e grandes organizações ponham em causa a utilidade deste meio de comunicação e exposição ao mundo. Mas a comunicação pode ser boa, pode transparecer o que de bom a organização tem. O Nosso Colégio utiliza a Internet de forma inteligente e controlada. De uma forma clean e moderna mostra tudo o que um visitante precisa saber. É possível calcular as mensalidades de um futuro aluno ou conhecer o projecto educativo do Colégio. O responsável pela imagem do Colégio na Internet está a fazer um trabalho que
merece o aplauso de toda a Família Colegial. Analisando o site podemos ficar com uma ideia completa, limpa e transparente do que há para oferecer. Visitando o site podemos ter Informações como a lista de Directores desde a formação do Nosso Colégio, passando pelo regulamento interno e até as próximas ementas. Não que seja algo que qualquer um de nós não tenha já plena certeza, mas dando uma vista de olhos pelo site, compreendemos porque é que ainda hoje o Colégio se mostra como um exemplo no ensino nacional e como não oferece gato por lebre. No site oferece aquilo que realmente sabemos que tem para dar. Não era justo falar do colegiomilitar.pt
sem falar de aaacm.pt. O site da Associação, mais virado para o mundo dos antigos alunos do que para a consulta dos pais, tem constantemente e de forma sempre actualizada aquilo que realmente nos importa saber. É também uma montra bem estruturada para aqueles que querem saber “aquilo que se anda a fazer”. É o local ideal para quem gosta de saber um pouco mais sobre o nosso Colégio. Para quem não sabe por onde há-de navegar ou procura saber um pouco mais, fica a sugestão. Um grande bem-haja para os responsáveis desta presença online, que andam a fazer um óptimo trabalho. Obrigado e parabéns.
Colaboração Mais de 99,9%
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Francisco Teixeira d’ Aguiar Norton Brandão (282/1996) fnortonbrandao@gmail.com
Mais de 99,9% A
pesar de não ir frequentemente a casinos, já passei por alguns, por divertimento. Como sempre gostei de desafios matemáticos, gosto de passar pelos vários jogos e tentar saber qual é vantagem que o casino tem em determinado jogo e, eventualmente, saber se o jogador pode ter alguma vantagem em jogar. Aliás, toda a gente gosta de saber isso. Há um gosto especial em pensar que podemos saber alguma coisa que pouca ou nenhuma gente sabe e que podemos tirar proveito dela. Já fui várias vezes abordado por amigos meus (alguns deles colegiais) que dizem ter encontrado, finalmente, um sistema infalível, que resulta em vários jogos. O que interessa é que o jogo tenha uma probabilidade de 50% de se ganhar o dobro do que se apostou. A roleta encaixa (aproximadamente) neste modelo. A roleta é um jogo em que uma bola é posta a rolar num tambor e inevitavelmente cairá num dos espaços correspondentes a um número, que varia entre 0 e 36, sendo que cada número tem uma cor: preto ou vermelho (à excepção do 0, que não tem cor associada). O jogador pode então fazer uma grande variedade de apostas: pode apostar que a bola cai num número de determinada cor ou nos intervalos 1-18 e 19-36, ganhando o dobro do investimento, pode apostar que cai nos intervalos 1-12, 13-24 ou 25 36, ganhando o triplo do investimento, etc.. O que interessa é que, quanto mais pequeno o intervalo, maior o retorno do investimento, sendo aproximadamente inversamente proporcionais. Ou seja, se apostarmos num intervalo que cubra aproximadamente ½, ⅓ ou ¼ dos números, ganhamos 2, 3 ou 4 vezes a aposta, respectivamente. No limite, se apostarmos num só número (ou seja, aproximadamente dos números), ganhamos 36 vezes o que investimos. E isto acontece para uma grande variedade de apostas diferentes, o que torna o jogo interessante. Sublinhei a palavra “aproximadamente” porque, por exemplo, uma aposta numa determinada cor não cobre o número 0. Ou seja, na verdade, não se aposta em metade dos números, mas em (48,6%) dos números. E é por isto que o casino lucra! Se eu ganhasse metade das vezes, com um retorno do dobro do investimento, a longo prazo, não perderia nem ganharia dinheiro. Nem o casino. E isto é um facto que não se pode contornar! Qual-
quer que seja o sistema, não se consegue bater um jogo como a roleta, se os números que saírem nas várias jogadas forem, de facto, aleatórios (até hoje, as pessoas que conseguiram bater as roletas foi por terem determinado padrões de saída de números em roletas que não estejam bem calibradas ou bem fabricadas ou, ainda, por exemplo, inclinadas). O sistema é então o seguinte: Apostamos 1 € num jogo com 50% de probabilidade de ganhar, como a roleta (apostas de 1 simplificam as contas, mas serve para qualquer quantia). Se ganharmos, ganhamos o dobro do que investimos, ou seja, 2 € e, assim, lucramos 1 €. Nesta situação, paramos de jogar e recomeçamos o sistema. Mas, se perdermos, temos de apostar o dobro do que apostámos antes, isto é, 2 €. Mais uma vez, se ganharmos, ganhamos 4 € e lucramos, outra vez, 1 €, uma vez que gastámos antes 1 + 2 = 3 €. Uma vez mais, neste caso, paramos de jogar e podemos recomeçar na aposta de 1 €. Mas se perdermos, apostamos o dobro do que apostámos antes, ou seja, 4 €. Se ganharmos, o lucro é outra vez 1 €, porque ganhamos 8 € e tínhamos gastado 1 + 2 + 4 = 7 € e podemos recomeçar. Se perdermos, apostamos o dobro, isto é, 8 €... E assim sucessivamente… A este tipo de apostas sucessivamente maiores chama-se um “Sistema Martingale”. A ideia fundamental destes sistemas é que são compostos por ciclos de apostas que terminam com um lucro de 1 € e, se tivermos uma quantidade decente de dinheiro, é extremamente difícil (isto é, improvável) perder tantas vezes consecutivas que se fique sem esse dinheiro. Por isso, estes sistemas são muito aliciantes, porque parece que se “sai sempre a ganhar” e, não sendo infalíveis (uma vez que ainda há a hipótese remota de se perder muitas vezes consecutivas), parecem, à primeira vista, lucrativos. Mas não são. Calcule-se então o valor esperado (VE), que é o valor que se espera ganhar em cada ciclo, em média. Seja “A” a aposta inicial e “p” a probabilidade de se ganhar a aposta. Seja ainda “n” o número de vezes que se pode perder até se ficar sem dinheiro. No exemplo anterior, A = 1 € e p = 50%; se n = 10, o total gasto em apostas seria 210 1 = 1023 €.
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Assim, a probabilidade de se perder n vezes será (1 – p)n e, portanto, a probabilidade de se lucrar (ou seja, não perder 10 vezes consecutivas) será 1 – (1 – p)n. A probabilidade de não perder é superior a 99,9%! O valor esperado então é: E, no exemplo anterior: Sendo zero, em média, não se tem lucro nem prejuízo! Contudo, se “p” for menor que 50%, o valor esperado passa a ser menor que zero! E, na roleta, p = 48,6% e, portanto, com VE < 0, há prejuízo. Então, onde está a falha? Se se “sai sempre a ganhar”, como é que se perde? O problema aqui é olhar somente para um dos pratos da balança. É verdade que a probabilidade de perder é inferior a 0,1%, mas, quando se perde, o resultado é catastrófico. É como pôr um mil milhões de formigas num prato de uma balança e pôr um
elefante noutra. Mesmo com muitas formigas, o elefante pesa ligeiramente mais... Este é um caso de frequentes ganhos pequenos com raros prejuízos gigantes; mas tão raro que se cai no erro de o desprezar. A verdade é que, neste caso, a única maneira de se sair literalmente “sempre a ganhar”, é tendo dinheiro infinito. Em conclusão, quando duas forças se debatem uma contra a outra, só podemos dar certezas sobre o resultado se uma for claramente maior que a outra. Por exemplo, se eu tiver uma situação com raros ganhos pequenos e frequentes prejuízos grandes, é fácil saber que perco. Mas, num caso como um Sistema Martingale, em que tanto os ganhos como os prejuízos têm motivos para ser grandes (um pela frequência, outro pela dimensão), a atitude mais sensata é dizer que não sei, até fazer as contas e ver onde se dá a transição entre um lado e outro. No caso do exemplo deste texto, essa transição acontece quando a probabilidade de ganhar é 50%. Acima disso, lucra-se; abaixo disso, perde-se. Olhar para as duas faces da moeda é fundamental para pesarmos ao certo as nossas acções. E é por isso que eu só vou ao casino para me divertir. Nunca para ganhar dinheiro...
Antigo Aluno usa a BARRETINA Solidariedade
Se este for o momento em que tudo te parece falhar e o desânimo te invade,
“por favor não desistas” porque nós não desistimos de ti.
Recordando O Colégio, a Índia e os TAIP
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Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
O Colégio, a Índia e os TAIP N
o artigo «1961 O fim da Índia Portuguesa» que foi dado à estampa no nº 185 desta nossa revista, escrevi a dado passo «Estava eu no 4º ano, a malta do 7º ano teve uma viagem memorável de fim de curso à Índia. Foram sob o comando do então Comandante de Batalhão, o 176 Luis Filipe Tomaz….».
segue para a Índia Portuguesa uma Missão de Estudo dos alunos do 7º ano, chefiada pelo Director do Colégio Militar. A Missão transportará o Guião do Batalhão Colegial». O Major Balula Cid indicava em nota de rodapé, que a iniciativa desta viagem era devida ao Director do Colégio Militar, Brigadeiro Raul Pereira de Castro, que levando até junto das ruínas de Velha Goa e das fortalezas de Damão e Diu, a presença simbólica da nossa juventude militar, valorizou a preparação patriótica, militar e cultural dos alunos finalistas e difundiu, por terras do Oriente, o nome do Colégio Militar.
O programa da viagem foi o seguinte:
Homenagem a Afonso de Albuquerque patronodo Colégio Militar.
Este acontecimento já longínquo, ficou-me gravado na memória, pelo que resolvi ver se conseguia obter mais alguma informação acerca do mesmo. Para tal, decidi efectuar uma pesquisa expedita, para o que recorri ao livro «O Colégio Militar através das ordens e livros de correspondência colegiais 1803-1960», da autoria do Major Balula Cid, professor do Colégio durante alguns anos do meu curso, que ficou muito conhecido na época pelas caricaturas que fez de alguns dos professores e outras personagens do universo colegial de então. A pesquisa efectuada deu frutos imediatos. No livro indicado é referida a Ordem de Serviço nº 67, de 21/3/1959, que informava «no dia 23
Dia 23 de Março Cerca da meia-noite, a Missão embarca num avião dos Transportes Aéreos da Índia Portuguesa. Dia 24 de Março Chegada a Beirute, capital do Líbano, onde a Missão é hospedada na Escola Militar Libanesa. Dia 25 de Março Visita à Escola Militar Libanesa. Desfile perante o Monumento aos Mortos na Guerra do Líbano. Passeio às montanhas do Líbano. Partida para Goa. Dia 26 de Março Chegada a Goa. Dia 27 de Março A Missão é recebida pelo Governador-Geral, Brigadeiro Vassalo e Silva. Visita a Velha Goa. Dia 28 de Março Homenagem a Afonso de Albuquerque. O Comandante do Batalhão Colegial depõe uma placa de bronze na base do monumento. Desfile através das ruas de Pangim. O Governador-Geral oferece ao Colégio um tubo de prata lavrada, destinado a conter terra de Goa, Damão e Diu. Dia 29 de Março Um grupo de Alunos presta a Guarda de Honra
junto do túmulo de S. Francisco Xavier, durante a Missa de Domingo de Páscoa celebrada na basílica de Bom Jesus. Homenagem do Colégio Militar às Forças Armadas do Estado da Índia. Entrega de uma placa de placa de bronze que é colocada junto da igreja de Nossa Senhora do Rosário, construída no local onde Afonso de Albuquerque dirigiu as operações da tomada definitiva de Goa, em 25/11/1510. Dia 31 de Março A Missão embarca no aviso «João de Lisboa» seguindo para a ilha de Angediva. Dia 1 de Abril Partida para Diu / Visita à Fortaleza. Partida para Damão / Homenagem aos Heróis de Damão. Colocação de uma coroa de bronze no sopé do monumento. Partida para Goa.
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Recordando O Colégio, a Índia e os TAIP
Dia 2 de Abril Visita ao posto fronteiriço de Sinquervale. Dia 5 de Abril O Comandante das Forças Navais do Estado da Índia, Comodoro Gabriel António Prior, oferece ao Colégio Militar, para a sua Capela, paramentos sacros. Dia 7 de Abril Regresso a Lisboa / Chegada ao Cairo. Dia 8 de Abril Visita às Pirâmides / Partida para Roma. Dia 9 de Abril Chegada a Roma. A Missão é recebida por S.S. João XXIII. Dia 10 de Abril Chegada a Lisboa.
Como se pode ver, foi aquilo que se pode chamar uma viagem de luxo, incluindo um passeio no Líbano, uma visita às pirâmides no Cairo e uma audiência com o Papa em Roma. Melhor seria difícil. O Director do Colégio na altura era especialista neste tipo de iniciativas. Lembro-me que o pessoal que tomou parte na viagem veio de lá entusiasmado, contando-nos vários episódios da mesma. O entusiasmo era extensivo à beleza das hospedeiras de bordo dos aviões dos TAIP em que foram transportados, beleza essa que era realçada pela elegância dos saris com que se apresentavam. Passados todos estes anos este último pormenor ainda está na minha memória e posso aqui atestar a justeza do julgamento então feito pelos «estudiosos» que tomaram parte na missão, apresentando uma foto de uma das ditas hospedeiras, que será hoje possivelmente, uma encantadora avozinha, que estará longe de suspeitar, lá na sua Goa natal, da justa homenagem, que hoje aqui lhe fazemos. A referência ao transporte da Missão nos aviões dos TAIP acima feita, trouxe-me à memória a existência efémera desta pequena companhia de transporte aéreo. Apesar da sua curta existência, constituiu esta companhia um marco assinalável no transporte aéreo daquela época. Para conhecimento dos amantes das pequenas/grandes histórias, aqui deixo as principais efemérides da curta vida dos TAIP. 10 de Agosto de 1955 Aterra em Goa o primeiro avião dos TAIP, o HE-
Aspecto do desfile dos alunos pelas ruas de Pangim.
Sua Santidade o Papa João XXIII recebe a “Missão a Goa” na sala das tapeçarias.
Após a audiência que se dignou conceder aos oficiais e alunos do CM, componentes da patriótica romagem às terras Sagradas de Portugal do Oriente, Sua Excelência o Senhor Presidente da República concedeu-lhes a honra desta fotografia. Este expressivo acto constituiu verdadeiramente o epilogo da Missão a Goa.
RON CR-IAA, sob o comando do Major Solano de Almeida. 12 de Agosto de 1955 Primeira carreira GOA/KARACHI/GOA. 15 de Agosto de 1955 Os TAIP ligam Goa com Diu e escalam Damão em 29 do mesmo mês. 28 de Setembro de 1955 Chega a Goa o Capitão Norton Afonso comandando o segundo HERON CR-IAB dos TAIP. Março de 1956 Aterra em Goa o primeiro dos dois aviões de tipo VIKING destinados à substituição dos pri-
mitivos aviões, chegando o segundo em Março do mesmo ano (CR-IAC e CR-IAD). 24 de Dezembro de 1957 O SKIMASTER CR-IAE aterra no aeroporto de Dabolim. 28 de Janeiro de 1958 Chega o segundo avião do tipo SKIMASTER (CR-IAF) e cinco dias depois inicia uma carreira para ADEN escalando KARACHI. 13 de Fevereiro de 1958 O SKIMASTER CR-IAF efectua a primeira ligação experimental GOA/LISBOA, saindo de Lisboa em direcção a Goa no dia dezassete do mesmo mês. 25 de Abril de 1960 Parte de Goa rumo a Moçambique o avião SKIMASTER CR-IAF, regressando a Goa no dia vinte e nove do mesmo mês. 1 de Agosto de 1961 Precisamente seis anos depois da chegada do primeiro avião dos TAIP, aterra no aeroporto «General Bénard Guedes» o novo SUPERLINER DC-6 B (CR-JAG). 19 de Agosto de 1961 O referido avião é baptizado com o nome de DAMÃO pela Sr.ª D. Fernanda Vassalo e Silva, em cerimónia presidida pelo Exmo. Sr. Governador-Geral do Estado da Índia, General Manuel António Vassalo e Silva, após bênção por Sua Excelência Reverendíssima o Patriarca das Índias Orientais D. José Alvernaz.
As efemérides apresentadas foram retiradas do opúsculo editado pelos TAIP no dia 19 de Agosto de 1961, data da recepção e baptismo do primeiro dos três SUPERLINER DC6B destinados à renovação da sua frota. Com a invasão do Estado da Índia, em Dezembro do mesmo ano, aquela renovação nunca se chegou a concluir. Na contracapa do opúsculo referido podia-se ler o seguinte: «possa este opúsculo, na sua singeleza, ser interpretado como prova modesta, mas nem por isso menos vibrante, da vitalidade lusitana. … E para que o mundo o recorde se é que o pretende esquecer!» Esperamos com este pequeno artigo contribuir para evitar esse esquecimento. A efeméride final da curta vida dos TAIP foi a descolagem a 19 de Dezembro de 1961, de Goa, de um SKIMASTER, sob o comando do Tenente-Coronel Solano de Almeida. A descolagem dá-se após três bombardeamentos da pista pelas tropas invasoras da União Indiana.
NOTA FINAL O Major Balula Cid, professor do Colégio citado neste artigo, era o pai dos Antigos Alunos 152/1957 José António Balula Cid (Coronel de Cavalaria e brilhante concursista) e 595/1967 João Manuel Balula Cid (pianista de mérito). O material apresentado relativo aos TAIP foi-me disponibilizado pelo 5/1954 Eduardo Solano de Almeida (comandante da TAP). Para os três as minhas saudações colegiais.
Recordando Um Novo Livro do Costa Matos (96/1950)
UM NOVO LIVRO DO COSTA MATOS (96/1950)
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o dia 3 de Março de 2013 (um domingo), comemora-se mais um aniversário do Colégio Militar. Por calhar a um domingo, na manhã desse dia haverá o desfile do Batalhão de Alunos e, à noite, haverá o habitual “jantar de Antigos Alunos”, uma tradição que teve a sua origem em 1903, quando das comemorações do 100.º aniversário colegial. Mas, antecedendo este jantar, e à semelhança do que aconteceu em 2009, terá lugar pelas 18h30, no Auditório do Colégio Militar, o lançamento de mais uma obra da Costa Matos (96/1950). Desta vez tem por título «O Colégio Militar – Berço de Grandes Portugueses», e tem prefácio do general José Alberto Loureiro dos Santos, conhecida figura pública nacional. Trata-se de um livro profusamente ilustrado, que exigiu mais de três anos de aturada e minuciosa investigação e pesquisa histórica, em que nos revela a vida intensa e extraordinária de 100 antigos alunos, relatada ao longo de 284 páginas graficamente muito atraentes.
Surge na sequência de «O Colégio Militar na Toponímia Portuguesa», de 2009, quando o Costa Matos cedo se começou a aperceber que, além daqueles que tinham o seu nome em praças, avenidas e ruas do país, «existiam muitos outros antigos “Meninos da Luz” que, pelos mais variados e excepcionais motivos, a História havia registado, consagrado e conservado para sempre no seu regaço ainda que de modo inverso e em muitos dos casos, a interminável sucessão de gerações tivesse progressivamente esbatido das suas memória o exemplo, o mérito e o valor do quanto eles haviam realizado e transmitido como legado a essas mesmas gerações», como refere agora na “Introdução”. Nas histórias biográficas que irá acom-
panhar, o leitor vai poder conhecer personalidades que, ao longo da sua vida, tiveram sempre bem presentes os valores segundo os quais foram educados, mesmo quando por vezes, como cidadãos, assumiram comportamentos e atitudes divergentes, como que a demonstrar-nos inequivocamente que, o facto de terem sido educados no Colégio Militar, nunca os impediu de pensar e de agir em liberdade. Como dizia o Fundador do Colégio, Marechal Teixeira Rebelo, após deixar o Colégio Militar, aquilo que um “Menino da Luz” realiza como homem e cidadão depende apenas da sua livre e exclusiva vontade. Mas as ferramentas necessárias para poder vencer, essas leva-as consigo na sua mente. Foram-lhe oferecidas pela sua outra “casa”, aquela onde cresceu e viveu grande parte da sua adolescência. O «Colégio Militar – Berço de Grandes Portugueses» terá uma edição limitada de 500 exemplares que serão postos à venda no dia 3 de Março de 2013, pelo que aqueles que quiserem não perder a possibilidade de o adquirir, não devem faltar à cerimónia de lançamento. Todavia, os que por razões de força maior, por motivos de saúde, ou por residirem no estrangeiro não puderem estar presentes, terão a possibilidade de fazer a sua reserva, a partir de 1 de Dezembro de 2012, para a AAACM através dos telefones 217 122 306/8, ou do email marketing@aaacm.pt. O produto da venda do livro reverte para o “Fundo de Solidariedade”, que bem necessita de meios para poder ajudar o número crescente de Antigos Alunos em dificuldade.
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Recordando Antigos Alunos nas Tropas Pára-quedistas
Nuno António Bravo Mira Vaz 277/1950
Antigos Alunos nas TROPAS PÁRA-QUEDISTAS Eduardo Maria Passarinho Franco Preto (76/1951)
Saí do Colégio na Páscoa de 1956 para me juntar aos meus Pais na cidade da Beira, em Moçambique, quando frequentava o 4º Ano, tendo sido sempre um fraco aluno. O excesso de gosto pelo exercício físico cansava-me demasiado para me poder aplicar nos estudos. Entrei para a Academia Militar em Outubro de 1962, para o Curso de Infantaria que terminei em Dezembro de 1965.
Apresentei-me no RCP em 2 de Janeiro de 1966 e recebi a Boina Verde no dia 4 de Março, ficando com o Brevet número 3536 e tendo feito o último salto, o 544º, da altura de 3600 metros, a 17 de Janeiro de 1992. Fui o primeiro Porta-Bandeira Nacional do RCP nomeado pelo período de um ano 1968/69, missão que muito me honrou. Relacionado com a actividade pára-quedista, tirei o curso de Transporte Aéreo e Lançamento de Material e em seguida o curso de Instrutor de Pára-quedismo em Setembro de 1968, o curso de Precursor
Coronel Pára-quedista
No Colégio no meio dos irmãos
No Colégio em 1951
Amigo Nuno Como preguiçoso que sempre me acharam, registo a informação redigida pelo então Cap. Simões, Comandante da 2ª Companhia em 1954 na caderneta escolar do Colégio Militar: “Bom chefe de turma. Bondoso mas sabendo impor-se. Faz uso económico das suas capacidades.”. Pelos vistos não alterei muito o meu comportamento. Ingressei no Colégio Militar em Outubro de 1951 com o número 76.
Recordando Antigos Alunos nas Tropas Pára-quedistas
Aeroterrestre do Exército Brasileiro em Dezembro de 1993, o curso de Juiz de pára-quedismo do Conseil Internacional du Sport Militaire (C.I.S.M.) em Lenk (Suíça), em Fevereiro de 1987. Fui posteriormente nomeado Chefe da Delegação Militar Portuguesa a vários campeonatos internacionais de pára-quedismo, onde aproveitava para actuar como juiz e assim ter a caderneta, o treino e os regulamentos em dia. Em 1989 ministrei o 1º Curso de Juízes de Pára-quedismo o qual, por sugestão minha, foi aberto a militares e civis. Brevets de pára-quedismo estrangeiros: Brasileiro com o Curso de Precursor Aeroterrestre, Espanhol, Belga e Alemão. De Moçambique recordo a Operação Nó Górdio, cumprida integralmente na companhia do nosso camarada e amigo Major-General Espírito Santo, as grandes marchas na Província de Cabo Delgado e, na parte final, as operações na Província de Tete, com o calor escaldante, na protecção da construção da estrada Tete-Cabora
Porta-bandeira do RCP em 1968
Bassa, as colunas de super-camiões que só podiam subir à barragem no período da noite devido ao aquecimento dos potentes motores, e que tínhamos de escoltar. Na Base Escola de Tropas Pára-quedistas (BETP) estive colocado durante 12 anos. Em 1973, tive a felicidade de ter sido nomeado para frequentar o Curso de Precursor Aeroterrestre no Brasil, Rio de Janeiro, Brigada Pára-quedista General Penha Brasil, o que marcou o rumo da minha vida nas Tropas Pára-quedistas, a partir daí fortemente dedicada à área operacional aeroterrestre. O curso de precursor e um estágio de salto de queda livre com equipamento deram-
-me conhecimentos muito importantes para poder reformular o curso nacional de largadores (CTALM), uma exigência provocada pela entrada em operação das aeronaves C-130 na Força Aérea Portuguesa, bem como o curso de precursores, que estruturei e adaptei ao nosso sistema. Com a promoção a major e a colocação no comando do Grupo Operacional Aeroterrestre (GOAT), a alteração da instrução de Guerra Subversiva para a Guerra Clássica, o iniciar das comemorações do Dia da Força Aérea e a realização anual de exercícios conjuntos com a Brigada Pára-quedista do Exército Espanhol, permitiram-me desenvolver e melhorar os meus conhecimentos na área aeroterrestre. Durante cerca de três anos vivi o sonho de estar a fazer aquilo que me levara para a Tropa Pára-quedista. Também aqui apliquei o meu gosto pelo Andebol de Sete, que foi iniciado durante a minha passagem pelo IST, entre 1960 e 1962, tendo participado no ”Campeonato Internacional Universitário de Balomano” em Madrid, em Dezembro de 1962. Treinei e fiz parte da equipa dos Pára-quedistas e da Força Aérea durante vários anos, quase sempre com vitórias. Não posso deixar de referir o momento da decisão da despedida deste desporto. Era então 2º comandante da BETP e, chegado a casa após dizer que tinha feito um jogo de andebol à tarde, a minha filha, na altura com 8 ou 9 anos, fez-me a derradeira pergunta: “Oh Pai, o que é que te dói hoje?”. Já era o que invariavelmente acontecia quando jogava e, efectivamente, doía-me uma perna por causa de uma joelhada que me tinham dado. Arrumei as sapatilhas no final do campeonato. Em 1983 fui promovido a coronel e colocado no Comando do Corpo de Tropas Pára-quedistas. Esta passagem pelo Corpo iniciou-se com um caso engraçado. Na primeira refeição que tomei na Messe da Força Aérea em Monsanto, à entrada estava uma simpática funcionária, novinha e por sinal bastante gira, que tomava nota dos nomes dos comensais. Como não me conhecia e não se deu ao trabalho de ler a placa com o nome na farda, tivemos o seguinte diálogo: - Bom dia, apresentei-me hoje no CTP e a guia de marcha será enviada mais tarde.
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- Obrigado. O senhor Coronel, como se chama? - Preto - Está a brincar comigo? - Pois estou. Chamo-me Cinzento. - Obrigado… - e um rasgado sorriso.
E assim continuei a tomar a 2ª refeição em Monsanto sem mais problemas. Dois meses passados, andava o Gerente da Messe, Tenente Meireles, à procura da guia de marcha do Coronel Cinzento. Este episódio é fruto das inúmeras trocas de identidade com o meu amigo e colega
Na Guiné em 1967
de curso também pára-quedista, tenente-coronel Monteiro, natural da Guiné, sempre que nos encontrávamos colocados na mesma unidade. Em 1984, fui nomeado comandante da Base Operacional de Tropas Pára-quedistas n.º 1 (BOTP1) em Monsanto, Lisboa. Era uma Unidade com poucas condições para o funcionamento normal de uma unidade de pára-quedistas. Os Comandantes que me antecederam foram arranjando o que puderam, mas as deficiências eram ainda muitas. Acrescenta-se a estas dificuldades as missões de guarda a varias instalações militares em Lisboa, as quais,
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Recordando Antigos Alunos nas Tropas Pára-quedistas
como se calcula, não eram do agrado de nenhum pára-quedista. Em dada altura o CTP aceitou integrar o exercício de Patrulhas de Longo Alcance com forças da NATO, denominado “ SCHINDERHANNES”, a ter lugar em 1986 na Alemanha, e a missão foi dada à BOTP1, por nela estarem integradas as companhias mais relacionadas com a matéria: a Companhia de Comunicações e a Companhia Anti-Carro. Acompanhei com o máximo empenho os treinos das quatro equipes selecionadas. Contudo, por deficiências do material de comunicações, ficámos em último lugar. Sempre que transmitíamos uma mensagem, a nossa posição era detectada em 10 segundos pelo “inimigo”, que enviava uma patrulha para nos capturar. Apresentei no Comando do CTP um relatório onde referia o material de comunicações necessário para melhorar a actuação das nossas equipas. Esse material foi chegando aos
poucos e os conhecimentos obtidos nas missões anteriores, bem como o interesse dos elementos das equipes e o empenhamento de toda a Unidade na simulação de exercícios, permitiram que o resultado obtido em 1987 melhorasse para o meio da classificação e, em 1988, foram as nossas equipes que venceram o exercício. Neste ano, deixei o comando da BOTP1. Fiz uma passagem de um ano pelo EMGA no gabinete de Prevenção da droga e um ano no Curso Geral de Comando e Direcção em Pedrouços. Em 1992, no decurso duma inspecção à Base Aérea de Monte Real – era então inspector da área terrestre na Inspecção Geral Força Aérea -, devidamente autorizado pelo meu chefe, também antigo aluno do CM, General Baptista Pereira, fiz um voo de 45 minutos num jacto A7-P, pilotado pelo então Major Tareco. De acordo com a tradição, fui obrigado a oferecer uma única grade de cervejas aos mecânicos, por não
Oficiais no 1º Aniversário do BCP 12 na Guiné. Na 1ª fila ao centro estão o Ten Eduardo Preto e o Cap Nuno Mira Vaz
ter sujado a aeronave com algum vómito. Reformei-me em Fevereiro de 1993. Condecorações: Cruz de Guerra de 1ª Classe, na Guiné em 1967; Serviços Distintos com Palma, em Moçambique, Junho de 1971; Mérito Militar 2ª Classe, em 1983; Comportamento Exemplar grau Prata; Medalhas Comemorativas das Campanhas da Guiné e Moçambique. Foram-lhe atribuídos o “Prémio Governador da Guiné”, o “Prémio Defesa Nacional” (melhor aluno órfão de escolas militares, Academia Militar 1962) e o Prémio de “Educação Física”, também em 1962 na Academia Militar. Um grande abraço e um grande Zacatraz.
Recordando Antigos Alunos nas Tropas Pára-quedistas
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Deixa comigo!... O Eduardo Preto pertence a uma “remessa” especial. Consta que, quando o seu grupo de jovens oficiais, terminado o Tirocínio em Mafra, chegou ao Regimento de Caçadores Pára-quedistas (RCP), em Janeiro de 1966, o alferes Lopes Nunes terá travado a fundo o único automóvel que transportava os seis passageiros. Em consequência, e perante o espanto do então segundo Comandante do RCP que assistiu à cena, as “malas da ordem”, que iam no tejadilho, passaram pela Porta de Armas antes dos respectivos donos. O alferes Preto, como chefe de curso, foi gerindo, e bem, este grupo que muito deu às Tropas Pára-quedistas! Também teve os seus dissabores, especialmente quando era confundido com o alferes Monteiro, um bijagó que era mesmo de outra cor! Contam-se histórias de mensagens indevidamente entregues, por causa da confusão entre nomes e raças.... Vou avançar no tempo, e contar algo que se passou em Moçambique, anos 70, operação Nó Górdio, em pleno planalto dos macondes. Dois meses na mata, dois comandantes de companhia de pára-quedistas, dois capitães, um conhecimento que marcou, desabafos e confidências, uma amizade que ficou... o pesar de uma camaradagem mal acompanhada. O reconhecimento de um Homem! Um período que recordo, com muita saudade, que deixou uma marca muito profunda. Recordo também o especial jeito do capitão Preto para fazer omoletes (uma aptidão que saiu na imprensa... ) e uma célebre destruição que ambos fizemos, para derrubar uma árvore de grande porte que impedia a construção da pista de aterragem do espaço que havíamos conquistado e que foi, depois, a base Muera, ex-base Moçambique, da Frelimo. Para o efeito, tivemos de recordar as fórmulas que o nosso “querido Major Urso Cansado” tanto se esforçara por nos meter na cabeça, nos bancos da Academia Militar. Avancemos de novo no tempo, até 1976/77. Tancos, Base Escola de Pára-quedistas. O capitão Preto, tinha, entretanto, andado pelo Brasil. Onde fez,
Na BA5 Monte Real, após o voo no A-7P Corsair
de forma brilhante, o curso de precursor aeroterrestre. Diz-se que também foi ensinando como se escrevia na língua de Camões: diariamente, no começo das aulas, escrevia “bomdgia” no quadro preto. E foi com esta experiência de precursor aeroterrestre, que me convenceu, um dia, a ir ao Arrepiado - o Chão dos paras, onde tantos, vindos do céu, aterraram – para apreciar a sua competência na matéria. Estava previsto o lançamento em pára-quedas de uma companhia, e o meu amigo Preto .... era só sabedoria! Dizia .... ”deixa comigo, disto sei eu!” Tinha colocado um fio na antena do emissor-receptor que lhe indicava a direcção e velocidade do vento, o que lhe permitia determinar o local onde aterraria o primeiro pára-quedista. Tudo perfeito! Eu, ignorante na matéria, só achava que era difícil saber tanto... E pronto... o primeiro homem sai do avião... e sai a patrulha toda... e os pára-quedas vão seguindo uma trajectória que não estava prevista, e foi toda a gente para o canavial! Nas explicações posteriores, o Preto lá me foi dizendo que o vento na camada estava diferente...
A partir desse dia, com o meu amigo Preto, foi sempre ”deixa comigo”. Depoimento de Carlos Espírito Santo
Major-General Pára-quedista reformado
A fisioterapia do Passarinho O Passarinho Preto era um atleta robusto, mas um tanto pesado, e castigava imenso o corpo para emagrecer. Para o efeito, praticava todo o tipo de desportos, mas os resultados não o satisfaziam totalmente. Em certa altura decidiu passar a fazer o trajecto desde o Quartel em Tancos até Vila Nova de Ourém, de bicicleta, a uma distância considerável. Utilizou esta fisioterapia durante algum tempo – e parece que também não resultou. Mas os motivos do insucesso só vim a conhecê-los quando certo dia, estando eu a falar com o sogro do Passarinho, ele me disse que não compreendia aquela atitude do genro, visto que, após ter percorrido umas dezenas de quilómetros em bicicleta, chegava a casa e, ao jantar, comia sempre um ou dois frangos... com bastante pão.
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Recordando Antigos Alunos nas Tropas Pára-quedistas
Acrobacia no BCP 12 Há pessoas cujo carácter é apreciado pelos amigos de uma maneira especial. Um bon vivant, por exemplo, é capaz de inspirar a boa disposição dos camaradas. Por sua vez, estes procuram sempre conviver com ele, para sentirem prazer e alegria. Durante a comissão no BCP 12, na Guiné, o Passarinho era o feliz dono de uma espécie de calhambeque que utilizava sobretudo nas deslocações entre a casa e o Quartel. O chaveco era um tanto fraco, mas conseguia transportar cinco ou mesmo seis passageiros sem um queixume. As ruas no interior do Quartel tinham valetas em cimento, bem fundas, para poderem drenar as águas das copiosas chuvadas tropicais. Um belo dia, com a carripana à carga máxima, o Passarinho desloca-se por um desses arruamentos em velocidade pouco aconselhável. Talvez – hipótese que se me pôs na altura – quisesse simplesmente aligeirar a carga da sua preciosa viatura. O certo é que, ao descrever uma curva, meteu a roda da frente direita numa das valetas. Um dos passageiros – que por acaso era eu – ao sentir-se com o corpo ao nível do chão, e temendo os posteriores desenvolvimentos daquela original trajectória, decidiu aproveitar a ocasião para abandonar a equipagem, rolando sobre as ervas que bordejavam a rua, livrando-se assim de sofrer uma muito provável capotagem do carro sobre o seu esqueleto. O Passarinho, alarmado, travou bruscamente. Um dos passageiros, não se tendo apercebido da manobra executada pelo acrobata, perguntou-lhe: - Eh pá! Porque paraste o carro? O Passarinho, impávido, retorquiu: - É que falta o Guerreiro! A tripulação ia morrendo a rir. O único que não achou graça fui eu. Depoimentos de Fernando Viegas Guerreiro Capitão Pára-quedista reformado
Receio que o nosso comum amigo Fernando Guerreiro tenha razão e que o Eduardo Preto seja mesmo cegueta. É certo que não
me lembro de o ver com óculos, se exceptuarmos uns Ray Ban pintosos para os dias ensolarados. A última vez que o vi, há cerca de um mês, no aniversário do Fernando Guerreiro, lá estava ele com a sua Rosário e o olhar completamente desimpedido. Da fama não se livra. Há quem assegure que já era assim aquando das provas físicas para entrada nas Tropas Pára-quedistas, mas o Eduardo, que nunca se atrapalhou com problemas bem mais complicados, não ia atrapalhar-se com
Salto sobre a Figueira da Foz
uma dificuldade tão comezinha. Como é que ele resolveu o assunto? Muito simplesmente, decorou a ordem pela qual as letrinhas se alinhavam nos diversos quadros e nenhum dos examinadores teve a mais pequena suspeita do desenrascanço. Num fim de tarde de 1967, fui confrontado pessoalmente com a maestria com que o Eduardo ignorava esta ínfima deficiência. Sentei-me ao lado dele no Citroen 2CV que é protagonista de outras peripécias relatadas neste número da Zacatraz. Chovia que Deus a dava – e vocês sabem como Deus manda chuva para a Guiné – e o sol tinha-se posto há poucos minutos.
Direcção: Bissau. O Eduardo põe os limpa pára-brisas a trabalhar e a visibilidade continua igualzinha à que havia quando eles estavam parados. “Deixa comigo”, terá ele pensado. Mete a primeira e arranca. À nossa volta tudo é negro: o ar, as palhotas, o alcatrão e sobretudo as pessoas que surgem de nenhures para atravessar a estrada à nossa frente. A água forma cortinas duma densidade impenetrável. Silencioso mas preocupado, não tiro os olhos do pára-brisas, tentando ser útil ao condutor, mas não vejo praticamente nada. O Eduardo, imperturbável, trava, guina, resvala e chama nomes aos incautos transeuntes. Quando me deixou à porta de casa, jurei que não repetiria aquela experiência radical. Não me lembro dele no Colégio, por razões óbvias. Comecei a conhecê-lo em Dezembro de 1966, quando embarcámos no Manuel Alfredo para a Guiné. Ainda no navio, os dois comandantes de companhia fizeram uma repartição dos subalternos. Manifestei o meu interesse em ficar com o alferes Preto, o capitão Lopes Morais anuiu e o futuro deu-me muitas provas de que fiz a escolha certa. É um homem bom e com carácter, um combatente valoroso e um profissional inteligente e empenhado. Foram-lhe atribuídos o “Premio Governador da Guiné”, o “Prémio Defesa Nacional” (melhor aluno órfão de escolas militares, Academia Militar 1962) e o Premio de “Educação Física”, também em 1962 na Academia Militar. Enquanto esteve nas Tropas Pára-quedistas, tratou com igual atenção superiores e subalternos, mas preocupava-se sobretudo com o bem-estar dos subordinados. Sabia incentivá-los, era justo a recompensar o mérito e a sancionar as faltas. Empenhava-se a fundo no cumprimento da missão. Valorizava a camaradagem, a lealdade, a honra e a honestidade. Tive o enorme prazer de lhe entregar, em 1984, o comando da Base Operacional de Tropas Pára-quedistas n.º 1. Pensei então que o Eduardo estava na calha para vir um dia a ser comandante do Corpo de Tropas Pára-quedistas. Tive pena que tal não tenha acontecido. Ele merecia. As Tropas Pára-quedistas também.
Recordando Dario e eu, tu, nós ...
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DARIOe Eu, Tu, Nós… D
ARIO, este nome tantas vezes por nós repetido!... Dele vinha sempre uma palavra amiga, um sábio concelho… era uma presença incontornável, ainda é! Não acredito que haja alguém que o esqueça depois de tantas e boas histórias que temos com ele. Richard… a mim tratava-me por Richard. A primeira vez foi no dia da prestação de provas físicas de admissão ao Colégio, quando foi dizer ao meu pai, seu antigo aluno, que eu tinha feito os 100 abdominais (valiam 20 valores na tabela). No volley como na vida ensinou-me a saltar sempre mais alto, e depois de ter descoberto que eu era do signo sagitário como ele, dizia – Richard, o nosso limite são as estrelas! Com a tua equipa de volley, foi a única vez que fomos campeões regionais de Lisboa – desporto escolar, dizia cheio de orgulho, e não tenho nenhuma fotografia com a equipa, dizia agora com um ar pesaroso. Depois, tive aquele malfadado acidente e fiquei meio ano em coma, só mesmo um Mestre especial se deslocaria ao hospital como ele o fez: Agarrava-me na mão sem vida e ali estava de pé concentrado, transmitindo toda a sua força, dando de si a vida que me faltava, era como se estivesse a estabelecer um fluxo energético, uma ponte de vida. Agora que já não nos será possível cruzar com ele nas muitas visitas e cerimónias que temos no Colégio, poderemos sempre olhar para cima, perscrutando a escuridão do céu. Dando todo o sentido às suas palavras – o nosso limite são as estrelas, posso sorrir com a certeza que no limite dessa escuridão estará uma estrela, uma estrela brilhante retribuindo esse sorriso. Só poderá ser uma estrela cheia de LUZ, da mesma forma que em vida sempre se aplicou e velou para que os seus valores dessem tantos e bons frutos entre os meninos da Luz. Agora, não é um Adeus, mas sim um sincero OBRIGADO, e um ATÉ BREVE…
NOTA - O Professor Dario teria completado 77 anos no passado dia 19 de Dezembro.
Luís Ricardo da Silva e Costa Roncon Santos 226/1981
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Recordando Os que nos deixaram
Os que nos deixaram Fernando José Pereira Marques Cavaleiro (147/1929) Coronel de Cavalaria Nasceu a 11 de Junho de 1917 - Faleceu a 3 de Agosto de 2012
Morreu o Fernando Cavaleiro
Cavaleiro, vou-te dizer o que nunca te disse. Nem tu talvez acredites. Estou-te a ver a sorrir e a dizer: Quem eu? Há longos anos que cheguei à Escola Prática de Cavalaria em Torres Novas para iniciar o tirocínio a oficial. Rapidamente me apercebi, era eu aspirante, de um capitão em torno do qual girava aquela áurea que conferia à Escola um ambiente tão característico e inesquecível. Tu eras, a figura central, uma referência. Eras admirado e respeitado, até pelo Comando, sem deixares de ter, ou por inveja ou por inferioridade, os teus detractores. É óbvio que te estavas nas tintas, até porque tinhas o dom da naturalidade. Eras por natureza homem e militar, não levavas as coisas muito a sério, até porque quase tudo tem a importância que tem, e os grandes problemas não nos dizem respeito, embora nos preocupem. No entanto cultivavas valores superiores. Por certo, desde o Colégio Militar, em especial a CAMARADAGEM. A ti se aplicava com justeza a trilogia: BOM, BELO e BRAVO. Não procuravas missões, tarefas e responsabilidades, como outros com objectivo de protagonismo, e que á primeira oportunidade enjeitam essas responsabilidades.
Tu sabias bem o peso de uma responsabilidade e sempre assumiste as que te couberam pela vida fora e sempre cumpriste as missões ou tarefas de que te incumbiram com o maior brio e eficácia. Para a minha geração de cavaleiros, pelo menos a grande maioria, tu eras O CAVALEIRO. Tiveste a arte de saber viver, ultrapassares as dificuldades, sem vãs ambições, renunciando ao protagonismo. Com a maior naturalidade a tua vida foi exemplar até provando em combate seres um comandante invulgar. Que General tu terias sido! Não o quiseste ser. Tinhas um carisma inigualável. Além de tudo isso, foste o militar mais desembaraçado que conheci. A minha carreira militar foi longa, conheci muita gente, bons e maus, mas tu foste entre todos o meu militar preferido. Tiveste um funeral discreto, desgostou-me a ausência de muitos camaradas que te admiravam, da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar e até do Comité Olímpico ou Associação dos respectivos atletas, (tu foste olímpico diversas vezes). Talvez por serem férias não tiveram conhecimento. Em teu nome, estão desculpados.
No entanto, talvez tudo fosse a teu gosto, acompanharam-te a tua família e alguns amigos. Não houve folclore, de que tu não gostas, como noutros funerais cujo protagonismo é ir lá: esteve lá A, B, C, etc. (vem nos jornais). Á família, envio as minhas mais sentidas condolências. Do Cavaleiro relembrarei para sempre a imagem de um homem excepcional assim como a honra e orgulho de ser um dos seus amigos. Ricardo Fernando Ferreira Durão 17/1938
O Coronel de Cavalaria Fernando José Pereira Marques Cavaleiro (147/1929), nascido em 1920 e na situação de reforma, faleceu no dia 3 de Agosto de 2012. Durante a guerra no Ultramar, notabilizou-se no teatro de operações da Guiné entre 22 de Julho de 1963 e 12 de Agosto de 1965, como comandante do Batalhão de Cavalaria 490, designadamente no comando das forças terrestres da “Operação Tridente”, realizada de 15 de Janeiro a 24 de Março de 1964 na designada “Ilha do Como”. Foi agraciado, com uma Medalha de Cruz de Guerra de 3ª classe (em 1964), e com uma Medalha de Cruz de Guerra, de 1ª classe (em 1966), ambas por feitos em combate. Paz à sua Alma!
Recordando Os que nos deixaram
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António Venâncio Figueira (187/1930) Médico Faleceu a 3 de Agosto de 2012
Rui Ferreira (28/1937) Oficial do Exército da Arma de Cavalaria Nasceu a 25 de Julho de 1925 - Faleceu a 5 de Julho de 2012 Para todo o sempre Capitão de Cavalaria do Exército Português A primeira recordação que tenho dele foi correr-lhe para os braços quando chegou de férias da 1ª comissão militar em Angola em 1962. A última foi quando morreu, sereno, no meu hospital, comigo. Entre elas, estendem-se o amor e o orgulho pelo Pai que tive, pelo Marido que foi, pelo Amigo que soube ser, pelos erros, pelas mágoas, pelos grandes exemplos, pelas pequenas gentilezas. Pela sua mão, deixou inventariado o mais importante da sua vida. HABILITAÇÕES LITERÁRIAS - Formação Liceal no Colégio Militar Aluno nº 28. Entrada em 1937 para o 2º ano e conclusão do curso em 1944. As histórias, tantas vezes contadas à mesa da casa de jantar, de professores, colegas, contínuos e cavalos. - Frequência de dois anos do curso de Medicina Veterinária da Faculdade de Lisboa - Vários cursos no Exército (Curso para Oficial Miliciano, Curso para Capitão, etc) ALGUMAS FUNÇÕES MILITARES - Instrutor do Curso de Sargentos Milicianos no Regimento de Lanceiros 2 (1951) - Alferes e Tenente do Esquadrão Motorizado de Macau (1951-1956) A esgrima, e a rivalidade amigável com os ingleses de Hong-Kong. O casamento à distância, debaixo de fogo, mas para sempre. E a 1ª filha, a filha de Macau. - Director do Centro de Condução Automóvel de Macau - Porta-Bandeira Nacional do Regimento de Lanceiros 2 (1959) - Como Capitão, em Angola – Oficial do Pessoal e Reabastecimento do Grupo de Cavalaria 3451 (1961-1962) A história do rugido do leão que era o mugido das vacas. - Comandante de Esquadrão do Grupo de Cavalaria 345 (1962-1963) A 18/10/1962 a queda de avião no Monte Tempa, a 180 km a oeste de S. Salvador do Congo, comemorada, contada e recontada nem sempre da mesma maneira.
- 2º Comandante interino do grupo de Cavalaria 345 (1963-1964) ALGUMAS FUNÇÕES CIVIS DESEMPENHADAS - Adjunto do Serviço de Pessoal da Siderurgia Nacional - Director de Serviços de Informação Médica (1965 – 1985) e de Aprovisionamento e Controlo (1985 – 1994) de Empresa Multinacional de Produtos Químicos e Farmacêuticos. - Reformou-se em 1994 ASSOCIAÇÕES - Associação dos Combatentes do Ultramar (sócio fundador) - Liga dos Combatentes - Associação dos antigos Oficiais do Regimento de Lanceiros 2 - Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar - Automóvel Clube Português - Clube Filatélico de Portugal A colecção de selos do Oriente, fruto de um trabalho interminável, mirada centenas de vezes pelos meus olhos cobiçosos - Liga da Multissecular Amizade Portugal-China Secretário da Direcção (1997 – 2009) Conselheiro (2009 – 2012)
As 5 viagens à China, um amor antigo. 4 em representação oficial e 1 em turista fascinado. Todos os destinos prováveis e improváveis. Milenares e tecnológicos. O pato solitário e o grilo de Pu Yi. Quando morreu estudava e recolhia dados sobre as 5 etnias, as 23 províncias, as 5 regiões autónomas, os 4 municípios e as 2 regiões administrativas especiais da China. Lembrá-lo é mantê-lo connosco.
As selecções de esgrima representativas do Colégio Militar no ano de 1942 nas modalidades de florete e de sabre Fila de trás, da esquerda para a direita: 265/1937 Correia Martins; 285/1938 Francisco Hipólito; 190/1935 Rui Soares; 130/1937 José Lopes Cavalheiro; 382/1938 Vital Grandvaux Barbosa; 79/1937 João Faria Araújo; 327/1937 José da Paz Olímpio. Fila da frente, da esquerda para a direita: 135/1936 Fortunato Ferrinho; 28/1937 Rui Ferreira; 66/1935 Nuno Lobo Victoria; 210/1935 António Varejão; 119/1934 Francisco Romana Ribeiro.
Margarida Ferreira, a 2ª filha
Celebração dos 25 anos de conclusão do curso 1936/1943 nos salões da Sociedade de Geografia em Lisboa Fila da esquerda, de cima para baixo: 225/1936 António Vicente da Silva; 171/1936 Jorge Riley Mota Faria; 383/1934 João Medeiros de Almeida; 110/1936 Luís Teixeira Diniz; 332/1937 Júlio Marques Cavaleiro. Fila do meio, de cima para baixo: 198/1937 Alfredo Fernandes de Oliveira; 340/1937 Jorge Melo Gomes; 302/1936 José Almiro Canelhas; 325/1937 Fernando Fadié Santos; 305/1937 Mário Cortesão Casimiro. Fila da direita, de cima para baixo: 313/1936 Tiago Sousa Cunha; 112/1936 José Soares de Oliveira; 196/1936 Luís Quintino Rogado; 121/1936 Eduardo Matos Correia; 2/1936 Luís Melo Oliveira; 28/1937 Rui Ferreira.
1 - No último número da “Zacatraz”, o do 3º trimestre de 2012, encontra-se, na pág. 35, um esclarecedor artigo sobre o Grupo de Cavalaria 345.
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Recordando Os que nos deixaram
Álvaro Manuel Vilares Cepeda (238/1937) Oficial do Exército - Coronel de Infantaria Faleceu a 5 de Agosto de 2012
Em 1939 quando da entrega da Feitoria ao Colégio e em 2012 na celebração dos 75 Anos de Entrada
O meu irmão Álvaro que nos deixou a 5 de Agosto, após dois meses de sofrimento, era o mais velho dos três que frequentou o colégio 238/1937, 310/1941 e 38/1950. Concluído o Colégio optou pela arma de Artilharia tendo sido um dos últimos cadetes do curso de 5 anos (44 a 49). Durante a carreira militar esteve em Macau três anos como subalterno, dois em Diu como Comandante de uma Bateria (sendo encarregado do Governo do Distrito durante um ano) e Chefe das Operações de Angola de 1969 a 1971. Frequentou com distinção o Curso de Estado-Maior português e americano bem como um Curso de Gestão. Foi Professor na Academia Militar e no Instituto de Altos Estudos Militares e comandou o Regimento de Artilharia de Leiria.
Em 1980 foi convidado para a direcção do Casino Estoril onde chegou a Director Geral. Casou em 1954 com a médica Dora de cuja união nasceram 4 filhos que lhe deram nove netos e dois bisnetos. Quer na família, quer na vida profissional deixou a sua marca de bondade e de orientador no cumprimento de alcançar o bom terreno e a vida eterna que como bom católico lhe estará reservada. Nuno Vilares Cepeda 310/1941
Dinossauros de 1937/1944, e parte mais Um… Em 4 de Maio deste ano, o nosso curso, celebrou mais uma efeméride: - 75 Anos de Entrada no Colégio.
O 238/37 ÁLVARO MANUEL DE VILARES CEPEDA, estava entre os 13 que se puderam juntar para a comemoração. Precisamente três meses depois da reunião, o Cepeda “partiu”, e o nosso curso ficou mais pobre. Vamos apenas lembrar quem foi o Cepeda para os seus camaradas de Curso. Tendo-se adaptado perfeitamente a viver em grupo, a sua principal característica era, sem dúvida alguma, a modéstia. Sem alardes nem exibicionismos, cumpria com à-vontade todas as obrigações e deveres inerentes à “vida colegial”. Como estudante, era daqueles alunos de que, praticamente, não nos apercebíamos:- era impensável que o Cepeda pudesse chumbar um ano e estava entre os das notas positivas (boas…). Como camarada estava sempre pronto a integrar-se em todas as actividades do curso e podia-se contar com a sua discreta, mas empenhada, colaboração. Como antigo aluno, sempre manifestou o seu amor ao Colégio e nunca faltou nem às reuniões comemorativas das efemérides do Curso, nem às reuniões mensais, mesmo quando o seu estado de saúde já era precário. A outra grande característica, que bem o podia definir, era ser um bom amigo. Nunca alguém necessitou da sua ajuda, que ele não estivesse de imediato ao seu dispor. Com a sua morte, que muito nos tocou, perdemos um querido camarada e grande Amigo que será, para sempre, lembrado nas nossas orações. Pelo Curso de 1937/1944 Álvaro Augusto da Fonseca Sabbo 133/1938
Cristiano José de Sousa Moreira (321/1941) Professor Catedrático, Arquitecto Nasceu a 31 de Agosto de 1931 - Faleceu a 27 de Setembro de 2012 O Cristiano foi um excelente amigo. Bom aluno e bom desportista teve uma grande camaradagem com todos os seus colegas. As suas capacidades, atitudes e comportamento levaram-no a ser Comandante de Companhia da 1ª no ano de 1948/49. Enuncia-se, de seguida, um resumo do seu curriculum vitae. Nascido no Porto em 31 de Agosto de 1931, frequenta o liceu no Colégio Militar, formando-se em Arquitectura na Escola Superior de Belas Artes do Porto em 1961. Faz estágios durante os anos de 1961 e 1962 na Suécia e Finlândia, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian.
Reinicia em 1963 no Porto a colaboração com o Arquitecto João Melo Breyner Andresen de que se torna sócio até ao seu falecimento. Em 1964 é convidado para Assistente na ESBAP, tendo feito em 1979 o Concurso de Agregação/Doutoramento, passando posteriormente para o quadro da Faculdade de Arquitectura como Professor Associado. Com uma actividade profissional diversificada, cobrindo as áreas de edifícios e planeamento, realizou trabalhos tanto para entidades públicas como privadas. De entre os primeiros podem destacar-se a Polícia Judiciária do Porto, a Pousada de Almeida, a sede da Segurança Social de Vila Real, o Aeródromo de Vilar da Luz e a Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Como trabalhos privados podem destacar-se as
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Recordando Os que nos deixaram
«Parti para uma nova Viagem. Deixo-vos os melhores momentos que vivemos juntos» NÃO CHOREMOS QUEM PARTE. LEMBREMO-LO E REJUBILEMOS COM OS MOMENTOS DE ALEGRIA E BELEZA QUE COM ELE PARTILHÁMOS.
Da esquerda para a direita Prof. Arq. Cristiano Moreira (321/1941), Eng.º Civil José Myre Dôres (47/1942), Eng.º Silvicultor Joaquim Barradas (224/1941), Coronel Roberto Ferreira Durão (15/1942), General Rafael Guerreiro Ferreira (95/1942), de costas o Coronel Amadeu Nunes Duarte (39/1942)
moradias para o Mestre Barata Feyo, Diogo Vaz Pinto, Fernando Lobo Guedes, Dr. Amadeu Campos Costa e Dr. Salvador Guedes. No campo da arquitectura industrial destacam-se os trabalhos para a Inapol, Aveleda, Ferreirinha, Vinhos Borges, Sandeman, Quinta do Castro e a quase totalidade das instalações da Sogrape. Conheci muitas das obras projectadas pelo Cristia-
no de grande qualidade e podemos dizer que foi um importante arquitecto no “Douro vinhateiro”! O Cristiano soube corresponder à formação de carácter que o nosso Colégio lhe transmitiu.
CRISTIANO Tu apenas partiste Mas em nós ficaste: Muito de ti em nós persiste Naquilo que de nós em ti levaste.
Dos teus amigos do Colégio da Luz Roberto Ferreira Durão 15/1942
José Maria Myre Dôres 47/1942
Orlando José Sequeira da Silva (226/1944) Oficial do Exército - Coronel de Cavalaria Faleceu a 24 de Fevereiro de 2012 24 de Fevereiro de 2012. O tempo concedido ao querido amigo Coronel de Cavalaria Orlando José Sequeira da Silva para viver, terminou. E ele partiu. Antes que o vazio irremediável da sua perda, tome conta dos meus sentimentos, quero pensar que felizmente acabou o seu longo e doloroso sofrimento sem esperança e que a minha Fé me dá a certeza que irá encontrar a sua mulher - a querida e muito amiga Ticinha – a única e grande paixão da sua vida cuja perda ele chorava há quase dois anos. Quero também lembrar-me que a todos os seus amigos - e são muitos - o Orlando deixou o testemunho da sua vida irrepreensível, quer civil, quer militar, e inúmeras memórias que todos guardamos no coração. Quis o destino que frequentássemos ambos o Colégio Militar (era o 226/44), a então Escola do Exercito no curso de Cavalaria, e o tirocínio em Torres Novas - tempos lendários! – e ambos colocados como alferes no Regimento Cavalaria 3 em Estremoz onde as galopadas por aquelas planuras nos embriagavam. Lembro aqui o Tenente Coronel Ornelas Monteiro nosso companheiro desde a escola do Exercito e que receberá o Orlando com as suas inesquecíveis gargalhadas. Só falta eu para completar os três “charmosos” alferes que encheram Estremoz de muita alegria e
de um grande grão de loucura. Eu e o Orlando fomos escolhidos depois da recruta para frequentar o curso da Policia Militar, e passado pouco tempo fomos mobilizados para o Ultramar. Tirámos à sorte o número da Companhia e ao Orlando calhou Luanda e a mim Lourenço Marques. Foram Comissões trabalhosas mas “Comissões de luxo” tendo em vista todas aquelas que eram cumpridas no mato. Sei que a Comissão do Orlando foi muito mais difícil que a minha, mas cumprimos bem a missão. Terminado o “turismo operacional” e regressados à Metrópole, fomos ambos mobilizados para o Batalhão de Cavalaria 1915 com destino à Guiné. Em vésperas do embarque o Batalhão foi desfeito – e era um bom batalhão, o nosso. O Comando e a Companhia do Orlando marcharam para a Guiné e eu fui despachado para Angola para as terras do fim do mundo. A sede era na tão falada N’riquinha. As comissões não foram fáceis, ambos tivemos baixas, mas não tenho dúvidas que a missão do Orlando foi mais difícil que a minha. No fim, ambos fomos louvados em O.E. e os nossos serviços considerados relevantes e distintos. Por um critério que não tentámos descobrir, em vez da medalha de serviços distintos, foi-nos concedida a medalha de mérito militar de 3ª. Coisas da vida! Depois os nossos destinos separaram-se.
É claro que o Orlando depois do 25 de Abril foi colocado na GNR, em Évora (!), na altura da entrega das terras que tinham sido revolucionariamente ocupadas. O que o meu querido amigo sofreu; sabe-o Deus. Quando nos encontrávamos em Lisboa e, foram muitas vezes, era festa! Isto tudo para dizer que sou uma testemunha privilegiada para afirmar a competência, o caracter, o espirito de sacrifício e a valentia em combate do Orlando. Testemunho também a sua camaradagem e ….o seu fino sentido de humor que ele disfarçava sempre – nunca soube porquê - apresentando em todos os momentos uma cara façanhuda, um temperamento rezingão que era exactamente o contrário daquilo que no fundo era. Talvez por isso nunca tenha sido devidamente apreciado e aproveitado. Mas tudo isso já passou, já não interessa. As saudades que temos dele, os exemplos que nos deu, a gratidão por termos vivido a sua amizade, enche-nos o coração, embora não ocupe o vazio da sua falta. Orlando estás no nosso coração. Zacatraz! Repousa em Deus. José Taveira de Oliveira Martins 187/1945 Coronel de Cavalaria
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Recordando Os que nos deixaram
Eduardo Augusto Ribeiro de Sousa (525/1960) Professor Universitário Faleceu a 18 de Setembro de 2012
Pedro de Oliveira de Sousa Dias (583/1961) Jornalista, Repórter e Editor Fotográfico Nasceu a 23 de Janeiro de 1951 - Faleceu a 29 de Agosto de 2012
O Pedro de Oliveira de Sousa Dias (583/1961) nasceu em 23 de Janeiro de 1951, em Lisboa. Foi baptizado em Mafra e passou a sua infância no Porto, Torres Novas e depois em Lisboa, onde viveu até 2008. Fez o ensino básico no Colégio de Santa Catarina de Ribamar e no Externato do Restelo. Entrou para o Colégio Militar em 1961, onde permaneceu até 1967, tendo integrado a classe especial de ginástica e a escolta a cavalo. O irmão Ricardo foi o 339/1963; as irmãs Isabel e Ana completaram o curso do Instituto de Odivelas. Parte dos elementos aqui referidos foi coligida pela irmã Isabel. Aos fins-de-semana dos nossos 14 e 15 anos frequentávamos, ele e alguns de nós – o Nuno Matos Silva (91/1961), o Pedro Garrido (53/1961), o Luís Magalhães (146/1961), o Zé Brandão (400/1961), e outros que me perdoem não referi-los – as festas na casa da avenida “do Aeroporto” (a Gago Coutinho), dos avós da Kika Costa Campos (menina de Odivelas) e do irmão (Luís Costa Campos, o 118/1964). Era assim como se fossem chás-dançantes, reservados e reservados, com meninas de Odivelas e suas amigas (entre as minhas irmãs, as deles, as de outros e outras). Vendo à distância, talvez numa versão saudável da família colegial alargada e na prática dum ensino “misto” comedido e atento às realidades da adolescência; ou, dito doutra forma: apenas, e só, tutti quanti… Guardo, eu e os que disso falamos, boas memórias das amizades ali feitas para a vida.
No nosso 7º ano, a disponibilidade já não era a mesma: tínhamos outras obrigações colegiais, para além do estudo: a de enquadrar e de formar os mais novos, que estavam à nossa responsabilidade. O Pedro tinha entretanto saído no 6º ano e todos começávamos a virarmo-nos para outras direcções. Devido a comissão de serviço do pai, oficial do exército, passou também por Angola. Na vida profissional, começou como repórter fotográfico no Século, em 1972 (ou 1973), onde colaborou regularmente também com as revistas Cinéfilo e Vida Mundial, pertencentes à mesma empresa. Depois passou pelo jornal A Capital, brevemente, e fixou-se no Diário de Notícias até se reformar. Foi o editor fotográfico duma revista de referência pelo grafismo e a qualidade fotográfica, com vida fugaz, esquecida e mal-amada que, como muitas coisas de qualidade, que passam no céu como cometas: o DNA, de que poucas pessoas falam. Encontrámo-nos várias vezes em Lisboa nessa altura, quando o meu filho tinha entrado para o Colégio. Não estava bem e sabia-o, mas remetia ainda assim o mal-estar para a qualidade do trabalho que fazia. Frequentava nessa altura, também, o Speakeasy, Jazz-bar de que a Kika Costa Campos era co-proprietária e que
era também frequentado por muito pessoal do nosso tempo no Colégio; o Fanha (289/1961), o Passarinho (59/1961), entre outros. Aliou o gosto pela fotografia ao gosto pela música, preferência que era reconhecida nas redacções por onde passou, e assim fotografou muitos músicos, quer em espectáculos quer em entrevistas. Fez muitas viagens, em trabalho e em lazer, de Cabo Verde à China, e gostava especialmente de Barcelona, cidade onde viveu alguns meses. Tinha um filho, Tiago Sousa Dias, também repórter fotográfico, e era casado com Anabela Kemp de Sousa Dias. Reformou-se em 2007 e mudou-se para Tavira, onde viveu até à morte, em 29 de Agosto de 2012, na sequência de doença prolongada. Instado para comparecer aos convívios com o pessoal do Colégio no Algarve já não tinha energias nem vontade para isso. Quando lhe dissemos que íamos enviar-lhe fotos do “álbum/calisto do curso” respondeu: “manda, que ajuda”. Foi a última conversa. “Manda que ajuda”: não é possível arrancar da memória a última frase que lhe ouvi. Joaquim Arnaldo Maltez Cardeira da Silva 133/1961